Recursos Humanos
 
ABRH
Jornal  Catho
 
10.03 - Cai diferença de jornada entre homens e mulheres, diz IBGE 
Mesmo com avanço da escolaridade, diferença de renda persiste em cerca de 30% 
Cada vez mais presentes no mercado de trabalho, as mulheres já cumprem uma jornada semanal média pouco menor do que a dos homens, embora seu rendimento tenha correspondido a apenas 72,3% do masculino no ano passado.
Elas se ocupavam, em média, 38,9 horas semanais, somente 4,6 horas semanais a menos do que os homens -essa diferença era de 5,2 horas em 2003.
Tal perfil é retratado pelo estudo "Mulher no Mercado de Trabalho: Perguntas e Respostas", divulgado na segunda-feira pelo IBGE, no Dia Internacional da Mulher, e feito com base na Pesquisa Mensal de Emprego.
Apesar de mais escolarizadas, as mulheres ganham menos do que os homens e tal situação pouco mudou ao longo dos últimos anos. Em 2003, a renda média delas representava 70,8% do rendimento masculino. Em 2009, o rendimento do trabalho das mulheres foi de R$ 1.097,93, inferior ao dos homens -R$ 1.518,31.
Isso ocorre mesmo com o nível maior de qualificação da força de trabalho feminina, segundo o IBGE, e as razões são principalmente culturais.
Pelos dados da pesquisa, 61,2% tinham 11 anos ou mais de estudo, acima dos 53,2% dos homens. Isso é reflexo do fato de que as mulheres, em geral, passam mais tempo na escola.
Nem mesmo conforme avança a escolaridade as diferenças se diluem. Considerando um grupo com a mesma escolaridade e do mesmo grupamento de atividade, a distância entre os rendimentos persiste na mesma faixa dos 30%.
Segundo o IBGE, a renda da população masculina era superior à feminina mesmo para quem tinha curso superior.
De acordo com a pesquisa, 59,8% das mais de 1 milhão de mulheres desempregadas nas seis principais regiões metropolitanas do país tinham mais de 11 anos de estudo. Em 2003, o percentual era menor: 44,7%.
Ocupações
Os dados mostram ainda que as mulheres estão mais inseridas e são a maioria apenas na administração pública (por causa dos serviços de saúde e educação, onde têm presença forte) e nos serviços domésticos -nessa categoria, representavam 94,5% do total.
Nas demais atividades econômicas, elas são minoria: indústria, comércio, serviços prestados às empresas, outros serviços e construção civil -nesse caso, 94,9% dos trabalhadores são homens. (PEDRO SOARES - Folha de S.Paulo)

10.03 - PLR em entidades sem fins lucrativos?
Desde o início deste ano foram veiculadas várias notícias sobre o êxito que a Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) das empresas tem gerado nas relações entre empregados e empregadores. Este jornal, em editorial (9/1/2010), destacou uma série de resultados benéficos que essa poderosa ferramenta de gestão, fundada na Lei nº 10.101/2000, vem provocando nas empresas.
A imprensa também noticiou, mais recentemente, a ideia, baseada num estudo do governo federal, de tornar obrigatória a distribuição aos empregados de 5% do lucro líquido das empresas. Tal ideia, caso fosse posta em prática, seria um ultraje organizacional, pois eliminaria o que há de mais louvável nessa Lei da PLR, que é o seu caráter de livre negociação.
Pois bem, em vez de descaracterizar a Lei nº 10.101/2000, urge submetê-la a uma revisão, visando a eliminar uma falha que existe em seu bojo e vem penalizando as instituições sem fins lucrativos.
Essa falha é oriunda do fato de que lucro e resultado, no que concerne à remuneração, estão sendo equivocadamente considerados sinônimos. Não se trata de mera discussão semântica, mas sim de conceitos indevidamente aplicados, transpostos do plano contábil para os planos legais e de gestão empresarial. A consequência disso provoca danos a entidades sem fins lucrativos.
Isto é, a Lei da PLR concede, às empresas que seguirem as determinações legais nela contidas, uma série de vantagens, como, entre outras: a não incidência de encargos trabalhistas sobre a participação que é paga aos empregados e a não ocorrência do princípio da habitualidade, ou seja, o acordo é renovável a cada ano. Permite, também, à empresa decidir o quanto será pago a título de participação e quando será realizado o pagamento. Entretanto, a lei assinala que tais princípios não se aplicam a entidades sem fins lucrativos.
Vale também salientar que a Lei nº 10.101/2000 regulamenta um princípio constitucional, definido no artigo 7º da Carta Magna, que sustenta ser direito dos trabalhadores urbanos e rurais a participação nos lucros ou nos resultados. Mas a Lei da PLR, paradoxalmente, elimina a possibilidade de milhares de empregados que trabalham sob o regime da CLT em entidades sem fins lucrativos de terem qualquer tipo de participação, seja nos lucros ou nos resultados.
É óbvio que não faz sentido entidades sem fins lucrativos distribuírem participação nos lucros aos seus empregados. Porém, tais programas de remuneração variável podem ser sobre lucro (parte contábil especificamente) ou sobre resultados, que a própria lei denomina por indicadores de qualidade, índices de produtividade, metas e objetivos.
Portanto, seria perfeitamente viável uma entidade sem fins lucrativos pagar aos seus profissionais participação nos resultados.
Não são poucas as empresas, mesmo com fins lucrativos, que desenvolvem com seus profissionais programas de participação nos resultados em vez de participação nos lucros. São planos previamente acordados entre empregados e empregador, seguindo as regras e os critérios estabelecidos na Lei nº 10.101/2000, mas desvinculados de qualquer tipo de relação direta com a questão da lucratividade. Nesses casos, a remuneração variável está fundada em metas de gestão, visando, em muitos casos, à melhoria da qualidade de seus produtos ou serviços ofertados no mercado.
Nesse contexto, seria naturalmente exequível uma entidade sem fins lucrativos adotar programa de participação nos resultados, seguindo os passos apresentados na Lei nº 10.101/2000, e não pagar encargos trabalhistas sobre o montante da participação destinado aos seus empregados, e também não ficar sujeita ao princípio da habitualidade. Isto é, a entidade estabeleceria metas de gestão que, caso alcançadas pelos seus empregados, estes receberiam alguma forma de participação.
Não estou tecendo uma crítica generalizada à Lei da PLR. Trata-se de dispositivo legal flexível, fundado na livre negociação e que, em linhas gerais, atende - e muito bem - às necessidades das empresas privadas. Entretanto, tal lei claudica por não estender seus benefícios aos que trabalham em entidades sem fins lucrativos. Isso é lamentável, num momento em que as empresas em geral estão passando a adotar formas de remuneração variável, visando a motivar seus profissionais e, ao mesmo tempo, se beneficiar de estímulos fiscais para desonerar a folha de salários.     (Sérgio Amad Costa - O Estado de S.Paulo)
 
 
 
 
 

09.03 - Emprego: Mulheres em ascensão 
Aumenta o número de mulheres em cargo de chefia, mas salário é inferior ao do homem 
Neste Dia Internacional da Mulher há boas e más notícias sobre o mercado de trabalho. A boa: a dedicação feminina nas empresas está gerando resultado positivo e vem crescendo o número de mulheres em cargos de liderança. No entanto, um antigo problema ainda ronda o cenário: o salário de uma mulher ocupando o mesmo cargo de um homem ainda é menor.
De acordo com a Great Place to Work, consultoria internacional que faz a pesquisa Melhores Empresas para Trabalhar em 44 países, o mercado profissional feminino está em ascensão. Em 2009, 43% dos postos de trabalho nas 100 melhores empresas para se trabalhar eram ocupados por mulheres e elas estavam em 36% dos cargos de liderança nessas organizações. Em 1997, apenas 11% dos cargos de chefia eram ocupados por mulheres.
“As empresas têm percebido cada vez mais o valor do perfil feminino nas organizações e tirado proveito de suas características. A sensibilidade, a flexibilidade e a capacidade de lidar com conflitos da mulher se transformam em maior produtividade nas organizações”, entende Andrea Veras, diretora da Área de Desenvolvimento de Lideranças da Great Place to Work. 
“O acesso das mulheres às posições de chefia, gerência e diretoria vem aumentando. Mesmo nos altos níveis da administração governamental - nos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário -, a participação vem se ampliando”, afirma José Pastore, professor titular da Faculdade de Economia e Administração da USP e especialista em Economia do Trabalho.
Salários
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres recebem cerca de 65% da renda dos homens. Além disso, uma das conclusões do estudo “Mulheres e trabalhos: avanços e persistências”, que será divulgado hoje pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), é que apesar de ocuparem cada vez mais postos no mercado de trabalho, as mulheres ainda estão encarregadas da maior parte dos afazeres domésticos. 
Um relatório divulgado no início do mês pela Diretoria da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil, confirma a jornada dupla das mulheres: “Ao se conjugarem as horas de trabalho dedicadas às tarefas domésticas com àquelas referentes à jornada do mercado de trabalho, a média semanal total delas alcança 57,1 horas e ultrapassa em quase cinco horas a dos homens (52,3 horas).”
“Além de ganhar menos, elas demoram para ser promovidas, mas já foi pior”, pondera Andrea. Segundo ela, a mulher sempre precisou se dedicar para ter conquistas profissionais e por muito tempo ainda será assim. “A maioria delas tem um papel importante na vida doméstica e também tem uma grande demanda para provar sua capacidade profissional.”   (ELENI TRINDADE - Jornal da Tarde)

