05.09 - Perfil online influencia imagem profissional
Levantem a mão todos os que pesquisaram alguém através
do Google na semana passada. Agora, levante a sua mão se você
fez uma busca do seu nome. Segundo Krishna De, especialista em mídia
e criação de marca pessoal, poucas pessoas se preocupam em
saber o que a internet informa a seu respeito. Mas, com freqüência,
é o primeiro lugar onde se investiga outras pessoas.
Atualmente, muitas relações de trabalho começam
eletronicamente. Mesmo quando você encontra alguém pessoalmente,
é provável que uma pesquisa online já tenha sido realizada.
"As pessoas vão buscar informações antes de uma reunião
com você, e depois também", diz De. "É como checar
uma referência online. Não é a única coisa importante,
mas vai fazer parte da avaliação."
A boa notícia é que é relativamente fazer uma
rápida reformulação da imagem online. São abundantes
as narrativas de empregadores que buscam informações no Google
sobre futuros funcionários, descobrindo histórias de festas
desregradas, porém isso é fácil de evitar. "Muitas
pessoas desconhecem os controles de segurança nos sites de redes
sociais", diz De. Para separar o profissional do pessoal, use as opções
de segurança. A regra é: se não quer que seu patrão
ou clientes vejam alguma coisa, mantenha-a oculta.
James Reed,presidente do grupo de recrutamento Reed, recomenda ter
cuidado com fotos online. "As fotografias podem dizer muita coisa, particularmente
quando tiradas fora de contexto."
Infelizmente para aqueles que têm fobia de tecnologias, estar
fora da rede não é solução. Graham Jones, psicólogo
de internet, diz que cada vez mais as pessoas esperam encontrar informações
online sobre credenciais profissionais de alguém. "Se não
acharem nada a seu respeito, podem achar que sua contribuição
não é tão valiosa."
Registrar-se em websites com boa reputação é um
meio de criar uma "persona" online respeitável. "LinkedIn e Ziggs
são excelentes para criar um perfil profissional", diz De. "São
respeitados e não exigem muito esforço, ao contrário
de um blog."
Ela recomenda também escrever críticas de livros em sites
de livrarias ou publicar artigos sobre sua área de conhecimento.
Reed recomenda usar blogs e fóruns de discussão, mas essa
tarefa deve ser feita "de maneira sóbria e não exuberante".
(Joanna Roberts - O Estado de S.Paulo)
05.09 - Dicas para conquistar um emprego
Conseguir um emprego no mundo contemporâneo está sendo
um dos maiores desafios que grande parcela da humanidade vem enfrentando
nos últimos tempos. Obter uma colocação satisfatória
tornou-se uma tarefa árdua, principalmente, em épocas nas
quais o mercado de trabalho se encontra extremamente recessivo. Para quem
está procurando novas e melhores oportunidades em sua vida profissional,
é válido acompanhar as dicas valiosas que podem ser decisivas
para se vencer a maratona do emprego.
Durante uma entrevista de seleção com o diretor de recursos
humanos de uma multinacional, por exemplo, um profissional da área
de marketing se vê embaraçado diante ao seguinte questionamento:
"Me fale um pouco sobre a sua infância?". Não bastasse a situação,
o empregador ainda solicita que o candidato responda à pergunta
utilizando apenas gestos. E agora, o que fazer?
Entrevistas deste tipo são cada vez mais comuns durante os processos
seletivos das empresas modernas. Diferentemente do passado, quando se contratava
tendo como base apenas a formação acadêmica e os cursos
extracurriculares, atualmente se tornou necessário identificar um
conjunto de competências emocionais que irão diferenciar um
candidato dos demais, e isso vai muito além da mera análise
de um currículo bem elaborado. Na verdade, as organizações
modernas estão à caça de talentos com uma boa base
teórica, mas que também possuam virtudes de caráter
subjetivo que são imprescindíveis frente à nova realidade
social e econômica. Algo do tipo: capacidade para solucionar problemas,
para desenvolver trabalhos em equipe, para liderar, enfim, qualificações
pessoais ligadas a aspectos de personalidade e ao perfil psicológico
como um todo.
Vejamos, algumas das principais regras que devem ser seguidas por todos
aqueles que desejam se destacar durante um processo de seleção.
Entre elas, as principais são: elaborar um currículo eficiente;
fazer uma auto-avaliação; criar suas próprias oportunidades;
cuidar da sua aparência; se preparar para as entrevistas; encarar
os encontros seletivos com ética e profissionalismo; adiar ao máximo
as discussões sobre salário; e após os encontros seletivos,
mostrar interesse alguns dias depois, procurando não ser inconveniente.
É claro que não existe uma "fórmula mágica"
que possa garantir sucesso aos profissionais durante todos os processos
seletivos. Não existe uma "receita de bolo" e nem se pode fabricar
um perfil ideal de comportamento que atenda a qualquer tipo de demanda
das empresas modernas. Porém, se deixar levar à própria
sorte também não é a saída mais adequada. Isto,
pois, existem pontos que estão sendo extremamente valorizados e
garimpados durante os processos seletivos que podem ser aprimorados por
qualquer profissional que esteja investindo na conquista de novas e melhores
oportunidades.
Assim, vale a pena a análise quanto à postura adotada
pelos candidatos a empregos e refletir sobre o que pode ser feito para
se desenvolver um auto-aprimoramento. Tal princípio irá favorecê-lo
no campo prático da vida. Enfim, siga em frente e prepare-se ao
máximo para conquistar este novo mercado de trabalho repleto de
oportunidades para os profissionais que lutam bravamente por elas.
(Gazeta Mercantil - Luiz Scistowski)
05.09 - Contribuição simplificada para o INSS
O INSS criou a contribuição simplificada para trabalhadores
que tenham dificuldade de contribuir com os 20% normais, por problemas
de desemprego, por ser autônomo sem consições financeiras
ou outras situações. A contribuição simplificada
é de apenas 11% do salário mínimo (hoje, R$
45,65), mantém os direitos previdenciários do trabalhador
mas não dá direito à aposentadoria por tempo de contribuição.
No futuro, se o segurado quiser se aposentar por tempo de contribuição,
terá de recolher o complemento do período em que ficou no
simplificado. Isso significa pagar 9% a mais, que é a diferença
entre os 11% recolhidos e os 20% da contribuição normal.
O ministro da Previdência Social, José Pimentel, em entrevista
à Rádio Previdência, disse que oPlano Simplificado
de Inclusão Previdenciária foi feito sob medida para aquele
trabalhador que exerce atividade por conta própria e não
paga o INSS porque ganha pouco. “Essa é uma forma de manter-se
seguro e protegido pela Previdência Social, uma proteção
que beneficia o segurado e seus dependentes”, disse.
