30.04 - Gripe: Vacinação imunizou 40
milhões
A campanha de vacinação contra a influenza A (H1N1) já
imunizou 40 milhões de brasileiros. Em nota, o Ministério
da Saúde afirma que o número equivale a 64% do público-alvo
das etapas convocadas até o momento. Até o final da campanha,
no dia 21 de maio, a meta é imunizar pelo menos 72,8 milhões
de pessoas, o que corresponde a 80% da população convocada
para a vacinação.
Até o momento, já foram vacinados 64,3% dos doentes crônicos
e 61% dos jovens de 20 a 29 anos. A cobertura das grávidas chegou
a 68%. Os índices mais altos de cobertura estão nos grupos
das crianças de seis meses a menores de dois anos (96,5%) e dos
profissionais de saúde envolvidos com o atendimento a casos suspeitos
da doença (100%).
Segundo o ministério, gestantes podem se vacinar até
o final da campanha. Para crianças entre seis meses e menores de
dois anos, portadores de doenças crônicas e pessoas de 20
a 29 anos, o prazo para a vacinação foi prorrogado até
o dia 7 de maio. A última etapa, para a população
de adultos entre 30 e 39 anos, terá início em 10 de maio.
A vacinação contra a influenza A (H1N1) - gripe suína
para idosos com doenças crônicas de todo o país começou
no último sábado (24). Para as regiões Sudeste, Nordeste
e Centro-Oeste, no entanto, o ministério recomenda que os idosos
com doenças crônicas esperem o início da Campanha de
Vacinação do Idoso contra a gripe comum, que começa
no dia 8 de maio, para ir uma só vez ao posto de saúde. Nas
regiões Sul e Norte, a vacinação para idosos contra
a gripe comum foi iniciada no dia 24. (Agência Brasil)
30.04 - Medicamentos: Ministério promete normalizar distribuição
Portadores de HIV e representantes de organizações não
governamentais (ONGs) realizaram na manhã de quarta-feira um ato
público em defesa do acesso a medicamentos antirretrovirais fornecidos
pelo governo federal em frente ao Ministério da Saúde (MS).
A manifestação ocorreu também nas secretarias de Saúde
de 18 estados do país.
Desde dezembro, os portadores de HIV sofrem com a falta do medicamento
Abacavir, além da redução do estoque de mais três
remédios: o Lamivudina, Efavirenz e Zidorrudina. Em Brasília,
os manifestantes foram recebidos pelo coordenador do Departamento de DST,
Aids e Hepatites Virais, Eduardo Bezerra, e pela secretária executiva
do Ministério da Saúde, Ieda Diniz.
O aposentado Lucier Pereira, morador de Ceilândia, cidade do
Distrito Federal a 26 quilômetros doe Brasília participou
da manifestação. Usuário do Abacavir, ele precisou
substituir o medicamento por outro, o Biovir. No entanto, o remédio
contém em sua composição o AZT, substância a
qual Lucier apresenta intolerância. “Além de não ter
o mesmo resultado do Abacavir, sofro com efeitos colaterais como náuseas
e vômito.”
Entre os manifestantes estava também o cabeleireiro Alex Fabiano
de Souza, dirigente do Grupo de Apoio a Portadores da Aids de Montes Claros
(MG). “Minha ONG tem 15 crianças que sem os remédios podem
morrer”, disse.
A assessoria do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do ministério
informou que a entrega do Abacavir deve se normalizar na próxima
semana. O medicamento importado chegou ontem (27) ao país, mas ainda
precisa passar pela inspeção da Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa) antes de ser redistribuído.
A falha na distribuição teria ocorrido porque o laboratório
responsável pelo medicamento demorou a se adequar a algumas normas
estabelecidas pela Anvisa. Após a adequação, o produto
não pôde chegar ao Brasil devido à crise área
na Europa.
Sobre o outros medicamentos de fabricação nacional, a
assessoria explicou que a redução no estoque foi causada
por atraso na fabricação. Com a necessidade de recorrer aos
estoques de reserva, os centros de saúde estavam distribuindo medicamento
para o uso durante dez dias, em vez de um mês. Por meio de nota,
o ministério informou que a distribuição da produção
entre os laboratórios nacionais já foi reprogramada para
garantir o abastecimento regular da rede e a recomposição
dos estoques.
Segundo a dirigente do Movimento Nacional das Cidadãs Positivas
com sede em Brasília, a psicóloga Regina Cohen, problemas
na distribuição não são frequentes, mas preocupam
muito os portadores de HIV. “Questionamos o que é que causa isso,
se é má gestão ou falta de dinheiro. Será que
no próximo governo esse programa vai continuar? Hoje somos dependentes
desses medicamentos. Eles são nossa saúde e qualidade de
vida.”, ressaltou. (Agência Brasil)
30.04 - Genérico pode custar até 35% menos que Viagra
A forma genérica do medicamento Viagra poderá custar
até 35% menos do que a versão da farmacêutica Pfizer,
dona do registro, de acordo com o presidente da Associação
Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (PróGenéricos),
Odnir Finotti. A redução deve ocorrer já em junho,
após o vencimento da patente da Pfizer, quando as empresas de genéricos
já poderão comercializar o produto.
Nesta quarta-feira (28), o Supremo Tribunal de Justiça decidiu
que a patente do medicamento vencerá em junho deste ano, como estabelecido
pela lei brasileira - que prevê a proteção da propriedade
industrial de remédios por 20 anos após o primeiro registro.
O Viagra foi registrado em junho de 1990 na Inglaterra. A Pfizer, dona
da patente, afirma que o pedido feito na Inglaterra não foi concluído
e que o registro só foi formalizado em 1991, na União Europeia.
Por isso, a fabricante pedia uma extensão de um ano nesse prazo,
até 2011. Ela ainda pode recorrer da decisão.
O Viagra é comercializado no Brasil desde 1998 para tratamento
da disfunção erétil. Atualmente, uma caixa com dois
comprimidos de 50 mg do medicamento custa em torno de R$ 60.
Segundo Finotti, pelo menos quatro empresas fabricantes de genéricos
já estão prontas para entrar com pedidos de autorização
de produção junto à Anvisa. Com isso, o preço
da mesma caixa deve ficar em torno de R$ 39.
Mas o presidente da PróGenéricos acredita que o preço
pode baixar ainda mais. “Como vamos ter muita concorrência, os preços
tendem a cair. O consumidor brasileiro terá preços muito
mais acessíveis”, explica.
O genérico aprovado pela Anvisa terá as mesmas propriedades
do Viagra original. “É essencialmente igual ao medicamento de referência”,
afirma Finotti.
A decisão do STJ não impede a Pfizer de continuar comercializando
o Viagra com seu nome original.
Para o presidente da entidade, a consequência mais importante
da decisão é a definição jurídica. “Se
tem alguém que ganha nisso tudo é quem precisa tomar o medicamento.
E para nós, o ganho é o entendimento jurídico claro
de que no Brasil se cumpre a lei”, diz Finotti. (Marília Juste –
G1)
29.04 - Os idosos e os abusos dos planos de saúde
As pessoas com idade acima de sessenta anos são, sobremaneira,
indesejadas pelos planos de saúde que, fundamentando-se em argumentos
segundo os quais os idosos acumulam mais moléstias, demandando,
portanto, mais gastos médicos e hospitalares, recusam a adesão
dessas ou exigem prestações astronômicas que praticamente
inviabilizam seu acesso.
Mesmo à luz da exigência da lei, as operadoras ainda continuam
cometendo abusividades, principalmente no que diz respeito ao reajuste
por faixa etária. As decisões judiciais são harmoniosas,
ao declararem nulas as cláusulas contratuais que prevêem o
reajuste das mensalidades exclusivamente em razão da mudança
de faixa etária, aos maiores de 60 anos, exatamente porque o art.
15, § 3º, do Estatuto do Idoso, veda a discriminação
dessa classe de conveniados.
Outra questão que, de forma unânime, vem sendo decidida
a favor dos idosos e demais consumidores que possuem contrato de plano
de saúde discorre sobre a declaração de nulidade de
cláusula contratual que nega cobertura para o fornecimento de próteses
e órteses. Obviamente, o não fornecimento da prótese
indicada pelo seu médico acarretará ao idoso o agravamento
de seu estado de saúde, dado que sem ela é impossível
o sucesso do tratamento proposto, principalmente quando a necessidade de
seu uso decorre de ato cirúrgico. Assim, tem se garantido ao idoso,
por meio do Poder Judiciário, o fornecimento dessas próteses/órteses,
fazendo com que o seguro cumpra a obrigação que dele se espera.
Deve-se ter em mente que a celebração do contrato é
feita para dar segurança ao consumidor de modo que as cláusulas
obscuras devem sempre ser interpretadas em favor dele, almejando a equalização
da relação com aquele que redigiu o instrumento, o qual estabelece,
unilateralmente, todo um clausulado que, não raras vezes, possuiu
disposições que se voltam contra o âmago contratual.
Cláusulas que restringem direitos são sempre interpretadas
a favor do consumidor e, na maioria das vezes, têm sido declaradas
nulas pelo Poder Judiciário que entende pela sua abusividade, em
obediência, inclusive, aos artigos 39, 47 e 51 do Código de
Defesa do Consumidor.
Entretanto, ainda que as decisões judiciais venham sendo extremamente
desfavoráveis às operadoras, estas continuam a negar procedimentos.
Já que o judiciário só pode resolver as contestações
entre as partes envolvidas, não tendo efeito para todos. Surge,
então, a necessidade de que cada prejudicado por seu plano de saúde
ingresse na justiça, a fim de garantir seu direito, pois o acesso
maciço pode incrementar uma jurisprudência extremamente favorável
aos conveniados. (Karina Zaia Salmen Silva - Segs)
29.04 - Home Doctor na campanha contra a gripe H1N1
Sabendo da importância da prevenção e visando a
saúde de seus profissionais e pacientes, a Home Doctor está
engajada na Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza
A (H1N1).
Durante o último mês, a empresa vacinou todos os profissionais
das equipes assistenciais, incluindo colaboradores administrativos, além
de reforçar as medidas de prevenção que esses profissionais
devem adotar no dia-a-dia.
A Home Doctor também está vacinando os pacientes de diferentes
programas, seguindo as orientações de faixa etária
e público-alvo dadas pelo Ministério da Saúde, incluindo
pacientes portadores de doenças crônicas. “Já vacinamos
mais de 350 pacientes e esperamos ampliar este número até
o final da campanha”, afirma Dr. Ari Bolonhezi, médico e Sócio-fundador
da Home Doctor.
A vacinação está sendo realizada por profissionais
capacitados diretamente na residência dos pacientes, a fim de se
evitar deslocamentos desnecessários. Desta forma, a empresa colabora
com a saúde pública brasileira na erradicação
da gripe no País. (Home Doctor/AssPreviSite)
29.04 - Remédio sobe bem mais do que a inflação
Pesquisa mostra que alguns dos medicamentos mais usados tiveram um
reajuste médio de 14,75% no período de janeiro de 2009 a
janeiro deste ano, bem acima do Índice de Preços ao Consumidor
Amplo (IPCA), que foi de 5,85%
Os preços de 11 medicamentos - que estão entre os mais
receitados - subiram, em média, 14,75% em São Paulo, na comparação
entre janeiro de 2009 e o mesmo mês deste ano, conforme pesquisa
do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). A variação
supera a inflação no período dos produtos farmacêuticos
medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA),
de 5,85%.
Os valores, porém, estão abaixo do Preço Máximo
ao Consumidor (PMC), teto calculado para estabelecer limites de aumentos,
e seus reajustes estão dentro do índice concedido pelo governo,
de 5,9%.
Segundo o Idec, a existência de uma diferença muito grande
entre os preços máximos permitidos e os praticados pelas
farmácias pode ser um problema para o consumidor. Isso porque abre
a possibilidade de um remédio subir consideravelmente de uma hora
para outra. Um exemplo é o medicamento para o mal de Alzheimer,
Ebix. No começo do ano passado, seu preço médio era
de R$ 145,15 e seu teto, R$ 195,22. Em 2010, foi registrada alta de 32,45%,
enquanto o teto teve variação de 5,89%. O último aumento
estipulado pelo governo foi em março e o Ebix teve teto estabelecido
em R$ 215,91.
“Na prática, muitas vezes os reajustes reais são maiores
que os permitidos pelo governo, mas não são ilegais. Com
as variações, o consumidor fica exposto a não ter
condições de manter o uso do medicamento em caso de aumento
repentino”, alerta a economista do Idec, Ione Amorim.
Segundo o diretor do Centro Paulista de Economia da Saúde (Cpes/Unifesp),
Marcos Bosi Ferraz, existem dois fatores que influenciam a variação
dos preços. O primeiro é o próprio mercado, por meio
da concorrência, e o outro é o fator interno, quando a indústria
pode repassar algum custo ou enxergar uma oportunidade para aumentar o
lucro.
O Idec destaca a importância de se pesquisar em diferentes estabelecimentos
e sempre que possível, recorrer aos genéricos. “É
importante o consumidor ter a certeza que está fazendo uma troca
equivalente. Alguns medicamentos são parecidos, mas não iguais.
Se tiver dúvida, procure um médico”, diz Ferraz.
A técnica de enfermagem, Donária Barbosa, 55 anos, segue
o conselho na hora de comprar os cinco medicamentos que toma diariamente,
ao custo de R$ 150 por mês. “Geralmente acabo comprando em uma farmácia
perto porque tenho o cartão, que dá desconto. Mas sempre
que passo em outros lugares, pergunto o preço e vejo que a variação
é grande”, diz.
Quem determina o PMC é a Câmara de Regulação
do Mercado de Medicamentos (Cmed). O Idec mantém conversas com a
Cmed desde o ano passado e defende margens de preços mais realistas.
Para o Idec, muitas vezes, a política de descontos serve apenas
para aumentar a margem de manobra das empresas, sejam laboratórios
ou drogarias, em relação a futuros reajustes. Já para
a Cmed, preços cobrados abaixo do teto que decorram de promoções,
descontos e até mesmo de política comercial dos laboratórios
só beneficiam o consumidor, ampliando seu acesso aos remédios.
Além disso, diz o Cmed, a variação, dentro dos limites
legais, é uma forma de incentivo à livre concorrência
e uma facilidade para o acesso a medicamentos no País.
De acordo com o Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos
(Sindusfarma), a pesquisa constatou que os preços perderam os descontos
e se aproximaram dos autorizados pelo governo. “São casos pontuais
e não uma tendência do mercado. Na média, o aumento
tem ficado abaixo da inflação. A indústria e o varejo
concedem descontos, em benefício do consumidor, quando os custos
de produção e comercialização e as circunstâncias
de mercado permitem”, informa. (Gisele Tamamar - Agência Estado)
28.04 - Ministério prorroga vacinação até
7 de maio
O Ministério da Saúde prorrogou para até o dia
7 de maio o prazo para vacinação contra a Influenza A (H1N1),
a chamada gripe suína, para gestantes, doentes crônicos, crianças
de seis meses a menores de 2 anos e jovens de 20 a 29 anos.
Pelo cronograma antigo, esses grupos de pessoas deveriam ter sido vacinadas
até a última sexta-feira (23). Mas de acordo com a pasta,
até as 12 horas desta segunda (26), foram vacinadas 36,9 milhões
de brasileiros, o que representa 60% da meta.
Proteção
"Com os números atuais, estamos ficando um pouco mais otimistas.
É preciso que a população procure um posto mais próximo
e se proteja contra a doença", afirmou o ministro da Saúde,
José Gomes Temporão.
A cobertura de jovens de 20 a 29 anos ultrapassou o total de 20 milhões
de doses aplicadas, o que representa 57% da meta do grupo. Entre as gestantes
a cobertura atingiu 1,76 milhão, o equivalente a 59% do público
alvo. Entre os doentes crônicos, em todas as idades, foram vacinados
até hoje 58% do público estimado.
A mobilização contra a gripe suína ocorre simultaneamente
com a ação de vacinação contra a gripe comum,
destinada a pessoas com mais de 60 anos. (Agência Estado/ Portal
Verdes Mares)
28.04 - Avanço da hipertensão no País
A hipertensão avança no País, segundo dados divulgados
hoje pelo Ministério da Saúde. A doença, que afetava
21,5% da população em 2006, atingiu a taxa de 24,4% no ano
passado. De acordo com a Sociedade Brasileira de Hipertensão, os
números já chegam a 30% em todo o País. A pesquisa
do Ministério da Saúde, feita com 54 mil adultos, mostra
que a prevalência da doença, entre 2006 e 2009, aumentou em
todas as faixas etárias – sobretudo entre os idosos. Atualmente,
63,2% das pessoas com 65 anos ou mais sofrem do problema. O índice,
em 2006, era de 57,8%. E é crescente nas demais faixas etárias.
Entre a população até 34 anos, situa-se abaixo de
14%. Já dos 35 aos 44 anos, a taxa é de 20,9%. Dos 45 aos
54 anos, chega a 34,5% e dos 55 aos 64 anos, totaliza 50,4%.
O estudo mostra ainda que a proporção de hipertensos
é maior entre as mulheres – 27,2% contra 21,2% entre os homens.
Além disso, quanto menor a escolaridade, maiores são os casos
diagnosticados. Entre os adultos com oito anos de escolaridade, por exemplo,
o índice é de 31,5%, enquanto entre os com nove, dez ou 11
anos de estudo soma 16,8%, segundo reportagem da Agência Brasil.
O estudo lançado ontem, Dia Nacional de Combate à Hipertensão,
tem como foco a prevenção da hipertensão por meio
de escolhas individuais como hábitos alimentares saudáveis
e o combate ao sedentarismo e à obesidade. A parceria inclui as
sociedades brasileiras de Cardiologia, de Hipertensão e de Nefrologia.
A pessoa é considerada hipertensa quando a pressão arterial
é igual ou superior a 14 por 9. A doença é causada
pelo aumento na contração das paredes das artérias
para fazer o sangue circular pelo corpo. O movimento acaba sobrecarregando
órgãos como o coração, os rins e o cérebro.
Se não for tratada, a hipertensão pode provocar complicações
como o entupimento de artérias, acidentes vasculares cerebrais (AVC)
e infartos. (Fenaseg)
28.04 - Gastos com saúde pressionam a inflação
em SP
Os remédios e produtos farmacêuticos foram os que mais
colaboraram para a expressiva alta (1,16%)
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 0,34%, na
terceira prévia de abril depois de permanecer estável nas
duas últimas pesquisas, segundo o levantamento feito pela Fundação
Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), na cidade de São
Paulo. As maiores altas ocorreram nos grupos alimentação
(de 1,27% para 1,46%) e saúde (de 0,27% para 0,71%).
No grupo saúde, os remédios e produtos farmacêuticos
foram os que mais colaboraram para a expressiva alta (1,16%). Também
influenciaram os reajustes dos serviços médicos e da realização
de exames laboratoriais (0,85%). As visitas ao dentista passaram a custar
1,09% mais do que o gasto médio da segunda prévia.
(Saúde Business Web)
27.04 - Planos: Usuários vivem drama por atendimento
Clientes relatam casos em que planos de saúde criam dificuldades
para liberar exames, [br]tratamentos e cirurgias
A avó e a mãe da técnica administrativa Aline
Lúcia Stella, de 33 anos, sempre enfrentaram dificuldades para marcar
consultas no plano. Mas situação piorou quando Nair, a avó,
de 80 anos, recebeu um diagnóstico de um tumor na perna e foi internada
em meados de março em um hospital da empresa em Mauá, na
Grande São Paulo, relata Aline.
No total, Nair esperou 22 dias e não conseguiu fazer a cirurgia,
diz a família. Em Mauá, aguardou dez dias, conta Aline. No
local, no entanto, não havia profissionais preparados e a idosa
teve de ser transferida para fazer a cirurgia em outro hospital do plano,
na zona sul de São Paulo.
"Foi o caos, no primeiro dia (na unidade em São Paulo) até
sem comida ela ficou", afirmou Aline. "Os médicos passavam no quarto
e nem olhavam para ela."
Foram outros 12 dias de espera, afirma a neta, até que a família
desistiu e conseguiu levá-la para o Hospital do Servidor Público
do Estado, onde seria operada na sexta-feira. "Você espera um atendimento
melhor e vê que é pior do que hospitais do SUS", diz Aline.
Cansaço. "Ainda bem que tenho acesso a e-mail, fax. A confusão
começa no atendimento da operadora. Você chega a esperar 60
minutos para ser atendida e obter a senha de autorização",
relata a administradora de vendas Rosane Nascimento, de 34 anos.
Rosane só conseguiu autorização para a realização
de cateterismo na mãe, Izabel, de 61 anos, portadora de doença
de Chagas, após recorrer via e-mail à redação
do Estado, quando já esperava havia 13 dias. O jornal questionou
a empresa, que semanas depois autorizou o procedimento.
"É um convênio popular. E quem não tem acesso a
telefone e e-mail, como fica?", diz Rosane. Também usuária
do plano, costuma enfrentar dificuldades para conseguir consultas na região
do ABC. "Tem médico que só tem consulta para meados de junho",
reclama.
No caso relatado pelo administrador de empresas Álvaro Almeida
Júnior, de 40 anos, as barreiras foram para um atendimento de emergência
para a mãe em um hospital do plano, em 2007. Com suspeita de aneurisma
cerebral, Judith esperou 11 horas para fazer a ressonância. Teve
se ser transferida para outro hospital conveniado para realizar o exame.
No retorno ao primeiro local, não havia neurocirurgião, relata
Álvaro. O profissional só avaliou sua mãe passadas
outras 17 horas.
Judith foi operada somente por ordem judicial. Porém, precisou
de nova transferência para a ressonância. Morreu dias depois
de retornar do segundo exame. "A lembrança de tudo isso me faz mal.
Ela era saudável, pouco usava o plano antes disso tudo ocorrer",
afirma Álvaro.
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) não
divulgou os nomes das empresas que tiveram problemas em avaliação
sobre sua rede assistencial. Por isso, não é possível
afirmar que nos casos descritos existiam deficiências nos serviços
de saúde ofertados.
Em nota, a Samcil, plano de Nair, disse que "a paciente recebeu todo
o atendimento necessário" e que, "apesar do esforço (...),
foi transferida à revelia" pela família. A Amesp, plano de
Izabel, que pertence à Medial, comprada pela Amil, apontou que a
idosa foi atendida "respeitando as rotinas administrativas da operadora",
que constam no contrato. Enfatizou ainda que "constantemente realiza alterações
em sua rede credenciada e própria, com o objetivo de trazer ainda
mais conforto e qualidade". O plano da mãe de Álvaro, o São
Cristóvão, não respondeu.
Negativa de cobertura
Buscar atendimento em um serviço do plano e não conseguir
pode
ser sinal de insuficiência da rede do convênio. Mas limitações
contratuais e de pacotes entre planos e serviços de saúde
também podem explicar a situação. (Fabiane Leite
- O Estado de S.Paulo)
27.04 - O que fazer quando o plano de saúde nega cobertura
Beneficiários têm recorrido à Justiça com
mais frequência em casos em que os convênios médicos
se recusam a arcar com os gastos do tratamento. Em 80% dos processos, os
clientes têm obtido vitórias nos tribunais
Quem entra na Justiça para reclamar de negativa de convênio
tem cada vez mais chances de ganhar o processo. É o que Juizados
Especiais Cíveis e escritórios de advocacia especializados
ou não na área de saúde vêm constatando.
A juíza Mônica Ferreira, diretora do Juizado Especial
Cível Central da capital, garante que a decisão é
favorável ao consumidor em cerca de 80% das vezes. “Pelos casos
que recebemos, apesar de não serem tão frequentes, é
muito raro quando a empresa tem razão quanto à negativa.
Pode até ser que seja baseada nas cláusulas do contrato,
mas o beneficiário tem a favor dele o Código de Defesa do
Consumidor”, diz.
Só o escritório Vilhena Silva Advogados acompanhou 47
casos deste tipo em março. Todos conseguiram liminares na Justiça.
Em 2009, os beneficiários ganharam 86% dos processos. “As negativas
clássicas são referentes a implante de marca-passo, próteses,
hemodiálises, radioterapia e quimioterapia”, explica Renata Vilhena,
advogada do escritório. Nesses casos, segundo ela, a vitória
do consumidor é certa, pois são itens que até o plano
mais básico deve cobrir.
No escritório Breda Camargo houve um aumento de 50% nos processos
sobre negativa de planos nos últimos dois anos. De acordo com Valdir
Abibe, advogado da equipe, o aumento reflete a maior consciência
do consumidor. “As pessoas estão percebendo que podem recorrer contra
convênios.”
Os processos mais frequentes conduzidos pelo escritório, segundo
Abibe, são relacionados a casos nos quais o beneficiário
precisa de um tratamento mais moderno, mas o plano só oferece os
mais básicos. “Se a cobertura de um procedimento está no
contrato, o consumidor tem de ter acesso a todos os métodos disponíveis
de realizá-lo”, diz. Abibe acrescenta que só o médico
pode decidir de que maneira o tratamento será feito, e o plano deve
cobrir.
Os planos de saúde lideraram o ranking do Instituto Brasileiro
de Defesa do Consumidor (Idec) pelo décimo ano consecutivo em 2009,
com 22,38% das queixas. A negativa de cobertura foi um dos temas mais questionados.
O auxiliar administrativo Luís Fernando Santos, de 26 anos,
descobriu que estava com leucemia três meses após contratar
um plano da SulAmérica. Sua internação era de emergência,
mas o convênio negou a cobertura. “O médico pediu que eu fosse
internado na hora, mas só consegui isso com uma liminar na Justiça.
A quimioterapia também foi negada e liberada só depois de
um mês, também por meio de liminar”, conta.
A SulAmérica informou que, na época em que Santos descobriu
a doença, ainda estava no período de carência.
Segundo a advogada Renata Vilhena, o CDC fala que todo contrato tem
de cumprir a finalidade pelo qual foi firmado e o beneficiário tem
direito de fazer o tratamento que ele precisar para conseguir sua cura.
“Muitas pessoas não sabem que podem recorrer à Justiça
nesses casos, mas já existem diversas jurisprudências que
podem validar uma decisão positiva para o consumidor.”
