14.11 - Passa em 1º turno proposta que pode privatizar
a saúde
Apesar de aprovado terça-feira em primeiro turno, o projeto
de lei que altera a contratação de organizações
sociais para a prestação de serviços de saúde
pública pode sofrer resistência no segundo turno. Além
de livrar empresas do processo de licitação, o projeto estende
a possibilidade de extensão do serviço a outras áreas,
como educação, cultura e esporte.
A proposta permitirá, por exemplo, que empresas privadas administrem
hospitais públicos. De acordo com a mensagem enviada pelo Executivo
à Câmara, as alterações têm como objetivo
ampliar a aplicação da Lei 4.081, responsável por
regulamentar os contratos do GDF na prestação de serviços
públicos de saúde. O prazo de contrato com as empresas, que
atualmente é de quatro anos prorrogáveis, poderá ser
de 10 anos com prorrogação.
Além disso, as organizações sociais também
poderiam, pela proposta, ser contratadas para serviços permanentes.
Daí surge a brecha para outras áreas também fazer
esse tipo de parceria.
Mas apesar de votar favoravelmente à proposta, nos bastidores
são vários os distritais que criticam o projeto pela característica
de terceirização dos serviços públicos que
os contratos podem ganhar. No segundo turno, quando ainda poderão
ocorrer mudanças com a aprovação de emendas, os embates
devem esquentar, já que a oposição afirma que a contratação
de empresas sem licitação irá gerar um cabide de empregos.
Outra proposta ligada à saúde aprovada ontem pelos distritais
foi o projeto de emenda à Lei Orgânica n° 11, prevê
que os profissionais contratados antes da aprovação da matéria
ficam dispensados de se submeter a processo seletivo. Entre as categorias
beneficiadas estão agentes comunitários de saúde,
os agentes de combate a en-demias, médicos, cirur-giões-dentistas,
enfermeiros, psicólogos e nutricionistas. (Ana Paula Siqueira -
JBr Online)
14.11 - Estudo aponta o perfil da mortalidade
do brasileiro
Tendência é a de expansão
das mortes por doenças crônicas e causas externas. Doenças
do aparelho circulatório são as que mais matam e as causas
violentas já ocupam segundo lugar em três regiões do
país
As doenças da modernidade são as
que mais matam no Brasil. Dados do Ministério da Saúde confirmam
que o perfil da mortalidade no país mudou ao longo dos anos, acompanhando
a tendência mundial de mais mortes por doenças crônicas
e violentas.
Por grupo de causa, as doenças do aparelho
circulatório - associadas à má alimentação,
consumo excessivo de álcool, tabagismo e falta de atividade física
– lideram o ranking e são as que mais matam homens e mulheres no
Brasil. Ao todo, 283.927 pessoas perderam a vida por problemas do aparelho
circulatório - 32,2% das mortes em 2005.
É o que mostra os dados do capítulo
Mortalidade no Brasil e regiões da publicação Saúde
Brasil 2007, do Ministério da Saúde, que traz o perfil detalhado
da mortalidade dos brasileiros.
Nas regiões, as doenças do aparelho
circulatório também são as que mais matam, com percentuais
de 33% no Sudeste, 32,9% no Sul, 31,9 no Nordeste, 31% no Centro-Oeste
e 24,9% no Norte.
Para o Ministério da Saúde, esse
perfil de mortalidade mostra mudanças que refletem a urbanização
rápida e desenvolvimento do país – no passado, o que mais
matava no país eram as doenças infecciosas e parasitárias,
tais como as diarréias, tuberculose, malária, entre outras.
Como as doenças crônicas estão
ligadas à inatividade física, ao consumo de álcool,
tabaco e alimentação inadequada, os dados reforçam
que o brasileiro deve investir na mudança de hábitos e buscar,
por exemplo, parar de fumar, consumir alimentos saudáveis como frutas,
legumes e verduras, praticar atividade física regularmente e diagnosticar
e controlar a hipetensão arterial e a diabetes.
“Comer alimentos com excesso de gorduras, de
açúcares e de sal, além de fumar e consumir abusivamente
bebidas alcoólicas, potencializam o risco de uma pessoa ter um quadro
de doença circulatória, como o AVC, conhecida como derrame”,
afirma o diretor do Departamento de Análises de Situação
de Saúde (DASIS) do Ministério da Saúde, Otaliba Libânio.
“Outro grande inimigo da saúde e aliado dessas doenças é
o sedentarismo. Por isso, é necessário investir em hábitos
saudáveis para melhorar a qualidade de vida e reduzir doenças
e óbitos”, completa.
De acordo com informações da Secretaria
de Vigilância em Saúde (SVS), em 1930, as doenças infecciosas
respondiam por cerca de 46% das mortes em capitais brasileiras. A partir
de então, verificou-se a redução progressiva, sendo
que, em 2003, essas doenças responderam apenas por cerca de 5%.
Por outro lado, as doenças cardiovasculares, que representavam apenas
12% na década de 30, são, atualmente, as principais causas
de morte em todas as regiões brasileiras, respondendo por quase
um terço dos óbitos.
MORTES PREMATURAS
Mesmo com os avanços estruturais e econômicos
obtidos nas últimas décadas, dados do Ministério da
Saúde mostram que uma parcela expressiva da população
perde a vida prematuramente no país. De acordo as informações,
413.345 pessoas faleceram antes de alcançar a terceira idade, considerada
a partir dos 60 anos. Isso representou 41,2% do total de 1.003.350 óbitos
registrados no Brasil em 2005. Entre as pessoas com 60 anos ou mais, os
óbitos totalizaram 590.015, o que correspondeu a 58,8% do total
de falecimentos registrados no país.
PRINCIPAIS CAUSAS
As causas de mortes podem ser agrupadas em grandes
grupos (circulatórias, respiratórias, neoplasias, causas
externas) ou categorizadas por causas específicas (AVC, pneumonia,
atropelamento, homicídio).
Ao separar por causas específicas, dentro
do grupo das doenças do aparelho circulatório, o Acidente
Vascular Cerebral (AVC) se destaca como a que mais mata. Em 2005, 90.006
pessoas morreram por essa causa. Isso representa 31,7% das mortes decorrentes
de problemas circulatórios e 10% dos óbitos totais do país.
A segunda maior causa específica de óbito
no Brasil é a Doença Isquêmica do Coração,
principalmente o infarto agudo do miocárdio, que também pertence
ao grupo das circulatórias. Em 2005, 84.945 pessoas perderam a vida
por causa do infarto – 9,4% do total de mortes do país.
Na avaliação das 10 primeiras causas
de mortes no país, estão outras duas doenças circulatórias.
A doença hipertensiva e a insuficiência cardíaca ocupam
o 8º e 9º lugar, com 33.487 (3,7%) e 31.054 (3,4%) mortes, respectivamente.
CÂNCER
No quadro geral da mortalidade dos brasileiros,
as neoplasias malignas, grupo que reúne os vários tipos de
câncer, ocupam o segundo lugar entre as causas de mortes no Brasil,
com o registro de 147.418 mortes em 2005, o que representou 16,7% dos óbitos
totais. Alguns dos fatores que levam ao câncer são os mesmos
que também expõe o indivíduo ao risco de ter doenças
do aparelho circulatório, tais como o uso de tabaco, de bebidas
alcoólicas, exposição intensa ao sol, alimentação
inadequada entre outros. Os fatores externos respondem por 80% a 90% das
neoplasias, de acordo com o Ministério da Saúde. Os demais
têm origem genética e alguns outros determinantes.
Na avaliação por regiões,
o perfil é diferente.
Os cânceres são a segunda causa
de morte no Sul e Sudeste e a terceira para as demais regiões.
VIOLÊNCIAS E RESPORATÓRIAS - Com
número expressivo de óbitos, as causas externas respondem
pela terceira posição no ranking da mortalidade no Brasil.
Os dados regionais mostram um cenário preocupante: as causas externas
são a segunda maior causa de óbitos em três das cinco
regiões do país – Norte, Centro-Oeste e Nordeste.
No Sudeste e no Sul, as causas externas ocupam
o terceiro lugar.
Embora estudos do Ministério da Saúde
já tenham apontado redução na tendência de mortes
por homicídios, principal causa específica do grupo das externas,
essa mortalidade se mantém em patamar elevado, principalmente nos
homens jovens, de baixa escolaridade e negros.
Entre as causas específicas desse grupo
(causas externas), os homicídios correspondem a primeira causa no
grupo e à terceira causa no total de óbitos do país.
Outra causa importante nesse grupo é o acidente de transporte terrestre,
constituindo a sétima causa específica no total de óbito
do país.
As causas de mortes por doenças do aparelho
respiratórias ocupam o quarto lugar. Em 2005, foram 97.397 óbitos,
o que corresponde a 11,1% do total. Essa tendência é a mesma
para todas as regiões. Em ordem decrescente, os percentuais de regionais
foram de 11,7% no Sudeste e Sul, 10,9% no Norte, 10,4% no Centro-Oeste
e 9,4% no Nordeste.
SIM
A base de informações utilizada
na publicação foi a do Sistema de Informações
de Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, que capta os
óbitos ocorridos no país, dentro ou fora de ambiente hospitalar,
com ou sem assistência médica. Os dados analisados são
os de 2005. Como a tendência de morte não muda tanto em um
curto período de tempo, para o Ministério da Saúde
as informações refletem a atual situação da
mortalidade no país.
De acordo com a publicação, em
2005 o SIM captou 1.006.827 óbitos em todo o país, o que
representou coeficiente de 5,5 mortes por mil habitantes. A base populacional
utilizada foi a estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) para o ano de 2005 – 184.184.074 habitantes, dos quais 50,8% do
sexo feminino.
Os dados do Ministério da Saúde
trazem análises por grupo de causas, como as do aparelho circulatório,
neoplasias e causas externas, por exemplo; por causas específicas,
como as provocadas por AVC, câncer, trânsito, arma de fogo,
entre outras; além das informações por região,
sexo, faixa etária e raça/cor. (Tribuna News)
14.11 - Saúde precisa de R$ 1,850 bi para atendimento básico
O Ministério da Saúde está com um déficit
no orçamento desse ano de R$ 1,850 bilhão para o atendimento
básico. "Esse dinheiro é o mínimo aceitável
para que possamos fechar o ano com o mínimo para atender a população",
disse a secretária-executiva do Ministério da Saúde,
Márcia Bassit, durante audiência pública na Comissão
de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados.
Ela informou que na semana passada houve uma reunião no Ministério
do Planejamento para se discutir a falta de recursos, quando o ministério
sinalizou que poderá conseguir um aporte de R$ 1,4 bilhão.
"Os recursos devem chegar, sendo otimista, em meados de dezembro",
disse. De acordo com Bassit, com esse dinheiro será possível
pagar os hospitais que atendem pelo Sistema Único de Saúde
os casos de média e alta complexidade.
O presidente do Conas (Conselho Nacional da Saúde), Osmar Terra,
disse aos parlamentares que para o próximo ano são necessários
R$ 6 bilhões para garantir o financiamento da saúde.
A secretária cobrou a regulamentação da Emenda
29, que estabelece um percentual de gastos da União, dos estados
e dos municípios na saúde pública e cria a CSS (Contribuição
Social para a Saúde), em tramitação no Senado.
De acordo com Márcia, essa regulamentação é
importante "para que a saúde tenha uma fonte estável de financiamento
e não fique dependente de outras fontes". (Agência Brasil/Diário
Online)
14.11 - Vírus da Aids desaparece em paciente que sofreu transplante
de médula óssea
O HIV (vírus da Aids) se tornou indetectável em um paciente
soropositivo com leucemia depois de um transplante de médula óssea,
um caso "interessante" mas "isolado", que não deve suscitar falsas
esperanças, explicou nesta quarta-feira um hospital de Berlim (Alemanha).
