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31.05 - Hospitais universitários precisam de contratações
O diretor de hospitais universitários federais do Ministério da Educação, José Rubens Rebellato, disse na quinta-feira que é preciso contratar emergencialmente 7.659 trabalhadores para manter o serviço como está - sem fechar mais leitos - nos 46 hospitais ligados a instituições de ensino superior em todo o País.
O custo da contratação dessas pessoas é de R$ 300 milhões. "De 2008 para cá, quase 300 leitos foram desativados, e o total já chega a 1.400”, informou Rebellato em audiência pública sobre a situação dos hospitais universitários, promovida pela Comissão de Seguridade Social e Família.
Outro problema do sistema, segundo Rebellato, é a existência de pelo menos cinco regimes de contratação diferentes em cada hospital. 52% dos funcionários estão no Regime Jurídico Único (Lei 8.112/90 - servidores públicos) e 20% são regidos pela CLT (Decreto-Lei 5452/43).
Faltam recursos
Uma portaria que deve ser publicada ainda nesta semana, segundo o dirigente do MEC, vai regulamentar o programa de reestruturação dos hospitais universitários, anunciado em janeiro. Mas uma solução definitiva para o principal problema, que é a falta de recursos, ainda está em discussão.
"Fala-se em fundação pública de direito privado, em empresa pública, em abrir a carreira do Hospital das Forças Armadas, em tornar todos os hospitais um HCPA (Hospital das Clínicas de Porto Alegre). Mas isso está no âmbito de um debate nacional”, explica Rebellato. Segundo ele, existem argumentos fortes em relação a todas as opções.
Dinheiro existe
Autora do requerimento para a audiência, a deputada Solange Almeida (PMDB-RJ) disse que o governo tem recursos. “Só que eu não posso aceitar subfinanciamento do Sistema Único de Saúde (SUS), se, aqui nesta Casa, não se vota mais milhões, só bilhões”, critica.
Ela citou o montante das reservas internacionais, “R$ 400 bilhões”, e lembrou que o Brasil “colocou R$ 10 bilhões no Fundo Monetário Internacional (FMI)”. Ressaltou ainda a “dívida interna com os bancos, que têm lucros absurdos” e “levam quase o dobro dos recursos que o governo coloca no SUS".
Solange Almeida disse que os contratos que vêm sendo assinados com os hospitais, dentro do processo de reestruturação, têm deixado o ensino em segundo plano em benefício da assistência, quando o ensino deveria ser a meta principal destes centros de saúde.
Emenda 29
A coordenadora-geral da Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Públicas Brasileiras, Léia Oliveira, defendeu a regulamentação da Emenda 29, que estabelece pisos para a aplicação de recursos em Saúde por parte do governo federal, estados e municípios.
Na próxima terça-feira, a Frente Parlamentar em Defesa dos Hospitais Universitários, liderada por Solange Almeida, deve ter uma reunião com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, para debater as soluções emergenciais que devem ser tomadas.
Para 2011, há a perspectiva de que mais R$ 700 milhões sejam investidos para a modernização das instalações dos centros de saúde universitários, por meio de um empréstimo do Banco Mundial.  (Agência Câmara/Portal Correio)

31.05 - Tratamento de casos de câncer de mama
Falta padrão no intervalo entre diagnóstico e início de tratamento do câncer de mama, diz relatório
O sucesso do tratamento de casos de câncer de mama está ligado à rapidez com que a mulher consegue iniciá-lo. No Brasil, entretanto, não há definição de um intervalo máximo de tempo entre a realização da mamografia e o início do tratamento, segundo informações apresentadas no primeiro relatório realizado pelo Sistema de Informação do Câncer de Mama (Sismama). De acordo com o documento, o tempo entre a solicitação da mamografia e o resultado é de um mês em 33% dos exames realizados e de 31 a 60 dias em 17%. A União Europeia recomenda o intervalo de no máximo 35 dias.
O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que em 2010 haverá 49.210 novos casos no país. Segundo o diretor-geral do instituto, Luiz Antônio Santini, o ideal é que o exame seja feito o mais breve possível e que as mulheres com suspeita de câncer sejam priorizadas, mas que isto depende muito da complexidade do exame e da realidade de cada região do país.
O presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, Ricardo Chagas, disse que existe um grande problema no Brasil para se diagnosticar o câncer de mama no sistema público de saúde. “O tratamento deve ser iniciado o mais breve possível, mas quando a mulher consegue fazer a mamografia o problema maior é na comprovação do diagnóstico. O paciente só é encaminhado para o tratamento quando é feita a biópsia, mas as pessoas têm dificuldade em fazê-la nos hospitais públicos”, destaca.
O Sismama é um banco de dados, criado em 2009, que faz um mapeamento nacional das mamografias realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) com o objetivo de municiar os trabalhadores de saúde. Ele identifica a distribuição das mamografias, a indicação clínica, mensura o tempo de realização de exames e mostra a atuação dos profissionais e laboratórios responsáveis pelas mamografias e pelos exames citopatológico (de secreções) e histopatológico (biópsia).
“É um sistema inédito no mundo sobre o uso da mamografia e até os locais onde faltam leitos para a internação hospitalar. É uma ferramenta essencial para o planejamento das ações de controle de câncer de mama e permite aos gestores de saúde identificar problemas e intervir”, afirma o presidente do Inca.
O Inca recomenda que a mamografia seja feita de dois em dois anos, após os 50 anos, e quando há suspeita ou caso de câncer na família o exame pode ser feito até uma vez ao ano. Segundo o Ministério da Saúde por ano são realizadas 3 milhões de mamografias no país. A meta nacional é chegar a 4,4 milhões de exames até 2011.
O primeiro relatório do Sismama foi feito com base em 928 mil exames realizados entre junho de 2009 e março deste ano em 23 estados e no Distrito Federal. Do total de mamografias registradas pelo Sismama neste período, 93% foram identificadas como de rastreamento e 7% como mamografias diagnósticas.
Para o Inca, a grande diferença entre o número dos dois tipos de mamografia pode ter sido fruto de erro de registro por parte das clínicas. O rastreamento é o uso periódico de exame da população feminina saudável para identificar anormalidades sugestivas de câncer e as de diagnóstico são recomendadas em caso de suspeita de câncer.
Desde setembro do ano passado, o pagamento das clínicas e laboratórios prestadores de serviço do SUS está condicionado ao registro desses procedimentos no Sismama.
O câncer de mama é o segundo tipo mais frequente no mundo e o mais comum entre as mulheres. (Agência Brasil/ Pernambuco.com)

31.05 - Hepatite C: filme alerta sobre doença silenciosa
Considerado o pior tipo entre as hepatites virais, a hepatite C ganhou vídeo de alerta sobre a doença silenciosa que ataca cerca de 4 milhões de brasileiros. Produzido por iniciativa de funcionários do Banco do Brasil, o filme “Hepatite C, sem medo” teve estreia e debate com a personagem principal, Ana Paula de Barcellos, em Brasília. Interpretando a si mesma, ela conta como descobriu e vem enfrentando a doença que pode ser contraída até por descuidos em atividades rotineiras, como uso de alicate de unha não esterilizado.
A hepatite C não costuma apresentar sintomas (veja quadro abaixo) e é o tipo mais agressivo da doença porque evolui para formas crônicas (cirrose ou câncer) entre 70% e 85% dos casos. O tipo A é curável, enquanto no tipo B até 15% dos casos evoluem para a forma crônica, explica a médica Lourdes de Marchi Capeletto, gerente de Divisão da Unidade CASSI de Curitiba (PR). Quanto antes a hepatite for diagnosticada e tratada, menores os danos para o organismo.
Ana Paula, por exemplo, descobriu a doença em 2005 e passou a cuidar mais da saúde para evitar agressões desnecessárias ao fígado: reduziu a ingestão de gordura e eliminou bebida alcoólica. Ela teve outra atitude importante no combate à doença: mesmo se arriscando a enfrentar o preconceito, revelou aos colegas de trabalho e amigos ser portadora do vírus. Hoje, aos 32 anos, vê o resultado de sua coragem. O blog www.animando-c.com.br, criado por ela, tem mais de 100 acessos diários, se tornou referência para pessoas que sofrem da doença e tem quase 10 mil visitantes, de 16 diferentes países. Ela não esconde que o tratamento “é chato”, com medicamentos do grupo dos quimioterápicos e com efeitos colaterais. Mas assegura que leva vida normal.
O diagnóstico e tratamento da hepatite C também serão o tema do primeiro “chat” promovido pela CASSI, aberto aos seus beneficiários. Aguarde mais informações sobre data e endereço para participar.  (Anabb)
 
 
 
 
 

28.05 - EUA: Nova lei da saúde beneficia os jovens
Depois que Eric Heininger deixou seu emprego (e plano de saúde) para acompanhar os estudos de sua namorada em New Haven, Connecticut, ele quis realizar um exame físico, e resolveu ser voluntário em um estudo médico.
Ele enfrentou três dias de regimes de exercícios, exames de sangue e avaliação de pressão antes de ser aceito no grupo saudável de comparação para o experimento.
"Assim eu soube que estava saudável", disse ele.
Mas quando Heininger, de 24 anos, desenvolveu uma febre alta em março, depois de viajar ao Haiti em missão de ajuda, o tratamento gratuito não foi tão fácil de conseguir.
Assim como muitos jovens, ele esperou, temendo durante uma semana que pudesse ter contraído alguma perigosa doença tropical.
Ele não é uma exceção.
Quase um terço das 46 milhões de pessoas não seguradas nos Estados Unidos são jovens entre 19 e 29 anos - a faixa etária com maiores chances de ficar sem cobertura, já que muitos deles trabalham em empregos de meio período ou estágios.
Esse grupo ainda espera por benefícios substanciais com a expansão de cobertura promovida pela reforma da saúde nos Estados Unidos.
Segundo um relatório divulgado na semana passada pelo Commonwealth Fund, uma fundação privada com foco nas diretrizes da saúde, a maioria dos 13,7 milhões de jovens adultos que não estão segurados poderia ganhar cobertura quando a reforma entrar em força total, em 2014 - seja através de programas públicos como o Medicaid, ou comprando apólices privadas em câmbios competitivos de seguros estabelecidos pela lei.
"A reforma do tratamento acessível é, sob muitos aspectos, um presente de formatura para jovens adultos", disse uma autora do relatório, Sara Collins, vice-presidente do Commonwealth Fund.
O alívio deve vir mais cedo para 1,2 milhão de jovens, cujos pais possuem seguro-saúde, mas que saíram das apólices familiares quando se formaram no colegial ou na faculdade.
A partir do final de setembro, as seguradoras serão obrigadas a cobrir crianças em planos familiares até os 25 anos, e muitas empresas estão realizando a mudança agora - de forma que os recém-formados não enfrentem lacunas na cobertura.
No passado, três quartos dos jovens que estavam segurados em planos corporativos de seus pais perderam o seguro, ou tiveram de trocar de apólices quando se formaram na faculdade, com alguns deles ficando sem seguro por dois anos ou mais, segundo o relatório do Commonwealth Fund.
As famílias não terão de pagar a mais pelos jovens, disse Collins, explicando que os benefícios não podem custar mais do que "se eles tivessem 5 anos de idade".
Isso é um alívio para os recém-formados, como Heather Gray, de Phoenix.
Ela está ansiosa para retornar ao plano de sua mãe.
Recentemente, Gray teve de pagar US$ 600 por raios-x e consultas, quando foi a um centro de atendimento reclamando de dores nas mãos.
"Antes eu nunca sabia exatamente o custo real, pois tudo era pago pelo plano da minha mãe", disse Gray, de 23 anos, que trabalha em dois empregos de meio período (sua mãe, funcionária do corpo de bombeiros, recebe uma generosa cobertura médica).
"Eu só espero que os remédios funcionem, pois do contrário eles terão de fazer uma ressonância magnética - e isso é realmente caro".
Muitos jovens adultos serão cobertos através de outras provisões da reforma da saúde.
Cerca de 7,1 milhões, mais da metade do total, serão elegíveis para iniciar com o Medicaid em 2014 - porque possuem renda menor do que 133% do nível federal de pobreza, ou cerca de US$ 14.404 anuais para uma pessoa e US$ 29.327 para uma família de quatro indivíduos.
E até 5,6 milhões de jovens não segurados estarão qualificados para subsídios do governo caso comprem cobertura privada pelos câmbios de seguros; os subsídios serão disponibilizados a qualquer um que receba até 400% do nível de pobreza, ou US$ 43.320 por pessoa.
Como exemplo, uma pessoa de 25 anos que vive numa cidade de custo mediano e que ganhe US$ 21.660 anuais, ou 200% do nível de pobreza, poderá comprar seguros por US$ 1.365 ao ano, ou aproximadamente a metade de seu custo total.
É difícil afirmar se os jovens realmente farão isso ou escolherão correr o risco e pagar a multa, que aumentará em 2016 para US$695 ou 2,5% da renda, o que for maior.
"Já quebrei a cabeça com meu pai em relação a isso", disse Brandon Mendelson, de 27 anos, de Glens Falls, em Nova York, que tem problemas cardíacos e ficou sem cobertura por vários anos até conseguir um emprego com seguro.
"Eu dizia: 'Eu gostaria muito de ter, mas é tão caro que estaríamos morando na rua para ter um seguro-saúde - como isso poderia ser bom?'" A pressão dos pais pode persuadir muitos jovens a fazer um seguro: quase todos os adultos não segurados entrevistados para este artigo afirmaram que seus pais implicam com eles a respeito do seguro-saúde.
Alguns analistas dizem que haverá outros incentivos para comprar o seguro.
Para jovens mulheres, os planos deverão cobrir serviços de maternidade, uma importante necessidade durante os anos pré-maturidade - e possivelmente cobrirão também os contraceptivos, já que a maioria dos planos corporativos cobre o controle de natalidade, disse Judy Waxman, vice-presidente de saúde e direitos reprodutivos do Centro Nacional de Leis das Mulheres.
Com o tempo, ficar sem seguro-saúde pode se tornar menos aceitável, disse Linda Blumberg, membro sênior do Centro de Políticas de Saúde do Urban Institute.
"Levará algum tempo, pois o mundo não gira com uma moeda", afirmou Blumberg.
"Eu acredito, porém, que o país começará a mudar sua cultura, de forma que as pessoas entenderão que o esperado - a regra - é que todos deveriam ter cobertura de saúde".  *Yahoo Notícias)

28.05 - Espanha: Hospital prepara 1º transplante de perna
O Hospital La Fe de Valencia, na Espanha, recebeu autorização para fazer o primeiro transplante de pernas do mundo. A permissão foi dada a um paciente amputado das duas pernas que não se adaptou ao uso de próteses.
Até hoje, já foram transplantados com sucesso mãos, braços e dedos em outras partes do mundo.  (Folha de S.Paulo)

28.05 - Tempo Assist entra no mercado de saúde
Corretores irão concorrer a prêmios variados, incluindo viagens para Los Angeles e Las Vegas
Depois de adquirir a Unibanco Saúde, a Tempo Assist passa a oferecer serviços de seguro saúde para empresas nos modelos pré e pós-pagamento e cria uma campanha para corretores de todo o País visando incentivar as vendas desses produtos.
E, para atingir o objetivo de crescer a participação de mercado e estar entre as três operadoras de planos de saúde mais lembradas pelos corretores e clientes até o final do ano, a Tempo Saúde tem na figura do corretor o principal canal de distribuição. Para tanto, uma super campanha comercial começa em maio e vai até outubro deste ano, com premiações significativas.
Idealizada para ter o universo do cinema como tema, a campanha começou oficialmente no dia 11 de maio, com evento de lançamento para 300 corretores, com direito, inclusive, a tapete vermelho. Nos dias seguintes, as cidades do Rio de Janeiro e Salvador também receberam o evento para apresentar a campanha aos corretores locais.
Os corretores de todo o País foram divididos em cinco grupos, de acordo com seu perfil e potencial de vendas.
A campanha Super Produção Premiada é dividida em três fases, cada uma compreende dois meses de duração. A cada venda processada, a corretora recebe o valor do agenciamento mais um bônus, ou seja, o valor da primeira mensalidade que é repassado para a corretora, durante o período da campanha, é acrescido de um bônus, calculado com base no valor do contrato.
Além disso, para concorrer aos prêmios, a mecânica é baseada no acúmulo de pontos conquistados pela corretora com a venda do plano, sendo que o número de pontos obtidos deve equivaler ao valor da primeira mensalidade do plano paga. Ou seja, se o corretor vender um plano cuja mensalidade equivale a R$ 100,00, o número de pontos ganhos será de 100. Vale ressaltar que os planos vendidos de janeiro até abril deste ano contabilizarão pontos para os prêmios de cada fase e para a premiação final.
Na primeira fase, em maio e junho, esses pontos são transformados em cartões, cujos valores variam de R$ 150,00, R$ 200,00 e R$ 250,00 para a troca por prêmios disponibilizados pelo site www.trocapremios.com.br. São mais de 700 mil opções à escolha do corretor.
Além dos cartões de prêmios, as três melhores corretoras de cada grupo ganham, ao final da primeira fase, um Blu-Ray Disc Player.
Na segunda fase, em julho e agosto, os cartões aumentam de valor, variando de R$ 200,00, R$ 250,00 e R$ 350,00 e, ao final, as três corretoras com maior número de pontos em cada grupo levam um Home Theater 5.1.
Já na terceira e última fase da campanha, os cartões valem R$ 250,00, R$ 350,00 e R$ 500,00 e o prêmio para os três melhores colocadas de cada grupo é uma TV LCD 42 HDTV.
Ao final, em outubro, todos os pontos obtidos nas três fases serão somados e as cinco melhores corretoras, sendo uma de cada grupo, ganharão uma viagem com acompanhante com destino a Las Vegas e Los Angeles.
E mais: a melhor corretora de cada grupo será premiada com 100 combos de cinema contendo, além de um ingresso para um filme, uma pipoca e um refrigerante.
Novos produtos Tempo Saúde
A Tempo Saúde irá oferecer quatro diferentes produtos: Saúde Express, Saúde Flex, Saúde Empresarial pré-pagamento e Saúde Empresarial pós-pagamento.
O plano Saúde Express é destinado a grupos de 10 a 29 vidas. Este produto visa atender as micro e pequenas empresas e, dependendo da análise de cada grupo, as carências poderão ser reduzidas parcial ou totalmente, além de contar com o conceito do mutualismo no momento da apuração dos resultados de cada apólice - princípio fundamental para a operação de seguro, pelo qual as empresas de seguros repartem os riscos tomados, diminuindo os prejuízos.
O Saúde Flex abrange grupos de 30 a 200 vidas, é totalmente isento de carências e flexível, pois permite a contratação de coberturas opcionais. Também, neste desenho, existe o conceito do mutualismo.
Já o Saúde Empresarial pré-pagamento foi desenhado para grupos acima de 201 vidas. Além de contar com a condição de contratação de coberturas opcionais, também é flexível na formação do grupo segurável. Nesta opção de produto, a apuração dos resultados da apólice ocorre semestralmente e de forma individualizada. Este produto também pode ser contratado com a opção de coparticipação.
Por último, o Saúde Empresarial pós-pagamento é destinado a empresas com necessidades específicas com planos customizados e abrange todas as facilidades listadas acima. A cobrança é feita por meio de sinistros processados, acrescida da taxa de administração mais impostos.
Campanhas de lançamento
A Tempo Assist preparou uma campanha de mídia para o mercado e os consumidores, o que deverá auxiliar o trabalho dos corretores na divulgação dos novos produtos.
Com duração de sete meses - maio a novembro -, a campanha tem como base uma análise do comportamento do mercado de seguro saúde, bem como foram estudados os meios de comunicação mais usados, na qual a TV por assinatura foi a de maior audiência e afinidade para o público da Tempo Assist.
Comerciais de 30” marcam a chegada da Tempo Saúde nas emissoras Globonews (Jornal das Dez e Espaço Aberto),  Discovery Home & Health, TNT, Warner, Universal, SporTV, GNT, entre outras. A campanha conta, ainda, com inserções no Jornal da CBN e formatos diversos de anúncios no site da Globonews.
Comunicação direcionada
Além da campanha de mídia, a comunicação com os stakeholders também será focada por meio dos portais Usuários, Empresas, Credenciados e Corretores, para os quais a Tempo Assist está investindo na melhoria das informações disponíveis, bem como na criação de áreas de relacionamento, com uma comunicação direcionada.
Sobre a Tempo Assist
Listada no Novo Mercado, a Tempo Assist é uma das principais companhias do país na prestação de serviços de assistências especializadas, planos de saúde e odontológicos e administração de serviços em saúde. Cada um de seus negócios administra redes pulverizadas e de abrangência nacional, contabilizando mais de 50 mil prestadores de serviços.
Com a missão de assegurar o bem-estar dos clientes, oferecendo a melhor experiência de atendimento, por meio de seu time e parceiros, a Tempo Assist conta com uma sólida estrutura, composta por profissionais especializados e sistemas sofisticados que acompanham a evolução do mercado.  (CQCS)
 
 
 
 
 

27.05 - Vacina universal contra a gripe
Eles identificaram um pedaço do vírus que parece se manter mesmo entre cepas mutantes
Uma versão "decapitada" do vírus influenza protegeu camundongos de diversas cepas de gripe, e pode ser um passo rumo à chamada vacina universal para a doença, informam pesquisadores ontem.
Eles identificaram um pedaço do vírus que parece se manter mesmo entre cepas mutantes, e descobriram um meio de convertê-lo numa vacina.
Anos de trabalho ainda serão necessários, mas se o produto funcionar em seres humanos como funcionou nos roedores, a nova vacina poderá transformar o modo de imunização das pessoas contra a doença, diz a equipe da Escola de Medicina Monte Sinai de Nova York.
"Informamos agora progresso rumo à meta de uma vacina de vírus influenza que poderia proteger contra várias cepas", escrevem os médicos Peter Palese, Adolfo Garcia-Sastre e colegas em uma nova revista científica, mBio, disponível na internet.
"As vacinas atuais contra a gripe são eficazes contra uma amplitude estreita de cepas  de vírus. É por essa razão que novas vacinas precisam ser geradas e administradas a cada ano".
Vírus de gripe sofrem mutações constantes e a cada ano um coquetel de três vacinas de gripe é criado para tentar conter os tipos mais comuns. Em intervalos de poucas décadas, novas cepas pandêmicas emergem, como foi o caso do vírus H1N1 de 2009, e têm de  ser integradas à vacina.
A equipe de Palese focalizou Umm pedaço importante do vírus da gripe, chamado hemaglutinina. Essa estrutura, em forma de cogumelo, ajuda o vírus a se fixar às células que infecta e é o "H" do nome das cepas.
O "pescoço" da hemaglutinina não sofre mutações do mesmo jeito que as partes mais visíveis do vírus, e se houvesse uma forma de torná-lo mais visível para o sistema imunológico, esse seria um ótimo antígeno, ou alvo da vacina. Mas o "chapéu" do cogumelo esconde o pescoço, protegendo essa parte do vírus. O grupo de Palese descobriu um meio de atingir o pescoço, decepá-lo e fazer uma vacina com ele.
"Uma molécula de hemaglutinina decapitada poderia formar a base de uma vacina contra gripe que ofereceria proteção ampla", escrevem os pesquisadores.
"Este artigo é uma prova de conceito", disse  Garcia-Sastre. "Não achamos que já encontramos a forma ótima de expor o antígeno".
Testes em camundongos mostraram que a vacina os protege de doses potencialmente letais de diversas variedades de vírus da gripe.  (Reuters/O Estado de S.Paulo)