Pedro Buriozzi foi outra vítima da negativa de seu plano. Morreu
aos 80 anos por causa de um câncer de estômago, no dia seguinte
após receber alta da UTI do hospital da Prevent Sênior, seu
plano na época. Seus familiares recorreram à Justiça
e irão pedir indenização por danos morais. Segundo
Abibe, advogado que acompanha o caso, será verificado se a alta
precipitada foi realizada por pedido do convênio. “Se comprovado
o fato, a empresa pode até ser acusada de homicídio culposo”,
afirma. A Prevent Senior informou que nunca negou qualquer procedimento
ao paciente. (LIGIA TUON - Jornal da Tarde)
27.04 - A Gestão e a Saúde
"Quando transportamos tal ideia para os programas de saúde das
organizações, entendemos que temos uma divergência
de expectativas"
No momento em que discutimos a gestão de saúde nas empresas,
sempre vem à pauta a Qualidade de Vida. Este termo, tão disseminado
no mercado desde meados da década de 90, até hoje continua
sendo pouco empregado na sua essência e muito utilizado de forma
genérica.
Um dos principais fatores nesse contexto é a preocupação
cada vez maior do empregado com a sua saúde e em poder equilibrar
a vida profissional e pessoal da melhor forma. Quando transportamos tal
ideia para os programas de saúde das organizações,
entendemos que temos uma divergência de expectativas. Uma recente
pesquisa da Towers Watson - Health Care Costs Survey/2009 - indica que
39% das empresas possuem consciência da sua função
frente ao gerenciamento dos custos e no acesso dos colaboradores a benefícios
competitivos, porém esse grau de consciência reduz significativamente
quando abordado o seu papel em influenciar a decisão dos usuários
na utilização dos serviços e na melhora/manutenção
do seu estado de saúde, cujo porcentual é de apenas 12%.
Muitas empresas afirmam possuir uma atividade fundamental em prover
benefícios competitivos aos funcionários, porém a
mesma proporção sugere que sua ação é
primária em suportar os empregados na tomada de decisão sobre
saúde. Ora, se temos de prover o benefício, por que deixamos
para diferentes agentes a tarefa de educar, gerenciar e criar modelos de
utilização? Para os próximos anos, a tendência
das organizações, além de intensificar seus controles
trabalhando com metodologias de banco de dados integrados e análises
de perfil de utilização e epidemiológicas, será
buscar influenciar seus usuários nas suas decisões, o que
comumente chamamos de "consumerismo".
Atualmente, os usuários têm um nível de conscientização
sobre saúde muito baixo, 68% das companhias indicam que os usuários
não compreendem ou não entendem como o modelo de saúde/gestão
das empresas funciona, pois muito provavelmente as políticas de
RH consideram que os mesmos já estejam aptos a utilizar o sistema
que lhes é fornecido, o que é prejudicial ao programa, uma
vez que eles estão sempre "aprendendo" a usar o sistema com diferentes
agentes de saúde, na maioria das vezes, com recursos das redes prestadoras,
onde são criados os vínculos de confiança - unidade
principal que faz um consumidor decidir sobre seguir um tratamento ou não,
de determinada forma ou de outra.
As organizações discutem formas de tratar esses casos
sem que haja uma invasão ao direito de escolha do usuário.
Mas, acredite, o processo começa na formação dos mesmos
e não pode apenas concentrar-se no momento da decisão. Como
observado, as companhias acreditam que eles devam ser livres para escolher
as melhores opções para cuidar de sua saúde, mas por
outro lado, os usuários esperam receber auxílio, na maioria
dos casos, da empresa ou de alguém com mais experiência e
condições técnicas para decidir quais seriam suas
opções, pois o objetivo já está definido. É
num contexto assim que atuam os profissionais de saúde.
As organizações ainda não conseguiram visualizar
o resultado do consumerismo nos seus programas de saúde, mas é
preciso entender que ao se determinar um objetivo a ser cumprido o mesmo
deverá ser compartilhado e endossado por quem será responsável
pela sua viabilização, ou seja, os usuários do plano.
Engana-se aquele que acredita no médico como viabilizador dos procedimentos,
pois sem que ele confie no tratamento e dê o seu consenso, o mesmo
não será liberado.
As companhias terão de atravessar desafios crescentes no gerenciamento
dos seus programas, principalmente em relação aos custos.
A maioria acredita no impacto moderado das ações de criação
e disseminação do consumerismo, já que aposta que
o problema está concentrado no modelo do sistema (fee for service).
Porém, elas não consideram que ao assumir seu papel de gerenciador
e facilitador no contexto não serão apenas "pagadoras de
contas" e, sim, gestoras dos padrões de saúde e, com isso,
estarão criando um círculo virtuoso, absorvendo do mercado
colaboradores que possuem os conceitos de Cultura de Saúde e, consequentemente,
investindo menos tempo e recursos na criação de consciência
do mesmo, revertendo tais esforços na melhoria do programa e devolvendo
ao mercado profissionais aptos a entender o seu papel no sistema de saúde
público ou privado.
Até quando pensaremos que o risco em saúde não
é responsabilidade da empresa e dos Recursos Humanos? Os modelos
do atual sistema, que estão com seus custos altos ou que provem
pouca atenção à saúde, precisam ser ajustados
a esta nova realidade e encararem que o risco é e será sempre
da empresa.
A administração de saúde dentro das empresas não
é problema para ninguém e, sim, a solução de
todos. (Ricardo Augusto Lobão - Saúde Business
Web)
26.04 - Defesa do consumidor na regulação de planos é
urgente
Negativa de cirurgias, exames, consultas, próteses e órteses;
demora na liberação de guias; aumentos abusivos; cancelamento
unilateral do contrato. É notório que os planos de saúde
são extremamente problemáticos e, reiteradamente, causam
transtornos nos momentos em que o consumidor mais precisa. Basta sair às
ruas e colher a impressão dos cidadãos. Não é
à toa que o setor ocupa, há dez anos, o topo do ranking de
reclamações recebidas pelo Idec.
Na contramão dos fatos, no último mês a ANS (Agência
Nacional de Saúde Suplementar) divulgou dados referentes aos atendimentos
que realizou em 2010. A forma como a Agência trata tais informações,
como se o setor de planos de saúde não tivesse uma enorme
gama de problemas, é totalmente inadequada. Os dados dos órgãos
de defesa do consumidor, da Justiça e da própria ANS, e mesmo
as experiências diárias dos consumidores, mostram o contrário.
As reclamações sobre planos de saúde registradas
nos Procons, compiladas no SINDEC (Sistema Nacional de Informações
de Defesa do Consumidor), aumentaram, de 2008 para 2009, 20,39%. Se considerados
somente os planos regulamentados – sobre os quais recai, indiscutivelmente,
o poder-dever fiscalizatório da ANS – o aumento percentual é
mais expressivo: 38,86%. Ressalte-se que tal número é subestimado,
pois os Procons não atendem reclamações referentes
a contratos coletivos. Tais contratos são aqueles intermediados
por pessoas jurídicas, como empresas, sindicatos e associações,
esomam mais de 70% do mercado.
Mesmo com a ausência de registro de demandas de planos de saúde
coletivos no Procon de São Paulo, no mesmo período registra-se
um aumento ainda maior de reclamações referentes ao setor
no órgão público: mais de 65%.
Há que se considerar que muitas das questões que dizem
respeito a planos de saúde são diretamente encaminhadas ao
Poder Judiciário, por dizerem respeito a atendimentos emergenciais.
Pesquisa realizada na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça,
última instância judicial a se manifestar sobre conflitos
entre consumidores e operadoras de planos de saúde, demonstra que,
entre 1991 e 1998 (pré-regulamentação), o Tribunal
julgou 8 casos sobre planos de saúde. De 1999 a 2008 (pós-regulamentação),
foram 87 casos julgados. 89,47% dos julgados dizem respeito à negativa
ou limitação de cobertura ou assistência médica
e deu-se ganho de causa ao consumidor em 82,1% das demandas.
E mesmo os dados divulgados pela ANS demonstram o aumento de reclamações.
Dos atendimentos realizados em 2008 pela Agência, 9% diziam respeito
a reclamações dos planos de saúde (7.191 reclamações).
No ano seguinte, as reclamações aumentaram para 12% das consultas
recebidas pelas agência (12.861,84). O aumento do número de
reclamações de planos de saúde na agência, entre
2008 e 2009, é de 78,85%.
A Constituição Federal é clara ao determinar que
“o Estado deve promover, na forma da lei, a defesa do consumidor” (art.
5º, XXXII). A lei consumerista é o Código de Defesa
do Consumidor (Lei 8.078/90). Mas a ANS continua relutante a exercer o
seu papel de proteção e defesa do consumidor, chegando a
afirmar, em correspondência enviada ao Idec, que “O funcionamento
do mercado e o respeito às leis setoriais são outros aspectos
por nós analisados e que terminam, por vezes, a afastar a própria
aplicação da Lei 8078/90 (Código de Proteção
e Defesa do Consumidor)”.
Diante de tal cenário, a ANS insiste em mitigar o seu papel
regulador e em adotar postura regulatória ineficaz. Além
de resistir em aplicar o Código de Defesa do Consumidor, a Agência
não regula completamente planos de saúde coletivos e planos
de saúde antigos – assinados antes de janeiro de 1999.
Enquanto a ANS sustenta que os planos de saúde coletivos não
precisam de sua intervenção, nos Estados Unidos acaba de
ser aprovada reforma do sistema de planos de saúde que contempla
a regulação estatal sobre esse tipo de plano.
Ressalte-se que Estados Unidos é um país mundialmente
conhecido como extremamente liberal na condução da sua vida
política, econômica e social. E mesmo lá já
se chegou à conclusão que, em matéria de planos de
saúde, o mercado não dá conta de se autorregular adequadamente,
sendo necessária a intervenção do Estado.Quando no
Brasil se fará o mesmo? (Daniela Trettel - Última Instância)
26.04 - A situação da saúde no Brasil
Nos últimos anos, a sociedade brasileira acordou para a importância
da educação no Brasil. Isso ocorreu porque as avaliações
educacionais produziram novos dados e mostraram para a sociedade que a
qualidade da educação é muito ruim. A partir dessa
mobilização, novas políticas educacionais estão
sendo implementadas e avaliadas por especialistas, o que permitirá
que as iniciativas mais bem sucedidas sejam disseminadas. Entretanto, o
mesmo não tem ocorrido na área de saúde. Embora tão
importante como a educação e em situação igualmente
precária em muitos aspectos, a sociedade ainda não parece
mobilizada para a questão da saúde no Brasil. Já é
hora de revertemos essa situação, especialmente neste ano
eleitoral.
Em primeiro lugar, é necessário fazer o diagnóstico
da situação atual. Diversas pesquisas mostram que os primeiros
anos de vida de uma pessoa são fundamentais para o seu desenvolvimento
futuro. Em particular, é nos três primeiros anos de vida que
a pessoa forma o "hardware" que vai moldar sua capacidade de aprendizado
e raciocínio ao longo da vida. Assim, investimentos públicos
nessa fase da vida tem retornos muito elevados e devem ser priorizados.
Um indicador extremo da qualidade das políticas públicas
na área de saúde é a taxa de mortalidade nas diversas
faixas etárias. Como tem evoluído a taxa de mortalidade infantil
no Brasil?
A tabela ao lado mostra a taxa de mortalidade na infância (entre
0 e 5 anos de idade) em 2007 em alguns países selecionados e a sua
redução entre 1990 e 2007. Podemos notar, em primeiro lugar,
que a taxa de mortalidade no Brasil ainda é muito elevada, atingindo
22 em cada mil crianças nascidas vidas em 2007, a mesma taxa da
China e um pouco acima da que prevalece no Peru e na Argentina. Enquanto
isso, na Coreia e em Cuba apenas seis crianças morrem antes dos
cinco anos de idade em cada mil nascidas vivas, um índice comparável
aos países mais desenvolvidos. Entre os países da América
do Sul, o Brasil só está à frente da Bolívia
e do Paraguai. Esses dados mostram que, assim como na educação,
ainda existe muito trabalho a ser feito na área da saúde.
Mas, como tem sido a evolução desse indicador no passado
recente? Entre 1990 e 2007 o Brasil evitou 36 mortes na infância
em cada 1000 nascidos vivos, um desempenho bastante satisfatório.
Entre os países sul-americanos, somente Bolívia e Peru obtiveram
avanços maiores no mesmo período. Obviamente, quanto maior
o nível inicial da mortalidade, mais fácil é conseguir
reduzi-la com medidas de acesso a serviços básicos de saúde,
nutrição e saneamento. Assim, na Coreia e em Cuba, como a
taxa de mortalidade já é bastante reduzida, reduções
adicionais são difíceis de serem alcançadas. Mesmo
assim, deve-se notar que Cuba, apesar de todos os seus problemas políticos,
conseguiu reduzir significativamente a mortalidade na infância nas
últimas duas décadas, assim como a China, apesar de sua enorme
população. Por outro lado, o Paraguai está numa situação
bastante complicada, com altas taxas e pequenas reduções
na mortalidade.
Quais foram os principais fatores responsáveis por essa redução
na mortalidade infantil observada recentemente no Brasil? Pesquisas mostram
que esse sucesso foi atingido por uma combinação de fatores,
relacionados com políticas públicas na área de saúde,
saneamento básico e condições sócio-econômicas
das famílias. Em termos de políticas públicas, uma
das mais efetivas parece ter sido a criação do Programa Saúde
da Família (PSF). Esse programa, instituído em 1994 e expandido
desde então, atinge hoje metade da população do país
e busca atender as famílias mais pobres com equipes de profissionais
da área médica atuando para prevenir e detectar doenças
e acompanhar a gestação. Em termos sócio-econômicos,
a rápida evolução na escolaridade dos país
ocorrida a partir da década de 90 teve impactos significativos no
acesso aos serviços de saúde, uma vez que a educação
amplia a informação sobre os serviços disponíveis.
Apesar dos avanços obtidos na atenção básica,
os desafios na área de saúde são enormes. Um dos principais
problemas é a baixa qualidade do atendimento que é oferecido
nos hospitais e postos de saúde para a maior parte da população.
Isso ocorre apesar dos gastos com saúde serem bastante elevados.
Em 2007 o Brasil gastou 8,4% do PIB com saúde. Desse total, cerca
de 58% foram gastos pelas famílias, enquanto o setor público
foi responsável por 42%. Vale notar que a população
mais pobre gasta proporcionalmente mais com saúde e medicamentos
do que os mais ricos. Um dos principais problemas é que o país
tem dois sistemas de saúde, um público (Sistema Único
de Saúde) e um privado (sistema de seguro), que não se comunicam
adequadamente. As famílias de renda média, por exemplo, tendem
a usar o sistema privado de saúde para tratar doenças mais
simples e o sistema público quando precisam utilizar serviços
de diagnóstico e tratamento complexos.
Dessa forma, a sociedade brasileira precisa enfrentar os problemas
de financiamento e estruturação do seu sistema de saúde,
ao mesmo que tempo em que debate medidas para melhorar a gestão
dos recursos que estão sendo aplicados, principalmente na área
hospitalar. Como podemos perceber, os desafios na área de saúde
são tão ou mais complexos que os da educação.
(Naercio Menezes Filho - Valor Online)
26.04 - Hospitais beneficentes discutem alternativas
O cenário nos nove hospitais de pequeno porte da região
de Franca é leitos sobrando, com taxa de ocupação
abaixo de 50%, entre outras
A aliança entre sustentabilidade e proposição
de alternativas para elevar a eficiência da gestão dos hospitais
filantrópicos pautaram o primeiro dia do 19º Congresso da Fehosp
(Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes do Estado
de São Paulo).
Um dos temas do dia foi o projeto que define alternativas para os hospitais
de pequeno porte (HPP) na rede do SUS do interior do Estado de São
Paulo, que será apresentado nesta segunda-feira (26) ao Conam (Conselho
de Municípios da Alta Mogiana).
Três membros da comissão técnica que acompanha
o trabalho e esteve na Espanha e Portugal para conhecer modelos aplicados
por lá fizeram as apresentações: Paulo Carrara, professor
assistente do Departamento de Medicina Social da Faculdade de Ciências
Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) e membro do
Centro de Estudos Augusto Leopoldo (Cealag), Maria Fátima da Conceição,
gerente técnica da Fehosp, e Aglaé Neri Gambirasio, assistente
técnica do coordenador de saúde da Secretaria de Estado da
Saúde de São Paulo (SES-SP).
O projeto HPP é voltado à região da cidade de
Franca (SP), formada por 22 cidades que somam cerca de 650 mil habitantes
(50% deles de Franca), 9% dos quais idosos e assistidos essencialmente
pelo SUS, refletindo o panorama nacional. O cenário nos nove hospitais
de pequeno porte da região é: leitos sobrando, com taxa de
ocupação abaixo de 50%, sendo que 53% das internações
poderiam ser evitadas.
Foi pensando em alternativas que permitissem a viabilização
da rede e, ao mesmo tempo, a oferta de serviços até então
indisponíveis à população local, apoiada em
qualificação e humanização da assistência,
que, desde o ano passado, a Fehosp investe em estudo.
A viagem permitiu ao grupo conhecer as experiências das santas
casas europeias, que enfrentaram cenário semelhante há oito
anos e chegaram ao modelo atual nomeado Rede Nacional de Cuidados Continuados
Integrados (RNCCI), dividido nos seguintes grupos: convalesça, média
duração e reabilitação, longa duração
e manutenção, cuidados paliativos e equipe domiciliares.
"Segundo a proposta, alinhada ao que avaliamos para o interior de São
Paulo, os hospitais trabalharão de forma integrada, em rede. As
equipes de alta hospitalar identificarão os pacientes que necessitam
de cuidados prolongados, tipo de atendimento especial de que não
dispomos hoje. As coordenadorias regionais indicarão qual o tipo
de unidade que deve recebê-los para o devido encaminhamento", explica
Paulo Carrara.
No modelo europeu, os cuidados oferecidos visam a um processo terapêutico
aplicado por equipe multidisciplinar e forte apoio da família. "Assim,
atua-se não somente sobre o estado de saúde, prevenindo o
agravamento e promovendo a reabilitação, mas também
na integração do paciente e no restabelecimento da autonomia",
acrescenta.
Nas unidades da Espanha e Portugal, além de leitos que inspiram
conforto, há salão de cabeleireiro, refeitório para
os pacientes fazerem as refeições em conjunto, sala de convívio,
fisioterapia e terapia ocupacional. Na época da visita do grupo,
os pacientes preparavam as fantasias para as festas de Carnaval, o que
prova o compromisso com a interação social entre eles.
"O que mais nos chamou a atenção foi o investimento na
capacitação dos profissionais, mais que a própria
infraestrutura. Interessante observar o trabalho das equipes que programam
previamente a alta e os cuidados que o paciente irá receber, além
do prontuário único, entregue antes mesmo de o paciente ser
internado", destacou Maria Fátima da Conceição.
Em fase de apresentação aos municípios, a iniciativa
aguarda aprovação no curto prazo para inicio da implementação.
Outras atividades - Com a proposta de oferecer um panorama da relação
entre saúde e sustentabilidade, o professor do departamento de Medicina
Preventiva da USP, Nelson Gouveia, abriu o pré-congresso com análise
do
contexto da população que vive os impactos provocados no
meio ambiente. "Não falo da Amazônia nem da extinção
dos animais silvestres. Mas sim dos problemas enfrentados por 90% da população,
que está nos centros urbanos", afirmou. É o caso da exposição
à poluição, que eleva os riscos de desenvolvimento
de problemas cardiovasculares e dos riscos, especialmente para as crianças,
de terem doenças infecciosas e parasitárias ocasionas por
exposição a riscos ambientais.
Carlos Eduardo Figueiredo, gerente de relações com prestadores
de serviços da ANS, abordou as necessidades de os hospitais cumprirem
com a regulação no que atinge a relação hospital
x operadoras de saúde. (com colaboração
de Carla Fornazieri - Saúde Business Web)
23.04 - Artrite e protocolos da saúde
O Ministério da Saúde está prestes a reorganizar
o tratamento de mais de 80 doenças crônicas, garantindo um
acesso mais amplo e facilitado à saúde. Desde o fim do ano
passado, o órgão vem realizando em parceria com o Hospital
Alemão Oswaldo Cruz, a revisão dos protocolos clínicos
e diretrizes terapêuticas que norteiam o diagnóstico e tratamento
destas enfermidades e também definem a relação de
medicamentos a serem fornecidos pelo Sistema Único de Saúde
(SUS).
Até o momento, este direito garantido pela Constituição
Federal, tem sido prejudicado pela falta de revisão sistemática
destes procedimentos. Esta desatualização obriga alguns estados,
como o Rio de Janeiro, a conviver com um movimento crescente de judicialização,
em que os pacientes buscam na Justiça a alternativa terapêutica
mais adequada a seu quadro clínico, retardando e interrompendo seu
tratamento. Além disso, desequilibra o orçamento do Estado,
que passa a adquirir medicamentos sob demanda, fora do planejamento já
estabelecido, e perde poder de barganha junto aos laboratórios farmacêuticos.
Uma das doenças autoimunes atualmente incluídas no processo
de revisão é a artrite reumatoide. Caracterizada por ocasionar
inflamações recorrentes nas articulações e
dores crônicas, esta enfermidade de causa desconhecida afeta cerca
de 800 mil brasileiros. Se diagnosticada e tratada precocemente, mantém-se
sob controle sem altos investimentos do Estado. Caso contrário,
evoluirá, podendo resultar em deformidades articulares irreversíveis,
incapacitando para o trabalho 50% dos pacientes em até 10 anos e
reduzindo sua expectativa de vida. Para atender as necessidades dos diferentes
estágios da doença, é necessário reavaliar
todo o processo, desde a identificação precoce da doença
até o tratamento nos estágios mais avançados com drogas
mais complexas e desenvolvidas nos últimos anos, algumas delas ainda
fora das listas do SUS.
Assim como ocorre em outros estados, a Sociedade de Reumatologia do
Rio de Janeiro (SRRJ) tem atuado junto à Secretaria Estadual de
Saúde (SES), reivindicando o aumento do número de reumatologistas
no atendimento primário, a garantia de fluxo contínuo e ininterrupto
de medicamentos de baixo custo, a redução na burocracia na
dispensação e a criação de uma câmara
técnica para auxiliar na deliberação sobre remédios
de alto custo, como ocorre, com sucesso, no Espírito Santo e em
São Paulo. Têm sido também produtivos os debates envolvendo
os profissionais médicos da especialidade com a Defensoria Pública,
planos de saúde de demais órgãos de governo ligados
à saúde, com os quais estamos preparando um curso de reciclagem
em reumatologia para os médicos generalistas do SUS.
Para assegurar melhor qualidade de vida aos portadores de artrite reumatóide
e de outras doenças crônicas, é essencial – além
da atual revisão dos protocolos – criar novos mecanismos que garantam
a médicos e pacientes a identificação mais rápida
da doença e o acesso, ininterrupto, aos medicamentos essenciais
de baixo custo e aos órgãos reguladores, a agilidade necessária
para avaliar e incluir os novos desenvolvimentos, assim que sua eficácia
for comprovada e avalizada pela classe médica.
(Estado de Minas)
23.04 - Protocolo de segurança em cirurgia plástica até
setembro
O Protocolo de Segurança em Cirurgia Plástica, que está
sendo elaborado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) em parceria com
a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), poderá
ser apresentado à sociedade até setembro deste ano. A previsão
é do coordenador dos trabalhos, Antônio Pinheiro.
Já foram definidos os principais itens que constarão
no documento: desde identificação do paciente, patologia
e indicação, exames pré-operatórios, consulta
pré-anestésica (seguindo orientações da Sociedade
Brasileira de Anestesiologia), passando por qualificação
do profissional, qualidade do local de atendimento, equipamentos específicos,
e abrangendo até o próprio ato cirúrgico (preparo
do paciente, instalação do ato anestésico, início
e fim do ato cirúrgico e remoção) e também
o pós-operatório. Todos os itens poderão se desdobrar
em vários subitens, chegando a tratar de aspectos como curativos
e contenções, uso de drenos, sondagens, leito, acompanhantes,
medicamentos gerais, medicamentos específicos, controle de diurese
e de sinais vitais, entre outros.
A indicação é que todas essas especificações
e documentos correspondentes deverão constar no prontuário
médico. “São orientações para que possamos
ter certeza que cada passo foi cumprido, anotado, dito e revelado ao paciente.
Esses aspectos precisam ser explicitados para a segurança do paciente
e também a segurança dos profissionais que vão trabalhar
nesse ato cirúrgico”, explica Pinheiro, que coordena a Câmara
Técnica de Cirurgia Plástica do CFM, responsável pelo
projeto.
A partir do dia 23 de abril, a Câmara Técnica de Cirurgia
Plástica do CFM começará a trabalhar com um grupo
virtual que inclui a SBCP para que seja desenvolvida uma apresentação
gráfica adequada sobre cada ponto do anteprojeto.
A previsão é colocar o Protocolo de Segurança
em Cirurgia Plástica em votação pela plenária
do CFM até setembro. Se aprovado, será publicado no Diário
Oficial da União e haverá um prazo para médicos, hospitais
e clínicas se adequarem.
A próxima reunião da Câmara Técnica de Cirurgia
Plástica está prevista para 13 de maio. O anúncio
da previsão de que o Protocolo seja apresentado até setembro
foi feito na quinta-feira (15) pelo coordenador da Câmara, Antônio
Pinheiro, na companhia de José Yoshikazu Tariki, Lydia Masako Ferreira,
Wanda Elizabeth Mossiere Correa, Pedro Nader e Ognev Cosac, membros da
Câmara. (CFM)
Médicos pedem controle do sal
A quantidade de sal adicionada aos alimentos industrializados deve
ser mais controlada pelo governo. O alerta veio do Institute of Medicine,
uma organização independente de médicos. Segundo o
instituto, não adianta só recomendar que as pessoas comam
menos sal, porque a maior parte do consumo vem de alimentos industrializados
e restaurantes. (Zero Hora)
22.04 - A doença da saúde
Proposta é ir além de um só médico
O titular da coluna Brasil S/A, Antônio Machado, publicou excelente
texto (Economia, 27/3/2010), sob título de “Doença da saúde”.
Ele fez uma análise sobre a escassez de verbas para a saúde
no Brasil e finalizou sua reflexão sugerindo, entre outras questões,
que visitas regulares e obrigatórias a médicos podem prevenir
internações e tratamentos onerosos. Parece simples, mas a
prática não é bem assim. O debate permanente e atual
sobre a situação da saúde da população
brasileira tem mostrado que esse modelo assistencial, centrado na doença
e nas mãos de um único profissional, é insuficiente
para alcançar a complexidade do ser humano.
