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29.01 - O novo rol de coberturas obrigatórias dos planos
A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) editou a Resolução Normativa 211, publicada no Diário Oficial da União em 12 de janeiro de 2010, que trouxe o novo rol de procedimentos de cobertura obrigatória, ou seja, listou exames, consultas, cirurgias e tratamentos que, indiscutivelmente, devem ser cobertos pelos planos de saúde.
Em regra, a Agência manteve o proposto na consulta pública que precedeu à edição da resolução (consulta pública 31, encerrada em outubro de 2009), com a inclusão de procedimentos importantes para a garantia de assistência adequada ao usuário. Entre eles, estão alguns defendidos pelo Idec há anos, como o PET-SCAN oncológico (exame fundamental para identificação de tumores) e o transplante alogênico de medula óssea (medula doada por terceiro).
Além disso, foram corrigidas ilegalidades contidas em resoluções do extinto Consu (Conselho de Saúde Suplementar), órgão que antecedeu a ANS na regulação do setor de planos de saúde, e da própria agência, como a não cobertura de acidentes de trabalho em contratos coletivos e limitação de tempo de internação em hospital-dia em casos de doenças mentais.
Apesar das inclusões positivas e da correção da regulamentação, houve retrocesso em relação ao texto da consulta pública no que diz respeito aos procedimentos de psicologia, terapia ocupacional, nutrição e fonoaudiologia.
De acordo com a proposta inicial colocada em consulta pública, as consultas com nutricionistas seriam ilimitadas, a depender do diagnóstico; e haveria aumento do número de consultas com fonoaudiólogos, psicólogos e terapeutas ocupacionais, a depender do diagnóstico (24 sessões/ano, 40 sessões/ano e 40 sessões/ano, respectivamente).
Mas, a resolução aprovada determinou que as sessões com nutricionistas e terapeutas ocupacionais ficaram restritas a 12 por ano; as de fonoaudiologia a 24 e as de psicologia a 40 por ano.
O Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) é contra a limitação das consultas com os especialistas, afinal, as pessoas marcam consultas quando têm necessidade e a restrição da quantidade de visitas ao profissional de saúde pode prejudicar o tratamento.
A prática de limitar o fornecimento de serviços pelos planos de saúde é considerada abusiva pelo Código de Defesa do Consumidor, que proíbe ao fornecedor de “condicionar o fornecimento de serviço, sem justa causa, a limites quantitativos” e "exigir do consumidor vantagem manifestadamente excessiva" (artigo 39, I e V).
O STJ (Superior Tribunal de Justiça) já manifestou por diversas vezes o seu entendimento no sentido de rechaçar as limitações impostas pelos planos de saúde, como as limitações a dias de internação hospitalar (RESP 601287/RS), a dias de internação em UTI (RESP 469911/SP), a sessões de quimioterapia (REsp 1115588/SP).
Além disso, permanecem de fora da nova lista da ANS outros procedimentos fundamentais para o restabelecimento da saúde do paciente, em especial transplantes que já são cobertos pela rede pública - como o de coração, de fígado e de pulmão.
O Idec considera, porém, que a própria existência do rol de coberturas obrigatórias é questionável. Isso porque a Lei de Planos de Saúde (Lei 9.656/98) garante, em seu artigo 10, aos consumidores a cobertura dos tratamentos para todas as doenças listadas pela OMS (Organização Mundial da Saúde).
Portanto, todos e quaisquer tratamentos, salvo aqueles excluídos expressamente pela Lei de Planos de Saúde como os tratamentos clínicos ou cirúrgicos experimentais e/ou para fins exclusivamente estéticos (descritos nos incisos do artigo 10 da Lei 9.656/98), que se fizerem necessários para o tratamento de doenças reconhecidas pela OMS devem ser cobertos pelos planos de saúde, independentemente de estarem ou não previstos no rol da ANS.
Além disso, o Código de Defesa do Consumidor estabelece que são nulas as cláusulas contratuais que que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, sendo presumida exagerada aquela que restringe direitos ou obrigações fundamentais inerentes à natureza do contrato, de tal modo a ameaçar seu objeto ou equilíbrio contratual (artigo 51, IV e parágrafo 1º, II).
Ora, qualquer cláusula contratual prevista em contratos de planos de saúde que exclua a cobertura de tratamentos que se fizerem necessários ao restabelecimento da saúde do consumidor evidentemente mostram-se contrárias à própria natureza do contrato, sendo, portanto, nulas.
Assim, as limitações impostas pelo rol elaborado pela ANS que por ventura impedirem que o consumidor tenha acesso ao tratamento adequado para a doença que o acomete e acabarem, na prática, por excluir a cobertura da própria doença pelo plano de saúde podem ser questionadas, com base na Lei de Planos de Saúde e no Código de Defesa do Consumidor.   (Juliana Ferreira - Última Instância)

29.01 - Combate à gripe A
Foram exagerados, mas compreensíveis em retrospecto, os receios provocados em escala global pela irrupção de um novo subtipo do vírus da gripe, em abril do ano passado. Quando os primeiros casos da gripe A (ou "suína") surgiram no México, em 2009, sua letalidade era desconhecida, e mesmo especialistas temiam que o vírus mutante pudesse trazer riscos comparáveis aos de grandes pandemias do passado, como a gripe espanhola.
Embora imprecisos, os dados atualmente disponíveis indicam, transcorridos quase dez meses do início da propagação, que a letalidade do vírus H1N1 não é muito maior do que aquela normalmente provocada pela gripe comum. O fato de os temores iniciais não terem sido comprovados provoca agora reação inversa, que também deve ser evitada. Campanhas de prevenção na Europa não surtiram os efeitos desejados e, em alguns países, menos de 10% dos habitantes acorreram aos postos de vacinação.
É preciso lembrar que tanto a gripe comum quanto sua nova versão provocam mortes que podem ser evitadas. São bem-vindos e necessários, portanto, os esforços do Ministério da Saúde para imunizar cerca de um terço da população brasileira contra o novo vírus, a partir de março.
Dividida em quatro fases, a vacinação se concentrará nos grupos mais atingidos pela nova gripe, como grávidas, recém nascidos e jovens na faixa dos 20 anos.
Entre pessoas acima de 60 anos, no entanto, a imunização contra o H1N1 será restrita àquelas que têm doenças crônicas. Idosos em geral apresentam riscos distintos em relação à nova gripe e aos vírus mais antigos -baixa letalidade no primeiro caso, e alta concentração de vítimas no último.
É preciso evitar, no caso específico dos cidadãos acima de 60 anos, que os esforços corretamente voltados para o combate à gripe A terminem por esvaziar a atenção dedicada às campanhas tradicionais contra os vírus mais corriqueiros, diminuindo o alcance e a eficácia da vacinação contra a gripe comum. Caberá ao governo esforço adicional de comunicação para evitar tal risco.  (Folha de S.Paulo)

29.01 - Cai mortalidade por leucemia
Avanço no tratamento e diagnóstico precoce são motivos da queda do câncer entre crianças
Avanços no tratamento e o diagnóstico precoce reduziram a mortalidade por leucemia em crianças e adolescentes nas Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste nas últimas décadas, segundo estudo do Instituto Nacional de Câncer (Inca) que será publicado no International Journal of Cancer. A doença é um acúmulo de células anormais na medula óssea, que causa sintomas como anemia e gânglios inchados no pescoço e nas axilas. É tratada com quimioterapia e, em alguns casos, transplante.
Os três Estados do Sul tiveram a maior queda nas estatísticas de mortes por leucemia na faixa de 0 a 18 anos, entre 1979 e 2005. A taxa de mortalidade passou de 20,2 por 1 milhão para 13,9 ? redução de 31,2%. No Sudeste, a queda foi de 28,6%; no Centro-Oeste, de 9,9%. No Norte e Nordeste, o número subiu mais de 80%, mas o acréscimo foi atribuído a uma melhoria no diagnóstico e na notificação. Em todo o País, houve redução de 6,3% na taxa.
Apesar de ser o câncer mais curável, a leucemia é o que mais mata pacientes de 0 a 18 anos. Entre 2001 e 2005, 34,5% das mortes por câncer na faixa foram por leucemia. O estudo também destacou um número elevado de casos de retinoblastoma ? tumor maligno na retina que atinge, em geral, crianças de até 3 anos. "As taxas observadas no Brasil são maiores que as encontradas em países desenvolvidos", diz Marceli Santos, do Inca.   (Bruno Boghossian - O Estado de S.Paulo)
 
 
 
 
 
 
 

28.01 - Robôs ocupam as salas de cirurgia
"Em cada bloco de mármore vejo uma estátua; vejo-a tão claramente como se estivesse na minha frente, moldada e perfeita na pose e no efeito." Assim o escultor e pintor renascentista Michelangelo explicava o trabalho de esculpir. Para muitos médicos, a realização de uma cirurgia exige olhar e mãos precisas como os de um artista. Nos últimos tempos, para aperfeiçoar seu trabalho, eles passaram a receber ajuda extra de outro "renascentista", um robô batizado de Da Vinci.
Há menos de dois anos, os hospitais Sociedade Beneficente de Senhoras Hospital Sírio-Libanês (HSL), Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Samaritano, Hospital Alemão Oswaldo Cruz e Beneficência Portuguesa - todos de São Paulo - adotaram o robô da americana Intuitive Surgical.
Dotado de quatro ou cinco braços, duas câmeras para visão tridimensional dos órgãos e outros apetrechos, o robô é operado à distância por um computador, pelo qual o cirurgião vê as imagem amplificada do órgão operado e simula, com uma espécie de luva, os movimentos que serão reproduzidos pelo robô. O equipamento é usado para laparoscopias (o abdômen do paciente é inflado com gás carbônico e a cirurgia é feita por meio de duas pequenas incisões), tratamento de tumores de próstata, cirurgias de redução de estômago, entre outras.
O Hospital Sírio Libanês, responsável pelo treinamento de médicos para cirurgia robótica na América Latina, foi o primeiro a adotar a tecnologia. O urologista Anuar Mitre, do Núcleo de Urologia do HSL, já realizou mais de 200 intervenções com o robô. "A cirurgia fica mais bonita, mais elegante, com cortes mais precisos e menos sangue", afirma Mitre.
Miguel Cendoroglo Neto, diretor médico do Hospital Israelita Albert Einstein, observa que o tremor das mãos não é reproduzido pelo equipamento e a 'mão' do robô gira 7 graus a mais que a mão humana, o que facilita a realização de alguns movimentos. O resultado são cirurgias menos invasivas e recuperação mais rápida. Em 2009, diz, o hospital realizou mais de 200 cirurgias robóticas. O plano é adquirir outro robô até 2011.
O custo da cirurgia robótica é alto, em torno de R$ 25 mil, enquanto uma intervenção convencional custa R$ 14 mil. Para os hospitais, o gasto com o equipamento também é elevado: cada robô custa US$ 2 milhões. Recentemente, o Sistema Único de Saúde (SUS) anunciou a implantação da cirurgia robótica em hospitais públicos a partir deste semestre. O primeiro contemplado será o Hospital do Câncer de São Paulo, ligado à USP.
A realização de uma cirurgia perfeita, porém, não depende apenas de uma sala cirúrgica equipada. O diagnóstico é essencial para o sucesso dos tratamentos. Nos hospitais Beneficência Portuguesa e Oswaldo Cruz, os exames de detecção de tumores e ressonâncias de cérebro são feitos com a tomografia por emissão de pósitrons (PET), com a utilização de um equipamento produzido pela General Electric (GE).
O aparelho faz duas leituras: uma tomografia computadorizada que exibe imagens de tumores e outra que registra, por meio de cores, as atividades metabólicas do organismo. Regiões com tumor maligno apresentam alta atividade metabólica e são detectadas por esse exame. Uma tomografia computadorizada nem sempre identifica todos os tumores, observa o radiologista e médico nuclear do Oswaldo Cruz, Luiz Augusto Gabure. "Se um paciente é tratado por câncer no fígado, por exemplo, mas possui outros 15 tumores espalhados pelo corpo, uma cirurgia não é indicada. O diagnóstico determinará o melhor tratamento", afirma Gabure.
No Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o PET é usado com um equipamento da americana Varian Medical Systems. Os dados da tomografia são usados para definir tridimensionalmente a área que sofrerá irradiação nos tratamentos para câncer. "Antes, a irradiação era feita em uma grande área e produzia efeitos colaterais em partes sãs. Agora, as doses são menores e a recuperação, mais rápida", diz Ana Maria Teixeira Pires, gerente da oncologia do hospital.
Equipamentos importados têm 80% do mercado na área de saúde
A Olidef, indústria de equipamentos médico-hospitalares com sede em Ribeirão Preto (SP), desenvolve um medidor de bilirrubina para atender maternidades e hospitais infantis. O equipamento vai medir com mais precisão casos de icterícia (doença que atinge 80% dos recém-nascidos) e outras enfermidades do sangue, de acordo com o presidente executivo da Olidef, André Ali Mere. A indústria exporta para 40 países e, hoje, 30% de sua receita de R$ 65 milhões é obtida com exportações.
A empresa paulista é uma exceção no mercado brasileiro de equipamentos hospitalares, abastecido sobretudo por importações. Segundo a Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), 80% dos equipamentos são importados e não têm similares nacionais. "A demanda é crescente, mas falta produção nacional e investimentos para desenvolvimento de produtos no país", avalia o diretor da Anahp, Henrique Salvador.
A maioria das importações vêm do Estado americano de Minnesota, um dos principais polos de tecnologia médica do mundo. O governador de Minnesota, Tim Paulenty, não cita números, mas afirma que as exportações ao Brasil triplicaram entre 2008 e 2009. "As empresas de grande porte já exportavam para o Brasil e agora as pequenas e médias traçam o mesmo caminho", afirmou o governador durante missão empresarial realizada em São Paulo. O Brasil é o 15 º mercado para as exportações de Minnesota e deve se tornar o 10º em dois anos, diz Paulenty.
A Medtronic é uma das companhias desse Estado que aposta no Brasil. A empresa não divulga dados de receita por país, mas informa que as vendas ao Brasil devem crescer 20% neste ano, afirma o vice-presidente da Medtronic para América Latina, James Hogan. "O Brasil tem uma população enorme que recentemente ascendeu à classe média e agora dispõe de recursos para pagar por serviços de saúde. As empresas de tecnologia médica continuarão tendo uma performance muito superior ao crescimento econômico", diz   (Cibelle Bouças - Valor Online)

28.01 - A Importância de uma Segunda Opinião Médica
Com a finalidade de disponibilizar a mais avançada medicina, a WorldCare foi fundada em Boston, EUA, há 17 anos, pelos melhores e mais renomados hospitais dos Estados Unidos: Duke University Health System (Duke University); Mayo Clinic (Mayo Medical School); Massachusetts General Hospital, Brigham and Women’s Hospital e Dana-Farber CancerCare (Harvard Medical School) e UCLA Healthcare (University of California Los Angeles).
O conhecimento e a tecnologia médica têm se tornado cada vez mais complexos e evoluem rapidamente. Com tantos novos e altamente especializados avanços ocorrendo continuadamente, a interação com os melhores especialistas dos mais conceituados hospitais do mundo é mais relevante do que nunca.
A medicina não é uma ciência exata e muitas condições podem mimetizar sintomas de outras, tornando o diagnóstico mais difícil. Decisões de tratamento podem incluir riscos que devem ser considerados.
Uma Segunda Opinião Médica pode ajudar a se entender melhor uma condição médica mais complexa, responder possíveis dúvidas existentes, ajudar na elucidação diagnóstica e apresentar mais e melhores opções de tratamento, trazendo segurança e tranqüilidade para pacientes e médicos.
Com o conceito de Parecer Médico, respeitando-se a ética médica, possibilitamos uma interação entre o médico do paciente e os especialistas que emitirão o Parecer Médico.
Utilizando a Telemedicina, com tecnologia exclusiva da WorldCare, especialistas dos mais avançados hospitais do mundo fornecem diagnósticos e opções de tratamento para pacientes em 42 países, de forma rápida, segura e eficiente.
A WorldCare possui uma rede privada de internet, conectada com cada um dos seus hospitais e utiliza protocolos e tecnologia para telemedicina aprovados pela Sociedade Americana de Radiologia.
Há nove anos no Brasil, o Parecer Médico WorldCare, emitido pelos mais experientes e renomados médicos dos mais conceituados hospitais do mundo, tem se mostrado de enorme valor para os pacientes e médicos.   (Ricardo Nabuco)

28.01 - Governo decide ressuscitar cartão do SUS
Decisão é tomada uma década após o lançamento da primeira tentativa fracassada de usar o cartão magnético na Saúde
Objetivos são aumentar o controle de gastos e melhorar o atendimento; R$ 419 milhões já foram gastos no projeto desde 1999
O Ministério da Saúde vai ressuscitar o Cartão Nacional de Saúde. A decisão é tomada uma década depois do lançamento da primeira tentativa fracassada de aumentar o controle de gastos e melhorar o atendimento ao usuário do Sistema Único de Saúde por meio de um cartão magnético.
Como resultado dos R$ 419 milhões já gastos desde 1999, segundo dados do governo, o ministério afirma dispor do que seria o maior cadastro de pessoas físicas do país.
Em suas bases, o cadastro do Cartão Nacional de Saúde reúne hoje registros considerados "definitivos", já checados, de 93,1 milhões de brasileiros. O país tem 192 milhões de habitantes, segundo o IBGE.
O Ministério da Saúde reconheceu o fracasso do projeto-piloto do Cartão Nacional de Saúde em 2008. Com base em estudo encomendado à Fundação Getúlio Vargas, o ministério resolveu "redesenhar" o projeto original, lançado ainda na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
A lei orçamentária de 2010 autoriza gastos de R$ 48,2 milhões para manter o cadastro e promover a nova tentativa de lançamento do Cartão Nacional de Saúde. Esse valor corresponde a mais do dobro do dinheiro gasto no ano passado.
Em dezembro, o ministério promoveu pregão para a compra de um novo programa para a criação do prontuário eletrônico dos usuários do SUS.
"Esse software será instalado inicialmente nos seis hospitais federais do Rio de Janeiro", informou o ministério, sobre o lançamento do novo cartão.
O negócio, de R$ 58,5 milhões, aguarda palavra final do Tribunal de Contas da União, que analisa recurso à escolha da empresa brasiliense Humano Tecnologia da Informação.
No ano passado, a empresa Lenovo Tecnologia já recebeu R$ 15,2 milhões para a compra de servidores de informação e microcomputadores destinados ao lançamento do novo "piloto" do programa, no Rio.
O trabalho encomendado pelo ministério à FGV estima em mais de R$ 1 bilhão por ano a economia que o cartão poderá proporcionar, por meio do maior controle de gastos.
A fragilidade no controle de gastos do sistema, associada ao mau atendimento da população, é apontada em levantamento feito pelo TCU, a que a Folha teve acesso. Aprovado em dezembro, o relatório não tomou conhecimento do novo negócio em curso no governo.
O tribunal chamou a atenção para o custo elevado do Cartão Nacional de Saúde mesmo depois da desativação, em 2003, do projeto-piloto desenvolvido em 44 municípios, a maioria deles do Paraná. Nos dois anos seguintes, os gastos bateram recordes sucessivos.
O Ministério da Saúde informou que promove, desde 2003, processo de adequação tecnológica do projeto contratado das empresas Hypercom e Procomp em 1999. As duas empresas tiveram bloqueadas apenas as últimas parcelas do pagamento, de R$ 7,2 milhões e R$ 4,4 milhões, respectivamente. O cadastramento de usuários não foi interrompido.
Ainda de acordo com o ministério, a primeira tentativa de lançamento do cartão do SUS enfrentou problemas operacionais, de segurança, de arquivamento e de atualização de dados e de garantia "dos aspectos éticos" vinculados à guarda e divulgação de informações dos usuários do sistema. Também houve problema na emissão e distribuição dos cartões.
Tribunal de Contas vê falhas no sistema
Com gastos da União superiores a R$ 40 bilhões por ano, o SUS ainda registra falhas de controle. Levantamento do TCU (Tribunal de Contas da União) mostra que essas falhas "aumentam o risco de ocorrência de fraudes e de mau atendimento".
O Ministério da Saúde reconhece que menos de um terço dos Estados e municípios cumpre integralmente a lei, que exige fundos específicos para a verba da saúde.
Segundo o ministério, o Estado de São Paulo é um dos descumpridores da lei. Até aqui, o repasse tem sido feito em contas bancárias específicas para a aplicação em atenção básica e procedimentos de média e alta complexidade, vigilância em saúde e assistência farmacêutica e gestão. A Secretaria da Saúde de SP diz, porém, que o fundo local funciona desde 1978.
Para o tribunal, falta ainda ao SUS controle nas internações, consultas especializadas e exames mais complexos. (MARTA SALOMON e LARISSA GUIMARÃES - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

27.01 - Saúde: Questão de consciência
É por falta de dinheiro que o SUS, um sistema excelente em seu conceito e arcabouço institucional, fica muito aquém do programado
Duas questões são centrais para a saúde. A primeira é o financiamento do sistema público, o Sistema Único de Saúde (SUS), estabelecido pela Constituição Federal de 1988. Trata-se de um dos maiores avanços jamais conquistados em matéria de políticas públicas na história do Brasil: o compromisso de assegurar acesso universal à saúde de qualidade.
O SUS, porém, nasceu com defeito de origem. No momento de sua criação, viu destroçada sua base de financiamento. Desvinculou-se a saúde da Previdência sem que se criasse fonte alternativa para financiá-la. Desde então, capenga de um remendo para outro. É por falta de dinheiro, não apenas por falha de gestão, que esse sistema excelente em seu conceito e arcabouço institucional fica muito aquém do programado.
Se a primeira questão é o financiamento, a segunda é a injustiça. Há dois mundos da saúde no Brasil. Um, para cerca de 20% da população, é o mundo dos planos privados. Na média, propicia um serviço de saúde equivalente em qualidade ao de um país europeu relativamente pobre, como a Grécia. O outro, para os restantes 80% da população, é o mundo dos que só têm o SUS. Oferece muito menos, não só por defeito de ideia ou mesmo de gestão, mas também e sobretudo por insuficiência de recursos.
O gasto per capita em saúde no primeiro desses dois mundos é pelo menos três vezes o gasto per capita no segundo. Boa parte desse gasto, porém, é financiado, direta ou diretamente, pelo Estado brasileiro, de muitas maneiras que se reforçam.
O mecanismo mais importante é o perdão fiscal: dedução tributária para quem paga os planos privados e para as instituições filantrópicas significa o mesmo que financiar o sistema privado com dinheiro do Tesouro.
A injustiça encarnada na relação entre esses dois mundos da saúde se traduz em desigualdades de vida e morte, de alívio e sofrimento. Desonra e enfraquece o Brasil.
A elite reformadora e republicana que criou o SUS, e que zela por sua integridade, entende que só se deve abordar o segundo problema -o da injustiça- depois de equacionar o primeiro problema -o do financiamento. Grave equívoco.
A única maneira eficaz de resolver ambos os problemas é inverter a sequência. Jamais resolveremos o problema do financiamento enquanto não enfrentarmos primeiro, não depois, o problema da injustiça.
Enquanto a minoria puder separar a sua sorte da sorte da maioria, separará. O apelo à consciência será fraco demais para derrotar a aliança do egoísmo com a desesperança. Não quer dizer que se deva solapar o mundo dos 20% para soerguer o mundo dos 80%. Significa, isto sim, que se deve começar a organizar o entrelaçamento progressivo dos dois mundos para, com isso, obrigar os 20% a ajudar os 80% em interesse próprio. A estratégia para resolver é abrir vasos comunicantes entre os dois mundos.
Algumas medidas, relativamente simples, ainda que politicamente controvertidas, marcariam o início dessa caminhada.
Uma primeira medida é começar a diminuir o perdão fiscal: por exemplo, para dois terços do valor atual. Para cada R$ 2 de dedução de Imposto de Renda para pagar os planos privados, R$ 1 -o real poupado para o Tesouro pelo novo sistema- seria usado para financiar o SUS.
Uma segunda medida é exigir que qualquer uso do sistema público pelos segurados dos planos privados seja ressarcido por estes ao Estado pelo critério do custo real.
Uma terceira medida seria condicionar o acúmulo de capital e de tecnologia nos hospitais privados, quase sempre na base de subsídio do Estado ou de incentivo fiscal, à exigência de dedicar parte do tempo ao atendimento gratuito de usuários do SUS.
A quarta medida é promover a organização de unidades, ao mesmo tempo de pesquisa e de atendimento de ponta, que juntem o setor público ao terceiro setor -os hospitais universitários ou autenticamente filantrópicos, que representam, em grande parte do mundo, o que há de mais avançado em medicina. As classes endinheiradas têm fome ilimitada pela medicina mais sofisticada que houver -afinal, todos, ricos e pobres, querem vida eterna. Não se lhes deve permitir satisfazer o anseio sem que todos o possam compartilhar.
Criadas brechas nas muralhas que hoje separam, em matéria de saúde, o mundo dos 20% do mundo dos 80%, surgirão pela primeira vez condições para colocar o refinanciamento do SUS no topo da agenda nacional. A minoria terá motivos para lutar pela melhoria da situação da maioria. As conveniências se aliarão às consciências para tornar a pobreza no Brasil menos mortífera do que ela é hoje.    (ROBERTO MANGABEIRA UNGER - Folha de S.Paulo)

27.01 - Cartão esquecido
O inferno da burocracia brasileira está repleto de boas ideias que nunca chegam a ser postas em prática. Uma delas é o Cartão Nacional de Saúde, também conhecido como "cartão do SUS".
O dispositivo foi concebido em 1996 para identificar individualmente usuários do Sistema Único de Saúde. Deveria facilitar seu atendimento em qualquer ponto do país, impedir fraudes e integrar informações gerenciais de dezenas de milhares de postos de saúde e hospitais. Já consumiu mais de R$ 400 milhões e continua longe de se tornar realidade.
A implantação começou pelo cadastramento de usuários do SUS em fevereiro de 2000. A fase piloto, prioridade do governo FHC, envolvia 43 municípios de dez Estados e o Distrito Federal.
Inspeção realizada em 2008 pelo Ministério da Saúde em sete dessas cidades revelou que o sistema se encontra em coma: de 1.937 terminais para leitura dos cartões entregues nos municípios visitados, só sete estavam em funcionamento.
Bem antes da inspeção, contudo, o projeto piloto já estava desencaminhado. Em 2003, só 60% dos usuários potenciais haviam sido cadastrados, e em 2006 a distribuição dos cartões sofreu interrupção.
Em 2008, o ministro José Gomes Temporão determinou que o sistema fosse reformulado, para atualização tecnológica. Em 2009, o Conselho Nacional de Saúde manifestou frustração com a falta de informações sobre o andamento do projeto. Recebeu esclarecimentos do ministério sobre uma "nova versão" do cartão do SUS em preparo.
Ninguém ignora a complexidade logística e tecnológica de informatizar um serviço do tamanho do SUS. Atualizações são obviamente necessárias, mas não devem servir de pretexto para a descontinuidade administrativa, motivada ou não por divergências ideológicas e partidárias.  (Folha de S.Paulo)

27.01 - Hospitais privados atraem público internacional
Nos últimos anos, particularmente desde meados dos anos 2000, os hospitais privados de São Paulo, que são referência em medicina no país, passaram a registrar expansão na demanda por exames e cirurgias de um público novo: turistas de outros países.
O Hospital Israelita Albert Einstein atendeu 3,5 mil pacientes de outras cidades ou países no ano de 2008 - foram 3,1 mil pessoas no ano anterior, segundo Alex Lifschitz, diretor da Sphera Internacional, empresa especializada na prestação de serviços na área de saúde. O Hospital Sírio-Libanês teve a maior alta: passou de 1 mil atendimentos em 2007 para 1,5 mil em 2008, relata a Sphera, que oferece pacotes para atendimento hospitalar para turistas estrangeiros.
Especialistas da área acreditam que ainda há muito espaço para ampliar esse segmento de negócios de saúde. Principalmente a partir da divulgação do alto nível dos serviços prestados nessa área na cidade. "A atuação no segmento hospitalar ainda é muito discreta em São Paulo. Não há uma divulgação consistente no exterior, nem da iniciativa privada e nem dos governos locais. Mas a expectativa é que, com a Copa do Mundo, isso mude", diz Mario Beni, membro da Organização Mundial de Turismo e criador do curso de Turismo na USP.
De acordo com pesquisa da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), os estrangeiros foram responsáveis por 3% dos 457 mil procedimentos estéticos realizados em hospitais e clínicas nacionais de setembro de 2007 a agosto de 2008. Há cinco anos, esse percentual não passava de 1%. Estima-se que boa parte desse número esteja concentrada em São Paulo. "A cidade é responsável por 80% a 90% do total de intervenções envolvendo turistas estrangeiros no país", afirma Lifschitz.
Na avaliação dos especialistas, a tendência é que esse serviço ganhe notoriedade, e acabe sendo utilizado durante a estada de turistas com a Copa em 2014 e as Olimpíadas em 2016. Com isso, deve aumentar a percepção positiva em relação à qualidade da indústria médica privada.
Alguns fatores explicam a perspectiva animadora em relação ao segmento. Um procedimento cirúrgico no Brasil pode custar até 70% menos que um similar realizado nos Estados Unidos, segundo informam as associações do setor. Além disso, cresce a parceria entre hospitais da cidade de São Paulo e grupos médicos internacionais. Em 2006, o Sírio Libanês, por exemplo, tinha convênio com apenas quatro operadoras de planos de saúde internacionais. Atualmente, esse número ultrapassa 40 empresas.
Já existe, inclusive, um consenso no mercado de que este é o momento de os hospitais de médio porte explorarem o segmento de turismo hospitalar como uma nova fonte de receita. "Isso já está acontecendo. Os hospitais menores têm me procurado para entender melhor esse mercado. Eles não querem depender apenas da receita com planos de saúde para crescer" , afirma Lifschitz. Pesquisa da SP Turis realizada junto aos hotéis que fazem parte do Fórum dos Operadores Hoteleiros do Brasil, mostra que, entre os 18% de visitantes hospedados na cidade por razões de saúde em 2008, mais de metade foram fazer alguma consulta médica ou cirurgia. A área de estética e beleza atraiu 19% dos viajantes.  (O Estado de S.Paulo)
 
 
 
 
 
 

26.01 - Instituições de saúde devem ficar atentas a Dmed
Receita Federal cria declaração para validar despesas médicas de pessoas físicas
Para reduzir a retenção das Declarações do Imposto de Renda da Pessoa Física (DISPF) por conta de despesas médicas, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) criou a Declaração de Serviços Médicos (Dmed). Trata-se de uma declaração obrigatória para todas as pessoas jurídicas e equiparadas, prestadoras de serviços de saúde*, incluindo Hospitais, que fornecerá informações para validar as despesas médicas declaradas pelas pessoas físicas e evitar a retenção das declarações na malha fina.
A 1ª Dmed deverá ser apresentada pela matriz da pessoa jurídica em 2011, e, por isso, as instituições de saúde devem ficar atentas para reunir suas informações do ano-calendário de 2010 em meio digital. A não apresentação da declaração no prazo ou a sua apresentação com incorreções ou omissões sujeitará a pessoa jurídica obrigada às multas.
Frente à urgência de se adaptar às novas exigências de enquadramento para a Dmed, Hospitais e instituições de saúde poderão contar com o sistema da Wareline para viabilizar as suas Declarações.
O sistema exigirá como campos obrigatórios o CPF do paciente ou do responsável pelo pagamento das despesas médicas em casos de contas particulares e também a informação se o dinheiro será para a Instituição de Saúde ou para terceiros. Em 2011, o Sistema da Wareline será capaz de gerar relatórios e arquivos de exportação dessas informações para os órgãos responsáveis sem exigir nenhum trabalho extra dos funcionários do Hospital.  (Carla Akl - Saúde Business Web)

26.01 - EUA: Reforma da saúde entra na UTI
Barack Obama não teve muitos motivos para comemorar ontem seu primeiro ano de mandato como presidente dos Estados Unidos. Ao contrário do alegre 20 de janeiro que marcou sua posse em 2009, o dia teve sabor amargo, depois que o republicano Scott Brown venceu a eleição para o Senado no estado de Massachusetts, desequilibrando, em favor de seu partido, o jogo político no Congresso.
No seu discurso de vitória, Brown tratou de ser claro, dizendo que será o 41º voto contrário à reforma do sistema de saúde americano no Senado, que tem 100 membros. Para o projeto de Obama ser aprovado, são necessários 60 votos.
– As pessoas não querem esse plano de saúde de trilhões de dólares colocado à força para os americanos – disse Brown.
No início da campanha encerrada com a eleição de ontem, a vaga deixada pelo senador Edward Kennedy – morto recentemente e defensor da reforma na saúde – parecia ter destino certo: a também democrata Martha Coakley. Mas as últimas semanas mostraram o avanço de Scott Brown, segundo analistas, por fatores relacionados à economia americana, à agenda de Obama e à própria reforma da saúde.
Alfinetada
Ainda sobre a reforma, Brown afirmou que “o povo rejeita os acordos a portas fechadas que estão direcionando o debate”, e aproveitou para alfinetar os especialistas – e democratas – que apostavam em sua derrota: – Eles achavam que eram donos da vaga, que não podiam perder.
Brown conquistou a surpreendente vitória com 52% dos votos em Massachusetts, um Estado geralmente democrata, e abriu a possibilidade para que outras derrotas atinjam os partidários de Obama em todo o país nas eleições parlamentares de novembro.
Num comunicado, o porta-voz da Presidência Robert Gibbs disse que Obama ligou para Brown e o parabenizou: “O presidente disse ao senador Brown que está ansioso para trabalhar com ele em desafios econômicos urgentes enfrentados pelas famílias de Massachusetts e famílias de toda a nação”, disse Gibbs.  (JB Online)

26.01 - EUA: Será o fim da reforma da saúde?
O problema mais imediato dos democratas é se eles poderão salvar o seu projeto de reforma do sistema de saúde
A derrota democrata na eleição em Massachusetts para preencher a vaga do falecido senador Ted Kennedy colocou um fim à maioria democrata qualificada de 60 votos - necessária para evitar que os republicanos retardem a votação de projetos no Senado. O vencedor, Scott Brown, derrotou Martha Coakley num dos Estados mais liberais do país.
A vitória de Scott Brown enviou ao presidente Barack Obama, um ano depois de sua posse, um recado incômodo: o de que os eleitores provavelmente vão culpá-lo pelos problemas econômicos e vinculá-lo a Wall Street.
Além de recriminações sobre a possível incompetência de Coakley como candidata, o problema mais imediato dos democratas é se eles poderão salvar o seu projeto de reforma do sistema de saúde. Os democratas estão negociando uma consolidação entre as versões aprovadas na Câmara e no Senado.
David Axelrod, um dos mais próximos assessores de Obama, disse que o governo levará "em consideração" a eleição de Massachusetts, mas não deixará de lado "um problema que só vai piorar".
Nancy Pelosi, a democrata que preside a Câmara, disse que o Congresso "vai levar adiante" o projeto de reforma da saúde, embora tenha ficado evidente que ela e seus colegas do Senado estão lutando para encontrar uma maneira de fazer isso sem o apoio de um 60º voto crucial no Senado.
Na quarta-feira, em entrevista, Obama já sugeriu um compromisso e insinuou que pode abdicar de sua ideia inicial de criar um seguro-saúde público quase universal. Os republicanos não concordam, pois alegam que isso seria muito caro e traria concorrência injusta às seguradores de saúde privadas.   (Saúde Business Web)
 
 
 
 
 

22.01 - Vida longa custa mais caro
A longevidade pesa no bolso do brasileiro com mais de 60 anos. A inflação para a terceira idade é maior do que a da população em geral
Não deveria, mas a ginástica financeira do custo de vida fica mais pesada depois dos 60 anos. Para o brasileiro idoso, a inflação em 2009 foi de 4,09% (IPC-3i), pouco acima (0,14 ponto porcentual) do cálculo do Índice de Preços ao Consumidor da população em geral (IPC-BR), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que foi de 3,95%. A despesa que mais pesou para as famílias com idosos foi a de habitação, que registrou em 2009 alta de 4,98% e respondeu por 38% da inflação.
“Em geral, as famílias com idosos estão sujeitas aos mesmos aumentos das outras famílias. O que diferencia é o quanto a casa com idosos consome de certos produtos e serviços, fazendo estes reajustes serem mais pesados para o custo de vida dos cidadãos seniores”, explica o economista da FGV André Braz.
O professor Paulo Peixoto, de 62 anos, não paga plano de saúde. Foi opção de vida não gastar parte da renda com convênios médicos. Prefere investir na prevenção. “Faço karatê há 40 anos, pelo menos quatro vezes por semana”, diz. Musculação e surfe também estão no programa esportivo do consultor administrativo, que capricha na alimentação, não bebe, não fuma e mantém a mente em permanente atividade. “Um check-up, a cada dois ou três anos, é suficiente para monitorar minha saúde. Se os planos cobrassem pela condição física do paciente e não pela idade, talvez eu mudasse de ideia”, diz.
Já no orçamento doméstico do delegado aposentado Wesley Domingos Cury, de 76 anos, rigorosamente controlado, o plano de saúde para ele e a mulher, Maria Isaura, de 70 anos, é prioridade absoluta. “Quero tranquilidade e não ter de me preocupar com imprevistos”, diz.
Cury conta que sempre foi cuidadoso com seu dinheiro. “Nunca comprei fiado. E não gasto mais do que eu ganho”, explica. A regra básica da economia, que deve reger orçamentos em todos os níveis, foi a chave mestra na vida do aposentado. Não à toa, o casal tem três filhos formados em boas escolas – dois médicos e uma arquiteta – e segurança na velhice. “Aprendi com meus pais a fazer economia e ter uma vida regrada. Consegui guardar dinheiro religiosamente todos os meses em que trabalhei. Valeu a pena”, diz. Hoje, Cury aplica seus rendimentos em lazer para ele e a esposa. Sempre viaja e frequenta bons restaurantes, mas evita o consumismo e o desperdício. “Brasileiro é esbanjador por natureza. Mas o planejamento é o segredo de uma boa saúde financeira. Para a vida toda”. (APF)
Para as famílias formadas por pelo menos metade dos integrantes com mais de 60 anos de idade, alimentação, habitação e saúde são os itens que mais comprometem o orçamento doméstico. As taxas do IPC-3i para esses setores superaram as registradas para a inflação geral. O aposentado Edir Barbosa, de 73 anos, nem precisa dos estudos econômicos para saber o quanto ele deve esticar a aposentadoria para dar conta dos compromissos do mês. Ele e a esposa moram com três dos sete filhos do casal. E trazem os gastos controlados para não estourar o orçamento. “A alimentação oscila um pouco, mas o que pesa mais são as tarifas públicas e de serviços”, avalia. Água, luz, telefone e gás são itens de necessidade básica para a família. “Daí a gente faz economia em outras contas.” Um dos arranjos que Barbosa faz é na administração dos tratamentos de saúde. Não é para menos. De acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) de 2003, a última divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), gastos com saúde – médicos, hospitais, la­­boratórios e planos de saúde – ocupam 15% da renda dos idosos. Na casa de Edir e Amélia Barbosa, a ajuda dos filhos é importante para custear o plano de saúde dela. “Faço os meus tratamentos e exames médicos pelo SUS. Tive plano de saúde enquanto trabalhava, mas não deu mais para bancar o particular para os dois”, explica ele. Amélia sofre de artrose e precisa de acompanhamento médico constante. “Não dá para depender do postinho”, diz o marido. Os medicamentos de uso contínuo para hipertensão eles pegam na rede pública. Mas sempre têm de complementar a farmácia de casa. Nem com as contas na ponta do lápis a vida financeira tem folga. “Deixa­mos de fazer muitas coisas por falta de dinheiro e para não estourar o orçamento. Preciso fazer uma reforma na casa, por exemplo, mas sempre estou adiando as obras.”
Maria Massoli Paris, de 81 anos, “investe” o salário mínimo que ganha de aposentadoria nas compras dos medicamentos que não consegue no postinho. Faz as consultas na rede pública de saúde e já não consegue mais acompanhar os preços do mercado. “Minha aposentadoria não acompanha os reajustes. Cada vez que vou ao mercado é um susto”, diz.
Medição
A inflação da terceira idade, medida pela FGV desde 1990, ajuda a balizar o poder de compra de uma população que cresce acima da média das outras faixas etárias. E, com base nesses dados, pode orientar políticas sociais para a terceira idade – como a isenção de tarifas de transporte, meias entradas ou descontos proporcionais –, além de nortear a execução de programas que contemplem a assistência a idosos.
Um exemplo é a proibição dos reajustes de valores por avanço de idade nos planos de saúde, prevista no Estatuto do Idoso, que tem im­­pacto menor no custo de vida dos idosos pobres do que programas de popularização do acesso a medicamentos, como os genéricos ou as farmácias populares.  (Anna Paula Franco - Gazeta do Povo)

22.01 - Inatividade prolongada eleva risco de morte
Tempo ocioso aumenta problemas cardiovasculares, mostram pesquisas
Hábitos ativos devem ser incorporados na rotina, dizem especialistas; efeitos do ócio em excesso não são revertidos com exercícios
Passar boa parte do dia inativo aumenta o risco de morte e de problemas de saúde, ainda que o indivíduo pratique algum tipo de atividade física formal. O alerta vem de dois artigos publicados neste mês.
O primeiro deles, assinado por médicos do Instituto Karolinska (Suécia) e divulgado no "British Journal of Sports Medicine", sugere que ficar sentado por períodos prolongados é "verdadeiramente danoso ao organismo", independentemente da prática sistematizada de exercícios -na academia, por exemplo.
Eles afirmam que estudos recentes estabelecem que ficar sentado por longos períodos e a falta de atividade muscular são fatores de risco independentes para doenças.
"É cada vez mais fundamentado pelos estudos que é preciso incorporar mais atividade física no dia a dia. O conforto da vida moderna é o grande vilão, porque trocamos muitas das atividades que poderíamos fazer pelo apertar de um botão", afirma a fisioterapeuta Gerseli Angeli, diretora-científica do Cemafe (Centro de Medicina da Atividade Física e do Esporte) da Universidade Federal de São Paulo.
É o que também mostra a pesquisa australiana publicada no periódico "Circulation", que analisou risco de mortalidade e tempo inativo. Após avaliarem 8.800 pessoas com mais de 25 anos durante seis anos, os pesquisadores constataram que cada hora passada em frente à TV aumenta em 11% o risco de morte por qualquer causa e em 18% o risco de morte por problemas cardiovasculares, mesmo após excluírem fatores de risco já conhecidos, como colesterol, tabagismo, gordura abdominal e prática moderada de exercícios.
No artigo, afirmam que "ainda que a ênfase para a prática de exercícios moderados ou intensos deva permanecer, os achados do estudo sugerem que reduzir o tempo em frente à TV ou de comportamento sedentário também ajuda a prevenir problemas cardiovasculares e morte prematura".
Os pesquisadores afirmam que é necessária uma investigação mais profunda para estabelecer os mecanismos que relacionam longos períodos de inatividade a uma saúde mais pobre. Uma das hipóteses é a ação de uma enzima que tem papel fundamental na regulação dos níveis de gordura no sangue -e que ficaria alterada nos longos períodos sedentários, podendo levar a mudanças metabólicas, como colesterol alto.
Por causa dessas respostas fisiológicas, dizem os cientistas, as mudanças no organismo após o excesso de ócio não são anuladas com o aumento de exercício físico. Por isso, é aconselhável não passar longos períodos inativo.
Gasto calórico
Segundo o cardiologista José Kawazoe Lazzoli, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte, o gasto energético semanal acima de 2.000 calorias em atividades também é associado, em trabalhos científicos, a uma menor mortalidade geral.
"Isso equivale a 32 km percorridos a pé. Na academia, há uma chance razoável de chegar a isso, mas incorporar hábitos ativos no dia a dia eleva a probabilidade de alcançar a meta."
Um outro trabalho, diz Lazzoli, já mostrou que subir mais de 55 lances de escada por semana reduz a mortalidade em 23%. "Alguns cânceres têm ligação com gasto energético, como o de mama", acrescenta.
Por esse motivo, é indicado tornar a rotina mais ativa, preferindo a escada ao elevador e fazendo caminhadas curtas.  (JULLIANE SILVEIRA - Folha de S.Paulo)

22.01 - Novo possível tratamento para a hepatite C
Cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade Stanford identificaram uma nova classe de compostos químicos que, em testes in vitro, inibiram a replicação do vírus da hepatite C.
Caso esses compostos também se mostrem efetivos em seres humanos, eles podem acelerar dramaticamente os esforços contra a tendência do vírus de adquirir resistência aos medicamentos. Além disso, podem ser uma alternativa aos efeitos colaterais causados pela maioria das drogas utilizadas hoje.
“A hepatite C é um enorme problema”, diz Jeffrey Glenn, professor de gastroenterologia e hepatologia e diretor do Stanford's Center for Hepatitis and Liver Tissue Engineering. “A doença infecta mais de 150 milhões de pessoas no mundo, muitas delas sem saber que são portadoras. A forma crônica da hepatite C é a principal causadora de câncer e dos transplantes de fígado nos Estados Unidos.”
De acordo com o pesquisador, os tratamentos disponíveis hoje são apenas parcialmente efetivos e muitas vezes apresentam efeitos colaterais. Desenvolver um novo antiviral é complicado, pois o vírus se aproveita do funcionamento das funções das células do fígado para se replicar.
Existem muitas drogas efetivas para doenças causadas por bactérias. As bactérias, assim como nossas próprias células, são repletas de unidades funcionais.
No entanto, elas diferem das células dos mamíferos na forma como é possível atacá-las com os medicamentos. Os antibióticos revolucionaram os tratamentos de doenças infecciosas causadas por elas.
Desenvolver um antiviral sem efeitos colaterais é outra história. Diferente das bactérias, que se multiplicam pela divisão, os vírus se reproduzem estourando as células e desviando as funções de seu “maquinário interno” para produzir cópias de si mesmo.
Diferente de outros vírus, o da hepatite C não cresce em culturas quando isolados, o que impede que os pesquisadores obtenham drogas ou vacinas efetivas (ainda não existe uma vacina contra a hepatite C).
Há alguns anos, virologistas desenvolveram um sistema substituto para a duplicação do vírus da doença. Esse sistema pode ser usado para testar os compostos químicos efetivos contra o vírus.
Porém, sempre que um desses compostos se mostra efetivo, o vírus sofre uma mutação rapidamente. Dessa forma, adquire resistência na mesma velocidade. A mais recente solução, diz Glenn, é provavelmente “o ataque do vírus por múltiplos ângulos, todos ao mesmo tempo com um coquetel de medicamentos. É imperativo identificar novas classes de potenciais medicamentos.”
Glenn é um dos autores do estudo, publicado na edição desta quarta-feira (20) na "Science Translational Medicine", em que ele e seus colegas relatam o desenvolvimento de uma nova classe de compostos capaz de interromper o ciclo de replicação do vírus da hepatite C com pouca ou nenhuma toxicidade para as células humanas, diz Glenn.
O pesquisador prevê um período de um ano a 18 meses de testes pré-clínicos e testes em animais antes que esses compostos possam ser aprovados para testes em humanos pela agência reguladora dos EUA, o FDA. (G1)
 
 
 
 
 
 

21.01 - Convênios perdem quase 100 mil clientes em 12 meses
Até 2007, o setor apresentou crescimento contínuo, mas o desemprego causado pela crise reduziu o ritmo de entrada de novos usuários e o balanço ficou negativo. Com a redução, qualidade do serviço pode ser comprometida
Em apenas 12 meses, os planos de saúde do Estado de São Paulo perderam 96.692 clientes, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A redução ocorrida entre setembro de 2008 e igual mês de 2009, embora seja pequena frente ao número total de beneficiários, chama a atenção por ser algo atípico no setor e por trazer problemas aos consumidores.
Para aqueles que continuam sendo clientes das operadoras, o risco é haver uma perda na qualidade do atendimento. Já para quem deixou de ser beneficiário de um plano, a dificuldade aparece na hora de tentar recontratar o serviço: fatalmente, o preço da mensalidade será mais alto do que era antes.
Tudo porque, com a redução do número de consumidores, o faturamento das operadoras cai, as empresas tendem a reduzir investimentos e também procuram compensar as perdas cobrando mais dos novos usuários. “Os planos de saúde funcionam em um sistema de mutualismo, no qual todo mundo paga a conta para poucos usarem o serviço”, explica José Luiz Toro, advogado especializado em saúde suplementar. “Por isso, quando há diminuição no número de pagadores mas os custos continuam iguais, todos os clientes sofrem.”
Motivos
Nos últimos cinco anos, a base de clientes das operadoras de São Paulo sempre apresentou crescimento. Entretanto, mesmo neste cenário, era muito comum que o número de usuários dos chamados planos antigos (aqueles contratados antes de 1999 e que não são regulados pela ANS) diminuísse ano a ano - seja porque esses clientes migravam para planos novos, seja porque se tratava de beneficiários mais idosos, que morriam. Ainda assim, as perdas nos planos antigos sempre foram compensadas pelas contratações de planos novos.
Não foi o que ocorreu em 2009. No ano passado, 562.663 beneficiários de planos antigos saíram do sistema, mas apenas 465.971 consumidores se tornaram clientes de planos novos.
Uma das explicações para a mudança foi a crise econômica. “São Paulo foi um Estado muito atingido pela crise, em especial na indústria, e as pessoas que foram demitidas e tinham plano de saúde empresarial perderam o benefício”, analisa Arlindo de Almeida, presidente da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge). “E as contratações ainda não conseguiram superar as demissões.”
O presidente da Abramge lembra ainda que a crise causou um outro problema para as empresas do ramo. “Com medo de perder o emprego, muitas pessoas aproveitaram para usar os serviços do plano enquanto ainda tinham o benefício, o que aumentou o índice de sinistralidade das operadoras”, diz. Com isso, em julho, o lucro médio das empresas filiadas à Abramge ficou na casa dos 0,5%, um resultado considerado muito baixo para o setor.
Além da perda de clientes e da redução nos lucros, as operadoras também tiveram de arcar com aumento das despesas médicas - a estimativa do mercado é que os custos das empresas tenham subido entre 10% e 12% em 2009. Entretanto, o peso extra no caixa não pôde ser repassado integralmente aos consumidores - a ANS, que regula o setor, autorizou um aumento de 6,76% em 2009 para as mensalidades dos planos já contratados.
Mas a conta tinha que sobrar para alguém. Já sabendo que a ANS não autoriza reajustes proporcionais à inflação médica, as operadoras que trabalham no Estado de São Paulo aumentaram em até 15% o valor dos planos ofertados no mercado - neste caso, os preços são livres. Por isso, quem contrata o serviço agora paga mais caro.
Solange Beatriz Mendes, diretora executiva da Federação Nacional de Saúde Suplementar (Fenasaúde), embora informe que as empresas representadas pela entidade não sofrem redução no quadro de beneficiários, admite que o aumento de preços pode justificar a diminuição das contratações dos planos novos. “Os clientes que saem de uma operadora, em especial os idosos, podem encontrar dificuldades para recontratar o serviço em função dos valores”, diz.
Para Pedro Fazio, consultor especializado em saúde suplementar, esse retrato atual do setor pode significar que o mercado paulista de plano de saúde esteja saturado. “As operadoras têm muitos custos, repassam isso para o preço dos planos ofertados no mercado, e a consequência é que os valores atuais podem ser altos demais para que consumidores de menor renda, que ainda não têm planos, possam contratar o serviço e ingressar no mercado”, avalia.
PREÇO SALGADO
15 POR CENTO
foi o aumento registrado em planos ofertados no mercado, enquanto nos planos contratados o reajuste ficou em 6,76%
O QUE FAZER
Se você é cliente de um plano antigo (contratado antes de 1999) e receber a proposta de uma operadora para migrar para um plano novo, analise bem o seu contrato para ver se vale a pena fazer a mudança
Preste atenção no valor da mensalidade, na cobertura e no índice de reajuste fixado em contrato. A partir daí, pesquise o preço dos planos que oferecem uma
cobertura equivalente
Mesmo que o preço seja parecido (o que é pouco provável), lembre-se de que os reajustes fixados pela ANS para os planos novos costumam ser superiores à inflação geral. Portanto, se o seu contrato for reajustado pela inflação, ele tende a ser mais vantajoso
Caso você decida mesmo migrar para um plano novo, lembre-se que você só estará livre de carência se a migração ocorrer entre planos da mesma operadora. Se a mudança for para outra empresa, a carência é obrigatória, já que esses planos não participam da portabilidade
Os clientes dos planos novos (coletivos ou individuais) também devem evitar quebrar o contrato com a operadora atual, a menos que recebam uma proposta melhor. Em caso de demissão, tente negociar com a operadora antes do contrato ser cancelado   (CAROLINA DALL’OLIO - Jornal da Tarde)

