19.11 - Plano deve ser fiscalizado
com normas rígidas
Como se sabe, hodiernamente, o Estado vem adotando
medidas radicais a fim de propiciar um maior rol de serviços destinados
aos usuários de planos de saúde, uma vez que o próprio
governo negligencia o exercício de seu múnus no fornecimento
de serviços públicos de qualidade, gratuito ressalta-se,
e disponível a todos, constitucionalmente previsto na Carta Magna.
Nesse sentido, na função de longa
manus do governo, caminha a Agência Nacional de Saúde (ANS)
no sentido de impor suas normas internas, legislação própria
produzida pelo Executivo, com o fito de “salvaguardar” os direitos dos
cidadãos em detrimento de altas multas, normas tiranas de quase-impossível
cumprimento, impostas única e exclusivamente aos planos de saúde,
onerando-os, por conseqüência, sem os devidos aumentos nas mensalidades.
Inobstante a natureza de gerenciamento privado
de serviços de saúde, é cediço que tal atividade
se enquadra em caráter suplementar, concedido pelo Estado aos particulares,
modo que, de fato, devem-se seguir normas que regulamente-os com a finalidade
de propiciar maior qualidade em seus serviços, até porque,
se trata de um tema prioritário e de grande relevância na
vida humana, qual seja, saúde.
Assim, em primeira análise, vislumbra-se
inconteste o entendimento de que os planos de saúde devem ser regulamentados
e fiscalizados com normas rígidas, ao ponto de forçar estes
a melhoria na qualidade dos serviços prestados aos seus consumidores.
Contudo, vale salientar que a teia dos serviços
de saúde não se restringe, tão-somente, às
operadoras de saúde. Várias são as instituições
que compõem esta rede, tendo os hospitais, as empresas fornecedoras
de próteses e órteses, as clínicas, etc., como reprodutoras
da atual realidade de saúde privada no país.
Nesse contexto, convém esclarecer de antemão
que a dita agência reguladora impõe o cumprimento de suas
normas e regulamentos unicamente direcionadas aos planos de saúde,
quedando-se inertes em relação aos outros ramos desta mesma
seara, acima exemplificados.
Assim sendo, constata-se que os planos de saúde
apresentam-se como os alvos exclusivos destas duras regulamentações,
que muitas vezes são impossíveis de serem cumpridas, até
mesmo por qualquer outro ramo empresarial, consternando a população
com o velho preceito, ou quiçá preconceito, de que aqueles
atuam como algozes dos da saúde do povo.
Com isso, demasiadas sanções atribuídas
às operadoras de saúde contribuem com o seu perecimento,
tendo em vista que, atrelado a isso, os nosocômios, por exemplo,
super oneram suas faturas, muitas vezes inserindo serviços e produtos
não utilizados ante a realização do procedimento médico,
encarecendo seus serviços em prejuízo dos planos, que precisam
emplacar auditorias intermináveis para casos simples e que são
burlados na hora da emissão da fatura.
Muitos dos produtos e serviços não
utilizados passam despercebidos, que na maioria das vezes configuram-se
de difícil comprovação pelos auditores, o que contribui,
por conseguinte, uma grande dívida desnecessária e regressiva
às entidades médicas.
Caso importante a ser abordado são as
empresas fornecedoras de próteses e órteses, que, em conluio
com médicos credenciados, impelem seus pacientes à utilização
de determinadas próteses importadas, com preços exorbitantes
e dissimulados, em diversos casos o valor é dez vezes superior as
próteses nacionais, mas que produzem os mesmos efeitos. Lapidam
em seus pareceres tendenciosos, a necessidade inexorável da utilização
de próteses e órteses importadas, apesar da nacional produzir
os mesmos efeitos, repisa-se.
Dessa forma, a título de “compaixão”,
digamos assim, os fornecedores de próteses e órteses oferecem
determinados “benefícios” aos médicos que se utilizam de
seus produtos superfaturados.
Portanto, em poucas linhas, citamos três
formas presentes na realidade médica brasileira que contribuem com
o padecimento dos planos de saúde. Além da ANS, temos os
hospitais e fornecedores de próteses, além de outros que
contribuem veemente com o falecimento das ditas operadoras.
Ademais, conjuntamente com estes, segue-se o
Poder Judiciário, o qual impele os planos de saúde a fornecerem
as ditas próteses, sob a fundamentação de que o médico
gerador do laudo é “o único competente e hábil” a
indicar a prótese correta a ser implantada, visto que, fora ele
quem acompanhara seu paciente ao longo das consultas.
