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31.07 - Prestando contas à vida 
Nesse momento especial, entre a vida e a morte, o homem comum pode filosofar; e, assim, flertar com a imortalidade
As populações brasileira e mundial têm envelhecido muito rapidamente. É uma séria questão para os sistemas de previdência e saúde pública e para os próprios velhos, mais solitários e dependentes.
No entanto, é possível transformar velhice em liberdade. Nesse momento especial, entre a vida e a morte, o homem comum pode filosofar; e, assim, flertar com a imortalidade.
A filosofia tem saído da moda enfrentando rivais cada vez mais arrogantes. Informática, marketing e design tentam substituir o personagem conceitual -o filósofo ou o artista- por telas planas, telefones celulares e internet. É o reinado dos simulacros.
Segundo Deleuze e Guatari, filosofar é a arte de criar conceitos potentes para tentar dar significado a questões para sempre mal resolvidas, como velhice e morte. Mas conceito não é dado ou comprado, é criado. E filosofar é criar ou mudar conceitos.
Para eles, filósofos e artistas têm uma saúde frágil. Não por causa de suas doenças ou neuroses, mas porque viram na vida algo grande demais para suportar, o que pôs neles a marca discreta da morte. Esse algo é também a fonte que nos faz viver através das "doenças do vivido", justamente o que Nietzsche chama de saúde.
O que define filosofia e arte, duas das grandes formas de pensamento, é enfrentar o caos esboçando um plano.
Para tanto, a filosofia formula conceitos, e a arte, percepções. Essas disciplinas não são como religiões, que invocam deuses para pintar sob nossos guarda-sóis um firmamento artificial. Ao contrário, elas propõem que só venceremos se rasgarmos o pano pintado e enfrentarmos o caos.
O sistema econômico e cultural entrega aos homens comuns grandes guarda-sóis com forros pintados que lhes dão uma falsa segurança enquanto servem à lógica própria do capital.
São do tipo "comprando um novo iPod ou estendendo a vida a qualquer preço você pode ser feliz".
Por baixo do pano, essa lógica desenha suas palavras de ordem como um firmamento único. Cabe ao filósofo e ao artista contidos em nós abrir uma fenda no guarda-sol e fazer passar um pouco do caos livre e tempestuoso que dá sentido à vida.
A cada rasgo que fizermos, os gênios da comunicação a serviço do pensamento único correrão a preencher a fenda e lotá-la de novas certezas. Será preciso, então, cortar novas fendas, operar novas destruições, restituindo a novidade que já não podia mais ser vista.
O pensamento único se esconde atrás de um tipo religioso de fé cega num futuro que outros nos impõem.
Nunca as tecnologias progrediram tanto na exploração do corpo e da mente. E, no entanto, Roudinesco nos lembra de que em nenhuma época o sofrimento psíquico foi tão vivo: solidão, psicotrópicos, tédio, depressão, desamparo, obesidade, uma pílula a cada minuto de vida: "Quanto mais se promete a felicidade e a segurança, mais persiste a infelicidade, mais aumenta o risco".
Ela cita Canguilhem, Sartre, Foucault, Althusser, Deleuze e Derrida como alguns dos que se recusaram a aceitar uma ideologia da submissão e a virar soldados de uma "normalização" do homem. Eles gostariam de transformar todos nós em rebeldes, seres capazes de abordar a existência como consciência do mundo.
Podemos compreender, então, como a morte pode prestar contas à vida; ou seja, como se pode aceitar a morte para que haja vida. Na "Ilíada", Aquiles encarna o ideal absoluto "da bela morte e da vida breve", origem da concepção grega de heroísmo. Roudinesco lembra Vernant, para quem um dos grandes enigmas da condição humana é encontrar na morte o meio de superá-la, vencê-la dando-lhe um sentido do qual ela é completamente desprovida. É quando o agir significante se transforma em obra eterna. Doença e morte, paradoxalmente, são parte da vida.
Dentro dessa perspectiva, o doente, com seu sofrimento e sua dor, é o único capaz de julgar sobre sua normalidade. Quem quiser transformar a vida num conjunto de funções que resistem à morte fará com que a morte não lhe pertença mais.
No entanto, a morte está inscrita na história da vida, assim como a doença na existência de cada sujeito. Fenômeno progressivo de degradação lenta dos corpos, ela se apodera do homem desde o seu nascimento, habitando-o ao longo de sua vida até a última passagem. Mas nosso espírito, enquanto construindo os significados que atribuímos à vida, pode ter o gostinho da imortalidade. Depende de nós. Basta sermos capazes de abrir pequenos furos no falso firmamento que querem nos impor e deixar passar um pouco de caos.   (GILBERTO DUPAS - Folha de S.Paulo)

31.07 - Ministério autoriza mais nove estabelecimentos para transplantes
O Hospital Universitário de Brasília (HUB) retomou neste mês as cirurgias de transplante de córnea para atender cerca de mil pessoas na cidade que aguardam pelo procedimento. A expectativa é de que sejam realizados até três transplantes por dia e que sejam recolhidas até 14 córneas por mês.
O Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Atenção a Saúde, autorizou o funcionamento de mais nove estabelecimentos para a realização de transplantes. Agora são 871 hospitais credenciados para realização desse tipo de cirurgia.
Segundo o Ministério da Saúde, o documento autorizou transplantes de córnea, rim, medula óssea autogênica (medula retirada do próprio paciente), pâncreas, pulmão e enxerto ósseo. Entre os estados contemplados na lista com alguma dessas modalidades estão São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Alagoas.
O hospital interessado em pedir a abertura de novos procedimentos de transplantes deve enviar um pedido à Secretaria de Saúde e à Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos do seu estado. (Agência Brasil)

31.07 - Saúde do Grande ABC carece de integração e investimento
S.Paulo - A falta de leitos para internação no Grande ABC é a mostra de que as administrações da região são dependentes do governo estadual, apesar de seis dos sete municípios serem considerados gestores plenos e, na teoria, deveriam ser responsáveis por suprir todas as demandas de baixa e média complexidade. Para se ter uma idéia da situação da região, se a população do Grande ABC que não tem convênio médico tivesse de contar apenas com a rede pública das sete cidades, encontraria a mesma relação de leitos por habitante que há no Iraque.
A falta de estrutura para internação, para análises clínicas e de atendimento com especialistas e, em especial, a ausência de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) travam todo o sistema de Saúde, obrigando pacientes que talvez não tenham tempo para esperar em filas intermináveis.
O Ministério da Saúde classifica Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema. Mauá e Ribeirão Pires como gestores plenos dos recursos do SUS (Sistema Único de Saúde). Isso significa que essas cidades recebem diretamente os recursos do Fundo Nacional da Saúde para gerir todos os níveis do atendimento à Saúde e têm de cuidar da saúde básica, com programas preventivos e o Programa Saúde da Família, além de gerir os atendimentos ambulatoriais e de prontos-socorros, arcar com exames complementares e encaminhamento para especialistas, e seguir o tratamento até o fim - seja com cirurgia, internação ou um medicamentos.
O que se vê, porém, é uma uma crescente demanda pela saúde pública e uma extrema dificuldade das administrações em conseguir equilibrar seus orçamentos com gastos cada vez maiores. E aí fica o questionamento: faltam verbas ou uma melhor administração pública já seria suficiente para um atendimento adequado?
A região tem tentado as duas coisas. A experiência da Fundação do ABC tem sido utilizada para auxiliar na administração de unidades de Saúde em Santo André, São Bernardo e São Caetano. Ao mesmo tempo, os municípios lutam por verbas dos governos estadual e federal.
Mas a falta de bom atendimento nas redes municipais acaba refletindo nos dois hospitais estaduais da região, que no ano passado receberam R$ 135 milhões. As unidades são a referência da região para atendimento de alta complexidade, mas fazem procedimentos como ultra-sonografia. Situação bem exemplificada e criticada pela diretora de Saúde de São Caetano, Regina Maura Zettone. Para ela, a necessidade de vagas de UTI não é sinal de carência do município. "Enquanto os hospitais estaduais gastarem recursos em exames de papanicolau, endoscopia e ultra-som (de responsabilidade dos municípios), não haverá investimentos em mais vagas", afirma.
No geral, a região carece de uma integração de seus serviços e de agregar novos atendimentos especializados para que o Grande ABC possa, de fato, ser gestor. (Bruno Ribeiro e Samir Siviero - Diário Online)
 
 
 
 
 