21.01 - O difícil repensar da saúde no Brasil
Ao nascer todos recebemos uma marca. Um DNA que nos acompanha ao longo de nossa existência. Dependendo dele nossa saúde, capacidade de sobrevivência e superação está lançada.
Tão certo quanto isto sabemos que entre 2030 e 2040 começa a inversão da curva populacional entre jovens e idosos. O Sistema Universal de Saúde (SUS), iniciado em 1988, tinha como objetivo qualificar as responsabilidades públicas e privadas na atenção aos problemas de saúde da população brasileira.
Passados 21 nos defrontamos com enormes desigualdades regionais nas aplicações das verbas destinadas que compõe um misto de recursos com origem nos governos municipais, estaduais e federais.
Dificuldades de obtenção de recursos públicos para investimentos no setor. Denúncias de corrupção nos processos de compra ou licitações. Desperdícios de medicamentos. Incapacidade de gestão de estruturas hospitalares complexas. Falta de uso de aplicativos da tecnologia da informação para otimização da gestão no setor.
A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) recomenda que os países apliquem pelo menos 6% do PIB nos diferentes programas voltados á saúde de sua população. O Brasil tem aplicado 3,4%, enquanto os demais países do bloco, 4,6% do PIB. Os EUA despenderam 16%, ou US$ 2,3 trilhões, em 2008.
Prevalece entre nós a visão de que saúde é despesa, e não um setor que movimenta a economia com geração de empregos e ativação de um extenso parque industrial de fornecedores de insumos voltados á saúde de um povo.
Tanto isto é verdade que no período de 1993 a 2003 o Governo Federal reduziu sua participação de 72% nos gastos para 51%, e assim manteve-se nos últimos anos. No ano 2000 entrou na Constituição Brasileira, através da Emenda 29, a obrigatoriedade de estados e municípios aplicarem no mínimo 12% de seus orçamentos em Saúde.
Uma emenda política, suficientemente vaga e sem menção a punições aos faltosos. Vaga o suficiente para que seja ignorada por políticos não identificados com a saúde pública. Um projeto de lei que disciplinaria a matéria está parado no Congresso desde 2002.
Segundo a pesquisadora Maria Ugá, da Fundação Oswaldo Cruz, "os gastos públicos em saúde pública no Brasil giram em torno de US$ 153 per capita. Desse total, US$ 77,4 são investidos pela União, estados pagam US$ 37,5 e municípios, US$ 38,1".
O abandono do Governo Federal tem obrigado os estados e municípios a investirem mais nesta área. A participação dos estados cresceu em dez anos de 12% para 23% e a dos municípios, de 16% para 26%.
Nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, com maior poder econômico, os governantes estão cobrindo a ausência do Governo Federal. As regiões Norte e Nordeste têm se restringido às dotações do Governo Central. Não por acaso, são o foco de graves denúncias pela imprensa da completa falta de assistência para com os seus cidadãos.
Apesar destas deficiências, o Ministério da Saúde constatou que ao longo de 2007 mais de R$ 3,6 bilhões, distribuídos por 16 estados, deixaram de ser aplicados na área. Esta verba permitiria a construção de 70 hospitais de porte médio, cerca de 200 leitos.
Isto foi possível por uma leitura facciosa da lei que permite a contabilização de gastos exógenos como restaurantes populares e despoluição da Baía da Guanabara, como no caso do Rio de Janeiro.
O estado do Paraná usou de sua criatividade para contabilizar uniforme da polícia militar e merenda escolar. Minas Gerais contabilizou um programa de financiamento da casa própria. O estado de Goiás considerou a ampliação da rádio, da TV e de uma gráfica do governo. O resultado é que, de 27 governadores, 16 deixaram de cumprir o preceito constitucional.
Apesar desta anacrônica situação nossos congressistas discutem a criação da CSS (Contribuição Social Saúde), que objetiva ressuscitar a antiga CPMF, já banida pela sociedade civil por duas vezes.
Muito prestativos, estão incluindo nesta conta os gastos com o Fundeb, fundo voltado para a educação básica, pagamento dos juros de dívidas contraídas para financiar o setor e estabelecem um prazo de quatro anos para enquadramento dos governos às normas. Providencial para estados como o do Rio Grande do Sul, com apenas 3,75%, e Minas Gerais, 7,09% do piso.
Com a alta frequente nos custos de medicamentos, demanda por equipamentos que agregam inovações tecnológicas importantes, a necessária revisão salarial dos profissionais que atuam na área, necessidade de investimentos crescentes em programas voltados para Aids, HPV, câncer, dengue, menigite entre outros, a questão central é de que se cumpra a lei e não de identificar novas fontes de arrecadação.
A saúde é sempre um tema polêmico onde quer que seja tratado. Nos EUA ela tem custado muito caro ao presidente Barack Obama. Desde que começou a tentar mudar o status quo vigente, sua popularidade caiu abaixo dos 50%.
Como promessa de campanha prometeu solução para atender 47 milhões de americanos excluídos da assistência convencional pelo atual sistema. A ex-primeira dama Hillary Clinton, no primeiro governo de seu marido, chefiou uma comissão da Presidência que se propunha a mudar as regras vigentes. Teve de abdicar de suas pretensões. A comissão foi extinta. O assunto nunca mais voltou à pauta governista.
O interessante é que todos os intervenientes no processo, aqui e lá fora, se dizem perdedores, mas ninguém quer quebrar os paradigmas e clamam por mais verbas. Após outubro de 2008 o mundo começou a mudar drasticamente. Com menos dinheiro em circulação, mais de US$ 8 trilhões viraram fumaça, é preciso muita razão para convencer alguém a pagar mais por menos.
Lembrando da questão populacional brasileira, temos apenas 20 a 25 anos para repensar nosso modelo de saúde. Além de hospitais, consultas, exames, transplantes, temos de pensar na assistência à terceira idade, o que envolve home care, casas de acolhimento ao idoso, nova farmacologia, melhorias no sistema previdenciário; ou nossos homens públicos acreditam que nunca chegarão a este estágio da vida?
Nossos políticos precisam começar a pensar em leis que agreguem valor ao cidadão. Agreguem melhoria na sua qualidade de vida presente e futura. A vida de uma população e o seu futuro não são necessariamente uma equação contábil financeira. Fosse assim, porque o criador nos dotou com DNAs tão diversos?   (Carlos Stempniewski - Jornal Monitor Mercantil)

21.01 - O SUS e o câncer
Presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, Roberto Fonseca comenta a preocupação com a deteriorização das condições de atendimento
Os cancerologistas brasileiros estão cada vez mais preocupados com a deterioração progressiva das condições do atendimento ao paciente oncológico no Sistema Único de Saúde (SUS). E não é para menos: até o final deste ano, estima-se que no Brasil ocorrerão cerca de 466 mil novos casos de câncer, com uma mortalidade de cerca de 160 mil pacientes.
O tratamento de câncer no Brasil, no que se refere ao SUS, deixa enormes lacunas nas opções à disposição dos cancerologistas, impossibilitados de utilizar tecnologias e drogas já incorporadas à prática médica há muito tempo.
Cerca de 80% dos casos de câncer no Brasil são tratados no âmbito do SUS, tornando imprescindível a adoção de novos medicamentos e tecnologias, bem como a atualização da tabela de procedimentos oncológicos, nas quais ocorreram apenas alterações pontuais nos últimos 11 anos, com a transferência de parte dos custos para os prestadores de serviço.
Exemplo do equívoco de tais políticas foi a forma como se incorporou a droga imatinibe à tabela de procedimentos da oncologia no SUS em 2001. Na época, o governo promoveu a isenção de impostos para o medicamento para que o preço ficasse compatível com o valor pago pela Autorização de Procedimentos Ambulatoriais de Alto Custo (Apac). Ainda assim, o procedimento era deficitário para os prestadores de serviço, pois o valor pago cobria apenas o preço do medicamento, o que era insuficiente para arcar com seus custos operacionais.
O número de pacientes que usam imatinibe vem se avolumando, o que o torna extremamente oneroso para o sistema, a tal ponto que, em 2007, o gasto do ministério com essa medicação totalizou R$ 203 milhões, ou seja, 19,8% de todo o gasto do SUS com quimioterapia, embora o número desses pacientes representasse menos de 2% do número total em tratamento oncológico.
É necessária, ainda, a revisão do orçamento ministerial destinado aos procedimentos da oncologia clínica, assim como a melhoria no acesso e na cobertura do atendimento cirúrgico oncológico e de radioterapia.
Desde 2004, soluções técnicas bem embasadas vêm sendo discutidas pelas sociedades de especialidades, em conjunto com o órgão normatizador da política de atenção oncológica do Ministério da Saúde, o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Essas propostas já foram aprovadas no Conselho Consultivo do Inca, mas não houve sua implantação efetiva pelo ministério, ocorrendo um atraso de mais de 10 anos na inclusão de procedimentos sabidamente curativos, que teriam salvado a vida de milhares de pacientes, a despeito de sucessivos alertas feitos às autoridades de saúde.
Os cancerologistas defendem a justiça e a equanimidade no tratamento clínico do câncer e pedem ao Ministério da Saúde que examine, com prioridade, a inclusão de novas tecnologias e de novos medicamentos oncológicos, tendo como objetivo final o respeito ao paciente de oncologia atendido pelo SUS.   (Roberto Porto Fonseca)
 
 
 
 
 
 

20.01 - Plano barra benefício a pioneiro do segmento
Juljan Czapski, 84, morreu em decorrência de tumor no cérebro sem conseguir home care
Bradesco Saúde diz que prestou a cobertura prevista no contrato; médico fundou, nos anos 1950, a 1ª empresa de medicina de grupo do país
Ele foi pioneiro dos planos de saúde no Brasil, ao fundar nos anos 1950 a primeira empresa de medicina de grupo do país.
Polonês, médico pela USP e com mais de meio século dedicado à área, Juljan Czapski morreu na semana passada, aos 84 anos, em desavença com o plano que o atendia.
Médicos, familiares e até amigos tentaram convencer a Bradesco Saúde, seu plano, a conceder-lhe o home care, atendimento personalizado em casa, que não estava em contrato. O benefício não saiu, e a família alega nunca ter recebido sequer uma resposta formal.
A seguradora diz que prestou a cobertura prevista contratualmente.
Czapski, que morreu na última terça em decorrência de um tumor no cérebro diagnosticado no meio do ano passado, tinha o plano pago pelo Sindhosp (sindicato dos hospitais paulistas), do qual era diretor.
Em novembro, ele foi internado no hospital Nove de Julho. No início de dezembro, o médico responsável pelo seu tratamento solicitou ao plano que o paciente tivesse o home care -foi um dos vários pedidos feitos pela equipe médica.
O benefício não foi dado.
A partir de então, a família diz ter contatado diversas vezes a Bradesco Saúde, para pedir o serviço. Segundo a filha Silvia, os funcionários da empresa evitaram responder por escrito. As conversas eram por telefone.
Até um amigo da família, o economista André Médici, consultor nos EUA do Banco Mundial na área de saúde, chegou a telefonar e enviar e-mails ao Bradesco, antes do Natal, na esperança de que concedessem o benefício. Não teve resposta.
Czapski não conseguia mais andar, tinha dificuldades para movimentar os braços e para falar. A família, então, custeou e montou em casa "um esquema tosco de home care", como descreve o filho Cláudio, que também é consultor de saúde.
"A curto prazo, eventualmente se economiza um trabalho de home care, mas o fato de ele ser negado acaba agravando a condição de vida do paciente e ele retorna ao sistema numa situação mais grave, que gera custos muito maiores", diz.
Segundo a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), que controla os planos, não há a obrigatoriedade de que o home care esteja em contratos, mas, por livre negociação com os clientes, eles podem oferecê-lo.
Bradesco Saúde diz que prestou assistência prevista
Em nota, a Bradesco Saúde afirma que prestou "toda a cobertura médica e hospitalar prevista contratualmente" durante o período em que o médico Juljan Czapski esteve doente e em tratamento.
"Todas as informações sobre o seguro de saúde do senhor Juljan Czapski foram prestadas ao seu médico assistente e à sua família, na pessoa da sua filha, Silvia Czapski, em reiterados contatos mantidos com a Bradesco Saúde", diz a nota.
A seguradora informa que uma internação foi solicitada no dia 6 de novembro de 2009, no hospital Nove de Julho, com duração até o dia 7 de dezembro, quando o paciente recebeu alta do médico assistente.
Já no dia 12 de janeiro, continua a nota, "o senhor Juljan voltou a internar-se, no Hospital Nove de Julho, condição esta que prevaleceu até o óbito, na mesma data".
A Folha teve acesso a um pedido, feito em 7 de dezembro, por um dos médicos responsáveis pelo tratamento, em que se reforça a necessidade do home care. A avaliação médica dizia: "Trata-se de um paciente que se encontra afásico [enfraquecido] e incapacitado para a marcha [caminhar] e totalmente dependente de cuidados e enfermagens médicas".
A Bradesco Saúde não comentou sobre o pedido negado do home care e, questionada se já concedeu o serviço mesmo em casos não previstos em contrato, nada respondeu.
MÉDICO TAMBÉM PARTICIPOU DA FUNDAÇÃO E DA DIREÇÃO DO MAM, EM SP
Médico que, em 1956, criou a Policlínica Central, primeira empresa do país de medicina de grupo a oferecer serviços a empresas, Juljan Czapski também foi ligado às artes. Quando ainda estudava, foi assistente de fotografia da mulher, a artista plástica e fotógrafa Alice Brill, 89. Czapski participou da fundação do MAM-SP (Museu de Arte Moderna), do qual foi diretor. Era ainda ligado a questões ambientais, tendo fundado uma associação de proteção ambiental em Itu (SP).   (ESTÊVÃO BERTONI - Folha de S.Paulo)

20.01 - Gripe: OMS se defende de acusações
Críticos acusam organização de agir sob pressão de indústrias farmacêuticas
A diretora-geral da Organização Mundial da Saúde, Margaret Chan, usou ontem metade de seu discurso na abertura da sessão anual do conselho executivo da entidade para defender a OMS de acusações de exagerar o alarme em torno da gripe A (H1N1).
Críticos acusam a organização de agir sob pressão de empresas farmacêuticas interessadas em vender vacinas e exagerar a ameaça representada pelo vírus que matou, até agora, cerca de 13,5 mil pessoas.
"Em termos de monitoramento, esta tem sido a pandemia mais observada de perto e analisada cuidadosamente da história", disse Chan em Genebra, após classificar o impacto moderado da gripe como "a melhor notícia da década".
"É natural que cada decisão ou ação que orientou a reação [à pandemia] seja, da mesma forma, examinada minuciosamente. A OMS pode arcar com esse escrutínio."
Passados dez meses após os primeiros casos serem relatados, os danos causados pelo vírus foram mais modestos do que o previsto, quando se vislumbrou as mortes na escala dos centenas de milhares ou mesmo milhões. Reflexo disso são os milhares de doses de vacinas estocadas, provocando críticas de políticos e médicos.
Na França, o governo de Nicolas Sarkozy foi criticado pela oposição socialista por comprar 94 milhões de doses (quase 50% mais do que a população do país) e usar só 5 milhões.
A mídia suíça -o país é sede de algumas das maiores farmacêuticas do mundo- relata casos semelhantes em vários outros países. É o caso, por exemplo, da Alemanha, que tenta renegociar e reduzir pela metade sua encomenda de 50 milhões de doses, ou da Holanda, que tenta revender o que tem.
Na próxima segunda, o Parlamento Europeu examinará uma proposta apresentada pela Comissão de Saúde do Conselho da Europa para iniciar uma investigação sobre a influência da indústria farmacêutica sobre a campanha da OMS, que incluiu recomendações de vacinação aos governos e extensa cobertura de mídia.
Para Chan, no entanto, parte do problema na administração das percepções públicas "vem da diferença entre o que era esperado, após acompanharmos por tanto tempo um vírus tão letal como o H5N1, e o que felizmente aconteceu".
Ela atribui o abismo a uma combinação de "sorte" e de fluxo de informação em tempo real, que a seu ver teve simultaneamente um efeito positivo (acelerou as ações de combate) e negativo (confundiu o público devido ao seu volume).
A diretora-geral também alertou para a medição precoce do impacto: "Estimativas de saldo de mortos e taxa de mortandade não serão possíveis antes de pelo menos dois anos após o fim da atual epidemia."
No Brasil, não há mudanças em relação às vacinas encomendadas: o país terá 83 milhões de doses para vacinar os grupos prioritários.  (LUCIANA COELHO - Folha de S.Paulo)

20.01 - Revalidação para diplomas de médicos estrangeiros
Até 12 de fevereiro, estão abertas as inscrições para o processo de reconhecimento em 25 universidades no País.
A partir de ontem médicos formados em instituições de ensino estrangeiras podem participar do novo processo para ter seus diplomas reconhecidos no Brasil. Até 12 de fevereiro, as inscrições para o processo de revalidação estão abertas em 25 universidades públicas do país.
A previsão é de que o tempo de espera para revalidar o diploma seja reduzido em até seis vezes. Antes de 2010, o interessado deveria procurar uma universidade pública e aguardar uma tramitação que poderia levar até seis anos. Cada instituição tinha procedimentos e normas distintas para analisar os documentos. Com o novo formato, espera-se que o processo de revalidação seja concluído no mesmo ano em que o interessado deu entrada na documentação.
Para participar, o diploma do candidato precisa ser de um curso de graduação reconhecido pelo órgão competente em seu respectivo país, com carga horária mínima de 7,2 mil horas, período de internalização do curso em seis anos e estágio prático correspondente a um mínimo de 35% da carga total do curso.
Com as novas regras, o profissional deve se inscrever no processo de avaliar, apresentar a documentação exigida e em seguida passará por exames teóricos e práticos. As provas serão aplicadas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), autarquia do Ministério da Educação responsável por avaliações como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e a Prova Brasil. Até 23 de março será divulgada a lista dos candidatos que tiveram a inscrição homologada. (Agência Brasil)
 
 
 
 
 

19.01 - Atendimento domiciliar para dor de dente
Dor de dente no fim de semana, no feriado ou à noite. Quem já não sofreu desse mal? De olho nesse público aflito, a empresa carioca SOS Dental está lançando em São Paulo um serviço inusitado de atendimento domiciliar. Um dentista que reside ou tem consultório nas proximidades do enfermo é acionado e, na sequência, o equipamento odontológico é enviado por meio de um motoboy.
"Tínhamos um atendimento domiciliar em São Paulo, mas não deu certo por causa do trânsito. Ninguém aguentava esperar. Agora, cadastramos 150 dentistas e o que fica mais perto da casa do cliente vai até ele. O equipamento, que pesa 18 quilos, vai de motoboy", disse Marcelo Schettini, dono da SOS Dental.
Atualmente, a empresa tem parceria com o plano Golden Cross, cujos beneficiários podem acionar o serviço. Schettini informou que está em negociações avançadas com outro plano de saúde do Rio e uma operadora de cartão de crédito. Ele também aposta em franquias. Hoje, a SOS Dental tem 16 unidades em outros Estados, mas nessas regiões o equipamento vai de carro com o dentista.
A empresa fechou recentemente contrato com o grupo Godoy, da área de "home care", e será o master franqueado em São Paulo. O projeto será apresentado ao mercado paulista durante o Congresso Internacional de Odontologia, que ocorre no fim do mês.   (Beth Koike - Valor Online)

19.01 - Benefícios Corporativos – Um Bem Necessário
Mercado competitivo, abundância da oferta de produtos e serviços e profissionais extremamente qualificados, são situações comuns nos dias atuais e certamente farão cada vez mais parte de nossas vidas. Aliados ao “duelo” rumo ao sucesso, profissionais e empresas buscam a melhor sintonia.
Prova disso é a grande evolução dos últimos anos na área de pessoas do mundo corporativo. Compreende-se hoje, que o capital humano é o maior bem sem o qual uma empresa não sobrevive. O que antes se chamava Departamento de Pessoal, famoso DP, evolui no seu conceito para o que é conhecido como Área de Recursos Humanos.
As atribuições básicas de um DP eram contratar, pagar e demitir. Qualquer ideia ou criação que fugisse deste escopo, por mais necessário que fosse, era considerado custo pelos acionistas.
Hoje não é mais possível uma empresa ser competitiva e ter lucratividade se ela não tiver as melhores pessoas em seu time. Para se ter bons colaboradores é preciso investir na contratação, no desenvolvimento permanente e em suas avaliações e fundamentalmente na implantação e gestão de uma boa política de benefícios. Esta última ferramenta garantirá, na prática, uma maior produtividade e motivação dos profissionais, facilitando a captação e retenção dos bons executivos do mercado, além do cunho social da ação. A composição dos principais benefícios os quais menciono, se dá através dos planos de saúde, das apólices empresarias de seguro de vida, dos planos de previdência privada, dos planos odontológicos, dentre outros.
Ignorar a questão dos benefícios corporativos poderá representar perdas irreparáveis para a empresa.
Algumas questões, portanto, são absolutamente necessárias para compor a análise do empresário. Quanto custa perder um bom profissional após todo o investimento de contratação? E quanto custa perder este profissional para seu concorrente? Certamente o preço será muito alto.
Desta forma, uma das principais atribuições dos profissionais de Recursos Humanos é viabilizar o investimento para a implantação de bons benefícios que possam compor o pacote dos benefícios corporativos. Logicamente os benefícios oferecidos e implantados pelas empresas devem estar alinhados com seus objetivos estratégicos e financeiros.
Considerando o exposto e suas tendências futuras, o mercado de seguros cresce vertiginosamente. Quando o assunto é previdência privada, por exemplo, constata-se cada vez mais que a cultura do brasileiro vem se desenvolvendo a favor dos planos previdenciários privados como forma de complementação da sua renda no sistema público de aposentadoria. O mesmo se dá de forma sensível para os planos de saúde e consequentemente para os demais benefícios. Percebemos, portanto, que essa necessidade ocorre exatamente pela falta de assistência dos respectivos órgãos governamentais de nosso país, resultando em uma mudança de cultura interna.
Para o médio e longo prazo, a formação de bons profissionais para o mercado de seguros, conjugado com uma reeducação na utilização desses benefícios por parte dos segurados, principalmente no plano de saúde, será condição básica para a manutenção do sistema, pois garantirá ao mercado corporativo, o fornecimento de bons produtos e serviços colaborando na busca de uma melhor solvência para as seguradoras.    (Cristiano Lacerda - Administradores)

19.01 - Regulamentação da medicina: um presente aos cidadãos
Em meados de outubro, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei 7703/2006, que regulamenta o exercício da Medicina no Brasil. A maioria dos brasileiros nem imaginava, mas até então a prática médica, uma profissão milenar, não era devidamente regulamentada no País. Até então, não havia um escopo de leis que determinasse as atribuições exclusivas dos médicos nem as que podem ser compartilhadas por outros profissionais de saúde. 
A votação na Câmara foi histórica para os médicos e, especialmente, para os cidadãos brasileiros. Quando ratificada pelo Senado Federal e sancionada pela Presidência da República, teremos em nosso País uma assistência médica mais acessível. Os pacientes de qualquer região terão direito legal de ser diagnosticados e receber tratamento prescrito por médicos, e não por clandestinos ou aventureiros de plantão. 
A regulamentação da Medicina é benéfica ao próprio Sistema Único de Saúde (SUS) e também à área privada. O projeto de lei 7703 harmoniza a relação de todas as profissões da área de saúde, oferecendo condições objetivas para que a multidisciplinaridade seja cada vez mais consagrada e eficaz. Simultaneamente, garante maior segurança ao exercício da medicina e, por conseqüência, aos pacientes. 
Não à toa a regulamentação foi defendida, durante os sete anos de tramitação no Congresso Nacional, por médicos, entidades de pacientes, gestores, e até por um número expressivo de profissionais de outras áreas de saúde. Prevaleceu, dessa forma, a visão de que o País tem de avançar e estabelecer claramente as atribuições de cada agente de saúde para que os pacientes sejam devidamente beneficiados. 
É fato que, ainda hoje, um ou outro equivocado busca confundir a população e a mídia espalhando a inverdade de que o projeto de lei 7703 representa reserva de mercado, de que seria corporativismo médico. Contudo, tal argumentação não resiste a uma breve leitura do texto aprovado pelos senhores deputados. Diz ele em seu artigo 4º, parágrafo 7º: "são resguardadas as competências das profissões de assistente social, biólogo, biomédico, enfermeiro, farmacêutico, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, nutricionista, profissional de educação física, psicólogo, terapeuta ocupacional e técnico e tecnólogo de radiologia".
Estamos, portanto, diante de uma iniciativa legítima que comprova o respeito e admiração que os médicos têm pelas demais profissões. Dessa maneira, repito, quando ratificada pelo Senado Federal e sancionada pela Presidência da República, a lei será uma grande vitória de todos os brasileiros.  (ANTONIO CARLOS LOPES - Jornal do Commercio Brasil)
 
 
 
 
 
 

18.01 - Medicina é coisa séria
É inadmissível pensar em voo cego quando o assunto é medicina, mas, infelizmente, a realidade brasileira segue rota turbulenta e perigosa. Recentemente, uma avaliação facultativa realizada pelo Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) para verificar os conhecimentos dos futuros médicos teve resultado alarmante: 56% dos formandos foram reprovados logo na primeira fase, reforçando as evidências do péssimo nível do ensino médico no País.
O resultado é indicativo de que os brasileiros correm elevado risco. Afinal, apenas voluntários participaram da prova, que, aliás, foi boicotada por muitos alunos com incentivo de faculdades deficientes. Outra questão a ser considerada: se, em São Paulo, a situação é escandalosa, o que dizer de outras regiões do Brasil nas quais o ensino é ainda mais deficiente?
Faz quase duas décadas que as entidades médicas alertam a sociedade sobre a abertura de escolas de Medicina sem qualificação. A situação atual é simplsmente escandalosa: o Brasil tem 178 faculdades de medicina que oferecem 17 mil novas vagas ao ano. Só que muitas delas não possuem hospital universitário próprio, além de contarem com corpo docente desqualificado.
É um problema gravíssimo de saúde pública. Para solucioná-lo, é mister o estabelecimento imediato da obrigatoriedade da prova de habilitação para o exercício da medicina. É fundamental que o exame tenha caráter reprovatório, garantindo que profissionais mal preparados não estejam na linha de frente do atendimento à população.
Simultaneamente, é necessária a mobilização da sociedade para exigir medidas saneadoras urgentes, deixando claro aos parlamentares e às autoridades constituídas que vidas humanas merecem respeito.
Além da obrigatoriedade da prova de habilitação, o Congresso Nacional precisa aprovar, com urgência, o projeto de Lei 65/2003, que estabelece parâmetros para a autorização de funcionamento de cursos de medicina no País, garantindo, por exemplo, a existência de hospital-escola próprio e corpo docente vinculado ao hospital universitário.   (ANTONIO CARLOS LOPES - Jornal do Commercio Brasil)

18.01 - Risco de epidemia de HIV resistente a drogas
Vírus que não cede a tratamento começa a se espalhar em países desenvolvidos
Previsão saiu de modelo matemático da transmissão do patógeno nos EUA, mas médica já se diz preocupada com infecções na África
O aumento da circulação de variantes do HIV resistentes ao tratamento com antirretrovirais nos EUA pode provocar uma epidemia desse tipo de "supervírus" com início nos países desenvolvidos. O alerta é de um estudo publicado na edição de hoje na revista "Science", que analisou a dinâmica de transmissão do vírus em San Francisco, na Califórnia.
Nos últimos 20 anos, a presença do vírus resistente cresceu de forma significativa na cidade, assim como na maioria dos países ricos, onde o tratamento com antirretrovirais é comum. Como os soropositivos podem transmiti-lo para mais de uma pessoa, os pesquisadores afirmam que a ameaça de epidemia nesses países é real.
Para mapear a evolução do HIV em São Francisco, os cientistas criaram um modelo matemático com os dados das infecções nas últimas duas décadas. A simulação considerou a transmissão dos três tipos de HIV resistentes aos principais antirretrovirais do mercado. A partir dessas informações identificaram os fatores do tratamento que levaram à resistência aos medicamentos.
O modelo mostrou que muitos dos HIV resistentes, que têm evoluído nos últimos dez anos, são transmitidos de uma pessoa para outra mais facilmente do que se acreditava. Essa nova dinâmica, dizem os cientistas, tem potencial para provocar uma nova onda de resistência aos medicamentos.
Embora os remédios tenham conseguido manter a taxa de transmissão do HIV resistente abaixo de 15% do que seria esperado, cerca de 60% dos vírus desse tipo têm potencial para causar epidemias autossustentáveis caso saiam do controle.
"Este estudo não é só sobre San Francisco. É basicamente sobre muitas outras comunidades de países ricos e tem implicações significativas para a saúde global", afirmou Sally Blower, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, líder da pesquisa em comunicado à imprensa. Segundo ela, o modelo matemático aplicado à cidade pode ser transposto para "qualquer outro lugar", desde que feitas adaptações necessárias.
Migração viral
Uma das maiores preocupações dos cientistas agora é a disseminação do vírus resistente aos tratamentos nos países pobres. A chegada desse tipo HIV a locais onde o acesso aos medicamentos é difícil e as políticas de saúde pública são limitadas pode anular os recentes avanços conquistados em áreas mais atingidas pelo HIV, como a África do Sul.
Por enquanto, não há dados sobre a presença do vírus resistente nos países mais pobres. De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), o principal empecilho é a falta de informações confiáveis sobre saúde pública nessas nações.
A insistência da entidade em tratar de maneira semelhante todos os infectados pelo HIV foi alvo de críticas de Blower. "O mais inquietante é que nosso modelo mostra que a estratégia atual para a eliminação do HIV proposta pela OMS inadvertidamente pode piorar as coisas e aumentar significativamente os níveis de resistência aos medicamentos em muitos países africanos", afirmou a pesquisadora americana.
De acordo com os cientistas, o modelo aplicado na pesquisa pode ser usado para o estudo da dinâmica de outras doenças resistentes a tratamentos.   (Folha de S.Paulo)

18.01 - O grande negócio da pandemia de influenza
Cerca de 40% do custo dos remédios correspondem a despesas de marketing
Quanto à pandemia de gripe, o que temos hoje? Boas vacinas, que são a principal ferramenta no combate às doenças virais de comportamento epidêmico explosivo (como as transmitidas de pessoa a pessoa). No Brasil, a partir de maio, o SUS estará vacinando os grupos populacionais sob maior risco de formas graves e de morte pela doença. Temos também uma grande mobilização de governos nacionais sob a coordenação da Organização Mundial da Saúde (OMS) para enfrentá-la.
Mas há outras duas dimensões relevantes a serem destacadas. Em termos históricos, a atual pandemia é a primeira para cujo enfrentamento a humanidade possui uma ferramenta efetiva e segura de intervenção. Além disso, a indústria farmacêutica a colocou no centro de seus interesses. Talvez isso seja também original. Na história da humanidade, essa pandemia pode estar sendo a primeira pandemia "de mercado".
De um modo fortemente assimétrico, a indústria de vacinas e a indústria farmacêutica vêm se fundindo. A emergência das biotecnologias no horizonte da produção de medicamentos é a responsável por isso, pois boa parte da inteligência biotecnológica está na pesquisa, desenvolvimento e produção de vacinas. Tradicionalmente, por seus vínculos mais fortes com as políticas de saúde pública, os produtores de vacinas construíram "culturas" mais solidárias com as demandas de saúde pública em geral e dos países em desenvolvimento em particular. À medida que as farmacêuticas as absorvem, bem como as empresas que apenas desenvolvem biotecnologias (não fabricam produtos), a "cultura" das primeiras, muito mais agressiva e competitiva, vem se tornando a dominante no ambiente da pesquisa e da produção de vacinas.
Esse é o pano de fundo do comportamento da indústria nessa questão das vendas de vacina contra a gripe pandêmica. Uma meia dúzia de fabricantes pesos-pesados disputando uma imensa janela de oportunidades de negócio chancelada pelos governos nacionais e pela OMS. Negócios de custo relativamente baixo e de muito altas margens de lucro, por várias razões. Vamos a elas:
1) Em face da emergência da situação pandêmica e da experiência prévia com a produção de vacinas contra a gripe sazonal, houve simplificação das autoridades multilaterais e nacionais quanto aos protocolos de testes clínicos. Testes clínicos respondem por uma grande parte do custo final de medicamentos e vacinas.
2) Em torno de 40% do custo de produtos farmacêuticos na farmácia, no consultório ou no hospital correspondem a despesas de marketing (incluída aí uma parte mais avançada de testes clínicos) e as operações no varejo têm um peso muito importante. Neste caso, não houve varejo, pois as compras foram centralizadas pelos governos nacionais. A "economia" foi incorporada na margem do fabricante.
3) A cobertura midiática e a emergência objetiva estabeleceram um quadro de "pegar ou largar" que foi decisivo para uma fixação de preços difícil de ser justificada em termos de custos reais. Apenas para exemplificar, em média, o preço da dose das vacinas pandêmicas (todas as procedências) é o dobro do que tem sido pago pela dose da vacina sazonal. Difícil de explicar se considerarmos que a pandêmica possui apenas um antígeno, as sazonais possuem três e a tecnologia é a mesma, essencialmente.
4) Houve ainda um elemento que turbinou as vendas. Inicialmente foi anunciado que níveis adequados de proteção necessitariam de duas doses da vacina e várias ordens de compra no Hemisfério Norte seguiram essa norma. Não há evidências de dolo, mas objetivamente isso aumentou as vendas.
Ainda é cedo para termos um consolidado do valor das vendas mundiais de vacinas pandêmicas, mas se as estimativas da OMS para a capacidade mundial de produção - 3 bilhões de doses por ano - forem vendidas por um preço médio de US$ 9 por dose, tudo indica que a pandemia de 2009-2010 terá sido, nesse curto prazo, o maior negócio da indústria farmacêutica em toda a História.
Mas a história não acaba aqui. Por vários motivos, entre os quais não se deve desprezar a onda de irracionalismo que varre o planeta, a aceitação popular da vacina em muitos países - europeus e Japão em particular - foi menor do que a prevista. Neste momento, vários governos nacionais e a OMS vêm sendo acusados de terem entrado no jogo da indústria, adquirindo mais vacinas do que uma análise isenta recomendaria. Difícil aceitar essas acusações, na ausência de fatos mais concretos. Alguns desses governos estão revendendo vacinas com desconto ou negociando sua devolução aos fabricantes. Mas cabe um comentário final específico sobre a OMS.
Desde o final dos anos 80, um dos aspectos particulares que acompanharam a instituição da unipolaridade política e econômica no mundo foi o enfraquecimento dos organismos multilaterais de representação nacional. Historicamente, esses organismos tiveram importante papel no combate às assimetrias entre regiões e países.
No caso da saúde, observa-se uma relativa debilitação da OMS paralelamente à criação de órgãos que poderíamos chamar ad hoc, com forte participação de empresas privadas e de ONGs. Atualmente, dentre os US$ 4,5 bilhões do orçamento geral da OMS, quase 75% são constituídos por aportes dessas organizações, com objetivos e governança fortemente definidos pelos doadores. A despeito do excelente trabalho realizado pela atual diretora geral, esse quadro poderia sugerir que os pontos de vista das empresas possam estar mais presentes do que deveriam nas decisões dos comitês da OMS. Mais uma razão para reforçarmos as tratativas para a reinstituição de um saudável multilateralismo fundado numa governança de estados nacionais.    (Reinaldo Guimarães - Valor Online)
 
 
 
 
 

15.01 - Regras de Garantias Financeiras na Saúde Suplementar
A ANS publicou ao final de 2009 diversas normas alterando as garantias financeiras do setor e o plano de contas padrão. Basicamente, as normas unificam as regras das seguradoras e operadoras, incorporam os pronunciamentos técnicos emitidos pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis - CPC e alteram a contabilização das contraprestações pelo seu rateio diário, com a conseqüente reversão da Provisão de Risco.
Resumo das normas:
RN 206 – alteração na contabilização das contraprestações e prêmios (contabilização da receita pro rata/dia, fim da provisão de risco)
RN 207 – Revisão do Plano de Contas Padrão
RN 208 – altera a RN 206 (insuficiência de ativos garantidores da Provisão de Risco torna-se insuficiência para PEONA e Eventos a Liquidar)
RN 209 – critérios de manutenção de recursos próprios mínimos, dependência operacional e provisões técnicas
IN 38 - Define os ajustes por efeitos econômicos no patrimônio
IN 37 - Incorpora à legislação de saúde suplementar as diretrizes dos Pronunciamentos Técnicos emitidos pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis - CPC e aprovados pelo Conselho Federal de Contabilidade - CFC,
IN 36 – Regulamenta a RN 207
IN 32 - Regulamenta o procedimento de reconhecimento contábil dos valores referentes à Provisão de Sinistros a Liquidar e
Eventos a Liquidar
A recente normatização da ANS objetiva por um lado unificar a regulação prudencial entre as seguradoras especializadas em saúde e as operadoras das demais modalidades e por outro adotar práticas mais atuais na regulação prudencial. Vale lembrar que a ANS faz parte do Comitê de Solvência do IAIS e vem participando ativamente das discussões regulatórias internacionais.
As seguradoras, como se sabe, tiveram suas regras de garantias financeiras congeladas nas regulações da SUSEP e na Resolução do Conselho Nacional de Seguros Privados nº 36 de 2000 pela Resolução de Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Saúde Suplementar - RDC 65/2001.
Dentre as Principais Alterações, trazemos de forma resumida:
1. Mudança no momento do registro da receita. Esta, pelas regras antigas, era contabilizada integralmente no primeiro dia de cobertura de risco. Pela RN 206, a contabilização se faz da forma pró-rata dia. Tal mudança implica o fim da necessidade da provisão de risco, constituída mensalmente e lastreada por ativos garantidores, para garantir a parcela das contraprestações cuja vigência do risco não tenha findado.
2. Reversão da Provisão de Risco. O fim da provisão de risco permite para as operadoras que estavam suficientes com as regras de garantias financeiras vigentes a liberação dos ativos garantidores que a lastreavam para a cobertura da Provisão para Eventos Ocorridos e Não Avisados (PEONA) em até 72/72 avos. Lembrando que em janeiro de 2010 completam-se dois anos de um total de seis para a constituição completa da PEONA, portanto o prazo atual é de 36/72 avos da PEONA. O eventual excesso de ativos deve ser alocado na provisão para eventos a liquidar, também criada pela RN 209. O prazo para a constituição dos ativos garantidores da provisão para eventos a liquidar deverá ser discutida em câmara técnica em 2010.
3. Ainda no tema reversão da provisão de risco e liberação de ativos, a ANS editou norma (RN 208) onde estabelece que a eventual insuficiência de ativos garantidores da provisão de risco em 31/12/09 será considerada insuficiência de ativos para PEONA e eventos a liquidar. Ou seja, diante da possibilidade da norma soar como anistia para as empresas que não cumpriam as regras, a ANS adotou a postura continuar cobrando os ativos não alocados anteriormente.
4. Fim da Provisão para Prêmios Não Ganhos (PPNG) das seguradoras especializadas em saúde com respectiva liberação de ativos das já que essas empresas já lastrearam a totalidade do antigo IBNR e o sinistro a liquidar.
5. Ativos garantidores devem ter liquidez. Fim da imobilização dos ativos permitido anteriormente pela RDC 77. Os imóveis que serviam como garantia de até 90% da provisão de risco, devem ser desvinculados junto aos cartórios competentes. Os ativos garantidores das seguradoras continuam sendo regulados pelo Conselho Monetário Nacional.
6. Atualização do Capital Base para o início das operações – De R$ 4,5 milhões para R$ 5.001.789,60 (aumento de 11,1%), sendo que o fator K, que são os percentuais variáveis segundo a região de atuação e a modalidade, permaneceu inalterado. Importante observar que para as seguradoras, o capital mínimo é sempre de R$ 5.001.789,60 independentemente da região de atuação.
7. A RN 209 revogou a RDC 65 da ANS (da especialização e que convalidava as regras CNSP até 2000). Com esta revogação, todas as provisões que não foram regulamentadas pela ANS (PIP, por exemplo) deixam de ser obrigatórias. Na realidade, as provisões adicionais já realizadas pelas seguradoras passam para a rubrica “outras provisões técnicas”.
8. Margem de Solvência: O cálculo leva em conta os últimos doze meses de receita e os últimos 36 meses de sinistros. Antes, para as seguradoras, era de 36 meses de receita e 60 de sinistros. Portanto, para as seguradoras que observaram aumento na sinistralidade no passado recente, a regra deve impor maior volume de margem de solvência. A norma também dá o prazo até o fim de 2010 para eventuais ajustes de capital necessários para adequação da margem de solvência.
9. Incorporação do resultado financeiro no resultado operacional. Esta mudança nas demonstrações contábeis equipara as demonstrações utilizadas nos mercados securitários na medida em que se considera o resultado da operação como um todo como sendo a soma da gestão assistencial e da gestão dos recursos financeiros.
Resumindo, agora todas as operadoras de planos de saúde devem constituir as seguintes provisões:
Eventos / sinistros a liquidar
PEONA
Remissão
Outras Provisões
As operadoras que não são seguradoras ainda devem constituir ativos garantidores para o excesso de dependência operacional, que não existe nas seguradoras pois estas já garantiam os sinistros a liquidar. A dependência operacional foi criada pela RN 160/2007 a fim de se criar um custo (ativos garantidores) para as operadoras que excediam em 30 dias a diferença entre o prazo médio de pagamento e de recebimento. As seguradoras já tinham a obrigação de constituírem ativos garantidores para o sinistro a liquidar. Importante ressaltar que a alocação dos ativos garantidores das seguradoras é regulamentada pelo Conselho Monetário Nacional enquanto que das operadoras das demais modalidades esta atribuição é da ANS. Os prazos para a constituição dos ativos garantidores da provisão para eventos / sinistros a liquidar serão discutidos em câmara técnica na ANS ao longo de 2010.
Quanto à margem de solvência, embora a regra atual seja a mesma para as seguradoras e operadoras em termos de período de cálculo das receitas e eventos, os prazos para constituição são bem diferentes. As operadoras dos segmentos primário, secundário, próprio e misto que iniciaram suas operações antes da publicação da RN 160/2007 e aquelas do segmento terciário que iniciaram suas operações antes de 19 de julho de 2001 têm o prazo de dez anos escalonados contados a partir de 2008 para constituírem os 100% de capital requerido. Já as autogestões anteriormente dispensadas da constituição das garantias financeiras próprias, por transferência do risco a terceiros têm 10 anos, contados a partir de janeiro de 2014, para cumprirem a norma.
Um impacto esperado é a melhoria nos resultados das operadoras em 2010 devido à reversão na provisão de risco. Também é esperado uma maior necessidade de margem devido à elevação na sinistralidade de algumas seguradoras principalmente ao longo de 2009. Estas têm até o fim de 2010 para efetuarem os ajustes no capital.  (Fenaseg)

15.01 - Um Fato Interessante
Em viagem pelo Sul do Brasil, acabei por visitar um Hospital, na cidade de Gramado.
Um fato interessante me chamou a atenção: as Enfermeiras estavam pendurando quadros contendo instruções para a lavagem das mãos, em todas as salas, quando um Médico que passava questionou se isso era permitido pela ANVISA.
O fato em si pára por aqui, mas chamou a atenção a “cultura regulatória” que permeia as mais diversas áreas do Setor Regulado.
Tenho defendido e insistido que todo o Setor Regulado, seja de produtos ou de serviços, deseja atender a legislação sanitária em toda a sua plenitude.
O que se faz necessário é “calibrar o pé no acelerador”, para que não se exija do setor aquilo que ele ainda não tem maturidade para dar e que tampouco a ANVISA tem recursos suficientes para orientar, inspecionar, fiscalizar e fazer cumprir. Antes da punição vale a educação.
De qualquer forma, fica aqui uma observação muito positiva, de um país que já incorporou a cultura regulatória e que está maduro para atendê-la, desde que as condições para tal sejam factíveis.   (Roberto Latini - Saúde Business Web)

15.01 - 12% dos exames de próstata são equivocados
Um a cada oito homens submetidos a exame de sangue (PSA) para detectar câncer de próstata recebe diagnóstico positivo sem sofrer da doença. O engano ocorre porque nem sempre índices altos encontrados no exame de PSA (Antígeno Prostático Específico), substância secretada pela próstata, significam câncer. A conclusão é de estudo finlandês publicado na revista científica britânica British Journal of Cancer.
Pacientes com teste "falso positivo" apresentaram duas vezes mais chances de não aceitarem exames futuros, por acharem desnecessário. Para o chefe de Oncologia do Hospital São Vicente de Paulo, Décio Lerner, resultado de PSA acima de 4 pode indicar câncer ou alterações benignas na próstata. É necessário conversar com o médico para avaliar a necessidade de outros exames, como toque retal e biópsia.
"Para pessoas com casos de câncer na família e com mais de 50 anos é aconselhável fazer outro exame além do PSA. Não há um consenso para isso. O homem deve conversar com o médico", explica.
Segundo o estudo, o falso resultado pode levar a procedimentos invasivos, como biópsias, e a tratamentos desnecessários. Além disso, alguns homens podem acabar recebendo tratamento para um tumor que se desenvolve tão lentamente que jamais causaria problemas. Estudo de março de 2009, realizado em sete países europeus, indicou que exames feitos com frequência poderiam reduzir em 20% os óbitos por câncer de próstata. Homens acima de 50 anos devem fazer o exame de PSA.   (Terra Notícias)
 
 
 
 
 

14.01 - Defesa do consumidor: Novo rol está incompleto
Entidades de defesa do consumidor acreditam que ficaram de fora do novo rol de procedimentos obrigatórios de planos de saúde da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) coberturas importantes aos consumidores.
De acordo com a advogada da Pro Teste – Associação de Consumidores, Polyanna Carlos, a grande questão são os transplantes cobertos pelo sistema público de saúde, como o de pulmão, de coração e de fígado, dos quais “o consumidor continua precisando”.
A advogada do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor), Daniela Trettel, divide a mesma opinião: "O SUS [Sistema Único de Saúde] permanecerá com o encargo de atender toda a população brasileira que necessita desses transplantes e todos os outros casos geralmente de alta complexidade e mais caros que não são cobertos pelos planos de saúde - seja por não estarem no rol de coberturas obrigatórias, seja pela atuação de má-fé das operadoras".
Sem rol
Na realidade, na opinião das entidades, não deveria existir um rol de procedimentos dos planos de saúde. As operadoras deveriam atender todas as doenças listadas pela OMS (Organização Mundial de Saúde).
“Mas, já que há um rol, qualquer inclusão beneficia o consumidor, porque não adianta pagar um plano e por tratamentos separados”, afirmou Polyanna, da Pro Teste.
O Idec esclarece que a própria Lei de Planos de Saúde (9.656/98) garante aos consumidores a cobertura de todas as doenças listadas pela OMS. Portanto, as limitações impostas pelo rol impedem aos beneficiários que tenham acesso ao tratamento adequado para a doença que o acomete.
Retrocesso
O Idec ainda criticou o retrocesso em relação ao texto que foi disponibilizado em consulta pública, no que diz respeito aos procedimentos de psicologia, terapia ocupacional, nutrição e fonoaudiologia.
Pela proposta inicial, por exemplo, as consultas a nutricionistas seriam ilimitadas, a depender do diagnóstico, mas ficaram delimitadas a 12 por ano.
O Idec é contra a limitação das consultas com os especialistas, afinal, as pessoas marcam consultas quando têm necessidade e a restrição da quantidade de visitas ao médico pode prejudicar o tratamento. A prática fere o Código de Defesa do Consumidor, que, em seu artigo 39, proíbe ao fornecedor "exigir do consumidor vantagem manifestadamente excessiva".
O lado bom
Apesar das críticas, a advogada da Pro Teste disse que os procedimentos adotados “já haviam sido discutidos desde a última atualização que aconteceu, em 2007” e que eles são importantes ao consumidor.
Já a advogada do Idec disse que o novo rol corrigiu uma ilegalidade do extinto Consu (Conselho de Saúde Suplementar), o antecessor da ANS, que previa a não cobertura de acidentes de trabalho em contratos coletivos e a limitação de tempo de internação em hospital-dia, em casos de doenças mentais.
"Finalmente, a ANS está obedecendo o disposto na Lei de Planos de Saúde e corrigindo distorções na regulamentação", destacou Daniela.  (InfoMoney)