Dados oficiais indicam que as doenças crônicas atingem
mais de 59 milhões de pessoas. Isso é muito importante, mas
pergunta-se: onde estão os educadores físicos, os nutricionistas,
os psicólogos e todos os outros profissionais que podem ajudar as
pessoas a rever suas posturas e mudar de comportamento para melhorar a
qualidade de suas vidas? Como nos ensinam as reflexões do professor
André Martins, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ),
a medicina positivista, organicista e cientificista é um reflexo
de interesses financeiros mundiais que em nome da ciência impõe
uma medicalização da vida, para fins financeiros, tornando
a saúde um comércio como outro qualquer.
Discutem-se muito, nos dias de hoje, os direitos dos usuários
dos serviços de saúde e sua autonomia e competência
para tomar decisões. Mas o que se verifica são pessoas insatisfeitas,
que não são ouvidas e que se tornam agressivas e violentas
com os profissionais de saúde. Nesse sentido, as políticas
do setor no Brasil, mesmo que apontem para uma realidade positiva, trazem
em si uma complicada relação para uma população
que espera, mais que uma receita de medicamentos ou pedidos de exames,
cuidados para sua saúde. É preciso que, além das leis
e dos discursos, ampliem-se as vagas para diferentes profissionais, para
que possam juntos trabalhar e promover a saúde.
Nessa perspectiva, fundamentando-se na concepção da dignidade
humana, o que se propõe é que a dinâmica assistencial
em saúde seja vista como um processo de corresponsabilidade, em
que os participantes, incluindo os usuários, tenham a possibilidade
de fazer suas escolhas. Portanto, as decisões precisam deixar de
ser unilaterais. Todos os profissionais de saúde e os próprios
usuários devem participar da assistência numa relação
de reciprocidade e complementaridade entre os seus atos profissionais.
Coloca-se, então, a interdisciplinaridade como uma possibilidade
de mudança de uma prática centralizada na doença e
fragmentada por especialidades para uma forma de assistir e cuidar que
privilegie um plano terapêutico único, construído de
forma compartilhada. Assim, uma equipe composta por diferentes categorias
profissionais, a partir de um novo entendimento sobre o modelo assistencial
de saúde, poderá, de fato, ajudar as pessoas a recuperar
a saúde de seu corpo, a autonomia e a capacidade de dar direção
à própria vida. (Márcia dos Santos Pereira -
Estado de Minas)
22.04 - Mais coerência e menos descaso com a saúde
A imprensa tem retratado exemplarmente o desconsideração
do governo com a saúde. Dias atrás, o presidente Lula culpou
os médicos pelo caos no setor, afirmando serem profissionais que
não se dispõem a trabalhar em localidades distantes. Foi
rebatido à altura pela Associação Médica Brasileira
e por muitas outras entidades médicas, pois o que falta é
política consistente para atrair profissionais, com oportunidade
de reciclagem científica, além de adequadas condições
de atendimento, salário digno e uma carreira de progressão
funcional.
Ainda recentemente, os jornais mais uma vez explicitaram o desrespeito
à saúde no Brasil, mostrando como os Estados Unidos usam
a democracia para redesenhar seu modelo de assistência, enquanto
aqui, a despeito de ter uma proposta avançada de universalização,
o Sistema Único de Saúde - SUS, emperra no autoritarismo
e na falta de debate. Esbarra também na falta de definição
de um orçamento coerente, já que, hoje, vivemos uma fantasia,
uma hipocrisia orçamentária.
O grande mal da saúde brasileira é a falta de transparência
e de compromisso de parte dos gestores e autoridades. Claro, há
exceções. Porém, de forma geral, o setor não
é visto nem tratado com a prioridade que merece, a não ser
em intenções e propostas genéricas particularmente
em períodos eleitorais. São necessárias atitudes concretas,
como agora nos EUA e ao longo dos anos em países desenvolvidos.
Atualmente, até diversas nações em desenvolvimento
investem bem mais na saúde do que no Brasil.
O irrisório orçamento federal compromete qualquer gestão,
e a tratativa de recursos humanos é deprimente. Inevitavelmente
a saúde suplementar também patina. Prova são os honorários
vis pagos por planos de saúde a médicos e outros prestadores
de serviço. Sem falar na intermediação ineficaz da
Agência Nacional de Saúde Suplementar.
Não aceitamos que maus empresários façam da saúde
apenas uma fonte de lucro, em detrimento da assistência adequada.
Mas principalmente não podemos admitir isso na saúde pública.
Não admitimos ainda o desrespeito aos cidadãos e a exploração
do trabalho dos profissionais da medicina.
Toda a comunidade de saúde e suas representações,
como a Associação Paulista de Medicina, devem buscar apoio
na população para encaminhar positivamente questões
relevantes. Temos de sensibilizar os parlamentares a apoiar as reivindicações
em prol de condições adequadas para o exercício profissional
da medicina e por melhor assistência aos cidadãos.
Hoje, a coesão dos agentes do setor é fundamental, para
criar uma grande mobilização. Precisamos urgentemente que
o Congresso aprove matérias de interesse público, como a
carreira de Estado para os profissionais de medicina e a regulamentação
da Emenda Constitucional 29, que viabilizará investimentos mais
robustos para a saúde, especialmente por parte do governo federal.
Enfim, as frentes de embate são claras. É hora de mudar.
Os brasileiros precisam e exigem uma postura séria para ter acesso
ao direito constitucional a assistência digna, plena, sob pena de
continuarmos a ver a saúde judicializada. Esperamos que na campanha
eleitoral venham propostas concretas por parte dos candidatos ao Legislativo
e Executivo, além de debates menos ideológicos e mais resolutivos
para a saúde da população. (Jorge Carlos
Machado Curi - CFM)
22.04 - Pacientes entram na Justiça para garantir medicamentos
Processos são a única solução para famílias
que pagam de R$ 5 mil a R$ 7 mil por remédios e suplementos
Pacientes de Ribeirão Preto que precisam de medicamentos de
alto custo têm entrado na Justiça para garantir o fornecimento
do governo.
A família de Letícia, de 9 meses, conseguiu, na última
quinta-feira (15), uma liminar que garante o fornecimento de um complemento
alimentar pelos próximos 60 dias. O processo para o fornecimento
permanente ainda corre na Justiça. A saúde da bebê,
que têm alergia à proteína, depende do produto, que
custa R$ 450 cada lata, o que corresponde a uma despesa mensal de R$ 5
mil, em média.
Segundo a mãe de Letícia, Giuliana Simões Biagini,
a família já havia entrado com um processo administrativo
no Hospital das Clínicas e conseguiu a liberação do
estado para obter o medicamento, mas a distribuição é
falha. “Falta todo mês, um tem, outro não”, diz.
A Secretaria de Estado da Saúde informou que ainda não
foi notificada sobre a liminar.
Já a comerciante Nilva Martins não teve a mesma sorte.
Segundo os médicos, apenas um medicamento pode conter o câncer
que ela tem no pulmão, mas há um ano e meio ela tenta conseguir,
no Hospital das Clínicas, o remédio que custa R$ 7 mil a
cartela com 30 comprimidos, sem sucesso.
Segundo a comerciante, seus pedidos foram negados pelo Estado em função
do alto custo. “Espero nada mais, e o hospital só resta me acompanhar
morrer. Porque eu não tenho dinheiro para a medicação
e o estado não me fornece”, diz emocionada
A família acionou a Justiça e aguarda que o processo
seja analisado o mais rapidamente possível.
“A gente tem direito de ter a medicação, tem direito
constitucional à saúde. Todas as pessoas têm que brigar
para ter acesso”, diz o filho de Nilva, Ricardo Wesley Martins.
Procurado pela reportagem, a administração do Hospital
das Clínicas afirmou não tem o medicamento que Nilva necessita
e que o caminho para obtê-lo deve ser judicial.
A Defensoria Pública de Ribeirão Preto ajuda pacientes
que não têm condições de pagar um advogado em
causas como a de Letícia e Nilva. O atendimento ocorre das 8h às
9h30, de segunda a sexta, na Rua Alice Além Saad, 1256, bairro Nova
Ribeirânia. O telefone para tirar dúvidas é (16) 3965-
4151. (EPTV)
22.04 - Governo estima que 255 mil tenham HIV e não saibam
Testes aumentam, mas médicos relatam que descoberta ainda é
feita muito tarde.
Se os números seguirem a tendência da última década,
em 2010 pelo menos 11 mil brasileiros vão morrer por causa da Aids.
O país é considerado um lugar onde a doença é
bem controlada, mas desde o final da década de 1990, quando houve
uma redução drástica nas mortes por causa da introdução
de novos medicamentos, os casos de morte vêm subindo lentamente.
Para o médico infectologista Esper Kallás, pesquisador
da Faculdade de Medicina da USP, menos pessoas poderiam morrer se fizessem
mais cedo o exame para detectar HIV, o vírus causador da Aids. "De
cada cem pessoas que fazem o diagnóstico, 16 morrem no primeiro
ano", afirma. O problema, segundo o médico, é que a descoberta
da infecção é feita muito tarde, quando doenças
graves já se instalaram por causa da baixa imunidade causada pela
Aids.
O Ministério da Saúde confirma que esse é um dos
maiores desafios no combate à doença. "Estimamos que 255
mil pessoas tenham HIV no Brasil e não saibam. Essas pessoas estão
em todas as faixas da população: pobres e ricos, homens e
mulheres, gays e heterossexuais", informa o diretor adjunto do Departamento
de DST, Aids e Hepatites Virais, Eduardo Barbosa.
Infecções oportunistas
Segundo o cínico-geral Teodoro Suffert, muitas pessoas acabam
descobrindo que têm a doença por causa de uma infecção
oportunista. "Pode ser tuberculose, emagrecimento, diarreia crônica.
A forma de apresentação é variável", conta
o médico, que há 17 anos atende pacientes com HIV na rede
pública de Porto Alegre, a capital brasileira com a maior incidência
de infecção pelo vírus.
Um dos fatores que contribui para que pessoas fujam do exame é
o preconceito contra portadores de HIV, defende Jorge Beloqui, da ONG Grupo
de Incentivo à Vida, em São Paulo, que luta pelos direitos
dos soropositivos.
"Você tem que ter uma boa estrutura psíquica para ser
capaz de fazer esse exame e encarar um resultado positivo. Conhecemos várias
pessoas que tinham sintomas importantes [de AIDS] e não queriam
fazer", relata.
O médico da USP concorda. "A carga social relacionada ao diagnóstico
de HIV no Brasil ainda é muito grande. A chance de alguém
pegar hepatite B, por exemplo, é maior do que a de pegar HIV, mas
ninguém tem medo de fazer teste de hepatite B."
Testes rápidos
Os testes de HIV são gratuitos. Segundo o Ministério
da Saúde, em 2008 foram feitos 6,4 milhões desses exames
no país. Em 2009, o número subiu para 7,4 milhões.
"Quarenta por cento da população sexualmente ativa já
fez o teste uma vez na vida. O ideal é que todas as pessoas que
estejam em situação de vulnerabilidade possam se testar,
diz Eduardo Barbosa.
O aumento se deve principalmente à introdução
de testes rápidos, em que o paciente pode saber o resultado em cerca
de 30 minutos. Eles já representam um terço do total de exames
e, segundo o ministério, são tão confiáveis
quanto os testes tradicionais conhecidos como "Elisa", em que as pessoas
demoram até 15 dias para saber se têm HIV.
De acordo com Barbosa, em ambos os exames há um acompanhamento
psicológico para o paciente. "Fazemos um pré-aconselhamento,
que explica como é o teste e o que vem após ele. No momento
da entrega tem o pós-aconselhamento. Se o resultado é negativo
explicamos que a pessoa não deve se expor novamente. Se é
positivo aconselhamos o começo de um tratamento."
Remédios
Ainda que as pessoas saibam que têm HIV, nem todos conseguem
ou estão dispostos a fazer o tratamento com medicamentos antirretrovirais,
e esse é um outro problema que faz aumentar o número de mortes
por Aids no Brasil, segundo os especialistas ouvidos pelo G1.
Esses remédios, que começaram a ser distribuídos
gratuitamente no Brasil em 1996, revolucionaram o tratamento da doença.
Em dois anos, a taxa de mortalidade da Aids foi estabilizada (veja gráfico
acima), apesar do número de casos continuar subindo.
O medicamento diminui a quantidade de vírus no sangue, reduzindo
também o risco transmissão. "Se uma pessoa tem quase nenhum
vírus no sangue, existe um risco teórico de contaminação,
mas é muito próximo de zero. Se você conseguisse tratar
todo mundo com sucesso, bloquearia a transmissão", informa Kallás,
da USP.
Resistência
O infectologista aponta, contudo, que muitas pessoas não conseguem
fazer o tratamento, apesar do acesso gratuito aos remédios. "São
moradores de rua, doentes mentais, dependentes químicos, pessoas
que têm uma situação social muito desprivilegiada."
Para o médico Teodoro Suffert, do Rio Grande do Sul, muitos
não tomam o remédio porque entram em depressão depois
que descobrem a doença. "Os serviços que atendem Aids tinham
que ter como sala principal a do psiquiatra", defende.
"Também tem muita gente que tem aversão à medicação.
Isso foi visto recentemente na vacinação contra a nova gripe.
Uma dificuldade óbvia de se tomar remédios contra a Aids
é que isso concretiza, realiza o fato de que a pessoa precisa de
tratamento", afirma Beloqui, da ONG paulistana.
Ele acrescenta que esse efeito aumenta quando há falta de medicamentos
na rede pública de saúde, como está ocorrendo agora
com o remédio Abacavir. "Trocar de medicamento não é
simples. Às vezes as pessoas têm efeitos colaterais indesejáveis
com novas terapias". (G1/ EPTV)
20.04 - Saúde: legislação favorável à
preservação da vida
Durante muito tempo a medicina esteve revestida de caráter religioso
e sobrenatural, atribuindo-se aos desígnios de Deus a saúde
e a morte. O médico não era responsável por nada.
Se tudo desse certo, ou errado, era apenas a manifestação
da vontade divina.
Hoje, vivenciamos uma nova visão sobre a relação
médico-paciente. Nossas expectativas se ampliaram acompanhando a
rede de seguridade social, o “boom” dos planos de saúde, convênios
etc. Enfim, a realidade atual assiste um rol de obrigações
e cobranças impostas pelos pacientes aos médicos jamais vista
no passado.
Tanto é assim, que já recebemos um percentual considerável
de queixas contra o mau atendimento dos hospitais, a falta de médicos,
dentre outros problemas comuns do sistema de saúde nacional.
No que se refere às ações judiciais em que se
discute a responsabilidade dos médicos e hospitais, o Tribunal de
Justiça do Rio de Janeiro e o Superior Tribunal de Justiça
têm firmado posições bastante incisivas. Vamos apresentar
algumas hipóteses que se destacam na jurisprudência.
Em primeiro lugar, os juízes têm entendido que a responsabilidade
civil do médico é subjetiva, conforme previsão do
§ 4º do art. 14 do Código de Defesa do Consumidor. Ou
seja, para que o médico responda por um prejuízo causado
a um paciente é necessário que haja prova de que ele agiu
com culpa, que realmente houve um dano e que a causa do mesmo foi a má
atuação do profissional.
A culpa médica supõe uma falta de diligência ou
de prudência em relação ao que se pode esperar de um
bom profissional.
No caso de trabalho em equipes, como ocorre, por exemplo, nas cirurgias,
em regra, o cirurgião chefe dirige os demais, estando os profissionais
que participam do ato cirúrgico subordinados às suas ordens.
Se, por hipótese, o anestesista, escolhido pelo chefe da equipe,
agir com culpa, tanto ele como o cirurgião chefe, a quem esteve
diretamente subordinado e, ainda, a clínica em que ocorrido o fato
devem responder pelos prejuízos causados. Todos os três teriam
responsabilidade pelo evento e poderiam ser condenados a indenizar a vítima.
Alguns julgados do Superior Tribunal de Justiça, inclusive,
decidem que até a empresa prestadora do plano de assistência
à saúde tem o dever de responder pelo evento danoso.
Outra hipótese específica que tem chegado aos Tribunais,
trata-se das fundações de assistência à saúde
que se comprometem a prestar assistência médica por meio de
hospitais e profissionais que indica. Em casos de erro médico ou
mau atendimento, a fundação é responsabilizada pelo
prejuízo causado pelo profissional ou casa de saúde que ofereceu
indicação ao consumidor.
Todavia, circunstância clássica é a caracterizada
pelo hospital ou clínica que não tem qualquer vínculo
com o profissional, mas “aluga o espaço” para que o médico
lá realize uma cirurgia, por exemplo. Nestes casos, se o hospital
provar que o médico a quem se imputa o erro profissional não
possuía vínculo com estabelecimento onde realizado o procedimento
cirúrgico, em geral, o hospital ou clínica são isentados
de responsabilidade.
Com relação aos hospitais, a imputação
de responsabilidade é mais simples, porque, como fornecedores de
serviço, eles devem responder pelos prejuízos causados, mesmo
que não haja culpa na conduta. Afirma o Código de Defesa
do Consumidor no seu art. 14, que os hospitais tem responsabilidade objetiva,
baseada no simples risco da atividade. O hospital apenas se libera de indenizar
o paciente prejudicado se provar que o dano se deu por culpa exclusiva
da vítima ou de um terceiro, o que é muito difícil
e incomum.
Em suma, o Código de Defesa do Consumidor, que segundo os tribunais,
se aplica plenamente aos médicos e hospitais, garante que os serviços
prestados não podem acarretar riscos à saúde ou segurança
dos consumidores, exceto os considerados normais e previsíveis em
decorrência de sua natureza, estando obrigados os fornecedores, em
qualquer hipótese, a dar as informações necessárias
e adequadas ao paciente.
Além de indenização pelo prejuízo concreto
suportado pelo paciente, por vezes, os tribunais ainda condenam os responsáveis
em danos morais, em geral decorrentes do sofrimento do paciente, do sentimento
de abandono, da ansiedade vivenciada, da frustração pela
perda da chance de cura, do ferimento à dignidade pela falta de
prestação de um atendimento satisfatório e adequado
etc. Em suma, os danos morais derivam de possíveis repercussões
psicológicas que a pessoa, em geral fragilizada fisicamente, está
mais vulnerável a sofrer.
Aos médicos e pacientes que tenham reclamações,
elogios ou casos para nos contar estamos no aguardo de contato e dispostos
a ajudar.
Visitem o site, o blog, mandem e-mails ou telefonem. Nosso atendimento
é simples, direto, sem filas, sem enrolação. Se o
seu caso tiver potencial, ajuizamos a ação judicial por você
e nada será cobrado. Casos recorrentes motivam nossa investigação
e fiscalização do setor ou atividade demandada. Colabore
com este projeto social do Jornal do Brasil entrando em contato conosco
ou divulgando este trabalho.
Para os médicos, um agradecimento sincero pelas vidas salvas,
pelo carinho, pela força, pela renúncia, pelo apoio nas horas
difíceis. Para os pacientes, a torcida pela recuperação
breve. Para todos: muita saúde!
Para que o médico responda na Justiça, é necessário
provar que ele teve culpa
Os juízes têm entendido que a responsabilidade civil do
médico é subjetiva
Direitos assegurados Desde terça-feira, dia 13 de abril, entrou
em vigor o novo Código de Ética Médica. O documento
é bastante abrangente tratando, principalmente, dos direitos dos
médicos e pacientes, da responsabilidade e sigilo profissional,
da relação com os pacientes e familiares, da doação
e transplantes de órgãos, dos documentos, ensino e pesquisa
médica.
Muitos pontos do novo texto legal geram direitos para os pacientes.
Confira-se os mais importantes:
Compromisso “O médico não pode abandonar um paciente
que esteja sob seus cuidados, a menos que lhe comunique previamente, assegurando-se
da continuidade dos cuidados e fornecendo todas as informações
necessárias ao profissional que lhe suceder”.
Autorização prévia “Antes de realizar quaisquer
procedimentos no paciente que não esteja correndo risco de morte,
o médico deve obter seu consentimento ou de seu representante legal
e sempre fornecer todas as informações sobre riscos e consequências
da intervenção”.
A regra é clara “É proibido ao médico deixar de
comparecer a plantão em horário preestabelecido ou abandoná-lo
sem a presença de substituto, salvo por justo impedimento.
Caso não haja médico plantonista substituto no local,
a direção técnica do estabelecimento de saúde
deve providenciar imediatamente a substituição”.
Simples assim “Receitas, prontuários, atestados e laudos médicos
devem ser claros e legíveis”.
Prescrição “O médico não pode receitar
sem ver e examinar pessoalmente o paciente, salvo os casos de emergência”.
Substituto “Se o médico sair de férias ou se ausentar
por qualquer outro motivo, mesmo que temporariamente, deve deixar outro
médico encarregado do atendimento de todos os seus pacientes internados
ou em estado grave”.
O descumprimento dos deveres dos médicos perante seus pacientes
gera o dever de indenizar os prejuízos causados.
O Projeto Exigir e Existir está a sua disposição
para esclarecer dúvidas, auxiliar no que diz respeito a seus direitos
de consumidor e, até mesmo, tomar medidas judiciais cabíveis
no caso de você ter sido lesado. (Carolina Tupinambá
- Jornal do Brasil)
20.04 - Novo Cõdigo: Será que vai mudar algo?
A partir de 13 de abril de 2010, entra em vigor o sexto Código
de Ética Médica reconhecido no Brasil. Revisado após
mais 20 anos de vigência do Código anterior, ele traz novidades
como a previsão de cuidados paliativos, o reforço à
autonomia do paciente e regras para reprodução assistida
e a manipulação genética. Também prevê
a ampliação de seu alcance aos médicos em cargos de
gestão, pesquisa e ensino.
Outros temas que tiveram suas diretrizes revistas, atualizadas e ampliadas
se referem à publicidade médica, ao conflito de interesses,
à segunda opinião, à responsabilidade médica,
ao uso do placebo e à interação dos profissionais
com planos de financiamento, cartões de descontos ou consórcios.
Foram dois anos de trabalhos, coordenados pela Comissão Nacional
de Revisão do Código de Ética Médica, que contaram
com a participação ativa de diversas entidades. O objetivo
comum foi construir um atento aos avanços tecnológicos e
científicos, à autonomia e ao esclarecimento do paciente,
além de reconhecer claramente o processo de terminalidade da vida
humana.
No seu processo de formulação, além de serem consideradas
as mudanças sociais, jurídicas e científicas, os responsáveis
pelo trabalho também analisaram os códigos de ética
médica de outros países e consideraram elementos de jurisprudência,
posicionamentos que já integram pareceres, decisões e resoluções
da Justiça, das Comissões de Ética locais as resoluções
éticas do CFM e CRMs editadas desde 1988.
Isso sem contar com 2.677 contribuições enviadas por
médicos e entidades de todo o país. A democracia deu a tonica
do esforço, balizado pela grande participação da sociedade
e dos profissionais, e confirmada por meio de uma consulta online e por
três conferências nacionais sobre ética médica.
A principal dela foi a plenária da IV Conferência Nacional
de Ética Médica, realizada em São Paulo, no dia 29
de agosto de 2009.
Neste dia, cerca de 400 delegados, entre conselheiros federais e regionais
de Medicina, membros de sindicatos e sociedades de especialidades, além
de representantes de várias entidades médicas, aprovaram
as mudanças e colocaram fim a etapa de revisão. Ao final,
produziu-se um documento amplo e atento ao exercício da Medicina
brasileira no século 21. O Código de Ética Médica
ora em vigor é composto por 25 princípios fundamentais do
exercício da Medicina, 10 normas diceológicas, 118 normas
deontológicas e quatro disposições gerais.
Atente para alguns detalhes curiosos no novo Código de
Ética Médica:
É direito do médico:
III - Apontar falhas em normas, contratos e práticas internas
das instituições em que trabalhe quando as julgar indignas
do exercício da profissão ou prejudiciais a si mesmo, ao
paciente ou a terceiros, devendo dirigir-se, nesses casos, aos órgãos
competentes e, obrigatoriamente, à comissão de ética
e ao Conselho Regional de Medicina de sua jurisdição.
V - Suspender suas atividades, individualmente ou coletivamente, quando
a instituição pública ou privada para a qual trabalhe
não oferecer condições adequadas para o exercício
profissional ou não o remunerar digna e justamente, ressalvadas
as situações de urgência e emergência, devendo
comunicar imediatamente sua decisão ao Conselho Regional de Medicina.
Será mesmo que quando confrontados contra os planos de saúde
ou mesmo hospitais que lhes remuneram irão tais profissionais insurgir-se
contra tais ?
Da mesma forma diz o Código:
Art. 4º Deixar de assumir a responsabilidade de qualquer ato profissional
que tenha praticado ou indicado, ainda que solicitado ou consentido pelo
paciente ou por seu representante legal.
Art. 6º Atribuir seus insucessos a terceiros e a circunstâncias
ocasionais, exceto nos casos em que isso possa ser devidamente comprovado.
Art. 10. Acumpliciar-se com os que exercem ilegalmente a Medicina ou
com profissionais ou instituições médicas nas quais
se pratiquem atos ilícitos.
Será mesmo o fim do corporativismo na classe ?Afinal quem vai
"dedar"quem ?
Art. 14. Praticar ou indicar atos médicos desnecessários
ou proibidos pela legislação vigente no País.
Art. 20. Permitir que interesses pecuniários, políticos,
religiosos ou de quaisquer outras ordens, do seu empregador ou superior
hierárquico ou do financiador público ou privado da assistência
à saúde interfiram na escolha dos melhores meios de prevenção,
diagnóstico ou tratamento disponíveis e cientificamente reconhecidos
no interesse da saúde do paciente ou da sociedade.
Será o fim dos exames desnecessários que remuneram os
médicos com gratificaçoes dos laboratórios ou mesmo
dos hospitais onde laboram ?
Art. 25. Deixar de denunciar prática de tortura ou de procedimentos
degradantes, desumanos ou cruéis, praticá-las, bem como ser
conivente com quem as realize ou fornecer meios, instrumentos, substâncias
ou conhecimentos que as facilitem.
Art. 33. Deixar de atender paciente que procure seus cuidados profissionais
em casos de urgência ou emergência, quando não haja
outro médico ou serviço médico em condições
de fazê-lo.