Qualquer pessoa que não tenha carteira assinada pode aderir
ao plano, mas é necessário ter mais de 16 anos de idade.
Também podem aderir as pessoas que não exercem atividade
remunerada, como as donas de casa e os estudantes, por exemplo.
No plano, o trabalhador tem direito a todos os benefícios oferecidos
pelo INSS, menos à aposentadoria por tempo de contribuição.
Para aderir, basta ligar para o telefone 135. A ligação é
gratuita caso seja feita de um telefone fixo ou de um telefone público.
O trabalhador também pode fazer a adesão por meio da página
da Previdência na internet. O endereço é www.previdencia.gov.br.
O trabalhador não precisa fazer nova inscrição
no INSS. Quando for fazer o pagamento, basta colocar, na guia da Previdência
Social, o número de inscrição do trabalhador (NIT)
ou o número do PIS ou do Pasep. Não é necessário
procurar uma agência da Previdência. (Roberto do Nascimento
- DiárioNet)
04.09 - Salário médio do jovem brasileiro aumentou 10,50%,
mostra a FGV
O salário médio da população de 15 a 29
anos aumentou, em média, 10,5% por ano entre 2004 e 2008, de com
acordo com estudo divulgado pela Fundação Getúlio
Vargas (FGV) e elaborado com base nos dados da Pesquisa Mensal de Emprego
do IBGE. "É um nível de crescimento chinês, que teve
ajuda de programas sociais, ao contrário do que acontece no país
asiático", afirmou Marcelo Neri, coordenador do Centro de Políticas
Sociais do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV.
Em 2004, o jovem brasileiro recebia salário médio de
R$ 277,73, que chegou a R$ 414,05 em abril deste ano. Neri disse que o
aumento de ganho do jovem está atrelado ao maior nível de
estudo. Há quatro anos, o brasileiro de 15 a 29 anos tinha, em média,
9,7 anos de estudos. Em abril deste ano, o tempo médio já
chega a 10,4 anos. "O maior tempo de estudo explica o aumento da renda
do jovem."
Neri argumenta que desde 1992 há um aumento substancial nos
anos de estudo dos jovens entre 15 e 29 anos. Com base em dados da Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), o estudo da FGV mostra
que entre 1992 e 2006 houve aumento de 2,63% ao ano no tempo médio
de estudo da população nessa faixa etária. A renda
decorrente de todas as fontes, no entanto, subiu apenas 1,21% ao ano no
período. "O aumento dos anos de estudo não se refletiu em
crescimento dos rendimentos. Mas a partir de 2004 esse quadro mudou", ressalta
Neri.
Entre 2004 e 2008, os anos de estudo subiram, em média, 2,74%
ao ano, ao passo que as rendas de todas as fontes cresceram 7,90% ao ano.
"A pesquisa mostra que, dos últimos 16 anos, os 12 primeiros anos
foram anos de estagnação trabalhista, quando o jovem estava
indo muito mais à escola, investindo no seu futuro, embora não
estivesse colhendo esse resultado no mercado de trabalho. De 2004 em diante
a cena muda, e o jovem continua investindo em educação, mas
começa a colher resultados", ressalta Neri.
Ele atribui a essa melhora parte da expectativa positiva do jovem em
relação aos próximos cinco anos, detectada pelo Índice
de Felicidade Futura (IFF), medido no país pela FGV e em outros
131 países pelo Gallup World Poll.
Os jovens brasileiros entre 15 e 29 anos são os que demonstram
maior expectativa de felicidade nos próximos cinco anos, de acordo
com o índice divulgado ontem. A pontuação dos brasileiros
atingiu 9,29 pontos. A vice-liderança ficou com os jovens dos Estados
Unidos (9,11 pontos). A expectativa futura contrasta com a felicidade atual,
quesito em que o Brasil aparece apenas no 23º lugar, com 6,64 pontos.
Entre os jovens, a felicidade presente alcançou 6,77 pontos, o que
colocou o país na 53ª posição.
"A pesquisa mostra que o dado sobre otimismo em relação
ao futuro surpreende, mas os últimos quatro anos dão margem
para a idéia de que o Brasil melhorou e que o país, pelo
investimento em educação que já aconteceu, pode melhorar
no futuro", diz Neri. (Valor Online)
04.09 - Conciliar trabalho e família ainda é desafio
Estudo aponta que menos da metade das empresas adotam políticas
que ajudem empregados nessa tarefa
As empresas brasileiras caminham lentamente na adoção
de políticas que permitam aos seus funcionários conciliar
trabalho e vida familiar. Benefícios como flexibilidade de horários,
trabalho à distância e licença-maternidade além
do que determina a lei são empregados por menos da metade, ou 34%
das grandes empresas no País .
É o que mostra estudo da Escola de Negócios da Universidade
de Navarra (IESE), realizado pela primeira vez em 100 empresas brasileiras,
sendo 67 de grande porte e 33 médias e pequenas. O levantamento
foi feito com base no modelo International Family-Responsible Employer
Index (Ifrei), índice criado pela universidade para identificar
os programas das empresas de conciliação entre trabalho e
família. Aplicada desde 2000 em 19 países, a metodologia
já avaliou 3,8 mil companhias no mundo todo.
O estudo aponta que há diferenças significativas no modo
como empresas grandes e pequenas lidam com a questão. Entre as grandes,
32 empresas não têm programas de conciliação
entre o trabalho e a família - e, quando o fazem, é uma iniciativa
pontual. As empresas pequenas e médias estão um pouco melhor
nessa questão: 17 delas facilitam a conciliação trabalho/família,
ainda que sem políticas estruturadas. "As empresas menores tendem
a ter mais atitudes em prol dos funcionários. Há mais proximidade
no ambiente de trabalho", afirma Cesar Bullara, coordenador do Ifrei no
Brasil.
FLEXIBILIDADE
De acordo com Bullara, as empresas começam a avançar
em itens como flexibilidade nos horários de trabalho - 27% das grandes
companhias e 26,5% das pequenas e médias permitem horários
flexíveis para pelo menos 50% dos funcionários. No entanto,
o trabalho à distância ainda é um tabu, especialmente
nas grandes corporações: apenas 4% delas permitem que o funcionário
trabalhe de casa, ante 5,9% das pequenas e médias.
O estudo mapeou ainda as empresas com mais benefícios. Uma delas
é a empresa de telecomunicações CTBC, do grupo Algar.
