28.07 - Projetos beneficiam aposentados que continuam
trabalhando
Aposentados que voltam a trabalhar têm duas boas notícias
que talvez possam começar a ser comemoradas. Propostas do senador
Raimundo Colombo (DEM) foram aprovadas pela Comissão de Assuntos
Sociais do Senado (CAS) e, se postas em vigor, deverão beneficiar
vovôs e vovós que ainda estão no batente.
O primeiro projeto, o PLS 56/2009, propõe o fim das contribuições
previdenciárias pagas pelos aposentados que optam por continuar
trabalhando após a aposentadoria.
Se o projeto for aprovado, o aposentado deixaria de ter descontado
para o INSS mensalmente de seu salário um percentual (que hoje é
obrigatório) que varia entre 8% e 20% de seu contra-cheque. O aposentado
que retorna ao trabalho fica obrigado a recolher contribuições
para a Previdência Social sem jamais se beneficiar com o recolhimento
dessas contribuições porque não poderá ter
uma segunda aposentadoria nem essas contribuições gerarão
qualquer tipo de benefício pelo INSS a quem já é aposentado.
Hoje 62,4% dos idosos e 37,6% das idosas do Brasil são chefes
de família.
Não existam dados específicos atualizados sobre o número
de aposentados atuantes no mercado de trabalho no Brasil, mas sabe-se que
hoje 62,4% dos idosos e 37,6% das idosas são chefes de família,
segundo o Censo 2000. A aprovação do projeto, portanto, beneficiaria
parcela significativa da população.
O outro projeto do senador democrata sugere que os aposentados que
voltaram a se empregar mesmo após a aposentadoria possam movimentar
mensalmente sua conta vinculada ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS). Isso valeria para os depósitos feitos após a aposentadoria,
visto que esses trabalhadores já cumpriram os requisitos para o
saque.
Isso soa como música para os ouvidos dos aposentados que continuam
como arrimo de família, sustentando filhos e netos mesmo após
cumprirem suas décadas de trabalho. Afinal, poucos voltam a trabalhar
após aposentar-se só porque sentem falta da rotina de atividades.
Na verdade, são os valores defasados dos benefícios pagos
hoje pela Previdência Social no Brasil que forçam muitos a
continuar na ativa mesmo depois que conseguiram a tão sonhada aposentadoria.
(Paulo Perazzo - JC Online)
28.07 - Aposentadas voltam ao mercado para complementar renda
Setor de serviços é o principal destino de trabalhadores
idosos, afirma especialista
Depois de trabalhar por anos a fio e acumular diversas experiências
da vida, as aposentadas estão de volta ao batente. De acordo com
o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), quase
30% dos aposentados e pensionistas brasileiros continuam empregados formalmente
– dado relevante para ser lembrado no Dia da Vovó, que foi comemorado
nesta segunda-feira (26).
A última pesquisa do IBGE relacionada à ocupação
dos brasileiros mostrou que o país tem 22,748 milhões de
aposentados ou pensionistas, sendo que 12,9 milhões deste total
são mulheres. De cada quatro aposentadas, pelo menos uma está
inserida no mercado de trabalho, segundo a PNAD (Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios) de 2008 (levantamento mais recente).
A volta ao trabalho está ligada, sobretudo, à complementação
da renda que vem da aposentadoria, diz o professor de psicologia da PUC-Campinas
e especialista em RH Aguinaldo Neri.
- Geralmente, essas mulheres estão preocupadas em melhorar a
qualidade de vida dos filhos e netos. Com o trabalho após a aposentadoria,
elas podem pagar o plano de saúde e a mensalidade da escola, por
exemplo. E muitas vezes, elas são responsáveis pelo único
salário da casa.
Neri - que coordena de um grupo de valorização profissional
para mulheres, cujo objetivo é encaixar candidatas acima dos 55
anos no mercado de trabalho - aponta que o setor de serviços é
o principal destino dos aposentados e idosos.
- Os profissionais mais velhos têm mais experiência para
mediar situações de conflito e, quase sempre, têm horários
mais flexíveis porque estão com os filhos criados e a vida
“em ordem”. Esses fatores agradam empresas ligadas à alimentação,
como restaurantes, transporte, vendas, saúde, limpeza e turismo,
sobretudo empresas ligadas à hotelaria.
Quase sempre, esses profissionais são prestadores de serviço
e, por isso, não são incluídos nos dados divulgados
pelos órgãos oficiais do governo, como a Previdência
e o IBGE. Entretanto, nada impede que o aposentado seja contratado com
carteira assinada, o que implica o pagamento do INSS de novo, diz Neri.
A falta de profissionais específicos para determinadas áreas
também ajuda a levar os aposentados de volta ao trabalho, segundo
o vice-presidente do Corecon-SP (Conselho Regional de Economia de São
Paulo), José Dutra Sobrinho.
- Às vezes, sai mais barato para uma empresa que está
precisando de um profissional específico contratar um aposentado
do que tirar um profissional de uma empresa concorrente.
Os próximos estudos deverão apontar um crescimento da
participação de vovôs e vovós no mercado de
trabalho, diz Sobrinho.
- A expectativa de vida do brasileiro está aumentando. Há
40 anos, o brasileiro se aposentava com 55 anos e parava de trabalhar.
Hoje, ele é muito mais ativo e continua trabalhando, porque o grau
de satisfação e felicidade dele é muito maior se estiver
no mercado. (Raphael Hakime - R7)
28.07 - Projeto de lei pretende reduzir trabalho informal
Está sendo votado no Senado um projeto de lei aprovado pela
Comissão de Trabalho que reduz para 6% a alíquota de contribuição
previdenciária tanto para o empregado como para o empregador. O
objetivo da medida é estimular o registro de trabalhadores domésticos.
Três em cada quatro empregados domésticos do país trabalham
sem carteira assinada. São mais de quatro milhões e 800 mil
trabalhadores na informalidade.
O registro torna o trabalhador um contribuinte da Previdência
Social do INSS e ele passa a ter direito a salário-maternidade,
aposentadoria, auxílio-doença. Os dependentes ficam com direito
a pensão por morte e auxílio-reclusão. Além
disso, as contribuições, caso o trabalhador seja demitido,
mantêm sua seguridade por até 12 meses.
Hoje, uma empregada doméstica com registro em carteira que recebe
R$ 700 tem de pagar 8% de INSS, o equivalente a R$ 56 de contribuição.
O patrão, por sua vez, paga 12%, ou seja, R$ 84. Com a nova lei,
eles passariam a contribuir com R$ 42 mensais cada um, aliviando as contas
de ambos.
Antes de entrar definitivamente em vigor, o projeto será analisado
pelas comissões de Seguridade Social e Família, de Finanças
e Tributação e de Constituição e Justiça
e de Cidadania. (Tainah Medeiros - Jornal da Band)
27.07 - O jovem e a angústia
Nos últimos dias o IBGE anunciou que o desemprego está
caindo no país. Realmente é uma excelente notícia.
No entanto, ainda falta muito para podermos comemorar o sucesso de oferecer
trabalho a todos os brasileiros. Os jovens -faixa etária mais afetada
pela falta de trabalho- ainda amargam índices de desemprego muito
mais altos do que a média. Entre 16 e 25 anos o desemprego atinge
quase 25%, ou seja, um em cada quatro jovens está sem trabalho,
e são muito poucas as políticas públicas focadas na
solução deste problema.
Outra faixa etária que também encontra enormes dificuldades
para ter acesso ao trabalho é a dos adolescentes de 14 a 16 anos,
que, pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), apenas podem
exercer a função de aprendiz.
Eu sou de uma geração em que os jovens começavam
a trabalhar muito cedo -muitas vezes entre 13 e 15 anos já ocupávamos
o tempo exercendo atividades remuneradas para ajudar a família ou,
em muitos casos, para ocupar o tempo e não ficar "vadiando" pelas
ruas.
Desde a implantação do ECA, que em 13 de julho completou
20 anos, as empresas passaram a ter de respeitar normas especiais para
a contratação de adolescentes. Dados do Ministério
do Trabalho e Emprego mostram que o Brasil tinha em 2009 pouco mais de
150 mil jovens contratados como aprendizes, enquanto o Estado de São
Paulo tinha somente 48.113 jovens nesta condição. Projeções
do MTE apontam que somente São Paulo deveria ter 326.952 aprendizes,
ou seja, quase sete vezes mais. Sem um grande trabalho de conscientização
sobre a necessidade de se oferecer oportunidades para estes jovens não
será possível reverter este quadro.
Criar mais vagas para aprendizes é um desafio que deve ser enfrentado
pelo empresariado. E melhorar a qualidade do emprego e do trabalho para
jovens é um desafio que todos devemos encarar. A sociedade está
destruindo as rampas de acesso dos jovens ao mercado de trabalho e oferecendo
em contrapartida típicas "soluções de mercado".
Tratamos os jovens como consumidores, incutimos os desejos, direcionamos
as aspirações, estimulamos o livre arbítrio, mas não
lhes damos as ferramentas de acesso ao mundo adulto. Precisamos rever nossos
"ritos de passagem". Não há mais vagas para bancários,
não há mais vagas para office boys e arquivistas, exigimos
experiência para qualquer trabalho inexperiente, criamos verdadeiros
moedores de carne em nossas ruas e vivemos nos perguntando: o que podemos
fazer? É simples, podemos prestar atenção no que fazemos
em nosso cotidiano e sermos responsáveis pela sociedade em que vivemos.
(RICARDO YOUNG - Folha de S.Paulo)
27.07 - Ampliação da licença-maternidade: uma reflexão
A licença-maternidade é assegurada à mulher trabalhadora
devidamente empregada – inclusive à doméstica – pela Constituição
Federal de 1988, em seu artigo 7º, inciso XVIII. Trata-se de garantia
que consiste na concessão de licença remunerada de 120 dias
que pode ser gozada pela gestante a partir do último mês de
gestação, conforme disposto também pela CLT (Consolidação
das Leis do Trabalho).
A recente Lei 11.770, de 9 de setembro de 2008, prorrogou o benefício
em 60 dias, de forma facultativa e mediante incentivo fiscal, às
empregadas de empresas que aderissem ao programa “Empresa Cidadã”,
regra que vem sendo aplicada desde 1º de janeiro de 2010.
No dia 7 de julho, o Senado aprovou, de forma unânime, a PEC
(Proposta de Emenda à Constituição) que pode tornar
obrigatória a extensão da licença à gestante,
por ora aplicada apenas facultativamente. A PEC ainda será submetida
a um segundo turno de votação no Senado, sendo em seguida
encaminhada à Câmara.
A questão a ser discutida é: qual será o impacto
dessa mudança para o mercado de trabalho, em especial para a mulher?
Em diversos órgãos públicos, a licença-maternidade
já foi estendida com sucesso. Entretanto, é impossível
fechar os olhos para as gritantes diferenças entre as carreiras
públicas e aquelas desenvolvidas na iniciativa privada.
O ingresso na carreira pública realizado (em regra) por meio
de concursos e a estabilidade tornam a situação da mulher
bem menos frágil.
Do ponto de vista da saúde pública, é indiscutível
que a amamentação regular e exclusiva (sem introdução
de água, chás e quaisquer outros alimentos) durante os seis
primeiros meses de vida é uma vantagem. Os bebês que dela
desfrutam, segundo a SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), têm
reduzidas, de forma significativa, as chances de contrair pneumonia, desenvolver
anemia e padecer com crises de diarréia. Conforme a SBP, o país
gasta cerca de R$ 300 milhões ao ano para atender a crianças
com doenças que poderiam ser evitadas caso houvesse ocorrido amamentação
regular durante os primeiros seis meses de vida.
Outra vantagem da licença-maternidade de 180 dias seria o possível
retorno de mulheres mais produtivas no desempenho de suas funções
e a diminuição das faltas e atrasos.
Contudo, apesar da crescente conquista de espaço das mulheres
no mercado de trabalho, o fato de se afastarem de suas incumbências
por meio ano pode fazer com que enfrentem o desinteresse das empresas em
sua contratação (principalmente se forem jovens, em idade
reprodutiva), ou, ainda, pode fazer que sejam vistas como dispensáveis
em seu retorno após longo período de afastamento, por vezes,
sendo substituídas por outros profissionais treinados e capacitados.
As situações que conciliam essas duas facetas da questão
parecem mais equilibradas. O retorno da mulher ao trabalho, decorridos
os 120 dias usuais, de forma gradual (em jornadas parciais), o auxílio
do trabalho nos moldes “home office” e a disponibilidade de berçários
instalados nos locais de trabalho para que a mãe possa amamentar
seu bebê em intervalos regulares,poderiam ser maneiras sensatas de
se ajustar a problemática à realidade do mercado de trabalho
brasileiro.
Atualmente, apenas grandes empresas têm aderido ao programa “Empresa
Cidadã”, oferecendo como benefício a possibilidade de extensão
da licença por 60 dias.
É possível que o desaquecimento dos mercados para a mulher
seja apenas um mal transitório a ser transposto até que a
sociedade compreenda e se adapte à nova garantia, não focando
o bem estar das mães, mas, principalmente, a saúde das crianças.
Fato é que tal avaliação apenas poderá
ser feita em médio e longo prazo, ficando, por ora, por conta das
empresas a averiguação das vantagens e prejuízos da
concessão da licença maternidade de 180 dias, enquanto ainda
facultativa. (Daniela Laubé Zarza Santos - Última
Instância)
26.07 - A dinâmica do mercado de trabalho
A taxa de desemprego vem declinando substancialmente no Brasil. No
entanto, o desemprego ainda difere muito entre os grupos demográficos
e as regiões do país. Da mesma forma que existe desigualdade
de renda, existe desigualdade de desemprego. Para desenharmos políticas
públicas específicas para os grupos mais afetados pelo desemprego,
é importante entendermos a dinâmica do mercado de trabalho.
Em particular, é necessário entender como a evolução
da taxa de desemprego ao longo do ciclo econômico é afetada
pela dinâmica das taxas de contratações e demissões
e como isso varia entre os diferentes grupos demográficos.
O primeiro aspecto a ser ressaltado é que o comportamento da
taxa de desemprego no Brasil é muito mais influenciado pela dinâmica
de novas contratações do que pelas demissões. A figura
abaixo, baseada em um artigo recente*, mostra a relação entre
a taxa de desemprego e a taxa de admissões nas regiões metropolitanas
brasileiras nos últimos sete anos. Depois de um aumento pronunciado
entre 2002 e 2003, a taxa de desemprego vem caindo significativamente,
passando de 13% em 2003 para 8% em 2009. Por outro lado, a taxa de contratações
teve um comportamento oposto, declinando de 22% para 16% entre 2002 e 2003
e aumentando muito a partir de então, até atingir 26% no
período recente. A taxa de separações, por outro lado,
variou muito pouco no ciclo recente, permanecendo ao redor de 2% a 3% em
todo o período.
Isso significa que, no caso brasileiro, as demissões são
pouco importantes para explicar o comportamento do desemprego ao longo
do ciclo econômico. Isto ocorre em países com mercado de trabalho
bastante regulamentado, como na França, por exemplo. Em períodos
de recessão as empresas param de contratar e em períodos
de crescimento acelerado, elas contratam muito mais. Vale lembrar que a
taxa de admissões está intimamente relacionada com a duração
do desemprego. Quando as contratações escasseiam, obviamente,
os desempregados demoram mais para encontrar um novo emprego. E o tempo
de desemprego tem efeitos graves sobre o bem-estar das pessoas.
Mas, a dinâmica do mercado de trabalho varia muito de acordo
com o grupo demográfico e a região do país. A taxa
de desemprego média entre os mais jovens (10 a 24 anos) nos últimos
anos foi de 22%, quase três vezes maior do que entre os adultos (25
a 44) e cinco vezes maior do que entre os mais velhos (acima de 44). Entretanto,
surpreendentemente, não há diferenças nas taxas de
contratação dos diversos grupos etários. A explicação
para as altas taxas de desemprego entre os mais jovens está na sua
taxa de desligamento, mais de três vezes superior à dos adultos.
Assim, o problema do desemprego entre os mais jovens não é
a dificuldade de encontrar emprego, mas sim de mantê-lo. É
por isso que políticas para ajudar o jovem a encontrar o primeiro
emprego tendem a ter impacto reduzido.
Em termos educacionais, a taxa de desemprego é maior para o
grupo com ensino fundamental ou médio completo. Isso ocorre porque
sua taxa de admissão é menor do que a dos menos educados,
enquanto sua taxa de desligamento é maior do que a dos mais educado
(aqueles com nível superior). Os menos educados ficam pouco tempo
desempregados, pois encontram um novo emprego facilmente, mas duram pouco
no emprego (caso dos trabalhadores da construção civil, por
exemplo). Já os trabalhadores mais educados, por terem um salário
de reserva maior, ficam mais tempo procurando o emprego certo, mas quando
o encontram dificilmente se separam.
Com relação às regiões metropolitanas,
a maior taxa de desemprego hoje em dia está em Salvador, quase duas
vezes maior do que a de Porto Alegre, que tem a menor taxa entre as regiões
metropolitanas. Por outro lado, a duração do desemprego é
mais elevada no Rio de Janeiro, porque a taxa de novas contratações
é muito baixa. Mas o carioca, quando arruma emprego, dificilmente
o perde. Já em Belo Horizonte ocorre o contrário: altas taxas
de contratação e demissão, ou seja, rotatividade muito
elevada. Em suma, para lidar com o desemprego de longo prazo, as políticas
públicas tem que levar em conta que cada grupo demográfico
e região do país enfrenta um problema diferente. (Naercio
Menezes Filho - Valor Online)
26.07 - Justiça suspende desconto sindical em aposentadoria
A Vara do Trabalho de Guarabira, na Paraíba, em decisão
liminar, determinou à Confederação Nacional dos Trabalhadores
na Agricultura (Contag) e ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)
que suspendam de imediato a consignação do desconto de mensalidade
sindical nas aposentadorias rurais em todo o País.
A decisão da juíza Mirella D'Arc de Souza atende a uma
ação civil pública ajuizada pelo Ministério
Público do Trabalho (MPT) e determina pagamento de multa no valor
de R$ 500 mensais por trabalhador que seja submetido a desconto irregular.
Será expedido ofício ao presidente do INSS para que cesse
de
imediato os descontos nos benefícios previdenciários, sob
pena de crime de desobediência.
Em maio de 2008, a Procuradoria do Trabalho em Campina Grande recebeu
representação de aposentados rurais noticiando a ocorrência
de irregularidade consistente no desconto mensal nas aposentadorias dos
trabalhadores rurais da região de Mari a título de mensalidade
sindical, sem que os mesmos sejam sindicalizados ou tenham autorizado a
consignação, com a agravante da impossibilidade do cancelamento
do desconto.
O MPT constatou que o desconto é realizado desde o início
da década de 1990, por meio de convênio Contag/INSS, incidindo
nas aposentadorias, no percentual de 2% do benefício, quando a ata
da assembleia geral apresentada autorizara no percentual de apenas 1%.
Na ação, o Ministério Público afirmava
que essa era uma "mega-lesão a milhares de aposentados rurais, os
quais, independente de filiação sindical, estão sendo
obrigados a descontar 2% dos seus parcos proventos". (DCI)
23.07 - Menor procura ajuda a diminuir desemprego no Brasil, diz IBGE
Uma menor procura por trabalho no mês de junho derrubou a taxa
de desemprego brasileira do país para 7%, a menor do ano e a menor
para um mês de junho desde o início da série histórica
iniciada em 2002, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) ontem.
O dado segue a taxa de desemprego de 7,5% em maio e de 8,1% em junho
de 2009 nas seis maiores regiões metropolitanas.
Com a queda na taxa de junho, o nível de desemprego encerrou
o primeiro semestre com a menor variação média de
toda a série, de 7,3%. Nos primeiros seis meses de 2009, a variação
média era de 8,6%.
"Junho você não tem dispensa de temporários, mas
há muita desistência de procurar trabalho porque é
um período de férias, viagens e passeios", disse o economista
do IBGE, Cimar Pereira Azeredo.
"A recuperação do poder de compra das famílias
pode ser outro fator que tira algumas pessoas da procura, mas esse seria
um fator secundário. Não há nenhum desestímulo
ou desalento. Isso acontece quando a economia vai mal. Os dados econômicos
não mostram isso. Há mais emprego, mais formalização
e um melhora", explicou.
De maio para junho, a inatividade aumentou 1,1%, o equivalente a quase
mais 200 mil pessoas e, em relação a junho de 2009, houve
uma ganho de 0,2%.