"Trata-se de um caso interessante para a pesquisa", declarou em comunicado
o professor Rodolf Tauber. "Entretanto, dar esperanças às
milhões de pessoas contaminadas pelo HIV não seria sério",
ressaltou, mencionando um "caso isolado".
Soropositivo há dez anos, o paciente, um americano de 42 anos
que vive em Berlim, teve que se submeter a um transplante de medula óssea
para tratar uma leucemia detectada há três anos.
Entre os doadores potenciais, se encontrava uma pessoa portadora de
uma mutação genética já conhecida pelos cientistas
mas ainda inexplicada. Esta particularidade, uma mutação
do receptor CCR5 do vírus, está presente em 1% a 3% da população
européia e parece dar aos indíviduos portadores uma imunidade
ao HIV.
A equipe do hematologista berlinense Eckhard Thiel escolheu este doador
específico "com a esperança de que depois do transplante
da médula óssea, o vírus do HIV também desapareceria".
O paciente, há anos sob tratamento anti-retroviral e que nunca
desenvolveu a Aids, interrompeu seu tratamento no momento do transplante,
para evitar que os medicamentos provocassem uma rejeição.
"Normalmente, a interrupção dos anti-retrovirais provoca
o desenvolvimento da Aids em algumas semanas. Mas até hoje, mais
de 20 meses depois do transplante, o HIV continua indetectável neste
paciente", afirmou nesta quarta-feira a equipe de Thiel.
"Este procedimento não é adequado ao tratamento de pacientes
portadores do HIV, nem hoje nem num futuro próximo", alertou nesta
quarta o médico Gero Hütter, um membro da equipe berlinense,
durante uma entrevista coletiva. (AFP/Diário Online)
13.11 - Oficina sobre a nova regulamentação
dos call centers
O Ministério da Justiça realizou
na última semana oficina sobre a nova regulamentação
dos Serviços de Atendimento ao Consumidor (SACs).
Participaram técnicos de Procons, Ministérios
Públicos, Defensorias Públicas e Entidades Civis.- parceiros
integrantes do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor (SNDC).
As aulas foram ministradas por especialistas
do SNDC e do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor
(DPDC), vinculado à Secretaria de Direito Econômico (SDE).
A Escola Nacional de Defesa do Consumidor, responsável
pela programação, após a assinatura do Decreto 6.523/08,
incluiu o tema na grade dos Cursos Itinerantes, para preparar os órgãos
do SNDC antes da entrada em vigor do Decreto, em dezembro.
O Novo regulamento dos SACs
A partir de 1º de dezembro os serviços
regulados por agências deverão se adequar para fornecer um
padrão mínimo de qualidade no atendimento ao consumidor,
conforme prevê o Decreto assinado no dia 31 de julho pelo presidente
Luis Inácio Lula da Silva.
Para tanto, uma das exigências do Decreto
é a capacitação dos profissionais das empresas para
responder e resolver as demandas de forma eficaz. O cidadão, ao
falar com o atendente, aguardará no máximo um minuto - em
regra. As exceções encontram-se na Portaria 2014/08, assinada
pelo ministro Tarso Genro.
A normatização prevê o atendimento
24 horas por dia, 7 dias por semana para as reclamações,
cancelamentos e dúvidas - no mesmo período de aquisição
ou uso do serviço.
As novas regras dos call centers
O decreto presidencial que regulamenta o serviço
de call center garante a qualidade no atendimento ao consumidor e coíbe
abusos. As principais mudanças são:
A empresa deve garantir, no primeiro menu eletrônico
e em todas suas subdivisões, o contato direto com o atendente.
Sempre que oferecer menu eletrônico, as
opções de reclamações e de cancelamento têm
de estar entre as primeiras alternativas.
No caso de reclamação e cancelamento,
fica proibida a transferência de ligação. Todos os
atendentes deverão ter atribuição para executar essas
funções.
As reclamações terão que
ser resolvidas em até cinco dias úteis. O consumidor será
informado sobre a resolução de sua demanda.
O pedido de cancelamento de um serviço
será imediato.
Para serviços ininterruptos, o atendimento
deverá funcionar 24 horas por dias, sete dias por semana.
Deve ser oferecido ao consumidor um único
número de telefone para acesso ao atendimento.
Fica proibido, durante o atendimento, exigir
a repetição da demanda do consumidor.
Haverá um prazo máximo de espera
para ser atendido
Ao selecionar a opção de falar
com o atendente, o consumidor não poderá ter sua ligação
finalizada sem que o contato seja concluído.
Só é permitida a veiculação
de mensagens publicitárias durante o tempo de espera se o consumidor
permitir.
O acesso ao atendente não poderá
ser condicionado ao prévio fornecimento de dados pelo consumidor.
O cidadão que não receber o atendimento
adequado poderá denunciar ao Sistema Nacional de Defesa do Consumidor
(SNDC), Ministérios Públicos, Procons, Defensorias Públicas
e entidades civis que representam a área. (MJ)
13.11 - Projeto obriga Planos de Saúde
cobrir lista do CID
O deputado José Riva (PP) apresentou ao
Pleno da Casa de leis, projeto que obriga as empresas privadas que atuam
na prestação de plano, seguro saúde e cooperativas
médico-hospitalares a garantirem atendimento a todas as enfermidades
relacionadas nas Classificações Internacionais de Doenças
(CID) da Organização Mundial de Saúde (OMS). O projeto
de lei tramita na Assembléia Legislativa (AL/MT) na Comissão
de Saúde, Previdência e Assistência Social e deve ir
à pauta de discussão na próxima semana.
De acordo com a matéria, todos os procedimentos
sem cobertura entram na lista de atendimento. As empresas da área
ficam impedidas de impor restrições quantitativas ou de qualquer
natureza e o não cumprimento da medida sujeitará os infratores
à multa de R$ 10 mil, para cada caso apurado, aplicando-se o dobro
em caso de reincidência.
Estatísticas comprovam que o atendimento
à saúde no país é de calamidade. Faltam leitos
e medicamentos, os salários são baixos, profissionais desmotivados,
fraudes e desvios são uma constante. O deputado Riva considera que
a relação empresa/usuário tem que mudar. “Aproveitando-se
dessa situação, algumas empresas que operam diretamente ou
intermedeiam os serviços de saúde, obrigam o consumidor a
aceitar cláusulas contratuais abusivas e injustas. Na prática,
alguns cobram valores altíssimos e excluem do atendimento, as doenças
com tratamento de alto custo; dificultam a autorização de
exames mais sofisticados e nunca exibem planilhas de custo”, disse.
Essas exclusões, observa Riva, acarretam
as situações corriqueiras em que um consumidor procura
um médico conveniado para tratamento e recebe como resposta que
só é possível tratar uma parte de suas enfermidades,
pois o resto não está coberto pelo convênio. Esse consumidor,
então, via de regra, terá de recorrer ao sistema público
de saúde.
Conforme a Resolução nº. 1401,
de 11 de novembro de 1993, as empresas que operam com plano e seguro saúde
são obrigadas a garantir atendimento a todas as enfermidades relacionadas
no Código Internacional de Doenças. Porém, essa resolução
ainda é objeto de impugnações por parte das empresas
de saúde. Essas empresas alegam que o Conselho Federal de Medicina
(CFM) não teria competência para obrigar os planos de seguros
saúde a não excluir enfermidades de seus contratos. Ainda
que se admita a procedência do argumento lançado pelas empresas
de saúde no que se refere ao Conselho de Medicina, bastante distinta
é a posição do Poder Legislativo, pois a
Constituição Brasileira declara
em seu artigo 197: são de relevância pública as ações
de serviços de saúde cabendo ao Poder Público dispor
dos termos da lei sobre sua regulamentação, fiscalização
e controle, devendo sua execução ser feita diretamente ou
através de terceiros e, também, por pessoa física
ou jurídica de direito privado. (O Documento)
13.11 - Acessibilidade à saúde suplementar
O Brasil é um país continental
que enfrenta problemas proporcionais ao seu tamanho. Suprir a população
de quase 200 milhões de habitantes com assistência à
saúde de qualidade é um dos principais desafios. Atualmente,
cerca de 37 milhões de pessoas utilizam planos privados para consultas,
exames e internações. As demais seguem contando com o sistema
público e buscando uma forma de ingressar o mais breve possível
no outro grupo.
Em Brasília, um novo modelo mostrou-se
eficaz na criação de um acesso para a assistência privada.
E o mais curioso é que ele coloca lado a lado operadoras de saúde
concorrentes. O Clube Aliança, empresa do Grupo Aliança que
tem uma carteira de clientes que passa de 90 mil vidas, oferece há
um ano e meio benefícios para entidades de classe. O funcionamento
é simples: a partir de um contrato estabelecido com a entidade,
os associados podem escolher entre planos das maiores operadoras do País
- com preços bem abaixo dos planos individuais. "Sem ter qualquer
ônus, a organização promove benefícios aos seus
usuários, que podem optar por aquilo que melhor se enquadra em suas
necessidades e no seu orçamento", comenta o diretor de Relações
Institucionais, Amílcar Quadrado Filho.
Modelo de Sucesso - São cerca de 30 entidades
conveniadas, que propõem o beneficio aos seus associados, promovendo
acesso à saúde com abrangência nacional. Preocupados
com a sobrecarga da rede pública do DF e os altos custos dos planos
de saúde individuais, a própria Associação
Médica de Brasília aderiu à proposta. "A parceria
com o Clube Aliança, além de satisfazer aos sócios
com uma rede de atendimento abrangente, viabilizou novas adesões
à AMBr, principalmente de médicos jovens, um público
que estávamos tentando atingir", destaca Dr. Lairson Rabelo, presidente
da entidade. A OAB é outra entidade que abraçou a proposta,
assim com o Conselho Regional de Administração do DF.
O Clube Aliança complementa sua atuação
com o desenvolvimento de programas de acompanhamento a pacientes crônicos,
como cardiopatas, hipertensos e diabéticos. "Realizamos atendimento
individual ao cliente que se enquadra em um dos grupos que demandam atenção
especial. Nossa equipe lembra o paciente sobre suas consultas preventivas
e necessidade de adesão ao tratamento", explica Dr. Eduardo Viana,
médico da equipe técnica do Clube Aliança.
(Maxpress)
13.11 - Memória humana progride a cada
geração
Estudo aponta avanço na capacidade de
lembrar experiências
Fatores como níveis elevados de instrução,
boa nutrição e poucos irmãos influenciam a melhora
da memória humana a cada geração.
A afirmação é de um estudo
sueco, o maior já realizado sobre o tema, que durante vinte anos
avaliou 4,2 mil pessoas entre os 25 e 80 anos, informa a BBC.
A pesquisa faz parte do chamado projeto Betula,
que tem como objetivo examinar o desenvolvimento da memória a fim
de identificar sinais preliminares de demência.
Segundo o líder do projeto e professor
de Psicologia da Universidade de Estocolmo, Lars-Göran Nilsson, a
melhora episódica foi a que teve maior melhora.
Conhecida como memória das experiências,
a memória episódica se refere a lembranças de acontecimentos
específicos - como, por exemplo, uma viagem feita trinta anos atrás.
Fatores determinantes
De acordo com a pesquisa, pessoas com maior grau
de instrução, melhor nutrição, bons hábitos
de exercícios e menor quantidade de irmãos ou irmãs
possuem memória episódica mais desenvolvida.