Já tentou ser atendido sem plano de saúde em hospital
privado com caso de extrema urgência ? É o médico que
lhe recepciona na porta ? Certamente os hospitais irão mudar a emergência
para o 2 andar e pronto. Resolve-se esse problema com as recepcionistas,
ora.
Art. 59. Oferecer ou aceitar remuneração ou vantagens
por paciente encaminhado ou recebido, bem como por atendimentos não
prestados.
Você já assinou a folhinha do plano e teve como resposta
que o médico adequado não era ele ? Pois é. Nem precisa
de código para isso não é ?
Art. 68. Exercer a profissão com interação ou
dependência de farmácia, indústria farmacêutica,
óptica ou qualquer organização destinada à
fabricação, manipulação, promoção
ou comercialização de produtos de prescrição
médica, qualquer que seja sua natureza.
Art. 69. Exercer simultaneamente a Medicina e a Farmácia ou
obter vantagem pelo encaminhamento de procedimentos, pela comercialização
de medicamentos, órteses, próteses ou implantes de qualquer
natureza, cuja compra decorra de influência direta em virtude de
sua atividade profissional.
Será o fim das comissões ocultas? Aliás, como
se fará prova desse procedimento? Interceptação telefônica
? Claro que não. Certamente a bola de cristal ou a secretária
do médico são os unicos meios de prova... (Fábio
Castelo Branco - Portal Abril)
20.04 - O Código de Ética Médica e a Saúde
Pública
Entrou em vigor, a partir de 13 de abril de 2010, novo Código
de Ética Médica. O fato ensejou uma série de notícias
que causaram uma expectativa equivocada na população.
O caos que caracteriza os serviços de saúde pública
no Brasil dispensa provas. É fato público e notório.
A própria mídia, que trata o novo Código como fator
de mudança na saúde pública, noticia, diariamente,
omissão, desrespeito, irresponsabilidade, corrupção,
crime, enfim, o caos reinante nesses serviços.
Isso já seria suficiente para se concluir que o Código
de Ética Médica não vai resolver absolutamente nada.
Poderá, ao contrário, agravar o caos, se os médicos
passarem a respeitar normas de conduta que sempre violaram para não
deixar os pacientes totalmente desassistidos.
Se os médicos estiverem decididos a cumprir os itens IV e V
dos Direitos do Médico, constantes do seu Código de Ética,
serão raras as unidades de serviço público de saúde
que restarão abertas. Dizem essas normas que é direito do
médico:
IV - Recusar-se a exercer sua profissão em instituição
pública ou privada onde as condições de trabalho não
sejam dignas ou possam prejudicar a própria saúde ou a do
paciente, bem como a dos demais profissionais. Nesse caso, comunicará
imediatamente sua decisão à comissão de ética
e ao Conselho Regional de Medicina; e
V - Suspender suas atividades, individualmente ou coletivamente, quando
a instituição pública ou privada para a qual trabalhe
não oferecer condições adequadas para o exercício
profissional ou não o remunerar digna e justamente, ressalvadas
as situações de urgência e emergência, devendo
comunicar imediatamente sua decisão ao Conselho Regional de Medicina.
O confronto entre a leitura dessas normas e a realidade dispensa comentários.
Dois pontos que despertaram o interesse da mídia e foram ressaltados
como avanço nem precisavam estar no Código de Ética
Médica, pois dizem respeito a questões elementares de urbanidade,
educação e cidadania: a obrigação do médico
tratar com respeito os pacientes e de escrever com clareza suas receitas.
Tratar com educação e respeito as pessoas não é
dever apenas do médico. E a cidadania assegurada pela Constituição
já contém normas que supõem essa obrigação.
A norma mais importante - que certamente não será aceita
pelos pacientes e seus acompanhantes aflitos -, diz respeito, não
aos médicos, mas às condições das quais o médico
precisa para atender aos pacientes.
Os doentes e seus acompanhantes deveriam usar seus direitos de cidadania
para exigir respeito, quando desrespeitados, e clareza na grafia das receitas,
quando fornecidas em taquigrafia, hieróglifos, criptografia ou psicografadas
em traços e sinais incompreensíveis de linguagens alienígenas.
Para isso não precisam do Código de Ética Médica.
Nem os médicos precisam disso para respeitar os outros, porque para
eles vige também a Constituição Federal. Ademais,
exercem a profissão porque foram avaliados em textos escritos com
caligrafia legível e conceitos morais. Valores esses que, somados
à sensibilidade humana, à responsabilidade pessoal, ao compromisso
hipocrático, os fazem violar o Código de Ética, para
atender pacientes que os procuram em seus plantões, diante das circunstâncias
adversas que lhes são oferecidas, assumindo riscos de variada natureza.
É quase impossível fazer com que doentes e acompanhantes
aceitem, na hora da aflição e do desespero, a omissão
do médico, por falta de condições de atendimento.
Enquanto o Poder Público não oferecer condições
mínimas para atendimento médico decente na rede pública,
nenhum Código de Ética contribuirá para melhorar esse
serviço. Enquanto o salário do médico no serviço
público não for compatível com o exercício
de sua profissão, ele viverá o estresse dos vários
contratos que precisa manter para suprir suas necessidades financeiras
e econômicas.
Quanto às garatujas no receituário, nem seria necessário
reforço caligráfico para os médicos. Bastaria que
os hospitais, as clínicas, os serviços de atendimento médico
públicos dispusessem daquilo que bodegas mais simples já
usam há bastante tempo, que são um simples computador e uma
impressora.
Diz a Constituição Federal (artigo 196) que “A saúde
é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas
sociais e econômicas que visem à redução do
risco de doença, e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário
às ações e serviços para sua promoção,
proteção e recuperação.”
No artigo 197 a Constituição Federal prevê que
as ações e serviços de saúde podem ser feitos
através de terceiros, inclusive pessoa jurídica de direito
privado. Isso remete ao SUS e aos Planos de Saúde, que pagam valores
incompatíveis para inúmeros procedimentos médicos.
Mas essa é outra questão.
No artigo 198, o Constituinte, em nome do povo, inseriu na Constituição,
por seus Constituintes, que “As ações e serviços públicos
de saúde integram uma rede regionalizada e hierarquizada e constituem
um sistema único, organizado de acordo com as seguintes diretrizes:
I - descentralização, com direção única
em cada esfera de governo; II - atendimento integral, com prioridade para
as atividades preventivas, sem prejuízo dos serviços assistenciais;
III - participação da comunidade.”
Assim, ainda que desconheça o conceito pleno de cidadania, o
cidadão não pode ter dúvida quanto à responsabilidade
da comunidade nas ações e serviços públicos
de saúde.
Que não se transfira, portanto, para os médicos, a ira
dos insatisfeitos com o calamitoso serviço de saúde que o
Poder Público (não) presta à população
no Brasil. (Carlos Nina e Enide Nina - O Estado do Maranhão
19.04 - O médico e seu compromisso com a sociedade
As principais atualizações do novo Código de Ética
Médica (CEM), que acaba de entrar em vigor, dizem respeito ao aumento
da autonomia dos pacientes, alertam aos médicos para os conflitos
de interesse e à incorporação de responsabilidades
médicas às novas técnicas em saúde e suas repercussões
éticas.
De acordo com o presidente do Conselho Regional de Medicina do Paraná
(CRMPR), Miguel Ibraim Abboud Hanna Sobrinho, o código anterior,
implantado há 22 anos, exigia uma série de mudanças,
não apenas devido à modernização da Medicina,
mas também pela evolução das ciências da saúde.
Além disso, buscou-se adaptar o Código às recentes
resoluções do Conselho Federal de Medicina (CFM) e à
legislação vigente no País.
O Código de Ética tem como preceito normatizar os direitos
e deveres dos médicos, descrevendo situações legais
e prescrevendo condutas tipificadas, passíveis de punição.
"Nesse novo código pudemos verificar algumas mudanças
sensíveis no que diz respeito aos fundamentos que norteiam a profissão",
explica o Corregedor Geral do CRMPR, Alexandre Gustavo Bley.
Ele afirma que a abrangência das disposições foi
estendida, pois não somente o médico no exercício
de sua profissão estará sujeito às novas normas, mas
também os profissionais nas atividades de docência, pesquisa
e administração em saúde, além das organizações
de prestação de serviços médicos.
Relação médico-médico
A normativa aborda especialmente a autonomia do paciente, destacando
o direito à informação sobre a própria saúde
e às decisões sobre o tratamento, tomadas sempre em parceria
com o médico.
De acordo com Miguel Ibraim, o novo código é uma vitória
da sociedade, pois mantém os seculares princípios hipocráticos
e avança na valorização da autonomia, inclusive da
criança. "Ao propormos um código de condutas, revelamos às
pessoas o compromisso que assumimos com a sociedade", reconhece.
Para o vice-presidente do CRMPR, Carlos Roberto Goytacaz Rocha, o capítulo
que trata dessa questão é muito importante, já que
destaca a relação médico-médico. "O fato de
o profissional ter respeito para com seu colega, não o exime de
denunciar atos que contrariem os postulados éticos da profissão
e que possam agredir os direitos já conquistados na luta pela cidadania
e o respeito à dignidade humana", ressalta.
Pressão no atendimento
O documento também realça a importância dos cuidados
paliativos - técnicas que visam tratar pacientes com doenças
incuráveis ou em estado terminal. Entre as recomendações
do documento estão as de que os médicos não devem
se submeter à pressão de hospitais, clínicas ou planos
de saúde para atender maior número de pacientes por jornada
e nem podem vender medicamentos ou ganhar comissão da indústria
por produtos que recomendar.
O novo código de ética não vai proibir que os
médicos recebam brindes ou viajem com despesas pessoais bancadas
pela indústria farmacêutica, mas determinará que eles
revelem esse conflito de interesse antes de apresentações
em congressos, por exemplo, e em publicações científicas.
Em palestras e trabalhos científicos, os profissionais precisam
deixar claro quando são patrocinados.
Outra mudança é a proibição de criar embriões
para pesquisa e a escolha do sexo do bebê nas clínicas de
reprodução assistida. O novo CEM veta a participação
de médicos em consórcios para realização de
procedimentos, como cirurgias plásticas, entre outras. Eles também
estão proibidos de obter vantagens financeiras pela comercialização
de medicamentos, órteses e próteses.
Atualização necessária
A decisão de atualizar o Código de Ética Médica,
aprovado em 1988 (Resolução CFM n.º 1.246), ocorreu
durante o II Encontro Nacional dos Conselhos de Medicina de 2007.
Desde então, foram criadas as comissões nacional e estaduais
de revisão do Código. Em dois anos de debates, foram analisadas
2.677 sugestões ao texto, e promovidas três conferências,
tornando o processo democrático.
Nos mais de 20 anos de vigência do atual CEM, várias novidades
da ciência foram disponibilizadas na prática médica,
bem como nas relações do exercício da profissão.
"Isso tudo foi incluído nessa atualização, que
nos ajudará a delimitar questões relativas ao conflito de
interesses com a indústria, dizendo até que ponto o médico
poderá chegar, à terminalidade da vida, mencionando os cuidados
paliativos, e aos abusos da tecnologia", analisa o presidente do CRMPR.
O documento pode ser acessado na íntegra no site www.portalmedico.org.br.
Abrangência e principais mudanças
* Estará sujeito às novas normas não somente o
médico no exercício de sua profissão, mas também
aqueles em atividades de docência, pesquisa e administração
em saúde, além das organizações de prestação
de serviços médicos.
* O Código aborda especialmente a autonomia do paciente, destacando
o direito à informação sobre a própria saúde
e às decisões sobre o tratamento, tomadas sempre em parceria
com o médico.
* Ressalta a importância dos cuidados paliativos - técnicas
que visam tratar pacientes com doenças incuráveis ou em estado
terminal.
* Recomenda que os médicos não devem se submeter à
pressão de hospitais e clínicas para atender maior número
de pacientes por jornada e nem podem vender medicamentos ou ganhar comissão
da indústria por produtos que recomendar.
* Não proíbe que médicos recebam brindes ou viajem
bancados pela indústria farmacêutica, mas determinará
que eles revelem esse conflito de interesse antes de apresentações
em congressos, por exemplo, e em publicações científicas.
* Outra mudança é a proibição de criar
embriões para pesquisa e a escolha do sexo do bebê nas clínicas
de reprodução assistida.
* O novo código veta a participação de médicos
em consórcios para realização de procedimentos, como
cirurgias plásticas. Eles também estão proibidos de
obter vantagens financeiras pela comercialização de medicamentos,
órteses e próteses. (Paraná Online)
19.04 - Crescem as queixas contra tratamentos ortodônticos
Aparelho dentário é vice-campeão de denúncias
no ranking do conselho de classe
Excesso de correções mal sucedidas leva mais pessoas
a repetir procedimento; especialistas apontam problemas de formação
Quando tinha sete anos, Bruna Arkalji começou um tratamento
ortodôntico. Ficou com o sorriso alinhado e teve alta. Mas foi só
tirar o aparelho que os dentes voltaram a entortar. Procurou outro ortodontista,
a história se repetiu. E de novo.
"Passei por três dentistas e, ao todo, usei aparelho por quase
18 anos, de todos os tipos: fixo, removível, estético", conta
a empresária, hoje com 30 anos. Para corrigir o sorriso e se livrar
de dores na mandíbula, ela recorreu a um cirurgião, que lhe
indicou mais um especialista. Bruna só conseguiu solucionar a questão
com o novo tratamento ortodôntico, dessa vez combinado à cirurgia.
A história de Bruna é desagradável, e cada vez
mais comum. "Está aumentando tremendamente o número de pacientes
que se submetem a tratamento ortodôntico e não obtêm
o resultado desejado", diz o ortodontista Kurt Faltin Júnior, membro
executivo da World Federation of Orthodontists. Ele afirma que 30% de seus
pacientes, hoje, são pessoas que já se submeteram ao uso
de aparelho nos dentes e não ficaram satisfeitas.
Faltin diz que os pedidos de retratamento ortodôntico aumentaram
muito nos últimos cinco anos. "A maior queixa é a questão
estética, mas há casos em que a pessoa nem consegue mastigar
direito", diz. A correção dos dentes fica mais difícil,
depois de já ter sido feito um tratamento errado.
No Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (Crosp), as
denúncias de erros com tratamentos ortodônticos só
perdem para os problemas com implantes, segundo o conselheiro Marco Antonio
Rocco. Ele ressalva, porém, que fatores como mudanças fisiológicas
e envelhecimento podem obrigar a pessoa a repetir um tratamento, mesmo
que tudo tenha sido feito corretamente na primeira vez.
Proliferação de cursos
Para o presidente da Associação Brasileira de Ortodontia
e Ortopedia Facial (Abor), Ronaldo da Veiga Jardim, grande parte dos problemas
é decorrência da má formação profissional.
Segundo ele, há uma proliferação de cursos de ortodontia,
mas a maioria tem carga horária insuficiente e não oferece
treinamento adequado. "Nos Estados Unidos há atualmente 65 cursos
de especialização em ortodontia, no Brasil são mais
de 500, sendo que apenas 22 têm mais de 2.000 horas-aula", compara.
A World Federation of Orthodontists recomenda 3.000 horas de curso.
No Brasil, uma resolução do Ministério da Educação
exige apenas 360 horas de aula para a especialização. "Além
de não ter a carga horária necessária, muitos dos
cursos aqui não oferecem programa completo, e falta ainda o atendimento
clínico necessário para o profissional adquirir os conhecimentos
básicos", afirma Faltin.
A preocupação com o aumento de problemas envolvendo tratamentos
ortodônticos levou a Abor a promover uma campanha, com distribuição
de panfletos em shoppings das principais capitais do país, alertando
o público sobre o fato de o uso de aparelhos ir além da questão
estética. Mais do que um sorriso bonito, o tratamento deve garantir
boa mastigação e oclusão dos dentes e resultar em
harmonia facial.
"O que nos motivou foi o excesso de tratamentos mal executados e de
gente fazendo retratamentos. O tratamento errado pode provocar alterações
musculares na face, perda de dentes e até dores de cabeça
por sobrecarga nas articulações", alerta Jardim.
O paciente pode consultar o Crosp (www.crosp.org.br) para conferir
se o dentista é especialista em ortodontia ou ortopedia facial.
É bom checar se ele participa de entidade de classe. (IRENE
RUBERTI - Folha de S.Paulo)
16.04 - Envelhecimento da população paulista
São Paulo - Estudo elaborado pela Fundação Seade
com base em suas projeções demográficas, mostra que
estão em curso profundas transformações na estrutura
etária da população de São Paulo.
Se em 1950, a base da pirâmide demográfica do Estado de
São Paulo, formada pelo grupo etário de zero a quatro anos,
correspondia à parcela de maior participação relativa
no total da população, no ano 2000, o traçado dessa
figura já apresentava alterações, com o estreitamento
da base da pirâmide e o alargamento das faixas etárias mais
avançadas. As projeções para 2050 indicam inversão
na figura da pirâmide tradicional, em que a base tornou-se mais estreita
do que o topo.
Esses três momentos da demografia paulista mostram a trajetória
do processo de envelhecimento e o novo retrato da população,
em que a idade mediana, que era de 20,8 anos, em 1950, passou para 27,5
anos, em 2000, e possivelmente alcançará 45,3 anos, em 2050.
Isso significa que, se hoje a metade da população paulista
tem menos de 32 anos, daqui a 40 anos terá mais de 45 anos.
Esse panorama interfere em todas as dimensões da vida e terá
grande impacto nas demandas de todos os setores da sociedade, como aquelas
relacionadas a educação, saúde, previdência
social, etc.
Outro aspecto do estudo aborda a razão de dependência,
que corresponde ao quociente entre a população em idade inativa
e aquela em idade potencialmente ativa. Convencionou-se que são
considerados inativos os efetivos com menos de 15 anos e com 60 anos e
mais, enquanto a população potencialmente produtiva engloba
as pessoas de 15 a 59 anos.
Esse indicador mostra quantas pessoas inativas um indivíduo
em idade ativa deve suportar. Quanto menor seu valor, menores devem ser
as transferências das pessoas ativas para a manutenção
das inativas. Desde 1960, esse indicador vem se retraindo e deve atingir
seu ponto mínimo (51,4%) em 2010, permanecendo em patamar inferior
a 60% até 2030, para então voltar ao nível de 1960
e alcançar quase 77% em 2050.
Isso significa que a população paulista passa por um
período singular durante o processo de transição demográfica,
denominado "janela demográfica de oportunidades" ou "bônus
demográfico", por refletir uma conjuntura demográfica favorável
ao processo de desenvolvimento socioeconômico. As pressões
determinadas pelas necessidades dos segmentos inativos da população
seriam relativamente menores e haveria, portanto, mais fôlego na
sociedade para investimentos visando o desenvolvimento e a adaptação
à nova realidade demográfica que começa a se delinear.
(Jornal do Commercio-Brasil)
16.04 - OdontoPrev: Política proativa de distribuição
de resultados
A OdontoPrev adotou uma política proativa de distribuição
de resultados. Neste primeiro semestre, cerca de R$ 435 milhões
serão desembolsados aos acionistas da companhia. Em fevereiro, foram
distribuídos R$ 72 milhões em dividendos, relativos a 2009.
Neste mês de abril, os acionistas receberão R$ 115 milhões
em redução de capital, e outros R$ 248 milhões serão
pagos no semestre, cumpridos os requisitos da assembleia de 25 de março
último. “Trata-se de um fluxo de remuneração significativo,
apenas três anos após a emissão primária de
R$ 171 milhões no Novo Mercado da BM&FBovespa, em dezembro de
2006. Para cada R$ 1,00 investido, o acionista OdontoPrev tem hoje cerca
de R$ 2,50, claramente um dos IPO de maior sucesso no mercado de capitais
brasileiro nos último anos”, declara o diretor de Relações
com Investidores da OdontoPrev, José Roberto Pacheco. A OdontoPrev
também aprovou o aumento do payout (percentual mínimo de
distribuição de dividendos) de 25% para 50%, a partir do
exercício de 2010. Durante o primeiro trimestre de 2010, a negociação
de ações da OdontoPrev cresceu 347% em relação
ao mesmo trimestre de 2009, atingindo um patamar médio de R$ 6 milhões
por dia na BM&FBovespa. A empresa conta com acionistas em 15 países,
concede 100% de direitos de tag-along e é acompanhada por 14 analistas
de investimento. A OdontoPrev oferece planos odontológicos da América
Latina e conta com cerca de 4,2 milhões de associados que se beneficiam
de diferentes soluções de saúde bucal. (Fenaseg)
16.04 - Código de Ética Médica: Paciente não
é consumidor
A Medicina não deve ser tolerada como comércio, nem o
paciente pode ser considerado consumidor e a saúde tampouco deve
ser vista como produto. As afirmações são do CFM (Conselho
Federal de Medicina) e constam no novo Código de Ética Médica,
que entrou em vigor na última terça-feira (13).
Embora a diferenciação entre as práticas médica
e comercial tenha sido ressaltada pelo Conselho, a sexta atualização
do Código também é comemorada pelos órgãos
de defesa do consumidor. Para eles, a nova edição do Código
não exclui a relação de consumo existente entre médico
e paciente.
“O Código de Defesa do Consumidor (CDC) é constitucional
e consolidado e a Resolução do Conselho não tem como
revogar o que está nessa lei”, ressalta o diretor de atendimento
da Fundação Procon-SP, Robson Campos. A advogada do Idec
(Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), Daniela Trettel, concorda:
“o CDC é aplicável à relação médico
e paciente”.
Para a coordenadora institucional da Pro Teste – Associação
dos Consumidores, Maria Inês Dolci, o novo código reforça
a transparência na relação entre médico e paciente
e garante o direito à informação do último.
“O objetivo maior dessa atualização é a melhora dessa
relação”, comenta. “Ele representa um grande avanço”,
ressalta.
Comércio versus Medicina
A prática médica como comércio é repudiada
pelos órgãos que regem o exercício da profissão.
Entre os novos artigos que agora compõem o código, alguns
reforçam essa percepção. E embora defendam que exista
uma relação de consumo dentro da atividade, os órgãos
de defesa do consumidor também reiteram que a saúde não
deve ser considerada como uma prática comercial.
“O Idec sempre foi contrário à mercantilização
dessa relação e defende que questões éticas
devem ser consideradas primordialmente”, afirma Daniela. Para Campos, do
Procon, cada caso deve ser analisado com cuidado, mas a responsabilidade
do médico como prestador de serviços não deve ser
deixada de lado. “Se pegarmos o conceito de fornecedor preconizado no CDC
veremos que o médico entra na lista, como profissional liberal que
é”, diz.
Pelo Código, “fornecedor é toda pessoa física
e jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira,
bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção,
montagem, criação, construção, transformação,
importação, exportação, distribuição
ou comercialização de produtos ou prestação
de serviços”. “Só nisso, já se elimina qualquer tipo
de dúvida”, ressalta Campos.
Ele diz que riscos estão atrelados à atividade médica
e muitos até são previsíveis, como por exemplo um
tratamento qualquer feito em um paciente. Dependendo da doença e
do próprio enfermo, não existem garantias de resultados positivos,
pois há aí muitas variáveis. Porém, existem
casos em que há imprudência, negligência e imperícia
no atendimento. Quando isso acontece, o CDC é aplicável.
“Produtos e serviços não podem acarretar riscos e danos à
saúde dos consumidores”, ressalta Campos. Ele cita como exemplo,
casos em que nem todos os procedimentos necessários para determinado
atendimento são feitos.
Campos explica, no entanto, que os direitos dos consumidores se aplicam
quando existe a verificação da culpa, ou seja, essa negligência,
imperícia e imprudência deve ser provada.
Médico versus comércio
Para que a ideia de que a saúde não é um produto
permaneça clara, alguns artigos do novo Código de Ética
Médica reforçam a distância do médico com o
comércio. Um deles dita que os profissionais não devem ter
qualquer tipo de relação com estabelecimentos comerciais
da área da saúde, como farmácias.
Para Maria Inês, da Pro Teste, esse é um ponto positivo
e reforça as proibições já existentes em outras
legislações. “Se o profissional está ligado ao comércio,
ele acaba induzindo o consumidor a comprar determinados produtos”, explica.
Com o novo artigo, essa prática fica proibida.
Outro ponto reforçado pelo novo código é aquele
que afirma que os médicos não podem estar vinculados a cartões
de descontos e consórcios, principalmente aqueles que atuam na área
de cirurgia plástica. “Essa decisão corrobora com o que já
está sendo proibido”, ressalta Maria Inês.
Para a coordenadora da Pro Teste, todas essas mudanças reforçam
o direito do paciente à informação. Porém,
para ela, ainda há muito o que ser visto e revisto. "Já é
uma iniciativa, que abre possibilidades, mas a discussão não
se esgota aí", ressalta.
Informações claras também são defendidas
por Campos. O novo Código também determina que a letra do
médico em atestados e receitas deve ser legível e que o paciente
tem direito a ter acesso ao seu prontuário médico. “A informação
é um direito básico do consumidor e também está
previsto no CDC”, reforça Campos.
De maneira geral, os órgãos de defesa do consumidor consideraram
positivas os artigos que atualizam o Código de Ética. “Eles
refletem grandes avanços e contemplam questões que são
necessárias aos consumidores”, analisa Campos.
Novo Código
De acordo com o CFM, a atualização do Código começou
a ser discutida em novembro de 2007. Dessa discussão participaram
médicos e entidades organizadas da sociedade por meio de propostas
encaminhadas ao conselho. Ao todo, foram 2.677 contribuições.
Entre as principais mudanças, o conselho destaca a autonomia
do paciente, sendo que o médico aceitará as escolhas dele
nos casos de procedimentos diagnósticos e terapêuticos. Além
disso, a atualização toca, pela primeira vez, no tema da
terapia genética. Fica proibido criar embriões com finalidades
de escolha do sexo da criança.
A atualização também prevê que o paciente
tem direito a uma segunda opinião médica. Assim, o médico
não pode desrespeitar o tratamento e prescrição de
medicamentos adotados por outro profissional. Além disso, o novo
código também reforça que o médico deve divulgar,
se houver, as relações que têm com fornecedores, indústria,
medicamentos e outros quando publicar estudos ou artigos científicos.
