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30.06 - Gestores de saúde têm dificuldade em entender seus clientes
A falta de compreensão das necessidades dos clientes é um dos principais fatores que comprometem as vendas em uma empresa. Na área de saúde, que demanda maior conhecimento técnico e teórico dos produtos, essa necessidade é ainda mais aparente. A constatação é de pesquisa anual da Miller Heiman, empresa em pesquisa treinamento e gestão de vendas.
De acordo com as informações do estudo, 61% dos executivos entrevistados da área de saúde sabem o motivo pelo qual os clientes compram em suas unidades. Ao considerar a satisfação do consumidor com o processo de vendas, o montante cai para 12%.
No Brasil, a empresa é representada pela GoAhead, consultoria especializada em performance de vendas, marketing e processos e, de acordo com a fundadora Tatiana Vidal, esse índice mostra claramente a necessidade que o mercado sente de um treinamento específico em vendas.
“Se levarmos em consideração que 62% dos executivos da área de saúde afirmam que seus vendedores são especialistas nos produtos ou serviços vendidos e 47% conhecem profundamente o que seus clientes necessitam, vemos que há algo incorreto nesta equação, pois apenas 22% dos executivos mostram que seus vendedores são efetivos em suas ações, ou seja, concretizam o esforço de vender em resultados. Neste momento surge a necessidade de treinamento”, explica a executiva, em comunicado.
Uma das saídas, segundo Tatiana, é focar em estudos das melhores práticas de vendas, que apontam perfeitamente como transformar os problemas em soluções, reverter os pontos negativos e reforçar ainda mais os positivos.  (Saúde Business Web)

30.06 - Pela 1ª vez, SUS terá meta de atendimento
Será fixado, por exemplo, número de cirurgias; cidade que não cumprir indicadores pode até perder verba
Haverá metas regionais, e municípios e Estados mais eficientes poderão ganhar mais recursos do governo federal
O governo Dilma Rousseff vai fixar pela primeira vez indicadores específicos na área de saúde e irá punir ou premiar quem não cumprir essas metas.
A Folha teve acesso ao decreto presidencial -que será publicado hoje no "Diário Oficial" da União- que cria o marco para o SUS (Sistema Único de Saúde), definindo as obrigações dos Estados e dos municípios.
O governo já começou a mapear quais são os serviços de saúde oferecidos em todo Brasil e vai dividir o país em cerca de 500 regiões de saúde (conjunto de cidades com condições econômicas e sociais semelhantes).
A partir dessas informações, o Ministério da Saúde vai definir metas específicas para cada região, de acordo com a realidade local.
Atualmente, o governo define a cada quatro anos metas gerais pelo Plano Nacional de Saúde, mas não existe nenhum tipo de monitoramento nem de punição.
CONTRATOS
Para que Estados e municípios se comprometam com os novos indicadores, o Ministério da Saúde vai formar os chamados contratos de gestão. "Com esse documento, será mais fácil responsabilizar e envolver todos no cumprimento das metas", disse o ministro Alexandre Padilha (Saúde).
A ideia, segundo o ministro, é assinar ao menos 20% dos contratos até o fim do ano. Cada contrato poderá estabelecer, por exemplo, que uma cidade terá de atender a determinado percentual de pacientes cardíacos ou realizar um certo número de cirurgias de catarata.
Quem não atender aos indicadores poderá inclusive ter a verba bloqueada, em último caso. Por outro lado, os municípios e Estados mais eficientes poderão até ganhar o dobro de recursos. O monitoramento será feito pelo Ministério da Saúde.
RELATÓRIOS
Os Estados e municípios terão de fazer relatórios periódicos de cumprimento das metas e indicadores.
Dentro de uma mesma região de saúde, uma cidade que ficar abaixo da meta no atendimento de pré-natal poderá perder recursos para um município próximo, que tem atendimento de ponta para grávidas, por exemplo.
Hoje, não há punição prevista para casos de descumprimento de metas gerais, somente quando há irregularidades no uso de recursos.
TEMPO DE ESPERA
De acordo com o ministro, a ideia é que, "mais para a frente", também sejam definidos indicadores de tempo de espera para o atendimento no SUS.
"Primeiro, vamos criar as metas, assinar os contratos, depois vamos evoluir e começar a definir critérios também para o tempo de espera", afirmou Padilha.
Ele informou ainda que o governo fará pesquisas de satisfação com os usuários para aprimorar o modelo criado pelo decreto.
Lista de serviços será divulgada pela internet
Os usuários do SUS passarão a ter acesso a informações sobre quais são os serviços de saúde oferecidos em cada região. As listas serão divulgadas pela internet e estarão disponíveis em hospitais e postos de saúde.
"Hoje, o usuário precisa ficar descobrindo se o SUS cobre um tipo de tratamento, indo de hospital a hospital. Com o novo sistema, tudo será público e de fácil acesso", afirmou o ministro Alexandre Padilha (Saúde).
O novo serviço está sendo montado e deve estar pronto até o final do ano. Os usuários terão acesso também pela internet a uma nova lista de medicamentos oferecidos pelo SUS.
O Ministério da Saúde começou ainda a mapear os serviços de saúde em todo o país para definir as metas dos futuros contratos de gestão.
Padilha considera a assinatura do decreto presidencial um marco, pois ele criará um modelo de gestão moderna no setor, com possibilidade de cobranças a todos os envolvidos com o serviço de saúde no país. (VALDO CRUZ e LARISSA GUIMARÃES - Folha de S.Paulo)

30.06 - A relação médico-paciente
A relação médico-paciente é uma versão peculiar das interações entre as pessoas, sobre as quais a psicologia e a sociologia, entre outras disciplinas, acumularam nas últimas décadas um grande acervo de conhecimento. Aprendemos sobre a importância de lidar de modo adequado com o emocional de nossos pacientes ainda na universidade, mas é no dia a dia da profissão que se evidencia o peso dessa relação. Hoje, com mais de 15 anos de exercício da medicina, nos arriscamos a dizer que o conhecimento científico não basta para o sucesso de nenhum tratamento.
A imagem do médico genial, mas sem habilidade alguma para lidar com seus pacientes – construída para o protagonista da série House –, não existe fora do universo da ficção. Dois exemplos ilustram bem essa ideia. Maria, uma jornalista jovem e bem-sucedida, ouviu de seu ortopedista que, se quisesse se ver livre das tendinites de punho que a afligiam constantemente, precisaria mudar de profissão. Caso contrário, avisou o médico, teria dores para sempre. “Como assim mudar de profissão se o que sei fazer é ser jornalista?”, perguntou, já aos prantos, no consultório. “Isso eu não sei lhe responder”, respondeu com frieza. Ela entrou em depressão, seguida de uma acentuada piora no seu quadro clínico. Só vários meses depois, passado o tratamento analítico e psiquiátrico, conseguiu procurar outro médico. Muito mais hábil, ele a orientou a fazer uma série de adaptações ergonômicas que possibilitaram sua permanência na profissão.
O médico de Sílvia, alta funcionária pública, não ficou atrás no quesito tato. Instantes depois de dar à luz seu primeiro filho, antes mesmo de pegar a criança nos braços, ela ouviu do pediatra da sala de parto que devia procurar com urgência um geneticista, pois seu filho era portador da síndrome de Down. A notícia caiu como uma bomba antes mesmo que ela estabelecesse os primeiros vínculos afetivos com o filho. Hoje, mãe e filho estão bem e unidos, mas ela levou meses se tratando de uma severa depressão pós-parto. Em ambos os casos, os médicos não deram informações erradas a seus pacientes. Seus conhecimentos técnicos endossaram o que disseram, mas a falta de capacidade de avaliar a situação em que seus pacientes se encontravam desencadeou sérios problemas emocionais e piora clínica. Situações como essas nos levam a sustentar que o exercício da medicina requer capacidade de compreensão do que transcorre sob a superfície de cada paciente.
Os cirurgiões plásticos, por receber pacientes com insatisfações físicas, muitas vezes vinculadas a insatisfações afetivas e frustrações, estão mais propensos à sobrecarga emocional do que colegas de outras especialidades. O paciente busca na relação com esse profissional não só um pai que o oriente, mas também uma mãe que cuide dele e um mágico com poderes divinos e transformadores, que mude sua imagem e sua vida para melhor. Alguns esperam que a cirurgia plástica lhes devolva também o prazer de viver. Nessas horas, a correta leitura do perfil psicológico do paciente, bem como a percepção de seus sofrimento e anseios, a prática da verdade, da humildade, da prudência, da generosidade, entre outras, define um bom médico. Essas virtudes, somadas ao aperfeiçoamento técnico- científico constante, determinam a credibilidade profissional do cirurgião plástico.
Na relação médico-paciente devem imperar ainda a confiança mútua, o sigilo, o respeito ao próximo, o bom empenho na busca do melhor tratamento para o paciente, a explicação detalhada e clara sobre os exames e tratamentos, bem como seus riscos e benefícios. O cirurgião plástico deve, desse modo, usar o melhor do progresso científico, mostrando o que deve e o que não deve ser feito, em cada caso específico, oferecendo a melhor atenção e o maior zelo ao paciente. A perícia do profissional – ou seja, sua capacidade de executar determinada cirurgia – deve ser inquestionável. Como deve ser inquestionável sua sensibilidade.  (Charles Sá e Natale Gontijo de Amorim - Estado de Minas)
 
 
 
 

29.06 - “Integração entre Público e Privado é necessária e irreversível”
Entrevista com Gonzalo Vecina
“Nunca foi tão moderno envelhecer”. A frase dita por um dos grandes pensadores da saúde no Brasil, Gonzalo Vecina Neto, é de um músico brasileiro. Mas, segundo o médico, traduz o momento atual da saúde no País, onde há pessoas envelhecendo e mudança de um perfil de doenças agudas e infecciosas para as patologias crônicas. Estes são apenas alguns dos desafios a serem enfrentados. E para buscar a sustentabilidade, Vecina diz que a integração entre o sistema público e privado é necessária e irreversível. “Hoje jogo com o computador”, é o que responde Gonzalo Vecina Neto sobre o xadrez, hobby que já lhe rendeu vitórias e que a falta de tempo tem restringido sua prática ao computador.
Outras particularidades deste sorocabano são a torcida pela Portuguesa e a atuação como médico do Esporte Clube Paulista de Jundiaí, cidade onde se formou, no interior de São Paulo.
Essas são algumas características menos conhecidas de Vecina Neto, cuja trajetória no setor de saúde incluí a presidência da Agência Nacional da Vigilância Sanitária e a Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ligada ao Ministério da Saúde. Médico sanitarista, gestor e docente, Vecina Neto também liderou a Secretaria Municipal de Saúde. Atualmente está à frente de uma dos hospitais referência em média e alta complexidade no Brasil, o Sírio-Libanês, onde ocupa o cargo de superintendente corporativo.
Lá, ele admite ter “uma sensação de oxigenação”, pois as decisões são construídas coletivamente e as ações são executadas de imediato, quando comparado ao setor público, onde está envolvido com projetos de expansão. Cotado para o cargo de ministro da Saúde, Gonzalo afirma que não existiu convite e que seu futuro está atrelado aos compromissos do Sírio-Libanês, às aulas na Faculdade de Saúde Pública da USP e ao pensamento e discussão da saúde coletiva.
Fornecedores Hospitalares: Você tem grande experiência na área pública e atualmente está à frente do Hospital Sírio-Libanês, que é outra realidade se comparado ao hospital público. Como é lidar com recursos e realidades tão diferentes?
Gonzalo Vecina: No setor privado, de uma maneira ou de outra está se buscando o equilíbrio da organização. As pessoas costumam simplificar falando que se está buscando lucro. Nenhuma organização sobrevive se estiver buscando lucro, as organizações sobrevivem porque atingem os objetivos pelos quais foram criadas com sustentabilidade.
No caso da administração pública, a questão política tem que se encaixar em um conjunto de ações do estado para gerar bem-estar social, o que torna o processo decisório extremamente complexo.
Tem a discussão do bem comum e como ela acontece dentro da sociedade. Esta discussão sobre o que faz as pessoas se sentirem felizes a partir da ação do Estado, ou seja, a construção do estado de bem-estar social, é uma das discussões mais importantes do ponto de vista político para orientação do Estado, mas ela é muito complexa por causa dos inúmeros participantes desse processo de construção da decisão. Aí também tem a questão da corrupção e do clientelismo, que faz parte da vida do estado brasileiro, ainda. Todos os países têm, em algum grau, certa quantidade de corrupção.
Eu acho que é muito mais difícil gerenciar o setor público. Eu que vim do setor público para o setor privado tenho uma sensação de oxigenação, porque as decisões são construídas coletivamente, como eu acho que deve ser uma organização complexa como é um hospital moderno. E após a decisão existe a execução. Então, é muito mais simples dirigir uma instituição privada do que uma instituição pública.
FH: Qual sua avaliação sobre o Sistema Único de Saúde? Com mais de 20 anos de sua criação, em qual momento estamos?
Vecina: Morre-se menos e vive-se mais. É indubitável. A mortalidade infantil no Brasil há 20 anos estava em torno de 40 mortes por mil nascidos vivos; hoje, está abaixo de 20 mortes por mil nascidos vivos.
A expectativa de vida estava bem abaixo de 70 anos, hoje está em 73 e 74 anos para homem e mulher, respectivamente. O Brasil tem um excelente e um dos melhores programas de imunização do mundo. Tem o segundo maior programa de transplante de órgãos do mundo, tem certamente um dos mais eficientes processos e programas de tratamento de pacientes portadores do vírus HIV. A revolução foi fantástica.
O SUS é certamente, de todos programas que o estado brasileiro desenvolve, emtre saneamento, educação, transporte, segurança, justiça, o que mais inclui pessoas na sociedade. Ou seja, o grande problema do Brasil é a exclusão social e o número de pessoas que estão abaixo da linha da pobreza, que precisamos trazer para cima.
Universal e gratuito, ele não diferencia o pobre do rico, aliás, isso é um problema. Deveria diferenciar quem precisa mais e conseguir dar mais a quem tem menos. Mas é óbvio que o SUS precisa crescer, o SUS é um programa importantíssimo, mas precisa melhorar. Ele é bom, mas não é bom o suficiente, ele está subfinanciado, sob qualquer ângulo que se olhe.
O Brasil gasta R$ 1400 per capita para tratar os 43 milhões de brasileiros que têm plano de saúde. Com 150 milhões de brasileiros do SUS, se gasta R$800 per capita ano. Qualquer país do mundo desenvolvido gasta mais de US$2500 per capita ano. Os Estados Unidos são um desastre, gastam US$ 8 mil per capita ano. Precisamos colocar mais recursos na equação da saúde, precisamos de mais gestão. Não é mais gestão ou mais dinheiro, é uma coisa e outra. Não existe um dilema, primeiro isso e depois aquilo, está errado. É um falso dilema isso. Falta dinheiro e falta gestão.Temos que equalizar o sistema de saúde.
FH: Diante do cenário de envelhecimento da população, o que precisa ser mudado no SUS?
Vecina: Nosso sistema de saúde está voltado para um conjunto de doenças e um perfil de população anterior a década de 90, quando morríamos mais de doenças infecto-contagiosas. Agora, como diz o Arnaldo Antunes, “não existe nada mais moderno do que envelhecer”, e o envelhecimento tem outros tipos de doença: câncer, acidente vascular cerebral, enfarto do miocárdio, diabetes. São as doenças crônicas e o sistema está preparado para atender doenças infecciosas e doenças agudas. Temos que manter a capacidade de atender urgência e emergência, mas mudar o sistema de saúde para que ele possa atender doenças crônicas, que exigem cuidados contínuos. E tem que ser cuidado contínuo com base tecnológica, com gasto baixo, e que atenda à condição de estar presente sempre e isso exige uma renovação do modelo de atenção à saúde.
Temos que conseguir integrar o público e o privado. Não dá para continuar sendo assim, do lado de lá, a medicina supletiva e do lado de cá, o SUS. Isso não cria economia, não aproveita as possíveis sinergias que poderíamos construir. Temos que ter condição de aumentar a capacidade indutiva do estado na produção ciência, tecnologia e inovação.
Hoje cerca de 10% da mão de obra do Brasil trabalha no setor de saúde, 8% do PIB brasileiro vem da indústria de saúde. Então, temos que aproveitar essa capacidade que a indústria de saúde tem de gerar empregos e valor, mas para isso tem que ter capacidade indutiva. Por um lado, do estado, e do outro lado, um empresário diferente. Um empresário que saia da sombra e vá para o sol do mercado e se arrisque contratando doutores, criando centros de tecnologia para transformar inovação em produtos lucrativos. Temos que melhorar a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, para que ela atrapalhe menos os pesquisadores e a Comissão Nacional de Ética e Pesquisa seja menos empecilho à realização de pesquisa.
FH: O Brasil está em um momento, que enfrenta epidemias como a dengue e também há doenças como a obesidade. São doenças totalmente diferentes em um único País. Como resolver essa equação?Vecina: Essa equação se resolve com medicina baseada em evidências, com novos guidelines. Temos que mudar o jeito de fazer medicina e fazer gestão de doenças porque 20% da população brasileiras é hipertensa, 10% é diabética e o número de pacientes com sobrepeso aumenta. Este é um fator que complica tanto a diabetes como a hipertensão. Isso exige um novo modelo de atenção à saúde, um modelo voltado para gestão de doença e, eventualmente, como existem pacientes com morbidades e mais de uma doença, um sistema que também tenha condição de identificar pacientes mais complexos e fazer a gestão de doente. E esse sistema de atenção básica tenha condição de atender o grosso dessa população doente na fase em que ainda não tem complicações importantes. É um novo modelo e precisamos fazer isso.
FH: Você falou da integração do sistema público com o privado, qual a sua opinião sobre o projeto de lei que destina 25% dos leitos públicos a pacientes com planos em São Paulo?
Vecina: Acho que é um remendo. Com certeza, nos hospitais públicos são atendidos planos de saúde. Como a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) não consegue cumprir a lei e fazer com que os planos de saúde façam esses ressarcimentos no atacado, o que a lei está propondo é fazer esses ressarcimentos no varejo. Porque ela não muda, não cria uma dupla porta como estão falando. Agora, o que temos que discutir não é um remendo, é um projeto novo de integração entre setor publico e setor privado, de tal forma que quando se olhar para o processo de atenção primária no Brasil se veja os dois sistemas integrados ganhando em sinergia e economia de escala. Tem certas tecnologias muito caras, que precisam de um mínimo de usuários. Então se ao comprar uma tecnologia se consegue atender 100 usuários e só há 10 usuários no setor privado, arruma os outros 90 no SUS, é isso que estou chamando de escala econômica de produção.
FH: E o senhor acha que as PPPs também fazem parte desse remendo?
Vecina: Com certeza. A Parceria Público-Privada é fundamental. O estado brasileiro contrata médicos da mesma maneira que contrata um juiz, só que a justiça anda devagar e os hospitais não podem andar devagar. Usar as mesmas técnicas administrativas para gerenciar diferentes setores da atividade humana está absolutamente errado. Isso podia ser adequado há 30 anos, quando não tinha informática e a média de permanência (no hospital) durante a década de 80 era de 10 dias. Hoje, a média de permanência nos hospitais é de quatro dias. Tudo mudou, mas a gestão pública não mudou, para certas coisas ela pode continuar do mesmo jeito, mas para outras não. Por que não existem mais sistemas de transportes coletivos estatais? Porque o estado é incapaz de fazer essa gestão com a dinâmica necessária para o transporte público, a mesma coisa é no setor saúde. A terceirização da gestão no setor de saúde utilizando o terceiro setor, organização social, Oscip, ou mesmo no caso das PPPs- não está usando nem Oscip nem OS, está usando entidades com finalidade lucrativa para fazer a PPP. Então é irreversível e é necessário.
FH: Com o novo governo, quais são as principais urgências em sua opinião?
Vecina: Financiamento, melhoria da gestão via reforma administrativa e formação de gestores, mudar o modelo assistencial para torná-lo mais adequado para tratar de doenças crônicas urbanas, melhorar a integração entre o setor público e o privado, estimular a indústria da saúde. Estes são os cinco pontos fundamentais.
FH: Ainda falando sobre o SUS, temos um modelo na saúde suplementar que é segmentado por especialidade, pois o usuário escolhe o médico com quem se consultará. No SUS, ainda há uma triagem com um clínico geral. O fortalecimento da atenção primária seria uma solução para a lotação dos hospitais?
Vecina: O errado é a setor privado. O Programa da Saúde da Família (PSF) cobre hoje cerca de 60% da população brasileira. É um imenso “gol”. Agora, o setor privado está começando a descobrir isso, a ser chamado de mais eficiente. Essa mudança, que está sendo operada no setor privado é importante. Ter um clínico geral é o que chamamos de atenção básica. Tudo começa na atenção básica, depois vai para a especialidade e hospital.
FH: Você acha que os médicos que se formam hoje têm essa visão para trabalhar?
Vecina: Uma parte dos médicos é mal formada, outra parte dos médicos é muito especializada e falta formar mais médicos. Então temos três problemas: médicos com formação, mas muitos especializados; médicos muito mal formados em hospitais- escolas muito ruins e sem serem testados durante o internato e residência na rede de atenção básica; e falta de médicos formados. Faltam médicos no Brasil.
FH: Você tem uma carreira extensa na Saúde. Está agora no Sírio-Libanês, já foi secretário, consultor, trabalhou no Ministério da Saúde. Quais são os seus próximos passos, quais são os seus objetivos?
Vecina: Eu quero trabalhar na rede pública, continuar dando aulas na Faculdade de Saúde Pública. Eu sou sanitarista, quero continuar fazendo o que sempre fiz, que é pensar saúde coletiva, discutir a questão da saúde coletiva e gerenciar hospitais. Eu gosto de hospitais.  (Maria Carolina Buriti - Revista Fornecedores Hospitalares/Saúde Business Web)

29.06 - Tosse: alerta com a saúde
Ela não é uma reação corriqueiras sim um sintoma de que algo está errado com o organismo e deve ser avaliada
Com a chegada do inverno chegam também as infecções respiratórias e o incômodo da tosse, que apesar de não ser doença, é sinal de que há alguma coisa errada com as vias respiratórias.
"Trata-se de um mecanismo de defesa do organismo contra uma inflamação, infecção ou irritação nas vias aéreas, que seguem do nariz ao pulmão", explica a clínica médica, Iolanda Benoliel.
Só que muita gente considera a tosse algo corriqueiro. E há até quem se acostume com ela e demore a procurar o médico. "Tosse nunca é normal. É preciso investigá-la", alerta a médica.
Segundo os especialistas a tosse pode ser aguda (quando persiste por duas ou três semanas, geralmente como sintoma de quadros de gripe, sinusite, bronquite); subaguda (dura de três a oito semanas, possivelmente devido a uma enfermidade mais séria); ou crônica (ultrapassa oito semanas, podendo ser uma doença mais grave, como pneumonia e até câncer de pulmão).
O importante é descobrir sua causa e tratar adequadamente.
As doenças relacionadas à tosse são variadas. Entre elas estão:
Sinusite: a inflamação dos seios da face leva a tosse com produção de catarro.
Bronquite e asma: a inflamação dos brônquios provoca irritação pulmonar e surge uma tosse seca. Não tratada, leva à produção de catarro e infecção.
Refluxo: o ácido que está no estômago reflui e começa a queimar o esôfago, próximo à traqueia, que se irrita. A tosse que leva a esse diagnóstico é crónica, ou seja, persistente.
Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC): a tosse é crônica, geralmente acompanhada de pigarro, típica do fumante. Quando há piora do quadro pode haver produção de um catarro amarelado.
Tuberculose: a suspeita da doença é levantada diante de tosse crónica, com catarro constante e às vezes sangue.
Câncer de pulmão: aquela tosse que não melhora nunca pode indicar esse grave quadro. Nenhum medicamento que iniba a tosse deve ser tomado sem orientação médica, pois pode mascarar uma doença grave. "Não tome xarope, que pode ter corante e irritar ainda mais o organismo, aumentando a tosse", alerta Iolanda. "O chazinho não faz mal, mas não trata a tosse, assim como pastilhas ou xaropes. Eles podem apenas diminuir a irritação da garganta, levando a uma sensação de bem-estar", diz a médica. Uma boa hidratação e mel, que tem propriedade broncodilatadora, também podem ajudar no alívio dos sintomas irritativos. Os médicos reforçam a necessidade de se procurar um especialista para conduzir o tratamento, que pode incluir antiinflamatórios e antibióticos.  (Povo)

29.06 - Vacina contra o diabetes falha em testes
Produto tentava impedir destruição de células do pâncreas
Uma vacina experimental para prevenir o avanço da diabetes tipo 1 fracassou na segunda etapa do processo de testes, de um total de três.
A vacina visava a proteger as células produtoras de insulina no pâncreas. A doença destrói as células produtoras de insulina do órgão. Sem insulina, a glicose não chega até as células, que precisam dela para se transformar em energia.
O diabetes tipo 1 representa cerca de 10% dos diabéticos, afetando principalmente crianças, adolescentes e adultos jovens. Esse tipo de diabetes, que apresenta pouca influência do fator hereditário, começa de maneira abrupta, com perda de peso, aumento da ingestão de líquidos e aumento da urina.
Os pacientes precisam tomar insulina, seguir dieta e fazer exercícios.
A vacina se baseou em uma enzima chamada descarboxilase do ácido glutâmico (DAG), que o sistema imunológico ataca, e ao fazer isto, destrói as preciosas células beta. A ideia era que a vacina ensinasse as células do sistema imunológico a tolerar a enzima.
O teste foi feito em 145 pacientes com idades de três a 45 anos nos Estados Unidos e no Canadá, diagnosticados com diabetes tipo 1 nos três meses anteriores.
Os voluntários receberam ora a vacina, ora a vacina acompanhada de um potencializador padrão do sistema imunológico, ou apenas o potencializador. Os pacientes em todos os três grupos experimentaram um progresso semelhante com relação à doença, sem diferença entre eles no que diz respeito aos efeitos colaterais.
O estudo, conduzido por Jay Skyler, da Escola de Medicina da Universidade de Miami, foi apresentado em uma conferência da Associação de Diabetes Americana, em San Diego, Califórnia.
Apesar do tropeço, os pesquisadores pediram mais pesquisas para ver se a fórmula pode funcionar quando administrada mais cedo ou como parte de uma combinação de tratamentos.
O número de adultos com diabetes em todo o mundo mais que dobrou desde 1980, e atualmente afeta quase 350 milhões de pessoas. O diabetes é provocado por um descontrole das taxas de açúcar no sangue e pode provocar problemas cardíacos e derrame, além de causar danos a rins, nervos e olhos. (Portal R7)
 
 
 
 
 

28.06 - Novas regras: menos dor de cabeça?
Governo federal determina prazos de limite máximo para atendimento através de planos de saúde
O indivíduo sente uma dor, pega sua lista de convênios médicos, marca uma consulta e é atendido. Quem dera fosse simples assim. Qualquer beneficiário de planos de saúde sabe o quanto complicado é o caminho para se chegar à uma consulta médica. Mas, ao que tudo indica, todo este drama está prestes a acabar.
Desde a última segunda-feira, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) determinou prazos de limite máximo para os atendimentos dos beneficiários de planos de saúde. A Resolução Normativa nº 259 tem o objetivo de garantir ao paciente o direito de ter na prática os serviços pelo qual contratou a empresa. A determinação começa a valer em 89 dias, prazo máximo que as operadoras têm para se adaptarem a resolução.
Para consultas com especialistas das áreas de pediatria, clínica médica, cirurgia geral, ginecologia e obstetrícia, os beneficiários não poderão esperar mais que sete dias. Ainda segundo a resolução, exames para diagnóstico por laboratóriode análises clínicas, como exame de sangue e urina, devem ter agendamento em até três dias.
A determinação não obriga que todas as prestadoras de serviços tenham vagas para todo os pacientes, ou seja, não é obrigado à operadora do plano garantir vaga com profissionais de escolha do beneficiário. O determinado é que os planos disponibilizem pelo menos um especialista para cada paciente.
Quando mais precisou, Maria Jucivânia não teve seus direitos atendidos pelo plano. Ela estava com uma gravidez complicada, com muito sangramento. No dia 16 de março, o médico percebeu que as crianças não estavam bem e que tinham que nascer naquele dia, serem enviadas o mais rápido possível para uma UTI neonatal.
Ao ligar para a médica responsável, deu-se início à um verdadeiro pesadelo. "Contratamos um plano com cobertura total. Quando minha mulher mais precisou, o plano disse que não poderia ajudar. Disseram que tinhamos que procurar algum outro serviço público ou privado. Como UTI neonatal particular é muito cara, minha mulher teve que fazer o parto em um hospital público", contou Moisés Alves, marido de Maria. Hoje, o casal que teve os gêmeos Maria Vitória e Moisés Vítor, está processando o plano.  (Beto Pessoa - O Norte)

28.06 - População com diabetes mais que dobra em 30 anos
Estudo com dados de 199 países e territórios mostra que mundo tem hoje cerca de 350 milhões de diabéticos
Envelhecimento e crescimento da população e aumento das taxas de obesidade levam à epidemia
O número de adultos com diabetes no mundo mais que dobrou nas últimas três décadas, chegando a quase 350 milhões de pessoas.
A conclusão é de um estudo global publicado na prestigiosa revista médica "Lancet". Foram levantados dados de 199 países e territórios, de 1980 a 2008.
O número é bem maior do que o que constava em uma previsão publicada em 2009 no periódico "Diabetes Research and Clinical Practice", que estimava o número de diabéticos em 285 milhões.
As diferenças podem ser explicadas pelo maior número de estudos usados pela pesquisa do "Lancet" e pela diferença de metodologias.
O estudo foi conduzido por pesquisadores do Imperial College London e de Harvard, e teve apoio da Organização Mundial da Saúde.
Dos 347 milhões de pessoas no mundo que têm diabetes, 40% estão na China e na Índia, e outros 10%, nos Estados Unidos e na Rússia.
OBESIDADE
Grande parte desse aumento (70%), segundo a pesquisa, se deve ao crescimento e ao envelhecimento da população (o que aumenta o risco de diabetes).
Há também uma parcela de "culpa" no aumento mundial do IMC (Índice de Massa Corpórea), principalmente entre as mulheres, de acordo com a pesquisa.
Mas, segundo Marcos Tambascia, professor de endocrinologia da Unicamp, devem haver outros aspectos que levam a essa epidemia, já que em outras doenças metabólicas, como hipertensão, não tem ocorrido esse aumento.
Ele diz que, no caso de pré-hipertensão, é indicado tratamento medicamentoso e, para o aumento de glicemia, mas ainda sem diagnóstico de diabetes, é proposto apenas mudança do estilo de vida, com pouco efeito clínico.
"Talvez seja necessário rever a conduta para o tratamento do aumento global da glicemia, já que esse fato aumenta consideravelmente o risco cardiovascular."  (MARIANA VERSOLATO - Folha de S.Paulo)

28.06 - Mortes por infarto
Uma característica no tratamento do mal é o fator tempo
Atualmente, as doenças cardiovasculares são a maior causa de morte em todo o mundo. Chega a 30% a 40% das causas de morte, muito mais que câncer, aids e morte violenta juntas. As principais doenças cardiovasculares são o infarto e o acidente vascular cerebral. O infarto decorre de doença das artérias, principalmente a aterosclerose, que leva a obstruções que reduzem o fluxo de sangue para o músculo cardíaco. Quando uma dessas artérias oclui totalmente, há intensa falta de sangue e oxigênio e as células do coração começam a morrer. Isso explica que o tratamento do infarto prioriza a desobstrução dessa artéria para restaurar o fluxo de sangue e impedir a morte do músculo cardíaco, a maioria das vezes feito com um medicamento chamado de trombolítico. Outra característica no tratamento do infarto é o fator tempo. Quanto mais rápido e efetivamente se restaurar o fluxo de sangue para o coração, menor será o tamanho do infarto e a mortalidade.
Considera-se que a mortalidade do infarto está em torno de 7% a 8%. Ao se analisar esse dado em hospitais públicos paulistanos, encontrou-se mortalidade muito maior, chegando a 35% em algumas unidades. Nos hospitais não especializados em cardiologia, esse índice é, frequentemente, maior que 15%. Os motivos podem ser três: a ida tardia do paciente ao hospital, o diagnóstico inadequado no hospital dentro do tempo necessário e o não tratamento com trombolítico na emergência, como é indicado. Para alterar esse quadro de mortalidade por infarto, as secretarias de Saúde do município e do estado de São Paulo realizaram uma parceria com a Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp). Em 2010, depois da análise das taxas de morte por infarto, foram eleitos cinco hospitais de periferia que tinham alta taxa de mortalidade (maior do que 15%) e grande volume de atendimento por infarto. A partir dessas informações, foi estabelecido um plano de avaliação e reciclagem dos médicos e enfermeiras. Uma equipe da Socesp realizou palestras e treinamentos para o diagnóstico correto dentro do tempo necessário e a aplicação adequada do trombolítico na emergência, se indicada.
Já no primeiro ano, dados de 2008-2009 comparados com os de 2010, as reduções das taxas de mortalidade por infarto nos hospitais que receberam as palestras e o treinamento foram, em média, de 28,8%, chegando a 44,6% em algumas unidades. Os resultados do projeto devem servir de base para o desenvolvimento de estratégias para reduzir as mortes por infarto em todos os hospitais públicos dos municípios do estado e levar o mesmo plano para os outras cidades. Caso se consiga que esse projeto atinja depois todo o país, poderíamos ter uma redução de pelo menos 30 mil mortes por ano no Brasil. (Luiz Antônio Machado César e João Fernando Monteiro Ferreira - Estado de Minas)
 
 
 
 
 

27.06 - 6 em cada 10 têm problemas com convênio
Os usuários de planos de saúde não estão satisfeitos com o atendimento de seus convênios. É isso que mostra pesquisa encomendada pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) ao Datafolha, que aponta que 60% dos consumidores têm problemas com sua operadora de saúde.
Entre as principais reclamações estão a burocracia e a demora na liberação de exames, consultas e procedimentos e a dificuldade no pronto-atendimento. Além de pouca oferta na rede credenciada de médicos e hospitais.
"São dados que refletem a dificuldade de acesso e a falta de confiança entre médico e paciente pelas redes", diz o primeiro vice-presidente do CFM, Carlos Vital.  (Paula Cabrera - Agora S.Paulo)

27.06 - CFM: 58% dos usuários têm reclamações contra planos
Seis em cada dez usuários da saúde suplementar tiveram, no último ano, alguma experiência negativa com o atendimento oferecido pelos planos de saúde.
Os dados integram pesquisa divulgada ontem pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). O levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisas Datafolha comprova a alta correlação entre a experiência negativa vivenciada pelos pacientes e seus familiares e a insatisfação com o atendimento prestado pelos planos.
De acordo com a pesquisa, as reclamações mais comuns estão relacionadas com a demora no atendimento ou fila de espera no pronto-socorro, no laboratório ou na clínica (26%). Percentual significativo dos entrevistados também relatou existir poucas opções de médicos, hospitais e laboratórios (21%) disponíveis para o atendimento de suas necessidades. Outros 14% relatam que tiveram que buscar a assistência no Sistema Único de Saúde (SUS) por conta da negação de cobertura ou restrição de atendimento do plano de saúde contratado.
Com relação ao atendimento médico, a principal queixa dos entrevistados é a dificuldade de marcar uma consulta (19%) e o descredenciamento do profissional médico procurado (18%). O excesso de burocracia foi outro ponto de reclamação dos usuários: 13% vivenciaram demora   para a autorização de exames ou a liberação de guias, inclusive de internação e 12% tiveram negativa de cobertura de procedimento ou exame.
Pagamentos extras
A cobrança de valores adicionais, além da mensalidade, também foi apontada por 19% dos entrevistados, que tiveram de efetuar pagamento extra para garantir a realização de consultas, exames ou outros procedimentos.  A pesquisa captou ainda relatos de usuários dos planos que tiveram que deixar um cheque caução para ser atendido, não encontraram vaga para internação, foram transferidos para outro hospital por determinação do plano e tiveram  alta médica imposta pelo plano antes da determinação do médico.
Os dados constam do estudo patrocinado pelo CFM e realizado pelo Datafolha que, no período de 4 e 5 de abril de 2011, ouviu 2.061 pessoas,  distribuídas em 145 municípios e com idades de 16 anos ou mais. Dentre os entrevistados, 26% disseram possuir plano ou seguro saúde, na condição de titulares ou dependentes, compondo amostra final de 545 indivíduos.
Desse total de 545 entrevistados, 52% possuíam plano coletivo (da empresa ou instituição em que trabalham). O restante afirmou contar com planos individuais ou familiares comprados diretamente no mercado.
Frequência de utilização
De acordo com a pesquisa, oito em cada 10 pessoas que têm plano de saúde buscaram algum  tipo de atendimento ou assistência médica no último ano.
Do total, 75% o fizeram para ter acesso a consultas médicas e cerca de dois terços (67%) para realizar exames diagnósticos (raio-X, exames de sangue, entre outros). Cerca de um terço (32%) utilizou o pronto atendimento ou pronto-socorro e 15% usaram os planos de saúde para internação hospitalar. Do total, 21% dos usuários relataram não ter acionado o seu plano de saúde nos últimos 12 meses.
Dentre os que usaram os planos, as consultas e exames diagnósticos foram utilizados, principalmente pelas mulheres, por aqueles com idade entre 35 a 44 anos e pelos que possuem maior renda. Os indivíduos pertencentes às classes A e B, com  renda familiar superior a 10 salários mínimos e com escolaridade mais elevada, foram os usuários mais frequentes.  De um modo geral, considerando consultas, exames e internações, os entrevistados utilizaram o plano, em média, sete vezes nos últimos 12 meses.
A análise deste dado por localização geográfica mostra que o nível de utilização dos planos é maior nos estados da Região Sudeste (oito vezes, em média, por pessoa/ano) e nas regiões metropolitanas (sete vezes, em média). O número cai nas outras regiões - Norte, Centro Oeste, Nordeste e Sul – onde é de cinco vezes, em média, e nos municípios do interior (seis vezes, em média).
Perfil do usuário
Os usuários de planos  de saúde têm um nível mais alto de escolaridade do que a população em geral. Dos 545 entrevistados, 31% têm nível superior enquanto na amostra inicial (2.061 entrevistas, incluindo quem não tem plano) este índice não ultrapassa 13%.
A proporção de indivíduos que integra as classes A e B também é mais expressiva entre quem tem plano de saúde (53% versus  27% entre aqueles entrevistados da  população em geral). A maioria dos entrevistados tem renda familiar mensal superior a três salários mínimos (58% versus 33%), e integram a parte da população economicamente ativa, principalmente como assalariado registrado (34% versus 22%), o que é explicado pela grande presença de planos coletivos no mercado.
Avaliação geral
Mesmo diante dos inúmeros problemas relatados por  58%dos usuários, cerca de três quartos (76%)  declaram satisfação com os serviços, sendo que 21% afirmam estar muito satisfeitos e 55% satisfeitos.
Entre quatro itens avaliados, os segurados têm opiniões menos favoráveis com relação ao custo das mensalidades (66%) e ao número de hospitais disponíveis (69%). A avaliação é melhor no que se refere à quantidade de laboratórios (83%) e de médicos (76%). Sobre o custo das mensalidades deve ser considerado que a maior parte dos entrevistados tem planos coletivos, pagos integral ou parcialmente pelos empregadores.
O resultado é semelhante ao de outros estudos que avaliaram o grau de satisfação com  serviços e atendimentos  em saúde. A PNAD/IBGE analisou em 2008 o perfil de quem usou serviços de saúde, tanto beneficiários de planos de saúde quanto  usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Com base em entrevistas de 392 mil brasileiros, o atendimento foi avaliado como “muito bom ou bom” para 86,4% das pessoas. De todos os atendimentos avaliados pelos entrevistados, 58,6% haviam sido realizados em instituições públicas.
Em pesquisa divulgada em 2011 pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, realizada com 204,4 mil pessoas em 630 instituições hospitalares do SUS, os pacientes deram nota 8,86 ao atendimento recebido (em escala de zero a 10).  O Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas  - IPEA  já havia concluído, em 2010, que os serviços do SUS são mais bem avaliados por aqueles que costumam utilizá-los, quando comparados com aqueles que não os utilizam.
Em outra pesquisa patrocinada pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) com 1626 usuários de planos de saúde no Brasil, a maioria dos entrevistados (80%) se mostrou satisfeita com os planos de saúde. Os dados foram divulgados em março de 2011.
Na opinião do CFM o índice de satisfação positiva de usuários  de serviços públicos  ou privados deve  levar em conta  outros fatores que podem não ser captados pelas metodologias usadas nos estudos, mas que são capazes de  influenciar o resultado: a satisfação com o simples fato de ter conseguido acessar o sistema de saúde, a satisfação com o estado de saúde individual, com o prognóstico, a cura ou o  tratamento bem sucedido,  ou mesmo o contentamento  com o atendimento ou atenção recebida pelo profissional médico.
Opinião dos médicos
Já a posição dos médicos com respeito aos planos de saúde é expressamente negativa. Estudo realizado pelo Datafolha, encomendado pela Associação Paulista de Medicina (APM) e pela Associação Médica Brasileira (AMB), com o apoio do CFM, mostrou que a maioria absoluta dos profissionais brasileiros denuncia interferências das empresas na autonomia dos profissionais. Os dados foram divulgados em dezembro de 2010.
De forma geral, o  médico  brasileiro  que trabalha com  planos ou seguros saúde atribui, em média, nota 5 para as operadoras, numa escala de zero a 10. Do total de entrevistados, 92% dos médicos afirmam que os planos de saúde interferem em sua autonomia profissional.
Entre os tipos de interferências praticadas pelas operadoras de planos ou seguros saúde, os médicos apontam principalmente as glosas de procedimentos ou medidas terapêuticas (78%) e a interferência no número de exames e procedimento (75%). Citadas por cerca de sete em cada de 10 se destacam ainda as restrições às doenças pré-existentes e a interferência em atos diagnósticos e terapêuticos mediante designação de auditores.
No Brasil, 45,5 milhões de pessoas  tem planos ou seguros de saúde.  Atuam nesse mercado 1.044 empresas que movimentaram aproximadamente R$ 71 bilhões em 2010, segundo dados da Agência nacional de Saúde Suplementar (ANS).  (CFM)

27.06 - Consulta Pública 43 da ANS
A consulta pública nº 43 da ANS, que aparenta ser apenas mais um desastroso projeto de burocratização do padrão TISS, na verdade será o ponto de discórdia final entre operadoras e prestadores, com prejuízos imensuráveis aos que sempre são esquecidos: o paciente.
Falando do que está escrito no projeto:
O grande número de formulários descrito (são 101 páginas descrevendo só eles !!!!!) vai melhorar em alguma coisa o tratamento dos pacientes ?
Existe algum interessado que consiga em 7 dias se inscrever para em 30 dias analisar centenas de páginas e milhares de itens ?
As novas padronizações de taxas e insumos vão reduzir custos hospitalares ?
A implantação da nova TISS vai reduzir custos para operadoras e hospitais ?
Se você respondeu sim a qualquer uma das perguntas acima, por favor não leia o que vem a seguir: não vamos conseguir discutir o assunto.
Isso só falando do que está escrito e não do que está em jogo, que são coisas completamente diferentes.
Esta RN vai tentar padronizar o ‘impadronizável’ … fomentar mais uma tentativa de tabelamento de preços.
Acho que não preciso dizer que pessoalmente não concordo com qualquer tipo de tabelamento de preços, mas não custa lembrar - tudo que está tabelado hoje em dia só serve para nivelar a qualidade por baixo:
Quem compra insumos de forma incorreta pode vender pelo mesmo preço de quem gerencia compras;
Tanto faz executar um procedimento com eficiência ou ter que refazer, que o preço é o mesmo;
Utiliza-se uma tabela mas os indexadores são diferentes para cada contrato, o que na prática é como se a tabela não existisse;
E assim por diante ….
Agora a proposta é padronizar códigos de diárias, taxas e insumos !!!!!
Por exemplo, se você tiver um quarto de um leito vamos enquadrar no código padronizado de apartamento.
Isso vai abrir o precedente para as operadoras fixarem um preço (segundo o novo padrão TISS-TUSS) para diárias de apartamentos hospitalares – se você duvida que é isso que vai acontecer a partir de 30/06/2012, por favor não leia o que vem a seguir:
É como se a gente abrisse os classificados de imóveis para comprar um apartamento e visse uma lista de ‘1 dormitório’ tudo com o mesmo preço, independente da localização, acabamento, etc.
É como se a gente abrisse os classificados de automóveis para comprar um carro 1.0 e visse uma lista com todos os preços iguais, não importando o ano de fabricação, marca, modelo, etc.
Esta consulta da ‘tal TISS-TUSS 2.0’ vai levar operadoras e prestadores ao confronto final.
Me preocupo como profissional de saúde e como usuário de plano de saúde.
Tenho um plano de saúde e está cada dia mais difícil de usar:
Dificuldade para obter autorização;
Dificuldade para não ter que pagar o que o hospital me comprova que não está coberto pela operadora;
Dificuldade para ser atendido por não ter o plano ‘top’.
Estas resoluções só têm aumentado o conflito entre operadoras, prestadores e pacientes.
Não seria melhor gastar nosso tempo em resoluções que tivessem como objetivo a melhoria da assistência ao paciente da saúde suplementar ao invés de definir controles que não tem nada a ver com isso ?  (Enio Salu - Saúde Business Web)
 
 
 
 
 

22.06 - Prazo para consultas não é garantia, dizem especialistas
Para eles, nova resolução da ANS pode não ter efeito devido a entraves
Para entidade que reúne 15 planos de saúde, prazos para consultas e outros procedimentos médicos são "razoáveis"
A norma da ANS (Agência Nacional de Saúde) que estabelece prazos para os planos de saúde marcarem consultas e procedimentos médicos pode não surtir efeito, afirmam especialistas do setor.
A resolução entra em vigor em 90 dias. Pela regra, publicada também ontem, consultas básicas com pediatras, ginecologistas, obstetras e clínicos terão de ser marcadas em no máximo sete dias; com outros especialistas, em até 14. Para exames, o prazo é de três dias.
Em caso de descumprimento, a resolução prevê "sanções administrativas".
A FenaSaúde, que reúne 15 grupos de operadoras privadas, disse que os prazos estipulados pela ANS são "razoáveis", mas não esclareceu como eles serão cumpridos.
"A ANS nunca mexe com os [procedimentos] dos convênios", afirma o médico Osvandré Lech, presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia.
Para as regras publicadas ontem funcionarem, afirma, três entraves precisam ser desfeitos: a remuneração das consultas, o aumento no corpo de médicos e a burocracia.
"Sem esses problemas, daria para atender mais pessoas no mesmo dia. Não é questão de corpo mole", diz.
Segundo Lech, se nos últimos anos o reajuste nas mensalidades dos planos tivesse sido repassado integralmente ao pagamento pelas consultas, os médicos ganhariam por volta de R$ 100.
"Hoje, os planos que melhor pagam [pelas consultas] chegam a R$ 70. Mas alguns pagam R$ 40", diz.
Advogados da área de saúde habituados à defesa dos clientes dos planos concordam em que o caminho para que a resolução seja cumprida é aumentar o número de médicos conveniados.
"Mas isso não garante qualidade. Nem que o paciente vai ser atendido pelo médico de sua confiança", afirma Julius Conforti.
De acordo com Gilberto Bergstein, em alguns casos as empresas poderão repassar seus novos custos. "A norma diz que a pessoa poderá ser atendida em outra cidade, por conta do plano."  (EDUARDO GERAQUE - Folha de S.Paulo)

22.06 - Médicos temem descredenciamento
Sindicato dos Médicos teme descredenciamentos em massa nos planos e mais pressão sobre profissionais
Clientes de planos de saúde passarão a contar com prazos máximos para marcação de consultas médicas, exames laboratoriais e internação. Eles vão variar de sete até 21 dias úteis, de acordo com a especialidade. Para consultas de pediatria, clínica médica, cirurgia geral, ginecologia e obstetrícia, o prazo será de sete dias úteis. As demais especialidades, que não são consideradas de alta complexidade, devem ser marcadas em até 14 dias úteis. Apesar de a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) afirmar que a nova norma começa a valer imediatamente, as operadoras terão 90 dias para se adaptar.
Principais queixas: tempo de espera e falta de cobertura
A multa em caso de não cumprimento dos prazos é de R$80 mil. E a ANS ainda pode determinar que um fiscal seja deslocado até a operadora para verificar se tem rede compatível. Até então, não havia prazos estipulados. Quando as marcações demoravam além do bom senso, a agência enquadrava como negativa de cobertura, o que resultava em notificação e multa.
— A expectativa não é multar ou punir, mas melhorar o acesso ao atendimento e a qualidade do atendimento — afirma Carla Soares, gerente-geral de Serviços e Produtos da ANS
Já para os clientes que necessitarem marcar consulta com nutricionista, psicólogo ou terapia ocupacional, por exemplo, o prazo que passa a valer é de dez dias úteis. No caso de o paciente querer ser atendido por um médico específico, com prazo de espera maior, e decidir aguardar, pode fazer isso. A diferença agora é que a operadora precisa dar alternativas de outros médicos que atendam mais rapidamente, se o paciente assim desejar. E os planos de saúde ficam obrigados a cobrir os custos de transporte, se não for oferecido a especialidade no município de residência do cliente.
— A norma traz a garantia de acesso a qualquer médico. Se o consumidor precisar de um médico imediatamente, que não seja específico, a operadora é obrigada a garantir — afirma Carla, reconhecendo que pode haver até aumento das reclamações.
Em nota a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) informa que as suas afiliadas avaliam que, em geral, os prazos estipulados “são razoáveis de serem cumpridos”. A Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge) diz, em nota, que participou das discussões a respeito dos prazos para marcação de consultas e que grande parte já é praticada pelo mercado.
O tempo de espera, assim como a falta de cobertura estão entre as principais reclamações na ANS. Outras queixas de consumidores são o aumento indevido e a insuficiência de rede.
Sindicato: número de médicos é insuficiente
Médicos podem acabar sendo punidos pelas operadoras com a norma da ANS, avalia o presidente do Sindicato dos Médicos do Rio, Jorge Darze. Ele prevê descredenciamentos em massa e mais pressão sobre médicos, como forma de a operadora não ser multada. Diante disso, afirmou que a federação vai buscar esclarecimentos com a agência.
— A operadora pode estabelecer política de arrocho caso os prazos não sejam cumpridos, mas a crise está na política das empresas contar com poucos profissionais e tabelas aviltantes de remuneração — disse Darze, para quem a solução viria pela ampliação do quadro de médicos credenciados.
Segundo Julius Conforti, sócio do escritório Araújo e Conforti Advogados, especializado em saúde, as novas regras farão os médicos credenciados a tornar o atendimento mais rápido. E isso, continua, traz impactos na qualidade do atendimento e pode, inclusive, aumentar o risco de erros médicos.
— Para se eximir de punições, as operadoras vão pressionar os médicos a criar horário na agenda e, assim, atender aos pacientes. Isso afeta a qualidade já que os médicos terão de encurtar o tempo das consultas.  (Clarice Spitz e Fabiana Ribeiro - O Globo)