27.05 - Brasil gasta 10 vezes menos em saúde que os EUA
O Brasil gasta cerca de R$ 120 bilhões em saúde pública e privada, valor dez vezes menor que os Estados Unidos, que representam 1/3 dos investimentos mundiais. As despesas com medicamentos, tratamentos e planos de saúde para a população são alvo de crítica da Organização Mundial de Saúde (OMS), que alerta para o efeito catastrófico desses gastos pela maioria da população, que deixa de dirigir essa verba para alimentação, educação e cultura, entre outros.
Os aspectos das políticas de saúde, financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS) e relação dos médicos com a sociedade foram abordados durante o Pré-Enem Sul/Sudeste, evento que antecede o Encontro Nacional das Entidades Médicas, marcado para 27 a 30 de julho, em Brasília (DF).
Para Lígia Bahia, doutora em Saúde Pública e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, “há mais de 20 anos o SUS apresenta dificuldade para garantir recursos estáveis e suficientes para seu financiamento. Nesse período, alternaram-se fontes de receitas, impostos e contribuições”.
Segundo ela, o Brasil precisaria regulamentar a Emenda 29 (que não trouxe recursos para a saúde como se imaginava anteriormente), excluir da Desvinculação de Recursos da União (DRU) os gastos com saúde, participação da saúde nas receitas da Seguridade Social e no ciclo orçamentário e dimensionamento, divulgação e revisão das isenções, deduções e subsídios fiscais envolvidos com assistência não universitária.
Nacime Salomão Mansur, conselheiro responsável pelas Delegacias da Capital do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) e diretor superintendente dos hospitais afiliados da Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), discorreu sobre os vários modelos de gestão do SUS, como administração direta, cooperativas, fundações e Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP).
Como responsável pela gestão de 10 hospitais, ele destacou os desafios, dificuldades e pressupostos e defendeu a nova modalidade jurídica Fundação Pública de Direito Privado – com autonomia administrativa, patrimônio próprio gerido pelos respectivos órgãos de direção e funcionamento custeado por recursos da União e outras fontes – como um avanço constitucional. “Precisamos aperfeiçoar os aspectos gerenciais e os controles. A gestão deve ser uma ferramenta importante de inclusão social”, afirmou.   (ABO OnLine/SegurosInf)

27.05 - Tuberculose: Preconceito prejudica tratamento
Maioria acha que é necessário internar o doente, diz pesquisa
Os 80 mil brasileiros que pegam tuberculose no Brasil a cada ano sofrem, além da doença, estigma e preconceito de parte da sociedade.
O resultado é de uma pesquisa nacional encomendada pelo projeto Fundo Global TB e realizada pelo instituto DataUFF, da Universidade Federal Fluminense.
O relatório completo será apresentado no 4º Encontro Nacional de Tuberculose, que começa hoje, no Rio.
Segundo o levantamento, as reações mais comuns das pessoas próximas a alguém que teve a doença foram separar talheres, pratos e objetos pessoais (34% das respostas) ou evitar falar, tocar e se aproximar dela (30%).
Apenas 27% disseram que nada mudou. A maioria (53%) acredita ainda ser necessário internar alguém com tuberculose.
A doença não é transmitida pelo uso dos mesmos pratos, talheres ou roupas. Quando diagnosticada precocemente, não há necessidade de internação e, após 15 a 30 dias de tratamento, não há risco de contágio.
"O preconceito ajuda a afastar o paciente do posto de saúde. Mas a tuberculose é uma doença normal. Se não houvesse tanto estigma e medo de se sentir isolada, a pessoa certamente cumpriria melhor o tratamento", afirma a coordenadora do projeto, Cristina Boaretto.
Segundo ela, esse preconceito contribui para diminuir a taxa de cura da doença no Brasil. "Ainda temos um percentual de cerca de 70% de cura, quando o desejável é que essa taxa fosse de 95%."
Além do diagnóstico tardio, contribui para o percentual de cura aquém do desejado o fato de muitos pacientes abandonarem o tratamento no meio, após os sintomas terem desaparecido, mas antes de completarem seis meses de medicação.
Para Boaretto, uma das dificuldades para mobilizar a população em relação à doença é que ela demora mais tempo para matar.
"A doença não gera aquela situação imediata de que é preciso fazer algo logo. Por isso, muitos deixam de procurar o posto de saúde e, só quando a situação está mais grave, recorrem a hospitais."
A incidência da tuberculose é maior entre portadores de HIV e pessoas expostas a situações insalubres, como domicílios em áreas de alta densidade demográfica e com pouca ventilação.  (ANTÔNIO GOIS - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 

26.05 - A crise financeira dos hospitais universitários
Ministérios da Educação e da Saúde têm destinado verbas complementares que amenizam os problemas, mas não alteram o quadro de endividamento
As soluções para a crise financeira dos hospitais universitários devem ser discutidas nesta quinta-feira (27), conforme propôs a deputada Solange Almeida (PMDB-RJ). Os temas a serem debatidos são: Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais; e o acórdão 2813/09 do Tribunal de Contas da União (TCU), que recomendou uma série de medidas depois de auditorias em unidades em vários estados.
De acordo com a Agência Câmara, os Ministérios da Educação e da Saúde têm destinado verbas complementares que amenizam os problemas em curto prazo, mas não modificam de forma decisiva o quadro de endividamento desses hospitais.   (Saúde Business Web)

26.05 - O novo Código de Ética Médica e os hospitais
O novo Código de Ética Médica, que entrou em vigor em abril de 2010, vem gerando muita discussão, principalmente no que concerne à relação entre médico e paciente, que, por circunstâncias ligadas à mercantilização da medicina, já se encontra de certo modo desgastada. Embora regulamente questões médicas, ele deve ser observado também pelas entidades hospitalares, conforme determina o inciso II do preâmbulo, que dispõe que "As organizações de prestação de serviços médicos estão sujeitas às normas deste código".
O inciso XVI dos princípios fundamentais do código manteve praticamente a mesma redação do antigo artigo 16, reconhecendo a independência e autonomia do médico quanto à escolha do melhor tratamento e meio de diagnóstico, sem qualquer interferência do hospital. Tal disposição confirma o entendimento que vem sendo consolidado na jurisprudência de que a prestação de serviços hospitalares é uma relação diversa da prestação de serviços médicos. Nos serviços hospitalares estão incluídos a hospedagem,o serviço de enfermagem, equipamentos e aparelhos postos à disposição dos médicos, dentre outros. Já a prestação de serviços médicos se refere a atos inerentes à atividade médica, como diagnóstico de enfermidades, realização de cirurgias, tratamentos etc.
Outra questão abordada se refere aos médicos plantonistas, que, de uma maneira geral, não são empregados do hospital e, por isso, acontece de não comparecerem ao plantão e não indicarem substituto. No código antigo, já constava a vedação de tal prática, porém no Novo Código determinou-se que: "Na ausência de médico plantonista substituto, a direção técnica do estabelecimento de saúde deve providenciar a substituição". Dessa forma, o novo código atribuiu expressamente tal dever ao hospital, visando a resguardar o atendimento aos pacientes.
Outra prática que sempre prejudicou os serviços das equipes de enfermagem dos hospitais era a dificuldade de leitura das receitas, laudos e prontuários emitidos pelos médicos, em razão de letra ilegível. Tal prática agora foi regulamentada, obrigando o médico a utilizar letras legíveis, o que certamente contribuirá para um serviço de enfermagem mais seguro.
O que se constata da leitura do novo Código de Ética Médica é que o referido ordenamento contribui para a melhoria das práticas internas dos hospitais e, consequentemente, para a melhoria da qualidade no atendimento aos pacientes.  (Juliana Mancini Henriques - O Tempo)

26.05 - Queda acelerada da mortalidade infantil
As mortes de crianças em todo o mundo parecem ter diminuído em um ritmo mais rápido que o previsto por autoridades, aponta um novo estudo publicado na segunda-feira(24) no site da revista médica britânica The Lancet. Cientistas calcularam que 7,7 milhões de menores de cinco anos morrerão em 2010, quando em 1990 morreram 12 milhões deles. O estudo utilizou mais dados que outros e um modelo estatístico melhorado.
A nova estimativa é menor que a última cifra de mortes de crianças apurada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Em 2008, o órgão da Organização das Nações Unidas (ONU) havia afirmado que 8,7 milhões de crianças morreriam a cada ano por causas evitáveis como a diarreia, a pneumonia e a malária.
"Estamos um pouco mais avançados do que pensávamos", afirmou Christopher Murray, um dos autores do estudo e diretor do Instituto de Medições e Avaliação de Saúde, da Universidade de Washington. Murray e seus colegas revisaram informações de 187 países, de 1970 a 2009. Eles descobriram que as mortes infantis caíram cerca de 2% ao ano. Apesar disso, a queda é menor que a de 4,4% necessária para se alcançar a meta as Nações Unidas de reduzir as mortes infantis em dois terços até 2015.
Murray afirmou que a mortalidade infantil se reduziu de maneira importante em países como Libéria e Níger, mas que não havia muito progresso em países ricos como a Grã-Bretanha ou os Estados Unidos. Em alguns casos, a informação disponível era limitada e, assim, os investigadores utilizaram projeções com modelos estatísticos para estimar o número de mortes. A investigação foi patrocinada pela Fundação Bill & Melinda Gates.
"Estamos muito felizes porque esse estudo reforça nossa ideia de que o aumento de medidas como os mosquiteiros para camas contra a malária e as pílulas de vitamina A começam a ter impacto", disse Mickey Chopra, diretor de Saúde do Unicef, entidade que não participou desse estudo. Ele se mostrou surpreso pelo avanço em países como Níger e Malauí, que não tiveram grande crescimento econômico. "Enquanto esperamos que os níveis de pobreza se reduzam, ainda se pode fazer muito para melhorar a saúde."
Ceticismo
As cifras da saúde mundial costumam flutuar, por isso nem todos se mostraram convencidos pelo estudo. A pesquisa também não apresenta evidências de que os programas da ONU sejam os responsáveis pela redução nas mortes de crianças. Alguns especialistas apontaram como possíveis causas a queda no número de pessoas com aids e a falta de estatísticas confiáveis em alguns países.
Mit Philips, especialista em saúde da organização Médicos Sem Fronteiras, disse estar contente porque menos crianças morrem por ano, mas afirmou que ainda é necessário fazer muito mais. "Se partimos de uma taxa de mortalidade alta, como a que há na África Subsaariana, e conseguimos reduzi-la, ainda será alta." (Agência Estado)
 
 
 
 

25.05 - Hospitais: Novos leitos
Projeto de R$ 180 milhões prevê 2,5 mil novos leitos
Plano prevê ampliação da rede de assistência aos usuários de crack
Os hospitais gerais devem receber reforço de mais 2,5 mil leitos ainda em 2010, conforme projeto do Ministério da Saúde. Com investimentos de R$ 180 milhões, o plano prevê ampliação da rede de assistência aos usuários de crack.
Outra frente do projeto é intensificar ações já anunciadas em junho de 2009 pelo Ministério da Saúde, que previa a construção de 73 novos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) até o final deste ano, dos quais 52 já foram habilitados. Agora, o Ministério prevê mais 136 centros especializados em Álcool e Drogas (CAPS-AD), até o final de 2011.
Além disso, o ministério vai promover a transformação de 110 CAPS-AD, em municípios com mais de 250 mil habitantes, para CAPS-III, que têm funcionamento 24 horas por dia e oito leitos em cada um para internações de curta duração e maior capacidade de atendimento ambulatorial.
O projeto Consultórios de Rua também terá a ampliação de novos dispositivos, com mais 35 unidades, dos quais 20 serão contemplados ainda este ano e outros 15 em 2011. E ainda, o plano inclui investimento de R$ 13 milhões para a construção de 60 Casas de Passagem.   (Saúde Business Web)

25.05 - Hospitais: Infecções hospitalares
13 mil aderem às diretrizes da OMS
Organização diz que 50% das infecções hospitalares foram reduzidas após implantação do sistema de higienização das mãos
Há 15 anos a Organização Mundial de Saúde implantou um sistema de higienização em um hospital de Genebra, na Suiça, na tentativa de reduzir a taxa de infecção hospitalar. O resultado é uma cobertura segura de 87% da população mundial através da prática e cultura da implantação do álcool em gel em lugares estratégicos de contato entre o paciente e o prestador de serviço.
A OMS registrou em sua base de dados no último dia 4 de maio a aderência do sistema em mais de 13 mil hospitais espalhados pelo mundo. "Nossa meta era alcançar nesse período ao menos 10 mil hospitais e o que constatamos é uma aderência que se entende a mais de três milhões de leitos", conta o membro do Conselho Diretor da OMS, Didier Pittet.
A superação da meta estimada para maio de 2010 se deve as campanhas lançadas pela própria organização como, por exemplo, a "parede falante" - lembretes sobre a importância da lavagem das mãos foram espalhados pelas paredes dos hospitais como meta de conscientização dos profissionais da saúde.
Para Pittet, o monitoramento da higienização também é uma das estratégias da OMS. "Por meio de acompanhamento das infecções hospitalares depois das práticas adotadas pelas instituições chegamos a uma redução de 50%. Além disso, oito anos após lançarmos esse sistema nós calculamos o custo x eficácia da implantação do álcool em gel nas unidades de saúde e provamos facilmente a nível nacional na Inglaterra que a redução de infecções existe, sim", completa o executivo ao informar que cerca de 1,4 milhão de pacientes no mundo estão adquirindo infecções hospitalares.
Atualmente a taxa dessas infecções está entre 5% e 12% nos países desenvolvidos, enquanto nos países em desenvolvimento a concentração é de duas a 19 vezes maior.
Depois de comprovar a eficácia do sistema de higienização das mãos para uma cultura de segurança nas unidades de saúde, a OMS criou diretrizes oficiais para serem seguidas por todos os hospitais. "Conseguimos que 135 países aderissem a essa adoção universal", confirma Pittet.
Pouca estrutura
Focado em atender todas as estruturas hospitalares, desde a mais alta até a mais precária, Hong Kong sugeriu à uma companhia especializada que desenvolvesse a solução álcool em gel de acordo com as diretrizes da OMS a um preço acessível.
Naquele país, o volume de produção vai de 10 mil a 600 mil litros de álcool por mês. O produto custa de US$ 0,30 a US$ 0,50 cada 100 ml.
"Um hospital na área rural do Kenia, por exemplo, pagava mais de duas vezes o valor pago por uma unidade de Boston, nos Estados Unidos, na solução. Isso deixa claro que em alguns lugares a introdução do sistema não pode ser implantada, então essa ideia de Hong Kong é uma solução para os países que não têm verba o suficiente para aderir a campanha", conclui Pittet.   (Thaia Duó - Saúde Business Web)
 
 
 
 

24.05 - Negociação dos Serviços de Saúde
17 e 18 de junho de 2010
SEDE UNIDAS NACIONAL
Alameda Santos, 1.000 - 8° andar - Cerqueira César - CEP 01418-100 - São Paulo - SP
Objetivo
Preparar profissionais de negociação no mercado de saúde para atuarem com consciência de seu papel e sua importância enquanto agentes do processo negocial; Apresentar noções básicas da negociação em geral e seus conceitos, princípios e elementos; Apresentar o processo de negociação em seus aspectos subjetivos e formais; Apresentar o mercado de saúde, suas características, seus atores e forças que nele atuam; Identificar vantagens e dificuldades na negociação multilateral;
Identificar vantagens e dificuldades na negociação com paralisação dos serviços; Esclarecer a participação da ANS, do Poder Judiciário, Ministério Público, PROCON e CADE no processo de negociação dos serviços de saúde.
Instrutor
Dr. Natanael Dantas Soares
Público Alvo
Gestores de Operadoras de Planos e Seguros de Saúde e profissionais de todas as áreas, que atuam no Mercado de Saúde.
Informações
Tel. (11) 3289-0855
Fax (11) 3289-0322
com Regiane F. Cazzaniga
treinamento@unidas.org.br   (Unidas/AssPreviSite)

24.05 - Grupo nos EUA fabrica 1ª célula sintética
Bactéria cujo DNA foi montado totalmente a partir de informações vindas de computador ganha vida e passa a se replicar
Feito coroa trabalho de 15 anos de grupo do americano Craig Venter e prova que a vida não precisa de uma força especial para existir
Não é ainda vida artificial criada do zero, mas é quase. Após 15 anos de esforços e gastos de US$ 40 milhões, cientistas nos EUA construíram a primeira célula viva sintética.
Trata-se de uma bactéria cujo DNA foi inteiramente sintetizado a partir de informações contidas num computador e depois inserido num micróbio "oco", sem DNA. Este foi "reinicializado" e passou a se replicar, dando origem a colônias de células sintéticas.
"É a primeira espécie que se replica que tivemos neste planeta cujo pai foi um computador", diz o líder da pesquisa, o americano Craig Venter.
O polêmico cientista e empreendedor, famoso por ter liderado o esforço privado de sequenciamento do genoma humano (o dele próprio) na década passada, não economizou palavras sobre o feito: "estamos entrando em uma era limitada apenas pela nossa imaginação".
"É um passo importante tanto cientificamente como filosoficamente. Certamente mudou minhas visões das definições da vida e de como a vida funciona", declarou o pesquisador, cujo trabalho foi publicado on-line ontem pela revista "Science".
"O feito de Venter parece liquidar o argumento de que a vida requer uma força ou um poder especial para existir. Na minha visão, isso o torna um dor feitos científicos mais importantes da história da humanidade", disse o bioeticista Arthur Caplan, da Universidade da Pensilvânia. Ele comentou o estudo para a revista "Nature".
Outros cientistas veem o feito com mais cautela. Para o Nobel de Medicina David Baltimore, Venter "superestimou a importância" do trabalho. Para Baltimore, trata-se de uma façanha técnica, mas não de uma revolução conceitual.
Para que serve
A criação de micróbios com genomas sintéticos serviria para facilitar a produção de vacinas, para a produção de combustíveis ou para sequestrar gás carbônico do ar.
A ideia é levar a engenharia genética ao extremo, construindo DNA que permitisse à criatura produzir proteínas que não produziria de outra forma.
Venter e seus colegas partiram da sequência do genoma (o conjunto dos genes de uma criatura) conhecido de uma bactéria e montaram uma versão sintética, "como quem tem uma caixa de Legos e tem de montá-los na ordem correta".
Duas bactérias parecidas foram usadas. A equipe sintetizou o genoma da espécie Mycoplasma mycoides, com alguns acréscimos e cortes para servir como forma de identificação (por exemplo, fazendo a bactéria ficar azulada), e transplantou os genes artificiais na sua "prima" Mycoplasma capricolum. Ou seja, apenas o genoma era sintético, não a célula toda.
O grande feito foi fazer o genoma sintético "religar" a célula e transformá-la em uma nova espécie. Venter compara o trabalho com computação. O que a equipe fez foi trocar o "software" do sistema operacional e fazer um computador inoperante voltar a funcionar.
A espécie artificial foi batizada como Mycoplasma micoides JCVI-syn1.0, sigla para "organismo sintético do James Craig Venter Institute 1.0".
Venter e seu colega Daniel G. Gibson primeiro trabalharam com uma bactéria com o menor genoma conhecido, a Mycoplasma genitalium, com 600 mil "letrinhas" (as bases químicas do DNA) e 500 genes.
Em 2008, eles já tinham conseguido criar um cromossomo artificial com essa bactéria. Mas, como a M. genitalium demora para crescer, Venter trocou a bactéria por uma com genoma maior (1 milhão de bases), mas de crescimento bem mais rápido, a M. mycoides.
O pesquisador fundou a empresa Synthetic Genomics para comercializar eventuais aplicações das pesquisas.
Reações
Ambientalistas reclamaram da pesquisa ontem. A ONG Amigos da Terra rogou a Venter que parasse suas pesquisas enquanto não houvesse regulamentação do governo dos EUA sobre micróbios sintéticos. O medo é que essas novas criaturas escapem para o ambiente.
Venter diz que seu trabalho tem sido analisado por comitês de ética acadêmicos e governamentais desde 1995.   (RICARDO BONALUME NETO - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 

21.05 - A gripe pandêmica não conhece fronteiras
Quando a próxima pandemia de gripe eclodir, a comunidade internacional deve estar preparada para salvar as vidas de ricos e pobres
Há alguns anos os membros da Organização Mundial da Saúde (OMS) vêm negociando a elaboração de mecanismo com vistas a preparar o mundo inteiro para enfrentar uma pandemia de gripe. A cooperação internacional nessa matéria é fundamental, sobretudo para permitir a fabricação de vacinas. Os vírus causadores dessa doença mudam constantemente e podem propagar-se mundo afora em questão de semanas.
Quando surge um novo vírus, como foi o caso do H1N1, é difícil determinar de antemão o seu potencial de agressividade. A gripe H1N1 foi severa e causou a perda de muitas vidas. Felizmente, a pandemia não se mostrou tão letal quanto se pensava inicialmente. No entanto, a possibilidade, no futuro, de uma pandemia potencialmente devastadora não pode ser descartada. Basta evocar a gripe de 1918, a mais grave pandemia do século XX, ou, nos nossos dias, a ameaça que representa o vírus da gripe aviária. Devemos estar sempre preparados para o pior.
Na última semana, chegou ao fim mais uma rodada de negociação na OMS e nada mudou. Aqueles que detêm o conhecimento e o poder não estão dispostos a abrir mão dos seus privilégios, sequer para salvar vidas numa situação de pandemia. Governos dos países onde estão localizadas as multinacionais da indústria farmacêutica defendem a manutenção do status quo que só a eles interessa.
As negociações na OMS foram lançadas para superar a crise de confiança na rede de laboratórios da Organização, que decorreu da falta de controle sobre a distribuição do material biológico para a indústria farmacêutica. O atual sistema de "compartilhamento" de vírus precisa ser urgentemente revisto. Hoje, mais de 100 países enviam amostras para alguns laboratórios certificados (todos localizados em países desenvolvidos) com vistas à seleção dos vírus que serão utilizados para a fabricação de vacinas.
A grande indústria farmacêutica, que produz a maior parte das vacinas, não tem nenhuma obrigação em relação à rede da OMS. Trata-se, portanto, de mecanismo de cooperação de mão única, já que muitos enviam suas amostras de vírus para que poucos fabriquem as vacinas muitas vezes vendidas a preços elevados. O H1N1 colocou à prova o sistema, de modo incontestável: enquanto os vírus foram compartilhados rapidamente, as vacinas não foram disponibilizadas da mesma maneira para as populações dos países em desenvolvimento.
Para corrigir o quanto antes as deficiências e as assimetrias do sistema, o Brasil está engajado no processo negociador. Temos defendido, em coordenação com outros países em desenvolvimento, que as obrigações relativas à cessão do material biológico com potencial pandêmico sejam contrabalançadas com encargos precisos para os fabricantes de vacinas.
Ou seja, no caso da eclosão de uma pandemia, advogamos pelos seguintes compromissos: 1) a doação de vacinas e antivirais para os países que não têm como produzi-los; 2) o estabelecimento de mecanismo que chamamos de "tiered pricing" (preços diferenciados em função da renda dos países) para a compra de vacinas e medicamentos; 3) a transferência de tecnologia para capacitar maior número de países em desenvolvimento; e 4) a concessão de licenças de patentes não exclusivas e livres de royalties relacionadas à questão. Sobre este ponto, não se tem por objetivo rever os acordos internacionais em matéria de propriedade intelectual. As vacinas e outros produtos resultantes das obrigações acima descritas seriam utilizadas para atender os sistemas de saúde públicos, que não têm, naturalmente, fins lucrativos.
Nossa proposta atende às necessidades de diferentes países, no sentido de aumentar e diversificar a capacidade de produção global, assim como de garantir o acesso a vacinas e outros produtos derivados de vírus no contexto de uma pandemia de influenza.
A prontidão na resposta a eventual pandemia depende da "democratização" do acesso e produção de vacinas no plano global. Por isso, é importante tomar medidas para estimular e capacitar os países interessados em produzi-las. O Brasil é um dos poucos países que detêm a tecnologia para sua produção. Hoje, alguns países ricos dispõem de vacinas para imunizar a quase totalidade de suas populações. Enquanto isso, em muitos países pobres, as vacinas não existem ou chegam em quantidades limitadas capazes de imunizar parcela diminuta de seus habitantes.
Queremos construir um mecanismo global de compartilhamento de vírus de gripe e de vacinas mais equitativo e solidário. O caso da gripe pandêmica evidencia a necessidade de reforçar os mecanismos de cooperação internacional em saúde em bases igualitárias. Nossa atuação tem como pressuposto o fortalecimento dos princípios e propósitos da OMS como autoridade internacional em matéria de saúde pública. É fundamental que, quando a próxima pandemia de gripe eclodir, a comunidade internacional esteja preparada para salvar as vidas dos ricos e pobres.
Doenças como a gripe não conhecem fronteiras. A inovação é importante e o lucro é parte do sistema. Mas as vidas humanas não podem ficar reféns de interesses puramente comerciais.   (José Gomes Temporão - Valor Online)

