31.05 - Hospitais universitários precisam de
contratações
O diretor de hospitais universitários federais do Ministério
da Educação, José Rubens Rebellato, disse na quinta-feira
que é preciso contratar emergencialmente 7.659 trabalhadores para
manter o serviço como está - sem fechar mais leitos - nos
46 hospitais ligados a instituições de ensino superior em
todo o País.
O custo da contratação dessas pessoas é de R$
300 milhões. "De 2008 para cá, quase 300 leitos foram desativados,
e o total já chega a 1.400”, informou Rebellato em audiência
pública sobre a situação dos hospitais universitários,
promovida pela Comissão de Seguridade Social e Família.
Outro problema do sistema, segundo Rebellato, é a existência
de pelo menos cinco regimes de contratação diferentes em
cada hospital. 52% dos funcionários estão no Regime Jurídico
Único (Lei 8.112/90 - servidores públicos) e 20% são
regidos pela CLT (Decreto-Lei 5452/43).
Faltam recursos
Uma portaria que deve ser publicada ainda nesta semana, segundo o dirigente
do MEC, vai regulamentar o programa de reestruturação dos
hospitais universitários, anunciado em janeiro. Mas uma solução
definitiva para o principal problema, que é a falta de recursos,
ainda está em discussão.
"Fala-se em fundação pública de direito privado,
em empresa pública, em abrir a carreira do Hospital das Forças
Armadas, em tornar todos os hospitais um HCPA (Hospital das Clínicas
de Porto Alegre). Mas isso está no âmbito de um debate nacional”,
explica Rebellato. Segundo ele, existem argumentos fortes em relação
a todas as opções.
Dinheiro existe
Autora do requerimento para a audiência, a deputada Solange Almeida
(PMDB-RJ) disse que o governo tem recursos. “Só que eu não
posso aceitar subfinanciamento do Sistema Único de Saúde
(SUS), se, aqui nesta Casa, não se vota mais milhões, só
bilhões”, critica.
Ela citou o montante das reservas internacionais, “R$ 400 bilhões”,
e lembrou que o Brasil “colocou R$ 10 bilhões no Fundo Monetário
Internacional (FMI)”. Ressaltou ainda a “dívida interna com os bancos,
que têm lucros absurdos” e “levam quase o dobro dos recursos que
o governo coloca no SUS".
Solange Almeida disse que os contratos que vêm sendo assinados
com os hospitais, dentro do processo de reestruturação, têm
deixado o ensino em segundo plano em benefício da assistência,
quando o ensino deveria ser a meta principal destes centros de saúde.
Emenda 29
A coordenadora-geral da Federação dos Sindicatos dos
Trabalhadores das Universidades Públicas Brasileiras, Léia
Oliveira, defendeu a regulamentação da Emenda 29, que estabelece
pisos para a aplicação de recursos em Saúde por parte
do governo federal, estados e municípios.
Na próxima terça-feira, a Frente Parlamentar em Defesa
dos Hospitais Universitários, liderada por Solange Almeida, deve
ter uma reunião com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo,
para debater as soluções emergenciais que devem ser tomadas.
Para 2011, há a perspectiva de que mais R$ 700 milhões
sejam investidos para a modernização das instalações
dos centros de saúde universitários, por meio de um empréstimo
do Banco Mundial. (Agência Câmara/Portal Correio)
31.05 - Tratamento de casos de câncer de mama
Falta padrão no intervalo entre diagnóstico e início
de tratamento do câncer de mama, diz relatório
O sucesso do tratamento de casos de câncer de mama está
ligado à rapidez com que a mulher consegue iniciá-lo. No
Brasil, entretanto, não há definição de um
intervalo máximo de tempo entre a realização da mamografia
e o início do tratamento, segundo informações apresentadas
no primeiro relatório realizado pelo Sistema de Informação
do Câncer de Mama (Sismama). De acordo com o documento, o tempo entre
a solicitação da mamografia e o resultado é de um
mês em 33% dos exames realizados e de 31 a 60 dias em 17%. A União
Europeia recomenda o intervalo de no máximo 35 dias.
O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que em 2010 haverá
49.210 novos casos no país. Segundo o diretor-geral do instituto,
Luiz Antônio Santini, o ideal é que o exame seja feito o mais
breve possível e que as mulheres com suspeita de câncer sejam
priorizadas, mas que isto depende muito da complexidade do exame e da realidade
de cada região do país.
O presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, Ricardo Chagas,
disse que existe um grande problema no Brasil para se diagnosticar o câncer
de mama no sistema público de saúde. “O tratamento deve ser
iniciado o mais breve possível, mas quando a mulher consegue fazer
a mamografia o problema maior é na comprovação do
diagnóstico. O paciente só é encaminhado para o tratamento
quando é feita a biópsia, mas as pessoas têm dificuldade
em fazê-la nos hospitais públicos”, destaca.
O Sismama é um banco de dados, criado em 2009, que faz um mapeamento
nacional das mamografias realizadas pelo Sistema Único de Saúde
(SUS) com o objetivo de municiar os trabalhadores de saúde. Ele
identifica a distribuição das mamografias, a indicação
clínica, mensura o tempo de realização de exames e
mostra a atuação dos profissionais e laboratórios
responsáveis pelas mamografias e pelos exames citopatológico
(de secreções) e histopatológico (biópsia).
“É um sistema inédito no mundo sobre o uso da mamografia
e até os locais onde faltam leitos para a internação
hospitalar. É uma ferramenta essencial para o planejamento das ações
de controle de câncer de mama e permite aos gestores de saúde
identificar problemas e intervir”, afirma o presidente do Inca.
O Inca recomenda que a mamografia seja feita de dois em dois anos,
após os 50 anos, e quando há suspeita ou caso de câncer
na família o exame pode ser feito até uma vez ao ano. Segundo
o Ministério da Saúde por ano são realizadas 3 milhões
de mamografias no país. A meta nacional é chegar a 4,4 milhões
de exames até 2011.
O primeiro relatório do Sismama foi feito com base em 928 mil
exames realizados entre junho de 2009 e março deste ano em 23 estados
e no Distrito Federal. Do total de mamografias registradas pelo Sismama
neste período, 93% foram identificadas como de rastreamento e 7%
como mamografias diagnósticas.
Para o Inca, a grande diferença entre o número dos dois
tipos de mamografia pode ter sido fruto de erro de registro por parte das
clínicas. O rastreamento é o uso periódico de exame
da população feminina saudável para identificar anormalidades
sugestivas de câncer e as de diagnóstico são recomendadas
em caso de suspeita de câncer.
Desde setembro do ano passado, o pagamento das clínicas e laboratórios
prestadores de serviço do SUS está condicionado ao registro
desses procedimentos no Sismama.
O câncer de mama é o segundo tipo mais frequente no mundo
e o mais comum entre as mulheres. (Agência Brasil/ Pernambuco.com)
31.05 - Hepatite C: filme alerta sobre doença silenciosa
Considerado o pior tipo entre as hepatites virais, a hepatite C ganhou
vídeo de alerta sobre a doença silenciosa que ataca cerca
de 4 milhões de brasileiros. Produzido por iniciativa de funcionários
do Banco do Brasil, o filme “Hepatite C, sem medo” teve estreia e debate
com a personagem principal, Ana Paula de Barcellos, em Brasília.
Interpretando a si mesma, ela conta como descobriu e vem enfrentando a
doença que pode ser contraída até por descuidos em
atividades rotineiras, como uso de alicate de unha não esterilizado.
A hepatite C não costuma apresentar sintomas (veja quadro abaixo)
e é o tipo mais agressivo da doença porque evolui para formas
crônicas (cirrose ou câncer) entre 70% e 85% dos casos. O tipo
A é curável, enquanto no tipo B até 15% dos casos
evoluem para a forma crônica, explica a médica Lourdes de
Marchi Capeletto, gerente de Divisão da Unidade CASSI de Curitiba
(PR). Quanto antes a hepatite for diagnosticada e tratada, menores os danos
para o organismo.
Ana Paula, por exemplo, descobriu a doença em 2005 e passou
a cuidar mais da saúde para evitar agressões desnecessárias
ao fígado: reduziu a ingestão de gordura e eliminou bebida
alcoólica. Ela teve outra atitude importante no combate à
doença: mesmo se arriscando a enfrentar o preconceito, revelou aos
colegas de trabalho e amigos ser portadora do vírus. Hoje, aos 32
anos, vê o resultado de sua coragem. O blog www.animando-c.com.br,
criado por ela, tem mais de 100 acessos diários, se tornou referência
para pessoas que sofrem da doença e tem quase 10 mil visitantes,
de 16 diferentes países. Ela não esconde que o tratamento
“é chato”, com medicamentos do grupo dos quimioterápicos
e com efeitos colaterais. Mas assegura que leva vida normal.
O diagnóstico e tratamento da hepatite C também serão
o tema do primeiro “chat” promovido pela CASSI, aberto aos seus beneficiários.
Aguarde mais informações sobre data e endereço para
participar. (Anabb)
28.05 - EUA: Nova lei da saúde beneficia os jovens
Depois que Eric Heininger deixou seu emprego (e plano de saúde)
para acompanhar os estudos de sua namorada em New Haven, Connecticut, ele
quis realizar um exame físico, e resolveu ser voluntário
em um estudo médico.
Ele enfrentou três dias de regimes de exercícios, exames
de sangue e avaliação de pressão antes de ser aceito
no grupo saudável de comparação para o experimento.
"Assim eu soube que estava saudável", disse ele.
Mas quando Heininger, de 24 anos, desenvolveu uma febre alta em março,
depois de viajar ao Haiti em missão de ajuda, o tratamento gratuito
não foi tão fácil de conseguir.
Assim como muitos jovens, ele esperou, temendo durante uma semana que
pudesse ter contraído alguma perigosa doença tropical.
Ele não é uma exceção.
Quase um terço das 46 milhões de pessoas não seguradas
nos Estados Unidos são jovens entre 19 e 29 anos - a faixa etária
com maiores chances de ficar sem cobertura, já que muitos deles
trabalham em empregos de meio período ou estágios.
Esse grupo ainda espera por benefícios substanciais com a expansão
de cobertura promovida pela reforma da saúde nos Estados Unidos.
Segundo um relatório divulgado na semana passada pelo Commonwealth
Fund, uma fundação privada com foco nas diretrizes da saúde,
a maioria dos 13,7 milhões de jovens adultos que não estão
segurados poderia ganhar cobertura quando a reforma entrar em força
total, em 2014 - seja através de programas públicos como
o Medicaid, ou comprando apólices privadas em câmbios competitivos
de seguros estabelecidos pela lei.
"A reforma do tratamento acessível é, sob muitos aspectos,
um presente de formatura para jovens adultos", disse uma autora do relatório,
Sara Collins, vice-presidente do Commonwealth Fund.
O alívio deve vir mais cedo para 1,2 milhão de jovens,
cujos pais possuem seguro-saúde, mas que saíram das apólices
familiares quando se formaram no colegial ou na faculdade.
A partir do final de setembro, as seguradoras serão obrigadas
a cobrir crianças em planos familiares até os 25 anos, e
muitas empresas estão realizando a mudança agora - de forma
que os recém-formados não enfrentem lacunas na cobertura.
No passado, três quartos dos jovens que estavam segurados em
planos corporativos de seus pais perderam o seguro, ou tiveram de trocar
de apólices quando se formaram na faculdade, com alguns deles ficando
sem seguro por dois anos ou mais, segundo o relatório do Commonwealth
Fund.
As famílias não terão de pagar a mais pelos jovens,
disse Collins, explicando que os benefícios não podem custar
mais do que "se eles tivessem 5 anos de idade".
Isso é um alívio para os recém-formados, como
Heather Gray, de Phoenix.
Ela está ansiosa para retornar ao plano de sua mãe.
Recentemente, Gray teve de pagar US$ 600 por raios-x e consultas, quando
foi a um centro de atendimento reclamando de dores nas mãos.
"Antes eu nunca sabia exatamente o custo real, pois tudo era pago pelo
plano da minha mãe", disse Gray, de 23 anos, que trabalha em dois
empregos de meio período (sua mãe, funcionária do
corpo de bombeiros, recebe uma generosa cobertura médica).
"Eu só espero que os remédios funcionem, pois do contrário
eles terão de fazer uma ressonância magnética - e isso
é realmente caro".
Muitos jovens adultos serão cobertos através de outras
provisões da reforma da saúde.
Cerca de 7,1 milhões, mais da metade do total, serão
elegíveis para iniciar com o Medicaid em 2014 - porque possuem renda
menor do que 133% do nível federal de pobreza, ou cerca de US$ 14.404
anuais para uma pessoa e US$ 29.327 para uma família de quatro indivíduos.
E até 5,6 milhões de jovens não segurados estarão
qualificados para subsídios do governo caso comprem cobertura privada
pelos câmbios de seguros; os subsídios serão disponibilizados
a qualquer um que receba até 400% do nível de pobreza, ou
US$ 43.320 por pessoa.
Como exemplo, uma pessoa de 25 anos que vive numa cidade de custo mediano
e que ganhe US$ 21.660 anuais, ou 200% do nível de pobreza, poderá
comprar seguros por US$ 1.365 ao ano, ou aproximadamente a metade de seu
custo total.
É difícil afirmar se os jovens realmente farão
isso ou escolherão correr o risco e pagar a multa, que aumentará
em 2016 para US$695 ou 2,5% da renda, o que for maior.
"Já quebrei a cabeça com meu pai em relação
a isso", disse Brandon Mendelson, de 27 anos, de Glens Falls, em Nova York,
que tem problemas cardíacos e ficou sem cobertura por vários
anos até conseguir um emprego com seguro.
"Eu dizia: 'Eu gostaria muito de ter, mas é tão caro
que estaríamos morando na rua para ter um seguro-saúde -
como isso poderia ser bom?'" A pressão dos pais pode persuadir muitos
jovens a fazer um seguro: quase todos os adultos não segurados entrevistados
para este artigo afirmaram que seus pais implicam com eles a respeito do
seguro-saúde.
Alguns analistas dizem que haverá outros incentivos para comprar
o seguro.
Para jovens mulheres, os planos deverão cobrir serviços
de maternidade, uma importante necessidade durante os anos pré-maturidade
- e possivelmente cobrirão também os contraceptivos, já
que a maioria dos planos corporativos cobre o controle de natalidade, disse
Judy Waxman, vice-presidente de saúde e direitos reprodutivos do
Centro Nacional de Leis das Mulheres.
Com o tempo, ficar sem seguro-saúde pode se tornar menos aceitável,
disse Linda Blumberg, membro sênior do Centro de Políticas
de Saúde do Urban Institute.
"Levará algum tempo, pois o mundo não gira com uma moeda",
afirmou Blumberg.
"Eu acredito, porém, que o país começará
a mudar sua cultura, de forma que as pessoas entenderão que o esperado
- a regra - é que todos deveriam ter cobertura de saúde".
*Yahoo Notícias)
28.05 - Espanha: Hospital prepara 1º transplante de perna
O Hospital La Fe de Valencia, na Espanha, recebeu autorização
para fazer o primeiro transplante de pernas do mundo. A permissão
foi dada a um paciente amputado das duas pernas que não se adaptou
ao uso de próteses.
Até hoje, já foram transplantados com sucesso mãos,
braços e dedos em outras partes do mundo. (Folha de S.Paulo)
28.05 - Tempo Assist entra no mercado de saúde
Corretores irão concorrer a prêmios variados, incluindo
viagens para Los Angeles e Las Vegas
Depois de adquirir a Unibanco Saúde, a Tempo Assist passa a
oferecer serviços de seguro saúde para empresas nos modelos
pré e pós-pagamento e cria uma campanha para corretores de
todo o País visando incentivar as vendas desses produtos.
E, para atingir o objetivo de crescer a participação
de mercado e estar entre as três operadoras de planos de saúde
mais lembradas pelos corretores e clientes até o final do ano, a
Tempo Saúde tem na figura do corretor o principal canal de distribuição.
Para tanto, uma super campanha comercial começa em maio e vai até
outubro deste ano, com premiações significativas.
Idealizada para ter o universo do cinema como tema, a campanha começou
oficialmente no dia 11 de maio, com evento de lançamento para 300
corretores, com direito, inclusive, a tapete vermelho. Nos dias seguintes,
as cidades do Rio de Janeiro e Salvador também receberam o evento
para apresentar a campanha aos corretores locais.
Os corretores de todo o País foram divididos em cinco grupos,
de acordo com seu perfil e potencial de vendas.
A campanha Super Produção Premiada é dividida
em três fases, cada uma compreende dois meses de duração.
A cada venda processada, a corretora recebe o valor do agenciamento mais
um bônus, ou seja, o valor da primeira mensalidade que é repassado
para a corretora, durante o período da campanha, é acrescido
de um bônus, calculado com base no valor do contrato.
Além disso, para concorrer aos prêmios, a mecânica
é baseada no acúmulo de pontos conquistados pela corretora
com a venda do plano, sendo que o número de pontos obtidos deve
equivaler ao valor da primeira mensalidade do plano paga. Ou seja, se o
corretor vender um plano cuja mensalidade equivale a R$ 100,00, o número
de pontos ganhos será de 100. Vale ressaltar que os planos vendidos
de janeiro até abril deste ano contabilizarão pontos para
os prêmios de cada fase e para a premiação final.
Na primeira fase, em maio e junho, esses pontos são transformados
em cartões, cujos valores variam de R$ 150,00, R$ 200,00 e R$ 250,00
para a troca por prêmios disponibilizados pelo site www.trocapremios.com.br.
São mais de 700 mil opções à escolha do corretor.
Além dos cartões de prêmios, as três melhores
corretoras de cada grupo ganham, ao final da primeira fase, um Blu-Ray
Disc Player.
Na segunda fase, em julho e agosto, os cartões aumentam de valor,
variando de R$ 200,00, R$ 250,00 e R$ 350,00 e, ao final, as três
corretoras com maior número de pontos em cada grupo levam um Home
Theater 5.1.
Já na terceira e última fase da campanha, os cartões
valem R$ 250,00, R$ 350,00 e R$ 500,00 e o prêmio para os três
melhores colocadas de cada grupo é uma TV LCD 42 HDTV.
Ao final, em outubro, todos os pontos obtidos nas três fases
serão somados e as cinco melhores corretoras, sendo uma de cada
grupo, ganharão uma viagem com acompanhante com destino a Las Vegas
e Los Angeles.
E mais: a melhor corretora de cada grupo será premiada com 100
combos de cinema contendo, além de um ingresso para um filme, uma
pipoca e um refrigerante.
Novos produtos Tempo Saúde
A Tempo Saúde irá oferecer quatro diferentes produtos:
Saúde Express, Saúde Flex, Saúde Empresarial pré-pagamento
e Saúde Empresarial pós-pagamento.
O plano Saúde Express é destinado a grupos de 10 a 29
vidas. Este produto visa atender as micro e pequenas empresas e, dependendo
da análise de cada grupo, as carências poderão ser
reduzidas parcial ou totalmente, além de contar com o conceito do
mutualismo no momento da apuração dos resultados de cada
apólice - princípio fundamental para a operação
de seguro, pelo qual as empresas de seguros repartem os riscos tomados,
diminuindo os prejuízos.
O Saúde Flex abrange grupos de 30 a 200 vidas, é totalmente
isento de carências e flexível, pois permite a contratação
de coberturas opcionais. Também, neste desenho, existe o conceito
do mutualismo.
Já o Saúde Empresarial pré-pagamento foi desenhado
para grupos acima de 201 vidas. Além de contar com a condição
de contratação de coberturas opcionais, também é
flexível na formação do grupo segurável. Nesta
opção de produto, a apuração dos resultados
da apólice ocorre semestralmente e de forma individualizada. Este
produto também pode ser contratado com a opção de
coparticipação.
Por último, o Saúde Empresarial pós-pagamento
é destinado a empresas com necessidades específicas com planos
customizados e abrange todas as facilidades listadas acima. A cobrança
é feita por meio de sinistros processados, acrescida da taxa de
administração mais impostos.
Campanhas de lançamento
A Tempo Assist preparou uma campanha de mídia para o mercado
e os consumidores, o que deverá auxiliar o trabalho dos corretores
na divulgação dos novos produtos.
Com duração de sete meses - maio a novembro -, a campanha
tem como base uma análise do comportamento do mercado de seguro
saúde, bem como foram estudados os meios de comunicação
mais usados, na qual a TV por assinatura foi a de maior audiência
e afinidade para o público da Tempo Assist.
Comerciais de 30” marcam a chegada da Tempo Saúde nas emissoras
Globonews (Jornal das Dez e Espaço Aberto), Discovery Home
& Health, TNT, Warner, Universal, SporTV, GNT, entre outras. A campanha
conta, ainda, com inserções no Jornal da CBN e formatos diversos
de anúncios no site da Globonews.
Comunicação direcionada
Além da campanha de mídia, a comunicação
com os stakeholders também será focada por meio dos portais
Usuários, Empresas, Credenciados e Corretores, para os quais a Tempo
Assist está investindo na melhoria das informações
disponíveis, bem como na criação de áreas de
relacionamento, com uma comunicação direcionada.
Sobre a Tempo Assist
Listada no Novo Mercado, a Tempo Assist é uma das principais
companhias do país na prestação de serviços
de assistências especializadas, planos de saúde e odontológicos
e administração de serviços em saúde. Cada
um de seus negócios administra redes pulverizadas e de abrangência
nacional, contabilizando mais de 50 mil prestadores de serviços.
Com a missão de assegurar o bem-estar dos clientes, oferecendo
a melhor experiência de atendimento, por meio de seu time e parceiros,
a Tempo Assist conta com uma sólida estrutura, composta por profissionais
especializados e sistemas sofisticados que acompanham a evolução
do mercado. (CQCS)
27.05 - Vacina universal contra a gripe
Eles identificaram um pedaço do vírus que parece se manter
mesmo entre cepas mutantes
Uma versão "decapitada" do vírus influenza protegeu camundongos
de diversas cepas de gripe, e pode ser um passo rumo à chamada vacina
universal para a doença, informam pesquisadores ontem.
Eles identificaram um pedaço do vírus que parece se manter
mesmo entre cepas mutantes, e descobriram um meio de convertê-lo
numa vacina.
Anos de trabalho ainda serão necessários, mas se o produto
funcionar em seres humanos como funcionou nos roedores, a nova vacina poderá
transformar o modo de imunização das pessoas contra a doença,
diz a equipe da Escola de Medicina Monte Sinai de Nova York.
"Informamos agora progresso rumo à meta de uma vacina de vírus
influenza que poderia proteger contra várias cepas", escrevem os
médicos Peter Palese, Adolfo Garcia-Sastre e colegas em uma nova
revista científica, mBio, disponível na internet.
"As vacinas atuais contra a gripe são eficazes contra uma amplitude
estreita de cepas de vírus. É por essa razão
que novas vacinas precisam ser geradas e administradas a cada ano".
Vírus de gripe sofrem mutações constantes e a
cada ano um coquetel de três vacinas de gripe é criado para
tentar conter os tipos mais comuns. Em intervalos de poucas décadas,
novas cepas pandêmicas emergem, como foi o caso do vírus H1N1
de 2009, e têm de ser integradas à vacina.
A equipe de Palese focalizou Umm pedaço importante do vírus
da gripe, chamado hemaglutinina. Essa estrutura, em forma de cogumelo,
ajuda o vírus a se fixar às células que infecta e
é o "H" do nome das cepas.
O "pescoço" da hemaglutinina não sofre mutações
do mesmo jeito que as partes mais visíveis do vírus, e se
houvesse uma forma de torná-lo mais visível para o sistema
imunológico, esse seria um ótimo antígeno, ou alvo
da vacina. Mas o "chapéu" do cogumelo esconde o pescoço,
protegendo essa parte do vírus. O grupo de Palese descobriu um meio
de atingir o pescoço, decepá-lo e fazer uma vacina com ele.
"Uma molécula de hemaglutinina decapitada poderia formar a base
de uma vacina contra gripe que ofereceria proteção ampla",
escrevem os pesquisadores.
"Este artigo é uma prova de conceito", disse Garcia-Sastre.
"Não achamos que já encontramos a forma ótima de expor
o antígeno".