22.06 - Procon diz que planos terão que aumentar quadro
Especialista acredita que preços podem subir com a medida
As entidades de defesa do consumidor acreditam que as operadoras de planos de saúde terão que ampliar seu quadro de médicos, para atender às determinações da ANS e reivindicam prazo menor para marcação das consultas. Já advogados especializados em relações de consumo temem aumento do preço da mensalidade. A assistente de direção do Procon-SP, Patrícia Dias frisa que as empresas de plano de saúde vão precisar se adaptar.
— Nos próximos 90 dias, as empresas vão precisar se adequar. E isso pode até significar ampliar o seu número de credenciados — disse Patrícia, para quem as novas regras, devidamente fiscalizadas pela ANS, podem até mesmo provocar uma maior concorrência entre os planos de saúde. — E isso é saudável para os consumidores.
Apesar de enxergar um avanço, Lisa Gunn, coordenadora do Idec, defende que os prazos máximos para marcação de exames e consultas não deveriam ser superiores a 14 dias corridos.
— É uma iniciativa importante já que as reclamações dos consumidores são crescentes. Afinal, a carteira dos planos de saúde aumenta, ao contrário do número de médicos credenciados. A espera de 21 dias úteis, isso é mais de um mês, ainda é inadequada.
Para advogados, as novas regras não são sinônimo de aumento da qualidade e podem se traduzir ainda em aumento de custos. Mas, para outros especialistas, os prazos poderiam até ser menores.
Na avaliação do advogado Eurivaldo Neves Bezerra, sócio do Neves Bezerra Advogados Associados, a medida da ANS pode levar a um aumento das mensalidades dos planos de saúde, diante do aumento de custos, com profissionais e espaço físico.
— Estas medidas são benéficas ao consumidor sob o ponto de vista imediato, mas, a curto prazo, as empresas aumentarão as mensalidades de alguma forma. Não existe mágica — disse o especialista.
Embora os reajustes de preços sejam controlados pela ANS, os custos das operadoras são levados em conta na hora de fixar o percentual de aumento. Além disso, no caso dos planos coletivos, como de empresas e associações, os aumentos são negociados entre as partes sem interferência da agência.
A advogada Ellen Gonçalves Pires, do Pires & Gonçalves Advogados Associados, também considera que a fixação de prazos para atendimento é complexa e que os prazos talvez sejam curtos demais. Segundo ela, as condições de atendimento não são as mesmas em todo o país e a demanda está crescendo, com muitos os consumidores entrando no mercado da saúde privada. (Clarice Spitz e Fabiana Ribeiro - O Globo)
 
 
 
 
 

21.06 - Investimentos em saúde
Apesar de atuarem em um país cuja Constituição institui um sistema de saúde pública universal, os planos de saúde brasileiros contam em um mercado que corresponde a um terço da população. São 43 milhões de consumidores fiéis e dependentes de seus serviços, que alocam parte de seus recursos pessoais na expectativa de ter um atendimento qualificado, com a segurança de não depender dos serviços do Sistema Único de Saúde, conhecidos por problemas como superlotação, demora na agenda de consultas e dificuldade de acesso a tratamentos.
A participação do setor privado na saúde brasileira fica ainda mais evidente quando são avaliados os investimentos no setor: enquanto o Estado custeia 40% dos gastos com saúde, os outros 60% ficam a cargo das famílias e das empresas, que pagam por medicamentos, tratamentos particulares e planos de assistência médica, além da alta carga tributária já incidente sobre produtos e cadeias produtivas, que deveria ser alocada para serviços públicos de qualidade.
Apesar desses investimentos, a realidade nos planos privados está distante do ideal de acesso amplo às alternativas terapêuticas disponíveis. E esse é um dos principais motivos para a alta insatisfação de médicos e pacientes com as operadoras. Atualmente, os planos de saúde têm suas atividades regulamentadas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que determina a lista de consultas, atendimentos, exames e tratamentos com cobertura obrigatória para as operadoras do setor.
Como o ritmo de atualização dessa lista de obrigações mínimas não acompanha o desenvolvimento da medicina, algumas alternativas terapêuticas de eficácia comprovada, que poderiam melhorar a qualidade de vida de pacientes com doenças graves, simplesmente não são oferecidas pelos planos de saúde.
No caso da artrite reumatoide, doença grave e incapacitante que atinge cerca de 1% da população, esse cenário se apresenta de maneira bastante clara. Cerca de 20% das pessoas com a doença não respondem ao tratamento convencional. Para esses casos, são indicados os medicamentos biológicos, que podem impedir o avanço da doença e dar aos pacientes uma possibilidade real de melhora com ganhos importantes em qualidade de vida. Apesar da eficácia comprovada, esses medicamentos são oferecidos por apenas 40% dos planos de saúde, pois não têm cobertura obrigatória pelo rol de procedimentos da ANS.
Para os milhares de pacientes que convivem com as complicações da artrite reumatoide e com outras doenças de difícil prognóstico, novidades como a inclusão da cobertura dos medicamentos biológicos no rol de procedimentos obrigatórios da ANS representam a esperança de um tratamento e de uma saída para a dura realidade de dores e incapacitação física geradas pela doença. Dessa forma, serão honrados os investimentos que a população brasileira faz para garantir sua própria saúde. (João Adalberto Marasca - Zero Hora)

21.06 - Cresce uso de cartões em consultas
Uso do plástico está cada vez mais presente nos pagamentos a profissionais liberais, como da área de saúde
Pagar uma consulta médica com cartão de crédito. Essa é uma das novas fronteiras conquistadas pelo chamado dinheiro de plástico, cada vez mais presente nos pagamentos a profissionais liberais, como médicos e dentistas, e prestadores de serviços, como operadores TV a cabo e internet. Isso é o que apontam dados da Associação Brasileira de Cartões de Crédito e Serviço (Abecs) divulgados na quarta-feira.
Quando comparado o primeiro trimestre deste ano com o mesmo período de 2010, a fatia do setor de serviços no mercado passou de 4% para 8%, um crescimento de 51%, o maior entre todos os ramos de atividade.
Isso significa um faturamento de R$ 6,2 bilhões. No período, o número de transações com cartão aceitas pelo segmento subiu cerca de 42%.
"O consumidor opta pela modalidade seja porque não têm dinheiro no momento ou porque não pode pagar valores mais altos à vista. Já os profissionais preferem usá-lo como forma de fidelizar e atrair clientes", diz Fernando Barbosa, superintendente da Abecs. Ele cita a redução de custos oferecidos pela administradoras de cartão, que incentivou profissionais a adotarem essa forma de pagamento. A redução de preço está relacionada à abertura do mercado em julho de 2010, que pôs fim à exclusividade no uso das máquinas pelas bandeiras de cartões e acirrou a concorrência entre operadoras no País.
Sem risco de calote
Para o empresário, a modalidade acaba com o risco de calote e pode se traduzir em mais vendas, apesar de representar custos e exigir um fluxo de caixa sob controle, já que os pagamentos são recebidos em 30 dias e podem ser parcelados. Para o consumidor, a dica é se planejar para pagar a fatura em dia e parcelar o mínimo possível.
A dermatologista Eliandre Palermo passou a aceitar cartão de crédito em seu consultório após pedido dos pacientes. "Precisei abrir uma empresa. Com o aumento do faturamento no cartão, já consegui renegociar taxas com o banco". Ela paga R$ 100 pelo aluguel mensal da máquina , 3% sobre cada operação e pode parcelar em três vezes.
ATÉ ESTA TERÇA
ANS recebe sugestões sobre bônus e descontos
Ainda dá tempo de participar e contribuir com a consulta pública que debate bônus e descontos de até 30% nas mensalidades do planos de saúde aos beneficiários que participarem de programas de prevenção de doenças e de incentivo ao envelhecimento saudável.
A Agência Nacional da Saúde (ANS) decidiu prorrogar o recebimento de sugestões. O tema é recordista de adendos e propostas entre todas as consultas já realizadas pela agência. Já são mais de 13 mil sugestões.
A consulta pública, aberta desde 16 de maio, estava prevista para terminar dia 14, mas foi estendida até amanhã por conta da grande demanda de participação da sociedade.
As contribuições podem ser feitas por meio do site www.ans.gov br. "Essa semana adicional só vem a acrescentar, dando mais tempo para as pessoas participarem", diz Martha Oliveira, gerente geral de regulação assistencial da ANS.
Durante as primeiras sete horas, a consulta recebeu cerca de três mil contribuições, quase 1.000% superior à média das consultas públicas anteriores durante o mesmo período. A participação foi tão grande que, em alguns momentos, o acesso ao site da ANS foi prejudicado.
A proposta de resolução normativa prevê dois tipos de programas diferentes principais: os de envelhecimento ativo e os de prevenção de doenças. "A diferença básica é como vai se dar o benefício. O de envelhecimento ativo tem foco na continuidade permanente e dará descontos de até 30% na mensalidade. Podem ser oferecidos para uma faixa etária específica, mas todos terão o direito de participar. Não podem ser focados num público específico demais, como obesos e diabéticos", explica Martha Oliveira.
Além disso, o desconto na mensalidade do plano tem de ser linear para aquele produto oferecido - sem diferenças entre faixas etárias - e a operadora não pode, por exemplo, atrelar o benefício a resultados de saúde, como redução do colesterol, ou à utilização da rede de assistência médica.  (Diário do Nordeste)

21.06 - EUA querem reduzir o uso de tomografia
Pacientes estariam expostos à radiação desnecessariamente em diagnóstico excessivo
O uso excessivo de tomografia computadorizada, exame de diagnóstico com base na exposição do corpo a uma sucessão de raios-X, tem sido assunto recorrente nos congressos de medicina.
Apesar de reivindicações para reduzir a quantidade desses exames, o que diminuiria a exposição dos pacientes à radiação, tudo indica que esse tipo de diagnóstico continua a todo vapor.
Dados sobre a evolução desses exames nos EUA serão divulgados no próximo mês pelos programas de saúde daquele país (Medicare, para idosos, e Medicaid, para pessoas de baixa renda).
Mas de acordo com o que foi adiantado por Michael Pentecost, consultor de radiologia do Medicare, a quantidade desses exames não caiu de 2008 para 2009. Em 2008, aponta a Medicare, 75 mil pacientes dos EUA fizeram exames duplos de tomografia computadorizada ""um usando iodo para verificar o fluxo do sangue e outro sem esse composto.
Os médicos solicitariam esses exames duplos para confirmar o diagnóstico. A prática tem sido criticada.
"Se você faz dois exames, você paga por dois exames", afirma Pentecost.
O principal argumento declarado do Medicare contra os exames duplos é a exposição excessiva dos pacientes à radiação nos diagnósticos. O governo dos EUA pretende criar medidas para mudar o comportamento dos médicos em relação à solicitação desses exames. "Mas isso é bem difícil", diz Pentecost.  (Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

20.06 - Reajuste de plano por faixa etária
Os reajustes implementados pelos planos de saúde em razão da mudança de faixa etária não constituem ilegalidade e devem ser apreciados com respeito às singularidades de cada caso, de modo a não ferir os direitos do idoso nem desequilibrar as contas das seguradoras. A decisão é da 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que julgou improcedente uma ação coletiva ajuizada pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) em favor de seus associados. O recurso foi proposto pelo Bradesco Saúde após decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) que julgou procedente a demanda. A maioria dos ministros da turma do STJ considerou que não se pode extrair das normas que disciplinam o regulamento da matéria que todo e qualquer reajuste que se baseie em mudança de faixa etária seja considerado ilegal. Somente aquele reajuste desarrazoado e discriminante, que, em concreto, traduza verdadeiro fator de discriminação do idoso, de forma a dificultar ou impedir sua permanência no plano, pode ser assim considerado. Segundo o ministro Raul Araújo, cujo entendimento prevaleceu no julgamento, é preciso encontrar um ponto de equilíbrio entre as normas relativas a seguro, de forma a chegar a uma solução justa para os interesses em conflito.  (Valor Online)

20.06 - SUS: Acesso universal, igualitário e gratuito
É incontroverso que a saúde pública precisa de recursos, mas não podemos aceitar isso como justificativa para a privatização da coisa pública
O exercício democrático não é fácil. Principalmente quando tratamos de questões polêmicas, que envolvem interesses diversos. Bons ou ruins, os debates são sempre necessários, porque informam, esclarecem e estimulam à reflexão, imprescindível para a cidadania plena e para a prática democrática.
Por isso voltamos à cena. As afirmações feitas pelo dr. Adib Jatene em artigo publicado nesta semana ("Desinformação e deformação", "Tendências/Debates", 13/6) merecem esclarecimentos e precisam ser rebatidas. Não é o momento de reduzir a luta em defesa do SUS a questões paroquiais de um conjunto hospitalar.
Nunca é demais lembrarmos que o SUS é a consolidação do pacto social brasileiro, pelo qual concordamos em garantir, mediante o recolhimento de tributos e por meio do Estado, o acesso universal e igualitário de todos os brasileiros aos serviços públicos de saúde.
Trata-se, portanto, do nosso maior projeto público de inclusão social, em construção.
Inteligentíssimo. Afinal, não interessa a nenhum país, muito menos àqueles que pretendem o desenvolvimento, uma sociedade doente, que não produz ou não viva com o mínimo de dignidade.
Dessa forma, muito embora os serviços de saúde não sejam "de graça", pois são financiados sempre por nós, cidadãos, são, sim, gratuitos porque, ao serem prestados, não podem ser cobrados. Essa é a conclusão lógica extraída dos princípios constitucionais do SUS, amparada também na lei federal nº 8.080/90 e na Constituição do Estado de São Paulo.
Claro que o direito assegurado a todo e qualquer cidadão brasileiro de ter acesso gratuito aos serviços de saúde não é extensivo às empresas seguradoras dos planos de saúde. Por isso, a legislação prevê a possibilidade de cobrança, pelo poder público, dos serviços prestados aos consumidores na rede pública de saúde a título de ressarcimento.
Contudo, não significa que as seguradoras possam usufruir, de forma exclusiva, de parte da infraestrutura dos serviços públicos e dos leitos públicos, garantindo atendimento privilegiado e diferenciado aos seus segurados na rede pública. Isso é ilegal e inconstitucional.
É incontroverso que a saúde pública precisa de mais recursos, mas não podemos aceitar esse fato como justificativa para permitir a privatização da coisa pública. Lutemos pela regulamentação da emenda constitucional 29, que assegura os recursos mínimos para o financiamento dos serviços de saúde, e cobremos do poder público mais eficiência na gestão, transparência e controle do dinheiro público.
Essas sim, são medidas que trarão mais recursos para a saúde pública, além de segurança e transparência no trato do dinheiro público.
Não podemos perder de vista que a concepção de gestão pública do SUS é essencialmente democrática, devendo ser submetida ao controle da sociedade. Que sejam ouvidos os Conselhos de Saúde!
Nada temos contra a iniciativa privada, mas jamais defenderemos que se privatize a coisa pública, dando-lhe destino diferente de sua finalidade constitucional. Qualquer insinuação em sentido contrário é retórica distorcida e mal fundamentada. Devemos zelar pela prevalência do interesse público na condução política do Estado.  (ANNA TROTTA YARYD e GILSON CARVALHO - Folha de S.Paulo)

20.06 - Riscos da cirurgia de perda de peso
Tipo de cirurgia para perda de peso aumenta em 6 vezes o risco de morte
Após analisar dados de mais de 105 mil pessoas submetidas a cirurgia para perda de peso, pesquisadores americanos montaram uma lista com os seis fatores que mais aumentam o risco de o paciente morrer antes de receber alta. O estudo foi apresentado nesta semana no congresso da Sociedade Americana de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, em Orlando.
O fator que apresentou maior peso foi o tipo de cirurgia realizada. Pacientes submetidos à técnica do by-pass gástrico apresentaram 5,8 vezes mais risco de morrer. O aumento foi de 4,8 vezes quando compararam a cirurgia aberta (na qual é feito um grande corte na barriga) com a laparoscopia - menos invasiva.
Entre os pacientes do sexo masculino e os que não tinham plano de saúde particular, o risco foi cerca de três vezes maior. Aqueles com 60 anos ou mais apresentaram o dobro de risco dos mais jovens. E o risco dos diabéticos foi 1,5 vez maior.
"A cirurgia bariátrica é muito segura, mas podemos fazer mais para melhorar as chances de sobrevivência dos pacientes de alto risco", afirmou o autor principal, Ninh Nguyen, da Universidade da Califórnia em Irvine. Segundo ele, os médicos podem usar esses fatores de risco para ajudar no planejamento pré-operatório e auxiliar os pacientes a entender seu risco individual.
O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, Ricardo Cohen, explica que esses fatores de risco já eram conhecidos pelos cirurgiões. Os pesquisadores apenas fizeram uma análise estatística para saber a influência deles.
Cohen ressalta que, embora a banda gástrica ajustável ofereça menos risco - por não haver cortes no estômago -, sua eficácia também é menor e, por isso, ela é menos realizada. A cirurgia aberta - única opção disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) -, é bem mais comum no País que a laparoscopia. "Estimamos que 35% das operações sejam laparoscópicas", afirma Cohen.
Mas o número, diz o médico, deve crescer se os planos de saúde passarem a ter de custear a laparoscopia. O tema está em discussão na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Gênero. No caso dos homens, dois fatores explicam a maior mortalidade, diz o cirurgião Marcos Leão Vilas Boas. "Os homens tendem a acumular mais gordura visceral, que é mais perigosa, e apresentam mais comorbidades, como diabete e hipertensão." Entre os pacientes que não possuem plano, o risco possivelmente é maior porque tendem a ficar mais tempo na fila da cirurgia e, enquanto isso, sua condição de saúde se agrava.
De acordo com Vilas Boas, é preciso deixar claro que, mesmo com os fatores de risco, o índice de mortalidade da cirurgia bariátrica é baixo.
Outro estudo recente mostrou que apenas 1 em cada 1 mil pacientes submetidos à colocação de banda gástrica ajustável por laparoscopia morre. O número sobe para 2 em cada 1 mil no caso dos que fizeram by-pass gástrico por laparoscopia. "Entre aqueles que fizeram o by-pass por meio de cirurgia aberta, morreram 2 em cada 100, ou seja, dez vezes mais", relata.
Estudos anteriores também mostraram que o risco de conviver com as doenças causadas pela obesidade superam os riscos associados à cirurgia bariátrica. Após a operação, pacientes podem aumentar sua expectativa de vida em até 89%.  (Shari Roan, Los Angeles Times e Karina Toledo - O Estado de S.Paulo)
 
 
 
 

17.06 - Hipertensão, uma doença além das cifras
A cada ano, cerca de 7,6 milhões de mortes, 14% do total mundial, são atribuídas à hipertensão não controlada. Cerca de 80% dessas mortes ocorrem em países de baixo e médio desenvolvimento econômico e mais da metade em indivíduos entre 45 e 69 anos. No Brasil, a hipertensão afeta mais de 30% dos adultos. Cerca de 315 mil óbitos ocorrem anualmente por doenças cardiovasculares, dos quais mais da metade estão relacionados à hipertensão, com destaque para os derrames e infartos. Além disso, a hipertensão é, em nosso meio, a principal causa de doença renal crônica, que ocasiona mais de 10 mil óbitos anuais no país e a inclusão de 95 mil pessoas em programas de diálise ou filas de transplante.
A hipertensão é, na maioria de seus portadores, assintomática. Por não apresentar sinais ou sintomas da doença, poucos são os que fazem tratamento regular. Os percentuais de adesão ao tratamento situam-se em torno de 10 a 20% da população brasileira afetada. Levantamentos recentes revelam que, mesmo em consultórios médicos privados, o controle não atinge sequer a metade dos hipertensos ali atendidos e que menos da metade segue o tratamento por mais de um ano. Se não tratada adequadamente, a hipertensão pode reduzir em cerca de 16,5 anos a expectativa de vida. Nos casos não fatais, ressalta-se a perda da qualidade de vida dos sobreviventes de derrames e infartos, quase sempre sequelados.
Se poucos aderem ao tratamento com remédios, resta uma opção atraente que é adequação do estilo de vida, capaz de controlar um grande percentual de hipertensos sem medicamentos. Mesmo uma modesta perda do peso corporal está associada a reduções na pressão.  Além disso, manter o peso normal (índice de massa corporal inferior a 25 Kg/m²) previne em 40% o desenvolvimento de hipertensão. Dietas ricas em frutas, hortaliças, fibras, minerais e laticínios, com baixos teores de gordura, nos estilos DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension) e mediterrânea podem operar milagres no controle pressórico. Embora seja de conhecimento geral que o sal eleve a pressão, o seu consumo é cada vez maior em função do crescente consumo de alimentos e temperos industrializados. A Organização Mundial de Saúde recomenda um consumo diário de não mais que 5 g de sal, que corresponde a 2 g de sódio. O consumo médio do brasileiro é de mais que o dobro do recomendado. Muitos nutrientes têm revelado propriedades anti-hipertensivas, tais como: alicina (presente no alho, alho poró, cebola e cebolinha), betaglucano (presente na aveia), a substituição de parte da proteína alimentar por um composto de soja ou a troca de gorduras saturadas e alimentos ricos em gordura animal por peixes, oleaginosas (castanhas), azeite de oliva e óleos vegetais. O consumo diário de dois ou mais copos de leite ou porções de laticínios magros correlacionou-se a menor incidência de hipertensão, provavelmente devido ao aporte de cálcio. A vitamina D obtida pelo consumo de peixes e pela exposição ao sol também é uma importante aliada. Os polifenois contidos no chocolate amargo, maça, uva, cebola, café e nos chás preto e verde têm potencias propriedades vasoativas, aumentado a liberação de óxido nítrico, um potente vasodilatador produzido nas artérias.
Pequenas doses de bebidas alcoólicas, 15 a 30 gramas de etanol, podem fazer parte do cardápio do hipertenso. Essa quantidade corresponde a 2 latas de cerveja, 2 doses de destilados ou 2 taças pequenas de vinho, para homens, utilizados de forma não  diária, sendo recomendada a metade dessas quantidades para mulheres.
A atividade física regular, de pelos menos 30 minutos diários, promove vasodilatação sustentada e eficaz redução da pressão. Técnicas de relaxamento, incluindo yoga, biofeedback e principalmente a respiração lenta têm comprovado significativos efeitos anti-hipertensivos. Finalmente, a correção da apnéia do sono, por meio de equipamentos de auxílio respiratório noturno, reduz a pressão de pessoas com esse distúrbio comum.  (Marcus Vinícius Bolívar Malachias - CFM)

17.06 - Mortes por doença renal crescem no país
Casos fatais entre pacientes crônicos aumentaram 38% nos últimos dez anos, segundo sociedade de nefrologia
Hipertensão não tratada é uma das causas do problema; 92 mil pessoas fazem hemodiálise no Brasil
O frentista José Carlos Barbosa, 39, só descobriu que tinha doença renal crônica quando foi levado, com os rins paralisados, para a emergência do Hospital Santa Marcelina, em São Paulo.
Antes, segundo a família, ele se queixava de dor de cabeça, sempre pelas manhãs.
No posto de saúde, davam-lhe analgésicos. O sintoma era da hipertensão que, não diagnosticada e não tratada, evoluiu para doença renal.Um ano após iniciar a hemodiálise, Barbosa morreu.
Em dez anos, o país registrou um aumento de 38% na taxa de morte de doentes renais crônicos.
Essas pessoas dependem de uma máquina que substitui a função dos rins (hemodiálise) para sobreviver.
Em 2000, dos 46,547mil doentes que faziam diálise, 7.000 morreram (13%). Em 2010, o número de doentes tratados foi para 92 mil, com 16,5 mil mortes (18%).
Os dados são de um censo feito pela SBN (Sociedade Brasileira de Nefrologia) e levado ao Ministério da Saúde. Foram avaliadas 340 clínicas de diálise, 53% do total.
CAUSAS
Para a SBN, existem ao menos seis situações impulsionando o aumento de mortes.
Muitos dos pacientes começam a fazer diálise tarde, quando já estão muito debilitados, o que aumenta as chances de morte.
O número de nefrologistas no SUS também é insuficiente. Em São Paulo, leva-se, em média, seis meses para conseguir uma consulta.
Quando sofrem complicações, os pacientes em diálise têm dificuldade de conseguir uma internação.
As máquinas de hemodiálise do país estão velhas. Metade delas tem mais de seis anos e está no fim da vida útil, piorando o tratamento.
Outro problema são os remédios de alto custo. O governo fornece essas drogas aos doentes em diálise (eritropoietina, sevelamer, hidróxido de ferro, entre outros).
Mas o repasse é lento e, muitas vezes, os remédios só chegam após dois meses da prescrição do médico.
Um fator que agrava a condição é o envelhecimento. Cerca de 35% dos doentes renais têm mais de 65 anos e outras doenças, como diabetes e insuficiência cardíaca, que aceleram a mortalidade.
PREVENÇÃO
Para o nefrologista Daniel Rinaldi, presidente da SBN, faltam políticas para prevenir a doença renal crônica.
A maioria dos pacientes tem hipertensão ou diabetes, doenças que, sem tratamento, evoluíram para insuficiência renal. Há 10 milhões de pacientes renais no Brasil.
O tratamento é um dos que mais pesam no orçamento do Ministério da Saúde. São gastos R$ 2 bilhões anuais ""4% do orçamento.
Rodrigo Bueno de Oliveira, nefrologista do HC de São Paulo, conta que é comum a chegada de pacientes renais nas emergências que nunca foram acompanhados na rede básica de saúde.
"Eles já estão com os rins paralisados, com anemia e insuficiência cardíaca."
Em geral, os pacientes sem acompanhamento prévio não têm a via de acesso por onde a hemodiálise será feita.
O procedimento é necessário para deixar a veia do braço com mais calibre e, assim, fornecer um fluxo de sangue adequado para ser filtrado.
Sem isso, é preciso usar cateter, o que aumenta o risco de infecções e trombose.
"Com cateter, a taxa de mortalidade é quatro vezes maior", explica o médico.
O impacto emocional também é grande. "De uma hora para outra, a pessoa descobre que terá de mudar a vida radicalmente, fazer sessões de diálise três vezes por semana. É um choque."
Governo nega aumento da mortalidade
O Ministério da Saúde diz desconhecer o aumento da mortalidade de doentes renais apontado pela Sociedade Brasileira de Nefrologia.
Segundo dados oficiais, o índice ficou estável na última década""cinco por mortes por 100 mil habitantes ou 7.000 mortes por ano.
"O que vale é o atestado de óbito", diz o secretário de Atenção à Saúde do ministério, Helvécio Magalhães.
A SBN afirma que os números foram obtidos nas clínicas de diálise e que, muitas vezes, o atestado de óbito cita como causa da morte as complicações da doença.
Sobre a falta de nefrologistas, Magalhães diz que há uma negociação com o Ministério da Educação para aumentar vagas de residência nessa especialidade.
O BNDES abriu uma linha de crédito para a renovação do parque tecnológico, que vai atender os serviços de hemodiálise do SUS.
Magalhães diz que o ministério tem ampliado a lista de remédios para hipertensão e diabetes e dado atenção à prevenção do problema.  (CLÁUDIA COLLUCCI - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

16.06 - O que fazer quando o plano de saúde quebra?
Em janeiro deste ano, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) decretou que a operadora de plano de saúde Samcil estava apresentando graves problemas econômicos – as dívidas ultrapassam R$ 70 milhões.
A agência determinou, então, que a empresa vendesse sua carteira de clientes e ela o fez, repassando-a para a Green Line.
Até aí, tudo bem, não fossem dois detalhes: clientes e funcionários insatisfeitos.
O CAMINHO PARA O CONSUMIDOR PREJUDICADO POR PLANOS DE SAÚDE
O primeiro passo é mandar uma reclamação por escrito (pode ser por e-mail) para a empresa. O cliente deve mostrar como a operadora está violando o acordo
Em seguida, a queixa deve ser encaminhada para os órgãos de defesa do consumidor, como o Procon-SP (para quem está em SP). Fale também com a ANS
O consumidor que se sentir lesado também pode levar o caso para a Justiça. Quem precisa fazer uma cirurgia pode conseguir com uma liminar
A portabilidade dos planos de saúde permite que o usuário possa trocar de operadora sem ter de cumprir as carências (ele não fica nenhum tempo sem atendimento)
“A venda nos causou apreensão, porque a Green Line dobrou a quantidade de clientes, mas tem a mesma estrutura”, afirma Juliana Ferreira, advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).
O que o consumidor deve fazer se ele se sentir lesado? Nada? Muda de plano usando o direito da portabilidade?
O primeiro passo é mandar a reclamação por escrito (pode ser via e-mail) para a empresa.
Ali o cliente deve mostrar como a operadora está violando o acordo firmado entre ambos.
Em seguida, a queixa deve ser encaminhada para os órgãos de defesa do consumidor. Se você está em São Paulo, por exemplo, pode encaminhar sua queixa para o Procon/SP. Ao mesmo tempo, fale também com a ANS.
“Os consumidores devem saber que não há mudança no contrato. O problema é que, neste caso, a Green Line não cobre a rede credenciada da Samcil”, afirma Ferreira.
Portabilidade permite mudar de plano sem perder carências
E vale a pena mudar de operadora usando a portabilidade (que elimina a carência do plano)?
“Mais ou menos. Não existe no mercado nada que se equipare ao que a Samcil oferecia. Então, ou o cliente vai pegar um plano pior ou vai ter de pagar a mais para ter serviço semelhante”, afirma Rosana Chiavassa, especialista em planos de saúde. “A pior situação é a dos idosos, que normalmente usam mais o plano e, portanto, podem encontrar mais dificuldades.”
O consumidor que se sentir lesado também pode levar o caso para a Justiça. “Quem precisa fazer uma cirurgia e não está conseguindo deve entrar com uma liminar na Justiça”, afirma Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste).
Para Rosana Chiavassa, o problema é que a ANS demorou para tomar uma atitude e obrigar a Samcil a vender a carteira. “A agência deveria ter obrigado a empresa a repassar seus clientes antes de quebrar.”
O que todos os especialistas concordam é que o consumidor não pode deixar de ser atendido. “E infelizmente muitas vezes ele só consegue isso pressionando a empresa”, diz Dolci, da Proteste.
Funcionários
Se por um lado a situação dos clientes pode ser complicada, por outro a dos funcionários também é tensa.
Decretada a falência de uma empresa, os trabalhadores têm garantidos até 150 salários mínimos (ou R$ 81.750). “O que faltar entra como crédito e só é pago depois que a empresa pagar todos os impostos devidos e as dívidas com os bancos”, afirma o advogado Eli Alves, presidente da Comissão de Direito Trabalhista da OAB/SP.
O melhor, diz Alves, é o trabalhador procurar um advogado para reivindicar seus direitos. Quanto tempo deve demorar até o desfecho? “É difícil dizer, mas deve levar algo entre três e cinco anos”, afirma o advogado.
Como funciona a portabilidade dos planos de saúde
A portabilidade dos planos de saúde nada mais é do que a possibilidade de o usuário poder trocar de operadora sem ter de cumprir as carências.
Este direito é assegurado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) desde 2009. Vale para planos individuais com ou sem odontologia e planos exclusivamente odontológicos.
No site da ANS há um guia eletrônico, onde o usuário pode comparar 5.000 planos das 900 operadoras do mercado.
Para ter direito à portabilidade, o cliente deve estar em dia com o pagamento das mensalidades do plano, ser cliente da operadora há pelo menos dois anos e pedir a portabilidade entre o mês de aniversário do contrato e o seguinte. Veja mais no item "Quem tem direito".
No passo a passo da portabilidade, o usuário fica sabendo de todas as condições para poder pedir a transferência pelas regras do sistema.  (Uol Notícias)

16.06 - Consultas públicas: Peças-chave para criação de produtos
A população brasileira está envelhecendo e o número de nascimentos está diminuindo de modo progressivo. Tal realidade pode ser comprovada por meio da comparação dos dados da pirâmide etária do Censo realizado nos anos 2000 e 2010. As crianças na faixa etária abaixo dos 4 anos, que em 2000 correspondia a 9,6% da população brasileira, caiu para 7,3% em 2010. Já a população com idade entre 60 e 64 anos, que em 2000 representava 2,7%, passou para 3,4% no ano passado.
Ao analisar tal cenário, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), as operadoras de plano de saúde e os agentes do setor estão criando produtos para envelhecimento ativo, como foco na prática da prevenção que auxilia na diminuição dos custos dos planos de saúde.
Para analisar a viabilidade da implementação desses produtos a ANS abriu neste primeiro semestre duas consultas públicas para receber sugestões sobre tema, tanto dos usuários, quanto das operadoras. Nos artigos publicados neste canal sobre “Quem deve pagar o preço justo” (postado no dia 05 de setembro) e “Planos personalizados são alvos de discussão” (05 de fevereiro), em ambos destaco as vantagens de criar produtos específicos principalmente para os aposentados.
A Consulta Pública sobre Envelhecimento Ativo, aberta no mês passado, foi um passo importante dado pela ANS para incentivar a criação e manutenção de programas de promoção do envelhecimento ativo ao longo da vida. O objetivo da consulta, além de analisar a viabilidade da concessão de descontos e prêmios para os consumidores que aderirem a proposta, é avaliar os impactos financeiros para implementação dos projetos, que podem reduzir a mensalidade prêmio em até 30% segundo agência reguladora do setor.
A iniciativa, além de ser bem exposta pela ANS, foi bem aceita pelos beneficiários. Nas primeiras horas da sua abertura a agência já havia computado mais de 3 mil contribuições, a participação da população foi superior a 1000% da média das consultas realizadas pela ANS.
Outra Consulta Pública que teve boa repercussão entre os beneficiários foi sobre a manutenção de planos empresariais para demitidos e aposentados, tanto que deve ser prorrogada até o começo deste mês, devido a relevância do assunto para os usuários.
A ANS está correta em incentivar as operadoras a criarem programas específicos, no momento que a saúde suplementar está em crise. A sociedade deve começar a participar do gerenciamento de sua própria saúde, com a adesão das operadoras em programas de promoção, o que facilita a população a mudar seus hábitos de vida, assim aproveitem o máximo de tempo com uma melhor qualidade de vida. O governo também colabora quando faz um programa de ciclovias e ciclofaixas, alertando para o problema do sedentarismo.
No futuro teremos uma sociedade que respeita a natureza, o ambiente e o corpo humano, nos lares existirão aparelhos que monitoraram todos os fatores de risco, diminuindo as complicações e a procura por assistência médica. O início de tudo isso podem ser essas iniciativas da ANS, das operadoras de saúde, do governo executivo, das empresas em geral e na mudança do modelo mental das pessoas quanto a promoção à saúde. (Henrique Oti Shinomata - Saúde Business Web)

16.06 - Ministério amplia faixa etária de doadores de sangue
Jovens entre 16 e 17 anos e idosos com até 67 anos poderão doar
O Ministério da Saúde ampliou a faixa etária de doadores de sangue, permitindo que jovens entre 16 e 17 anos - mediante autorização dos pais ou responsáveis - e idosos com até 67 anos possam doar sangue. Pela norma anterior, a doação era autorizada para pessoas com idade entre 18 e 65 anos de idade.
Foi publicada na edição de terça-feira (14) do "Diário Oficial da União" uma portaria com o Regulamento Técnico de Procedimentos Hemoterápicos. Além de ampliar a faixa etária de doadores, a portaria estabelece que o limite para a primeira doação é de 60 anos.
A portaria traz ainda um conjunto de diretrizes voltadas ao aumento da segurança para quem doa e recebe sangue.
Com as mudanças, a expectativa do governo federal é ampliar o volume de sangue coletado no Brasil que, atualmente, chega a 3,5 milhões de bolsas por ano. Esta quantidade é considerada suficiente pelo Ministério da Saúde, que pretende atingir o padrão recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de 3% da população. Segundo o ministério, 1,9% dos brasileiros são doadores. Em 2012, a meta do ministério é atingir a doação de 4 milhões de bolsas.
Com as medidas, a previsão do Ministério da Saúde é que aproximadamente 14 milhões de brasileiros sejam incentivados a serem doadores em potencial. De acordo com o ministério, a decisão de ampliar a faixa etária está relacionada também com a tendência de crescimento da expectativa de vida da população brasileira.
A portaria determina ainda que a orientação sexual não deve ser usada como critério para a seleção de doadores de sangue, por não ser um fator de risco. De acordo com o Ministério da Saúde, não deverá haver, no processo de triagem e coleta de sangue, manifestação de preconceito e discriminação por orientação sexual e identidade de gênero, hábitos de vida, atividade profissional, condição socioeconômica, raça, cor e etnia.
Restrições
Para doar sangue, a pessoa precisa ter entre 18 e 65 anos, pesar mais de 50 quilos e estar com boa saúde. Para mulheres, não é possível doar durante a gravidez e até três meses depois do último parto ou aborto.
De acordo com a portaria, o doador não pode ter qualquer tipo de hepatite ou sífilis, não pode ser epilético e não pode ter contraído malária ou estado em região com a doença nos últimos seis meses.
Caso tenha tomado vacina contra rubéola, o interessado não poderá doar sangue durante duas semanas. O período é de um mês para pessoas que tenham recebido as vacinas contra o sarampo ou a BGC (contra a tuberculose).
Para fazer a coleta, o doador não pode ter tomado bebida alcoólica nas 24 horas anteriores e precisa ter dormido pelo menos seis horas. Usuários de drogas não podem doar sangue.
A portaria traz ainda restrições temporárias. Quem possui "piercing na cavidade oral e/ou na região genital, devido ao risco permanente de infecção" poderá candidatar-se a nova doação 12 meses após a retirada do pirecing
Quem tenha feito tatuagem ou maquiagem definitiva sem condições de avaliação quanto à segurança do procedimento realizado não pode dar sangue durante 12 meses.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que pessoas que se enquadram nestes casos "não serão discriminadas". (Portal G1)
 
 
 
 
 

15.06 - Saúde confirma 15 casos de sarampo no País
Quem for viajar para a Europa e Américas e ainda não tiver tomado a vacina tríplice viral, até os 39 anos, deve fazê-lo até 15 dias antes da viagem
Já foram confirmados 15 casos de sarampo em todo o País, informou hoje o Ministério da Saúde. Essas ocorrências se devem a importação do genótipo D4, circulante na Europa. Foram três casos em São Paulo, quatro no Rio de Janeiro, cinco no Rio Grande do Sul, um na Bahia, outro no Mato Grosso do Sul e mais um no Distrito Federal.
Quem for viajar para a Europa e Américas e ainda não tiver tomado a vacina tríplice viral, até os 39 anos, deve fazê-lo até 15 dias antes da viagem, conforme recomendação do Ministério. Todas as crianças até os 6 anos, 11 meses e 29 dias devem tomar uma dose extra da vacina contra o sarampo de acordo com calendário. Serão duas etapas nacionais. Uma a partir de 18 de julho a 22 de julho em todos os Estados e municípios para as crianças até cinco anos. Para as crianças de um ano a menores de sete anos, a vacinação da primeira etapa será dirigida aos municípios de Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo.
A segunda fase acontecerá entre 13 de agosto e 16 de setembro. Entram todos os Estados e municípios na vacinação das crianças até 5 anos. A vacinação na segunda etapa nacional, para as crianças entre um e pouco mais de seis anos, será direcionada aos municípios do Acre, Amazonas, Amapá, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Piauí, Paraná, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, Tocantins e o Distrito Federal. (Agência Estado)

15.06 - Oito Estados farão campanha de reforço contra sarampo
Brasil já registrou dez casos da doença em 2011; Europa tem milhares.
Neste sábado (18), o Ministério da Saúde promove em oito estados brasileiros uma campanha de reforço contra o sarampo para crianças entre um e seis anos de idade. A ação serve para evitar um surto da doença, que não circulava no país desde 2000 e só este ano já fez dez casos, além de milhares na Europa – principalmente na França.
Essa dose já é oferecida normalmente no calendário infantil, mas esse reforço é importante, mesmo para quem já foi imunizado anteriormente. A "campanha de seguimento" será feita agora nesses estados com maior fluxo de viagens para o exterior e em 13 de agosto no restante do Brasil.
Na rubéola, também surgem febre e manchas vermelhas do centro do corpo em direção às extremidades. Mas, nesse caso, são mais esparsas e não "grudam". O maior perigo é para mulheres grávidas.
A catapora provoca febre da mesma forma, mas surgem bolinhas vermelhas como se fossem espinhas pequenas, e bem separadas. (Portal G1)

15.06 - EUA: Medicare deve ser ampliado
De vez em quando um político apresenta uma ideia que é tão ruim, tão equivocada, que você quase se sente grato. Pois ideias realmente ruins podem ajudar a ilustrar o quanto o discurso político descarrilou.
Esse é o caso com a proposta do senador Joseph Lieberman, apresentada na semana passada, para aumentar a idade de qualificação para o Medicare (o seguro-saúde público para idosos e inválidos) de 65 anos para 67 anos.
Como os republicanos que querem acabar com o Medicare como o conhecemos e substituí-lo por vales-seguro (extremamente inadequados), Lieberman descreve sua proposta como uma forma de salvar o Medicare. Na verdade não faria isso. Mas principalmente, nossa meta não deveria ser “salvar o Medicare”, seja lá o que isso signifique. Deveria ser assegurar que todos os americanos tenham o plano de saúde que precisam, a um custo que o país possa arcar.
E aqui está o que você precisa saber: o Medicare na verdade economiza dinheiro –muito dinheiro– em comparação com depender de planos de saúde particulares. E isto, por sua vez, significa que tirar pessoas do Medicare, além de privar muitos americanos do atendimento de saúde necessário, quase certamente acabaria aumentando o custo total com atendimento de saúde.
A ideia do Medicare como programa economizador de dinheiro pode parecer difícil de entender. Afinal, os gastos do Medicare não têm aumentado dramaticamente com o passar do tempo? Sim, aumentaram: corrigidos pela inflação, os gastos do Medicare por beneficiário subiram mais de 400% de 1969 a 2009.
Mas os preços dos planos de saúde particulares subiram mais de 700% no mesmo período. Logo, apesar de ser verdadeiro que o Medicare fez um trabalho inadequado de controle de custos, o setor privado fez ainda pior. E se negarmos o Medicare para pessoas de 65 e 66 anos, nós as forçaremos a adquirir planos de saúde privados –se puderem– que custarão muito mais do que custaria fornecer o mesmo por meio do Medicare.
A propósito, nós temos evidência direta dos custos mais altos dos planos de saúde particulares por meio do programa Medicare Advantage, que permite aos beneficiários do Medicare receber sua cobertura por meio do setor privado. Isso deveria economizar dinheiro; na verdade, o programa custa aos contribuintes substancialmente mais por beneficiário do que o Medicare tradicional.
E há evidência internacional. Os Estados Unidos possuem o sistema de saúde mais privatizado do mundo industrializado; também têm, de longe, o atendimento mais caro, sem conseguir qualquer vantagem clara na qualidade com todo esse gasto. A saúde é uma área na qual o setor público faz consistentemente um trabalho melhor do que o setor privado no controle de custos.
De fato, como o economista (e ex-consultor de Ronald Reagan) Bruce Bartlett aponta, os altos gastos particulares em atendimento de saúde dos americanos, em comparação aos gastos em outros países industrializados, eliminam qualquer benefício que poderíamos receber de nosso fardo tributário relativamente baixo. Logo, de onde virá o ganho de tirar idosos de um sistema reconhecidamente caro, o Medicare, para colocá-los em planos de saúde particulares ainda mais caros?
Espere, fica pior. Nem todos os idosos de 65 e 66 anos sem direito ao Medicare conseguiriam obter um plano de saúde particular –na verdade, muitos ficariam sem nenhuma cobertura. E o que esses idosos fariam?
Bem, como os economistas de saúde Austin Frakt e Aaron Carroll documentam, no momento os americanos com pouco mais de 60 anos sem plano de saúde rotineiramente adiam o atendimento necessário, apenas para se tornarem segurados mais caros do Medicare quando atingem os 65 anos. Esse padrão se tornaria ainda forte e mais destrutivo se a qualificação para o Medicare fosse adiada. Como resultado, sugerem Frakt e Carroll, os gastos do Medicare poderiam acabar subindo, e não caindo, com a proposta de Lieberman.
Ok, a pergunta óbvia: se o Medicare é tão melhor do que os planos de saúde particulares, por que a Lei de Atendimento a Custo Acessível simplesmente não estende a cobertura do Medicare para todos? A resposta, é claro, foi política de grupos de interesse: realisticamente, dada a força do setor de planos de saúde, um Medicare para todos não seria aprovado, de modo que os defensores da cobertura universal, eu entre eles, estavam dispostos a aceitar um pacote pela metade. Mas o fato de que parecia politicamente necessário aceitar a segunda melhor solução para os americanos mais jovens não é motivo para começar a desmontar o sistema superior que temos para aqueles com 65 anos ou mais.
Agora, nada do que eu disse deve ser usado como motivo para complacência com o aumento dos custos de saúde. Tanto o Medicare quanto os planos de saúde particulares ficarão insustentáveis a menos que haja um grande esforço para controle de custos –o tipo de esforço presente na Lei de Atendimento a Custo Acessível e que os republicanos demagogos chamam de “painéis da morte”.
O fato é que a privatização do seguro-saúde para idosos, que é o que Lieberman está na prática propondo –e que é a essência do plano republicano– mais prejudica do que ajuda na causa do controle de custos. Se realmente queremos reduzir os custos, nós devemos buscar oferecer programas como o Medicare para o máximo de americanos possível. (Paul Krugman, tradução: George El Khouri Andolfato - Uol Notícias)

14.06 - O médico de família
A simples confirmação de que ele estava a caminho de nossa residência para nos tratar já era um alento. Quando adentrava em nosso lar, trazendo consigo um  fator de cura importante, a confiança nele depositada, criava expectativa de melhora e até de completo restabelecimento do doente. Esse ser especial, admirado e querido no seio das famílias que assistia, era o médico de família. Figura empática, que exercia sua medicina muitas vezes com mais arte do que ciência, faz parte dos personagens do passado que deixaram saudade.
Com o evolução da medicina, esse tipo de médico foi dando lugar a outro, de formação mais específica, o especialista. Assim, num processo natural, o novo médico, aquele que domina técnicas avançadas, que manipula com habilidade novos arsenais terapêuticos, aos poucos tirou de cena o velho médico do ontem com suas limitações científicas, mas portador de um poder efetivo para atenuar e até banir doenças: o efeito placebo de seu carisma e os laços solidários dele decorrentes.
O desejo, por muitos declarado, de trazer de volta o médico de família precisa, todavia, ser analisado com maior acuidade e sem tanta emoção. Seria mesmo válida a idéia de estimular a formação desses profissionais? Ou será essa idéia apenas uma busca  saudosista? Há espaços e contextos no mundo atual para esse tipo de médico?
Em primeiro lugar, é importante que se defina o verdadeiro conceito de médico de família. Ele não deve ser concebido apenas como um clínico geral. A boa formação generalista é fundamental para todo médico . Afinal, não se pode cuidar corretamente, em termos de medicina, de parte se não se sabe do todo. A compartimentalização dessa ciência trouxe deformações para o conhecimento médico, a ponto de alguns profissionais serem levados a erros de avaliação diagnóstica e terapêutica pelo fato de perceberem seus pacientes através da visão convergente de suas especialidades.
Quandose trata de médico de família, não basta apenas ser bem formado em medicina. Esse profissional precisa ter um contato mais intimista com as famílias que assiste. A relação médico-paciente, pedra basilar da adequada assistência médica, transcende a uma relação profissional onde há um prestador e um tomador de serviços. O médico de família, nos moldes do passado, era um ente muito querido e respeitado pelas famílias que atendia, considerado praticamente um membro delas. Na maioria das vezes, nada se fazia no âmbito da saúde dessas famílias sem que antes ele fosse consultado. Ele era, em algumas situações, um conselheiro até para questões fora dos assuntos médicos.
Vivemos num mundo onde as pessoas estão cada vez mais bem informadas. O advento da internet abriu novos e importantes canais de acesso ao conhecimento. A demanda de informações é grande e não há como dominá-la como no passado. O saber médico generalista impõe superficialidade em alguns aspectos. Daí o espaço garantido aos especialistas, que serão tão melhores quanto maior for  a visão generalista que tiverem da medicina.  No mais, os pacientes e seus familiares já assimilaram o culto a esses profissionais.  Os próprios médicos endossaram essa conduta encaminhando seus pacientes  para seus colegas de outras especialistas quando o caso o requer. A despeito de o Código de Ética Médica não impor a necessidade da especialização médica, atualmente é considerado antiético tratar de pacientes que requerem outros especialistas.
Ainda sob a possibilidade de trazer de volta o médico de família como os do passado, cabe ressaltar que as condutas mudaram também no que tange ao modo de vida, especialmente nos centros urbanos maiores. As cidades cresceram, as pessoas estão física e afetivamente mais distantes, e grande parte dos médicos não tem tempo para atenções mais exclusivistas, inclusive deslocamentos para consultas domiciliares. Posturas mais pragmáticas e em locais tecnicamente mais apropriados atendem melhor aos propósitos do medico de hoje.
A despeito do sentimento receptivo que alguns ainda nutrem por esse carismático  personagem de nosso passado, não é de todo viável trazê-lo de volta. Assim sendo, pelo menos que se invista na reformulação do ensino médico, que continua a ensinar uma medicina mais somática, que ainda subestima a influência do psicológico, do contexto social e cultural das pessoas. Por isso, impõe-se formar médicos com visão integral do ser humano, médicos de verdade, que pratiquem uma medicina de qualidade. Uma medicina como deve ser.  (Viriato Moura - Rondonotícias )

