14.11 -
Participação
de salários na renda nacional
Estudo mostra que só em 2011 participação
de salários na renda nacional volta ao nível de 1990
Apenas em 2011 o rendimento do trabalho deve
voltar a ter a mesma participação na renda nacional que tinha
em 1990, de 45,4%. A perspectiva consta do estudo Distribuição
Funcional de Renda no Brasil: Situação Recente, que o Instituto
de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) publicou na quarta-feira, com
base na análise dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
e do Sistema Nacional de Contas, ambos do Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE).
Segundo o estudo, de 1990 a 1996, o rendimento
do trabalho perdeu participação relativa no total da renda
do país (-15,2%). Depois, de 1996 a 2001, registrou-se crescimento
de 5,4% da parcela do rendimento do trabalho na renda nacional. De 2001
a 2004, houve nova queda, de -3,1%. Numa quarta fase, a partir de 2005,
houve uma expansão de 4% da parcela do rendimento do trabalho na
renda do país.
O estudo do Ipea traça um paralelo entre
a variação da distribuição pessoal de renda
e a distribuição funcional de renda, que engloba rendimentos
de proprietários de terra, donos de capital, lucros, juros e aluguéis,
por exemplo.
Segundo o instituto, só houve convergência
na queda das desigualdades da distribuição de renda pessoal
e funcional nos períodos de 1996-2001 e depois de 2004. A desigualdade
pessoal da renda caiu 2,4% e a parcela relativa do trabalho na renda nacional
cresceu 5,4%, de 1996 a 2001. Depois de 2004, a desigualdade na distribuição
da renda pessoal diminuiu 1,1%, enquanto a participação do
trabalho na renda nacional aumentou 6%.
O período em que a renda nacional mais
evoluiu foi de 2005 a 2007, de acordo com o estudo, devido “ao crescimento
do mercado interno e das exportações”. A média anual
de crescimento foi de 4,2% no período, enquanto nos períodos
de 1990-1996, 1996-2001, 2001-2004 a renda nacional cresceu em média,
3,2%, 1,9% e 3,2%, respectivamente.
De 2000 a 2006, o segmento que mais acumulou
perdas foram os detentores de renda mista, aqueles que têm meios
próprios de geração de rendimentos como aluguéis
e trabalho autônomo. As perdas foram de 21,1%, enquanto houve expansão
no desempenho das contas do governo (7,7%) - medido pelos rendimentos com
imposto líquido sobre produção e importação
– da renda dos proprietários (2,4%) e do trabalho (1%).
A respeito do desempenho da conta do governo
em termos de apropriação da renda nacional, o estudo do Ipea
destaca que, se considerada a despesa acumulada pela União de 2000
a 2007, constata-se que o pagamento de juros da dívida pública
foi equivalente a 7% ao ano da média total da renda nacional. O
governo gastou com juros, no período, R$ 1,267 trilhões.
Já os gastos com saúde foram de R$ 310,9 bilhões,
com educação foram de R$ 149,9 bilhões e com investimentos,
R$ 93,8 bilhões.
Os gastos da União com saúde, educação
e investimento corresponderam a 43,8% das despesas com juros no período.
No entendimento do Ipea, o gasto com juros é “considerado improdutivo,
pois não gera emprego e tampouco contribui para ampliar o rendimento
dos trabalhadores, termina fundamentalmente favorecendo a maior apropriação
da renda nacional pelos detentores de renda da propriedade”.
(Lana Cristina - Agência Brasil)
14.11 - Salários reagem e somam 40% da renda do país
Participação ainda está abaixo dos 45,4% de 1990
Apesar de mostrar recuperação durante quatro anos consecutivos,
a participação dos salários no renda nacional -de
pouco mais de 40%, em 2007- só conseguirá retomar o peso
registrado no início da abertura econômica brasileira em 2011,
projeta estudo divulgado quarta-feira pelo Ipea (Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada).
Segundo Márcio Pochmann, presidente do Ipea, a estimativa levou
em conta um cenário otimista, que desconsidera o efeito da crise
econômica. "Nesse ritmo de crescimento, o rendimento do trabalho
deve voltar à mesma situação já verificada
em 1990 somente 21 anos depois do recrudescimento no movimento de piora
da distribuição funcional da renda no país", diz o
estudo.
O estudo do Ipea se contrapõe aos dados da queda da desigualdade
de renda no Brasil, aferida pela Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de
Domicílio) a partir da remuneração das fatias mais
ricas e mais pobres da população. Essa queda da desigualdade,
mostra o instituto, não vem acompanhada, na mesma proporção,
pela maior participação do rendimento do trabalho no conjunto
da renda nacional.
Entre 2001 e 2004, por exemplo, foi registrada queda da desigualdade
de renda ao mesmo tempo em que a chamada renda da propriedade -lucros,
juros, rendimentos de aplicações e aluguéis- também
ganhava espaço no bolo da renda nacional.
"Para haver melhora geral na distribuição da renda nacional,
é necessário que o aumento do peso relativo da parcela do
trabalho na renda nacional ocorra simultaneamente à redução
da desigualdade da repartição da renda do trabalho", diz
o Ipea, ao relativizar dados da Pnad.
Nos últimos 17 anos, apenas em seis anos a redução
da desigualdade de renda foi acompanhada pelo crescimento da participação
dos salários na renda nacional, mostram os cálculos, feitos
com base em dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Foi o que aconteceu entre 2004 e 2007. Desde 1990, a pior participação
dos salários na renda nacional foi registrada em 1996: 38,5%.
Esse percentual não inclui, por exemplo, a renda de trabalhadores
autônomos.
Desenvolvidos com 60%
"Todos os países desenvolvidos têm participação
da renda dos trabalhadores acima de 60%. Nos anos 50, os salários
no Brasil representavam 56% do PIB, bem mais do que os 45,4% registrados
em 1990", ponderou Pochmann.
Entre as principais causas da queda do peso dos salários na
renda nacional, o estudo do Ipea aponta o recuo na remuneração
dos trabalhadores ocupados nas empresas financeiras. A queda foi de 20%
entre 2000 e 2006. Nesse período, os salários das empresas
não-financeiras tiveram ganhos maiores do que os da administração
pública. Mas a expansão maior foi registrada em instituições
sem fins lucrativos. (MARTA SALOMON - Folha de S.Paulo)
14.11 - Fiat dá férias coletivas a 3.000 funcionários
Decisão deverá ser seguida por dez fornecedoras
A Fiat Automóveis adotará entre os dias 17 e 26 deste
mês novo período de férias coletivas em Betim (MG),
que abrangerá desta vez cerca de 3.000 empregados, segundo a montadora
italiana. A novidade desta vez, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos
de Betim, é que a decisão fará com que dez empresas
fornecedoras também façam rodízio de férias
entre seus funcionários.
Por conta do desaquecimento no setor automotivo, a Fiat já havia
concedido férias coletivas de dez dias (de 13 a 22 de outubro) para
1.700 empregados e promoveu no final do mês uma parada técnica
de três dias envolvendo aproximadamente 8.500 empregados.
Com a próxima paralisação, a produção
diária, que era de 3.000 carros em setembro, cairá 20%, passando
para 2.400 veículos. Além de ajustar a produção
ao mercado e reduzir os estoques, Fiat e sindicato dizem que está
sendo também uma oportunidade para a empresa ajustar as férias
dos funcionários. As tradicionais férias de julho não
ocorreram no ano passado e neste ano.
Em dezembro ocorrerão as tradicionais férias coletivas
de final de ano, que abrangerão todos os cerca de 16 mil empregados.
O presidente do sindicato disse que o terceiro turno, com cerca de 2.000
funcionários, também deverá parar no período
de dezembro e janeiro (de 18 de dezembro a 11 de janeiro).
A Fiat, no entanto, não confirmou a informação.
Segundo Marcelino da Rocha, presidente do sindicato, há dois
anos os trabalhadores vêm "dando cotas de sacrifício" às
empresas por causa das horas extras e que, agora em que houve desaquecimento,
as empresas não deveriam demitir.
A produção do setor em outubro caiu 11,6% em relação
a setembro. A Fiat diz haver sinais de que o volume de crédito posto
no mercado para as montadoras (cerca de R$ 8 bilhões) pode reativar
as vendas. (PAULO PEIXOTO - Folha de S.Paulo)
13.11 - Começa fiscalização da nova Lei do Estágio
no país
Em meio à incerteza das empresas e das instituições
de ensino quanto a aplicação da nova Lei do Estágio
- a Lei nº 11.788, de 2008 -, a fiscalização do cumprimento
da norma já começou no país. O primeiro caso, único
que se tem notícia até agora, ocorreu no município
de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, que foi alvo de uma ação
civil pública ajuizada pelo Ministério Público do
Trabalho visando a regularização do contrato de 600 estagiários
de nível médio e superior da prefeitura. Embora o processo
de fiscalização tenha começado em 2006, o acordo judicial
firmado nesta semana se deu nos moldes da nova Lei de Estágio. Ele
determina que a prefeitura pague uma indenização por dano
moral coletivo no valor de R$ 10 mil.
Ainda não se sabe se haverá uma onda de ações
como essa - na semana passada, o Ministério do Trabalho e Emprego
(MTE) admitiu que ainda não foi definido como será a fiscalização
da nova lei. No entanto, no acordo judicial firmado entre o município
de Santa Maria e a Procuradoria do Trabalho da 4ª Região, ficou
acertado que as adaptações nos contratos de estágio
serão feitas conforme as exigências da nova legislação.
Dentre as exigências, estão a redução da
jornada de trabalho para seis horas diárias e a concessão
de benefícios como seguro de acidentes pessoais e auxílio-transporte.
A prefeitura terá também que reduzir o número de estagiários
ao percentual de 10% em relação ao total de servidores efetivos
por estabelecimento que, ao todo, são cerca de três mil. A
Lei de Estágio prevê o limite de 20% de estudantes de nível
médio nas unidades concedentes. Segundo a procuradora do trabalho
Thais Athayde, responsável pela ação, foi constatada
a falta de correlação entre as atividades desenvolvidas pelos
estudantes e o curso acadêmico. "Estágio sem a função
pedagógica é mera precarização das relações
do trabalho", diz Thais.