14.01 - Plano odontológico deve ter alto reajuste em 2011
Planos odontológicos devem sofrer um grande reajuste no próximo ano, segundo previsão do Sinog (Sindicato Nacional das Empresas de Odontologia de Grupo). O motivo para isso foi a ampliação do rol de procedimentos obrigatórios a esses planos, divulgada na terça-feira (12) pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) e que passa a valer em 7 de junho.
“Nós sempre defendemos um rol mínimo de procedimentos para as necessidades básicas. O que nos preocupa, desta vez, é que já temos um rol que atente a população, principalmente das classes C e D”, afirmou o presidente do Sinog, Carlos Roberto Squillaci.
De acordo com ele, os procedimentos a serem incluídos são caros, com custo mínimo de R$ 200, o que deve gerar uma grande despesa para as operadoras neste ano. Como consequência, os beneficiários terão de arcar com um reajuste maior no próximo ano. “Estamos contratando uma empresa para ver qual vai ser o impacto disso”.
Acesso aos planos
Nos últimos oito anos, a assistência odontológica privada no Brasil mais do que triplicou, registrando crescimento de 250%. O número equivale a mais de 11 milhões de beneficiários e pode aumentar ainda mais em 2010, segundo previsões da Escola Nacional de Seguros.
Mas, de acordo com Squilacci, a ampliação do rol de procedimentos pode prejudicar o setor e abrirá um grande abismo entre aqueles que efetivamente precisam de um plano que lhes garanta uma assistência odontológica mínima e acessível daqueles que efetivamente precisam de outros procedimentos e podem pagar por eles.
Em sua opinião, os procedimentos deveriam ser incluídos ao longo dos anos, de acordo com a necessidade do beneficiário.
Procedimentos
Entre as coberturas incluídas nos planos odontológicos, estão colocação de coroa unitária e bloco. Para o presidente da ABCD (Associação Brasileira de Cirurgiões-Dentista), Luciano Antioli Moreira, as operadoras já oferecem planos que possuem esta cobertura, mas não de maneira obrigatória.
“Aquelas pessoas que querem comprar um plano que tenha prótese pagarão por ele um valor diferenciado daquele que não dá este nível de cobertura. Isso faz com que os planos que não dão esta cobertura sejam, obviamente, mais acessíveis à população. Já a obrigatoriedade retira, de certa forma, o direito da população de ser atendida”, afirmou.
“Verifica-se, portanto, uma situação distinta entre criar a possibilidade de um indivíduo ter aquele acesso e a outra, que é obrigá-lo a pagar por aquele acesso cujos procedimentos ele poderá não utilizar”, afirmou.
Os 16 procedimentos
Confira, abaixo, quais procedimentos foram incluídos no rol da ANS:
1. Condicionamento em odontologia*: consultas de adaptação (até três sessões/ano) para os beneficiários com comportamento não cooperativo ou de difícil manejo.
2. Coroa unitária provisória com ou sem pino / provisório para prepário de RMF (restauração metálica fundida)*: procedimento de caráter provisório em dentes permanentes não passíveis de reconstrução por meio direto antes da restauração definitiva.
3. Exérese de pequenos cistos de mandíbula / maxila*: remoção de pequenos cistos da mandíbula e / ou maxila, quando a localização e características da lesão permitirem a realização do procedimento em ambiente ambulatorial.
4. Panorâmica de mandíbula/maxila (ortopantomografia)*: exame radiográfico tipo panorâmico como auxílio diagnóstico pré e/ou pós procedimento cirúrgico.
5. Punção aspirativa com agulha fina / coleta de raspado em lesões ou sítios específicos da região buço-maxilo-facial: obtenção de células de órgãos e tecidos de lesões ou sítios específicos da região buco maxilo facial , com o uso de uma agulha de pequeno calibre ou a partir da coleta de raspado.
6. Reabilitação com coroa de acetato, aço ou policarbonato*: restauração com coroa feita do material acetato, aço ou policarbonato em dentes decíduos não passíveis de reconstrução por meio direto e/ou dentes permanentes em pacientes não cooperativos / de difícil manejo.
7. Reabilitação com coroa total de cerômero unitária – inclui peça protética*: restauração unitária com coroa total feita do material cerômero em dentes permanentes anteriores (incisivos e caninos) não passíveis de reconstrução por meio direto.
8. Reabilitação com coroa total metálica unitária – inclui peça protética*: restauração unitária com coroa total feita de material metálico em dentes permanentes posteriores (pré-molares e molares) não passíveis de reconstrução por meio direto.
9. Reabilitação com núcleo metálico fundido / núcleo pré – fabricado – inclui a peça protética*: restauração com pino feito de material metálico (núcleo metálico fundido) / pino pré-fabricado (núcleo pré-fabricado) em dentes permanentes com tratamento endodôntico prévio.
10. Reabilitação com restauração metálica fundida (RMF) unitária - inclui peça protética*: cobertura para bloco (restauração) de metal em dentes posteriores permanentes com comprometimento de 3 ou mais faces, não passíveis de reconstrução por meio direto ou dentes com comprometimento de cúspide funcional, independente do número de faces afetadas.
11. Redução de luxação da ATM (com Diretriz de Utilização): caracteriza-se por luxação da ATM (articulação temporo-mandibular) quando, na abertura máxima da boca, ocorre o deslocamento do processo condilar para fora da cavidade mandibular e o paciente não é capaz de realizar a reposição da mandíbula ( fechar a boca) sem ajuda. A cobertura da redução da luxação consiste no reposicionamento do processo condilar para dentro da cavidade mandibular, quando sua realização for passível em ambiente ambulatorial.
12.Teste de fluxo salivar: é um teste em que se observa a saliva com relação o volume secretado sob estímulo mecânico (que é o fluxo salivar).
13.Tratamento cirúrgico de fístulas buco-nasais ou buco-sinusais*: tratamento cirúrgico da comunicação entre a cavidade bucal e cavidade nasal (fístula buco-nasal) e da comunicação entre a cavidade bucal e o seio maxilar (fístula bucosinusal), quando a localização e características da lesão permitirem a realização do procedimento em ambiente ambulatorial.
14. Tratamento cirúrgico de tumores benignos e hiperplasia de tecidos ósseos/ cartilaginosos na mandíbula/maxila*: tratamento cirúrgico do crescimento anormal de células benignas (tumor) e do aumento do número de células (hiperplasia) do tecido ósseo ou cartilaginoso, da mandíbula ou maxila quando a localização e características da lesão permitirem a realização do procedimento em ambiente ambulatorial.
15. Tratamento cirúrgico de tumores benignos e hiperplasia de tecidos moles na mandíbula/maxila*: tratamento cirúrgico do crescimento anormal de células benignas (tumor) e do aumento do número de células (hiperplasia) de tecidos moles da mandíbula ou maxila, quando a localização e características da lesão permitirem a realização do procedimento em ambiente ambulatorial.
16. Tratamento cirúrgico de tumores benignos odontogênicos sem reconstrução*: tratamento cirúrgico, sem reconstrução, do crescimento anormal de células benignas originadas dos tecidos e formadores do dente, quando a localização e características da lesão permitirem a realização do procedimento em ambiente ambulatorial.  (InfoMoney)

14.01 - A saúde diz não ao medo
No Brasil, há 14 profissões que reconhecidamente estão vinculadas ao campo da saúde. À exceção da medicina, todas as outras contam com leis que regulamentam seu exercício, o que estabelece suas competências e responsabilidades.
Atualmente, aguarda deliberação do Senado Federal projeto de lei, já aprovado pela Câmara dos Deputados, que preencherá esta lacuna que afeta a assistência à população brasileira.
Isso porque o texto define, de forma clara, objetiva, os atos privativos dos 344.034 médicos brasileiros e aqueles que podem ser compartilhados com as outras 13 categorias.
Temos assistido através da mídia a manifestação desfavorável de alguns setores com relação ao texto que tramita no Senado. Para tanto, usam argumentos infundados, distorcidos, que confundem e geram polêmicas desnecessárias. Entre os equívocos, está a interpretação de que, com sua regulamentação aprovada, os médicos agirão de forma corporativista e usurparão prerrogativas de outras categorias no exercício de sua função.
Ora, o texto não desconsidera os avanços alcançados pela multiprofissionalidade da atenção em saúde. Pelo contrário, ele valoriza o espaço de enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, biólogos, biomédicos, farmacêuticos, fonoaudiólogos, profissionais de educação física, terapeutas ocupacionais e técnicos e tecnólogos de radiologia, entre outros, ao ressaltar o que as regulamentações de cada uma dessas categorias já fizeram quando definiram o escopo de suas atuações.
Pela proposta em tramitação, esses profissionais poderão participar ativamente das ações de promoção da saúde, de prevenção de doenças e da reabilitação dos enfermos e pessoas que vivem com deficiências. A grande conquista que a proposta traz para o país é a garantia de que o diagnóstico de um problema de saúde e o tratamento para enfrentá-lo, assim como a realização de procedimentos invasivos capazes de gerar risco de vida, seja realizado por um médico.
Ou seja, caberá a um profissional da medicina, devidamente capacitado, avaliado e fiscalizado por instâncias de controle profissional, realizar essas ações que poderão levar à cura dos pacientes.
A população reconhece a importância do ato médico nestes momentos decisivos.
Não é à toa que em recente enquete promovida pelo site do Senado, 62% dos internautas manifestaram apoio ao projeto de regulamentação da medicina. A opinião do brasileiro se harmoniza com o pensamento do Poder Judiciário, que em diferentes instâncias e momentos – no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e pelo Supremo Tribunal Federal (STF) – também definiram o diagnóstico e a prescrição como ações exclusivas do profissional médico.
Estamos diante de um cenário conturbado, no qual a estratégia do medo busca causar confusão e influenciar a tomada de decisões. Esperamos que os senadores e gestores públicos compreendam o benefício que a regulamentação da medicina trará para o país e refutem essa ação irresponsável.
A população não pode ser penalizada com a privação de acesso a uma linha de cuidados integral e articulada dentro de princípios de competência e responsabilidade, calcada na segurança e proteção aos pacientes com o objetivo de proteger a vida e o bem-estar de todos.
O Brasil aguarda esta mudança, que não pode demorar mais. A regulamentação do exercício da medicina cumpre a função de tornar cristalino o espectro das responsabilidades e das competências da atividade médica, fundamental para o cuidado da saúde do ser humano. O Ato Médico deve ser entendido como uma conquista e não como instrumento corporativista, o que significa desvirtuar o debate, eliminando do seu contexto o que realmente importa: oferecer ao brasileiro saúde com qualidade.   (Desiré Carlos Callegari - JB Online)

14.01 - A agonia do SUS
Essas são propostas que têm sintonia com os princípios do SUS e que, se implementadas, podem fortalecê-lo e consolidá-lo
O Sistema Único de Saúde e as suas mazelas estão nas manchetes como nunca antes em sua curta história neste país. As filas, as mortes, as carências, os choros, as greves. Mas em nenhuma das manchetes seus grandes feitos são realçados: os milhões de procedimentos, desde os mais simples até os mais especializados, nada chega ao conhecimento da imensa legião de usuários e adeptos e que fazem a inveja de praticamente todos os países do mundo.
Para um país marcado pela ação patrimonialista, pelo autoritarismo, pela concentração de renda e pelo uso da doença como forma de enriquecimento, foi muita ousadia a aprovação de uma proposta política universal, integral, democrática e humanista.
Com subfinanciamento crônico, deflagrou-se um dos mais violentos ataques jamais praticados contra aquela que consideramos a maior conquista da história recente do povo brasileiro. O SUS foi colocado à disposição dos grupos hegemônicos políticos e econômicos, que se apoderaram da sua gestão e dos seus destinos, promovendo um saque sem precedentes. Nomeações clientelistas e oportunistas fizeram o trabalho. Desmontaram o que havia de rede pública e de componentes estratégicos da atenção primária e especializada.
Num segundo momento, promoveram um processo de privatização jamais visto no Estado brasileiro, por meio da sistemática compra de serviços, concomitante à desestruturação do setor público.
Em seguida, avançaram na privatização também da gestão do trabalho, por meio dos processos de terceirização de trabalhadores em todos os níveis de formação e qualificação. Mas os inimigos do SUS não estavam satisfeitos. Partiram para o último, definitivo e mortal golpe: o processo de privatização da gerência dos serviços que compõem o patrimônio público, sob a alcunha de "parceria" e "colaboração" com o setor privado.
Sempre tivemos claro que uma proposta abrangente, transformadora, ambiciosa e democrática como o SUS só seria viabilizada se ele fosse predominantemente público, por meio de um financiamento adequado, com a prioridade absoluta para a promoção da saúde, com carreira única, gestão profissionalizada e, por fim, democrática por excelência, conceitos que fazem parte do seu arcabouço jurídico.
Os adversários do SUS fizeram tudo exatamente ao contrário. Daí os graves problemas que o sistema enfrenta e que são utilizados como argumentos para o golpe definitivo.
Vivemos, em consequência de tudo isso, uma grande crise de financiamento, modelo de atenção, relação público-privada, gestão do sistema e de trabalho e controle social, tendo como crise maior e de sustentação geral a de impunidade.
O discurso do momento é a necessidade de flexibilizar e tornar mais eficiente e moderna a gestão. E isso só seria possível com a realização de "parcerias" e "colaborações" com o setor privado. Nunca havíamos visto tantos editoriais, entrevistas e discursos nem tanta gente, inclusive alguns que fizeram a reforma sanitária, defendendo com tanta veemência as "parcerias", as "colaborações" e a "modernização do SUS".
À revelia da lei, entregam de maneira criminosa a grupos privados o sistema em toda a sua estrutura, num processo que, além de burlar a Constituição Federal, institucionaliza, aperfeiçoa e aprofunda a privatização do Estado brasileiro naquilo que há de mais sagrado: a vida das pessoas.
O Conselho Nacional de Saúde cumpre o seu papel de defesa do SUS e da população brasileira e apresenta ao governo e ao Legislativo as propostas: regulamentação da emenda constitucional 29; regulamentação do parágrafo 8º do artigo 37 da Constituição, que trata da autonomia administrativa e financeira dos serviços; regulamentação do inciso V do artigo 37 da Constituição, que trata da profissionalização da gestão; flexibilização da Lei de Responsabilidade Fiscal para a saúde; criação da carreira única da saúde com responsabilidade tripartite; gestão participativa, humanizada e democrática; serviço civil em saúde durante dois anos para todos os profissionais graduados na área; um projeto nacional de cooperação das três esferas para estruturar as redes de atenção primária e de serviços especializados nos municípios em todo o país.
Essas são propostas que têm sintonia com os princípios do SUS e que, se implementadas, podem fortalecê-lo e consolidá-lo plenamente.    (FRANCISCO BATISTA JÚNIOR - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

13.01 - EUA: Reforma da saúde nos próximos dias
Obama pede urgência para que projeto possa virar lei
O presidente americano, Barack Obama, apressou o Congresso no último sábado (9) para que a reforma da saúde possa se tornar lei nas próximas semanas. A ideia apresentada por Obama é que médicos e pacientes tenham mais controle sobre suas decisões no atendimento médico, e burocratas de companhias de seguro tenham menos controle.
Embora o presidente tenha pedido urgência, a maioria das mudanças propostas no projeto não deve entrar em vigor antes de 2014.   (Saúde Business Web)

13.01 - Bolsa-Medicamento para idosos de baixa renda
Projeto de Lei 5882/09, de autoria do deputado Damião Feliciano (PDT-PB), que cria a Bolsa-Medicamento no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). O benefício será concedido a idosos carentes com mais de 60 anos de idade e corresponderá a uma doação de medicamentos necessários para o tratamento de doença crônica.
Esses medicamentos deverão estar incluídos na relação nacional de medicamentos essenciais ou excepcionais elaborada pelo Ministério da Saúde.
Segundo o projeto, a doação não poderá ser realizada em dinheiro e só serão elegíveis para ela os idosos portadores de doença crônica que façam uso continuado do medicamento, tenham renda mensal de até um salário mínimo e estejam em acompanhamento de saúde em serviço integrante do SUS.
O autor justifica que o acesso aos medicamentos é vital para milhares de doentes que não têm meios de comprá-los. "O direito à vida está insculpido na Constituição como um direito fundamental do ser humano e não pode ser dissociado do direito à saúde, aí incluído o acesso aos medicamentos essenciais. Esse é um requisito básico para a garantia da vida daqueles que foram, desafortunadamente, acometidos por alguma patologia", afirma.
Para Damião Feliciano, a insuficiência das políticas públicas na área de assistência farmacêutica fica evidenciada pelos inúmeros processos judiciais que obrigam gestores de saúde a cumprir com os dispositivos constitucionais e viabilizar o direito dos cidadãos a ter os medicamentos de que necessitam.
Acesso aos remédios
O parlamentar lembra que algumas iniciativas - como os medicamentos genéricos, o monitoramento e o controle de preços e as farmácias populares - têm apresentado progressos na ampliação do acesso e do uso racional dos medicamentos.
Feliciano afirma, no entanto, que essas iniciativas ainda não são suficientes, principalmente para a parcela da população que não pode adquirir medicamentos no mercado, ainda que a preços reduzidos. "Há um enorme contingente de brasileiros em pobreza extrema e que depende integralmente do SUS para o atendimento de suas necessidades, inclusive em relação aos medicamentos", diz.
Entre esses grupos, ele destaca as pessoas idosas dos estratos sociais mais carentes. "Não podemos esperar que se solucionem os problemas estruturais do País e do setor saúde, em particular, para resolver as dificuldades de acesso dessas pessoas aos medicamentos de que necessitam."
Tramitação
O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será analisado pelas comissões de Seguridade Social e Família; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. (Juliano Pires - Agência Câmara)

13.01 - Comissão para melhorar ensino nos hospitais-escola
Os ministros da Saúde, de Planejamento, Orçamento e Gestão, da Educação e de Ciência e Tecnologia anunciaram, no dia 8 de janeiro, a criação de uma Comissão Interinstitucional para avaliar e diagnosticar a atual situação dos hospitais universitários e de ensino no Brasil.
A Comissão, que será composta por representantes das quatro pastas e da Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento, busca solucionar a falta de ações para a melhoria desses hospitais.
Com isso, deve ser definido o papel dessas instituições junto aos sistemas locais de saúde para, então, buscar sua inserção definitiva e adequada no Sistema Único de Saúde (SUS).
A articulação das ações entre os diversos grupos tem o objetivo de reformular – ou mesmo criar – uma política nacional destinada à atuação dos hospitais-escola.
A coordenação dos trabalhos ficará sob a responsabilidade do Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Atenção à Saúde – Departamento de Atenção Especializada, que oferecerá o apoio técnico e de pessoal necessário à realização dos trabalhos. (Bruna Cenço - APM)
 
 
 
 
 
 

12.01 - No rastro do SUS 
Medida de Obama segue trilha de sistema criado no Brasil em 1990 
Quando o presidente Lula recomendou ao seu colega norte-americano, Barack Obama, a criação de um modelo de seguro-saúde nos moldes do Sistema Único de Saúde (SUS) – instituído pelas Leis 8.080 e 8.142, ambas de 1990, para atender a preceitos firmados na Constituição de 1988 –, foi debochado em todo o Brasil e até no exterior. Contudo, na última sessão de 2009, o Senado dos Estados Unidos aprovou o Medicaid, um seguro-saúde para famílias pobres da maior potência mundial, ampliando o benefício para 31 milhões de norte-americanos, criando um sistema de créditos fiscais para permitir que as pessoas e famílias de baixa e média renda adquiram cobertura de saúde. Medida representa US$ 871 bilhões, resultado de longos meses de duras negociações. Republicano algum apoiou a medida, mas a Federação dos Hospitais Americanos e a Associação Hospitalar Americana aplaudiram o anúncio de Obama. 
No Brasil, o SUS funciona sob a pecha de financiar maus serviços de saúde. Universal e gratuito, presta atendimento a 160 milhões de brasileiros que não têm planos de saúde privados, pagos por 33 milhões de usuários. Com o fim dos antigos institutos de previdência, as críticas ao SUS são corriqueiras. Algumas merecidas, a maioria pela confusão que se faz entre atendimento e a dificuldade em entrar sem ser pelas emergências. É que a demanda é maior do que a oferta, por causa da concentração dos serviços nas capitais e cidades-polos país afora. O SUS foi criado com a finalidade de alterar a situação de desigualdade na assistência à saúde da população, tornando obrigatório o atendimento público gratuito a qualquer brasileiro. Do sistema fazem parte os centros e postos de saúde, hospitais, incluindo os universitários, além de laboratórios, hemocentros, bancos de sangue, fundações e órgãos de pesquisa, como a Fundação Oswaldo Cruz e o Instituto Vital Brazil. 
O SUS se tornou, pois, uma enorme estrutura, atendendo também 5 milhões de trabalhadores rurais. Esse colossal inchaço trouxe dificuldades de gestão e recursos. Contudo, tem dado conta, razoavelmente do recado. Pode e deve melhorar, com mais atendimento básico. Urge que o número de médicos clínicos, na entrada, tenham segurança para diagnosticar melhor o quadro que o paciente apresenta, o que pode evitar, muitas vezes, despesas com exames especializados. A uma menor queixa de dor de cabeça, o clínico, se mal preparado, indica logo um neurologista; se o sintoma é azia, manda para um gastroenterologista, e assim por diante, abarrotando os postos de atendimento. Os clínicos não estão suficientemente aptos para atuar na recepção do SUS, reconhecem muitos de seus colegas. Há muito o que melhorar no SUS, no entanto, seu modelo não deixa de estar sendo uma referência para a maior economia do planeta, que ainda não tem algo semelhante. Nos EUA, com dinheiro certamente farto, o SUS sugerido por Lula a Obama pode fazer um grande sucesso, em um prazo relativamente curto.    (Esatdo de Minas)

12.01 - Por menos doentes 
Avanços houve na área de saúde, mas estão muito aquém do que a Constituição de 1988 preconiza 
Quarta-feira, comemora-se o Dia do Enfermo. Instituído pela Igreja Católica em 1993, a data é mundialmente comemorada em 11 de fevereiro. O objetivo é, sobretudo, sensibilizar os governantes e a sociedade para uma atenção especial aos enfermos e uma assistência mais adequada a eles. Além de reafirmar a importância da atuação competente e sensível dos profissionais de saúde na assistência aos doentes, perguntamos: comemorar a data para quê? Nessa perspectiva, com base na Constituição de 1988, defendemos a tese de que o Sistema Único de Saúde (SUS), de repercussão mundial, depois de 20 anos de institucionalização, com seus conhecidos princípios, como o da universalidade e equidade, não tem sido suficiente para mudar a realidade e assegurar um atendimento digno aos brasileiros em seu processo de saúde-adoecimento. 
A expectativa de vida do brasileiro tem aumentado nas últimas décadas (em 1980 era de 62,5 anos, subindo para 72,3 anos em 2006), mas isso não significa que todas as crianças nascidas recentemente chegarão saudáveis à velhice ou mesmo conseguirão alcançá-la, conclui um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Ao estudar a diferença entre o período de vida saudável e a expectativa de vida, a pesquisa aponta ainda que o homem brasileiro passa, em média, 11,1 anos de sua vida com a saúde comprometida, e as mulheres, 13,5 anos. 
No site do Ministério da Saúde, dados atualizados mostram que a transferência direta de recursos para as ações de saúde da atenção básica, entre 2002 e 2009, corresponde a menos de um terço dos recursos destinados à assistência farmacêutica e de média e alta complexidade. Porém, não se pode negar, como nas palavras do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, em artigo neste jornal (6/1), que avanços ocorreram. Entretanto, quando se observam eventos de desrespeito aos princípios constitucionais de atendimento de saúde para todos os brasileiros, alguns deles dramáticos, os anúncios de avanços não nos satisfazem. Doentes em enormes filas nas portas dos serviços de saúde, unidades de saúde com estruturas precárias e improvisadas, número reduzido e salários injustos para os profissionais de saúde constituem a outra face do SUS, da qual não gostamos de falar. 
Estudiosos como Rousseau afirmam que há uma distinção entre o homem e o cidadão. O homem, em sua totalidade, deseja ser feliz, a felicidade é seu objetivo; o cidadão, aquele que é membro de uma sociedade, espera dela que lhe faça justiça, que coloque à sua disposição os bens imprescindíveis para poder levar adiante, por sua conta e risco, um projeto de vida. Nesse sentido, urge pedir que os cidadãos brasileiros, em especial, os enfermos, aumentem a adesão a essa concepção de justiça, fortaleçam o sentido de pertencer a uma comunidade concreta e se motivem a trabalhar por ela, buscando melhorias. Portanto, sugerimos que seja priorizada a utilização de estratégias e diretrizes previstas na Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS), aprovada em 2006 pelo Ministério da Saúde. Entre seus desafios, destaca-se a indução de atividades físicas e práticas corporais, reconhecidas como fator de proteção contra os riscos relacionados ao sedentarismo que ameaçam a saúde das pessoas. Destaca-se também a Criação do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (Nasf) pela Secretaria de Atenção à Saúde. Segundo a Portaria GM/MS 154 (25/1/2008), esses núcleos deveriam reunir profissionais das mais variadas áreas da saúde, como professores de educação física, nutricionistas, acupunturistas, homeopatas, farmacêuticos, assistentes sociais, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos e terapeutas ocupacionais, para que, em parceria com médicos e enfermeiros, componham as equipes do Programa Saúde da Família (PSF). 
O desenvolvimento de atividades físicas, a educação permanente em nutrição, a promoção de ações multiprofissionais de reabilitação, atendimento a usuários e familiares em situação de risco psicossocial ou doença mental, a elaboração de estratégias de resposta a problemas relacionados à violência, ao tabagismo, abuso de álcool e outras drogas, seguramente contribuirão para a melhoria da qualidade de vida, para reduzir a incapacidade e deficiências e permitir a inclusão social. Não é fácil apresentar uma relação de problemas e tampouco trazer soluções para eles, mas é preciso que esforços conjuntos fortaleçam as ações de promoção da saúde para que, ao comemorarmos o Dia do Enfermo, possamos festejar a redução do adoecimento das pessoas, a adequação do número de profissionais que compõem as equipes de saúde, para que os enfermos possam receber uma assistência digna, segura, humanizada, justa e amorosa. (Márcia dos Santos Pereira e Marilene Suzan Marques Michalick - Estado de Minas)

12.01 - Velhas teorias renovam a batalha contra o câncer
Mina Bissell nunca irá esquecer a visita de um proeminente cientista ao Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, da Universidade da Califórnia, onde ela trabalhava. Ela lhe entregou um texto que havia acabado de publicar sobre a gênese do câncer. "Ele pegou o papel, o segurou sobre o cesto de lixo e disse: 'O que você quer que eu faça com isso?'. E aí jogou o papel." 
A cena aconteceu há 20 anos, e desde então Bissell e alguns outros lutam pela aceitação do que parecia uma ideia radical: o câncer envolve não só mutações genéticas, mas também uma interação entre células ruins e o tecido circundante. 
A ideia parecia desnecessariamente complicada, e os cientistas focavam suas pesquisas nos genes e nas células isoladas do câncer, cultivadas em laboratório. 
Agora, porém, cada vez mais cientistas mergulham nessas profundezas, estudando os tumores no seu ambiente celular. 
E assim, segundo eles, se explicam muitas anomalias do câncer. O novo foco, dizem, é uma grande mudança no pensamento sobre por que o câncer ocorre e como contê-lo. Por enquanto, porém, a pesquisa não levou a curas, e os cientistas preveem que o resultado real do trabalho -se houver- ainda vai demorar anos.
Mas, quase 40 anos depois do início da guerra contra o câncer, os cientistas dizem que são necessárias novas direções urgentemente. 
A taxa de mortalidade praticamente não cedeu na maioria dos cânceres, e a estratégia da mutação até agora teve efeito limitado -provavelmente porque as células cancerosas têm anomalias genéticas demais. Se um gene alterado é atacado, outros assumem o lugar. 
Por isso, alguns cientistas estão revendo ideias que eram consideradas folclore -um golpe no seio pode desencadear o câncer, uma infecção pode alimentar células cancerosas, um sistema imunológico fraco pode permitir que o tumor se espalhe. 
Eles também dizem que a nova abordagem pode ajudar a explicar mistérios como por que a incidência do câncer de mama despencou quando as mulheres deixaram de tomar hormônios na menopausa.
A ideia básica é de que as células do câncer não viram um tumor letal sem a cooperação de outras células próximas. Talvez por isso as autopsias indiquem repetidamente que a maioria das pessoas que morrem de outras causas tem pelo menos pequenos tumores que passaram despercebidos. Segundo o pensamento atual, os tumores ficaram controlados, sem fazer mal. 
Isso pode também levar a uma nova concepção do tratamento: o câncer poderia ser controlado evitando o desmoronamento das células saudáveis em torno dele. A cirurgiã especializada em câncer de mama Susan Love, presidente da fundação de pesquisa que leva seu nome, compara o tumor a uma criança criada em um bairro ruim. 
"Você pode tirar o garoto do bairro e a colocá-lo num ambiente diferente, e ele irá se comportar de forma totalmente diferente." "O que isso significa, se [a teoria] ambiental estiver correta, é que deveríamos ser capazes de reverter o câncer sem ter de matar as células. Isso poderia abrir uma nova forma de pensar no câncer que seria muito menos agressiva." 
Algumas empresas estão atentas. A Genentech, por exemplo, estuda a forma como alguns cânceres de pele, ovário, cólon e cérebro emitem sinais às células circundantes para promover o crescimento do tumor. A empresa tem uma droga experimental que ela espera que bloqueie essa sinalização.
Outros estão estudando drogas como as estatinas e os anti-inflamatórios, que poderiam afetar os sinais entre as células circundantes e os tumores. Mas, segundo Robert Weinberg, pesquisador do câncer no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, "essa não é uma agenda científica claramente articulada, em grande parte porque ainda sabemos pouco sobre estes sinais e como sua liberação é controlada". 
Os pesquisadores estão cautelosos. Ninguém sugere que controlar o ambiente do tumor irá, por si só, curar o câncer, nem minimiza a causa genética. Mas até mesmo alguns cientistas que fizeram carreira estudando os genes do câncer dizem que o ambiente de um tumor não pode mais ser ignorado.
"Sou descaradamente um geneticista do câncer", disse Bert Vogelstein, diretor do Centro Ludwig para a Genética e Terapêutica do Câncer, na Universidade Johns Hopkins, em Baltimore. "As alterações genéticas nas células do câncer são a causa mais próxima da malignidade." 
Mas, segundo Vogelstein, "não se pode compreender totalmente essa doença se não se compreender" o ambiente tumoral. Pode ser uma interação recíproca, especialmente conforme os tumores crescem e se tornam mais avançados. 
As células circundantes podem permitir que os tumores comecem e, quando isso ocorre, o câncer parece alterar as células circundantes para alimentar o seu crescimento. "Esta noção não é fogo de palha", disse Weinberg, que em 1981 descobriu o primeiro oncogene humano, um gene que ocorre naturalmente e que, sofrendo mutações, pode provocar o câncer. 
E Bissell hoje é vista como heroína, com um prêmio que leva seu nome. "Você criou uma mudança de paradigmas", disse a Federação das Sociedades Americanas para a Biologia Experimental, em uma carta anunciando que ela havia recebido o seu prêmio Excelência em Ciência de 2008.   (GINA KOLATA -The New York Times/Folha de S.Paulo)

12.01 - Colonoscopia
Exame é feito com 20 anos de atraso em pacientes de risco
Portadores de tumor colorretal hereditário fazem colonoscopia após os 40 
Pacientes com um tipo específico de tumor colorretal hereditário, chamado síndrome de Lynch, fazem a colonoscopia - exame que detecta lesões suspeitas- com mais de duas décadas de atraso, revela um estudo realizado no Hospital do Câncer, em São Paulo.
A pesquisa constatou que a idade média com que essas pessoas são submetidas ao exame é de 44 anos, quando o ideal seria começar a fazer o rastreamento para detectar a doença entre 20 e 25 anos de idade.
Para chegar aos resultados, os autores revisaram mais de 5.000 laudos realizados entre 2000 e 2007. Após a análise dos dados, foram encontrados 179 exames de pacientes portadores da síndrome de Lynch.
Mais de 30% dos pacientes avaliados apresentaram lesões benignas e malignas.
O diagnóstico da síndrome é feito a partir de informações clínicas do paciente, segundo alguns critérios científicos: três indivíduos com câncer colorretal na mesma família, sendo um parente em primeiro grau dos outros dois, surgimento do tumor em duas gerações sucessivas e pelo menos um dos indivíduos diagnosticado antes dos 50 anos de idade.
As pessoas que têm esses casos na família têm maior risco de apresentar pólipos em exames colonoscópicos. Essas lesões têm grande chance de transformação em tumores malignos no futuro. Por isso, devem começar o rastreamento cedo para detectar possíveis alterações. Nesses pacientes, a chance de desenvolver o tumor é de 80% a 85%. Na população em geral, sem histórico familiar da doença, os médicos recomendam a realização da colonoscopia somente a partir dos 50 anos de idade.
Realização precoce
"Isso mostra que estratégias de orientação sobre a importância da realização precoce de colonoscopia em famílias de alto risco precisam ser mais bem divulgadas", afirma a pesquisadora Carolina da Silva Rossi, uma das autoras do estudo.
A síndrome de Lynch representa 10% dos casos de câncer de colorretal, tumor altamente incidente que responde por mais de 27 mil casos novos todos os anos no Brasil. Se detectado em estágio inicial, as chances de cura são muito altas.  (GABRIELA CUPANI - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

11.01 - Mais transparência para a filantropia
Desde o último dia 30 de novembro está em vigor a Lei 12.101/2009, que dispõe sobre a certificação das entidades beneficentes de assistência social atuantes nas áreas da saúde, educação e assistência social. A Nova Lei da Filantropia, como já está sendo chamada, regula também os procedimentos de isenção das referidas entidades de contribuições para a Seguridade Social.
Trata-se de matéria da mais alta relevância econômico-social para o País, face à importância que as entidades acima mencionadas têm para assistência à saúde - seja por meio do SUS ou por meio do atendimento a pacientes cobertos por planos privados de saúde de operação própria do segmento filantrópico ou de outras operadoras, conforme as autorizações concedidas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Para dimensionar esta importância, basta ver que tais entidades filantrópicas são, segundo dados do Ministério da Saúde, as grandes disponibilizadoras de leitos hospitalares para o Sistema Único de Saúde (SUS), com 74%. Portanto, toda mudança neste segmento deve ser analisada minuciosamente, pois inviabilizar o regime filantrópico é agredir diretamente o próprio sistema de saúde pública, constitucionalmente responsável pelo atendimento aos problemas de saúde dos cidadãos brasileiros. Não menos importante é a atuação dessas entidades nos setores de ensino e de assistência social propriamente dita.
Pela nova legislação, trazida pela aludida Lei, a certificação da filantrópica e a isenção de suas contribuições sociais serão concedidas às pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas da saúde, educação ou assistência social e que atendam às determinações da referida legislação. 
Dentre as disposições legais em voga, se encontra a obediência, pela beneficente, ao princípio da universalidade de atendimento, sendo vedado dirigir suas atividades exclusivamente a seus associados ou à categoria profissional. 
A certificação ou sua renovação será concedida à entidade beneficente que demonstre, no exercício fiscal anterior ao do requerimento, observado o período mínimo de 12 meses de constituição da mencionada pessoa jurídica, o cumprimento de todas as obrigações legais, de acordo com as respectivas áreas de atuação. Deve ser salientado que o período mínimo de cumprimento dos requisitos estabelecidos na Lei nº 12.101/2009 poderá ser reduzido se o prestador dos serviços for conveniado ou contratado pelo SUS ou pelo SUAS (Sistema Único de Assistência Social) em caso de necessidade local atestada pelo gestor do respectivo sistema.
Na área da saúde, para a certificação ou sua renovação, a filantrópica deverá comprovar o cumprimento das metas estabelecidas em convênio ou contrato celebrado com o gestor local do SUS; deverá, também, ofertar a prestação de seus serviços ao SUS no percentual mínimo de 60%; e comprovar, anualmente, a prestação dos aludidos serviços, com base no somatório das internações realizadas e dos atendimentos ambulatoriais prestados. Caso, por falta de demanda de atendimento, devidamente atestada pelo gestor local do SUS, venha impossibilitar o cumprimento desta meta, a entidade deverá comprovar a aplicação de um percentual de sua receita bruta em atendimento gratuito de saúde, conforme escala variável prevista nos incisos I e III, do artigo 8º da referida Lei.
Merece destaque ainda a disposição legal (art. 11) que permite à entidade de saúde de reconhecida excelência, alternativamente ao cumprimento dos 60% do total dos serviços ofertados ao SUS, realizar projetos de apoio ao desenvolvimento institucional ao Sistema Público de Saúde, celebrando ajuste com a União Federal por intermédio do Ministério da Saúde.
A certificação ou renovação da filantropia será objeto de processo no âmbito dos respectivos Ministérios temáticos (Área da Saúde: Ministério da Saúde; setor de Educação: Ministério da Educação; e Assistência Social: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome), cujo prazo de validade será de, no mínimo, de um ano e no máximo cinco.
As normas ficaram mais duras, e agora, estas organizações devem correr para se adaptar, ou então correm o risco de perder a certificação e consequentemente a isenção de contribuições previdenciárias patronais e outros benefícios fiscais. A medida deve atingir cerca de 15 mil entidades em todo o País.
A isenção de Contribuições Sociais para a entidade filantrópica será concedida desde que, cumulativamente, atenda aos seguintes requisitos: a não percepção de remuneração pelos seus dirigentes; aplicação de suas rendas, recursos e eventual superávit inteiramente no território nacional e na consecução de seus objetivos institucionais; apresentação de certidão negativa de tributos federais e de regularidade para com o FGTS; manter a escrituração contábil regular e analítica; não distribuir resultados ou lucros, sob qualquer pretexto; arquivar por dez anos os documentos contábeis, cumprindo as obrigações acessórias previstas na legislação tributária; e que seja auditada contabilmente por auditor externo independente.
Outras disposições que constam da citada Lei, tais como as normas sobre reconhecimento e suspensão do direito à isenção e o processamento dos casos pendentes de decisão no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), deverão ser julgados no prazo máximo de 180 dias da publicação da Lei. De início, a Lei representa um grande avanço, que poderá ser medido nos próximos anos com uma maior transparência do setor.   (Dagoberto J.S. Lima - Segs)

11.01 - Saiba envelhecer sem ficar velho 
Envelhecer faz parte do ciclo de vida de qualquer pessoa. Não tem como fugir das marcas deixadas pelo tempo. Se a pessoa não morrer antes, ela vai, inevitavelmente, envelhecer. Essa é uma constatação inequívoca que mexe com o emocional de muita gente. Mas se não tem como parar o processo natural de envelhecimento, especialistas afirmam que é perfeitamente possível envelhecer sem ficar velho.
Para isso, as dicas vão além de uma alimentação saudável e prática regular de exercícios físicos. O antídoto contra a velhice inclui atividades sociais e laborais constantes. Uma vez inserida nesse contexto, a pessoa se sente mais útil e isso, psicologicamente, faz uma tremenda diferença.
De acordo com o geriatra Luciano Humberto Soares Camargo, o velho é aquele que fica preso às lembranças do passado, que não faz questão nenhuma de se atualizar e viver novas emoções. Por outro lado, o idoso, que não é a mesma coisa que velho, segundo o geriatra, também lembra do passado, mas vive o presente e faz planos para o futuro. “Eles não se contentam mais com o fato de não ter de esperar na fila e poder andar de ônibus de graça. Eles querem mais. O corpo está envelhecendo, mas a mente continua jovem”, afirma Luciano. 
Estudos recentes revelam que, nos próximos oito anos, o número de pessoas com mais de 40 anos vai dobrar em todo o mundo. Essa é uma consequência direta do aumento da longevidade. A expectativa de vida do brasileiro, por exemplo, subiu 3,2 anos entre 1998 e 2008 e atingiu 72,8 anos em 2009, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para se ter uma idéia da evolução, na década de 1940 o brasileiro vivia 45,5 anos, de acordo com o IBGE.
Além de estar vivendo mais, o idoso está vivendo melhor. Ele deixou de ser representado por aquela figura passiva, que passa longas horas sentada em uma cadeira de balanço ou no banco da praça sem esperar mais nada da vida. Uma parte, por vontade própria ou não, continua preservando este estigma, mas outra parcela, que cresce a cada dia, está nas ruas, nos clubes, nos salões de beleza, dentro dos ônibus de excursões e até nas universidades. 
Todos em busca de conhecimento, diversão e autoestima. É como sempre diz o escritor, cardiologista e nutrólogo Lair Ribeiro, “o grande segredo é morrer jovem, o mais tarde possível”. Segundo ele, os idosos têm de estar preocupados “não só em acrescentar dias às suas vidas, mas também acrescentar vida a seus dias.”
É isso que tem procurado fazer José Marques, 62 anos. Depois de passar quase a vida toda atrás de um balcão de farmácia, no início, em Adamantina, como empregado, e depois em Bauru, como proprietário, ele decidiu se aposentar. Isso foi no ano passado. Desde então, está aproveitando cada momento da sua aposentadoria para viver intensamente.
Ele está matriculado em um curso de inglês, em dois de informática, pratica vôlei adaptado para os idosos e é figura fácil de encontrar nas palestras promovidas pela Universidade Aberta à Terceira Idade (Uati/USC) às quartas-feiras. Além disso, participou do comercial gravado em Marília para o Confiança Supermercado Esmeralda, em julho deste ano, e foi modelo fotográfico para a revista de Natal da Tanger.
“Eu procuro participar de tudo o que posso porque, para mim, tudo é fonte de aprendizado. Quero curtir ao máximo minha aposentadoria”, diz ele. Marques conta que participar de todas essas atividades faz com que ele se sinta útil. “Os estímulos são muitos e eles não deixam você se sentir velho”, argumenta. “Eu quero viver muito ainda. Não quero parar nunca”, revela ele.
Essa preocupação é elogiada pelo geriatra Luciano Camargo. De acordo com ele, o isolamento social faz mal à saúde. Portanto, deve ser evitado a todo custo.  (Adilson Camargo - Cidade de Bauru)

11.01 - O SUS e a oferta de Lula para Obama 
Criticam quando se afirma que o Sistema Único de Saúde (SUS) funciona. A imagem é de maus serviços no modelo. Universal e gratuito, o SUS atende a 160 milhões de brasileiros que não têm plano de saúde privado. Pagando planos, são 33 milhões de usuários. Desde que acabaram os antigos institutos de previdência, as críticas ao SUS são corriqueiras. Algumas, com razão, a maioria pela confusão que se faz entre atendimento e a dificuldade em entrar sem ser pelas emergências. É que a demanda é maior do que a oferta. O SUS foi criado pela Constituição de 1988 e regulamentado pelas Leis 8080/90 e 8.142/90, Leis Orgânicas da Saúde, com a finalidade de alterar a situação de desigualdade na assistência à saúde da população, tornando obrigatório o atendimento público gratuito a qualquer brasileiro. Do Sistema Único de Saúde fazem parte os centros e postos de saúde, hospitais, incluindo os universitários, e onde o Clínicas de Porto Alegre é referência nacional e um dos remanescentes do setor. Mais laboratórios, hemocentros, bancos de sangue, além de fundações e órgãos de pesquisa, como a Fundação Oswaldo Cruz e o Instituto Vital Brazil. Ora, com um universo tão grande e sem a cobertura de cada categoria, como o Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Industriários (IAPI), o IAPC, dos comerciários, o Iaptc, dos empregados em transportes coletivos, e o dos bancários, o SUS se tornou gigante pela própria natureza. Além disso, a Previdência Social açambarcou, da noite para o dia, mais de cinco milhões de trabalhadores rurais. Não precisa ser especialista para saber que esse inchamento traria dificuldades de gestão e recursos. Pois, ainda assim, o SUS tem dado conta, razoavelmente. Pode e deve melhorar, com mais atendimento básico. E que os clínicos, na entrada, tenham segurança para diagnosticar. Hoje, o que se observa é que, no primeiro sintoma descrito, a pessoa é encaminhada a um especialista. “Doutor, eu tenho uma dor de cabeça...” Pronto, lá sai o “ao neurologista”. Ou, “doutor, estou com azia e...” e sai “ao gastroenterologista...”. Ora, não é medida a pressão arterial, auscultados pulmões, coração e feitas perguntas elementares sobre modo de vida para que os casos mais simples tenham solução. Os clínicos não estão suficientemente aptos para atuar na recepção do SUS, dizem alguns médicos.
Em Porto Alegre temos o Conceição, o Cristo Redentor e o Femina (GHC), o Clínicas, o Presidente Vargas, o Ernesto Dornelles, a Santa Casa e o Pronto Socorro, todos atendendo, plenamente, pelo SUS, mais convênios ou particulares. Também hospitais privados que têm atendimento parcial pelo Sistema Único. Então, surpreende quando se fica sabendo que a maior economia do planeta, os Estados Unidos, não tenha algo semelhante. Lá, apenas poucos hospitais públicos, longe dos centros citadinos, e onde o atendimento é sofrível. Por isso o presidente Lula recomendou ao seu colega Barack Obama a criação de um SUS. Foi debochado, claro. Pois na última sessão de 2009, o Senado dos EUA aprovou o Medicaid, um seguro-saúde (SUS) para famílias pobres daquele país. A lei amplia o seguro-saúde para 31 milhões de norte-americanos, criando um novo sistema de créditos fiscais, para permitir que as pessoas e famílias de baixa e média renda adquiram cobertura de saúde. Isso envolve US$ 871 bilhões e é fruto de meses de duras negociações. Nenhum membro da oposição republicana apoiou a medida. Mas a Federação dos Hospitais Americanos e a Associação Hospitalar Americana aplaudiram, organizações muito importantes do setor de seguro-saúde dos EUA.  (Jornal do Comércio)

18.12 - Acordo tenta reduzir ações na área de saúde
O presidente do Conselho Nacional de Justiça, ministro Gilmar Mendes, assinou, nesta terça-feira (15/12), na 96ª sessão plenária do CNJ, acordo de cooperação técnica com o objetivo de reduzir o número de processos que tramitam na Justiça relacionados à assistência de saúde. O ministro afirmou que o CNJ tem buscado mecanismos adequados para tratar o tema da saúde no âmbito do Judiciário, ressaltando que a judicialização é um direito da sociedade, mas deve ser feita dentro de condições mais racionais.
"Ninguém nega o direito universal à saúde, mas também é inegável que a prestação do serviço individual pode tumultuar uma política de saúde", afirmou o presidente do CNJ. O ministro destacou, como exemplo, que ao receber um pedido de liminar no fim da tarde de uma sexta-feira para garantir atendimento de saúde a um único cidadão, um juiz dificilmente o negaria para evitar o risco de essa pessoa falecer. No entanto, ao fazer isso, pode estar também negando o serviço de saúde a outro cidadão que também precisa.
"Por isso, há necessidade de termos ações integradas dos vários órgãos para que o sistema de saúde tenha plenas condições de fazer essas seleções com justiça", afirmou Mendes. Em abril deste ano, o CNJ promoveu audiência pública sobre o tema e identificou o grande número de ações judiciais sobre saúde e os reflexos disso.
Assinaram o convênio o presidente do Conselho Nacional do Ministério Público, procurador-geral da República  Roberto Gurgel; o ministro do Tribunal de Contas da União, Augusto Nardes; o Advogado Geral da União, Luís Inácio Adams; o presidente do Conselho Federal da OAB, César Brito; e representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Colégio dos Procuradores Gerais dos Estados e da Associação Nacional dos Defensores Públicos. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, assinará posteriormente o acordo.
Política criminal
Também foi assinado pelo ministro Gilmar Mendes com o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP) um acordo para compartilhamento de dados que permitirão o desenvolvimento de programas que melhorem o funcionamento do sistema penitenciário brasileiro. Segundo o presidente do CNJ, o convênio é muito importante neste momento já que o CNJ está empreendendo um "enorme esforço" para reformular o sistema prisional brasileiro.
"O Brasil tem dedicado muita atenção à segurança pública nos últimos anos, mas nunca se trouxe ao debate, até agora, o tema da justiça criminal e não podemos pensar em uma segurança pública eficiente, sem pensar também o sistema prisional", ressaltou o presidente do CNJ. Com informações da Agência CNJ de Notícias.  (Consultor Jurídico)

18.12 - Exame médico
Reforçam-se as evidências da baixa qualidade de ensino em cursos de medicina do país. Esse retrato vem sendo confirmado anualmente desde 2005, quando o Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) decidiu implementar uma prova de avaliação, facultativa, dos conhecimentos dos futuros médicos.
Neste ano, 56% dos formandos que prestaram o exame foram reprovados. O número já é expressivo, mas é razoável supor que a proporção de estudantes despreparados seja maior. A prova não é obrigatória, e os responsáveis por sua execução avaliam que muitos dos maus alunos boicotam o exame, frequentemente estimulados por suas faculdades.
A prova da Ordem dos Advogados do Brasil pode fornecer um parâmetro, ainda que imperfeito. Na primeira fase do exame da OAB neste ano, o índice de reprovados na seccional paulista chegou a 88%.
A vantagem do teste entre os advogados está em sua obrigatoriedade. Trata-se de uma prova de habilitação, ou seja, a aprovação é indispensável para o exercício da profissão. É do interesse da sociedade, da saúde pública e de seus futuros pacientes que os alunos de medicina também sejam submetidos a uma prova de habilitação obrigatória.
O Cremesp, que defende o exame compulsório, diz no entanto que a aplicação de testes teóricos, aos moldes do que faz a OAB, seria insuficiente. Devido ao caráter prático da atividade médica, seria imprescindível, afirma a entidade, a realização de provas que averiguem essa capacidade entre os recém-formados.
Se implementado nesses moldes, um exame obrigatório nacional cumpriria dupla função: impediria o acesso à profissão de recém-formados despreparados e, ao longo do tempo, estimularia uma melhora gradual dos cursos universitários de medicina.  (Editorial - Folha de S.Paulo)