14.06 - Células-tronco: Futuro distante
Casos de paraplégicos que voltaram a mexer pernas após terapias experimentais trazem esperança, mas estão longe de virar realidade
Na semana passada, um policial militar de Salvador (BA), de 47 anos, paraplégico há nove, conseguiu mexer as pernas depois de ter feito um tratamento experimental com células-tronco.
Quase um mês antes, um americano de 25 anos, paraplégico desde 2006, conseguiu andar na esteira e mover quadril, joelhos e dedos dos pés, graças a um tratamento com estimulação elétrica na medula espinhal.
Histórias como essas trazem esperança a milhões de pessoas com deficiência física no mundo ""no Brasil, há mais de 930 mil pessoas com paralisia total ou parcial.
Mas, segundo especialistas, esses tratamentos ainda estão longe da realidade dos pacientes, e concentrar expectativas em "terapias do futuro" pode atrapalhar a reabilitação tradicional.
"Não há nada comprovado e que já possa ser usado em larga escala", diz Marcelo Ares, fisiatra da AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente).
Daniel Rubio, diretor clínico da Rede de Reabilitação Lucy Montoro, ligada à Faculdade de Medicina da USP, diz que os resultados desses estudos só poderão ser avaliados daqui a dez anos.
"Para dizer que uma nova técnica é boa, é necessário que ela seja testada em um número expressivo de pacientes. O fato de termos um ou outro caso de progresso pode não ter significado."
Pesquisas com terapias experimentais para paraplégicos costumam selecionar pessoas com lesão medular causada por traumas, como acidentes de carro ou quedas.
Segundo a bióloga Milena Soares, do projeto com células-tronco no Hospital São Rafael, em Salvador, em teoria é mais fácil restaurar a medula que foi comprimida e não "cortada", como no caso de disparos por arma.
Rubio diz ainda que lesões na medula causadas por infecções, tumores e doenças degenerativas podem estar associadas a outras doenças, o que dificulta o tratamento.
REABILITAÇÃO
Segundo os especialistas, é preciso ter cuidado para não concentrar as expectativas nos tratamentos que ainda não estão disponíveis. "A pessoa deixa de desenvolver seu potencial. É capaz de ter complicações na pele, na bexiga e problemas emocionais, todos evitáveis com a reabilitação", afirma Ares.
A reabilitação, muitas vezes confundida com fisioterapia, não tem como meta fazer o paciente andar, mas melhorar sua qualidade de vida.
Muitas vezes, segundo Rubio, ela é frustrante, dependendo das expectativas da pessoa, mas é necessária para que não haja sequelas, como deformações nos ossos.
Cristiano Milani, coordenador do departamento de atenção neurológica e neurorreabilitação da Academia Brasileira de Neurologia, diz que é preciso tomar cuidado ao enfatizar o milagre e esquecer o básico.
"Para muitos, o tratamento novo é como um 'remedinho' que a pessoa toma e sai andando, e a reabilitação tradicional parece antiquada."
"Quando vemos resultados positivos, não pensamos nos riscos. As pessoas podem morrer com tratamentos experimentais ou desenvolver tumores com células-tronco", afirma Marcelo Ares.
"A terapia com células-tronco parece muito promissora, mas qual é o custo disso para o paciente?", questiona Milani.
Andar é só a fase final de uma longa escaladade objetivos
Cada vez que surgem notícias de um novo tratamento revolucionário que promete fazer gente abatida da guerra voltar a andar, haja vela para dar conta da demanda de pessoas ao redor do mundo que se agarram na esperança de que "agora vai".
Fato é, porém, que, até o momento, nenhuma pessoa que tenha tido uma lesão medular com comprometimento grave dos movimentos conseguiu levantar da cadeira de rodas e dançar uma valsa sem titubear no passo.
Alguém tem notícias do povo que foi para a China se submeter a técnicas "infalíveis" de recuperação da capacidade motora? Tudo efeito placebo ou sem eficácia confirmada.
A cura para "voltar a bailar" não é o objetivo principal de pesquisadores sérios. Esses sabem que a demanda mais urgente de uma pessoa que ficou paraplégica ou tetraplégica após um trauma é ganhar mais qualidade de vida com melhorias, por exemplo, nos sistemas que controlam as funções das "partes baixas" do corpo.
Andar é o momento último de uma escalada de objetivos que vão desde recuperação da sensibilidade da pele nas partes que perderam o movimento até a autonomia para fazer um xixi sem auxílio de um canudinho, mais conhecido como cateter.
Acontece, porém, que é quase impossível conter o frisson diante de informações, muitas vezes superdimensionadas, de que a vítima de um acidente, paralisada havia anos, conseguiu mexer o joelho depois de injeções com célula-tronco, saídas sabe Deus de onde.
Avanços existem, mas ainda estão circunscritos a casos isolados, em teste, e sem total conhecimento de possíveis efeitos colaterais. Fisioterapia rigorosa, prática de esportes, reconstrução da vida social e profissional, acompanhamento médico são instrumentos muito bem testados e de efetivos resultados para reabilitar.
Conquistas da ciência e da tecnologia precisam ser incentivadas. Mas, ao mesmo tempo, é fundamental aguardar o momento de aproveitar o benefício com segurança e resultados satisfatórios, norteados por uma expectativa real, não milagrosa.  (MARIANA VERSOLATO e JAIRO MARQUES - Folha de S.Paulo-12.06)

14.06 - Prevenção: Melhor maneira de se tratar a insuficiência cardíaca
Medicamentos e coração artificial podem melhorar a qualidade de vida
O coração é o órgão responsável por bombardear o sangue por todo o corpo. Mas se essa "bomba" não supre as necessidades metabólicas do organismo, instaura-se o quadro de insuficiência cardíaca (IC) - doença que mata mais de 33 mil brasileiros por ano. Mesmo havendo tratamentos com medicamentos e transplantes de órgão para combater essa enfermidade, a grande recomendação dos especialistas é a prevenção.
Esse cuidado foi o tema central do X Congresso Brasileiro de Insuficiência Cardíaca, que reuniu mais de 800 especialistas na semana passada em Belo Horizonte. O cardiologista Marcus Vinícius Bolívar Malachias, professor da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, alerta que "a IC é a via final das doenças do coração". Entre as principais causas estão a hipertensão arterial, diabetes, o colesterol elevado, o tabagismo, a obesidade e o sedentarismo, além dos fatores hereditários e do envelhecimento.
Malachias revela que 30% dos brasileiros são hipertensos, mas de 10% a 20%, apenas, seguem as recomendações médicas e tratam esse fator de risco para a IC. "As pessoas não acreditam no diagnóstico. Na campanha ‘Eu Sou 12 por 8’, chamamos a atenção para medir periodicamente a pressão", fala.
Para ele, é necessário conscientizar a população sobre os cuidados com a saúde. "É preciso haver educação nas escolas, promover a adoção de hábitos alimentares saudáveis desde a infância. É mais fácil ensinar uma criança a comer bem do que mudar hábitos na vida adulta", diz, referindo-se, também, à prática regular de exercícios físicos. "Saúde é uma coisa que se planta", compara.
Transplantes. O transplante de coração é uma das maneiras de tratar a insuficiência cardíaca. O cirurgião cardiovascular Juan Mejia, coordenador do Programa de Transplante Cardíaco do Hospital de Messejana, em Fortaleza (CE), informa que cerca de 200 transplantes foram realizados no Brasil nos últimos quatro anos. Porém, o número está "estagnado". "Falta um programa nacional de assistência circulatória", diz ele.
Presidente do congresso, a médica Maria da Consolação Moreira diz que mais de 90% dos transplantes de coração no país são feitos pelo Sistema Único de Saúde, desde 1985. "São mais de 2.800 transplantados e mais de 400 em Minas Gerais", fala. Segundo ela, o SUS oferece também os medicamentos. Na rede particular, o procedimento custa cerca de R$ 200 mil.
Ela ressalta que, em 20 anos, os estudos avançaram consideravelmente, mas é preciso atenção. "É uma doença fatal", alerta. (ANDRÉA JUSTE - O Tempo)
 
 
 
 
 

13.06 - O antes e o depois que salvam vidas
O clínico é tão importante quanto o cirurgião para o sucesso de uma operação. É ele quem prepara o paciente e tem condições de melhor conhecer o histórico e avaliar possíveis riscos. No dia 18/06, no Hospital Samaritano, especialistas de áreas em que o número de cirurgias (e, com elas, os processos de pré e pós-operatório) tem aumentado em todo o mundo, como a oncologia, a gastrenterologia e a cardiologia, tratam da importância dos processos pré e pós-operatórios.
Clínicos e cirurgiões discutem, dia 18/06, no Hospital Samaritano, as novas tendências em Pré e Pós-operatórios
Tratar um câncer não é tarefa para um médico apenas. Exige uma equipe multidisciplinar que pode englobar até 15 especialistas, entre eles o cirurgião. É o trabalho conjunto desses profissionais que possibilita a escolha da melhor terapêutica de acordo com o perfil de cada um, a neutralização de eventuais efeitos das drogas em órgãos saudáveis e uma recuperação mais rápida.
No entanto, parte da classe médica e a população em geral não acreditam ser este um fator determinante para uma assistência com qualidade e segurança. Continuam, erroneamente, apostando suas fichas na cirurgia em si, segundo o oncologista Eduardo Linhares, um dos convidados do “Simpósio de Pré e Pós-Operatório” que acontece dia 18/06 no Hospital Samaritano.
De acordo com o cardiologista Flávio Cure Palheiro, presidente do Instituto Rio Coração e coordenador do simpósio, o pré-operatório pode definir o sucesso do procedimento. “O clínico é tão importante quanto o cirurgião para o sucesso das operações. É ele quem prepara o paciente e tem condições de melhor conhecer o histórico e avaliar possíveis riscos.” Entretanto, alerta: “hoje, muitos jovens profissionais se baseiam apenas em exames para diagnosticar e escolher o método terapêutico, o que é insuficiente e arriscado”. Para Cure, muitas vezes há deficiências também na interpretação correta dos exames, ação que exige conhecimento aprofundado .
O cirurgião José Ribamar, professor adjunto do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFRJ, que abre o evento com uma palestra sobre pacientes obesos submetidos à cirurgia vertical do estômago (nova modalidade de tratamento da obesidade e de distúrbios metabólicos) partilha da mesma opinião de Cure: “No caso da operação do estômago, é preciso analisar outras doenças físicas e mentais decorrentes da própria obesidade e envolver diferentes especialistas para tratá-las, às vezes, antes mesmo da cirurgia; e, após o procedimento, lançar mão da mesma abordagem multidisciplinar – aliás, um caminho sem volta na medicina – para que o paciente tenha uma recuperação rápida e segura, além de qualidade em sua nova vida”, afirma.
A programação é composta por especialistas de áreas em que o número de cirurgias (e, com elas, os processos de pré e pós-operatório) tem aumentado em todo o mundo, como a oncologia, a gastrenterologia e a cardiologia.
SERVIÇO
Simpósio Pré e Pós-Operatório
LOCAL: Hospital Samaritano – Rua Dona Mariana
DIA/ HORA: 18 de junho, das 9h às 13h  (Saúde Business Web)

13.06 - Médicos debatem paralisação em SP
Médicos de São Paulo debatem paralisação por tempo indeterminado a planos de saúde
Assembleia estadual em 30 de junho poderá recomendar a suspensão do atendimento a 15 empresas
Os médicos de São Paulo realizam, em 30 de junho, às 20h, assembleia estadual para debater os próximos passos da campanha por valorização na saúde suplementar e por mais qualidade na assistência aos pacientes.
A assembléia é convocada pela  Associação Paulista de Medicina, Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, Sindicatos dos Médicos de São Paulo e Academia de Medicina de São Paulo, além de entidades regionais e sociedades de especialidades médicas.
Há cerca de dez anos sem receber reajustes de boa parte de planos e seguros-saúde, os médicos reivindicam recomposição do valor da consulta para R$ 80,00 e procedimentos atualizados proporcionalmente de acordo com o sistema de hierarquização da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM), além de regularização dos contratos entre médicos e operadoras com a inserção de cláusula de reajuste anual baseado no índice autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para os planos individuais.
Outro pleito essencial para o movimento é o fim das pressões das empresas para que os médicos reduzam solicitações de exames, de internações e de outros procedimentos, interferências abusivas que colocam em risco a saúde dos cidadãos.
SUSPENSÃO DO ATENDIMENTO EM PAUTA
Na assembleia, serão passados informes detalhados das negociações com o primeiro grupo de empresas contatado pelo movimento após paralisação nacional em 7 de abril; as propostas recebidas de algumas que preveem, além  de reajuste, a recomposição real das perdas acumuladas dos honorários médicos.
Nos últimos dois meses foram procuradas para dialogar as seguintes empresas: medicina de grupo - Amil, Gama Saúde, Golden Cross, Green Line, Intermédica e Medial; autogestões  - ABET (Telefônica), Caixa Econômica Federal, Cassi (Banco do Brasil), Companhia de Engenharia de Tráfego, Embratel e Geap; seguradoras  - Marítima, Notredame e Porto Seguro. Outras foram chamadas em regiões diversas do estado.
Existe a possibilidade concreta de uma resposta firme às operadoras que não se mostrarem sensíveis a negociar. Uma das propostas que deve ser colocada em discussão é a recomendação de paralisação do atendimento por tempo indeterminado aos planos e seguros-saúde que não atenderem ao pleito da classe médica.
ASSEMBLEIA ESTADUAL DOS MÉDICOS
Local: Associação Paulista dos Cirurgiões Dentistas, Rua Voluntários da Pátria, 547, Santana
Data: 30 de junho, quinta-feira
Horário: 20h  (CFM)

13.06 - Cuidado ao paciente
"liderança é fundamental, tanto em nível nacional quanto dentro de cada organização de saúde", diz Mark Chassim
Trabalhar para conscientizar hospitais e sistemas de saúde a respeito dos mais graves problemas de qualidade e segurança do paciente, como infecções hospitalares, cirurgias em locais errados, infecções pós-cirúrgicas, além de prevenir internações por casos evitáveis de insuficiência cardíaca. Esta é a função do médico Mark R. Chassin, presidente da The Joint Commission e da Joint Commission Center for Transforming Healthcare. Membro do Instituto de Medicina da National Academy of Sciences. Chassin assegura que a liderança é fundamental para aumentar a qualidade e segurança no cuidado ao paciente.
Acompanhe abaixo a entrevista completa com Mark Chassin.
CBA - Como a The Joint Commission tem contribuído para a melhoria da qualidade e segurança no cuidado ao paciente?
Mark Chassin – A JCI, em parceria com o CBA, tem tido bastante sucesso em conscientizar as instituições de saúde sobre a qualidade dos cuidados de saúde e segurança no Brasil, introduzindo o país a um conjunto de normas internacionais de qualidade e segurança. Hospitais brasileiros utilizam o método internacionalmente aceito para avaliar qualidade e segurança. A JCI/CBA, junto com os hospitais acreditados, pode definir um referencial de qualidade e segurança que irá nortear as ações de outras organizações de saúde para alcançarem qualidade similar.
CBA - Quais os principais desafios para aumentar a qualidade e segurança no cuidado ao paciente no mundo?
M.C. – A liderança é fundamental, tanto em nível nacional quanto dentro de cada organização de saúde. Líderes ajudam a moldar uma cultura de segurança em que a ocorrência de erros e de quase falhas servem de conhecimento para a aprendizagem. Líderes clínicos ajudam a padronizar como os cuidados serão prestados, assim como tornam o cuidado mais seguro e consistente. Eles se utilizam, por exemplo, da ciência e das evidências para reduzir a variação na prática clínica. Essa liderança não está concentrada no topo de uma organização, mas vem de várias fontes dentro de uma organização. Embora os conceitos de liderança para a qualidade e a segurança do paciente sejam universais, a forma como os conceitos se desdobram em um país tem uma base significativa na cultura de qualidade e segurança dos doentes a nível nacional e nos profissionais de saúde.
CBA - Como o senhor vê os programas de qualidade e segurança no cuidado ao paciente desenvolvidos no Brasil?
M.C. – O Brasil é um país dinâmico e que está se desenvolvendo e em constante mudança. A comunidade de cuidados com a saúde também está mudando ao abraçar os conceitos de qualidade e segurança do paciente. Os hospitais brasileiros reconhecem o paciente como um parceiro no processo do cuidado, os profissionais de saúde adotam boa ciência e o aprendizado é valorizado.
CBA - O que ainda é preciso melhorar no Brasil em relação a metas internacionais de qualidade e segurança no cuidado ao paciente?
M.C. – Acredito que a mudança para o Brasil está em disseminar o conhecimento e as práticas relacionadas com a qualidade e segurança do paciente através do sistema de cuidado da saúde. O Brasil é um país grande com centenas de prestadores de serviços, com diferentes níveis de conhecimento de qualidade. Canais de informação divergentes fluem para melhorar o conhecimento. Além disso, o padrão de qualidade nacional, como a política nacional de segurança do paciente, poderá ajudar na disseminação das boas práticas de segurança para todo o sistema de cuidado com a saúde.
CBA - Quais resultados estão sendo obtidos com a aplicação das Metas Internacionais de segurança e qualidade da JCI?
M.C. – A 4ª Edição da Comissão Mista Internacional das Normas Internacionais para Hospitais da JCI contém requisitos relativos às seis metas Internacionais de Segurança do Paciente. Esses objetivos descrevem as áreas em que as organizações podem tomar medidas imediatas para melhorar a segurança do paciente. Eles estão baseados em grande parte nas mesmas provas que está por trás dos desafios da Segurança do Paciente apresentados pela Organização Mundial de Saúde. Embora essas metas possam ser claras e de fácil compreensão, por exemplo, utilizando sempre duas formas de identificação dos pacientes antes de dar medicamentos, tratamentos ou amostras de sangue, são muito difíceis de implementar para cada paciente, por todos os funcionários, em cada turno. Manter boas práticas também é um problema para muitas organizações. Portanto, a JCI e a Comissão Mista acompanham quantas organizações, das que foram pesquisadas, têm 100% de conformidade com todos os elementos de cada meta. A JCI concluiu que o cumprimento das metas melhora a cada pesquisa.
CBA – Em relação às Metas Internacionais, qual o ponto mais vulnerável?
M.C. – O não cumprimento de qualquer das metas pode ter impactos negativos sobre pacientes e suas famílias. A gravidade dos danos evitáveis é altamente variável, desde pequenas lesões à perda da vida. As metas internacionais de segurança do paciente da JCI ajudam as organizações a prestarem atenção nas formas mais comuns de erros evitáveis, como aqueles associados com os erros de medicação – já que quase todos os pacientes internados recebem um ou mais medicamentos. A JCI também ajuda as organizações a dominarem todos os componentes para garantir local correto, procedimento correto, cirurgia correta no paciente correto, uma vez que o impacto de tais erros é devastador. Os problemas de segurança identificados nas Metas Internacionais de Segurança do Paciente são realmente globais em extensão. Organizações em todo sistema de cuidados de saúde ao redor do mundo estão lutando para aperfeiçoar seus sistemas nessas áreas para manter os pacientes seguros de danos evitáveis.  (Saúde Business Web)
 
 
 
 
 

10.06 - Novo teste confirma Aids em 20 minutos
Exame, que será lançado pela Fiocruz em agosto, acaba com a espera de um mês para confirmar o diagnóstico
Hoje, muitos pacientes não voltam para buscar confirmação do exame; diagnóstico precoce agiliza tratamento
A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) lançará em agosto um teste rápido que confirma o diagnóstico do vírus HIV em 20 minutos.
Hoje, a pessoa faz o teste de triagem e, se for soropositiva, precisa esperar a confirmação do diagnóstico por um outro exame, cujo resultado pode demorar até um mês.
Com os novos kits, será possível fazer o diagnóstico e a confirmação ao mesmo tempo. Os atuais testes de triagem também são rápidos ""demoram cerca de dez minutos"", mas podem gerar resultados falsos-positivos.
Isso ocorre porque os antígenos (partículas reconhecidas pelos anticorpos produzidos pelo sistema imunológico) usados no teste podem reagir com anticorpos associados a outras doenças.
Por isso, todos os pacientes apontados como soropositivos no teste de triagem têm que fazer o exame confirmatório em laboratórios fora das unidades de saúde.
Mas muitos pacientes não voltam para buscar o resultado e, portanto, não se tratam.
A expectativa é que o novo teste também mude isso. Quase metade (40%) da mortalidade por Aids no Brasil está relacionada à demora para o início do tratamento
"Ao atrelar os dois ensaios, a pessoa já tem a confirmação rápida, recebe orientação e encaminhamento médico. Isso agiliza o tratamento", diz Antônio Ferreira, gerente de Programa de Reativos de Bio-Manguinhos/Fiocruz.
Para ele, o teste será especialmente útil nas cidades pequenas ou em áreas mais remotas do país porque dispensa infraestrutura laboratorial e é simples de ser aplicado.
Outra vantagem é o preço. Segundo Ferreira, ele terá um quinto do custo dos atuais exames confirmatórios (entre R$ 130 e R$ 150).
O Ministério da Saúde pretende utilizar entre 150 mil a 200 mil testes por ano para atender a demanda do SUS. O novo kit é eficaz já a partir do 25º dia de infecção.
DIAGNÓSTICO TARDIO
Na avaliação de pesquisadores sobre Aids e de organizações que dão apoio aos portadores do vírus, o novo teste será um avanço, desde que esteja disponível em todos os centros de tratamento.
"Temos que diminuir o diagnóstico tardio. Muitas pessoas não se beneficiam do tratamento disponível no SUS porque hoje chegam doentes aos serviços de saúde", diz o doutor em medicina preventiva Mario Scheffer, presidente do Grupo Pela Vidda-SP.
O pesquisador da USP Alexandre Grangeiro, ex-coordenador do serviço de Aids do Ministério da Saúde, afirma que, segundo estudos, quanto menor o tempo para a entrega dos resultados dos exames, menor é a taxa de abandono do tratamento.
Mas, diz ele, o maior impedimento hoje para a utilização dos testes rápidos de HIV é a resistência dos profissionais de saúde em fazê-los.
"O teste é rápido para o paciente, mas não para o serviço de saúde. No mesmo dia, ele tem que fazer o aconselhamento, realizar o teste, dar suporte ao paciente e encaminhá-lo ao tratamento."
Além disso, não há profissionais acostumados a realizar exames diagnósticos, como os biomédicos.
"Na maior parte dos serviços, há assistentes sociais, psicólogos e enfermeiros, que ficam com receio de fazer um teste. Daí a importância de simplificar a metodologia."  (CLÁUDIA COLLUCCI - Folha de S.Paulo)

10.06 - Aids: Brasil contém epidemia, mas não reduz mortalidade
A epidemia global de HIV parece estar em um momento de inflexão, com um número de infectados estabilizado em 33 milhões.
A quantidade de mortes provocada pela síndrome no mundo também vem caindo nos últimos anos ""de 2,3 milhões, em 2004, para 1,8 milhão, em 2009.
O Brasil, embora tenha contido a epidemia e seja muito elogiado por isso, não conseguiu reduzir a mortalidade. São mais de 11 mil mortos por ano ""mais de uma pessoa morta por hora.
Com exceção do Estado de São Paulo, as mortes nas outras regiões estão em ritmo crescente, segundo último boletim do Ministério da Saúde, com dados até 2009.
Na avaliação do pesquisador da USP Alexandre Grangeiro, grande parte dessas mortes não são decorrentes do HIV, mas da falta de acesso oportuno aos serviços.
Segundo ele, as regiões brasileiras que apresentam taxas de crescimento da epidemia e de mortes são, também, as que possuem as maiores proporções de diagnóstico tardio e as que têm os piores indicadores de saúde.
Outro desafio no país é fazer com que os modelos de prevenção e intervenção atinjam grupos específicos (como usuários de drogas).
Estudos mostram que pessoas com maior exposição ao risco para Aids, por medo ou por não saber como lidar com um eventual teste positivo, não buscam espontaneamente os serviços de saúde para fazer a triagem.  (CLÁUDIA COLLUCCI - Folha de S.Paulo)

10.06 - ONU defende erradicação da Aids em 10 anos
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, estabeleceu nesta quarta-feira um prazo de dez anos para a Aids ser erradicada do mundo, e pediu ousadia para fazer cumprir esse objetivo, na jornada inicial de reuniões das Nações Unidas dedicadas a essa enfermidade.
"Hoje nos reunimos para dar fim a Aids. Esse é o nosso objetivo: o fim da Aids em 10 anos, com zero novas infecções, zero traumatismos e zero mortes ligadas à Aids", disse Ban Ki-moon ante os chefes de Estado e ministros presentes na primeira jornada de reuniões de três dias.
Contudo, se quisermos liquidar a Aids dos livros de história, teremos que ser ousados", advertiu o secretário-geral na sede da ONU em Nova York.
Celebrada por ocasião do 30º aniversário da descoberta da Aids, a reunião tem por objetivo redefinir os compromissos da comunidade internacional contra a epidemia.
Apesar dos progressos registrados nos países mais pobres, todos os dias são contaminadas 7.000 pessoas no mundo.
Em seu discurso, Ban Ki-moon afirmou que outro dos objetivos principais da cúpula é o acesso ao tratamento para todos os enfermos e insistiu na necessidade da utilização das campanhas de comunicação para que o mundo inteiro tenha acesso às informações sobre o assunto.
Por sua parte, o presidente da Assembleia Geral da ONU, Joseph Deiss, afirmou que o número de enfermos tratados havia sido multiplicado por dez nos últimos cinco anos, apesar de ainda existirem "dez milhões de pessoas que não têm acesso aos medicamentos necessários".
Em uma das primeiras intervenções latino-americanas, o vice-presidente da Guatemala, Rafael Espada, felicitou a ação da ONU que, segundo ele, "compreendeu logo de início que uma ameaça global exigia resposta global" e afirmou que seu país tem redobrado seus esforços de prevenção em consulta com seus vizinhos.
"A parte mais importante e mais estrutural de nossas políticas é a prevenção, que é trazida por um bom sistema educativo e por uma boa visão de Estado, além de uma visão humana, política, social, científica e responsável que se aplique a todos", disse.
Apesar de a Guatemala trabalhar com "um incremento no número de casos nos próximos anos", Espada disse que as políticas lançadas para o diagnóstico precoce da enfermidade deveríam ajudar a reduzir os contágios no futuro.
Segundo cifras da ONU, a epidemia de Aids tem se estabilizado na América Latina, "com poucas mudanças nos últimos anos" e uma leve queda no número de pessoas infectadas em 2009 (92.000) em comparação com 2001 (99.000).
De acordo com o informe global da ONU, um terço das pessoas contaminadas com a doença na América Latina se encontra no Brasil, onde "os permanentes esforços de prevenção e tratamento do HIV têm contido a epidemia". (Pernambuco.com)
 
 
 
 
 

09.06 - Vacinação contra a poliomielite
Meta é vacinar 95% das 13,44 milhões de crianças entre 0 e 5 anos
A campanha nacional de vacinação contra a poliomielite será realizada nos dias 18 de junho e 13 de agosto, segundo anunciou ontem o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Segundo Padilha, a meta é vacinar 95% das 13,44 milhões de crianças entre 0 e 5 anos, durante as datas em que serão aplicadas as duas doses da imunização.
Neste ano, crianças que ainda não tomaram a segunda dose da vacinação contra a gripe influenza também poderão ser imunizadas durante a campanha contra a poliomielite. Segundo o ministério, serão investidos R$ 42 milhões na campanha, sendo que R$ 22 milhões foram aplicados somente na compra das vacinas. Nos dias de mobilização haverá 115 mil postos abertos das 8h às 17h.
"Só nestas datas são abertos 115 mil postos de vacinação no Brasil. É quase cinco vezes mais do que o habitual. Aquelas crianças que se vacinaram para Influenza e precisam da segunda dose, por exemplo, a receberão no mesmo dia ou poderão agendar", lembrou o ministro.
A coordenadora nacional de programas de imunização, Carla Domingues, lembra que quem perder a data da campanha poderá receber uma das duas doses nos postos de saúde em outros dias. "A vacina contra a poliomielite é oferecida normalmente nos postos. Se a mãe não puder levar nesse dia, na semana seguinte a família deve levar a criança para ser vacinada. O importante é garantir que todas as crianças sejam vacinadas no mesmo período", disse a coordenadora nacional de programas de imunização.
Doença
A poliomielite é uma doença infectocontagiosa grave, causada e transmitida por um vírus (o poliovírus). A contaminação se dá principalmente por via oral e, na maioria das vezes, não é letal. Em geral, o doente adquire sérias lesões que afetam o sistema nervoso, provocando paralisia, principalmente nos membros inferiores.
Brasil sem poliomielite
De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil está livre do vírus causador da pólio desde 1989, quando o último caso da doença foi registrado. Em 1994, o país recebeu da Organização Mundial de Saúde (OMS) o certificado de eliminação da poliomielite.
No entanto, segundo a pasta, enquanto houver circulação do vírus em qualquer região do mundo é necessário continuar com a vacinação. A doença ainda é comum em alguns países africanos e asiáticos.
Sarampo
Os dias de mobilização para vacinação contra poliomielite também serão aproveitados para imunização contra o sarampo em alguns estados. No dia 18 de junho, a vacinação ocorrerá em São Paulo, Rio de janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Ceará, Pernambuco e Alagoas. A escolha foi feita pelo ministério levando em consideração os estados com maior população, mais turistas ou menor cobertura de vacinação contra a doença.
Os outros estados terão a vacinação no dia 13 de agosto. A expectativa do ministério é vacinar 17 milhões de crianças entre um e sete anos contra o sarampo. "Para maiores de sete anos, até 39 anos, que vão viajar para Europa, onde houve um surto, nossa recomendação é que reforce a vacinação contra o sarampo, mas fora dos dias de mobilização", afirmou o ministro. (Portal G1)

09.06 - Exame avalia sucesso do tratamento contra infecção
Teste indica se o organismo está respondendo aos antibióticos
Um exame simples, barato e já usado para outros fins médicos avalia com maior rapidez se o tratamento de uma infecção em pacientes graves será eficiente, antes mesmo de o organismo dar os primeiros sinais de melhora.
Trata-se da medição, no sangue, dos níveis da proteína C-reativa, produzida pelo fígado. Em taxas elevadas, ela indica processos inflamatórios ou infecciosos em pessoas com boa saúde.
Um estudo recente, publicado na revista "Critical Care", mostrou que ela também funciona como marcador de infecções em doentes graves.
Realizado pelo Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino, em parceria com o Instituto Nacional de Câncer e a Universidade Nova de Lisboa (Portugal), o estudo mostrou que o exame da proteína pode identificar em até 72 horas se o corpo está respondendo ao antibiótico ou não.
Segundo um dos autores do trabalho, o pneumologista Jorge Salluh, o corpo demora, em geral, uma semana para dar essa resposta. "Agora podemos diferenciar quem está respondendo ou não à terapia e propor mudanças terapêuticas mais rapidamente", afirma. A vantagem, diz ele, é que o exame é barato (custa menos de R$ 10) e rápido (o resultado sai em 30 minutos).
MARCADORES
Jorge Salluh explica que havia dúvidas se o marcador era útil também para pacientes graves, com neutropenia (ausência ou baixa quantidade de glóbulos brancos).
Foram estudados 154 pacientes com câncer e quadro de infecção, sendo que 86 deles tinham neutropenia. A conclusão foi de que o teste é eficaz para os doentes graves.
Em razão da doença ou dos tratamentos, esses pacientes têm imunidade muito baixa. Estima-se que de 15% a 20% dos doentes internados em UTIs possuam esse perfil.
Para o infectologista Artur Timerman, o exame será uma boa ferramenta porque esse tipo de paciente costuma demorar para dar sinais de que não está respondendo bem aos tratamentos.
"Eles demoram para ter febre. O exame da proteína C-reativa será útil para o seguimento deles."    (CLÁUDIA COLLUCCI - Folha de S.Paulo)

09.06 - Estudo avança no tratamento de leucemia linfática
Um estudo realizado por cientistas espanhóis sobre a leucemia linfática crônica abre uma nova etapa na luta contra esta doença, já que permitirá desenvolver remédios específicos para combater as mutações causadoras deste tipo de câncer. As informações são da agência Efe.
Na pesquisa, que representa um grande avanço na luta contra a doença, participaram 60 pesquisadores espanhóis, liderados por Elías Campo, do Hospital Clinic e a Universidade de Barcelona (nordeste), e Carlos López-Otín, da de Oviedo (norte).
Os especialistas compareceram neste domingo em Madri junto à ministra de Ciência e Inovação espanhola, Cristina Garmendia, que considerou o estudo “um novo marco” para a pesquisa, ao conseguir a sequência do genoma completo de pacientes com leucemia linfática crônica e identificar quatro das mutações que a provocam.
Os responsáveis do trabalho, que representa a primeira contribuição da Espanha ao Consórcio Internacional do Genoma do Câncer (ICGC), conseguiram detectar pelo menos quatro genes que são recorrentemente modificados, ou seja comprovaram que em diferentes pacientes aparecem as mesmas mutações.
A pesquisa permitirá desenvolver estratégias terapêuticas dirigidas concretamente a estas mutações, assinalou López-Otín, que espera que em três anos a equipe de pesquisadores tenha conseguido sequenciar 500 genomas deste tipo de leucemia.
Mas o desafio mais esperado é conseguir desenvolver uma aplicação clínica do que se averiguou até agora, como ocorreu com outros tipos de câncer.
Garmendia lembrou que existe um plano com a indústria farmacêutica e se mostrou convencida que esta entenderá as “vantagens competitivas” que supõe a pesquisa na hora de propor possíveis tratamentos para a doença.
O estudo, publicado na revista Nature, consegue dar-nos novas pistas da leucemia linfática crônica, o mais comum dos tipos de leucemia em países ocidentais e diagnosticado em mil pacientes cada ano na Espanha.
É um trabalho emoldurado no ICGC, o maior projeto de pesquisa contra o câncer da história, no qual participam cientistas de 12 países para sequenciar e interpretar os 50 tipos de câncer mais importantes.
Os pesquisadores espanhóis constataram que cada tumor sofreu cerca mil mutações em seu genoma, e a posterior análise dos genes mutados em um grupo de mais de 300 pacientes permitiu identificar quatro genes cujas mutações provocam este tipo de leucemia.
Para analisar o amplo volume de dados gerado no projeto, os especialistas utilizaram uma ferramenta de computador essencial que identifica as mutações presentes nos genomas do tumor.
O programa foi criado para este projeto e servirá para a pesquisa de outros tipos de câncer, uma doença que é a segunda causa de morte na Espanha.  (Saúde Business Web)
 
 
 
 
 

08.06 - Planejamento Estratégico no Faturamento Hospitalar
A área de faturamento hospitalar,   pode ser comparada  a  uma empresa em sua integralidade, pois apresenta uma variedade de problemas para finalização de sua atividade principal, acumulando, por isso, um passivo financeiro expressivo.
Planejamento estratégico, conhecido e utilizado atualmente, é o resultado da contribuição de inúmeros autores que foram ao longo dos anos desenvolvendo e aperfeiçoando suas teorias, estudos e práticas, adequando-as para ambientes cada vez mais turbulentos e imprevisíveis.
Na área da saúde, em especial na área hospitalar, o processo é ainda mais complexo. Entender e trabalhar o processo hospitalar como negócio e equilibrar esse conceito com a função social da instituição exigem uma gestão empresarial absolutamente ética, competente e desafiadora. Logo, a elaboração periódica de um planejamento estratégico torna-se fundamental para a sustentabilidade e perenidade da organização.
Refletir sobre o faturamento hospitalar obriga-nos a por em prática todas as dimensões do planejamento estratégico, chamando nossa atenção para as perspectivas do cliente, processos internos, aprendizado e crescimento, e não somente na financeira.
A instituição hospitalar deve ampliar seu olhar, entendendo que o faturamento hospitalar tem seu início no momento da solicitação de atendimento, seja ele ambulatorial ou internação hospitalar. A burocracia na obtenção de autorizações para a realização de procedimentos médicos e uso de materiais nos hospitais é a primeira etapa a ser abordada pela aplicação da ferramenta 5W2H, garantindo um salto qualitativo nas ações e um diferencial competitivo para as instituições.
A análise das fontes pagadoras deve também ter seu lugar de destaque na verificação dos cenários.
Não menos importante, mas pouco empregada é a análise do capital humano aliada ao perfil de competências e habilidades. Deve-se lembrar que as atividades desenvolvidas na área do faturamento hospitalar são específicas, complexas, desgastantes e requerem alta concentração necessitando, portanto dessa análise ação imperativa para conquista das metas estabelecidas.
A identificação dos fatores críticos de sucesso, para área do faturamento de qualquer  instituição é igualmente  imprescindível. O uso da ferramenta BSC fornece a estrutura necessária para a escolha da estratégia em termos operacionais.
Fica evidente, portanto, a necessidade da comunicação clara, objetiva e rápida entre os níveis estratégico tático operacional, envolvendo todos os agentes nos processos e metas a serem atingidas. Cada etapa do processo é de importância fundamental para esse desenvolvimento, devendo ser respeitada e valorizada. (Enrico de Vettori, colabou Marcia Villela - Saúde Business Web)

08.06 - Abramge e Sinog: Gestão de doenças no controle de custos
A sustentabilidade do setor passa pelo controle de doenças crônicas na gestão de saúde
"É quase um paradoxo, pois ao mesmo tempo em que manter-se saudável é o assunto do momento, as pessoas têm uma grande resistência quando são abordadas para fazer  o gerenciamento de suas doenças crônicas";, afirma Ana Cláudia Assis Pinto, líder da prática de Gestão Estratégica de Saúde da Marsh Gestão de Benefícios. Durante o 16º Congresso Abramge e 7º Congresso Sinog, nos dias 18 e 19 de agosto, em São Paulo, capital, Ana Cláudia participará do talk show Gestão Assistencial e falará sobre Gerenciamento de Doenças.
Ana Cláudia diz que a gestão das doenças crônicas gerenciáveis é parte essencial da gestão de saúde, pois possibilita retorno sobre o investimento, enquanto melhora a saúde das pessoas e reduz os custos indiretos com absenteísmo e presenteísmo secundários a estas doenças. Também no talk show Gestão Assistencial, John H. Harris III, CEO de Qualidade de Vida e vice-presidente de Inovações da Healthways International, abordará o assunto Avanço Tecnológico na Gestão de Saúde.
Esse ano, o tema central dos eventos é Tecnologia na Saúde Suplementar - Instrumento para o Desenvolvimento Sustentável. Na abertura dos eventos a Conferência Magna sobre o atual estágio e as perspectivas tecnológicas do Brasil, será feita pelo jornalista Ethevaldo Siqueira, comentarista da Rádio CBN e articulista do jornal "O Estado de S.Paulo". Ainda no primeiro dia de eventos, José Sant’Anna Bevilaqua, coordenador de Tecnologia do Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), falará sobre a nova ferramenta do órgão para a realização do Censo 2010.
Na parte da tarde o talk show "Qualidade como Fator de Sustentabilidade" abordará a Visão das Operadoras, dos Prestadores e da Acreditadora sobre o tema. As palestras serão ministradas, respectivamente, por Fábio Leite Gastal, superintendente médico assistencial do Hospital Mãe de Deus - Sistema de Saúde Mãe de Deus; Martha Sevedra, diretora do Hospital Barra D'Or Brasil; e Rubens Covello, presidente do Instituto Qualisa de Gestão (IQG). Para fechar a data, Gonzalo Vecina Neto, ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e atual superintendente corporativo do Hospital Sírio Libanês, fala sobre "Tecnologia na Saúde Suplementar - Instrumento para o Desenvolvimento Sustentável do Sistema".
No segundo dia, será abordado o tema "Gestão Assistencial". Em foco, o "Gerenciamento de Doenças" e "Avanço Tecnológico na Gestão de Saúde". Apresentarão estes temas, respectivamente, Ana Cláudia Assis Pinto, líder da Prática de Gestão Estratégica de Saúde da Marsh Gestão de Benefícios; e John H. Harris III, CEO de Qualidade de Vida e vice-presidente de Inovações da Healthways International.
O talk show sobre Tecnologia para Pequenas e Médias Operadoras encerra o período da manhã. O assunto será ministrado por Luiz Antonio De Biase Nogueira, representante da Abramge no Comitê de Padronização das Informações em Saúde Suplementar (COPPIS), que falará sobre "Tecnologia da Informação na Gestão da Saúde" e Lincoln de Moura Assis Junior, diretor-presidente da Zilics, com foco no "Acesso para Pequenas e Médias Operadoras".
Para finalizar os Congressos, Maurício Ceschin, diretor-presidente da ANS, será sabatinado em uma "Roda Viva" com a participação de líderes dos vários segmentos do setor.
Confira a programação completa e os descontos oferecidos nas inscrições dos evento no link:
 http://www.abramge.com.br/mailling/Redirect.aspx?3267|||333228|||www.abramge.com.br/16congresso.htm Abramge/AssPreviSite)

08.06 - Ministério: R$ 900 mi para atenção básica
O Ministério da Saúde vai coordenar ações voltadas ao aprimoramento da atenção básica em todo o país. Para isso, o Ministério da Saúde garantirá, por ano, recursos da ordem de R$ 900 milhões, destinados à estratégia de certificação da qualidade da assistência.
O objetivo das novas medidas – definidas em conjunto com os estados e municípios – é incentivar os gestores locais do Sistema Único de Saúde a melhorar o padrão de qualidade da assistência oferecida aos usuários do SUS nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e por meio das equipes de Saúde da Família.
Os primeiros resultados dessa mudança de diretriz na atenção primária à saúde da população brasileira estão previstos para o próximo semestre. Para isso, o Ministério da Saúde garantirá, por ano, recursos da ordem de R$ 900 milhões, destinados à estratégia de certificação da qualidade da assistência.
O novo modelo para a atenção básica no SUS – que também inclui reforma e ampliação das atuais 36,8 mil UBSs e a construção de novas unidades – é focado na melhoria da qualidade e do acesso aos serviços públicos de saúde.
Segundo o ministro da saúde, Alexandre Padilha, o governo vai induzir a qualificação da atenção primária no país. E afirma que há disposição de até dobrar os valores repassados às Equipes de Saúde da Família que cumprirem metas de qualidade e comprovarem a melhoria do atendimento à população.
A reestruturação da política de atenção básica no SUS – para a qual estão previstos cerca de R$ 2,2 bilhões a mais por ano, elevando o orçamento anual da política de R$ 9,8 bilhões para R$ 12 bilhões – prevê um aumento de até 26% no Piso de Atenção Básica (PAB) Fixo repassado aos municípios mais carentes do país. Com o aumento, o valor anual per capita do PAB Fixo passará de R$ 18 para R$ 23.
O incentivo financeiro repassado às Equipes de Saúde da Família (ESFs) – o chamado PAB Variável – estará vinculado ao cumprimento de parâmetros de qualidade e terão um aumento de aproximadamente 5%.
De acordo com o Ministério da Saúde, será criado um componente de qualidade atrelado a este incentivo, que poderá até dobrar os valores mensais pagos às ESFs.
Indicadores
Para a definição de critérios para o aumento dos incentivos financeiros na atenção básica, o Ministério da Saúde adotou indicadores nos municípios, como o PIB per capita, o percentual de pessoas em extrema pobreza, o índice de famílias beneficiárias do Bolsa Família, a densidade demográfica o percentual de usuários
de planos de saúde.
Para Padilha, a satisfação da população com os serviços oferecidos nas UBSs e também por meio das Equipes de Saúde da Família também será um importante indicador para a definição dos repasses financeiros.
As metas de qualidade dos serviços de saúde – tanto nas Unidades Básicas como pelas ESFs – serão contratualizadas pelos Municípios junto ao Ministério da Saúde. Elas serão constantemente acompanhadas pelo governo federal, em parceria com universidades e institutos de ensino que serão contratados para o monitoramento e a avaliação da qualidade da assistência oferecida aos usuários do SUS.
UBSs
Parte da estratégia de fortalecimento da atenção básica no SUS será a requalificação das UBSs. Parte das 36,8 mil atuais UBSs passará por adequação e padronização da estrutura física. Também está prevista a construção de novas Unidades Básicas de Saúde.
Até o final deste ano, um amplo censo será realizado, em todo o país, para a verificação das condições e certificação das Unidades Básicas de Saúde em funcionamento. A construção de novas UBSs atenderá a critérios de prioridade, em que serão considerados indicadores municipais como o PIB per capita, o percentual de pessoas em extrema pobreza e o índice de Unidades Básicas de Saúde com qualificação insuficiente.
As construções de UBSs serão periodicamente acompanhadas por consultoria independente como também pelo Ministério da Saúde, por meio da Ouvidoria (proativa) e de um novo sistema de acompanhamento de obras, que deverá ser alimentado pelos Municípios.
Valorização Profissional
O novo modelo de atenção básica também prevê a valorização profissional no SUS. Para isso, o governo federal coordenará medidas de incentivo aos profissionais para a garantia da assistência à população; principalmente, atenderem em regiões remotas ou com maior carência de mão-de-obra em saúde.
Entre as possibilidades estão a oferta de cursos de especialização (presenciais ou a distância), a ampliação do programa Telessaúde para apoio ao diagnóstico clínico (conhecido como “segunda opinião médica a distância”), a contagem de pontos para Residência Médica e, em parceria com o Ministério da Educação, o abatimento de dívida junto ao programa de Financiamento Estudantil (Fies).   (Saúde Business Web)
 
 
 
 
 

07.06 - Luta contra Aids completa 30 anos
Pesquisas apontam avanço do vírus entre os mais jovens, cuja vulnerabilidade talvez resida no fato de não terem sofrido perdas para a Aids
A comunidade internacional, reunida nesta semana em Nova York, debate os avanços e desafios da prevenção e do tratamento da Aids no momento em que se completam três décadas de convívio com o vírus HIV.
Do pânico inicial deflagrado pela doença, cujas primeiras manifestações foram detectadas em 1981, percorremos um longo caminho ao momento atual, no qual os portadores do vírus com acesso a tratamentos adequados têm qualidade de vida e longevidade preservadas.
Essa caminhada contou, sem dúvida, com grande protagonismo e pioneirismo do Brasil, que mostra na Reunião de Alto Nível sobre Aids das Nações Unidas êxitos e disponibilidade para ajudar os demais países, sobretudo os mais pobres, a enfrentar a doença.
Além das políticas de prevenção, diagnóstico precoce e acesso universal e gratuito ao tratamento antirretroviral, eixos da ação do Ministério da Saúde, levamos à conferência nossa parceria com a sociedade na elaboração das estratégias de combate à Aids e a outras doenças sexualmente transmissíveis.
Apresentamos também a lei sancionada pela presidenta Dilma que prevê a doação de dois dólares para cada bilhete aéreo internacional à Central Internacional para Compra de Medicamentos (Unitaid), sem que haja cobrança de taxa adicional aos passageiros.
Há 20 anos, quando foram descobertas as primeiras drogas, iniciamos a oferta do tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Há 15 anos o serviço é universal, beneficiando, hoje, 210 mil brasileiros.
Atualmente, produzimos dez dos 20 medicamentos do coquetel distribuído aos pacientes e asseguramos uma rede de monitoramento do HIV, como os exames da carga viral e do sistema imunológico.
Com o estímulo à indústria nacional e a ampliação no atendimento, o custo individual caiu 24% desde 2003. Além de adquirir os remédios diretamente, com verbas próprias, o Ministério da Saúde repassa recursos aos Estados e aos municípios para apoiá-los na distribuição aos pacientes.
Esse conjunto de medidas tem resultados expressivos. Soropositivos diagnosticados na fase inicial da doença, por terem acesso ao tratamento, têm condições de vida e longevidade semelhantes a quem não tem o vírus.
Entre as crianças, a chance de superação da barreira de cinco anos após o diagnóstico disparou de 24% para 86% entre os anos de 1983 e 2007. Já a transmissão da mãe para o bebê durante a gestação caiu 44,4% de 1999 a 2009.
Por outro lado, realizamos esforços para a prevenção da contaminação, estimulando, sobretudo, a prática do sexo seguro.
Só neste ano, distribuiremos 1,4 bilhão de preservativos, além de campanhas de conscientização e orientação. Com nossa política de redução de danos aos dependentes químicos, diminuímos o contágio por uso de drogas injetáveis de 25% no início dos anos 90 para 5,8% entre homens e 2% entre mulheres.
A eficácia de nossa sólida política preventiva é atestada pela estabilidade, ao longo da última década, da epidemia no Brasil.
A experiência brasileira nos últimos 30 anos não nos isenta de reconhecer os desafios que a luta contra a Aids ainda impõe. Pesquisas apontam avanço do vírus entre as mulheres e entre os mais jovens, cuja vulnerabilidade talvez resida no fato de não terem sido parte da geração que sofreu, com perplexidade, a perda de ídolos, parentes e amigos para a Aids.
A superação desses obstáculos deve preservar a maior de nossas conquistas: a estruturação de rede de acolhimento, sem qualquer preconceito ou juízo de valor, para quem vive com HIV.
Além de garantir a saúde, é fundamental continuarmos trabalhando pelo respeito à autoestima e à cidadania de todos. (ALEXANDRE PADILHA - Folha de S.Paulo)

07.06 - Aids tem tratamento mais barato e cura distante
Medicamentos que já custaram US$ 15 mil hoje podem chegar a U$ 140
THá exatos 30 anos, foram confirmados os primeiros casos de uma doença que viria a ser chamada de Aids, anos depois – a doença causada pelo vírus HIV ainda não tem cura, mas pode ser controlada graças aos novos tratamentos.
A divulgação de um estudo sobre "cinco homens jovens de Nova York e Califórnia, todos eles homossexuais ativos" marcou, no dia 5 de junho de 1981, o primeiro reconhecimento de um governo de que existia uma nova e rara doença.
Três décadas depois, com 33,3 milhões de afetados pelo vírus HIV em todo o planeta, a Aids deixou de ser uma sentença de morte e passou a ser um mal controlável, mas ainda apresenta grandes desafios quanto a sua prevenção e ao financiamento dos tratamentos, o que promete mantê-la como uma das grandes prioridades médicas do século 21.
Ainda não existe um medicamento que cure definitivamente a Aids, nem uma vacina que evite a doença, embora tenha sido demonstrada a importância dos remédios antirretrovirais, que melhoraram muito a qualidade de vida dos doentes e se tornaram bem mais baratos ao longo dos anos.
A cura, de fato, ainda não surgiu devido ao fato de o HIV se integrar rapidamente ao DNA da pessoa, o que o torna "invisível" para o sistema imunológico.
Mas, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), o custo direto dos primeiros tratamentos com esses coquetéis que era de entre US$ 12 mil e US$ 15 mil por pessoa ao ano, hoje tem custo direto de U$ 140 anualmente por pessoa na África.
Hoje, 40% dos contaminados pelo vírus HIV têm acesso a ele – cerca de 6 milhões dos 13,5 milhões de doentes.
Também foram registrados avanços na prevenção da transmissão de mãe para filho e, atualmente, 50% das grávidas que possuem o vírus já recebem tratamento.
Na América Latina, onde atualmente há 1,8 milhão de pessoas infectadas, os tratamentos alcançam 60% dos pacientes.
Nos países ricos, a hepatite C é a principal causa de morte entre os pacientes que têm suas defesas debilitadas pela Aids, enquanto nos países pobres é a tuberculose que mata mais.
A doença pelo mundo
Dos 33,3 milhões de afetados pelo vírus HIV no mundo atual, 65% vivem na África Subsaariana. A Aids é a principal causa de morte na África, continente com maior número de infectados.
As mulheres representam a metade das pessoas que vivem com o HIV no planeta, e mais de 60% das infecções pelo HIV na África Subsaariana.
Os países mais afetados pela infecção estão no sul do continente: Suazilândia (25,9% de infectados), Botsuana (24,8%), Lesoto (23,6%) e África do Sul (17,8%).
O segundo continente mais afetado é a Ásia, com 4,7 milhões de pessoas. Desde que a doença foi identificada, cerca de 60 milhões de pessoas foram infectadas.
Em 2008, 2 milhões de pessoas morreram e 2,7 milhões contraíram o HIV, embora esse último número represente uma queda de 17% nos últimos oito anos. Mesmo assim, as Nações Unidas alertaram para o fato de o contágio aumentar na Europa Oriental e na Ásia Central, devido ao uso de drogas injetáveis.
Na América Latina, 1,8 milhão de pessoas estão infectadas, entre adultos e crianças, e em 2008 houve 77 mil mortes. O país latino-americano com mais casos em termos absolutos é o Brasil,já que tem também a maior população. Por outro lado, os países com mais casos por habitantes são Haiti, República Dominicana e Bahamas.
O número de novos casos de Aids no Brasil registrou crescimento entre 2008 e 2009. No ano passado, foram descobertos 38.538 portadores do vírus HIV, contra 37.465 casos em 2008. A diferença é de 1.073 e representa um crescimento de 3% de um ano para o outro.
Segundo dados do Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais, os casos de morte vinculada à Aids também cresceram nos últimos três anos no Brasil, onde11.523 pessoas morreram em 2008, contra 11.372 em 2007 e 11.046, em 2006.  (Efe/R7)