09.03 - Reduzir a jornada de trabalho faz mais mal do que bem 
Ao aumentar o custo do trabalhador, a PEC 231 estimula o aumento da informalidade no mercado de trabalho
Há uma máxima em economia que diz que determinadas políticas públicas, geralmente muito populares e bem intencionadas e que aparentemente melhorariam as condições de vida das pessoas por elas afetadas, acabam por piorá-las. A proposta de redução da jornada semanal de trabalho no Brasil, de 44 para 40 horas, sem a diminuição dos salários, e o pagamento de 75% sobre a hora extra trabalhada, contida na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 231/95, parece se enquadrar perfeitamente nesse figurino. À primeira vista, uma jornada menor melhoraria a qualidade de vida dos trabalhadores, dando-lhes mais tempo para o lazer e a família. Além disso, restaria inclusive mais tempo e, com as horas extras, mais renda para consumir, o que estimularia a economia. Por fim, a medida ainda poderia ampliar a criação de empregos, devido à necessidade de novas contratações para compensar a queda de 10% na jornada de trabalho semanal.
No entanto, essa visão só enxerga parte do quadro. Mas o que acontecerá com as empresas que empregam esses trabalhadores? Com certeza, seus custos por trabalhador aumentariam, pois teriam que continuar pagando os mesmos salários por menos horas de trabalho ou pagando valores mais elevados pelas horas extras. Assim, haveria uma perda de competitividade das empresas brasileiras em relação às que operam em suas concorrentes no exterior. 
A solução que boa parte das empresas brasileiras de maior porte e com capacidade de investimento tomaria seria a substituição, na medida do possível, de seus trabalhadores por máquinas. As de menor porte e com pouca capacidade de investir, caso típico das pequenas e microempresas, seriam forçadas a reduzir o número de seus empregados. Em ambos os casos, aqueles supostamente beneficiados pela medida seriam prejudicados, gerando um aumento do desemprego, o resultado oposto daquele desejado pela medida.
Alguns podem pensar que isso não faz sentido, pois o país se encontra novamente em um período de forte crescimento econômico, batendo recordes sucessivos de ampliação do emprego. No entanto, essa medida tem o potencial de reduzir dramaticamente a expansão do emprego, mesmo com a economia voltando a crescer acima de 5% ao ano. Além disso, essa medida tira o foco daquilo que deveria ser a principal preocupação do governo em relação ao emprego: a realização de uma corajosa reforma trabalhista, que proporcionasse um aumento significativo dos empregos formais no país. Atualmente, pouco mais da metade dos trabalhadores brasileiros estão na economia formal, restando a informalidade para os demais. Ao aumentar o custo do trabalhador, a PEC 231 se torna mais um ingrediente a estimular o aumento da informalidade no mercado de trabalho brasileiro.
Outro aspecto interessante a ser examinado é que os principais países emergentes, que pertencem ao grupo dos Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), apresentam jornadas de trabalho semanais mais longas que a brasileira. Na China, a média de trabalho semanal na indústria chega a 49 horas, enquanto na Índia alcança a 47 horas, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Em vários países latino americanos, a carga de trabalho semanal também é mais longa do que no Brasil, chegando a 45 horas no México, no Uruguai e na Colômbia. 
Mas, quando se compara as horas trabalhadas ao longo do ano, o quadro ainda é mais desalentador. Devido ao período de férias brasileiro, de 30 dias por ano, quando na maioria dos países emergentes gira em torno de 20 dias anuais, e do número de feriados, a jornada anual trabalhada no Brasil é menor do que em boa parte desses países. Portanto, a adoção da jornada de 40 horas semanais no país, sem alterar o período de férias e o número de feriados, iria reduzir ainda mais a competitividade das empresas que atuam aqui.
Por fim, uma série de estudos tem demonstrado que a redução da jornada de trabalho semanal não resultou em aumento de empregos. Na França, a redução da jornada de trabalho de 40 para 35 horas semanais além de não provocar o aumento esperado de empregos, causou uma fuga de investimentos para países da União Europeia com jornadas de trabalho maiores e legislações trabalhistas mais flexíveis, como Espanha e República Tcheca. No caso brasileiro, a redução da jornada de trabalho de 48 para 44 horas semanais, garantida pela Constituição de 1988, não criou mais empregos. 
Uma das razões é que a maior parte dos empregos no Brasil é criada por micro e pequenas empresas, que não têm como arcar com a elevação das folhas de pagamento. De acordo com a literatura especializada, o que, de fato, gera mais empregos é a combinação de crescimento econômico elevado e sustentável, maior qualificação dos trabalhadores e uma legislação trabalhista que estimule a contratação de novos trabalhadores.
Em suma, o resultado da aprovação da PEC 231 será o desemprego e a informalidade para muitos brasileiros a quem ela supostamente iria beneficiar. Assim, se o governo não tem condições políticas de realizar uma reforma trabalhista, que estimule a formalização dos trabalhadores, especialmente em um ano eleitoral, ao menos deve evitar adotar tal medida que não contribui em nada para a expansão dos empregos formais no país. O melhor caminho seria o da livre negociação entre sindicatos empresariais e de trabalhadores, como ocorre na maioria dos países emergentes e desenvolvidos, e não através de uma imposição do Estado, que engessaria o tema ao inseri-lo na Constituição. Por sinal, uma série de acordos coletivos entre sindicatos patronais e de trabalhadores no Brasil já estabeleceram 40 horas semanais, sem interferência alguma do Estado. Como a experiência internacional e brasileira, além da própria literatura especializada sobre o tema tem demonstrado, a redução da jornada de trabalho por lei somente iria prejudicar aqueles que seriam supostamente beneficiados.    (José Paulo Dornelles Cairoli - Valor Online)
 
 
 
 
 

08.03 - Empresas trocam RH para focar na estratégia
Considerado o guru de recursos humanos da atualidade, o consultor e professor David Ulrich, da Universidade de Michigan, costuma começar suas palestras a profissionais de recursos humanos com a seguinte pergunta: "Hoje, qual é o seu maior desafio no trabalho?" Com muita frequência, as respostas estão ligadas a práticas como recrutamento e seleção, retenção de talentos, liderança e remuneração. Mas logo o guru interrompe e dá sua visão sobre o assunto. Para ele, os desafios do RH devem ser os mesmos desafios da organização: gerar lucro, servir bem os clientes e aumentar o preço das ações. Somente quando tiverem essa visão, acredita o consultor, os executivos de recursos humanos conseguirão medir efetivamente o resultado do seu trabalho e o valor gerado para o negócio.
Essa mudança de paradigma, ainda distante da realidade da maioria das organizações, pode ter se acelerado com a crise, acreditam especialistas ouvidos pelo Valor. E a dança das cadeiras que aconteceu nas altas posições de RH no ano passado é um sinal dessa transformação. Motivadas pela turbulência econômica e pela necessidade de promover mudanças rápidas e ao mesmo tempo estratégicas - corte de custos e de pessoal no curto prazo alinhados a um projeto de crescimento futuro-, muitas empresas trocaram seus líderes de recursos humanos em 2009. Apenas na Egon Zehnder International, consultoria que tem foco no recrutamento de executivos de primeiro escalão, foram sete posições ao longo do ano, frente a quatro em 2008. "Foi um dos anos em que mais fizemos projetos nesta área no Brasil", comenta o headhunter Luiz Giolo. Em 2010, segundo ele, o ritmo de contratações no segmento voltou ao normal.
Uma pesquisa realizada no segundo semestre do ano passado pela Egon Zehnder com 360 executivos de RH de vários países, entre eles o Brasil, também confirma essa tendência apontada pelo professor de Michigan. O levantamento, que envolveu empresas dos setores de tecnologia, bens de consumo, finanças, serviços entre outros, aponta quais são as competências que diferenciam um excelente de um bom líder da área de pessoas. Os resultados mostram que isso está relacionado ao conhecimento sobre a empresa e o negócio em si. "Os RHs com desempenho excepcional têm maior orientação para atingir resultados são agentes de mudança e percebidos pelo grupo como alguém que realmente agrega", explica Giolo. 
A segunda parte dessa pesquisa diz respeito à ligação do executivo número um da área de RH com o comitê executivo. O estudo revela que aqueles que ocupam assento nos principais comitês estratégicos da companhia saem à frente por diversos fatores como a oportunidade de trabalhar mais próximos aos seus pares e aprimorar sua capacidade de colaborar. Além disso, têm uma melhor compreensão da tomada de decisão e de determinadas estratégias. Dessa maneira, são hábeis no entendimento das iniciativas de mudança o que os torna agentes mais efetivos no processo.
O mais difícil para os headhunters- e para os presidentes das empresas mais antenados a isso- tem sido encontrar profissionais de tal estofo. Afinal, trata-se de um perfil totalmente diferenciado do papel de recursos humanos do passado e que, de tático, passou a ser estratégico. As buscas giram em torno de dois perfis: gente que já atuava na área e que se esforçou para acompanhar essa evolução; ou executivos de outras áreas que possuem uma excelente capacidade de gerir pessoas. "O problema é que não há pessoas preparadas para assumir esse papel no mercado. Temos recebido muita demanda de empresas nacionais e multinacionais de menor porte por projetos de consultoria para suprir a lacuna deixada por profissionais fracos ou até mesmo para atender a ausência de uma área de RH mais estruturada", afirma Marco Antonio Santana, consultor da Towers Watson.
José Luiz Weiss, diretor de RH da Syngenta para a América Latina e também presidente do grupo de RH Estratégico da Câmara Americana de Comércio (Amcham), é um exemplo de quem veio de fora. Graduado engenheiro de mineração com mestrado em engenharia ambiental, Weiss iniciou a carreira técnica, depois migrou para a área de qualidade e, então, foi parar em RH. Essa mudança aconteceu há 11 anos, quando ele trabalhava na Spal, fabricante da Coca-Cola no Brasil. Passou posteriormente pela Johnson & Johnson e, desde setembro de 2009, é o número um do RH da Syngenta. 
O executivo avalia que existe atualmente um "gap" de geração de profissionais de RH no alto escalão. "Ouço sempre os headhunters dizerem que esta é uma das posições mais difíceis de preencher", acrescenta. A vantagem é que, se no passado o RH estava mais para patinho feio do que para cisne no mundo da administração, agora ele começa a ganhar um peso diferenciado e a área tem tudo para atrair talentos nos próximos anos. Em alguns casos, dada essa nova complexidade exigida para a posição, os líderes de RH começam a aparecer discretamente na lista de candidatos a ocuparem os principais cargos no alto escalão e até mesmo a assumirem a presidência das empresas. 
Pesquisa realizada pela Towers Watson mostra que, em termos de remuneração, os executivos de RH já estão entre os cinco maiores da alta gestão, acima do que ganham em média diretores de áreas importantes como vendas, marketing e tecnologia da informação. Perdem apenas para executivos das áreas de finanças, trading, industrial e jurídico. 
"As empresas estão buscando a identidade que precisam para os seus departamentos de RH", diz a executiva Adriana Rillo, diretora de recursos humanos da Avon Brasil. "É um momento de transformação", afirma. Se no final da década de 1980 os profissionais de RH eram psicólogos que se dedicavam à aplicação de testes de recrutamento, seleção e avaliação, hoje eles precisam entender de finanças, de gestão estratégica e de gestão de mudança. Até mesmo nas funções administrativas, o novo executivo de pessoas precisa ser estratégico, já que questões como assessorar a governança corporativa, arquitetar programas de reconhecimento e recompensa, atuar como conselheiro para assuntos regulatórios e gerir riscos são funções que hoje lhe são inerentes. "Não dá mais para olhar apenas para as pessoas e não defender os interesses da empresa", afirma Adriana, na Avon há três anos. 
Essa visão também é fundamental para ganhar o respeito dos seus colegas no trabalho. "Como é que vou querer ter credibilidade junto aos meus pares se não entender de negócios?", questiona a executiva. Formada em psicologia, ela admite que teve de correr para acompanhar - e até mesmo liderar nas organizações - as mudanças no RH.
Marcelo William, diretor de RH da Unilever no Brasil, é outro exemplo de "head" de RH com papel altamente estratégico. Uma das funções que mais ocupa seu tempo no momento, por exemplo, é o processo de transformação pelo qual passa a multinacional no Brasil. "Estamos criando uma cultura de alto desempenho. Assim temos que atingir a excelência na execução e estimular o crescimento pessoal", explica William. "Tenho que entender rapidamente as mudanças no negócio para implementa-las na minha área para que eu atue como um parceiro estratégico."
Não se pode, porém, esquecer que antes de fazer o trabalho voltado com foco no cliente externo, é preciso não descuidar dos serviços básicos de RH. "Ao mesmo tempo em que precisamos ter capacidade de influenciar o board, temos de cuidar da cesta de Natal no fim do ano", diz Adriana, da Avon, que participa do comitê diretivo da companhia.
Henri Vahdat, diretor de capital humano da consultoria Deloitte, divide o cenário do RH no Brasil em três ondas. A primeira, deflagrada no início da década de 1990, foi a da eficiência, em que o RH reviu seus processos internos, adotou novas tecnologias, outsorcing etc. A segunda, veio com busca da eficácia organizacional no final da década de 1990, quando surgiram os centros de excelência em performance, recrutamento e seleção e também em educação, com as universidades corporativas. Os autosserviços de RH também foram criados nessa época, de forma que as principais demandas operacionais de colaboradores ficaram disponíveis e concentradas nos portais corporativos. Já o terceiro ciclo, de acordo com o consultor, foi verificado a partir de 2002 com a chamada onda de criação de valor para o negócio. É o período em que a inteligência e as soluções mais estratégicas aparecem, ao mesmo tempo em que aumenta a guerra por talentos. 
Nesta fase, em que ainda vivemos, o RH ajuda as organizações a entrar em novos negócios, a fazer a gestão estratégica de mudança, a adaptar estruturas e integrar culturas depois de fusões e aquisições. Ele garante a atração, retenção e desenvolvimento de talentos e ainda fornecem líderes para as posições-chave na empresa. Conforme as empresas se internacionalizam, acrescenta o Vahdat, o desafio aumenta. "A área hoje não só é parceira do negócio como também deve agir como 'player' nos processos, podendo até mesmo alterar rumos estratégicos", diz.
O momento, portanto, traz grandes oportunidades para os profissionais de recursos humanos, além de desafios para as organizações. "Em 2008 e 2009, as demandas eram por redução de quadros, despesas, benefícios e treinamento. Agora, como sempre acontece quando há o começo de um novo ciclo, teremos novamente uma demanda maior pela atuação do RH", completa o consultor da Deloitte.   (Roberta Lippi - Valor Online)