18.12 - Plano socorrerá hospitais
MEC promete buscar recursos no Exterior para as instituições universitárias
O Ministério da Educação (MEC) solicitará ao Banco Mundial um empréstimo de US$ 420 milhões para serem investidos na revitalização dos hospitais universitários federais.
Ao lado de reitores das universidades federais, o MEC elaborou plano para reestruturar a rede de 46 hospitais que hoje têm 10% dos seus leitos desativados e precisam contratar 5 mil profissionais em caráter emergencial.
O pedido de empréstimo foi autorizado e aprovado pela Comissão de Financiamentos Externos (Cofiex), do Ministério do Planejamento.
Segundo o diretor de hospitais universitários da Secretaria de Ensino Superior do MEC, José Rubens Rebelatto, a expectativa é de que parte do dinheiro já seja liberada em 2010 e que os recursos sejam empregados até 2011.
– Conseguir a liberação de um financiamento do Bird não é uma coisa simples. Você tem de mostrar desde a capacidade no gerenciamento de compras e obras, até o impacto ambiental dos projetos. Mas temos uma equipe gerencial trabalhando nisso e já tivemos hoje uma reunião com pessoas do banco – disse.
Em maio, os reitores das universidades federais se reuniram com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para pedir socorro financeiro aos hospitais universitários. As dívidas das 46 unidades somaram em 2008 R$ 235 milhões
De acordo com o diretor, a verba será aplicada principalmente na reforma dos hospitais “que sofreram uma grande degradação física nos últimos 15 anos” e na compra de novos equipamentos já que “muitos estão obsoletos”. Rebelatto defende que os hospitais universitários são “estratégicos para o país”. (Zero Hora)
 
 
 
 
 
 
 

17.12 - 33% dos municípios não atendem urgência do SUS
Pesquisa do Ipea revela que a reião sudeste concentra 31,7% dessas cidades
A população de 1.867 municípios brasileiros (33,5% de um total de 5.562) não conta com estabelecimentos médicos do Sistema Único de Saúde (SUS) para atendimento de urgência. A Região Sudeste concentra a maioria dessas cidades (31,7%). Em seguida, vêm o Nordeste (29%), o Sul (24,2%), o Centro-Oeste (9,2%) e o Norte (5,9%).
Em 428 municípios do país, não há médicos que atendem pelo SUS. Os dados fazem parte do estudo Presença do Estado no Brasil: Federação, Suas Unidades e Municipalidades, divulgado hoje (15) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Segundo a pesquisa, até abril deste ano, duas cidades em todo o país não contavam com atendimento ambulatorial do SUS: Paraíso, em São Paulo, e Mimoso, em Goiás. De acordo com o estudo, em 1.875 municípios não há unidades públicas de internação.
Além de saúde, o estudo traz dados sobre indicadores básicos, Previdência Social, educação, assistência social, trabalho, bancos públicos, infraestrutura, segurança pública e cultura.   (Marli Moreira - Agência Brasil/Saúde Business Web)

17.12 - Adultos jovens devem receber vacina contra gripe A
Governo pretende incluir pessoas de 20 a 29 anos entre os imunizados em 2010
O Ministério da Saúde pretende incluir adultos de 20 a 29 anos, que somam 33 milhões de pessoas, entre os brasileiros que serão vacinados contra a gripe A (H1N1), de março a abril do próximo ano.
Como o H1N1 atingiu pessoas mais jovens, o governo deve modificar o público-alvo -na gripe comum, os idosos eram o foco de campanhas. Só deverão ser imunizados idosos com doenças crônicas.
O ministério afirma, no entanto, que só confirmará quem receberá a vacina em janeiro, quando souber quantas doses terá à disposição.
Não deverá ser possível imunizar a todos. O ministério já comprou 40 milhões de doses, que devem chegar em janeiro. O Instituto Butantan espera disponibilizar "no início do semestre" cerca de 18 milhões e, em maio, outros 17 milhões. Serão compradas ainda 10 milhões de doses por meio de um fundo da Organização Pan-Americana de Saúde.
As primeiras vacinas serão oferecidas a profissionais de saúde. Também devem ser incluídos no grupo prioritário indígenas, pessoas com o sistema imune comprometido, grávidas e crianças de até dois anos.
Os EUA retiraram do mercado ontem 800 mil doses de vacina fabricada pela Sanofi-Aventis, para crianças com menos de três anos. A droga perdeu de 10% a 12% da eficácia.
Tamiflu
Para baratear a manutenção dos estoques de remédios de combate à gripe suína, o conselho de ministros da Câmara de Comércio Exterior decidiu reduzir para zero a tarifa de importação do Tamiflu e do seu princípio ativo, o oseltamivir. A medida vale por um ano.  (Folha de S.Paulo)

17.12 - 1.867 municípios não têm urgência do SUS
A população de 1.867 municípios brasileiros (33,5% de um total de 5.562) não conta com estabelecimentos médicos do Sistema Único de Saúde (SUS) para atendimento de urgência. A Região Sudeste concentra a maioria dessas cidades (31,7%). Em seguida, vêm o Nordeste (29%), o Sul (24,2%), o Centro-Oeste (9,2%) e o Norte (5,9%).
Em 428 municípios do país, não há médicos que atendem pelo SUS. Os dados fazem parte do estudo Presença do Estado no Brasil: Federação, Suas Unidades e Municipalidades, divulgado hoje (15) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Segundo a pesquisa, até abril deste ano, duas cidades em todo o país não contavam com atendimento ambulatorial do SUS: Paraíso, em São Paulo, e Mimoso, em Goiás. De acordo com o estudo, em 1.875 municípios não há unidades públicas de internação.
Além de saúde, o estudo traz dados sobre indicadores básicos, Previdência Social, educação, assistência social, trabalho, bancos públicos, infraestrutura, segurança pública e cultura. (AgÊncia Brasil/CFM)
 
 
 
 
 

16.12 - São Paulo caminha para a desospitalização
Com todos os gargalos que o sistema de saúde possa apresentar, os paulistanos contam hoje com um grupo cada vez mais robusto de hospitais particulares dotados de equipamento de ponta e profissionais altamente qualificados no diagnóstico e tratamento de doenças.
Inovação, colaboração e espírito empreendedor têm sido palavras-chave na transformação por que os hospitais particulares estão passando. Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) destacam que cerca de 6,5 milhões de paulistanos têm acesso a planos de saúde e poderão contar com 1.800 novos leitos até 2012.
Mais de 70% dos atendimentos hospitalares, entretanto, estão relacionados a doenças crônicas. Investir em ações coordenadas com o Estado, os meios de comunicação e a sociedade para a prevenção dessas doenças levará à redução dos custos hospitalares, permitindo que se aumente o investimento em infraestrutura, tecnologia e mão-de-obra especializada nos tratamentos de alta complexidade.
Na medida em que conscientizamos a população sobre a necessidade de parar de fumar e controlar o consumo de álcool; adotar hábitos alimentares mais saudáveis, combatendo a obesidade; praticar exercícios físicos regularmente; checar com frequência os níveis de colesterol e triglicérides do sangue; monitorar a pressão arterial e se submeter a um check up anual - que inclui mamografia e papanicolau para mulheres, exame de sangue PSA e toque retal para os homens, avaliação cardiorrespiratória para ambos os sexos - já estamos contribuindo para a tendência dos próximos anos: a desospitalização.
À primeira vista, todos os esforços que vêm sendo feitos pelos hospitais privados no sentido de aumentar o conforto dos pacientes e acompanhantes - passando a incorporar diversos conceitos da hotelaria não somente na sofisticação das acomodações, mas inclusive no cardápio, na introdução de cafeterias, restaurantes e lojas de conveniência - podem induzir à interpretação de que se pretende aumentar sua ocupação. Entretanto, caminhamos para um tempo em que a internação hospitalar será cada vez mais acolhedora e breve.
Investimentos em equipamentos de ponta permitirão ao paciente permanecer menos tempo internado. Há poucos anos, por exemplo, uma cirurgia cardíaca necessitava de dez dias de internação. Hoje, esse tempo já foi reduzido à metade, dependendo do tipo de intervenção. Em vários países da Europa, como a Suécia, 30% dos leitos de hospital desapareceram por conta de ações preventivas. Métodos de tratamento novos e mais efetivos, principalmente os minimamente invasivos, encurtaram a permanência dos pacientes nos hospitais oferecendo cuidados externos.
Há dez anos, também, pacientes sem possibilidades terapêuticas passavam os últimos dias de suas vidas internados em um hospital. Atualmente, aplicando o conceito dos cuidados paliativos, é cada vez maior o número de pessoas que preferem receber cuidados médicos em casa, junto à família. Os cuidados paliativos vêm atendendo de forma competente a essa nova demanda, devendo simbolizar outra importante mudança nos tratamentos de saúde.
Embora o atendimento médico-hospitalar tradicional ainda seja a solução mais ao alcance da população na hora da doença, a grande evolução da indústria farmacêutica, o aumento maciço de campanhas preventivas e os próprios avanços da medicina tendem a reduzir cada vez mais o tempo de internação e, em muitos casos, indicar a desospitalização como opção mais acertada de tratamento.    (George Schahin)

16.12 - Saúde: Herança ruim
Pesquisadores identificam a ancestralidade como novo fator de risco para a apneia. Ascendência africana pode ser fator de proteção contra o distúrbio
Descendentes de europeus têm maior probabilidade de desenvolver a síndrome da apneia obstrutiva do sono, distúrbio que tem o ronco como um dos principais sintomas. A descoberta é de um grupo de pesquisadores do Instituto do Sono em colaboração com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) , que identificou fatores genéticos associados à doença. Segundo o estudo que tinha como objetivo estimar a prevalência do distúrbio do sono, quanto maior a ancestralidade europeia, maior a chance de desenvolver apneia. Por outro lado, quanto maior a ancestralidade africana, menor o risco.
Para a coordenadora da pesquisa, a doutora em genética e pesquisadora do Instituto do Sono Camila Guindalini, a descoberta vai possibilitar o desenvolvimento de novas drogas e tratamentos. "Ao saber as pessoas que podem desenvolver a doença com mais facilidade, temos também um importante dado para a medicina preventiva. Com o fator genético identificado, as crianças com predisposição à apneia poderão cuidar melhor dos outros fatores que influenciam a doença, diminuindo o risco de desenvolverem o problema mais tarde."
A pesquisa Influência da ancestralidade genética na pré-disposição para apneia obstrutiva, em fase de publicação, foi apresentada durante o Congresso Mundial do Sono, realizado em novembro, em São Paulo, e faz parte de um amplo estudo epidemiológico do Instituto do Sono, o Episono. Mil e quarenta e duas pessoas, uma amostra representativa da cidade de São Paulo, fizeram a polissonografia, um exame em que precisam passar uma noite inteira na sede do instituto. Dessas, 1.010 também doaram material genético e responderam a um questionário.
Os resultados do Episono revelaram que um terço da população de São Paulo tem apneia. Nesse distúrbio, as pessoas têm a passagem de ar obstruída durante o sono, o que provoca uma parada momentânea da respiração enquanto a pessoa dorme, a qual é normalmente acompanhada pelo ronco. Além de ser uma doença prevalente na população, a apneia traz vários outros problemas associados, como obesidade, hipertensão e diabetes. "O indivíduo que sofre de apneia todos os dias, durante muitos anos de sua vida, tem uma chance maior de desenvolver hipertensão e/ou diabetes. O tratamento desse distúrbio do sono, por outro lado, pode anular ou pelos menos amenizar os problemas", explica Camila Guindalini.
Fatores de risco Esse foi o primeiro estudo epidemiológico brasileiro a analisar a associação entre ancestralidade genética e uma doença, de acordo com Camila Guindalini. A proposta da pesquisa era identificar os fatores de risco que indicam que a pessoa vai desenvolver ou não a apneia. Até então, sabia-se que homens, obesos e pessoas com idade avançada eram os mais propensos a ter o distúrbio. Além desses três principais fatores de risco, já estava claro na literatura que a genética era definidora do desenvolvimento da apneia, mas ainda não estavam identificados os fatores relacionados.
Um estudo americano também já havia apontado que a etnia era um fator de risco, revelando que os afro-americanos tinham mais chance de desenvolver o distúrbio. A etnia, entretanto, é fruto de uma autoclassificação e o estudo americano foi feito a partir do que as pessoas diziam ser. Agora, os pesquisadores brasileiros utilizaram análise genética para determinar a ancestralidade dos participantes, método mais objetivo do que a autodeclaração de etnia no questionário da pesquisa, o que também foi feito para o cruzamento de dados. Para definição da ancestralidade, foram usados 31 marcadores genéticos, regiões do cromossomo onde estão as informações associados à descendência e que permitiram definir a porcentagem de ancestralidade.
influência Segundo Camila Guindalini, apesar de o estudo americano já ter associado a etnia à apneia, ainda não se sabia se essa influência era ambiental, cultural ou genética. "Nossa hipótese era de que é genético e para resolver o problema olhamos exclusivamente para esse fator. Já tínhamos o dado da classificação étnica dos participantes, o que fizemos de diferente foi medir no DNA dessas pessoas qual era a porcentagem dos ancestrais que formam a população brasileira. Somos miscigenados, resultado da mistura de europeus, africanos e índio. Nosso DNA, portanto, é uma mistura desses três ancestrais."
Com o dado da polissonografia, que diagnosticou a apneia, a autoclassificação de etnia por meio do questionário e a porcentagem de ancestralidade a partir da análise genética, foi feito o cruzamento de dados que revelou uma correlação muito alta entre a autoclassificação étnica e a ancestralidade. "Olhando só para a classificação étnica, ser branco na nossa população aumenta o risco de ter apneia. Mas existe uma relação entre cor da pele e ancestralidade. Quanto maior a ancestralidade europeia, maior o risco de ter apneia, independentemente da idade, sexo ou nível de massa corpórea. É um novo fator de risco."
Mas não é só. A etnia associada à apneia não está exclusivamente ligada a fatores genéticos. Existem ainda fatores ambientais claramente associados. "Nosso estudo consegue dizer que a ancestralidade genética é um fator de risco da apneia, mas por causa da relação entre ancestralidade e etnia não posso dizer que esse maior risco seja exclusivo da genética. Pode ter relação com fatores ambientais e culturais. Pode ser que uma pessoa de ancestralidade europeia tenha uma alimentação diferenciada, mais acesso à saúde, por exemplo. A ancestralidade genética é importante para a apneia, mas o distúrbio é uma interação entre genética e fatores ambientais."
Sobre a diferença dos dados brasileiros em relação à pesquisa americana, em que os indivíduos da etnia afro-americana eram os que tinham maior risco de apneia, a pesquisadora acredita que a explicação esteja na diferença da população brasileira e americana. "Essa divergência se deve a fatores ambientais, estilo de vida e interação com fatores genéticos, que também são distintos.” Enquanto os negros da pesquisa brasileira tinham média de 30% de ancestralidade africana, os afro-americanos da pesquisa americana tinham 85%.  (Carolina Cotta - Estado de Minas)

16.12 - Regiões do país têm diferentes tipos de câncer
O Instituto Nacional do Câcer (Inca) divulgou um estudo sobre o registro dos casos da doenças em todo o Brasil. As formas de câncer encontradas mais comumente em cada região do país.
Esses números foram analisados pelos médicos e transformados em conselhos que podem ajudar os brasileiros a reduzir os riscos de desenvolver tumores malignos.
O exame mostrou o que Marluce Bezerra não queria ver: um câncer de mama. Durante dois anos, ela ignorou o nódulo que apareceu em um dos seios. "Eu tenho cinco irmãs, ninguém tem esse problema. Minha mãe também não tem esse problema. Então eu não imaginava que eu iria ter esse problema", diz ela.
Um engano, a genética não é a única causa da doença. Pelo contrário, 90% dos casos de câncer estão relacionados a outros fatores de risco e a maioria deles tem a ver com nossos hábitos.
O nosso jeito de levar a vida é a principal explicação para o aparecimento da doença.
Num país com hábitos tão diferentes de Norte a Sul, os tipos de câncer mais comuns variam de região para região.
No Sudeste, o câncer de mama vai ser o de maior incidência entre as mulheres em 2010. E até a vida reprodutiva influencia.
A primeira gravidez depois dos 30 anos, a menopausa tardia e o uso de anticoncepcionais são alguns dos fatores de risco comprovados.
Para se prevenir: atividade física, alimentação saudável e até a amamentação.
“Amamentação é um importante fator de prevenção pras mulheres jovens. Qual é a recomendação, amamentar quantos meses? No mínimo 6 meses”, explicou o coordenador de prevenção do Inca, Cláudio Noronha.
Aos 45 anos, Sandra nunca ouviu falar no exame preventivo de câncer de colo do útero, o papanicolau. “Com esse nome, não conheço, porque meu estudo é muito pouco, e eu nem sabia nem o que era isso”, disse ela.
Regiões
Ela vive em Belém. A região Norte é a que terá a maior taxa de câncer de colo de útero do país. “Hoje a gente poderia dizer que 80% das mortes por câncer de colo de útero na Região Norte poderiam ser evitadas se os exames fossem feitos e as pessoas com lesão tratadas precocemente”, explicou o médico do Inca.
E no Nordeste, terra do acarajé, da carne seca, do azeite de dendê? “Eu como e depois eu vejo, lá para frente eu me cuido. O importante é comer o que é gostoso”, disse um homem.
A culinária regional, que abusa do sal, pode levar a um câncer de estômago. Mas o maior fator de risco é uma bactéria presente principalmente onde falta saneamento básico, que é o caso de muitas cidades do Nordeste.
E no Rio Grande do Sul, a incidência de câncer de esôfago é duas vezes maior do que no Rio e em São Paulo. O motivo? O bom e velho chimarrão, tradicional na Região Sul.
“A gente toma o chimarrão bem quente para esquentar bem o corpo do gaúcho”, disse um homem. A bebida quente demais pode causar lesões no esôfago.
Mas pra prevenir a doença, não é preciso abrir mão da tradição. “Uma simples medida como no caso dos gaúchos é uma redução de 10ºC na temperatura previne um câncer que não tem solução infelizmente”, especialista em câncer de esôfago, Luiz Felipe Pinto. (G1)
 
 
 
 
 

15.12 - Usuários constrangidos com planos de saúde
Mais prejudicados são idosos. Muitas vezes precisam de procedimentos que convênios não cobrem.
Madruga recomenda ultilizar o Procon.A recepcionista de uma reumatologista que atende pela Unimed é irredutível: primeira consulta, só particular. Práticas como essa têm deixado os usuários constrangidos com os planos de saúde. "A situação é abusiva". São as palavras do coordenador estadual do Procon, Beto Madruga.
Ele recomenda que, diante disto, os consumidores vão às suas operadoras para prestar queixa. Caso a questão não seja resolvida, o Procon deve ser acionado. O coordenador também faz uma ressalva para o caso de não atendimento por parte dos pediatras, que paralisaram os serviços dos convênios no dia 5 de novembro.
"Se o médico estiver credenciado ao plano, o consumidor deve pagar a consulta e pedir o ressarcimento em dobro", afirma. Neste caso, ele enfatiza que o contrato dos clientes é feito com as operadoras. Assim, são elas as responsáveis legais pela suspensão dos serviços.
Os mais prejudicados com a situação crítica dos planos de saúde são os idosos, que muitas vezes necessitam de procedimentos médicos que não são cobertos pelos convênios.
O advogado Eduardo Kümmel, diretor da Kümmel & Kümmel Advogados Associados, no portal de sua firma, afirma que "o plano nunca cobre os procedimentos em sua totalidade. Os segurados sempre têm que desembolsar dinheiro, em maior ou menor quantia, para cobrir os gastos. Ainda, eles não pagam esse valor a atravessadores, mas sim ao próprio plano".
Outra questão é o aumento dos custos para os idosos. Apesar de o Estatuto do Idoso proibir a discriminação dos maiores de 60 anos pelos planos de saúde através de preços diferenciados, os convênios alegam que isso só é válido para contratos firmados a partir de 2004, anos em que o estatuto entrou em vigor.
Quando completou 60 anos, o preço do plano do aposentado José Gregório Sobrinho aumentou tanto, que hoje consome quase toda a sua renda mensal. Ele sofre de diabete e hipertensão, e paga uma média de R$500 para ter acesso aos serviços médicos.
Médicos têm prejuízos
Os pacientes, contudo, não são os únicos prejudicados com a ação dos convênios. De acordo com o ginecologista Paulo Ezequiel Fonseca, o trabalho em consultório pode chegar a ser dispendioso para a categoria. Ele afirma que gasta uma média de R$50 por paciente atendido, em custos com aluguel de sala, ar-condicionado, recepcionista e aparelhos médicos.
Em contrapartida, os convênios pagam por consulta entre R$20 e R$40. Paulo Ezequiel alega que o consultório só se sustenta em razão dos procedimentos cirúrgicos que o doutor executa. Deste modo, as consultas servem para acompanhar as pacientes antes da realização das cirurgias.  (No Minuto)

15.12 - Melhor idade: Os ciclos se sucedem
Fui surpreendido por uma carta, endereçada ao Papai Noel, depositada sobre a minha mesa. Iniciava afirmando ser esta a última mensagem a ele destinada e incluía frases como: "nestes anos todos acreditei com prazer na existência de uma pessoa boa como você", "nunca deixarei de acreditar em você" e "os anos rapidamente se passaram e eu cresci".
Senti, de imediato que ali se encerrava um ciclo. Sem dor, sem amargura, sem sofrimento. Ampliei o raciocínio, busquei pela memória e tentei identificar quantos ciclos começamos e findamos em nossas vidas.
O inicial, no período intra-uterino. Todos os degraus da escolaridade precedendo as várias etapas da vida profissional. As relações sociais, amorosas e institucionais que se estabelecem nesta mesma cronologia. Damos, conscientemente ou não, início e fim a cada uma destas fases, valendo-nos, frequentemente, de um ritual de passagem. Este não marca apenas o início ou o fim de um ciclo, marca ambos.
Em verdade, define uma nova proposta para o que vem adiante.
Alguns são tão frequentes que nem nos apercebemos da sua importância. Assim é o nascimento, em que a proteção do ambiente materno é trocada pelo anseio à liberdade. Tanto os primeiros passos quanto as primeiras palavras marcam o fim da plena dependência em prol da progressiva autonomia.
A formatura marca o limite entre o papel de estudante e o início da responsabilidade profissional enquanto que, na aposentadoria, há nítida modificação da relação entre os direitos e os deveres. Não se pode dizer, porém, que existam ciclos mais importantes que outros, visto que são elos de uma só corrente. Mais que isso, é da integridade e consistência de cada um que decorre a estabilidade do todo.
Nesta carta, da qual transcrevi pequenos trechos, li um ritual de passagem de quem se vale das experiências vividas no passado para preparar as escolhas do futuro. Pude subentender que a crença na bondade humana está semeada, que a fidelidade aos bons sentimentos se enraizou e que a necessidade de delimitar etapas já se mostrou presente.
Envelhecer é tudo isso levado ao extremo. Padecem aqueles que não conseguiram vivenciar cada qual dos seus ciclos de maneira completa, encerrando-os no devido tempo. Peregrinam em busca da juventude idealizada, da memória prodigiosa ou da vitalidade plena sem que, em momento algum dos seus passados, tenham feito bom uso disso. Se assim tivesse ocorrido, teriam muitas histórias para contar de cada fase e não precisariam tentar perpetuá-las ou mesmo reencontrá-las no presente. (WILSON JACOB FILHO - Mogi News)

15.12 - Nova radioterapia pode evitar cirurgia
Equipamentos de última geração, que já estão disponíveis no país, irradiam células doentes e preservam as saudáveis
A chamada radioterapia guiada por imagens diminui efeitos colaterais e pode evitar cirurgias em órgãos como pulmão e próstata
Uma nova geração de equipamentos de radioterapia, conhecidos por IGRT (radioterapia guiada por imagem, na sigla em inglês), vem permitindo evitar cirurgias e diminuir efeitos colaterais do tratamento. A técnica consegue irradiar as células doentes preservando ao máximo os tecidos saudáveis.
Esses equipamentos já estão disponíveis em centros de excelência como os hospitais Sírio-Libanês e Albert Einstein, em São Paulo. Em poucos meses, duas instituições públicas devem oferecer o tratamento aos seus pacientes: o Inca (Instituto Nacional de Câncer), no Rio de Janeiro, e o Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira), em São Paulo.
Aliados ao avanço nas técnicas de imagem, os novos aparelhos permitem visualizar, em tempo real, onde o tumor está. Eles levam em conta, inclusive, os movimentos da respiração do paciente.
Segundo Maria Aparecida Maia, diretora da radioterapia do Hospital A. C. Camargo, em São Paulo, trata-se de um equipamento que acompanha a movimentação do tumor a ser tratado. "Por isso, a mira é melhor, mais precisa, e isso diminui sequelas", explica Maia.
"Isso assegura que a dose chegue no lugar certo", diz o radioterapeuta Eduardo Weltman, do programa de oncologia do hospital Albert Einstein.
Dessa forma, é possível usar doses de radiação muito maiores em alvos cada vez mais específicos, num tempo menor.
Tratamento mais curto
"Como o grau de acerto é altíssimo, viabiliza tratamentos mais curtos. É possível, por exemplo, tratar um tumor de até quatro centímetros no pulmão em três dias, quando o padrão até então são de seis a sete semanas", exemplifica João Luís Fernandes, coordenador do Serviço de Radioterapia do Hospital Sírio-Libanês.
Tumores de próstata podem ser tratados sem causar lesões no reto, por exemplo. Um câncer localizado próximo à medula espinhal pode ser irradiado com um risco mínimo de sequelas neurológicas (uma cirurgia nessa região poderia causar danos à medula).
Além de diminuir os efeitos colaterais, isso pode evitar cirurgias, particularmente em regiões em que a respiração movimenta o tumor, como pulmões, fígado, pâncreas e até mesmo a próstata, que está sujeita a movimentações nos órgãos vizinhos, como a bexiga. "Esses órgãos ainda podem ser operados, mas são novas opções principalmente para os pacientes que possam ter fatores que dificultem a cirurgia", diz João Luís Fernandes.
Além disso, os aparelhos permitem diminuir a margem de segurança, usada tradicionalmente numa radioterapia. Com os equipamentos convencionais, o médico irradia uma área maior para garantir que nenhuma célula doente fique sem radiação.
Outro avanço é que a radiação consegue acompanhar, com uma fidelidade cada vez maior, o formato do tumor, que pode ser muito variado.
Paulo Hoff, diretor clínico do Icesp, lembra que nem todo tumor precisa ser tratado com esses aparelhos tão sofisticados. "Alguns tumores -de osso, por exemplo- não estão tão próximos a tecidos muito sensíveis."
Mais de 80 mil esperam por vagas
Ao mesmo tempo em que os hospitais brasileiros investem em radioterapia de última geração, mais de 80 mil pessoas com diagnóstico de câncer estão em filas de espera pelo procedimento, que configura hoje o principal gargalo no tratamento oncológico no sistema público de saúde.
O SUS é responsável por 80% desse tipo de terapia. Os pacientes chegam a esperar seis meses por uma vaga nas instituições credenciadas pelo Ministério da Saúde. Enquanto isso, o tumor cresce. Pessoas que teriam chances significativas de cura acabam perdendo-as por causa dessa demora.
Em 2010, 2 em cada 1.000 brasileiros desenvolverão algum dos 11 tipos de câncer mais comuns no país, num total de 489.270 novos casos, segundo estimativa do Inca (Instituto Nacional de Câncer). Sabe-se que 60% desses pacientes vão precisar de radioterapia.
O próprio Ministério da Saúde reconhece o tamanho do problema. Diz que são necessários ao menos 85 novos aparelhos e que tem investido na área. As sociedades médicas, porém, não veem avanço nenhum no setor. Os serviços de radioterapia recebem R$ 250 milhões por ano, enquanto os de quimioterapia, R$ 1,3 bilhão.
Mas a questão não é apenas comprar e instalar aparelhos ou tentar melhorar o pagamento pelos procedimentos. O país enfrenta outros problemas mais pontuais, como a falta de capacitação técnica e as interrupções no tratamento de radioterapia, em razão da quebra ou manutenção de aparelhos.
Em feriados prolongados, alguns serviços chegam a fechar por cinco dias seguidos. Estudos internacionais mostram que interrupções, por menores que sejam, podem diminuir as chances de cura de tumores de cabeça e pescoço, pulmão, bexiga e próstata, por exemplo.
Seja por falta de recursos, de qualificação técnica ou de organização dos serviços, a verdade é uma só: o câncer não espera.  (GABRIELA CUPANI e CLÁUDIA COLLUCCI - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

14.12 - Trabalhador doente não perde plano empresarial
Trabalhador que teve contrato de trabalho suspenso por motivo de doença não pode ficar sem o plano de saúde empresarial. Com base nesse entendimento, a 6ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho negou recurso da WMS Supermercados do Brasil Ltda.
“O direito do trabalho considera que, na hipótese de suspensão de contrato de trabalho (por motivo alheio à vontade do trabalhador), o fator suspensão é de tal natureza que seus efeitos contrários ao trabalhador devem ser minorados”, afirmou o ministro Maurício Godinho Delgado.
O ministro disse que o “ônus da suspensão” também teria de ser distribuído para o empregador. “Havendo plano médico normalmente suportado pela empresa, deve ser mantido exatamente nos momentos em que é mais necessário, ou seja, nos períodos de afastamento previdenciário por razões de saúde do trabalhador”, afirmou.
O trabalhador teve seu contrato suspenso, com a interrupção do plano de saúde da empresa, quando estava recebendo auxílio-doença pelo INSS. Inconformado, entrou com uma ação trabalhista solicitando indenização pelas despesas médicas que teve que arcar individualmente.
O Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS), por onde o caso tramitou, entendeu que o plano de saúde não se confunde com salário. Por isso não poderia ser sustado com a suspensão do contrato. “A obrigação previdenciária do Estado não exclui a da empresa, que é contratual, e a cobertura do INSS é bem inferior àquela garantida pelo plano de saúde que a empresa obrigou-se a manter”, afirmaram os desembargadores.
A empresa recorreu ao TST, que manteve a decisão de segunda instância. Com informações da Assessoria de Imprensa do TST.
AIRR-968/2004-028-04-40.6  (Consultor Jurídico)

14.12 - Pandemia de influenza: balanço necessário
A revisão cuidadosa do que funcionou e do que precisa ser aperfeiçoado é fundamental para enfrentar uma possível segunda onda
Há oito meses, o mundo registrou o início da primeira pandemia de influenza do século 21, cercado pelas incertezas naturais de uma nova doença. Agora, grande parte de suas características clínicas e epidemiológicas já são conhecidas e é possível analisar as estratégias adotadas para enfrentá-la.
Medidas de contenção adotadas em aeroportos e fronteiras não foram capazes de impedir -nem mesmo retardar de forma significativa- a circulação do vírus. Como em outras doenças, é impossível detectar todos os viajantes infectados, já que muitos se encontram no período de incubação ou são assintomáticos.
Não há evidências, até agora, que demonstrem a utilidade de medidas de distanciamento social, como o fechamento de escolas. A pandemia é fortemente influenciada pelo clima. Nas regiões tropicais, ocorreram apenas casos e surtos isolados, sem impactar os sistemas de saúde. Em áreas de clima temperado, entretanto, a chegada do inverno acelerou a transmissão, produzindo picos epidêmicos que duraram cerca de dez semanas. Nesse período, estima-se que em torno de 11% da população possa ter contraído o vírus.
Na América do Sul, essa situação aconteceu no Chile, na Argentina, no Uruguai e no Brasil, na região Sul e parte do Sudeste. Nesses locais, o número de pessoas que procuraram serviços de saúde por síndrome gripal foi três a quatro vezes maior que nos invernos anteriores, pressionando as salas de emergência e as unidades de cuidados intensivos.
A maioria dos casos de influenza produzida pelo vírus A (H1N1) apresenta a forma leve. Entretanto, um pequeno percentual desenvolve formas graves que requerem internação hospitalar e podem levar à morte. Entre os casos hospitalizados, 20% necessitam de cuidados intensivos.
Alguns grupos se mostram mais vulneráveis para apresentar essas formas graves, como gestantes, portadores de doenças crônicas e pessoas com imunodeficiências. Em cerca de 30% a 40% dos casos graves, contudo, não foi possível encontrar um fator de risco preexistente.
A idade dos acometidos apresenta um gradiente crescente: a idade mediana para os casos é de 12 anos, aumentando para 19 entre os casos graves e para 42 anos entre os falecidos. A diferença deve-se à maior velocidade de transmissão de doenças como a influenza entre crianças e adolescentes, pelo maior contato físico e pela menor observância às regras de higiene pessoal. Por outro lado, os fatores de risco que facilitam a ocorrência dos casos graves e mortes são mais comuns entre jovens e adultos. Ao contrário da gripe comum, os maiores de 65 anos estão relativamente protegidos, provavelmente por terem adquirido alguma proteção do contato com o vírus da pandemia de 1957.
A pandemia é mais grave que a gripe comum, quando se avaliam o número de casos, as hospitalizações e as mortes ocorridas. Na gripe comum, os casos graves e as mortes decorrem da descompensação de doença prévia ou de complicações, como a pneumonia bacteriana, sobretudo em pessoas idosas. A morte diretamente relacionada com o vírus é evento raro, diferente do observado na pandemia: uma proporção importante das mortes ocorre por pneumonia viral primária, diretamente produzida pelo vírus A (H1N1).
A diferença não é só quantitativa. Na gripe comum, menos de 20% dos casos ocorrem na faixa etária dos 5 aos 60 anos. Na pandemia, esse grupo responde por mais de 80% das mortes, ocasionando alto impacto social.
A taxa de mortalidade foi bastante diferente entre os países e as áreas da América do Sul que apresentaram o pico epidêmico no inverno.
No Chile, ocorreu 0,8 morte por 100 mil habitantes. Na região Sul do Brasil, essa taxa foi quase três vezes maior. Além disso, no Chile, apenas uma mulher grávida faleceu em decorrência da pandemia.
A rapidez na identificação dos grupos vulneráveis e de casos propensos ao agravamento e o uso do oseltamivir em todos os pacientes durante o período do pico parecem ser as melhores hipóteses para explicar essas diferenças.
A comunicação transparente sobre a situação, evitando o catastrofismo ou a negligência e informando os cuidados essenciais de proteção pessoal, foi fundamental para manter a população alerta, porém tranquila.
A revisão cuidadosa do que funcionou e do que precisa ser aperfeiçoado é fundamental para responder melhor a uma possível segunda onda de circulação no próximo inverno e para fortalecer a capacidade de enfrentar emergências de saúde pública de qualquer natureza.   (JARBAS BARBOSA DA SILVA JR - Folha de S.Paulo)

14.12 - 60% têm infecções em UTIs da América Latina
Média mundial é de 51,4%, diz estudo feito em 75 países de todos os continentes
A pesquisa considera tanto infecções que já existiam antes da internação quanto aquelas adquiridas nos hospitais e na própria UTI
Na América Latina, 60,3% dos pacientes de UTIs têm infecções -quase dez pontos percentuais a mais do que a média mundial, de 51,4%. É o que sugere o maior estudo já feito sobre o tema, que acompanhou, durante um dia (8 de maio de 2007), 13.796 pacientes adultos internados em 1.265 unidades de terapia intensiva de 75 países, em todos os continentes.
Publicada no "Jama" (periódico da associação médica americana), a pesquisa considera tanto infecções prévias à internação quanto as adquiridas nos hospitais -geralmente, cada situação é responsável por cerca de 50% dos casos nas UTIs.
Pelo estudo, a América Latina é a região com o maior índice de infecções em UTIs. É preciso levar em conta, porém, que os números relativos à África -que teve o menor índice- não são confiáveis por causa da baixa quantidade de pacientes estudados nesse continente.
A taxa de mortalidade hospitalar também foi maior na América Latina do que em outras regiões: de 33%, contra 24% da média mundial.
"Mais da metade dos pacientes de UTIs infectados é um número muito alto. Esses doentes são muito caros. Nos EUA, por exemplo, 1,5% do PIB [Produto Interno Bruto] é gasto apenas nas UTIs", afirma o brasileiro Eliézer Silva, médico do Centro de Terapia Intensiva do hospital Albert Einstein e um dos autores do estudo.
Outra razão pela qual o dado é preocupante é que, segundo mostra o mesmo estudo, pacientes com infecção têm mais do que o dobro de risco de mortalidade. "Um paciente com infecção internado na UTI depois de uma cirurgia, por exemplo, tem muito mais chance de morrer do que aquele que passou pela mesma operação, mas não tem infecção", exemplifica Ederlon Rezende, presidente da Associação Brasileira de Medicina Intensiva.
Eles também têm mais chance de ficar internados por mais tempo na UTI, o que traz mais custos ao sistema de saúde. São 16 dias de internação na UTI e 29 dias no hospital, para aqueles com infecção, versus 4 e 13 dias para aqueles sem infecção.
Segundo os médicos consultados pela Folha, os dados são fiéis à realidade brasileira, pois o maior número de instituições estudadas na região está no país. Foram mais de cem UTIs acompanhadas e cerca de 1.200 pacientes, ficando atrás apenas da Alemanha.
Causas
O estudo não apontou as razões que levam ao maior índice de infecções na América Latina, mas uma das hipóteses é a falta de investimento na área da saúde. Foi verificado, na pesquisa, que aqueles países que investem menor porcentagem do PIB em saúde têm taxas mais altas de infecção. "Quanto menos recursos, menos disponibilidade de leitos, menos estratégias de prevenção e de educação para evitar infecções", afirma Rezende.
A maior mortalidade na UTI no Brasil poderia ser explicada caso os pacientes chegassem ao hospital em estado mais grave do que em outros países. Mas uma análise feita por Eliézer Silva com base em dados de outro grande estudo, que mediu o índice de sepse (infecção generalizada) no mundo, sugere que isso não ocorre. "Parece que o problema está na estrutura montada para atender a esses pacientes", diz.
Muitas medidas para controlar a infecção hospitalar são simples -a lavagem de mãos é uma das mais eficazes. A desospitalização -que pode ocorrer, por exemplo, com o tratamento de doenças menos complexas em hospitais-dia- também reduz o risco de infecções.
Já para diminuir as infecções prévias, que levam à internação na UTI, deve-se tratar os pacientes precocemente. Isso evita que uma infecção urinária, por exemplo, evolua para uma sepse e o paciente precise ir para a terapia intensiva.
71% DOS PACIENTES USAM ANTIBIÓTICOS
O estudo mostrou, ainda, que 71% dos pacientes de UTIs usam antibióticos, o que pode tornar esses locais focos de resistência bacteriana. Segundo os médicos, em muitos casos esses remédios são inevitáveis, mas também há prescrições desnecessárias -que devem ser reduzidas.  (FLÁVIA MANTOVANI - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

11.12 - Escolas médicas sem qualificação
A Associação Médica Brasileira tem reiterada e veementemente expressado sua indignação face às tentativas de abertura de escolas médicas sem qualificação. Interesses econômicos e políticos, falta de legislação apropriada e conivência de sucessivos governos resultaram na escandalosa situação atual: o Brasil tem 178 faculdades de medicina, em sua maioria sem suficiente corpo docente próprio e qualificado na área médica ou hospital universitário próprio.
E continuam os empresários do "ensino superior" a justificar suas iniciativas com os mesmos argumentos falaciosos: falta de médicos no Brasil e inclusão de novos alunos nos cursos superiores.
Para quase 200 milhões de habitantes temos, nas 178 escolas médicas, 16.805 vagas oficiais. Muitas faculdades, ao arrepio dos termos de sua autorização abrem mais de um vestibular ao ano. Outras, à falta de qualquer fiscalização, burlam os processos de qualificação e incluem transferidos clandestinos ao longo do curso. A isso chamam "política de inclusão"!?
A China, com mais de 1 bilhão e 300 milhões de habitantes, possui 150 cursos médicos; os Estados Unidos, com população de mais de 300 milhões, contam com 131 faculdades de medicina. Somente nos últimos 13 anos, 96 escolas médicas foram criadas no Brasil, fato sem paralelo em qualquer outro país do mundo.
Tem-se hoje um médico para cerca de 588 brasileiros. No Rio de Janeiro, a média é de 1/302 habitantes, no Distrito Federal 1/309 e na capital de São Paulo 1/300, em Campinas e Ribeirão Preto, cerca de 1/200. Não nos faltam médicos. Se a distribuição é desigual e poucos se atrevem a estabelecerem-se em áreas de difícil acesso, isso se deve à inexistência de políticas consistentes de incentivo à distribuição de profissionais. Não há estrutura assistencial ou plano de carreira que fixe profissionais de saúde no sistema público.
FISCALIZAÇÃO MAIS RÍGIDA. Vê-se na atual administração do Ministério da Educação esforços verdadeiros no sentido de corrigir tais distorções. Com esse intuito, o ministro Fernando Haddad e sua Secretária de Educação Superior (SESU), Maria Paula Dallari Bucci, contam com o relevante apoio do professor Adib Jatene, presidente de comissão de especialistas criada especialmente para avaliar a qualidade do ensino médico. A despeito de enormes pressões, desde o fim de 2008, 17 cursos mal classificados no Exame Nacional do Desempenho dos Estudantes (Enade) são mantidos sob supervisão. Alguns já tiveram vestibular suspenso e outros foram obrigados a reduzir o número de vagas. Todos terão de fazer reformas para melhorar a qualidade, sendo que em breve passarão por nova supervisão.
Falhas estruturais e elevado número de transferências foram a razão da penalização de outros dois cursos: a Faculdades Integradas Aparício Carvalho (RO), com vestibular suspenso, e a Universidade Nove de Julho (SP), obrigada a reduzir 30 das 100 vagas anuais que oferecia.
O Ministério da Educação tem resistido à ininterrupta avalanche de solicitações de abertura de novos cursos. No início de novembro, por exemplo, foram indeferidas solicitações para funcionamento de faculdades em Franca, interior de São Paulo, e Campo Mourão, no Paraná, exemplos de regiões onde não resta qualquer dúvida sobre a inexistência de necessidade de outras escolas médicas.
Cumpre assim seu papel o Ministério da Educação: zelando pela excelência do ensino e, no caso particular, pela qualidade da atenção à saúde dos brasileiros.  (JOSÉ LUIZ GOMES DO AMARAL - Jornal do Commercio Brasil)

11.12 - Cidadão paga a conta da saúde
População gasta mais que governo com remédios e médicos
O governo perde para as famílias quando o assunto são os gastos com a saúde. O cidadão tem mais despesas com remédios, atendimento hospitalar e serviços relacionados com atenção à saúde do que o setor público. A diferença paga pela população pelos cuidados médicos é de 38% maior do que os desembolsos do Estado. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2007, enquanto as famílias compraram R$ 128,9 bilhões em bens de consumo e serviços neste setor, a administração pública gastou R$ 93,4 bilhões.
Se forem somados os gastos do setor público e privado na área da saúde, os recursos seriam equivalentes a 8,4% do Produto Interno Bruto.
Todo esse montante significa que cada brasileiro pagou, em média, R$ 673,10, para manter ou tentar recuperar a saúde. Em contraponto, as despesas do governo com cada cidadão que necessitou dos serviços públicos de saúde ficou em R$ 487,70. "Isso mostra que existe espaço de fato para o poder público ampliar seus investimentos. As despesas no setor privado são maiores não porque esses gastos são excessivos, mas porque as despesas públicas não são suficientes", avaliou o ex-presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e atual diretor do centro de relações internacionais em saúde da instituição, Paulo Buss.
Se forem somados os gastos do setor público e privado, os recursos seriam equivalentes a 8,4% do Produto Interno Bruto (PIB) - a soma de tudo que é produzido no país -, quase o mesmo volume aplicado por nações desenvolvidas, que investem, em média, 9% do PIB, de acordo com dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). "Não é tão ruim. Estamos próximos da média", afirmou o pesquisador do IBGE Ricardo Moraes. A despeito do otimismo de Moraes, quando os dados são separados, o investimento público fica aquém da média mundial. Nessa comparação, representa apenas 3,5% do produto interno, contra participações mais elevadas dos Estados Unidos (16%), França (11%) e Alemanha (10,4%).
No Brasil, mesmo com investimentos modestos, os gastos públicos com saúde subiram 32,6% entre 2005 e 2007. "Houve crescimento porque mais gente começou a procurar o sistema de saúde. Por outro lado, houve também uma qualificação maior no atendimento. Somos um dos países que têm o maior número de transplantes de órgãos no mundo, por exemplo", justificou Buss. "Temos apresentado melhoras no atendimento, embora não deixe de sempre existir algum grau de insatisfação."
Segundo a pesquisa do IBGE, o setor de saúde no Brasil era responsável por 4,2 milhões de postos de trabalho em 2007 - o equivalente a 4,4% dos empregos do país. O rendimento médio dos trabalhadores naquele ano ficou em R$ 20,5 mil anuais.   (Victor Martins - Diário de Pernambuco)

11.12 - Fumo passivo atinge 94,6% da população mundial
Um novo relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), divulgado na quarta-feira, afirma que 94,6% da população mundial ainda não está protegida por leis contra os males causados pelo fumo passivo.
No segundo grande relatório organizado pela instituição a respeito do que chama de "epidemia do fumo", a OMS diz que 5,4% da população do mundo estava protegida por leis antifumo abrangentes em 2008, um aumento de 3,1% em relação a 2007.
Este número significa que 154 milhões de pessoas não estão mais expostas aos danos causados pelo tabagismo em locais de trabalho, restaurantes, bares e outros ambientes públicos fechados.
"Apesar de significar um progresso, o fato de que mais de 94% das pessoas ainda não estão protegidas por leis antifumo abrangentes mostra que é preciso trabalhar mais", disse Ala Alwan, diretor-assistente para Doenças Não Transmissíveis e Saúde Mental da OMS.
O documento diz que sete países (Colômbia, Djibuti, Guatemala, Maurício, Panamá, Turquia e Zâmbia) implementaram leis antifumo em 2008, elevando naquele ano o total de países com estas leis para 17.
Mortes
O relatório, divulgado em Istambul, na Turquia, se concentra na Convenção para Controle do Fumo, principalmente o artigo 8, que cuida da proteção contra a fumaça de cigarro. A convenção foi elaborada em 2005 e ratificada por 170 países.
O texto descreve os esforços de alguns países para implementar medidas determinadas por esta convenção.
Segundo o documento, o fumo passivo "causa cerca de 600 mil mortes prematuras por ano, incontáveis doenças e perdas econômicas da ordem de dezenas de bilhões de dólares ao ano".
"Não há um nível seguro de exposição ao fumo passivo. Então, é necessária uma ação dos governos para proteger as pessoas", afirmou Alwan.
Brasil
O relatório da OMS cita o Brasil como exemplo de país onde autoridades municipais ou estaduais estão implantando políticas contra o fumo passivo.
"Das cem maiores cidades do mundo, 22 têm leis antifumo - e mais três (Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador) se transformaram em cidades livres do fumo desde que os dados para este relatório foram coletados", afirma o documento.
O relatório também destaca a "alta prioridade e compromisso com o combate à epidemia" no Brasil.
"Em 2005, todos os Estados e mais de dois terços dos municípios tinham treinado funcionários para implementar atividades de controle do fumo, e um terço dos municípios, incluindo todas as grandes cidades do Brasil, adotaram programas específicos de controle do fumo", diz o documento da OMS.
De acordo com o relatório da OMS, o fumo continua em primeiro lugar entre as causas de morte que podem ser evitadas, com um total de cinco milhões de óbitos por ano.
A organização estima que, a não ser que sejam tomadas providências urgentes, esse número poderá chegar a 8 milhões por ano até 2030 - e a maior parte das mortes ocorreria nos países mais pobres. (BBC Brasil)
 
 
 
 
 
 

10.12 - A melhor idade
À medida que as pessoas chegam aos 50/60 anos - melhor-idade ou meia-idade -, pois hoje a expectativa de vida média do brasileiro é de 74 anos, podemos dizer que é a idade da complacência, da estabilidade econômica e emocional. Mas, algumas pessoas nessa fase de idade [até os mais jovens], em não tendo o amor familiar do companheiro (a), dos filhos e netos podem entrar em declínio, aliado à diminuição das funções biológicas, psicológicas e sociais.
As crises da melhor-idade [ou meia-idade] são mais severas e amplas quando existem doenças graves, morte do cônjuge ou integrantes outros da família que lhes são caros, pois as pessoas da meia-idade se apegam e são mais fraternos para com seus familiares do que a geração mais jovem. Há algumas particularidades, é óbvio, por exemplo, que uma mulher que tenha levado uma vida vazia, de angústia, de desamor deve entrar em pânico ao desaparecer o fluxo sagrado da menstruação, símbolo maior da feminilidade, da procriação e da autoestima. Mas há casos e casos. Cinquenta por cento das mulheres referem-se à menopausa com desprezo, com experiência desagradável, lastimosa e frustrante. Outras relatam mais liberdade, exclusão da gravidez e dos cuidados irritantes com o período do mênstruo. A diminuição gradual do nível de estrogênio até a cessação da menstruação poderá ser bem aceita pelas mulheres bem-amadas, que se usufruíram com prazer, amor o período fértil da vida.
A síndrome da menopausa é uma crise existencial quando há antecedentes emocionais e psíquicos. Para a mulher que se dedicou exclusivamente ao lar no papel de mãe, este período pode coincidir com a saída dos filhos de casa, deixando-a sem identidade. A mulher-mãe [na acepção da palavra] que exerce atividades profissionais ameniza esse período de "ligação umbilical" com os filhos já adultos, visto que a mulher que trabalha o dia todo fora do lar tem menos tempo para dedicar afetividade à criança, portanto o cordão umbilical é mais facilmente separado, pois já são mães ausentes na maior parte do tempo. Há casos em que crianças geradas por mães profissionais [que exercem trabalhos externos ao lar] são mais apegadas às babás, às pedagogas, nutricionistas e psicólogas dos hoteizinhos do que propriamente às mães biológicas. Mas, por outro lado estas mães [profissionais] são menos acometidas de estresse. Costumam passar o período noturno, finais de semana ou no período de folga ou de férias da atividade profissional com maior dedicação de afeto ao filho (a). É a saudade.
No caso do homem, o trabalho profissional acumula tensões e estresse ao longo do tempo. O período da melhor-idade é a fase em que o homem se sente como libertado dos compromissos, do cumprimento de horário profissional. Na melhor-idade o homem sente o agradável balizamento pelo maior volume de horas ao lado da família: esposa, filhos e netos. Surgem os momentos de um bom lazer, viagens, leituras, academia, cuidar da pequena chácara, caminhar pela manhã e nos fins de tarde. O balizamento da vida é estabelecido pelo maior volume de relacionamento positivo e amizades construídas durante a vida. O poder, a maturidade pela saúde e vitalidade consagram a meia-idade com o apogeu da vida. Este articulista expõe este ponto de vista com conhecimentos de causa, pois após meus cinquenta anos e a consequente aposentadoria tem experimentado a melhor fase da vida. Aumentaram-se o prazer pela leitura, para escrever, viagens...
A meia-idade é a fase em que o grande desafio não é trabalhar no sentido de obrigatoriedade se esquecendo dos bons momentos de lazer ao lado de quem amamos - esposa, filhos e netos. Isto não quer dizer que na fase da melhor idade tenhamos que abandonar completamente a laboriosidade. Só que o labor não pode suplantar a diversão, os passeios. Há tempo para tudo. Para trabalhar e para se divertir. As pessoas da melhor idade geralmente já alcançaram um grau satisfatório de ascensão profissional. A prioridade é o equilíbrio entre trabalho [de preferência intelectual e apenas num período do dia] e o lazer para não faltar tempo para as relembranças ao lado dos familiares. Para que ficar nessa fase da vida trabalhando diuturnamente? Adquirir bens materiais que não levaremos pós-túmulo? É preciso ceder vagas de trabalho às novas gerações. Pense nisso.    (João da Costa Vital - A Gazeta)

