31.07 - Prestando contas à vida
Nesse momento especial, entre a vida e a morte, o homem comum pode
filosofar; e, assim, flertar com a imortalidade
As populações brasileira e mundial têm envelhecido
muito rapidamente. É uma séria questão para os sistemas
de previdência e saúde pública e para os próprios
velhos, mais solitários e dependentes.
No entanto, é possível transformar velhice em liberdade.
Nesse momento especial, entre a vida e a morte, o homem comum pode filosofar;
e, assim, flertar com a imortalidade.
A filosofia tem saído da moda enfrentando rivais cada vez mais
arrogantes. Informática, marketing e design tentam substituir o
personagem conceitual -o filósofo ou o artista- por telas planas,
telefones celulares e internet. É o reinado dos simulacros.
Segundo Deleuze e Guatari, filosofar é a arte de criar conceitos
potentes para tentar dar significado a questões para sempre mal
resolvidas, como velhice e morte. Mas conceito não é dado
ou comprado, é criado. E filosofar é criar ou mudar conceitos.
Para eles, filósofos e artistas têm uma saúde frágil.
Não por causa de suas doenças ou neuroses, mas porque viram
na vida algo grande demais para suportar, o que pôs neles a marca
discreta da morte. Esse algo é também a fonte que nos faz
viver através das "doenças do vivido", justamente o que Nietzsche
chama de saúde.
O que define filosofia e arte, duas das grandes formas de pensamento,
é enfrentar o caos esboçando um plano.
Para tanto, a filosofia formula conceitos, e a arte, percepções.
Essas disciplinas não são como religiões, que invocam
deuses para pintar sob nossos guarda-sóis um firmamento artificial.
Ao contrário, elas propõem que só venceremos se rasgarmos
o pano pintado e enfrentarmos o caos.
O sistema econômico e cultural entrega aos homens comuns grandes
guarda-sóis com forros pintados que lhes dão uma falsa segurança
enquanto servem à lógica própria do capital.
São do tipo "comprando um novo iPod ou estendendo a vida a qualquer
preço você pode ser feliz".
Por baixo do pano, essa lógica desenha suas palavras de ordem
como um firmamento único. Cabe ao filósofo e ao artista contidos
em nós abrir uma fenda no guarda-sol e fazer passar um pouco do
caos livre e tempestuoso que dá sentido à vida.
A cada rasgo que fizermos, os gênios da comunicação
a serviço do pensamento único correrão a preencher
a fenda e lotá-la de novas certezas. Será preciso, então,
cortar novas fendas, operar novas destruições, restituindo
a novidade que já não podia mais ser vista.
O pensamento único se esconde atrás de um tipo religioso
de fé cega num futuro que outros nos impõem.
Nunca as tecnologias progrediram tanto na exploração
do corpo e da mente. E, no entanto, Roudinesco nos lembra de que em nenhuma
época o sofrimento psíquico foi tão vivo: solidão,
psicotrópicos, tédio, depressão, desamparo, obesidade,
uma pílula a cada minuto de vida: "Quanto mais se promete a felicidade
e a segurança, mais persiste a infelicidade, mais aumenta o risco".
Ela cita Canguilhem, Sartre, Foucault, Althusser, Deleuze e Derrida
como alguns dos que se recusaram a aceitar uma ideologia da submissão
e a virar soldados de uma "normalização" do homem. Eles gostariam
de transformar todos nós em rebeldes, seres capazes de abordar a
existência como consciência do mundo.
Podemos compreender, então, como a morte pode prestar contas
à vida; ou seja, como se pode aceitar a morte para que haja vida.
Na "Ilíada", Aquiles encarna o ideal absoluto "da bela morte e da
vida breve", origem da concepção grega de heroísmo.
Roudinesco lembra Vernant, para quem um dos grandes enigmas da condição
humana é encontrar na morte o meio de superá-la, vencê-la
dando-lhe um sentido do qual ela é completamente desprovida. É
quando o agir significante se transforma em obra eterna. Doença
e morte, paradoxalmente, são parte da vida.
Dentro dessa perspectiva, o doente, com seu sofrimento e sua dor, é
o único capaz de julgar sobre sua normalidade. Quem quiser transformar
a vida num conjunto de funções que resistem à morte
fará com que a morte não lhe pertença mais.
No entanto, a morte está inscrita na história da vida,
assim como a doença na existência de cada sujeito. Fenômeno
progressivo de degradação lenta dos corpos, ela se apodera
do homem desde o seu nascimento, habitando-o ao longo de sua vida até
a última passagem. Mas nosso espírito, enquanto construindo
os significados que atribuímos à vida, pode ter o gostinho
da imortalidade. Depende de nós. Basta sermos capazes de abrir pequenos
furos no falso firmamento que querem nos impor e deixar passar um pouco
de caos. (GILBERTO DUPAS - Folha de S.Paulo)
31.07 - Ministério autoriza mais nove estabelecimentos para transplantes
O Hospital Universitário de Brasília (HUB) retomou neste
mês as cirurgias de transplante de córnea para atender cerca
de mil pessoas na cidade que aguardam pelo procedimento. A expectativa
é de que sejam realizados até três transplantes por
dia e que sejam recolhidas até 14 córneas por mês.
O Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Atenção
a Saúde, autorizou o funcionamento de mais nove estabelecimentos
para a realização de transplantes. Agora são 871 hospitais
credenciados para realização desse tipo de cirurgia.
Segundo o Ministério da Saúde, o documento autorizou
transplantes de córnea, rim, medula óssea autogênica
(medula retirada do próprio paciente), pâncreas, pulmão
e enxerto ósseo. Entre os estados contemplados na lista com alguma
dessas modalidades estão São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande
do Sul e Alagoas.
O hospital interessado em pedir a abertura de novos procedimentos de
transplantes deve enviar um pedido à Secretaria de Saúde
e à Central de Notificação, Captação
e Distribuição de Órgãos do seu estado. (Agência
Brasil)
31.07 - Saúde do Grande ABC carece de integração
e investimento
S.Paulo - A falta de leitos para internação no Grande
ABC é a mostra de que as administrações da região
são dependentes do governo estadual, apesar de seis dos sete municípios
serem considerados gestores plenos e, na teoria, deveriam ser responsáveis
por suprir todas as demandas de baixa e média complexidade. Para
se ter uma idéia da situação da região, se
a população do Grande ABC que não tem convênio
médico tivesse de contar apenas com a rede pública das sete
cidades, encontraria a mesma relação de leitos por habitante
que há no Iraque.
A falta de estrutura para internação, para análises
clínicas e de atendimento com especialistas e, em especial, a ausência
de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) travam todo o sistema de
Saúde, obrigando pacientes que talvez não tenham tempo para
esperar em filas intermináveis.
O Ministério da Saúde classifica Santo André,
São Bernardo, São Caetano, Diadema. Mauá e Ribeirão
Pires como gestores plenos dos recursos do SUS (Sistema Único de
Saúde). Isso significa que essas cidades recebem diretamente os
recursos do Fundo Nacional da Saúde para gerir todos os níveis
do atendimento à Saúde e têm de cuidar da saúde
básica, com programas preventivos e o Programa Saúde da Família,
além de gerir os atendimentos ambulatoriais e de prontos-socorros,
arcar com exames complementares e encaminhamento para especialistas, e
seguir o tratamento até o fim - seja com cirurgia, internação
ou um medicamentos.
O que se vê, porém, é uma uma crescente demanda
pela saúde pública e uma extrema dificuldade das administrações
em conseguir equilibrar seus orçamentos com gastos cada vez maiores.
E aí fica o questionamento: faltam verbas ou uma melhor administração
pública já seria suficiente para um atendimento adequado?
A região tem tentado as duas coisas. A experiência da
Fundação do ABC tem sido utilizada para auxiliar na administração
de unidades de Saúde em Santo André, São Bernardo
e São Caetano. Ao mesmo tempo, os municípios lutam por verbas
dos governos estadual e federal.
Mas a falta de bom atendimento nas redes municipais acaba refletindo
nos dois hospitais estaduais da região, que no ano passado receberam
R$ 135 milhões. As unidades são a referência da região
para atendimento de alta complexidade, mas fazem procedimentos como ultra-sonografia.
Situação bem exemplificada e criticada pela diretora de Saúde
de São Caetano, Regina Maura Zettone. Para ela, a necessidade de
vagas de UTI não é sinal de carência do município.
"Enquanto os hospitais estaduais gastarem recursos em exames de papanicolau,
endoscopia e ultra-som (de responsabilidade dos municípios), não
haverá investimentos em mais vagas", afirma.
No geral, a região carece de uma integração de
seus serviços e de agregar novos atendimentos especializados para
que o Grande ABC possa, de fato, ser gestor. (Bruno Ribeiro e Samir Siviero
- Diário Online)
30.07 - Envelhecimento ativo
Em menos de 20 anos, o Brasil terá 18 milhões de idosos.
Em 2025 serão 32 milhões. Apesar de a expectativa de vida
ter aumentado, ainda há muito a fazer. Responsável durante
12 anos por programas de envelhecimento da Organização Mundial
de Saúde (OMS), o doutor em saúde pública Alexandre
Kalache, fundador do Departamento de Epidemiologia do Envelhecimento da
London School of Hygiene and Tropical Medicine e consultor sênior
da Academia de Medicina de Nova York, diz o que pode ser feito para melhorar
a qualidade de vida na terceira idade. Ele está no Brasil para participar
do 13º Congresso Internacional da Associação Brasileira
de Medicina de Grupo (Abramge) e defende o investimento em atenção
primária e em práticas que levem ao que chama de "envelhecimento
ativo".
O brasileiro está envelhecendo com melhor qualidade de vida?
KALACHE - Se compararmos com o envelhecimento do meu avô a diferença
é enorme. Primeiro porque a expectativa de vida é mais alta.
Quando nasci em 1945, em Copacabana, a esperança de vida de um brasileiro
era de 43 anos. Hoje é de 73 anos, quase 74 anos. Só no meu
tempo de vida ganhamos 30 anos. Isso é um recorde. Poucos países
conseguiram este salto num período tão curto. Eu nasci numa
maternidade (a Arnaldo de Moraes) que não existe mais. O mesmo prédio
se tornou virtualmente um hospital geriátrico. Copacabana é
um exemplo excelente do que está acontecendo e acontecerá
no país. Hoje temos mais idosos proporcionalmente neste bairro do
que na Suécia e no Japão. Isso tem muito a ver com a urbanização
do bairro. Por um lado, os idosos que têm acesso ou dinheiro hoje
contam com facilidades que antes não sonhavam, como serviços
de saúde e avanços tecnológicos que no meu tempo de
estudante de medicina, no final da década de 60, eram ficção
científica, mesmo um marcapasso ou a cirurgia aberta de coração,
ou um tratamento catarata. E ainda as drogas para controlar diabetes, hipertensão,
problemas cardiovasculares; a evolução do tratamento de câncer.
Tudo isso melhorou a qualidade de vida. Idosos que antes seriam incapacitados,
hoje convivem com problemas crônicos. Porém, o envelhecimento
no Brasil ainda é um reflexo do que acontece no país. Há
muita desigualdade. Por exemplo, decidir fazer dieta saudável não
depende apenas de acesso à informação, mas também
de poder aquisitivo. Mesmo em Copacabana isso fica evidente. De um lado
idosos em comunidades carentes e do outro idosos de classe média.
O primeiro grupo está envelhecendo pior, sem acesso ao sistema de
saúde e sem vida social.
O Brasil envelheceu antes de enriquecer. Até que ponto isso
foi ruim?
KALACHE - Um aspecto positivo é a aposentadoria não contributiva,
de grande interesse internacional, que está tirando da miséria
mais de oito milhões de beneficiários e cerca de quatro vezes
esse número quando somamos seus familiares. São mais de dois
mil municípios que têm hoje suas economias gravitando em torno
dessas pensões. E esta política é viável e
economicamente possível e difundida. São pessoas que trabalharam
a vida toda e não contribuíram para o seguro social, como
donas de casa, trabalhadores rurais etc. Pela primeira vez contam com uma
renda regular todo mês. Se o Brasil não tivesse nos anos mais
recentes experimentado um desenvolvimento econômico, isso talvez
ficasse insustentável. E isso pesa muito menos para a economia do
que a pensão de funcionários públicos que geralmente
se aposentam cedo e com valores mais altos.
Os profissionais de saúde estão preparados para lidar
com a terceira idade?
KALACHE - São absolutamente despreparados para lidar com idosos.
Não vamos conseguir oferecer serviço geriátrico para
18 milhões de idosos. Primeiro, não é a resposta,
não queremos tornar o envelhecimento um problema médico.
Mas precisamos treinar todos os profissionais de saúde para lidar
melhor com essa população. Geralmente eles sabem tudo de
criança, de gestante, mas não sabem nada sobre terceira idade.
E é a maioria de seus pacientes. Eles saem das faculdades sem adquirir
conhecimentos para lidar com os idosos. A grande resposta para o envelhecimento
é a atenção primária na saúde, para
evitar a hospitalização e a institucionalização,
opções muito mais caras. É preciso atender nossos
idosos onde eles vivem, com seu problemas. Trabalhamos com a Associação
Internacional de Gerontologia e definimos os 15 pontos capitais para o
currículo mínimo do médico. O que ele deve aprender
hoje para responder ao envelhecimento. Em 2025, serão 32 milhões
com mais de 60 anos no Brasil, em 2050, serão 70 milhões.