Testes em camundongos mostraram que a vacina os protege de doses potencialmente
letais de diversas variedades de vírus da gripe. (Reuters/O
Estado de S.Paulo)
27.05 - Brasil gasta 10 vezes menos em saúde que os EUA
O Brasil gasta cerca de R$ 120 bilhões em saúde pública
e privada, valor dez vezes menor que os Estados Unidos, que representam
1/3 dos investimentos mundiais. As despesas com medicamentos, tratamentos
e planos de saúde para a população são alvo
de crítica da Organização Mundial de Saúde
(OMS), que alerta para o efeito catastrófico desses gastos pela
maioria da população, que deixa de dirigir essa verba para
alimentação, educação e cultura, entre outros.
Os aspectos das políticas de saúde, financiamento do
Sistema Único de Saúde (SUS) e relação dos
médicos com a sociedade foram abordados durante o Pré-Enem
Sul/Sudeste, evento que antecede o Encontro Nacional das Entidades Médicas,
marcado para 27 a 30 de julho, em Brasília (DF).
Para Lígia Bahia, doutora em Saúde Pública e professora
da Universidade Federal do Rio de Janeiro, “há mais de 20 anos o
SUS apresenta dificuldade para garantir recursos estáveis e suficientes
para seu financiamento. Nesse período, alternaram-se fontes de receitas,
impostos e contribuições”.
Segundo ela, o Brasil precisaria regulamentar a Emenda 29 (que não
trouxe recursos para a saúde como se imaginava anteriormente), excluir
da Desvinculação de Recursos da União (DRU) os gastos
com saúde, participação da saúde nas receitas
da Seguridade Social e no ciclo orçamentário e dimensionamento,
divulgação e revisão das isenções, deduções
e subsídios fiscais envolvidos com assistência não
universitária.
Nacime Salomão Mansur, conselheiro responsável pelas
Delegacias da Capital do Conselho Regional de Medicina de São Paulo
(Cremesp) e diretor superintendente dos hospitais afiliados da Associação
Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), discorreu sobre os
vários modelos de gestão do SUS, como administração
direta, cooperativas, fundações e Organização
da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP).
Como responsável pela gestão de 10 hospitais, ele destacou
os desafios, dificuldades e pressupostos e defendeu a nova modalidade jurídica
Fundação Pública de Direito Privado – com autonomia
administrativa, patrimônio próprio gerido pelos respectivos
órgãos de direção e funcionamento custeado
por recursos da União e outras fontes – como um avanço constitucional.
“Precisamos aperfeiçoar os aspectos gerenciais e os controles. A
gestão deve ser uma ferramenta importante de inclusão social”,
afirmou. (ABO OnLine/SegurosInf)
27.05 - Tuberculose: Preconceito prejudica tratamento
Maioria acha que é necessário internar o doente, diz
pesquisa
Os 80 mil brasileiros que pegam tuberculose no Brasil a cada ano sofrem,
além da doença, estigma e preconceito de parte da sociedade.
O resultado é de uma pesquisa nacional encomendada pelo projeto
Fundo Global TB e realizada pelo instituto DataUFF, da Universidade Federal
Fluminense.
O relatório completo será apresentado no 4º Encontro
Nacional de Tuberculose, que começa hoje, no Rio.
Segundo o levantamento, as reações mais comuns das pessoas
próximas a alguém que teve a doença foram separar
talheres, pratos e objetos pessoais (34% das respostas) ou evitar falar,
tocar e se aproximar dela (30%).
Apenas 27% disseram que nada mudou. A maioria (53%) acredita ainda
ser necessário internar alguém com tuberculose.
A doença não é transmitida pelo uso dos mesmos
pratos, talheres ou roupas. Quando diagnosticada precocemente, não
há necessidade de internação e, após 15 a 30
dias de tratamento, não há risco de contágio.
"O preconceito ajuda a afastar o paciente do posto de saúde.
Mas a tuberculose é uma doença normal. Se não houvesse
tanto estigma e medo de se sentir isolada, a pessoa certamente cumpriria
melhor o tratamento", afirma a coordenadora do projeto, Cristina Boaretto.
Segundo ela, esse preconceito contribui para diminuir a taxa de cura
da doença no Brasil. "Ainda temos um percentual de cerca de 70%
de cura, quando o desejável é que essa taxa fosse de 95%."
Além do diagnóstico tardio, contribui para o percentual
de cura aquém do desejado o fato de muitos pacientes abandonarem
o tratamento no meio, após os sintomas terem desaparecido, mas antes
de completarem seis meses de medicação.
Para Boaretto, uma das dificuldades para mobilizar a população
em relação à doença é que ela demora
mais tempo para matar.
"A doença não gera aquela situação imediata
de que é preciso fazer algo logo. Por isso, muitos deixam de procurar
o posto de saúde e, só quando a situação está
mais grave, recorrem a hospitais."
A incidência da tuberculose é maior entre portadores de
HIV e pessoas expostas a situações insalubres, como domicílios
em áreas de alta densidade demográfica e com pouca ventilação.
(ANTÔNIO GOIS - Folha de S.Paulo)
26.05 - A crise financeira dos hospitais universitários
Ministérios da Educação e da Saúde têm
destinado verbas complementares que amenizam os problemas, mas não
alteram o quadro de endividamento
As soluções para a crise financeira dos hospitais universitários
devem ser discutidas nesta quinta-feira (27), conforme propôs a deputada
Solange Almeida (PMDB-RJ). Os temas a serem debatidos são: Programa
Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários
Federais; e o acórdão 2813/09 do Tribunal de Contas da União
(TCU), que recomendou uma série de medidas depois de auditorias
em unidades em vários estados.
De acordo com a Agência Câmara, os Ministérios da
Educação e da Saúde têm destinado verbas complementares
que amenizam os problemas em curto prazo, mas não modificam de forma
decisiva o quadro de endividamento desses hospitais. (Saúde
Business Web)
26.05 - O novo Código de Ética Médica e os hospitais
O novo Código de Ética Médica, que entrou em vigor
em abril de 2010, vem gerando muita discussão, principalmente no
que concerne à relação entre médico e paciente,
que, por circunstâncias ligadas à mercantilização
da medicina, já se encontra de certo modo desgastada. Embora regulamente
questões médicas, ele deve ser observado também pelas
entidades hospitalares, conforme determina o inciso II do preâmbulo,
que dispõe que "As organizações de prestação
de serviços médicos estão sujeitas às normas
deste código".
O inciso XVI dos princípios fundamentais do código manteve
praticamente a mesma redação do antigo artigo 16, reconhecendo
a independência e autonomia do médico quanto à escolha
do melhor tratamento e meio de diagnóstico, sem qualquer interferência
do hospital. Tal disposição confirma o entendimento que vem
sendo consolidado na jurisprudência de que a prestação
de serviços hospitalares é uma relação diversa
da prestação de serviços médicos. Nos serviços
hospitalares estão incluídos a hospedagem,o serviço
de enfermagem, equipamentos e aparelhos postos à disposição
dos médicos, dentre outros. Já a prestação
de serviços médicos se refere a atos inerentes à atividade
médica, como diagnóstico de enfermidades, realização
de cirurgias, tratamentos etc.
Outra questão abordada se refere aos médicos plantonistas,
que, de uma maneira geral, não são empregados do hospital
e, por isso, acontece de não comparecerem ao plantão e não
indicarem substituto. No código antigo, já constava a vedação
de tal prática, porém no Novo Código determinou-se
que: "Na ausência de médico plantonista substituto, a direção
técnica do estabelecimento de saúde deve providenciar a substituição".
Dessa forma, o novo código atribuiu expressamente tal dever ao hospital,
visando a resguardar o atendimento aos pacientes.
Outra prática que sempre prejudicou os serviços das equipes
de enfermagem dos hospitais era a dificuldade de leitura das receitas,
laudos e prontuários emitidos pelos médicos, em razão
de letra ilegível. Tal prática agora foi regulamentada, obrigando
o médico a utilizar letras legíveis, o que certamente contribuirá
para um serviço de enfermagem mais seguro.
O que se constata da leitura do novo Código de Ética
Médica é que o referido ordenamento contribui para a melhoria
das práticas internas dos hospitais e, consequentemente, para a
melhoria da qualidade no atendimento aos pacientes. (Juliana Mancini
Henriques - O Tempo)
26.05 - Queda acelerada da mortalidade infantil
As mortes de crianças em todo o mundo parecem ter diminuído
em um ritmo mais rápido que o previsto por autoridades, aponta um
novo estudo publicado na segunda-feira(24) no site da revista médica
britânica The Lancet. Cientistas calcularam que 7,7 milhões
de menores de cinco anos morrerão em 2010, quando em 1990 morreram
12 milhões deles. O estudo utilizou mais dados que outros e um modelo
estatístico melhorado.
A nova estimativa é menor que a última cifra de mortes
de crianças apurada pelo Fundo das Nações Unidas para
a Infância (Unicef). Em 2008, o órgão da Organização
das Nações Unidas (ONU) havia afirmado que 8,7 milhões
de crianças morreriam a cada ano por causas evitáveis como
a diarreia, a pneumonia e a malária.
"Estamos um pouco mais avançados do que pensávamos",
afirmou Christopher Murray, um dos autores do estudo e diretor do Instituto
de Medições e Avaliação de Saúde, da
Universidade de Washington. Murray e seus colegas revisaram informações
de 187 países, de 1970 a 2009. Eles descobriram que as mortes infantis
caíram cerca de 2% ao ano. Apesar disso, a queda é menor
que a de 4,4% necessária para se alcançar a meta as Nações
Unidas de reduzir as mortes infantis em dois terços até 2015.
Murray afirmou que a mortalidade infantil se reduziu de maneira importante
em países como Libéria e Níger, mas que não
havia muito progresso em países ricos como a Grã-Bretanha
ou os Estados Unidos. Em alguns casos, a informação disponível
era limitada e, assim, os investigadores utilizaram projeções
com modelos estatísticos para estimar o número de mortes.
A investigação foi patrocinada pela Fundação
Bill & Melinda Gates.
"Estamos muito felizes porque esse estudo reforça nossa ideia
de que o aumento de medidas como os mosquiteiros para camas contra a malária
e as pílulas de vitamina A começam a ter impacto", disse
Mickey Chopra, diretor de Saúde do Unicef, entidade que não
participou desse estudo. Ele se mostrou surpreso pelo avanço em
países como Níger e Malauí, que não tiveram
grande crescimento econômico. "Enquanto esperamos que os níveis
de pobreza se reduzam, ainda se pode fazer muito para melhorar a saúde."
Ceticismo
As cifras da saúde mundial costumam flutuar, por isso nem todos
se mostraram convencidos pelo estudo. A pesquisa também não
apresenta evidências de que os programas da ONU sejam os responsáveis
pela redução nas mortes de crianças. Alguns especialistas
apontaram como possíveis causas a queda no número de pessoas
com aids e a falta de estatísticas confiáveis em alguns países.
Mit Philips, especialista em saúde da organização
Médicos Sem Fronteiras, disse estar contente porque menos crianças
morrem por ano, mas afirmou que ainda é necessário fazer
muito mais. "Se partimos de uma taxa de mortalidade alta, como a que há
na África Subsaariana, e conseguimos reduzi-la, ainda será
alta." (Agência Estado)
25.05 - Hospitais: Novos leitos
Projeto de R$ 180 milhões prevê 2,5 mil novos leitos
Plano prevê ampliação da rede de assistência
aos usuários de crack
Os hospitais gerais devem receber reforço de mais 2,5 mil leitos
ainda em 2010, conforme projeto do Ministério da Saúde. Com
investimentos de R$ 180 milhões, o plano prevê ampliação
da rede de assistência aos usuários de crack.
Outra frente do projeto é intensificar ações já
anunciadas em junho de 2009 pelo Ministério da Saúde, que
previa a construção de 73 novos Centros de Atenção
Psicossocial (CAPS) até o final deste ano, dos quais 52 já
foram habilitados. Agora, o Ministério prevê mais 136 centros
especializados em Álcool e Drogas (CAPS-AD), até o final
de 2011.
Além disso, o ministério vai promover a transformação
de 110 CAPS-AD, em municípios com mais de 250 mil habitantes, para
CAPS-III, que têm funcionamento 24 horas por dia e oito leitos em
cada um para internações de curta duração e
maior capacidade de atendimento ambulatorial.
O projeto Consultórios de Rua também terá a ampliação
de novos dispositivos, com mais 35 unidades, dos quais 20 serão
contemplados ainda este ano e outros 15 em 2011. E ainda, o plano inclui
investimento de R$ 13 milhões para a construção de
60 Casas de Passagem. (Saúde Business Web)
25.05 - Hospitais: Infecções hospitalares
13 mil aderem às diretrizes da OMS
Organização diz que 50% das infecções hospitalares
foram reduzidas após implantação do sistema de higienização
das mãos
Há 15 anos a Organização Mundial de Saúde
implantou um sistema de higienização em um hospital de Genebra,
na Suiça, na tentativa de reduzir a taxa de infecção
hospitalar. O resultado é uma cobertura segura de 87% da população
mundial através da prática e cultura da implantação
do álcool em gel em lugares estratégicos de contato entre
o paciente e o prestador de serviço.
A OMS registrou em sua base de dados no último dia 4 de maio
a aderência do sistema em mais de 13 mil hospitais espalhados pelo
mundo. "Nossa meta era alcançar nesse período ao menos 10
mil hospitais e o que constatamos é uma aderência que se entende
a mais de três milhões de leitos", conta o membro do Conselho
Diretor da OMS, Didier Pittet.
A superação da meta estimada para maio de 2010 se deve
as campanhas lançadas pela própria organização
como, por exemplo, a "parede falante" - lembretes sobre a importância
da lavagem das mãos foram espalhados pelas paredes dos hospitais
como meta de conscientização dos profissionais da saúde.
Para Pittet, o monitoramento da higienização também
é uma das estratégias da OMS. "Por meio de acompanhamento
das infecções hospitalares depois das práticas adotadas
pelas instituições chegamos a uma redução de
50%. Além disso, oito anos após lançarmos esse sistema
nós calculamos o custo x eficácia da implantação
do álcool em gel nas unidades de saúde e provamos facilmente
a nível nacional na Inglaterra que a redução de infecções
existe, sim", completa o executivo ao informar que cerca de 1,4 milhão
de pacientes no mundo estão adquirindo infecções hospitalares.
Atualmente a taxa dessas infecções está entre
5% e 12% nos países desenvolvidos, enquanto nos países em
desenvolvimento a concentração é de duas a 19 vezes
maior.
Depois de comprovar a eficácia do sistema de higienização
das mãos para uma cultura de segurança nas unidades de saúde,
a OMS criou diretrizes oficiais para serem seguidas por todos os hospitais.
"Conseguimos que 135 países aderissem a essa adoção
universal", confirma Pittet.
Pouca estrutura
Focado em atender todas as estruturas hospitalares, desde a mais alta
até a mais precária, Hong Kong sugeriu à uma companhia
especializada que desenvolvesse a solução álcool em
gel de acordo com as diretrizes da OMS a um preço acessível.
Naquele país, o volume de produção vai de 10 mil
a 600 mil litros de álcool por mês. O produto custa de US$
0,30 a US$ 0,50 cada 100 ml.
"Um hospital na área rural do Kenia, por exemplo, pagava mais
de duas vezes o valor pago por uma unidade de Boston, nos Estados Unidos,
na solução. Isso deixa claro que em alguns lugares a introdução
do sistema não pode ser implantada, então essa ideia de Hong
Kong é uma solução para os países que não
têm verba o suficiente para aderir a campanha", conclui Pittet.
(Thaia Duó - Saúde Business Web)
24.05 - Negociação dos Serviços de Saúde
17 e 18 de junho de 2010
SEDE UNIDAS NACIONAL
Alameda Santos, 1.000 - 8° andar - Cerqueira César - CEP
01418-100 - São Paulo - SP
Objetivo
Preparar profissionais de negociação no mercado de saúde
para atuarem com consciência de seu papel e sua importância
enquanto agentes do processo negocial; Apresentar noções
básicas da negociação em geral e seus conceitos, princípios
e elementos; Apresentar o processo de negociação em seus
aspectos subjetivos e formais; Apresentar o mercado de saúde, suas
características, seus atores e forças que nele atuam; Identificar
vantagens e dificuldades na negociação multilateral;
Identificar vantagens e dificuldades na negociação com
paralisação dos serviços; Esclarecer a participação
da ANS, do Poder Judiciário, Ministério Público, PROCON
e CADE no processo de negociação dos serviços de saúde.
Instrutor
Dr. Natanael Dantas Soares
Público Alvo
Gestores de Operadoras de Planos e Seguros de Saúde e profissionais
de todas as áreas, que atuam no Mercado de Saúde.
Informações
Tel. (11) 3289-0855
Fax (11) 3289-0322
com Regiane F. Cazzaniga
treinamento@unidas.org.br (Unidas/AssPreviSite)
24.05 - Grupo nos EUA fabrica 1ª célula sintética
Bactéria cujo DNA foi montado totalmente a partir de informações
vindas de computador ganha vida e passa a se replicar
Feito coroa trabalho de 15 anos de grupo do americano Craig Venter
e prova que a vida não precisa de uma força especial para
existir
Não é ainda vida artificial criada do zero, mas é
quase. Após 15 anos de esforços e gastos de US$ 40 milhões,
cientistas nos EUA construíram a primeira célula viva sintética.
Trata-se de uma bactéria cujo DNA foi inteiramente sintetizado
a partir de informações contidas num computador e depois
inserido num micróbio "oco", sem DNA. Este foi "reinicializado"
e passou a se replicar, dando origem a colônias de células
sintéticas.
"É a primeira espécie que se replica que tivemos neste
planeta cujo pai foi um computador", diz o líder da pesquisa, o
americano Craig Venter.
O polêmico cientista e empreendedor, famoso por ter liderado
o esforço privado de sequenciamento do genoma humano (o dele próprio)
na década passada, não economizou palavras sobre o feito:
"estamos entrando em uma era limitada apenas pela nossa imaginação".
"É um passo importante tanto cientificamente como filosoficamente.
Certamente mudou minhas visões das definições da vida
e de como a vida funciona", declarou o pesquisador, cujo trabalho foi publicado
on-line ontem pela revista "Science".
"O feito de Venter parece liquidar o argumento de que a vida requer
uma força ou um poder especial para existir. Na minha visão,
isso o torna um dor feitos científicos mais importantes da história
da humanidade", disse o bioeticista Arthur Caplan, da Universidade da Pensilvânia.
Ele comentou o estudo para a revista "Nature".
Outros cientistas veem o feito com mais cautela. Para o Nobel de Medicina
David Baltimore, Venter "superestimou a importância" do trabalho.
Para Baltimore, trata-se de uma façanha técnica, mas não
de uma revolução conceitual.
Para que serve
A criação de micróbios com genomas sintéticos
serviria para facilitar a produção de vacinas, para a produção
de combustíveis ou para sequestrar gás carbônico do
ar.
A ideia é levar a engenharia genética ao extremo, construindo
DNA que permitisse à criatura produzir proteínas que não
produziria de outra forma.
Venter e seus colegas partiram da sequência do genoma (o conjunto
dos genes de uma criatura) conhecido de uma bactéria e montaram
uma versão sintética, "como quem tem uma caixa de Legos e
tem de montá-los na ordem correta".
Duas bactérias parecidas foram usadas. A equipe sintetizou o
genoma da espécie Mycoplasma mycoides, com alguns acréscimos
e cortes para servir como forma de identificação (por exemplo,
fazendo a bactéria ficar azulada), e transplantou os genes artificiais
na sua "prima" Mycoplasma capricolum. Ou seja, apenas o genoma era sintético,
não a célula toda.
O grande feito foi fazer o genoma sintético "religar" a célula
e transformá-la em uma nova espécie. Venter compara o trabalho
com computação. O que a equipe fez foi trocar o "software"
do sistema operacional e fazer um computador inoperante voltar a funcionar.
A espécie artificial foi batizada como Mycoplasma micoides JCVI-syn1.0,
sigla para "organismo sintético do James Craig Venter Institute
1.0".
Venter e seu colega Daniel G. Gibson primeiro trabalharam com uma bactéria
com o menor genoma conhecido, a Mycoplasma genitalium, com 600 mil "letrinhas"
(as bases químicas do DNA) e 500 genes.
Em 2008, eles já tinham conseguido criar um cromossomo artificial
com essa bactéria. Mas, como a M. genitalium demora para crescer,
Venter trocou a bactéria por uma com genoma maior (1 milhão
de bases), mas de crescimento bem mais rápido, a M. mycoides.
O pesquisador fundou a empresa Synthetic Genomics para comercializar
eventuais aplicações das pesquisas.
Reações
Ambientalistas reclamaram da pesquisa ontem. A ONG Amigos da Terra
rogou a Venter que parasse suas pesquisas enquanto não houvesse
regulamentação do governo dos EUA sobre micróbios
sintéticos. O medo é que essas novas criaturas escapem para
o ambiente.
Venter diz que seu trabalho tem sido analisado por comitês de
ética acadêmicos e governamentais desde 1995.
(RICARDO BONALUME NETO - Folha de S.Paulo)
21.05 - A gripe pandêmica não conhece fronteiras
Quando a próxima pandemia de gripe eclodir, a comunidade internacional
deve estar preparada para salvar as vidas de ricos e pobres
Há alguns anos os membros da Organização Mundial
da Saúde (OMS) vêm negociando a elaboração de
mecanismo com vistas a preparar o mundo inteiro para enfrentar uma pandemia
de gripe. A cooperação internacional nessa matéria
é fundamental, sobretudo para permitir a fabricação
de vacinas. Os vírus causadores dessa doença mudam constantemente
e podem propagar-se mundo afora em questão de semanas.
Quando surge um novo vírus, como foi o caso do H1N1, é
difícil determinar de antemão o seu potencial de agressividade.
A gripe H1N1 foi severa e causou a perda de muitas vidas. Felizmente, a
pandemia não se mostrou tão letal quanto se pensava inicialmente.
No entanto, a possibilidade, no futuro, de uma pandemia potencialmente
devastadora não pode ser descartada. Basta evocar a gripe de 1918,
a mais grave pandemia do século XX, ou, nos nossos dias, a ameaça
que representa o vírus da gripe aviária. Devemos estar sempre
preparados para o pior.
Na última semana, chegou ao fim mais uma rodada de negociação
na OMS e nada mudou. Aqueles que detêm o conhecimento e o poder não
estão dispostos a abrir mão dos seus privilégios,
sequer para salvar vidas numa situação de pandemia. Governos
dos países onde estão localizadas as multinacionais da indústria
farmacêutica defendem a manutenção do status quo que
só a eles interessa.
As negociações na OMS foram lançadas para superar
a crise de confiança na rede de laboratórios da Organização,
que decorreu da falta de controle sobre a distribuição do
material biológico para a indústria farmacêutica. O
atual sistema de "compartilhamento" de vírus precisa ser urgentemente
revisto. Hoje, mais de 100 países enviam amostras para alguns laboratórios
certificados (todos localizados em países desenvolvidos) com vistas
à seleção dos vírus que serão utilizados
para a fabricação de vacinas.
A grande indústria farmacêutica, que produz a maior parte
das vacinas, não tem nenhuma obrigação em relação
à rede da OMS. Trata-se, portanto, de mecanismo de cooperação
de mão única, já que muitos enviam suas amostras de
vírus para que poucos fabriquem as vacinas muitas vezes vendidas
a preços elevados. O H1N1 colocou à prova o sistema, de modo
incontestável: enquanto os vírus foram compartilhados rapidamente,
as vacinas não foram disponibilizadas da mesma maneira para as populações
dos países em desenvolvimento.
Para corrigir o quanto antes as deficiências e as assimetrias
do sistema, o Brasil está engajado no processo negociador. Temos
defendido, em coordenação com outros países em desenvolvimento,
que as obrigações relativas à cessão do material
biológico com potencial pandêmico sejam contrabalançadas
com encargos precisos para os fabricantes de vacinas.
Ou seja, no caso da eclosão de uma pandemia, advogamos pelos
seguintes compromissos: 1) a doação de vacinas e antivirais
para os países que não têm como produzi-los; 2) o estabelecimento
de mecanismo que chamamos de "tiered pricing" (preços diferenciados
em função da renda dos países) para a compra de vacinas
e medicamentos; 3) a transferência de tecnologia para capacitar maior
número de países em desenvolvimento; e 4) a concessão
de licenças de patentes não exclusivas e livres de royalties
relacionadas à questão. Sobre este ponto, não se tem
por objetivo rever os acordos internacionais em matéria de propriedade
intelectual. As vacinas e outros produtos resultantes das obrigações
acima descritas seriam utilizadas para atender os sistemas de saúde
públicos, que não têm, naturalmente, fins lucrativos.