10.12 - Suiças, francesas e japonesas vivem mais
As mulheres suíças, francesas e japonesas lideram o ranking entre as que mais vivem entre os países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), segundo relatório publicado na terça-feira em Paris.
As nascidas nesses três países têm uma vida média de 84,4 anos, igual que as francesas, e as japonesas se situam em primeiro lugar, com 86 anos de esperança de vida média, segundo o relatório "Panorama da Saúde 2009", publicado pela OCDE.
A maioria parte deste grupo de 30 países desenvolvidos melhorou sua esperança de vida ao nascer.
O relatório, que foi divulgado à imprensa em Paris pela embaixadora espanhola diante da OCDE, Cristina Narbona, adverte que o Produto Interno Bruto (PIB) per capita influenciou na esperança de vida, mas que países que deveriam ter uma população com expectativas de maior longevidade não alcançaram.
Assim, os Estados Unidos, Dinamarca e Hungria têm uma menor esperança de vida ao nascer do que seria esperado atendendo ao PIB per capita.
"O estado de saúde e os resultados dos sistemas de saúde não são diretamente proporcionais em alguns casos nem à renda por habitante no país nem à despesa de saúde per capita, que são dois indicadores que normalmente estão associados", ressaltou a embaixadora Narbona, ao comentar os resultados do relatório da OCDE.
"O caso possivelmente mais notável é o dos Estados Unidos", detalhou Narbona, que assinalou que nesse país, "com a despesa de saúde mais elevada de todas as nações da OCDE apresenta uma esperança de vida, taxas de mortalidade e incidência de algumas patologias muito desfavoráveis em comparação a outros países".
No caso da Espanha, a embaixadora comentou que é um caso oposto: "tem uma renda per capita inferior, uma despesa de saúde inferior e, no entanto, estamos, com dados muito bons relativos à esperança de vida e à incidência de determinadas patologias".
"Há fatores que jogam a favor ou contra determinados países, além dos dados estritamente ligados a sua renda por habitante ou a sua despesa de saúde por habitante", insistiu a embaixadora.
O estudo publicado na terça-feira na capital francesa oferece dados sobre indicadores comparáveis e atualizados sobre aspectos diversos da evolução da saúde e os sistemas de saúde dos 30 países da OCDE.    (EFE/G1)

10.12 - Checagem cirúrgica reduz em 40% índice de infecção
Procedimentos adotados por hospitais brasileiros aumentam segurança em operações
Recomendações da OMS são adotadas antes e após a cirurgia; "check list" verifica se não foi esquecido objeto dentro do corpo do paciente
A checagem de uma série de procedimentos na realização de cirurgias reduziu em 40% o índice de infecção e em 10% a taxa de mortalidade no HCor (Hospital do Coração). No INC (Instituto Nacional de Cardiologia), a mesma atitude diminuiu em 20% os casos de complicações pós-operatórias.
Os resultados, referentes ao período de janeiro a outubro deste ano, são de levantamentos feitos pelas instituições após implantarem um "check list" recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e adotado pela JCI (Joint Commission International), entidade norte-americana que certifica serviços de saúde.
Um dos itens do "check list" é a adequação da dose de antibiótico profilático 60 minutos antes da cirurgia, que está relacionada à redução de infecções.
"Parece uma coisa tão banal, mas é muito importante. É preciso checar se o antibiótico foi dado no tempo e na dose adequados. Em adultos, há variações. Você não pode fazer a mesma dosagem para uma mulher de 50 kg e para um homem de 150 kg", explica a médica Magaly Arrais, responsável pelo centro cirúrgico do HCor.
No Instituto Nacional de Cardiologia, em dez meses de implantação do "check list" o índice de adequação da terapia com antibiótico aumentou 33% (passou de 75%, em média, para 100%). "Agora estamos levantando o impacto disso no pós-operatório, assim como dados sobre a mortalidade", afirma Alexandre Siciliano, chefe da Divisão de Procedimentos Cirúrgicos do INC.
As recomendações da OMS incluem procedimentos a serem adotados antes, durante e após a cirurgia -como perguntar o nome do paciente e verificar se não foi esquecido nenhum objeto dentro dele. No INC, seis compressas cirúrgicas foram esquecidas em 2008. Neste ano, com a checagem, não houve nenhum caso.
A situação parece incomum, mas não é. Ensanguentada, a compressa pode "desaparecer" dentro do tórax do paciente. Se o problema não for detectado a tempo, será preciso uma nova cirurgia para retirá-la.
"Temos de contar quantas compressas saíram [das embalagens] e quantas foram usadas. Se o número não bate, tem que procurar no lixo, no tórax. Na dúvida, faz-se uma radiografia. Todas as compressas são marcadas e a gente pode visualizá-las no raio-X", diz Siciliano.
Outras complicações pós-cirúrgicas, como sangramento, também foram reduzidas após o "check list", adotado hoje por mais de 200 profissionais que atuam no centro cirúrgico.
A boa notícia é que a melhoria desses índices no INC não demandou investimentos financeiros, apenas treinamento de pessoal. "Só é preciso organização e convencimento das pessoas", afirma Siciliano.
Não é uma tarefa fácil, reconhece a médica Magaly Arrais, do HCor. "Os médicos não gostam muito de aderir a protocolos, de ter seus procedimentos checados e suas condutas corrigidas ou controladas."
Prevenção
A OMS desenvolve campanhas para a segurança do paciente em hospitais desde 2004, quando lançou o programa mundial "World Alliance for Patient Safety", com o objetivo de reduzir as complicações cirúrgicas decorrentes de falhas que podem ser prevenidas.
São realizadas anualmente 234 milhões de cirurgias no mundo, com taxa de complicações de 3 a 16% e mortalidade de 0,4 a 0,8% nos países desenvolvidos. Nos países em desenvolvimento, as complicações alcançam taxas de 5 a 10%. Segundo a OMS, a metade poderia ser evitada.
Uma falha que pode ser prevenida é a operação de membros errados. Em 2006, do total de eventos que acabaram em morte ou lesões sérias nos hospitais dos EUA, 13,1% foram cirurgias em local errado.
Para evitar isso, em hospitais que adotam o "check list" os pacientes chegam ao centro cirúrgico com o local da cirurgia já demarcado com uma caneta especial (cuja tinta permanece durante um tempo na pele).   (CLÁUDIA COLLUCCI - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

09.12 - Profissão de cuidador passa na Seguridade Social
A criação da profissão de cuidador, prevista no Projeto de Lei 6966/06, do deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE), foi aprovada na semana passada pela Comissão de Seguridade Social e Família. De acordo com a proposta, esse profissional presta ajuda domiciliar a pessoas que não consigam realizar tarefas cotidianas básicas. Para exercer a profissão, é exigida a conclusão do ensino fundamental e de curso de qualificação básica de cuidador. O conteúdo programático desse curso será estabelecido pelo Ministério da Saúde.
O relator, deputado Chico d´Angelo (PT-RJ), defendeu a aprovação da proposta. Segundo ele, “a constante evolução da participação dos idosos no perfil demográfico brasileiro tem gerado um contingente enorme de pessoas que passam a necessitar de cuidados especiais para execução das tarefas mais elementares da vida”.
O deputado argumenta ainda que o Estado não tem condições de atender essa demanda. “Na prática, a família é obrigada, mesmo sem condições, a assumir tal responsabilidade. Em sua maioria, os familiares trabalham o dia todo e não têm disponibilidade de tempo e de recursos para oferecer a atenção essencial para a manutenção da qualidade de vida de seus entes incapazes”.
A comissão rejeitou, no entanto, o PL 2880/08, do deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), que tramitava apensado. Essa proposta é semelhante ao projeto principal, mas exigia, entre outras medidas, que o cuidador profissional fosse formado por instituição de ensino superior e não executasse outras funções na área de saúde, como Enfermagem e Medicina. “São preocupações excessivas”, considera o relator.
As propostas tramitam em caráter conclusivo e ainda serão analisadas pelas comissões de Administração e Serviço Público; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. (Agência Câmara)

09.12 - Vão faltar remédios
Milhares de brasileiros pobres que dependem da distribuição gratuita de medicamentos especiais pelo Ministério da Saúde terão um ano difícil em 2010. Essa é uma das pontas da crise da falta de recursos que vai afetar alguns setores menos contemplados pela distribuição de verbas do Orçamento da União, em votação no Congresso Nacional. Em razão do baixo crescimento da economia em 2009, medido pela evolução do Produto Interno Bruto (PIB), os índices de aumento dos orçamentos setoriais estão mais baixos do que planejavam os executivos de cada área. A saúde espera contar com um orçamento de pelo menos R$ 55 bilhões, inferior ao que os técnicos do ministério estimavam aplicar. Isso está obrigando a equipe do ministro José Gomes Temporão a refazer as contas e, o que pior, a cortar verbas de alguns programas em favor de outros que atendem setores mais críticos. A verdade é que a saúde não foi contemplada na margem de manobra de verbas que o governo planeja ter com a estimativa de aumento de R$ 23 bilhões no total da receita tributária real.
Recente documento produzido pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) alerta para a redução nos programas de compra de medicamentos. Há a previsão de um corte superior a R$ 140 milhões. Podem ser afetadas até mesmo as compras de medicamentos especiais, mais caros, e que seriam distribuídos a pessoas em tratamento de doenças graves, como o câncer. Esse segmento pode ter orçamento de R$ 2,4 bilhões, o que significará um corte de 3,4% em relação a 2008. Como as demandas são crescentes em todos os setores atendidos pelo ministério e a perspectiva de conseguir mais recursos para seus programas é remota, os técnicos da saúde já trabalham com a alternativa de priorizar os gastos com o atendimento de urgência e emergência da rede pública, além de manter as campanhas de vacinação e de promoção da saúde.
O ministro Temporão costuma contestar os especialistas que sugerem melhor gestão em vez da pretendida criação de impostos, como a Contribuição Social da Saúde (CSS), substituta da famigerada CPMF. Ele argumenta que, dividido pela população de 190 milhões de brasileiros, o valor desse orçamento per capita seria apenas um terço do que as famílias que podem gastam com planos de saúde individuais.
Ambos parecem ter razão. A saúde pública precisa das duas coisas. Mas, mesmo que as dificuldades previstas para 2010 provoquem tumulto e sofrimento, o mais correto será respeitar a manifestação clara da sociedade, que deu incontestável apoio ao fim da CPMF, em vez de considerar o episódio apenas um golpe da oposição. Será injusto encobrir a realidade caótica das macas nos corredores dos hospitais públicos, da falta de medicamentos, da remuneração inadequada dos profissionais e dos enormes sacrifícios impostos aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) durante a vigência do extinto imposto. Resta, então, encarar a saúde pública como função básica do Estado democrático moderno. Em outras palavras, trata-se de conceder-lhe prioridade que se sobrepõe a muitos gastos supérfluos ou menos urgentes.  (Estado de Minas)

09.12 - Suiça: Cinco mortes após vacina contra gripe suína
Cinco das sete mortes em decorrência da gripe A (H1N1) na Suíça ocorreram após as vítimas terem sido vacinadas. A informação é do organismo suíço regulador de remédios, Swissmedic. O órgão, no entanto, descarta a relação com a vacina afirmando que todos os pacientes eram maiores de 60 anos e que quatro sofriam de doenças crônicas graves.
Quatro vítimas tomaram a vacina Pandemrix, fabricada pela empresa farmacêutica GlaxoSmithKline.
Desde o início da vacinação, no final de novembro, foram detectados 197 casos com efeitos secundários da vacina. Deste total, 169 receberam Pandemrix, 25, Focetria e três, Celtura.  (JB Online)
 
 
 
 
 
 

08.12 - O Brasil está envelhecendo
Tem 21 milhões de pessoas com mais de 60 anos que movimentam R$ 255,6 bilhões por ano – 68,1% deste total são benefícios de aposentadoria, pensão por morte e assistência social, nas contas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Números como esses reafirmam a importância de se discutir o impacto da nova pirâmide populacional brasileira na economia do país.
O Brasil gasta só na Previdência Social 14% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços do país), e os dados oficiais registram déficit de R$ 41,9 bilhões.
Na última década, a proporção de idosos passou de 8,8% para 11,1% do total da população, numa expansão mais rápida do que em muitos países europeus. O envelhecimento populacional é resultado de conquistas do passado, como queda na mortalidade infantil e avanços na saúde.
Some-se a isso a redução na taxa de fecundidade brasileira que possivelmente fará com que, a partir de 2030, a população comece a encolher. Em paralelo, o total de idosos começaria a ultrapassar o de jovens de 15 a 29 anos, prevê a pesquisadora Ana Amélia Camaramo, do Ipea. Atualmente, a população apta a ingressar no mercado de trabalho atinge o ápice, com 34 milhões entre 15 a 24 anos.
“O Brasil desfruta de uma das maiores conquistas sociais da segunda metade do século XX, verificada em quase todo o mundo: a redução da mortalidade em todas as idades. Isso resultou no aumento da esperança de vida, em que mais e mais pessoas atingem idades avançadas. Uma das certezas que se pode vislumbrar para o futuro próximo é o crescimento a taxas elevadas de idosos vivendo mais tempo.
Embora a conquista mereça ser comemorada, o envelhecimento aumenta a despesa previdenciária”, explicou a especialista do Ipea.
Não há consenso sobre a saída para o déficit previdenciário, disse Ana Amélia. Para ela, as soluções poderiam passar, por exemplo, por um sistema de contribuição sazonal, que traria autônomos e informais para a Previdência, aposentadorias parciais e manter por mais tempo o trabalhador na ativa. Mas, acrescenta Vinicius Pinheiro, especialista sênior para a América Latina da Organização Internacional do Trabalho (OIT), já houve avanços na discussão brasileira, como a inclusão da expectativa de vida no cálculo previdenciário:
“O Brasil envelheceu mais rapidamente nos últimos 30 anos do que a Inglaterra nos últimos 100. É claro que isso vai significar uma pressão sobre as contas da Previdência, principalmente porque não existe no Brasil uma idade mínima para receber a contribuição”, disse Pinheiro, para quem relações de trabalho mais flexíveis esticariam o tempo do trabalhador na ativa, como o trabalho em casa, alternativa bastante comum na Europa que tem sido uma opção para os mais velhos.
O Brasil acompanha a tendência mundial de envelhecimento. Nas contas da Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2000, havia 600 milhões de idosos no planeta.
As previsões apontam que eles serão 1,2 bilhão em 2025. E atingirão dois bilhões em 2050. Já a população mundial deve saltar, nesses 50 anos, de seis bilhões para nove bilhões, 50% de aumento. Segundo Alexandre Kalache, ex-diretor de programas de envelhecimento da instituição, será nos países em desenvolvimento que este aumento será mais enfático: dos 400 milhões em 2000 para 1,7 bilhão em 2050.    (A Gazeta-06.12)

08.12 - O problema está na outra ponta
A recente fusão entre Amil e Medial tem gerado discussões importantes sobre os planos de saúde privados. Na mira está, antes de tudo, a concentração do setor. A este respeito cabem algumas explicações.
Em primeiro lugar, é preciso se ter claro que, nos países onde existe a saúde privada, o mercado tem um desenho parecido com o que vai se consolidando no Brasil, isto é, poucas grandes operadoras com abrangência nacional, ou forte participação no mercado, e um número maior de operadoras pequenas, com atuação regional ou focadas em nichos específicos.
O problema brasileiro não é a concentração resultante da união da Amil com a Medial, mas o que acontece na outra ponta, onde as pequenas operadoras estão sendo inviabilizadas pela ação da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), que as vai sufocando, em nome de garantias nem sempre pertinentes e que elas, pelo porte, não conseguem oferecer.
O negócio entre a Amil e a Medial não é uma ameaça ao sistema. Juntas, não terão 11% do mercado de planos de saúde privados, ou seja, não é por este lado que a fusão deve ser analisada. O que deve ser visto, e aí todo cuidado é pouco, são as condições econômicas e financeiras resultantes da unificação. Qual o grau de capitalização e quais as reservas destinadas a garantirem sua massa de clientes. De outro lado, vale lembrar que, neste tipo de operação, escala é indispensável para um determinado tipo de empresa que baseia seus serviços em produtos massificados e que este é o desenho de Amil e Medial.
Enquanto algumas empresas operam em campos específicos, outras atuam no geral, oferecendo planos destinados a todos os segmentos da população. O drama deste desenho é que, no Brasil, por conta da Lei dos Planos de Saúde, da demagogia governamental e de decisões do Judiciário, vários tipos de planos estão se mostrando inviáveis ou gerando distorções graves. É o caso dos planos individuais e familiares, além de vários planos ditos coletivos (no sentido usado para os planos empresariais), que, de verdade, não passam de planos individuais, oferecidos com foco num determinado universo de consumidores e que, por isso, ou custam mais barato ou oferecem algumas vantagens em prazos e padrões de atendimento.
A Lei dos Planos de Saúde Privados brasileira é muito ruim. Em função dela, a maioria das seguradoras não atua neste ramo e as que operam com saúde privada se afastaram dos planos de saúde individuais e familiares. A razão é simples: eles são deficitários para elas.
É aqui que as tipicidades das operadoras começam a fazer diferença. As operadoras de planos de saúde não têm o mesmo desenho e isto faz com que a estrutura de custos seja diferente entre elas. Nem poderia ser diferente, já que as seguradoras são sociedades anônimas, as Unimeds são cooperativas e as assistências médicas obrigatoriamente devem atuar com rede própria, independentemente da figura societária adotada.
Muito mais importante para a sociedade do que a fusão entre a Amil e a Medial é a quase que extinção das pequenas operadoras periféricas, com foco em comunidades específicas, para cujas necessidades seu desenho e estrutura de custos são mais que suficientes.
Elas atendem mais de 90% dos casos que são encaminhados para os hospitais a que estão ligadas. Doenças como sarampo, cirurgias de apendicite, braços quebrados, partos, etc., ficam a seu cargo, enquanto os procedimentos mais complexos são encaminhados para hospitais mais sofisticados. O resultado são planos muito baratos para a população, mas suficientes para manter os hospitais que os comercializam. Com sua inviabilização, estes hospitais devem fechar, já que não há como a remuneração do SUS pagar integralmente seus custos.
Enquanto este segmento não for tratado de forma profissional, levando em conta a realidade brasileira, não há como a conta fechar. E o que é pior, a tendência é todos ficarem insatisfeitos.    (Antonio Penteado Mendonça - O Estado de S.Paulo)

08.12 - Alzheimer: Origem pode estar na meia-idade
Associado à degeneração dos neurônios, o mal de Alzheimer também pode ter ligação com a presença excessiva de um tipo de aminoácido, a homocisteína, no sangue. Embora pesquisas já tivessem sugerido essa relação, pela primeira vez um estudo conseguiu comprovar que, quanto maior o nível da proteína, mais chances a pessoa tem de desenvolver a doença. A constatação é do hematologista Dimitri Zylberstein, da Universidade de Gotemburgo, na Suécia. “Nosso estudo demonstra uma clara associação entre o índice elevado de homocisteína e o mal de Alzheimer. Esse resultado, assim como os de estudos anteriores, implica que a doença provavelmente não é puramente degenerativa, mas completamente, ou pelo menos parcialmente, de origem vascular”, disse o médico.
Um importante aminonácido para o metabolismo, a homocisteína é produzida no corpo depois da ingestão de carnes e laticínios. Em excesso, ela prejudica as artérias, formando placas de gorduras que podem levar a infartos e derrames. Estudos anteriores acompanharam por, no máximo, oito anos a relação entre demência e o alto índice da homocisteína. Já o conduzido por Zylberstein foi o primeiro a fazer um acompanhamento a longo prazo, de 35 anos, o que garantiu a certeza dos resultados. Além disso, até hoje não havia associações entre o desenvolvimento de Alzheimer em idosas que, na meia-idade, tinham taxas elevadas do aminoácido. Zylberstein conseguiu fazer essa constatação.
Para isso, o médico utilizou uma pesquisa sobre a saúde feminina realizada em Gotemburgo no fim da década de 1960. Cerca de 1,5 mil mulheres entre 38 e 60 anos tiveram o sangue coletado e deram informações sobre sua saúde em geral. Passadas mais de três décadas, Zylberstein resgatou o resultado e foi a campo saber como estavam as participantes do estudo. Ele descobriu que o mal de Alzheimer teve incidência duas vezes maior nas mulheres que, na época do exame de sangue, tinham índices altos de homocisteína. Em relação aos outros tipos de demência, aquelas com alteração na taxa tinham 70% mais chances de apresentar o problema.
CONTROLE POSSÍVEL
Segundo o cientista, que agora pesquisa a cura do mal de Alzheimer, dois aspectos devem ser ressaltados sobre o resultado do estudo. “Em primeiro lugar, a descoberta de que o excesso de homocisteína na meia-idade vai afetar a vida da pessoa muitas décadas depois. Em segundo, que, se por um lado demoram cerca de 15 anos para os efeitos se expressarem nos enfartes do miocárdio, a média de surgimento da demência é 22 anos”, diz. Para Zylberstein, a cura para o mal ainda está distante, mas ele acredita que o resultado de sua pesquisa poderá ajudar a diminuir a incidência de Alzheimer na população, já que é possível controlar a taxa do aminoácido, por meio da ingestão de ácido fólico e vitamina B12.
A presidente da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), Viviane Abreu, ressalta a importância da pesquisa de Zylberstein, por ser a primeira a comprovar que a doença tem um componente vascular. “Isso é muito importante no sentido da prevenção”, acredita a terapeuta ocupacional. Porém, ela lembra que pesquisas científicas só têm impacto prático para a população depois de muitos anos de teste, o que significa que a descoberta não poderá ajudar quem já sofre do mal.
O estudo sueco significa uma outra possibilidade teórica: a de saber, por meio de um simples exame de sangue, se uma pessoa corre o risco de desenvolver a doença na velhice. “Como não há cura para o Alzheimer, acredito que, por enquanto, fazer um exame com esse objetivo não teria aplicação, pois ainda não temos respostas sobre como cuidar da doença”, pondera Viviane Abreu. Questionado se vale a pena saber com décadas de antecedência se, mais tarde, podemos ter Alzheimer, Zylberstein admite que a questão é delicada. “É uma pergunta difícil de responder. Mas minha resposta é sim. Isso por causa da possibilidade de controlar os níveis de homocisteína e, então, talvez reduzir o risco de demência. É importante frisar que se trata de reduzir, e não eliminar”, afirma.   (Paloma Oliveto - Estado de Minas)
 
 
 
 
 

07.12 - Governo vacinará contra meningite C
Entrada do imunizante no calendário nacional será antecipada para 2010; motivo é o aumento de casos na Bahia
A vacina contra a meningite do tipo C vai ser incorporada ao Programa Nacional de Imunização a partir do ano que vem. A inclusão da vacina - atualmente usada para conter surtos localizados - estava prevista para ser realizada somente em 2011, mas foi antecipada pelo governo.
Um dos fatores que contribuíram para a mudança foi o aumento expressivo de casos de meningite na Bahia - além da decisão do governo local de, no próximo ano, comprar por conta própria o imunizante para aplicar em crianças menores de 5 anos.
Neste ano foram registrados na Bahia 1.195 casos da doença, com 126 mortes. Em Porto Seguro, no sul do Estado, um surto da infecção, com 11 casos - 8 dos quais surgidos a partir de outubro - foi confirmado.
O governo de Minas - que enfrentou aumento de casos da doença em 2006 e 2007 - também anunciou o início da vacinação contra meningite no ano que vem.
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou que a estratégia de incorporação das vacinas deverá ser discutida em reuniões com secretários estaduais e municipais de saúde. A estimativa é a de que, para a mudança, sejam investidos cerca de R$ 250 milhões.
O governo ainda não estabeleceu o cronograma para a adoção da vacina nem informou qual será o fornecedor do imunizante. O ministro adiantou, no entanto, que a incorporação deverá ser feita de forma gradual.
DOENÇA GRAVE
A meningite é a inflamação nas meninges, uma membrana que envolve o cérebro. Doença grave, ela pode ser provocada por vários agentes. A forma mais preocupante é provocada pelo meningococo, que, por sua vez, pode ter vários subtipos: A, B, C, X, Y, W135.
Na década de 70, uma grande epidemia foi registrada no País, que desencadeou uma campanha com vacina AC. Depois desse período, o subtipo A deixou de circular no País e as formas B e C tornaram-se mais frequentes.
Dos anos 90 para cá, foram registrados surtos no País da doença. Nesse período, foi usada a vacina BC.
Em 2008, foram confirmados 2.555 casos de meningite no País (incluindo todos os sorotipos), com 500 mortes. Este ano, já foram confirmados até abril 114 óbitos.   (Lígia Formenti - O Estado de S.Paulo)

07.12 - SUS amplia distribuição de medicamentos em 2010
Confira a lista das 27 doenças que terão tratamento ampliado
O Sistema Único de Saúde (SUS) passará a distribuir em 2010 medicamentos de alto valor para o tratamento de artrite psoriásica, hipertensão arterial pulmonar e púrpura trombocitopênica.
Outras 27 doenças terão o tratamento ampliado no SUS por meio de 100 novas indicações de medicamentos. Antes, somente pacientes em estágio avançado tinham direito a esses medicamentos.
Confira a lista das doenças que tiveram o tratamento ampliado:
Acne
Anemia na insuficiência renal crônica
Aplasia pura adquirida crônica da série vermelha
Artrite reumatóide
Asma
Dermatopolimiosite
Dislipidemia
Doença de crohn
Doença de paget dos ossos
Doença de Parkinson
Endometriose
Epilepsia
Esclerose sistêmica
Espondilite ancilosante
Esquizofrenia refratária
Hepatite autoimune
Hepatite viral crônica B
Hiperfosfatemia na IRC
Hiperplasia adrenal congênita
Hipoparatireoidismo
Hipotireoidismo congênito
Insuficiência pancreátia exócrina
Osteoporose
Raquitismo e osteomalácia
Retocolite ulcerativa
Transplante renal
Uveítes posteriores não-infecciosas (EPTV)

07.12 - MBA em Economia e Gestão em Saúde
Continuam abertas as inscrições para o MBA em Economia e Gestão em Saúde, oferecido pelo Centro Paulista de Economia da Saúde (CPES), da Unifesp. Coordenado pelo diretor de Economia Médica da AMB, Marcos Bosi Ferraz, e por Paola Zucchi, coordenadora do CPES, as aulas ocorrerão no período de 3 de fevereiro a 15 de dezembro de 2010.
O curso é destinado a profissionais da saúde, gestores e administradores de serviços de saúde públicos ou privados, bem como profissionais de outras áreas envolvidos com a discussão de temas pertinentes ao sistema saúde. Serão discutidos temas nas áreas de assistência à saúde baseada em evidências, economia da saúde, sistema de informações em saúde e gestão e administração de serviços do sistema de saúde.
O curso visa contribuir para o aprimoramento do conhecimento dos profissionais de saúde atuantes em áreas relacionadas ao sistema de saúde, capacitando-os a melhor compreender as mudanças neste sistema, bem como auxiliando-o no processo de gestão e na tomada de decisão.
Veja outras informações no site da CPES: http://cpes.org.br/mestrado.htm
Mais informações: (11) 5575-6427 / 5572-5941 / 5549-0158. (AMB)
 
 
 
 
 
 

04.12 - Imunidade tributária negada
Caixa de Assistência dos Advogados de MG não se beneficia de imunidade tributária conferida à OAB
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) acolheu Recurso Extraordinário (RE 233843) do município de Belo Horizonte e reformou a decisão que havia isentado a Caixa de Assistência dos Advogados de Minas Gerais do pagamento de IPTU sobre o imóvel que ocupa na capital mineira. O entendimento da Turma, em voto relatado pelo ministro Joaquim Barbosa, é o de que a imunidade tributária recíproca aplicável à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), quando atua no campo próprio que lhe outorga a Constituição, não se estende às atividades sociais ou de assistência desempenhadas pelas respectivas Caixas de Assistência.
Embora houvesse dúvida sobre a caracterização da Caixa de Assistência dos Advogados de Minas Gerais como entidade de assistência social, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) aplicou-lhe a imunidade tributária por considerar que se trata de “entidade inserida na tessitura orgânica da OAB e, portanto, destinatária dos mesmos benefícios”. Com isso, o TJ-MG considerou que o imóvel de propriedade da Caixa de Assistência seria imune ao pagamento de IPTU. O município recorreu ao STF alegando violação ao artigo 150, inciso VI, alínea “a”, que trata da imunidade recíproca, acrescentando que a Caixa de Assistência não pode ser considerada entidade assistencial, visto que presta serviços apenas a seus associados.
“Entendo que o tribunal de origem se equivocou. Não se questiona nesses autos a imunidade conferida à OAB. A questão que se põe é se entidade ligada a OAB destinada especificamente a prestar serviços aos seus associados também pode ser considerada com instrumentalidade estatal e, portanto, ser beneficiada pela salvaguarda constitucional. Embora as Caixas de Assistência dos Advogados estejam ligadas à estrutura organizacional da OAB, são entidades com personalidade jurídica própria, que não se dedicam primordialmente à defesa da Constituição, da ordem jurídica do estado democrático de direito, dos direitos humanos, da justiça social nem pugna pela aplicação das leis, pela rápida administração da Justiça e pelo aperfeiçoamento da cultura e das instituições jurídicas”, afirmou o ministro Joaquim Barbosa.
O relator acrescentou que “além da inserção na estrutura organizacional da OAB, nada dissocia as caixas de assistência dos advogados das demais entidades destinadas à concessão de benefícios assistenciais ou previdenciários a seus associados, sejam eles servidores públicos ou empregados privados ou quaisquer outras pessoas unidas por laços de afinidade ou de situação fático-jurídica”. Na sessão, os ministros rememoraram decisão do STF que considerou inconstitucional uma norma que destinava o produto arrecadado com taxas à Caixa de Assistência dos Advogados do Rio Grande do Sul (ADI 1145).
Processos relacionados
RE 233843  (Âmbito Jurídico)

04.12 - Governo aumenta oferta de tratamentos
O Ministério da Saúde anunciou medidas para ampliar a oferta de remédios e tratamentos no sistema público. A mudança prevê incorporação de 18 drogas na lista gratuita de distribuição e tratamento para três doenças que não eram atendidas: hipertensão arterial pulmonar, artrite psoriática e púrpura trombocitopênica.
A previsão é de que, até o fim do ano, protocolos - manuais com instruções sobre como tratar - de 53 doenças sejam revisados. Diretrizes para 28 doenças deverão ser preparadas. Com a mudança, a lista de enfermidades com tratamento integral subirá para 79.
A revisão constante dos protocolos é uma antiga reivindicação. Somente a partir dessa lista é que remédios mais eficazes podem ser incorporados e os menos importantes, substituídos. Sem a revisão, pacientes têm de recorrer à Justiça para garantir o fornecimento gratuito de remédios indicados para suas doenças.
A responsabilidade pela compra de remédios continua a ser divida entre governos estaduais, municipais e Ministério da Saúde. Mas haverá definição mais clara das atribuições. O ministério ficará encarregado de comprar diretamente 38 remédios - mais caros - para serem distribuídos a Estados e municípios. Até então, a compra centralizada era feita para 13 medicamentos.   (Lígia Formenti - O Estado de S.Paulo)

04.12 - Iniciativa privada deve atender emergências do SUS
Texto foi aprovado e deverá passar por uma votação suplementar
O Plenário do Senado aprovou na terça-feira (1º) o substitutivo da Comissão de Assuntos Sociais (CAS) ao projeto de lei da Câmara (PLC 69/01) que determina que o atendimento de urgências e emergências médicas, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), seja prestado pela iniciativa privada, mediante ressarcimento, quando o SUS não tiver condições de garantir assistência. A proposta é de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), apresentada quando ainda era deputado. Como o texto aprovado foi um substitutivo, deverá passar por uma votação suplementar.
O projeto altera a Lei 8.080/90, que dispõe sobre condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, organização e funcionamento dos serviços correspondentes. Por essa lei, quando o SUS não tiver disponibilidade para garantir cobertura assistencial à população de determinada área, deverá recorrer aos serviços da iniciativa privada. A participação complementar dos serviços privados é formalizada mediante contrato ou convênio, observadas as normas de direito público.
O teor dessas regras foi mantido pelo substitutivo, que acrescentou, no entanto, dois itens a artigo dessa legislação. A novidade do projeto, no texto substitutivo, é, portanto, instituir a prestação de serviços pela iniciativa privada nas emergências médicas. De acordo com a proposta, na hipótese de emergência ou de urgência médica, fica a iniciativa privada autorizada a prestar o serviço na medida necessária à salvaguarda da vida e da saúde do paciente, independentemente da existência de contrato ou convênio.
O substitutivo estabelece também que o pagamento pelo atendimento, nesses casos, será ressarcido pelo SUS, mediante comprovação da situação de emergência ou de urgência médica, e dos gastos efetivados.
A nova norma deverá entrar em vigor após a data da publicação da lei em que o projeto for transformado. O relator da matéria na CAS foi o senador Expedito Júnior (PR-RO).   (Agência Senado/Saúde Business Web)
 
 
 
 
 

03.12 - Brasil está mais velho
País precisa se preparar para conviver com mais idosos do que jovens
Há tempos sabia-se que o Brasil está deixando de ser um país de jovens. A novidade é a aceleração do ritmo em que essa mudança está se dando, em total descompasso com a falta de planejamento para adequar serviços, instalações e recursos para essa realidade, cada dia mais próxima. Segundo o estudo tábuas de mortalidade completa da população do Brasil, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida dos brasileiros passou de 69 anos, 7 meses e 29 dias para 72 anos, 10 meses e 10 dias, de 1998 a 2008. Um salto considerável de mais de 3 anos e 2 meses, ou de 4,59%, em apenas 10 anos. É indicador seguro de que a população de idosos está aumentando rapidamente, fato que deveria ser amenizado pela queda da mortalidade infantil, que, entre 1970 e 2008, despencou de 100 para 23,30 óbitos em cada 1 mil nascidos. Mas esse dado social altamente positivo, também registrado pelo IBGE, está em boa parte neutralizado pela queda nos índices de natalidade, fenômeno que acompanha o avanço do acesso à educação.
O resultado dessas curvas divergentes é que está aumentando a participação relativa dos idosos na população brasileira, em prejuízo das camadas mais jovens. De fato, as crianças de 0 a 14 anos, que correspondiam a 38,24% da população em 1980, são agora pouco menos de 26% do total dos brasileiros. Essa redução ocorreu no mesmo tempo em que a participação do contigente de idosos – mais de 65 anos – deu um salto, passando de 4,01% para 6,67%. É isso que leva os especialistas a projetar o equilíbrio entre idosos e jovens a partir de 2030, situação que deverá estar invertida em favor dos idosos 20 anos depois. Técnicos do IBGE calculam que em 2050 as crianças até 14 anos serão 13,15% do total, enquanto os idosos vão ultrapassar os 22,71%. A idade mediana da população deverá duplicar até 2035, passando dos 20,20 anos para 39,90. Em 2050, ela poderá chegar aos 46,20 anos, quando teremos 127,7 idosos para cada 100 crianças.
Os mesmos técnicos garantem que o Brasil estaria apenas acompanhando a tendência dos países desenvolvidos e que a nossa situação ainda não é crítica. Falta muito para alcançarmos a expectativa e vida das populações do Japão, Hong Kong, Suíça, Islândia, Austrália, França e Itália, hoje acima dos 81 anos. Mas isso não alivia nada. Ter a população de idosos em proporção maior do que a de jovens significa que teremos menos gente trabalhando e contribuindo para manter o sistema de Previdência Social, que hoje já precisa de uma reforma corajosa. Além disso, o aumento da população idosa vai significar expansão da demanda por serviços de saúde e assistência social. O país deveria ir montando uma estrutura capaz de enfrentar essa pressão, previsível e calculável. Mas não é o que se observa no Brasil. Pelo contrário. O envelhecimento da população é fenômeno que continua a ser tratado como problema dos próximos governos. Só a sociedade, consciente dos números que mostram a tempestade se armando, pode e deve exigir dos governantes de hoje postura mais responsável, em relação a esse caos que, já sabemos, vai se instalar no país de amanhã.  (Estado de Minas)

03.12 - Home Doctor: Certificação em nível de Excelência pela ONA
Das 120 Instituições de Saúde acreditadas no País,  somente um terço dessas receberam o nível três de Excelência.
A Home Doctor, empresa de assistência médica domiciliar e soluções em gestão de saúde, cujos serviços já são considerados pelo setor como os melhores do País, acaba de conquistar o mais alto nível de reconhecimento em excelência: o selo de empresa acreditada em nível III pela Organização Nacional de Acreditação (ONA).
O processo de acreditação é voluntário e visa avaliar a qualidade dos serviços prestados, identificando antecipadamente possíveis riscos para o paciente, além de estimular a melhoria contínua da gestão.
A avaliação foi realizada pelo IQG, empresa líder do mercado de certificação e implementação de programas de gestão de qualidade do segmento de saúde – sendo que a metodologia ONA contempla a certificação em 3 níveis: Nível I – Estrutura, Nível II – Processos e Nível III – Resultados. Nesta avaliação independente, a Home Doctor recebeu excelência em Nível III.
“Como já adotamos essas práticas há algum tempo, resolvemos passar por esse processo para que pudéssemos ter a chancela de uma auditoria independente, demonstrando que estamos alinhados aos rigorosos padrões de qualidade e segurança assistencial preconizados pelo sistema de Acreditação”, ressalta o Diretor Geral, Dr. Carlos Eduardo Lodovici Tavolari.
O Certificado de Acreditação em Excelência - Nível III é válido por três anos e as Organizações Acreditadas recebem avaliações regulares com o objetivo de revalidação do título, mostrando que o compromisso com a qualidade é um caminho contínuo.
Segundo um dos grandes especialistas mundiais em estratégia, Michael Porter, autor do livro Repensando a Saúde – Estratégias para melhorar a qualidade e reduzir custos - ao escolher empresas certificadas, o tomador de serviços de saúde otimiza recursos, pois elimina a possibilidade de erros e ainda oferece um serviço de qualidade aos seus beneficiários.
“Estamos certos que a equação é positiva para todas as partes, pois o paciente ganha em qualidade assistencial e os nossos clientes, operadoras de saúde, ganham um parceiro com eficiência em gestão e a Home Doctor ganha cada vez mais um aprimoramento institucional”, afirma o membro do Conselho Presidencial da Home Doctor, Dr. José Eduardo Ramão.  (AssPreviSite)
 
 
 
 
 

02.12 - Regra privada ganha espaço na saúde pública
Cresce em Estados e municípios brasileiros a tendência de mudança da tradicional gestão da saúde concentrada nas mãos do governo e atrelada a regras da administração pública direta. Há duas alternativas sendo adotadas: modelos públicos mais flexíveis através de fundações ou entrega da gestão ao setor privado, a exemplo do que ocorre em São Paulo.
Sergipe, Bahia, Acre e Rio de Janeiro, por exemplo, estão passando a gerência de hospitais públicos e diferentes atividades de responsabilidade governamental na área sanitária a fundações estatais, entidades públicas com maior flexibilidade e autonomia porque são regidas pelo direito privado. O Valor apurou também que as prefeituras de Curitiba e Nova Iguaçu (RJ) estudam o assunto. Já Pernambuco pretende "importar" as parcerias privadas com organizações sociais de saúde (OSS) para dirigir hospitais e unidades médicas do governo, modelo adotado há 11 anos por São Paulo, que, por sua vez, planeja estender o esquema para serviços de transplantes oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Os Estados argumentam que, diante de problemas constantes de financiamento, é necessário melhorar a qualidade do gasto e a eficiência dos serviços - e isso não é possível ser alcançado dentro das atuais formas jurídico-institucionais da administração pública direta, como sugerem os Ministérios da Saúde e do Planejamento em material informativo. O modelo de fundações estatais, assim como nas OSS privadas, prevê, principalmente, avanço na política de compras dos hospitais, com licitações mais ágeis e em escala, e maior dinamismo na contratação e dispensa de funcionários. As mudanças, contudo, enfrentam forte oposição do movimento sindical e de entidades jurídicas porque permitem a admissão de trabalhadores fora do regime do serviço público e dão margem para o entendimento de que o SUS não pode ser "terceirizado" ou até "privatizado".
Há dois anos, o governo federal tenta, sem sucesso, aprovar o projeto de lei complementar 92, que trata da regulamentação de fundações em vários setores. Previsão do Ministério da Saúde indica que a aprovação da lei ajudaria a modernizar a gestão de até 2 mil dos 5 mil hospitais do SUS.
O relator do PLC, deputado Pepe Vargas (PT-RS), que é médico, admite que a medida deixou de ser prioridade para a bancada governista e só deverá voltar à pauta em 2011, depois da eleição presidencial. "O movimento sindical tem receios compreensíveis, porque a história de inovar no setor público é relacionada à perda de direitos. Aí é a velha história: gato molhado tem medo de água fria." As iniciativas nos Estados e municípios, porém, podem criar experiências concretas para retomar o processo em todo o país, acredita o parlamentar. "Parte dos receios vão se esfumaçar, o pessoal vai ver que, ao contrário do que dizem, fundação é um órgão público e funcionará como instrumento para fortalecer e modernizar o SUS", aposta.
As administrações petistas de Acre, Bahia e Sergipe, seguidas pelo Rio de Janeiro (PMDB), lideram esse processo em âmbito estadual e enfrentam as vozes contrárias. Em estágio mais avançado, o governo sergipano aprovou legislações para a criação de três fundações estatais. A Funesa, que passa a gerenciar os serviços de atenção básica de saúde e a escola técnica do SUS, entrou em operação neste mês e concluiu na semana passada a contratação de 741 empregados via CLT. Com previsão para janeiro, a segunda fundação vai incorporar a gestão dos 12 hospitais estaduais e do serviço de emergência (Samu 192) e a terceira, as atividades de hemoterapia e laboratórios.
O secretário estadual de Saúde, Rogério Carvalho, frisa que as fundações vão permitir que o sistema sanitário em Sergipe volte para o controle do Estado, já que a maioria dos hospitais públicos estavam privatizados ou nas mãos de entidades filantrópicas, e a massa da mão-de-obra era terceirizada. "Ninguém fala hoje em fazer reformas por dentro da administração direta. O Estado continua sendo o grande agente, agora com vantagens privadas, como autonomia e maior dinamismo, preservando transparência e controle público. Buscamos essa combinação", explica.
Segundo Carvalho, as empresas serão incluídas nos investimentos de até R$ 300 milhões que o Estado pretende destinar neste ano à saúde. Os recursos contemplam construção de novos hospitais e clínicas, compra de equipamentos e contratações. Serão abertas 3 mil vagas para as fundações, via concursos públicos e nos termos da CLT. "Dispensamos o entulho da administração legal: as portarias, os carimbos, todo mundo com um pedacinho de poder, todo mundo querendo negociar uma fatia. Isso tira o foco do serviço público."
O presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Francisco Batista Júnior, desconfia das medidas e defende as diretrizes nacionais de planos de cargos, carreiras e salários do SUS, que, 21 anos depois da criação do sistema, estão longe de ser implementadas. "A carreira única na saúde para todo o país deve ser pactuada e financiada pelos três níveis de governo. Municípios, Estados e governo federal reclamam das amarras para contratar servidores, por isso mesmo eles devem se reunir e colocar essas necessidades sobre a mesa, definir atribuições e fazer concursos, priorizar a estabilidade. É possível fazer isso imediatamente com contratações emergenciais de servidores por tempo determinado [de dois anos]", argumenta. Além disso, o sindicalista defende a profissionalização dos quadros do SUS. "Fundações e OSS favorecem grupos e partidarizam a saúde pública, com indicações de 'amigos do rei' para cargos de comando, e reforçam a gestão patrimonialista do SUS", critica Júnior.
Uma das principais consultoras do governo federal e de Estados para projetos referentes a fundações estatais de direito privado, a especialista em direito sanitário da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Lenir Santos pondera que a CLT, mesmo no serviço público, não significa fragilização de direitos. "A massa de trabalhadores do país é CLT, então todo mundo é precarizado?", pergunta. Ela segue argumentando que a decisão desses Estados não pode ser encarada como uma panaceia para a saúde pública. "É apenas mais uma alternativa para contribuir com o SUS, que é um sistema único num país federativo, razão que por si só obriga que a administração pública tradicional se modifique", diz Lenir, citando um dos resultados da consultoria que prestou em Sergipe: "Um hospital da secretaria gastava em média 180 dias para finalizar uma licitação. O mesmo processo conduzido por uma fundação durou 20 dias. As modalidades licitatórias não mudam, são apenas mais flexíveis por causa da autonomia financeira", completa.
O governo da Bahia aprovou legislação para a criação de uma fundação para gerenciar o Programa Saúde da Família (PSF). Como trata-se de atividade de responsabilidade municipal, a Secretaria Estadual da Saúde costurou acordo com 110 das 417 prefeituras baianas, e a nova entidade funcionará como um tipo de centro de controle do PSF nas cidades que assinarem o contrato de gestão. Espera-se a adesão de 180 prefeituras até o fim deste ano - o orçamento compartilhado do projeto será de cerca de R$ 200 milhões.
O diretor executivo da Fundação Estatal Saúde da Família da Bahia (Fesp), Heider Pinto, destaca ganhos administrativos. "Além da dificuldade da legislação para comprar, muitos municípios do interior compram muito pouco e pagam mais caro. Vamos criar um sistema e passar a adquirir materiais em grande escala." Segundo ele, o governo baiano está adiantado no processo de lançamento de outras fundações para a administração de hospitais e de uma fábrica estatal de remédios, que foi desativada em 1999. Até maio, as fundações admitirão 4 mil profissionais. Mesmo com as novas vagas na saúde, servidores estatutários mantêm os cargos e podem solicitar transferências para o novo modelo. No Acre, as fundações estão em fase de regulamentação e também deverão valer para a gestão do Instituto de Previdência Complementar do Estado.
Em 2005, a crise dos hospitais municipais do Rio de Janeiro, que precisaram de intervenção federal, foi o ponto de partida para a decisão de incluir organizações públicas mais flexíveis à frente do gerenciamento da saúde. Logo depois da apresentação do PLC 92 ao Congresso, em 2007, o governo fluminense sancionou projeto de lei estadual que criava fundações para gerenciar os hospitais gerais e de urgência, os institutos de saúde e a Central Estadual de Transplantes.
Na época, a expectativa era operacionalizar as fundações ainda no primeiro semestre de 2008, mas uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) do PSOL atrapalhou os planos do governo, que preferiu interromper as ações na área. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde do Rio, os estatutos e os conselheiros das fundações já foram escolhidos, o governo espera a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a ação do PSOL. "Fundações representam ataque à saúde pública, são privatizantes e retiram direitos de trabalhadores", afirma Janira Rocha, dirigente do partido.
Pernambuco copia modelo de SP na gestão de hospitais
Nos últimos 11 anos, 23 hospitais públicos novos foram entregues à população do Estado de São Paulo sob a gestão privada de organizações sociais de saúde (OSS). Em setembro, o governador José Serra sancionou o projeto de lei complementar 62 que permite que essas entidades sem fim lucrativo gerenciem também unidades hospitalares já existentes.
O coordenador de gestão de contratos de serviços de saúde do governo, Márcio Cidade, explica que a estratégia agora é segmentar os serviços das OSS na saúde, a começar pelo centro de transplantes do Hospital Brigadeiro, na capital paulista. "A lei visa a atingir unidades de maior complexidade. A ideia é segmentar, enquanto a tarefa lá atrás era que hospitais novos fossem integralmente gerenciados [por OSS]." Além disso, a Secretaria Estadual de Saúde está ampliando o contrato de metas exigido das OSS também para hospitais da administração direta.
O modelo de parceria privada paulista foi "importado" por Pernambuco e será colocado em prática a partir do dia 15 de dezembro, no Recife, com a inauguração do Hospital Miguel Arraes (150 leitos) e três unidades de pronto atendimento (UPAs). O governo Eduardo Campos (PSB) escolheu a Fundação Martiniano Fernandes, que terá R$ 35 milhões anuais para pôr as unidades em operação.
O procurador-geral de Pernambuco, Tadeu Alencar, revelou que outros dois hospitais e 14 UPAs, que serão inaugurados em maio e dezembro de 2010, também terão gerenciamento de OSS. "O governo de São Paulo foi solidário, abrindo as portas dos hospitais. Nosso diagnóstico indicou que as condições do governo para atender à demanda na saúde precisam ir além da administração direta."
Administradores de hospitais OSS e da administração direta de São Paulo ouvidos pelo Valor avaliam que uma política flexível de RH na saúde pode ser um diferencial. A executiva da OSS Congregação de Santa Catarina Harumi Okamoto, diretora-assistente do Hospital Geral de Pedreira, na Zona Sul da capital paulista, primeira unidade a ser entregue à gestão privada, fala da mobilidade que tem no dia a dia. "No inverno, quando sabemos que aumenta a demanda da pediatria, podemos contratar um pediatra a mais, dificilmente temos falta de profissionais. Também tenho a possibilidade de desligar um funcionário com desempenho ruim", diz Harumi.
Médico concursado, Vanderlei de Almeida Rosa, diretor do Hospital Infantil Cândido Fontoura, unidade da administração direta, localizada na Mooca, Zona Leste de São Paulo, trabalha atualmente com um déficit de mais de cem enfermeiros e auxiliares de enfermagem. "Quando você pensa em fazer concurso e ter o profissional dentro do hospital, o processo pode levar quatro, cinco meses, isso se não houver impugnação. Estamos esperando a liberação de mais de cem servidores impugnados por uma liminar". Segundo ele, a qualidade do serviço não chega a ser afetada. "Lançamos mão de um artifício chamado plantão extra para convocar profissionais em casos de necessidade. A maioria dos hospitais públicos hoje utiliza essa ferramenta para suprir RH", conta Rosa.
Indicado para assumir a direção do hospital infantil há seis meses, o médico defende a manutenção de hospitais públicos, mas não entra na discussão ideológica OSS versus administração direta. "Os hospitais de OSS são mais enxutos para gerir pessoal e têm o seu lugar, mas os hospitais eminentemente públicos são estratégicos. Eles têm o nicho deles, nós temos o nosso, e mostramos que somos tão ou mais capazes porque, quando a Secretaria nos dá ferramentas para trabalhar, mostramos que somos eficientes, até mais eficientes que as OSS porque trabalhamos em condições desiguais quando a comparação leva em conta a administração de recursos humanos."  (Luciano Máximo - Valor Online)

