Notícias Anteriores

 
28.11 - Para centrais sindicais, crise já chegou à economia 
As centrais sindicais, cujos dirigentes reuniram-se quarta-feira em Brasília, afirmam que a crise internacional já chegou à economia real brasileira. De acordo com documento divulgado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), e que servirá como base para a marcha que os sindicatos farão no fim do ano a Brasília, não bastam apenas ações para proteger bancos e empresas: o governo tem que garantir a manutenção dos empregos dos trabalhadores brasileiros. 
Lula participou de jantar com os representantes das principais centrais sindicais, em encontro que havia sido pedido há tempos. Para a CUT, a maior prova que os efeitos da crise não se circunscrevem ao sistema financeiro é o anúncio de férias coletivas e a suspensão dos investimentos programados em setores importantes de nossa economia. "Portanto, é fundamental uma intervenção rápida, correta e decisiva do Estado brasileiro para impedir que estes efeitos se espraiam sobre os vários setores, porque os trabalhadores serão certamente as maiores vítimas, por meio da perda do emprego e da rápida queda do nível de renda", acredita o presidente da CUT, Artur Henrique. 
Na visão da central, as ações do governo não podem ser de "socialização das perdas" do setor financeiro. Os sindicalistas apóiam-se em levantamento do Bank for International Settlements (BIS), mostrando que a riqueza em papéis denominados de "derivativos e outras inovações financeiras" é de cerca de US$ 600 trilhões, comparado a um valor de produção efetiva de riquezas, medida pelo PIB mundial, de US$ 65 trilhões. 
Dentre as propostas feitas pela CUT, estão: a garantia de que não haverá demissões por conta da crise; a ratificação da Convenção 158 da OIT; a redução da jornada de trabalho para 40 horas sem redução salarial; o fim do superávit primário e a estatização das instituições financeiras com risco de solvência, dentre outros.    (Paulo de Tarso Lyra - Valor Online)

28.11 - Desemprego tem menor taxa mensal em 10 anos
Nas 6 regiões pesquisadas pela Fundação Seade e Dieese, taxa ficou em 13,4% em outubro;para coordenadores emprego ainda resiste à crise
A taxa de desemprego de outubro em seis regiões metropolitanas do País caiu para 13,4%. É o menor índice para um mês de outubro desde 1998, quando teve início a série histórica. Em setembro, a taxa foi de 14,1% e era de 15% em outubro de 2007. Os números são da pesquisa da Fundação Estadual de Análise de Dados (Seade) e do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Os impactos da crise que sacode o sistema financeiro global não foram sentidos no emprego dos brasileiros, segundo os coordenadores da pesquisa . De acordo com eles, a queda do desemprego no mês de outubro já era esperada e traduz um comportamento usual para o período, já que tradicionalmente, com o recebimento do 13º salário, os trabalhadores vão às compras.
"Felizmente a crise ainda não se manifestou nos dados de emprego que pesquisamos, tanto em São Paulo quanto nas demais cinco regiões metropolitanas (Belo Horizonte, Porto Alegre , Recife, Salvador e Distrito Federal) onde a pesquisa é realizada. O mês de outubro foi, pelo contrário, muito positivo. O que era esperado, diga-se de passagem, pois no fim de ano, no Brasil, as pessoas vão às compras e o comércio fica muito ativo", disse o coordenador de pesquisas do Fundação Seade, Alexandre Loloian. 
"Provavelmente os efeitos maiores da crise venham no ano que vem, mas acho que é preciso lembrar que isso vai depender muito de como as medidas econômicas vão ser adotadas pelo governo para tentar proteger o Brasil desses efeitos. Efetivamente, o que pode acontecer é que se o País continuar crescendo a taxas entre 3% e 3,5%, provavelmente o emprego no Brasil será pouco afetado", explicou a coordenadora do Dieese, Patrícia Lino Costa.
O desemprego caiu em todas as regiões pesquisadas, exceto no Distrito Federal, onde passou de 15,8% em setembro para 16% em outubro, e em Salvador, onde subiu de 19,7% em setembro para 20,4% em outubro. Em São Paulo, ficou em 12,5%, recuou de 1 ponto porcentual em relação à taxa de 13,5% em setembro. São 1,3 milhão de pessoas desempregadas, 108 mil a menos que em setembro. 
RENDA 
A notícia ruim do mês foi a redução em 0,5% do rendimento médio dos trabalhadores em setembro ante agosto, caindo para R$ 1.167. Na comparação com setembro de 2007, o rendimento aumentou 3,1%.
A massa de rendimentos, indicador que combina o nível de ocupação e o rendimento, permaneceu relativamente estável, com variação positiva de 0,3% ante agosto e forte alta de 8,7% ante setembro de 2007, resultado ligado ao aumento do emprego, já que o crescimento do rendimento foi menor.
NÚMEROS
2,6 milhões de pessoas estão desempregadas nas seis regiões metropolitanas pesquisadas pela Fundação Seade e Dieese 
1,3 milhão é a estimativa de desempregados na Região Metropolitana de São Paulo, são 108 mil a menos que na última pesquisa da Fundação Seade e Dieese   (Anne Warth - O Estado de S.Paulo)

28.11 - Montadoras dão férias coletivas a mais de 60 mil
A parada de fim de ano está mais longa e há casos de descanso remunerado de até quatro meses
Mais de 60 mil metalúrgicos das montadoras terão férias coletivas neste fim de ano, de acordo com anúncios já feitos pelas empresas. A diferença em relação a anos recentes é que, desta vez, as paradas serão mais longas. Em algumas empresas, chegam a 50 dias, distribuídos entre os meses de novembro, dezembro e janeiro.
A PSA Peugeot Citroën, de Porto Real (RJ) vai deixar em casa uma equipe de 700 operários por quatro meses a partir de dezembro. Em 2007, algumas fabricantes nem sequer pararam no período de festas. As que deram folgas, limitaram a dispensa a três semanas.
Segundo um porta-voz da PSA, a equipe operava o terceiro turno de trabalho na fábrica fluminense, iniciado há um ano, quando o mercado de carros estava aquecido. "Se as vendas reagirem, eles serão convocados para voltar antes do prazo", disse. Da equipe de 3,5 mil funcionários, 3,3 mil terão férias de um mês, a partir de 8 de dezembro. Os 700 do terceiro turno, além das férias coletivas, ficarão mais três meses em licença remunerada.
Até o dia 25, as vendas de veículos caíram quase 24% em relação ao mesmo período de outubro, mostrando que o esforço dos governos federal e estadual em liberar dinheiro de bancos públicos para o financiamento ainda não surtiu efeito. Até essa data, foram vendidos 144 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus.
As quatro maiores montadoras do País - Fiat, Volkswagen, General Motors e Ford - estão intercalando paradas em todas as fábricas no País, de acordo com a linha de produto. Os 5,2 mil funcionários da GM e dos fornecedores que operam dentro da fábrica de Gravataí (RS) ficarão em casa por cerca de 50 dias. Um grupo de 5 mil metalúrgicos da unidade de São Caetano (SP) completarão 45 dias de dispensa.
Entre as montadoras, faltam confirmar férias a Mercedes-Benz, de São Bernardo do Campo (SP), e a Volkswagen Caminhões, de Resende (RJ). Nas unidades de automóveis da VW, haverá parada de 20 a 30 dias de quase todo o contingente de 11,7 mil funcionários em São Bernardo, divididos em três equipes. Também haverá férias na filial do Paraná, de São Carlos (SP) e, possivelmente, de Taubaté (SP). No ano passado, essas duas últimas unidades não pararam.   (Cleide Silva - O Estado de S.Paulo)

28.11 - Senado aprova aumento de salário para servidores 
Como medida provisória foi aprovada com 20 emendas, agora voltará à Câmara
Impacto será de R$ 1,5 bi neste ano e de R$ 20 bi até 2011, prevê Planejamento; Jucá diz que, mesmo se for aprovada, Lula pode vetá-la 
O Senado aprovou na quarta-feira, com 20 alterações (emendas) ao texto original, a medida provisória nº 441, que reajusta salários de servidores de 46 categorias da União. De acordo com dados do Ministério do Planejamento, o impacto será de R$ 1,5 bilhão neste ano e de R$ 20 bilhões até 2011. Como foi alterada, a medida terá de voltar a ser apreciada pela Câmara dos Deputados.
O parecer da MP foi feito pela senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN), que é da oposição. Ela incluiu outras categorias no texto, como os médicos peritos e fiscais agropecuários. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), tentou, em vão, impedir a aprovação de 20 emendas. Todas as votações foram simbólicas, apenas com a manifestação dos líderes de cada bancada.
"As mudanças não causaram tanto impacto, mas o governo sempre se posiciona contra", disse Ciarlini. "Não tenho nada contra os médicos peritos. Porém não considero justo que apenas algumas categorias sejam beneficiadas", disse Jucá.
Anteontem, o plenário do Senado também promoveu duas alterações (emendas) ao texto base da medida provisória nº 440, que trata da criação de cargos, aumento de salários e reestruturação de carreiras de servidores do Executivo, cujo impacto é de R$ 1,9 bilhão neste ano. Agora, a medida provisória terá de voltar a ser apreciada pela Câmara.
De autoria do senador Valdir Raupp (PMDB-RO), a primeira delas trata da equiparação dos servidores da Receita Previdenciária aos da Receita Federal. De acordo com a proposta, todos agora serão tratados como analistas tributários. A emenda foi aprovada por 41 votos a favor e 8 contra.
Aprovada por votação simbólica, a segunda emenda -de autoria do senador Eduardo Suplicy (PT-SP)- refere-se a um plano de carreira para os servidores do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
Jucá afirmou que mesmo que ambas as alterações sejam referendadas pela Câmara, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá vetá-las.  (Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

27.11 - Montadoras ampliam férias a empregados
Sem prever recuperação das vendas de carros, que foram atingidas pelo agravamento da crise de crédito, montadoras como GM, Mercedes-Benz e Volkswagen ampliaram o período de paralisação de sua produção.
A GM anunciou segunda-feira que sua fábrica em Gravataí (RS) entrará novamente em férias coletivas entre 8 de dezembro e 4 de janeiro.
Os 5.200 trabalhadores da planta gaúcha já estão parados desde 3 de novembro.
Neste mês, a unidade, que fabrica em média 880 veículos diariamente, funcionou apenas durante um dia.
Na sexta-feira, a montadora havia anunciado a paralisação da planta de São Caetano do Sul (SP) entre os dias 22 de dezembro e 18 de janeiro, dando férias coletivas a 6.000 operários.
As férias coletivas estendidas também serão adotadas na unidade da Mercedes-Benz em Juiz de Fora (MG).
O motivo é a crise econômica internacional, segundo a assessoria da empresa.
A empresa não deu informações sobre o número de empregados nem da produção acumulada. Informou apenas que as férias de quase 30 dias serão distribuídas por setor.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Juiz de Fora, Geraldo Werneck, nos últimos 30 dias ocorreram cerca de 50 demissões. A informação, no entanto, foi negada pela empresa.
A fábrica de motores da Volkswagen em São Carlos (SP) anunciou que vai dar férias coletivas a todos os seus funcionários em dezembro.
E não deve ser a única. Os reflexos da crise mundial que já atingem diversos setores da economia devem provocar uma onda de férias coletivas nas principais empresas metalúrgicas da região de Ribeirão Preto, fato que não ocorria desde 2002.
Anfavea
O presidente da Anfavea (associação das montadoras), Jackson Schneider, já não descarta revisar para baixo as estimativas de vendas do setor para este ano -inicialmente em 3 milhões de veículos.
Ele disse que o assunto será discutido no próximo dia 4, quando a entidade apresentará os resultados mensais da indústria.
Schneider diz que o ritmo de vendas já deve começar a se acelerar neste mês.
(GRACILIANO ROCHA, LUCAS REIS, PAULO PEIXOTO e PAULO DE ARAUJO - Folha de S.Paulo)