O acidente vascular cerebral ou derrame é um desgraça no
Brasil, que tem um dos maiores índices do mundo. E que poderia ser
prevenido como medidas simples como redução do sal na dieta
e prática de atividade física. Mas, por exemplo, o idoso
que mora em comunidades mais carentes não tem uma calçada
para caminhar. Por outro lado, quando a doença já ocorreu,
ele precisa de um lugar adequado para se tratar. E depois do tratamento
vai precisar de fisioterapia, acompanhamento. Muitas vezes se torna incapaz
e ainda terá de viver 15 anos a 20 anos com esse problema, com má
qualidade de vida. Todos os profissionais de saúde deveriam estar
mais familiarizados com anatomia, fisiologia, farmacologia, sinais e sintomas
de doença na terceira idade. Um infarto em pessoa mais jovem causa
dor. Já num idoso isso nem sempre ocorre. Outra doença comum
é a depressão, que muitas vezes é confundida com mal
de Alzheimer e não é tratada.
O Brasil tem um excelente Estatuto do Idoso no papel, mas na prática
ainda não funciona? O que pode ser feito?
KALACHE - Já melhorou muito. Há dez anos, falar de envelhecimento
não estava na pauta da mídia. Quando me especializei, na
década de 70, eu não conseguia falar com ninguém sobre
o assunto. Para melhorar a aplicação do estatuto é
preciso sensibilizar as autoridades, os políticos. Eles querem dar
prioridade a ações mais imediatas, como inaugurar uma ponte.
Os políticos e dirigentes ainda não se deram conta da urgência
do tema. Porém, o envelhecimento é um desafio de hoje, temos
que andar rapidamente. Por exemplo, estamos tentando criar o Centro Internacional
de Envelhecimento no Brasil, mas há mais dificuldades do que havia
previsto. O principal objetivo do centro seria estimular políticas
sustentáveis para o envelhecimento ativo. É o processo de
otimizar as oportunidades de saúde, participação e
segurança para que o cidadão tenha melhor qualidade de vida
à medida que envelhece. É um processo, é continuo.
E essas oportunidades estão ao longo da vida. Na saúde, o
que se faz hoje, na infância, na adolescência, terá
repercussão importante aos 78 anos. A saúde é a chave
para participar ativamente da sociedade. Outra questão é
a segurança para viver bem na velhice. A proposta do centro é
estimular o debate com profissionaisde todas as áreas, não
apenas saúde, mas arquitetos, advogados etc, realizar pesquisas
e elaborar políticas públicas que poderão trazer o
Brasil para o mesmo grau de evolução de países da
Europa e dos Estados Unidos. E ele não será vinculado a uma
única instituição. A idéia é fazer parcerias
com profissionais que se dedicam à essa área, como a Universidade
Aberta da Terceira Idade (Unati, Uerj), UFRJ e Universidade Cândido
Mendes, e no exterior, como The New York Academy of Medicine, para citar
alguns exemplos.
O que aconteceu com o programa Sociedade Amiga do Idoso, da Organização
Mundial de Saúde (OMS), que teve como piloto o bairro de Copacabana
e serve de modelo para outras cidades do mundo?
KALACHE - O programa está lento, mas existem intervenções
pontuais. Copacabana serviu como piloto e foi aqui que desenvolvemos a
metodologia adotada em 35 cidades para o projeto global cidade amiga do
idoso. Isso é realidade e partiu daqui. Depois repetimos a pesquisa
entrevistando idosos de Tóquio, Xangai, Londres, Melbourne, Nova
York e outras cidades. Analisamos os relatórios e os dados foram
usados para produzir um guia, lançado em 1º de outubro de 2007.
E teve um grande impacto. Agora são centenas de cidades e nova reunião
será realizada em setembro, em Montreal. Apesar de ter nascido em
Copacabana, pouco foi feito aqui. O tema transporte é um dos mais
importantes para esta população. No Brasil os ônibus
brasileiros são feitos em chassi, com degraus altos. Em Nova York
o sistema está sendo todo reformulado. Já existem ônibus
nos quais o chassi inteiro desce, não apenas um degrau. O que é
bom para o idoso é bom para todos. Eu entro mais facilmente com
um embrulho, a mulher com bebê, a pessoa com necessidade, o gordo.
Uma boa política de envelhecimento é uma boa política
de transporte público. O idoso poderá socializar mais. Outra
questão: o idoso gosta de caminhar, de andar, mas também
precisa descansar, a cada 200 metros a 300 metros. Criar um mobiliário
urbano adequado é importante. A construção de toaletes
públicos é outra medida simples. Muitos idosos têm
urgência urinária, e não saem de casa porque não
encontram esse tipo de equipamento. Não é só a questão
financeira, é preciso vontade política. Por aqui há
poucas iniciativas. Agora o Estado do Rio Grande do Sul começa a
tomar algumas iniciativas nesse sentido. Lá, em parceria com o governo,
estamos realizando debates, fóruns para discutir e implantar medidas
que melhorem a qualidade de vida do idoso. Existem necessidades comuns,
mas cada comunidade tem suas diferenças. Na Região Sul ainda
existem muitos idosos vivendo em populações agrícolas
e isolados. Os filhos saíram de casa, eles vivem sozinhos em muitas
vezes em imóveis que estão se deteriorando, sem poder aquisitivo.
O governo convocou mutirões convocando idosos mais ativos, recém
aposentados, como bombeiros, pedreiros e eletricistas, para reformarem
essas casas, a partir de algum incentivo financeiro.
O que é melhor para idoso, ser cuidado em casa ou numa instituição?
KALACHE - Hoje ocorre a feminização do envelhecimento.
Na faixa a partir dos 85 anos, dois terços da população
é formada por mulheres, geralmente de baixa renda e há muito
tempo viúvas. Muitas se casaram com homens mais velhos. A responsabilidade
de cuidar de outro idoso geralmente é da mulher. O homem ainda participa
pouco. Na faixa de 18 anos a 30 anos, a mulher é principal cuidadora
de algum doente dentro de casa e dedica, em média, 18 minutos por
dia do seu tempo nessa tarefa. Na faixa de 45 anos a 54 anos, ela gasta
150 minutos. De 65 anos a 74 anos, dedica 210 minutos do seu tempo. De
75 anos a 84 anos o tempo gasto é 310 minutos. Geralmente cuidam
dos maridos ou dos próprios pais. Mesmo depois de 85 anos a mulher
ainda passa 63 minutos em média cuidando de alguém, mais
de três vezes a média das mais jovens. De maneira geral, a
pessoa idosa quer envelhecer em casa, não quer ser institucionalizada,
por melhor que seja a casa da repouso. É preciso repensar a sociedade
para o homem ter participação mais ativa no cuidado, compartilhar
mais. E que de alguma forma o poder público ajude para para que
as pessoas possam envelhecer em casa. Isso depende também de investimento
em atenção primária. Estudo em 2002 na Espanha, mostrou
que apenas 12% das pessoas que cuidavam de idosos eram profissionais especializados.
No Brasil ainda existe a figura da empregada doméstica, que também
atua como cuidadora. Quase 90% eram familiares, amigos, vizinhos. Há
estudos similares na Europa e nos Estados Unidos. Não há
nenhum país do mundo com mais de 6% de idosos vivendo em instituições.
Para a imensa maioria dos idosos, a institucionalização é
o começo do fim, a pessoa fica deprimida, está mais sujeita
a abusos, perde sua privacidade e sua autonomia para viver de acordo com
suas próprias regras e os seus desejos. Mesmo lúcida ela
não tem mais autonomia. Terá que seguir regras das instituição,
comer na hora determinada, dividir um quarto, usar banheiro coletivo. São
raros os lugares bons.
De que forma os avanços em medicina genética estão
melhorando a qualidade de vida dos idosos?
KALACHE - Provavelmente, com os avanços científicos,
como a medicina genética, as pessoas vão chegar mais facilmente
aos 100 anos e com melhor qualidade de vida. Em vez de tratar, a pessoas
será curada de doenças crônicas como Parkinson e Alzheimer.
Mas para algumas pessoas esse aumento da expectativa de vida será
uma perversidade porque continuarão com má qualidade de vida.
Por isso estamos buscando intervenções que possam facilitar
que a pessoa continue ativa e produtiva. De qualquer forma, envelhecer
hoje é muito mais fácil do que há 40 anos a 50 anos.
Mas não podemos esperar soluções de fora, temos que
desenvolver nossas próprias. É preciso dar mais ênfase
em direitos de idosos. (G1)
30.07 - Mais respeito com a saúde dos brasileiros
Entra dia, sai dia, mais se fortalece a impressão de que o Brasil
está à beira do caos na área de saúde. Uma
epidemia de dengue assola o Rio de Janeiro, pacientes com câncer
morrem na fila à espera de radioterapia, falta política de
saúde consistente para o combate à AIDS, à febre amarela,
e agora também à leishmaniose e à tuberculose, entre
outras doenças. Enfim, o descaso com os cidadãos é
público e notório.
Enquanto isso, em vez de se debruçar num plano de emergência
para reverter esse quadro calamitoso, o órgão federal responsável
por garantir um atendimento universal, digno e de qualidade para todos
os brasileiros está longe da realidade. O máximo que faz
é insistir em ações que rendem mídia, criam
polêmica e geram exposição, como a distribuição
de preservativo, pílula do dia seguinte, e a liberação
do aborto.
Para completar este cenário, a Secretaria de Gestão do
Trabalho e da Educação em Saúde, ligada ao Ministério
da Saúde, tem insistido na proposta de formar médicos para
o Sistema Único de Saúde, o SUS. Acena com a possibilidade
de utilizar residentes como mão-de-obra barata, num flagrante desrespeito
aos objetivos da residência médica.
Infelizmente, vem se notando a influência da citada Secretaria
sobre o Ministério da Educação, apesar do bom senso,
coerência e luta pela melhoria da qualidade do ensino demonstrados
pelo ministro. Tal influência é testemunhada pela notícia
recente de que os alunos contemplados com o financiamento estudantil poderão
quitar suas dívidas com trabalho, depois de formados. Esta proposta
só seria cabível após a conclusão da residência
médica, pois o médico recém-formado não possui
condições para exercer a profissão, principalmente
em locais onde não há infra-estrutura e recursos humanos,
indispensáveis para a boa prática médica.
Também planejam a temerária revalidação
dos diplomas de médicos brasileiros graduados em Cuba e de cubanos.
Para trabalhar no país, qualquer profissional formado fora (e isso
vale para os, bolivianos, americanos, europeus, enfim, para todos) tem
de comprovar que está capacitado a responder às necessidades
e particularidades do nosso sistema de saúde, e ter competência
profissional.
Claro que é uma insanidade daqueles que só enxergam a
medicina e a saúde pela janela de seus luxuosos gabinetes. Uma política
séria não pode jamais diferenciar o médico do SUS
daqueles que trabalham em hospitais particulares de referência. Devemos
ter profissionais bem formados para atender a todos, pobres e ricos. Os
pacientes da rede pública, é óbvio, também
merecem um atendimento médico de excelência. (Antônio
Carlos Lopes - CFM)
30.07 - Para Cremerj, hospitais não melhoraram
Entrar numa UPA é uma experiência diferente para os pacientes
acostumados à rede pública hospitalar do Rio. Confortáveis,
organizadas e com atendimento rápido e eficiente, elas têm
atraído pessoas das mais diferentes regiões. E a comparação
com os hospitais públicos é sempre desvantajosa para as unidades
tradicionais.
A presidente do Conselho Regional de Medicina (Cremerj), Márcia
Rosa de Araújo, dá razão aos que reclamam dos hospitais
estaduais. Na semana passada, ela fez uma pesquisa junto aos conselhos
de ética dos principais hospitais estaduais e constatou que as condições
não melhoraram ao longo dos últimos anos. Segundo ela, ainda
faltam médicos em várias especialidades e nem sempre há
material suficiente para o trabalho.
- No início de sua gestão, o governador foi numa segunda-feira
ao Hospital Getúlio Vargas e não havia ortopedista. O hospital
continua sem ter a especialidade - afirmou Márcia, que apóia
as UPAs. - Já havíamos proposto isto há alguns anos.
Com tuberculose, doente espera um dia por vaga
A falta de estrutura dos hospitais prejudica o atendimento nas próprias
UPAs. Ismael de Almeida, de 63 anos, veio de Nilópolis, na Baixada
Fluminense, para ser atendido na UPA da Tijuca, na quinta-feira passada.
Com diagnóstico de tuberculose, ele precisava de internação,
mas teve que esperar um dia inteiro até conseguir uma vaga em um
hospital especializado.
Presidente da Comissão de Saúde da Câmara, o vereador
Carlos Eduardo (PSB) diz que as UPAs ajudam a aliviar os hospitais, mas
são caras (a manutenção delas custa em média
R$ 580 mil por mês) e, além disso, dedicam-se à atenção
básica, atribuição dos municípios: - Não
há garantia que uma mudança de governo manterá esta
política pública. (Agência O Globo)
30.07 - DOU publica suspensão de fabricação do
Prexige
O Diário Oficial da União (DOU) publicou na segunda-feira
(28) a decisão sobre a suspensão por 90 dias da fabricação
do antiinflamatório Prexige, 400mg, comprimido, produzido pela empresa
Novartis Biociências S.A. A medida proíbe, em todo o território
nacional, a distribuição, o comércio e o uso do medicamento,
sendo ressalvada a fabricação com a finalidade de exportação
do produto supra.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
já havia determinado na terça-feira (22) o cancelamento do
registro e o recolhimento das farmácias do Prexige 100mg, assim
como a suspensão por 90 dias do Prexige 400mg.
