29.05 - Idosos estão
sob risco da hepatite C
A hepatite C será um problema de saúde cada vez mais
presentes entre idosos, o que demanda uma preparação dos
serviços de saúde, alertaram especialistas reunidos ontem
em São Paulo para evento científico que marca os 20 anos
da descoberta do vírus C da doença.
A hepatite é uma doença infecciosa que pode gerar danos
ao fígado a longo prazo e é transmitida principalmente por
via sexual e instrumentos infectados com sangue contaminado, como alicates
de manicures. Gera 16,5 mil casos anuais no País. Estudos feitos
na capital paulista entre 2002 e 2003 apontam, no entanto, que, entre 50
e os 59 anos, o porcentual dos que têm anticorpos contra o o vírus
da doença (o que denota infecção no passado) é
de 3,8%, contra 1,4% na população geral.
A presença dos anticorpos, no entanto, não significa
que todas as pessoas necessitarão de tratamento. Mas , como o desenvolvimento
da hepatite C é de longo prazo e a população está
vivendo cada vez mais, os problemas causados pela infecção,
como cirrose, varizes de esôfago, alterações hematológicas
e câncer de fígado, poderão se manifestar na idade
avançada.
O cientista americano Harvey Alter, responsável pelo sequenciamento
proteico do vírus HCV há 20 anos, destacou ontem a que os
mais velhos foram os mais expostos aos principais meios de transmissão
do vírus no passado, como a transfusão de sangue contaminado."O
vírus não é novo, ele está aqui há muito
tempo, mas no passado não éramos preocupados com esterilização,
a transfusão de sangue não era segura. As pessoas infectadas
ficam mais velhas e há maior risco de a doença se manifestar,
pois elas desenvolvem deficiências imunológicas. A presença
do vírus por 40 ou 50 anos começa a trazer problemas."
Segundo enfatizou o especialista, também no Japão e nos
Estados Unidos a curva por faixa etária mostra que a presença
de anticorpos contra o HCV entre os mais jovens é insignificante,
mas começa a subir a partir dos 50 anos e continua até os
80, idade em que muitos pacientes descobrem ter câncer. "Hoje, muitas
vezes o idoso só descobre que tem o vírus depois de dar entrada
com hemorragia gastrointestinal no pronto-socorro", complementa Evaldo
Araújo, responsável pelo comitê de hepatites virais
da Sociedade Brasileira de Infectologia, organizadora do evento, patrocinado
por dois dos principais fabricantes de drogas contra a doença. "A
mensagem principal é a de que as pessoas mais velhas pensam que
não estão sob o risco da hepatite C. E nós devemos
dizer
a elas que estão, a prevalência de anticorpos é maior
nessa faixa etária. Essas pessoas foram mais expostas ao vírus",
continuou Araújo. "Não queremos gerar pânico, mas alertar
", concluiu Alter.
Araújo enfatizou ainda que nem todos os pacientes que se descobrirem
portadores do vírus necessitarão ser tratados. O médico
brasileiro defendeu, porém, que todos os idosos que puderem sejam
testados para a doença em seus check-ups. Ele enfatiza, no entanto,
que ainda não há consenso para a testagem geral da população,
pois os exames não adiantariam sem uma adequada estrutura para tratamento.
Durante o evento, Qui-lim Choo, cientista americano que participou
da descoberta do vírus da hepatite C, enfatizou que o desenvolvimento
de uma vacina contra a doença ainda está distante. "Mas as
vacinas poderão ser usadas como tratamentos junto com as medicações
existentes", afirmou.
DADOS SOBRE A DOENÇA
16,5 mil casos de hepatite C ocorrem no País, por ano 3,8% é
o índice de pessoas entre 50 e 59 anos que têm anticorpos
contra a doença - ou seja, já foram infectadas pelo vírus
- na capital 1,4% é o índice na capital
de infectados na população geral. (Agência Estado)
29.05 - OMS: Pode faltar verba contra febre
amarela
A crise econômica mundial e os surtos no Brasil colocam em risco
programas internacionais de combate à febre amarela. A Organização
Mundial da Saúde (OMS) fez terça-feira um alerta inédito:
o programa internacional contra a doença pode simplesmente acabar
em 2010 diante da falta de recursos, deixando milhões de pessoas
desprotegidas, principalmente na África.
Entenda a doença, seus sintomas e veja a situação
no Brasil
O estoque emergencial de vacinas deve terminar no ano que vem e, por
enquanto, a OMS não tem dinheiro para comprar mais nem para saldar
uma dívida milionária. Há um mês, o Fundo Global
contra Aids, Tuberculose e Malária anunciou que estava reduzindo
em 10% todo o orçamento de novos projetos. Ontem, a OMS concluiu
dois dias de reunião sobre a situação da febre amarela.
Entre os participantes estavam representantes da Fiocruz, que é
um dos três maiores fornecedores de vacina contra a doença.
Sem dinheiro da OMS para comprar as vacinas, esses laboratórios
não têm como investir em uma ampliação da produção.
"Sabemos que, se chegássemos com ordens de médio prazo e
em volumes grandes para as empresas, esses laboratórios estariam
mais do que dispostos a ampliar sua produção", diz Rosamund
Lewis, líder da Iniciativa contra a Febre Amarela da OMS.
Se parte da solução está no Brasil, parte do problema
se deve à volta de surtos da febre amarela no País. Com o
aumento no número de casos no Brasil e na África, a OMS ficou
sem parte de seu estoque de 6 milhões de doses da vacina. O Ministério
da Saúde brasileiro compra estoques da vacina e não há
risco de falta no País. Para 2009, foram adquiridos 28,5 milhões
de doses.
Recursos
A constatação da OMS é de que os doadores abandonaram
os programas nos últimos meses por causa da crise e, hoje, a entidade
tem um rombo de US$ 186 milhões. Sem dinheiro e com dívidas,
a OMS não tem como avançar seus projetos de imunização
de populações na Nigéria e em Gana.
Para a OMS, a crise financeira terá impacto direto sobre o combate
contra o vírus da febre amarela. "Se olharmos para além de
2009, já vemos restrições sérias de financiamento",
disse William Perea, coordenador de intervenção e prontidão
epidêmica da entidade. Para ele, não há dúvidas
de que, com a crise, governos que costumavam fazer doações
suspenderam os pagamentos. "Apesar de a produção da vacina
ter triplicado desde 2001, a manutenção do programa agora
está limitada por falta de recursos para comprar esses produtos
e distribuí-los já em 2009", disse.
Na avaliação de Fenella Avokey, representante do escritório
regional da OMS na África, sem os recursos, milhões de crianças
ficarão expostas à doença. Há ainda o risco
de que o aquecimento global espalhe o vírus ainda mais. Por ano,
52 mil pessoas morrem de febre amarela no planeta. A doença, transmitida
por mosquitos, infecta 206 mil por ano.
"Para 2011, o Programa da OMS contra a Febre Amarela não tem
recursos nem para os estoques emergenciais nem para as campanhas contínuas
de prevenção", afirmou Rosamund Lewis. Segundo ela, os programas
de vacinação, prevenção e resposta a surtos
terão de ser interrompidos. Isso só mudaria se a OMS recebesse
novos recursos. O que mais preocupa é que a população
mais vulnerável está nos países mais pobres. Na África,
508 milhões de pessoas vivem em zonas de risco. Na América
do Sul, nove países têm a doença como endêmica,
entre eles o Brasil.
Números
43 casos de febre amarela foram registrados no Rio Grande do Sul e
em São Paulo entre novembro de 2008 e abril deste ano, segundo dados
do Ministério da Saúde 16 mortes foram confirmadas no mesmo
período por causa da doença 2,2 milhões de doses da
vacina contra a febre amarela foram aplicadas no Rio Grande do Sul. Em
São Paulo, 1,5 milhão de pessoas foram imunizadas 28,5 milhões
de doses de vacina foram adquiridas pelo País para este ano. A previsão
para 2010 é de que haja um aumento na compra (Agência Estado)
29.05 - Conselhos de Saúde em Defesa
do SUS
O Conselho Nacional de Saúde (CNS) e a Coordenação
Nacional de Plenárias de Conselhos de Saúde organizam movimento
nacional em defesa do SUS. A atividade acontecerá em Brasília,
no dia 03 de junho de 2009, na Esplanada dos Ministérios, em frente
ao Congresso Nacional.
Estarão no evento representantes de Conselhos de Saúde,
movimentos sociais e profissionais de saúde em defesa do SUS. A
Plenária terá início às 9 horas com grande
concentração para abertura dos trabalhos com a participação
de parlamentares e representações de governo convidadas para
a atividade.
A mobilização terá uma concentração
inicial em uma tenda montada para o evento e depois os participantes do
encontro realizarão mobilização no Congresso Nacional
em favor da Regulamentação da Emenda Constitucional nº
29 e também a fim de conseguir apoio para que não sejam aprovadas
as matérias referentes ao Projeto de Lei Complementar 92-A/2007
– que trata da criação das Fundações Públicas
de Direito Privado – e ao Projeto de Emenda Constitucional 233/08 (PEC
223/08) – que propõe a Reforma Tributária.
É importante uma grande participação popular para
que os parlamentares entendam que os movimentos sociais são contra
os projetos de lei em trâmite no Congresso e a favor da Emenda 29,
que destinará recursos para a área da saúde. (CNS)
28.05 - Expectativa de vida do brasileiro aumentou
em 3 anos
Um levantamento do IBGE, Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística, aponta que a expectativa de vida do
brasileiro aumentou, em média, três anos. E as mulheres vivem
mais do que os homens.
A aposentada Rosa Maria Barbosa confirma a estatística.
A tataravó completa 107 anos na próxima quinta-feira. As
mãos não escondem a firmeza de Rosa. As linhas de barbante
são a companhia perfeita da aposentada, que não larga o crochê.
O documento de identidade prova, são 106
anos e uma memória de dar inveja. O nascimento dela ainda está
fresquinho, foi em um cafezal.
Quem nasce em 1997 viveria em média 73
anos. Para as que nasceram em 2007 a expectativa é de 76 anos e
cinco meses. Rosa já ultrapassou esses números, ela é
uma das mulheres mais velhas de Sorocaba. Um exemplo para a filha Lucia,
de 83 anos. (Tem Mais)
28.05 - OMS: Mais dados antes de decidir vacina
E por ora, a agência diz que mantém
o alerta da doença em fase 5, o que indica pandemia 'iminente'
A Organização Mundial da Saúde
quer continuar a monitorar a disseminação do vírus
H1N1, antes de emitir uma orientação para a produção
de vacinas de gripe pandêmica, disse um alto representante
da Organização Mundial da Saúde (OMS).
"Estamos no processo do desenvolvimento mais
básico da vacina", disse o diretor-geral assistente da organização,
Keiji Fukuda.
O trabalho em andamento no estudo do vírus
continuará até o fim de junho ou julho, depois do quê
as empresas farmacêuticas podem começar a desenvolver vacinas,
disse Fukuda.
A OMS espera fazer recomendações
sobre o melhor equilíbrio entre uma vacina específica para
a gripe H1N1 e outra para a gripe comum "em algum momento durante o verão"
(do hemisfério norte), disse ele.
"Não queremos fazer a recomendação
muito cedo porque estamos monitorando, diariamente, como a situação
evolui".
Na semana passada, a OMS havia decidido reformular
sua escala de seis etapas para alerta de pandemia, a fim de refletir melhor
a severidade do vírus circulante, e não apenas sua disseminação.
Fukuda disse que a agência planeja reunir
cientistas e especialistas em saúde pública nas próximas
semanas, para recolher sugestões de como ajustar as definições
de pandemia.
Por ora, a OMS diz que mantém o alerta
em fase 5, o que significa que uma pandemia é "iminente", e busca
sinais de que outras regiões do mundo estejam sofrendo uma disseminação
ampla do vírus, como a vista na América do Norte.
"Isso, em si, poderia ser o suficiente para nos
levar á fase 6 de pandemia", disse ele.
O Reino Unido e outros países atingidos
pela gripe pressionaram a assembleia anual da OMS, realizada na semana
passada, para uma reelaboração da escala de alerta.
Fukuda disse que altas autoridades da OMS concordaram
que há riscos em chegar rápido demais ao nível máximo
da escala. (Reuters/Agência Estado)
28.05 - Mercado de genéricos deve dobrar
até 2011
No acumulado dos últimos 12 meses até
março, o setor movimentou US$ 2 bilhões em vendas
A participação dos genéricos
no mercado brasileiro de medicamentos deverá dobrar até 2011,
estima o presidente da Associação Brasileira das Indústrias
de Medicamentos Genéricos (Pró Genéricos), Odnir Finotti.
Hoje, a categoria responde por 18% do mercado farmacêutico. No acumulado
dos últimos 12 meses até março, o setor movimentou
US$ 2 bilhões em vendas.
"O segmento se converteu no motor do crescimento
da indústria farmacêutica", disse Finotti, destacando que
as vendas dos genéricos crescem em patamares superiores aos da indústria
de medicamentos. De acordo com Finotti, este salto na participação
dos genéricos no mercado, até 2011, acontecerá mediante
a finalização do período de patente de medicamentos
de largo consumo como o Liptor, para controle de colesterol.
(Carina Urbanin -InvestNews/Saúde Business Web)
27.05 - Suspeitas de gripe alavancam custo de
operadoras
Para cada 1% da população brasileira
que apresentar suspeitas da gripe suína, o custo para operadoras
de planos de saúde chega a R$ 200 milhões.
Os cálculos são da Marsh Saúde
e Benefícios, de um estudo realizado entre abril e maio, baseado
nos custos referentes apenas ao atendimento inicial aos pacientes com suspeita
de infecção. Ainda que o resultado do exame seja negativo,
só de procurar o atendimento, o paciente já gera um custo,
que envolve os exames de urina, raio-X, medicamentos e outros procedimentos.
O custo médio desse atendimento, padronizado
em protocolos do Ministério da Saúde, fica em cerca de R$
488, segundo Sheila Clezar, diretora-executiva da Marsh Saúde e
Benefícios, responsável pelo estudo. "Considerando que a
população que tem hoje plano privado no Brasil é de
cerca de 40 milhões, se 1% dessa população, que são
413 mil pessoas, passar pelo atendimento, chegaremos aos R$ 200 milhões",
diz.
"Não esperamos chegar a esse nível,
mas é preciso atentar para o efeito que uma pandemia como essa pode
provocar nas operadoras de saúde, pois os custos do atendimento
dos suspeitos feitos em instituições públicas, mesmo
de quem possui plano de saúde, são repassados para as operadoras."
(Guilherme Barros - Folha de S.Paulo)
27.05 - ANS: Fiscalização tem o
apoio de 17 de instituições
A Agência Nacional de Saúde (ANS)
conta com o apoio de 17 Procons estaduais e municipais, com o objetivo
de promover um intercâmbio entre as instituições para
a troca de informações, materiais institucionais e experiências
em relação ao setor de saúde suplementar. A iniciativa
faz parte da política de aproximação com os órgãos
de defesa do consumidor em todo o país para diminuir cada vez mais
ó número de processos contra abusos de operadoras de planos
de saúde.
A agência já tem parceria de cooperação
com os Procons do Ceará, Piauí, Amapá, Rio Grande
do Sul, Belo Horizonte, São Paulo, Pernambuco, Santa Catarina, Salvador,
Pará, Fortaleza, Bahia, Espírito Santo, Sergipe, Minas Gerais,
Ribeirão Preto e Distrito Federal.
Atualmente, são cerca de 50 milhões
de beneficiários da saúde suplementar no país, sendo
40,1 milhões de planos de assistência médica e 10,4
milhões de assistência exclusivamente odontológica.
Associados atentos
Para o presidente do Procon-DF, Sávio
Cavallari, a parceria é muito importante para o consumidor.
– Reflete grande avanço e maturidade por
parte dos órgãos de defesa do consumidor e permite o aprimoramento
da troca de informação de caráter preventivo – ressalta.
O diretor de Fiscalização da ANS,
Eduardo Sales, lembra que é preciso haver mudança de cultura
e despertar a consciência dos cidadãos que possuem plano de
saúde.
– É preciso educá-los para o consumo
e mostrar a importância da leitura atenta do contrato – disse.
Um mês de portabilidade
A portabilidade da carência dos planos
de saúde está em prática há um pouco mais de
um mês. Mas a resolução normativa da ANS estabelece
limites para a troca de plano e não alcança todas as modalidades
de contrato, segundo os serviços de defesa do consumidor.
A portabilidade de carência – prazo estipulado
pelas operadoras que restringem atendimentos ambulatoriais, consultas,
exames e internações – só é possível
para os planos particulares, com contratos de mais de dois anos (ou três
para usuários com doenças ou lesões preexistentes).
Só podem trocar de plano usuários que estejam com as mensalidades
em dia. A regra não vale para associados que tenham contratos firmados
antes de 1999 e sejam beneficiários de planos coletivos (empresariais).
De acordo com o Instituto Brasileiro de Defesa
do Consumidor (Idec), só 13% dos contratos dos planos de saúde
poderão ser beneficiados pela nova regra da agência reguladora.
(JB Online)
27.05 - Quanto custa o câncer?
Uma pessoa acometida pelo câncer por mais
estrutura que tenha poderá sofrer transtornos físicos, emocionais
e financeiros. São, muitas vezes, tratamentos agressivos, mutilações
em alguns casos, medicamentos de alto custo, efeitos de tratamentos quimioterápicos
e radioterápicos, entre outros, além do diagnóstico
forte e impactante do câncer.
O tratamento oncológico não é
um tratamento barato nem tampouco simples e rápido. Exames, cirurgias,
tratamentos e medicamentos na maioria das vezes são de custos elevados.
Neste momento há um fator desgastante e oneroso que é a questão
financeira.
Além de o paciente ter um abalo em sua
forma física e psicológica tem a questão dos gastos
e despesas com tratamento que podem, muitas vezes, dilapidar patrimônios
constituídos.
É neste momento que a informação
a respeito dos direitos dos pacientes com câncer é imprescindível.
Infelizmente muitas pessoas desconhecem os seus
direitos no tocante ao tratamento do câncer.
Diante deste quadro novo e assustador os direitos
da pessoa acometida pelo câncer trabalham no sentindo de minimizar
os sofrimentos causados pela situação adversa.
Dentre os direitos, é importante salientar
que o mais respeitável consiste em que todo o tratamento de saúde
deve ser coberto pelos Municípios, Estados, União bem como
pelos Planos e Seguros de Saúde.
A nossa Constituição Federal nos
assegura que "A saúde é um direito de todos e dever do Estado"
através de políticas sociais e econômicas que visem
à redução do risco de doença e ao acesso universal
e igualitário às ações e serviços para
sua promoção, proteção e recuperação.
Os entes públicos criam programas de dispensação
dos medicamentos oncológicos, entretanto aqueles que não
estão na rede do SUS - Sistema Único de Saúde devem
ser requeridos através do Poder Judiciário pela Defensoria
Pública, Ministério Público, Associações
e ONGS ou por advogado especializado na área da saúde.
No tocante aos Planos e Seguros de Saúde
se faz necessário analisar o tipo de contrato, a época da
contratação, a cobertura assistencial, os pagamentos realizados,
vigência do contrato e verificando se há cobertura para o
tratamento do câncer ou não.
Porém, é importante mencionar que
mesmo que não esteja previsto na cláusula do contrato a dispensação
do medicamento oncológico, muitas vezes, os Planos e Seguros de
Saúde têm a obrigação de fornecer todo e qualquer
tratamento àquele segurado que está enfrentando uma situação
difícil e atípica. Assim devemos acionar o Poder Judiciário
para valer nossos direitos!
Muitas pessoas passam anos e anos pagando um
Plano ou Seguro de Saúde e quando mais precisam não estão
com o serviço disponível.
Diferentemente do que as pessoas imaginam, as
ações judiciais no âmbito da saúde têm
o rito mais rápido. O paciente recebe o medicamento de forma rápida,
segura e eficaz, de maneira mensal e ininterrupta. Caso haja descumprimento
da determinação judicial que deferiu a entrega do medicamento
poderá haver penas de multa e até prisão dependendo
do caso.
É importante salientar que, para entrar
com um procedimento judicial não se faz necessário requerer
o pedido administrativo anteriormente. Muitas vezes, o pedido judicial
é mais rápido que o pedido administrativo, por questões
burocráticas que ocorrem internamente dentro das Secretarias ou
mesmos dos Planos e Seguros de Saúde.
Além do acesso aos medicamentos, os pacientes
com câncer têm direitos a isenções tributárias,
que constam em nosso ordenamento jurídico. Entre as isenções
estão: IR - Imposto de Renda, IOF - Imposto sobre operações
financeiras, IPI - Imposto sobre produtos industrializados, ICMS - Imposto
sobre circulação de mercadorias, IPVA - Imposto sobre a propriedade
de veículos automotores, transporte gratuito, a quitação
do financiamento da casa própria, direito a sacar o FGTS, PIS e
PASEP.
Para requerer esses benefícios se faz
necessária a comprovação da doença através
de laudo médico e em alguns casos além da doença é
indispensável um comprometimento físico mais efetivo.
Buscar e fazer valer seus direitos são
uma forma de garantir a dignidade humana e minimizar os efeitos da doença
do câncer que não são poucos. (Claudia
Nakano - Reporter Diário)
27.05 - O SUS, a saúde e o Brasil
"A saúde pública é a arte
e a ciência de prevenir a doença, prolongar a vida, promover
a saúde e a eficiência física e mental mediante o esforço
organizado da comunidade", definiu o bacteriologista americano Charles-Edward
Amory Winslow (1877-1957), o pai da saúde pública moderna.
No Brasil, esses preceitos foram adotados nos anos 1930, mas acabaram esvaziados
pela diretriz do regime militar, que priorizou a saúde privada.
Ao instituir o Sistema Único de Saúde (SUS), a Constituição
de 1988 buscou resgatar tais preceitos, garantindo a universalidade, a
equidade e a integralidade da assistência médica a todos os
cidadãos.
Mas duas décadas depois da promulgação
da Constituição Cidadã, tais preceitos estão
novamente em risco, desta vez por distorções surgidas no
sistema. Num capítulo dedicado ao Brasil do livro O comércio
internacional em serviços de saúde: uma perspectiva de desenvolvimento,
publicado pela ONU, a economista Simonetta Zarrili lembra que "o fato de
o sistema ter-se tornado universal, conquanto represente, sem dúvida,
um avanço positivo para alcançar as metas da Constituição
de 1988, colocou mais um encargo no orçamento da saúde pública,
contribuindo, assim, para a deterioração do sistema".