Pela primeira vez no ano, não houve geração de
vagas no mês de junho ante maio.
"Foi um primeiro resultado de estabilidade na geração
de postos. Precisamos de mais uns dois meses para tentar entender o que
estão pensando os investidores e os empreendedores", disse Azeredo.
"Ao longo dos últimos meses houve ganhos e o números
de ocupados já está num patamar recorde de quase 21,9 milhões
empregados."
O IBGE acrescentou que a renda do trabalhador ocupado cresceu 0,5%
em junho ante maio e 3,4% frente a junho de 2009, para R$ 1.423.
(Rodrigo Viga Gaier - Reuters/Uol Notícias)
23.07 - Desemprego recua para 7% em junho
Para o IBGE, menor procura por ocupação explica o resultado,
uma vez que o mercado não gerou novas vagas
É a menor marca para esse mês desde 2002; o rendimento
médio, na comparação com maio, registrou alta de 0,5%
Sob impacto da menor procura por trabalho, a taxa de desemprego das
seis maiores regiões metropolitanas do país caiu de 7,5%
em maio para 7% em junho.
É a menor marca para esse mês desde 2002, quando teve
início a série histórica do IBGE. Na média
do primeiro semestre, a taxa ficou em 7,3%, também a mais baixa
para o período.
Ao contrário do esperado para junho -quando sazonalmente a economia
começa a se acelerar-, o mercado não gerou novas vagas.
Mas, mesmo assim, o desemprego caiu graças à redução
da busca por colocação. O número de ocupados ficou
estável de maio para junho.
Segundo Cimar Azeredo Pereira, esse cenário é um reflexo
do período de férias, quando menos pessoas procuram trabalho.
Reflete ainda o aumento do rendimento familiar -que desestimula membros
secundários da família a se empregarem.
Pelos dados do IBGE, o rendimento médio voltou a crescer em
junho e subiu 0,5% na comparação com maio. Em relação
a junho de 2009, a alta foi de 3,4%.
Para Fábio Romão, economista da consultoria LCA, a freada
da ocupação já sinaliza a desaceleração
do ritmo de atividade da economia como um todo, após um primeiro
semestre muito forte.
"A economia cresce num ritmo mais brando, e isso já se refletiu
no mercado de trabalho no que diz respeito à ocupação",
afirmou.
O economista se disse "surpreso" com a saída de pessoas do mercado
de trabalho em junho -o que provocou a queda da taxa de desemprego em razão
da queda de 0,5% da PEA (População Economicamente Ativa)
de maio para junho.
Diz, porém, que a economia ainda está aquecida e que
é cedo para "falar em desalento".
Romão ressalta, porém, que o número de contratações
perdeu força na comparação com 2009, quando o país
sofria os efeitos da crise. Ante junho do ano passado, a ocupação
cresceu 3,5%, ritmo menos intenso do que em meses anteriores.
Já Azeredo Pereira, do IBGE, destaca como ponto positivo o crescimento
expressivo do contingente de trabalhadores com carteira assinada -alta
de 7,1% ante junho de 2009.
Para Aurélio Bicalho, economista do Itaú Unibanco, "o
mercado de trabalho continua forte, apesar da estabilidade nas contratações".
Graças à expansão da renda, a massa de rendimentos
se manteve em alta -0,3% em relação a maio, com ajuste sazonal,
e 6,9% ante junho de 2009- e seguirá a estimular o consumo, segundo
ele. (PEDRO SOARES - Folha de S.Paulo)
23.07 - Taxa de desemprego em junho é a menor do ano
A redução da taxa de desocupação em junho
baseou-se na saída de pessoas do mercado de trabalho e não
na criação de postos de trabalho. De acordo com os dados
divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), a população ocupada ficou estatisticamente inalterada
entre maio e junho, com 21,878 milhões de indivíduos, apenas
mil a mais que em maio. Já a população desocupada
apresentou queda de 6,6% no período, com 1,647 milhão, ou
117 mil pessoas a menos que em maio. No mês passado, a taxa de desocupação
atingiu 7%, no menor nível para um mês de junho, o segundo
menor para qualquer mês desde o início da série, em
2002, e o menor do ano.
Para Cimar Azeredo, gerente da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), as
férias de julho normalmente desestimulam a procura por emprego em
junho, o que voltou a ocorrer este ano, contribuindo para a redução
da população economicamente ativa, que caiu 0,5% entre maio
e junho. Ao mesmo tempo, a população não economicamente
ativa subiu 1,1%, em 193 mil pessoas.
"A queda da taxa em junho é explicada pelas pessoas optarem
por não procurar emprego, porque são estudantes, mulheres
com crianças, e também porque o aumento da renda contribui
para tirar as pessoas do mercado. Pessoas que desistiram de procurar trabalho
para ter disponibilidade em julho", frisou Azeredo, acrescentando que será
necessário esperar os resultados dos próximos meses para
determinar as tendências da criação de vagas. "Temos
um quadro favorável, com evolução da taxa de desocupação.
Há algumas interrogações, que vão culminar
na continuação, ou não, da redução da
desocupação. Se não houver geração de
postos, a força de trabalho que se retirou do mercado tende a voltar
e pode fazer a ocupação recuar. Por isso não fazemos
previsão, temos que analisar."
Os números do IBGE mostram que os efeitos da crise econômica
global já foram superados, com os resultados de desocupação,
rendimento e emprego com carteira superando os índices anteriores
à turbulência. "Passamos pela crise e agora estamos melhores
que no período anterior a ela", afirmou, lembrando que no primeiro
semestre a taxa média de desocupação foi de 7,3%,
a menor da série para o período janeiro-junho.
O rendimento médio real voltou a subir em junho, depois da queda
de 0,9% em maio. Em junho, a média de R$ 1.423,00 significou uma
alta de 0,5% sobre maio. No primeiro semestre, a média de R$ 1.420,34
foi a mais alta da série histórica para os seis primeiros
meses do ano. (Rafael Rosas - Valor Online)
22.07 - Emprego formal bate recorde e alcança mais de 50% dos
ocupados
A formalização no mercado de trabalho brasileiro aumenta
intensamente desde 2004 na esteira do crescimento mais forte da economia
e de reformas que estimularam a contratação de trabalhadores
com carteira assinada. Em 2010, pela primeira vez, o total de trabalhadores
com carteira assinada superou 50% da mão de obra ocupada nas seis
maiores regiões metropolitanas do país. Essa participação
cresceu ao longo do semestre - começou em 50,3% em janeiro e alcançou
51,1% em maio. O percentual é recorde. Desde 2002, quando começa
a nova série de emprego e desemprego do IBGE, nunca o emprego formal
foi tão representativo.
O avanço da formalização nos últimos anos
mostra um quadro muito diferente do registrado na década de 90 e
no começo dos anos 2000, diz o economista Sérgio Mendonça,
do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos
(Dieese). Números da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) da região
metropolitana de São Paulo do Dieese - que têm uma série
histórica mais antiga -, mostram que entre 1990 e 2003 o total de
trabalhadores formais no setor privado caiu 8,7%, para 3,150 milhões,
enquanto o número de empregados sem carteira quase dobrou, subindo
94,9%, para 1,047 milhão.
A partir de 2004 o quadro mudou. O número de empregados formais
no setor privado subiu de 3,4 milhões em 2003 para 4,6 milhões
na média de março, abril e maio de 2010, uma alta de 46%.
No mesmo período, o estoque de assalariados sem carteira assinada
subiu apenas 2,6%, para 1,075 milhão de trabalhadores.
Para Mendonça, a aceleração do crescimento é
a principal explicação para o avanço da formalização.
De 2004 a 2008, o país cresceu a uma média de 4,8% ao ano.
Em 2009, a economia encolheu 0,2%, mas já retomou um ritmo forte
de expansão, devendo avançar mais de 7% este ano. Entre 1980
e 2003, a média foi pouco superior a 2%.
"Os números indicam que o que faltava para a criação
de empregos formais era um crescimento mais forte", acredita ele. De 2004
a junho de 2010, a geração de empregos formais superou 9,5
milhões de vagas, considerando a diferença entre admissões
e demissões no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
O economista Fábio Romão, da LCA Consultores, aponta
o crescimento mais forte - e a percepção de que o país
pode sustentar taxas mais elevadas ao longo do tempo - como o principal
motivo para a formalização crescente no mercado de trabalho.
Isso dá mais confiança para as empresas registrarem os funcionários.
Romão observa que parte das vagas que aparecem no Caged se refere
à formalização de postos de trabalho já existentes,
ainda que não seja a maior fatia e não haja como precisar
seu tamanho total, apenas a parcela que decorre das ações
de fiscalização do Ministério do Trabalho. Segundo
Romão, esse fenômeno fica claro quando se compara o crescimento
do estoque de trabalhadores por categoria de ocupação na
Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do IBGE.
Em maio, o número de empregados com carteira assinada cresceu
7% em relação ao mesmo mês de 2009, enquanto o número
de informais encolheu 0,6%. Essa diferença, avalia Romão,
"indica a formalização de vagas já existentes".
Além do crescimento mais forte da economia, Mendonça
acredita que a aprovação da da Lei Geral da Micro e Pequena
Empresa contribuiu para o avanço da formalização nos
últimos anos. Conhecida como Supersimples, a lei entrou em vigor
em julho de 2007, barateando a contratação com carteira para
empresas de menor porte.
"Ela reduz o custo de uma relação de trabalho formal",
observa o economista José Márcio Camargo, da Opus Gestão
de Recursos, que esse tipo de reforma com um peso maior no processo de
formalização recente do que o ritmo de crescimento. Segundo
ele, a crescente importância do crédito na economia brasileira
também tem importância. Trabalhadores com carteira assinada
têm acesso a modalidades de crédito como os empréstimos
consignados.
Para ele, esse é mais um incentivo para que os trabalhadores
busquem relações formais de trabalho e relutem em aceitar
a informalidade, que por vezes pode garantir um rendimento líquido
maior.
O fim da cumulatividade da Cofins, aprovada em 2003, também
influenciou nesse processo, acredita Mendonça. Como o imposto começou
a a incidir sobre o valor agregado, as empresas maiores passaram a pressionar
as fornecedores de menor porte a se formalizar, para terem direito aos
créditos tributários, diz ele. Nesse processo, as empresas
tendem a regularizar a mão de obra, o que também facilita
obtenção de crédito.
O aumento da formalização é amplamente favorável
para a economia, destacam os economistas. O caixa do governo é reforçado,
já que há um aumento da contribuição sobre
a folha de salários e sobre a renda das pessoas físicas.
O processo também ajuda a realimentar o próprio crescimento,
como diz Romão. Quem tem carteira assinada se sente mais confiante
para consumir e entrar em empréstimos e financiamentos.
(Sergio Lamucci - Valor Online)
22.07 - Controle eletrônico: cuidado para não dormir no
ponto
Em agosto de 2010, entrará em vigor a Portaria 1.510/09 do MTE
(Ministério do Trabalho e Emprego), que se refere ao artigo 74,
parágrafo 2º da CLT, e dispõe sobre o novo regulamento
de controle eletrônico do ponto dos empregados nas empresas com mais
de 10 empregados. As novidades advindas com o novo regulamento ministerial
estão provocando várias críticas e dúvidas
por parte do empresariado.
O controle da jornada dos empregados poderá ainda ser feito
de forma manual (livro ou folha de ponto), mecânico (relógio
de ponto) ou eletrônico (REP – registrador eletrônico de ponto).
Se o controle escolhido for o eletrônico, obrigatoriamente o empregador
deve se cadastrar no site do MTE e indicar quais sistemas e aparelhos irá
utilizar, sendo permitida apenas a escolha de aparelhos cujos fabricantes
estejam registrados no Ministério e que forneçam um atestado
técnico e termo de responsabilidade, indicando a sua conformidade
com a legislação.
Uma das críticas é que a Portaria está na contramão
da sustentabilidade e da virtualização. Isso porque, agora,
para cada batida de ponto, na entrada e na saída, deverá
ser impresso para o empregado o comprovante da marcação.
A impressão deverá ter durabilidade mínima de cinco
anos, o que gerará um custo enorme de papel e, consequentemente,
várias árvores serão derrubadas para atender à
estranha novidade.
Além disso, as críticas giram em torno dos custos financeiros
da mudança. Em média, cada aparelho do REP é orçado
em cerca de R$ 5.000. E há ainda os custos com a reposição
das bobinas de papel.
As empresas devem estar bem atentas, porque a nítida intenção
do governo é arrecadar mais FGTS, INSS e Imposto de Renda. A flexibilidade
do controle de horário, tão comum nos tempos atuais, deixará
de existir com adoção do registro eletrônico, que só
permite a alteração do horário da batida se o empregador
deixar registrado o motivo dessa alteração.
Imagine um colaborador que chegou 20 minutos atrasados para o trabalho
e combinou com seu gestor que compensaria o atraso ao final do expediente.
O que parece normal não será mais, pois os 20 minutos após
o expediente serão contados como hora extra e, no mínimo,
serão remunerados com o adicional de 50%.
As empresas não podem dormir no ponto, a fiscalização
promete ser intensa, porque além da repercussão trabalhista,
com a respectiva lavratura dos autos de infração, o Auditor
Fiscal do Trabalho poderá apreender documentos e equipamentos, encaminhando-os
para órgãos policiais e fazendários para a apuração
de infrações criminais e tributárias.
(Eduardo Pragmácio Filho - Última Instância)
21.07 - Complementação de aposentadoria: Prescrição
trabalhista
O trânsito em julgado de decisão em que houve desistência
de recurso conta-se da data da manifestação da vontade da
parte. Como o ato é unilateral, independe de homologação
judicial ou de aceitação pela parte contrária. A interpretação
é da Seção II Especializada em Dissídios Individuais
do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e foi aplicada em julgamento recente
de um recurso da Caixa Econômica Federal. No caso em discussão,
o relator, ministro Pedro Paulo Manus, explicou que a Caixa perdeu o direito
de propor ação rescisória contra acórdão
do Tribunal do Trabalho (TRT) de Sergipe que a condenara ao pagamento de
diferenças de complementação de aposentadoria a ex-empregado
porque não o fez dentro do prazo de dois anos do trânsito
em julgado da decisão, conforme previsto no artigo 495 do Código
de Processo Civil. Da mesma forma que o TRT, o ministro Manus entendeu
que a ação rescisória deveria ter sido apresentada
até dois anos após a data do protocolo de desistência
de um agravo de instrumento em novembro de 2006. (Valor Online)
21.07 - Falta de mão de obra qualificada é momentânea
Carência de profissionais qualificados no Brasil para suprir
a demanda por mão de obra é momentânea, afirmou o ministro
da Educação, Fernando Haddad.
O forte crescimento do país, com expansão da economia
na casa dos 7% em 2010, pôs mais em evidência o antigo problema
de escassez de trabalhadores em áreas como engenharia e tecnologia
da informação.
O ministro defendeu a política do governo do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva de investir com a mesma ênfase em educação
básica, no ensino superior e em escolas técnicas federais.
Ele lembrou que o atual governo foi criticado pela opção
de dar o mesmo peso aos investimentos em educação superior
e profissional.
"Já estávamos antevendo (carência de mão
de obra). A oferta e a demanda por trabalhadores qualificados vão
se encontrar muito brevemente", previu.
"Acho que (a mão de obra) é um problema de curto prazo
e que se resolve rapidamente. Nós dobramos as vagas de ingresso
nas universidades federais", afirmou, referindo-se ao período de
2003 para cá. "Temos as condições para formar trabalhadores
para superar essas dificuldades momentâneas."
Dados do Ministério da Educação (MEC) indicam
que as vagas em universidades federais subiram de 109,2 mil para 222,4
mil. Nas escolas técnicas públicas, as vagas triplicaram
para 524,4 mil em 2009, segundo o ministro.
Os cursos de graduação com mais procura são geologia,
engenharia e licenciatura, sobretudo matemática, "áreas que
exigem atenção maior do poder público", segundo o
ministro.
O orçamento do MEC para 2010 é de R$ 60 bilhões,
16% acima de 2009 e o dobro de 2006. O investimento público em Educação
no país deve ser de 5% do PIB este ano, ou quase R$ 170 bilhões.
"Teríamos um desafio de chegar em 7% (do PIB)", disse Haddad.
Qualidade
Formado em Direito e doutor em Filosofia pela Universidade de São
Paulo (USP), Haddad concorda com a ideia de que "se a criança tiver
uma boa formação de base, ela consegue progredir muito mais
facilmente". "Por isso, nos fixamos muito nas metas (de qualidade) dos
anos iniciais do ensino."
Ele destacou a melhora do planejamento nas escolas públicas,
com planos individuais de ações do MEC em mais de 5 mil municípios.
As escolas com Índice de Desenvolvimento da Educação
Básica (Ideb) abaixo da média nacional têm apoio técnico
e financeiro. A cada dois anos, o trabalho é avaliado.
O Ideb médio na educação básica no Brasil
avançou de 3,8 em 2005 para 4,6 em 2009, em uma escala de zero a
10. A meta é chegar até 2021 a uma nota 6, segundo Haddad.
A evolução nos últimos quatro anos significa que a
criança do quinto ano tem hoje a proficiência que em 2005
tinha a criança do sétimo ano.
Na etapa que antecede a universidade, os dados indicam que o ensino
privado está bem à frente do público. No Exame Nacional
do Ensino Médio (Enem) de 2009, divulgado nesta segunda-feira (19),
aparece apenas uma escola da rede pública entre as 10 melhores do
país. O ministro Haddad falou antes da publicação
do resultado do Enem.
Volta à escola pública
Haddad costuma visitar escolas públicas quando viaja a trabalho.
Ele se considera de uma geração que viveu a "derrocada da
escola pública até 2001". Isso, segundo ele, o levou a estudar
em colégio particular, como seus filhos.
O ministro falou com entusiasmo da análise individual das escolas
públicas adotada há alguns anos. Antes, a avaliação
era por amostragem. "O que se sabia era que as escolas públicas,
em média, estavam muito aquém das particulares, então
houve uma migração das pessoas que podiam pagar o estudo.
Hoje acontece o inverso, de volta da classe média à escola
pública."
Ministro desde julho de 2005, Haddad disse estar "pensando em cuidar
um pouco da minha vida" em 2011, ao ser questionado sobre seu futuro na
vida pública. Uma importante tarefa ainda sob seu comando é
o Plano Nacional de Educação (PNE) para o decênio 2011-2020,
que será enviado ao Congresso Nacional neste semestre. (Reuters/Brasil
Econômico)
20.07 - Ritmo do emprego não preocupa Previdência
O ministro da Previdência, Carlos Eduardo Gabas, minimizou sexta-feira
o impacto da perda de fôlego do mercado de trabalho em junho, segundo
divulgação feita ontem pelo Ministério do Trabalho.
"É uma estabilização, não é uma estagnação.
Isso não preocupa", afirmou na sexta antes do seminário "Fundamentos
de Registros de Benefícios Previdenciários a Empregados",
realizado em Brasília. Nos últimos meses, no entanto, Gabas
comemorava os dados positivos do aumento do emprego formal no Brasil e
os relacionava à menor necessidade de financiamento da Previdência.
De acordo com o Ministério do Trabalho, foram criados 212 mil
empregos com carteira assinada em junho, ante 298 mil em maio e 305 mil
em abril. "Imagina se a gente continuasse a crescer do jeito que estávamos...
Iríamos bater 500 mil empregos este mês e teríamos
de importar trabalhadores", comentou.
O ministro voltou a prever que o déficit da Previdência
este ano será de R$ 47 bilhões. Inicialmente, a projeção
era de R$ 50 bilhões de necessidade de financiamento e foi reduzida
para R$ 45 bilhões, por conta do aumento da arrecadação.
No entanto, após o reajuste de 7,72% concedido aos aposentados,
o número passou a ser de R$ 47 bilhões. "A cada comportamento
da arrecadação que tenha influência nas contas, revemos
a projeção", disse. Gabas informou ainda que o dado mensal
da Previdência será divulgado na próxima quarta-feira,
dia 21.
Funrural
Gabas também afirmou que o governo ainda não chegou a
uma fórmula de cobrança de contribuição para
substituir o Funrural como fonte de recurso para pagamento das aposentadorias
no campo. "Não temos nada ainda", disse o ministro. O assunto é
discutido no âmbito dos ministérios da Fazenda, do Planejamento
e da Previdência.