Das 31 políticas de incentivo à conciliação
trabalho/família levantadas pelo estudo, a empresa mantém
19 - como permitir o trabalho à distância, horário
flexível e remuneração com base em metas de produtividade.
"Há pelo menos 15 anos não se bate ponto por aqui", diz Marineide
Perez, diretora de recursos humanos da CTBC. Este ano, a empresa escolheu
algumas áreas para testar um programa-piloto: permitir que os funcionários
trabalhem de suas casas pelo menos um dia por semana. "Tem funcionado bem",
diz Marineide.
De acordo com Patricia Molino, sócia da área de recursos
humanos da consultoria KPMG, a flexibilização dos horários
é uma tendência mundial - mas ainda restrita ao trabalho mais
intelectual e ligado à tecnologia. "Dificilmente uma empresa adota
horários flexíveis para o chão de fábrica",
diz. Segundo Bullara, a flexibilidade tem um preço: 35% das empresas
pesquisadas esperam que o funcionário leve trabalho para casa.
(Andrea Vialli - O Estado de S.Paulo)
04.09 - Conarh 2008: ''A liderança alinha pessoas do grupo''
A professora PHD da Fundação Getúlio Vargas, Silvana
Pereira de Aguiar, destacou a importância dos líderes
Desde a Antiguidade, é comum que povos tenham seus líderes,
aquelas pessoas que tomam as decisões e são as vozes dos
demais integrantes.
Nos grupos organizacionais, a figura do comandante também é
bastante presente e necessária. E foi isso que a professora PhD
da Fundação Getúlio Vargas, Silvana Pereira de Aguiar,
destacou em sua palestra no Conarh, com o tema Por que precisamos de líderes.
"A liderança alinha as pessoas do grupo, de maneira que todos possam
expressar suas idéias." Ela ainda ressaltou que a característica
mais forte num líder é o domínio da comunicação,
"o que independe do cargo que ele ocupa".
Todavia, Silvana explicou que a figura do líder somente se concretiza
quando há alguém que permite esta liderança: "Não
há líder sem liderado." E considerando o perfil desse líder,
Silvana disse que é preciso que ele tenha a capacidade de causar
impacto ao pronunciar-se e agir de forma positiva nas ações
de seus liderados.
Numa organização, os líderes desempenham a função
de equacionar a dinâmica interna da empresa e a demanda externa do
ambiente. Segundo Silvana, sem estes ingredientes, a organização
não é capaz de responder aos desafios. "A liderança
é um fenômeno fundamental num sistema social." enfatizou.
(O Estado de S.Paulo)
04.09 - Conarh 2008: Reter funcionário é essencial
"Rouba-rouba" de colaboradores obriga empresas a criar políticas
para manter equipe, diz Felipe Westin
O maior desafio das empresas nesta década é o de atrair,
engajar e reter talentos. E uma das formas de lidar com isso é usando
os três R''s: remuneração, reconhecimento e recompensa.
Esse foi o tema da palestra, no Conarh 2008, do diretor de Performance
Organizacional da Right Management, empresa de consultoria em RH, Felipe
Westin. De acordo com ele, a escassez de novos talentos é uma realidade
que as empresas estão tendo de enfrentar, uma vez que a nova geração
de profissionais, além de estar em número insuficiente, possui
outra mentalidade, valorizando liberdade e autonomia da carreira.
"Isso aumenta a intensidade do ?rouba rouba? de mão-de-obra
e é preciso cada vez mais uma estratégia para evitar o problema",
afirma.
Westin explica que ao longo dos anos as empresas foram descuidando
um tanto dos problemas de seus colaboradores. Mas agora, frente à
competitividade do mercado, estão precisando retomar esses cuidados:
"Antigamente, mudar de empresa era traição. Hoje essa confiança
foi quebrada e é cada um por si. Cabe ao RH, portanto, fazer o colaborador
ficar porque quer." Para isso, tem de haver compromisso com a estratégia
da organização, foco na execução e no resultado
e no conjunto positivo de atitudes e comportamentos. "Quando se aplica
a competência com atitude correta, ela vem com engajamento."
De acordo com Westin, a dedicação e o esforço
de um profissional dependem tanto de fatores racionais (bons resultados,
crescimento e perspectivas) como emocionais (como eu me sinto? como meu
líder me trata?). Uma relação de proximidade e confiança
com a liderança é fator decisivo no que diz respeito ao engajamento
dos funcionários.
"O papel do gestor de pessoas é hoje muito mais complexo, pois
requer perfil de liderança e ao mesmo tempo foco no individual.
É a chamada liderança com precisão", diz.
O alinhamento das expectativas das empresas com a dos profissionais
também tem peso importante na hora de engajar e reter. "Os valores
pessoais tem de ser compatíveis com os da organização,
assim como as aspirações do funcionário devem estar
em sintonia com as oportunidades que ele terá naquele emprego."
Westin ressaltou também que já é possível
medir o nível de engajamento dos funcionários com pesquisas
específicas. "É uma medida objetiva de fatores subjetivos,
que vinculam as pessoas às organizações". Outras ferramentas
úteis para melhorar o ambiente também são pesquisas
de clima e as de cultura de valor. (O Estado de
S.Paulo)
03.09 - Dieese: Salário mínimo ideal
seria de R$ 2.025,99
Com base no preço da cesta básica
mais cara do País em agosto, a de Porto Alegre (R$ 241,16), os técnicos
do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos
(Dieese) fizeram contas e chegaram a conclusão de que o salário
mínimo ideal para o mês passado seria de R$ 2.025,99. Esse
valor teria como função cobrir todas as despesas de uma família
brasileira com quatro pessoas (dois adultos e duas crianças) com
alimentação, moradia, saúde, educação,
vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência. Este
valor do mínimo ideal, que equivale a 4,88 vezes o piso atual, de
R$ 415,00, no entanto, caiu em relação ao estimado em julho,
que correspondia a R$ 2.178,30 e representava 5,25 vezes o mínimo
vigente
Em agosto do ano passado, o salário mínimo
ideal, pelas contas do Dieese, era de R$ 1.733,88 e correspondia a 4,56
o mínimo vigente à época, que era de R$ 380,00. A
queda do mínimo estimado pelo Dieese de julho para agosto se deu
em decorrência da queda dos preços da cesta básica
em 15 das 16 capitais do País em que o Dieese realiza mensalmente
sua pesquisa de preços da cesta básica.