O Brasil gasta cerca de 8% do Produto Interno
Bruto (PIB, a soma de toda a riqueza produzida pelopaís) com saúde,
mas a crescente dívida pública há tempos vem limitando
as despesas do governo com os serviços públicos. Na área
de saúde, há insuficiente investimento na melhoria de salários
dos profissionais, na compra de equipamentos modernos e na reforma e construção
de novos postos de atendimento. Isso levou à deterioração
da saúde pública, fazendo com que parte da população
- aquela que pode pagar - optasse pela adesão aos planos privados
de saúde. Em consequência, assistiu-se a um grande crescimento
desses planos: cerca de 52 milhões de pessoas têm um plano
ou seguro-saúde no Brasil. Nos últimos oito anos, o setor
cresceu de 33%. Apenas no Estado de São Paulo, existem cerca de
21 milhões de associados. Desse total, mais de 17 milhões
são beneficiários de planos de saúde coletivos, convênios
feitos pelas grandes empresas para seus funcionários.
Até aqui, tudo bem; quem deseja ter um
atendimento diferenciado e tem condições para isso deve pagar
por esses serviços. O problema é que muitos desses clientes
da rede privada vêm sendo atendidos pelo SUS. Assim, a rede pública
- que é sustentada pela coletividade e que nem sempre consegue atender
a todos aqueles que não têm outra opção - presta
assistência a beneficiários de planos de saúde privados,
sem ser reembolsada por isso, como prevê a lei. Entre 2001 e 2008,
por exemplo, a Agência Nacional de Saúde (ANS) deixou de receber
R$ 3,8 bilhões dos planos de saúde privados, por atendimentos
de média e alta complexidade feitos no SUS para detentores de planos
de saúde privados. Calcula-se que o prejuízo total para a
União hoje gire em torno de R$ 10 bilhões.
Essa é uma distorção que
prejudica os municípios, aqueles que dependem unicamente do SUS
e até os próprios usuários dos planos de saúde
privados - que pagam por um serviço que pode ser encontrado na rede
pública. Para evitar o que o economista Celso Furtado chamava de
"socialização das perdas e privatização dos
lucros", o governo deve exigir com empenho redobrado o reembolso desse
atendimento pelas operadoras de saúde. Inclusive para poder repassar
parte desse dinheiro aos municípios, que, face ao aumento da demanda
e escassez de recursos, não podem, sozinhos, arcar com as despesas
de saúde de seus cidadãos. (João
Carlos Vitte - Saúde Business Web)
26.05 - Plano de saúde terá mais
contraceptivos
A partir desta semana, os planos de saúde
terão de oferecer DIU hormonal. O método contraceptivo dura
cinco anos e é uma das alternativas mais modernas na concepção,
segundo o ginecologista Abdala Jorde Lauand Neto. Além de ser mais
caro (em torno de R$ 1.300), o dispositivo tem menos contraindicações
que o DIU de cobre (cuja oferta é obrigatória desde abril
de 2008).
Os convênios também terão
de oferecer exames de dosagem hormonal, segundo a gerente geral na ANS
(Agência Nacional de Saúde Suplementar), Martha Oliveira.
Os pacientes poderão ter "aulas" sobre os os métodos contraceptivos
e de fertilização, e o ginecologista ajudará na escolha
da melhor opção.
Nesta semana, a ANS vai publicar a lista com
todos os tratamentos obrigatórios para quem quer evitar filhos ou
quer assistência para poder tê-los. A inseminação
artificial fica fora das obrigações dos planos. As operadoras
de saúde também não serão obrigadas a fornecer
camisinhas nem pílulasanticoncepcionais. (Luciana Lazarini
- Agora S.Paulo)
26.05 - Crise piora rentabilidade dos hospitais
Em meio à crise, cresceu o desafio dos
hospitais particulares para alcançarem o equilíbrio entre
a necessidade de modernização constante e a atenção
com a estrutura de custos, a fim de manterem o negócio viável
economicamente.
A avaliação de representantes das
empresas é de que as turbulências globais reduziram o crédito
para diversos tipos de atividade em todo o mundo e aumentaram as dificuldades
para o setor alcançar lucratividade.
Nesse contexto, alguns estabelecimentos do Grande
ABC enfrentam problemas, entre os quais o Neomater, de São Bernardo,
que vem atrasando os salários dos funcionários. O hospital
foi procurado pela reportagem mas não retornou as ligações.
O início do ano, no entanto, não
trouxe redução no movimento de pacientes nas redes, de forma
geral. Pelo contrário, houve até aumento, no que foi visto
como uma "bolha" de atendimento. "Com as demissões (nas indústrias),
funcionários passam a usar os planos enquanto ainda têm direito
à utilização", afirmou o presidente do Sindhosp (Sindicato
das Clínicas e Hospitais do Estado de São Paulo), Dante Montagnana.
Para o dirigente, contudo, há conflitos
no relacionamento comercial com as operadoras de saúde. Ele cita
que as empresas de planos de saúde não têm repassado
os reajustes e têm alongado os prazos para o pagamento dos estabelecimentos.
"A rentabilidade do setor fica cada vez mais difícil", avaliou.
Consultada, a Abramge (Associação
Brasileira de Medicina de Grupo), entidade que representa o setor de convênios,
negou a existência desses problemas de forma generalizada.
As redes de hospitais particulares da região,
que somam cerca de 3.000 leitos, atestam que tem havido a postergação.
"Estão demorando de 45 a 60 dias para pagarem", afirmou o presidente
do Hospital Beneficência Portuguesa de São Caetano, Antonio
Rubira.
O superintendente do Hospital Cristóvão
da Gama, Fernando Lourenção, disse que tem havido a preocupação
com a gestão dos custos para enfrentar melhor essa relação
comercial. Segundo ele, a situação atual é de equilíbrio
financeiro, mas para manter os negócios rentáveis, a meta
é não ficar na dependência de operadoras de medicina
de grupo, reforçando o foco em seguradoras e empresas de planos
de autogestão. (Diário Online)
26.05 - Células-tronco à vista
O plano é que elas se instalem na retina,
onde se forma a imagem
Fazia algum tempo que as células-tronco
não frequentavam o noticiário. Na semana que passou, essas
células-curinga voltaram à cena por obra de um grupo do Hemocentro
de Ribeirão Preto e do Hospital das Clínicas da Faculdade
de Medicina da USP de lá. A ideia, desta vez, é fazer cegos
voltarem a ver...
Em pauta estão células-tronco adultas,
não embrionárias. Quer dizer, não dependem da destruição
de embriões humanos para ser obtidas. Só da punção
do osso da bacia do paciente, para retirada de uma amostra de medula óssea.
Cerca de 1 milhão de células ditas
mononucleares, componentes do sistema de defesa do corpo, são separadas
da medula por centrifugação. Só 1% são células-tronco
propriamente ditas, precursoras que guardam potencial para se transformar
em vários outros tipos celulares.
O grupo injetou esse coquetel de células,
há poucos dias, nos olhos de três portadores de retinose pigmentar,
doença de origem hereditária que leva à cegueira.
Elas foram obtidas dos próprios pacientes, para não haver
rejeição. A injeção foi no vítreo, o
recheio do globo ocular. O plano é que as células-curinga
se instalem na retina, a tela no fundo do olho onde se formam as imagens,
e ajudem a recuperar vasos sanguíneos e outras estruturas.
A esperança, menos que uma hipótese,
é que isso reverta parte da degeneração que resulta
em cegueira. Outros dois pacientes entrarão no teste nesta semana.
Como se trata de terapia experimental, os pesquisadores só têm
autorização da Comissão Nacional de Ética em
Pesquisa para testá-la em cinco pacientes.
O propósito é mais de verificar
a segurança do procedimento do que curar alguém. Mesmo assim,
os pacientes já relatam com animação algum aumento
da luminosidade. A primeira a receber o implante de células conseguiu
identificar uma letra impressa. Os resultados obtidos com animais são
"contundentes", segundo o oftalmologista Rodrigo Jorge, integrante do grupo.
Esses estudos, em geral com camundongos, foram feitos fora do Brasil. O
laboratório mais destacado é o de Atsushi Otani, do Instituto
Scripps, da Califórnia (EUA).
Para o leigo, o mesmo adjetivo talvez não
ocorra depois de ler os efeitos obtidos com os roedores. Empregam-se camundongos
programados para desenvolver a degeneração da retina, que
de fato chega a ser interrompida. Mas só se as injeções
ocorrerem até o 16º dia de vida (30 bastam, no laboratório,
para a cegueira terminar de se instalar no bicho).
A melhora pode ser medida por meio de eletrorretinografia,
um teste que registra a atividade elétrica das células da
retina sensíveis à luz. Funciona. Mas os autores do estudo
alertam que o padrão de atividade é inteiramente anormal.
O exame das retinas, depois de sacrificados os
animais, também mostra anormalidades na proporção
entre suas células sensíveis (bastonetes e cones). Camundongos
que deveriam ficar cegos estão enxergando alguma coisa, mas não
se sabe bem o quê.
Os pacientes humanos estão em fase adiantada
da degeneração. Resta-lhes menos de 10% da visão.
Só dentro de três meses haverá dados para redigir um
artigo científico dizendo se a terapia experimental teve algum resultado,
mesmo que diminuto. Jorge diz que o grupo só fez o anúncio
porque um dos pacientes começou a falar do tratamento em sua cidade,
Birigui, o que gerou "especulações".
Foi a sua maneira de prevenir a proliferação
de boatos e meias verdades, afirma o pesquisador. (MARCELO
LEITE - Folha de S.Paulo)
26.05 - Hepatite C ainda é um desafio para a Medicina
O vigilante patrimonial Gilson Santana, a dona de casa Maria Ângela
Alvarenga Santos, o motorista Arlen José Quintão e o pastor
angolano Domingos Monteiro Divino têm uma coisa em comum. Eles não
são vizinhos, não se conhecem, não têm a mesma
profissão ou idade e nem frequentam os mesmos grupos de convivência.
O que, de certa forma, une essas quatro pessoas é a luta que travam.
O inimigo é um pequeno jovem de 20 anos, que, apesar do tamanho,
é capaz de provocar danos por toda a vida. É o vírus
HCV, responsável pela hepatite C, doença que foi revelada
ao mundo em 1989, mas ainda permanece escondida atrás da cortina
da subnotificação.
Invisível e silencioso, o mal é ameaçador porque
só se manifesta após décadas de instalação
no corpo e tem se destacado entre as causas de mortes no mundo. Dado internacional,
do Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos, aponta que
o número de mortos pela doença deve triplicar nos próximos
10 a 20 anos. No Brasil, de 2000 para 2007, houve aumento de 124,13% nos
casos de mortes provocadas pela hepatite C.
No ano em que se completam duas décadas de identificação
do HCV, uma preocupações dos órgãos públicos
de saúde é o aparecimento de pessoas que contraíram
o vírus no passado e só agora é que estão sabendo
que têm a doença por causa da manifestação de
sintomas. Esses são os graus mais avançados do problema,
o que demanda altos gastos, internação, medicamentos caros
e até transplante de fígado. Por isso, o desafio é
fazer com que os portadores apareçam para ser tratados antes que
a doença atinja os estágios mais cruéis, de cirrose
ou carcinoma hepático (câncer no fígado). Nessa hora,
somente tratamento pesado ou transplante podem salvar o indivíduo
ou melhorar sua qualidade de vida.
“É importante identificar precocemente e divulgar, principalmente,
entre a população mais madura, para evitar danos futuros”,
destaca o coordenador do Programa Nacional de Prevenção e
Controle das Hepatite Virais do Ministério da Saúde, Ricardo
Gadelha. A preocupação com os mais velhos se justifica pelo
maior grau de contaminação até 1993, quando ainda
não havia exame específico para o HCV nos bancos de sangue.
Assim, pessoas que recebiam transfusão corriam o risco de pegar
a doença, que só se transmite por via sanguínea. Hoje,
o contágio está ligado a comportamentos de risco, como compartilhamento
de seringas, acidentes de trabalho - por exemplo, em hospitais - ou falta
de atenção às normas, como esterilização
inadequada dos objetos em salão de beleza. (Cláudia
Rezende - Hoeje em Dia)
25.05 - OMS: Brasil reduz mortalidade infantil
A mortalidade infantil no Brasil caiu para menos da metade entre 1990
e 2007, segundo estatísticas divulgadas nesta quinta-feira (21)
pela Organização Mundial de Saúde (OMS). As mortes
entre crianças de até um ano de idade diminuíram de
49 para 20 por mil nascidos vivos, enquanto as mortes de crianças
até cinco anos de idade recuaram de 58 para 22 por mil nascidos
vivos.
Os dados, constantes no relatório Estatísticas Sanitárias
Mundiais de 2009, confirmam tendência já indicada pela Organização
das Nações Unidas no começo deste ano. E colocam o
Brasil em condição bem superior à media mundial. Em
termos globais, a taxa de mortalidade entre menores de um ano passou de
63 (1990) para 46 (2007) entre cada mil nascidos vivos. Entre menores de
cinco anos, o número de mortes ficou em 67 por mil nascidos vivos,
contra 91 em 1990.
O estudo da OMS apresenta dados dos 193 países membros da organização
e traz um resumo dos progressos para o alcance das Metas de Desenvolvimento
do Milênio relacionadas à saúde. O quarto objetivo
de desenvolvimento do milênio é reduzir em dois terços,
entre 1990 e 2015, a taxa de mortalidade de menores de cinco anos.
Segundo avaliação da OMS, os indicadores apontam avanços,
especialmente no que se refere à saúde infantil, mas com
grandes variações de região para região. No
que se refere à mortalidade infantil, na Europa, no primeiro ano
de vida morrem apenas 13 crianças por cada mil nascidos vivos, contra
27 em 1990. O número caiu de 81 para 49 no Sudeste Asiático,
de 82 para 60 na região do Mediterrâneo Oriental e de 107
para 88 na África. Nas Américas, esse número caiu
de 34, em 1990, para 16 em 2007.
A taxa de mortalidade até cinco anos de idade caiu de 32 para
15 entre mil nascidos vivos na Europa, de 42 para 19 nas Américas,
de 46 para 22 na região do Pacífico Ocidental, de 114 para
65 no Sudeste Asiático, de 111 para 82 no Mediterrâneo Oriental
e de 181 para 145 na África.
De acordo com a OMS, os avanços são resultado, principalmente,
da ampliação da imunização, do uso de terapias
de reidratação oral durante diarréias, do uso de mosquiteiros
e inseticidas e da melhoria nas condições de saneamento,
entre outros fatores. O relatório frisa que a redução
da mortalidade infantil depende, cada vez mais, da luta contra a mortalidade
neonatal e alerta que os menores progressos vêm sendo registrados
em países pobres, afetados por conflitos ou com altos níveis
de contaminação por HIV/Aids.
O melhor desempenho está nos países ricos. Em San Marino
e na Suécia, morrem apenas duas crianças, entre cada mil
nascidas vivas, no primeiro ano de idade. Até cinco anos, o índice
é o mesmo em San Marino e sobe para três na Suécia.
O campeão em mortalidade infantil, segundo dados de 2007, é
o país africano de Serra Leoa, onde o índice é de
155 mortes até um ano de idade e de 262 até cinco anos de
idade a cada mil nascidos vivos. No Afeganistão, as taxas são
de 165 mortes até um ano e de 257 mortes até cinco anos por
mil nascidos vivos.
Também há grandes variações no que se refere
à expectativa de vida. No Brasil, entre 1990 a 2007 a longevidade
passou de 66 para 73 anos. Mundialmente, a média passou de 64 anos
em 1990 para 68 em 2007. A região das Américas possui a maior
expectativa de vida – 76 anos, contra 71 em 1990. Na Europa a longevidade
no período passou de 72 para 74 anos, no Pacífico Ocidental
de 69 para 74 anos, Sudeste Asiático de 58 para 65, da região
do Mediterrâneo Oriental de 60 para 64, e na África, de 51
para 52 anos.
Na comparação por país, o Japão apresenta
a maior expectativa de vida: 83 anos, seguido da Austrália, Islândia,
Itália, Suíça e de San Marino, todos com expectativa
de 82 anos. A menor média é de 41 anos de vida, no país
africano de Serra Leoa (em 1990, a expectativa de vida era de 38 anos),
seguido do Afeganistão, com expectativa de vida de 42 anos.
(Panorama Brasil)
25.05 - Febre amarela tem novo perfil
Uma equipe de médicos, veterinários e biólogos
destacada pelo Ministério da Saúde iniciou há alguns
dias uma investigação em campo para descobrir por que o comportamento
da febre amarela mudou no País. Os surtos da doença, que
tradicionalmente ocorriam a cada sete anos, passaram a ser menos espaçados.
A geografia também mudou - antes concentrada em alguns pontos
do território, a febre amarela avança aos poucos para áreas
que antes eram consideradas livres da doença. Os exemplos mais recentes
estão no Rio Grande do Sul e no sudoeste de São Paulo. Juntas,
as duas regiões, antes sem risco para febre amarela, registraram
entre novembro de 2008 e abril deste ano 43 infecções, com
16 mortes.
Diante desse quadro, a equipe foi para a região onde os surtos
estão ocorrendo. O objetivo é decifrar as causas da mudança
e, principalmente, tentar antever quais os caminhos mais prováveis
para a doença num futuro próximo. Com base nesses dados,
epidemiologistas pretendem traçar uma estratégia para prevenir
novos casos a curto prazo.
Os trabalhos de pesquisa começaram há três meses.
Semana passada, um grupo de especialistas foi ao Rio Grande do Sul pesquisar
as áreas afetadas, a última etapa do trabalho. O mesmo processo
foi feito em São Paulo. A expectativa é de que, até
julho, os resultados preliminares do trabalho estejam concluídos.
Na visita, os especialistas procuraram respostas para várias
perguntas. Entre elas, se há aumento de criadouros do vetor da doença
e se há tendência de migração de macacos - e
por que isso estaria ocorrendo. A doença é transmitida pela
picada de mosquito. Nas matas, macacos são o principal reservatório
do vírus. "São várias as hipóteses para explicar
essas mudanças", diz a coordenadora adjunta do departamento de vigilância
epidemiológica do ministério, Carla Domingues.
As mudanças climáticas são uma das primeiras razões
lembradas. O clima mais quente favorece a proliferação do
mosquito vetor da doença, o Haemagogus. O desmatamento, além
de favorecer o o aumento da temperatura, também pode causar o deslocamento
de primatas para as áreas mais habitadas. Em São Paulo, a
mudança pode ter sido provocada por alterações na
agricultura, aumento da temperatura e obras na região. "A área
afetada no Estado está muito próxima de represas. A combinação
de vários fatores pode ter levado a essa mudança."
Neste ano, por exemplo, a temperatura no Rio Grande do Sul foi bem
alta, o que pode ter favorecido o aumento dos criadouros. "Por enquanto
temos várias especulações. O trabalho pretende entender
a dinâmica e, a partir daí, antever outras áreas suscetíveis
à expansão da doença", diz Carla. Com a confirmação
das infecções, foi organizada campanha de vacinação
nas cidades afetadas e áreas próximas. Dados oficiais mostram
que no Rio Grande do Sul 2,2 milhões de doses foram aplicadas .
Em São Paulo, 1,5 milhão de pessoas foram imunizadas. "Esse
número deve aumentar até o fim do mês, quando termina
a iniciativa", afirma Carla Domingues. (Agência Estado)
25.05 - Financiamento de equipamentos para a área da saúde
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)decidiu
dar prioridade ao financiamento de equipamentos destinados área
da saúde, a fim de contribuir para ampliar o acesso da população
a tratamentos de maior qualidade. A informação foi dada nesta
quinta-feira a Agência Brasil pelo chefe do Departamento de Credenciamento
e Financiamento a Máquinas e Equipamentos do BNDES, William Saab.
O departamento atua nas duas pontas. Elecredencia os fabricantesbrasileiros
de equipamentos voltadosárea da saúde. É um trabalho
de fomento ao parque industrial brasileiro. Na outra ponta, o banco financia
a aquisição de máquinas e equipamentos por hospitais,
clínicas, laboratórios, através da linha Finame e
do Programa de Modernização da Indústria Nacional
(Modermaq).Não há nenhuma restrição ou escassez
de recursos para o setor de saúde. Pelo contrário. A gente
até gostaria de receber um volume maiorde operações
destinadas a esse setor, disse Saab.
Para apoiar a indústria brasileira o BNDESexige que as máquinas
e equipamentos oferecidos para financiamento ao setor de saúde tenhaum
índice de nacionalização em valor e peso de, no mínimo,
60% de conteúdo local.
Saab afirmou que o BNDES ainda não registra um volume significativo
de pedidos que represente um êxito para a instituição.
O banco está ansioso por receber cada vez mais beneficiários
do setor de saúdeque possam acessar essa linha ou esse programa.
Saab salientou que, no Modermaq, o banco pretende apoiar com ênfase
e prioridade o setor de saúde. "Então, qualquer hospital,
clínicaou entidade ligada ao setor de saúde que seja enquadrada
na categoria Q-86 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE)poderá ter condições especiais nesse programa.
Essa classificação se refere a equipamentos relacionados
atividade de atenção saúde humana.
A participação do BNDES no programa Modermaq é
de até 90% do valor do equipamento financiado para qualquer porte
de beneficiário. As condições financeiras são
Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), praticada pelo banco em suas operações,
hoje de 6,25% ao ano, mais taxa de 0,5%/ano e remuneração
do agente financeiro credenciado de até 3,5% ao ano.
O prazo de amortização médio é de 60 meses,
com carência de até seis meses. Saab esclareceu, contudo,que
devido prioridade dada ao setor saúde pelo BNDES há a possibilidade
de o prazo decarência ser expandido em até 24 meses. Por serem
efetuadas de forma automática, as operações passam
por crivo anterior de um agende credenciado pelo banco.
Na linha Finame, voltada para micro, pequenas e médias empresas,
a participação do banco alcança até 100% do
valor do equipamento englobando TJLP mais taxa anual de 0,9% mais taxa
de risco do agente credenciado. As entidades do setor saúde que
sejam de menor porte também poderãoobter condições
muito benéficas por meio da linha Finame Comercialização.
(Portal Verdes Mares)
22.05 - Planos odontológicos devem crescer
5 vezes até 2014
O setor de planos odontológicos deve crescer
cinco vezes até 2014, de acordo com o presidente do Sinog (Sindicato
Nacional das Empresas de Odontologia de Grupo), Carlos Roberto Squillaci.
"Isso significa o crescimento dos planos de saúde de Medicina de
Grupo dos últimos 30 anos", afirmou.
De acordo com ele, desde a fundação
da primeira empresa que comercializou planos exclusivamente odontológicos,
em 1966, até o final de 2001, o mercado atingiu 3,239 milhões
de beneficiários. Nos sete anos seguintes, o crescimento observado
foi de mais de três vezes, para 11,085 milhões de pessoas.
Motivos
Dentre os motivos que ele aponta para o crescimento
do setor, está o fato de 30% da população jamais ter
ido ao dentista, por falta de recursos. "Por um lado, temos uma população
carente e, por outro, dentistas carentes por clientes", destacou.
Além disso, ele apontou que, por um custo
baixo, se consegue promover a saúde bucal e, por isso, o setor tem
ganhado destaque. "O plano odontológico é a terceira maior
reivindicação dos trabalhadores, atrás somente do
vale-refeição e da assistência médica. Ele equivale,
por mês, a dois tíquetes-refeição, então
é um custo acessível à população".