O ministro salientou que o prazo para que isso seja feito ainda não
"estourou", mas que é algo que "precisa" sair do papel. "Não
é simples", afirmou. Além da nova fórmula de arrecadação,
também está em estudo a possibilidade de se criar uma contribuição
sobre a folha de salários. Esta sugestão, no entanto, não
é vista como a melhor solução pelo ministro, porque
oneraria principalmente os setores produtivos que contam com mão
de obra extensiva.
Em fevereiro, um frigorífico foi liberado de recolher recursos
para o Funrural depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou
a contribuição inconstitucional em fevereiro. Em princípio,
a decisão é para apenas uma empresa, mas tende a se estender.
A arrecadação líquida do setor rural em maio foi de
R$ 426 milhões, uma queda de 14,5% na comparação com
o mesmo mês do ano passado (R$ 499,2 milhões), mas aumento
de 6,9% ante abril (R$ 399,4 milhões). Já o pagamento de
benefícios previdenciários no campo somou R$ 3,754 bilhões
no mês passado, o que representa queda de 1% na comparação
com abril (R$ 3,794 bilhões) e um aumento de 6,1% ante maio de 2009
(R$ 3,537 bilhões).
Ainda em maio, o déficit da previdência rural foi de R$
3,392 bilhões e, no acumulado dos cinco primeiros meses do ano,
a conta está negativa em R$ 17,840 bilhões. Neste caso, o
crescimento é de 9,8% na comparação com o mesmo período
de 2009 (R$ 16,251 bilhões). "Tem gente que diz que pagar o trabalhador
rural é jogar dinheiro no ralo, mas não concordo", comentou.
Gabas afirmou ainda que tem percebido um movimento de migração
em direção ao campo, que é contrário ao que
ocorreu nos anos 1980. "O homem do campo não quer sair do campo
para ir para a cidade. Ele só ia antes porque não tinha alternativa",
comparou. (Célia Froufe - Agência Estado)
20.07 - Avaliações de desempenho são cínicas
e criam paranoia
Recentemente, um e-mail circulou pela redação solicitando
sugestões sobre como melhorar nosso sistema de avaliação
de desempenho. Minha sugestão é muito fácil e barata:
livrar-se de tudo e substituir por nada.
Normalmente, quando tenho alguma ideia brilhante sobre como o "Financial
Times" pode ser melhor administrado, eu a proponho em particular. Não
se deve lavar a roupa suja em público. Mesmo assim, quando o assunto
é avaliação, as roupas de todas as outras companhias
têm as mesmas manchas de sujeira que a nossa e, portanto, parece
não ser vergonha nenhuma sugerir uma excursão em massa para
a lavanderia.
Ao longo dos últimos 30 anos, fui avaliada umas três dezenas
de vezes ? como bancária, jornalista e diretora. Sobrevivi a essa
loucura da busca por fórmulas complicadas. Também sobrevivi
ao costume informal em que as avaliações são chamadas
de "career chats" (discussões de carreira), onde um clima artificial
de igualdade prevalece. Fiz avaliações em mesas, sofás
e até mesmo em refeições.
Mas nunca aprendi nada a meu respeito como resultado disso, nem estabeleci
nenhuma meta posteriormente cumprida. Em vez disso, sempre tenho a sensação
de que estou participando de um jogo de charadas, com a desvantagem de
não existir uma resposta a ser descoberta e de não ser nem
um pouco divertido. A norma é uma hora angustiante de conversa durante
a qual você é forçado a engolir uma mistura indigesta
de elogios e críticas relacionados a eventos acontecidos há
muito tempo, que o deixa desmotivado e confuso com a pergunta mais básica:
estou fazendo um bom trabalho? O resultado é arquivado, fazendo
você se sentir meio paranoico, embora saiba quanta atenção
será dada a ele: nenhuma.
Pelo menos eu tive que sofrer com apenas um lado do processo. Eu nunca
- graças a Deus - tive que avaliar ninguém, o que deve ser
ainda mais cansativo. Isso porque você precisa realizar a mesma operação
com cada subordinado, permitindo de uma maneira desgastante que as pessoas
acreditem que estão se saindo mais ou menos bem, uma vez que é
muito difícil dizer sem rodeios que eles não estão
se saindo bem.
Tenho um amiga que trabalha em uma empresa que passa um mês inteiro
todos os anos avaliando sua equipe. Ela diz que o sistema foi "melhorado",
de modo que ela não precisa mais classificar as pessoas em "realizadores
excepcionais", "bons realizadores" e assim por diante. Em vez disso, ela
analisa uma lista de atributos misteriosos - como "domínio de alavancagem"
e "inovações holísticas" -, escolhendo três
pontos fortes e uma necessidade de desenvolvimento (ou fraqueza, como se
conhecia antes) para cada pessoa. Ela admite que esse sistema é
uma idiotice completa. Mas quando sugiro que seja abandonado, ela parece
chocada. "Fora de cogitação", responde. "Isso seria interpretado
como se nós não ligássemos para o desenvolvimento
de nosso pessoal."
Não por todo mundo, ao que parece. Recentemente, Samuel Culbert,
professor de uma faculdade de administração da Califórnia,
disse em uma estação de rádio americana que todos
os sistemas de avaliação são uma baboseira completa.
Ele acredita ainda menos neles do que eu. Eles são uma volta aos
antigos e terríveis dias da administração por objetivo,
disse, e continuam existindo somente porque permitem a administradores
perversos controlar os funcionários e porque os gerentes de recursos
humanos são como a KGB quando o assunto é acumular informações.
A alternativa de Culbert, que ele descreve em seu novo livro "Get Rid
of the Performance Review" (Livre-se da análise de desempenho),
é que chefes e subordinados deveriam ter conversas regulares e em
condições de igualdade, em que diriam coisas como: "O que
vocês precisam que eu faça? O que precisamos produzir juntos".
Esta é uma ideia fantástica. O único problema é
que ela não tem relação com o mundo como o conheço.
Administradores não falam ou pensam desse jeito.
A coisa mais sinistra a respeito do sistema atual de avaliação
de desempenho é que ele faz com que os administradores se iludam,
pensando que estão gerenciando seu pessoal. Com o fim das avaliações,
pouparíamos tempo e energia e as duas únicas coisas perdidas
seriam o cinismo e a paranoia. (Lucy Kellaway - Valor
Online)
20.07 - Demitidos na crise, executivos voltam em cargo mais alto
Vitimada pela crise, a publicitária Tatiana Garcia voltou à
antiga companhia com mais responsabilidades um ano depois
Com os cintos apertados durante a crise de 2008-2009, muitas empresas
tiveram de dispensar executivos em todos os níveis gerenciais. Com
a retomada dos investimentos, algumas companhias preferem preencher as
vagas ociosas com os mesmos profissionais que foram desligados. Mas será
que vale a pena voltar à antiga empresa?
Especialistas em gestão de recursos humanos acreditam que a
"segunda chance" pode gerar ganho de produtividade logo nos primeiros meses
da nova fase, já que a cultura da companhia, as atribuições
funcionais e as alianças construídas internamente são
bem conhecidas do empregado. Do lado da corporação, a prática
serve para aproveitar profissionais afinados com os processos de trabalho.
No período pós-crise, os convites de retorno aconteceram,
principalmente, em segmentos com alto grau de competitividade, como bens
de consumo e autopeças, ou muito específicos, como o setor
de mineração. Na maioria dos casos, volta-se com salário
e cargo maiores.
"Apresentar um plano de ação já nos primeiros
30 dias de trabalho pode gerar um impacto positivo", sugere Carlos Eduardo
Altona, sócio da consultoria Exec. Para os consultores de RH, o
profissional precisa conhecer o real motivo do desligamento, a posição
em que vai voltar, a nova estrutura da empresa e as perspectivas reais
de carreira.
Segundo Regina Izabel Cadelca, vice-presidente da Catho Consultoria
em RH, o mais comum entre as empresas é recontratar um antigo funcionário
para um nível hierárquico acima do ocupado na experiência
anterior. "Isso acontece muito na área comercial, que leva em conta
o conhecimento do executivo sobre produtos, mercado, filosofia corporativa
e gestão de equipes."
Para Lúcia Costa, sócia-diretora da área de transição
de carreiras da consultoria Mariaca, independentemente do motivo do desligamento,
uma demissão sempre gera desgaste e pode significar o início
de uma ruptura fatal entre o funcionário e a empresa. "É
importante que o executivo avalie o quanto a saída do emprego o
abalou e se há ressentimentos. Nesse caso, pode não ser uma
boa ideia retornar", aconselha. "Mas se o desligamento foi feito com transparência,
um novo convite é uma oportunidade." A Mariaca teve alguns casos
de recolocação pós-crise, mas que não chegaram
a 10% do total de processos de admissão. Entre eles, um executivo
de uma multinacional de eletroeletrônicos que foi desligado durante
uma reestruturação e acabou recontratado seis meses depois,
para dirigir uma nova divisão da companhia.
De acordo com Cláudio Garcia, presidente da DBM, consultoria
especializada em gestão de capital humano, é preciso que
o profissional avalie se vai ficar confortável entre os colegas
que permaneceram no escritório. "O emocional pode afetar o comportamento
e o comprometimento do executivo na função" explica. "Mas
se isso não for uma dificuldade e o candidato avaliar que o trabalho
está alinhado com propósitos de vida e de carreira, não
há problema em retornar." Segundo Costa, o funcionário não
deve reaver o cargo para continuar do ponto onde parou, mas criar uma nova
história dentro da corporação. "Pode ser uma ótima
oportunidade para alinhar temas que não foram bem resolvidos no
passado e começar, realmente, do zero. Alguns profissionais voltam
até com uma remuneração superior à que saíram",
afirma. "É fundamental enxergar o retorno como um novo desafio que
vai contribuir para a organização e o desenvolvimento da
carreira."
A diretora da Mariaca acredita que o regresso pode apresentar mais
vantagens no pacote de boas-vindas. "O executivo tem muito mais conhecimento
e segurança sobre o que vai encontrar. Sabe os desafios, problemas
e oportunidades na empresa. Com isso, consegue administrar melhor as expectativas."
Por outro lado, a previsibilidade no ambiente de trabalho pode atrapalhar
a performance. "É difícil se renovar em um cenário
conhecido." Para Marcelo Braga, sócio da Search Consultoria em Recursos
Humanos, o empregado não pode cair na zona de conforto e manter
um comportamento igual ao da experiência anterior. "Isso o fará
ser o primeiro a sair em um momento difícil da empresa."
Segundo Garcia, da DBM, ao aceitar a proposta, o profissional tem de
saber por qual razão está voltando e quais são as
regras da nova fase. "Qualquer que seja o motivo que o levou a ir embora,
é preciso ter total clareza das razões da volta", afirma.
"Entender por que foi escolhido em um processo de demissão pode
levar o executivo a entregar melhores resultados na nova etapa."
No auge da crise, em janeiro de 2009, a publicitária Tatiana
Garcia saiu da Katálogo, da área de distribuição
de software. Era estagiária e voltou exatamente um ano depois, em
uma função mais graduada, como analista de marketing. "Na
época, o departamento de marketing foi afetado pela recessão
e os principais executivos deixaram a empresa."
No intervalo entre os dois períodos na mesma companhia, Garcia
trabalhou em três agências de publicidade. "Hoje, tenho mais
responsabilidades no cargo e posso ensinar tudo o que aprendi à
equipe."
Para Tatiana, um convite para coltar a um emprego sempre deve ser considerado.
Mas antes de tomar a decisão, ela aconselha conversar com os antigos
colegas para "sentir o clima" da companhia. Segundo ela, os benefícios
da volta compensam. "Você se sente em casa, conhece bem a empresa
e sabe com quem falar para o trabalho andar mais rápido."
De acordo com Altona, é importante para a direção
entender o que se espera do profissional na retomada. "Deve-se inovar e
buscar soluções 'fora da caixa'", ensina. Outra recomendação
é estreitar as relações pessoais pouco desenvolvidas
antes da demissão. Para Marcelo Braga, da Search Consultoria, o
funcionário precisa enxergar a oportunidade como se fosse trabalhar
em uma nova empresa. "Ele não pode contar com os espaços
conquistados anteriormente. Precisa criar uma outra imagem, melhor que
a antiga", orienta. "E, logo nos primeiros meses, mostrar que é
um profissional mais maduro." (Jacilio Saraiva - Valor Online)
19.07 - Profissional de mercado de capitais ganha regras
Carreira de analista foi regulamentada
A profissão de analista de valores mobiliários foi regulamentada
na segunda-feira passada (12). A medida, prevista na Instrução
CVM nº 483/2010 e publicada no Diário Oficial da União,
define atividades dos profissionais, deveres do empregadores e direitos
da categoria.
Entre as mudanças, a partir de 1º de outubro, esses profissionais
poderão solicitar credenciamento diretamente na entidade que os
representa, a Apimec (Associação dos Analistas e Profissionais
de Investimento do Mercado de Capitais), e não terão mais
de se dirigir à CVM (Comissão de Valores Mobiliários)
para fazer o registro. Atualmente a CVM tem 1.056 profissionais habilitados.
Segundo a Apimec, a regulamentação facilitará
a obtenção de habilitação para o exercício
das atividades, além de representar diminuição de
custos e burocracia.
No documento, estão previstos um código de conduta e
o reconhecimento das funções desses profissionais, como a
elaboração de relatórios para análises que
influenciam a decisão de investidores do mercado financeiro.
Entre os principais destaques estão a permissão para
as empresas realizarem análise de valores mobiliários e a
introdução de um regime jurídico próprio para
essas instituições. Os empregadores deverão ter, no
mínimo, 30% da equipe de analistas credenciada até 31 de
dezembro. (CAROLINE PELLEGRINO - Folha de S.Paulo)
19.07 - Jovem europeu sofre verão do desemprego
Na Espanha, taxa geral de desempregados é de 19,9%, mas chega
a 40,5% entre os que têm entre 16 e 25 anos
Resolução aprovada no Parlamento Europeu exorta que se
evite que jovens fiquem mais de 4 meses sem trabalho
Entre economistas e intelectuais, a discussão principal pode
ser se o euro continuará como moeda única de 16 países
europeus ou se o bloco todo da União Europeia, que congrega 27 nações,
vai continuar a existir.
Mas, para os jovens recém-saídos das universidades europeias,
este é o verão do desemprego.
As temperaturas estão beirando os 40C na Espanha, e é
lá que está também uma das maiores taxas de desemprego
na Europa: 19,9%. Significa que 1 em cada 5 na população
economicamente ativa está sem emprego.
Entre os jovens, a situação é muito pior, 40,5%.
Se dez pessoas entre 16 e 25 anos estiverem conversando em um bar, provavelmente
quatro estarão sem emprego.
"Estou sem trabalho há dois anos. Até que foi bom na
época da Copa do Mundo. Vi todos os jogos. Mas agora a festa acabou
e continuo desempregado", diz Miguel Mandiá, um madrilenho de 22
anos especializado em design gráfico.
"Quase todos os meus amigos estão na mesma situação",
afirma.
Se o presente já está difícil, o futuro parece
ainda mais preocupante. De um lado, as empresas privadas não investem
com medo de um repique da recessão provocada pela crise global de
2008. Com isso, não criam vagas.
De outro, os governos preparam cortes de gastos para reduzir o insustentável
deficit público. Com isso, cortam postos de trabalho. Na soma, mais
desempregados.
REINO UNIDO
No Reino Unido, a situação não é tão
grave. A taxa de desemprego na população em geral está
em 7,8%. Mas o medo paira no ar.
O plano do novo governo para reduzir o deficit deve acabar com cerca
de 600 mil empregos públicos, dos atuais 6 milhões. Outros
700 mil postos podem ser fechados no setor privado que tem o governo central
como principal cliente.
Mais uma vez, os jovens são os mais afetados. O ano letivo no
hemisfério Norte acabou no primeiro semestre e é a época
de os recém-formados procurarem emprego.
Está difícil. A Associação de Recrutadores
de Graduados revelou que há um recorde de 70 graduados procurando
emprego para cada vaga oferecida.
James Baxter, que trabalha numa empresa de recrutamento em Londres,
afirma que, com o mercado muito enxuto, sobram pessoas com qualificação.
"Assim, fica ainda pior para quem não tem experiência."
A taxa de desemprego entre pessoas de 15 a 24 anos no Reino Unido beira
os 20%.
A preocupação com o desemprego juvenil chegou ao Parlamento
Europeu. No início do mês, foi aprovada resolução
que exorta os 27 países-membros do bloco a criarem mecanismos para
evitar que jovens fiquem mais de quatro meses sem trabalho.
A proposta da resolução foi feita pela dinamarquesa Emilie
Turunen, de 26 anos, a mais jovem deputada do Parlamento Europeu.
Segundo ela, há mais de 5,5 milhões de jovens desempregados
nos países da UE, cerca de 21,4% do total. (VAGUINALDO
MARINHEIRO - Folha de S.Paulo)
16.07 - País deve criar 2 milhões de empregos em 2010,
dizem especialistas
Se número for confirmado, total de vagas criadas no governo
Lula será de 11,1 milhões
A criação de 1,473 milhão de postos de trabalho
formais no primeiro semestre deste ano, de acordo com o Cadastro Geral
de Empregos e Geral de Empregados e Desempregados (Caged), indica que o
Brasil deve criar pelo menos 2,06 milhões de vagas neste ano, segundo
especialistas ouvidos pela Agência Estado. Se esse número
for confirmado, o total de empregos criados desde 2003 atingirá
11,14 milhões - marca que supera as 10 milhões de vagas que
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, durante a campanha
em 2002, que o Brasil precisaria criar.
"Esperamos que serão criados neste ano 2,4 milhões de
empregos", comentou a economista do Santander, Luiza Rodrigues. Rafael
Bacciotti, analista da Tendências, acredita que podem ser gerados
mais 1,1 milhão de postos no segundo semestre, o que representaria
2,5 milhões de postos neste ano. O presidente do IPEA, Márcio
Pochmann, acredita que a marca pode chegar a 2,1 milhões. "Mas não
me surpreenderia se o bom ritmo de expansão da economia gerasse
no total 2,4 milhões de vagas em 2010", afirmou. Na avaliação
do economista da LCA, Fábio Romão, devem ser gerados 2,06
milhões neste ano, o que representaria perto de 587 mil postos líquidos
criados no segundo semestre.
Luiza Rodrigues leva em consideração que a criação
de 2,4 milhões de empregos formais em 2010 está relacionada
com o forte desempenho do nível de atividade, pois o Produto Interno
Bruto (PIB) deve crescer 7,8% neste ano. De acordo com Pochmann, a geração
de quase um milhão de postos de trabalho de julho a dezembro é
viável, pois o estoque de vagas líquidas formadas no primeiro
semestre foi muito forte, dado que foi o recorde para o período
na história do Caged.
Segundo Bacciotti, a desaceleração do nível de
atividade no segundo trimestre na margem produziu uma redução
do saldo de empregos formais gerados mensalmente em termos dessazonalizados
no primeiro semestre. Em janeiro, foram criados perto de 233 mil postos,
número que baixou para 199 mil vagas em fevereiro e que retornou
aos 233 mil empregos em março. No mês de abril, a marca atingiu
193 mil vagas, que subiu um pouco para 196 mil em maio, número que
baixou para 143 mil empregos em junho. Romão lembra que a redução
da capacidade de geração de empregos no mês passado
está relacionada com a diminuição do ritmo de expansão
do País no segundo trimestre.
Depois do PIB ter avançado 2,7% de janeiro a março, na
margem, esse número deve atingir 0,7% de abril a junho, chegar a
0,4% no terceiro trimestre e alcançar 1,0% nos últimos três
meses do ano, pelo mesmo critério de análise.
Romão destaca que algumas categorias profissionais importantes
apresentaram em junho de 2010 uma geração de empregos inferior
ao mesmo mês de 2008, que é o parâmetro mensal mais
próximo para análise comparação, pois o desempenho
do sexto mês de 2009 apresentou resultados baixos devido aos efeitos
da crise internacional sobre o País. A indústria, no mês
passado, criou 47 mil postos, abaixo dos 54,8 mil em junho de 2008. O comércio
apresentou uma geração de 26,6 mil postos no mês passado,
marca inferior aos 48,2 mil empregos do mesmo período em 2008. Os
serviços, que incluem a administração pública,
criaram 59 mil postos em junho de 2010, número menor que as 77 mil
vagas criadas em junho de 2008.
Para o segundo semestre, os especialistas preveem uma criação
inferior de empregos ao apurado entre janeiro a junho, o que está
vinculado ao fato de que a geração de postos no primeiro
semestre normalmente é superior ao apurado nos seis meses seguintes.