30.07 - Envelhecimento ativo
Em menos de 20 anos, o Brasil terá 18 milhões de idosos. Em 2025 serão 32 milhões. Apesar de a expectativa de vida ter aumentado, ainda há muito a fazer. Responsável durante 12 anos por programas de envelhecimento da Organização Mundial de Saúde (OMS), o doutor em saúde pública Alexandre Kalache, fundador do Departamento de Epidemiologia do Envelhecimento da London School of Hygiene and Tropical Medicine e consultor sênior da Academia de Medicina de Nova York, diz o que pode ser feito para melhorar a qualidade de vida na terceira idade. Ele está no Brasil para participar do 13º Congresso Internacional da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge) e defende o investimento em atenção primária e em práticas que levem ao que chama de "envelhecimento ativo".
O brasileiro está envelhecendo com melhor qualidade de vida?
KALACHE - Se compararmos com o envelhecimento do meu avô a diferença é enorme. Primeiro porque a expectativa de vida é mais alta. Quando nasci em 1945, em Copacabana, a esperança de vida de um brasileiro era de 43 anos. Hoje é de 73 anos, quase 74 anos. Só no meu tempo de vida ganhamos 30 anos. Isso é um recorde. Poucos países conseguiram este salto num período tão curto. Eu nasci numa maternidade (a Arnaldo de Moraes) que não existe mais. O mesmo prédio se tornou virtualmente um hospital geriátrico. Copacabana é um exemplo excelente do que está acontecendo e acontecerá no país. Hoje temos mais idosos proporcionalmente neste bairro do que na Suécia e no Japão. Isso tem muito a ver com a urbanização do bairro. Por um lado, os idosos que têm acesso ou dinheiro hoje contam com facilidades que antes não sonhavam, como serviços de saúde e avanços tecnológicos que no meu tempo de estudante de medicina, no final da década de 60, eram ficção científica, mesmo um marcapasso ou a cirurgia aberta de coração, ou um tratamento catarata. E ainda as drogas para controlar diabetes, hipertensão, problemas cardiovasculares; a evolução do tratamento de câncer. Tudo isso melhorou a qualidade de vida. Idosos que antes seriam incapacitados, hoje convivem com problemas crônicos. Porém, o envelhecimento no Brasil ainda é um reflexo do que acontece no país. Há muita desigualdade. Por exemplo, decidir fazer dieta saudável não depende apenas de acesso à informação, mas também de poder aquisitivo. Mesmo em Copacabana isso fica evidente. De um lado idosos em comunidades carentes e do outro idosos de classe média. O primeiro grupo está envelhecendo pior, sem acesso ao sistema de saúde e sem vida social.
O Brasil envelheceu antes de enriquecer. Até que ponto isso foi ruim?
KALACHE - Um aspecto positivo é a aposentadoria não contributiva, de grande interesse internacional, que está tirando da miséria mais de oito milhões de beneficiários e cerca de quatro vezes esse número quando somamos seus familiares. São mais de dois mil municípios que têm hoje suas economias gravitando em torno dessas pensões. E esta política é viável e economicamente possível e difundida. São pessoas que trabalharam a vida toda e não contribuíram para o seguro social, como donas de casa, trabalhadores rurais etc. Pela primeira vez contam com uma renda regular todo mês. Se o Brasil não tivesse nos anos mais recentes experimentado um desenvolvimento econômico, isso talvez ficasse insustentável. E isso pesa muito menos para a economia do que a pensão de funcionários públicos que geralmente se aposentam cedo e com valores mais altos.
Os profissionais de saúde estão preparados para lidar com a terceira idade?
KALACHE - São absolutamente despreparados para lidar com idosos. Não vamos conseguir oferecer serviço geriátrico para 18 milhões de idosos. Primeiro, não é a resposta, não queremos tornar o envelhecimento um problema médico. Mas precisamos treinar todos os profissionais de saúde para lidar melhor com essa população. Geralmente eles sabem tudo de criança, de gestante, mas não sabem nada sobre terceira idade. E é a maioria de seus pacientes. Eles saem das faculdades sem adquirir conhecimentos para lidar com os idosos. A grande resposta para o envelhecimento é a atenção primária na saúde, para evitar a hospitalização e a institucionalização, opções muito mais caras. É preciso atender nossos idosos onde eles vivem, com seu problemas. Trabalhamos com a Associação Internacional de Gerontologia e definimos os 15 pontos capitais para o currículo mínimo do médico. O que ele deve aprender hoje para responder ao envelhecimento. Em 2025, serão 32 milhões com mais de 60 anos no Brasil, em 2050, serão 70 milhões. O acidente vascular cerebral ou derrame é um desgraça no Brasil, que tem um dos maiores índices do mundo. E que poderia ser prevenido como medidas simples como redução do sal na dieta e prática de atividade física. Mas, por exemplo, o idoso que mora em comunidades mais carentes não tem uma calçada para caminhar. Por outro lado, quando a doença já ocorreu, ele precisa de um lugar adequado para se tratar. E depois do tratamento vai precisar de fisioterapia, acompanhamento. Muitas vezes se torna incapaz e ainda terá de viver 15 anos a 20 anos com esse problema, com má qualidade de vida. Todos os profissionais de saúde deveriam estar mais familiarizados com anatomia, fisiologia, farmacologia, sinais e sintomas de doença na terceira idade. Um infarto em pessoa mais jovem causa dor. Já num idoso isso nem sempre ocorre. Outra doença comum é a depressão, que muitas vezes é confundida com mal de Alzheimer e não é tratada.
O Brasil tem um excelente Estatuto do Idoso no papel, mas na prática ainda não funciona? O que pode ser feito?
KALACHE - Já melhorou muito. Há dez anos, falar de envelhecimento não estava na pauta da mídia. Quando me especializei, na década de 70, eu não conseguia falar com ninguém sobre o assunto. Para melhorar a aplicação do estatuto é preciso sensibilizar as autoridades, os políticos. Eles querem dar prioridade a ações mais imediatas, como inaugurar uma ponte. Os políticos e dirigentes ainda não se deram conta da urgência do tema. Porém, o envelhecimento é um desafio de hoje, temos que andar rapidamente. Por exemplo, estamos tentando criar o Centro Internacional de Envelhecimento no Brasil, mas há mais dificuldades do que havia previsto. O principal objetivo do centro seria estimular políticas sustentáveis para o envelhecimento ativo. É o processo de otimizar as oportunidades de saúde, participação e segurança para que o cidadão tenha melhor qualidade de vida à medida que envelhece. É um processo, é continuo. E essas oportunidades estão ao longo da vida. Na saúde, o que se faz hoje, na infância, na adolescência, terá repercussão importante aos 78 anos. A saúde é a chave para participar ativamente da sociedade. Outra questão é a segurança para viver bem na velhice. A proposta do centro é estimular o debate com profissionaisde todas as áreas, não apenas saúde, mas arquitetos, advogados etc, realizar pesquisas e elaborar políticas públicas que poderão trazer o Brasil para o mesmo grau de evolução de países da Europa e dos Estados Unidos. E ele não será vinculado a uma única instituição. A idéia é fazer parcerias com profissionais que se dedicam à essa área, como a Universidade Aberta da Terceira Idade (Unati, Uerj), UFRJ e Universidade Cândido Mendes, e no exterior, como The New York Academy of Medicine, para citar alguns exemplos.
O que aconteceu com o programa Sociedade Amiga do Idoso, da Organização Mundial de Saúde (OMS), que teve como piloto o bairro de Copacabana e serve de modelo para outras cidades do mundo?
KALACHE - O programa está lento, mas existem intervenções pontuais. Copacabana serviu como piloto e foi aqui que desenvolvemos a metodologia adotada em 35 cidades para o projeto global cidade amiga do idoso. Isso é realidade e partiu daqui. Depois repetimos a pesquisa entrevistando idosos de Tóquio, Xangai, Londres, Melbourne, Nova York e outras cidades. Analisamos os relatórios e os dados foram usados para produzir um guia, lançado em 1º de outubro de 2007. E teve um grande impacto. Agora são centenas de cidades e nova reunião será realizada em setembro, em Montreal. Apesar de ter nascido em Copacabana, pouco foi feito aqui. O tema transporte é um dos mais importantes para esta população. No Brasil os ônibus brasileiros são feitos em chassi, com degraus altos. Em Nova York o sistema está sendo todo reformulado. Já existem ônibus nos quais o chassi inteiro desce, não apenas um degrau. O que é bom para o idoso é bom para todos. Eu entro mais facilmente com um embrulho, a mulher com bebê, a pessoa com necessidade, o gordo. Uma boa política de envelhecimento é uma boa política de transporte público. O idoso poderá socializar mais. Outra questão: o idoso gosta de caminhar, de andar, mas também precisa descansar, a cada 200 metros a 300 metros. Criar um mobiliário urbano adequado é importante. A construção de toaletes públicos é outra medida simples. Muitos idosos têm urgência urinária, e não saem de casa porque não encontram esse tipo de equipamento. Não é só a questão financeira, é preciso vontade política. Por aqui há poucas iniciativas. Agora o Estado do Rio Grande do Sul começa a tomar algumas iniciativas nesse sentido. Lá, em parceria com o governo, estamos realizando debates, fóruns para discutir e implantar medidas que melhorem a qualidade de vida do idoso. Existem necessidades comuns, mas cada comunidade tem suas diferenças. Na Região Sul ainda existem muitos idosos vivendo em populações agrícolas e isolados. Os filhos saíram de casa, eles vivem sozinhos em muitas vezes em imóveis que estão se deteriorando, sem poder aquisitivo. O governo convocou mutirões convocando idosos mais ativos, recém aposentados, como bombeiros, pedreiros e eletricistas, para reformarem essas casas, a partir de algum incentivo financeiro.
O que é melhor para idoso, ser cuidado em casa ou numa instituição?
KALACHE - Hoje ocorre a feminização do envelhecimento. Na faixa a partir dos 85 anos, dois terços da população é formada por mulheres, geralmente de baixa renda e há muito tempo viúvas. Muitas se casaram com homens mais velhos. A responsabilidade de cuidar de outro idoso geralmente é da mulher. O homem ainda participa pouco. Na faixa de 18 anos a 30 anos, a mulher é principal cuidadora de algum doente dentro de casa e dedica, em média, 18 minutos por dia do seu tempo nessa tarefa. Na faixa de 45 anos a 54 anos, ela gasta 150 minutos. De 65 anos a 74 anos, dedica 210 minutos do seu tempo. De 75 anos a 84 anos o tempo gasto é 310 minutos. Geralmente cuidam dos maridos ou dos próprios pais. Mesmo depois de 85 anos a mulher ainda passa 63 minutos em média cuidando de alguém, mais de três vezes a média das mais jovens. De maneira geral, a pessoa idosa quer envelhecer em casa, não quer ser institucionalizada, por melhor que seja a casa da repouso. É preciso repensar a sociedade para o homem ter participação mais ativa no cuidado, compartilhar mais. E que de alguma forma o poder público ajude para para que as pessoas possam envelhecer em casa. Isso depende também de investimento em atenção primária. Estudo em 2002 na Espanha, mostrou que apenas 12% das pessoas que cuidavam de idosos eram profissionais especializados. No Brasil ainda existe a figura da empregada doméstica, que também atua como cuidadora. Quase 90% eram familiares, amigos, vizinhos. Há estudos similares na Europa e nos Estados Unidos. Não há nenhum país do mundo com mais de 6% de idosos vivendo em instituições. Para a imensa maioria dos idosos, a institucionalização é o começo do fim, a pessoa fica deprimida, está mais sujeita a abusos, perde sua privacidade e sua autonomia para viver de acordo com suas próprias regras e os seus desejos. Mesmo lúcida ela não tem mais autonomia. Terá que seguir regras das instituição, comer na hora determinada, dividir um quarto, usar banheiro coletivo. São raros os lugares bons.
De que forma os avanços em medicina genética estão melhorando a qualidade de vida dos idosos?
KALACHE - Provavelmente, com os avanços científicos, como a medicina genética, as pessoas vão chegar mais facilmente aos 100 anos e com melhor qualidade de vida. Em vez de tratar, a pessoas será curada de doenças crônicas como Parkinson e Alzheimer. Mas para algumas pessoas esse aumento da expectativa de vida será uma perversidade porque continuarão com má qualidade de vida. Por isso estamos buscando intervenções que possam facilitar que a pessoa continue ativa e produtiva. De qualquer forma, envelhecer hoje é muito mais fácil do que há 40 anos a 50 anos. Mas não podemos esperar soluções de fora, temos que desenvolver nossas próprias. É preciso dar mais ênfase em direitos de idosos.   (G1)

30.07 - Mais respeito com a saúde dos brasileiros
Entra dia, sai dia, mais se fortalece a impressão de que o Brasil está à beira do caos na área de saúde. Uma epidemia de dengue assola o Rio de Janeiro, pacientes com câncer morrem na fila à espera de radioterapia, falta política de saúde consistente para o combate à AIDS, à febre amarela, e agora também à leishmaniose e à tuberculose, entre outras doenças. Enfim, o descaso com os cidadãos é público e notório.
Enquanto isso, em vez de se debruçar num plano de emergência para reverter esse quadro calamitoso, o órgão federal responsável por garantir um atendimento universal, digno e de qualidade para todos os brasileiros está longe da realidade. O máximo que faz é insistir em ações que rendem mídia, criam polêmica e geram exposição, como a distribuição de preservativo, pílula do dia seguinte, e a liberação do aborto.
Para completar este cenário, a Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação em Saúde, ligada ao Ministério da Saúde, tem insistido na proposta de formar médicos para o Sistema Único de Saúde, o SUS. Acena com a possibilidade de utilizar residentes como mão-de-obra barata, num flagrante desrespeito aos objetivos da residência médica.
Infelizmente, vem se notando a influência da citada Secretaria sobre o Ministério da Educação, apesar do bom senso, coerência e luta pela melhoria da qualidade do ensino demonstrados pelo ministro. Tal influência é testemunhada pela notícia recente de que os alunos contemplados com o financiamento estudantil poderão quitar suas dívidas com trabalho, depois de formados. Esta proposta só seria cabível após a conclusão da residência médica, pois o médico recém-formado não possui condições para exercer a profissão, principalmente em locais onde não há infra-estrutura e recursos humanos, indispensáveis para a boa prática médica.
Também planejam a temerária revalidação dos diplomas de médicos brasileiros graduados em Cuba e de cubanos. Para trabalhar no país, qualquer profissional formado fora (e isso vale para os, bolivianos, americanos, europeus, enfim, para todos) tem de comprovar que está capacitado a responder às necessidades e particularidades do nosso sistema de saúde, e ter competência profissional.
Claro que é uma insanidade daqueles que só enxergam a medicina e a saúde pela janela de seus luxuosos gabinetes. Uma política séria não pode jamais diferenciar o médico do SUS daqueles que trabalham em hospitais particulares de referência. Devemos ter profissionais bem formados para atender a todos, pobres e ricos. Os pacientes da rede pública, é óbvio, também merecem um atendimento médico de excelência.   (Antônio Carlos Lopes - CFM)

30.07 - Para Cremerj, hospitais não melhoraram
Entrar numa UPA é uma experiência diferente para os pacientes acostumados à rede pública hospitalar do Rio. Confortáveis, organizadas e com atendimento rápido e eficiente, elas têm atraído pessoas das mais diferentes regiões. E a comparação com os hospitais públicos é sempre desvantajosa para as unidades tradicionais.
A presidente do Conselho Regional de Medicina (Cremerj), Márcia Rosa de Araújo, dá razão aos que reclamam dos hospitais estaduais. Na semana passada, ela fez uma pesquisa junto aos conselhos de ética dos principais hospitais estaduais e constatou que as condições não melhoraram ao longo dos últimos anos. Segundo ela, ainda faltam médicos em várias especialidades e nem sempre há material suficiente para o trabalho.
- No início de sua gestão, o governador foi numa segunda-feira ao Hospital Getúlio Vargas e não havia ortopedista. O hospital continua sem ter a especialidade - afirmou Márcia, que apóia as UPAs. - Já havíamos proposto isto há alguns anos.
Com tuberculose, doente espera um dia por vaga
A falta de estrutura dos hospitais prejudica o atendimento nas próprias UPAs. Ismael de Almeida, de 63 anos, veio de Nilópolis, na Baixada Fluminense, para ser atendido na UPA da Tijuca, na quinta-feira passada.
Com diagnóstico de tuberculose, ele precisava de internação, mas teve que esperar um dia inteiro até conseguir uma vaga em um hospital especializado.
Presidente da Comissão de Saúde da Câmara, o vereador Carlos Eduardo (PSB) diz que as UPAs ajudam a aliviar os hospitais, mas são caras (a manutenção delas custa em média R$ 580 mil por mês) e, além disso, dedicam-se à atenção básica, atribuição dos municípios: - Não há garantia que uma mudança de governo manterá esta política pública. (Agência O Globo)