08.03 - Reduzir a jornada de trabalho é ampliar direitos 
Medida poderá criar cerca de 2 milhões de postos de trabalho
"Na realidade não havia horas regulares: os mestres e os gerentes faziam conosco o que desejavam. Os relógios nas fábricas eram frequentemente adiantados de manhã e atrasados à noite; em vez de serem instrumentos para medir o tempo, eram usados como disfarces para encobrir o engano e a opressão. Embora isso fosse do conhecimento dos trabalhadores, todos tinham medo de falar, e o trabalhador tinha medo de usar relógio, pois não era incomum despedirem aqueles que ousavam saber demais sobre a ciência das horas"*.
A luta dos trabalhadores pela redução da jornada de trabalho acontece desde os primórdios do capitalismo. No início era quase uma questão de sobrevivência dos operários nas fábricas, que trabalhavam jornadas exaustivas e extenuantes, chegando ao absurdo de 18 horas diárias. 
Com o passar do tempo, o fortalecimento das organizações dos trabalhadores, um significativo aumento das mobilizações e as negociações entre capital e trabalho acontecendo de forma mais democrática fizeram com que a pauta por melhores condições de trabalho passasse a conter um item extremamente importante, que se traduzia (e ainda se traduz) na forma de redução da jornada.
Todas as modificações ao longo dos anos ocorreram devido à mobilização dos trabalhadores. No Brasil, a redução da jornada de trabalho sempre fez parte da luta sindical, e já produziu efeitos positivos. A intensa luta levou, na década de 30, à primeira lei nacional, que a limitava em 48 horas semanais. No início do século, com as jornadas insuportáveis, as primeiras manifestações contrárias à carga excessiva não tardaram a acontecer. Temos registros, do fim do século 19, de lutas por uma jornada menor travadas pelos comerciários na cidade do Rio de Janeiro.
No início da década de 1980, também como resultado da movimentação sindical, várias categorias conquistaram jornadas que variavam entre 40 e 44 horas por semana, fortalecendo as lutas dos trabalhadores e sensibilizando a sociedade para que fosse garantido um teto de 44 horas semanais na Constituição Federal de 1988. 
Nestes 22 anos que se seguiram, a bandeira da redução da jornada sempre esteve na ordem do dia das entidades sindicais. E novamente estamos diante de um embate para reduzir a carga horária semanal. O processo de discussão não está somente no Congresso Nacional, que debate a PEC 231/95, de autoria dos senadores Inácio Arruda (PC do B) e Paulo Paim (PT), relatada na Câmara pelo deputado Vicentinho (PT). Essa PEC reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuir os salários, além de aumentar o valor das horas-extras de 50% para 75%. 
O presidente da Força Sindical e deputado federal (PDT-SP), Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, junto com sindicalistas de todo o Brasil, está mobilizando a todos no Congresso e nos locais de trabalho visando esclarecer e conquistar apoio para a redução da jornada de trabalho. As mobilizações ocorrem nas empresas, nas ruas e nas entidades de classe. Há toda uma pressão para colocarmos em votação no plenário ainda neste semestre. Vários partidos, entre eles o PDT, já fecharam questão em favor da aprovação da matéria. 
As Centrais Sindicais (Força Sindical, CUT, CGTB, UGT, CTB e Nova Central), na chamada Unidade de Ação, estão mobilizadas, atuando conjuntamente e construindo uma agenda pela aprovação da PEC. Como símbolo da vontade popular, as Centrais entregaram ao Congresso, em 2008, 1,5 milhão de assinaturas reivindicando a redução da jornada.
Recentemente, o presidente da Câmara Federal, Michel Temer, apresentou uma proposta de reduzir a jornada para 42 horas semanais em 2011, com a perspectiva de uma nova negociação em 2013. É muito louvável o gesto do presidente da Câmara em buscar um bom entendimento entre capital e trabalho. A Força Sindical está realizando uma consulta sobre o tema entre suas entidades filiadas e os trabalhadores da base. Podemos ter a vitória da redução.
Vale destacar que a implementação da medida tem o potencial de criar, em uma primeira etapa, cerca de 2 milhões de postos de trabalho (dados do Dieese). Mas, além dessa questão devemos também refletir sobre as vantagens sociais, já que o trabalhador passará a ter mais tempo para a família, para o lazer e para a sua própria qualificação profissional. A medida também vai contribuir para a diminuição dos problemas de saúde e acidentes de trabalho, resultantes das jornadas exaustivas. 
Não podemos nos calar diante da falácia empresarial de que a medida irá encarecer a produção nacional. Dados do Dieese mostram que a produtividade das empresas, de 2000 até agora, cresceu 27%, enquanto o custo com redução da jornada deverá aumentar apenas 1,99%. Como a produtividade nas empresas tem crescido constantemente, em menos de seis meses o aumento do custo seria compensado.
Como podemos perceber, os números revelam um brutal aumento dos ganhos de produtividade. E esses ganhos, oriundos das inovações tecnológicas e arranjos organizacionais, não podem ficar só com o capital. Eles também são frutos da dedicação da classe trabalhadora, e, portanto, devem ser estendidos a todos. 
A redução da jornada, como pensamos, fortalece o mercado interno e faz parte do movimento pró-cíclico pelo desenvolvimento econômico, com distribuição de renda, porque é um importante mecanismo para se repartir parte dos ganhos de produtividade acumulados pelo capital.
Da mesma forma que os operários ingleses convenceram a sociedade britânica da importância de se reduzir a jornada, e hoje trabalham 37 horas semanais, nós, brasileiros, com a busca incessante por negociações de forma democrática e com a mudança da lei, também vamos conseguir o nosso objetivo de uma sociedade mais justa, com emprego, dignidade e renda para todos.
*Chapters in the life of a Dundee factory boy (Dundee, 1887) apud Thompson, E.P. Costumes em Comum, SP: Cia. das Letras, 1998. p.290    (João Carlos Gonçalves - Valor Online)

08.03 - Recuperação da economia favorece os trabalhadores 
O ano começou bem para o mercado de trabalho. As vagas estão em expansão e os acordos salariais recém-fechados prometem ganhos reais para os trabalhadores. Animadas com a expectativa de recuperação da economia, as empresas estão receptivas à negociação. Mas o humor pode mudar com a pressão pela redução da jornada de trabalho. 
Foi o melhor janeiro desde 1992, com a criação de 181,4 mil vagas, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego. A principal fonte de novos empregos foi a indústria, que abriu 72,6 mil vagas; seguida pelo setor de serviços, com 57,8 mil postos; e pela área da construção civil, com 54,3 mil. 
O Bradesco projeta que a geração líquida de empregos formais chegará a 1,8 milhão neste ano. Para o governo, o número poderá atingir 2 milhões de novas vagas. 
Outro aspecto positivo do mercado brasileiro é que as relações formais entre empresas e trabalhadores ganharam espaço sobre o trabalho sem carteira e por conta própria. Segundo estimativas do IBGE, em 2009, 49,4% dos trabalhadores urbanos eram formais em comparação com 43,3% em 2003. 
A taxa de desemprego média esperada para este ano é de 7,5%, bem menor do que os 8,1% de 2009 e os 7,9% de 2008. Os números são melhores do que em outras partes do planeta. Na zona do euro, o desemprego bateu em 9,4% em 2009, penalizando 15 milhões de pessoas, especialmente na Espanha (com índice de 18,1%) e na Irlanda (11,8%). Nos Estados Unidos, o desemprego caiu ligeiramente abaixo dos 10% atingidos no pico da crise, mas isso ainda significa o expressivo número de 17 milhões de desempregados. 
As projeções para este ano mostram uma inegável melhoria em comparação com 2009, quando 995,1 mil novos postos de trabalho com carteira assinada foram criados. O emprego cresceu, mas não necessariamente o salário. Os 995 mil novos empregos surgidos são resultado do fechamento de 586 mil postos de trabalho com salários superiores a dois salários mínimos e da criação de 1,578 milhão de vagas para postos com remuneração abaixo de dois mínimos.
Um dos motivos é que o emprego cresceu mais em regiões onde os salários são mais baixos. Ao crescer em regiões onde é menos abundante, o emprego não encontra pressão por salários maiores. Uma exceção é o boom localizado no setor de construção civil, onde as empresas já enfrentam dificuldades de contratação, independentemente da localização. A contribuição para a geração de novos empregos formais do Estado de São Paulo, onde a remuneração é mais elevada, por exemplo, foi de 28% em comparação com uma média de 37% entre 2003 e 2008.
O panorama começou a mudar em janeiro. Os Estados que mais contratavam antes da crise, São Paulo e Minas, exatamente onde os salários são mais elevados, voltaram a se destacar . Segundo o Caged, 51,1 mil das novas vagas abertas em janeiro surgiram em São Paulo e 20,5 mil em Minas Gerais. As capitais desses Estados estão entre as três cidades onde o emprego mais cresceu - 30,7 mil novas vagas na cidade de São Paulo e 8,7 mil em Belo Horizonte. No Estado de São Paulo, a variação do emprego da indústria em janeiro foi de 1,14% sobre dezembro, um saldo de 29,9 mil vagas. O setor que mais contratou foi o mecânico, com 5,5 mil vagas, e 2,27% de crescimento sobre dezembro, revelando a retomada dos investimentos pela indústria. 
Além disso, a melhoria da economia tem facilitado a realização dos acordos salariais. Levantamento feito pelo Valor apurou que os reajustes acima da inflação obtidos por categorias com data-base em janeiro e fevereiro variou de 0,4% a quase 4%, este último obtido pelos empregados da construção civil de Salvador (Valor, 2/3). 
Ainda é cedo, mas a sinalização dada neste início de ano indica que 2010 pode ser bem diferente de 2009 no mercado de trabalho. No entanto, o emprego, assim como os salários, dependem do que vai acontecer com o ambiente econômico propiciado pelos juros, inflação e o instável cenário internacional. A discussão sobre a redução da jornada de trabalho também deve afetar esses números.    (Editorial - Valor Online)
 
 
 
 
 

05.03 - Redução de jornada
Aumenta a mobilização dos sindicatos para que o Congresso aprove Projeto de Emenda Constitucional (PEC) que reduza a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais.
Nada mais justo aspirar por redução do volume de trabalho destinado à obtenção do sustento da família e de si próprio para dedicar mais tempo para o desenvolvimento pessoal, para o estudo e para o desfrute das coisas boas da vida.
A redução da jornada de trabalho obtida à força de lei, como se pretende agora, pode trazer mais prejuízos do que benefícios não só ao trabalhador, mas ao próprio setor produtivo. O principal argumento apresentado a partir de cálculos elaborados pelo Dieese é de que essa decisão teria o potencial de aumentar em 2,5 milhões os postos de trabalho no País. Seria, portanto, uma medida destinada a combater o desemprego.
Se houvesse certeza disso e se esse fosse o principal argumento, os sindicatos não precisariam fazer tanta pressão para a votação dessa PEC. A aprovação viria naturalmente. Ninguém é contra aumento do emprego, do mercado de trabalho e do consumo.
A mobilização sindical pretende apressar a votação não porque este seja o interesse público, mas porque este é o momento em que o político está mais sensível a fatores puramente eleitorais. Como disse há três dias o presidente da Câmara, Michel Temer, "em um ano como este, se a matéria for a plenário, aprovam-se as 40 horas".
É improvável que a redução de jornada aumente o emprego de mão de obra como os especialistas já sabem e como o exemplo europeu está demonstrando. Na França, desde que foi aprovada, a jornada de 37 horas não só aumentou o desemprego, como, também, aumentou a migração de fábricas para fora do país.
No Brasil, a redução da jornada de trabalho, sem que venha acompanhada de reforma das leis trabalhistas e do sistema sindical, pode empurrar as empresas para uso mais intensivo de Tecnologia da Informação e de automação do sistema produtivo, cujo efeito é poupar mão de obra e não o contrário. 
O professor José Pastore, especialista em Economia do Trabalho, sugere que a redução da carga de trabalho seja obtida não por força de mudança constitucional, mas por negociação trabalhista. Ele argumenta que as condições do mercado de trabalho não podem ser enfiadas numa camisa de força, sem levar em conta as peculiaridades de cada setor: "A jornada que vale para os bancos não serve para a agricultura; a que serve para o setor de serviços não serve para o comércio."
A favor do ponto de vista defendido pelo professor Pastore há as informações do IBGE levantadas pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), onde ficou demonstrado que, em apenas seis anos (entre 2002 e 2008) no Brasil, o contingente de trabalhadores que perfazem jornada de 40 horas semanais subiu naturalmente de 7 milhões para 11 milhões, sem que para isso fosse preciso emenda constitucional.
Os sindicalistas parecem convencidos disso na medida em que resolveram negociar diretamente com as empresas, sem esperar pelos trâmites da aprovação da PEC. Mas, se é assim, por que essa forçada de barra?   (Celso Ming - O Estado de S.Paulo)