A indústria, por exemplo, reduz o contingente de trabalhadores em
dezembro, dado que o pico da produção ocorreu nos meses imediatamente
anteriores, em função da fabricação de mercadorias
para serem vendidas nas festas de final de ano.
Romão tem uma avaliação um pouco mais cautelosa
sobre a geração de empregos no segundo semestre, pois ele
acredita que as empresas já recuperaram o estoque de funcionários
registrados em relação ao período pré-crise
internacional. Mas para Luiza Rodrigues, há uma boa dose de confiança
dos agentes econômicos, inclusive dos empresários, sobre as
perspectivas favoráveis da economia no longo prazo que permitem
prever que a geração de empregos no segundo semestre deve
chegar perto de um milhão de vagas. Ele destacou que a Sondagem
Industrial realizada pela FGV apontou que em março, 45,1% dos dirigentes
de companhias tinham intenção de contratar funcionários
nos três meses seguintes. "Essa marca alta ocorreu quando o País
estava num nível muito forte de expansão", ressaltou. Em
junho, ela ponderou, mesmo com a desaceleração do nível
de atividade a pesquisa mostrou que aquele indicador baixou pouco, pois
atingiu 44,4%. "Ou seja, a confiança dos empresários está
muito favorável para a geração de empregos. Para os
dirigentes de empresas, este fator esta relacionado diretamente com a estabilidade
da economia, com inflação sobre controle, processo que já
ocorre há vários anos", afirmou.
Alta dos juros
A redução do ritmo da economia no segundo trimestre,
o que foi exibido por vários indicadores, como o recuo de 5% da
produção de veículos em junho na margem, segundo a
Anfavea, e a queda de 3,83% das vendas de papelão ondulado no mesmo
período, promove um debate indireto entre os especialistas sobre
a necessidade do aperto monetário ser muito mais vigoroso no último
trimestre do ano. Para Fábio Romão, a Selic deve aumentar
0,75 ponto porcentual na próxima semana e mais 0,75 ponto porcentual
no dia primeiro de setembro. "Não há necessidade de maior
elevação dos juros devido à clara redução
da velocidade do nível de atividade", disse. A LCA estima que o
PIB deverá crescer 6,6% neste ano, taxa inferior à alta de
7% manifestada pelo presidente Lula.
Para Pochmann, a alta dos juros deve cessar já, pois a inflação
recuou nos últimos meses, o IPCA não se manifesta como um
perigo forte no curto prazo e adicionais elevações da Selic
podem prejudicar os investimentos, que já são baixos. De
acordo com o IBGE, a Formação Bruta de Capital Fixo atingiu
18% do PIB no primeiro trimestre, patamar bem inferior à marca de
23% do Produto Interno Bruto vista por vários especialistas como
necessária para que o potencial de crescimento do País saía
de uma marca ao redor de 4,5% para um patamar mais próximo a 5,5%.
Na avaliação de Rafael Bacciotti e Luiza Rodrigues, os
juros precisam ficar acima de 11,75% neste ano para que a inflação
fique mais próxima da meta de 4,5% em 2011. Para atingir aquele
objetivo, a Tendências acredita que a Selic deve subir mais 0,50
ponto porcentual em outubro, enquanto o Santander avalia que será
necessário mais um incremento de 0,50 ponto porcentual também
em dezembro, o que levaria a taxa para 12,75%. Mesmo com tais aumentos
de juros, a consultoria acredita que o IPCA deve variar de uma alta de
5,4% em 2010 para 4,7% no ano que vem, enquanto o banco espanhol pondera
que o índice chegará este ano em 5,5% e atingirá 5%
no ano que vem. "O ritmo de atividade está muito intenso e é
preciso reduzir sua velocidade para que a inflação atinja
um patamar mais sustentável no ano que vem", disse Luiza.
(Ricardo Leopoldo - Agência Estado)
16.07 - Currículo executivo
A Anefac (associação de executivos de finanças,
administração e contabilidade) lança no dia 20 o "Anefac
Carreira", banco de currículos para ligar empresas a profissionais
do segmento.
As áreas de finanças e controladoria devem ser as mais
procuradas por quem busca vaga no segmento, segundo a entidade. A meta
nos próximos dois anos é capturar mais de 2.000 currículos.
O serviço é gratuito. (Maria Crisitina Frias - Folha de S.Paulo)
16.07 - Período sabático não significa abandonar
carreira
Para não ser obrigado a aceitar posição inferior
no retorno, profissional deve buscar algum tipo de atualização
durante ausência, afirmam consultores
O profissional que volta ao mercado de trabalho após uma ausência
de pelo menos dois anos precisa mostrar de alguma maneira que se manteve
atualizado durante o "sabático" – não importa se o período
tenha sido motivado por escolha pessoal, tentativa de abrir um negócio
próprio ou imposição do mercado. Do contrário,
dizem especialistas, é necessário adequar as expectativas
ao buscar uma nova vaga.
"Se a pessoa não conseguir mostrar no currículo que fez
algo para se manter atualizada, como um curso ou uma consultoria, talvez
seja necessário dar passos para trás. Se foi diretor no passado,
pode ser que volte como gerente", explica Regina Cadelca, vice-presidente
de gestão de carreira da Catho.
Nem todo o período de ausência, entretanto, é negativo
para a carreira. Um sabático que inclua algum tipo de atualização
profissional – o domínio de um novo idioma, um estágio internacional
ou um curso de pós-graduação – pode ser positivo para
o currículo de qualquer pessoa.
Para quem espera um grande salto salarial, porém, é melhor
optar por um sabático antes dos 30 anos – um curso de MBA no exterior,
por exemplo, costuma exigir dois anos de dedicação. Depois
disso, o profissional corre o risco de ficar no prejuízo ao se ausentar
do mercado por um longo período.
Para Ricardo Amatto, diretor da área de mercado financeiro da
consultoria Fesa, o executivo próximo dos 35 anos, por exemplo,
geralmente ocupa cargo de gerência sênior ou diretoria. "O
profissional se arrisca a sair e encontrar o mercado em um mau momento.
Isso aconteceu com quem voltou do exterior em 2008", exemplifica.
Para o diretor da consultoria Michael Page, Bernardo Cavour, o profissional
sênior terá mais benefícios pessoais do que financeiros
ao buscar um curso no exterior. "Acho que, depois de cinco ou seis anos
de experiência, o profissional está no melhor momento para
estudar fora."
O engenheiro mecânico Carlos Alberto Camino Bohrer tenta voltar
ao mercado de trabalho após quatro anos de ausência. Após
herdar um restaurante, decidiu administrar o negócio por um tempo,
antes de vendê-lo. A última experiência de Bohrer, que
atuou por 20 anos no setor de autopeças, foi à frente da
produção de uma fábrica de 1,3 mil funcionários
em Minas Gerais.
Consultoria
Nos quatro anos em que se ausentou, o engenheiro atuou como consultor,
atividade que ainda mantém. "Esse dinheiro não me permite
manter o padrão de vida de antes, mas me ajuda a buscar algo com
calma", explica. Em quatro meses de procura por uma vaga, Bohrer conta
que foi chamado para nove entrevistas.
Em poucos dias de busca, ainda em março, Bohrer foi chamado
para um cargo de gerência, mas decidiu esperar. "Neste momento, estou
calmo no sentido de querer acertar. Estou em uma fase em que não
dá para pular de galho em galho." (Fernando Scheller
- O Estado de S. Paulo)
15.07 - Emprego na indústria de SP sobe 6,6% no 1º semestre
O nível de emprego na indústria paulista se beneficiou
da retomada da atividade após a crise de 2009 e cresceu 6,61% no
primeiro semestre de 2010, ante o fim do ano passado, segundo a Fiesp (Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo).
A expansão é a maior da série histórica,
iniciada em julho de 2005. O número representa a geração
de 154.500 vagas. (Folha de S.Paulo)
15.07 - TST derruba sucessão trabalhista em cartório
Ao assumir o 1º Tabelionato de Protesto de Campinas (SP), depois
de cinco anos de estudo para aprovação em concurso público,
Alexandre Augusto Arcaro não esperava ter que responder por duas
ações trabalhistas envolvendo funcionários com quem
nunca trabalhou. O problema é frequente entre os profissionais concursados,
e tem feito com que alguns desistam de assumir cartórios. No entanto,
uma decisão da Subseção I Especializada em Dissídios
Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho (TST) deve acabar
com o impasse.
Os ministros decidiram, por unanimidade, que o novo titular de um cartório
não é responsável por dívidas trabalhistas
deixadas por seu antecessor. Desde que tenha passado por concurso público.
Eles levaram em consideração ainda o fato de o ex-empregado
não ter trabalhado com o novo chefe. Para o ministro Aloysio Corrêa
da Veiga, relator do caso, que envolve uma ex-empregada do Cartório
do 4º Ofício de Registro de Imóveis de Belo Horizonte
(MG), não se pode falar em sucessão trabalhista, pois "sequer
houve a continuidade na prestação de serviços".
A controvérsia se dá porque os artigos 10 e 448 da Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT) determinam que qualquer alteração
na estrutura de uma empresa não deve afetar os direitos e contratos
de trabalho dos empregados. No entanto, no caso de uma nomeação
por concurso público, os ministros do TST entenderam que cabe ao
titular do cartório que vai deixar o cargo a obrigação
de quitar os contratos de trabalho.
Para o advogado Daniel Chiode, do escritório Demarest e Almeida
Advogados, a decisão do TST prestigia os servidores concursados
e é um passo importante para acabar com a insegurança jurídica
nos cartórios. "Os titulares dos cartórios não compraram
uma empresa privada, mas prestaram concurso para assumir um serviço
público", diz ele, que já obteve vitórias na Justiça
do Trabalho em casos semelhantes, na defesa de titulares concursados.
De acordo com Chiode, em alguns casos, as dívidas trabalhistas
são "fabricadas" de propósito para impedir o novo titular
concursado de assumir o cargo. O tabelião Alexandre Augusto Arcaro,
de Campinas, decidiu batalhar na Justiça para não arcar com
as dívidas deixadas pelo seu antecessor. E já obteve decisões
favoráveis em segunda instância. "Sempre quis seguir a carreira
de tabelião e nunca cogitei sair. Mas muitos colegas decidem optar
por cartórios menores quando se deparam com o problema", afirma.
(Luiza de Carvalho - Valor Online)
14.07 - Salário-maternidade: Proteção à
mãe e ao bebê
Benefício é pago pelo INSS às trabalhadores empregadas,
desempregadas, domésticas e facultativas ou individuais
A trabalhadora que contribui para a Previdência Social é
amparada pelo salário-maternidade durante os quatro meses em que
fica afastada por causa do parto.
A trabalhadora com carteira assinada tem o benefício pago diretamente
pela empresa, enquanto as contribuintes facultativas e individuais, as
empregadas domésticas, a segurada especial e a desempregada, que
ainda se encontra sob a condição de segurada, têm o
benefício pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O valor do benefício varia varia de acordo com a categoria para
a qual contribui a trabalhadora. O salário-maternidade que a trabalhadora
empregada ou avulsa recebe deve ser igual ao seu salário mensal,
até o teto correspondente ao salário do ministro do Supremo
Tribunal Federal (STF).
Aquelas que têm salário variável receberão
o equivalente à média salarial dos seis meses anteriores
ao parto.
As contribuintes com mais de um emprego podem receber dois salários-maternidade,
desde que contribuam para a Previdência Social em cada atividade
exercida.
A trabalhadora recebe, durante esse período, o equivalente ao
último salário de contribuição, observados
os limites mínimo e máximo da Previdência Social (R$
510 a R$ 3.467,40).
No caso das contribuintes facultativas e individuais, é preciso
ressaltar que, para ter direito ao benefício, elas precisam ter
pelo menos dez contribuições consecutivas.
Já a segurada especial (trabalhadora rural) tem direito a um
salário mínimo (R$ 510), mas deve comprovar pelo menos dez
meses de atividade rural.
Quando perde o emprego, a segurada do INSS fica protegida por um período
que pode durar de 12 a 36 meses, o “período de graça”. Se
o parto acontece durante esse período, a segurada também
tem direito ao salário maternidade.
No entanto, nesse caso, tanto para a segurada desempregada quanto para
a contribuinte individual e a facultativa, o salário-maternidade
pago será a média aritmética dos últimos 12
salários de contribuição (também dentro dos
limites previdenciários), apurados em um período de no máximo
15 meses.
Quando o salário-maternidade é concedido à segurada
desempregada sem justa causa, é pago diretamente pelo INSS. No entanto,
não é possível recebê-lo simultaneamente com
o seguro-desemprego.
Como requerer – A trabalhadora empregada não sofrerá
descontinuidade do salário, por isso não precisa requerer
o benefício, que será pago pela empresa diretamente na conta
da funcionária. O empregador informa essa condição
à Receita Federal do Brasil, responsável pelo recolhimento,
e desconta esse valor das contribuições recolhidas para a
Previdência Social sobre a folha de salários.
Contribuintes individuais, trabalhadoras avulsas, segurada especial,
facultativas e empregadas domésticas ou mães adotivas devem
requerer o benefício nas Agências da Previdência Social
(APS), após marcar data e hora de atendimento pela Central 135,
ou pela internet.
No requerimento, é necessário informar o Número
de Identificação do Trabalhador (NIT), PIS, PASEP ou CICI;
nome completo da requerente, nome completo da mãe e data do nascimento.
Em todos os casos é preciso apresentar o atestado do médico
que a assiste durante a gravidez.
No caso da empregada doméstica, ela própria, ou o empregador
doméstico, pode dar entrada no pedido do benefício nas APS,
após marcar data e hora de atendimento pela Central 135, ou pela
internet, acrescentando o CPF do empregador.
Adoção – A mulher que adota uma criança também
tem direito ao salário-maternidade, seja ela empregada, trabalhadora
avulsa, segurada especial, contribuinte individual, facultativa ou empregada
doméstica. O período de afastamento dependerá da idade
da criança e varia de 30 a 120 dias. Esse direito é garantido
mesmo que a mãe biológica já tenha recebido salário
maternidade.
Em todos os casos de adoção, o benefício será
pago pelo INSS. O requerimento pode ser feito pela página da Previdência
Social ou pela Central 135. (AgPrev)
13.07 - Mais emprego
O nível de emprego na construção civil brasileira
registrou em maio um novo recorde, de 2,69 milhões de trabalhadores
empregados com carteira assinada.
A elevação foi de 1,7% em maio na comparação
com abril, com a contratação de mais 45.031 trabalhadores.
No acumulado dos primeiros cinco meses deste ano, o nível de
emprego no setor registrou alta de 9,7%, segundo dados do levantamento
mensal do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção
Civil do Estado de São Paulo) e da FGV.
Em 12 meses, o emprego no setor aumentou 16,27%, segundo o presidente
da entidade, Sergio Watanabe.
No Estado de São Paulo, em maio, o nível de emprego na
construção registrou alta de 0,53%, com acréscimo
de 3.869 vagas. No ano, a alta foi de 7,55%.
Entre as regiões do país, a que teve maior elevação
em termos percentuais foi o Norte (4,34%) e a que teve o maior aumento
nominal foi o Sudeste, com mais 13.631 contratados. (Maria Crisitina
Frias - Folha de S.Paulo)
13.07 - Emprego na indústria cresceu 0,3% em maio
De abril para maio, o crescimento no emprego industrial ficou em 0,3%,
quinto resultado positivo consecutivo, segundo levantamento do IBGE (Instituto
Brasileiro de Estatística e Geografia). Na comparação
com maio de 2009, a expansão do emprego alcançou 4,2%, quarta
taxa positiva consecutiva, que iguala a mais elevada da série histórica
assinalada em outubro de 2004.
No período, todos os locais investigados (14 regiões)
apontaram taxas positivas. Entre esses, São Paulo (3,3%) permaneceu
com a principal influência sobre a média global, vindo a seguir
região Nordeste (6,1%), Rio Grande do Sul (6,1%), região
Norte e Centro-Oeste (5,8%), Rio de Janeiro (7,6%) e Santa Catarina (4,2%).
Na indústria paulista, as atividades de máquinas e aparelhos
eletroeletrônicos e de comunicações (8,7%), têxtil
(10,3%), meios de transporte (4,9%) e de alimentos e bebidas (3,1%) exerceram
os maiores impactos positivos no total das contratações.
O acumulado no ano chegou a 1,9%, acelerando o ritmo frente aos resultados
acumulados no primeiro trimestre e primeiro quadrimestre.
O número de horas pagas teve alta de 0,3% frente ao mês
imediatamente anterior, na série com ajuste sazonal. No confronto
com o mesmo mês do ano anterior, a taxa de 5,5% é a mais alta
desde o início da série histórica, enquanto no índice
acumulado no ano cresceu 3%.
A folha de pagamento real dos trabalhadores recuou 0,8% na passagem
de abril para maio, já descontada a sazonalidade. Comparada com
iguais períodos de 2009, houve avanço de 3,7% no índice
mensal, quinta taxa positiva consecutiva, e de 3,8% no acumulado dos cinco
primeiros meses do ano. (Diário do Grande ABC)
12.07 - Pessoas entre 50 e 64 anos têm mais vagas
Aumentou a participação das pessoas com idade entre 50
e 64 anos no mercado de trabalho paulista nos últimos meses. Segundo
o Observatório do Emprego e do Trabalho, em maio foram criadas 2.892
vagas formais para aquelas pessoas. O número equivale a 2,9% do
total de vagas criadas em maio em todo o Estado. (Folha de S.Paulo)
12.07 - OCDE: Desemprego atingiu pico
O desemprego provavelmente chegou ao pico nos países desenvolvidos,
num momento em que a retomada do crescimento se consolida, após
uma recessão que devastou o mercado de trabalho, disse num relatório
a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento
Econômico (OCDE).
A taxa de desemprego nos países da OCDE alcançou 8.7%
no primeiro bimestre do ano, recorde no pós-guerra, contra 5.8%
em 2007.
Apesar da recuperação global liderada pelos países
emergentes, a estatística provavelmente ficará acima de 8%
até o fim do ano, afirma o relatório.
Os países da OCDE entraram na recessão de 2008-2009 com
sua menor taxa de desemprego desde 1980, em parte por causa da liberalização
do mercado de trabalho. Porém, um dos resultados acabou sendo um
aumento mais rápido no desemprego, pois mais assalariados tem contratos
temporários e com menos benefícios para os desempregados,
disse a OCDE.
Mesmo assim, a organização encorajou os governos a preservarem
as reformas feitas nos seus mercados de trabalho.
"À medida que a recuperação ganha força,
é essencial criar incentivos para que empresas contratem mais",
escreveu John Martin, diretor de Questões de Sociais e Trabalhistas.
"Os empregos temporários devem funcionar como transições
para empregos fixos, em vez de como armadilhas." (Bloomberg/Valor
Online)
12.07 - Desemprego no mundo rico
Os países desenvolvidos enfrentam uma rara combinação
de problemas ? desemprego elevado, recessão generalizada e contas
públicas em péssimas condições, com enormes
buracos orçamentários e Tesouros cada vez mais endividados.
Para reduzir o desemprego ao nível pré-crise, teriam de criar
17 milhões de postos de trabalho, segundo relatório divulgado
nessa quarta-feira pela Organização para Cooperação
e Desenvolvimento Econômico (OCDE), um clube formado por 31 das economias
mais industrializadas.
"Criar empregos deve ser uma prioridade para os governos", disse o
secretário-geral da OCDE, o mexicano Angel Gurría. Mas os
governos terão de enfrentar simultaneamente as tarefas de criar
empregos e reduzir os déficits fiscais, lembrou o dirigente da organização.
A mesma orientação foi definida no fim de junho pelos chefes
de governo do Grupo dos 20 (G-20), formado pelos países mais ricos
e pelos principais emergentes.
Se as principais potências abandonarem ao mesmo tempo os estímulos
fiscais adotados na pior fase da crise, haverá o risco de uma volta
à recessão. Mas vários desses países não
têm condições de suportar maiores desajustes fiscais,
concluíram os dirigentes do G-20. Daí a conveniência
de políticas diferenciadas de ajustes mais suaves para os países
com menores desequilíbrios fiscais.
Também na quarta-feira o Eurostat publicou os dados econômicos
da zona do euro no primeiro trimestre. O Produto Interno Bruto cresceu
0,2% em relação aos três meses finais de 2009 e foi
0,6% maior que o de um ano antes. Pela primeira vez em seis trimestres
apareceu um resultado positivo numa comparação desse tipo.
