30.04 - Queixa contra
saúde mais cara
Entidade de defesa do consumidor considera reajuste de 6,76% para planos
individuais abusivo e questiona a fórmula de cálculo
O aumento de 6,76% para os planos de saúde individuais e familiares,
autorizado pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar),
é considerado abusivo por entidades de defesa do consumidor. Daniela
Trettel, advogada do Idec, destaca que o reajuste supera o IPCA (Índice
de Preços ao Consumidor Amplo), que fechou 2008 em 5,9%. “O mais
grave é que esse aumento vem se acumulando nos últimos anos.
Isso faz com que a capacidade de pagamento dos consumidores não
alcance os reajustes”, queixa-se Daniela.
Segundo ela, o método de cálculo da ANS não é
claro: “Não há garantias de que os custos são aqueles.
Os clientes ficam rendidos. Há outros alores que deveriam
ser considerados, como custos que variam de região para região”.
Para Daniela, existem outros métodos, mais justos, adotados por
agências reguladoras de outros setores. “Falta à ANS ter um
debate mais transparente com os consumidores, não só no que
diz respeito aos contratos individuais, mas também aos coletivos,
que não deveriam ser desregulamentados como são”.
O reajuste vale para planos contratados a partir de janeiro de 1999.
Segundo a ANS, o índice foi definido com base na variação
relativa à maior oferta e utilização de procedimentos
incluídos em 2008 no rol de cobertura. O reajuste começa
a vigorar na sexta-feira e será aplicado ao longo de 12 meses, de
acordo com a data de aniversário do contrato.
Interessada na portabilidade da carência, a médica Maria
Cristina Joia, 46 anos, admite trocar de operadora. Ela gasta R$ 590 por
mês com planos para ela, o marido e o filho: “É muito dinheiro.
Agora, as operadoras vão ter que repensar esse aumento. Quem cobrar
muito vai perder cliente”. (O Dia Online)
30.04 - Gripe: Prudência sim, pânico, não
Uma enxurrada de informações invadiu a mídia por
conta de casos de um novo tipo de gripe que vem acometendo indivíduos
em sete países, sobretudo México e EUA, e que já causou
algumas dezenas de óbitos. O assunto é complexo, e nesta
hora é prudente manter a calma. O fim dos tempos não chegou,
mas ainda não é possível dizer qual a dimensão
que a epidemia de Influenza suína terá em nível mundial,
nem mesmo se chegará, de fato, ao Brasil. É importante lembrar
que desde 1968 não houve vírus de doença respiratória
com força suficiente para causar uma pandemia global, dizimando
milhões de vidas. Isto se deve ao fato de que os países se
prepararam, aperfeiçoando mecanismos de vigilância e controle
de doenças. E a medicina avançou de forma significativa nesses
40 anos, com o advento de novas tecnologias, tratamentos, remédios
e vacinas. Na última década, dois tipos de vírus respiratórios
chegaram a representar uma ameaça, não concretizada, de epidemia
capaz de atingir todo o planeta: o da Sars (Síndrome Respiratória
Aguda Grave) e o da gripe aviária. Agora, uma mutação
do vírus A/H1N1, encontrado em porcos, está sendo capaz de
se disseminar entre humanos, acendendo novamente o alerta. Inúmeras
questões têm sido colocadas, entre as quais como diferenciar
a gripe comum da suína. O principal critério, neste momento,
é o epidemiológico. Se alguém tiver febre alta, cefaleia,
dores no corpo, tosse e coriza, mas não for procedente de países
onde há casos confirmados de A/H1N1, é improvável
que esteja com gripe suína. De qualquer maneira, na dúvida,
é recomendável que a pessoa procure um serviço de
saúde para orientação. Não, de maneira nenhuma
é possível contrair esse tipo de gripe comendo carne de porco.
Uma vez aquecido a 70º C, o alimento tem o vírus completamente
destruído, não havendo risco à saúde. As feijoadas
não precisam ser sacrificadas. Também não se deve,
absolutamente, tomar medicamentos antivirais para prevenir a gripe suína.
Este procedimento, além de inadequado, também pode levar
à resistência do vírus. A vacina contra a gripe, aplicada
gratuitamente em idosos pela rede pública, não é eficaz
contra o novo vírus, mas é importante que as pessoas com
60 anos ou mais compareçam aos postos de saúde para receber
uma dose até o dia 8 de maio, protegendo-se contra os tipos mais
comuns de gripe e evitando complicações respiratórias
como pneumonias. No Brasil, não há casos confirmados de gripe
suína nem evidências de que o vírus esteja circulando.
Mas as autoridades federais e estaduais estão alertas e intensificaram
a vigilância. O objetivo desse tipo de medida é identificar
possíveis casos de gripe suína e encaminhar os pacientes
com quadros respiratórios agudos aos hospitais de referência,
aqueles com perfil especializado e leitos de isolamento para pacientes
com doenças infecto-contagiosas, como os hospitais das Clínicas
e Emílio Ribas, em São Paulo. Além disso, haverá
monitoramento constante dos tipos de gripe que estejam ocorrendo no país,
por intermédio das unidades-sentinela, que irão coletar regularmente
amostras de secreções nasais e de garganta de pessoas com
quadros gripais para isolamento dos vírus, e dos laboratórios
de saúde pública de referência nacional, como o Instituto
Adolfo Lutz. Como já ressaltaram as autoridades sanitárias
nacionais, não há motivo para pânico. Prudentemente,
é recomendável adiar viagens para países com surtos
de gripe suína e manter-se informado sobre a evolução
da doença no mundo. Fora isso, vida normal.
(DAVID UIP - Folha de S.Paulo)
30.04 - Derrame: Mulheres ficam mais incapacitadas
As mulheres sofrem o primeiro derrame mais velhas
do que os homens e têm um risco maior do que eles de ter um AVC ao
longo da vida. Não há diferenças entre os tipos ou
a severidade dos eventos entre os gêneros. No entanto, elas costumam
ficar mais incapacitadas. Os dados são de um estudo publicado na
revista "Stroke". (Folha de S.Paulo)
30.04 - Mamografia aos 40: Lei não deverá
vigorar
Inca diz que houve equívoco na interpretação
do texto e que nada muda na indicação
Só as mulheres entre 50 e 69 anos, faixa
etária em que o câncer de mama é mais incidente, continuam
com o direito garantido ao exame
Festejada em todo o país pelas entidades
pró-mama, a lei que entra em vigor a partir de hoje e que assegura
a mamografia (exame que detecta o câncer de mama, o que mais mata
as brasileiras) a todas as mulheres a partir de 40 anos poderá não
ser cumprida. O Inca (Instituto Nacional de Câncer) alega que houve
um erro de interpretação do texto da nova lei federal e que
nada mudará quanto à indicação da mamografia
no SUS. A lei não precisa de regulamentação.
As mulheres entre 50 e 69 anos -faixa etária
em que o câncer tem mais incidência- continuam com o direito
garantido ao exame, a cada dois anos. Na faixa dos 40 anos, elas são
orientadas a fazer o exame clínico anual e, segundo o Inca, a mamografia
só deve ser feita quando há indicação médica
(histórico familiar de câncer). A mesma política é
seguida em países da Europa. Nos EUA, o exame é recomendado
a partir dos 40 anos. A indicação da mamografia para mulheres
jovens é controversa porque a incidência do câncer tende
a ser menor -80 casos por 100 mil mulheres contra 120 casos por 100 mil
por volta dos 50 anos. Se a lei fosse cumprida à risca, o SUS teria
de absorver ao menos 9 milhões de mulheres na faixa dos 40 anos.
Elas deveriam se somar a outras 10,3 milhões acima dos 50 anos-que
já têm o direito, mas ainda enfrentam falhas no sistema para
terem acesso ao exame.
A despeito da polêmica, a Femama (Federação
Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio
à Saúde da Mama) organizou para hoje a distribuição
de rosas e bexigas cor-de-rosa em várias capitais alertando as mulheres
para o fato de que a mamografia aos 40 agora é lei. "O texto deu
margem a interpretações distintas e, se precisar ser mudado,
vamos estudar isso. Toda brasileira, de qualquer idade, já tem garantido
o acesso à mamografia no SUS, desde que tenha orientação
médica", afirma Luiz Antonio Santini, diretor-geral do Inca. Segundo
ele, pesquisas mostram que o rastreamento populacional em mulheres de 40
a 49 anos não evidenciou redução significativa de
mortalidade. Também indicaram efeitos adversos, como excesso de
diagnóstico e tratamentos desnecessários em mulheres saudáveis
nessa faixa etária. A mastologista Maira Caleffi, presidente da
Femama, discorda. Ela diz que há estudos que mostram que fazer o
rastreamento entre os 40 e os 49 anos diminui a mortalidade em 20%.
"A mulher tem que ir atrás do seu exame,
é um direito dela." Para Caleffi, há um benefício
no rastreamento. "O diagnóstico precoce é a única
forma de trazer impacto na sobrevida." "Focar a discussão no rastreamento
aos 40 anos é um desserviço. Não há evidências
científicas que justifiquem essa ampliação", rebate
Santini. O Ministério da Saúde anunciou ontem investimentos
na ordem de R$ 94 milhões para aumentar o número de exames
de colo do útero (em 6,6% ao ano) e de mamografia (24,6% ao ano)
no SUS.
Além disso, entrará em funcionamento
em junho um banco de dados (Sismama) que vai monitorar o alcance de metas
contra o câncer de mama. Reunirá dados como o nome e a idade
da mulher, o tempo de espera e o estágio do tumor. (CLÁUDIA
COLLUCCI, colaborou GABRIELA CUPANI - Folha de S.Paulo)
29.04 - Desnutrição hospitalar
em 30% dos internados
Pelo menos 30% dos pacientes internados nos hospitais do país
sofrem com desnutrição hospitalar. De acordo com o diretor
do Ganep Nutrição Humana e professor associado do Departamento
de Gastroenterologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São
Paulo (USP), Dan L. Waitzberg, o número pode chegar a 70% dependendo
da região do país. A desnutrição hospitalar
pode ser causada por uma série de fatores, desde a má alimentação
antes de o paciente ser hospitalizado, até a desnutrição
decorrente da doença ou adquirida no próprio ambiente hospitalar.
"A desnutrição hospitalar tem graves consequências
para a evolução clínica e mortalidade dos doentes
internados. A taxa de complicações em pacientes desnutridos
é de 50% a mais do que em pacientes não desnutridos e a mortalidade
é duas vezes maior", diz Waitzberg. Segundo o especialista, pacientes
com doenças no sistema digestivo (principalmente no esôfago,
estômago e duodeno) têm maior risco de desnutrição.
Além disso, idade superior a 65 anos, diagnóstico ou suspeita
de câncer ou de infecção são fatores que contribuem
para o maior risco nutricional no doente hospitalizado.
Para reduzir o problema, o paciente deve ser tratado por uma equipe
adequada de terapia nutricional, que conta com médicos, nutricionistas,
enfermeiros e farmacêuticos atuando em conjunto. "A terapia requer
uma equipe treinada, especializada e capaz de indicar a melhor forma de
tratamento nutricional para cada doente hospitalizado. A terapia reduz
o tempo do paciente na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e o tempo total
de internação. O custo aparentemente maior de manter uma
equipe adequada se dilui na medida em que os doentes têm alta mais
precoce, consomem menos antibióticos e ficam menos tempo na UTI",
afirma o professor.
Tipos de terapia nutricional
Segundo Waitzberg, existem dois tipos de terapia nutricional. Na nutrição
enteral, os suplementos orais especiais são administrados por meio
de sondas introduzidas no estômago ou no intestino delgado do paciente.
Já na terapia parenteral, a nutrição é administrada
por meio de acesso venoso central ou periférico. A equipe de especialistas
responsáveis pela terapia nutricional é a responsável
por determinar qual a forma de nutrição mais adequada para
cada paciente.
Assistência no SUS
De acordo com o Ministério da Saúde, em 2008 foram realizados
mais de 1 milhão de procedimentos em Terapia Nutricional no Sistema
Único de Saúde (SUS). Para melhorar o atendimento nesse tratamento,
uma portaria publicada pelo ministério na última semana define
novos critérios para hospitais que oferecem terapia nutricional.
Segundo Waitzberg, o Brasil está entre os poucos países do
mundo que conta com uma legislação do Ministério da
Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa) amparando o uso de terapia nutricional de forma adequada.
A partir do documento, serão habilitados 211 hospitais em 12
estados do país, que funcionarão como Unidades de Assistência
de Alta Complexidade em Terapia Nutricional ou Centros de Referência
de Alta Complexidade em Terapia Nutricional. Outros 598 hospitais, que
ainda não preenchem os critérios estabelecidos pelo ministério,
podem continuar o atendimento aos pacientes e terão um prazo de
12 meses para se adequarem.
Com as novas regras, os Centros de Referência passam a manipular
e fabricar as dietas enterais e parenterais. Nas Unidades de Assistência,
passa a ser facultativa a aplicação da dieta, podendo-se
optar por terceirizar essa atividade. Todos os hospitais também
deverão ter UTI, hemoterapia disponível 24 horas, laboratório
de análises clínicas e equipamento de radiologia.
Para a realização da terapia enteral, passa a ser exigido
das unidades de saúde a presença de uma equipe multiprofissional
composta por médico, enfermeiro, nutricionista, entre outros profissionais
de saúde. No caso da parenteral, o coordenador clínico deve
ter título em Terapia Nutricional. (G1)
29.04 - Desafios da longevidade
Em artigo, o consultor Renato Bernhoeft relata
os desafios da longetividade e suas consequencias
O aumento dos índices de longevidade poderá
representar para a sociedade moderna o mesmo impacto que tiveram o avanço
tecnológico, a pílula anticoncepcional, o viagra, o controle
da natalidade, a descrença nas instituições, o fortalecimento
do individualismo e o acesso das mulheres às posições
de poder. Ou seja, representa mais um dos desafios a serem administrados
pelo ser humano.
Com base nesta constatação convido
o leitor para um processo reflexivo sobre os possíveis impactos
em diferentes atividades e papeis que desempenhamos na vida.
Comecemos com os empresários que fundaram
seus negócios e constatam hoje que estão frente a três
grandes desafios: suas empresas tornaram-se maiores que seus sonhos ou
ambições, além de um significativo aumento na complexidade
da sua administração; as probabilidades de prolongar
sua vida com qualidade se ampliaram e paralelamente seus herdeiros
tornaram-se adultos e anseiam pelo momento da sucessão como forma
de dar continuidade às realizações de um pai empreendedor.
Outro grupo que já sente este impacto
são os executivos de média e alta gerência. Entregaram
suas vidas e carreiras às empresas a ponto de adotarem o nome da
mesma como parte do seu. O Luis da Petrobrás. O Pedro da Varig.
O Carlos da Globo...
Repentinamente estão descobrindo, sem
nenhum preparo para uma aposentadoria cada vez mais precoce, que não
possuem uma identidade própria. Além disto, todo prestígio
que imaginavam seu lhe foi "emprestado" pela empresa durante algum tempo.
Não fizeram a distinção entre o fato de SER e ESTAR.
A vida está se alongando, mas as carreiras convencionais estão
se tornando cada vez mais curtas.
E falemos também dos casais e famílias,
que deverão se deparar com novos desafios nas diferentes relações
que compõe este agrupamento complexo. Já é possível
sentir que os papeis e seus vínculos estão se transformando
rapidamente. Com a longevidade estes relacionamentos deverão ser
re-inventados constantemente.
Com base nestas constatações, que
evidentemente não esgotam o tema, pensemos sobre algumas ações
práticas que possam atenuar o impacto das mudanças e torná-las
positivas.
Para o empresário é importante
compreender que a continuidade do seu legado vai depender, e muito, da
sua capacidade de desvincular-se do mesmo, permitindo espaço para
que a nova geração realize suas conquistas. E isto ocorrerá
de forma mais suave caso o fundador encontre um projeto de vida que o mantenha
com poder e motivação pela vida. O legado para os herdeiros
não é apenas material. Ele inclui uma história de
conquistas que contém bônus e ônus. Afinal, ser filho
de um pai brilhante não é um desafio fácil de ser
encarado.
O executivo deve estar atento aos vários
papeis que vive, além do profissional. Procure desenvolver-se também
nas perspectivas conjugal, familiar, educacional, individual e como cidadão.
Mas, acima de tudo, crie "identidades" alternativas para não depender,
exclusivamente, do prestígio organizacional. Existe vida além
das empresas. Cuidado para não se tornar um executivo de sucesso
e um pai ou companheiro fracassado.
Para os casais e famílias surgem grandes
oportunidades na medida em que uma revisão dos papeis convencionais
cria oportunidades de maior diálogo sobre as diferentes etapas da
vida de cada um. Discutir a relação será cada vez
mais útil e importante. Principalmente se isto puder ser feito livre
dos preconceitos tradicionais. Transforme os desafios em oportunidades.
Com certeza vai valer à pena. (Renato Bernhoeft
- Saúde Business Web)
29.04 - Senado: Indecência vitalícia
Pode-se apostar que isso não existe em
nenhum outro país do mundo, seja de que continente for e qualquer
que seja o regime político vigente: depois de exercer por apenas
seis meses o mandato de senador, o político, seja ele titular ou
suplente, tem garantido, para ele e para seus familiares, um plano de saúde
vitalício, custeado pelo dinheiro dos contribuintes. O benefício
contempla 81 senadores e 310 ex-senadores, além de não se
sabe quantos familiares e pensionistas, e custa cerca de R$ 17 milhões
por ano. E é de registrar que o escandaloso abuso já foi
maior, pois antes de 1995 bastava o suplente ter exercido o mandato por
um único dia para ter direito ao seguro-saúde vitalício.
Lembremos que os ilustres senadores da República
já auferem benefícios cujo valor monetário multiplica
em algumas vezes seus vencimentos. Para um salário de R$ 16.512,09
recebem um somatório de "penduricalhos" que engordam seus ganhos
para valores entre R$ 74,7 mil e R$ 119,7 mil. Nisso os senadores superam
os deputados federais, cujos benefícios engrossam seus ganhos, "apenas",
de R$ 48 mil a R$ 62 mil por mês. Mas quanto aos outros privilégios
há uma perfeita isonomia entre os representantes do povo nas duas
Casas Legislativas federais. Por exemplo, eles desfrutam de uma vantagem
sem paralelo em qualquer outra atividade pública, embolsando 15
salários anuais. E as respectivas verbas indenizatórias também
são iguais, a saber, R$ 15 mil per capita, por mês.
Os brasileiros assistem, diariamente, ao espetáculo
desolador da saúde pública, com doentes despejados nos corredores
dos hospitais por falta de leitos e de atendimento especializado, demoras
insuportáveis na marcação de exames, instalações
precárias, falta de medicamentos e de higiene, crianças e
idosos que morrem nas filas de espera por não receberem cuidados
em emergências e mais um sem-número de ocorrências que
comprovam as deficiências crônicas do sistema de saúde
pública. Os que podem arcam com os planos de saúde privados
- embora contribuam para o custeio da assistência médica universal.
É isso que torna ainda mais revoltante o seguro vitalício
para os parlamentares, ex-parlamentares e suas "sagradas famílias",
para usar a piedosa expressão usada pelo deputado Inocêncio
de Oliveira.
Na concessão da maior parte dos privilégios,
como já dissemos, há isonomia entre deputados e senadores.
Mas quando se passa do abuso oficializado para as maracutaias - termo que
parece ter perdido a conotação pejorativa de delito, depois
que o PT chegou ao poder - parece haver uma verdadeira disputa para mostrar
quem é capaz de perpetrar a maior indecência contra os recursos
provenientes dos escorchados contribuintes. No bojo da farra das passagens
aéreas, por exemplo, deputados federais têm "clonado" os relatórios
de seus colegas para justificar gastos em missões oficiais no exterior.
Apresentam textos exatamente iguais, não se dando nem ao trabalho
de explicitar uma ou outra despesa diferente, mesmo que uma missão
não tenha relação com a outra. E tem mais: o deputado
Eugenio Rabelo (PP-CE) comprou, com recursos da Câmara, 77 passagens
para o Ceará Sporting Club, em 2007, época em que ele presidia
o time cearense de futebol. Ele gastou, da cota de passagens aéreas,
pelo menos R$ 31,2 mil com seu time. E, a valer a palavra do presidente
da Câmara, deputado Michel Temer, pode dormir tranquilo - está
anistiado das consequências de qualquer malfeito praticado no passado.
É verdade que deputados que resistiam
às restrições ao uso de passagens aéreas, propostas
pelo presidente da Casa, na semana passada - depois de idas e vindas -,
começam a recuar e até a mobilizar-se pela mudança.
Certamente já temem os efeitos eleitorais, em suas bases, da "farra
das passagens".
Mas talvez o que os motive mais, nesse recuo
- que não pode ser confundido com uma "retomada ética" -,
seja a máxima política registrada pelo escritor italiano
Giuseppe Tomasi Di Lampedusa, em seu famoso Il Gattopardo: em determinadas
circunstâncias, as coisas precisam mudar para continuar exatamente
como são. Afinal, o tipo de mudança que se propõe
está longe, bem longe, daquilo que a sociedade brasileira deseja,
para que se preservem os valores maiores das instituições
democráticas. (O Estado de S.Paulo)
28.04 - O SUS e o direito da coletividade
Estamos certos de que o STF decidirá de modo ponderado e equilibrado.
Pois o que está em jogo é a manutenção dos
pilares conceituais do SUS
Nesta semana, o Brasil galga importante degrau rumo ao aperfeiçoamento
de sua democracia. O STF (Supremo Tribunal Federal) promove, em audiência
pública, o encontro de conhecimentos e responsabilidades, de diferentes
posições, a respeito dos diversos aspectos que estruturam
o SUS (Sistema Único de Saúde), dimensionam a sua abrangência
e qualificam a sua gestão.
Os debates reúnem representantes dos setores diretamente envolvidos
com a saúde pública brasileira. Com eles, a mais alta corte
do país busca subsídios para definir como as demais instâncias
do Judiciário devem se posicionar diante de uma avalanche de ações
judiciais que pressionam o SUS a fornecer medicamentos e os mais variados
tratamentos.
A discussão desse tema está diretamente relacionada à
constitucionalização dos direitos individuais e sociais,
uma vitória da democracia brasileira que precisamos garantir. Nosso
sistema público de saúde tem a atribuição constitucional
de oferecer a todos os brasileiros o acesso à saúde segundo
um ideal de justiça social, baseado na universalidade, integralidade,
resolubilidade e acessibilidade.
Único acesso aos serviços de saúde para 140 milhões
de brasileiros (70% da população), o SUS tem uma produção
anual de 2,3 bilhões de atendimentos ambulatoriais, 16 mil transplantes,
215 mil cirurgias cardíacas, 11,3 milhões de internações
e 9 milhões de procedimentos de rádio e quimioterapia.