27.11 - Aumenta procura por graduação e pós 
Desde que se formou técnico em eletrônica, no início dos anos 80, José Luiz Sacchetto não teve oportunidade de fazer um curso superior. Logo passou a viajar constantemente a trabalho, o que impediu a freqüência mínima exigida em uma universidade. "Cheguei a ser aprovado no vestibular, mas o início de carreira é muito puxado e tive que abrir mão das pretensões acadêmicas", relembra, aos 47 anos, o atual gerente de assistência técnica da Siemens em São Paulo. Mais tarde, com o casamento e os três filhos, foi a família que se tornou prioridade. No ano passado, contudo, Sacchetto decidiu preencher o vazio no currículo e, dessa forma, vislumbrar novas possibilidades de ascensão profissional. Depois de avaliar cuidadosamente as alternativas, ingressou no curso a distância de administração oferecido pela UnisulVirtual, instituição sediada em Palhoça (SC), cidade com 130 mil habitantes localizada na Grande Florianópolis. "Um curso a distância se encaixa perfeitamente no cotidiano de quem nunca sabe a que horas vai sair do trabalho", descreve. 
Ele estuda entre uma hora e meia e duas horas por noite, em casa, acessando a internet e usando o material de apoio enviado pelo correio. Se tem dúvidas ou pretende aprofundar um tema, envia uma mensagem ao professor ou participa de salas de discussão com os colegas, utilizando-se de um ambiente virtual que simula a dinâmica de uma sala de aula. Caso esteja em um período especialmente assoberbado na empresa, pode tirar o atraso estudando no final de semana. "O aproveitamento depende basicamente do meu próprio empenho. E ainda por cima gasto só 70% do que pagaria por um curso convencional, sem contar a economia de tempo e de dinheiro com transporte, estacionamento e refeições", acrescenta. 
Sacchetto é um dos 2,5 milhões de brasileiros que fizeram cursos a distância ao longo do ano passado, de acordo com dados do anuário da Associação Brasileira de Ensino a Distância (Abed). Esse número inclui estudantes ligados a universidades e outras instituições de ensino ou que mantenham projetos com abrangência regional ou nacional, como é o caso da Fundação Bradesco, da Fundação Roberto Marinho e do Sistema S (Sesi, Senai, Senac e Sebrae). Considerando-se apenas o ensino curricular, do fundamental à pós-graduação, o número de matrículas realizadas no ano passado beirou 973 mil, quase o dobro em relação às 575 mil do ano anterior e quase nove vezes mais que as 120 mil registradas cinco anos atrás. Embora a metodologia predominante ainda seja o uso de circuitos fechados de TV, que exige a presença do aluno em uma sala de aula no horário estabelecido, cresce rapidamente a utilização da internet, alternativa que proporciona mais flexibilidade ao estudante. 
A popularização da rede mundial e o barateamento dos equipamentos de informática contribuíram decisivamente para o crescimento registrado pelo ensino a distância no país nos últimos cinco anos, período em que a participação da modalidade subiu de 1,3% para 4,4% do total de cursos de graduação, de acordo com dados do Censo do Ensino Superior do Ministério da Educação. A quantidade de cursos autorizados passou, no período, de 52 para 349, ministrados por 93 instituições credenciadas - cinco anos atrás, eram apenas 20. "Essa expansão está diretamente ligada ao fato de que o ensino a distância tem demonstrado sua eficácia pela qualidade dos profissionais que forma. Não há melhor argumento para ganhar credibilidade no mercado", diz Waldomiro Loyolla, presidente do Conselho Científico da Abed, que organizou uma programação especial para marcar o dia nacional do ensino a distância, celebrado amanhã. Loyolla aponta, como indício de qualidade, os resultados do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), aplicado tanto para alunos de cursos presenciais quanto para os de cursos a distância. Nas duas edições mais recentes do exame, o desempenho de quem estava nas fases finais dos cursos a distância foi superior em 7 das 13 áreas avaliadas, com vantagem considerável em áreas como ciências sociais e física - em contrapartida, os alunos de cursos presenciais tiveram performance bem superior em áreas como história e geografia. "O importante é que o desempenho médio permanece em patamares semelhantes, o que contraria o preconceito de que ensino a distância é necessariamente pior", destaca. 
Uma das peculiaridades do ensino a distância é permitir que instituições de porte relativamente pequeno e afastadas dos grandes centros se tornem referência nacional, como é o caso da UnisulVirtual. Criada em 2001 como um braço da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), a instituição oferece 20 cursos a distância de graduação (ciências contábeis, filosofia, logística, marketing, turismo e pedagogia estão entre eles) e nove de pós-graduação (como educação matemática, gestão governamental e gerência de projetos de tecnologia da informação), com mensalidades variando entre R$ 300 e R$ 350. Juntos, esses cursos reúnem atualmente 8.500 alunos, além de outros 5.900 que fazem os cursos convencionais da Unisul e se matriculam em uma ou mais disciplinas a distância - dentro do limite, permitido pela legislação, de 20% da carga horária total. "São públicos bem distintos. Os alunos dos cursos presenciais têm média de 21 anos, enquanto quem opta pelo curso a distância tem em média 34 anos e quase sempre já traz na bagagem outra formação superior", descreve o diretor do campus UnisulVirtual, João Vianney. 
A principal razão para que esses alunos optem pelo ensino a distância é, como ocorre no caso de José Luiz Sacchetto, a indisponibilidade de tempo em função do grande envolvimento com o trabalho. Quase sempre há também um objetivo profissional que vai além da simples obtenção do diploma: a perspectiva de uma promoção, de trocar de área dentro da empresa ou de se habilitar para um concurso público. Além dos alunos independentes e dos patrocinados por empresas privadas, a UnisulVirtual desenvolve cursos específicos para instituições públicas e governamentais, como o Exército, a Marinha, a Aeronáutica, o Ministério da Defesa, o Ministério da Justiça e o Senado Federal. São 170 funcionários voltados exclusivamente para o ensino a distância e outros 450 - a maioria professores - que atuam parte do tempo no ensino presencial e parte na UnisulVirtual.     (Maurício Oliveira -  Valor Online)

27.11 - Governo quer cursos com maior parcela presencial 
As alternativas de ensino a distância oferecidas hoje no Brasil são descendentes diretas dos antigos cursos por correspondência - quem nunca pensou em se tornar costureiro, detetive ou técnico em eletrônica ao ver aqueles anúncios nas revistas em quadrinhos? Em termos de graduação, contudo, a história é bem mais recente: o primeiro curso do gênero no país foi o de licenciatura em educação básica criado em 1994 pela Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT). Várias das instituições de ensino mais reconhecidas do país já têm cursos a distância, como as Pontifícias Universidades Católicas (PUCs) do Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais e Distrito Federal, a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a Universidade de Brasília (UnB), a Universidade Federal Fluminense (UFF), a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e a Universidade Anhembi-Morumbi. 
Por enquanto, os únicos encontros presenciais exigidos pela legislação que rege o ensino a distância no país são para as avaliações bimestrais - as instituições costumam oferecer alternativas de locais em todos os estados, para facilitar o acesso dos alunos. Há, no entanto, uma intensa discussão sobre possíveis mudanças nas regras. O governo federal tem demonstrado o receio de que muitas instituições se interessem pela área como uma possibilidade de ganhar "dinheiro fácil", sem investimentos adequados na qualidade dos cursos. Entre as propostas de mudança está a ampliação da parcela presencial dos cursos a distância - o que os aproximaria do meio termo tido como ideal por muitos especialistas. "O que nos espera no futuro é a convergência entre presencial e virtual. Parte significativa de qualquer curso será feita a distância, a exemplo do que já acontece em muitos países com ensino de primeira qualidade", diz Waldomiro Loyolla, da Abed. Instituições que atuam na área com bons resultados consideram injusto o eventual endurecimento genérico das regras, contudo. "Assim como ocorre no ensino presencial, há os bons, os médios e os maus cursos a distância. É preciso reforçar os mecanismos de avaliação, e não criar uma regra que coloque todos no mesmo balaio", diz João Vianney, da UnisulVirtual. 
Já como efeito da fiscalização mais rigorosa, quatro das instituições com maior número de alunos a distância no país foram intimadas há dez dias pelo Ministério da Educação a reduzir drasticamente a quantidade de alunos aceitos por ano. Além da qualidade de ensino considerada insuficiente, essas instituições não ofereciam estrutura adequada na maioria dos pólos de atendimento presencial espalhados pelo país, locais em que os exames bimestrais devem ser feitos. Só essas quatro instituições- a Universidade do Oeste do Paraná (Unopar), a Universidade Estadual do Tocantins (Unitins), o Centro Universitário Leonardo da Vinci (Uniasselvi) e a Faculdade Educacional da Lapa (Fael)- concentram 260 mil alunos de graduação a distância, 46% do total matriculado nos cursos da modalidade mantidos por instituições privadas no país.     (Maurício Oliveira -  Valor Online)

26.11 - Volks decide ampliar férias coletivas em três fábricas
Empresa diz que quer ajustar a produção à demanda
Em mais uma medida de ajuste de produção em um cenário de desaquecimento nas vendas de veículos, a Volkswagen decidiu ampliar o período de férias coletivas para os funcionários das fábricas de São Bernardo do Campo (Grande São Paulo), São José dos Pinhais (PR) e São Carlos (SP).
Na unidade de São José dos Pinhais, o recesso começará no próximo dia 8 e terá duração de 21 dias. Já em São Carlos e em São Bernardo, os trabalhadores terão férias de 14 a 28 dias, conforme a linha de produção, segundo informações da montadora. As novas datas foram fechadas na última sexta-feira.
Em comunicado, a Volks afirmou que a medida visa "adequar os volumes de produção à demanda atual" e "realizar ajustes técnicos das linhas para os lançamentos de 2009".
Segundo o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Francisco Duarte de Lima, o Alemão, as paradas na unidade afetam 10,5 mil dos cerca de 11,5 mil trabalhadores. A Volks não informa o número total de funcionários atingidos.
"É claro que isso está relacionado com a crise. Se estivéssemos em tempos normais, esse ajuste poderia ser feito por meio de banco de horas", afirmou Alemão. De acordo com ele, o recesso acertado inicialmente com a Volks era entre 19 de dezembro e 5 de janeiro.
Neste mês, a montadora já havia anunciado férias em São José dos Pinhais. Fiat e GM também reduziram a produção.    (PAULO DE ARAUJO - Folha de S.Paulo)

26.11 - GM anuncia novas férias coletivas no País
A General Motors anunciou novas férias coletivas para 10,2 mil trabalhadores nas unidades de Gravataí (RS) e São Caetano do Sul (SP). A montadora informou que as paralisações na produção têm o objetivo de ajustar o estoque. Na filial gaúcha da GM, onde são feitos o Celta e o Prisma, os funcionários ficam de férias coletivas de 6 de dezembro a 4 de janeiro. Atualmente, os 5,2 mil metalúrgicos já cumprem férias coletivas. "Tem metalúrgico com quatro meses de fábrica emendando duas férias", diz o coordenador do Sindicato dos Metalúrgicos de Gravataí, Valcir Ascari. 
Em São Caetano, as férias coletivas vão de 22 de dezembro a 6 de janeiro. A medida atinge 5 mil funcionários das linhas do Astra, Classic, Corsa, Montana e Vectra. Os funcionários de São Caetano retornaram ao trabalho na semana passada, após duas semanas de licença. Na sexta-feira, a GM encerrou também as atividades do setor de fundição de alumínio, na unidade de São José dos Campos (SP). Com a medida, 170 trabalhadores do setor foram colocados em licença remunerada até o dia 12 de janeiro. (Paulo Justus - O Estado de S.Paulo)

26.11 - O trabalhismo de Obama
Durante a campanha eleitoral, Barack H. Obama defendeu a aprovação de uma nova lei que objetiva mudar o sistema de criação de sindicatos nos EUA.
De acordo com as regras atuais, os empregados de uma empresa que tiverem interesse em criar um sindicato dirigem-se ao National Labor Relations Board (Conselho Nacional de Relações do Trabalho) solicitando a organização de uma eleição na empresa.
Com base em normas muito transparentes, o conselho toma as providências para a realização do pleito, que por sua vez é precedido por uma campanha aberta e democrática. Nesta, os empregados difundem aos seus pares as vantagens da sindicalização e a empresa faz o inverso. É proibida ainda a prática de condutas anti-sindicais. A empresa não pode perseguir nem ameaçar os empregados, e estes não podem coagir os seus colegas.
Por meio de uma votação secreta, se 51% dos empregados forem a favor, o sindicato será criado e a empresa terá de negociar com ele. É difícil encontrar um sistema mais democrático do que esse.
Pois bem. Em 2007, quando os democratas fizeram maioria na Câmara dos Deputados, por 241 votos a 185, foi aprovado um projeto de lei - Employee Free Choice Act - que retira do sistema atual todos os componentes democráticos.
O projeto prevê a criação do sindicato por meio de decisões expressas pelos empregados num cartão assinado (card check) a ser enviado ao Conselho Nacional de Relações do Trabalho. Terminam o voto secreto e a campanha eleitoral. Se os cartões forem maioria, o sindicato será criado.
O projeto de lei está no Senado, sob o número H.R. 800, onde tramita nas várias comissões da Casa. Obama, seu principal patrono, comprometeu-se com os eleitores de aprová-lo, o que agradou em cheio aos sindicalistas, a ponto de a Central Sindical dos Trabalhadores (AFL-CIO) ter contribuído com US$ 200 milhões para a campanha do candidato.
Em uma pesquisa realizada entre os empregados, 52% foram favoráveis e 48% se mostraram contrários ao novo sistema. Foi um resultado apertado.
Entre os senadores, 51 são a favor, faltando apenas 9 votos para a sua aprovação - o que seria conseguido facilmente com o empenho de Obama.
Mas o debate é intenso. Durante a campanha, o senador John McCain argumentou que o card check é uma manobra antidemocrática para aumentar o número de sindicatos e filiados nos EUA, que, como se sabe, vem definhando a cada dia. A filiação é de apenas 12%, sendo a maioria constituída por funcionários públicos. Para o setor privado, estima-se em 7,5% a filiação.
Embora o uso de cartões tenha ocorrido em um ou outro caso, os tribunais têm ressaltado que essa é a pior maneira de se aferir a vontade dos trabalhadores, como se lê nestes casos: "As eleições secretas constituem o método mais satisfatório e mais preferido para captar a disposição dos trabalhadores em criar um sindicato" (processo NLRB x Gissel Packing Co. 395 U.S. 575, 602, 1969).
É impossível imaginar um método menos confiável para se acessar a vontade dos trabalhadores do que o check card (processo NLRB x S. S. Logan Packing Co., 386, F 2d 562, 565, 4th Circuit, 1967).
Os empresários, representados pela U. S. Chamber of Commerce, estão enfurecidos, argumentando que o novo método tira a privacidade do voto e torna os trabalhadores alvo de coação e pressão por parte de dirigentes sindicais. Isso contrariaria a tradição democrática dos americanos de escolherem seus líderes livremente por meio de votação secreta.
O presidente eleito anunciou que renunciará ao seu cargo de senador no início de dezembro de 2008. Resta saber se isso valerá como desculpa para fazer "corpo mole" em relação ao projeto. Mesmo porque os EUA perderam 1,2 milhão de empregos nos primeiros nove meses de 2008, estão condenados a perder muito mais em 2009 e precisam desesperadamente de investimentos produtivos, inclusive para repatriar os empregos que saíram do país.
Este é um dos vários dilemas do presidente Barack H. Obama. Se demonstrar empenho e aprovar o projeto, desagradará aos investidores. Se fizer o contrário, desapontará os sindicalistas. Como agirá? Sabe-se lá. Quem viver verá.    (José Pastore - O Estado de S.Paulo)
 