Nossa proposta atende às necessidades de diferentes países,
no sentido de aumentar e diversificar a capacidade de produção
global, assim como de garantir o acesso a vacinas e outros produtos derivados
de vírus no contexto de uma pandemia de influenza.
A prontidão na resposta a eventual pandemia depende da "democratização"
do acesso e produção de vacinas no plano global. Por isso,
é importante tomar medidas para estimular e capacitar os países
interessados em produzi-las. O Brasil é um dos poucos países
que detêm a tecnologia para sua produção. Hoje, alguns
países ricos dispõem de vacinas para imunizar a quase totalidade
de suas populações. Enquanto isso, em muitos países
pobres, as vacinas não existem ou chegam em quantidades limitadas
capazes de imunizar parcela diminuta de seus habitantes.
Queremos construir um mecanismo global de compartilhamento de vírus
de gripe e de vacinas mais equitativo e solidário. O caso da gripe
pandêmica evidencia a necessidade de reforçar os mecanismos
de cooperação internacional em saúde em bases igualitárias.
Nossa atuação tem como pressuposto o fortalecimento dos princípios
e propósitos da OMS como autoridade internacional em matéria
de saúde pública. É fundamental que, quando a próxima
pandemia de gripe eclodir, a comunidade internacional esteja preparada
para salvar as vidas dos ricos e pobres.
Doenças como a gripe não conhecem fronteiras. A inovação
é importante e o lucro é parte do sistema. Mas as vidas humanas
não podem ficar reféns de interesses puramente comerciais.
(José Gomes Temporão - Valor Online)
21.05 - Quando a mulher não consegue se prevenir
Surgimento de algumas doenças é favorecido pela ação
dos hormônios femininos
As mulheres sempre cuidam muito mais da saúde do que os homens.
Mesmo com toda a prevenção, algumas doenças acabam
sendo mais comuns entre elas. “A enxaqueca, por exemplo, atinge quatro
vezes mais as mulheres do que os homens. A doença de Alzheimer e
a esclerose múltipla também são mais comuns entre
as mulheres”, aponta Cleverson Gracia, neurologista do Hospital Nossa Senhora
das Graças.
A maior incidência dessas doenças é devido ao próprio
organismo. “A ação dos hormônios femininos potencializam
o surgimento dessas doenças”, explica o neurologista. Além
disso, não existem formas de prevenção. “A enxaqueca
é hereditária e a esclerose múltipla não possui
uma causa conhecida”, conta. O Mal de Alzheimer também não
tem grandes opções preventivas, exceto procurar exercitar
a mente.
Para diagnosticar as doenças neurológicas, a consulta
é fundamental. “Conforme o histórico de cada paciente e os
sintomas apresentados são definidos os exames e tratamentos adequados”,
considera Cleverson Gracia. “É importante lembrar que as gestantes
precisam redobrar seus cuidados, pois a enxaqueca e a esclerose múltipla
complicam durante a gravidez”, salienta.
Mas quando procurar um neurologista? Cleverson Gracia explica os principais
sintomas das doenças mais comuns entre as mulheres.
Enxaqueca
Costuma provocar uma dor forte, latejante e unilateral. Geralmente
ocorre ainda a fotofobia (dificuldade de olhar para a luz), fonofobia (reação
negativa a qualquer barulho), náuseas e vômito. A enxaqueca
também costuma ser mais longa que uma dor de cabeça, e pode
durar de 4 até 72 horas.
Doença de Alzheimer
Esquecimentos frequentes, mudanças de comportamento e dificuldade
de raciocínio são comuns no início da doença.
Esclerose Múltipla
Os sintomas são problemas visuais, distúrbios de linguagem,
de equilíbrio e força, dificuldades para andar, fraqueza
transitória no início da doença, dormências
nas extremidades do corpo e fadiga crônica. (Bem Paraná)
21.05 - Artes marciais diminuem risco de fraturas
A prática de judô ou kung fu pode ajudar quem sofre de
osteoporose a reduzir o impacto das quedas, segundo estudo
10 milhões de pessoas têm ossos frágeis no Brasil;
em 2008, mais de 2.000 idosos foram internados com pernas quebradas em
SP
Técnicas das artes marciais (judô ou kung fu) podem ser
eficazes na redução do impacto das quedas em pessoas com
osteoporose e diminuir o risco de fraturas ósseas.
Só na cidade de São Paulo, 2.261 idosos foram internados
de janeiro a novembro de 2008 por fratura de fêmur -a queda acidental
foi responsável por 93% dos casos.
No Brasil, cerca de 10 milhões de pessoas sofrem de osteoporose.
O problema é mais comum em idosos, especialmente mulheres, e torna
os ossos mais finos e fracos.
Os praticantes de judô, por exemplo, aprendem a cair em um movimento
de rolamento, distribuindo o impacto sobre uma área maior do corpo.
Uma pesquisa feita na Holanda e publicada na revista "BMC Research
Notes" sugere que, se as pessoas com osteoporose aprendessem técnicas
similares, poderiam ter menos risco de quebrar um osso.
Eles mediram os efeitos de uma queda em voluntários jovens e
saudáveis e compararam os resultados com informações
sobre o impacto no fêmur que uma pessoa idosa com osteoporose suportaria.
A conclusão é que o treino é seguro e ajuda os
idosos a cair sem se machucar. Mas é preciso usar equipamentos de
segurança (como protetores de quadril), para evitar lesões
durante o exercício.
Equilíbrio
O psiquiatra e acupunturista Carlos Moriyama começou a praticar
kung fu aos 60 anos por causa de uma hérnia cervical. Ele está
tão convencido dos benefícios que indica o esporte aos seus
pacientes.
"Tenho um paciente de 78 anos que tem osteoporose e faz kung fu. Melhora
a atenção, reação, postura e ainda proporciona
alongamento. Também reduz o risco de quedas", diz.
Marcelo Saad, fisiatra e acupunturista do hospital Albert Einstein,
diz que qualquer exercício que busque o domínio do equilíbrio
pode ajudar a prevenir quedas.
"Isso faz a pessoa ficar mais atenta e desenvolver reflexos para coordenar
melhor os movimentos e reduzir impactos."
O médico pondera que idosos com a osteoporose já avançada
podem se machucar. "Nesses casos, é melhor trabalhar técnicas
de equilíbrio já consagradas [como o Tai Chi Chuan] para
prevenir a queda em vez de ensiná-los a cair com menos impacto",
sugere.
O professor Walter Roberto Correia, membro do Grupo de Pesquisas em
Lutas, Artes Marciais e Modalidades Esportivas da USP e mestre de kung
fu, diz que é preciso ter cautela ao indicar artes marciais para
quem tem osteoporose.
"É claro que uma pessoa que faz kung fu ou judô tem um
controle corporal melhor. Mas, se o programa for mal prescrito, a atividade
pode se tornar um risco", afirma.
Correia acrescenta que as técnicas devem ser adaptadas. "A linha
entre o benefício e o risco de lesões é muito tênue.
O instrutor precisa dominar a técnica e também saber fazer
as adaptações necessárias", diz.
Pesquisa busca idosos que sofrem quedas
Pessoas com mais de 60 anos, que moram em São Paulo e caíram
ao menos uma vez no último ano, podem se inscrever em uma pesquisa
que vai traçar o perfil das quedas.
A iniciativa é da Secretaria de Estado da Saúde de São
Paulo, que vai selecionar mil idosos para identificar quais são
os principais riscos envolvidos nesses acidentes.
Os interessados podem entrar em contato com o Instituto Paulista de
Geriatria e Gerontologia pelo telefone (11) 2030-4000, das 8h às
18h, nos dias de semana. A pesquisa também poderá ser respondida
pela internet, a partir de segunda-feira, no site (www.saude.sp.gov.br).
(FERNANDA BASSETTE - Folha de S.Paulo)
20.05 - Ameaças à Saúde
Enquanto insistimos em não reconhecermos os desafios do futuro
e continuamos a pensar e agir apenas no curto prazo, o nosso sistema de
saúde mantém algumas bombas-relógio acionadas e em
contagem regressiva. A sua sustentabilidade está ameaçada:
1. O Brasil será um país de idosos antes de se tornar país
desenvolvido.
Desta forma teremos que gerenciar progressivamente uma maior demanda
para o sistema de saúde com recursos ainda muito escassos e finitos,
típicos de um país em desenvolvimento. Países como
a França, a Suécia e os EUA demoraram 115, 85 e 69 anos,
respectivamente, para dobrar a população de idosos (acima
de 65 anos) de 7 a 14%, um tempo suficiente para estes se desenvolverem
do ponto de vista econômico e social. O Brasil levará apenas
20 anos para dobrar sua população de idosos de 7 para 14%,
tempo este talvez não suficiente para se tornar um país economicamente
desenvolvido, em que pese a oportunidade única propiciada pelo bônus
demográfico.
2. Orçamento destinado à Saúde. Os recursos destinados
anualmente ao Sistema Único de Saúde provêm do orçamento
da seguridade social e, portanto, são compartilhados entre previdência
social, assistência à saúde e assistência social.
Neste contexto, a demanda da previdência social por recursos só
crescerá, em especial num país que envelhece rapidamente.
Desta forma o sistema de saúde padecerá de força
e poder para proporcionalmente demandar mais recursos.
É o que se observa nos últimos dez anos, em que os recursos
públicos para a Saúde se sustentaram arduamente em torno
dos parcos 3,5% do PIB. Tentativas para criar novas fontes de recursos
(novos impostos) fracassaram pela própria fragilidade da argumentação,
desvios para outros setores e ineficiência da gestão.
3. Sistema suplementar com regulamentação e elegibilidade
dependente de planos coletivos e do emprego.
Atualmente 65 a 70% dos 42 milhões de beneficiários do
sistema suplementar têm um plano coletivo de saúde pago integralmente
ou majoritariamente pelo empregador. No caso dos planos pagos integralmente
pelo empregador, ao perder o emprego o empregado perde o benefício.
Caso contribua parcialmente com o pagamento do prêmio mensal terá
direito a usufruir do benefício por um período não
superior a dois anos. No caso de aposentadoria, o aposentado somente manterá
o benefício se contribuir parcialmente por pelo menos dez anos.
Desempregados recentes ou aposentados ao perder o benefício teriam
que recorrer única e exclusivamente ao SUS. Mais um ônus para
o SUS numa fase onde as suas demandas por atendimento só tendem
a crescer. Com o atual marco regulatório, o sistema suplementar
se responsabiliza pela assistência à saúde dos mais
hígidos (cidadãos empregados, portanto aptos para trabalhar)
e o SUS se responsabiliza pelos doentes, inaptos ao trabalho e aposentados
(normalmente com uma ou mais doenças crônicas).
Ou seja, o desempregado e o idoso são excluídos do sistema
suplementar e o SUS reassume o seu papel.
A primeira bomba (um país de idosos) não pode ser desarmada,
o risco e a ameaça da mesma se farão sentir no dia a dia.
O sistema de saúde reagirá às demandas tanto melhor
quanto mais estruturado e preparado estiver.
A segunda (o orçamento) e a terceira (planos de saúde)
são bombas passíveis de desarme. No caso do orçamento,
torna-se imperativo uma reforma previdenciária e mesmo trabalhista.
Resolver o problema da sustentabilidade previdenciária contribuirá
para minorar os desafios que envolvem o financiamento da Saúde.
No caso dos planos de saúde, urge um olhar crítico e uma
definição dos reais propósitos do SUS e do sistema
suplementar. A criação de uma regulamentação
que estimule a eficiência e seja capaz de viabilizar um pacto intergeracional
é fundamental para aliviar a crescente demanda para o SUS e atender
aqueles que optam e têm condições para adquirir uma
proteção adicional.
Em ambientes complexos, como o do sistema de saúde, é
fundamental se pensar no todo e considerar e planejar o longo prazo. Reconhecer
os desafios é apenas o primeiro passo.
Lidar responsavelmente com os mesmos exige acima de tudo liderança!
(MARCOS BOSI FERRAZ - O Globo)
20.05 - Vacinação contra gripe suína acaba nesta
sexta
A dois dias do fim da vacinação contra a gripe A (H1N1)
--gripe suína--, a meta de imunização de 80% das pessoas
ainda não foi atingida para três dos públicos definidos
pelo Ministério da Saúde.
Até esta terça-feira, de acordo com o Ministério
da Saúde, foram vacinadas 75% das pessoas de 20 a 29 anos, 66% das
grávidas, e 27% dos adultos entre 30 e 39 anos.
Ao todo, contando também idosos, pessoas com doenças
crônicas e crianças de seis meses a dois anos, já foram
aplicadas 57 milhões de doses. A meta é chegar a 70 milhões.
(Folha Online)
20.05 - A importância do clínico geral e do pediatra
Os brasileiros costumam consultar diretamente os médicos especialistas
quando apresentam um problema de saúde.
Há, até, quem se queixe de que o setor de emergência
de muitos hospitais tem "apenas" (!) clínicos gerais e pediatras
de plantão.
É claro que a Medicina evolui muito rapidamente e tornou-se
impossível saber tudo em todos os campos do conhecimento. Dentro
das próprias especialidades, é útil escolher uma área
para aprofundar os estudos. Além disso, muitos médicos exercem
uma especialidade porque têm mais aptidão ou gostam mais especificamente
daquela atividade. Também há situações em que
que só o especialista tem treinamento para usar determinados equipamentos
ou realizar procedimentos mais complexos. Contudo, é um grande preconceito
acreditar que o atendimento prestado pelo médico generalista é
de qualidade inferior.
Em alguns países latinoamericanos, médicos recém-formados
prestam um ano "social" obrigatório para atender às populações
carentes. Os jovens profissionais recebem do governo uma bolsa de estudos
para atuar nas comunidades de periferia ou no interior do país,
onde realizam partos normais, consultas ambulatoriais de Clínica
Geral e Pediatria, além de cirurgias corriqueiras como a retirada
do apêndice e a correção de hérnias da parede
do abdômen. Somente após completar o "ano social" eles ingressam
na residência médica da especialidade que escolheram.
Infelizmente, isso não ocorre no nosso País. Durante
décadas, a formação dos profissionais nas faculdades
de Medicina privilegiou a especialização, criando a falsa
noção de que o médico só é bem-sucedido
quando segue uma especialidade, sobretudo se for cirúrgica. Uma
famosa escola médica pública brasileira chegou a propor a
eliminação do estágio hospitalar em Clínica
Geral, para que os estudantes passassem diretamente pelas enfermarias das
diferentes especialidades clínicas. A faculdade somente desistiu
da idéia porque os próprios alunos organizaram uma manifestação
em defesa do aprendizado da Clínica Geral.
Essa distorção tem causado o desinteresse dos jovens
médicos pelas práticas gerais e prejudicado a formação
dos estudantes. Hoje, sobram vagas nos programas de residência médica
em Pediatria, pois os profissionais desta área da Medicina sentem-se
desvalorizados diante da remuneração ruim, estando obrigados
a cumprir inúmeros plantões para complementar o salário
pago pelo SUS e planos de saúde. Muitos alunos de Medicina têm
mais facilidade para diagnosticar e tratar doenças raras do que
as moléstias comuns como verminoses, rinites, pneumonia e infecções
de garganta. E, se um competente ortopedista especializado em cirurgias
dos pés for chamado de madrugada para prestar assistência
a uma vizinha que esteja em trabalho de parto, é possível
que ele não saiba como agir enquanto aguarda a ambulância,
já que ninguém nasce pelo tornozelo.
A criação do Programa de Saúde da Família
(PSF) em milhares de municípios brasileiros é uma iniciativa
louvável para recriar a antiga figura do médico de família,
aquele clínico geral que cuidava do núcleo familiar através
das gerações. O médico de família tinha muito
prestígio e merecia a confiança de adultos e crianças.
Ele conhecia as pessoas, sua predisposição genética
a certos problemas de saúde e seus hábitos de vida, o que
lhe permitia orientar os pacientes no sentido de prevenir doenças.
No âmbito do SUS e dos planos de saúde privados é
preciso resgatar o imenso valor da Clínica Geral e da Pediatria.
É obrigatório que a primeira consulta no posto de saúde
ou no ambulatório do convênio médico seja com o clínico
ou pediatra, mas estes usualmente encaminham os casos aos especialistas,
às vezes sem sequer iniciar um tratamento. Não raro,
o generalista limita-se a preencher guias de encaminhamento para atender
à solicitação do paciente.
É urgente que clínicos gerais e pediatras, ao usar bem
as noções de todas as áreas da Medicina em prol do
paciente, recebam o devido reconhecimento dos gestores da saúde
e da população. (Região Online)
19.05 - O problema da cesárea
Segundo uma noção muito difundida, o nome cesárea
ou cesariana estaria associado ao imperador Júlio César,
nascido de um parto operatório. Pouco provável, pois, entre
os antigos romanos, esse tipo de intervenção só se
justificava pela morte da parturiente, e a mãe de Júlio César,
Aurélia, viveu muitos anos após o nascimento do ilustre filho;
mais provavelmente o termo vem do verbo latino caedere, cortar. Mas a lenda
mostra como a cesárea apela à imaginação. Trata-se
de uma operação antiga; no Ocidente ela é praticada
regularmente pelo menos desde o século 16. Mas por causa da letalidade,
era um procedimento de exceção.
Não mais, ao menos no Brasil. Entre nós, o número
de cesáreas cresce constantemente. Recentemente foi divulgado que,
em São Paulo, 56,7% dos partos são cirúrgicos, um
aumento de 10 pontos percentuais na última década. A intervenção
é mais frequente no Sudeste, no Centro-Oeste e no Sul do que no
Nordeste e no Norte. Além disso, 84,5% dos partos cobertos por planos
de saúde foram por cesárea (no SUS, a proporção
é de 31%).
Esses fatos sugerem que existem aí fatores socioeconômicos
e culturais, que se evidenciam quando se examina as motivações
que levam médicos e parturientes a fazer tal opção.
Para começar, há uma questão de conveniência:
diferente do parto normal, a cesárea pode ser marcada com antecedência
e é mais rápida, o que, para um profissional atarefado, pode
ser um fator ponderável. No caso das mães, há o temor
da dor; e, diz-se, em alguns casos a escolha de signos do zodíaco
também pesa. Mais: como é um procedimento tecnológico,
as pessoas tendem a achar que é melhor do que o parto natural, e
isso por sua vez faz com o médico tenha receio de alguma queixa
(“Meu filho nasceu com problemas porque o senhor não fez uma cesárea,
vou entrar na Justiça”).
Mas é preciso lembrar também que existem indicações
bem definidas para a cesárea. Por exemplo: quando o feto é
muito grande, o que dificulta o parto normal, ou quando a placenta impede
a saída do feto. Por tudo isso, a Organização Mundial
de Saúde estabeleceu uma porcentagem padrão para as cesáreas:
15% dos partos. Obviamente, biologia não é matemática,
e esse número serve apenas de orientação. Mas é
uma meta exequível: no Reino Unido, a porcentagem de cesáreas
realizadas está em torno de 10%, no Japão em torno de 8%.
No Brasil a proporção de partos cirúrgicos está
muito acima disso (em alguns municípios é quase 100%) e isso
acaba configurando um problema de saúde pública.
A cesárea não é uma cirurgia isenta de riscos.
Em primeiro lugar, como toda cirurgia, envolve hospitalização
(e, portanto, a possibilidade de infecção hospitalar), envolve
anestesia, envolve um pós-operatório às vezes doloroso,
envolve a possibilidade de hemorragia e tem uma letalidade que, mesmo baixa,
é bem maior que a do parto normal. A mãe não pode
cuidar imediatamente do bebê, que, por sua vez, também pode
enfrentar problemas.
Dá para diminuir a taxa de cesáreas? Dá. A percentagem
mais alta de partos normais no SUS mostra isso. Foi o resultado de um esforço
consciente e sistemático: por exemplo, aumentou-se em muito o valor
pago pelo parto vaginal. E também o resultado da conscientização
da população. As mulheres estão se dando conta das
vantagens médicas e emocionais do parto normal, e existem movimentos
organizados neste sentido, como é o caso da ONG Amigas do Parto.
O Conselho Federal de Medicina também tem adotado ações
nesse sentido.
Talvez leve algum tempo para que se possa reverter uma tendência
que não é de hoje, mas certamente a racionalidade haverá
de prevalecer. Aurélia, a mãe de Júlio César,
sem dúvida assinaria em baixo. (Moacyr Scliar - Correio
Braziliense)
19.05 - Projetos contribuem para a saúde dos idosos
O comprometimento com metas e objetivos propicia motivação
aos idosos, o que aumenta a disposição para a realização
das atividades diárias e a motivação pela vida
Velhinhos jogando dominó nos Centros de Convivência e
praças ou senhoras fazendo tricô enquanto assistem à
novela. Por muitos anos essas imagens eram referências ao se falar
em aposentados. Contudo, essas cenas estão ficando no passado, dando
lugar a idosos com uma agenda movimentada, que contempla a academia, viagens,
entre outras atividades. A rotina agitada propicia motivação
e, principalmente, uma velhice mais saudável, é o que garantem
os profissionais de saúde especializados em gerontologia.
A fisioterapeuta gerontóloga Cristina Ribeiro explica que com
o aumento da expectativa de vida e os avanços da ciência -
que possibilitam qualidade de vida - não cabe mais pensar apenas
na figura do “vozinho” sentado numa cadeira acompanhando passivamente o
passar dos dias. “Eles (idosos) querem e podem ter uma rotina produtiva
e animada. A postura pró-ativa nesse estágio de vida, especialmente
após a aposentadoria é questão de saúde”, alerta
a fisioterapeuta. Segundo Cristina, estabelecer projetos e desafios
a serem conquistados é motivador e traz benefícios psicológicos
e físicos porque levam as pessoas com mais idade a continuarem ativas
como agentes sociais.
Segundo o Ministério da Saúde, até o ano de 2050
o Brasil terá 63 milhões de idosos. Prevendo esse novo cenário
populacional, o Governo já discute a reformulação
das políticas públicas relacionadas à área
da Previdência e da Saúde. No cotidiano das pessoas idosas
uma nova forma de vivenciar essa etapa da vida também é cada
vez mais evidente.
Aposentadoria – O processo de aposentadoria, por exemplo, está
passando por adaptações. Algumas empresas, como a Usina Hidrelétrica
Itaipu Binacional, desenvolvem programas específicos para preparar
os funcionários para o momento de se desligar do trabalho. “A preparação
é fundamental. Imagina a mudança na vida das pessoas que
por décadas trabalharam oito horas por dia e, de repente, perdem
essa ocupação. Se elas tiverem projetos de vida estabelecidos,
essa transição estará prevista e não representará
um problema, e sim uma nova fase da vida”, explica Cristina. Ela cita ainda
que, não raro, as pessoas que se aposentam sem a devida preparação
desenvolvem problemas psicológicos – como depressão – e até
físicos, pela mudança no ritmo de vida, resultando em sedentarismo
e as patologias decorrentes da falta de atividade física.
Por conta disso, é cada vez mais comum as pessoas se dedicarem
a uma nova profissão quando se aposentam. Na maioria das vezes não
é visando ganhos financeiros, mas a realização de
um antigo desejo ou para aproveitar o tempo, que agora está com
menos atividades e mais disponível. O publicitário Vilmar
Machado, por exemplo, já sabe qual será seu passatempo na
aposentadoria. “Como não dá pra viver de arte nesse País,
tive que abdicar da minha paixão pela pintura. Mas, quando me aposentar,
voltarei a exercer esse ofício que tanto gosto”, planeja Machado.
Prática de atividades físicas, alimentação
balanceada e atenção com detalhes da rotina e as limitações
naturais da idade são alguns dos cuidados importantes com os idosos.