Na assistência farmacêutica, de 2002 até o ano passado,
o orçamento do Ministério da Saúde quase triplicou,
passando de R$ 2,1 bilhões para R$ 5,4 bilhões. São
oferecidos medicamentos para a atenção básica e programas
estratégicos, nos quais estão incluídas doenças
endêmicas e negligenciadas, como tuberculose, hanseníase,
malária e Chagas, entre outras, e ainda medicamentos para doenças
raras e de baixa prevalência que apresentam alto custo de tratamento,
como hepatite C, doença de Gaucher, Alzheimer, Parkinson e insuficiência
renal crônica. O Brasil é, também, o único país
em desenvolvimento a garantir, gratuitamente, tratamento integral a portadores
de HIV.
No entanto, os recursos financeiros destinados ao custeio e a novos
investimentos do SUS são e sempre serão finitos, sobretudo
se considerados os custos crescentes na área da saúde, relacionados
à ampliação dos cuidados, ao envelhecimento populacional,
às características próprias da atividade econômica
do setor e à crescente incorporação de novas tecnologias.
Essa incorporação tem de ser considerada diante da necessidade
de atender ao conjunto das doenças que mais acometem o brasileiro,
em termos de ocorrência ou de gravidade. Ela se faz a partir da análise
dos critérios de eficácia, efetividade e custo/ benefício
e deve estar acompanhada de regras precisas quanto às circunstâncias
e condições de indicação, forma de uso, critérios
de acompanhamento e interrupção. Esses protocolos, com suas
necessárias revisões periódicas, são -e, para
o bem do futuro do SUS, devem continuar a ser- o norte dessa política.
Está nas mãos do Judiciário brasileiro a responsabilidade
de julgar casos em que, muitas vezes, prescrições médicas
privilegiam medicamentos extremamente caros em situações
em que o SUS oferece remédios eficazes para o mesmo tipo de tratamento
a custo muito mais compatível.
Impressiona e preocupa como a pressão por incorporação
de procedimentos experimentais, produtos não registrados no país,
tecnologias sem forte consenso entre especialistas, que envolvem milhares
de desdobramentos judiciais, tem distorcido a imagem da gestão do
SUS, incorretamente tratada como dificultadora do acesso a procedimentos
e medicamentos. Transferir para o SUS a responsabilidade por atendimento
feito fora de suas normas operacionais pode gerar consequências como
desregulação do acesso assistencial, perda da integralidade
e redução de controle e avaliação da atenção
prestada.
Na verdade, devemos buscar um modelo em que o Estado, os médicos
e as entidades que representam os pacientes possam juntos estabelecer critérios
transparentes, baseados em protocolos e consensos terapêuticos, a
custos que a sociedade brasileira possa suportar.
O objetivo dessa estratégia deverá estabelecer normas,
mecanismos e instrumentos operacionais para proteger as pessoas e a coletividade,
garantindo a integralidade assistencial com o melhor resultado, o menor
risco e custos compatíveis.
Estamos certos de que o STF, como de hábito, decidirá
de modo ponderado e equilibrado. Pois o que está em jogo é
a manutenção dos pilares conceituais do SUS.
(JOSÉ GOMES TEMPORÃO - Folha de S.Paulo)
28.04 - ANS: Teto de reajuste para planos de saúde
A Agência Nacional de Saúde Suplementar
(ANS) fixou em 6,76% o teto de reajuste para os planos de saúde
médico-hospitalares individuais/familiares (firmados por pessoas
físicas), contratados a partir de janeiro de 1999, os chamados planos
novos. Também estão incluídos os planos adaptados
à Lei 9.656/98. O reajuste incide sobre cerca de 6,5 milhões
de consumidores, ou seja, 12,4% do total de 52 milhões de beneficiários
de planos de saúde no Brasil.
Os critérios para aplicação
do reajuste dos planos médico-hospitalares foram descritos na Resolução
Normativa nº171, de 29 de abril de 2008, e são os mesmos para
2009. O índice máximo a ser aplicado foi definido em reunião
da diretoria colegiada e será publicado no Diário Oficial
da União desta segunda-feira, dia 27 de abril.
Para calcular o índice de 2009, a ANS
utilizou a metodologia adotada desde 2001, que se baseia estatisticamente
nos reajustes dos planos coletivos. Para a definição do índice
de reajuste deste ano também foi considerada a variação
relativa à maior oferta e utilização de procedimentos
e eventos em saúde a partir da vigência da RN 167 de 09/01/2008,
que revisou o Rol.
O índice de 2009 foi obtido a partir de
fórmula matemática composta pelo valor relativo aos reajustes
dos planos coletivos, 5,60%, e a variação, acima descrita,
apurada no período, 1,1%.
O Diretor-Presidente da ANS, Fausto Pereira dos
Santos, relembrou que, na ocasião da edição da RN
167, a ANS esclareceu que avaliaria a influência que estas mudanças
trariam ao setor da saúde suplementar, tanto em relação
a um possível impacto econômico nas operadoras como também
quanto à qualidade da assistência à saúde que
o novo rol garante. O índice encontrado, no entanto, ficou bem abaixo
do esperado pelas operadoras de planos de saúde.
"O acréscimo referente à variação
deve ser considerado na totalidade do benefício que o novo rol trouxe
aos beneficiários. Procedimentos importantes como vasectomia, laqueadura
ou exames de genética e profissionais como fonoaudiólogo,
nutricionista e terapeuta ocupacional hoje estão incorporados à
cobertura assistencial mínima. Além disso, o percentual sem
esse acréscimo, demonstra a estabilização do setor",
avalia o Diretor-Presidente.
O índice de reajuste tem vigência
a partir de 1º de maio de 2009 e será aplicado ao longo de
12 meses, devendo ser observada a data de aniversário do contrato
do beneficiário. Ao receberem seus boletos de pagamento os beneficiários
devem conferir se o índice está claramente identificado no
mesmo. Em caso de dúvidas, podem entrar em contato com a Central
de Relacionamento via Disque-ANS (0800 701 9656); pela página na
Internet (www.ans.gov.br, no link Fale Conosco); ou em um dos 12 Núcleos
Regionais de Atendimento e Fiscalização (Nuraf) existentes
no país. A relação de endereços está
disponível no site da ANS em A ANS/Regionais de Fiscalização).
PAra mais informações sobre o reajuste acesse o link http://www.ans.gov.br/portal/site/perfil_consumidor/reajuste.asp
(ANS)
28.04 - Dasa investe em saúde pública
Em meio à disputa pelos clientes com planos médicos,
que somam cerca de 40 milhões de pessoas, a Diagnósticos
da América (Dasa) está de olho também na população
desprovida de planos de saúde que se vale dos serviços públicos
de saúde.
Com uma divisão para atender especificamente o governo, a Dasa
mantém sua projeção de crescimento agressivo para
os próximos anos, uma vez que esse mercado ainda é pouco
explorado pela iniciativa privada.
A Dasa entrou no segmento público em meados de 2007, quando
adquiriu o laboratório CientíficaLab. Nos últimos
três anos, o faturamento dessa divisão triplicou. Entre 2006
e 2008, a receita da CientíficaLab saltou de R$ 50 milhões
para R$ 150 milhões e hoje são realizados 3 milhões
de exames por mês em hospitais e postos de saúde públicos.
Como em outros setores, por exemplo, o do mercado editorial, o que
atrai a iniciativa privada nos contratos governamentais não são
os preços pagos pelos serviços prestados, mas o grande volume
que esse tipo de contratação gera. Os laboratórios
privados são remunerados conforme a tabela do Sistema Único
de Saúde (SUS), cujo valor é significativamente menor. Um
exemplo: o SUS paga R$ 1,85 por um exame de glicose e as operadoras de
saúde, R$ 4,53.
Não se sabe com precisão o tamanho do mercado de saúde
pública. Mas, alguns dados mostram um pouco da dimensão desse
universo. O governo federal repassa anualmente para os Estados e municípios
brasileiros R$ 3 bilhões para a área da saúde. Nesse
valor, estão incluídos os gastos com a própria rede
pública e as licitações com as empresas que prestam
serviços. Porém, esse valor pode ser maior, uma vez que muitos
Estados repassam verba de outras áreas para a saúde. Uma
estimativa dá conta de que as licitações podem representar
algo entre R$ 600 milhões e R$ 1 bilhão.
A concorrência nos processos de licitações normalmente
acontece com laboratórios regionais. Em São Paulo, um dos
concorrentes da Dasa é o laboratório Biofast, que presta
serviços para nove prefeituras.
No mundo privado é possível ter uma dimensão um
pouco melhor do potencial desse mercado. Dos 11 milhões de exames
realizados por mês nas 20 bandeiras da Dasa, quase 30% são
feitos na CientíficaLab. "Uma das vantagens dos contratos com o
governo em exames de análises clínicas é que o custo
operacional da Dasa é baixo porque não precisamos ter unidades
próprias e funcionários", explica Cesar Franco, gestor da
área pública da Dasa. Segundo ele, o custo chega a ser entre
20% e 30% menor.
Atualmente, a Dasa presta serviços de exames de análises
clínicas para a prefeitura de São Paulo e governo paulista
e mais 35 municípios paulistas, mineiros e capixabas. Há
ainda dois contratos com o governo do Estado do Rio de Janeiro, sendo que
um deles é na área da exames de imagem como, por exemplo,
tomografia.
Ao contrário da Dasa, que está focando sua atenção
na área de exames de imagem porque esse tipo de procedimento gera
uma maior margem, a CientíficaLab ainda vislumbra grandes crescimentos
na área de análises clínicas. "Ainda há muito
mercado para ser explorado em análises clínicas no segmento
público. Também queremos crescer na área de imagem,
mas é um modelo de negócio totalmente diferente porque normalmente
requer investimento nosso em equipamentos e pessoal e aí a margem
diminui", explica Franco. Nos últimos dois anos, a CientíficaLab
recebeu investimentos de R$ 20 milhões aplicados basicamente para
ampliação da capacidade de produção.
No contrato com o governo do Rio, fechado em dezembro de 2008, a Dasa
não precisou investir em equipamentos porque os hospitais estavam
com aparelhos novos e também contavam com funcionários próprios
para realizar exames de tomografia. "Oferecemos também treinamento
para os funcionários públicos se capacitarem", diz o executivo.
No ano passado, o faturamento da CientíficaLab registrou alta
de 58,7%, o maior crescimento do dentro da Dasa, cuja receita bruta somou
R$ 1,2 bilhão. (Valor Online)
27.04 - Crise provoca avanço da sinistralidade
nos planos
Os planos de saúde corporativos devem
apresentar um crescimento de 6% a 12% na taxa de sinistralidade nos próximos
12 meses. O prognóstico é da Aon Consulting, que presta
serviços de consultoria, elaboração, análise
e administração de programas de benefícios das empresas.
E este viés de alta da sinistralidade é atribuído
à atual crise financeira. “Observamos o incremento da sinistralidade
em momentos de crise em virtude de dois motivos principais. Ocorre um aumento
de estress por medo de demissões, o que motiva o aparecimento de
outras doenças, além do aumento de cirurgias e tratamentos
eletivos. E muitos funcionários e seus dependentes antecipam cirurgias
e tratamentos que estavam sendo postergados, com receio do desemprego”,
destaca o vice-presidente da Aon Consulting, Marcelo Munerato de Almeida.
As empresas, considerando-se este movimento de
avanço da sinistralidade, devem ficar preocupadas, porque o benefício
assistência médica é segundo maior custo da área
de recursos humanos, superado pela própria folha de pagamento.
O levantamento da Aon Consulting aponta que,
após o estouro da crise, houve crescimento de 9,3% no número
de exames e de 8,6% no de consultas médicas. Em relação
aos titulares dos planos, especificamente, o volume de consultas aumentou
12,9%. O que elevou o gasto médio mensal por usuário de R$
103,42 para R$ 118,48. O levantamento foi realizado com 120 mil beneficiários
no período de novembro de 2008 a fevereiro de 2008, em comparação
a novembro de 2007 a fevereiro de 2008.
Responsável pelo gerenciamento de 740.000
vidas na carteira de saúde, em um universo de 350 companhias, a
Aon Consulting aponta ações efetivas que as empresas podem
adotar para se proteger e otimizar seus custos quanto ao benefício
saúde. “É importante ressaltar que cada empresa tem uma realidade
especifica que deve ser avaliada cuidadosamente antes da adoção
de qualquer medida. A revisão do plano de saúde requer um
estudo amplo e bem elaborado”, afirma Munerato. (Fenaseg)
27.04 - 8º Fórum Jurídico da
Unidas acontece nesta semana
Mais de 200 profissionais já estão
inscritos no 8º Fórum Jurídico UNIDAS 2009.
O interesse aumenta à medida em que os profissionais, diante
do complexo cenário do mercado econômico
mundial, conhecem os palestrantes e sabem da excelente oportunidade que
o Fórum trará para dirimir dúvidas de temas importantes
e diretamente ligados à gestão dos planos de saúde
das empresas onde atuam. Inscrições no site www.unidas.org.br.
Mais informações pelo fone (11) 3289-0855. (AssPreviSite)
27.04 - Só 40% das mulheres procuram
o exame de papanicolau
Câncer de colo do útero tem queda
Dados da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo apontam
queda de 30% nos casos de câncer do colo do útero, mas dados
da mesma pesquisa apontam que 40% das mulheres que procuraram voluntariamente
serviço ginecológico nunca haviam feito o exame de papanicolau,
que pode apontar a doença.
A ajudante de cozinha Andrelina Alves, de 28 anos, fazia os exames
e detectou a doença. “Fui pega de surpresa no consultório.
Estava sozinha. Foi uma reação horrível”, disse ela.
Hoje, ela conta que quando encontra uma mulher que nunca fez o exame ressalta
a importância dele.
A estudante Maria de Oliveira confirma a pouca procura pelo papanicolau.
“As meninas da minha idade não procuram por medo ou vergonha”, disse.
Para fazer, basta às mulheres procurarem um posto de saúde
e agendar uma consulta médica.
O médico João Gilberto Bortolotti Filho, diz que é
necessário fazer o exame uma vez por ano. (EPTV)
24.04 - Caos nos hospitais privados
Grande número de pessoas com planos de saúde infla a
rede de hospitais particulares
As longas filas e a demora no atendimento médico não
são mais exclusividade do sistema público de saúde
de Belo Horizonte. Pacientes que frequentam hospitais particulares estão
sentindo na pele a agonia de passar mal e ficar horas esperando para serem
atendidos. Um motivo que explica esse novo cenário é o grande
número de pessoas que conseguiram contratar um plano privado de
saúde. Atualmente, dos 4,9 milhões de habitantes da região
metropolitana, 1,7 milhão são segurados. A maioria deles
(1,326 milhão) adquiriu o plano por meio das empresas em que trabalham,
como forma de benefício trabalhista. A situação aparece
na lista de clientes da Unimed-BH, uma das maiores operadoras de plano
de saúde da capital. Dos 745 mil clientes que a cooperativa tem
em Belo Horizonte e na região metropolitana, 73% possuem planos
corporativos. Para reduzir a superlotação, alguns hospitais
já começaram a adotar medidas. Há cerca de um ano,
o Hospital Lifecenter implantou um sistema de triagem de pacientes, aos
moldes do que existe no serviço público.
Daqui a 60 dias, o Hospital Felício Rocho irá aderir
ao mesmo procedimento. No sistema de triagem, pacientes em situação
mais grave são atendidos imediatamente, passando na frente de pessoas
com gripe, forte dor de cabeça, inflamações na garganta,
sinusite e outras doenças em que o tratamento pode esperar por algumas
horas ou até mesmo dias. Segundo o diretor técnico do Felício
Rocho, Silvério Garcia, o novo sistema vai conscientizar as pessoas
com doenças leves a não procurarem o pronto-socorro de forma
indiscriminada. "O número de pacientes cresceu nos últimos
anos. O problema é que 85% das pessoas que vão ao pronto-socorro
poderiam agendar uma consulta antes e não enfrentar fila", explicou.
O sistema de triagem do Felício Rocho terá cinco classificações
divididas em cores: vermelho para urgência; laranja, amarelo e verde
para complexidades moderadas, dependendo da doença; e azul para
casos mais simples.
Desinformação. Segundo Garcia, o atendimento nos hospitais
privados está sobrecarregado por causa do grande número de
pessoas com seguro de saúde. Ele acredita que as seguradoras deveriam
orientar melhor os usuários. "Falta informação. O
segurado precisa saber onde procurar atendimento médico. Outro problema
é que as seguradoras, geralmente, não aumentam o número
de médicos que atendem pelo convênio. Se você ligar
para um cardiologista ou um ortopedista e tentar marcar uma consulta, por
exemplo, só vai conseguir para daqui a uma semana", argumentou.
Em nota, a Unimed-BH informou que investiu mais de R$ 17 milhões
nos últimos quatro anos e que a rede credenciada da cooperativa
conta com 258 clínicas, hospitais e laboratórios só
na capital. A Unimed alega ainda que possui três hospitais próprios
e vai inaugurar um novo em junho, em Contagem, na região metropolitana.
Uma ocorrência policial por dia
A demora na fila revolta as pessoas que procuram os hospitais particulares.
A situação pode ser confirmada por um dado pouco comum nas
estatísticas de um hospital privado: pelo menos uma ocorrência
policial é registrada por dia no hospital Felício Rocho.
O aposentado Altair Chagas, 75, procurou a unidade médica nesta
semana para curar uma inflamação na garganta. "Tenho plano
de saúde e estou aqui há duas horas. Sequer fui chamado para
fazer a ficha ainda. Está pior que o SUS", reclamou. O motorista
Marco Aurélio Lima, 46, sofreu para levar a filha de 3 anos para
tratar de uma gripe forte. "Cheguei aqui (no Felício Rocho) e vi
a superlotação. Resolvi, então, levar minha filha
para o hospital São Camilo. Cheguei lá, estava mais cheio
ainda. Voltei para o Felício Rocho e ainda tem oito crianças
para serem atendidas antes da minha filha", protestou. (Alexandre
Nascimento - O Tempo)
24.04 - EUA: Crise provoca cortes nos benefícios
A partir de 1º de maio, a Kitchen & Bath Center, fabricante
de balcões de granito e mármore da Flórida, vai parar
de pagar seguro-saúde para os empregados. Em março, a empresa
cancelou o programa de contribuição para aposentadoria complementar
e, antes disso, reduziu as jornadas de trabalho.
Tudo isso faz parte do esforço da empresa para administrar custos,
mesmo depois de ter reduzido o número de funcionários de
250 para 60. Embora o vice-presidente de manufatura, Butch Meyer, estime
que o começo da recuperação econômica vai acontecer
nos próximos 12 a 18 meses, ele diz que os cortes recentes foram
resultado de "extrema necessidade".
Mas houve consequências. Quando a empresa anunciou o fim dos
benefícios de saúde, um empregado pediu demissão e
Meyer teme que outros tomem a mesma decisão.
O sentimento de que a retomada está chegando mas que cortes
precisam ser feitos repete-se em empresas em todos os Estados Unidos. Uma
nova pesquisa feita pela Hewitt Associates com 518 grandes empresas americanas
mostrou que 54% delas acreditam que a recuperação econômica
vai começar no fim de 2009 ou começo de 2010. No entanto,
uma grande porcentagem das empresas planeja fazer novas demissões
coletivas, cortar salários e seguro-saúde e reduzir ou eliminar
as contribuições para aposentadoria complementar.
A pesquisa da Hewitt concluiu, por exemplo, que 25% das empresas estão
considerando demissões coletivas no futuro próximo. Da mesma
forma, uma pesquisa feita pela Sociedade para Administração
de Recursos Humanos com 467 participantes mostrou que 24% dos consultados
muito provavelmente irão fazer demissões coletivas nos próximos
seis meses.
Mas alguns perguntam se faz sentido fazer novas demissões coletivas
com a possibilidade de recuperação tão próxima.
"Trata-se de uma solução de longo prazo aplicada a um problema
de curto prazo", diz Jim Bloomer, diretor da unidade de consultoria para
organização e talentos.
As demissões em massa em final de recessão frequentemente
custam mais dinheiro às empresas por causa dos custos com indenizações,
recrutamento e treinamento de substitutos, sem falar nas perdas de produtividade,
afirma Bloomer.
Mesmo empregados que mantiverem seus empregos vão sentir a mordida.
A pesquisa Hewitt constatou que 32% das empresas pesquisadas estão
considerando aumentar a contribuição dos empregados no seguro-saúde,
e 19% podem reduzir esses benefícios. Da mesma forma, a pesquisa
divulgada no começo desta semana pela Watson Wyatt Worldwide Inc.
e feita com executivos de recursos humanos de 141 empresas dos EUA mostrou
que 26% dos respondentes esperam que suas empresas aumentem as contribuições
dos funcionários para os seguros-saúde durante o próximo
ano.
Cada vez mais as contribuições dos empregadores aos planos
de aposentadoria complementar dos funcionários estão sendo
cortados, mesmo temporariamente. Nos últimos meses, empresas como
a Micron Technology Inc., Cytec Industries Inc. e a fundação
sem fins lucrativos AARP suspenderam seus programas de contribuição.
Enquanto na pesquisa Hewitt 20% das empresas já reduziram ou
eliminaram a contribuição para a aposentadoria complementar,
um adicional de 22% está considerando adotar a medida no futuro.
Além desses cortes, 21% dos pesquisados pela Hewitt indicaram que
estão considerando reduções de salário.
A pesquisa Watson Wyatt mostrou que 21% das empresas já implementaram
reduções de salários. Peter Cappelli, professor de
administração da Escola Wharton, da Universidade da Pensilvânia,
diz que a redução de jornadas e férias compulsórias
sem pagamento podem ser opções melhores para empresas que
sentem que a retomada está próxima.
Mas outros alegam que os cortes de salários salvam empregos.
A Arnold Worldwide, uma agência de publicidade de Boston com 800
empregados, adotou um corte de salário em abril. O diretor-presidente
da empresa, Fran Kelly, diz que a medida o ajudou a "reduzir consideravelmente"
o número de demissões necessárias.
Além disso, ele diz que não perderá "bons funcionários
nem terá custos com indenizações" e também
evitará interromper serviços a clientes. (Dana Mattioli
- The Wall Street Journal/Valor Online)
24.04 - Uso de ultrassom reduz riscos na aplicação
de anestesia
Técnica permite a identificação
precisa do ponto onde deve ser aplicada a anestesia
O ultrassom vem se posicionando como importante
aliado dos anestesiologistas, por reduzir as chances de complicações
na aplicação de anestesia local.
