19.11 - OCDE: Fundos de pensão perdem US$
4 trilhões
Os fundos de pensão dos países desenvolvidos já
perderem mais de US$ 4 trilhões em valor até meados de outubro
no rastro da dramática crise financeira, de acordo com a Organização
para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE),
espécie de clube das nações ricas.
Dependendo do tipo de investimento, os fundos de pensão de vários
países desvalorizaram entre 20% e 30%. Nos portfólios mais
arriscados, em ações, o prejuízo chega a quase 50%
segundo o estudo apresentado ontem no conselho de administração
da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Uma das preocupações é de que esses fundos em
alguns países estejam reagindo com a venda de parte de ações
em seu poder, colocando mais pressões de baixa sobre as bolsas de
valores.
Os fundos de pensão se expandiram rapidamente na medida em que
muitos países reduziram seus sistemas de aposentadorias públicas.
O resultado, como nota a OCDE, é que a renda de trabalhadores fica
vulnerável a investimentos arriscados, já que os benefícios
dependem da acumulação de contribuições e do
retorno das aplicações.
"Problemas na economia real afetarão a renda da aposentadoria
como resultado (também) de maior desemprego e menor salário",
diz a entidade.
Como outros investidores, os fundos de pensão procuraram retornos
adicionais através de "investimentos alternativos" como hedge funds,
commodities, private equity e fundos de infra-estrutura. Além disso,
em vários países, os planos de aposentadoria oferecem escolhas
individuais de investimentos. Na Austrália, as pessoas podem escolher
entre 85 fundos.
Com a diversificação, a parte de ações
aumentou nos fundos de 13 de 18 países da OCDE com dados disponíveis,
mas os bônus representam ainda mais da metade dos portfolios. Desses
bônus, 60% são em títulos de governos que, até
agora, se saíram bem na crise financeiro, apesar do prêmio
de risco ter subido no caso da dívida pública de alguns países.
Sobretudo, a exposição dos fundos de pensão aos
"ativos tóxicos", que causaram o estrago a partir dos EUA, representa
menos de 3% do total sob gestão.
Mesmo com precauções impostas pelos governos, a maioria
dos fundos vem sendo afetados pela crise. O impacto é especialmente
forte em países onde a renda da aposentadoria deve vir de pensões
privadas. A entidade examina oito países membros e quatro candidatos,
todos nessa situação. O resultado mostra o Chile como o mais
afetado, com o rendimento anual do portfólio arriscado nos últimos
12 meses registrando perda de 46%.
Ainda assim, o retorno dos fundos em geral este ano pode ser de 8,5%,
comparado a 10% na média dos últimos anos.
Em países com montante fixo de aposentadoria definido, como
na Suíça, Canadá, Islândia e Holanda, a crise
coloca um peso adicional sobre as empresas justamente quando elas sofrem
com a desaceleração econômica. Países como Austrália,
Dinamarca, Irlanda e Reino Unido, os sistemas podem proteger o dinheiro
dos aposentados.
A OCDE sugere que o momento não é para pânico até
porque os fundos são por natureza de longo prazo, e seu desempenho
deve ser avaliado ao longo dos anos. Na ultima década, um portfólio
equilibrado deu retorno de mais de 7% ao ano nos países ricos.
Certo mesmo é que a crise significa pressões financeira
e fiscal sobre os sistemas de aposentadoria. Na maioria dos países
desenvolvidos, o pagamento das aposentadorias é submetido a imposto.
Chega a 30% da renda na Dinamarca e Suécia, 20% na Alemanha, Bélgica
e Noruega, e 15% na Hungria e Polônia.
Se o retorno dos investimentos for ruim, os governos vão coletar
menos impostos sobre as aposentadorias e a renda liquida dos aposentados
vai cair.
A OCDE recomenda que os governos evitem reações intempestivas,
como permitir as pessoas retornarem a sistemas públicos de aposentadoria
ou nacionalizar sistemas privados. E cita dois exemplos.
Na Eslováquia, 6% dos que tinham escolhidos planos privados
já fizeram o caminho de volta para o setor público.