30.07 - DOU publica suspensão de fabricação do Prexige 
O Diário Oficial da União (DOU) publicou na segunda-feira (28) a decisão sobre a suspensão por 90 dias da fabricação do antiinflamatório Prexige, 400mg, comprimido, produzido pela empresa Novartis Biociências S.A. A medida proíbe, em todo o território nacional, a distribuição, o comércio e o uso do medicamento, sendo ressalvada a fabricação com a finalidade de exportação do produto supra.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já havia determinado na terça-feira (22) o cancelamento do registro e o recolhimento das farmácias do Prexige 100mg, assim como a suspensão por 90 dias do Prexige 400mg.
O Brasil é um dos últimos países a tomar a decisão de tirar a droga do mercado, depois cerca de três anos de circulação. A decisão ocorre quase um ano depois de as agências internacionais proibirem o medicamento. Desde agosto do ano passado, países da União Européia, o Canadá e a Argentina vetaram a comercialização do Prexige e, ao todo, 36 países proibiram sua venda.
De acordo com a Anvisa, o medicamento causa efeitos colaterais graves como hemorragias, hepatites, pancreatite e doenças cardiovasculares. A agência justifica que Brasil tem um terço no mundo dos casos notificados pelas agências regulatórias, respondendo por 1.265 supostas vítimas, dos 3.585 casos.
A retirada do medicamento é um golpe nas vendas da farmacêutica suíça Novartis no Brasil. Em 2007, o Prexige faturou US$ 91 milhões em todo o mundo, dos quais cerca de US$ 50 milhões no país. A droga continua sendo comercializada apenas no México, Colômbia, Equador, República Dominicana e Bahamas. (Portal G1) 
 
 
 
 
 

29.07 - Parto normal é o caminho natural
Na tarde de quinta-feira a Comissão do Parto Normal se reuniu, em Brasília, para dar continuidade aos debates de proposição sobre a abordagem mais adequada para a redução do índice de cesarianas na saúde suplementar.
O índice de 80% de partos cesáreos entre as beneficiárias de planos de saúde, percentual muito superior aos 15% recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), tem preocupado o Conselho de Medicina, o que resultou na criação da Comissão.
A questão se torna mais complexa porque o médico enfrenta a dificuldade vagas para as pacientes, já que, o trabalho de parto não tem horário pré-determinado para acontecer “A paciente tem direito de escolha e sua autonomia deve ser respeitada. Precisamos fortalecer o vínculo médico-paciente”, disse a conselheira Edilma Albuquerque.
Ginecologista e obstetra há 50 anos, o conselheiro Pedro Pablo Magalhães Chacel, defendeu: "se existe uma via natural para se ter um filho, esse é o melhor”.
A próxima reunião foi marcada para 22 de agosto, às 14h, na sede do CFM, desta vez só com entidades médicas envolvidas na questão. A proposta é discutir com a categoria sobre a “cultura do parto cesário” e sugerir resoluções para o problema.
O grupo é composto pelo Conselho Federal de Medicina, Agência Nacional de Saúde Suplementar, Federação Brasileira de Ginecologia e pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Participaram da reunião o coordenador José Fernando Vinagre (CFM), Clóvis Francisco Constantino (CFM), Pedro Pablo Chacel (CFM), Aloísio Tibiriçá (CFM), Edilma de Albuquerque (CFM), Marta Oliveira (ANS), Karla Coelho (ANS), Lucila Nagata (Febrasgo) e como convidada Lívia Garção (CFM).   (CFM)

29.07 - Medicina fragilizada
Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a relação de um médico para cada 1 mil habitantes
O ensino superior no Brasil teve início há 200 anos, com a chegada da família real, quando dom João VI autorizou a criação, por meio de cartas régias, de duas escolas de medicina, sendo a primeira, em Salvador (18/2/1808) e a segunda, no Rio de Janeiro (5/11/1808). Portanto, o ensino superior no Brasil só teve início 257 anos depois da criação da primeira universidade na América espanhola, a de São Marcos, no Peru, em 1551. Na década de 1950, havia 27 escolas médicas no país; na de 1990, 103, e, hoje, são 175, das quais 104 privadas e 71 públicas. No Brasil, há mais cursos médicos do que os Estados Unidos e China, respectivamente, com 122 e 150, sendo, portanto, o segundo país em número de escolas médicas, superado somente pela Índia, com 202 cursos.
Convém lembrar que a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a relação de um médico para cada 1 mil habitantes. Em 2004, segundo cadastro nacional de médicos do Conselho Federal de Medicina (CFM) e o censo populacional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), essa relação era de 1/622. Por estado, temos Pernambuco com 1/794; Minas Gerais, 1/642; São Paulo, 1/471; e Rio de janeiro, 1/302. Em algumas capitais, a situação é pior ainda: Vitória, 1/124; Porto Alegre e Campo Grande, 1/180; Rio de Janeiro, 1/196; e Belo Horizonte, 1/237). Atualmente, no Brasil e em Minas, essa relação é de 1/580, ou seja, quase o dobro da recomendada pela OMS.
É realmente preocupante o elevado número de cursos médicos em alguns estados. Em Minas, entre as 27 escolas, seis já foram questionadas juridicamente pelas entidades médicas, e outras duas estão em fase de investigação. São cursos da área privada, que juntamente com as instituições federais de ensino superior fazem parte do Sistema Federal do Ensino Superior, portanto, sob o controle do Ministério da Educação. Contudo, cinco deles foram criados por autorização do Conselho Estadual de Educação (CEE), com base em brechas da Constituição Estadual, de 1989, felizmente já sanadas. Segundo o Conselho Regional de Medicina, quatro cursos privados foram aprovados com elevado número de vagas: UTI/Itaúna (100 vagas), Unipac/Juiz de Fora (120), Unipac/Araguari (120) e Unifenas/BH (160). O próprio MEC vem autorizando escolas médicas desnecessárias, em várias cidades, sem a correspondente demanda social, como em JF (Suprema-2004) e em Paracatu (Unipam-2006), ambos inicialmente com 100 vagas, o que não é razoável.
Em 14/4, o MEC definiu novo instrumento para abertura de cursos de medicina, exigindo que sejam criados por instituições nas quais haja articulação com a oferta de outros cursos já existentes e bem avaliados na área de saúde; infra-estrutura mínima para os três primeiros anos do curso, incluindo laboratórios e biblioteca; integração ao SUS; disponibilidade de hospital de ensino próprio ou conveniado por pelo menos 10 anos, situado na mesma localidade e que tenha programa de residência médica credenciado pela Comissão Nacional de Residência Médica; núcleo docente estruturante, composto de docentes com dedicação preferencial ao curso e com alta titulação e experiência na área específica. Nos últimos anos o MEC, por meio do Exame Nacional do Desempenho dos Estudantes (Enade) – graduação, escala de 1 a 5 ) –, vem avaliando os estudantes, com questões de múltipla escolha e discursivas. Em 29/4, o MEC divulgou o resultado da avaliação de 103 cursos médicos – 17 faculdades em todo o país obtiveram notas baixas (1 e 2 ), sendo 13 privadas e quatro federais (AM, PA, AL e BA), que serão supervisionadas por comissão do MEC.
Como se pode observar, o quadro atual é de responsabilidade do próprio MEC, que, nas várias gestões, vem privilegiando a educação superior privada. Em alguns cursos, a mensalidade oscila entre R$ 3,5 mil e R$ 3.996, sendo a média de R$2,6 mil. Não podemos esquecer que o ensino da medicina, ou seja, da ciência/arte de Hipócrates, deve basear-se, pela sua própria natureza, fundamentalmente, em quatro princípios: ouvir, ler, ver e fazer. Em muitas escolas, infelizmente, o ver e o fazer ficam prejudicados pela falta das condições exigidas pelo MEC, conforme instrumento de abril passado. Oxalá que as novas medidas oficiais venham melhorar o dramático panorama atual. A sociedade brasileira não merece a situação que aí está, pois é a principal vítima dela. Convém lembrar que, nos meados da década de 1910, o famoso relatório de Abraham Flexner recomendou, após avaliação, o fechamento de 120 entre os 155 cursos médicos existentes, nos Estados Unidos e Canadá.    (Edward Tonelli - Estado de Minas)

29.07 - As algemas e a saúde pública
Bastou a Polícia Federal pôr as mãos, e as algemas, em figurões do cenário brasileiro, expondo-os à “execração pública”, para que algumas vozes indignadas saíssem questionando a ação, definida por eles de “espetaculosa”.
Afinal, algemas não combinam com traje Armani e relógio Rolex.
Bradou-se, então, sobre preservação de direitos fundamentais garantidos pela Constituição, o direito sagrado de defesa, respeito e dignidade humana.
Conceitos que o pessoal da base da pirâmide está acostumado a ver pisoteado, ignorado, desprezado.
Quem depende do Sistema Único de Saúde – e são 140 milhões de pessoas, justamente aquelas que não têm dinheiro para bancar planos privados - , por exemplo, só vê alguém lembrar de direito constitucional de atendimento universal à saúde em períodos eleitorais. Nos palanques, discursos inflamados prometem mais respeito e tratamento digno aos enfermos.
Mas nada muda. A cada ano diminuem o número de leitos no país. Em contrapartida, a população cresce. Aumentam as filas em busca de consultas, exames e cirurgias. As emergências cada vez mais lotadas. Pacientes amontoados nos corredores, sem privacidade, esperando horas e horas por um leito ou uma simples maca. Não raro, pessoas morrem esperando pelo atendimento.
Médicos sobrecarregados, desvalorizados, com remuneração aviltante, incapazes de atender a demanda, lutando contra a falta de material e de medicamento, tudo para curar ou ao menos atenuar o sofrimento de enfermos.
É um cenário que os tais figurões constrangidos pelas algemas nunca irão conhecer pessoalmente, embora muito do que ali acontece possa ser conseqüência de suas supostas ações criminosas, de desvio de dinheiro público, de corrupção.
A saúde pública brasileira, sim, é que deveria merecer a atenção e a indignação da sociedade. O debate sobre o uso ou não de algemas para os ricos – é este o ponto – precisa dar lugar a outros temais importantes e fundamentais, como a saúde pública.
Não é possível que um país tão rico, capaz de gerar pessoas como as denunciadas e detidas pela Polícia Federal, que movimentam milhões de dólares com a maior naturalidade, não consiga os recursos necessários para garantir o direito constitucional de um atendimento digno e respeitoso à sua população.
O cumprimento da Constituição Federal deve partir dos princípios básicos. Entre eles, o acesso digno, universal e integral à saúde pública.   (Dr. Marco Antônio Becker - CFM)

29.07 - Analgésicos são os que mais causam choque anafilático
Um dia, aquele mesmo remédio tomado há anos causa urticária, inchaços, falta de ar e problemas digestivos. É o choque anafilático, reação alérgica imprevisível que pode levar à morte — e que fez Reynaldo Gianecchini ser internado às pressas no último domingo na Clínica São Vicente, na Gávea. O ator, que passou mal após tomar um antibiótico, teve alta ontem.
Segundo a presidente da regional Rio da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia, Norma Rubini, os remédios que causam essa reação com mais freqüência são analgésicos, antiinflamatórios, antibióticos e anestésicos. O problema também pode ser acarretado por alimentos.
— O choque anafilático acontece quando a pessoa entra em contato com uma substância a que está altamente alérgica. Na maioria dos casos, o paciente já havia tido contato anterior com essa substância sem ter qualquer reação — explica a médica.
O choque é uma reação alérgica grave que envolve vários aparelhos e sistemas do organismo. Entre as manifestações que podem ocorrer, estão as dos aparelhos respiratória (rouquidão, edema de glote e asma) e digestivo (cólicas, náuseas, vômitos, diarréias), além da queda brusca da pressão, urticárias e inchaços nos lábios, olhos, mãos e pés.
— Se a pessoa apresentar sintomas relacionados a pelo menos dois desses aparelhos, deve ir imediatamente a um hospital de emergência — aconselha Norma. (Simone Miranda - Extra)

29.07 - Campanha de vacinação contra poliomielite irá incentivar imunização dos pais
A segunda fase da Campanha de Vacinação contra a Poliomielite, que acontece no dia 9 de agosto, pretende incentivar a vacinação de adultos contra a rubéola. Batizada de Dia da Vacinação Familiar, os pais e tios com idade entre 20 e 39 anos que forem ao posto de saúde no dia 9 poderão imunizar menores de cinco anos contra a paralisia infantil e tomar a vacina contra a rubéola. 
Será a maior campanha de imunização em massa já realizada pelo Estado de São Paulo. A vacinação contra a rubéola começa dia 9 de agosto e vai até 12 de setembro e pretende imunizar 13,5 milhões de paulistas entre 20 e 39 anos de idade, o que representa 95% do total de pessoas nessa faixa etária que vivem nos 645 municípios do Estado.
Todos os homens e mulheres deverão procurar os postos de saúde até o dia 12 de setembro, das 8h às 17h (exceto finais de semana), para receber uma dose da vacina dupla viral, que protege também contra o sarampo. Cerca de sete mil postos fixos e volantes estarão à disposição da população no período. Haverá em torno de 50 mil profissionais de saúde e quatro mil carros envolvidos na operação.
Em 2007 foram registrados no Estado de São Paulo 1.659 casos de rubéola, dos quais 1.122 (68%) em homens, segundo balanço do CVE (Centro de Vigilância Epidemiológica), órgão da Secretaria. Foi o número mais alto da doença desde 2000, quando 2.566 paulistas contraíram a doença. Em 2006 foram 66 casos. De janeiro a maio deste ano houve 329 notificações de rubéola, das quais 210 em homens.
A incidência maior da doença entre homens é ainda mais acentuada na faixa entre 20 e 29 anos, responsável por 50,5% dos casos masculinos em 2007. Já os homens de 30 a 39 anos de idade responderam por 28,6% das ocorrências. Nas mulheres a incidência é similar dos 20 aos 39 anos, público-alvo da campanha.
Desde 2000 a vacina contra a rubéola faz parte do calendário nacional de imunização e é aplicada gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde). A primeira dose deve ser tomada com 12 meses de vida, com reforço entre 4 e 6 anos de idade. A Secretaria também indica a vacinação para qualquer pessoa nascida a partir de 1960 que não tenha recebido nenhuma dose anterior.
A rubéola é uma doença infecciosa causada por vírus do gênero rubivirus e transmitida por secreções nasofaríngeas expelida pelo doente ao tossir, respirar, falar ou respirar. Os principais sintomas são febre baixa, manchas no corpo, dores articulares, conjuntivite, coriza e tosse.
Normalmente a rubéola é uma doença benigna, mas quando ocorre durante a gestação há o risco de Síndrome da Rubéola Congênita, que pode comprometer o desenvolvimento do feto e causar abortamento espontâneo, morte fetal e malformações congênitas como surdez, glaucoma, catarata e diabetes. (Diário Online)
 