 
 
 
 

25.11 - Crise no emprego
Trabalhador não consegue esperar os efeitos das medidas de estímulo à economia para dormir tranqüilo 
Desta vez será difícil os indicadores de emprego não serem contaminados pela crise. Empresários estão cada vez mais preocupados com os rumos dos negócios e já levaram o assunto para a mesa de negociações com sindicatos de trabalhadores. Há férias coletivas, há apelos para adiar reajustes de salários, há interrupções da jornada com a desculpa de pôr algum equipamento em manutenção, aproveitando que a demanda não anda tão aquecida, há propostas para suspender contratos de trabalho, há demissões. 
Na última semana, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou uma taxa de desocupação no país de 7,5% em outubro, estável em relação aos 7,6% de setembro e bem menor que a de um ano atrás (8,7%). Foi o segundo menor índice da série que começou a ser medida em março de 2002. Só perdeu para dezembro de 2007, quando ficou em 7,4%. Ao divulgar os dados, o IBGE fez questão de ressaltar que a crise não chegou ao mercado de trabalho, a ponto de a informalidade não ter aumentado, o que costuma ocorrer em momentos de retração na economia. Alguns especialistas rebateram e alegaram que o pessoal contratado como temporário para o fim de ano estaria maquiando a taxa, já que o dado não separa os efetivos dos demais. 
No dia seguinte, apareceu outra estatística. Essa do Ministério do Trabalho, com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontando que o número de pessoas contratadas com carteira assinada em todo o Brasil havia crescido 0,2% de setembro para outubro. O lado bom: aumentou em 61,4 mil o total de pessoas com emprego formal. O lado ruim: aumentou muito pouco em relação ao ritmo que vinha se mantendo, com elevações de 150 mil, 160 mil e 200 mil de um mês para outro. O ministério admitiu, em relatório, que as empresas devem estar mais cautelosas e evitando ampliações do quadro. 
De fato, isso está ocorrendo. Muitos negócios estão sendo suspensos, adiados ou cancelados diante das incertezas com a turbulência global. Redução de empregados está ocorrendo, felizmente ainda em pequena escala, mas já espalhada por setores da economia. Votorantim, no seu segmento de metais, Azaléia, no de calçados, Xerox, na produção de toners em Manaus, anunciaram demissões. Na Região Central de Minas, sindicatos de trabalhadores contabilizaram pelo menos 1,3 mil cortes em empresas de ferro-gusa, matéria-prima para fabricar aço. A Vale admitiu que fará ginástica para evitar demissões, mas representantes do setor garantem que 400 já perderam o emprego. 
Tomara que a lista de exemplos não se estenda demais. Sem trabalho, o brasileiro pára de comprar. Sem vender, o empresário reduz a produção e corta empregos. Sem consumo e sem emprego, o país não cresce. 
ENCONTRO MARCADO 
Depois de amanhã, o presidente Lula tem na agenda reunião com representantes das centrais sindicais. Vão discutir propostas para a crise. Com certeza, os trabalhadores ouvirão promessas de garantia de emprego e boas intenções do governo para fazer a economia andar. A sensação é de que as medidas adotadas para reativar o crédito e impulsionar os negócios estão demorando demais a fazer efeito. O trabalhador não consegue esperar.
BALANÇO 
Janeiro será uma prova de fogo para o mercado de trabalho. Passadas as festas de fim de ano, será hora de ver quantos temporários serão efetivados. Depois das tradicionais férias coletivas de grandes empresas (que este ano soam como altamente providenciais), será hora de ver quantos empregados voltarão mesmo aos postos. 
NO MUNDO INTEIRO 
Lá fora, os estragos são bem maiores. Grandes corporações já anunciaram o fechamento de fábricas, com milhares de demissões. Estão nesse grupo bancos americanos como Citibank e JP Morgan, montadoras como GM, Ford, Renault e Toyota, a gigante do setor químico Basf, que decidiu encerrar linhas de produção de 80 unidades, fabricantes de brinquedos na China e outros. Nas contas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a crise custará 20 milhões de empregos. Significa que, até o fim do ano que vem, o número de desempregados no mundo saltará de 190 milhões para 210 milhões, patamar nunca antes visto. Resta torcer para que a proporção de brasileiros nessa leva seja mínima.    (Renata Neves - Estado de Minas)

25.11 - No pior cenário, Alemanha vai perder outros 130 mil empregos em 2009
A desaceleração da economia deve afetar menos o nível de emprego na Alemanha que outras crises anteriores, segundo informações do ministério do Trabalho neste domingo, que também informou que o país deve registrar 130 mil novos desempregados em 2009. 
- No pior cenário, com queda de 0,5 por cento na economia, nossos institutos de pesquisa esperam um desemprego adicional de 130 mil pessoas, na média anual de 2009 - disse o chefe do ministério do Trabalho, Frank-Juergen Weise, ao jornal diário Bild. 
- No caso de crescimento zero, o desemprego será de 30 mil, acrescentou. 
Em torno de 1 milhão de postos de trabalho já estão vagos na Alemanha, disse Weise, adicionando que há pleno emprego em várias regiões e que a duração média do desemprego caiu pela metade desde 2005. 
O ministro da Economia Michael Glos disse que as reformas feitas na Alemanha tornaram o mercado de trabalho mais resistente e que não havia razão para temer um desemprego em massa.   (Reuters/JB Online)

25.11 - Compromisso pela Lei do Aprendiz 
É fundamental falar sobre as oportunidades que um país oferece ao jovem, indo além de notícias sobre jovens "que matam" ou "que morrem"
Em meio à crise que afeta os indicadores de crescimento econômico dos países, aos poucos o mundo se volta à "economia real", e é na esfera real onde vivem as pessoas preocupadas com o futuro. Além de pensar no crescimento econômico, há outros temas que se tornam tão relevantes quanto o aumento do PIB: combate à pobreza, educação, melhoria da qualidade de vida... Voltando à cena nacional e internacional a discussão sobre o que, de fato, é desenvolvimento socioeconômico.
Sob esse aspecto, a discussão sobre as oportunidades que um país oferece aos seus jovens é fundamental. É na juventude que devemos pensar ao decidir sobre políticas públicas, investimentos de empresas e ações da sociedade. Há a necessidade de ir além de notícias sobre jovens "que matam" ou "que morrem" e, sobretudo, há que mostrar que é na juventude que afloram os sonhos e os talentos. Devemos zelar para que essas aspirações encontrem oportunidades de êxito.
Em 2005, os jovens de 15 a 24 anos representavam cerca de 19% da população. Aproximadamente 18% daqueles de 15 a 17 anos e 68% dos de 18 a 24 anos não estudavam. A desigualdade de oportunidades também é evidente: dos 20% mais pobres da população, quase 73% na faixa de 15 a 17 anos estavam estudando e, entre os 20% mais ricos, esse número foi de praticamente 94% (os dados são do IBGE).
É preciso tomar atitudes concretas. No tema juventude e trabalho, enquanto a taxa de desocupação da população ativa é de quase 7,4%, a taxa entre os jovens de 15 a 17 anos é de cerca de 28% e de 16% entre os que têm de 18 a 24 anos (IBGE/PME).
O país, contudo, está prestes a dar um passo importante para que mais jovens encontrem sua primeira experiência laboral, com cuidados para sua formação pessoal e profissional.
A Lei do Aprendiz, aprovada em 2000 e regulamentada em 2005, é um exemplo das poucas políticas destinadas à juventude no país -segundo estimativas do Banco Mundial, os gastos públicos com jovens representam 6% do total, mas os gastos caem a quase zero do total investido na área social ao se retirar do cálculo a verba para o ensino universitário, limitado a uma pequena parcela da população.
Essa lei determina que toda empresa de grande e médio porte deve ter de 5% a 15% de aprendizes. Os aprendizes são jovens de 14 a 24 anos que devem continuar na escola e em um curso de formação profissional.
A lei transformou em política pública algo previsto na CLT desde a década de 40 como meio para formar novos trabalhadores para a indústria -daí o nascimento do sistema de aprendizagem profissional.
Com a Lei do Aprendiz, a empresa pode contribuir para o país contratando jovens, sempre respeitando o que diz a lei e garantindo que o jovem passe parte do tempo em uma instituição formadora, continue os estudos e aprenda a prática diária da empresa. Ao mesmo tempo, para a empresa, é uma oportunidade de investir no seu capital humano e no país e exercer, da melhor forma, a responsabilidade social empresarial.
Em 2007, por meio de uma parceria técnica com o Ministério do Trabalho e Emprego, conseguimos dados inéditos sobre o potencial nacional de vagas para aprendizes e o número de aprendizes contratados atualmente.
Caso as empresas cumpram a lei, são cerca de 1,2 milhão de vagas para jovens -hoje temos 140 mil aprendizes, quase um décimo disso.
Segundo pesquisa realizada por nossa organização em parceria com pesquisadora da PUC-SP, no Brasil, só 8% das empresas com mais de 20 empregados cumprem a lei, e as empresas totalizam o cumprimento de apenas 8,6% do potencial de contratação mínima. Só na cidade de São Paulo, há potencial de 121.723 vagas, mas só 11% do potencial é cumprido (cerca de 14 mil jovens).
Os Estados com maior potencial de contratação são: Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Contudo, os Estados com a melhor relação contratação/ potencial são: Espírito Santo, Goiás e Amazonas.
Por isso, lançamos, com o Instituto Ethos e o Gife (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas), a meta de 800 mil aprendizes até 2010 e acompanhamos o seu alcance por meio do Placar do Aprendiz, que monitora, mês a mês, a evolução desse dado.
Em agosto de 2008, o Ministério do Trabalho e Emprego constituiu um grupo de trabalho para a aprendizagem que contou também com a participação da sociedade civil. Após diversas reuniões, o governo adotará oficialmente a meta na 1ª Conferência Nacional pela Aprendizagem Profissional, que começa hoje, na qual lançará diversas medidas para facilitar o cumprimento da lei.
O evento contará com a presença do presidente da República e do ministro Carlos Lupi, que anunciarão a adoção da meta e o apoio para que a lei se torne prioridade. Além disso, será lançada uma Carta de Compromisso pela Lei do Aprendiz, à qual empresas, organizações e governos poderão aderir, para que, juntos, possamos fazer com que mais jovens tenham oportunidades de mostrar e desenvolver seus talentos.
O momento mostra um avanço e tem como o maior símbolo o fato de que antigos aprendizes são hoje grandes conhecidos nossos e estão em cargos de liderança nacional, como o ministro Carlos Lupi e o próprio presidente da República. Nós, atletas, estaremos lá. Afinal, todos sempre acreditaram em nossa luta por este país. É nossa vez de mostrar à juventude que continuamos lutando.    (RAÍ OLIVEIRA  e DANIELA RODRIGUEZ DE CASTRO - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