Capitais
Apesar de continuar como a mais cara do país,
a cesta básica em Porto Alegre registrou queda de 6,99% no preço
este mês, ante os R$ 259,29 de julho. Os analistas do Dieese destacam
ainda que o preço cobrado pela cesta básica na capital do
Rio Grande do Sul no mês passado (R$ 241,16) é praticamente
o mesmo registrado pelo conjunto dos alimentos básicos na cidade
de São Paulo, que foi de R$ 241,15. O terceiro maior valor (R$ 231,26)
foi apurado em Belo Horizonte. Na contrapartida, as cestas mais baratas
foram encontradas em Recife (R$ 176,09) e Fortaleza (R$ 178,37)
(Agência Estado)
03.09 - Dez fontes de pressão salarial
Por uma combinação de fatores, este resto de ano está
sendo marcado por dez fontes de pressão salarial.
1) A demanda interna aquecida, a continuidade das exportações
de commodities e de manufaturados e a expansão das empresas, assim
como o dinamismo da construção civil, de agroenergéticos
e de projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC),
vêm exigindo mais e mais trabalhadores e elevando seus salários.
A demanda por mão-de-obra já está maior do que a oferta.
Nos últimos 12 meses, o PIB cresceu 5% e os trabalhadores disponíveis,
apenas 2,5%.
2) O desequilíbrio é mais grave para o pessoal qualificado.
Para esse segmento, a pirataria tornou-se o método mais usado de
recrutar. As empresas assediam os profissionais de outras. Quando a sedução
funciona, umas ganham e outras perdem. É um verdadeiro leilão,
no qual os salários sobem e provocam alterações em
toda a pirâmide salarial. Engenheiros, químicos, "controlers",
auditores, supervisores de produção, com boa qualificação,
e outros profissionais que são estratégicos para manter o
crescimento continuam escassos.
3) Novas leis e novas ações governamentais têm
colaborado para aumentar a demanda por pessoal qualificado. Por exemplo:
a lei que obriga o atendimento pessoalizado nos "call centers" forçará
a contratação de, pelo menos, mais 25% de pessoal qualificado.
A campanha dos Ministérios do Trabalho e da Previdência contra
a terceirização está obrigando as empresas de médio
e grande portes a incorporarem nos seus quadros os que trabalhavam com
menores salários em empresas de terceiros.
4) As negociações coletivas estão muito apertadas.
As empresas estão sendo forçadas a ceder, se quiserem aproveitar
os bons ventos da economia. O próprio presidente Lula disse aos
sindicalistas ter chegado a hora de eles exercitarem a sua musculatura.
O governo deu o exemplo, aumentando o salário de 350 mil servidores
federais e elevando o valor do salário mínimo em 12%.
5) Falando em salário mínimo, várias categorias
combinaram em buscar salários iniciais mais altos sob o argumento
de que, em 2007, em 77% das 647 negociações realizadas, os
pisos ficaram ao redor de 1,5 salário mínimo. Os sindicatos
demandam pisos mais altos o que, novamente, afetará toda a estrutura
de salários.
6) Também de modo articulado, os sindicatos das grandes categorias
e que têm data-base neste segundo semestre - bancários, metalúrgicos,
químicos e petroleiros - estão rejeitando sistematicamente
ofertas de abonos episódicos, querendo, em seu lugar, aumentos substanciais
de salários, da participação nos lucros e resultados
(PLR) e dos demais benefícios.
7) Todas as categorias buscam aumentos reais de salários bastante
expressivos visando a recuperar perdas passadas e recentes, usando, para
tanto, índices de uma inflação própria. Argumentam
que, nos últimos 12 meses, a inflação dos alimentos
foi de 9,45%, bem acima da média, de 7,05%. Eles insistem que essa
conta não será paga pelos trabalhadores. Por isso pleiteiam
6%, 7%, 8% (e até mais) de aumento real.
8) No campo dos benefícios, muitas categorias pedem o dobro
do valor atual da PLR e dos auxílios para alimentação
e transporte - o que, igualmente, pressiona os gastos com o fator trabalho.
9) Os sindicatos se dizem preparados para fazer greves. Eles sabem
que, neste momento, os empresários têm verdadeiros surtos
de urticária ao ouvirem tal ameaça e cedem. No ano passado,
em 96% das greves, as empresas atenderam aos pleitos dos trabalhadores
- parcial ou totalmente. Neste ano, não seria diferente.
10) Além de estarem mais fortes nas mesas de negociação,
as entidades sindicais tiveram uma ajuda preciosa do governo, que passou
para as centrais sindicais aproximadamente R$ 57 milhões para fazerem
o que quiserem e sem necessidade de prestar contas. Podem aplicar em campanhas
salariais estridentes que, a um só tempo, conquistem melhores condições
para os trabalhadores e mais ganhos para os sindicatos na rubrica da "contribuição
assistencial".
Esse quadro já preocupa o Banco Central, que teme uma aceleração
da inflação em decorrência do aumento do custo do trabalho.
Mas há outra preocupação. Será que o aquecimento
atual é sustentável ou estamos no meio de uma bolha? No primeiro
caso, tudo se ajusta. No segundo, tudo se desajusta.. (José
Pastore - O Estado de S.Paulo)
03.09 - Metalúrgicos param no Sul
Os metalúrgicos das montadoras Renault/Nissan e Volkswagen/Audi,
instaladas em São José dos Pinhais, na região metropolitana
de Curitiba, e da Volvo, na Cidade Industrial de Curitiba, fizeram paralisação
durante todo o dia de ontem, em protesto à contraproposta das empresas
ao reajuste salarial. Os sindicatos patronal e dos trabalhadores ainda
teriam reuniões até o final da noite de ontem e, dependendo
do andamento, a categoria pode entrar em greve por tempo indeterminado
já partir de hoje.
O Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba apresentou proposta
de cerca de 13% de reajuste, dos quais 7,6% (projeção) corresponderiam
às perdas inflacionárias e 5% seriam o aumento real. Os trabalhadores
reivindicam ainda R$ 1,5 mil de abono. A contraproposta apresentada na
sexta-feira contempla a reposição da inflação,
mas reduz para 0,5% o ganho real. Segundo o sindicato, a resposta patronal
não toca na questão de abono salarial. A data-base da categoria
é 1o de setembro.
A Assessoria de Imprensa da Volvo informou que a paralisação
causou "estranheza" à empresa, visto que as negociações
estão ocorrendo, até mesmo com reunião marcada para
a noite de ontem. A Renault e a Volkswagen preferiram não se pronunciar
sobre a paralisação.
Em São José dos Campos, o Sindicato dos Metalúrgicos
realiza hoje mais uma rodada de negociações com o Sinvavea,
na tentativa de um acordo em relação à campanha salarial
2008. Enquanto isso, os trabalhadores prometem realizar uma "escalada de
greves" nas indústrias para pressionar os patrões. Diariamente
serão paralisadas empresas localizadas na base territorial do sindicato.