05.03 - Reaquecimento da economia provoca 'leilão' de executivos
Empresas têm se esforçado cada vez mais para não perder suas lideranças
Sintoma do reaquecimento da economia e da procura crescente por líderes no mercado, executivos têm sido "leiloados" pelas empresas. Segundo levantamento da Robert Half, consultoria em recrutamento especializado, a prática da contraproposta quando o executivo informa que pretende sair da empresa tem se intensificado neste período pós-crise.
A pesquisa consultou 646 executivos e 303 empresas em janeiro e mostra que 69% dos que pediram demissão receberam contrapropostas. E 69% das empresas admitem que tentaram impedir a saída do executivo oferecendo aumento de salário, promoção ou benefícios.
"O mercado está aquecido, e as empresas temem não achar alguém para substituí-los no curto prazo, ou não encontrar alguém com o mesmo salário", explica Fernando Mantovani, diretor de operações da Robert Half. Conforme a sondagem, em 62% dos casos, manter um profissional que já conhece o negócio ou evitar custos altos de recolocação de outro executivo são as justificativas para a contraproposta. 
"A gente sente que, à medida que o mercado se aquece, isso piora e deve se acentuar", afirma Mantovani. Ele usa o termo "piora" porque, apesar de valorizar o passe do executivo, a prática da contraproposta não é bem vista. "Na verdade, as empresas prejudicam a si mesmas", diz.
Isso porque, segundo ele, oferecer aumento para reter alguém pode provocar um problema de clima na empresa. "Causa descontentamento na equipe. Essas notícias correm. E muitas vezes o profissional está desmotivado e depois ele acaba sendo fonte de problema."
Paulo Kretly, presidente da Franklin Covey, está de acordo. Para ele, se o executivo não está feliz na empresa e procurou uma oportunidade fora, ao aceitar a contraproposta, ele não vai trazer o retorno esperado. "Ele não vai produzir o que a empresa espera, vai ser um perde-perde."
Quando há descontentamento, a tendência é não aceitar a contraproposta. No entanto, ela pode ser tentadora. "Receber 10%, 20%, 30% a mais mexe com qualquer um." Dos 7% que admitiram ter aceitado uma contraproposta, 40% disseram que foi por causa do salário, ou pela promoção (29%).
Porém, se o executivo está feliz no trabalho e é assediado pelo mercado, a prática pode ser positiva, avalia Kretly. "É hora de fazer a contra se ele foi sondado e não estava buscando mudar de ares, ou ter outros desafios."
O que não pode ocorrer é o executivo aceitar a proposta para sair e depois voltar atrás. "Depois que ele aceitou, se voltar atrás, a empresa que fez a proposta vai se sentir totalmente usada. E esse executivo fica queimado também com o headhunter", afirma.
Segundo Marcelo de Lucca, diretor da consultoria de recrutamento e seleção Michael Page no Brasil, para evitar esse tipo de mal-estar, antes de procurar oportunidades fora, o executivo tem de refletir sobre os fatores que o fazem querer sair da empresa e tentar resolvê-los primeiro dentro. "Ele tem de fazer uma tentativa na empresa atual antes. Se for questão de remuneração, ele tem de falar com o chefe sobre o assunto. Se quer participar de um novo projeto, tem de se alinhar com a empresa", explica. 
ARREPENDIMENTO
O índice de arrependimento entre executivos que aceitam a contraproposta é de 36%. Os principais motivos relatados são: os problemas da empresa continuaram (37%) e o empregador não cumpriu as promessas (26%). Entre as empresas, 22% se arrependeram. A maioria porque a contraproposta provocou a sensação de desprestígio entre os outros membros da equipe (33%), ou o próprio executivo pediu demissão em seguida (25%).   (Renata Gama - O Estado de S.Paulo)
 
 
 
 
 

04.03 - Cresce a pressão por redução da jornada
Centrais sindicais aproveitam eleições para tentar aprovar a mudança na lei
As centrais sindicais vão aproveitar o clima eleitoral para pressionar o Congresso a aprovar no primeiro semestre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas semanais. "Se for à votação este ano, a proposta será aprovada", afirmou o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique. "Temos de aproveitar o momento e tentar incluir o tema prioritário para votação ainda no primeiro semestre."
A mesma certeza tem o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna. "Na votação, ficará claro quem é o parlamentar que defende o trabalhador. E isso conta bastante, porque daqui a alguns meses os parlamentares serão julgados nas urnas."
Os sindicalistas atuam em duas frentes na batalha pela redução da jornada. Ao mesmo tempo em que pressionam os parlamentares, buscam abrir negociações com empresas e setores de atividade, tendo como instrumento de pressão a ameaça de greves (ver texto ao lado).
A proposta de redução da jornada incendiou as discussões tanto entre empresários e centrais sindicais quanto entre os seus representantes no Congresso. O presidente da CUT argumenta que a última vez que houve redução de jornada no País, de 48 para 44 horas, foi na Constituinte de 1988. Ele frisa que de lá para cá a produtividade do trabalho na indústria de transformação saltou 84%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
"Esses ganhos não foram repassados aos trabalhadores. Os aumentos reais de salários conquistados nas negociações dos últimos sete anos são importantes, mas não chegam aos pés do aumento da produtividade", diz Artur Henrique.
Um dos principais argumentos dos sindicalistas na defesa da redução da jornada para 40 horas é que a medida teria potencial para gerar mais de 2,5 milhões de postos de trabalho. Além disso, o fim das horas extras poderia gerar mais 1 milhão de postos de trabalho.
"É um discurso eleitoreiro e oportunista, já que em todos os países onde a jornada foi reduzida por lei ou negociação ninguém conseguiu provar que ela resultou em aumento do emprego", afirma o professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo Hélio Zylberstajn.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), deputado Armando Monteiro Neto (PTB-PE), afirma: "A proposta é demagógica, porque não gera empregos como as centrais anunciam".
Segundo Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), para as grandes empresas, que já têm jornadas iguais ou inferiores a 40 horas, a redução não traria efeito. "Já para as micro e pequenas empresas, a medida seria inviável, trazendo o risco de desemprego, como aconteceu na França."
Marlin Kohlrausch, presidente da fabricante de calçados Bibi, é "radicalmente contra" a carga de trabalho menor. "Isso não vai criar empregos. As empresas vão exigir mais dos mesmos empregados para manter a produtividade sem gastar mais para isso", alerta.
Para o varejo, a jornada menor pode trazer prejuízos aos negócios e aos trabalhadores. "O impacto é muito grande. Tenho cerca de 11 mil funcionários, e 7 mil deles são vendedores que dependem das comissões sobre vendas. Com a jornada menor, os ganhos vão cair", diz Ricardo Nunes, presidente da Ricardo Eletro, com sede em Belo Horizonte.
Segundo o empresário, hoje, com 44 horas semanais, já há problemas. "Já trabalhamos no limite, abrindo mais tarde as lojas e fechando mais cedo. Nem sei o que aconteceria se a redução da jornada fosse aprovada."COLABOROU PAULA PACHECO   (Marcelo Rehder, colaborou Paula PAcheco - O Estado de S.Paulo)

04.03 - Sindicatos vão usar eleições pelas 40 horas 
As centrais sindicais vão aproveitar o clima eleitoral para pressionar o Congresso a aprovar a proposta de emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas semanais no primeiro semestre de 2010. “Se for à votação este ano, será aprovada”, afirmou o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique. “Temos de aproveitar o momento e tentar incluir o tema prioritário para votação ainda no primeiro trimestre”, disse.
A mesma certeza na aprovação da proposta tem o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna. “Na votação ficará claro quem é o parlamentar que defende o trabalhador. E isso conta bastante, porque daqui a alguns meses os parlamentares serão julgados nas urnas.”
A proposta de redução da jornada incendiou as discussões tanto entre empresários e membros das centrais sindicais quanto entre os seus representantes no Congresso. O presidente da CUT argumenta que, a última vez que houve redução de jornada no País, de 48 para 44 horas, foi na Constituinte de1988. Ele frisa que, de lá para cá, a produtividade do trabalho na indústria de transformação deu um salto de 84%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
“Esses ganhos não foram repassados para os trabalhadores. Os aumentos reais de salários conquistados pelos sindicatos nas negociações dos últimos sete anos são importantes, mas não chegam aos pés do aumento da produtividade”, afirma o sindicalista.
Um dos principais argumentos dos sindicalistas na defesa da redução da jornada para 40 horas é que a medida teria potencial para gerar mais de 2,5 milhões de postos de trabalho. Além disso, o fim das horas extras poderia gerar mais 1 milhão de vagas.
Segundo Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), para as grandes empresas, que praticam jornadas iguais ou inferiores a 40 horas, a obrigatoriedade não traria efeito. “Já para as micro e pequenas empresas, a medida seria inviável, trazendo o risco de desemprego.”   (Jornal da Tarde)
 
 
 
 

03.03 - In vitro
O setor de diagnóstico in vitro registrou alta de 8% na geração de empregos no ano passado, segundo a Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial, que representa mais de 40 empresas que atuam no segmento e empregam 132 mil pessoas.  (MAria Cristina Frias - Folha de S.Paulo)