24.11 - A fraqueza da força de trabalho
Tanto em 2007 quanto no início deste ano, concedi muitas entrevistas a jornais, rádios e televisões, em que salientei a carência de profissionais qualificados no Brasil, mostrando, na época, ser essa a principal dificuldade para um desenvolvimento pelo menos plausível do País. Embora o momento agora seja outro, insisto na mesma advertência. Basta o Produto Interno Bruto (PIB) exibir crescimento superior a 4% para que o Brasil se depare com um dos seus principais gargalos: a ausência de força de trabalho para sustentar o avanço da economia brasileira.
O Brasil veio caminhando, nos anos de 2006, 2007 e início de 2008, sob um ritmo de desenvolvimento que seria em breve obstruído não por crise financeira mundial nem por ausência de infra-estrutura, mas sim pela incapacidade de alocar, na celeridade requerida, profissionais capacitados para gerar o crescimento econômico do País.
Nesses anos recentes, o Brasil assistiu à corrida de muitas empresas buscando engenheiros e profissionais especializados em tecnologia da informação. De 2005 para cá, não foram poucos os engenheiros - principalmente da construção civil - que viram seus salários dobrarem de valor. Muitos especialistas em tecnologia da informação, da mesma forma, tiveram suas remunerações mais elevadas nesse período.
É fato que várias outras profissões também foram valorizadas recentemente e, sublinho, todas são importantes para o desenvolvimento econômico. Porém nenhum país cresce desprovido da engenharia e da tecnologia da informação. E o Brasil não tem profissionais preparados, em número suficiente, para suportar desempenhos econômicos elevados. O País teve um período longo de estagnação e não se preparou em termos de força de trabalho para um rápido crescimento. Foi pego de surpresa. Estava, como ainda está, despreparado para um desenvolvimento econômico realmente sustentável.
Apenas para ter uma idéia da debilidade da força de trabalho, o Brasil forma cerca de 23 mil engenheiros por ano, enquanto a Coréia do Sul, que conta com menos da metade da população brasileira, forma 80 mil. E na Índia, aproximadamente 150 mil engenheiros são formados anualmente. Estudos revelam que o Brasil tem 6 engenheiros para cada mil pessoas economicamente ativas, enquanto o Japão e os EUA contam com 25 engenheiros para cada mil pessoas economicamente ativas.
Profissionais da área de tecnologia da informação também são escassos no País, mesmo sendo o maior empregador da América Latina nesse campo de trabalho. Do total de vagas no setor, cerca de 48% são ocupadas no Brasil, representando aproximadamente 900 mil empregos. Entretanto, nesse curto período de crescimento econômico, ficaram em aberto, por ano no Brasil, nessa área, 40 mil vagas em todos os níveis de especialização. Motivo: falta de gente qualificada.
Mas se generalizarmos, verificando as demais profissões, o cenário permanece caótico. No ano de 2005, o índice de profissionais colocados nas vagas oferecidas pelos empregadores foi cerca de 52%; em 2006, aproximadamente 50%; e 2007 em nada difere dos dois anos anteriores. Em mais de 70% dos casos em que a vaga não foi preenchida o que ocorreu foi a falta de qualificação do candidato.
Com certeza o Brasil não repetirá, no próximo ano, o desempenho econômico desse curto período recente. A crise financeira mundial está frustrando o crescimento do País. Crescimento esse que, mais cedo ou mais tarde, seria impelido a se esvair em razão do gargalo de uma sociedade que não se prepara para o médio e o longo prazos, não se preocupando suficientemente com a educação e a formação profissional da população.
Tudo leva a crer que em 2009 o Brasil vai demandar menos engenheiros, menos profissionais da área de tecnologia da informação e menos trabalhadores qualificados para outros setores técnicos. Mas esse será o momento em que urge investir no preparo técnico do País, voltando os olhos para a educação e para a qualificação dos profissionais. Só assim poderá, no futuro, crescer constantemente a taxas expressivas do PIB. Por enquanto, do jeito que o Brasil está, o crescimento econômico ou é barrado por crises financeiras globais ou é impedido de acontecer pela própria fraqueza de sua força de trabalho.   (Sérgio Amad Costa - O Estado de S.Paulo)

24.11 - Número de desempregados cresceu em São Paulo
Quantidade de negros empregados diminui em São Paulo, indica Dieese
O mercado de trabalho encolheu nos 39 municípios da região metropolitana de São Paulo, no ano passado em comparação a 1998, segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego realizada em conjunto pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Fundação Seade) e pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
De acordo com o levantamento, 42,9% do total de desempregados (1,5 milhão), no ano passado, eram negros ante 40,8%, em 1998. O mesmo percentual entre os que não se declararam negro alcançou 59,2% , em 2007, contra 57,1%, em 1998. Os dados indicam ainda que "um terço da População em Idade Ativa e da População Economicamente Ativa eram negros em relação aos não-negros que representam 64% destes contingentes”.
A avaliação técnica mostra que “tradicionalmente os negros entram no mercado de trabalho mais cedo do que os não-negros e permanecem por mais tempo, fato associado a um tipo de inserção mais frágil, muitas vezes, relacionada a menor qualificação profissional, o que leva à auto-ocupação ou ao emprego doméstico e à construção civil, em que a remuneração e o valor da aposentadoria costumam ser insuficientes para suprir os gastos da família”.
Quanto ao nível de escolaridade, a pesquisa indica que há mais negros do que não-negros classificados como analfabetos, embora em ambos os casos diminuiu a população que não sabe ler e escrever. Em 2007, os negros analfabetos somaram 7,7% ante 11,2%, em 1998 , enquanto os não negros, 3,9%, contra 5,7%, em 1998.  (Marli Moreira - Agência Brasil)

24.11 - Emprego formal só superará informal em 2015
O percentual de trabalhadores informais e desempregados só será menor que o de formalizados em 2015, quando será de 49,6% da PEA (População Economicamente Ativa). As informações são do Sistema Firjan, com base nos dados da Pnad 2007. Hoje, apenas 42% da PEA tem registro formal. "A rigidez da lei trabalhista, que visa proteger o trabalhador, também é um entrave para a formalização", diz Luciana de Sá, diretora da Firjan. A pesquisa, no entanto, não ajusta as projeções de emprego para a conjuntura de crise econômica.  (Guilherme Barros - Folha de S.Paulo)

24.11 - As centrais e suas idéias 
As centrais sindicais brasileiras enviaram uma carta a Lula. Fazem sugestões para enfrentar a atual crise financeira internacional. O documento é útil por dois motivos. Primeiro, para saber que existem seis centrais sindicais no Brasil. Segundo, por revelar o grau de desconexão da realidade por parte dos sindicalistas.
Para economizar papel e tinta, eis apenas as siglas das centrais sindicais brasileiras: CGTB, CTB, CUT, Força Sindical, NCST e UGT. A sopa de letras se robusteceu depois de Lula aceitar repassar parte do imposto sindical a essas organizações. Com dinheiro estatal, tudo fica mais simples e fácil.
Mas não tão rápido. A crise financeira entrou em sua fase aguda no início de setembro. Foram necessários mais de 60 dias para as seis centrais produzirem o seu "documento unitário", como foi batizado, e enviá-lo a Lula.
O texto parece obra empoeirada de alguém enroscado numa dobra do tempo anterior à queda do Muro de Berlim. Os sindicalistas falam sobre a "imposição dos dogmas do livre mercado" resultando em um "ambiente propício ao ganho fácil e à especulação das megacorporações multinacionais". O diagnóstico saiu na mesma semana em que o Citigroup anunciou o corte de 52 mil empregos neste ano.
Entre as 18 propostas apresentadas pelos sindicalistas, ressurgem as sombrias sugestões de "criar mecanismos de controle de fluxo de capital externo e de controle de câmbio" ou um "programa de substituição de importações para fortalecer o mercado interno".
A Grande Depressão da década de 30 se aprofundou porque os países adotaram políticas contra o comércio internacional. Essa é a receita das centrais: o Brasil deve se enclausurar e resolver as coisas sozinho. No longo prazo, o real seria extinto, estaremos todos comendo rapadura e fazendo escambo.   (FERNANDO RODRIGUES - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

19.11 - Citigroup anuncia corte de 52 mil vagas
Metade das reduções já foi feita com venda de unidades; banco perdeu mais de US$ 20 bilhões desde o 4º tri de 2007
No Brasil, Citi afirma que vai "administrar com cuidado" o atual quadro de funcionários para adequá-lo à "realidade de mercado" 
Com perdas de mais de US$ 20 bilhões desde o final do ano passado e suas ações em contínua desvalorização, o Citigroup pretende cortar cerca de 52 mil postos de trabalho em todo o mundo e reduzir em 20% as suas despesas.
Cerca da metade desses cortes já foi realizada nos últimos meses com a venda de algumas unidades do grupo, como na Índia (com 18 mil empregados) e na Alemanha (com 5.000 funcionários). A outra metade, no entanto, deve ocorrer por meio de demissões. O Citigroup, o segundo maior banco americano em valor de ativos, contava com 352 mil empregados no final de setembro e já tinha demitido 23 mil neste ano.
A nova redução -a maior de uma empresa americana desde 1993, segundo a consultoria Challenger, Gray & Christmas- é mais um sinal da crise que vive o setor financeiro e expõe as dificuldades vividas pelo Citigroup. Ele não conseguiu aproveitar oportunidades que surgiram com a crise e se expandir como os rivais JPMorgan Chase e Bank of America, já perdeu mais de US$ 20 bilhões desde o fim de 2007 e suas ações se desvalorizaram em 69,8% neste ano -valem menos de US$ 10 pela primeira vez em 12 anos (ele tinha o quarto maior valor de mercado no mundo no fim de 2006).
Ontem, elas estavam cotadas a US$ 8,89, com queda de 6,62%. O recuo ajudou para o dia negativo na Bolsa de Nova York. O índice Dow Jones caiu 2,63%, com a Alcoa e os bancos registrando as maiores quedas. Já o S&P 500 recuou 2,58%.
"Essa [as demissões] é provavelmente a parte mais difícil do meu trabalho aqui. Não estamos fazendo isso porque queremos, mas porque temos que fazer", afirmou o presidente-executivo Vikram Pandit em encontro fechado com funcionários do banco. O executivo, que assumiu o posto no fim de 2007, também disse que o banco pretende diminuir em 20% os gastos no ano que vem, para cerca de US$ 52 bilhões.
No Brasil, o Citigroup afirmou que vai "administrar com cuidado" o atual quadro de funcionários para adequá-lo à nova "realidade de mercado". O banco emprega 6.184 funcionários em 127 agências no país. O banco disse em nota não saber ainda como a programa global de demissões afetará o Brasil. "Trata-se de um esforço global. Não há dados precisos referentes ao Brasil, pois trata-se mais de um trabalho em andamento do que um fato consumado."
As demissões, porém, não são exclusividade do Citigroup. Calcula-se que as empresas de Wall Street tenham cortado mais de 150 mil vagas em todo o mundo. E, apesar de não haver números precisos, a maior parte do impacto deve ter ocorrido na região metropolitana de Nova York, onde, no final de junho, cerca de 579 mil trabalhavam na área de finanças. A Moody's Economy.com calcula que 70 mil pessoas perderão seus empregos no setor em Nova York até meados de 2010.
Segundo dados do governo, o setor financeiro perdeu 96 mil vagas no ano -40 mil apenas entre setembro e outubro.   (Financial Times/New York Times/Folha de S.Paulo)

19.11 - Citigroup anuncia demissão de 52 mil
Cortes começaram a ser feitos em outubro; Goldman e UBS não vão pagar bônus a executivos
O Citigroup confirmou a eliminação de 52 mil empregos em todo o mundo ao longo do próximo ano numa tentativa de se recuperar do prejuízo acumulado de maisde US$ 20 bilhões registrado nos últimos 12 meses. 
As demissões, anunciadas pelo presidente executivo do banco americano, Vikram Pandit, afetarão 15% da força de trabalho e incluem os 9.100 cortes iniciados em outubro e os 16.900 anunciados ontem.
Levantamento da Challenger, Gray & Christmas mostra que as demissões ficam abaixo apenas das 60 mil anunciadas pela IBM em julho de 1993, ano em que a empresa passou a acompanhar os anúncios de demissões feitos por grandes companhias. 
O banco tem ainda como meta diminuir seus gastos para US$ 50 bilhões a US$ 52 bilhões em 2009. Nos últimos quatro trimestres, essa cifra ficou em US$ 61,9 bilhões. Pandit, no cargo desde dezembro, tem recebido duras críticas dos acionistas por não conseguir implantar uma plano de reestruturação que dê resultado. 
As ações do Citigroup estão com o menor valor em 12 anos, refletindo o temor de que a recessão global possa fazer com que os prejuízos do banco aumentem ainda mais. Os papéis perdiam ontem mais de 6% de seu valor na bolsa de Nova York. 
BÔNUS E GRATIFICAÇÕES
Ainda ontem, os sete principais executivos do banco de investimentos americano Goldman Sachs decidiram renunciar aos bônus e gratificações a que tinham direito este ano. A decisão, tomada no domingo, mas só ontem divulgada pela imprensa local, deixará os diretores mais bem pagos de Wall Street apenas com o salário-base anual de US$ 600 mil.
O executivo-chefe do Goldman Sachs, Lloyd Blankfein, com outros seis altos diretores, destacaram ao comitê de compensação a intenção de renunciar a essas compensações e a proposta foi aceita.Com isso, o banco poderá economizar milhões de dólares.
Os altos salários dos máximos diretores de Wall Street causaram fortes críticas da opinião pública, principalmente porque a sociedade vem sido afetada por uma crise que nasceu no mercado financeiro. 
No meio da turbulência internacional, o Goldman Sachs recebeu uma injeção de capital de US$ 10 bilhões do governo dos Estados Unidos para não quebrar. No ano passado, o melhor período da instituição, apenas quatro desses sete executivos receberam em bônus e gratificações US$ 261 milhões em dinheiro e ações. 
Na seqüência, a direção do banco suíço UBS também decidiu não pagar bônus aos seus executivos. O presidente do conselho de administração do banco, Peter Kurer, o presidente-executivo, Marcel Rohner, e outros membros da diretoria também só vão receber os salários.
O banco, com sede em Zurique, recebeu injeção de capital de US$ 60 bilhões, em outubro, após perdas de US$ 50 bilhões com a crise que teve início no mercado imobiliário dos EUA.   (O Estado de S.Paulo)