02.12 - A face oculta da Aids
Se comparados com a população que não tem o HIV, os indivíduos infectados passaram a ter problemas de saúde que nos surpreendem
Mais uma década após a chegada dos medicamentos que compõem o tratamento eficaz, a infecção causada pelo HIV ganha novos contornos, e a determinação de prolongar a vida a todo custo convive com situações que começam a preocupar pacientes e médicos.
Com mais de 30 drogas potentes disponíveis no mundo para combater o HIV, grande parte das pessoas em tratamento consegue manter por décadas o vírus em níveis indetectáveis na corrente sanguínea. As gravíssimas doenças oportunistas tornaram-se raras, e a mortalidade foi estabilizada em aproximadamente 30 óbitos por dia no Brasil.
A Aids, no entanto, passou a revelar uma face oculta. Se comparados com a população que não tem o HIV, os indivíduos infectados -mesmo aqueles sob terapia antirretroviral bem-sucedida- passaram a ter problemas de saúde e doenças que nos surpreendem. São complicações não relacionadas diretamente à Aids, e sim à replicação do HIV, ao permanente estado de atividade inflamatória e aos níveis de supressão imunológica aos quais os pacientes estão sujeitos.
Crescem os casos de câncer e de doenças renais, devido aos estragos perenes produzidos pelo HIV no organismo, mesmo após anos de controle do vírus com o tratamento. As doenças do fígado, igualmente em ascensão, estão associadas à coexistência de hepatites virais, ao uso abusivo de álcool e aos próprios antirretrovirais.
Precoces e mais frequentes, a hipertensão arterial, a diabete e as altas taxas de colesterol e triglicérides também acompanham a evolução da sobrevida dos indivíduos HIV positivos.
Os medicamentos deram a oportunidade de as pessoas viverem plenamente, e essas alterações recentes revelam que não conhecíamos a história natural da infecção pelo HIV em toda a sua extensão.
A longa exposição aos coquetéis de remédios, o envelhecimento dos pacientes e a complexa interação farmacológica com outras drogas usadas para tratar as "novas" doenças exigirão esforços de médicos de diversas especialidades e de equipes de saúde multiprofissionais.
É um cenário preocupante para o programa brasileiro de Aids, que não expandiu no Sistema Único de Saúde (SUS) nem a solução de problema mais antigo, o tratamento da lipodistrofia -a redistribuição de gordura corporal que estigmatiza parte das 200 mil pessoas com HIV e Aids tratadas com antirretrovirais no país.
Não apenas na assistência exige-se a atualização das respostas governamentais. Na outra ponta, na prevenção, é preciso recuperar o foco. O Ministério da Saúde erra ao reforçar a noção de interiorização da doença no Brasil, sem dizer que a ocorrência de casos nas pequenas cidades continua sendo irregular e de baixa magnitude. É preciso agir no interior, mas os grandes centros acumulam mais da metade dos casos de Aids, e muitas capitais não têm programas à altura dessa concentração.
Pela primeira vez, pesquisas mostram a redução do uso de preservativos, e consolidou-se o aumento da incidência da doença em mulheres jovens e homens gays de 13 a 24 anos, para citar dois exemplos de populações vulneráveis e de prioridades esquecidas.
O governo federal repassa recursos para Estados, municípios e ONGs, mas a limitada cobertura dos projetos, a baixa execução orçamentária e a ausência de monitoramento demonstram os impasses da política descentralizada. O dinheiro público não chega ou não é gasto onde o HIV mais se propaga.
A cada mudança da epidemia, há o risco de a sociedade se distanciar ainda mais da compreensão da Aids. A demora das políticas públicas em enxergar novas realidades pode significar mais infecções, prejudicar os doentes e gerar discriminação e violação de direitos, o que ainda persiste no trabalho, no convívio social e até em serviços de saúde.
Fosse diferente, não estaria em pauta na Câmara dos Deputados a aprovação de lei que criminaliza o preconceito contra as pessoas que vivem com HIV. As insídias da Aids, certamente um dos mais complexos desafios da humanidade, não admitem hesitações e vacilos das autoridades.  (CAIO ROSENTHAL e MÁRIO SCHEFFER - Folha de S.Paulo)

02.12 - Do começo à cura?
Nos próximos 20 anos, imagina-se que pelo menos 70 milhões morrerão em virtude da Aids, 55 milhões na mencionada África
Vamos começar pelo início: a infecção pelo HIV é uma doença realmente nova na espécie humana, por passagem de vírus de duas espécies de antropoides próximos à nossa linhagem, chimpanzés e gorilas, com mais uma outra passagem (o HIV-2) de macacos verdes africanos. Isso ocorreu no começo do século 20, e a enfermidade provavelmente existe desde 1930, mas só foi reconhecida em 1980.
Hoje calcula-se que 40 milhões ou mais de pessoas estejam infectadas pelo vírus da imunodeficiência adquirida, a imensa maioria pelo HIV-1. De 2 milhões a 3 milhões de indivíduos infectam-se por ano. Um número entre 10% e 20% menor morre de Aids anualmente, sobretudo na África.
Nos próximos 20 anos, imagina-se que pelo menos 70 milhões de criaturas morrerão em virtude do mal, 55 milhões na mencionada África. Isso vai levar ao que já é claro hoje: a uma importante queda da expectativa de vida, que na Zâmbia anda por 40 anos e, no Zimbábue, ainda menos, destruindo todas as conquistas na melhora desse índice desde 1960.
A prevenção da doença por vacina, que seria o ideal, ainda não foi atingida: a primeira evidência de uma minimamente bem-sucedida é recente -trata-se da aplicação simultânea de duas vacinas que, isoladamente, não protegem-, e 30% de imunização, que é o que foi obtido, ainda que estatisticamente significativo, é pouco.
O tratamento da infecção mostra grandes progressos: temos numerosos medicamentos que, usados adequadamente e em associação, permitem controlar a virose e impedir a evolução para a doença (Aids).
Estão disponíveis os inibidores da transcriptase reversa, nucleosídeos e não nucleosídeos, os inibidores da protease, os inibidores de fusão, os inibidores de ligação do vírus com seu receptor em macrófagos e os inibidores da integrase, permitindo tratamentos adequados inclusive para os que perderam a resposta a muitos desses fármacos.
Os problemas de tomar medicações por longo tempo e que podem desencadear efeitos colaterais são enormes: vão desde a logística da distribuição para deixá-los acessíveis a todos os que precisam deles -e, sobre essa questão, orgulhamo-nos de dizer que o Brasil resolveu bem- até o controle dos distúrbios indesejados. Todavia, isso não está bem resolvido.
A motivação do paciente para que tome todo santo dia os remédios é essencial: o motor da resistência do vírus é a seleção pelo uso inadequado, embora não seja só esse o inconveniente, porquanto vírus desse tipo, que não corrigem os erros genéticos, sempre criam variantes que ao acaso podem ficar resistentes.
Quanto menor a carga viral, melhor a prevenção da resistência, ou seja, é o uso de medicamentos que mantenham tal parâmetro sempre baixo, sem deixar intervalos que permitam que a quantidade de vírus cresça.
Alguns aspectos ligados ao vírus HIV estão bem organizados. A testagem dos sangues a serem transfundidos pode essencialmente diminuir a quase nada (nada nunca dá) a transmissão por essa via, e, se a triagem molecular fosse amplamente instalada, melhor ainda seria. Essa modalidade de exame precisa ser colocada na rotina de todos os bancos de sangue. A transmissão vertical, de mãe a feto, é minimizável -o que também envolve aspectos logísticos e de informação, que estão sendo bem definidos e satisfatoriamente implantados.
O que não tem tido progressos apreciáveis é a prevenção. Camisinha seguramente ajuda. Não obstante, campanhas centradas unicamente no preservativo não são suficientes.
Educação configura mais uma frente em que avançamos no Brasil: felizmente, aqui não se verifica puritanismo fariseu norte-americano e, por exemplo, discutimos nas escolas, sem grandes problemas, a prática sexual.
Acontece que, com frequência, ensinamos, mas nem sempre quem está na sala aprende e introjeta.
Não temos evidências no Brasil de que estejamos prevenindo infecções pelo HIV: a mortalidade, sim, caiu muito. Se serve de consolo, no resto do mundo é mais ou menos do mesmo jeito. Fatores culturais e socioeconômicos fazem com que a prevalência da infecção seja de no máximo 0,2% a 0,5% no Brasil e nos Estados Unidos, com maiores riscos em populações específicas, como hispânicos e afro-americanos. As prevalências assustadoras em países africanos, como 21% no Zimbábue e 35% em Botsuana, são devidas exatamente a fatores socioeconômicos e educacionais.
E a cura? Em síntese, hoje não temos nenhuma medicação que permita curar -e, cada vez mais, quando estudamos a biologia do vírus, notamos como vai ser árduo debelar um vírus com a capacidade de variação genética que esse tem e a habilidade para enfiar-se em reservatórios de acesso intrincado. Não queremos dizer que a cura é impossível, mas vai ser seguramente muito, muito difícil.  (VICENTE AMATO NETO e JACYR PASTERNAK - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 
 

01.12 - Paciente vai poder financiar tratamento no dentista
Parceria entre sindicato dos dentistas e financeira vai permitir o pagamento dos procedimentos odontológicos em até 36 vezes a partir do ano que vem. Aposentados terão a opção do crédito consignado, com taxas de juros menores
A facilidade do crédito deve deixar muita gente de boca aberta no ano que vem. A partir de janeiro, os 60 mil dentistas do Estado de São Paulo vão ter a oportunidade de financiar o tratamento de seus pacientes em até 36 meses, com a parceria entre o Sindicato dos Odontologistas do Estado de São Paulo (Soesp) e a financeira OdontoFin. Com isso, os profissionais esperam ampliar o número de clientes atendidos nos consultórios e permitir que mais pessoas tenham acesso a tratamentos complexos que ainda não são cobertos pelos planos de saúde odontológicos.
Os detalhes dos financiamentos ainda vão ser acertados até o lançamento oficial da parceria, marcado para 14 de dezembro. De acordo com o Soesp, será possível parcelar os pagamentos em até seis vezes com desconto direto em folha de pagamento para as empresas, associações ou sindicatos que tenham convênio com a Caixa Econômica Federal. Para financiamentos mais longos, a OdontoFin vai intermediar a modalidade de Crédito Direto ao Consumidor em até 36 meses. Para aposentados, a financeira vai operar na modalidade de crédito consignado, com juros menores. “Normalmente os procedimentos odontológicos financiados custam R$ 1,5 mil”, diz Gil Fonseca Barison, sócio da OdontoFin.
Para o dentista Dirceu Vieira, a possibilidade de financiamento vai possibilitar que tratamentos que antes eram feitos em partes, por causa do alto custo, sejam feitos de uma vez só. “É comum que os pacientes não façam os tratamentos grandes de uma vez, por causa da parte financeira”, diz. Os procedimentos mais caros, segundo ele, chegam a custar o mesmo que um carro popular.
Outra vantagem para os pacientes é ter mais condições para pagar alguns procedimentos não cobertos pelos planos odontológicos. “A grande maioria dos planos não cobre restaurações com placas de porcelana, por exemplo, nem coroas estéticas que não usam metal”, diz Vieira.
Para o presidente do sindicato, Pedro Petrere, a modalidade de financiamento vai possibilitar também ao dentista que aumente a proporção de clientes particulares. “Assim ele pode obter uma renda melhor, já que os planos odontológicos estão pagando cada vez menos”, diz.
O financiamento terceirizado retira do dentista os riscos em cima do calote dos clientes e também o desgaste que a cobrança causa. “Quando exercida de forma veemente, a cobrança pode afastar clientes e parentes deles”, diz Barison, da OdontoFin. Para a dentista Hideko Oda, o convênio resolve um problema de gestão comum a vários consultórios. “O dentista é um profissional técnico, que normalmente não aprende a gerir uma empresa”, diz ela.
Com o aumento da renda da população, a procura por tratamento odontológico tem crescido rapidamente nos últimos anos. Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostram que a receita das operadoras exclusivas de planos odontológicos foi de R$ 1,2 bilhão em 2008, um crescimento de 8,3% em relação a 2007. Parte desse crescimento se deve justamente à dificuldade de se pagar um dentista particular, de acordo com o presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Odontologia de Grupo (Sinog), Carlos Squillaci. “O brasileiro não tem condição de pagar um dentista particular, então paga o plano”, diz. Segundo ele, o baixo valor dos planos, em torno de R$ 10 e R$ 15 é o que mais estimula o crescimento do setor.
Squillaci acredita que os planos de saúde odontológicos não devem sofrer concorrência do sistema de financiamento que será oferecido pelo sindicato. “Não creio que os dentistas achem que os preços pagos são baixos, até porque 60% dos dentistas do País são credenciados a algum tipo de plano”, informa. Ele acrescenta que os pacientes devem tomar cuidado caso os financiamentos sejam vendidos como planos de saúde.
O diretor de normas e habilitações de operadoras da ANS, Alfredo Cardoso, diz que o financiamento odontológico, caso seja destinado a parcelar um tratamento específico é permitido. “O dentista é um profissional liberal que pode oferecer o financiamento ao consumidor”, diz.   (Paulo Justus - Jornal da Tarde)

01.12 - Investimento de R$ 37 mi em leitos de UTI em S.Paulo
Ministério da Saúde vai contemplar 34 hospitais
O ministério da Saúde habilitou 65 novos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no estado de São Paulo. E ainda, outros 46 leitos do SUS foram elevados de categoria e passarão a receber mais recursos do governo federal. Ao todo, serão investidos cerca de R$ 37 milhões por ano nos novos serviços, que contemplarão 34 hospitais.
Por mês devem ser repassados pelo governo federal cerca de R$ 2,38 milhões para o custeio dos novos leitos. Já em relação aos leitos que foram reclassificados, as unidades hospitalares receberão, no total, um adicional de R$ 698,25 mil por mês.
Mais de 5,2 mil novos leitos passaram a funcionar no país nos últimos seis anos - crescimento de 47% entre 2003 e 2009. Atualmente, o Sistema Único de Saúde oferece 16,5 mil leitos de UTI. Na rede particular são mais 10,4 mil, totalizando 27 mil unidades.   (Saúde Business Web)

01.12 - Odonto: Inflação do setor é de 9,08%
O preço dos serviços odontológicos subiu 9,08% na Grande São Paulo de janeiro a outubro de 2009, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa foi a maior alta entre os custos de saúde medidos pelo IPCA, que subiram 6% no mesmo período - variação que inclui preços de dentistas, médicos, laboratórios, tratamentos psicológicos e planos de saúde. A alta também ficou bem acima da inflação geral medida pelo IPCA, que foi de 3,7% no período.
De acordo com a gerente de pesquisa o IBGE, Irene Maria Machado, a inflação dos serviços odontológicos subiu por causa do aumento dos custos para esses profissionais. “A inflação desse serviço é composta por preços de aluguéis, tarifas de energia e do aumento do salário mínimo, que tiveram seus reajustes com base na inflação do ano anterior.” Segundo o Sindicato dos Odontologistas do Estado de São Paulo (Soesp), o aluguel pode chegar a 25% dos custos de um consultório odontológico pequeno, enquanto que o salário de funcionários responde por 15% das despesas.
Irene diz que a alta dos preços, no caso dos dentistas também foi maior nesse ano por causa de uma defasagem que a categoria teve em 2008. No ano passado a inflação dos dentistas subiu 5,55%,ante 5,6% do índice geral do IPCA.
O presidente da Associação Brasileira de Odontologia (ABO), Norberto Lubiana, diz que os honorários dos profissionais estavam defasados há muito tempo. “Naturalmente o preço pode ter aumentado, seguindo um aumento da procura por dentistas”, afirma.
Já o presidente do Soesp, Pedro Petrere, diz que os preços dos insumos utilizados nos consultórios como próteses e material para obturações também subiu no período e contribuiu para a inflação dos dentistas. “No nosso caso, a queda do dólar não teve tanta influência porque boa parte dos produtos que compramos são produzidos no Brasil.”
Segundo Petrere, os preços para o consumidor estão relativamente estáveis ao longo dos últimos anos. “Uma consulta, por exemplo, custa entre R$ 60 e R$ 70”, afirma. Segundo ele, depois de um pequeno reajuste, os preços devem se manter estáveis. “Os preços estavam defasados e agora atingiu uma certa manutenção”, diz. PJ   (Paulo Justus - Jornal da Tarde)
 
 
 
 
 

30.11 - Sistema Único de Saúde
O Sistema Único de Saúde, implantado no Brasil em 1988, como imposição da Constituição que considerou a saúde como obrigação do Estado e direito de todo o cidadão brasileiro, é certamente um dos maiores planos de saúde pública do mundo.
O grande avanço social significou a fim da indigência e da discriminação que negava assistência médica ao desempregado e ao inadimplente nas suas contribuições com a previdência. Qualquer brasileiro tem direito a toda e qualquer forma de tratamento médico gratuito.
Visto por este ângulo, sem dúvida, foi uma grande e memorável conquista da cidadania brasileira.
Claro que a intenção sempre foi das melhores, mas os primeiros tempos foram catastróficos porque não se consegue implantar da noite para o dia uma estrutura de suporte para estas demandas, ambulatoriais ou hospitalares.
Com o bolo grande demais, certamente houve muito desperdício e fraude, mas a municipalização das verbas, restringindo a área de administração dos recursos financeiros, trouxe mais eficiência e impôs um controle mais efetivo contra a possibilidade de corrupção do sistema.
Com um modelo de gestão mais efetivo o SUS avançou, na busca de um patamar de estabilidade e qualificação onde mais pessoas se sintam melhor atendidas. Infelizmente esta meta tende à frustração na medida em que, ano após ano o número de beneficiários cresce desenfreadamente, num ritmo que o orçamento da saúde não consegue acompanhar.
Como marchamos juntos com a mudança, podemos ter alguma dificuldade de perceber, mas você lembra que em 1970 éramos “noventa milhões em ação, prá frente Brasil”!!? Pois é, trinta e cinco anos depois, chegamos aos cento e oitenta milhões e em 2012 seremos duzentos milhões!
Qualquer gerente de boteco percebe que é impossível administrar um país que aumenta um Uruguay por ano e uma Argentina a cada 12 anos!
Como prover trabalho, habitação, saúde e educação para toda esta gente que vai nascer, se hoje precisamos recorrer à esmola governamental para alimentar precariamente aos pobres já nascidos?
Não bastasse o tamanho do problema, a explosão demográfica atinge mais cruelmente a população carente, que sem recursos culturais e econômicos para uma planificação familiar, prolifera indiscriminadamente, gerando excluídos a granel.
E que destino terá o brasileiro pobre, que dormiu gemendo de fome na infância e cresceu sem as proteínas que permitiriam que seu cérebro pudesse torná-lo competitivo no futuro?
Neste modelo vigente em que o abastado tem no máximo dois herdeiros, porque descobriu o quanto custa educá-los, e o miserável tem 10 filhotes que não soube ou não conseguiu evitar, o SUS é terrivelmente sacrificado porque de cada dez brasileiros nascidos no século novo, pelo menos 8 deles dependerão exclusivamente da saúde estatal.
Como este governo se revelou tão covarde quanto os que o antecederam na adoção de uma política séria de controle da natalidade, restaria ao SUS facilitar aos interessados o acesso aos modernos métodos de contracepção.
Infelizmente os entraves burocráticos são tantos e o processo tão lento, que muitos pobres depois de meses de espera infrutífera desistem, ou engravidam!
Aos que sistematicamente consideram este tipo de proposta como expressão de nazo-fascismo, uma recomendação simples e prática: percorram uma vila pobre da periferia, conversem com estas mães, que desgastadas pelo sofrimento parecem 20 anos mais velhas, e perguntem como elas se sentiram quando rodeadas de pirralhos magros e ranhentos, e com um bebê esquálido espremido contra o seio mirrado, tiveram que contar ao marido humilhado pela pobreza, que estavam, outra vez, grávidas.
Ajudá-las neste exercício de cidadania, previsto na Constituição, é um ato de profunda solidariedade e compaixão.
Só consigo pensar nos opositores como alienados. Ou hipócritas!   (Correio Lageano)

30.11 - Raras e negligenciadas
Doenças que, isoladamente, afetam muito poucos pacientes chegam a acometer até 8% da população mundial. Mesmo assim, são pouco estudadas e sofrem com o desinteresse de governos e da indústria farmacêutica
A denominação é "doenças raras". Levam esse nome porque cada uma delas afeta parcelas muito pequenas da população, diferentemente de outras patologias, como o câncer, por exemplo. Juntas, porém, afetam entre 6 e 8% de todos os habitantes do mundo - o que, no Brasil, significa pelo menos 10,8 milhões de pessoas. Um número equivalente a quase cinco vezes a população do Distrito Federal. Pouco estudados, subnotificados e mal diagnosticados, esses males preocupam geneticistas e familiares de pacientes, que se reuniram nesta semana no I Congresso Brasileiro de Doenças Raras.
No evento, organizado pela Fundação Geiser (Grupo de Enlace, Investigação e Suporte para Doenças Raras, sigla em espanhol), uma organização não governamental formada em 2001 por profissionais de saúde, doentes e familiares, foram debatidos temas como a visibilidade das enfermidades e o suporte aos pacientes. Os participantes querem brigar para que a Portaria nº 81/09 do Ministério da Saúde, que inclui a genética no Sistema Único de Saúde, saia do papel, quase um ano depois de publicada.
Se, para as pessoas em geral, nomes como doença de Gaucher, síndrome de Aarskog-Scott, yersiniose, entre tantas outras, nada significam, para as vítimas são sinônimos de uma vida marcada por privações, peregrinações por consultórios, diagnósticos errados e batalhas - muitas vezes perdidas - pela sobrevivência. Predominantemente genéticos, os males considerados raros são, na maioria, incapacitantes, atacam diversos órgãos e provocam estragos progressivos no organismo, como surdez, cegueira, insuficiência cardíaca e paralisia, entre outros.
Os desafios listados por geneticistas e familiares no congresso são enormes. Começam com a formação dos médicos, que muitas vezes passam os cinco anos básicos de faculdade sem nem ouvir falar das doenças. Passa pela falta de interesse da indústria farmacêutica em produzir medicamentos que, em tese, seriam consumidos por poucas pessoas, e culmina na falta de políticas públicas eficazes que garantam o fomento à pesquisa, a prevenção e o tratamento. Embora incuráveis, as doenças raras podem ter os sintomas amenizados mas, geralmente, são remédios caros e nenhum deles faz parte da lista de medicamentos excepcionais do SUS.
Impotência
"O médico se sente muitas vezes impotente em relação às doenças raras e temos de caminhar para a modificação drástica desse cenário. Isso passa pela educação médica", afirma o pediatra geneticista Salmo Raskin, da Sociedade Brasileira de Genética Médica. "Um dos maiores desafios para nós, médicos, é a fragilidade do ensino de medicina. Muitas vezes, as doenças raras não são nem citadas nos cursos", diz. A geneticista Cecília Micheletti, da Fundação Geiser, defende que informações sobre esses males sejam repassadas aos profissionais não apenas durante a faculdade. "Deveria constar nos currículos de pós-graduação e nos dos cursos de reciclagem", diz.
Sem o diagnóstico nas mãos, familiares correm de um lado para o outro na esperança de descobrir o que os pacientes têm, gastando dinheiro e, o mais precioso para os portadores de doenças, tempo. Regina Próspero, presidente da Associação Paulista de Mucopolissacaridose, tem uma história semelhante à de outras mães e pais que chegam a perder seus filhos sem saber o motivo. Depois de lutar durante seis anos para ter um diagnóstico do primogênito, Nilton, ela só conseguiu obter a informação seis meses antes de a criança morrer: era a mucopolissacaridose (doença metabólica hereditária causada por erros inatos do metabolismo, que determinam a diminuição da atividade de determinadas enzimas). O segundo filho - quando descobriu a doença de Nilton, estava grávida de Eduardo - também nasceu com a doença, mas demorou dois anos e meio para os sintomas começarem a aparecer.
Regina conta que um médico chegou a sugerir que ela abortasse. "Falei que não ia fazer isso de jeito nenhum." Sempre com pneumonia e problemas cardíacos, Eduardo quase morreu. Quando tinha 13 anos, o organismo do menino estava tão comprometido que a mãe acredita que ele não iria resistir. Foi quando Eduardo, hoje com 19, começou a participar de uma pesquisa clínica e a receber infusões semanais de uma enzima que combate os efeitos da doença metabólica. "Ele estava surdo, quase cego, tinha hipertensão pulmonar e comprometimento cardíaco", relata Regina. Com o medicamento, o jovem preservou o que restava da visão, recuperou a audição e não teve mais problemas pulmonares nem vasculares.
O problema é que o custo disso são R$ 40 mil mensais, algo impensável mesmo para a classe média-alta. "Nossa briga hoje é para que as crianças recebam, o quanto antes, o medicamento. Alguns danos da doença não têm reversão, mas poderiam ser menos comprometedores. Outros podiam ser evitados", diz a presidente da APMPS. Como o tratamento não é coberto pelo SUS, as vítimas precisam acionar a Justiça - é o que tem permitido a Eduardo ser tratado. Um dos pacientes assistidos pela associação morreu sem a decisão judicial. Ela chegou depois do óbito - o juiz indeferiu o pedido por achar que o tratamento era desnecessário.
Sem chances
Quando conseguem o tratamento pela via da Justiça, os pacientes sofrem com outro problema: a falha na reposição dos medicamentos. "O governo compra o remédio para seis meses. Depois que acaba, temos que entrar na Justiça de novo e, nesse meio tempo, a pessoa fica sem tratamento. Tem um paciente que está internado porque, há dois meses, não recebe medicação", conta Regina. Por ver a luta dos familiares, Eduardo superou as dificuldades inerentes à doença e hoje está no segundo ano da faculdade de direito. Segundo a mãe, ele quer ajudar pessoas que, como ele, dependem da assinatura de um juiz para sobreviver.
Presidente da Fundação Geiser, a médica Virgínia Llera lembra que, sem incentivos, dificilmente a indústria vai buscar novos produtos para portadores de doenças raras. Ela conta que, em países como os Estados Unidos, o Japão, a Austrália e na União Europeia, legislações específicas conseguiram fazer com que as pesquisas sobre medicamentos aumentassem substancialmente. A médica também defende a prevenção, por meio de aconselhamento genético. "Como a maior parte das doenças raras tem origem genética e hereditária, quando você acha um membro da família que é portador, isso pode gerar um projeto familiar de não repetição do problema. Além disso, é possível prevenir as complicações. Quanto mais cedo forem feitas intervenções, mais cedo elas são evitadas", diz.
Alegando problemas de agenda, o Ministério da Saúde não enviou representantes ao congresso. Comprometeu-se, contudo, a receber propostas feitas pelos médicos, pacientes e seus familiares sobre um plano nacional sobre doenças raras. "Pelo menos temos uma porta aberta", diz Virgínia Llera.  (Paloma Oliveto - Correio Web)

30.11 - Cirurgia bariátrica poderá contar com novos critérios
A Câmara Técnica de Cirurgia Bariátrica e Síndrome Metabólica vai propor ao Plenário do CFM a definição de novas regras para a modalidade cirúrgica. Em reunião realizada ontem, os integrantes da Câmara decidiram sugerir ao Plenário a aprovação de uma resolução que estabeleça novos critérios indicativos da gastrectomia. A Câmara é integrada por representantes do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, das sociedades brasileiras de Cirurgia Bariátrica e de Endocrinologia.
A sugestão é também que o CFM suspenda as cirurgias para o tratamento da obesidade mórbida e do diabetes não-regulamentadas pelo Conselho. De acordo com a proposta, os CRMs irão fiscalizar o cumprimento da resolução.
Atualmente, as indicações e normas seguras para o tratamento cirúrgico da obesidade são estabelecidas pela Resolução 1766, de 2005. Segundo o coordenador da Câmara Técnica, Abdon Murad, “o objetivo é atualizá-la, de acordo com a evolução ocorrida nesses quatro anos no tratamento da obesidade mórbida e de algumas patologias endócrinas, como o diabetes tipo 2”, explica Murad.
Um exemplo de inovação é a cirurgia de interposição ileal, considerada experimental, pelo CFM. O parecer sobre a técnica cirúrgica foi emitido em resposta a uma solicitação do Conselho Nacional de Saúde para que o CFM se posicionasse sobre o procedimento no tratamento do Diabetes Mellitus tipo 2.  (CFM)
 
 
 
 
 

27.11 - Atestados médicos falsos
Funcionários públicos são os principais
compradores. A operação fez 14 presos
Uma quadrilha especializada na venda de falsos atestados médicos foi presa na madrugada de ontem nas imediações da Praça da Sé, região central da capital.
Os atestados eram comprados principalmente por servidores públicos do Estado de São Paulo lotados nas secretarias de Educação e Saúde. Mais de mil formulários que já estavam prontos para venda foram apreendidos na operação, que terminou com a prisão de 14 pessoas.
“O principal objetivo desta ação é combater o mau funcionário público. As pessoas que compram os atestados são responsáveis por grandes prejuízos aos cofres públicos de nosso Estado. Quando um servidor falta por um eventual problema médico, quem paga a conta é o governo, que precisa contratar outro profissional enquanto esse servidor está afastado”, explicou o delegado Dejar Gomes Neto, diretor da Delegacia de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC).
O combate à venda de atestados falsos vem sendo feito desde 2008 - ano passado 19 pessoas foram presas.
“São crimes praticados já há algum tempo. Queremos saber se existe a participação de médicos na fraude”, afirmou o corregedor João Batista Beolchi, da Corregedoria Geral da Administração, que realizou a operação em conjunto com a DPPC.
Cardápio
As pessoas indiciadas podem pegar até seis anos de reclusão. Este tipo de crime é conhecido como “absenteísmo” (ausência no trabalho praticada pelo servidor público).
Os atestados médicos são vendidos na região central da capital como se fossem um cardápio. O preço varia de R$ 20 a R$ 50.
“A variação depende de como o funcionário pede o formulário. Se ele quer o atestado para um feriado prolongado o preço é um. Se quer para mais dias, o preço é outro. Funciona como se fosse um cardápio mesmo”, explicou o corregedor.
As doenças descritas no atestado também são bem diversificadas. “Vai de um simples resfriado até uma doença mais séria.”
Os ‘homens placas’ são algumas das pessoas que vendem o atestado no centro da cidade, em meio à multidão que circula diariamente pela região.
Na própria placa, onde é anunciada a compra e venda de ouro, são oferecidos os atestados.
“A partir daí passamos a fazer um trabalho de inteligência para chegar a essas pessoas que cometem as fraudes”, disse o delegado do DPPC.
Empresas privadas
Os atestados são assinados por médicos que estariam trabalhando em mais de 12 hospitais da cidade, entre eles o Hospital das Clínicas.
Além de funcionários públicos, funcionários de empresas privadas também compram esse tipo de atestado nas ruas de São Paulo. “A nosso linha de investigação foi em cima dos servidores públicos, mas temos casos de profissionais comuns que aplicam o mesmo golpe. Eles acabam também se tornando vítimas desse tipo de crime”, afirmou Dejar Gomes Neto.   (LEANDRO CALIXTO - Jornal da Tarde)

27.11 - Idosos: Sem medo de andar
As quedas que assustam os idosos podem ser evitadas com novos hábitos
Diz a sabedoria popular que quem cai deve levantar rápido, sacudir a poeira e dar a volta por cima. A lição pode servir bem aos adultos jovens, mas na terceira idade erguer-se do chão pode não ser uma tarefa tão simples. No mundo todo, 30% das pessoas com mais de 65 anos levam pelo menos um tombo por ano, e 5% dessas quedas resultam em uma fratura. O fenômeno é preocupante, porque os idosos se machucam muito mais que os adultos mais jovens quando caem. As quedas são a quinta principal causa de morte entre os idosos.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que, após os 80 anos, 40% dos idosos vão ao chão ao menos uma vez ao ano. Quando o idoso tem medo de cair de novo, tende a não sair de casa e diminui a atividade física - o que aumenta o risco de cair de novo, num ciclo vicioso. E isso não é uma característica natural da idade, ao contrário do que diz o senso comum. As causas de tantos tombos estão tanto no ambiente quanto no corpo e no estilo de vida dos idosos. Todas elas podem ser evitadas. Segundo profissionais de saúde preocupados com o envelhecimento da população (o número de brasileiros com mais de 80 anos cresceu quase 70% em dez anos), é possível preparar-se para enfrentar as armadilhas do tempo e evitar as quedas mesmo depois dos 100 anos.
Desde março deste ano, o Hospital das Clínicas de São Paulo (HC) tem um ambulatório de prevenção de quedas. O trabalho, que consiste em palestras e atividades semanais e dura 12 semanas, aborda quatro fontes de perigo: o ambiente inadequado (principalmente a residência), os comportamentos de risco, a baixa capacidade física e as doenças que comprometem os sentidos e outras funções cognitivas.
Sobre o ambiente, os inscritos no programa aprendem que sua casa pode estar cheia de armadilhas que devem ser removidas, como tapetes escorregadios e móveis pequenos em áreas de circulação. Um manual com uma série de dicas é dado aos idosos para ajudá-los nessas mudanças. Os participantes dizem gostar das recomendações - mas nem sempre seguem todas.
Na casa de Hermenegildo Garcia Filho, de 82 anos, há um poodle. Como Garcia já tropeçou na guia que usa para passear com o cão, foi orientado a tomar mais cuidado durante os passeios e agora leva uma bengala nas caminhadas. "Estava andando meio torto", diz. Outro perigo que ele abriga em casa - e que ainda não resolveu - é uma escada em caracol e sem corrimão que leva ao 2º andar, onde mora a filha. Segundo o geriatra Sérgio Paschoal, que coordena o trabalho no HC, degraus podem ser perigosos para os idosos, especialmente na descida. Com a perda da visão de profundidade, é comum o idoso não perceber um degrau e pisar em falso. Por isso se recomenda sinalizar todos os degraus com faixas de cor diferente na borda.
A sonolência, a depressão e a ansiedade também costumam levar a quedas. Por isso, diz Paschoal, quem toma medicamentos como calmantes ou tem doenças que alteram o nível de atenção precisa ter cuidados extras, principalmente quando sai de casa.
Em matéria de comportamento de risco, alguns idosos são recordistas. Quem não conhece alguma senhora que despencou na cozinha ao tentar alcançar um utensílio na parte alta do armário escalando uma banqueta? Segundo Paschoal, essa teimosia é cultural, tipicamente brasileira, e vem de uma noção de que ser velho é ser decadente. Com isso, em vez de adaptar seu cotidiano às novas limitações, os idosos continuam agindo como se ainda fossem jovens. A fisioterapeuta Ingrid Mazeto, da ONG Olhe (Observatório da Longevidade Humana e Envelhecimento), observa o mesmo: "Quando ele não se reconhece como idoso, tende a não tomar precauções". Além de banquetas e escadinhas portáteis, os chinelos são grandes inimigos da vida doméstica. O ideal é usar, mesmo dentro de casa, um calçado fechado ou uma sandália bem firme no pé. "O chinelo altera a marcha e o equilíbrio, porque faz andar arrastando os pés", diz Paschoal.
Andar corretamente é crucial para não cair. Mas, para aqueles idosos que já perderam parte importante da mobilidade dos membros inferiores, cada passo é um desafio. Além do calçado, o sedentarismo contribui muito para que o idoso perca a capacidade de se locomover com segurança. "Depois dos 80 anos, os joelhos vão dobrando e o tronco vai caindo para a frente. Eles vão perdendo o hábito de balançar os braços ao caminhar, andam arrastando os pés. Ficam como robôs e com isso perdem o equilíbrio", diz Paschoal.
A hora de sentar e de levantar também passa a ser preocupante. Sem força nas pernas, fica mais difícil se equilibrar até para usar o banheiro. Não por acaso, a escapada noturna ao banheiro é uma das situações campeãs em número de quedas. A perda da capacidade funcional (dificuldade em atividades básicas como se vestir ou caminhar) aumenta o risco de queda em 14%, segundo cálculos do HC. Por isso, os exercícios de recuperação dos movimentos articulares, de fortalecimento muscular e de equilíbrio são indicados para prevenção de quedas.
 Ema Javurek tem 79 anos e coleciona histórias de "tombos espetaculares", dentro e fora de casa. Já quebrou o nariz duas vezes e fez até uma plástica. Para se prevenir de novos acidentes, ela frequenta diariamente o Parque da Água Branca, na Região Oeste de São Paulo, onde se alonga e treina marcha. Além de aulas coletivas como o Lian Gong, o parque conta com a Praça do Idoso, um espaço com equipamentos de madeira ao ar livre voltado para esse tipo de exercício. Ema reconhece que precisa andar com mais atenção. "As nossas calçadas não são as melhores, mas sei que não levantamos os pés o suficiente. Não sei se a gente desaprende ou se nunca aprendeu. É o andar da preguiça", diz.
A Praça do Idoso foi instalada há pouco mais de um ano e promete ser a primeira de várias no Estado de São Paulo. Desde que descobriu os equipamentos, há cerca de um mês, Maria de Lourdes Ribeiro de Souza sai do centro da cidade e vai até lá de ônibus com o marido. Foi o estímulo que encontrou para largar a vida sedentária.
Só haverá segurança contra quedas quando o espaço urbano for adequado às necessidades do idoso
A existência de mais parques e praças com atividades físicas e sociais específicas para as necessidades dos idosos faz parte do conceito de Cidade Amiga do Idoso, estabelecido pela OMS. Só haverá segurança verdadeira contra quedas quando essa população que está envelhecendo contar com um espaço urbano e com um conjunto completo de serviços adequados a suas necessidades. Em uma pesquisa feita em Copacabana, no Rio de Janeiro, bairro com a maior concentração de idosos do país, os moradores se queixaram de transporte público agressivo (motoristas que não têm paciência para esperar que subam cuidadosamente no ônibus), dificuldade de atravessar a rua, calçadas estreitas e cheias de obstáculos (buracos, pedras, árvores, postes e camelôs), ladeiras e escadarias. Como diz Laura Machado, que coordenou a pesquisa, "a rua está cheia de perigos".  (Francine Lima - Revista Época)

27.11 - Médicos ou economistas?
Especialistas que orientam o governo americano são criticados ao preconizar que só mulheres de 50 anos ou mais devem fazer mamografia regularmente
Algumas das mais importantes diretrizes de saúde adotadas nos Estados Unidos estão baseadas nos estudos da U.S. Preventive Services Task Force, uma força-tarefa financiada pelo governo americano e composta de dezesseis especialistas de instituições de ensino e pesquisa que estão entre as mais respeitadas do país. Eles se reúnem periodicamente para avaliar a conduta adotada na prevenção a uma série de doenças. Considerados padrão-ouro, os pareceres emitidos pela força-tarefa orientam políticas de saúde pública, companhias de seguros e médicos em geral. Por isso, as novas orientações sobre o uso da mamografia na prevenção ao câncer de mama, anunciadas na segunda-feira da semana passada, em meio às discussões da reforma do sistema de saúde dos Estados Unidos, causaram a impressão de que o que se propunha tinha mais a ver com economia do que com medicina. Em artigo publicado na revista científica Annals of Internal Medicine, os médicos da força-tarefa recomendam uma redução na periodicidade das mamografias. Em vez de exames anuais, desde os 40 anos, eles sugerem mamografias bienais, a partir dos 50 anos. Ao anúncio das diretrizes, seguiram-se a desorientação de milhões de mulheres - não só daquele país - e reações acaloradas. A Sociedade Americana do Câncer, o Colégio Americano de Radiologia e a Fundação Americana do Câncer de Mama foram enfáticos ao reforçar as recomendações antigas. E, dois dias depois, a secretária de Saúde dos Estados Unidos, Kathleen Sebelius, veio a público garantir: "A força-tarefa apresentou algumas novas evidências para consideração, mas nossas políticas permanecem inalteradas".
A recomendação da força-tarefa baseia-se no argumento de que as mamografias são mais eficazes na detecção a partir dos 50 anos do que desde os 40. "O artigo não traz nada que já não fosse sabido", diz o mastologista João Carlos Góes, diretor científico do Instituto Brasileiro de Controle do Câncer. As mamografias diagnosticam o tumor em uma em cada 1300 pacientes das faixas etárias mais altas. Entre as mais jovens, essa relação é de uma em 1 900. Não só porque o exame seja menos preciso nas pacientes com até 49 anos. A diferença entre um índice e outro se deve principalmente à maior incidência da doença nas de 50 ou mais. Do ponto de vista econômico, as diretrizes dos especialistas americanos, se adotadas pela maioria da população feminina, fariam uma diferença e tanto nos cofres públicos. Nos Estados Unidos, 39 milhões se submetem anualmente ao exame, a um custo de 5 bilhões de dólares. Se os médicos passassem a indicá-lo apenas a partir dos 50, a cada dois anos, o número médio de mamografias per capita nas mulheres americanas cairia de catorze para nove ao longo da vida. "Os especialistas americanos seguiram o raciocínio de um gestor de recursos, não o de um médico", diz Alfredo Barros, coordenador do Núcleo de Mastologia do Hospital Sírio-Libanês. Vale lembrar que a mesma força-tarefa, em 2002, determinou a importância da mamografia realizada anualmente a partir dos 40 anos.
O câncer de mama é o tumor maligno mais comum entre as mulheres brasileiras (com 50 000 novos casos anuais) e o que mais mata também (11 000 óbitos a cada ano). Com a popularização da mamografia, nos últimos anos, a taxa de mortes pela doença chegou a cair cerca de 30%. "Adiar a realização periódica da mamografia para os 50 anos significa voltar à década de 70, época em que a mulher só descobria o câncer quando a doença estava em estágios avançados", diz o médico Góes. O exame feito regularmente dos 40 anos em diante permite a detecção precoce. E, quanto mais cedo um tumor é descoberto, maiores são as chances de cura. Trinta anos atrás, 70% dos tumores eram diagnosticados já em fases adiantadas da doença, quando havia pouco ou nada a fazer. Hoje, 30% são descobertos em tais condições. O maior receio dos médicos é o impacto que uma recomendação como a da força-tarefa americana pode causar nas mulheres refratárias aos cuidados preventivos. "Quem já é cuidadosa provavelmente não se deixará influenciar por essa indicação", diz a mastologista Fabiana Baroni Makdissi, do Hospital A.C. Camargo, em São Paulo. "Mas as mulheres que não se cuidam adequadamente podem se considerar liberadas dos exames regulares." Portanto, você, leitora de menos de 50 anos, ignore o que foi publicado nos Estados Unidos e siga fazendo sua mamografia anual.  ( Naiara Magalhães - Revista Veja)
 
 
 
 
 

26.11 - OdontoPrev: Prêmio Von Martius de Sustentabilidade
Operadora ganha o Prêmio pelo seu Programa de Reciclagem de Amálgama, na categoria Tecnologia.
A OdontoPrev, maior operadora de planos odontológicos da América Latina, recebeu nesta terça-feira, 24 de novembro, em São Paulo, o Prêmio Ambiental von Martius de Sustentabilidade, concedido pela Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha. Na categoria Tecnologia, a OdontoPrev é vencedora da 10ª edição da Prêmio pelo Programa de Reciclagem de Amálgama, realizado em parceria com o Laboratório de Resíduos Químicos da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (FOB/USP).
Toda a rede credenciada da operadora no Brasil, formada por mais de 15 mil cirurgiões-dentistas, pode participar do Programa de Reciclagem de Amálgama, criado em 2005, com o objetivo de processar, adequadamente, o resíduo do amálgama gerado em consultórios odontológicos. Apenas no Estado de São Paulo, o programa já conta com a adesão de 1.954 profissionais, processou 16,3 quilos de amálgama, recuperando 7,02 quilos de mercúrio. Cada restauração dentária utiliza em média 2 gramas de amálgama. Dos 0,6 grama de amálgama que sobra no processo, 0,3 é mercúrio. Esta substância, quando não descartada corretamente, pode causar danos ao meio ambiente e aos seres humanos.
O Prêmio von Martius de Sustentabilidade foi criado em 2000 com a proposta de premiar projetos que valorizem ações voltadas ao desenvolvimento sustentado das comunidades, e que possam ser utilizados como exemplo aplicável às mais variadas situações geoeconômicas do País. Em 2009, 166 projetos foram inscritos, em três categorias: Humanidade, Natureza e Tecnologia. Desde quando foi criado, o Prêmio já recebeu 1.630 trabalhos. O nome do prêmio é uma homenagem ao botânico alemão Carl Friedrich von Martius (1794-1868), cujo trabalho de pesquisa científica, durante sua viagem de quase três anos ao Brasil, entre 1817 e 1820, muito contribuiu para a botânica, cultura e história do País.
Hoje o Prêmio von Martius é um dos mais importantes do setor e o único concurso de projetos ambientais do País a possuir auditoria de procedimentos durante a escolha dos projetos, além de obter o selo carbon free, por fazer a compensação de todo o gás carbônico dispensado desde o início de suas atividades até a cerimônia de premiação.   (SegurosInf)

26.11 - O coração já mata menos
Vitória da cardiologia brasileira
A grande preocupação dos cardiologistas brasileiros é, há tempos, o impressionante número de mortes por doenças cardiovasculares, 300 mil por ano, o que torna o coração o principal responsável pelos óbitos no País. A preocupação cresceu com o aumento dos fatores de risco, a população mais obesa, o crescimento do número de hipertensos, a melhor condição econômica que aumenta o consumo de alimentos - e nem sempre dos mais saudáveis -, com a urbanização crescente, que se reflete no estresse, os infartos precoces, que vitimam também os jovens e pela poluição ambiental, que agride sem apresentar sintomas.
Os números do Ministério da Saúde comprovam, pela primeira vez, que a longa e árdua luta desenvolvida pelos mais de 12 mil médicos filiados à Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC - e pelas autoridades governamentais começa a apresentar resultados e marcantes.
O índice de redução de óbitos indica que por ano 61.500 mortes são evitadas. São outros tantos trabalhadores, mulheres também, agora arrimo de família, que deixam de morrer devido às campanhas que a SBC tem realizado, com grande apoio da imprensa.
Chega a ser cansativo o número de vezes que reunimos médicos nas capitais e grandes cidades do País para medir a pressão e contar como a "doença silenciosa", a hipertensão, representa um risco de morte; de como invadimos "shopping" para medir o colesterol e distribuir folhetos e até mesmo, fita métrica na mão, fizemos com que médicos e enfermeiros medissem a cintura abdominal das pessoas, alertando que mais de 92 centímetros já se torna fator de risco para infarto.
A SBC faz campanhas há muitos anos e mais ainda. Com apoio dos produtores de frutas chegamos a "confiscar" maços de cigarro nas ruas e trocá-los por maçãs, no "Dia Nacional contra o Tabaco" e, recentemente, promovemos um fórum com a indústria automobilística, as universidades, as Prefeituras e o Ministério, para alertar que a defesa do Meio Ambiente vai além da preservação das florestas e que, em cada dia de poluição numa cidade como São Paulo, crescem as ocorrências cardíacas.
A cardiologia brasileira, uma das mais desenvolvidas, se sentia frustrada ao perceber que, enquanto no Primeiro Mundo caía a mortalidade cardíaca, o esforço brasileiro não levava ao mesmo resultado. Foi por isso que a SBC se aliou ao Ministério da Saúde e passou a discutir em Brasília as linhas mestras de uma política nacional de Saúde.
Foi esse trabalho, de pesquisa, inclusive, que mostrou a existência de 50% dos brasileiros hipertensos, que nem sequer sabiam que eram doentes e foi a SBC quem instou para que os hipertensivos fossem disponibilizados em todos os postos de saúde, onde os médicos foram orientados sobre a importância de medir a pressão arterial de todo paciente que se apresenta.
Ainda agora, Ministério e sociedade médica trabalham juntos para controlar a doença de Chagas, para bloquear a transmissão da moléstia, identificar os chagásicos existentes e garantir o diagnóstico precoce, que pode significar a sobrevida de até 20 anos para os já infectados. Também Bolívia, Argentina, Colômbia e até a Espanha, que através dos imigrantes hispano-americanos importou a doença, passaram a se beneficiar da experiência e da pesquisa brasileiras.
Também com o Ministério e as Sociedades de Pediatria e Reumatologia, foram criadas diretrizes para diagnostico e tratamento da doença reumática, doença da pobreza, que vitima os pacientes por toda uma vida e que, às vezes, necessitam de até três cirurgias cardíacas. Projeto conjunto é também o da Saúde do Homem, que une Ministério, sociedade de Cardiologia, Urologia e Psiquiatria, na prevenção de doenças como câncer de próstata, disfunção cognitiva e acidentes cérebro-vasculares. Nem tudo foi feito, porém, para o futuro, queremos projeto semelhante para a Saúde da Mulher, que cada vez mais apresenta risco cardiovascular.
A notícia da primeira redução nacional da mortalidade cardíaca confirma que tudo é possível quando se alia vontade política da autoridade governamental, apoio da imprensa, que sempre divulgou nossas campanhas e o empenho de toda uma categoria profissional voltada para a preservação da saúde e da vida, uma categoria que, com muito orgulho, tenho a honra de ter liderado nos dois últimos anos, como presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia.  (ANTONIO CARLOS PALANDRI CHAGAS - Jornal do Commercio Brasil)