03.03 - Acordos salariais estão mais fáceis e com ganho real maior
O ano de 2010 começou com perspectivas melhores para os trabalhadores. A combinação de baixa inflação e expectativa de crescimento da economia está resultando em campanhas salariais vitoriosas, com negociações mais rápidas, sem greves, e com aumentos reais superiores aos negociados em 2009. Os reajustes acima da inflação - obtidos por categorias com data-base em janeiro e fevereiro - variam de 0,8% a quase 4%, e os acordos estão sendo fechados com até um mês e meio de antecedência em relação a 2009.
"Os sindicatos estão encontrando outro ambiente para negociar, bem diferente do ano passado quando as incertezas da crise econômica preocupavam o empresariado", diz o diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clemente Ganz Lúcio. Também contribui a menor inflação. Nos 12 meses terminados em dezembro ou janeiro, ela ficou entre 4,11% e 4,36%, bem abaixo da inflação superior a 6% de igual período do ano passado. 
Para Lúcio, a tendência para 2010 é que as greves ocorram para buscar mais benefícios, e não para impedir perdas. "Trabalhamos com perspectiva de crescimento econômico de 5% a 6% neste ano, e isso eleva a disputa por mão de obra, pressionando os salários", diz. Dessa forma, é possível que o número de categorias a conseguirem ganhos reais fique acima dos 77% do ano passado (primeiro semestre). 
Na Bahia, os trabalhadores da construção conseguiram o maior índice de reajuste entre os setores levantados pelo Valor, de 8%, considerando uma inflação de 4,11% no período. Para o piso, o reajuste foi de 10%. No ano passado, o aumento foi de 9,68%, mas como a inflação foi maior, o ganho real ficou abaixo do de 2010. 
Segundo Raimundo Brito, presidente do Sintracon-BA, entidade que representa a categoria, o crescimento do mercado mobiliário foi determinante para o resultado. "As empresas não tinham como negar o crescimento e, como há muitos imóveis sendo entregues, uma greve ia complicar muito a situação", diz. Os empregados chegaram a indicar uma greve para o dia 22 de fevereiro, mas conseguiram fechar acordo três dias antes. No ano passado, o acordo foi fechado só em 25 de março. Além do reajuste real, a categoria conquistou plano de saúde e aumento da cesta básica de R$ 45 para R$ 70.
No Ceará, os comerciários conseguiram aumento de 7,75% e reajuste do piso salarial de R$ 465 para R$ 560. Em Franca, no interior de São Paulo, as negociações estão travadas por conta de um problema jurídico. Há dois sindicatos representando os trabalhadores, e enquanto não ficar definido qual entidade ficará à frente da negociação, as empresas vão dar apenas a reposição da inflação.
O reajuste de 5,5% foi considerado importante pelos trabalhadores do segmento de artefatos de couro de Franca (SP) por garantir ganho real, mas a categoria esperava mais num ano de crescimento do setor. Segundo Carmem Silva, presidente do sindicato dos funcionários, a reivindicação inicial era de alta de 12%. "Tínhamos uma expectativa melhor, porque, pelo que acompanhamos, as empresas estão bem e contratando." O acordo foi fechado um mês e meio antes da data de assinatura de 2009, o que mostra uma maior disposição de negociação das partes. 
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Cerâmica, Construção Civil e Fibrocimentos de Criciúma e Região, os 4,9 mil funcionários da categoria vão receber aumento de 6,11% - 2% de ganho real somados aos 4,11% de reposição da inflação pelo INPC. "As indústrias estão em boa fase e conseguimos um aumento razoável", opina Itaci Sá, presidente da entidade.
O presidente do Sindicato das Indústrias de Cerâmica Para Construção e de Olaria de Criciúma (Sindiceram), Ottmar Müller, explica que "o cenário econômico está bem mais claro do que no ano passado, por isso, proporcionalmente, o aumento real foi maior". Em 2009, os trabalhadores da categoria receberam 7,9% - 1,6% de aumento real e 6,2% do INPC.
Este ano, o maior ganho foi no salário de admissão da categoria, que subiu 12% e atingiu R$ 680. Ele vale por 120 dias. Depois, o trabalhador passará a receber R$ 865, de acordo com o novo acordo.
Os trabalhadores têxteis de Joinville, que fecharam acordo em fevereiro, tiveram aumento de 5,16% - 4,36% de INPC no período e 0,8% de ganho real. Em 2009, o reajuste foi de 7%: 6,46% de INPC e 0,57% de ganho real. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da categoria, Livino Steffens, o maior ganho incidiu sobre o piso de experiência, válido por 90 dias no momento da contratação do trabalho. Ele passou de R$ 534,60 para R$ 618, 20, equiparando-se ao piso de contratação definitiva. Segundo Livino, a aprovação do mínimo regional - que começou a valer em janeiro e estabeleceu o piso de R$ 616 para a categoria - influenciou no aumento.
Os 18 mil metalúrgicos de Jaraguá do Sul (SC) e região vão receber 6% de reajuste em 2010. O acordo fechado em janeiro concedeu 4,11% de INPC e 1,89% de ganho real. Em janeiro do ano passado, o acordo foi fechado em 8% - 1,67% de ganho real e 6,33% de inflação.
A primeira negociação salarial fechada em 2010 em Curitiba também resultou em ganho real . Os vigilantes patrimoniais nem precisaram fazer greve para conseguir reajuste de 4,6% no piso da categoria, 39% de aumento no adicional de risco e 9% na ajuda para alimentação, que resultou num ganho total de 7,42%, acima da inflação de 4,36%, acumulada de fevereiro de 2009 a janeiro de 2010.
Sandro Silva, economista do Dieese, explica que muitas categorias não têm adicional de risco e alimentação previstos na convenção coletiva, como no caso dos vigilantes, mas mesmo assim são esperados bons resultados nas negociações que virão pela frente. "A expectativa que temos é de aumento de patamar de ganho real", diz ele, citando a recuperação da economia como fator que deve favorecer os trabalhadores. 
Com data-base em 1º de fevereiro, os trabalhadores nas indústrias de calçados de Sapiranga, no Rio Grande do Sul, aceitaram na semana passada a proposta de aumento real de 1,72% apresentada pelas empresas do setor. O ganho é o maior das três últimas negociações (ela havia sido de 0,98% em 2009 e de 1,29% em 2008), mas o índice total caiu em relação ao ano passado, devido à desaceleração do INPC no acumulado dos últimos 12 meses, para 4,36%.
Conforme o assessor da diretoria do Sindicato dos Sapateiros da cidade, Adelino Frank, o reajuste somou 6,15%, ante 7,41% no ano passado, quando o INPC alcançou 6,43%. O acordo foi fechado após três reuniões com o Sindicato das Indústrias de Calçados de Sapiranga e vale também para os municípios de Nova Hartz e Araricá. As calçadistas da região empregam cerca de 20 mil pessoas.
No início das negociações, os trabalhadores pediram um reajuste total de 10%, mas as empresas ofereceram 4,75%. Segundo o diretor do Sindicato dos Sapateiros, Hermes Tavares dos Santos, apesar do cenário mais favorável no mercado interno, as indústrias ainda alegavam perdas nas exportações para justificar a oferta modesta. Funcionários de algumas empresas chegaram a realizar paralisações de cinco minutos a um dia para pressionar por um aumento maior, disse o sindicalista.
Santos admite que em 2009 houve "mais demissões do que contratações" no setor na cidade, mas no fim do ano a situação começou a melhorar. Segundo ele, nos dois últimos meses as empresas recorreram a carros de som, cartazes em bares e anúncios em rádios locais para buscar mão de obra. Após atingir pico de 743 em agosto, o número de rescisões homologadas pelo sindicato começou a cair em setembro e em janeiro atingiu o menor patamar em 11 meses, com 95 demissões, ante 189 em igual período de 2009.
Os empregados do setor moveleiro de Bento Gonçalves, também com data-base em fevereiro, assinam hoje o acordo com as empresas. De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção e do Mobiliário, Ivo Vailatti, a categoria terá reajuste total de 5,75%. O índice representa ganho real de 1,33%, ante 0,82% em 2009, mas ainda abaixo do 1,56% obtido em 2008.
"O setor está mais aquecido e a por isso conseguimos um acordo melhor do que o do ano passado", explicou Vailatti. Segundo ele, o piso da categoria, para jornada mensal de 220 horas, teve aumento real de 2,5%, ante 2% em 2009. Com o reajuste total de 7%, a menor remuneração subiu para R$ 665, válida para funcionários contratados há até dois meses. De dois a seis meses de contrato, o piso subiu para R$ 700 e, acima disso, para R$ 780.   (Samantha Maia, Júlia Pitthan, Sérgio Bueno e Marli Lima - Valor Online)

03.03 - Redução de jornada e geração de emprego
A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 231 visa à criação de mais empregos por meio de uma redução da jornada legal de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução dos salários e acompanhada de um aumento do valor da hora extra de 50% para 75%. O Dieese estima que o Brasil terá 2,3 milhões de empregos adicionais com a aprovação dessa medida. Uma análise de cerca de 20 pesquisas sobre a matéria, porém, mostra não haver um só caso de geração de empregos em decorrência da redução da jornada legal.
Isso ocorre porque as empresas, como estratégia de sobrevivência, buscam neutralizar todo aumento de custo por meio de medidas bastante conhecidas. Algumas fazem um uso mais intensivo dos atuais empregados. Outras substituem trabalhadores por máquinas. Quando nada disso funciona, elas diminuem a produção para se ajustar ao quadro de pessoal atual ou repassam o aumento de custo para os preços dos bens e serviços.
Em nenhum desses casos há geração de empregos. O mais comum é a ocorrência de severos prejuízos para os trabalhadores. O trabalho mais intensivo é estressante. A automação despede os empregados. A redução da produção conspira contra os novos empregos. O aumento dos preços reduz o poder de compra, em especial dos mais pobres.
Mas como explicar que as jornadas de trabalho se reduziram na maior parte dos países avançados sem nenhum desses prejuízos? Muito simples: porque a redução foi feita por meio da livre negociação, e não pela imposição de leis ilusórias.
No caso do Brasil, qual seria o problema da mudança da Constituição nesse campo?
O parque produtivo nacional é extremamente heterogêneo. A jornada que vale para os bancos não serve para a agricultura. A que serve para o setor de serviços não serve para o comércio. A que se ajusta às grandes empresas não se ajusta às pequenas. Mesmo entre as grandes, o que vale para uma empresa que trabalha das 8 às 17 horas não serve para a que trabalha 24 horas por dia em turno de revezamento.
As diferenças são enormes e as complicações são imensas. A jornada mais realista, portanto, é a que obedece às peculiaridades das empresas e dos empregados. Isso só pode ser feito caso a caso e pela via negocial. Não há como colocar uma camisa de força numa realidade tão heterogênea como a brasileira.
É dessa forma que a redução da jornada de trabalho avançou no mundo, inclusive no Brasil. Quando se analisa cada tipo de jornada em separado, verifica-se que a proposta pela PEC 231 (40 horas por semana) vem aumentando a cada ano. Segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), em 2002 havia cerca de 7 milhões de empregados formais trabalhando 40 horas por semana. Em 2008 eram quase 11 milhões. Houve um aumento colossal (57%), em grande parte puxado pelo setor de serviços.
Mas não é só esse setor. Na indústria, no mesmo período, o salto foi de 2 milhões para 3 milhões de empregados, um aumento de 50%. Desde 2002, essa é a jornada que, individualmente, congrega o maior número de empregados no setor.
A referida redução vem sendo realizada de forma natural pela via da negociação ou por opção das empresas, com bons resultados para todos os lados. No período de 2002 a 2008, a produção se expandiu, a inflação caiu e o emprego formal aumentou. Tudo isso sem mexer na jornada legal, que é estabelecida na Constituição federal.
Em suma, empregos não podem ser criados por lei. Seria bom se assim fosse. Não haveria desemprego no mundo!
A realidade é outra. A geração de empregos depende da conjugação de dezenas de fatores. Três deles são fundamentais: investimentos produtivos, educação de boa qualidade e legislação adaptável a mudanças. Nenhum deles será melhorado por uma mera redução da jornada legal. Ao contrário, toda vez que se tentou reduzir essa jornada de forma impositiva o emprego não cresceu, porque as empresas incorporaram mais máquinas, intensificaram o trabalho dos mesmos empregados, diminuíram os investimentos e reduziram a produção. Em nenhum desses casos houve aumento do emprego, repetindo-se entre nós o que está largamente documentado pela pesquisa internacional.
A decisão está com os senhores deputados. Em breve saberemos quem busca realmente a geração de empregos e quem usa essa proposta com o fim exclusivo de captar os votos de eleitores iludidos.    (José Pastore - O Estado de S.Paulo)
 
 
 
 
 