A partir de agora, também, a prescrição de medicamentos
por meio de telefone ou internet, sem que o profissional tenha visto o
paciente, fica proibida. (Camila F. de Mendonça - InfoMoney)
15.04 - Estados: Ampliação de UTIs
Serão 471 novos leitos, e ainda a medida aumenta o repasse de
recursos para 52 leitos já existentes
O SUS vai contar com a ampliação de leitos de Unidade
de Terapia Intensiva (UTI) por meio do reforço de R$ 70,3 milhões
liberados pelo Ministério da Saúde. Serão 471 novos
leitos, e ainda a medida aumenta o repasse de recursos para 52 leitos já
existentes, beneficiando diretamente 63 hospitais e a população
de 11 estados (Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte, Goiás,
Distrito Federal, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio
de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais).
Segundo dados do Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde
(CNES), atualmente o SUS conta com mais de 16,8 mil leitos de UTI. Na rede
particular, são mais 10,2 mil, totalizando 27,1 mil unidades.
O Ministério da Saúde ainda prevê investimentos
de R$ 270 milhões em 2010. O foco principal é o enfrentamento
da segunda onda da gripe A (H1N1) e também o cumprimento de ações
que estão firmadas no Pacto pela Redução da Mortalidade
Infantil na região Nordeste e Amazônia Legal. (Saúde
Business Web)
15.04 - A atenção domiciliar e sua inserção
no cenário atual
Em artigo, o presidente do Nead, Andre Minchillo fala dos grandes avanços
na área de inclusão social
Em 1950, a Organização Mundial da Saúde estabeleceu
a data de 7 de abril para comemorar o Dia Mundial da Saúde. Desde
então, a cada ano são idealizadas ações que
visam chamar a atenção da população mundial
para a qualidade de vida. Para este ano, o tema escolhido foi "1000 Cidades,
1000 Dias", que evoca a discussão dos efeitos da urbanização
desenfreada para a saúde das populações e se justifica
pelo fato de que nos próximos anos haverá em todo o planeta,
grande concentração populacional em áreas urbana.
Temos aqui nossa primeira pergunta: Qual o perfil desta polulação?
Em seu último levantamento, o IBGE divulgou dados sobre o perfil
populacional brasileiro, demonstrando as mudanças na pirâmide
etária, com o incremento da expectativa de vida e diminuição
da mortalidade infantil, fatos estes amplamente conhecidos. Como conseqüência,
o perfil dos diagnósticos de atendimentos médicos hospitalares
e as causas de morte estão se alterando de forma significativa,
acompanhando a prevalência de doenças por sexo e idade. Ressalta-se
o alto grau de comprometimento de nossos cidadãos com doenças
crônicas - dados de 2003 indicam que aproximadamente um terço
da população brasileira apresenta-se com pelo menos um diagnóstico
como diabetes, hipertensão ou reumatismo entre outros. Esta mesma
pesquisa indica que o percentual de pessoas com mais de 60 anos de idade,
com acessos a planos privados de saúde, não passa dos 30%.
Com grandes avanços na área de inclusão social,
voltamos nossos olhares sobre outro dado importante. Aproximadamente 25
milhões de brasileiros apresentam algum tipo de deficiência.
Deste total, mais de oito milhões são portadores de deficiências
físicas ou motoras, incapacitantes ou não, mas que requerem
cuidados especiais. Este grupo tende a crescer em conseqüência
da violência urbana e acidentes de trânsito.
Em janeiro deste ano, a normativa RN n° 211 da Agência Nacional
de Saúde, atualiza no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde,
a cobertura mínima obrigatória oferecida pelas operadoras
de planos de saúde a todos aqueles que possuem contratos celebrados
a partir de janeiro de 1999 - data de entrada em vigor a Lei nº 9.656/98,
que regulamenta o setor de saúde suplementar.
Diz o Capítulo I, Art. 13. Caso a operadora ofereça a
internação domiciliar em substituição à
internação hospitalar, com ou sem previsão contratual,
deverá obedecer às exigências previstas nos normativos
vigentes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária-
ANVISA e nas alíneas "c", "d" e "e" do inciso II do artigo 12 da
Lei Nº 9.656, de 1998.
: Parágrafo único. Nos casos em que a assistência
domiciliar não se dê em substituição à
internação hospitalar, esta deverá obedecer à
previsão contratual ou à negociação entre as
partes
Diz a lei 9.656 em seu Art. 12. São facultadas a oferta,
a contratação e a vigência dos produtos de que tratam
o inciso I e o § 1o do art. 1o desta Lei, nas segmentações
previstas nos incisos I a IV deste artigo, respeitadas as respectivas amplitudes
de cobertura definidas no plano-referência de que trata o art. 10,
segundo as seguintes exigências mínimas::
II - quando incluir internação hospitalar:
c) cobertura de despesas referentes a honorários médicos,
serviços gerais de enfermagem e alimentação;
d) cobertura de exames complementares indispensáveis para o
controle da evolução da doença e elucidação
diagnóstica, fornecimento de medicamentos, anestésicos, gases
medicinais, transfusões e sessões de quimioterapia e radioterapia,
conforme prescrição do médico assistente, realizados
ou ministrados durante o período de internação hospitalar;
e) cobertura de toda e qualquer taxa, incluindo materiais utilizados,
assim como da remoção do paciente, comprovadamente necessária,
para outro estabelecimento hospitalar, dentro dos limites de abrangência
geográfica previstos no contrato, em território brasileiro;
Como tornar economicamente viável para os financiadores de serviços
é nossa segunda pergunta.
Em 2010, no dia 07 de abril, dia Mundial da Saúde, uma revista
de grande circulação nacional - Isto É, traz em sua
matéria de capa o tema "O custo de viver - um mergulho nos altos
preços da saúde no Brasil". Esta reportagem aborda os custos
dos diferentes níveis de atendimento à saúde, bem
como propõe alguns fatores que contribuem para o incremente dos
valores pagos pelo consumidor final para ter acesso aos recursos assistenciais.
O atendimento domiciliar é citado nesta reportagem, bem como alguns
valores de referência estão lado a lado com itens considerados
caros pela reportagem.
Temos a convicção do princípio que a Atenção
Domiciliar, em todas as suas vertentes, já participa ativamente
do ciclo de cuidados integrados à saúde, atuando de forma
estruturada em todas as fases do acompanhamento aos pacientes.
Entretanto, grandes desafios se apresentam quando analisamos o conjunto
dos dados acima apresentados. Alguns dizem respeito a integrar o potencial
de abrangência da Atenção Domiciliar com os desafios
de se atuar em ambientes urbanos, que crescem de forma desorganizada e
desestruturada. Cidades inóspitas em termos de acessibilidade, que
estarão acolhendo de forma crescente esta população
com perfis variados de limitações. Alia-se a implantação
de domicílios em áreas de risco.
Saneamento básico, estabilidade de redes elétricas, locais
de lazer para a prática de atividades físicas, calçadas
e ruas pavimentada apropriadas para a livre circulação com
segurança e transporte público com quantidade e qualidade
apropriado para prover mobilidade aos munícipes, são alguns
dos itens que interferem em diversos processos operacionais do Home Care,
tornando-os mais ou menos efetivos e interferindo no custeio dos recursos
envolvidos no atendimento. Além de dificultarem ou impossibilitam
o cumprimento de normativas estabelecidas na RDC 11 da ANVISA.
A inclusão da Atenção Domiciliar no rol de procedimentos
é bem vinda. Cresce, portanto em importância o compromisso
de viabilizá-la sob do ponto de vista da excelência nos processos
gerenciais, para prestadores e compradores destes serviços, e de
como torná-la atrativa sob o aspecto de financiamento. A acurácia
dos critérios de elegibilidade para a correta indicação
de pacientes justifica o esforço do NEAD para aprimorar os instrumentos
de ranqueamento destes parâmetros. Sem os esclarecimentos devidos,
tende-se a incluir indicações de ordem social às indicações
advindas das necessidades eminentemente clínicas, o que descaracteriza
a prestação do atendimento médico. Para tanto, o ideal
é o correto esclarecimento para os formadores de opinião,
legisladores e gestores dos sistemas de saúde.
Como esclarecer que determinados exames ou procedimentos, inclusos
na alínea "d" desta resolução não estão
disponíveis para serem realizados em residências?
De outro lado, deve haver o entendimento, por parte dos planos de saúde
de que a excessiva burocratização que está sendo implantada
na relação prestador-financiador, cria custos para as empresas
que até então, por não existirem, não estavam
inclusos na formatação de preços. Um bom exemplo é
a crescente exigência de auditoria de prontuários, não
nas residências, mas nas sedes das empresas. O trabalho de logística
para a retirada e substituição deste documental alocado nas
casas em tempo hábil, agrega um percentual expressivo nos custos
operacionais, principalmente nos grandes centros urbanos. Talvez estejamos
na contramão, por não utilizarmos de forma mais abrangente
o prontuário eletrônico para esta finalidade.
É fundamental diferenciar o papel do Estado, das
operadoras, das empresas prestadoras e da sociedade em geral, para que
a Atenção Domiciliar possa continuar a cumprir seu importante
papel dentro do sistema de saúde em nosso País.
Os critérios já estabelecidos pela ANVISA, embora necessitem
de atualização, servem para diferenciar as boas prestadoras
daquelas que não estão preparadas para atuar. A busca incessante
pelo aprimoramento técnico-gerencial deve estar no centro do pensamento
empresarial. Preços altos não representam necessariamente
qualidade, mas desorganização e incorreta utilização
das boas práticas gerenciais e técnicas. Não exclusivo
de nosso segmento, estas empresas provavelmente não terão
vida longa.
A população está cada vez mais exigente em seus
direitos de consumidor. Precisamos esclarecê-la do que efetivamente
objetiva o atendimento e a internação domiciliar e o papel
da família dentro deste contexto.
O ideal é que se estabeleça confiança entre as
operadoras e seus prestadores, que deve ser amparada pela profissionalização
da gestão, pelo entendimento das dificuldades mútuas e busca
de soluções conjuntas para que atendam às necessidades
de ambas as partes. Quando, porque e como indicar um atendimento faz parte
deste constante aprendizado.
Para o Estado, desenvolver seu papel no provimento das necessidades
da população, sejam as diretamente relacionadas à
saúde ou aquelas que afetam a promoção e qualidade
de vida é fundamental, e para tanto é necessário estar
atento no apoio às necessidades sociais de todos nós
brasileiros, em todas as fases de nossas vidas.
O NEAD reforça seu apoio a todas as iniciativas que levem de
forma estruturada, informações para todos os setores de nossa
sociedade. Conjugar esforços se torna imprescindível para
alcançar nossos objetivos.
No dia Mundial da Saúde, com a reflexão sobre as cidades
e seus reflexos no bem estar físico, mental e social, fica a nossa
homenagem àqueles que estão procurando estabelecer, com esforço
e dedicação, um sistema de acolhimento em domicilio
aos milhares de pacientes que estão sendo amparados, aliando
ideais éticos e humanitários e contribuindo para uma melhor
organização dos aspectos de tecnicidade e gestão,
e colaborando para a sustentabilidade do setor. (Andre
Minchillo - Saúde Business Web)
15.04 - Novo código de ética médica
A partir de ontem entrou em vigor o sexto Código de Ética
Médica no Brasil, que já deve começar a ser discutido
nos bancos universitários, de acordo com o professor da Faculdade
de Medicina da USP, membro do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do
Estado de São Paulo) e que participou das discussões para
o novo código, Reinaldo Ayer de Oliveira.
“As faculdades de Medicina têm por obrigação divulgar
e discutir o código. Esse trabalho será feito mostrando os
avanços em relação ao código anterior, de 1988”,
explicou Oliveira, que disse que os conselhos de Medicina atuarão
para poder levar aos universitários as novas diretrizes.
O assunto ética médica é abordado de diversas
formas nas faculdades do Brasil. Em relação à USP,
ele afirmou que o aluno já é colocado frente às questões
logo no primeiro ano, o que vai progredindo até que, no quinto ano,
ele assume casos específicos com os professores. Em alguns cursos,
existem aulas direcionadas ao assunto.
Evolução da Medicina
De acordo com Oliveira, a revisão do código tem como
objetivo trazer a conduta ética mais próxima à evolução
da Medicina, que trouxe situações inusitadas. Na realidade,
o novo código tenta alinhar a conduta dos profissionais aos desafios
que surgem com os avanços científicos, tecnológicos
e as relações sociais.
O trabalho de revisão começou em 2007, levando cerca
de três anos para ser realizado. De acordo com Oliveira, alguns pontos
foram abordados de maneira muito generalista, o que significa que o código
avançou, mas a passos lentos.
“Mas também foi sábio abordar de forma geral porque existem
temas que estão em plena evolução”, afirmou o médico,
exemplificando com a cirurgia bariátrica, usada para emagrecimento
por meio da redução do estômago, que ainda gera divergências
em relação à sua aplicação.
Porém, nada impede que novas alterações sejam
feitas ao código, que pode receber ajustes por meio da publicação
de resoluções. “Grande parte das resoluções
editadas nos mais de 20 anos do antigo código foi incorporada a
esta resolução”, explicou. O CFM pretende rever o código
a cada cinco anos.
De acordo com o ministro da Saúde, José Gomes Temporão,
o novo código é um “divisor de águas” e está
“totalmente sintonizado” com os novos tempos e desafios relacionados à
medicina, já que trata inclusive da incorporação de
novas tecnologias na área. O ministro lembrou, segundo a Agência
Brasil, que a legislação reforça que o ser humano
precisa continuar sendo o centro das atenções e cuidados
médicos.
Na prática
Confira abaixo quais foram as principais mudanças em relação
ao Código de Ética Médica:
O médico deve aceitar as escolhas do paciente, desde que adequadas
ao caso e cientificamente reconhecidas;
Reforça o caráter antiético da dinastia, entendida
como o prolongamento artificial do processo de morte, com sofrimento do
paciente, sem perspectiva de cura ou melhora;
A terapia genética é mencionada pela primeira vez, sendo
que fica proibido criar embriões com finalidades de escolhas de
sexo ou eugenia e está permitida a terapia gênica, que envolve
a modificação genética de células somáticas
para o tratamento de doenças;
Em anúncios profissionais, é obrigatório incluir
o número de inscrição do CRM (Conselho Regional de
Medicina) e, quando forem de estabelecimentos de saúde, devem ter
o número de registro do diretor técnico;
Quando docente ou autor de publicações científicas,
o médico deve declarar relações com a indústria
de medicamentos, órteses, próteses, equipamento e outras
que possam configurar conflito de interesses, ainda que em potencial;
É vedado ao médico o atendimento de pacientes encaminhados
por empresas que anunciem ou comercializem planos de financiamento ou consórcios
para procedimentos médicos;
Proíbe a participação do médico em promoções
relacionadas com o fornecimento de cupons e cartões de desconto;
A responsabilidade do médico deve ser provada para que ele seja
penalizado, por ação ou omissão, caracterizável
como imperícia, imprudência ou negligência. É
o reconhecimento de que não se pode garantir cura ou resultados
específicos a ninguém;
O paciente tem direito a uma segunda opinião e de ser encaminhado
a outro médico, enquanto o profissional não pode desrespeitar
a prescrição ou o tratamento determinado por outro médico,
sendo exceção quando houver situação de indiscutível
benefício ao paciente, devendo comunicar o médico responsável.
(InfoMoney)
14.04 - Quem dá as cartas
A Confederação Nacional de Saúde, que congrega
os proprietários de estabelecimentos privados da saúde e
que contesta judicialmente o ressarcimento ao Sistema Único de Saúde,
apresentou suas demandas por mais isenções fiscais.
Os mesmos empresários que não querem devolver aos cofres
públicos as despesas com a assistência prestada a clientes
de planos de saúde pela rede SUS pretendem pagar menos impostos.
Chama atenção a oportunidade de apresentação
da proposta de reativação de políticas de saúde
baseadas em renúncia fiscal. As cartas foram jogadas às claras
e no momento certo. A exposição de motivos sobre o suposto
excesso de carga tributária setorial ocorreu no Congresso Nacional,
exatamente no inicio da corrida presidencial. Segundo a CNS, seria tudo
muito simples e unívoco: o alívio da carga fiscal diminui
preços, logo mais brasileiros poderiam consumir serviços
de saúde e medicamentos. Mas não foi esse o caminho trilhado
pelos países desenvolvidos. Por quê? Em primeiro lugar, existe
uma longa distância entre a intenção de fornecer consultas,
exames, internações e terapias mais baratas e o que se verifica
na prática. Se fosse fácil, seria de se esperar que os preços
de hospitais filantrópicos de ponta, como o Einstein, Sírio
e Libanês, Oswaldo Cruz protegidos por dispositivos tributários,
se tornassem acessíveis aos de menor renda. Tanto as mudanças
na estrutura demográfica e no perfil do processo saúde-doença
quanto as características singulares da inovação tecnológica
projetadas em determinados arranjos institucionais estimulam a elevação
dos preços.
A segunda ordem de motivos para a vigência de um ordenamento
distinto daquele apregoado pela CNS é a efetivação
de projetos nacionais para os sistemas de saúde. Estratificação,
discriminação e privilégios são antônimos
de coberturas abrangentes e qualidade de atenção. Portanto,
os incentivos às empresas, sem as devidas amarras à ampliação
de coberturas e melhoria das condições de saúde, resulta
no que assistimos diariamente: concentração do conhecimento
especializado e dos meios diagnósticos e terapêuticos em poucos
lugares e acessíveis a poucos.
Para reverter essa tendência, o caminho é outro. A fórmula,
45% de gastos públicos, 55% privados e 25% de cobertura de planos
de saúde, sobre a qual se estrutura o sistema de brasileiro, é
incompatível com a garantia do direito à saúde. Em
países com sistemas universais, como Inglaterra, França,
Canadá, os gastos estatais representam pelo menos 70% das despesas
com saúde.
Pesquisa do IBGE (“Um Panorama da Saúde no Brasil”) registra
avanços: muitos estão cadastrados no Programa de Saúde
da Família e a cobertura de mamografias aumentou. Desvela também
a permanência de imensas dificuldades.
As proporções relacionadas com as formas de pagamento
dos serviços utilizados (56% SUS; 26% planos de saúde e 18%
pagamento direto) questionam a apressada aritmética de vários
analistas e executores de políticas sociais. Não há
uma porta aberta de ingresso no SUS para 74% da população
sem vínculo com planos privados de saúde.
Se subtrairmos da soma da implantação de unidades públicas
de prontoatendimento, as deduções e isenções
fiscais e o repasse direto de recursos públicos para empresas privadas
de saúde, encontraremos como resultado um sistema fragmentado, distante
dos objetivos. A proposição da CNS, ao embutir a promessa
de ampliar o gasto privado com saúde, agravaria o problema.
Os denominados gastos catastróficos com saúde, aqueles
que penalizam os orçamentos domésticos, devem ser evitados,
exatamente para assegurar que o atendimento à saúde independa
das condições diretas de pagamento. Portanto, as cartas já
postas à mesa pressupõem que andaremos na contramão
dos sistemas universais, ampliando os gastos privados com saúde.
As possibilidades para virar ou pelo menos embaralhar o jogo dependem
de inúmeras circunstâncias, entre as quais a composição
das coalizões em torno das candidaturas presidenciais. Quem tem
maior renda, é saudável e está inserido profissionalmente
inclina-se à preservação e até expansão
da privatização.
Não foi à toa que Barack Obama valeu-se de articulações
com americanos desempregados, portadores de problemas crônicos e
graves, profissionais de saúde, parlamentares, juristas e empresários
preocupados com a elevação dos preços dos planos privados,
para levar adiante a reforma no seu país. (LIGIA BAHIA - O
Globo)
14.04 - Consulta: SUS ou particular? Ambos têm fila
Espera para se consultar com ortopedista, por exemplo, leva sete meses
tanto na rede pública quanto em alguns consultórios particulares
Plano de saúde nem sempre é garantia de atendimento rápido.
Quem pensa que a fila para consultas está apenas no Sistema Único
de Saúde (SUS) pode se surpreender com a espera em alguns consultórios
particulares. A reportagem entrou em contato com 27 consultórios
de Curitiba que atendem por convênio e constatou duas situações
bem diferentes: em alguns casos o atendimento pode ser rápido, já
no dia seguinte, mas em outros o usuário pode ter de esperar até
o final do ano para falar com o médico.
As especialidades consultadas estão entre as que registram maior
procura: cardiologia, endocrinologia, ortopedia e dermatologia. Essas áreas
são ainda mais requisitadas no Sul do Brasil, região onde
mais pessoas se declaram portadoras de doenças crônicas (35,8%),
de acordo com o recente Panorama da Saúde no Brasil, da Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), de 2008. Três entre
dez moradores da região Sul têm plano de saúde.
A espera para uma consulta médica com especialistas varia entre
os pacientes. Para a aposentada Rita Maria Wolf, por exemplo, consultar
pelo plano de saúde não difere muito do serviço público.
Ela explica que, além da demora para o agendamento, enfrenta dificuldade
na marcação de exames e liberação de guias
pelo convênio. Já o aposentado Paulo Joel Ferreira, que vivenciou
as duas realidades, sente falta da época em que trabalhava e tinha
plano de saúde. “Atendiam na hora, agora tenho que esperar até
três meses.”
Na rede pública há quem diz ter levado três anos
para conseguir uma consulta, como a empregada doméstica Maria Chalamai.
Ela precisava de atendimento junto a um especialista em tireóide.
“Às vezes eu prefiro pagar uma consulta do que esperar”, afirma.
Já a saída encontrada pela artesã Ivonete Domingues
Monteiro é madrugar no posto de saúde para conseguir um encaixe
na agenda, quando a necessidade é grande.
A dona de casa Elenize Ribeiro dos Santos tem plano de saúde
e sabe bem das vantagens. Já a mãe dela, Ana Ferreira dos
Santos, não é conveniada e teve de aguardar cinco meses pelo
atendimento com endocrinologista. “Não sei como há quem reclama
do plano de saúde, sempre fui bem atendida, vejo que minha mãe
espera muito mais que eu”, diz Elenize.
Três fatores principais contribuem para lotar as agendas dos
consultórios: a maior incidência de doenças crônicas,
o crescimento do número de usuários dos planos de saúde
e a baixa oferta de consultas por alguns médicos. O tempo médio
para uma consulta com dermatologista fica em 19 dias; com cardiologista,
em 29 dias; com endocrinologista, em 37 dias; e com ortopedista chega a
46 dias.
A espera é semelhante para quem optar em pagar pela consulta.
A reportagem constatou junto aos consultórios que a grande maioria
não dá prioridade ao cliente particular em detrimento do
conveniado. Apesar da demora, o tempo ainda é menor do que o registrado
na rede pública (leia mais nesta página).
A longa espera
Há consultórios que marcam o atendimento para o dia seguinte,
mas em outros só há data disponível para alguns meses
depois. Quem quiser uma consulta pelo plano de saúde com o ortopedista
Fernando Santos Laffitte, por exemplo, especialista em coluna, terá
de esperar até novembro. Para ele, os planos de saúde estão
atrofiados. “Saúde pública não existe e muita gente
migra e tenta pagar o plano.”
Laffitte atende pelo convênio na terça-feira pela manhã
e quinta e sexta-feira o dia todo. As tardes de terça são
reservadas para pacientes particulares. A pessoa que preferir pagar pela
consulta (R$ 250) consegue atendimento para daqui a três meses. Segundo
o médico, não há priorização do cliente
particular. “Quero atender todo mundo e não há como”, afirma.
“Vinte por cento dos pacientes marcam e não vão porque não
estão diretamente pagando do bolso. Então a gente mantém
outra agenda e puxa pacientes (que aguardam na fila).”
A fila de espera para uma consulta com o cardiologista Cláudio
Pereira da Cunha é formada por cerca de 500 pacientes. Ele só
tem horário disponível para 20 de julho. “Às vezes
há situações especiais que tem de furar a fila e abrir
exceção. Dentro da especialidade existem situações
de emergência.” Para ele, existe um gargalo na formação
de médicos, com vagas insuficientes para especialização.
Valor
Para os médicos, o plano remunera menos do que o atendimento
particular. No caso do cardiologista Cláudio Pereira da Cunha, ele
recebe R$ 200 por uma consulta particular e R$ 30 quando a consulta é
pelo plano de saúde. “Cortei o cabelo e paguei mais caro do que
ganho em uma consulta”, compara o médico, que atende diariamente
no consultório.
O diretor do departamento de convênios da Associação
Médica do Paraná, José Jacyr Leal Júnior, afirma
que há uma demanda para que o valor repassado ao profissional seja
maior. Ele revela, no entanto, que o problema de demora em consultas muitas
vezes é causado pelos médicos e não pelo plano.
Na opinião de Leal Júnior, alguns médicos optam
por outras atividades profissionais fora do consultório, o que diminui
os horários disponíveis na agenda. “O plano está oferecendo
médicos. Não oferece um doutor. Se a pessoa quer exigir aquele
médico, tem um preço a pagar”, diz. (Bruna Maestri
Walter, colaborou Manuela Salazar - RPC)
14.04 - Segunda opinião fica mais fácil
Se paciente quiser novo parecer, médico deverá encaminhá-lo
a um outro profissional
Entra em vigor hoje o novo Código de Ética Médica.
Os pacientes serão beneficiados porque passam a ter o direito de
participar mais ativamente nos tratamentos. Fica garantido ao doente a
liberdade de procurar outro especialista para ter outra opinião.
Ele também pode rejeitar as terapias propostas pelo médico,
exceto se estiver correndo risco de vida.
Por outro lado, o código proíbe a escolha do sexo do
bebê, pedido feito por vários casais que aderem à reprodução
assistida. Essa, aliás, foi uma das áreas que mais ganhou
normas na nova legislação (veja quadro ao lado). O código
anterior, de 1988, não estabelecia regras para a prática.
De forma geral, no entanto, o novo código dá mais autonomia
ao paciente. Se durante o tratamento, quiser a opinião de um segundo
profissional, o médico que o está atendendo tem que enviar
todas as informações necessárias ao colega e não
pode se recusar a fazer isso. Poderá haver até mesmo uma
junta médica.
“O encaminhamento pode ser feito pelo médico ou o paciente pode
buscar outro profissional”, disse Renato Azevedo Júnior, vice-presidente
do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp).
“É um dos ganhos no código, que dá maior autonomia
ao paciente no tratamento”, define Desiré Callegari, do Conselho
Federal de Medicina (CFM).
Como previa o código anterior, o paciente continua tendo direito
de acesso ao prontuário médico. Mas, agora, o médico
não poderá negar cópia do documento.