 
 
 
 

28.07 - Dengue: O caminho é a vacina 
O governo brasileiro gasta demais com o combate à dengue, mas só a produção da vacina irá controlar de fato a doença, que atingiu 230.829 pessoas entre janeiro e abril deste ano, de acordo com os registros do Ministério da Saúde.
A avaliação foi feita pelo pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) Hermman Schatzmayr - que foi responsável pelo isolamento do vírus da dengue 1, 2 e 3 no Brasil. Para a produção da vacina, no entanto, ainda será preciso superar uma série de desafios científicos.
De acordo com ele, a doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti custa R$ 1,2 bilhão por ano ao governo federal. "É muito dinheiro", disse Schatzmayr durante o I Encontro da Rede-Pan Americana de Pesquisa em Dengue, nesta quarta-feira (23/7), em Recife.
Segundo o pesquisador, que abriu o evento com uma palestra sobre a situação da dengue no Brasil, os recursos são gastos com inseticida para combate das larvas, treinamento de pessoal, apoio aos estados, assistência médica, controle do vetor, repasse de material, rede de laboratórios, equipamentos e bolsistas que estudam o problema.
A vacina, de acordo com o pesquisador, é o melhor caminho para o controle da dengue. "O país tem três grandes desafios a enfrentar: diagnóstico rápido da doença, controle do vetor e produção de vacina para imunizar a população. A vacina é o principal deles. É o ideal para o Brasil, por ser um país muito grande, disse Schatzmayr.
De acordo com reportagem realizada pela Agência FAPESP durante a 60ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Campinas, na semana passada, as pesquisas para o desenvolvimento da vacina estão adiantadas. Uma parceria entre o Instituto Butantan e o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH, sigla em inglês) está em fase de pesquisas clínicas com humanos e em dezembro uma planta piloto já deverá começar a produzir a vacina.
O Butantan realizará ensaios no interior de São Paulo para testar a eficácia da vacina, mas ainda precisará de dados sobre o número de pessoas contaminadas - o que não está disponível porque a maioria das pessoas que contrai a doença não desenvolve os sintomas.
Na ocasião, Elena Caride Siqueira Campos, da Fiocruz, afirmou que combater a dengue no organismo humano não é fácil, já que existem quatro tipos diferentes de vírus e, para ser eficaz, a vacina terá de ser tetravalente, ou seja, combater os quatro simultaneamente, encontrando um equilíbrio entre atenuação do vírus e a imunogenicidade.
Combate ingrato
Na avaliação de Schatzmayr, os estados brasileiros ainda não estão totalmente estruturados para dar uma resposta rápida diante de uma epidemia. "Em uma situação como essa, é preciso agilidade para providenciar tendas de atendimento e remanejamento de médicos. O índice de mortalidade em decorrência da dengue deveria ser de 0,5% a 1%. Mas já registramos 10%, isso é um absurdo", destacou.
Schatzmayr cita como exemplo o Estado do Mato Grosso do Sul, que teve uma epidemia séria de dengue no ano passado, apresentou uma resposta rápida e registrou pouquíssimas mortes. "A dengue está avançando no público infantil, os pediatras devem estar alertas para o rápido diagnóstico", sublinhou.
Ele defende o repasse de informações sobre o mosquito Aedes aegypti para as crianças, em sala de aula. "É primordial mostrar vídeos sobre o inseto, trabalhar o assunto nas escolas, para que elas possam levar a informação para casa. Exibir o mosquito por dez segundos na televisão não surte efeito", disse.
Em relação ao controle do vetor, o pesquisador reconhece que se trata de um trabalho difícil - até mesmo pela extensão territorial do Brasil - que exige entrar na casa das pessoas, verificar se há larvas e identificar se são do mosquito da dengue.
"Hoje, a ação é municipalizada, por isso é muito variado o interesse e a capacidade de atuação de cada um. Talvez, seja necessário mais foco do Estado junto aos municípios. É preciso repensar a participação do Estado, porque as cidades sozinhas não conseguem dar conta."
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que entre 50 e 100 milhões de pessoas contraiam dengue todos os anos em mais de cem países de todos os continentes, exceto Europa. Conforme a OMS, foram registrados 900 mil casos de dengue nas Américas no ano passado, dos quais 560 mil (dois terços) no Brasil. (Agência Fapesp) 

28.07 - Aumento de doação de órgãos reflete nos hospitais
O Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo, fez 27,6% mais transplantes de fígado neste semestre, se comparado ao período de 2007
No último levantamento da Secretaria de Estado da Saúde, o número de doadores de órgãos cresceu 29,3% no Estado de São Paulo, no primeiro semestre deste ano. Este número já passou a ser refletido nas instituições de Saúde.
O Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo, realizou 27,6% mais transplantes de fígado neste semestre, se comparado ao mesmo período de 2007, o que representa 37 procedimentos. "Este aumento é reflexo das ínumeras iniciativas que o governo paulista tem adotado para o trabalho de conscientização sobre a importância da doação de órgãos, além das medidas de capacitação para os profissionais que trabalham tanto no transplante quanto na captação de órgaos e tecidos", defende Ben-Hur Ferraz Neto, Gerente do Programa de Transplantes do Hospital.
Desde janeiro deste ano, o Einstein tem uma parceria com a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, atuando com a disponibilização de coordenadores intra-hospitalares de transplantes em quatro hospitais públicos escolhidos pela própria Secretaria com o objetivo de capacitar e preparar as equipes destas instituições para que aumente o número de captações e doações de órgãos.   (Saúde Business Web)

28.07 - SP: fila do transplante tem quase 10% de pacientes de outros estados
Minas Gerais e Bahia são os estados que mais inscrevem pacientes na lista de espera para transplante em São Paulo. É o que aponta levantamento da Secretaria da Saúde de São Paulo com base nos dados da Central de Transplantes.
Das 15,2 mil pessoas que aguardam por um órgão ou córnea em São Paulo, 1.418, ou seja, 9,3%, moram em outros estados. Do total de pacientes na fila paulista, 332 são de Minas Gerais, 212 da Bahia e outros 168, do Rio de Janeiro.
A lista para transplante de pâncreas é a que mais registra pacientes de fora de São Paulo, com 35,9% morando fora do Estado de São Paulo. Outros 22,9% de pacientes moradores de outros estados aguardam por um transplante simultâneo de pâncreas e rim, e 18,1% estão na fila paulista do fígado. Há ainda 12,8% na lista de córneas.
Esclarecimento - Não há impedimento legal para que um paciente de determinado estado esteja na fila para transplante de outro. Basta que a equipe médica que realizará a cirurgia seja do mesmo estado onde a pessoa está inscrita. 
Mas não é permitido que um mesmo paciente esteja simultaneamente na lista de dois ou mais estados. (Diário Online)

28.07 - Mais do que medicamentos
Portadores do vírus da Aids em condições so-cioeconômicas desfavoráveis têm maior propensão a não aderir ao tratamento para combater a doença, mesmo tendo acesso à medicação distribuída pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A conclusão foi apresentada por um pesquisador da Universidade de Brasília (UnB), Cláudio Viveiros, depois de entrevistar 253 pacientes infectados no DF. Baixo nível de escolaridade, condições financeiras e qualidade de vida precárias são fatores que, segundo o estudo, podem levar o doente a desistir. Dados do Ministério da Saúde mostram que aproximadamente 2,5 mil pessoas estão em tratamento, no Distrito Federal. 
Cláudio Viveiros colheu depoimentos nos oito Centros de Referência da Secretaria de Saúde, espalhados em regiões administrativas do DF. Depois de pouco mais de um ano de trabalho, o pesquisador chegou à conclusão de que o grupo formado por pessoas com Ensino Fundamental incompleto tem probabilidade 2,5 vezes maior de não aderir ao uso dos medicamentos, do que o conjunto de pessoas que fizeram curso superior. 
A proporção obtida se assemelha entre aqueles que ganham até três salários mínimos, cuja tendência é 2,3 vezes maior de não tomar os remédios específicos para Aids. Isso em comparação à população que apresentou renda mais alta. 
Apesar dessa conclusão, a pesquisa indica que o número de brasilienses em tratamento contra a Aids é alto. Dentre as 253 pessoas que participaram do estudo, 89,5% recebem cuidados médiso, sendo que 73,2% ingerem a quantidade correta de remédios. "O grupo estudado era formado por 13 pacientes analfabetos, 99 que tinham Ensino Fundamental incompleto e 24 com Ensino Fundamental completo. Quanto à renda pessoal, 119 pessoas recebiam até um salário mínimo mensal e 183 até dois", explicou. O pesquisador também analisou a qualidade de vida dos soro-positivos, como apoio da família, dos amigos, satisfação na vida sexual. "Levamos em conta até o preconceito sofrido por eles", completou. 
Conseqüências 
O resultado de não usar corretamente os medicamentos faz com que os portadores do vírus da Aids se tornem mais propensos à morte. Isso porque o vírus se fortalece e abre espaço para o surgimento de infecções e outras doenças. 
Para a gerente de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids (DST/Aids) da Secretaria de Saúde do DF, Diva Castelo Branco, o problema atinge a todos os pacientes que sofrem de alguma doença crônica, independente da situação econômica ou nível de escolaridade. "Um tratamento de saúde complexo implica mudanças de hábito. Se o paciente está acostumada a dormir tarde, beber e fumar, por exemplo, terá que mudar seu estilo de vida antes de iniciar os cuidados médicos, para obter um bom resultado", disse. 
Apesar disso, a gerente reconhece que a falta de condições financeiras e de qualidade de vida, agravam sim a saúde de portadores do vírus da Aids. Isto se reflete ainda mais naqueles de baixa renda. "Durante o tratamento médico, é necessário cuidar da alimentação. Muitas dessas pessoas só tem arroz e feijão para comer. Situações como essas só reforçam pesquisa da UnB", confirmou. 
Portadores do vÍrus da Aids desistem de tomar os medicamentos por diversos motivos, como baixa auto-estima e pouco dinheiro 
Debater o tema também ajuda 
Para amenizar o problema, a Secretaria de Saúde do DF, dis-ponibilza um programa chamado "Grupos de Adesão". A intenção é ajudar os soropositivos em tratamento a terem um espaço para discutir as dificuldades vividas e trocar de experiências. Segundo a gerente de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids (DST/Aids) da Secretaria de Saúde do DF, Diva Castelo Branco, ainda há dificuldade em convencer as pessoas a participarem desses encontros, realizados nos oito Centros de Referências do DF. 
Para Sabino Manda, da ONG Arco-íris, o portador do vírus da Aids encontra muitas dificuldadesdurante o tratamento, como a combinação de remédios e as reações adversas dessa medicação. "Além disso, a falta de escolaridade faz com que a pessoa tenha dificuldade de leitura e memorização, o que pode atrapalhar todo o tratamento", destacou. 
Na ONG, que atualmente assiste 120 pessoas, há uma grande preocupação com a rotina terapêutica dos doentes. 
"Nosso conceito é mais amplo do que apenas o uso da medicação. Trabalhamos quesitos como auto-estima, qualidade de vida e repouso", enfatizou. 
A aposentada Maria*, 32 anos, chegou a pensar em desistir da vida. Ela descobriu que tinha o vírus HIV há quatro anos, quando começou o tratamento. "Num certo momento, dois anos depois, tive depressão e pensei em desistir de tudo. Imaginar que passaria o resto da vida e sem dinheiro era muito difícil", desabafou. Maria* buscou ajuda de amigos e grupos de apoio. "Hoje tenho consciência de que quanto mais eu me cuidar, mais vida pela frente terei", completou. 
O medo do preconceito das outras pessoas fez com que a dona de casa Lourdes*, 28, se trancasse em casa e passasse a evitar pessoas. Ela descobriu que tinha a doença há cinco anos . Depois de conseguir ajuda em um Centro de Referência, ela passou a ver a vida com outros olhos. "Sobrevivi à baixa auto-estima por causa deles", finalizou. (JB Online)
 