02.03 - Menos tempo, mais qualidade de vida
Projeto que reduz o período de contribuição para os portadores de necessidades especiais tramita desde 2005, mas agora pode sair do papelInstituições ligadas à defesa dos direitos das pessoas com deficiência estão lutando por mais uma conquista: aprovar projeto de lei que muda os critérios para a concessão de aposentadoria aos segurados portadores de deficiência. A proposta determina que essas pessoas poderão reduzir o tempo de contribuição de três a 10 anos, dependendo do grau da deficiência. A realização da perícia e a emissão de certidão que ateste o grau de sua deficiência, para fins de redução da idade de aposentadoria e tempo de contribuição, poderão ser requeridas pelo segurado a qualquer momento ao Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS). E, em caso de agravamento da deficiência, poderá ser realizada nova perícia e emissão de certidão retificadora.
De acordo com o autor do projeto, o então deputado Leonardo Mattos, "a adoção de critérios diferenciados através da redução da idade de aposentadoria e do tempo de contribuição para o trabalhador brasileiro portador de deficiência consistirá em medida que afetará, diretamente e de forma positiva, as expectativas de maior qualidade de vida desses cidadãos". Para ele, a conquista da aposentadoria especial será histórica para todo o segmento.
A matéria tramita na Câmara dos Deputados desde 2005 e já foi aprovada nas Comissões de Constituição e Justiça (CCJ) e de Seguridade Social e Família. Agora, espera para entrar na fila dos projetos que devem ser analisados pelo plenário da Casa. O presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Pessoa com Deficiência, deputado Geraldo Resende (PMDB-MS), acredita que isso deve acontecer ainda neste primeiro semestre. Segundo ele, mesmo sabendo que existem outras prioridades este ano, como a votação do pré-sal e as eleições, o presidente Michel Temer (PMDB-SP) já mostrou sensibilidade e interesse pelo projeto.
Ele destacou que votar a proposta é fazer justiça a um segmento importante da população que, segundo últimos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), representa 14,5% dos brasileiros, quase 28 milhões de pessoas. Resende defendeu ainda a criação do Estatuto da Pessoa com Deficiência. "As pessoas com deficiência estão mobilizadas para aprovar os dois pontos. Isso é bom, pois assim podemos ter um resultado melhor e que influencie, de fato, a votação final", destacou.
Para o relator na CCJ, deputado Ribamar Alves (PSB-MA), o projeto vem para beneficiar pessoas especiais que precisam de uma melhor qualidade de vida. Por isso, segundo ele, não é justo que sejam enquadradas no regime geral da Previdência Social, tendo em vista que a condição de sobrevida não é a mesma das pessoas sem qualquer tipo de deficiência. "Como médico, eu acompanho muito isso. Tenho ligações com a Associação dos Pais e Amigos Excepcionais e a Pestalozzi, e recebi vários e-mails pedindo apoio ao projeto, tendo em vista a dificuldade de acesso ao trabalho dessas pessoas. Não podemos negar que é de grande importância reduzir um pouco esse tempo da aposentadoria dos deficientes."
As pessoas com deficiência estão mobilizadas para aprovar os dois pontos. Isso é bom, pois assim podemos ter um resultado melhor e que influencie, de fato, a votação final
Ainda muito longe do esperado
À frente do Instituto Nova Visão, Antônio Gomes Leitão, afirmou que as entidades do setor estão pedindo para que as pessoas liguem para seus representantes e peçam apoio e urgência para a aprovação do projeto. Segundo ele, o projeto é interessante, pois consegue contemplar a todos os deficientes em conformidade com o grau de comprometimento causado pela deficiência.
"Os deficientes leves trabalhariam três anos a menos; os moderados, cinco; e os deficientes severos teriam 10 anos a menos de trabalho. Além dessa questão, o importante é que desobriga a aplicação do fator previdenciário. Então, é uma lei boa, mas, infelizmente, está parada. Nós já conseguimos a adesão da liderança do PSB, do PP, do PMDB e do PT, mas ainda não conseguimos uma previsão para que seja votada no plenário", explicou.
Para ele, a importância da proposta é grande, pois a expectativa de vida do deficiente é menor do que a das outras pessoas. "Imagina um cego batendo bengala pelas ruas cheias de bueiros abertos durante 35 anos? E o cadeirante ter que ficar sentado 12 horas por dia, sujeito a uma infecção urinária? Então, reduzindo até 10 anos já melhora a expectativa de vida dele", disse.
Antônio Leitão também fez um alerta aos parlamentares. Ele afirmou que, se o medo do governo em aprovar o projeto é causar um peso estrondoso aos cofres públicos, eles não precisam temer o rombo orçamentário. "A lei desenhada não vai atingir um número grande de pessoas, pois o aproveitamento do mercado de trabalho das pessoas com deficiência está longe do esperado", completou o especialista.  (Correio Braziliense)

02.03 - Emprego na construção civil cresce 10,2% no segundo semestre de 2009
O emprego na construção civil teve um incremento de 103 mil pessoas de trabalhadores, entre julho e dezembro de 2009. Assim, a ocupação no setor cresceu 10,2% em relação ao primeiro semestre. Estima-se que, nas seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), a Construção ocupava em 2009, 1,116 milhões de trabalhadores, entre assalariados, autônomos, empregadores e donos de pequenos empreendimentos familiares.
Tal incremento decorreu de elevações da ocupação observadas no setor em todos os mercados de trabalho regionais pesquisados, variando entre 7,6%, na Região Metropolitana de São Paulo, e 17,8%, na de Recife.
Segundo o Dieese, ao se analisar o mercado de trabalho assalariado, constata-se, da forma, uma elevação generalizada do emprego na Construção Civil. Nesse quesito, os destaques ficaram por conta das regiões metropolitanas de Porto Alegre (22,0%) e de Recife (20,0%), seguidas pelo Distrito Federal (19,2%).
No Distrito Federal e nas regiões metropolitanas de Porto Alegre, Recife e São Paulo, o crescimento do emprego assalariado deu-se em ritmo superior ao verificado para ocupação, o que sugere que além da ampliação dos postos de trabalho, tais regiões promoveram uma formalização dos vínculos empregatícios dos trabalhadores da Construção Civil.   (Executivos Financeiros)
 
 
 
 
 

01.03 - Desemprego tem a menor taxa para janeiro 
Índice de 7,2% registrado pelo IBGE no mês passado é o menor para esse período do ano na série histórica iniciada em 2002
Apesar de o período ser caracterizado pela dispensa dos temporários de Natal, índice ficou abaixo dos 8,2% de janeiro de 2009
A taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do país ficou em 7,2% em janeiro, o menor patamar já registrado nesse mês desde o início da série histórica do IBGE, em 2002.
O aumento de 0,4 ponto percentual em relação aos 6,8% verificados em dezembro também é o menor já visto em uma passagem de ano -o período é caracterizado pela demissão de parte dos temporários contratados para o Natal.
Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a dispensa desses trabalhadores foi menor neste ano devido à retomada da economia. A indústria e o comércio foram os que mais demitiram.
Responsável pela pesquisa, Cimar Azeredo, do IBGE, diz que o resultado indica que o mercado de trabalho "deslanchou". Em 2009, por causa da crise que afetou principalmente a indústria, a taxa de desemprego fechou o ano em 8,1%, acima dos 7,9% de 2008.
Em janeiro deste ano, o desemprego já foi um ponto percentual menor do que o de janeiro do ano passado, quando bateu 8,2%. O aumento no número de trabalhadores com carteira assinada chegou a 3,5% sobre janeiro de 2009 e a 0,7% sobre dezembro.
O comportamento histórico do índice, porém, aponta para o crescimento do desemprego nos próximos meses -nas cidades turísticas, os temporários só costumam ser dispensados após a temporada de férias, o que é um dos fatores de pressão sobre a taxa.
Desta vez, outro componente deverá contribuir para isso: o fim do desalento provocado pela crise, que fez com que muitos desistissem de procurar emprego nos últimos meses.
Na sua pesquisa, o IBGE registra como desempregada apenas a pessoa que procura trabalho ativamente.
"Com perspectivas mais favoráveis no mercado de trabalho, as pessoas voltam a buscar uma atividade e a população economicamente ativa cresce. A gente esperava já ver isso em janeiro, mas ainda não aconteceu. A expectativa é que apareça nos próximos meses", diz o economista Rafael Baccioti, da consultoria Tendências.
Em janeiro, a população economicamente ativa (soma dos ocupados e desocupados) manteve-se praticamente estável (-0,5%) em relação a dezembro, totalizando 23,3 milhões de pessoas.
O número de desocupados (1,7 milhão), mesmo com aumento de 6% sobre dezembro, foi o menor já registrado em um mês de janeiro em toda a série. Já o de ocupados (21,6 milhões, queda de -1,0% em relação a dezembro) foi o maior para o período. O nível de ocupação chegou a 52,4% da população em idade ativa, outro recorde para janeiro.  (DENISE MENCHEN - Folha de S.Paulo)

01.03 - IBGE: trabalho "deslancha"
A taxa de desemprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nas seis principais regiões metropolitanas do País foi de 7,2% em janeiro, a menor para um mês de janeiro da série histórica, iniciada em 2003, e a segunda menor de toda a série, levando em consideração todos os meses pesquisados, perdendo apenas para dezembro do ano passado (6,8%). "O cenário econômico está bastante favorável e isso está refletindo nos resultados do mercado de trabalho", afirmou o gerente da pesquisa mensal de emprego do IBGE, Cimar Azeredo.
O gerente sublinhou que, segundo os dados de janeiro, fica claro que o mercado de trabalho "deslanchou" após manter uma certa estabilidade, no ano passado, em relação aos avanços de 2008. "Agora o mercado voltou a avançar", disse.
O índice de janeiro também ficou abaixo do piso das estimativas de analistas, que variavam de 7,3% a 8%, com mediana de 7,60%. Segundo Azeredo, os resultados do mercado de trabalho metropolitano em janeiro foram marcados por recordes positivos. Ele argumentou que o aumento no número de desocupados que ocorre sazonalmente em janeiro ante dezembro, com a dispensa de funcionários temporários contratados no final do ano anterior, foi o menor para o mês, em janeiro de 2010 (6%), desde 2006.
Em janeiro do ano passado, por exemplo, o aumento nesse indicador havia chegado a 20,6%. "Aumentar o número de desocupados em janeiro é natural, sazonal, o diferencial é quanto isso aumenta e esse crescimento menor de janeiro deste ano mostra um cenário favorável para o mercado de trabalho, traz uma boa expectativa", disse.
Azeredo destacou que o número de desocupados nas seis regiões é o menor para um mês de janeiro na série histórica. "O volume de dispensas que ocorrem em janeiro está relacionado ao desenvolvimento econômico, se a economia vai bem há menos demissões de temporários", afirmou.
Outro exemplo do bom desempenho do mercado de trabalho citado por Azeredo é o aumento no número de trabalhadores com carteira assinada, que subiu 0,7% em janeiro em relação a dezembro de 2009 e teve alta de 3,5% na comparação com janeiro de 2009. Das 451 mil vagas geradas em janeiro deste ano, comparativamente a igual mês do ano passado, 333 mil foram vagas formais.
No entanto, Azeredo pondera que, como poderão ocorrer novas dispensas de temporários em fevereiro e março, sobretudo na região metropolitana do Rio de Janeiro, onde as contratações para o turismo são fortes nessa época, será preciso aguardar os próximos meses para checar se a evolução do emprego vai prosseguir positiva como ocorreu em janeiro. "Sazonalmente a taxa de desemprego sobe em fevereiro, precisamos aguardar para checar o quanto deverá subir", disse.  (Jornal do Commercio do Brasil)