Os profissionais da gerontologia, que cuidam justamente de todos os aspectos
envolvidos no processo de envelhecimento – sociais, culturais e biológicos
– defendem o acréscimo nessa lista de “projetos e objetivos de vida”,
esteja a pessoa com 10, 40 ou 100 anos. “Meus pacientes que têm projetos
de vidas, a curto ou médio prazo, mesmo sendo coisas simples como
a meta de voltar a andar ou de fazer atividades cotidianas de forma independente
(ir à padaria ou sacar sua aposentadoria sozinhos, por exemplo)
respondem melhor ao tratamento. É visível a diferença,
além da motivação por continuar produzindo e se relacionando
ativamente com o mundo e as pessoas”, finaliza a fisioterapeuta gerontóloga
Cristina Ribeiro. (clickFoz)
19.05 - Se não tem plano, o jeito é prevenir
Na região sul, ainda que esteja acima da média nacional,
o índice da população que é atendida por planos
de saúde chega apenas a 30%
O suplemento de Saúde da Pnad 2008 revela um dado preocupante.
O levantamento realizado pelo IBGE e publicado no fim de março mostra
que, de cada quatro brasileiros, apenas um tem plano de saúde particular.
Na Região Sul, o índice, que é de 30%, fica levemente
acima da média nacional, de 25,9% - e abaixo somente do sudeste,
onde é de 35,6% (veja mais detalhes no gráfico ao lado).
No entanto, o país ainda está a léguas de distância
dos Estados Unidos, por exemplo. Por lá, aproximadamente 85% das
pessoas contam com um plano de saúde.
A perspectiva para o Brasil, porém, é animadora - graças
ao aquecimento da economia. A renda média dos trabalhadores tem
crescido e tudo leva a crer que deverá continuar nesse ritmo em
curto e médio prazo. "Com poder de compra maior, a saúde
também passará a ser um bem prioritário no orçamento
familiar, sem sombra de dúvidas", prevê Maria Lucia Vieira,
analista econômica do IBGE e gerente da Pnad.
Apesar de possuir renda média per capita superior às
do norte e nordeste, o sul chama a atenção pelo percentual
da população atendida pelo Programa Saúde da Família.
Ao todo, 50,3% dos habitantes da região utilizam o programa. O índice
é superior à média nacional, de 47,7%, mas fica bem
abaixo daquele verificado na região mais atendida do país
- o nordeste, onde 64,8% dos habitantes estão cadastrados no Saúde
da Família.
Outro dado interessante diz respeito à prática de exercícios
físicos. As pessoas que vivem no Paraná, em Santa Catarina
e no Rio Grande do Sul têm suado mais a camiseta do que nas outras
regiões do país. Segundo a Pnad, 33,5% dos entrevistados
do sul disseram ter feito algum tipo de esporte nos últimos três
meses. No Brasil, este índice é de 28,2%. (Amanhã)
18.05 - SUS deve atualizar lista de remédio todo ano
Medida tenta frear o crescente número de ações
judiciais de pacientes que não conseguem novas drogas pela rede
pública
Medicamentos só serão incorporados ao sistema com registro
na Anvisa, segundo projeto aprovado em comissão do Senado
O Ministério da Saúde terá que atualizar tabelas
de remédios e procedimentos do SUS pelo menos uma vez por ano. Se
o prazo não for cumprido, será obrigado a oferecer a droga
mesmo sem prescrição ou laudo médico, até a
publicação da decisão no "Diário Oficial".
É o que diz um novo projeto de lei aprovado pela CAS (Comissão
de Assuntos Sociais) do Senado, em caráter terminativo. Agora, o
projeto segue para Câmara dos Deputados e, depois, para a sanção
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A medida tem apoio do ministério, que espera, com isso, frear
a "epidemia" de ações judiciais para a aquisição
de medicamentos de alto custo que vem afetando os sistemas das três
esferas de governo.
A tabela SUS está desatualizada há quase um década.
Isso tem feito com que 50 mil pessoas, em média, recorram por ano
à Justiça para obter, por meio de liminares, os remédios
de última geração.
Um exemplo de remédio frequentemente pedido via judicial é
o rituximab, usado pela pré-candidata à Presidência
Dilma Rousseff (PT) no tratamento do linfoma. A droga custa em média
R$ 8.000 e não consta na lista do SUS.
Atualmente, remédios oncológicos são os mais requisitados
na Justiça, segundo estudo da Fiocruz divulgado na semana passada.
O trabalho constatou que a maioria das prescrições nos processos
judiciais é feita por médicos do próprio SUS.
"Tanto os médicos como os magistrados agem baseados em convicções
honestas. Mas é preciso uma lei que os oriente. Essa epidemia de
ações tem desequilibrado os sistemas de saúde de Estados
e municípios", diz o secretário de Ciência e Tecnologia
do Ministério da Saúde, Reinaldo Guimarães.
Só a União gastou em 2009 R$ 83,16 milhões com
a compra de medicamentos, determinada por 1.780 ações judiciais.
O valor é 75% superior ao gasto em 2008 (R$ 47,6 milhões).
Para Guimarães, o novo projeto de lei terá um papel de
disciplinar o processo de aquisição de novas tecnologias.
De acordo com o ministério, 60% dos pacientes que ingressam com
ações poderiam ser tratados com remédios similares,
disponíveis no SUS. Os outros 40% pedem drogas de última
geração, algumas das quais não estão aprovadas
pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
Pelo projeto de lei, um novo medicamento só deverá ser
incorporado ao SUS se tiver registro na Anvisa. Também serão
avaliadas as evidências científicas sobre sua eficácia
e segurança e a comparação dos benefícios e
dos custos em relação às drogas já disponíveis.
A advogada Sylvie Boechat, gerente de apoio ao paciente da Abrale (Associação
Brasileira de Linfoma e Leucemia), afirma que isso só vai funcionar
se a Anvisa tiver agilidade na aprovação de novos fármacos.
Ela cita o exemplo da lenalidomida, droga indicada para o tratamento
de mielomas múltiplos e da síndrome mielodisplásica,
aprovada há cinco anos nos EUA, e que ainda não tem registro
na Anvisa.
"Há evidências científicas mais do que suficientes
sobre a eficácia e segurança dessa droga. No entanto, ela
não está aprovada. Por esse critério, ela não
seria incorporada à nova lista do SUS, por exemplo."
Segundo advogada, independentemente do novo projeto, as pessoas poderão
continuar recorrendo à Justiça para obter remédios
não disponíveis no SUS. "O direito à saúde
é uma extensão do direito à vida."
Judicialização
O combate ao crescimento da chamada "judicialização da
saúde" ganhou urgência nos últimos anos, quando se
descobriram fraudes em ações para beneficiar laboratórios.
Em 2007, nove pessoas foram presas em Marília (interior de São
Paulo) sob a acusação de forjar receitas médicas para
obrigar, por meio de ações judiciais, a Secretaria de Estado
da Saúde a comprar remédios para tratamento de psoríase
(doença inflamatória da pele).
Depois disso, as ações judiciais no Estado começaram
a cair. Em 2009, foram 722 processos contra 3.098 registrados em 2008.
No mesmo período, triplicou o número de processos administrativos
ingressados diretamente na Secretaria da Saúde -3.042 para 10.004.
Para a secretaria, a eficiência no julgamento dos processos para
aquisição de novas drogas tem desestimulado as ações.
(CLÁUDIA COLLUCCI - Folha de S.Paulo)
18.05 - Um terço dos brasileiros sofre de dor na coluna
Pesquisa envolveu mais de 12 mil pessoas de todas as regiões
do país
Má postura e sobrepeso são algumas das causas do problema
que só perde para dor de cabeça no ranking mundial dos desconfortos
A dor nas costas é a doença crônica mais comum
entre os brasileiros. É, também, a menos tratada, apesar
de ser percebida precocemente. O problema afeta 36% da população,
e 68% dos atingidos buscam tratamento.
Os dados são de um estudo inédito feito pela Escola Nacional
de Saúde Pública, ligada à Fiocruz. Os pesquisadores
entrevistaram 12.423 pessoas com mais de 20 anos, de todas as regiões
do Brasil. As informações foram levantadas em 2008 e podem
ser extrapoladas para todo o país.
A descoberta da dor na coluna em idade precoce (aos 38 anos, em média)
é uma das explicações para a menor busca por tratamento,
se comparamos o problema com artrite e reumatismo, doenças que afetam
13% da população, e 78% desses pacientes se tratam.
No caso do problema na coluna, como a pessoa está em idade produtiva,
deixa em segundo plano a necessidade de investigar as causas da dor.
O fato de a doença não ter implicações
imediatas na saúde do paciente também contribui.
"A pessoa não se percebe com limitação e não
sabe quanto tempo vai levar para isso se tornar uma doença de base
de fato. Sobre as doenças cardiovasculares se fala muito, a maioria
sabe que podem causar sérias complicações", explica
a epidemiologista Mônica Campos, uma das pesquisadoras.
A coluna é a segunda maior fonte de dor no mundo, atrás
somente da cabeça. A Organização Mundial da Saúde
estima que 80% da população mundial sofrerá ao menos
um episódio de dor nas costas na vida.
Entre as principais causas estão tumores, cistos, lesões
nos nervos, nas vértebras e nos discos e, principalmente, má
postura, fraqueza dos músculos da região, tabagismo e obesidade.
"Os índices estão corretos, por uma razão simples:
a coluna tem suas regras, e elas não são obedecidas. Isso
torna o problema uma calamidade", diz o reumatologista José Goldenberg,
professor da Unifesp e autor do livro "Coluna: Ponto e Vírgula"
(ed. Ateneu).
As regras estão relacionadas ao estilo de vida do paciente,
que contribui para o aumento de casos de dor nas costas: má postura,
sedentarismo e obesidade estão ligados ao problema.
Imagem
Segundo Goldenberg, 80% das pessoas com dor melhoram com alterações
nos hábitos.
"De cada dez pacientes que me encaminham para uma segunda opinião
sobre cirurgia de coluna, nove não precisam. Essas pessoas não
foram orientadas a parar de fumar, emagrecer, não receberam orientação
psicológica. Querem tratar a imagem, o raio-X."
Para o ortopedista Sérgio Zylberstejn, presidente do Comitê
de Coluna da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, essa dor
é pouco compreendida, e os sintomas, minimizados. "Esse problema
pode impactar na qualidade de vida do paciente, impedir a locomoção.
O tratamento tem de ser dirigido para a causa, não para a consequência."
(JULLIANE SILVEIRA - Folha de S.Paulo)
18.05 - Automedicação pode agravar enxaqueca
Na família Brito, três gerações são
vítimas da enxaqueca: Maria do Céu, Marília e Patrícia,
de 11 anos. "Eu comecei a perceber quando ela era bebê que ela tinha
fotofobia. Ela chorava, fazia cara de dor. Como eu também tenho
dor de cabeça, sempre tive, consegui identificar nela", conta a
advogada Marília Brito.
"Na sala de aula vou para enfermaria tomar remédio e ir para
casa descansar", diz a estudante Patricia Brito.
A enxaqueca é uma doença de causa genética, sem
cura, que atinge mais as mulheres. Segundo a Sociedade Brasileira de Cefaléia,
34 milhões de brasileiros têm de duas a cinco crises da doença
por mês. Entre 5% e 10% dos homens sofrem com este problema. Já
na população feminina, a incidência é de 20%.
"Não enxergava direito. Tinha que ficar no quarto escuro, fechadinha,
quieta, tomando remédios por minha conta", lembra a aposentada Berenice
Torres.
Remédios sem controle
A automedicação, tão comum nos casos de dor de
cabeça, segundo os médicos, confunde o cérebro, porque
quando ele recebe analgésicos, deixa de produzir substâncias,
como a endorfina, que ajudam a controlar a dor. Quem tenta acabar com a
enxaqueca sem acompanhamento médico corre o risco de agravar a doença.
O tratamento para as mulheres varia de acordo com as características
de cada paciente. Depende de vários fatores, como, por exemplo,
o uso de anticoncepcionais, ou da reposição hormonal durante
a menopausa.
Isto ocorre porque quando cai a quantidade do hormônio estrogênio
circulando no sangue, como acontece antes da menstruação,
alterações químicas dilatam e inflamam os vasos sanguíneos.
Provocam aquela dor latejante. A doença se manifesta de formas diferentes
em cada fase da vida.
"O pico de incidência das crises de dor de cabeça da enxaqueca
é na fase adulta fértil, entre 20, 40 anos de idade mais
ou menos. Após essa fase, com a aproximação da menopausa,
quando o estrogênio deixa de ser produzido, a mulher passa a ter
crises menos intensas e menos frequentes, não raro deixando de ter
a dor de cabeça", destaca o neurologista Abouch Krymchantowski.
Alguns especialistas dizem que exercícios físicos e alimentação
saudável podem ajudar a diminuir a dor da enxaqueca. Mas o mais
importante é procurar logo orientação médica
- nunca, a automedicação. (Portal G1)
17.05 - AVC: Rapidez no tratamento
Tratamento de AVC feito com atraso causa mais riscos que benefícios
O tratamento medicamentoso (trombólise) do acidente vascular
cerebral (AVC) deve ser ministrado o mais rápido possível
após sua ocorrência, com o risco de se tornar superior ao
benefício quando há um atraso superior a quatro horas e meia,
indica uma análise divulgada neste sábado na The Lancet.
Considera-se geralmente que a trombólise pode ser realizada
em um prazo de três horas após a ocorrência de um AVC
de origem isquêmica, ou seja, quando um vaso sanguíneo se
fecha (80% dos AVCs).
Uma equipe internacional de pesquisadores liderada por Kennedy Lees
(Universidade de Glasgow, Reino Unido) analisou os dados de oito testes
clínicos (3.670 pacientes) para determinar como os benefícios
e os riscos do tratamento com o medicamento alteplase evoluem em função
do retardo do tratamento.
A análise mostrou que o tratamento com esse medicamento podia
aumentar as chances de resultado favorável quando realizado até
4 horas e meia (270 minutas) após a ocorrência do ataque.
No entanto, a probabilidade de uma boa recuperação diminui
rapidamente na medida em que o atraso se prolonga.
Com isso, três meses depois de um AVC, os pacientes tratados
com o alteplase em 90 minutos tiveram duas vezes e meia mais chances de
ter uma boa recuperação do que aqueles tratados com um placebo.
Aqueles tratados com o alteplase 270 minutos após o ataque, tinham
apenas 22% de chances adicionais de se recuperar.
Mortalidade
A análise mostrou pela primeira vez que a mortalidade aumentava
quando o atraso do tratamento ultrapassava quatro horas e meia.
"As vítimas de AVC de origem isquêmica são beneficiadas
por um tratamento com o alteplase feito em até quatro horas e meia.
Para aumentar ao máximo o benefício, tudo deve ser feito
para reduzir o atraso da realização do tratamento. Depois
de quatro horas e meia, o risco pode ser superior ao benefício",
concluíram os pesquisadores.
"Devemos aumentar a proporção de pacientes que chegam
ao hospital logo depois da ocorrência do AVC, informando as pessoas
sobre os sinais de alerta e ativando rapidamente o sistema médico
de emergência", consideraram em um comentário Jeffrey Saver
(Geffen School of Medicine, Estados Unidos) e Steven Levine (Mount Sinai
School of Medicine, Estados Unidos).
O AVC é a segunda causa de demências após o Mal
de Alzheimer. (iMirante)
17.05 - Para laboratórios, disputa na OMC vai além dos
remédios
Os desdobramentos da reclamação feita pelo Brasil contra
a União Europeia (UE) na Organização Mundial do Comércio
(OMC) revelam a vontade de criar um clima de "Fla Flu" envolvendo genéricos,
avalia o presidente da Associação da Indústria Farmacêutica
de Pesquisa (Interfarma), Antonio Britto. "Estão querendo criar
um tabu. A discussão vai muito além dos remédios",
disse o presidente da organização que representa os 30 maiores
laboratórios farmacêuticos instalados no País.
Na terça-feira, o Brasil deu o primeiro passo para a abertura
de um painel na OMC contra a UE. A medida é uma reação
à apreensão, em 2008, de um carregamento de 500 quilos do
anti-hipertensivo Losartan, comprado pela empresa brasileira EMS na Índia.
O remédio, genérico tanto no Brasil quanto no país
produtor, foi retido no porto de Roterdã por autoridades holandesas
sob suspeita de desrespeito à patente. Na Holanda, a produtora Merck
Sharp & Dohme ainda detém o direito exclusivo de exploração
do medicamento.
A retenção foi feita com base em uma regulamentação
da UE, que permite a medida todas as vezes em que houver suspeita de infração
à propriedade intelectual. "Trata-se de um problema de direito internacional.
Uma discussão sobre o direito de apreensão de produtos em
trânsito por autoridades aduaneiras."
Para Britto, o episódio envolvendo o Losartan representa apenas
um "case" - um caso específico. "A preocupação das
autoridades é com as apreensões de todos os produtos, não
está limitada à questão dos medicamentos", completou.
O presidente da Interfarma afirmou que grandes farmacêuticas não
têm interesse em reduzir o trânsito de remédios genéricos.
"Hoje a maioria das empresas produz e compra genéricos", disse.
'Empecilhos'
A representante do Movimento Médicos sem Fronteiras, Gabriela
Chaves, diz: "A diretiva da União Europeia que legitimou as apreensões
vai além do que é determinado pelo Acordo sobre Aspectos
dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio
(TRIPS). E a medida traz empecilhos a todos os setores, a todos os produtores
que atuam na área de genéricos e principalmente aos pacientes
que precisam ter acesso a medicamentos legítimos, com qualidade
e a preços acessíveis."
De acordo com Britto, o interesse da Interfarma está em garantir
produtos de boa qualidade e de procedência comprovada. "É
o que vem fazendo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa) que, recentemente editou normas mais rígidas para garantir
a qualidade dos remédios." (Agência Estado)
17.05 - A Eficiência da Medicina Laboratorial no Contexto Assistencial
Executivos relatam em artigo a eficiência e o uso racional da
medicina laboratorial
Sabemos que a Medicina Diagnóstica é responsável
por cerca de 70% das decisões médicas e absorve em torno
de 10% dos custos em saúde; e está presente virtualmente
em todos os protocolos e guidelines clínicos e em praticamente todas
as especialidades médicas.
A boa utilização da Medicina Laboratorial, isto é,
o uso racional da informação gerada das análises realizadas
pelos diversos laboratórios disponíveis no mercado, é
ponto chave para racionalização dos custos e também
para a busca por resultados na cadeia de saúde. Segundo Porter1,
essa busca por resultados deve ter como direcionadores a prevenção;
o diagnóstico precoce e correto; o tratamento precoce, correto,
menos invasivo e na causa da doença; foco no paciente certo; maior
velocidade entre diagnóstico e tratamento; menor número de
erros, complicações e repetições; um número
menor de eventos agudos, seqüelas e reincidências; recuperações
mais rápidas e menor necessidade de tratamentos em longo prazo.
Em termos de utilização de exames laboratoriais no processo
assistencial de saúde, Walraven et al.2 estudaram um número
significativo de exames e demonstraram que 73,5% destes encontravam-se
dentro do valor de referência proposto e que de pacientes admitidos
em um pronto-atendimento hospitalar e submetidos à dosagens laboratoriais,
21,7% haviam realizado a mesma dosagem em âmbito ambulatorial na
semana anterior à hospitalização e 40% e 62,7% em
3 meses e 1 ano, respectivamente. Neste mesmo artigo, fontes citadas como
Branger et al. demonstraram que 38% dos exames laboratoriais são
repetidos dentro de um prazo de 8 meses e segundo Bates et al., 28,2% dos
testes de rotina repetidos foram repetidos sem necessidade.
Ainda no ambiente hospitalar, excetuando as Unidades de Terapia Intensiva
(UTI), 27% dos testes bioquímicos solicitados haviam sido realizados
no dia anterior.
Dados da Associação Nacional dos Hospitais Privados 3
(ANAHP) demonstram uma média de 26 exames por internação
hospitalar. Para a Agência Nacional de Saúde Suplementar4
(ANS), no ano de 2008, os gastos com exames representaram 20,9% dos gastos
totais das operadoras da saúde com frequência média
de utilização entre os anos de 2002 e 2007 variando entre
8,9% e 12,6%.
Poley et al.5 estudaram 27 laboratórios europeus e demonstraram
redução de 3% nos custos com exames laboratoriais por meio
de utilização de sistemas de suporte à decisão
baseado em protocolos previamente definidos.
Certamente conhecemos alguém que teve seu período de
internação prolongado devido à espera de um resultado
de exame. Com foco na velocidade entre o diagnóstico e o tratamento,
Holland et al.6 demonstrou a relação entre o tempo total
de liberação de resultados (TAT - Turn Around Time) e o impacto
na diminuição do tempo médio de atendimento em pronto-socorro.
Segundo os autores, uma baixa performance do laboratório que acarreta
atrasos nos resultados dos exames é um impedimento para a otimização
dos cuidados assistenciais.Para Howanitz et al.7 o indicador de tempo de
liberação de resultados (TAT - Turn Around Time) é
um atributo estratégico do laboratório e tempos de reporte
de resultados longos resultam em duplicação de solicitações
de exames e aumento dos custos.
Na busca por resultados em saúde, referente à diminuição
de erros, complicações e repetições citados
por Porter, destacamos a fase pré-analítica, por ser dentro
dos processos laboratoriais a etapa de maior contribuição
para os erros laboratoriais. Segundo Akan et al.8 o erro mais comum desta
fase, em ambientes hospitalares, é a informação incorreta
do paciente presente nos sistemas de solicitação de exames,
responsável por até 23,5% destas ocorrências, seguido
de incongruência entre os testes solicitados e a informação
introduzida manualmente no sistema, até 10,1%, e volume insuficiente
das amostras em 3,2% dos casos. Bonini, PA e Plebani, M.9, em artigo de
revisão de erros em laboratórios, destacam que 75% dos resultados
laboratoriais com erros estão dentro dos valores de referência
propostos, 12,5% destes são erros absurdos e não considerados
clinicamente e os 12,5% restantes afetam a saúde do paciente. Nos
artigos revistos, a fase pré-analítica mostrou-se responsável
por 31,6% a 75% dos erros, a fase analítica por 13,3% a 31,6% e
a etapa pós-analítica 9% a 30,8%. Como fase pós-analítica,
está considerada as respostas ou reações frente aos
resultados laboratoriais e a interpretação clínica
destes.
O estudo de custo-efetividade dos ensaios laboratoriais, no contexto
assistencial como provedor de benefícios ao paciente tende a ser
cada vez mais abordado. Hernandez, JS.10 revisando o tema destaca seis
diferentes níveis necessários para o estudo da custo-efetividade:
qualidade técnica; sensibilidade, especificidade e acurácia;
potencialidade de modificação do pensamento clínico
pelo resultado reportado; efeito no manejo do paciente; efeito nos resultado
sobre o paciente e impacto sobre os custos. Citando Pfister et al., o autor
sugere três diferentes âmbitos para análise da custo-efetividade.
A Performance do Teste: analisada por sua sensibilidade, especificidade,
reprodutibilidade, capacidade de produção dos equipamentos
disponíveis, tempo de liberação de resultados, necessidades
especificas no momento da coleta e tipo de amostra;
O Custo do Teste: custos diretos e indiretos do teste (fase analítica),
necessidade de pessoal, equipamentos e instalações; e
Fatores Epidemiológicos: prevalência da doença
em questão, possibilidade de realização de testes
de triagem populacional ou utilização de terapia empírica,
variáveis e interferentes.
A medicina laboratorial contribui de forma significativa para o desfecho
assistencial focado no paciente. A possibilidade de redução
de dias de internação, diagnósticos cada vez mais
precoces, um número menor de repetições e, conseqüentemente,
de gastos desnecessários, faz desta especialidade uma ferramenta
importante na assistência à saúde.
A correlação clínico-laboratorial e a utilização
racional dos diversos tipos de exames disponíveis, bem como a gestão
da informação alinhada ao uso da medicina laboratorial baseada
em evidências, trazem benefícios a toda a cadeia de saúde,
em termos de resultados operacionais e financeiros e também são
fontes geradoras de maior segurança ao paciente. (Carmen Paz
Oplustil e Gustavo A. Campana - Saúde Business Web)
14.05 - Diabéticos. Qual a melhor forma de atendê-los?
De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) existem cerca
de 2.607.828 de diabéticos no Brasil. Existem dois tipos de Diabetes:
a tipo 1 e tipo 2. O controle da doença é medido através
da insulina porque ela é responsável por manter o equilíbrio
das taxas de glicose no sangue (e nos portadores de diabetes isso não
acontece). A identificação precoce da doença e um
vínculo com um estabelecimento de saúde são elementos
imprescindíveis para o sucesso do controle da doença. "Informar
a respeito dos horários e doses dos medicamentos, alimentação
saudável, prática de atividades físicas são
algumas das práticas que devem ser abordadas como incentivo para
adesão ao tratamento", explica a farmacêutica da Associação
de Diabetes Juvenil (ADJ), Ana Paula Miranda.
