31.10 -
Plano de sáude
é condenado por dano moral
Uma então usuária da Golden Cross
Assistência Internacional de Saúde ganhou o direito de receber
indenização por danos morais, no valor de 5 mil reais, já
que precisou se submeter a um procedimento cirúrgico, em 2006, mas
não teve a cobertura do plano.
De acordo com os autos, a paciente alegou que
firmou contrato com o plano de saúde, durante os anos de 1992 a
2006. Sustentou que, na época da celebração contratual,
foi informada que o plano adquirido possuía total cobertura para
qualquer eventualidade.
Relatou ainda que, em 30 de maio de 2006, foi
acometida por uma forte dor, necessitando de realizar uma série
de exames, entre tais procedimentos, foi submetida a uma ultrassonografia
abdominal e uma laparoscopia com vídeo. Contudo, afirmou que foi
surpreendida com a informação de que teria que arcar com
todas as despesas.
A empresa, no entanto, rebateu sob o argumento,
entre outros pontos, de que a paciente sabia das limitações
do plano de saúde contratado, vez que possuía uma via original
do contrato.
Decisão
Embora a sentença de primeiro grau tenha
negado o pedido de indenização, a paciente moveu Apelação
Cível (n° 2008.003690-6), junto ao Tribunal de Justiça
do Rio Grande do Norte, a qual foi acolhida pelos desembargadores da 3ª
Câmara Cível.
A decisão levou em conta que, em se tratando
de contrato de adesão, firmado antes da Lei nº 9.656/98 - no
ano de 1992, o qual não foi adaptado à nova lei regente dos
planos de saúde e cujas cláusulas se revestem de abusividade
e nulidade, impõe-se a aplicação do artigo 51, inciso
IV, e § 1º, inciso II, do Código Consumerista, em vigor
à época da contratação.
O dispositivo reza que “são nulas de pleno
direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao fornecimento
de produtos e serviços que estabeleçam obrigações
consideradas iníquas, abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem
exagerada, ou sejam incompatíveis com a boa-fé ou a eqüidade.
E presume-se exagerada, entre outros casos, a vantagem que restringe direitos
ou obrigações fundamentais inerentes à natureza do
contrato.
“No caso em exame, o que se pretende tutelar
é bem jurídico da maior importância, qual seja, a vida
humana, cuja proteção decorre de imperativo constitucional,
como prevê o artigo 5º, tendo primazia sobre qualquer bem ou
interesse meramente patrimonial”, definiu o desembargador João Rebouças,
relator do processo. Fonte: Tribunal de Justiça do RN
(Tribuna Online)
31.10 - SUS pleno só virá com amplo
conhecimento da Justiça
Uma das maiores conquistas sociais da Constituição
Federal foi a criação do SUS (Sistema Único de Saúde).
Antes da vigência da Carta atual, o Inamps
(Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência
Social) era responsável pelo atendimento do brasileiro —restrito
aos empregados que contribuíssem com a previdência social,
pelo menos na teoria.
Com a implementação do sistema,
qualquer brasileiro pode ter acesso à saúde pública.
E, após 20 anos da promulgação da Constituição
de 1988, o sistema evoluiu bastante, mas ainda existem problemas a serem
superados, como o baixo orçamento nacional à saúde,
que fragiliza a aplicação do sistema.
O texto constitucional dispõe, no artigo
196, que “a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido
mediante políticas sociais e econômicas que visem à
redução do risco de doença e de outros agravos e ao
acesso universal e igualitário às ações e serviços
para sua promoção, proteção e recuperação”.
Entretanto, para sair do papel e se concretizar plenamente, algumas medidas
precisam ser tomadas.
Segundo estudo do médico pediatra e de
saúde pública e especialista em SUS Gilson Carvalho, as soluções
para a perfeita execução do sistema de saúde previsto
pela Carta de 1988 passam por quatro receitas bem conhecidas: aumento dos
recursos, combate à corrupção, mudança do modelo
e a obtenção de uma maior eficiência nos gastos.
Na avaliação do especialista, para
melhorar a viabilização do complexo processo de efetivação
do sistema de saúde é necessário construir um consenso
político e social de entendimento entre saúde, Ministério
Público e Poder Judiciário.
“Compreender cada qual o seu papel e o das outras
instituições que têm em comum a responsabilidade pública.
O setor saúde tem que conhecer melhor o mundo jurídico e
o papel do Ministério Publico e do Poder Judiciário e estes
os objetivos, funções, diretrizes e princípios do
SUS”, analisa Carvalho.
Visões de uma mesma Carta
Para Eduardo Jorge, ex-deputado federal autor
da emenda constitucional destinada a assegurar os recursos mínimos
para o financiamento das ações do SUS e atual secretário
do Verde do município de São Paulo, a Constituição
de 1988 contemplou a saúde com uma proposta realmente universalista,
“sem os guetos coorporativos e injustos que herdamos de períodos
anteriores pouco democráticos”.
Jorge, que participou da Assembléia Nacional
Constituinte ainda filiado ao PT (hoje pertence ao PV), considera o SUS
como uma conquista particularmente importante do texto de 1988.
“Num Brasil desigual é quase uma revolução.
É a entrada do país em um processo de construção
de um estado de bem estar. Olhando do ponto de vista das famílias,
das crianças, dos idosos, dos pobres, dos camponeses, não
houve nada tão importante na área social”, avalia.
O professor emérito da Faculdade de Direito
da USP, Dalmo de Abreu Dallari, também avalia como positivas as
conquistas da Constituição de 1988 no tratamento da saúde.
Pare ele, a Carta merece elogios, principalmente por ter tratado a saúde
como direito.
“Este aspecto foi inovador no Brasil. O texto
expressamente diz que a saúde é um direito e a coloca na
sequência da declaração universal. Além disso
a Constituição criou um sistema em que predomina o interesse
público, onde situa a saúde como direito social, sem excluir
a participação da iniciativa privada, mas desde que subordinada
ao interesse público e não ao privado”, ressalta Dallari.
Saúde x economia
Sobre a evolução do SUS nestes
20 anos, o jurista faz questão de criticar, duramente, a declaração
do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, feita na
segunda-feira (27/10) em São Paulo e veiculada em O Estado de S.Paulo
de 28/10, quando disse que os principais hospitais particulares que oferecem
tratamentos de ponta não terão mais, a partir do próximo
mês, de ofertar 60% dos atendimentos ao SUS para manter o certificado
de filantropia e a isenção de tributos.
Dallari considera que, na verdade, o ministro
da Saúde está trabalhando contra a saúde e a favor
da economia.
Em vez de dar prosseguimento ao sistema já
em vigor, o ministro da Saúde anunciou que, para manter os benefícios
decorrentes do sistema, as unidades habilitadas pelo ministério
poderão oferecer um pacote de serviços ao SUS, como pesquisas
de interesse da saúde pública, treinamento de profissionais
e avaliações sobre incorporação de tecnologias.
Dallari ressalta que, ao anunciar esta posição para empresários
da saúde, o ministro está agindo “como um associado, um braço
avançado da saúde como negócio e não como direito
social”.
Quanto a esta última declaração,
Dallari considera que o ministro apresentou uma proposta absurda que violaria
o esquema já estabelecido pela Carta desde a criação
do SUS.
“É um absurdo completo. As pessoas que
necessitam do serviço vão esperar o resultado de uma pesquisa
que nem se sabe qual será o resultado? Isto contraria o que a Constituição
de 1988 previu, que foi a prestação de serviços. O
próprio ministro da saúde está contrariando a Constituição”,
critica Dallari. (Eduardo Ribeiro de Moraes - Última
Instância)
31.10 - Filantropia controlada
O Ministério da Saúde finalmente
encerra um longo capítulo de indefinição na relação
entre os hospitais de ponta e o Sistema Único de Saúde. Se
bem conduzido, esse epílogo pode trazer benefícios a todos.
A incerteza residia nos parâmetros pelos
quais esses hospitais eram enquadrados como entidades filantrópicas.
A lei prevê que instituições de saúde podem
obter isenção fiscal como contrapartida à oferta de
60% de seus serviços ao SUS (caso das Santas Casas) ou aplicando
parte da receita em serviços gratuitos.
Decreto de 2006 abriu a possibilidade de que
hospitais de referência pudessem, alternativamente, realizar projetos
de apoio ao desenvolvimento do SUS -estudos de avaliação
e incorporação de tecnologias, capacitação
profissional, pesquisas e gestão de serviços. Faltava a normatização
do Ministério da Saúde.
Agora, a partir de parâmetros técnicos
estabelecidos numa portaria, o próprio ministério passa a
fazer o controle das instituições de excelência. Anteriormente,
a fiscalização na contraparte das filantrópicas era
feita apenas de forma contábil pelo Conselho Nacional de Assistência
Social, vinculado ao Ministério do Desenvolvimento Social.
Estão envolvidos valores expressivos em
renúncia fiscal. O montante chega a R$ 240 milhões no caso
de seis instituições de ponta -os hospitais paulistanos Albert
Einstein, Sírio-Libanês, Oswaldo Cruz, do Coração
e Samaritano, além do gaúcho Moinhos de Vento.
Se bem planejados, os projetos desenvolvidos
com aprovação das autoridades de saúde poderão
redundar na transferência de conhecimento e tecnologia para o sistema
público como um todo.
É necessária, no entanto, fiscalização
rigorosa do Ministério da Saúde. Os projetos devem ser executados
com transparência e de forma auditável. Além disso,
conforme a regulamentação da prática, as instituições
não poderão diminuir as atividades assistenciais já
prestadas ao sistema público. É o caso do Hospital do Coração
e do Hospital Albert Einstein, que já têm serviços
exercidos sob o auspício do SUS. (Folha de S.Paulo)
31.10 - Campanha previne população
contra osteoporose
A doença atinge principalmente mulheres
após a menopausa e homens acima dos 60
A Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia
lançou uma campanha nacional de prevenção à
osteoporose. A doença descalcifica os ossos, e é considerada
um problema de sáude pública, geralmente associado ao envelhecimento
e que afeta principalmente a população feminina.
As mulheres apresentam mais riscos de desenvolver
a doença porque, após a menopausa, existe uma diminuição
da produção do estrógeno e da progesterona, que são
os hormônios que protegem os ossos. Com a deficiência dos hormônios,
ocorre uma perda da massa óssea.
No caso dos homens acima dos 60 anos, está
mais sujeito aquele que não teve uma vida regrada, abusou do consumo
de álcool e cigarros, fez uso excessivo de café e refrigerantes
e tem hábitos sedentários.
A osteoporose é uma doença silenciosa,
não apresenta nenhum sintoma e se manifesta após quedas e
fraturas freqüentes. O diagnóstico pode ser feito através
dos antecedentes familiares e pela densitometria óssea, que é
o exame pedido depois que a mulher atinge a menopausa ou apresenta algum
fator de risco.
A prevenção da osteoporose se baseia
principalmente na prática de atividades físicas, ingestão
diária de cálcio, banhos solares e hábitos saudáveis.
(EPTV)
31.10 - Brasil unido contra a dengue
Uma semana após o lançamento da
campanha nacional "Brasil unido contra a dengue", 49 dos 169 municípios
brasileiros escolhidos entre os prioritários para o controle da
doença já coletaram dados do Levantamento Rápido de
Índice de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa), uma
das principais ações de prevenção e combate
à doença, previstas pelo Ministério da Saúde.
A quantidade de cidades que cumpriram essa primeira etapa corresponde a
cerca 30% da amostra nacional. Nestes municípios, a próxima
etapa será a analise laboratorial do material coletado e elaboração
de relatório.
O LIRAa é realizado anualmente pelas prefeituras,
de acordo com cronograma local, no período de outubro a novembro.
O objetivo é identificar com antecedência as áreas
de maior risco de formação de criadouros do mosquito transmissor
nos municípios, o que permite planejar e intensificar as ações
de combate ao vetor da doença, assim como as atividades de mobilização,
comunicação e de educação.
Do total de municípios que deve fazer
o levantamento ainda este ano, 101 (59%) estão na fase de apuração
de informações, ou seja, com agentes de vigilância
em saúde em visita a áreas particulares e públicas
para coletar amostras que serão posteriormente analisadas para medir
o índice de infestação dos locais visitados. Outros
19 (11%) farão o estudo na primeira semana de novembro. O resultado
geral do levantamento, com as informações de todos os 169
municípios, será divulgado no dia 19 de novembro, em Brasília.
"É essencial que os municípios
usem as informações do LIRAa para focar ações
contra a dengue nos locais em que forem identificados como os de maior
risco", alerta o ministro da Saúde, José Gomes Temporão.