O Brasil é um dos últimos países a tomar a decisão
de tirar a droga do mercado, depois cerca de três anos de circulação.
A decisão ocorre quase um ano depois de as agências internacionais
proibirem o medicamento. Desde agosto do ano passado, países da
União Européia, o Canadá e a Argentina vetaram a comercialização
do Prexige e, ao todo, 36 países proibiram sua venda.
De acordo com a Anvisa, o medicamento causa efeitos colaterais graves
como hemorragias, hepatites, pancreatite e doenças cardiovasculares.
A agência justifica que Brasil tem um terço no mundo dos casos
notificados pelas agências regulatórias, respondendo por 1.265
supostas vítimas, dos 3.585 casos.
A retirada do medicamento é um golpe nas vendas da farmacêutica
suíça Novartis no Brasil. Em 2007, o Prexige faturou US$
91 milhões em todo o mundo, dos quais cerca de US$ 50 milhões
no país. A droga continua sendo comercializada apenas no México,
Colômbia, Equador, República Dominicana e Bahamas. (Portal
G1)
29.07 - Parto normal é o caminho natural
Na tarde de quinta-feira a Comissão do Parto Normal se reuniu,
em Brasília, para dar continuidade aos debates de proposição
sobre a abordagem mais adequada para a redução do índice
de cesarianas na saúde suplementar.
O índice de 80% de partos cesáreos entre as beneficiárias
de planos de saúde, percentual muito superior aos 15% recomendados
pela Organização Mundial da Saúde (OMS), tem preocupado
o Conselho de Medicina, o que resultou na criação da Comissão.
A questão se torna mais complexa porque o médico enfrenta
a dificuldade vagas para as pacientes, já que, o trabalho de parto
não tem horário pré-determinado para acontecer “A
paciente tem direito de escolha e sua autonomia deve ser respeitada. Precisamos
fortalecer o vínculo médico-paciente”, disse a conselheira
Edilma Albuquerque.
Ginecologista e obstetra há 50 anos, o conselheiro Pedro Pablo
Magalhães Chacel, defendeu: "se existe uma via natural para se ter
um filho, esse é o melhor”.
A próxima reunião foi marcada para 22 de agosto, às
14h, na sede do CFM, desta vez só com entidades médicas envolvidas
na questão. A proposta é discutir com a categoria sobre a
“cultura do parto cesário” e sugerir resoluções para
o problema.
O grupo é composto pelo Conselho Federal de Medicina, Agência
Nacional de Saúde Suplementar, Federação Brasileira
de Ginecologia e pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Participaram da
reunião o coordenador José Fernando Vinagre (CFM), Clóvis
Francisco Constantino (CFM), Pedro Pablo Chacel (CFM), Aloísio Tibiriçá
(CFM), Edilma de Albuquerque (CFM), Marta Oliveira (ANS), Karla Coelho
(ANS), Lucila Nagata (Febrasgo) e como convidada Lívia Garção
(CFM). (CFM)
29.07 - Medicina fragilizada
Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a
relação de um médico para cada 1 mil habitantes
O ensino superior no Brasil teve início há 200 anos,
com a chegada da família real, quando dom João VI autorizou
a criação, por meio de cartas régias, de duas escolas
de medicina, sendo a primeira, em Salvador (18/2/1808) e a segunda, no
Rio de Janeiro (5/11/1808). Portanto, o ensino superior no Brasil só
teve início 257 anos depois da criação da primeira
universidade na América espanhola, a de São Marcos, no Peru,
em 1551. Na década de 1950, havia 27 escolas médicas no país;
na de 1990, 103, e, hoje, são 175, das quais 104 privadas e 71 públicas.
No Brasil, há mais cursos médicos do que os Estados Unidos
e China, respectivamente, com 122 e 150, sendo, portanto, o segundo país
em número de escolas médicas, superado somente pela Índia,
com 202 cursos.
Convém lembrar que a Organização Mundial de Saúde
(OMS) recomenda a relação de um médico para cada 1
mil habitantes. Em 2004, segundo cadastro nacional de médicos do
Conselho Federal de Medicina (CFM) e o censo populacional do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), essa relação
era de 1/622. Por estado, temos Pernambuco com 1/794; Minas Gerais, 1/642;
São Paulo, 1/471; e Rio de janeiro, 1/302. Em algumas capitais,
a situação é pior ainda: Vitória, 1/124; Porto
Alegre e Campo Grande, 1/180; Rio de Janeiro, 1/196; e Belo Horizonte,
1/237). Atualmente, no Brasil e em Minas, essa relação é
de 1/580, ou seja, quase o dobro da recomendada pela OMS.
É realmente preocupante o elevado número de cursos médicos
em alguns estados. Em Minas, entre as 27 escolas, seis já foram
questionadas juridicamente pelas entidades médicas, e outras duas
estão em fase de investigação. São cursos da
área privada, que juntamente com as instituições federais
de ensino superior fazem parte do Sistema Federal do Ensino Superior, portanto,
sob o controle do Ministério da Educação. Contudo,
cinco deles foram criados por autorização do Conselho Estadual
de Educação (CEE), com base em brechas da Constituição
Estadual, de 1989, felizmente já sanadas. Segundo o Conselho Regional
de Medicina, quatro cursos privados foram aprovados com elevado número
de vagas: UTI/Itaúna (100 vagas), Unipac/Juiz de Fora (120), Unipac/Araguari
(120) e Unifenas/BH (160). O próprio MEC vem autorizando escolas
médicas desnecessárias, em várias cidades, sem a correspondente
demanda social, como em JF (Suprema-2004) e em Paracatu (Unipam-2006),
ambos inicialmente com 100 vagas, o que não é razoável.
Em 14/4, o MEC definiu novo instrumento para abertura de cursos de
medicina, exigindo que sejam criados por instituições nas
quais haja articulação com a oferta de outros cursos já
existentes e bem avaliados na área de saúde; infra-estrutura
mínima para os três primeiros anos do curso, incluindo laboratórios
e biblioteca; integração ao SUS; disponibilidade de hospital
de ensino próprio ou conveniado por pelo menos 10 anos, situado
na mesma localidade e que tenha programa de residência médica
credenciado pela Comissão Nacional de Residência Médica;
núcleo docente estruturante, composto de docentes com dedicação
preferencial ao curso e com alta titulação e experiência
na área específica. Nos últimos anos o MEC, por meio
do Exame Nacional do Desempenho dos Estudantes (Enade) – graduação,
escala de 1 a 5 ) –, vem avaliando os estudantes, com questões de
múltipla escolha e discursivas. Em 29/4, o MEC divulgou o resultado
da avaliação de 103 cursos médicos – 17 faculdades
em todo o país obtiveram notas baixas (1 e 2 ), sendo 13 privadas
e quatro federais (AM, PA, AL e BA), que serão supervisionadas por
comissão do MEC.
Como se pode observar, o quadro atual é de responsabilidade
do próprio MEC, que, nas várias gestões, vem privilegiando
a educação superior privada. Em alguns cursos, a mensalidade
oscila entre R$ 3,5 mil e R$ 3.996, sendo a média de R$2,6 mil.
Não podemos esquecer que o ensino da medicina, ou seja, da ciência/arte
de Hipócrates, deve basear-se, pela sua própria natureza,
fundamentalmente, em quatro princípios: ouvir, ler, ver e fazer.
Em muitas escolas, infelizmente, o ver e o fazer ficam prejudicados pela
falta das condições exigidas pelo MEC, conforme instrumento
de abril passado. Oxalá que as novas medidas oficiais venham melhorar
o dramático panorama atual. A sociedade brasileira não merece
a situação que aí está, pois é a principal
vítima dela. Convém lembrar que, nos meados da década
de 1910, o famoso relatório de Abraham Flexner recomendou, após
avaliação, o fechamento de 120 entre os 155 cursos médicos
existentes, nos Estados Unidos e Canadá. (Edward
Tonelli - Estado de Minas)
29.07 - As algemas e a saúde pública
Bastou a Polícia Federal pôr as mãos, e as algemas,
em figurões do cenário brasileiro, expondo-os à “execração
pública”, para que algumas vozes indignadas saíssem questionando
a ação, definida por eles de “espetaculosa”.
Afinal, algemas não combinam com traje Armani e relógio
Rolex.
Bradou-se, então, sobre preservação de direitos
fundamentais garantidos pela Constituição, o direito sagrado
de defesa, respeito e dignidade humana.
Conceitos que o pessoal da base da pirâmide está acostumado
a ver pisoteado, ignorado, desprezado.
Quem depende do Sistema Único de Saúde – e são
140 milhões de pessoas, justamente aquelas que não têm
dinheiro para bancar planos privados - , por exemplo, só vê
alguém lembrar de direito constitucional de atendimento universal
à saúde em períodos eleitorais. Nos palanques, discursos
inflamados prometem mais respeito e tratamento digno aos enfermos.
Mas nada muda. A cada ano diminuem o número de leitos no país.
Em contrapartida, a população cresce. Aumentam as filas em
busca de consultas, exames e cirurgias. As emergências cada vez mais
lotadas. Pacientes amontoados nos corredores, sem privacidade, esperando
horas e horas por um leito ou uma simples maca. Não raro, pessoas
morrem esperando pelo atendimento.
Médicos sobrecarregados, desvalorizados, com remuneração
aviltante, incapazes de atender a demanda, lutando contra a falta de material
e de medicamento, tudo para curar ou ao menos atenuar o sofrimento de enfermos.
É um cenário que os tais figurões constrangidos
pelas algemas nunca irão conhecer pessoalmente, embora muito do
que ali acontece possa ser conseqüência de suas supostas ações
criminosas, de desvio de dinheiro público, de corrupção.
A saúde pública brasileira, sim, é que deveria
merecer a atenção e a indignação da sociedade.
O debate sobre o uso ou não de algemas para os ricos – é
este o ponto – precisa dar lugar a outros temais importantes e fundamentais,
como a saúde pública.
Não é possível que um país tão rico,
capaz de gerar pessoas como as denunciadas e detidas pela Polícia
Federal, que movimentam milhões de dólares com a maior naturalidade,
não consiga os recursos necessários para garantir o direito
constitucional de um atendimento digno e respeitoso à sua população.
O cumprimento da Constituição Federal deve partir dos
princípios básicos. Entre eles, o acesso digno, universal
e integral à saúde pública. (Dr. Marco
Antônio Becker - CFM)
29.07 - Analgésicos são os que mais causam choque anafilático
Um dia, aquele mesmo remédio tomado há anos causa urticária,
inchaços, falta de ar e problemas digestivos. É o choque
anafilático, reação alérgica imprevisível
que pode levar à morte — e que fez Reynaldo Gianecchini ser internado
às pressas no último domingo na Clínica São
Vicente, na Gávea. O ator, que passou mal após tomar um antibiótico,
teve alta ontem.
Segundo a presidente da regional Rio da Associação Brasileira
de Alergia e Imunopatologia, Norma Rubini, os remédios que causam
essa reação com mais freqüência são analgésicos,
antiinflamatórios, antibióticos e anestésicos. O problema
também pode ser acarretado por alimentos.
— O choque anafilático acontece quando a pessoa entra em contato
com uma substância a que está altamente alérgica. Na
maioria dos casos, o paciente já havia tido contato anterior com
essa substância sem ter qualquer reação — explica a
médica.
O choque é uma reação alérgica grave que
envolve vários aparelhos e sistemas do organismo. Entre as manifestações
que podem ocorrer, estão as dos aparelhos respiratória (rouquidão,
edema de glote e asma) e digestivo (cólicas, náuseas, vômitos,
diarréias), além da queda brusca da pressão, urticárias
e inchaços nos lábios, olhos, mãos e pés.
— Se a pessoa apresentar sintomas relacionados a pelo menos dois desses
aparelhos, deve ir imediatamente a um hospital de emergência — aconselha
Norma. (Simone Miranda - Extra)
29.07 - Campanha de vacinação contra poliomielite irá
incentivar imunização dos pais
A segunda fase da Campanha de Vacinação contra a Poliomielite,
que acontece no dia 9 de agosto, pretende incentivar a vacinação
de adultos contra a rubéola. Batizada de Dia da Vacinação
Familiar, os pais e tios com idade entre 20 e 39 anos que forem ao posto
de saúde no dia 9 poderão imunizar menores de cinco anos
contra a paralisia infantil e tomar a vacina contra a rubéola.
Será a maior campanha de imunização em massa já
realizada pelo Estado de São Paulo. A vacinação contra
a rubéola começa dia 9 de agosto e vai até 12 de setembro
e pretende imunizar 13,5 milhões de paulistas entre 20 e 39 anos
de idade, o que representa 95% do total de pessoas nessa faixa etária
que vivem nos 645 municípios do Estado.
Todos os homens e mulheres deverão procurar os postos de saúde
até o dia 12 de setembro, das 8h às 17h (exceto finais de
semana), para receber uma dose da vacina dupla viral, que protege também
contra o sarampo. Cerca de sete mil postos fixos e volantes estarão
à disposição da população no período.
Haverá em torno de 50 mil profissionais de saúde e quatro
mil carros envolvidos na operação.
Em 2007 foram registrados no Estado de São Paulo 1.659 casos
de rubéola, dos quais 1.122 (68%) em homens, segundo balanço
do CVE (Centro de Vigilância Epidemiológica), órgão
da Secretaria. Foi o número mais alto da doença desde 2000,
quando 2.566 paulistas contraíram a doença. Em 2006 foram
66 casos. De janeiro a maio deste ano houve 329 notificações
de rubéola, das quais 210 em homens.