Mesmo com um desempenho melhor, a desocupação pouco ou
nada teria diminuído nos últimos 6 a 12 meses, porque a contratação
de pessoal normalmente ocorre com algum atraso nas saídas de recessão.
Mas a prolongada estagnação europeia tende a prolongar o
desemprego e os efeitos mais dolorosos da crise iniciada em 2008.
Mostrando uma reativação ainda muito fraca na zona do
euro, o novo balanço econômico divulgado pelo Eurostat tornou
mais dramático o cenário do mercado de trabalho. Segundo
o estudo da OCDE, o desemprego em maio ficou em 8,6% da força de
trabalho, nível pouco abaixo do verificado em março, 8,7%.
Pelo menos até 2011, segundo os autores da pesquisa, a desocupação
deverá ficar acima de 8%.
O quadro varia muito entre países, com desocupação
pouco abaixo de 10% nos Estados Unidos e próxima de 20% na Espanha.
No mercado americano é preciso criar cerca de 10 milhões
de postos para se retornar à situação anterior à
crise. Na Espanha, 2,5 milhões de empregos foram perdidos a partir
de 2007.
Pelas últimas estimativas, há 47 milhões de desempregados
nos 31 países do grupo, mas o problema real no mercado de trabalho
pode ser muito mais grave que o indicado por esse número. Muitas
pessoas podem ter simplesmente desistido por algum tempo de tentar uma
nova colocação. Outras estão subempregadas. Se esses
dois contingentes forem adicionados à conta, o total de pessoas
desocupadas e em condições precárias de atividade
poderá chegar a 80 milhões.
Na Europa, bem mais que nos Estados Unidos, o desemprego elevado agrava
o problema fiscal, por causa da ampla e generosa rede de proteção
social financiada com recursos públicos. Mas essa rede também
estimula muitos trabalhadores a permanecer parados, à espera de
ofertas de emprego atraentes.
A combinação de ajuste fiscal e aumento do nível
de emprego será provavelmente mais complicada para os governos europeus,
por causa das circunstâncias políticas e sociais. "Mas o alto
desemprego como nova condição normal é inaceitável
e é preciso enfrentá-lo com uma política ampla", disse
Gurría.
No Brasil, 53% das pessoas ouvidas numa pesquisa da Confederação
Nacional da Indústria disseram não ver risco de demissão
nos próximos meses. Outros 30% disseram ter pouco medo. O Brasil
e outros grandes emergentes continuam sendo os principais fatores de dinamismo
da economia mundial. Se esse quadro durar muito tempo, novos desequilíbrios
poderão surgir. (O Estado de S.Paulo)
08.07 - Mulheres voltam ao mercado de trabalho
Economia aquecida motiva trabalhadoras informais e donas de casa a
buscar vagas com carteira assinada
IBGE destaca melhora na renda; salário da mulher vale 72% do
do homem em 2010; há oito anos valia 69%
Com o aquecimento da economia e a maior oferta de vagas, mulheres que
estavam sem emprego decidiram retornar ao mercado em busca de uma oportunidade.
A avaliação é de especialistas em emprego que
acreditam que esse aumento na procura por uma vaga pode inclusive explicar,
em parte, a pressão sobre a taxa de desemprego feminina, que tem
recuado em ritmo diferente da dos homens.
A taxa média de desemprego para as mulheres passou de 10,7%
entre janeiro e maio do ano passado para 9,2% no mesmo período deste
ano. A dos homens foi de 7,0% para 5,8%.
As taxas são medidas em relação à PEA (População
Economicamente Ativa) e calculadas a partir de pesquisa mensal do IBGE
em seis regiões metropolitanas.
"Uma taxa de desemprego abaixo de 6% para os homens é bastante
baixa e significa que o mercado para eles está "apertado", diz Sergio
Vale, economista-chefe da MB Associados.
O especialista destaca que o fato também pode ter incentivado
a entrada de mulheres no mercado de trabalho. "[O que pode ocorrer é
que] setores que contratavam homens tiveram que contratar mulheres."
A taxa de desemprego masculina recuou 17%, enquanto a feminina caiu
14% na comparação da média dos cinco primeiros meses
de 2010 em relação à de 2009.
"Uma das explicações para essa diferença no ritmo
de queda das taxas é justamente o fato de que mais mulheres estão
retornando ao mercado", diz Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico
do Dieese.
Outro fator que explica a diferença no ritmo de queda do desemprego
é a ampliação de vagas na construção
civil e a reposição de empregos na indústria, setores
com mais mão de obra masculina.
"Antes da crise, a indústria tinha estoque de 8,117 milhões
de empregos no país. Só em abril deste ano esse estoque foi
reposto, e a indústria voltou a esse patamar, com 8,129 milhões
de postos", diz Fábio Romão, economista da LCA.
"Como na indústria prepondera a mão de obra masculina,
a reposição no setor ajuda a derrubar o desemprego entre
os homens", diz.
Para Cimar Pereira, do IBGE, é importante ressaltar a recuperação
na renda das mulheres. "Em março de 2002, o salário da mulher
valia 69% do do homem. Em maio deste ano, valia 72%." (CLAUDIA
ROLLI - Folha de S.Paulo)
08.07 - Senado amplia licença-maternidade
Projeto aprovado torna obrigatória a extensão do prazo
de quatro para seis meses; medida hoje é facultativa
Texto ainda vai para 2º turno e depois à Câmara;
licença maior custará R$ 414 mi aos cofres públicos,
prevê Receita
O Senado aprovou ontem, por unanimidade, PEC (Proposta de Emenda à
Constituição) que torna obrigatória a ampliação
da licença-maternidade de quatro para seis meses no país.
Hoje, a licença de 180 dias é facultativa às empresas,
que têm liberdade para aderir ou não à extensão
do benefício, e já é adotada em diversos órgãos
públicos.
Para que a licença obrigatória entre em vigor, a PEC
tem de ser votada em segundo turno (o que está previsto para agosto)
e depois vai para a Câmara. Se aprovada, segue para promulgação.
Autora da PEC, a senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN) disse que a ampliação
traz benefícios às empresas. "A mulher, quando fica mais
com o filho, volta ao trabalho mais produtiva e falta menos", afirmou.
No modelo facultativo, as empresas que aderirem ao programa "Empresa
Cidadã" podem deduzir do Imposto de Renda os dois meses extras de
salário-maternidade pagos pelos empregadores.
Segundo estimativas da Receita Federal, a licença-maternidade
de seis meses custará R$ 414 milhões aos cofres públicos
em 2010.
Ciarlini disse que a aprovação da PEC não traz
prejuízo às trabalhadoras, que temem correr risco de demissão
após o maior período de ausência do trabalho. "Todos
os países que avançaram na licença-maternidade não
enfrentaram esse problema."
LICENÇA-PATERNIDADE
No final do ano passado, a Comissão de Assuntos Sociais do Senado
também aprovou a ampliação da licença-paternidade
em algumas situações -como morte da mãe no pós-parto
ou se o casal escolher o pai para cuidar do filho adotado. A proposta está
em análise na Câmara dos Deputados.
Se projeto virar lei, o empregado poderá assumir o período
de licença-maternidade devido à mãe que morre no parto
ou no pós-parto, fica gravemente doente, abandona a criança
ou perde sua guarda. Se a mãe já tiver usado parte dela,
o pai terá direto ao restante.
Essa proposta também dá ao pai adotivo a possibilidade
de tirar os quatro meses de licença-paternidade, desde que a licença-maternidade
não tenha sido requerida. O projeto não especifica quais
seriam essas situações.
O projeto ainda estabelece situações em que o empregado
responsável por filho de até três anos deficiente ou
com uma doença que necessite de tratamento continuado poderá
se ausentar do trabalho por até dez horas semanais, que deverão
ser compensadas depois.
As despesas decorrentes da licença serão pagas pelo orçamento
da seguridade social, de acordo com o texto.
Em parecer enviado ao Senado no ano passado, o governo se manifestou
contra a proposta. (GABRIELA GUERREIRO - Folha de S.Paulo)
07.07 - Confiança na manutenção do emprego
O trabalhador brasileiro continua confiante na manutenção
do emprego, de acordo com o Índice de Medo do Desemprego, divulgado
pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O indicador
trimestral ficou em 82,3 pontos em junho, com alta de 0,4% sobre março,
quando havia atingido o menor índice (82 pontos) – sobre uma base
de 100 pontos – desde o início da pesquisa, em 1996. Quanto menor
a pontuação, maior a confiança na preservação
do emprego. O temor do desemprego chegou ao pico em maio de 1999 (119 pontos).
“O índice em junho denota grande segurança no emprego, uma
vez que se manteve muito próximo do piso histórico, registrado
em março”, diz a entidade. A pesquisa mostra que 53% das 2.002 pessoas
entrevistadas pelo Ibope entre 18 e 21 de junho afirmaram não estar
com medo do desemprego, o mesmo percentual registrado em março.
(Estado de Minas)
07.07 - Fatores que determinam a escolaridade do trabalhador
Está ocorrendo uma elevação na demanda por trabalhadores
qualificados em todas as partes do mundo
Uma das fontes de mudança estrutural em uma economia é
a alteração na sua posição competitiva no comércio
internacional. Esta, por sua vez, pode surgir por meio de um processo de
abertura comercial e financeira, como ocorreu em países desenvolvidos
a partir de meados da década de 1980, e em países em desenvolvimento,
a partir da década de 1990.
Pesquisadores como Edward Leamer e Adrian Wood defendem a tese de que
a abertura comercial entre países desenvolvidos e em desenvolvimento
teria sido a principal causa do aumento das desigualdades salariais nos
EUA e do aumento do desemprego na Europa e Japão. Esses autores,
com base no teorema de Heckscher-Ohlin (H-O), argumentam que os trabalhadores
menos qualificados foram os principais, senão os únicos,
prejudicados com as quedas de barreiras de importações tarifárias
ou não tarifárias de produtos oriundos de países como
China e Índia.
Esse teorema estabelece que a abertura comercial leva um país
a se especializar na produção do bem cuja fabricação
é intensiva em um fator de produção que possui em
abundância. Essa especialização levaria ao deslocamento
da produção, aumentando a demanda pelo fator abundante em
detrimento do fator escasso.
Desse modo, considerando como fatores de produção o trabalho
qualificado e o não qualificado, a abertura comercial em países
desenvolvidos, abundantes em trabalhadores qualificados, aumentaria a demanda
relativa por estes. Já no caso de países em desenvolvimento
que, em geral, possuem abundância relativa de mão de obra
não qualificada, a demanda por esse tipo de trabalhador aumentaria
relativamente. Como um corolário, o processo de abertura comercial
deveria elevar a desigualdade salarial nos países desenvolvidos,
tendo um efeito oposto naqueles em desenvolvimento.
Contudo, estudos empíricos constatam que o hiato salarial entre
os trabalhadores qualificados e não qualificados tem aumentado tanto
em economias desenvolvidas quanto em economias em desenvolvimento. Depreende-se
de tais estudos que está ocorrendo uma elevação na
demanda relativa por trabalhadores qualificados nos dois grupos de países.
Portanto, o teorema de H-O é insuficiente para explicar os movimentos
dos mercados de trabalho pelo mundo. A hipótese do viés de
habilidade da demanda por trabalho entra em cena a partir disso.
A hipótese do viés de habilidade pressupõe que
a abertura comercial, ao possibilitar uma maior difusão tecnológica
entre as economias, facilita (barateia) a incorporação de
métodos mais eficientes de produção nas firmas, inclusive
em países em desenvolvimento. Esses novos métodos, por sua
vez, demandam mão de obra mais qualificada. Por outro lado, a maior
concorrência externa forçaria as firmas a reagirem com maior
eficiência produtiva, mais qualidade e maior diferenciação
do produto, reforçando ainda mais a demanda por qualificação.
Em geral, estudos empíricos associam essa hipótese à
implementação da informática e da microeletrônica
nas rotinas de trabalho.
Apesar de as duas teorias não serem excludentes, elas apontam
para o mesmo sentido no caso de países desenvolvidos (aumento na
demanda relativa dos trabalhadores mais qualificados), enquanto os efeitos
destacados por ambas agem em direção oposta quando se considera
o grupo de países em desenvolvimento.
Utilizando a análise de decomposição para avaliar
salário e escolaridade dos trabalhadores da indústria de
transformação brasileira, entre 1994 e 2008, para testar
qual das duas hipóteses destacadas acima se ajusta melhor aos dados,
e considerando que o Brasil é um país, em média, abundante
em mão de obra pouco qualificada, encontramos resultados que indicam
que a hipótese do viés de habilidade seria adequada para
explicar os movimentos da demanda por qualificação apenas
no caso em que consideramos exclusivamente os trabalhadores com nível
superior completo. Entretanto, mesmo nesse caso, a contribuição
desse fator para explicar o comportamento do nível de escolaridade
dos trabalhadores foi pequena.
Com relação aos fatores estruturais, os resultados foram
condizentes com as predições do teorema H-O para uma economia
com abundância em trabalhadores pouco qualificados. Ou seja, as mudanças
estruturais ocorridas na economia - perdas e ganhos de participação
dos diferentes segmentos - têm ocorrido no sentido de reduzir a escolaridade
média dos trabalhadores da indústria de transformação.
Aqueles segmentos e empresas que empregam mão de obra qualificada
em maior proporção foram justamente os que perderam participação.
No entanto, os efeitos destacados por esse teorema não são
os mais relevantes para explicar as mudanças ocorridas na escolaridade
da mão de obra da indústria de transformação,
no período de análise. O fator mais relevante está
associado à oferta de qualificação.
Esses resultados indicam, em primeiro lugar, que os aumentos da escolaridade
média dos trabalhadores brasileiros têm respondido, em maior
medida, à expansão da oferta de ensino no país devido
a programas governamentais. Em segundo lugar, as mudanças estruturais
ocorridas, principalmente na década de 1990, não têm
agido de modo a aumentar a demanda por esse contingente crescente de trabalhadores
com maior qualificação. Por fim, os aumentos de produtividade
observados na década de 1990 não foram acompanhados por aumentos
significativos na demanda de trabalhadores qualificados nos serviços
e na indústria de transformação.
Concluindo, os resultados mostram que o crescimento na demanda por
trabalhadores com maior qualificação se concentra naquele
grupo com ensino superior completo, mas que esse aumento é fraco.
O aumento de qualificação se deve, em grande medida, a um
processo de substituição de trabalhadores pouco escolarizados
pelo crescente contingente de trabalhadores com ensino médio completo
sem impactos significativos na produtividade do trabalho, como pode ser
verificado pela estagnação, ou mesmo queda, dos salários
reais controlados pelo nível de escolaridade. Depreende-se, a partir
disso, que o processo de elevação do nível de escolaridade
dos trabalhadores não tem ocorrido de maneira a impulsionar o dinamismo
produtivo, as inovações, a qualidade e a competitividade
da economia brasileira. (Luciano Nakabashi, Armando Vaz
Sampaio e Rafael Camargo de Pauli - VAlor Online)
05.07 - Gratificação perde espaço nos salários
Em sete anos, despesas com vencimentos do Poder Executivo quadruplicaram,
enquanto gastos com gratificações cresceram 83%
Antes utilizadas como artifício para elevar a remuneração,
as gratificações para os servidores públicos perderam
espaço para os reajustes salariais no governo Luiz Inácio
Lula da Silva. A mudança da política de correção
salarial do funcionalismo ficou evidente em 2007 e se intensificou no ano
seguinte, quando várias categorias tiveram melhora dos rendimentos
mensais básicos e, algumas delas, incorporaram as gratificações
fixas.
Essa alta dos salários teve impacto direto nas contas públicas.
O Boletim Estatístico de Pessoal, divulgado pelo Ministério
do Planejamento, mostra que, de 2003 para 2010 (acumulado dos últimos
12 meses até janeiro), as despesas com salários (de civis
do Poder Executivo, exceto militares) quadruplicaram, passando de R$ 5,201
bilhões para R$ 20,319 bilhões. Já os gastos com gratificações
cresceram num ritmo menor, de R$ 5,392 bilhões para R$ 9,889 bilhões
atingindo o pico em 2008, com R$ 10,540 bilhões.
Esses números apontam, apesar do aumento dos gastos, que houve
uma nítida mudança na composição das despesas,
o que dá um pouco mais de liberdade para o governo aumentar salários
sem ter ampliação equivalente de gratificações
que são indexadas ao rendimento fixo.
No acumulado dos últimos 12 meses, as gratificações
para os servidores públicos representavam 12,4% das despesas totais
de R$ 79,5 bilhões do Poder Executivo. Já os salários
(vencimentos) passaram a corresponder a 25,6% dos gastos totais. Em 2003,
a situação era bem diferente. O peso das gratificações
equivalia a 14,8% das despesas totais, enquanto os salários respondiam
por 14,3%.
Extinção. A diretora de Relações de Trabalho
da Secretaria de Recursos Humanos (SRH) do Ministério do Planejamento,
Marcela Tapajós e Silva, reforçou que a inversão ocorreu
por causa dos reajustes negociados com os servidores em 2008.
Na ocasião, os vencimentos totalizaram R$ 10,540 bilhões,
ou 20,3% das despesas, e as gratificações de cargos somaram
R$ 13,460 bilhões, o equivalente a 15,9%. "As negociações
de 2008 aumentaram os vencimentos de todas as categorias. A proporção
não foi uniforme, mas todos foram atendidos", disse a diretora da
SRH.
Mesmo com essa mudança no perfil das despesas, as críticas
de analistas e consultores continuam, porque os dispêndios já
são elevados e só tendem a subir nos próximos anos.
De 2008 para 2009, as despesas da União com pessoal tiveram uma
expansão de 14,5%, atingindo o patamar recorde de R$ 149,648 bilhões.
Na avaliação de economistas, essa despesa reduz a margem
de investimentos em educação, saúde e infraestrutura,
fundamentais para a sustentação do crescimento econômico
no longo prazo.
A diretora de Relações de Trabalho do Ministério
do Planejamento explicou que, durante muitos anos, as gratificações
foram utilizadas para compensar a falta de reajustes.
Com isso, o contracheque do servidor ficou cheio de "penduricalhos".
A partir de 2011, a liberação de um benefício adicional
ao salário será feita de acordo com critérios de desempenho.
"As gratificações caminham para a extinção",
disse Marcela, acrescentando que isso é um processo gradual.
Metas. O governo já trabalha, nessa linha, para reduzir a quantidade
de gratificações. Em 2011, o valor de 48 das 61 gratificações
existentes será definido de acordo com o desempenho do servidor.
Em março, foi publicado no Diário Oficial da União,
o decreto n.º 7.133/2010, regulamentando os critérios para
realização das avaliações por desempenho do
serviço público.
O valor do benefício levará em conta o resultado de avaliação
individual do chefe direto. Atualmente, o benefício adicional é
fixo e não há metas claras para os servidores. Por isso,
as gratificações, que deveriam ter valores variáveis,
acabam se tornando fixas. Cerca de 200 mil servidores ativos serão
avaliados a partir do próximo ano.
A iniciativa, porém, já encontra resistências.
O secretário-geral da Confederação dos Trabalhadores
no Serviço Público Federal (Condsef), Josemilton Costa, já
afirmou ser contrário às novas determinações.
A avaliação é de que o salário do servidor
ficará menor.
A coordenadora-geral de Avaliação de Desempenho da Secretaria
de Recursos Humanos, Simone Velasco, explicou, no entanto, que a adoção
de um sistema de gratificação por desempenho tem como objetivo
melhorar a qualidade dos serviços públicos e estabelecer
metas para produção. "Será possível dar mais
visibilidade aos resultados", destacou. (Edna Simão
- O Estado de S.Paulo)
05.07 - Idosos que retornam ao mercado
Baixo valor da aposentadoria e responsabilidade pelo sustento da família
são principais motivos
Cada vez mais homens e mulheres entre 55 e 65 anos têm voltado
ao mercado de trabalho. Vivendo da aposentadoria e, muitas vezes, são
eles que sustentam o restante da família, a saída encontrada
para sobreviver é aceitar empregos em supermercados ou lojas, recebendo
entre R$ 600 e R$ 1.500 mensais.
Segundo o especialista em recursos humanos Eduardo Gnisci, do Centro
de Estudos Alexandre Vasconcellos (CEAV), a maioria dos idosos é
oriunda das classes média baixa e baixa.