Essas observações ajudam não só para a
manutenção da saúde do cliente, mas também
favorece sua fidelização no ponto de venda, gerando uma oportunidade
de venda cruzada. A farmácia precisa ter um local funcional e montar
um mix pensando nas necessidades dessas pessoas, como: medidores de pressão,
balança, medicamentos relacionados à doença, insulina,
balança, livros e revistas sobre alimentação, entre
outros. "O varejo farmacêutico precisa de pessoas capacitadas, que
dêem atenção para esses consumidores porque eles precisam
de necessidades específicas, pois junto com a enfermidade podem
aparecer complicações renais, visuais, de circulação
entre outros. E uma farmácia que tem carência de passar essas
informações, não tem cliente fiel", acrescenta a gerente
de produtos Accu-Chek da Roche, Fernanda Villalobos.
Cuidar da alimentação
A pessoa que tem diabetes deve se alimentar de forma saudável.
A farmacêutica Ana Paula Miranda da ADJ e a Coordenadora do Departamento
de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes, Drª
Marlene Merino Alvarez listaram algumas dicas. Leia, informe sua clientela
e realize um serviço mais completo:
Evite gorduras e frituras
Use produtos integrais
Diminua doces
Substitua o açúcar pelo adoçante
Inclua pelo menos 3 porções de frutas e 2 porções
de legumes e verduras ao dia. (Guia da Farmácia)
14.05 - Médicos tentam zerar fila para transplante de córnea
Um brasileiro espera três anos, em média, por um transplante
de córnea. Ao menos 22.700 pessoas aguardam hoje nessa fila, segundo
dados do primeiro semestre de 2009.
Agora, o CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia), em parceria com
a câmara técnica do Conselho Federal de Medicina, concluiu
documento em que estipula a meta de zerar em oito meses a fila do transplante,
informa a reportagem de Fernanda Bassette, publicada nesta quinta-feira
pela Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal
e do UOL).
Para alcançar a meta, os conselhos dependem do aval do Sistema
Nacional de Transplantes, vinculado ao Ministério da Saúde,
e da liberação de R$ 2,3 milhões. A verba seria usada
na criação de bancos de olhos e na capacitação.
"A nossa ideia é aumentar em 30% o total de cirurgias, em até
quatro meses. Depois disso, zerar a fila até o final do ano. É
um desafio que queremos colocar em prática o mais rápido
possível", diz Paulo Augusto de Arruda Melo, presidente do CBO.
Para chegar a esses números, o CBO fez um raio-X da situação
do Brasil e identificou os principais gargalos. O maior é armazenar
as córneas para dar tempo de fazer a cirurgia. Outro gargalo é
a falta de bancos de olhos no país: até o meio do ano passado,
o Brasil possuía 30 bancos -sete deles no Estado de São Paulo.
(Folha Online)
14.05 - Parceria para disseminar as normas técnicas
No dia 5 de maio, a Associação Brasileira de Normas Técnicas
(ABNT) e a instituição Inteligência Educacional e Sistemas
de Ensino (Iesde Brasil) assinaram em São Paulo um Protocolo de
Intenções que deverá resultar em maior divulgação
de documentos normativos, por meio do desenvolvimento, produção
e comercialização de material didático e de metodologia
de ensino à distância. Este é o ponto de partida de
um processo que terá como foco os profissionais da área de
saúde, estendendo-se depois para outras categorias, visando à
capacitação para uso das normas e da tecnologia nelas contida.
As próximas etapas serão direcionadas para a definição
de temas prioritários, de maior demanda e abrangência e como
o material será disseminado. (ABNT)
13.05 - Taxa de acompanhamento no parto é abusiva
Cuiabá - A consumidora Bruna Silva (nome fictício) foi
informada que teria que pagar uma taxa para que seu marido assistisse ao
parto do seu filho quando ambos já estavam no centro cirúrgico.
“Eu estava prestes a ganhar o bebê quando uma pessoa do hospital
exigiu que meu marido retornasse a recepção do estabelecimento
para pagar R$ 150 para permanecer na sala comigo. Ele preencheu o cheque
ali mesmo, para não correr o risco de perder um dos momentos mais
emocionantes das nossas vidas”, relatou a consumidora.
A Superintendência de Defesa do Consumidor (Procon-MT) alerta
sobre a abusividade da cobrança da taxa de acompanhamento no parto,
uma prática que tem se tornado frequente nos hospitais do Estado.
A cobrança fere os princípios do Código de Defesa
do Consumidor (artigo 39 CDC), já que o fornecedor se prevalece
da situação de fragilidade do consumidor para impor seus
produtos ou serviços.
A taxa ainda contraria a recomendação da Organização
Mundial de Saúde (OMS) que estabelece a presença do acompanhante
como benéfico à saúde da mãe e do bebê.
Assim, os estabelecimentos não podem exigir o pagamento de valores
para que a gestante tenha a presença de alguém na sala de
parto.
“Além disso, a taxa de acompanhante também é uma
forma de vantagem manifestamente excessiva, uma vez que a presença
de uma pessoa na sala de parto não gera custos ao hospital. Os gastos
com a esterilização da roupa do acompanhante, conforme alegam
os estabelecimentos, já estão embutidos no serviço,
como atividade inerente ao procedimento hospitalar”, explicou a superintendente
do Procon-MT, Gisela Simona Viana de Souza.
LEGISLAÇÃO
Para os estabelecimentos que atendem pacientes do Sistema Único
de Saúde (SUS), a Lei Federal nº 11.108/05 garante a presença
de um acompanhante junto à mãe “durante todo o período
de trabalho de parto, parto e pós-parto imediato”.
Já para os consumidores de planos de saúde privados,
a cobrança é proibida pela resolução 167/08
da Agência Nacional de Saúde (ANS), que indica como despesa
da operadora qualquer custo relacionado à presença de acompanhante
na sala de parto.
Consumidores de planos de saúde que pagaram a taxa devem exigir
o ressarcimento do valor pela operadora do plano de saúde. Porém,
o consumidor pode ainda, no momento da realização da cobrança
no próprio hospital, se recusar a pagar a despesa, já que
o estabelecimento não pode se aproveitar da situação
para exigir o pagamento do valor.
Para mais informações sobre a taxa de acompanhante de
parto podem ser obtidas pelos telefones 3613-8500 ou 151. O Procon Estadual
está localizado na Av. Historiador Rubens de Mendonça nº
917. Os consumidores de planos de saúde privados podem também
buscar informações com o Núcleo Regional da ANS em
Cuiabá pelo telefone 3642-6255 (O Documento)
13.05 - Hipertenso não cuida da pressão
Pesquisa mostra que, no Brasil, somente 35% dos doentes graves conseguem
controlar a doença de forma adequada
Quanto mais grave a hipertensão, mais difícil é
o controle da doença. A conclusão é da pesquisa ‘Controlar
Brasil’, que revelou que só 35% dos hipertensos graves conseguem
manter a pressão arterial em níveis adequados. Quanto menor
o risco da doença, maior é a adesão ao tratamento.
Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Hipertensão,
Fernando Nobre, que coordenou a pesquisa, as dificuldades de adesão
ao tratamento se devem a diversos fatores, como custo dos medicamentos
e estilo de vida.
“O fato da hipertensão ser uma doença assintomática
também atrapalha o tratamento. É difícil o paciente
ter disposição de usar os remédios quando não
sente sintomas, pois ele não reconhece a doença”, explica
o especialista.
Segundo Nobre, os sintomas da hipertensão surgem quando a doença
já tem complicações, como lesões renais e cardíacas.
Ele afirma que os pacientes mais graves são aqueles que também
apresentam outros problemas, como diabetes e colesterol alto.
“Para serem considerados controlados, esses pacientes devem ter pressão
arterial igual ou menor que 120 x 75 mm Hg. Para chegar lá, ele
deve tomar diversos medicamentos, ir ao médico regularmente e mudar
os hábitos”, afirma.
De acordo com o estudo, que avaliou cerca de 2,8 mil pessoas em consultórios
de todo País, 53,3% tinham pressão arterial acima de 140
x 90 mm Hg. Já um levantamento divulgado pelo Ministério
da Saúde em abril, apontou que 24,4% dos brasileiros sofrem da doença.
A pesquisa do ministério foi feita com 54 mil adultos e mostrou
que a hipertensão atinge, principalmente, quem tem mais de 65 anos.
A doença afeta 63,2% dessa população.
“É mais comum a incidência depois dos 40 anos de idade.
Mas todos os adultos com mais de 18 anos devem aferir a pressão
ao menos uma vez ao ano para identificar a doença”, alerta Nobre.
Remédios a preço popular
Desde a primeira semana do mês, drogarias inscritas no programa
do Ministério da Saúde ‘Aqui tem Farmácia Popular’
estão vendendo os medicamentos sinvastatina, usada no tratamento
do colesterol ruim, e a insulina regular para o diabetes.
A sinvastatina reduz o nível de colesterol ruim e triglicerídeos,
diminuindo o risco de hipertensão arterial, de Acidente Vascular
Cerebral (AVC) e de infarto. O preço do medicamento nos estabelecimentos
custa, em média, R$ 1,00 a caixa.
Fique atento
Pessoas com histórico familiar, doenças cardiovasculares,
fumantes, obesos e com colesterol alto estão entre os principais
grupos de risco de hipertensão.
Os principais sintomas da crise de hipertensão são sensação
de mal-estar ou falta de ar, intensa dor de cabeça ou nuca, ansiedade
ou agitação, tontura, visão ‘borrada’ e dor no peito.
Para evitar a doença, é necessário diminuir o
consumo de sal. Mudanças no estilo de vida também ajudam
a prevenir. A alimentação deve ser equilibrada e ter bastante
verduras. Também é essencial praticar exercícios físicos
regularmente e evitar bebidas alcoólicas. (O Dia Online)
13.05 - Identificados dois genes do Alzheimer
Pesquisadores americanos e europeus identificaram dois novos genes
ligados à Doença de Alzheimer, revela um estudo publicado
ontem nos Estados Unidos.
A descoberta, que eleva a nove o número de genes ligados à
enfermidade já identificados, pode abrir caminho para novos tratamentos
visando a retardar ou combater a doença, destacam os autores da
pesquisa, divulgada no Journal of the American Medical Association (JAMA)
de 12 de maio.
A pesquisa foi baseada na análise de dados obtidos com mais
de 35 mil pessoas nos Estados Unidos e na Europa, acompanhadas durante
várias décadas, das quais mais de 8 mil desenvolveram Alzheimer.
(Zero Hora)
12.05 - A saúde também pode mais
As conquistas do SUS não podem ficar à mercê da
incerteza e da falta de comprometimento de governantes com esta causa
Bandeiras políticas ou partidárias não combinam
com a saúde pública e os inúmeros desafios de uma
área tão complexa, que impacta diretamente na qualidade de
vida de todos os brasileiros.
Isso é premissa básica para que as ações
sejam pautadas única e exclusivamente em benefício dos cidadãos,
em vez de atender a outros interesses.
Defender a saúde fora do escopo partidário, entretanto,
não significa isentar-se de escolher um lado.
É fato que a saúde, no Brasil, avançou de forma
sem precedentes nas últimas duas décadas, com a aprovação
constitucional e implantação do SUS (Sistema Único
de Saúde).
Hoje, o Brasil é o segundo maior transplantador de órgãos
do mundo, tem o maior programa de imunização em massa entre
todos os países, erradicou doenças como paralisia infantil
e o sarampo, possui um programa de controle da Aids reconhecido como exemplar
pela OMS (Organização Mundial de Saúde) e desenvolve
um bem-sucedido Programa de Saúde da Família, iniciado na
década passada.
A ampliação do Programa de Saúde da Família,
a proibição da propaganda de cigarros e de eventos ligados
à indústria do tabaco, a introdução de um Programa
de Dispensação de Medicamentos Excepcionais, para doenças
raras e crônicas ,e o fortalecimento da parceria com as Santas Casas
e hospitais beneficentes, por meio de incentivos especiais, conforme critérios
de produtividade e eficiência, são algumas das conquistas
de extrema relevância para a consolidação do SUS na
década passada.
Do mesmo modo, o Brasil obteve enorme avanço ao aprovar a lei
dos medicamentos genéricos, com grande benefício para a população,
por ter ampliado o acesso a remédios nas farmácias em razão
da redução nos preços, bem como ao introduzir o programa
Bolsa Alimentação para combater a mortalidade infantil e
a desnutrição, especialmente no Nordeste.
Mas a saúde pode mais, muito mais.
E o debate passa pela escolha de um projeto nacional alinhado com as
necessidades de fortalecimento do SUS, da ampliação do acesso
e melhoria da assistência na prestação de serviços
de saúde, da descentralização da gestão, da
construção de redes assistenciais regionalizadas e hierarquizadas
e do aperfeiçoamento e criação de novas políticas
públicas para o setor.
Em outras palavras, as conquistas do SUS não podem ficar à
mercê da incerteza, da falta de comprometimento de alguns governantes
com esta importante causa ou da contaminação ideológica
e político-partidária que interrompe projetos bem-sucedidos
implantados por governos antecessores, em prejuízo de milhares de
cidadãos que deles se beneficiaram.
Desde 2000, uma emenda constitucional estipula percentuais mínimos
sobre o Orçamento de cada esfera de governo a serem gastos com saúde.
Mas, por falta de empenho do atual presidente e de seus ministros,
Estados, municípios e a própria União continuam jogando
com os números em seus balanços para mostrar, na teoria,
o que, na prática, não aplicaram na área da saúde.
Ao tratar a regulamentação da emenda constitucional nº
29 sob o espectro partidário, uma vez que a aprovação
do projeto foi obtida pela gestão anterior, o governo Lula deixou
milhares de brasileiros sem assistência adequada em saúde.
Do mesmo modo, o atual governo interrompeu os mutirões de saúde,
que ampliaram a oferta de cirurgias eletivas para catarata, retinopatia
diabética, varizes e próstata.
Quem não se lembra de notícias veiculadas pela grande
mídia, de pacientes do SUS sendo levados para operações
de catarata na Venezuela após o fim dos mutirões?
Na saúde, o que está dando certo deve continuar e ser
aperfeiçoado.
Algumas das causas que defendemos como prioritárias para o fortalecimento
do SUS em todo o país são a expansão da produção
de medicamentos genéricos e a ampliação da assistência
farmacêutica, pela revisão e atualização sistemática
da cesta de medicamentos oferecidos.
Outras prioridades são o incentivo ao modelo de parceria com
o terceiro setor, para profissionalizar a gestão de hospitais públicos,
e proporcionar maior resolutividade ao atendimento ambulatorial com implantação
de unidades de alta resolutividade.
É justamente em defesa do debate suprapartidário em torno
da saúde pública que lançamos, no último dia
27 de abril, o Movimento Brasil Saúde, em Brasília, para
promover um novo salto de qualidade na gestão do SUS e melhorar
a vida das pessoas. (RENILSON REHEM DE SOUZA - Folha de S.Paulo)
12.05 - Enfermagem no século 21
Celebra-se hoje o Dia Mundial do Enfermeiro. No Brasil, essa comemoração,
denominada Semana da Enfermagem, estende-se até o dia 20. Essa é
a grande motivação desta reflexão. Estudos realizados
por muitos especialistas da história da enfermagem destacam que
a área tem caminhado para a formação de um corpo próprio
de conhecimentos científicos, buscando, por meio de estudos e pesquisas,
sua definição como ciência. Entretanto, muitos que
avaliam o que a sociedade pensa da enfermagem no mundo, e mais particularmente
no Brasil, denunciam ainda uma representação desatualizada
e depreciadora da profissão. Nessa direção, as reflexões
de dra. Maria Júlia Paes da Silva sobre a imagem do enfermeiro e
da enfermagem concluíram que há um grande desconhecimento
sobre os campos de atuação, mercado de trabalho e categorização
profissional do enfermeiro. Ela aponta que o principal problema é
que muitos fazem confusão e não sabem quem é o enfermeiro.
O senso comum é que a pessoa que entra no quarto do paciente
sempre é o enfermeiro, que não existe uma subdivisão
na categoria profissional, entre auxiliares, técnicos de enfermagem
e enfermeiros. Nessa divisão, apenas os enfermeiros têm curso
superior. A discussão perpassa o questionamento quanto à
parcela de responsabilidade dos próprios enfermeiros ao não
se posicionarem, nem para a correção de imagens desvirtuadas,
nem para a visibilidade dos papéis que vêm desempenhando no
cuidado à saúde.
Muito além de administrar serviços de saúde, executar
técnicas e procedimentos, a enfermagem brasileira busca, a cada
dia, consolidar sua competência profissional por meio da Sistematização
da Assistência de Enfermagem (SAE). Em 27 de agosto de 2002, o Conselho
Federal de Enfermagem (Cofen) publicou a Resolução 272, que
dispõe sobre a SAE nas instituições de saúde
brasileiras. A institucionalização da SAE como prática
de um processo de trabalho adequado às necessidades da comunidade,
e como modelo assistencial a ser aplicado em todas as áreas de assistência
à saúde pelo enfermeiro, constitui efetivamente melhora da
qualidade da assistência. Os enfermeiros se incumbem privativamente
da implantação, planejamento, organização,
execução e avaliação do processo de enfermagem,
que, segundo a Resolução 272, compreende as seguintes etapas:
histórico, exame físico, diagnóstico, prescrição
e evolução de enfermagem, devendo ser registrada formalmente
no prontuário do paciente/usuário.
Florence Nightingale, a precursora da enfermagem moderna em todo o
mundo, dizia que “a enfermagem é a mais pura das artes puras” e
que “a natureza da enfermagem” é diferente da natureza da medicina,
sendo necessário estudar muito para se tornar enfermeiro, conferindo
assim um caráter científico à profissão. Ainda
hoje ela é definida como ciência e arte. Entretanto, a ajuda
que os enfermeiros podem dar aos pacientes será real à medida
que o profissional não utilize apenas atitudes diretivas, mas dê
conhecimentos ao outro de sua presença como ser humano, capaz de
utilizar a si próprio e não apenas os conhecimentos científicos
e habilidades técnicas. Não existem fórmulas mágicas
para o relacionamento humano eficaz, mas a base deste deverá ser
o respeito e o interesse em ajudar. Para estabelecer uma relação
de ajuda, considera-se que o elemento básico seja a habilidade na
comunicação. Nesse sentido, as teorias de enfermagem enfatizam
as relações humanas e a comunicação terapêutica.
O importante é considerar o homem como um ser biopsicossocial. Aí
reside a competência artística e científica do ser
enfermeiro: construir com amor o caminho de cuidar.
Como estratégia para a construção de uma imagem
mais coerente, que almeja romper com antigos paradigmas de subordinação
e invisibilidade, recomendam-se debates sobre o ensino e o papel da enfermagem
no cuidado à saúde. Essa reflexão se faz necessária
no momento em que o enfermeiro tem tido atuação tão
relevante no Brasil, dentro do Sistema Único de Saúde (SUS),
desde os processos de planejamento, passando por sua execução
e avaliação. Para atender a demanda das novas políticas
de saúde, especialmente do Programa Saúde da Família
(PSF) e dos atendimentos domiciliares, os novos enfermeiros precisam de
formação sólida e aprimoramento contínuo. Entretanto,
é bom que se saiba que as oportunidades não estão
só nos grandes centros. É substantiva a demanda por enfermeiros
que tenham vontade e disponibilidade para atuar no interior de Minas e
nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. (Márcia
dos Santos Pereira - Estado de Minas)
12.05 - Brasil tem mais de 440 mil casos de dengue
Número quase dobrou com relação ao mesmo período
de 2009, segundo o Ministério da Saúde.
Um balanço da dengue divulgado, na segunda-feira (10), pelo
Ministério da Saúde revelou que o número de casos
da doença no Brasil quase dobrou em relação ao ano
passado.
Em um hospital de Belo Horizonte, metade dos pacientes atendidos, por
dia, está com os sintomas da dengue. Eles recebem uma senha especial,
passam por um guichê exclusivo e são encaminhados até
um consultório onde um médico só atende a pessoas
com sintomas da doença.
Os pacientes com sangramento ou com dengue pela segunda vez são
os que mais preocupam os médicos.
De acordo com o Ministério da Saúde, no Brasil, de janeiro
a 3 de abril de 2010 foram registrados 447.769 casos de dengue. No mesmo
período do ano passado, o número correspondia a 248.970.
Belo Horizonte já registrou mais de 15 mil casos de dengue Minas
Gerais registra 12 mortes por dengue hemorrágica neste ano São
Paulo é o estado que teve o maior crescimento no número de
casos. Em 2009, eram 2.681 doentes, contra 63.148 neste ano. Minas Gerais
é o estado com mais doentes: 98.261.
A Região Nordeste foi a única onde houve redução
dos casos de dengue. De janeiro a abril de 2009, foram registradas 97.115
ocorrências da doença. Em 2010, no mesmo período, foram
28.815 doentes.
A recomendação é que ao aparecerem os primeiros
sintomas, como febre alta e desidratação, a pessoa procure
um médico imediatamente. (Portal G1)
11.05 - Planos odontológicos só tendem a crescer
O diretor de Desenvolvimento de Mercado da OdontoPrev, empresa associada
à Bradesco Saúde, Renato Cardoso, disse que não há
gargalos no segmento de planos odontológicos.
Ele lembrou que no ano passado, apesar do quadro adverso decorrente
pela crise financeira global, o setor cresceu bem acima do Produto Interno
Brasileiro (PIB) e do mercado de planos de saúde.
"Em 2009, o número de usuários aumentou 22%", sustentou.
E a perspectiva, segundo ele, é de continuidade do crescimento
acelerado, tendo em vista o potencial do País.
"Afinal, hoje, apenas 6% da população brasileira, 13,2
milhões de pessoas, contam com plano odontológico", destacou.
Outro ponto importante levantado pelo executivo foi o perfil dos usuários.
Na OdontoPrev, por exemplo, ele adiantou que cerca de 15% dos consumidores
são indivíduos, principalmente das classes C e D. O preço,
que é acessível, é ponto a favor.
"Um plano de assistência odontológica custa cerca de dez
vezes menos que um plano médico, o que favorece o acesso do consumidor
de menor renda", observou.
REGIONALIZAÇÃO. Ao assinalar que a associação
com a Bradesco abriu "uma grande rede de canais de distribuição"
para a OdontoPrev, Renato Cardoso lembrou que a questão regional
é também favorável ao mercado, considerando que, atualmente,
cerca de 65% dos usuários estão na Região Sudeste.
Existe, portanto, para ele, um grande trabalho a ser desenvolvido nas
demais regiões.
Ele citou ainda a própria demanda reprimida por assistência
odontológica como mais um fator capaz de impulsionar o crescimento
do segmento de planos odontológicos nos próximos anos. Segundo
ele, dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad
2008) mostram que 11,7% dos brasileiros nunca foram ao dentista. "Embora
88,3% da população já tenham procurado serviços
dentários - prosseguiu - apenas 40% foram ao dentista no ano anterior
à pesquisa".
O segmento de planos odontológicos, na visão do executivo,
passa por uma fase de expectativas bastante positivas.
Em sua análise, a recuperação da economia permite
vislumbrar um cenário de crescimento para os próximos anos,
uma vez que ainda há demanda reprimida de usuários sem acesso
aos serviços da assistência odontológica.[2]
Para Renato Cardoso, a consolidação do setor, com a permanência
de empresas sólidas e seguras, é um processo que ocorrerá
naturalmente, a exemplo de mercados mais maduros.
"Portanto, hoje não vemos gargalos que impeçam, significativamente,
o avanço do setor", concluiu o executivo. (Segs/Jornal
do Commercio)
11.05 - Epidemia de cesáreas assola o País, diz ministro
Temporão diz que no setor público as cesáreas
representam 30% dos partos, estando acima do recomendado pela OMS
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão afirma
que há uma "epidemia de cesarianas" no país. Para ele esse
procedimento cirúrgico é mais comum no setor privado que
no público: a taxa de cesáreas do Sistema Único de
Saúde (SUS), no qual ocorrem a maioria dos partos, foi de 30% em
2006; nos planos de saúde, a taxa naquele mesmo ano foi de 80%.