A técnica, desenvolvida há quatro
anos e utilizada no país há cerca de três anos, permite
a identificação precisa do ponto onde deve ser aplicada a
anestesia, tornando mais segura a realização de bloqueios
anestésicos tanto para procedimentos cirúrgicos quanto para
tratamento e controle da dor, garante o presidente da Sociedade Brasileira
de Anestesiologia, Luiz Antonio Vane.
"O sistema de ultrassonografia, que já
é usado para outras situações, agora foi aplicado
na identificação de estruturas nervosas para que se possa
depositar o anestésico local numa situação mais precisa
tanto quanto ao local onde vai ser administrado o anestésico, quanto
sua relação com estruturas como veias e artérias,
que caminham junto aos nervos", explica Vane. A técnica, segundo
ele, reduz o risco de lesão a veias e artérias.
"Dá para fazer o bloqueio sem a ultra-sonografia,
e ele sempre foi feito sem grandes problemas até o momento. Mas,
disponibilizada a técnica, seu uso facilita a identificação
destas estruturas e, lógico, traz uma segurança maior para
a realização do procedimento", reitera. Frisa, porém,
que os procedimentos anestésicos já são muito seguros.
Se o profissional for bem preparado e for utilizado um bom anestésico
e material esterilizado, o risco é mínimo, garante o presidente
da Sociedade Brasileira de Anestesiologia.
"A incidência de problemas mais sérios
durante uma anestesia, por causa anestésica pura e simples, é
de uma para cada 500 mil anestesias. É um procedimento extremamente
seguro, mesmo sem ultrassom", afirma. "É mais perigoso você
atravessar uma grande avenida do que se submeter a uma anestesia", compara
Vane. (Mylena Fiori - Agência Brasil/Saúde Business
Web)
24.04 - Amamentar reduz risco de derrames e doenças
cardíacas
Mulheres que amamentam seus filhos podem estar
reduzindo seu próprio risco de sofrer doenças cardíacas
ou derrames, indica uma pesquisa da Universidade de Pittsburgh, nos Estados
Unidos.
Os pesquisadores americanos dizem ter verificado
que mulheres que amamentam por mais de um ano estão 10% menos propensas
a sofrer desses problemas de saúde do que aquelas que nunca amamentaram.
O estudo americano envolveu 140 mil mulheres
já no período pós-menopausa. Em média, essas
mulheres haviam amamentado seus bebês há mais de 35 anos.
Acredita-se que a redução do risco
de sofrer de doenças cardiovasculares ocorre porque, ao amamentar,
as mulheres diminuem os depósitos de gordura no corpo.
No entanto, os pesquisadores afirmam que o efeito
é mais complexo e que a liberação de hormônios
estimulada pela amamentação também tem um papel importante.
Segundo os pesquisadores, amamentar por mais
de um ano pode ainda reduzir em cerca de 20% os riscos de as mães
sofrerem de diabetes e colesterol alto, e em 12% o risco de pressão
alta.
O estudo afirma que mesmo as mães que
amamentam por pelo menos um mês já têm o risco de diabetes,
colesterol e pressão alta reduzidos em relação àquelas
que nunca amamentaram.
A pesquisa também verificou que amamentar
reduz os riscos de a mulher sofrer de câncer de mama e ovário
e de osteoporose.
Benefícios
Esse estudo, divulgado na publicação
especializada "Obstetrics and Gynaecology", vem se somar às crescentes
evidências de que amamentar traz benefícios não somente
para a saúde dos bebês, mas também das mães,
dizem especialistas.
Para os bebês, a lista de benefícios
é extensa, afirmam especialistas. O leite materno pode proteger
contra obesidade, diabetes, asma e infecções no ouvido, estômago
e peito.
"Há anos nós sabemos que amamentar
é bom para a saúde dos bebês", disse a pesquisadora
Eleanor Bimla Schwarz. "Agora sabemos que também é importante
para a saúde das mães."
Segundo Schwarz, a amamentação
é "uma parte importante da maneira como o corpo das mulheres se
recupera da gravidez".
"Quando esse processo é interrompido,
as mulheres ficam mais propensas a sofrer diversos problemas de saúde,
como ataques cardíacos e derrames", disse a pesquisadora.
O Departamento de Saúde britânico
recomenda amamentação por pelo menos seis meses.
Segundo a especialista em doenças cardíacas
June Davison, da British Heart Foundation, a pesquisa revela uma associação
entre amamentação e redução de riscos de problemas
cardíacos, mas ainda são necessárias "mais pesquisas
para compreender porque isso ocorre". (G1)
23.04 - Um problema de visão em idosos
Doenças relacionadas à idade que
antes não tinham significativa presença na população
hoje se fazem cada vez mais presentes. É o caso da degeneração
macular relacionada à idade, disfunção de células
da retina em pessoas com mais de 60 anos.
Essa alteração surge na mácula
da retina -uma pequena área oval que nos permite ter a visão
central- e pode levar à cegueira. Na fase inicial, não compromete
significativamente a visão.
A revista "Archives of Ophthalmology" deste mês
apresenta uma projeção para o número de casos da doença.
Nos EUA, pode aumentar de 9 milhões em 2010 para quase 18 milhões
em 2050. Explicam, porém, que a possibilidade de surgirem métodos
preventivos e novos tratamentos poderia reduzir a cegueira nessa faixa
etária em cerca de 35%.
No Brasil, Laura Santos e colaboradores observaram
em Pernambuco degeneração macular mais avançada nos
mais idosos. No Rio Grande do Sul, Flávio Antonio Romani encontrou
degeneração macular relacionada à idade em 31,5% de
187 idosos examinados na cidade de Veranópolis. As duas pesquisas
foram publicadas nos "Arquivos Brasileiros de Oftalmologia".
(JULIO ABRAMCZYK - Folha de S.Paulo)
23.04 - Atenção a doentes mentais
O poeta Ferreira Gullar abordou de maneira corajosa
em sua coluna semanal na Ilustrada, no dia 12, a questão da assistência
à saúde mental. O escritor, que vive esse problema em sua
própria família, propôs a revogação da
lei de 2001 que mudou os parâmetros para o atendimento aos portadores
de transtornos mentais no território nacional.
A lei da reforma psiquiátrica determinou
que as internações se dariam só em último caso.
Os críticos da norma, como Gullar, culpam-na por ter deixado muitos
doentes desamparados. Com a restrição às internações,
pacientes e familiares são submetidos a provações
e riscos. Famílias com menos recursos -que não podem cuidar
de parentes durante o dia, por exemplo- são severamente afetadas.
Embora a reforma seja meritória nos princípios,
o problema de sua implantação foi ter feito diminuir os leitos
em hospitais psiquiátricos sem que a rede de assistência ambulatorial
-que cumpriria melhor a finalidade de reinserção social do
paciente em seu meio- tivesse sido estabelecida em nível nacional.
Os hospitais seriam substituídos pelos
Centros de Atenção Psicossocial (Caps), divididos em três
níveis. O primeiro apenas para atendimento diurno em cidades com
até 70 mil habitantes. O último, para o atendimento 24 horas,
em grandes cidades.
Com oito anos de vigência da lei, 16 Estados
ainda não possuem os chamados Caps nível 3 (24 horas). As
residências terapêuticas, para onde pessoas com doenças
mentais graves deveriam ser levadas após deixarem os hospitais,
ainda não existem em oito Estados. Já as vagas em hospitais
psiquiátricos caíram de 51.393 para 36.797.
Ainda que tenha havido uma forte expansão
na rede de Caps -de 424 para 1.326-, o aumento está longe de atender
às necessidades. Segundo o Ministério da Saúde, 3%
da população precisa de cuidados contínuos em saúde
mental. É um número grande demais para tantas lacunas.
(Folha de S.Paulo-18.04)
23.04 - Falta leito psiquiátrico na rede,
diz escritor
Vice-presidente de ONG para portadores de esquizofrenia
elogia mudanças, mas acha que hospital comum tem que ter vaga
Jorge Cândido de Assis, portador de esquizofrenia,
e que já foi internado para tratamento, é um dos autores
de livro sobre a doença
A reforma psiquiátrica brasileira trouxe
experiências positivas na aposta pelo atendimento comunitário
em detrimento das internações hospitalares na ampla forma
como ocorriam há duas décadas, mas ainda há problemas.
A opinião é de Jorge Cândido de Assis, 45, vice-presidente
da Abre (Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores
de Esquizofrenia) e um dos autores do livro "Entre a Razão e a Ilusão:
Desmistificando a Loucura".
Ele, que é portador de esquizofrenia -doença
em que o paciente enfrenta fases de não distinguir realidade do
que acredita ser real-, aponta que os Caps (Centro de Assistência
Psicossocial) são uma boa opção de tratamento fora
das crises. Mas aponta desestruturação e falta de leitos
psiquiátricos em hospitais gerais, o que resulta em pacientes nas
macas em hospitais.
Na reforma psiquiátrica foram fechados
mais de 80 mil leitos psiquiátricos desde 1989 -hoje são
36,7 mil. Em 2001, uma lei legitimou a base da reforma: internação
só em último caso. No domingo, o poeta Ferreira Gullar, em
sua coluna na Folha, reascendeu a polêmica criticando a dificuldade
dos pacientes em conseguir internação. Classificou como desastre
a campanha anti-internação e defendeu a revogação
da lei.
Leia a entrevista com Assis.
FOLHA - Como vê as mudanças?
JORGE CÂNDIDO DE ASSIS - A ideia do tratamento
em Caps é positiva, pois o paciente não fica confinado. É
o local ideal para tratar fora da crise. Na esquizofrenia, 85% dos pacientes
têm o transtorno pelo resto da vida, e esse acompanhamento é
importante.
FOLHA - E nas crises ou fases agudas?
ASSIS - Os hospitais gerais têm serviços
de diferentes especialidades, o que é um fator positivo, pois alguns
pacientes não têm apenas o transtorno mental. O ideal seria
ter mais leitos de psiquiatria nesses hospitais [havia apenas 2.568 em
2008 no país]. Como não há leitos suficientes, os
hospitais psiquiátricos acabam acolhendo essas pessoas. Acredito
que juntar pacientes em hospitais psiquiátricos, por um período
longo, não é bom. Esse conceito historicamente foi construído.
FOLHA - Na associação, qual o sentimento
dos pacientes quanto aos tratamentos hoje?
ASSIS - Tem pessoas que conseguem bons atendimentos.
Uma dificuldade por parte de quem vive a doença é aceitar
os tratamentos. Muitas vezes a pessoa não aceita ir ao médico.
Outra dificuldade é aceitar que as doenças merecem cuidado
a longo prazo. O que pode ocorrer por características dos sintomas
da doença, a pessoa se isola, tem dificuldade de comunicação.
Só a metade adere.
FOLHA - Tem gente que reclama?
ASSIS - Sim. Por exemplo, você chega ao
PS psiquiátrico de hospital geral. Existe uma rede. Onde tiver vaga
você é encaminhado. As pessoas ficam dias em macas até
a transferência porque não há vagas.
FOLHA - Como vê os hospitais psiquiátricos?
ASSIS - Dentro dessa denominação
há diferentes hospitais. Tanto os manicômios quanto os bons
hospitais. Há a Associação Hospitalar Thereza Perlatti,
em Jaú [296 km de SP], que é excelente. Mas, em geral, é
difícil nesse momento da nossa história dizer qual hospital
psiquiátrico é bom ou não porque a qualidade varia
muito. Em um hospital psiquiátrico que não é bom,
é mais fácil haver algum tipo de tratamento desumano, como
punições, confinamento. Essa é uma discussão
antiga, que vem da Declaração de Caracas, que mostra que
esse tipo de atendimento isola.
FOLHA - Como vê a participação
da atenção básica no atendimento?
ASSIS - São fundamentais na medida em
que os agentes de saúde conhecem os problemas da comunidade. Mas
há problemas. Todas as unidades básicas estão preparadas?
Não.
FOLHA - Há estigma?
ASSIS - Sim. No sentido de que há pessoas
que pensam que transtorno mental é menos importante que outras doenças.
FOLHA - Você já se tratou em um
hospital psiquiátrico?
ASSIS - Sim, recebi um bom atendimento pelo SUS
na Santa Casa de São Paulo, em 2000. Estive internado em uma clínica
particular em 1987, e o atendimento também foi bom. Ter sido internado
no meu caso foi fundamental.
FOLHA - A reforma atendeu a demanda por tratamentos?
ASSIS - Não conheço nenhum relatório
com os dados dos atendimentos do sistema. (Folha de S.Paulo-19.04)
22.04 - Cuidados com a saúde geram oportunidades
Em contrapartida à dor de cabeça que vem dando a muita
gente, a crise também oferece boas oportunidades de negócios.
Como quase tudo na vida tem remédio ou tratamento, os setores hospitalar
e farmacêutico resistem às turbulências financeiras,
gerando demanda por profissionais bem preparados. Enquanto nos hospitais
brasileiros a crescente profissionalização abre espaço
para executivos, nas principais indústrias farmacêuticas a
alta nas vendas estimula novos projetos e consequentes contratações.
Produtora de bens de consumo indispensáveis, a indústria
farmacêutica continua num processo de expansão que nem mesmo
a crise parece brecar. Segundo balanço da Federação
Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma), o setor
faturou cerca de R$ 7,3 bilhões no primeiro trimestre deste ano,
alta de 14,5% sobre 2008. Em paralelo, as principais indústrias
farmacêuticas anunciaram que manterão os investimentos para
o desenvolvimento de novos produtos. Recentemente, a Pfizer confirmou que
elevará em 20% a quantidade de pesquisas desenvolvidas no Brasil
nos próximos dois anos.
"O setor não sentiu um impacto direto da crise. O volume de
investimentos, bem como de contratações, continua grande,
mas, obviamente, abaixo do visto em 2008", diz Gustavo Daudt, gerente de
Marketing do Laboratório Daudt. Segundo o executivo, a empresa acompanha
o movimento do setor. "Abrimos um processo seletivo com 30 vagas para os
mercados paulista e carioca. Em janeiro, contratamos um executivo para
cuidar da área de vendas. Temos ainda um posição gerencial
em aberto", revela.
Por conta de suas características únicas, com procedimentos
e normas particulares, o mercado farmacêutico costuma privilegiar
profissionais com experiência no setor para cargos executivos, diz
Bruno Amaro, consultor da Loup Consultoria em RH. "Quem tem o conhecimento
do mercado sai na frente. A troca de empresas é comum, sendo raro
encontrar executivos de outras áreas em cargos estratégicos
nas indústrias farmacêuticas", diz.
Marketing .Segundo Leonardo Ribeiro, da Fesa Rio de Janeiro, consultoria
especializada em recrutamento de altos executivos, as áreas médica
e de marketing são as mais atrativas na indústria farmacêutica.
"As empresas buscam profissionais que aliam visão científica
e entendimento de negócios, pessoas capazes de montar estratégias
de fidelização de mercado. Há ainda destaque para
a área de assuntos regulatórios, onde se buscam executivos
que saibam orientar a companhia a se posicionar", diz.
Há 15 anos na área, Guilherme Tavares assumiu em janeiro
a gerência Nacional de Vendas do Laboratório Daudt. "Vim para
uma posição melhor e mais complexa. Aqui, serei responsável
pela venda dos produtos para redes distribuidoras e farmácias de
todo Brasil, além de coordenar o trabalho dos representantes de
venda", diz Tavares, que trabalhava na multinacional Abbott.
O executivo acredita que a experiência no setor pesou no convite.
"A população não deixa de consumir comida e remédio,
o que mantém o mercado de trabalho aquecido. Ainda assim, a experiência
é um diferencial importante. Quem a possui e alcançou certo
patamar profissional, se recoloca facilmente no mercado, às vezes
até em cargos melhores", diz.
Hospitais. O cenário atual também não impede a
expansão do setor hospitalar, que ainda apresenta um elevado volume
de contratações, avalia Francisco Eduardo, diretor-executivo
do Hospital Pró-Cardíaco, no Rio de Janeiro. "A princípio,
não fomos atingidos pela crise. Não houve demissões
por conta de queda de receita dos hospitais. Pelo contrário, há
muitas contratações no setor", diz.
Eduardo acredita que a maioria das vagas está associada à
crescente profissionalização do mercado. "Hospitais são
negócios complexos, que envolvem uma série de áreas
e atividades, como segurança, logística, hotelaria e compras,
entre outras, que demandam uma gestão profissional", afirma.
No setor hospitalar, segundo Leonardo Ribeiro, as melhores vagas estão
ligadas à área operacional. "Percebe-se uma busca maior por
gestores de operação que consigam organizar processos e dimensionar
estruturas, garantindo qualidade no atendimento e rentabilidade para o
negócio", revela.
Para Rodrigo Bouyer, coordenador do MBA em Gestão Hospitalar
da Faculdade Celso Lisboa, o gestor hospitalar precisa reunir características
singulares. "Ele deve conhecer a complexidade do negócio, saber
lidar com fornecedores, fontes pagadoras (planos de saúde, grandes
empresas e seguradoras) e ter conhecimentos de gestão, auditoria
e contabilidade. Experiência e relacionamento são fundamentais",
avalia. (VINICIUS MEDEIROS - Jornal do Commercio do Brasil)
22.04 - Obesidade atinge um sexto da população mundial
A obesidade é um problema que atinge um sexto da população
mundial. A Organização Mundial da Saúde estima que
o problema causa três milhões de mortes por ano. Na região,
duas mulheres lutam contra o excesso de peso.
Em Tatuí, uma dona de casa chegou a pesar 250 quilos e com muita
força de vontade emagreceu 130 quilos. Em Tietê uma empregada
doméstica precisou parar de trabalhar porque não consegue
mais dar conta das atividades.
É sentada que Osana Aparecida Bom passa a maior parte do tempo.
Aos 48 anos, a dona de casa deixou o emprego de doméstica porque
não conseguia mais render no trabalho. Ela está com 170 quilos
e guarda na memória o tempo em que não tinha problemas com
a obesidade.
História parecida com a de Ana Maria, de Tatuí, que chegou
a pesar 250 quilos. Agora, ela está 130 quilos mais magra.
Osana desenvolve as tarefas do dia-dia como, por exemplo, limpar a
casa. Mas, a cada trabalho doméstico, ela precisa de um intervalo
para descansar. Para passar roupa a mesma coisa. Agora, ela mora com o
filho e a mãe, de 80 anos, que ajuda quando pode.
Osana só sai de casa se for de carro. Uma vez que ela tentou
sair, caiu e machucou o braço. Sem condições de pagar
um tratamento, ela espera por ajuda.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, a obesidade
atinge um sexto da população mundial e é a causa de
três milhões de mortes por ano. (Tem Mais)
22.04 - Serviços integrados de traumas
e ortopedia
Desde 2004, o MS vem revisando as normas vigentes,
que tinham como objetivo tornar a política da Alta Complexidade
mais específica
O Ministério da Saúde lançou
portaria que atualiza as normas para a Assistência em Traumatologia
e Ortopedia, facilitando o acesso dos pacientes a este tipo de tratamento.
Os hospitais anteriormente habilitados para a realização
dos procedimentos de Alta Complexidade em Traumatologia e Ortopedia terão
a sua habilitação mantida, ajustada aos critérios
da nova portaria conforme a sua produção em 2007 e 2008.
Desde 2004, o MS vem revisando as normas vigentes,
que tinham como objetivo tornar a política da Alta Complexidade
mais específica para os vários níveis da atenção
traumato-ortopédica.
O atendimento nos hospitais habilitados como
Unidade de Assistência e como Centro de Referência incluem
os seguintes serviços:
- Urgência com funcionamento 24 horas por
dia;
- Ambulatorial;
- Hospitalar;
- Assistência a todos os pacientes que,
no hospital, tenham sido submetidos a procedimentos traumato-ortopédicos,
de natureza cirúrgica, garantindo assistência até a
alta ou transferência;
- Assistência a pacientes com processos
infecciosos do sistema músculo-esquelético, garantindo tratamento
até a alta ou transferência;
- Exames de diagnose e terapia;
- Apoio multiprofissional e acompanhamento por
meio de procedimentos específicos, visando à melhoria das
condições físicas e psicológicas dos pacientes,
atuando no preparo pré-operatório ou como complemento terapêutico
para restabelecimento da capacidade funcional;
- Reabilitação e;
- Participação nas ações
de prevenção e detecção precoce de doenças
do sistema músculo-esquelético de maneira articulada com
os programas e normas definidas pelo MS ou Secretaria de Saúde do
Estado ou Município, para a atenção em traumatologia
e ortopedia. (Saúde Business Web)
17.04 - Migração de plano atrai mais de 50 mil consultas
Nas primeiras 24 horas em que o Guia de Planos de Saúde, um
aplicativo on line, disponível no site da Agência Nacional
de Saúde, para que o consumidor possa pesquisar e escolher um plano
para migrar, esteve no ar, foram mais de 50 mil acessos, segundo balanço
da agência, demonstrando o interesse do consumidor pela portabilidade
na saúde. Ou seja, a possibilidade de os usuários mudarem
de operadora, sem precisar cumprir um novo período de carência
para a realização de qualquer procedimento, de consultas
a internações.
No alto do site da ANS (www.ans.gov.br), o consumidor encontra o link
Guia de Planos de Saúde - Consulte Aqui para Portabilidade. O associado
deve informar o número de registro do seu plano de saúde
e da sua operadora na ANS. Os números podem ser obtidos no contrato
do plano, na carteira, no serviço de atendimento da operadora, no
boleto de pagamento ou no site da ANS, através de busca a partir
da razão social da operadora. Em caso de dificuldade, o usuário
pode contatar a ANS pelo telefone 0800-701-9656. No guia, o usuário
tem acesso a uma relação de planos compatíveis para
portabilidade. São seis mil planos cadastrados. A portabilidade
só pode ser pedida entre o mês do aniversário do contrato
e o mês seguinte, ou seja, 60 dias a cada ano. No país, são
6,6 milhões de usuários abrangidos, sendo 527.831 em Minas.
Os números não incluem clientes de planos adaptados ou exclusivamente
odontológicos.
Apenas clientes de planos individuais/familiares com contrato assinado
ou adaptado a partir de 1999 podem fazer a migração com portabilidade
de carências. É preciso estar em dia com a mensalidade e estar
há, pelo menos, dois anos na operadora de origem. A troca só
é possível entre planos considerados equivalentes, ou para
um plano inferior.