O setor
Atualmente, cerca de 5,8% da população
brasileira está coberta por planos odontológicos, sendo que
a região Sudeste detém 64,6% desta população,
à frente do Nordeste (16,9%), Sul (9,3%), Centro-Oeste (5,3%) e
Norte (3,9%).
O estado de São Paulo detém 44,26%
do número de beneficiário dos planos odontológicos,
entre empresas de odontologia de grupo, cooperativas odontológicas,
medicina de grupo, seguradoras de saúde, autogestão, cooperativas
médicas e filantropia.
Cerca de 69% dos beneficiários estão
vinculados às empresas de odontologia e medicina de grupo, enquanto
outros 31% estão vinculados aos demais segmentos. As Uniodontos
concentram cerca de 19% do total de beneficiários.
Os planos contratados após a regulamentação
do setor (Lei 9.656/98) representam cerca de 90% do total. A faixa onde
se concentra o maior número de beneficiários é a de
20 a 39 anos (cerca de 50%). A receita média mensal por beneficiário
na modalidade Odontologia de Grupo, no ano de 2008, foi de R$ 10.
(InfoPessoal)
22.05 - Desemprego mexe com segmento privado e SUS
O desemprego é o fator que mais impacta as operadoras, seguradoras
e empresas privadas no segmento de saúde
O desemprego é o fator que mais impacta as operadoras, seguradoras
e empresas privadas no segmento de saúde, principalmente as que
têm contratos coletivos - mais de 80% dos planos existentes no País
são dessa categoria.
"Basta uma suspeita de demissão nas empresas ou o anúncio
de férias coletivas, o funcionário corre para tratar da saúde,
enquanto ainda pode utilizar o serviço, uma vez que esse aviso é
prenúncio de corte", disse hoje o presidente da Associação
Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), Arlindo de Almeida.
Não só o segmento privado, segundo o executivo, sofre
fortes impactos nesses casos, mas também o Sistema Único
de Saúde (SUS). "Embora o demitido tenha um prazo ainda para fazer
uso dos serviços, ele vai para o SUS caso não consiga uma
nova colocação em tempo hábil. Essa é uma realidade",
comenta Almeida.
Assim como também é verdade que a alta do dólar
- hoje oscilando em torno de R$ 2,00 - "prejudica o segmento que se vale
de insumos e equipamentos importados", explica, informando que a combinação
desses dois fatores empresas e operadoras têm fechado as portas por
não suportar os custos.
De acordo com Almeida, portabilidade, reservas e provisões,
ressarcimento ao SUS e planos de contas - novas decisões anunciadas
pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) - também
devem levar muitas operadoras pequenas a desaparecer e muitos usuários
ao SUS e a outras empresas de saúde. "As decisões da Agência
trarão certamente consequências econômico-financeiras,
atuariais, contábeis e jurídicas para as operadoras de planos
de saúde", disse. (Silvana Orsini - InvestNews/Saúde
Business Web)
22.05 - Estrangeiro "invade" hospital do País
O número de pacientes estrangeiros que
recorrem aos hospitais brasileiros de ponta para a realização
de tratamentos de saúde cresce de forma acelerada mesmo em períodos
de crise, como o atual, pelos custos menores se comparados com os de outros
países. No Hospital Albert Einstein, de São Paulo, esse número
saltou de 2,3 mil em 2006, para 3,6 mil no ano passado, e no primeiro quadrimestre
deste ano houve aumento de 30% nesse tipo de atendimento, ritmo que deve
persistir até o final do ano.
Outra instituição que vê
o avanço do segmento é o também paulista Hospital
Sírio-Libanês, no qual a atividade vê incremento de
30% em 2009 - tendo crescido 20% no ano passado, na comparação
com 2007. No Brasil, estima-se que este mercado gire US$ 600 milhões.
"Tivemos de investir em uma área para
atender o cliente internacional", contou Deise de Almeida, superintendente
comercial e de marketing do Sírio-Libanês, referindo-se ao
serviço de "concierge personalizado", que cuida do paciente da hora
da admissão até a alta. O atendimento abrange documentação
e ajuda para que os acompanhantes encontrem hospedagem adequada na cidade
de São Paulo, onde fica esta unidade de saúde.
A superintendente acrescentou que o hospital
possui corpo médico e de acompanhamento capaz de se comunicar em
idiomas como inglês, espanhol, alemão, francês e japonês.
A maioria dos pacientes, cerca de 20%, é de norte-americanos, seguida
de 19% de origem francesa e de 18% de angolanos. Mas no Sírio também
são atendidos paraguaios e argentinos, entre outras nacionalidades.
Deise conta ainda que as certificações
internacionais obtidas pelo hospital auxiliaram a chegada dos pacientes,
que também têm vindo indicados por médicos de fora.
Ou seja, hoje as empresas de saúde do exterior também mandam
clientes para cá. "Há 45 operadoras internacionais que indicam
pessoas para cá [o Brasil]", disse a executiva.
O Sírio-Libanês também faz
a captação dessas oportunidades fora do País, por
meio de eventos e parcerias. "Além da receita gerada por esses atendimentos,
eles nos imprimem um reconhecimento internacional que é importante
para nossa instituição", disse a superintendente. Hoje os
atendimentos a estrangeiros representam 5% da receita total do hospital,
e em dois anos a participação deve saltar a até 8%.
Serão disponibilizados 200 leitos para estes pacientes até
2011.
As instituições de saúde
que estão na ponta do atendimento a estrangeiros querem se distanciar
do rótulo de "turismo de saúde", que, segundo elas, é
mais usado para tratamentos da área estética, diferentemente
dos procedimentos de alta complexidade procurados pelos estrangeiros nessas
instituições. No Sírio, por exemplo, estão
no topo especialidades como oncologia, urologia, cardiologia e ortopedia.
O Sírio-Libanês faturou R$ 549 milhões
em 2008, ante R$ 432 milhões no ano anterior. Em 2009, a instituição
pretende investir R$ 121 milhões, valor que integra um plano de
aportes para ampliar de 300 para mais de 500 o número de leitos
do hospital.
Atrativos
Entre os atrativos que trazem os viajantes de
outros continentes a nossos hospitais, além da qualidade das instituições
certificadas fora, está o preço dos tratamentos: especialistas
calculam que eles chegam a ser 40% mais baratos que os do mercado norte-americano.
De acordo com Cristiane Benvenuto Andrade, gerente
de Mercado Internacional do Albert Einstein, os motivos de procura são
distintos. "Os americanos procuram preço, e os latino-americanos,
qualidade. Canadenses e ingleses buscam atendimento mais rápido,
pois há uma certa demora em seu país", analisou.
Mas a gerente admitiu que os preços são
mais atrativos, especialmente se comparados aos do mercado norte-americano.
"Nosso padrão de atendimento é compatível com o deles,
inclusive somos certificados internacionalmente por lá", contou,
ressaltando que a instituição vai inaugurar uma área
física para acolher esse tipo de pacientes.
Cristiane contou que esse atendimento avançou
nos últimos dez anos no Einstein e que este ano está 30%
maior do que em 2008, meta que deve seguir até o final do ano, mesmo
com a crise econômica. Entre aqueles que procuram o hospital paulista
para tratamentos, estão norte-americanos, uruguaios, venezuelanos
e angolanos, que buscam especialidades como cardiologia, oncologia, cirurgia
plástica e ortopedia.
Os clientes são atraídos para o
Einstein ao terem contato com médicos no exterior, e também
são indicados por outros pacientes, incluindo expatriados, especialmente
executivos que vivem aqui - italianos, americanos, alemães e argentinos.
O hospital israelita estuda parceria com operadoras
de saúde internacionais e afirma que também auxilia os acompanhantes
a obter hospedagem e transporte. A intenção é que
até 2011 o setor internacional deva se consolidar e até dobrar.
Hoje, o hospital tem um plano de investimento de mais de R$ 500 milhões
na unidade do Morumbi, de modernização, reforma, aquisição
de equipamentos e mais leitos.
Pelo menos um setor não se queixa do impacto
da crise financeira mundial no Brasil este ano: a área de atendimento
médico-hospitalar para estrangeiros, que chega a ser até
40% mais barata no País em comparação com o mercado
norte-americano e cresceu 30% de janeiro a abril. O segmento girou no ano
passado cerca de US$ 600 milhões e chamou a atenção
do Hospital Sírio-Libanês, onde o atendimento a estrangeiros
cresceu 30% este ano, depois do salto de 20% em 2008.
"Tivemos de investir em uma área para
o cliente internacional", contou Deise de Almeida, superintendente comercial
e de Marketing do Sírio-Libanês, referindo-se ao serviço
de concierge. Segundo a executiva, esses serviços abrangem auxílio
da admissão do paciente até a alta, além de dar assistência
aos acompanhantes para que encontrem hospedagem no País. Seus médicos
falam vários idiomas, inclusive japonês.
No Hospital Israelita Albert Einstein, o número
de atendimentos a estrangeiros saltou de 2,3 mil em 2006, para 3,6 mil
no ano passado. No primeiro quadrimestre deste ano, a empresa também
contabilizou salto de 30%, ritmo que deve persistir até o final
do ano, segundo Cristiane Benvenuto Andrade, gerente de Mercado Internacional
do Albert Einstein. Ela informa que o contingente de estrangeiros que procuram
o hospital para tratamentos é liderado por norte-americanos, uruguaios,
venezuelanos e angolanos.
"Existem motivos distintos de procura. Os americanos
procuram preço, e os latino-americanos, qualidade. Já os
canadenses e ingleses buscam maior agilidade", analisou ela, ressaltando
que as certificações internacionais obtidas impulsionam a
conquista de pacientes, que também chegam indicados por médicos
de fora e operadoras internacionais.
Para as duas instituições médicas,
o mercado precisa agora se distanciar do rótulo de "turismo de saúde",
que, segundo elas, é mais usado para tratamentos estéticos
do que para procedimentos como os de cardiologia, oncologia e ortopedia.
Ainda na área de saúde privada, o Grupo de Saúde Bandeirantes
conclui aportes de R$ 87 milhões na expansão da rede, com
obras no Hospital Leforte, no Morumbi. (DCI)
21.05 - Laboratórios são vitais
contra pandemia
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon,
disse, na terça-feira, que os laboratórios farmacêuticos
devem se unir aos governos para proteger o mundo do pior cenário
em uma eventual pandemia de gripe.
- Este surto destaca mais uma vez a natureza
interconectada do nosso mundo. A geografia não garante imunidade
- disse ele a funcionários dos 193 países da Organização
Mundial da Saúde (OMS), no congresso anual da entidade.
Ban disse ser importantíssimo que as pessoas
mais pobres e vulneráveis tenham acesso aos medicamentos e vacinas
necessários para enfrentar a nova doença, que em geral provoca
sintomas brandos, mas já matou 74 pessoas, a maioria no México.
Ele também lembrou que o vírus
H1N1, que já atingiu 40 países, ilustra a necessidade de
colaboração entre os setores público e privado.
- Parcerias com o setor privado são absolutamente
vitais daqui em diante. A solidariedade diante deste surto em particular
deve significar que todos tenham acesso a drogas e vacinas. Significa que
amostras do vírus e dados sejam compartilhadas. Significa que as
restrições derrotistas ao comércio e às viagens
devem ser evitadas - apregoou.
Alguns países em desenvolvimento, como
a Indonésia, defendem restrições à possibilidade
de que os laboratórios patenteiem amostras dos vírus e ofereçam
vacinas a preços proibitivos. A questão voltou a ser discutida
nesta semana com os laboratórios em Genebra, onde fica a sede da
OMS.
No Brasil
Boletim epidemiológico divulgado pela
Secretaria de Saúde do Paraná informa que o estado permanece
sem o registro de casos suspeitos de gripe suína. Dois novos casos
estão sendo monitorados, o que eleva o total para três.
De acordo com a secretaria, um deles é
um homem que chegou recentemente dos EUA. O segundo também é
um homem, que veio do Japão. Porém, ambos não se enquadram
nos critérios de caso suspeito definido pelo Ministério da
Saúde.
Na avaliação da secretaria, a situação
é de tranqüilidade no estado e todas as ações
de vigilância estão mantidas. O órgão quer aproveitar
o período de inverno para aumentar a divulgação sobre
a gripe sazonal e incentivar a vacinação dos idosos. O objetivo
é evitar que um caso de gripe comum mascare um possível caso
de influenza A (H1N1).
O Paraná descartou até agora 27
casos da nova doença. Dezenove foram descartados por exames laboratoriais
e oito por critérios clínicos e epidemiológicos.
Amazonas registra primeiro caso
A Secretaria de Saúde do Amazonas confirmou
o primeiro caso suspeito da gripe suína no estado. Trata-se de uma
criança, cuja idade e sexo são mantidos em sigilo pelos médicos,
que chegou da Flórida, nos EUA, no último domingo (17). Até
então, o estado tinha registrado apenas casos em monitoramento,
de acordo com as categorias da Organização Mundial da Saúde
(OMS) para definição de casos da doença.
Segundo informações da secretaria,
a criança está internada na Fundação de Medicina
Tropical (FMT), em Manaus. Ela permanecerá em isolamento, de acordo
com as normas preconizadas pela OMS, pelo tempo que for necessário.
O paciente apresentou febre e tosse logo após o desembarque.
A avaliação clínica indica
que ele está bem. As amostras de secreções coletadas
da criança foram enviadas para análise laboratorial no Instituto
Evandro Chagas, no Pará, laboratório considerado como referência
na Região Norte. As pessoas que tiveram contato próximo com
o paciente serão monitoradas.
Até o momento, o Amazonas não registra
nenhum caso confirmado de gripe suína. Nas últimas semanas,
cinco pacientes foram monitorados, por apresentaram febre após desembarcaram
em Manaus, proveniente de outros países. Depois de avaliação
clínica e coleta de material biológico, os casos foram descartados
por exames de laboratório. (Monitor Mercantil)
21.05 - Farmacêuticas planejam vacina para
a gripe
A ONU e a indústria farmacêutica
preparam um plano para viabilizar a fabricação de uma vacina
contra a gripe suína para o caso de a Organização
Mundial da Saúde (OMS) decidir ser necessário.
"Sou consciente e aprecio o esforço que
as indústrias farmacêuticas dos países desenvolvidos
e em desenvolvimento fizeram tanto em pesquisa como em preparação
tecnológica", afirmou em coletiva de imprensa o secretário-geral
das Nações Unidas, Ban Ki-moon.
O secretário-geral presidiu hoje junto
à diretora-geral da OMS, Margaret Chan, uma reunião com representantes
de 30 farmacêuticas para coordenar a estratégia sobre a eventual
fabricação de uma vacina contra a gripe.
Na reunião, que aconteceu em paralelo
à assembleia da OMS, participaram executivos de farmacêuticas
de Áustria, Bélgica, Brasil, China, Coreia, Egito, Estados
Unidos, França, Reino Unido, Holanda, Índia, Indonésia,
Irã, Japão, México, Romênia, Rússia,
Suíça, e Vietnã.
No encontro não se determinou se a vacina
vai ser fabricada ou não, uma vez que isso depende de fatores científicos
a serem analisados pela OMS, mas sim que se discuta um plano de ação
para criá-la.
Segundo a nova atualização feita
hoje pela OMS, em caso de pandemia, seriam necessárias cinco bilhões
de doses da nova vacina.
Embora Chan tenha explicado que esse é
um número que pode variar, dado o tipo da vacina, a quantidade de
doses necessárias dependerá do tipo do vírus e de
seu comportamento, algo que ainda não se sabe com exatidão.
"Seguem muitas dúvidas científicas
que nos impedem ter todas as respostas sobre a vacina", especificou Chan.
No entanto, para estar preparados para o caso
de a OMS decidir que a vacina é necessária, as farmacêuticas
já têm disponibilidade de obter o vírus selvagem da
gripe.
A maioria, porém, esperará para
obter dos laboratórios associados à OMS a cepa do vírus
que é efetivamente manipulável e que permite a produção
da vacina, um processo que pode demorar até 15 dias. Posteriormente,
se iniciaria o processo de fabricação, que poderá
durar meses.
Na reunião de hoje, a Rede de Produtores
de Vacinas dos Países em Desenvolvimento se comprometeu publicamente
a entregar a preços quase de custo 10% de toda a produção
da vacina contra a gripe, caso realmente comece a ser fabricada.
"Nos comprometemos a entregar às agências
da ONU, ao menor custo possível, 10% de toda nossa produção
de vacinas contra a gripe, se for necessário produzi-la", disse
à Agência Efe Suresh Jadhav, porta-voz do grupo e diretor-executivo
do Instituto Serum da Índia.
Consultada sobre o assunto e se os países
desenvolvidos tinham expressado algum tipo de compromisso similar, Chan
respondeu de forma ríspida.
"Cada companhia é diferente e tem estratégias
distintas. Todas, tanto as dos países desenvolvidos como as dos
países em desenvolvimento mostraram compromisso, não esperem
que em uma reunião como essa possam falar uma a uma", comentou.
Por sua parte, o secretário-geral mostrou
sua confiança em que os países mais pobres "não serão
esquecidos".
"Espero que prevaleça a solidariedade
com os países em desenvolvimento", afirmou Ban, que explicou que
hoje se reunirá com os membros da iniciativa que pretende encontrar
formas inovadoras para financiar a saúde pública mundial.
Atualmente, segundo os dados da OMS, no mundo
há 9.830 infectados em 40 países, dos quais 79 morreram.
A OMS mantém o nível de alerta
de pandemia em 5, em um máximo de 6, por considerar que ainda não
se produziu largo contágio em outra região que não
seja a das Américas.
Nesse sentido, Chan afirmou que apesar de o Governo
do Japão suspeitar que já houve nesse país contágios
do vírus dentro da comunidade, "não é incomum que
ocorram alguns casos em que não se pode identificar um laço
similar ou de contato direto". Segundo ela, "isso também ocorreu
nos EUA e no Reino Unido".
Apesar do nome, a gripe suína não
apresenta risco de infecção por ingestão de carne
de porco e derivados. (Agência EFE/ A Tarde On Line)
21.05 - Vacinação contra hepatite
B
O Ministério da Saúde iniciou esta
semana, até o domingo (24), uma mobilização em 11
estados do Brasil onde a cobertura da vacina contra hepatite B está
abaixo de 50%. A notificação de casos de hepatite B subiu
cerca de 90% em uma década. Em 1997, foram registrados 6.098 casos.
Em 2007, 11.560. Ao todo, de 1999 a 2008, foram notificados 107.346 casos
das hepatites (A, B, C e D) no Brasil.
Será vacinada a população
na faixa etária entre 10 a 19 anos.O público alvo da campanha
é justificado porquê, somente em 1998, a vacina contra a hepatite
B foi incluída no calendário nacional de vacinação
infantil. Muitas das crianças e adolescentes nascidas antes de 1997
não foram imunizadas.
O Rio Grande do Norte é um exemplo dessa
estatística, as cidades como Natal, Mossoró, Parnamirim,
Caicó, Ceará-Mirim, Currais Novos, Extremoz, Nova Cruz, Parelhas,
São Gonçalo do Amarante e Touros serão priorizadas
no estado.
A mobilização terá início
nas escolas que aderiram ao Programa Saúde na Escola (PSE), uma
vez que nessas escolas, já são desenvolvidas ações
de prevenção e promoção da saúde. Uma
das dificuldades, apontadas pelo ministério em relação
ao público adolescente, é que a vacina é aplicada
em três doses. A imunização é a forma mais efetiva
de prevenir a hepatite B. Estão previstas mobilizações
comunitárias na Av. Engenheiro Roberto Freire e na Universidade
Potiguar.
Doença
A hepatite é uma inflamação
do fígado que pode ser causada por vírus ou por alguma reação
do organismo a substâncias tóxicas como álcool ou medicamentos.
As hepatites que podem passar de uma pessoa para outra são chamadas
de hepatites virais e as mais comuns são causadas pelos vírus
A, B, C ou D. Por ser silenciosa e na maioria das vezes não apresentar
sinais nem sintomas, a hepatite não chama a atenção
das pessoas. Entretanto, há formas mais graves da doença
que podem levar à cirrose ou ao câncer de fígado.
Estima-se que existam, no mundo, dois bilhões
de pessoas infectadas pelo vírus da hepatite B e dessas, 350 milhões
vivam com infecção crônica. No Brasil, as hepatites
são doenças de notificação obrigatória
e os casos são registrados no Sistema de Informações
de Agravos de Notificação (Sinan).
Prevenção
Para se prevenir contra as hepatites B e C, é
preciso usar camisinha nas relações sexuais; ao fazer tatuagem
ou colocar piercing, exigir tinta descartável e instrumentos esterilizados;
não compartilhar material para fazer as unhas e exigir utensílios
esterilizados; não compartilhar lâminas de barbear ou de depilar,
escovas de dentes. Caso a pessoa seja usuário de drogas, a política
de redução de danos do Ministério da Saúde
preconiza que ele não compartilhe seu equipamento, pois agulhas,
canudos e cachimbos contaminados também transmitem hepatites B e
C.
Existe vacina contra a hepatite B e o tratamento
para as hepatites B e C é disponibilizado pelo Sistema Único
de Saúde (SUS). Para informações mais detalhadas sobre
a doença e o seu tratamento,o ministério da saúde
recomenda que se procure uma unidade de saúde mais próxima.
(DN Online)
20.05 - OMS: Gripe suína e aviária podem fundir
O vírus da nova gripe A (H1N1) deve continuar se espalhando
rapidamente entre pessoas, países e ao redor do mundo, disse na
segunda-feira (18) a diretora geral da Organização Mundial
da Saúde (OMS).
Margaret Chan disse que a nova cepa do vírus pode oferecer risco
particular caso ela se misture com a do vírus H5N1, da gripe aviária,
que é mortal em aves mas que raramente se transmite entre pessoas.
Ele também pode causar riscos a pessoas com Aids e tuberculose
e em favelas superpovoadas, disse Chan.
Apesar do rápido aumento do número de transmissões
domésticas da doença no Japão, a agência decidiu
não elevar o alerta de pandemia, que está no nível
5 entre 6 -o que significa que o risco de uma epidemia de alcance mundial
segue iminente.
"Estamos em um momento de grande incerteza", disse Chan, ao comentar
que ninguém sabe ao certo quanto tempo vai durar o aumento de número
de casos leves da doença ao redor do mundo.
8.829 casos
O número de casos registrados da nova gripe pelo mundo atingiu
8.829 nesta segunda-feira (18), com 74 mortes, segundo o relatório
diário da OMS.
No domingo (17), havia 8.480 casos em 39 países. A OMS acrescentou
o Chile à lista.
O México, país em que surgiu a epidemia, tem 3.103 casos
confirmados em laboratório, com 68 mortes. Os EUA têm 4.714
casos, com 4 mortes. No Canadá, há 496 casos e uma morte.