07.06 - Vitiligo: Esperança para o tratamento
Há décadas, cientistas do mundo inteiro vêm estudando as causas e o tratamento do vitiligo. A doença, que não escolhe etnia, idade e sexo, acomete até 2% da população mundial (quase 200 milhões de pessoas) e ainda não tem cura definitiva. Contudo, os avanços da medicina já oferecem um tratamento eficaz que possibilita ao paciente levar uma vida normal e feliz. O problema é provocado pela destruição autoimune de melanócitos, com possível predisposição genética. O grau de despigmentação pode ser hipopigmentada até totalmente despigmentada. E, como qualquer outra doença, o vitiligo tem maior possibilidade de eficácia no tratamento quando diagnosticado logo no início.
É preciso ficar atento com as reações aos acontecimentos do dia a dia. Raiva, depressão, estresse, preocupações excessivas podem ser um dos fatores desencadeantes do vitiligo. O desequilíbrio do sistema imunológico pode fazer com que o corpo comece a eliminar os pigmentos da pele. Depois do diagnóstico, o lado emocional do paciente tende a ficar abalado, dependendo da abordagem médica. Devido à falta de informação ainda existente na sociedade, essa dermatose pode até levar à perda de status social em algumas sociedades. Por isso, o vitiligo é um desafio à autoestima. O paciente necessita de orientação médica adequada e de apoio emocional.
Descoberto por um dermatologista nos EUA em 1997 e já havendo muitas publicações com relatos de ótimos resultados, auxiliando pacientes com vitiligo e psoríase em menos de 20% do corpo, ótimos resultados em lesões recentes, excelente para ser aplicado em lesões de difíceis aplicações em fototerapia por cabine, já está disponível em Belo Horizonte o tratamento por fototerapia a laser, com o equipamento Excimer 308 nm. Os critérios para esse tratamento do vitiligo são: ter o diagnóstico clínico da doença; estar no mínimo há quatro semanas sem fazer outros tipos de fototerapia com UVB ou PUVA; e remover o tratamento tópico com corticoide por no mínimo duas semanas. Para evitar novas ocorrências, é indicada a associação de outras técnicas ao tratamento.
Dermatologistas que atendem a ocorrências de vitiligo devem seguir as regras da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) – Departamento de Dermatoses Psicossomáticas. Importante ter uma visão multidisciplinar, holística e humanitária. Além disso, todos aqueles que fazem parte da rede de relacionamentos do paciente precisam ser conscientizados para poder ajudá-lo a melhorar sua autoestima e a estimular a vontade de se curar.
O tratamento a laser é indicado para pacientes acometidos por vitiligo e psoríase. A técnica consiste na aplicação de um laser sobre a lesão, emitido por aparelhos específicos, preservando a pele sã. Em época anterior ao tratamento a laser, adotava-se a fototerapia em cabines, que apresentava o inconveniente da irradiação por todo o corpo e não apenas na área lesionada. Essa técnica, em geral, ainda é indicada para pacientes que tenham mais de 20% do corpo acometido.
Por isso, é muito importante iniciar o tratamento em lesões recentes, preferencialmente iniciadas nos últimos três anos. Adultos e crianças de qualquer idade podem ser submetidos ao procedimento. As pessoas que encontrarem uma manchinha branca no corpo devem se consultar com especialista da área dermatológica para obter o diagnóstico correto. Ela pode aparecer de um dia para o outro. É aconselhado não esperar aparecerem mais manchas nem deixar ficar maior para procurar o médico.
Após os exames, o dermatologista poderá prescrever o melhor recurso medicamentoso ou fototerápico e, ainda, indicar qual a melhor tecnologia para a situação específica de cada paciente. Apesar de as doenças atingirem considerável parcela da população, esse tratamento ainda não está disponível na rede pública de saúde para pacientes que tenham menos de 20% do corpo acometidos pelo problema ou outras dermatoses, entre elas a psoríase.  (Tânia Nely Rocha - Estado de Minas)
 
 
 
 
 

06.06 - Europa: Surto infeccioso
Surto é causado por tipo "supertóxico" e inédito de bactéria
Segundo cientistas e a OMS, mutação altamente letal e resistente a antibióticos é responsável pelas infecções
Mortos já chegam a 19, sendo 18 na Alemanha, centro do surto; número de infectados na Europa e EUA é de quase 2.000
O surto infeccioso que já matou 19 pessoas e deixou perto de 2.000 doentes na Europa está sendo provocado por variedade inédita e "supertóxica" da bactéria Escherichia coli (E.coli), disseram cientistas e a OMS (Organização Mundial da Saúde).
A infecção continua a se alastrar: são 11 os países atingidos. Ontem, o Reino Unido confirmou os seus sete primeiros casos. Três são britânicos que estiveram na Alemanha, e os demais são alemães. Com 18 mortos, a Alemanha é o centro do surto.
Cientistas da laboratório de biotecnologia BGI, na China, e do Centro Médico Universitário de Hamburgo-Eppendorf (UKE), na Alemanha, fizeram em conjunto um mapeamento genético preliminar da bactéria.
Eles detectaram uma mutação de duas formas distintas da E.coli, com genes altamente letais, resistentes a antibióticos e que produzem a chamada síndrome hemolítico-urêmica (HUS, em inglês), causa de complicação renal.
"Trata-se de variante que nunca havia sido isolada em pacientes", disse Hilde Kruse, especialista em segurança de alimentos da OMS. Segundo ela, a bactéria contém "várias características que a tornam mais virulenta e a fazem produzir mais toxinas".
Segundo o UKE, cerca de 30% de pessoas infectadas desenvolveram sintomas de HUS, o que é considerado uma proporção altíssima- o usual é entre 5% e 10%.
Autoridades da região de Hamburgo, no norte da Alemanha, onde o surto teve início, chegaram a apontar pepinos de origem espanhola como fonte da infecção. Mas testes praticamente descartaram a suspeita.
Agora, alemães admitem que não só não fazem ideia de qual seja a origem da infecção como acham que nunca vão descobri-la. "Talvez nunca encontremos a fonte exata", afirmou Reinhard Burger, chefe do Instituto Robert Koch, a agência alemã de controle de doenças.
"Tamanho número de casos severos significa que houve imensa contaminação em algum momento", disse Denis Coulombier, chefe do Centro Europeu de Controle e Prevenção de Doenças.
"Isso pode ter acontecido em qualquer ponto da cadeia entre a fazenda e o garfo -no transporte, no empacotamento, na limpeza, na distribuição ou nas lojas." Permanece a recomendação de que se evite a ingestão de legumes e hortaliças crus.
A Rússia decidiu proibir a importação de todos os tipos de vegetais frescos vindos da União Europeia, que qualificou a decisão de "desproporcional". Já vigorava um veto russo a legumes da Espanha e da Alemanha.
BRASIL
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) informou que está monitorando a situação e por ora não tomará nenhuma medida adicional em relação aos legumes vindos da Espanha.
O Itamaraty também informou que, no momento, não vê necessidade de uma recomendação sobre o caso.   (CAROLINA VILA-NOVA, colaborou ANGELA PINHO - Folha de S.Paulo)

06.06 - Surto de E. coli gera crise entre países da Europa
Além de 18 mortes, o surto da bactéria Escherichia coli (E. coli) originado na Alemanha está causando perdas econômicas, gerou uma crise entre a Rússia e a União Europeia e levou a França a lançar um apelo para que não sejam realizados cortes no orçamento agrícola do bloco.
O ministro francês da Agricultura, Bruno Le Maire, disse ontem que a Europa não pode cortar os seus gastos agrícolas se pretende evitar futuras crises alimentares. "Eu também gostaria de poder cortar o orçamento, mas teremos que explicar aos consumidores que também precisaremos cortar os controles sanitários, que são parcialmente pagos pela política agrícola comum", disse Le Maire. No final deste mês, a Comissão Europeia deverá apresentar as linhas gerais orçamentárias para os próximos sete anos.
A Rússia ampliou ontem o veto à importação de vegetais de Espanha e Alemanha para incluir todos os países da Europa. "As coisas que vêm acontecendo na União Europeia há um mês não acontecem nem em países africanos", disse Gennady Onishchenko, diretor da Rospotrebnadzor, agência estatal russa para os direitos do consumidor. "Defino a ação das agências de saúde da UE e outros órgãos europeus responsáveis por esta desgraça como não profissional e irresponsável."
A União Europeia reagiu duramente, definindo como "desproporcional" a medida russa. Nada menos de 45% das importações russas de frutas e legumes vêm da Europa, num negócio de US$ 5,5 bilhões por ano. De acordo com a Freshfel, uma organização de produtores agrícolas europeus, a produção de frutas e vegetais na UE movimenta US$ 70 bilhões anuais, com um valor de US$ 170 bilhões para toda a cadeia de suprimentos. Com vendas de US$ 7,7 bilhões em 2010, a Holanda é o maior exportador mundial de vegetais.
A Polônia, um dos maiores exportadores de frutas e vegetais para a Rússia, disse que a decisão de Moscou era "excessiva", mas também fez reparos ao órgão executivo da UE. "A Comissão Europeia não pode fingir que não aconteceu nada. A situação já está afetando os fazendeiros", disse Marek Sawicki, ministro da Agricultura.
O primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, também atacou a Comissão Europeia e a Alemanha. "Eu teria preferido uma reação mais clara da Comissão", disse em entrevista a uma rádio. "O governo federal alemão deveria saber que tem uma responsabilidade geral para com outros Estados na União Europeia e nós iremos requisitar explicações muito diretas e exigir reparações adequadas." Agricultores espanhóis dizem que a infundada acusação alemã de que o surto teve origem em pepinos da Espanha está causando prejuízos de € 200 milhões por semana e pode causar a perda de emprego a 70.000 pessoas. Ontem, em Valência, agricultores fizeram um protesto, despejando 300 quilos de vegetais na frente do consulado alemão. Desde o início da crise, o preço do pepino despencou do patamar de 20 centavos de euro para entre 5 e 7 centavos.
Até o momento, ainda não foi descoberto o produto que está causando a doença. Alguns cientistas suspeitam que a versão letal da E. coli tenha se originado em esterco contaminado usado para fertilizar vegetais. "Devemos pensar numa origem animal", afirmou Hilde Kruse, especialista em segurança alimentar da Organização Mundial da Saúde. "Muitos animais são hospedeiros de vários tipos de E. coli produtores de toxinas."
Segundo Kruse, o surto está sendo provocado por "uma cepa única que jamais foi isolada a partir de pacientes antes". Essa cepa nova tem "várias características que a tornam mais virulenta". Essas toxinas destroem as células sanguíneas e também atacam os rins.
Desde o começo do surto, já foram constatados casos em 11 países (Alemanha, Áustria, Dinamarca, França, Holanda, Noruega, Espanha, Suécia, Suíça, Reino Unido e Estados Unidos), com cerca de 1.600 pessoas afetadas. (Financial Times/Valor Online)

06.06 - "Personalidade promíscua" da bactéria
A pequena, ordinária e acima de tudo promíscua Escherichia coli está tendo seus 15 minutos de fama graças a um conjunto de mutações que produziu a cepa letal da Europa. Mas, antes de aprontar a maldade com seres humanos, a bactéria teve de aguentar calada muito desaforo.
A E. coli, como é conhecida, é o principal organismo de pesquisa biotecnológica. Ela tem seu DNA manipulado sem dó para produzir insulina e outras drogas de interesse da humanidade.
É cultivada e vendida aos bilhões a laboratórios. É usada em testes de contaminação de água por fezes (daí a palavra "coliforme fecal"). E seus cromossomos, picados e emendados, permitiram sequenciar o genoma humano.
Essa versatilidade se deve, entre outras coisas, à promiscuidade da E. coli. Por meio de um anel de DNA, o plasmídeo, que salta de bactéria a outra, a E. coli pode contrabandear material genético a bactérias que não são parentes e incorporar genes de outros organismos, como vírus.
Esse mecanismo é chamado transferência horizontal de genes, e é a base da moderna indústria da biotecnologia (que nos deu vacinas e alimentos transgênicos).
Mas a mesma "personalidade" que a torna útil aos geneticistas cria cepas virulentas, como a que causou um surto nos EUA em 2006 e o da Europa neste ano. A E. coli absorve facilmente por transferência horizontal genes resistentes a antibióticos e genes de produção de toxinas.
A análise genômica da linhagem que assusta a Europa também mostrou que ela resiste ao telúrio, elemento usado como antimicrobiano em laboratórios e na indústria eletrônica, cada vez mais presente em solos e água.  (CLAUDIO ANGELO - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 

03.06 - Planos: Resistência em aceitar dependentes homossexuais
Seguros Unimed e Intermédica seguem determinação dos clientes corporativos
Desde meados do ano passado, as empresas de plano de saúde são obrigadas a aceitar companheiros de homossexuais como dependentes, graças a uma determinação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).Na época, parecia que a questão seria solucionada por completo, mas quase um ano após a divulgação da súmula normativa, os casais homossexuais ainda esbarram no preconceito. Nos casos de planos corporativos cabe à companhia contratante solicitar à empresa de saúde a inclusão dos companheiros de seus colaboradores gays, o que nem sempre acontece.
Na Seguros Unimed, 20% das empresas que contratam planos corporativos não reconhecem a união homoafetiva." A primeira companhia que nosso licitou esta inclusão foi o Banco Real, em2005. Atualmente, 80% das companhias que atendemos aceitamque seus colaboradores homossexuais incluam parceiros nos planos. Nos casos em que não há esta alternativa temos de respeitar a decisão do cliente", diz Rafael Moliterno Neto, presidente da Seguros Unimed, que aceita parceiros de mesmo sexo de seus colaboradores no plano de saúde desde 1997.
Como explica a advogada Raquel Castro, membro da comissão de direito homoafetivo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), as empresas que contratam modalidade de planos as quais incluem dependentes devem aceitar companheiros de homossexuais. "As companhias que não fazem isso estão agindo ilegalmente", afirma. Mesmo com a resistência de algumas empresas, a Seguros Unimed acredita no potencial do público gay e planeja desenvolver uma comunicação direcionada. "Os planos de saúde em si não mudam, mas a comunicação pode ser mais específica", afirma Moliterno. De um total de 300 mil vidas atendidas pela Seguros Unimed, 843 contratos são de casais homossexuais, ou seja, 1.686 pessoas.
A Intermédica também percebe a resistência dos contratantes de planos corporativos. Desde a determinação da ANS, apenas 12 companhias pediram para a empresa de saúde considerar a união homoafetiva nos convênios. "As pessoas ficam retraídas em fazer esta solicitação ou não têm como comprovar a união", diz Pedro Onófrio, diretor médico do grupo Notre- Dame-Intermédica. De um total de 2,5 milhões de pessoas atendidas, 95%pertencem a planos corporativos.
PELOS CORREDORES
Sem saber qual é a postura da empresa, muitos colaboradores ficam constrangidos de buscar informações sobre benefícios. "Muita gente não se assume homossexual por medo de perder o emprego ou sofrer retaliações no trabalho. As empresas também não costumam fazer uma comunicação clara sobre a inclusão de companheiros homossexuais nos convênios ", afirma Leandro Rodrigues, coordenador de comunicação da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo. No entanto, a relação entre homossexuais e empresas de planos de saúde mudou. Rodrigues explica que antes determinação da ANS as reclamações eram recorrentes, o que mudou e tende melhorar ainda mais. "A súmula da ANS não era uma lei e sim uma orientação. Em alguns casos, o cliente tinha de reclamar na agência reguladora para ver seu direito cumprido. A decisão STF tem efeito vinculante e nenhum juiz pode julgar um caso de maneira diferente", diz a advogada Raquel, da OAB-RJ.
Atualmente, 80% das companhias que atendemos aceitam que seus colaboradores homossexuais incluam parceiros nos planos  (CINTIA ESTEVES - Brasil Econômico)

03.06 - Na Saúde básica, estrutura insuficiente é regra
Ministério decide reestruturar o setor após diagnóstico de que faltam condições para atender a população
O Ministério da Saúde diagnosticou que 75% das 36.800 unidades básicas de saúde (UBSs) têm infraestrutura insuficiente para o atendimento à população. O levantamento, confrontado com os problemas da qualidade do acesso ao Sistema Único de Saúde (SUS), levou a presidente Dilma Rousseff a bater o martelo sobre uma proposta para reestruturar a atenção básica. Entre as ações previstas, o aumento de recursos para cidades mais pobres, a reforma de postos em situação inadequada e a construção de novas unidades. A Saúde também fechou com estados e municípios o plano para gratificar quem se propuser a cumprir metas de qualidade de atendimento, sujeitas a verificação anual.
A primeira ação será anunciada hoje por Dilma no lançamento do plano Brasil Sem Miséria. O governo vai elevar em 26% o valor dos repasses do Piso de Atenção Básica Fixo para 70% dos municípios mais pobres do país. O valor passará de R$18,00 para R$23,00 por pessoa. As reformas e construções de novas UBSs também vão priorizar as cidades com maior número de pessoas em situação de pobreza extrema e com menor PIB per capita.
O governo deve gastar, por ano, R$2,2 bilhões para construir cerca de oito mil novas unidades e reformar as unidades em situação irregular. A maioria das UBSs, de acordo com o diretor do Departamento de Atenção Básica, Hêider Pinto, não atinge o tamanho mínimo de 154 metros quadrados. Elas também pecam pela falta de banheiro e salas de observação e de acolhimento. As novas deverão ter, no mínimo, 230 metros quadrados. A Saúde promete ainda realizar um censo para analisar a falta de equipamentos e o estado de conservação das unidades em uso.
- Esse diagnóstico só reforça a necessidade de termos uma grande prioridade para a atenção básica de saúde no país. Mostra-nos que temos que investir na reforma e construção de unidades básicas - disse ao GLOBO o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Atendimentos de excelência serão recompensados
Padilha afirma que sua pasta começa a executar ainda no segundo semestre o chamado Programa de Certificação de Qualidade, que receberá R$900 milhões só em 2011. O programa voltado à Estratégia de Saúde da Família - considerada prioritária pelo governo - cria um mecanismo que poderá até mesmo dobrar o valor que determinada equipe recebe da União, desde que ocorra uma atendimento de excelência. Para isso, a prefeitura terá que assinar um contrato com as metas individualizadas, submetidas a protocolos e sob avaliação constante de técnicos contratados junto a universidades de todo o país.
Cada equipe poderá ter um reforço de caixa mensal de até R$6,5 mil, valor que salta para R$8,5 mil caso também ocorra atendimento de saúde bucal. Para isso, entretanto, a equipe deverá comprovar a qualidade dos prontuários e se comprometer com prioridades do Ministério da Saúde. Por exemplo, garantir pré-natal de qualidade e o atendimento de hipertensos e diabéticos. A Saúde vai entrevistar usuários do SUS para comprovar o cumprimento das metas.  (Roberto Maltchik - O Globo)

03.06 - Vacina contra a gripe pode reduzir risco de parto prematuro
Mulheres vacinadas contra a gripe durante a gravidez podem ter um risco menor de parto prematuro e bebês de baixo peso, segundo um estudo feito nos Estados Unidos e publicado nesta semana na revista médica PLoS Medicine.
A pesquisa, feita na Universidade Emory, na Georgia, estudou um grupo de mais de 4 mil mães entre junho de 2004 e setembro de 2006, prestando atenção especial nos bebês nascidos durante a temporada de gripe no hemisfério norte, que ocorre entre outubro e maio (no Brasil, que está no hemisfério sul, é o contrário).
A conclusão foi que bebês nascidos nessa época tinham menos chance de serem prematuros se suas mães tomaram a vacina em qualquer período da gestação. Fora da temporada da doença, a diferença não foi relevante.
Os pesquisadores alertam, no entanto, que este é apenas um estudo estatístico e que mais pesquisas precisam ser feitas sobre o tema. (Portal G1)
 
 
 
 
 

02.06 - Um basta contra os abusos
Reduzir a luta dos médicos ao reajuste de honorários atrelados aos prati­­­cados junto aos usuários dos planos é ignorar os enormes prejuízos que tais empresas causam à sociedade
A decisão liminar da Justiça Federal que cancelou o ato administrativo praticado pela Secretaria de Direito Econômico (SDE), órgão do Minis­­­tério da Justiça, contra os médicos e suas entidades representativas foi um libelo em defesa da liberdade de expressão de todos os trabalhadores brasileiros.
O argumento que derrubou por terra a pretensão do órgão do governo foi simples e certeiro: as medidas impetradas foram embaladas no abuso de poder causado pela extrapolação de competência. O juiz Antonio Correa, da 9.ª Vara da Justiça Federal, agiu de forma isenta e equilibrada ao encontrar na própria legislação que regulamenta a SDE as pistas do excesso praticado.
Como ele apontou, a análise minuciosa da Lei n.º 8.884/94, que define as competências da Secretaria, revela que sua missão se atém ao campo das atividades de mercado, diretamente vinculadas às empresas. Como bem lembrou o magistrado, as expressões mercado e empresa não se aplicam à prática da atividade da Medicina.
Sabemos que essa é apenas uma etapa – importante, sem dúvida –, mas que não representa o fim dessa cruzada para assegurar a devida valorização do exercício da Medicina. Possivelmente, seremos alvo de recursos e questionamentos legais, os quais serão superados com argumentos técnicos e jurídicos que justificam a posição dos médicos.
O movimento da categoria espera das operadoras respostas que garantam a qualidade da assistência oferecida aos seus 46 milhões de usuários. Reduzir a luta dos médicos ao reajuste de honorários atrelados aos praticados junto aos usuários dos planos é ignorar os enormes prejuízos que tais empresas causam à sociedade. O cidadão que contrata um desses planos espera que lhe seja proporcionado acesso a exames, procedimentos e uma equipe de médicos em condições de atendê-lo com segurança e tranquilidade em caso de necessidade.
Ao tratar o médico com desrespeito e indiferença, essa empresa não cumpre sua promessa de assistência. A saída para o problema é respeitar os profissionais. Ou isso ou acabarão sem médicos qualificados para atender seus usuários.
Com a recusa em atender as queixas dos médicos, que incluem interferência em sua autonomia e a desvalorização do seu ato, os planos reduzem as opções do profissional e deixam aberta a porta do descredenciamento. Entrar por ela passa a ser uma possibilidade real.
As entidades médicas não querem isso, mas admitem que a ausência de alternativas e o ato praticado pela SDE insuflam uma insatisfação que vem da rotina dos consultórios, ambulatórios e hospitais. E aqui, sublinhamos: o que está em jogo é uma relação contratual de trabalho, com profundas consequências para toda a sociedade.
A Constituição Federal, em seu artigo 170, diz que a ordem econômica, fundada na valorização do trabalho e na livre iniciativa tem por fim assegurar a todos existência digna e a justiça social.
O texto assegura a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo casos previstos em lei. Ora, os médicos não são empresas e suas entidades não comandam um cartel.
Somos 347 mil cidadãos brasileiros que não pleiteiam a eliminação da concorrência ou o aumento abusivo dos lucros, como sugeriu a SDE. O que exigimos é respeito, reconhecimento e a valorização de nosso papel, sem os quais se coloca em risco a vida de milhões de brasileiros que acreditaram nas promessas dos planos de saúde.   (Roberto Luiz d’Avila - Gazeta do Povo Online)

02.06 - Tabelar preços é o pior caminho
Quanto mais críticas ouço quando digo que o tabelamento de preços é a pior doença da saúde, mais tenho vontade de repetir.
O que se ganha com o tabelamento ?
Ou quem realmente ganha com ele ?
Já comentamos sobre as tabelas AMB e como elas, ao invés de proteger o médico, atualmente nivelam por baixo a prática médica. A CBHPM hoje, além de não tabelar preço nenhum porque todos aplicam redutores variáveis dependendo do grupo, o que acaba fazendo que o médico acabe ganhando menos que um ‘personal trainer’ – vale mais a pena cuidar de gente sarada hoje em dia do que de doente !
E falta falar do Brasíndice.
Criado para coibir o abuso de preços em medicamentos no passado, foi perdendo o sentido devido a diversidade de fabricantes, similares, genéricos, e hoje é uma verdadeira baderna.
Existem 2 tipos de preço nele:
O PMC, ou preço máximo ao consumidor, para parte dos medicamentos;
O PF, ou preço de fábrica, para a outra parte.
Como podem um hospital e uma farmácia praticar o mesmo PMC  ?
A Farmácia simplesmente compra o medicamento e vende – seu único custo é receber, armazenar e ‘desovar’ … entre a receita e a caixa na mão do cliente é só uma ida e volta à prateleira;
O hospital recebe o produto, fraciona, manipula, dilui, ministra no paciente … entre a prescrição e o paciente vários processos administrativos e técnicos que custam caro.
E quando não tem PMC é pior: a RN 241 da ANS estabelece que o serviço de saúde pode aplicar um índice que corresponde aos custos de seleção, programação, fracionamento, armazenamento, distribuição, manipulação, unitarização, dispensação, controle e aquisição … parabéns:
Mas não estabelece o índice, apenas diz que pode !
Então ‘a pergunta que não quer calar’:
por que tabelar se cada um pode aplicar o índice que quiser e o preço final é totalmente diferente entre um serviço de saúde e outro ?
O Brasíndice virou uma tabela ‘de faz de conta’, e como todas as outras privilegia os que menos deveriam ser beneficiados, e literalmente detona o resto.
Se falarmos de SIMPRO, AMB, CIEFAS, Brasíndice … no final da conversa ‘a pergunta que não quer calar’ será sempre a mesma !
Na prática cada hospital, cada operadora, finge que trabalha com tabela, mas usa apenas como referência para praticar uma infinidade de preços diferentes, e isso sempre será assim, porque não se pode tabelar serviços com a precisão que se tabela a conta de energia elétrica.
O custo operacional de manter o preço Brasíndice atualizado quinzenalmente, e ficar brigando em cimas das contas a cada centavo errado é absurdo – mas é invisível porque quem está na briga depende disso para sobreviver. É seu ganha-pão.
A indústria do tabelamento em saúde criou e sustenta uma pesada legião de pessoas que ficam discutindo o indiscutível: quem sempre mandou nos negócios, e sempre vai mandar, é a lei da oferta e da procura – as tabelas sempre foram, são e sempre serão uma tentativa burocrática inútil de brigar contra isso.  (Enio Salu - Saúde Business Web)

02.06 - Transplante de pulmões
Nova técnica pode dobrar o número de pulmões disponíveis para transplantes
Uma nova técnica desenvolvida no Instituto do Coração (InCor), em São Paulo, poderá dobrar o número de pulmões disponíveis para transplantes. O método permite recuperar órgãos que normalmente seriam descartados e usá-los em pacientes.
“O transplante de pulmão em que nós conseguimos apenas uma quantidade pequena de órgãos. De cada dez doadores não vivos de rim, nós conseguimos aproveitar um pulmão”, disse o chefe de Cirurgia Torácica e Transplante Pulmonar do InCor, Fabio Jatene. Segundo o médico, isso ocorre porque o órgão respiratório deteriora-se rapidamente. “O pulmão é um órgão que se infecta e acumula líquidos facilmente”.
Com o procedimento que foi recentemente aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa, vinculada ao Ministério da Saúde, para ser usada em pacientes, Jatene espera que o aproveitamento suba de 10% para 15% e até 20% dos órgãos disponíveis. “A nossa expectativa é quase dobrar [o número de transplantes]”.
Existem hoje 85 pacientes na fila de espera por um pulmão no estado de São Paulo. Jatene disse que no ritmo atual para as cirurgias de transplantes de pulmão, a espera pelo atendimento pode durar três anos. “Anualmente nós perdemos uma quantidade importante de pacientes que não conseguem aguentar um tempo tão longo”.
O médico ressaltou, no entanto, que os pacientes poderão optar por receber um órgão “recondicionado”, ou esperar por um pulmão que esteja naturalmente em boas condições. “Evidentemente que nós vamos informar que o órgão destinado a ele seria um órgão submetido a essa técnica do recondicionamento. Se houver aceitação, será feito [o transplante]”, explicou Jatene.  (Daniel Mello - Agência Brasil/Saúde Business Web)
 
 
 
 

01.06 - Sistema: Perfil mudou nos últimos dez anos
Marcado por processos de adaptações à regulamentação, fusões, aquisições e ampliações, o setor de saúde suplementar está cada vez mais concentrado e exibindo características bastante diversas daquelas que apresentava entre 1998 e 2000, quando 1.968 operadoras - a maioria de pequeno porte - atuavam num mercado sujeito a riscos tanto para as empresas quanto para os consumidores.
A nova face, que começou a ser desenhada com a regulamentação e criação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) há uma década, mostra um mercado que tem quase metade do total de operadoras da época, vivendo às voltas com as rígidas determinações da ANS - entre as quais a comprovação de reservas financeiras para assegurar prestação de serviços com qualidade.
Do lado das operadoras, atender às exigências da ANS e às necessidades de seus beneficiários significa alcançar sinergias e ganhos de escala comprando outras operadoras, hospitais, clínicas e laboratórios. É o vem fazendo, por exemplo, grupos de médio porte como o Memorial, do Rio de Janeiro - que fechou em março a compra da carioca Assim Saúde por R$ 100 milhões, depois de adquirir, também este ano, o controle dos hospitais Rio Guanabara, Amiu e clínica Todos os Santos - e gigantes como a Amil.
Com seus cinco milhões de usuários, a Amil é a principal consolidadora do setor. Além de incorporar outras operadoras desde 2002 (Amico, Porto Seguro, Semic, Blue Life, MedCard, CliniHauer, Ampla, Life Systems), investe na aquisição de hospitais. De 2008 para cá, comprou o SK Steckelber, em Brasília, o Ipiranga, em São Paulo, além da Casa de Saúde Santa Lúcia e a Casa de Saúde São José, ambos no Rio. No mesmo ano, a Empresa de Serviços Hospitalares (Esho), controlada pela Amil, comprou o Nove de Julho de São Paulo. Em 2009, adquiriu a Excelsior Saúde por R$ 50 milhões e realizou a maior transação dos últimos tempos: a compra da Medial Saúde, por R$ 612,5 milhões e outros R$ 577 milhões no ano passado, operação que trouxe para a Amil três unidades do hospital Alvorada, além dos quatro hospitais comprados pela Medial em 2007 e o Ana Neri, de Pernambuco.
A Amil incluiu no seu portfólio, no começo deste ano, o Pasteur e o Samaritano, ambos no Rio. O Pasteur tinha como controlador o dono da Amil, Edson Bueno, com 60,85%. A transação, feita por meio da Esho, passou o hospital para a carteira da Amil por R$ 90 milhões, R$ 43 milhões ao controlador e R$ 47 milhões aos demais sócios. A segunda tacada foi a compra do Samaritano, um dos principais hospitais do Rio, por R$ 180 milhões.
Laboratórios, clínicas e seguradoras da área de saúde seguem o mesmo caminho. Em dezembro, a Sul América comprou a Dental Plan - operação de R$ 28,5 milhões que ampliou o acesso da seguradora aos mercados do Norte e Nordeste e acrescentou 122 mil beneficiários à sua carteira de planos odontológicos. Além de também investir na área de planos odontológicos, com participação na Odontoprev, a Bradesco Saúde investiu R$ 342 milhões na compra de 20% de participação no Fleury.
Na área de laboratórios, os que mais vão às compras são Dasa e Fleury. Enquanto avalia novas aquisições, depois da compra da MD1 no ano passado, a Dasa investe na ampliação da base de clientes. No começo do ano, investiu R$ 9,7 milhões por exclusividade de 15 anos na prestação de serviços diagnósticos para hospitais e centros médicos da Amilpar (Foccus/ Total). Já o Fleury firmou em dezembro acordo com os sócios do Labs DOr para aquisição dos ativos de medicina diagnóstica - transação avaliada em R$ 1 bilhão -, comprou este ano o laboratório baiano Diagnoson, por R$ 53,2 milhões, e está agora concentrado no lançamento, previsto para este semestre, da nova marca (a+ Medicina Diagnóstica).
A concentração também é estimulada por hospitais independentes. Em setembro de 2010, depois de ter adquirido o Hospital Brasil, em Santo André, e o controle do Hospital e Maternidade São Luiz por estimados R$ 1 bilhão, a Rede DOr comprou o Hospital Assunção, em São Bernardo do Campo. O processo de aquisições no mercado paulista ganhou força depois que a rede DOr passou a fazer parte do portfólio de Merchant Bank do grupo financeiro BTG Pactual, em maio do ano passado.
Segundo Arlindo de Almeida, presidente da Abramge, enquanto as operadoras investem em hospitais próprios para reduzir custos, os hospitais independentes procuram, com as aquisições, modernizações e ampliações aumentar seu poder de negociação junto às fontes pagadoras (planos de saúde e laboratórios).
Para José Rubens Alonso, sócio da KPMG, especialista em seguros, a compra de outras operadoras ou de fornecedores é a saída encontrada por um setor que tem seus preços controlados na ponta do consumidor. "As aquisições representam uma forma de aumentar os controles sobre seus custos e a rentabilidade do negócio", diz ele, que acredita na manutenção da tendência de consolidação.
Até agora, a concentração de beneficiários por operadora não é preocupante, diz Luiz Augusto Carneiro, superintendente do IESS. Segundo ele, a concentração ameaçaria a concorrência se a fatia de mercado das quatro maiores operadoras fosse superior a 75%. Segundo dados de 2010 da ANS, as quatro maiores operadoras de planos de saúde no Brasil (Amil, Bradesco Saúde, Intermédica e SulAmérica) têm, juntas, 24% dos beneficiários.   (Marlene Jaggi - Valor Online)

01.06 - Reforços no sistema
Repletas de usuários por conta do crescimento econômico do país, da expansão do mercado de trabalho formal e do aumento da renda dos brasileiros, as operadoras de planos de saúde anunciam investimentos na ampliação da capacidade física de hospitais e laboratórios e na modernização dos equipamentos médicos. A estratégia para responder a demanda por serviços médicos é a mesma na rede hospitalar privada, que obtém a maior parte de sua receita no atendimento aos beneficiários da medicina de grupo e das cooperativas médicas.
Apenas nos Estados da região Sudeste, que concentram mais de 65% dos contratos de planos de saúde e a maior rede hospitalar do país, os investimentos chegam a mais de R$ 1 bilhão. Pelo menos quatro novos empreendimentos deverão abrir mais de mil leitos em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, além de um em Recife.
"Ao se olhar os grandes prestadores hospitalares se verificará que todos tiveram investimentos em números de leitos e equipamentos modernos, inclusive com novos aparelhos cirúrgicos de robótica", diz o ex-ministro da Previdência José Cechin, diretor executivo da Federação Nacional de Saúde Suplementar (Fenasaúde), que representa 15 grupos de operadoras privadas de planos de saúde responsáveis pelo atendimento de 20,2 milhões de beneficiários.
"Tem hospital inaugurando todos os dias, principalmente na região Sudeste", afirma Henrique Salvador, presidente do Conselho Deliberativo da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), entidade que reúne 43 das maiores e mais importantes instituições hospitalares do país.
As maiores novidades ainda estão em obras ou na fase de elaboração de projetos. A Amil promete inaugurar até o fim do ano o Hospital das Américas, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, com investimento R$ 240 milhões. O complexo formado por cinco prédios terá 395 leitos e 285 consultórios que irão compor um mix de especialidades e serão interligadas ao hospital por intranet com transmissão de dados e imagem que permitirá fácil acesso às informações de cada paciente e ao seu prontuário eletrônico.
A Unimed, que inaugurou no fim de 2010 uma unidade hospitalar própria, com investimento de R$ 200 milhões e capacidade para atendimentos de urgência e emergências na Barra da Tijuca, no Rio, investiu outros R$ 20 milhões, só em equipamentos, para um novo hospital no Recife, em Pernambuco, com capacidade para 166 leitos e 7.000 cirurgias mensais.
O Grupo Memorial, que assumiu o controle da Assim Saúde, dona da maior rede hospitalar própria da América Latina com 35 hospitais, também já anunciou investimentos em 2011 para a aquisição e melhoria das instalações e equipamentos de três unidades de saúde no Rio.
Em Belo Horizonte, o grupo Mater Dei já iniciou as obras de um novo hospital, com mais de 3 mil metros quadrados de CTI e capacidade para 300 leitos. A obra vai custar R$ 250 milhões e deverá ficar pronta até 2014.
O grupo DOr, que tem 17 hospitais próprios anuncia a construção de duas novas unidades: o Caxias DOr, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e o Copa Star, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, um hospital cinco estrelas que será construído com investimentos de R$ 115 milhões e capacidade para 130 leitos.
Na capital paulista pelo menos cinco redes ampliaram suas instalações ou inauguraram novas unidades. O Albert Einstein ganhou, em 2010, um novo espaço em Perdizes-Higienópolis, de 1.890 metros quadrados e novidades tecnológicas como o acelerador linear, que permite múltiplos tratamentos, além de acesso reservado para garantir a privacidade dos pacientes.
O Samaritano acaba de inaugurar as novas instalações de sua Unidade de Fisioterapia. Resultado de cerca de R$ 400 mil em investimentos, o projeto permitirá a ampliação do número de atendimentos de 240 para 1.200 por mês. O Oswaldo Cruz inaugurou, em 2010, novas instalações no Campo Belo, na Zona Sul, com 1.600 metros quadrados, capacidade para a realização de exames, consultas e pequenas cirurgias, além de dois programas que não existem na sede: reabilitações neurológica e cardiopulmonar. Para construir o espaço foram desembolsados R$ 10 milhões.
O Sírio Libanês, que investiu R$ 35 milhões em sua primeira unidade externa no Itaim Bibi, também na Zona Sul de São Paulo, com um centro cirúrgico e um centro de oncologia e capacidade para atender cerca de 9.000 pacientes por mês, tem outros projetos de expansão e até 2012 planeja gastar R$ 600 milhões na ampliação de sua sede.
"Além de leitos, tem crescido a oferta de novas áreas de oncologia, de laboratórios de diagnóstico, de serviços de imagem e de vagas nos centros de terapia intensiva (CTI)", diz Henrique Salvador, da Anahp. O Centro Check Up, inaugurado no 36º andar de um dos prédios mais altos da região central do Rio de Janeiro, é um exemplo. A obra custou R$ 1 milhão ao Centro de Medicina Nuclear da Guanabara (CMNG), um dos principais do setor de saúde do Estado, e reúne oftalmologistas, cardiologistas, urologistas, ginecologistas e pneumologistas para atender clientes como a Eletrobras e os executivos que trabalham no centro financeiro da capital fluminense.
Para captar os recursos necessários aos novos investimentos algumas operadoras de medicina de grupo e laboratórios já há alguns anos abriram capital e ingressaram na bolsa de valores. O pioneiro foi a Diagnósticos da América (Dasa), maior empresa de medicina diagnóstica da América Latina, em 2004, seguido da Medial Saúde, que acabou falindo e foi absorvida pela Amil, que por sua vez lançou ações por meio da Amil Participações. Odontoprev e Tempo Participações, que atua no segmento de planos de saúde e odontológicos e na assistência especializada, também têm ações na bolsa.  (Paulo de Vasconcellos - Valor Online)

01.06 - Longevidade da população dita as tendências
O envelhecimento da população brasileira e o desenvolvimento de novas técnicas de diagnóstico fazem crescer especialidades que até agora contavam com investimentos discretos: a oncologia, cirurgia de alta complexidade e o setor de diagnósticos avançados. De olho nesse mercado em expansão, grandes redes inauguram novos centros e anunciam projetos para aumentar a oferta de leitos, equipamentos e manter ou melhorar o padrão de atendimento.
O Hospital do Coração, em São Paulo, é um dos que começa a investir na oncologia, especialidade inaugurada no ano passado. O projeto mais robusto visa a criação de um prédio voltado para o setor, que deve estar pronto até o fim de 2012. Os custos incluem ainda um setor destinado à radioterapia - que só fica pronto em 2013 - e chegam a R$ 135 milhões. Outra especialidade que cresce é a de diagnósticos avançados. No HCor, um novo centro para procedimentos de neurocirurgia e hemodinâmica deve começar a funcionar em meados de outubro, com investimento de 120 milhões.
"A demanda do mercado se deve ao aumento do setor de serviços suplementares, com mais de 6 milhões de usuários de planos de saúde privados só em São Paulo. Além disso, na especialidade da oncologia, graças aos avanços médicos com a especialização de diagnósticos, começam a surgir novos procedimentos para doenças que até então não eram detectadas a tempo. O crescimento dessas especialidades está diretamente ligado ao envelhecimento da população", explica Antonio Carlos Kfouri, CEO do HCor.
O Hospital Paulistano, na região de Bela Vista, em São Paulo, inaugurou uma unidade diagnóstica no mês passado e também vem investindo fortemente na área da oncologia, com a inauguração de uma ala específica e aquisição de um PET-CT - equipamento importante na identificação de casos de câncer em estágios iniciais. Os custos em aparelhos e novas instalações chegam a R$ 4 milhões. E uma nova unidade diagnóstica, no Jardim América, conta com 18 especialidades diagnósticas, atendimento personalizado e conceito de medicina preventiva. "O fato de anteciparmos o processo de descoberta de um câncer faz toda a diferença no tratamento, pois quanto mais precoce for a detecção, maior será a chance de cura do paciente", afirma o especialista em Medicina Nuclear do Paulistano, Jairo Wagner.
No Hospital Santa Paula, na zona sul de São Paulo, a construção de um novo centro oncológico receberá investimentos de R$ 15 milhões. A partir de março de 2012, a unidade contará com especialidades como oncologia clínica, radioterapia e quimioterapia. Serão sete andares, em uma área de 4.200 metros quadrados. A criação de uma unidade hospitalar ambulatorial é uma das apostas para este ano. O centro de especialidades vai ocupar um edifício de 13 andares, de três mil metros quadrados, num total de R$ 25 milhões de investimentos.
"Além do envelhecimento real da população, que nos remete a esses investimentos, estamos reforçando nosso posicionamento mercadológico. A área de gastroenterologia, por exemplo, é a nossa origem desde a fundação e continua sendo nosso foco. Para continuar uma referência, estamos investindo na cirurgia bariátrica", enumera Luiz de Luca, superintendente geral do hospital.
Na Rede DOr, uma das maiores do Rio, com 22 unidades, os investimentos têm sido concentrados em especialidades como oncologia, terapia intensiva e cirurgias de alta complexidade, além da pediatria. O projeto de criação de um centro de oncologia, que deve ser inaugurado ainda este ano, por exemplo, terá investimento de R$ 30 milhões. Na área de cirurgias de alta complexidade, o investimento com novos equipamentos chega a R$ 5 milhões, com aquisições de aparelhos como o ExAblate, que antes só existiam em São Paulo. E a pediatria ganhou um hospital próprio na rede, no ano passado, com custos de R$ 30 milhões.
No Hospital Adventista Silvestre, no Rio de Janeiro, o crescimento em 2010 chegou a 26%, em relação ao ano anterior. A área que mais recebe investimentos é a de transplantes, foco da instituição o único particular no estado do Rio que faz transplantes pelo SUS. Para este ano, estão previstos investimentos de R$ 8 milhões na modernização estética dos prédios, reforma dos quartos, ampliação do CTI e da unidade coronariana, com capacidade aumentada de 23 para 41 vagas.
Na mesma linha, o grupo carioca Perinatal - com atendimento exclusivo à gestante e ao recém-nascido - reservou este ano mais de R$ 3,5 milhões para melhorias internas e compra de dois aparelhos capazes de realizar operações em bebês ainda na barriga da mãe. São miniagulhas com câmeras que evitam que sejam feitos cortes ou que se espere o bebê nascer.  (Marina Gonçalves - Valor Online)
 
 
 

31.05 - A população brasileira em 2010
Como acontece a cada dez anos, em 2010 o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) realizou um censo cujo objetivo era obter informações relevantes sobre a população brasileira tais como: quanto nós somos, o grau de instrução das pessoas, o nível de renda da população, como vivem as pessoas em termos saneamento básico e mais uma série de outras informações que são de grande importância para que os agentes públicos realizem os planejamentos e implantem políticas públicas que sejam compatíveis com o perfil da população.
No censo de 2010, o Brasil naquele ano tinha uma população de 190,8 milhões de pessoas, tendo aumentado 12,34% em comparação com o ano de 2000. Em 2010, 42% da população brasileira morava na região sudeste, 28% no Nordeste, 14% no Sul, 8% no Norte e 7% no Centro Oeste. Com relação ao aumento da população nos dez anos entre 2000 e 2010, a região que teve uma elevação mais significativa no número de habitantes foi a Norte, com 22,97%, sendo seguida de perto pelo Centro Oeste, com 20,81%. As outras regiões tiveram crescimento populacional bem mais moderado. Nos dez anos que separam os dois últimos censos, a população do Nordeste aumentou 11,19%, a do Sudeste aumentou 10,98% e a do Sul aumentou 8,00%.
Em 2010, 24,1% da população brasileira tinha entre 0 e 14 anos, em 2000 pessoas nessa faixa de idades correspondiam a 29,6% e em 1991 a 34,7% de toda a população. Na faixa de idade compreendida entre 14 anos e um dia e 64 anos ocorreu aumento, em 1991, 2000 e 2010, as pessoas pertencentes a essa faixa correspondiam, respectivamente, a 60,4%, 64,5% e a 68,5% da população brasileira. Já as pessoas com idade acima de 64 anos também tem aumentado, passando de 4,8% em 1991, 5,9% em 2000 e 7,4% da população em 2010. No Sul e no Sudeste, o perfil da população quanto a faixa etária é quase idêntica, com as pessoas com idade até 14 anos correspondendo a 21,7% da população, as que possuem idade entre 14 e 64 anos a 70,2% e as pessoas acima de 64 anos correspondendo a 8,1% da população. Nas outras regiões, a população é mais jovem, entretanto também possuem uma forte tendência de envelhecimento.
O percentual de pessoas analfabetas, apesar de ter melhorado, ainda é muito alto. Na média, o Brasil apresentou em 2010 uma taxa de 9,6% de sua população acima de cinco anos de idade como analfabeta. O Sul e o Sudeste tinham 5,1 e 5,5% de sua população em idade acima dos cinco anos analfabeta, o Nordeste 19,1%, o Norte 11, 2% e o Centro Oeste 7,2%. Observa-se claramente que é no Nordeste onde se encontra a grande maioria das pessoas considerada analfabetas, sendo necessárias que sejam implementadas políticas que levem à diminuição significativa dessa situação atual.
O censo de 2010 mostrou claramente que a população brasileira está ficando velha, mais instruída e descentralizando, com as regiões Norte e Centro Oeste aumento o dobro das regiões Sudeste e Sul, embora em termos absoluto e em termos de território essas duas últimas regiões continuem muito mais povoadas do que as duas primeiras. Uma questão que deve ser pensada seriamente e de forma sistemática é quanto à oferta de um sistema de saúde pública, de assistência social e de previdência social. São áreas que uma população que se torna cada vez mais idosa irá necessitar cada vez mais. É preciso que as pessoas que pensam o Brasil e os governantes devem cada vez mais se preocupar com esses três fatores para que uma parte significativa da nossa população não fique desamparada. (Francisco Castro - Imprensa Popular)