E o governo da Argentina nacionalizou em outubro seus fundos privados
obrigatórios, que pesam US$ 30 bilhões, apresentado como
uma maneira de proteger a contribuição dos trabalhadores.
Para a OCDE, porém, um motivo importante foi encher os cofres
do governo quando as dividas a serem pagas aumentam. Para a entidade, a
importância econômica do gesto argentino é limitada,
até porque Buenos Aires mantém um amplo sistema de aposentadoria
publica, ao contrário do Chile e do México.
"No entanto, essa mudança é claramente destrutiva da
estabilidade e sustentabilidade dos esquemas de renda de aposentadoria",
diz a OCDE.
Uma questão final é se os governos devem socorrer fundos
de pensão, da mesma maneira que deram ajuda aos bancos. Considera
que um socorro só tem sentido para pessoas que estão próximas
da aposentadoria, mas isso trás grandes dificuldades políticas.
Para reduzir o risco através de diversidade de investimentos,
a OCDE é clara: "Ha incertezas econômicas, demográficas,
financeiras e sociais nos sistemas de pensão e para os indivíduos.
Está claro que a melhor abordagem para uma pessoa, e por extensão
para os governos procurando fazer o melhor para seus cidadãos, é
usar uma mistura de meios para garantir a renda da aposentadoria".
(Assis Moreira - Valor Online)
19.11 - Crise facilita ajustes de fundos de pensão
A crise financeira internacional está dando a oportunidade para
fundos de pensão ajustarem suas carteiras. A Previ, dos funcionários
do Banco do Brasil, tinha de reduzir a participação em renda
variável, que estava em 65% no primeiro semestre. Com a queda dos
preços, na crise, já está abaixo de 60%. O Petros,
fundo dos funcionários da Petrobras, está aproveitando a
desvalorização das ações para ir às
compras.
De acordo com o diretor de participações da Previ, Joilson
Ferreira, o fundo tinha um superávit de R$ 52 bilhões no
final do ano passado, considerado bastante expressivo. "A gente tem tranqüilidade
para pensar na melhor estratégia", disse. Atualmente, o superávit,
que levou o fundo a suspender as contribuições ao longo deste
ano, já está entre R$ 30 bilhões e R$ 35 bilhões.
Ele disse também que não vai vender ações
enquanto o mercado estiver ruim, a não ser nos casos já programados,
como o da Brasil Telecom. Ferreira afirmou que, até agora, não
houve pedido de atraso na operação de compra pela Oi, cujo
contrato prevê multa depois de 21 de dezembro.
O presidente do Petros, Wagner Pinheiro, voltou a declarar-se comprador
na bolsa, para aproveitar os preços baixos. Ele afirmou que o fundo
tem comprado ações do setor de energia elétrica, além
de papéis da Petrobras e de sua fornecedora, a Lupatech, e "um pouco"
de Vale. Pinheiro disse que o Petros estuda também ampliar a participação
no setor de logística, "estudando inclusive a possibilidade de um
estaleiro", afirmou o dirigente.
A crise financeira internacional faz com que a diminuição
necessária da exposição das carteiras de fundos de
pensão à renda variável aconteça mais rapidamente.
O preço baixo das ações fez com que a Previ, fundo
dos funcionários do Banco do Brasil, já tenha menos de 60%
de seus investimentos alocados na bolsa de valores. O Petros, fundo dos
funcionários da Petrobras, aproveita a desvalorização
das ações para ir às compras, e deve apostar principalmente
em ações de empresas do setor de logística.
(Juliana Ennes - DCI)
19.11 - Fundos: Oi desenha o plano de integração
com a BrT
Quatro novas áreas surgirão com
o desmembramento das diretorias financeira, de gestão e de infra-estrutura
Enquanto aguarda a autorização
do governo para concluir a compra da Brasil Telecom (BrT), a Oi (ex-Telemar)
trabalha no plano de integração. A companhia prepara o desmembramento
de algumas diretorias, como a financeira, de infra-estrutura e de gestão
de negócios.