21.05 - Quando a mulher não consegue se prevenir
Surgimento de algumas doenças é favorecido pela ação dos hormônios femininos
As mulheres sempre cuidam muito mais da saúde do que os homens. Mesmo com toda a prevenção, algumas doenças acabam sendo mais comuns entre elas. “A enxaqueca, por exemplo, atinge quatro vezes mais as mulheres do que os homens. A doença de Alzheimer e a esclerose múltipla também são mais comuns entre as mulheres”, aponta Cleverson Gracia, neurologista do Hospital Nossa Senhora das Graças.
A maior incidência dessas doenças é devido ao próprio organismo. “A ação dos hormônios femininos potencializam o surgimento dessas doenças”, explica o neurologista. Além disso, não existem formas de prevenção. “A enxaqueca é hereditária e a esclerose múltipla não possui uma causa conhecida”, conta. O Mal de Alzheimer também não tem grandes opções preventivas, exceto procurar exercitar a mente.
Para diagnosticar as doenças neurológicas, a consulta é fundamental. “Conforme o histórico de cada paciente e os sintomas apresentados são definidos os exames e tratamentos adequados”, considera Cleverson Gracia. “É importante lembrar que as gestantes precisam redobrar seus cuidados, pois a enxaqueca e a esclerose múltipla complicam durante a gravidez”, salienta.
Mas quando procurar um neurologista? Cleverson Gracia explica os principais sintomas das doenças mais comuns entre as mulheres.
Enxaqueca
Costuma provocar uma dor forte, latejante e unilateral. Geralmente ocorre ainda a fotofobia (dificuldade de olhar para a luz), fonofobia (reação negativa a qualquer barulho), náuseas e vômito. A enxaqueca também costuma ser mais longa que uma dor de cabeça, e pode durar de 4 até 72 horas.
Doença de Alzheimer
Esquecimentos frequentes, mudanças de comportamento e dificuldade de raciocínio são comuns no início da doença.
Esclerose Múltipla
Os sintomas são problemas visuais, distúrbios de linguagem, de equilíbrio e força, dificuldades para andar, fraqueza transitória no início da doença, dormências nas extremidades do corpo e fadiga crônica.  (Bem Paraná)

21.05 - Artes marciais diminuem risco de fraturas
A prática de judô ou kung fu pode ajudar quem sofre de osteoporose a reduzir o impacto das quedas, segundo estudo
10 milhões de pessoas têm ossos frágeis no Brasil; em 2008, mais de 2.000 idosos foram internados com pernas quebradas em SP
Técnicas das artes marciais (judô ou kung fu) podem ser eficazes na redução do impacto das quedas em pessoas com osteoporose e diminuir o risco de fraturas ósseas.
Só na cidade de São Paulo, 2.261 idosos foram internados de janeiro a novembro de 2008 por fratura de fêmur -a queda acidental foi responsável por 93% dos casos.
No Brasil, cerca de 10 milhões de pessoas sofrem de osteoporose. O problema é mais comum em idosos, especialmente mulheres, e torna os ossos mais finos e fracos.
Os praticantes de judô, por exemplo, aprendem a cair em um movimento de rolamento, distribuindo o impacto sobre uma área maior do corpo.
Uma pesquisa feita na Holanda e publicada na revista "BMC Research Notes" sugere que, se as pessoas com osteoporose aprendessem técnicas similares, poderiam ter menos risco de quebrar um osso.
Eles mediram os efeitos de uma queda em voluntários jovens e saudáveis e compararam os resultados com informações sobre o impacto no fêmur que uma pessoa idosa com osteoporose suportaria.
A conclusão é que o treino é seguro e ajuda os idosos a cair sem se machucar. Mas é preciso usar equipamentos de segurança (como protetores de quadril), para evitar lesões durante o exercício.
Equilíbrio
O psiquiatra e acupunturista Carlos Moriyama começou a praticar kung fu aos 60 anos por causa de uma hérnia cervical. Ele está tão convencido dos benefícios que indica o esporte aos seus pacientes.
"Tenho um paciente de 78 anos que tem osteoporose e faz kung fu. Melhora a atenção, reação, postura e ainda proporciona alongamento. Também reduz o risco de quedas", diz.
Marcelo Saad, fisiatra e acupunturista do hospital Albert Einstein, diz que qualquer exercício que busque o domínio do equilíbrio pode ajudar a prevenir quedas.
"Isso faz a pessoa ficar mais atenta e desenvolver reflexos para coordenar melhor os movimentos e reduzir impactos."
O médico pondera que idosos com a osteoporose já avançada podem se machucar. "Nesses casos, é melhor trabalhar técnicas de equilíbrio já consagradas [como o Tai Chi Chuan] para prevenir a queda em vez de ensiná-los a cair com menos impacto", sugere.
O professor Walter Roberto Correia, membro do Grupo de Pesquisas em Lutas, Artes Marciais e Modalidades Esportivas da USP e mestre de kung fu, diz que é preciso ter cautela ao indicar artes marciais para quem tem osteoporose.
"É claro que uma pessoa que faz kung fu ou judô tem um controle corporal melhor. Mas, se o programa for mal prescrito, a atividade pode se tornar um risco", afirma.
Correia acrescenta que as técnicas devem ser adaptadas. "A linha entre o benefício e o risco de lesões é muito tênue. O instrutor precisa dominar a técnica e também saber fazer as adaptações necessárias", diz.
Pesquisa busca idosos que sofrem quedas
Pessoas com mais de 60 anos, que moram em São Paulo e caíram ao menos uma vez no último ano, podem se inscrever em uma pesquisa que vai traçar o perfil das quedas.
A iniciativa é da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, que vai selecionar mil idosos para identificar quais são os principais riscos envolvidos nesses acidentes.
Os interessados podem entrar em contato com o Instituto Paulista de Geriatria e Gerontologia pelo telefone (11) 2030-4000, das 8h às 18h, nos dias de semana. A pesquisa também poderá ser respondida pela internet, a partir de segunda-feira, no site (www.saude.sp.gov.br).  (FERNANDA BASSETTE - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

20.05 - Ameaças à Saúde
Enquanto insistimos em não reconhecermos os desafios do futuro e continuamos a pensar e agir apenas no curto prazo, o nosso sistema de saúde mantém algumas bombas-relógio acionadas e em contagem regressiva. A sua sustentabilidade está ameaçada: 1. O Brasil será um país de idosos antes de se tornar país desenvolvido.
Desta forma teremos que gerenciar progressivamente uma maior demanda para o sistema de saúde com recursos ainda muito escassos e finitos, típicos de um país em desenvolvimento. Países como a França, a Suécia e os EUA demoraram 115, 85 e 69 anos, respectivamente, para dobrar a população de idosos (acima de 65 anos) de 7 a 14%, um tempo suficiente para estes se desenvolverem do ponto de vista econômico e social. O Brasil levará apenas 20 anos para dobrar sua população de idosos de 7 para 14%, tempo este talvez não suficiente para se tornar um país economicamente desenvolvido, em que pese a oportunidade única propiciada pelo bônus demográfico.
2. Orçamento destinado à Saúde. Os recursos destinados anualmente ao Sistema Único de Saúde provêm do orçamento da seguridade social e, portanto, são compartilhados entre previdência social, assistência à saúde e assistência social. Neste contexto, a demanda da previdência social por recursos só crescerá, em especial num país que envelhece rapidamente.
Desta forma o sistema de saúde padecerá de força e poder para proporcionalmente demandar mais recursos.
É o que se observa nos últimos dez anos, em que os recursos públicos para a Saúde se sustentaram arduamente em torno dos parcos 3,5% do PIB. Tentativas para criar novas fontes de recursos (novos impostos) fracassaram pela própria fragilidade da argumentação, desvios para outros setores e ineficiência da gestão.
3. Sistema suplementar com regulamentação e elegibilidade dependente de planos coletivos e do emprego.
Atualmente 65 a 70% dos 42 milhões de beneficiários do sistema suplementar têm um plano coletivo de saúde pago integralmente ou majoritariamente pelo empregador. No caso dos planos pagos integralmente pelo empregador, ao perder o emprego o empregado perde o benefício. Caso contribua parcialmente com o pagamento do prêmio mensal terá direito a usufruir do benefício por um período não superior a dois anos. No caso de aposentadoria, o aposentado somente manterá o benefício se contribuir parcialmente por pelo menos dez anos. Desempregados recentes ou aposentados ao perder o benefício teriam que recorrer única e exclusivamente ao SUS. Mais um ônus para o SUS numa fase onde as suas demandas por atendimento só tendem a crescer. Com o atual marco regulatório, o sistema suplementar se responsabiliza pela assistência à saúde dos mais hígidos (cidadãos empregados, portanto aptos para trabalhar) e o SUS se responsabiliza pelos doentes, inaptos ao trabalho e aposentados (normalmente com uma ou mais doenças crônicas).
Ou seja, o desempregado e o idoso são excluídos do sistema suplementar e o SUS reassume o seu papel.
A primeira bomba (um país de idosos) não pode ser desarmada, o risco e a ameaça da mesma se farão sentir no dia a dia. O sistema de saúde reagirá às demandas tanto melhor quanto mais estruturado e preparado estiver.
A segunda (o orçamento) e a terceira (planos de saúde) são bombas passíveis de desarme. No caso do orçamento, torna-se imperativo uma reforma previdenciária e mesmo trabalhista.
Resolver o problema da sustentabilidade previdenciária contribuirá para minorar os desafios que envolvem o financiamento da Saúde. No caso dos planos de saúde, urge um olhar crítico e uma definição dos reais propósitos do SUS e do sistema suplementar. A criação de uma regulamentação que estimule a eficiência e seja capaz de viabilizar um pacto intergeracional é fundamental para aliviar a crescente demanda para o SUS e atender aqueles que optam e têm condições para adquirir uma proteção adicional.
Em ambientes complexos, como o do sistema de saúde, é fundamental se pensar no todo e considerar e planejar o longo prazo. Reconhecer os desafios é apenas o primeiro passo.
Lidar responsavelmente com os mesmos exige acima de tudo liderança!   (MARCOS BOSI FERRAZ - O Globo)

20.05 - Vacinação contra gripe suína acaba nesta sexta
A dois dias do fim da vacinação contra a gripe A (H1N1) --gripe suína--, a meta de imunização de 80% das pessoas ainda não foi atingida para três dos públicos definidos pelo Ministério da Saúde.
Até esta terça-feira, de acordo com o Ministério da Saúde, foram vacinadas 75% das pessoas de 20 a 29 anos, 66% das grávidas, e 27% dos adultos entre 30 e 39 anos.
Ao todo, contando também idosos, pessoas com doenças crônicas e crianças de seis meses a dois anos, já foram aplicadas 57 milhões de doses. A meta é chegar a 70 milhões.   (Folha Online)

20.05 - A importância do clínico geral e do pediatra
Os brasileiros costumam consultar diretamente os médicos especialistas quando apresentam um problema de saúde.
Há, até, quem se queixe de que o setor de emergência de muitos hospitais tem "apenas" (!) clínicos gerais e pediatras de plantão.
É claro que a Medicina evolui muito rapidamente e tornou-se impossível saber tudo em todos os campos do conhecimento. Dentro das próprias especialidades, é útil escolher uma área para aprofundar os estudos. Além disso, muitos médicos exercem uma especialidade porque têm mais aptidão ou gostam mais especificamente daquela atividade. Também há situações em que que só o especialista tem treinamento para usar determinados equipamentos ou realizar procedimentos mais complexos. Contudo, é um grande preconceito acreditar que o atendimento prestado pelo médico generalista é de qualidade inferior.
Em alguns países latinoamericanos, médicos recém-formados prestam um ano "social" obrigatório para atender às populações carentes. Os jovens profissionais recebem do governo uma bolsa de estudos para atuar nas comunidades de periferia ou no interior do país, onde realizam partos normais, consultas ambulatoriais de Clínica Geral e Pediatria, além de cirurgias corriqueiras como a retirada do apêndice e a correção de hérnias da parede do abdômen. Somente após completar o "ano social" eles ingressam na residência médica da especialidade que escolheram.
Infelizmente, isso não ocorre no nosso País. Durante décadas, a formação dos profissionais nas  faculdades de Medicina privilegiou a especialização, criando a falsa noção de que o médico só é bem-sucedido quando segue uma especialidade, sobretudo se for cirúrgica. Uma famosa escola médica pública brasileira chegou a propor a eliminação do estágio hospitalar em Clínica Geral, para que os estudantes passassem diretamente pelas enfermarias das diferentes especialidades clínicas. A faculdade somente desistiu da idéia porque os próprios alunos organizaram uma manifestação em defesa do aprendizado da Clínica Geral.
Essa distorção tem causado o desinteresse dos jovens médicos pelas práticas gerais e prejudicado a formação dos estudantes. Hoje, sobram vagas nos programas de residência médica em Pediatria, pois os profissionais desta área da Medicina sentem-se  desvalorizados diante da remuneração ruim, estando obrigados a cumprir inúmeros plantões para complementar o salário pago pelo SUS e planos de saúde. Muitos alunos de Medicina têm mais facilidade para diagnosticar e tratar doenças raras do que as moléstias comuns como verminoses, rinites, pneumonia e infecções de garganta. E, se um competente ortopedista especializado em cirurgias dos pés for chamado de madrugada para prestar assistência a uma vizinha que esteja em trabalho de parto, é possível que ele não saiba como agir enquanto aguarda a ambulância, já que ninguém nasce pelo tornozelo.
A criação do Programa de Saúde da Família (PSF) em milhares de municípios brasileiros é uma iniciativa louvável para recriar a antiga figura do médico de família, aquele clínico geral que cuidava do núcleo familiar através das gerações. O médico de família tinha muito prestígio e merecia a confiança de adultos e crianças. Ele conhecia as pessoas, sua predisposição genética a certos problemas de saúde e seus hábitos de vida, o que lhe permitia orientar os pacientes no sentido de prevenir doenças.
No âmbito do SUS e dos planos de saúde privados é preciso resgatar o imenso valor da Clínica Geral e da Pediatria. É obrigatório que a primeira consulta no posto de saúde ou no ambulatório do convênio médico seja com o clínico ou pediatra, mas estes usualmente encaminham os casos aos especialistas, às vezes sem sequer iniciar um tratamento.  Não raro, o generalista limita-se a preencher guias de encaminhamento para atender à solicitação do paciente.
É urgente que clínicos gerais e pediatras, ao usar bem as noções de todas as áreas da Medicina em prol do paciente, recebam o devido reconhecimento dos gestores da saúde e da população. (Região Online)
 
 
 
 
 

19.05 - O problema da cesárea
Segundo uma noção muito difundida, o nome cesárea ou cesariana estaria associado ao imperador Júlio César, nascido de um parto operatório. Pouco provável, pois, entre os antigos romanos, esse tipo de intervenção só se justificava pela morte da parturiente, e a mãe de Júlio César, Aurélia, viveu muitos anos após o nascimento do ilustre filho; mais provavelmente o termo vem do verbo latino caedere, cortar. Mas a lenda mostra como a cesárea apela à imaginação. Trata-se de uma operação antiga; no Ocidente ela é praticada regularmente pelo menos desde o século 16. Mas por causa da letalidade, era um procedimento de exceção.
Não mais, ao menos no Brasil. Entre nós, o número de cesáreas cresce constantemente. Recentemente foi divulgado que, em São Paulo, 56,7% dos partos são cirúrgicos, um aumento de 10 pontos percentuais na última década. A intervenção é mais frequente no Sudeste, no Centro-Oeste e no Sul do que no Nordeste e no Norte. Além disso, 84,5% dos partos cobertos por planos de saúde foram por cesárea (no SUS, a proporção é de 31%).
Esses fatos sugerem que existem aí fatores socioeconômicos e culturais, que se evidenciam quando se examina as motivações que levam médicos e parturientes a fazer tal opção. Para começar, há uma questão de conveniência: diferente do parto normal, a cesárea pode ser marcada com antecedência e é mais rápida, o que, para um profissional atarefado, pode ser um fator ponderável. No caso das mães, há o temor da dor; e, diz-se, em alguns casos a escolha de signos do zodíaco também pesa. Mais: como é um procedimento tecnológico, as pessoas tendem a achar que é melhor do que o parto natural, e isso por sua vez faz com o médico tenha receio de alguma queixa (“Meu filho nasceu com problemas porque o senhor não fez uma cesárea, vou entrar na Justiça”).
Mas é preciso lembrar também que existem indicações bem definidas para a cesárea. Por exemplo: quando o feto é muito grande, o que dificulta o parto normal, ou quando a placenta impede a saída do feto. Por tudo isso, a Organização Mundial de Saúde estabeleceu uma porcentagem padrão para as cesáreas: 15% dos partos. Obviamente, biologia não é matemática, e esse número serve apenas de orientação. Mas é uma meta exequível: no Reino Unido, a porcentagem de cesáreas realizadas está em torno de 10%, no Japão em torno de 8%. No Brasil a proporção de partos cirúrgicos está muito acima disso (em alguns municípios é quase 100%) e isso acaba configurando um problema de saúde pública.
A cesárea não é uma cirurgia isenta de riscos. Em primeiro lugar, como toda cirurgia, envolve hospitalização (e, portanto, a possibilidade de infecção hospitalar), envolve anestesia, envolve um pós-operatório às vezes doloroso, envolve a possibilidade de hemorragia e tem uma letalidade que, mesmo baixa, é bem maior que a do parto normal. A mãe não pode cuidar imediatamente do bebê, que, por sua vez, também pode enfrentar problemas.
Dá para diminuir a taxa de cesáreas? Dá. A percentagem mais alta de partos normais no SUS mostra isso. Foi o resultado de um esforço consciente e sistemático: por exemplo, aumentou-se em muito o valor pago pelo parto vaginal. E também o resultado da conscientização da população. As mulheres estão se dando conta das vantagens médicas e emocionais do parto normal, e existem movimentos organizados neste sentido, como é o caso da ONG Amigas do Parto. O Conselho Federal de Medicina também tem adotado ações nesse sentido.
Talvez leve algum tempo para que se possa reverter uma tendência que não é de hoje, mas certamente a racionalidade haverá de prevalecer. Aurélia, a mãe de Júlio César, sem dúvida assinaria em baixo.   (Moacyr Scliar - Correio Braziliense)

19.05 - Projetos contribuem para a saúde dos idosos
O comprometimento com metas e objetivos propicia motivação aos idosos, o que aumenta a disposição para a realização das atividades diárias e a motivação pela vida
Velhinhos jogando dominó nos Centros de Convivência e praças ou senhoras fazendo tricô enquanto assistem à novela. Por muitos anos essas imagens eram referências ao se falar em aposentados. Contudo, essas cenas estão ficando no passado, dando lugar a idosos com uma agenda movimentada, que contempla a academia, viagens, entre outras atividades. A rotina agitada propicia motivação e, principalmente, uma velhice mais saudável, é o que garantem os profissionais de saúde especializados em gerontologia.
A fisioterapeuta gerontóloga Cristina Ribeiro explica que com o aumento da expectativa de vida e os avanços da ciência - que possibilitam qualidade de vida - não cabe mais pensar apenas na figura do “vozinho” sentado numa cadeira acompanhando passivamente o passar dos dias. “Eles (idosos) querem e podem ter uma rotina produtiva e animada. A postura pró-ativa nesse estágio de vida, especialmente após a aposentadoria é questão de saúde”, alerta a fisioterapeuta.  Segundo Cristina, estabelecer projetos e desafios a serem conquistados é motivador e traz benefícios psicológicos e físicos porque levam as pessoas com mais idade a continuarem ativas como agentes sociais.
Segundo o Ministério da Saúde, até o ano de 2050 o Brasil terá 63 milhões de idosos. Prevendo esse novo cenário populacional, o Governo já discute a reformulação das políticas públicas relacionadas à área da Previdência e da Saúde. No cotidiano das pessoas idosas uma nova forma de vivenciar essa etapa da vida também é cada vez mais evidente.
Aposentadoria – O processo de aposentadoria, por exemplo, está passando por adaptações. Algumas empresas, como a Usina Hidrelétrica Itaipu Binacional, desenvolvem programas específicos para preparar os funcionários para o momento de se desligar do trabalho. “A preparação é fundamental. Imagina a mudança na vida das pessoas que por décadas trabalharam oito horas por dia e, de repente, perdem essa ocupação. Se elas tiverem projetos de vida estabelecidos, essa transição estará prevista e não representará um problema, e sim uma nova fase da vida”, explica Cristina. Ela cita ainda que, não raro, as pessoas que se aposentam sem a devida preparação desenvolvem problemas psicológicos – como depressão – e até físicos, pela mudança no ritmo de vida, resultando em sedentarismo e as patologias decorrentes da falta de atividade física.
Por conta disso, é cada vez mais comum as pessoas se dedicarem a uma nova profissão quando se aposentam. Na maioria das vezes não é visando ganhos financeiros, mas a realização de um antigo desejo ou para aproveitar o tempo, que agora está com menos atividades e mais disponível. O publicitário Vilmar Machado, por exemplo, já sabe qual será seu passatempo na aposentadoria. “Como não dá pra viver de arte nesse País, tive que abdicar da minha paixão pela pintura. Mas, quando me aposentar, voltarei a exercer esse ofício que tanto gosto”, planeja Machado.
Prática de atividades físicas, alimentação balanceada e atenção com detalhes da rotina e as limitações naturais da idade são alguns dos cuidados importantes com os idosos. Os profissionais da gerontologia, que cuidam justamente de todos os aspectos envolvidos no processo de envelhecimento – sociais, culturais e biológicos – defendem o acréscimo nessa lista de “projetos e objetivos de vida”, esteja a pessoa com 10, 40 ou 100 anos. “Meus pacientes que têm projetos de vidas, a curto ou médio prazo, mesmo sendo coisas simples como a meta de voltar a andar ou de fazer atividades cotidianas de forma independente (ir à padaria ou sacar sua aposentadoria sozinhos, por exemplo) respondem melhor ao tratamento. É visível a diferença, além da motivação por continuar produzindo e se relacionando ativamente com o mundo e as pessoas”, finaliza a fisioterapeuta gerontóloga Cristina Ribeiro. (clickFoz)