Na segunda-feira, trabalhadores do setor de montagem da fábrica
da General Motors paralisaram as atividades por um período de duas
horas, das 6h às 8h. Em assembléia eles protestaram contra
a suspensão, por sete dias, dos sindicalistas José Ribeiro
e Eduardo Carneiro, ocorrido na sexta-feira. "Queremos a revogação
desse ato anti-sindical praticado pela empresa", disse o secretário
geral do Sindicato, Luiz Carlos Prates, o Mancha. (Agência
Estado/Jornal do Commercio)
02.09 - GM corta mais 9 mil empregos
Michigan - A General Motors (GM) está oferecendo incentivos
para aposentadoria prematura para 28% de seus empregados norte-americanos
que recebem salários fixos (excluindo-se, portanto, os horistas),
isto é, cerca de 9 mil trabalhadores administrativios.
A maior montadora dos EUA informou dia 15 de julho que planejava corte
de 20% nos gastos com funcionários nos EUA e Canadá até
1° de novembro. Os empregados terão 45 dias para considerar
a proposta, informaram pessoas próximas à companhia.
O CEO da empresa, Rick Wagoner, acelerou os cortes de despesas depois
que o preço da gasolina ultrapassou os US$ 4 o galão (3,8
litros), o que acarretou uma queda na demanda por picapes e uma perda da
ordem de US$ 15,5 bilhões no segundo trimestre deste ano. O presidente
da GM espera conseguir uma economia de US$ 1,5 bilhão na folha de
pagamento para enfrentar o pior mercado para veículos dos últimos
15 anos. (Gazeta Mercantil/Bloomberg News)
02.09 - Executivos estão menos preocupados com o poder
Os profissionais do alto escalão estão pouco preocupados
com o poder que suas funções trazem, segundo pesquisa da
Mariaca, especializada em gestão de pessoas. Isso é resultado
de uma mudança nas estruturas das companhias, que estão menos
hierarquizadas.
Com menos níveis, existe um número maior de pessoas liderando
projetos e equipes. Eles hoje se preocupam mais com o estilo de vida e
como combinam atividades pessoais, família e o trabalho.
O estudo ouviu 250 executivos brasileiros, com cargos de gerência
sênior para cima e salários a partir de R$ 15 mil. Ele mostra
que 45% dos entrevistados indicam a qualidade de vida como seu principal
valor. "Não esperávamos que os números fossem tão
altos", afirma a sócia-diretora da Mariaca Lee Hecht Harrison, Lucia
Costa. Os executivos estão também menos preocupados em "mandar".
Prova disso é que 39% dos entrevistados apontaram a liderança
como segundo item na ordem de prioridades.
Outro destaque é que 34% dos executivos selecionaram a riqueza,
detalhada na pesquisa como acúmulo de dinheiro acima das necessidades,
como seu décimo valor, o último da lista. A especialização
técnica é algo que, entre os entrevistados de diversas regiões
brasileiras, também deixou de ser destaque, especialmente porque
as habilidades de gestão são mais requisitadas entre os mais
seniores. "São pessoas que comprovaram seus conhecimentos técnicos
ao longo da carreira", completa. O relacionamento com outros profissionais
de mercado é algo que fica evidente entre os que já tinham
entre 35 e 55 anos. "Os jovens pensam mais em crescer rápido e no
resultado. Eles ainda não sabem os frutos que os contatos podem
trazer", diz Lucia. (Luiza Dalmazo - Valor Online)
02.09 - Escassez de talentos irá comprometer o crescimento
O grande empecilho para o crescimento das empresas no Brasil e na Índia
será a escassez de profissionais qualificados. A falta de talentos
hoje é uma questão mundial e pode ser a maior restrição
aos negócios. "Está acima do capital e da tecnologia", diz
Shumeet Banerji, CEO da Booz & Co. Entre os BRICs (Brasil, Rússia,
Índia e China), ele acredita que o único país que
se preparou para enfrentar o problema foi a China. "O país investiu
não só nas universidades, mas no ensino técnico, pensou
dez anos para frente", afirma.
No fim de maio, Banerji, PhD pela renomada escola de negócios
Kellogg, assumiu o comando da Booz & Co, uma das maiores consultorias
globais. A empresa é resultado da separação entre
o negócio global de consultoria de alta gestão e o de serviços
para o governo americano da Booz Allen Hamilton. Seu faturamento é
de US$ 1 bilhão. São 3,3 mil funcionários e 200 sócios
atuando em 52 países.
Desde que está no cargo, Banerji já visitou Rússia,
China e Índia. Semana passada, veio conhecer a operação
brasileira, iniciada há 43 anos, pela então Booz Allen Hamilton.
Hoje, o país representa aproximadamente 10% dos negócios
globais da Booz & Co. Segundo o CEO, o país é estratégico
para a consultoria. "Nosso desafio é crescer conforme a nossa capacidade
de recrutar bons profissionais", diz. "Isso leva tempo".
Em sua passagem por São Paulo, concedeu uma entrevista exclusiva
ao Valor. Nela, criticou a sede com que as empresas desses países
têm feito aquisições no exterior para aumentar de tamanho,
sem medir o real valor da empreitada. "Não se trata de adicionar
números, é preciso uma boa razão", diz o CEO. A seguir
alguns trechos da entrevista:
Valor: Que semelhanças o senhor vê entres as companhias
dos BRICs?
Shumeet Banerji As empresas do Brasil têm mais pontos convergentes
com as da Índia do que com as dos outros BRICs. Em comum, vejo a
confiança e a vontade de ser uma companhia global. Numa visão
mais macroeconômica, todos são muito bem sucedidos. Há
uma estabilização e existe uma relativa melhora nas políticas
fiscais, com algumas diferenças entre eles. Os setores fazem mais
sentido. Foram reformados para isso. Tudo contribuiu para que as companhias
melhorassem. O segundo estágio agora para as empresas é olhar
para o mundo. Ser bem sucedido no meu país é o suficiente?
Então é o momento das aquisições no exterior.
Valor: Como o senhor avalia a performance das novas multinacionais
brasileiras nesse cenário?
Banerji É cedo para dizer. Este é um fenômeno recente.
Vemos diferentes razões para as brasileiras fazerem aquisições
fora. A primeira é para adquirir capacidades. Existem aquisições
para expandir, diversificar as fontes de suprimentos. E outras para se
chegar a um novo patamar. Nós achamos que existe muita ênfase
em aquisições para se conquistar uma posição
melhor no ranking global. Mas, ser apenas o número um ou dois ou
três em termos de tamanho não faz de você uma boa companhia.