19.11 - Construção contrata 1,85% mais em setembro
O setor de construção civil manteve a expansão do emprego em setembro. 
Segundo dados do SindusCon, 39,8 mil trabalhadores foram contratados no mês no país, uma alta de 1,85% ante agosto. Em setembro, o total de trabalhadores com carteira assinada bateu recorde de 2,188 milhões.  (Guilherme Barros - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

18.11 - Senador defende reajuste de aposentados
O senador Paulo Paim (PT) se reúne hoje com o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB), e o ministro da Previdência Social, José Pimentel. Na pauta do encontro está o projeto de lei 58, de autoria de Paim, que beneficia aposentados e pensionistas. O projeto foi aprovado na quarta-feira pela Comissão de Assuntos Sociais do Senado e segue para votação na Câmara de Deputados. A proposta garante a aposentados e pensionistas recuperar o poder aquisitivo à época da concessão do benefício por meio do sistema de reajuste.
Apesar da pressão do governo federal para barrar o projeto, que traria impacto anual de R$ 76,6 bilhões, segundo estudo do INSS, Paim está confiante. 'Posso até abrir mão da autoria do projeto, desde que o governo assuma o compromisso do reajuste, que chega a R$ 9 bilhões', disse. Outros dois projetos do senador passaram pelo Senado: um garante o mesmo índice de reajuste concedido ao salário mínimo às aposentadorias e pensões, o outro acaba com o fator previdenciário, coibindo aposentadorias precoces.
'O Congresso é soberano, mas quando cria despesas tem que apontar de onde sairão os recursos. Por enquanto, não tem um centavo no orçamento que possibilite o pagamento da elevação no valor dos benefícios', disse Pimentel.   (Correio do Povo)

18.11 - Crise: Impacto no mercado de trabalho
O impacto da crise econômica no emprego foi mais rápido do que o que a maioria dos analistas esperava. Segundo dados de sindicatos e empresas, a crise foi responsável por pelo menos 6,5 mil demissões nos últimos 45 dias - o número, no entanto, pode ser muito maior, pois as homologações em sindicatos contabilizam apenas as demissões de funcionários com mais de um ano de casa.
"Chegamos a fazer mais de 100 homologações por dia nas duas últimas semanas de outubro", afirma o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de São Paulo, Antônio de Souza Ramalho. "Porém, todos diziam que os cortes haviam sido mais fortes entre os funcionários com menos de um ano de trabalho. E esses não temos como medir."
A construção civil foi um dos setores que mais demitiram por causa da crise, assim como a metalurgia (que inclui a cadeia automotiva) e os eletroeletrônicos. Até agora foram 2,3 mil, 2,7 mil e 900 demissões confirmadas, respectivamente. "Existe uma ordem", diz o presidente do instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann. "Os setores afetados foram aqueles que demandam que seus consumidores usem mais crédito. Dificilmente uma casa, um carro ou um eletrônico novo cabem com folga no orçamento de uma família."
A Syntax, empresa montadora de PCs e notebooks, por exemplo, demitiu 100 funcionários em outubro. Na fábrica da Bahia, ficaram apenas 25 empregados de um total de 100. O corte no escritório administrativo da companhia, em São Paulo, foi de 30 pessoas - alguns departamentos, como o de pesquisa e desenvolvimento e marketing, foram extintos.
Um dos funcionários demitidos conta que os diretores da companhia atribuíram à crise a redução de pessoal. "Disseram que era hora de enxugar custos, para a empresa se manter." Duas levas de demissões foram feitas entre setembro e outubro, com menos de um mês de intervalo entre elas.
Um funcionário que permanece na empresa confirmou os cortes. Segundo eles, a medida ocorreu por dois motivos. O primeiro foi a retração nas vendas, que começou em agosto. Depois, em outubro, a disparada do dólar fez a situação na companhia piorar. Como ela apenas monta os computadores no País, todos os insumos utilizados na produção são importados. "A alta da moeda americana praticamente travou a produção e as demissões foram uma questão de sobrevivência" para a empresa.
Surpresa. Pochmann, do Ipea, considerou "surpreendente" a velocidade com que os efeitos da crise chegaram ao emprego. "Esperava uma desaceleração para outubro, mas um resultado negativo foi inesperado", afirmou, sobre a pesquisa divulgada esta semana pela Fiesp. O nível de emprego na indústria paulista caiu 0,41% em outubro, ante setembro, o que significou o corte de 10 mil postos de trabalho.
A maior parte dos cortes nas empresas brasileiras ocorreu no Estado de São Paulo, mas a região de Manaus (AM) também foi muito afetada. "Nosso normal era fazer cerca de mil homologações por mês", conta João Brandão, secretário de formação do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas. "Mas em setembro fizemos 1.439 e em outubro, 1.733." 
O setor mais afetado na região é o de eletroeletrônicos. Sony e Evadin já anunciaram mais de 500 demissões por causa de crise. "A Xerox demitiu 60 e está ameaçando fechar sua atuação na região", diz Brandão. "E as empresas fabricante sde motos e qutopeças anunciaram férias coletivas. Se não receberem os mesmos incentivos que os automóveis, podem cortar gente em janeiro também", diz o secretário.
A economista Fernanda Batolla, da Credit Suisse Hedging-Griffo, diz que "já esperava um arrefecimento por causa da alta do juros, mas, agora, o efeito se dará mais rapidamente. Fernanda observa que a população ocupada já sem grandes movimentações para cima ou para baixo há três meses. Nas contas da instituição, a taxa de desemprego sairá dos atuais 7,6% para 9% em 2009.
"O 13o salário e as férias, concentradas em dezembro e janeiro, vão mascarar um pouco os impactos da crise", diz Pochmann. "Em janeiro veremos o verdadeiro estrago." Ele prevê primeiro trimestre de 2009 coM PIB zero. "Se isso acontecer no quarto trimestre será terrível. O governo terá de fazer ações precisas para garantir o emprego da população."   (Ana Paula Lacerda e Marianna Aragão - Agência Estado/Jornal do Commercio do Brasil)

18.11 - Citigroup demite mais 10 mil funcionários 
O Citigroup vai demitir pelo menos outras 10 mil pessoas, na tentativa de melhorar seus resultados financeiros, afirmou o "The Wall Street Journal" na sexta-feira. 
"Esta semana, o Citigroup anunciou demissões de pelo menos 10 mil empregados em sua atividade de banco de investimentos e em outras divisões no mundo", escreve o jornal, citando fontes ligadas ao assunto. 
O presidente "Vikram Pandit e seus adjuntos pediram aos diretores do grupo que reduzam os orçamentos reservados à remuneração dos empregados em pelo menos 25%", acrescentou. 
Segundo o jornal, a medida ocorre em meio às tentativas de Pandit de estabilizar o banco, que teve perdas de mais de US$ 20 bilhões em relação a 2007. O preço de parte das ações caiu cerca de 2%. 
O Citigroup já demitiu cerca de 23 mil funcionários nos últimos 12 meses, deixando o total de efetivos em 352 mil no fim de setembro, lembrou o jornal. 
No final do mês passado, o Tesouro dos Estados Unidos iniciou a injeção de capital de US$ 125 bilhões em nove grandes bancos - parte fundamental de seu programa de socorro ao mercado -, entre os quais o Citigroup foi um dos beneficiados com U$ 25 bilhões.     (Valor Online)
 
 
 
 
 

17.11 - Emprego na industria paulista cai 0,13% em outubro
A indústria paulista de transformação fechou o mês de outubro com queda de 0,13% (com ajuste sazonal), segundo indica o estudo do Centro e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp e Fiesp), divulgado na quinta-feira (13/11). O resultado representa o fechamento de 10 mil postos de trabalho. 
No acumulado do ano a indústria de transformação gerou 159 mil vagas e em 12 meses 82 mil postos de trabalho. O setor de Açúcar e Álcool foram responsáveis pelo fechamento de 240 vagas em outubro. 
Setores
Das atividades industriais que compõem a amostra da pesquisa, de 21 atividades 10 apresentaram um desempenho negativo, seis registraram estabilidade nas contratações em setembro e cinco apresentaram desempenho positivo. 
O principal destaque positivo foi o segmento de Máquinas, Escritório e Equipamentos de Informática (1%). Na seqüência, Equipamento de Instrumentação Médico Hospitalares (0,39%) e Produtos de Metal – Exceto Máquinas e Equipamentos (0,38%). 
As variações negativas mais expressivas vieram dos setores de Couros e Artefatos de Couro, Artigos de Viagem e Calçados (-4,09%), Móveis e Indústrias Diversas (-3,10%) e Confecções de Artigos Vestuário (-1,07%). (Executivos Financeiros)

17.11 - Europa já demite 10 mil por dia
Imigrantes estão entre os mais atingidos; nos Estados Unidos, alta de pedidos de auxílio-desemprego surpreende
São quase 10 mil novas demissões a cada dia . Essa é a realidade da Europa hoje, uma economia que sofre para dar sinais de competitividade e acumula problemas. A crise financeira se transformou numa crise da economia real e políticos já alertam para a terceira fase: a crise social. Dados de vários governos deixam claro que a situação é a pior em mais de uma década. 
Entre os mais afetados estão os imigrantes, muitos deles brasileiros. Na Espanha, 46% dos imigrantes estão sem emprego. O Reino Unido divulgou nesta semana o pior aumento do desemprego em 16 anos. Hoje, o governo inglês é obrigado a pagar pensões a 980 mil pessoas: 1,8 milhão de trabalhadores perderam o emprego em 2008. E o pior é que a crise ainda não revelou toda sua dimensão. "Não estamos ainda no fundo do poço", disse o ministro do Trabalho britânico, Tony McNulty.
No Reino Unido, foram 1,5 mil novos desempregados por dia entre agosto e outubro. Ontem, a British Telecom anunciou que demitiria 10 mil pessoas até o fim do ano. Em porcentuais, a taxa chega a 5,8% no Reino Unido, ante 7,5% na zona do euro, e deve aumentar para quase 9% em 2009. Para a HBOS, o desemprego pode chegar a 3 milhões até 2010.
Na França, o governo estima que são mais de 1,2 mil o número de pessoas demitidas por dia. Na Espanha, apenas o mês de outubro registrou 192 mil novos desempregados, e o número de pessoas sem trabalho já chega a 2,8 milhões - 6,7 mil por dia.Na Alemanha, a Continental vai demitir 5 mil pessoas até o fim do ano, enquanto a Opel e BMW vão dar férias coletivas e fechar temporariamente suas fábricas no país.
"O custo humano da crise será maior do que se esperava", afirmou John Cridland, vice-diretor da Confederação da Indústria Britânica. Numa estimativa publicada há duas semanas, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) alerta que a crise atingirá 20 milhões de pessoas até o fim de 2009.
Um dos primeiros efeitos está sendo sentido entre os imigrantes. Na Espanha, quase metade dos estrangeiros que vivem legalmente no país está desempregada - cerca de 350 mil. Em outubro, 36 mil estrangeiros perderam o emprego.
O Reino Unido resolveu diminuir para 800 mil - incluindo os de outros países europeus - a quantidade de vagas para estrangeiros em 2009. O número é 20% inferior ao de 2008. Nos últimos quatro anos, 1 milhão de poloneses se mudaram para o país em busca de trabalho. Agora, poderão ser obrigados a voltar para casa.
Em um recente seminário, o presidente da petroleira BP e representante especial da ONU para Migrações, Peter Sutherland, alertou sobre o impacto da crise. "Será inevitável que a queda do crescimento global tenha um efeito sobre os imigrantes. Ou eles serão incentivados a voltar para casa ou serão os primeiros a perder seus empregos", alertou. 
ESTADOS UNIDOS
Nos Estados Unidos, o número de pedidos de auxílio-desemprego aumentou em 32 mil, para 516 mil na semana passada, segundo o Departamento de Trabalho. O anúncio surpreendeu economistas, que esperavam alta de 4 mil. A taxa de desemprego para os trabalhadores que recebem o benefício se manteve em 2,9%, o maior nível desde fevereiro de 1983. A média quadrissemanal de novos pedidos cresceu em 13.250, para 491 mil, a maior desde 1991 e acima do nível considerado de recessão por muitos economistas.   (Jamil Chade - O Estado de S.Paulo)