A advogada Célia Destri, presidente da Associação
das Vítimas de Erro Médico, diz que o direito ao prontuário
é fundamental para esclarecer situações que possam
ter levado a erro ou a má prestação de serviços.
“Todas as informações estão lá e, quando o
juiz determina um perito para uma análise, não tem o que
questionar.” Célia lembra o caso de uma paciente com sérias
complicações de saúde depois de uma internação.
No prontuário estava registrado que ela havia ficado 24 horas sem
receber medicamento essencial ao seu tratamento. O remédio estava
em falta no hospital e ninguém mandou comprá-lo fora. Tudo
estava registrado.
Com a atualização do código, os médicos
passam a ter a responsabilidade total por seus atos, não podendo
transferi-la a terceiros
Para ela, o novo código traz benefícios aos pacientes.
“Mas o problema é a fiscalização. Caberá aos
pacientes participar e cobrar.”
Sexo do bebê
O código proíbe que os médicos de reprodução
assistida escolham o sexo do bebê. “Algumas clínicas sem éticas
fazem isso”, afirmou o conselheiro Callegari.
Bela Zausner, vice-presidente da Sociedade Médica Brasileira
de Reprodução Assistida, explicou que é comum os casais
pedirem para escolher o sexo do bebê para fazer um balanceamento
familiar. Segundo ela, antes do código existiam normas do CFM que
impediam a prática. “Mas não era lei. Agora é diferente.
Isso é um ganho para a reprodução assistida”, ressaltou
a médica, que é contra a escolha do sexo do bebê para
balanceamento familiar. (Marcela Espinosa e Marici Capitelli - Jornal
da Tarde)
13.04 - A saúde pública
Dois estudos publicados no "Bulletin of the World Health Organization"
deste mês mostram aspectos opostos da saúde pública
brasileira.
O trabalho de Matheus Roriz Cruz e colaboradores das universidades
federais do Rio Grande do Sul e da Bahia e da USP em Ribeirão Preto,
refere, com dados da OMS, que ocorrem anualmente no mundo cerca de 22 mil
mortes pela infecção do vírus da dengue, três
vezes mais do que o vírus da influenza A (H1N1) provocou no ano
passado.
Carlos Augusto Monteiro e colaboradores da Faculdade de Saúde
Pública da USP e da Universidade Federal de Pelotas (RS) mostram
que a redução da desigualdade socioeconômica no Brasil,
em um período de 33 anos (1974-2007), fez diminuir de 37,1% para
7,1% a prevalência de retardo no crescimento de crianças menores
de cinco anos. E esta redução foi mais pronunciada de 1996
a 2007.
Em compensação, o Brasil é responsável
pelo maior número de casos de dengue reportados à OMS -3,5
milhões entre 2000 e 2005. Estes doentes representam 78% de todos
os casos comunicados nas Américas, que foi de 4,5 milhões,
e 61% dos casos do mundo (cerca de 5,7 milhões), explicam Roriz
Cruz e colaboradores. (JULIO ABRAMCZYK - Folha de S.Paulo)
13.04 - Brasil registra 50 mortes por gripe A em 2010
Região Norte foi a que mais registrou óbitos neste ano,
totalizando 33 casos
Mais da metade das mortes registradas no país neste ano por
causa da influenza A (H1N1) - gripe suína ocorreu no estado do Pará.
Das 50 mortes até o dia 3 de abril, 25 foram no território
paraense.
A Região Norte foi a que mais registrou óbitos neste
ano, totalizando 33 casos. De acordo com o Ministério da Saúde,
a causa é o período de chuvas na região, o que estimula
a aglomeração de pessoas e facilita a circulação
do vírus. Em segundo lugar, ficou a Região Sul, com oito
casos (16%).
Ainda segundo o Ministério da Saúde, o Norte também
liderou em número de casos graves. Dos 361 casos, 203 foram registrados
na região. Três estados do Norte - Rondônia, Acre e
Amazonas - também aparecem entre as unidades da Federação
com a menor cobertura de vacinação da gripe suína,
iniciada no dia 8 de março.
Segundo o ministro da Saúde, José Gomes Temporão,
a dificuldade de acesso às comunidades do interior desses três
estados amazônicos é uma das causas da baixa cobertura vacinal.
Os estados com maior cobertura vacinal no país são Maranhão,
Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. No ano passado, a Região
Sul registrou um grande número de casos da doença. (Carolina
Pimentel - Agência Brasil/Saúde Business Web)
13.04 - Mulheres são as principais vítimas de gripe suína
Levantamento do Ministério da Saúde mostra que mulheres
respondem pela maioria das mortes e casos graves de influenza A (H1N1)
– gripe suína neste ano no Brasil. Das 50 mortes registradas até
do dia 3 de abril, 76% (38) foram de mulheres que não estavam grávidas
e 32% (16) de gestantes.
Dos 361 casos graves da doença registrados até essa mesma
data, 20% (74) foram em gestantes. De acordo com o ministério, uma
das possíveis explicações para as grávidas
serem as principais vítimas da doença estaria relacionada
à baixa imunidade delas.
Os dados do ministério mostram que 41,1% das gestantes foram
imunizadas até a manhã de sexta-feira. A etapa de vacinação
desse grupo foi prorrogada até o dia 23 de abril, por causa, segundo
o ministro José Gomes Temporão, do feriado de Páscoa.
Outros dados revelam 66,1% de imunização de crianças
de seis meses a menos de 2 anos e 32,8% de doentes crônicos com menos
de 60 anos. Até o momento, 10% dos adultos de 20 a 29 anos foram
vacinados - a etapa dessa faixa etária começou na última
segunda-feira.
As mulheres que engravidarem depois da sua etapa de vacinação
podem procurar um posto de saúde e se imunizar nas fases seguintes.
Segundo o ministro, 13,5 milhões de brasileiros já foram
vacinados desde o início da campanha no dia 8 de março até
a tarde de sexta-feira. A meta é imunizar cerca de 72 milhões
de brasileiros. (Agência Brasil)
12.04 - São Luiz investirá até R$ 800 mi em expansão
Após uma interrupção de cerca de um ano, o grupo
paulistano São Luiz retoma o projeto de ter uma rede nacional de
hospitais. Para tanto, pesquisa oito praças no país, sendo
três delas no Estado de São Paulo. A ideia é investir
nos próximos cinco anos entre R$ 600 milhões e R$ 800 milhões
para aquisições ou construção de novos hospitais.
"Estamos analisando as praças mais viáveis. Podem ser
oito hospitais ou menos, conforme a viabilidade dessas praças. Em
alguns locais, já estamos negociando a compra do terreno", diz Denise
Soares dos Santos, presidente do São Luiz.
Os recursos poderão vir do caixa, de financiamento bancário
ou de parcerias com construtoras, que levantariam o prédio do hospital
por meio do sistema "build-to-suit" (construção feita sob
medida pelo locatário). A ideia inicial do São Luiz para
o processo de expansão era captar o dinheiro via IPO (oferta inicial
de ações). Porém, esse projeto foi abortado, uma vez
que a legislação brasileira não permite a participação
de capital estrangeiro em hospitais.
O anúncio de retomar o plano de expansão acontece após
fortes rumores de que o São Luiz estava sendo oferecido a outros
grupos de saúde, como Rede D'Or e Amil, ambos do Rio. A Rede D'Or
informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não negociou
com o São Luiz, mas pessoas ligadas à Rede D'Or e Amil confirmaram
ao Valor que houve conversações no ano passado.
Segundo várias fontes ouvidas pelo Valor, três motivos
teriam impedido a venda da operação: a unidade Anália
Franco, que após dois anos de operação está
com baixa ocupação; o alto preço pedido pelo São
Luiz pelas três unidades, algo em torno de R$ 2,3 bilhões;
e conflitos com os controladores, Hélio Vasone e Ruy Marco Antônio,
que fazem parte do conselho, mas buscam maior atuação na
empresa.
A presidente do São Luiz nega que o grupo esteja à venda
ou tenha feito negociações. "Eu estou aqui há um ano
e já ouvi esse boato não sei quantas vezes", disse Denise.
"É um bom boato no sentido de que o São Luiz tem feito um
trabalho bastante interessante que provavelmente incomoda muita gente.
Não estamos à venda", disse a presidente. Denise destacou
que os controladores continuam no conselho e que a diretoria é totalmente
profissionalizada.
A executiva informa ainda que a unidade Anália Franco, que demandou
investimentos de R$ 140 milhões, está com taxa de ocupação
de 75% e que atingiu seu ponto de equilíbrio já no primeiro
ano de operações. Normalmente, um hospital atinge o "break-even"
(ponto de equilíbrio) entre o terceiro e quinto anos de atividades.
Em 2009, o Anália Franco teve receita de R$ 150 milhões.
O grupo São Luiz como um todo fechou 2009 com um faturamento
de R$ 680 milhões. Desse montante, R$ 300 milhões foram provenientes
da unidade Itaim, R$ 200 milhões do hospital do Morumbi, R$ 150
milhões do Anália Franco e os outros R$ 30 milhões
do plano de saúde São Luiz. Esse plano de saúde não
está sendo mais comercializado.
O faturamento de R$ 680 milhões representa um crescimento de
cerca de 20% em relação a 2008. Segundo Denise, o lucro líquido
no ano passado ficou em R$ 28,3 milhões, cerca de três vezes
superior em relação aos R$ 9,8 milhões apurados em
2008. O lucro do ano passado é próximo ao verificado em 2007,
quando o balanço da época apresentou em sua última
linha um resultado de R$ 30,2 milhoes. "Houve uma queda entre 2007 e 2008
por causa dos investimentos no Anália Franco", afirma Denise, que
prevê para 2010 uma receita de R$ 765 milhões.
Neste ano o São Luiz está investindo R$ 75,8 milhões.
Desse total, aproximadamente R$ 40 milhões serão revertidos
para o hospital do Itaim que ganhará 40 novos leitos. A diferença
será aplicada em tecnologia e outras benfeitorias nas demais unidades.
(Beth Koike - Valor Online)
12.04 - Vacina da gripe vai custar R$ 43
Doses devem chegar às clínicas neste mês; amanhã
haverá mutirão para grupos prioritários
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
autorizou o laboratório Abbott a vender a vacina contra a gripe
suína a clínicas particulares. Segundo a empresa, as primeiras
doses devem chegar ao Brasil na próxima semana.
A Anvisa determinou que o preço máximo ao consumidor
será entre R$ 40,60 e R$ 44,11 – varia de acordo com a alíquota
de ICMS praticada pelos Estados. Em São Paulo, a vacina custará
até R$ 43,57. Uma taxa de serviços poderá ser acrescida
a esse valor.
Produzida na Holanda pela Solvay Farma, companhia recém-adquirida
pela Abbott, a vacina protege contra o H1N1 pandêmico e outros dois
tipos de vírus influenza causadores da gripe sazonal.
Sanofi Pasteur e Novartis esperam receber ainda este mês o aval
da Anvisa para fornecer a vacina trivalente ao setor privado.
A reportagem entrou em contato com sete clínicas particulares
de vacinação de São Paulo. Três delas (Cedipi,
Vaccini e Faster) já fizeram encomendas ao fornecedor. As redes
Delboni Auriemo e Lavoisier estão em processo de negociação
de preço e quantidade. Fleury e Ciat disseram que seus fornecedores
ainda não disponibilizaram a vacina.
Os portadores de doenças crônicas ainda são as
maiores vítimas da gripe suína do Estado de São Paulo:
56% dos óbitos ocorridos no Estado em 2009 por influenza A (H1N1)
foram de pessoas com obesidade, pneumopatias e cardiopatias. É o
que aponta o levantamento realizado pelo Centro de Vigilância Epidemiológica,
da Secretaria da Saúde do Estado.
Dia D
Amanhã, todos os 36 mil postos de vacinação do
País deverão estar abertos para imunizar contra a gripe suína
os adultos saudáveis de 20 a 29 anos, doentes crônicos com
menos de 60 anos, grávidas em qualquer período da gestação
e crianças de seis meses a 2 anos incompletos.
Em São Paulo, os 3,8 mil postos de saúde funcionarão
das 8 horas às 17 horas. Na capital, as unidades de Assistência
Médica Ambulatorial (AMA) também ficarão abertas,
das 7 horas às 19 horas. Os paulistanos podem optar por receber
a vacina em postos volantes espalhados por todas as regiões da cidade,
que funcionarão das 8 horas às 17 horas. A recomendação
é que as pessoas levem documento de identidade e carteira de vacinação.
Doentes crônicos e gestantes não precisam apresentar atestado
médico.
Balanço preliminar da secretaria aponta que, até 1º
de abril, 2 milhões de pessoas já foram imunizadas contra
a gripe A em todo o Estado. Só na capital, mais de 600 mil pessoas
receberam a vacina.
'É importante que as pessoas fiquem atentas às datas
de acordo com o grupo de risco. A vacinação é indispensável',
alerta o secretário estadual da Saúde, Luiz Roberto Barradas
Barata.
De 24 de abril a 7 de maio, quarta etapa da vacinação,
receberão a vacina os idosos com 60 anos ou mais portadores de doenças
crônicas. Os demais idosos irão tomar a vacina contra a gripe
comum (sazonal). Na última etapa, de 10 a 21 de maio, a população-alvo
será os adultos com idades entre 30 e 39 anos. (Carlos
Lordelo - Jornal da Tarde)
12.04 - CFM: Estudo sobre interiorização da medicina
O 1º secretário do Conselho Federal de Medicina (CFM),
Desiré Carlos Callegari, apresentou, ontem, aos conselheiros federais,
o resultado de um estudo promovido pela entidade que traz dados sobre a
concentração de médicos no país. Veja mais
aqui.
De acordo com Callegari, o estudo – que aponta que, percentualmente,
o número de médicos cresce mais do que a população
e que existem alguns locais onde a média de médicos por habitantes
é superior a de países que possuem altos índices de
desenvolvido humano – é uma ferramenta fundamental para que a entidade
possa contrapor os argumentos de que faltam médicos no Brasil. Essa
alegação tem sido usada como forma de justificação
e defesa da entrada não criteriosa de médicos estrangeiros
no país.
De 2000 a 2009, a quantidade de médicos aumentou 27% – de 260.216
para 330.825. No mesmo período, a população brasileira
cresceu aproximadamente 12% – de 171.279.882 para 191.480.630, segundo
o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
“A posição do CFM diante das informações
reveladas pelo levantamento é de que não há escassez
de médicos no país. Há, sim, uma má distribuição
dos profissionais pelo território nacional”, diz Callegari. Para
contornar essa situação, o CFM defende a adoção
de eficazes políticas de interiorização do trabalho
médico.
Produtos Controlados – Desiré Carlos Callegari comentou ainda
o Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC) da
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os
resultados numéricos desse sistema foram apresentados no dia 30
de março e revelaram dados importantes para ajudar no gerenciamento
de produtos controlados, monitorando abusos na prescrição
e na dispensação (entrega ao consumo).
Algumas distorções chamaram a atenção,
como o fato de um especialista em medicina do tráfego ser um dos
10 maiores prescritores de anorexígeno (inibidor de apetite) no
país.
A Anvisa irá entregar ao CFM uma lista dos maiores prescritores
de anorexígeno de cada estado do país. Essas listas serão
enviadas a cada um dos conselhos regionais para as devidas providências.
“Além disso, o CFM fará uma campanha educativa aos médicos
para que tenham o cuidado de prescrever medicação controlada
com anotações no devido prontuário”, afirma Callegari.
(CFM)
09.04 - Mais coerência e menos descaso com a saúde
A imprensa tem retratado exemplarmente o desconsideração
do governo com a saúde. Dias atrás, o presidente Lula culpou
os médicos pelo caos no setor, afirmando serem profissionais que
não se dispõem a trabalhar em localidades distantes. Foi
rebatido à altura pela Associação Médica Brasileira
e por muitas outras entidades médicas, pois o que falta é
política consistente para atrair profissionais, com oportunidade
de reciclagem científica, além de adequadas condições
de atendimento, salário digno e uma carreira de progressão
funcional.
Ainda recentemente, os jornais mais uma vez explicitaram o desrespeito
à saúde no Brasil, mostrando como os Estados Unidos usam
a democracia para redesenhar seu modelo de assistência, enquanto
aqui, a despeito de ter uma proposta avançada de universalização,
o Sistema Único de Saúde - SUS, emperra no autoritarismo
e na falta de debate. Esbarra também na falta de definição
de um orçamento coerente, já que, hoje, vivemos uma fantasia,
uma hipocrisia orçamentária.
O grande mal da saúde brasileira é a falta de transparência
e de compromisso de parte dos gestores e autoridades. Claro, há
exceções. Porém, de forma geral, o setor não
é visto nem tratado com a prioridade que merece, a não ser
em intenções e propostas genéricas particularmente
em períodos eleitorais. São necessárias atitudes concretas,
como agora nos EUA e ao longo dos anos em países desenvolvidos.
Atualmente, até diversas nações em desenvolvimento
investem bem mais na saúde do que no Brasil.
O irrisório orçamento federal compromete qualquer gestão,
e a tratativa de recursos humanos é deprimente. Inevitavelmente
a saúde suplementar também patina. Prova são os honorários
vis pagos por planos de saúde a médicos e outros prestadores
de serviço. Sem falar na intermediação ineficaz da
Agência Nacional de Saúde Suplementar.
Não aceitamos que maus empresários façam da saúde
apenas uma fonte de lucro, em detrimento da assistência adequada.
Mas principalmente não podemos admitir isso na saúde pública.
Não admitimos ainda o desrespeito aos cidadãos e a exploração
do trabalho dos profissionais da medicina.
Toda a comunidade de saúde e suas representações,
como a Associação Paulista de Medicina, devem buscar apoio
na população para encaminhar positivamente questões
relevantes. Temos de sensibilizar os parlamentares a apoiar as reivindicações
em prol de condições adequadas para o exercício profissional
da medicina e por melhor assistência aos cidadãos.
Hoje, a coesão dos agentes do setor é fundamental, para
criar uma grande mobilização. Precisamos urgentemente que
o Congresso aprove matérias de interesse público, como a
carreira de Estado para os profissionais de medicina e a regulamentação
da Emenda Constitucional 29, que viabilizará investimentos mais
robustos para a saúde, especialmente por parte do governo federal.
Enfim, as frentes de embate são claras. É hora de mudar.
Os brasileiros precisam e exigem uma postura séria para ter acesso
ao direito constitucional a assistência digna, plena, sob pena de
continuarmos a ver a saúde judicializada. Esperamos que na campanha
eleitoral venham propostas concretas por parte dos candidatos ao Legislativo
e Executivo, além de debates menos ideológicos e mais resolutivos
para a saúde da população. (Jorge Carlos
Machado Curi - Associação Paulista de Medicina)
09.04 - Centenários têm pistas genéticas da longevidade
Estudo busca genes do envelhecimento saudável em idosos
Eles podem ser bem enrugados e formar um grupo relativamente pequeno,
mas os centenários integram a faixa demográfica que cresce
com mais rapidez no mundo desenvolvido. Os cientistas acreditam que as
pessoas que vivem 100 anos ou mais guardam preciosos segredos em seus genes
sobre doenças relacionadas ao envelhecimento e, claro, sobre a longevidade.
— Quem consegue chegar aos 100, teve boa saúde e uma boa vida,
ou não estaria neste grupo — afirmou Kaare Christensen, do Centro
de Pesquisa sobre o Envelhecimento da Dinamarca. — Basicamente queremos
descobrir como eles conseguiram isso.
Os genes seriam parte da explicação. Outra estaria relacionada
à alimentação, estilo de vida saudável e um
ambiente seguro, fatores determinantes para ampliar a expectativa de vida.
Mas, garantem especialistas, os chamados genes da longevidade existem e
identificá-los e descobrir como combatem doenças é
uma das áreas mais vibrantes da pesquisa científica.
Os centenários, hoje, são 450 mil em todo o mundo. Em
2030, estima-se, eles serão um milhão. A expectativa de vida
vem aumentando no frenético ritmo de três meses a cada ano,
ao menos nos países ricos. Cientistas vêm estudando os mais
idosos, mas, até agora, só conseguiram identificar um gene
relacionado à longevidade. (G1)
09.04 - Saúde: Carga tributária
Governo recebe cerca de R$ 20 de tributos de cada atendimento
Estudo elaborado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário
(IBPT), em parceria com a Confederação Nacional de Saúde
(CNS) e Federação Brasileira de Hospitais (FBH), apresenta
dados inéditos sobre a Carga Tributária incidente em todas
as cadeias da saúde que oneram direta e indiretamente o setor.
Conforme disposto no Artigo 6º da Constituição são
direitos sociais, “a educação, a saúde, o trabalho,
a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção
à maternidade e à infância, a assistência aos
desamparados”. Apesar de a saúde ser um direito fundamental do cidadão
e obrigação do Estado, os governos federal, estaduais e municipais
optam em tributar excessivamente todas as atividades ligadas à saúde.
É o que revela o estudo Radiografia da Tributação
do Setor de Saúde divulgado nesta terça-feira, no restaurante
da Câmara dos Deputados a deputados, senadores e lideranças
da área de saúde.
Segundo o coordenador de Estudos do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral,
em 2009 a arrecadação tributária sobre o setor de
saúde foi de aproximadamente R$ 30,5 bilhões.
- Se for feita a divisão deste valor pela quantidade de procedimentos
ligados à saúde prestados à população
brasileira no mesmo ano, chega-se à chocante constatação
de que os governos recebem, aproximadamente, R$ 20 de tributos de cada
atendimento de saúde prestado à população brasileira,
mesmo aqueles realizados através do Sistema Único de Saúde,
o SUS - explica.
Por grupos de doenças e atendimentos, a arrecadação
tributária em reais é maior no grupo relativo a gravidez
(parto, pós-parto, aborto), seguido do grupo de doença do
aparelho circulatório (hipertensão, doenças cardíacas
e vasculares) e doenças do aparelho respiratório (pneumonia,
asma, bronquite).
No tocante à arrecadação de tributos por procedimento,
são os atendimentos do grupo de doenças denominadas neoplasias
(cânceres e tumores) que geram o maior valor individual, em média
de R$ 29,21 por atendimento. Em seguida, o grupo das doenças do
Aparelho Circulatório (hipertensão, doenças cardíacas
e vasculares), com arrecadação de R$ 28,15 por atendimento,
e o grupo das doenças do Sistema Nervoso (Epilepsia, AVC, Esclerose),
com arrecadação de R$ 26,83 por atendimento. Os procedimentos
do grupo gravidez (parto, pós-parto, aborto) é o que gera
a menor arrecadação por atendimento, de R$ 13,63.
- O Sistema Tributário Brasileiro é injusto, pois pune
fortemente os produtos de consumo, em detrimento da tributação
sobre a renda e sobre o patrimônio. Dessa forma 65% de toda a arrecadação
tributária do país é proveniente de tributos que incidem
direta ou indiretamente sobre o consumo. O mesmo ocorre com os produtos
utilizados na área da Saúde, nos quais incide uma tributação
elevada da ordem de 1/3 do valor - observa Amaral, enfatizando que esta
excrescência só é verificada no Brasil, pois os outros
importantes países do mundo, desenvolvidos ou emergentes, têm
políticas tributárias de alívio sobretudo relacionadas
à saúde. Os EUA têm uma carga de tributos de 12% nos
produtos e serviços ligados à saúde, enquanto que
o Japão tem 13%, Canadá 11%, México 16%, Coréia
do Sul 15% e Índia 17%.
Ainda segundo o estudo, em 2009, a arrecadação de tributos
no setor de saúde na esfera federal chegou a R$ 17,4 bilhões;
na estadual, R$ 8,7 bilhões; e na municipal, R$ 4,2 bilhões.
Se houver a divisão deste montante pela quantidade de procedimentos
ligados à saúde prestados à população
brasileira no mesmo ano, chega-se à constatação de
que as prefeituras, os governos estaduais e a União recebem, em
média, R$ 30,00 de tributos de cada atendimento de saúde
prestado - mesmo daqueles realizados através do SUS. No período
2003 a 2009, o setor de saúde proporcionou aos governos aumento
nominal de arrecadação de 112,73%. Já o aumento real
no período, descontada a inflação, foi de 57,19%.
Para as entidades responsáveis pelo estudo, o excesso de impostos
é a principal razão para o alto custo de prevenção
e tratamento de doenças no Brasil.
Com base em informações colhidas junto ao IBGE, Receita
Federal, Estados e Municípios seguem alguns exemplos da tributação
incidente sobre matérias na área de saúde, que está
entre 30 e 32% em média:
a) bisturi - 39,59%;
b) bolsa térmica - 37,48%;
c) inalador - 35,54%;
d) maca - 34,48%;
e) muleta - 39,59%;
f) termômetro - 38,93%. (Jornal Monitor Mercantil)
08.04 - Tributos são um terço dos gastos com saúde
Impostos sobre medicamentos para pessoas são maiores até
do que sobre produtos veterinários
Cerca de um terço dos gastos do brasileiro com saúde
é composto por impostos, taxas e contribuições. É
o que mostra um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento
Tributário a pedido da CNS (Confederação Nacional
de Saúde) e da Federação Brasileira de Hospitais.
O dado levou em consideração tributos aplicados no uso
de equipamentos para fazer exames, passando pelos medicamentos, materiais
hospitalares até as consultas.
O mesmo estudo mostrou também que os governos recebem, em média,
R$ 20 de tributos de cada atendimento de saúde prestado à
população brasileira, incluindo aqueles realizados pelo SUS
(Sistema Único de Saúde).
Ainda de acordo com o IBPT, a arrecadação de impostos
sobre o setor de saúde em 2009 foi de R$ 30,5 bilhões, um
crescimento real de 5,98% em relação a 2008, descontada a
inflação do período.
O estudo mostra que, em muitos países (EUA, Canadá, Japão
e países da União Europeia), a tributação sobre
os insumos da saúde é menos que a metade da tributação
brasileira. A mesma comparação vale para países emergentes,
como México, Índia, China, Chile e Coreia do Sul.
João Eloi, coordenador técnico do estudo, destaca que
o peso dos impostos sobre a saúde humana é maior do que em
produtos veterinários. Segundo ele, medicamentos para seres humanos
têm, em média, 37% de tributos embutidos no preço final,
enquanto os remédios veterinários têm tributação
média de 14,5%.