 
 
 
 

25.07 - Problemas de audição atinge 70% dos idosos
Estima-se que a partir dos 40 anos as pessoas já começam a apresentar sintomas de perda auditiva
Atualmente, a perda de audição atinge 70% dos idosos no Brasil, segundo a Academia Brasileira de Otologia. Um problema que quanto mais cedo for detectado, melhor para o paciente.
A perda da audição provocada pelo envelhecimento chama-se presbiacusía. Em Ribeirão Preto, o Hospital das Clínicas atende pacientes no programa de saúde auditiva do Ministério da Saúde. No ambulatório do hospital, de 60% dos pacientes com perda de audição, 30% são por causa da idade.
A aposentada Josefina Antônio da Silva tem 77 anos e só escuta bem de um ouvido. Ela foi pela primeira vez à uma consulta no HC depois de dois anos que começou a ter perda de audição.“Por mim eu não viria fazer esse exame, mas minhas filhas disseram que eu não escuto nada, que estou surda”, explica.
A filha dela, Cleusa Maria de Oliveira, fica preocupada e acha perigoso a mãe sair de casa nesta situação. “Ela pode não ouvir buzinas na rua e ela não ouve nada quando falamos com ela”, afirma.
Estima-se que a partir dos 40 anos de idade as pessoas já começam a apresentar alguns sintomas de perda auditiva. “Não tem cura, mas podemos fazer a reabilitação com o aparelho de audição ou, nos casos de perda total, existe a possibilidade de implante coclear”, afirma o professor da faculdade de medicina da USP Miguel Angelo Hyppoleto.
Os primeiros sintomas do problema são claros: o paciente não escuta o toque do telefone ou da campainha e sempre aumenta o volume da televisão. A genética e a exposição ao barulho são alguns dos fatores que aceleram a perda auditiva causada pelo envelhecimento. “Pessoas com problemas de pressão alta, colesterol, glicemia, tireóide, acentuam as alterações para pessoas que já sofrem com o processo de envelhecimento”, explica Hyppoleto.
Através da audiometria é possível detectar o problema. O médico fonoaudiólogo mede o quanto o idoso consegue ouvir com um aparelho que emite sons.
Carlos Pedrosa é aposentado e detectou, depois do exame, a perda de 40% da audição em cada ouvido. Ele não percebe quando alguém conversa com ele de costas e terá que usar um aparelho específico para voltar a ouvir bem. “Eu só escuto o que me interessa. Agora vou escutar o que não em interessa também”, brinca o aposentado. (EPTV)

25.07 - Nova estratégia anticâncer
Cientistas testam uma droga para o tratamento de câncer de próstata que poderia ajudar até 80% dos pacientes com a forma mais agressiva e, até agora, incurável, da doença. Pesquisadores dizem que se trata do remédio mais promissor desenvolvido nos últimos 70 anos contra esse tipo de câncer, o mais comum entre homens. 
Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Brasil, por ano são registrados Cerca de 48 mil casos. 
Mas o número real pode ser até dez vezes maior, de acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, pois muitos homens não procuram ou não obtêm diagnóstico adequado. 
A nova droga, abiraterona, tem uma atuação diferente da dos demais remédios e consegue agir nas formas mais avançadas da doença. Tomada oralmente, na forma de pílula, ela oferece poucos efeitos colaterais e leva a drásticas reduções de um antígeno específico da próstata, um marcador sangüíneo para o câncer conhecido pela sigla PSA. 
Especialistas frisam, no entanto, que os testes estão em estágios iniciais e que ainda não há comprovação de que o remédio de fato aumente a sobrevida dos pacientes. 
Aprovação pode demorar três anos 
O anúncio feito ontem foi baseado na publicação dos resultados do primeiro teste clínico da abiraterona em apenas 21 pacientes. O estudo foi realizado pelo Instituto de Pesquisa de Câncer e pelo Hospital Royal Marsden, ambos em Londres. O teste com poucos pacientes, de fase 1, tinha por objetivo testar a segurança da droga, mas os resultados mostraram que o remédio era "espetacularmente ativo", nas palavras do oncologista Johann de Bono, que coordenou o estudo publicado na "Journal of Clinical Oncology". 
Alguns dos pacientes envolvidos no teste puderam, inclusive, suspender o uso de morfina, que vinham tomando para dor. Ultra-sonografias revelaram que tumores considerados intratáveis diminuíram - incluindo alguns que já tinham se espalhado para os ossos e outros tecidos. 
- A droga é eficaz - afirmou De Bono. - Os tumores foram reduzidos, a dor foi embora e os níveis de PSA caíram. Alguns pacientes do Royal Marsden a tomam há dois anos e oito meses e continuam bem. 
Todos os homens que participaram do estudo apresentavam formas muito agressivas do câncer, "extremamente difíceis de serem tratadas", e tinham expectativa de vida estimada em um ano. Eles já tinham sido tratados com cirurgia, radioterapia e quimioterapia sem sucesso. 
O estudo foi feito com 21 pacientes, mas, ao todo, 250 homens já receberam o tratamento, todos apresentando índices similares, de 70% a 80%, de eficácia. Atualmente, a droga está sendo testada em um estudo mais amplo, com 1.200 pacientes em todo o mundo. 
- Esperamos que o remédio seja aprovado em três anos - afirmou o oncologista. 
A abiraterona inibe a ação de uma enzima considerada crítica para a produção do hormônio masculino testosterona. Os tumores de próstata são alimentados pela testosterona. 
Por isso, um dos tratamentos mais comuns para casos agressivos da doença consiste em suprimir a produção de testosterona nos testículos, uma alternativa química à castração. Mas os remédios que suspendem a produção do hormônio costumam ter uma eficácia restrita porque o próprio tumor passa a produzir o hormônio. O novo medicamento, entretanto, se revelou mais eficaz ao bloquear toda a produção em até 80% dos casos. 
O remédio está sendo desenvolvido por um laboratório americano chamado Cougar Biotechnology, responsável pelo financiamento dos testes. (Agência O Globo)

25.07 - Cirurgia Bariátrica: Cuidados necessários
A cirurgia bariátrica, mais comumente conhecida como cirurgia de redução de estômago, ao contrário do que parece, é um procedimento relativamente antigo. As pesquisas iniciais sobre a operação datam de 1954 e a primeira cirurgia é atribuída ao dr. W. Payne, de Los Angeles, no ano de 1956. No Brasil, só passaram a ser realizadas na década de 80.
Existem variadas técnicas de se realizar a redução de estômago; sendo que as mais utilizadas se dividem entre restritivas e disabsortivas. A primeira faz com que o estômago diminua de tamanho, reduzindo sua capacidade gástrica e causando uma sensação de saciedade precoce, isto é, com ingestão menor de comida. Por outro lado, as cirurgias disabsortivas atuam diminuindo a capacidade de absorção do alimento digerido.
Indicada para pessoas consideradas obesas (com Índice de massa Corpórea igual ou superior a 40) e para aqueles que apresentam sintomas associados à obesidade, como diabetes, hipertensão, apnéia do sono e dislipidemia, a cirurgia bariátrica é apenas uma etapa de um longo tratamento.
A nutricionista Luciana Coppini, do Ganep Nutrição Humana, explica que o preparo e uma boa avaliação pré-operatória são essenciais. "É importante ter consciência da necessidade do preparo psicológico, de tentar diagnosticar se o paciente é uma pessoa que não tem nenhuma alteração psicológica que pode piorar após a cirurgia, como uma compulsão".
As primeiras orientações e modificações no estilo de vida do paciente devem começar antes da cirurgia, para que ele possa se preparar e se habituar à nova rotina que será imposta com a redução.
Após o procedimento, também são necessários cuidados especiais. O cuidado com a alimentação é primordial; afinal, como o volume do estômago ficou drasticamente reduzido, o corpo precisa se adaptar ao novo tamanho e os hábitos alimentares devem redesenhados. Nos primeiros dias que seguem a operação, a dieta é bem restritiva, baseando-se em chá, sucos coados e sopas feitas apenas da água em que foram cozidos os alimentos.
Aos poucos, a dieta se transforma em alimentos sólidos. Mas até lá, passa vagarosamente pelos alimentos pastosos, brandos e sólidos muito bem picados.
Ainda há os riscos da própria cirurgia. "Como em qualquer procedimento cirúrgico, pode haver um revés. Além disso, podem ocorrem complicações da própria cirurgia, mecânicas e nutricionais", explica a dra. Coppini.
As principais complicações cirúrgicas são fístulas, feridas operatórias que demoram a cicatrizar e anemia crônica.
Devido a esta complexidade de cuidados, este vagaroso procedimento pede o trabalho conjunto de diversos profissionais, antes e depois da intervenção operatória. Luciana destaca que nestes anos em que a cirurgia bariátrica foi realizada, o que mais evoluiu foi a percepção da necessidade de uma equipe multiprofissional, formada por médico cirurgião, gastroenterologista, nutricionista, psicólogo, fisioterapeuta e fonoaudiólogo. "Tivemos algumas técnicas novas que surgiram, mas nada cientificamente comprovado. Mas a importância de uma equipe, dos critérios de indicação e acompanhamento, isso tudo evoluiu bastante", afirma ela.
Outra evolução destacada é a indicação da cirurgia de redução de estômago para outros fins, além de perder peso, que era a proposta inicial do procedimento. Agora, doenças como diabetes também podem ser controladas com a gastroplastia.    (Maxpress)

25.07 - Osteoporose: um sério problema de saúde pública
Dia 26 de julho, próximo sábado, é dia de Santa Ana, a padroeira dos partos difíceis, mãe de Maria e avó de Jesus Cristo, e, por isso, foi escolhido para ser o Dia da Vovó. Nessa data, além de presentes, atenção com relação à saúde deve ser reforçada. Afinal, elas são mães por duas vezes e têm muito a ensinar com sua sabedoria e experiência de vida.
Envelhecer, definitivamente, não é um "mar de rosas". É natural que com o passar dos anos, a saúde se torne mais frágil. Por isso, é hora de retribuir todos os cuidados por elas dispensados, com orientação e auxílio com sua saúde física e mental.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas - IBGE, a expectativa de vida do brasileiro, a partir da década de 80, cresceu em dez anos. A população idosa do País, hoje, corresponde a aproximadamente 11%. Estima-se que em 2050 esse percentual chegue a 25%. Aumentou a população idosa e, com isso, o número de internações causadas por quedas.
A osteoporose, mal silencioso e debilitante, que acomete uma em cada três mulheres e um em cada oito homens, é muito comum em pessoas idosas. A doença torna os ossos frágeis e sujeitos a fraturas. Segundo estudos, o risco de uma mulher ter fratura osteoporótica é maior que o risco combinado de câncer de mama, útero ou ovário. A cada ano, aproximadamente 1,5 milhão de fraturas ocorrem nos Estados Unidos associadas à osteoporose, sendo 80% entre mulheres. Assim sendo, é fundamental que a osteoporose seja detectada precocemente e tratada para que se diminua o risco de fraturas.
Considerado um sério problema de saúde pública, a osteoporose pode causar dor, perda da liberdade e autonomia dos movimentos, elevando o risco de morte. É conseqüência da perda de tecido ósseo que ocorre mais intensamente após a menopausa. Os custos de tratamento são altos e o impacto sócio-econômico é grande. Estima-se que os custos anuais, nos Estados Unidos, com essa doença sejam maiores que US$ 10 milhões.
No Brasil, aproximadamente sete milhões de mulheres, ou seja, 30% das brasileiras que já passaram pela menopausa, convivem com esta doença.
Hoje, os avanços científicos já permitiram a descoberta de diferentes formas de prevenção para as fraturas conseqüentes da osteoporose. Entre os diversos tipos de tratamento - terapia de reposição hormonal (TRH), administração de bisfosfonatos, calcitoninas, raloxifeno etc - está Fortéo, um agente biotecnológico formador de osso, pioneiro e único de uma classe de drogas que estimulam a formação de tecido ósseo. Até o seu lançamento, que ocorreu no Brasil no final de 2003, os tratamentos aprovados para a osteoporose atuavam, basicamente, apenas com a redução ou a interrupção da perda óssea.
Mas nem todos os pacientes têm acesso a esse revolucionário medicamento, pois o Ministério da Saúde não renova a lista de remédios do protocolo para osteoporose desde 2002. Nessa lista do governo, somente os medicamentos da classe dos bisfosfonatos, calcitonina, carbonato de cálcio, vitamina D, estrógenos e raloxifeno são disponibilizados para os portadores de osteoporose. Para receber tais remédios, basta o paciente seguir o trâmite administrativo, presente no protocolo de tratamento da doença, que é publico e pode ser acessado na internet (http://dtr2001.saude.gov.br/sas/dsra/protocolos/do_o28_00.htm), e levar o pedido médico a um posto de saúde ou hospital.
Alguns Estados, como Bahia e Mato Grosso do Sul, e o Distrito Federal padronizaram Fortéo - mas fora do protocolo oficial do tratamento da osteoporose - para atender a necessidade do paciente em utilizar um medicamento que não apenas reduza a perda óssea, mas que reverta o quadro da doença, e evitar gastos futuros com cirurgias e internações, por conta de fraturas osteoporóticas.
Para o presidente da Sociedade Brasileira de Osteoporose, João Francisco Marques Neto, "há, mais do que nunca, necessidade de atualizar o protocolo de tratamento da osteoporose, visto que novos agentes terapêuticos estão surgindo e não substituem ou podem ser substituídos pelos fármacos já existentes, disponibilizados pelo protocolo do Ministério da Saúde. A nova conceituação imunogenética da osteoporose prevê a necessidade de novas classes de medicamentos, tanto anabolisantes e reconstrutores da massa óssea, como, também, atuantes nos distúrbios celulares, capazes de comprometer a integridade do tecido ósseo".
Num país em que 11% da população tem 60 anos ou mais, envelhecer com saúde e disposição é um dos principais desafios.  (Maxpress)