Na diretoria financeira, uma nova área
será mais estratégica - cuidará, por exemplo, da gestão
de custos e do endividamento da Oi, que vai crescer bastante por causa
da aquisição. O diretor escolhido é Alex Zornig, vice-presidente
do Banco Safra e ex-executivo do BankBoston no Brasil. A outra diretoria
será responsável pela controladoria e por integrar a estrutura
interna da BrT.
A diretoria de infra-estrutura dará lugar
às áreas de engenharia e tecnologia da informação,
de um lado, e de construção e operação de rede,
de outro. A gestão dos negócios terá dois segmentos:
de serviços integrados - os da atividade principal da companhia,
como telefonia fixa, móvel e banda larga - e o de serviços
não integrados - TV por assinatura e pagamentos por meio de celular.
"Quando você tem um negócio novo, achamos que o melhor modelo
é deixá-lo rodar sozinho até ele gerar receita suficiente",
explicou Luiz Eduardo Falco, presidente da Oi. (Talita Moreira
- Valor Online)
18.11 - A questão previdenciária
Com a aprovação pela Comissão de Assuntos Sociais
do Senado de projeto que garante a recuperação do poder aquisitivo
dos aposentados e pensionistas do sistema privado, devolveu-se atualidade
a uma questão grave para o país: como implantar um projeto
previdenciário que seja justo e que, ao mesmo tempo, seja sustentável.
Pelas previsões do governo, o projeto aprovado, de autoria do senador
Paulo Paim, custará R$ 5,89 bilhões por mês (R$ 76,6
bilhões nas 13 folhas do ano) aos cofres da Previdência, ampliando
o imenso déficit que essa área já registra.
Há um dilema que o governo e a sociedade precisam enfrentar.
Pela lógica e até por justiça, os aposentados e pensionistas
do setor privado têm direito a garantir, como já ocorre no
setor público, os valores de seus ganhos, conquistados por 30 ou
mais anos de trabalho e de contribuição. Mas há, ao
lado dessa lógica, as razões de Estado: a estabilidade das
contas e a saúde fiscal do poder público não comportam
esses gastos.
Os dados oficiais são de que as despesas da Previdência,
que hoje representam 7,11% do PIB, subirão para inacreditáveis
26,49% do PIB, em quatro décadas, se forem adotados os projetos
do senador Paim, em especial o que vincula o valor das aposentadorias à
evolução do salário mínimo. Neste sentido,
o governo precisa ser louvado ao mostrar-se zeloso em relação
à saúde das contas e à exigência de que, junto
com a aprovação de qualquer mudança que implique mais
gastos, deva vir a fonte de onde sairão os recursos e a repercussão
que os aumentos terão a curto, médio e longo prazos. Além
disso, a experiência brasileira mostra que políticas de indexação
trazem consigo o risco da inflação, a mais nefasta das mazelas
da economia. Mas, ao lado disso, não pode o poder público
ignorar que milhões de aposentados estão sendo depauperados
e que, em razão disso também, milhares deles acabam voltando
à atividade para poder sobreviver com dignidade.
O problema da sustentabilidade dos sistemas previdenciários
não é exclusivo do Brasil. Muitos países têm
nele o calcanhar-de-aquiles das contas públicas e enfrentam, como
no Brasil, o desafio de prover os trabalhadores aposentados de um rendimento
adequado e, ao mesmo tempo, garantir um regime fiscal sem sobressaltos
e sem déficits. Os últimos movimentos europeus nessa área
indicam que a utopia do Estado de bem-estar social esgota-se à medida
que crescem os custos do sistema, em especial os das aposentadorias. Em
nosso país há, para embaralhar ainda mais o debate, um agravante
que não pode ser ignorado, porque revela tratamento desigual e,
portanto, injusto: os aposentados do serviço público têm
vantagens que são negadas aos do setor privado.
