29.07 - Mais tempo para o ponto eletrônico
Registro
Ministério do Trabalho publicou normas para fiscalização
que dá aos empregadores até 90 dias para instalação
do relógio
De forma disfarçada, o Ministério do Trabalho e Emprego
(MTE) esticou por até 90 dias o prazo para as empresas adotarem
o Registrador Eletrônico de Ponto (REP). Na Instrução
Normativa (IN) nº 85 publicada ontem no Diário Oficial da União,
o MTE permite a "dupla visita" dos auditores fiscais do trabalho antes
da autuação da empresa.
Ministério vai exigir novo relógio para ter maior controle
da jornada dos empregados do setor privado. Foto: Edílson Rodrigues/CB/D.A
Press - 11/2/10
Na prática, o fiscal vai estipular um prazo de 30 a 90 dias
para a instalação do novo relógio. A medida foi adotada
porque os empresários reclamaram da dificuldade de atender às
novas exigências da Portaria 1.510 que entrará em vigor no
próximo dia 26 de agosto. Além disso, falta equipamento no
mercado para suprir a demanda estimada de 8 milhões de máquinas,
cujo custo pode chegar a R$ 4 mil.
Mesmo com a figura da "dupla visita", os auditores do MTE iniciam a
fiscalização da Portaria 1.510 a partir de 26 de agosto.
É o que garante o superintendente-adjunto da SRT-PE, Mário
César Carvalho: "Nossos auditores já estão sendo treinados
e vão começar as visitas às empresas quando a portaria
entrar em vigor". Ele explica que houve a flexibilização
do prazo, porque as empresas pediram tempo maior para se adequarem ao novo
software e a aquisição do equipamento. Segundo Carvalho,
caberá ao fiscal estipular um prazo para a segunda visita, o que
vai depender da situação de regularidade da empresa.
Apenas as empresas com mais de dez funcionários e que já
possuam o controle eletrônico de ponto são obrigadas a adotar
o REP. Quem faz o controle de forma mecânica, com cartão ou
manual, não precisa usar o REP. O Ministério decidiu exigir
o novo relógio para ter maior controle da jornada dos empregados
do setor privado. A Secretaria de Inspeção do Trabalho estima
que R$ 2,3 bilhões referentes a horas extras deixam de ser pagas
anualmente aos trabalhadores brasileiros. Um impacto de R$ 4,1 bilhões
no caixa da Previdência e de R$ 1,6 bilhão nos recursos do
FGTS.
Os benefícios apontados pelo MTE não convenceram as centrais
sindicais. Vice-presidente da Central Únicados Trabalhadores (CUT)
em Pernambuco, Fernando Gonçalves considera o REP um retrocesso:
"O relógio passa a ser um vigia. O trabalhador tem que imprimir
vários tíquetes por dia para registrar a jornada. Já
existe o controle eletrônico na maioria das fábricas". Ele
argumenta que a medida foi imposta sem ser discutida com as centrais sindicais.
As micro e pequenas empresas reclamam do custo da aquisição
dos novos equipamentos. José Tarcísio da Silva, presidente
da Femicro, defende que o MTE crie linhas de crédito para financiar
os novos relógios ou adquirir os equipamentos com recursos do FAT
(Fundo de Amparo ao Trabalhador). "Independente do prazo, o problema é
que as micro e pequenas empresas não têm capital de giro.
Para cumprir a exigência a maioria terá que demitir funcionários
para sobreviver na formalidade".
Para o advogado Thiago Cavalcanti, especialista em direito do trabalho,
deveria ser flexibilizado o prazo para a adoção da nova sistemática
do ponto eletrônico no mínimo em seis meses. Ele argumentaque
falta equipamentos no mercado para atender à demanda das empresas.
Acrescenta que o custo do relógio e do novo software pode chegar
a R$ 4 mil, o que fica inviável especialmente para as pequenas e
médias empresas. (Rosa Falcão - Pernambuco.Com)
29.07 - Desemprego em SP cai a 12,9% em junho
A taxa de desemprego na região metropolitana de São Paulo
caiu para 12,9% em junho, de acordo com dados divulgados ontem pela Fundação
Seade e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Socioeconômicos (Dieese). Esta é a menor taxa para meses de
junho desde 1991. O desemprego estava em 13,3% em maio e 14,2% em junho
de 2009.
No mês passado, o contingente de desempregados foi estimado em
1,383 milhão de pessoas, 39 mil a menos que no mês anterior.
Já o rendimento médio real (descontada a inflação)
dos ocupados na região metropolitana de São Paulo aumentou
1,6% em maio ante abril e passou a valer R$ 1.320,00. Na comparação
com maio de 2009, o rendimento teve alta de 1,6%.