A coordenadora institucional da Pro Teste, Associação
Brasileira de Defesa do Consumidor, Maria Inês Dolci, explica que
a associação deve realizar uma avaliação do
guia da ANS. “É preciso verificar se o consumidor está bem
atendido pelo site, se ele é claro para a compreensão do
usuário”, afirma Dolci, que deve ter o resultado até o final
da próxima semana. “O importante, nesse momento, é que o
consumidor entenda que se trata de uma portabilidade restrita, não
é como no telefone”, alerta, lembrando dos pré-requisitos
exigidos para a migração sem carência. Na hora de trocar
de plano, a coordenadora lembra que é preciso comparar os dois contratos
e não acreditar em promessas verbais. (Cássia
Eponine - Hoje em Dia)
17.04 - Federação dos Hospitais critica estudo sobre infecção
A Federação dos Hospitais do Estado de São Paulo
protestou terça-feira contra pesquisa que apontou que 75% dos hospitais
paulistas têm falhas no controle de infecções hospitalares.
O estudo foi feito pelo Conselho Regional de Medicina entre outubro de
2007 e janeiro de 2008, a pedido do Ministério Público. Para
Dante Montagna, presidente da federação, apresentar apenas
as falhas de controle pode levar a população a concluir que
os hospitais têm altas taxas de infecção, o que não
é necessariamente verdade.
"Qual é o índice de infecção? Isso é
muito mais importante para a população", argumentou. Questionado
se os próprios hospitais não poderiam divulgar os índices,
o dirigente disse que a decisão cabe a cada unidade. Ele questionou
ainda o prazo para a divulgação do estudo. Em nota, a promotoria
destacou considerar que "o trabalho desenvolvido colabora para a melhoria
das condições hospitalares." Enfatizou ainda que providências
serão tomadas pelos promotores.
As falhas apontadas pelo levantamento foram detectadas dez anos depois
de o Ministério da Saúde editar regulamentação
que obriga as unidades a ter um programa de combate às infecções
e uma equipe de profissionais dedicados à tarefa de evitar que fungos,
bactérias e vírus prejudiquem os pacientes durante ou após
a internação.
O trabalho foi realizado a partir de uma amostra de 158 hospitais,
representativa das 741 unidades hospitalares do Estado. Mesmo entre aqueles
que declaravam ter programas de controle das infecções, 92%
descumpriam algum dos pontos importantes para o trabalho ser considerado
completo. (Agêcia Estado)
17.04 - Hospitais do ABC falhas no controle de infecções
Seis hospitais da região entraram na lista das instituições
que possuem deficiências no controle de infecções hospitalares,
segundo levantamento realizado pelo Cremesp (Conselho Regional de Medicina
do Estado de São Paulo) em parceria com o Ministério Público
de São Paulo. Em todo o Estado, mais de 90% das unidades avaliadas
apresentaram algum problema.
A pesquisa, divulgada na segunda-feira, foi realizada entre novembro
de 2007 e janeiro de 2008. O Cremesp visitou de forma aleatória
158 hospitais do Estado, sendo sete no Grande ABC. Dos vistoriados na região,
apresentaram algum tipo de inconformidade com o PCIH (Programa de Controle
de Infecções Hospitalares) os hospitais Coração
de Jesus e Santa Helena, em Santo André; Assunção,
São Bernardo e Anchieta, em São Bernardo; e o Hospital São
Lucas, em Ribeirão Pires.
Apenas o Hospital Público Municipal de Diadema, que também
foi vistoriado, não entrou para a lista das instituições
com irregularidades.
Os hospitais citados passarão por uma nova vistoria no prazo
de 90 dias, a partir da notificação, para que seja verificada
a correção dos problemas. Se depois desse prazo as deficiências
persistirem, as unidades estarão sujeitas à instauração
de inquérito civil e ao ajuizamento de ação civil
pública.
O Ministério Público esclarece que pelo fato de o levantamento
ter sido feito de novembro de 2007 a janeiro de 2008, ele "apresenta um
retrato daquele momento". O Cremesp acrescenta que "como o prazo concedido
ainda não terminou, situações apontadas no relatório
já podem ter sido regularizadas" pelos hospitais.
O estudo - O estudo do Cremesp verificou dez itens considerados imprescindíveis
na organização e no funcionamento de um programa de infecção
hospitalar. Foi constatado que apenas 12 hospitais (7,6%) atenderam simultaneamente
a todos esses itens. E em praticamente metade das instituições
vistoriadas sequer havia um PCIH formalmente elaborado.
Durante a divulgação do estudo, o promotor de Justiça
Reynaldo Mapelli Junior, coordenador da Área de Saúde do
Centro de Apoio Operacional Cível e de Tutela Coletiva do Ministério
Público, classificou os índices revelados como "absolutamente
alarmantes". Segundo ele, durante a vistoria aos 158 hospitais foram encontrados
até casos de profissionais de saúde que não lavam
as mãos e de esterilização inadequada de materiais.
Segundo dados do Cremesp, estima-se que de 5% a 15% dos pacientes internados
no Brasil contraem algum tipo de infecção hospitalar.
Posição dos hospitais - Todos os hospitais do Grande
ABC citados na pesquisa foram procurados pela reportagem. A direção
do Hospital São Bernardo, por meio de nota, informou que a visita
do Cremesp foi "realizada em 06/11/2007 e que todos os itens apontados
já foram solucionados".
Já a assessoria de imprensa da Prefeitura de Ribeirão
Pires informou que a Secretaria de Saúde e Higiene "determinou as
devidas providências para regularizar todos os itens apresentados
pela avaliação do Cremesp dentro do prazo estipulado" no
Hospital Municipal São Lucas.
A direção do Hospital Coração de Jesus
também informou que já foi notificada pelo Cremesp e que
está "tomando as providências necessárias".
O Hospital Santa Helena, por sua vez, informou que o Cremesp "solicitou
apenas providências burocráticas em relação
ao controle de infecções hospitalares, que já foram
resolvidas antes mesmo de o prazo para isso ter expirado".
O Hospital Assunção também disse ter recebido
o relatório do Cremesp e informou que está "em fase de conclusão
a apuração das questões apontadas". "De qualquer modo,
podemos adiantar que algumas das questões relatadas não foram
constatadas, ou seja, não se consolidava o apontamento realizado
no relatório. Outros apontamentos foram solucionados há muito
tempo", diz nota emitida pela instituição. (Caio Bruno e
Carolina Godoy - Diário Online)
17.04 - Droga retarda evolução do mal de Alzheimer
Em meio à cautela típica da ciência, médicos
britânicos celebram os resultados surpreendentes de uma droga contra
o mal de Alzheimer, desenvolvida com a colaboração da farmacêutica
suíça Roche. Cinco pacientes com estágio moderado
da doença receberam a molécula CPHPC por 12 semanas e não
sofreram deterioração mental. Em entrevista ao Correio, por
e-mail, Mark Pepys - especialista da Faculdade de Medicina da University
College London - contou que, como era esperado, a CPHPC removeu a proteína
Componente Amiloide P Sérico (SAP) do sangue dos pacientes. "No
entanto, nosso estudo constatou que o tratamento com a droga também
fez com que a SAP desaparecesse do fluido cérebro-espinhal, que
banha o cérebro", afirmou o autor da pesquisa publicada pela revista
Proceedings of the National Academy of Science. "Isso é uma descoberta
dramática, que encoraja mais estudos clínicos, com um número
maior de pacientes tratados, em um prazo também maior."
A proteína SAP se acumula nas placas e nos emaranhados de fibras
nervosas dos cérebros de portadores do mal de Alzheimer e suspeita-se
que ela danifique as células saudáveis. "Não sabemos
se a SAP é a chave para a doença, mas há boas pistas
de que ela esteja envolvida no processo", explicou Mark. "Na melhor das
hipóteses, a CPHPC pode atrasar o desenvolvimento e a progressão
do mal de Alzheimer, o que já seria uma grande contribuição
ao tratamento", acrescentou.
Poderosa
O responsável pela criação da CPHPC prefere não
considerar "sua molécula" como a mais promissora droga disponível
contra a doença. Mark admite que a substância é "muito
poderosa e bastante segura, capaz de remover por completo a SAP do sangue
e do cérebro". Mas ele ressalta que testes em larga escala e de
longa duração precisam determinar com exatidão os
benefícios do tratamento. Para os cientistas, a origem da SAP e
o funcionamento da CPHPC são um enigma. Algumas pessoas creem que
a proteína é produzida pelo fígado, outras sustentam
que a fabricação parte do cérebro. "Não sabemos
se a CPHPC entraria no cérebro por si só, já que sua
estrutura química sugere que a droga não passaria facilmente
do sangue para o órgão", acrescentou.
Mark e seus colegas pretendem realizar um teste clínico com
placebo (substância inócua) e CPHPC em 100 pacientes, com
duração de dois anos. "Queremos confirmar a segurança
e a tolerância da droga, e mostrar evidências de benefícios,
seja por meio da estabilização da função cognitiva,
seja pela interrupção do encolhimento do cérebro,
atestada por ressonância magnética", explicou. O pai da molécula
CPHPC acredita que a venda da droga vai demorar um pouco, graças
à lentidão dos processos regulatórios para a aprovação
do medicamento. "Isso poderia ocorrer entre cinco e sete anos." (Correio
Braziliense)
16.04 - Usuários têm receio de mudar de operadora
Mesmo os usuários que apontaram problemas em seus atuais planos
de saúde ainda estão com receio de trocar de operadora.
Usuária da Medial há três anos, a secretária
executiva Márcia Rosselli, 54, relata que há duas semanas
ficou durante 25 minutos em seu telefone celular para agendar um exame
ginecológico.
Com a demora, ela desistiu e relatou o problema à seção
"A Cidade é Sua", da Folha.
Só depois disso, afirma ela, a empresa entrou em contato por
e-mail, ontem, e a consulta foi agendada para o final deste mês.
"Tive resposta da empresa e eles foram atenciosos. Mas não seguiram
a portaria de 1º de dezembro [referente ao atendimento dos call centers,
de, no máximo, um minuto]", afirma Márcia.
Convicta de que cada plano de saúde "tem uma desculpa diferente"
para justificar suas falhas, Márcia prefere esperar um pouco para
ver como será aplicada, na prática, a transferência
de plano sem a obrigatoriedade de nova carência -a chamada portabilidade.
"Gostaria de pagar um plano mais barato, que não me fizesse
passar por tanto estresse. Por enquanto não vou mexer em nada porque
tenho exames agendados", diz.
Também com receio da mudança, a jornalista Higia Faetusa
Soares Nichele, 35, quer mudar de plano de saúde por estar insatisfeita
com os serviços. Mas diz que só fará isso com a garantia
de que as consultas médicas não serão prejudicadas.
"O meu medo é mudar para alguma coisa duvidosa. Antes de pensar
em trocar, quero saber como será a negociação com
os médicos, pois tenho medo de não ter um atendimento completo."
Em março, Higia teve dificuldade para realizar um exame de raio-X
e marcar o retorno de uma consulta. Ela foi atendida após reclamar
na central de atendimentos da Amil, da qual é conveniada desde 2000.
(MÔNICA RIBEIRO E RIBEIRO - Folha de S.Paulo)
16.04 - Infecção hospitalar: ameaça
à segurança do paciente
No Brasil, a incidência da infecção
hospitalar é de 9%, segundo Panorama do Controle da Infecção
Hospitalar no Brasil, elaborado pela Anvisa. Isso significa que, de 100
pessoas internadas, nove apresentam algum tipo de infecção
contraída no hospital. Comemorado no dia 11 de abril, o Dia do Infectologista
foi marcado por um evento da Sociedade Brasileira de Infectologia, com
o tema de campanha: Controle de infecção é legal.
De acordo com o 1º secretario da Sociedade
Brasileira de Infectologia, Mauro Salles, o tema da campanha 2009 tem duplo
sentido. "A palavra ‘legal" vem do adjetivo conforme ou relativo à
lei e do popular certo, em ordem, excelente", explica.
Salles afirma que o Brasil não é
diferente dos demais países e por isso se preocupa tanto com a infecção
hospitalar. A idéia da nova campanha é incentivar todos
os serviços de saúde a controlar a infecção.
"Esse controle é obrigado, por lei", destaca.
"O uso de procedimentos altamente sofisticados
e invasivos, a utilização clínica dos antimicrobianos
de forma abusiva e indiscriminada e a falta de adesão à lavagem
das mãos contribuem para a proliferação das bactérias
e consequente infecção", conta.
O 1º secretário explica que a higienização
das mãos, além de eficaz, é uma das medidas preventivas
mais importantes e a de menor custo no controle das infecções
hospitalares. A boa conservação do ambiente e a higienização
dos instrumentos também diminuem consideravelmente a incidência
e a gravidade das infecções.
"Nós temos realizado constantes trabalhos
de prevenção através da Internet, jornal, folhetos,
revistas médicas especializadas e discussões conjuntas para
que a população entenda a nossa preocupação
e absorva essa importância", complementa Salles.
De acordo com ele, embora o controle, as descobertas
e a vigilância das infecções hospitalares tenham evoluído
nos últimos anos, ainda há muito que fazer. Adotar medidas
de higienização, a constante vigilância, a educação
continuada dos profissionais e ter um controle mais rigoroso dos procedimentos
podem reduzir de 30% a 60% as taxas de infecção hospitalar.
"Nosso objetivo é alarmar as pessoas e
não produzir sentimento de medo. A meta é informar as práticas
que podem ser realizadas pelos próprios pacientes, contribuindo
com o combate à infecção", finaliza. (Thaia
Duo - Saúde Business Web)
16.04 - Terapia celular reverte diabetes
tipo 1
Estudo que segue há mais de quatro anos 23 pacientes mostra
que tratamento com células-tronco livrou 15 deles da insulina
Pesquisa da USP de Ribeirão revela que pâncreas voltou
a funcionar; autor avalia que ainda não é possível
falar em cura de diabéticos
Um estudo brasileiro inédito revela que o pâncreas de
diabéticos tipo 1 está voltando a funcionar após o
transplante de células-tronco do próprio paciente, livrando-o
da necessidade de insulina.
Os resultados da pesquisa, que acompanha 23 voluntários há
mais de quatro anos, estão publicados na edição de
hoje do Jama (jornal da Associação Médica Americana).
Os autores constataram, pela primeira vez no mundo, que os níveis
do peptídeo-C, uma espécie de marcador do funcionamento das
células produtoras de insulina, aumentaram nos pacientes submetidos
à terapia.
Essa substância é um dos resíduos da produção
do hormônio pelas células beta do pâncreas. Ou seja,
quanto maiores suas taxas, maior a produção de insulina e
menor o risco de complicações associadas ao diabetes, como
amputações.
"O nível dele não só deixou de cair como aumentou",
comemora o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, da USP de Ribeirão
Preto, e um dos autores do estudo. "Isso significa que o pâncreas
está voltando a funcionar", explica ele. "Esses pacientes produzem
mais insulina do que quando chegaram até nós."
A maioria dos voluntários deixou de usar hormônio sintético
há mais de três anos, em média, com bom controle da
glicemia. "Temos pacientes livres há quatro anos e oito meses, com
excelente qualidade de vida, sem picos de hipoglicemia", diz Couri.
Oito deles precisaram voltar a tomar o hormônio sintético,
mas em doses muito baixas. "Por isso não dá para afirmar
que os benefícios sejam permanentes", avalia o imunologista Júlio
Voltarelli, um dos líderes do estudo.
Mas mesmo nesses pacientes os níveis do peptídeo-C estão
aumentados, mostrando que o pâncreas está funcionando melhor
também nessas pessoas, apesar de não produzir todo o hormônio
de que necessitam. "Eles provavelmente terão uma melhor evolução
da doença", acredita Júlio Voltarelli.
O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune, em que o próprio
sistema de defesa do corpo passa a atacar o pâncreas. A terapia com
células-tronco, ao que parece, consegue combater essa falha imunológica,
mas não recupera as áreas destruídas da glândula.
Daí a necessidade de aplicá-la em pessoas recém-diagnosticadas.
Medicamento
Outro resultado inédito apontado pelos autores foi o efeito
da droga sitagliptina, indicada para diabéticos tipo 2, em dois
dos pacientes que voltaram a precisar da insulina. Com dois meses de medicação,
eles ficaram livres do hormônio sintético. A droga estimula
a secreção de insulina pelo organismo. Hoje tais pacientes
controlam a glicemia tomando esse remédio uma vez ao dia.
Em 2007, com a publicação dos primeiros dados do transplante
de célula-tronco, o trabalho recebeu duras críticas da comunidade
científica internacional, que atribuiu os bons resultados a um período
conhecido como lua-de-mel, em que mudanças na dieta e exercícios,
aliados ao acompanhamento médico, seriam os responsáveis
pelos benefícios.
"Hoje não há dúvidas de que não se trata
de lua-de-mel", diz Couri, lembrando que o primeiro artigo sobre a pesquisa
publicado no Jama levou um ano para ser aceito -a aceitação
desse último levou dois meses. Para Voltarelli, ainda não
se pode falar em cura do diabetes. "Mas talvez estejamos trilhando o caminho
para isso." (GABRIELA CUPANI - Folha de S.Paulo)
16.04 - Coração mata muitos
homens, e cada vez mais cedo
Otávio Antônio Soares, 63 anos: problemas no coração
não tiram sorriso do rosto do aposentado
Duas filhas, cinco netos e muita disposição para viver.
Aos 63 anos, o aposentado Otávio Antônio Soares não
reclama dos problemas de saúde, mesmo não podendo pegar peso
e andar depressa. E faz questão de lembrar: "Se estou aqui hoje
é graças ao amor de Deus".
Em março de 1983, a dor no peito que irradiava para o braço
foi o primeiro sintoma. "Estava jogando bola, cai no chão e somente
me dei conta quanto estava no balão de oxigênio do hospital.
Tive um princípio de infarto. A dor era muito forte, parecia que
ia arrebentar o peito", lembra. Mas a bebida alcoólica, o cigarro
e má alimentação não saíram da rotina.
"Fiquei oito meses afastado do serviço, fiz academia e tomei remédios,
mas não parei de fumar e beber", admite.
Sem fortes mudanças, o problema voltou. "Como eu tinha cuidado
pouco, tive que fazer três pontes de safena para consertar meu coração,
em 1992", afirma. Daí em diante o aposentado resolver mudar.
"Parei com tudo. Só a alimentação que ainda não
está 100%, está 80% porque sou meio teimoso (risos). Eu era
o único da família que bebia e fumava, então foi fácil
parar, mas a comida é difícil", relata.
Saiba mais sobre infarto e outros problemas do coração
Quando tudo parecia bem, outra cirurgia. "Voltei a operar em 2003.
Dessa vez, coloquei uma válvula mitral, uma ponte de safena e outra
mamária", conta. O coração até pode ter algumas
modificações, mas o bom-humor e a alegria continuaram nele,
que é apenas um exemplo entre tantos homens brasileiros com problemas
cardiovasculares. "A mortalidade por doença cardiovascular afeta
32% da população brasileira. As duas doenças que mais
causam mortalidade são: o Acidente Vascular Cerebral (AVC) e o infarto
do miocárdio. Ambas são causadas pelo infarto, uma no cérebro
e outra no coração. Normalmente, atinge os pacientes acima
de 40 anos de idade. Mas essa idade vem diminuindo, devido ao sedentarismo
e tabagismo em pessoas mais jovens", diz o presidente da Sociedade de Cardiologia
do Espírito Santo José Aid.
Causas
De acordo com o cardiologista, o que causa a morte no infarto são
as arritmias cardíacas. O coração não recebe
sangue, vai inchando e parando de funcionar. "Quanto mais cedo você
faz o diagnóstico, abre esse vaso que está se fechando, mais
chance tem de reverter o infarto e salvar a vida. O grande desafio é
fazer com que as pessoas tenham acesso a esse tipo de tecnologia, apenas
10% da população tem", lamenta. (Laila Magesk - Gazeta Online)
15.04 - Planos odontológicos desaceleram expansão
O segmento de planos odontológicos deve reduzir um pouco o ritmo
de crescimento este ano. Depois de registrar uma alta de 19%, alcançando
11 milhões de usuários, em 2008, o setor espera uma expansão
de 15% para 2009.
Esse fato, no entanto, não apaga o vigor que o setor vem experimentando
nos últimos anos. De acordo com dados do Sindicato Nacional das
Empresas de Odontologia de Grupo (Sinog), desde a fundação
da primeira empresa que trabalha com a venda exclusiva desses planos, em
1966, até 2000, o mercado totalizava 2,8 milhões de beneficiários
neste segmento. Nos últimos oito anos, o número cresceu 301,94%.
"Em um determinado momento, possivelmente nos próximos cinco anos,
os planos odontológicos terão o mesmo número atual
de beneficiários de planos de saúde, de mais de 40 milhões
de usuários", acredita o presidente do Sinog, Carlos Roberto Squillati.
Demanda reprimida por assistência odontológica é
o principal fator que deverá sustentar o crescimento do setor, de
acordo com a entidade. "Há uma consciência hoje de que não
é possível pensar em saúde, sem falar em saúde
bucal."
O setor, formado por 493 operadoras de planos de saúde, é
hoje sustentado pela carteira de clientes corporativos. Dados do Sinog
dão conta de que cerca de 85% dos planos são contratados
de forma coletiva e mais da metade destes estão localizados na região
Sudeste do País. "Mas como apenas 5,5% da população
brasileira está vinculada a um convênio dessa natureza, há
nichos de mercados a serem explorados em todas as regiões", diz.
Em 2007, a Odontoprev, maior empresa do setor, começou a se
aproximar dos clientes de pequenas e médias empresas. A estratégia
também foi adotada pela Inpao Dental. Hoje, 8% dos clientes da empresa
é composta por pequenas e microempresas. A expectativa é
de que chegue a 12% até o final deste ano e a 20% em 2010. "Alcançamos
o cliente individual através dos produtos de afinidade", diz o diretor
administrativo financeiro da Inpao Dental, Cláudio Martins Aboud,
referindo-se a parcerias com bancos e operadoras de planos de saúde.
"Quando o cliente adquire um cartão de crédito do banco
Santander, por exemplo, tem a opção de adquirir um plano
Inpao Dental", explica. Na mesma linha, a empresa tem parcerias com a Unimed
Paulistana e Unimed Santos e está fechando acordo com a Unimed ABC.
"Esse é um segmento que é bastante explorado e é bastante
promissor", diz o executivo.
A Inpao Dental, que alcançou o número de 300 mil beneficiários
no ano passado, depois de registrar um crescimento de 31,7%, está
entre as empresas que reduziram a previsão de expansão para
este ano. A empresa, que estimava uma alta de 30% para 2009, agora conta
com um crescimento de 24% até o final do ano. "A velocidade já
foi reduzida no final no último trimestre de 2008 e a redução
se manteve no começo deste ano", diz Aboud. De acordo com o executivo,
enquanto no primeiro trimestre de 2009 a empresa elevou em 4,5% o número
de beneficiários, no mesmo período do ano passado, o crescimento
foi de 7,92%.