O grande desafio para as empresas brasileiras é saber operar a empresa
adquirida. Não é uma questão de adicionar números,
ontem tínhamos US$ 2 bilhões, agora temos US$ 5 bilhões.
Acho que é preciso razões maiores que essa para se fazer
uma aquisição.
Valor: Faltam planos de negócios mais estratégicos?
Banerji Muitas companhias têm bons planos. Hoje existe muito
dinheiro e recursos nos BRICs que levam a essas aquisições.
Mas não é só adquirir capacidades e tecnologia, existe
o time, o processo de negócios, a cultura corporativa da outra companhia.
Algumas empresas são capazes de ir para outros mercados longe de
casa e integrar tudo isso, outras não.
Valor: Como o senhor percebe o Brasil hoje?
Banerji É uma das maiores economias. Tornou-se uma força
significativa. Antigamente, na hiperinflação era impossível
pensar no longo prazo. Agora com a estabilização, as companhias
podem fazer isso. É bom ver que existem investimentos em infra-estrutura.
O Brasil tem um papel importante em commodities e agronegócios e
em todo o debate sobre energia. Além da economia é um país
crítico em outros aspectos importantes para o mundo, como o meio-ambiente.
Hoje precisamos prestar atenção em companhias no Brasil que
serão players globais. Como consultoria, queremos conectar as discussões
entres os países do BRIC, porque algumas questões que as
companhias brasileiras estão enfrentando hoje são as mesmas
de algumas indianas. Umas podem aprender com as outras.
Valor: Qual o maior desafio para as empresas brasileiras e indianas
atualmente?
Banerji No estágio que estão hoje, vejo que a questão
mais importante é a falta de talentos. A economia vai bem, as companhias
crescem, mas de onde virão as pessoas para viabilizar este crescimento?
Esse também é um problema mundial. Entre os BRICs, cada país
lida com esse problema de uma forma. Quem combate isso mais sistematicamente
é a China. Eles não investem só em universidades,
mas em escolas técnicas, vocacionais, no treino de linguagem. Eles
olham dez anos para frente. Não faltam só engenheiros. É
preciso ter gente treinada para lidar com a mecânica das máquinas.
Na Índia, o maior desafio não é encontrar talentos
no nível gerencial, mas um pouco mais abaixo. Uma das coisas que
companhias sabem é que não dependem apenas do governo para
cuidar desse "gap". As indústrias e associações têm
que cumprir esse papel. A falta de talentos pode ser a maior restrição
ao negócio, não o capital ou a tecnologia.
Valor: Qual a importância desse movimento de talentos no mundo?
Banerji Existem dois aspectos importantes. O primeiro é que
se você é uma empresa global, os seus administradores precisam
ter conhecimento sobre o que acontece em outros países. Essa á
uma grande questão porque muitas companhias estão servindo
o mundo e precisam entender o mercado no qual estão entrando para
serem bem sucedidas. Para isso, terão que recrutar as pessoas talentosas,
onde elas estiverem. Não dá para só buscar nas melhores
universidades dos EUA, por exemplo. Os conselhos das empresas globais hoje
são muito mais diversificados, têm gente de todas as partes.
Valor: A aposentadoria dos profissionais em alguns setores em alguns
anos pode agravar esse busca por gente qualificada ?
Banerji Veja a área de petróleo. É um problema
difícil. A força de trabalho agora está chegando aos
50 anos. E as universidades ao longo dos anos não produziram engenheiros
de petróleo suficientes. De onde eles virão? Na maior parte
dos países da OCDE, existirá um percentual muito pequeno
da população sustentando outra parte e isso tem a ver com
talentos também. O modelo tradicional de formação
profissional previa que as pessoas atingiriam uma certa idade e depois
iriam embora do mercado. O envelhecimento da população nos
fará repensar o modelo de carreira.
Valor: Como o senhor avalia a falta de talento em países com
população mais jovem como o Brasil?
Banerji A questão da escassez do talento nos países mais
jovens é diferente. Você cada vez mais verá a demanda
pelas pessoas crescer, mas elas não terão qualificação.
É um problema social que precisa ser resolvido.
Valor: O que lhe chama a atenção nos CEOs brasileiros?
Banerji Antes, o mercado local, o network, os políticos garantiam
o acesso ao capital, em países como o Brasil ou a Índia.
Ser hábil para operar nesse ambiente era muito importante. Agora
é diferente, o que conta é saber operar a companhia, levantar
dinheiro, agir estrategicamente, fazer boas aquisições, construir
times de liderança. Esses mercados estão mais maduros, o
fluxo de dinheiro é livre, você vê que os CEOs respondem
hoje aos mesmos incentivos. (Stela Campos - Valor Online)
01.09 - Decisão de fazer ano sabático exige maturidade
profissional
Bastante difundido nos Estados Unidos e na Europa, o chamado "ano sabático"
é pouco usado pelos profissionais do Brasil, onde o tema ainda é
bastante controverso. Tanto no exterior quanto no País, algumas
corporações incentivam a prática, mas na maioria das
vezes a tomada de decisão é individual. E, neste caso, o
executivo precisa-se estar plenamente consciente do rumo que pretende dar
à carreira, para evitar que o período do qual espera reflexos
positivos acabe se tornando um motivo de arrependimento. "Na vida tudo
tem seu preço", adverte Robert Wong, diretor geral consultoria especializada
em gestão de carreira que leva o seu nome. "O indivíduo deve
estar seguro o suficiente, ter a consciência do propósito
e do objetivo deste intervalo. Avaliar perdas e ganhos futuros é
fundamentais", explica o consultor.
O termo "sabático" tem origem judaica. A palavra "shabat", em
hebraico, significa "repousar". Para os judeus significava o intervalo
da sexta para o sábado, período que era dedicado ao descanso
religioso.
A palavra começou a ganhar um uso semelhante ao atua nas universidades
americanas. Depois de um longo tempo dedicado à ordem acadêmica,
alunos e professores tinham como direito se ausentar por um ano. A idéia
era cuidar de si ou estudar outras matérias, sempre visando adquirir
mais conhecimento. Nas organizações, o termo foi adaptado
para um intervalo da vida pessoal e profissional. A idéia partia
do princípio da empresa negociar o período de recesso, em
troca de contar com um profissional mais motivado e com fôlego redobrado.