De acordo com Anny Desconzi, procuradora-geral do município
de Santa Maria, até o dia 15 de abril todos os contratos estarão
nos moldes da nova lei. "Desde a edição da nova lei nenhum
contrato foi renovado, pois não havia previsão orçamentária
para a concessão dos benefícios", diz. Outra alteração
que já está sendo feita, segundo Anny, é a designação
de um supervisor para cada grupo de dez estudantes, conforme previsto na
norma. (Luiza de Carvalho - Valor Online)
13.11 - Empresas no Brasil devem reduzir bônus em 2009
A crise financeira deverá afetar o valor dos bônus em
2009 também no Brasil. Um estudo feito pela consultoria Towers Perrin
com 132 empresas, com faturamento entre R$ 500 milhões e R$ 5 bilhões,
que atuam no país revela que 24% das organizações
acreditam que precisarão reduzir o orçamento destinado aos
bônus no ano que vem e outros 36% ainda estão estudando se
farão cortes, que podem ser tanto no valor como no número
de beneficiados. "A recomendação é que as empresas
mantenham os bônus para os executivos de alta performance, mesmo
que para isso deixem de passar a outros", afirma Felipe Rebelli, sócio
da Towers Perrin para a América Latina.
Já uma pesquisa da consultoria Mercer mostrou que, no Brasil,
os incentivos de longo prazo representam apenas 10% da composição
total da remuneração, enquanto nos EUA a fatia chega a 26%.
China e Índia, por sua vez, oferecem apenas incentivos de curto
prazo, além do salário-base, para seus executivos.
Um dado que chama a atenção na pesquisa da Mercer é
o de profissionais que receberam bônus superiores a R$ 1 milhão
no último ano. Das 323 empresas que atuam no Brasil e participaram
do estudo, foram 45 executivos, apenas dois a mais do que em 2007. Comparando
com o mercado financeiro, a diferença é brutal: 210 executivos
receberam bônus acima de R$ 1 milhão em 2007 e 432 em 2008.
E isso em um universo de apenas 46 bancos.
Em relação a benefícios, embora não se
tenha verificado mudanças relevantes nesse mesmo período,
a consultora da Mercer Ana Paula Henriques ressalta que as empresas já
começaram a demonstrar preocupação com o encarecimento
dos planos de saúde e previdência privada. "A expectativa
de vida tem aumentado e o número de idosos na população
será bem maior. Esses benefícios passarão por transformações
radicais", afirma. (Rafael Sigollo - Valor Online)
13.11 - Mesmo com crise, incentivo com opções de ações
continua
Ter a sensibilidade para saber exatamente onde cortar e onde investir
será o grande desafio das empresas durante a atual crise financeira.
Diferentemente do que acontecia nas anteriores, em que era fácil
localizar as gorduras, hoje os quadros estão tão enxutos
que qualquer corte pode significar a perda de um talento para a companhia.
A opinião é de Ravin Jesuthasan, que comanda a unidade da
Towers Perrin em Chicago. Ele é líder global da consultoria
na área de recompensas e gerenciamento de performance.
Em entrevista ao Valor, Jesuthasan afirma que por enquanto as empresas
não farão nenhum movimento brusco em relação
a remuneração, embora já estejam pensando em novas
formas de oferecer bônus e incentivos, e tranqüiliza os detentores
de stock options: "Os executivos devem levar em conta não apenas
o preço atual das ações, mas seu poder de valorização
e recuperação". Veja a seguir alguns dos principais trechos:
Valor: Com a atual crise financeira, quais serão as mudanças
para 2009 em relação ao pagamento de bônus e incentivos?
Ravin Jesuthasan: É muito cedo para dizer. Como ainda estamos
vivendo a crise, a maioria das empresas irá esperar mais alguns
meses para decidir qual estratégia de remuneração
usará no ano que vem. Acredito que por enquanto não haverá
mudanças significativas a esse respeito, embora as companhias já
estejam pensando em alternativas para incentivar e reter seus executivos.
Valor: Ainda que o desenho dos programas de bônus continue igual,
há a necessidade de reduzir custos...
Jesuthasan: O valor dos bônus poderá diminuir em todo
o mundo, sem dúvida, assim como o orçamento destinado às
recompensas por mérito. A redução de custos prevê
desde o congelamento de contratações e menos treinamentos
até a suspensão de eventos, viagens e festas destinadas aos
funcionários.
Valor: As ofertas de stock options continuarão sendo interessantes
para os executivos, mesmo com a desvalorização das ações
na bolsa?
Jesuthasan: Sim. Mesmo com as ações em baixa, as stock
options não perderam o valor. O executivo não deve considerar
apenas o atual preço de mercado da ação, mas sim o
potencial de recuperação que ela tem. Por ser um incentivo
de longo prazo, não há necessidade de pânico. Essa
baixa é momentânea e as stock options continuam sendo uma
boa forma de incentivo.
Valor: Existem exemplos de gestores que abriram mão de seus
bônus ou diminuíram seus rendimentos, mesmo que temporariamente,
para evitar cortes na equipe durante a crise. Vê isso como uma saída?
Jesuthasan: Sem dúvida é um gesto muito nobre e que,
no mínimo, torna os funcionários mais engajados. Mas será
que é suficiente? Isso até pode resolver o problema momentaneamente,
mas como será nos próximos anos? Os gestores têm de
pensar em estratégias para garantir o futuro da organização
e não apenas tomar medidas emergenciais.
Valor: Os cortes são inevitáveis?
Jesuthasan: Se você analisar as crises passadas, perceberá
que havia muita "gordura" nas empresas. Era fácil saber o que eliminar
e onde estavam as despesas extras. Hoje, o quadro das companhias já
é bastante enxuto, os cortes precisam ser cirúrgicos. Por
outro lado, é necessário preservar, incentivar e reter os
executivos de alta performance. Equilibrar tudo isso será o grande
desafio das empresas.
Valor: Oferecer bônus em dinheiro é suficiente para reter
esses profissionais?
Jesuthasan: O executivo deve avaliar o momento atual e suas perspectivas
de futuro. Claro que um salário atraente e os bônus são
importantes, ainda mais em tempos de crise. No longo prazo, entretanto,
a oportunidade de crescer, de desenvolver habilidades e evoluir é
que farão a diferença. Eu prefiro que a empresa me pague
US$ 10 mil agora ou que ela me dê condições para que
eu consiga fazer US$ 200 mil em cinco anos?
Valor: Quais setores foram mais e menos afetados pela crise em relação
à remuneração?
Jesuthasan: O mais afetado obviamente é o financeiro. É
importante lembrar, no entanto, que os primeiros gastos que os consumidores
cortam são os discricionários, ou seja, itens que não
são de primeira necessidade. Assim, indústrias como a de
automóveis e a de eletroeletrônicos passarão por uma
fase difícil. Já setores essenciais como energia e saúde,
por exemplo, são menos afetados e continuam obtendo bons resultados.
Valor: Com o dólar forte, as organizações internacionais
podem vir a assediar de forma mais intensa os executivos brasileiros, uma
vez que eles são reconhecidos por terem experiência em administrar
crises e cenários turbulentos?
Jesuthasan: Para um executivo brasileiro, uma proposta para atuar fora
do país ganhando em dólar hoje poderia ser muito vantajosa,
mas por enquanto a tendência é de que as contratações
sejam reduzidas e até congeladas tanto no Brasil, quanto no exterior.
As empresas, porém, sabem que estão faltando talentos no
mercado e da urgência em encontrar e investir na formação
de novos líderes, diretores e CEOs. Resolver essa equação
não será fácil. (Rafael Sigollo
- Valor Online)
12.11 - Para ficar com os melhores
A competição acirrada existente hoje em vários
setores da economia fez com que muitas organizações percebessem
que, mais do que investir em novas jogadas de marketing, o caminho mais
curto para se destacar no mercado passa pela valorização
dos empregados. Por conta disso, um número crescente de empresas
investe em modelos organizacionais que privilegiam a gestão de competências
para reter seus principais talentos. Segundo especialistas, o trabalho
não pode parar por aí e também deve ser complementado
com programas de treinamento e capacitação constantes, o
que redunda num plano de carreira atrativo e, em conseqüência,
visado por jovens profissionais.
A L"Oréal segue essa cartilha e vê a margem de turn-over
(substituição de empregados demitidos e demissionários)
entre seus colaboradores diminuir a cada ano. Segundo a diretora-superintendente
de recursos humanos (RH) da empresa, Cláudia Klein, a companhia
segue um modelo organizacional que praticamente transforma a retenção
de talentos numa obrigação.
"Utilizamos um modelo hierárquico descentralizado, o que pressupõe
uma comunicação interna bem feita, além de uma rede
de networking consistente. Para que a engrenagem funcione com harmonia,
necessitamos pessoas que conheçam bem a empresa. Daí a importância
de desenvolver ferramentas para reter os colaboradores pelo maior tempo
possível", afirmou, durante palestra no IV Corp RH, na quinta-feira
passada, no Rio.
Resultados. Os resultados se tornaram ainda mais efetivos a partir
do momento em que a L"Oréal alterou a estratégia de apenas
lutar contra a concorrência para manter os principais talentos e
investir forte na atração de jovens, e promissores, profissionais.
"É muito mais fácil reter talentos quando os contratamos
ainda jovens. Eles se desenvolvem aqui dentro, aprendem a filosofia da
empresa e permanecem por mais tempo. Seguimos a filosofia de oferecer um
plano de carreira para os funcionários, em vez de uma mera vaga
de trabalho", revela Cláudia.
Segundo a executiva, a companhia possui contatos com instituições
de ensino de todo o Brasil. "Promovemos mesas-redondas com universitários
em que apresentamos a L"Oréal e seu modelo organizacional. Além
disso, participamos de feiras e eventos de RH para fortalecer o vínculo
com o público jovem".
A consultora Marisabel Ribeiro, diretora da área de desenvolvimento
da Right Management, adverte que o trabalho deve ser complementado com
um rigoroso processo de recrutamento e seleção. "Programas
de estágio e trainee são ferramentas eficientes. Após
contratá-los, é importante dar prosseguimento na formação
desse jovem com avaliações e treinamentos constantes", afirma.
Como outras grandes empresas brasileiras, a L"Oréal segue esse
modelo e, além de um programa de integração chamado
Fit, também oferece apoio na formação dos profissionais.
"Investimos pesado no Fit, que tem duração de dois anos.
Obrigatório para todos que ingressam na empresa, ele é personalizado
para cada perfil de vaga. Já os programas de capacitação
possuem um modelo bastante variado, num mix formado por aulas presencias
e a distância", afirma Cláudia Klein.