A ordem de nascimento também é
um fator determinante para a qualidade da memória. Os primeiros
filhos costumam ter uma melhor memória episódica, dizem os
cientistas.
Além disso, o estudo mostrou também
que, mesmo entre as pessoas com formação biológica
semelhante, as que possuem nível mais baixo de instrução
possuem uma memória episódica mais fraca.
A influência da educação
sobre a memória pode ser conseqüência do maior desenvolvimento
do pensamento abstrato, apontam os cientistas. O fluxo de informações
a que as pessoas são expostas, assim como os computadores e jogos,
também exercem papel importante para estimular o cérebro.
Já os efeitos da nutrição
são mais difíceis de serem medidos, pois os fatores genéticos
são determinantes nesta área.
A idéia dos cientistas agora é
promover estudos em países em desenvolvimento para comparar se estes
fatores também são decisivos em outras circunstâncias.
Cientistas chineses já mostraram interesse no assunto.
Aposentadoria
Segundo os pesquisadores, os resultados apresentados
podem elevar a idade atual de aposentadoria para homens e mulheres.
"Os resultados indicam que a idade de aposentadoria
pode ser ajustada para além dos limites atuais, já que estamos
retendo melhores funções cognitivas no processo de envelhecimento",
afirma Nilsson. (Abril)
13.11 - Anvisa lança boletim com dados sobre transfusão
de sangue
Está no ar o primeiro Boletim de Hemovigilancia do país.
O documento desenvolvido pela Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa) será publicado periodicamente com informações
sobre os eventos adversos (reações transfusionais) resultantes
do uso terapêutico do sangue e de seus componentes. A íntegra
da publicação está disponível para consulta
no sítio da Anvisa.
Com dados relativos às notificações recebidas
pela Anvisa em 2007, o Boletim fornece, também, comparativos entre
o primeiro semestre de 2007 e o primeiro semestre de 2008. As informações
consolidadas foram obtidas por meio do Sistema de Notificações
em Vigilância Sanitária (Notivisa).
“O acesso aos dados divulgados pelo Boletim é fundamental para
identificar riscos, melhorar a qualidade dos processos e produtos, e aumentar
a segurança do paciente. Os profissionais da área podem,
desta forma, prevenir a ocorrência ou recorrência de reações
adversas”, afirma a chefe da Unidade de Bio e Hemovigilância da Anvisa,
Geni Neumann.
A versão impressa do boletim será lançada para
profissionais de saúde nas próximas semanas.
Hemovigilância
Um sistema de hemovigilância eficaz permite o monitoramento e
a avaliação da informação para identificar
os riscos relacionados ao uso terapêutico de sangue (transfusões).
Esse controle permite reavaliar todas as etapas do processo, desde a produção
dos hemocomponentes até o seu uso terapêutico, visando a implantação
de medidas corretivas e preventivas.
De 2002 a 2006, as reações transfusionais foram notificadas
à anvisa por meio de dois programas - Sineps e Hemovigi. O relatório
referente a este período pode ser consultado pelo endereço
eletrônico www.anvisa.gov.br/sangue/hemovigilancia/relatorio_2002_2005.pdf.
(Anvisa)
13.11 - Uma supercélula contra o HIV
Acelerando um processo que poderia ocorrer pela seleção
natural, cientistas americanos e britânicos criaram células
do sistema imunológico muito mais eficazes do que as naturalmente
existentes no organismo em reconhecer e destruir o vírus da Aids.
As supercélulas T obtidas por engenharia genética oferecem
um novo caminho para o tratamento da infecção, atualmente
incurável. O tratamento começará a ser testado em
seres humanos no ano que vem.
Em testes realizados em laboratório, as supercélulas
se revelaram capazes de reconhecer o vírus, mesmo quando ele sofre
alterações para despistar as defesas naturais, e atacá-lo,
reduzindo a velocidade da disseminação da infecção.
- Bilhões desses guerreiros antiHIV podem ser gerados em duas
semanas - afirmou Angel VarelaRohena, da Universidade da Pensilvânia,
co-autor do estudo.
O HIV, que infecta 33 milhões de pessoas globalmente, é
especialmente difícil de combater. Como outros vírus, ele
se aloja nas células de suas vítimas, transformandoas em
verdadeiras fábricas de produção viral. Mas é
ainda mais insidioso que os demais vírus porque ataca as células
do sistema imunológico chamadas CD4 T, que ajudam o organismo a
organizar suas defesas. Além disso, ele também é capaz
de se esconder das células de defesa CD8, conhecidas como linfócitos
T citotóxicos (CTL).
"As CTLs são cruciais para o controle da infecção
pelo HIV. Infelizmente, o HIV dispõe de um arsenal de estratégias
que o ajudam a escapar da defesa montada pelas CTLs", escreveram os pesquisadores
no estudo publicado na "Nature Medicine".
Uma das estratégias de defesa mais eficazes do vírus
é "esconder" de seus agressores uma proteína chamada HLA-I
- que o tornaria reconhecível e, portanto, alvo de ataque.
Vírus pode se tornar mais fraco
Mas a partir de amostras de células T especialmente eficazes
retiradas de um paciente em 1996, VarelaRohena e seu grupo recriaram, por
engenharia genética, uma versão similar capaz de reconhecer
a proteína. "É possível aprimorar a natureza, impedindo
o HIV de escapar das CTLs", escreveram.
- Não apenas as células T produzidas em laboratório
são capazes de identificar o vírus que escapou da detecção
das células de defesa naturais, como também elas se revelaram
mais poderosas em seu ataque, o que significa que menos células
são necessárias para controlar a infecção -
informou James Riley, que também participou do estudo.
Os testes da nova terapia em pacientes soropositivos estão previstos
para começar no ano que vem. Andy Swewll, da Universidade de Cardiff,
espera que o efeito sobre o vírus seja igualmente devastador. Diante
das supercélulas o vírus morre ou é levado a sofrer
novas mutações, processo que poderia enfraquecêlo,
segundo Swell.
- Claro que eu prefiro a primeira opção, mas acho que
veremos a segunda - afirmou Swell. - Mesmo que só consigamos enfraquecer
o vírus, ainda será um resultado muito bom porque ele se
tornará um alvo mais lento e mais fácil de combater.
Além disso, aponta Swell, um vírus mais fraco tem menos
capacidade de ser transmitido na população.
- Conseguimos recriar um receptor capaz de detectar as principais impressões
digitais do HIV e acabar com a infeção em laboratório
- resumiu Bent Jakobsen, o coordenador científico da Adaptimmune,
uma empresa britânica inaugurada em julho, detentora dos direitos
da nova tecnologia.
- Se conseguirmos levar esses resultados para a clínica, teremos,
no mínimo, uma poderosa terapia em mãos.
Um outro estudo publicado na mesma revista por pesquisadores de uma
empresa de biotecnologia holandesa chamada Crucell revela o desenvolvimento
de uma vacina experimental contra a Aids testada com sucesso na prevenção
da doença em seis macacos. Embora ainda esteja longe de ser testado
em humanos, o imunizante aponta um novo caminho de pesquisa. (Agência
O Globo)
12.11 - Hospitais de excelência e filantropia
Os grandes hospitais filantrópicos se
dispõem a colaborar com a rede pública. O país não
pode prescindir de seus serviços
Desde 1948 , quando ingressei na Faculdade de
Medicina da USP, venho acompanhando e testemunhando o que ocorreu no setor
da saúde. Os grandes hospitais brasileiros eram então alguns
poucos universitários, e os hospitais da Previdência Social,
construídos quando praticamente ainda não havia aposentados.
Esses hospitais, da mesma forma que os universitários, incorporavam
toda a moderna tecnologia, exerciam a liderança tanto no atendimento
quanto na graduação e na pós-graduação
e eram responsáveis pela pesquisa médica.
A criação do SUS coincidiu com
o grande aumento do número de aposentados, inclusive os rurais,
e a retirada dos recursos que a Previdência destinava à saúde.
Com isso, ocorreu uma deterioração
da rede pública, cujo exemplo mais expressivo vimos no Rio de Janeiro.
Foram montadas barracas de campanha pelas Forças Armadas para atender
a afetados pela dengue, enquanto os hospitais outrora líderes e
incorporadores dos avanços científicos e da tecnologia médica
encontravam-se sucateados. Esse desgaste, em alguma medida, atingiu também
os hospitais universitários. Fosse o país depender dessa
rede, estaríamos em situação insuportável de
retrocesso e desatualização.
Ocorre que os hospitais construídos e
mantidos por coletividades de descendentes de imigrantes que tomaram a
si a responsabilidade de oferecer ao país instituições
sem fins lucrativos, reinvestindo todo o resultado do seu desempenho nas
respectivas instituições, conseguiram acompanhar o desenvolvimento
internacional, incorporar a moderna tecnologia e provocar uma inversão,
ou seja, assistir aos hospitais públicos entregarem a liderança
aos hospitais de excelência, que não só estão
na fronteira do conhecimento como também promovem pesquisa, treinamento
pós-graduado e publicações científicas, bem
como treinamento especializado. Nenhum dos diretores tem qualquer tipo
de benefício; ao contrário, doam o seu trabalho, que os engrandece
nas suas comunidades.
No momento em que o setor público luta
para melhorar o atendimento e criar acesso crescente à população
de baixa renda, os grandes hospitais filantrópicos, que, além
do resultado de suas operações, captam recursos adicionais
nas suas comunidades, se dispõem a colaborar com a rede pública,
não apenas atendendo gratuitamente aos menos favorecidos mas também
oferecendo sua competência em diversos campos do conhecimento e da
atenção para fortalecer o setor público. Com tudo
de que ele precisa e que não consegue incorporar, existe quem subestime
essa colaboração.
A isenção fiscal obtida por esses
hospitais é integralmente compensada pelos serviços prestados,
acordados conforme os interesses do Ministério da Saúde,
cuidadosamente calculados para que os benefícios concedidos até
ultrapassem o valor da isenção, que, de outra forma, não
viria para o setor da saúde e se perderia nos gastos do Orçamento,
muitas vezes de forma pouco defensável.
Os hospitais de excelência, que sustentam
a incorporação do conhecimento e da tecnologia e que hoje
são líderes incontestáveis, todos com Certificado
de Acreditação da Joint Commission International, vêm
se juntar ao setor público para oferecer a competência que
adquiriram e contribuir para o engrandecimento do SUS e, em conseqüência,
do atendimento à população. O fato de atender a parcela
com maior disponibilidade de recursos, inclusive autoridades, não
os diminui, ao contrário, os distingue.
Outros hospitais existem no país, que
sempre foram considerados filantrópicos, que dispõem de condições
semelhantes e devem ser incorporados a esses mecanismos de estímulo
e contribuição ao desenvolvimento científico e tecnológico,
colocando o país em pé de igualdade com as economias mais
desenvolvidas.
A rede de hospitais com finalidade lucrativa
e que não se beneficiam da isenção cumprem o seu papel
assistencial, aliviando o SUS, embora não tenham o desempenho adicional
que os hospitais de excelência apresentam e de que o país
precisa, não pode dispensar e deve estimular.
Filantropia não é apenas atender
gratuitamente ou ser remunerado pelo SUS; é, também, reinvestir
integralmente o resultado da sua operação, sem benefício
pessoal de ninguém, e participar da pesquisa e do ensino e ajudar
na formação de pessoal de que o país precisa.