25.07 - Maternidades têm novas normas
O Ministério da Saúde lançou uma campanha de estímulo ao parto normal. A idéia é fazer com que maternidades públicas e privadas sejam reformadas para acomodar melhor as gestantes que abrirem mão de fazer cesárea.
Todos os quartos deverão ter um banheiro anexo e as unidades de Saúde terão de criar alojamentos conjunto para mães e bebês e áreas para movimentação ativa da mulher, com instrumentos que auxiliam o trabalho de parto.
As mudanças no ambiente, tidas como impraticáveis pela maioria dos administradores hospitalares, não serão obrigatórias e devem ficar mesmo para as casas de saúde que vierem a ser construídas ou ainda aquelas que têm reformas planejadas.
Para se ter uma idéia, somente no Grande ABC existem, pelo menos, 66 leitos dedicados a parturientes (soma das unidades municipais de Saúde em Santo André, Diadema e Ribeirão Pires, únicas cidades a fornecer seus dados) e que teriam de sofrer adaptações.
Na prática, nenhuma mudança substancial deverá acontecer de imediato, salvo a garantia da parturiente em ter uma companhia durante todo o processo de parto,que terá o direito de permanecer no quarto, com espaço reservado.
Esta medida tem prazo e deve ser aplicada até dezembro. A fiscalização será feita pelas vigilâncias sanitárias, porém, sem punição para quem descumprir.
Outras recomendações como o estímulo ao trabalho normal de parto sem uso de medicações e do contato entre mãe e bebê devem ser aplicadas de imediato.
A intenção do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, é controlar riscos e reduzir a mortalidade materna.
Das três cidades que responderam à reportagem, apenas Santo André registrou óbitos - dois no ano passado - de parturientes. Porém, o risco das mães que escolhem as cesáreas é iminente, conforme alertam os especialistas.
Na região, São Caetano é a líder em cesarianas. No ano passado, 58% dos partos foram dessa natureza. Em seguida estão Mauá, com 42%, Santo André, com 40%, Diadema, com 34%, São Bernardo com 33% e Ribeirão Pires, com 29%. Rio Grande da Serra não tem maternidade.
O chefe do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina do ABC, Mauro Sancovski, explica que o conceito de parto humanizado já é aplicado no Hospital Municipal Universitário de São Bernardo onde há dois boxes com instrumentos para incentivar o trabalho de parto e aliviar a dor.
O chefe do centro obstetrício do Hospital Universitário, José Luiz Cunha Carneiro, encara a resolução com otimismo. "Com a exigência, os serviços públicos e privados andarão no mesmo compasso."
O presidente da Associação Brasileira de Medicina de Grupo, que reúne 250 operadoras de saúde, Arlindo de Almeida, lembra que a entidade iniciou a campanha Parto é normal que visa diminuir 15% das cesáreas feitas pela rede em três anos, a começar de 2008. "Para isso, contamos com uma mudança de cultura tanto do médico quanto do paciente." (Isis Mastromano Correia e Vanessa Fajardo - Diário do Grande ABC) 
 
 
 
 
 

24.07 - Parto normal será mais confortável
Ministério e Anvisa divulgam normas que passam a valer em dezembro. Mãe e bebê ficarão juntos em quarto individual ou coletivo especial com banheiro
Objetivo é incentivar o nascimento natural da criança e adotar métodos simples, sem medicamentos, para aliviar as dores da mulher 
Em cinco meses, as maternidades de todo o país terão que se adaptar para receber gestantes que optarem pelo parto normal. Entre as alterações, as mulheres terão direito a um quarto individual ou coletivo especial para o procedimento, um banheiro anexo para todas as etapas do nascimento da criança, além de mãe e filho ficarem juntos no leito. A medida faz parte de um conjunto de normas divulgado na terça-feira pelo Ministério da Saúde (MS), em parceria com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os objetivos principais são o estímulo à evolução natural do trabalho de parto e a adoção de iniciativas, pelas unidades de saúde, para aliviar as dores das futuras mães, com métodos não-farmacológicos. 
Os benefícios serão aplicados na rede pública e privada de saúde a partir de dezembro, quando entram em vigor novas normas para os serviços de atendimento obstétrico e neonatal no Brasil. De acordo com o ministério, a meta é promover mudanças estruturais nas maternidades e controlar os possíveis riscos à gestante e ao bebê, reduzindo os índices de mortalidade materna e de recém-nascidos. Em 2006, foram feitos 1,4 milhão de partos normais e 670 cesarianas no país. No mesmo ano, foram registrados 274 óbitos de mulheres em decorrência de complicações relacionadas ao parto. Dados da Organização Mundial de Saúde mostram que apenas 15% dos nascimentos deveriam ser feitos por cirurgia. Mas esse número chega a 46% no Brasil. Analisando separadamente as mulheres que usam plano de saúde, o índice atinge 80% de cesarianas e, na rede pública, 26%. No ano passado, foram gastos R$ 580 milhões com partos normais e mais R$ 418 milhões com cirurgias. 
Segundo o diretor do Departamento de Ações Estratégicas do Ministério da Saúde, Adson França, a cesariana tem indicações técnico-científicas e é um importante avanço da ciência para as situações de risco para a mãe ou para o bebê. No entanto, ele alerta que tem sido comum a cirurgia ser marcada desnecessariamente, sem uma indicação precisa, o que aumenta as chances de complicações e morte para a gestante e seu filho. 
A referência técnica em Saúde da Mulher da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Márcia Rovena, observa que há 120 hospitais que fazem parto pelo Sistema Único de Sáude (SUS) em Minas, destes, 35 atendem gestantes com quadro de alto risco. “É importante a mobilização para favorecer a autonomia da mulher, principalmente em momentos como o parto. A humanização do procedimento é um exemplo. Além de ter o direito a um acompanhante durante o nascimento da criança, a mãe pode ter acesso também a técnicas não-farmacológicas para o alívio da dor. Em vez de usar medicamentos, algumas maternidades do estado oferecem tratamento com massagens e duchas, estratégias que favorecem o parto normal. Mas há também a anestesia garantida pelo SUS”, afirma a especialista. 
Márcia diz ainda que o parto normal deveria ser rotina e o estímulo beneficia tanto a mãe quanto o bebê. “Há casos em que a cesariana é a opção mais segura. Mas o índice desse tipo de cirurgia cresceu muito, principalmente pela facilidade de se planejar a data e o momento do nascimento da criança. Mas essa atitude aumenta as chances de infecções. No caso do parto normal, além de não ter que fazer a abertura na barriga da mãe, quando o bebê passa pelo canal vaginal, o risco de ele ter problemas respiratórios diminui”, diz. De acordo com a SES, em 2007, foram feitos cerca de 75 mil partos normais e 44 mil cesarianas no estado.    (Ingrid Furtado - UAI)

24.07 - O nó da Saúde está na emergência dos hospitais
O Sistema Único de Saúde (SUS), ao longo de seus 20 anos, tornou-se uma grande rede interligada de serviços.
Nesse período, o Brasil passou de um sistema que, até 1988, garantia o acesso à saúde pública apenas aos trabalhadores filiados à Previdência — 30 milhões de pessoas — para o Sistema Único de Saúde, que atende 190 milhões de pessoas, sendo que, em 80% dos casos, a dependência da rede pública é total. Apesar de todo o avanço, os desafios permanecem enormes e o Ministério da Saúde tem como prioridade atacar as suas deficiências de gestão e de estrutura.
Um dos pontos de estrangulamento é o atendimento de urgência e emergência de hospitais do país.
Ocorre que 80% dos problemas de saúde podem ser solucionados na atenção básica. Por isso, em uma ação de prevenção e promoção à saúde, o Programa Saúde da Família vem provocando uma silenciosa revolução.
O financiamento do programa foi triplicado entre 2002 e 2008, passando de R$ 1,3 bilhão para R$ 4,4 bilhões. A cobertura atinge hoje 90 milhões de pessoas. Estudos mostram que, onde o PSF se estrutura, diminuem as internações, aumenta a cobertura vacinal e ampliamse as consultas pré-natal.
Mas o Ministério da Saúde sabe que isso não é suficiente. É necessário ter unidades não-hospitalares que possam prestar atendimento às urgências e às pequenas emergências. O Rio de Janeiro tem recebido apoio para implementar as Unidades de Pronto Atendimento, uma idéia que será expandida ainda este ano para o restante do país. São unidades dotadas de leitos de obser vação, que recebem pacientes que precisam de pronto-socorro.
As UPAs trabalham integradas ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. Em um ano de existência, no Rio, 99,7% dos atendimentos foram solucionados nas próprias UPAs. Mas quando a transferência é necessária, o Samu é acionado, encaminhando o resgate e verificando para onde o paciente será alocado. O Samu abrange atualmente 101 milhões de pessoas em todo o Brasil.
Ainda assim, o sistema não se resolve sem preencher os vazios assistenciais.
No ano passado, por exemplo, foi inaugurado o primeiro centro de oncologia do Acre. Antes, as pessoas da região tinham que viajar para o Sudeste a fim de garantir o atendimento.
O ministério também sabe que é preciso investir nas pessoas. Neste ano, estão sendo oferecidos cursos para 23 mil profissionais do Samu .
Além disso, em 2007, foi criada uma comissão que permite aos gestores do SUS dar as diretrizes dos cursos de graduação e residência das áreas de saúde para atender à necessidade da população.
Foram disponibilizados R$ 80 milhões para as universidades apresentarem projetos de adequação em seus cursos e para bolsas de pesquisa.
As fragilidades do atendimento estão sendo combatidas ainda com o fortalecimento da produção nacional na área de saúde. Somente neste ano foram assinados dois acordos de transferência de tecnologia para a Fiocruz, um para a vacina de rotavírus e outro de medicamento para hepatite C. Uma portaria agora permite ao ministério fazer compras que favoreçam o produtor nacional. Outra estabelece quais áreas são de interesse do governo, que, junto com um pacote de financiamento de R$ 3 bilhões do BNDES, permitem dinamizar o setor. Isso sem falar nos R$ 500 milhões que estão sendo investidos no desenvolvimento de tecnologia e pesquisa, como a de células-tronco.
Na relação entre União, estados e municípios, o ministério, focado na otimização da gestão, implementou em junho uma inovação na administração de obras, reformas e ampliações de unidades de saúde, transferindo para a Caixa Econômica Federal a responsabilidade pelas construções e repasse de recursos. Uma solução criativa para problemas que se arrastavam por anos. Estamos incentivando também a entrada dos municípios para o chamado Pacto de Gestão.
Ao aderir, o município assume a plena gestão das ações de saúde. Assim, serviços que estavam a cargo dos estados migram para esses gestores, atendendo às demandas locais com mais eficiência. No país, 2.571 municípios já aderiram ao pacto.
Enquanto nos movimentamos, enfrentamos no Congresso o grande desafio que é a aprovação do projeto das fundações estatais, que oferece uma estrutura mais dinâmica para a gestão de hospitais. Faz um ano que o governo federal encaminhou o texto.
Em junho, obtivemos a primeira vitória, com a aprovação pela Comissão de Trabalho da Câmara. Mas ainda há um longo caminho a percorrer.
O SUS completa 20 anos, tempo suficiente para que possamos analisar os ganhos e desafios acumulados.
Pontos fortes para o enfrentamento dos problemas estão definitivamente na agenda do Ministério da Saúde.   (JOSÉ GOMES TEMPORÃO - G1)