31.05 - Envelhecer bem
Como vivem as pessoas que ultrapassaram a barreira dos 60 anos de forma produtiva e com qualidade de vida, usufruindo das opções de lazer e consumo
A clássica imagem do velhinho de pijama, em frente à tevê, cuja maior audácia é sair de casa para jogar dominó com os amigos do bairro, está com os dias contados. Um novo padrão de envelhecimento está em curso. Conhecido como "envelhecimento ativo", ele nem de longe lembra a resignação com que os idosos do passado se aposentavam do trabalho e da vida social. Saudáveis, dispostos a continuar em atividade por mais tempo e, graças aos bons ventos da economia, com dinheiro no bolso, muitos brasileiros que romperam a barreira dos 60 anos provam que é possível dialogar com a passagem do tempo harmoniosamente. "Negar o envelhecimento é negar a própria vida", afirma a geriatra Andrea Prates, coordenadora executiva do Centro Internacional de Informação para o Envelhecimento Saudável (Cies), criado em 1999 para divulgar a promoção da saúde na terceira idade. Em 2050, 30% da população brasileira terá mais de 60 anos - hoje eles somam apenas 5,8%. Diante dessa estatística, o Brasil começa a entrar no padrão europeu e americano no que diz respeito à terceira idade: oferece opções de lazer e consumo compatíveis e de alta qualidade, (re)abre portas - e cria novas possibilidades - no mercado de trabalho e acena com simpatia para as relações que se formam depois dos netos nascidos.
As empresas descobriram esse filão, um verdadeiro tesouro de mercado. Na tevê, uma propaganda de telefonia celular sinaliza os ventos de mudança. No filme, a avó conversa animada com o namorado ao telefone, sob o olhar e os comentários desaprovadores do neto adolescente, que comemora o fato de o pretendente morar em outra cidade. Quando o idoso bate à porta, em visita à amada, o menino ensaia uma cena de ciúme. Mas logo surge uma neta coquete. E o casal maduro ganha o aval do garoto instantaneamente. "Há riqueza na longevidade", destaca Jorge Félix, autor do livro "Viver Muito" (Editora Leya). Segundo a psicóloga Camila Piza, consultora da Mandalah, empresa de inovação sediada em São Paulo, com braços em Nova York, Cidade do México e Tóquio, a iniciativa privada deve ficar atenta às oportunidades geradas pelo envelhecimento da população. "Afinal, as tendências não estão mais ligadas à idade", afirma. Os fabricantes se apressam para aprender a ler as necessidades e os desejos dessa faixa etária. Nos Estados Unidos, o Massachusetts Institute of Technology (MIT) criou, no final dos anos 1990, o AgeLab, um laboratório de estudos sobre a longevidade cuja função é desenvolver ferramentas que orientem a indústria na feitura de produtos seniores. "A maioria dos idosos não gosta das coisas que hoje são feitas para eles", atesta o diretor do AgeLab, Joseph F. Coughlin.
O turismo do Brasil já passou dessa fase e sabe direitinho como agradar aos clientes maduros. Com engrenagem e serviços de Primeiro Mundo, o setor oferece opções para todos os gostos - até para aqueles que não querem excursões só com a terceira idade. Apenas através do programa Viaja Mais Melhor Idade, do Ministério do Turismo, entre 2007 e 2010 mais de 600 mil pacotes foram vendidos a idosos. O mercado de trabalho é outro importante sinal de transformação. Com uma carência cada vez maior de profissionais especializados, como na área de engenharia, cujo boom nas universidades foi na década de 1970, os mais experientes estão valorizados e muitas vezes são chamados de volta ao mercado, em ebulição com a efervescência da construção civil nacional. Em suma, o paradigma de que quem chegou aos 40 ficou velho, definitivamente, caiu em desuso.
Segundo pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida no País, que alcançava 41,5 anos sete décadas atrás, ­atualmente ultrapassa os 73 anos. E mudanças de comportamento são fundamentais para o aumento da longevidade, atestam os especialistas. Em um estudo realizado pela Enfoque Pesquisas com brasileiros acima de 55 anos, foram detectados três grandes grupos nessa faixa etária - os idosos convencionais cujo papel social ainda é cuidar dos netos; os que se recusam a aceitar a idade que têm e continuam se comportando como jovens; e os celebrators, os que aceitam com sabedoria a chegada da nova fase, usando a experiência de vida para se manterem ativos, cuidando do vigor físico e da saúde mental. "Os chamados boomers, aqueles nascidos entre 1946 e 1964, estão inaugurando esse estilo de vida", explica Zilda Knoploch, presidente da Enfoque.
O arquiteto Antonio Ferro Corullon, 61 anos, é um legítimo celebrator. Ele acaba de inaugurar a terceira fase de sua vida, mas não consegue se reconhecer no papel de um senhor da terceira idade. Faz caratê - arte marcial que pratica há 43 anos - três vezes por semana e gasta a sola de sapato todas as noites numa escola de dança paulistana. "Melhor que dança, só sexo", garante. E a vida sexual vai bem, obrigado. Corullon foi casado duas vezes, tem seis filhos e está namorando uma mulher dez anos mais nova. Não fuma, bebe cerveja eventualmente e joga futebol com seu grupo de amigos todo fim de semana. "Não senti o baque de fazer 60, confesso que ainda me sinto com a energia dos 18", diz. O arquiteto é um exemplo para quem tem entre 30 e 40 anos por ter investido em pelo menos três coisas fundamentais ao longo da vida: saúde, vida social e segurança financeira. "Aos 40 anos, me planejei para que, aos 60, eu não tivesse mais de acordar para trabalhar, mas sim acordar para viver", revela. Deu certo. No ano passado ele deixou o emprego fixo no qual entrava às 7h30. Agora, dita o próprio ritmo profissional.
Corullon seguiu na prática, mesmo sem saber, o mantra repisado pelos especialistas em envelhecimento ativo quando perguntados sobre como construir um futuro tranquilo e prazeroso. O segredo, garantem, é planejar a velhice a partir de hoje. Não importa qual idade se tenha. Foi o que fez o empresário paulistano Jorge Nahas, 31 anos. Ele já programou o dia em que não acordará mais com a obrigação de ganhar dinheiro - e isso deve acontecer antes dos 50 anos. Quando tinha 15, seus pais fizeram sua previdência privada. Aos 20, passou a investir em ações e, hoje, também tem imóveis. Poupar para o futuro não é sua única preocupação. Nahas frequenta a academia todos os dias, faz corrida de aventura, namora, viaja com os amigos e cortou o excesso de doce e carne vermelha de seu dia a dia. Estresse é uma palavra vetada de seu vocabulário. "Não sei como as pessoas querem envelhecer se entupindo de açúcar, estressadas e sem tempo para nada. Quero minha vida boa hoje e amanhã", diz Nahas, que, como Antônio, celebra o presente, sem descuidar do futuro.
Dentro do projeto de vida saudável na terceira idade está inclusa a atividade profissional, mesmo depois da aposentadoria. "Em 30 anos, teremos horários mais flexíveis, muita gente trabalhando em casa e cada vez mais autônomos prestando serviço para empresas de diversos setores", acredita o consultor de carreira Cristian Stassun. "São cenários que favorecem os que já estão há muito tempo no mercado e querem reduzir suas jornadas sem partir para a aposentadoria." O mercado também está tendo de absorver os mais velhos por uma questão matemática, pois há mais gente sênior e qualificada na praça e menos jovens desse quilate disponíveis. "Os dados mostram que aquela história de quem perde emprego aos 50 não arranja nunca mais está mudando", diz Ana Amélia Camarano, economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e especialista em envelhecimento. De acordo com o Ministério do Trabalho, em 2010, o número de assalariados com mais de 65 anos cresceu 12%, o dobro da média. Segundo Stassun, deve crescer também o número de brasileiros que irão migrar de carreira após os 50 ou trocar a profissão por um hobby remunerado. "Também veremos um boom de empreendedores seniores." As áreas mais promissoras para a terceira idade, segundo Matilde Berna, diretora de transição de carreira da Right Management, são engenharia, TI, telecomunicações, direito e área acadêmica. "Eles podem atuar como consultores, prestadores de serviços terceirizados ou firmarem contrato formal por tempo limitado, para reestruturar a área de uma empresa, por exemplo", diz.
Saulo Lerner, 62 anos, é um exemplo dessa virada já em curso. Aos 50, ele percebeu que não estava mais feliz com a carreira de executivo de uma multinacional. Pediu demissão e ficou sete meses sem trabalhar. "Nesse período, voltei a correr, cuidei da minha alimentação, li muito, retomei antigos contatos e revi meus projetos de vida", conta. "Percebi que queria algo que me trouxesse mais satisfação pessoal", diz o atual consultor de executivos. O gaúcho Marcelus Vieira, 45 anos, despertou para isso antes de chegar aos 50 anos. Sócio de uma loja de roupas em Ijuí (RS), ao lado da esposa, Suzana, ele pavimentou seu novo caminho profissional com um curso de chef de cozinha e seu prazer por comida, vinhos e viagens. Em 2007, reuniu 12 amigos e alugou uma casa na Toscana, Itália, com o objetivo de ensiná-los a cozinhar. A aventura virou coisa séria e foi batizada de Al Mondo, uma agência de turismo que leva grupos para experiências gastronômicas em diversos lugares do mundo. Daqui a 30 anos, Marcelus se imagina tocando a agência, mas com uma pequena diferença. "Quem sabe até lá eu compre uma casa na Toscana."
Em uma pesquisa feita pelo site Minha Vida a pedido da ISTOÉ, 65,7% dos sete mil entrevistados disseram que querem continuar no batente depois de se aposentarem. "Pretendo continuar andando de moto e trabalhando até morrer", sentencia Carlos Coradi, 73 anos. Quem vê o consultor financeiro passar com sua Harley-Davidson pelas ruas de Campinas, no interior de São Paulo, não duvida de sua afirmação. Pai de seis filhos (a caçula tem apenas oito anos), Coradi mantém uma rotina de fazer inveja a muitos jovens. Faixa-preta no judô, ele pratica esportes diariamente, trabalha mais de 12 horas diárias e desde adolescente mantém a paixão pela velocidade. Todo domingo, ele e os amigos do grupo de motociclistas "Anciãos ao Vento", com integrantes entre 60 e 75 anos, se reúnem em viagens sobre duas rodas. Como se vê, é preciso saúde para gozar as benesses da "melhor idade". E isso significa, entre outras coisas, postergar ao máximo o aparecimento de doenças crônicas como diabetes, doenças circulatórias e hipertensão, entre outras. A empresária Lígia Azevedo vai completar 70 anos neste ano. Considerada nos anos 80 a "Jane Fonda brasileira", ela é um exemplo de quem está conseguindo se manter afastada desses males. Dona de um spa em Búzios, Lígia caminha diariamente durante 50 minutos, faz hidroginástica, terapia corporal, não come fritura e evita carne vermelha. A rotina à base de arroz integral, frango e salada, no entanto, não a exclui da vida social. "Amo brincar com meus netos, mas, se eu tiver uma festa, não vou deixar de ir", diz a empresária, que viaja bastante em função de suas palestras sobre qualidade de vida. O corpinho enxuto e bem trabalhado faz com que ela ainda vista roupas de até 40 anos atrás. "Só uso roupa justa, nada do que é 'apropriado' para a minha idade", conta a acriana radicada no Rio, lembrando que a indústria da moda é uma das que mais ignoram sua faixa etária.
Lúcia Inês Macedo de Souza, 46 anos, segue a trilha de Lígia. Sua paixão pela corrida aconteceu ao acaso, quando ela já tinha mais de 30. "Queria prestar um concurso da Polícia Federal e tinha uma prova de aptidão física. Fiquei preocupada porque não tinha esse preparo", diz. O concurso foi abandonado. O esporte, no entanto, tomou conta da sua vida assim que ela fez a primeira prova de rua. "A corrida me dá uma sensação de poder, sinto que tenho mais resistência e disciplina", afirma Lúcia, que engatou alguns namoros por causa dos treinos. "Quero correr até quando for possível. Admiro as senhoras de mais de 70 anos do meu grupo."
Até quem já está no time dos que convivem com doenças crônicas pode, e deve, ter uma vida saudável. O cantor sertanejo Sérgio Reis, 70 anos, já sofreu um acidente vascular cerebral (AVC), é diabético e fez uma angioplastia recentemente. Não se resignou. Além de tomar todos os seus remédios religiosamente e fazer check-up a cada seis meses, se mantém na ativa, fazendo o que mais gosta, cantar. São 16 shows por mês. Para descansar, o artista passa uns dias em um spa ao lado da mulher, Ângela Márcia, com quem se casou aos 66 anos. Seus outros elixires da juventude são o bom humor - "tristeza não entra no meu coração" - e o sexo. "Não posso tomar estimulantes sexuais porque sou cardíaco, então optei por uma bomba peniana", revela. "Foram os US$ 10 mil mais bem gastos na minha vida, funciona que é uma beleza!"
A revolução sexual da nova terceira idade, proporcionada pelo avanço da medicina e pela maior capacidade física dessa faixa etária, permitiu que os relacionamentos florescessem entre os sessentões e setentões. Eleita a mais bela idosa de São Paulo em 2011, a ex-segurança Maria Conceição Liberato, 68 anos, colhe hoje os frutos de um amor iniciado em 2008 nos bailes dominicais do clube Elite Itaquerense, em Itaquera, zona leste de São Paulo. Aos 65, ela conheceu José Ademir, 14 anos mais jovem. "Foi amor à primeira vista", derrete-se Conceição. Um ano depois, a atual aposentada realizaria o maior sonho de sua vida, casar de papel passado. "Ficar sozinha é muito triste. Já estava separada havia sete anos quando conheci o Ademir. Hoje ao lado dele me sinto mais realizada do que nunca", conta.
A maior longevidade das próximas gerações trará grandes desafios no que diz respeito ao amor. Segundo o observador de tendências Adjiedj Bakas, um surinamês que mora na Holanda, o cenário futuro é de muito mais experimentação e, em decorrência disso, mais divórcios e novos casamentos, que serão cada vez mais curtos. Apesar da quantidade de encontros, com uma forcinha extra da internet e das novas tecnologias, a solidão será um tema de peso nas próximas décadas. "Acredito que as pessoas se casarão assinando contratos por tempo limitado, de dez anos, por exemplo, como carteira de motorista e passaporte", diz Bakas. "Só renovarão se estiverem satisfeitos com a relação, do contrário, se separarão automaticamente."
Lígia, 69 anos, a dona do spa, teve dois casamentos e hoje, pela primeira vez, sente-se livre para namorar um rapaz mais novo. O consultor Saulo Lerner, 62, está casado pela segunda vez e forma o que os especialistas chamam de família mosaico - juntou os filhos do primeiro casamento dele com os da união anterior dela. E considera-se avô dos netos da esposa. O arquiteto Corullon, 61 anos, desfruta o frescor dos namoros na terceira idade. Sinais irreversíveis dos novos tempos, tais como as marcas em um rosto maduro.  (Débora Rubin e Paula Rocha - Revista Isto É)

31.05 - EUA: O Medicare e a política do medo
Sim, Paul Ryan, o presidente do Comitê Orçamentário da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos não sabe perder. Quer saber por quê?
Ryan tinha motivos para ficar chateado após a eleição especial de terça-feira no 26º Distrito Congressista de Nova York. Esse é um distrito bem conservador, tanto que, no ano passado, o candidato republicano teve 76% dos votos. Na terça-feira, porém, a democrata Kathy Hochul ganhou a cadeira de deputada que ficou disponível após um republicano renunciar ao cargo. A campanha de Kathy se concentrou no plano de Ryan de desmantelar o Medicare (sistema de saúde para idosos e deficientes) e substituí-lo por um sistema de "vauchers" (bilhetes de autorização emitidos para alguém efetuar gastos por conta do emitente).
Como Kathy conseguiu isso? Ryan acusou os democratas de "distorcerem vergonhosamente e usarem de demagogia na questão, tentando assustar os mais velhos só para conseguir ganhar uma eleição". Ele também previu que, em novembro do ano que vem, "o povo norte-americano vai saber quem mentiu".
Dá para entender a amargura de Ryan. Afinal, ele vem sofrendo queda nas últimas semanas. Até seu plano para o Medicare ser apresentado no início de abril, ele passou meses de tranquilidade com a aprovação dos eruditos que decidiram ungi-lo como ícone da responsabilidade fiscal. E o próprio plano ganhou elogios arrebatadores nos primeiros dias após seu lançamento. Mas, então, as pessoas que realmente sabem ler uma proposta orçamentária começaram analisar o plano. E foi aí que tudo começou a ruir.
Ryan pode alegar - e talvez até acreditar - que ele está enfrentando uma reação porque seus adversários estão mentindo sobre suas propostas. Mas a realidade é que o plano de Ryan está se transformando em um desastre político para os republicanos, não porque os críticos do plano estão mentindo sobre ele, mas porque eles o estão descrevendo da forma correta.
Veja, por exemplo, a afirmação de que o plano de Ryan acabaria com o Medicare como o conhecemos hoje. É nesse ponto que os republicanos começam a gritar "Mediscare!" (trocadilho de Medicare e "assustar" em inglês). Mas isso é a mais absoluta verdade. O plano pegaria nosso sistema atual, no qual o governo paga pelos maiores gastos da saúde, e o substituiria por um sistema de "vauchers", no qual os idosos, na verdade, receberiam cupons e teriam que buscar planos de saúde privados.
O novo programa pode até continuar chamando Medicare - olha, podemos substituir a cobertura do governo por uma mesada de duas aspirina por dias e ainda chamar isso de "Medicare" -, mas não seria o mesmo programa. E se as estimativas de custo do Escritório de Orçamento do Congresso estiverem certas, o valor inadequado dos "vauchers" - que em 2030 cobririam apenas um terço dos custos de saúde dos idosos - deixaria muitos, para não dizer a maioria, dos norte-americanos sem capacidade de pagar por seus cuidados essenciais.
Se alguém está mentindo aqui é o próprio Ryan, ao alegar que seu plano daria aos idosos o mesmo tipo de cobertura que os membros do Congresso recebem - uma afirmação completamente falsa.
E, por falar nisso, a alegação de que o plano manteria o Medicare em sua forma atual sem nenhuma alteração para os que hoje têm 55 ou mais anos de idade é altamente duvidosa. Verdade seja dita, isso é o que o plano promete, mas, se você pensar na dinâmica política que surgiria quando os norte-americanos nascidos um ou dois anos mais tarde perceberem que os mais idosos estão recebendo um tratamento melhor do que eles, dá para saber que essa promessa provavelmente vai ser furada.
Além disso, será que os democratas agem mal em dizer a verdade sobre o plano de Ryan? "Se você fizer demagogia com a reforma do Medicare", disse Ryan, "você estará acelerando a crise fiscal; você provocará o colapso do Medicare". Talvez ele devesse ter uma palavrinha com seus colegas que xingaram o modesto e realista esforço de controle de gastos do Ato de Cuidado Acessível com gritos de "painéis da morte".
De qualquer forma, a premissa oculta por trás de declarações como essa é a suposição de que o plano de Ryan representa uma tentativa séria de controlar o antigo problema fiscal dos EUA. Mas o que ficou claro após a divulgação do plano é que não é nada disso. Na verdade, esse não era realmente um plano de redução do déficit. Quando você elimina as suposições absurdas - aumento de gastos arbitrários, como os gastos com a defesa, e as enormes reduções de impostos para as corporações e os ricos, sem perda de receita -, é altamente questionável se esse plano reduzirá ao menos uma parcela do déficit.
Em vez disso, o plano de Ryan é uma tentativa de fazer os norte-americanos aceitarem uma lista de presentes padrão para a direita sob o título de redução do déficit. Parece que os norte-americanos começaram a ver a enganação.
O que vai acontecer agora? A briga vai mudar do Medicare para o Medicaid - programa de saúde que se tornou essencial para muitos norte-americanos, especialmente as crianças, mas que no plano de Ryan teria um corte de 44% na próxima década. Nesse ponto, porém, estou otimista quanto a essa iniciativa também cair por terra devido à desaprovação popular.
E quanto à esperança de Ryan de que os eleitores perceberão quem mentiu? Bem, como dá para ver, isso já está acontecendo. E isso é uma má notícia para os republicanos.  (PAUL KRUGMAN - The New York Times/O Tempo)
 
 
 
 

30.05 - Lincx: Clientes buscam explicações
Clientes ligaram para Lincx saber sobre venda para Amil; planos atendem altos executivos e estão entre os mais caros do país
Clientes da Lincx, um dos planos de saúde mais caros do País, ligaram ontem para a operadora, com sede em São Paulo, após as notícias de que a empresa foi vendida para Amil, uma das maiores operadoras de saúde do país.
A dúvida é saber como ficará Lincx, considerada uma prestadora de serviço elitista, com a transferência dos planos. Mais de 70% dos clientes da Lincx são empresas, que oferecem o plano a seus altos executivos.
Do ponto de vista de gerenciamento de marcas, um dos grandes desafios da Amil será preservar a reputação da Lincx. Consumidores de alto poder aquisitivo costumam preferir marcas que lhe deem status e tendem a torcer o nariz para marcas mais populares, sobretudo em uma questão tão valorizada e pessoal como cuidados com a saúde.
De acordo com a gerência de comunicação da Lincx, não foram muitos os clientes que ligaram para a empresa após o anúncio. A avaliação da companhia é de que os seus consumidores compreenderam a aquisição pela Amil e não estão preocupados.
Segundo a gerência de comunicação, a Lincx está explicando para aqueles que a procuram que nada mudará com a aquisição e que a companhia não passará a oferecer um produto massificado. A Lincx será mantida como uma plataforma separada na Amil, que criou uma divisão para atender exclusivamente o segmento de poder aquisitivo mais alto. Mas, como a aquisição depende de aprovação por parte dos órgãos reguladores, a Lincx ainda não pode enviar um comunicado oficial aos seus clientes.
Para dar credibilidade ao projeto, o próprio dono da Lincx, Silvio Corrêa Fonseca, vai permanecer à frente dos negócios para alta renda na Amil.
O empresário, formado em oftalmologia pela Faculdade de Medicina de Santos, fundou a Lincx em 1994, depois de ter sido responsável pela entrada no Brasil da operadora Omint, com a qual passou a concorrer no segmento de alta renda.
Ações da Amil em alta
Do ponto de vista operacional, a aquisição traz sinergias e agradaram os investidores da Amil.
As ações da empresa registraram um desempenho bem acima do Ibovespa, o índice da bolsa. Em 2011, os papéis subiram 13%, sendo que o Ibovespa caiu 7,5%. Em doze meses, ações da companhia acumulam valorização de 55%, enquanto o Ibovespa subiu 6,5% no período.
A Amil pagou um preço elevado pela Lincx. Em entrevista ao jornal Valor Econômico, Fonseca afirmou que o acordo foi “interessante” e que a Amil pagou o equivalente a quase dez vezes a geração anual de caixa anual da Lincx, pelo critério Lajida (lucro antes dos juros, impostos, amortização e depreciação). As negociações estenderam-se por cerca de um ano.
A Amil já havia criado uma marca, a One Health, para disputar o segmento de alta renda com a Lincx e a Omint. Mas, enquanto a One Health possui 5 mil clientes, a Lincx detém uma carteira de 36 mil beneficiários.  (Claudia Facchini - Último Segundo)

30.05 - MP cria administradora de hospitais
A Câmara do Deputados aprovou na quarta-feira,  a Medida Provisória (MP) 520, que autoriza o Poder Executivo a criar a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares.
A nova estatal tem por objetivo administrar os hospitais universitários, unidades hospitalares e a prestação de serviços de assistência médico-hospitalar no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).
MP 521
A outra MP aprovada, a de número 521, reajusta o valor da bolsa para médicos residentes de R$ 1.916,45 para R$ 2.338,06, retroativo a 1º de janeiro. A medida provisória também disciplina outros direitos como as licenças-maternidade e paternidade.
A relatora da MP 521, deputada Jandira Feghali (PC do B-RJ) retirou do texto dispositivo que trata do regime diferenciado de contratações destinadas às licitações para obras destinadas para a realização das copas das Confederações, do Mundo e da Olimpíada.
O dispositivo deverá ser incluído na MP 527, que dispõe sobre organização da Presidência da República e dos ministérios e cria a Secretaria de Aviação Civil. Agora, as duas MPs serão apreciadas pelo Senado Federal  (Saúde Business Web)

30.05 - Alerta: Falta de segurança de prótese de quadril
Implante de metal solta partículas no corpo que podem causar alergias, destruição óssea e até problemas renais
Agência americana pediu estudos aos fabricantes; no Brasil, Anvisa vai acompanhar histórico de pacientes evolução dos pacientes
A segurança das próteses metálicas de quadril está sendo questionada por instituições como a Associação Britânica de Ortopedia e a FDA, agência que regula os produtos de saúde dos EUA.
Estudos indicam que essas próteses soltam uma quantidade de resíduos metálicos potencialmente perigosa para a saúde.
"As minúsculas partículas soltas pelo desgaste do material podem causar efeitos locais e sistêmicos [que afetam o corpo todo]", diz o ortopedista Luiz Marcelino Gomes, presidente da Sociedade Brasileira de Quadril.
Como efeitos locais, segundo o médico, os resíduos de cromo e cobalto (material das próteses) podem provocar uma reação alérgica nos tecidos ao redor do implante, causando dores, falsos tumores (sem células cancerosas) e até destruição óssea.
Os efeitos generalizados estão relacionados à toxicidade dos metais. "Eles podem afetar a função renal em pessoas predispostas, por exemplo", diz Gomes.
O risco de câncer associado a esses materiais está sendo discutido, mas ainda não foi comprovado.
Segundo o ortopedista Emerson Honda, do hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo, os níveis de metal no sangue das pessoas que usam essas próteses são 20 vezes mais altos do que os considerados normais.
Outros tipos de prótese, feitas com polieteno (material plástico) ou cerâmica, levam uma capa de metal. Elas também soltam resíduos, mas em concentrações menores.
CONTROLE
Nos Estados Unidos, a FDA pediu para que todos os fabricantes de próteses metálicas de quadril apresentem mais estudos sobre a segurança do implante ao longo do tempo.
Aqui, o acompanhamento das próteses e o monitoramento da sua qualidade devem começar a ser feitos agora, segundo a Anvisa.
Em parceria com a Sociedade Brasileira de Quadril, a agência iniciou o registro nacional de artoplastia [cirurgia do quadril], para seguir a evolução dos pacientes.
No Brasil, são colocadas por ano cerca de 30 mil próteses, de todos os materiais, contra 250 mil nos EUA.
Os tipos mais usados são os implantes com polieteno, que têm a desvantagem de durarem menos tempo, e os de cerâmica, que duram mais, mas podem quebrar.
"Não existe prótese que seja o substituto ideal do osso", afirma o ortopedista Moisés Cohen, presidente da Isakos (Sociedade Internacional de Artroscopia, Cirurgia do Joelho e Medicina Esportiva Ortopédica).
Para Cohen, os implantes feitos totalmente de metal podem ser uma opção para os mais jovens. "Essas prótesestêm uma estabilidade que permite a prática de atividades de maior impacto."
O problema é que, quanto mais mais jovem o paciente, mais tempo as substâncias tóxicas circulam em seu organismo. "Ainda não sabemos quais são as consequências a longo prazo que os resíduos metálicos podem causar", diz Honda.
Na avaliação do ortopedista Lafayette Lage, especializado em próteses de quadril para atletas, o problema não está no material, mas sim na técnica cirúrgica. "Se a prótese é colocada com inclinação errada, vai ter liberação de metais. Por erro de colocação, esse material está sendo crucificado."   (IARA BIDERMAN - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

27.05 - Amil compra operadora de planos de saúde Lincx
Após um ano de negociações, a Ami l fechou a compra da totalidade do capital da Lincx, operadora de planos de saúde voltada para o público de alta renda, por R$ 170 milhões.
O fundador da Lincx, Silvio Corrêa da Fonseca, continuará à frente da operadora, que se juntará a One Health, plano de saúde premium criado no ano passado pela Amil. "Vamos montar uma plataforma com One e Lincx, que ficará separada da Amil. Agora, temos mais força e nossa ideia é criar um produto ainda mais sofisticado", disse Fonseca.
A receita prevista para este ano da Lincx é de R$ 220 milhões, com uma margem ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de cerca de 8%. "Foi uma negociação interessante, representando quase dez vezes o ebitda", disse Fonseca, que criou a Lincx há 18 anos e vendeu sua operadora sem nenhum endividamento.
Atualmente, a Lincx conta com 30 mil beneficiários de planos de saúde, sendo que 76% dos clientes são corporativos, e mais 8 mil vidas no plano odontológico. A One Health, por sua vez, possui uma carteira com 5 mil clientes.
Com a aquisição, a operadora de Edson Bueno entra com força no mercado de plano de saúde premium - área cobiçada pelo empresário há algum tempo por conta das margens que esse segmento proporciona. Anteriormente, Bueno tentou adquirir sem sucesso outras operadoras que atuam nessa área. Como não havia conseguido montou seu próprio plano de saúde premium, no ano passado, a One Health. Mas, segundo fontes do mercado, Bueno não estava totalmente satisfeito com o desempenho da One Health, que tem 5 mil clientes, por isso teria voltado a rondar empresas do setor.
Sua concorrente direta é a Omint, que conta com 95 mil clientes e tem faturamento de R$ 540 milhões - o que representa mais que o dobro do tamanho de Lincx e One Health juntas. A Care Plus é outra concorrente, com pelo menos 50 mil beneficiários.
A Amil pagará os R$ 170 milhões em quatro parcelas. A primeira parte, de R$ 60 milhões, será efetuada no fechamento da operação. Haverá ainda o pagamento de outras duas parcelas de R$ 25 milhões e uma quarta parte no valor de R$ 60 milhões. A Lincx possui caixa de cerca de R$ 20 milhões, que fará parte dos ativos adquiridos, reduzindo o "equity value" para R$ 150 milhões.    (Beth Koike - Valor Online)

27.05 - Movimento médico
Vamos falar sim, gritar se preciso, for contra a decisão do SDE!
Nunca antes na história deste País viu-se tamanha truculência e empenho na defesa dos interesses dos planos de saúde como a demonstrada pela SDE (Secretaria de Direito Econômico) do Ministério da Justiça na sua nota técnica recomendando ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) a condenação do Conselho Federal de Medicina (CFM), da Federação Nacional dos Médicos (Fenam) e da Associação Médica Brasileira (AMB) por influenciarem os profissionais a adotar uma tabela de preços. Ssegundo a SDE, a iniciativa teria desencadeado um movimento nacional de paralisações e descredenciamentos em massa para forçar o reajuste de honorários.
Além de instaurar processo contras as três entidades nacionais dos médicos, a SDE adotou medida preventiva proibindo boicotes a planos de saúde e determina que o CFM, a AMB e a Fenam estão proibidos de coordenarem movimentos de descredenciamento em massa dos médicos. Sem dúvida houve um retrocesso nas liberdades constitucionais no que diz respeito aos médicos em escolher para quem querem trabalhar. Nem nos anos mais duros da ditadura houve tamanha interferência na luta de uma categoria de trabalhadores por melhores condições de trabalho e uma vida digna.
Os médicos brasileiros assoberbados por uma carga horária estafante, subsidiam a saúde suplementar e a saúde pública, haja vista os valores insignificantes repassados pelo SUS e os honorários irrisórios pagos pela saúde suplementar, particularmente pela Medicina de Grupo aqui representada pela Amil, Medial, Saúde Excelsior, Hapvida, Ideal Saúde entre outros. O instrumento de negociação da categoria, a Classificação Hierarquizada de Procedimentos Médicos - CBHPM, reconhecida até pela Justiça Federal, continua sendo o referencial ético para cobrança dos honorários. Proibir os médicos por não aceitar o regime de verdadeira escravidão imposto por alguns planos de saúde é, no mínimo, compactuar com os interesses daqueles que exploram de maneira vil os que prestam inestimáveis serviços a sociedade.
Recentemente em artigo de uma revista de grande circulação nacional, o bilionário da saúde, dono da Amil - Edson de Godoy Bueno - que se autodenomina de “tubarão” deixa clara a intenção de viabilizar as suas empresas à custa do sacrifício de velhinhos, velhinhas, doentes crônicos e de alto custo que durante longos e penosos anos honraram as pesadas prestação do seu plano de saúde.
Nas palavras do executivo: “até agora foram economizados cerca de 150 milhões de reais em medidas de sinergias entre as duas companhias. A medida mais drástica foi a limpeza da base de clientes não rentáveis, em que 200.000 deles foram excluídos da carteira da Amil. “E, pedagogicamente, reforça: “era gente pra encher dois maracanãs!” Arrematando: “foi um corte dramático, mas que precisava ser feito de uma só vez.” A reportagem termina com a frase: “Na construção de uma empresa desse tamanho nem tudo se resolve com um beijo na testa.” Pois muito bem, quem é que está lucrando com a exploração do segmento saúde?
Certamente não são os médicos. Na verdade, graças ao trabalho desses abnegados profissionais é que a saúde pública e privada conseguem atingir metas que surpreendem pelos números: 11 milhões de internações, 300 milhões de consultas, 15 mil transplantes - isso no âmbito do SUS - bem como no atendimento aos cerca de 45 milhões de usuários na saúde suplementar. Está mais do que cristalino que subsidiamos a saúde quando nos contentamos com migalhas pelo nosso valioso trabalho.
Sangue, suor e lágrimas é só o que esse profissionais muitas vezes têm a oferecer aos seus pacientes. Na grande maioria das vezes, particularmente no interior, os médicos se vêem obrigados a trabalhar em vários locais, cumprindo jornadas sobre-humanas em plantões sem nenhuma infra-estrutura de apoio, enfrentando situações nas quais a própria saúde se acha em risco - quando não a própria vida - no afã de poder manter com dignidade as suas famílias.
Já está virando rotina a criminalização do médico em eventos nos quais esse profissional é o principal ator. Como se tudo fosse de sua responsabilidade. Do descaso do poder público para com as emergências à falta de vagas nas UTIs, do sucateamento de instrumental nas salas de cirurgia à inexistência de medicamentos nas enfermarias, das escalas de plantões desfalcadas ao precário atendimento nas salas de parto, tudo é creditado ao coitado do doutor.
Como se não bastasse, agora vêm a SDE, o Cade e o Ministério da Saúde cobrar do médico não se rebelar contra o status quo. Ora, tenham paciência! Chega! Vamos falar sim, gritar se preciso for!
Aqui não cabe tibieza de caráter, não vamos nos intimidar com medidas draconianas nem com tentativas de nos privar do Direito Constitucional de podermos trabalhar onde e para quem quisermos. Basta!   (Mario Fernando Lins - CFM)

27.05 - Hospitais da Anahp faturam R$ 7,5 bilhões
A Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) lançou nesta última terça-feira (24) a 3ª edição do seu Observatório. De acordo com os dados do Sistema Integrado de Indicadores Hospitalares (SINHA), em 2010 o faturamento registrado pelos hospitais que integram a Anahp foi de R$ 7,5 bilhões, um crescimento de 16% sobre o período anterior (R$ 6,5 bilhões).
A receita média por hospital alcançou R$ 250,2 milhões, uma expansão de 23,7% em relação a 2009, mantendo a tendência de crescimento dos últimos anos.
De acordo com o editor da publicação e vice-presidente do hospital Vita Volta Redonda (RJ), Francisco Balestrin, a grande novidade da edição está na divisão de indicadores Institucionais; que inclui dados econômicos, operacionais e de gestão de pessoas; e de Qualidade; que avalia a gestão assistencial, e de protocolos clínicos.
Embora a receita total dos hospitais da Anahp tenha registrado alta, o Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) apresentou queda de dois pontos percentuais. “Essa queda está atrelada ao aumento de despesas com insumos hospitalares que representam hoje 54% das receitas”, explicou, em comunicado, o presidente do Conselho Deliberativo da Anahp, Henrique Salvador.
As instituições associadas à Anahp representam 14% do total de despesas assistenciais e 10% do total de internações do setor de saúde suplementar. No quesito distribuição da receita dos hospitais, as operadoras de planos de saúde representam 90,3% do resultado global, seguida pelos atendimentos a pacientes particulares, com 7,3% e os atendimentos a pacientes do SUS, com 2,4%.
A entidade é constituída por 43 instituições hospitalares do País com ou sem fins lucrativos, distribuídas em 10 estados e no Distrito Federal. Entre os critérios exigidos para fazer parte da Associação, a instituição deve possuir Acreditação da Organização Nacional de Acreditação (ONA III), Joint Comission International (JCI), Accreditation Canada ou National Integrated Accreditation for Healthcare Organizations (NIAHO).   (Saúde Business Web)
 
 
 
 
 

26.05 - SDE faz cruzada inconstitucional contra classe médica
A Secretaria de Direito Econômico (SDE) decidiu adotar medidas no setor de saúde suplementar “para proteção da concorrência e dos direitos do consumidor”, no último dia 09 de maio, e causou indignação dos representantes da classe médica. Entidades do setor e dos médicos, que diretamente comentaram o assunto em redes sociais, propuseram inclusive uma “Carta de Repúdio, Solidariedade e Solicitação de Resposta Pública”.
Esse movimento aconteceu porque a SDE encaminhou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) nota técnica recomendando a condenação do Conselho Federal de Medicina, da Associação Médica Brasileira e da Federação Nacional dos Médicos por influenciar a categoria médica na adoção da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM).
A medida da SDE tem por objetivo proibir médicos de boicotarem planos de saúde e de cobrarem dos pacientes valores adicionais para consultas já cobertas. Segundo a medida, a categoria não poderá promover paralisações organizadas e ficará proibida de cobrar "por fora" para atender a pacientes de convênios.
Porém, as instituições indicadas pela SDE possuem legitimidade para pleitear melhores condições de trabalho para a classe. E vale o argumento de que médicos mais bem remunerados poderão prestar um atendimento de melhor qualidade à população.
Qual o fundamento, portanto, para se condenar o CFM, a AMB e a FENAM, uma vez que estes possuem legitimidade para representar os interesses da classe médica? Segundo, a SDE seria a atuação das entidades impulsionando o “boicote coletivo aos planos” e a fixação da cobrança de valor adicional para atendimento a pacientes de planos de saúde. Entretanto, ao que se sabe a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) teve registro de uma única reclamação de um consumidor com tal alegação. Daí não se justifica a instauração de um processo administrativo, salvo se o objetivo não declarado for justamente o de inibir novas manifestações da classe para adoção pelas operadoras de saúde da referida Tabela.
O Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), sempre por ofício da SDE instaurou averiguações preliminares contra alguns planos de saúde, pela interrupção do atendimento aos pacientes e eventuais cobranças indevidas. Será interessante ter conhecimento da origem das denúncias e da procedência das alegações – esta sim uma medida, em ocorrendo, que claramente protegeria o consumidor.
Não se encontra, porém, fundamento constitucional para as medidas anunciadas pela SDE. Vale esclarecer que é direito fundamental assegurado na Constituição Federal de 1988 o livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer (art. 5º, inciso XIII). Neste sentido, cabe ao médico decidir pelo credenciamento ou pedido de descredenciamento, sem ingerência da SDE ou qualquer outro órgão.
Importante destacar que não se pode apontar como “grave infração à ordem econômica” e potencial prejuízo ao consumidor qualquer tipo de paralisação ou de reivindicação dos médicos (por si ou por suas entidades), simplesmente pelo fato de que o médico não possui relação com o consumidor. Ou seja, quem poderia ferir a “ordem econômica” são as operadoras de saúde, pois estas devem satisfação e mantém uma relação contratual com o consumidor por serem fornecedoras de serviços.
Cabe ressaltar que a Constituição Federal institui que a assistência à saúde é livre à iniciativa privada, em seu art.199, que atua de forma complementar em relação à obrigação do estado prevista no artigo 196 da Carta Magna, não havendo obrigação dos profissionais da medicina em atenderem a planos de saúde.
Tampouco se pode defender a posição da SDE como preocupada com “ofensa ao direito à saúde”, já que este é obrigação patrimonial do Estado e permanece assegurado o atendimento pelo SUS aos beneficiários e à toda a população.
Chama atenção de nós, juristas, que a Resolução CFM nº 1673/2003 (que dispõe sobre a adoção de um padrão mínimo e ético de remuneração dos procedimentos médicos, para o Sistema de Saúde Suplementar, a Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos), já foi objeto de uma Ação Civil Pública proposta pelo Ministério Público Federal (MPF), a qual foi julgada improcedente em 1ª. instância, em 2010. Pretendeu o MPF que fosse declarada a ilegalidade da Resolução a suspensão dos seus efeitos jurídicos, com no art. 20, I, III e IV, da Lei nº 8.884/94.
Todavia, a adoção da tabela (representada pela CBHPM) não é obrigatória – é uma sugestão. Assim, não configura infração da ordem econômica a mera reivindicação das entidades para sua adoção. E a sugestão de valores não pode por si ser considerada “prejudicial à livre concorrência”.
Portanto, já fora objeto de discussão quanto à sua legalidade, a pergunta é: o quer realmente pretende a SDE?   (Sandra Franco - CFM)

26.05 - Carga horária de operadores de call center
Os trabalhadores do centros de telemarketing fazem um serviço semelhante ao das telefonistas e por isso vão ter uma carga horário de 6 horas, e não mais as atuais 8 horas. Esta foi uma das decisões tomadas pelo plenário do Tribunal Superior do Trabalho (TST) em sessão especial para atualizar as interpretações da legislação trabalhista.
Os 27 ministros do pleno do TST decidiram ainda que os empregadores têm de pagar o vale transporte, independente do trabalhador morar perto ou longe das empresas. Hoje, a maioria absoluta das empresas já paga o vale transporte seguindo essa regras, mas a decisão do TST consolida um entendimento da corte superior e evita a judicialização desse direito.
A revisão da Súmula 369 também decidiu que 7 dirigentes sindicais em cargos suplentes também passam a ter obrigatoriamente a estabilidade provisória no trabalho. O entendimento até hoje era de que esse direito cabia apenas a 7 diretores titulares. Algumas empresas aceitavam a estabilidade dos suplentes, outras não. Ao longo de um ano, depois do fim do mandato sindical, os trabalhadores não podem ser demitidos.
O TST paralisou todas as suas atividades durante uma semana, desde segunda-feira retrasada, para debater o emaranhado de divergências que vem atrapalhando a eficácia de suas decisões. Os ministros, assim como juízes de tribunais regionais, andam se desentendendo na interpretação das leis, muitas delas desatualizadas, e dando sentenças contraditórias em causas semelhantes, o que compromete a credibilidade da Justiça trabalhista e causa indignação às partes.
É tanto bate-cabeça que as sentenças estão se tornando letra morta. De acordo com levantamento do tribunal, só 31% das sentenças são cumpridas quando chegam à fase de execução. Ou seja: em sete de cada dez julgamentos, o direito não se converte em dinheiro no bolso. O trabalhador ganha, mas não leva. Há sentenças transitadas em julgado que se arrastam há dez anos ou mais.
A situação se agravou com o aumento das terceirizações no mercado de trabalho e com a nova lei de falências, que tirou dos trabalhadores a prioridade no recebimento de direitos  (Edna Simão - Agência Estado)

26.05 - Alta hospitalar
O mercado de equipamentos e produtos médico-hospitalares teve alta de 19% nos primeiros quatro meses de 2011, em relação ao mesmo período de 2010, segundo estudo realizado pela Abimed (associação das empresas de tecnologia médica).
Em 2010, o setor cresceu 23% ante 2009 ao registrar US$ 13,55 bilhões. A expectativa de crescimento do mercado para este ano, segundo a entidade que representa o segmento, é de 10%.  (Maria Cristina Frias - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

25.05 - Gestão de centavos para avançar na classe C
O mercado de planos de saúde encerrou o ano passado com aumento de clientes de 8,7% - maior variação já registrada pelo setor nos últimos dez anos. O bom desempenho foi puxado pela classe C que entrou no mercado de trabalho e representa uma parcela significativa dos 2,8 milhões de novos empregos criados no país em 2010. Mas, diferentemente de outros setores que estão lucrando com a classe popular ao apostar em escala, no mercado de plano de saúde não basta só oferecer um preço menor para um grande volume de clientes. A rentabilidade depende de um forte controle de custos, com uma ampla rede verticalizada.
As operadoras de saúde que atuam com público de baixa renda têm um risco maior, uma vez que o sinistro independe da classe social do beneficiário ou do valor que se paga pelo convênio médico. Trocando em miúdos: qualquer um está sujeito a internações em UTI, tratamentos de câncer ou outros procedimentos médicos que encarecem a conta hospitalar. Com isso, se o valor das mensalidades do plano de saúde for baixo e surgir uma ocorrência de custo alto, as contas da operadora podem fechar no vermelho no fim do mês.
Para não correr esse risco, as operadoras que atuam nesse segmento investem em rede verticalizada de hospitais, cujo custo é cerca de 30% inferior em relação aos hospitais não ligados a convênios médicos, e também em programas de prevenção para pacientes de doenças crônicas que representam aproximadamente 70% das despesas de uma carteira de plano de saúde.
Na Hapvida, operadora de saúde de Fortaleza, praticamente todos os serviços, desde o atendimento médico até o projeto arquitetônico dos hospitais, são realizados por empresas próprias do grupo cearense.
"Tentamos eliminar ao máximo o custo das intermediações. Por isso, temos desde atendimento médico até outros tipos de serviços como engenharia e plataformas tecnológicas próprias", disse Jorge Pinheiro, presidente da Hapvida. Um exemplo é o call center da operadora que proporciona uma economia de R$ 0,23 no custo final do plano de saúde da Hapvida.
A operadora também é dona de 20 hospitais, 12 prontos-atendimentos, 10 laboratórios e lavanderias, além das empresas de tecnologia, de engenharia e arquitetura. "Nossa empresa de tecnologia, a Haptec, desenvolveu softwares para biometria. Aqui, no Nordeste poucas pessoas têm planos de saúde e são comuns as fraudes de pessoas sem convênio usando a carteirinha de quem tem plano de saúde", explicou Pinheiro.
A Hapvida fechou o ano passado com uma carteira de 1 milhão de clientes e faturamento de R$ 754 milhões - receita proveniente das três operadoras de planos de saúde do grupo (Hapvida, Santa Clara a e Santa Saúde) além de outras empresas do grupo.
A paulista Intermédica, maior operadora voltada para a classe C, também aposta forte em gestão de doentes crônicos e uma rede de atendimento verticalizada com 93 centros clínicos, oito hospitais, nove prontos-socorros, entre outros. A Intermédica acompanha 46 mil portadores de doenças crônicas e consegue economizar até R$ 4 milhões, por mês.
O próprio fundador da Intermédica, Paulo Barbanti, faz uma gestão rígida de controle de custos de sua carteira de clientes. Tanto é que nessa nova fase de expansão da operadora e possível IPO (oferta inicial de ações) que está sendo tocados por Glauco Abdalla, sócio da Galeazzi, consultoria conhecida por reduzir despesas, não haverá um enxugamento de custos. A Intermédica registrou faturamento de R$ 1,5 bilhão no ano passado e tem mais de 2 milhões de vidas.
Uma das principais apostas de Barbanti, que agora está na presidência do conselho, é um programa de prevenção, cujo público-al vo, nessa primeira fase do programa, são as gestantes, que poderão ganhar prêmios se fizerem o pré-natal completo. A operadora se antecipou à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que lançou um projeto que pode vir a premiar beneficiários que adotarem programas de prevenção.
As operadoras que não atuam exclusivamente com a classe popular também criaram novos produtos para abocanhar uma fatia desse mercado, mas têm ciência das margens apertadas. "É um desafio trabalhar com esse público que tem uma grande demanda, mas oferece margem menor", disse Claudio Brabo, diretor comercial da Golden Cross, que tem 860 mil vidas.
Uma demonstração de que atuar no segmento de classe popular é uma combinação um pouco mais complexa é a quebra da Samcil, que chegou a ter mais de 700 mil beneficiários e atuava com o público de baixa renda.
Vale destacar que ter escala também é item relevante para o setor. O intenso processo de fusões e aquisições entre operadoras é uma demonstração de que ter volume conta muitos pontos no jogo. "Temos pouco mais de 1 mil operadoras de planos de saúde no mercado, sendo que 181 delas estão sob intervenção da ANS. Isso acontece porque cerca de 70% do total tem até 20 mil beneficiários. São poucos clientes e fica difícil diluir os riscos de alto custos", disse Luiz Augusto Carneiro, superintendente-executivo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS)
Atualmente, 45 milhões de pessoas têm planos de saúde. Desse montante, quase 60% são convênios médicos concedidos como benefício pelas empresas para seus funcionários. Por isso, quanto maior o número de carteiras de trabalho assinadas maior será o setor de planos de saúde. A Unimed-Rio, cooperativa médica que tem como principal cliente o setor de óleo e gás, é um exemplo de que está crescendo com essa demanda, uma vez que um dos pré-requisitos para uma empresa ser fornecedora da Petrobras é oferecer convênio médico para seus empregados.   (Beth Koike - Valor Online)

25.05 - Evento sobre atenção domiciliar
Encontro debate a atenção domiciliar como continuidade  da assistência ao paciente
A Superintendência de São Paulo da UNIDAS – União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde, com o objetivo de conhecer e promover a discussão sobre as diversas visões dos envolvidos na atenção domiciliar como continuidade da assistência ao paciente, realiza nesta quinta-feira (26/5), a partir das 8 h, no auditório da Afresp, na capital paulista, o evento “As diversas visões da Atenção Domiciliar na continuidade da assistência ao paciente”.
O encontro, direcionado a médicos, enfermeiros, assistentes sociais, hospitais, operadoras de planos de saúde, empresas de atenção domiciliar e mais profissionais ligados á área da saúde, terá palestras, painéis e mesa-redonda com a participação de profissionais renomados do setor, que irão debater temas como: a importância do corpo clínico hospitalar; o processo de desospitalização para a atenção domiciliar; os desafios, problemas, soluções e melhorias nos processos decisórios englobando operadoras, empresas de atenção domiciliar e família.
Os interessados em participar do evento devem preencher a ficha de inscrição anexa e enviar para unidas.sp@unidas.org.br. Os profissionais das instituições filiadas estão isento da taxa de inscrição. Para as empresas não filiadas à UNIDAS, o valor da inscrição é R$ 150.  Mais informações pelo telefone (11) 3289-0855, com Mayara. (Unidas-SP/AssPreviSite)

25.05 - O valor do pediatra
Os mercados direcionam a produção capitalista de riquezas materiais e imateriais. Tanto inovações tecnológicas, quanto a evolução do conhecimento atendem a demandas mercadológicas e estão à mercê da atuação das balanças comerciais. Como não poderia ser diferente, o mercado age no sistema de saúde indicando valores e pesos para cada especialidade e procedimento médicos. A pediatria tem sido uma das principais prejudicadas. Cada vez mais, formamos menos médicos pediatras.
De acordo com pesquisa encomendada pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), 30% dos atendimentos de rotina a crianças e 43% dos de emergência são feitos por profissionais sem a devida especialização. A drástica diminuição da procura pela pediatria se deve, sobretudo, à insatisfação com as condições de trabalho. Se nas emergências o trabalho é exaustivo e exige cuidado e atenção redobrada para obtenção de um diagnóstico, nos consultórios o atendimento é demorado. Além do mais, tanto consultórios quanto emergências oferecem baixa remuneração ao profissional. Por conta disso, as residências em pediatria estão cada vez mais esvaziadas.
Outra realidade que ajuda a explicar a perda do valor do pediatra é que não havia exigência da titulação pela Sociedade Brasileira de Pediatria para o exercício da profissão, o que contribuiu para a banalização mercadológica e, consequentemente, financeira da especialidade. Com a negligência do mercado, da sociedade e do Estado, qualquer médico poderia exercer a profissão. Hoje, com a cobrança dos pais, demais responsáveis e planos de saúde, a escassez de pediatras, que já era uma realidade, se torna evidente aos olhos da opinião pública.
Um país que se gaba de galgar altos indicadores econômicos não pode descuidar da saúde infantil. Além do óbvio valor moral e legal implicado, essa negligência leva o país a níveis vergonhosos de desenvolvimento humano e social. Segundo ranking mundial divulgado pelo Unicef, em que ocupam as primeiras posições os países com mais altas taxas de mortalidade na infância, o Brasil ainda ocupa índice superior aos de Argentina, Uruguai e Chile.
Uma possível valorização do pediatra, por conta da lei da oferta e da procura, é apontada pelos mais otimistas. Com a percepção do mercado da falta de pediatras, o valor do profissional especialista sobe. Entretanto, o mercado não pode entender as necessidades e mazelas da população, nem apontar um caminho seguro para a preservação da vida. A sociedade deve assumir uma posição firme frente a essa questão. É preciso investir na formação de médicos pediatras e lhes garantir adequadas condições de trabalho. A Sociedade Brasileira de Pediatria e suas filiadas, como a Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro, estão lutando energicamente contra todas as distorções desta insubstituível especialidade médica.
Todos nós passamos pelas mãos do médico pediatra. É ele quem vai garantir a segurança da criança nesse período de vulnerabilidade que é a infância. O seu valor imaterial se equipara a um sorriso de uma criança saudável, seu valor material segue a lógica vacilante e cega do mercado. A balança está quebrada.  (Paulo César Guimarães - Estado de Minas)
 