"Todo esforço deve ser feito para evitar casos e, principalmente,
óbitos no próximo ano", completou.
Entre as cidades que participam do levantamento
estão as capitais e municípios prioritários para o
controle da dengue, como os de regiões metropolitanas e áreas
turísticas. A maioria deles tem mais de 100 mil habitantes. Todas
as prefeituras que integram o LIRAa fazem parte de uma lista de 633 municípios
considerados prioritários pelo Ministério da Saúde
para o controle da dengue.
Campanha - A campanha "Brasil unido contra a
dengue" é dividida em três momentos de alerta: remoção
dos potenciais criadouros do mosquito Aedes aegypti; mobilização
e combate aos focos do mosquito transmissor, nos meses de maior risco da
doença; e o que a população deve fazer quando surgirem
os sintomas.
Ainda em outubro, o Ministério da Saúde
anunciou a liberação de R$ 128 milhões a mais para
o Teto Financeiro de Vigilância em Saúde (TFVS) de estados
e municípios. Em toda a estratégia de combate à dengue,
o Ministério da Saúde investirá, neste ano, R$ 1,08
bilhão, um aumento de 23%, em relação a 2007. Esse
é o maior volume de recursos já investidos pelo Ministério
da Saúde com essa finalidade. Os recursos adicionais são
destinados aos municípios prioritários dentro da estratégia
nacional de combate à doença, como áreas de fronteira,
turísticas, regiões metropolitanas e com mais de 50 mil habitantes.
(Maxpress)
30.10 - O mal do século 21
Previsão para 2008 é que os novos casos de câncer
de mama cheguem a quase 50 mil, com risco estimado de 51 para cada 100
mil mulheres
Em apenas três anos, triplicou o número de mulheres que
ainda nem completaram 40 anos, mas já foram vítimas do câncer
de mama. Os números da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM)
servem de alerta para a população feminina, que ainda não
se conscientizou da importância de exames preventivos para esse tipo
da doença, o mais comum e o segundo mais freqüente em todo
o mundo. As estatísticas apontam para que as mulheres façam
prevenção cada vez mais cedo e, ainda, derrubam o antigo
conceito de que, antes dos 35 anos, o câncer de mama é raro.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o mal é o que
mais causa mortes entre as mulheres no Brasil, sendo o mais temido por
elas, devido à alta freqüência e, sobretudo, aos efeitos
psicológicos, que acabam afetando a percepção da sexualidade
e a própria imagem pessoal. A previsão para 2008 é
que os novos casos de câncer de mama cheguem a quase 50 mil, com
um risco estimado de 51 casos para cada 100 mil mulheres. Apesar do grande
número de campanhas sobre o auto-exame da mama, vale ressaltar que
ainda é baixo o percentual daquelas que realizam o teste corretamente
e, mesmo quando fazem, acreditam erroneamente que ele substitui a mamografia,
exame que detecta precocemente o câncer. O ideal é que seja
criado o hábito de realizar o auto-exame, a mamografia e outros
procedimentos de controle, sempre com acompanhamento médico. A pesquisa
realizada pelo Inca especifica os casos da doença por região
e mostra que as mulheres do Sudeste são as mais propícias
a terem o câncer, com um risco estimado de 68 novos casos por 100
mil.
Alguns sinais que podem aparecer no seio são perceptíveis
a olho nu e detectados por meio do auto-exame: os nódulos ou tumores,
acompanhados ou não de dor mamária, alterações
que surgem na pele que recobre a mama, como abaulamentos, retrações
ou aspecto semelhante à casca de laranja, além de nódulos
palpáveis na axila. As mulheres com histórico familiar da
doença têm motivo extra para se preocupar; esse é um
importante fator de risco para o câncer de mama. O risco maior ocorre
quando um ou mais parentes de primeiro grau, mãe ou irmã,
tiveram a doença antes dos 50 anos. Mas aquelas que não se
enquadram nesse caso não estão isentas da preocupação,
pois apenas 5% a 10% do total correspondem a casos de câncer de mama
de caráter familiar. Outro importante fator de risco é a
idade: existe aumento acelerado na incidência com o avanço
da idade. A menarca precoce (idade da primeira menstruação),
a menopausa tardia (instalada depois dos 50 anos), a ocorrência da
primeira gravidez depois dos 30 anos e a nuliparidade (não ter tido
filhos) constituem fatores de risco para o câncer de mama. Porém,
o que mais vem chamando a atenção da comunidade médica
atualmente é o aumento do número de casos em jovens mulheres,
a partir dos 30 anos.
Sobre a teoria da associação do uso de contraceptivos
orais ao aumento do risco de câncer de mama há registrado
de muitas controvérsias. Alguns especialistas consideram que certos
subgrupos de mulheres estão em situação de risco graças
à pílula contraceptiva, apesar de ainda não existirem
comprovações. As mulheres que usaram contraceptivos orais
de dosagens elevadas de estrogênio, as que fizeram uso da medicação
por longo período e as que usaram anticoncepcional em idade precoce
(antes dos 20 anos e da primeira gravidez) fazem parte desses subgrupos.
As formas mais eficazes para detecção precoce do câncer
de mama são o exame clínico da mama e a mamografia. Esse
diagnóstico precoce possibilita, além da chance da cura,
a preservação da mama. O exame clínico das mamas (ECM),
quando realizado por um médico ou enfermeira treinada para isso,
pode detectar tumor de até um centímetro. Já a mamografia
permite a detecção precoce da doença, por ser capaz
de mostrar lesões milimétricas em fase inicial.
A prevenção primária dessa neoplasia ainda não
é totalmente possível, devido à variação
dos fatores de risco e às características genéticas
que estão envolvidas na sua etiologia. Novas estratégias
de rastreamento factíveis para países com dificuldades orçamentárias
têm sido estudadas – até o momento é recomendada a
mamografia para mulheres com idades entre 50 e 69 anos como método
efetivo para detecção precoce. É importante que a
população esteja ciente de que o câncer de mama acomete
cada vez mais as mulheres, cada vez mais cedo. Por isso, a conscientização
quanto às formas de prevenção e tratamento da doença
é urgente; muitas mulheres desconhecem as proporções
e as conseqüências que o câncer de mama pode trazer. (Dairton
Miranda e Washington Cançado de Amorim - Estado de Minas)
30.10 - Exigências para hospitais mudarem
A partir do próximo mês, os principais
hospitais privados do país que oferecem tratamentos de ponta não
terão mais de garantir 60% dos atendimentos pelo sistema público
de saúde para manter o certificado de filantropia e a isenção
de tributos e contribuições previdenciárias, anunciou
segunda-feira, em São Paulo, o ministro da Saúde, José
Gomes Temporão.
Segundo o ministro, para manter os benefícios,
as unidades habilitadas pelo ministério poderão oferecer,
em vez do percentual de atendimentos, um pacote de serviços ao Sistema
Único de Saúde (SUS), como pesquisas de interesse da saúde
pública, treinamento de profissionais do sistema e avaliações
para a incorporação de tecnologias.
No início, serão beneficiadas principalmente
unidades privadas de São Paulo, como os hospitais Albert Einstein,
Sírio-Libanês, HCor e Samaritano. O Hospital Oswaldo Cruz,
que não tinha o certificado de filantropia, também será
beneficiado. O Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre, é outro
incluído na mudança, que ocorre com base em decreto editado
no fim de 2006 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e regulamentado
no ano passado.
"São os melhores hospitais brasileiros,
de excelência, e são unidades sem fins lucrativos, filantrópicas.
Elas irão oferecer ao SUS, em vez da estratégia tradicional,
que são exames, consultas, internações, o que têm
de mais importante: conhecimento, capacidade técnica, capacidade
de gestão, capacidade de realizar pesquisas, desenvolvimento tecnológico.
É uma inovação e tenho esperança de que a gente
inicie um novo padrão de relacionamento com o sistema privado",
disse Temporão, depois de um almoço com mais de 300 empresários
associados ao Grupo de Líderes Empresariais (Lide), entre eles representantes
dos hospitais beneficiados. (Correio Web)
30.10 - Nova regra de filantropia gera mais controle
Segundo Ministério da Saúde, informações
sobre atendimentos gratuitos eram obscuras
Hospitais de ponta terão isenção
tributária em troca de oferecer "conhecimento e capacidade técnica"
para qualificar o SUS
O Ministério da Saúde afirma que
a nova regra para a concessão do título de filantropia, criada
especialmente para os hospitais privados mais avançados do país,
tem como objetivo acabar com a "falta de controle" do governo sobre essas
instituições.
A filantropia dá a tais hospitais milhões
de reais por ano em isenções tributárias.
Antes, para obter o título de filantropia,
essas instituições precisavam realizar um certo número
de atendimentos gratuitos à população (o equivalente
a 20% de suas receitas). Agora, devem oferecer "conhecimento e capacidade
técnica" para qualificar o SUS (Sistema Único de Saúde)
-como pesquisas científicas, projetos de inovação
tecnológica e treinamento de gestores e médicos.
A nova regra já vale, em São Paulo,
para os hospitais Albert Einstein, Sírio-Libanês, Oswaldo
Cruz, do Coração e Samaritano, e, em Porto Alegre, para o
hospital Moinhos de Vento. Juntos, deverão somar no próximo
ano perto de R$ 240 milhões em isenções tributárias.
Quando aponta "falta de controle" sobre esses
hospitais, o Ministério da Saúde se refere à ausência
de informações claras sobre que tipo de paciente é
atendido gratuitamente.
"Imagine que você queira se internar hoje
de graça no Einstein [pela cota de 20%]. Você consegue?",
exemplifica Alberto Beltrame, diretor do Departamento de Atenção
Especializada. "Os hospitais podem atender a uma clientela restrita e cativa,
o que não faz parte dos princípios do SUS. Os 20% são
de difícil apuração."
A prestação de contas é
feita ao CNAS (Conselho Nacional de Assistência Social), entidade
federal que concede os títulos de filantropia. Apesar de envolver
saúde, a contabilidade não passa pelo Ministério da
Saúde.
Pela nova regra, os serviços oferecidos
pelos hospitais precisam ser aceitos e depois fiscalizados pelo Ministério
da Saúde. "Passam a ser transparentes e auditáveis", diz
Beltrame.
Lista de pacientes
Gonzalo Vecina, da direção do Sírio-Libanês,
defende as novas normas de filantropia, mas contesta a acusação
de que falta transparência aos atendimentos gratuitos da norma anterior:
"Basta vir ao hospital e levantar a lista dos pacientes".
As regras especiais para os hospitais de ponta
foram criadas em 2006 e regulamentadas em 2007. Na semana que vem, o ministro
José Gomes Temporão anunciará os 120 projetos que
servirão de contrapartida para as isenções tributárias
dos seis hospitais de ponta.
"É um novo padrão de relacionamento
entre o SUS e o sistema privado", disse anteontem o ministro.
O Hospital do Coração, por exemplo,
fará um trabalho de telemedicina. Os eletrocardiogramas realizados
dentro das ambulâncias do Samu de todo o Brasil serão analisados
em tempo real pelo hospital.
Cirurgias
Os hospitais dizem que pode haver uma redução
no número de atendimentos gratuitos feitos atualmente. O Ministério
da Saúde, porém, afirma que fechou acordos com as instituições
para que isso não ocorra.
O Hospital do Coração realiza cerca
de 350 cirurgias cardíacas gratuitamente a cada ano. Era assim que
cumpria sua cota de 20%. Metade das cirurgias continuará sendo feita
dessa maneira. A outra metade deverá ser feita por meio do SUS (paga
pelo governo federal).
O presidente da Confederação das
Santas Casas, Hospitais e Entidades Filantrópicas do Brasil, Antônio
Brito, também elogia as mudanças. Elas, no entanto, não
afetam as Santas Casas, que, para ter o título de filantropia, precisam
reservar 60% de seus atendimentos a pacientes do SUS. "O governo olhou
para os hospitais de ponta, mas se esqueceu das Santas Casas, que estão
sucateadas."
Mudança é boa para o SUS, diz
Lottenberg
Claudio Lottenberg, presidente do hospital Albert
Einstein, diz que o novo requisito para a obtenção do título
de filantropia é importante para o Sistema Único de Saúde.
"Esses hospitais [privados de ponta] vão levar para o sistema projetos
que não são encontrados na rede pública, principalmente
os que envolvem questões que são mais complexas e de inovação."
FOLHA - Qual são as vantagens desses novos
critérios?
CLAUDIO LOTTENBERG - Em primeiro lugar, o governo
passa a participar da elaboração desses projetos. Isso dá
mais segurança e deixa o processo mais claro. Em segundo lugar,
esses hospitais vão levar para o sistema projetos que não
são encontrados na rede pública, principalmente os que envolvem
questões que são mais complexas e de inovação.