Assim, sob a escusa de proteger o bem maior —
a vida, os magistrados ludibriados determinam decisões arbitrárias
e inconseqüentes que comprometem e fulminam o orçamento dos
planos de saúde, levando-os possivelmente à falência.
Um exemplo disto, fora uma decisão bastante
generosa, na qual, sem pormenorizada análise dos documentos e do
caso concreto, determinado juiz deferira ao usuário de plano de
saúde privado, com pouco tempo de plano. O custeio e implantação
de uma prótese importada no valor de R$ 200 mil, no hospital Sírio-Libanês,
em São Paulo, com o médico do presidente Lula, em contrapartida
de que tal procedimento poderia ser muito bem efetivado em hospitais da
localidade, com próteses inferiores a R$ 50 mil, surtindo-se os
mesmos efeitos. Com isso, somamos em quatro os contribuintes para o perecimento
das cooperativas médicas.
Entretanto, é de bom alvitre salientar
que o tiro pode sair pela culatra. Muitos dos planos de saúde estão
investindo em centros médicos próprios, obtendo contatos
com fornecedores de próteses e órteses diretamente da fábrica,
bem como estão se insurgindo contra as normas déspotas criadas
pela ANS.
Talvez essa seja uma das saídas, porém,
deve-se refletir uma possível mobilização e resistência
aos mandamentos absolutórios ventilados pela agência reguladora,
para que não apenas regule os planos de saúde, mas também
todos aqueles que participam da cadeia refletiva da saúde privada
no Brasil. (Thiago Mendonça Paes Barreto - Revista Consultor
Jurídico)
19.11 - Idade não é critério
para reajuste de plano
É vedado qualquer tipo de reajuste nas
mensalidades de plano de saúde só porque o associado completou
60 anos.
A decisão é da 3ª Turma do
Superior Tribunal de Justiça que entendeu ser abusiva qualquer cláusula
que prevê tais reajustes, Tanto o Código de Defesa do Consumidor
como o Código Civil de 2002 e o Estatuto do Idoso vedam esse tipo
de prática.
Para a relatora, ministra Nancy Andrighi, o consumidor
que atingiu a idade de 60 anos, antes ou depois da entrda em vigor do Estatuto
do Idoso, está sempre amparado contra a abusividade de reajustes
das mensalidades dos planos de saúde com base exclusivamente na
mudança de faixa etária, por força da proteção
oferecida pela lei, agora confirmada pelo Estatuto do Idoso.
“Após anos pagando regularmente sua mensalidade
e cumprindo outros requisitos contratuais, não mais interessa ao
consumidor desvencilhar-se do contrato, mas sim de que suas expectativas
quanto à qualidade do serviço oferecido, bem como da relação
dos custos, sejam mantidas, notadamente quando atinge uma idade em que
as preocupações já não mais deveriam açodar-lhe
a mente. Nessa condição, a única opção
conveniente para o consumidor idoso passa a ser a manutenção
da relação contratual, para que tenha assegurado seu bem-estar
nesse momento da vida. Ele deposita confiança nessa continuidade”,
afirmou a ministra.
De acordo com a ministra, para que essa continuidade
seja possível e proporcione conforto e segurança ao idoso,
não pode a operadora do plano de saúde reajustar de forma
abusiva as mensalidades pagas, mês a mês, pelo consumidor.
A ministra ressaltou, entretanto, que a decisão
não envolve os demais reajustes permitidos em lei, tais como o reajuste
anual e o reajuste por sinistralidade, os quais ficam garantidos às
empresas prestadoras de planos de saúde.
Aumento abusivo
A turma julgou recurso do Ministério Público
do Riogrande do Norte contra decisão do Tribunal de Justiça
daquele estado que autorizou o reajuste da mensalidade em 100%, desde que
fosse parcelado em quatro vezes e aplicado a cada três meses.
O Ministério Público do Rio Grande
do Norte moveu Ação Civil Pública contra a Unimed-Natal
e a Unimed-RN, que em dezembro de 2003 anunciou um aumento de 100% na mensalidade
de seus associados com mais de 60 anos e de 200% para os maiores de 70
anos.
Na ação, o MP-RN alega que tanto
o Código de Defesa do Consumidor como Código Civil de 2002
consideram que cláusulas contratuais que prevêem tais reajustes
ferem o princípio da boa-fé.e são abusivas.