Esses hospitais possuem não só
instalações, mas profissionais capazes de honrar o compromisso
que assumem com o setor público para compensar uma isenção
largamente coberta pelos serviços que prestam ao país -país
este que não pode prescindir de seus serviços e, muito menos,
substituí-los. (ADIB D. JATENE - Folha de S.Paulo)
12.11 - A privatização da saúde
Sob a influência do discurso neoliberal,
impingido às nações periféricas, como justificativa
de um processo de globalização excludente, o governo brasileiro,
gradativamente, vem esvaziando o papel do Estado, como provedor de políticas
públicas. A reforma do Estado, tema central nos anos 90, seria uma
resposta à globalização, ainda, em curso, redutora
da autonomia do primeiro de formular e implementar políticas. Em
nosso país, essa reforma chega no ápice de uma crise econômica,
em 1990, que serviu de argumento para torná-la imperiosa e trazer
no seu cerne o ajuste fiscal, a abertura comercial e a privatização.
Mais tarde, em 1995, com a posse de FHC, a reforma
administrativa entra em pauta, como condição necessária
à consolidação do ajuste fiscal do Estado brasileiro
e fornecedora de um serviço público moderno e eficiente.
Com a reforma liberal, retirava-se o Estado da economia em nome da governança,
isto é, disponibilizava-se ao Estado somente mecanismos de intervenção
sempre que a mão invisível do mercado falhasse.
Contudo, a regulação e a intervenção,
por exemplo, na saúde, embora necessárias para corrigir desequilíbrios,
aos poucos deixa de existir com as novas modalidades de gestão propostas
pelo Livro branco, contendo as diretrizes da reforma do aparelho do Estado,
de iniciativa do governo tucano e datado de 1995. Nesse documento, fica
claro o destino da saúde em nosso país, uma vez que seus
serviços passam a ser uma atividade não exclusiva de Estado,
cuja forma de propriedade seria pública não estatal e a administração
seria gerencial. Com essa nova concepção, onde se relativiza
o conceito de público, que deixa de ser o ente que tenha o Estado
como garante, para significar, apenas, aquilo que atenda o público,
abre-se a possibilidade concreta do setor privado assumir os serviços
públicos de saúde.
Isso se dará por meio da transformação
dos serviços não exclusivos de Estado, por exemplo, hospitais,
ainda, considerados públicos, como o Hospital Getúlio Vargas,
em propriedade pública não estatal, com base em um programa
de publicização cujo caráter seria público,
mas de direito privado. Em síntese, as atuais entidades prestadoras
de serviços de saúde seriam extintas e substituídas
por fundações públicas de direito privado, criadas
por pessoas físicas, evitando-se, com isso, que estas sejam consideradas
entes estatais.
Essas fundações herdarão
todos os bens das entidades extintas: é o Estado bancando o setor
privado. Quanto aos servidores da antiga entidade, passarão a uma
categoria em extinção e ficarão à disposição
da fundação. Recursos estatais serão disponibilizados
às fundações, via contrato de gestão, e as
compras poderão estar ou não subordinadas aos princípios
da licitação pública, o que, certamente, estimulará
a fraude e a corrupção. Esse legado do século passado
que, ora, se quer implantar sentencia de morte a saúde pública
no Brasil. E a ironia dessa intenção macabra é que
suas bases teóricas foram plantadas no governo FHC, mas a sua consecução
se dará no governo Lula, cujo partido, antes de ser guindado ao
poder, defendia, com unhas e dentes, a saúde bancada pelo Estado,
conforme o prescrito na nossa Constituição.
Desgraçadamente, hoje, o nosso país
destina um orçamento irrisório para a saúde. Gastamos,
proporcionalmente, menos que a Bolívia nessa política social
importante. Devemos considerar, ainda, que, desse parco orçamento,
parcela considerável dele é contigenciada, isto é,
cortada, subtraída do total e a demora na sua execução
deixa antever a intenção de protelar o gasto de um recurso
já escasso. Ora, tudo isso só poderia resultar nas epidemias
de dengue, responsáveis pela morte prematura de crianças,
jovens e idosos nos grandes centros populacionais, como Rio de Janeiro
e São Paulo, numa espécie de tragédia anunciada, onde
predominam a falta do repasse dos recursos para o combate à doença
e os interesses mesquinhos das autoridades da área de saúde
nos níveis federal, estadual e municipal.
Ignorando as freqüentes crises na área
de saúde, cuja causa principal repousa no baixo investimento, gerador
do sucateamento dos hospitais, do atendimento precário à
população e dos baixos salários dos profissionais
que nela atuam, o atual governo, sob o pretexto da eficiência e eficácia
dos serviços de saúde, entendeu chegada a hora de implantar
as fundações públicas, em que pese a resistência
de setores organizados da sociedade civil e de segmentos políticos
responsáveis, que vêem na manobra a evidente intenção
de atender os interesses dos empresários do setor. É a privatização
da saúde em marcha.
Coube essa missão ao presente ministro
da Saúde, outrora intransigente defensor da saúde pública,
hoje, peça importante na imposição desse projeto nocivo
à população e aos profissionais da saúde.
(Thelman Madeira de Souza - Correio Web)
12.11 - Mães adolescentes já respondem
por 25% dos partos
Uma em cada quatro crianças nascidas no
Brasil é filha de adolescentes
Acesso a anticoncepcionais e ao sistema de saúde,
além de esclarecimentos por parte dos educadores, podem ajudar a
reduzir os índices
Cerca de 25% das crianças que nascem no
Brasil são filhas de menores de 20 anos, mas nem sempre a gravidez
nessa faixa etária é considerada algo tão ruim.
A afirmação é da ginecologista da Secretaria Municipal
de Saúde do Rio de Janeiro, Luiza Cromack.
Segundo Luiza, ao analisar índices de
gravidez na adolescência é preciso ter cuidado e entender
em que contexto essa gestação ocorre. Ela explicou que a
maioria das adolescentes que engravida tem alguma motivação
para isso e nem sempre o fato decorre simplesmente de falta de orientação.
"Nós geralmente olhamos com olhar de adulto
para essa gravidez e elas têm o olhar delas sobre isso. Muitas vezes
são filhas de mães que tiveram filhos na adolescência
e na família delas isso é um modelo que elas vão seguir
inconscientemente".
Luiza ressaltou que a gravidez na adolescência
muitas vezes ocorre porque as meninas têm o desejo de estar com o
parceiro, o que não é permitido pelos pais e a partir da
gravidez esse relacionamento se legitima e passa a ser aceito. Segundo
ela, em outras situações a gravidez é uma forma dos
próprios pais se livrarem da filha passando essa responsabilidade
para outro homem.
"Isso geralmente acontece nas classes sociais
mais baixas porque a qualidade da educação nem sempre é
boa o suficiente para garantir a essas meninas uma expectativa de futuro
em relação a um emprego. Ou mesmo para trabalhar a questão
da sexualidade desde criança para poderem decidir quando desejam
engravidar".
Segundo ela, a legislação prevê
que quando ocorre relação sexual com adolescentes abaixo
de 14 anos, há violência presumida. Por isso quando se atende
um adolescente seja menina ou menino nessa faixa etária que está
procurando um método contraceptivo é necessário conversar
e verificar que tipo de relação sexual está acontecendo.
"Geralmente [a relação] é de consenso e eles estão
procurando um método para se prevenirem da gravidez ou de doenças".
Luiza considerou equivocada a postura de muitos
profissionais que utilizam o aspecto da presunção da violência
para negar o preservativo ou outro método contraceptivo já
que o adolescente tem direito prioritário à saúde
e está cuidando dela quando procura um método para evitar
a gravidez, cabendo ao profissional entender o contexto e ajudar.
"No momento em que se fala e discute abertamente
as questões relacionadas à sexualidade, aos métodos
contraceptivos, ao respeito ao outro, acidadania e etc., esse adolescente
se tornará um sujeito crítico para tomar sua decisão",
argumentou.
Para a médica, o Estado deve reforçar
o trabalho junto aos educadores que muitas vezes são pessoas de
gerações mais conservadoras e não tiveram na escola
a experiência da conversa aberta sobre sexualidade. "Por isso temos
que trabalhar na formação desses educadores que atuarão
como Estado, seja na educação ou na saúde, para ter
essa visão de que a informação de qualidade deve estar
acessível ao adolescente".
Além disso, a médica ressaltou
que não adianta dar orientação sem fornecer os insumos
necessários para a prevenção da gravidez e de doenças
sexualmente transmissíveis. Ela também apontou a necessidade
de melhorar o acesso ao sistema de saúde, para garantir o acompanhamento
dos adolescentes, e a qualidade da educação.
"Nas classes mais altas a gravidez não
acontece precocemente com tanta frequência porque a há perspectivas
de futuro diferentes, onde ter um filho vem depois da faculdade, da carreira,
ao contrário das classes mais pobres nas quais o filho pode ser
a única expectativa de mudança de vida", alertou. (Flávia
Albuquerque - Agência Brasil)
12.11 - Frente da Saúde quer fatia do Fundo Soberano
A Frente Parlamentar da Saúde promete criar uma saia justa para
o governo. Os 251 deputados da Frente assinaram manifesto pedindo que o
Palácio do Planalto se comprometa a repassar R$ 4 bilhões
dos R$ 14 bilhões reservados para o Fundo Soberano do Brasil (FSB)
para investimentos em saúde.
O texto-base do projeto que cria o FSB – uma espécie de poupança
pública para financiar investimentos no Brasil e no exterior – foi
aprovado em outubro, mas cinco destaques ainda precisam ser votados no
plenário da Câmara. Em seguida, a matéria segue para
o Senado. A idéia da Frente é utilizar o manifesto para convencer
os senadores a pressionarem o governo a aceitar a proposta. Durante a votação
do texto na Câmara, a Frente negociou com os líderes alinhados
com o Planalto, mas não obtiveram respostas.
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, chegou
a ser avisado que havia a possibilidade deste acordo, mas acabou frustrado.
Os R$ 4 bilhões cobrados pelos parlamentares da saúde fazem
parte de um parecer assinado pelo Tribunal de Contas da União (TCU)
que mostra quanto o governo deixou de aplicar no setor desde 2000.
Em 2000, a equipe econômica determinou que seriam investidos
recursos iguais ao montante empenhado em ações e serviços
públicos da Saúde no exercício financeiro de 1999,
acrescido de, no mínimo, 5%. A partir de 2001, o orçamento
para o setor seria o valor apurado no ano anterior, corrigido pela variação
nominal do PIB. Isso assegurava, a partir de 2000, recursos anuais crescentes
para a Saúde, segundo a variação do PIB.
Já em 2001, o orçamento para o setor foi reduzido. Como
a despesa com saúde em 2000 foi superior à regra de 1999
mais 5%, a Fazenda mudou a conta: em vez do valor de 2000 mais o PIB, calculou
o valor de 1999, mais 5% (menos do que o gasto de 2000). Só então
acrescentou a variação nominal do PIB, ou seja, corrigiu
para o setor pelo mínimo. Um prejuízo de R$ 2,2 bilhões,
segundo o TCU.
O restante dos recursos leva em consideração uma manobra
do governo em 2007, que ao invés de repassar R$ 1,6 bilhões
a mais para a área como um recurso fixo, encaminhou como bônus
no texto da proposta orçamentária. "O governo precisa parar
de tratar a saúde apenas no discurso", afirma o presidente da Frente
Parlamentar da Saúde, Rafael Guerra (PSDB-MG). (Gazeta Mercantil)
11.11 - Saúde e bons hábitos
O Ministério da Saúde acaba de divulgar um perfil da
mortalidade do brasileiro. A pesquisa mostra que o país evoluiu,
mas está diante de novos desafios causados pela vida moderna.