A Costa Rica tem 9 casos e uma morte. (G1)
20.05 - OMS não eleva nível de alerta
Governos deixaram as questões de saúde de lado e promoveram
uma ofensiva política para evitar, na segunda-feira, que a Organização
Mundial da Saúde (OMS) declarasse uma pandemia da nova gripe, o
que seria a primeira do século 21.
Alguns técnicos da entidade estimaram que os números
de casos e países afetados já seriam suficientes para decretar
o nível máximo de alerta. Mas México, Brasil, China,
Japão, Reino Unido, países árabes e outros alertaram
que novos critérios devem ser incluídos na avaliação
de uma eventual declaração de pandemia.
Com isso, conseguiram frear sua declaração. Por sua vez,
o governo americano foi mais pragmático e alertou que o vírus
vai continuar a se espalhar por todo o mundo e que o surto “não
está terminando”.
Ontem, a Assembleia Mundial da Saúde abriu sua reunião
anual em Genebra sob a ameaça da declaração da pandemia.
Já são 8,8 mil casos da gripe, com 135 casos no Japão
e mais de cem na Espanha e Reino Unido, além do epicentro na América
do Norte.
No Brasil, que tem 20 casos suspeitos da doença, pesquisadores
do Instituto Oswaldo Cruz anunciaram ontem que mapearam sequências
genéticas do vírus da nova gripe encontrados em três
casos confirmados no Brasil. O sequenciamento possibilita a comparação
entre os vírus encontrados no País e os detectados em outras
partes do mundo. (A Notícia)
20.05 - Brasil faz convênio com EUA para transplante de medula
O Instituto Nacional de Câncer (INCA), a Fundação
do Câncer e o National Marrow Donor Program (NMDP), registro de doadores
de medula óssea dos Estados Unidos, assinaram na segunda-feira um
convênio de cooperação. O documento permite que os
pacientes de outros países recebam doações dos brasileiros.
O registro de doadores dos EUA é o maior do mundo e atualmente conta
com 13,2 milhões de pessoas. O Brasil vai entrar nesta rede com
quase um milhão de doadores do Registro Nacional de Doadores Voluntários
de Medula Óssea (REDOME), gerenciado pelo INCA
De acordo com Luiz Antonio Santini, diretor-geral do INCA, o convênio
acontece em um momento importante para o País, de desenvolvimento
tecnológico e científico na área de transplante de
medula óssea. "Há muitos anos temos uma relação
de trabalho com o NMDP, que tem sido parceiro nas buscas de doadores internacionais
para os pacientes brasileiros. Vamos agora garantir a reciprocidade deste
gesto", afirmou Santini
No ano passado foram gastos R$ 5,5 milhões com as buscas internacionais,
valor referente aos exames confirmatórios de compatibilidade, internação
do doador e retirada da medula. O convênio com o NMDP prevê
a cobrança, pelo REDOME, destes mesmos serviços, o que vai
trazer economia para o Ministério da Saúde e em longo prazo,
investimentos em melhorias no sistema brasileiros de transplante de medula
óssea. (Agência Estado)
19.05 - Odontoprev anuncia bom resultado
A OdontoPrev divulgou na sexta-feira seus resultados do primeiro trimestre.
O crescimento do número de associados foi de 20%, atingindo
cerca de 2,6 milhões de vidas. A receita líquida no trimestre
foi de R$ 86,7 milhões, 20% acima do mesmo período do ano
anterior.
A OdontoPrev praticou um preço-médio de R$ 12,33 no primeiro
trimestre, superior aos R$ 11,83 do primeiro trimestre de 2008. A forte
geração de caixa de R$ 22 milhões permitiu à
OdontoPrev terminar o mês de março com R$ 193 milhões
de caixa, sem qualquer dívida. O lucro líquido do período
por ação se manteve estável em R$ 0,62. (SegurosInf)
19.05 - Gripe - Busca por informações tem alta de 61%
O número de ligações do Disque Saúde subiu
61% entre os dias 27 de abril e 6 de maio em consequência do surgimento
de casos de gripe A (H1N1) no mundo e no Brasil. O serviço de atendimento
à população é disponibilizado pelo Ministério
da Saúde para sanar dúvidas.
Segundo o ministério, grande parte das pessoas que procuraram
o Disque Saúde nas últimas semanas buscava informações
sobre a definição da doença, os seus sintomas, a situação
no país e as medidas de prevenção que deveriam adotar.
Com a procura maior, a média diária de ligações
subiu de 19.400 para 34.500. O número, contudo, poderá baixar
no próximo balanço do Ministério da Saúde,
já que o país não apresenta novos casos da gripe suína
há mais de uma semana. Foram oito os casos comprovados da doença
no Brasil até o momento -dois dos infectados contraíram a
gripe no país.
Três dos pacientes infectados são do Estado do Rio de
Janeiro e outros dois moram em São Paulo. Minas Gerais, Santa Catarina
e Rio Grande do Sul tiveram um contaminado cada.
Em seus boletins diários, o Ministério da Saúde
vem informando que "não há evidências de sustentabilidade
da transmissão de pessoa a pessoa" e que os Estados com casos confirmados
não devem ser considerados áreas afetadas.
Com o aparecimento dos casos no Brasil e as dúvidas geradas
na população, o Ministério da Saúde acabou
incluindo no menu do Disque Saúde a opção 8, destinada
exclusivamente a dúvidas sobre a nova gripe.
O atendimento do Disque Saúde é feito por meio de mensagens
previamente gravadas ou em contato com atendentes.
Disque Saúde: 0800-61-1997 (Folha de S.Paulo)
19.05 - Idosos podem estar imunes
O Centro Europeu para Controle e Prevenção de Doenças
(ECDC, em inglês), agência da União Europeia (UE), acredita
que a maior incidência da gripe suína entre os jovens pode
ser devido a que a população de mais idade tem algum tipo
de imunidade em relação ao vírus A H1N1.
Após analisar os dados oferecidos pelas autoridades sanitárias
mexicanas, os especialistas europeus concluíram que "não
se pode descartar que os grupos de população maior tenham
alguma imunidade, devido à exposição prévia
a vírus semelhantes", disseram ontem, em comunicado oficial, os
médicos do ECDC, que tem sede em Estocolmo. Eles trabalham com duas
hipóteses: as características específicas do novo
vírus, ou que este esteve circulando principalmente entre crianças
e adultos jovens e ainda não começou a se propagar entre
a população mais velha.
O centro destacou, no entanto, a necessidade de "continuar investigando"
para aprofundar nas razões do maior índice de contágios
entre jovens.
Os contágios mais frequentes do vírus no México
ocorreram entre a população mais jovem, com 2,9 casos para
cada cem mil pessoas de entre 10 e 19 anos, e com 2,8 contágios
para cada cem mil crianças de entre 0 e 9 anos. No outro extremo
está a população da terceira idade, com apenas 0,6
contágio para cada cem mil pessoas. (Jornal de
Brasília)
19.05 - EUA: A vida melhor e maior
A notícia de que o programa de saúde Medicare pode esgotar
seus recursos é um novo choque para os EUA
Em meio à guerra cada vez mais intensa no Paquistão e
no Afeganistão e a alguns sinais de que a Grande Recessão
na verdade ainda não chegou ao fundo, surgiu novo choque para muitos
norte-americanos, na semana passada: o programa de saúde Medicare,
que oferece cobertura federal a quase 40 milhões de pessoas com
mais de 65 anos, estaria a ponto de esgotar completamente seus recursos
em 2017. Um aumento projetado de 30% no número de pessoas maiores
de 65 anos, combinado a um aumento de 50% nos custos médios de saúde,
superaria o valor total das contribuições correntes para
o fundo.
A desanimadora notícia surgiu em meio a um esforço sério
-tal como o presidente Obama havia prometido em sua campanha- de reorganizar
a cobertura médica para todos os norte-americanos. Ele se reuniu
com médicos, dirigentes de companhias farmacêuticas e de operadoras
de plano de saúde e outras partes interessadas, na semana passada.
Desde abril, o Senado vem conduzindo audiências sobre o assunto.
Um novo plano deve surgir dentro de meses. E já não era
sem tempo.
Por um lado, os desembolsos totais com serviços de saúde
nos EUA representam hoje o equivalente a 17% do PIB, proporção
que já supera a reservada à poupança doméstica.
Por outro, 46 milhões de pessoas estão hoje desprovidas
de cobertura médica e outros 25 milhões têm cobertura
insuficiente. Embora os eventuais custos de emergência que incidem
sobre essas pessoas terminem (indiretamente) repassados aos cidadãos
que contam com planos de saúde completos, via aumentos de preço,
essa solução é ineficiente. Há também
a questão do alto custo dos medicamentos e do padrão inadequado
de tratamento, em um país que dispõe da mais avançada
tecnologia do planeta.
A saúde é mais que um problema nacional nos EUA. Trata-se
de questão de alcance mundial, vinculada à realidade demográfica
de taxas de natalidade em progressivo declínio.
Em alguns países, como o Japão, já existe um declínio
populacional em curso. A consequência é que a proporção
dos idosos na população aumenta. O "Financial Times" abordou
o caso da China. Lá, depois de anos de inação, o governo
prometeu a extensão da cobertura nacional de saúde a 90%
da população até 2011.
O Brasil é mencionado na mesma reportagem do "Financial Times",
como o país com o maior investimento em saúde entre os Brics
(Brasil, Rússia, Índia e China), com índice de quase
9% da renda pessoal dedicado à área. O SUS obteve grande
sucesso em criar cobertura universal de saúde e merece crédito.
Mas são os planos privados e os gastos pessoais de saúde
em montante superior à metade do desembolso total que fazem o investimento
brasileiro em saúde comparável ao dos países da OCDE
(Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento
Econômico), em termos de proporção da renda. Esse é
o preço de uma posição de tamanha proeminência
na comunidade médica internacional. Com as mudanças da distribuição
demográfica e, esperamos, da distribuição de renda
no Brasil, agora talvez seja o momento de começar a considerar as
consequências, antes que os aumentos nos desembolsos com a saúde
continuem a se acumular.
Tampouco seria correto ignorar o lado positivo dessa pequena história.
As pessoas em toda parte agora podem viver vidas mais longas e melhores,
e não só em razão do acesso ao conhecimento científico
cada vez mais amplo. A melhora na saúde pública e mais atenção
à medicina preventiva podem fazer grande diferença, igualmente,
e estão disponíveis a preços muito inferiores aos
dos mais sofisticados serviços médicos.
(ALBERT FISHLOW, tradução de PAULO MIGLIACCI - Folha
de S.Paulo)
18.05 - Planejamento familiar:
Definições
pendentes
A cobertura de procedimentos de planejamento
familiar. “Planejamento familiar agora será coberto
como um todo. Antes era só a contracepção. Por exemplo,
o uso de DIU, de laqueadura, de vasectomia. Agora a concepção
também, ou seja, a fertilização, a fecundidade da
mulher ou do homem estarão protegido pelos planos de saúde”,
disse a senadora Serys Slhessarenko, que foi relatora do projeto.
Clientes e empresas esperam da ANS lista de procedimentos mínimos
de métodos conceptivos. (AssPreviSite)
18.05 - Gripe já infectou quase 6.500 em todo o mundo
Boletim divulgado na quinta-feira pelo Organização Mundial
da Saúde (OMS) indica que a gripe suína já infectou
6.497 pessoas em todo o mundo. A quantidade de países atingidos
pela doença, entretanto, permanece em 33.
O México já notificou 2.446 casos da doença e
60 mortes. Os EUA registram 3.352 casos e três mortes. O Canadá
relatou 389 pessoas infectadas e uma morte, e a Costa Rica permanece com
oito casos confirmados e uma morte.
Outros países com casos confirmados, mas sem nenhuma morte são:
Argentina (um) Austrália (um) Áustria (um), Brasil (oito)
China, (quatro), Colômbia (sete) Cuba (um), Dinamarca (um), El Salvador
(quatro), Finlândia (dois) França (14), Alemanha (12), Guatemala
(três), Irlanda (um), Israel (sete), Itália (nove), Japão
(quatro) Holanda (três), Nova Zelândia (sete), Noruega (dois)
Panamá (29) Polônia (um) Portugal (um), República da
Coréia (três), Espanha (100), Suíça (um) Suécia
(dois) Reino Unido (71) e Tailândia (dois).
De acordo com o relatório, o surto é grave e requer monitoramento
atento.
Keiji Fukuda, diretor-geral assistente da OMS, afirmou que a agência
da Organização das Nações Unidas (ONU), manteria
o nível de alerta pandêmico em 5 (o segundo mais alto), apesar
de o vírus ter infectado 6.497 pessoas em 33 países.
- Se observarmos mudanças na gravidade, deixaremos o mundo saber.
Esse é um evento grave e requer monitoramento atento - disse, em
coletiva.
Especialistas em vacina reunidos pela OMS na quinta-feira não
chegaram a uma conclusão sobre se tal mudança deveria ocorrer
ou se a cepa H1N1 deveria ser incluída na mistura da injeção
da gripe sazonal, afirmou Fukuda.
Brasil tem 38 casos suspeitos
São 38 os casos suspeitos de gripe suína no Brasil, segundo
balanço do Ministério da Saúde, divulgado também
nesta quinta. Além disso, 24 casos estão em monitoramento
em sete estados e no Distrito Federal e 217 foram descartados.
Foram confirmados oito casos da doença no país, nos estados
do Rio de Janeiro (três), de São Paulo (dois), de Minas Gerais
(um), do Rio Grande do Sul (um) e de Santa Catarina (um).
Apresentam casos suspeitos os estados de Minas Gerais (sete), do Rio
de Janeiro, (sete), de Pernambuco (cinco), de São Paulo (cinco),
de Alagoas (dois), do Goiás (dois), do Ceará (um), do Pará
(um), do Piauí (um), do Rio Grande do Sul (um) e de Rondônia
(um), além do Distrito Federal (cinco).
Segundo o último boletim da Organização Mundial
de Saúde (OMS), a gripe suína infectou 6.497 pessoas em todo
o mundo e 33 países registraram ocorrências da doença.
(Monitor Mercantil)
18.05 - CFM: Assistência ao parto
Membros da Comissão de Parto Normal, do Conselho Federal de
Medicina (CFM), reuniram-se na quinta-feira com o diretor do Departamento
de Ações Programáticas Estratégicas (DAPE),
do Ministério da Saúde, José Luis Telles, para falar
da qualificação da assistência ao parto.
Com representação do CFM, Federação Brasileira
das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo),
Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj), Sociedade
Brasileira de Pediatria (SBP), Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa), Conselho Regional de Medicina do Estado de São
Paulo (Cremesp) e Associação de Obstetrícia e Ginecologia
do Estado de São Paulo (Sogesp), a Comissão apontou a necessidade
do parto seguro: “Colocamos como necessária a modificação
da Portaria nº 985, do Ministério da Saúde [que cria
o Centro de Parto Normal, no âmbito do Sistema Único de Saúde].
E vamos desenvolver discussões para encaminhamento dessas questões”,
explicou o coordenador da Comissão e conselheiro federal do CFM,
José Fernando Maia Vinagre.
Em seguida, os membros da Comissão convidaram a representante
da Anvisa, Maria Angela da Paz, para uma reunião na sede do CFM,
onde foi debatida a revisão da Resolução da Diretoria
Colegiada (RDC) nº 36, de 2008, da Anvisa, que dispõe sobre
regulamento técnico para funcionamento dos serviços de atenção
obstétrica e neonatal. Esta revisão acontece a pedido do
CFM e da Febrasgo.
Nessa reunião foram avaliados vários aspectos do funcionamento
das unidades de saúde relacionadas ao parto. “Agora vamos debater
o elevado número de cesarianas na saúde suplementar. Um projeto
para enfrentar essa questão está sendo desenhado pelas entidades
que compõem a Comissão e a ANS”, explica o conselheiro federal
do CFM, Aloísio Tibiriçá, enfatizando que o objetivo
é traçar um retrato o mais próximo possível
desta realidade, levando em consideração a situação
da gestante, do médico, dos hospitais e das próprias operadoras.
(CFM)
15.05 - EUA: Reforma da saúde até
o final de julho
Washington - Barack Obama, presidente dos Estados
Unidos, afirmou ontem que o Congresso está trabalhando para aprovar
uma revisão do sistema de saúde norte-americano até
o final de julho. Na terça-feira, autoridades informaram que o setor
deve entrar em colapso antes do previsto por Washington. "Não temos
desculpas. Tudo está alinhavado", disse Obama após encontro
na Casa Branca com Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Deputados
e lideranças democratas. Representantes do partido republicano criticam
o plano de Obama de criar um novo fundo para a saúde afirmando que
essa medida elevaria ainda mais o enorme déficit orçamentário
dos Estados Unidos. (DCI)
15.05 - Vírus pode ter surgido de
erro em laboratório
Organização Mundial da Saúde diz que vai investigar
suspeita
A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou
que seus cientistas investigarão a hipótese de um especialista
australiano de que o vírus da gripe A foi produto de um erro humano
em laboratório.
O porta-voz da OMS, Gregory Hartl, declarou:
– Pedimos a nossos especialistas para que determinem se há provas.
Por enquanto, é cedo demais para dizer algo o respeito.
A gripe A já atinge 5.728 pessoas em 33 países, incluindo
61 mortes. Segundo novo balanço da organização, os
Estados Unidos mantêm o maior número de casos da doença,
com 3.009 registros, incluindo três mortes – um bebê mexicano
e uma professora americana no Texas e um homem em Washington.
O México, considerado epicentro da gripe, tem 2.059 casos da
doença e o maior número de vítimas: 56. O Canadá
registrou 358 casos confirmados em laboratório, incluindo uma morte.
A Costa Rica tem oito casos registrados, incluindo também uma morte.
A OMS registra ainda casos da doença na Espanha (98), Reino
Unido (68), Panamá (29), França (13), Alemanha (12), Itália
(9), Israel (7), Nova Zelândia (7), Colômbia (6), Japão
(4) e El Salvador (4). Guatemala, Holanda e Coreia do Sul têm três
casos cada.
Já China, Finlândia, Noruega, Suécia e Tailândia
têm dois casos cada. Argentina, Austrália, Áustria,
Cuba, Dinamarca, Hong Kong, Irlanda, Polônia, Portugal e Suíça
têm um caso cada.
Sobe para 37 número de casos suspeitos
O número de casos suspeitos da gripe no Brasil subiu para 37,
segundo relatório divulgado na quarta-feira pelo Ministério
da Saúde. Na terça-feira, eram 32. A quantidade de casos
confirmados permanece sendo oito.
Os casos suspeitos estão nos estados de São Paulo (14),
Minas Gerais (7), Pernambuco (3), Rio de Janeiro (3), Alagoas (2), Ceará
(1), Pará (1), Rio Grande do Sul (1), Rondônia (1) e no Distrito
Federal (4). Santa Catarina teve um caso confirmado – uma menina, em Florianópolis
–, mas a paciente já recebeu alta. (Diário Catarinense)
15.05 - Genéricos crescem 19% ao ano
Apesar da crise, vendas batem recorde e levam
laboratórios multinacionais a aumentar investimentos no Brasil
Há seis meses, o suíço Stefan
Prebil, executivo da Sandoz, divisão de genéricos da farmacêutica
Novartis, foi destacado para uma missão. Ele deixaria o comando
de uma das mais importantes operações da empresa - em sua
matriz, na Suíça - rumo ao Brasil, onde a Sandoz desembarcou
há dois anos. A transferência de um dos mais altos diretores
da multinacional para o País começa a fazer sentido quando
se analisa o desempenho da empresa por aqui. Em dois anos, o mercado brasileiro
passou de 13ª para 7ª posição entre os maiores
da Sandoz. Desde janeiro, o segmento da empresa, de genéricos, cresceu
19% e movimentou perto de R$ 1 bilhão no País, segundo dados
divulgados ontem. (veja texto ao lado)
Voltar os olhos para os emergentes, como faz
a Sandoz/Novartis, tem sido a estratégia de várias multinacionais
do setor, que, tradicionalmente, sempre tiveram suas receitas ligadas aos
mercados da América do Norte, Europa e Japão. O Brasil aparece
de forma ainda mais clara no radar das empresas graças ao sucesso
da indústria de genéricos, que cresce a dois dígitos
há mais de cinco anos, após o governo ter regulamentado sua
produção em 1999.
Mas os genéricos não são
o único motor desse movimento. "O mercado pouco explorado e mais
estável e transparente que os de China e Índia faz com que
o Brasil seja a bola da vez no setor", afirma Luís Madasi, líder
de serviços para a indústria farmacêutica da PriceWaterhouseCoopers.
Segundo ele, boa parte de população ainda tem pouco - ou
nenhum - acesso a medicamentos no País. "Isso significa alto potencial
de crescimento do mercado."
Essa realidade pode facilitar a tarefa do novo
presidente da Sandoz no Brasil: fazê-la crescer 30% este ano. Segundo
Prebil, que passou os últimos meses estudando a língua portuguesa
em um curso intensivo de fim de semana e visitando representantes do governo,
parceiros e concorrentes, as perspectivas são animadoras. "O Brasil
tem o maior mercado de genéricos na América Latina, economia
estável e inflação sob controle", afirma.
O executivo afirma que essas condições
colocaram o País como prioritário entre os mercados emergentes
em que a Sandoz atua, à frente de Rússia, Índia e
China. A empresa tem urgência em expandir nesses mercados, já
que cerca de 80% das vendas mundiais estão concentradas em países
da Europa e Estados Unidos. "Com a crise, essa concentração
não tem sido positiva."
O Brasil já é o maior mercado entre
os emergentes para a francesa Sanofi-Aventis. Há pouco mais de um
mês, ela reforçou essa posição com a compra
do laboratório especializado em genéricos Medley, de Campinas
(SP). Até então, a companhia tinha uma participação
residual no segmento, de 3%. Com a Medley, passou a 41%.
De quebra, levou a liderança em faturamento
entre as maiores farmacêuticas do País. "Os genéricos
não vão parar de crescer tão cedo. Eles têm
cerca de 15% do mercado no País e ainda podem atingir 30%", diz
o diretor-geral da Sanofi-Aventis no Brasil, Heraldo Marchezini.
Os franceses também planejam transformar
a fábrica da Medley em plataforma de exportação para
outros países, principalmente da América Latina. As exigências
da legislação brasileira para o setor - "uma das mais avançadas
do mundo", segundo o presidente da Medley, Jairo Yamamoto - faz com que
os medicamentos produzidos aqui entrem com facilidade em outros mercados.
ASSÉDIO
A Medley foi a primeira a sucumbir ao assédio
das estrangeiras. Desde a regulamentação do mercado de genéricos,
as brasileiras deslancharam e assumiram, com folga, a liderança
da indústria. Dos cinco maiores laboratórios farmacêuticos
do País, três (EMS, Eurofarma e Aché) eram brasileiros
e produtores de genéricos. A situação mudou com a
venda da Medley para os franceses. Agora a tendência é que
seus concorrentes se apressem para buscar posições no setor.