17.11 - EUA: Mudança de emprego
Está crescendo o número de pessoas empregadas nos EUA que recusam propostas para mudar de trabalho, segundo o "Wall Street Journal". Cerca de 46% dos gerentes de cargos médios nos EUA em setembro afirmaram que mudar de emprego na atual conjuntura econômica é arriscado, segundo pesquisa da Accenture. Apenas 13% dos entrevistados afirmaram estar procurando emprego, contra 30% no mesmo período em 2005. A justificativa é a incerteza.  (Guilherme Barros - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

14.11 - Participação de salários na renda nacional
Estudo mostra que só em 2011 participação de salários na renda nacional volta ao nível de 1990
Apenas em 2011 o rendimento do trabalho deve voltar a ter a mesma participação na renda nacional que tinha em 1990, de 45,4%. A perspectiva consta do estudo Distribuição Funcional de Renda no Brasil: Situação Recente, que o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) publicou na quarta-feira, com base na análise dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios e do Sistema Nacional de Contas, ambos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo o estudo, de 1990 a 1996, o rendimento do trabalho perdeu participação relativa no total da renda do país (-15,2%). Depois, de 1996 a 2001, registrou-se crescimento de 5,4% da parcela do rendimento do trabalho na renda nacional. De 2001 a 2004, houve nova queda, de -3,1%. Numa quarta fase, a partir de 2005, houve uma expansão de 4% da parcela do rendimento do trabalho na renda do país.
O estudo do Ipea traça um paralelo entre a variação da distribuição pessoal de renda e a distribuição funcional de renda, que engloba rendimentos de proprietários de terra, donos de capital, lucros, juros e aluguéis, por exemplo.
Segundo o instituto, só houve convergência na queda das desigualdades da distribuição de renda pessoal e funcional nos períodos de 1996-2001 e depois de 2004. A desigualdade pessoal da renda caiu 2,4% e a parcela relativa do trabalho na renda nacional cresceu 5,4%, de 1996 a 2001. Depois de 2004, a desigualdade na distribuição da renda pessoal diminuiu 1,1%, enquanto a participação do trabalho na renda nacional aumentou 6%.
O período em que a renda nacional mais evoluiu foi de 2005 a 2007, de acordo com o estudo, devido “ao crescimento do mercado interno e das exportações”. A média anual de crescimento foi de 4,2% no período, enquanto nos períodos de 1990-1996, 1996-2001, 2001-2004 a renda nacional cresceu em média, 3,2%, 1,9% e 3,2%, respectivamente.
De 2000 a 2006, o segmento que mais acumulou perdas foram os detentores de renda mista, aqueles que têm meios próprios de geração de rendimentos como aluguéis e trabalho autônomo. As perdas foram de 21,1%, enquanto houve expansão no desempenho das contas do governo (7,7%) - medido pelos rendimentos com imposto líquido sobre produção e importação – da renda dos proprietários (2,4%) e do trabalho (1%).
A respeito do desempenho da conta do governo em termos de apropriação da renda nacional, o estudo do Ipea destaca que, se considerada a despesa acumulada pela União de 2000 a 2007, constata-se que o pagamento de juros da dívida pública foi equivalente a 7% ao ano da média total da renda nacional. O governo gastou com juros, no período, R$ 1,267 trilhões. Já os gastos com saúde foram de R$ 310,9 bilhões, com educação foram de R$ 149,9 bilhões e com investimentos, R$ 93,8 bilhões.
Os gastos da União com saúde, educação e investimento corresponderam a 43,8% das despesas com juros no período. No entendimento do Ipea, o gasto com juros é “considerado improdutivo, pois não gera emprego e tampouco contribui para ampliar o rendimento dos trabalhadores, termina fundamentalmente favorecendo a maior apropriação da renda nacional pelos detentores de renda da propriedade”.   (Lana Cristina - Agência Brasil)

14.11 - Salários reagem e somam 40% da renda do país 
Participação ainda está abaixo dos 45,4% de 1990 
Apesar de mostrar recuperação durante quatro anos consecutivos, a participação dos salários no renda nacional -de pouco mais de 40%, em 2007- só conseguirá retomar o peso registrado no início da abertura econômica brasileira em 2011, projeta estudo divulgado quarta-feira pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
Segundo Márcio Pochmann, presidente do Ipea, a estimativa levou em conta um cenário otimista, que desconsidera o efeito da crise econômica. "Nesse ritmo de crescimento, o rendimento do trabalho deve voltar à mesma situação já verificada em 1990 somente 21 anos depois do recrudescimento no movimento de piora da distribuição funcional da renda no país", diz o estudo.
O estudo do Ipea se contrapõe aos dados da queda da desigualdade de renda no Brasil, aferida pela Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) a partir da remuneração das fatias mais ricas e mais pobres da população. Essa queda da desigualdade, mostra o instituto, não vem acompanhada, na mesma proporção, pela maior participação do rendimento do trabalho no conjunto da renda nacional.
Entre 2001 e 2004, por exemplo, foi registrada queda da desigualdade de renda ao mesmo tempo em que a chamada renda da propriedade -lucros, juros, rendimentos de aplicações e aluguéis- também ganhava espaço no bolo da renda nacional.
"Para haver melhora geral na distribuição da renda nacional, é necessário que o aumento do peso relativo da parcela do trabalho na renda nacional ocorra simultaneamente à redução da desigualdade da repartição da renda do trabalho", diz o Ipea, ao relativizar dados da Pnad.
Nos últimos 17 anos, apenas em seis anos a redução da desigualdade de renda foi acompanhada pelo crescimento da participação dos salários na renda nacional, mostram os cálculos, feitos com base em dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Foi o que aconteceu entre 2004 e 2007. Desde 1990, a pior participação dos salários na renda nacional foi registrada em 1996: 38,5%.
Esse percentual não inclui, por exemplo, a renda de trabalhadores autônomos.
Desenvolvidos com 60%
"Todos os países desenvolvidos têm participação da renda dos trabalhadores acima de 60%. Nos anos 50, os salários no Brasil representavam 56% do PIB, bem mais do que os 45,4% registrados em 1990", ponderou Pochmann.
Entre as principais causas da queda do peso dos salários na renda nacional, o estudo do Ipea aponta o recuo na remuneração dos trabalhadores ocupados nas empresas financeiras. A queda foi de 20% entre 2000 e 2006. Nesse período, os salários das empresas não-financeiras tiveram ganhos maiores do que os da administração pública. Mas a expansão maior foi registrada em instituições sem fins lucrativos.  (MARTA SALOMON - Folha de S.Paulo)

14.11 - Fiat dá férias coletivas a 3.000 funcionários 
Decisão deverá ser seguida por dez fornecedoras 
A Fiat Automóveis adotará entre os dias 17 e 26 deste mês novo período de férias coletivas em Betim (MG), que abrangerá desta vez cerca de 3.000 empregados, segundo a montadora italiana. A novidade desta vez, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Betim, é que a decisão fará com que dez empresas fornecedoras também façam rodízio de férias entre seus funcionários.
Por conta do desaquecimento no setor automotivo, a Fiat já havia concedido férias coletivas de dez dias (de 13 a 22 de outubro) para 1.700 empregados e promoveu no final do mês uma parada técnica de três dias envolvendo aproximadamente 8.500 empregados.
Com a próxima paralisação, a produção diária, que era de 3.000 carros em setembro, cairá 20%, passando para 2.400 veículos. Além de ajustar a produção ao mercado e reduzir os estoques, Fiat e sindicato dizem que está sendo também uma oportunidade para a empresa ajustar as férias dos funcionários. As tradicionais férias de julho não ocorreram no ano passado e neste ano.
Em dezembro ocorrerão as tradicionais férias coletivas de final de ano, que abrangerão todos os cerca de 16 mil empregados. O presidente do sindicato disse que o terceiro turno, com cerca de 2.000 funcionários, também deverá parar no período de dezembro e janeiro (de 18 de dezembro a 11 de janeiro).
A Fiat, no entanto, não confirmou a informação.
Segundo Marcelino da Rocha, presidente do sindicato, há dois anos os trabalhadores vêm "dando cotas de sacrifício" às empresas por causa das horas extras e que, agora em que houve desaquecimento, as empresas não deveriam demitir.
A produção do setor em outubro caiu 11,6% em relação a setembro. A Fiat diz haver sinais de que o volume de crédito posto no mercado para as montadoras (cerca de R$ 8 bilhões) pode reativar as vendas.   (PAULO PEIXOTO - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

13.11 - Começa fiscalização da nova Lei do Estágio no país 
Em meio à incerteza das empresas e das instituições de ensino quanto a aplicação da nova Lei do Estágio - a Lei nº 11.788, de 2008 -, a fiscalização do cumprimento da norma já começou no país. O primeiro caso, único que se tem notícia até agora, ocorreu no município de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, que foi alvo de uma ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público do Trabalho visando a regularização do contrato de 600 estagiários de nível médio e superior da prefeitura. Embora o processo de fiscalização tenha começado em 2006, o acordo judicial firmado nesta semana se deu nos moldes da nova Lei de Estágio. Ele determina que a prefeitura pague uma indenização por dano moral coletivo no valor de R$ 10 mil. 
Ainda não se sabe se haverá uma onda de ações como essa - na semana passada, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) admitiu que ainda não foi definido como será a fiscalização da nova lei. No entanto, no acordo judicial firmado entre o município de Santa Maria e a Procuradoria do Trabalho da 4ª Região, ficou acertado que as adaptações nos contratos de estágio serão feitas conforme as exigências da nova legislação. 
Dentre as exigências, estão a redução da jornada de trabalho para seis horas diárias e a concessão de benefícios como seguro de acidentes pessoais e auxílio-transporte. A prefeitura terá também que reduzir o número de estagiários ao percentual de 10% em relação ao total de servidores efetivos por estabelecimento que, ao todo, são cerca de três mil. A Lei de Estágio prevê o limite de 20% de estudantes de nível médio nas unidades concedentes. Segundo a procuradora do trabalho Thais Athayde, responsável pela ação, foi constatada a falta de correlação entre as atividades desenvolvidas pelos estudantes e o curso acadêmico. "Estágio sem a função pedagógica é mera precarização das relações do trabalho", diz Thais. 
De acordo com Anny Desconzi, procuradora-geral do município de Santa Maria, até o dia 15 de abril todos os contratos estarão nos moldes da nova lei. "Desde a edição da nova lei nenhum contrato foi renovado, pois não havia previsão orçamentária para a concessão dos benefícios", diz. Outra alteração que já está sendo feita, segundo Anny, é a designação de um supervisor para cada grupo de dez estudantes, conforme previsto na norma.     (Luiza de Carvalho - Valor Online)

13.11 - Empresas no Brasil devem reduzir bônus em 2009 
A crise financeira deverá afetar o valor dos bônus em 2009 também no Brasil. Um estudo feito pela consultoria Towers Perrin com 132 empresas, com faturamento entre R$ 500 milhões e R$ 5 bilhões, que atuam no país revela que 24% das organizações acreditam que precisarão reduzir o orçamento destinado aos bônus no ano que vem e outros 36% ainda estão estudando se farão cortes, que podem ser tanto no valor como no número de beneficiados. "A recomendação é que as empresas mantenham os bônus para os executivos de alta performance, mesmo que para isso deixem de passar a outros", afirma Felipe Rebelli, sócio da Towers Perrin para a América Latina. 
Já uma pesquisa da consultoria Mercer mostrou que, no Brasil, os incentivos de longo prazo representam apenas 10% da composição total da remuneração, enquanto nos EUA a fatia chega a 26%. China e Índia, por sua vez, oferecem apenas incentivos de curto prazo, além do salário-base, para seus executivos. 
Um dado que chama a atenção na pesquisa da Mercer é o de profissionais que receberam bônus superiores a R$ 1 milhão no último ano. Das 323 empresas que atuam no Brasil e participaram do estudo, foram 45 executivos, apenas dois a mais do que em 2007. Comparando com o mercado financeiro, a diferença é brutal: 210 executivos receberam bônus acima de R$ 1 milhão em 2007 e 432 em 2008. E isso em um universo de apenas 46 bancos. 
Em relação a benefícios, embora não se tenha verificado mudanças relevantes nesse mesmo período, a consultora da Mercer Ana Paula Henriques ressalta que as empresas já começaram a demonstrar preocupação com o encarecimento dos planos de saúde e previdência privada. "A expectativa de vida tem aumentado e o número de idosos na população será bem maior. Esses benefícios passarão por transformações radicais", afirma.   (Rafael Sigollo - Valor Online)