Segundo o estudo, moléstias infecciosas e parasitárias
-tais como as diarréias, tuberculose e malária- deixaram
de ser a causa principal de mortalidade no país. A urbanização
e o desenvolvimento provocaram uma expansão das mortes por doenças
crônicas e por causas externas -que são as ligadas à
violência.
As enfermidades do aparelho circulatório -associadas à
má alimentação, consumo excessivo de álcool,
tabagismo e falta de atividade física- aparecem em primeiro lugar
(32,2%). Câncer vem em seguida (16,7%). Homicídios e acidentes
de trânsito (14,5%) aparecem em terceiro lugar. Logo após,
vêm as doenças do aparelho respiratório (11,1 %).
Para as mulheres, a boa notícia é que diminuiu a incidência
de câncer de colo de útero, com mais exames preventivos. Por
outro lado, o câncer de mama avançou. As mulheres ainda não
têm o hábito de fazer o exame de mamografia.
Os homens, mais que as mulheres, são vítimas das causas
externas -homicídio e violência no trânsito. O peso
do homicídio diminuiu no Sudeste, principalmente em São Paulo
e no Rio.
O estudo mostra que o serviço de saúde é importante,
mas a população também precisa adotar hábitos
mais saudáveis, com atividade física e melhor dieta.
(Agora S.Paulo)
11.11 - Serviços de referência revelam SUS que dá
certo
Minas - Aos 47 anos, o ambulante R. convive com o vírus HIV,
ao mesmo tempo em que finaliza o tratamento contra hepatite C. Apesar das
dificuldades impostas pela luta cotidiana contra as duas doenças,
ele se considera uma pessoa bem resolvida e atribui sua qualidade de vida
e, até mesmo, sua sobrevivência ao programa apontado como
um dos principais vilões da gestão pública: o Sistema
Único de Saúde (SUS). “Se não tivesse acesso a consultas,
exames e medicamentos gratuitos, não poderia custear nenhum dos
tratamentos e nem estaria aqui hoje”, acredita R. O ambulante é
um dos milhares de usuários do município que recebe o coquetel
anti-retroviral, distribuído pelo Ministério da Saúde,
e também é atendido no Centro de Hepatologia da Santa Casa
de Misericórdia. Os dois serviços são exemplo de que
o SUS, que acaba de completar 20 anos, pode dar certo, apesar do financiamento
insuficiente, das falhas de gestão, da baixa remuneração
e de tantos outros problemas que dificultam e, muitas vezes, impedem o
acesso ao atendimento universal e integral.
“É claro que o sistema tem muitos problemas. Não há
como negá-los. Mas é preciso considerar que o SUS ainda está
em processo de consolidação. Também não devemos
perder de vista que o modelo promoveu uma verdadeira revolução
no atendimento à saúde,” defende o chefe do Centro de Hepatologia
da Santa Casa, Pedro Gaburri. Ele lembra que, antes da Constituição
de 1988, que lançou as bases do SUS, o atendimento gratuito era
restrito aos contribuintes da Previdência Social. “Quem não
tinha carteira assinada ou não contribuía como autônomo
era obrigado a recorrer às santas casas de misericórdia,
que atuavam na área de filantropia. Mesmo quem tinha cobertura do
antigo Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) não
recebia atendimento integral e acabava tendo que arcar com exames e medicamentos.”
Já o subsecretário de Saúde, Ivan Chebli, lembra
que os índices epidemiológicos são indicadores claros
dos bons resultados do SUS. “Em Juiz de Fora, por exemplo, tivemos aumento
na expectativa de vida e redução nos percentuais de mortalidade
materna e infantil.” Ele destaca que estes avanços são conseqüência
direta do SUS, mas só se tornaram viáveis por estarem associados
a programas sociais do Governo federal. “Hoje em dia, não se pode
pensar a saúde de forma isolada. Ela tem um conceito mais amplo,
que envolve variáveis biológicas, econômicas, culturais
e ambientais.”
Um sistema para quem precisa
R., que teve a Aids diagnosticada há 18 anos, recorda as dificuldades
que enfrentou no início do tratamento. “O único remédio
contra o HIV, na época, era o AZT. Lembro de ser muito caro. Não
era fornecido pelo Governo. Para comprar o primeiro frasco, tive ajuda
de uma irmã. Mantive o tratamento por seis meses, mas a morte de
artistas famosos, como Fred Mercury e Lauro Corona, foi uma ducha de água
fria. Pensei: se eles que são ricos estão morrendo, não
tem jeito, eu também estou indo. Então, achei que não
era justo gastar todo o dinheiro da família com AZT”, conta. Anos
depois, com a evolução da medicina e a inclusão do
coquetel de combate ao HIV na lista de medicamentos excepcionais do Ministério
da Saúde, ele retomou o tratamento.
Há pouco mais de um ano, R. foi surpreendido com mais um diagnóstico:
hepatite C. “Fui encaminhado diretamente para o Centro de Hepatologia da
Santa Casa, onde recebi atenção integral. Fiz os exames e
recebi o medicamento, tudo de graça. Agora estou aguardando os últimos
testes para confirmar que o tratamento está mesmo terminado.” Conforme
Pedro Gaburri, os custos de um tratamento como o de R. giram em torno de
R$ 60 a R$ 80 mil.
Equipe para pacientes especiais
Enquanto procedimentos considerados simples, como consultas e exames
laboratoriais e de imagem, são alvo de duras críticas dos
usuários do SUS, serviços de maior complexidade conseguem
se estruturar e garantir acesso a tratamentos que, na rede privada, não
estariam ao alcance da maioria da população, devido ao custo
elevado. É o caso do Centro Odontológico de Atenção
a Pacientes com Necessidades Especiais (Coape), que funciona em anexo ao
Hospital de Pronto Socorro (HPS). Uma equipe multidisciplinar - formada
por dentistas, médicos, enfermeiros, psicólogo, auxiliar
de consultório e técnicos em higiene dental - oferece atenção
especializada a pacientes com limitações físicas ou
neurológicas, seqüelas de doenças ou em estágio
avançado de moléstias.
“Nosso foco é o paciente que não pode ser submetido ao
tratamento tradicional. Aqui temos infra-estrutura, equipamentos e profissionais
treinados para oferecer atendimento, inclusive, com retaguarda hospitalar,”
explica a coordenadora do serviço, Andréa Fernandes. Ela
ressalta, porém, que as unidades básicas de saúde
(UBSs) são as únicas portas de entrada do Coape. “Os pacientes
não devem procurar diretamente o serviço. Eles passam primeiro
pelo profissional da UBS e, quando não há condições
de atendimento lá, são encaminhas para nós.”
Diabética, hipertensa e submetendo-se a hemodiálises,
uma paciente de 39 anos foi atendida recentemente no Coape. Ela precisou
ser sedada e mobilizou uma equipe com profissionais de diferentes áreas.
“Fizemos todas as intervenções necessárias na paciente,
que está na fila do transplante e exige atenção diferenciada.
Um atendimento nessas condições teria custo superior a R$
4 mil na rede privada,” afirma a periodontista Francisca Bousada. Ela observa,
porém, que o serviço é oferecido a pacientes de todas
as classes sociais. “Mesmo quem pode pagar pelo tratamento tem dificuldade
para encontrar uma estrutura tão completa quando a que existe hoje
no Coape.” (Tribuna de Minas)
11.11 - SUS, 20 anos
Não é aceitável que o SUS ainda não disponha
de recursos suficientes que permitam cumprir o que está previsto
na Constituição
A cidade de São Paulo sediou, em outubro, um grande simpósio
internacional que marcou os 20 anos do SUS (Sistema Único de Saúde)
no Brasil. Representantes da área da saúde de países
como Canadá, Inglaterra, Espanha, Portugal, Itália e França
estiveram presentes para auxiliar no debate sobre os avanços e desafios
de um sistema que mudou radicalmente o paradigma da assistência médica
prestada aos brasileiros.
Não é possível deixar de elencar as conquistas
que o acesso universal à saúde trouxe ao país nas
últimas duas décadas. Trata-se de um plano de saúde
que atende a qualquer cidadão, sem distinção de classe
social ou idade. Que garante internação, medicamentos e transplante
de órgãos. Que realiza campanhas de vacinação
e mutirões de atendimento. Que socorre acidentados nas ruas, investiga
e controla surtos ou epidemias. Que vistoria hospitais e laboratórios,
para garantir a qualidade de serviços e produtos oferecidos.
Trata-se, portanto, de um dos mais importantes projetos sociais já
lançados no mundo. Assegurando os princípios de universalidade,
integralidade e equidade no atendimento aos cidadãos, o SUS vem
contribuindo de forma contundente para a melhoria dos indicadores de saúde
e qualidade de vida da população.
Todos os brasileiros, inclusive os que têm plano de saúde
privado, se utilizam do SUS. Isso acontece, por exemplo, quando alguém
precisa de um transplante de órgãos, ou, em caso de acidentes,
quando a vítima é atendida no pronto-socorro público,
ou quando liga para o Samu e recebe os primeiros socorros em casa.
As pessoas também estão utilizando, indiretamente, a
rede pública quando compram um medicamento na farmácia ou
um alimento no supermercado, pois esses produtos e serviços são
fiscalizados pela vigilância sanitária.
No seminário referido acima, ficou evidente a preocupação
geral em relação ao financiamento do SUS, de forma estável
e crescente, para garantir o aperfeiçoamento dos serviços
e a ampliação da oferta de consultas, exames, cirurgias e
internações nos hospitais públicos. Essa necessidade
premente exige o efetivo comprometimento das três esferas de governo,
destinando à saúde percentuais estabelecidos pela legislação
sobre seus orçamentos, para que o SUS possa incrementar e ampliar
o atendimento oferecido à população.
Até a Constituição de 1988, o governo federal
sempre foi o mais importante financiador da saúde. Por causa da
instituição do SUS, ficou definido que o financiamento se
daria com recursos das três esferas de governo, mas a participação
proporcional do governo federal vem diminuindo ano a ano, na comparação
com os investimentos de Estados e municípios.
No Estado de São Paulo, que possui a maior e mais complexa rede
de saúde do país, grande parte dos procedimentos de alta
e média complexidade realizados no Estado é custeada com
recursos próprios do tesouro estadual, já que muitos hospitais
pertencem ao governo paulista. Para que essa população continuasse
a receber o tratamento adequado, o governo do Estado elevou consideravelmente
os recursos destinados à saúde nos últimos anos. De
R$ 2 bilhões em 2000, os valores passaram para R$ 3,7 bilhões
em 2003 e para R$ 5,8 bilhões em 2006.
Em que pesem os avanços, como a queda expressiva na taxa de
mortalidade infantil, a erradicação da poliomielite e o controle
do sarampo, do tétano e da difteria, entre outras doenças,
além da redução da morbimortalidade entre os infectados
pelo HIV, não é aceitável que, aos 20 anos de idade,
o SUS ainda não disponha de recursos suficientes que permitam cumprir
o que está previsto na Constituição brasileira: saúde
universal, de qualidade, com eficiência, atendendo a todos os cidadãos
brasileiros.
O envelhecimento da população e a descoberta de novos
fármacos e terapias fazem com que a demanda do sistema seja crescente,
e o aporte de novos recursos quase sempre não supre as necessidades.
Equacionar o financiamento do SUS é, portanto, a necessidade mais
vital e, nesse sentido, urge a regulamentação da emenda constitucional
nº 29/00, importante ferramenta para definir o que pode ser considerado
ou não gasto com saúde pública.