O sabático, porém, não associa-se à falta
de produtividade, à perda da identidade pessoal e profissional ou
mesmo às férias. O princípio elementar diz que a prática
é iniciada a partir de uma motivação íntima
do profissional, que decide se afastar do trabalho e se dedicar a alguma
atividade ou projeto particular.
Em alguns casos, pode ser resultado de uma decisão conjunta
entre a empresa e o colaborador. Algumas organizações percebem
que, mesmo quando o executivo ainda consegue trazer excelentes resultados,
muitas vezes é necessário que ele tenha um recesso, para
poder voltar mais tarde, com carga redobrada. "Sabático, além
do sentido de repouso, nos dá também a idéia de saber.
O saber de quando se deve tirar o ano sabático em nossas vidas",
afirma Wong. "Todos temos um período de recolhimento, e isso vale
para qualquer atividade. às vezes o recuo tem um saldo qualitativo
e não somente com o propósito de descansar. Este período
vale para agregar valores a si próprio, recuperar energias, atrelar
experiências antes desconhecidas, novas amizades e relacionamentos.
É um período de reenergização.".
Rotina corporativa
O mundo corporativo proporciona aos executivos dias cada vez mais exaustivos
e competitivos. Assim, dentro de um ambiente propenso a pressões
e desgastes, é natural que o profissional sofra grande desgaste
físico e emocional. O administrador de empresas e ex-vice-presidente
de RH do Itaú, Fernando Tadeu Perez, sentiu na pele esta rotina
diária.
Após 37 anos em cargos estratégicos em grandes empresas,
ele percebeu que estava realizado profissionalmente. Precisava parar e
se dedicar a um projeto pessoal - escrever um livro. Pediu, então,
o apoio da família, para que, a partir daquele momento, "apertasse
o sinto". "Quando se chega ao limite da carreira, da maturidade pessoal,
profissional e financeira, somado à certeza de não precisar
provar mais nada a ninguém, está na hora de um recesso particular,
para desenvolver práticas que lhe tragam maior prazer", afirma Perez.
Segundo ele, um dos principais obstáculos para que se possa
decidir por um ano sabático é a questão financeira.
"Existem dois aspectos primordiais para se colocar este tipo de projeto
em prática", diz o administrador. "Primeiro, é necessária
uma reserva financeira para este período. O segundo é ter
a competência suficiente e, atrelado a isso, um nome no mercado,
que permitirá sua volta", ensina Perez, que planejou o seu ano sabático
para escrever o livro "A coragem de decidir – Uma jornada em diferentes
culturas
organizacionais."
Para ser bem-sucedido, prossegue o executivo, é essencial fazer
um planejamento do período, com início, meio e fim. Caso
a empresa seja parceira na empreitada, as justificativas devem ser objetivas
e concretas. "Quais as contribuições trarão para o
futuro da empresa e do profissional", diz Renato Waberski, consultor de
carreira do Grupo Catho. "A valorização deste período
varia para cada empresa. Qual o grau de importância que o executivo
tem na companhia. Se ele vai fazer cursos de aperfeiçoamento ou
desenvolver algum projeto pessoal, não importa. É fundamental
ter um planejamento, com justificativas e resultados deste recesso", indica
Waberski.
Muitos profissionais querem e têm vontade de fazer um ano sabático
, mas poucos se aventuram. O medo do futuro atrapalha. Como resultado,
muito executivos que precisariam desse "retiro" mostram-se estressados
e às vezes até com problemas de saúde.
Mas, na opinião de Sara Behmer, formada em Psicologia Organizacional
e ex-vice-presidente de RH da Avon e da Ticket Restaurante, as empresas,
de fato, não são as responsáveis pela carreira dos
profissionais. Ou seja, a decisão de fazer uma no sabático
deve partir mesmo do executivo. "Cada um é responsável pela
construção da vida profissional."
Segundo ela, optar por períodos sabáticos curtos também
podem ajudar o profissional." Em 1990, optei por pequeno intervalo", revela
Sara. "Quis fazer um aperfeiçoamento, e a empresa não me
deu respaldo para isso. Na prática, não me sentia preparada
profissionalmente. Suspendi minhas atividades e mergulhei num programa
de treinamento. Após este período consegui uma promoção,
saltei de gerente a diretora. Foi muito importante para impulsionar minha
carreira. Um investimento pessoal patrocinado por mim", lembra.
No momento, a executiva se prepara para mais um pequeno período
sabático. "Estou desenhando meu novo projeto", diz. "Confesso que,
na época, a promoção foi uma tremenda surpresa. Percebi
que a partir daí surgiram novas oportunidades, agreguei maior valor
profissional. É uma prática saudável", recomenda.
(Gazeta Mercantil - Márcia Maria da Silva)
01.09 - Como gerar boa vontade na network
Muitos definem network como uma rede de contatos, uma lista de pessoas
que você conhece e que pode "usar" quando necessário. Essa
é uma visão bem limitada do que vem a ser a network. Na verdade,
trata-se de uma rede de relacionamentos baseados no respeito e na cooperação
mútua.
Relações descartáveis, calcadas em interesses
passageiros e vantagens momentâneas, podem até funcionar por
algum tempo, quando tudo vai bem. Mas jamais o ajudarão nos momentos
difíceis, pois o que existe são apenas interesses utilitários,
e não vínculos.
A verdadeira network é muito mais uma confraria do que uma lista
de contatos. Em uma confraria, as pessoas se aproximam uma das outras movidas
pelo interesse de fazer amizades. O que vale, neste caso, não é
pensar em quem eu posso "usar" os contatos, mas com quem eu posso contar.
Há quanto tempo você não faz novos amigos? Há
quanto tempo não conhece pessoas diferentes? O fato é que,
de modo geral, temos a tendência de nos acomodarmos em um círculo
limitado de relacionamentos - a chamada "zona de conforto". No entanto,
para criar uma network, esse círculo precisa estar constantemente
em expansão. Por quê? Porque é assim que surgem novas
oportunidades e mais portas são abertas para você.
É claro que o grau de intimidade desses relacionamentos pode
variar: nem todas as pessoas que você conhece ou que ainda vai conhecer
no futuro são ou se tornarão seus "amigos do peito". Ainda
assim, se souber cultivar e ampliar esses relacionamentos, você terá
mais pessoas com as quais pode contar em qualquer situação.
Por isso, não deixe que sua network envelheça. Continue acrescentando
novos contatos. Trate-a como um organismo vivo em constante expansão,
pois é assim que ela deve ser para que realmente funcione.