19.05 - Se não tem plano, o jeito é prevenir
Na região sul, ainda que esteja acima da média nacional, o índice da população que é atendida por planos de saúde chega apenas a 30%
O suplemento de Saúde da Pnad 2008 revela um dado preocupante. O levantamento realizado pelo IBGE e publicado no fim de março mostra que, de cada quatro brasileiros, apenas um tem plano de saúde particular. Na Região Sul, o índice, que é de 30%, fica levemente acima da média nacional, de 25,9% - e abaixo somente do sudeste, onde é de 35,6% (veja mais detalhes no gráfico ao lado). No entanto, o país ainda está a léguas de distância dos Estados Unidos, por exemplo. Por lá, aproximadamente 85% das pessoas contam com um plano de saúde.
A perspectiva para o Brasil, porém, é animadora - graças ao aquecimento da economia. A renda média dos trabalhadores tem crescido e tudo leva a crer que deverá continuar nesse ritmo em curto e médio prazo. "Com poder de compra maior, a saúde também passará a ser um bem prioritário no orçamento familiar, sem sombra de dúvidas", prevê Maria Lucia Vieira, analista econômica do IBGE e gerente da Pnad.
Apesar de possuir renda média per capita superior às do norte e nordeste, o sul chama a atenção pelo percentual da população atendida pelo Programa Saúde da Família. Ao todo, 50,3% dos habitantes da região utilizam o programa. O índice é superior à média nacional, de 47,7%, mas fica bem abaixo daquele verificado na região mais atendida do país - o nordeste, onde 64,8% dos habitantes estão cadastrados no Saúde da Família.
Outro dado interessante diz respeito à prática de exercícios físicos. As pessoas que vivem no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul têm suado mais a camiseta do que nas outras regiões do país. Segundo a Pnad, 33,5% dos entrevistados do sul disseram ter feito algum tipo de esporte nos últimos três meses. No Brasil, este índice é de 28,2%.  (Amanhã)
 
 
 
 
 

18.05 - SUS deve atualizar lista de remédio todo ano
Medida tenta frear o crescente número de ações judiciais de pacientes que não conseguem novas drogas pela rede pública
Medicamentos só serão incorporados ao sistema com registro na Anvisa, segundo projeto aprovado em comissão do Senado
O Ministério da Saúde terá que atualizar tabelas de remédios e procedimentos do SUS pelo menos uma vez por ano. Se o prazo não for cumprido, será obrigado a oferecer a droga mesmo sem prescrição ou laudo médico, até a publicação da decisão no "Diário Oficial".
É o que diz um novo projeto de lei aprovado pela CAS (Comissão de Assuntos Sociais) do Senado, em caráter terminativo. Agora, o projeto segue para Câmara dos Deputados e, depois, para a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A medida tem apoio do ministério, que espera, com isso, frear a "epidemia" de ações judiciais para a aquisição de medicamentos de alto custo que vem afetando os sistemas das três esferas de governo.
A tabela SUS está desatualizada há quase um década. Isso tem feito com que 50 mil pessoas, em média, recorram por ano à Justiça para obter, por meio de liminares, os remédios de última geração.
Um exemplo de remédio frequentemente pedido via judicial é o rituximab, usado pela pré-candidata à Presidência Dilma Rousseff (PT) no tratamento do linfoma. A droga custa em média R$ 8.000 e não consta na lista do SUS.
Atualmente, remédios oncológicos são os mais requisitados na Justiça, segundo estudo da Fiocruz divulgado na semana passada. O trabalho constatou que a maioria das prescrições nos processos judiciais é feita por médicos do próprio SUS.
"Tanto os médicos como os magistrados agem baseados em convicções honestas. Mas é preciso uma lei que os oriente. Essa epidemia de ações tem desequilibrado os sistemas de saúde de Estados e municípios", diz o secretário de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, Reinaldo Guimarães.
Só a União gastou em 2009 R$ 83,16 milhões com a compra de medicamentos, determinada por 1.780 ações judiciais. O valor é 75% superior ao gasto em 2008 (R$ 47,6 milhões).
Para Guimarães, o novo projeto de lei terá um papel de disciplinar o processo de aquisição de novas tecnologias. De acordo com o ministério, 60% dos pacientes que ingressam com ações poderiam ser tratados com remédios similares, disponíveis no SUS. Os outros 40% pedem drogas de última geração, algumas das quais não estão aprovadas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
Pelo projeto de lei, um novo medicamento só deverá ser incorporado ao SUS se tiver registro na Anvisa. Também serão avaliadas as evidências científicas sobre sua eficácia e segurança e a comparação dos benefícios e dos custos em relação às drogas já disponíveis.
A advogada Sylvie Boechat, gerente de apoio ao paciente da Abrale (Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia), afirma que isso só vai funcionar se a Anvisa tiver agilidade na aprovação de novos fármacos.
Ela cita o exemplo da lenalidomida, droga indicada para o tratamento de mielomas múltiplos e da síndrome mielodisplásica, aprovada há cinco anos nos EUA, e que ainda não tem registro na Anvisa.
"Há evidências científicas mais do que suficientes sobre a eficácia e segurança dessa droga. No entanto, ela não está aprovada. Por esse critério, ela não seria incorporada à nova lista do SUS, por exemplo."
Segundo advogada, independentemente do novo projeto, as pessoas poderão continuar recorrendo à Justiça para obter remédios não disponíveis no SUS. "O direito à saúde é uma extensão do direito à vida."
Judicialização
O combate ao crescimento da chamada "judicialização da saúde" ganhou urgência nos últimos anos, quando se descobriram fraudes em ações para beneficiar laboratórios.
Em 2007, nove pessoas foram presas em Marília (interior de São Paulo) sob a acusação de forjar receitas médicas para obrigar, por meio de ações judiciais, a Secretaria de Estado da Saúde a comprar remédios para tratamento de psoríase (doença inflamatória da pele).
Depois disso, as ações judiciais no Estado começaram a cair. Em 2009, foram 722 processos contra 3.098 registrados em 2008. No mesmo período, triplicou o número de processos administrativos ingressados diretamente na Secretaria da Saúde -3.042 para 10.004.
Para a secretaria, a eficiência no julgamento dos processos para aquisição de novas drogas tem desestimulado as ações.  (CLÁUDIA COLLUCCI - Folha de S.Paulo)

18.05 - Um terço dos brasileiros sofre de dor na coluna
Pesquisa envolveu mais de 12 mil pessoas de todas as regiões do país
Má postura e sobrepeso são algumas das causas do problema que só perde para dor de cabeça no ranking mundial dos desconfortos
A dor nas costas é a doença crônica mais comum entre os brasileiros. É, também, a menos tratada, apesar de ser percebida precocemente. O problema afeta 36% da população, e 68% dos atingidos buscam tratamento.
Os dados são de um estudo inédito feito pela Escola Nacional de Saúde Pública, ligada à Fiocruz. Os pesquisadores entrevistaram 12.423 pessoas com mais de 20 anos, de todas as regiões do Brasil. As informações foram levantadas em 2008 e podem ser extrapoladas para todo o país.
A descoberta da dor na coluna em idade precoce (aos 38 anos, em média) é uma das explicações para a menor busca por tratamento, se comparamos o problema com artrite e reumatismo, doenças que afetam 13% da população, e 78% desses pacientes se tratam.
No caso do problema na coluna, como a pessoa está em idade produtiva, deixa em segundo plano a necessidade de investigar as causas da dor.
O fato de a doença não ter implicações imediatas na saúde do paciente também contribui.
"A pessoa não se percebe com limitação e não sabe quanto tempo vai levar para isso se tornar uma doença de base de fato. Sobre as doenças cardiovasculares se fala muito, a maioria sabe que podem causar sérias complicações", explica a epidemiologista Mônica Campos, uma das pesquisadoras.
A coluna é a segunda maior fonte de dor no mundo, atrás somente da cabeça. A Organização Mundial da Saúde estima que 80% da população mundial sofrerá ao menos um episódio de dor nas costas na vida.
Entre as principais causas estão tumores, cistos, lesões nos nervos, nas vértebras e nos discos e, principalmente, má postura, fraqueza dos músculos da região, tabagismo e obesidade.
"Os índices estão corretos, por uma razão simples: a coluna tem suas regras, e elas não são obedecidas. Isso torna o problema uma calamidade", diz o reumatologista José Goldenberg, professor da Unifesp e autor do livro "Coluna: Ponto e Vírgula" (ed. Ateneu).
As regras estão relacionadas ao estilo de vida do paciente, que contribui para o aumento de casos de dor nas costas: má postura, sedentarismo e obesidade estão ligados ao problema.
Imagem
Segundo Goldenberg, 80% das pessoas com dor melhoram com alterações nos hábitos.
"De cada dez pacientes que me encaminham para uma segunda opinião sobre cirurgia de coluna, nove não precisam. Essas pessoas não foram orientadas a parar de fumar, emagrecer, não receberam orientação psicológica. Querem tratar a imagem, o raio-X."
Para o ortopedista Sérgio Zylberstejn, presidente do Comitê de Coluna da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, essa dor é pouco compreendida, e os sintomas, minimizados. "Esse problema pode impactar na qualidade de vida do paciente, impedir a locomoção. O tratamento tem de ser dirigido para a causa, não para a consequência."   (JULLIANE SILVEIRA - Folha de S.Paulo)

18.05 - Automedicação pode agravar enxaqueca
Na família Brito, três gerações são vítimas da enxaqueca: Maria do Céu, Marília e Patrícia, de 11 anos. "Eu comecei a perceber quando ela era bebê que ela tinha fotofobia. Ela chorava, fazia cara de dor. Como eu também tenho dor de cabeça, sempre tive, consegui identificar nela", conta a advogada Marília Brito.
"Na sala de aula vou para enfermaria tomar remédio e ir para casa descansar", diz a estudante Patricia Brito.
A enxaqueca é uma doença de causa genética, sem cura, que atinge mais as mulheres. Segundo a Sociedade Brasileira de Cefaléia, 34 milhões de brasileiros têm de duas a cinco crises da doença por mês. Entre 5% e 10% dos homens sofrem com este problema. Já na população feminina, a incidência é de 20%.
"Não enxergava direito. Tinha que ficar no quarto escuro, fechadinha, quieta, tomando remédios por minha conta", lembra a aposentada Berenice Torres.
Remédios sem controle
A automedicação, tão comum nos casos de dor de cabeça, segundo os médicos, confunde o cérebro, porque quando ele recebe analgésicos, deixa de produzir substâncias, como a endorfina, que ajudam a controlar a dor. Quem tenta acabar com a enxaqueca sem acompanhamento médico corre o risco de agravar a doença.
O tratamento para as mulheres varia de acordo com as características de cada paciente. Depende de vários fatores, como, por exemplo, o uso de anticoncepcionais, ou da reposição hormonal durante a menopausa.
Isto ocorre porque quando cai a quantidade do hormônio estrogênio circulando no sangue, como acontece antes da menstruação, alterações químicas dilatam e inflamam os vasos sanguíneos. Provocam aquela dor latejante. A doença se manifesta de formas diferentes em cada fase da vida.
"O pico de incidência das crises de dor de cabeça da enxaqueca é na fase adulta fértil, entre 20, 40 anos de idade mais ou menos. Após essa fase, com a aproximação da menopausa, quando o estrogênio deixa de ser produzido, a mulher passa a ter crises menos intensas e menos frequentes, não raro deixando de ter a dor de cabeça", destaca o neurologista Abouch Krymchantowski.
Alguns especialistas dizem que exercícios físicos e alimentação saudável podem ajudar a diminuir a dor da enxaqueca. Mas o mais importante é procurar logo orientação médica - nunca, a automedicação. (Portal G1)
 
 
 
 
 

17.05 - AVC: Rapidez no tratamento
Tratamento de AVC feito com atraso causa mais riscos que benefícios
O tratamento medicamentoso (trombólise) do acidente vascular cerebral (AVC) deve ser ministrado o mais rápido possível após sua ocorrência, com o risco de se tornar superior ao benefício quando há um atraso superior a quatro horas e meia, indica uma análise divulgada neste sábado na The Lancet.
Considera-se geralmente que a trombólise pode ser realizada em um prazo de três horas após a ocorrência de um AVC de origem isquêmica, ou seja, quando um vaso sanguíneo se fecha (80% dos AVCs).
Uma equipe internacional de pesquisadores liderada por Kennedy Lees (Universidade de Glasgow, Reino Unido) analisou os dados de oito testes clínicos (3.670 pacientes) para determinar como os benefícios e os riscos do tratamento com o medicamento alteplase evoluem em função do retardo do tratamento.
A análise mostrou que o tratamento com esse medicamento podia aumentar as chances de resultado favorável quando realizado até 4 horas e meia (270 minutas) após a ocorrência do ataque. No entanto, a probabilidade de uma boa recuperação diminui rapidamente na medida em que o atraso se prolonga.
Com isso, três meses depois de um AVC, os pacientes tratados com o alteplase em 90 minutos tiveram duas vezes e meia mais chances de ter uma boa recuperação do que aqueles tratados com um placebo. Aqueles tratados com o alteplase 270 minutos após o ataque, tinham apenas 22% de chances adicionais de se recuperar.
Mortalidade
A análise mostrou pela primeira vez que a mortalidade aumentava quando o atraso do tratamento ultrapassava quatro horas e meia.
"As vítimas de AVC de origem isquêmica são beneficiadas por um tratamento com o alteplase feito em até quatro horas e meia. Para aumentar ao máximo o benefício, tudo deve ser feito para reduzir o atraso da realização do tratamento. Depois de quatro horas e meia, o risco pode ser superior ao benefício", concluíram os pesquisadores.
"Devemos aumentar a proporção de pacientes que chegam ao hospital logo depois da ocorrência do AVC, informando as pessoas sobre os sinais de alerta e ativando rapidamente o sistema médico de emergência", consideraram em um comentário Jeffrey Saver (Geffen School of Medicine, Estados Unidos) e Steven Levine (Mount Sinai School of Medicine, Estados Unidos).
O AVC é a segunda causa de demências após o Mal de Alzheimer. (iMirante)

17.05 - Para laboratórios, disputa na OMC vai além dos remédios
Os desdobramentos da reclamação feita pelo Brasil contra a União Europeia (UE) na Organização Mundial do Comércio (OMC) revelam a vontade de criar um clima de "Fla Flu" envolvendo genéricos, avalia o presidente da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), Antonio Britto. "Estão querendo criar um tabu. A discussão vai muito além dos remédios", disse o presidente da organização que representa os 30 maiores laboratórios farmacêuticos instalados no País.
Na terça-feira, o Brasil deu o primeiro passo para a abertura de um painel na OMC contra a UE. A medida é uma reação à apreensão, em 2008, de um carregamento de 500 quilos do anti-hipertensivo Losartan, comprado pela empresa brasileira EMS na Índia. O remédio, genérico tanto no Brasil quanto no país produtor, foi retido no porto de Roterdã por autoridades holandesas sob suspeita de desrespeito à patente. Na Holanda, a produtora Merck Sharp & Dohme ainda detém o direito exclusivo de exploração do medicamento.
A retenção foi feita com base em uma regulamentação da UE, que permite a medida todas as vezes em que houver suspeita de infração à propriedade intelectual. "Trata-se de um problema de direito internacional. Uma discussão sobre o direito de apreensão de produtos em trânsito por autoridades aduaneiras."
Para Britto, o episódio envolvendo o Losartan representa apenas um "case" - um caso específico. "A preocupação das autoridades é com as apreensões de todos os produtos, não está limitada à questão dos medicamentos", completou. O presidente da Interfarma afirmou que grandes farmacêuticas não têm interesse em reduzir o trânsito de remédios genéricos. "Hoje a maioria das empresas produz e compra genéricos", disse.
'Empecilhos'
A representante do Movimento Médicos sem Fronteiras, Gabriela Chaves, diz: "A diretiva da União Europeia que legitimou as apreensões vai além do que é determinado pelo Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio (TRIPS). E a medida traz empecilhos a todos os setores, a todos os produtores que atuam na área de genéricos e principalmente aos pacientes que precisam ter acesso a medicamentos legítimos, com qualidade e a preços acessíveis."
De acordo com Britto, o interesse da Interfarma está em garantir produtos de boa qualidade e de procedência comprovada. "É o que vem fazendo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que, recentemente editou normas mais rígidas para garantir a qualidade dos remédios." (Agência Estado)

17.05 - A Eficiência da Medicina Laboratorial no Contexto Assistencial
Executivos relatam em artigo a eficiência e o uso racional da medicina laboratorial
Sabemos que a Medicina Diagnóstica é responsável por cerca de 70% das decisões médicas e absorve em torno de 10% dos custos em saúde; e está presente virtualmente em todos os protocolos e guidelines clínicos e em praticamente todas as especialidades médicas.
A boa utilização da Medicina Laboratorial, isto é, o uso racional da informação gerada das análises realizadas pelos diversos laboratórios disponíveis no mercado, é ponto chave para racionalização dos custos e também para a busca por resultados na cadeia de saúde. Segundo Porter1, essa busca por resultados deve ter como direcionadores a prevenção; o diagnóstico precoce e correto; o tratamento precoce, correto, menos invasivo e na causa da doença; foco no paciente certo; maior velocidade entre diagnóstico e tratamento; menor número de erros, complicações e repetições; um número menor de eventos agudos, seqüelas e reincidências; recuperações mais rápidas e menor necessidade de tratamentos em longo prazo.
Em termos de utilização de exames laboratoriais no processo assistencial de saúde, Walraven et al.2 estudaram um número significativo de exames e demonstraram que 73,5% destes encontravam-se dentro do valor de referência proposto e que de pacientes admitidos em um pronto-atendimento hospitalar e submetidos à dosagens laboratoriais, 21,7% haviam realizado a mesma dosagem em âmbito ambulatorial na semana anterior à hospitalização e 40% e 62,7% em 3 meses e 1 ano, respectivamente. Neste mesmo artigo, fontes citadas como Branger et al. demonstraram que 38% dos exames laboratoriais são repetidos dentro de um prazo de 8 meses e segundo Bates et al., 28,2% dos testes de rotina repetidos foram repetidos sem necessidade.
Ainda no ambiente hospitalar, excetuando as Unidades de Terapia Intensiva (UTI), 27% dos testes bioquímicos solicitados haviam sido realizados no dia anterior.
Dados da Associação Nacional dos Hospitais Privados 3 (ANAHP) demonstram uma média de 26 exames por internação hospitalar. Para a  Agência Nacional de Saúde Suplementar4 (ANS), no ano de 2008, os gastos com exames representaram 20,9% dos gastos totais das operadoras da saúde com frequência média de utilização entre os anos de 2002 e 2007 variando entre 8,9% e 12,6%.
Poley et al.5 estudaram 27 laboratórios europeus e demonstraram redução de 3% nos custos com exames laboratoriais por meio de utilização de sistemas de suporte à decisão baseado em protocolos previamente definidos.
Certamente conhecemos alguém que teve seu período de internação prolongado devido à espera de um resultado de exame. Com foco na velocidade entre o diagnóstico e o tratamento, Holland et al.6 demonstrou a relação entre o tempo total de liberação de resultados (TAT - Turn Around Time) e o impacto na diminuição do tempo médio de atendimento em pronto-socorro. Segundo os autores, uma baixa performance do laboratório que acarreta atrasos nos resultados dos exames é um impedimento para a otimização dos cuidados assistenciais.Para Howanitz et al.7 o indicador de tempo de liberação de resultados (TAT - Turn Around Time) é um atributo estratégico do laboratório e tempos de reporte de resultados longos resultam em duplicação de solicitações de exames e aumento dos custos.
Na busca por resultados em saúde, referente à diminuição de erros, complicações e repetições citados por Porter, destacamos a fase pré-analítica, por ser dentro dos processos laboratoriais a etapa de maior contribuição para os erros laboratoriais. Segundo Akan et al.8 o erro mais comum desta fase, em ambientes hospitalares, é a informação incorreta do paciente presente nos sistemas de solicitação de exames, responsável por até 23,5% destas ocorrências, seguido de incongruência entre os testes solicitados e a informação introduzida manualmente no sistema, até 10,1%,  e volume insuficiente das amostras em 3,2% dos casos. Bonini, PA e Plebani, M.9, em artigo de revisão de erros em laboratórios, destacam que 75% dos resultados laboratoriais com erros estão dentro dos valores de referência propostos, 12,5% destes são erros absurdos e não considerados clinicamente e os 12,5% restantes afetam a saúde do paciente. Nos artigos revistos, a fase pré-analítica mostrou-se responsável por 31,6% a 75% dos erros, a fase analítica por 13,3% a 31,6% e a etapa pós-analítica 9% a 30,8%. Como fase pós-analítica, está considerada as respostas ou reações frente aos resultados laboratoriais e a interpretação clínica destes.
O estudo de custo-efetividade dos ensaios laboratoriais, no contexto assistencial como provedor de benefícios ao paciente tende a ser cada vez mais abordado. Hernandez, JS.10 revisando o tema destaca seis diferentes níveis necessários para o estudo da custo-efetividade: qualidade técnica; sensibilidade, especificidade e acurácia; potencialidade de modificação do pensamento clínico pelo resultado reportado; efeito no manejo do paciente; efeito nos resultado sobre o paciente e impacto sobre os custos. Citando Pfister et al., o autor sugere três diferentes âmbitos para análise da custo-efetividade.
A Performance do Teste: analisada por sua sensibilidade, especificidade, reprodutibilidade, capacidade de produção dos equipamentos disponíveis, tempo de liberação de resultados, necessidades especificas no momento da coleta e tipo de amostra;
O Custo do Teste: custos diretos e indiretos do teste (fase analítica), necessidade de pessoal, equipamentos e instalações; e
Fatores Epidemiológicos: prevalência da doença em questão, possibilidade de realização de testes de triagem populacional ou utilização de terapia empírica, variáveis e interferentes.
A medicina laboratorial contribui de forma significativa para o desfecho assistencial focado no paciente. A possibilidade de redução de dias de internação, diagnósticos cada vez mais precoces, um número menor de repetições e, conseqüentemente, de gastos desnecessários, faz desta especialidade uma ferramenta importante na assistência à saúde.
A correlação clínico-laboratorial e a utilização racional dos diversos tipos de exames disponíveis, bem como a gestão da informação alinhada ao uso da medicina laboratorial baseada em evidências, trazem benefícios a toda a cadeia de saúde, em termos de resultados operacionais e financeiros e também são fontes geradoras de maior segurança ao paciente.  (Carmen Paz Oplustil e Gustavo A. Campana - Saúde Business Web)
 
 
 
 
 