FOLHA - Os atendimentos gratuitos à população
antes prestados pelo Einstein agora não são obrigatórios.
Eles deixarão de ser feitos?
LOTTENBERG - Determinadas ações
podem deixar de ser feitas. As prioridades serão definidas em conjunto
com o sistema público. De qualquer forma, diversas atividades que
temos hoje, como o banco de cordão umbilical e os programas de Paraisópolis
[favela de São Paulo], continuarão. A diferença é
que serão custeadas pelo nosso próprio caixa.
(RICARDO WESTIN e MÁRCIO PINHO - Folha de S.Paulo)
29.10 - Aumenta procura por leitos em hospitais
particulares
Falta de vagas, lotação e um grande
número de transferências deixaram de ser problemas exclusivos
da rede pública de atendimento hospitalar. Hospitais tradicionais
de São Paulo, como o Albert Einstein, Nove de Julho e Samaritano,
têm registrado um aumento na demanda e atingido picos de ocupação
em seus leitos.
Segundo a assessoria do Hospital Israelita Albert
Einstein, o hospital atinge 100% da ocupação de duas a três
vezes por semana. Já no Hospital Samaritano, os números indicam
uma taxa média de ocupação de leitos de 80%. No ano
passado, segundo informações da diretoria do Centro hospitalar,
este percentual era de 73%, ou seja, uma elevação de 7%.
No Nove de Julho, a ocupação média
chegou a 85% neste ano. Há dois anos, segundo a assessoria de comunicação
do hospital, o índice era de 77% de leitos ocupados de segunda a
sexta-feira.
Economia aquecida
Para o superintende da Associação
Nacional de Hospitais Privados (Anahp), Roberto Cury, o aumento na procura
por atendimento em instituições particulares está
ligado ao crescimento econômico do País. “Com o aumento de
empregos formais, cresce o número de beneficiários da saúde
suplementar. Em São Paulo, 80% dos planos de saúde são
empresariais”, informa Cury.
A Anahp avalia que os hospitais privados de São
Paulo registram uma taxa de ocupação média de 75%.
Este percentual cresce no início da semana e cai no seu final, já
que os pacientes têm alta. Para a entidade, o crescimento na demanda
por leitos particulares é uma exclusividade de São Paulo,
não vale para os demais estados brasileiros.
Estratégia
Para absorver os novos pacientes, os hospitais
têm investido em reformas ou ampliado suas instalações.
O Einstein, por exemplo, está com três novos prédios
em construção, que elevarão o número de leitos
de 500 para 720. A primeira etapa da obra será entregue no início
de 2009. A previsão é de concluir o projeto em 2012.
O Samaritano prepara um novo complexo hospitalar
de 15 andares. A obra deve ser entregue no primeiro semestre de 2010. Superintendente
geral do hospital, o médico José Antônio de Lima, explica
que a instituição tem reduzido o processo burocrático,
entre outras medidas, para diminuir o tempo de espera dos pacientes e garantir
vagas nos seus leitos. “Quase 90% das nossas internações
eletivas [não emergenciais] são pré-agendadas. Os
pacientes preenchem a ficha de cadastro online e evitam a perda de tempo
com a burocracia”.
Nos picos de ocupação, Lima diz
que a ordem no Samaritano é priorizar casos graves e efetuar as
transferências com segurança. “Recebemos, por mês, uma
média de 12 mil casos de emergência no pronto-socorro e 1,2
mil internações. São números que exigem muito
da administração”, avalia o superintendente.
Seguindo o mesmo caminho, o Hospital Sírio-Libanês
irá inaugurar, no próximo mês de novembro, uma nova
Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) com 82 novos leitos. (Último
Segundo)
29.10 - O prontuário eletrônico e
a transformação da assistência em saúde
Confira o artigo do assessor clínico de
TI do Hospital Santa Catarina de Blumenau, Luiz Arnoldo Haertel, sobre
a implantação do PEP.
O Prontuário Médico foi criado
para documentar as informações do paciente. O aumento do
número e diversidade de profissionais e o foco central no paciente
promoveram a mudança do nome para Prontuário do Paciente.
Com o uso da tecnologia da informação (TI), a este foram
incorporadas inúmeras funções e informações.
Assim, o agora chamado Prontuário Eletrônico
do Paciente (PEP) não é apenas uma promessa da substituição
do prontuário em papel, mas um poderoso instrumento que apóia
a decisão, que evita o re-trabalho e repetição de
exames, possibilita maior segurança e confidencialidade, garante
otimização de recursos e melhoria de processos. A ação
dos diversos profissionais da saúde passa a ser simultânea
com este novo modelo que possibilita o gerenciamento integrado das informações
clínicas. Os registros de evoluções, resultados de
exames complementares, prescrições, entre outros, são
armazenados, compartilhados e recuperados a qualquer momento, em qualquer
lugar, dentro e fora da instituição. Através do PEP
é possível monitorar a evolução do paciente,
inclusive através de gráficos e de cálculos pré-definidos,
usando-se escalas nacionais e internacionais. Os sistemas podem auxiliar
no planejamento e execução dos exames diagnósticos
(centro de diagnóstico por imagem, laboratório, cardiologia)
agilizando os processos internos e disponibilizando os resultados de forma
ágil e segura. Aos laudos dos exames de imagem podem estar integradas
suas imagens on-line.
A Prescrição Eletrônica permite
rapidez e grande segurança nesta atividade crucial, onde a metade
dos erros se origina. Com orientações padronizadas evitam-se
condutas discrepantes de diferentes profissionais para situações
semelhantes. Uma vez prescrito, cada item pode ter sua checagem eletrônica,
aplicando-se as cinco certezas da enfermagem. Pode-se gerir de forma mais
adequada todo o trabalho e estabelecer prioridades no atendimento.
Imaginem um atendimento em Pronto Socorro seguindo
um fluxo completamente digital, sem papel, desde a recepção
à receita final do médico (no final é impresso um
relatório devidamente assinado conforme a lei vigente). Os profissionais
atuam de acordo com indicações eletrônicas que a consulta
terminou, o resultado do exame já está disponível,
prescrição por executar, etc. Este fluxo digital revoluciona
o atendimento nesta área, reconhecidamente crítica. Permitir
ao profissional acessar, a qualquer momento, todo o histórico do
paciente muda completamente a agilidade e resolutibilidade do atendimento.
O PEP é uma plataforma facilitadora de
um atendimento de excelência, já que a assistência médico-hospitalar
tornou-se muito complexa, sendo impossível gerenciá-la por
meios em papel. A sua implementação é produto direto
do engajamento dos profissionais de saúde, TI e da diretoria das
instituições. Ao paciente coube de fato o grande benefício,
pois seu atendimento tornou-se mais ágil, mais humano e principalmente,
mais seguro. (Dr. Luiz Arnoldo Haertel - Saúde Business
Web)
29.10 - O SUS que funciona: quatro exemplos de
serviços nota dez
Demora para conseguir consultas e exames, pacientes
acomodados em corredores de hospitais. Problemas como esses ainda são
realidade para quem depende do Sistema Único de Saúde (SUS).
Mas a mesma saúde pública que causa sofrimento em alguns
momentos é um alívio em muitos outros. Talvez você
nunca tenha se dado conta, mas o SUS oferece serviços que funcionam
tão bem que são referência para outros países.
A oferta de remédios de alto custo, transplantes, vacinação
em massa e o Programa de Saúde da Família são exemplos
de eficiência.
A imunização gratuita de doenças
no país é uma das mais completas do mundo. Da mesma forma,
portadores do vírus HIV têm acesso ao que há de mais
eficiente no coquetel de medicamentos anti-aids.
O SUS também tem o maior programa de transplantes
de órgãos do mundo. Nos últimos 10 anos, este tipo
de cirurgia no país passou de 3.765 para 15.855. No Estado, entre
os meses de janeiro a agosto de 2007 foram feitos 82 transplantes. No mesmo
período deste ano foram 145. Um aumento de 76%.
Abrangência
São serviços de um SUS que funciona
e que este mês está completando 20 anos. Este é o único
acesso à saúde para 140 milhões de brasileiros, o
que representa 75% da população. No Estado, apenas a Capital
registra um índice menor de usuários – 60% dos moradores
dependem da saúde pública.
Com tantos dependentes, o SUS é o maior
plano de saúde pública do mundo. Poucos países oferecem
tantos serviços gratuitamente. O subsecretário de Estado
da Saúde, Francisco José Dias, salienta que, apesar de tantas
pessoas terem planos de saúde, 99% dos transplantes e 97% dos tratamentos
de hemodiálise são feitos pelo SUS.
"Temos tratamentos com tecnologia de ponta e
há planos que não assumem o paciente quando ele precisa de
um recurso de alto custo", explica Dias. Nesses 20 anos de saúde
universalizada quem ganhou foi a população. O número
de estabelecimentos públicos de saúde subiu de 13 mil para
77 mil.
Mas ainda há muito o que fazer. Dias reconhece
que há realidades diferentes dentro do mesmo sistema. "Oferecer
tantos serviços gratuitos demanda muitos custos. Precisamos de uma
política de arrecadação de tributos mais eficiente
porque o subfinanciamento de algumas áreas gera problemas. Nosso
desafio é fortalecer a atenção primária. Investir
mais na prevenção para evitar que muitos pacientes superlotem
os hospitais", aponta.
Sem fila e sem burocracia no atendimento
A administradora Cristina Oliveira Valdetaro,
33 anos, e sua filha Iara Oliveira Valdetaro, 1 ano e três meses,
têm plano de saúde e moram no Barro Vermelho, uma das áreas
mais nobres de Vitória. Mas isso não é impedimento
para que, de vez em quando, façam uma visita à Unidade de
Saúde do bairro Santa Luíza. A maioria das vacinas que Iara
tomou até hoje foram aplicadas no local. "Vamos nas clínicas
particulares apenas para as vacinas que o SUS não tem. Aqui somos
bem recebidas, os funcionários são educados, não há
fila, nem burocracia", diz Cristina, que na semana passada levou Iara para
tomar as vacinas tetravalente e anti-pólio. A diretora da unidade,
Helena Christ, conta que atende muitas pessoas das classes A e B. "São
pessoas que vêm tomar vacina, conseguir remédios e leites
de alto custo e até fazer consultas, principalmente os que têm
plano participativo. Também há muita gente das classes mais
altas que participa dos nossos programas contra tabagismo, diabetes e hipertensão",
lembra Helena.
Medicamento disponível no dia agendado
Há um ano a professora Patrícia
Lazaroni, de 28 anos, pega, gratuitamente, o medicamento Eprex para a mãe,
a aposentada Vera Lúcia Lazaroni, de 58. Ambas têm plano de
saúde, mas Patrícia explica que comprar o remédio
seria impossível para a família. "O Eprex custa cerca de
R$ 700 uma ampola e ela toma 12 por mês. Quando o atendimento era
feito no Centro de Vitória demorava demais. Depois que veio para
Jardim América foi informatizado e ficou mais rápido, com
dia agendado para o o recebimento do remédio", conta. Patrícia
diz que sua mãe sofre de insuficiência renal e também
faz sessões de hemodiálise pelo SUS. "O plano dela não
cobre", lamenta. A professora só tem uma reclamação.
"Acho que cada município deveria ter uma farmácia dessa.
Pra mim fica muito longe vir até aqui", conta Patrícia, que
mora com a mãe no bairro Pitanga, na Serra.
Usuários
140 milhões
É o número de brasileiros que têm
no SUS o único acesso à saúde. Isso representa 75%
da população.
Falta avaliação criteriosa
"Um dos elementos de fragilidade do SUS é
que falta uma avaliação criteriosa do sistema. A queda na
mortalidade infantil e o aumento na oferta de vacinas são bons indicadores,
mas não são suficientes para saber se o sistema está
mesmo funcionando com eficiência e qualidade. É preciso levantar
em quanto tempo se consegue uma consulta, um exame, uma cirurgia e comparar
com outros países. Da mesma forma, é importante identificar
o investimento que está sendo feito em saúde, por pessoa,
e comparar com outros países. O governo federal deve criar indicadores
para a saúde pública, como já existe na área
da educação. Porque os problemas têm que ser identificados.
É urgente saber se a questão é de gestão, planejamento
ou avaliação pública. O Ministério da Saúde
deve estabelecer critérios para aferir a qualidade dos serviços.
Os conselhos de saúde também precisam ser fortalecidos. Os
gestores devem assumir prazos e serem responsabilizados em caso de problemas".