24.07 - Nova droga vence tumor agressivo na próstata
Cientistas britânicos afirmam ter testado com sucesso um novo medicamento que traz esperança para pacientes com câncer de próstata avançado. A droga, conhecida como Abiraterone, está sendo considerada o maior avanço no tratamento da doença nos últimos 70 anos.
Segundo a equipe do Instituto de Pesquisas do Câncer, em Londres, até agora todos os tratamentos contra câncer de próstata se concentravam no bloqueio da produção da testosterona, hormônio sexual produzido nos testículos cuja ação alimenta o crescimento do câncer.
No entanto, os cientistas descobriram que outros hormônios, inclusive o produzido pelo próprio tumor, também contribuem para seu crescimento e disseminação. O novo remédio age bloqueando vários hormônios sexuais produzidos por diferentes partes do corpo masculino.
O estudo, divulgado na publicação científica Journal of Clinical Oncology, realizou experimentos com 21 pacientes de câncer de próstata avançado. Dois anos e meio mais tarde, os especialistas verificaram uma redução significativa do tumor e uma queda nos níveis de uma proteína maléfica produzida pelo câncer.
Muitos voluntários relataram uma melhora significativa na qualidade de vida. Alguns deles puderam até suspender o consumo de morfina para aliviar a dor provocada pela propagação do câncer para os ossos.
Os especialistas acreditam que o novo tramento tem potencial de beneficiar até 80% dos pacientes com uma forma agressiva da doença atualmente resistente à quimioterapia. (G1)
 
 
 
 
 

23.07 - Cirurgia light de estômago: menos risco e bom resultado
Revolução na vida de pessoas com obesidade mórbida, a cirurgia bariátrica, hoje, é um procedimento cirúrgico menos invasivo e arriscado para o paciente. A redução do estômago, técnica by pass, em que parte do órgão é mutilado e descartado, deve se tornar em breve coisa do passado. As cirurgias modernas não cortam o estômago, são feitas por videolaparoscopia ou endoscopia e descartam internação em UTI, além de serem reversíveis e ajustáveis durante o tratamento. É o caso das técnicas de banda gástrica ajustável e de implante de balão inflado no estômago. A primeira consiste na instalação de um anel de silicone na primeira porção do estômago, reduzindo a quantidade de alimentos ingeridos pelo paciente. Ainda pouco divulgada, em comparação com a by pass técnica mais utilizada pelos cirurgiões brasileiros -, ela é a preferida dos especialistas europeus e australianos. O risco da banda sair do lugar ou ser englobada pelo estômago é de apenas 2%. Nesses casos, uma nova intervenção resolve o problema. O balão inflado é uma peça de silicone preenchida com soro fisiológico e anilina. Introduzida por endoscopia, a bola ocupa até 50% do estômago, fazendo com que a sensação de saciedade chegue antes que o paciente se empanturre de comida.O balão é retirado após seis meses, período em que o paciente se submete a uma reeducação alimentar para não voltar a engordar, após a retirada do implante. Se o balão furar, o que representa 2% dos casos, a anilina contida no invólucro alerta o paciente, que é submetido a uma endoscopia. Como é de pouco impacto sobre o organismo, pode ser adotado até por quem precisa perder pouco peso, entre oito e 25 quilos. Mas é preciso arcar com os custos, em torno de R$ 9 mil, não cobertos pelos convênios por ser considerado tratamento estético. 
Sobrecarga perigosa
As cirurgias bariátricas são in- dicadas para pacientes que atingem o estágio em que a obesidade traz riscos à saúde, como o desenvolvimento de diabetes, hipertensão arterial, gordura no fígado e apnéia do sono, entre outros males. A obesidade mórbida - quando o índice de massa corpórea (IMC) ultrapassa 40 - pode levar à morte. Por isso, os planos de saúde foram obrigados pela resolução nº 82 da Agência Nacional de Saúde (ANS) a arcar com os custos da cirurgia, que pode ser indicada pelos médicos para pessoas com IMC a partir de 35. Essas cirurgias são classificadas em três tipos: restritivas - restringem a quantidade de alimento que entra no estômago - como a técnica que usa banda gástrica regulável; desabsortivas - impedem a absorção de nutrientes como a técnica by pass; e as mistas, que mesclam as duas técnicas. Com a evolução nas técnicas, a redução do estômago hoje é recomendada para pessoas muito obesas, que precisam perder muito peso, como os pacientes acima de 160 kg, sobretudo mulheres, que perdem menos peso com a banda gástrica, por causa do estilo de alimentação. Segundo o cirurgião Walter Pires Júnior, especialista em cirurgias pelo método de banda gástrica regulável, o problema da redução é que, após alguns anos, há uma tendência a ganhar peso, pois o pedaço de estômago que restou tende a dilatar. Para ele, a reversibilidade é uma das grandes vantagens da banda gástrica. E há ainda a possibilidade de ajustes. Após colocada, a banda pode ser regulada por um dispositivo implantado sob a pele do paciente, chamado portal de acesso. 
Efeitos colaterais 
Por essa peça, ligada a um duto que transporta soro fisiológico para a banda, o médico pode inflar ou desinflar o dispositivo, permitindo a passagem de maior ou menor quantidade de comida. Se a pessoa está emagrecendo menos do que o desejado, pode-se injetar mais soro fisiológico, inflando assim o anel de silicone e estreitando a passagem para alimentos. O aspecto emocional de quem se submete à cirurgia merece cuidados. Segundo o cirurgião, são comuns os casos de pacientes que desenvolvem problemas psiquiátricos após uma cirurgia bariátrica. Entre os mais comuns estão o alcoolismo, a depressão e distúrbios alimentares. 
Anorexia nervosa 
Walter Pires Júnior cita o caso de uma paciente que desenvolveu anorexia nervosa, emagrecendo excessivamente. Graças à possibilidade de reversão propiciada pela banda, o problema foi solucionado apenas com a remoção do dispositivo. - Era um caso psicológico. Felizmente, foi resolvido apenas com a retirada da banda. Se fosse uma cirurgia pelo método by pass, isso não seria possível - compara o cirurgião. (Jornal do Brasil)

23.07 - Campanha contra osteoporose
A Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), que congrega milhares de especialistas, e a Confederação das Entidades Brasileiras de Osteoporose e Osteometabolismo aliaram-se ao Ministério da Saúde para uma campanha de nacional de prevenção à osteoporose. A doença afeta 10 milhões de brasileiros e tende a crescer nos próximos anos à medida em que a expectativa de vida do brasileiro aumenta.
O objetivo é incentivar a realização do exame de densiometria óssea, disponível em todo o Brasil, mas pouco procurado, e acabar com alguns mitos que cercam a doença. "Um dos mitos é que o homem não tem osteoporose e outro é que a mulher de raça negra não está sujeita ao problema", conta o coordenador da campanha, Henrique Mota.
A campanha, que será desencadeada em rádios, TVs, anúncios nos jornais e por meio de palestras educativas nos colégios e para os médicos, vai enfatizar a prevenção. "Caminhadas diárias, banho de sol no começo da manhã e no final da tarde e exercícios na academia são uma forma de evitar a doença", ensina Mota.
O médico conta que a osteoporose costuma aparecer mais cedo na mulher por causa da menopausa, mas que, após completar 60 anos, o homem também está sujeito à moléstia. "Nossa preocupação com o homem é grande, porque como ele acredita que é imune, não faz os exames. Os próprios médicos por vezes não o pedem e a osteoporose só é diagnosticada em estágio avançado", diz ele.
"A osteoporose é a perda da massa óssea além dos níveis normais", explica o especialista da SBOT. Ele resume: "é uma doença silenciosa, não provoca dor nem sintomas". Um sinal é a redução da altura, que o leigo considera normal numa pessoa idosa, mas que é resultado da doença, assim como a curvatura das costas.
É preciso fazer o exame anualmente a partir dos 50 anos para a mulher e dos 60 para o homem. "Se a densiometria mostrar alteração, é fácil e barato controlar a doença", insiste Mota. A recomendação é alimentar-se com mais cálcio ou tomar comprimidos, dependendo do nível, que podem ser associados com a vitamina D.
Para Henrique Mota, embora a campanha conjunta com o Ministério da Saúde enfoque o tratamento da osteoporose, a grande preocupação é a prevenção. "Se conseguirmos levar à população a preocupação com a osteoporose e as medidas para que a doença não se instale, certamente vamos evitar que no futuro milhões de brasileiros sejam atingidos por uma doença tão fácil de prevenir e tão custosa de curar".   (CFM)

23.07 - Final de férias pode trazer dengue de volta
O fim das férias de julho costuma coincidir com o retorno da temporada de dengue. As casas ficam vazias, os criadouros se proliferam e, como o mosquito transmissor Aedes aegypti não descansa, a doença pode fazer mais vítimas se as medidas preventivas não forem adotadas. A capital paulista passou os últimos 33 dias sem nenhum registro novo de infecção, mas os especialistas alertam que a tendência pode ser revertida, caso os depósitos de água parada não sejam eliminados das residências.
No total, 198 paulistanos adoeceram de dengue este ano - número 90% inferior às mais de 2 mil notificações confirmadas no mesmo período do ano passado. O alerta da Prefeitura é que os infectados de 2008 estão espalhados em 30 das 31 subprefeituras, em bairros de diferentes classes sociais. Nos estudos epidemiológicos feitos pela Coordenadoria Municipal de Dengue, a contaminação "democrática" é justificada pelo fato de os criadouros do inseto transmissor estarem concentrados nos vasos de planta, que merecem toda atenção agora na volta das férias.
Assim, a partir de hoje, 4 milhões de paulistas serão alertados por torpedos eletrônicos pelo celular, que dão dicas para que os mosquito não volte "na bagagem". A estratégia é para manter a queda de 92% na quantidade de casos no Estado de São Paulo - são 6.700 atualmente contra quase 80 mil no ano anterior. O Plano de Inverno contra a doença é resultado da parceria da Secretaria Estadual da Saúde com a operadora Vivo.
Prioridade
Este ano, 55 cidades de São Paulo, incluindo capital, foram escolhidas como prioritárias para receberem as ações sanitárias contra a dengue, que contemplam contratação de 1,1 mil agentes para in loco eliminarem as larvas do Aedes, além de padronização de atendimento das prováveis vítimas, o que agiliza o diagnóstico e o controle preventivo. O critério de seleção, explica a secretaria, foram os municípios com população maior de 50 mil pessoas e acúmulo de registros de dengue entre os anos 2000 e 2007, que resulta em coeficiente de 300 casos por 1.000 habitantes, índice já de epidemia.
O custo do Plano de inverno é estimado em R$ 20 milhões. Apesar de a dengue ser de contágio mais fácil no verão - já que o período para o ovo virar mosquito cai de 15 para 7 dias quando a temperatura ambiente está na casa dos 30 graus -, são as posturas adotadas em tempos mais frios que evitam a proliferação da doença. A Sociedade Brasileira de Infectologia reforça que o comportamento preventivo durante todo ano é a única forma de evitar que o cenário do ano passado se repita. Em 2007, a explosão de dengue rendeu a São Paulo o título de recordista histórico de casos.  (Agência Estado)

23.07 - Dasa estrutura maior Call Center próprio do Brasil
Certificada pela NR17, a nova central opera com mais de 800 colaboradores e tem capacidade para atender 100 mil ligações/ dia, o que representa cerca de 140 ligações a cada minuto
Com o objetivo de centralizar o atendimento das marcas e oferecer cada vez mais qualidade ao atendimento dos clientes, aumentando a capacidade de recebimento de ligações, a Diagnósticos da América/ DASA está investindo pesado na ampliação de sua central de relacionamento, com mais de um milhão de reais investido somente para a aquisição de equipamentos de alta tecnologia. O resultado foi a construção do maior call center próprio do Brasil, ampliando o número de atendimentos de 22 mil ligações/ dia, com 500 operadores em 2007, para 36 mil ligações diárias e mais de 800 colaboradores nos primeiros meses deste ano.
A gestora de negócios de Atendimento a Médicos, Pacientes e Clientes, Cristina Kuwahara Bocatios, explica que os novos recursos oferecidos na nova Central de Relacionamento contribuem para o aumento da satisfação dos clientes. "Todas as ligações são gravadas e temos uma área exclusiva de qualidade, que avalia a eficiência e o grau de satisfação dos clientes com o atendimento recebido", afirma. Além de ganhos efetivos em sinergia, produtividade e qualidade, a empresa tem o contato direto com o cliente, sem que haja um interlocutor. "Dessa forma, somos diretamente responsáveis pela satisfação no contato telefônico de nossos clientes", completa Cristina.
A nova central de relacionamento tem capital intelectual 100% DASA e é certificada pela NR17, norma do Ministério do Trabalho que assegura todos os direitos aos atendentes. Por conta de fatores como a diversidade cultural em expressões e termos técnicos, até mesmo na solicitação de exames, os atendentes passam por intensivos treinamentos que têm o objetivo de entender e preservar as características regionais. Também há o cuidado em se manter o relacionamento médico com as regionais. Toda ligação que requer uma discussão clínica é retransmitida para o estado de origem da marca e o médico é atendido por um colega de sua cidade. Hoje são atendidos cinco estados e nove marcas da DASA, que opera, no todo, com dezessete marcas, em dez estados do País.
A expectativa da DASA é centralizar o maior número de marcas na nova central de relacionamento. "Até julho, o atendimento de mais duas marcas devem ser integrados, o que representa um acréscimo de, aproximadamente, quatro mil ligações/ dia", diz a gestora. Já foram centralizadas as ligações da Bahia (Image Memorial), Brasília (MedLabor e Pasteur), Paraná (Frischmann Aisengart e Curitiba Santa Casa), Santa Catarina (Vita Lâmina) e São Paulo (Delboni Auriemo, Lavoisier e Club DA). A perspectiva é trazer brevemente os contatos de clientes e médicos de Brasília (Exame) e Goiás (Atalaia).   (Maxpress)
 