A incidência maior da doença entre homens é ainda
mais acentuada na faixa entre 20 e 29 anos, responsável por 50,5%
dos casos masculinos em 2007. Já os homens de 30 a 39 anos de idade
responderam por 28,6% das ocorrências. Nas mulheres a incidência
é similar dos 20 aos 39 anos, público-alvo da campanha.
Desde 2000 a vacina contra a rubéola faz parte do calendário
nacional de imunização e é aplicada gratuitamente
pelo SUS (Sistema Único de Saúde). A primeira dose deve ser
tomada com 12 meses de vida, com reforço entre 4 e 6 anos de idade.
A Secretaria também indica a vacinação para qualquer
pessoa nascida a partir de 1960 que não tenha recebido nenhuma dose
anterior.
A rubéola é uma doença infecciosa causada por
vírus do gênero rubivirus e transmitida por secreções
nasofaríngeas expelida pelo doente ao tossir, respirar, falar ou
respirar. Os principais sintomas são febre baixa, manchas no corpo,
dores articulares, conjuntivite, coriza e tosse.
Normalmente a rubéola é uma doença benigna, mas
quando ocorre durante a gestação há o risco de Síndrome
da Rubéola Congênita, que pode comprometer o desenvolvimento
do feto e causar abortamento espontâneo, morte fetal e malformações
congênitas como surdez, glaucoma, catarata e diabetes. (Diário
Online)
28.07 - Dengue: O caminho é a vacina
O governo brasileiro gasta demais com o combate à dengue, mas
só a produção da vacina irá controlar de fato
a doença, que atingiu 230.829 pessoas entre janeiro e abril deste
ano, de acordo com os registros do Ministério da Saúde.
A avaliação foi feita pelo pesquisador do Instituto Oswaldo
Cruz (IOC/Fiocruz) Hermman Schatzmayr - que foi responsável pelo
isolamento do vírus da dengue 1, 2 e 3 no Brasil. Para a produção
da vacina, no entanto, ainda será preciso superar uma série
de desafios científicos.
De acordo com ele, a doença transmitida pelo mosquito Aedes
aegypti custa R$ 1,2 bilhão por ano ao governo federal. "É
muito dinheiro", disse Schatzmayr durante o I Encontro da Rede-Pan Americana
de Pesquisa em Dengue, nesta quarta-feira (23/7), em Recife.
Segundo o pesquisador, que abriu o evento com uma palestra sobre a
situação da dengue no Brasil, os recursos são gastos
com inseticida para combate das larvas, treinamento de pessoal, apoio aos
estados, assistência médica, controle do vetor, repasse de
material, rede de laboratórios, equipamentos e bolsistas que estudam
o problema.
A vacina, de acordo com o pesquisador, é o melhor caminho para
o controle da dengue. "O país tem três grandes desafios a
enfrentar: diagnóstico rápido da doença, controle
do vetor e produção de vacina para imunizar a população.
A vacina é o principal deles. É o ideal para o Brasil, por
ser um país muito grande, disse Schatzmayr.
De acordo com reportagem realizada pela Agência FAPESP durante
a 60ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso
da Ciência (SBPC), em Campinas, na semana passada, as pesquisas para
o desenvolvimento da vacina estão adiantadas. Uma parceria entre
o Instituto Butantan e o Instituto Nacional de Saúde dos Estados
Unidos (NIH, sigla em inglês) está em fase de pesquisas clínicas
com humanos e em dezembro uma planta piloto já deverá começar
a produzir a vacina.
O Butantan realizará ensaios no interior de São Paulo
para testar a eficácia da vacina, mas ainda precisará de
dados sobre o número de pessoas contaminadas - o que não
está disponível porque a maioria das pessoas que contrai
a doença não desenvolve os sintomas.
Na ocasião, Elena Caride Siqueira Campos, da Fiocruz, afirmou
que combater a dengue no organismo humano não é fácil,
já que existem quatro tipos diferentes de vírus e, para ser
eficaz, a vacina terá de ser tetravalente, ou seja, combater os
quatro simultaneamente, encontrando um equilíbrio entre atenuação
do vírus e a imunogenicidade.
Combate ingrato
Na avaliação de Schatzmayr, os estados brasileiros ainda
não estão totalmente estruturados para dar uma resposta rápida
diante de uma epidemia. "Em uma situação como essa, é
preciso agilidade para providenciar tendas de atendimento e remanejamento
de médicos. O índice de mortalidade em decorrência
da dengue deveria ser de 0,5% a 1%. Mas já registramos 10%, isso
é um absurdo", destacou.
Schatzmayr cita como exemplo o Estado do Mato Grosso do Sul, que teve
uma epidemia séria de dengue no ano passado, apresentou uma resposta
rápida e registrou pouquíssimas mortes. "A dengue está
avançando no público infantil, os pediatras devem estar alertas
para o rápido diagnóstico", sublinhou.
Ele defende o repasse de informações sobre o mosquito
Aedes aegypti para as crianças, em sala de aula. "É primordial
mostrar vídeos sobre o inseto, trabalhar o assunto nas escolas,
para que elas possam levar a informação para casa. Exibir
o mosquito por dez segundos na televisão não surte efeito",
disse.
Em relação ao controle do vetor, o pesquisador reconhece
que se trata de um trabalho difícil - até mesmo pela extensão
territorial do Brasil - que exige entrar na casa das pessoas, verificar
se há larvas e identificar se são do mosquito da dengue.
"Hoje, a ação é municipalizada, por isso é
muito variado o interesse e a capacidade de atuação de cada
um. Talvez, seja necessário mais foco do Estado junto aos municípios.
É preciso repensar a participação do Estado, porque
as cidades sozinhas não conseguem dar conta."
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que
entre 50 e 100 milhões de pessoas contraiam dengue todos os anos
em mais de cem países de todos os continentes, exceto Europa. Conforme
a OMS, foram registrados 900 mil casos de dengue nas Américas no
ano passado, dos quais 560 mil (dois terços) no Brasil. (Agência
Fapesp)
28.07 - Aumento de doação de órgãos
reflete nos hospitais
O Hospital Israelita Albert Einstein, de São
Paulo, fez 27,6% mais transplantes de fígado neste semestre, se
comparado ao período de 2007
No último levantamento da Secretaria de
Estado da Saúde, o número de doadores de órgãos
cresceu 29,3% no Estado de São Paulo, no primeiro semestre deste
ano. Este número já passou a ser refletido nas instituições
de Saúde.
O Hospital Israelita Albert Einstein, de São
Paulo, realizou 27,6% mais transplantes de fígado neste semestre,
se comparado ao mesmo período de 2007, o que representa 37 procedimentos.
"Este aumento é reflexo das ínumeras iniciativas que o governo
paulista tem adotado para o trabalho de conscientização sobre
a importância da doação de órgãos, além
das medidas de capacitação para os profissionais que trabalham
tanto no transplante quanto na captação de órgaos
e tecidos", defende Ben-Hur Ferraz Neto, Gerente do Programa de Transplantes
do Hospital.
Desde janeiro deste ano, o Einstein tem uma parceria
com a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, atuando
com a disponibilização de coordenadores intra-hospitalares
de transplantes em quatro hospitais públicos escolhidos pela própria
Secretaria com o objetivo de capacitar e preparar as equipes destas instituições
para que aumente o número de captações e doações
de órgãos. (Saúde Business Web)
28.07 - SP: fila do transplante tem quase 10% de pacientes de outros
estados
Minas Gerais e Bahia são os estados que mais inscrevem pacientes
na lista de espera para transplante em São Paulo. É o que
aponta levantamento da Secretaria da Saúde de São Paulo com
base nos dados da Central de Transplantes.
Das 15,2 mil pessoas que aguardam por um órgão ou córnea
em São Paulo, 1.418, ou seja, 9,3%, moram em outros estados. Do
total de pacientes na fila paulista, 332 são de Minas Gerais, 212
da Bahia e outros 168, do Rio de Janeiro.
A lista para transplante de pâncreas é a que mais registra
pacientes de fora de São Paulo, com 35,9% morando fora do Estado
de São Paulo. Outros 22,9% de pacientes moradores de outros estados
aguardam por um transplante simultâneo de pâncreas e rim, e
18,1% estão na fila paulista do fígado. Há ainda 12,8%
na lista de córneas.
Esclarecimento - Não há impedimento legal para que um
paciente de determinado estado esteja na fila para transplante de outro.
Basta que a equipe médica que realizará a cirurgia seja do
mesmo estado onde a pessoa está inscrita.
Mas não é permitido que um mesmo paciente esteja simultaneamente
na lista de dois ou mais estados. (Diário Online)
28.07 - Mais do que medicamentos
Portadores do vírus da Aids em condições so-cioeconômicas
desfavoráveis têm maior propensão a não aderir
ao tratamento para combater a doença, mesmo tendo acesso à
medicação distribuída pelo Sistema Único de
Saúde (SUS). A conclusão foi apresentada por um pesquisador
da Universidade de Brasília (UnB), Cláudio Viveiros, depois
de
entrevistar 253 pacientes infectados no DF. Baixo nível de escolaridade,
condições financeiras e qualidade de vida precárias
são fatores que, segundo o estudo, podem levar o doente a desistir.
Dados do Ministério da Saúde mostram que aproximadamente
2,5 mil pessoas estão em tratamento, no Distrito Federal.
Cláudio Viveiros colheu depoimentos nos oito Centros de Referência
da Secretaria de Saúde, espalhados em regiões administrativas
do DF. Depois de pouco mais de um ano de trabalho, o pesquisador chegou
à conclusão de que o grupo formado por pessoas com Ensino
Fundamental incompleto tem probabilidade 2,5 vezes maior de não
aderir ao uso dos medicamentos, do que o conjunto de pessoas que fizeram
curso superior.
A proporção obtida se assemelha entre aqueles que ganham
até três salários mínimos, cuja tendência
é 2,3 vezes maior de não tomar os remédios específicos
para Aids. Isso em comparação à população
que apresentou renda mais alta.
Apesar dessa conclusão, a pesquisa indica que o número
de brasilienses em tratamento contra a Aids é alto. Dentre as 253
pessoas que participaram do estudo, 89,5% recebem cuidados médiso,
sendo que 73,2% ingerem a quantidade correta de remédios. "O grupo
estudado era formado por 13 pacientes analfabetos, 99 que tinham Ensino
Fundamental incompleto e 24 com Ensino Fundamental completo. Quanto à
renda pessoal, 119 pessoas recebiam até um salário mínimo
mensal e 183 até dois", explicou. O pesquisador também analisou
a qualidade de vida dos soro-positivos, como apoio da família, dos
amigos, satisfação na vida sexual. "Levamos em conta até
o preconceito sofrido por eles", completou.
Conseqüências
O resultado de não usar corretamente os medicamentos faz com
que os portadores do vírus da Aids se tornem mais propensos à
morte. Isso porque o vírus se fortalece e abre espaço para
o surgimento de infecções e outras doenças.
Para a gerente de Doenças Sexualmente Transmissíveis
e Aids (DST/Aids) da Secretaria de Saúde do DF, Diva Castelo Branco,
o problema atinge a todos os pacientes que sofrem de alguma doença
crônica, independente da situação econômica ou
nível de escolaridade. "Um tratamento de saúde complexo implica
mudanças de hábito. Se o paciente está acostumada
a dormir tarde, beber e fumar, por exemplo, terá que mudar seu estilo
de vida antes de iniciar os cuidados médicos, para obter um bom
resultado", disse.
Apesar disso, a gerente reconhece que a falta de condições
financeiras e de qualidade de vida, agravam sim a saúde de portadores
do vírus da Aids. Isto se reflete ainda mais naqueles de baixa renda.
"Durante o tratamento médico, é necessário cuidar
da alimentação. Muitas dessas pessoas só tem arroz
e feijão para comer. Situações como essas só
reforçam pesquisa da UnB", confirmou.
Portadores do vÍrus da Aids desistem de tomar os medicamentos
por diversos motivos, como baixa auto-estima e pouco dinheiro
Debater o tema também ajuda
Para amenizar o problema, a Secretaria de Saúde do DF, dis-ponibilza
um programa chamado "Grupos de Adesão". A intenção
é ajudar os soropositivos em tratamento a terem um espaço
para discutir as dificuldades vividas e trocar de experiências. Segundo
a gerente de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids (DST/Aids)
da Secretaria de Saúde do DF, Diva Castelo Branco, ainda há
dificuldade em convencer as pessoas a participarem desses encontros, realizados
nos oito Centros de Referências do DF.
Para Sabino Manda, da ONG Arco-íris, o portador do vírus
da Aids encontra muitas dificuldadesdurante o tratamento, como a combinação
de remédios e as reações adversas dessa medicação.
"Além disso, a falta de escolaridade faz com que a pessoa tenha
dificuldade de leitura e memorização, o que pode atrapalhar
todo o tratamento", destacou.
Na ONG, que atualmente assiste 120 pessoas, há uma grande preocupação
com a rotina terapêutica dos doentes.
"Nosso conceito é mais amplo do que apenas o uso da medicação.
Trabalhamos quesitos como auto-estima, qualidade de vida e repouso", enfatizou.
A aposentada Maria*, 32 anos, chegou a pensar em desistir da vida.