Do mesmo modo, é urgente aperfeiçoar e inovar na gestão
dos serviços de saúde, sem preconceitos ou disputas ideológicas.
Ousar com criatividade, com o intuito de aprimorar a assistência
sob o ponto de vista da qualidade, eficiência e agilidade é
obrigação de todos aqueles que desejam melhorar a saúde
de nossa gente. Somente assim o SUS será reconhecido pela população
como de fato o é: o maior plano de saúde do mundo.
(LUIZ ROBERTO BARRADAS BARATA - Folha de S.Paulo)
11.11 - Passivo da saúde
Antigamente, o brasileiro morria de doenças infecciosas, como
a tuberculose, que em 1930 era responsável por 46% dos óbitos.
Hoje, morremos por causa das doenças crônicas, decorrentes
do modo de vida que adotamos, que causam 48% das mortes.
O sedentarismo, o alcoolismo, o tabagismo e a alimentação
inadequada são as causas de enfermidades do aparelho circulatório,
como derrames, infartos, a hipertensão e a insuficiência cardíaca.
Também dos cânceres. Só os derrames são causa
de 10% dos óbitos.
Estas informações estão num relatório do
Ministério da Saúde que arrola as causas da mortalidade no
Brasil. Entre essas estão, ocupando o terceiro lugar, as causas
externas, como a violência: homicídios, acidentes de trânsito
e suicídios, que provocam 14,5% das mortes.
O Brasil colhe os frutos do desenvolvimento, com melhoria dos índices
sociais, mas também suas mazelas. Morre-se menos das doenças
típicas dos países pobres. Mas o álcool, o fumo e
a obesidade são os fatores que mais causam as doenças crônicas.
A melhoria das condições de vida não encontra
correspondência nas práticas preventivas das enfermidades.
O brasileiro não trata da saúde. Como disse um médico,
para muitos, aparentemente sadios, a primeira manifestação
de uma doença do coração, por exemplo, é a
morte.
No caso, tudo depende da rapidez do socorro. Este tem de fazer em pouco
tempo, nas CTIs dos hospitais, o que o cidadão deixou de fazer a
vida inteira, mudando de hábitos e fazendo exames periódicos.
Todo o esforço da medicina se resume em tentar salvar a vida.
Os sucessos são visíveis. Inventado nos anos 60, o desfibrilador
fez as estatísticas de óbito caírem de 30% para 15%.
Medicamentos específicos, nos anos 80, de 15% para 6%. Novas terapias,
pouco aplicadas no Brasil, sobretudo no sistema público, poderão
reduzir mais esse índice.
Nada, porém, se equivale à prevenção, que
pode diminuir esse passivo, inclusive econômico. (Editorial
- O tempo-08.11)
11.11 - Doenças modernas
Hábitos insalubres e violência mudaram o perfil da mortalidade
no país; saúde pública enfrenta novos desafios
À medida que a sociedade avança, os desafios impostos
para a saúde pública também evoluem. É o que
se pode confirmar com o último perfil da mortalidade do brasileiro,
divulgado pelo Ministério da Saúde. Ele traz boas e más
notícias.
Segundo o estudo, "doenças da modernidade" são as que
mais matam no país. Já ficou para a história o período
em que as moléstias infecciosas e parasitárias -tais como
as diarréias, tuberculose e malária- eram o retrato da mortandade
nacional. A urbanização e o desenvolvimento provocaram uma
expansão das mortes por enfermidades crônicas e por causas
externas.
Os males do aparelho circulatório -associados a má alimentação,
consumo excessivo de álcool, tabagismo e falta de atividade física-
lideram o ranking (32,2%). Câncer é a segunda causa (16,7%),
seguida de homicídios e acidentes de trânsito (14,5%). Depois,
vêm as doenças do aparelho respiratório (11,1 %).
Na conta das boas notícias, está uma relacionada às
mulheres. Houve uma diminuição na incidência de câncer
de colo de útero. Isso se deve a campanhas educativas e a exames
preventivos mais disseminados. Em contrapartida, o câncer de mama
avançou. A última Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de
Domicílios), segundo os autores, comprova prática insuficiente
de exames como mamografia.
Os homens, por outro lado, são mais afetados pelas causas externas
-homicídio e violência no trânsito- do que as mulheres.
Embora as estatísticas demonstrem que há uma tendência
de queda nos homicídios, o volume dessas mortes ainda se mantém
em patamar elevado.
Regionalmente, aumentou o peso dos homicídios nas regiões
Norte, Nordeste e Centro-Oeste, mas houve diminuição no Sudeste,
principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Em relação a óbitos no trânsito, houve na
última década um expressivo aumento nas ocorrências
com motocicletas.
Apesar dos avanços institucionais e econômicos verificados
nas últimas décadas, 41,2% dos óbitos registrados
no ano de 2005 ocorreram prematuramente, isto é, antes de a pessoa
completar 60 anos de idade.
À luz desses dados, o poder público está diante
do desafio de viabilizar, além do atendimento preventivo, ambulatorial
e hospitalar, uma infra-estrutura urbana que permita uma vida mais saudável.
Além disso, o rápido envelhecimento da população
logo produzirá impactos sobre o sistema de saúde. (Folha
de S.Paulo)
10.11 - S.Paulo cria Assessoria de Saúde
Suplementar
A Secretaria Municipal da Saúde, por meio
do Decreto 50.142, de 23 de outubro, publicado no Diário Oficial
da Cidade de São Paulo, do dia 24 de outubro, cria a Assessoria
de Acompanhamento e Integração do Setor de Saúde Suplementar.
Segundo nota do Diário Oficial, a Assessoria
foi criada com o objetivo de apoiar os usuários de planos privados
de assistência à saúde no controle e melhoria da qualidade
do atendimento contratado; apoiar a Agência Nacional de Saúde
Suplementar - ANS, no processo de monitoramento e fiscalização
do setor; integrar os recursos estratégicos e as ações
de saúde do Sistema Único de Saúde - SUS, e do setor
de saúde suplementar no processo de melhoria da qualidade de vida
dos cidadãos paulistanos.
Decreto nº 50.142, de 23 de outubro de
2008
Cria, na Secretaria Municipal da Saúde,
a Assessoria de Acompanhamento e Integração do Setor de Saúde
Suplementar.
GILBERTO KASSAB, Prefeito do Município
de São Paulo, no uso das atribuições que lhe são
conferidas por lei,
D E C R E T A:
Art. 1º. Fica criada, na Secretaria Municipal
da Saúde, a Assessoria de Acompanhamento e Integração
do Setor de Saúde Suplementar, com o objetivo de:
I - apoiar os usuários de planos privados
de assistência à saúde no controle e melhoria da qualidade
do atendimento contratado;
II - apoiar a Agência Nacional de Saúde
Suplementar - ANS no processo de monitoramento e fiscalização
do setor;
III - integrar os recursos estratégicos
e as ações de saúde do Sistema Único de Saúde
- SUS e do setor de saúde suplementar no processo de melhoria da
qualidade de vida dos cidadãos paulistanos.
Art. 2º. A Assessoria de Acompanhamento
e Integração do Setor de Saúde Suplementar tem as
seguintes atribuições:
I - acompanhar e apoiar os processos de monitoramento
e fiscalização desenvolvidos pela Agência Nacional
de Saúde Suplementar - ANS no âmbito do Município de
São Paulo;
II - orientar as ações relativas
à integração entre o Sistema Único de Saúde
- SUS e a saúde suplementar;
III - participar da formulação,
acompanhamento e avaliação das políticas municipais
de saúde, qualificando os dados setoriais para as atividades do
Sistema Único de Saúde - SUS e da saúde suplementar;
IV - propor mecanismos de integração
das ações de saúde para cumprimento das metas pactuadas
pelo Município no âmbito do Sistema Único de Saúde
- SUS;
V - promover a articulação com
a Agência Nacional de Saúde Suplementar - ANS, visando a qualificação
dos dados setoriais relativos ao Município, assim como sugerir e
acompanhar trabalhos de monitoramento de desempenho realizados por operadoras
de planos e seguro de saúde que atuam no Município;
VI - criar banco de dados centralizado, contendo
informações sobre o Sistema Único de Saúde
-
SUS e a saúde suplementar no Município,
mantendo-o atualizado;
VII - apresentar, anualmente, relatório
da gestão das ações desenvolvidas no âmbito
municipal, relacionadas à integração e ao acompanhamento
do Sistema Único de Saúde - SUS e da saúde suplementar,
divulgando seus resultados por todos os meios disponíveis;
VIII - promover a realização de
estudos sobre temas relativos ao Sistema Único de Saúde -
SUS e à saúde suplementar;
IX - sistematizar os dados disponíveis
para a construção de indicadores sobre a situação
de saúde
da população usuária da
rede pública e a população beneficiária de
planos privados de saúde no Município, por meio dos bancos
de dados de base nacional relativos ao Sistema Único de Saúde
- SUS, comparativamente com os sistemas de informação da
Agência Nacional de Saúde Suplementar - ANS;
X - fornecer subsídios para o planejamento
de ação integrada sobre a oferta e a demanda adequada de
serviços no âmbito do Município e as reais necessidades
dos usuários do Sistema Único de Saúde - SUS
e dos beneficiários de planos privados de saúde.
Art. 3º. Este decreto entrará em
vigor na data de sua publicação. (APM)
10.11 - Estudo: Saúde Brasil 2007
Doenças provocadas por fatores como sedentarismo,
fumo, consumo excessivo de álcool e alimentação inadequada
são a principal causa de morte no país. É o que confirmam
os dados do "Saúde Brasil 2007", levantamento divulgado pelo Ministério
da Saúde na quinta-feira, em Brasília, durante a 8ª
Expoepi - Mostra Nacional de Experiências Bem Sucedidas em Epidemiologia,
Prevenção e Controle de Doenças.
60% dos mortos no país são homens
O trabalho, uma análise dos registros
do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) de 2005, mostra
que o grupo das doenças do aparelho circulatório - infartos,
derrames, diabetes e hipertensão, entre outras - representa 32,2%
do total de mortes no país. O câncer aparece em segundo lugar
na lista (16,7%), seguido de causas externas, como violência e acidentes
de trânsito (14,5%) e doenças do aparelho respiratório
(11,1%).
Entre as doenças do aparelho circulatório,
o AVC (Acidente Vascular Cerebral), também chamado de derrame, é
o principal vilão: representa 10% de todas as mortes registradas
naquele ano. Em segundo lugar está a chamada doença isquêmica
do coração, principalmente o infarto do miocárdio,
que foi a causa de 9,4% do total de registros.
O Ministério da Saúde ressalta
que esse perfil acompanha uma tendência mundial - à medida
em que o país se desenvolve, doenças infecciosas e parasitárias
deixam de ser a principal ameaça. Em 1930, doenças como malária,
tuberculose e diarréia eram a causa de 46% das mortes no país,
sendo que hoje representam apenas 5%. Por outro lado, as doenças
cardiovasculares, que hoje lideram o ranking, provocavam apenas 12% dos
óbitos naquela época.
"Problemas como AVC e infarto têm componentes
genéticos, mas fatores como o estresse, a falta de atividade física
e a alimentação inadequada são determinantes para
a obstrução das artérias que irrigam o cérebro
e o coração", explica o clínico geral Jayme Campos
Viana, do Hospital Prof. Edmundo Vasconcelos, em São Paulo.