Em minha trajetória profissional, as amizades e os contatos
que estabeleci ao longo dos anos foram fundamentais para que eu conseguisse
atingir meus objetivos e transformar minhas idéias em negócios
de sucesso. E se há uma coisa que aprendi sobre networks, é
que elas só são eficazes quando você é capaz
de gerar boa vontade. O segredo para gerar boa vontade é um só:
dar espontaneamente e sem esperar nada em troca. Avisar a um amigo ou conhecido
que há uma vaga disponível, indicar alguém para um
cargo ou promoção, passar adiante uma dica que pode ser útil
para outra pessoa... Enfim, fazer aos outros o que você gostaria
que fizessem a você, mas sem impor retribuições e sem
cobranças posteriores.
Cobranças geram ressentimentos e, onde existe algum tipo de
ressentimento, não pode haver boa vontade. Ajude desinteressadamente,
e as pessoas se lembrarão. Pode ser que você depare com um
ou outro ingrato, mas não se preocupe com essas pessoas: cedo ou
tarde elas terão de lidar com as conseqüências de seus
atos. Não permita que uma experiência com a ingratidão
o faça pensar que o mundo inteiro é ingrato - ela é
a exceção, e não a regra. Continue firme em seu propósito
de gerar boa vontade e os resultados certamente aparecerão.
(Gazeta Mercantil - Ricardo Bellino)
01.09 - Existe vida após a trajetória corporativa
Niemeyer trabalha a pleno vapor aos cem anos. Dercy Gonçalves
trabalhou até os 102. Ana Maria Braga quer chegar aos 110. E você?
As carreiras estão cada vez mais curtas. O prazo médio no
cargo para um diretor de marketing é de dois anos. Para os presidentes
e CEOs o prazo também é cada vez mais curto, o que acontece
em geral para todos os profissionais. As empresas de search têm dificuldades
em colocar executivos acima dos 40 anos.
Como podemos resolver essa dicotomia entre vidas cada vez mais longas
e o mundo profissional que quer gente cada vez mais jovem? A resposta deveria
passar pelo desenvolvimento pessoal, levando a várias mortes por
causa natural e ao nascimento de várias outras vidas profissionais.
Deodata Pereira Borges,104 anos, participa de sua segunda eleição
em 2008. Em 2006, aos 102 anos, ela concorreu a deputada federal em Feira
de Santana, mas saiu derrotada, com 13,5 mil votos. Este ano ela tenta
se eleger como vereadora. Segundo o Tribunal Superior eleitoral (TSE),
ela é a candidata mais longeva das próximas eleições.
Por onde caminha, o pessoal acena para "Mamãe", seu codinome. Seu
filho, João Borges, diz: ‘Ela tem bom raciocínio, lembra
das coisas fácil. Ela come tudo. É muito sadia."
O avanço da medicina e da qualidade de vida aumentam a longevidade
cada vez mais. Em um recente congresso, o palestrante perguntou a uma audiência
atônita sobre quem gostaria de morrer de câncer aos 65 anos.
Ante a negativa geral, ele informou que o câncer seria resolvido
em seis meses, com cura ou não, e que o próximo desafio seriam
os pulmões ou o coração aos 75 anos, e dois anos para
a solução. Se essa etapa fosse vencida, chegaríamos
aos 85, com a guerra do Alzheimer, e vários longos anos de batalha.
Mas a verdade é que a medicina vem resolvendo essas doenças,
e chegaremos ao ponto, com a tecnologia dos genomas, não mais de
curá-las, mas de introduzir os genes que evitem o seu desenvolvimento.
Objetiva-se chegar a uma vida média próxima dos 110 anos.
José Antonio Fagundes Borges, 75 anos, depois de 50 anos como engenheiro
na Marcopolo, é hoje presidente do Conselho, posto que ocupará
até 2010, mas continuará depois disso, como consultor, até
2018. É ainda presidente de três associações
e vice-presidente de duas, uma delas a Federação das Indústrias
do Estado de São Paul (Fiesp). Cuida da alimentação
e faz ginástica cinco vezes por semana: bicicleta, abdominal, peso.
Decidiu, agora, também se tornar um dos mais novos investidores
do País. Produzirá equipamentos médicos que usam elementos
radioativos, com finalidade terapêutica... Os seres humanos deveriam
planejar sua vida profissional de forma a que a carreira contivesse varias
profissões, indo, por exemplo, das várias posições
numa estrutura empresarial, na carreira docente, na consultoria, na política
e no empreendedorismo. O que hoje acontece de forma casuística (ou
às vezes compulsória), passaria a se dar de forma planejada,
com a preparação natural dos processos evolutivos. Assim
as competências seriam melhor desenvolvidas e aproveitadas, realizando-se
plenamente o potencial individual. O estudo formal (ou não) deveria
ser parte essencial da existência para ajudar a desenvolvê-las.
Alan Greenspan, aos 82 anos, após vários anos como Presidente
do Federal Reserve (FED, o banco central americano), hoje escreve artigos
para o Financial Times, dá entrevistas para o Wall Street Journal
e para a CNBC, e ainda acrescenta mais um capítulo ao seu mais recente
best-seller. Julio Ribeiro e Roberto Duailibi comandam duas das agências
de publicidade mais férteis do Brasil, ambos na faixa dos 70 anos.
Duailibi acaba de publicar um estudo sobre a vida de Monteiro Lobato ,
proferindo palestra no Festival Literário Internacional de Parati
(Flip). Julio Ribeiro passou a dedicar-se também à pintura,
produzindo belíssimos quadros. A máxima anterior de aposentadoria
na faixa dos 60 ou 65 anos na área privada e em torno dos 70 no
governo, ficando, a partir daí, em casa, de chinelo e pijama, é
hoje assustadora. Como viver mais 30, 40 ou 50 anos sem produzir ou contribuir
para a sociedade? E dependendo de aposentadorias que encolhem continuamente,
reduzindo a qualidade de vida. E sem acesso ao mercado de trabalho formal,
que em geral demanda e continuará a demandar profissionais cada
vez mais jovens. Os exemplos citados, escolhidos aleatoriamente, segundo
notícias publicadas nos jornais dos últimos dias, mostram
que é possível a reinvenção criativa da vida
e a convivência com várias mortes profissionais, por meio
de uma filosofia nômade. Não devemos ter um domicílio
profissional fixo e, sim, construir a carreira como se estivéssemos
vivendo em domicílios virtuais, que facilitassem a gestação
contínua de várias vidas. Uma após a outra. Com a
liberdade plena de quem renasce. Quantas vezes se quisesse. Deuses criadores
de nós próprios. Sem necessidade de descanso no sétimo
dia. (Gazeta Mercantil - Álvaro Novaes)