- Os idosos preferem se manter no mercado de trabalho, pois, além
da aposentadoria não fazer jus a sua expectativa de manutenção
na maturidade, a dificuldade em lidar com o ócio tem sido considerado
um outro fator muito comum - explica Gnisci. - A volta deste profissional
ao mercado ocorre nos níveis mais baixos da economia, pois no Brasil
ainda não há uma cultura de valorização do
nível de conhecimento e experiência que pode ser agregado
pelo idoso.
A participação do idoso no mercado de trabalho se deve
ao maior comprometimento das empresas com seu papel social, segundo Gnisci.
"Esta participação têm se ampliado na última
década, diferentemente da década de 90, quando a força
de trabalho predominante era jovem, dotada de conhecimento tecnológico
oriundo do processo de globalização. Em relação
a outros países, a participação do idoso ainda é
muito baixa no Brasil.
Ainda se amplia o fosso se considerarmos países como Japão
e China, onde o nível de conhecimento e sabedoria apresentados pelos
idosos é mais valorizado", destaca.
Para Carlos Eduardo Guerra, vice-diretor da Faculdade de Direito da
Uerj, a longevidade e a questão financeira contribuem para este
retorno.
- O aumento da expectativa de vida associada a questões econômicas,
como manutenção da família ou mesmo de dependentes,
conduzem a elevada participação do idoso no mercado de trabalho
formal ou informal - diz.
O trabalho como meio de socialização
Quanto aos direitos do idoso que trabalha, o vicediretor do curso de
direito da Uerj, Carlos Guerra, afirma que, "além da CLT, deve ser
respeitado o estatuto do idoso, que dedica capítulo próprio
para o trabalho do aposentado.
- Destaca-se o artigo 28, que obriga o Poder Público a estimular
programas de profissionalização especializada para os idosos,
aproveitando seus potenciais e habilidades - ressalta Guerra.De acordo
com a socióloga do trabalho Natália Pacheco Júnior,
estar no mercado representa não apenas uma obrigação
financeira, mas também um importante fator de estímulo psicológico
e de interação social. "Estar trabalhando impacta necessariamente
na manutenção das relações sociais.
Muitos idosos, ao decidirem afastar-se de seus ambientes de trabalho,
apresentam sintomas de depressão e desânimo, ocasionados,
principalmente, não por fatores meramente psicológicos, mas
de cunho social", analisa.
Na administração pública, os limites de idade
para a contratação do servidor público são
os da aposentadoria compulsória, aos 70 anos. O único fator
limitante, no entanto, é o tempo de contribuição que
será usado para cálculo da aposentadoria, orienta Paulo Estrella,
diretor da Academia do Concurso. (Jornal do Brasil
01.07 - Taxa de desemprego em São Paulo fica estável em
maio
A taxa de desemprego da Região Metropolitana de São Paulo
ficou estável 13,3% em maio, segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego
(PED), realizada pela Fundação Seade e pelo Dieese (Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), e
divulgada nesta quarta-feira (30).
Em maio, o contingente de desempregados foi estimado em 1.422 mil pessoas,
5 mil a menos do que no mês anterior. Tal resultado decorreu de movimentos
atípicos para o período: saída de 39 mil pessoas da
força de trabalho da região e eliminação de
34 mil ocupações.
O nível de ocupação reduziu-se no comércio
(3,5%, ou eliminação de 52 mil postos de trabalho) e no agregado
outros setores (2,0%, ou 21 mil), aumentou nos serviços (0,7%, ou
criação de 37 mil postos de trabalho) e permaneceu relativamente
estável na Indústria.
Entre março e abril de 2010, o rendimento médio real
dos ocupados aumentou 0,7% e o dos assalariados diminuiu 1,6%, passando
a valer R$ 1.297 e R$ 1.329, respectivamente. A massa de rendimentos dos
ocupados cresceu 1,9%, reflexo de aumentos do nível de ocupação
e do rendimento médio. A massa salarial, por sua vez, diminuiu 0,9%,
resultado da retração do salário médio, uma
vez que o nível de emprego cresceu no período. (Executivos
Financeiros)
01.07 - Desemprego permanece estável no Grande ABC
A taxa de desemprego no Grande ABC permaneceu estável em maio,
na comparação com abril, com 13%. Na Região Metropolitana,
o efeito foi o mesmo, havendo estabilidade para o indicador, que permaneceu
em 13,3%.
Esses são dados divulgados hoje pela PED (Pesquisa de Emprego
e Desemprego) realizada pelo Seade/Dieese (Fundação Sistema
Estadual de Análise de Dados / Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos).
Na Região Metropolitana, o contingente de desempregados foi
estimado em 1.422 mil pessoas, 5 mil a menos do que no mês anterior.
Tal resultado decorreu de movimentos atípicos para o período:
saída de 39 mil pessoas da força de trabalho da região
e eliminação de 34 mil ocupações. (Diário
do Grande ABC)
01.07 - Mitos e verdades sobre o mercado de trabalho
O forte crescimento da economia antes e depois da recente crise mundial
alimentou a tese de que, no atual estágio de desenvolvimento do
país, já há escassez de mão de obra. As taxas
de desemprego, nas regiões metropolitanas onde a economia é
mais dinâmica, estão em níveis historicamente baixos
e o rendimento médio real dos trabalhadores tem crescido de forma
consistente desde 2006. Essa combinação poderia sugerir,
de fato, a existência de problemas no mercado de trabalho, mas os
números, olhados de perto, desmentem a ideia de escassez.
As notícias são boas. O economista-chefe do Credit Suisse,
Nilson Teixeira, e sua equipe se debruçaram sobre a Pesquisa Mensal
de Emprego (PME), feita pelo IBGE, e constataram que não há
desequilíbrio no mercado de trabalho. De janeiro a março,
o rendimento real efetivo do ocupados cresceu 2,3%, face a uma expansão
de 2,4% em 2009 e de 3,9% em 2008. Teixeira acredita que esse indicador
fechará 2010 com alta de 3,5%, ligeiramente abaixo do aumento médio
de 3,6% entre 2006 e 2008.
Os números mostram recuperação no pós-crise,
mas estão longe de revelar explosão. Se houvesse escassez
de mão de obra, os rendimentos estariam subindo num ritmo muito
mais forte. Um segundo mito cai por terra quando se verifica que, apesar
do zunzunzum de alguns setores e empresas quanto à falta de trabalhadores
de maior qualificação, o rendimento dos trabalhadores de
nível superior está avançando numa velocidade menor
que o dos outros profissionais.
Teixeira e sua equipe analisaram os microdados da PME, abrindo as estatísticas
do mercado de trabalho de um número maior de setores que os oito
grupos mencionados na pesquisa oficial. Eles verificaram 23 setores, representativos
de 89% da população ocupada, e concluíram que quem
ganha menos está tendo aumentos salariais mais generosos do que
aqueles que ganham mais. "Enquanto o rendimento médio dos 11 principais
setores que oferecem menor remuneração média aumentou
10% no acumulado do ano até abril, nos segmentos com maiores salários
médios o aumento do rendimento foi de 8% no período", diz
o economista-chefe do Credit Suisse.
Quando se analisa por grau de escolaridade, observa-se que os trabalhadores
com ensino fundamental (33% da população ocupada) dos 23
setores analisados tiveram, em média, aumento acumulado de 9,6%
entre janeiro e abril. Já os que possuem segundo grau (37% do total)
ganharam 7,7% no mesmo período e os que têm curso superior
(19%), 4,2%. Os números mostram, ainda, que não tem havido
discrepância significativa entre os ganhos salariais entre os setores,
quando divididos por nível de escolaridade. Um exemplo: enquanto
os trabalhadores com ensino superior dos setores com menores rendimentos
tiveram ganho salarial de 4%, os de maior rendimento foram aquinhoados
com 3,7%.
Em apenas seis, dos 23 setores, profissionais com diploma de ensino
superior tiveram, de janeiro a abril, aumento real médio superior
ao dos trabalhadores menos qualificados - edição, impressão
e reprodução de gravações; fabricação
de produtos de metal (com exceção de máquinas e equipamentos);
comércio de veículos e combustíveis; móveis
e indústrias diversas; alojamento e alimentação; e
vestuário.
Apesar disso, a equipe do Credit Suisse constatou que, nesses seis
setores, o crescimento da população ocupada entre janeiro
e abril foi de 3,6%. Nos 23 setores, a expansão foi de 3,7%. Dessa
forma, é possível concluir que os segmentos mais dinâmicos
não estão elevando mais fortemente a demanda por profissionais
qualificados, logo, os rendimentos também não estão
subindo de maneira mais expressiva.
"No nosso entender, o crescimento do rendimento dos trabalhadores com
ensino superior não supera o dos demais por conta de não
haver desequilíbrio entre a demanda e a oferta por trabalhadores
com qualificação relativamente mais elevada", explica Nilson
Teixeira. De fato, os números mostram que a população
ocupada com ensino superior avançou no ano, até abril, 8,2%.
No mesmo período, a população economicamente ativa
(PEA) com educação superior cresceu 7,8%, enquanto a PEA
total elevou-se 2%. Já a população desocupada do mesmo
segmento encolheu 1,6%. "Esse resultado sugere que, apesar da forte elevação
da demanda por trabalhadores mais qualificados, a oferta dos mesmos também
cresce expressivamente."
Na avaliação de Teixeira, o crescimento mais forte da
força de trabalho escolarizada não reflete uma maior busca
por emprego desses profissionais, mas uma tendência interessante:
a qualificação da mão de obra. Dadas as exigências
do mercado, os trabalhadores estão indo à luta para se qualificar
mais. Os dados mostram isso - o crescimento da população
em idade ativa (PIA) com ensino superior foi de 7,3% até abril,
enquanto a PIA total subiu 1,5%.
Nos últimos anos, grandes empresas vêm se queixando, por
exemplo, da falta de engenheiros no mercado de trabalho. Este é
um desafio que o país terá que superar no futuro próximo.
Escassez de mão de obra pressiona os custos de produção
e, por consequência, a inflação, o que em última
instância limita o crescimento da economia. O que a análise
do Credit Suisse revela é que o problema, se já existe, não
é generalizado, portanto, não deverá limitar a expansão
brasileira no curto prazo. (Cristiano Romero - Valor Online)
30.06 - Cresce a troca de emprego no período de experiência
Em 2010, quase 168 mil trabalhadores da região metropolitana
de São Paulo não chegaram a completar o período de
três meses de experiência na vaga. Saíram antes. O número
representa aumento de 22,15% em relação ao mesmo período
do ano passado e é o mais alto da década.
A estatística, à primeira vista, pode causar estranhamento.
Afinal, o mercado de trabalho anda aquecido, as empresas já reclamam
de falta de mão de obra qualificada, os salários estão
em alta e o nível de desemprego na Grande São Paulo (7,8%)
está próximo dos patamares mais baixos da história.
Seria natural então supor que não há razões
para a dispensa dos trabalhadores.
“Mas quando a economia está aquecida, a rotatividade dos trabalhadores,
que já é muito alta, sempre cresce”, diz José Dari
Krein, professor de Emprego e Renda da faculdade de Economia da Unicamp.
“Esse aumento se justifica, em parte, pela estratégia das empresas
de adotarem uma contratação formal em vez de optarem pela
criação de vagas temporárias, que requerem um procedimento
mais burocrático”, opina.
O modelo formal é menos complexo, explica Krein, porque não
envolve por exemplo a necessidade de negociação sindical
e nem requer que a empresa esteja em dia com as contas da Previdência.
Porém, a principal razão apontada pelos especialistas
para o crescimento do número de pessoas que não ultrapassam
os três meses de experiência no emprego é extremamente
positiva – para os trabalhadores. Os empregados estariam abandonando as
vagas precocemente por encontrarem oportunidades melhores.
“Com o mercado muito aquecido, o trabalhador sai em vantagem, pois
fica com mais chances de escolher. Não precisa aceitar o que aparece”,
afirma Márcia Pedroza, professora da disciplina de Emprego da PUC-SP.
“Assim, se ele é chamado para uma vaga com um salário melhor,
por exemplo, ele abandona o emprego atual mesmo que tenha sido contratado
recentemente.”
A professora ressalta que, quando está procurando emprego, é
natural que o trabalhador contate várias empresas, distribua currículos.
“As respostas dos empregadores podem vir em momentos diferentes. Só
nessa hora então o funcionário pode decidir se fica ou não
onde está”, comenta. (Carolina Dall’Olio - Agência Estado)
29.06 - Menos emprego
Na contramão do desempenho apresentado por outros setores, em
maio a construção pesada registrou queda no nível
de emprego pelo segundo mês consecutivo no Estado de São Paulo.
Com a demissão de 1.023 trabalhadores, a redução
foi de 1,21% em relação a abril, segundo levantamento do
Sinicesp (Sindicato da Indústria da Construção Pesada
do Estado de São Paulo).
O mês anterior já havia registrado queda de 1,29% com
a demissão de cerca de 1.100 trabalhadores.
O emprego no setor está aparentemente "andando de lado", segundo
Helcio Farias, responsável pelo departamento técnico do Sinicesp,
mas ainda não há alarde, segundo ele.
"Esperamos crescimento nos próximos meses, pois há investimentos
federais e estaduais em andamento", afirma Farias.
Na comparação com o ano passado, o sindicato registrou
avanço do emprego. Em maio de 2009, o setor empregava 75.646 trabalhadores.
Em maio deste ano, as empresas contabilizaram 83.627 empregados.
(Maria Crisitina Frias - Folha de S.Paulo)
29.06 - Plano de saúde empresarial decide valor de reajuste
"No próximo mês completaremos um ano juntos e agora precisamos
discutir alguns pontos do nosso relacionamento". Foi essa mensagem que
o plano de saúde da jornalista Anna Lúcia França escolheu
para avisá-la sobre o reajuste do convênio, em 40%. Inconformada,
ela procurou seus direitos e descobriu que o DR (Discutir o Relacionamento)
estava apenas começando. Como possui plano familiar fechado por
meio de empresa, a jornalista não pode utilizar a ANS (Agência
Nacional de Saúde) ou o Procon como apoio para resolver o imbróglio.
"Isso acontece porque os planos feitos por pessoa jurídica não
são regulamentados pela ANS. Ficam livres para negociação
entre as duas empresas. Não é um contrato de adesão,
e sim grupo fechado. Não seguem as mesmas regras de pessoa física.
Não há muito o que o Procon possa fazer", justifica a diretora
do órgão em Santo André, Ana Paula Satcheki.
Segundo ela, a história ainda fica pior: é cada vez menor
o número de operadoras que oferecem planos individuais aos clientes.
"É muito mais caro bancar um plano em pessoa física, então,
eles empurram aos consumidores outros planos, que passam por entidades
e associações, mas não explicam as implicações
desse contrato", afirma.
Entre os problemas, Ana Paula cita o fato de as novas regras da ANS
-, que determinam o atendimento de cerca de 44 novos procedimentos -, não
valerem para esses planos.
"É algo que tem de ser revisto com urgência pela agência.
O Procon foi informado por uma grande operadora que a maioria delas já
não negocia planos individuais desde 2004. Ou seja, grande parte
dos consumidores brasileiros não se beneficiará das novas
regras, porque a ANS não regula esses contatos."
A decisão sobre o reajuste do convênio também é
algo complicado nessa situação. De acordo com a diretora,
o cálculo do índice deveria ser feito pela operadora e negociado
com a empresa, mas, nas menores, funciona apenas como comunicado. "O valor
do aumento estipulado pela ANS, em 2009, foi de 6,63%, mas nos planos empresariais
pode ser muito menor ou muito maior. Depende da relação,
do número de funcionários."
No caso de Anna Lúcia, que possui plano com poucas pessoas,
a decisão foi apenas comunicada e baseou-se na alta utilização
do contrato. A jornalista usou duas vezes neste ano o serviço de
internação, o que teria gerado o aumento do uso e o reajuste
de 40%. "Nesses casos, não há muito o que se fazer por parte
dos clientes. É necessário entrar com ação
judicial e questionar isso. Mas leva muito tempo", pontua a diretora do
Procon.
Procon dá dicas para evitar problemas com operadoras
Para evitar sustos ou minimizar problemas no contrato de plano de saúde,
fechado por meio de associações e empresas, a diretora do
Procon de Santo André, Ana Paula Satcheki, diz que é fundamental,
antes de escolher a operadora, conhecer mais sobre o plano.
"O consumidor tem de procurar pessoas que já têm aquele
plano, saber se não houve problemas na cobertura de exames ou no
reajuste anual. Além disso, é importante conhecer a entidade
que responde pelo plano empresarial. Ele pode consultar no Procon se não
há denúncias contra a entidade", explica.
Conhecer a rede de atendimento e guardar contratos também é
fundamental, de acordo com a diretora. "Tivemos caso de uma família
que fechou contrato e nem recebeu o livro com o nome dos locais que atenderiam
esse convênio. Quando precisaram do serviço, nem sabiam para
onde ir", alerta.
O consumidor também pode pedir ajuda ao Procon. "Sempre tentamos
intermediar essas situações e ajudar o consumidor", conclui
Ana Paula. (Paula Cabrera - Diário do Grande ABC)
29.06 - Empresas pagam médico top "por fora" para funcionários
Prática evita que empregados percam tempo com médicos
ineficazes oferecidos pelos planos de saúde
Algumas grandes empresas já não oferecem a seus funcionários
só o plano de saúde tradicional. Decidiram pôr à
disposição médicos e hospitais extras, muitos de altíssimo
nível.
Nessas listas figuram os hospitais Albert Einstein e Sírio-Libanês,
os mais conceituados de São Paulo, e medalhões como Roberto
Kalil (cardiologista do presidente Lula), David Uip (infectologista que
cuida da modelo Naomi Campbell) e Claudio Lottenberg (oftalmologista diretor
do Einstein).
Entre as empresas que adotam esse tipo de política estão
os bancos HSBC e Santander e a operadora de telefonia móvel Vivo.
Todas têm contrato com grandes planos de saúde. O que
as levou a ampliar as opções de médicos e hospitais
foi a constatação de que a rede credenciada desses convênios
muitas vezes não tem competência suficiente para solucionar
todos os problemas de seus funcionários.
"Você vai ao médico do convênio, e ele pede dez
exames, sem objetivos definidos. Aí você não gosta,
vai a outro, que pede mais 20 exames. Enquanto isso, o tempo passa, dinheiro
é desperdiçado e seu problema não é resolvido",
diz o diretor de saúde da Vivo, Michel Daud.
Na Vivo e no HSBC, os funcionários com doenças mais graves
-não importando o cargo- são encaminhados para os médicos
e hospitais "top". Os custos são bancados pela empresa.
No caso do Santander, o banco pediu à operadora contratada que
sua lista de médicos fosse maior que a oferecida a outras empresas.
Os nomes extras foram escolhidos pelo banco.
"São médicos de qualidade, que não atendem pelos
convênios", afirma a gerente de recursos humanos do Santander, Beatriz
de Pieri.
Os médicos mais conceituados não aceitam os planos convencionais
porque as operadas pagam em média R$ 35 por consulta. Quando quem
paga é o paciente, os profissionais cobram pelo menos R$ 400.
GASTOS
O investimento em médicos e hospitais qualificados vai na contramão
das políticas de redução de custos das operadoras
de plano de saúde, como negar exames e cirurgias, enxugar a rede
credenciada e oferecer honorários médicos defasados.
"Esse tipo de corte resolve apenas no curto prazo. Mas, no médio
e no longo prazo, a situação piora", diz Vera Saicali, diretora
de recursos humano do HSBC.
Quando se recorre a muitos médicos e exames, a mensalidade do
convênio sobe mais no ano seguinte, e os empregados levam mais tempo
para voltar ao trabalho.
A Vivo diz que seus gastos com saúde representam 9% da folha
de pagamento, abaixo da média de 16% das empresas. No Santander
e no HSBC, a mensalidade do plano de saúde subiu 3% e 8% respectivamente
no último ano, ante 11% do mercado.
Funcionária de banco "passou" por 5 médicos
Há dois anos, a funcionária do HSBC Carolina Riederer,
24, buscou ajuda médica. Tinha visão dupla, fraqueza e desequilíbrio.
Em três meses, passou por cinco médicos. Por fim, recorreu
ao ambulatório do HSBC, que pagou a consulta com Eduardo Mutarelli,
um dos melhores neurologistas do país.