O nível de ocupação teve elevação
de 0,7% em junho em comparação com maio, com a criação
de 68 mil postos de trabalho. Somente a indústria registrou queda
no nível de ocupação, de 1,4%. Serviços, comércio
e outros setores registraram crescimento de, respectivamente, 1,3%, 1,4%
e 0,7%. Na comparação com junho de 2009, a ocupação
aumentou 3,4%. (Anne Warth - Agência Estado)
29.07 - Sindicalismo de 'resultados'
A "indústria" de sindicatos, cada vez mais próspera desde
que, por iniciativa do governo petista, as centrais passaram a receber
10% da arrecadação da contribuição sindical,
está explorando até mesmo os aposentados. Graças ao
desconto feito diretamente na fonte pela Previdência Social, somente
no mês de junho 11 entidades conveniadas com o Instituto Nacional
do Seguro Social (INSS) embolsaram mais de R$ 21 milhões.
Esse dinheiro é proveniente do desconto mensal de 2% no contracheque
dos benefícios pagos aos aposentados, sob o pretexto de financiar
entidades que "defendem" seus direitos, prometendo obter aumento das aposentadorias
e oferecendo descontos em farmácias, consultas e excursões
turísticas. O desconto é acertado diretamente com o Ministério
da Previdência por essas entidades, que enviam para o INSS a lista
de quem deve ter a contribuição de 2% mensalmente deduzida
da aposentadoria.
Embora essa medida seja prevista pela Lei 8.213/91, que disciplina
o pagamento das aposentadorias, o problema é que a maior parte dos
segurados não autorizou formalmente o desconto ou, então,
foi induzida a assinar a autorização no meio da papelada
exigida para a formalização da aposentadoria. Muitos aposentados
também não sabem que estão sustentando, com a parte
que é subtraída de seus benefícios, a mordomia de
espertalhões que converteram o sindicalismo em fonte de negócios
escusos. Isto porque os contracheques do INSS estão disponíveis
apenas na internet e a maioria dos aposentados que sofrem esse tipo de
desconto não tem computador e não dispõe de condição
financeira nem de conhecimento técnico para ir a uma lan house.
Das 11 entidades que se dizem representantes de aposentados, a maioria
é desconhecida - União Nacional dos Aposentados Unidos, Associação
Brasileira de Aposentados, Pensionistas e Idosos e Central Nacional de
Aposentados e Pensionistas do Brasil. Das entidades que têm representatividade,
algumas são filiadas à Central Única dos Trabalhadores
(CUT) e outras, à Força Sindical, destacando-se a Confederação
Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (Contag) e a Federação
Nacional dos Trabalhadores Ferroviários. Algumas alegaram que a
inclusão de quem não autorizou o desconto dos 2% dos benefícios
nas listagens encaminhadas ao INSS decorreu de erro de digitação
e de "falhas administrativas". Outras entidades nem mesmo apresentam justificativa
- até porque o esquema por elas montado para engordar o caixa beira
o estelionato.
O mais grave é que esse ataque acintoso ao bolso dos aposentados
parece ter apoio do governo. Isto porque, em vez de determinar ao INSS
a suspensão sumária do desconto de quem não concedeu
a autorização formal exigida por lei e obrigar as entidades
sindicais a ressarcir o que cobraram de forma irregular, como seria de
esperar, o Ministério da Previdência complica com deliberada
burocracia a vida dos inativos que quiserem deixar de ser descontados.
Numa recente visita do ministro Carlos Gabas à sede da Confederação
Brasileira dos Aposentados, ficou decidido que quem quiser ter o desconto
suspenso precisará ir até o sindicato ou à associação
para solicitar pessoalmente o cancelamento de seu nome das listagens enviadas
ao INSS. Os aposentados não poderão fazer esse pedido na
agência bancária ou no posto do Ministério da Previdência
onde recebem o benefício. A situação é absurda,
pois trata-se de autoridades que aumentaram os prejuízos de aposentados
que estão sendo lesados.
Advertido para o problema, o presidente do INSS, Valdir Simão,
disse a O Globo que vai investigar as ocorrências. Ele também
afirmou que os convênios firmados com as entidades sindicais são
legais e que são feitas auditorias por amostragem a cada seis meses
para verificar se as entidades dispõem da autorização
dos associados para o desconto.
Dadas as proporções que esse abuso adquiriu, fica evidente
a inépcia dessas auditorias e do esquema de fiscalização
da autarquia. (O Estado de S.Paulo)