Na ação, o MP pede que seja proibida
a aplicação, a partir de 2004, de qualquer reajuste nas mensalidades
dos planos de saúde em razão de mudança de faixa etária,
independentemente da época em que foi celebrado o contrato.
RESP 989.380 (Revista Consultor Jurídico/Segs)
19.11 - Nova opção de tratamento
para diabetes tipo 2
No Dia Mundial do Diabetes, celebrado em 14 de
novembro, a Merck Sharp & Dohme traz uma boa notícia aos pacientes
brasileiros: o lançamento do primeiro medicamento que combina em
um único comprimido um inovador redutor de glicose, a sitagliptina,
com um tradicional anti-hiperglicêmico, a metformina. Conhecida internacionalmente
como Janumet, a nova terapia atua nos três principais componentes
do diabetes tipo 2: resistência e insuficiência de insulina
e superprodução de glicose. Somente no Brasil, mais de 6,9
milhões de pessoas sofrem da doença.
As substâncias que compõem o novo
medicamento agem de forma complementar, reduzindo os níveis de glicose
no sangue de maneiras diferentes. Enquanto a metformina aumenta a sensibilidade
à insulina, a sitagliptina melhora a síntese e a liberação
de insulina pelo pâncreas e ambas reduzem a produção
de glicose pelo fígado. A nova opção de tratamento
também proporciona redução de peso e tem baixo risco
de hipoglicemia, principais barreiras para o tratamento da doença.
Pessoas com diabetes tipo 2 freqüentemente
precisam usar mais de um medicamento para atingir a meta de redução
de glicose. Sitagliptina + metformina foi desenvolvido como alternativa
para os pacientes que necessitam combinar vários remédios
para controlar a glicemia e pode ser aliado à dieta e exercícios
físicos.
A combinação sitagliptina + metformina
reduz significativamente os níveis de HbA1c (glicose no sangue)
e ajuda os pacientes a atingirem a meta, que deve ser inferior a 7%, conforme
recomendado pela Associação Americana de Diabetes. Segundo
estudos clínicos*, 66% dos pacientes tratados com sitagliptina +
metformina atingiram a meta em comparação a 38% dos pacientes
tratados apenas com metformina. Segundo estatísticas, em todo o
mundo, menos da metade dos portadores de diabetes tipo 2 conseguem atingir
a meta, indicando que os regimes de tratamento atualmente disponíveis
são inadequados para o controle da doença.
Sitagliptina + metformina proporciona uma redução
média de 2% nos níveis de glicose no sangue em pacientes
com hipoglicemia moderada e de 3% naqueles com hipoglicemia grave. Estudos
clínicos** indicam que a cada 1% de diminuição no
índice glicêmico, cai substancialmente o risco de complicações
associadas ao diabetes tipo 2: insuficiência cardíaca (redução
de 16%), infarto do miocárdio (14%) e acidente vascular cerebral
(12%).
Janumet é a evolução de
outro medicamento da Merck Sharp & Dohme, Januvia (sitagliptina), que
foi pioneiro na classe dos inibidores da enzima DPP4 (dipepditil peptidase
4) e é considerado um divisor de águas no tratamento do diabates
tipo 2. Com mecanismo de ação inteligente, pois imita o processo
fisiológico, o medicamento controla a doença potencializando
as incretinas, hormônios que regulam o nível de açúcar
no sangue. O remédio "informa" as incretinas para ativar as células
beta do pâncreas para liberar insulina e "avisa" o fígado
para interromper a produção de glicose.
O impacto do diabetes - O diabetes é uma
doença crônica e progressiva caracterizada pela elevação
dos níveis de açúcar no sangue. Mais de 246 milhões
de pessoas, cerca de 6% da população adulta no mundo, sofrem
de diabetes, e a cada 10 segundos surgem dois novos casos, segundo dados
da Federação Internacional de Diabetes. Desse total, 90%
têm diabetes tipo 2.
A estimativa é que o número de
doentes chegará 380 milhões de indivíduos até
2025. A maior parte dos novos casos será registrada em países
em desenvolvimento em razão dos seguintes fatores: crescimento da
população, aumento da faixa etária, dietas inadequadas,
obesidade, estilo de vida sedentário e incidência crescente
do diabetes tipo 2 em adolescentes e crianças. Somente no Brasil,
mais de 6,9 milhões de pessoas têm a doença.
O diabetes é um dos maiores problemas
de saúde. Por ser crônico e envolver uma série de complicações,
a doença cobra um preço alto tanto do Governo quanto da sociedade.