Ela descobriu que tinha o vírus HIV há quatro anos, quando
começou o tratamento. "Num certo momento, dois anos depois, tive
depressão e pensei em desistir de tudo. Imaginar que passaria o
resto da vida e sem dinheiro era muito difícil", desabafou. Maria*
buscou ajuda de amigos e grupos de apoio. "Hoje tenho consciência
de que quanto mais eu me cuidar, mais vida pela frente terei", completou.
O medo do preconceito das outras pessoas fez com que a dona de casa
Lourdes*, 28, se trancasse em casa e passasse a evitar pessoas. Ela descobriu
que tinha a doença há cinco anos . Depois de conseguir ajuda
em um Centro de Referência, ela passou a ver a vida com outros olhos.
"Sobrevivi à baixa auto-estima por causa deles", finalizou. (JB
Online)
25.07 - Problemas de audição atinge 70% dos idosos
Estima-se que a partir dos 40 anos as pessoas já começam
a apresentar sintomas de perda auditiva
Atualmente, a perda de audição atinge 70% dos idosos
no Brasil, segundo a Academia Brasileira de Otologia. Um problema que quanto
mais cedo for detectado, melhor para o paciente.
A perda da audição provocada pelo envelhecimento chama-se
presbiacusía. Em Ribeirão Preto, o Hospital das Clínicas
atende pacientes no programa de saúde auditiva do Ministério
da Saúde. No ambulatório do hospital, de 60% dos pacientes
com perda de audição, 30% são por causa da idade.
A aposentada Josefina Antônio da Silva tem 77 anos e só
escuta bem de um ouvido. Ela foi pela primeira vez à uma consulta
no HC depois de dois anos que começou a ter perda de audição.“Por
mim eu não viria fazer esse exame, mas minhas filhas disseram que
eu não escuto nada, que estou surda”, explica.
A filha dela, Cleusa Maria de Oliveira, fica preocupada e acha perigoso
a mãe sair de casa nesta situação. “Ela pode não
ouvir buzinas na rua e ela não ouve nada quando falamos com ela”,
afirma.
Estima-se que a partir dos 40 anos de idade as pessoas já começam
a apresentar alguns sintomas de perda auditiva. “Não tem cura, mas
podemos fazer a reabilitação com o aparelho de audição
ou, nos casos de perda total, existe a possibilidade de implante coclear”,
afirma o professor da faculdade de medicina da USP Miguel Angelo Hyppoleto.
Os primeiros sintomas do problema são claros: o paciente não
escuta o toque do telefone ou da campainha e sempre aumenta o volume da
televisão. A genética e a exposição ao barulho
são alguns dos fatores que aceleram a perda auditiva causada pelo
envelhecimento. “Pessoas com problemas de pressão alta, colesterol,
glicemia, tireóide, acentuam as alterações para pessoas
que já sofrem com o processo de envelhecimento”, explica Hyppoleto.
Através da audiometria é possível detectar o problema.
O médico fonoaudiólogo mede o quanto o idoso consegue ouvir
com um aparelho que emite sons.
Carlos Pedrosa é aposentado e detectou, depois do exame, a perda
de 40% da audição em cada ouvido. Ele não percebe
quando alguém conversa com ele de costas e terá que usar
um aparelho específico para voltar a ouvir bem. “Eu só escuto
o que me interessa. Agora vou escutar o que não em interessa também”,
brinca o aposentado. (EPTV)
25.07 - Nova estratégia anticâncer
Cientistas testam uma droga para o tratamento de câncer de próstata
que poderia ajudar até 80% dos pacientes com a forma mais agressiva
e, até agora, incurável, da doença. Pesquisadores
dizem que se trata do remédio mais promissor desenvolvido nos últimos
70 anos contra esse tipo de câncer, o mais comum entre homens.
Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Brasil,
por ano são registrados Cerca de 48 mil casos.
Mas o número real pode ser até dez vezes maior, de acordo
com a Sociedade Brasileira de Urologia, pois muitos homens não procuram
ou não obtêm diagnóstico adequado.
A nova droga, abiraterona, tem uma atuação diferente
da dos demais remédios e consegue agir nas formas mais avançadas
da doença. Tomada oralmente, na forma de pílula, ela oferece
poucos efeitos colaterais e leva a drásticas reduções
de um antígeno específico da próstata, um marcador
sangüíneo para o câncer conhecido pela sigla PSA.
Especialistas frisam, no entanto, que os testes estão em estágios
iniciais e que ainda não há comprovação de
que o remédio de fato aumente a sobrevida dos pacientes.
Aprovação pode demorar três anos
O anúncio feito ontem foi baseado na publicação
dos resultados do primeiro teste clínico da abiraterona em apenas
21 pacientes. O estudo foi realizado pelo Instituto de Pesquisa de Câncer
e pelo Hospital Royal Marsden, ambos em Londres. O teste com poucos pacientes,
de fase 1, tinha por objetivo testar a segurança da droga, mas os
resultados mostraram que o remédio era "espetacularmente ativo",
nas palavras do oncologista Johann de Bono, que coordenou o estudo publicado
na "Journal of Clinical Oncology".
Alguns dos pacientes envolvidos no teste puderam, inclusive, suspender
o uso de morfina, que vinham tomando para dor. Ultra-sonografias revelaram
que tumores considerados intratáveis diminuíram - incluindo
alguns que já tinham se espalhado para os ossos e outros tecidos.
- A droga é eficaz - afirmou De Bono. - Os tumores foram reduzidos,
a dor foi embora e os níveis de PSA caíram. Alguns pacientes
do Royal Marsden a tomam há dois anos e oito meses e continuam bem.
Todos os homens que participaram do estudo apresentavam formas muito
agressivas do câncer, "extremamente difíceis de serem tratadas",
e tinham expectativa de vida estimada em um ano. Eles já tinham
sido tratados com cirurgia, radioterapia e quimioterapia sem sucesso.
O estudo foi feito com 21 pacientes, mas, ao todo, 250 homens já
receberam o tratamento, todos apresentando índices similares, de
70% a 80%, de eficácia. Atualmente, a droga está sendo testada
em um estudo mais amplo, com 1.200 pacientes em todo o mundo.
- Esperamos que o remédio seja aprovado em três anos -
afirmou o oncologista.
A abiraterona inibe a ação de uma enzima considerada
crítica para a produção do hormônio masculino
testosterona. Os tumores de próstata são alimentados pela
testosterona.
Por isso, um dos tratamentos mais comuns para casos agressivos da doença
consiste em suprimir a produção de testosterona nos testículos,
uma alternativa química à castração. Mas os
remédios que suspendem a produção do hormônio
costumam ter uma eficácia restrita porque o próprio tumor
passa a produzir o hormônio. O novo medicamento, entretanto, se revelou
mais eficaz ao bloquear toda a produção em até 80%
dos casos.
O remédio está sendo desenvolvido por um laboratório
americano chamado Cougar Biotechnology, responsável pelo financiamento
dos testes. (Agência O Globo)
25.07 - Cirurgia Bariátrica: Cuidados necessários
A cirurgia bariátrica, mais comumente conhecida como cirurgia
de redução de estômago, ao contrário do que
parece, é um procedimento relativamente antigo. As pesquisas iniciais
sobre a operação datam de 1954 e a primeira cirurgia é
atribuída ao dr. W. Payne, de Los Angeles, no ano de 1956. No Brasil,
só passaram a ser realizadas na década de 80.
Existem variadas técnicas de se realizar a redução
de estômago; sendo que as mais utilizadas se dividem entre restritivas
e disabsortivas. A primeira faz com que o estômago diminua de tamanho,
reduzindo sua capacidade gástrica e causando uma sensação
de saciedade precoce, isto é, com ingestão menor de comida.
Por outro lado, as cirurgias disabsortivas atuam diminuindo a capacidade
de absorção do alimento digerido.
Indicada para pessoas consideradas obesas (com Índice de massa
Corpórea igual ou superior a 40) e para aqueles que apresentam sintomas
associados à obesidade, como diabetes, hipertensão, apnéia
do sono e dislipidemia, a cirurgia bariátrica é apenas uma
etapa de um longo tratamento.
A nutricionista Luciana Coppini, do Ganep Nutrição Humana,
explica que o preparo e uma boa avaliação pré-operatória
são essenciais. "É importante ter consciência da necessidade
do preparo psicológico, de tentar diagnosticar se o paciente é
uma pessoa que não tem nenhuma alteração psicológica
que pode piorar após a cirurgia, como uma compulsão".
As primeiras orientações e modificações
no estilo de vida do paciente devem começar antes da cirurgia, para
que ele possa se preparar e se habituar à nova rotina que será
imposta com a redução.
Após o procedimento, também são necessários
cuidados especiais. O cuidado com a alimentação é
primordial; afinal, como o volume do estômago ficou drasticamente
reduzido, o corpo precisa se adaptar ao novo tamanho e os hábitos
alimentares devem redesenhados. Nos primeiros dias que seguem a operação,
a dieta é bem restritiva, baseando-se em chá, sucos coados
e sopas feitas apenas da água em que foram cozidos os alimentos.
Aos poucos, a dieta se transforma em alimentos sólidos. Mas
até lá, passa vagarosamente pelos alimentos pastosos, brandos
e sólidos muito bem picados.
Ainda há os riscos da própria cirurgia. "Como em qualquer
procedimento cirúrgico, pode haver um revés. Além
disso, podem ocorrem complicações da própria cirurgia,
mecânicas e nutricionais", explica a dra. Coppini.
As principais complicações cirúrgicas são
fístulas, feridas operatórias que demoram a cicatrizar e
anemia crônica.
Devido a esta complexidade de cuidados, este vagaroso procedimento
pede o trabalho conjunto de diversos profissionais, antes e depois da intervenção
operatória. Luciana destaca que nestes anos em que a cirurgia bariátrica
foi realizada, o que mais evoluiu foi a percepção da necessidade
de uma equipe multiprofissional, formada por médico cirurgião,
gastroenterologista, nutricionista, psicólogo, fisioterapeuta e
fonoaudiólogo. "Tivemos algumas técnicas novas que surgiram,
mas nada cientificamente comprovado. Mas a importância de uma equipe,
dos critérios de indicação e acompanhamento, isso
tudo evoluiu bastante", afirma ela.
Outra evolução destacada é a indicação
da cirurgia de redução de estômago para outros fins,
além de perder peso, que era a proposta inicial do procedimento.
Agora, doenças como diabetes também podem ser controladas
com a gastroplastia. (Maxpress)
25.07 - Osteoporose: um sério problema de saúde pública
Dia 26 de julho, próximo sábado, é dia de Santa
Ana, a padroeira dos partos difíceis, mãe de Maria e avó
de Jesus Cristo, e, por isso, foi escolhido para ser o Dia da Vovó.
Nessa data, além de presentes, atenção com relação
à saúde deve ser reforçada. Afinal, elas são
mães por duas vezes e têm muito a ensinar com sua sabedoria
e experiência de vida.
Envelhecer, definitivamente, não é um "mar de rosas".
É natural que com o passar dos anos, a saúde se torne mais
frágil. Por isso, é hora de retribuir todos os cuidados por
elas dispensados, com orientação e auxílio com sua
saúde física e mental.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas -
IBGE, a expectativa de vida do brasileiro, a partir da década de
80, cresceu em dez anos. A população idosa do País,
hoje, corresponde a aproximadamente 11%. Estima-se que em 2050 esse percentual
chegue a 25%. Aumentou a população idosa e, com isso, o número
de internações causadas por quedas.
A osteoporose, mal silencioso e debilitante, que acomete uma em cada
três mulheres e um em cada oito homens, é muito comum em pessoas
idosas. A doença torna os ossos frágeis e sujeitos a fraturas.
Segundo estudos, o risco de uma mulher ter fratura osteoporótica
é maior que o risco combinado de câncer de mama, útero
ou ovário. A cada ano, aproximadamente 1,5 milhão de fraturas
ocorrem nos Estados Unidos associadas à osteoporose, sendo 80% entre
mulheres. Assim sendo, é fundamental que a osteoporose seja detectada
precocemente e tratada para que se diminua o risco de fraturas.
Considerado um sério problema de saúde pública,
a osteoporose pode causar dor, perda da liberdade e autonomia dos movimentos,
elevando o risco de morte. É conseqüência da perda de
tecido ósseo que ocorre mais intensamente após a menopausa.
Os custos de tratamento são altos e o impacto sócio-econômico
é grande. Estima-se que os custos anuais, nos Estados Unidos, com
essa doença sejam maiores que US$ 10 milhões.
No Brasil, aproximadamente sete milhões de mulheres, ou seja,
30% das brasileiras que já passaram pela menopausa, convivem com
esta doença.
Hoje, os avanços científicos já permitiram a descoberta
de diferentes formas de prevenção para as fraturas conseqüentes
da osteoporose. Entre os diversos tipos de tratamento - terapia de reposição
hormonal (TRH), administração de bisfosfonatos, calcitoninas,
raloxifeno etc - está Fortéo, um agente biotecnológico
formador de osso, pioneiro e único de uma classe de drogas que estimulam
a formação de tecido ósseo. Até o seu lançamento,
que ocorreu no Brasil no final de 2003, os tratamentos aprovados para a
osteoporose atuavam, basicamente, apenas com a redução ou
a interrupção da perda óssea.
Mas nem todos os pacientes têm acesso a esse revolucionário
medicamento, pois o Ministério da Saúde não renova
a lista de remédios do protocolo para osteoporose desde 2002. Nessa
lista do governo, somente os medicamentos da classe dos bisfosfonatos,
calcitonina, carbonato de cálcio, vitamina D, estrógenos
e raloxifeno são disponibilizados para os portadores de osteoporose.