Para Desié Machado, gerente de carreira e sucessão da
mineradora Vale, uma boa gestão acontece a partir do momento em
que os colaboradores entendem perfeitamente o modelo organizacional utilizado
pela empresa. "Embora também seja vinculado à gestão
de competência e tenha foco no treinamento e formação
dos colaboradores, a Vale possui um modelo organizacional com hierarquia
bem definida, diferente do utilizado pela L"Oréal. Ao meu ver, não
há formato pior ou melhor. Na verdade, o bom funcionamento depende
da criação de ferramentas para seu entendimento", acredita.
Redução. A redução na margem de turn-over
obtida este ano pela L"Oréal mostra que os resultados estão
aparecendo. Se, em 2007, o índice estava em 16%, em 2008 deve fechar
em 12%. "Há ainda outros dados que nos orgulham e demonstram a eficiência
do nosso modelo organizacional. Nos últimos dois anos, 70% das posições
em gestão abertas foram preenchidas por colaboradores que já
atuavam na empresa. Além disso, desde 2004, a unidade brasileira
enviou 52 executivos para a matriz, na França", orgulha-se Cláudia.
Com 50 lojas espalhadas em aeroportos de todo o Brasil, a Dufry Brasil
possui cerca de 2 mil funcionários, com idade média entre
18 e 25 anos. A companhia também acredita que a retenção
de talentos é uma boa alternativa para se destacar no mercado. "Em
2006, estabelecemos a redução da margem de turn-over como
meta corporativa. A idéia era fazê-los perceber que o varejo
pode ser uma carreira, em vez de algo temporário", afirma Wagner
Rezende, coordenador de RH da Dufry Brasil.
Para o executivo, o desafio em criar um plano de carreira num setor
com alta rotatividade é grande. Segundo Rezende, o primeiro passo
foi criar ações de endomarketing e reconhecimento profissional,
além de programas de treinamento, baseados em gestão de competência.
"Este ano, formatamos um plano de carreira para nossos colaboradores e
o retorno tem sido positivo. Há dois anos, a margem de turn-over
era de 34%. Hoje, está em 18%", revela.
O executivo acredita que o segredo também passa pela compreensão
dos anseios dos jovens profissionais. "O principal desafio dos gestores
em RH atualmente é entender essa juventude tão ansiosa. Creio
que boa remuneração e benefícios não bastem.
É necessário conhecê-los, criar ferramentas para motivá-los
para, enfim, retê-los", afirma. (VINICIUS MEDEIROS -
Jornal do Commercio do Brasil)
12.11 - General Motors demitirá 1.900 funcionários na
América do Norte
A General Motors, a maior montadora dos EUA, disse que demitirá
mais 1.900 funcionários das suas fábricas na América
do Norte, dias depois de anunciar que, sem a ajuda governamental, poderá
não ter a liquidez necessária para continuar operando no
ano que vem. Na sexta-feira, a empresa já havia anunciado o corte
de outros 3.600 postos de trabalho.
De acordo com um porta-voz da companhia, os novos cortes começarão
a ser efetuados no primeiro trimestre do ano que vem em fábricas
de motores, transmissão e estampas, visando reduzir gastos em um
momento de recrudescimento da crise financeira. Ele não disse quais
unidades serão afetadas, mas afirmou que nenhuma fábrica
será fechada.
A GM disse que perdeu US$ 4,2 bilhões (excluindo ganhos extraordinários)
de julho a setembro e que "queimou" US$ 6,9 bilhões do seu caixa
no trimestre pela "desaceleração da demanda por veículos
combinada com a crise de crédito, especialmente na América
do Norte e na Europa".
A situação é tão dramática que ela
já nem descarta um pedido de concordata e suspendeu as negociações
de fusão com a Chrysler.
Na Europa, a Opel, subsidiária da General Motors, pediu ajuda
ao governo alemão para superar a atual crise, afirmou o jornal "Frankfurter
Allgemeine", informação confirmada pela chancelaria, que
disse que o auxílio será "examinado em detalhes.
O programa de ajuda chega a 40 bilhões de euros, de acordo com
o jornal. (Folha de S.Paulo)
12.11 - Crise no setor automotivo atinge 10 mil operários na
Argentina
A crise das montadoras nos EUA e na Europa e a queda na venda de veículos
no Brasil já atinge o setor na Argentina.
Segundo o Smata (principal sindicato de metalúrgicos do país),
cerca de 10 mil trabalhadores estão sendo afetados por medidas como
demissões, suspensões e férias antecipadas.
A Argentina exporta 60% de sua produção de veículos,
que em 2007 atingiu 544.647 unidades. O Brasil, destino de 70% das exportações
argentinas, registrou em outubro sua primeira queda do ano nas vendas ante
mesmo mês de 2007.
Apesar do bom desempenho geral em 2008, os números de outubro
da indústria argentina apontam desaceleração no setor.
Em relação a setembro, a produção caiu 7,7%,
as vendas perderam 9,6% e as exportações subiram 1,2%.
A montadora americana GM foi a primeira a demitir na Argentina. No
final do mês passado, anunciou a demissão de 435 empregados
(20% do total) da fábrica da Província de Santa Fé.
O governo estadual interveio para impedir as demissões e determinou
conciliação obrigatória entre as partes.
De acordo com o Smata, montadoras como Renault, Peugeot, Volkswagen,
Fiat, Iveco e Mercedes-Benz já anunciaram medidas como suspensões
temporárias, férias antecipadas e cortes de carga horária.
O sindicato fez um protesto em Buenos Aires ontem, com cerca de 12
mil participantes, segundo Héctor Chaparro, secretário de
Organização da entidade. Nas faixas de manifestantes, muitos
deles jovens com uniformes de montadoras, inscrições como
Por trabalho e melhores salários". THIAGO GUIMARÃES
- Folha de S.Paulo)
11.11 - Uma empresa não pode descartar talentos na crise
E m épocas de turbulência e tsunâmis financeiros,
tornou-se lugar comum citar a sabedoria dos chineses que usam a composição
de dois ideogramas para exprimir a idéia de crise: um representa
perigo e o outro, oportunidade. A experiência e a história
têm demonstrado a verdade que se encerra na semântica oriental.
Nas crises, enquanto uns perdem, outros criam oportunidades de negócios.
Embora boa parte das empresas esteja de fato revendo seus planejamentos
e cancelando investimentos, outras focam o futuro e mantêm seus planos
para aguardar, ainda mais fortalecidas, novos tempos de vacas gordas. No
caso particular da gestão de pessoas, as empresas não querem
se arriscar a abrir mão dos talentos que são, em última
instância, peça fundamental de seu crescimento e sucesso.
É um risco muito grande para a empresa descartar ativos nos quais
investiram muito em treinamento e desenvolvimento, executivos que criaram
relacionamentos sólidos com clientes ou acionistas e acumularam
conhecimentos sobre produtos, mercados e concorrentes.
Abrir mão desses talentos significa gastar mais em recrutamento
e treinamento quando a economia voltar a rodar com força total.
A retenção de talentos, neste momento, é estratégica
para a empresa de visão. Em alguns casos, as corporações
chegam até a ampliar os benefícios para não perder
seus melhores profissionais para a concorrência.
Além disso, em época de crise, com o mercado mais estreito,
as empresas precisam aumentar sua competitividade para sobreviver, crescer
e conquistar market share. E uma das estratégias principais é
investir em melhores profissionais, naqueles que realmente fazem a diferença,
que agregam valor na linguagem corporativa. Empresas ousadas e visionárias
até correm atrás dos talentos que foram descartados pela
concorrência. Além de levarem sua expertise, suas habilidades
e competências, esses profissionais também tendem a melhorar
ainda mais seu desempenho, pois se sentem reconhecidos e até agradecidos.
Alguns setores, atingidos com menos intensidade pela crise e que não
podem interromper seus investimentos, continuarão a recrutar. É
o caso, por exemplo, dos segmentos de agronegócios, energia (principalmente
petróleo e etanol) e infra-estrutura.
Não custa lembrar que, ao contrário do que ocorre na
Europa e nos Estados Unidos, onde a recessão parece ser inevitável,
o Brasil provavelmente continuará crescendo no próximo ano-
menos, é claro, do que se previa há meses, mas mesmo assim
em taxas respeitáveis de 2,5% a 3%, segundo estimativas de especialistas.
Outros fenômenos não podem ser desprezados, como a emergência
das chamadas classes C e D como forças consumidoras, o fortalecimento
do mercado de consumo interno, os programas de renda do governo, o aumento
real do salário e, simultaneamente, a maior competitividade das
exportações brasileiras com o realinhamento do dólar
e as outras moedas relevantes. Tudo isso funcionará como uma espécie
de colchão para amortecer um pouco o impacto da crise. Em resumo:
o país continuará crescendo, embora talvez em menor ritmo
ao que estávamos acostumados nos últimos meses.
Prevê-se, também, o aquecimento da demanda por serviços
de apoio especializado durante fusões, como o "outplacement" que
empresas fornecem aos talentos demitidos durante reestruturações.
Alguns especialistas acreditam que, em função de dificuldades
do momento e da criação de novas oportunidades, muitas empresas
sairão em busca da aquisição de outras mais enfraquecidas
ou complementares.
Na gestão do capital humano, a empresa não pode focar-se
exclusivamente em minimizar custos e evitar perdas. Mais do que isso, ela
deve procurar olhar para o futuro e antecipar tendências. Assim,
ela ganhará musculatura e estará preparada para se beneficiar,
em melhores condições que a concorrência, de um cenário
mais promissor no futuro. (Marcelo Mariaca - Valor
Online)
11.11 - Ministério do Trabalho prepara nova norma para Lei do
Estágio
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) criou um grupo de trabalho,
junto com representantes do Centro de Integração Empresa-Escola
(CIEE), para a elaboração de uma instrução
normativa que regulamentará a nova Lei de Estágio - a Lei
nº 11.788, de 2008. O limite de seis horas diárias para a jornada
de trabalho e a duração máxima de dois anos para os
estágios são as exigências da nova legislação
que mais causam inquietação entre as empresas. O ministério
ainda não definiu, também, como será a fiscalização
do cumprimento da lei.