A Organização Mundial da Saúde estima que em 2007
os gastos com tratamento médico da doença foram de US$ 232
bilhões. Essas cifras deverão subir para mais de US$ 300
bilhões ao ano se nenhuma medida de prevenção e controle
da doença for tomada nas próximas duas décadas. Segundo
a Associação Latino-Americana de Diabetes, o Brasil gasta
anualmente cerca de US$ 25 milhões no tratamento da doença.
Tratamento precoce reduz ônus - Resultados
de um estudo inédito, intitulado Pesquisa de Impacto do Diabetes,
revelam que, na opinião dos médicos, o tratamento em estágios
iniciais ajuda a reduzir o ônus doença. O levantamento, encomendado
pela Merck Sharp & Dohme, avaliou o impacto econômico e social
do diabetes tipo 2 por meio de entrevistas com mais de 850 médicos
e cerca de 600 pacientes em seis países da Europa, América
do Norte e Ásia.
O diabetes representa um ônus significativo
para o paciente e suas famílias. Segundo a pesquisa, um entre 10
pacientes entrevistados foi internado devido à doença nos
últimos 12 meses, um entre cinco informa que sua capacidade de trabalhar
foi afetada pelo diabetes, um entre seis informa que não está
trabalhando no momento ou parou de trabalhar e três entre quatro
dos pacientes entrevistados declararam que foram afetados financeiramente
pela da doença. O levantamento revelou ainda que 43% dos pacientes
desconhecem a meta de glicose no sangue. (Tempo Real)
19.11 - Lula, Serra e Kassab participam de evento com hospitais filantrópicos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador de São
Paulo, José Serra, e o prefeito da cidade, Gilberto Kassab, participaram
na segunda-feira da assinatura, por seis hospitais filantrópicos,
de Termos de Ajuste para apoio institucional ao SUS (Sistema Único
de Saúde).
Os hospitais que assinaram o convênio - Sírio Libanês,
Oswaldo Cruz, Samaritano, Hospital do Coração, Albert Einstein
e a Associação Hospital Moinhos de Vento irão, a partir
de agora, reverter a isenção fiscal recebida ao SUS a projetos
ligados ao atendimento de saúde. As atividades serão acompanhadas
por auditorias do Ministério da Saúde.
Em São Paulo, o SUS terá qualificação dos
serviços, dos recursos humanos e da capacidade técnico- científica,
refletindo na melhoria do atendimento aos usuários. Será
criado um sistema de telemedicina no Samu (Serviço de Atendimento
Móvel de Urgência), possibilitando que exames feitos nas ambulâncias
sejam acompanhados e interpretados ao vivo por cardiologistas em hospitais.
O serviço será estendido posteriormente a outras regiões
do País. (Agência Brasil/ Diário Online)
19.11 - Resolução sobre os impactos da crise na saúde
A Associação Médica Mundial, da qual a Associação
Médica Brasileira (AMB) faz parte, reunida em Seul, entre os dias
15 e 18 de outubro de 2008, discutiu como a crise econômica mundial
pode impactar na assistência à saúde dos povos. Elaborou-se,
portanto, a seguinte resolução:
Resolução sobre a crise econômica:
implicações na saúde
Adotada na 59º Assembléia Geral da Associação
Médica Mundial,
Seul, Coréia do Sul, Outubro 2008
A atual crise global da economia está afetando tanto indivíduos
quanto nações e terá implicações para
a saúde. A população passa por incertezas sobre o
futuro e conseqüências psicológicas estão começando
a aparecer. Ao enfrentar dificuldades econômicas, os governos têm
respondido com o corte de despesas nacionais. Há um risco de que
os gastos com a assistência à saúde diminuam nominal
e proporcionalmente nos próximos anos. A experiência tem mostrado
que esta ação pode ter sérias conseqüências
na saúde dos indivíduos e em sua contribuição
para a economia nacional. Dessa forma, todas as reservas serão reduzidas.
Sendo assim, a WMA exorta as Associações Médicas
Nacionais a trabalharem junto a seus governos para:
Iniciar programas de apoio médico e psicológico aos indivíduos
e famílias afetados pela crise econômica atual.
Manter, pelo menos, os investimentos atuais em saúde.