A Sandoz não esconde que está com
apetite para aquisições. "As nacionais dominam porque foram
pioneiras no mercado e tiveram agilidade. Mas a tendência é
a consolidação dos grandes ?players? e temos certeza de que
estaremos entre eles", diz Stefan Prebil.
Segmento já têm 17,7% do mercado
farmacêutico
Em crescimento acelerado há mais de dez
anos, o segmento de genéricos deve bater novo recorde este ano.
No primeiro trimestre de 2009, as vendas desses medicamentos cresceram
19,4% ante o ano anterior, movimentando R$ 939 milhões. A participação
do segmento no mercado farmacêutico chegou a 17,7%.
Segundo o presidente da Associação
das Indústrias de Medicamentos Genéricos, Odnir Finotti,
o mercado tem se beneficiado da crise, ao receber consumidores que migraram
para esses medicamentos em um cenário de contenção
de gastos. "Tivemos crescimento acima do esperado para o momento econômico
atual", diz.
Segundo Luís Madasi, da PriceWaterhouse,
esse desempenho faz da participação no setor fator determinante
para uma empresa obter posição de destaque no País.
"Para ser grande aqui é preciso, de alguma forma, olhar para esse
mercado." (Marianna Aragão - O Estado de S.Paulo)
14.05 - EUA: Saúde e previdência estão à
beira da falência
As projeções financeiras para os setores de saúde
pública e seguridade social dos Estados Unidos pioraram de maneira
significativa uma vez que a crise da economia e a crescente taxa de desemprego
aproximaram da insolvência ambos os programas, segundo um informe
sombrio divulgado ontem pela administração do presidente
Barack Obama.
O novo cenário aponta que o fundo de saúde pública
se esgotará em 2017, apenas um ano após a saída de
Obama, caso ele seja reeleito para um segundo mandato. Até o ano
passado acreditava-se que o fundo duraria até 2019.
Os administradores dos fundos de pensão também informaram
que o programa de seguridade social deve esgotar-se em 2037, quatro anos
antes do previsto. Estas projeções baseiam-se no fato de
que não haverá mudança nos atuais benefícios,
políticas e taxas fiscais.
Ambos os programas, que atendem mais de 50 milhões de cidadãos
americanos, atravessam um momento difícil devido, em grande parte,
à atual recessão.
Há milhões de pessoas a menos no mercado de trabalho
contribuindo com os impostos que sustentam os programas, ao mesmo tempo
em que os custos com a saúde e os pagamentos de aposentadoria continuam
a subir, já que os americanos estão vivendo cada vez. Calcula-se,
agora, que os gastos com saúde pública superarão os
gastos com seguridade social em 2028.
O secretário do Tesouro americano, Timothy F. Geithner, afirmou
na terça-feira em nota que as novas previsões ressaltam a
necessidade de uma ação bipartidária para enfrentar
o problema por meio do que chamou de "mudanças difíceis,
porém possíveis".
"É por isso que mesmo quando o presidente se focalizou em arrancar
nosso país da recessão econômica, deixou claro seu
compromisso de trabalhar de modo bipartidário para acessar no longo
termo o setor de saúde em relação ao Medicare e seguridade
social" e, acrescentou, "não apenas repassar nossas dívidas."
O prazo de vencimento reduzido para a insolvência da seguridade
social não significa que os futuros aposentados nada receberão
após essa data.
Os administradores observaram que mesmo quando o fundo mútuo
da seguridade social se exaurir em 2037, a receita com os impostos possivelmente
continuará entrando. Mas os benefícios serão limitados
ao valor pago naquele ano, e provavelmente continuarão a ser feitos
na base de apenas 75% do nível prometido - três pontos percentuais
a menos do que foi projetado no relatório do ano passado.
O cenário mais pessimista enfrentado pelos dois programas irá
complicar os planos de gastos de Obama e suas ambições políticas.
Anteontem, a Casa Branca ampliou suas estimativas para o déficit
orçamentário federal este ano, para US$ 1,84 trilhão,
o maior já registrado.
O líder da maioria na Câmara de Representantes, Steny
H. Hoyer de Maryland, incitou na semana passada a um esforço bipartidário
para consertar as finanças da seguridade social no longo prazo.
Outros líderes democratas foram contrários a resolver, no
momento, este tema. (Gazeta Mercantil/The New York Times)
14.05 - Um terço da população
mundial pode ser infectado
Pesquisa realizada pela Universidade Imperial
College de Londres dá a entender que um terço da população
mundial poderá ser infectado pela gripe suína. "Este vírus
realmente tem o potencial total para a pandemia. Deverá se espalhar
pelo mundo todo nos próximos seis a nove meses e, quando isso acontecer,
vai afetar cerca de um terço da população", disse
o professor Neil Ferguson, que liderou a pesquisa, à Rádio
4 da BBC.
O estudo britânico toma como base dados
coletados no México no final de abril, mas não faz estimativa
do possível número de mortos devido à gripe. O estudo
foi publicado na revista especializada Science. (Fenaseg)
14.05 - Vacina contra gripe suína vai demorar meses
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou
na terça-feira que a fabricação de uma vacina que
combata o vírus H1N1 vai demorar meses. Durante audiência
pública no Senado, ele lembrou que não há evidência
de que a vacina para a gripe comum ofereça imunidade contra a gripe
suína.
Temporão informou ainda que o ministério negocia a aquisição
de 800 mil tratamentos para a doença. A pasta já dispõe
de 6.250 tratamentos para adultos e de 6.250 infantis estocados e prontos
para utilização.
Para o ministro, a quantidade de leitos disponível na rede pública
de saúde 829 e os kits distribuídos para as secretarias de
Saúde do país, até o momento, são suficientes.
Ele lembrou, entretanto, que apenas três laboratórios brasileiros
podem diagnosticar o vírus H1N1 e que o exame laboratorial pode
levar até dez dias para ser concluído. (Agência Brasil/
Portal Verdes Mares)
14.05 - Casos de dengue caem 49% no Brasil
Os casos de dengue no Brasil caíram 49% este ano em relação
ao ano passado. Essa é a principal constatação de
novo balanço parcial da doença, divulgado pelo Ministério
da Saúde. Os números mostram que o país registrou
226.513 notificações de dengue nas primeiras 15 semanas deste
ano (1º de janeiro até 11 de abril). No mesmo período
de 2008, o total chegou a 440.360 casos. De acordo com os novos dados,
18 estados e o Distrito Federal registraram redução no número
de casos de dengue em relação a 2008. Outros oito registraram
aumento – Acre, Amapá, Roraima, Bahia, Minas Gerais, Espírito
Santo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul (veja tabela com casos notificados
no período).
A análise do quadro do ponto de vista regional também
mostra evolução favorável dos números. Todas
as regiões também registraram queda: no Sudeste foi de 66%,
no Sul de 58,36%, no Nordeste de 31,47%, no Norte de 30% e no Centro-Oeste
de 13,71%. No entanto, embora o quadro geral seja positivo, o Ministério
da Saúde reforça o alerta junto à população
e às secretarias estaduais e municipais para manterem as ações
de rotina contra a doença e que as intensifiquem, se for detectado
aumento de casos. (Agência Saúde)
13.05 - Portabilidade: Passo a passo de como exercê-la
A portabilidade nos planos de saúde, que permite ao consumidor
trocar de operadora sem precisar cumprir novas carências, entrou
em vigor no último dia 15 de abril, após publicação
da Resolução Normativa 186/2009, de autoria da ANS (Agência
Nacional de Saúde Suplementar), no Diário Oficial da União.
De acordo com a assessoria de imprensa da Agência, ainda não
há um balanço indicando quantas pessoas já se beneficiaram
do novo direito. Contudo, a medida tem potencial para alcançar 6
milhões de usuários, será que você é
um deles? Pense e responda às seguintes perguntas:
A data de assinatura do seu plano ou da renovação deste
é posterior a 1 de janeiro de 1999? O seu plano é individual
ou familiar? As suas mensalidades estão em dia? O seu plano encontra-se
vigente há mais de dois anos ou há mais de três anos,
se quando de sua assinatura você era portador de doenças pré-existentes?
E agora?
Segundo a advogada, especialista em Direito do Consumidor, do escritório
R.Silva e Advogados, Fernanda Figueiredo Malagutti, caso suas respostas
tenham sido positivas para todas as questões anteriores, você
é um dos beneficiários em potencial. Portanto, na hipótese
de estar descontente com sua atual seguradora, tome as seguintes providências:
Escolha um plano de saúde de destino compatível ao seu plano
de origem, ou seja, preço, acomodação e abrangência
geográfica igual ou inferior ao plano de origem;
Faça o pedido de alteração do plano entre o primeiro
dia do mês de aniversário do contrato e o último dia
do mês subsequente;
Comunique à operadora do plano de destino sua intenção
de utilizar o direito de portabilidade e entregue cópias autenticadas
dos últimos três comprovantes de pagamento e do contrato da
operadora de origem;
Aguarde por 20 dias a resposta do plano de destino. No caso de não
haver manifestação neste prazo, presume-se a aceitação
do seu pedido e, assim, você poderá exigir a proposta de adesão
para assinatura;
Quando receber a proposta de adesão, confira todas as cláusulas
e certifique-se de que não há a previsão de carências
a serem cumpridas. Além disso, exija que o termo inicial do plano
de destino coincida com o termo final do plano de origem e peça
também a comprovação por escrito de que a seguradora
de destino comunicou sobre a contratação do novo plano à
operadora de origem;
Exija da operadora de origem documento comprovando a extinção
do plano anterior imediatamente antes do início da entrada em vigor
do novo plano;
Só assine o contrato se tiver certeza de que todas as condições
foram cumpridas.
Lembre-se
Vale lembrar que a operadora de destino só poderá negar
a contratação do plano no caso de não estarem preenchidos
os requisitos legais, sendo que a mesma terá a obrigação
de devolver eventuais valores pagos a título de adiantamento.
A advogada destaca, também, que a portabilidade de carências
ainda não está disponível para os planos firmados
e não renovados antes de 1999 e para os usuários de planos
de saúde coletivos ou empresariais. (InfoPessoal)
13.05 - Impactos da crise financeira nos custos hospitalares
De acordo com o executivo, Eduardo Regonha, os impactos da crise imternacional
não podem ser generalizados
O agravamento da crise financeira internacional tem trazido novos desafios
ao cenário econômico global. Com início no último
trimestre de 2008, a crise fez com que investidores brasileiros passassem
a uma controladoria atuante com orçamento integrante a um planejamento
estratégico, além de uma área financeira dinâmica.
Desafios esses, chamados de "lição de casa" pelo diretor
técnico executivo da Planisa, Eduardo Regonha.
Para ele, a crise financeira internacional trouxe ao Brasil alguns
impactos intensos e outros nem tanto. "Muitos prestadores de serviços
ficaram felizes com a crise, porque aumentou a demanda de serviço.
Porém, isso prejudica as operadoras de planos de saúde e,
ao mesmo tempo, favorece os hospitais que por si só aumentaram suas
produtividades", exemplifica Regonha.
De acordo com o executivo, os impactos não podem ser generalizados,
em vista que a crise financeira foi muito severa provocando uma queda acentuada
da rentabilidade. Assim, o efeito mais grave se dá a perda de confiança
no sistema financeiro, e os impactos imediatos ficaram por conta dos produtos
atrelados ao dólar, materiais, medicamentos, equipe e a dificuldade
das operadoras em repassar os devidos valores para os prestadores de serviços.
"O Brasil já foi muito sensível a crise, por exemplo,
no ano de 1929, mas o fato de hoje o país ter uma reserva cambial
e não adquirir dívidas em dólar fez com que a economia
brasileira se favorecesse. A crise já foi embora e não fizemos
nada", comenta.
Apesar do país se encontrar em uma posição mais
favorável nesse momento quando comparado ao observado nas crises
enfrentadas anteriormente, empresas deve se atentar para o fluxo de caixa
que, segundo Regonha, tem de ser previsto e realizado. "Além disso,
dilatar os prazos de pagamento o máximo possível, se atentando
a taxa de juros, é uma forma de evitar que o impacto chegue ao seu
caixa".
Uma pesquisa realizada em 27 hospitais brasileiros, em abril,
mostra que no período de crise 42% destas instituições
foram pressionadas pelas operadoras de planos de saúde, resultando
no aumento de glosas e dificuldade na realização de exames.
Ainda, conforme a pesquisa, 85% adotaram alguma medida para redução
de custos e 42,8% sofreram, parcialmente, reajustes nos custos de insumos.
"Ao realizar essa pesquisa, pude constatar que nenhum hospital teve
a crise como catastrófica. Sim, teve impacto, mas nenhum centro
hospitalar apresentou grandes quedas, pelo contrário, o faturamento
deles aumentou", afirma Regonha.
Enquanto no Brasil, especialistas apostam que a crise financeira impactou
sem grandes problemas e com previsão para uma maior estabilidade
no terceiro semestre do ano, as implicações sobre a economia
norte-americana serão de um menor crescimento do produto e maior
desemprego mais adiante. Nos Estados Unidos, pesquisas apontam que
estes são alguns dos diversos riscos que ainda há pela frente.
"Outro risco previsto pela pesquisa é que o consumo privado permaneça
em baixa. Importante dizer que esta pesquisa não se restringe somente
aos Estados Unidos, mas também a Zona do euro, o que é relevante
por serem grandes áreas responsáveis pela economia mundial",
conclui.
Impactos da crise nos custos hospitalares
Regonha reafirma que o Brasil está imune e não sentiu
tanto os impactos da crise financeira internacional, mas que de uma forma
menos agressiva provocou aumento nos custos de insumos; atraso no recebimento;
pressão para redução de tabelas; redução
de demanda efeito pós-crise e; alguma dificuldade na captação
de recursos.
"Acredito que o pior já passou, embora ainda haja um rescaldo
em setores específicos".
Como atenuar os impactos gerados?
"A principal forma de atenuar os impactos gerados pela crise é
ter controle de dados para as tomadas de decisões", orienta o executivo.
Para ele, saber negociar, avaliar produtos nacionais em detrimento aos
importadores e pesquisar novos fornecedores são alguns caminhos
para a recuperação. Além disso, Regonha salienta que,
apesar da crise, investimento é sempre necessário, mas com
uma boa análise de viabilidade econômica.
"Precisa reduzir custos, mas redução adequada. Afinal,
há setores que precisam aumentar os custos para melhorar. Tire o
'S' da crise... crie", enfatiza Eduardo Regonha. (Thaia Duo
- Saúde Business Web)
13.05 - Cresce investimento em tratamentos de câncer
Nos últimos dez anos, os gastos do SUS com medicamentos para
tratamento de câncer passou de R$ 300 milhões para mais de
R$ 1 bilhão
A especialista do Ministério da Saúde, Maria Inês
Pordeus Gadelha, anunciou que nos últimos dez anos, os gastos do
Sistema Único de Saúde com medicamentos para tratamento de
câncer passou de R$ 300 milhões para mais de R$ 1 bilhão.
De acordo com Gadelha, 160 mil pacientes fazem tratamento de quimioterapia
no SUS. A cobertura para atendimento é composta por hospitais e
clínicas particulares, e somente o estado de Roraima não
tem uma rede consolidada para oferecer tratamento na área. E ainda,
estas unidades têm, na área de tratamento de câncer,
grande liberdade para determinar o tratamento, fazer a prescrição
dos cuidados médicos e determinar o fornecimento dos medicamentos.
Segundo ela, essa liberdade é necessária porque um mesmo
tumor pode ser tratado com os mesmos medicamentos em várias combinações
e uma demora no tratamento pode fazer o câncer ganhar resistência.
(Saúde Business Web)
12.05 - Judicialização da saúde
A judicialização do acesso à saúde contraria
os princípios do SUS?
NÃO
As verdadeiras causas e consequências
ANDREA LAZZARINI SALAZAR e KARINA BOZOLA GROU
Eestá na pauta do Supremo Tribunal Federal (STF) decidir se
o Poder Judiciário pode obrigar as secretarias da Saúde ao
fornecimento de medicamentos necessários à preservação
da saúde e da vida dos cidadãos que buscam a Justiça.
Ficará decidido se a saúde prevalece sobre o orçamento
estabelecido pelo poder público ou se o inverso. No último
mês de março, o Tribunal de Contas da União (TCU) divulgou
relatório escancarando a ineficiência da Agência Nacional
de Saúde Suplementar (ANS) na garantia do ressarcimento ao Sistema
Único de Saúde (SUS) -devido sempre que um usuário
de plano de saúde é atendido pela rede pública.(Essa
obrigação dos planos exemplifica a liberdade dirigida ditada
pela Constituição, pela Lei Orgânica da Saúde,
pelo Código de Defesa do Consumidor e pela Lei dos Planos de Saúde,
indicando a submissão do privado ao público.) Confirmando
a incompetência da ANS já apresentada em relatório
de 2006, o TCU agora revela que, de 2003 a 2007, a agência deixou
de cobrar R$ 2,6 bilhões de ressarcimento por atendimentos de média
e alta complexidade feitos pelo SUS a usuários de planos de saúde.
Uma compreensão restritiva e compartimentada da saúde
não é capaz de relacionar um fato com o outro. Mas enfrentar
o conjunto de questões que transitam entre o público e o
privado é a chave para a solução de uma infinidade
de problemas que assolam a saúde no país. No caso da judicialização
de acesso aos medicamentos, à medida que a Justiça consagrou
o direito constitucional dos cidadãos de receber os medicamentos
de que necessitam, as secretarias da Saúde começaram a questionar
o fenômeno.
Entre as principais críticas, estão o tratamento individualizado
em prejuízo do coletivo, a desorganização dos serviços,
os maiores preços pagos pelos medicamentos comprados para atender
demandas individuais e o desrespeito a consensos terapêuticos. Sob
o manto de zelar pelo bom uso do dinheiro público, essa retórica
coloca sob os ombros dos cidadãos a culpa por terem que buscar na
Justiça o reconhecimento do seu direito essencial ao medicamento
garantido pela Constituição Federal.
Com todo respeito aos bem-intencionados em defesa do SUS, convém
uma reflexão sobre a inversão da ordem das coisas. A população
sofre com a escassez de medicamentos, leitos hospitalares e atenção
básica não por causa dos recursos gastos para cumprir as
determinações judiciais. O sofrimento desumano a que os cidadãos
são submetidos é culpa dos governantes que não investem
ou empenham corretamente o orçamento destinado à saúde;
é devido à falta de racionalidade, organização,
eficiência e vontade política. Sem o Poder Judiciário
atuante, os governantes que já não obedecem a Constituição
Federal e as leis ficariam mais à vontade para pisotear na saúde
da população.
Portanto, as ações judiciais que reivindicam medicamentos
não são contra o SUS, que é o sistema de saúde
dos cidadãos, e não dos gestores de saúde. É
interesse público que o direito à saúde e a dignidade
humana de cada um, que nos lembra que o homem não tem preço,
sejam respeitados. A independência e o equilíbrio entre os
três Poderes são pilares da Constituição e servem,
entre outras finalidades, para impedir que se cale a voz dos juízes
e dos cidadãos.
É urgente que as três esferas do Poder Executivo busquem
a melhor destinação dos recursos públicos, com eficiência
e sem admitir desvios, além de atuar com rigor para fazer retornar
aos cofres públicos os valores que a ANS não se empenha em
exigir dos planos de saúde, para impedir os abusos dos laboratórios
farmacêuticos, as concessões indevidas de patentes, as publicidades
atentatórias à saúde da população (de
alimentos, medicamentos, bebidas alcoólicas), que tantos ônus
trazem para o SUS. Estaríamos apontando para o rumo correto, em
vez de condenar o cidadão a não receber o medicamento de
que precisa para se manter vivo.
SIM
O STF e os dilemas da saúde
MARCOS BOSI FERRAZ
Como resolver o dilema que envolve a decisão que privilegia
os direitos individuais em detrimento do direito coletivo? E a quem cabe
tal decisão? Essas são duas perguntas de extrema importância
que deveriam fundamentar as discussões e decisões em curso
no STF. As respostas parecem óbvias nos dias atuais, ou seja: as
restrições econômicas, as questões sociais,
as limitações educacionais e de uso do conhecimento já
disponível e o respeito aos direitos individuais e coletivos fazem
com que as decisões que envolvem o dia a dia do ser humano precisem
ser mais orientadas e justificadas. A decisão em nome do indivíduo
afeta o coletivo, e a decisão coletiva impõe restrições
aos indivíduos. Nesse cenário, certamente não deveria
caber ao Judiciário fazer escolhas em um ambiente de recursos escassos.
Aliás, a chegada de uma demanda a esse Poder simplesmente constata
a falha do processo de decisão que envolve a liderança e
os gestores do sistema de saúde. A decisão sobre o que (para
quem e em que momento e circunstâncias) oferecer ao cidadão
que precisa utilizar o sistema de saúde deveria ser eminentemente
técnica e fundamentada nas melhores evidências científicas,
reconhecendo, porém, a limitação de recursos existentes.
Infelizmente (em qualquer país), não é mais possível
oferecer tudo para todos. Escolhas precisam ser feitas, e dilemas e decisões
difíceis, porém responsáveis, precisam ser técnica
e socialmente tomadas. Importante frisar que o sistema de saúde
é por natureza complexo, e decisões simples, rápidas
e de curto prazo (que invariavelmente atendem a partes ou interesses imediatos)
são equivocadas, erradas e aumentam a entropia (bagunça)
do sistema. Embora seja um tema de difícil (mas possível)
abordagem do ponto de vista prático, a única solução
passa pela definição de políticas públicas
fundamentadas em prioridades e estabelecidas de algumas formas: doenças
mais importantes, mais frequentes, mais graves, com maior sofrimento, maior
chance de prevenção; e que a literatura biomédica
tenha evidências de que, com a intervenção -prevenção,
diagnóstico, terapia e reabilitação-, haverá
um alívio do sofrimento ou "redução" da doença.
Doenças raras, sobretudo importantes e que afetam minorias, também
não podem ser negligenciadas. Em outras palavras, num ambiente de
escassez de recursos, não adianta ter políticas ou ações
incompletas: diagnosticar e não ter tratamento para o paciente,
seja por falta de conhecimento (não sabemos como tratar a doença),
seja por um processo "capenga" (sabemos como tratar, mas não viabilizamos
o tratamento). Em ambos os casos, desperdiçamos recursos e aumentamos
a angústia. Dessa forma, temos alguns desafios: a definição
de prioridades exige um sistema maduro, com profissionais competentes do
ponto de vista técnico, honestos e que respeitem alguns valores
éticos e morais estabelecidos pela própria sociedade. A carência
de dados nacionais para orientar algumas dessas decisões e a qualificação
dos profissionais envolvidos no processo são barreiras a transpor.