14.05 - Diabéticos. Qual a melhor forma de atendê-los?
De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) existem cerca de 2.607.828 de diabéticos no Brasil. Existem dois tipos de Diabetes: a tipo 1 e tipo 2. O controle da doença é medido através da insulina porque ela é responsável por manter o equilíbrio das taxas de glicose no sangue (e nos portadores de diabetes isso não acontece). A identificação precoce da doença e um vínculo com um estabelecimento de saúde são elementos imprescindíveis para o sucesso do controle da doença. "Informar a respeito dos horários e doses dos medicamentos, alimentação saudável, prática de atividades físicas são algumas das práticas que devem ser abordadas como incentivo para adesão ao tratamento", explica a farmacêutica da Associação de Diabetes Juvenil (ADJ), Ana Paula Miranda.
Essas observações ajudam não só para a manutenção da saúde do cliente, mas também favorece sua fidelização no ponto de venda, gerando uma oportunidade de venda cruzada. A farmácia precisa ter um local funcional e montar um mix pensando nas necessidades dessas pessoas, como: medidores de pressão, balança, medicamentos relacionados à doença, insulina, balança, livros e revistas sobre alimentação, entre outros. "O varejo farmacêutico precisa de pessoas capacitadas, que dêem atenção para esses consumidores porque eles precisam de necessidades específicas, pois junto com a enfermidade podem aparecer complicações renais, visuais, de circulação entre outros. E uma farmácia que tem carência de passar essas informações, não tem cliente fiel", acrescenta a gerente de produtos Accu-Chek da Roche, Fernanda Villalobos.
Cuidar da alimentação
A pessoa que tem diabetes deve se alimentar de forma saudável. A farmacêutica Ana Paula Miranda da ADJ e a Coordenadora do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes, Drª Marlene Merino Alvarez listaram algumas dicas. Leia, informe sua clientela e realize um serviço mais completo:
Evite gorduras e frituras 
Use produtos integrais 
Diminua doces 
Substitua o açúcar pelo adoçante 
Inclua pelo menos 3 porções de frutas e 2 porções de legumes e verduras ao dia.  (Guia da Farmácia)

14.05 - Médicos tentam zerar fila para transplante de córnea
Um brasileiro espera três anos, em média, por um transplante de córnea. Ao menos 22.700 pessoas aguardam hoje nessa fila, segundo dados do primeiro semestre de 2009. 
Agora, o CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia), em parceria com a câmara técnica do Conselho Federal de Medicina, concluiu documento em que estipula a meta de zerar em oito meses a fila do transplante, informa a reportagem de Fernanda Bassette, publicada nesta quinta-feira pela Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL). 
Para alcançar a meta, os conselhos dependem do aval do Sistema Nacional de Transplantes, vinculado ao Ministério da Saúde, e da liberação de R$ 2,3 milhões. A verba seria usada na criação de bancos de olhos e na capacitação. 
"A nossa ideia é aumentar em 30% o total de cirurgias, em até quatro meses. Depois disso, zerar a fila até o final do ano. É um desafio que queremos colocar em prática o mais rápido possível", diz Paulo Augusto de Arruda Melo, presidente do CBO. 
Para chegar a esses números, o CBO fez um raio-X da situação do Brasil e identificou os principais gargalos. O maior é armazenar as córneas para dar tempo de fazer a cirurgia. Outro gargalo é a falta de bancos de olhos no país: até o meio do ano passado, o Brasil possuía 30 bancos -sete deles no Estado de São Paulo.   (Folha Online)

14.05 - Parceria para disseminar as normas técnicas
No dia 5 de maio, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e a instituição Inteligência Educacional e Sistemas de Ensino (Iesde Brasil) assinaram em São Paulo um Protocolo de Intenções que deverá resultar em maior divulgação de documentos normativos, por meio do desenvolvimento, produção e comercialização de material didático e de metodologia de ensino à distância. Este é o ponto de partida de um processo que terá como foco os profissionais da área de saúde, estendendo-se depois para outras categorias, visando à capacitação para uso das normas e da tecnologia nelas contida.
As próximas etapas serão direcionadas para a definição de temas prioritários, de maior demanda e abrangência e como o material será disseminado.  (ABNT)
 
 
 
 

13.05 - Taxa de acompanhamento no parto é abusiva
Cuiabá - A consumidora Bruna Silva (nome fictício) foi informada que teria que pagar uma taxa para que seu marido assistisse ao parto do seu filho quando ambos já estavam no centro cirúrgico. “Eu estava prestes a ganhar o bebê quando uma pessoa do hospital exigiu que meu marido retornasse a recepção do estabelecimento para pagar R$ 150 para permanecer na sala comigo. Ele preencheu o cheque ali mesmo, para não correr o risco de perder um dos momentos mais emocionantes das nossas vidas”, relatou a consumidora.
A Superintendência de Defesa do Consumidor (Procon-MT) alerta sobre a abusividade da cobrança da taxa de acompanhamento no parto, uma prática que tem se tornado frequente nos hospitais do Estado. A cobrança fere os princípios do Código de Defesa do Consumidor (artigo 39 CDC), já que o fornecedor se prevalece da situação de fragilidade do consumidor para impor seus produtos ou serviços.
A taxa ainda contraria a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) que estabelece a presença do acompanhante como benéfico à saúde da mãe e do bebê. Assim, os estabelecimentos não podem exigir o pagamento de valores para que a gestante tenha a presença de alguém na sala de parto.
“Além disso, a taxa de acompanhante também é uma forma de vantagem manifestamente excessiva, uma vez que a presença de uma pessoa na sala de parto não gera custos ao hospital. Os gastos com a esterilização da roupa do acompanhante, conforme alegam os estabelecimentos, já estão embutidos no serviço, como atividade inerente ao procedimento hospitalar”, explicou a superintendente do Procon-MT, Gisela Simona Viana de Souza.
LEGISLAÇÃO
Para os estabelecimentos que atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), a Lei Federal nº 11.108/05 garante a presença de um acompanhante junto à mãe “durante todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto imediato”.
Já para os consumidores de planos de saúde privados, a cobrança é proibida pela resolução 167/08 da Agência Nacional de Saúde (ANS), que indica como despesa da operadora qualquer custo relacionado à presença de acompanhante na sala de parto.
Consumidores de planos de saúde que pagaram a taxa devem exigir o ressarcimento do valor pela operadora do plano de saúde. Porém, o consumidor pode ainda, no momento da realização da cobrança no próprio hospital, se recusar a pagar a despesa, já que o estabelecimento não pode se aproveitar da situação para exigir o pagamento do valor.
Para mais informações sobre a taxa de acompanhante de parto podem ser obtidas pelos telefones 3613-8500 ou 151. O Procon Estadual está localizado na Av. Historiador Rubens de Mendonça nº 917. Os consumidores de planos de saúde privados podem também buscar informações com o Núcleo Regional da ANS em Cuiabá pelo telefone 3642-6255   (O Documento)

13.05 - Hipertenso não cuida da pressão
Pesquisa mostra que, no Brasil, somente 35% dos doentes graves conseguem controlar a doença de forma adequada
Quanto mais grave a hipertensão, mais difícil é o controle da doença. A conclusão é da pesquisa ‘Controlar Brasil’, que revelou que só 35% dos hipertensos graves conseguem manter a pressão arterial em níveis adequados. Quanto menor o risco da doença, maior é a adesão ao tratamento.
Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Hipertensão, Fernando Nobre, que coordenou a pesquisa, as dificuldades de adesão ao tratamento se devem a diversos fatores, como custo dos medicamentos e estilo de vida.
“O fato da hipertensão ser uma doença assintomática também atrapalha o tratamento. É difícil o paciente ter disposição de usar os remédios quando não sente sintomas, pois ele não reconhece a doença”, explica o especialista.
Segundo Nobre, os sintomas da hipertensão surgem quando a doença já tem complicações, como lesões renais e cardíacas. Ele afirma que os pacientes mais graves são aqueles que também apresentam outros problemas, como diabetes e colesterol alto.
“Para serem considerados controlados, esses pacientes devem ter pressão arterial igual ou menor que 120 x 75 mm Hg. Para chegar lá, ele deve tomar diversos medicamentos, ir ao médico regularmente e mudar os hábitos”, afirma.
De acordo com o estudo, que avaliou cerca de 2,8 mil pessoas em consultórios de todo País, 53,3% tinham pressão arterial acima de 140 x 90 mm Hg. Já um levantamento divulgado pelo Ministério da Saúde em abril, apontou que 24,4% dos brasileiros sofrem da doença. A pesquisa do ministério foi feita com 54 mil adultos e mostrou que a hipertensão atinge, principalmente, quem tem mais de 65 anos. A doença afeta 63,2% dessa população.
“É mais comum a incidência depois dos 40 anos de idade. Mas todos os adultos com mais de 18 anos devem aferir a pressão ao menos uma vez ao ano para identificar a doença”, alerta Nobre.
Remédios a preço popular
Desde a primeira semana do mês, drogarias inscritas no programa do Ministério da Saúde ‘Aqui tem Farmácia Popular’ estão vendendo os medicamentos sinvastatina, usada no tratamento do colesterol ruim, e a insulina regular para o diabetes.
A sinvastatina reduz o nível de colesterol ruim e triglicerídeos, diminuindo o risco de hipertensão arterial, de Acidente Vascular Cerebral (AVC) e de infarto. O preço do medicamento nos estabelecimentos custa, em média, R$ 1,00 a caixa.
Fique atento
Pessoas com histórico familiar, doenças cardiovasculares, fumantes, obesos e com colesterol alto estão entre os principais grupos de risco de hipertensão.
Os principais sintomas da crise de hipertensão são sensação de mal-estar ou falta de ar, intensa dor de cabeça ou nuca, ansiedade ou agitação, tontura, visão ‘borrada’ e dor no peito.
Para evitar a doença, é necessário diminuir o consumo de sal. Mudanças no estilo de vida também ajudam a prevenir. A alimentação deve ser equilibrada e ter bastante verduras. Também é essencial praticar exercícios físicos regularmente e evitar bebidas alcoólicas.  (O Dia Online)

13.05 - Identificados dois genes do Alzheimer
Pesquisadores americanos e europeus identificaram dois novos genes ligados à Doença de Alzheimer, revela um estudo publicado ontem nos Estados Unidos.
A descoberta, que eleva a nove o número de genes ligados à enfermidade já identificados, pode abrir caminho para novos tratamentos visando a retardar ou combater a doença, destacam os autores da pesquisa, divulgada no Journal of the American Medical Association (JAMA) de 12 de maio.
A pesquisa foi baseada na análise de dados obtidos com mais de 35 mil pessoas nos Estados Unidos e na Europa, acompanhadas durante várias décadas, das quais mais de 8 mil desenvolveram Alzheimer. (Zero Hora)
 
 
 
 
 

12.05 - A saúde também pode mais
As conquistas do SUS não podem ficar à mercê da incerteza e da falta de comprometimento de governantes com esta causa
Bandeiras políticas ou partidárias não combinam com a saúde pública e os inúmeros desafios de uma área tão complexa, que impacta diretamente na qualidade de vida de todos os brasileiros.
Isso é premissa básica para que as ações sejam pautadas única e exclusivamente em benefício dos cidadãos, em vez de atender a outros interesses.
Defender a saúde fora do escopo partidário, entretanto, não significa isentar-se de escolher um lado.
É fato que a saúde, no Brasil, avançou de forma sem precedentes nas últimas duas décadas, com a aprovação constitucional e implantação do SUS (Sistema Único de Saúde).
Hoje, o Brasil é o segundo maior transplantador de órgãos do mundo, tem o maior programa de imunização em massa entre todos os países, erradicou doenças como paralisia infantil e o sarampo, possui um programa de controle da Aids reconhecido como exemplar pela OMS (Organização Mundial de Saúde) e desenvolve um bem-sucedido Programa de Saúde da Família, iniciado na década passada.
A ampliação do Programa de Saúde da Família, a proibição da propaganda de cigarros e de eventos ligados à indústria do tabaco, a introdução de um Programa de Dispensação de Medicamentos Excepcionais, para doenças raras e crônicas ,e o fortalecimento da parceria com as Santas Casas e hospitais beneficentes, por meio de incentivos especiais, conforme critérios de produtividade e eficiência, são algumas das conquistas de extrema relevância para a consolidação do SUS na década passada.
Do mesmo modo, o Brasil obteve enorme avanço ao aprovar a lei dos medicamentos genéricos, com grande benefício para a população, por ter ampliado o acesso a remédios nas farmácias em razão da redução nos preços, bem como ao introduzir o programa Bolsa Alimentação para combater a mortalidade infantil e a desnutrição, especialmente no Nordeste.
Mas a saúde pode mais, muito mais.
E o debate passa pela escolha de um projeto nacional alinhado com as necessidades de fortalecimento do SUS, da ampliação do acesso e melhoria da assistência na prestação de serviços de saúde, da descentralização da gestão, da construção de redes assistenciais regionalizadas e hierarquizadas e do aperfeiçoamento e criação de novas políticas públicas para o setor.
Em outras palavras, as conquistas do SUS não podem ficar à mercê da incerteza, da falta de comprometimento de alguns governantes com esta importante causa ou da contaminação ideológica e político-partidária que interrompe projetos bem-sucedidos implantados por governos antecessores, em prejuízo de milhares de cidadãos que deles se beneficiaram.
Desde 2000, uma emenda constitucional estipula percentuais mínimos sobre o Orçamento de cada esfera de governo a serem gastos com saúde.
Mas, por falta de empenho do atual presidente e de seus ministros, Estados, municípios e a própria União continuam jogando com os números em seus balanços para mostrar, na teoria, o que, na prática, não aplicaram na área da saúde.
Ao tratar a regulamentação da emenda constitucional nº 29 sob o espectro partidário, uma vez que a aprovação do projeto foi obtida pela gestão anterior, o governo Lula deixou milhares de brasileiros sem assistência adequada em saúde.
Do mesmo modo, o atual governo interrompeu os mutirões de saúde, que ampliaram a oferta de cirurgias eletivas para catarata, retinopatia diabética, varizes e próstata.
Quem não se lembra de notícias veiculadas pela grande mídia, de pacientes do SUS sendo levados para operações de catarata na Venezuela após o fim dos mutirões?
Na saúde, o que está dando certo deve continuar e ser aperfeiçoado.
Algumas das causas que defendemos como prioritárias para o fortalecimento do SUS em todo o país são a expansão da produção de medicamentos genéricos e a ampliação da assistência farmacêutica, pela revisão e atualização sistemática da cesta de medicamentos oferecidos.
Outras prioridades são o incentivo ao modelo de parceria com o terceiro setor, para profissionalizar a gestão de hospitais públicos, e proporcionar maior resolutividade ao atendimento ambulatorial com implantação de unidades de alta resolutividade.
É justamente em defesa do debate suprapartidário em torno da saúde pública que lançamos, no último dia 27 de abril, o Movimento Brasil Saúde, em Brasília, para promover um novo salto de qualidade na gestão do SUS e melhorar a vida das pessoas.   (RENILSON REHEM DE SOUZA - Folha de S.Paulo)

12.05 - Enfermagem no século 21
Celebra-se hoje o Dia Mundial do Enfermeiro. No Brasil, essa comemoração, denominada Semana da Enfermagem, estende-se até o dia 20. Essa é a grande motivação desta reflexão. Estudos realizados por muitos especialistas da história da enfermagem destacam que a área tem caminhado para a formação de um corpo próprio de conhecimentos científicos, buscando, por meio de estudos e pesquisas, sua definição como ciência. Entretanto, muitos que avaliam o que a sociedade pensa da enfermagem no mundo, e mais particularmente no Brasil, denunciam ainda uma representação desatualizada e depreciadora da profissão. Nessa direção, as reflexões de dra. Maria Júlia Paes da Silva sobre a imagem do enfermeiro e da enfermagem concluíram que há um grande desconhecimento sobre os campos de atuação, mercado de trabalho e categorização profissional do enfermeiro. Ela aponta que o principal problema é que muitos fazem confusão e não sabem quem é o enfermeiro.
O senso comum é que a pessoa que entra no quarto do paciente sempre é o enfermeiro, que não existe uma subdivisão na categoria profissional, entre auxiliares, técnicos de enfermagem e enfermeiros. Nessa divisão, apenas os enfermeiros têm curso superior. A discussão perpassa o questionamento quanto à parcela de responsabilidade dos próprios enfermeiros ao não se posicionarem, nem para a correção de imagens desvirtuadas, nem para a visibilidade dos papéis que vêm desempenhando no cuidado à saúde.
Muito além de administrar serviços de saúde, executar técnicas e procedimentos, a enfermagem brasileira busca, a cada dia, consolidar sua competência profissional por meio da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE). Em 27 de agosto de 2002, o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) publicou a Resolução 272, que dispõe sobre a SAE nas instituições de saúde brasileiras. A institucionalização da SAE como prática de um processo de trabalho adequado às necessidades da comunidade, e como modelo assistencial a ser aplicado em todas as áreas de assistência à saúde pelo enfermeiro, constitui efetivamente melhora da qualidade da assistência. Os enfermeiros se incumbem privativamente da implantação, planejamento, organização, execução e avaliação do processo de enfermagem, que, segundo a Resolução 272, compreende as seguintes etapas: histórico, exame físico, diagnóstico, prescrição e evolução de enfermagem, devendo ser registrada formalmente no prontuário do paciente/usuário.
Florence Nightingale, a precursora da enfermagem moderna em todo o mundo, dizia que “a enfermagem é a mais pura das artes puras” e que “a natureza da enfermagem” é diferente da natureza da medicina, sendo necessário estudar muito para se tornar enfermeiro, conferindo assim um caráter científico à profissão. Ainda hoje ela é definida como ciência e arte. Entretanto, a ajuda que os enfermeiros podem dar aos pacientes será real à medida que o profissional não utilize apenas atitudes diretivas, mas dê conhecimentos ao outro de sua presença como ser humano, capaz de utilizar a si próprio e não apenas os conhecimentos científicos e habilidades técnicas. Não existem fórmulas mágicas para o relacionamento humano eficaz, mas a base deste deverá ser o respeito e o interesse em ajudar. Para estabelecer uma relação de ajuda, considera-se que o elemento básico seja a habilidade na comunicação. Nesse sentido, as teorias de enfermagem enfatizam as relações humanas e a comunicação terapêutica. O importante é considerar o homem como um ser biopsicossocial. Aí reside a competência artística e científica do ser enfermeiro: construir com amor o caminho de cuidar.
Como estratégia para a construção de uma imagem mais coerente, que almeja romper com antigos paradigmas de subordinação e invisibilidade, recomendam-se debates sobre o ensino e o papel da enfermagem no cuidado à saúde. Essa reflexão se faz necessária no momento em que o enfermeiro tem tido atuação tão relevante no Brasil, dentro do Sistema Único de Saúde (SUS), desde os processos de planejamento, passando por sua execução e avaliação. Para atender a demanda das novas políticas de saúde, especialmente do Programa Saúde da Família (PSF) e dos atendimentos domiciliares, os novos enfermeiros precisam de formação sólida e aprimoramento contínuo. Entretanto, é bom que se saiba que as oportunidades não estão só nos grandes centros. É substantiva a demanda por enfermeiros que tenham vontade e disponibilidade para atuar no interior de Minas e nas regiões Norte e Nordeste do Brasil.    (Márcia dos Santos Pereira - Estado de Minas)

12.05 - Brasil tem mais de 440 mil casos de dengue
Número quase dobrou com relação ao mesmo período de 2009, segundo o Ministério da Saúde.
Um balanço da dengue divulgado, na segunda-feira (10), pelo Ministério da Saúde revelou que o número de casos da doença no Brasil quase dobrou em relação ao ano passado.
Em um hospital de Belo Horizonte, metade dos pacientes atendidos, por dia, está com os sintomas da dengue. Eles recebem uma senha especial, passam por um guichê exclusivo e são encaminhados até um consultório onde um médico só atende a pessoas com sintomas da doença.
Os pacientes com sangramento ou com dengue pela segunda vez são os que mais preocupam os médicos.
De acordo com o Ministério da Saúde, no Brasil, de janeiro a 3 de abril de 2010 foram registrados 447.769 casos de dengue. No mesmo período do ano passado, o número correspondia a 248.970.
Belo Horizonte já registrou mais de 15 mil casos de dengue Minas Gerais registra 12 mortes por dengue hemorrágica neste ano São Paulo é o estado que teve o maior crescimento no número de casos. Em 2009, eram 2.681 doentes, contra 63.148 neste ano. Minas Gerais é o estado com mais doentes: 98.261.
A Região Nordeste foi a única onde houve redução dos casos de dengue. De janeiro a abril de 2009, foram registradas 97.115 ocorrências da doença. Em 2010, no mesmo período, foram 28.815 doentes.
A recomendação é que ao aparecerem os primeiros sintomas, como febre alta e desidratação, a pessoa procure um médico imediatamente. (Portal G1)
 
 
 
 
 

11.05 - Planos odontológicos só tendem a crescer
O diretor de Desenvolvimento de Mercado da OdontoPrev, empresa associada à Bradesco Saúde, Renato Cardoso, disse que não há gargalos no segmento de planos odontológicos.
Ele lembrou que no ano passado, apesar do quadro adverso decorrente pela crise financeira global, o setor cresceu bem acima do Produto Interno Brasileiro (PIB) e do mercado de planos de saúde.
"Em 2009, o número de usuários aumentou 22%", sustentou.
E a perspectiva, segundo ele, é de continuidade do crescimento acelerado, tendo em vista o potencial do País.
"Afinal, hoje, apenas 6% da população brasileira, 13,2 milhões de pessoas, contam com plano odontológico", destacou.
Outro ponto importante levantado pelo executivo foi o perfil dos usuários. Na OdontoPrev, por exemplo, ele adiantou que cerca de 15% dos consumidores são indivíduos, principalmente das classes C e D. O preço, que é acessível, é ponto a favor.
"Um plano de assistência odontológica custa cerca de dez vezes menos que um plano médico, o que favorece o acesso do consumidor de menor renda", observou.
REGIONALIZAÇÃO. Ao assinalar que a associação com a Bradesco abriu "uma grande rede de canais de distribuição" para a OdontoPrev, Renato Cardoso lembrou que a questão regional é também favorável ao mercado, considerando que, atualmente, cerca de 65% dos usuários estão na Região Sudeste.
Existe, portanto, para ele, um grande trabalho a ser desenvolvido nas demais regiões.
Ele citou ainda a própria demanda reprimida por assistência odontológica como mais um fator capaz de impulsionar o crescimento do segmento de planos odontológicos nos próximos anos. Segundo ele, dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2008) mostram que 11,7% dos brasileiros nunca foram ao dentista. "Embora 88,3% da população já tenham procurado serviços dentários - prosseguiu - apenas 40% foram ao dentista no ano anterior à pesquisa".
O segmento de planos odontológicos, na visão do executivo, passa por uma fase de expectativas bastante positivas.
Em sua análise, a recuperação da economia permite vislumbrar um cenário de crescimento para os próximos anos, uma vez que ainda há demanda reprimida de usuários sem acesso aos serviços da assistência odontológica.[2]
Para Renato Cardoso, a consolidação do setor, com a permanência de empresas sólidas e seguras, é um processo que ocorrerá naturalmente, a exemplo de mercados mais maduros.
"Portanto, hoje não vemos gargalos que impeçam, significativamente, o avanço do setor", concluiu o executivo.   (Segs/Jornal do Commercio)