Atenciosamente,
José Luiz Gomes do Amaral (AMB)
18.11 - Anvisa define regras para uso de vacinas contra a gripe em 2009
Está na edição de sexta-feira (14) do Diário
Oficial da União a resolução da Anvisa (Agência
Nacional de Vigilância Sanitária) que define regras para as
vacinas contra a gripe a serem usadas em 2009.
Além de limitar a apenas três os tipos de vírus
a serem adotados, a Resolução n.º 82 também prevê
o recolhimento do mercado das vacinas usadas atualmente até 31 de
janeiro.
A norma segue orientações da OMS (Organização
Mundial de Saúde), que definiu em outubro quais tipos de vírus
influenza devem constar na formulação de vacinas contra gripe
no Hemisfério Sul durante o próximo ano. (Agência Brasil)
18.11 - Mortes pelo câncer de próstata crescem 95% no Brasil
É a terceira maior taxa de crescimento, atrás das mortes
por homicídio (101,4%) e diabetes (103,6%).
Estudo divulgado na semana passada pelo Ministério da Saúde
revela que a taxa de mortalidade pelo câncer de próstata é
a terceira que mais cresceu no Brasil entre 1980 e 2005. Nesse período,
o número de mortes pela doença saltou de 5,9 para 11,4 para
cada grupo de 100 mil/hab, o que significa um aumento de 95,1% em 25 anos.
Crescimento maior ocorreu somente nas mortes por homicídio (101,4%)
e diabetes (103,6%). Em contrapartida, caíram as taxas de mortes
por doenças cardíacas (-67,1), tuberculose (-61,4) e problemas
cerebrovasculares (-34).
"O câncer de próstata tem cura ou pode ser controlado,
desde que descoberto no seu início", observa o médico Ubirajara
Ferreira, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia-Seção
São Paulo (SBU-SP) e professor titular da Universidade Estadual
de Campinas (Unicamp). "O problema é que a maioria dos homens não
vão ao urologista por preconceito em relação ao toque
retal, o que provoca a detecção tardia da doença e
maiores dificuldades de cura ou de tratamento".
Se o tratamento do câncer de próstata está evoluindo,
o mesmo não acontece em relação à sua prevenção.
"Ainda não há uma terapia preventiva cientificamente comprovada",
informa Ubirajara Ferreira. "As drogas que surgiram nos últimos
anos não se mostraram eficientes e voltamos à estaca zero
em termos de prevenção". Com isso, o presidente da SBU-SP
sugere aos homens com mais de 45 anos uma dieta moderada em gordura animal
e abundante em legumes e vegetais, além de atividade física
regular, como forma de reduzir as possibilidades do aparecimento do câncer
de próstata.
Neste ano, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer, o Brasil
terá 49.530 novos casos da doença; ou seja, a cada grupo
de 100 mil homens, 52 serão atingidos. O Estado de São Paulo
terá uma incidência acima da média nacional: 64 casos
para cada 100 mil homens.
TOQUE E PSA - O diagnóstico mais eficiente da situação
da próstata requer a combinação do toque retal com
o exame do PSA, ou Antígeno Prostático Específico
(Prostate Specific Antigen, em inglês), uma proteína que só
existe na próstata. Ao fazer o toque retal, o urologista avalia
o tamanho e a consistência da próstata. Já o exame
do PSA, realizado por análise do sangue, revela a quantidade dessa
proteína. "Uma próstata com consistência aumentada
ou rígida ao toque, aliada a quantidades elevadas ou ao aumento
constante do PSA num período de tempo podem ser indicadores de câncer",
explica Ubirajara Ferreira. "Trata-se de uma combinação de
fatores que o urologista saberá avaliar e dar o encaminhamento correto".
A próstata, na verdade, é um órgão com
reduzida importância. Pelo que a medicina descobriu até agora,
sua única função é produzir 30% a 35% do líquido
que conduz os espermatozóides. Ela pesa de 20 a 25 gramas e é
do tamanho de uma castanha. Se localiza logo abaixo da bexiga e próxima
do reto; a uretra passa no meio dela.
O câncer de próstata, no seu início, é indolor.
Alterações na próstata são sentidas quando
aumenta a vontade de urinar, principalmente à noite, há dificuldade
para começar a urinar e o jato de urina perde força.
Pelo perfil da doença, há um consenso de que os homens
devem fazer os exames preventivos - toque retal e PSA - a partir dos 45
anos de idade. Se houve caso de câncer de próstata na família
(pai ou irmãos), o início deve ser aos 40 anos. E o presidente
da SBU-SP avisa: "O toque retal não dura dez segundos e é
indolor". (Maxpress)
18.11 - Musculação diminui o risco de diabetes em idoso
O que fazer depois dos 60 anos para preencher o tempo livre da aposentadoria?