Por fim, há o ônus político de aceitar publicamente
que não dá para fazer tudo para todos. Infelizmente, pois
não temos a "árvore do dinheiro", temos que assumir que somos
um país em desenvolvimento, num mundo globalizado e cheio de tentações
de consumo, inclusive na área da saúde. Apesar desses entraves,
a melhor decisão em nome da sociedade deveria ser fundamentada por
evidência e orientada pelas prioridades e políticas públicas
coordenadas e sinérgicas, mas que assumam de forma clara e transparente
alguns "nãos". Esses "nãos", se bem definidos e justificados,
não deveriam legitimar demandas judiciais. Uma nova interpretação
do artigo 196 da Constituição passa pelo reconhecimento da
escassez de recurso do sistema de saúde e consequentes restrições,
expressas antecipada e indistintamente, para todos os que dependem do sistema
de saúde, todos os cidadãos. O que presenciamos atualmente
é a fraqueza da liderança política (sentido amplo),
o que nos impõe um tremendo ônus e estimula a troca de responsabilidades
e decisões entre os Poderes constituídos e demais atores.
(Folha de S.Paulo)
12.05 - Portabilidade: Pensar antes de trocar de empresa
A satisfação do consumidor com a portabilidade depende
de um item básico: a informação. Se não quiser
comprar gato por lebre, deve checar o número de reclamações
e o índice de resoluções amigáveis no Procon
de sua cidade antes de optar pelo novo prestador do serviço. Isso
pode ajudar o futuro cliente de uma empresa a ter noção de
como ela se comporta e age em determinadas situações.
A portabilidade não vale apenas para o setor de telefonia e
abrange outros serviços sujeitos a fiscalizações das
respectivas agências reguladoras como bancos (Banco Central - BC),
telefonia (Agência Nacional de Telefonia - ANT) e os planos de saúde
(Agência Nacional de Saúde - ANS) que estabelecem a permissão
da portabilidade aos consumidores. De acordo com Anderson Delbue Gianetti,
diretor do Procon de Campinas, a portabilidade permite que o consumidor
escolha qual empresa será a prestadora de determinado serviço,
sob sua ótica pessoal de eficiência e qualidade.
Embora a liberdade de escolha exista legalmente desde 1991, no Código
de Defesa do Consumidor (CDC) — sob o argumento de ser o quesito fundamental
para a existência da concorrência no mercado fomentando a oferta
de produtos e serviços de qualidade —, na prática demorou
18 anos. A portabilidade é a premissa para o exercício da
liberdade de escolha. Antes não havia concorrentes na área
de telefonia fixa e móvel, que passou para quatro empresas em cada
setor possibilitando a concorrência.
O Procon de Campinas recebe uma média de 500 pessoas por dia.
Esse contingente gera de 200 a 250 reclamações. A maioria
delas (30%) relacionadas ao setor de telefonia e a empresas de bancos e
comércio (25%). Os planos de saúde são responsáveis
por apenas 1% das queixas formalizadas. O balanço aferiu uma média
de resoluções em 2008 de 86% no setor bancário, 89%
na área de telefonia e 85% entre os planos de saúde. Esses
percentuais se referem aos casos resolvidos amigavelmente sem a necessidade
de abertura de processo administrativo.
O diretor de Procon lembra que antes do dia 2 de janeiro deste ano
optar por uma instituição bancária para o recebimento
do salário era um privilégio cerceado da maioria dos trabalhadores.
Mas os grandes clientes recebiam contrapropostas e exerciam o “direito”
à portabilidade a hora que quisessem. E mesmo agora com o direito
à abertura de uma conta salário em outras instituições
bancárias, Gianetti explica que o número de reclamações
referentes à portabilidade é baixo.
Gianetti lembra que mesmo na área de Telefonia, segmento em
que a portabilidade vigora desde 9 de fevereiro as queixas sobre a portabilidade
praticamente não existem, constatação que também
abrange os planos de saúde que tiveram a portabilidade implantada
desde o último dia 16 de abril.
Portabilidade é um termo novo, uma nova nomenclatura que traz
a idéia central de liberdade de escolha, e um dos benefícios
para o consumidor é aumentar o poder de negociação
na redução de tarifas e taxas. Já no setor de saúde,
o consumidor deve atentar para outros elementos além do preço.
É preciso observar as restrições impostas pelas agências
reguladoras para que o cliente migre para um fornecedor de determinado
serviço sem deixar pendências nas antigas prestadoras. “É
importante analisar se o plano de saúde mais barato oferece a mesma
abrangência geográfica, atendimento local e nacional, número
de médicos e hospitais conveniados”, compara o diretor do Procon.
Alteração de operadora de plano de saúde tem regras
Uma delas é o interessado possuir dois anos de contrato, sem
inadimplências
A área de Saúde tem o maior número de restrições
para a permissão da portabilidade. Anderson Delbue Gianetti, diretor
do Procon de Campinas, informa que só 15% dos usuários —
dados da ANS —, ou 6 milhões de pessoas, têm contratos individuais
a partir de 1999. Algumas das exigências são o interessado
possuir dois anos de plano sem inadimplência; ou três anos,
para o caso de doenças pré-existentes; migrar para um convênio
na mesma faixa de preço e cobertura; e fazer a mudança após
60 dias da data de aniversário do contrato. A vantagem é
não ter carência.
O engenheiro civil Rafael Niglio desconhecia a existência da
portabilidade para planos de saúde. Há um ano ele rescindiu
o contrato na empresa anterior, após 20 anos de cobertura para ele
e outros três membros da família. “Mudei para um plano com
mensalidade 40% mais em conta e qualidade comprovada”, diz. Ele acredita
ter feito uma boa escolha apesar da rede de médicos conveniados
ser um décimo da anterior. “Sabia que haveria carência para
certos procedimentos, mesmo assim resolvi arriscar”, fala, satisfeito com
a troca.
Na área de Telefonia, a nova opção de Niglio deixa
a desejar em alguns quesitos e supera a prestadora anterior na qualidade
e rapidez do atendimento. Na tentativa de reduzir a conta do telefone fixo
pela metade, o engenheiro mudou de operadora nas linhas doméstica
e comerciais, antes mesmo da lei da portabilidade entrar em vigor. Além
de perder o número anterior — que, para ele, dos males foi o menor
por conta da disseminação dos números das linhas móveis
—, o pior é conviver com o “apagão” repentino da linha. “Por
diversas ocasiões, a linha fica muda e o suporte não descobre
o defeito”, diz. (Sheila Vieira - Correio Popular)
12.05 - Opção de escolha acirra a concorrência no
mercado
Professora afirma que fidelização dos usuários
ganhará maior importância
A satisfação plena do cliente é um dos ingredientes
que promovem a perpetuação de uma empresa no mercado. O objetivo
de mensurar a satisfação do cliente auxilia a entender os
efeitos gerados pelo produto ou serviço, possibilitando desenvolver
uma abordagem de qualidade voltada ao mercado, explica Larissa Ortiz, professora
da disciplina de comportamento do consumidor, da Escola Superior de Propaganda
e Marketing (Esamc). Os índices são identificados por pesquisas
qualitativas e quantitativas aplicadas continuamente, promovendo uma espécie
de monitoramento das alterações do consumidor ao longo do
tempo.
Larissa acredita que a portabilidade irá promover maior agressividade
nas promoções de captação de clientes, como
ocorre claramente no setor de telefonia. Mesmo a fidelização
dos usuários passará a ser bem mais importante no processo.
“Para reter o consumidor há a implicação clara em
deixá-lo satisfeito com os serviços oferecidos, mas também
com os serviços prestados, algo considerado não prioritário
se levarmos em consideração as altas estatísticas
de reclamações encabeçadas pelas empresas de telefonias
em órgãos de defesa do consumidor”, observa a professora
da Esamc.
Para Larissa, o consumidor sempre ganha com a concorrência porque
passa a ter mais benefícios e opções. Mas as regras
da portabilidade esbarram na falta de informação. A professora
acredita que esse limitador pode ocorrer com maior ênfase nas classes
sociais populares, atrapalhando a leitura e o entendimento dos contratos.
A concorrência se encarrega de esclarecer ou mesmo alertar os consumidores
para pontos importantes, por exemplo, atrelar-se a planos de fidelidade.
Em alguns casos, as empresas até se propõem a comprar a carência
imposta pela concorrente, dando, digamos, um empurrãozinho na decisão
do cliente de trocar de operadora. (Sheila Vieira - Correio
Popular)
11.05 - Projeto de Fundações: Votação em
regime de urgência
Conselheiros devem contatar seus representantes no Congresso e pedir
mais diálogo
Está sendo preparado um duro golpe à democracia brasileira,
aos princípios do Sistema Único de Saúde e aos movimentos
populares.
O Conselho Nacional de Saúde vem discutindo a gestão
do SUS, bem como o projeto que autoriza a criação das Fundações
Públicas de Direito Privado, tema que foi debatido e rejeitado na
13ª Conferência Nacional de Saúde e pelo pleno do Conselho
Nacional de Saúde, em 2007, e, mesmo assim, continua mantido na
pauta pelo governo, que pretende fazer com que o Congresso Nacional vote
o Projeto de Lei Complementar 92/2007 em regime de urgência.
Nesse momento, é fundamental e urgente que os Conselhos Municipais
e Estaduais de Saúde e todos os conselheiros do Brasil se mobilizem
e acionem suas bases por meio de e-mail, telefones e mensagens para impedir
que os deputados votem uma matéria dessa importância sem a
participação popular e em total desrespeito às decisões
deliberativas do controle social.
Ao mesmo tempo, devemos reivindicar do governo a possibilidade de apresentar
propostas alternativas profundamente debatidas e apresentadas pelo Conselho
Nacional de Saúde, algumas que inclusive fazem parte da agenda política
do CNS para o ano em curso. (Conselho Nacional de Saúde)
11.05 - Proteção à saúde do consumidor
A resolução elaborada pela Anvisa, com o objetivo de
reforçar o papel de farmácias e drogarias na proteção
da saúde do consumidor, prevê a implementação
de um conjunto de normas, entre as quais:
- As farmácias e drogarias somente podem vender alimentos indicados
para pessoas com necessidades específicas, como, por exemplo, os
que se destinam a dietas e os leites especiais para recém-nascidos.
- "Produtos correlatos"como cosméticos, produtos de higiene
pessoal, adoçantes e suplementos de vitaminas e minerais - podem
continuar a ser comercializados e estão listados na resolução.
- Não poderão ser comercializados em farmácias
e drogarias produtos cuja finalidade não tenha vinculação
direta com a promoção da saúde, tais como: alimentos
comuns, artigos de uso doméstico, de papelaria, de tabacaria, material
de cine, foto e vídeo, produtos de limpeza e veterinários,
além de mercadorias que sejam comercializadas por estabelecimentos
especializados, supermercados, armazéns, empórios e lojas
de conveniência, nos termos da lei.
- As farmácias e drogarias terão, obrigatoriamente, a
assistência de farmacêutico responsável técnico
ou de seu substituto, inscritos no Conselho Regional de Farmácia,
durante todo o horário de funcionamento do estabelecimento, na forma
da lei.
- Além da venda de medicamentos, as farmácias e drogarias
ficam autorizadas a prestar serviços farmacêuticos como acompanhamento
farmacoterapêutico, aplicação subcutânea, intramuscular
ou intradérmica de medicamentos injetáveis, inalação
ou nebulização, medição e monitoramento da
pressão arterial e da glicemia e medição de temperatura
corporal.
- Os serviços farmacêuticos autorizados pela resolução
somente podem ser realizados por farmacêutico ou outro profissional
qualificado e legalmente habilitado, com adequada e comprovada capacitação
técnico-científica e que esteja sob a supervisão do
responsável técnico.
- No ato da venda de medicamentos, o farmacêutico deve orientar
o usuário quanto ao uso adequado do remédio, com ênfase
no cumprimento da dosagem, a influência dos alimentos, a interação
com outros medicamentos, o reconhecimento de reações adversas
potenciais e as condições de conservação dos
produtos. Deve também verificar, no mínimo, a identificação
do medicamento, o prazo de validade e a integridade da embalagem.
- Os medicamentos sujeitos a prescrição podem ser vendidos
somente mediante apresentação da receita e respectiva avaliação
pelo farmacêutico.
- São proibidos estímulos à automedicação
e à indicação de medicamentos que necessitam de prescrição
por profissional legalmente habilitado.
A resolução também trata da aquisição,
do recebimento, do armazenamento, da conservação, da exposição
e da organização dos produtos para comercialização.
Há regras ainda sobre a infraestrutura física e os recursos
humanos, além de um roteiro de inspeção para a verificação
de boas práticas farmacêuticas. (Rita Nardelli - Agência
Senado)
11.05 - Investimento em tratamentos de câncer cresce
Nos últimos dez anos, os gastos do Sistema Único de Saúde
(SUS) com medicamentos para tratamento de câncer passou de R$ 300
milhões para mais de R$ 1 bilhão. A informação
foi dada pela consultora Maria Inês Pordeus Gadelha, que trabalha
na Coordenação Geral de Alta Complexidade do Departamento
de Atenção Especializada do Ministério da Saúde
(MS). Ela abriu os debates na manhã da quarta-feira (6), no Supremo
Tribunal Federal (STF), durante o quinto dia de audiência pública
que discute o direito à saúde.
Segundo Gadelha, desde 1988, quando o SUS foi criado, houve uma progressiva
inclusão de pacientes com câncer no sistema e um aumento de
investimento nessa área, sendo que o ministério absorve a
maior parte dos dispêndios com a manutenção de equipamentos.
Atualmente, 160 mil pacientes fazem tratamento de quimioterapia no SUS.
A cobertura para atendimento é composta, principalmente, por hospitais
e clínicas particulares, e somente o estado de Roraima não
tem uma rede consolidada para oferecer tratamento na área. “Todo
o tipo [de tratamento de] câncer está contemplado pelo SUS”,
afirmou.
Para a consultora, “o grande desafio para se alcançar integralidade
do sistema é a autoridade pública, gestora do SUS, ter condições
de articular interesses tão diversos, públicos e privados”,
harmonizando não só a assistência, mas ações,
atividades e políticas de promoção à saúde
e de prevenção ao câncer. Ela destacou que a complexidade
dessa área de tratamento exige a integração de procedimentos
clínicos e cirúrgicos, bem como de áreas especificas
de conhecimento e inúmeros profissionais e especialidades, com atenção
especial para o momento do diagnóstico e para os cuidados paliativos.
Gadelha explicou que os hospitais e clínicas que atendem no
sistema têm, na área de tratamento de câncer, grande
liberdade para determinar o tratamento, fazer a prescrição
dos cuidados médicos e determinar o fornecimento dos medicamentos,
que é de responsabilidade direta da unidade onde se faz o tratamento.
“Quanto mais ágil, oportuno e direto for o fornecimento [do medicamento],
maior é a qualidade do serviço”, alertou a consultora.
Segundo ela, essa liberdade também é necessária
porque um mesmo tumor pode ser tratado com os mesmos medicamentos em várias
combinações e uma demora no tratamento pode fazer o câncer
ganhar resistência. (STF)
08.05 - Aposentados e demitidos: Manutenção
do plano de saúde
Boa parte dos trabalhadores que se aposentam
ou são demitidos após muitos anos de banco passam pelo mesmo
problema: perdem a cobertura de seus planos de saúde e, ao procurar
um novo, se deparam com os altíssimos valores cobrados pelas empresas
para fornecer planos novos para pessoas mais velhas. No entanto, a secretária
de assuntos jurídicos da Contraf/CUT, Mirian Fochi, explica que
a legislação brasileira tem alguma proteção
aos trabalhadores nessa situação, garantindo que eles possam
manter seu plano de saúde, desde que assumam o seu pagamento integral.
A garantia está prevista na Lei 9656/98, expressamente nos artigos
30 e 31.
A assessora jurídica da Contraf-CUT, Déborah
Blanco, explica que para usufruir os benefícios da Lei é
necessário que o trabalhador tenha contribuído com algum
valor, mínimo que seja, no período que esteve em atividade
na empresa. Isto sem considerar a co-participação. "O plano
de saúde, caso tenha sido oferecido pelo banco de forma gratuita,
não poderá ser mantido pelo bancário, tendo em vista
que a Lei veda esta possibilidade", afirma Déborah.
Demitidos
O artigo 30 define a situação do
trabalhador em caso de "rescisão do contrato de trabalho sem justa
causa". Nessa circunstância, a lei assegura "o direito de manter
sua condição de beneficiário, nas mesmas condições
de cobertura assistencial de que gozava quando da vigência do contrato
de trabalho", desde que assuma o pagamento integral do plano, ou seja,
sua parte acrescida da paga pelo empregador.
Segundo a Lei, o empregado dispensado poderá
manter seu plano de saúde por período equivalente a um terço
do tempo em que permaneceu no mesmo, "com um mínimo assegurado de
seis meses e um máximo de 24 meses".
Para os bancários, cabe lembrar que a
Convenção Coletiva de Trabalho 2008/2009 estabelece que o
empregado dispensado sem justa causa, a partir de 1º de setembro de
2008, poderá usufruir os convênios de assistência médica
e hospitalar contratados pelo banco, pelos períodos abaixo especificados,
contados do último dia de trabalho efetivo e determinados conforme
o tempo de casa, mantidas as condições do plano ao qual se
vincula o empregado, respeitadas as situações mais favoráveis.
Vínculo Empregatício com o Banco
Período de Utilização do Convênio
Até 5 (cinco)
anos 60 (sessenta) dias
Mais de 5 (cinco) até 10 (dez) anos 90
(noventa) dias
Mais de 10 (dez) até 20 (vinte) anos 180
(cento e oitenta) dias
Mais de 20 (vinte) anos 270 (duzentos e setenta)
dias
A opção pela manutenção
do plano de saúde deverá ser manifestada pelo demitido ao
banco, no ato da homologação da rescisão do contrato
de trabalho.
Aposentados
A situação do aposentado é
tratada no artigo 31 da presente lei, que diz que, se o trabalhador contribuiu
pelo prazo mínimo de dez anos para o referido plano de saúde,
"é assegurado o direito de manutenção como beneficiário",
nas mesmas condições, também condicionado ao pagamento
integral do plano por parte do trabalhador. Além disso, o parágrafo
1º do artigo estabelece que, caso o aposentado não tenha contribuído
pelo período de dez anos, terá direito à manutenção
do benefício "na proporção de um ano para cada ano
de contribuição".
Nos dois casos, a manutenção também
vale para o(s) familiar(es) do trabalhador que já estivesse(m) inscrito(s)
no plano quando da vigência do contrato de trabalho. Além
disso, em caso de morte do titular, os dependentes cobertos pelo plano
também têm direito de permanência.
"Cabe lembrar que os bancários que são
associados a caixas de assistência médica, como Cassi, Cabesp,
Cabergs, entre outras, permanecem usufruindo os seus planos de saúde,
nas mesmas condições da ativa, conforme as regras de cada
entidade, em caso de desligamento por aposentadoria", diz Déborah.
A exemplo do demitido, a opção
pela manutenção do plano de saúde deverá ser
manifestada pelo aposentado ao banco, no ato da homologação
da rescisão do contrato de trabalho.
Aposentadoria por invalidez
Uma decisão recente do Tribunal Superior
do Trabalho (TST) também traz novidades sobre o tema dos planos
de saúde para os aposentados por invalidez. A Primeira Turma do
TST reconheceu o direito dos trabalhadores nessa situação
de manter o plano de saúde oferecido pela empresa, sem custo adicional
para o aposentado. No entendimento adotado, a aposentadoria por invalidez,
seja doença, seja por acidente de trabalho, não põe
fim ao contrato, apenas o suspende.
A sentença foi proferida em resposta a
questionamento feito por um empregado da empresa Telemar Norte Leste S.A.
Depois de trabalhar por mais de 20 anos na Telemar, o empregado foi aposentado
por invalidez, causada por acidente de trabalho, em novembro de 2004. Como
a empresa o excluiu do plano de saúde que mantém para os
funcionários da ativa e suas famílias, ele entrou com a ação
na Justiça do Trabalho.
A questão chegou até o TST, que
reconheceu o direito do trabalhador. O relator do processo, ministro Vieira
de Mello Filho, explicou que o plano de saúde, ainda que concedido
por liberalidade da empresa, era um benefício que se incorporara
ao salário do empregado.
Para o ministro, de fato, a aposentadoria por
invalidez não é causa de extinção do contrato,
como prevê o artigo 475 da CLT. O relator também reconheceu
que a empresa alterou cláusulas contratuais de forma unilateral,
ou seja, sem o consentimento do empregado, causando prejuízos a
este - o que contraria o artigo 468 da CLT e a Súmula nº 51
do TST. Por fim, o ministro entendeu que a empresa deveria manter o plano
de saúde para o empregado.
Igualmente, a opção pela manutenção
do plano de saúde deverá ser manifestada pelo aposentado
por invalidez ao banco, no ato da homologação da rescisão
do contrato de trabalho. (Bancários)
08.05 - Cuidando do cuidador
Não aguento mais! Tenho ouvido essa frase,
em meio a lágrimas e apreensões, de quem cuida de alguém
em tempo integral. Geralmente são mulheres -companheiras, noras
ou filhas- que se esforçam para traduzir em ações
sua vontade de zelar pelo bem-estar de um ente querido.
Diante desse desabafo, cabe entender muito mais
do que julgar. Essa é uma situação que envolve sentimentos
apurados por décadas, nem sempre agradáveis. Afloram mágoas
e culpas que podem tornar essa relação muito carregada.
Como essa condição é muito
frequente com o avançar da idade, em diferentes magnitudes, considero
oportuno que todos reflitam sobre o tema, utilizando alguns conceitos como
alicerce para esse repensar. Fomos cuidados por alguém desde o início
de nossas vidas e, bem ou mal, foi o suficiente para que chegássemos
até aqui. Nem todo o cuidar, portanto, precisa ser explícito
ou carinhoso para que seja eficaz.
Ninguém cuida de ninguém se não
estiver bem. Muitos acreditam na necessidade de dedicar-se inteiramente
a essa atuação, de modo a inexistir espaço para outras
atividades. Isso pode ser um erro fatal. Se o cuidador não preservar
sua saúde e seu bem-estar, não apenas reduzirá a qualidade
dos seus préstimos como poderá ter que interromper suas ações.
Ao contrário, o cuidador tem que ser muito
bem cuidado. Isso se tornou mais claro quando atentei para as recomendações
que precedem a decolagem de uma aeronave. Enquanto as comissárias
exemplificam com objetos, a gravação enfatiza que "em caso
de descompressão, máscaras de oxigênio cairão
à sua frente; coloque primeiro a sua antes de tentar ajudar quem
estiver ao seu lado".
Lembro o quanto me surpreendi com esse conselho,
mas logo entendi a mensagem: como poderia ajudar alguém sem respirar
adequadamente? Sem me cuidar antes, ambos poderiam ser prejudicados.
O cuidar não pode ser solitário.
Quem cuida sozinho, por opção, fica refém da sua decisão.
Mesmo que com tarefas diferentes, de importância e intensidades diversas,
os cuidados devem ser divididos entre todos os que puderem participar para
que existam vários olhares atentos em busca da eficiência
e múltiplas responsabilidades para dividir.