26.11 - Procedimentos cirúrgicos padronizados
Qual o caminho mais coerente?
Conheça os pontos fundamentais para a padronização dos procedimentos cirúrgicos
A prática de procedimentos cirúrgicos padronizados passou de exceção a padrão no relacionamento entre os hospitais e as operadoras de planos de saúde. Sendo uma estratégia muito utilizada para se obter maior competitividade no setor, devemos entender quais as bases para a sua constituição. Os procedimentos cirúrgicos padronizados são baseados em protocolos técnicos aprovados e reconhecidos pelas Sociedades Médicas de Especialidades. Todavia, convém ressaltar que protocolos cirúrgicos diferentes resultam em procedimentos cirúrgicos diferentes, a depender da metodologia adotada pelo cirurgião.
Ademais, imperioso destacar que mesmo com a adoção de um protocolo cirúrgico, há variações entre os procedimentos, como o tempo de execução da cirurgia, preferências medicamentosas, materiais utilizados, órteses, próteses, e o tipo de anestesia adotada, sem refutar da perícia técnica do cirurgião.
Outro ponto fundamental que devemos sempre levar em consideração é o paciente, que pode influenciar nos processos e produtos usados.
Uma conta hospitalar pode conter mais de 300 itens entre diária, taxa de sala, gasoterapia, medicamentos, materiais, procedimentos de enfermagem e outros. Portanto, não é tão simples a adoção dessa metodologia, nem para o hospital, nem para o cirurgião.
Para estabelecer os preços das cirurgias utilizando esse método, faz-se necessário considerar todos os aspectos técnicos e médicos dos procedimentos, garantindo sempre a qualidade da assistência ao paciente. Isto é uma regra básica.
O risco na adoção irrestrita de procedimentos cirúrgicos padronizados surge quando as operadoras de planos de saúde não analisam os aspectos técnicos e médicos relativos aos procedimentos, mas apenas a questão financeira. Como consequência natural deste raciocínio, o paciente pode ser prejudicado quando os valores estabelecidos são insuficientes para cobrir todos os custos do procedimento, o que pode resultar, inclusive, em perda da qualidade assistencial.
Uma negociação cujo escopo se limita apenas ao quesito financeiro pode criar um problema intransponível entre o hospital e a operadora de plano de saúde, sendo ambos responsáveis pela qualidade ou mitigação da qualidade da assistência médica prestada ao paciente.
Nesse cotejo, é fundamental que haja comprometimento e participação dos hospitais, operadoras e médicos, para que a assistência à saúde seja mais competitiva, porém sem comprometer a qualidade da assistência. Não é redundante destacar que os critérios técnicos nunca devem ser relegados a segundo plano, sob pena de causarem sérios danos ao paciente.
Impor preços inadequados para procedimentos cirúrgicos, bem como aceitá-los, constituem atos de séria irresponsabilidade.
Cerca de 60% das cirurgias realizadas podem ser padronizados com desvios padrão mínimos. Mais do que isto pode resultar em distorções para ambas as partes: hospital e operadora de planos de saúde. Alguns procedimentos são impossíveis de serem padronizados de forma científica, pois suas variações são elevadas.
Operadoras de planos de saúde, médicos e hospitais estão comprometidos com os resultados das cirurgias dos pacientes. Todos devem ter o total empenho para realizar o melhor possível. Limitar o uso de produtos e processos, impor preços irreais e aceitá-los - e, como conseqüência, gerar problemas aos pacientes - constituem atos graves, que podem ensejar a responsabilidade aquiliana (extracontratual) com indenizações, em caso de conduta comissiva ou omissiva culposa (praticada com negligência, imprudência ou imperícia), bem como responsabilização pessoal do profissional de saúde face ao Conselho Regional de Medicina. Igualmente, pode ter reflexo na esfera penal, com a tipificação nos delitos de lesão corporal ou homicídio nas modalidades culposas e, eventualmente, até dolosa.    (Newton Quadros - Saúde Business Web)
 
 
 
 
 

25.11 - Gestão Estratégica em Hospitais
O consultor Genésio Körbes relata em artigo qual é a estratégia que deve ser utilizada
Afinal, o que é estratégia?
É a arte de aplicar meios disponíveis e explorar condições favoráveis com o fim de alcançar objetivos específicos (Aurélio)
É um caminho que iremos percorrer para alcançar a visão previamente definida.
Estratégia se origina do grego: Strategos - A arte do General. Por isso o Planejamento Estratégico tem muito a ver com os planos de guerras, idealizados pelo chefe do exército com a ajuda de seus generais.
A Formação dos Gestores Hospitalares como Inicio da Gestão Estratégica em Hospitais no Brasil.
A preparação de profissionais para gerir hospitais no Brasil começa com a Faculdade de Saúde Pública da USP. A Instituição implantou o primeiro Curso de Administração Hospitalar no ano de 1951, em convênio com a Fundação Kellogg. Nos anos 80 mais iniciativas foram surgindo no País, com a finalidade de formar profissionais especializados para o exercício da  administração dos Hospitais com foco empresarial.
Até então, os administradores dos hospitais eram, em geral, gerentes de bancos ou diretores de grandes empresas que se aposentavam e ofereciam seus serviços praticamente como voluntários para assumir as Provedorias e ou Presidências de Hospitais.
Os Cursos de Especialização, os MBA"s em Saúde e o início do Sistema de Acreditação no final dos anos 90, com grande apoio da OPAS - Organização Pan-Americana de Saúde trouxeram como resultado um aumento significativo na procura pela gestão qualificada e especializada para a Administração dos Hospitais.
É importante observar que, a consolidação dos planos de saúde com a Lei 2629 de 28.01.2000, em conjunto com outras mudanças na legislação e ainda, o aumento da complexidade dos procedimentos e o acirramento da concorrência, interferiram fortemente na necessidade de aperfeiçoamento da gestão.
Naquele momento também teve início uma aproximação muito importante entre os diretores médicos, o corpo clinico e  a administração dos Hospitais, exercida por profissionais especializados, criando uma sinergia natural e agregando ganhos ao crescimento e desenvolvimento de muitos hospitais gerando resultados extraordinários e compensadores.
A Governança Corporativa vem sendo adotada também na gestão dos hospitais, principalmente, os de propriedade de grupos familiares e até filantrópicos e lucrativos. Nas administrações familiares, os herdeiros perceberam a importância da gestão profissional e empresarial e estão trabalhando fortemente para a adoção deste modelo. O movimento em direção à implantação da governança corporativa aparece claramente.    (Genésio Körbes - Saúde Business Web)

25.11 - País gasta 3,4% do PIB em saúde
Pesquisa aponta que Brasil investe pouco na área de saúde pública
Um estudo realizado pela Fundação Oswaldo Cruz apontou que o País gasta apenas 3,4% do seu Produto Interno Bruto (PIB) em saúde, enquanto nos demais países da América Latina, a média de gastos no setor é de 4,6%. O recomendado pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), segundo a fundação, é 6% do PIB.
A pesquisa mostra que cerca de US$ 153 per capita são gastos em saúde pública no Brasil, sendo que deste total, US$ 77,4 são investidos pela União. Os estados pagam US$ 37,5 e municípios, US$ 38,1.
Além disso, o documento relata que a União tem diminuído seus investimentos em saúde pública: em 1993, o Governo Federal era responsável por 72% dos gastos; em 2003, o percentual caiu para 51%.   (Saúde Business Web)

25.11 - Setor de saúde se une contra a pirataria
Associações do setor de saúde firmaram um termo de cooperação técnica de combate à pirataria com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O objetivo da parceira é a promoção de ações e atividades voltadas para o combate da falsificação e fraude de produtos de saúde e medicamentos submetidos à vigilância sanitária. O documento foi assinado no último dia 10 de novembro, em Brasília.
Representados pela Câmara Americana de Comércio (Amcham), participam dessa força-tarefa as seguintes entidades: a Associação Brasileira dos Importadores de Equipamentos, Produtos e Suprimentos Médicos-Hospitalares (Abimed), a Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Implantes (Abraidi), Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL), Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), Associação Brasileira das Empresas de Ciências da Vida (ABCV), Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (ABIAD) e a Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios (Abimo).
O presidente da Abimed, Aurimar José Pinto, ressalta que a importância deste trabalho é a difusão de informações para o combate à pirataria na saúde. “Esta união fortalecerá o trabalho que já vem sendo desenvolvido pela Anvisa no combate à falsificação de medicamentos. Vamos, agora, realizar ações conjuntas de prevenção e orientação com envolvimento de todas as entidades dos setores”, afirma.
Aurimar José Pinto destaca que ações educacionais e a troca de informações entre os representantes de cada associação será importante para dimensionar o problema, promover debates, seminários, pesquisas e outras atividades necessárias para que a população e toda a rede de profissionais da saúde, promovam a consciência sobre os sérios riscos do uso de produtos não genuínos na saúde. (Portal Nacional)
 
 
 
 
 

24.11 - SUS deve priorizar atendimento infantil
CAS aprova vários projetos de Saúde
A CAS aprovou na última quarta-feira (18) o substitutivo a projeto da senadora Patrícia Saboya (PDT-CE), que prioriza atenção à saúde de crianças e adolescentes no âmbito do Sistema Único de Saúde (PLS 227/08). A proposta define práticas preventivas nos cuidados com a saúde dessa parcela da população, bem como estabelece normas para atendimento médico, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida na infância e na adolescência e, conseqüentemente, da população brasileira adulta.
A relatora da matéria, senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN) lembrou que a criança precisa ir ao médico mesmo sem estar doente para acompanhamento do seu desenvolvimento físico e psíquico. Em sua avaliação, a ação preventiva é fundamental para detectar doenças que podem surgir em outra fase do desenvolvimento da criança.
Projetos
Na reunião, a CAS ainda aprovou as seguintes matérias:
- PLS 157/09, da senadora Maria do Carmo Alves (DEM-SE), que torna obrigatória a adoção de calendários diferenciados de vacinação para os portadores de doenças ou condições que causem baixa resistência imunológica ou exijam a adoção de esquema especial de imunização.
- PLS 210/02, do então senador Mauro Miranda, que visa incluir o fornecimento de leite maternizado para os filhos de mães portadoras do vírus HIV e doentes de AIDS na lei sobre distribuição gratuita de medicamentos a essas pessoas (lei 9.313/96).
- Substitutivo ao PLS 271/07, de autoria do senador Magno Malta (PR-ES), que permite o funcionamento de comunidades terapêuticas de recuperação de dependentes químicos em cidades com mais de 100 mil habitantes sem observação de normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), desde que não tenham sido instalados tais serviços pelo poder público.
- Substitutivo ao PLS 29/06, de autoria do ex-senador Ney Suassuna, para dispor sobre a inclusão de requisito a ser observado na concessão de registro sanitário de medicamento ou de princípio ativo.
- Substituitvo ao PLS 416/09, do senador Marconi Perillo (PSDB-GO), que visa assegurar meios para o tratamento profilático dos pacientes portadores de hemofilias.   (Agência Senado/Saúde Business Web)

24.11 - Idade para exame de mama está em discussão
O Departamento de Saúde dos Estados Unidos manteve na quarta-feira a recomendação para que mulheres saudáveis a partir dos 40 anos realizem mamografias regularmente, apesar de um polêmico novo protocolo da Força-Tarefa de Serviços Preventivos - comissão independente mantida pela agência de Pesquisas da Saúde dos EUA, que costuma estabelecer padrões para serviços preventivos no país - que aconselha a prática a partir dos 50 anos .
A secretária de Saúde Kathleen Sebelius, para tranquilizar as norte-americanas, disse que a Força-Tarefa de Serviços Preventivos, responsável por divulgar o novo protocolo na segunda-feira, não estabelece as políticas federais e não afeta os procedimentos pagos pelo governo federal.
No Brasil, a recomendação do Instituto Nacional do Câncer (Inca) é que o rastreamento comece aos 50 anos. Apenas mulheres com histórico da doença na família devem começar a fazer mamografias antes dessa idade, de acordo com a avaliação de seu médico de confiança. Apesar da recomendação do Inca, a Lei Federal 11.664 garante que mulheres a partir dos 40 anos tenham o direito de fazer a mamografia gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde. Cerca de 50 mil casos de câncer de mama são diagnosticados anualmente no país.
Críticos da nova diretriz temem que ela leve a mais mortes por câncer de mama e que os planos de saúde a usem como justificativa para deixar de pagar mamografias para mulheres na faixa dos 40 anos. "A Força-Tarefa apresentou algumas novas evidências para consideração, mas nossas políticas permanecem inalteradas", disse Sebelius na nota. "Na verdade, eu ficaria muito surpresa se alguma empresa de seguro privado alterasse suas decisões de cobertura para mamografias como resultado desta ação.
Especialistas rejeitaram o novo protocolo, e a Sociedade Americana do Câncer disse que não vai alterar sua recomendação para mamografias regulares a partir dos 40 anos.
Flash
Óbitos. O câncer de mama é o tipo de câncer que mais mata mulheres no mundo, cerca de meio milhão por ano, segundo a Organização Mundial de Saúde   (O Tempo)

24.11 - Diretrizes sobre câncer de mama são questionáveis
Karen Young-Levi faz uma mamografia a cada ano, desde que chegou ao seu 40° aniversário, e nunca imaginou deixar de lado o exame, da mesma forma que não imagina deixar de lado suas classes de spin na academia ou o uso do cinto de segurança. "Era uma maneira de me sentir segura", disse Young-Levi, 43, de Medford, Nova Jersey.
Por isso, Young-Levi se sentiu confusa e nervosa na semana passada quando começaram a surgir as primeiras informações sobre uma mudança nas diretrizes federais dos Estados Unidos quanto a uma redução no uso de exames preventivos de câncer de mama. Como muitas outras mulheres, ela reagiu com descrença e inconformismo ao questionamento que o governo parece estar propondo com relação a um exame em cujo valor ela sempre confiou.
"Se alguém conduzisse uma análise em computador e viesse a determinar que usar um cinto de segurança na verdade não protege a pessoa em casa de acidente de automóvel, você deixaria de usar o cinto de segurança?", perguntou Young-Levi. "Meu grande medo é o de que a cobertura seja diminuída e que uma ferramenta muito valiosa para a detecção da doença em estado ainda incipiente me seja tirada".
Há anos, organizações como a Breastcancer.org, para a qual Young-Levi trabalha, vêm promovendo os exames regulares de prevenção de câncer de mama e difundindo uma mensagem muito clara de que a detecção antecipada da doença pode salvar vidas. Assim, mesmo que algumas mulheres saudáveis tenham sentido alívio ao serem informadas de que poderiam deixar de lado as mamografias sem se sentirem culpadas, muitos dos ativistas do câncer rejeitam as novas diretrizes. Alguns médicos afirmaram que pretendiam ignorar as novas normas, e continuar a aconselhar suas pacientes a que comecem o mais cedo possível a realizar mamografias, e passem pelo exame com a maior frequência possível.
"Estou zangada; trata-se de um gigantesco passo atrás e de um erro terrível", disse a Dra. Marisa Weiss, fundadora da Breastcancer.org e oncologista que pratica no Lankenau Hospital, em Wynnewood, Pensilvânia. "Sabemos que as mamografias apresentam retornos superestimados e identificam problemas que nunca acarretariam risco de vida, e sabemos que ela apresenta desempenho inferior ao esperado no caso de algumas mulheres. Mas se o exame não for realizado, ele não poderá ajudar as mulheres a quem beneficia".
As novas diretrizes de triagem, promulgadas na segunda-feira pelo Grupo de Estudo de Serviços Preventivos, parte do departamento da Saúde e Serviços Humanos do governo norte-americano, recomendou contra o uso rotineiro da mamografia em mulheres com entre 40 e 49 anos de idade. A nova recomendação também envolve uso menos frequente do exame nas mulheres dos 50 aos 74 anos, adotando periodicidade bienal em lugar de anual.
As recomendações questionam a utilidade da mamografia para mulheres com mais de 75 anos de idade. E aconselham contra o treinamento das mulheres para que realizem autoexames, bem como questionam a utilidade dos exames clínicos dos seios.
Algumas sobreviventes do câncer, especialmente aquelas cuja doença foi identificada como parte de exames de rotina quando estavam na casa dos 40 anos, afirmam que as novas diretrizes são quase ofensivas. Sugeriram que os esforços nacionais de contenção dos custos da saúde justificavam a nova recomendação, ainda que o comitê de especialistas responsável por elas tenha baseado o novo modelo em uma rigorosa revisão dos indícios médicos.
"Começaremos a perder muitas mulheres", disse Sylvia Moritz, 54, de Manhattan, que descobriu que tinha câncer de mama depois de seu exame anual regular, aos 48 anos. "Tenho duas amigas na casa dos 40 anos que acabam de receber diagnósticos de câncer de mama. Uma delas tinha acabado de completar 41 anos. Caso tivessem esperado até os 50 anos para realizar uma mamografia de rotina, nem precisariam ter se incomodado ¿ estariam mortas".
Mas as mamografias, como as limpezas regulares de dentes, podem ser extremamente desconfortáveis, e algumas mulheres se declararam muito satisfeitas diante da notícia. "Pessoalmente, para mim é uma ótima notícia saber disso", disse Jane Kettlewell, 49, de Forest Hills, Queens. "A verdade é que eu tinha acabado de pular o meu exame anual de câncer de mama. Odeio passar por eles".
Algumas mulheres receberam com agrado as novas recomendações, afirmando que já haviam reduzido a frequência de suas mamografias. "Há muitas coisas às quais você fica sujeita que são ocasionalmente desnecessárias, e mais perigosas do que se você realizasse o exame", disse Sarah Tannehill, 60, de San Francisco, que só realizou duas mamografias até hoje. "Sinto que há cânceres que surgem em nossos corpos em diferentes momentos e que nós combatemos sem ajuda médica, se não estivermos em situação comprometida".
As organizações de combate ao câncer de mama dizem temer que as novas diretrizes sirvam principalmente para encorajar as mulheres a dispensar os exames. "Mamografias não têm nada de divertido, e as pessoas procuram desculpas para não realizá-las", disse Heather Gilbert, 64, sobrevivente do câncer de mama e fundadora da Breast Cancer Solutions, uma organização sem fins lucrativos sediada no condado de Orange, Califórnia. Entre outras coisas, a organização ajuda mulheres de menos de 40 anos a pagar por exames e procedimentos que seus planos de saúde não cubram.
"Anúncios como esses encorajarão mulheres demais a não realizar mamografias - por mais que os exames sejam falhos", disse Gilbert. As reações dos médicos variaram, mas todos concordaram em que receberiam muitos pedidos de informação nos próximos dias.
A Dra. Christine Hodyl, diretora de cirurgia de mama no South Nassau Communities Hospital, em Oceansides, Nova York, afirmou que não mudaria suas recomendações sobre exames antecipados.
"Não consigo nem contar o número de vezes que detectamos um câncer em uma jovem que aparece para um exame de referência antes dos 40 anos", disse Hodyl, acrescentando que estava "extremamente" preocupada com as ramificações das diretrizes menos rigorosas.
"Estamos aqui na batalha, e vemos número grande demais de pacientes que precisam enfrentar esse diagnóstico, e estamos sempre felizes pelas pacientes que nos procuram cedo", disse Hodyl. "Sentimos que as vidas delas mudam para melhor".
Mas há médicos que também veem desvantagem nos testes antecipados: falsos resultados positivos, biópsias, novos exames diagnósticos e os efeitos colaterais de tratamentos agressivos, entre os quais um imenso desgaste psicológico.
"Algumas mulheres têm de retornar vezes demais", diz a Dra. Suzanne Trupin, que trabalha em Champaign, Illinois. "É como uma porta giratória, e elas não param de retornar, a cada três ou seis meses, anos após ano. É insano, porque na maioria das vezes não estão doentes".
"As novas diretrizes desaceleraram esse processo", acrescentou. Os médicos também dizem que mesmo que dediquem seu tempo a explicar os motivos das novas diretrizes, algumas pacientes desconfiariam. "Ainda haverá muitas mulheres que, a despeito das explicações mais claras, dirão que ainda assim querem a mamografia", disse a Dra. Christine Pellegrino, diretora da clínica de doenças mamárias no Centro Montefiore-Einstein de Tratamento do Câncer.  (Terra Notícias)
 
 
 
 
 

23.11 - Clima, poluição e saúde
 Em outubro de 2009, na Assembleia Geral da Associação Médica Mundial (WMA), foi aprovada a Declaração de Deli, política de recomendações produzida pela WMA sobre mudanças climáticas e seus impactos na saúde humana. O documento será lançado na Conferência Doutores do Ambiente, que acontecerá em 28 de novembro, no Teatro da Faculdade de Medicina da USP. O planeta já apresenta vários sinais e sintomas de doença. Febre Progressiva, pelo aquecimento da Terra; dependência física de petróleo; obesidade, por consumirmos energia em excesso; dispnéia pela contaminação da atmosfera por poluentes; obstrução arterial difusa, por congestionamentos intermináveis; insuficiência renal, por não conseguirmos eliminar adequadamente os nossos resíduos; diabetes, caracterizado pela incapacidade de aproveitar plenamente as fontes energéticas que dispomos.
Exames mais detalhados revelariam tremores de terra ocasionais, edema pela elevação dos mares e chuvas torrenciais, alopécia por desmatamento, obstipação pelo despejo de esgoto nos rios e, por que não confessar, flatulência, eliminada de tempos em tempo, indiscreta e despudoradamente, sob a forma de tornados e tufões. Acrescenta-se a tudo confusão mental, que nos impede de avaliar adequadamente a gravidade da situação. Finalmente, temos que admitir impotência ante a este estado de coisas.
É imperativo que os profissionais da saúde tenham uma atitude mais ativa, auxiliando a elaboração de ações voltadas à sustentabilidade, que deveriam obedecer aos seguintes parâmetros: esclarecimento aos pacientes, exemplos, parcerias, limites, ética e coragem.
Os pacientes devem ser informados que medidas voltadas para adoção de práticas com menor demanda energética promovem benefícios imediatos e significativos à saúde daqueles que as adotam. Atividades como caminhar e andar de bicicleta diminuem o risco de doenças cardiovasculares.
Ao reduzir o consumo de energia dentro de casa e incentivar o hábito nos locais de trabalho, os médicos exercem liderança pelo exemplo. É possível agir como parceiros da sociedade civil propondo ações de mitigação das emissões de poluentes e adaptação ante aos impactos ambientais.
Os médicos devem promover o conceito de limites responsáveis do uso de energia, expor claramente as questões de ética ambiental e mostrar que as alterações da atmosfera afligem com maior intensidade os segmentos menos favorecidos da sociedade. Finalmente, há que se robustecer a coragem para enfrentar o futuro debate no campo das ideias e da litigância com importantes setores da economia e da política.
A respeitabilidade nos confere obrigação para agirmos. Caso não iniciemos o processo agora, poderemos, mais tarde, ser culpados do pecado da omissão.  (Paulo Saldiva e José Luiz Gomes do Amaral - JBr Online)

23.11 - Coração artificial orgânico é esperança
Prótese pode ser realidade em 2 anos
Pesquisadores franceses desenvolveram o primeiro coração totalmente artificial fabricado com materiais orgânicos. Segundo o jornal espanhol "El País", os cien­tistas esperam que a novida­de possa ser utilizada em transplantes nos próximos dois anos.
O novo coração resolve problemas importantes identificados em próteses cardíacas artificiais como o desenvolvimento de coágu­los quando o sangue entra em contato com materiais que não são naturais. Segun­do o professor Alain Carpentier, diretor do projeto e médico do hospital Georges Pompidou de Paris, esses coágulos multiplicam o risco de acidentes cardiovascula­res (derrames).
— Os materiais biológicos utilizados no órgão são hemocompatíveis, limitando o perigo de coagulação — ex­plicou Carpentier. — O ór­gão dará uma vida normal aos pacientes que sofreram um enfarte ou que não têm acesso a um coração.
O coração artificial terá vida útil inicial de "pelo me­nos cinco anos. A principal limitação é que o sistema de alimentação funciona com baterias que, hoje, precisam ser recarregadas cada cinco ou seis horas.  (Extra Online)

23.11 - Preconceito que custa vidas
Um em cada seis brasileiros terá câncer de próstata, mas resistência ao exame é alta
Atenção homens: estimativas indicam que um em cada seis brasileiros terá câncer de próstata ao longo da vida. Em 2009, serão 50 mil novos casos. Pesquisa divulgada pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) ontem, Dia Nacional de Combate ao Câncer de Próstata, revela o maior vilão dessa história: o preconceito.
Cerca de 77% dos entrevistados concordam que os homens não fazem o exame de toque retal devido ao preconceito.
“Os homens ainda preferem fazer o exame de sangue, que dosa o índice de PSA, para detectar o câncer. Mas é preciso que fique claro que o PSA e o toque retal são complementares, um não substitui o outro. Em 20% dos casos de câncer de próstata, não há alteração no exame de sangue”, explica o presidente da sociedade, José Carlos de Almeida.
O levantamento, feito com 1.061 brasileiros com idades entre 40 e 70 anos em 10 capitais do Brasil, mostrou que 76% sabem da necessidade do exame, mas somente 32% afirmam tê-lo feito. O coordenador de campanhas públicas do órgão, Aguinaldo Nardi, afirma que a pesquisa vai ajudar a Sociedade de Urologia a divulgar e incentivar ainda mais a prevenção e conscientização.
Esperar sintoma é um erro
“A pesquisa apontou que, para 66% dos entrevistados, a esposa é quem mais influencia na procura por um urologista. Então já sabemos que precisamos pensar no que fazer para mobilizá-las”, assinala Nardi.
A doença não tem sintomas no início. Em estágio avançados, pode causar dores, dificuldade em urinar e sangue na urina. Especialistas alertam sobre a importância do diagnósitco precoce: o indicado é realizar o PSA e o toque retal da próstata a partir dos 45 anos de idade. Já aqueles que têm histórico da doença na família devem começar a fazer os testes anuais aos 40 anos.
“O câncer tem cura quando descoberto em estágio inicial. Esperar os sintomas é um erro que pode custar a vida”, afirma Nardi.
De acordo com a SBU, cerca de 13 mil brasileiros morrem devido ao câncer de próstata todos os anos.  (Clarissa Mello - O Dia Online)
 
 
 
 

19.11 - Brasil gasta 3,4% do PIB com saúde pública
O Brasil investe pouco na área de saúde pública e os gastos nessa área são mal feitos. Esta é uma das conclusões da pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz Maria Alicia Domínguez Ugá cujo estudo demonstra que o país gasta apenas 3,4% do seu Produto Interno Bruto (PIB) em saúde. Nos demais países da América Latina, a média de gastos em saúde é de 4,6% do PIB.
- Nós gastamos mal e pouco. No Brasil, a saúde é vista como um setor de gastos em vez de ser visto como gerador de emprego e renda - afirmou hoje durante o seminário Gastos Catastróficos em Saúde no Brasil, realizado na Faculdade de Economia, Admistração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP). De acordo com ela, a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) recomenda que os investimentos em saúde representem 6% do PIB.
Segundo a pesquisadora, os gastos públicos em saúde pública no Brasil giram em torno de US$ 153 per capita. Desse total, US$ 77,4 são investidos pela União, estados pagam US$ 37,5 e municípios, US$ 38,1.
- Os municípios são os maiores protagonistas nos investimentos em saúde - explicou.
Maria Alicia apontou ainda que a União tem diminuído seus investimentos em saúde pública: em 1993, o Governo Federal era responsável por 72% dos gastos; em 2003, o percentual caiu para 51%.
- Em contrapartida, estados e municípios estão aumentando a participação - comentou Maria Alicia, mostrando que em 1993 os estados eram responsáveis por 12% dos investimentos e, 10 anos depois, o percentual subiu para 23%.
- Já os municípios gastavam 16% naquela época e em 2003 o gasto aumentou para 26% - completou.   (Jornal Monitor Mercantil)

19.11 - A regulamentação da Medicina e o bem estar do cidadão
O Congresso Nacional está a um passo de aprovar uma lei que representa uma conquista para a Saúde no Brasil. Após ser aprovada com 292 votos favoráveis pela Câmara dos Deputados, seguiu para a apreciação do Senado a proposta que regulamenta o exercício da Medicina no país. Apesar da aparente obviedade sobre qual o papel dos 344.034 médicos na assistência à população brasileira, o Projeto de Lei 7.703/2006 preenche uma lacuna importante ao definir de forma clara, objetiva, os atos privativos destes profissionais e aqueles que podem ser compartilhados com as outras 13 categorias vinculadas ao campo da saúde.
O texto não elimina os avanços alcançados pela multiprofissionalidade da atenção em saúde. Pelo contrário, ele valoriza o espaço de enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, biólogos, biomédicos, farmacêuticos, fonoaudiólogos, profissionais de educação física, terapeutas ocupacionais e técnicos e tecnólogos de radiologia, entre outros, ao ressaltar o que as regulamentações de cada uma dessas categorias já fizeram quando definiram o escopo de suas atuações.
O Projeto de Lei não impede que todos estes profissionais participem ativamente das ações de promoção da saúde, de prevenção de doenças e da reabilitação dos enfermos e pessoas que vivem com deficiências. Na verdade, ele estimula a mútua colaboração entre todos os profissionais da saúde - dentro de suas respectivas competências - com o objetivo único de garantir o bem estar individual e coletivo dos cidadãos.
Mas o Projeto vai além e assegura algo a que todo brasileiro deve ter direito: a garantia de que o diagnóstico de seu problema de saúde e de que o tratamento para enfrentá-lo, assim como que a realização de procedimentos invasivos capazes de gerar risco de vida, sejam realizados por um médico, devidamente capacitado, avaliado e fiscalizado por instâncias de controle profissional, como os 28 Conselhos Federal e Regionais de Medicina, além das associações e sociedades médicas. A confirmação desta conquista pelo Senado, prevista para as próximas semanas, consolidará o senso comum e a jurisprudência existente sobre o assunto, aprovadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Quando adoecemos queremos ser atendidos por médicos. Quando nossos filhos, pais e irmãos adoecem, queremos que um médico investigue as causas de nosso problema, o diagnostique e nos oriente sobre o que fazer. Com a ampliação e especialização dos diferentes campos do conhecimento, logicamente que outros profissionais podem participar na recuperação da saúde dos pacientes. No entanto, cabe ao médico fazer o diagnóstico e o tratamento das doenças, principalmente, em função, de sua formação profissional e pela credibilidade e confiança atribuídas a ele pelos pacientes.
A população passa ser a grande beneficiada com a mudança, pois contará com uma linha de cuidados integral e articulada dentro de princípios de competência e responsabilidade. Isso trará maior segurança e proteção aos pacientes ao contribuir para evitar distorções que colocam a vida e o bem estar de todos em risco. As recomendações e prescrições passarão a serem implementadas segundo critérios rígidos e científicos que asseguram que o individuo será avaliado de forma holística, integral, e não apenas em função de sinais e sintomas que nem sempre refletem a real dimensão de uma doença ou agravo de saúde.
Por outro lado, a legislação será também um instrumento de aperfeiçoamento do próprio Sistema Único de Saúde (SUS) ao exigir que os gestores, em todas as esferas (federal, estadual e municipal), contem em suas equipes com médicos. Esta é uma maneira de enfrentar a iniqüidade do acesso à saúde no país, evitando que apenas recebam a orientação de profissionais da Medicina aqueles que têm recursos para pagar uma consulta ou um plano privado de saúde.
A sociedade aguarda por esta mudança, que não pode demorar mais. A regulamentação do exercício da Medicina não prejudica categorias profissionais ou cerceia direitos. Na realidade, ela cumpre a função de tornar cristalino o espectro das responsabilidades e das competências da atividade médica, fundamental para o cuidado da saúde do ser humano. O tema, que está sobre a mesa dos senadores, é urgente e imprescindível para transformar o que existe de fato também em um direito. A Saúde do Brasil espera por isso.   (Roberto Luiz d’Avila - CFM)

19.11 - Mamografia agora só a partir de 50 anos
Orientações do governo ganham força com novo estudo americano que não indica exame precoce
As recomendações do governo brasileiro para o rastreamento do câncer de mama na população - mamografia a partir dos 50 anos, com intervalo de, no máximo, dois anos - ganharam força com a divulgação anteontem do estudo norte-americano que faz as mesmas orientações. Especialistas do País, no entanto, continuam defendendo o modelo de rastreamento antigo dos EUA, que vigorava desde 2002: mamografias a partir dos 40 e com intervalos anuais.
O painel de médicos do United States Preventive Task Force, grupo que assessora o governo dos EUA em assuntos de prevenção, anunciou que mamografias precoces e muito frequentes têm levado à realização de biópsias, cirurgias e sessões de quimioterapia desnecessárias. Por isso a orientação de iniciar o rastreamento aos 50 anos - e não aos 40 - e reduzir a frequência. Em muitos casos, os tumores revelados demorariam tanto para se desenvolver que jamais causariam problemas, disseram os médicos.
O painel condenou ainda o autoexame das mamas - orientar a mulher a apalpar os seios em busca de nódulos - como método de rastreamento do câncer de mama na população em geral. O entendimento é de que, em muitos casos, a metodologia também leva a intervenções desnecessárias, ansiedade e confusão da paciente. O Brasil já tinha a mesma posição
“O Inca recomenda, desde 2003, mamografias a partir dos 50 anos, realizadas a cada dois anos, assim como agências do Canadá e da Europa. Os EUA fizeram uma revisão, com nova metodologia, e agora se alinharam aos demais países”, avaliou Ana Ramalho Urtigão Fares, gerente da Divisão de Apoio à Rede Oncológica do Instituto Nacional do Câncer (Inca).
A gerente destaca, porém, que não há limitação à realização de mamografia em qualquer idade se o médico encontrar sinais de câncer e achar que ela é necessária para o diagnóstico.
A idade para rastreamento serve apenas para orientar a política pública de saúde.
Paulo Hoff, diretor clínico do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, e Luiz Henrique Gebrim, mastologista e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), veem de forma positiva as novas orientações.
“A princípio, elas reforçam a posição do Inca”, afirma Hoff. “Sou a favor, mas não podemos adotar sem discussão.”
Segundo ele, começar cedo os exames pode culminar em efeitos colaterais e procedimentos cirúrgicos, como biópsias e perfurações, que implicam riscos. Para Gebrim, a mudança é positiva em termos de políticas públicas, que exigem prioridades. “Já as mulheres que não têm restrição de recursos devem fazer a mamografia (precocemente).”   (Fabiane Leite e Mariana Mandelli - Jornal da Tarde)

19.11 - Nova orientação para mamografia divide médicos
Estudo dos EUA pede exames só depois dos 50 anos; para especialistas, diagnóstico precoce pode salvar vidas
As novas recomendações dos EUA para o rastreamento do câncer de mama não são consenso entre especialistas brasileiros. A orientação divulgada anteontem prevê mamografias a partir dos 50 anos (e não mais aos 40) e realizadas a cada 2 anos (e não anualmente). No Brasil, o governo já adotava essa política. Mesmo assim, médicos do País ainda acreditam que a realização precoce do exame pode salvar vidas.
"Mesmo podendo resultar em procedimentos invasivos que detectem tumores que não afetarão a vida da paciente, a mamografia (precoce) ainda é a melhor opção", diz o mastologista do Hospital Albert Einstein Silvio Bromberg. O especialista do Hospital Santa Catarina Isaac Fermann Neto acha que as medidas dos EUA são típicas de um país que pretende cortar gastos após uma recessão econômica. "É um país em crise com seu sistema de saúde."
O painel de médicos do United States Preventive Task Force, grupo que assessora o governo americano, anunciou anteontem que mamografias precoces e muito frequentes têm levado à realização de biópsias, cirurgias e sessões de quimioterapia desnecessárias. Por isso, a orientação de iniciar o rastreamento aos 50 anos e reduzir a frequência. Em muitos casos, os tumores demorariam tanto para se desenvolver que jamais causariam problemas.
No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) recomenda, desde 2003, mamografias a partir dos 50 anos, realizadas a cada 2 anos. Países da Europa e o Canadá fazem o mesmo. "Os EUA fizeram uma revisão e agora se alinharam aos demais países", diz a gerente da Divisão de Apoio à Rede Oncológica do Inca, Ana Ortigão Farias.
No início do ano, o governo aprovou uma lei que causou confusão, já que prevê acesso gratuito à mamografia a partir dos 40 anos. O Inca, no entanto, apontou erro no texto e prometeu uma correção, o que não ocorreu até hoje. Segundo Ana, a lei não trata de rastreamento, que é o foco da política editada pelo Inca. Mesmo assim, hospitais entendem que a legislação obriga o exame precoce.
O estudo americano condenou ainda o autoexame das mamas - orientar a mulher a apalpar os seios em busca de nódulos - como método de rastreamento. O entendimento é de que, em muitos casos, a metodologia também leva a intervenções desnecessárias, ansiedade e confusão da paciente. O Brasil já tinha a mesma posição.
O mastologista do Hospital Sírio-Libanês Felipe Andrade discorda do estudo porque acredita que trabalhos que analisam a população em geral, direcionados a políticas públicas, levam mais em conta questões financeiras. "Eles seguem a linha "gastei muito para salvar poucas vidas"", diz. "Mas temos de salvar o máximo que conseguirmos." Segundo Ana, não há limitação à realização de mamografias em qualquer idade se o médico encontrar sinais e achar que o exame é necessário. A idade serve apenas para orientar a política pública de saúde.
O diretor clínico do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, Paulo Hoff, concorda com as novas orientações. Segundo ele, começar cedo os exames pode levar a efeitos colaterais e procedimentos cirúrgicos, como biópsias e perfurações, que implicam em riscos. O mastologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Luiz Henrique Gebrim diz que a mudança tem mais efeito nas políticas públicas. "As mulheres que não têm restrição de recursos devem continuar fazendo a mamografia (precocemente)." Roberto Vieira, membro da Sociedade Brasileira de Mastologia e pesquisador da Fiocruz, acha que as orientações tratam a população como estatística. "Não podemos desvalorizar uma mulher porque é jovem ou idosa. Como médico e cientista, acho revoltante."   (Fabiane Leite e Mariana Mandelli - O Estado de S.Paulo)
 
 
 
 
 
 
 

18.11 - Brasileiro gasta mais de 20% da renda com saúde
Pesquisa da USP mostra que 11 milhões já usam boa parte do que ganham com remédios e planos
Apesar de o Brasil ter um Sistema Único de Saúde que pressupõe acesso universal, integral e equânime ao atendimento, sem desembolsos extras além dos impostos que todos pagam, 7% dos domicílios brasileiros, onde vivem cerca de 11 milhões de pessoas, já comprometem 20% ou mais do seu poder de compra com saúde.
O dado é de um estudo inédito da Universidade de São Paulo (USP), que reuniu pesquisadores da Faculdade de Economia e Administração (FEA), da Faculdade de Economia de Ribeirão Preto e da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP Leste, entre outros. Medicamentos e planos de saúde são hoje as principais despesas de saúde das famílias brasileiras.
"Considerando que temos um sistema universal de saúde, que prevê a integralidade das coberturas, o grau de comprometimento deveria ser zero e não 20%", afirma o professor da FEA Antonio Carlos Campino, diretor no Brasil do projeto Financiamento em Saúde e Proteção Social na América Latina, que também tem braços em outros seis países da região. Os resultados do País, obtidos a partir de dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares 2002-2003 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a última disponível, serão apresentados hoje na FEA de São Paulo durante o seminário Gastos Catastróficos em Saúde no Brasil. O evento é gratuito e aberto aos interessados.
Gastos catastróficos são aqueles que ultrapassam uma proporção da renda ou da capacidade de pagar dos cidadãos, podendo contribuir para o empobrecimento e dificultar o acesso à saúde. Diferentes estudos têm apontado que esse porcentual de comprometimento perigoso pode ser de 20%, 30% ou 40% da capacidade de pagamento (gasto total menos as despesas com alimentação).
No Brasil, apenas 1% dos domicílios atingiu o limite o máximo da capacidade de pagamento, mas, trocando em números, trata-se de 1,6 milhão de pessoas que têm esse nível de despesa com saúde.
O maior índice de comprometimento foi encontrado no Centro-Oeste do País, que atingiu 8% dos domicílios com 20% ou mais da renda engessada. O menor foi registrado na Região Norte, 5%. O Sudeste ficou na média nacional, com 7%.
Segundo Campino, o estudo levantou ainda quais fatores trouxeram maior risco de as famílias atingirem as faixas de gastos catastróficos. Foram eles: presença de idosos, adquirir um seguro ou plano de saúde e viver em áreas rurais. O envelhecimento é relacionado a uma alta dos gastos em razão do comprometimento da saúde, que pede, por exemplo, mais despesas com remédios. Já viver em áreas rurais significa ter menos acesso à rede de serviços públicos de saúde. O professor diz que houve maior risco de gastos catastróficos entre os que adquiriram planos de saúde porque muitas das carteiras de clientes do setor têm maioria de idosos, o que encarece os produtos, e contratos excludentes, o que obriga a mais desembolsos. Por outro lado, ter nível superior levou a um risco menor de gastos catastróficos, pois educação significa maior preocupação em prevenir doenças.
"Sou contra que, em um sistema universal, além dos tributos, os cidadãos paguem do próprio bolso", diz o consultor Gilson Carvalho, também autor de trabalhos sobre o financiamento da saúde. "O desejo é que o governo coloque cada vez mais recursos na área."  (O Estado de S.Paulo)

18.11 - 12% das gestações no Brasil têm complicações graves
Dado é similar ao de outros países, mas mortalidade materna é maior aqui
De todas as gestações brasileiras, cerca de 12% têm complicações graves, mostram os resultados dos primeiros três meses de um projeto de vigilância epidemiológica que acompanha os partos ocorridos em 27 hospitais-referência do país.
Os dados foram apresentados no 53º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia, que termina hoje em Belo Horizonte. O sistema é financiado pelo CNPq e pelo Ministério da Saúde e tem apoio da OMS (Organização Mundial da Saúde).
Trata-se do primeiro estudo prospectivo -que acompanha os casos à medida que ocorrem- a levar em conta os novos critérios da OMS para complicações graves na gravidez. Essa padronização, que permite comparar a situação em diversos países, foi divulgada oficialmente no mês passado.
No Brasil, as principais complicações são as decorrentes da pressão alta e as hemorragias no pós-parto, além das infecções. Em países desenvolvidos, os maiores problemas acontecem por doenças já existentes, como diabetes ou cardiopatias.
"Até dez anos atrás, o indicador mais importante para medir a saúde materna era a mortalidade. Como o número absoluto de mortes maternas é relativamente pequeno e os programas para reduzir a mortalidade materna no fim da década passada não alcançaram as metas previstas, a OMS viu que seria mais produtivo focar no que ocorre antes da morte: as complicações obstétricas graves", explica José Guilherme Cecatti, professor titular de obstetrícia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e coordenador do projeto brasileiro.
Frequência similar
A frequência de complicações, de 12%, é semelhante à de outros países, mas a mortalidade materna é mais alta no Brasil do que em outras nações, o que sugere que os brasileiros não estão lidando bem com as complicações. Se no Japão ou no Canadá há no máximo dez mortes maternas por 100 mil nascidos vivos, no Brasil o índice é de 70 a 140.
"A gravidez tem complicações na Suécia e em Bangladesh. A proporção é similar, a diferença é a forma como cada país trata esses problemas e o estado de saúde geral da paciente. Uma coisa é tratar uma mulher saudável, outra é tratar uma anêmica", diz Cecatti. Para ele, ao notarem antes o que é um caso grave, os médicos conseguem agir mais rapidamente.
A obstetra Márcia Aquino, diretora de divisão médica da maternidade Leonor Mendes de Barros, em São Paulo, diz que depois os participantes do estudo avaliam o que poderia ter evitado as complicações.  (FLÁVIA MANTOVANI - Folha de S.Paulo)

18.11 - Ministério da Saúde fará campanha de vacinação contra gripe suína
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, calculou que em 2010 serão vacinados contra a gripe suína cerca de 110 milhões de brasileiros, 60% da população. 
Uma nova onda de gripe suína deve atingir fortemente o país no inverno. A campanha de vacinação, segundo o ministro, deve começar em março ou abril e se estender até o meio do ano. O Ministério, com apoio de especialistas, trabalha para estabelecer critérios sobre quem terá direito a receber a dose. 
Ao GLOBO, Temporão disse que serão definidos grupos com maior risco de contrair a doença. 
A vacinação deverá começar pelos profissionais de saúde, que terão de atender doentes nos hospitais e postos. Depois, devem receber prioridade crianças pequenas, grávidas, portadores de determinadas patologias e, talvez, adultos jovens, nos quais a doença se manifestou com mais gravidade. 
- É um problema que está angustiando o mundo todo. Temos uma vantagem: vamos ter a vacina em 2010. E o Brasil será o único país em desenvolvimento do mundo a produzir a vacina. O Instituto Butantan vai produzir 18 milhões de doses, talvez, chegue a 33 milhões. Vamos comprar diretamente dos laboratórios e do fundo rotatório da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). Calculo algo em torno de 110 milhões de doses. 
A estratégia será começar gradualmente a vacinação. Os profissionais de saúde já devem ser imunizados em março. Temporão anunciou outra novidade: diferentemente deste ano, quando o governo praticamente fez desaparecer das farmácias o remédio Tamiflu, capaz de combater o vírus da gripe suína, ano que vem o ministério permitirá que os brasileiros tenham acesso direto ao medicamento. 
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vai mudar a classificação do Tamiflu, para que a venda nas farmácias seja com retenção obrigatória da receita, como ocorre hoje com os remédios psicotrópicos. 
O Tamiflu não ganhará tarja preta, mas só poderá comprá-lo quem receber a prescrição. É a forma encontrada pelo ministério para evitar uma corrida às farmácias e desabastecimento. 
- O acesso ao Tamiflu foi grande polêmica este ano. Estamos acertando com o laboratório para garantir nossa necessidade de distribuição gratuita e, ao mesmo tempo, nas farmácias - disse Temporão, ao responder a pergunta do leitor do GLOBO José Márcio Cuconato. 
Temporão disse que o ministério também já se prepara para ter leitos de UTI específicos para vítimas de gripe suína. O governo promete comprar equipamentos, treinar médicos e profissionais e fortalecer o Programa de Saúde da Família, para que o diagnóstico da doença na população seja precoce e se evite o agravamento do quadro. 
O ministro não concorda com a avaliação de que errou ao recomendar que os brasileiros não viajassem para Chile e Argentina, países em que a gripe se instalou mais rapidamente. 
Apesar dos protestos diplomáticos de ambos os países, ele disse que recebeu o apoio irrestrito da comunidade médica. 
- Na gripe suína minha avaliação é que fomos muito bem. 
Conseguimos adiar por 85 dias a circulação do vírus no país. (Agência O Globo)
 
 
 
 
 

17.11 - Normas e protocolos das doenças tratadas no SUS
O Ministério da Saúde publicou, no Diário Oficial da União, normas de elaboração dos documentos e os protocolos clínicos que definem como cada doença deve ser diagnosticada e tratada no Sistema Único de Saúde (SUS). O ministério pretende revisar este ano, em parceria com o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, 53 protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas já publicadas e elaborar outros 33.
O Secretário de Atenção à Saúde do Ministério, Alberto Beltrame, disse que ao implantar e elaborar os protocolos, os gestores do SUS contribuirão para a prescrição segura e eficaz dos medicamentos. “Além de sua importância na qualificação da assistência propriamente dita, os protocolos cumprem papel fundamental nos processos de gerenciamento dos programas de assistência farmacêutica, nos processos de educação em saúde para profissionais e pacientes, e nos aspectos legais envolvidos no acesso a medicamentos e na assistência como um todo”.
Os protocolos estão sendo atualizados por uma equipe dividida em dez grupos, classificados por especialidades como cardiologia, endocrinologia, ortopedia, hematologia e neurologia. A equipe conta com a participação de colaboradores da comunidade científica externos ao ministério. Segundo a Coordenadora de Alta Complexidade do Departamento de Atenção Especializada do Ministério, Maria Inez Pordeus Gaelha, trata-se de pesquisadores e profissionais de diversas áreas que lidam na prática com as doenças cujos protocolos estão em processo de atualização e elaboração. (Agência Brasil)

17.11 - Gripe: Pacientes de risco devem tomar a vacina
Os médicos devem administrar rapidamente os antivirais nos países dos grupos de risco para evitar o desenvolvimento de doenças graves, indicou nesta quinta-feira a OMS (Organização Mundial da Saúde).
"As mulheres grávidas, as crianças menores de dois anos e os indivíduos que sofrem de doenças subjacentes são as três categorias com maior risco e devem ser tratadas com antivirais o quanto antes possível quando tiverem sintomas da gripe", afirmou o dr. Niki Shindo, da OMS, em coletiva de imprensa.
Na ordem de prioridade continuam as pessoas que registram um rápido agravamento dos sintomas como dificuldades respiratórias ou febre alta durante mais de três dias, assim como indivíduos que sofrem de pneumonia, que devem, além disso, receber antibióticos", afirmou Shindo.
No entanto, o dr. Shindo insistiu que uma grande maioria de casos de gripe H1N1 são suaves e que as pessoas podem se curar em alguns dias sem qualquer tratamento ou hospitalização.
A OMS não recomenda que as pessoas em bom estado de saúde recebam antivirais de forma preventiva, segundo ainda Shindo.
Desde seu aparecimento há sete meses, a gripe H1N1 causou a morte de pelo menos 6.071 pessoas, segundo o último balanço da OMS difundido no último dia 6. (AFP/ Diário Online)