Constatou que sofria de esclerose múltipla. "Faz diferença
um médico que conhece o assunto." (RICARDO WESTIN -
Folha de S.Paulo)
28.06 - Taxa de desemprego de maio é de 7,5%
Há mais trabalhadores em busca de vagas; o índice do
IBGE fica quase estável, mas é o menor para os meses de maio
desde 2002
A procura por uma vaga no mercado de trabalho aumentou em maio e elevou
a taxa de desemprego apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) nas seis principais regiões metropolitanas do País
para 7,5%. Apesar da pequena alta em relação aos 7,3%, a
situação do emprego foi considerada "estável" pelo
instituto. A taxa é a menor para meses de maio desde o início
da série histórica da pesquisa, em 2002.
O desempenho do emprego foi diferenciado entre as regiões e
a renda real caiu pela primeira vez desde dezembro do ano passado. O gerente
da pesquisa, Cimar Azeredo, disse que o resultado de maio reflete o aumento
da procura por trabalho, já que o número de desocupados (sem
emprego e à procura de uma vaga) subiu 3,2% ante abril, totalizando
1,76 milhão de pessoas.
"O aumento da ocupação não foi suficiente para
atender todas as pessoas que buscavam trabalho. Nesse período do
ano é comum aumentar a busca por uma vaga, especialmente diante
das notícias de cenário econômico mais favorável,
que estimulam a população a procurar trabalho", explica Azeredo.
Para ele, "não houve piora" no mercado de trabalho no mês.
O analista da Tendências Consultoria Bernardo Wjuniski concorda
e acredita que "as perspectivas favoráveis em relação
ao desempenho da economia devem contribuir para a ampliação
da oferta de vagas, além de elevar a procura por emprego".
O economista da Nobel Asset Management, Paulo Val, também avalia
que, apesar do desemprego, "o mercado de trabalho continua aquecido".
Regiões. Um dos principais destaques do desempenho do mercado
de trabalho em maio, na avaliação de Azeredo, foi a discrepância
nos resultados entre as regiões. Enquanto as cidades do Nordeste
apresentam taxas de desemprego acima da média, no Sudeste e no Sul
as taxas são inferiores à média das seis regiões.
Em maio, a menor taxa de desemprego regional foi apurada em Porto Alegre,
com 5%, "uma taxa de padrão americano de antes da crise", segundo
sublinhou Azeredo. Em abril, a taxa era de 5,4%. Já em Salvador,
a taxa em maio foi de 12% e em Recife, de 9,7%, ante taxas de 11,2% e 9,1%,
respectivamente, em abril.
Segundo Azeredo, essas diferenças regionais "refletem as diferenças
na estrutura econômica, etária e demográfica entre
as seis regiões metropolitanas". Em São Paulo, a taxa foi
de 7,8%, pouco acima dos 7,7% de abril. O gerente explica que o mercado
de trabalho paulista tem a peculiaridade de atrair mão de obra migratória
de outras regiões brasileiras, sobretudo do Nordeste.
Renda. O rendimento médio real dos trabalhadores registrou,
em maio, a primeira queda ante mês anterior apurada pelo IBGE em
2010. O último recuo anterior, nessa base de comparação,
havia ocorrido em dezembro de 2009, de 0,9%, a mesma queda apurada em maio
deste ano ante abril. Azeredo disse que o recuo reflete a alta da inflação,
mas também uma perda do poder de compra dos trabalhadores.
(Jacqueline Farid, colaborou Flávio Leonel - O Estado de S.Paulo)
28.06 - O quebra-cabeça do trabalho e renda
Em meados de maio, Jacques Diouf, o secretário-geral da Organização
para a Alimentação e a Agricultura (FAO), órgão
da ONU, lançou o manifesto 1billionhungry (1 bilhão de famintos)
e pediu que todas as pessoas no mundo o assinem, para mobilizar governos
e instituições e forçá-los a assumir programas
que pelo menos reduzam esse "quadro vergonhoso" e levem ao cumprimento
dos Objetivos do Milênio. E um deles é exatamente até
2015 reduzir à metade aquele número. Mas é muito pouco
provável que a meta seja atingida, não só porque o
contingente de pobres no mundo tende a aumentar com a crise econômica
e o crescimento da população (mais 2 bilhões a 2,5
bilhões de pessoas até 2050), como porque a própria
FAO prevê que o preço dos alimentos, principalmente trigo,
outros cereais, produtos lácteos e azeites, tende a crescer entre
15% e 45% nesta década ? e os pobres não terão recursos
para acompanhar a alta.
Na verdade, o problema não está só na quantidade
de alimentos ? hoje já há produção suficiente
para todas as pessoas, mas não há poder de compra equivalente
(de qualquer forma, estima a FAO que a produção precisará
aumentar 70% até 2050). As estatísticas globais comprovam
isso. Segundo pesquisa do Boston Consulting Group (Estado, 11/6), a parcela
mais pobre da população mundial, que é a imensa maioria,
respondeu por apenas 38% do movimento econômico global de US$ 1,33
trilhão/ano, quando apenas 127 mil famílias, todas com patrimônio
acima de US$ 1 milhão em 2009, responderam por 44% do movimento.
As famílias milionárias (11,2 milhões), diz a pesquisa,
embora sejam apenas 0,0016% da população mundial, detêm
55% da riqueza mundial. E 4,7 milhões delas estão nos Estados
Unidos.
As questões do trabalho, pobreza e renda estão hoje no
centro dos debates no Brasil, principalmente nas discussões sobre
as eleições. E qual será a nossa situação?
Diz a Fundação Getúlio Vargas que entre 2003 e 2009
a pobreza no País caiu 43%, porque 31,9 milhões de pessoas
ascenderam às classes A, B e C. Para tanto contribuíram melhoras
na renda do trabalho (67%), "progressos sociais" (17%) e "benefícios
previdenciários" (15,5%). No atual governo federal, o número
de pobres reduziu-se em 19,4 milhões. Mas ainda são pobres
29,9 milhões (16% da população), membros de famílias
em que a renda per capita está abaixo de R$ 137 mensais; 67,7% das
pessoas que trabalham recebem, no máximo, dois salários mínimos
mensais (R$ 1.020).
Para o sociólogo Jessé Souza, da Universidade Federal
de Juiz de Fora (Folha de S.Paulo, 24/5), autor de A Ralé Brasileira,
"a desigualdade no Brasil é abissal", tendo em vista a parcela da
população que "vive como subgente". E é uma situação
que, a seu ver, "o Bolsa-Família, sozinho, não tem como reverter",
embora beneficie 12,4 milhões de famílias, que somam quase
50 milhões de pessoas. No Nordeste, por exemplo, os benefícios
do programa não superam R$ 70 mensais, em média. E no Norte
não é diferente. Nessas regiões, a renda média
é de R$ 65,29, na última, e R$ 66,20 na primeira ? e ainda
assim o programa aumentou em 48,74% a renda em toda a região. Mas,
reconhece o próprio Ministério do Desenvolvimento Social,
2 milhões dos 12,4 milhões de famílias que recebem
o benefício "são extremamente pobres".
O economista Márcio Pochmann, do Ipea, acrescenta mais um complicador:
o desemprego no Brasil "é jovem", porque um em dois desempregados
tem menos de 25 anos; e 80% dos desempregados (7 milhões de pessoas
nas seis maiores regiões metropolitanas) não têm experiência
profissional, são de "baixa qualificação". Não
por acaso, o ministro Carlos Lupi, do Trabalho e Emprego, acha que é
preciso qualificar 4,5 milhões de pessoas por ano para evitar um
"apagão da mão de obra" que se prenuncia na retomada econômica.
Mas também aí há avanços, porque pela primeira
vez o IBGE registra que nas áreas metropolitanas 50% das pessoas
que trabalham têm carteira assinada. Provavelmente é uma das
razões que levaram a renda média das famílias a aumentar
10% em 2009 e chegar a R$ 1.285 (pouco mais de US$ 700).
Há visões diferenciadas, como a que expõe Plínio
de Arruda Sampaio na revista Problemas Brasileiros (maio/junho 2010), da
Federação do Comércio do Estado de São Paulo.
Com longa atuação na política ? foi deputado federal
em 1962, exilado político, membro do PT a partir de 1980, coordenador
do Plano Nacional de Reforma Agrária (2003), em 2005 ajudou a fundar
o PSOL e por esse partido é candidato à Presidência
da República ?, faz críticas duras aos governantes. Na sua
visão, o País tem dois problemas centrais: dependência
externa e "a miséria do povo", que não é apenas econômica,
mas também "física, intelectual e cultural". Mas, ainda assim,
"o povo está contente", graças, principalmente, a 50 milhões
de pessoas que "recebem um pequeno auxílio" (o Bolsa-Família),
"com o qual fingem que comem". Admite, porém, uma mudança:
"Pelo menos fingem que comem; antes, nem fingiam." A eles se somam, a seu
ver, outros 20 milhões "que ascenderam a um tipo de consumo que
era considerado dos ricos, que é o da linha branca de eletrodomésticos".
Arruda Sampaio vê um paradoxo. Suas pesquisas dizem que "todos
acham que está melhor", mas "em termos individuais a resposta é
negativa". A aparente melhora, na sua opinião, é uma "realidade
superficial", porque, na verdade, "a burguesia está nadando de braçada.
Ela encontrou o socialista que pediu a Deus, que é Lula, porque
ele traz o povo tranquilo e segue a política econômica que
interessa à burguesia". Por isso, "o homem do povo não admite,
não pensa em alternativa, é incapaz de imaginar outras possibilidade
de organizar a vida brasileira". O ex-petista, em síntese, quer
"reinventar o socialismo".
É mais uma visão desse complexo quadro político-econômico-social
que antecede as eleições de outubro. E que desafia a cabeça
dos planejadores de campanhas. (Washington Novaes - O Estado de S.Paulo)
25.06 - Brasil vai ter falta de mão de obra em 20 anos
Vai faltar mão de obra no Brasil em 20 anos, tanto especializada
quanto de baixa qualificação. A única solução
para evitar um colapso na economia é melhorar o ensino infantil
a partir de 2011, afirma o Ceal (Conselho Empresarial da América
Latina) em evento na zona sul de São Paulo, na manhã desta
quarta-feira (23). Formado por executivos, o Conselho elabora propostas
para apresentar uma agenda de educação aos candidatos à
Presidência da Republica.
Alberto Pfeifer, coordenador geral executivo do Ceal, afirma que a
taxa de natalidade brasileira está caindo e, em duas décadas,
o número de adultos com mais de 60 anos será maior do que
pode suportar o orçamento da Previdência Social.
Com mais pessoas recebendo aposentadoria e menos trabalhadores chegando
ao mercado, explica ele, o país terá que investir em crianças
e idosos ao mesmo tempo, e “ as contas não vão aguentar”.
Pfeifer afirma que investir na educação desde agora vai permitir
que as próximas gerações estejam qualificadas e preparadas
para desenvolver trabalhos com maior retorno econômico.
- Já temos um gargalo de mão de obra qualificada no pais.
Faltam engenheiros, por exemplo. Mas em 20 anos vão faltar também
médicos e faxineiras, por exemplo, porque haverá menos jovens
entrando no mercado de trabalho.
Dados apresentados pelo Ceal com base no IBGE (Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística) mostram que nos anos 70, cada mulher
tinha, em média, 6,4 filhos. Hoje, o número caiu para 1,7
filho por mulher. Segundo o executivo, nas classes sociais nais ricas,
a proporção já é de menos de um filho para
cada mulher. Ou seja, nem todas engravidam e as que o fazem não
costumam ter muitas crianças.
- Isso [o gargalo] vai acontecer. É inevitável.
Um evento do MEC (Ministério da Educação) realizado
na semana passada mostrou a situação ruim do ensino infantil
no país. A nota média das creches analisadas em seis capitais
foi 3,3 e, das pré-escolas, 3,4, em uma escala de 0 a 10.
O Ceal está convencido de que não adianta apenas investir
na abertura de escolas e universidades, pois a formação intelectual
do ser humano ocorre nos primeiros anos de vida. Por isso, é preciso
não só melhorar as condições de creches e pré-escolas,
mas também encontrar uma maneira de envolver as empresas, a sociedade
e o governo na criação dessa crianças.
Pfeifer ressalta que é fundamental aumentar a produtividade
e a formação dos profissionais brasileiros.
- Se todo brasileiro que nascer hoje tiver uma boa formação
infantil e, por consequência, [tiver] o acesso à universidade,
em 20 anos você resolve o problema da educação no mercado
de trabalho no país.
O presidente do instituto Zero a Seis, João Augusto Figueiró,
concorda com Pfeifer e diz que até os três anos de idade são
formadas mais de 90% das conexões cerebrais, “graças a interação
do bebê com os estímulos do ambiente”. (clickPB)
25.06 - Negociações garantem 2% de aumento real de salário
Os sindicatos de trabalhadores já começaram as negociações
para garantir aos salários uma parte do aumento da produtividade
obtida pela indústria e outros setores desde a recuperação
da economia. Segundo levantamento do Valor, alguns sindicatos com data-base
nesse primeiro semestre já conquistaram acordos reais superiores
aos 2% médios de 2009.
O setor de construção civil, principal eixo motor da
recuperação econômica desde 2009, surge com acordos
importantes. Em São Paulo, os 370 mil trabalhadores em canteiros,
pintura e hidráulica receberam aumento de 2,4% acima da inflação.
No Rio de Janeiro, os trabalhadores do setor negociaram índices
reais maiores - 3,2% para a categoria e 5,5% para o piso. O movimento de
alta, no entanto, não é restrito a esse setor.
Os cerca de 12 mil trabalhadores em padarias de sete cidades do ABC
paulista atingiram ganho real de 3,2%, além do abono de R$ 120,
no acordo selado em maio. Com data-base no mesmo mês, os mais de
quatro mil trabalhadores da indústria do suco em São Paulo
ampliaram os pisos salariais em 2,5% além da inflação
- para o restante da categoria, o aumento real foi de 1,6%. Em março,
os cerca de 30 mil funcionários de tecnologia da informação
em São Paulo atingiram aumento real de 1,9% e 8,4% para os piso,
além da redução da jornada de trabalho, de 44 para
40 horas semanais a partir de 2011.
O sindicato dos trabalhadores na indústria de calçados
de Franca, no interior de São Paulo, conquistou reajuste real de
2%, que será repassado aos cerca de 30 mil operários da região.
Os 16 mil trabalhadores na indústria de plásticos de Joinville
(SC) tiveram aumento real de apenas 0,7%. O valor, por outro lado, foi
superior aos 0,3% de 2009. Para Isaias Silva, diretor do sindicato, "a
melhora da economia ajudou muito nas negociações".
No segundo semestre concentram-se as negociações de categorias
mais fortes e organizadas, como os metalúrgicos de montadoras e
autopeças, químicos, papeleiros, petroleiros e bancários,
entre outros. O Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos
Socioeconômicos (Dieese) aponta que 79,9% dos acordos coletivos realizados
no ano passado registraram aumento real de renda, com reajuste médio
de 2% acima da inflação. O Dieese avalia que o número
de categorias com ganhos reais será maior nesse ano.
Os sindicalistas usam duas bandeiras no momento de sentar para negociar.
O crescimento da economia - no primeiro trimestre o Produto Interno Bruto
(PIB) atingiu crescimento anualizado de 11% - e os ganhos de produtividade.
Nos dados calculados pelo Valor, com base no cruzamento da Pesquisa Industrial
Mensal e na de Emprego Industrial, ambas do IBGE, o aumento da produtividade
do trabalhador na indústria foi de 4,7% nos 12 meses encerrados
em abril em relação aos 12 meses anteriores, percentual 60%
superior ao aumento de 1,9% na folha de pagamentos (na mesma comparação).
Para José Silvestre Prado de Oliveira, coordenador de relações
sindicais do Dieese, os sindicatos têm muita margem de manobra. "Os
ganhos de produtividade são muito superiores ao que é efetivamente
repassado aos trabalhadores, o que, aliado ao forte ritmo da economia e
ao fato de que é a indústria quem está puxando o PIB
dão aos sindicatos força para pedir mais", raciocina Oliveira.
A movimentação no meio sindical é de unir-se para
fortalecer as demandas. O presidente em exercício da Força
Sindical, Miguel Torres, que também preside o sindicato dos metalúrgicos
de São Paulo, propôs na terça-feira às outras
cinco centrais reconhecidas pelo Ministério do Trabalho - CUT, UGT,
CTB, NCST e CGTB - que os sindicatos pertencentes às entidades cuja
data-base ocorre entre julho e dezembro atuem em conjunto nas negociações.
"Já que as centrais estão unidas em torno de bandeiras consensuais,
como redução de jornada, por que não unirmos os sindicatos
para conseguirmos acordos mais relevantes e reajustes maiores?", diz Torres.
Os metalúrgicos de São José dos Campos e Campinas
definem uma pauta conjunta de acordos na semana que vem. No ano passado,
os sindicatos conquistaram, respectivamente, reajustes reais de 3,7% e
5,3%. Segundo Antônio Ferreira de Barros, o Marabá, operário
da GM e diretor do sindicato de São José, "os trabalhadores
estão atentos ao crescimento econômico, principalmente o da
indústria automobilística. Então, vamos negociar um
acordo maior que o de 2009".
Algumas categorias não fecharam bons acordos. Wagner Gomes,
presidente do sindicato dos metroviários de São Paulo, avalia
que o acordo fechado no mês passado - que prevê apenas recomposição
da inflação - deixa os trabalhadores "descontentes". "Todo
mundo está vendo a economia crescer e o desemprego cair, mas não
têm jeito. A negociação no Estado não ultrapassa
inflação", diz.
O espaço dado pela produtividade, dizem os economistas, indica
que os salários podem ser corrigidos sem pressionar a inflação.
Para Alcides Leite, professor de economia da Trevisan Escola de Negócios,
a indústria está sofrendo com falta de mão de obra
qualificada na medida que precisa dela para continuar investindo e ampliando
sua produtividade. "Isso quer dizer que a tendência é os salários
aumentarem, principalmente naquelas categorias representadas por sindicatos
fortes".
Para ele, no entanto, os salários não estão por
trás do aumento inflacionário. "São muitas variáveis
em jogo, como a taxa de câmbio, as oscilações nos preços
das commodities e os preços administrados. Uma das coisas são
os salários, mas sozinho ele não é capaz de gerar
inflação no país, não é isso o que está
ocorrendo".
Rogério Cesar de Souza, economista do Iedi, refuta a ideia de
que a correção dos salários esteja pressionando a
inflação. "Todos viram que foram fatores sazonais que pressionaram
os preços no começo do ano, tanto que agora já estão
caindo forte", diz ele, em referência a queda do IPCA verificada
em maio e junho. (João Villaverde - Valor Online)
25.06 - Greve no INSS faz perícia atrasar 2 meses
Trabalhadores que tinham consulta agendada para passar por perícia
médica do INSS ontem vão esperar, em média, dois meses
para serem atendidos. Quem tiver agendamento nos próximos dias também
poderá ser afetado. Os 4.600 médicos peritos do Estado de
São Paulo estão em greve por tempo indeterminado desde ontem.
Eles querem diminuir a carga horária semanal de 40 para 30 horas
sem redução de salário.
A estimativa é que 82.800 trabalhadores sejam prejudicados em
apenas
um dia com a paralisação no Estado. Na capital seriam cerca
de 21.600 --cada médico faz cerca de 18 consultas diárias,
segundo a ANMP (associação dos médicos peritos).
O tempo de espera médio para marcar uma perícia no Estado
já é de 60 dias, mesmo sem a greve. Ou seja, agora muitos
trabalhadores terão de esperar, no total, quatro meses pela consulta.
(Livia Wachowiak Junqueira - Agora S.Paulo)
22.06 - Brasil gera 298 mil vagas formais em maio, recorde para o mês
A economia brasileira criou 298.041 postos de trabalho com carteira
assinada em maio, novo recorde para o mês, informou o Ministério
do Trabalho e Emprego nesta segunda-feira. O número também
representa o quarto maior volume de empregos gerados em um único
mês, de acordo com o ministro Carlos Lupi.
No acumulado do ano, o número de vagas criadas é de 1.260.368,
também o melhor resultado da série histórica, iniciada
em 1992, para o período. O número é resultado de cinco
recordes seguidos registrados desde o início do ano.
No final de abril, Lupi elevou para 2,5 milhões a previsão
de novos empregos formais a serem gerados neste ano. A projeção
oficial anterior era de 2 milhões, mas o ministro já vinha
afirmando que esse número seria revisado para cima diante do resultado
dos primeiros meses de 2010.
Se a previsão do governo se concretizar, 2010 entrará
para história com número recorde de geração
de empregos formais. O ano de 2007 ainda guarda a maior marca: 1,617 milhão
de vagas com carteira.