Consolidação
Fortemente dependente de escala, assim como os planos de saúde
e o de medicina diagnóstica, o setor de planos odontológicos
deve manter nos próximos anos o processo de consolidação
já iniciado.
Para disputar o mercado de planos odontológicos, o grupo Bradesco
de Seguros e Previdência estruturou a Bradesco Dental em maio do
ano passado. A empresa, encerrou 2008 com mais de 1,135 milhão de
beneficiários de uma carteira de 2,4 mil empresas clientes. A expectativa
é atingir 2 milhões de vidas nos próximos dois anos
e se tornar líder no segmento.
O número parece pouco se comparado ao alcance dos planos de
saúde, que contam hoje com mais de 40 milhões de beneficiários
no País. O que chama a atenção no caso do segmento
odontológico é, no entanto, é seu ritmo de expansão.
O plano da Amil é ambicioso: tornar-se o líder do setor
odontológico no prazo de cinco anos. Segundo Norberto Birman, diretor
corporativo da empresa, a estratégia é atuar em duas frentes:
a captação de clientes da carteira de planos de saúde
da empresa, que hoje conta com 3,3 milhões de beneficiários
e, também, atrair clientes que ainda não estão no
mercado de planos de saúde, ou seja, fora da lista de 41 milhões
de vidas calculados pela Agência Nacional de Saúde (ANS).
O foco é trabalhar no sistema de "cross-selling", isto é,
vendendo serviços relacionados para um mesmo clientes. A estratégia
tem dado certo. Por enquanto, da carteira de planos de saúde da
empresa, 600 mil clientes já têm o produto odontológico.
Odontoprev
A Odontoprev ainda aposta nas aquisições para alavancar
o crescimento. Segundo José Roberto Borges Pacheco, diretor de relações
com investidores da empresa, apesar da crise, 2009 será um dos melhores
anos para ir às compras. Desde que abriu capital, em 2006, a empresa
já comprou sete planos odontológicos, sendo que dois foram
adquiridos no começo deste ano. Trata-se da Odontologia Integral,
adquirida em janeiro, com 33 mil associados e da Odontoserv, com 94,5 beneficiários,
cuja compra foi concluída no final de março. Só com
aquisições, a empresa colou em carteira 500 mil associados,
que hoje somam 2,4 milhões de vidas.
"E ainda temos uma posição de caixa confortável
para aproveitar as boas oportunidades do mercado", diz Pacheco. A Odontoprev
conta com cerca de R$ 200 milhões em caixa para novas aquisições.
O valor é praticamente o mesmo que a companhia tinha na época
em que lançou ações em bolsa, em 2006, quando captou
R$ 522 milhões no mercado financeiro.
Pacheco acredita, porém, que o crescimento orgânico ainda
dará a tônica de crescimento neste ano. Em 2008, o crescimento
orgânico representou 10% da expansão da empresa e as aquisições,
6%. "O setor ainda é jovem no Brasil, com uma velocidade de crescimento
até 5 vezes maior que a dos planos de saúde."
O acirramento da concorrência, especialmente com a entrada das
gigantes dos planos de saúde e também das seguradoras, ainda
pouco perturba os planos da Odontoprev. "Nossos principais competidores
não têm a odontologia como negócio principal e ainda
passam por dificuldades de margens, com as baixas taxas de crescimento
do setor de planos de saúde", diz.
Atualmente, o foco da Odontoprev é ampliar o alcance de seus
serviços. Com a aquisição da Odontoserv, por R$ 26
milhões, a empresa passa a atuar com mais força nos estados
de Alagoas, Sergipe, Bahia e Paraíba, em aproximadamente 400 municípios,
entre várias capitais e maiores cidades do interior do Brasil. investidos
R$ 26 milhões na compra da empresa. (Gazeta Mercantil
- (Regiane de Oliveira e Valéria Serpa Leite)
15.04 - Genérico ainda mais vantajoso
Reajuste favorece quem trocar o medicamento de
marca pelo remédio indicado pelo princípio ativo. Diferença
chega a 89,49%
Comprar medicamentos fica mais caro a partir
de hoje, quando chega ao Rio a tabela com os novos valores após
o reajuste máximo de 5,91%. A alta recai sobre os medicamentos de
marca e também os genéricos que, no entanto, continuarão
bem vantajosos financeiramente conforme levantamento ao lado, feito por
O DIA, comparando os novos preços dos remédios mais consumidos
pelos cariocas e complementando lista publicada pelo jornal com exclusividade
na sexta-feira passada.
Para se ter uma ideia, após o reajuste
a diferença de preços entre o calmante Lexotan (que terá
reajuste de 5,9%) e seu genérico, o Bromazepan (aumento de 5,83%)
ficará ainda maior. Quem optar pelo genérico vai pagar 89,49%
a menos na comparação com quem escolher levar para casa a
marca conhecida. Quem levar o emagrecedor Cloridrato de Sibutramina no
lugar do Reductil, pagará 78,82% a menos. Já quem for orientado
pelo médico a substituir o tranquilizante Frontal pelo genérico
Alprazolam vai pagar 69,87% a menos.
A fim de saber se o medicamento prescrito pelo
médico tem genérico, o consumidor deve pedir ao farmacêutico
para consultar a revista da ABC Farma. As drogarias são obrigadas
a ter a tabela em locais de fácil acesso. (O Dia Online)
15.04 - Embalagens de medicamentos serão mais informativas
As embalagens de medicamentos vão ficar mais informativas. Uma
proposta da Anvisa quer incluir, por exemplo, nos medicamentos com efeito
sedativo, um símbolo de alerta, acompanhado da expressão
“não dirigir”. As embalagens também deverão trazer
informações em braile (nome do ativo, concentração,
forma farmacêutica e SAC), para garantir a acessibilidade ao produto.
Essas e outras alterações sugeridas pela Consulta Pública
nº08/2009 recebem contribuições até o dia 11
de maio. O objetivo da CP é que a rotulagem permita a identificação
adequada do medicamento durante sua dispensação e uso, e
oriente sobre o armazenamento adequado dos produtos, bem como quanto ao
uso seguro do medicamento, com a disposição de informações
e advertências que se fazem necessárias para o uso racional.
“A proposta foi feita para solucionar problemas que vêm sendo
identificados no mercado e reclamados tanto pela população
quanto por associações do setor”, afirma o diretor-presidente
da Anvisa, Dirceu Raposo de Mello. “O objetivo é tornar as informações
da embalagem do medicamento mais claras e úteis para o cidadão”,
ressalta.
O documento também propõe que informações
que já figuram nas bulas também sejam colocadas nas embalagens,
tais como substâncias presentes no medicamento e mudanças
nos cuidados de conservação após a abertura do produto.
“Essas mudanças são importantes para que pessoas que têm
alergia a algum componente da fórmula saibam disto antes de abrir
a embalagem”, completa Raposo.
As contribuições podem ser enviadas pelo fórum
virtual de discussão ou por meio de um formulário próprio.
O formulário (word) deve ser encaminhado para o e-mail cp.rotulagem@anvisa.gov.br,
fax: (61) 3462-5428, ou por correio para: Agência Nacional de Vigilância
Sanitária, Gerência-Geral de Medicamentos – Setor de Indústria
e Abastecimento (SIA), Trecho 05, Área Especial nº 57, Brasília
– DF, CEP: 71.205-050. (CFM)
14.04 - Operadoras apostam em novas estratégias
Com a portabilidade em vigor, as operadoras de
planos de saúde precisam elaborar estratégias para manter
seus clientes e para atrair novos usuários. Com isso, o beneficiário
agora pode escolher qual o plano mais vantajoso para migrar. Com objetivo
de melhorar e desburocratizar o atendimento, o Ideal Saúde investiu
mais de R$ 300 mil na compra de um novo sistema da bandeira do cartão
de crédito Visa. “O produto, que será lançado para
o cliente a partir de maio, é um cartão do plano que libera
na hora a autorização para fazer determinado tipo de procedimento.
Este será o presente para os atuais e novos usuários”, exclamou
o gerente de Filiais do Ideal, Carlos Nascimento.
De acordo com o gerente, quando o médico
solicitar algum tipo de procedimento como, por exemplo, exames de ressonância
magnética, tomografia, internação com data marcada
e outros, o paciente irá até a clínica, hospital ou
laboratório e, ao passar o cartão, a autorização
sai na mesma hora. Mas, para isso, é preciso que o usuário
esteja adimplente e tenha cumprido os prazos de carência. “Estamos
preparados para a portabilidade e esta iniciativa é um grande diferencial
entre as outras operadoras”, afirmou.
Para o diretor-secretário da Unimed Recife,
doutor Antônio Cruz, a grande preocupação com a portabilidade
em vigor é que muitas pessoas mudam de plano para conseguir determinado
tipo de procedimento que seu plano de origem não oferece. Depois
que conseguem o que querem a gente corre o risco destes beneficiários
abandonarem os novos planos. “A gente só pode fazer uma análise
sobre a portabilidade depois do dia 15. Mas sabemos que teremos alguns
custos para nos adaptarmos às novas regras”, concluiu Cruz. (Folha
de Pernambuco)
14.04 - Convênios querem reajuste de 10%
na mensalidade neste ano
As operadoras de planos de saúde querem
o reajuste de pelo menos 10% nas mensalidades. Para as empresas consultadas,
o custo dos planos de saúde aumentou com a alta do dólar,
já que medicamentos e equipamentos importados são cotados
nessa moeda.
Segundo a operadora Medicol, o custo aumentou
mais de 10% com a alta do dólar. A Samcil solicitou aumento de mais
de 10% para a Abramge. "Cada vez que um funcionário é demitido,
perco um beneficiário", afirma Alejandro Pérez. A crise também
teria aumentado o número de consultas e exames --com receio do desemprego,
muitos preferem garantir o atendimento.
A inclusão de mais procedimentos teria
aumentado o custo dos convênios em até 8%, de acordo com a
Unimed Paulistana.
A Abramge (Associação Brasileira
de Medicina de Grupo) não informou o percentual proposto para a
ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) e diz que está
calculando os custos.
Em 2008, a ANS autorizou reajuste máximo
de 5,48% para os planos individuais e familiares --o índice passou
a valer em maio do ano passado e termina neste mês. Segundo a ANS,
o reajuste está sendo calculado e será enviado para os ministérios
da Fazenda e da Saúde nas próximas semanas.
(Luciana Lazarini - Agora S.Paulo)
14.04 - Plano de saúde cresce. E a rede?
Nem mesmo a ANS sabe dizer qual a proporção
ideal entre clientes e locais de atendimento
Os planos de saúde privados estão
livres para aceitar novos clientes sem que para isso tenham de ampliar
sua rede de atendimento. E não há como fiscalizar a qualidade
do serviço prestado, pois faltam parâmetros sobre o número
ideal de usuários por quantidade de estabelecimentos de saúde
credenciados pelas operadoras.
Nem mesmo a Agência Nacional de Saúde
Suplementar (ANS) sabe dizer se a proporção atual entre usuários
dos planos de saúde privados e os equipamentos disponíveis
é adequada. “Hoje, não se sabe qual seria a quantidade ideal
de leitos para atender a contento toda a rede de usuários de planos
de saúde”, admite Ceres Albuquerque, gerente-geral de Informação
e Sistema da ANS, justificando que o cálculo seria muito complexo
e teria de considerar uma série de variáveis.
Em abril, pela primeira vez no histórico
de pesquisas da ANS a agência apurou a quantidade de hospitais, clínicas
e prontos-socorros privados existentes no Estado de São Paulo. Diante
dos novos dados, foi possível constatar que existe, por exemplo,
um pronto-socorro especializado para cada 1,4 milhão de segurados
(veja ao lado).
“Pesquisar os estabelecimentos de saúde
existentes hoje já é o primeiro passo para que, no futuro,
possamos estabelecer um parâmetro e melhorar a regulação
do setor”, afirma o gerente.
Sem investimentos
Para Márcio Bichara, secretário
de Saúde Suplementar da Federação Nacional dos Médicos
(Fenam) e representante do Conselho Federal de Medicina (CFM), a ausência
desse indicador é a principal causa dos problemas que atingem os
segurados de planos de saúde. “A maioria das pessoas que tem convênio
sabe que a espera nos hospitais e consultórios só aumentou
nos últimos anos”, afirma Bichara. “E isso acontece porque a quantidade
de conveniados cresceu sem que a rede privada de hospitais e clínicas
tenha sido ampliada.”
De 2006 a 2008, mais de 1,2 milhão de
pessoas entraram para o sistema privado de saúde no Estado de São
Paulo - hoje, são 16,8 milhões de segurados. Mas não
se pode dizer quantos novos hospitais a região ganhou nesse período
- a ANS não apurou esse dado nos anos anteriores e nenhum outro
órgão, público ou privado, parece dispor da informação.
“Não há como medir o problema,
mas é triste constatar que o segurado de plano de saúde que
reclamar de demora no atendimento estará desamparado pela legislação”,
reconhece Renata Molina, técnica da Fundação Procon-SP.
“O máximo que o Procon pode fazer é
pressionar a empresa para que ela atenda seu cliente o mais rápido
possível. Mas hoje não temos base legal para exigir mudanças
efetivas no sistema e acabar com o problema de atendimento de uma vez por
todas.”
É o que constata o vendedor José
Barbosa de Oliveira. Desde outubro do ano passado, o cliente da Avimed
luta para conseguir marcar a cirurgia para retirada de uma bala alojada
no pé - instalada desde um assalto sofrido por ele há 3 anos.
“Cada vez que vou me consultar demoro mais de uma hora para ser atendido”,
conta. “E mesmo com a recomendação médica dizendo
que a cirurgia é urgente, não consigo ser operado.”
“Falta demanda”
Solange Beatriz Mendes, presidente da Federação
Nacional de Saúde Suplementar (Fenasaúde), argumenta que
mesmo sem uma limitação estabelecida pela Agência Nacional
de Saúde, não é de interesse das operadoras abarrotar
sua rede de atendimento.
“Nenhuma empresa vai querer acabar com sua reputação
ao deixar seus clientes desassistidos”, diz. Ela também ressalta
que as empresas filiadas à Fenasaúde apresentam uma proporção
paciente/hospital bem inferior à apontada pela ANS.
Para Solange, a rede de atendimento será
ampliada se houver demanda para isso. “Os administradores de hospitais
só não aumentariam a rede caso não houvesse mesmo
clientes suficientes para preenchê-la”, declara. A Associação
Nacional dos Hospitais Privados (Anahp) não quis comentar os dados
da pesquisa. (CAROLINA DALL’OLIO - Jornal da Tarde)
13.04 - Código de Ética Médica
Pelo fim do anonimato dos Princípios Fundamentais
Os atuais dezenove Princípios Fundamentais do Código
de Ética Médica brasileiro estão descritos de forma
“anônima”, ou seja, o título de cada um deles não faz
parte do seu enunciado. Tal ausência nominal tanto dificulta a imediata
identificação do princípio como desfavorece sua divulgação.
Por estes importantes motivos, nosso conjunto de princípios éticos
está relativamente muito longe da notoriedade alcançada pelos
quatro componentes da bioética norte-americana.
O enorme sucesso da bioética de princípios (não
escrevemos “principialista” em respeito ao protesto dos seus compiladores
Beauchamps e Childress) se deve, de um lado, ao fato de serem poucos e,
de outro lado, a estarem individualmente nomeados e claramente conceituados,
tornando-os facilmente identificáveis tanto por médicos como
por não médicos.
Um código profissional, pela vastidão de conceitos deontológicos
que abrange, não poderia ser reduzido a poucos princípios.
No entanto, mesmo em grande número, a intitulação
de cada um deles favoreceria sua imediata identificação.
A própria essência doutrinária do exercício
da Medicina através dos milênios está contida nos Princípios
Fundamentais e o didatismo organizativo proposto para os seus enunciados
contribuiria com a expansão do seu conhecimento geral.
Princípio, na definição de Aristóteles
(422-384), é o ponto de partida da coisa ou também aquilo
que permite fazer melhor uma coisa. Principio, continua o mestre, são
leis universais do pensamento e dele depende o conhecimento de outras coisas.
Um princípio deve ser tão claro e evidente que o espírito
humano não pudesse duvidar dele, complementaria René Descartes
(1596-1650). Para ser assim tão fundamental, claro e evidente é
preciso que cada um dos princípios tenha pelo menos um nome que
o identifique.
Nesta direção já caminhava o vetusto Código
de Ética Médica lusitano, de 1985, que acabou sendo adotado
para todos os artigos (do 1º ao 157) no recente texto de 2008. Bem
mais recentemente, o ainda fumegante Código italiano, de 2006, optou
por identificar nominalmente não somente os Princípios Fundamentais,
como também todos os seus artigos. Isto mesmo, todos. Este exemplo
dos herdeiros de Galeno (131-201 a. C.) merece a nossa mais profunda reflexão.
Se o homem realmente fosse “a medida de todas as coisas”, conforme
afirmou Protágoras (480-410 a.C.), não duvidaria em afirmar
que a iniciativa de quebrar o anonimato através do batismo de cada
um dos Princípios Fundamentais do nosso Código de Ética
Médica iria evidenciar ainda mais a rara beleza neles contida, impulsionando
a sua divulgação de maneira proporcional ao ocorrido com
a Bioética norte-americana.
A tarefa de intitulação não parece difícil,
com exceção do artigo quarto que, pela diversidade terminológica
utilizada, dificulta que se saiba exatamente a qual princípio se
refere.
Em conclusão, a reforma do Código de Ética Médica
em curso constitui uma oportunidade ímpar para que se ponha fim
ao anonimato dos seus Princípios Fundamentais através da
imediata intitulação de cada um deles, oferecendo-lhes nomes
que os auxiliem no preenchimento dos requisitos cartesianos essenciais
de clareza e evidência. (Elcio Luiz Bonamigo - CFM)
13.04 - Cirurgia supera stents em casos graves
Angioplastia em pacientes com ao menos 3 vasos lesados precisa ser
refeita em 13,5% dos casos, e operação, em 5,9%
Dados são do estudo Syntax, que comparou a evolução
de 1.800 pacientes cardíacos um ano após os procedimentos
em 18 países do mundo
Pacientes com três ou mais vasos comprometidos que são
submetidos a angioplastia (implantação de stents para desentupir
vasos obstruídos) como forma de tratamento têm duas vezes
mais chances de ter de se submeter a um novo procedimento quando comparados
aos pacientes que têm o mesmo tipo de problema, mas que fizeram cirurgia
cardíaca.
Os dados são do estudo multicêntrico Syntax, que comparou
a evolução de 1.800 pacientes cardíacos em 18 países
um ano após a realização dos procedimentos. Os resultados
foram publicados no "New England Journal of Medicine".
Segundo o estudo, 13,5% das pessoas que fizeram angioplastia tiveram
que revascularizar um vaso lesado dentro de um ano. Entre os pacientes
que passaram por cirurgia, esse percentual foi de 5,9%.
Além disso, os principais eventos adversos cardíacos
ou vasculares cerebrais em 12 meses foram significativamente maiores no
grupo que fez a angioplastia (17,8%, contra 12,4%). O estudo diz ainda
que a mortalidade nos pacientes dos dois grupos foi semelhante.
Angioplastia ou cirurgia?
Os resultados do estudo reacendem uma discussão antiga envolvendo
cirurgiões cardíacos e médicos hemodinamicistas (responsáveis
pelo implante dos stents) sobre o que é melhor para o paciente cardíaco:
operar ou fazer angioplastia.
O cardiologista João Fernando Monteiro Ferreira, médico-assistente
da Unidade de Coronariopatia do InCor (Instituto do Coração),
diz que o sucesso primário da angioplastia é grande -já
que se trata de um procedimento minimamente invasivo, em que o paciente
recebe anestesia local e tem alta no dia seguinte. Mas, ainda assim, ele
diz que há riscos de reestenose (novo entupimento do vaso) nos seis
primeiros meses após o procedimento.
"Os stents estão cada vez mais modernos, a técnica evoluiu
muito. A reestenose dos vasos diminuiu, mas ainda não conseguimos
impedi-la completamente. E, se o médico implantar stents em muitas
artérias, a chance de reobstrução e de ter que repetir
o procedimento também aumenta", diz.
Na opinião de Edson Stefanini, cardiologista da Unifesp (Universidade
Federal de São Paulo) e diretor científico da Socesp (Sociedade
de Cardiologia do Estado de São Paulo), o estudo comprova que a
cirurgia cardíaca é mais eficaz para pacientes graves, especialmente
se eles forem diabéticos.
"Ninguém gosta de fazer cirurgia, ainda mais existindo o recurso
da angioplastia. O que esse estudo mostra é que o benefício
a longo prazo é maior em pacientes que optam pela cirurgia, mesmo
com a mortalidade igual à dos que fizeram angioplastia. E os diabéticos
são pacientes que têm mais chances de reobstruir vasos, por
isso a cirurgia seria mais indicada", diz Stefanini.
Avaliar cada caso
Marcos Knobel, cardiologista e coordenador da Unidade Coronária
do hospital Albert Einstein, diz que os médicos precisam avaliar
o caso de cada paciente com muito critério.
"A angioplastia é menos invasiva, tem alta mais precoce, mas
a longo prazo provoca mais eventos cardiovasculares. Então, no caso
de pacientes graves como os do estudo, o tratamento padrão deve
ser a cirurgia, mas isso depende de cada caso", diz o especialista.
Ferreira tem a mesma opinião. Ele diz que a evolução
dos stents permite que eles sejam aplicados em pacientes com mais de uma
artéria doente. Mas, para ele, é preciso estudar cada caso
separadamente. Ainda de acordo com Ferreira, pessoas com apenas um vaso
obstruído, por exemplo, normalmente são tratadas com stents.
"Cada paciente tem uma situação diferente. O estudo mostra
que a cirurgia é mais eficaz em pessoas com três ou mais vasos
lesados ou com lesão no tronco da artéria coronária
esquerda. Nesses casos, acho que a tendência será indicar
cirurgia", avalia.
Segundo Knobel, os resultados desse estudo eram esperados, mas o tempo
de acompanhamento dos pacientes ainda é muito pequeno. "Eles foram
acompanhados durante um ano. Acho que ainda é pouco tempo para definirmos
alguma coisa", avalia.
Stefanini ressalta que a preocupação dos cardiologistas
é sempre com a prevenção da doença. "Pessoas
com tendência a desenvolver doença aterosclerótica
devem procurar o médico mesmo que não tenham sintomas. Assim,
será possível tratar o problema antes que ele apareça",
diz.
SUS implanta 35 mil pontes e 44 mil stents
No Brasil, são feitas por ano cerca de 35 mil cirurgias cardíacas
de revascularização do miocárdio (pontes de safena
ou mamária) pelo SUS e cerca de 12 mil por convênios ou particulares,
diz a SBCC (Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardíaca).