De acordo com Ezequiel Sousa do Nascimento, secretário de políticas
públicas de emprego do ministério, os pontos imprecisos na
lei estão detendo o ritmo de contratação dos estagiários
- exatamente o contrário, segundo ele, da intenção
do governo ao criar a lei. Nascimento afirmou, em uma palestra na sede
paulistana do CIEE, na sexta-feira, que em uma semana estará pronta
a proposta de instrução normativa que tornará a lei
mais factível para as empresas. No entanto, o secretário
não soube informar como se dará a fiscalização
das novas normas - apenas que o fiscal do trabalho adotará uma postura
"suave e simpática". "Se a lei fosse um pouco mais genérica
teria causado menos problemas", diz.
As dificuldades de adequação à lei variam conforme
o ramo de atividade. No setor bancário, o limite de duração
do estágio é um dos pontos mais problemáticos. "Isso
vai fazer com que a empresa treine o jovem para o mercado e não
para si", diz Magnus Ribas Apostólico, diretor de RH da Federação
Brasileira dos Bancos (Febraban). Outra preocupação é
quanto à previsão de contratação de portadores
de deficiência em 10% do quadro de estagiários. Para Apostólico,
isso será inviável, tendo em vista a dificuldade já
existente de as empresas cumprirem a chamada Lei de Cotas, que estabelece
a reserva de vagas no quadro de funcionários.
Durante a palestra, a redução da jornada foi uma reclamação
trazida pela área de RH da Votorantim. Isso porque em alguns locais
em que a empresa está situada não há transporte público,
apenas o coletivo fornecido pela empresa, com horários adequados
à jornada de oito horas da maioria dos funcionários. Já
na área médica, há incerteza quanto aos estágios
curriculares obrigatórios de curta duração oferecido
pelos hospitais a milhares de estudantes, porque a lei exige que sejam
feitos exames admissionais e demissionais. De acordo com informações
de representantes do departamento jurídico da Faculdade São
Camilo, os hospitais estão recusando os estagiários pelo
alto custo dos exames. Nas bancas de advocacia, o limite de duração
de estágio é um dos principais pontos de contestação.
O escritório Velloza Girotto e Lindenbojm Advogados Associados,
por exemplo, informou que está concentrando as contratações
aos últimos dois anos do curso de direito.
(Luiza de Carvalho - Valor Online)
11.11 - Servidores: O desperdício de talento
Um gesto de egoísmo de juízes de
direito e promotores de justiça vinha concorrendo para que a Câmara
dos Deputados retardasse a votação de uma emenda constitucional
de enorme significado para o país, sobretudo para o setor previdenciário.
Tramita pelo Congresso Nacional, já tendo obtido aprovação
pelo Senado, o projeto de emenda constitucional que amplia de 70 para 75
anos a idade para aposentadoria compulsória de servidores públicos.
A ampliação desse prazo não
impedirá que servidores com o necessário tempo de serviço
requeiram aposentadoria antes da compulsória. E também não
haverá qualquer interferência nos critérios de aposentadoria
para os demais trabalhadores brasileiros.
Muito embora já tenha sido aprovado no
Senado Federal, o projeto engasgou na Câmara dos Deputados, por força,
entre outras razões, da pressão de juízes de direito
e promotores de justiça, por suas respectivas associações
de classe, que a combateram por entender que tornará mais demoradas
as promoções nas respectivas carreiras.
É evidente que ao agir com tal objetivo
esses juízes e promotores não pensaram no país, mas
tão-somente em si próprios e nos seus interesses corporativos,
o que se lamenta. A sua interferência, no entanto, introduziu um
complicador na Câmara dos Deputados, porque prevaleceu inicialmente
entre os congressistas a impressão equivocada de que o projeto era
de interesse específico de juízes e promotores.
Entre os políticos, costuma-se dizer que
não se deve entrar em briga de quem usa saia, ou seja, mulher, padre
e juiz. Em parte por isso, o projeto engasgou. Mas esse equívoco
inicial quanto ao alcance da emenda constitucional restou desfeito, firmando-se
o entendimento hoje predominante de que não se busca beneficiar
esta ou aquela classe profissional, mas tão-somente o país
e em especial ao sistema previdenciário.
Os congressistas mais afinados com a necessidade
de aprovação da emenda constitucional vêm afirmando
que o presidente da Câmara aguarda o surgimento de uma janela, ou
seja, do espaço de tempo entre uma medida provisória e outra
para colocá-la em votação.
Com extrema freqüência a imprensa
veicula informações sobre o aumento da longevidade entre
os brasileiros, de tal forma que é grande e crescente o contingente
de pessoas com 70 anos que se encontram ainda aptas ao trabalho. Afastá-las,
quando ainda se mostram produtivas, sobrecarrega o caixa da União,
estados e municípios.
De fato, a cada servidor que se afasta compulsoriamente
aos 70 anos, cresce a obrigação de pagar não só
a mais um aposentado, como também àquele que o substituirá.
Dobra a despesa da folha.
Com esse sistema retrógrado e discriminador,
todos os dias o país atira no lixo algumas centenas de cérebros
da melhor qualidade, pelo pecado de haverem completado a idade limite na
ativa. Alguns exemplos são dramáticos, como o caso do renomado
médico cardiologista Adibe Jatene, de reputação internacional,
que poderá — se quiser — dar aula em Oxford, Harvard ou na Sorbone,
mas já não poderá fazê-lo junto aos estudantes
da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
Pune-se o talento, por ter o agente completado
70 anos. Assim como Jatene, vários outros médicos e professores
de grande conhecimento científico estão sendo afastados das
universidades e dos hospitais públicos pelo mesmo fato, promovendo
um desfalque desanimador.
Há em São Paulo um hospital bastante
conhecido, ao qual os congressistas de todo o Brasil recorrem quando acometidos
de doenças graves: o Instituto do Coração. O próprio
presidente da República ali se submete a exames médicos periódicos.
São inúmeros os congressistas que se salvaram de graves enfermidades
graças aos serviços médicos ali obtidos.
Pois bem, a equipe do Instituto do Coração,
talvez a mais experiente do Brasil, está em via de levar um pontapé
no traseiro, porque os médicos vão alcançando a idade-limite.
A sua enorme experiência frutificará nos hospitais particulares,
porém nunca mais num hospital público tão renomado.
Em todos os setores do funcionalismo público
ocorrem hipóteses iguais, inclusive no Supremo Tribunal Federal,
que poderá, em futuro próximo, perder magistrados da competência
e experiência de Celso de Mello e Marco Aurélio de Mello,
os mais antigos. É uma sangria de talento que somente a aprovação
da emenda poderá estancar. (Correio Braziliense)
10.11 - Governo deveria exigir regra de estabilidade
As medidas do governo para tentar injetar liquidez no mercado estão
na direção correta, mas deveriam exigir dos setores beneficiados
algum compromisso de manutenção do emprego. O importante
neste momento é garantir o emprego até para evitar uma queda
muito brusca no mercado interno, caso haja um processo de demissão
em massa.
A avaliação é do economista Júlio Sérgio
Gomes de Almeida, consultor do Iedi e ex-secretário de política
econômica da Fazenda. Ele diz que não está falando
só do setor automobilístico, que receberá uma injeção
de R$ 4 bilhões em empréstimos do Banco do Brasil, mas de
outros também, como a construção civil.
O economista acha que o governo não deveria fazer essa farta
distribuição de benesses sem exigir daqueles que forem beneficiados
uma cláusula de estabilidade do emprego ou de qualquer outra regra
nesse sentido. No mínimo, a seu ver, deveria haver uma negociação.
Gomes de Almeida cita, por exemplo, a ajuda que o BNDES dará
para os exportadores que perderam dinheiro com as operações
de derivativo cambial. Também, nesse caso, o governo deveria exigir
alguma contrapartida.
"O mais importante agora é a manutenção do emprego".
Outra sugestão de Júlio Sérgio Gomes de Almeida
para reanimar a economia é o governo antecipar o aumento do salário
mínimo para janeiro do ano que vem.
A previsão dos analistas é de uma queda bastante acentuada
da demanda a partir do início do ano que vem e a antecipação
do aumento do salário mínimo seria um impulso importante
para a economia.
Segundo ele, essa antecipação do salário mínimo
não iria representar aumento do gasto público simplesmente
porque se trata de uma despesa que já está prevista no orçamento.
Só iria ocorrer uma antecipação de poucos meses. O
salário mínimo é um dos fatores que mais influenciam
o comportamento da economia. (Guilherme Barros - Folha de S.Paulo)
10.11 - Governo prevê atingir saldo de 40 milhões de vagas
formais
O governo prevê atingir em 2008 a marca de 40 milhões
de postos de trabalho com carteira assinada. O ministro do Trabalho, Carlos
Lupi, anunciou a estimativa quinta-feira, na divulgação da
Rais (Relação Anual de Informações Sociais),
censo do mercado de trabalho formal.
Pelos dados do ministério, até setembro deste ano o país
já contava com 39,6 milhões de empregos formais.
Contaram-se o número de registros até dezembro de 2007,
cerca de 37,6 milhões, segundo a Rais, mais os empregos com carteira
assinada gerados de janeiro a setembro -2,08 milhões de vagas, segundo
o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).
O ministro afirmou que o número de postos de trabalho continuará
a crescer, apesar da crise financeira internacional. "O impacto da crise
no Brasil será bem menor do que em outros países que têm
foco na exportação de produtos mais sofisticados", disse
Lupi. (LARISSA GUIMARÃES - Folha de S.Paulo)
10.11 - IV Corp RH ultrapassa expectativa de público
Rio - Cerca de 800 executivos, consultores e especialistas em recursos
humanos (RH) passaram pelo IV Corp RH, que tomou na quinta-feira os corredores
do Centro de Convenções SulAmerica, no Rio. O evento combinou
exposição e ciclo de debates sobre temas como gestão
de competência, treinamento e retenção de talentos.
Segundo os organizadores, o encontro superou a estimativa inicial de
público, com alto índice de satisfação dos
participantes e expositores. Outro destaque foi a entrega do prêmio
Corp RH, que agraciou empresas e profissionais do setor.
Segundo Cristiano Lagôas, presidente do comitê organizador
do IV Corp RH, o perfil do público participante é bem definido.
"Em todas as edições, promovemos uma pesquisa sobre o perfil
dos participantes. Este ano, cerca de 70% ocupam altos cargos administrativos,
como presidentes, diretores e gerentes. Além disso, 50% são
da área de RH. A outra metade é oriunda de outros departamentos,
mas todos ligados à gestão de pessoas", afirma.