Por fim, essa ação não pode
nem deve ser entendida como um investimento. Ao realizá-la, não
se adquire o direito de beneficiar-se dela no futuro. A troca ocorre no
presente, quando o cuidador dá o melhor de si em prol do seu objetivo,
e o "ser cuidado" retribui com a sua compreensão de que merece aquela
atenção. O cuidar é, portanto, uma via de mão
dupla.
Ouso, neste sentido, parafrasear Paulo Freire,
para quem a educação deve ser um ato recíproco e consensual,
ressaltando que todos os cuidadores, inclusive os profissionais, devem
buscar formas de aprimorar a sua saúde e bem-estar, aprendendo nas
suas tarefas cotidianas qual a relação ideal entre o dever
e o prazer de realizá-las. (WILSON JACOB FILHO
- Folha de S.Paulo)
08.05 - Estudo sobre o real perfil do AVC
Com o georeferenciamento, ele afirma que a saúde
pública terá um planejamento mais abrangente, mais real,
contribuindo assim para melhores resultados na prevenção
e controle do AVC
Imprimir Corrigir O Ceará vai realizar
o maior estudo epidemiológico do Acidente Vascular Cerebral (AVC)
no Brasil. É o que garante o neurologista João José
de Carvalho, coordenador do Comitê Estadual de Atenção
e Controle das Doenças Cerebrovasculares, sobre o Atlas da Saúde
que a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), em convênio com
a Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, de São
Paulo, vai concluir até maio de 2011. O Atlas da Saúde vai
identificar, através do georeferenciamento, a distribuição
e contextualização da ocorrência do AVC na cidade de
Fortaleza, através da segmentação econômico-cultural-social
dos fatores de risco.
A primeira etapa do estudo já foi apresentada.
O estudo apontou 1.048 óbitos por AVC em 2007 e indica que 82% das
mortes aconteceram em 13 hospitais.
Na segunda etapa, o estudo vai buscar se aproximar
da identificação de 100% das circunstâncias dos óbitos,
informa o neurologista Fernando Morgadinho, do Hospital Albert Einstein.
Para tanto, a equipe da Sociedade Albert Einstein e da Sesa definem a metodologia
de coleta de dados e capacitar seis recenseadores. Eles visitarão
hospitais públicos e privados, acompanhando os pacientes internados
e fazendo a notificação de casos de AVC comprovados.
Com o projeto Atlas da Saúde, que tem
apoio do Ministério da Saúde, a Sesa vai conhecer as condições
socioeconômicas das regiões estudadas, com base na composição
de bancos de dados, a oferta de serviços de saúde, dados
geográficos, dados populacionais e a estimativa de demanda por serviços
de saúde. Assim, questões ou objetivos específicos
em saúde podem ter suporte para planejamento, monitoração
e estabelecimento de prioridades, afirma Arruda Bastos, Secretário
Executivo da Secretaria da Saúde.
O Ceará é o único Estado
que tem uma política de governo específica para o AVC aprovada
no Conselho Estadual de Saúde, segundo informa João José
de Carvalho. Com o georeferenciamento, ele afirma que a saúde pública
terá um planejamento mais abrangente, mais real, contribuindo assim
para melhores resultados na prevenção e controle do AVC,
a doença que mais mata no Ceará e no Brasil. João
José estima que a reordenação da atenção
ao AVC, a partir do georeferenciamento, será capaz de reduzir em
30% a mortalidade em conseqüência da doença. “Em 10 anos,
será possível evitar 10 mil mortes e diminuir em 20 mil o
número de sequelados no Ceará”, projeta ele.
Até o final deste mês, a Secretaria
da Saúde vai definir o AVC como uma doença de notificação
compulsória. Assim, todos os profissionais de saúde que tiverem
conhecimento de um caso da doença têm a responsabilidade de
fazer a notificação à Sesa. Ainda este ano será
inaugurada a Unidade de AVC do Hospital Geral de Fortaleza, unidade da
rede estadual de saúde, com neurologistas de plantão 24 horas
e equipe multidisciplinar especialmente treinada para tratar pacientes
com AVC, informa o Secretário da Saúde, João Ananias.
A Unidade terá 18 leitos e trabalhará totalmente integrada
ao SAMU e aos hospitais de apoio. A meta é estender o trabalho para
o interior, com outras unidades sendo implantadas nos hospitais pólo,
unidades que têm convênio com a Sesa e recebem recursos do
Governo do Estado todos os meses. (O Povo Online)
07.05 - Saúde dos funcionários:
Descuido gera prejuízos
Na Espanha, morrem por ano mais de 235 mil pessoas
em consequência de acidentes de trabalho, infartos do miocárdio
e exposições a pesticidas e a substâncias cancerígenas
no horário do trabalho. Além disso, segundo o Instituto Europeu
de Saúde e Bem-Estar Social, a atividade profissional produz ansiedade
em mais de 2,5 milhões de cidadãos e, a cada ano, o nível
de estresse responde diretamente por 10% das baixas trabalhistas. Diante
desses dados, cabe perguntar se as empresas espanholas estão realmente
sensibilizadas em matéria de prevenção de riscos no
local de trabalho.
"A conscientização empresarial
evoluiu de forma positiva nos últimos anos, embora, no geral, as
organizações ainda não façam o suficiente para
prevenir as patologias trabalhistas", disse Maria Cristina Vázquez
Miranda, diretora geral da MC Prevención. "É uma utopia falar
de cultura preventiva num país que acumula perto de 900 mortes anuais
em acidentes de trabalho e mais de 15 mil enfermidades profissionais declaradas
ao ano", acrescentou Marisa Rufino, secretária confederativa de
Saúde no Trabalho da central sindical UGT, que denuncia que "as
empresas espanholas acham mais barato fazer frente a uma sanção
econômica do que implementar a prevenção de riscos
trabalhistas em toda sua estrutura".
Conforme os dados fornecidos pela Confederação
Sindical de Comissões de Trabalhadores, em 2008 foram registradas
91 mil patologias relacionadas com o trabalho (ou seja, de transtornos
que se ampliam, originam ou agravam pela atividade trabalhista), das quais
as organizações só declararam 18,7 mil casos (que
são os registrados oficialmente e com efeito em matéria de
Seguridade Social), dos quais 6.774 não deram baixa médica,
ou seja, não tiveram custo para os planos de saúde.
"Esse subregistro faz com que, em 80% dos casos,
o dano que sofre o trabalhador não seja reconhecido como de origem
trabalhista e, em consequência, que tampouco seja prevenido adequadamente",
disse Pedro José Linares, secretário de Saúde no Trabalho
da organização sindical, que denuncia que isso se deve à
"permanente intenção dos planos de saúde de transferir
seus enfermos para a rede pública de saúde".
A Espanha perdeu perto de 2,7 milhões
de dias de trabalho em 2007. "Se levarmos em conta que o custo médio
por hora de trabalho é de € 11 e que a jornada média
é de oito horas, isso supõe um custo aproximado de mais de
€ 1,9 bilhão", calcula Rufino, que adverte que nessa soma não
está incluído o custo dos acidentes e das enfermidades sofridas
pelos profissionais autônomos, nem os custos relativos ao sinistro
de trabalhadores que não são declarados como tais.
Não obstante, a prevenção
de riscos trabalhistas não pode ser medida só em termos econômicos:
"Um empregado de licença médica supõe jornadas de
trabalho perdidas, declínio da produtividade, custos de substituição
e de sofrimento humano", expôs a secretária confederativa
de saúde trabalhista da UGT.
Além disso, os especialistas constatam
que quanto maior for uma organização, mais medidas serão
postas em prática para evitar os acidentes de trabalho. "São
nas grandes empresas que a prevenção de riscos trabalhistas
está mais implementada, enquanto que em algumas microempresas a
execução costuma ser bastante deficiente ou, até mesmo,
inexistente em alguns casos", considera Vázquez Miranda.
Rufino especifica que "a maioria das empresas
espanholas tem menos de 50 empregados e, no ano passado, 70% do total dos
acidentes ocorreram em microempresas. Assim, a prevenção
de riscos não existe ou é precária quanto menor for
a organização". Por sua parte, Jordi Planas, subdiretor de
gestão sanitária da Sociedade de Prevenção
Asepeyo, diz que "nos setores com mais risco é onde existe mais
concentração".
No entanto, a prevenção não
cabe só ao empresário. "Os trabalhadores devem aplicar as
medidas preventivas estabelecidas, devem comparecer aos exames médicos
e se pensam que o trabalho supõe risco para a saúde, devem
comunicar", aconselha José Ignacio Terrés de Ercilla, diretor
de serviço de Prevenção de Riscos Trabalhistas da
Universidade de Navarra.
A empresa, por sua parte, tem que conscientizar
seus empregados sobre os riscos que podem correr, formar e informar para
consolidar uma cultura de prevenção e melhorar a eficiência
e a qualidade do sistema de prevenção. "Todas as medidas
não terão valor se não existir uma verdadeira integração
da prevenção de riscos na empresa", destaca a diretor da
MC Prevención. (Gazeta Mercantil - Tamara Vázquez
e Beatriz Elias Expansión)
07.05 - Um SUS verdadeiramente único
O modelo brasileiro de saúde é composto de dois sistemas:
o público e o privado. O público (SUS) tem avançado.
Reconheço que, em tese, é um sistema fantástico, potencialmente
capaz de atender as demandas dos brasileiros, mesmo consideradas as diferenças
regionais. Contudo, não foram apenas os méritos do SUS que
o levaram a este patamar. Seu espaço é, acima de tudo, aquele
que os operadores da saúde privada não têm interesse
de explorar e concedem. Assim, cresce a atenção básica.
Nela, socorrem-se os excluídos e os de baixa renda, a base da pirâmide
populacional, que não seduz o setor privado porque não tem
recursos para pagar um plano de saúde. Então, que o SUS assuma,
atenda e, embora com morosidade e deficiências, mostre avanços
sanitários.
Por outro lado, desenvolve-se em níveis de Primeiro Mundo a
atuação pública na alta complexidade. Aqui, também,
um padrão avançado. Transplantes, tratamento do câncer
e da aids, cirurgias cardíacas e diálises são alguns
exemplos de procedimentos de alto custo realizados pelo SUS, e com qualidade.
Não é conveniente para a iniciativa privada. Oferecer tais
serviços tornaria a prestação tão cara, que
inviabilizaria o orçamento da classe média e até dos
ricos. Portanto, a alta complexidade fica preferencialmente com o SUS.
A rede mercadológica permite, e até estimula, avanços
do setor público, porque eles, empresários da área,
em necessitando, recorrem a esses serviços.
Resta, sob o prisma mercantilista, o filão a ser explorado,
protegido, reservado: consultas especializadas, exames e procedimentos
de média complexidade, importação e comercialização
de produtos farmacêuticos, órteses e próteses. Cá,
uma barreira ao SUS. Observem que um SUS de excelência atrairia os
hoje clientes de planos de saúde privados e o lucrativo mercado
minguaria até a insolvência.
Sofismas afirmam que a vocação do SUS é a atenção
básica. Não é vocação, é permissão.
Enquanto persistirem os dois sistemas, o público terá teto.
O SUS tem limites estabelecidos de fora para dentro pela conveniência
comercial. Impossível esperar qualidade na promoção
e no tratamento da saúde no atual modelo. A lógica predominante,
que ora restringe, ora admite avanços, é a de mercado.
Entrementes, o discurso oficial é de aparente prioridade ao
público, permitindo ao particular preencher lacunas de forma complementar.
Ledo engano: marketing! O que norteia o desenvolvimento do sistema é
o negócio, a exploração da saúde como bem mercantil
e não como direito fundamental. Não existe, no mundo, política
de saúde eficaz com dois sistemas, privado e público.
Convicto, reforço, a cada manchete de mau atendimento, sucateamento
da saúde, filas desumanas, que não há solução
digna sem uma revolução cultural. Impõe-se um grande
debate para, pelo convencimento, instituir o sistema público como
verdadeiramente único para a atenção à saúde
no Brasil.
Enquanto quem tem dinheiro possa pagar saúde, quem vende vai
estabelecer uma odiosa reserva de mercado para evitar concorrência.
Ações no Executivo, no Congresso Nacional, na mídia,
como um polvo atuando ao mesmo tempo em várias frentes, permitem
ao SUS o crescimento que convém aos operadores privados e não
o que o povo merece e tem direito.
A lógica sanitarista só vai predominar quando todos,
pobres e ricos, entrarem na mesma fila, usarem os mesmos equipamentos,
consultarem os mesmos médicos e financiarem o mesmo sistema. Assim,
haverá recursos necessários para capacitar os profissionais,
remunerar dignamente, oferecer tecnologia e realizar o controle social
adequado. (Beto Grill - Zero Hora)
07.05 - Hospital público de excelência
São Paulo necessitava, de fato, de um grande hospital público
focado exclusivamente no tratamento do câncer
Recente pesquisa do Ibope que avaliou a satisfação de
pacientes atendidos em janeiro de 2009 em dez hospitais estaduais da região
metropolitana de São Paulo revelou que a nota média dada
aos serviços foi alta (7,9), o que indica o bom nível de
qualidade percebida pelos usuários da maioria dos hospitais públicos
paulistas.
A pesquisa não incluiu o Instituto do Câncer do Estado
de São Paulo Octavio Frias de Oliveira, que está iniciando
suas atividades. Não tenho dúvidas, entretanto, de que o
novo instituto, com apenas um ano de existência, estaria muito bem
posicionado em qualquer ranking de hospitais públicos ou privados
avaliados pelos usuários.
São Paulo necessitava, de fato, de um grande hospital público
focado exclusivamente no tratamento do câncer para enfrentar o desafio
do novo cenário da saúde pública do país, de
maior longevidade da população, com o consequente aumento
das doenças oncológicas.
Era fundamental também que, ao garantir assistência especializada
com recursos tecnológicos de ponta e atendimento humanizado, fosse
possível ao novo hospital desenvolver um trabalho consistente na
área de pesquisa de novos fármacos e terapias para combate
do câncer.
A implantação do Instituto do Câncer considerou
todos esses aspectos durante o minucioso processo de planejamento desenvolvido
em parceira pela Faculdade de Medicina da USP e Fundação
Faculdade de Medicina.
Um novo modelo de gestão foi aplicado e se estabeleceu um cronograma
de implantação e de metas assistenciais a serem atingidas
pelo hospital para assegurar a integralidade e a humanização
do atendimento.
Tudo foi absolutamente pensado em detalhes. Desde as instalações
prediais, que transformaram o edifício de 29 pavimentos da avenida
Doutor Arnaldo no primeiro hospital público totalmente automatizado
e inteligente do Brasil, passando pelos modernos conceitos de humanização
e hotelaria hospitalar e pela composição do corpo clínico,
formado por um time de craques recrutados entre os melhores profissionais
existentes no mercado -a maior parte deles professores da Faculdade de
Medicina da USP.
Desde a inauguração, o instituto realizou mais de 33
mil consultas de ambulatório, cerca de 20 mil aplicações
de quimioterapia, 1,2 mil internações, 180 cirurgias especializadas
e 23,2 mil exames de imagem.
Quando plenamente ativado, será o maior hospital especializado
em oncologia da América Latina, triplicando a oferta de tratamento
do câncer pelo SUS na cidade de São Paulo.
O papel de referência nacional e internacional em produção
de conhecimento científico tornou-se realidade. Atualmente estão
em andamento 32 protocolos de pesquisas de novos medicamentos destinados
ao tratamento oncológico, especialmente dos cânceres de pulmão,
ovário, colo do útero e de mama. Os estudos incluem, ainda,
o desenvolvimento de marcadores genéticos que possibilitem "individualizar"
o tratamento, de forma a torná-lo mais eficaz.
Para este ano, uma das grandes novidades é a entrega do parque
radioterápico do instituto, que será o maior e mais moderno
do Brasil.
O governo de São Paulo está investindo R$ 50 milhões
na construção de casamatas (verdadeiras fortalezas de concreto)
e aquisição de seis modernos equipamentos de radioterapia,
além de dois aparelhos que realizam tomografias computadorizadas
com emissão de pósitrons (PET/CT), um exame sofisticado de
diagnóstico para identificação e localização
precoce de tumores.
Na nova unidade, que ocupará 1,1 mil metros quadrados no quarto
subsolo do hospital, serão realizadas mensalmente mais de 8 mil
sessões de radioterapia.
No aniversário do primeiro ano do Instituto do Câncer
do Estado de São Paulo, a população paulista já
pode se orgulhar de ter à disposição um centro de
excelência em oncologia, oferecendo atendimento gratuito de qualidade
aos usuários do SUS e permitindo a todos os paulistas e brasileiros
acesso ao que há de mais moderno e eficaz no tratamento do câncer
em todo mundo. (LUIZ ROBERTO BARRADAS BARATA - Folha
de S.Paulo)
09.05 - Ex-sócia do 9 de Julho investe em novo hospital
Depois de anos de conflitos familiares no Hospital Nove de Julho, vendido
para a Amil há pouco mais de um ano, uma das filhas do fundador
Antonio Ganme, está tocando seu próprio hospital. May Ganme
Cividanes, que presidiu o Nove de Julho entre 1996 e 2004, tem projetos
ambiciosos de expansão para seu empreendimento, o Centro Especializado
em Cirurgias Minimamente Invasivas (Cecmi).
A ideia de May e seus três sócios, todos vindos do Nove
de Julho, é ter uma rede nacional de hospitais focados em cirurgia
minimamente invasiva, procedimento realizado com videolaparoscopia. O pontapé
inicial será dado nos próximos dois meses, quando começam
as obras de construção de uma unidade que substituirá
o atual hospital e mais que dobrará a capacidade de atendimento.
O novo projeto, a ser erguido também na capital paulista, demandará
investimentos de R$ 25 milhões a R$ 30 milhões na construção.
Será usado o sistema "built to suilt", em que a construtora arca
com os custos da obra, feita sob encomenda, e depois aluga o prédio
para a empresa contratante, no caso, o hospital. A previsão é
que as novas instalações estejam prontas em dois anos. Os
sócios investirão R$ 7 milhões na aquisição
de equipamentos médicos, a partir de recursos próprios e
de um financiamento do BNDES.
Quando o novo hospital, que se chamará Antonio Ganme, entrar
em funcionamento, o número de cirurgias saltará para 1,5
mil por mês. Hoje, são 600. Trata-se de um número expressivo
para um hospital de pequeno porte, com 30 leitos distribuídos em
cinco andares de um prédio de escritórios, situado na região
da avenida Paulista. Apenas para efeito de comparação, o
Nove de Julho possui 250 leitos e faz 1,3 mil cirurgias por mês.
Um dos principais atrativos do Cecmi é o preço das cirurgias,
que chega a ser entre 30% e 50% inferior ao cobrado por outros hospitais,
segundo May, que além de sócia, é diretora-comercial.
"Conseguimos oferecer um preço interessante porque somos um hospital
pequeno, que só faz cirurgia minimamente invasiva. Os hospitais
maiores precisam arcar com os custos de uma grande estrutura que acabam
embutidos no preço de uma cirurgia", afirma.
"Esse tipo de cirurgia representa um ganho de escala operacional e
consequentemente financeiro porque é um procedimento menos agressivo,
com menor risco de complicações", complementa Arnaldo Cividanes,
diretor-médico e sócio do hospital. O casal Cividanes tem
cerca de 50% do negócio e os outros dois sócios, 25%, cada.
Em 2008, o Cecmi teve faturamento de R$ 20 milhões, aumento
de 30% em relação a 2007. "O volume de procedimentos aumentou
6%, mas a receita cresceu 30% porque passamos a focar em cirurgias com
maior margem de rentabilidade", explica Túlio Yamada, diretor-administrativo
e também sócio do hospital. Em 2004, quando o Cecmi foi criado,
a receita por procedimento era de R$ 1 mil e hoje é de R$ 2,7 mil.
O projeto dos demais hospitais deve ser iniciado a partir de 2011,
após a conclusão do Antonio Ganme, mas ainda não há
uma orçamento fechado. "Queremos ter 23 unidades no país,
nos locais com carência desse tipo de hospital. As operadoras (de
plano de saúde) é quem dariam o "feedback" de onde há
falta de hospitais do gênero", explica May. Hoje, os planos de saúde
representam 75% da receita.
Criado em 2004, o Cecmi funciona onde antes era o Hospital-Dia da operadora
de planos de saúde Blue Life. O investimento inicial para aquisição
de equipamentos médico e ponto comercial foi de R$ 5 milhões.
"Decidimos ser um hospital 24 horas e com isso ampliamos nossa atuação
e rentabilidade. Nos hospitais, quase 80% dos procedimentos são
cirurgias minimamente invasivas", diz Bete Nardi, diretora de marketing
e a quarta sócia do hospital. (Valor Online)
06.05 - USP é capaz de identificar
nova gripe em 24 h
Laboratório de Ribeirão é um dos melhores do país
O laboratório de virologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão
Preto, da USP (Universidade de São Paulo), ganhou ontem a capacidade
de diagnosticar a gripe A(H1N1) em menos de 24 horas.
O avanço se deu depois da divulgação pela OMS
(Organização Mundial da Saúde) das diferenças
genéticas entre o vírus já conhecido e o novo, que
passou por mutação.
"Quando nos familiarizarmos com o sequenciamento genético, poderemos
dizer em menos tempo", disse o responsável pelo centro, Eurico Arruda.
A estrutura do CPV (Centro de Pesquisa em Virologia) foi usada uma vez
desde o início do surto da nova gripe, há dez dias, em caso
que não chegou a ser anunciado oficialmente.
Um morador de Ribeirão Preto apresentou alguns sintomas depois
de fazer um voo do Rio de Janeiro a São Paulo em companhia de mexicanos,
alguns que apresentaram sintomas do influenza A.
"O teste aconteceu na semana passada e o resultado foi negativo, como
esperávamos. Foi a única vez que utilizamos o laboratório
para esse fim", disse.
Com a sequência genética do vírus divulgada, todos
os 51 hospitais credenciados pelo Ministério da Saúde como
referência para tratar casos suspeito da gripe A(H1N1), entre eles
o Hospital das Clínicas de Ribeirão, têm capacidade
de realizar o teste rápido.
Em atividade desde 2007, o CPV teve investimento de R$ 5 milhões
e tem mais de 1.000 m2. Nele, trabalham cinco docentes e fazem pesquisa
cerca de 50 alunos (graduação e pós). Um dos laboratórios
tem nível de biossegurança 3 -no país, não
há nenhum laboratório com classificação maior.
Segundo o Ministério da Saúde, até ontem eram
25 os casos suspeitos da gripe no Brasil. Outros 36 pacientes são
monitorados em 16 Estados. (Folha de S.Paulo)
06.05 - Tendências na saúde
Diariamente observamos milhares de tendências na área
da saúde, mas não investimos tempo para compreender o que
está por trás delas. Como e porque surgiu, qual sua
importância no futuro, quando deixará de ser uma tendência
para estourar no mercado, qual seu prazo de validade...
Tendências jamais começam do nada e nunca param sem motivo.