O problema criado com a decisão do Senado, que ainda precisa
ser confirmada pela Câmara de Deputados, precisa ser visto e resolvido
com uma abordagem tanto fiscal e de custos públicos crescentes quanto
de justiça e de igualdade a que têm direito os trabalhadores
aposentados. Sabia-se que uma terceira reforma previdenciária seria
necessária – depois das aprovadas nos governo de Fernando Henrique
e de Lula –, só não se tinha consciência de que essa
exigência seria tão imediata.
DILEMA
O poder público, que tem o dever de zelar pela saúde
das contas, não pode ignorar que milhões de aposentados estão
sendo depauperados e que, em razão disso, milhares deles acabam
voltando à atividade para poder sobreviver com dignidade.
(Zero Hora)
18.11 - Fundos: Governança Corporativa em xeque
Previ lança manual para acionistas
Fundo de pensão possui participação acionária
em mais de 70 empresas
A governança corporativa das empresas brasileiras foi colocada
em xeque na atual crise do mercado financeiro. Até bem pouco tempo
a inesperada alta do dólar fez com que empresas expostas a derivativos
cambiais sofressem grandes prejuízos, com destaque para a Aracruz
e a Sadia, que registraram perdas de US$ 2,13 bilhões e R$ 760 milhões,
respectivamente.
A Previ, maior fundo de pensão do país e o maior investidor
isolado, tem patrimônio de R$ 128 bilhões. Destes recursos,
58% estão investidos em ações de mais de 70 companhias.
Na Sadia, por exemplo, a Previ possui cerca de 7% do capital social
da empresa. O fundo questionou todas as empresas nas quais tem participação
acionária relevante sobre investimentos em câmbio que possam
causar prejuízos financeiros, há cerca de um mês, o
que gerou a afirmação "não são operações
adequadas para empresas" por parte do presidente do fundo, Sergio Rosa.
Acionista minoritário
O problema é que mesmo com participação expressiva
em carteiras de ações, o fundo de pensão dos funcionários
do Banco do Brasil (BB) é acionista minoritário das empresas,
e fica em uma posição que nem sempre lhe garante acesso às
decisões estratégicas.
Por isso a Previ pretende liderar outros minoritários em um
movimento para exigir maior transparência empresarial. Na próxima
semana, o fundo do BB lança um manual de participação
de acionistas em assembléias, a primeira medida neste sentido.
Balanço financeiro
O documento propõe mudanças como a sugestão de
submeter o balanço financeiro das companhias à aprovação
dos acionistas de forma parecida com o que ocorre nas reuniões para
os investidores do mercado de capitais, promovidas pela Associação
dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec).
"Tem empresa que faz duas ou até quatro reuniões de Apimec
por ano e só uma assembléia geral ordinária. A empresa
dá mais atenção aos analistas financeiros do que ao
próprio acionista, que é o patrão dele", afirmou o
ex-diretor de participações da Previ e um dos idealizadores
do manual Renato Chaves.
Já para o diretor de Participações da Previ, Joilson
Ferreira, atualmente os executivos apenas colocam o tema em votação
sem esclarecer aos investidores como chegaram aquele resultado.
De acordo com Chaves, o tema ganha ainda mais importância em
um momento de crise, em que se discute a qualidade das informações
prestadas. "O que se espera que é que as companhias se antecipem
e caminhem para esse modelo", comentou.
Em outubro, a Previ exigiu a convocação de uma assembléia
de acionistas para analisar o caso e votar a possibilidade de responsabilizar
judicialmente quem aprovou a alavancagem da empresa em operações
com derivativos. Segundo Ferreira, o fundo de pensão já conseguiu
reunir um grupo de investidores da Aracruz suficiente para também
exigir explicações da companhia.
Necessidade de melhores práticas
Segundo o diretor de Participações, o aumento da participação
de investidores estrangeiros e pessoas físicas no capital das empresas
brasileiras aumenta a necessidade de melhores práticas de governança
corporativa. No manual, a Previ defende que as companhias deveriam ter
como norma publicar o máximo de informações possíveis
na Internet.