17.11 - Polêmica na saúde norte-americana
Proposta de lei de Barack Obama agita o único país desenvolvido sem assistência médica universal
Por 35 anos, a clínica do ginecologista americano Joseph Manley prosperou em Kansas City. O sucesso permitia que ele morasse no bairro mais influente da cidade e, todos os anos, trocasse o modelo de seu inseparável Porsche. No fim da década de 1980, a vida de sonho começou a desmoronar. Ele passou a ter dificuldades em controlar seus movimentos musculares e foi obrigado a abandonar o trabalho. Perdeu sua mansão, os carros serviram para pagar os credores e, muitas vezes, o dinheiro para comprar comida acabou gasto na farmácia.
Manley foi vítima de um efeito cascata bem conhecido por muitos de seus conterrâneos e que, atualmente, está no centro de uma das principais discussões do país onde não há assistência médica universal: está sem dinheiro, sem plano de saúde e sem tratamento. Cerca de 46 milhões de americanos não estão segurados e outros milhões não têm planos adequados para fazer tratamentos.
Uma reforma profunda no sistema de saúde americano é a maior bandeira do governo Barack Obama, e sua aprovação deve determinar o êxito ou o fracasso da administração do democrata. Entre as mudanças sugeridas, estão a criação de um plano de saúde estatal para concorrer com os privados e a concessão de subsídios aos norte-americanos com dificuldades em adquirir um seguro.
Até que o presidente possa sancionar a lei, porém, há muitos obstáculos a deixar para trás. Resistentes à interferência do Estado na Economia, os republicanos opõem-se fortemente à proposta, assim como muitos cidadãos americanos. Até alguns democratas criticam a lei do presidente.
A batalha por um sistema de saúde universal começou há um século, com Theodore Roosevelt (1901-1909), e desde então foi perdida pelos presidentes Harry Truman (1945-1953), Richard Nixon (1969-1974), Jimmy Carter (1977-1981) e Bill Clinton (1993-2001) – indício de como a causa é politicamente complicada.
Após meses de polêmica e mais de 10 horas de debates na Câmara, os deputados aprovaram a lei no dia 8 deste mês, com uma margem apertada de 220 votos a favor – 219 democratas e um republicano – e 215 contra – 176 republicanos e 39 democratas.
A votação preparou terreno para uma disputa igualmente difícil no Senado, onde os líderes democratas têm se esforçado para obter os 60 votos necessários para a aprovação.
A saúde nos EUA
Como é
- Não há sistema universal de saúde. O governo oferece seguro de saúde apenas para grupos específicos.
- Os americanos utilizam planos privados, geralmente oferecidos pelos empregadores, nos quais um percentual dos gastos é pago pelos funcionários. Outras pessoas contratam planos por si.
- A maioria dos planos de saúde cobra mensalidades regulares, mas os clientes também têm de pagar, às vezes, parte do custo do tratamento antes que o seguro cubra os gastos (chamado de “dedutível”). O valor pago varia de acordo com o tipo do plano escolhido.
Os planos do governo
MEDICARE
- Oferece seguro de saúde aos maiores de 65 anos, portadores de deficiências físicas que recebem benefício da Previdência e pessoas que sofrem de doenças específicas. Atende 43 milhões e é financiado pelo governo federal.
MEDICAID
l Beneficia crianças e adultos pobres que se enquadrem nas exigências estaduais, pessoas com doenças crônicas ou deficiências físicas. Atende 59 milhões e é financiado pelo governo federal e pelos estados.
S-CHIP
- O Seguro-Saúde Estatal para Crianças (S-Chip, da sigla em inglês) atende crianças cujos pais têm renda baixa, mas não são pobres o suficiente para requisitar o Medicaid.
PLANO MILITAR
- Atende militares veteranos
Qual é o problema
- Os custos por pessoa com saúde aumentaram drasticamente. As mensalidades dos planos fornecidos pelos empregadores tiveram um crescimento quatro vezes superior ao dos salários e, hoje, custam nove vezes mais do que há nove anos.
O impacto
- Devido aos custos, cada vez mais americanos não conseguem pagar os planos.
- Metade das falências pessoais nos EUA são causadas, pelo menos parcialmente, por gastos com saúde.
- O aumento nos custos também faz com que o governo tenha de gastar mais com o Medicare e o Medicaid.
A lei de Obama
O que propõe
A proposta do presidente pretende ampliar o seguro de saúde para 36 milhões de americanos sem assistência médica, modernizar o sistema e diminuir custos de programas públicos a longo prazo. Confira algumas das medidas:
- Obriga os cidadãos a pagar as mensalidades para seguradoras privadas ou a um plano público, com a ajuda de subsídios, sob pena de multas.
- Cria um plano de seguro público, “a opção pública”, que concorrerá com os privados para incentivar a diminuição do preço das mensalidades.
- Dá subsídios aos cidadãos para o pagamento do seguro.
- Impede práticas irregulares das seguradoras, como a restrição de atendimento a portadores de doenças pre-existentes.
- Estabelece novos parâmetros para ajudar pequenos empresários a fazer a cobertura de seus funcionários.
- Cria fundo de reserva para reforma da saúde, financiado em parte com aumento de impostos para os mais ricos.
Quanto custará
- O custo previsto para o governo é de US$ 1 trilhão durante 10 anos. Se for contado o que será arrecadado em multas, afirmam os democratas, seu valor total será inferior a US$ 900 bilhões.
Nas telas
- Os problemas do sistema de saúde americano são tema do documentário Sicko – S.O.S. Saúde, do polêmico cineasta Michael Moore. O filme foi Indicado ao Oscar em 2008.  (Diário Catarinense)
 
 
 
 
 

16.11 - Aposentados. A ociosidade pode ser a causa de doenças
Pesquisa feita na França conclui que a saúde das pessoas melhora quando se aposentam (Leia no serviço à direita da página). O estudo avaliou 15 mil trabalhadores e constatou o ganho de até 10 anos na expectativa de vida. No Brasil, o Ministério da Saúde aponta outra realidade. Cerca de 80% dos aposentados (idosos) têm pelo menos um problema de saúde.
Os dados divulgados na “Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa”, publicada pelo Ministério da Saúde em 2006,  foram retirados do Censo Demográfico 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Eles mostram que apesar do índice elevado de doentes entre a população com mais de 60 anos, quando questionados sobre sua saúde,  metade (50%) dos idosos a considerou regular; 32% como boa ou ótima e só 22,6% como ruim ou muito ruim.
O médico Celso Anderson de Souza, que aos 82 anos atende idosos no consultório da Associação dos Aposentados e Pensionistas de Lages (AAPL), discorda que parar de trabalhar faça bem para a saúde. Segundo ele, isso só ocorre na prática se a atividade é pesada, consome muito esforço ou oferece riscos para saúde. “É de se presumir que quanto mais desgastado esteja o organismo mais disposto está ao surgimento de patologias (doenças), decorrentes da passagem do tempo e do uso mais ou menos intenso dos órgãos”, diz o clínico geral e especialista em ginecologia e obstetrícia.
Para o médico, a própria faixa etária da aposentadoria está associada ao período de aparecimento de problemas como hipertensão, diabetes, neoplasias malignas (cânceres) e artropatias degenerativas (artrose e doenças associadas).
Para o médico, quando o trabalho é prazeroso e traz realização não deixa ninguém doente. “É de se estranhar que essas pessoas venham a se sentir melhores ao parar de trabalhar. A ociosidade não faz bem para ninguém”, observa o médico.
Souza atende em média 15 pacientes por dia no consultório da associação e, por experiência própria, considera nocivo cruzar os braços depois de se aposentar. “Eu costumo dizer o seguinte: diariamente atendo uns mil anos aqui e, se faltar, eu completo”, brinca, o médico ao comparar o ser humano inativo à água parada. “A água parada não cria um limo por baixo? Se estiver correndo não cria o limo. Imagine uma pessoa parada”, diz.
Souza ainda alerta que a pesquisa feita na França não generalizou a população, e sim revelou esse resultado entre pessoas que exerciam trabalhos mais humildes, que seriam os mais agressivos. “É claro que uma pessoa que vai quebrar pedra no Morro Grande vai chegar a uma certa idade com vários problemas. Já a pessoa que não teve tanto desgaste, não”, exemplifica o médico.
É válido lembrar que, de acordo com a cartilha do Ministério da Saúde, a autopercepção da saúde pela pessoa idosa é um importante indicador de risco.
Qualidade de vida
O presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas de Lages (AAPL), Fulvio Nunes, afirma que a entidade não tem estatísticas sobre a realidade dos aposentados da região, mas alega que a qualidade de vida das pessoas depois que param de trabalhar tem influência direta sobre a saúde delas. “Não temos índice, mas que os problemas de saúde aumentam, aumentam”.
Nunes fala que o número de idosos que recebem atendimento médico na associação dobraria ou até triplicaria se a AALL tivesse condições de manter mais médicos prestando o serviço. “O salário quando se aposenta vai diminuindo e a pessoa fica sem recursos para cuidar da saúde”, avalia.
O presidente da associação diz que especialmente os aposentados da região Sul têm um custo de vida alto se comparado ao de outros Estados brasileiros.  “No Nordeste com uma bermuda e camiseta a pessoa está vestida. Aqui no Sul o inverno obriga a ter gastos com vestuário. Quer dizer, o custo de vida aqui é bem maior”.
A aposentada Neuzi Polito, de 65 anos, destaca uma diferença que pode ser fundamental entre a realidade de vida de aposentados na França e no Brasil: como funciona o atendimento público de saúde nos dois países. “A assistência médica deles é melhor que a daqui, onde a gente tem que esperar não sei quantos meses para uma consulta”.
Outra aposentada, Julieta da Silva, de 79 anos, acredita que os idosos estão se cuidando mais e que isso pode sim reduzir problemas de saúde.
A Pesquisa francesa
O estudo foi publicado na revista científica “Lancet”
O levantamento foi realizado por pesquisadores da Universidade de Estocolmo e da University College de Londres.
• O grupo estudado: Cerca de 15 mil funcionários das empresas estatais de gás e eletricidade da França.
• Metodologia aplicada: Os pesquisadores pediram aos empregados que avaliassem suas próprias condições de saúde sete anos antes da aposentadoria e sete anos depois.
• Os resultados: O índice de entrevistados que afirmou não estar bem de saúde caiu de 19%, um ano antes, para 14% um ano depois. As maiores melhorias foram sentidas entre pessoas provenientes de ambientes de trabalho mais humildes. Entre os que ganhavam mais e tinham empregos mais satisfatórios não foram percebidas grandes mudanças.
• Na comparação: A análise dos pesquisadores é de que a diferença entre os problemas sentidos antes de parar de trabalhar e depois da aposentadoria representa um ganho em saúde entre oito e dez anos de vida. O grupo que estudou o comportamento dos trabalhadores também notou que os aposentados passaram a se sentir mais jovens e saudáveis pouco depois de pararem de trabalhar.  (Fabiana Nonjah - Correio Lageado)

16.11 - O amargo do diabetes
Das doenças que avançam nas estatísticas, o diabetes é a que traz o paradoxo de ser passível de maior redução, pela prevenção e, ao mesmo tempo, a que mais vem alcançando os jovens, no mundo inteiro. Hoje, 8% da população têm a enfermidade e para cada pessoa que se sabe portadora da doença, há outra que só descobre quando complicações a levam a perder um pé ou a ficar cega.
Sem aplicar o necessário na prevenção, o poder público gasta fortunas com o tratamento das complicações. Um transplante de rins, por exemplo, chega a superar R$ 100 mil. E a perda da capacidade laborativa ou a necessidade de readaptação leva a perda na produtividade e a gastos evitáveis.
Para cumprir seu papel, a Assembleia Legislativa aprovou a Lei 3885/02, que prevê políticas e diretrizes de atenção e prevenção ao diabetes e realiza no dia 13, no Palácio Tiradentes, um ciclo de palestras voltadas a estimular a organização de associações de diabéticos, aumentar a fiscalização dos recursos e chamar a atenção da sociedade.
Cada vez mais há necessidade de todos se envolverem: a escola, a família, a indústria alimentícia, que precisa oferecer melhores opções e não enganar nos truques de marketing.
E o poder público? Este tem o papel de aplicar os recursos exigidos e de estimular fortemente o processo educacional, considerado fundamental para minimizar o sofrimento de quem é portador da doença e inibir o surgimento nas pessoas que, por hábitos ingenuamente adquiridos, são presas fáceis do açúcar e do sedentarismo traiçoeiros.
Para o diabético, que fique a certeza do autocuidado como o melhor remédio para uma vida adaptada à doença, mas merecedora dos prazeres ao alcance de quem sabe viver.  (O Dia Online)

16.11 - Nova cirurgia para mulheres com câncer
Professor da USP cria técnica para colocação de prótese expansora, que preserva a pele dos seios
Em 2007, a professora de inglês Sandra (nome fictício), então com 47 anos, descobriu três nódulos no seio esquerdo - um de 6 milímetros; os outros dois de 2 mm. Na hora, pensou no pior: teria de retirar os seios - procedimento que destrói a autoestima de qualquer mulher. “Fiquei assustada.” Graças a uma nova técnica que une a remoção da glândula mamária e o implante de silicone, Sandra se livrou da doença e, ao mesmo tempo, ficou mais bonita.
A técnica foi desenvolvida pelo cirurgião plástico Alexandre Munhoz, da USP e titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Ele uniu a mastectomia com a preservação da pele do seio (incluindo a auréola e o mamilo) com o implante expansor, que permite o ajuste do tamanho da prótese. O cirurgião já realizou o procedimento em 35 mulheres desde a criação da cirurgia, em 2004, com resultados satisfatórios. Eles serão expostos em artigo no periódico científico Breast (em dezembro na edição online e, em março, na impressa).
Podem optar pela cirurgia mulheres com câncer em estágio inicial e que não esteja próximo à auréola ou quando há risco do desenvolvimento da doença (a mastectomia redutora de risco). “É uma boa técnica com indicações precisas”, diz o presidente da Sociedade Brasileira de Mastectomia, Carlos Ricardo Chagas. “Só é preciso estar seguro de que o tumor não está embaixo da auréola.”
Segundo Munhoz, a retirada da glândula é feita a partir de uma incisão ao redor da auréola, que depois é reconstruída, deixando uma cicatriz pouco perceptível. É colocada uma prótese de silicone e outra de soro fisiológico, que pode ter o volume aumentando ou diminuído.
A vantagem estética é óbvia - ao contrário de uma prótese de silicone, o tamanho do seio não é definitivo. “É possível fazer pequenas correções em termos de volume e simetria”, diz o cirurgião. Mas existem motivos médicos que justificam o “capricho”. Após a cirurgia, a pele do seio fica sensível. Uma prótese muito grande aumenta a tensão do tecido, que dificulta a cicatrização e pode torná-la mais perceptível. Para evitar esses inconvenientes, Munhoz coloca uma prótese menor de silicone e, após a cicatrização (de 10 a 15 dias), faz os ajustes necessários.
O especialista explica que a prótese de soro pode ter volume de 200 ml a 700 ml. A regulagem é feita no consultório médico. O procedimento é simples: com uma agulha, ele injeta ou retira o soro por meio de uma válvula do tamanho de uma moeda de R$ 0,05, que fica abaixo da pele, ao lado da axila. “Não demora cinco minutos.”
Munhoz diz que a válvula não é perceptível. “A mulher sente como se fosse um pequeno nódulo. Não dói e não incomoda. Apenas em pacientes muito magras pode formar uma leve protuberância.”
Sandra, que passou por cirurgia em julho de 2007, fez duas alterações no volume dos dois seios. Uma logo após receber alta e outra, alguns dias depois. “Antes de sair do hospital, ele me parou e disse: ‘Peraí, só um pouquinho, que vou aumentar’. Me surpreendi.” No final, o que parecia ser uma agressão ao seu corpo se tornou a realização de um sonho. “Tinha seios pequenos e sempre quis fazer implante. Aí, deixei a doença de lado e pensei: vou ficar mais bonita. Foi por ‘livre e espontânea pressão’, mas para melhor.”   (HUMBERTO MAIA JUNIOR - Jornal da Tarde)
 
 
 
 

13.11 - Geradores sustentam operações de hospitais
O Ministério da Saúde informou que colocou em prática um plano de contingência para monitorar a operação dos seis hospitais federais na capital do Rio de Janeiro por causa do blecaute iniciado na noite de terça-feira. A falta de energia foi contornada com a utilização de geradores a diesel e não houve registro de interrupção no atendimento a pacientes. Como o apagão também interferiu no fornecimento de água na cidade, o Departamento de Gestão Hospitalar (DGH) do Ministério decidiu monitorar o consumo de água das unidades, cujos reservatórios têm autonomia até sexta-feira, e precisou solicitar dois caminhões-pipas para o Hospital Federal de Bonsucesso - o maior da rede - à Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae), que prevê normalização no abastecimento até amanhã.
O diretor do DGH, Oscar Berro, disse que a direção de cada hospital foi orientada a manter contato direto com o Corpo de Bombeiros e Defesa Civil para atuação em caso de necessidade. "O DGH manteve contato direto com a Secretaria Estadual de Saúde e o Ministério para acompanhar e avaliar o andamento dos serviços até o fim do apagão, que se deu por volta das 3h45", contou. Além dos das unidades cariocas Bonsucesso, Andaraí, Cardoso Fontes (em Jacarepaguá), Ipanema, Lagoa e Servidores (no bairro da Saúde), o Ministério da Saúde é responsável pelo Grupo Hospitalar Conceição, no Rio Grande do Sul, onde não houve registro de atividades fora da rotina.
No âmbito estadual, a subsecretária estadual de Saúde do Rio, Hellen Miyamoto, disse que diretores dos hospitais da rede estadual, diretores-médicos e seus auxiliares diretos fizeram plantão até o restabelecimento da energia no Estado. Além disso, foi determinado que ambulâncias do Samu e do GSE ficassem de prontidão nas unidades para a eventualidade de transferências emergenciais de pacientes entre hospitais. A ação também inclui o posicionamento de dez ambulâncias no quartel central do Corpo de Bombeiros, no centro do Rio, e a presença de oficiais da corporação que atuam nos serviços pré-hospitalares. A subsecretária também esclareceu que a utilização de geradores a óleo diesel permitiram que os hospitais estaduais funcionassem normalmente, principalmente as áreas críticas como centros de terapia intensiva (CTIs) e centros cirúrgicos. "A capacidade de funcionamento dos geradores varia de acordo com o tamanho do tanque de combustível do equipamento, que pode ser reabastecido", explicou Hellen.
A central de regulação de vagas dos 70 hospitais estaduais de São Paulo informou que não houve registros de ocorrências em função do blecaute. "Todos as unidades são providas de geradores, que são acionados automaticamente por sensores na falta de energia." Na região central da cidade de São Paulo, o hospital privado Nove de Julho foi afetado pelo apagão. Um dos três geradores do hospital não funcionou e deixou os pacientes dos quartos do 11º andar às escuras. A luz de emergência foi acionada apenas nos corredores e posto de enfermagem, mas ainda assim o atendimento às pessoas internadas nos 16 quartos foi prejudicado. A CTI e o centro cirúrgico, que também ficam no 11º andar, precisaram de luzes de emergência para serem utilizados. Segundo Regina Tranchesi, diretora técnica do Nove de Julho, apenas uma cirurgia estava sendo realizada no momento do apagão e não houve nenhum dano ao procedimento, uma vez que os equipamentos médicos contam com sistema "no break" e baterias. As cirurgias consideradas simples foram adiadas. Operações também foram canceladas no Getúlio Vargas, maior hospital de Recife. A capital pernambucana ficou sem energia por 35 minutos. (Luciano Máximo,  colaborou Beth Koike - Valor Online)

13.11 - APM lança exclusivo Clube de Benefícios 
A Associação Paulista de Medicina (APM) acaba de lançar o Clube de Benefícios. É um novo conceito de oferta de vantagens que traz serviços exclusivos, produtos com preços especiais, bem mais atrativos do que os praticados no mercado, além de aliar tecnologia segura e informações personalizadas.
O Clube de Benefícios nasce de uma parceria com a OGI, empresa de soluções inteligentes em tecnologia. Possui proposta e plataforma absolutamente inovadoras para atender, on-line e quase em tempo real, aos anseios e demandas dos sócios com conforto e alto nível de satisfação. Haverá oportunidades imperdíveis de empresas de porte, como Brastemp, Consul, CVC, Bradesco, Amex e outras dos segmentos de computadores, hotéis, academias, vestuário, locadoras de veículos, automóveis, só para citar alguns exemplos.
“A atual diretoria da APM, além de aperfeiçoar constantemente suas ações nas áreas científica, social, cultural, de defesa profissional e assistência à saúde, tem como prioridade buscar novos meios de responder às necessidades dos colegas médicos, sempre de forma moderna, prática e efetiva. O Clube de Benefícios é uma ferramenta essencial para ofertar bons negócios e trazer boas experiências e vantagens aos sócios”, define o diretor de Eventos da APM, Lacildes Rovella Júnior.
O processo é simples, rápido, interativo e totalmente on-line. Basta acessar o portal da APM (www.apm.org.br) e clicar no banner Clube de Benefícios, ou acessar diretamente o hotsite www.clubedebeneficios.apm.org.br. Se o médico aceitar o convite, automaticamente será baixado um programa leve (40 KB), 100% seguro e sem risco qualquer à privacidade, acompanhado de um telefone virtual. As duas ferramentas, juntas, permitirão o contato on-line entre o call center do Clube e o sócio. Elas estarão disponíveis após o lançamento oficial do Clube, a partir de novembro.
Ronaldo Perches Queiroz, diretor de Tecnologia da Informação da APM, destaca que o principal objetivo do Clube é ir ao encontro das necessidades e dos interesses dos sócios da entidade, que poderão ter benefícios com economia, qualidade e tratamento diferenciado, de forma que a APM preste serviços cada vez melhores aos médicos.
Ainda nesse primeiro contato, o médico será estimulado a estabelecer o seu perfil, informando, com alguns cliques, quais são suas preferências para receber informações e ofertas de produtos/serviços em 12 categorias, entre as quais lazer, esporte, viagens, etc.
“Essa interação tem até interface humana: uma apresentadora aparece na tela do computador e explica os benefícios ao associado”, adianta o presidente da OGI, Edvaldo Ogeda.
Nesse processo, é interessante que o associado seja o mais criterioso possível em suas respostas, pois, assim, só receberá informações e ofertas adequadas ao seu perfil, interesses e necessidades. Dessa maneira, evita-se a saturação de mensagens de menor importância e uma possível perda de outras que realmente atendam aos seus anseios.
“Os e-mails indesejados e o telemarketing sem limites levam os usuários a direcionar a maior parte das mensagens para o lixo eletrônico”, analisa Paulo Marcos, diretor comercial da OGI. “O grande volume de informações acaba dispersando a atenção e a comunicação relevante pode se perder”, completa.
É fundamental destacar que o programa do Clube de Benefícios não altera em nada a performance do computador e pode ser instalado em mais de uma máquina, em casa, no consultório ou no notebook, por exemplo. O médico pode visualizar as ofertas em tempo real, ou quando desejar, com total autonomia. “Como a tecnologia é muito amigável, o associado escolhe quando e se quer ver o benefício”, ressalta Ogeda. “Ele configura a periodicidade com que deseja receber as informações e, se estiver ocupado no momento programado, pode agendar outro dia e horário”, acrescenta Paulo Marcos.
O presidente da Associação Paulista de Medicina, Jorge Carlos Machado Curi, destaca que o volume de trabalho do médico torna essenciais a objetividade e a praticidade do Clube: “Esse é um serviço com foco no interesse do médico, de modo que ele possa gerenciar melhor seu tempo.”
Privacidade assegurada 
Um termo de compromisso garante que as informações dos usuários fiquem sob os cuidados da APM e não sejam utilizadas para outros fins, de forma a preservar totalmente a privacidade do usuário. Essa segurança se dá pela tecnologia do programa instalado.
“A Associação Paulista de Medicina assegura o sigilo sobre os dados informados, como sempre fez em outras ocasiões”, garante o diretor de Marketing da APM, Nicolau D’Amico Filho.
Além de tomar conhecimento das ofertas on-line, a intenção é que o médico possa fechar negócios pela internet, com toda a comodidade, sem a necessidade de reuniões ou visitas, pois todas as informações sobre os produtos, serviços e condições especiais estarão ao seu alcance, onde e quando quiser.
Credibilidade e tecnologia
“Existia um desejo de integrar as ações dos Departamentos de Serviços e de Marketing da APM, no sentido de levar um diferencial aos sócios, em quantidade e qualidade”, esclarece o diretor de Serviços aos Associados da entidade, Paulo Falanghe. “Daí nasceu o Clube de Benefícios.”
Inspirada em modelos internacionais de associativismo, a APM aposta no oferecimento de vantagens personalizadas e ferramentas de conveniência que facilitam a rotina atribulada dos profissionais e, ao mesmo tempo, são capazes de satisfazê-lo e fidelizá-lo. “Para gerenciar esse modelo de Clube, procuramos uma alta tecnologia que possa levar ao médico os benefícios com segurança e toda a facilidade”, comenta D’Amico.
A parceria tem como base a credibilidade da Associação Paulista de Medicina e os contatos de seus associados, aliados à tecnologia e à proposta inovadora de comunicação relacionada a bens e serviços da OGI. “Certamente, são grandes atrativos para que as empresas mais atentas se tornem parceiras do Clube e ofereçam condições inéditas aos médicos”, diz o diretor comercial da OGI.
O diretor de Serviços aos Associados, Paulo Falanghe, ressalta ainda que, com o Clube, a APM passa a se relacionar mais rapidamente com o sócio, pois ele fica conectado com a entidade. “Podemos conhecê-lo ainda melhor e, assim, atender as suas expectativas de maneira cada vez mais eficiente”.
Serviço
Clube de Benefícios
Diretoria
Nicolau D’Amico Filho – Diretor de Marketing da APM
Lacildes Rovella Júnior – Diretor de Eventos da APM
Paulo Falanghe – Diretor de Serviços aos Associados da APM
Ronaldo Perches Queiroz – Diretor de Tecnologia da Informação da APM
Edvaldo Ogeda – Presidente da OGI
Paulo Marcos – Diretor Comercial da OGI
Hotsite – www.clubedebeneficios.apm.org.br
Call Center - (11) 4003 7475   (Assessoria de Imprensa da APM)

13.11 - CPMF, o retorno
O fim da CPMF - a Con­tribuição que deveria ser Provisória sobre Movimentação Financeira, mas infelicitou o Brasil durante longos 15 anos - representou a mais im­portante vitória da sociedade brasileira, ainda que parcial, contra um sistema tributário arcaico e regressivo, que arrecada mais de quem tem menos. Porém, desde o fim de 2007, quando o Congresso Nacional se redimiu de haver mantido por uma década e meia esse tributo esdrúxulo sem paralelo no planeta, o governo vem tentando reinventálo, de maneira insidiosa.
Em uma afronta à Constituição e à consciência jurídica do país, no início de 2008 o Executivo inseriu, em um projeto de lei que visava regulamentar a provisão dos recursos destinados à manutenção da saúde pública, a criação de uma CSS - Contribuição Social para a Saúde. Ou seja, a mesma CPMF criada e prorrogada por meio de emenda constitucional, e dessa forma extinta pelo Congresso, ameaçava voltar à vida com outro nome e por meio de uma esperteza legislativa, semelhan­te a tantas outras usadas para assaltar o bolso do contribuinte.
Ocorre que no primeiro semestre do ano passado as nuvens carregadas da crise internacional ainda não eram visíveis no horizonte de nossa economia, que crescendo a taxas de 5% ao ano impulsionou a arrecadação tributária de forma a compensar sobejamente a perda da CPMF. Este fator, aliado ao temor do impacto que a recriação do tributo poderia ter nas eleições municipais, levaram as hostes governistas a deixarem a CSS no limbo das votações inconclusas.
Agora, alegando que a gripe suína impôs gastos extras e insustentáveis à sua pasta, no mesmo momento em que o orçamento da União sofre pesada sangria em razão da crise e das desonerações tributárias concedidas pelo governo, o ministro da Saúde, osé Gomes Temporão, mobiliza a base aliada na Câmara dos Deputados para tentar aprovar a CSS com uma alíquota de 0,1%.
Esta iniciativa, como não poderia deixar de ser em razão de seu caráter nocivo à economia, à sociedade e ao próprio ordenamento jurídico do país, provocou imediatas reações contrarias, e não apenas da oposição ao governo no Parlamento. A Fecomercio (Federação do Comércio do Estado de São Paulo) argumentou que com a redução da taxa Selic o governo poderia usar na saúde o dinheiro economizado no pagamento dos juros da dívida pública.
O secretário municipal da Saúde de São Paulo, Januário Montone, salientou que, embora sua área precise realmente de mais dinheiro, não considera adequado juntar a regulamentação do setor com a recnação do tributo, Na mesma linha, a CUT (Central Única dos Trabalhadores) afirmou que um novo imposto não deve ser criado "por fora" da reforma tributária. E a Força Sindical acrescentou a constatação que o bom senso evidencia: este é um péssimo momento para aumentar a tributação.
Todos os brasileiros se preo­cupam com a gripe suína, mas este flagelo não pode ser invocado de maneira chantagista para acobertar outra ameaça que não é menos grave, como a expansão sem pre­cedentes dos gastos do governo, provocada pelo inchaço da máquina pública. Durante o tempo que vigorou, a CPMF arrecadou mais de R$ 300 bilhões, que foram usados para tudo, menos para me­lhorar o sistema de saúde pública do país, como evidenciou, no período, a epidemia da dengue.
Apesar do fim da CPMF e dos R$ 40 bilhões anuais que ela re­presentava, a arrecadação, ao contrário de encolher como se anunciava, bateu recordes sucessivos, sem que o governo aproveitasse esse tempo de vacas gordas para abandonar as incoerências que marcaram a execução orçamentária dos últimos anos, pautada pelo cres­cimento descontrolado das despesas de custeio.
Uma alíquota de 0,1% representaria hoje apenas mais R$ 10 bilhões no orçamento do Ministério da Saúde - caso efetivamente o dinheiro fosse para lá. Essa quantia pode e dever ser obtida de outras fontes, sem que seja preciso lançar mão de um tributo cobrado em cascata, que onera o preço do produto final em cada cadeia produtiva.
O sistema tributário é a espinha dorsal da organização económica, política e social de um país. Por meio dele se definem as relações das pessoas físicas e jurídicas com o Estado, em todos os níveis. A forma como esse sistema se estrutura determina o nível de investimentos na economia e a capacidade das em­presas em competir no mercado internacional. Influi na distribuição da renda, porque, quando os tributos não são cobrados na medida das possibilidades de cada um, a riqueza inevitavelmente se concentra ainda mais.
Por todas estas razões a sociedade não pode concordar com a recriação de um tributo sem legi­timidade nem reciprocidade, como foi a CPMF. Nem pode aceitar passivamente o expediente que se eternizou no Brasil, de o governo de turno sempre aumentar a tributação para fazer frente a um pro­blema, em vez de direcionar re­cursos que estão sendo esbanjados para onde se precisa deles, como no caso da gripe suína.
Um regime tributário globalmente competitivo possui cinco regras básicas: 1) Não taxar a produção ou o faturamento; 2) Focar a tributação no consumo e no destino final de bens e serviços; 3) Não tributar a renda poupada a longo prazo, estimulando a acumulação previdenciária; 4) Não exportar tributos nem prejudicar a produção doméstica frente aos produtos e serviços importados; 5) Explicitar os tributos e sua incidência na formação do preço final. Qualquer tributo com base na mo­vimentação financeira - chame-se CPMF ou CSS, tenha o nome oua alíquota que tiver -conseguirá sempre a proeza de contrariar todas elas.
A CPMF significou um dos episódios mais grotescos deste filme de péssima qualidade em que se transformou o sistema tributário brasileiro. A mesma sociedade organizada - reunindo trabalhadores, aposentados, consumidores e empresários - que há dois anos se mobilizou para eliminar esta anomalia, exige agora que o Congresso Nacional não se curve diante de mais uma truculência destinada a alimentar e perpetuar a orgia dos gastos públicos inúteis.
O que a nação espera, ao contrário, é que se conclua a reforma tributária, simplificando o sistema e reduzindo a carga de impostos que onera o setor produtivo da economia, para que o Brasil possa consolidar sua recuperação e voltar a crescer na justa medida de suas potencialidades e necessidades.
Abram Szajman, presidente da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio), do Sebrae-SP e dos Conselhos Regionais do Sesc e do Senac. (Jornal do Brasil)
 
 
 
 
 

12.11 - Gripe suína faz estragos nos balanços do setor
A temperatura já subiu, a gripe foi embora e a crise econômica parece mais distante. Mesmo assim, para as empresas e seguradoras de saúde o assunto é mais presente do que nunca. Isso porque a maioria dos balanços do terceiro trimestre, que será divulgada nos próximos dias, vai trazer os fortes efeitos que o vírus H1N1 e o medo do desemprego causaram aos custos dos operadores de planos. Porto Seguro e SulAmérica admitem os estragos.
O diretor da Porto Seguro Newton Pizzoti explica que a empresa foi mais afetada pela crise do que pela gripe suína. Segundo ele, um segurado demitido que mantém um contrato por até seis meses em função da legislação ou de acordos coletivos e perde o emprego aumenta sua sinistralidade para 170%. Na carteira da seguradora, conta o diretor, a média de desempregados normal é de 5% e, este ano, chegou a 10%. "Além disso, nos últimos três meses antes de ser demitido, um trabalhador aumenta o uso do plano em 20%", explica Pizzoti.
O diretor acrescenta ainda que a seguradora fez uma opção no ano passado de mudar a estratégia, corrigir os preços para ter ganho de resultado. Isso gerou uma perda de participação de mercado, mas a longo prazo também trará um efeito positivo para a Porto Seguro, afirma Pizzoti.
Gabriel Portella, vice-presidente de saúde da SulAmérica, conta que nos contratos da empresa o aumento de frequência por conta da gripe suína foi da ordem de 10%. No entanto, minimiza o impacto dessa elevação nos custos da companhia porque a maioria dos atendimentos foi de nível ambulatorial. Mesmo nos casos de internação, o período médio foi muito curto, de três dias. Ele alega que o impacto será maior para empresas que utilizam rede própria de atendimento. Em relação ao desemprego, o pico da utilização aconteceu entre abril e maio.
No entanto, basta olhar para o primeiro balanço do setor, do Bradesco Saúde, divulgado na quarta-feira, para ver o impacto. Apesar de ter obtido aumento de 6% no faturamento, o resultado apresentou queda de 16,8% em relação ao trimestre anterior porque a sinistralidade subiu 3,2 pontos, de 86% (já considerada alta) para 89,2%.
Analistas do mercado como Iago Whately, do banco Fator, ou Renata Faber e Marcio Osako, do Itaú, acreditam que Amil, Porto Seguro, SulAmérica e Medial sofrerão efeitos nos resultados do trimestre.
Em relatório, Iago Whately analisa que a sinistralidade "continuou elevada no terceiro trimestre por conta do aumento significativo na frequência de atendimentos em consequência da epidemia de influenza A", a gripe suína. Ele, no entanto, já vê uma redução no uso dos planos de quem estava antecipando tratamentos em função de risco de perda do emprego. Mas o analista alerta que a retomada no mercado de trabalho tem sido lenta e que os cortes de custos nas empresas brasileiras, em decorrência da crise, levaram à contratação de planos de saúde mais baratos, prejudicando as receitas do setor.
Dados da AON, que presta serviços para quase todas as grandes empresas de saúde, como Bradesco, SulAmérica e Unimed, mostram que o aumento da sinistralidade do segundo para o terceiro semestre chegou a 13% em alguns contratos, atingindo 89,9%. Segundo o diretor da consultoria, Humberto Torloni Filho, para alguns planos o aumento do custo do usuário chegou a R$ 6,76. "Houve uma infeliz coincidência que trouxe uma carga maior para os contratos, a gripe e a crise", afirma Torloni.
Só para ter uma ideia do peso desta coincidência nas empresas, a Unimed-Rio teve um aumento de custo da ordem de R$ 5 milhões por mês entre maio e agosto, numa carteira de cerca de R$ 100 milhões, com um aumento global de 20% nas consultas. "Em 2008, na época da dengue, este aumento foi de R$ 3 milhões", lembra Eduardo Assis, superintendente médico da Unimed-Rio. Só o número de cirurgias eletivas, aquelas que não são de emergência, foram feitas 600 a mais por mês , numa média mensal de sete mil.
Para o próximo trimestre, a previsão dos analistas é de um período de acomodação e redução da sinistralidade. O analista do Fator afirma que a sinistralidade geral ainda será alta, mas deve cair um pouco, principalmente porque diminuiu a incidência de doenças respiratórias e a economia está melhorando, o que gera aumento de receita. Pizzoti, da Porto Seguro, confirma o momento e diz que sua carteira se estabilizou e começa a ter um crescimento modesto.
Consultadas pelo Valor, Amil e Medial alegaram estar em "período de silêncio" e preferiram não se pronunciar.   (Paola de Moura -  Valor Online)

12.11 - SUS muda regra para tratar doenças graves
Serão atualizados tratamentos de asma grave, deficiência do hormônio do crescimento, Alzheimer, osteoporose e até acne
Tratamentos de hipertensão arterial pulmonar, puberdade precoce e síndrome do ovário policístico passarão a ter orientação padronizada
O Ministério da Saúde atualizará a forma como os médicos da rede pública tratam 53 doenças graves e criará orientações para o tratamento de 33. O SUS (Sistema Único de Saúde) ficará obrigado a dar aos doentes todos os remédios previstos nas novas orientações.
Antes de fazer as mudanças, o ministério realizará consultas públicas de um mês para ouvir sugestões de entidades de médicos e de doentes.
Serão atualizados tratamentos de asma grave, deficiência do hormônio do crescimento, Alzheimer, osteoporose e até acne. Os médicos hoje seguem tratamentos de quase dez anos atrás, quando os remédios não eram tão avançados e se sabia menos sobre as doenças.
Entre as doenças que passarão a ter orientações de tratamento estão hipertensão arterial pulmonar, puberdade precoce e síndrome do ovário policístico. Cada médico hoje prescreve um tratamento distinto.
Ainda não se sabe quanto o SUS gastará com as mudanças. Para o secretário nacional de Atenção à Saúde, Alberto Beltrame, elas são importantes pois garantem tratamentos seguros e modernos e levam o médico a se atualizar.
Beltrame também crê que as novas diretrizes orientarão juízes diante de ações em que pacientes exigem medicamentos do governo. A tendência é que a Justiça negue os pedidos caso os remédios não façam parte das orientações do SUS.
O "Diário Oficial" da União de hoje já publica as orientações revistas para o tratamento de espasticidade e distonia, doenças musculares que atingem mais de 1,8 milhão de novas pessoas por ano no país. E abre consulta pública para a rever o tratamento de oito doenças, como hipotireoidismo congênito, doença falciforme e esclerose lateral amiotrófica.
As consultas para as demais doenças serão abertas ao longo das próximas semanas. As informações estarão no site www.saude.gov.br.
Dos 190 milhões de brasileiros, 150 milhões dependem exclusivamente do SUS.  (RICARDO WESTIN - Folha de S.Paulo)

12.11 - 11% dos brasileiros têm diabetes
Pesquisa revela que prevalência da doença no Brasil é maior do que a encontrada em outros estudos
Pesquisa traçou perfil do paciente; foram ouvidos 1.275 diabéticos entre 18 e 75 anos de idade em 11.528 domicílios em todo o país
O diabetes atinge 11% dos brasileiros, mostra um estudo que traçou o perfil da doença no país e será apresentado hoje no congresso da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, em São Paulo.
Este é o levantamento mais recente sobre a prevalência da doença no Brasil -o último foi realizado pela Sociedade Brasileira de Diabetes em 1988 e a prevalência era de 7,6%.
A pesquisa ouviu 1.275 diabéticos, entre 18 e 75 anos, em 11.528 domicílios do país.
"Há outros dados sobre a doença, mas é a primeira pesquisa que traçou um perfil completo do diabético mostrando quem é ele, como ele se trata, do que precisa", diz o cirurgião Luiz Vicente Berti, presidente do congresso e um dos coordenadores do estudo.
Ele diz que o número encontrado está dentro do esperado, mas pode ser até maior, pois muitos podem ter a doença sem saber. "Não sabemos se há um crescimento dos casos devido ao aumento da obesidade ou se sempre foi assim e o diagnóstico está melhor", avalia.
"Na pesquisa feita na década de 80, metade não sabia do diagnóstico de diabetes. Isso porque é uma doença silenciosa, não dói, não sangra e por isso é subavaliada", lembra o endocrinologista Carlos Eduardo Couri, da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto.
O estudo mostra que só 20% dos doentes têm plano de saúde. Esses costumam ir ao médico apenas quatro vezes ao ano -o ideal seria controlar a doença a cada dois meses. Os que não possuem seguro vão ao médico, em média, 1,7 vez ao ano.
Um dos dados que chamaram a atenção foi o fato de que a maioria dos diabéticos não são obesos -67,6% dos entrevistados têm peso normal ou sobrepeso. Como era esperado, grande parte deles, 79,6%, são portadores do tipo 2 da doença.
Esses dados coincidem com os de outro estudo brasileiro, realizado pela SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes), apresentado no Congresso Internacional de Diabetes, no Canadá, e publicado na revista "Diabetology & Metabolic Syndrome".
A endocrinologista Marília de Brito Gomes, presidente da SBD e autora do estudo, analisou dados de 1.382 pacientes com diabetes tipo 2, que estavam em tratamento havia mais de seis meses em 13 hospitais públicos de oito cidades.
Entre os pacientes avaliados, 35,4% eram obesos, 42% estavam com sobrepeso e 22,6% tinham o peso adequado.
Fatores de risco
Gomes avaliou ainda o controle glicêmico, reuniu os fatores de risco (colesterol elevado, tabagismo, sedentarismo, pressão, idade) e calculou a probabilidade de desenvolvimento de doença cardiovascular.
Quase 30% dos voluntários reúnem ao menos três fatores de risco para problemas cardiovasculares -uma das principais complicações da doença. O fator mais presente foi o colesterol alto (encontrado em 80,8% da amostra). Só 4% não tinham nenhum fator de risco.
Para Gomes, os resultados desse perfil mostram que mudanças simples de hábito -como parar de fumar, perder peso, praticar atividades físicas- podem prevenir o aparecimento do diabetes e das complicações associadas.
Comer frutos do mar eleva risco do tipo 2 da doença
A ingestão regular de frutos do mar (camarão, mariscos, mexilhão e caranguejos) aumenta em 36% o risco de diabetes tipo 2. É o que afirma estudo com 9.801 homens e 12.183 mulheres saudáveis, publicado na revista "Diabetes Care".
Os voluntários informaram o consumo semanal de frutos do mar e de peixes brancos (bacalhau, salmão, atum e cavala). Após dez anos, 725 participantes desenvolveram a doença.
Os pesquisadores constataram que o risco de desenvolver o problema era 25% menor entre aqueles que ingeriam uma ou mais porções de peixe por semana, enquanto o risco aumentava em 36% entre os que comiam quantidades semelhantes de frutos do mar. Os pesquisadores excluíram fatores de risco como tabagismo, obesidade e dieta inadequada.
A britânica Nita Forouhi, autora do estudo, diz que o aumento do risco pode não estar associado à ingestão dos frutos do mar, mas ao modo de preparo, com óleos, molhos e temperos que aumentam o colesterol.
O endocrinologista Augusto Pimazoni Neto, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, concorda. "As pessoas acham que consumir frutos do mar faz bem para a saúde. O problema é que elas se esquecem de preparar esses alimentos sem gordura."
O endocrinologista Roberto Betti, do Núcleo de Diabetes do InCor (Instituto do Coração), complementa dizendo que quanto maior é a ingestão de gordura, maior é o risco de síndrome metabólica -fator de risco para o desenvolvimento de diabetes tipo 2.  (FERNANDA BASSETTE e GABRIELA CUPANI - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

11.11 - Tratamento oral contra o câncer
A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) realizou consulta pública para apresentação de críticas e sugestões referentes à minuta da Resolução Normativa que dispõe sobre a atualização do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde. Trata-se da referência básica para cobertura assistencial mínima nos planos privados de assistência à saúde contratados a partir de 1º de janeiro de 1999.
Na minuta da Resolução fica evidenciado que não está garantido o acesso à quimioterapia oral domiciliar aos pacientes de câncer. A redação do artigo 16, parágrafo único e inciso VI permite a exclusão assistencial do fornecimento de medicamentos para tratamento domiciliar: aqueles prescritos pelo médico assistente para administração em ambiente externo ao de unidade de saúde.
A Associação Brasileira do Câncer (ABCâncer), absolutamente comprometida com seu público-alvo - o paciente, encomendou uma pesquisa qualitativa com objetivo de entender, junto a pacientes usuários de quimioterapia oral, a avaliação que fazem desse tipo de tratamento. É importante destacar que é reservada ao médico a indicação do procedimento adequado.
A pesquisa revelou que a quimioterapia oral se mostra mais positiva que a intravenosa. Com ela, o paciente tem ganhos físicos e emocionais. O tratamento é feito em casa, o paciente não tem que mudar radicalmente sua rotina, não precisa ter que dispor de dinheiro para ir até o local, nem ter alguém disponível para acompanhá-lo. Por tratar-se de um comprimido - o paciente se sente menos doente, fazendo um tratamento distante do ambiente hospitalar.
Pelos motivos expostos, a ABCâncer defende cabalmente o acesso dos pacientes oncológicos aos medicamentos orais, também em âmbito domiciliar, dentro da cobertura mínima do rol. Os pacientes que possuem planos de saúde pagam as mensalidades na expectativa de terem acesso ao tratamento adequado. Facultar às operadoras o acesso a esses medicamentos é mais um obstáculo na batalha contra a doença. Defendemos que a pesquisa é um elemento legítimo de convencimento à ANS para melhor compreensão das reais necessidades dos pacientes com câncer e de suas preferências.
Hoje o câncer não é mais uma sentença de morte e não são raros os pacientes que vencem a doença e conseguem levar uma vida útil e saudável. Mas para isso, é necessário ter acesso ao tratamento adequado. A ABCâncer apoia pacientes e familiares e a resposta que temos quando eles vencem a batalha é o que nos estimula a continuar lutando nesta causa.  (Marília Casseb - Diário de Ribeirão)

11.11 - Mortalidade feminina: Falta de assistência
Até o fim deste ano 4 milhões de meninas morrerão por doenças que podem ser prevenidas e 2,5 milhões de idosas ficarão cegas por causas evitáveis devido às dificuldades que as mulheres têm para obter assistência sanitária, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
A organização apresentou nesta segunda-feira (9) um relatório que revela as necessidades sanitárias das mulheres.
O texto mostra que a desigualdade social entre sexos é tão grandes que as vantagens biológicas e de comportamento preexistentes nas mulheres não são suficientes para garantir uma vida mais saudável e longa a elas.
Segundo a pesquisa, as mulheres têm mais dificuldades que os homens para se curar de doenças por causa das desigualdades em matéria de educação, renda e emprego.
A OMS estima que, neste ano, meio milhão de mulheres morrerão de aids, outro meio milhão de tuberculose, e outras 500 mil por causas derivadas da gravidez e do parto.
Em nível mundial, a aids é a principal causa de morte entre mulheres em idade reprodutiva.
As complicações na gravidez e no parto são o principal fator de risco de morte em mulheres de entre 15 e 19 anos, e também o que mais separa países ricos e pobres, dado que 90% dos casos são registrados nas nações em desenvolvimento.
"As meninas e as mulheres são particularmente vulneráveis à infecção pelo HIV devido a uma combinação de fatores biológicos e desigualdades de gênero, sobretudo nas culturas que limitam o conhecimento sobre o vírus e sua capacidade de se proteger e de se manter relações sexuais sem risco", segundo o texto.
As relações sexuais forçadas e a violência sexual são outros elementos de risco para a saúde das mulheres.
"A violência contra as mulheres ocorre no mundo todo e tem graves implicações sanitárias", aponta o relatório.
Sobre as meninas, os dados da OMS mostram que 6,8% das menores sofreram algum tipo de abuso sexual sem contato; 13,2% abuso sexual com contato; 5,3% abuso com penetração sexual; e 25,3% qualquer forma de abuso sexual.
Além disso, em situações de conflito ou pós-conflito a violência sexual é cada vez mais utilizada como uma arma de guerra.
O relatório revela, além disso, a contradição de "os sistemas de saúde não atenderem as necessidades das mulheres, apesar da grande contribuição destas para melhorar a saúde da sociedade através de sua função como cuidadoras principais das famílias". (Agência EFE/ Gazeta Online)

11.11 - Debate sobre subfinanciamento da saúde
O ministro reuniu-se com oito representantes da região e expôs o aumento de repasses desde 2007 para procedimentos como exames e cirurgias. Melhorias dependem de mais recursos
A convite dos governadores de Pernambuco, Eduardo Campos, e da Bahia, Jacques Wagner, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, participou na sexta-feira (6/11) do Fórum de Governadores do Nordeste, no Ceará, e fez uma exposição sobre a questão do subfinanciamento do Sistema Único de Saúde (SUS). “Essa é uma questão não resolvida. Precisamos, juntos, encontrar uma saída para o problema da falta de recursos financeiros para a saúde”, ressaltou o ministro aos oito governadores presentes no encontro.
Temporão lembrou que o envelhecimento da população, a redução das taxas de mortalidade e o desenvolvimento de novas tecnologias pressionam os gastos na área da saúde. Ele ainda apresentou números que comprovam a urgência em uma ampliação dos investimentos para o setor. Entre os dados apresentados, citou um estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo mostra que, enquanto na Inglaterra 85% dos gastos totais em saúde são públicos, no Brasil esse percentual é de apenas 37%.
Outro dado importante é que no SUS são gastos R$ 640 per capita, em média. Já o gasto médio das famílias que têm planos e seguros de saúde é de R$ 1,4 mil, em média, embora tenham uma cobertura menor que a rede pública. “Precisamos lembrar que mais de 70% da população usa exclusivamente o SUS e que o SUS faz, por exemplo, 80% dos transplantes do país”, acrescentou Temporão.
O ministro ainda mencionou que há forte rejeição à implantação de uma Contribuição Social para a Saúde (CSS). Segundo ele, os diagnósticos de que a saúde depende de recursos adicionais é um consenso. No entanto, a fonte de recursos está indefinida. “De que maneira virão mais recursos, eu não sei. O importante é que venham”, salientou.
REDUÇÃO DAS DESGUIALDADES REGIONAIS – Durante a exposição aos governadores, o ministro apresentou números que demonstram uma grande redução das desigualdades regionais na distribuição de recursos para assistência médica e hospitalar, com a priorização dos estados mais necessitados. De forma geral, de março de 2007 a dezembro de 2008, houve um aumento de 45% no teto de média e alta complexidade (MAC) para o país, como um todo. Só que no Nordeste esse aumento foi superior à média nacional. O valor repassado para o Nordeste foi 52,4% superior ao que era aplicado até março de 2007. Isso representa R$ 2,3 bilhões por ano a mais para a região.
Na evolução do valor gasto per capita em MAC, a maior variação positiva foi a da região Norte, outra prioritária para o Ministério da Saúde, com valor 62,67% superior ao que era aplicado até março de 2007.
A EVOLUÇÃO DO VALOR GASTO PER CAPITA EM MAC/ANO - A expectativa do ministro, conforme informou aos governadores presentes no Fórum, seria dar continuidade a essa política de correção das distorções regionais na distribuição dos recursos aos serviços de MAC. A idéia era alavancar em todas as regiões um valor per capita de R$ 150,00 por ano. Com a escassez de recursos na saúde, esse objetivo não poderá ser cumprido.
Ao final da reunião com o ministro, os governadores decidiram por unanimidade solicitar uma audiência com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, levando apoio à aprovação da regulamentação da Emenda Constitucional 29, que ainda tramita no Congresso Nacional. Os governadores ainda resolv