Para o ministro, se o número de cesarianas no setor público
já é alto (o percentual máximo aceito pela Organização
Mundial da Saúde é de 15%), o número verificado no
setor privado "está fora de qualquer padrão", analisa.
"E nós sabemos das eventuais complicações das
cesarianas feitas desnecessariamente", alertou ele, referindo-se a problemas
como a maior dificuldade para a recuperação da mãe,
infecções pós-parto e até o risco de morte.
De acordo com estudos da Organização Mundial da Saúde
(OMS), o risco de morte pode aumentar quando as mulheres são submetidas
a cesáreas sem que esse procedimento seja realmente necessário.
Somando-se os partos realizados nos setores público e privado,
a taxa de cesarianas no Brasil seria de aproximadamente 40%. Apesar das
campanhas de incentivo ao parto normal, Temporão constata que "há
uma tendência de alta das cesáreas".
"Estamos perdendo essa guerra", lamentou. O ministro disse que as campanhas
do governo, promovidas em parceria com associações de especialistas
e a mídia, enfrentam "uma questão complexa que passa pela
desconstrução de uma consciência equivocada, que, por
sua vez, tem levado muitas mulheres a associar o parto normal à
dor e a problemas com a estética de seu corpo".
Entre as causas da mortalidade materna no país, Temporão
citou a hipertensão, hemorragias, infecções relacionadas
ao parto, o aborto e doenças do aparelho circulatório complicadas
pela gravidez.
Hélvio Bertolozzi Soares, da Federação Brasileira
das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo),
também defende a redução do número desses procedimentos
cirúrgicos - embora argumente que as cesarianas não levem
ao aumento dos índices de mortalidade materna, e sim os problemas
que aparecem desde o período pré-natal. Ele observa, aliás,
que muitas mortes podem ser evitadas de forma preventiva, principalmente
nesse período.
"É necessário mudar o sistema de atenção
ao parto, pois do contrário as operadoras de planos de saúde
continuarão a aumentar o número de cesáreas - disse
ele, propondo que essas operadoras atuem "em esquema de plantão,
assim como no SUS", avaliou.
CRESCE INCIDÊNCIA
Gravidez aos 40 anos
O adiamento da gravidez é uma escolha muito comum das mulheres,
nos dias de hoje. Dados do IBGE revelam que em 1991 as mães que
tiveram o primeiro filho na meia idade eram 7.142 (0,67%) e, em 2000, somavam
9.063 (0,79%).
Ainda que em número absolutos este grupo de mães seja
pequeno, o fenômeno já pode ser acompanhado, principalmente,
nos estados do Rio de Janeiro, onde passou de 0,91%, em 1991, para 1,09%,
em 2000, e São Paulo, de 0,65% para 0,87%.
O fato é que o número de grávidas ou mulheres
tentando engravidar na faixa entre 30 e 40 anos tem aumentado nos últimos
anos. Pelo menos, 20% das mulheres aguardam até os 35 anos para
iniciar uma nova família. São muitos os fatores envolvidos
na decisão de adiar a maternidade: a estabilidade profissional,
a espera por um relacionamento estável, o desejo de atingir segurança
financeira, ou, ainda, a incerteza sobre o desejo de ser mãe.
"Entretanto, é importante alertar estas mulheres sobre as consequências
desta decisão: a idade pode afetar a capacidade de conceber. É
também importante informá-las sobre os tratamentos disponíveis
que podem ajudá-las a engravidar, quando elas decidirem que o melhor
momento chegou", afirma o ginecologista e obstetra Aléssio Calil
Mathias. (Diário do Nordeste)
11.05 - Hospitais: USP descobre nova chave contra infecção
Pesquisa identifica molécula no organismo capaz de controlar
a sepse, uma das principais causas de morte em UTIs
Tratamento em roedores reduziu número de mortes de 80% para
20%; estudo será publicado no periódico médico "Nature
Medicine"
No início do mês passado, em Duque de Caxias (RJ), o estudante
Diego Frazão Torquato, 12, morreu em razão de uma infecção
contraída após cirurgia de apendicite. Um estudo de pesquisadores
brasileiros e britânicos abre uma janela para a redução
de mortes causadas por infecções generalizadas, como a que
vitimou o jovem.
O trabalho de pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão
Preto, da USP, e da Universidade de Glasgow, no Reino Unido, descobriu
o que pode ser a chave para o controle das infecções generalizadas,
conhecidas como sepse.
Após um estudo de dois anos, os cientistas conseguiram demonstrar
que uma proteína existente no próprio organismo, chamada
de citocina IL-33, tem o poder de restabelecer as defesas do corpo humano
a uma infecção generalizada.
O resultado será publicado na revista "Nature Medicine".
A sepse é uma das principais causas de morte nas unidades de
terapia intensiva. "De 30% a 40% das pessoas que chegam com sepse a um
hospital morrem", afirmou o farmacologista José Carlos Faria Alves
Filho, 34, um dos autores do estudo.
A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima em
750 mil os casos de sepse nos EUA por ano, com 200 mil mortes. No Brasil,
sem números oficiais, a USP estima até 20% a mais de mortes.
A sepse ocorre, principalmente, em razão de falha no sistema
imunológico em controlar uma infecção local. Pacientes
com comprometimento do sistema imune, como pessoas com câncer, idosos
ou ainda pessoas saudáveis que foram vítimas de traumas ou
queimaduras, por exemplo, podem se tornar mais suscetíveis.
Descoberta
No organismo humano, quando uma infecção é detectada,
um grupo de moléculas chamadas receptores "toll-like", que fazem
parte do sistema imunológico, entra em ação para reconhecer
o tipo de bactéria que invadiu o corpo.
Em reação em cadeia, esses receptores ativam os neutrófilos,
células que são consideradas os "soldados" da linha de frente
do sistema imune, que migram para o foco da infecção.
Ocorre que, quando há sepse, os mesmos receptores "toll-like",
ao serem ativados na circulação sanguínea, desenvolvem
uma resposta inflamatória sistêmica. Isso, em vez de enviar
os neutrófilos para o combate, inibe a migração dos
"soldados" para o foco da infecção.
"Se você dificulta ou atrapalha a migração dessas
células [neutrófilos] para o foco da infecção,
ela deixa de ser local e passa a ser sistêmica, generalizada", afirmou
Alves Filho.
Durante o estudo, os pesquisadores descobriram que uma proteína
existente no próprio sistema imunológico -a citocina IL-33-,
injetada em doses altas, é capaz de inibir os efeitos nocivos dos
receptores e, com isso, restabelecer a migração de neutrófilos
para a inflamação.
"Essa citocina não tem nenhuma capacidade microbicida, ela simplesmente
fortalece o sistema imune para que ele próprio consiga controlar
a infecção", disse o pesquisador.
Na prática
Os testes foram feitos com camundongos e amostras de pacientes com
sepse, e, segundo Alves Filho, os resultados foram positivos nos dois casos.
Com os camundongos, a proporção de animais com sepse
que morriam caiu de 80% para 20% após o tratamento com a citocina
IL-33.
Agora, o grupo iniciará duas novas frentes de trabalho. Uma
delas, em Glasgow, para prosseguir com os testes sobre a possibilidade
de uso da citocina de forma farmacológica.
A outra frente deve prosseguir no Brasil, em busca de uma droga que
tenha poderes semelhantes aos encontrados pelos pesquisadores.
Segundo Fernando Cunha, do Departamento de Farmacologia da USP de Ribeirão,
a droga seria mais viável por envolver menos custo do que o processamento
da citocina.
Cunha disse que a produção de uma droga leva, em média,
de cinco a dez anos até que se encontre a substância ideal.
"Os dados da pesquisa ainda são experimentais, mas a grande vantagem
é que nós já conseguimos demonstrar que o que ocorre
no camundongo ocorre também no paciente. É uma importante
etapa já cumprida." (LEANDRO MARTINS - Folha de S.Paulo)
10.05 - Uma visão sobre o turismo médico
Em artigo, o advogado Rodrigo Correio relata que o turismo médico
é considerado grande filão de negócios decorrentes
da globalização
O turismo médico, ou mais adequadamente as viagens de saúde,
são hoje um dos grandes filões de negócios decorrentes
da globalização. A perspectiva é de acentuado crescimento,
pois nos países desenvolvidos os altos custos de tratamentos têm
levado as pessoas a buscarem outras regiões com mesma qualidade
e menor custo.
A busca de tratamento off-shore é impulsionada por fatores mais
ou menos preponderantes dependendo do país. Nos países em
que o sistema de saúde é predominantemente público,
como Canadá e Reino Unido, a busca ocorre devido longas filas para
receber tratamento eletivo ou de menor urgência.
Nos países em que o sistema é eminentemente privado,
como os EUA, temos um grande contingente de pessoas sem seguro ou plano
de saúde e as próprias seguradoras ou operadoras têm
visto o tratamento off-shore como alternativa para a redução
de custos com sinistros e cirurgias.
Considerando que estes fatores só tendem a se acentuar, o mercado
vai crescer mundialmente sendo uma grande oportunidade para os países
que estiverem aptos a aproveitá-la.
São requisitos necessários para ser um destino de viagens
médicas:
- Fluência das pessoas envolvidas em línguas estrangeiras;
- Atualização tecnológica de equipamentos, materiais,
medicamentos e instalações no nível que os viajantes
têm em seus países de origem;
- Qualificação internacional do corpo clínico;
- Certificação internacional do serviço de saúde;
- Facilidade de pagamento, comunicação, chegada ao destino
dos procedimentos, conforto para o paciente e sua família durante
a estadia e recuperação;
Alguns diferenciais são inatos no Brasil, como receptividade,
calor humano e pontos turísticos. Temos também como diferencial
os médicos altamente capacitados e internacionalmente reconhecidos,
além de uma excelente infraestrutura hospitalar e de turismo. Porém,
alguns desafios devem ser superados: o caos urbano, a falta de segurança
e uma imagem internacional ainda pálida e ligada ao amadorismo e
falta de seriedade, mesmo que de forma injusta.
Programas públicos e iniciativas privadas para o desenvolvimento
deste mercado no Brasil até o momento foram isolados, desarticulados
e inconsistentes, gerando poucos frutos. Porém, os atores públicos
e privados estão buscando maior articulação e cooperação
mútua. O setor público deve se envolver nestes esforços
viabilizando um arcabouço regulatório e de serviços
públicos eficientes para suportar a iniciativa privada e também
induzir investimentos.
O interesse público nestas iniciativas é inegável,
pois ganhar este mercado significa mais recolhimento de impostos, geração
de trabalho, investimentos sustentáveis em infraestrutura hospitalar
e formação profissional. Isso resultará na redução
dos custos e pulverização de custos fixos na saúde.
Do ponto de vista jurídico, estas iniciativas pioneiras geram
demandas de estruturação tributária de prestações
de serviços internacionais, aos diversos mecanismos de contratação
internacional e de formalização de parcerias, além
da avaliação dos riscos de responsabilização
dos atores nacionais em casos de danos. É necessário um sistema
jurídico que proteja os envolvidos, garanta o cumprimento das obrigações
das partes e gere eficiências adicionais à operação
deste negócio, que contribui enormemente para o desenvolvimento
e perenidade dos resultados que certamente virão.
(Rodrigo Alberto Correia da Silva - Saúde Business Web)
10.05 - Automedicação não é a maior vilã
do sistema de saúde
É preciso relativizar um pouco a grita contra a automedicação.
Em algum grau, esse é um fenômeno desejável. A OMS
(Organização Mundial da Saúde), por exemplo, descreve
a automedicação como "necessária" e com função
complementar a todo sistema de saúde.
De fato, a última coisa que o SUS precisa é agregar às
filas dos serviços médicos todos os portadores de quadros
virais sem importância e todas as dores de cabeça do país.
O ideal seria que todo mundo passasse por consulta antes de tomar um
antibiótico, mas, diante das carências estruturais da rede
pública, é provável que os benefícios da venda
descontrolada de amoxacilina, por exemplo, superem os prejuízos.
Afinal, o uso desse antibacteriano de amplo espectro salva vidas no
caso de infecções de rápida progressão. Já
os riscos de tomá-lo sem necessidade raramente são fatais.
Também os números geralmente citados para combater a
automedicação necessitam algum reparo. A OMS estima que 10%
das internações se devam ao uso incorreto de drogas.
Estatísticas do Sistema Nacional de Informações
Tóxico-Farmacológicas (Sinitox) revelaram que remédios
respondem por 27% das intoxicações e 18% dos óbitos
nessa categoria.
A dificuldade é que esses dados incluem as tentativas de suicídio
(que constituem 44% dos casos de intoxicação medicamentosa)
e as situações em que as drogas foram devidamente prescritas
por médico.
Daí não se segue, é claro, que a automedicação
não seja um problema. Ela apenas não é a grande vilã
do sistema. (HÉLIO SCHWARTSMAN - Folha de S.Paulo)
10.05 - 40% da população do Brasil é alérgica
Doença pode sumir inesperadamente, assim como surgir
Pode-se dizer que a modernidade propiciou ao ser humano uma vida mais
cômoda. É necessário, entretanto, ficar atento aos
prejuízos ao organismo dos seres vivos. A incidência dos principais
tipos de alergias, problema ignorado por muitos, cresceu cerca de 18% nos
últimos dez anos, segundo pesquisas. No Brasil, uma criança
em cada quatro sofre com algum tipo de alergia. Ampliando esse número,
cerca de 40% da população nacional passa pela mesma situação.
Além disso, a doença é responsável por 400
mil internações hospitalares e 2.500 óbitos, por ano.
De acordo com o alergologista e ex-presidente da Associação
Brasileira de Alergia e Imunopatologia (Asbai), qualquer pessoa pode ficar
alérgica a qualquer coisa sem determinação de tempo.
“É uma espécie de sensibilidade a uma proteína que
não é reconhecida pelo organismo”, pontuou o médico.
A sensibilidade à alergia depende, principalmente, da carga genética
e da região.
O principal prejuízo causado pela alergia, a diminuição
na qualidade de vida é o que repercute de forma negativa ao enfermo.
“Algumas pessoas vivem permanentemente em crise, outras têm crises
esporádicas. Em ambos os casos, a pessoa não dorme bem, fica
cansada, não consegue respirar bem, precisa fazer uma dieta balanceada.
A alergia traz uma péssima condição de vida”, explicou
o médico.
Mudanças bruscas de clima e poeira em excesso são o ‘calcanhar
de Aquiles’ para a estudante Joana Paula Fialho, de 21 anos. Alérgica
de carteirinha, ela nem lembra quando desenvolveu a alergia respiratória
com a qual é obrigada a conviver. “Antes, quando eu era menor, tinha
muito mais crises. Hoje, a frequência delas é menor”, contou
Paula, que chegou a fazer tratamento com imuniterapia específica,
conhecida por vacina antialérgica, quando criança. “Por muito
tempo não tive crises, mas hoje tenho que enfrentá-las novamente”,
relatou.
Joana Paula não é a única vítima da alergia.
Aliás, ninguém está imune. Assim como as alergias
podem sumir inesperadamente, elas podem surgir da mesma forma. “O organismo
de um pedreiro, por exemplo, pode ficar sensível ao cimento, assim
como o de uma pessoa que come muito frutos do mar ou um de um mecânico
a óleo e o de algumas mulheres a esmaltes”, colocou Walfrido. A
prevenção se dá de acordo com cada caso clínico,
assim como o tratamento.
“A alergia não tem cura porque é um estado genético,
mas o controle dos sintomas permite que o paciente passe a ter uma cura
clínica”, comentou o especialista, que orienta as pessoas a procurarem
um alergologista para realizar um teste cutâneo, o principal exame
detector de alergias, e fazer o tratamento de imuniterapia específica,
quando o médico assim recomendar. (Marcela Alves - Folha de Pernambuco)
07.05 - Gripe comum: Campanha começa atrasada em 3 regiões
Idosos do Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste poderão se vacinar
a partir de sábado
A campanha nacional de vacinação do idoso contra a gripe
comum começa no próximo sábado no Sudeste, Centro-Oeste
e Nordeste, duas semanas após o previsto, pois o Instituto Butantan
não entregou as doses em tempo.
Na mesma data, termina o prazo para imunizar os idosos no Sul e Norte,
onde a campanha começou em 24 de abril. Devido a um erro da assessoria
de imprensa do Ministério da Saúde, a Folha havia informado
que o prazo para essas regiões iria até 21 de maio, o que
vale apenas para Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste.
Gripe A
A vacinação de idosos com doenças crônicas
contra o vírus H1N1 também acaba no sábado no Norte
e Sul. No resto do país, o prazo termina no dia 21. Na segunda terá
início a vacinação das pessoas de 30 a 39 anos.
(Folha de S.Paulo)
07.05 - Pouco sono traz maior risco de morte
Pesquisa realizada na Grã-Bretanha conclui que o ideal é
dormir entre seis e oito horas por dia
Dormir menos de seis horas ao dia pode ter graves consequências
para a saúde e aumenta o risco de morte precoce, segundo estudo
realizado por cientistas britânicos. Quem dorme pouco tem 12% mais
chances de morrer em um prazo de 25 anos do que os que descansam entre
seis e oito horas por noite, conclui a pesquisa feita na Grã-Bretanha.
Dormir demais pode trazer consequências já que os cientistas
encontraram relação entre as mortes precoces e dormir mais
de nove horas, embora não considerem que seja desencadeante de doenças.
Portanto, a conclusão dos pesquisadores é que o ideal é
dormir entre seis e oito horas por dia. Mais de 6,3 milhões de mortes
na Grã-Bretanha entre maiores de 16 anos são atribuíveis
à falta de sono.
Do estudo, realizado pelo programa de sono, saúde e sociedade
da Universidade de Warwick e o centro de pesquisa do sonho de Loughborough,
ambos na Inglaterra, participaram 1,5 milhão de pessoas, A pesquisa
revisou as conclusões de até 16 estudos anteriores realizados
nos Estados Unidos, na Europa e em países do leste da Ásia.
O chefe do programa de sono, saúde e sociedade, Francesco Cappuccio,
aponta no estudo que as sociedades modernas dormem menos, situação
que se repete com maior frequência entre os trabalhadores. Segundo
Cappuccio, isso pode ter “pressão social para trabalhar mais horas
e oferecer maior mobilidade laboral”.
Jim Horne, do centro de pesquisa do sono, ressalta que dormir é
sinônimo de saúde física e mental, já que o
sono interfere em várias doenças, como a depressão.
– Dormir menos de cinco horas é insuficiente para a maioria
das pessoas, e ficar sonolento durante o dia aumenta o risco de acidente
em caso de dirigir um veículo ou conduzir uma máquina pesada
– disse Horne. (Zero Hora)
07.05 - Cirurgia para obesidade em crianças: só casos
extremos
A cirurgia antiobesidade deveria ser utilizada em crianças apenas
em casos extremos e sempre como último recurso, afirma um estudo
publicado nesta semana na edição digital da revista "The
Lancet". Os especialistas recomendam recorrer primeiro a mudanças
nos hábitos relacionados com a dieta e o exercício físico
e, caso isto não funcione, aconselham a utilização
de remédios contra o sobrepeso já que as consequências
da cirurgia a longo prazo são desconhecidas.
Portanto, aconselham que este tipo de cirurgia se restrinja às
crianças com "um índice de gordura corporal de mais de 50
quilogramas por metro quadrado". O estudo foi elaborado por Sue E.S Kimm
da Universidade do Novo México em Albuquerque (EUA), Debbie Lawlor
da Universidade de Bristol (Reino Unido) e Joan C.Han do Instituto Nacional
de Saúde de Bethesda em Maryland (EUA).
Segundo eles, a obesidade infantil dobrou, e em alguns casos inclusive
triplicou, entre o começo da década de 1970 e o fim dos anos
1990 em países como Austrália, Brasil, Canadá, Chile,
Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Japão,
Reino Unido e Estados Unidos.
Atualmente, mais de 40% das crianças na América do Norte
e nos países do leste da zona mediterrânea sofrem com o sobrepeso,
38% na Europa, 27% na zona oeste do Pacífico e 22% no sudeste asiático.
Ingerir mais calorias do que se gasta é, segundo os autores, o causador
de ao redor de 90% dos casos de obesidade infantil. Os 10% restante estão
relacionados com doenças endócrinas, síndromes genéticos
ou com o emprego de alguns remédios como antipsicóticos,
antiestamínico e anticonvulsantes.
A obesidade infantil tem graves consequências para a saúde
já que pode derivar em hipertensão, diabetes, problemas no
fígado, níveis incomuns de gordura no sangue e complicações
psicossociais. O estudo ressalta que ser obeso entre os 14 e 19 anos está
relacionado com o aumento da mortalidade em adultos (a partir dos 30 anos).
Por isso, os pesquisadores recomendam que a prevenção
contra a obesidade comece em casa e aconselham os pais que a dar porções
de comida apropriadas segundo a idade, que fomentem a atividade física
diária e evitem o sedentarismo com medidas como restringir o tempo
que as crianças passam diante da televisão e do computador.
Também recomendam que se utilize o sistema do "semáforo"
desenvolvido por Leonard H. Epstein, da School of Medicine da Universidade
de Búfalo (EUA), que consiste em pôr um rótulo vermelho
nos alimentos que não devem ser consumidos, amarelo nos que podem
ser ingeridos com moderação e verde nos que podem ser comidos
sem problemas, para que as crianças se concientizem da importância
de uma dieta saudável.
Este tipo de modificação dos hábitos demonstra
ser o mais efetivo no curto e longo prazo, ressaltam os especialistas.
Os remédios antiobesidade como o orlistat e a sibutramina demonstraram
ser pouco efetivos quando não são acompanhados de mudanças
na dieta, além de apresentar efeitos secundários, acrescentam.
(Agência EFE)
06.05 - Epidemia de doenças crônicas
Recentes dados de pesquisa realizada pelo IBGE, divulgados em abril,
revelam que o Brasil, da mesma forma que o resto do mundo, sofre hoje de
uma grande epidemia de doenças crónicas, com um terço
de sua população apresentando algum problema de saúde
que requer cuidado continuado.
Esses reveladores e assombrosos dados, que impactam de forma dramática
a qualidade de vida da nossa população e a economia do nosso
país, já tinham sido motivo de alerta da Organização
Mundial de Saúde em 2002, quando a instituição divulgou
seu relatório mundial, denominado "Cuidados inovadores para as doenças
crónicas e os desafios para este milênio".
Já ali, a OMS afirmava que os sistemas de saúde de todo
o mundo equivocadamente se prepararam para o tratamento das doenças
agudas, construindo hospitais e incorporando tecnologias caras e muitas
vezes inúteis, mas que o nosso grande problema eram as doenças
crónicas que de uma forma muitas vezes silenciosa corrói
a qualidade de vida de grande parte da população mundial.
Propugnava ainda que os esforços de todos deveriam ser canalizados
para uma mudança de atitude e hábitos de vida, de novos padrões
alimentares, de atividades físicas mais regulares e muito especialmente
em um novo formato de comunicação em saúde, que fosse
capaz de atingir e sensibilizar a maioria da população para
esse gravíssimo problema sanitário.
Para quebrar este paradigma, entretanto, a saúde necessita de
processos operacionais bem definidos, de sistemas de controles confiáveis
e de pessoas qualificadas. E é exatamente neste último pilar
— as pessoas — que reside o nosso maior desafio em implementar as mudanças
necessárias para enfrentarmos a grave e problemática pandemia
de doenças crônicas que assola o mundo.
Modificar o entendimento das pessoas em geral sob o conceito de políticas
de saúde, e especialmente dos profissionais da área, para
esta nova realidade sanitária deveria ser a preocupação
número um dos governos, das universidades, das associações
profissionais e de representações corporativas. Se rapidamente
não modificarmos a forma equivocada como vimos conduzindo até
aqui a gestão da saúde, em que damos ênfase absoluta
ao tratamento das doenças agudas e não ao cuidado preventivo
e acompanhamento das doenças crônicas, estaremos em poucas
décadas inviabilizando economicamente os sistemas de saúde
em todo o mundo.
A mudança não é simples, porque remete ao padrão
cultural adotado até aqui, do culto à medicalização
e ao modelo hospita-locêntrico em que se confundem políticas
públicas de saúde com a construção de hospitais.
É preciso que nossos esforços sejam também destinados
para o cuidado multiprofissional e interdisciplinar, dando ênfase
às ações de prevenção de doenças
e de promoção da saúde, preservando os hospitais para
as condições clínicas que realmente deles necessitem:
os pacientes de alta complexidade. Esta visão permitirá,
inclusive, otimizar a nossa capacidade hospitalar instalada.