"É mais caro você entrar tossindo do que mugindo em uma
farmácia. É uma distorção", diz o coordernador
do estudo. (Folha de S.Paulo)
08.04 - EUA: Reforma do sistema de saúde
O que os americanos precisam saber sobre a reforma do sistema de saúde
Mais de uma semana depois de o presidente Barack Obama ter assinado
a extensa reforma da saúde, que acabará proporcionando cobertura
de seguro para 32 milhões de americanos não-segurados, muitos
de nós ainda estão coçando as cabeças.
O que acabou acontecer? Como e quando começaremos a sentir os
efeitos? No longo prazo, a legislação exigirá que
a maioria dos americanos obtenha um seguro saúde.
Ela também oferecerá subsídios federais para reduzir
custos e expandir significativamente a elegibilidade para o Medicaid (assistência
médica nos Estados Unidos que garante tratamento gratuito a pessoas
de baixa renda).
As mudanças significarão que 94% dos residentes legais
não cobertos pelo Medicare (seguro gratuito dirigido principalmente
a idosos) terão direito a seguro saúde, frente aos 83% atuais,
de acordo com o Gabinete Orçamentário do Congresso.
Mesmo com as maiores mudanças sendo aplicadas apenas a partir
de 2014, alguns termos terão início em junho, enquanto outros
aparecerão no final do ano.
Estes incluem significativas restrições à indústria
do seguro e novas proteções a consumidores que já
possuem um seguro saúde.
Há também benefícios para participantes do Medicare
e ajuda para jovens adultos.
Em apenas 90 dias, haverá uma nova cobertura para pessoas que
perderam o seguro saúde e não conseguem se qualificar para
uma apólice individual.
"A força básica dessa lei é que todos esses refúgios
e fendas, todas essas lacunas onde o seguro privado o deixou sem opções,
tudo isso será removido", afirmou DeAnn Friedholm, diretor de campanha
da reforma da saúde para a União dos Consumidores, o editor
sem fins lucrativos dos Relatórios do Consumidor.
"É complicado, mas isso estabelece uma política muito
importante de que você terá opções, independente
de sua situação de saúde ou de emprego".
Alguns dos detalhes específicos serão delineados nas
próximas semanas, pelo Departamento de Serviços Humanos e
de Saúde.
Entretanto, seguem algumas respostas a dúvidas frequentes sobre
as mudanças na saúde que chegarão no próximo
ano.
Eu não tenho seguro de saúde.
Quando a nova legislação vai me ajudar? A resposta depende
de sua idade e das razões pelas quais você não possui
seguro.
Se você não teve seguro pelos últimos seis meses,
e não consegue arcar ou não corresponde aos requisitos para
um seguro graças a um problema médico pré-existente,
você pode ser elegível a um novo grupo federal de "alto risco",
a ser oferecido no final de junho.
O valor dos custos mensais não foi anunciado, mas as taxas deverão
ser baseadas numa "população padrão", sugerindo que
serão baseadas num grupo mais saudável do que o tipicamente
usado para calcular mensalidades em planos de alto risco.
Em média, o segurado não pagará mais de 35% dos
benefícios cobertos, e os custos pessoais não devem ultrapassar
US$5.950 para indivíduos e US$11.900 para famílias, por ano.
Além disso, não existem limites por tempo de vida - significando
que a política não será cancelada caso alguém
precise de tratamentos médicos muito caros.
Quantas pessoas podem se inscrever para o novo plano? Até que
as autoridades de saúde especifiquem os custos das mensalidades,
e exatamente o que será coberto ou não, ninguém sabe
quantas pessoas podem se inscrever.
Os US$5 bilhões definidos pelo Congresso precisam durar até
2014, quando outras opções serão disponibilizadas.
Como comparação, 35 estados já gastam um total
combinado de US$2 bilhões por ano em grupos de seguro de alto risco,
que cobrem 200 mil pessoas.
Em que o novo conjunto federal de ofertas difere do que já é
oferecido por grupos estaduais de alto risco ou pelo Medicaid? Espera-se
que o plano federal ofereça uma cobertura mais acessível
do que os planos estaduais atuais, e ele não irá impor as
mesmas restrições de renda do Medicaid.
Geralmente, os planos estaduais também impõem franquias
e mensalidades altas (alguns chegam a cobrar US$1.200 por mês), e
períodos de carência de até 12 meses antes de cobrir
problemas de saúde pré-existentes.
A experiência de April e Steve Kohrherr, of Afton, Virginia,
mostra como os planos públicos existentes não são
o bastante para muitas famílias.
Seu filho mais velho, Griffin, de 6 anos, tem hemofilia, uma grave
doença do sangue.
Seu tratamento, que incluiu uma cirurgia no cérebro para cuidar
de uma hemorragia possivelmente fatal, além de infusões com
um medicamento coagulante duas vezes por semana, passa dos US$500 mil por
ano.
O alto custo do tratamento de Griffin o desqualificaria para a maioria
dos planos estaduais.
Agregar Griffin ao pequeno plano de grupo no restaurante onde Steve
Kohrherr trabalha teria elevado as mensalidades para todos os funcionários,
tornando-o inacessível para todos.
Hoje, Griffin é coberto pela Medicaid, mas ele perderá
o benefício caso a renda anual de sua família ultrapasse
US$40 mil.
April Kohrherr trabalha meio período, mas não possui
seguro - pois a família não pode arcar com o custo mensal
de US$200 para adicioná-la à apólice de seu marido.
"Se qualquer pessoa estivesse no meu lugar, segurando seu filho que
está próximo da morte, e se tivesse de se preocupar com seguros
nesse momento, então ela nunca seria contra essa reforma", afirmou
April Kohrherr.
"De uma hora para outra, sinto que posso pensar no futuro de seu filho
sem preocupações".
Como a lei afetará crianças com condições
pré-existentes? A partir de setembro, espera-se que a nova lei impeça
as companhias de seguro de rejeitar crianças - ou excluir cobertura
- graças a problemas médicos pré-existentes.
Foi isso que aconteceu com Diane Knight, de 52 anos, de Orem, Utah,
quando ela tentou obter seguro para sua filha de 17 anos.
Embora Knight e seu marido houvessem tido um seguro familiar no passado,
eles o perderam quando deixaram seus empregos para começar um pequeno
negócio próprio.
Quando descobriram que não poderiam conseguir um novo seguro
por ambos terem um diagnóstico anterior de câncer, eles buscaram
uma apólice individual apenas para sua filha.
Mas ela também foi rejeitada, pois havia usado um caro creme
para acne quando era mais jovem e a companhia de seguros não queria
pagar por isso no futuro.
"Rejeitar uma menina de 17 anos perfeitamente saudável, e pelo
resto de sua vida ela precisará dizer, 'Sim, me negaram um seguro
saúde' - isso é inaceitável", disse Diane Knight,
que voltou a lecionar no ensino público para conseguir um seguro
para sua família.
"Sou uma republicana conservadora, mas vivi o pesadelo do seguro saúde".
Desde que a lei foi aprovada, as seguradoras argumentaram que a linguagem
utilizada é vaga e não exige que eles proporcionem seguro
a todas as crianças imediatamente.
Especialistas legislativos dizem que a intenção do Congresso
é clara e que o governo federal provavelmente irá escrever
as regras para refletir isso, o que pode levar a indústria a encaminhar
a batalha aos tribunais.
Os usuários do Medicare receberão algum benefício
imediato? Neste ano, usuários do Medicare com altos gastos em remédios
receberão um abatimento de até US$250.
Em 2011, o plano assumirá uma parte maior dos custos com medicamentos
de marca.
Além disso, os usuários do Medicare não terão
de pagar franquias ou valores adicionais por tratamentos preventivos, como
imunizações e exames de colesterol.
O abatimento em medicamentos é o primeiro passo de um plano
de 10 anos para fechar o "buraco da rosquinha", a lacuna causada porque
o Medicare Parte D (programa federal dos EUA para subsidiar os custos de
remédios receitados) deixa de reembolsar as receitas depois dos
primeiros US$2.830 em custos por ano.
Depois disso, o usuário precisa pagar por todos os custos de
remédios até o atingir montante de US$6.440 - quando o Parte
D começa a pagar novamente.
Rosale Bertrand, uma usuária do Medicare com 69 anos em Salt
Lake City, diz que no começo do ano, suas dez receitas para diabetes,
pressão alta, asma, úlcera e depressão crônica
lhe custam cerca de US$200 por mês - pois o Parte D cobre grande
parte do custo.
Mas o buraco da rosquinha começa no final de março ou
começo de abril, e ela se vê obrigada gastar US$600 por mês
até que o programa retorne, no outono.
Para manter suas receitas, Bertrand utilizou por duas vezes sua casa
como garantia a empréstimos e estourou seus cartões de crédito.
Sob a nova lei, ela economizará aproximadamente US$250 neste
ano e US$540 no próximo.
"É um começo", afirmou ela.
"Fiquei muito aliviada ao ver que podia sair algo bom disso".
Adultos jovens e saudáveis que não possuem seguro serão
ajudados pelas reformas? A partir de setembro, jovens adultos com menos
de 26 anos poderão ser adicionados à apólice de seus
pais.
Alguns planos já estendem a cobertura a dependentes adultos,
desde que eles sejam estudantes em tempo integral.
Embora os Serviços Humanos e de Saúde ainda precisem
divulgar os requisitos exatos de elegibilidade, o Congresso removeu uma
restrição relacionada ao estado civil.
"Poderemos ver um relaxamento dos requisitos acerca de quem é
aceito como jovem dependente", disse Jennifer Tolbert, diretora associada
da Comissão do Medicaid e dos Não-Segurados para a Fundação
Família Kaiser.
"Quando eles removeram o requisito de que um jovem dependente não
tinha de ser solteiro, aquilo foi um sinal para dizer, 'Queremos que isto
se aplique a um grupo maior'".
Esse termo oferecerá algum alívio a Sarah Lynch, 25 anos,
de Austin, Texas, que foi retirada do plano de seus pais aos 23 - quando
seu trabalho de curso foi reduzido para apenas duas aulas, em seu último
semestre.
Lynch pagou cerca de US$460 por mês para prolongar a cobertura
sob um termo conhecido como Cobra, mas esse plano expira em junho.
Ela não conseguiu encontrar um emprego de período integral
com benefícios, e sua inscrição para o seguro privado
foi rejeitada sem explicações.
A nova lei lhe dará cerca de seis meses de cobertura no plano
de seus pais, até que ela complete 26 anos.
"Isso me dá um pouco mais de tempo para encontrar um emprego
com benefícios", explicou ela.
Quais são os benefícios imediatos para as pessoas que
já têm seguro? A partir de setembro, as companhias de seguros
não poderão mais rescindir uma apólice quando alguém
fica doente, nem poderão impor limites vitalícios à
cobertura.
Hoje, pequenos erros numa longa ficha de inscrição -
como se esquecer de informar a pressão alta de seu pai - podem se
tornar motivos para a perda do seguro.
Sob as novas regras, as empresas no geral não podem rescindir
uma apólice por um pequeno erro na inscrição.
"A lei retira o incentivo às companhias de seguro para buscar
erros nas inscrições", disse Marian Mulkey, diretora sênior
de programa da Fundação de Saúde da Califórnia.
"Já houve alguns chocantes exemplos de o aparecimento de um
câncer desencadear uma revisão de anos de histórico
médico, o que parece muito direcionado e punitivo".
Patricia Sevchuk de Ewing, Nova Jersey, conta que sua filha escrupulosamente
pagou suas mensalidades Cobra enquanto era tratada por câncer de
mama em estágio avançado.
Entretanto, mais de um mês após sua morte, em 2008, a
companhia de seguro notificou seu marido de que US$400 mil não seriam
mais cobertos - pois as contas médicas haviam excedido o teto vitalício
de US$1 milhão.
Mesmo com um oncologista abrindo mão de seus valores ao ouvir
sobre o apuro da família, outros credores exigiram pagamento, e
a falência segue sendo uma possibilidade.
"Não há um dia que passe sem que eu pense sobre ela e
o que ela passou", disse Patricia Sevchuk.
"Saber que por mais que tenhamos tentado salvá-la, tudo que
fizemos foi causar mais angústia às pessoas que ficaram -
seu marido e sua filha -, é de partir o coração".
Todas essas mudanças não acabarão aumentando minhas
mensalidades de plano de saúde? Como as mudanças afetarão
os custos existentes de seguro é uma fonte de feroz debate.
No geral, o Gabinete Orçamentário do Congresso afirmou
que, até 2016, as provisões da nova lei resultarão
num aumento pequeno - ou até inexistente - nas mensalidades de pessoas
com planos corporativos.
Usuários em planos individuais (aqueles não oferecidos
por empregadores) podem ver aumentos, mas mais da metade dos segurados
em planos individuais se qualificará aos subsídios federais,
reduzindo em aproximadamente 60% os custos para famílias de renda
moderada ou média, garantiu o gabinete orçamentário.
A partir de setembro, as firmas de seguros enfrentarão novos
limites em custos administrativos e compensações de executivos.
Violações resultarão em abatimentos ao consumidor.
Além disso, o pacote de reforma inclui dinheiro adicional para
que os estados verifiquem aumentos excessivos nas taxas de seguros.
"Famílias de renda média e moderada terão uma
grande ajuda financeira como resultado de subsídios federais, que
reduzirão significativamente o fardo que sai do próprio bolso",
disse Ron Pollack, diretor executivo do grupo de saúde do consumidor
Families USA.
"E hoje existe um processo onde o governo federal e os estados irão
revisar os aumentos em mensalidades, para determinar se são razoáveis".
Proprietários de pequenas empresas perceberão benefícios
imediatos? Ainda neste ano, créditos em impostos de até 35%
das mensalidades serão disponibilizados a muitas pequenas empresas
que oferecem cobertura a seus funcionários.
Dale Cole Jr., co-proprietário e diretor financeiro da Consolidated
Trailer, de Baltimore, disse ainda não saber como a legislação
o afetaria, mas que esperava que ela suavizasse seus custos e permitisse
que ele pesquisasse a melhor cobertura.
"Nós usamos espelhos e fumaça para tentar manter as mensalidades
onde elas são suportáveis", disse Cole.
"Fomos de um plano completo, com uma pequena franquia e grande cobertura
de receitas, ao plano atual - que é basicamente um plano de franquia
alta.
Isso não é muito". (New York Times News Service/Yahoo
Notícias)
07.04 - Prontuário eletrônico para pacientes do SUS
O primeiro projeto na agenda de 20 itens da Comissão de Assuntos
Sociais do Senado (CAS), que se reúne quarta-feira (07), prevê
o uso de prontuário eletrônico para pacientes do Sistema Único
de Saúde - SUS. Esse projeto (PLS 474/08) também exige que
o SUS crie um cadastro nacional com dados de usuários, profissionais
do setor e unidades de saúde, sejam públicas ou privadas.
Por meio desse cadastro, tanto os pacientes como os profissionais poderão
usar a internet para ter acesso a uma série de informações.
A proposta ressalta, porém, que o cadastramento e o acesso aos dados
devem "assegurar a privacidade e a confidencialidade da informação
de saúde dos cidadãos". Além disso, o texto - apresentado
em 2008 pela então senadora Roseana Sarney - estende as suas medidas,
"no que couber", às operadoras de planos de saúde e a seus
beneficiários. A relatora da matéria é a senadora
Rosalba Ciarlini (DEM-RN), presidente da CAS. (Agência Senado)
07.04 - Faltam leitos em UTIs na maioria dos Estados
A briga para obter uma vaga em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs)
é realidade além do Maranhão, onde nas últimas
semanas estourou uma crise de falta de leitos infantis. Censo de 2009 da
Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), que reúne
médicos das UTIs, aponta que 51,9% dos Estados brasileiros têm
uma quantidade de leitos aquém da necessidade, considerando os disponíveis
nas redes pública e privada.
O Ministério da Saúde contesta a análise e utiliza
critérios diferentes, mas também aponta má distribuição
dos leitos e situação preocupante em três Estados:
Maranhão, Acre e Roraima ? apesar de o Amazonas também estar
em situação muito próxima da crítica (mais
informações nesta página).
A falta de profissionais habilitados para trabalhar nas unidades é
considerada a dificuldade mais grave das UTIs brasileiras. Mas a carência
de recursos para Estados e municípios construírem ou contratarem
leitos na iniciativa privada, além da ausência de verbas para
sua manutenção e problemas de gestão, também
explicam a situação. Isso além de desorganização
da gestão das vagas. O resultado são brigas judiciais para
a obtenção de vagas até onde a relação
leitos por habitantes é a melhor do País, caso do Distrito
Federal.
Segundo o defensor público Celestino Chupel, apesar de a situação
ter melhorado, no DF o órgão ingressa em média com
cinco pedidos judiciais diários para a obtenção de
vagas em UTIs de hospitais privados para a população carente.
"É rotina", afirmou.
"Há cinco anos, a situação no País era
pior. No Estado da Bahia, por exemplo, o número de leitos dobrou,
mas os que existem ainda são aquém da necessidade", resume
o presidente da Amib, Ederlon Rezende.
Segundo o secretário de Atenção à Saúde
do ministério, Alberto Beltrame, investimentos em qualificação
de profissionais, expansão e melhoria dos leitos deverão
mudar o quadro, pior onde há menos leitos do SUS. "A grande dificuldade
é a distribuição dos intensivistas no País."
Intervenção. Nas últimas semanas, uma crise de
falta de vagas na segunda maior cidade maranhense, Imperatriz, voltou a
chamar atenção para o problema, que ciclicamente ganha e
perde atenção da opinião pública desde 2005.
Segundo o Ministério Público do Estado, pelo menos 59 crianças
morreram nos últimos 15 meses esperando leitos.
Na quinta-feira, uma equipe do Ministério da Saúde chegou
ao município para auxiliar prefeitura e Estado a solucionar o problema,
após pedido de intervenção do Ministério Público.
A pasta aponta a carência de leitos para o SUS como explicação
da crise, marcada por desentendimentos entre Estado e prefeitura.
Há cinco anos, por exemplo, a crise que ganhou destaque foi
em Fortaleza, relacionada segundo o ministério a um problema de
gestão das vagas. Também houve desentendimentos entre Estado
e prefeitura e atuação do ministério. Depois, houve
problemas em Boa Vista. O Norte e o Nordeste do País têm a
pior situação de leitos por habitante.
O vice-presidente do Conselho Nacional de Secretários Municipais
de Saúde, Alex Mont"Alverne, destaca que muitos profissionais não
veem o trabalho nas UTIs como objetivo, mas como passagem na carreira.
"No Hospital Estadual de Fortaleza estamos há três anos
sem candidatos para a residência. Eles não querem ficar a
vida nesse trabalho. É preciso discutir isso diante do envelhecimento
da população, que deverá demandar cada vez mais leitos
de UTI", afirma MONT"ALVERNE.
Oferta de vagas é maior na Região Sudeste
As Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) são áreas hospitalares
destinadas à internação de pacientes graves, que requerem
atenção profissional contínua, materiais e tecnologias
específicas para diagnóstico, monitorização
e terapia. São muito importante para casos graves da gripe suína,
por exemplo.
No País há atualmente 27.398 leitos, concentrados principalmente
em hospitais privados (que podem ou não prestar serviços
ao SUS) do Sudeste. Em fevereiro, a Anvisa publicou novas regras para o
setor que acabaram com as chamadas "falsas UTIs" - áreas que levavam
a denominação sem ter todos os recursos necessários.
Ministério da Saúde contesta balanço
Para o Ministério da Saúde, considerando a ocupação
média dos leitos de UTI no País, a necessidade mínima
é de 0,73 vagas por 10 mil habitantes e não 1 leito por 10
mil - número defendido pela associação de médicos
intensivistas. Com isso, só ficam em situação abaixo
do ideal os Estados do Maranhão (0,59 vagas/10 mil habitantes),
Acre (0,52/10 mil) e Roraima (0,55/10 mil) - ou 11% dos Estados brasileiros,
diz o secretário da Atenção à Saúde,
Alberto Beltrame.
Segundo ele, o balanço da Amib considerou cerca de 25 mil leitos
de UTI e hoje o número é de 27.398 - 5.846 vagas foram credenciadas
pelo ministério nos últimos cinco ano. Beltrame enfatiza
ainda que um município pode ter necessidades específicas,
como mais acidentes de trânsito, que demandem mais UTIs. (Fabiane
Leite - O Estado de S.Paulo)
07.04 - Overbooking hospitalar
Reportagem da Folha de ontem, de Ricardo Westin, informa que os hospitais
privados de São Paulo vivem um frenesi de construções.
A meta é quase dobrar o número de leitos de internação
até 2012, saltando dos atuais 3.000 para cerca de 5.300. Trata-se
de saber se tal expansão evitará os constrangimentos e humilhações,
presentes e futuros, impostos a cidadãos carentes de socorro.
Na medida em que o Estado brasileiro lavou as mãos e privatizou
a tarefa de cuidar da saúde da população, ter um plano
médico virou uma questão de sobrevivência, no sentido
literal. O mercado aproveitou a oportunidade e os convênios proliferaram,
a ponto de serem comercializados em faróis. As opções
também se diversificaram. Pagando um pouquinho a mais, nos diz o
vendedor, o associado pode usufruir de instituições mais
modernas e melhor aparelhadas. Isso no papel.
Quem frequenta hospitais certamente já presenciou casos (quando
não o seu próprio) de pacientes que, precisando de atendimento,
tentam fazer valer o contrato, mas não conseguem. Dependendo do
dia da semana, encontrar um leito disponível passa a ser uma loteria.
É comum observar familiares aflitos nos balcões de instituições
ditas de primeira linha à espera de vagas em hospitais inferiores,
porque aquele em que o paciente tentou se internar está lotado.
Claro, o doente sempre tem a opção de permanecer no ambulatório
"de primeira linha", ouve-se de atendentes preocupados em fazer a fila
andar. Se quiser, ficará lá, empilhado dentro de uma baia
até que apareça um quarto, daqui a um dia, dois dias ou uma
semana.
Nesse overbooking hospitalar, é como comprar passagem de classe
executiva e acabar espremido na econômica. Com uma diferença:
se você tiver sorte e um pouco de paciência, a companhia aérea
pode te reembolsar. Já no caso dos convênios, o dinheiro pago
a mais por um plano superior escorre pelo ralo, e todos sabem nos bolsos
de quem ele vai parar. (RICARDO MELO - Folha de S.Paulo)
06.04 - Plano vai arcar com dependente químico
Justiça determina que empresa cubra despesas de família
com filho, abrindo novos caminhos na rede particular
Recente decisão do juiz da 8ª Vara Cível de Belo
Horizonte, Jair Varão, está abrindo novos caminhos na rede
privada de saúde. O juiz concedeu tutela antecipada obrigando o
convênio médico contratado pela família do estudante
R.N., de 16 anos, a cobrir as despesas de seu tratamento para dependência
química. Apesar de a doença ser reconhecida pela Organização
Mundial de Saúde (OMS) e estar prevista no rol de procedimentos
da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o convênio
médico do adolescente havia negado a cobertura. O alto custo das
internações tem sido um entrave para o tratamento da dependência
química, especialmente em grau avançado. Com a decisão,
até que o processo seja concluído, o plano de saúde
deve arcar com as despesas médico-hospitalares do adolescente.
Reportagem do Estado de Minas publicada em 21 de fevereiro mostrou
a dupla luta travada pelas famílias de dependentes químicos,
que, além de enfrentar a doença, são forçadas
a se desfazer do patrimônio para arcar com as despesas médicas.
A reportagem mostrou que, mesmo tendo o plano de saúde da Unimed,
até então, a família do adolescente estava pagando
integralmente e com os únicos bens (carro e moradia) o tratamento
do menino em uma clínica especializada em Betim, na Região
Metropolitana de Belo Horizonte.
Em cinco meses, os gastos do casal de classe média alcançou
R$ 50 mil, sem contar as despesas com medicamentos, sem qualquer participação
do plano. O carro da família foi vendido para quitar parte da dívida.
O restante da fatura foi pago com um empréstimo bancário.
Para a conta fechar, o apartamento onde a família residia está
à venda. O montante arrecadado vai servir para quitar a dívida
com o banco. “Nos mudamos para a casa da minha mãe, mas essa decisão
antecipada, justa e humana da Justiça, vai nos ajudar muito”, comenta
S.N., mãe do adolescente.
BOM RESULTADO Na prática, a determinação do juiz
Jair Varão é para que a cooperativa médica arque com
as despesas na clínica especializada onde o processo de recuperação
foi iniciado há cerca de seis meses. “Vamos ter direito a continuar
o tratamento com os mesmo médicos, o que é muito importante
para alcançarmos um bom resultado”, avalia S.N. Como o estudante
vem mostrando boa resposta ao tratamento, no mês passado ele obteve
alta, retornou para a escola e prossegue agora com o atendimento ambulatorial.
“Essa fase tem custo menor, são R$ 1 mil por mês, fora os
remédios. A cobertura do plano vai nos ajudar demais”, diz a mãe.
A expectativa agora é pelo final do processo. “Nosso contrato nos
garante a cobertura. Estamos confiantes que Justiça vai determinar
o reembolso das despesas com a internação.”
Aos 16 anos R.N. se tornou dependente de cocaína. A droga interferiu
gravemente em sua conduta. Além de ter tido urgente indicação
psiquiátrica para internação, o adolescente também
foi julgado pelo juizado da infância e da adolescência que
assinou a mesma sentença dos especialistas. Depois de o adolescente
ter ameaçado os pais e colocado a própria vida em risco,
ele deveria ser internado. Diante da situação urgente, o
plano de saúde indicou à família dois hospitais. Ambos
se recusaram a internar o menor por não serem especializados em
crianças e adolescentes. Como o plano negou a indicação
de outro centro, restou à família arcar com os custos da
internação particular. (Marinella Castro - Estado de
Minas)
06.04 - Hospitais privados ampliam rede em SP
Número de leitos nas quase 20 instituições vai
subir de 3.000 para cerca de 5.300; gastos são em torno de R$ 3,4
bilhões
Obras na capital paulista também darão incremento em
unidades de centros cirúrgicos, centrais de exames e consultórios
Os grandes hospitais privados de São Paulo se transformaram
em canteiros de obras. Num movimento sem precedentes, praticamente todos
os complexos hospitalares estão ganhando novas torres.
Na Bela Vista, um flat está em reforma para abrigar o centro
de especialidades do hospital Nove de Julho. No Paraíso, está
se erguendo um arranha-céus de 24 andares, a nova torre do hospital
Oswaldo Cruz.