01.03 - Desemprego em janeiro fica em 7,2%
Taxa é a menor para os meses de janeiro, mas superior à de dezembro (6,8%); total de ocupados vai a 21,6 milhões
O mercado de trabalho metropolitano iniciou o ano aquecido. A taxa de desemprego de 7,2% apurada pelo IBGE em janeiro foi a menor para o mês desde o início da série histórica da pesquisa, em 2003. "O cenário econômico está bastante favorável e isso está refletindo nos resultados do mercado de trabalho", afirmou o gerente da pesquisa, Cimar Azeredo. 
Ele avalia que, segundo os dados de janeiro, fica claro que o mercado de trabalho "deslanchou" após manter certa estabilidade no ano passado. A taxa foi superior à apurada em dezembro (6,8%), como costuma ocorrer em todo início de ano, mas foi bem inferior à registrada em janeiro do ano passado, quando chegou a 8,2%.
Azeredo argumentou que o aumento no número de desocupados, que ocorre normalmente em janeiro, com a dispensa de funcionários nos trabalhos temporários de fim de ano, foi o menor para o mês (6%) desde 2006. Em janeiro do ano passado, por exemplo, o aumento nesse indicador havia chegado a 20,6%. 
"Aumentar o número de desocupados em janeiro é natural. O diferencial é a intensidade. E o crescimento menor de janeiro deste ano mostra um cenário favorável para o mercado de trabalho, traz uma boa expectativa", afirmou o gerente.
RECORDE
Ele destacou ainda que o número de desocupados nas regiões pesquisadas registrado em janeiro (1,69 milhão) é o menor para o mês na série histórica, enquanto o total de ocupados (21,6 milhões) é o maior, também para o mês, da série. 
Outro exemplo do bom desempenho do mercado de trabalho citado pelo técnico é o aumento no número de trabalhadores com carteira assinada, de 0,7% em janeiro ante dezembro e de 3,5% na comparação com janeiro de 2009. Das 451 mil vagas geradas, comparativamente a igual mês do ano passado, 333 mil foram no mercado formal.
Analistas do mercado de trabalho também avaliaram positivamente os resultados e projetaram evolução positiva para os próximos meses. A economista do Santander Luiza Rodrigues considera que os dados confirmam um cenário favorável para o mercado de trabalho este ano, com geração de vagas puxadas pelos segmentos de comércio, serviços e construção civil. O próprio IBGE, comentou Luiza, contribuirá significativamente para o aumento da ocupação, com a contratação de 190 mil recenseadores para o Censo 2010. 
Luiza projeta uma taxa de desemprego de 7,4% na média deste ano que, se confirmada, será a menor dos últimos 15 anos. "É uma bela queda em relação à taxa do ano passado (8,1%), um cenário excelente", afirma.
Ela destaca como fundamentos para a estimativa o aumento das vendas do varejo, um cenário ainda favorável para os juros e, ainda, a disponibilidade de crédito e o aumento da renda. 
Alexandre Andrade, da Tendências Consultoria, chama a atenção para o aumento de 2,1% no número de ocupados em janeiro ante igual mês do ano anterior."Este resultado evidencia um cenário favorável para o mercado de trabalho, principalmente em termos de aumento da população ocupada", avalia.
RENDA 
O rendimento médio real dos trabalhadores nas seis regiões metropolitanas pesquisadas ficou em R$ 1.373,50 em janeiro, 0,4% inferior a igual mês do ano passado. Segundo Azeredo, essa queda pode ter sido provocada pelo aumento da inflação no período.
Na comparação com dezembro de 2009, a renda real subiu 1,1%. De acordo com o gerente, esse aumento refletiu a dispensa de trabalhadores temporários, que ganham menos, no período.
Ele avalia que os resultados do rendimento em janeiro são positivos e mostram a continuidade do aumento do poder de compra dos trabalhadores metropolitanos.   (Jacqueline Farid - O Estado de S.Paulo)
 
 
 
 
 

26.02 - Desemprego é o menor em 13 anos
A taxa de desocupação de 14,7% é a mais baixa desde 1997. Os setores de serviços e construção civil foram os que apresentaram maior retração, de acordo com a pesquisa divulgada pelo Dieese
A taxa de desemprego registrada no Distrito Federal em janeiro deste ano, de 14,7%, foi a mais baixa para o mês desde 1997. O índice cresceu levemente com relação a dezembro de 2009, quando estava em 14,5%. No entanto, como os primeiros 31 dias do ano são, historicamente, um período de retração da atividade econômica após as festas de fim de ano, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que divulgou os dados, fez uma avaliação positiva do mês. As informações sobre o mercado de trabalho em janeiro último integram mais uma edição da Pesquisa Emprego e Desemprego (PED, realizada trimestralmente pelo Dieese em seis regiões metropolitanas. 
O desemprego em janeiro foi puxado por dois setores tradicionalmente afetados em início do ano: serviços e construção civil. O primeiro, menos movimentado em razão do período de férias e da contenção de gastos do consumidor em razão das despesas de início de ano, foi o mais afetado, com 4 mil postos a menos. Nesse setor, que engloba dezenas de subsetores, a baixa no emprego se concentrou nas oficinas mecânicas (-4,8% postos), nos serviços domésticos (-4,1%), nas empresas de reparação, limpeza e vigilância (-2,4%) e na saúde (-1,7%). A construção civil, também atingida pela retração econômica e que em geral tende a paralisar as obras em razão das chuvas, demitiu mil pessoas entre dezembro de 2009 e o mês passado.
Surpresa
Se a supressão de vagas atingiu os trabalhadores da construção e da prestação de serviços no DF, houve setores que conseguiram criar empregos, apesar do cenário desfavorável. O comércio do DF, maior surpresa da pesquisa, abriu 6 mil novas vagas entre dezembro e janeiro. De acordo com Tiago Oliveira, economista do Dieese e um dos responsáveis pela PED, campanhas de vendas e saldões característicos do período podem explicar o fenômeno. "Promoções do comércio com a intenção de que a queda nas vendas não fosse tão brusca podem ter refletido na ocupação", analisa.
Outros setores que criaram vagas em janeiro foram a administração pública direta, que teve mil postos de trabalho a mais, e a indústria, que contratou igual número de profissionais. Os postos na indústria, que também teve bom desempenho em outras regiões metropolitanas, podem estar relacionados à recuperação pós-crise do segmento.
Na divugação da PED em Brasília, o subsecretário de Atendimento ao Trabalhador do DF, José Arnaldo Pinho Guedes, disse que as políticas do governo local contribuíram para os resultados positivos. "Estamos presentes com uma agência do trabalhador em cada cidade e com cursos de capacitação", declarou. Segundo ele, em janeiro deste ano, 8.453 moradores do DF procuraram as agências em busca de emprego. A Secretaria de Trabalho teria captado 2.264 vagas no período e conseguido preencher 1.029.
Dentre as outras cidades que integram a PED, Belo Horizonte foi a única a apresentar recuo na taxa de desemprego entre dezembro e janeiro, de 2%. Em São Paulo, o índice ficou estável, com leve retração de 0,8%. Em Salvador, a taxa teve a maior alta, de 4,1%. Em Porto Alegre, o crescimento foi de 3,2%; em Recife, de 2,3%; e no Distrito Federal, de 1,4%.
Menos irregulares
A pesquisa de emprego do Dieese, que contabiliza o contingente total de ocupados nos locais onde é feito o levantamento - ou seja, engloba celetistas, servidores públicos, autônomos e trabalhadores sem carteira assinada - apontou que o número de pessoas trabalhando por conta própria vem aumentando no Distrito Federal.
Em janeiro deste ano, a quantidade de autônomos no DF segundo registro do Dieese era de 186 mil, total 7,5% maior do que o de 173 mil apontado no mesmo mês de 2009. Com relação a dezembro do ano passado, janeiro último também registrou aumento no número de autônomos, de 1,1%. De acordo com a entidade, o perfil desses trabalhadores é de prestadores de pequenos serviços - pintores, eletricistas, vendedores - e não de micro ou pequenos empresários.
A quantidade de moradores do DF que trabalham sem carteira assinada recuou 3,8% com relação ao primeiro mês de 2009, de 105 mil para 101 mil, mas permaneceu estável entre dezembro e janeiro. O número de trabalhadores formais, contratados pelo regime celetista, cresceu 7,2% com relação a janeiro de 2009 e 0,9%, se comparado a dezembro.
Mais segurança
Após ingressar no mercado de trabalho como vendedora autônoma da empresa de produtos alimentícios Yakult, Benilda Andrade de Lima, 20 anos, conquistou segurança após ter a carteira assinada pelos patrões, primeiro em um supermercado e atualmente em uma loja de roupas infantis. "Fui efetivada aqui após um mês de experiência", conta. A jovem diz não ter saudades da época em que batia na porta dos clientes para oferecer produtos como autônoma. "Agora tenho dinheiro certo no fim do mês", afirma.
Na casa de Lucijayne da Silva Almeida, 38 anos, a situação é outra. Ela e o marido optaram por serem os próprios patrões, não porque seja mais fácil. "Foi assim que as coisas aconteceram para nós", diz. Ela vende água de coco em dois pontos nas ruas de Brasília. O marido é mestre de obras independente.
ESTUDOS DIVERGENTES
O Ministério do Trabalho divulgou recentemente dados sobre o emprego no Distrito Federal que convergem com os do Dieese, mas referem-se apenas a trabalhadores com carteira assinada. O órgão apontou o mês passado de 2010 como o melhor janeiro da história na criação de empregos formais. Foram 23.769 admissões contra 20.215 demissões, o que dá um saldo positivo de 3.554 contratações celetistas. O Sindicato do Comércio Varejista do DF (Sindivarejista), no entanto, publicou há alguns dias levantamento em que afirma que o setor teve retração em janeiro e redução de 1,52% na mão de obra com relação a dezembro. Os números contradizem os do Dieese, que apontam crescimento das contratações no comércio no período.    (Mariana Branco - Correio Braziliense)

26.02 - Site mostra médias salariais pelo País
Trabalhadores e empresários têm nova fonte de referência sobre as médias salariais pagas pelo mercado. Trata-se do ‘Salariômetro’, ferramenta online que calcula a remuneração média de admissão dos profissionais de acordo com as atividades descritas no Código Brasileiro de Ocupação (CBO). 
Os paulistas têm a opção de verificar a média estadual e para cada um dos 645 municípios. Para as demais unidades da federação, é possível ter acesso às médias gerais.
Como usar
A nova ferramenta foi apresentada ontem pelo governador José Serra e pelo secretário estadual do Emprego e Relações do Trabalho, Guilherme Afif Domingos.
O mecanismo foi desenvolvido em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo (FIPE/USP) e tem como base os dados relativos ao Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e também da Relação Anual de Informações Sociais (Rais). 
Por meio da ferramenta, disponível no site www.salariometro.sp.gov.br, as empresas e trabalhadores terão acesso ao salário médio de profissionais contratados, com carteira assinada, no período de seis meses anteriores à consulta. 
As consultas permitirão aferir, ainda, a quantidade e a idade média dos trabalhadores empregados por categoria em dezembro de 2008. “O Salariômetro torna mais ágil e rápido o processo de busca de informações sobre salário, e sem custos – nem para o trabalhador, nem para o empregador”, ressalta o pesquisador Hélio Zylberstajn, da Fipe. 
Para conhecer o valor do salário médio de admissão do cargo de interesse, o usuário preenche um formulário em que informa o código da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) ou o nome de sua profissão, além de dados como faixa etária, cor, gênero, escolaridade, setor e unidade da Federação.  (Jornal da Tarde)

26.02 - STF adia decisão sobre verba sindical 
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu quarta-feira adiar a conclusão do julgamento que deverá acabar com o repasse do imposto sindical para as entidades. Não há previsão de quando o assunto voltará ao plenário e isso pode assegurar às centrais o recebimento dos recursos pelo menos por mais este ano. Após a sessão, o ministro Eros Grau, responsável pelo pedido de vista (mais tempo para analisar o caso), disse que "o assunto é muito complicado, tem de ser estudado muito bem". 
Nas últimas semanas, as centrais se mobilizaram para adiar a conclusão do caso pelo menos para abril, mês no qual o maior volume do imposto sindical é recolhido pela Caixa Econômica Federal. Se as atuais regras forem mantidas até lá, as entidades poderiam assegurar o repasse do dinheiro já recolhido neste ano. A contribuição sindical e é descontada dos salários de março, cujo pagamento é feito no início de abril. O repasse para as centrais foi de R$ 80,9 milhões no ano passado. 
A ação de inconstitucionalidade foi levada ao STF pelo DEM. A votação começou no ano passado. Cinco ministros já votaram -três contra o repasse do imposto para as centrais e dois a favor.   (Valor Online)
 
 
 
 
 