Musculação. Entre levar uma vida sedentária trancafiado
dentro de casa ou freqüentar uma academia é melhor seguir a
segunda opção. Pode parecer um passatempo voltado aos jovens,
mas um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas
(Unicamp) mostrou que o exercício físico com pesos reduz
os riscos dos idosos desenvolverem o diabetes não hereditário.
A pesquisa orientada pela professora Mara Patrícia Traina Chacon
Mikahil, da Faculdade de Educação Física (FEF) da
Unicamp, submeteu dez homens acima de 60 anos -- sedentários e saudáveis
-- ao treinamento com pesos durante 16 semanas. O resultado foi comparado
com um outro grupo formando por oito idosos. Foram avaliados os efeitos
dos exercícios sobre a resistência à insulina (RI)
-- hormônio responsável pela redução da taxa
de glicose no sangue --, composição corporal e força
muscular.
O grupo que se exercitou apresentou o índice de Homeostasis
Model Assesment (Homa), que mede o fator de RI, abaixo de 2,71. Em idosos,
o número acima desse valor significa que possui potencial para desenvolver
o diabetes mellitus tipo 2. Os exercícios físicos não
diminuem esse fator, mas o aumento da força muscular significa menor
risco no desenvolvimento da doença. Principalmente, porque a gordura
corporal relativa do corpo diminui.
Denise Reis Franco, endocrinologista e coordenadora de educação
em diabetes da Associação de Diabetes Juvenil (ADJ) explica
que no idoso a doença é silenciosa. “Ele se sente cansado,
desanimado e deprimido e acredita que isso não é nada”, conta.
“Quando vai realizar um exame de rotina ou apresenta alguma complicação
como um infarto, acaba descobrindo o diabetes”, diz.
A maioria dos adultos desenvolve a doença por volta dos 40 anos.
A partir dessa idade, é comum ela estar associada a outras doenças
como hipertensão. A diabete pode causar doenças cardiovasculares,
insuficiência renal e até cegueira. “Depois dessa complicação
da doença, só basta tratar”, diz Denise.
Segundo relatório do Sistema Único de Saúde (SUS),
de 2005, a hipertensão arterial e o diabetes mellitus são
doenças de alta prevalência. Entre as cardiovasculares, o
derrame ou Acidente Vascular Cerebral (AVC) e a doença coronariana
aguda são responsáveis por 65% dos óbitos na população
adulta. A partir dos 60 anos, as pessoas apresentam uma somatória
de doenças. “O idoso deve relatar isso ao médico, pois as
medicações podem interagir”, explica.
Para viver melhor
O último Censo de Diabetes foi realizado em 1988 pelo Ministério
da Saúde. Mostrou uma prevalência de 7,6% de diabetes na população
brasileira de 30 a 69 anos. Destes, cerca de 50% não sabiam que
tinham a doença. De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes,
o número de diabéticos e pré-diabéticos está
aumentando devido ao crescimento e envelhecimento populacional, maior urbanização,
crescente prevalência de obesidade, sedentarismo e maior sobrevida
do paciente.
“Por isso o idoso não deve ficar em casa levando uma vida sedentária”,
diz Fernanda Castelo Branco, nutricionista. É indicada a atividade
física, independente da idade. O principal cuidado deve ser com
a adaptação do exercício à condição
física. “A visão e o músculo do idoso fica mais lento,
por isso é importante acompanhamento na hora dos exercícios”,
afirma Fernanda. “Caminhar nas nossas calçadas, por exemplo, pode
ser um perigo. Ele pode cair e piorar sua condição física”,
alerta. (G1)
18.11 - Nordeste se une em defesa do médico
O Nordeste está unificado na luta pelo trabalho médico
e uma saúde digna nos estados. Representantes de entidades médicas
do Nordeste reuniram-se na semana retrasada, na sede do Sindicato dos Médicos
de Alagoas, para traçar a radiografia médica e do sistema
de saúde da região.
As entidades médicas reivindicam, entre outras coisas, a valorização
dos médicos contratados pelo SUS com piso salarial nacional de R$
7.503,18 relativo a jornada semanal de 20 horas; criação
de planos de cargos e salários específicos para a categoria
médica; e criação de carreira de Estado com incentivos
para os profissionais do SUS que forem trabalhar em cidades onde não
há médicos.