No total, quase duas dezenas de hospitais estão ou recentemente
estiveram em obras. Quando tudo estiver pronto -até 2012-, seus
3.000 leitos de internação terão saltado para aproximadamente
5.300.
As obras darão a São Paulo um considerável incremento
em centros cirúrgicos, consultórios e centros de exames.
A cidade reforçará sua posição de referência
nacional em saúde.
Os hospitais estimam os gastos em algo em torno de R$ 3,4 bilhões,
parte financiada pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social). O aporte do banco estatal varia de 20% a 80%.
O crescimento tem várias explicações. A população
está cada vez mais velha. Em 1991, a expectativa de vida do brasileiro
ao nascer era de 67 anos. Em 2006, de 72,3 anos.
Devido ao aumento da procura, os hospitais têm trabalhado no
limite de sua capacidade. É difícil encontrar um centro cirúrgico
vazio num dia de semana pela manhã. No auge da epidemia de gripe
suína, no ano passado, a espera nos prontos-socorros se arrastava
por horas.
Os planos de saúde estão crescendo. E isso é particularmente
notório na cidade de São Paulo, onde mais de metade dos moradores
tem convênio.
O avanço da tecnologia também contribui. Exemplo: um
aparelho de tomografia computadorizada, além de não eliminar
o velho raio-X, ocupa uma sala inteira. É preciso buscar novos espaços.
Por outro lado, esses novos equipamentos acabam atraindo pessoas que de
outra maneira não iriam ao hospital. "Antes, o paciente com câncer
ia para o hospital porque ia morrer. Hoje vai para se prevenir, fazer detecção
precoce e se tratar. Há 25 anos, o paciente procurava o oftalmologista
para mudar de óculos. Hoje também vai para se livrar dos
óculos", diz Claudio Lottenberg, do Albert Einstein.
Outra razão para a expansão é o crescimento da
cidade. "A pessoa não quer cruzar a cidade, atravessar a marginal
nem ficar no trânsito. Na lógica do mercado, o hospital precisa
ficar mais próximo do consumidor", explica Ana Maria Malik, coordenadora
do GV Saúde, da Fundação Getúlio Vargas.
É por isso que o Sírio-Libanês, na Bela Vista,
inaugurará neste ano filial no Itaim Bibi. E o Albert Einstein,
no Morumbi, uma unidade no outro lado do rio Pinheiros, em Perdizes.
Para especialistas, esse crescimento impacta positivamente também
a rede pública. Segundo José Manoel de Camargo Teixeira,
superintendente do HC, há pessoas que, mesmo pagando planos privados,
utilizam o SUS. "Na medida em que a rede privada ajusta suas instalações
e incorpora tecnologia para atender à exigência do mercado
que se abre, os leitos públicos de hospitais como o Hospital das
Clínicas se tornam praticamente exclusivos dos pacientes do SUS."
(RICARDO WESTIN - Folha de S.Paulo)
06.04 - Obama e a reforma da saúde
Enfatizo algumas lições, pois não temos em nossa
sociedade uma discussão madura e realista sobre nosso sistema de
saúde
Na mesma semana em que o presidente Obama assinou a reforma da saúde
nos EUA, o presidente Lula resgatou a proposta de criação
de uma nova CPMF para viabilizar mais recursos para o nosso SUS (Sistema
Único de Saúde). Infelizmente, temos como hábito insistir
na revisão de decisões já tomadas em vez de procurar
novas, criativas e necessárias propostas que resolvam o impasse
entre a escassez de recursos e a ineficiência no uso que se faz deles.
Em que pese a enorme diferença entre os sistemas de saúde
dos Estados Unidos e do Brasil, apesar de em ambos existir um sistema híbrido,
público e privado, valeria a pena analisar se há algo a ser
aprendido com o processo de reforma em curso nos EUA. Nesse sentido, enfatizo
algumas lições para nós brasileiros. 1) O tema saúde
foi priorizado pelo governo e houve estímulo para a sociedade participar
dessa discussão de forma organizada. Os princípios e valores
da sociedade foram resgatados e valorizados. 2) A ideologia político-partidária
está alicerçada em doutrinas claras, consistentes e de longo
tempo que justificam as propostas e as decisões do governo: o Partido
Democrata, com doutrina centrada na justiça e na segurança
familiar, e o Partido Republicano, com doutrina centrada na liberdade individual
e no dinamismo econômico. Aqui no Brasil, embora o SUS tenha seus
princípios organizacionais e doutrinários explicitados, as
ações e as práticas dependentes de decisões
políticas não têm perenidade ou fundamentação
ou mesmo doutrina ideológica firmemente estabelecida. Os interesses
de curto prazo se sobrepõem à doutrina. 3) A reforma almeja
a melhoria do sistema num período não inferior a dez anos.
Ela mesma se inicia de fato somente após 2014. Esse aspecto chama
a atenção para o pensar e planejar no longo prazo. Sistemas
de saúde exigem esse modo de pensar e agir. São sistemas
complexos, e os investimentos dependem de tempo para produzir resultados.
Aqui no Brasil, em que pese novamente a nossa Constituição
Federal e o nosso SUS, as decisões têm um olhar preferencial
de curto prazo (estrutura e filosofia política). Nesse sentido,
temos muito a aprender com os países desenvolvidos. Por fim, na
comparação com o Brasil, a única semelhança
é a presença de um sistema híbrido público
e privado, embora as bases e as doutrinas que os sustentam sejam completamente
diferentes. No caso americano, assumem-se muito mais claramente as decisões
e os privilégios e se tenta explicá-los. No caso do Brasil,
embora o SUS tenha apenas cerca de 20 anos de existência e os princípios
doutrinários e organizacionais sejam claros e justificáveis,
a prática não os evidencia plenamente por uma série
de motivos. Vivemos num mundo sonhador, o que é muito bom, mas que
não pode deixar de ter um olhar realista. Os EUA estimam quanto
são os excluídos, ou seja, 52 milhões de americanos.
Aqui no Brasil acreditamos e sonhamos com um sistema universal, mas que
na realidade não atende minimamente e decentemente alguns milhões
de brasileiros. Quantos são os hipertensos e diabéticos com
doença diagnosticada (isso sem falar nos ainda não diagnosticados,
mas doentes) e que não têm minimamente assistência e
tratamento regular? Se considerarmos algumas doenças infecciosas
que solapam nossa sociedade, o quadro é mais dramático ainda.
Nesse contexto, quantos são de fato os excluídos no Brasil?
Ao mesmo tempo em que não temos em nossa sociedade uma discussão
madura e realista sobre nosso sistema de saúde, com um olhar e um
planejar de longo prazo, nós continuamos a observar novos e inusitados
escândalos, inaugurações de obras inacabadas, lançamento
de planos com fins eleitoreiros e a eterna e etérea discussão
entre a ineficiência e a insuficiência de recursos para o sistema
de saúde. (MARCOS BOSI FERRAZ - Folha de S.Paulo-
05.04 - Novo retrato da saúde é divulgado por IBGE
Uma nova fotografia da saúde no País acaba de ser capturada
pelo suplemento de Saúde da PNAD 2008, realizado pelo IBGE em convênio
com o Ministério da Saúde. O estudo mostra que 77,3% da população
avaliaram a própria saúde como “muito boa ou boa”, e que
os postos de saúde continuam sendo os locais mais procurados para
atendimento. Mais de 95% das pessoas que procuraram os serviços
de saúde (público ou privado) foram atendidos na primeira
tentativa, e mais de 85% dos atendidos consideraram o atendimento “muito
bom ou bom”. A pesquisa também constatou que, em 2008, 27,5 milhões
de domicílios brasileiros estavam cadastrados no Programa Saúde
da Família, segundo release da assessoria de imprensa do IBGE. Entre
1998, quando foi a campo a primeira edição do suplemento
de saúde da PNAD, e 2008, a parcela da população com
plano de saúde passou de 24,5% para 26,3%. No mesmo período,
foi de 81,2% para 88,5% a parcela de pessoas que já haviam se consultado
pelo menos uma vez com o dentista. Na parte sobre tabagismo, tema investigado
pela primeira vez, a pesquisa constatou que em 2008, o Brasil tinha 19,0
milhões de ex-fumantes diários.
Em relação a 2003, cresceu 28,5% o número de mulheres
que já haviam se submetido a exame clínico das mamas, e em
48,8% o contingente de mulheres que já haviam feito mamografia.
No mesmo período, aumentou em 25% o total de mulheres que já
haviam feito preventivo para câncer no colo do útero. Foi
investigada, ainda, a incidência das restrições para
realização de algumas atividades do cotidiano, como ir ao
banheiro sem ajuda, realizar pequenos consertos domésticos ou caminhar
por um percurso de cem metros. Esta última restrição
foi assinalada por cerca de 11,2 milhões de pessoas com 14 anos
ou mais de idade, e por 27,0% da população idosa.
Em 2008, cerca de 75,2 milhões de pessoas assistiam TV por mais
de três horas diárias, e mais de 16,2 milhões usaram
um computador ou um videogame por mais de três horas diárias.
Em 2008, cerca de 3,7 milhões de pessoas informaram ter sofrido
alguma violência, e 660 mil procuraram um serviço de saúde
por essa causa. Segundo o suplemento de saúde da PNAD, 73,2% dos
que dirigem ou trafegam no banco da frente dos automóveis usavam
cinto de segurança, e 4,8 milhões de pessoas estiveram envolvidas
em acidentes de trânsito em 2008. A seguir, as principais informações
da pesquisa: Em 2008, entre os 57,6 milhões de domicílios
do país, 27,5 milhões (47,7%) estavam cadastrados no Programa
Saúde da Família (PSF)1.
A Região Nordeste (9,7 milhões) concentrava 35,4% do
total nacional de domicílios cadastrados no programa, com Sudeste
(9,1 milhões, ou 33,1%), Sul (4,5 milhões, ou 16,5%), Centro-Oeste
(2,1 milhões, ou 7,6%) e Norte (2,0 milhões, ou 7,4%) a seguir.
Nos 27,5 milhões de domicílios cadastrados no PSF viviam
96,5 milhões de pessoas, ou 50,9% da população do
país. No Nordeste, 67,7% da população (ou 36,2 milhões
de pessoas) residiam em domicílios cadastrados. O Sudeste (38,5%,
ou 30,7 milhões de pessoas) foi a única região com
menos da metade da população residindo em domicílios
cadastrados no PSF. O Nordeste apresentava 64,8% de seus domicílios
cadastrados no programa, o que representava a maior proporção
entre as cinco grandes regiões. Tocantins (94,0%), Paraíba
(86,4%) e Piauí (85,5%) tinham mais de 4/5 de sua população
residindo em domicílios cadastrados. Por outro lado, no Rio de Janeiro
(19,2%) e no Amapá (19,4%) menos de 1/5 da população
residia em domicílios cadastrados. Três unidades da federação
tinham menos de 1/3 de seus domicílios cadastrados: Amapá
(20,2%), Rio de Janeiro (17,4%) e Distrito Federal (11,2%). Sete tinham
mais de 2/3. Paraíba (83,7%) e Tocantins (93,2%) tinham os maiores
percentuais.
Segundo a PNAD 2008, 77,3% da população residente no
Brasil autoavaliaram seu estado de saúde como “muito bom ou bom”;
18,9% como “regular” e 3,8% como “ruim ou muito ruim”. Em 1998, 79,1% das
pessoas residentes consideravam seu estado de saúde “muito bom ou
bom”. Em 2003, foram 78,6% dos 175,9 milhões e, em 2008, foram 77,3%
dos 186,9 milhões. Nesses três anos, o percentual de homens
com estado de saúde “muito bom ou bom” foi superior ao das mulheres:
em 2008, as taxas foram, respectivamente, 79,5% contra 75,2%. O Sudeste
apresentou o maior percentual de pessoas que consideravam seu estado de
saúde como “muito bom ou bom” (80,1%).
No Sul e Centro-Oeste, respectivamente, 77,5% e 77,8% das pessoas fizeram
a mesma avaliação. No Norte, 75,5%. No Nordeste estava o
menor percentual (73,4%) e ali, também, 4,6% das pessoas consideravam
seu estado de saúde “ruim ou muito ruim”, a taxa mais elevada entre
as regiões. Quanto maior o rendimento mensal domiciliar per capita,
maiores os percentuais dos que avaliavam seu estado de saúde como
“muito bom ou bom”: 87,9% para rendimentos superiores a 5 salários
mínimos e 76,2% para rendimentos de até ¼ do salário
mínimo.
Cerca de 31,3% da população residente (ou 59,5 milhões
de pessoas) afirmaram ter pelo menos uma doença crônica, e
5,9% declararam ter três ou mais. As regiões Sul (35,8%) e
Sudeste (34,2%) tinham os maiores percentuais de pessoas com pelo menos
uma doença crônica, com Centro-Oeste (30,8%), Nordeste (26,8%)
e Norte (24,6%) a seguir. As doenças crônicas (identificadas
por algum médico ou profissional de saúde) mais informadas
foram: hipertensão (14,0%) e doença de coluna ou costas (13,5%),
com artrite ou reumatismo (5,7%), bronquite ou asma (5,0%), depressão
(4,1%), doença de coração (4,0%) e diabetes (3,6%)
a seguir. Na população com 35 anos ou mais, 8,1% das pessoas
tinham diabetes (CQCS)
05.04 - Renda acima de 2 mínimos é mais fiel a consultórios
particulares
Na hora de cuidar da saúde, os brasileiros com renda acima de
dois salários mínimos são mais fiéis aos consultórios
particulares, segundo informações da “Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios 2008 – Um Panorama da Saúde no Brasil”,
divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
De acordo com o levantamento, em 2008, o percentual de pessoas, cuja
renda era de dois a três salários mínimos, que normalmente
procuravam o mesmo serviço de saúde quando precisavam de
atendimento era de 42,6% nos consultórios particulares e de 27,9%
nos postos ou centros de saúde.
No que diz respeito aqueles com ganhos superiores a cinco salários
mínimos, os percentuais eram de 70,7% nos consultórios particulares
e de 4,8% nos postos ou centros de saúde.
Procura
De modo geral, em 2008, entre os 139,9 milhões de pessoas (73,6%
da população) que, normalmente, procuravam o mesmo serviço
de saúde quando necessário, os postos ou centros de saúde
foram os mais citados, com 56,8% das respostas.
Em seguida, aparecem os consultórios particulares (19,2%) e
os ambulatórios de hospital (12,2%). As farmácias, ambulatórios
de clínica ou empresa, pronto-socorros e agentes comunitários
responderam juntos por 11,8% da procura.
Ainda conforme o estudo, naquele ano, o motivo doença respondeu
pela maior parte das buscas por atendimento médico (50%). O segundo
motivo mais citado foi puericultura, vacinação ou outros
atendimentos de prevenção (22%), seguidos por problemas
odontológicos e acidentes e lesão, com 14% e 6%, respectivamente.
Quanto ao atendimento, 86,4% dos atendidos avaliaram como muito bom
ou bom, 10,4% consideraram regular e 3,1% ruim ou muito ruim. (Gladys
Ferraz Magalhães - InfoMoney)
05.04 - Ser saudável no futuro depende do que se faz hoje
É estarrecedor constatar como cada vez mais nossa sociedade
vai ficando mais sedentária. É simplesmente inacreditável
saber que quase 15% das pessoas com 14 ou mais têm dificuldades como
se abaixar ou dobrar os joelhos.
Mas nada pode ser novidade, já que não há nenhum
tipo de apelo do governo para o movimento. Nada que ofereça as mínimas
condições para que os jovens e as crianças se interessem
mais pela atividade.
Dessa forma, os jovens vão moldando a inércia em suas
vidas de forma natural. Poderiam estar moldando a atividade, se houvesse
maior preocupação em oferecer mais espaços como praças
e parques para esportes.
Certamente, assim, 75,2 milhões de brasileiros não estariam
assistindo mais de três horas de televisão por dia e 16,2
milhões não estariam usando o computador ou realizando jogos
parados diariamente.
Não há nenhum tipo de política publica voltada
para a saúde. O gasto com a cura de doença será cada
vez maior.
Temos, até mesmo, um serviço exclusivo para isso: o Ministério
da Doença, apesar de ser insistentemente chamado de Ministério
da Saúde.
O que temos que fazer de prático é acordar para entender
que um futuro saudável e feliz vai depender do que você faz
com sua vida hoje, envolvendo-se mais com o movimento simples e produtivo
que pode ser desenvolvido da forma mais fácil e prática possível.
Se você passar a deixar o seu carro um pouquinho mais distante
de seu trabalho, que permita uma caminhada de dez minutos na ida e outros
dez na volta -que no fundo não é nada-, já estará
saindo do grupo de risco e entrará no grupo de pessoas ativas e
prósperas.
Tudo é muito fácil se você começar a colocar
a atividade de forma bem gradativa.
Assim você irá criando uma relação das coisas
que você tem mesmo que realizar, com o imprescindível movimento
em sua vida, adquirindo mais jovialidade, vitalidade e energia.
(NUNO COBRA - Folha de S.Paulo)
01.04 - Há cirurgias desnecessárias?
Novembro de 2008. Inconformado com um desconforto persistente havia
3 meses, que iniciava na coluna lombar e refletia até a panturrilha
direita, procurei um neurocirurgião. O incômodo já
não me impedia apenas as corridas – esporte que praticava 4 vezes
por semana – mas me atrapalhava o simples caminhar.
Como é praxe, infelizmente, nos protocolos atuais, o médico
ouviu minha queixa e, sem exame físico e mesmo uma anamnese mais
completa (só soube o que eu contei), pediu uma ressonância
nuclear magnética, ao final da consulta.
Dezembro de 2008. De posse do resultado do exame, retorno à
consulta. Diagnóstico: “compressão radicular evidente (por
hipertrofia das facetas articulares)”. Prognóstico: “necessita ser
submetido a descompressão radicular lombar e estabilização
nos níveis L4-L5 e L5-S1, CID M.48 estenose de coluna lombar”. “Código
AMB 52.01.001-5” Artrodese de coluna vertebral via posterior.
Inconformado com o desconforto e com a impossibilidade de correr, e
principalmente determinado a resolver o problema, concordei em marcar a
cirurgia para o dia 23.1.2009, como se não soubesse, já velho
gestor de planos de saúde, que o primeiro tratamento nunca deve
ser o mais complexo.
O médico informou que eu ficaria 3 dias internado, com um dia
na UTI (protocolo conservador, razão para eu não me preocupar).
Receitou os exames e avaliações de praxe e demandou ao meu
plano de saúde a internação e a lista de materiais
(parafusos, capacete haste, conector transversal, broca cortante e enxerto),
que totalizou na primeira cotação R$ 76.706,40.
Quando os médicos da central de regulação do plano
de saúde em que trabalho souberam da cirurgia, imediatamente me
lembraram que não devia começar com o tratamento mais invasivo,
já que nem fisioterapia eu havia feito. Caí na real e me
dispus a uma segunda opinião.
Fevereiro de 2009. O Dr. Wanderley Carlos Resende, ortopedista que
me foi recomendado por vários amigos de trabalho, fez um exame físico/clínico,
olhou a ressonância magnética e vaticinou: “seu caso não
é de cirurgia; com 10 sessões de Reeducação
Postural Global (RPG) certamente você voltará a correr”. Saí
do consultório entre incrédulo e esperançoso. Por
indicação de uma amiga, comecei o RPG com a fisioterapeuta
Isabela Azeredo Laurini. Ela também estudou a RNM e definiu os exercícios
que poderiam me livrar do desconforto e me devolver a capacidade de voltar
a correr.
Julho de 2009. Concluídas as 10 sessões de uma hora,
fui liberado para voltar às corridas. Caminhada e corrida leve no
início, observando se o desconforto se manifestaria, antes de ir
progredindo na carga e no ritmo.
31.12.2009. Depois de 4 meses de treino de corrida progressiva, estimulado
pelo Dr. Renato Tidei, médico corredor que trabalha comigo, me inscrevi
e arrisquei a correr a São Silvestre. Quando cruzei a linha de chegada,
com o tempo (nada honroso, é verdade!) de 1h47’48, confesso que
senti um travo de emoção que se juntou à respiração
ofegante após os 15 quilômetros da prova. Pequeno choro, menos
de superação, mais de agradecimento e alegria.
Aprendi que em medicina um caso não é evidência
de nada. Para se constatar práticas de boa ou má conduta,
bom ou mau tratamento, é necessária a observação
de várias condições e premissas.
Recentemente, a Dra. Isabella Vasconcellos de Oliveira, médica
especializada em Avaliação de Tecnologia em Saúde,
grande estudiosa do assunto, me apresentou um trabalho1 realizado nos EUA
com beneficiários do Plano de Saúde WellPoint, cujo resumo
apresento a seguir:
- o estudo incluiu 172.377 indivíduos com lombalgia, diagnosticados
entre 1.1. e 31.12.2005.
- mais de 35.000 pessoas fizeram exames de imagem desnecessários
e quase 1.000 foram submetidos a cirurgias de coluna inapropriadas, em
até 6 semanas após o diagnóstico.
- tais achados foram consistentes com estudos prévios que indicavam
que a maioria dos pacientes com lombalgia melhorava após 6 semanas.
- cerca de metade (52%) dos pacientes com lombalgia foram tratados
por seis semanas ou menos.
- entre os pacientes de baixo risco tratados no período, 7%
realizaram RNM, a um custo médio de US$ 600 por exame. Cerca de
US$ 1,8 milhões poderiam ter sido poupados ao sistema de saúde
se a metade destes beneficiários não tivesse realizado a
RNM.
- embora menos de 1.000 pacientes com lombalgia (ou 1%) tivessem sido
submetidos à cirurgia dentro das primeiras seis semanas após
o diagnóstico, os custos totais neste período, somente para
este grupo de pacientes, excederam US$ 18 milhões.
A Dra. Isabella me mostrou ainda um outro estudo2 publicado recentemente
no Journal of the American Association (JAMA), em que o número de
pessoas sofrendo de lombalgia está aumentando, assim como os custos
para tratá-las. Em 2005, 15% dos adultos nos EUA relataram problemas
de dores nas costas, em comparação com os 12% relatados em
1997.
O mesmo estudo encontrou que os americanos gastaram US$ 85,9 bilhões
em idas ao consultório, radiografias, tomografias, RMN e medicamentos
para alívio de dores lombares e cervicais, contra os US$ 52,1 bilhões
gastos em 1997.
Do ponto de vista da economia da saúde, meu caso mostrou que
um tratamento de R$ 800,00 resolveu um problema cuja prescrição
médica inicial apontava um gasto aproximado de R$ 85.000,00 (custo
do material mais despesa estimada com a internação). Mais
de 100 vezes o que eu gastei, portanto. Sem contar os dias de trabalho
que teria perdido, o tempo de recuperação e inatividade com
os demais tratamentos para recuperação do ato cirúrgico.
Minha experiência pessoal certamente não tem valor científico.
Quis dividi-la, no entanto, porque – além de chamar a atenção
para os custos evitáveis – certamente é grande a quantidade
de pessoas que na busca da solução de seus problemas de saúde
aceitam se submeter a todo e qualquer tipo de tratamento, muitos deles
complexos e altamente invasivos, com riscos e possibilidade de importantes
efeitos colaterais e, muitas vezes, desnecessários.
Resta por fim uma última reflexão que vale a pena deixar
a muitas operadoras de planos de saúde que pagam as cirurgias de
coluna, mas não cobrem os tratamentos de RPG. Além de não
contemplarem, nas coberturas que oferecem, uma técnica importante
que reeduca e cura, podem não estar fazendo bom negócio.
(1) WellPoint Institute of Health Care Knowledge – março de
2009
(2) Martin, brook, Deyo, Richard, Mirza, Sohail. Expenditures an Health
Status Among Adults with Back and Neck Problems. JAMA 2008: 299(6): 545-664
(José Antonio Diniz de Oliveira - Santos & Diniz)
01.04 - Custos médico-hospitalares
Os custos médico-hospitalares apresentaram alta acima da inflação
até setembro de 2009, segundo informações do IESS
(Instituto de Estudos de Saúde Suplementar).
De acordo com o levantamento, o VCMH (Variação de Custos
Médico-Hospitalares) no período de 12 meses encerrados em
setembro do ano passado, em relação aos 12 meses anteriores,
foi de 12,5%, 7,1 ponto percentual maior do que a variação
do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) apurado no
mesmo período, 5,4%.
Frequência
Dentre os motivos responsáveis pela alta, o IESS aponta o constante
aumento na frequência de utilização dos procedimentos
como o principal impulsionador da variação registrada. Nas
consultas, por exemplo, a frequência aumentou de 4,1% até
o nono mês de 2008 para 4,7% no mesmo período do ano passado.
Além da frequência, a entidade afirma que o reajuste dos
preços das consultas pagas pelas operadoras aos médicos,
de 7,1% no período analisado, também contribuiu para a alta
do indicador, assim como o aumento nas despesas com internações,
que no ano passado cresceu 12,6%, ante 9% apurados um ano antes.
Por fim, explica a entidade, a idade da população também
influencia o cálculo do VCMH. Neste caso, nos primeiros nove meses
de 2009, notou-se aumento de 0,3 ponto percentual na participação
da faixa etária de 24 a 33 anos; e de 0,7 p.p. nos clientes com
mais de 59 anos. As duas faixas são consideradas críticas
por concentrarem grande número de mulheres em idade fértil
e de pessoas com maior prevalência de doenças crônicas,
que acabam consumindo mais os serviços de saúde.
Os dados de fechamento do ano, segundo a assessoria de imprensa do
IESS, devem ser divulgados em maio. (Gladys Ferraz Magalhães
- InfoMoney)
01.04 - Gastos para investimentos na saúde serão preservados
Ministério da Saúde será preservado da decisão
do governo de limitar recursos para emendas parlamentares
Os gastos destinados a investimentos na saúde devem ser preservados
da contingência de R$ 10 bilhões dos R$ 15 bilhões
previstos no Orçamento Geral da União deste ano para emendas
parlamentares. A cifra representa 50% dos R$ 21,8 bilhões de contingenciamento
total do Orçamento, anunciado no dia 19. Concursos do ministério
da Saúde poderão, contudo, ser adiados.
A decisão foi confirmada por um líder do governo que
reforçou que a contenção de gastos atingirá
várias despesas de investimento e de custeio. Ele acrescentou que
50% das verbas de emendas de bancadas a serem bloqueadas, em média,
provocarão respingos nos orçamentos dos ministérios.
(Saúde Business Web)