Segundo a Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia
Intervencionista, 44.123 pacientes receberam em 2008 implantes de stents
não farmacológicos, mas estima-se um número 30% maior
por conta de atendimentos privados ou por convênio.
"Chegaríamos a um total de 60 mil implantes de stents por ano,
uma frequência por habitante ainda reduzida se comparada a outros
países", diz Luiz Alberto Mattos, presidente da sociedade.
De acordo com Mattos, o SUS reembolsa só o implante de stent
não farmacológico -ao preço de R$ 2.034 cada. Os farmacológicos,
mais eficazes, são usados apenas em pacientes atendidos em convênios.
O preço varia de R$ 6.500 a R$ 15.000.
Segundo o cirurgião cardíaco Gilberto Venossi Barbosa,
presidente da SBCC, entre as cirurgias cardíadas, a de revascularização
do coração é a mais frequente no Brasil. "Uma cirurgia
para implante de uma ponte de mamária tem durabilidade de ao menos
15 anos, enquanto as pontes de safena têm vida média de sete
a dez anos", diz. (FERNANDA BASSETTE - Folha de S.Paulo)
13.04 - Saúde: Controle da qualidade de produtos importados
Os ministérios da Saúde e do Desenvolvimento, Indústria
e Comércio Exterior firmaram nesta quarta-feira (8) um termo de
cooperação para desenvolvimento de uma ação
conjunta que garanta maior qualidade para os produtos usados na área
da saúde. "Obrigaremos os importados a ter a mesma qualidade dos
nacionais", disse o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge.
Ele explicou que, com o convênio, haverá maior controle
da qualidade e segurança dos equipamentos de saúde usados
no país, tanto nacionais quanto os importados que, muitas vezes,
em função do baixo preço, são adquiridos em
concorrências públicas.
"Temos percebido que equipamentos importados, principalmente vindos
de países asiáticos, sem a qualidade e a manutenção
necessária, entram no Brasil, causando danos indústria nacional
e principalmente saúde da população", afirmou Miguel
Jorge.
De acordo com o convênio, a Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa) aprovará e indicará as exigências
necessárias aos produtos e o Instituto Nacional de Normalização
e Qualidade Industrial (Inmetro) fará a normatização
dos equipamentos e insumos. Produtos como aparelhos de raio X e de hemodiálise,
próteses e fármacos serão pré-analisados, mas,
depois de aprovados, terão acompanhamento sistemático.
Para o diretor de Economia da Saúde e do Complexo Industrial
e Inovação da Saúde, Zich Moisés, o trabalho
em parceria entre as áreas do governo permitirá uma análise
mais rápida dos produtos, garantindo que apenas produtos de qualidade
cheguem ao consumidor final.
"Atingiremos um padrão de qualidade superior, agregaremos valor
aos produtos nacionais e impediremos a concorrência desleal e predatória
que vem de fora do país e pode trazer problemas saúde da
população", destacou Moisés.
Participaram também da solenidade representantes da Fundação
Osvaldo Cruz (Fiocruz), da Anvisa e do Inmetro. (Agência Brasil)
09.04 - Planos querem aumento de até 11%
Recife - Os usuários de planos de saúde
individuais e familiares devem preparar o bolso para o reajuste anual que
será anunciado até o final de abril pela Agência Nacional
de Saúde Suplementar (ANS). As empresas do setor já enviaram
as planilhas de custos com o pedido de aumento de até 11%. É
quase o dobro da inflação medida pelo Índice de Preço
ao Consumidor Amplo (IPCA), cujo acumulado anual ficou em 5,90% - entre
fevereiro/2008 e fevereiro/2009. Para calcular o índice, a ANS utiliza
a média dos preços dos planos coletivos e empresariais. No
ano passado, as empresas reivindicaram 8% e a agência autorizou 5,48%.
O reajuste entrar em vigor a partir de 1º de maio. São cerca
de 41 milhões de consumidores no país assistidos pela saúde
privada.
Crise financeira mundial, alta do dólar,
aumento de 6,25% no preço dos remédios, implantação
do novo rol de procedimentos médicos. São os itens que as
empresas incluem na cesta para justificar o aumento dos custos. Do lado
do usuário, os salários não tiveram ganhos superiores
à inflação e a crise ainda trouxe o desemprego à
casa das famílias. A ANS evita se posicionar sobre o aumento dos
planos. Confirma que os técnicos estudam as planilhas, inclusive
os custos da implantação do novo rol a partir de abril do
ano passado.
Flávio Wanderley, presidente regional
da Associação Brasileira das Empresas de Medicina de Grupo
(Abramge), argumenta que a inflação dos custos assistenciais
ficaram entre 9% e 11% entre março de 2008 e março de 2009.
"Além da escassez do crédito e da alta do dólar, houve
o reajuste dos medicamentos e a implantação dos procedimentos
médicos do novo rol puxaram para cima os custos das empresas", aponta.
Mesmo assim, a Abramge está pessimista quanto ao percentual que
será autorizado pela ANS. "Achamos que deverá superar o índice
anterior de 5,48%, mas não deve ultrapassar um dígito".
O aposentado Carlos Pires, 79 anos, já
paga caro pelo plano individual. Em março, o valor chegou a R$ 1.600,
quando ele decidiuentrar com uma ação na Justiça para
reduzir a mensalidade. Ele conta que conseguiu uma liminar e baixar para
R$ 920 o carnê, mas está preocupado com o aumento anual. "Se
ficar em 11% vai ser muito alto para eu pagar. A cada ano que passa os
planos de saúde ficam mais ricos e o atendimento médico só
faz piorar", reclama.
Os órgãos de defesa do consumidor
já se mobilizam para garantir apenas o repasse da inflação
anual aos planos de saúde. "Esperamos que a ANS fixe o reajuste
com base na inflação do período até porque
a portabilidade deve puxar para baixo o preço dos planos", diz Maria
Inês Dolci, coordenadora executiva da Associação Pro
Teste. Para Renê Patriota, dirigente da Aduseps, a pedida de 11%
está fora da realidade dos usuários. "As entidades vão
se mobilizar e junto com o usuário barrar esse aumento na Justiça",
avisa. (Diário de Pernambuco)
09.04 - Perfil da saúde do brasileiro
No Dia Mundial da Saúde, comemorado na terça-feira (7),
o ministro da Saúde José Gomes Temporão anunciou dados
inéditos sobre indicadores de qualidade de vida no Brasil. A pesquisa
de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças
Crônicas por Inquérito Telefônico, Vigitel 2008, revelou
que os brasileiros estão mais atentos com a sua saúde. “O
brasileiro faz mais atividade física, consome menos carne gordurosa,
está fumando menos. Ampliou-se o acesso ao diagnóstico da
hipertensão arterial. As mulheres que fazem mamografia e exame preventivo
do câncer foi ampliado.
Por outro lado, persiste o número de brasileiros com excesso
de peso, obesos e o consumo de bebida alcoólica, principalmente
beber e dirigir, voltou ao padrão anterior da vigência da
Lei Seca”, afirma Temporão.
A pesquisa também mostra que é comum entre os brasileiros
o hábito de dirigir após beber. “A luz amarela acendeu. É
uma questão que se enfrenta com fiscalização e com
a construção de um novo padrão de consciência
da população”, comenta o ministro da Saúde. Por isso,
o Ministério da Saúde e o Ministério das Cidades lançam
nesta quarta-feira, 8 de abril, campanha de prevenção a acidentes
voltada tanto para aqueles que dirigem alcoolizados quanto para os caminhoneiros
que consomem anfetaminas durante a longa jornada de trabalho.
O Vigitel 2008 foi realizado por amostragem com 54 mil pessoas residentes
nas capitais e no Distrito Federal. É o terceiro ano consecutivo
que o Ministério realiza o levantamento. O questionário inclui
perguntas sobre hábitos alimentares, atividade física, auto-avaliação
do estado de saúde, tabagismo, consumo de álcool, prevenção
de câncer, excesso de peso e obesidade.
Com os resultados do estudo, o Ministério da Saúde registra
informações para subsidiar o monitoramento dos fatores de
risco e proteção para as doenças crônicas não
transmissíveis (câncer, infarto, derrame, etc) e contribuir
para o planejamento de ações que reduzam a ocorrência
dessas enfermidades.
1 - Álcool e direção
Cresce consumo de álcool no Brasil
No Brasil, as informações sobre o consumo abusivo de
álcool mostram tendência de crescimento. Em 2008, 19% declaram
ter consumido álcool de forma abusiva em alguma ocasião nos
últimos 30 dias. Em 2007, foram 17,5%; em 2006, primeiro ano do
Vigitel, foram 16,1%. O consumo é mais freqüente em faixas
etárias mais jovens – alcançando 30% dos homens e 10% das
mulheres entre 18 e 44 anos.
Consumo abusivo de álcool é 3x maior entre homens em
relação às mulheres
Dados inéditos do Ministério da Saúde confirmam
que o consumo abusivo de álcool continua mais freqüente e intenso
entre os homens em relação às mulheres. De acordo
com dados do Vigitel 2008, o percentual de consumo abusivo de álcool
para o sexo masculino é de 29% dos entrevistados, 10 pontos percentuais
acima da média nacional (19%) e três vezes maior do que o
registrado entre as mulheres (10,5%). De acordo com o estudo, o percentual
de consumo abusivo de álcool entre homens em 2008 foi o maior desde
2006, quando teve início o Vigitel. Há três anos, 25,3%
dos homens entrevistados afirmaram ter consumido abusivamente o álcool,
contra 27,2% (2007) e 29% (2008).
Mulheres aumentaram o consumo abusivo de álcool
As mulheres estão bebendo mais. De acordo com o Vigitel, em
2008 o percentual de consumo abusivo de álcool foi de 10,5%, contra
9,3% em 2007 e 8,1% em 2006.
Beber e dirigir
O brasileiro voltou a beber e dirigir com mais freqüência
nos últimos meses de 2008 em relação aos primeiros
meses da Lei Seca, em vigor desde junho do passado, e reverteu a tendência
inicial de queda verificada pelo Ministério da Saúde. Nos
meses de julho, agosto, setembro e outubro do ano passado, os percentuais
de pessoas que afirmaram ter consumido álcool de forma abusiva e
ter dirigido depois foram de 1,3%, 0,9%, 1,2%, 1,2%, respectivamente. Em
novembro e dezembro, os percentuais saltaram para 2,1% e 2,6%, dados bastante
elevados em relação aos meses anteriores.
Com relação ao cenário nacional, o dado percentual
médio do Brasil foi de 1,5%, menor do que os 2% verificados em 2007,
ano em que Vigitel iniciou a pesquisa sobre álcool e direção.
Comparativo do consumo abusivo de bebidas alcoólicas* e direção
de veículo motorizado em capitais brasileiras, entre julho a dezembro
de 2007 e 2008 e primeiros meses de 2009.
Campanha de prevenção a acidentes
Quem bebe e dirige em seguida e os caminhoneiros são os principais
focos da nova campanha de alerta sobre os riscos dos acidentes de trânsito.
Com o slogan “Por você e pelos outros, respeite as leis de trânsito”,
as peças publicitárias serão veiculadas de 8 a 30
de abril em televisões, rádios, internet, revistas, jornais,
mobiliário urbano e outdoors.
A preocupação é com o uso de anfetaminas feito
por pessoas dessa categoria profissional para se manter acordadas durante
longas jornadas de trabalho. A droga é utilizada para reduzir o
sono e o cansaço, permitindo ao profissional trabalhar mais horas
no dia.
2 - Obesidade
13% dos brasileiros são obesos
Excesso de peso se manteve estável nos últimos anos (43,3%
dos brasileiros), mas a obesidade aumentou nos brasileiros, especialmente
nas mulheres. Pesquisa do Ministério da Saúde mostra que
hoje 13% dos adultos são obesos, sendo o índice maior entre
as mulheres (13,6%) do que entre os homens (12,4%). Em 2006, quando foi
apresentada a primeira edição do sistema Vigitel, 11,4% dos
brasileiros eram obesos. No ano seguinte, esse índice subiu para
12,9%.
3 – Tabagismo
Consumo de cigarros entre os jovens caiu à metade nos últimos
20 anos
O estudo Vigitel 2008 mostra que 14,8% dos jovens entre 18 e 24 anos
têm o hábito de fumar. Em 1989, os jovens fumantes eram 29%.
De acordo com Deborah Malta, coordenadora da área de doenças
e agravos não transmissíveis do Ministério da Saúde,
um dos fatores mais importantes no controle do tabagismo é evitar
o início do vício entre adolescentes e jovens.
A tendência é de forte queda para o consumo de tabaco
em todas as faixas etárias. A Pesquisa Nacional de Saúde
e Nutrição, realizada há 20 anos, mostrou que 35%
da população adulta no Brasil era fumante. Segundo o Vigitel
2008, esse índice caiu para 15,2%. Apesar de o Brasil estar entre
os países com menor incidência de tabagismo do mundo, o objetivo
é reduzir esse número, em especial entre os jovens e mulheres
fumantes. Em 20 anos, metade dos fumantes abandonou o tabagismo.
4 - Alimentação
Aumenta o consumo de frutas e hortaliças. Cai o consumo de carnes
gordurosas
No Brasil, 15,7% dos brasileiros consomem a quantidade recomendada
de frutas e hortaliças – quase três vezes mais do que em 2006.
Se há três anos apenas 5,6% dos adultos consumiam a quantidade
de frutas e hortaliças recomendada pela Organização
Mundial da Saúde (OMS), que é de cinco porções
em cinco dias ou mais da semana, hoje há motivos para comemorar.
5 – Prevenção de câncer e auto-avaliação
de saúde
71% das mulheres entre 50 e 69 anos fizeram mamografia nos últimos
2 anos
De acordo com o estudo do Ministério da Saúde, 71% das
mulheres brasileiras entre 50 e 69 anos fizeram o exame de mamografia nos
últimos dois anos. As maiores freqüências de realização
do exame foram registradas em Belo Horizonte (84,1%), Vitória (81,9%)
e Florianópolis (80,6%). As cidades de Palmas (49,2%), Rio Branco
(51,1%) e Macapá (53,5%) estão entre as cidades com menores
frequência, abaixo da média nacional. O Vigitel revela que
cobertura do exame aumenta com o nível de escolaridade, chegando
a 89,2%, para as mulheres com 12 anos ou mais de estudo.
Apenas 4,5% dos brasileiros declaram ter estado ruim de saúde
Em 2008, apenas 4,5% dos entrevistados do Vigitel afirmaram que estavam
com a saúde fora de suas expectativas. Embora as mulheres vivam
mais, são elas quem mais avaliam pior o próprio estado de
saúde. Isso porque as mulheres são mais sensíveis
e percebem mais os problemas de saúde do que os homens, que dão
pouco importância ao seu próprio corpo. Quanto maior a escolaridade,
maior é a procura por avaliações de saúde por
parte da população.
80,9% das mulheres entre 25 e 59 anos fizeram exame HPV nos últimos
3 anos
Prevenção do câncer do colo de útero – Segundo
o Vigitel, a média nacional para frequência de realização
do exame Papanicolau, nos últimos três anos, foi de 80,9%,
entre as mulheres entre 25 e 59 anos. O estudo mostra que a cobertura aumentou
para 89,8% nas pessoas com 12 anos ou mais de escolaridade. As cidades
com as maiores coberturas do exame são nos foram identificadas em
São Paulo (92,7%), Porto Alegre (90,6%) e Florianópolis (90,5%).
As menores coberturas do exame estão nas cidades de Maceió
(72,9%), Fortaleza, Distrito Federal e Belém (74,8%) e Natal (75%).
Cai o uso de proteção solar. 39% dos brasileiros se protegem
contra UV
De 2007 para 2008, a média nacional de frequência de proteção
contra radiação ultravioleta (uso de protetor solar, chapéu
ou sombrinha e roupas adequadas) caiu de 53,3% para 39%. As maiores freqüências
de proteção foram declaradas por moradores de Florianópolis
(50,9%), Palmas (49,8%), Distrito Federal (47,7%) e Curitiba (47,2%), de
acordo com o Vigitel. O Rio de Janeiro é a capital com o menor percentual
de proteção, 30,8%. (Ministério da Saúde)
09.04 - Argentina: 30 mil casos de dengue
A Argentina está sofrendo a pior epidemia de dengue dos últimos
anos, disse ontem uma fonte médica local. Segundo essa fonte, o
país registrou este ano 30 mil casos. O Governo, porém, tem
outro número - 7.415 infectados em 19 dos 24 distritos do país.
“Havia mais de 20 mil casos de dengue até sexta-feira (semana
passada), mas hoje (ontem) estamos passando dos 30 mil”, disse Jorge Yabkowski,
presidente da Federação Sindical de Profissionais de Saúde
da Argentina. “Estamos vivendo uma epidemia e a dengue está se propagando
muito rápido.” Yabkowski criticou a forma do governo de registrar
os casos da doença - somente quando laboratórios de análise
confirmam a enfermidade.
“Para nós, os casos de febre registrados nas zona onde há
dengue são casos de dengue por critérios epidemiológicos”,
disse o especialista, que acusa o governo de manipular as estatísticas.
(Jornal da Tarde)
09.04 - EUA: Um plano público para
a assistência médica?
O presidente Barack Obama corretamente pediu uma reforma geral do sistema
de saúde e encarregou o Congresso de criar um novo programa. Espera-se
por difíceis disputas políticas.
Uma das questões mais disputadas é se o novo plano deve
incluir uma opção pública que concorra com as assistências
médicas particulares. Muitos republicanos tratam a proposta como
um "plano de saúde governamental" e um passo a caminho da "medicina
socializada". Os democratas acreditam que o projeto é interessante
- até mesmo vital.
Um novo plano público (além de oferecer aos consumidores
mais opções, manteria as assistências particulares
honestas e, pode-se esperar, restringiria o crescimento desenfreado da
assistência médica e os custos médicos por trás
dela) parece que vale a tentativa.
Qualquer novo plano público constituiria apenas parte de um
esforço muito mais amplo em oferecer cobertura a 46 milhões
de americanos que atualmente não têm assistência médica
e muito outros que em breve podem perder a que têm.
Entre os outros pontos de debate estão o fortalecimento da cobertura
fornecida pelo empregador, a expansão de programas públicos
existentes como o Medicaid e a criação de um banco de troca
de assistência pública nacional no qual indivíduos
sem cobertura trabalhista, pequenos negócios e possivelmente outros
poderiam comprar apólices a preços de grupo de planos particulares
qualificados e, esperamos, do novo plano público também.
Muitos reformistas sugerem que o plano público seguiria o modelo
do Medicare. Se criado corretamente, ele ofereceria uma valiosa opção
para pessoas que não acreditam que as companhias particulares tem
em mente o interesse do paciente e ofereceria um porto-seguro caso os planos
particulares abandonassem o mercado, deixando seus clientes descobertos.
Ele também serviria de concorrência para medir a performance
dos planos particulares.
Um plano público pode conseguir melhor desacelerar o crescimento
dos custos dos planos de saúde, apesar de o Medicare não
ter sido perceptivelmente bem-sucedido neste aspecto. O plano público
quase certamente teria menores custos administrativos. Ele poderia forçar
os médicos a aceitar menores reembolsos do que os negociados com
planos particulares, permitindo que o plano público cobrasse menos
e atraísse mais clientes.
A indústria da assistência médica e líderes
republicanos afirmam que a concorrência seria desleal. Hospitais
e médicos temem que receberão menos do que merecem, mas há
um limite sobre quão baixo o reembolso do governo pode ser isso
os afaste do programa.
O que muitos críticos parecem temer é um novo plano público
derrube a concorrência privada e evolua com o tempo para um sistema
único (algumas vezes apelidado de Medicare para todos). Não
importa quão justa seja a concorrência entre planos públicos
e privados no começo, eles alertam que o governo não conseguiria
resistir a usar os lucros dele para, rapidamente, subsidiar o plano público
com o dinheiro do contribuinte.
Este medo parece exagerado. Planos particulares inovadores com um sistema
de serviços bem integrado podem ter performance melhor do que a
de qualquer governo, da mesma forma que alguns agora tem performance melhor
do que o Medicare através de uma melhor coordenação
de serviços, investimento em medicina preventiva e benefícios
mais amplos.
Um novo plano público não é a pedra fundamental
de uma reforma no sistema de saúde nem a morte dos planos particulares.
Ele deve ser experimentado como um elemento de uma ampla reforma. Se, ao
longo do tempo, uma vasta maioria decidir que o plano do governo é
superior, então que seja. (The New York Times/Último
Segundo)
08.04 - Planos: Demora no atendimento - Uma das
principais queixas
Segundo levantamento realizado pelo Ibope, a
pedido da Secretaria de Estado de Saúde de SP, a demora no atendimento
na recepção dos hospitais é a principal queixa de
usuários de serviços de saúde privada no estado de
São Paulo.
O item foi alvo de 20% das reclamações
dos pacientes e, na avaliação destes, é fruto muitas
vezes da desorganização na triagem ou mesmo da longa demora
para a entrega de exames.
Além disso, os pacientes ainda se queixaram
da morosidade dos médicos (14%), de outros funcionários (11%)
e dos enfermeiros (10%).
Mais reclamações
Ainda segundo o levantamento, 12% dos entrevistados
reclamam da postura dos médicos durante as consultas e 7% apontam
a falta de preparo dos funcionários, entre eles, médicos,
recepcionistas e enfermeiros, no atendimento aos usuários.
No geral, o estudo, realizado ao longo do mês
de janeiro, registrou insatisfação de 19% dos usuários
que utilizam os serviços privados de saúde no estado de São
Paulo, sendo que a nota média atribuída ao atendimento recebido
nos planos foi de 8,5, 6 pontos percentuais a mais do que a nota recebida
pelo serviço público de saúde do estado.
(InfoMoney/MSN Notícias)
08.04 - A velhice no país
O Instituto Datafolha, de São Paulo, acaba
de realizar uma pesquisa sobre a velhice no Brasil. Foram ouvidas 1.238
pessoas com mais de 60 anos em vários Estados. E o resultado é
um retrato original, e não raro surpreendente, da velhice no Brasil.
Os idosos hoje representam uma considerável
parcela da população brasileira. Isto se deve, sobretudo,
ao aumento da expectativa de vida, que é atualmente de 72,6 anos
para ambos os sexos, ao passo que, no começo do século 20,
estava por volta dos 40 anos. Vive-se mais, portanto, e sob muitos aspectos
vive-se bem.