Já Chaves ressalta que os investidores estrangeiros e institucionais
precisam analisar cada item da pauta da assembléia com antecedência,
já que precisam definir seus votos. "Eles mandam procuradores. Não
é o presidente da Previ, por exemplo, que vai lá votar",
comentou.
Outro tema que consta do manual da Previ é o da remuneração
dos executivos. O fundo de pensão reclama da forma com a qual as
empresas brasileiras apresentam tais informações nas assembléias,
pois haveria pouca transparência. Os balanços revelam apenas
o valor total pago aos executivos - não há separação
entre as quantias destinadas ao Conselho de Administração,
à diretores ou quanto soma a remuneração fixa da variável.
(Monitor Mercantil)
18.11 - Argentina: Fim dos fundos de pensão privados
O diretor da Administração Nacional de Segurança
Social (Anses) da Argentina, Amado Boudou, disse na capital chilena que
"é provável que os sistemas privados de pensão na
região cheguem ao fim", se a crise financeira mundial se agravar.
"No mundo, haverá um papel mais importante do Estado em questões
econômicas. Estamos vendo isso em regiões com uma fortaleza
institucional como Estados Unidos ou Europa", afirmou ao jornal La Tercera.
O governo argentino levou ao Congresso um projeto de lei que estatiza
o sistema privado de aposentadorias.
Boudou rechaçou as críticas feitas em relação
ao destino dos quase US$ 30 bilhões gerenciados pelas Administradoras
de Fundos de Aposentadoria e Pensão (AFJP, na sigla em espanhol).
Ele ainda assegurou que a medida não irá repelir investidores
estrangeiros.
"Sabemos que o sinal é fortalecer o sistema previdenciário
argentino, que deve resolver os problemas dos aposentados, não da
Bolsa", destacou.
Boudou e o ex-presidente Néstor Kirchner visitaram o Chile para
participar de um seminário sobre o Progressismo, organizado pela
Fundação Chile 21.
Na visita, Néstor Kirchner defendeu o projeto de estatização
do sistema de pensão argentino, e afirmou que se trata da reforma
mais importante da Argentina desde 2003. (Panorama Brasil)
17.11 - Crise: Previdência Complementar está preparada
Ações do governo nos últimos cinco anos fortaleceram
o sistema
O secretário de Previdência Complementar do Ministério
da Previdência Social, Ricardo Pena, disse que os fundos de pensão
estão enfrentando bem a crise financeira internacional, tendo em
vista as medidas adotadas pelo governo nos últimos cinco anos.
Hoje, disse o secretário, há regras para os investimentos
dos fundos; não são permitidos investimentos no exterior,
os fundos só podem investir um máximo de 50% no mercado de
ações; e o limite para investimentos em renda variável
está abaixo de 20%. Pena disse, ainda, que os derivativos no Brasil
só são permitidos como medida de proteção.
Segundo o secretário, o resultado das iniciativas governamentais
é que o sistema de Previdência Complementar está encarando
o momento atual como possibilidade de investimentos e está comprando
ativos mais baratos, pois acredita na perspectiva de valorização
de algumas ações em dois ou três anos.
O Brasil tem um modelo complementar ao Regime Geral de Previdência
Social (RGPS) e aos Regimes Próprios de Previdência (RPPS),
com ativos de US$ 250 bilhões e baseado em regulação
e supervisão. São quase 400 fundos de pensão e aproximadamente
mil planos de benefícios. (José Eduardo Formosinho
- AgPrev)
17.11 - Previdência à prova de tempestade
O socorro a uma das maiores seguradoras do mundo, a americana AIG,
em meados de setembro, não chegou a brecar a captação
da previdência privada no Brasil, mas espalhou temor pelo mercado.
Especialmente porque a AIG era sócia do Unibanco na seguradora local
Unibanco AIG. De lá para cá, novos eventos surgiram, jogando
mais lenha na fogueira, como a falência da japonesa Yamato Life Insurance,
o socorro ao banco holandês ING - que tem participação
na SulAmérica -, a proposta de estatização da previdência
privada na Argentina. Ainda que a turbulência internacional não
tenha impactado fortemente o mercado local - em setembro, as contribuições
cresceram 23%, para R$ 2,4 bilhões -, persiste a dúvida de
quem tem um plano de aposentadoria se corre o risco de perder suas economias.