Vacinar para prevenir
As campanhas de vacinação realizadas
pelo Ministério da Saúde mostram que vale a pena investir
na prevenção. Nos últimos anos, doenças como
varíola e poliomielite foram erradicadas. O Brasil foi pioneiro
na adoção da estratégia de vacinação
em massa para acabar com a paralisia infantil e seu Programa de Imunização
é uma referência mundial.
Nos últimos 10 anos, as vacinas também
fizeram cair em mais de 90% os casos de sarampo, tétano neonatal,
coqueluche e rubéola. "A última campanha de rubéola
teve meta de 70 milhões de pessoas e chegamos a 63 milhões.
Mesmo assim, é a maior vacinação do mundo", destaca
o subsceretário de Estado da Saúde, Francisco José
Dias.
Com o investimento na vacinação
de homens e mulheres, com idades entre 20 e 39 anos, a expectativa do Ministério
da Saúde é obter o certificado da Organização
Mundial da Saúde de eliminação da rubéola do
território nacional. Dias explica que qualquer cidadão pode
se imunizar pelo SUS. Nos últimos anos foram incluídas as
vacinas contra o rotavírus e a gripe. "Algumas não estão
padronizadas porque teriam investimento alto com impacto muito localizado",
explica.
Remédio de alto custo para todos
Imagine ter de comprar para seu filho, todos
os meses, um remédio que custa R$ 3 mil. Há medicamentos
tão caros e de uso contínuo que mesmo pessoas de classes
sociais altas têm dificuldade para adquirir. Mas quem precisa dos
chamados medicamentos de alto custo pode recorrer ao Sistema Único
de Saúde (SUS). Nos últimos anos os investimentos nesses
itens aumentou e é cada vez maior a variedade de produtos.
Em 1988, ano da criação do SUS,
eram ofertados 40 medicamentos essenciais, destinados exclusivamente à
atenção básica. Hoje são 400 produtos disponíveis,
em todo país, nos três níveis de atenção
(básica, estratégica e de alto custo). Qualquer pessoa, independente
de ter plano de saúde, tem acesso aos remédios da Farmácia
Cidadã, do Centro Regional de Especialidades (CRE), em Cariacica,
que em 2007 contabilizou 245 mil atendimentos.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde
(Sesa) o Espírito Santo é um dos estados que mais investe
na compra de remédios. Este ano, foram R$ 80 milhões em medicamentos
de alto custo, sendo que o investimento por pessoa – R$ 24 – é o
maior do país.
Atendimento médico garantido em casa
A criação do Programa de Saúde
da Família (PSF), em 1994, é um dos principais avanços
do Sistema Único de Saúde (SUS). O programa tinha 300 equipes
e 1,1 milhão de pessoas atendidas. Este ano, são 28,1 mil
equipes que beneficiam 90 milhões de brasileiros.
Segundo o subsecretário de Estado de Saúde,
Francisco José Dias, mais de 50% da população capixaba
é acompanhada em casa pelos médicos, enfermeiros e dentistas.
"O objetivo é identificar os problemas de saúde no início
e acompanhar os que possuem doenças crônicas e evitar que
cheguem aos hospitais", explica.
Porém o secretário reconhece que
este é um dos maiores desafios dos gestores do SUS. "Quando toda
população tiver esse tipo de cobertura, o atendimento nos
hospitais vai melhorar. O ideal é que 85% dos problemas de saúde
sejam resolvidos em casa ou nas unidades básicas. O desafio é
investir mais na atenção primária, expandir o PSF
e qualificar os profissionais que trabalham nele", explica.
Programa vai avaliar qualidade dos serviços
Já pensou se você tivesse de dar
uma nota para o hospital onde alguém da sua família ficou
internado nos últimos dias? Nos próximos meses isso pode
ser uma realidade nos estabelecimentos públicos de todo país.
O Ministério da Saúde pretende criar um programa de avaliação
dos serviços prestados pelo Sistema Único de Saúde
(SUS).
O secretário de Gestão Estratégica
e Participativa do Ministério da Saúde, Antônio Alves
de Souza, disse que a intenção é medir a satisfação
do usuário, avaliar se os investimentos e as ações
de prevenção estão tendo resultado. "Precisamos saber,
por exemplo, se os programas estão reduzindo o número de
diabéticos e hipertensos, se as pessoas estão mesmo deixando
de fumar", explica.
Sobre os serviços do SUS que ainda são
motivo de sufoco, como a superlotação em hospitais, Antônio
Alves, disse que parte do problema pode ser resolvido se o Senado aprovar
a criação da Contribuição Social para a Saúde
(CSS). "Esse imposto vai ajudar a acabar com o subfinanciamento do SUS
porque todo recurso arrecadado será destinado à saúde".
(Daniela Carla - Gazeta Online)
29.10 - Inovação nos testes de Aids
Até o ano que vem, o Brasil vai concluir o desenvolvimento do
kit NAT HIV/HCV – um sistema informatizado para testes do vírus
da Aids e de hepatite. A nova tecnologia, genuinamente brasileira, aumentará,
significativamente, a segurança para as transfusões de sangue
e tem previsão de ser incorporada ao Sistema Único de Saúde
(SUS) em janeiro 2010.
O kit está sendo desenvolvido pela Fundação Oswaldo
Cruz (Fiocruz), por intermédio do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos
(Bio-Manguinhos). Ele será utilizado na triagem dos serviços
de hemoterapia do País, permitindo a diminuição imunológica
– o tempo contado desde a infecção pelo vírus até
a produção de anticorpos pelo sistema imune, em que o vírus
não é detectado na triagem sorológica dos serviços
de hemoterapia.
Segundo o diretor do Departamento de Atenção Especializada
do Ministério da Saúde, Alberto Beltrame, um em cada 250
mil doadores é contaminado pelo vírus HIV ou HCV. Com o novo
sistema de coleta de sangue, o número deve cair para um em cada
13 milhões de coletas. Com o kit, a triagem dos serviços
de hemoterapia ajudará a detectar, em curto espaço de tempo,
a janela imunológica para a detecção do HIV, que hoje
é de 21 dias e cairá para oito dias. No caso do HCV, o tempo
será reduzido de 72 para 14 dias.
Os testes já estão sendo realizados no hemocentro de
Santa Catarina. A partir de fevereiro , 12 hemocentros de seis estados
farão o teste com o kit para que, em 2010, esteja disponível
em todo o Brasil. "É uma fase de comprovação
de eficácia que é necessário antes do registro do
sistema".
Na fase inicial do projeto foram gastos cerca de R$ 5 milhões,
estima o Ministério da Saúde. A previsão é
de que sejam gastos mais R$ 16 milhões na fase final. Para a manutenção
do sistema, o governo deve destinar cerca de R$ 36 milhões por ano.
(O Fluminense)
28.10 - Um balanço complicado
Em 1998, foi votada a Lei dos Planos de Saúde.
Em
janeiro de 1999, a Lei 9656 entrou em vigor, mudando substancialmente uma
atividade que naquela altura já adquirira importância suficiente
para chamar a atenção do Governo Federal. Até meados
de 1998 os planos de saúde privados eram vistos como algo ruim,
mas necessário, e sem muita expressão na ordem político-econômica
nacional. O problema é que a situação não era
mais essa fazia algum tempo. Com o Plano Real, quando a economia entrou
nos eixos e a demanda pelos planos de saúde privados levou perto
de 45 milhões de brasileiros a buscarem este tipo de proteção,
o setor começou a ser visto como algo capaz de gerar votos, mais
do que como uma solução para os graves problemas do SUS.
O resultado foi a votação a toque
de caixa de um Projeto de Lei que estava adormecido nos escaninhos do Congresso
Nacional fazia muitos anos. O projeto era tão ruim que a lei votada,
em função de um acordo entre o Congresso e o Executivo, foi
mudada menos de 24 horas depois, por uma Medida Provisória que alterou
profundamente suas disposições. E mês a mês,
por um longo tempo, outras Medidas Provisórias foram sendo baixadas
para tentar minimizar os estragos que as alterações anteriores
iam causando no sistema.
A verdade é que os planos de saúde
privados brasileiros, chamados na época da votação
da lei de pouco menos que bandidos, ainda que mal regulamentados, de uma
forma ou de outra, atendiam as necessidades da população,
ou de uma parte importante dela, tanto que se transformaram no sonho de
consumo da classe média, impressionada com o atendimento médico-hospitalar
dos empregados com carteira assinada, principalmente das grandes empresas,
que davam o benefício como complementação salarial.
De olho nessas pessoas, ou no voto delas, se
acertou a votação da Lei dos Planos de Saúde e sua
imediata alteração, por Medida Provisória. O produto
final, como não podia deixar de ser, num país onde se acredita
que a lei resolve tudo, é ruim e está longe de resolver o
problema de saúde dos brasileiros, muito embora, hoje, represente
uma massa de dinheiro maior do que o orçamento do Ministério
da Saúde.
O grande drama dos planos de saúde privados
brasileiros é que a lei engessou a possibilidade de criação
de planos mais ou menos abrangentes, obrigando todos os interessados a
comprarem planos com desenhos obrigatórios, sem se importar com
sua utilidade para o consumidor e com a capacidade de custeio destes produtos
pela população.
Como se não bastasse, os reajustes de
preço dos planos de saúde privados abrangidos pela Lei 9656
durante anos foram feitos levando em conta mais a demagogia que a realidade.
O resultado é que até agora existem fortes zonas de atrito
pela necessidade de se corrigir as distorções do passado,
principalmente nos planos anteriores à lei, e que por isso não
deveriam ser atingidos por ela, mas que o foram e de forma muitas vezes
devastadora.
A situação se deteriorou a tal
ponto que as seguradoras simplesmente deixaram de comercializar planos
individuais e familiares, concentrando sua atuação nos planos
empresariais, não abrangidos pela lei.
Os planos individuais e familiares, atualmente,
são administrados pelas assistências médicas e cooperativas
de saúde, cujas estruturas de custo permitem economias de escala
impraticáveis nos planos de reembolso, oferecidos pelas seguradoras.
Muito embora, neste momento, não haja
nenhuma tempestade fechando o horizonte, a situação é
desconfortável para todos. Os consumidores acham que pagam caro.
Os prestadores de serviço acham que são mal remunerados.
Os planos vivem na corda bamba, buscando o equilíbrio econômico
indispensável para garantirem o futuro, deles e de seus clientes.
E o Governo é obrigado a custear a saúde de alguns milhões
de pessoas que, com outra lei, mais flexível, poderiam estar em
planos privados, que desonerariam o SUS. Por tudo isso, causa espanto não
se falar na mudança para melhor de uma lei ruim.
(Antonio Penteado Mendonça - O Estado de S.Paulo)
28.10 - O caos médico
A medicina brasileira vive um momento existencial
muito difícil. “Nunca antes na história desse país”
alguma forma de “congelamento de preços” resiste há tanto
tempo como os valores de remuneração da atividade médica
pagos pelas operadoras de seguros, sistemas e planos de saúde. Baseadas
em tabelas, listas e classificação da Associação
Médica Brasileira (AMB) que, desde l990, organiza e regulamenta
os valores mínimos de remuneração do Rol de Procedimentos
Médicos, as operadoras trabalham com livre arbítrio, sem
nenhuma correção nos valores dos exames diagnósticos,
com uma perda acima 300% entre l990 e 2008.
As mais atingidas são as clínicas
menores da área do diagnóstico por imagem, geralmente mais
personalizadas, algumas com certificado de qualificação do
Colégio Brasileiro de Radiologia (item de diferenciação)
nas áreas de atuação da radiologia geral (mamografia)
e ultra-sonografia geral, que realizam exames da rotina preventiva, fundamentais
na manutenção da saúde e bem-estar de todos. Para
as operadoras de planos de saúde pouco importa a qualificação
das clínicas colocando todas, de péssimas a ótimas,
no mesmo patamar e, incompreensivelmente, remunerando-as com os mesmos
valores. Elas recebem permissão da Agência Nacional de Saúde
(ANSS) para a elevação anual nos preços dos planos,
mas não repassam nada aos médicos. É preciso que a
relação paciente–honorários–médicos volte a
existir livremente. Nossa atividade está “tabelada e congelada”.
Perdemos o caráter autônomo e liberal, ficando reféns
das operadoras de planos de saúde, que, salvo exceções,
têm no lucro fácil a razão de sua existência.
Também, há um vício de expressão correntemente
usado pelos usuários de maior poder aquisitivo: “Ah ! A consulta
eu pago particular, mas os exames faço todos pelo plano da saúde”.