 
 
 
 

24.05 - Procedimento complexo gera problema
Planos mais caros também trazem problemas para os usuários. Uma prática comum no mercado de planos de saúde é a negativa de procedimentos muito caros. Segundo o advogado Leonardo Azevedo, é comum seu escritório receber casos de clientes que tiveram o procedimento negado porque a intervenção supera o custo de R$ 10 mil.
“Não recebemos demanda judicial apenas pelo plano ser barato. Inclusive, dentro dos próprios planos, tem todo tipo de preço”, diz Azevedo. O corretor Sílvio Hilário adverte, ainda, que as opções de plano com enfermaria às vezes pode não ser um bom negócio, pois, mesmo o plano dispondo de uma boa rede hospitalar, muitos hospitais não mantêm enfermarias em suas dependências. “Hospitais como Santa Joana e Esperança não têm enfermarias.”
Na opinião de Renê Patriota, a escolha do consumidor tem de coerente. “O usuário precisa saber o que está comprando. Hoje acontece muito de as emergências ficarem lotadas porque o cliente compra um plano ambulatorial que não dá direito a consultas. Ou seja, o cliente vai direto para as emergências para ter um atendimento de consulta”, relatou.
Portanto, antes de contratar um plano é necessário saber o que está se comprando no pacote, como rede de hospitais, tipo de atendimento e especialidades, laboratórios cadastrados e horários de atendimento. Muitos mantêm a prática de atender de emergência apenas em determinadas horas do dia. Além disso, é importante procurar alguém do meio médico para saber se a classe aprova aquele atendimento.
A carência também é outro aspecto que deve ser levado em conta. Alguns compram a carência do outro quando o cliente novo chega e isso é importante saber. Quais os prazos para começar a usar os tipos de atendimento.
Com relação à redução de custos, um opção interessante é tentar contratar um plano empresarial ao invés do individual. “Pode sair até 30% mais em conta, a partir de 5 vidas (segurados)”, informa Hilário.
Essa opção, no entanto, só é possível para aquelas pessoas que possuem empresa com CNPJ. Um pequeno empreendedor individual, portanto, poderia ter uma opção de compra melhor.   (Leonardo Spinelli -  Jornal do Commercio-PE)

24.05 - Quando o preço não é tudo
Popularização dos planos de saúde criou produtos de todos os preços. Antes de contratar, procure informações sobre a operadora
Com a popularização dos planos de saúde, há opções no mercado que enchem os olhos pelo preço. Produtos a partir de R$ 50 podem parecer uma boa alternativa ao combalido Sistema Único de Saúde (SUS), mas muitas vezes podem esconder problemas. A qualidade do plano, no entanto, não pode ser medida apenas pelo seu custo, mas para quem não tem como pagar muito, fica a questão: vale a pena pagar por um plano de saúde barato?
Para a presidente da Associação de Defesa dos Usuários de Seguros, Planos e Sistemas de Saúde (Aduseps), Renê Patriota, a melhor resposta é: não. “Quanto mais barato o plano, mais ele engana o consumidor. Seduz, ilude pelo preço acessível, mas nega tudo. O consumidor é apenas um sócio contribuinte das finanças daquele plano. Se o usuário só tiver necessidade de consulta, exame simples como hemograma, não terá muitas complicações. Mas se for acometido de uma doença mais grave, como um câncer, terá de recorrer à Justiça, pois eles vão negar atendimento.”
Para o advogado Leonardo Azevedo, especialista em causas contra planos de saúde, não há uma relação direta entre o valor do plano e o mau atendimento. “A gente não tem encontrado muita diferença em relação aos preços. Tem planos baratos como Real Saúde, que não são muito demandados judicialmente. É relativo”, comenta o advogado. Ele defende que há diferenças de negócios. Ou seja, de um lado estão os planos comerciais, empresas que buscam o lucro e outros que são autogestão, que reutilizam seus recursos para o próprio sistema. “Nesses a gente consegue identificar um cuidado melhor com a saúde do segurado.”
No mercado de vendas, no entanto, a questão é muito simples. “O custo dos planos de saúde é proporcional à sua rede de atendimento. Quanto maior a rede, maior o custo. O Plano Meridional tem o menor preço do mercado, mas a sua rede é menor que os outros como a Viva, Ideal Saúde, Sulamérica, Golden Cross”, exemplifica o corretor de seguros de saúde, Sílvio Hilário.
“A mensalidade de uma criança no Meridional para enfermaria é de R$ 46. Tem operadora, como a Ideal, que cobra R$ 114 pela mesma cobertura, mas o que faz o cliente escolher entre um e outro é o que ele vai desfrutar da rede credenciada. Alfa, Cemub, Albert Sabin, Jaime da Fonte, Santa Joana, Real Hospital Português, Prontolinda, São Marcos, são alguns dos que compõem a elite de atendimento hospitalar no Recife”, completou.
Para o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), em muitos casos, o atendimento do SUS é melhor do que aquele fornecido pelas empresas de saúde suplementar. “No caso dos planos de saúde restritivos, por cobrarem valor abaixo do praticado pelo mercado, ser usuário do SUS, nesse caso pode ser a melhor opção”, diz a advogada do Idec, Juliana Ferreira. “Principalmente quando o cliente é idoso ou portador de alguma patologia ou deficiência. Há muitas barreiras para o atendimento.”
De acordo com o Idec, muitos planos possuem carências de até 2 anos, só realizam atendimento médico-hospitalar e não cobrem internação e parto, assim como deixam de cobrir exames, procedimentos complexos, doenças profissionais e acidentes de trabalho e nem compromisso com a prevenção de doenças. Aposentados, ex-funcionários, ex-sindicalizados e ex-associados também perdem direitos do plano coletivo com o tempo, enquanto medicamentos são fornecidos somente durante a internação. “No SUS não existem carências e há o atendimento integral, inclusive com atuação na prevenção de doenças”, defende a advogada.
Um exemplo da insatisfação dos usuários com o serviço fornecido por um plano de saúde barato é o das irmãs Danúsia e Damariz Fraga. Elas perderam esta semana a mãe, Ceci dos Santos, vítima de infecção generalizada. Para as duas, o destino da mãe foi selado pelo mau atendimento no Hospital Memorial do Recife, da rede do Plano Meridional. Segundo elas, não tinha estrutura para atender o caso de dona Ceci, que deu entrada no local com suspeita de AVC. A diretora médica do Hospital Memorial do Recife, a vereadora Vera Lopes, defende a instituição dizendo que foi feito esforços para atender da melhor forma a paciente, mas diz que o caso foi agravado pelo problema de falta de leitos de UTI na cidade. Na última sexta-feira, o JC procurou várias vezes o Meridional. O plano não atendeu à reportagem.   (Leonardo Spinelli -  Jornal do Commercio-PE)

24.05 - Guia do convênio
Escolher um plano de saúde, trocá-lo por outro ou até entender aquele que você já tem não é uma tarefa fácil. É preciso atenção às regras do setor e às mudanças anunciadas pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar).
Problemas com contratos de saúde (cobertura, abrangência, reembolso) e negativas de cobertura são as queixas mais comuns que chegam aos serviços de serviços de defesa do consumidor.
Quase um quarto da população brasileira (43 milhões) tem plano de saúde, a maioria (mais de 70%) vinculada a contratos empresariais.
A Folha levantou as principais dúvidas na hora de adquirir um plano ou de recorrer de abusos praticados pelas operadoras, como reajuste excessivo de preços ou atendimento inadequado. Saiba quais são seus direitos e deveres.
COMO ESCOLHER UM PLANO DE SAÚDE?
1 - Preste atenção às suas necessidades
Existem homens, por exemplo, que pagam por atendimento em obstetrícia sem saber. Nesse caso, o cliente pode cancelar o aditivo e pedir a devolução proporcional às parcelas quitadas
2 - Conheça a rede de médicos, laboratórios e hospitais credenciados
Avalie a lista de profissionais e de instituições que atendem pelo plano de saúde que você pretende contratar e peça referências sobre eles
3- Avalie a estrutura do hospital
Pelo menos um dos hospitais do plano deve ter uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e oferecer tratamentos como quimioterapia e radioterapia. Verifique se o plano prevê internação em quarto particular ou se é enfermaria
4 - Questione o alcance dos serviços
Até os convênios regionais têm de prever atendimento em outras localidades e não só na cidade onde você mora. A empresa deve contar com a hipótese de urgência para os usuários em trânsito. Se você e sua família viajam sempre ao exterior, veja se há cobertura internacional
5 - Consulte condições de reembolso de consultas
Se preferir esse tipo de serviço, analise o prazo e as condições para a devolução do dinheiro. Busque um plano com valores compatíveis aos de mercado, em especial se já contar com médicos de sua confiança que não atendam por convênio
6 - Informe-se sobre as regras do plano
Há operadoras que exigem a presença do cliente em sua sede em horários limitados para emitir guias de exames e consultas. Isso fere o Código de Defesa do Consumidor. Elas devem dar opções como e-mail ou fax
7 - Veja se a operadora tem cadastro na ANS
Todas as seguradoras devem ter cadastro na ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar). Antes de fechar contrato, entre no site www.ans.gov.br e confira se a operadora está bem avaliada pela agência
8 - Confirme a qualidade do serviço
Veja no Procon (www.procon.sp.gov.br), na ANS (www.ans.gov.br) ou no Tribunal de Justiça estadual o número de reclamações e processos da seguradora, para ter ideia de sua relação com os clientes
9 - Preste atenção às regras de pagamento
O contrato pode ser cancelado se houver atraso de mais de 60 dias, consecutivos ou não. Na maioria dos casos, a empresa não avisa o cliente, que precisa ter um advogado. Em geral, as decisões judiciais favorecem o consumidor
10 - Guarde as promessas
Lembre-se das promessas da empresa. A publicidade é um compromisso do fornecedor com o cliente. Guarde as informações e, em caso de não cumprimento de um serviço divulgado, a Justiça garante os direitos do comprador
11 - Diga se você tem problema de saúde
A declaração de saúde faz parte da adesão ao plano. A empresa pode indicar um médico, sem custo, mas você pode pagar pelo que preferir. A empresa pode solicitar que você faça uma perícia médica. O custo é pago pela empresa
12 - Atenção às doenças preexistentes
Se você declarar uma doença na hora da adesão ao plano, a empresa pode dar duas opções: suspender por até dois anos alguns atendimentos relacionados à doença ou fazer um acréscimo na mensalidade para você ter direito a tudo
13 - Desconfie de planos baratos
O corretor pode vender um plano para sua família como se fosse para uma empresa. Na hora do reajuste, a ANS não pode intervir, porque ela só define limite para planos individuais e familiares. Ou seja, o barato pode sair caro
Veja o ranking das operadoras
Apenas 2,3% das empresas do país chegaram ao topo do índice de desempenho da ANS
Todos os anos, a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) avalia o desempenho das operadoras de planos de saúde que atuam no país, por meio do chamado Índice de Desempenho da Saúde Suplementar (IDSS).
Esse índice funciona como uma nota, que vai de O a 1. Quanto mais próximo ao 1, maior qualidade tem o plano.
Para comporá nota, a ANS leva em conta31 indicadores divididos em quatro sessões: atenção à saúde, capacidade econômico-financeira, estrutura e operação e satisfação do usuário.
Na última avaliação, divulgada ano passado, só 23 (2,3%) das 989 operadoras que atuam na área médico hospitalar tiveram notas mais altas. As "top" representam 16% dos 43 milhões de usuários de planos de saúde.
A atenção à saúde e, principalmente, as garantias financeiras das empresas foram os quesitos que puxaram para baixo o IDSS das operadoras de saúde.
Segundo a ANS, o índice foi criado para ajudar os usuários de planos de saúde a fazer a melhor escolha. Já o Idec(Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) considera que o índice não avalia, de fato, a qualidade dos serviços.
A Folha levantou as notas das 50 maiores operadoras do país (acima de 150 mil usuários).
JÁ TENHO UM PLANO DE SAÚDE. O QUE EU PRECISO SABER?
COBERTURA
1- Meu plano é obrigado a cobrir todos os atendimentos de que eu precisar?
Não. O plano só cobre o que está no contrato. Para planos contratados após janeiro de 1999, o mínimo oferecido é estabelecido pela ANS. Veja a lista em tinyurl.com/3s8jvh
2 - O que faço se o plano negar um tratamento?
Solicite à operadora as razões da negativa. Procure a ANS (0800-701-9656) caso seu médico não concorde com essas razões ou se a operadora não negar, mas se omitir ou responder repetidamente que o pedido está em análise
3 - O que fazer quando o hospital manda uma conta com o valor de um material usado que o convênio não quer cobrir?
Material usado em um procedimento aprovado não pode ser cobrado do usuário, pois está coberto pelo plano de saúde. Caso o hospital apresente a conta, entre em contato com o convênio, peça a justificativa oficial da recusa e registre uma reclamação. Caso o plano não resolva, faça uma denúncia à ANS e ao Procon. Também é possível entrar com uma ação judicial
REAJUSTE
4 - Como é o reajuste das mensalidades?
Planos individuais ou familiares podem ter reajuste anual e por faixa etária. O primeiro aumento por idade é aos 19 anos; depois, de 5 em 5 anos, e o último, aos 59
5 - Depois dos 60 anos, não há mais aumento?
A partir dos 60, o reajuste deixa de ser por idade, mas o plano pode ter aumentos anuais. Planos anteriores ao Estatuto do Idoso (2004) podem reajustar por idade, mas são contestados na Justiça
REDE CREDENCIADA
6 - A operadora pode excluir médicos, hospitais e laboratórios do meu plano?
Sim, mas tem a obrigação de informar ao consumidor, além de garantir um número adequado de prestadores de serviços médicos para cobrir todos os procedimentos. Em caso de mudanças que reduzam o número de hospitais, a alteração precisa ser autorizada pela ANS antes da comunicação aos beneficiários
CONTRATO
7 - A empresa pode cancelar o contrato que assinamos?
Só em caso de fraude (como deixar de declarar uma doença ou "emprestar" a carteirinha) ou de não pagamento da mensalidade por dois meses, consecutivos ou não
8 - Posso sair do plano a qualquer momento?
Pode, mas não se esqueça de que, para comprar outro, é preciso cumprir carência. A carência deixa de ser necessária para quem está no plano há pelo menos dois anos e muda para outro pela primeira vez
9 - O que é essa tal de portabilidade?
É a possibilidade de mudar de plano ou operadora sem carência. Isso é possível se o plano (individual ou familiar) foi contratado a partir de 1999 ou adaptado à lei nº. 9.656/98
10 - Tinha plano coletivo empresarial e fui demitido. Posso trocar de plano sem carência?
Se a empresa deixou de oferecer o plano, e a operadora tem plano individual, você pode ingressar nele sem carência até 30 dias após o fim do contrato anterior
PLANOS ANTIGOS
11 - Se meu plano é antigo, o que ele é obrigado a cobrir?
Convênios contratados antes de janeiro de 1999, quando a ANS foi instituída, não são regulados pela agência e não têm que cumprir o rol de procedimentos obrigatórios. Mas muitas pessoas têm entrado na Justiça para garantir a cobertura de órteses e próteses, excluída da maioria desses contratos
12 - É sempre melhor trocar o plano antigo por um novo?
Não. O plano antigo é uma boa opção para quem paga um valor baixo e tem ampla cobertura. Quem quer mudar pode migrar para um plano novo ou fazer uma adaptação do plano antigo. A migração é boa para quem paga um valor alto por um plano com pouca cobertura. Isso porque, ao migrar, o cliente passa a pagar o valor do plano novo, ganha as coberturas previstas pela ANS, mas perde coberturas do contrato antigo não previstas pela agência. Leia mais no site do Idec: www.idec.org.br/contratos   (CLÁUDIA COLLUCCI e TALITA BEDINELLI - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

23.05 - Diálogo entre hospitais e operadoras
Relacionamento começa antes da discussão sobre modelo de pagamento
Primeiro encontro "Colóquios de Saúde" abre diálogo entre hospitais e operadoras
A aproximação dos diferentes agentes e a compreensão do papel de cada um foram expostos como etapa precedente à discussão sobre os modelos de pagamento. Esse foi um dos pontos abordados no primeiro encontro do "Colóquios de Saúde", série de quatro reuniões organizados pela IT Mídia, com objetivo de abrir o diálogo entre os elos da cadeia de saúde.
Conduzidos pelo filósofo e professor da Fundação Dom Cabral e PUC- SP, Mario Sergio Cortella, cerca de 30 executivos conversaram, questionaram e discutiram sobre as questões conflituosas  que permeiam o relacionamento entre hospitais e operadoras- primeiro tema da série de Colóquios. Entre os assuntos abordados estão a legislação do setor, a auditoria, custos, gestão e modelos de pagamento.
O presidente da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), Arlindo Lopes, um dos dialogadores do encontro, lembrou da prática da verticalização adotada pelas operadoras como forma de diminuir os custos. "A verticalização ocorreu em vários ramos e os hospitais não estão conseguindo oferecer preços razoáveis e por isso começam a verticalizar", pontuou.
Também presente entre os dialogadores, o presidente da Associação Nacional dos Hospitais Privados (Anahp) e diretor do Mater Dei, Henrique Salvador, enfatizou a importância de abordar esse relacionamento mencionando dados da Organização Mundial da Saúde, onde 56% dos gastos da saúde do Brasil são provenientes do setor privado.
"Eu acho que as pessoas à frente desse processo deveriam lidar com as questões de maneira mais construtiva e não de forma destrutiva", colocou o executivo sobre a reção de prestadores de serviço e a operadora.
Sérgio Bento, superintendente do Hospital Samaritano, falou do custo da "confiança" no relacionamento, que muitas vezes são refletidos no custo da auditoria. O executivo também enfatizou a criação da Agência Nacional da Saúde Suplementar. " A agência entrou (no setor) porque somos incapazes de nos resolver na saúde suplementar".
Essa é uma opinião compartilhada pela superintendente de provimento de saúde da Unimed-BH, Mônica Castro. "A ANS foi positiva para quem trabalha sério no setor", afirmou. A executiva também enfatizou a não sustentabilidade do modelo fee for service, modelo de pagamento adotado no Brasil.
Os planos de saúde também foram representados pelo diretor da Amil,  Paulo Marcos Souza. O executivo lembrou a curta trajetória da saúde suplementar brasileira . "O setor é muito recente são apenas 40 anos", o executivo ainda enfatizou a importância da transparência nos números "Tem operadora e hospital que sentam na mesa de negociação e não têm números", disse, sobre a capacidade de sustentabilidade de hospitais e planos de saúde.
Saúde Business Forum
O convite e o compromisso de reunir os diferentes elos da cadeia de saúde para dialogar sobre os principais conflitos e desafios do setor foram feitas pela IT Mídia no Saúde Business Forum 2010.
Como andamento desta iniciativa nasceram os "Colóquios da Saúde", série de quatro encontros reunindo executivos e pensadores da saúde brasileira para propor o diálogo e entendimento entre os agentes. A proposta é documentar os debates e apresentá-los como protocolos com diretrizes e orientações sobre melhores práticas no setor de saúde.
Todos os encontros serão conduzidos pelo professor Mario Sergio Cortella e realizados pela IT Mídia, que se coloca como uma facilitadora do debate. O último encontro, o fechamento do ciclo de debates e a apresentação dos protocolos ocorrerão no Saúde Business Forum 2011.  (Maria Carolina Buriti - Saúde Business Web)

23.05 - Gastos com a 3ª idade devem dobrar até 2050
Há uma expectativa de que a população de 80 anos ou mais passe dos atuais 4% da população total dos países-membros para 10% até 2050
Os gastos que os países-membros da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) direcionam para o cuidado de idosos dependentes vai dobrar, e talvez até ficar três vezes maior até 2050, alertou nesta quarta-feira o organismo em comunicado divulgado à imprensa. A informação é do jornal Folha de S. Paulo.
Segundo a organização --grupo formado pelos 34 países mais ricos do planeta--, é preciso melhorar a gestão do atendimento e os cuidados oferecidos aos idosos, pois há uma expectativa de que a população de 80 anos ou mais passe dos atuais 4% da população total dos países-membros para 10% até 2050.
Em 2008, os gastos com cuidados de pessoas dependentes representou, em média, uma fatia de 1,5% do PIB dos países OCDE.
Contudo, os gastos variaram enormemente, indo de 0,1% em Portugal até 3,6% na Suécia.
Diante desta situação, o mexicano Angel Gurría, secretário-geral da OCDE, aconselha os países a revisarem as políticas atuais já que, segundo ele, elas carecem de coerência em muitos dos países-membros.
Segundo Gurría, é preciso "otimizar os gastos" e "dar respaldo às famílias que constituem a espinha dorsal dos dispositivos de cuidados de longa duração".
Atualmente, segundo o censo da OCDE, cerca de 70% das pessoas dependentes recebem cuidados em seu próprio domicílio, o que é menos custoso que o cuidado em instituições que, mesmo menos utilizadas, absorvem 62% dos gastos totais.
Entre os integrantes da OCDE, mais de um adulto em cada dez se ocupa de uma pessoa dependente, avalia a organização.
Contudo, o informe indica que cuidar de um dependente tem consequências para as pessoas que o fazem, já que estes têm maiores gastos e sofrem uma probabilidade maior de "padecer de problemas mentais 20% mais elevada que o restante da população".
Para a OCDE, "não é desejável que se implique demasiadamente os familiares nestas tarefas".
Para a organização, além de reforçar a ajuda aos dependentes, "vários países devem reforçar o setor formal e efetuar reformas para atrair mais mão de obra neste setor".
Os profissionais do setor (enfermeiras, auxiliares, etc.) representam atualmente entre 1% e 2% da população ativa e esses números também devem duplicar até 2050, estima a OCDE.  (Saúde Business Web)

23.05 - Hospitais não poderão pedir cheque caução
Objetivo da lei é garantir a saúde do paciente e evitar que ele passe por constrangimento
A Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou, na quarta-feira, um projeto de lei que proíbe hospitais e clínicas médicas de pedirem cheque caução a pacientes que precisam ser internados. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) tem 30 dias para avaliar a proposta e decidir se aprova ou veta. As informações são do jornal Estado de S. Paulo.
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Hospitais costumam exigir o caução para autorizar a internação de pacientes que não possuem plano de saúde ou não o pagam em dia. O objetivo da lei, segundo o deputado estadual Fernando Capez (PSDB), autor do projeto, é garantir a saúde do paciente e evitar que ele passe por constrangimento.
"Se entender que deve cobrar, o hospital pode fazer isso depois. E, se o paciente não pagar, o hospital tem meios de ir à Justiça para cobrar", afirma. "O Código Civil proíbe negociação com alguém que está em necessidade. E é o caso dos hospitais", completa.
Segundo ele, a prática é vetada pela Resolução Normativa 44/2003, da Agência Nacional de Saúde Suplementar e pelo Código de Defesa do Consumidor.  De acordo com o jornal, a Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) e a Associação dos Hospitais do Estado não foram localizados. A assessoria de imprensa da Anahp entrou em contato com o Saúde Business Web e informou que enviará posicionamento em breve. A Associação dos Hospitais do Estado não foi localizada.  (Saúde Business Web)
 
 
 
 
 

20.05 - Internação domicilar e capacitação de familiares
Ideia simples ajuda paciente crônico e desafoga hospital
Não é raro ver pacientes que sofrem de distrofia muscular congênita passarem muito tempo sozinhos no hospital.
Pessoas que têm essa doença hereditária - que definha os músculos - ficam internadas, em média, durante dois anos, todas as vezes que dão entrada no Hospital Auxiliar de Suzano, instituição ligada à Universidade de São Paulo (USP).
"Nem sempre os familiares e amigos têm condições financeiras de pedir demissão para se tornarem cuidadores. Outras vezes, a dificuldade é a distância de casa", explica Milton Hanashiro, médico assistente da unidade de pediatria da casa de saúde do município, que fica a 52 quilômetros da capital paulista.
Para tentar resolver essas questões e ainda dar mais qualidade de vida às pessoas diagnosticadas com a doença, o Ministério da Saúde criou, em 2001, um programa que permite que os pacientes estáveis recebam o tratamento em casa com auxílio de ventilação mecânica.
Mas o Hospital Auxiliar de Suzano decidiu ir além: iniciou, em 2004, um trabalho de capacitação dos familiares.
Segundo Hanashiro, responsável pelo projeto, esse treinamento é importante, porque explica como se deve cuidar do paciente e como proceder em casos de emergência.
"Geralmente, a escolaridade dos pacientes que procuram o hospital é baixa e a média salarial da família é de apenas dois salários mínimos. Por isso, muitas vezes, os familiares não têm condições de pagar um enfermeiro particular", conta o médico.
Por isso, o hospital de Suzano sempre procura fazer um acordo com a secretária de saúde do município onde o paciente mora. Isso é fundamental para a continuidade do tratamento e para o rápido atendimento em casos graves, como o aparecimento de pneumonia.
Pelo acordo firmado com a casa de saúde de Suzano, médicos, enfermeiros e fisioterapeutas visitam periodicamente os portadores da doença, sem custos para a família. Tudo é custeado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Até hoje, 12 pacientes foram beneficiados por esse projeto. Entre eles, está Aline Ferreira, de 19 anos. Aparecida Maria Ferreira, mãe de Aline, conta que ela melhorou bastante desde que voltou para casa.
"Foram sete meses de internação e, durante todo esse período, ela queria vir para casa. Afinal, nem todo mundo podia ir visitá-la", diz a moradora de Poá.
Aparecida conta que o médico do município visita a filha uma vez por mês e a fisioterapeuta a atende duas vezes por semana. "Ela se sentia muito sozinha no hospital e agora passa a maior parte do tempo conversando com as amigas pela internet", conta.
De acordo com Hanashiro, há casos de pacientes que voltaram a estudar, depois de irem para casa. "É importante para a mãe também voltar a conviver com os outros filhos", afirma. "Já vi casos em que os pais da criança acabaram se separando por causa do tempo que passavam separados", acrescenta.
Redução de custos
Mas não são somente os pacientes e familiares que ganham com o projeto. O Hospital Auxiliar de Suzano também conseguiu reduzir os seus custos e passou a atender mais pessoas depois da implantação do programa.
A explicação é simples: como o paciente com distrofia muscular passa, em média, 730 dias no leito, o hospital deixa de atender cerca de 100 pacientes nesse período.
Além disso, uma internação em uma unidade semi-intensiva custa cerca de R$ 1,2 mil por dia - R$ 876 mil pelo tratamento todo de uma pessoa portadora de distrofia muscular -, sendo que esse mesmo paciente em casa tem um custo de R$ 102 para os cofres públicos. "É claro que isso é um benefício secundário, mas não deixa de ser importante."  (Natália Flach - Brasil Econômico)

20.05 - Monitoramento de pacientes à distância
Plataforma de telessaúde Intel-GE Care Innovations Guide possibilita uma relação interativa entre médicos e clientes
Care Innovations, a joint venture da Intel e da GE para a área de saúde, lançou o Intel-GE Care Innovations Guide, uma plataforma de telessaúde destinada a melhorar o comportamento dos pacientes e apoiar as mudanças de estilo de vida saudável por meio de uma relação interativa entre médicos e pacientes. Para alcançar esse objetivo, ele usa desktops, tablets, netbooks, laptops e outros dispositivos móveis.
O Care Innovations Guide, que ajuda os médicos a monitorar pacientes e administrar cuidados à distância, está disponível apenas em dispositivos que usam o sistema operacional Microsoft Windows 7.
Apesar das pesquisas mostrarem que as taxas de adoção de dispositivos móveis da Apple com o iPad e o iPhone serem altas entre os médicos o outros profissionais de saúde, funcionários da Care Innovations disseram que o Guide não pode ser executado nesses dispositivos, e que escolheram a plataforma Windows 7 por várias razões.
"A plataforma foi escolhida para garantir uma ampla cadeia de abastecimento, a diversidade de opções de escolha e uma plataforma gerenciável e segura", disse durante uma entrevista Aaron Duerksen, gerente geral de gestão de doenças da Intel-GE Care Innovations.
Entretanto, funcionários da empresa disseram que estão observando o mercado de dispositivos móveis enquanto desenvolvem futuros produtos.
Lynne Dunbrack, diretor de programa de TI para estratégias ligadas à saúde do IDC Health Insights, disse que a falta de disponibilidade do guia em dispositivos da Apple significa que vários médicos - e pacientes - que possuem iPhones e iPads não poderão usar o sistema.
Por outro lado, Dunbrack disse que ainda há muitos dispositivos que usam o Windows 7.
"Não é inconsequente desenvolver aplicativos - especialmente aqueles que exigem 510(k) de clareza do mercado pelo U.S. Food and Drug Administration (FDA) - para múltiplas plataformas móveis", acrescentou Dunbrack.
Em março, o Care Innovations Guide recebeu 510(k) de clareza do mercado do FDA e agora está sendo apontado como uma plataforma que vai abrir uma nova categoria de sistema de gerenciamento de saúde remota para seus clientes.
O app do guia funciona com dispositivos de consumidores que tenha uma entrada de cartão SD e webcam. Além disso, permite a computadores pessoais, tablets e outros dispositivos, se conectarem a modelos específicos de dispositivos médicos periféricos com ou sem fio, incluindo monitores de pressão, nível de glicose, oxímetro de pulso e escalas de peso.
Duerksen também disse que a plataforma oferece um avançado processo de ramificação lógica que permite que o paciente tenha interação por conversação em vez de apenas responder perguntas de pesquisa e, com base nessa conversa, ele recebe educação multimídia quando mais precisa. Além disso, recursos de videoconferência conectam o paciente e o médico em um diálogo cara a cara.
O app do guia também se integra com sistemas eletrônicos de registros médicos e com a infraestrutura de TI existente na maioria das organizações de saúde.
A Care Innovations anunciou o primeiro cliente do guia - Virtual Health - que oferece serviços de saúde e bem-estar com base em assinaturas e irá implantá-lo para uma população de idosos e de grávidas de alto-risco.   (Nicole Lewis - InformationWeek/Saúde Business Web)

20.05 - Ministro chama atenção para doenças crônicas
Em discurso, na 64ª Assembléia Mundial de Saúde, Ministro da Saúde, também falou de melhorias para acabar com a miséria
Em seu discurso na 64ª Assembléia Mundial de Saúde na manhã da última segunda-feira, (16), em Genebra, Suíça, o ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha, colocou o acesso à saúde como um dos pilares do governo brasileiro para o desenvolvimento do país e a erradicação da extrema pobreza. Padilha reforçou o compromisso do Brasil em fortalecer a política de prevenção e controle das doenças crônicas não transmissíveis, que atingem com mais vigor as populações pobres e são responsáveis por 72% dos óbitos no país.
Segundo ele, o pacto mundial do País contra as doenças crônicas não transmissíveis deve incluir, necessariamente, equidade no acesso a prevenção e a tratamento. E destacou a experiência brasileira e mundial na luta contra as doenças negligenciadas.
A diminuição das doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, é o tema central da 64ª Assembléia Mundial de Saúde. O encontro reúne ministros da Saúde e representantes do setor de 193 países, e segue até o dia 24 de maio.
Padilha destacou, ainda, a importância da indústria dos genéricos, que ajudaram a ampliar o acesso a medicamentos nos países em desenvolvimento; e a necessidade da adoção de mecanismos intergovernamentais para enfrentar as pandemias de Influenza. Segundo ele, o reforço da interface entre a política externa e de saúde global, a exemplo do enfrentamento da pandemia da influenza A H1N1, é fundamental, mas ainda é preciso avançar no estabelecimento de ações conjuntas entre os governos.
Estratégias Globais
As Doenças Crônicas não Transmissíveis ( DCNTs) são responsáveis por uma série de agravos na população mundial, como infarto e acidentes vasculares cerebrais. Na Assembléia Mundial de Saúde, Padilha colocou a troca de experiência entre os países como uma forma de avançar nas políticas nacionais e, sobretudo, nas políticas globais. O Brasil, por exemplo, vive uma epidemia de acidentes com moto e anunciou, na semana passada, um pacto nacional para redução de acidentes no trânsito.
A definição de estratégias globais representou avanços no Brasil. Segundo o ministro, os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, traçados pela ONU, ajudaram na definição de prioridades no país e resultou em avanços na saúde da mulher e da criança.
De acordo com o ministro Alexandre Padilha, para que o acesso à saúde seja universal, é preciso ainda avançar nas discussões em três importantes esferas: financiamento, incorporação de tecnologia e acesso a medicamentos.   (Saúde Business Web)
 
 
 
 
 

19.05 - Procura por medicamentos genéricos aumenta
Alguns médicos não acreditam que eles façam o mesmo efeito dos remédios de marca
Os medicamentos genéricos estão nas farmácias brasileiras há mais de dez anos e até hoje muitos consumidores tem dúvidas sobre a qualidade dos produtos. Alguns médicos não acreditam que eles façam o mesmo efeito dos remédios de marca. É uma realidade que começa a mudar, de acordo com pesquisa da Associação de Indústrias de Genéricos.
Desde que era criança, Maria dos Prazeres de Almeida, que tem problemas respiratórios, precisa usar um medicamento todos os dias. Uma caixa de vinte comprimidos com marca de laboratório custa R$ 14,36 em uma farmácia. Para ela nem sempre foi fácil comprar. Isso até a chegada dos genéricos. Adquirir um medicamento ficou mais barato.
Até a classe médica está mudando. O número de profissionais que receitam genéricos tem aumentado. As novas pesquisas mostram que esta parece ser uma escada ascendente. O crescimento é recorde para um primeiro trimestre desde o surgimento dos genéricos, em 2001, e acontece sobre uma base de crescimento também recorde. Em 2010, o setor aumentou 33,1%.
De acordo com o médico cardiologista Abel Pereira, os genéricos só não têm o nome do laboratório. Mas, na maioria das vezes, a qualidade e os efeitos são os mesmos.
Os descontos podem ser bem grandes. Para o controle do colesterol, por exemplo, uma caixa de marca com trinta comprimidos custa nesta farmácia R$ 132 e o genérico R$ 61,80. Uma diferença de R$ 70,20. Um antibiótico de marca custa R$ 35,90 de marca e o genérico R$ 13,28. Menos R$ 22,62. Uma cartela com quatro comprimidos para dor de cabeça chega a R$ 4,35 e o genérico R$ 2. (Tem Mais)

19.05 - Cinco remédios entram na lista do Farmácia Popular
De acordo com o Ministério da Saúde, dos cinco medicamentos,um será distribuído de forma gratuíta e os outro quatro terão 90% de desconto
Cinco novos medicamentos passaram a integrar a lista de remédios encontrados nas unidades do Programa Farmácia Popular - losartana potássica (contra a hipertensão arterial), loratadina (antialérgico), fluoxetina (antidepressivo), clonazepan (ansiolítico) e alendronato de sódio (contra a osteoporose).
De acordo com o Ministério da Saúde, dos cinco medicamentos, apenas o losartana potássica será distribuído de forma gratuita. Os outros quatro terão desconto de 90%. A lista de remédios do Farmácia Popular que são distribuídos de graça é composta de 12 medicamentos que combatem a hipertensão e o diabetes.
Ao todo, 547 unidades administradas pelo governo federal, em 431 municípios brasileiros, fazem a distribuição dos remédios. Na rede privada de farmácias e drogarias, o programa recebe a denominação Aqui Tem Farmácia Popular e oferta gratuitamente 25 medicamentos em 2,5 mil cidades.   (Paula Laboissière - Agência Brasil/Saúde Business Web)

19.05 - Déficit do Governo no setor de remédios triplica
Embora os programas de governo tenham estimulado a produção nacional, o País continua dependente da importação de remédios
Ainda que o governo tenha adotado políticas de incentivo ao setor industrial para estimular a produção farmacêutica nacional e ameaçado quebrar patentes, o déficit comercial da área de saúde com remédios e equipamentos triplicou nos oito anos de governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atingindo US$ 10 bilhões. No intuito de reverter esta situação, o governo de Dilma Rousseff prepara medidas que deverão proteger a indústria nacional da concorrência estrangeira. As informações são jornal Estado de S. Paulo.
Os dados do déficit são do presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, que nesta semana participa da Assembleia Mundial da Saúde, em Genebra, na Suíça. Segundo a publicação, ele admitiu que, embora os programas de governo tenham estimulado a produção nacional, o País continua dependente da importação de remédios. E afirmou que só em medicamentos o déficit está em torno de US$ 8 bilhões e vem crescendo.
Gadelha atribui parte do problema da explosão do déficit à valorização do real frente ao dólar. Outra explicação é o aumento do consumo de remédios no Brasil e uma demanda por um grupo maior de pessoas. Os esforços de produção, segundo ele, não seguiram o mesmo ritmo.
A emancipação da produção nacional de medicamentos foi uma das bandeiras defendidas pelo governo Lula e deve seguir na agenda da presidente Dilma. Para meados do ano, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, promete a publicação de uma nova lei permitindo que licitações públicas deem vantagens para produtos de alta tecnologia fabricados no País, em detrimento de concorrentes estrangeiros.
Padilha admite que o déficit é ainda um problema. Mas cita os programas de apoio do governo como parte da solução. E diz que o País tem políticas específicas, como parcerias público-privadas, contratos. Além disso, diz que foi aprovada uma lei que permite usar licitação pública para estimular a produção nacional. A ideia é de que, mesmo que o produto nacional seja 25% mais caro que o estrangeiro, ele tenha certos benefícios na concorrência.
Regras
Na Organização Mundial do Comércio (OMC), entidades como os Estados Unidos questionaram as políticas de incentivo do Brasil, insinuanbdo que talvez pudessem violar as regras internacionais.
Por anos o País trabalhou para ter acesso aos remédios que mais pesam na balança comercial do governo. Chegou a quebrar patentes de algumas empresas para produzir versões genéricas locais, que custam 35% menos, em média.
Padilha cita a criação de um novo mecanismo para celerar o registro de remédios genéricos, o que permietiu uma alta de 73% na certificação desses remédios, no primeiro trimestre em 2011, em comparação ao mesmo período de 2010.
De acordo com um relatório divulgado recentemente pela OMS, no entanto, mostra que o governo gasta menos da metade da méda mundial em saúde. em 2008, 6% do orçamento ncional ia para a saúde. No mundo a média é 13%.  (Saúde Business Web)
 
 
 
 
 

18.05 - Abramge contesta política de ressarcimento SUS
Para operadoras, a cobrança feita pela ANS seria inconstitucional. Além disso, impacta nos custos das empresas e no bolso do consumidor
O artigo 32 da lei 9656, que prevê o ressarcimento ao Sistema Único de Saúde (SUS) pelos planos, é contestado pelas entidades representativas da saúde suplementar. "A constituição diz que a saúde é um direito de todos e um dever do Estado. Portanto, o consumidor não pode pagar duas vezes pela assistência", afirma o Chefe da Assessoria Jurídica da Associação Brasileira de Medicina de Grupo, Dagoberto Lima.
A lógica é simples. A cobrança da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) referente ao ressarcimento SUS impacta os custos das operadoras que acabam aumentando seus preços para o consumidor final.
Para Lima, a ANS foi arbitrária ao definir tabela única para procedimentos médicos. "O valor para o ressarcimento é sempre superior aos reais gastos", explica Lima durante a 6º Jornada Jurídica de Saúde Suplementar.
Em entrevista à Saúde TV, o advogado também faz menção às irregularidades das cobranças. "Ao avaliar a cobrança para contestá-la muitas vezes identificamos pedidos de ressarcimentos fraudulentos cobrados do poder público. Ou seja, o Datasus pagou o prestador por um procedimento que não existiu. Acabamos sendo auditores públicos", ressalta.
Entenda como essa questão está sendo conduzida pelas operadoras e pelo Supremo Tribunal Federal na entrevista com Dagoberto Lima.  (Verena Souza - Saúde Business Web)

18.05 - CFM entra com ação na justiça contra a SDE
Também ontem, o Conselho pediu ao Cade a revogação do ato administrativo instaurado por falta de fundamentação legal
O Conselho Federal de Medicina (CFM) propôs nesta segunda-feira ação ordinária na Justiça Federal, em Brasília, contra o processo administrativo instaurado pela Secretaria de Direito Econômico (SDE) pelo qual as entidades médicas são impedidas de defender os interesses da categoria no que se refere à recomposição dos honorários pagos pelas operadoras de planos de saúde.  Na ação, o CFM pleiteia de antecipação de tutela o que implicaria na suspensão das medidas preventivas impostas.
Também nesta segunda-feira, o CFM apresentou pedido de revisão da medida preventiva da SDE junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), vinculado ao Ministério da Justiça. Este recurso não tem caráter judicial, mas solicita ao órgão que reavalie o embasamento da medida da Secretaria, revogando-a pela ausência de fundamentação. Nas duas ações, a argumentação apresenta pontos em comum.
Em síntese, o CFM, por meio de sua assessoria jurídica, sustenta que a entidade possui lastro legal para orientar e coordenar a classe médica na obtenção de melhores condições de trabalho e remuneração pelos serviços prestados às operadoras de plano de saúde, conforme reconheceu a SDE. O Conselho Federal alega ainda que, ao adotar o processo administrativo com uma série de medidas preventivas, a Secretaria de Direito Econômico extrapolou sua competência legal.
Para o Conselho Federal, a SDE, em nenhum momento, comprovou que o CFM ameaça, puniu ou pune os médicos que não aderirem ao movimento ou não adotarem a Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM).  Além disso, a peça demonstra que o CFM não impõe aos médicos apoio ao movimento nem à adoção da CBHPM.
A entidade de representação dos médicos afirma ainda que o movimento dos médicos ocorre não por determinação do CFM, mas porque a classe médica não tem mais condições de atuar com os valores pagos pelas operadoras de planos de saúde. O Conselho Federal de Medicina também demonstra que os descredenciamentos, quando ocorrem, são realizados à luz do disposto na Resolução Normativa DC/ANS nº 71/2001.
Esta Resolução Normativa estabelece os critérios e condições da relação entre as operadoras e os profissionais de saúde, que, nesta situação, são vistos como prestadores de serviços. A regra, entre outros pontos, determina os parâmetros pelos quais pode ser dar a rescisão contratual entre as partes.
Finalmente, o CFM afirma que o movimento por melhores condições de trabalho e uma remuneração justa não ofende a livre concorrência, nem à livre iniciativa, como alegado pela SDE. No entendimento do Conselho, a CBHPM é uma referência, conforme decisões do Tribunal Regional Federal da 1ª Região proferidas em ações judiciais no qual o item foi objeto de discussão e análise.  (CFM)

18.05 - Médicos recorrem de decisão que proíbe boicote a planos
O Conselho Federal de Medicina recorreu da decisão da SDE (Secretaria de Direito Econômico) do Ministério da Justiça que proibiu médicos de boicotarem planos de saúde e de cobrarem dos pacientes valores adicionais para consultas que já são cobertas.
A entidade entrou com uma ação na Justiça Federal em Brasília e com um recurso no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), também vinculado ao Ministério da Justiça.
Na decisão divulgada no último dia 9, a SDE proibiu os médicos de promoverem paralisações organizadas como a que ocorreu no dia 7 de abril, quando houve suspensão de atendimento a clientes dos planos.
Determinou também a investigação do Conselho Federal de Medicina, da Associação Médica Brasileira e da Federação Nacional dos Médicos para apurar possível participação das entidades na organização do boicote.
Nos recursos apresentados ontem, o conselho argumenta que tem atribuição legal para coordenar a categoria dos médicos na busca por melhores condições de trabalho e que não ameaçou punir quem não participasse do movimento.
De acordo com a entidade, o movimento dos médicos ocorre não por determinação do conselho federal, mas porque eles não têm condições de trabalhar com os valores pagos pelas operadoras de planos de saúde.  (Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

17.05 - Novo produto: Linha do tempo
O setor de saúde suplementar apresentou proposta de um novo produto à ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar).
O produto a ser criado é uma mistura de plano de saúde e previdência privada.
Com contribuição entre 20 e 60 anos de idade, de 15% da mensalidade do plano de saúde ao fundo capitalizado, o beneficiário, que começa a sacar o dinheiro aos 65 anos, pode bancar até 60% das despesas com o plano por 20 anos. A simulação foi feita pela Federação Nacional de Saúde Suplementar.
O novo produto, inspirado nos Health Saving Accounts (HSA), é comercializado nos EUA desde 2003.
Ele pode ser financiado em parte pelo empregador, de acordo com a entidade.  (MAria Crisitina Frias - Folha de S.Paulo)

17.05 - Manifesto médico
Diante da decisão arbitrária da Secretaria de Direito Econômico (SDE), que impede os médicos – por meio de suas entidades representativas – de expressarem sua opinião e pleitos com relação aos planos de saúde, o Conselho Federal de Medicina (CFM) e os Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) manifestam publicamente seu repúdio à medida com base nos seguintes argumentos:
O processo administrativo instaurado pela SDE representa uma afronta inequívoca ao direito dos médicos e de todos os brasileiros de lutarem por melhores condições de trabalho e assistência num Estado moderno e democrático, fazendo-nos regredir aos tempos da ditadura e da opressão;
A decisão da SDE também privou os médicos da possibilidade de lutar pelo fim de práticas adotadas por operadoras de planos de saúde que interferem na autonomia do profissional e, por consequência, impedem o acesso dos seus usuários a procedimentos necessários ao diagnóstico e tratamento;
Com esta ação, a SDE desrespeitou a Constituição e as leis que fundamentam a cidadania e as liberdades de organização e de expressão no Brasil, agindo como um instrumento digno dos piores regimes autoritários a serviço de interesses políticos ou privados;
O ato da SDE se revela ainda mais injusto ao tratar os médicos e empresários de forma desproporcional: de um lado, penaliza o movimento de profissionais da Medicina como um cartel, sujeitando-o a medidas adequadas às empresas; de outro, ignora a ação coordenada dos empresários, que acumulam lucros exorbitantes, e condena trabalhadores e pacientes a se sujeitar ao pouco oferecido sem direito a reação;
Este processo abre precedentes sombrios e soa um alerta para a sociedade: se hoje o alvo da SDE são os médicos, em breve a artilharia pode se voltar para advogados, arquitetos, engenheiros, jornalistas, professores, metalúrgicos ou qualquer outra categoria que OUSE lutar para que seus direitos e sua voz sejam ouvidos e respeitados.
Asseguramos à sociedade e aos médicos brasileiros: o CFM e os CRMs não se curvarão a essa decisão arbitrária e responderão à altura – pelos meios legais – à agressão gratuita sofrida, honrando, assim, seus compromissos e competências legais em prol da Medicina. Por outro lado, sua missão é mais ampla abarcando a defesa veemente dos interesses da sociedade, em especial dos pacientes e familiares.
Acreditamos que a ética prevalecerá, fazendo com que as autoridades competentes percebam os equívocos acumulados e revoguem essa decisão tomada em detrimento da saúde e da cidadania.  (Jornal Odonto)

17.05 - Cremerj: Mensagem
Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro
Quanto vale o médico? Para os planos de saúde, não vale nada!
Essa também é a opinião da Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça, que em nota técnica esdrúxula e arbitrária proíbe as entidades médicas CFM, AMB e Fenam de liderar o movimento médico por reajuste de honorários dos credenciados a planos de saúde.
A SDE está rasgando a Constituição Federal e o Código de Ética Médica, curvando-se subservientemente às operadores e multando pesadamente as entidades médicas que se insurgirem contra essa determinação.
Queremos garantir a qualidade nos serviços prestados à população.
Repudiamos tal excrescência jurídica, que nos remete aos tempos da ditadura.
Valorizar o médico é valorizar a saúde. O médico vale muito!  (Portal G1)
 
 
 
 

16.05 - Protocolo para cirurgia plástica
Diante do aumento do número de reclamações de pacientes insatisfeitos com cirurgias plásticas, o Conselho Federal de Medicina (CFM) decidiu lançar uma ficha em que o médico irá documentar todas as informações e esclarecimentos repassados ao paciente sobre a cirurgia, desde a consulta até a alta do hospital ou clínica.
O modelo do formulário foi definido em conjunto com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Tudo ficará registrado no documento, assinado pelas partes, em duas vias – sendo que uma ficará com o paciente e a outra com o médico.
Em um primeiro momento, o CFM vai apenas recomendar a adoção do formulário, disponível na página do conselho na internet. Para se tornar obrigatório, é preciso a aprovação de uma norma pelo órgão. No entanto, o coordenador Antônio Pinheiro estimula o paciente a exigir o preenchimento da ficha e verificar o registro do médico no conselho de medicina da região para evitar a atuação de “aventureiros”, profissionais que fazem esse tipo de cirurgia sem ter habilitação.
O Brasil é o segundo país no ranking mundial de cirurgias plásticas, perdendo apenas para os Estados Unidos. Estima-se que foram feitas 640 mil operações desse tipo no país, em 2009 – mais de 80% em mulheres. O implante de silicone lidera as cirurgias plásticas, seguido da lipoaspiração. Atualmente, existem quase 5 mil cirurgiões plásticos, mais de 90% deles trabalham no estado de São Paulo.
Pelo protocolo definido pelo CFM para o preenchimento do formulário, o médico fará uma checagem com o paciente de todas as etapas. Na primeira fase, da consulta e avaliação, devem constar os dados do paciente (peso, altura, idade, sexo, uso de remédios, fumante, alergias ou distúrbios psiquiátricos), exames pré-operatórios, esclarecimentos da anestesia, técnica a ser usada e quais os riscos da cirurgia, como o de deixar cicatrizes, além da habilitação do hospital ou clínica para o procedimento.
Na fase pré-cirúrgica, o profissional deve informar sobre a dieta alimentar e roupas adequadas para serem usadas depois do procedimento ( tais como meia específica, cinta, sutiã) e também a respeito de lesões já apresentadas pelo paciente como, por exemplo, uma paralisia facial. É nessa fase que o médico tem que verificar o leito escolhido para a cirurgia.
Após a operação, o cirurgião deve registrar o tempo de duração, uso ou não de dreno ou sonda, curativos adotados e ocorrência de problemas no decorrer da operação, como uma embolia. Por último, as informações da alta hospitalar, datas das consultas de retorno e contatos do médico.
De 2001 a 2010, o CFM julgou 453 processos relacionados à especialidade e nove profissionais tiveram o registro cassado. Em algumas queixas, os pacientes reclamaram que não sabiam que ficariam com cicatriz e que tiveram dificuldade de encontrar o médico depois da cirurgia. Com o novo documento, o CFM quer diminuir as falhas na comunicação entre médicos e pacientes.
“O mais importante é compactuar paciente com o médico. Eu [médico] expliquei, ela [paciente] entendeu. Eu respondi a todos os argumentos e às necessidades de esclarecimentos. Ela também se sentiu tranquila, [tanto] que assinamos juntos [o formulário], em comum acordo”, disse Wanda Elizabeth Correa, coordenadora da Comissão do Silicone da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, entidade que participou da discussão do protocolo, que durou dois anos.
No entanto, os especialistas alertam que a prática não elimina todos os riscos que envolvem uma cirurgia. “Com o organismo humano, seria impossível dizer que nada vai acontecer”, afirmou Antônio Pinheiro, coordenador da Câmara Técnica de Cirurgia Plástica do CFM , acrescentando que, dependendo das informações colhidas, o médico pode decidir não fazer a cirurgia pelo fato de o paciente apresentar riscos de saúde.
Mesmo com o formulário, Wanda Correa é pessimista quanto a uma possível redução das reclamações porque muitos pacientes, segundo ela, depositam na cirurgia plástica a expectativa de ter o rosto e o corpo perfeitos. Ela acredita que os profissionais terão de ser mais realistas. “Querem mágica [pacientes]. Na verdade, estamos limitados pela técnica cirúrgica e pelas condições que a paciente apresenta, tipo de pele e deformidade. Mas não há mais possibilidade de o médico dizer: você vai ficar linda e maravilhosa. Agora tem explicação e limites”, alegou. (Agência Brasil)