Lamentavelmente, este não é um problema exclusivamente
brasileiro. Os americanos, por exemplo, sofrem de uma impressionante epidemia
da obesidade; os franceses, coreanos e chineses enfrentam a insistente
alta na incidência do tabagismo; os russos adoecem pelo estrondoso
consumo de álcool; e, no Brasil, entre tantos problemas, o saneamento
básico para a nossa população carente que contribui
imensamente para o surgimento de inúmeras doenças talvez
seja o mais grave deles. De uma forma ou de outra, a população
do mundo inteiro padece dos males das doenças crônicas, e
por várias razões somente busca a assistência tardiamente.
Seja por falta de acesso ao sistema de saúde — quase sempre agravado
pelos maus hábitos de vida —, seja por comportamento meramente cultural,
a realidade é que neste cenário não há vencedores.
Todos acabam perdendo. É preciso, portanto, que uma mudança
cultural profunda seja implementada. Uma mudança que vai atingir
ricos e pobres, homens e mulheres, jovens e idosos, e nossas crianças
em especial. E que vai precisar do engajamento de todos. E obviamente um
monumental desafio. Mas também uma grande oportunidade de iniciarmos
agora este movimento, amparado pelo alerta do IBGE e também da OMS
de que a saúde das pessoas não vai bem, e muito menos a dos
sistemas que as assistem.
Para vislumbrar um novo tempo, portanto, não há outra
saída senão compatibilizar nossos valores éticos,
técnicos e morais com as necessidades da população
em geral e as demandas económicas de mercado. Tarefa difícil,
mas não impossível. (Josier Marques Vilar - Portal
G1)
06.05 - Dificíl alcance: Meta para reduzir mortalidade materna
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou
ontem que o Objetivo de Desenvolvimento do Milênio que prevê
a redução da mortalidade infantil em 75% será atingido
com tranquilidade até 2015, mas alcançar o que estabelece
a queda da mortalidade materna em 75% até o mesmo ano não
será tão fácil.
O Brasil registra, até o momento, uma redução
de 46% no total de mortes maternas desde 1990. Entretanto, dados do Ministério
da Saúde revelam que os números não têm sofrido
grandes alterações nos últimos anos. Em 1996, por
exemplo, foram registradas 1.520 mortes, contra 1.540 em 2008.
Segundo Temporão, entre os principais problemas estão
as discrepâncias regionais, já que o Sul e Sudeste apresentam
taxas de mortalidade materna muito mais baixas do que o Norte, Nordeste
e Centro-Oeste. Há ainda a questão da subnotificação
– de acordo com o ministro, a melhora do sistema de notificação
e de monitoramento dos estados e municípios pode ter influenciado
o registro de mortes maternas.
“A expectativa é de que o avanço que conseguimos no Sul
e no Sudeste possa ser estendido às demais regiões do país”,
disse. “É um grande desafio para o SUS [Sistema Único de
Saúde] e para a sociedade brasileira”, completou.
De acordo com a pasta, houve avanço em áreas como a expansão
e a qualificação da atenção obstétrica.
Em 2009, foram realizados 20 milhões de consultas, 19 milhões
a mais do que em 1994. Há ainda os investimentos em educação
sexual. Temporão destacou que o momento do parto é importante,
mas há todo um contexto de planejamento da gestação
que deve ser levado em consideração.
Ele lembrou que leis como a que garante a presença do parceiro
na sala de parto, por exemplo, não são cumpridas na maior
parte do país e que ainda há partos assistidos por profissionais
não qualificados para o procedimento. Outra questão, segundo
o ministro, é o que chamou de “epidemia de cesarianas”. No SUS,
cerca de 30% dos partos são cesarianas. Na rede particular, o índice
chega a 80%. (Agência Brasil)
06.05 - Mamografia antes dos 40 não compensa
Medo de desenvolver câncer e ideias erradas sobre prevenção
levam mulheres jovens à busca precoce pelo procedimento
Pesquisa nos EUA mostra altos índices de falsos positivos entre
mulheres de 18 a 39 anos que se submetem a esse exame
O custo-benefício de se submeter a mamografias antes dos 40
anos é baixo, de acordo com um estudo americano publicado nesta
semana no "Journal of the National Cancer Institute".
Pesquisadores da Universidade de Carolina do Norte examinaram registros
de 117 mil mulheres de 18 a 39 anos que realizaram o exame entre 1995 e
2005 e as acompanharam por um ano. As pacientes apresentaram índices
muito baixos de câncer de mama, mas se sujeitaram à indicação
excessiva de novos exames, o que causou um investimento financeiro e emocional
inútil, sem falar na exposição desnecessária
à radiação.
Como comparação, os pesquisadores reduziram hipoteticamente
o universo pesquisado em 10 mil mulheres de 35 a 39 anos. Nessa proporção,
1.266 teriam de realizar outros exames, 1.250 receberiam falsos positivos
e somente 16 teriam um câncer detectado.
O medo de desenvolver esse tipo de câncer e a falsa impressão
de que o exame é crucial na prevenção da doença
faz com que as pacientes jovens solicitem a seus médicos a realização
precoce da mamografia.
"Existem jovens que querem fazer o exame semestralmente . Mas ele só
deve ser feito como rotina acima dos 40 anos, pois uma das limitações
da mamografia é não conseguir apontar lesões em mamas
muito densas, características das mulheres mais jovens e sem filhos",
afirma a mastologista Maira Caleffi, presidente da Femama (Federação
Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio
à Saúde da Mama).
Para pacientes dessa faixa etária, o mais recomendado pelos
especialistas é o exame clínico, realizado por médico
habilitado, como o ginecologista, e o autoexame rotineiro, por meio do
qual a mulher pode encontrar alguma anomalia e comunicar o médico.
"Tenho três ou quatro casos de pacientes jovens com câncer
por mês: 80% delas suspeitaram de alterações e me procuraram",
acrescenta Caleffi.
No Brasil, 26% das mulheres entre 25 e 29 anos e 40% das que têm
entre 30 e 39 realizaram mamografia ao menos uma vez, segundo levantamento
de 2008 da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), realizada
pelo IBGE.
Indicações precisas
A recomendação oficial do Instituto Nacional de Câncer
é que a mamografia seja realizada como rotina a cada dois anos a
partir dos 50 anos e que o exame clínico seja feito anualmente a
partir dos 40.
Mulheres com alto risco, isto é, com histórico próprio,
na família ou mutações genéticas que favorecem
o câncer de mama, devem fazer mamografia anual desde os 35 anos,
acompanhada de exame clínico.
"Para a população mais jovem, não há recomendação
oficial, porque o Inca se baseia em evidências: estudos iniciais
mostram que os benefícios das intervenções se acumulam
a partir dos 40 anos", diz Ronaldo Correa, técnico da Divisão
de Apoio à Rede de Atenção Oncológica do instituto.
(JULLIANE SILVEIRA - Folha de S.Paulo)
05.05 - SUS em xeque
O sistema brasileiro de saúde está longe dos melhores
parâmetros internacionais, tem registrado lenta evolução
nos principais indicadores nas últimas duas décadas e, mesmo
dispondo de muitos recursos financeiros, ainda padece de graves fragilidades
e desequilíbrios. O modelo do Sistema Único de Saúde
(SUS), criado pela Constituição de 1988, está em xeque.
Revolucionário em sua origem, está hoje limitado pela rigidez
das normas, cobertura deficiente e problemas sérios de gestão.
A ênfase na expansão do sistema privado de saúde,
aliada a falhas operacionais do SUS e aos evidentes gargalos de gestão,
ainda demandam fontes novas de recursos, maior regulação
pelo Estado, controles mais sofisticados sobre a qualidade do gasto e firme
combate à corrupção.
Mesmo com a elevação da despesa federal em saúde,
que saltou de R$ 42,4 bilhões para R$ 58,3 bilhões no período
1995-2009, o Brasil ainda exibe um baixo gasto público como proporção
do Produto Interno Bruto (PIB). Se considerado o sistema público
em geral, estudos mostram que as aplicações chegam a R$ 112
bilhões.
Nos 13 anos entre 1995 e 2007, a relação do gasto federal
recuou de 1,79% para 1,70%. A despesa per capita em dólar (paridade
do poder de compra), deixa o Brasil atrás dos vizinhos Chile, Uruguai,
Argentina e Colômbia. E muito longe de países europeus e até
dos Estados Unidos, onde a saúde pública universal, integral
e gratuita é restrita a uma parcela da população.
As discussões sobre saúde serão ainda mais relevantes
e centrais ao longo da campanha presidencial. O candidato que está
à frente nas pesquisas de intenção de voto, José
Serra (PSDB), foi ministro da Saúde bem avaliado durante o governo
Fernando Henrique Cardoso. A saúde, no governo Lula, é uma
política pública mal avaliada, e a candidata situacionista,
Dilma Rousseff (PT), tem anunciado intenção de debruçar-se
sobre esse problema para corrigir as lacunas.
O governo - tanto o presidente Lula quanto os ministros do Planejamento
e da Saúde - insistem que o problema existe porque a oposição
derrubou a Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira (CPMF), que tinha apenas parte de sua arrecadação
direcionada para o setor e é uma ausência recente: "No fim
de 2007, tentando prejudicar o governo, os adversários eliminaram
o imposto e atingiram, na verdade, a saúde da população",
disse Lula no início de abril deste ano. A oposição
atribui os problemas à má gestão e mostra que a CPMF
não estava sendo aplicada em saúde e a arrecadação
de tributos cresceu depois do fim do imposto sobre o cheque. "A saúde
é um buraco, uma herança maldita de Lula", diz o líder
do DEM na Câmara, Paulo Bornhausen (SC). "Ele tem refluxo de CPMF.
Quando se aperta, culpa a oposição."
Especialistas em saúde apontam não apenas falta de dinheiro
no SUS, mas problemas de gestão no setor e defeitos do modelo. "Além
do tamanho relativamente menor do PIB, a saúde fica com um percentual
pequeno desse PIB", diz o médico e consultor em saúde Gilson
Carvalho. Ele avalia que os R$ 112 bilhões de recursos públicos
na saúde deveriam ser R$ 295 bilhões se fosse usado o mesmo
critério de PIB per capita dos planos privados. "O gasto público
em saúde como percentual do PIB é um dos mais baixos da América
Latina. E, com esse nível agudo de subfinanciamento, o SUS não
consegue oferecer atendimento universal com um mínimo de qualidade",
resume Jarbas Barbosa, gerente de Vigilância em Saúde da Organização
Pan-americana de Saúde (Opas) e ex-secretário-executivo do
Ministério da Saúde.
De 2000 a 2008, o gasto público por habitante passou de R$ 346
para R$ 559 - um crescimento real de 61% no período, segundo o Instituto
de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Ainda assim, está bem
atrás de Uruguai, Colômbia, Argentina, Europa e EUA. "É
óbvio que precisa mais gestão. Dá para fazer mais
com os recursos que existem, mas isso será absolutamente insuficiente
para o modelo de SUS que temos hoje", afirma o presidente da Frente Parlamentar
da Saúde, deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS).
Apontado como principal entrave ao avanço do SUS, o fim da CPMF
não levou ao colapso o financiamento da saúde. Na verdade,
foi a maior derrota política de Lula no Congresso. Mas bem pior
que o fim da CPMF foi a crise de 1993, quando o Fundo de Amparo ao Trabalhador
(FAT) emprestou dinheiro ao setor. E mais grave que a extinção
do imposto foi a falta de empenho do governo Lula para mudar as regras
do financiamento da saúde, limitar os "dribles" aplicados por Estados
e municípios no SUS e ampliar o orçamento do setor sem a
criação de impostos.
A Emenda Constitucional nº 29, que aguarda regulamentação
desde 2000 no Legislativo, poderia ter agregado até R$ 15 bilhões
anuais ao orçamento do Ministério da Saúde sem a necessidade
de uma nova CPMF. Mas o projeto do Senado, que vinculava 10% da receita
corrente bruta ao custeio da saúde, acabou derrotado. A resistência
mais forte veio da equipe econômica do governo, cujo objetivo principal
é criar um novo tributo, a Contribuição Social para
a Saúde (CSS). O lobby da bancada parlamentar da saúde, onde
a rede hospitalar tem influência, que podia resistir contra o aumento
de impostos, aceitou o jogo do governo em troca de reajustes da tabela
de procedimentos do SUS.
Um estudo inédito do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
(Ipea) mostra que a extinção da CPMF foi compensada em boa
medida pela "emenda 29", que garantiu um "colchão" de estabilidade
e mais dinheiro ao SUS ao fixar aportes mínimos de recursos de União,
Estados e municípios. E isso ajudou a aliviar muito o caixa do governo
federal.
De 2000 a 2008, a União reduziu de 60% para 46% sua fatia no
financiamento da saúde. Os Estados elevaram de 18,5% para 24,5%
sua participação no bolo e os municípios, de 22% para
30%.
A "emenda 29" resultou em um aporte adicional de R$ 34 bilhões
ao SUS, que, somado a outros R$ 13 bilhões da União, levou
o orçamento do setor a um crescimento de 80% em termos reais desde
2000. "Na verdade, a CPMF só trouxe recursos novos à saúde
a partir de 2004, e não desde o início, em 1997", diz o especialista
do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Sérgio
Piola. A CPMF, afirma ele, apenas substituiu contribuições
sociais como CSLL e Cofins. A partir de 1999, a contribuição
foi desfigurada ao ceder parte da arrecadação à Previdência
e ao fundo de pobreza, ficando com somente 0,2% dos 0,38% originais.
Mas, mesmo beneficiado pela "emenda 29", o atual modelo do SUS tem
sido limitado pela sobrecarga às finanças estaduais e municipais,
cujos graves problemas para cumprir os percentuais mínimos exigidos
em lei têm levado os gestores a "driblar" a Constituição.
"Quem tem pago essa conta da saúde até aqui é o município",
defende o consultor Gilson Carvalho. A lei obriga os municípios
a aplicar 15% no setor. "Mas eles já estão bem acima disso
desde 2002", diz. De outro lado, 16 Estados deixaram de aplicar o mínimo
de 12% na saúde em 2007 - uma conta de R$ 3,7 bilhões. Além
disso, sem a "emenda 29" não há definição sobre
o que são "ações de saúde", o que deixa a porta
aberta para computar despesas de saneamento, merenda, estradas e previdência
de servidores públicos como gasto de saúde. O Ipea calcula
em R$ 12 bilhões a conta desses "dribles" no período 2004-2007.
O governo reconhece o problema e, para resolvê-lo, prega a mudança
do modelo do SUS. A secretária-executiva do Ministério da
Saúde, Márcia Bassit, calcula "perdas" de R$ 24 bilhões
sem a CPMF e diz que a variação negativa do PIB em 2009 dará
prejuízo de R$ 1 bilhão ao setor. A alternativa, defende,
é adotar um novo modelo baseado em fundações públicas
de direito privado. "A gestão mais qualificada exige outro modelo.
Há normas e regulamentos em excesso", diz. Ela defende a gestão
do ministro José Gomes Temporão, mas admite "desafios" na
ampliação da rede de atenção básica
e redução no tempo de espera por consultas especializadas,
exames e internações. "Temos um claro subfinanciamento. E
talvez isso seja mais grave do que a gestão."
Mas os especialistas em orçamento e planejamento insistem nos
problemas da gestão. "O 'PAC da saúde' está parado",
lembra o consultor legislativo Luiz Carlos Romero. Batizado como "Mais
Saúde", o programa previa R$ 90 bilhões de investimentos
até 2011. "Inviabilizaram o PAC da Saúde", disse Lula ao
culpar novamente o fim da CPMF. Mas Márcia Bassit rejeita a paralisia.
E cita investimentos de R$ 1 bilhão em obras, equipamentos e nos
programas de unidades básicas (PSF), pronto atendimento (UPAs) e
urgência (Samu). "Essa é a marca do ministro Temporão:
cuidado com a gestão e direcionamento para saúde da família
e atenção básica. Hoje, a cobertura já chega
a 73,5% do país."
Mesmo assim, o principal obstáculo ao SUS continua sendo a falta
de alternativas de financiamento, inclusive dentro da emperrada reforma
tributária. O setor privado tem crescido rapidamente nesse rastro
e já responde por 60% dos gastos em saúde. "A estrutura do
gasto foi herdada do modelo prévio ao SUS, no qual o papel do Estado
havia sido promover a expansão do setor privado", diz Maria Alícia
Ugá, da Fundação Osvaldo Cruz.
Outra distorção é o aumento dos subsídios
federais a planos e seguros privados, o que beneficia apenas a parte da
população mais rica. O Ministério da Fazenda estima
renúncia fiscal de R$ 8,7 bilhões com saúde em 2008.
"Caminhamos para uma privatização em grande escala", avalia
o consultor Luiz Carlos Romero.
O desafio da "privatização" da saúde tende a piorar
com a velocidade das mudanças demográficas e o rápido
aumento da idade média do brasileiro, o que obrigará as famílias
a gastar ainda mais com saúde. Na média, cada família
gasta hoje 5,3% da renda com saúde, diz o IBGE. Os mais pobres,
porém, já gastam 7% - 80% disso com despesas ligadas a medicamentos.
A fatia dos remédios no total dos gastos públicos cresceu
de 4,3% para 9% entre 1995 e 2007. O governo paga hoje 95% do custo dos
medicamentos para 1,2 milhão de pessoas, fomentando 9,8 mil farmácias
país afora, mas isso só aumenta a distorção.
(Mauro Zanatta - Valor Online)
05.05 - SUS: Distorções regionais
No início de fevereiro, quando teve fortes dores de cabeça,
mal-estar generalizado e quase não se aguentava em pé, o
lavador de carros Manoel Ferreira da Silva engrossou as estatísticas
da explosão da dengue no país e virou parte das teorias de
qualidade dos gastos públicos em saúde.
Morador de Santo Antônio do Descoberto, cidade goiana de 60 mil
habitantes vizinha do Distrito Federal, o mineiro de 34 anos buscou socorro
no hospital universitário de Brasília, o HUB. Como a emergência
estava em reforma, seguiu ao Hospital da Asa Norte (Hran). Ali, permaneceu
deitado por 12 horas em um dos bancos da sala de espera superlotada. "Nem
um copo d'água me deram", diz. Às 11 da noite, recebeu o
diagnóstico de enxaqueca e uma receita de paracetamol. Ferreira
esboçou um protesto, mas o cansaço, a dor e a tortura da
espera o levaram à busca do remédio.
A dor cedeu, mas passou mal novamente. No dia seguinte, procurou o
hospital municipal de Santo Antônio. Ali, tomou soro e quatro injeções.
"Fiquei bom na hora", lembra. Os exames confirmaram a suspeita: era mesmo
dengue. A doença passou, mas ficaram o prejuízo de sete dias
sem trabalhar e a indignação com o sistema: "Me atenderam
mal porque moro no entorno de Brasília", constata. "Mas aprendi.
Vou fazer um plano de saúde. Não tem outro jeito."
O caso do lavador de carros, um entre os 9 mil registros de dengue
este ano em Brasília, revela distorções regionais
e mostra que a oferta de serviços depende menos do volume de dinheiro
investido na saúde e mais da qualidade da despesa. "A vinculação
constitucional mínima de 12% de gastos em saúde obriga o
gestor a gastar de qualquer jeito, sem preocupação com qualidade",
diz o economista Júlio Gregory Brunet, coautor de um estudo comparativo
entre despesas totais e nível de serviços oferecidos aos
contribuintes.
O Índice de Qualidade do Gasto Público (IQGP) traduziu
os números dos Estados em um ranking de eficiência dos gastos.
Os dados mostraram que, mesmo com oferta de serviços semelhante,
os gastos do Distrito Federal são bem diferentes das despesas de
Goiás, onde está Santo Antônio do Descoberto. Em 2007,
Goiás gastou R$ 373 por habitante enquanto o DF desembolsou R$ 1.078
- a mais alta despesa do país. Mas a análise mostra que Goiás
fez muito mais consultas e internações pelo SUS, além
de oferecer uma rede maior de hospitais públicos, postos de saúde
e mais leitos. Goiás também registrou menos incidência
de tuberculose e aids, além de menores taxas de mortalidade materna
e baixo peso do bebê ao nascer.
Resultado: Goiás figurou em 5º e o DF apenas em 24º
no índice geral de qualidade da despesa de acordo com a oferta de
serviços e o ranking ponderado do gasto. Mesmo gastando menos em
saúde, Goiás oferece serviços melhores a custos menores
do que o DF. "Esse é um exemplo de que o gigantismo do sistema gera
perda de eficiência e pouca preocupação com a gestão",
afirma Brunet.
Os dados, apurados com base em 17 indicadores específicos revelaram
que o volume de problemas e a perda de eficiência são proporcionais
ao tamanho da unidade federativa. Nos Estados do Norte, onde os orçamentos
per capita são maiores, os gastos têm menos eficiência.
No Pará, por exemplo, há mais recursos per capita, mas a
oferta de serviços é baixa. Para criar o ranking, foram usados
três indicadores: de insumo, com a despesa per capita em saúde;
de produto, composto pela oferta de serviços (consultas pelo SUS,
enfermeiros, hospitais, médicos, leitos, internações,
postos e unidades); e de resultados (gravidez, expectativa de vida, incidência
de tuberculose, aids, dengue, suicídio, mortalidade infantil, materna
e baixo peso dos bebês). (Mauro Zanatta
- Valor Online)
04.05 - Desafio da vacinação
Chegada do inverno aumenta perigo da gripe A
Encerrado o primeiro trimestre de 2010, voltam à mídia
notícias sobre a gripe A. Com a proximidade dos meses de inverno,
especialmente nas regiões Sul e Sudeste do país, médicos
e outros profissionais de saúde estão atentos à possibilidade
de uma nova epidemia desta enfermidade. Por seu grande potencial de transmissibilidade
e morbidade significativa ao colocar em risco, principalmente a população
jovem, a exemplo do que ocorreu em 2009, os meios de comunicação
devem dar ênfase à educação em relação
aos cuidados para o enfrentamento da gripe A.
É importante que todos nós, em ações conjuntas,
possamos atravessar esta nova etapa com tranquilidade, segurança
e compreensão do problema. A experiência adquirida no ano
passado nos faz fortalecidos e é o suporte de que precisamos para
sair vitoriosos deste enfrentamento.
A Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia está engajada
no processo de informação e educação nas distintas
regiões do país e, considerando que os sintomas da gripe
A e suas complicações mais graves são respiratórias,
coloca-se amplamente à disposição da população
brasileira. Até 20 de abril, o Ministério da Saúde
já contabilizava 30 milhões de pessoas vacinadas contra a
gripe. Embora as metas tenham sido atingidas entre as crianças (88%
de população vacinada) e os profissionais de saúde
(100% imunizados), outros grupos ainda estão aquém das expectativas.
As gestantes, por exemplo, ainda não ultrapassaram 55% de cobertura.
Entre aqueles que ainda não se vacinaram, segundo estudo do Ministério
da Saúde, 40% alegaram falta de tempo.
Vale destacar que existem hoje, espalhados pelo país, 36 mil
postos abertos, muitos deles funcionando inclusive nos fins de semana.
A campanha segue em seu calendário. Depois das fases que receberam
profissionais da saúde, indígenas, crianças de 6 meses
e 2 anos e portadores de doenças crônicas maiores de 60 anos,
como DPOC, asma grave, doenças cardíacas, neurológicas,
hepáticas, entre muitas outras, hoje vêm sendo vacinados os
jovens de 20 a 29 anos, além das gestantes, que podem comparecer
aos postos de saúde em qualquer uma das fases. Ainda faltam os idosos
(de 24 de abril a 7 de maio) e os adultos entre 30 e 39 anos (de 10 a 21
deste mês).
Mesmo antes de encerradas todas as etapas, podemos afirmar que, sem
dúvida, esta é uma grande campanha de vacinação.
Segundo previsão do Ministério da Saúde, serão
distribuídos cerca de 113 milhões de doses de vacina. Com
toda essa estrutura, os cuidados amplamente divulgados no ano passado continuam
valendo e são da máxima importância. As principais
recomendações para prevenção da transmissão
são lavar as mãos com água e sabão com frequência,
cobrir o nariz e a boca ao tossir; procurar não colocar a mão
nos olhos, boca ou nariz; não compartilhar alimentos e utensílios
e evitar aglomerações ou ambientes pouco ventilados.