 
 
 
 
 

22.07 - Investir em saúde é investir na vida
São tantos os problemas hoje vividos no Brasil, como o caso da corrupção que se investiga em diversos órgãos públicos federais, estaduais e municipais no País afora, os problemas de violência, de desemprego, de falta de moradia, enfim, problemas que deixam a sociedade brasileira preocupada e exige das autoridades medidas urgentes e eficazes.
A crise de atendimento nos hospitais públicos traz à tona um dos principais problemas deste País, que é o atendimento.
Um passeio pelo Brasil mostra-nos que em menor ou maior grau este é um problema endêmico. Fala-se muito em combater o desemprego e a violência, e isto é certo, porque são cânceres que maltratam a vida dos brasileiros, mas é preciso transformar esse dueto em um trio de prioridades, incluindo a saúde.
Priorizar a saúde, investir na melhoria do atendimento é investir na vida quando ela está mais fragilizada. No momento da emergência, a diferença entre morrer ou continuar vivo está no fato de o médico estar ou não presente na unidade de atendimento no momento exato e no detalhe de um aparelho funcionar ou não. Essa é uma questão cujas soluções não podem ser mais adiadas.
A responsabilidade pelo setor da saúde é dividida entre as três esferas de Poder. É fundamental, portanto, que todos façam sua parte, prefeituras, governos estaduais e governo federal.
A saúde é também um dos poucos setores que têm verbas carimbadas. Ou seja, constitucionalmente, é obrigatório investir parte dos recursos arrecadados nesse setor. Mesmo assim, em qualquer pesquisa sobre demandas sociais, a saúde aparece como uma das reivindicações mais urgentes. E por que isso acontece? Porque, muitas vezes, mesmo com a existência de recursos, não se prioriza as ações corretamente.
A cada dia ficam mais escassos os recursos em investimentos, mesmo para áreas prioritárias. É essencial sermos racionais e investir na qualidade e não na quantidade, a não ser que isso seja absolutamente fundamental.
É preciso melhorar a qualidade do atendimento. Quando um cidadão com problema de saúde necessitar de um médico, ele precisa ter esse médico ao seu alcance.
Outro ponto é investir na prevenção. Os programas de agentes da família, em que os profissionais vão até as casas das pessoas, precisam ser ampliados. Está provado que essa é uma iniciativa inteligente e eficiente. Além de resolver os problemas menos graves, desafoga os hospitais, deixando-os mais livres para os casos de emergência.
Outra iniciativa é direcionar investimentos para obras de saneamento básico. A cada cinco anos, aproximadamente 300 mil crianças morrem no Brasil em função de doenças adquiridas pela ausência de saneamento básico. Os programas sociais que dão condições de melhorar a alimentação de famílias carentes também são investimentos importantes em saúde.
Para mudar a realidade do caos é preciso que os governantes firmem um compromisso prioritário com a saúde neste País. Investir em saúde é investir na vida. Mais do que isso: é melhorar a qualidade de vida das pessoas. E isso é primordial para que o cidadão tenha uma vida digna.
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, encomendada pelo Ministério da Saúde, mostra que, apesar da melhora nos serviços de saúde no país nos últimos anos, o sistema é menos acessível para os que mais precisam dele.
As desigualdades verificadas em recortes de escolaridade ou de renda são visíveis em praticamente todos os aspectos da pesquisa, como auto-avaliação, realização de exames, consultas médicas, odontológicas e adesão a planos de saúde.
Entre os brasileiros mais pobres,com renda de até um salário mínimo, 5,3% avaliaram que tinham saúde "ruim" ou "muito ruim". O percentual entre os brasileiros com renda igual ou superior a 20 salários mínimos cai para 0,8%.
No conjunto da população, 78,6% dos 176 milhões de habitantes do país afirmaram que seu estado de saúde era "bom" ou "muito bom".
As mulheres mostram maior preocupação com seu estado de saúde do que os homens. A partir dos 14 anos, elas passam a reportar mais problemas. Travassos destaca que a mudança ocorre a partir da idade reprodutiva.
A Pnad Saúde mostra que o número de pessoas internadas têm relação inversa ao rendimento familiar. O coeficiente de internação hospitalar no país é de 7 a cada 100 habitantes. Entre os mais pobres, com renda de até um salário mínimo, o coeficiente sobe para 8,4 a cada 100 pessoas.
As pessoas sem rendimento foram as que apresentaram maior coeficiente: 10,6 por 100 pessoas o grupo. De acordo com os dados da pesquisa, cerca de 12,3 milhões de pessoas tiveram uma ou mais internações hospitalares no ano que antecedeu a entrevista.
O SUS foi responsável por 67,6% das internações, o que representa um leve aumento em relação à última edição da pesquisa, em 1998, quando a participação foi de 63,1%.
A redução no número de pessoas que nunca haviam ido ao dentista foi maior entre os residentes de áreas rurais, cujo percentual passou de 32% para 28%, e na classe de rendimento mensal familiar até um salário mínimo, que passou de 36% para 31%.
O Brasil precisa melhorar, aprimorar e investir mais nas políticas de saúde, para que possamos acabar com as epidemias, controlar as doenças crônicas e permitir saúde de qualidade à população.   (Pedro Chaves - Diário da Manhã)

22.07 - Campanha vacinou 11 mi contra pólio
O balanço parcial do Ministério da Saúde divulgado ontem indica que 11,2 milhões (70,92%) de crianças brasileiras com até cinco anos foram vacinadas contra a paralisia infantil durante a Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite, que aconteceu no último sábado. A meta do Ministério era imunizar 15 milhões (95%) de menores de cinco anos. A vacina ainda está disponível nos postos de saúde. O balanço final da campanha será divulgado no dia 31 de julho. 
Segundo o Ministério, todas as regiões do País tiveram um bom desempenho. O melhor resultado foi registrado na Região Sul, que já imunizou 84,14% (1.716.297) dos menores de cinco anos. O segundo melhor desempenho ficou com o Sudeste, 72,18% (4 425.676) de cobertura, seguido pelo Centro-Oeste, com 71,04% (832.875). Nordeste e Norte divulgaram coberturas de 67,05% (3 262.158) e 61,27% (1.019.764), respectivamente. 
O Estado que apresentou a cobertura mais elevada foi o Distrito Federal (88,46%), seguido de Rio Grande do Sul (85,35%), de Santa Catarina (83,93%), do Paraná (83,11%), de São Paulo (85%) e de Pernambuco (82,7%). 
Os piores resultados foram registrados no Acre, no Pará, em Ron-dônia, na Bahia, no Maranhão, em Minas Gerais, no Rio de Janeiro e em Mato Grosso, os quais, até o momento, informam percentuais próximos a 50%. 
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2007, foi registrado um total de 1.313 casos da doença em 13 países. Os considerados endêmicos são Afeganistão, Índia, Nigéria e Paquistão. Este ano, já foram confirmados 522 casos de poliomielite no mundo, 332 a mais do que no mesmo período do ano passado, que era de 190 casos. 
O último registro de paralisia no Brasil foi em 1989. O País possui certificado de erradicação da doença, concedido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), desde 1994. (Jornal de Brasília)

22.06 - Hemofílicos vivem drama da falta de medicamento
Um produto essencial para a qualidade de vida e segurança dos hemofílicos está em falta no Brasil. O fator de coagulação 8, que é importado e distribuído aos bancos de sangue pelo Ministério da Saúde, está sendo racionado no Hemorio para atender apenas os casos de emergência.
O problema obrigou o instituto a suspender, temporariamente, o fornecimento domiciliar do medicamento, assim como as cirurgias que não forem de urgência.
— Sem dúvida, estamos otimizando (a distribuição do produto), para que nenhum hemofílico sofra com isso e todos possam ter o tratamento adequado enquanto houver problema na importação — afirmou a diretora do Hemorio Vera Marra. 
Risco iminente
O fator 8 é uma proteína produzida a partir do plasma. Para os hemofílicos, o medicamento é essencial para coagulação sanguínea. Sem ele, esses pacientes podem, ao se ferir, ter conseqüências graves e até morrer de hemorragia. O problema pode se tomar fatal mesmo em caso de pequenos cortes ou arranhões.
Em todo o estado, cerca de 900 pessoas estão sofrendo com a falta do fator 8. O medicamento, que é usado preventivamente, tem o custo alto: se precisasse pagar por ele, o hemofílico teria que desembolsar R$ 33 mil por uma quantidade suficiente para apenas três dias.
No estoque do Hemorio, a quantidade de medicamento armazenada é suficiente para mais dez dias. Segundo o Ministério da Saúde, porém, o fornecimento do fator 8 só deverá ser normalizado a partir da primeira quinzena de julho. 
Crise em 2004
Não é a primeira vez que os hemofílicos enfrentam o drama da falta do medicamento. Em 2004, o estoque do Hemorio chegou a ter 36 frascos de 250 mililitros do fator coagulante para atender as emergências. A situação permaneceu crítica por mais de um ano. Na época, chegou a ser distribuído, como alternativa, o fator 8-Y, que tem ação coagulante mas pode causar reação alérgica nos hemofílicos. (Extra)

22.06 - Laboratório indiano fecha acordo com Pfizer sobre remédio contra colesterol
O principal laboratório farmacêutico de medicamentos genéricos da Índia, o Ranbaxy, anunciou nesta quarta-feira ter chegado a um acordo legal com a Pfizer que prolongará a proteção da patente de um medicamento contra o colesterol produzido pela gigante americana.
A patente do Lipitor, que é um dos medicamentos mais importantes da Pfizer nessa área, expirava em março de 2010. Porém, a Ranbaxy concordou em vender sua versão genérica nos Estados Unidos somente a partir de 30 de novembro de 2011, segundo uma nota do laboratório hindu.
"O Ranbaxy chegou a um acordo com a Pfizer para resolver o inquérito pela patente a nível mundial do Lipitor", acrescenta o comunicado da empresa, que tem sede em Nova Délhi.
O anúncio ocorre menos de uma semana após os laboratórios japoneses Daiichi Sankyo anunciarem a assinatura de um acordo para comprar 35% da participação da família Singh no Ranbaxy, com a possibilidade de uma oferta de compra para ampliar a participação em até 51,1%, em uma operação avaliada em 4,6 bilhões de dólares. (AFP /Diário do Grande ABC)

22.06 - Prevenção de trombose é falha, diz estudo
A maioria dos pacientes internados em hospitais brasileiros tem risco de desenvolver coágulos sangüíneos que bloqueiam veias -tromboembolismo venoso (TEV)-, mas só parte deles tem orientação e tratamento adequados que podem prevenir o problema. 
A revelação é de um estudo mundial (Endorse) com 60 mil pessoas de 32 países, coordenado pela Universidade de Massachusetts (EUA) e recém-publicado na revista "The Lancet". No Brasil, foram avaliados 1.295 pacientes em 12 hospitais -públicos e privados. A pesquisa foi financiada pelo laboratório francês Sanofi-Aventis, que produz anticoagulantes. 
O tromboembolismo é comum entre pacientes hospitalizados, sobretudo entre os que precisam ficar imobilizados na cama por algum tempo. Pode ocorrer em qualquer parte do sistema venoso. Os mais comuns, porém, são coágulos em veias profundas -em geral, na perna- e embolia pulmonar, a causa mais comum de morte hospitalar evitável. 
O trabalho mostrou que 56% dos pacientes clínicos e cirúrgicos hospitalizados no país têm chances de desenvolver o tromboembolismo - no mundo, a taxa ficou em 52%. 
A prevenção recomendada -se movimentar e usar medicamentos- é prescrita só para 51% desses pacientes, índice próximo ao encontrado na média mundial (50%). Mas, na Alemanha, por exemplo, a taxa de prevenção ficou em 86%. 
No Brasil, o pior desempenho em profilaxia foi entre pacientes clínicos e cirúrgicos com riscos associados: apenas 27% e 30%, respectivamente, recebem medidas preventivas. 
Segundo a médica Ana Thereza Rocha, coordenadora nacional do estudo, o índice de mortes por tromboembolismo pode chegar a 10%. "É uma situação séria, mas os médicos ainda não colocam a prevenção na rotina. O foco fica apenas na doença que levou o paciente à internação", diz ela, que também é professora na Universidade Federal da Bahia. 
Para Fred Anderson, diretor do