Por quê? As clínicas diferenciadas não têm o
mesmo direito? Com os mais avançados e modernos equipamentos diagnósticos,
que têm um custo altíssimo de manutenção e atualização
técnica, oferecem à sociedade uma medicina de primeiro mundo.
Vale lembrar que qualquer pagamento na área de saúde, mesmo
planos de saúde, têm desconto integral no imposto de renda,
o que é compensador.
O que fazer? Os usuários de planos de
saúde deveriam fundar uma Associação de Defesa dos
Usuários de Planos de Saúde, para pressionarem as operadoras
a corrigir os valores dos procedimentos médicos e aplicar os níveis
de inflação de forma obrigatória, como regem as leis
brasileiras de livre mercado. O mesmo devem fazer as empresas compradoras
de planos de saúde para seus funcionários, exigindo reajustes
pontuais nos valores da atividade médica. Poderíamos contar
com o apoio do Ministério Público, pois os senhores juízes,
promotores e desembargadores, sendo usuários de planos de saúde,
têm poderes para reformular juridicamente as regras impeditivas contratuais
da cobrança médica paralela, que já existe na prática,
abertamente, ou fazendo constar nos contratos correções anuais
obrigatórias pelas operadoras, que sempre impuseram as regras estabelecidas.
É preciso mudar, endurecer, radicalizar contra esses grupos intermediários,
urgentemente.
Sem dúvida, essa crítica situação
vivenciada hoje é também resultado da timidez e ineficiência
das entidades médicas e dos dirigentes médicos, responsáveis
não só por zelar pelo cumprimento do conjunto de normas estabelecidas,
mas pelas negociações com as operadoras de planos de saúde,
aparentemente desgastadas por promessas não cumpridas. Entretanto,
defendem sempre os médicos, pessoas físicas, ficando as empresas
prestadoras de serviço médico, pessoas jurídicas de
médicos, abandonadas. Assim, fica impossível a sobrevivência
econômica de uma empresa, com encargos crescentes de toda a natureza
(como a Cofins recente), que não podem ser repassados para os consumidores.
É o caos! Estão quebrando economicamente todas as clínicas
de médio e pequeno porte, que realizam exames mais simples e baratos.
Sobreviverão, ainda por algum tempo, as clínicas maiores,
com atividade também dedicada aos exames mais sofisticados e melhor
remunerados. Impossível calar! Não apenas cansamos. Nos indignamos.
(Renato S. Faucz - Gazeta do Povo)
28.10 - Entidades mundiais lançam instruções
para infecção
Entidades do setor de saúde mundial lançam
cartilha mundial com orientações para prevenção
da infecção hospitalar
Lideranças do setor de saúde mundial,
incluindo a Sociedade da América de doenças infecciosas,
emitem um conjunto de instruções para a prevenção
de infecções hospitalares, causadas por más práticas
de medicina no ambiente hospitalar.
As recomendações, publicadas on-line,
intituladas de "Controle de infecção e epidemiologia hospitalar",
são subdivididas em categorias:
• Linha central associada à infecção
sanguínea;
• Pneumonia associada à ventilação
mecânica;
• Cateter associado a infecções
do trato urinário;
• Infecções do centro cirúrgico.
Além disso, existem dois itens específicos
também abordados:
• Staphylococcus aureus resistente à meticilina;
• Clostridium difficile.
O presidente da Associação Americana
de Hospitais, Richard Umbdenstock, classificou as recomendações
como "consenso profissional", em declaração ao New York Times.
Ele acrescentou ainda que "a partir de hoje, a nação conta
com instruções para o controle de infecção
comum". (Saúde Business Web)
27.10 - Remédios e impostos
É de uma lógica perversa uma legislação
que impede milhões de brasileiros de realizar seu tratamento médico
em razão da elevadíssima carga tributária que impacta
diretamente sobre o preço final dos medicamentos. No Brasil, os
remédios recolhem, somente de Imposto sobre Circulação
de Mercadorias e Serviços (ICMS), entre 17% e 19% do seu valor.
A carga tributária total beira os 30%. Em nosso país, estes
produtos são tratados como uma mercadoria qualquer. Grande parte
das nações desenvolvidas considera medicamento um gênero
de primeira necessidade, como os alimentos. Há alguns anos, essa
distorção inconcebível dos impostos foi parcialmente
resolvida no caso dos itens que compõem a cesta básica. Sobre
produtos como arroz, farinha, ovos, feijão, charque, pão,
sal, salsicha, mortadela, lingüiça, sardinha e outros incidem
impostos menores do que 7%. Nossa proposta é que os medicamentos
também sejam incluídos na menor alíquota possível.
No mínimo, pois entendemos que a alíquota no caso de medicamentos
deveria ser zero. Essa elevada tributação nos remédios
aumenta o preço do produto ao consumidor final, onera as empresas
que mais contribuem, acirra a guerra fiscal e incentiva a sonegação,
que é a porta de entrada dos medicamentos roubados e falsificados
no mercado – uma verdadeira ameaça à população.
A alta carga tributária destes produtos
não é só uma questão tributária, mas
também de saúde pública. Vamos tomar como exemplo
a pressão alta. A hipertensão é conhecida no mundo
inteiro como a doença das metades: 50% das pessoas não sabem
que a têm e 50% não se tratam por falta de condições
financeiras para comprar os medicamentos. Nos Estados Unidos, onde 50 milhões
de pessoas são hipertensas, apenas 34% delas conseguem controlar
a doença com exercícios, dietas e medicamentos. No Brasil,
15 milhões de pessoas são afetadas pela hipertensão,
mas somente 3% a 5% fazem tratamento. A verdade nua e crua é a seguinte:
como profissionais que atendem diretamente no balcão de uma farmácia,
estamos cansados de ver uma receita ser atendida somente em uma parte em
razão da renda do paciente. Em casos como o tratamento da hipertensão,
quando são prescritos três medicamentos, o cliente decide
levar apenas aquele que trata do sintoma, no caso um produto para dor de
cabeça, mas que não resolverá seu problema principal.
É o próprio governo quem acaba
pagando a maior conta pelo fato de as pessoas não poderem realizar
seu tratamento como prescrito pelo médico. A hipertensão
é a doença que mais gera internações por implicações
cardiovasculares. É uma das maiores causadoras também de
derrame e insuficiência renal, gerando tratamentos dispendiosos e
dolorosos como a hemodiálise. Isso sem falar na baixa produtividade
de tantas pessoas que se ausentam do trabalho em função dos
sintomas e suas seqüelas. A Associação Brasileira das
Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) tem levantado esta questão
há vários anos. Temos andado de gabinete em gabinete tentando
mostrar o grande absurdo que é a alta carga tributária nos
remédios. Com o objetivo de apoiar a inclusão dos medicamentos
de uso humano na menor alíquota possível de ICMS por ocasião
da discussão da proposta de reforma tributária, a entidade
realizou uma campanha de apoio popular à iniciativa. Reunimos 3.644.737
assinaturas de cidadãos brasileiros em 10 estados. Já entregamos
essa manifestação à Presidência da República,
aos ministros da Saúde, José Gomes Temporão, e da
Fazenda, Guido Mantega, aos governadores e aos líderes partidários
da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Temos que encarar de
forma séria tal questão. Essa deve ser uma luta de toda a
sociedade. Uma luta urgente. Não é só de fome que
se morre neste país. De falta de medicamentos, também.
(Sérgio Mena Barreto - Estado de Minas)
27.10 - Hemocentros desperdiçam sangue
doado
Falha em estocagem de sangue gera desperdício
de hemoderivados
260 mil bolsas de plasma seriam convertidas em
fator 8 e 9; empresa alega problema, como má refrigeração
Matéria-prima suficiente para produzir
o equivalente a US$ 6,82 milhões em hemoderivados perdeu-se nos
hemocentros do País por falhas no armazenamento. Os produtos - 260
mil bolsas de plasma - estavam estocados para ser enviados ao exterior,
processados e convertidos em fator 8, fator 9, hemoglobulina e albumina.
A empresa responsável pela operação,
a francesa LFB, contratada por R$ 50 milhões pelo Ministério
da Saúde, recusou-se a usar o plasma estocado em dois hemocentros,
o da Fundação Pró-Sangue de São Paulo e de
Belo Horizonte, alegando uma série de incorreções:
quantidade excessiva de caixas nos armazéns, o que impedia a boa
refrigeração, falhas na limpeza, poeira e fungos.
A empresa iniciou as vistorias nos hemocentros
brasileiros no início do ano. O Ministério da Saúde,
no entanto, afirma que somente em julho recebeu o alerta sobre o problema
nos hemocentros de Minas e de São Paulo.
Uma vistoria da Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa) foi encomendada e confirmou o problema. O plasma
- o equivalente ao que é coletado durante um ano e meio em todo
o País - não serve mais para produzir fator 8 e fator 9.
"O que se perdeu equivale ao suficiente para abastecer o País durante
uma semana", afirmou Alberto Beltrame, diretor do Departamento de Atenção
Especializada do Ministério da Saúde. "O principal, que é
imunoglobulina, poderá ser aproveitado", ressalvou. Para ele, a
"reprovação" do plasma ocorreu muito mais por "hiperexigência"
da empresa LFB. "Eles querem o plasma da melhor qualidade, por questões
comerciais", disse. "Perco um dedo se nesse sangue rejeitado não
há uma parcela com que é possível também fazer
fator 8 e fator 9." Pelo sistema fixado em contrato, a empresa recolhe
o sangue estocado no País, leva para o exterior e devolve os hemoderivados.
O Brasil paga por litro de sangue que é enviado para ser fracionado
e a empresa fica obrigada a fornecer determinada quantidade de produtos.
O sistema começou a ser usado em 2002,
numa estratégia para tentar reduzir o custo com a compra de medicamentos
hemoderivados, tradicionalmente alto no País. Com o escândalo
da Máfia dos Vampiros, um esquema de fraude que envolvia a compra
superfaturada de hemoderivados, o sistema de envio de produtos foi suspenso.
"Também aí havia superfaturamento", disse Beltrame. Somente
em 2007 o processo foi retomado. A expectativa era a de que o governo economizasse
62% com essa operação com o produto recolhido neste ano.
"Como o fator 8 e o fator 9 não poderão ser aproveitados,
a economia será bem menor", afirmou.
Beltrame observa, porém, que o produto
mais caro, a imunoglobulina, foi preservado. "Ela é a mais importante,
mais rara. E a quantidade armazenada será suficiente para abastecer
6 meses."
O procurador no Tribunal de Contas da União
(TCU), Marinus Eduardo Vries Marsico, que ingressou esta semana com representação
para apurar o caso no tribunal, rebate Beltrame.
"Houve falhas da fiscalização do
Ministério da Saúde, há uma série de dúvidas
que ainda não têm explicação." Ele sustenta
que o fator 8 e 9 que vai deixar de ser produzido seria suficiente para
abastecer durante mais tempo a demanda brasileira. "Seja como for, é
inadmissível saber que sangue, um produto que as pessoas doam, algo
que tem um valor enorme, estrague nos armazéns de empresas terceirizadas."
O procurador refere-se à empresa contratada
pela Fundação Pró-Sangue, a TCI BPO File Tecnologia
do Conhecimento e Informação. "O objeto principal dessa empresa
é a prestação de serviços de informática",
observou.
Marsico lembra ainda que os hemocentros recebem
pelo armazenamento do plasma. "Era de se esperar que o trabalho fosse feito
de forma adequada. Muito me admira essa condescendência", completou.
O convênio com a Fundação Pró-Sangue, por exemplo,
custou R$ 434,3 mil para o Ministério da Saúde. O firmado
com a Hemominas, R$ 641 mil. Beltrame procurou afastar qualquer responsabilidade
do governo federal. "Não há como o governo aferir todo dia,
com termômetro, todos os armazéns." Ele disse ainda que um
pedido de explicação foi encaminhado para os dois hemocentros
cujo sangue foi reprovado como insumo de fatores 8 e 9. Isso ocorreu em
agosto e até agora nenhuma resposta foi obtida. "Mas temos boas
relações. Isso certamente será feito." A Fundação
Pró-Sangue foi procurada, mas não respondeu até o
fechamento da edição. (Lígia Formenti
- O Estado de S.Paulo)
27.10 - Segurança nas transfusões
Nova tecnologia pode detectar, em menos tempo,
Aids e hepatite C
O Ministério da Saúde informou
ontem que está desenvolvendo uma tecnologia mais segura para as
transfusões de sangue: um sistema informatizado, chamado kit brasileiro
NAT HIV/HCV, para detectar a presença dos vírus da Aids e
da hepatite C de maneira mais rápida. A técnica será
utilizada na triagem sorológica dos serviços de hemoterapia.