Lagôas disse que o evento cresce a cada ano. "Cerca de 800 pessoas
participaram, aumento de 300% em comparação com a primeira
edição, em 2005. Com o sucesso das edições
anteriores, também atraímos mais parceiros", afirma. Além
do Jornal do Commercio, o congresso reuniu outros 135 apoiadores e patrocinadores.
"Desde a primeira edição, primamos pela interação
com o público e patrocinadores para montar o formato do evento.
Este ano, todos os temas abordados nas palestras foram decididos a partir
de consultas com os congressistas dos eventos anteriores. Além disso,
sorteamos brindes como uma vaga no MBA em gestão de pessoas na Universidade
Federal Fluminense, que custa R$ 12 mil, e diárias em pousadas espalhadas
pelo País".
PALESTRAS. O ciclo de palestras foi o ponto alto do evento. Empresas
como TAM, Petrobras e L"Oréal apresentaram seus programas de gestão
e treinamento e tiveram boa repercussão entre o público.
"Nosso objetivo é mostrar, na prática, as principais tendências
do mercado. O formato em talkshow, sempre com dois mediadores, possibilita
uma interação maior entre os palestrantes e os congressistas",
acredita Lagôas.
O IV Corp RH também foi marcado pela entrega do prêmio
Corp RH. Entre as diversas categorias, destaque para Cláudia Marchi,
diretora geral de RH da Amil, e Laura Negro de la Pisa, coordenadora de
RH da rede de supermercados Mundial, que foram as vencedoras do prêmio
Personalidade 2008. (Jornal do Commercio do Brasil)
07.11 - Os impactos da nova lei do estágio
O legislador procurou resguardar a atividade de estágio dentro
das empresas para minimizar possíveis fraudes
Novas disposições acerca do tratamento que deve ser dado
ao estagiário já estão valendo, porém, vêm
trazendo uma série de questionamentos por parte das empresas.
A Lei nº 11.788, que dispõe sobre a lei do estágio,
foi sancionada em 25 de setembro de 2008. Neste sentido observamos que
o legislador tratou de regular a atividade de estágio, trazendo
alguns benefícios que não eram devidos ao estagiário,
bem como maiores responsabilidades e obrigações às
empresas, às instituições de ensino e aos órgãos
de integração.
A referida lei dispõe que o estágio é ato educativo
escolar supervisionado, a ser desenvolvido no ambiente de trabalho, que
visa à preparação para o trabalho de alunos que estejam
freqüentando o ensino regular, em instituições de educação
superior, de educação profissional, de ensino médio,
da educação especial e dos anos finais do ensino fundamental.
O legislador atentou ao fato de que as atividades de extensão,
de monitorias e de iniciação científica na educação
superior somente serão equiparadas ao estágio em caso de
previsão no projeto pedagógico do curso.
A nova lei determinou expressamente que o estágio não
cria vínculo empregatício desde que observados os requisitos
presentes na lei, sendo necessário, entre a instituição
de ensino e a empresa, a existência de instrumento jurídico,
bem como a formalização de termo de compromisso celebrado
entre o estudante e a empresa.
O estagiário poderá receber bolsa ou outra forma de contraprestação
que venha a ser acordada entre as partes. Contudo, será compulsória
a sua concessão bem como a do auxílio-transporte, na hipótese
do estágio não obrigatório. Neste sentido a lei antiga
não obrigava, em nenhuma hipótese, ao pagamento de uma bolsa
ao estagiário, sendo esta mera liberalidade da empresa.
A empresa, se quiser, poderá ainda conceder outros benefícios
ao estagiário, tais como alimentação e saúde,
pois, conforme determina a nova lei, tais benefícios não
serão considerados para a caracterização de vínculo
de emprego.
A legislação assegura ao estagiário um período
de recesso de 30 (trinta) dias, sendo concedido de maneira proporcional
quando o estágio for inferior a um ano, a ser gozado preferencialmente
durante suas férias escolares. Tal recesso deverá ser remunerado,
quando o estagiário receber bolsa ou outra forma de contraprestação.
Atenta-se que recesso não são férias. Portanto,
embora seja remunerado, não haverá o pagamento de 1/3 (um
terço) constitucional sobre o valor devido.
Os demais direitos permanecem inalterados, ou seja, não terá
o estagiário direito a décimo terceiro salário, aviso
prévio, e demais verbas rescisórias. No mais, como já
era feito anteriormente, a empresa deverá obrigatoriamente contratar,
em favor do estagiário, seguro contra acidentes pessoais.
Quanto aos agentes de integração, apenas fazemos menção
de que a nova lei proíbe que estes cobrem qualquer valor dos estudantes
a título de remuneração pelos serviços, e que,
caso indiquem estagiários para a realização de atividades
não compatíveis com a programação curricular
estabelecida para cada curso, assim como estagiários matriculados
em cursos ou instituições para as quais não há
previsão de estágio curricular, serão responsabilizados
civilmente.
O estágio, além de ter o acompanhamento pelo professor,
deverá ter acompanhamento de um supervisor da parte concedente comprovado
por vistos nos relatórios, que deverão ser formalizados.
Também passará a existir um número máximo
de estagiários por empresa, que não será aplicado
aos estágios de nível superior e aos de nível médio
profissional.
A jornada deverá constar expressamente no termo de compromisso
e ser compatível com as atividades escolares, não ultrapassando:
a) 4 (quatro) horas diárias e 20 (vinte) horas semanais, no
caso de estudantes de educação especial e dos anos finais
do ensino fundamental, na modalidade profissional de educação
de jovens e adultos; e,
b) 6 (seis) horas diárias e 30 (trinta) horas semanais, no caso
de estudantes do ensino superior, da educação profissional
de nível médio e do ensino médio regular.
O estágio relativo a cursos que alternem teoria e prática,
nos períodos em que não estão programadas aulas presenciais,
poderá ter jornada de até 40 (quarenta) horas semanais, desde
que previsto no projeto pedagógico do curso.
A legislação nada dispõe acerca da concessão
de intervalo para alimentação. Contudo, considerando que
não há vedação legal, e que a lei, em seu artigo
10, menciona que as horas são de atividade, a empresa poderá
conceder um período para intervalo, desde que de fato não
haja atividade neste período. O Ministério do Trabalho, porém,
deve ainda se pronunciar a respeito do assunto, visando a regular tal dispositivo.
Com a nova lei, a duração do estágio, na mesma
parte concedente, não poderá exceder 2 (dois) anos, exceto
quando se tratar de estagiário com deficiência, ou seja, um
estagiário de terceiro ano não poderá ficar na mesma
empresa até o final do curso se sua faculdade for de cinco anos,
o que fatalmente fará com que as empresas diminuam a contratação
de estagiários antes do quarto ano do curso, já que a empresa,
muitas vezes, formaria o profissional, e não poderia dar prosseguimento
a esta formação para posterior efetivação do
profissional.
Diante das considerações feitas, entende-se que o legislador
procurou resguardar a atividade do estágio dentro das empresas,
no intuito de minimizar possíveis fraudes na contratação.
Na prática, porém, não se sabe quais serão
os impactos que esta nova lei trará, uma vez que o formato de contratação
ficou mais burocrático.
Assim, veremos ao longo do tempo se de fato tal norma melhorou ou não
o instituído da contratação do estagiário.
(Carolina Roncatti Trigueiros - DCI)
07.11 - GM adota plano de demissão voluntária
A GM (General Motors) anunciou ontem um novo PDV (Programa de Demissão
Voluntária) para as unidades de São Caetano do Sul e São
José dos Campos.
A montadora não divulgou metas de adesão nem benefícios
oferecidos. As duas fábricas da GM empregam juntas 20,8 mil funcionários,
dos quais 16,3 mil pertencem à produção e podem se
candidatar ao programa, aberto até o dia 28 deste mês.
Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José
dos Campos, a montadora vai pagar de três a seis salários,
dependendo do tempo de serviço para quem aderir ao programa. Para
os aposentados, pagará mais três salários e haverá
mais incentivo para quem tem garantia de emprego. "A GM está aproveitando
a crise para se reestruturar", diz Vivaldo Araújo, diretor do sindicato.
Esse é o segundo PDV da GM desde setembro. Em São José,
220 trabalhadores aderiram a um outro programa, aberto entre 17 e 30 de
setembro, segundo o sindicato.
Na semana passada, a GM anunciou várias medidas para ajustar
a produção "em face à restrição de crédito
que já tem impacto nas vendas de veículos no Brasil" e para
"adequar estoques da fábrica e da rede de concessionárias".
Concedeu férias coletivas desde segunda-feira até o dia 17
deste mês para 5.000 empregados de São Caetano. Em São
José, param 4.000 em períodos alternados. Em Gravataí
(RS), 5.200 funcionários diretos e de fornecedores terão
em dias alternados coletivas ou licença-remunerada. Ford, VW e Fiat
já anunciaram coletivas. (CLAUDIA ROLLI - Folha de S.Paulo)
07.11 - Setor de construção civil começa a demitir
Crise leva empresas a reverem custos e obras, além de metas
de lançamentos
Cortes ocorrem na área administrativa, mas também afetam
técnicos que trabalhavam com projetos a partir de 2009
A crise financeira começou no mercado imobiliário americano
e acabou afetando a construção civil brasileira. Além
de reverem as metas de lançamento, construtoras e incorporadoras
listadas na Bolsa estão realizando demissões. Os cortes começaram
há dois dias.
A Folha apurou que a Cyrela demitiu 300 funcionários. Por meio
de sua assessoria, a empresa afirmou que seu quadro de funcionários
continua inalterado. Na JHSF, especializada em empreendimentos de alto
padrão, foram cerca de 40. A Lopes demitiu 60, mesmo número
da Abyara. Segundo o gerente de Relações com Investidores
da Abyara, Alexandre Hermann Sande, há chances de novas demissões.
Na Even, 25 foram demitidos.
Entre eles, estão engenheiros, advogados, mestres de obra e
projetistas, além de profissionais da área técnica
que trabalhavam em projetos previstos para os próximos anos.
A JHSF afirmou que não fará mais cortes. Na Even, as
demissões foram anunciadas juntamente com a contratação
de 70 postos de trabalho nos canteiros de obra.
Segundo as próprias construtoras, o setor entrou em um período
de ajustes de custos para responder aos efeitos da crise financeira que
abalou o mercado de crédito no Brasil. "As demissões fazem
parte desses ajustes", diz Paulo Safady Simões, presidente da CBIC
(Câmara Brasileira da Indústria da Construção).