Assim como as doenças do aparelho circulatório,
o estilo de vida também é determinante para o desenvolvimento
do câncer, segunda causa de mortes no Brasil. De acordo com o Ministério
da Saúde, cerca de 85% dos tumores são provocados por fatores
ambientais, como alimentação incorreta, exposição
intensa ao sol e consumo excessivo de álcool e tabaco. (Tatiana
Pronin - Uol)
10.11 - Estudo aponta o perfil da mortalidade
do brasileiro
Tendência é a de expansão
das mortes por doenças crônicas e causas externas. Doenças
do aparelho circulatório são as que mais matam e as causas
violentas já ocupam segundo lugar em três regiões do
país
As doenças da modernidade são as
que mais matam no Brasil. Dados do Ministério da Saúde confirmam
que o perfil da mortalidade no país mudou ao longo dos anos, acompanhando
a tendência mundial de mais mortes por doenças crônicas
e violentas. Por grupo de causa, as doenças do aparelho circulatório
- associadas à má alimentação, consumo excessivo
de álcool, tabagismo e falta de atividade física – lideram
o ranking e são as que mais matam homens e mulheres no Brasil. Ao
todo, 283.927 pessoas perderam a vida por problemas do aparelho circulatório
- 32,2% das mortes em 2005. É o que mostra os dados do capítulo
Mortalidade no Brasil e regiões da publicação Saúde
Brasil 2007, do Ministério da Saúde, que traz o perfil detalhado
da mortalidade dos brasileiros.
Nas regiões, as doenças do aparelho
circulatório também são as que mais matam, com percentuais
de 33% no Sudeste, 32,9% no Sul, 31,9 no Nordeste, 31% no Centro-Oeste
e 24,9% no Norte (veja tabela).
Para o Ministério da Saúde, esse
perfil de mortalidade mostra mudanças que refletem a urbanização
rápida e desenvolvimento do país – no passado, o que mais
matava no país eram as doenças infecciosas e parasitárias,
tais como as diarréias, tuberculose, malária, entre outras.
Como as doenças crônicas estão
ligadas à inatividade física, ao consumo de álcool,
tabaco e alimentação inadequada, os dados reforçam
que o brasileiro deve investir na mudança de hábitos e buscar,
por exemplo, parar de fumar, consumir alimentos saudáveis como frutas,
legumes e verduras, praticar atividade física regularmente e diagnosticar
e controlar a hipetensão arterial e a diabetes.
“Comer alimentos com excesso de gorduras, de
açúcares e de sal, além de fumar e consumir abusivamente
bebidas alcoólicas, potencializam o risco de uma pessoa ter um quadro
de doença circulatória, como o AVC, conhecida como derrame”,
afirma o diretor do Departamento de Análises de Situação
de Saúde (DASIS) do Ministério da Saúde, Otaliba Libânio.
“Outro grande inimigo da saúde e aliado dessas doenças é
o sedentarismo. Por isso, é necessário investir em hábitos
saudáveis para melhorar a qualidade de vida e reduzir doenças
e óbitos”, completa.
De acordo com informações da Secretaria
de Vigilância em Saúde (SVS), em 1930, as doenças infecciosas
respondiam por cerca de 46% das mortes em capitais brasileiras. A partir
de então, verificou-se a redução progressiva, sendo
que, em 2003, essas doenças responderam apenas por cerca de 5%.
Por outro lado, as doenças cardiovasculares, que representavam apenas
12% na década de 30, são, atualmente, as principais causas
de morte em todas as regiões brasileiras, respondendo por quase
um terço dos óbitos.
MORTES PREMATURAS – Mesmo com os avanços
estruturais e econômicos obtidos nas últimas décadas,
dados do Ministério da Saúde mostram que uma parcela expressiva
da população perde a vida prematuramente no país.
De acordo as informações, 413.345 pessoas faleceram antes
de alcançar a terceira idade, considerada a partir dos 60 anos.
Isso representou 41,2% do total de 1.003.350 óbitos registrados
no Brasil em 2005. Entre as pessoas com 60 anos ou mais, os óbitos
totalizaram 590.015, o que correspondeu a 58,8% do total de falecimentos
registrados no país.
PRINCIPAIS CAUSAS – As causas de mortes podem
ser agrupadas em grandes grupos (circulatórias, respiratórias,
neoplasias, causas externas) ou categorizadas por causas específicas
(AVC, pneumonia, atropelamento, homicídio).
Ao separar por causas específicas, dentro
do grupo das doenças do aparelho circulatório, o Acidente
Vascular Cerebral (AVC) se destaca como a que mais mata. Em 2005, 90.006
pessoas morreram por essa causa. Isso representa 31,7% das mortes decorrentes
de problemas circulatórios e 10% dos óbitos totais do país.
A segunda maior causa específica de óbito
no Brasil é a Doença Isquêmica do Coração,
principalmente o infarto agudo do miocárdio, que também pertence
ao grupo das circulatórias. Em 2005, 84.945 pessoas perderam a vida
por causa do infarto – 9,4% do total de mortes do país.
Na avaliação das 10 primeiras causas
de mortes no país, estão outras duas doenças circulatórias.
A doença hipertensiva e a insuficiência cardíaca ocupam
o 8º e 9º lugar, com 33.487 (3,7%) e 31.054 (3,4%) mortes, respectivamente.
CÂNCER - No quadro geral da mortalidade
dos brasileiros, as neoplasias malignas, grupo que reúne os vários
tipos de câncer, ocupam o segundo lugar entre as causas de mortes
no Brasil, com o registro de 147.418 mortes em 2005, o que representou
16,7% dos óbitos totais. Alguns dos fatores que levam ao câncer
são os mesmos que também expõe o indivíduo
ao risco de ter doenças do aparelho circulatório, tais como
o uso de tabaco, de bebidas alcoólicas, exposição
intensa ao sol, alimentação inadequada entre outros. Os fatores
externos respondem por 80% a 90% das neoplasias, de acordo com o Ministério
da Saúde. Os demais têm origem genética e alguns outros
determinantes.
Na avaliação por regiões,
o perfil é diferente. Os cânceres são a segunda causa
de morte no Sul e Sudeste e a terceira para as demais regiões.
VIOLÊNCIAS E RESPIRATÓRIAS - Com
número expressivo de óbitos, as causas externas respondem
pela terceira posição no ranking da mortalidade no Brasil.
Os dados regionais mostram um cenário preocupante: as causas externas
são a segunda maior causa de óbitos em três das cinco
regiões do país – Norte, Centro-Oeste e Nordeste. No Sudeste
e no Sul, as causas externas ocupam o terceiro lugar.
Embora estudos do Ministério da Saúde
já tenham apontado redução na tendência de mortes
por homicídios, principal causa específica do grupo das externas,
essa mortalidade se mantém em patamar elevado, principalmente nos
homens jovens, de baixa escolaridade e negros.
Entre as causas específicas desse grupo
(causas externas), os homicídios correspondem a primeira causa no
grupo e à terceira causa no total de óbitos do país.
Outra causa importante nesse grupo é o acidente de transporte terrestre,
constituindo a sétima causa específica no total de óbito
do país.
As causas de mortes por doenças do aparelho
respiratórias ocupam o quarto lugar. Em 2005, foram 97.397 óbitos,
o que corresponde a 11,1% do total. Essa tendência é a mesma
para todas as regiões. Em ordem decrescente, os percentuais de regionais
foram de 11,7% no Sudeste e Sul, 10,9% no Norte, 10,4% no Centro-Oeste
e 9,4% no Nordeste.
SIM - A base de informações utilizada
na publicação foi a do Sistema de Informações
de Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, que capta os
óbitos ocorridos no país, dentro ou fora de ambiente hospitalar,
com ou sem assistência médica. Os dados analisados são
os de 2005. Como a tendência de morte não muda tanto em um
curto período de tempo, para o Ministério da Saúde
as informações refletem a atual situação da
mortalidade no país.
De acordo com a publicação, em
2005 o SIM captou 1.006.827 óbitos em todo o país, o que
representou coeficiente de 5,5 mortes por mil habitantes. A base populacional
utilizada foi a estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) para o ano de 2005 – 184.184.074 habitantes, dos quais 50,8% do
sexo feminino.
Os dados do Ministério da Saúde
trazem análises por grupo de causas, como as do aparelho circulatório,
neoplasias e causas externas, por exemplo; por causas específicas,
como as provocadas por AVC, câncer, trânsito, arma de fogo,
entre outras; além das informações por região,
sexo, faixa etária e raça/cor. (CFM)
07.11 - Gestão da saúde precisa
sair da UTI
As redes de saúde, como hospitais, clínicas,
planos, entre outros tipos de empresas, têm de elevar os níveis
de gestão para manterem-se competitivas no mercado. Assim como outros
setores da economia se modernizaram e investiram em profissionalização,
como indústrias, bancos e financeiras, a área de saúde
tem de atentar a questões como evitar prejuízos e reduzir
custos. Embora pareça redundância tratar estes pontos, é
urgente ao setor encarar o desafio de melhorar o desempenho corporativo.
Assim, a troca do paradigma de governança deve estar na pauta dos
gestores das redes de saúde.
Ao acompanhar os executivos do setor saúde,
nota-se que não há controle adequado, sobretudo em empresas
privadas. Exemplos são encontrados em todos os processos, até
na gestão dos insumos e medicamentos. A maioria das redes não
consegue saber se há retorno de medicamentos que saem do estoque
e que, por algum motivo, não são utilizados. É fácil
encontrar empresas que não sabem se o próprio almoxarifado
é "blindado" contra fraudes. Na tentativa de controlar estas operações,
geralmente os gestores investem na compra de ferramentas como softwares,
hardwares e links e na contratação de profissionais de customização
de programas, formando uma rede com quatro ou cinco fornecedores para atender
uma necessidade, enquanto o mercado dispõe de opções
na qual apenas um fornecedor assume toda a operação.
BPO. Para evitar perdas e gerar ganhos em escala,
desempenho e qualidade, as redes atentas à evolução
da gestão optam por contratar operadoras de BPO (Business Process
Outsourcing), ou terceirização dos processos de negócio.
Por meio delas, as redes encontram parceiros que assumem operações
que não fazem parte dos seus core business, envolvendo análise
e redesenho dos processos. Isso com modernização da gestão
das informações por meio de guarda, organização,
BackOffice, digitalização e gestão de documentos e
prontuários, auditoria dos processos, processamento de contas, gestão
da cadeia logística para gestão materiais, insumos e medicamentos
em plataformas integradas de serviços, infra-estrutura e softwares.
Ao mercado, está claro que as empresas
que vão girar a chave da eficiência nos próximos anos
serão aquelas que passam a operar e comprar na forma de BPO. Aqui,
há a vantagem da opção de contrato por SLA (acordo
de nível de serviço), no qual se paga pelo que consome e
se condiciona a remuneração do fornecedor de BPO à
sua eficiência. Assim, os custos fixos se transformam em benefícios
variáveis, com redução de custo e gestão inteligente
de compras. Ao terceirizar alguns serviços, os hospitais podem até
liberar espaços para novos leitos e gerar faturamento ao invés
de custos.
Sobre os custos das empresas de saúde,
vale lembrar que, além de altos, alguns deles são ocultos,
ou não percebidos, como impressões, gestão informacional
e da estrutura de armazenamento, onde são alocados recursos humanos
e financeiros. Os gestores, tradicionalmente profissionais especializados
nas áreas-fim do mercado de saúde, não enxergam estes
custos devido a uma tendência de o foco de suas gestões se
manterem sobre os detalhes das operações do core business,
sem passar pelo BackOffice. E é por meio da gestão inteligente
dos processos que estas empresas poderão se tornar mais eficientes
e, com isso, mais competitivas nos seus mercados. (Gilson Cavalcanti
- Jornal do Commercio do Brasil)
07.11 - Tecnologia de ponta chega ao SUS
Tecnologia de ponta antes restrita a pacientes
de hospitais particulares, o sistema de gerenciamento de imagens digitalizadas
de exames está agora disponível no Sistema Único de
Saúde.