“A carreira do médico no âmbito dos estados e municípios
tem que ser específica. Não admitimos que haja a inserção
do médico em carreira ampla incluindo outros profissionais de nível
superior”, defendeu o conselheiro federal pelo estado de Pernambuco, Roberto
Tenório.
Outro aspecto que foi avaliado durante o encontro, é a adoção
da CBHPM como tabela SUS em cada um dos Estados presentes. Os médicos
pedem que o modelo seja parecido com o implantado em Alagoas, onde foi
feito um estudo das duas tabelas estabelecendo a CBHPM como referencial.
“Existe um acordo com os municípios para que complete 50% dos valores”,
explica a conselheira federal pelo Alagoas, Edilma Barbosa.
O presidente do Sindicato dos Médicos de Alagoas, Wellington
Galvão, Houve também um acordo neste sentido com o governo
do estado que retrocedeu obrigando os médicos a um descredenciamento
coletivo que ainda vigora. Agora o estado remunera os procedimentos executados
mediante decisão judicial, tendo como referência a tabela
proposta.
"Os conselhos, sindicatos e as sociedades de todo o Nordeste vão
se unir para traçar estratégias comuns e favoráveis
a todos os Estados", garantiu Tenório. "Entendemos que o Nordeste
tem suas peculiaridades na área da Saúde. Por isso, é
de extrema importância a união dos estados em prol de uma
pauta única", avalia Tenório.
O Fórum estabeleceu, ainda, que a partir de 2009 a data base
de negociação com os estados seja unificada.
A próxima reunião ficou marcada para a segunda quinzena
de janeiro de 2009, possivelmente em Fortaleza (CE). (CFM)
17.11 - Saúde vai fechar 2008 com "equação razoável"
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse
na quinta-feira que não está preocupado com a possibilidade
de redução no valor do orçamento da pasta para este
ano. Após participar de entrevista à emissoras de rádio
no programa Bom Dia, Ministro, nos estúdios da Empresa Brasil de
Comunicação (EBC), ele destacou que o ministério deve
fechar 2008 com “uma equação razoável”.
“Minha preocupação é mais estrutural, é
o futuro e a sustentabilidade do sistema de saúde e a necessidade
da regulamentação da Emenda 29 [que estabelece um percentual
de gastos da União, dos estados e dos municípios na saúde
pública e cria a Contribuição Social para a Saúde
(CSS)], que continua pendente. Ainda temos que votar um destaque na Câmara
dos Deputados para que a matéria siga para o Senado Federal.”
Sobre a quantia de crédito adicional necessário à
pasta, ele afirmou que a previsão inicial do ministério é
de, pelo menos, R$ 24 bilhões suplementares para o Programa Mais
Saúde nos próximos quatro anos. “Isso seria o mínimo
para enfrentar os desafios que temos pela frente”, disse.
Ao comentar o último relatório divulgado pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre gastos com a
saúde, Temporão lembrou que, em 2005, os resultados mostraram
um montante de R$ 160 bilhões. Do total, os governos federal, estaduais
e municipais investiram apenas 38% enquanto as famílias gastaram
62% com o setor.
“Isso significa que quem banca a saúde pública no Brasil
não é o governo, mas as famílias. São despesas
com medicamentos, exames e consultas. Em todos os países que têm
a mesma filosofia e os mesmos princípios do sistema de saúde
brasileiro, como Inglaterra e Canadá, a participação
do gasto público no total é de 80% a 85%. Temos que gastar
mais recursos público em saúde no Brasil.”
Temporão admitiu que a atual conjuntura pode não ser
“a mais favorável” para se discutir o financiamento da saúde
por conta do cenário de indefinições provocado pela
crise financeira internacional mas ressaltou que, ainda assim, o problema
“persiste o nos desafia”.
“De alguma forma, essa questão tem que ser enfrentada. Para
que a área social não seja penalizada, para que as pessoas
possam ser atendidas plenamente, o que é a obrigação
dos governos pelo que reza a Constituição brasileira.”
(Paula Laboissière - Agência Brasil)
17.11 - Vírus da Aids ´some` em paciente transplantado
Homem se submeteu a transplante para tratar de uma leucemia
O vírus da Aids (HIV) se tornou indetectável em um paciente
soropositivo com leucemia depois de um transplante de medula óssea,
um caso "interessante", mas "isolado", que não deve suscitar falsas
esperanças, explicou na última quarta-feira um hospital de
Berlim.