O sistema, desenvolvida pelo Instituto de Tecnologia
em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos) da Fundação Oswaldo
Cruz, será concluído no ano que vem. A expectativa é
incorporá-lo ao Sistema Único de Saúde (SUS) em 2010.
Exames mais rápidos
Comparado ao teste tradicional, a tecnologia,
genuinamente brasileira, tem a vantagem de reduzir a chamada janela imunológica
— período entre a infecção e a sua identificação
por exames de sangue específicos. Com o kit, o tempo de detecção
do HIV, que hoje é de 21 dias, cairá para oito. No caso do
HCV, o período será reduzido de 72 para 14 dias.
O avanço é possível porque
o NAT HIV/HCV tem a capacidade de identificar o material genético
do vírus no sangue, enquanto o tradicional teste Elisa depende do
surgimento de anticorpos.
— O kit brasileiro vai elevar a competência
técnica da rede de hemoterapia, que passará a utilizar na
rotina um teste de diagnóstico molecular de ponta e com excelente
padrão científico e tecnológico — afirma Akira Homma,
diretor do Bio-Manguinhos.
O Ministério da Saúde, que desenvolve
o projeto NAT há quatro anos, solicitará à Anvisa
o registro do kit em agosto do ano que vem. Em fevereiro, será realizado
um estudo multicêntrico para validar o novo teste. (Extra Online)
24.10 - A arte da adaptação
Os ventos das mudanças indicam que todos têm a ganhar
Avaliando o impacto da nova regulamentação de SAC´s,
os profissionais das áreas de Relacionamento estão perguntando:
- Atender seus clientes 24 horas por dia, todos os dias?
- Eliminar a repetição de informação após
o registro ter sido efetuado pelo primeiro atendente?
- Acompanhar as ocorrências por meio de um registro numérico?
- Manter o registro do atendimento por no mínimo dois anos?
- Dar acesso ao cliente do seu histórico de atendimento em até
72 horas?
- Permitir o cancelamento no primeiro atendimento?
- Ter as reclamações solucionadas em até cinco
dias.
As empresas que terão adaptações e mudanças
nos call center neste momento são as de instituições
financeiras, companhias aéreas, transportes terrestres, planos de
saúde, serviços de água, telecomunicações
e energia elétrica. Porém, nem todas estão e nem estarão
preparadas no dia 01 de dezembro de 2008, quando começar a vigorar.
E as demais empresas estão acompanhando o que será feito.
Mas estão cientes que essa foi uma largada e que em breve, os demais
setores que não forem incluídos também terão
que se adaptar a nova regulamentação, pois isso entra no
DNA dos clientes e eles passam a ser mais exigentes.
As empresas que não tinham atualizado o parque tecnológico
estão comprando equipamentos e softwares para os registros de informações
e aumentando o datawarehouse para guardá-los por no mínimo
dois anos, e para permitir o acesso ao cliente do histórico de atendimento
em até 72 horas.
Outro dia, participando do evento dos 18 anos do Código de Defesa
do Consumidor - CDC, assisti a uma palestra muito interessante do diretor
de clientes da Claro, Miguel Cui, que apresentou uma pró-atividade
sensacional: a Claro possui mais de 35 milhões de clientes de telefonia
celular. Ela criou um blog chamado de claro.blog.com.br, dando literalmente
a cara para bater. E os resultados estão sendo muito positivos.
Esta geração do século XXI está utilizando
bastante, com suas críticas e também sugestões, oferecendo
um termômetro do relacionamento com a Claro. A partir daí,
a empresa adequa a sua tática para melhorar o relacionamento com
os clientes.
As empresas de energia elétrica já tinham algo semelhante,
controladas pela Aneel. No geral, as companhias deste setor conseguem fazer
o atendimento dentro dos dias normais. Mas em caso de intempéries
(queda de arvores, postes, inundações, etc...), que deixam
bairros inteiros sem energia, é realmente impossível atender
a demanda dentro dos parâmetros da nova regulamentação.
Dessa forma, tanto para os serviços de água e gás,
provavelmente um novo adendo será incluso.
Mas, apesar de tudo, o mesmo governo que aplica a Lei, não dá
o melhor exemplo. Vejamos, quando você vai a Caixa Econômica
Federal, Banco do Brasil, Autarquias e órgãos públicos
das instancia Municipal, Estadual e Federal e necessita pessoalmente de
alguma informação, terá que esperar sentado e calado,
pois muitas vezes há um cartaz pregado sobre "Desacato a um funcionário
público pode levar a prisão".
Então, voltando aos SAC´s, como no decreto rege somente
o que for atendido, e não fala do que não foi atendido, ou
seja, do ocupado, está na cara que algumas empresas, para não
levar multa, irão verificar a quantidade de funcionários
para a demanda inesperada e facilmente bloquear algumas linhas de acesso.
E fica dentro da regulamentação.
Não é por ai, que se resolve o problema, pois os consumidores
só serão atendidos em momentos de pouco tráfego.
Dessa forma, muito está sendo discutido, mas as adaptações
terão que ser feitas. Mesmo porque, caso os consumidores entrem
para valer para condenar as empresas, não haverá Judiciário
para julgar todos os casos.
É uma questão de tempo. Mas os ventos das mudanças
indicam que, vencendo os obstáculos, e fazendo as adequações
coerentes, e não goela abaixo, todos têm a ganhar.
(Kendi Sakamoto - CallCenter)
24.10 - A questão da velhice
Uma das coisas que mais incomoda é o descaso brasileiro com
a questão da velhice. Nossos asilos viraram depósitos de
idosos, sem conforto nem assistência adequada, onde uma grande parcela
de moradores só está ali à espera da morte. Já
aqueles que continuam junto às suas famílias continuam infernizando
a vida dos seus próximos, com necessidades afetivas, físicas
e tudo aquilo que a velhice demanda. A vida moderna exige que todos trabalhem.
No entanto, se a maior parte das famílias teve poucos filhos, quem
agora irá cuidar dos seus velhos? Outro grande problema, a meu ver
o maior, é a questão financeira desta população.
A maior parte trabalhou muito acreditando que o seu último período
de existência seria prazeroso e profícuo, sem a preocupação
com o vil metal, pois este estaria garantido pela merecida aposentadoria.
Foram todos enganados e "tungados" pelo governo que, a seu bel-prazer,
roubou o que era de direito desses trabalhadores, implantando cálculos
"atuariais" levando em conta a expectativa de vida dos beneficiários
e apoderando-se, ano a ano, de seus minguados proveitos, a partir da década
de 80.
O Brasil conta hoje com 8 milhões de aposentados e, há
quase duas décadas, esta imensa parcela da população
vê seus ganhos diminuírem e suas despesas aumentarem, pois
desde então, a correção dos salários dos aposentados
foi desvinculada do salário mínimo e, portanto, eles deixaram
de ter correção pela inflação. Cálculos
da Federação das Associações de Aposentados
e Pensionistas do Estado de São Paulo (Fapesp) estimam que a perda
destes aposentados entre 1991 e 2008 foi de 60%.
E qual seria a solução desta grande questão? A
meu ver, algumas medidas emergenciais deveriam ser implantadas. A primeira
seria o governo honrar o que foi pactuado no passado equiparando o reajuste
das aposentarias aos cálculos da inflação, repondo
as perdas desde 1991.
Em segundo lugar, criar mecanismos legais, que incentivassem doações
a entidades de apoio a idosos, doações estas que pudessem
vir a ser abatidas dos inúmeros impostos que temos. Se algo não
for feito, o problema da velhice só tende a aumentar.
(Sylvia Romano - Diário Catarinense)
24.10 - Pacto social para alimentação saudável
Um pacto nacional por uma dieta saudável para os brasileiros
começa a se desenhar por iniciativa de médicos e da Defesa
do Consumidor. Em 10 de novembro, a Associação Paulista de
Medicina (APM) e a PRO TESTE Associação de Consumidores promovem
um simpósio para debater problemas como a elevada quantidade de
gordura, o abuso do uso de conservantes e o excesso de açúcar
e sal em alimentos industrializados.
Já está confirmada a presença do ministro da saúde,
José Gomes Temporão. Participarão também, ao
lado de APM e PRO TESTE, os presidentes e diretorias das representações
nacionais dos profissionais de medicina – Conselho Federal de Medicina,
Associação Médica Brasileira e Federação
Nacional dos Médicos – de sociedades de especialidades, como a Nutrologia,
a Pediatria, a Endocrinologia e a Cardiologia, além do Conselho
Regional de Medicina do Estado de São Paulo, Sindicato dos Médicos
de São Paulo, entidades de defesa do consumidor, entre outros.
Diversos problemas em alimentos são recorrentes e já
foram detectados nos testes comparativos feitos pela PRO TESTE, principalmente
com excesso de açúcares e gorduras. Na avaliação
de 18 marcas de cereais matinais foram encontrados pouca gordura, muito
açúcar e sódio que colocam em risco a saúde
principalmente de crianças.
A Associação lança campanha em favor de uma alimentação
mais saudável para as crianças que incluem ações
pela modificação pela indústria da composição
dos produtos alimentícios destinados à infância, até
a limitação da propaganda voltada a esse público.
Outras análises apontaram problemas semelhantes de desequilíbrio
nutricional em iogurtes, batata fritas, picolés e achocolatados;
além de cafeína, açúcar e aditivos em refrigerante
de cola e excesso de edulcorantes na versão diet/light.
O Simpósio Pacto Social para a Alimentação Saudável
da APM/PRO TESTE fará um raio-X completo dos problemas do setor,
inclusive debatendo causas e conseqüências. Ao fim dos trabalhos,
divulgará a Carta de São Paulo com contribuições
para a revisão da legislação e maior fiscalização
do setor. Desde já o entendimento é o de que não pode
haver liberalidade com produtos sabidamente prejudiciais à saúde.
O documento será encaminhado para o Ministério da Saúde,
para representantes da indústria e entidades de saúde, já
que a busca de uma alternativa para reduzir a quantidade desses ingredientes
é essencial para diminuir a incidência de como diabetes, hipertensão
e obesidade. (AgoraMS)
23.10 - A Osteoporose ainda é uma ameaça
Graças aos avanços da medicina e à melhoria das
condições de vida, hoje vive-se mais. No entanto, a qualidade
de vida é comprometida por problemas de saúde que surgem
à medida em que nossa população torna-se mais idosa.
A osteoporose é um deles. O Brasil tem cerca de 10 milhões
de pessoas com a doença, que é caracterizada pelo enfraquecimento
dos ossos e o aumento do risco de fraturas. E os levantamentos apontam
que 20% dos brasileiros - cerca de 30 milhões de pessoas - correm
o risco de desenvolver a Osteoporose nos próximos anos, segundo
dados informados no último Congresso Mundial de Osteoporose, que
aconteceu este ano no Rio de Janeiro.
A Osteoporose é uma das doenças mais comuns e debilitantes.
Resulta em dor, perda de movimento, inabilidade de desempenhar as atividades
diárias e, em muitos casos, morte. Entre os principais fatores que
contribuem para o risco da doença estão o tabagismo e o sedentarismo.
Exercícios durante o início da vida aparecem como importantes
na prevenção de futuras doenças ósseas, enquanto
estar acima do peso aumenta o risco de fraturas, informa a médica
endocrinologista do Lavoisier Medicina Diagnóstica/ DASA, Yolanda
Schrank.
Segundo ela, a osteoporose é uma doença do osso que se
caracteriza pela diminuição da densidade óssea,
ou seja, o osso torna-se mais fino e poroso. Essa alteração
enfraquece o osso, tornando-o mais susceptível a fraturas, após
algum trauma ou até as fraturas espontâneas. As fraturas mais
comuns são de vértebras (compressão com achatamento
da coluna levando à diminuição da estatura), quadril,
punho, costelas e colo do fêmur, comenta Dra. Yolanda.
A densitometria óssea é o exame recomendado no diagnóstico
da osteoporose. Ela fornece a medida quantitativa da perda de massa óssea.
O exame não é invasivo nem doloroso. A maior parte das avaliações
mede a densidade do osso em pelo menos dois locais: coluna lombar e fêmur.
A comparação dos resultados obtidos do paciente, com os valores
de referência para uma população semelhante (em idade
e sexo) possibilita verificar o grau de comprometimento ósseo. O
teste deve ser realizado em todas as mulheres após a menopausa e,
eventualmente mais cedo, em indivíduos com pelo menos dois fatores
de risco para osteoporose assim com naqueles com queixas sugestivas da
doença.