Segundo ele, ao mesmo tempo em que cortam custos, as companhias precisam
concluir suas obras para gerar receita. "A saúde financeira dessas
empresas não pode ser comprometida." Para Simões, o governo
acertou ao responder com um pacote prevendo até R$ 16 bilhões
em crédito ao setor. "Essas linhas de financiamento têm como
objetivo gerar caixa para as construtoras concluírem os empreendimentos,"
diz.
Analistas do setor afirmam que demissões e revisões de
projetos eram previstas, mas que isso afeta a cotação das
ações dessas empresas. "Os cortes eram inevitáveis",
diz Sande, da Abyara. Segundo ele, a reestruturação da incorporadora
prevê ainda a venda de terrenos e até mesmo de participações
em empreendimentos imobiliários. "Vamos anunciar tudo isso e a revisão
de "guidance" para baixo nos próximos dias." "Guidance" é
a meta prometida pelas companhias aos investidores. Em geral, ela se refere
ao total de lançamentos futuros, permitindo estimar a geração
de receita.
Há cerca de dois anos, após se capitalizarem na Bolsa,
as incorporadoras e construtoras adquiriram terrenos a alto custo, contando
com a permanência do ritmo de crescimento do setor na casa dos atuais
10%. Com a crise, que fez secar o crédito para os empreendimentos,
esse ritmo será menor. Alguns economistas já estimam um ritmo
entre 2% e 5%. Se confirmado, o setor deverá fechar 2008 com 2,1
milhões empregados, 100 mil a menos que o previsto antes da crise.
"Essa é a pior crise enfrentada pelo setor", afirma Antonio
de Sousa Ramalho, presidente do SintraCon-SP (Sindicato dos Trabalhadores
da Construção Civil de São Paulo). "Todas as construtoras
estão demitindo." Segundo Ramalho, a média diária
de homologações no sindicato era de 40. "A partir de setembro
passou para 150." (JULIO WIZIACK - Folha de S.Paulo)
06.11 - Ford antecipa férias coletivas nas suas fábricas
A Ford anunciou que funcionários de suas três unidades
no Brasil -Camaçari (BA), São Bernardo do Campo e Taubaté
(SP) - terão suas férias coletivas antecipadas devido à
desaceleração das vendas de carros e caminhões.
Inicialmente, as férias dos 8.800 trabalhadores de Camaçari
(região metropolitana de Salvador) estavam programadas para 24 de
dezembro a 2 de janeiro. Com a decisão da empresa, os funcionários
começarão o recesso em 10 de dezembro (turno da noite) e
em 11 de dezembro (turnos da manhã e da tarde) e voltarão
às atividades somente em 5 de janeiro.
Em São Bernardo do Campo, o período de descanso envolve
os funcionários da produção de caminhões e
será de 15 de dezembro a 2 de janeiro do ano que vem. Pela programação
anterior da montadora norte-americana, as férias deveriam acontecer
entre 22 de dezembro e 2 de janeiro. Os sábados de produção
também foram cancelados até o final do ano.
Em nota, a Ford diz que poderá adiar a data para o início
do segundo turno de produção em São Bernardo. "Em
razão da necessidade de ajuste da produção à
demanda, a data de início do segundo turno de produção
prevista para janeiro de 2009 será redefinida de acordo com a evolução
do mercado", diz o texto da empresa.
Em Taubaté, apenas os empregados da linha de transmissões
terão as férias coletivas ampliadas a partir de 15 de dezembro,
uma semana antes da previsão estabelecida pela montadora. Os funcionários
da unidade do Vale do Paraíba também retornarão às
atividades em 2 de janeiro.
A fábrica de Camaçari, a única de uma montadora
na região Nordeste, tem capacidade para colocar no mercado 250 mil
carros por ano, dos quais 80,2 mil são destinados para o mercado
externo.
Apesar de antecipar as férias coletivas, a Ford, também
em comunicado, confirmou a manutenção dos investimentos programados
pela empresa até 2012 na América do Sul.
Além da Ford, três montadoras -a Volkswagen, a Fiat e
a General Motors- já anunciaram férias coletivas. Na Volkswagen,
cerca de 1.900 trabalhadores da fábrica de São José
dos Pinhais (PR) suspenderam anteontem as atividades e só retornarão
no dia 19.
Na unidade da Fiat em Betim (MG), houve paralisação da
produção em outubro e há uma nova programada para
este mês. A General Motors anunciou férias coletivas para
a sua unidade em São José dos Campos (SP), com períodos
de paralisação que vão de 17 de novembro a 23 de dezembro.
(LUIZ FRANCISCO - Folha de S.Paulo)
06.11 - CUT quer proteção ao trabalhador durante a crise
A CUT discute uma série de medidas, como a criação
de um plano de renegociação de dívidas para pequenas
empresas e trabalhadores, para entregar ao governo Lula e aos parlamentares.
O objetivo das propostas é minimizar os efeitos da crise financeira
internacional no emprego e na renda dos trabalhadores.
No total, são 16 medidas preparadas pela subseção
do Dieese da CUT Nacional que serão debatidas entre os 25 diretores
da Executiva. Se não houver consenso, serão votadas.
"A idéia é que o governo proponha alternativas não
só a grandes empresas e bancos. Uma delas é criar um plano
de renegociação de dívidas para os pequenos empresários
e trabalhadores endividados, com prazos maiores e juros mais acessíveis",
diz Artur Henrique Santos, presidente da CUT.
A redução da taxa de juros de longo prazo (TJLP) e a
criação de linhas especiais de financiamento, por meio do
BNDES, para setores mais atingidos pela crise é outra medida.
É também consenso que aqueles que receberem ajuda do
Estado se comprometam a garantir o nível de emprego. "Se uma empresa
não cumpre a legislação trabalhista ou não
cumpre a convenção coletiva, por exemplo, não é
justo que receba socorro estatal. Por isso é preciso sim ter contrapartidas
sociais", afirma Julio Turra, diretor da central.
Na pauta também está a adoção de taxas
múltiplas de câmbio para importação, menor para
gêneros de primeira necessidade e maior para supérfluos e
viagens.
Uma das medidas mais polêmicas (e que já arregimenta oposição
interna) é a implementação de câmaras setoriais,
como a que foi criada no início da década de 90 no setor
automobilístico. Para parte dos diretores da CUT a medida poderia
ajudar os setores mais atingidos pela crise de crédito.
(CLAUDIA ROLLI - Folha de S.Paulo)
05.11 - Ajuste no Brasil será com cortes, diz consultoria
Enquanto nos EUA, as empresas vão renegociar os salários
com os funcionários para reduzir custos diante da crise, no Brasil,
elas vão partir direto para a demissão. A análise
é de Carlo Hauschild, diretor brasileiro da consultoria de RH Hewitt,
com base em uma pesquisa realizada com 411 empresas americanas.
"Diferente dos EUA, a legislação brasileira não
permite redução salarial, então as empresas só
têm um caminho, que é a demissão."
Com a crise, as empresas americanas cortaram as projeções
de reajuste salarial de 4,1% para 3,1%, o menor patamar desde o 11 de Setembro,
diz a pesquisa.
Apesar de não ter dados do Brasil, Hauschild diz que a tendência
nos EUA, de corte de orçamento e de contratações,
se repetirá no país. (Guilherme Barros - Folha
de S.Paulo)
05.11 - Fusão: Sindicato negocia manutenção de
empregos
Representantes de trabalhadores do setor bancário já
estão em contato com diretores de Itaú e Unibanco, com o
Banco Central e com o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica)
para evitar que a fusão dos bancos resulte em demissões -as
duas instituições empregam juntas cerca de 105 mil pessoas-
e ainda prejudique os clientes.
"Se a lógica da fusão for mantida, já que as diretorias
dos dois bancos afirmam que a idéia do negócio é criar
uma instituição maior e mais forte, não deve haver
demissões. E vamos lutar para que todos os empregos sejam mantidos",
afirma Luiz Cláudio Marcolino, presidente do Sindicato dos Bancários
de São Paulo, Osasco e Região, ligado à CUT (Central
Única dos Trabalhadores).
Marcolino, que diz ter sido pego de surpresa com a fusão do
Itaú e do Unibanco, afirma que, na década de 90, os bancos
se uniam com intenção de fortalecer os ativos dentro do sistema
financeiro nacional, e não se preocupavam em manter as agências
e os empregos.
"A situação hoje é outra. Os bancos sabem que,
sem agências e empregos, também não existem clientes
e, por isso, aceitam negociar com sindicatos de trabalhadores garantias
de empregos. Estamos esperando essa postura nesse negócio entre
Itaú e Unibanco", diz.
Na compra do Banespa pelo Santander, em 2000, segundo ele, o sindicato
conseguiu negociar garantia de empregos por cinco anos. Na compra do Bank
Boston pelo Itaú, a garantia de emprego foi estabelecida em 12 meses.
"Os bancos perceberam que não adianta fazer fusão com demissão.
Eles precisam de agências, trabalhadores e clientes. A diretoria
do Itaú já se comprometeu hoje [ontem] a conversar com o
sindicato. A direção do Unibanco já informou que vai
falar conosco", diz.
Além dos trabalhadores, segundo Marcolino, também os
clientes não podem ser lesados com a fusão. "Por isso estamos
pedindo que o BC e o Cade avaliem com cuidado esse negócio. Agora,
vamos ter dois grandes bancos nacionais [Bradesco e Itaú-Unibanco],
dois estrangeiros [Santander e HSBC] e dois públicos [Caixa Econômica
Federal e Banco do Brasil]. Se olhar para o cenário nacional, são
poucos bancos, e essa é uma preocupação que tem de
ser discutida pela sociedade, se há concentração."
Vagner Freitas, presidente da Contraf (Confederação dos
Trabalhadores do Ramo Financeiro), ligada à CUT, diz que "os bancários
estão preocupados porque o histórico de fusões e aquisições
de bancos no país não é bom para o emprego. Todas
as fusões de bancos que já ocorreram no país sempre
resultaram, mais cedo ou mais tarde, em desemprego".
No final da década de 80, segundo ele, o setor bancário
chegou a empregar cerca de 1 milhão de pessoas. No final da década
de 90, esse número já estava perto de 400 mil e praticamente
se mantém até hoje.