16.05 - Remédios reduzem transmissão do HIV
Proteção a parceiros não infectados foi testada em 11 antirretrovirais. Pesquisa foi conduzida pelos Institutos de Saúde dos Estados Unidos
Um grande estudo clínico conduzido pelos Institutos de Saúde (NIH, na sigla em inglês), o principal órgão do governo norte-americano no setor, mostrou que o uso de remédios antirretrovirais por portadores de HIV, o vírus responsável pela Aids, reduziu o risco de contaminação dos parceiros não infectados. O dado é válido para pessoas que receberam os medicamentos enquanto mantinham um sistema imunológico saudável.
A pesquisa começou em 2005 e teve resultados parciais divulgados nesta quinta-feira (12). Conhecida como HPTN 052, contou com 1.763 casais, todos com, no mínimo, 18 anos de idade. A grande maioria das duplas (97%) era heterossexual e morava em 13 países da África, da Ásia e das Américas, entre eles o Brasil.
A conclusão dos pesquisadores é que o uso precoce de antirretrovirais impede a transmissão entre parceiros para 96% dos casos.
Como foi feita pesquisa
Para participar do estudo, os portadores - 890 homens e 873 mulheres - deveriam ter de 350 a 550 células de defesa por milímetro cúbico. Esse número indica a saúde do sistema imunológico dos soropositivos. Já os parceiros, todos inicialmente não afetados pelo HIV, fizeram testes para verificar se estavam livres do vírus 14 após aceitarem participar da pesquisa.
Os investigadores separaram os casais em dois grupos. No primeiro, os portadores do vírus começaram a tomar remédios 60 dias depois do início do estudo. Já no segundo, os soropositivos começaram a terapia depois da contagem de células de defesa ficar abaixo de 250 por milímetro cúbico no sangue ou quando uma doença os afetava, como no caso da pneumonia pneumocística - doença causada pelo micro-organismo Pneumocystis carinii.
Ao todo, foram usados 11 medicamentos (veja lista ao lado), em diversas combinações. Do total de casais, apenas 39 parceiros foram infectados. A transmissão entre os membros do casal ficou provada em 28 casos. Sete pessoas adquiriram o vírus de outra forma e 4 casos ainda aguardam análise.
No caso das 28 transmissões do portador para o parceiro inicialmente não infectado, 27 ocorreram no grupo que começou a receber antirretrovirais. Houve apenas um caso de contaminação do parceiro por um soropositivo que recebeu remédios desde o início do estudo.
Durante todo o estudo, os participantes receberam orientações sobre como se proteger contra doenças venéreas, aconselhamentos e camisinhas grátis. Houve 23 mortes durante a pesquisa. (Portal G1)

16.05 - Próstata: Novo teste detecta com mais precisão
Estudo sueco mostra que exame de sangue identifica tumor com menos riscos de resultados falsos-positivos
Método usado hoje leva a sobrediagnóstico; os resultados são iniciais, e o exame vai levar anos para chegar ao mercado
Um novo método para diagnosticar câncer de próstata promete ser mais preciso do que o teste usado hoje, o PSA (antígeno prostático específico, na sigla em inglês).
O PSA detecta a elevação de uma proteína produzida pela próstata. É um indicativo de câncer, mas é criticado por dar falsos-positivos.
Uma dosagem alta de PSA pode significar também infecção ou crescimento benigno exagerado da próstata.
O novo teste, chamado de 4PLA, foi desenvolvido pela Universidade Uppsala, na Suécia. O estudo com os resultados do exame foi publicado nesta semana no periódico "Proceedings of the National Academy of Sciences".
O exame detecta, no sangue, a quantidade de prostassomas, microvesículas produzidas na próstata.
Normalmente, essas estruturas são liberadas no sêmen para aumentar a mobilidade dos espermatozoides. Se há câncer, a produção das microvesículas aumenta, e elas caem na corrente sanguínea.
No estudo, o teste detectou níveis até sete vezes maiores dessas estruturas no sangue de 20 pacientes com câncer, em comparação com outras 20 pessoas sem câncer.
O exame conseguiu ainda distinguir a gravidade da doença. A diferença foi vista em 59 pacientes com câncer de próstata com graus de 5 a 9 na escala de Gleason. A graduação vai de 2 a 10 e mostra a agressividade da doença.
A primeira versão do teste foi mais precisa para detectar cânceres de média e alta gravidades do que tumores menos agressivos.
MENOS BIÓPSIAS
Especialistas veem os resultados iniciais do teste como promissores.
"Um teste como esse pode ser de grande utilidade clínica, porque o PSA alto nem sempre significa câncer, e muitos pacientes fazem biópsias desnecessárias", diz o urologista Anuar Ibrahim Mitre, do Hospital Sírio-Libanês.
Hoje, dependendo da dosagem do PSA e do exame de toque, além de fatores como história familiar, o paciente pode ser submetido a uma biópsia para saber se tem ou não câncer de próstata.
O procedimento pode causar sangramento e, mais raramente, infecções, além de angústia, afirma Mitre.
ALTO OU BAIXO RISCO
Como o novo teste determina a gravidade do câncer, ele também pode ser usado para saber se é necessário ou não fazer o tratamento, de acordo com Gustavo Guimarães, oncologista e diretor do núcleo de urologia do Hospital A.C. Camargo.
"O PSA não faz isso, e esse é o diferencial desse novo marcador", afirma Alexandre Crippa, uro-oncologista do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira.
Alguns tumores progridem lentamente, e o tratamento, que pode causar disfunção erétil e incontinência urinária, pode ser substituído por acompanhamento médico.
"Hoje, não conseguimos diferenciar os pacientes que vão ou não morrer de câncer. Por isso se busca algo que mostre se o câncer é de alto risco, para reduzir o número de tratamentos desnecessários", diz Guimarães.
O pesquisador Masood Kamali-Moghaddam, um dos autores do estudo, afirma que o teste precisa de melhorias. Os resultados iniciais devem ser sustentados por uma pesquisa maior, que já começou.
"Ainda pode levar alguns anos até que o exame seja usado de forma rotineira", afirmou à Folha.
Para Guimarães, o teste, de alta tecnologia e, portanto, mais caro, pode ser usado de forma complementar ao PSA e indicado para os pacientes que têm resultados alterados.  (MARIANA VERSOLATO - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 

13.05 - Um mapa da saúde brasileira
Um artigo publicado na revista inglesa "The Lancet" analisou a saúde pública brasileira e apontou a dengue como um dos maiores problemas no país. Na última década, foram registrados cerca de 3,5 milhões de casos, com 900 mortes. Para os especialistas, a prioridade, no momento, deve ser o desenvolvimento de uma vacina.
Outro desafio é diminuir a mortalidade por acidentes de trânsito e violência. Os homicídios e as lesões provocadas pelo trânsito representam 60% das mortes por causas externas, diz a pesquisa. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, defendeu um pacto para reduzir as mortes no trânsito. Para tanto, propõe metas para estados e municípios, com prémios para os melhores resultados.
Entre os sucessos, a revista aponta o pro¬grama de distribuição de remédios contra a Aids, a adoção de leis e medidas para inibir o fumo, a queda nas taxas da mortalidade infantil e de desnutrição e o combate à pobreza.  (Extra Online)

13.05 - Governo dobra recursos de acordo com metas de qualidade
Atualmente recursos para cada equipe do programa Saúde da Família totalizam cerca de R$ 7.100
O Ministério da Saúde vai dobrar o valor do repasse feito para cada equipe do Programa Saúde da Família aos municípios que cumprirem metas de qualidade definidas pela pasta. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (11) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante a 14ª Marcha dos Prefeitos.
Atualmente, segundo Padilha, os recursos para cada equipe totalizam cerca de R$ 7.100. A partir de junho, os prefeitos interessados poderão cadastrar os centros de saúde. A partir de então, técnicos do ministério passarão a fazer visitas periódicas às unidades, além de pesquisas de satisfação com a população atendida no local.
Outra novidade anunciada pela pasta durante o evento trata da reestruturação das unidades básicas de saúde. Segundo Padilha, dados indicam que 75% delas estão fora do padrão de qualidade definido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A reestruturação deverá incluir a reforma e a ampliação de estruturas já existentes.
"Estamos com um padrão construtivo defasado. Como queremos que se amplie a capacidade da atenção básica de resolver problemas de saúde das pessoas, é fundamental ter um novo padrão construtivo", afirmou o ministro.
Emenda 29
Ao comentar a regulamentação da Emenda Constitucional nº 29, ele avaliou que o país vive um momento positivo para que uma regra geral seja instalada e defina quanto deve ser repassado por estados, municípios e União para a saúde.
"A gente sabe que, hoje, quem menos cumpre são os estados. A União vem cumprindo, os municípios contribuem com mais do que são obrigados, em média, 22% das receitas comprometidas", disse. "É importante regulamentarmos a emenda porque cria uma regra estável, independentemente de quem governa estado, município ou país", completou.
Na opinião do ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio, o Congresso Nacional que deve regulamentar a Emenda Constitucional 29, definir o percentual de recursos que estados, municípios e União devem repassar para financiar o sistema de saúde pública. Segundo ele, o governo federal já vem cumprindo com sua parte, tendo, inclusive, aumentado o volume de recursos destinado ao setor, no Orçamento deste ano.
"Se o Congresso aprovar uma regulamentação da emenda constitucional, caberá a ele então estabelecer [as fontes de] recursos permanentes para financiar a saúde", comentou o ministro ao participar, nesta quarta-feira (11), em Brasília, da 14ª Marcha dos Prefeitos. Luiz Sérgio também voltou a afirmar que o governo federal não estuda criar novos impostos para cobrir os gastos com o setor.
O estabelecimento de novas regras para o setor é uma das principais reivindicações dos prefeitos. Eles afirmam que os municípios têm assumido a maior parcela de responsabilidade pela manutenção do Sistema Único de Saúde (SUS) e cobram a aprovação rápida da emenda.
Na terça-feira (10), na abertura da Marcha, o presidente da Confederação Nacional de Municípios, Paulo Ziulkoski, declarou que os municípios não podem mais esperar pela regulamentação da Emenda 29. "Não temos mais recursos para sustentar a Saúde nos Municípios", disse Ziulkoski, aplaudido pelos prefeitos. Também ontem, o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, prometeu colocar o assunto em votação nos próximos dias.    (Saúde Business Web)

13.05 - Cientistas encontram células-tronco no pulmão
Um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos encontrou células-tronco onde até agora elas nunca tinham sido vistas: o pulmão. A descoberta pode render, no futuro, novas opções de tratamento para quem sofre de doenças pulmonares crônicas ao regenerar áreas doentes do órgão, segundo um dos autores do estudo, Piero Anversa, diretor do Centro de Medicina Regenerativa do Hospital de Brigham, afiliado à Universidade Harvard.
A pesquisa foi apresentada na edição desta semana da revista médica “New England Journal of Medicine”.
A equipe de Anversa estudou tecidos pulmonares retirados após cirurgias e conseguiu isolar as células-tronco, que se mostraram capazes de se dividir tanto em novas células-tronco quando em outras que formariam tecidos pulmonares.
Para testar a eficácia de uma futura terapia, eles injetaram essas células-tronco em camundongos com danos pulmonares e viram a formação e integração estrutural de novos bronquíolos e alvéolos.
“Ainda é preciso pesquisar mais, mas estamos animados com o possível impacto que essa descoberta pode ter na nossa capacidade de regenerar ou recriar tecidos pulmonares em áreas doentes do pulmão”, disse, em nota, Joseph Loscalzo, coautor da pesquisa. (Portal G1)
 
 
 
 
 

12.05 - Proibida negociação mínima com planos de saúde
Médicos estão impossibilitados de usar a Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM)
Por determinação do Ministério da Justiça, a partir desta segunda-feira hoje (09), os médicos estão impossibilitados de usar a Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM), que define valores mínimos para cobrança de procedimentos e consultas. A norma é adotada pela categoria na negociação com planos de saúde. Segundo a Secretaria de Direito Econômico do ministério, ela fere o princípio da ampla concorrência e tem comprometido o direito do consumidor que contrata o plano de saúde.
A medida preventiva editada pela secretaria foi motivada por movimentos recentes de paralisações nacionais e descredenciamentos em massa organizados por entidades médicas para forçar o reajuste dos valores pagos pelos planos. A Associação Médica Brasileira (AMB), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Federação Nacional dos Médicos (Fenam) foram notificados e têm até cinco dias úteis para recorrer.
"Nessa configuração do mercado que se percebeu nos últimos anos, e essa intensificação da ação no ultimo mês, percebe-se que o principal lesado nessa história toda é o consumidor", afirmou o secretário de Direito Econômico Vinícius de Carvalho.
Segundo o secretário, as entidades aplicam punições administrativas aos médicos que não adotam os valores mínimos determinados pela CBHPM. A prática também está vetada pela medida provisória. Carvalho ressaltou que a intenção não é proibir negociações coletivas, mas estabelecer novos parâmetros que não sejam baseados no estabelecimento de valores mínimos. Esses critérios deverão ser definidos pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Também hoje processo que trata do mesmo tema foi encaminhado para o órgão. De acordo com o secretário, o Cade já recomendou 60 condenações a entidades médicas por uso de tabelas mínimas de preços.
Outra prática proibida pelo ministério a partir de hoje é a cobrança adicional do médico ao paciente atendido por meio de convênio. O procedimento estava sendo adotado por profissionais de pelo menos três estados (Distrito Federal, Espírito Santo e Pernambuco) com autorização dos conselhos regionais de medicina.
A Secretaria de Direito Econômico também instaurou processo para averiguar denúncias contra os planos Amil, Assefaz e Golden Cross por violação aos direitos do consumidor. Segundo Carvalho, há informação de que a rede credenciada dessas operadoras teria sido reduzida e seus conveniados estariam pagando aos médicos valores suplementares pela consulta. Os planos de saúde terão que prestar informações ao ministério.
Se novos casos forem apontados, outras operadoras podem ser investigadas. Carvalho recomenda que os consumidores procurem os Procons locais caso se sintam lesados. "Quando um consumidor contrata um plano, ele contrata um pacote de médicos, hospitais e laboratórios. Se, de repente, um plano tinha dez obstetras credenciados e de uma hora para outra sobram um ou dois, a gente vê um potencial claro de lesão ao direito do consumidor brasileiro", afirma.
De acordo com o secretário, o ministério está instituindo um grupo de trabalho com outros órgãos, inclusive a Agência Nacional de Saúde (ANS), para que possam ser tomadas novas medidas que ajudem a regular o setor de saúde suplementar. O secretário reconheceu que há risco de a qualidade do serviço médico prestado cair em função das medidas.
"Não é isso que nós queremos. Mas o outro extremo também não podemos deixar, que é de estabelecer um preço nacional de uma consulta médica que todos os planos de saúde tenham que pagar. Isso também pode ter efeito nos valores cobrados pelos planos de saúde ao consumidor".
Outras categorias também estão na mira da secretaria. Há processos contra a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pelo estabelecimento de honorários mínimos para advogados e contra entidades de classe que representam contadores.
Procurada pela Agência Brasil, a Associação Médica Brasileira (AMB) respondeu que não irá se manifestar sobre o assunto, porque ainda não foi notificada oficialmente pelo ministério. A reportagem não conseguiu contato com a Federação Nacional dos Médicos (Fenam) e o Conselho Federal de Medicina (CFM).   (Amanda Cieglinski - Agência Brasil/Saúde Business Web)

12.05 - Prevenção pode dar desconto em plano
ANS lança consulta pública sobre tema, operadoras não se pronunciam
Imagine ter descontos de até 30% na mensalidade do plano de saúde se você optar por cuidar da saúde. Pode ser exercitando em uma academia de ginástica e ser premiado com planos odontológicos e remédios sem custo. Esses e outros incentivos que a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) quer que as operadoras de saúde ofereçam aos consumidores. A proposta é conceder descontos para os conveniados de todas as faixas etárias que participarem de programas voltados à prevenção de doenças e cuidados com a saúde, principalmente os idosos.
Uma consulta pública que a ANS abre a partir de 16 de maio será feita até 14 de junho para interessados que queiram fazer sugestões, no site da agência. As sugestões serão encaminhadas a um grupo técnico da ANS e devem demorar até três meses para serem implementadas. As operadoras não serão obrigadas a ofertar o bônus e a adesão será facultativa.
"A ANS quer que o usuário gaste menos com plano de saúde e que os planos economizem nos gastos com exames, procedimentos e cirurgias", informou a assessoria da agência. A concessão do desconto deverá estar prevista em contrato. A vigência é de um ano, prorrogado por igual período.
Em relação à consulta pública da ANS sobre descontos nos planos de saúde para clientes em programas de envelhecimento ativo e promoção da saúde, a Unimed-BH informou, por meio de nota, que "estudará o conteúdo proposto e, se pertinente, fará suas contribuições ao debate". Procuradas, as operadoras de planos Amil e Good Life não falaram sobre o assunto.
Pela proposta da agência, cada operadora de saúde poderá definir o seu programa de recompensa, seguindo algumas regras determinadas pela agência. De acordo com a ANS, a operadora não poderá determinar que, para ganhar a recompensa, o beneficiário cumpra uma meta de saúde, como emagrecer ou parar de fumar. A participação no programa é que contará.
O coordenador da Êxito Academia, em Belo Horizonte, Fabrício Resende, disse que a terceira idade está mais preocupada com a saúde. "Eles chegam aqui depois que os médicos indicam uma atividade física. Eles têm procurado a hidroginástica e musculação", informou. Fabrício explicou que a hidroginástica melhora o condicionamento físico e ajuda no tratamento da osteoporose e a musculação retarda a perda de massa muscular.
A fisioterapeuta Haricia Ribeiro Sales disse que o projeto da ANS vem para prevenir doenças. Isso já deveria estar acontecendo de maneira natural, para as pessoas melhorarem a qualidade de vida, mas hoje, de maneira espontânea são poucas pessoas que vem buscar isso", afirmou a fisioterapeuta. Para ela, a academia de ginástica vai virar um bom negócio, com aumento no fluxo de clientes. (HELENICE LAGUARDIA - O Tempo)

12.05 - OdontoPrev: Lucro aumenta 36%
A OdontoPrev, maior operadora de planos odontológicos da América Latina, encerrou o primeiro trimestre com lucro líquido ajustado de R$ 36,1 milhões, o que representa um crescimento de 36% quando comparado ao mesmo período do ano passado. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da operadora dental também veio nessa toada, com aumento de 38%, atingindo R$ 51 milhões.
O balanço trimestral da OdontoPrev mostra que o percentual de crescimento dos resultados registrados nas últimas linhas do balanço são superiores à receita líquida, que avançou 23%, totalizando R$ 194 milhões. A taxa de crescimento no número de beneficiários, que somou mais de 5 milhões, também ficou na casa dos 20%.
"Conseguimos uma taxa de crescimento maior nas últimas linhas do balanço devido a uma combinação de fatores: aumento na receita, renegociação de contratos e queda nas despesas administrativas", explicou José Roberto Pacheco, diretor de Relações com Investidores da OdontoPrev. No período, as despesas administrativas da companhia caíram de R$ 44,6 milhões para R$ 34,1 milhões. A queda já é resultado do trabalho de sinergia com a Bradesco Dental, operadora de planos dentais que se associou à OdontoPrev em 2009.
"A sinergia completa ainda vai levar pelo menos um par de anos. Isso significa que ainda vamos reduzir ainda mais nossos custos", afirmou Pacheco. No ano passado, a operadora começou a vender seus planos dentais nas agências do Bradesco, mas as ações ainda estão limitadas às pequenas e médias empresas. "A comercialização de planos nas agências bancárias do Bradesco ainda é tímida. Ainda não começamos a vender para pessoa-física, por exemplo", complementou o executivo.
Outro trabalho que está sendo realizado e ajudou diminuir as despesas é a renegociação de preços de contratos da Bradesco Dental. Antes da fusão com a OdontoPrev, a Bradesco Dental tinha uma estratégia agressiva no mercado oferecendo planos com preços inferiores ao de seus concorrentes a fim de aumentar sua participação no setor.
Com o aumento na receita e a redução nas despesas, a OdontoPrev registrou uma geração de caixa de R$ 175 milhões no primeiro trimestre. "É a nossa maior geração de caixa em um trimestre desde o IPO", comemorou o diretor de RI da companhia odontológica.   (Beth Koike - Valor Online)
 
 
 
 
 

11.05 - De grão em grão
Estamos distantes do padrão de excelência ideal, mas entre as principais aspirações da maioria da população brasileira está a aquisição de um plano de saúde privado
Se o Brasil tem um nó difícil de desmanchar, sendo mantidas as regras atuais, ele se chama planos de saúde privados. Não que não existam outros; existem, e não são poucos. Nossas leis são um cipoal, nossa Justiça volta e meia tarda mais do que o necessário e não há nada que indique que isso vá mudar. Então, cautela e caldo de galinha são ferramentas importantes para permitir andar pra frente, dentro da principal regra do jogo democrático, que é o respeito à lei.
Quem lê este artigo e compara com outros que escrevi no passado vê uma mudança de tom no trato com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que é quem tem a função legal de regular o setor de planos de saúde privados. Aliás, a moderação nas críticas vem crescendo ao longo do tempo, em função, antes de tudo, da profissionalização e da despolitização das ações da agência.
Durante muito tempo, o tema foi tratado por ela dentro de um viés político e ideológico incompatível com a lei e com a realidade nacional. Isso está mudando e a mudança tem feito bem para todos, mas, principalmente, para quem paga a festa, que é o consumidor dos planos de saúde privados.
Ainda estamos distantes do padrão de excelência ideal para a sociedade brasileira. Mas os avanços recentes e a realidade da saúde pública fazem com que ter plano de saúde privado esteja sempre entre as principais aspirações da maioria da população.
A razão é simples: o SUS não atende à sociedade com a exuberância prevista pela Constituição Federal. Como suas verbas são insuficientes e o governo, em seus três níveis, não parece disposto a colocar mais dinheiro para melhorar o atendimento, os planos privados se transformam, muito justamente, no sonho de consumo dos brasileiros, que encontram neles o suporte necessário para garantir-lhes atendimento melhor do que o da rede pública.
A verdade é que o cobertor nacional é curto para fazer frente à totalidade dos gastos. O Brasil não tem R$ 150 bilhões por ano para serem investidos em saúde. E perto de 60% desse total é gerado pelos planos de saúde privados, que atendem algo ao redor de 50 milhões de pessoas.
O último movimento da ANS são as novas regras para mudança de plano sem necessidade de cumprir novas carências. Elas podem ser consideradas um avanço, ainda que, na prática, dificilmente gerem movimentos expressivos, levando um grande número de segurados de um plano para outro.
Em função das limitações impostas pela Lei dos Planos de Saúde e pela legalidade das regras dos contratos anteriores a ela, as novas regras são aplicáveis apenas aos contratos em vigor a partir de janeiro de 1999.
A portabilidade das carências na mudança de operadora existe desde 2009. Apesar disso, até agora foi pouco usada. O dado novo, e mais importante, é que o benefício foi estendido para os planos coletivos por adesão.
Isso quer dizer que a partir de 27 julho, quando a regra passa a valer, o universo contemplado aumenta, permitindo que titulares de planos individuais migrem para outros planos da mesma natureza, ou para planos coletivos por adesão, e que os titulares desses planos migrem para outros planos coletivos por adesão, ou planos individuais, sem necessidade de cumprir novas carências.
Ficam de fora da regra os planos empresariais e os planos individuais anteriores à Lei dos Planos de Saúde. Daí o benefício não se aplicar aos contratos anteriores a 1999.
A restrição à migração de titulares de planos empresariais é lógica. Um plano coletivo empresarial leva em conta o universo de funcionários e seus dependentes de uma determinada empresa. É com base nessas informações que o plano é formatado, inclusive no que diz respeito a garantias e carências, além, evidentemente, do preço.
Mas, ainda que as novas regras não permitam, elas também não vedam a negociação entre titulares de planos antigos e as operadoras para que estes possam mudar de plano sem necessidade de cumprirem novas carências. Ou seja, a concorrência pode levar a negociações inéditas, interessantes para todos os envolvidos. (Antonio Penteado Mendonça - O Estado de S.Paulo)

11.05 - OdontoPrev inaugurará escritório em Salvador
A OdontoPrev, apontada como a maior empresa de planos odontológicos da América Latina, reforça sua estrutura na Bahia. Para tanto, inaugura no próximo dia 18 de maio sua filial em Salvador. A mudança do escritório para o bairro Iguatemi, centro financeiro da capital baiana, mira oferecer uma estrutura ainda melhor e mais moderna para todo o canal de vendas do Estado da Bahia, além de rede credenciada, colaboradores, clientes e prospects. Dentro das novas instalações foi planejada ainda uma ampla sala de negócios para treinamentos e outras atividades. “O lançamento do novo espaço faz parte da estratégia da companhia em continuar investindo no potencial de desenvolvimento e nas oportunidades de negócios da região”, explica Renato Velloso Dias Cardoso, Diretor de Desenvolvimento de Mercado da OdontoPrev. No Nordeste, além de Salvador, a OdontoPrev possui filias em Aracaju (SE), Maceió (AL), João Pessoa (PB) e uma unidade volante em Recife (PE). "A mudança para este espaço, maior e mais moderno, é uma oportunidade para expandirmos ainda mais os negócios locais”, aposta Romilton Antonio Moraes, responsável comercial pela companhia no Nordeste.  (Fenaseg)

11.05 - Prêmios Abramge 2011 têm HPV como tema
Além de quantia em dinheiro, jornalistas e médicos vencedores recebem troféu e diploma
Abril de 2011 - Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) são registrados no mundo 500 mil novos casos de Papilomavirus Humano (HPV) por ano; e 250 mil mortes por câncer do colo de útero - sendo que muitas dessas mortes estão relacionadas com o HPV. Já no Brasil o Ministério da Saúde registra mais de 100 mil novos casos por ano do papilomavirus. O HPV é uma das doenças sexualmente transmissíveis (DST) mais comuns no planeta - uma em cada cinco mulheres é portadora do vírus. Já foram identificados mais de 100 tipos de HPV, sendo que 15 tipos são considerados causadores de câncer (oncogênicos). No Brasil, a doença é responsável por 90% dos casos de câncer de colo de útero.
Devido a esses dados, a Abramge resolveu promover em sua 17ª edição dos Prêmios Abramge de Medicina e de Jornalismo "Domingos de Lucca Júnior" o tema "Papilomavirus Humano (HPV) - Prevenção e Tratamento" - para ambas as categorias. Médicos e jornalistas interessados em participar têm cerca de seis meses para concorrer à premiação.
"Nosso objetivo com os Prêmios é estimular a informação de saúde e também promover a pesquisa científica", diz Arlindo de Almeida, presidente nacional da Abramge. Podem participar da premiação de jornalismo, profissionais de mídia impressa que publicarem reportagens sobre o tema escolhido datadas entre 9 de outubro de 2010 e 7 de outubro de 2011. Os candidatos devem enviar um original e cinco cópias impressas de seus trabalhos para a sede da Abramge. Já os médicos concorrem com trabalhos inéditos sobre o mesmo assunto.
Os candidatos devem seguir formas de apresentação pré-estabelecidas no regulamento do Prêmio. Os profissionais de imprensa e de saúde podem se inscrever enviando material pelo correio ou no próprio site da Abramge (www.abramge.com.br).
A comissão julgadora será constituída de cinco membros em cada uma das categorias. Os textos serão encaminhados aos jurados escolhidos pela direção da Abramge para análise e indicação dos melhores trabalhos.
Os prêmios para os vencedores em cada categoria compreendem:
Médicos - R$ 15.000,00 (brutos) além de troféu de autoria da artista plástica Anita Kaufman e diploma.
Jornalistas - R$ 10.000,00 (brutos) mais troféu e diploma.
Os finalistas serão divulgados no início de novembro e os prêmios serão entregues aos vencedores em solenidade de encerramento de 2011 da Abramge.   (Abramge/AssPreviSite)
 
 
 
 

10.05 - Troca de plano antigo tem nova regra
Os 8,5 milhões de usuários de planos de saúde antigos (contratados antes de 1999) agora poderão se tornar clientes de planos que cobrem uma lista ampla de procedimentos médicos e têm reajuste de preços anuais, regulados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). E a alteração pode ser realizada sem que seja necessário cumprir carência.
Isso é o que determina a resolução normativa da ANS, publicada na edição de sexta-feira do Diário Oficial da União. “É uma boa medida, que demorou muito a sair”, diz Josué Rios, advogado especializado em defesa do consumidor e consultor do JT.
“Mas para que a regra funcione é preciso que a ANS acompanhe a execução da lei e oriente o usuário”, explica o especialista.
A mudança pode ser feita apenas entre planos da mesma operadora, com adaptação de contrato ou migração. No primeiro caso, o usuário deverá escolher um plano semelhante ao atual. A vantagem é que o novo contrato contará com a proteção da lei que regulamenta o setor, impedindo reajustes abusivos ou negativa de cobertura a tratamentos necessários. Mas a alteração pode fazer o preço do plano subir até 20,59%.
Na migração, entretanto, o cliente fica livre para escolher qualquer um dos planos oferecidos pela sua operadora. Ao fazer a opção, porém, ele pagará o valor de mercado, como se fosse um novo cliente. Aqui, o principal benefício é poder melhorar a qualidade do plano contratado, mas sem cumprir carência.
A ANS exige que contratos antigos com cobertura mais ampla que a determinada por lei deverão manter essa característica mesmo após a adaptação ou migração. Ou seja, o usuário não perde nada com a mudança.
As regras valem para clientes de planos individuais, familiares ou coletivos por adesão. Mas há uma restrição: caso um beneficiário de plano familiar queira mudar sozinho para um novo ele poderá fazer isso apenas no sistema de migração, e não de adaptação.
Para todos os casos, deve partir do consumidor a vontade de abandonar o contrato antigo. Mas a questão é: vale a pena adaptar o contrato ou migrar para um plano novo? “Dependerá de como foi feito o contrato antigo e da disposição do usuário em pagar mais pelo novo convênio médico”, diz a advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Juliana Ferreira.
“Mas é bom lembrar que os contratos antigos, embora não sejam amparados pela ANS, têm respaldo no Código de Defesa do Consumidor”, completa a advogada do Idec.
Na Justiça
Beneficiários de plano antigo, os aposentados Nelson Alexandre da Motta, 69 anos, e Jurema da Silva Motta, 67 anos, conseguiram apenas na Justiça o direito de impedir o reajuste abusivo — de mais de 90% — cobrado pela operadora em 2010.
“Minha mulher quis manter o plano por causa do bom atendimento”, diz Nelson. Ele preferiu mudar para um plano novo, onde não há esse problema, pois os reajustes são regulados pela ANS. “A Medial me aceitou sem carência. E pago 20% menos”, diz. Agora ele vai se informar para saber se vale a pena mudar o plano da mulher.  (CAROLINA DALL’OLIO e MARÍLIA ALMEIDA -Jornal da Tarde)

10.05 - Planos de saúde têm recorde de beneficiários
O Brasil fechou 2010 com 45.570.031 beneficiários de planos de saúde, registrando o maior crescimento anual desde o início da publicação do Caderno de Informações da Saúde Suplementar, feito pela Agência Nacional de Saúde (ANS).
A alta foi de 8,7%, isto é, exatos 3.646.392 possuidores de planos a mais, em relação aos 12 meses anteriores. O resultado é consequência da boa fase da economia brasileira, que cresceu 7,5% no ano em questão e apresentou menor taxa de desemprego, 5,4%, medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A participação dos planos coletivos saltou de 72,5% em dezembro de 2009, para 74,2% em dezembro de 2010. O setor de atividade com maior número de beneficiários é a indústria (extrativas e de transformação, eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduo e descontaminação e construção), com 29,6% dos beneficiários de planos coletivos.
Os planos individuais, por outro lado, tiveram sua participação reduzida no mercado nacional, passando de 21,7% para 20,9%.
A maioria dos beneficiários de planos de saúde fazem parte da população economicamente ativa e tem entre 19 e 59 anos (63%). Esta foi a faixa com maior crescimento acumulado no período entre 2005 e 2010 (33%). Outra faixa que vem registrando crescimento gradativo é a dos beneficiários com 59 anos ou mais: 31,3% nestes 5 anos. Esta é uma tendência, devido ao envelhecimento natural da população brasileira.  (Revista Cobertura/CQCS)

10.05 - Respeito a união de homossexuais
Juiz diz que irá mudar de conduta e aprovar união de homossexuais
O juiz da 2ª Vara da Família do Fórum Central de São Paulo, Marco Aurélio Paioletti Costa Martins, afirmou sexta-feira que terá de mudar de conduta e reconhecer as uniões estáveis entre homossexuais, dado o efeito vinculante da decisão do STF.
Martins aponta "fragilidades" na decisão do Supremo, mas admite que não há mais espaço para a interpretação dos juízes, que antes julgavam, em cada caso, os efeitos dos contratos homoafetivos.
"Agora todos terão que seguir o STF", diz o magistrado, que já julgou vários casos envolvendo tentativa de reconhecimento de união estável entre homossexuais.
O juiz afirma que, na maior parte dos casos, "seguiu a Constituição" e não concedeu aos gays o mesmo status de uma união heterossexual.
"Pelo prisma legal, eu não reconhecia, mas não passava por preconceito", afirma ele.
Segundo Martins, a mudança mais imediata decorrente da decisão do Supremo Tribunal Federal virá no direito sucessório, relativo à transmissão de bens e direitos em decorrência de morte.
A Fenasaúde (Federação Nacional de Saúde Suplementar), representante das operadoras de planos de saúde, disse sexta-feira em nota que, desde 2010, entende que o companheiro do beneficiário titular pode ser do sexo oposto ou do mesmo sexo.
Segundo a 29ª tabeliã de São Paulo, Priscila Agapito, o registro da união estável de gays "já era questão pacífica no âmbito cartorial". Os problemas começavam, diz ela, quando o documento chegava a varas cíveis e de Família.
A corretora Krishna Ferraz, 32, que mora com a companheira há cinco anos, disse que decidiu fazer o contrato após a decisão do STF.
"Não fizemos antes porque, para ele ter validade, teríamos que brigar muito na Justiça", afirma a corretora.
"Estou vivendo hoje meu 13 de Maio de 1888 [Abolição]. Estamos no caminho de sermos todos iguais", diz ela.  (REYNALDO TUROLLO JR. - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

09.05 - Fleury cria marca para atrair classe C
13 laboratórios adquiridos nos últimos nove anos serão unificados sob a bandeira "a+"
O Grupo Fleury, laboratório especializado em medicina diagnóstica, lançará no fim deste mês a marca a+ (assim mesmo, em letra minúscula), focada nas classes B e C. A nova bandeira estará presente em seis Estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Paraná, Pernambuco e Rio Grande do Sul.
A a+ surge da unificação de 13 laboratórios, adquiridos pelo grupo nos últimos nove anos, sob um mesmo nome. As bandeiras Fleury, Weinmann (de Porto Alegre) e Campana (da capital paulista) não serão integradas.
As bandeiras que passam a integrar a a+ são: Biesp, Criesp, Lego, URP (SP), Qualitech (BA), Champagnat (PR), Paulo Loureiro (PE), Centro de Mastologia, Daflon, Helion Póvoa e Maiolino (RJ) e Faillace (RS).
"A nova marca tem como proposta ser competitiva para o grupo B/C", afirmou Omar Hauache, presidente do grupo. Ele espera que essa fatia, que atualmente representa 30% da receita do grupo, faça o Fleury crescer a taxas de dois dígitos por ano, a exemplo do que vem ocorrendo nos últimos anos.
Em 2010, a empresa teve receita bruta de R$ 934,5 milhões, valor 13,9% superior à registrada em 2009.
A expectativa é que a empresa avance para um crescimento de 15% neste ano.
A criação da marca a+ -o que inclui treinamento da equipe e modificações nos laboratórios que hoje atuam sob outras bandeiras- consumiu cerca de R$ 20 milhões, afirma Hauache.
Segundo Rendrik Franco, diretor de estratégia e marketing do Grupo Fleury, a nova marca terá presença forte nas mídias sociais. Entretanto, diz, o produto não será voltado para jovens. A intenção é atingir todas as faixas etárias -os idosos gastam mais em saúde do que os jovens-, e por isso também estão previstos, para o segundo semestre, comerciais de massa, que tentarão conquistar o consumidor das classes B/C.
Os laboratórios unificados sob a marca a+ também oferecerão serviços de coleta de produtos de saúde -como sobras de medicamentos ou medicamentos vencidos, filmes de exames de imagem etc.- para seus clientes.
MAIS AQUISIÇÕES
Hauache espera concluir neste mês a compra do Labs D'Or -laboratório de medicina diagnóstica com mais de 40 unidades no Rio de Janeiro. A intenção de aquisição foi anunciada no fim de 2010.
Segundo o presidente do Fleury, a aquisição do Labs D'Or pode aumentar em 40% o faturamento do grupo.
Atualmente, o Fleury tem mais de 140 unidades, das quais 94 estarão sob a bandeira a+. O grupo estima que tenha 8% do mercado nacional de medicina diagnóstica.
Desde 2002, 25 marcas foram adquiridas pelo Fleury, sendo que parte delas já havia sido incorporada a outras bandeiras do grupo.  (PAULO MUZZOLON - Folha de S.Paulo)

09.05 - A outra porta
S.Paulo - Hospital das Clínicas da USP planeja quadruplicar serviço para pacientes privados; paliativo não oferece saída para penúria geral do SUS
Volta à baila o tema controverso da segunda porta para pacientes com planos privados de assistência como alternativa para financiar hospitais públicos. Uma solução localizada e parcial, mas não descartável, para a precariedade geral do sistema de saúde.
O assunto ressurge por iniciativa do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. O HC planeja quadruplicar o faturamento obtido por essa via, esforçando-se por elevar de 3% a 12% o atendimento de particulares.
Não se trata, portanto, de abrir uma porta separada, porque ela já existe. Ao elevar o teto de atendimento para pacientes privados, contudo, o hospital arrisca piorar a atenção para clientes que entram pela porta do SUS (Sistema Único de Saúde).
A tendência, quando se criam trilhos paralelos, é dar preferência no atendimento ao paciente pagante. Ficam, assim, prejudicados aqueles que só contam com o SUS e perdem a vez na fila.
O argumento do superintendente do HC, Marcos Fumio Koyama, é que a receita adicional advinda da ampliação do atendimento aos planos de saúde permitirá atender mais pacientes do SUS -e com mais qualidade.
Hoje, os 3% de pacientes pagantes geram receita de R$ 100 milhões ao ano, ou 10,6% da receita total de R$ 940 milhões. Multiplicar esse montante por quatro constitui excelente argumento pragmático em favor do plano.
O exemplo mais citado parte do Instituto do Coração do HC, o Incor. No seu caso, 18% dos leitos são reservados a pacientes particulares, o que origina 50% da receita (a outra metade é provida com recursos orçamentários).
Permanece, porém, o dilema ético aberto pela segunda porta no HC. Mesmo que no futuro os recursos adicionais permitam melhorar o serviço como um todo, é certo que haverá prejuízo imediato para quem chega pela via do SUS.
A maneira de manter alguma equidade no sistema seria tornar a melhoria do atendimento concomitante com o aumento dos recursos. Por exemplo, seria possível vincular o aumento da receita a metas objetivas e mensuráveis de redução de prazos de espera para realização de consultas e exames.
A segunda porta não chega a ser uma solução generalizável, contudo. Longe disso. A questão de fundo é o subfinanciamento do SUS, que remunera de modo insuficiente os serviços prestados por hospitais Brasil afora.
O atendimento paralelo oferece um mero paliativo, não a cura. Só teria indicação para os males que afligem hospitais públicos de excelência, como HC, que tem urgência dessa injeção para manter a alta qualidade de sua medicina.  (Folha de S.Paulo)

09.05 - A primeira glosa a gente nunca esquece...
Não raras as vezes em que é necessário realizar procedimento médico em paciente internado sob ordem de operadora de planos de saúde e esta nega a autorização de cobertura sob a alegação de que o paciente não a tem direito.
Nasce uma celeuma. O procedimento atrasa. Busca-se a autorização do responsável pelo paciente, e este, ou consegue uma autorização judicial de urgência que determine à operadora que arque com os custos, ou, autoriza de imediato o procedimento e ao final recusa o pagamento fazendo com que o prestador dos serviços de saúde seja obrigado a buscar o pagamento junto ao Judiciário.
Este artigo começa com um título descontraído, pois o tema já é pesado suficiente. Aturar o estresse administrativo que rodeia aquela palavra de gosto amargo (não vou repeti-la), além do já inerente ao exercício da medicina, não é fácil, nem desejável.
Tais situações poderiam ser evitadas com a elaboração de um bom contrato de credenciamento.
O primeiro passo é que o contrato seja instrumentalizado, ou seja, posto no papel, lido, relido e assinado.
O segundo passo é que, dependendo do ramo da empresa de saúde, o contrato obedeça às diretrizes fixadas nas Resoluções Normativas nº 54/2004 ou 71/2004, ambas da Agência Nacional de Saúde Suplementar.
Neste passo, o instrumento do contrato deve ser preciso, expondo de forma clara e detalhada os direitos e obrigações de cada parte contratante.
Deve-se colocar a qualificação completa com o número do registro no CNES para as prestadoras de serviços médicos e do registro na ANS, para as operadoras.
O perigo de ser vago
Clareza é a palavra-chave nesta relação de prestação de serviços e isso precisa estar refletido no contrato. Deixá-lo vago gera dúvida e isso, meus amigos, atrai aquela palavra que começa com G, que retarda o pagamento pela operadora de planos de saúde, podendo desestabilizar a mais organizada das prestadoras.
O ideal nem sempre é o que acontece na realidade: logo, se não puder detalhar todos os procedimentos contratados para serem prestados no objeto do contrato, ao menos no corpo deste há que ficar esclarecido quais os procedimentos que poderão ser realizados e em que condições, a fim de que a operadora não entrave o pagamento mediante a apresentação de recursos visando apurar divergências entre o contratado e aquilo que foi efetivamente prestado ao seu associado.
Devem ser detalhados, ainda, os prazos para faturamento e procedimentos para pagamento, evitando-se sejam estes prazos muito longos e que haja cláusula de prescrição do direito de cobrança – muito comuns – prevendo o tempo de cobrança inferior ao tempo legal de cinco anos previsto no artigo 206, § 5º do Código Civil.
É fundamental constar a definição dos valores contratados e a sua forma de reajuste. Cláusula genérica estipulando como condição de reajuste novo acordo entre as partes significa que enquanto estas não chegarem a uma solução amigável, o preço pactuado continua sendo o mesmo e isto pode tornar a atividade empresarial inviável. Até é considerável estabelecer cláusula prevendo um novo estudo para os preços e procedimentos, mas, condicionada a um reajuste com base em índices oficiais até que o novo ajuste seja estabelecido.
Devem ser claras as regras acerca dos eventos e atos médicos autorizados sem a intervenção administrativa da operadora e aqueles cuja realização deve ser precedida de autorização. O contrato ideal prevê em que condições clínicas do paciente não será necessária referida autorização, evitando-se que o prestador seja responsabilizado por omissão de socorro, que a operadora negue autorização ou que a cobrança seja feita ao paciente.
O ideal é que fique estabelecido que, diante de uma situação clínica que torne o procedimento inadiável, a operadora fique responsável pelo pagamento com o direito de regresso em face do seu beneficiário, caso este não tenha direito ao procedimento.
Por fim, vale dizer que os instrumentos de contrato, quando claros e precisos, impedem o retardamento no pagamento e que o prestador de serviços tenha que se socorrer do Judiciário para receber pelos serviços prestados, seja do paciente ou da operadora que o contratou.
Por isso, fundamental que as empresas de saúde que prestam serviços para beneficiários de operadoras de planos de saúde estejam garantidas por um bom contrato de credenciamento.    (Gabriel Mesquita Rodrigues Filho - Saúde Business Web)
 
 
 
 
 
 

06.05 - Auditoria: uma oportunidade para médicos
Área tem progredido com o desenvolvimento do setor. No entanto, o profissional não é valorizado da mesma forma pelos estados e municípios
O especial "Além do estetoscópio" tem mostrado oportunidades para profissionais de saúde fora da área clínica. Processos de auditoria no setor é uma possibilidade dentre inúmeras outras que surgem em meio ao desenvolvimento da Saúde como, por exemplo, acreditação e projetos em TI.
"Auditoria em Saúde é uma área que está progredindo, pois as instituições cada vez mais percebem a importância de implementar processos de gestão e avaliá-los", explicou a médica Rosane Amaral, do departamento de auditoria federal do Sistema Único de Saúde (SUS).
A profissão não exige nenhuma qualificação específica. Pelo contrário, busca profissionais com diferentes formações como contadores, economistas, pedagogos, engenheiros, assistentes sociais, entre outros.
Os auditores são direcionados de acordo com a necessidade de cada instituição de saúde. Os médicos, por exemplo, têm maior expertise para apurar um óbito ou analisar prontuários de pacientes. "Acho interessante atuar na área depois de ter trabalhado no atendimento clínico, com a população", ressaltou Rosane.
Para atuar junto ao sistema público de saúde é preciso conhecer a fundo a legislação do SUS. "O auditor precisa entender como funciona o financiamento dos programas, pois analisamos os repasses de recursos para os estados e municípios", explicou Rosane.
De acordo com ela, o governo promove cursos de especialização para o desenvolvimento desses profissionais. No entanto, a valorização do auditor varia entre os estados. Existem aqueles, como Mato Grosso do Sul e Bahia, que possuem plano de carreira para tais profissionais. Enquanto outros não promovem nenhum tipo de concurso para o exercício da profissão.
"Há dez anos estou neste trabalho. É uma boa opção. Mas temos que pleitear para que todos possam ter sua carreira e, assim, ter o direito de uma remuneração diferenciada. Até para atrair mais pessoas para a área", enfatizou Rosane.   (Verena Souza - Saúde Business Web)

06.05 - MP dos Hospitais Universitários será revista
Transferência da gestão para a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) não poderá ferir a autonomia acadêmica
O relator da Medida Provisória 520/10, deputado Danilo Fortes (PMDB-CE), irá modificar o texto da medida para deixar claro que a alteração da gestão dos hospitais universitários para a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) não poderá ferir a autonomia universitária.
De acordo com a Agência Câmara, o  relator divulgou os principais pontos do seu parecer durante audiência pública da Comissão de Educação e Cultura sobre a MP, realizada na terça-feira. A MP cria a Ebserh (uma empresa privada de direito público) para padronizar e normatizar a contratação de funcionários para os hospitais universitários federais. Os representantes dos servidores das universidades são os principais opositores da MP. Eles afirmam que a medida privatiza a gestão dos hospitais.
Entre as alterações que fará na MP, Fortes citou: "Colocação clara do princípio da autonomia universitária, a utilização de eventuais lucros em investimentos na própria unidade hospitalar, a participação do Ministério da Saúde dentro do Conselho Administrativo, a criação do controle social e a garantia que os dirigentes da empresa serão escolhidos pela comunidade acadêmica."
Críticas
O ex-diretor-geral do Hospital Universitário da Universidade de Brasília Gustavo Romero, que pediu demissão na segunda-feira (2) por discordar da MP, afirmou que não houve discussão com a comunidade acadêmica e que a proposta não resolve os complexos problemas que envolvem o funcionamento de um hospital-escola.
Um dos autores do pedido da audiência, o deputado Rogério Marinho (PSDB-RN) considera que a proposta atinge a essência da autonomia universitária. Ele mostrou dados que mostram que o Hospital de Clínicas de Porto Alegre, que serviu de modelo para a elaboração da MP, recebeu nos últimos anos o dobro de recursos de instituições que funcionam em cidades muito maiores. Marinho questiona a razão pela qual o governo federal afirma que tem recursos para essa reestruturação dos hospitais, mas não usa para atender já as instituições.
"A MP fere frontalmente o artigo 207 da Constituição, porque cria uma estatal e essa estatal passa a ter autonomia inclusive para promover as ações pedagógicas e de ensino da instituição. E mais, o governo diz o seguinte: na hora em que a estatal for estabelecida, está resolvido o problema de financiamento dos hospitais. Ora, se o governo ela tem o recurso para fazer isso, por que não o faz no modelo atual?", questiona o deputado.
O representante da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior e novo diretor do Hospital da UnB, João Batista de Souza, afirmou que não está claro se as instituições que não aderirem à empresa continuarão a receber recursos do governo federal.
O secretário nacional do ensino superior do MEC, Luís Claúdio Costa, garantiu que os repasses vão continuar. "Hoje, as verbas são distribuídas mediante uma matriz. Então, temos uma matriz orçamentária, que verifica a quantidade de professores, de servidores, de atendimento. Se a universidade entender: eu tenho um modelo, eu quero fazer dessa forma, ela vai receber os recursos que a matriz destina a ela", afirmou.
O relator acredita que a MP estará pronta para ser votada na próxima semana.   (Saúde Business Web)

06.05 - HC ampliará atendimento para planos de saúde
O Hospital das Clínicas vai ampliar de 3% para 12% os atendimentos que realiza para planos de saúde. Apesar de críticas porque a "dupla porta" privilegiaria os pacientes conveniados, o projeto é defendido pelo superintendente do HC, o médico Marcos Fumio Koyama.
Segundo ele, a mudança vai permitir ampliar e melhorar o atendimento aos pacientes do SUS. "Hoje, os planos pagam 3% dos atendimentos do HC, mas o que eles pagam (R$ 100 milhões por ano) já responde por 10,6% das nossas receitas", disse Fumio ao jornal Folha de S.Paulo.
Segundo as contas do superintendente, cada paciente com plano de saúde gera recursos suficientes para atender entre três ou quatro pacientes do SUS. Dessa forma, se os planos de saúde pagarem 12% dos procedimentos do hospital, eles serão responsáveis por injetar recursos que podem alcançar até 40% do orçamento atual do HC.
Um exemplo desse modelo é o Instituto do Coração do HC, em que 18% dos atendimentos feitos a pacientes de planos geram 50% da receita - os restantes são do tesouro público.  (Destak)
 