Aquela imagem do velho como uma figura abandonada,
descartável – o filme “A Balada de Narayama” mostra como, no passado,
os velhos de uma aldeia japonesa eram abandonados numa alta montanha para
lá morrerem de frio e de fome – não mais subsiste. Resultado:
78% dos idosos se consideram felizes. Curiosamente, só 32% têm
medo de morrer, contra 40% dos jovens. Um total de 74% dos homens fazem
sexo, 23% deles uma vez por semana; mas só 24% das mulheres são
sexualmente ativas, o que sugere, no caso dos homens, o recurso ao sexo
extraconjugal, à masturbação e a outras formas de
atingir o orgasmo sem penetração vaginal. Mais: 88% dizem
que nunca usaram remédios para disfunção erétil,
Viagra e similares.
Em termos materiais, a situação
também não é muito ruim – 67% (77% no caso dos homens)
recebem aposentadoria. Não é uma fortuna – a média
é de R$ 776 - mas aparentemente dá para, ao menos, sobreviver;
de maneira geral, os velhos estão mais protegidos contra a pobreza
do que o restante da população.
E há, claro, o apoio familiar: 92% têm
filhos, 78% têm netos. E quanto à saúde? É ótima,
dizem 57% dos entrevistados. Ótima não quer dizer perfeita:
57% dizem ter alguma dor, 56% são hipertensos, 29% apresentam algum
grau daquele que é o problema psicológico mais importante
de nossa época, a depressão. Uma advertência importante:
28% tiveram quedas no último ano (cuidado com escadas, tapetes que
deslizam, banheiros, lugares mal iluminados).
E a quem recorrem? 72% não têm plano
de saúde e contam, como a maioria da população, com
o SUS. Os velhos brasileiros são muito independentes: 20% deles
vivem sozinhos; 72% saem de casa todos os dias, a pé, de ônibus,
de carro e até de bicicleta (7%). Mas encontram problemas no cotidiano;
o preconceito contra velhos é citado por 87% deles.
Traduz-se em agressão verbal e até
física, em discussões nos ônibus e nas filas – muitos
brasileiros ainda não aprenderam a conviver com a velhice. Mas isto,
pelo visto, é apenas questão de tempo. Porque a chamada terceira
idade está aí para ficar.
O tempo não para
O que é envelhecer? Seria quando começam
a faltar forças nas pernas e as costas ficam curvas? Ou quando os
olhos já enxergam com dificuldade e os ouvidos escutam pouco? Na
verdade, é um pouco de tudo. E muito mais. Pode ser uma ruga no
rosto ou o enfraquecimento dos músculos.
Mas envelhecer não se restringe aos idosos.
Para a medicina, o processo se inicia por volta dos 30 anos, quando o adulto
está no auge de sua forma física. A partir daí, dia
após dia, as células mortas são repostas em ritmo
mais lento. Os órgãos começam a reduzir de tamanho
e vão perdendo parte de sua função.
Em março, foi divulgada uma pesquisa que
afirma que o pontapé para o envelhecimento ocorre ainda mais cedo
e atinge jovens na casa dos 20 anos. Segundo cientistas da Universidade
da Virgínia, nos Estados Unidos, capacidades como as de noção
espacial e rapidez de raciocínio entram em declínio a partir
dos 27 anos. Mas a habilidade de acumular conhecimento, como enriquecer
o vocabulário, continua funcionando e aumentando até os 60
anos.
O corpo humano se desgasta por dois motivos.
Um deles é interno – o organismo enfrenta limitações
biológicas e genéticas. Outro é culpa de fatores externos:
estresse, cigarro, abuso de bebidas alcoólicas e exposição
solar aceleram o processo. “Apenas 30% do envelhecimento é genético.
Outros 70% são hábitos de vida. A estatística mostra
a importância que têm as decisões que a pessoa toma
sobre ela mesma”, diz o geriatra João Senger.
Mas envelhecer ultrapassa os aspectos físicos.
Hoje, faz-se distinção entre o envelhecimento biológico
e o psicológico. No psicológico, abandona-se a ideia de que
o tempo deprecia a capacidade intelectual e funcional. Mesmo em idade avançada,
as pessoas têm potencial de desenvolver atividades de relevância.
“Quando a reflexão se volta para a aposentadoria,
pode-se constatar sentimentos como perda de status, isolamento e discriminação.
Surgem também manifestações boas, como alegria e sentimento
de missão cumprida. A terceira idade é um momento complexo,
mas é quando a pessoa pode usar a liberdade e o tempo livre para
atividades prazerosas”, ressalta a psicóloga Lúcia Cogo.
Não há fórmulas milagrosas
Em busca de freios para o envelhecimento, já
se tentou de tudo. Muita gente chegou a ver em um anestésico chamado
procaína a fonte da juventude. Ao ser ingerido, causava uma sensação
de força, e as dores sumiam. Mas o efeito passava rápido.
Em seguida, uma outra moda veio seduzir quem
temia a velhice: a quelação, um soro para retirar o acúmulo
de cálcio dos vasos sanguíneos. Como a calcificação
é uma característica da terceira idade, acreditou-se que,
revertendo esse processo, o resto do corpo receberia a bênção
da juventude. Depois foi a vez das superdoses de vitaminas. Mais de 40
cápsulas por dia poderiam conter os efeitos do tempo.
Passada a febre, restou a realidade incontornável:
para se manter jovem pelo máximo de tempo possível, a fórmula
é dieta saudável e exercícios regulares.
A boa notícia é que aliados chegaram
com o desenvolvimento da medicina. “Hoje, não se morre de muitas
doenças antigas. A prevenção é forte e as pessoas
são bem informadas”. diz o geriatra João Senger.
O importante é saber envelhecer bem. Deve-se
ter consciência das limitações e de como amenizá-las.
Um dos obstáculos pode ser financeiro. Após a aposentadoria,
uma redução no orçamento pode trazer estresse e escassez
de recursos em momentos de doença, por exemplo. Outra luta é
a psicológica. “Atividades comunitárias e religiosas ajudam
a manter a pessoa ativa”, sugere a psicóloga Lúcia Cogo.
A exposição ao sol pode provocar
o início do envelhecimento aos 25 anos. Com o tempo, a pele se torna
ressecada, e pode surgir alterações de pigmentação.
As unhas ficam mais fracas. Outro sinal é a flacidez, caracterizada
por uma pele distendida e caída. (AN Online)
08.04 - Dia Mundial da Atividade Física
O brasileiro está praticando mais esportes.
O número de pessoas que praticam esporte ou realizam atividade física
regular passou de 14,9% da população em 2006 para 16,4% em
2008. Já o sedentarismo baixou de 29,2%, em 2006, para 26,3% em
2008.
Esta realidade foi constatada através
do estudo Vigilância de Fatores de Risco e Proteção
para Doenças Crônicas Por Inquérito Telefônico
(Vigitel), do Ministério da Saúde (MS) e anunciada no último
dia 5 de abril de 2009 pelo ministro José Gomes Temporão,
durante as comemorações pelo Dia Mundial da Atividade Física,
no Parque da Quinta da Boa Vista, na cidade do Rio de Janeiro.
A pesquisa foi realizada nas 26 capitais do país
e no Distrito Federal, entre os meses de abril a dezembro de 2008. Foram
realizadas através do Vigitel cerca de 54 mil entrevistas telefônicas.
O Vigitel foi desenvolvido em parceria com o Núcleo de Pesquisas
Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade
de São Paulo (USP).
"Os dados mostram uma tendência positiva,
mas ainda é preciso mudar o padrão alimentar e de atividade
física da população. Transformar esses dois hábitos
básicos em estilo de vida poderia evitar, no Brasil, cerca de 260
mil mortes por ano, relacionadas a doenças como doenças cardiovasculares
e cânceres", afirmou o ministro.
Ações de promoção
à saúde, como o Dia da Atividade Física, são
consideradas estratégicas pelo Ministério da Saúde
e objetiva à melhoria da qualidade de vida da população
brasileira. O evento foi festejado com o slogan: "Eu sou do time que se
movimenta pela saúde" e foi reproduzido de diferentes formas em
mais de 110 cidades brasileiras integrantes da Rede Nacional de Promoção
da Saúde e Atividade Física.
O Mais Saúde, Plano de Aceleração
do Crescimento (PAC) para a área de saúde, contém
mais de 70 ações e metas prioritárias do ministério.
Até o ano de 2010, o objetivo do é reduzir de 29% para 24%
o percentual da população brasileira considerada sedentária.
O diretor presidente da ANS, Fausto Pereira dos
Santos, também esteve presente nas comemorações pelo
Dia Mundial da Atividade Física, no Parque da Quinta da Boa Vista,
na cidade do Rio de Janeiro.
A ANS estimula a mudança do modelo de
Atenção à Saúde no Setor Suplementar através
da adoção, pelas operadoras de planos de saúde, de
Programas de Promoção à Saúde e Prevenção
de Doenças. Com a publicação da RN 94, a Agência
estabeleceu critérios para a prorrogação dos prazos
para a integralização da cobertura com ativos garantidores
das provisões de risco, definidas na RDC 77, às operadoras
que comprovassem ações neste sentido. (ANS)
07.04 - Aumento abusivo: tortura no plano Coletivo
O sr. Furtado, o Consumidor, tem uma microempresa e precisava contratar
um plano de saúde para ele e a família. Apareceu um vendedor
e lhe disse que contratar assistência médica por meio da empresa
seria mais barato.
O microempresário fez uma pesquisa de preços e concluiu
que o vendedor tinha razão: se fizesse a contratação
do plano empresarial (plano coletivo) gastaria mensalmente bem menos do
que a aquisição de um plano familiar e ainda beneficiaria
os seus empregados. E ouviu a mesma história de amigos e parentes
ingênuos, que falavam da vantagem econômica do plano coletivo.
Feitas as contas, o sr. Furtado contratou o serviço, e deu a
boa notícia à família e aos cinco empregados de sua
microempresa: pagando cerca de 50% a menos, todos agora iam ter acesso
aos bons por bons laboratórios e hospitais da região.
Mas o que o microempresário não sabia é que ao
contratar um plano coletivo “barato” estava entrando numa zona de risco
ao seu bolso e à saúde de todos os beneficiário do
negócio. Por quê? Respondo: o reajuste da mensalidade do plano
coletivo não está sujeito ao controle férreo da Agência
Nacional de Saúde Complementar (ANS), e daí os aumentos da
mensalidade desse tipo de plano de saúde se tornam impagáveis
com o passar do tempo.
Ou seja: o preço baixo no momento da contratação
é só uma isca para pegar o incauto e torturá-lo depois
com reajustes exorbitantes, “livremente” contratados. Há casos em
que os reajustes anuais do plano coletivo chegam a 80% durante a vigência
do contrato.
Para impor os reajustes abusivos, as empresas se valem de uma explicação
macabra: alegam aumento de sinistralidade. Tradução: mais
doenças e gastos com o tratamento.
O problema é que as empresas de saúde englobam na sinistralidade
todo tipo de gasto (de viagens à propaganda), assim como decidem
sozinha o porcentual de aumento a ser cobrado.
O fato é que os reajustes dos planos coletivos se tornam incontroláveis
e representam um convite à expulsão do micro (ou pequeno)
empresário do plano de saúde.
E o que é mais dramático: o limite da capacidade de pagamento
ocorre, exatamente, quando os beneficiários do plano coletivo vão
ficando mais velhos ou sofrem com doenças graves e mais precisam
da assistência médica.
O nocaute dos aumentos impagáveis é disparado justamente
contra as micro e pequenas empresas que, por terem poucos filiados, não
têm poder de negociação com os vorazes planos de saúde.
Existe saída para quem já está no pelourinho dos
aumentos “expulsórios”? Sim. A de sempre: a Justiça que,
embora admita a liberdade de as empresas repassarem a sinistralidade, não
aceita os aumentos exorbitantes unilateralmente impostos pelas empresas
de saúde nos planos coletivos. Daí, nos Tribunais de Justiça
de Estados como São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, micros
e pequenas empresas (consideradas consumidoras do serviço e que
intermedeiam interesses concretos dos consumidores) têm obtido liminares
e decisões que reduzem os reajustes abusivos a índices suportáveis
pelas contratantes do serviço.
Vale dizer que, embora a ANS não regule o reajuste nos planos
coletivos, a Justiça pode conter os excessos, assim como também
pode impedir a rescisão dos contratos por mera arbitrariedade das
empresas de saúde.
Conclusão: microempresa que tem ou pretende contratar plano
de saúde tem de deixar o telefone do advogado à mão,
ou tem de negociar a cláusula de reajuste que evite aumentos arbitrários.
(Josué Rios - Jornal da Tarde)
07.04 - Medicina em evidência
Diretrizes e recomendações médicas
não estão escritas em pedra pelo cinzel infalível
da ciência, como acreditam alguns pacientes. O estado da arte sobre
procedimentos corretos sofre revisões periódicas, à
luz de uma infinidade de estudos. Seria de esperar que a base de evidências
a suportar tais consensos se ampliasse com o tempo, mas nem isso está
garantido, como revelou estudo recente sobre cardiologia.
O estudo publicado no periódico da Associação
Médica Americana revelou que apenas uma pequena minoria das diretrizes
ACC/AHA (American College of Cardiology/American Heart Association ) se
fundamenta em evidências sólidas. Apesar disso, o protocolo
americano orienta a prática de cardiologistas no mundo todo, inclusive
do Brasil.
Só 11% de 2.711 recomendações
específicas em vigor se apoiam em testes clínicos realizados
por muitos centros ou nas chamadas meta-análises, que compatibilizam
resultados estatísticos de vários testes clínicos.
Estes dois tipos de estudo constituem o nível A de evidência
reconhecido pela classe médica.
O estudo de Pierluigi Tricoci avaliou 53 diretrizes
publicadas entre 1984 e 2008, num total de 7.196 recomendações
(várias já caducas ou modificadas). São itens como
o uso generalizado de oxigênio para tratar infartados, algo que,
segundo as evidências disponíveis, deveria ficar reservado
para quem chega ao hospital com baixa oxigenação. Recomendar
procedimentos desnecessários implica, no mínimo, desperdício
de recursos.
Tricoci e seus colaboradores verificaram que
o número de recomendações vem aumentando. E, ainda,
que o aumento se dá de modo predominante no grupo cuja utilidade
e eficácia são objeto de divergência de opiniões
entre especialistas ou de evidências contraditórias.
Os autores do estudo concluem que o processo
de adoção de diretrizes precisa ser revisto. Só com
uma medicina cada vez mais baseada em evidências pacientes, médicos
e administradores da saúde terão segurança de recorrer
aos melhores tratamentos -sem onerar desnecessariamente um sistema que,
por toda parte, enfrenta dificuldades montantes de financiamento.
(Folha de S.Paulo)
07.04 - Plástica pelo SUS para mulheres vítimas de agressão
Câmara aprovou sexta-feira projeto que obriga o Serviço
Único de Saúde (SUS) a oferecer cirurgia plástica
para mulheres que tenham sofrido lesões ou sequelas resultantes
de agressão física. Pela proposta, os hospitais e centros
de saúde, ao receberem as vítimas de violência, deverão
informá-las da possibilidade de acesso gratuito, e o benefício
será oferecido às vítimas que apresentarem o boletim
de ocorrência da agressão.
A Comissão de Constituição e Justiça e
de Cidadania (CCJ) aprovou, em caráter conclusivo, o substitutivo
do deputado Valtenir Pereira (PSB-MT) ao Projeto de Lei 123/07, do deputado
Neilton Mulim (PP-RJ). A proposta segue para o Senado. (Agência Câmara)
06.04 - Cheque-caução em hospitais e clínicas é
prática ilegal
Exigência do cheque-caução em hospitais e clínicas,
como condição prévia ao atendimento de pacientes titulares
de seguros-saúde, é um procedimento considerado ilegal pela
ANS (Agência Nacional de Saúde), em sua Resolução
44, de 2003.
Mas, além disso, de acordo com o advogado Rodrigo de Mesquita
Pereira, a prática ainda viola artigos do CDC (Código de
Defesa do Consumidor), ao exigir vantagem excessiva aos estabelecimentos
do setor de saúde e ao não cumprir com um serviço
ofertado.
Oferta que deve ser cumprida
Primeiramente, afirma o advogado do escritório Mesquita Pereira,
Marcelino, Almeida, Esteves Advogados, quando o hospital ou a clínica
credencia seu atendimento nas operadoras de plano de saúde, eles
oferecem alguns serviços, entre os quais, a gratuidade para atender
os usuários do seguro médico.
Dessa forma, a oferta do estabelecimento médico deve ser cumprida
em qualquer condição, segundo determina o artigo 30 do CDC,
independentemente de existir problemas entre a operadora do plano de saúde
e o hospital ou a clínica, os quais não podem afetar o consumidor
e devem ser resolvidos parte.
Práticas abusivas
Já o artigo 39 do Código, explica Pereira, destaca como
prática abusiva o fornecedor de produtos ou serviços exigir
dos consumidores vantagem excessiva, conceito em que o procedimento do
cheque-caução se enquadra.
Isso porque, embora já garantidos pelos contratos mantidos com
as operadoras de planos de saúde, os estabelecimentos médicos
exigem dos pacientes uma garantia extra e ainda o fazem se valendo de uma
condição de fragilidade dos consumidores.
Exija seus direitos
Assim, para driblar uma exigência dessas, os consumidores devem
tomar todas as medidas cabíveis, para buscar coibir a prática
abusiva - o que muitas vezes é difícil, pelo quadro de urgência
pelo atendimento - ou ser indenizados pelos danos morais e materiais que
o procedimento ilegal possa lhes causar.
Para tanto, o Ministério Público detém amplos
e eficientes poderes, que não exigem custos aos usuários,
para coibir civil e penalmente essa prática ilícita.
(MSN Notícias)
06.04 - Doença do coração mata menos
Queda foi mais intensa nas regiões Sul e Sudeste
A taxa de mortalidade relacionada a doenças cardiovasculares
no país caiu nas últimas décadas, mas a redução
foi mais intensa nas regiões ricas do país (Sul e Sudeste).
Essa é a principal conclusão de um estudo feito por pesquisadores
do Rio de Janeiro, publicado na última edição da Revista
Pan-americana de Salud Pública.
A pesquisa usou dados do Ministério da Saúde para avaliar
a evolução da taxa de mortalidade por doenças cardiovasculares.
O índice caiu de 287,3 por 100 mil habitantes em 1980 para 161,9
por 100 mil habitantes em 2003, com uma redução média
anual de 3,9%.
Renato Veras, da Universidade da Terceira Idade da Uerj e um dos autores
do estudo, diz que pesquisa comprova o senso comum de que as doenças
cardiovasculares atingem mais a população pobre.
– A questão socioeconômica tem peso significativo na definição
do tempo de vida da população e na incidência de doenças
crônicas.
O declínio mais acentuado foi nas taxas de mortalidade relacionadas
a derrame cerebral. Passaram de 95,2 para 52,6 por 100 mil habitantes no
período de 1980 a 2003, o que significa uma queda anual de 4% ao
ano. Em seguida aparecem as doenças isquêmicas do coração,
que passaram de 80,3 para 49,2 por 100 mil habitantes no período.
(Diário Catarinense)
06.04 - Todos pelo paciente e o paciente para todos
A anestesia é uma especialidade médica criada com o intuito
de aliviar a dor, manter a homeostasia interna e permitir ao cirurgião
trabalhar em condições de segurança e tranqüilidade.
Com base nestas características, quando necessário, paciente
e cirurgião decidem convocar o anestesiologista para integrar e
auxiliar a equipe cirúrgica.
Em tese, a anestesiologia é uma especialidade auxiliar da cirurgia.
Em muitos hospitais e faculdades de medicina, a anestesia é considerada
um departamento do serviço e disciplina de cirurgia. Pacientes não
procuram diretamente o anestesiologista. Geralmente procuram o cirurgião
que escolhe e indica o anestesiologista e muitas vezes o paciente nem sabe
o nome do profissional que o atendeu. Como médico anestesiologista,
aprendi a conviver e, às vezes, a sobreviver com este modelo de
trabalho em equipe..
O fato de ser auxiliar ou não ser o líder não
tira a importância de qualquer membro da equipe. Antes do surgimento
da anestesia, cirurgias eram realizadas com o uso da força física.
Pacientes eram amarrados na cama, embriagados com álcool e o cirurgião
dispunha de alguns minutos para realizar o procedimento proposto, em meio
a gritos, gemidos e movimentações do paciente. Cirurgias
delicadas e demoradas no interior de um cérebro com o auxílio
de microscópios e computadores eram inimagináveis. A anestesia
como auxiliar da cirurgia permitiu este avanço na medicina.
Por outro lado, alguns pacientes relatam com detalhes o modo como foram
mal tratados e como se sentiram durante a internação hospitalar.
A cirurgia propriamente dita foi um sucesso, paciente curado, mas a lembrança
foi maculada por algum evento desagradável. Náuseas, dores,
calafrios, desatenção, abandono, insensibilidade... A anestesia,
como auxiliar da cirurgia pode ter sido a responsável por uma imagem
negativa da experiência hospitalar. Pode, mas nem sempre foi assim.
Durante décadas a anestesia permaneceu na obscuridade como auxiliar
da cirurgia e os maus resultados que eventualmente aconteciam eram imputados
a ela, perigosa e por vezes fatal. Nem sempre a culpada foi a anestesia,
mas era conveniente deslocar a responsabilidade para um bode expiatório.
A anestesia foi transformada em um mal necessário, temido por todos,
e o cirurgião chefe da equipe era preservado. Resultado: demanda
reprimida. Pacientes temendo os perigos da anestesia não procuravam
o cirurgião e terminavam por morrer sem atendimento. Prejuízo
para todos. Não era um trabalho em equipe. Era um grupo reunido
para trabalhar no modelo “cada um por si”.
Quando a anestesia pode se desenvolver, deixou de ser bode expiatório
e permitiu então que cirurgiões, através
de seus bisturis, começassem a salvar vidas até então
condenadas. Resultado do trabalho em equipe e do comportamento “um
por todos e todos por um”: Benefício para todos.
Michael Jordan já dizia: “Com talento ganhamos partidas; com
trabalho em equipe ganhamos campeonatos”. Atendimento a saúde é
um trabalho de equipe e embora os papéis de líder e
auxiliar estejam se confundindo, médicos, hospitais e planos de
saúde não podem se dar ao luxo de olharem só para
seus interesses, sob pena de serem eliminados do jogo ou do negócio,
como queiram. Trabalho em equipe significa “Um por todos e todos por um”,
ou melhor, “Todos pelo paciente e o paciente para todos”.
(Ildo Meyer - Saúde Business Web)
03.04 - Reajuste de remédio terá três faixas
Neste ano, os medicamentos deverão ter três faixas de
reajuste nos preços, ainda que a Anvisa (Agência Nacional
de Vigilância Sanitária) tenha definido apenas uma, de no
máximo 5,9%, para todos os tipos. É que, embora estejam autorizadas,
nem todas as indústrias farmacêuticas aplicam o percentual
máximo, permitido desde terça-feira para todos os remédios.