"Toda vez que o Itaú incorporou algum banco houve demissão.
Isso ocorreu com a compra do Banco do Estado do Rio de Janeiro, do Banco
do Estado de Minas Gerais e do Banco do Estado do Paraná, além
de vários outros bancos. O Itaú é bem agressivo no
mercado e no corte de pessoal. Ele era um banco praticamente do tamanho
do Bradesco, só que o Bradesco tem 30% mais funcionários
do que o Itaú", afirma Freitas.
Em 1997, após adquirir o Banerj, a redução de
vagas do Itaú foi de 956 postos; em 1998, quando adquiriu o Bemge,
de 1.974 postos; em 2001, um ano após a compra do Banestado, de
3.754 postos; em 2002, quando adquiriu o BBA, de 2.970 postos; e, em 2003,
quando adquiriu o Banco Fiat, de 1.012 postos, segundo levantamento realizado
pelo sindicato dos bancários.
Na avaliação de Freitas, uma fusão do porte da
anunciada ontem terá forte impacto no setor bancário brasileiro.
"Não tenho a menor dúvida de que o Bradesco e o HSBC também
vão se movimentar, pois eles também querem ser o maior do
país. O pior é que, quanto maior for a concentração,
menor o emprego no setor", afirma. (FÁTIMA FERNANDES
- Folha de S.Paulo)
05.11 - Pais com direito a pensão
Justiça reconhece que mãe, aposentada pelo INSS, é
dependente de segurada de instituto estadual
Pais de segurado de previdência social podem ser reconhecidos
como dependentes. Decisão da 21ª Câmara Cível
do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul confirmou sentença
que incluía a mãe de uma titular do instituto de previdência
do estado como sua beneficiária. Pela ação, os pais
precisam comprovar, no entanto, que não têm meios de sobreviver
sem a ajuda do filho.
O Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul (Ipergs)
apelou da sentença em primeira instância do Tribunal de Justiça.
Como argumento, sustentou que não havia comprovação
de que a mãe, que é beneficiária do INSS, era dependente
economicamente da segurada do Ipergs. Mas a desembargadora Liselena Schifino
Robles Ribeiro, relatora do caso, deu entendimento diferente.
MENOS QUE O MÍNIMO
A magistrada destacou que, de acordo com o Artigo 13 da Lei 7.672/82,
que reestruturou o instituto, considera-se dependente econômica a
pessoa que percebe, mensalmente, renda inferior a um salário mínimo
regional.
Nos documentos anexados ao processo, lembrou a desembargadora, a mãe
recebia, como aposentadoria do INSS, R$ 351,33, em março do ano
passado, valor inferior ao piso mínimo regional (R$ 477,40), o que
autoriza o reconhecimento da condição de dependente econômica.
“Resta induvidoso que a autora era dependente de sua filha, sem que a pensão
percebida junto ao INSS afaste seu direito à inscrição
como dependente na autarquia estadual, diante do seu pequeno valor”, concluiu.
Em Brasília, a 6ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho
(TST) teve entendimento diferente de duas decisões de segunda instância
sobre o descanso de 15 minutos para a mulher antes de iniciar a prorrogação
da jornada extraordinária. Para os ministros do TST, a norma determinada
no Artigo 384 da CLT é incompatível com o princípio
constitucional de igualdade entre os homens e as mulheres.
(O Dia Online)
04.11 - Superqualificadas, quando eles vão embora, elas ficam
Com a intenção de atender a demandas sofisticadas dentro
das companhias, presidentes e diretores estão mais exigentes na
hora de contratar suas secretárias. Vale lembrar que no Brasil,
99% dos mais de 2,1 milhões de profissionais que exercem a função
são mulheres. Para conseguir ocupar o posto hoje, elas precisam
acumular qualificações como fluência em dois ou três
idiomas, conhecimentos de cerimonial, recursos humanos e análise
de documentos. São tantas exigências, que a média de
idade delas subiu, de cinco anos para cá, ficando entre 40 e 50
anos de idade.
"Com a informatização, as secretárias deixaram
um pouco de lado a parte operacional e passaram a ser cobradas por uma
atuação mais estratégia", afirma a consultora de recursos
humanos da Catho, Gláucia Santos. É por isso que tanto a
faixa de idade quanto a remuneração subiram. Segundo ela,
os executivos procuram profissionais entre 35 e 40 anos. "Isso valoriza
quem está no perfil, pois a maior parte da oferta é de pessoas
entre 20 e 27 anos", diz.
Há cinco anos, as profissionais mais procuradas tinham entre
20 e 25 anos. "Hoje a média de idade demandada subiu, porque a exigência
sobre a formação é maior, inclusive algumas empresas
pedem uma pós-graduação", afirma a presidente da Federação
Nacional das Secretárias, Maria Bernadete Lieuthier.
Como também passaram a se envolver com novas tarefas - de comunicação
interna, análise de documentos, elaboração de apresentações
e outras - a média salarial acompanhou o movimento e subiu. Era
de R$ 1,69 mil em 2003 e hoje é de R$ 2,25 mil para uma secretária
executiva e de R$ 3,8 mil para secretária trilingüe, contra
R$ 2,86 mil há cinco anos, de acordo com a Catho.
Por ter hoje tantas responsabilidades, elas passaram a desempenhar
papéis equivalentes aos dos gerentes administrativas. Não
são apenas o "braço direito" dos executivos. Magaly Caruso,
secretária-executiva na IBM Brasil, é um exemplo desse novo
perfil. Formada em psicologia, pedagogia, turismo e secretariado executivo,
hoje ela cursa pós-graduação em gestão da comunicação
em empresas. Além disso, fala inglês, espanhol, italiano e
alemão. Está há 34 anos na mesma companhia.
Entre as responsabilidades de Magaly está o atendimento de quatro
executivos - um responsável pela área de software para a
América Latina, um diretor de relações governamentais,
um diretor de filiais de bancos oficiais e clientes públicos no
Brasil e uma diretora jurídica que, curiosamente, fica em São
Paulo, bem longe de Magaly, que como os demais mora em Brasília.
"Nós decidimos aproveitar toda a tecnologia de comunicação
que existe para trabalharmos juntas e tem funcionado bem, apesar de só
nos vermos três vezes por ano", conta. Elas trabalham juntas há
um ano e meio e avaliam que o trabalho conjunto está indo muito
bem.
Mas atender aos quatro executivos não é tudo. Magaly
é o contato do departamento de recursos humanos na filial da companhia
na capital federal, responsável por eventos, pela construção
do ambiente organizacional e coordenação das atividades externas
em embaixadas e órgãos de governo. "Diferentemente de outros
locais, aqui em Brasília a parte de relacionamento é muito
importante e por isso eu coordeno também as agendas externas", explica.
Para chegar ao posto, Magaly trabalhou em Recife (PE) nos departamentos
de almoxarifado, recursos humanos, e também como secretária
desde 1999, trajetória que considera importante para a construção
da visão global da empresa que tem hoje. Há três anos
ela está em Brasília, onde também é presidente
do Comitê de Secretárias Executivas da Câmara Americana
de Comércio (Amcham), que reúne 700 secretárias da
cidade.
Por terem o perfil mais ligado à empresa do que a um executivo,
tornou-se comum os presidentes e diretores passarem pela empresa e, ao
contrário de as levarem junto quando mudam de emprego, como era
frequente, elas permanecem. A assessora executiva da presidência
do Fleury Medicina e Saúde, Denise Zaninelli, por exemplo, está
há 14 anos na empresa e já atendeu a quatro presidentes diferentes.
Assim como Cláudia Gargitter, que foi para o Pão de Açúcar
em janeiro de 2006, como secretária do recém-chegado Cássio
Casseb e continuou com o novo presidente, Claudio Galeazzi, que assumiu
em dezembro de 2007. Eles vão, elas ficam.
(Luiza Dalmazo - Valor Online)
04.11 - Bônus e incentivos para quem sobreviveu aos cortes
Depois da queda de 30% na força de trabalho nos Estados Unidos
nos últimos 12 meses e de 763 mil cortes de vagas só em setembro,
as empresas agora estão preocupadas em manter a lealdade e a produtividades
dos profissionais que permaneceram em seus quadros. Até porque,
com equipes reduzidas, eles estão enfrentando jornadas mais pesadas
de trabalho.
Além de manter os programas de incentivos, que aumentaram de
valor, algumas companhias estão considerando até mesmo cumprir
as promessas de bônus, de acordo com pesquisa recém divulgada
pela Challenger, Gray & Christmas, consultoria global de outplacement.
O estudo, realizado no começo de outubro, ouviu 100 executivos de
recursos humanos de indústrias, de diversos setores. Nele, 57% dos
gestores revelam que suas empresas não mudaram os planos de incentivos
existentes. Somente 10% planejam reduzi-los.
Surpreendentemente, só 20% das companhias tiveram de cortar
ou eliminar incentivos como parte das medidas de contenção
de despesas. E 35% cortaram para manter as vagas e evitar demissões.
Como medida para manter isso, a pesquisa da Challenger revela que 50%
das corporações planejam aprovar as recompensas deste ano.
Só 4% disseram que pretendem reduzir o tamanho dos bônus,
enquanto 23% confirmam que o valor será o mesmo do ano anterior.
Apesar da queda na oferta de emprego, segundo a consultoria, as organizações
precisam continuar com os recrutamentos para ter uma rede consistente de
candidatos, pensando na carência de profissionais que voltará
a existir quando a economia se recuperar.
Um levantamento feito com 607 executivos de recursos humanos conduzido
pela BNA, empresa de pesquisa de negócios, revela que apesar da
crise, 34% dos recrutamentos e retenções foram identificados
como prioritários em suas companhias. "As que eliminam bonificações
no fim do ano vão provavelmente descobrir que a lealdade e a produtividade
dos funcionários foram fortemente reduzidas", diz John Challenger,
Chief Executive Officer (CEO) da consultoria, em comunicado.
Algumas empresas aprenderam isso com as lições da recessão
de 2001 e conseqüentemente com a recuperação dos desempregados
que durou até 2003. Outras perceberam que podem oferecer incentivos
amplamente valorizados pelos funcionários e que custam pouco para
a empresa, ou quase nada. Na verdade, 35% dos executivos de recursos humanos
pesquisados que disseram que suas empresas não cortaram incentivos
indicam que elas utilizam bônus de baixo custo e com isso evitam
as demissões. "Oferecer amenidades como trabalho informal, expediente
mais curto às sextas-feiras durante o verão e escritórios
que aceitam animais domésticos são alguns exemplos de benefícios
extremamente populares entre os funcionários", diz o CEO.