Os especialistas garantem que, graças a uma regulação
bastante conservadora, os previdentes brasileiros podem dormir tranqüilos.
No Brasil, a previdência privada aberta, além de ser complementar
à pública, que é obrigatória, adota o sistema
de capitalização, em que o valor da aposentadoria é
proporcional às reservas acumuladas pelo participante, diz a advogada
Fabiana Zappa, sócia do escritório Velloza, Girotto e Lindenbojm.
Isso significa que o que participante acumular, entre contribuições
e rendimento, é dele. "Se o cliente quiser o dinheiro, ele está
aplicado no mercado; ao contrário dos bancos, as seguradoras não
se alavancam", diz o consultor da Mercer, Geraldo Magela. "Para ter algum
problema, é preciso haver uma crise sistêmica muito grave,
até porque as seguradoras não colocam todos os ovos na mesma
cesta."
Além de regras rígidas para a aplicação
dos recursos da previdência - o investimento em ações
é limitado a 49% e em ativos no exterior e derivativos, vedado -,
toda e qualquer movimentação que envolva ativos que servem
de garantia para as reservas técnicas (prêmios, contribuições
e capital) das entidades de previdência e vida tem de ser autorizada
pela Superintendência de Seguros Privados (Susep). "Se entender que
uma operação coloca em risco a atividade, a Susep pode congelar
a movimentação de ativos da segura-dora", diz o diretor da
Susep, Alexandre Penner.
A vinculação de ativos garantidores de reservas ao regulador
é relevante, uma vez que o grande risco a que os participantes estão
sujeitos é o das oscilações dos mercados onde a seguradora
aplica o dinheiro. Isso vale para os detentores de planos PGBL e VGBL,
que representam mais de 80% do mercado. Na fase de acumulação,
o participante escolhe o perfil do investimento, se quer ou não
renda variável, e daí assume o risco de performance do fundo
em que seu dinheiro é aplicado. Se não se sentir confortável
com o desempenho da aplicação, ele pode recorrer à
portabilidade, recurso que permite transferir um plano de uma seguradora
para outra.
Penner ressalta que mais de 90% da carteira de investimentos do setor
- que inclui reservas técnicas, livres, capital da seguradora -
está em títulos do governo, de baixíssimo risco. O
presidente da Fenaprevi, Antonio Cássio dos Santos, acrescenta que
as regras de aplicação dos recursos valem também para
o capital da própria seguradora. "Só no Brasil ocorre de
o regulador definir como a seguradora deve aplicar seu dinheiro", diz.
No caso dos planos tradicionais, os primeiros a serem vendidos, a seguradora
garante uma rentabilidade mínima (em geral, IGP-M mais 6% ao ano)
para o participante durante a fase de acumulação, assumindo
o risco. "Se ela não conseguir no mercado a remuneração
a que se comprometeu, terá de tirar dinheiro de seu patrimônio",
diz Magela, da Mercer.
Penner, da Susep, lembra que esses planos em que o benefício
é definido, além de não serem mais vendidos há
algum tempo, são residuais. Dados da Fenaprevi mostram que do total
de 8,9 milhões de participantes do sistema de previdência
aberta no país, não mais de 1,5 milhão de pessoas
têm planos tradicionais. Em termos de volume, os planos tradicionais
reuniam R$ 30,9 bilhões em recursos acumulados pelos participantes
em setembro, de um total de R$ 135,8 bilhões do setor.
Além disso, destaca o presidente da Brasilprev, Tarcísio
Godoy, a maior parte dos planos tradicionais está em fase de captação,
o que minimiza o risco de colapso de seguradoras por conta de pagamento
de benefícios. "A regulação atual também exige
que se façam provisões para futuros beneficiários."
Santos, da Fenaprevi, conta que os planos tradicionais estão relativamente
protegidos. "Ao longo dos últimos dez anos, o governo emitiu papéis
indexados ao IGP-M com prazos de 30, 40 anos, que foram comprados na maioria
por seguradoras", diz o executivo, também presidente da Mapfre.