11.05 - Epidemia de cesáreas assola o País, diz ministro
Temporão diz que no setor público as cesáreas representam 30% dos partos, estando acima do recomendado pela OMS
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão afirma que há uma "epidemia de cesarianas" no país. Para ele esse procedimento cirúrgico é mais comum no setor privado que no público: a taxa de cesáreas do Sistema Único de Saúde (SUS), no qual ocorrem a maioria dos partos, foi de 30% em 2006; nos planos de saúde, a taxa naquele mesmo ano foi de 80%.
Para o ministro, se o número de cesarianas no setor público já é alto (o percentual máximo aceito pela Organização Mundial da Saúde é de 15%), o número verificado no setor privado "está fora de qualquer padrão", analisa.
"E nós sabemos das eventuais complicações das cesarianas feitas desnecessariamente", alertou ele, referindo-se a problemas como a maior dificuldade para a recuperação da mãe, infecções pós-parto e até o risco de morte.
De acordo com estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS), o risco de morte pode aumentar quando as mulheres são submetidas a cesáreas sem que esse procedimento seja realmente necessário.
Somando-se os partos realizados nos setores público e privado, a taxa de cesarianas no Brasil seria de aproximadamente 40%. Apesar das campanhas de incentivo ao parto normal, Temporão constata que "há uma tendência de alta das cesáreas".
"Estamos perdendo essa guerra", lamentou. O ministro disse que as campanhas do governo, promovidas em parceria com associações de especialistas e a mídia, enfrentam "uma questão complexa que passa pela desconstrução de uma consciência equivocada, que, por sua vez, tem levado muitas mulheres a associar o parto normal à dor e a problemas com a estética de seu corpo".
Entre as causas da mortalidade materna no país, Temporão citou a hipertensão, hemorragias, infecções relacionadas ao parto, o aborto e doenças do aparelho circulatório complicadas pela gravidez.
Hélvio Bertolozzi Soares, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), também defende a redução do número desses procedimentos cirúrgicos - embora argumente que as cesarianas não levem ao aumento dos índices de mortalidade materna, e sim os problemas que aparecem desde o período pré-natal. Ele observa, aliás, que muitas mortes podem ser evitadas de forma preventiva, principalmente nesse período.
"É necessário mudar o sistema de atenção ao parto, pois do contrário as operadoras de planos de saúde continuarão a aumentar o número de cesáreas - disse ele, propondo que essas operadoras atuem "em esquema de plantão, assim como no SUS", avaliou.
CRESCE INCIDÊNCIA
Gravidez aos 40 anos
O adiamento da gravidez é uma escolha muito comum das mulheres, nos dias de hoje. Dados do IBGE revelam que em 1991 as mães que tiveram o primeiro filho na meia idade eram 7.142 (0,67%) e, em 2000, somavam 9.063 (0,79%).
Ainda que em número absolutos este grupo de mães seja pequeno, o fenômeno já pode ser acompanhado, principalmente, nos estados do Rio de Janeiro, onde passou de 0,91%, em 1991, para 1,09%, em 2000, e São Paulo, de 0,65% para 0,87%.
O fato é que o número de grávidas ou mulheres tentando engravidar na faixa entre 30 e 40 anos tem aumentado nos últimos anos. Pelo menos, 20% das mulheres aguardam até os 35 anos para iniciar uma nova família. São muitos os fatores envolvidos na decisão de adiar a maternidade: a estabilidade profissional, a espera por um relacionamento estável, o desejo de atingir segurança financeira, ou, ainda, a incerteza sobre o desejo de ser mãe.
"Entretanto, é importante alertar estas mulheres sobre as consequências desta decisão: a idade pode afetar a capacidade de conceber. É também importante informá-las sobre os tratamentos disponíveis que podem ajudá-las a engravidar, quando elas decidirem que o melhor momento chegou", afirma o ginecologista e obstetra Aléssio Calil Mathias.   (Diário do Nordeste)

11.05 - Hospitais: USP descobre nova chave contra infecção
Pesquisa identifica molécula no organismo capaz de controlar a sepse, uma das principais causas de morte em UTIs
Tratamento em roedores reduziu número de mortes de 80% para 20%; estudo será publicado no periódico médico "Nature Medicine"
No início do mês passado, em Duque de Caxias (RJ), o estudante Diego Frazão Torquato, 12, morreu em razão de uma infecção contraída após cirurgia de apendicite. Um estudo de pesquisadores brasileiros e britânicos abre uma janela para a redução de mortes causadas por infecções generalizadas, como a que vitimou o jovem.
O trabalho de pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da USP, e da Universidade de Glasgow, no Reino Unido, descobriu o que pode ser a chave para o controle das infecções generalizadas, conhecidas como sepse.
Após um estudo de dois anos, os cientistas conseguiram demonstrar que uma proteína existente no próprio organismo, chamada de citocina IL-33, tem o poder de restabelecer as defesas do corpo humano a uma infecção generalizada.
O resultado será publicado na revista "Nature Medicine".
A sepse é uma das principais causas de morte nas unidades de terapia intensiva. "De 30% a 40% das pessoas que chegam com sepse a um hospital morrem", afirmou o farmacologista José Carlos Faria Alves Filho, 34, um dos autores do estudo.
A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima em 750 mil os casos de sepse nos EUA por ano, com 200 mil mortes. No Brasil, sem números oficiais, a USP estima até 20% a mais de mortes.
A sepse ocorre, principalmente, em razão de falha no sistema imunológico em controlar uma infecção local. Pacientes com comprometimento do sistema imune, como pessoas com câncer, idosos ou ainda pessoas saudáveis que foram vítimas de traumas ou queimaduras, por exemplo, podem se tornar mais suscetíveis.
Descoberta
No organismo humano, quando uma infecção é detectada, um grupo de moléculas chamadas receptores "toll-like", que fazem parte do sistema imunológico, entra em ação para reconhecer o tipo de bactéria que invadiu o corpo.
Em reação em cadeia, esses receptores ativam os neutrófilos, células que são consideradas os "soldados" da linha de frente do sistema imune, que migram para o foco da infecção.
Ocorre que, quando há sepse, os mesmos receptores "toll-like", ao serem ativados na circulação sanguínea, desenvolvem uma resposta inflamatória sistêmica. Isso, em vez de enviar os neutrófilos para o combate, inibe a migração dos "soldados" para o foco da infecção.
"Se você dificulta ou atrapalha a migração dessas células [neutrófilos] para o foco da infecção, ela deixa de ser local e passa a ser sistêmica, generalizada", afirmou Alves Filho.
Durante o estudo, os pesquisadores descobriram que uma proteína existente no próprio sistema imunológico -a citocina IL-33-, injetada em doses altas, é capaz de inibir os efeitos nocivos dos receptores e, com isso, restabelecer a migração de neutrófilos para a inflamação.
"Essa citocina não tem nenhuma capacidade microbicida, ela simplesmente fortalece o sistema imune para que ele próprio consiga controlar a infecção", disse o pesquisador.
Na prática
Os testes foram feitos com camundongos e amostras de pacientes com sepse, e, segundo Alves Filho, os resultados foram positivos nos dois casos.
Com os camundongos, a proporção de animais com sepse que morriam caiu de 80% para 20% após o tratamento com a citocina IL-33.
Agora, o grupo iniciará duas novas frentes de trabalho. Uma delas, em Glasgow, para prosseguir com os testes sobre a possibilidade de uso da citocina de forma farmacológica.
A outra frente deve prosseguir no Brasil, em busca de uma droga que tenha poderes semelhantes aos encontrados pelos pesquisadores.
Segundo Fernando Cunha, do Departamento de Farmacologia da USP de Ribeirão, a droga seria mais viável por envolver menos custo do que o processamento da citocina.
Cunha disse que a produção de uma droga leva, em média, de cinco a dez anos até que se encontre a substância ideal. "Os dados da pesquisa ainda são experimentais, mas a grande vantagem é que nós já conseguimos demonstrar que o que ocorre no camundongo ocorre também no paciente. É uma importante etapa já cumprida."  (LEANDRO MARTINS - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

10.05 - Uma visão sobre o turismo médico
Em artigo, o advogado Rodrigo Correio relata que o turismo médico é considerado grande filão de negócios decorrentes da globalização
O turismo médico, ou mais adequadamente as viagens de saúde, são hoje um dos grandes filões de negócios decorrentes da globalização. A perspectiva é de acentuado crescimento, pois nos países desenvolvidos os altos custos de tratamentos têm levado as pessoas a buscarem outras regiões com mesma qualidade e menor custo.
A busca de tratamento off-shore é impulsionada por fatores mais ou menos preponderantes dependendo do país. Nos países em que o sistema de saúde é predominantemente público, como Canadá e Reino Unido, a busca ocorre devido longas filas para receber tratamento eletivo ou de menor urgência.
Nos países em que o sistema é eminentemente privado, como os EUA, temos um grande contingente de pessoas sem seguro ou plano de saúde e as próprias seguradoras ou operadoras têm visto o tratamento off-shore como alternativa para a redução de custos com sinistros e cirurgias.
Considerando que estes fatores só tendem a se acentuar, o mercado vai crescer mundialmente sendo uma grande oportunidade para os países que estiverem aptos a aproveitá-la.
São requisitos necessários para ser um destino de viagens médicas:
- Fluência das pessoas envolvidas em línguas estrangeiras;
- Atualização tecnológica de equipamentos, materiais, medicamentos e instalações no nível que os viajantes têm em seus países de origem;
- Qualificação internacional do corpo clínico;
- Certificação internacional do serviço de saúde;
- Facilidade de pagamento, comunicação, chegada ao destino dos procedimentos, conforto para o paciente e sua família durante a estadia e recuperação;
Alguns diferenciais são inatos no Brasil, como receptividade, calor humano e pontos turísticos. Temos também como diferencial os médicos altamente capacitados e internacionalmente reconhecidos, além de uma excelente infraestrutura hospitalar e de turismo. Porém, alguns desafios devem ser superados: o caos urbano, a falta de segurança e uma imagem internacional ainda pálida e ligada ao amadorismo e falta de seriedade, mesmo que de forma injusta.
Programas públicos e iniciativas privadas para o desenvolvimento deste mercado no Brasil até o momento foram isolados, desarticulados e inconsistentes, gerando poucos frutos. Porém, os atores públicos e privados estão buscando maior articulação e cooperação mútua. O setor público deve se envolver nestes esforços viabilizando um arcabouço regulatório e de serviços públicos eficientes para suportar a iniciativa privada e também induzir investimentos.
O interesse público nestas iniciativas é inegável, pois ganhar este mercado significa mais recolhimento de impostos, geração de trabalho, investimentos sustentáveis em infraestrutura hospitalar e formação profissional. Isso resultará na redução dos custos e pulverização de custos fixos na saúde.
Do ponto de vista jurídico, estas iniciativas pioneiras geram demandas de estruturação tributária de prestações de serviços internacionais, aos diversos mecanismos de contratação internacional e de formalização de parcerias, além da avaliação dos riscos de responsabilização dos atores nacionais em casos de danos. É necessário um sistema jurídico que proteja os envolvidos, garanta o cumprimento das obrigações das partes e gere eficiências adicionais à operação deste negócio, que contribui enormemente para o desenvolvimento e perenidade dos resultados que certamente virão.     (Rodrigo Alberto Correia da Silva - Saúde Business Web)

10.05 - Automedicação não é a maior vilã do sistema de saúde
É preciso relativizar um pouco a grita contra a automedicação. Em algum grau, esse é um fenômeno desejável. A OMS (Organização Mundial da Saúde), por exemplo, descreve a automedicação como "necessária" e com função complementar a todo sistema de saúde.
De fato, a última coisa que o SUS precisa é agregar às filas dos serviços médicos todos os portadores de quadros virais sem importância e todas as dores de cabeça do país.
O ideal seria que todo mundo passasse por consulta antes de tomar um antibiótico, mas, diante das carências estruturais da rede pública, é provável que os benefícios da venda descontrolada de amoxacilina, por exemplo, superem os prejuízos.
Afinal, o uso desse antibacteriano de amplo espectro salva vidas no caso de infecções de rápida progressão. Já os riscos de tomá-lo sem necessidade raramente são fatais.
Também os números geralmente citados para combater a automedicação necessitam algum reparo. A OMS estima que 10% das internações se devam ao uso incorreto de drogas.
Estatísticas do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox) revelaram que remédios respondem por 27% das intoxicações e 18% dos óbitos nessa categoria.
A dificuldade é que esses dados incluem as tentativas de suicídio (que constituem 44% dos casos de intoxicação medicamentosa) e as situações em que as drogas foram devidamente prescritas por médico.
Daí não se segue, é claro, que a automedicação não seja um problema. Ela apenas não é a grande vilã do sistema.  (HÉLIO SCHWARTSMAN - Folha de S.Paulo)

10.05 - 40% da população do Brasil é alérgica
Doença pode sumir inesperadamente, assim como surgir
Pode-se dizer que a modernidade propiciou ao ser humano uma vida mais cômoda. É necessário, entretanto, ficar atento aos prejuízos ao organismo dos seres vivos. A incidência dos principais tipos de alergias, problema ignorado por muitos, cresceu cerca de 18% nos últimos dez anos, segundo pesquisas. No Brasil, uma criança em cada quatro sofre com algum tipo de alergia. Ampliando esse número, cerca de 40% da população nacional passa pela mesma situação. Além disso, a doença é responsável por 400 mil internações hospitalares e 2.500 óbitos, por ano.
De acordo com o alergologista e ex-presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia (Asbai), qualquer pessoa pode ficar alérgica a qualquer coisa sem determinação de tempo. “É uma espécie de sensibilidade a uma proteína que não é reconhecida pelo organismo”, pontuou o médico. A sensibilidade à alergia depende, principalmente, da carga genética e da região.
O principal prejuízo causado pela alergia, a diminuição na qualidade de vida é o que repercute de forma negativa ao enfermo. “Algumas pessoas vivem permanentemente em crise, outras têm crises esporádicas. Em ambos os casos, a pessoa não dorme bem, fica cansada, não consegue respirar bem, precisa fazer uma dieta balanceada. A alergia traz uma péssima condição de vida”, explicou o médico.
Mudanças bruscas de clima e poeira em excesso são o ‘calcanhar de Aquiles’ para a estudante Joana Paula Fialho, de 21 anos. Alérgica de carteirinha, ela nem lembra quando desenvolveu a alergia respiratória com a qual é obrigada a conviver. “Antes, quando eu era menor, tinha muito mais crises. Hoje, a frequência delas é menor”, contou Paula, que chegou a fazer tratamento com imuniterapia específica, conhecida por vacina antialérgica, quando criança. “Por muito tempo não tive crises, mas hoje tenho que enfrentá-las novamente”, relatou.
Joana Paula não é a única vítima da alergia. Aliás, ninguém está imune. Assim como as alergias podem sumir inesperadamente, elas podem surgir da mesma forma. “O organismo de um pedreiro, por exemplo, pode ficar sensível ao cimento, assim como o de uma pessoa que come muito frutos do mar ou um de um mecânico a óleo e o de algumas mulheres a esmaltes”, colocou Walfrido. A prevenção se dá de acordo com cada caso clínico, assim como o tratamento.
“A alergia não tem cura porque é um estado genético, mas o controle dos sintomas permite que o paciente passe a ter uma cura clínica”, comentou o especialista, que orienta as pessoas a procurarem um alergologista para realizar um teste cutâneo, o principal exame detector de alergias, e fazer o tratamento de imuniterapia específica, quando o médico assim recomendar. (Marcela Alves - Folha de Pernambuco)
 
 
 
 
 
 

07.05 - Gripe comum: Campanha começa atrasada em 3 regiões
Idosos do Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste poderão se vacinar a partir de sábado
A campanha nacional de vacinação do idoso contra a gripe comum começa no próximo sábado no Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, duas semanas após o previsto, pois o Instituto Butantan não entregou as doses em tempo.
Na mesma data, termina o prazo para imunizar os idosos no Sul e Norte, onde a campanha começou em 24 de abril. Devido a um erro da assessoria de imprensa do Ministério da Saúde, a Folha havia informado que o prazo para essas regiões iria até 21 de maio, o que vale apenas para Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste.
Gripe A
A vacinação de idosos com doenças crônicas contra o vírus H1N1 também acaba no sábado no Norte e Sul. No resto do país, o prazo termina no dia 21. Na segunda terá início a vacinação das pessoas de 30 a 39 anos.  (Folha de S.Paulo)

07.05 - Pouco sono traz maior risco de morte
Pesquisa realizada na Grã-Bretanha conclui que o ideal é dormir entre seis e oito horas por dia
Dormir menos de seis horas ao dia pode ter graves consequências para a saúde e aumenta o risco de morte precoce, segundo estudo realizado por cientistas britânicos. Quem dorme pouco tem 12% mais chances de morrer em um prazo de 25 anos do que os que descansam entre seis e oito horas por noite, conclui a pesquisa feita na Grã-Bretanha.
Dormir demais pode trazer consequências já que os cientistas encontraram relação entre as mortes precoces e dormir mais de nove horas, embora não considerem que seja desencadeante de doenças. Portanto, a conclusão dos pesquisadores é que o ideal é dormir entre seis e oito horas por dia. Mais de 6,3 milhões de mortes na Grã-Bretanha entre maiores de 16 anos são atribuíveis à falta de sono.
Do estudo, realizado pelo programa de sono, saúde e sociedade da Universidade de Warwick e o centro de pesquisa do sonho de Loughborough, ambos na Inglaterra, participaram 1,5 milhão de pessoas, A pesquisa revisou as conclusões de até 16 estudos anteriores realizados nos Estados Unidos, na Europa e em países do leste da Ásia.
O chefe do programa de sono, saúde e sociedade, Francesco Cappuccio, aponta no estudo que as sociedades modernas dormem menos, situação que se repete com maior frequência entre os trabalhadores. Segundo Cappuccio, isso pode ter “pressão social para trabalhar mais horas e oferecer maior mobilidade laboral”.
Jim Horne, do centro de pesquisa do sono, ressalta que dormir é sinônimo de saúde física e mental, já que o sono interfere em várias doenças, como a depressão.
– Dormir menos de cinco horas é insuficiente para a maioria das pessoas, e ficar sonolento durante o dia aumenta o risco de acidente em caso de dirigir um veículo ou conduzir uma máquina pesada – disse Horne. (Zero Hora)

07.05 - Cirurgia para obesidade em crianças: só casos extremos
A cirurgia antiobesidade deveria ser utilizada em crianças apenas em casos extremos e sempre como último recurso, afirma um estudo publicado nesta semana na edição digital da revista "The Lancet". Os especialistas recomendam recorrer primeiro a mudanças nos hábitos relacionados com a dieta e o exercício físico e, caso isto não funcione, aconselham a utilização de remédios contra o sobrepeso já que as consequências da cirurgia a longo prazo são desconhecidas.
Portanto, aconselham que este tipo de cirurgia se restrinja às crianças com "um índice de gordura corporal de mais de 50 quilogramas por metro quadrado". O estudo foi elaborado por Sue E.S Kimm da Universidade do Novo México em Albuquerque (EUA), Debbie Lawlor da Universidade de Bristol (Reino Unido) e Joan C.Han do Instituto Nacional de Saúde de Bethesda em Maryland (EUA).
Segundo eles, a obesidade infantil dobrou, e em alguns casos inclusive triplicou, entre o começo da década de 1970 e o fim dos anos 1990 em países como Austrália, Brasil, Canadá, Chile, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Japão, Reino Unido e Estados Unidos.
Atualmente, mais de 40% das crianças na América do Norte e nos países do leste da zona mediterrânea sofrem com o sobrepeso, 38% na Europa, 27% na zona oeste do Pacífico e 22% no sudeste asiático. Ingerir mais calorias do que se gasta é, segundo os autores, o causador de ao redor de 90% dos casos de obesidade infantil. Os 10% restante estão relacionados com doenças endócrinas, síndromes genéticos ou com o emprego de alguns remédios como antipsicóticos, antiestamínico e anticonvulsantes.
A obesidade infantil tem graves consequências para a saúde já que pode derivar em hipertensão, diabetes, problemas no fígado, níveis incomuns de gordura no sangue e complicações psicossociais. O estudo ressalta que ser obeso entre os 14 e 19 anos está relacionado com o aumento da mortalidade em adultos (a partir dos 30 anos).
Por isso, os pesquisadores recomendam que a prevenção contra a obesidade comece em casa e aconselham os pais que a dar porções de comida apropriadas segundo a idade, que fomentem a atividade física diária e evitem o sedentarismo com medidas como restringir o tempo que as crianças passam diante da televisão e do computador.
Também recomendam que se utilize o sistema do "semáforo" desenvolvido por Leonard H. Epstein, da School of Medicine da Universidade de Búfalo (EUA), que consiste em pôr um rótulo vermelho nos alimentos que não devem ser consumidos, amarelo nos que podem ser ingeridos com moderação e verde nos que podem ser comidos sem problemas, para que as crianças se concientizem da importância de uma dieta saudável.
Este tipo de modificação dos hábitos demonstra ser o mais efetivo no curto e longo prazo, ressaltam os especialistas.
Os remédios antiobesidade como o orlistat e a sibutramina demonstraram ser pouco efetivos quando não são acompanhados de mudanças na dieta, além de apresentar efeitos secundários, acrescentam. (Agência EFE)
 
 
 
 
 
 

06.05 - Epidemia de doenças crônicas
Recentes dados de pesquisa realizada pelo IBGE, divulgados em abril, revelam que o Brasil, da mesma forma que o resto do mundo, sofre hoje de uma grande epidemia de doenças crónicas, com um terço de sua população apresentando algum problema de saúde que requer cuidado continuado.
Esses reveladores e assombrosos dados, que impactam de forma dramática a qualidade de vida da nossa população e a economia do nosso país, já tinham sido motivo de alerta da Organização Mundial de Saúde em 2002, quando a instituição divulgou seu relatório mundial, denominado "Cuidados inovadores para as doenças crónicas e os desafios para este milênio".
Já ali, a OMS afirmava que os sistemas de saúde de todo o mundo equivocadamente se prepararam para o tratamento das doenças agudas, construindo hospitais e incorporando tecnologias caras e muitas vezes inúteis, mas que o nosso grande problema eram as doenças crónicas que de uma forma muitas vezes silenciosa corrói a qualidade de vida de grande parte da população mundial. Propugnava ainda que os esforços de todos deveriam ser canalizados para uma mudança de atitude e hábitos de vida, de novos padrões alimentares, de atividades físicas mais regulares e muito especialmente em um novo formato de comunicação em saúde, que fosse capaz de atingir e sensibilizar a maioria da população para esse gravíssimo problema sanitário.
Para quebrar este paradigma, entretanto, a saúde necessita de processos operacionais bem definidos, de sistemas de controles confiáveis e de pessoas qualificadas. E é exatamente neste último pilar — as pessoas — que reside o nosso maior desafio em implementar as mudanças necessárias para enfrentarmos a grave e problemática pandemia de doenças crônicas que assola o mundo.
Modificar o entendimento das pessoas em geral sob o conceito de políticas de saúde, e especialmente dos profissionais da área, para esta nova realidade sanitária deveria ser a preocupação número um dos governos, das universidades, das associações profissionais e de representações corporativas. Se rapidamente não modificarmos a forma equivocada como vimos conduzindo até aqui a gestão da saúde, em que damos ênfase absoluta ao tratamento das doenças agudas e não ao cuidado preventivo e acompanhamento das doenças crônicas, estaremos em poucas décadas inviabilizando economicamente os sistemas de saúde em todo o mundo.
A mudança não é simples, porque remete ao padrão cultural adotado até aqui, do culto à medicalização e ao modelo hospita-locêntrico em que se confundem políticas públicas de saúde com a construção de hospitais. É preciso que nossos esforços sejam também destinados para o cuidado multiprofissional e interdisciplinar, dando ênfase às ações de prevenção de doenças e de promoção da saúde, preservando os hospitais para as condições clínicas que realmente deles necessitem: os pacientes de alta complexidade. Esta visão permitirá, inclusive, otimizar a nossa capacidade hospitalar instalada.
Lamentavelmente, este não é um problema exclusivamente brasileiro. Os americanos, por exemplo, sofrem de uma impressionante epidemia da obesidade; os franceses, coreanos e chineses enfrentam a insistente alta na incidência do tabagismo; os russos adoecem pelo estrondoso consumo de álcool; e, no Brasil, entre tantos problemas, o saneamento básico para a nossa população carente que contribui imensamente para o surgimento de inúmeras doenças talvez seja o mais grave deles. De uma forma ou de outra, a população do mundo inteiro padece dos males das doenças crônicas, e por várias razões somente busca a assistência tardiamente. Seja por falta de acesso ao sistema de saúde — quase sempre agravado pelos maus hábitos de vida —, seja por comportamento meramente cultural, a realidade é que neste cenário não há vencedores. Todos acabam perdendo. É preciso, portanto, que uma mudança cultural profunda seja implementada. Uma mudança que vai atingir ricos e pobres, homens e mulheres, jovens e idosos, e nossas crianças em especial. E que vai precisar do engajamento de todos. E obviamente um monumental desafio. Mas também uma grande oportunidade de iniciarmos agora este movimento, amparado pelo alerta do IBGE e também da OMS de que a saúde das pessoas não vai bem, e muito menos a dos sistemas que as assistem.
Para vislumbrar um novo tempo, portanto, não há outra saída senão compatibilizar nossos valores éticos, técnicos e morais com as necessidades da população em geral e as demandas económicas de mercado. Tarefa difícil, mas não impossível.   (Josier Marques Vilar - Portal G1)