Uma bola nivelada em uma superfície plana não começa
a rolar por si mesma. Algo precisa acontecer.
Uma pesquisa aprofundada das tendências permite antecipação
de estratégias, prevenção de desastres, controle de
epidemias. Empresas e profissionais liberais podem utilizar os conhecimentos
adquiridos no sentido de iniciar antes dos demais o processo de diferenciação
mercadológica.
- Subdivisão das especialidades médicas: na impossibilidade
de acompanhar todos os avanços da medicina, surgem super-especialistas
em áreas específicas. Endocrinologista especializado em diabetes
na adolescência.
- Redução do número de cirurgias: terapias genéticas,
dilatadores coronarianos, endo-próteses, vídeolaparoscopias,
laser terapia promovem um declínio nas cirurgias invasivas.
- Medicina genética: genes causadores de doenças poderão
ser transformados, substituídos ou incluídos em caso de ausência.
- Obesidade: mais de 60% da população americana vive
acima do peso ideal. 18% sofrem de obesidade mórbida. Drogas
inibidoras do apetite, cirurgias para redução do peso, lipoaspirações,
dietas especiais, academias de ginástica, livros de auto ajuda proliferando
na contramão da obesidade.
- Aumento da população de idosos: Cuidados para a manutenção
de uma qualidade de vida digna serão necessários. Muitos
se tornarão dependentes de cuidados básicos, necessitando
atendimento personalizado em tempo integral.
- Tabagismo e droga-adição: fumo será responsável
por 80% das mortes nos paises pobres. Aumento no consumo de drogas ilícitas.
- Aumento na ingestão de medicamentos: maioria dos medicamentos
é vendida sem necessidade de receita médica. Campanhas publicitárias
estimulam população ao consumo de substâncias potencializadoras
de desempenho, embelezadoras e vitaminas.
- Home Care: reduzem o custo hospitalar além de permitir a presença,
conforto e apoio de familiares. Seguros saúde já incentivam
sua utilização.
- Socialização da Saúde: praticamente todos os
pacientes terão algum tipo de seguro-saúde. Pacientes escolhem
profissionais que fazem parte da carteira oferecida pela seguradora.
- Processos por erro médico: Erros médicos não
terminam mais com pedidos de desculpas, mas em tribunais. Médicos
se obrigam a trabalhar dentro de protocolos rígidos de segurança.
Surgiram consentimento-informado, seguros contra má-prática,
advogados de “porta de hospital” e toda uma política de criação
de provas e solicitação de exames no sentido de proteção
contra ações judiciais.
- Pacientes com menos paciência e mais informados: pacientes
não são mais resignados e exigem conhecimento, qualidade
e segurança. Pesquisam informações e raramente chegam
desinformados à consulta.
- Diminuição do tempo médio das consultas: Atualmente
uma consulta médica demora em média 12 minutos.
- Para-médicos em expansão: fisioterapeutas, enfermeiros,
atendentes terão grandes oportunidades devido aos cuidados que serão
necessários dispensar a idosos e crianças enquanto a população
ativa estiver trabalhando.
- Popularização de doenças psicológicas:
síndrome do pânico, depressão, ansiedade, anorexia,
bulimia sempre existiram, mas sua freqüência tem aumentado significativamente.
(Ildo Meyer - Saúde Business Web)
06.05 - Kits para diagnóstico devem chegar até sexta
Secretário de Vigilância em Saúde disse que houve
atraso na formulação
O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério
da Saúde, Gerson Penna, afirmou nesta segunda-feira que o Brasil
vai receber da Organização Mundial da Saúde (OMS)
até sexta-feira (8) kits de diagnóstico da nova gripe provocada
pelo vírus Influenza A (H1N1). O teste específico é
o único método capaz de detectar a doença em dois
ou três dias.
“Até sexta-feira [os kits] estarão aqui. A OMS colocou
a sequencia do gene [código genético] na internet na sexta.
No sábado, mudou. Havia um erro. Isso levou o atraso na formulação
dos kits”, informou Penna, sem citar a quantidade de kits que devem chegar
ao Brasil.
Segundo o secretário, porém, o atraso não representará
qualquer prejuízo ao país. “Nenhum prejuízo. Todos
os pacientes estão sendo colocados em monitoramento ou em tratamento
no caso dos suspeitos”, disse.
Segundo a representação da OMS no Brasil, o método
atual de detecção da doença é feito por eliminação.
Os técnicos primeiro têm de verificar se o vírus presente
em uma pessoa monitorada é de influenza, depois se é do tipo
A e só então sua cepa.
Os kits serão distribuídos a 30 laboratórios de
referência no mundo. O Brasil conta com três laboratórios:
FioCruz, no Rio de Janeiro, Instituto Butantan, em São Paulo, e
o laboratório Evandro Chagas, no Pará.
Prevenção
A OMS recomenda a lavagem constante das mãos como forma de prevenção
contra o gripe suína. Segundo a organização, as pessoas
devem usar sabão ou sabonete e dedicar especial antenção
com a lavagem entre os dedos. (G1)
05.05 - Hipocondria e a epidemia do medo
Se diversas cenas sombrias sobre a gripe suína
se condensam principalmente no México e nos EUA, fontes do vírus
da gripe em questão, elas se internacionalizam imediatamente e começam
a se alastrar com a ameaça da pandemia.
A globalização, ao nos colocar
num mundo sem fronteiras, cria as vias de facilitação para
tornar presente a ameaça do mal em escala internacional. É
o temor da morte que se atualiza de maneira inevitável, pois para
interromper as trilhas de sua transmissão necessário seria
suspender o trafico aéreo internacional. O que, convenhamos, é
no limite impossível, principalmente se considerarmos a existência
atual da recessão econômica global. Porem, é inevitável
que a economia já sofra os efeitos da pandemia, em diferentes setores
das atividades produtivas. No entanto, o que está em pauta é
o medo. É esse o que principalmente se dissemina, com uma rapidez
infinitamente maior do que o vírus. O "apocalipse now" se inscreve
no imaginário coletivo de forma inequívoca. Os temores ancestrais
da ordem humana se colocam em cena, minando todos os sistemas de segurança
construídos pelo longo processo civilizatório. Se não
existe vacina contra o vírus da gripe A (H1N1), e o Tamiflu não
é o medicamento infalível para combatê-la de maneira
eficaz, os limites do discurso da ciência face ao mal absoluto se
tornam evidentes para todos.
Ao lado disso, as autoridades políticas
orientadas pela medicina não conseguem também nos oferecer
garantias para nossa segurança ontológica.
Medicalização
Foi graças à expansão do
discurso da ciência e a medicalização maciça
que ele promoveu do espaço social desde o final do século
18 que passamos a acreditar que poderíamos dominar inteiramente
a natureza e nos confrontarmos com o mal de maneira triunfante.
Com isso, o modelo moderno centrado na peste
substituiu o modelo antigo centrado na lepra. Passamos a combater diretamente
o mal com uma série de medidas sanitárias no interior do
espaço social, ao invés de isolá-lo e procurar circunscrevê-lo
na periferia das cidades, pela sua expulsão desterritorializante
(Foucault).
O discurso bacteriológico, inventado por
Louis Pasteur no século 19, incrementou em muito a suposta eficácia
do modelo da peste, multiplicando as ações da saúde
publica e os controles epidemiológicos. No entanto, a pandemia é
um acontecimento no limite imprevisível, apesar de o bioquímico
austríaco Norbert Bischofberger (criador do Tamiflu) afirmar que
seria previsível, pois as epidemias globais aconteceriam regularmente
a cada 30 ou 40 anos.
Porém o momento preciso em que a epidemia
acontece é imprevisível e não pode ser antecipado
rigorosamente pela ciência, nos deixando assim todos de calças
curtas e aterrorizados diante da implacabilidade da morte. Isso porque,
se a disseminação virótica se realizar efetivamente,
como ocorreu no caso da gripe espanhola em 1918, não existiriam
nem hospitais nem medicação disponíveis para todo
mundo, mesmo que sejamos hoje bem mais ricos e poderosos do que no inicio
do século 20. Assim, é o desamparo psíquico de todos
nós que fica à flor da pele nessas situações
limites e catastróficas, pois não temos com quem contar,
em última instância, para nos proteger do mal. É claro
que as regiões mais ricas do mundo têm mais recursos materiais
e simbólicos para se confrontarem com esse do que as pobres, assim
como o inverno que se aproxima no hemisfério Sul expõe ainda
mais os países pobres ao risco.
Porém o desamparo nos leva todos a acreditar
que estamos ameaçados por tudo e por todos, pela natureza e pelo
outro. Seria o desamparo a condição concreta de possibilidade
para a produção disseminada de sintomas hipocondríacos.
Com efeito, qualquer mal-estar que venhamos a sentir será o signo
inequívoco da presença do mal, num contexto em que ninguém
pode efetivamente nos proteger.
Enfim, se a hipocondria é o sintoma produzido
no sujeito quando esse supõe que não foi desejado pela mãe
e a ameaça de morte é o signo infalível de que a mãe
nos abandonou aos poderes da natureza, como nos ensina a psicanálise,
o imaginário hipocondríaco será a moeda corrente nos
tempos catastróficos da pandemia. A dor e o sofrimento psíquicos
são as resultantes desse medo amplo, geral e irrestrito promovido
no imaginário coletivo pela pandemia. É preciso assim que
fiquemos atentos ao lance, para não sucumbirmos pelo terror da morte.
Para isso, é preciso relativizar as supostas
certezas do discurso da ciência para constituirmos formas outras
de lidar com o nosso desamparo e combatermos vigorosamente as forças
maléficas que nos cercam na existência social
(JOEL BIRMAN - Folha de S.Paulo)
05.05 - Kits prontos de diagnóstico da
gripe suína
O País vai receber kits prontos para o
diagnóstico de gripe suína. A Organização Pan-Americana
de Saúde (Opas) vai encaminhar para 30 Centros Nacionais de Influenza
das Américas, incluindo do Brasil, exames para diagnóstico
da doença, que serão usados em pacientes onde há forte
indício de contaminação pelo vírus H1N1. As
remessas devem começar a ser feitas amanhã.
Os testes podem apressar a confirmação
ou o descarte de casos no Brasil. Até agora, há registro
de dois pacientes com suspeita de contaminação: um em Minas
Gerais e outro em São Paulo. Os dois apresentam mais de um sintoma
da doença e estiveram no México, país onde há
casos confirmados de influenza suína. Ontem, o ministro da Saúde,
José Gomes Temporão, havia afirmado que testes para confirmar
se pacientes estão com H1N1, produzidos no Brasil, estariam prontos
em até dez dias. Com a chegada dos kits prontos, a confirmação
ou descarte dos casos pode ocorrer mais rapidamente.
Os testes brasileiros serão feitos a partir
do sequenciamento genético enviado ontem pela Organização
Mundial da Saúde (OMS) para o País. O sequenciamento já
foi transmitido para uma empresa encarregada de enviar o material necessário
para fazer o kit, informou ontem Eduardo Hage, da Secretaria de Vigilância
em Saúde do Ministério da Saúde. Com o material, o
País poderá fazer rapidamente kits para o uso nos casos suspeitos.
O teste preparado pelo Brasil usa a mesma técnica do que será
enviado pela Opas.
"O Brasil tem uma ótima rede. Os kits
poderão ser úteis neste primeiro momento", afirmou o gerente
de Vigilância em Saúde, Prevenção e Controle
de Doenças da Opas, Jarbas Barbosa. Para ele, o mundo está
muito perto de entrar na fase 6 do alerta de epidemia. "Basta que, Espanha,
Reino Unido ou país que esteja fora do continente americano apresente
transmissão comprovada da doença", afirmou.
Alta hospitalar
A Secretaria de Estado da Saúde de Minas
Gerais informou hoje que, de acordo com boletim médico do Hospital
das Clínicas, em Belo Horizonte, três dos cinco pacientes
que estavam sendo monitorados para investigação de gripe
suína tiveram alta ontem à noite. De acordo com as informações,
os resultados dos exames de dois pacientes, realizados pela Fundação
Oswaldo Cruz deram negativo e o outro caso foi descartado por critério
clínico. (Agência Estado)
05.05 - Governo brasileiro faz alerta contra automedicação
A Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa) reforçou a fiscalização
nos aeroportos e todos os voos internacionais que chegam ao Brasil estão
sendo monitorados, para prevenção contra gripe suína.
Antes, a medida valia apenas para os aviões que haviam saído
das áreas de risco. Nos portos, a fiscalização também
foi redobrada e as embarcações procedentes de áreas
afetadas não podem mais atracar antes de serem fiscalizadas.
Além de tomar as medidas de prevenção,
o governo federal faz um alerta e pede para a população evitar
a automedicação. Quando começa a apresentar sintomas
de gripe, tem gente que corre para a farmácia atrás de antitérmicos
e analgésicos. “A gente acaba usando esses recursos para tentar
passar. Se não passar recorre ao médico, mas a gente acaba
tendo uma farmacinha em casa”, aponta a recepcionista Lídia Hiromi.
Nenhum remédio deve ser tomado sem orientação
médica. O perigo é ainda maior para quem viajou para áreas
de risco ou entrou em contato com pessoas que vieram de lá. Os antigripais
disfarçam os sintomas e podem prejudicar o diagnóstico de
gripe suína.
“Não podemos ter nenhum tipo de alarmismo.
Não é momento das pessoas saírem buscando medicamento
na farmácia, fazendo automedicação nem usando máscaras”,
alerta o secretário de Saúde do Rio de Janeiro, Sérgio
Cortes.
Secretários de saúde do país
inteiro se reuniram em Brasília e receberam orientações
do governo. A ordem é ficar alerta. (G1)
04.05 - Os custos da TISS e a ética médica
Temos defendido que a adesão dos médicos
à TISS eletrônica seja voluntária, sem prazos pré-determinados
e, conseqüentemente, sem pressões das operadoras. Temos defendido
que o médico deve ser ganho para o processo, assim como fomos todos
ganhos para a declaração do Imposto de Renda via internet.
Hoje ninguém mais pensa nas antigas declarações em
papel.
Vez por outra, a Agência Nacional de Saúde
(ANS) realiza um levantamento chamado de “Radar TISS”, que procura captar
o processo de implantação da troca eletrônica na saúde
suplementar. Assim é que, sem a devida base metodológica
e sujeita às mais variadas distorções, são
divulgados os resultados que dão conta da “crescente adesão
dos médicos”.
Mas, o que capta o nosso “radar”? Que os custos
da implantação e manutenção caem todos sobre
os médicos, ao passo em que diminuem os custos administrativos e
financeiros das operadoras. Que temos que adquirir a aparelhagem de informática
para a TISS via internet, a banda larga, treinar as secretárias,
que passarão a fazer o trabalho que era realizado pelas operadoras,
adquirir programas e, ainda por cima, manter as guias de papel!
Os nossos custos são vistos como algo
natural no processo. Quando queremos que as operadoras banquem, por exemplo,
as máquinas de POS de livre acesso a todos os convênios, é
dito pelas operadoras que não podem aumentar os seus custos! Espera-se,
assim, uma ação da ANS no sentido de maior equilíbrio
do sistema.
Dessa forma, foi positiva a ação
judicial feita por alguns Conselhos Regionais, contra a implantação
obrigatória da TISS.
Além disso, questões éticas,
também, têm sido enfrentadas. A pretexto de estimular, de
forma difusa e não debatida conosco, a “promoção da
saúde”, tentam, através, principalmente, das novas guias
propostas, obter dos médicos os diagnósticos das consultas,
dos pedidos de exames e do tempo da doença dos nossos pacientes.
Isso aumentaria a burocracia no atendimento e gera informações
que interessam a terceiros, principalmente na formação do
perfil de clientela para a “promoção da saúde” financeira
das empresas.
Estaremos assim, perigosamente, nos aproximando
do que já acontece na América do Norte, onde, a partir da
informatização dos consultórios, ocorre, não
mais uma completa interação médico-paciente (base
do exercício da medicina), mas uma interação antiética
médico-operadoras. Isso é feito através de softwares
com registro on line, pela operadora, da marcação de consultas,
diagnósticos, prescrição e outras condutas médicas
no consultório, numa cena imprevista do médico transformado
na câmera do grande Big Brother da saúde suplementar. É
“Alphaville” (filme de Jean-Luc Godard) saindo do terreno da ficção
cinematográfica.
Porém, continuaremos na firme ação
ética reguladora e mobilizadora dos Conselhos de Medicina e esperamos
que a Agência Reguladora governamental (ANS) também considere
os princípios éticos e a necessidade de atender a todos os
setores e aspectos envolvidos com a saúde suplementar, sob pena
de acabarmos como o nosso grande irmão do Norte.
É o que mostra, como sinal de alerta,
o nosso Radar. (Aloísio Tibiriçá - CFM)
04.05 - OMS: Epidemia global é iminente
"Já estamos no começo do processo", afirma diretor-geral
assistente da Organização Mundial da Saúde, que sobe
nível de alerta
"A humanidade inteira fica sob ameaça de pandemia", diz diretora
do órgão, que vê países preparados para lidar
com efeitos da gripe suína
A Organização Mundial da Saúde (OMS) decidiu elevar
o seu alerta pandêmico para o nível 5 na última quarta-feira,
diante da rápida propagação mundial da gripe suína
e da constatação de que há contínua transmissão
do vírus entre seres humanos.
É a primeira vez que a organização aciona este
nível de alerta, que indica a iminência de uma pandemia. A
cúpula da OMS admite que é alta a probabilidade de que o
alerta passe logo para o nível 6, o mais alto da escala, o que significa
a declaração de uma pandemia (epidemia mundial).
Keiji Fukuda, diretor-geral assistente da OMS, explicou que, embora
tecnicamente a fase 5 fase indique "pandemia iminente", na realidade o
estado já é este. "Já estamos no começo do
processo", disse.
Ele confirmou que a OMS está trabalhando com laboratórios
para a produção de uma vacina, mas que no momento o importante
é garantir a produção de remédios contra a
gripe comum, como o Tamiflu.
A decisão de subir o nível de alerta pela segunda vez
em dois dias foi tomada depois que a OMS realizou consultas durante todo
o dia com cientistas de todo o mundo e reuniu seu Comitê de Emergência.
A conclusão foi de que a propagação do vírus
não perdeu sua força.
A OMS já havia confirmado ontem a primeira morte causada pela
gripe suína fora do México, o foco principal do surto. A
vítima foi um menino mexicano, internado no Texas.
"Todos os países devem imediatamente ativar seus planos contra
pandemias", disse a diretora-geral da OMS, Margaret Chan. "A humanidade
inteira fica sob ameaça durante uma pandemia", completou.
Mas Chan disse também que o mundo está mais preparado
do que em qualquer ponto da história para enfrentar uma epidemia
global. Segundo ela, as lições aprendidas nos surtos de Sars
e gripe aviária, em 2003 e 2004, forçaram os países
a se preparar para o pior.
"Pela primeira vez na história podemos traçar a evolução
de uma epidema enquanto ela se desenvolve", disse. Chan repetiu que não
há mais possibilidade de contenção do vírus,
e que o foco agora deve ser a "mitigação" de seus efeitos.
O que mais preocupa é o contágio de pacientes que não
estiveram no México. Isso ocorreu entre alunos em uma escola de
Nova York, que tiveram contato com pessoas vindas do México, ou
seja, uma transmissão secundária. Ontem, a Espanha registrou
caso parecido. (MARCELO NINIO - Folha de S.Paulo)
04.05 - Vacina contra gripe suína não estará pronta
antes de setembro
A vice-diretora de ciências do Centro de Controle de Doenças
dos Estados Unidos, Anne Schuchat, informou na última quarta-feira
aos parlamentares que estão sendo feitos "grandes esforços"
para desenvolver vacina contra o vírus letal da gripe suína,
mas advertiu que nada estará pronto antes de setembro.
"Se tudo sair bem, haveria disponibilidade em setembro", afirmou.
Mas, advertiu que "nem tudo poderá sair muito bem".
Schuchat falou sobre o assunto diante a comissão de Segurança
Interna do Senado. (AFP)
04.05 - EUA: Pouco avanço na saúde
Com a crise econômica consumindo grande parte do tempo e da atenção
de Barack Obama em seus primeiros 100 dias no governo, pouco pôde
ser feito no período em relação a um tema tão
importante quanto a recessão. Pelo menos para os mais de 46 milhões
de americanos que não possuem assistência médica e
acompanham com curiosidade os movimentos em relação à
reforma do sistema de saúde. O que se tem até agora é
um orçamento aprovado de US$ 634 bilhões para iniciar as
mudanças e a complexa intenção do governo de ampliar
a cobertura ao mesmo tempo em que se reduzem os gastos com a saúde.
Um escritório para a reforma já foi estabelecido na Casa
Branca, e está sob os cuidados de Nancy-Ann DeParle, que, durante
o segundo mandato de Bill Clinton, dirigiu a agência responsável
por cuidar dos programas públicos Medicare (para maiores de 65 anos),
Medicaid (para famílias de baixa renda) e o Programa público
de Assistência Médica para Crianças (Schip, na sigla
em inglês). No começo do mês, Obama autorizou a secretária
de Saúde, Kathleen Sebelius, a criar um escritório destinado
à reforma no seu Departamento para trabalhar diretamente com DeParle
e evitar tensões entre o órgão e a Casa Branca na
elaboração do plano de reforma.
Os principais obstáculos, no entanto, serão enfrentados
no Congresso. Apesar de grande parte da maioria democrata acreditar que
o projeto de reforma é vital, alguns congressistas veem com desconfiança
uma participação tão grande do Estado e sua "proximidade"
dos modelos socialistas. "Obama terá de obter, no mínimo,
60 votos para evitar que a votação do projeto seja sempre
adiada. O ideal era que isso acontecesse nos primeiros dois anos de governo",
explica o cientista político William Binning, da Youngstown State
University (Ohio).
Mas as indefinições sobre a proposta de reforma têm
gerado especulações. O presidente do Comitê de Finanças
do Senado, o democrata Max Baucus, por exemplo, vê com reticência
os gastos de US$ 634 bilhões previstos no orçamento para
"dar início" ao projeto, já que um dos objetivos é
a redução dos gastos com a saúde. Segundo a Casa Branca,
nos últimos oito anos, os custos com saúde cresceram quatro
vezes mais que os salários - chegando a US$ 2,5 trilhões
por ano -, e, em 2009, podem fazer com que 1,5 milhão de pessoas
percam suas casas. "A minha preocupação é a viabilidade
do "adiantamento" e como ele ajudará o Congresso a conter os custos
associados à reforma do sistema de saúde", explica Baucus.
Outro ponto que suscita discussões acirradas é o modelo
que deverá ser usado. "Uma grande parte do plano inclui a expansão
do Medicaid e do Schip como uma maneira de estender o benefício
aos não segurados. Mas essa é uma parte polêmica do
plano porque seria inviável sem o aumento de impostos e porque esses
programas não funcionam bem", afirma o especialista em Saúde
Pública John O. Shea, da The Heritage Foundation. (Correio Web)