Para receber tais remédios, basta o paciente seguir o trâmite
administrativo, presente no protocolo de tratamento da doença, que
é publico e pode ser acessado na internet (http://dtr2001.saude.gov.br/sas/dsra/protocolos/do_o28_00.htm),
e levar o pedido médico a um posto de saúde ou hospital.
Alguns Estados, como Bahia e Mato Grosso do Sul, e o Distrito Federal
padronizaram Fortéo - mas fora do protocolo oficial do tratamento
da osteoporose - para atender a necessidade do paciente em utilizar um
medicamento que não apenas reduza a perda óssea, mas que
reverta o quadro da doença, e evitar gastos futuros com cirurgias
e internações, por conta de fraturas osteoporóticas.
Para o presidente da Sociedade Brasileira de Osteoporose, João
Francisco Marques Neto, "há, mais do que nunca, necessidade de atualizar
o protocolo de tratamento da osteoporose, visto que novos agentes terapêuticos
estão surgindo e não substituem ou podem ser substituídos
pelos fármacos já existentes, disponibilizados pelo protocolo
do Ministério da Saúde. A nova conceituação
imunogenética da osteoporose prevê a necessidade de novas
classes de medicamentos, tanto anabolisantes e reconstrutores da massa
óssea, como, também, atuantes nos distúrbios celulares,
capazes de comprometer a integridade do tecido ósseo".
Num país em que 11% da população tem 60 anos ou
mais, envelhecer com saúde e disposição é um
dos principais desafios. (Maxpress)
25.07 - Maternidades têm novas normas
O Ministério da Saúde lançou uma campanha de estímulo
ao parto normal. A idéia é fazer com que maternidades públicas
e privadas sejam reformadas para acomodar melhor as gestantes que abrirem
mão de fazer cesárea.
Todos os quartos deverão ter um banheiro anexo e as unidades
de Saúde terão de criar alojamentos conjunto para mães
e bebês e áreas para movimentação ativa da mulher,
com instrumentos que auxiliam o trabalho de parto.
As mudanças no ambiente, tidas como impraticáveis pela
maioria dos administradores hospitalares, não serão obrigatórias
e devem ficar mesmo para as casas de saúde que vierem a ser construídas
ou ainda aquelas que têm reformas planejadas.
Para se ter uma idéia, somente no Grande ABC existem, pelo menos,
66 leitos dedicados a parturientes (soma das unidades municipais de Saúde
em Santo André, Diadema e Ribeirão Pires, únicas cidades
a fornecer seus dados) e que teriam de sofrer adaptações.
Na prática, nenhuma mudança substancial deverá
acontecer de imediato, salvo a garantia da parturiente em ter uma companhia
durante todo o processo de parto,que terá o direito de permanecer
no quarto, com espaço reservado.
Esta medida tem prazo e deve ser aplicada até dezembro. A fiscalização
será feita pelas vigilâncias sanitárias, porém,
sem punição para quem descumprir.
Outras recomendações como o estímulo ao trabalho
normal de parto sem uso de medicações e do contato entre
mãe e bebê devem ser aplicadas de imediato.
A intenção do ministro da Saúde, José Gomes
Temporão, é controlar riscos e reduzir a mortalidade materna.
Das três cidades que responderam à reportagem, apenas
Santo André registrou óbitos - dois no ano passado - de parturientes.
Porém, o risco das mães que escolhem as cesáreas é
iminente, conforme alertam os especialistas.
Na região, São Caetano é a líder em cesarianas.
No ano passado, 58% dos partos foram dessa natureza. Em seguida estão
Mauá, com 42%, Santo André, com 40%, Diadema, com 34%, São
Bernardo com 33% e Ribeirão Pires, com 29%. Rio Grande da Serra
não tem maternidade.
O chefe do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade
de Medicina do ABC, Mauro Sancovski, explica que o conceito de parto humanizado
já é aplicado no Hospital Municipal Universitário
de São Bernardo onde há dois boxes com instrumentos para
incentivar o trabalho de parto e aliviar a dor.
O chefe do centro obstetrício do Hospital Universitário,
José Luiz Cunha Carneiro, encara a resolução com otimismo.
"Com a exigência, os serviços públicos e privados andarão
no mesmo compasso."
O presidente da Associação Brasileira de Medicina de
Grupo, que reúne 250 operadoras de saúde, Arlindo de Almeida,
lembra que a entidade iniciou a campanha Parto é normal que visa
diminuir 15% das cesáreas feitas pela rede em três anos, a
começar de 2008. "Para isso, contamos com uma mudança de
cultura tanto do médico quanto do paciente." (Isis Mastromano Correia
e Vanessa Fajardo - Diário do Grande ABC)
24.07 - Parto normal será mais confortável
Ministério e Anvisa divulgam normas que passam a valer em dezembro.
Mãe e bebê ficarão juntos em quarto individual ou coletivo
especial com banheiro
Objetivo é incentivar o nascimento natural da criança
e adotar métodos simples, sem medicamentos, para aliviar as dores
da mulher
Em cinco meses, as maternidades de todo o país terão
que se adaptar para receber gestantes que optarem pelo parto normal. Entre
as alterações, as mulheres terão direito a um quarto
individual ou coletivo especial para o procedimento, um banheiro anexo
para todas as etapas do nascimento da criança, além de mãe
e filho ficarem juntos no leito. A medida faz parte de um conjunto de normas
divulgado na terça-feira pelo Ministério da Saúde
(MS), em parceria com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa). Os objetivos principais são o estímulo à
evolução natural do trabalho de parto e a adoção
de iniciativas, pelas unidades de saúde, para aliviar as dores das
futuras mães, com métodos não-farmacológicos.
Os benefícios serão aplicados na rede pública
e privada de saúde a partir de dezembro, quando entram em vigor
novas normas para os serviços de atendimento obstétrico e
neonatal no Brasil. De acordo com o ministério, a meta é
promover mudanças estruturais nas maternidades e controlar os possíveis
riscos à gestante e ao bebê, reduzindo os índices de
mortalidade materna e de recém-nascidos. Em 2006, foram feitos 1,4
milhão de partos normais e 670 cesarianas no país. No mesmo
ano, foram registrados 274 óbitos de mulheres em decorrência
de complicações relacionadas ao parto. Dados da Organização
Mundial de Saúde mostram que apenas 15% dos nascimentos deveriam
ser feitos por cirurgia. Mas esse número chega a 46% no Brasil.
Analisando separadamente as mulheres que usam plano de saúde, o
índice atinge 80% de cesarianas e, na rede pública, 26%.
No ano passado, foram gastos R$ 580 milhões com partos normais e
mais R$ 418 milhões com cirurgias.
Segundo o diretor do Departamento de Ações Estratégicas
do Ministério da Saúde, Adson França, a cesariana
tem indicações técnico-científicas e é
um importante avanço da ciência para as situações
de risco para a mãe ou para o bebê. No entanto, ele alerta
que tem sido comum a cirurgia ser marcada desnecessariamente, sem uma indicação
precisa, o que aumenta as chances de complicações e morte
para a gestante e seu filho.
A referência técnica em Saúde da Mulher da Secretaria
de Estado de Saúde (SES), Márcia Rovena, observa que há
120 hospitais que fazem parto pelo Sistema Único de Sáude
(SUS) em Minas, destes, 35 atendem gestantes com quadro de alto risco.
“É importante a mobilização para favorecer a autonomia
da mulher, principalmente em momentos como o parto. A humanização
do procedimento é um exemplo. Além de ter o direito a um
acompanhante durante o nascimento da criança, a mãe pode
ter acesso também a técnicas não-farmacológicas
para o alívio da dor. Em vez de usar medicamentos, algumas maternidades
do estado oferecem tratamento com massagens e duchas, estratégias
que favorecem o parto normal. Mas há também a anestesia garantida
pelo SUS”, afirma a especialista.
Márcia diz ainda que o parto normal deveria ser rotina e o estímulo
beneficia tanto a mãe quanto o bebê. “Há casos em que
a cesariana é a opção mais segura. Mas o índice
desse tipo de cirurgia cresceu muito, principalmente pela facilidade de
se planejar a data e o momento do nascimento da criança. Mas essa
atitude aumenta as chances de infecções. No caso do parto
normal, além de não ter que fazer a abertura na barriga da
mãe, quando o bebê passa pelo canal vaginal, o risco de ele
ter problemas respiratórios diminui”, diz. De acordo com a SES,
em 2007, foram feitos cerca de 75 mil partos normais e 44 mil cesarianas
no estado. (Ingrid Furtado - UAI)
24.07 - O nó da Saúde está na emergência
dos hospitais
O Sistema Único de Saúde (SUS), ao longo de seus 20 anos,
tornou-se uma grande rede interligada de serviços.
Nesse período, o Brasil passou de um sistema que, até
1988, garantia o acesso à saúde pública apenas aos
trabalhadores filiados à Previdência — 30 milhões de
pessoas — para o Sistema Único de Saúde, que atende 190 milhões
de pessoas, sendo que, em 80% dos casos, a dependência da rede pública
é total. Apesar de todo o avanço, os desafios permanecem
enormes e o Ministério da Saúde tem como prioridade atacar
as suas deficiências de gestão e de estrutura.
Um dos pontos de estrangulamento é o atendimento de urgência
e emergência de hospitais do país.
Ocorre que 80% dos problemas de saúde podem ser solucionados
na atenção básica. Por isso, em uma ação
de prevenção e promoção à saúde,
o Programa Saúde da Família vem provocando uma silenciosa
revolução.
O financiamento do programa foi triplicado entre 2002 e 2008, passando
de R$ 1,3 bilhão para R$ 4,4 bilhões. A cobertura atinge
hoje 90 milhões de pessoas. Estudos mostram que, onde o PSF se estrutura,
diminuem as internações, aumenta a cobertura vacinal e ampliamse
as consultas pré-natal.
Mas o Ministério da Saúde sabe que isso não é
suficiente. É necessário ter unidades não-hospitalares
que possam prestar atendimento às urgências e às pequenas
emergências. O Rio de Janeiro tem recebido apoio para implementar
as Unidades de Pronto Atendimento, uma idéia que será expandida
ainda este ano para o restante do país. São unidades dotadas
de leitos de obser vação, que recebem pacientes que precisam
de pronto-socorro.
As UPAs trabalham integradas ao Serviço de Atendimento Móvel
de Urgência. Em um ano de existência, no Rio, 99,7% dos atendimentos
foram solucionados nas próprias UPAs. Mas quando a transferência
é necessária, o Samu é acionado, encaminhando o resgate
e verificando para onde o paciente será alocado. O Samu abrange
atualmente 101 milhões de pessoas em todo o Brasil.
Ainda assim, o sistema não se resolve sem preencher os vazios
assistenciais.
No ano passado, por exemplo, foi inaugurado o primeiro centro de oncologia
do Acre. Antes, as pessoas da região tinham que viajar para o Sudeste
a fim de garantir o atendimento.
O ministério também sabe que é preciso investir
nas pessoas. Neste ano, estão sendo oferecidos cursos para 23 mil
profissionais do Samu .
Além disso, em 2007, foi criada uma comissão que permite
aos gestores do SUS dar as diretrizes dos cursos de graduação
e residência das áreas de saúde para atender à
necessidade da população.
Foram disponibilizados R$ 80 milhões para as universidades apresentarem
projetos de adequação em seus cursos e para bolsas de pesquisa.
As fragilidades do atendimento estão sendo combatidas ainda
com o fortalecimento da produção nacional na área
de saúde. Somente neste ano foram assinados dois acordos de transferência
de tecnologia para a Fiocruz, um para a vacina de rotavírus e outro
de medicamento para hepatite C. Uma portaria agora permite ao ministério
fazer compras que favoreçam o produtor nacional. Outra estabelece
quais áreas são de interesse do governo, que, junto com um
pacote de financiamento de R$ 3 bilhões do BNDES, permitem dinamizar
o setor. Isso sem falar nos R$ 500 milhões que estão sendo
investidos no desenvolvimento de tecnologia e pesquisa, como a de células-tronco.
Na relação entre União, estados e municípios,
o ministério, focado na otimização da gestão,
implementou em junho uma inovação na administração
de obras, reformas e ampliações de unidades de saúde,
transferindo para a Caixa Econômica Federal a responsabilidade pelas
construções e repasse de recursos. Uma solução
criativa para problemas que se arrastavam por anos. Estamos incentivando
também a entrada dos municípios para o chamado Pacto de Gestão.
Ao aderir, o município assume a plena gestão das ações
de saúde. Assim, serviços que estavam a cargo dos estados
migram para esses gestores, atendendo às demandas locais com mais
eficiência. No país, 2.571 municípios já aderiram
ao pacto.
Enquanto nos movimentamos, enfrentamos no Congresso o grande desafio
que é a aprovação do projeto das fundações
estatais, que oferece uma estrutura mais dinâmica para a gestão
de hospitais. Faz um ano que o governo federal encaminhou o texto.
Em junho, obtivemos a primeira vitória, com a aprovação
pela Comissão de Trabalho da Câmara. Mas ainda há um
longo caminho a percorrer.
O SUS completa 20 anos, tempo suficiente para que possamos analisar
os ganhos e desafios acumulados.