13.11 - Mesmo com crise, incentivo com opções de ações continua 
Ter a sensibilidade para saber exatamente onde cortar e onde investir será o grande desafio das empresas durante a atual crise financeira. Diferentemente do que acontecia nas anteriores, em que era fácil localizar as gorduras, hoje os quadros estão tão enxutos que qualquer corte pode significar a perda de um talento para a companhia. A opinião é de Ravin Jesuthasan, que comanda a unidade da Towers Perrin em Chicago. Ele é líder global da consultoria na área de recompensas e gerenciamento de performance. 
Em entrevista ao Valor, Jesuthasan afirma que por enquanto as empresas não farão nenhum movimento brusco em relação a remuneração, embora já estejam pensando em novas formas de oferecer bônus e incentivos, e tranqüiliza os detentores de stock options: "Os executivos devem levar em conta não apenas o preço atual das ações, mas seu poder de valorização e recuperação". Veja a seguir alguns dos principais trechos: 
Valor: Com a atual crise financeira, quais serão as mudanças para 2009 em relação ao pagamento de bônus e incentivos? 
Ravin Jesuthasan: É muito cedo para dizer. Como ainda estamos vivendo a crise, a maioria das empresas irá esperar mais alguns meses para decidir qual estratégia de remuneração usará no ano que vem. Acredito que por enquanto não haverá mudanças significativas a esse respeito, embora as companhias já estejam pensando em alternativas para incentivar e reter seus executivos. 
Valor: Ainda que o desenho dos programas de bônus continue igual, há a necessidade de reduzir custos... 
Jesuthasan: O valor dos bônus poderá diminuir em todo o mundo, sem dúvida, assim como o orçamento destinado às recompensas por mérito. A redução de custos prevê desde o congelamento de contratações e menos treinamentos até a suspensão de eventos, viagens e festas destinadas aos funcionários. 
Valor: As ofertas de stock options continuarão sendo interessantes para os executivos, mesmo com a desvalorização das ações na bolsa? 
Jesuthasan: Sim. Mesmo com as ações em baixa, as stock options não perderam o valor. O executivo não deve considerar apenas o atual preço de mercado da ação, mas sim o potencial de recuperação que ela tem. Por ser um incentivo de longo prazo, não há necessidade de pânico. Essa baixa é momentânea e as stock options continuam sendo uma boa forma de incentivo. 
Valor: Existem exemplos de gestores que abriram mão de seus bônus ou diminuíram seus rendimentos, mesmo que temporariamente, para evitar cortes na equipe durante a crise. Vê isso como uma saída? 
Jesuthasan: Sem dúvida é um gesto muito nobre e que, no mínimo, torna os funcionários mais engajados. Mas será que é suficiente? Isso até pode resolver o problema momentaneamente, mas como será nos próximos anos? Os gestores têm de pensar em estratégias para garantir o futuro da organização e não apenas tomar medidas emergenciais. 
Valor: Os cortes são inevitáveis? 
Jesuthasan: Se você analisar as crises passadas, perceberá que havia muita "gordura" nas empresas. Era fácil saber o que eliminar e onde estavam as despesas extras. Hoje, o quadro das companhias já é bastante enxuto, os cortes precisam ser cirúrgicos. Por outro lado, é necessário preservar, incentivar e reter os executivos de alta performance. Equilibrar tudo isso será o grande desafio das empresas. 
Valor: Oferecer bônus em dinheiro é suficiente para reter esses profissionais?
Jesuthasan: O executivo deve avaliar o momento atual e suas perspectivas de futuro. Claro que um salário atraente e os bônus são importantes, ainda mais em tempos de crise. No longo prazo, entretanto, a oportunidade de crescer, de desenvolver habilidades e evoluir é que farão a diferença. Eu prefiro que a empresa me pague US$ 10 mil agora ou que ela me dê condições para que eu consiga fazer US$ 200 mil em cinco anos? 
Valor: Quais setores foram mais e menos afetados pela crise em relação à remuneração? 
Jesuthasan: O mais afetado obviamente é o financeiro. É importante lembrar, no entanto, que os primeiros gastos que os consumidores cortam são os discricionários, ou seja, itens que não são de primeira necessidade. Assim, indústrias como a de automóveis e a de eletroeletrônicos passarão por uma fase difícil. Já setores essenciais como energia e saúde, por exemplo, são menos afetados e continuam obtendo bons resultados. 
Valor: Com o dólar forte, as organizações internacionais podem vir a assediar de forma mais intensa os executivos brasileiros, uma vez que eles são reconhecidos por terem experiência em administrar crises e cenários turbulentos? 
Jesuthasan: Para um executivo brasileiro, uma proposta para atuar fora do país ganhando em dólar hoje poderia ser muito vantajosa, mas por enquanto a tendência é de que as contratações sejam reduzidas e até congeladas tanto no Brasil, quanto no exterior. As empresas, porém, sabem que estão faltando talentos no mercado e da urgência em encontrar e investir na formação de novos líderes, diretores e CEOs. Resolver essa equação não será fácil.    (Rafael Sigollo - Valor Online)
 
 
 
 
 

12.11 - Para ficar com os melhores
A competição acirrada existente hoje em vários setores da economia fez com que muitas organizações percebessem que, mais do que investir em novas jogadas de marketing, o caminho mais curto para se destacar no mercado passa pela valorização dos empregados. Por conta disso, um número crescente de empresas investe em modelos organizacionais que privilegiam a gestão de competências para reter seus principais talentos. Segundo especialistas, o trabalho não pode parar por aí e também deve ser complementado com programas de treinamento e capacitação constantes, o que redunda num plano de carreira atrativo e, em conseqüência, visado por jovens profissionais.
A L"Oréal segue essa cartilha e vê a margem de turn-over (substituição de empregados demitidos e demissionários) entre seus colaboradores diminuir a cada ano. Segundo a diretora-superintendente de recursos humanos (RH) da empresa, Cláudia Klein, a companhia segue um modelo organizacional que praticamente transforma a retenção de talentos numa obrigação. 
"Utilizamos um modelo hierárquico descentralizado, o que pressupõe uma comunicação interna bem feita, além de uma rede de networking consistente. Para que a engrenagem funcione com harmonia, necessitamos pessoas que conheçam bem a empresa. Daí a importância de desenvolver ferramentas para reter os colaboradores pelo maior tempo possível", afirmou, durante palestra no IV Corp RH, na quinta-feira passada, no Rio.
Resultados. Os resultados se tornaram ainda mais efetivos a partir do momento em que a L"Oréal alterou a estratégia de apenas lutar contra a concorrência para manter os principais talentos e investir forte na atração de jovens, e promissores, profissionais. "É muito mais fácil reter talentos quando os contratamos ainda jovens. Eles se desenvolvem aqui dentro, aprendem a filosofia da empresa e permanecem por mais tempo. Seguimos a filosofia de oferecer um plano de carreira para os funcionários, em vez de uma mera vaga de trabalho", revela Cláudia.
Segundo a executiva, a companhia possui contatos com instituições de ensino de todo o Brasil. "Promovemos mesas-redondas com universitários em que apresentamos a L"Oréal e seu modelo organizacional. Além disso, participamos de feiras e eventos de RH para fortalecer o vínculo com o público jovem".
A consultora Marisabel Ribeiro, diretora da área de desenvolvimento da Right Management, adverte que o trabalho deve ser complementado com um rigoroso processo de recrutamento e seleção. "Programas de estágio e trainee são ferramentas eficientes. Após contratá-los, é importante dar prosseguimento na formação desse jovem com avaliações e treinamentos constantes", afirma.
Como outras grandes empresas brasileiras, a L"Oréal segue esse modelo e, além de um programa de integração chamado Fit, também oferece apoio na formação dos profissionais. "Investimos pesado no Fit, que tem duração de dois anos. Obrigatório para todos que ingressam na empresa, ele é personalizado para cada perfil de vaga. Já os programas de capacitação possuem um modelo bastante variado, num mix formado por aulas presencias e a distância", afirma Cláudia Klein.
Para Desié Machado, gerente de carreira e sucessão da mineradora Vale, uma boa gestão acontece a partir do momento em que os colaboradores entendem perfeitamente o modelo organizacional utilizado pela empresa. "Embora também seja vinculado à gestão de competência e tenha foco no treinamento e formação dos colaboradores, a Vale possui um modelo organizacional com hierarquia bem definida, diferente do utilizado pela L"Oréal. Ao meu ver, não há formato pior ou melhor. Na verdade, o bom funcionamento depende da criação de ferramentas para seu entendimento", acredita.
Redução. A redução na margem de turn-over obtida este ano pela L"Oréal mostra que os resultados estão aparecendo. Se, em 2007, o índice estava em 16%, em 2008 deve fechar em 12%. "Há ainda outros dados que nos orgulham e demonstram a eficiência do nosso modelo organizacional. Nos últimos dois anos, 70% das posições em gestão abertas foram preenchidas por colaboradores que já atuavam na empresa. Além disso, desde 2004, a unidade brasileira enviou 52 executivos para a matriz, na França", orgulha-se Cláudia.
Com 50 lojas espalhadas em aeroportos de todo o Brasil, a Dufry Brasil possui cerca de 2 mil funcionários, com idade média entre 18 e 25 anos. A companhia também acredita que a retenção de talentos é uma boa alternativa para se destacar no mercado. "Em 2006, estabelecemos a redução da margem de turn-over como meta corporativa. A idéia era fazê-los perceber que o varejo pode ser uma carreira, em vez de algo temporário", afirma Wagner Rezende, coordenador de RH da Dufry Brasil. 
Para o executivo, o desafio em criar um plano de carreira num setor com alta rotatividade é grande. Segundo Rezende, o primeiro passo foi criar ações de endomarketing e reconhecimento profissional, além de programas de treinamento, baseados em gestão de competência. "Este ano, formatamos um plano de carreira para nossos colaboradores e o retorno tem sido positivo. Há dois anos, a margem de turn-over era de 34%. Hoje, está em 18%", revela.
O executivo acredita que o segredo também passa pela compreensão dos anseios dos jovens profissionais. "O principal desafio dos gestores em RH atualmente é entender essa juventude tão ansiosa. Creio que boa remuneração e benefícios não bastem. É necessário conhecê-los, criar ferramentas para motivá-los para, enfim, retê-los", afirma.   (VINICIUS MEDEIROS - Jornal do Commercio do Brasil)

12.11 - General Motors demitirá 1.900 funcionários na América do Norte
A General Motors, a maior montadora dos EUA, disse que demitirá mais 1.900 funcionários das suas fábricas na América do Norte, dias depois de anunciar que, sem a ajuda governamental, poderá não ter a liquidez necessária para continuar operando no ano que vem. Na sexta-feira, a empresa já havia anunciado o corte de outros 3.600 postos de trabalho.
De acordo com um porta-voz da companhia, os novos cortes começarão a ser efetuados no primeiro trimestre do ano que vem em fábricas de motores, transmissão e estampas, visando reduzir gastos em um momento de recrudescimento da crise financeira. Ele não disse quais unidades serão afetadas, mas afirmou que nenhuma fábrica será fechada.
A GM disse que perdeu US$ 4,2 bilhões (excluindo ganhos extraordinários) de julho a setembro e que "queimou" US$ 6,9 bilhões do seu caixa no trimestre pela "desaceleração da demanda por veículos combinada com a crise de crédito, especialmente na América do Norte e na Europa".
A situação é tão dramática que ela já nem descarta um pedido de concordata e suspendeu as negociações de fusão com a Chrysler.
Na Europa, a Opel, subsidiária da General Motors, pediu ajuda ao governo alemão para superar a atual crise, afirmou o jornal "Frankfurter Allgemeine", informação confirmada pela chancelaria, que disse que o auxílio será "examinado em detalhes.
O programa de ajuda chega a 40 bilhões de euros, de acordo com o jornal.   (Folha de S.Paulo)