06.05 - Dificíl alcance: Meta para reduzir mortalidade materna
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou ontem que o Objetivo de Desenvolvimento do Milênio que prevê a redução da mortalidade infantil em 75% será atingido com tranquilidade até 2015, mas alcançar o que estabelece a queda da mortalidade materna em 75% até o mesmo ano não será tão fácil.
O Brasil registra, até o momento, uma redução de 46% no total de mortes maternas desde 1990. Entretanto, dados do Ministério da Saúde revelam que os números não têm sofrido grandes alterações nos últimos anos. Em 1996, por exemplo, foram registradas 1.520 mortes, contra 1.540 em 2008.
Segundo Temporão, entre os principais problemas estão as discrepâncias regionais, já que o Sul e Sudeste apresentam taxas de mortalidade materna muito mais baixas do que o Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Há ainda a questão da subnotificação – de acordo com o ministro, a melhora do sistema de notificação e de monitoramento dos estados e municípios pode ter influenciado o registro de mortes maternas.
“A expectativa é de que o avanço que conseguimos no Sul e no Sudeste possa ser estendido às demais regiões do país”, disse. “É um grande desafio para o SUS [Sistema Único de Saúde] e para a sociedade brasileira”, completou.
De acordo com a pasta, houve avanço em áreas como a expansão e a qualificação da atenção obstétrica. Em 2009, foram realizados 20 milhões de consultas, 19 milhões a mais do que em 1994. Há ainda os investimentos em educação sexual. Temporão destacou que o momento do parto é importante, mas há todo um contexto de planejamento da gestação que deve ser levado em consideração.
Ele lembrou que leis como a que garante a presença do parceiro na sala de parto, por exemplo, não são cumpridas na maior parte do país e que ainda há partos assistidos por profissionais não qualificados para o procedimento. Outra questão, segundo o ministro, é o que chamou de “epidemia de cesarianas”. No SUS, cerca de 30% dos partos são cesarianas. Na rede particular, o índice chega a 80%. (Agência Brasil)

06.05 - Mamografia antes dos 40 não compensa
Medo de desenvolver câncer e ideias erradas sobre prevenção levam mulheres jovens à busca precoce pelo procedimento
Pesquisa nos EUA mostra altos índices de falsos positivos entre mulheres de 18 a 39 anos que se submetem a esse exame
O custo-benefício de se submeter a mamografias antes dos 40 anos é baixo, de acordo com um estudo americano publicado nesta semana no "Journal of the National Cancer Institute".
Pesquisadores da Universidade de Carolina do Norte examinaram registros de 117 mil mulheres de 18 a 39 anos que realizaram o exame entre 1995 e 2005 e as acompanharam por um ano. As pacientes apresentaram índices muito baixos de câncer de mama, mas se sujeitaram à indicação excessiva de novos exames, o que causou um investimento financeiro e emocional inútil, sem falar na exposição desnecessária à radiação.
Como comparação, os pesquisadores reduziram hipoteticamente o universo pesquisado em 10 mil mulheres de 35 a 39 anos. Nessa proporção, 1.266 teriam de realizar outros exames, 1.250 receberiam falsos positivos e somente 16 teriam um câncer detectado.
O medo de desenvolver esse tipo de câncer e a falsa impressão de que o exame é crucial na prevenção da doença faz com que as pacientes jovens solicitem a seus médicos a realização precoce da mamografia.
"Existem jovens que querem fazer o exame semestralmente . Mas ele só deve ser feito como rotina acima dos 40 anos, pois uma das limitações da mamografia é não conseguir apontar lesões em mamas muito densas, características das mulheres mais jovens e sem filhos", afirma a mastologista Maira Caleffi, presidente da Femama (Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama).
Para pacientes dessa faixa etária, o mais recomendado pelos especialistas é o exame clínico, realizado por médico habilitado, como o ginecologista, e o autoexame rotineiro, por meio do qual a mulher pode encontrar alguma anomalia e comunicar o médico.
"Tenho três ou quatro casos de pacientes jovens com câncer por mês: 80% delas suspeitaram de alterações e me procuraram", acrescenta Caleffi.
No Brasil, 26% das mulheres entre 25 e 29 anos e 40% das que têm entre 30 e 39 realizaram mamografia ao menos uma vez, segundo levantamento de 2008 da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), realizada pelo IBGE.
Indicações precisas
A recomendação oficial do Instituto Nacional de Câncer é que a mamografia seja realizada como rotina a cada dois anos a partir dos 50 anos e que o exame clínico seja feito anualmente a partir dos 40.
Mulheres com alto risco, isto é, com histórico próprio, na família ou mutações genéticas que favorecem o câncer de mama, devem fazer mamografia anual desde os 35 anos, acompanhada de exame clínico.
"Para a população mais jovem, não há recomendação oficial, porque o Inca se baseia em evidências: estudos iniciais mostram que os benefícios das intervenções se acumulam a partir dos 40 anos", diz Ronaldo Correa, técnico da Divisão de Apoio à Rede de Atenção Oncológica do instituto.  (JULLIANE SILVEIRA - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 

05.05 - SUS em xeque
O sistema brasileiro de saúde está longe dos melhores parâmetros internacionais, tem registrado lenta evolução nos principais indicadores nas últimas duas décadas e, mesmo dispondo de muitos recursos financeiros, ainda padece de graves fragilidades e desequilíbrios. O modelo do Sistema Único de Saúde (SUS), criado pela Constituição de 1988, está em xeque. Revolucionário em sua origem, está hoje limitado pela rigidez das normas, cobertura deficiente e problemas sérios de gestão.
A ênfase na expansão do sistema privado de saúde, aliada a falhas operacionais do SUS e aos evidentes gargalos de gestão, ainda demandam fontes novas de recursos, maior regulação pelo Estado, controles mais sofisticados sobre a qualidade do gasto e firme combate à corrupção.
Mesmo com a elevação da despesa federal em saúde, que saltou de R$ 42,4 bilhões para R$ 58,3 bilhões no período 1995-2009, o Brasil ainda exibe um baixo gasto público como proporção do Produto Interno Bruto (PIB). Se considerado o sistema público em geral, estudos mostram que as aplicações chegam a R$ 112 bilhões.
Nos 13 anos entre 1995 e 2007, a relação do gasto federal recuou de 1,79% para 1,70%. A despesa per capita em dólar (paridade do poder de compra), deixa o Brasil atrás dos vizinhos Chile, Uruguai, Argentina e Colômbia. E muito longe de países europeus e até dos Estados Unidos, onde a saúde pública universal, integral e gratuita é restrita a uma parcela da população.
As discussões sobre saúde serão ainda mais relevantes e centrais ao longo da campanha presidencial. O candidato que está à frente nas pesquisas de intenção de voto, José Serra (PSDB), foi ministro da Saúde bem avaliado durante o governo Fernando Henrique Cardoso. A saúde, no governo Lula, é uma política pública mal avaliada, e a candidata situacionista, Dilma Rousseff (PT), tem anunciado intenção de debruçar-se sobre esse problema para corrigir as lacunas.
O governo - tanto o presidente Lula quanto os ministros do Planejamento e da Saúde - insistem que o problema existe porque a oposição derrubou a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), que tinha apenas parte de sua arrecadação direcionada para o setor e é uma ausência recente: "No fim de 2007, tentando prejudicar o governo, os adversários eliminaram o imposto e atingiram, na verdade, a saúde da população", disse Lula no início de abril deste ano. A oposição atribui os problemas à má gestão e mostra que a CPMF não estava sendo aplicada em saúde e a arrecadação de tributos cresceu depois do fim do imposto sobre o cheque. "A saúde é um buraco, uma herança maldita de Lula", diz o líder do DEM na Câmara, Paulo Bornhausen (SC). "Ele tem refluxo de CPMF. Quando se aperta, culpa a oposição."
Especialistas em saúde apontam não apenas falta de dinheiro no SUS, mas problemas de gestão no setor e defeitos do modelo. "Além do tamanho relativamente menor do PIB, a saúde fica com um percentual pequeno desse PIB", diz o médico e consultor em saúde Gilson Carvalho. Ele avalia que os R$ 112 bilhões de recursos públicos na saúde deveriam ser R$ 295 bilhões se fosse usado o mesmo critério de PIB per capita dos planos privados. "O gasto público em saúde como percentual do PIB é um dos mais baixos da América Latina. E, com esse nível agudo de subfinanciamento, o SUS não consegue oferecer atendimento universal com um mínimo de qualidade", resume Jarbas Barbosa, gerente de Vigilância em Saúde da Organização Pan-americana de Saúde (Opas) e ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde.
De 2000 a 2008, o gasto público por habitante passou de R$ 346 para R$ 559 - um crescimento real de 61% no período, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Ainda assim, está bem atrás de Uruguai, Colômbia, Argentina, Europa e EUA. "É óbvio que precisa mais gestão. Dá para fazer mais com os recursos que existem, mas isso será absolutamente insuficiente para o modelo de SUS que temos hoje", afirma o presidente da Frente Parlamentar da Saúde, deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS).
Apontado como principal entrave ao avanço do SUS, o fim da CPMF não levou ao colapso o financiamento da saúde. Na verdade, foi a maior derrota política de Lula no Congresso. Mas bem pior que o fim da CPMF foi a crise de 1993, quando o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) emprestou dinheiro ao setor. E mais grave que a extinção do imposto foi a falta de empenho do governo Lula para mudar as regras do financiamento da saúde, limitar os "dribles" aplicados por Estados e municípios no SUS e ampliar o orçamento do setor sem a criação de impostos.
A Emenda Constitucional nº 29, que aguarda regulamentação desde 2000 no Legislativo, poderia ter agregado até R$ 15 bilhões anuais ao orçamento do Ministério da Saúde sem a necessidade de uma nova CPMF. Mas o projeto do Senado, que vinculava 10% da receita corrente bruta ao custeio da saúde, acabou derrotado. A resistência mais forte veio da equipe econômica do governo, cujo objetivo principal é criar um novo tributo, a Contribuição Social para a Saúde (CSS). O lobby da bancada parlamentar da saúde, onde a rede hospitalar tem influência, que podia resistir contra o aumento de impostos, aceitou o jogo do governo em troca de reajustes da tabela de procedimentos do SUS.
Um estudo inédito do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que a extinção da CPMF foi compensada em boa medida pela "emenda 29", que garantiu um "colchão" de estabilidade e mais dinheiro ao SUS ao fixar aportes mínimos de recursos de União, Estados e municípios. E isso ajudou a aliviar muito o caixa do governo federal.
De 2000 a 2008, a União reduziu de 60% para 46% sua fatia no financiamento da saúde. Os Estados elevaram de 18,5% para 24,5% sua participação no bolo e os municípios, de 22% para 30%.
A "emenda 29" resultou em um aporte adicional de R$ 34 bilhões ao SUS, que, somado a outros R$ 13 bilhões da União, levou o orçamento do setor a um crescimento de 80% em termos reais desde 2000. "Na verdade, a CPMF só trouxe recursos novos à saúde a partir de 2004, e não desde o início, em 1997", diz o especialista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Sérgio Piola. A CPMF, afirma ele, apenas substituiu contribuições sociais como CSLL e Cofins. A partir de 1999, a contribuição foi desfigurada ao ceder parte da arrecadação à Previdência e ao fundo de pobreza, ficando com somente 0,2% dos 0,38% originais.
Mas, mesmo beneficiado pela "emenda 29", o atual modelo do SUS tem sido limitado pela sobrecarga às finanças estaduais e municipais, cujos graves problemas para cumprir os percentuais mínimos exigidos em lei têm levado os gestores a "driblar" a Constituição. "Quem tem pago essa conta da saúde até aqui é o município", defende o consultor Gilson Carvalho. A lei obriga os municípios a aplicar 15% no setor. "Mas eles já estão bem acima disso desde 2002", diz. De outro lado, 16 Estados deixaram de aplicar o mínimo de 12% na saúde em 2007 - uma conta de R$ 3,7 bilhões. Além disso, sem a "emenda 29" não há definição sobre o que são "ações de saúde", o que deixa a porta aberta para computar despesas de saneamento, merenda, estradas e previdência de servidores públicos como gasto de saúde. O Ipea calcula em R$ 12 bilhões a conta desses "dribles" no período 2004-2007.
O governo reconhece o problema e, para resolvê-lo, prega a mudança do modelo do SUS. A secretária-executiva do Ministério da Saúde, Márcia Bassit, calcula "perdas" de R$ 24 bilhões sem a CPMF e diz que a variação negativa do PIB em 2009 dará prejuízo de R$ 1 bilhão ao setor. A alternativa, defende, é adotar um novo modelo baseado em fundações públicas de direito privado. "A gestão mais qualificada exige outro modelo. Há normas e regulamentos em excesso", diz. Ela defende a gestão do ministro José Gomes Temporão, mas admite "desafios" na ampliação da rede de atenção básica e redução no tempo de espera por consultas especializadas, exames e internações. "Temos um claro subfinanciamento. E talvez isso seja mais grave do que a gestão."
Mas os especialistas em orçamento e planejamento insistem nos problemas da gestão. "O 'PAC da saúde' está parado", lembra o consultor legislativo Luiz Carlos Romero. Batizado como "Mais Saúde", o programa previa R$ 90 bilhões de investimentos até 2011. "Inviabilizaram o PAC da Saúde", disse Lula ao culpar novamente o fim da CPMF. Mas Márcia Bassit rejeita a paralisia. E cita investimentos de R$ 1 bilhão em obras, equipamentos e nos programas de unidades básicas (PSF), pronto atendimento (UPAs) e urgência (Samu). "Essa é a marca do ministro Temporão: cuidado com a gestão e direcionamento para saúde da família e atenção básica. Hoje, a cobertura já chega a 73,5% do país."
Mesmo assim, o principal obstáculo ao SUS continua sendo a falta de alternativas de financiamento, inclusive dentro da emperrada reforma tributária. O setor privado tem crescido rapidamente nesse rastro e já responde por 60% dos gastos em saúde. "A estrutura do gasto foi herdada do modelo prévio ao SUS, no qual o papel do Estado havia sido promover a expansão do setor privado", diz Maria Alícia Ugá, da Fundação Osvaldo Cruz.
Outra distorção é o aumento dos subsídios federais a planos e seguros privados, o que beneficia apenas a parte da população mais rica. O Ministério da Fazenda estima renúncia fiscal de R$ 8,7 bilhões com saúde em 2008. "Caminhamos para uma privatização em grande escala", avalia o consultor Luiz Carlos Romero.
O desafio da "privatização" da saúde tende a piorar com a velocidade das mudanças demográficas e o rápido aumento da idade média do brasileiro, o que obrigará as famílias a gastar ainda mais com saúde. Na média, cada família gasta hoje 5,3% da renda com saúde, diz o IBGE. Os mais pobres, porém, já gastam 7% - 80% disso com despesas ligadas a medicamentos. A fatia dos remédios no total dos gastos públicos cresceu de 4,3% para 9% entre 1995 e 2007. O governo paga hoje 95% do custo dos medicamentos para 1,2 milhão de pessoas, fomentando 9,8 mil farmácias país afora, mas isso só aumenta a distorção.   (Mauro Zanatta - Valor Online)

05.05 - SUS: Distorções regionais
No início de fevereiro, quando teve fortes dores de cabeça, mal-estar generalizado e quase não se aguentava em pé, o lavador de carros Manoel Ferreira da Silva engrossou as estatísticas da explosão da dengue no país e virou parte das teorias de qualidade dos gastos públicos em saúde.
Morador de Santo Antônio do Descoberto, cidade goiana de 60 mil habitantes vizinha do Distrito Federal, o mineiro de 34 anos buscou socorro no hospital universitário de Brasília, o HUB. Como a emergência estava em reforma, seguiu ao Hospital da Asa Norte (Hran). Ali, permaneceu deitado por 12 horas em um dos bancos da sala de espera superlotada. "Nem um copo d'água me deram", diz. Às 11 da noite, recebeu o diagnóstico de enxaqueca e uma receita de paracetamol. Ferreira esboçou um protesto, mas o cansaço, a dor e a tortura da espera o levaram à busca do remédio.
A dor cedeu, mas passou mal novamente. No dia seguinte, procurou o hospital municipal de Santo Antônio. Ali, tomou soro e quatro injeções. "Fiquei bom na hora", lembra. Os exames confirmaram a suspeita: era mesmo dengue. A doença passou, mas ficaram o prejuízo de sete dias sem trabalhar e a indignação com o sistema: "Me atenderam mal porque moro no entorno de Brasília", constata. "Mas aprendi. Vou fazer um plano de saúde. Não tem outro jeito."
O caso do lavador de carros, um entre os 9 mil registros de dengue este ano em Brasília, revela distorções regionais e mostra que a oferta de serviços depende menos do volume de dinheiro investido na saúde e mais da qualidade da despesa. "A vinculação constitucional mínima de 12% de gastos em saúde obriga o gestor a gastar de qualquer jeito, sem preocupação com qualidade", diz o economista Júlio Gregory Brunet, coautor de um estudo comparativo entre despesas totais e nível de serviços oferecidos aos contribuintes.
O Índice de Qualidade do Gasto Público (IQGP) traduziu os números dos Estados em um ranking de eficiência dos gastos. Os dados mostraram que, mesmo com oferta de serviços semelhante, os gastos do Distrito Federal são bem diferentes das despesas de Goiás, onde está Santo Antônio do Descoberto. Em 2007, Goiás gastou R$ 373 por habitante enquanto o DF desembolsou R$ 1.078 - a mais alta despesa do país. Mas a análise mostra que Goiás fez muito mais consultas e internações pelo SUS, além de oferecer uma rede maior de hospitais públicos, postos de saúde e mais leitos. Goiás também registrou menos incidência de tuberculose e aids, além de menores taxas de mortalidade materna e baixo peso do bebê ao nascer.
Resultado: Goiás figurou em 5º e o DF apenas em 24º no índice geral de qualidade da despesa de acordo com a oferta de serviços e o ranking ponderado do gasto. Mesmo gastando menos em saúde, Goiás oferece serviços melhores a custos menores do que o DF. "Esse é um exemplo de que o gigantismo do sistema gera perda de eficiência e pouca preocupação com a gestão", afirma Brunet.
Os dados, apurados com base em 17 indicadores específicos revelaram que o volume de problemas e a perda de eficiência são proporcionais ao tamanho da unidade federativa. Nos Estados do Norte, onde os orçamentos per capita são maiores, os gastos têm menos eficiência. No Pará, por exemplo, há mais recursos per capita, mas a oferta de serviços é baixa. Para criar o ranking, foram usados três indicadores: de insumo, com a despesa per capita em saúde; de produto, composto pela oferta de serviços (consultas pelo SUS, enfermeiros, hospitais, médicos, leitos, internações, postos e unidades); e de resultados (gravidez, expectativa de vida, incidência de tuberculose, aids, dengue, suicídio, mortalidade infantil, materna e baixo peso dos bebês).      (Mauro Zanatta - Valor Online)
 
 
 
 

04.05 - Desafio da vacinação
Chegada do inverno aumenta perigo da gripe A
Encerrado o primeiro trimestre de 2010, voltam à mídia notícias sobre a gripe A. Com a proximidade dos meses de inverno, especialmente nas regiões Sul e Sudeste do país, médicos e outros profissionais de saúde estão atentos à possibilidade de uma nova epidemia desta enfermidade. Por seu grande potencial de transmissibilidade e morbidade significativa ao colocar em risco, principalmente a população jovem, a exemplo do que ocorreu em 2009, os meios de comunicação devem dar ênfase à educação em relação aos cuidados para o enfrentamento da gripe A.
É importante que todos nós, em ações conjuntas, possamos atravessar esta nova etapa com tranquilidade, segurança e compreensão do problema. A experiência adquirida no ano passado nos faz fortalecidos e é o suporte de que precisamos para sair vitoriosos deste enfrentamento.
A Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia está engajada no processo de informação e educação nas distintas regiões do país e, considerando que os sintomas da gripe A e suas complicações mais graves são respiratórias, coloca-se amplamente à disposição da população brasileira. Até 20 de abril, o Ministério da Saúde já contabilizava 30 milhões de pessoas vacinadas contra a gripe. Embora as metas tenham sido atingidas entre as crianças (88% de população vacinada) e os profissionais de saúde (100% imunizados), outros grupos ainda estão aquém das expectativas. As gestantes, por exemplo, ainda não ultrapassaram 55% de cobertura. Entre aqueles que ainda não se vacinaram, segundo estudo do Ministério da Saúde, 40% alegaram falta de tempo.
Vale destacar que existem hoje, espalhados pelo país, 36 mil postos abertos, muitos deles funcionando inclusive nos fins de semana. A campanha segue em seu calendário. Depois das fases que receberam profissionais da saúde, indígenas, crianças de 6 meses e 2 anos e portadores de doenças crônicas maiores de 60 anos, como DPOC, asma grave, doenças cardíacas, neurológicas, hepáticas, entre muitas outras, hoje vêm sendo vacinados os jovens de 20 a 29 anos, além das gestantes, que podem comparecer aos postos de saúde em qualquer uma das fases. Ainda faltam os idosos (de 24 de abril a 7 de maio) e os adultos entre 30 e 39 anos (de 10 a 21 deste mês).
Mesmo antes de encerradas todas as etapas, podemos afirmar que, sem dúvida, esta é uma grande campanha de vacinação. Segundo previsão do Ministério da Saúde, serão distribuídos cerca de 113 milhões de doses de vacina. Com toda essa estrutura, os cuidados amplamente divulgados no ano passado continuam valendo e são da máxima importância. As principais recomendações para prevenção da transmissão são lavar as mãos com água e sabão com frequência, cobrir o nariz e a boca ao tossir; procurar não colocar a mão nos olhos, boca ou nariz; não compartilhar alimentos e utensílios e evitar aglomerações ou ambientes pouco ventilados.
Compreendemos que neste momento mais esta batalha está começando. Juntos, e sintonizados com a população, com certeza poderemos atravessar este caminho com serenidade, maturidade e responsabilidade.    (Jussara Fiterman - Estado de Minas)