Pontos fortes para o enfrentamento dos problemas estão definitivamente
na agenda do Ministério da Saúde. (JOSÉ
GOMES TEMPORÃO - G1)
24.07 - Nova droga vence tumor agressivo na próstata
Cientistas britânicos afirmam ter testado com sucesso um novo
medicamento que traz esperança para pacientes com câncer de
próstata avançado. A droga, conhecida como Abiraterone, está
sendo considerada o maior avanço no tratamento da doença
nos últimos 70 anos.
Segundo a equipe do Instituto de Pesquisas do Câncer, em Londres,
até agora todos os tratamentos contra câncer de próstata
se concentravam no bloqueio da produção da testosterona,
hormônio sexual produzido nos testículos cuja ação
alimenta o crescimento do câncer.
No entanto, os cientistas descobriram que outros hormônios, inclusive
o produzido pelo próprio tumor, também contribuem para seu
crescimento e disseminação. O novo remédio age bloqueando
vários hormônios sexuais produzidos por diferentes partes
do corpo masculino.
O estudo, divulgado na publicação científica Journal
of Clinical Oncology, realizou experimentos com 21 pacientes de câncer
de próstata avançado. Dois anos e meio mais tarde, os especialistas
verificaram uma redução significativa do tumor e uma queda
nos níveis de uma proteína maléfica produzida pelo
câncer.
Muitos voluntários relataram uma melhora significativa na qualidade
de vida. Alguns deles puderam até suspender o consumo de morfina
para aliviar a dor provocada pela propagação do câncer
para os ossos.
Os especialistas acreditam que o novo tramento tem potencial de beneficiar
até 80% dos pacientes com uma forma agressiva da doença atualmente
resistente à quimioterapia. (G1)
23.07 - Cirurgia light de estômago: menos risco e bom resultado
Revolução na vida de pessoas com obesidade mórbida,
a cirurgia bariátrica, hoje, é um procedimento cirúrgico
menos invasivo e arriscado para o paciente. A redução do
estômago, técnica by pass, em que parte do órgão
é mutilado e descartado, deve se tornar em breve coisa do passado.
As cirurgias modernas não cortam o estômago, são feitas
por videolaparoscopia ou endoscopia e descartam internação
em UTI, além de serem reversíveis e ajustáveis durante
o tratamento. É o caso das técnicas de banda gástrica
ajustável e de implante de balão inflado no estômago.
A primeira consiste na instalação de um anel de silicone
na primeira porção do estômago, reduzindo a quantidade
de alimentos ingeridos pelo paciente. Ainda pouco divulgada, em comparação
com a by pass técnica mais utilizada pelos cirurgiões brasileiros
-, ela é a preferida dos especialistas europeus e australianos.
O risco da banda sair do lugar ou ser englobada pelo estômago é
de apenas 2%. Nesses casos, uma nova intervenção resolve
o problema. O balão inflado é uma peça de silicone
preenchida com soro fisiológico e anilina. Introduzida por endoscopia,
a bola ocupa até 50% do estômago, fazendo com que a sensação
de saciedade chegue antes que o paciente se empanturre de comida.O balão
é retirado após seis meses, período em que o paciente
se submete a uma reeducação alimentar para não voltar
a engordar, após a retirada do implante. Se o balão furar,
o que representa 2% dos casos, a anilina contida no invólucro alerta
o paciente, que é submetido a uma endoscopia. Como é de pouco
impacto sobre o organismo, pode ser adotado até por quem precisa
perder pouco peso, entre oito e 25 quilos. Mas é preciso arcar com
os custos, em torno de R$ 9 mil, não cobertos pelos convênios
por ser considerado tratamento estético.
Sobrecarga perigosa
As cirurgias bariátricas são in- dicadas para pacientes
que atingem o estágio em que a obesidade traz riscos à saúde,
como o desenvolvimento de diabetes, hipertensão arterial, gordura
no fígado e apnéia do sono, entre outros males. A obesidade
mórbida - quando o índice de massa corpórea (IMC)
ultrapassa 40 - pode levar à morte. Por isso, os planos de saúde
foram obrigados pela resolução nº 82 da Agência
Nacional de Saúde (ANS) a arcar com os custos da cirurgia, que pode
ser indicada pelos médicos para pessoas com IMC a partir de 35.
Essas cirurgias são classificadas em três tipos: restritivas
- restringem a quantidade de alimento que entra no estômago - como
a técnica que usa banda gástrica regulável; desabsortivas
- impedem a absorção de nutrientes como a técnica
by pass; e as mistas, que mesclam as duas técnicas. Com a evolução
nas técnicas, a redução do estômago hoje é
recomendada para pessoas muito obesas, que precisam perder muito peso,
como os pacientes acima de 160 kg, sobretudo mulheres, que perdem menos
peso com a banda gástrica, por causa do estilo de alimentação.
Segundo o cirurgião Walter Pires Júnior, especialista em
cirurgias pelo método de banda gástrica regulável,
o problema da redução é que, após alguns anos,
há uma tendência a ganhar peso, pois o pedaço de estômago
que restou tende a dilatar. Para ele, a reversibilidade é uma das
grandes vantagens da banda gástrica. E há ainda a possibilidade
de ajustes. Após colocada, a banda pode ser regulada por um dispositivo
implantado sob a pele do paciente, chamado portal de acesso.
Efeitos colaterais
Por essa peça, ligada a um duto que transporta soro fisiológico
para a banda, o médico pode inflar ou desinflar o dispositivo, permitindo
a passagem de maior ou menor quantidade de comida. Se a pessoa está
emagrecendo menos do que o desejado, pode-se injetar mais soro fisiológico,
inflando assim o anel de silicone e estreitando a passagem para alimentos.
O aspecto emocional de quem se submete à cirurgia merece cuidados.
Segundo o cirurgião, são comuns os casos de pacientes que
desenvolvem problemas psiquiátricos após uma cirurgia bariátrica.
Entre os mais comuns estão o alcoolismo, a depressão e distúrbios
alimentares.
Anorexia nervosa
Walter Pires Júnior cita o caso de uma paciente que desenvolveu
anorexia nervosa, emagrecendo excessivamente. Graças à possibilidade
de reversão propiciada pela banda, o problema foi solucionado apenas
com a remoção do dispositivo. - Era um caso psicológico.
Felizmente, foi resolvido apenas com a retirada da banda. Se fosse uma
cirurgia pelo método by pass, isso não seria possível
- compara o cirurgião. (Jornal do Brasil)
23.07 - Campanha contra osteoporose
A Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), que congrega
milhares de especialistas, e a Confederação das Entidades
Brasileiras de Osteoporose e Osteometabolismo aliaram-se ao Ministério
da Saúde para uma campanha de nacional de prevenção
à osteoporose. A doença afeta 10 milhões de brasileiros
e tende a crescer nos próximos anos à medida em que a expectativa
de vida do brasileiro aumenta.
O objetivo é incentivar a realização do exame
de densiometria óssea, disponível em todo o Brasil, mas pouco
procurado, e acabar com alguns mitos que cercam a doença. "Um dos
mitos é que o homem não tem osteoporose e outro é
que a mulher de raça negra não está sujeita ao problema",
conta o coordenador da campanha, Henrique Mota.
A campanha, que será desencadeada em rádios, TVs, anúncios
nos jornais e por meio de palestras educativas nos colégios e para
os médicos, vai enfatizar a prevenção. "Caminhadas
diárias, banho de sol no começo da manhã e no final
da tarde e exercícios na academia são uma forma de evitar
a doença", ensina Mota.
O médico conta que a osteoporose costuma aparecer mais cedo
na mulher por causa da menopausa, mas que, após completar 60 anos,
o homem também está sujeito à moléstia. "Nossa
preocupação com o homem é grande, porque como ele
acredita que é imune, não faz os exames. Os próprios
médicos por vezes não o pedem e a osteoporose só é
diagnosticada em estágio avançado", diz ele.
"A osteoporose é a perda da massa óssea além dos
níveis normais", explica o especialista da SBOT. Ele resume: "é
uma doença silenciosa, não provoca dor nem sintomas". Um
sinal é a redução da altura, que o leigo considera
normal numa pessoa idosa, mas que é resultado da doença,
assim como a curvatura das costas.
É preciso fazer o exame anualmente a partir dos 50 anos para
a mulher e dos 60 para o homem. "Se a densiometria mostrar alteração,
é fácil e barato controlar a doença", insiste Mota.
A recomendação é alimentar-se com mais cálcio
ou tomar comprimidos, dependendo do nível, que podem ser associados
com a vitamina D.
Para Henrique Mota, embora a campanha conjunta com o Ministério
da Saúde enfoque o tratamento da osteoporose, a grande preocupação
é a prevenção. "Se conseguirmos levar à população
a preocupação com a osteoporose e as medidas para que a doença
não se instale, certamente vamos evitar que no futuro milhões
de brasileiros sejam atingidos por uma doença tão fácil
de prevenir e tão custosa de curar". (CFM)
23.07 - Final de férias pode trazer dengue de volta
O fim das férias de julho costuma coincidir com o retorno da
temporada de dengue. As casas ficam vazias, os criadouros se proliferam
e, como o mosquito transmissor Aedes aegypti não descansa, a doença
pode fazer mais vítimas se as medidas preventivas não forem
adotadas. A capital paulista passou os últimos 33 dias sem nenhum
registro novo de infecção, mas os especialistas alertam que
a tendência pode ser revertida, caso os depósitos de água
parada não sejam eliminados das residências.
No total, 198 paulistanos adoeceram de dengue este ano - número
90% inferior às mais de 2 mil notificações confirmadas
no mesmo período do ano passado. O alerta da Prefeitura é
que os infectados de 2008 estão espalhados em 30 das 31 subprefeituras,
em bairros de diferentes classes sociais. Nos estudos epidemiológicos
feitos pela Coordenadoria Municipal de Dengue, a contaminação
"democrática" é justificada pelo fato de os criadouros do
inseto transmissor estarem concentrados nos vasos de planta, que merecem
toda atenção agora na volta das férias.
Assim, a partir de hoje, 4 milhões de paulistas serão
alertados por torpedos eletrônicos pelo celular, que dão dicas
para que os mosquito não volte "na bagagem". A estratégia
é para manter a queda de 92% na quantidade de casos no Estado de
São Paulo - são 6.700 atualmente contra quase 80 mil no ano
anterior. O Plano de Inverno contra a doença é resultado
da parceria da Secretaria Estadual da Saúde com a operadora Vivo.
Prioridade
Este ano, 55 cidades de São Paulo, incluindo capital, foram
escolhidas como prioritárias para receberem as ações
sanitárias contra a dengue, que contemplam contratação
de 1,1 mil agentes para in loco eliminarem as larvas do Aedes, além
de padronização de atendimento das prováveis vítimas,
o que agiliza o diagnóstico e o controle preventivo. O critério
de seleção, explica a secretaria, foram os municípios
com população maior de 50 mil pessoas e acúmulo de
registros de dengue entre os anos 2000 e 2007, que resulta em coeficiente
de 300 casos por 1.000 habitantes, índice já de epidemia.
O custo do Plano de inverno é estimado em R$ 20 milhões.
Apesar de a dengue ser de contágio mais fácil no verão
- já que o período para o ovo virar mosquito cai de 15 para
7 dias quando a temperatura ambiente está na casa dos 30 graus -,
são as posturas adotadas em tempos mais frios que evitam a proliferação
da doença. A Sociedade Brasileira de Infectologia reforça
que o comportamento preventivo durante todo ano é a única
forma de evitar que o cenário do ano passado se repita. Em 2007,
a explosão de dengue rendeu a São Paulo o título de
recordista histórico de casos. (Agência Estado)
23.07 - Dasa estrutura maior Call Center próprio do Brasil
Certificada pela NR17, a nova central opera com mais de 800 colaboradores
e tem capacidade para atender 100 mil ligações/ dia, o que
representa cerca de 140 ligações a cada minuto
Com o objetivo de centralizar o atendimento das marcas e oferecer cada
vez mais qualidade ao atendimento dos clientes, aumentando a capacidade
de recebimento de ligações, a Diagnósticos da América/
DASA está investindo pesado na ampliação de sua central
de relacionamento, com mais de um milhão de reais investido somente
para a aquisição de equipamentos de alta tecnologia. O resultado
foi a construção do maior call center próprio do Brasil,
ampliando o número de atendimentos de 22 mil ligações/
dia, com 500 operadores em 2007, para 36 mil ligações diárias
e mais de 800 colaboradores nos primeiros meses deste ano.
A gestora de negócios de Atendimento a Médicos, Pacientes
e Clientes, Cristina Kuwahara Bocatios, explica que os novos recursos oferecidos
na nova Central de Relacionamento contribuem para o aumento da satisfação
dos clientes. "Todas as ligações são gravadas e temos
uma área exclusiva de qualidade, que avalia a eficiência e
o grau de satisfação dos clientes com o atendimento recebido",
afirma. Além de ganhos efetivos em sinergia, produtividade e qualidade,
a empresa tem o contato direto com o cliente, sem que haja um interlocutor.
"Dessa forma, somos diretamente responsáveis pela satisfação
no contato telefônico de nossos clientes", completa Cristina.
A nova central de relacionamento tem capital intelectual 100% DASA
e é certificada pela NR17, norma do Ministério do Trabalho
que assegura todos os direitos aos atendentes. Por conta de fatores como
a diversidade cultural em expressões e termos técnicos, até
mesmo na solicitação de exames, os atendentes passam por
intensivos treinamentos que têm o objetivo de entender e preservar
as características regionais. Também há o cuidado
em se manter o relacionamento médico com as regionais. Toda ligação
que requer uma discussão clínica é retransmitida para
o estado de origem da marca e o médico é atendido por um
colega de sua cidade. Hoje são atendidos cinco estados e nove marcas
da DASA, que opera, no todo, com dezessete marcas, em dez estados do País.