Compreendemos que neste momento mais esta batalha está começando.
Juntos, e sintonizados com a população, com certeza poderemos
atravessar este caminho com serenidade, maturidade e responsabilidade.
(Jussara Fiterman - Estado de Minas)
04.05 - A doação de órgãos por idosos
Até há pouco, a doação feita por idosos
era apenas de bens e moeda corrente, por meio de testamento.
Agora, se bem selecionados, eles podem doar também seus órgãos.
O limite de idade para o doador tem sido de 55 anos. Mas centros americanos
e europeus vêm aceitando idosos, após avaliação
clínica.
Na reunião da Sociedade Internacional de Transplante de Coração
e Pulmão, realizada na semana passada em Chicago,(EUA), médicos
relataram que a idade do doador bem selecionado não interfere no
resultado do transplante de pulmão.
T. Horai, N. Shiguemura e colaboradores mostraram dados de 593 transplantes
feitos na Universidade de Pittsburgh (EUA). Desse total, 87 usaram pulmões
de pessoas com mais de 55 anos. A evolução foi similar entre
receptores de órgãos jovens ou idosos.
A equipe do médico Iker López, do hospital espanhol Vall
d'Hebron, apresentou dados semelhantes, de 116 transplantes feitos entre
2007 e 2009. Desses, 19 usaram pulmões de pessoas com mais de 60
anos.
O resultado foi igualmente bom para órgãos de doadores
jovens ou idosos.
Aceitar doadores mais velhos é uma opção válida
para aumentar a disponibilidade de órgãos, concluiu López.
Estudos de 2004 sobre rins transplantados de doadores acima dos 55
também mostraram bons resultados. (JULIO ABRAMCZYK - Folha
de S.Paulo))
04.05 - Maioria não identifica os sintomas de um derrame
Sinais são desprezados por 70% dos que sofrem tipo comum de
AVC, diz pesquisa
Estudo britânico feito com mais de 90 mil pessoas alerta para
a necessidade de reconhecer o problema e buscar atendimento logo
Mais de 70% dos pacientes que sofrem um tipo de AVC (acidente vascular
cerebral) não reconhecem os sintomas e 30% deles procuram ajuda
médica mais de 24 horas depois.
Nos casos de episódios isquêmicos transitórios,
os sintomas são passageiros, mas as consequências podem ser
graves, caso não seja feito o socorro imediato, diz o neurologista
Eduardo Mutarelli, do Hospital Sírio-Libanês, em São
Paulo.
De acordo com os últimos estudos, as chances de evitar ou minimizar
as sequelas de um derrame isquêmico (quando ocorre uma obstrução
na passagem do sangue) são maiores se a pessoa procura atendimento
em até quatro horas e meia após o início dos sintomas.
"É parecido com o que acontece no infarto: ao desobstruir o
vaso, reduz-se a morte das células da região. Mas, após
esse período, as sequelas têm mais chances de se tornarem
permanentes", acrescenta o cardiologista Sérgio Timerman, diretor
do Laboratório de Treinamento e Simulação em Emergências
Cardiovasculares do InCor (Instituto do Coração).
No AVC hemorrágico, outro tipo de derrame, a intervenção
médica precoce também pode minimizar danos.
Segundo os autores do estudo, a demora para buscar ajuda não
foi relacionada a diferenças de sexo, idade, classe social ou nível
educacional. A pesquisa, britânica, avaliou acidentes vasculares
de mais de 90 mil pacientes entre 2002 e 2007. Os resultados acabam de
ser publicados na revista "Stroke".
Serviço de urgência
Pessoas que já tinham sofrido um derrame ou portadores de arritmias
cardíacas procuraram atendimento com mais pressa. Mas isso não
foi observado em pacientes com infarto, hipertensão ou tabagismo.
A demora em buscar atendimento foi maior nos fins de semana. Os dados também
confirmam que a grande maioria dos pesquisados foi primeiro ao seu médico
de confiança, quando o recomendado é correr para um serviço
de urgência.
Os resultados também revelaram que aproximadamente 30% dos derrames
que ocorrem após um acidente transitório acontecem antes
de o paciente procurar ajuda.
O derrame cerebral é o problema que mais mata no Brasil, mas
também por aqui o desconhecimento de sintomas e necessidade de intervenção
rápida é pequeno.
"Acho que o cenário deve ser pior, porque há vários
sintomas que as pessoas podem não reconhecer", diz Mutarelli. Para
ele, quando os sintomas são passageiros, a pessoa pode ter a falsa
impressão de que nada grave está acontecendo.
"Temos uma conscientização muito pífia da população
para o problema. Isso leva a atrasos na procura por auxílio médico
e inviabiliza um tratamento que pode reverter o quadro", diz Timerman.
Um estudo feito em 2005 com mais de 800 pessoas em São Paulo,
Ribeirão Preto, Fortaleza e Salvador mostrou que os brasileiros
desconhecem até o nome correto do problema: foram apontadas 28 denominações
para o AVC e somente 15% souberam dizer o que a sigla significava. Alguns
confundiram com infarto. "No Norte, chamam mais de trombose. No Sul, de
derrame. Muitos não souberam nem relacionar que a causa seria vascular",
diz o neurologista Ayrton Massaro, presidente da Sociedade Ibero-Americana
de AVC.
Segundo Massaro, ao sentir os primeiros sintomas, o paciente deve chamar
o resgaste. "Não é para ir ao médico, deve-se buscar
o hospital mais próximo e equipado", indica. A própria pessoa,
se estiver consciente, ou quem a socorreu deve informar o horário
em que os primeiros sinais surgiram e quais foram eles. (GABRIELA CUPANI
e JULLIANE SILVEIRA - Folha de S.Paulo)
03.05 - Desafios éticos para a medicina do século 21
A medicina surgiu nos tempos imemoriais, no início da civilização
humana, em sua forma rudimentar, desprovida de qualquer benefício
terapêutico outro, a não ser o exercício da solidariedade.
Quando os primeiros humanos coletores enfrentaram as savanas, convivendo
em agrupamentos, diante da natureza inóspita em sua luta pela sobrevivência,
sofreram agravos externos ou adoeceram, e um outro ser humano postou-se
ao seu lado, no sentido de cuidá-lo ou, por permanecer ao seu lado,
em seu momento de dor, naquele momento surgiu a medicina, como símbolo
da solidariedade humana.
Milhares de anos se passaram até os dias de hoje, e daqueles
momentos vividos no passado não restam nem escritos. Pouco sabemos
da medicina praticada na Mesopotâmia há 8 mil anos ou no Egito
há 4 mil anos. Sabemos um pouco mais na Grécia de 2.500 anos
passados, porque Hipócrates nos deixou pródiga literatura,
que foi atribuída a ele e reunida no Corpus hipocratticum, incluindo
seu juramento, repetido até os dias de hoje nas formaturas dos novos
médicos. Passamos pela fase mística e religiosa, quando atuamos
como xamãs ou sacerdotes, até chegarmos à fase científica
ao fim do século 19, com Claude Bernard, onde aprendemos, pelo método
científico, a objetivar o que era absolutamente subjetivo.
Nos dias de hoje, as novas tecnologias científicas incorporadas
ao arsenal propedêutico e terapêutico permitem o prolongamento
indefinido da vida, que na verdade resulta no prolongamento indefinido
do morrer, utilizando-se recursos desproporcionais, como também
a clonagem de órgãos, as terapias com intervenção
no genoma humano, a possibilidade de ultrapassarmos a barreira dos 150
anos, cura para a maioria das doenças infecto-contagiosas pela vacinação
e as previsões da cura do câncer e da Aids nos próximos
10 anos.
Entretanto, continua válido o aforismo francês do século
15, traduzido do latim medieval, segundo o professor catedrático
Joffre de Rezende, da Faculdade de Medicina da Universidade de Goiás:
“Guérir quelquefois, soulager souvent, consoler toujours” ou “Medicus
quandoque sanat, saepe lenit et semper solatium est”, o que significa “O
medico às vezes cura, muitas vezes alivia e sempre é um consolo”.
Do ponto de vista ético e jurídico, efetivamente, o médico
não tem compromisso com a cura mas com o cuidado, ou seja, o seu
compromisso não é de fins, mas de meios.
Diante das mudanças sociais ocorridas nos últimos 20
anos em nosso país – pois tivemos uma nova Constituição,
um novo Sistema Público de Saúde (lei do SUS) e uma legislação
específica para as Operadoras de Planos de Saúde (suplementar),
além das novas tecnologias empregadas na medicina, especialmente
na área da imagem e da genética humana – tornou-se necessário
repensar na atualização do Código de Ética
Médica. Especialmente porque houve uma profunda mudança da
moralidade vigente, incluindo a moralidade médica, diante dos novos
desafios. Entendendo que a ética é uma ciência reflexiva
sobre a moralidade de nossas ações e a moral varia no tempo
e no espaço e, geralmente, é apresentada de forma codificada,
após ser consensuada, para ser aplicada por persuasão ou
coerção, quando houver infração aos deveres
de conduta.
Iniciou-se, há três anos, a discussão sobre a revisão
do Código de Ética, e uma Comissão Nacional de Revisão
do Código preparou as Conferências Nacionais de Ética
Médica, escolhendo como símbolo o mito romano de Janus, o
deus com duas faces opostas, cada uma delas olhando para o passado e o
futuro. Iniciou assim a necessária reflexão ética
sobre a moralidade médica contemporânea, à luz da ética
das virtudes (aristotélica), a ética dos deveres (kantiana)
e a ética da responsabilidade (utilitarista).
Após a fase inicial, foram recebidas mais de 2.500 sugestões
de mudanças, oriundas dos médicos e da sociedade civil organizada,
e um esquema básico foi proposto para o novo Código (revisto,
atualizado e ampliado), que seria composto por três partes: a primeira
com os princípios fundamentais (a máxima moralia); a segunda
com os direitos (diceologia) e a terceira com os deveres de conduta (deontologia
- a mínima moralia), esta última com os artigos com condutas
minimamente exigíveis dos médicos sob pena de receberem uma
sanção quando infringidos.
Houve uma grande preocupação com a abrangência
do Código, prevalecendo o entendimento que os administradores em
saúde – tanto gestores da saúde pública ou da suplementar,
desde que médicos – deveriam ser alcançados, pois seria inadmissível
aceitarmos que normas administrativas prejudicassem a boa relação
médico-paciente ou que os custos da assistência assumissem
importância maior do que a qualidade da mesma.
Além disso, foram contempladas as questões referentes
às novas tecnologias, como a reprodução assistida
e a terapia gênica, evitando-se qualquer interferência malévola
em gerações futuras. Mais ainda, forte componente bioético
foi introduzido no capítulo dos princípios fundamentais,
voltado para um reforço na autonomia e beneficência aos pacientes
e, também, nas questões ambientais. A introdução
dos cuidados paliativos para pacientes em fase terminal de doenças
crônico-degenerativas foi avanço contra a obstinação
terapêutica com o uso de recursos desproporcionais, desencorajando
a distanásia.e garantindo uma morte com dignidade.
Forte ênfase foi dada ao conflito de interesses envolvendo médicos
e a indústria farmacêutica e a de equipamentos médico-hospitalares,
afastando definitivamente a possibilidade de mercantilismo na profissão
médica.
Por fim, tanto os pesquisadores como os professores, médicos,
também foram responsabilizados em seus compromissos com a sociedade
e com a própria profissão. Assim o ensino medico foi contemplado
e é a grande preocupação do Conselho Federal de Medicina,
no momento, quando criou, recentemente, a Comissão Nacional de Ensino
Medico e pretende envolver, por meio de convênio, a Academia Nacional
de Medicina e as academias estaduais de medicina com os conselhos regionais
em um grande projeto de ensino de Humanidade visando melhorar a formação
moral e intelectual dos novos médicos. Para tal, a a Associação
Brasileira de Ensino Médico e os coordenadores dos 180 cursos de
medicina, existentes no país, já foram convidados para um
grande debate nacional sobre o tema. A Academia Nacional de Medicina está
convocada para contribuir, pois, como disse o grande médico catalão
do século 19 José Letamendi, “aquele que só medicina
sabe, nem medicina sabe”. (Roberto Luiz dAvila - JB Online)
03.05 - Novo Código de Ética melhora o sistema de saúde?
O novo Código de Ética Médica entrou em vigor
no último dia 13 de abril, em substituição ao anterior,
que data de 1988, ou seja, após vinte e dois anos. Neste período,
o exercício profissional da medicina incorporou muitas técnicas
e situações que exigiram respostas a novas questões
éticas e bioéticas que não estavam contempladas. Portanto,
houve uma atualização elaborada por cerca de 400 delegados,
entre conselheiros federais e regionais de medicina, membros de sindicatos
e sociedades de especialidades médicas, além de representantes
de várias entidades da sociedade civil, que demoram dois anos para
sua aprovação.
O código trata, entre outros temas, dos direitos dos médicos,
responsabilidade profissional, direitos humanos, relação
com pacientes e familiares, doação e transplantes de órgãos,
relação entre médicos, sigilo profissional, documentos
médicos, ensino e pesquisa médica e publicidade.
Atualmente, restrições excessivas são impostas
aos médicos, colocando em perigo a confiança essencial na
relação médico-paciente, as políticas públicas
são deficientes, as práticas privadas são excludentes,
os recursos disponíveis são escassos e a saúde tem
sido diminuída à condição de mercadoria, com
desenfreada incorporação de novas tecnologias. Algumas alterações
no Código levam em conta essa realidade, mas também consideram
as mudanças da sociedade na qual a medicina é praticada,
e a vontade coletiva da população, a quem os médicos
devem servir.
Buscou-se um Código justo, pois a medicina deve ser equilibrada
entre estar a serviço do indivíduo, mas também da
saúde pública e do bem estar da sociedade. O imperativo é
o princípio de liberdade do médico, que deve estar concatenado
com a liberdade do paciente. Esse é o contrato tácito e implícito
de todo ato médico, que permeia o novo Código. O médico
tem no Código a preservação de sua independência
profissional, daí a preocupação ética de eliminar
conflitos, de afastar o médico de influências desmedidas de
empregadores, da indústria, dos interesses puramente empresariais
e mercantilistas.
Portanto, entendemos que este Código aproxima o médico
do paciente, na medida que o exercício da cidadania é seu
ponto alto, conferindo ao paciente, quando possível, o direito de
compartilhar a decisão de seu tratamento, após ouvir de seu
médico sobre as alternativas possíveis. Em suma, investe
na relação médico-paciente, dosando o humanismo e
a prática tecnico-científica da melhor maneira possível.
Entendemos este Código como uma “ferramenta” indispensável
para melhorar a saúde da população, mas não
podemos esquecer que ainda necessitamos de investimentos de recursos para
o SUS, nos três níveis de governo, que priorizem materiais
e equipamentos, além de recursos humanos das diversas profissões
da saúde, adequados ao atendimento. Defendemos uma carreira de Médico
do Estado, para melhor distribuição e fixação
destes profissionais em todo país, pois não faltam médicos,
conforme ressente levantamento do CFM que comprova a existência de
um médico para cada 578 habitantes no Brasil. Portanto, faltam políticas
públicas adequadas para as necessárias mudanças no
nosso sistema de saúde. (Desiré Carlos Callegari
- CFM)
03.05 - Novo mercado para médicos gestores
Os médicos estão descobrindo que existem boas oportunidades
de desenvolver a carreira fora dos consultórios e hospitais. Cada
vez mais empresas relacionadas ao setor de saúde como seguradoras
e laboratórios farmacêuticos vêm contratando os serviços
desses profissionais, que passam a somar técnicas de gestão
aos conhecimentos médicos.
A headhunter Laís Passarelli, diretora da Passarelli Consultores,
reconhece que havia certo preconceito dentro da própria categoria
contra médicos que seguiam carreira corporativa. "Era uma visão
antiquada de que isso representaria, de alguma forma, o abandono dos ideais
da medicina. Na verdade, esta é apenas uma outra forma de se exercer
a profissão", destaca.
A demanda por médicos entre as empresas que lidam com seguro-saúde,
por exemplo, aumentou muito ao longo da última década. Foi
quando o setor se deu conta de que a tradicional abordagem tratativa -
fornecer carteirinhas para atendimento dos associados em uma rede de médicos
credenciados - logo estaria com a viabilidade comprometida. Seria preciso
associá-la a uma estratégia preventiva que ajudasse a reduzir
a demanda pelos atendimentos e limitar os custos para as empresas, que
viam a saúde consumir fatias progressivamente maiores do orçamento.
O atendimento médico se tornara o segundo maior custo do RH
na maior parte das empresas, perdendo apenas para a folha de pagamento.
Ao mesmo tempo, começava a se proliferar o conceito de que manter
os funcionários saudáveis tem reflexos positivos na lucratividade
das empresas - daí a onda de programas de controle de peso, combate
ao tabagismo, ginástica laboral entre outros.
Tudo isso foi atraindo os médicos para dentro da gestão
da saúde, pois as soluções já não podiam
mais ser arquitetadas e geridas apenas por administradores e economistas.
Em muitas funções, era preciso conhecimento de causa. "Não
há outra opção: o trabalho que faço precisa
ser feito por um médico", diz Márcio Botter, 43 anos, um
dos mais recentes contratados da Aon Consulting.
Há sete meses na casa, depois de quase 20 anos de carreira dedicados
exclusivamente ao atendimento de pacientes, o clínico geral e especialista
em cirurgia de tórax não esperava a reviravolta na carreira
até receber o convite para cuidar exclusivamente de um cliente da
seguradora, a Clariant, do ramo petroquímico.
"Faço toda a interface da empresa com o plano de saúde.
Gerencio as internações de alto risco, os maiores usuários
e os doentes crônicos, por exemplo. Todo dia tenho problemas do gênero
para resolver", descreve. "A diferença em relação
ao trabalho de consultório é que estou cuidando simultaneamente
de seis mil vidas, e não de apenas um paciente. Tenho vários
colegas que seguiram o mesmo caminho e ninguém se sente menos médico
por isso", acrescenta.
Segundo Laís Passarelli, a dificuldade para encontrar no mercado
profissionais que reúnam conhecimentos médicos e de gestão
ainda é grande. As oportunidades para quem tem esse perfil, contudo,
deverão se ampliar ainda mais nos próximos anos. "Há
cargos para os quais as empresas na área de saúde dariam
preferência a médicos, pois consideram importante ter alguém
que fale de igual para igual com os clientes", afirma. Para seguir carreira
como gestor, contudo, não é preciso pendurar o estetoscópio.
O mais comum, pelo menos por enquanto, é que as duas atividades
continuem sendo exercidas simultaneamente. O próprio Márcio
Botter continua se dedicando às cirurgias, ainda que em menor volume,
e lecionando na Santa Casa de São Paulo nas manhãs de quinta.
A Aon, aliás, incentiva seus funcionários médicos
a preservar não apenas parte das atividades de consultório,
mas também as acadêmicas, no caso de quem dá aulas.
"Isso
é muito importante para trazer as últimas novidades e manter
a empresa atualizada", explica Marcelo Munerato, vice-presidente da Aon
Consulting, divisão especializada na elaboração, análise
e administração de programas de benefícios, com 30
médicos na equipe.
Para Munerato, permitir flexibilidade de horário é uma
das premissas para lidar com esse público. A Aon tem academia interna
de negócios, onde os profissionais podem adquirir conhecimentos
em gestão por meio de cursos oferecidos regularmente.
O setor de saúde cresceu tanto dentro da empresa nos últimos
anos que já responde por 75% do faturamento da Aon Consulting e
34% de todo o faturamento da empresa no Brasil - a seguradora tem 800 funcionários
no país. "Uma das grandes vantagens de ter médicos na equipe
é que eles adquirem tal nível de equilíbrio emocional
ao longo da carreira que tiram de letra problemas que parecem ser o fim
do mundo para os demais gestores", compara Munerato.
Menos plantões na UTI e mais tempo para a vida pessoal
A médica Alessandra Pimentel da Silva, 36 anos, sabe bem o quanto
o cotidiano da profissão que escolheu pode ser exaustivo. Em 2007,
ela trabalhava em UTIs de cinco diferentes hospitais de São Paulo
e chegava a cumprir sete plantões por semana, cada um deles com
12 horas de duração. Não sobrava tempo e muito menos
disposição para compromissos sociais.
Foi quando surgiu o convite que representaria uma mudança radical
tanto na carreira quanto na vida pessoal: uma das chefes perguntou se Alessandra
estaria interessada em cobrir a licença-maternidade de uma gerente
do laboratório AstraZeneca. Seria um trabalho de meio período
como gestora da área de pesquisa clínica em oncologia, área
em que Alessandra, formada em Medicina pela Universidade Federal do Rio
de Janeiro (UFRJ), especializara-se ao cursar pós-graduação
na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). "Nunca tinha pensado
em ocupar um cargo gerencial e aceitei o convite acima de tudo pelo desafio
que isso representava", lembra.
Alessandra reduziu a carga horária nos hospitais para se dedicar
ao novo trabalho. Ao final do período de licença da titular,
foi convidada a participar do processo seletivo para um cargo recém-criado
no laboratório, a gerência de farmacoeconomia. Escolhida para
exercer a função, ela logo se apaixonou pela ciência
que avalia a relação entre custos e efeitos de um equipamento,
programa ou produto ligado à indústria farmacêutica.
Essa preocupação despontou no pós-guerra para
ajudar países devastados a lidar com um grande número de
doentes e está voltando à tona com o gradual aumento da expectativa
de vida da população, fator que resulta em um número
crescente de pessoas convivendo com doenças crônicas. "Uma
tarefa típica da farmacoeconomia é comparar preços
e marcas de tomógrafos com diferentes configurações
e indicar a escolha de um deles com base na melhor relação
entre preço e benefícios", exemplifica.
Mesmo com a nova fase da carreira, ela fez questão de continuar
clinicando. O emprego no laboratório ocupa 40 horas entre segunda
e sexta, o que permitiu manter o vínculo com um dos hospitais -
aquele com o qual tinha mais afinidade. A diferença é que
agora são apenas quatro plantões mensais, sempre aos fins
de semana. Com isso, Alessandra está trabalhando ao todo cerca de
52 horas semanais, ante as 84 horas do período pré-vida corporativa,
quando chegou a ficar seis anos consecutivos sem passar o Natal com a família.
"Acho que nem preciso dizer o ganho significativo de qualidade de vida
que tudo isso representou. Hoje vivo sem olheiras e até compareço
a festas", brinca.
O rendimento total se manteve no mesmo patamar e ela passou a desfrutar
de uma série de benefícios aos quais não tinha acesso
como carteira assinada, férias remuneradas, plano de saúde,
carro da empresa, reembolso da academia, salão de beleza, previdência
privada e participação nos lucros. "Não perdi o contato
com o trabalho em UTI, e, ao mesmo tempo, descobri outro lado da medicina.
Ver como as pesquisas acontecem e entender os mecanismos do mercado contribuiu
para me tornar uma médica melhor. Hoje eu me preocupo em saber se
o paciente tem condições de comprar determinado medicamento
antes de prescrevê-lo", diz.
Para adquirir conhecimentos gerenciais, algo que não faz parte
do currículo dos cursos de medicina, Alessandra está cursando
MBA em gestão empresarial na Fundação Getúlio
Vargas (FGV). Ao identificar a demanda pela maior profissionalização
da gestão da saúde, a instituição criou cursos
específicos para a área, incluindo opções customizadas
para empresas. "Aprimorar a gestão é o caminho para um setor
que passa por grande pressão por aumento de produtividade e redução
de custos", considera Goret Pereira Paulo, diretora adjunta da FGV in Company.
Ela percebe um maior interesse dos médicos pela carreira gerencial,
algo que interpreta também como uma reação da categoria
à crescente presença de administradores profissionais nas
empresas do setor. "Ter formação médica é um
diferencial muito importante, mas não é tudo. Um excelente
cirurgião só se tornará um bom gestor se buscar ferramentas
para isso", diz.
Entre os MBAs oferecidos pela FGV na área estão os de
auditoria em saúde, gerência de saúde e gestão
empresarial em cooperativas médicas. Cada um deles tem uma carga
horária entre 440 e 475 horas. Além disso, existe um curso
de pós-graduação a distância intitulado gestão
para médicos, que se adapta aos horários irregulares típicos
da categoria. (Maurício Oliveira - Valor Online)