Outro ponto importante, afirma Santos, é que as regras para
aplicação de recursos de planos tradicionais são ainda
mais rígidas. Tanto na fase de acumulação quanto na
de benefício, o investimento em ações está
limitado a 7% do total de recursos da conta geral da seguradora. No caso
dos PGBLs e VGBLs, os 7% só valem para a aplicação
das reservas comprometidas com o pagamento do benefício.
A previdência privada aberta no Brasil é ainda jovem.
"O percentual de reservas atribuídas para o pagamento de benefícios
hoje, independente do plano, é mínimo (cerca de 3%, segundo
a Fenaprevi)", afirma Godoy, da Brasilprev. Ele lembra ainda que os recursos
aplicados em PGBLs e VGBLs entram na seguradora em caixas separadas das
que recebem os aportes de planos tradicionais. "É impossível
arbitrar entre produtos." (Alessandra Bellotto - Valor
Online)
17.11 - Proposta de fundo de pensão para servidor
Tema integra o 8º Congresso Nacional de Previdência Municipal
A proposta de criação de fundo de pensão para
o servidor público foi tema de palestra na última quarta-feira,
do 8º Congresso Nacional de Entidades de Previdência Municipal,
que integra a programação da 24º Assembléia Geral
da Conferência Interamericana de Seguridade Social.
Segundo o coordenador-geral de Legislação e Normas, da
Secretária de Previdência Complementar (SPC), do Ministério
da Previdência Social, Mário Di Croce, se for instituído
um fundo composto pelos servidores, a expectativa é a de que, em
dez anos, a entidade se torne a maior do país.
A adesão do servidor ao fundo de pensão será facultativa,
mas aqueles que optarem pela nova modalidade terão direito a um
benefício especial diferenciado. A fiscalização e
supervisão da entidade deverá ser feita pela Secretária
de Previdência Complementar.
Entre as vantagens do novo sistema, Di Croce destacou a harmonia dos
regimes previdenciários, a manutenção da renda do
servidor aposentado, o equilíbrio das contas públicas e o
fomento à poupança interna de longo prazo.
Atualmente, existem no país 369 Entidades Privadas de Previdência
Complementar responsáveis pela administração de 1.009
planos de benefícios, com ativos de R$ 472 bilhões e 6,7
milhões de participantes, assistidos e beneficiários. Os
fundos de pensão brasileiros estão entre os dez maiores do
mundo. (Rosângela Elias - AgPrev)
17.11 - Aerus: Suspensa liminar que obrigava União a pagar perdas
O ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, suspendeu
decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (Brasília)
que responsabilizou a União por supostos prejuízos ao fundo
de pensão Aerus, dos funcionários da Varig. O TRF havia condenado
o governo a pagar as perdas a aposentados e beneficiários de auxílio-doença
da entidade.
Segundo Mendes, a multa de R$ 120 mil por dia aplicada em caráter
liminar desrespeita o artigo 100 da Constituição Federal
e a Lei 9.494/97, que proíbem a execução provisória
contra o Poder Público. Além disso, o ministro entendeu que
o desembargador descumpriu o artigo 202 da Constituição,
que proíbe que a União repasse dinheiro a entidade de previdência
complementar privada.
“A imposição, sem causa legítima, de expressivo
encargo mensal à União, na manutenção de planos
de benefícios liquidados ou em processo de liquidação
extrajudicial lesa a economia pública”, entendeu Gilmar Mendes em
análise de Suspensão de Liminar.
A origem do processo foi uma Ação Civil Pública
ajuizada em favor do Sindicato Nacional dos Aeroviários com o objetivo
de responsabilizar a União, as empresas dos grupos Varig e Transbrasil
e o Aerus por supostas omissões na gestão do fundo. O auge
do problema aconteceu na liquidação dos planos de benefícios
das duas empresas de aviação.
SL 127 (Revista Consultor Jurídico)