04.05 - A doação de órgãos por idosos
Até há pouco, a doação feita por idosos era apenas de bens e moeda corrente, por meio de testamento.
Agora, se bem selecionados, eles podem doar também seus órgãos.
O limite de idade para o doador tem sido de 55 anos. Mas centros americanos e europeus vêm aceitando idosos, após avaliação clínica.
Na reunião da Sociedade Internacional de Transplante de Coração e Pulmão, realizada na semana passada em Chicago,(EUA), médicos relataram que a idade do doador bem selecionado não interfere no resultado do transplante de pulmão.
T. Horai, N. Shiguemura e colaboradores mostraram dados de 593 transplantes feitos na Universidade de Pittsburgh (EUA). Desse total, 87 usaram pulmões de pessoas com mais de 55 anos. A evolução foi similar entre receptores de órgãos jovens ou idosos.
A equipe do médico Iker López, do hospital espanhol Vall d'Hebron, apresentou dados semelhantes, de 116 transplantes feitos entre 2007 e 2009. Desses, 19 usaram pulmões de pessoas com mais de 60 anos.
O resultado foi igualmente bom para órgãos de doadores jovens ou idosos.
Aceitar doadores mais velhos é uma opção válida para aumentar a disponibilidade de órgãos, concluiu López.
Estudos de 2004 sobre rins transplantados de doadores acima dos 55 também mostraram bons resultados.  (JULIO ABRAMCZYK - Folha de S.Paulo))

04.05 - Maioria não identifica os sintomas de um derrame
Sinais são desprezados por 70% dos que sofrem tipo comum de AVC, diz pesquisa
Estudo britânico feito com mais de 90 mil pessoas alerta para a necessidade de reconhecer o problema e buscar atendimento logo
Mais de 70% dos pacientes que sofrem um tipo de AVC (acidente vascular cerebral) não reconhecem os sintomas e 30% deles procuram ajuda médica mais de 24 horas depois.
Nos casos de episódios isquêmicos transitórios, os sintomas são passageiros, mas as consequências podem ser graves, caso não seja feito o socorro imediato, diz o neurologista Eduardo Mutarelli, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.
De acordo com os últimos estudos, as chances de evitar ou minimizar as sequelas de um derrame isquêmico (quando ocorre uma obstrução na passagem do sangue) são maiores se a pessoa procura atendimento em até quatro horas e meia após o início dos sintomas.
"É parecido com o que acontece no infarto: ao desobstruir o vaso, reduz-se a morte das células da região. Mas, após esse período, as sequelas têm mais chances de se tornarem permanentes", acrescenta o cardiologista Sérgio Timerman, diretor do Laboratório de Treinamento e Simulação em Emergências Cardiovasculares do InCor (Instituto do Coração).
No AVC hemorrágico, outro tipo de derrame, a intervenção médica precoce também pode minimizar danos.
Segundo os autores do estudo, a demora para buscar ajuda não foi relacionada a diferenças de sexo, idade, classe social ou nível educacional. A pesquisa, britânica, avaliou acidentes vasculares de mais de 90 mil pacientes entre 2002 e 2007. Os resultados acabam de ser publicados na revista "Stroke".
Serviço de urgência
Pessoas que já tinham sofrido um derrame ou portadores de arritmias cardíacas procuraram atendimento com mais pressa. Mas isso não foi observado em pacientes com infarto, hipertensão ou tabagismo. A demora em buscar atendimento foi maior nos fins de semana. Os dados também confirmam que a grande maioria dos pesquisados foi primeiro ao seu médico de confiança, quando o recomendado é correr para um serviço de urgência.
Os resultados também revelaram que aproximadamente 30% dos derrames que ocorrem após um acidente transitório acontecem antes de o paciente procurar ajuda.
O derrame cerebral é o problema que mais mata no Brasil, mas também por aqui o desconhecimento de sintomas e necessidade de intervenção rápida é pequeno.
"Acho que o cenário deve ser pior, porque há vários sintomas que as pessoas podem não reconhecer", diz Mutarelli. Para ele, quando os sintomas são passageiros, a pessoa pode ter a falsa impressão de que nada grave está acontecendo.
"Temos uma conscientização muito pífia da população para o problema. Isso leva a atrasos na procura por auxílio médico e inviabiliza um tratamento que pode reverter o quadro", diz Timerman.
Um estudo feito em 2005 com mais de 800 pessoas em São Paulo, Ribeirão Preto, Fortaleza e Salvador mostrou que os brasileiros desconhecem até o nome correto do problema: foram apontadas 28 denominações para o AVC e somente 15% souberam dizer o que a sigla significava. Alguns confundiram com infarto. "No Norte, chamam mais de trombose. No Sul, de derrame. Muitos não souberam nem relacionar que a causa seria vascular", diz o neurologista Ayrton Massaro, presidente da Sociedade Ibero-Americana de AVC.
Segundo Massaro, ao sentir os primeiros sintomas, o paciente deve chamar o resgaste. "Não é para ir ao médico, deve-se buscar o hospital mais próximo e equipado", indica. A própria pessoa, se estiver consciente, ou quem a socorreu deve informar o horário em que os primeiros sinais surgiram e quais foram eles. (GABRIELA CUPANI e JULLIANE SILVEIRA - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

03.05 - Desafios éticos para a medicina do século 21
A medicina surgiu nos tempos imemoriais, no início da civilização humana, em sua forma rudimentar, desprovida de qualquer benefício terapêutico outro, a não ser o exercício da solidariedade. Quando os primeiros humanos coletores enfrentaram as savanas, convivendo em agrupamentos, diante da natureza inóspita em sua luta pela sobrevivência, sofreram agravos externos ou adoeceram, e um outro ser humano postou-se ao seu lado, no sentido de cuidá-lo ou, por permanecer ao seu lado, em seu momento de dor, naquele momento surgiu a medicina, como símbolo da solidariedade humana.
Milhares de anos se passaram até os dias de hoje, e daqueles momentos vividos no passado não restam nem escritos. Pouco sabemos da medicina praticada na Mesopotâmia há 8 mil anos ou no Egito há 4 mil anos. Sabemos um pouco mais na Grécia de 2.500 anos passados, porque Hipócrates nos deixou pródiga literatura, que foi atribuída a ele e reunida no Corpus hipocratticum, incluindo seu juramento, repetido até os dias de hoje nas formaturas dos novos médicos. Passamos pela fase mística e religiosa, quando atuamos como xamãs ou sacerdotes, até chegarmos à fase científica ao fim do século 19, com Claude Bernard, onde aprendemos, pelo método científico, a objetivar o que era absolutamente subjetivo.
Nos dias de hoje, as novas tecnologias científicas incorporadas ao arsenal propedêutico e terapêutico permitem o prolongamento indefinido da vida, que na verdade resulta no prolongamento indefinido do morrer, utilizando-se recursos desproporcionais, como também a clonagem de órgãos, as terapias com intervenção no genoma humano, a possibilidade de ultrapassarmos a barreira dos 150 anos, cura para a maioria das doenças infecto-contagiosas pela vacinação e as previsões da cura do câncer e da Aids nos próximos 10 anos.
Entretanto, continua válido o aforismo francês do século 15, traduzido do latim medieval, segundo o professor catedrático Joffre de Rezende, da Faculdade de Medicina da Universidade de Goiás: “Guérir quelquefois, soulager souvent, consoler toujours” ou “Medicus quandoque sanat, saepe lenit et semper solatium est”, o que significa “O medico às vezes cura, muitas vezes alivia e sempre é um consolo”. Do ponto de vista ético e jurídico, efetivamente, o médico não tem compromisso com a cura mas com o cuidado, ou seja, o seu compromisso não é de fins, mas de meios.
Diante das mudanças sociais ocorridas nos últimos 20 anos em nosso país – pois tivemos uma nova Constituição, um novo Sistema Público de Saúde (lei do SUS) e uma legislação específica para as Operadoras de Planos de Saúde (suplementar), além das novas tecnologias empregadas na medicina, especialmente na área da imagem e da genética humana – tornou-se necessário repensar na atualização do Código de Ética Médica. Especialmente porque houve uma profunda mudança da moralidade vigente, incluindo a moralidade médica, diante dos novos desafios. Entendendo que a ética é uma ciência reflexiva sobre a moralidade de nossas ações e a moral varia no tempo e no espaço e, geralmente, é apresentada de forma codificada, após ser consensuada, para ser aplicada por persuasão ou coerção, quando houver infração aos deveres de conduta.
Iniciou-se, há três anos, a discussão sobre a revisão do Código de Ética, e uma Comissão Nacional de Revisão do Código preparou as Conferências Nacionais de Ética Médica, escolhendo como símbolo o mito romano de Janus, o deus com duas faces opostas, cada uma delas olhando para o passado e o futuro. Iniciou assim a necessária reflexão ética sobre a moralidade médica contemporânea, à luz da ética das virtudes (aristotélica), a ética dos deveres (kantiana) e a ética da responsabilidade (utilitarista).
Após a fase inicial, foram recebidas mais de 2.500 sugestões de mudanças, oriundas dos médicos e da sociedade civil organizada, e um esquema básico foi proposto para o novo Código (revisto, atualizado e ampliado), que seria composto por três partes: a primeira com os princípios fundamentais (a máxima moralia); a segunda com os direitos (diceologia) e a terceira com os deveres de conduta (deontologia - a mínima moralia), esta última com os artigos com condutas minimamente exigíveis dos médicos sob pena de receberem uma sanção quando infringidos.
Houve uma grande preocupação com a abrangência do Código, prevalecendo o entendimento que os administradores em saúde – tanto gestores da saúde pública ou da suplementar, desde que médicos – deveriam ser alcançados, pois seria inadmissível aceitarmos que normas administrativas prejudicassem a boa relação médico-paciente ou que os custos da assistência assumissem importância maior do que a qualidade da mesma.
Além disso, foram contempladas as questões referentes às novas tecnologias, como a reprodução assistida e a terapia gênica, evitando-se qualquer interferência malévola em gerações futuras. Mais ainda, forte componente bioético foi introduzido no capítulo dos princípios fundamentais, voltado para um reforço na autonomia e beneficência aos pacientes e, também, nas questões ambientais. A introdução dos cuidados paliativos para pacientes em fase terminal de doenças crônico-degenerativas foi avanço contra a obstinação terapêutica com o uso de recursos desproporcionais, desencorajando a distanásia.e garantindo uma morte com dignidade.
Forte ênfase foi dada ao conflito de interesses envolvendo médicos e a indústria farmacêutica e a de equipamentos médico-hospitalares, afastando definitivamente a possibilidade de mercantilismo na profissão médica.
Por fim, tanto os pesquisadores como os professores, médicos, também foram responsabilizados em seus compromissos com a sociedade e com a própria profissão. Assim o ensino medico foi contemplado e é a grande preocupação do Conselho Federal de Medicina, no momento, quando criou, recentemente, a Comissão Nacional de Ensino Medico e pretende envolver, por meio de convênio, a Academia Nacional de Medicina e as academias estaduais de medicina com os conselhos regionais em um grande projeto de ensino de Humanidade visando melhorar a formação moral e intelectual dos novos médicos. Para tal, a a Associação Brasileira de Ensino Médico e os coordenadores dos 180 cursos de medicina, existentes no país, já foram convidados para um grande debate nacional sobre o tema. A Academia Nacional de Medicina está convocada para contribuir, pois, como disse o grande médico catalão do século 19 José Letamendi, “aquele que só medicina sabe, nem medicina sabe”.  (Roberto Luiz dAvila - JB Online)

03.05 - Novo Código de Ética melhora o sistema de saúde?
O novo Código de Ética Médica entrou em vigor no último dia 13 de abril, em substituição ao anterior, que data de 1988, ou seja, após vinte e dois anos. Neste período, o exercício profissional da medicina incorporou muitas técnicas e situações que exigiram respostas a novas questões éticas e bioéticas que não estavam contempladas. Portanto, houve uma atualização elaborada por cerca de 400 delegados, entre conselheiros federais e regionais de medicina, membros de sindicatos e sociedades de especialidades médicas, além de representantes de várias entidades da sociedade civil, que demoram dois anos para sua aprovação.
O código trata, entre outros temas, dos direitos dos médicos, responsabilidade profissional, direitos humanos, relação com pacientes e familiares, doação e transplantes de órgãos, relação entre médicos, sigilo profissional, documentos médicos, ensino e pesquisa médica e publicidade.
Atualmente, restrições excessivas são impostas aos médicos, colocando em perigo a confiança essencial na relação médico-paciente, as políticas públicas são deficientes, as práticas privadas são excludentes, os recursos disponíveis são escassos e a saúde tem sido diminuída à condição de mercadoria, com desenfreada incorporação de novas tecnologias. Algumas alterações no Código levam em conta essa realidade, mas também consideram as mudanças da sociedade na qual a medicina é praticada, e a vontade coletiva da população, a quem os médicos devem servir.
Buscou-se um Código justo, pois a medicina deve ser equilibrada entre estar a serviço do indivíduo, mas também da saúde pública e do bem estar da sociedade. O imperativo é o princípio de liberdade do médico, que deve estar concatenado com a liberdade do paciente. Esse é o contrato tácito e implícito de todo ato médico, que permeia o novo Código. O médico tem no Código a preservação de sua independência profissional, daí a preocupação ética de eliminar conflitos, de afastar o médico de influências desmedidas de empregadores, da indústria, dos interesses puramente empresariais e mercantilistas.
Portanto, entendemos que este Código aproxima o médico do paciente, na medida que o exercício da cidadania é seu ponto alto, conferindo ao paciente, quando possível, o direito de compartilhar a decisão de seu tratamento, após ouvir de seu médico sobre as alternativas possíveis. Em suma, investe na relação médico-paciente, dosando o humanismo e a prática tecnico-científica da melhor maneira possível.
Entendemos este Código como uma “ferramenta” indispensável para melhorar a saúde da população, mas não podemos esquecer que ainda necessitamos de investimentos de recursos para o SUS, nos três níveis de governo, que priorizem materiais e equipamentos, além de recursos humanos das diversas profissões da saúde, adequados ao atendimento. Defendemos uma carreira de Médico do Estado, para melhor distribuição e fixação destes profissionais em todo país, pois não faltam médicos, conforme ressente levantamento do CFM que comprova a existência de um médico para cada 578 habitantes no Brasil. Portanto, faltam políticas públicas adequadas para as necessárias mudanças no nosso sistema de saúde.   (Desiré Carlos Callegari - CFM)

03.05 - Novo mercado para médicos gestores
Os médicos estão descobrindo que existem boas oportunidades de desenvolver a carreira fora dos consultórios e hospitais. Cada vez mais empresas relacionadas ao setor de saúde como seguradoras e laboratórios farmacêuticos vêm contratando os serviços desses profissionais, que passam a somar técnicas de gestão aos conhecimentos médicos.
A headhunter Laís Passarelli, diretora da Passarelli Consultores, reconhece que havia certo preconceito dentro da própria categoria contra médicos que seguiam carreira corporativa. "Era uma visão antiquada de que isso representaria, de alguma forma, o abandono dos ideais da medicina. Na verdade, esta é apenas uma outra forma de se exercer a profissão", destaca.
A demanda por médicos entre as empresas que lidam com seguro-saúde, por exemplo, aumentou muito ao longo da última década. Foi quando o setor se deu conta de que a tradicional abordagem tratativa - fornecer carteirinhas para atendimento dos associados em uma rede de médicos credenciados - logo estaria com a viabilidade comprometida. Seria preciso associá-la a uma estratégia preventiva que ajudasse a reduzir a demanda pelos atendimentos e limitar os custos para as empresas, que viam a saúde consumir fatias progressivamente maiores do orçamento.
O atendimento médico se tornara o segundo maior custo do RH na maior parte das empresas, perdendo apenas para a folha de pagamento. Ao mesmo tempo, começava a se proliferar o conceito de que manter os funcionários saudáveis tem reflexos positivos na lucratividade das empresas - daí a onda de programas de controle de peso, combate ao tabagismo, ginástica laboral entre outros.
Tudo isso foi atraindo os médicos para dentro da gestão da saúde, pois as soluções já não podiam mais ser arquitetadas e geridas apenas por administradores e economistas. Em muitas funções, era preciso conhecimento de causa. "Não há outra opção: o trabalho que faço precisa ser feito por um médico", diz Márcio Botter, 43 anos, um dos mais recentes contratados da Aon Consulting.
Há sete meses na casa, depois de quase 20 anos de carreira dedicados exclusivamente ao atendimento de pacientes, o clínico geral e especialista em cirurgia de tórax não esperava a reviravolta na carreira até receber o convite para cuidar exclusivamente de um cliente da seguradora, a Clariant, do ramo petroquímico.
"Faço toda a interface da empresa com o plano de saúde. Gerencio as internações de alto risco, os maiores usuários e os doentes crônicos, por exemplo. Todo dia tenho problemas do gênero para resolver", descreve. "A diferença em relação ao trabalho de consultório é que estou cuidando simultaneamente de seis mil vidas, e não de apenas um paciente. Tenho vários colegas que seguiram o mesmo caminho e ninguém se sente menos médico por isso", acrescenta.
Segundo Laís Passarelli, a dificuldade para encontrar no mercado profissionais que reúnam conhecimentos médicos e de gestão ainda é grande. As oportunidades para quem tem esse perfil, contudo, deverão se ampliar ainda mais nos próximos anos. "Há cargos para os quais as empresas na área de saúde dariam preferência a médicos, pois consideram importante ter alguém que fale de igual para igual com os clientes", afirma. Para seguir carreira como gestor, contudo, não é preciso pendurar o estetoscópio. O mais comum, pelo menos por enquanto, é que as duas atividades continuem sendo exercidas simultaneamente. O próprio Márcio Botter continua se dedicando às cirurgias, ainda que em menor volume, e lecionando na Santa Casa de São Paulo nas manhãs de quinta.
A Aon, aliás, incentiva seus funcionários médicos a preservar não apenas parte das atividades de consultório, mas também as acadêmicas, no caso de quem dá aulas. "Isso é muito importante para trazer as últimas novidades e manter a empresa atualizada", explica Marcelo Munerato, vice-presidente da Aon Consulting, divisão especializada na elaboração, análise e administração de programas de benefícios, com 30 médicos na equipe.
Para Munerato, permitir flexibilidade de horário é uma das premissas para lidar com esse público. A Aon tem academia interna de negócios, onde os profissionais podem adquirir conhecimentos em gestão por meio de cursos oferecidos regularmente.
O setor de saúde cresceu tanto dentro da empresa nos últimos anos que já responde por 75% do faturamento da Aon Consulting e 34% de todo o faturamento da empresa no Brasil - a seguradora tem 800 funcionários no país. "Uma das grandes vantagens de ter médicos na equipe é que eles adquirem tal nível de equilíbrio emocional ao longo da carreira que tiram de letra problemas que parecem ser o fim do mundo para os demais gestores", compara Munerato.
Menos plantões na UTI e mais tempo para a vida pessoal
A médica Alessandra Pimentel da Silva, 36 anos, sabe bem o quanto o cotidiano da profissão que escolheu pode ser exaustivo. Em 2007, ela trabalhava em UTIs de cinco diferentes hospitais de São Paulo e chegava a cumprir sete plantões por semana, cada um deles com 12 horas de duração. Não sobrava tempo e muito menos disposição para compromissos sociais.
Foi quando surgiu o convite que representaria uma mudança radical tanto na carreira quanto na vida pessoal: uma das chefes perguntou se Alessandra estaria interessada em cobrir a licença-maternidade de uma gerente do laboratório AstraZeneca. Seria um trabalho de meio período como gestora da área de pesquisa clínica em oncologia, área em que Alessandra, formada em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), especializara-se ao cursar pós-graduação na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). "Nunca tinha pensado em ocupar um cargo gerencial e aceitei o convite acima de tudo pelo desafio que isso representava", lembra.
Alessandra reduziu a carga horária nos hospitais para se dedicar ao novo trabalho. Ao final do período de licença da titular, foi convidada a participar do processo seletivo para um cargo recém-criado no laboratório, a gerência de farmacoeconomia. Escolhida para exercer a função, ela logo se apaixonou pela ciência que avalia a relação entre custos e efeitos de um equipamento, programa ou produto ligado à indústria farmacêutica.
Essa preocupação despontou no pós-guerra para ajudar países devastados a lidar com um grande número de doentes e está voltando à tona com o gradual aumento da expectativa de vida da população, fator que resulta em um número crescente de pessoas convivendo com doenças crônicas. "Uma tarefa típica da farmacoeconomia é comparar preços e marcas de tomógrafos com diferentes configurações e indicar a escolha de um deles com base na melhor relação entre preço e benefícios", exemplifica.
Mesmo com a nova fase da carreira, ela fez questão de continuar clinicando. O emprego no laboratório ocupa 40 horas entre segunda e sexta, o que permitiu manter o vínculo com um dos hospitais - aquele com o qual tinha mais afinidade. A diferença é que agora são apenas quatro plantões mensais, sempre aos fins de semana. Com isso, Alessandra está trabalhando ao todo cerca de 52 horas semanais, ante as 84 horas do período pré-vida corporativa, quando chegou a ficar seis anos consecutivos sem passar o Natal com a família. "Acho que nem preciso dizer o ganho significativo de qualidade de vida que tudo isso representou. Hoje vivo sem olheiras e até compareço a festas", brinca.
O rendimento total se manteve no mesmo patamar e ela passou a desfrutar de uma série de benefícios aos quais não tinha acesso como carteira assinada, férias remuneradas, plano de saúde, carro da empresa, reembolso da academia, salão de beleza, previdência privada e participação nos lucros. "Não perdi o contato com o trabalho em UTI, e, ao mesmo tempo, descobri outro lado da medicina. Ver como as pesquisas acontecem e entender os mecanismos do mercado contribuiu para me tornar uma médica melhor. Hoje eu me preocupo em saber se o paciente tem condições de comprar determinado medicamento antes de prescrevê-lo", diz.
Para adquirir conhecimentos gerenciais, algo que não faz parte do currículo dos cursos de medicina, Alessandra está cursando MBA em gestão empresarial na Fundação Getúlio Vargas (FGV). Ao identificar a demanda pela maior profissionalização da gestão da saúde, a instituição criou cursos específicos para a área, incluindo opções customizadas para empresas. "Aprimorar a gestão é o caminho para um setor que passa por grande pressão por aumento de produtividade e redução de custos", considera Goret Pereira Paulo, diretora adjunta da FGV in Company.
Ela percebe um maior interesse dos médicos pela carreira gerencial, algo que interpreta também como uma reação da categoria à crescente presença de administradores profissionais nas empresas do setor. "Ter formação médica é um diferencial muito importante, mas não é tudo. Um excelente cirurgião só se tornará um bom gestor se buscar ferramentas para isso", diz.
Entre os MBAs oferecidos pela FGV na área estão os de auditoria em saúde, gerência de saúde e gestão empresarial em cooperativas médicas. Cada um deles tem uma carga horária entre 440 e 475 horas. Além disso, existe um curso de pós-graduação a distância intitulado gestão para médicos, que se adapta aos horários irregulares típicos da categoria.   (Maurício Oliveira - Valor Online)


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