Em entrevista coletiva, Lupi afirmou que não há bolha
de crescimento no Brasil e que o emprego formal continuará em expansão
nos próximos meses. Segundo ele, a Copa do Mundo e as eleições,
associadas ao bom desempenho da economia, garantirão ritmo acelerado
nas contratações.
Para o ministro, o avanço do emprego com carteira assinada e
o aquecimento da economia não trazem riscos para a inflação.
"Não vejo riscos. A discussão é se a inflação
vai ficar 0,25 ponto percentual a mais ou a menos. O que gera inflação
é falta de produção e isso não está
ocorrendo. A indústria ainda trabalha com a capacidade igual a de
2007 e temos de lembrar que o Brasil não é só indústria.
Foram os setores de comércio, serviços e construção
civil que apresentaram bom desempenho na crise", declarou.
Todos os 25 setores da economia apresentaram resultado positivo na
criação de vagas em maio.
Regiões
Dois Estados registraram resultado negativo em maio. Amapá teve
o pior saldo do mês, com perda de 160 vagas, seguido de Roraima,
com -117.
As 98,624 vagas geradas em São Paulo fizeram o Estado liderar
na criação de empregos formais. Minas Gerais teve o segundo
melhor saldo de postos de trabalho, com criação de 60.873
vagas. (Folha Online)
10.06 - Mercado de trabalho tem melhor maio em três anos
O mercado de trabalho segue o ritmo aquecido da economia brasileira,
segundo estudo de vagas desenvolvido mensalmente pela Ricardo Xavier Recursos
Humanos. O levantamento aponta que, em maio, as empresas investiram e foram
abertos 2.723 novos postos. Este resultado é ainda mais expressivo
se comparado ao mesmo período dos últimos três anos:
o crescimento foi de 58,64% em relação ao ano passado, de
17,46% em comparação a 2008 e de 17,68% em relação
a 2007.
A pesquisa da Ricardo Xavier Recursos Humanos também considerou
as dez áreas que mais abriram posições no mês
passado. Em maio, 3.268 novas vagas foram criadas. Dentre elas, 14% na
área Comercial; 12% em Engenharia; 8% no setor Administrativo; 7%
das posições em Tecnologia da Informação; 6%
na área Financeira; 5% em Recursos Humanos; também 5% na
área Industrial; 4% em Logística; 4% também em Ciências
Contábeis e 3% na área de Marketing.
Para Hélio Terra, presidente da empresa, as projeções
de abertura de vagas são ainda mais acentuadas para os próximos
meses, o que deve acirrar a disputa por talentos. "As perspectivas otimistas
em relação ao Brasil só esbarram praticamente no déficit
que o País tem em relação à mão de obra
qualificada”, alerta.
A demanda por profissionais de Engenharia permaneceu estável
em maio. Com 22,46% das vagas, eles lideraram o ranking dos trabalhadores
mais requisitados pelo mercado. Além de Engenharia, as cinco profissões
que também se destacaram foram: Administração, com
13,45%; Ciências Contábeis, com 6,54%; Economia, com 3,72%;
Propaganda/ Publicidade e Marketing, com 2,52%; e Psicologia, com 2,30%.
Apesar de as empresas multinacionais considerarem o Brasil cada vez
mais como alvo de investimentos, somente 16,49% dos postos de trabalho
foram abertos por elas, de acordo com o levantamento. As vagas restantes,83,51%
ficaram por conta das companhias nacionais. (Executivos Financeiros)
09.06 - O desemprego no Pibão
No país do PIB "exuberante", custo do trabalho qualificado sobe,
mas ainda há muito desemprego e informalidade
O aspecto mais importante do crescimento do PIB, divulgado ontem pelo
IBGE, foi a taxa de desemprego, que não foi divulgada ontem nem
consta das estatísticas das contas nacionais, como se sabe. Se a
economia mantivesse o ritmo registrado no primeiro trimestre, o crescimento
seria de mais de 11% neste ano. Nesse mesmo trimestre, a taxa de desemprego,
também medida pelo IBGE, esteve em torno de 7,4%. A inflação
passou da meta oficial, 4,5%, chegando perto de 6%. E daí?
Daí que, mesmo a uma velocidade de crescimento que exigirá
uma pisada no freio, a economia tem desemprego alto, muita informalidade
e escassez de trabalho qualificado.
O crescimento foi "exuberante", como disse Lula ontem. Para muito economista,
e mesmo para aqueles mais otimistas, os do Ministério da Fazenda,
"exuberante" significa demasiado, ou "insustentável", no jargão.
Por ora, as projeções mais sensatas indicam que o país
deve crescer, enfim, 7% ao fim de 2010 -isto é, a economia vai se
desacelerar.
Por que insustentável? Porque a capacidade produtiva e a infraestrutura
não dão conta do nível de consumo. Salários
e outros custos de produção sobem. Há inflação
e/ ou o país importa demais.
Em economias mais maduras e organizadas, o nível de emprego
é um indicador relevante de superaquecimento da economia. Abaixo
de certa taxa de desemprego, os salários podem subir além
do aumento da produtividade, provocando alta de custos que se dissemina
pelo conjunto da economia.
Há muita polêmica sobre como medir o nível da produtividade
e determinar a taxa "natural" de desemprego (a que não produz aumento
da inflação). Pouca gente séria acredita que exista
uma medida precisa dessa "taxa natural", mas mesmo os descrentes sabem
que essas coisas existem. Basta ver a inflação subir. O Banco
Central estimou essa taxa "natural" em torno de 8%, mas a conta foi feita
no início de 2008.
Para complicar, no Brasil nem temos medida nacional de desemprego -o
IBGE pesquisa seis regiões metropolitanas. Ficam de fora regiões
industriais importantes como o interior de São Paulo, de Minas,
do Rio e do Sul. Os custos salariais da construção civil,
que se expande em todo país, ficam incógnitos.
Mas nas medidas do IBGE é evidente o aumento real do salário
médio. Há ainda evidências anedóticas, como
empresários a se queixar de que não encontram mão
de obra qualificada (ou têm de pagar mais). Porém, a taxa
de desemprego anda pela casa dos 7%, mas caindo.
A informalidade também diminui. Entre 2002 e 2007, ficou em
torno de 41%. Mas ainda anda na casa de 37% dos trabalhadores das metrópoles
pesquisadas pelo IBGE (trabalho sem carteira ou por conta própria).
Cerca de 18% dos trabalhadores ganham menos de um salário mínimo
-36% no Recife, 30% em Salvador, 12,5% em São Paulo.
A taxa "natural" de desemprego pode mudar, assim como o PIB potencial.
O país pode empregar e crescer mais com menos inflação,
a depender do treinamento dos trabalhadores, da tecnologia nas empresas,
da infraestrutura etc. Mas vivemos num mundo desconfortável em que
há sinais de aumento excessivo de custos do trabalho, informalidade
enorme, escassez de trabalhador qualificado, desemprego ainda alto e salários
médios ainda baixos. (VINICIUS TORRES FREIRE - Folha de S.Paulo)
09.06 - Setor automotivo retoma nível de emprego
Em maio, havia 113.286 contratados, ante 113.127 em outubro de 2008,
auge da crise
A indústria automotiva retomou o nível de emprego pré-crise,
encerrando maio com 113.286 empregados na produção de automóveis,
comerciais leves, ônibus e caminhões, segundo a Anfavea (associação
de montadoras).
No confronto com abril, houve 658 contratações. Em outubro
de 2008, quando houve o agravamento da crise, o setor tinha 113.127 funcionários.
Para o presidente da entidade, Cledorvino Belini, "o nível deve
se manter".
Fábio Romão, da LCA, destaca que, na média, o
setor industrial recuperou o nível de emprego já em abril.
Além de ganhos de produtividade, o economista avalia que as
montadoras são mais afetadas pela confiança do consumidor
e pelo crédito e agora estão de olho na elevação
da taxa de juros e na desaceleração da economia.
No acumulado do ano até maio, a produção de veículos
cresceu 20,7%, para 1,43 milhão de unidades, batendo recorde para
o período. Apesar da expansão de 78,6% nesse intervalo, as
exportações (288,2 mil) ainda não recuperaram os níveis
de 2008.
Considerando apenas maio (309,6 mil), houve expansão de 6,6%
na produção ante abril e de 14,9% no confronto com igual
mês de 2009. Com isso, os estoques atingiram 289.346 unidades ou
34 dias corridos, ante 27 dias em abril.
O presidente da Anfavea afirmou estar em negociação com
o governo federal para prorrogar a isenção de IPI para caminhões,
que acaba neste mês. (TATIANA RESENDE - Folha de S.Paulo)
08.06 - Ministro prevê a criação de mais de 270
mil empregos em maio
O número de empregos formais gerados no Brasil em maio deve
ficar entre 270 mil e 280 mil, disse nas egunda-feira o ministro Carlos
Lupi (Trabalho).
O número oficial deve ser divulgado pelo Ministério do
Trabalho por volta do dia 15. "Se não for o melhor mês de
maio da história, vai perder apenas para 2004", afirmou Lupi. Em
maio daquele ano foram criadas 291,8 mil vagas com carteira assinada. "Será
um pouco mais ou um pouco menos do que isso."
O número de empregos criados nos cinco primeiros meses de 2010
deve superar o de todo o ano de 2009, na previsão do ministro. No
ano passado foram criadas 995 mil vagas. De janeiro a abril de 2010, o
número de novas vagas já chegou a 962.327. Em todo o ano,
Lupi prevê a criação de 2,5 milhões de empregos.
Por enquanto, o recorde é de 2007, com 1,617 milhão de vagas.
O ministro também anunciou que o governo prepara um projeto
de lei propondo que o dinheiro de abonos e seguro desemprego não
retirados no prazo pelos trabalhadores seja aplicado obrigatoriamente em
cursos de qualificação profissional.
Hoje, esse dinheiro volta para o FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador)
e pode ser usado para diversos fins. (Folha de S.Paulo)
08.06 - Empregadores brasileiros estão entre os mais otimistas
no mundo, diz pesquisa
Os empregadores brasileiros estão entre os primeiros da lista
dos mais otimistas no mundo, de acordo com pesquisa da empresa de recursos
humanos Manpower, sobre o terceiro trimestre, que será divulgada
hoje.
No mundo, o Brasil, com índice de expectativa de emprego de
40%, só perde para a Índia (42%). As previsões também
são fortes em Taiwan (35%) e China (27%). O estudo abordou 61 mil
empregadores de 36 países.
O levantamento anterior foi citado pelo ministro Guido Mantega (Fazenda)
e pela pré-candidata Dilma Rousseff (PT) para exaltar a perspectiva
de emprego no Brasil no trimestre passado.
"Há quatro trimestres, o índice no Brasil tem aumentado",
afirma Pedro Guimarães, diretor da Manpower no Brasil.
O indicador resulta da diferença entre as porcentagens positiva
e negativa nas respostas dos entrevistados quanto à expectativa
de crescimento da empregabilidade no mercado de trabalho para o trimestre
seguinte.
No caso do Brasil, 44% acreditam que aumentarão a força
de trabalho, e 4% preveem reduzir a mão de obra. Portanto, a Expectativa
Líquida de Emprego é de 40%.
No país, empregadores da cidade de São Paulo e do Estado
do Paraná são os mais positivos, com o índice de Expectativas
Líquidas de Emprego de 44% cada um.
Há expectativas negativas em Itália (-9%), Espanha (-6%)
e Grécia (-5%). (Maria Crisitina Frias - Folha de S.Paulo)
08.06 - Empresa investe em qualificação
Com a falta de mão de obra qualificada no Brasil, as empresas
aumentam os investimentos na capacitação de seus funcionários.
De acordo com pesquisa da Amcham (Câmara Americana de Comércio)
realizada com o Ibope, 76% das companhias promovem programas de treinamento
interno e 60% subsidiam cursos externos para os funcionários.
"O estudo indica uma retomada dos investimentos corporativos em treinamentos.
No auge da crise global, eles haviam sofrido um resfriamento e agora voltam
a ser prioridade, tamanha a falta de mão de obra qualificada", diz
Gabriel Rico, diretor-executivo da Amcham.
O estudo, que ouviu 211 executivos de grandes e médias empresas
no país, será apresentado amanhã no seminário
"Qualificação da Mão de Obra como Fator Vital de Competitividade".
(Maria Crisitina Frias - Folha de S.Paulo)
02.06 - Falta de mão de obra faz salário subir
Com escassez de trabalhadores qualificados, empresas pagam até
20% acima da média nacional, revela pesquisa
Fenômeno afeta mais os setores que fizeram grandes investimentos,
como os de mineração, extração de óleo
e gás
A escassez de mão de obra qualificada já "inflaciona"
os salários, principalmente nas empresas dos setores de mineração
e petróleo.
Pesquisa feita com 175 mil profissionais que trabalham em áreas
operacionais, gerenciais e no alto escalão de empresas de 20 ramos
econômicos mostra que os setores de mineração, extração
de óleo e gás pagam 20% acima da média nacional.
Em segundo lugar aparecem empatados os setores automobilístico,
de autopeças, de fabricação de computadores e de eletricidade,
pagando 13% acima da média.
"Com a crise, o setor industrial teve forte retração
e engavetou projetos. Passado o susto, os investimentos que estão
sendo anunciados superam os que vinham sendo feitos antes da crise. E isso
tem forte impacto no mercado de trabalho", diz Lucio Tezzotto, gerente
de atendimento da Catho Online.
Só os planos de investimento da indústria e do setor
de infraestrutura para o período de 2010 a 2013 somam R$ 859 bilhões,
segundo levantamento do BNDES.
O principal destaque é o setor de petróleo e gás,
que, devido ao pré-sal, pretende investir R$ 340 bilhões.
TENDÊNCIA DE ALTA
Com mais recursos sendo investidos e profissionais em número
insuficiente para suprir as necessidades das empresas, a tendência
é os salários continuarem em alta.
Marcelo Ferrari, diretor de negócios da consultoria Mercer,
acredita que mesmo as empresas que investiram em formação
e treinamento terão dificuldades para reter seus profissionais neste
ano.
Ele diz que o país não formou, durante os anos 80 e 90,
por exemplo, engenheiros de mineração -profissionais disputados
hoje no mercado. "Sumiram do mercado de trabalho. E agora são necessários
cinco anos para formar esses profissionais."
Para compensar a escassez de mão de obra qualificada, empresas
que faturam entre US$ 100 milhões e US$ 1 bilhão têm
investido entre 0,2% e 0,5% do faturamento em qualificação.
Em 2009, a Petrobras investiu R$ 115,9 milhões em programas
de desenvolvimento de funcionários de níveis técnico
e superior, diz Lairton Correa, gerente de efetivo de RH da Petrobras.
"Sempre há disputa no mercado. Mas ter política de RH,
com plano de cargos, salários e benefícios, ajuda a segurar
o empregado."
Na Petrobras, a taxa média de desligamento por ano é
de 1,3%. O tempo médio na empresa é de 15 anos.
Fernanda Ramos, gerente de RH da Ford, diz que a empresa também
tem investido em torno de R$ 3,2 milhões ao ano para preparar principalmente
engenheiros de produção. No setor automobilístico,
os salários pagos a esses profissionais estão entre R$ 4.000
e R$ 7.000.
"Temos feito convênios com universidades, principalmente na BA
[onde está o centro de desenvolvimento de produtos], e desenvolvido
cursos em parceria para suprir as necessidades locais." (CLAUDIA
ROLLI - Folha de S.Paulo)
01.06 - Abrapp: Pesquisa Salarial
Só até amanhã para enviar dados
Encerra-se nesta quarta-feira, dia 2 de junho, o prazo para o envio,
pelas mais de uma centena de associadas que se inscreveram, do formulário
preenchido com os dados que darão origem à Pesquisa Salarial
ABRAPP 2010. As informações serão tabuladas em junho
e a divulgação dos resultados do levantamento se dará
na primeira quinzena de agosto, durante o 8º Encontro Nacional dos
Profissionais de RH.
Após a divulgação e entrega dos resultados, será
realizado treinamento para a utilização do sistema “Pay Net”,
ferramenta que possibilita a extração e simulação
dos dados da pesquisa com mais facilidade pela internet, além de
abrir o caminho para a detecção das informações
mais relevantes.
Telefone para tirar dúvidas – Por outro lado, já se encontra
em operação a linha especial “0800” para as associadas contatarem
diretamente a HayGroup, a empresa que está desenvolvendo a pesquisa,
visando o esclarecimento das dúvidas. O número é o
0800-770-8711, que permite ligações gratuitas de qualquer
parte do País, de segunda à sexta-feira, das 9h00 às
18h00. (Diário dos Fundos de Pensão)
01.06 - Aumenta o emprego para quem tem mais de 50 anos
Aquecimento da economia e procura por profissionais mais experientes
elevaram em 28,43% a contratação de trabalhadores desta faixa
na região metropolitana de São Paulo no primeiro trimestre,
melhor número deste 2001
A contratação de trabalhadores com idade superior a 50
anos cresceu 28,43% na região metropolitana de São Paulo
no primeiro trimestre do ano em comparação com o mesmo período
de 2009.
Dados do Ministério do Trabalho e Emprego mostram que 32,7 mil
pessoas dentro dessa faixa etária foram reempregadas no período.
O número é o mais expressivo desde 2001, quando foram contabilizados
16,8 mil registros.
Para o professor do Departamento de Economia da Unesp, Elton Casagrande,
o aumento reflete o momento favorável da economia e do mercado de
trabalho formal, independente da idade do trabalhador. O professor também
chama a atenção para o fato de que a faixa etária
de 50 a 64 anos atingiu, pela primeira vez, a casa dos 5% de representatividade
entre todos os reempregados, aqueles que já tinham pelo menos um
registro na carteira de trabalho e voltaram ao mercado.
Segundo Casagrande, os profissionais dentro desse perfil têm
atributos favoráveis para o mercado, como experiência, estabilidade,
responsabilidade e compromisso. Aliado a esse cenário, muitas empresas
preferem admitir pessoas mais maduras, com postura diferente dos jovens,
que demandam um custo maior de aprendizagem.
O professor Anselmo Luis dos Santos, do Instituto de Economia da Unicamp,
relata que o emprego cresceu pouco nos anos 80 e 90, o que fez aumentar
o número de trabalhadores que recorreram ao trabalho informal.
A melhora do emprego formal verificada nos últimos anos abriu
espaço para essas pessoas que trabalhavam por conta própria.
“Além do aumento de oportunidades, ocorreu uma melhora do salário,
o que também acaba atraindo as pessoas que atuavam como autônomas
a trabalhar com carteira assinada”, ressalta.
De acordo com o diretor da Santa Gente Educação para
Humanos Crescidos, Flávio Souza Ramos, o principal diferencial das
pessoas com mais de 50 anos em relação aos jovens é
o convívio em sociedade. “Esses profissionais se comunicam melhor
do que os jovens, que falam gírias por exemplo, além de terem
mais experiência de trabalho e de vida”, diz. Por isso, o setor de
serviços pode achar nessa faixa etária bons funcionários
para lidar com pessoas.
Ramos pontua que a demanda por profissionais qualificados está
grande e deve continuar. Ele cita que a Petrobrás, inclusive, está
recontratando técnicos aposentados por conta da falta de capacitação
de mão de obra jovem.
Novas vagas
Algumas empresas desenvolvem políticas para a contratação
de pessoas da terceira idade. É o caso da Pizza Hut, que tem um
programa para trabalhadores com mais de 60 anos.
Depois de dois anos e meio mandando currículos para empresas,
Lucilia de Souza Carinha, 71 anos, foi admitida pela Pizza Hut em 2005
e trabalha como hostess (recepciona os clientes) da unidade de Pinheiros,
zona oeste. Depois de lecionar e abrir uma loja, ela optou por ficar sem
trabalhar por oito anos até u voltar ao mercado.
“Foi uma época difícil (quando começou a procurar
emprego). Poucas empresas aceitavam pessoas com mais de 40. Hoje é
muito melhor e os empresários estão vendo que somos mais
experientes, mais tranquilos e não damos dor de cabeça”,
afirma.
Dicas
O QUE É PRECISO PARA CONQUISTAR O EMPREGO
Atualização tecnológica: hoje os processos de
trabalho são imediatos
Ter boa redação e interpretação de texto
Saber trabalhar em equipe:
hoje o mercado é mais colaborativo do que individualista e o
trabalhador deve saber se relacionar com os colegas (Gisele Tamamar
- Jornal da Tarde)