A primeira não teria nenhum reajuste, a segunda teria o aumento
de 2% a 5%, e a terceira usaria o percentual máximo, de 5,9%. O
Luftal gotas, por exemplo, passou de R$ 12,62 para R$ 13,37 -reajuste de
5,9%.
As informações são da ABCFarma (Associação
Brasileira do Comércio Farmacêutico), que recebe os preços
máximos de venda usados pelas indústrias e publica uma revista
com os valores que deverão ser usados pelas farmácias.
No total, 20 mil apresentações de medicamentos podem
ter os preços alterados. Segundo o presidente da associação,
Pedro Zidói, as faixas foram identificadas em quase metade das empresas
que enviaram os novos preços.
Embora já esteja liberado, a maioria das farmácias da
capital, tanto as menores quanto as de grandes redes, ainda não
aplicou o reajuste permitido pela Anvisa. Mas há algumas, como a
Drogasil, que já estão vendendo alguns medicamentos com valores
novos.
Segundo a Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de
Farmácias e Drogarias), muitas farmácias ainda estão
com preços desatualizados porque nem todas as indústrias
enviaram os novos preços à Cmed (Câmara de Regulação
do Mercado de Medicamentos), que integra a Anvisa.
"Pode ser também que nem todas as farmácias reajustem
o preço de todos os medicamentos da mesma forma. A dica para os
consumidores é que pesquisem sempre", disse o presidente da associação
do setor, Sérgio Mena Barreto.
Como o prazo para o envio dos preços à agência
foi prorrogado até o dia 8 de abril, é possível que
os reajustes de todos os medicamentos cheguem, de fato, ao consumidor somente
na segunda quinzena deste mês. (Anay Cury e Luciana Lazarini
- Agora S.Paulo)
03.04 - Acesso a exames de mamografia
O presidente do Instituto Nacional do Câncer (Inca), Luiz Antônio
Santini, considerou preocupantes os dados do estudo encomendado pela Federação
Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio
Saúde da Mama (Femama) que afirma que 31% das mulheres, sobretudo
aquelas que usam o sistema público de saúde, nunca fizeram
exame de mamografia.
"Isso é preocupante e teremos que corrigir. Esse é um
dos motivos pelos quais o Ministério da Saúde está
preparando um conjunto de medidas para aumentar e garantir o acesso [aos
exames]", disse.
Ele disse ainda que é preciso realizar mais campanhas educativas
para chamar a atenção das mulheres sobre a importância
do exame. Falta que essa informação seja melhor tratada,
melhor organizada. "Nós temos um estudo com mulheres sobre a mamografia
e sabemos que falta muita informação", afirmou Santini.
No dia 29 deste mês entra em vigor uma lei que obriga o Sistema
Único de Saúde (SUS) a realizar o exame de mamografia nas
mulheres acima de 40 anos. Santini disse que o Ministério da Saúde
está preparando um conjunto de medidas para possibilitar a operacionalização
do acesso aos exames.
O presidente do Inca afirmou que a rede pública de saúde
tem mamógrafos suficientes e profissionais qualificados para realizar
o exame. O problema, segundo ele, está no acesso.
"A prioridade de atendimento é para quem está doente.
O acesso hoje mamografia apresenta dificuldade por falta de um atendimento
específico para o rastreamento. As pessoas que estão doentes
que apresentam sintomas ou têm alguma queixa ou ainda pedido do médico
têm prioridade no atendimento", explicou.
Segundo Santini, até 2011, o Ministério da Saúde
vai ampliar o número de mamógrafos para atender 70% da população
que precisa realizar o exame. Hoje, essa cobertura é de 46%. (Agência
Brasil)
03.04 - Diálogo é fundamental em momento de crise
Em artigo, Aurimar José comenta a decisão 'inaceitáveis'
do governo nos tempos de crise
Medidas impulsivas em tempos de crise podem se transformar num grande
"pesadelo". Exemplo disso foi a decisão do governo de exigir licenças
prévias para importações, que chegou a ser anunciada
pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior. Teve de ser suspensa dias depois. Segundo o Ministro da Fazenda,
porque ela foi mal compreendida, mas na verdade ela é o contrário.
Ela foi muito bem compreendida quanto aos seus efeitos práticos.
Foi uma medida tomada sem diálogo e negociação, sem
avaliação das consequências, sustentada apenas em dados
desfavoráveis da balança comercial de apenas três semanas.
A explicação posterior, a de que o governo queria apenas
tomar conhecimento estatístico quanto às importações,
não convenceu.
A verdade é que a medida foi no mínimo precipitada e
consequentemente inaceitável.
Tal situação põe sob suspeita o conhecimento da
realidade do mercado, do dia-a-dia das organizações e das
implicações em toda a cadeia produtiva por parte do Governo
Federal. É necessário que o idealismo não se sobreponha
à razão, principalmente quando lidamos com questões
como crescimento e produção. Afinal, somos ou estamos no
G-20? Somos parte efetiva ou apenas observadores distraídos e desconectados
do mundo globalizado?
É necessário que os produtores de leis e regulações
entendam que a dinâmica do mundo globalizado, seja como importadores
ou exportadores, tende a operar cada vez mais sob condições
igualitárias de regulação, operações
logísticas e comerciais. O mundo produtivo cada vez mais reduz seus
estoques, aproveitando-se da tecnologia disponível e da inteligência
aplicada em otimização de processos e logística. Trata-se
de ciências exatas. É a matemática a favor dos resultados
saudáveis para o mercado democrático. Trabalhar com inventário
reduzido é um fator importante e de sucesso para a competitividade
mundial.
Não podemos retroceder dez anos e aceitar que se agreguem tempos
burocráticos e sem nenhum valor para a cadeia produtiva, diante
de tanta tecnologia de informação e inteligência logística
a nossa disposição. As empresas investiram e continuam investindo
muito para tornar seus processos cada vez mais aprimorados, rápidos,
eficientes e principalmente eficazes. Alem de ser um retrocesso administrativo,
por certo adicionaria custos para a cadeia de suprimentos e consequentemente
para os produtos finais.
Certamente os importadores aqui e os exportadores lá fora teriam
que rever suas políticas e aumentar inventários para compensar
a burocracia de uma aprovação prévia de LI"s (Licenças
de Importação). O aumento de inventário representa
um aumento de custos nos processos de armazenagem e movimentação
de seus materiais. Esse incremento diminui a disponibilidade de caixa das
empresas e, consequentemente, requer financiamentos adicionais, que já
estão escassos.
Enfim, se esta medida permanecesse, seria um ato na contramão
de toda a lógica de que neste momento precisamos reduzir despesas,
evitar custos que não agregam valor, simplificar e acelerar os processos
e pôr nossa criatividade a favor da manutenção do crescimento
econômico. Que possamos num futuro próximo olhar para trás
e concluirmos: "O Brasil está maduro, e é um só, sejam
regulados ou reguladores".
O fato é que todos afundaremos nesta viagem se não aprendermos
a falar uns com os outros e entendermos que a verdade nunca esteve e nunca
estará apenas em um dos lados. É preciso exercitar o equilíbrio
para verdadeiramente usufruirmos da inteligência que acreditamos
ter. (Aurimar José Pinto - Saúde Business
Web)
02.04 - Novo tratamento para arritmia cardíaca
Um estudo canadense divulgado nesta terça-feira
revela que o uso combinado do anticoagulante Plavix e de aspirina reduz
em 11% o risco de problemas vasculares graves. A combinação
pode diminuir em até 28% o risco de acidentes vasculares cerebrais
e em 23% o risco de infartos do miocárdio, de acordo com a pesquisa.
"O objetivo desse teste clínico era determinar
se, combinando-se o Plavix com a aspirina, seria possível reduzir
a incidência de problemas vasculares graves entre os pacientes que
sofrem de fibrilação auricular, que provoca aumento aceitável
do risco de hemorragia", explicou o médico Stuart Connolly, da Universidade
McMaster, na província canadense de Ontário.
A fibrilação auricular, o mais
frequente dos problemas crônicos de arritmia cardíaca grave,
afeta 2,2 milhões de americanos, segundo a American Heart Association,
e seu tratamento requer o uso de marcapassos. "É a primeira vez
em vinte anos que surge um novo tratamento contra a fibrilação
auricular", ressaltou Connolly.
Outros anticoagulantes como a cumadina, associados
à aspirina, são igualmente eficientes contra a fibrilação
auricular, mas muitos pacientes não podem ser tratados com esse
medicamento – que reduz em 38% o risco de acidentes vasculares cerebrais
– porque ele aumenta em 70% o risco de hemorragia. (Agência
France-Presse)
02.04 - Planta pode produzir substância
contra o HIV
Quem diria que, para combater o vírus
da Aids, os cientistas fossem lançar mão do tabaco? Claro
que não como fumo -- uso que faz sabidamente terrível mal
à saúde e não teria meio de combater o patógeno
--, mas como maneira de produzir um microbicida suficientemente agressivo
para, na forma de gel, "desarmar" o HIV.
Já se sabe há algum tempo que uma
substância batizada de griffithsina (mais conhecida pela sigla GRFT),
produzida naturalmente por algas vermelhas, age como um eficiente inibidor
contra o vírus da Aids. Em contato com o HIV, ele quase imediatamente
desativa a capacidade do vírus de contaminar células humanas.
Ele é, portanto, uma substância candidata a compor um gel
que, aplicado na mucosa vaginal ou anal, poderia prevenir a infecção.
Ocorre que sua produção atualmente
é complicadíssima e cara demais -- muito mais cara do que
simplesmente adotar a medida convencional mais barata de prevenção
contra o HIV, que é o uso de camisinha.
Foi aí que entrou o grupo de Kenneth Palmer,
da Universidade Louisville e da companhia Intrucept Biomedicine LLC, ambas
dos Estados Unidos. Eles afirmam que, usando um vírus para alterar
geneticamente plantas da espécie Nicotiana Benthamiana (vegetal
herbáceo originário da Austrália, rico em nicotina
e outros alcalóides), elas passaram a produzir a griffithsina em
copiosas quantidades -- mais de 1 grama por quilo de folhas da planta.
(G1)
02.04 - Ações para reduzir incidência
de HIV
A incidência de HIV na população
carcerária brasileira pode ser até dez vezes maior do que
na população em geral, em que pelo menos 0,6% das pessoas
estão infectadas. Os dados foram divulgados ontem durante a 1ª
Consulta Nacional sobre HIV e Aids no Sistema Penitenciário. A diretora
do Programa Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde,
Mariângela Simão, citou o exemplo de um presídio em
Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, que chegou a registrar
infecção por HIV em 5,6% dos detentos.
Ela alertou, entretanto, que a estimativa foi
feita com base em estudos pontuais e que não há um levantamento
nacional do número de presos infectados. "Mais do que um estudo
nacional, precisamos de ações específicas", contestou.
Para Mariângela, levantamentos nacionais,
por outro lado, podem gerar confusões na interpretação
dos dados. Ela ressaltou que estatísticas nacionais indicam que
65% da população carcerária têm acesso a preservativos,
e que em alguns presídios o acesso aproxima-se de 100%. Porém
há casos onde não há acesso algum. Em 2008, o governo
federal destinou 406 milhões de preservativos aos estados, mas apenas
25 milhões deles chegaram aos presídios. A previsão,
para este ano, é de que a distribuição seja de 26
milhões de preservativos para uma população carcerária
que chega a 420 mil em todo o país.
Além das condições de confinamento
e da assistência inadequada nas penitenciárias, Mariângela
acredita que o alto índice de presos usuários de droga e
as uniões entre pessoas do mesmo sexo dentro dos presídios
contribuem para que o HIV se espalhe dentro das celas.
Uma das recomendações que devem
compor o documento final elaborado pelos participantes do encontro, segundo
ela, precisa ser que cada estado inclua doenças como a aids, a hepatite
e a tuberculose nos planos de saúde oferecidos aos presos, além
da destinação de recursos específicos do Programa
Nacional de DST e Aids para o sistema penitenciário.
Participam do encontro cerca de 150 profissionais
como técnicos do Ministério da Saúde, e do Ministério
da Justiça, representantes de secretarias estaduais de Saúde
e Justiça, equipes de saúde de presídios e representantes
da sociedade civil. A consulta nacional pode ser acompanhada por transmissão
ao vivo pelo site www.aids.gov.br/midiacenter. (A Gazeta)
01.04 - Ortopedia na rede pública tem novas regras
O atendimento de traumatologia e ortopedia será unificado no
Brasil. Com isso, o acidentado será tratado em um único hospital.
A medida, que atinge hospitais e 226 Centros de Referência de Alta
Complexidade, foi anunciada ontem pelo Ministério da Saúde
por meio de portaria. O objetivo principal é facilitar a vida dos
pacientes que necessitam de tratamento de alta complexidade e, muitos vezes,
precisam percorrer várias instituições para se tratarem.
Entre 2006 e 2008, o número de procedimentos de alta complexidade
em ortopedia cresceu de 25.800 para 34.280.
A habilitação dos serviços em várias áreas,
era, na opinião do secretário de Atenção à
Saúde do ministério, Alberto Beltrame, o motivo que restringia
a organização da rede. De acordo com a nova norma, os hospitais
serão habilitados conforme os serviços de traumatologia e
ortopedia para adultos, crianças e jovens de até 21 anos
e de emergência.
Outra alteração importante trazida pela portaria diz
respeito a exclusão do parâmetro populacional em detrimento
da necessidade. Antes, o atendimento se baseava em oferecer determinado
serviço para um grupo de 700 mil habitantes. Agora, para ser habilitado,
o hospital deverá realizar um número mínimo de procedimentos
em traumato-ortopedia de média e de alta complexidade.
Com a revisão dos procedimentos, muitos dos hospitais que antes
eram considerados de alta complexidade passarão a ser de média
complexidade. Caberá aos estados e municípios definirem novos
centros que atendam as exigências. O Ministério da Saúde
habilita os de alta complexidade.
Exigências
Para ser habilitado entre os centros de referência, o hospital
deve ter emergência com funcionamento 24 horas por dia, exames de
diagnose e terapia e assistência a todos os pacientes que, no hospital,
tenham sido submetidos a procedimentos traumato-ortopédicos de natureza
cirúrgica. (JB Online)
01.04 - Vendas de medicamentos mantêm alta
em 2009
O setor farmacêutico acumula crescimento
nas vendas de 6,4%, entre março de 2008 e fevereiro de 2009, no
total de unidades vendidas
Apesar da crise financeira mundial, o setor farmacêutico
acumula crescimento nas vendas de 6,4%, entre março de 2008 e fevereiro
de 2009, no total de unidades vendidas. Já os genéricos registraram
incremento de 18,2% no período. Em reais, o crescimento foi de 10,86%
do mercado total e de 23,30% dos genéricos nos últimos 12
meses. O presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores
de Laboratórios Nacionais (Abradilan), Ivanilton Galindo, afirma
que o faturamento do setor até a distribuição foi
de R$ 10 bilhões em 2008 e que o aumento esperado na receita para
este ano é de 6% a 8%.
Galindo diz que são vários os fatores
que impulsionam o crescimento e deixam o setor à margem da crise.
Ele afirma que houve uma melhor distribuição de renda no
Brasil, o que facilitou o acesso de muita gente aos medicamentos. Também
cita a redução de preços provocada pela entrada dos
genéricos e ampliação do número destes produtos
no mercado e o envelhecimento da população, que cada vez
consome mais remédios e mais vitaminas. "Nos últimos meses,
a demanda permaneceu nos mesmos níveis, por isso a indústria
não precisou promover férias coletivas ou demissões",
afirma Galindo.
Até o final deste mês, os fabricantes
poderão reajustar os preços em até 5,85%, conforme
autorização da Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa). Muitas indústrias, porém, podem
não aplicar o reajuste. O gerente de Marketing da GeoLab, de Anápolis
(GO), Rodrigo Nóbrega, afirma que em alguns produtos, de maior concorrência,
a empresa não vai mexer no preço, mesmo com a alta do dólar.
Grande parte da matéria-prima utilizada
pela indústria farmacêutica é importada. Há
cinco anos no mercado, a GeoLab é uma empresa de médio porte,
com produção de 12 milhões de unidades/mês e
mais de 500 funcionários. A capacidade instalada da indústria,
segundo Nóbrega, de 15 milhões de unidades/mês, não
será totalmente utilizada em 2009, mesmo com o crescimento esperado
de 10% a 15% na produção.
A GeoLab trabalha com similares (70% da receita),
genéricos e fitoterápicos. Lançou, este ano, nove
produtos, entre eles, o primeiro colírio similar do Brasil, Alphabrin,
na Abradilan Farma 2009, feira nacional do setor que ocorre em Florianópolis
esta semana. O similar vai custar 32% mais barato do que o chamado medicamento
referência, que é o Alphagan. "Nossa previsão é
de lançar 30 produtos até o final do ano", diz Nóbrega.
Atualmente, a empresa trabalha com 200 produtos em linha.
A Dermogel, de Olinda (PE), também não
sentiu os reflexos da crise. Reestruturou a empresa em 2008 e fechou com
faturamento de R$ 2 milhões. Para 2009, a perspectiva é de
obter receita de R$ 9 milhões. Com 44 anos no mercado, a Dermogel
voltou-se para a inovação e lançou vários produtos
exclusivos, cosméticos com funcionalidades terapêuticas. O
creme hidratante para os pés trata também as fissuras, rachaduras,
aumenta a circulação e tem ação esfoliante.
Uma linha completa de óleos vegetais e bactericidas trata de varicosas
e dermatites (escaras e queimaduras).
A produção da empresa, de 1,3 milhão
de unidades, será 60% superior em 2009, em relação
a 2008. Deste total, 600 mil itens são de óleos e nove novas
linhas serão lançadas ainda este ano. Um dos produtos que
está para chegar ao mercado é o alisante natural que poderá
ser utilizado até por crianças, grávidas e pessoas
com alergias. O gestor Comercial da Dermogel, Fernando Moraes, afirma que
a estimativa durante a feira é de geração de R$ 400
mil em negócios.
A Abradilan congrega 85 distribuidoras brasileiras
de medicamentos que movimentam R$ 100 milhões/mês com a distribuição
de entre 60 milhões e 70 milhões de unidades/mês, sendo
95% genéricos ou similares. A Abradilan prepara agora proposta para
apresentar em julho ao Conselho de Política Fazendária (Confaz)
e nas secretarias da Fazenda dos estados brasileiros com o objetivo de
unificar a tributação do Imposto sobre Circulação
de Mercadorias e Serviços (ICMS). Segundo Galindo, cada estado aplica
uma alíquota que varia de 10% a 40% e se o produto estiver em promoção,
esta não é considerada e o tributo incide no maior preço
de venda. (Juliana Wilke - Gazeta Mercantil/Saúde Business
Web)
01.04 - A saúde que desejamos e a que precisamos organizar
O nível de saúde de uma população em geral
é fortemente influenciado por quatro fatores: fatores genéticos,
desenvolvimento socioeconômico, estilo de vida e finalmente, mas
não menos importante, os serviços de saúde existentes.
Sem prejuízo dos três primeiros, que dependem mais de
ações preventivas/educacionais e de políticas públicas
responsáveis, os serviços de saúde têm a grande
responsabilidade de elevar o nível de saúde da população
em geral.
Cabe aos profissionais de saúde, às agências reguladoras,
aos planos de saúde e às nossas instituições
prestadoras de serviços, a responsabilidade de organizar serviços
que possam atender às necessidades de nossa gente em qualquer nível
de complexidade.
Esta organização tem de ser feita com base no planejamento
da saúde, conciliando complexidade de rede com demanda prevista.
O que se pode verificar é que, da mesma forma que no setor público,
aparentemente também no setor privado este planejamento não
vem sendo feito. As frequentes denúncias de superlotação
nas unidades de atendimento emergencial de nossas redes assistenciais provam
esta observação.
A busca do atendimento prioritariamente realizado em unidades emergenciais
é uma questão cultural do povo brasileiro que precisa ser
modificada. Ela tem sido estimulada por interesses políticos os
mais diversos e tem gerado uma nefasta cultura hospitalocêntrica
em nossa população. No Brasil, parte-se do equivocado pressuposto
de que a porta de entrada do sistema são os hospitais. Assim, acredita-se
erroneamente, que tudo que for relacionado à saúde tem de
ser resolvido por meio dessas instituições.
Nossa população precisa ser informada e orientada a respeito
da existência de níveis diversos de complexidade de atenção.
É necessário que se torne de conhecimento público
que ações de prevenção de doenças e
de cuidados primários não necessariamente realizadas em hospitais
são fundamentais para o sucesso de qualquer planejamento em saúde.
Mas para isso, a sociedade precisa conhecer e confiar nos resultados de
nossas instituições em todos os seus níveis de complexidade.
A saúde é um direito de todos e este direito extrapola o
oferecimento da medicina curativa pelas instituições de atenção
à saúde. Ele é mais amplo e deve garantir que a medicina
garanta também a prevenção de doenças. Este
é um dos maiores desafios contemporâneos dos diversos sistemas
de saúde em todo o mundo.
A decisão sobre procurar um hospital ou um posto de saúde,
a opção entre um programa de medicina domiciliar ou assistência
hospitalar é feita, na maioria das vezes, sem qualquer análise
pela população da melhor relação de benefício
entre ambas. O que é mais grave é que se parte muitas vezes
de um pressuposto equivocado de que elas são práticas antagônicas,
quando na realidade são complementares e precisam caminhar juntas.
Para que os serviços de saúde, público e privado,
possam interferir positivamente no nível de saúde da população,
temos de organizar nossa estrutura de serviços de saúde com
base em um eficaz planejamento de nossa prática assistencial. Também
torna-se vital qualificar a rede de prestadores de serviços com
base em instrumentos de qualidade que possam ser medidos e comparados por
todos.
Melhorar os processos assistenciais é o grande desafio que todas
as instituições provedoras de serviços de saúde
do País deveriam enfrentar. A busca da certificação
de qualidade, baseada em serviços seguros e confiáveis, processos
controlados e resultados demonstráveis, assim como a adoção
das boas práticas de governança corporativa na saúde
necessitam tornar-se um objetivo para todas as instituições,
para que o segmento de assistência à saúde possa ser
considerado um núcleo de excelência em serviços.
Somente por meio da mensuração do trabalho e pelo estabelecimento
de metas de desempenho e indicadores de qualidade será possível
atingirmos melhores resultados. Desta maneira as instituições
também poderão reduzir o monumental desperdício que
pode ser frequentemente observado nos diversos níveis de atenção
à saúde em nosso país e contribuir para um correto
planejamento das necessidades de nossa população em seu sentido
mais amplo. (Gazeta Mercantil - JOSIER MARQUES VILAR)