A expectativa da DASA é centralizar o maior número de
marcas na nova central de relacionamento. "Até julho, o atendimento
de mais duas marcas devem ser integrados, o que representa um acréscimo
de, aproximadamente, quatro mil ligações/ dia", diz a gestora.
Já foram centralizadas as ligações da Bahia (Image
Memorial), Brasília (MedLabor e Pasteur), Paraná (Frischmann
Aisengart e Curitiba Santa Casa), Santa Catarina (Vita Lâmina) e
São Paulo (Delboni Auriemo, Lavoisier e Club DA). A perspectiva
é trazer brevemente os contatos de clientes e médicos de
Brasília (Exame) e Goiás (Atalaia). (Maxpress)
22.07 - Investir em saúde é investir na vida
São tantos os problemas hoje vividos no Brasil, como o caso
da corrupção que se investiga em diversos órgãos
públicos federais, estaduais e municipais no País afora,
os problemas de violência, de desemprego, de falta de moradia, enfim,
problemas que deixam a sociedade brasileira preocupada e exige das autoridades
medidas urgentes e eficazes.
A crise de atendimento nos hospitais públicos traz à
tona um dos principais problemas deste País, que é o atendimento.
Um passeio pelo Brasil mostra-nos que em menor ou maior grau este é
um problema endêmico. Fala-se muito em combater o desemprego e a
violência, e isto é certo, porque são cânceres
que maltratam a vida dos brasileiros, mas é preciso transformar
esse dueto em um trio de prioridades, incluindo a saúde.
Priorizar a saúde, investir na melhoria do atendimento é
investir na vida quando ela está mais fragilizada. No momento da
emergência, a diferença entre morrer ou continuar vivo está
no fato de o médico estar ou não presente na unidade de atendimento
no momento exato e no detalhe de um aparelho funcionar ou não. Essa
é uma questão cujas soluções não podem
ser mais adiadas.
A responsabilidade pelo setor da saúde é dividida entre
as três esferas de Poder. É fundamental, portanto, que todos
façam sua parte, prefeituras, governos estaduais e governo federal.
A saúde é também um dos poucos setores que têm
verbas carimbadas. Ou seja, constitucionalmente, é obrigatório
investir parte dos recursos arrecadados nesse setor. Mesmo assim, em qualquer
pesquisa sobre demandas sociais, a saúde aparece como uma das reivindicações
mais urgentes. E por que isso acontece? Porque, muitas vezes, mesmo com
a existência de recursos, não se prioriza as ações
corretamente.
A cada dia ficam mais escassos os recursos em investimentos, mesmo
para áreas prioritárias. É essencial sermos racionais
e investir na qualidade e não na quantidade, a não ser que
isso seja absolutamente fundamental.
É preciso melhorar a qualidade do atendimento. Quando um cidadão
com problema de saúde necessitar de um médico, ele precisa
ter esse médico ao seu alcance.
Outro ponto é investir na prevenção. Os programas
de agentes da família, em que os profissionais vão até
as casas das pessoas, precisam ser ampliados. Está provado que essa
é uma iniciativa inteligente e eficiente. Além de resolver
os problemas menos graves, desafoga os hospitais, deixando-os mais livres
para os casos de emergência.
Outra iniciativa é direcionar investimentos para obras de saneamento
básico. A cada cinco anos, aproximadamente 300 mil crianças
morrem no Brasil em função de doenças adquiridas pela
ausência de saneamento básico. Os programas sociais que dão
condições de melhorar a alimentação de famílias
carentes também são investimentos importantes em saúde.
Para mudar a realidade do caos é preciso que os governantes
firmem um compromisso prioritário com a saúde neste País.
Investir em saúde é investir na vida. Mais do que isso: é
melhorar a qualidade de vida das pessoas. E isso é primordial para
que o cidadão tenha uma vida digna.
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, encomendada pelo
Ministério da Saúde, mostra que, apesar da melhora nos serviços
de saúde no país nos últimos anos, o sistema é
menos acessível para os que mais precisam dele.
As desigualdades verificadas em recortes de escolaridade ou de renda
são visíveis em praticamente todos os aspectos da pesquisa,
como auto-avaliação, realização de exames,
consultas médicas, odontológicas e adesão a planos
de saúde.
Entre os brasileiros mais pobres,com renda de até um salário
mínimo, 5,3% avaliaram que tinham saúde "ruim" ou "muito
ruim". O percentual entre os brasileiros com renda igual ou superior a
20 salários mínimos cai para 0,8%.
No conjunto da população, 78,6% dos 176 milhões
de habitantes do país afirmaram que seu estado de saúde era
"bom" ou "muito bom".
As mulheres mostram maior preocupação com seu estado
de saúde do que os homens. A partir dos 14 anos, elas passam a reportar
mais problemas. Travassos destaca que a mudança ocorre a partir
da idade reprodutiva.
A Pnad Saúde mostra que o número de pessoas internadas
têm relação inversa ao rendimento familiar. O coeficiente
de internação hospitalar no país é de 7 a cada
100 habitantes. Entre os mais pobres, com renda de até um salário
mínimo, o coeficiente sobe para 8,4 a cada 100 pessoas.
As pessoas sem rendimento foram as que apresentaram maior coeficiente:
10,6 por 100 pessoas o grupo. De acordo com os dados da pesquisa, cerca
de 12,3 milhões de pessoas tiveram uma ou mais internações
hospitalares no ano que antecedeu a entrevista.
O SUS foi responsável por 67,6% das internações,
o que representa um leve aumento em relação à última
edição da pesquisa, em 1998, quando a participação
foi de 63,1%.
A redução no número de pessoas que nunca haviam
ido ao dentista foi maior entre os residentes de áreas rurais, cujo
percentual passou de 32% para 28%, e na classe de rendimento mensal familiar
até um salário mínimo, que passou de 36% para 31%.
O Brasil precisa melhorar, aprimorar e investir mais nas políticas
de saúde, para que possamos acabar com as epidemias, controlar as
doenças crônicas e permitir saúde de qualidade à
população. (Pedro Chaves - Diário da Manhã)
22.07 - Campanha vacinou 11 mi contra pólio
O balanço parcial do Ministério da Saúde divulgado
ontem indica que 11,2 milhões (70,92%) de crianças brasileiras
com até cinco anos foram vacinadas contra a paralisia infantil durante
a Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite, que
aconteceu no último sábado. A meta do Ministério era
imunizar 15 milhões (95%) de menores de cinco anos. A vacina ainda
está disponível nos postos de saúde. O balanço
final da campanha será divulgado no dia 31 de julho.
Segundo o Ministério, todas as regiões do País
tiveram um bom desempenho. O melhor resultado foi registrado na Região
Sul, que já imunizou 84,14% (1.716.297) dos menores de cinco anos.
O segundo melhor desempenho ficou com o Sudeste, 72,18% (4 425.676) de
cobertura, seguido pelo Centro-Oeste, com 71,04% (832.875). Nordeste e
Norte divulgaram coberturas de 67,05% (3 262.158) e 61,27% (1.019.764),
respectivamente.
O Estado que apresentou a cobertura mais elevada foi o Distrito Federal
(88,46%), seguido de Rio Grande do Sul (85,35%), de Santa Catarina (83,93%),
do Paraná (83,11%), de São Paulo (85%) e de Pernambuco (82,7%).
Os piores resultados foram registrados no Acre, no Pará, em
Ron-dônia, na Bahia, no Maranhão, em Minas Gerais, no Rio
de Janeiro e em Mato Grosso, os quais, até o momento, informam percentuais
próximos a 50%.
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde
(OMS), em 2007, foi registrado um total de 1.313 casos da doença
em 13 países. Os considerados endêmicos são Afeganistão,
Índia, Nigéria e Paquistão. Este ano, já foram
confirmados 522 casos de poliomielite no mundo, 332 a mais do que no mesmo
período do ano passado, que era de 190 casos.
O último registro de paralisia no Brasil foi em 1989. O País
possui certificado de erradicação da doença, concedido
pela Organização Mundial da Saúde (OMS), desde 1994.
(Jornal de Brasília)
22.06 - Hemofílicos vivem drama da falta de medicamento
Um produto essencial para a qualidade de vida e segurança dos
hemofílicos está em falta no Brasil. O fator de coagulação
8, que é importado e distribuído aos bancos de sangue pelo
Ministério da Saúde, está sendo racionado no Hemorio
para atender apenas os casos de emergência.
O problema obrigou o instituto a suspender, temporariamente, o fornecimento
domiciliar do medicamento, assim como as cirurgias que não forem
de urgência.
— Sem dúvida, estamos otimizando (a distribuição
do produto), para que nenhum hemofílico sofra com isso e todos possam
ter o tratamento adequado enquanto houver problema na importação
— afirmou a diretora do Hemorio Vera Marra.
Risco iminente
O fator 8 é uma proteína produzida a partir do plasma.
Para os hemofílicos, o medicamento é essencial para coagulação
sanguínea. Sem ele, esses pacientes podem, ao se ferir, ter conseqüências
graves e até morrer de hemorragia. O problema pode se tomar fatal
mesmo em caso de pequenos cortes ou arranhões.
Em todo o estado, cerca de 900 pessoas estão sofrendo com a
falta do fator 8. O medicamento, que é usado preventivamente, tem
o custo alto: se precisasse pagar por ele, o hemofílico teria que
desembolsar R$ 33 mil por uma quantidade suficiente para apenas três
dias.
No estoque do Hemorio, a quantidade de medicamento armazenada é
suficiente para mais dez dias. Segundo o Ministério da Saúde,
porém, o fornecimento do fator 8 só deverá ser normalizado
a partir da primeira quinzena de julho.
Crise em 2004
Não é a primeira vez que os hemofílicos enfrentam
o drama da falta do medicamento. Em 2004, o estoque do Hemorio chegou a
ter 36 frascos de 250 mililitros do fator coagulante para atender as emergências.
A situação permaneceu crítica por mais de um ano.
Na época, chegou a ser distribuído, como alternativa, o fator
8-Y, que tem ação coagulante mas pode causar reação
alérgica nos hemofílicos. (Extra)
22.06 - Laboratório indiano fecha acordo com Pfizer sobre remédio
contra colesterol
O principal laboratório farmacêutico de medicamentos genéricos
da Índia, o Ranbaxy, anunciou nesta quarta-feira ter chegado a um
acordo legal com a Pfizer que prolongará a proteção
da patente de um medicamento contra o colesterol produzido pela gigante
americana.
A patente do Lipitor, que é um dos medicamentos mais importantes
da Pfizer nessa área, expirava em março de 2010. Porém,
a Ranbaxy concordou em vender sua versão genérica nos Estados
Unidos somente a partir de 30 de novembro de 2011, segundo uma nota do
laboratório hindu.
"O Ranbaxy chegou a um acordo com a Pfizer para resolver o inquérito
pela patente a nível mundial do Lipitor", acrescenta o comunicado
da empresa, que tem sede em Nova Délhi.
O anúncio ocorre menos de uma semana após os laboratórios
japoneses Daiichi Sankyo anunciarem a assinatura de um acordo para comprar
35% da participação da família Singh no Ranbaxy, com
a possibilidade de uma oferta de compra para ampliar a participação
em até 51,1%, em uma operação avaliada em 4,6 bilhões
de dólares. (AFP /Diário do Grande ABC)
22.06 - Prevenção de trombose é falha, diz estudo
A maioria dos pacientes internados em hospitais brasileiros tem risco
de desenvolver coágulos sangüíneos que bloqueiam veias
-tromboembolismo venoso (TEV)-, mas só parte deles tem orientação
e tratamento adequados que podem prevenir o problema.
A revelação é de um estudo mundial (Endorse) com
60 mil pessoas de 32 países, coordenado pela Universidade de Massachusetts
(EUA) e recém-publicado na revista "The Lancet". No Brasil, foram
avaliados 1.295 pacientes em 12 hospitais -públicos e privados.
A pesquisa foi financiada pelo laboratório francês Sanofi-Aventis,
que produz anticoagulantes.
O tromboembolismo é comum entre pacientes hospitalizados, sobretudo
entre os que precisam ficar imobilizados na cama por algum tempo. Pode
ocorrer em qualquer parte do sistema venoso. Os mais comuns, porém,
são coágulos em veias profundas -em geral, na perna- e embolia
pulmonar, a causa mais comum de morte hospitalar evitável.
O trabalho mostrou que 56% dos pacientes clínicos e cirúrgicos
hospitalizados no país têm chances de desenvolver o tromboembolismo
- no mundo, a taxa ficou em 52%.
A prevenção recomendada -se movimentar e usar medicamentos-
é prescrita só para 51% desses pacientes, índice próximo
ao encontrado na média mundial (50%). Mas, na Alemanha, por exemplo,
a taxa de prevenção ficou em 86%.
No Brasil, o pior desempenho em profilaxia foi entre pacientes clínicos
e cirúrgicos com riscos associados: apenas 27% e 30%, respectivamente,
recebem medidas preventivas.
Segundo a médica Ana Thereza Rocha, coordenadora nacional do
estudo, o índice de mortes por tromboembolismo pode chegar a 10%.
"É uma situação séria, mas os médicos
ainda não colocam a prevenção na rotina. O foco fica
apenas na doença que levou o paciente à internação",
diz ela, que também é professora na Universidade Federal
da Bahia.
Para Fred Anderson, diretor do