Entre os sintomas da doença, Dra. Yolanda Schrank cita a diminuição
da massa óssea, mesmo em níveis que podem ser caracterizados
como osteoporose e não acarreta sintomas. A osteoporose funciona,
desta forma, como um ladrão silencioso que, de maneira lenta e progressiva,
promove a perda de massa óssea, até que o osso fica tão
fraco a ponto de não suportar o esforço mecânico, ocorrendo
a fratura. Neste momento, ou seja, já num estágio mais avançado
da doença, aí sim o paciente pode apresentar dor, esclarece
a médica.
A osteoporose é uma doença que afeta principalmente mulheres
na pós-menopausa caracterizada por uma fragilidade nos ossos. Segundo
Dra. Yolanda Schrank, sabe-se que uma em cada três mulheres desenvolve
osteoporose no período pós-menopausa, enquanto nos homens
acima de 60 anos, apenas um em cada seis a desenvolve. Isto é explicado,
essencialmente, pela diminuição do estrogênio (principal
hormônio produzido pelos ovários) após a menopausa,
hormônio este que tem uma ação protetora contra a perda
óssea, informa a endocrinologista.
Segundo Dra. Yolanda Schrank, fatores genéticos e ambientais
são algumas das causas que podem ser consideradas fatores de risco
para o desenvolvimento da doença. Mas ela cita outros agravantes,
como:
· história familiar de osteoporose;
· raça branca ou asiática;
· baixo peso e baixa estatura com ossatura delicada;
· mulheres após a menopausa, sem reposição
hormonal;
· idade avançada;
· uso prolongado de determinados medicamentos tais como cortisona,
heparina, anticonvulsivantes e metrotrexate;
· doenças que levem à imobilização
ou repouso prolongado;
· alimentação deficiente em cálcio e vitamina
D;
· alcoolismo;
· tabagismo;
· uso excessivo de café e doenças de evolução
prolongada que afetem a calcificação do osso, como algumas
doenças reumatológicas, endócrinas, genéticas
e hepáticas.
· sedentarismo
· ingestão inadequada de cálcio.
Apesar de todas as implicações, a osteoporose tem tratamento
e uma vez diagnosticada e identificada a sua causa, medidas terapêuticas
tais como a prática regular de exercícios, exposição
ao sol, alimentação rica em cálcio e, em alguns casos,
medicações específicas para manter a massa óssea
e tratar a menopausa estão indicadas. Dra. Yolanda explica que a
falta de prevenção da osteoporose resulta em algum tipo de
fratura em metade das mulheres ao redor dos 70 anos e em duas em cada três
mulheres aos 80 anos de idade. Ela relaciona a grande importância
das medidas preventivas listadas abaixo:
· alimentação rica em cálcio: leite e derivados,
vegetais de folhas verdes, carnes e peixes;
· exposição regular ao sol, já que o sol
é necessário para a formação de vitamina D
no organismo;
· praticar exercícios regularmente (pelo menos três
vezes por semana) estando indicados em especial exercícios tais
como: caminhar, correr, dançar, jogar tênis assim como exercícios
com peso (que além de efeitos diretos sobre o osso, aumentam o tônus
e a massa muscular , melhorando o equilíbrio e prevenindo as quedas);
· evitar os fatores de riso para osteoporose relacionados anteriormente.
(Maxpress)
23.10 - Células-tronco do tumor são a chave da metástase
Na teoria, as células-tronco podem gerar neurônios e combater
o mal de Alzheimer, repovoar o organismo com insulina e curar o diabetes,
se transformar em qualquer tipo de tecido do corpo humano e funcionar como
um repositório de tecidos danificados. Cientistas de vários
países não escondem o entusiasmo diante de uma descoberta:
apesar de compreenderem apenas 1% das células do tumor, são
as células-tronco tumorais que desencadeiam a disseminação
do câncer pelo organismo (metástase). Além de fazer
com que a medicina compreenda os mecanismos de avanço da doença,
a pesquisa divulgada ontem durante o Congresso Nacional da Sociedade de
Cirurgia da Itália, em Roma, revela que a células-tronco
podem ser a chave da cura do câncer.
As células-tronco tumorais foram identificadas pela primeira
vez no sangue de pacientes com leucemia aguda. Mais recentemente, a medicina
isolou essas estruturas em tumores da mama, do cérebro e do trato
gastrointestinal. A própria ciência não mantém
uma opinião unânime sobre a origem delas, mas já se
sabe que esse tipo de célula-tronco é responsável
pelo crescimento e pela manutenção do tumor e está
envolvida na apoptose - um tipo de autodestruição celular.
"Descobrimos que as células-tronco tumorais são as mais
importantes do ponto de vista da agressividade, determinando as metástases
e as reaparições do câncer", afirmou à agência
de notícias espanhola EFE o italiano Ruggero De Maria, médico
do Instituto Superior de Saúde (ISS) e principal autor da pesquisa.
"Devemos identificar essas células por meio de uma operação
de estudos de "imagem computadorizada". Só assim podemos pensar
em intervir para desativar o tumor", acrescentou. O próximo passo
será acompanhar de perto o comportamento dessas células-tronco
para determinar quais drogas podem ter melhores resultados na eliminação
dos tumores, sem indicação cirúrgica.
Em entrevista ao Correio, o norte-americano Max Wicha, diretor do Centro
para Compreensão do Câncer da Universidade de Michigan, também
admite que as células-tronco do câncer são as responsáveis
pela metástase. "Tanto o meu grupo como o do dr. De Maria estão
trabalhando em estratégias para identificar e destruir essas células",
revelou. "Como a habilidade de as células do câncer se espalharem
é a principal causa das mortes por câncer, esperamos que essas
tentativas levem a terapias mais eficientes." (Correio Web)
23.10 - Câmara rejeita pagamento pela indústria do fumo
de gastos com tratamento
A Comissão de Constituição e Justiça e
de Cidadania (CCJ) rejeitou no fim da semana passada a obrigação
de a indústria de tabaco ressarcir aos cofres públicos os
recursos gastos com o tratamento de doenças causadas pelo fumo.
Ao todo, 11 propostas - o Projeto de Lei 513/99, do ex-deputado Cunha Bueno,
e dez apensadas - foram analisadas e consideradas inconstitucionais pela
comissão. Como o parecer da CCJ é terminativo, os projetos
serão arquivados.
A rejeição foi proposta pelo relator, deputado Vilson
Covatti (PP-RS). Ele ressalta que o atendimento médico no Brasil
é prestado pelo poder público por meio do Sistema Único
de Saúde (SUS). De acordo com a Constituição, o financiamento
desse sistema se dá por "solidariedade social", com recursos do
orçamento público, e de tributos específicos, as chamadas
contribuições sociais. "Não está prevista,
assim, qualquer cobrança vinculada, direta ou indiretamente, a cada
atendimento prestado", justifica.
O relator também argumenta que as propostas interferem indevidamente
na iniciativa privada, pois criam um obstáculo discriminatório
ao regular o funcionamento de um determinado setor empresarial brasileiro,
contrariando as normas constitucionais que vedam essa ingerência
estatal.
Além disso, Covatti concorda com o parecer da Comissão
de Finanças e Tributação, que rejeitou as propostas
por considerar que criam, na verdade, um novo tributo.
Os projetos apresentam várias formas de identificar doenças
causadas pelo fumo, mesmo em não-fumantes, e determinam o ressarcimento
pelos gastos com tratamentos tanto por meio de cálculos anuais quanto
por um percentual constante, uma espécie de imposto vinculado à
Saúde.
O relator afirma ainda que não se pode enfrentar um problema
tão complexo como o mal causado pelo fumo com propostas "singelas
e simplistas, que não procuram analisar as múltiplas e importantes
variáveis que condicionam o tabagismo".
Apesar da rejeição, Covatti ressaltou a importância
do assunto. Para ele, o Parlamento tem demonstrado sua preocupação
com as conseqüências sociais, sanitárias e econômicas
do consumo do fumo e seus derivados. "Pode-se observar também nesta
Casa o reflexo dessa preocupação social, considerando-se
a enorme quantidade de propostas legislativas", disse. Ele citou propostas
que procuram restringir a propaganda de cigarros, aumentar impostos sobre
a indústria tabagista, ou propõem campanhas de esclarecimento
sobre os malefícios do fumo. (Agência Câmara)
22.10 - Coibindo teleabusos
Os serviços de atendimento telefônico - os call centers
- são um subproduto eficiente e necessário da revolução
informática. Há que se considerar, no entanto, que, ou por
falta de preocupação maior em relação ao bem-estar
do consumidor ou por falta de investimentos necessários para reduzir
ao mínimo o tempo de espera dos que se utilizam de tais serviços,
muitas vezes os cidadãos têm sido levados à exasperação
no diálogo impossível com as implicantes "máquinas
falantes", que obrigam o usuário a apertar várias teclas,
sem nunca ter certeza de que acessará o "serviço" desejado.
Com o que os serviços de atendimento roubam o tempo e complicam
a vida de quem deles precisa. Estava mais do que na hora, pois, de que
o poder público estabelecesse regras mais claras e rígidas,
em benefício dos usuários desses serviços telefônicos.
Portaria expedida pelo Ministério da Justiça, regulamentando
decreto presidencial de julho, fixa em 60 segundos o prazo máximo
de espera para quem recorrer ao Serviço de Atendimento ao Cliente
de empresas de telefonia, TV a cabo, água, luz e outros prestadores
de serviços. A regra é ainda mais rigorosa na área
de serviços bancários, onde a espera não poderá
ultrapassar 45 segundos. Apenas às segundas-feiras, nos dias que
antecedem ou sucedem os feriados e no quinto dia útil do mês
esse tempo de espera poderá atingir até 90 segundos. Quanto
aos serviços de energia elétrica, o tempo de espera só
poderá ultrapassar 60 segundos nos casos de atendimentos emergenciais
por problemas sistêmicos - caso do acúmulo de chamadas em
razão da falta de energia em um bairro.
É claro que só punições severas poderiam
combater a negligência de certos prestadores de serviços,
que se habituaram a abusar da paciência do consumidor. Eis por que
o decreto de julho já estabelecia que o descumprimento das novas
regras acarretará multas de R$ 200,00 a R$ 3 milhões. Os
consumidores que se sentirem lesados ou desrespeitados poderão registrar
reclamações nos Procons, no Departamento de Proteção
e Defesa do Consumidor, vinculado ao Ministério da Justiça,
ou recorrer ao Ministério Público e às Defensorias
Públicas.
O governo do Estado de São Paulo já tomara, na semana
passada, uma outra medida destinada a combater os teleabusos, especialmente
relacionados à atividade do telemarketing. Este é outro subproduto
do mundo informatizado, instrumento eficaz de vendas, mas propício
à prática de abusos, porque não espera o consumidor
procurar serviços, mas o "caça" em sua residência,
tomando-lhe o tempo e o sossego. Não há quem já não
tenha tido o descanso ou o trabalho interrompidos por chamadas telefônicas
de vozes desconhecidas que, após cumprimentos padronizados, despejam
textos decorados, qual robôs, sobre promoções, vantagens
incríveis e exclusivas, quando não oferecem à vítima
fabulosos prêmios sem a necessidade de entrar em concurso ou de assumir
compromisso que não seja comprar o produto oferecido - no que freqüentemente
se caracterizam elementos de propaganda enganosa, no contexto de uma típica
invasão de privacidade.
A lei estadual, que ainda precisa ser regulamentada, objetiva proteger
os assinantes de telefones fixos e celulares, permitindo aos consumidores
bloquear o recebimento de ligações de telemarketing. Quem
não quiser receber ofertas de bens e serviços pelo telefone
terá de se cadastrar no site do Procon-SP e, se não tiver
acesso à internet, poderá comparecer pessoalmente ao atendimento
da fundação, para preencher formulário de recusa àquelas
ligações. As ligações começam a ser
bloqueadas depois de 30 dias. O consumidor poderá incluir ou excluir
seu número de telefone da lista a qualquer momento. Ainda bem! Veja-se
o sinal dos tempos: o cidadão precisa cadastrar-se para, simplesmente,
ter sossego!
Que as empresas do setor recebam mal a nova legislação
até dá para entender. Mas o fato é que não
se pode assegurar a plena liberdade de atuação de vendedores
de produtos, revogando-se a plena liberdade de o consumidor não
ser perturbado em sua própria casa, se assim o desejar.
(AE/Idec)
22.10 - Verticalização na Saúde
O modelo de verticalização que hoje é trazido
para debate, na verdade é um modelo bastante conhecido no Brasil,
tendo sido a base da defesa do sistema público em que a expectativa
era por obter todo atendimento em “serviço próprio”.