12.11 - Crise no setor automotivo atinge 10 mil operários na Argentina
A crise das montadoras nos EUA e na Europa e a queda na venda de veículos no Brasil já atinge o setor na Argentina.
Segundo o Smata (principal sindicato de metalúrgicos do país), cerca de 10 mil trabalhadores estão sendo afetados por medidas como demissões, suspensões e férias antecipadas.
A Argentina exporta 60% de sua produção de veículos, que em 2007 atingiu 544.647 unidades. O Brasil, destino de 70% das exportações argentinas, registrou em outubro sua primeira queda do ano nas vendas ante mesmo mês de 2007.
Apesar do bom desempenho geral em 2008, os números de outubro da indústria argentina apontam desaceleração no setor. Em relação a setembro, a produção caiu 7,7%, as vendas perderam 9,6% e as exportações subiram 1,2%.
A montadora americana GM foi a primeira a demitir na Argentina. No final do mês passado, anunciou a demissão de 435 empregados (20% do total) da fábrica da Província de Santa Fé. O governo estadual interveio para impedir as demissões e determinou conciliação obrigatória entre as partes.
De acordo com o Smata, montadoras como Renault, Peugeot, Volkswagen, Fiat, Iveco e Mercedes-Benz já anunciaram medidas como suspensões temporárias, férias antecipadas e cortes de carga horária.
O sindicato fez um protesto em Buenos Aires ontem, com cerca de 12 mil participantes, segundo Héctor Chaparro, secretário de Organização da entidade. Nas faixas de manifestantes, muitos deles jovens com uniformes de montadoras, inscrições como Por trabalho e melhores salários".   THIAGO GUIMARÃES - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

11.11 - Uma empresa não pode descartar talentos na crise 
E m épocas de turbulência e tsunâmis financeiros, tornou-se lugar comum citar a sabedoria dos chineses que usam a composição de dois ideogramas para exprimir a idéia de crise: um representa perigo e o outro, oportunidade. A experiência e a história têm demonstrado a verdade que se encerra na semântica oriental. Nas crises, enquanto uns perdem, outros criam oportunidades de negócios. 
Embora boa parte das empresas esteja de fato revendo seus planejamentos e cancelando investimentos, outras focam o futuro e mantêm seus planos para aguardar, ainda mais fortalecidas, novos tempos de vacas gordas. No caso particular da gestão de pessoas, as empresas não querem se arriscar a abrir mão dos talentos que são, em última instância, peça fundamental de seu crescimento e sucesso. É um risco muito grande para a empresa descartar ativos nos quais investiram muito em treinamento e desenvolvimento, executivos que criaram relacionamentos sólidos com clientes ou acionistas e acumularam conhecimentos sobre produtos, mercados e concorrentes. 
Abrir mão desses talentos significa gastar mais em recrutamento e treinamento quando a economia voltar a rodar com força total. A retenção de talentos, neste momento, é estratégica para a empresa de visão. Em alguns casos, as corporações chegam até a ampliar os benefícios para não perder seus melhores profissionais para a concorrência. 
Além disso, em época de crise, com o mercado mais estreito, as empresas precisam aumentar sua competitividade para sobreviver, crescer e conquistar market share. E uma das estratégias principais é investir em melhores profissionais, naqueles que realmente fazem a diferença, que agregam valor na linguagem corporativa. Empresas ousadas e visionárias até correm atrás dos talentos que foram descartados pela concorrência. Além de levarem sua expertise, suas habilidades e competências, esses profissionais também tendem a melhorar ainda mais seu desempenho, pois se sentem reconhecidos e até agradecidos. 
Alguns setores, atingidos com menos intensidade pela crise e que não podem interromper seus investimentos, continuarão a recrutar. É o caso, por exemplo, dos segmentos de agronegócios, energia (principalmente petróleo e etanol) e infra-estrutura. 
Não custa lembrar que, ao contrário do que ocorre na Europa e nos Estados Unidos, onde a recessão parece ser inevitável, o Brasil provavelmente continuará crescendo no próximo ano- menos, é claro, do que se previa há meses, mas mesmo assim em taxas respeitáveis de 2,5% a 3%, segundo estimativas de especialistas. Outros fenômenos não podem ser desprezados, como a emergência das chamadas classes C e D como forças consumidoras, o fortalecimento do mercado de consumo interno, os programas de renda do governo, o aumento real do salário e, simultaneamente, a maior competitividade das exportações brasileiras com o realinhamento do dólar e as outras moedas relevantes. Tudo isso funcionará como uma espécie de colchão para amortecer um pouco o impacto da crise. Em resumo: o país continuará crescendo, embora talvez em menor ritmo ao que estávamos acostumados nos últimos meses. 
Prevê-se, também, o aquecimento da demanda por serviços de apoio especializado durante fusões, como o "outplacement" que empresas fornecem aos talentos demitidos durante reestruturações. Alguns especialistas acreditam que, em função de dificuldades do momento e da criação de novas oportunidades, muitas empresas sairão em busca da aquisição de outras mais enfraquecidas ou complementares. 
Na gestão do capital humano, a empresa não pode focar-se exclusivamente em minimizar custos e evitar perdas. Mais do que isso, ela deve procurar olhar para o futuro e antecipar tendências. Assim, ela ganhará musculatura e estará preparada para se beneficiar, em melhores condições que a concorrência, de um cenário mais promissor no futuro.     (Marcelo Mariaca - Valor Online)

11.11 - Ministério do Trabalho prepara nova norma para Lei do Estágio 
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) criou um grupo de trabalho, junto com representantes do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), para a elaboração de uma instrução normativa que regulamentará a nova Lei de Estágio - a Lei nº 11.788, de 2008. O limite de seis horas diárias para a jornada de trabalho e a duração máxima de dois anos para os estágios são as exigências da nova legislação que mais causam inquietação entre as empresas. O ministério ainda não definiu, também, como será a fiscalização do cumprimento da lei. 
De acordo com Ezequiel Sousa do Nascimento, secretário de políticas públicas de emprego do ministério, os pontos imprecisos na lei estão detendo o ritmo de contratação dos estagiários - exatamente o contrário, segundo ele, da intenção do governo ao criar a lei. Nascimento afirmou, em uma palestra na sede paulistana do CIEE, na sexta-feira, que em uma semana estará pronta a proposta de instrução normativa que tornará a lei mais factível para as empresas. No entanto, o secretário não soube informar como se dará a fiscalização das novas normas - apenas que o fiscal do trabalho adotará uma postura "suave e simpática". "Se a lei fosse um pouco mais genérica teria causado menos problemas", diz. 
As dificuldades de adequação à lei variam conforme o ramo de atividade. No setor bancário, o limite de duração do estágio é um dos pontos mais problemáticos. "Isso vai fazer com que a empresa treine o jovem para o mercado e não para si", diz Magnus Ribas Apostólico, diretor de RH da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban). Outra preocupação é quanto à previsão de contratação de portadores de deficiência em 10% do quadro de estagiários. Para Apostólico, isso será inviável, tendo em vista a dificuldade já existente de as empresas cumprirem a chamada Lei de Cotas, que estabelece a reserva de vagas no quadro de funcionários. 
Durante a palestra, a redução da jornada foi uma reclamação trazida pela área de RH da Votorantim. Isso porque em alguns locais em que a empresa está situada não há transporte público, apenas o coletivo fornecido pela empresa, com horários adequados à jornada de oito horas da maioria dos funcionários. Já na área médica, há incerteza quanto aos estágios curriculares obrigatórios de curta duração oferecido pelos hospitais a milhares de estudantes, porque a lei exige que sejam feitos exames admissionais e demissionais. De acordo com informações de representantes do departamento jurídico da Faculdade São Camilo, os hospitais estão recusando os estagiários pelo alto custo dos exames. Nas bancas de advocacia, o limite de duração de estágio é um dos principais pontos de contestação. O escritório Velloza Girotto e Lindenbojm Advogados Associados, por exemplo, informou que está concentrando as contratações aos últimos dois anos do curso de direito.     (Luiza de Carvalho - Valor Online)

11.11 - Servidores: O desperdício de talento
Um gesto de egoísmo de juízes de direito e promotores de justiça vinha concorrendo para que a Câmara dos Deputados retardasse a votação de uma emenda constitucional de enorme significado para o país, sobretudo para o setor previdenciário. Tramita pelo Congresso Nacional, já tendo obtido aprovação pelo Senado, o projeto de emenda constitucional que amplia de 70 para 75 anos a idade para aposentadoria compulsória de servidores públicos.
A ampliação desse prazo não impedirá que servidores com o necessário tempo de serviço requeiram aposentadoria antes da compulsória. E também não haverá qualquer interferência nos critérios de aposentadoria para os demais trabalhadores brasileiros.
Muito embora já tenha sido aprovado no Senado Federal, o projeto engasgou na Câmara dos Deputados, por força, entre outras razões, da pressão de juízes de direito e promotores de justiça, por suas respectivas associações de classe, que a combateram por entender que tornará mais demoradas as promoções nas respectivas carreiras.
É evidente que ao agir com tal objetivo esses juízes e promotores não pensaram no país, mas tão-somente em si próprios e nos seus interesses corporativos, o que se lamenta. A sua interferência, no entanto, introduziu um complicador na Câmara dos Deputados, porque prevaleceu inicialmente entre os congressistas a impressão equivocada de que o projeto era de interesse específico de juízes e promotores.
Entre os políticos, costuma-se dizer que não se deve entrar em briga de quem usa saia, ou seja, mulher, padre e juiz. Em parte por isso, o projeto engasgou. Mas esse equívoco inicial quanto ao alcance da emenda constitucional restou desfeito, firmando-se o entendimento hoje predominante de que não se busca beneficiar esta ou aquela classe profissional, mas tão-somente o país e em especial ao sistema previdenciário.
Os congressistas mais afinados com a necessidade de aprovação da emenda constitucional vêm afirmando que o presidente da Câmara aguarda o surgimento de uma janela, ou seja, do espaço de tempo entre uma medida provisória e outra para colocá-la em votação.
Com extrema freqüência a imprensa veicula informações sobre o aumento da longevidade entre os brasileiros, de tal forma que é grande e crescente o contingente de pessoas com 70 anos que se encontram ainda aptas ao trabalho. Afastá-las, quando ainda se mostram produtivas, sobrecarrega o caixa da União, estados e municípios.
De fato, a cada servidor que se afasta compulsoriamente aos 70 anos, cresce a obrigação de pagar não só a mais um aposentado, como também àquele que o substituirá. Dobra a despesa da folha.
Com esse sistema retrógrado e discriminador, todos os dias o país atira no lixo algumas centenas de cérebros da melhor qualidade, pelo pecado de haverem completado a idade limite na ativa. Alguns exemplos são dramáticos, como o caso do renomado médico cardiologista Adibe Jatene, de reputação internacional, que poderá — se quiser — dar aula em Oxford, Harvard ou na Sorbone, mas já não poderá fazê-lo junto aos estudantes da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
Pune-se o talento, por ter o agente completado 70 anos. Assim como Jatene, vários outros médicos e professores de grande conhecimento científico estão sendo afastados das universidades e dos hospitais públicos pelo mesmo fato, promovendo um desfalque desanimador.
Há em São Paulo um hospital bastante conhecido, ao qual os congressistas de todo o Brasil recorrem quando acometidos de doenças graves: o Instituto do Coração. O próprio presidente da República ali se submete a exames médicos periódicos. São inúmeros os congressistas que se salvaram de graves enfermidades graças aos serviços médicos ali obtidos.
Pois bem, a equipe do Instituto do Coração, talvez a mais experiente do Brasil, está em via de levar um pontapé no traseiro, porque os médicos vão alcançando a idade-limite. A sua enorme experiência frutificará nos hospitais particulares, porém nunca mais num hospital público tão renomado.
Em todos os setores do funcionalismo público ocorrem hipóteses iguais, inclusive no Supremo Tribunal Federal, que poderá, em futuro próximo, perder magistrados da competência e experiência de Celso de Mello e Marco Aurélio de Mello, os mais antigos. É uma sangria de talento que somente a aprovação da emenda poderá estancar.    (Correio Braziliense)
 
 
 
 
 

10.11 - Governo deveria exigir regra de estabilidade
As medidas do governo para tentar injetar liquidez no mercado estão na direção correta, mas deveriam exigir dos setores beneficiados algum compromisso de manutenção do emprego. O importante neste momento é garantir o emprego até para evitar uma queda muito brusca no mercado interno, caso haja um processo de demissão em massa.
A avaliação é do economista Júlio Sérgio Gomes de Almeida, consultor do Iedi e ex-secretário de política econômica da Fazenda. Ele diz que não está falando só do setor automobilístico, que receberá uma injeção de R$ 4 bilhões em empréstimos do Banco do Brasil, mas de outros também, como a construção civil.
O economista acha que o governo não deveria fazer essa farta distribuição de benesses sem exigir daqueles que forem beneficiados uma cláusula de estabilidade do emprego ou de qualquer outra regra nesse sentido. No mínimo, a seu ver, deveria haver uma negociação.
Gomes de Almeida cita, por exemplo, a ajuda que o BNDES dará para os exportadores que perderam dinheiro com as operações de derivativo cambial. Também, nesse caso, o governo deveria exigir alguma contrapartida.
"O mais importante agora é a manutenção do emprego".
Outra sugestão de Júlio Sérgio Gomes de Almeida para reanimar a economia é o governo antecipar o aumento do salário mínimo para janeiro do ano que vem.
A previsão dos analistas é de uma queda bastante acentuada da demanda a partir do início do ano que vem e a antecipação do aumento do salário mínimo seria um imp