Na opinião de Challenger, os incentivos de baixo custo podem
ser importantes na recuperação do astral da equipe. Dinheiro
não é a única forma ou meio mais importante de fazer
um funcionário feliz. "Fatores como o ambiente de trabalho e jornada
flexível assim como oportunidade de promoção e crescimento
contribuem muito com a satisfação", diz.
Muitos funcionários querem benefícios alternativos, diz
uma pesquisa da Salary.com. O estudo mostra que entre as respostas mais
comuns estão as possibilidades de desenvolvimento na carreira, trabalhar
de casa e ter períodos adicionais de férias. A economia deve
piorar e isso pode tornar difícil para algumas empresas proverem
até os menores incentivos, como café gratuito, diz Challenger.
"Para aquelas que forem forçadas a diminuir os benefícios
para salvar os trabalhadores, é importante separar algum tempo para
avaliar com cuidado quais serão alterados."
As companhias devem considerar a inclusão dos funcionários
nesse processo. Eles vão gostar pelo menos de saber quais incentivos
serão cortados e porquê. Além disso, as empresas precisam
ficar atentas em relação à disparidade entre os incentivos
oferecidos a executivos e aos demais empregados. "Vai ser muito difícil
justificar a eliminação do cafezinho para os funcionários
se os executivos continuarem a ter licença em academias de ginástica
e aluguel de carros", explica. (Luiza Dalmazo - Valor Online)
04.11 - JT deve julgar caso de ex-funcionária da Varig
O STJ (Superior Tribunal de Justiça) decidiu que cabe à
Justiça do Trabalho julgar o processo de uma ex-funcionária
da velha Varig. Em decisões anteriores, o STJ havia definido que
questões similares deveriam ser decididas pela 1ª Vara Empresarial
do Rio, onde tramita o processo de recuperação judicial da
companhia.
A ex-funcionária Maria Angélica Souza da Silva cobra
da Varig o pagamento de férias e salários, entre outros itens.
A companhia foi comprada no ano passado pela Gol. O STJ se limitou a definir
quem deve julgar o caso, mas, segundo advogados ouvidos pela Folha, a decisão
pode abrir um precedente e incentivar outros funcionários a cobrarem
direitos trabalhistas.
A decisão ressuscita o debate sobre a sucessão de dívida.
A 1ª Vara Empresarial entende que o novo dono não deve arcar
com as dívidas anteriores, com base no previsto na lei de recuperação
judicial.
"Isso pode chegar à Gol, porque a partir do momento em que o
STJ devolve a ação para a Justiça do Trabalho, pode
haver decisão reconhecendo a sucessão de dívida",
disse Otávio Neves, advogado dos trabalhadores.
Segundo Graziela Baggio, do Sindicato Nacional dos Aeronautas, as dívidas
da antiga Varig com ex-funcionários já ultrapassam R$ 600
milhões. Na Vasp, seriam R$ 1,1 bilhão. O STF (Supremo Tribunal
Federal) ainda analisará se cabem à Justiça do Trabalho
ou à Vara Empresarial tais decisões. (JANAINA LAGE
- Folha de S.Paulo)
03.11 - Dieese: desemprego em 6 regiões cai a 14,1% em setembro
A taxa de desemprego em seis regiões metropolitanas do País
pesquisadas pela Fundação Seade, em convênio com o
Dieese, caiu para 14,1% em setembro, ante a taxa de 14,5% em agosto. A
pesquisa foi realizada nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte,
Porto Alegre, Recife, Salvador, São Paulo e Distrito Federal. O
total de desempregados foi estimado em 2,839 milhões de pessoas.
O nível de ocupação subiu 0,8% em setembro em relação
a agosto e aumentou 5,6% em comparação a setembro de 2007.
O rendimento médio real dos ocupados nas seis regiões
metropolitanas registrou um incremento de 1% em agosto ante julho e passou
a R$ 1.171,00. Em comparação a agosto de 2007, ocorreu uma
elevação de 4,8%. A massa do rendimento dos ocupados apresentou
aumento de 1,6% em agosto ante julho e subiu 10% em comparação
a agosto de 2007.
São Paulo
A taxa de desemprego na região metropolitana de São Paulo
recuou para 13,5% em setembro, ante a taxa de 14% apurada em agosto, segundo
a pesquisa de emprego e desemprego (PED) realizada pela Fundação
Seade em convênio com o Dieese. O total de desempregados no mês
passado foi de 1,425 milhão de pessoas nessa região, ante
1,476 milhão em agosto.
De acordo com a PED, o rendimento médio real dos trabalhadores
ocupados em São Paulo subiu 1,6% em agosto ante julho deste ano,
de R$ 1.197,00 para R$ 1.216,00. Ao comparar o resultado com o rendimento
de R$ 1.183,00 em agosto do ano passado, houve aumento de 2,7%.
A massa de rendimento dos ocupados, que é o resultado da multiplicação
do valor dos rendimentos e nível de ocupação, aumentou
1,6% em agosto em relação a julho. Em comparação
a agosto de 2007, a massa de rendimento dos ocupados subiu 6,7%.
O nível de ocupação registrou elevação
de 0,7% em setembro em comparação a agosto. Em relação
a setembro do ano passado, o nível de ocupação aumentou
5,45%. (Agência Estado)
03.11 - Desemprego no Grande ABC recua para 11,8% em setembro
O desemprego no Grande ABC diminuiu para 11,8% em setembro, contra
12,2% no mês anterior, segundo dados da PED ( Pesquisa de Emprego
e Desemprego), divulgada na quarta-feira pela Fundação Seade
(Sistema Estadual de Análise de Dados) e pelo Dieese (Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).
Na RMSP (Região Metropolitana de São Paulo), a taxa de
desemprego caiu de 14% em agosto para 13,5% no mês passado. De acordo
com as entidades responsáveis pelo estudo, trata-se do melhor resultado
para um mês de setembro desde o ano de 1996.
O contingente de desempregados na região do ABC recuou de 170
mil pessoas em agosto para 163 mil em agosto. Em toda a RMSP, houve uma
queda de 51 mil no mesmo período, totalizando 1,425 milhão
de pessoas.
De acordo com o Dieese, a diminuição no nível
de desemprego não causou reflexos positivos na taxa de ocupação
no Grande ABC. Em setembro, houve o volume de ocupados teve recuo de 0,24%,
passando 1,221 milhão para 1,218 milhão de pessoas. Já
na RMSP, houve aumento de 0,7%, em um total estimado de 9,129 milhão
de pessoas - 63 mil a mais do que em agosto.
Na análise por setor, ainda com relação à
RMSP, houve incremento nos Serviços (2,4%, comportamento observado
pelo segundo mês consecutivo) e na Indústria (0,7%, após
quatro meses de decréscimo) e redução no Comércio
(3,6%) e no agregado Outros Setores (1,1%).
Em relação à renda dos ocupados e assalariados
em São Paulo, entre julho e agosto, depois de dois meses consecutivos
de redução, o rendimento médio real dos ocupados elevou-se
em 1,6%, passando a valer R$ 1.216, e o dos assalariados manteve-se relativamente
estável (-0,3%), equivalendo a R$ 1.246.
País - No conjunto das seis regiões metropolitanas onde
a pesquisa é realizada, o contingente de desempregados foi estimado
em 2,839 milhões pessoas, 72 mil a menos do que no mês anterior.
A taxa de desemprego total diminuiu de 14,5%, em agosto, para os atuais
14,1%, desempenho típico para o período. Essa é a
menor taxa para o mês de setembro desde 1998.
O movimento da taxa de desemprego total resultou de reduções
na maioria das regiões pesquisadas: Recife e São Paulo e,
em menor medida, Belo Horizonte e Salvador. Em Porto Alegre e no Distrito
Federal essa taxa manteve-se relativamente estável. (Diário
Online)
03.11 - Doença do trabalho pode dar pensão
vitalícia
Uma decisão do TST (Tribunal Superior
do Trabalho) definiu que a funcionária da Chocolates Garoto Alenilda
Rodrigues Subtil tem o direito a receber uma pensão vitalícia
por ter adquirido LER (Lesão por Esforço Repetitivo) durante
o trabalho. A decisão, como é de instância superior,
pode abrir caminho para que outros trabalhadores consigam na Justiça
o mesmo direito.
A funcionária também garantiu uma
indenização de R$ 25 mil por danos morais por ter sido afastada
em 1997 sem justificativa da empresa. O INSS (Instituto Nacional do Seguro
Social) garante a estabilidade de até 12 meses para funcionários
que foram afastados por doença do trabalho e voltam a trabalhar.
Em um primeiro momento, o TRT (Tribunal Regional
do Trabalho) do Espírito Santo negou o pedido de pensão vitalícia.
O argumento era de que ela já havia sido reintegrada ao emprego
e que tinha direito a uma indenização. "Mas a pensão
não tem nenhuma relação com o fato de ela ter sido
reintegrada pela empresa", defendeu Luís Fernando Nogueira Moreira,
advogado responsável pela defesa da trabalhadora.
A empregada recorreu ao TST. O tribunal, no último
dia 22, confirmou que a Garoto deve pagar a indenização de
R$ 25 mil e aceitou o pedido de pensão vitalícia. Para o
TST, a capacidade de trabalho foi diminuída com a LER.
O valor da pensão é referente ao
do salário da empregada, cerca de R$ 1.000.
Segundo o TST, a funcionária deve receber
também a pensão referente ao período anterior ao processo
na Justiça.
Ela trabalhava embalando bombons, encaixotando
chocolates e carimbando caixas, entre outras tarefas e, em 1993, começou
a reclamar de dores no pulso direito. A empresa fez a CAT (Comunicação
de Acidente de Trabalho) ao INSS apenas em 1996. A CAT é a única
maneira de que o trabalhador tenha o auxílio.
A empresa foi procurada para comentar o caso
mas não respondeu à reportagem.
A doença
A LER é uma doença muscular crônica
causada por conta dos movimentos repetitivos durante o trabalho. Atualmente,
34,7% dos casos de auxílio-doença acidentário são
de segurados com LER. De janeiro a julho deste ano, 63.649 trabalhadores
foram afastados do trabalho por causa da doença. (Bruno
Saia - Agora S.Paulo)