O orgulho de tempos atrás, em que o sistema privado proporcionava
recursos para pesquisa e introdução de inovação
tecnológica, hoje é castigado, até mesmo brutalmente
criticado, como fonte de entrada de tecnologia de forma desregrada.
Com a dosagem certa, a discussão é sadia e positiva.
Porém, é evidente que nos tempos em que o sistema público
era porta de entrada de novas tecnologias oferecia segurança e alinhamento
com a política de saúde. É preciso atentar para o
modelo instalado, proteger o que tem de melhor e quando possível,
planejar sua evolução.
Prestadores de serviço, competindo entre si, investiram e se
endividaram para oferecer serviço tecnicamente qualificado e atualizado,
na cega expectativa que a “fonte pagadora” continuaria a prestigiá-lo.
Porém, o que observamos hoje é que a sobrevivência
no mercado exige que as operadoras tenham seguidamente menores custos para
oferecer menores preços.
Assim, a verticalização pode ser entendida como a maior
aproximação da saúde suplementar ao sistema único.
Mas se o investimento e o retorno forem devidamente planejados e estrategicamente
avaliados, a prática da verticalização pode ser, sem
dúvida, a solução para o segmento.
Por algum tempo a verticalizacao foi entendida unicamente como serviço
próprio/exclusivo, o que vem se mostrando como erro, encarecendo
o próprio produto da operadora.
Compete estabelecer conceito sobre a verticalização,
que ao invés de agregar custo para a operadora, deve agregar “colaboração”,
onde o prestador de serviço pode atender de forma diferenciada a
uma operadora, sem a necessidade de exclusividade. Neste caso, de forma
colaborativa as duas partes encontram seu equilíbrio, proporcionando
resultado e crescimento para ambos. E o sentido da colaboração
pode se configurar sob diversas frentes, tais como:
Dedicação de parte do tempo para agendamento pela operadora;
Equipe médica ou administrativa da operadora atuando junto ao
prestador;
Remuneração diferenciada para diagnostico precoce ou
engajamento em programas;
Garantia de faturamento, para instalação em área
geográfica de interesse;
Arrendamento de leitos.
Estas propostas se configuram a partir da sensibilização
e entendimento de que Operadoras e Prestadores precisam ser transparentes
e que não existe mais espaço para ação unilateral.
Ainda que desgastado, a negociação ganha-ganha precisa ser
respeitada.
Também é importantíssimo ter claro que o segmento
precisa ser avaliado sobre períodos, com maturidade atuarial.
O desafio hoje está em como formalizar e homologar tais acordos,
para que a verticalização, mais que instrumento de controle,
seja um instrumento de satisfação, qualidade, sucesso e resultado.
(Pedro Fazio - Saúde Business Web)
22.10 - Rede particular está sufocada
Horas de espera, pessoas com dor, acompanhantes preocupados, médicos
correndo para atender ao maior número possível de pacientes.
Parece a descrição de um hospital público superlotado,
mas não é. O retrato é resultado do rápido
e constante crescimento demográfico da Barra e região, que
nem mesmo a rede particular de saúde tem conseguido acompanhar.
Após perder um parente que ficou internado no Hospital São
Bernardo por 10 dias, a psicóloga Maria Soares tem um novo pensamento
em relação à área de saúde na cidade.
– É uma ilusão achar que os planos garantem qualidade.
Precisei acompanhar um parente com quadro avançado de pneumonia
e tive que ficar de plantão na UTI para que cuidassem bem dele –
conta Maria. – Percebi que a clínica onde meu parente ficou internado
deixa a desejar na higiene, e os pacientes, que já estão
frágeis, ficam ainda mais vulneráveis – reclama.
Contudo, Maria crê que o problema não está apenas
na gestão dos hospitais. Para ela, Barra, Recreio e bairros vizinhos
estão crescendo muito rapidamente e de forma desordenada, sem a
infra-estrutura necessária. Dessa forma, os serviços públicos
falham e sobrecarregam aqueles oferecidos por instituições
particulares.
Os bairros mais populosos da região, como Barra e Jacarepaguá,
somam cerca de 826.328 habitantes, de acordo com dados do Instituto Pereira
Passos, tendo como base o censo do IBGE de 2000. No momento em que precisam
de um médico, quem pode foge de hospitais da rede pública,
como Lourenço Jorge e Cardoso Fontes, e busca os particulares, como
Barra D’or, São Bernardo e Riomar. Esse processo, admite Carlos
Alberto Chiesa, diretor médico do Hospital São Bernardo,
tem sobrecarregado as emergências dos hospitais particulares.
– Com a recuperação da economia, muitos usuários
estão aderindo a planos de saúde, além do fato de
a população da Barra estar crescendo muito. Hoje, cerca de
65% dessa população têm acesso a planos de saúde,
enquanto no restante da cidade esse percentual é de no máximo
50% – compara.
Chiesa reforça o discurso de Maria Soares e entende que os hospitais
públicos e particulares não conseguem acompanhar o crescimento
populacional na mesma velocidade, até mesmo por falta de espaço.
Sobre as reclamações, ele defende o hospital:
– Contamos com uma equipe própria de higiene hospitalar, que
segue orientações da Comissão de Controle de Infecção
Hospitalar. Nos colocamos à disposição para esclarecimentos
– conclui.
Mais leitos e um sistema canadense são paliativos
O Hospital São Bernardo e o Hospital Barra D’Or fazem cerca
de 6 mil e 8.500 atendimentos por mês, respectivamente. No quadro
de médicos, o primeiro mantém quatro clínicos e um
ortopedista de plantão durante o dia, e dois clínicos e um
ortopedista na madrugada. Já o Barra D’Or, em função
do maior movimento, oferece no mínimo dez médicos a cada
plantão.
Carlos Alberto Chiesa, diretor médico do Hospital São
Bernardo, explica, que além do crescimento demográfico, um
outro fenômeno faz com que as centrais de pronto-atendimento fiquem
lotadas.
– Existe uma distorção do objetivo de um pronto-atendimento.
Como a emergência é aberta, os pacientes buscam a facilidade
de serem atendidos e fazerem exames de uma só vez, mesmo quando
isso não se faz necessário. Ele continua: – E apesar de não
termos mais espaço físico para crescer, tentamos melhorar
de outras formas. Nos próximos dois anos, o hospital deve aumentar
de 80 para 135 o número de leitos – diz Carlos Chiesa.
Sobre as reclamações por demora no atendimento, a direção
do Barra D’Or explica que o tempo de espera varia conforme a classificação
da triagem, em três niveis: vermelho (demanda atendimento imediato);
amarelo (até 40 minutos de espera); e verde (até duas horas).
– O critério de atendimento é o mesmo que existe nos
melhores hospitais do Canadá, que inspirou o modelo – diz a diretora
geral, Martha Savedra. – Há um ano reformulamos a sistemática
de atendimento, adotando o modelo canadense.
Demora no atendimento revolta os pacientes
O Hospital Municipal Lourenço Jorge faz cerca de 700 atendimentos
por dia, o que no fim do mês equivale à média de 21
mil pessoas. Para fugir dessa superlotação, pacientes correm
para os hospitais particulares, mas, ainda assim, enfrentam a fila de espera.
Fabrícia Perrotta sentiu-se mal na semana passada e precisou recorrer
ao plano de saúde, que lhe garantia atendimento no São Bernardo,
mas não saiu nada feliz.
– Cheguei com 39 graus de febre e tive que esperar mais de uma hora
para ser atendida, porque só havia dois médicos na emergência
– revolta-se Fabrícia. – A médica me encaminhou para os exames
e medicação, mas, até eu consegui mostrar os resultados
para ela, foram outras quase quatro horas de espera. Isso porque pago um
plano de saúde caro. Imagine se fosse público.
A psicóloga Aurea Morita faz coro com as reclamações
de Fabrícia, também no São Bernardo.
– Já aconteceu umas quatro ou cinco vezes que precisei da emergência
e fiquei entre duas e quatro horas esperando para ser atendida – conta
Aurea. – Em uma dessas vezes, esperei cerca de três horas para ser
atendida, depois demorei mais três horas para fazer uma ultra-sonografia,
porque só tinha um profissional para atender.
Outro paciente que precisou de atendimento semana passada foi André
Loureiro. Ele reclama que chegou ao Barra D’Or às 17h e só
foi atendido às 19h.
– Depois de ser atendido, esperei cerca de 40 minutos para fazer um
raio-X – lembra ele. – Uma outra vez, estava com muita dor e vômitos.
Eles demoraram duas horas para me atender.
O advogado Márcio Morita também foi vítima da
grande demanda nas emergências dos hospitais particulares. Ele estava
com pedra nos rins e teve uma crise forte, mas precisou esperar cerca de
três horas para fazer os exames e receber os medicamentos.
No mesmo hospital, Daniela Romanello Zanatelli desistiu da longa espera
e buscou atendimento em outro lugar. Há cerca de três meses,
ficou aproximadamente oito horas sentada numa cadeira, alternando soro.
Revoltada, foi buscar tratamento na Quinta da Boa Vista, onde, segunda
ela, foi mais bem assistida. (Luciana Lacerda - JB Online)
22.10 - Saúde gasta R$ 39 milhões com remédios
para osteoporose
O Ministério da Saúde investiu mais de R$ 37 milhões
com medicamentos para tratamento da osteoporose em 2007. Atualmente, são
oferecidos sete medicamentos com 14 apresentações diferentes,
conhecidos como reguladores da homeostase do cálcio e a projeção
de gastos, até dezembro de 2008, está em torno de R$ 39 milhões.
Doença associada à carência de cálcio nos
ossos e que acarreta uma redução da massa óssea, a
osteoporose pode ser gerada por vários fatores, como desequilíbrio
alimentar, excesso de álcool, cafeína, tabagismo e a ausência
de atividade física. Combatê-la é o principal objetivo
do Dia Mundial da Osteoporose, celebrado em 20 de outubro.
A homeostase do cálcio, na verdade, é a tentativa do
organismo de equilibrar a presença do mineral, que é depositado
ou retirado do esqueleto, de forma que os níveis sangüíneos
sejam mantidos dentro de uma faixa estreita, essencial para a condução
nervosa, coagulação sangüínea, contração
muscular e outros processos fisiológicos vitais. A osteoporose ocorre
quando a quantidade de tecido ósseo é tão baixa que
os ossos são facilmente fraturados.
Combate - De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Ortopedia
e Traumatologia, a doença atinge mais de 10 milhões de brasileiros.
Grande parte desse público é formada por idosos - que atualmente
já somam mais de 17,6 milhões em todo o país. Cerca
de 30% das pessoas idosas sofrem quedas a cada ano. Essa taxa aumenta para
40% entre os idosos com mais de 80 anos. As mulheres tendem a cair mais
que os homens até os 75 anos de idade, a partir dessa idade as freqüências
se igualam. Dos que caem, cerca de 2,5% requerem hospitalização.
Como a osteoporose é uma doença sem sintomas muito claros
que possam ser identificados precocemente, uma importante forma de evitá-la
é manter boa alimentação. Com o intuito de reduzir
a incidência da doença, o Ministério da Saúde
criou, em 2007, um comitê assessor formado por técnicos e
representantes da Confederação das Entidades Brasileiras
de Osteoporose e Osteometabolismo. O grupo debate estratégias de
prevenção de quedas e de osteoporose e os cuidados necessários
para aquelas pessoas que caem e sofrem fraturas.
Algumas podem ser as causas de quedas dos idosos: dificuldade auditiva,
de visão, uso inadequado de medicamentos, dificuldade de equilíbrio,
perda progressiva de força nos membros inferiores ou osteoporose.
Embora seja mais divulgada a ocorrência em mulheres, com o envelhecimento,
a incidência se equilibra entre os sexos.
A maioria das quedas acidentais ocorre dentro de casa ou em seus arredores,
geralmente durante o desempenho de atividades cotidianas como caminhar,
mudar de posição, ir ao banheiro. Cerca de 10% das quedas
ocorrem em escadas sendo que descê-las apresenta maior risco que
subi-las. (Diário Online)
22.10 - Sangue comprometido
A falta de remédios para o tratamento de hemofílicos
é uma realidade na rede de saúde pública em todo o
País. Mesmo assim, bolsas de plasma sangüíneo, fundamentais
para a produção desses medicamentos, vêm estragando
em pelo menos 14 hemocentros das principais capitais brasileiras. A origem
do problema está na forma de armazenamento do sangue e em outras
irregularidades nos centros de transfusão. Foi o que revelaram auditorias,
às quais ISTOÉ teve acesso, feitas pela Agência Nacional
de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo laboratório
francês LFB, contratado pelo Ministério da Saúde para
produzir remédios anticoagulantes. As inspeções identificaram
a existência de fung