"Trata-se de um caso interessante para a pesquisa", declarou em comunicado
o professor Rodolf Tauber. "Entretanto, dar esperanças às
pessoas contaminadas pelo HIV não seria sério", ressaltou,
mencionando um "caso isolado".
Soropositivo há dez anos, o paciente, um americano de 42 anos
que vive em Berlim, teve que se submeter a um transplante de medula óssea
para tratar uma leucemia detectada há três anos.
Entre os doadores potenciais, se encontrava uma pessoa portadora de
uma mutação genética já conhecida pelos cientistas,
mas ainda inexplicada. Esta particularidade, uma mutação
do receptor CCR5 do vírus, está presente em 1% a 3% da população
européia e parece dar aos indíviduos portadores uma imunidade
ao HIV.
A equipe do hematologista berlinense Eckhard Thiel escolheu este doador
específico "com a esperança de que depois do transplante
da medula óssea, o vírus do HIV também desapareceria".
O paciente, há anos sob tratamento anti-retroviral e que nunca
desenvolveu a Aids, interrompeu seu tratamento no momento do transplante,
para evitar que os medicamentos provocassem uma rejeição.
"Normalmente, a interrupção dos anti-retrovirais provoca
o desenvolvimento da Aids em algumas semanas. Mas até hoje, mais
de 20 meses depois do transplante, o HIV continua indetectável neste
paciente", afirmou nesta quarta-feira a equipe de Thiel.
"Este procedimento não é adequado ao tratamento de pacientes
portadores do HIV, nem hoje nem num futuro próximo", alertou o médico
Gero Hütter, um membro da equipe berlinense, durante uma entrevista
coletiva. (Globo.com - G1)
17.11 - Estudo liga tamanho da cintura a risco de morte prematura
As gordurinhas em volta da cintura podem aumentar dramaticamente o
risco de morrer mais jovem, mesmo que o peso total da pessoa seja normal,
segundo pesquisadores britânicos.
Um estudo envolvendo quase 360 mil pessoas de nove países europeus
e publicado na revista acadêmica New England Journal of Medicine
descobriu que o tamanho da cintura é um "indicador poderoso" de
risco.
Os pesquisadores sugerem que os médicos deveriam medir a cintura
de seus pacientes regularmente como uma maneira rápida e barata
de avaliar a sua saúde.
A ligação entre gordura ao redor da cintura e problemas
de saúde foi estabelecida há algum tempo, mas o tamanho do
estudo dá aos cientistas um quadro mais preciso.
Os pesquisadores, incluindo alguns do Imperial College, em Londres,
acompanharam voluntários, que tinham em média 51 anos no
início da pesquisa, por 10 anos. Nesse período, 14.723 deles
morreram.
Massa corporal e cintura
A medida padrão de obesidade, o Índice de Massa Corporal
(IMC), continua sendo um dado importante ao analisar os riscos à
saúde, e, segundo os pesquisadores, aqueles com um índice
alto são mais propensos a morrer de doenças cardiovasculares
ou câncer.
Mas tanto a proporção quadril/cintura - número
produzido ao se dividir o tamanho da cintura pela medida do quadril -,
como apenas a medida da cintura, parecem ser bons indicadores para descobrir
quem tem um risco ainda maior.
Na pesquisa, algumas pessoas que tinham um IMC normal, mas uma cintura
maior do que a média, tinham um risco maior de morte prematura.
Nos pontos extremos dos resultados, homens com cinturas com mais de
119 cm tinham o dobro da taxa de mortalidade comparado com aqueles com
cinturas com menos de 80 cm. Um dado semelhante foi verificado em mulheres
com cinturas com mais de 99 cm comparado com as que tinham uma cintura
com menos de 64,7 cm.
Um aumento do risco de morte podia ser verificado cada vez que a medida
aumentava em 5 cm - comparando duas pessoas com o mesmo IMC, cada 5 cm
aumentava o risco em 17% em homens e em 13% em mulheres.
"Nós ficamos surpresos de ver que o tamanho da cintura tem um
impacto tão poderoso na saúde das pessoas e na morte prematura.
Não há muitas características individuais que podem
aumentar o risco de uma pessoa ter morte prematura, além de fumar
e beber", afirmou.
Um porta-voz da British Heart Foundation disse que os resultados batem
com outras pesquisas que concluíram que o risco de doenças
do coração é maior quando a gordura está concentrada
ao redor da cintura. (BBC Brasil)
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