 
 
 
 
 

05.05 - Saúde de gente grande?
Microempresas viram filão para convênios e já respondem por 90% das vendas corporativas em algumas operadoras. Produto, no entanto, envolve mais riscos
Os cerca de 6 milhões de negócios de pequeno porte estabelecidos no Brasil são o novo alvo das operadoras de planos de saúde, que estão de olho em um mercado de ouro, representado por 99% das empresas formais do país. Agora, negócios com um único funcionário podem contratar planos de saúde corporativos, que têm como atrativo o preço entre 20% e 30% mais barato que o modelo individual ou familiar. Especialistas em direito do consumidor alertam que para os pequenos, o contrato só vale a pena se realmente tiver custos significativamente menores que os planos individuais, já que os riscos são maiores.
Até então as grandes empresas eram o foco dos convênios médicos. Como as vendas para esse filão deixaram de se expandir com o mesmo vigor de antes, a atenção se volta para o mercado das microempresas. Para atingir esse pequeno grande público, que pode ser traduzido em 14 milhões de trabalhadores em todo o país – sendo 2 milhões em Minas – os planos desenvolveram produto e marketing para fisgar os microempreendimentos, principalmente aqueles entre 1 e no máximo 30 funcionários. Em Minas, são mais de 600 mil estabelecimentos com até 9 funcionários, o que corresponde a 93,2% das empresas formais. Nas operadoras que desenvolveram a estratégia, os contratos fechados com o setor chegaram a crescer, no ano passado, mais que o dobro do total apurado pela carteira.
No ano passado, 91% dos contratos firmados pela cooperativa Unimed-BH foram para os pequenos negócios, que em dois anos aumentaram sua participação em 200%, atingindo 10% da carteira da cooperativa. Na Bradesco Saúde, os seguros de pequeno grupo avançaram 35,9% no ano passado, contra um crescimento geral de 18,3%. Na Santa Casa Saúde, voltada para a venda de planos para classes C e D, os contratos para os pequenos negócios avançaram 15%, ante um crescimento do plano de 8%.
COPARTICIPAÇÃO
Segundo Marcelo Coury, superintendente comercial da Unimed-BH, para alavancar as vendas no segmento foi desenvolvida a modalidade de coparticipação, onde o usuário pode escolher o valor da parcela. Há também uma divisão do pagamento do plano entre o empregador e empregados. Ele explica que como na Região Metropolitana de Belo Horizonte 95% das empresas têm até 30 funcionários, o plano foi formatado para atender a partir de quatro empregados. “Mesmo o negócio com apenas um funcionário pode aderir, desde que o beneficiário tenha três dependentes”, esclarece.
O presidente da Bradesco Saúde, Márcio Coreolano, diz que o convênio corporativo pode sair até 30% mais barato. “Um dos grandes atrativos do produto é reduzir o absenteísmo”, defende o executivo. Segundo ele, os seguros para pequenos grupos cresceram quase duas vezes mais que a arrecadação total e já ultrapassaram a carteira individual e familiar. Na Santa Casa Saúde a informação é de que os planos corporativos para negócios com até 10 funcionários custam de 25% a 30% menos que o produto individual.
PERSONAGEM DA NOTÍCIA
Gerente diminui faltas
A gerente de Recursos Humanos da Sudeste Construções e Empreendimentos Patrícia Diniz contratou um plano médico para 22 funcionários. A pequena empresa do setor de construção civil decidiu assumir o custo total, sem exigir coparticipação dos empregados. A empresa arca com R$ 1,8 mil por mês para bancar o plano de saúde dos funcionários, o que dá exatos R$ 81,82 por empregado. “Na ponta do lápis, as faltas ao trabalho saíam mais caras para a empresa do que o plano”, conta Patrícia Diniz. Ela revela que o benefício do plano médico reduziu em 98% as ausências motivadas por idas ao médico. Detalhe: como assume o custo, a empresa exige que as consultas médicas ocorram fora do horário de trabalho. “No plano coletivo, o empregado pode entrar sem cumprir carência”, acrescenta Patrícia.  (Marinella Castro - Estado de Minas)

05.05 - Reajuste sem controle da ANS
Os planos coletivos para micro e pequenas empresas seguem reajustes anuais previstos em contratos, diferentemente dos convênios médicos individuais que deixaram de ser atrativos para as operadoras, principalmente, por terem seus reajustes controlados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e regras rígidas para a rescisão contratual. No plano corporativo, caso o grupo se torne caro, o percentual de reajuste pode ser revisto.
É preciso ficar atento também à chamada sinistralidade. Se um beneficiário de um grupo pequeno ficar doente, a manutenção daquele grupo cresce para operadora. Daí é preciso saber se o risco é dissolvido por toda a carteira da operadora, pela carteira dos pequenos negócios ou apenas pelo grupo, o que é bastante arriscado para o consumidor. “Existe o risco de esses contratos se tornarem caros e haver rescisão unilateral”, alerta Hênio Nogueira, especialista em direito do consumidor e planos de saúde.
Para Nogueira, antes de assinar um contrato para até 10 usuários, a empresa deve calcular a economia do modelo corporativo. “Se os valores não forem realmente atrativos, com diferença de pelo menos 30%, é melhor firmar um contrato individual”, alerta Nogueira.
No contrato corporativo a rescisão pode ser unilateral, com aviso prévio de 30 dias. “Isso significa que se o contrato passar a não interessar, a operadora pode simplesmente cancelá-lo.” Já nos planos individuais ou familiares a rescisão só ocorre por fraude ou falta de pagamentos. Antes de contratar um plano, é importante ficar atento também à sua área de abrangência. Para o custo cair, muitos contratos são formatados com coberturas locais ou regionais.    (Marinella Castro - Estado de Minas)

05.05 - Venda de genéricos cresce 32% no 1º tri
Vencimento de patentes de medicamentos populares, como o Viagra e o Lipitor, ajuda a impulsionar vendas
Expansão é recorde para um primeiro trimestre desde o surgimentos dos genéricos, em 2001
O aumento da renda da população, aliado à expansão do programa Farmácia Popular e ao lançamento de novos produtos a partir de patentes recém-expiradas, está fazendo as vendas de genéricos disparar.
As vendas cresceram 32% no primeiro trimestre, ante igual período do ano passado, e chegaram a 123,7 milhões de unidades. Em faturamento, a alta foi de 37,4% (para R$ 1,7 bilhão), na mesma base de comparação.
O crescimento, recorde para um primeiro trimestre desde que o surgimento dos genéricos, em 2001, acontece sobre uma base de crescimento também recorde.
Em 2010, o setor cresceu 33,1%, ante uma média ao longo da década de 25% ao ano. Em faturamento, a alta no ano foi de 37,7%, atingindo R$ 6,2 bilhões.
Os três medicamentos mais populares lançados como genéricos no ano passado -atorvastatina (genérico do Lipitor, de combate ao colesterol), valsartanta (do Diovan, para hipertensão) e sildenafil (do Viagra, para disfunção erétil)- já detêm, juntos, 3,8% do mercado, em faturamento.
"As pessoas estão conseguindo comprar medicamentos que antes não conseguiam", diz Odnir Finotti, presidente da Pró Genéricos, associação das indústrias de genéricos e responsável pelos dados.
Finotti cita o caso do medicamento contra colesterol alto, cuja caixa custava cerca de R$ 200 e agora pode ser encontrado por R$ 80 a R$ 90 na versão genérica.
O programa Farmácia Popular, que oferece medicamentos gratuitamente mediante receita média, também está impulsionando as vendas.
Os oito medicamento oferecidos pelo programa já representam 14,6% das vendas da indústria, ante 12% no primeiro trimestre do ano passado. Um grande impulso veio em fevereiro, quando o governo incluiu na lista medicamentos de uso contínuo para hipertensão e diabetes. "Quando o consumidor descobrir que pode pegar o medicamento de graça na farmácia, vai haver grande migração para a Farmácia Popular", acredita Finotti.
ANVISA
Segundo a Pró Genéricos, o setor também ganhou um aliado no governo: a Anvisa. Desde o início do ano, a nova diretoria da agência reguladora reabilitou uma gerência exclusiva para o registro de genéricos. Essa gerência exclusiva foi extinta na gestão de Dirceu Raposo de Mello, durante o governo Lula. "Com a nova gestão, o processo de registro está mais rápido", diz Finotti.
No primeiro trimestre, o número de novos genéricos aprovados pela agência cresceu 72,5%. Foram 88 novos medicamentos, ante 51 no ano passado.
Cópias de medicamentos de referência cuja patente já expirou, os genéricos já detêm 24,1% do mercado farmacêutico nacional.  (MARIANA BARBOSA - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 

04.05 - Nova promessa sobre cartão do SUS
Governo agora diz que implementará programa até fim do governo Dilma
O Ministério da Saúde fez nova promessa de implementar o Cartão SUS até o final do governo Dilma Rousseff. Segundo portaria publicada na segunda-feira no Diário Oficial da União, municípios de grande e médio porte, que já têm cartões próprios, deverão emitir o novo modelo em até um ano. Em outros 4 mil municípios com menos de 20 mil habitantes, o ministério vai fornecer os cartões e o sistema informatizado, que devem identificar o histórico médico e rastrear onde ocorre o atendimento de cada paciente. A portaria também criou um portal do SUS, onde a população poderá consultar suas informações.
Nos últimos 11 anos, o governo já gastou quase R$400 milhões tentando implantar o Cartão SUS, mas o programa até hoje é um fracasso, especialmente porque o Ministério da Saúde distribuiu cartões para municípios sem sistema informatizado e as peças acabaram adormecendo em prateleiras das prefeituras. Nas cidades que desenvolveram programas de gestão de saúde, os softwares são incompatíveis com as ferramentas de outras localidades.
- O cartão foi (aos municípios) sem sistema. A diferença é que nós vamos disponibilizar o sistema para os municípios. Hoje, são padrões tecnológicos distintos. Os sistemas não conversam entre eles. O que que restou do cartão: o cadastro - disse o secretário de Gestão Estratégica e Participativa do Ministério da Saúde, Odorico Monteiro.
Inicialmente, o Ministério da Saúde vai implementar o programa em mil cidades, que já têm sistema de regulação de consultas e atendimentos, mas não têm Cartão SUS. É o caso de Curitiba.  (O Globo)

04.05 - Governo tenta ressuscitar Cartão SUS novamente
Registro não terá chip e será mais barato; meta é ter banco de dados de paciente
Após 12 anos do início da implantação, o projeto teve vários contratos investigados por suspeita de fraude
O governo federal pretende comprar 200 milhões de cartões magnéticos, ao custo estimado de R$ 24 milhões, na tentativa de ressuscitar o projeto do Cartão Nacional de Saúde, o Cartão SUS.
Promessa da presidente Dilma Rousseff (PT) na campanha, a ideia é que todos os municípios tenham implantado o sistema de informática que gerencia os cartões, e que cada brasileiro receba seu cartão até 2014, segundo o Ministério da Saúde.
O objetivo é registrar todas as consultas e internações dos usuários num banco de dados, para que os médicos tenham um histórico do paciente e o ministério gerencie melhor os recursos da saúde.
Segunda-feira o governo publicou uma portaria onde reforma todo o projeto, tornando-o mais simples e barato do que o previsto pela gestão anterior, lançado em 2010.
Os novos cartões não terão chip ou tarja magnética como previsto, o que reduz seu preço para algo em torno de R$ 0,12 contra R$ 5 do anterior. O nome e número do paciente serão anotados no cartão nos postos de saúde.
Após 12 anos do início de implantação, o projeto já consumiu mais de R$ 450 milhões (valor não atualizado) e hoje é, basicamente, um banco de dados de 192 milhões de nomes, com pelo menos 25% deles repetidos ou errados. Contratos de confecção do cartão são investigados por suspeita de fraude.
Os milhões de cartões emitidos em etapas anteriores já saíam com o nome do paciente, e a maioria nem chegou a ser entregue devido a erros de cadastro.
No ano passado, o ministério chegou a tentar adquirir novos softwares para cadastrar e gerir os dados dos pacientes. A ideia foi descartada. Agora, será usado gratuitamente o sistema Siga, da cidade da São Paulo, que será distribuído para todas as cidades sem sistema próprio.
Os 13 milhões de paulistanos que têm o cartão da prefeitura receberão novos cartões, mas não deixarão de ser atendidos se não apresentarem o novo número.
As cidades que já têm sistemas próprios terão um prazo para se adaptar.
Os dados dos pacientes serão colocados em um sistema na internet. Segundo Odorico Monteiro, secretário de Gestão Estratégica e Participativa do ministério, o governo quer que o Programa Nacional de Banda Larga obrigue a inclusão de todas as unidades de saúde do país.
Será feito um pacto entre Estados e o governo federal para dotar as unidades de saúde de pequenos municípios de computadores.
"O projeto é importante para melhorar a gerenciamento dos dados e a qualidade do atendimento ao usuário", afirmou Odorico.   (DIMMI AMORA - Folha de S.Paulo)

04.05 - União homoafetiva entra na pauta do Supremo
Os julgamentos de dois processos que tratam da união homoafetiva devem acontecer, nesta quarta-feira (4/5), no Plenário do Supremo Tribunal Federal. Tratam-se de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade e de uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental — ambas sob a relatoria do ministro Ayres Britto.
A ADI foi ajuizada pela Procuradoria-Geral da República e tem dois objetivos: declarar de reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar e estender os mesmos direitos dos companheiros de uniões estáveis aos companheiros nas uniões entre pessoas do mesmo sexo.
Segundo a PGR, “se deve extrair diretamente da Constituição de 1988, notadamente dos princípios da dignidade da pessoa humana (artigo 1º, inciso III), da igualdade (artigo 5º, caput), da vedação de discriminações odiosas (artigo 3º, inciso IV), da liberdade (artigo 5º, caput) e da proteção à segurança jurídica, a obrigatoriedade do reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar”.
O argumento principal da ADPF, por sua vez, proposta pelo estado do Rio de Janeiro, é o de que o não reconhecimento da união homoafetiva contraria preceitos fundamentais constitucionais como igualdade e liberdade e o princípio da dignidade da pessoa humana.
A ADPF pede que o STF aplique o regime jurídico das uniões estáveis, previsto no artigo 1.723 do Código Civil, às uniões homoafetivas de funcionários públicos civis do estado. A intenção é fazer com que os dispositivos do Estatuto dos Servidores Públicos Civis do Estado do Rio de Janeiro, que tratam sobre concessão de licença, previdência e assistência, também alcancem os homossexuais. Com informações da Assessoria de Comunicação do STF.
ADI: 4277
ADPF: 132  (Consultor Jurídico)
 
 
 
 
 

03.05 - Médicos em estado de alerta contra operadoras
Os médicos brasileiros estão em estado de alerta e cobram das operadoras de planos e seguros de saúde respostas às reinvindicações da categoria. Na sexta-feira (29), foi divulgado documento no qual são ressaltados a necessidade de valorização do profissional (com reajustes de honorários e com o estabelecimento de regras em contratos) e de fim da interferência antiética na autonomia dos profissionais. Confira abaixo a íntegra da carta aberta às empresas.
O texto foi aprovado em reunião ampliada organizada pela Comissão Nacional de Saúde Suplementar (Comsu), composta por representantes da Associação Médica Brasileira (AMB), Conselho Federal de Medicina (CFM), e Federação Nacional dos Médicos (Fenam). No encontro, participaram representantes da categoria de todos os estados e várias especialidades que, juntos, avaliaram o movimento de paralisação realizado em 7 de abril, quando os profissionais suspenderam o atendimento de planos de saúde durante 24 horas.
Na reunião também foram discutidos os desdobramentos do protesto. “O dia 7 de abril foi o start, o ponto de partida, para que fosse iniciado a negociação das entidades estaduais junto às operadoras de planos. Este processo será acompanhado e apoiado pelas entidades nacionais”, assegurou o 2º vice-presidente do CFM, Aloísio Tibiriça, coordenador da Comsu.
O representante da AMB, Florisval Meinão, ressaltou que o ato de 7 de abril tornou pública “a realidade injusta de abuso das operadoras”. No entanto, ele alertou para a importância de que as negociações se mantenham, assim como a mobilização da categoria. Márcio Bichara, representante da Fenam na Comsu, concorda e ressalta que cabe aos médicos estarem unidos em torno das bandeiras defendidas pelas entidades de classe.
Confirma a íntegra do documento abaixo:
CARTA ABERTA ÀS OPERADORAS DE PLANOS E SEGUROS DE SAÚDE
No dia 7 de abril os médicos brasileiros suspenderam o atendimento a planos e seguros de saúde em todo o país por honorários dignos, pelo fim das interferências antiética na autonomia profissional e por condições adequadas de assistência à população.
A manifestação, liderada pela Associação Médica Brasileira (AMB), Conselho Federal de Medicina (CFM), Federação Nacional dos Médicos (Fenam) e pelo conjunto das sociedades de especialidades médicas, foi bem sucedida, conforme avaliação de reunião ampliada das entidades médicas em 28 de abril de 2011, em Brasília.
Neste momento, nos dirigimos publicamente às operadoras da saúde suplementar para reiterar que os médicos que atendem planos de saúde entram – a partir de hoje – em estado de alerta nacional.
Até junho, as entidades estaduais – representadas em Comissões de Honorários Médicos – conduzirão o processo de negociação com as empresas, contando com o amplo apoio da AMB, do CFM e da Fenam.
Abertos ao diálogo, esperamos ver atendida a seguinte pauta mínima:
a) reajuste dos honorários médicos tendo como referência os valores da CBHPM (Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos), já corrigidos pela inflação;
b) contratualização com os planos de saúde, conforme exigência da Resolução Normativa nº 71/2004, da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o que significa inserção dos critérios de reajuste nos contratos.
c) fim da interferência antiética e desrespeitosa dos planos de saúde na autonomia do trabalho médico.
Após o prazo limite, assembléias de médicos serão realizadas em todos os estados para analisar propostas concretas das operadoras e definir as próximas ações do movimento. Esperamos que as negociações cheguem a bom termo, evitando enfrentamentos e desdobramentos possíveis.
A AMB, CFM e Fenam tem ainda a expectativa de que os pleitos serão atendidos, pois embasam um movimento em defesa da saúde e da vida dos cidadãos.
Associação Médica Brasileira (AMB)
Conselho Federal de Medicina (CFM)
Federação Nacional dos Médicos (Fenam)   (Portal do CFM)

03.05 - Novos modelos de pagamento hospitalar
Existe há tempos um consenso entre os profissionais e especialistas da área, que o atual modelo de remuneração hospitalar pelas operadoras de planos de saúde está esgotado.
Este modelo é baseado no conceito de “remuneração por procedimento”, onde os preços dos serviços hospitalares geralmente estão dissociados dos custos de sua prestação, além do que este modelo promoveu uma contenção dos valores das diárias e de diversas taxas de serviços hospitalares. Ao mesmo tempo, houve aumento significativo das despesas com insumos (materiais, medicamentos, órteses, próteses e materiais especiais - OPME), onde está concentrada a principal parcela das margens dos hospitais, o que também gera um estímulo à super utilização/cobrança destes insumos.
Não obstante, ainda não estava estabelecido um consenso sobre qual seria o sistema ideal para substituir o vigente.A ANS – Agência Nacional de Saúde – criou, no início de 2010, um Grupo de Trabalho sobre a remuneração de hospitais, formado por representantes de entidades hospitalares e de operadoras de planos de saúde e tem como objetivo definir um novo modelo para a sistemática de remuneração dos hospitais que atuam na saúde suplementar.
O objetivo deste Grupo de Trabalho é o de desenvolver novas sistemáticas que remunerem os hospitais adequadamente pelos serviços prestados, tornando esses a sua fonte de receita primária.
Numa primeira fase este Grupo definiu três modelos básicos de remuneração, de acordo com a previsibilidade dos processos assistenciais:
A idéia é que mesmo nos procedimentos de baixa previsibilidade, a “conta aberta” seja aprimorada, com uma redução de itens, que ao mesmo tempo reflitam com mais fidelidade os custos reais dos hospitais.
Numa segunda fase, o Grupo vai implantar estes sistemas de remuneração na forma de pilotos e vai discutir pontos controversos, como reajustes, incorporação tecnológica, aquisição de material, indicadores de performance e autorização. Há também um consenso, estimulado inclusive por parte da ANS, de que o novo sistema deve incorporar o conceito de pagamento por performance. Este é um ponto nevrálgico da discussão, uma vez que é necessário se estabelecer metodologias para a análise da performance da assistência hospitalar e para a aplicação desta análise ao modelo de remuneração dos hospitais.
Neste ponto, os mais conceituados especialistas apontam a metodologia utilizada em outros países, mas ainda embrionária no Brasil: o DRG.
Diagnosis Related Groups — DRG — é um sistema de classificação de pacientes internados em hospitais que foi desenvolvido a partir dos anos 60 por um grupo interdisciplinar de pesquisadores da Yale University, EUA.
No final da década de 70, passou a ser utilizado como base para o pagamento a hospitais do estado de New Jersey, EUA.
Em 1983, após várias revisões, a classificação DRG foi incorporada pelo Medicare, como a ferramenta para um novo sistema de pagamento aos hospitais contratados.
Desde então, o DRG tem sido objeto de interesse tanto de estudos acadêmicos como na sua aplicação prática para os sistemas de saúde de diversos países: Canadá, Austrália, Espanha, Portugal, Itália, Inglaterra, Alemanha, França, Holanda, Bélgica, Áustria, Suíça, Noruega, Dinamarca, Suécia, Finlândia, Coréia do Sul, entre outros.
O sistema de classificação correlaciona os tipos de pacientes atendidos pelo hospital, com os recursos consumidos durante o período de internação, criando grupos de pacientes coerentes, do ponto de vista clínico e similares ou homogêneos quanto ao consumo dos recursos hospitalares, denominados DRGs.
A metodologia utiliza técnicas estatísticas e computacionais, juntamente com conhecimentos de medicina e dos processos de atendimento hospitalar.O DRG é uma nova forma de definição do perfil nosológico dos hospitais (case-mix), e também de mensuração do “produto hospitalar”, permitindo que se utilize uma abordagem de gerenciamento baseada não só na administração dos insumos, como também no controle do processo do trabalho médico – performance da assistência, permitindo a análise da “linha de produção hospitalar” correspondente a cada grupo de diagnóstico.
Uma série de trabalhos científicos demonstrou que indicadores simples, tais como o custo médio por paciente internado, não são eficazes para mensurar a performance hospitalar, uma vez que são influenciados pelo perfil etário, sexo, estágio da doença, comorbidades e outras variáveis de confusão. Já o DRG mostrou ser, com rigor estatístico, uma ferramenta eficaz nesta análise de performance.
O sistema de pagamento baseado no DRG está embasado em dois fatores: custos médios e complexidade relativa, analisada à luz do enquadramento nos DRGs.
A UNIMED BH implantou em 2008 o maior estudo DRG em rede hospitalar privada do hemisfério Sul, como parte do trabalho de apoio à qualificação da sua rede prestadora.
O DRG permite avaliar o desempenho dos hospitais, apontando as fragilidades e potencialidades de cada instituição. A metodologia, em geral, foi bem recebida pelos prestadores hospitalares e com ela seria possível se criar no futuro mecanismos de remuneração diferenciada, de acordo com índices de desempenho de cada hospital.
Seria altamente recomendável que os membros do Grupo de Trabalho da ANS conhecessem este projeto da Unimed BH.   (Eduardo Blay - Saúde Business Web)

03.05 - SUS vai passar a oferecer implante e aparelhos dentários
O governo federal incluiu procedimentos de ortodontia (correção dos dentes) e implante dentário no programa Brasil Sorridente, do SUS.
Caberá às secretarias de saúde estaduais e municipais, oferecer os novos serviços. O custo adicional dos tratamentos será de R$ 134 milhões.
Lançado em 2004, o programa Brasil Sorridente já oferece tratamento de gengiva, canal e exames para detecção de câncer bucal. A ampliação do programa foi uma promessa de campanha de Dilma Rousseff.  (Folha de S.Paulo)
 
 
 
 

02.05 - Overbook no Pronto Socorro
Quem tem plano de saúde e necessita de atendimento em Pronto Socorro na Cidade de São Paulo está com problema.
Usuários do SUS sempre tiveram este problema, mas agora é geral: longas horas de espera para ser atendido se não estiver em situação de plena emergência.
Demora a atender e quando consegue vem aquela sensação de que o médico entra de costas no consultório para poder sair mais rápido para atender outro já que a remuneração é baixa.
Uma razão antiga é a ‘mania que todo mundo tem’ de não procurar o serviço ambulatorial indo direto para o PS, no fundo para uma consulta médica.
Não vai regularmente ao médico para consulta e exames de rotina, e quando surge algum sintoma ‘parecido com coisa ruim’ corre ao PS ‘com medo da dorzinha no peito’, na maioria das vezes ocasionada por gases.
Mas o que está realmente ‘agravando o sufoco’ do PS é o overbook.
O governo passou a ficar mais esperto no controle das vendas de passagens aéreas depois da catástrofe – ainda temos problemas de atrasos de vôos, mas diminuiu sensivelmente o overbook na época dos grandes feriados e eventos. Sempre teve a responsabilidade de fazer isso, mas passou a fazer realmente de forma adequada depois do período catastrófico.
A Anatel fiscaliza a disponibilidade de banda para ligações telefônicas e acesso à Internet, o que diminuiu bastante a reclamação de perda de ligações – continuamos reclamando muito do preço, do Telemarketing, das ‘promoções tipo negócio da China’ e do Call Center das operadoras, mas a disponibilidade e qualidade melhoraram.
Bem ... ninguém está fiscalizando de forma adequada se a rede credenciada da operadora de planos de saúde tem capacidade para atender a quantidade de associados !
Cá entre nós: você já ouviu alguém dizendo que tentou comprar um plano de saúde e a operadora tenha se negado porque não tem disponibilidade de atendimento na rede credenciada ?
Acredito que não.
É melhor nem observar o crescimento do número de associados em saúde suplementar em relação à oferta de serviço: se prestar atenção poderá ficar preocupado a ponto de precisar de um PS ... e será ruim.
O overbook não é só em relação á capacidade física de atendimento (salas e equipamentos físicos disponíveis) mas também em relação à quantidade de médicos interessados em trabalhar em PS.
Não é (nunca foi) ‘sonho de consumo’ da maioria dos médicos trabalhar em Pronto Socorro ... já não se quer ser pediatra ou clínico geral, quanto mais ficar ‘dando plantão’ !
É comum você chegar ao PS, ver muita gente na recepção, segurança, e hotelaria e um monte de consultórios ... vazios por falta de médico.
O caos aéreo recente aconteceu porque não se deu atenção adequada ao overbook enquanto era caos ... enquanto ainda não era catastrófico – todo mundo percebia e ‘profetizava o que estava para acontecer’, mas o governo não fez nada ... e o resultado nem é bom lembrar.
O serviço de saúde não se preocupa com isso, porque quanto mais lotada estiver a porta melhor – assim como para a companhia aérea se sobrar passageiro no vôo não é problema. O serviço de saúde só se preocupa ‘se faltar passageiro’, o que está muito longe de acontecer.
O problema é estrutural: de saúde pública e não de saúde privada, apesar de acontecer na saúde suplementar – somente o governo pode resolver: os serviços de saúde isoladamente não querem.
Diferente do overbook na companhia aérea, onde o cliente perde um negócio ou um período de relaxamento em uma viagem de turismo, em saúde o que se perde pode ser o cliente – para ser mais claro: a vida do nosso cliente.
E como todo problema estrutural é melhor que a atenção seja dada antes da catástrofe, uma vez que o caos já é fato e não pode mais ser evitado.
Pode duvidar do cenário – mesmo assim vou torcer para que não tenha que comprovar que não é exagero na prática, como eu mesmo comprovei tendo um plano de saúde considerado ‘top’, em um serviço de saúde considerado ‘top’ !   (Enio Salu - Saúde Business Web)

02.05 - Em 10 anos, Grande S.Paulo perde 20 hospitais
Entre as causas estão má gestão e baixa remuneração por parte das operadoras
Um levantamento realizado pelo Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (Sindhosp) constatou que nos últimos dez anos, a Grande São Paulo perdeu 20 hospitais particulares. Somente no último mês foram fechadas três unidades. Entre as causas estão má gestão e baixa remuneração por parte das operadoras.
A situação mais recente foi a do Complexo Hospitalar Paulista (CHP), na Consolação, que teve de transferir os pacientes às pressas no último dia 21 por causa de uma ação de despejo. O prédio foi esvaziado e a equipe médica não teve chance de  levar nem os prontuários dos internados.
Além disso, também no mês de abril foram fechados o Hospital Panamericano, na Vila Madalena, e o Hospital e Maternidade de Mauá, ambos da operadora Samcil. Segundo a publicação, a empresa enfrenta uma grave crise e recebeu prazo da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para negociar sua carteira de beneficiários até hoje.
Dados informam que as duas últimas unidades da rede que ainda estão abertas - Hospital Vasco da Gama, no Brás, e Hospital e Maternidade São Leopoldo, em Santo Amaro - funcionam de forma precária e estão sendo esvaziadas.
Segundo o sindicato, os hospitais menores e mais periféricos têm baixo poder de negociação com as operadoras e acabam sendo muito mal remunerados. Além disso,  são comuns os casos em que as operadoras negam o pagamento de serviços ou pagam apenas parte.   (Saúde Business Web)

02.05 - Sogra: Parente por afinidade com vínculo permanente
A sogra é motivo de polêmica e piadas. Ontem, dia 28 de abril, é o dia nacional que a homenageia. Esta figura emblemática da relação do casal encontra previsão no nosso ordenamento jurídico. A partir do casamento ou união estável, o seu sogro ou sogra torna-se seu parente por afinidade, vínculo este que não se encerra nem mesmo com o divórcio do casal. É o que determina o atual Código Civil, que regula as regras sobre o parentesco e a relação de família, incluindo herança, alimentos, regime de bens, etc.
De acordo com o artigo 1.593 do Código Civil, o parentesco pode ser natural ou civil, isto porque ocorrer por vínculo sanguíneo — quando descendem do mesmo tronco ancestral — ou por afinidade. A afinidade surge da relação familiar decorrente do vínculo do casamento ou das relações entre companheiros em razão da união estável. Trata-se, portanto, de vínculo criado pelo nosso legislador, não se tratando de vínculo consanguíneo.
No aspecto jurídico, a contagem de graus de parentesco por afinidade é semelhante às regras do parentesco consanguíneo. Assim, o sogro será parente em primeiro grau em linha reta por afinidade do seu genro, bem como o cunhado será seu parente em segundo grau e assim por diante.
Salienta-se que o artigo 1.595, parágrafo primeiro, do Código de Processo Civil, limita o parentesco por afinidade apenas aos ascendentes (pais), aos descendentes (filhos, netos) e aos irmãos do cônjuge. Ou seja, são parentes por afinidade o sogro, a sogra, a nora, o genro e os cunhados.
Com o fim do casamento ou união estável, extingue-se o vínculo, e com isso, o parentesco por afinidade, exceto em relação ao sogro ou sogra, genro ou nora, em conformidade ao artigo 1.595, parágrafo segundo, do Código Civil. Assim, apenas o vínculo entre cunhados se desfaz.
Alguns doutrinadores justificam que referida permanência do parentesco por afinidade se justifica por questões sociais, morais e éticas, bem como sucessórias (herança).
Frise-se que a sogra e o sogro concorrem com o(a) cônjuge no direito sucessório, na ordem da sucessão hereditária (artigos 1.790 e 1.829 do Código Civil).
Ressalta-se, ainda, que genros e noras estão impedidos de casarem-se ou viverem em união estável com seus ex-sogros e ex-sogras, como reza o Código Civil no artigo 1.521, inciso II: “Não podem casar: II - os afins em linha reta”.
No aspecto alimentar, relembramos ainda que sogros e sogras podem ser acionados em ações de alimentos caso seus filhos não contribuam de maneira satisfatória com o sustento de seus(as) netos(as) (artigos 1.696 e 1.698 do Código Civil). Neste sentido, há interessante e recente decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial 958.513 / SP Recurso Especial 2007/0129470-0, ministro Aldir Passarinho Junior, 4ª Turma).
Por fim, importante relembrar recente alteração do nosso ordenamento jurídico — Lei número 12.398/2011, que inseriu o parágrafo único no artigo 1.589 no Código Civil — incluiu o direito de visitas aos sogros e sogras, quer dizer, aos avós.
Desta forma, nota-se que o direito de família e sucessório incluiu direitos, deveres e obrigações à sogra, sendo importante que esta os conheça para evitar problemas presentes e futuros, com a sua nora ou genro sempre tão queridos.  (Luciana Campregher Doblas Baroni - Consultor Jurídico)
 
 
 
 

29.04 - Um novo olhar na atuação jurídica em saúde
Após pouco mais de uma década como advogada na área de saúde suplementar, ouso traçar um paralelo entre a atuação dos advogados e dos médicos, dos hospitais, dos laboratórios e dos planos de saúde: enquanto os últimos aguardam o aparecimento de um paciente doente para iniciarem suas atividades, os colegas da área jurídica esperam pelo surgimento de um problema para começarem a agir.
Assim como a doença é o foco do sistema de saúde suplementar, os advogados têm a atenção voltada para o problema. Entretanto, as atuais necessidades da sociedade nos obrigam a desenvolver um novo olhar, quebrando paradigmas e alterando o nosso foco de atenção e atuação.
Sem mudanças significativas no sistema, os custos com a saúde continuarão crescendo acima do nível aceitável para a sociedade, sem nenhum reflexo na qualidade assistencial ou satisfação do paciente.
Há necessidade, conforme preconiza a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), de tornar o setor suplementar em um ambiente de produção de ações de saúde nos territórios da promoção, proteção, recuperação e reabilitação da saúde dos indivíduos, com o estabelecimento de vínculo entre profissional da área e beneficiários e, principalmente, responsabilização das operadoras pela gestão da saúde de seus favorecidos. Por isso, a ANS vem estimulando o desenvolvimento de programas de promoção de saúde e prevenção de doenças desde 2004. Todo este esforço tem sido realizado  com propósito de desenvolver modelos de atenção baseados na produção do cuidado, respondendo, desta forma, à necessidade da integralidade da atenção à saúde.
Dos meus 13 anos de atuação na saúde suplementar, cinco foram dedicados à área da promoção da saúde e prevenção de riscos e doenças, que contribui para a mudança do modelo assistencial vigente no sistema de saúde e para a melhoria da qualidade de vida dos beneficiários de planos, visto que grande parte das doenças que acomete a população é passível de prevenção.
Da mesma forma que a saúde suplementar necessita das mudanças significativas no setor, que já estão ocorrendo, os advogados, que antes tinham uma postura de inviabilizar negócios na atuação da empresa ao citar os riscos, agora se deparam com a necessidade de mudar seu foco de atuação para garantir a viabilidade de projetos. Além de dominar o Direito, o advogado precisa entender a área de atuação do seu cliente, ter foco no negócio, agilidade e objetividade, torná-lo possível e seguro e também ser um profissional capaz de apresentar resultado na lucratividade da empresa e novos caminhos para o sucesso.
Vamos exercitar nossa flexibilidade e nos adaptarmos à nova realidade?    (Milva Gois - Última Instância)

29.04 - 240 mil processos no setor de Saúde
Maior parte destes processos é referente a reclamações relacionadas ao acesso a medicamentos e a procedimentos médicos do SUS
Um balanço realizado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) desde maio de 2010 mostra que tramitam atualmente no Judiciário brasileiro 240.980 processos judiciais na área de saúde, as chamadas demandas judiciais da saúde.
Segundo a instituição, a maior parte destes processos é referente a reclamações de pessoas que reivindicam na Justiça acesso a medicamentos e a procedimentos médicos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Além de vagas em hospitais públicos e ações diversas movidas por usuários de seguros e planos privados junto ao setor.
Os dados integram um estudo que vem sendo realizado pelo CNJ  junto com o Fórum Nacional do Judiciário para a Saúde - nos tribunais de Justiça e tribunais Regionais Federais das cinco regiões. Estima-se que esses dados sejam concluídos dentro das próximas semanas para subsidiar discussão sobre o que acontece no país, nesta área, em junho - em encontro do Fórum Nacional do Judiciário para a Saúde, a ser realizado em Brasília.
O estudo deverá apresentar números um pouco maiores, quando estiver concluído, porque ainda faltam ser acrescentadas informações de três tribunais de Justiça: Paraíba, Pernambuco e Amazonas (que já se prontificaram a encaminhar seus dados nos próximos dias). Mas já revela que as piores situações são observadas nos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro.
A análise indica que no Rio Grande do Sul, o Tribunal de Justiça (TJRS) concentra quase metade de todas as demandas do país: 113.953 ações judiciais sobre saúde. Em segundo lugar, São Paulo (TJSP) possui 44.690 ações. E o Rio de Janeiro (TJRJ) possui 25.234 ações em tramitação.
Outros destaques, em menor escala, são os tribunais de Justiça do Ceará (TJCE, com 8.344 ações), Minas Gerais (TJMG, com 7.915 ações) e o Tribunal Regional Federal da 4ª, região (TRF 4), que compreende os estados de Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina (onde tramitam, atualmente, 8.152 ações).   (Saúde Business Web)

29.04 - Falta de remédio de alto custo
Gasto do governo com remédios via ação judicial cresce 5.000% em 6 anos
No ano passado, Ministério da Saúde usou R$ 132,58 milhões para comprar medicamentos de alto custo cujo fornecimento havia sido determinado pela Justiça - em 2005, o valor era de R$ 2,24 milhões; União foi citada em 3,4 mil processos do gênero em 2010
Os valores gastos pelo Ministério da Saúde para cumprir decisões judiciais que determinavam o fornecimento de medicamentos de alto custo aumentaram mais de 5.000% nos últimos seis anos. Foram gastos R$ 2,24 milhões em 2005 contra R$ 132,58 milhões em 2010.[ ]
Segundo José Miguel do Nascimento Junior, diretor do Departamento de Assistência Farmacêutica do ministério, os valores gastos no ano passado representaram 1,8% do total do orçamento destinado ao departamento.
No ano passado, a União foi citada em cerca de 3,4 mil ações judiciais em busca de medicamentos. Em 2009 foram pelo menos 3,2 mil processos do gênero. Na maioria dos casos, a Justiça determinou a entrega de medicamentos de alto custo - usados especialmente no tratamento oncológico ou de doenças raras.
Para o advogado Julius Conforti, que se dedica exclusivamente a ações judiciais na área médica e de saúde desde 2004, a judicialização é o efeito da ausência de medicamentos de ponta na lista das drogas cobertas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
"A judicialização da saúde não é um fenômeno que surgiu do nada, sem motivo algum. O grande problema é o déficit da atualização da listagem dos medicamentos de alto custo, especialmente os da área oncológica", diz. "E o governo se preocupa muito em tratar o efeito (as ações) em vez de se preocupar com a causa."
A recepcionista Viviane Martins Madeixo, de 37 anos, por exemplo, teve de recorrer à Justiça para conseguir receber dois medicamentos indicados pelo médico para o tratamento de uma leucemia - um tipo de câncer no sangue que afeta a medula óssea.
As medicações são de alto custo, não constam da lista do SUS e Viviane não teria como comprá-las. "A caixa de um dos remédios custa R$ 400. E eu tomo oito comprimidos dele ao dia. O outro remédio custa R$ 140 e dura apenas duas semanas", diz. No total, a recepcionista gastaria R$ 680 por mês se tivesse de pagar pelos medicamentos.
Em tratamento há quase um ano, Viviane atribui sua vida ao resultado da ação judicial. "Se não tivesse iniciado o tratamento, poderia estar morta", afirma.
Listagem. Para Conforti, se todos os medicamentos de última geração estivessem incluídos na listagem do SUS os custos seriam mais baixos, já que seria possível fazer compras maiores e negociar preços. "Se a judicialização causa uma desprogramação do orçamento, é preciso pensar em formas de resolver isso."
Nascimento, do Ministério da Saúde, diz que a lista do SUS é atualizada a cada dois anos e contempla vários medicamentos que possuem ações similares àqueles pedidos judicialmente.
"O SUS não é uma farmácia privada. Nem mesmo as farmácias têm todos os medicamentos requisitados. Para um remédio ser incorporado à lista, o SUS leva em consideração segurança e custo efetivo. E ainda há muitos medicamentos usados para tratar doenças não descritas na bula", afirma Nascimento.
Álvaro Nagib Atallah, professor de medicina baseada em evidências da Unifesp, concorda que há remédios que possuem evidência de que funcionam e não são implementados na rede. Mas, diz ele, por outro lado, há muita medicação de alto custo demandada pela Justiça e nem sempre existem evidências.
Ele é um dos coordenadores do curso Direito à Saúde Baseada em Evidências, direcionado a promotores, juízes, advogados e defensores. O curso é ministrado no Hospital Sírio-Libanês em parceria com o Ministério da Saúde (mais informações nesta página).
"Estima-se que cerca de 10% da demanda judicial seja relacionada à saúde. O Judiciário não está preparado e não tem base científica para tomar esse tipo de decisão. A ideia do curso é difundir a cultura da tomada de decisões baseada em evidências."
Douglas Henrique Marin dos Santos, procurador federal da Advocacia-Geral da União, diz que ainda é muito difícil reverter as decisões judiciais, especialmente porque faltam informações com base científica.
"Se houver informação científica disponível, fica mais fácil até para a gente poder recorrer. O recurso é finito e é preciso fazer escolhas. Ainda é um grande desafio, pois uma vez que um juiz determina a entrega de um medicamento, é muito difícil você retirar isso", afirma.
PARA ENTENDER
Quem decide entrar com uma ação para receber um remédio pode acionar qualquer esfera de governo: municipal, estadual ou federal. Como as prefeituras têm menos recursos, em geral, os advogados processam o Estado onde o paciente mora. As ações contra a União são mais raras porque tendem a ser mais demoradas.
Despesas
O governo de São Paulo gasta cerca de R$ 57 milhões por mês para atender a cerca de 25 mil ações judiciais ou processos administrativos relacionados à saúde que estão em andamento.  (Fernanda Bassette - O Estado de S.Paulo)
 
 
 
 
 

28.04 - O setor de saúde, os juros e os investimentos
É sabido que tanto o setor público de saúde, quanto o setor privado sofrem influencia direta do humor da economia. Enquanto o primeiro depende da arrecadação que se reverte em investimentos no segmento (SUS), o segundo (setor privado) é dependente principalmente do mercado de trabalho, visto que cerca de 80% dos beneficiários possuem planos empresariais.
Ou seja, quanto maior o dinamismo do crescimento e desenvolvimento econômico, maior será o nível de arrecadação e investimentos no setor público, bem como haverá maior geração de empregos e aumento do número de beneficiários em planos empresariais.
Porém, há alguns fatores que contribuem diretamente para que eventos extra-setor tenham impacto menor no desempenho do setor. Por exemplo, melhoria de processos, investimentos, campanhas de prevenção, fusões e aquisições como maneira de gerar ganhos de sinergia, entre outras medidas que podem reduzir a dependência do retorno das operações financeiras das empresas.
Nesse contexto, a economia brasileira vive um momento ímpar, pois cresceu fortemente em 2010 (7,5% - o maior nível desde 1986), os investimentos são crescentes, bem como o nível de emprego e renda, fatores que fomentam a atividade no setor de saúde. Entretanto, o ônus dessa conjuntura favorável é a necessidade de combater a alta contínua da taxa de inflação e o remédio amargo mais recomendado é a elevação da taxa de juros básica (Selic), que implica em redução do nível de investimento no setor e estimula os investimentos em ativos financeiros (ex: renda fixa, ações, etc.).
Ainda em relação a taxa de inflação, é importante destacar que a aceleração dentro do grupo de serviços de saúde é superior ao IPCA total, com variação de 7,3% em 12 meses encerrados em março último, enquanto a aceleração do IPCA no mesmo período foi de 6,3%, dinâmica esta que tem se repetido nos anos recentes. Devemos recordar que o reajuste médio autorizado pela ANS nos últimos 5 anos foi de 6,7% para os planos dedicados às pessoas físicas. Estas condições ajudam a compreender o desequilíbrio entre planos coletivos e individuais, além da dificuldade de repassar a elevação de custos aos respectivos planos, sobretudo pela elevada incorporação tecnológica que ocorre no setor de saúde.   (Alex Agostini - Saúde Business Web)

28.04 - Pressão alta atinge 23% dos adultos no Brasil
Dado é de pesquisa do Ministério da Saúde, feita com 54 mil pessoas
Rio é a capital com mais hipertensos; estudo encontrou mais mulheres do que homens com a doença
Possível indutora de infartos e derrames, a pressão alta já atinge quase um quarto dos brasileiros.
O dado, divulgado ontem, é de pesquisa feita por telefone pelo Ministério da Saúde, com adultos das 27 capitais.
O pesquisador perguntava ao entrevistado se ele já havia sido diagnosticado com hipertensão. Responderam afirmativamente 23,3%.
Mas o percentual de pessoas que têm a doença pode ser maior ainda, porque parte da da população não faz exames regulares de pressão.
Segundo Marcus Malachias, presidente do departamento de hipertensão da Sociedade Brasileira de Cardiologia, dados das sociedades de cardiologia, hipertensão e nefrologia colhidos em 2010 apontam que 30% dos brasileiros têm pressão alta.
A diferença para os números do Ministério da Saúde, afirma, se deve à metodologia. "A entrevista por telefone só se refere a quem sabe que tem a doença."
Na pesquisa do governo, o problema foi mais comum entre as mulheres, principalmente na faixa dos 50 anos. Uma das causas pode ser a menopausa, afirma Maria Cláudia Irigoyen, presidente da Sociedade Brasileira de Hipertensão. Ela explica que o hormônio estrógeno, cuja produção cai na menopausa, dá uma "proteção natural" contra aumento de pressão.
Por isso, diz, a mulher deve se esforçar mais para manter o peso, praticar exercícios e reduzir o consumo de sal.
Outra explicação para o grande número de mulheres diagnosticadas com hipertensão é que elas vão mais ao médico do que os homens.
"In loco, vemos que há mais homens com hipertensão", diz Malachias, da sociedade de cardiologia.
DIETA INDUSTRIALIZADA
Entre as capitais do país, o Rio é a que tem mais hipertensos declarados na pesquisa: 29,2%. Em último lugar, fica Palmas, com 13,8%.
Libânio afirma que a variação está ligada à proporção de idosos em cada cidade.
Além da idade, são fatores de risco para a doença o estresse, o sedentarismo e o excesso de sal na dieta. O aumento do consumo de comida industrializada favorece o aparecimento do problema.
O Ministério da Saúde anunciou no início do mês um acordo com a indústria para reduzir o teor de sódio em diversas categorias de alimentos até 2020.
A pasta também passou a distribuir gratuitamente, em fevereiro remédio contra a hipertensão. Com isso, a entrega de drogas foi de 600 mil em janeiro para 1,3 milhão de unidades em fevereiro. (ANGELA PINHO - Folha de S.Paulo)

28.04 - Hipertensão: Controle da doença em idosos ganha diretriz
Nesta semana, duas associações americanas de cardiologia lançaram, pela primeira vez, diretrizes para prevenção e controle da hipertensão em idosos.
O consenso foi definido pela American College of Cardiology Foundation e pela American Heart Association.
Segundo o texto, 64% dos homens e 75% das mulheres acima dos 70 anos têm pressão alta, o que aumenta o risco de infarto, derrame, diabetes e doenças renais.
Mas apenas um em cada três homens dessa faixa etária e uma entre quatro mulheres controlam a pressão arterial adequadamente.
O consenso estabelece que a pressão arterial deve ser menor que 14 por 9 em pessoas de até 79 anos, mesmo padrão para pacientes adultos. Mas, em idosos acima de 80 anos, a pressão máxima pode ser de até 14,5.
Segundo Celso Amodeo, cardiologista especialista em hipertensão do HCor (Hospital do Coração), a pressão em idosos pode ser mais alta do que a considerada normal.
"A pressão baixa nessa idade pode levar a mais internações, quedas e fraturas. Há pacientes com pressão maior que 14 por 9 e que se sentem melhor assim."
Outra recomendação do consenso norte-americano é medir a pressão dos idosos sentados e também em pé.
Isso porque a pressão pode mudar em diferentes posições, diz Marcus Malachias, presidente do departamento de hipertensão da Sociedade Brasileira de Cardiologia.
"A pressão do idoso é mais baixa quando ele está em pé, o que chamamos de hipotensão postural. Assim, podemos controlar também essa medida", diz Malachias.
O documento afirma ainda que o tratamento em idosos deve começar com mudanças no estilo de vida, como a prática de atividade física e o controle do peso.
Se a hipertensão persistir, o tratamento com medicamentos deve ser considerado. Inicialmente, as doses devem ser as mais baixas e aumentar gradualmente.
Os especialistas, no entanto, afirmam que o mais importante é individualizar o tratamento do idoso.
"Diretrizes são orientações. O objetivo é conseguir a pressão mais baixa possível com a maior qualidade de vida", diz Amodeo.  (MARIANA VERSOLATO - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

27.04 - Fechamento de hospitais e a carência de leitos
Faltam leitos para atender pacientes em hospitais públicos e particulares
O recomendado pelo Ministério da Saúde seriam entre 2,5 e 3 leitos para cada mil habitantes. Mas a taxa nacional é de 2,3 leitos.
Números do Ministério da Saúde mostram o tamanho do problema enfrentado por quem busca atendimento nos hospitais, faltam leitos, principalmente na rede particular.
Só na Região Metropolitana de São Paulo, 15 hospitais privados fecharam as portas, nos últimos cinco anos.
Os doentes chegam, mas têm uma surpresa desagradável. Um hospital particular, na Zona Oeste de São Paulo, fechou as portas no início do mês.
“É difícil, eu estou precisando”, reclamou uma paciente. Zenaide tem plano de saúde. Com fortes dores na coluna, precisou procurar atendimento em outro lugar. “É sentir mais dor, mais humilhação e raiva”, disse.
O fechamento de hospitais prejudica principalmente a população de baixa renda. Outro hospital da capital que parou de funcionar tinha 200 leitos e a maioria era destinada a pacientes do SUS.
“Eles não deixaram nem entrar. Vou levar em outro hospital, se eu achar”, contou uma mãe.
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