25.02 - Vale-refeição cobre apenas 55% do gasto 
Tíquete médio recebido pelos trabalhadores em 2009 ficou em R$ 10, e custo da refeição fora de casa, em R$ 18,20, aponta pesquisa
Em 2008, disparidade era menor, diz associação de empresas de alimentação; refeições são mais caras no Sudeste e no Centro-Oeste
O vale-refeição médio pago aos trabalhadores brasileiros em 2009 ficou cerca de 45% abaixo do preço cobrado nos restaurantes do país, aponta pesquisa da Assert (Associação das Empresas de Refeição e Alimentação Convênio para o Trabalhador). Conforme os dados, no ano passado, o trabalhador pagava, em média, R$ 18,20 por refeição, enquanto o valor recebido da empresa estava em cerca de R$ 10,00 ao dia.
Essa disparidade cresceu em relação a 2008, quando, segundo a Assert, o valor médio da refeição era de R$ 16,30, ante R$ 9,50 do tíquete pago.
"Os preços são altos para a realidade brasileira. O que você tem não é suficiente para pagar as refeições. Essa é uma contradição que nós temos de enfrentar", afirmou o presidente da Assert, Artur Almeida.
A pesquisa mostra que, mesmo com os preços sob controle no ano passado -o IPCA subiu 4,31%, abaixo da meta do governo, de 4,5%-, o valor da refeição fora de casa para os trabalhadores que recebem o benefício registrou um aumento de cerca de 11% no período.
"A alimentação fora de casa foi a maior contribuição para a inflação em 2009, com alta de 9,05%, segundo o IPCA [Índice de Preços ao Consumidor Amplo]", afirmou Almeida. "Os preços estão em sintonia com o apresentado pelo IBGE."
A Assert realizou o levantamento em 3.224 estabelecimentos que operam com o sistema de vale-refeição em 22 cidades. Entre as cinco regiões, as que registraram a refeição (composta por bebida, prato principal, sobremesa e café) mais cara foram Centro-Oeste e Sudeste, com R$ 19,10. Em seguida vem o Norte, com R$ 16,90, seguido pelo Nordeste (R$ 15,60) e pelo Sul (R$ 15,40).
Almeida explicou que os preços na região Centro-Oeste são puxados por Brasília, que tem uma renda média mais alta e custo de vida maior. "No caso do Sul, já há uma tradição de refeições mais baratas naquela região", disse.
Custos
De acordo com o presidente da Assert, o aumento nos preços no ano passado foi influenciado pela elevação nos custos administrados pelo governo, como água (que subiu 4,42%, segundo o IPC-Fipe, que mede a inflação na cidade de São Paulo), energia (10,93%) e gás (12,13%). Entre os alimentos, ele destacou a alta do açúcar (58,39%), da cebola (41,45%) e da batata (43,71%).
Neste ano, porém, com uma melhora esperada nas condições econômicas do país, o cenário deve ficar mais positivo para os trabalhadores, na opinião de Almeida.
O presidente da Assert afirmou que, ainda que os preços não baixem devido ao aumento da demanda, a renda média do trabalhador deve voltar a subir e sua capacidade de negociar os benefícios com as empresas também aumentará. "2010 será um ano muito bom para a indústria", exemplificou.
De acordo com os números fornecidos pela Assert, existem no Brasil cerca de 200 mil estabelecimentos credenciados no sistema de tíquete-refeição no país. A estimativa da associação é que cerca de 6,5 milhões de pessoas utilizem esse tipo de benefício no Brasil.  (GIULIANA VALLONE - Folha de S.Paulo)

25.02 - Supremo volta a julgar direito de centrais a repasse de contribuição 
O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma o julgamento da lei que permitiu o repasse às centrais sindicais de parte da cobrança de contribuição obrigatória paga pelos trabalhadores. 
O assunto é polêmico, pois, até a aprovação da Lei nº 11.648, em 2008, apenas os sindicatos recebiam a contribuição. Ela equivale a um dia de jornada de cada trabalhador. Com a lei, as centrais, como a CUT e a Força Sindical, passaram a receber 10% do total enviado para os sindicatos a título de contribuição obrigatória. Isso fez com que o DEM ingressasse com ação direta de inconstitucionalidade no Supremo. O partido de oposição quer que as centrais fiquem fora dessa contribuição. 
No início do julgamento, em junho de 2009, o STF ficou dividido, com três votos contra a contribuição sindical às centrais sindicais e dois votos a favor. 
Os ministros Joaquim Barbosa, Cezar Peluso e Ricardo Lewandowski concluíram que a Constituição garante a contribuição obrigatória apenas para as confederações representativas dos sindicatos, o que exclui, segundo eles, entidades que seriam mais políticas do que trabalhistas. Esses ministros argumentaram ainda que a Constituição veda a criação de mais de uma organização sindical para representar o mesmo grupo de trabalhadores. 
Já os ministros Marco Aurélio Mello e Cármen Lúcia Antunes Rocha entenderam que as centrais são representantes de fato dos trabalhadores e, por esse motivo, têm o direito a receber parte da contribuição obrigatória. Mello alegou ainda que a CUT representa 1.670 sindicatos, o que mostraria que a central possui representação efetiva. 
Apesar do placar apertado no início do julgamento, a expectativa inicial é que as centrais saiam derrotadas, pois, entre os ministros que ainda não votaram, há três - Gilmar Mendes, Celso de Mello e Ellen Gracie - que são contrários à legitimidade das centrais para atuar em ações diretas de inconstitucionalidade. Eles já se manifestaram contra a possibilidade de as centrais sindicais ingressarem com ações deste tipo no tribunal, em outros julgamentos. Celso de Mello estará ausente hoje, mas Mendes e Ellen deverão participar da sessão. Ao todo, são 11 ministros. A maioria seria formada, portanto, pelo voto de seis integrantes do STF. 
O julgamento será retomado com o voto do ministro Eros Grau, que pediu vista do processo, em 24 de junho de 2009.   (Juliano Basile - Valor Online)
 
 
 
 
 

24.02 - Raio X para a harmonia funcional
Gestores de equipes têm as pesquisas motivacionais como aliadas para "azeitar" o ritmo de trabalho. São elas que localizam os contrastes no comportamento e a real motivação funcional de cada membro da equipe. O método Birkman, inventado nos Estados Unidos na década de 50, está no Brasil desde 2006 e é uma das pesquisas com maior aceitação entre os especialistas.
Segundo o gestor de relacionamentos Péricles Pinheiro Machado, da consultoria organizacional Mind at Work, que utiliza o Birkman em equipes corporativas pequenas que estão em algum tipo de situação de conflito, geralmente com dificuldade de trabalhar em conjunto, "o método é um instrumento cujo foco é a compreensão de como a pessoa percebe a relação dela com as outras pessoas e as estruturas coorporativas, e de que maneira isso afeta o seu cotidiano do trabalho".
Na aplicação, o Birkman se vale de uma série de perguntas não relacionadas, que podem ser feitas individualmente ou para grupos de funcionários. A partir daí, uma equação levando-se em conta como cada indivíduo se relaciona com o trabalho e seus colegas, se direta ou indiretamente, divide os membros da equipe em quatro quadrantes. "Isso (o método birkman) é bom para (o gestor) olhar se as pessoas têm ou não afinidades entre si e habilidade para trabalhar com abstrações, quais funções de trabalho são cumpridas pela equipe e quais são as deficitárias. A partir disso, é possível identificar quem fica sobrecarregado com as tarefas mais burocráticas e quem é responsável por colocar as coisas em prática", diz Machado.
Ainda segundo o gestor de relacionamentos, com esse levantamento, é possível conhecer ao certo qual funcionário pode montar um planejamento estratégico, aquele que pensa em inovações para o ambiente corporativo e quem na equipe tem o perfil mais ativo, que coloque as coisas em prática. Ele conta que quando uma companhia tem as características dos seus funcionários delineadas, pode buscar pessoas que tenham competências complementares as do grupo. "A utilização do método Birkman é interessante quando uma equipe está disposta a fazer mudanças para melhorar o seu funcionamento porque ele consegue mapear quais são as falhas, o que pode ser aperfeiçoado e quais são as suas características mais criativas", revela Machado.
RECOMPENSA. Para Cristiano Amorin, da consultoria de recursos humanos Fellipelli, com esses conhecimentos, o gestor também pode, junto com um coach (espécie de treinador corporativo), orientar os profissionais a adquirir autoconhecimento e entender o que eles esperam ao cumprir determinada tarefa; e assim, recompensá-los de forma adequada.
Profissionais liberais têm surpresas
Além de gestores, o método Birkman também é utilizado por profissionais liberais em busca de maior autoconhecimento e caminhos para a gestão de seus escritórios. O arquiteto Eduardo Lopes recentemente passou pela avaliação Birkman para entender melhor os próprios pontos positivos e aqueles em comum com sua sócia Paula Portella Puschpl no escritório Bau.
Ele diz que a avaliação mostrou um lado que desconhecia: o de administrador de empresas. "Achei interessante enxergar certas coisas com clareza, como a criatividade, que é comum para quem tem escritório de arquitetura. Dessa forma, sei quais estratégias tenho que adotar para gerir a minha companhia e quais parceiros preciso encontrar para complementar as minhas habilidades. Vi que tenho que encontrar alguém para cuidar da parte de comunicação", conta. Lopes afirma que o custo não foi "muito mais caro do que um computador" e que o retorno propiciado por essa análise será maior do que os ganhos que teria com um novo eletroeletrônico.
O teste mostrou para sua sócia, Paula Puschpl, que ela tem envolvimento indireto com administração e que seria melhor atuar à distância nesta área. "O Birkman é uma ferramenta que ajuda o profissional a identificar o que interessa, o que já faz, o que faz bem e o que podia melhorar. Se eu tivesse que cuidar da parte administrativa, teria que contratar uma pessoa, pois para mim é um esforço muito grande entrar nessa área e lidar com pessoas. A empresa que utiliza o método conhece melhor o funcionário que tem e sabe onde ele pode ser melhor aproveitado", afirma ela.
A gerente de marketing Cassandra Carvalho Francisco resolveu recentemente dar um tempo e passar por um ano sabático para reorientar sua carreira. Contratou então os serviços da consultoria de recursos humanos Fellipelli para ajudá-la nisso. Passou então pelo Birkman.
"Estava buscando novas oportunidades de trabalho. Queria me conhecer melhor e entender o que gostaria de fazer. Fiquei impressionada com a quantidade de dados que o Birkman oferece. Ele mostra, por exemplo, como eu me comporto em momentos de estresse, quando não estava na minha zona de conforto. Aparecem informações de todos os tipos, o consultor então faz cruzamentos das características que a pessoa tem, que apontam qual estrutura tem que ter no trabalho, se tem perfil de liderança, entre outras coisas. Se conhecendo, as pessoas podem lidar melhor com as adversidades. Todos os trabalhos têm estresse e ele te mostra a melhor maneira de reagir à essa situação", diz.   (CHICO BARBOSA - Jornal do Commercio Brasil)

24.02 - Vale-refeição tem valor 45% menor do que o cobrado em restaurantes
O valor pago aos trabalhadores brasileiros no benefício do vale-refeição é 45,05% menor que a quantia necessária para pagar um almoço em um restaurante, segundo revela levantamento realizado pela Assert (Associação das Empresas de Refeição e Alimentação Convênio para o Trabalhador).
Para se ter uma ideia, em uma refeição composta por prato principal, bebida não alcoólica, sobremesa e cafezinho, o brasileiro gasta, em média, R$ 18,20. Por outro lado, o valor do tíquete gira em torno de R$ 10.
Regiões brasileiras
Se consideradas as cinco regiões do País, a diferença entre o valor do vale e da refeição é ainda maior no Sudeste e no Centro-Oeste brasileiro. Isso porque, em ambas localidades, o preço médio pago por uma refeição é de R$ 19,10, o que resulta em uma diferença de 47,64% frente ao valor médio pago no benefício.
Nas outras regiões, entretanto, as variações são menores, já que no Norte o valor da refeição é de R$ 16,90, no Nordeste, de R$ 15,60, e no Sudeste, de R$ 15,40.
Tributos
Na avaliação da Associação, o valor médio nacional da refeição é elevado para os padrões brasileiros, sendo que a alta carga tributária e as elevadas tarifas públicas seriam os principais fatores que influenciam os preços nos estabelecimentos.
“O setor de restaurantes tem grande valor social, gera empregos e riquezas para o Brasil. Mas, ao mesmo tempo, é um segmento muio sensível a alterações na economia”, diz o presidente da Assert, Artur Almeida.
A Assert realizou 3.224 entrevistas com donos ou responsáveis de restaurante de Norte a Sul do país, entre os dias 23 de novembro e 18 de dezembro do ano passado. O levantamento foi conduzido pelo Instituto Análise.  (Gladys Ferraz Magalhães - InfoMoney)
 

Notícias Anteriores


 Envie um emailsobre ações e projetos da sua própria entidade para conhecimento dos demais leitores