Chamado de PACS – Picture Archiving and Communication
System, o sistema, que traz agilidade e qualidade aos exames de diagnóstico,
foi implantado pelo Instituto Nacional de Câncer - INCA. A implementação
foi possível graças a investimentos totais de R$ 13 milhões,
nos últimos quatro anos, na área de radiologia do INCA.
O PACS permite o gerenciamento de imagens em
redes de intranet e internet. Essas imagens podem provir de equipamentos
de ultra-sonografia, ressonância magnética, tomografia computadorizada,
endoscopia, mamografia e radiografia.
Alguns já geram imagens digitalizadas
automaticamente e os demais, como um raios-X comum, têm suas imagens
digitalizadas após a realização do exame na forma
analógica, dispensando totalmente os antigos filmes radiográficos.
A implantação do PACS traz benefícios,
como maior precisão no diagnóstico. Por serem digitalizadas,
é possível trabalhar as imagens dos exames com ferramentas,
como zoom, alteração de brilho e contraste, realizar medições
digitais e até mesmo reconstruções tridimensionais
de ossos e tecidos.
Os laudos são inseridos em sistemas informatizados,
o que assegura a confiabilidade das informações e garante
o armazenamento dos dados por um longo período sem perda da qualidade.
O sistema também agiliza o atendimento
dos pacientes, já que dispensa a fase de revelação
dos exames.
Uma vez terminado o procedimento, a imagem gerada
pelos mais diversos equipamentos está automaticamente à disposição
dos profissionais de saúde em qualquer computador do Instituto.
Como o PACS está disponível por
meio da internet, a imagem do exame pode ser acessada em um computador
de fora da instituição que possua o sistema.
Tal benefício permite interação
mais efetiva entre instituições de saúde. Um exame
realizado no Pará em um hospital que possui o sistema pode ser visualizado
por um médico do INCA, no Rio de Janeiro, que pode dar uma segunda
opinião e interagir com outros profissionais.
Tal recurso se apresenta como importante agente
para ajudar a resolver a questão do déficit de profissionais
em algumas regiões brasileiras na área de diagnóstico.
O PACS também se apresenta como uma solução
ambientalmente correta. Por dispensar a revelação dos exames,
o sistema tem grande impacto na economia de filmes, de água utilizada
para resfriamento das processadoras e de resíduos, principalmente
prata, usados na revelação.
É estimada a economia de 8 milhões
de litros de água e 52 kg de prata por ano. Com a dispensa do filme,
o PACS também gera rápido retorno do investimento.
Haverá uma economia anual de R$ 1,1 milhão
com a redução de custos operacionais, de manutenção
e compra dos filmes. Em dois ano e meio todo o investimento do INCA na
aquisição do sistema será recuperado.
As informações são do INCA
(iMirante)
07.11 - Descoberto novo vírus hemorrágico letal
Um novo vírus que causa uma febre hemorrágica letal foi
descoberto no sul da África. Ele matou quatro pessoas na África
do Sul e deixou mais uma doente. Porém, autoridades de saúde
sul-africanas dizem que o surto está controlado, segundo o jornal
"New York Times". Vírus hemorrágicos - dos quais o Ebola
é o mais conhecido - são temidos devido à elevada
taxa de mortalidade.
Se não forem identificados depressa, costumam ser letais.
O vírus identificado agora é da família dos arenavírus,
conhecidos causadores de febres hemorrágicas, principalmente na
África e na América do Sul. Exemplos são as febres
de Lassa, do oeste da África; Machupo e Guanarito, ambas sulamericanas.
Muitos desses microorganismos permanecem misteriosos anos após
terem sido descobertos.
No Brasil, o arenavírus Sabiá matou uma mulher em São
Paulo em 1990 e desapareceu sem que sua origem na natureza tenha sido identificada.
A descoberta de vírus que infectam animais não é
um evento incomum.
Um exemplo é um vírus de febre aftosa identificado no
mês passado em cabras da Suíça. Porém, é
relativamente raro descobrir microorganismos que causam doenças
fatais em seres humanos, como o coronavírus que provocou a síndrome
respiratória que se espalhou pela Ásia em 2002. Estudos recentes,
no entanto, indicam que o número de doenças infecciosas tem
crescido nas últimas décadas, possivelmente em função
da globalização (que facilita viagens) e do aumento da população.
Ninguém sabe ainda como a primeira vítima do novo vírus
foi infectada.
Porém, os arenavírus são comuns em roedores. A
urina seca desses animais se mistura à poeira e pode transmitir
o vírus, se inalada.
A descoberta foi confirmada pelo Instituto Nacional de Doenças
Transmissíveis da África do Sul e pelos Centros de Controle
e Prevenção de Doenças dos EUA.
A primeira vítima chamava-se Cecilia van Deventer, uma vendedora
de viagens em Lusaka, na Zâmbia. Ela adoeceu em 2 de setembro e foi
levada de avião para Johannesburgo, na África do Sul.
Aparentemente, Cecília transmitiu a doença para Hannes
Els, o paramédico que a acompanhou na viagem, e Gladys Mthembu,
a enfermeira que a atendeu na Clínica Morningside, em Johannesburgo.
A quarta pessoa a morrer foi Maria Mokubung, a faxineira que limpou
o quarto onde Cecília faleceu, em 14 de setembro. Segundo jornais
sul-africanos, a morte de Maria inicialmente teve erro de diagnóstico,
porque ela tinha tuberculose e meningite, e já estava muito fraca
e confusa quando sua família resolveu buscar socorro. A quinta pessoa
a adoecer sobreviveu. Ela é a enfermeira que cuidou de Hannes Els.
A mulher ainda está muito mal, mas tem respondido ao tratamento
com a droga ribavirina.
A doença começa com sintomas semelhantes aos da gripe,
como febre e diarréia. Em seguida aparecem manchas como as do sarampo.
A próxima fase é a hemorragia que leva a colapso respiratório
e circulatório.
Autoridades de saúde da África do Sul disseram que não
houve casos novos, mas elas ainda vão esperar até o fim do
mês para considerar o surto definitivamente debelado.
Será difícil localizar a origem do vírus. O corpo
de Cecília foi cremado e Zâmbia não guardou amostras
de seu sangue. Amostras de tecidos das outras vítimas só
podem ser retiradas em laboratório de segurança máxima
e o único na região está fechado. (Agência O
Globo)
07.11 - Os números da epidemia de dengue
A Organização Mundial de Saúde (OMS) diz que a
dengue é responsável por cerca de 500 mil hospitalizações
anualmente em todo mundo.
A epidemia que atingiu o Rio em 2007/2008 deixou 243.041 pessoas doentes
no estado e 128.746 na capital.
A dengue - cujo combate foi tratado como prioridade na campanha pela
Prefeitura do Rio - provocou a morte de 98 pessoas somente no município
do Rio nesse período.
Em todo o estado, o número de óbitos pode ter sido maior
do que 300, já que existem diversos casos que ainda estão
sob investigação das autoridades. Segundo especialistas,
a maior gravidade dos casos pode se explicar pela exposição
da população, a partir de 2002, à infecção
pelo vírus tipo 3, e agora, na epidemia de 2007/2008, ao retorno
do tipo 2 , caracterizando, assim, uma infecção de maior
risco. (AgênciaO Globo)
06.11 - Brasileiro gasta, em média, R$
96,45 mensais com saúde
De acordo com o estudo realizado pela FGV (Fundação
Getúlio Vargas) em cima dos dados da última POF (Pesquisa
de Orçamentos Familiares), de 2003, o gasto médio do brasileiro
com saúde é de R$ 96,45 por mês. Esse montante corresponde
a 15,82% da renda do trabalho.
Divulgado nesta terça-feira (4), o estudo
ainda revela que a proporção de indivíduos que possuem
despesas com remédios e serviços de saúde é
de 24,08%.
O intuito do estudo é constituir indicadores
descritivos agregados que meçam a extensão e natureza que
o impacto dos choques de saúde tem sobre a situação
financeira do domicílio de grupos sócio- econômicos
diferentes.
Destaques
As regiões metropolitanas (capitais) são
os lugares onde a população mais gasta com saúde,
cerca de R$ 121,41. Esse valor representa 25,8% a mais que a média
nacional.
Já na área urbana (não capital)
os valores das despesas são de R$ 89,89, enquanto na área
rural, a população desembolsa menos da metade do que se gasta
nas capitais: R$ 56,77.
Entretanto, a quantia dispensada pela população
rural pesa mais na renda do trabalho, já que significa 23,96% do
total ganho. Nas capitais e demais áreas urbanas, a proporção
é de 12,51% e 15,42% da renda, respectivamente.
Além disso, a quantidade de indivíduos
que possuem despesas com remédios e serviços de saúde
são de 30,02% nas capitais; 24,68% na área urbana (não
capital) e de 12,4% na área rural.
As capitais
Enquanto o Rio de Janeiro é a terceira
capital que mais gasta com saúde (R$ 161,31 por pessoa por mês),
São Paulo figura com no décimo lugar, com um desembolso médio
de R$ 116,5 por pessoa. O Distrito Federal é o que possui a maior
despesa, de R$ 342,32.
Se for levar em conta o quanto essas quantias
representam na renda de trabalho, o Rio fica como a nona capital com o
maior percentual (13,81%), já São Paulo e Brasília
vão para o fim da lista com a 20ª (10,59%) e a 24ª (9,86%)
posição, respectivamente.
Além disso, a quantidade de indivíduos
que gastam com remédios e serviços da saúde na capital
carioca é de 33,49%, e na paulista de 32,6%. (InfoMoney)
06.11 - Família hospitalar
A evolução da medicina, através
da ampliação do conhecimento e do avanço tecnológico,
permitiu que fossem captadas imagens do interior do corpo humano com facilidade
e nitidez nunca dantes imaginadas. Assim, uma ressonância magnética
cerebral, aliada a um eletroencefalograma e, quem sabe, um exame de liquor,
podem dar muito mais acuidade e segurança a um diagnóstico
do que a coleta da história clínica e testes neurológicos
realizados pelo médico em seu consultório.
Teremos a cada dia computadores mais sofisticados
e eficazes, capazes não somente de diagnósticos rápidos
e precisos, como também ágeis na terapêutica de calcular
doses medicamentosas de acordo com sua farmacocinética e adequando-as
baseado nos efeitos monitorados quem sabe por outros micro computadores
ou até mesmo à distância.
Onde os pacientes realizarão estes
exames e tratamentos? Hospitais e clinicas.
A resposta não é tão
simples e óbvia assim. Todo este avanço tecnológico
e científico pode se tornar inócuo, pois estes novos aparelhos
serão cada vez mais impessoais. Frios, surdos e mudos, assustando,
deixando inseguros e até mesmo espantando pacientes.
A dificuldade de um paciente em chegar perto
de um hospital para diagnóstico e tratamento está relacionada
à situações novas e desconhecidas. Durante a internação,
os medos variam desde o afastamento compulsório do convívio
familiar, social e profissional até fantasias a respeito de
dor, amputações, diagnósticos errôneos e até
mesmo a morte.
É neste momento, na portaria do hospital,
que o paciente vai depender de um elo de ligação entre as
novas rotinas e o mundo do qual foi afastado. A quem caberá o papel
humanizador? Quem será o elo de ligação? Quem fará
a diferença neste processo?
Nas últimas décadas, empresas atentas
a estas dificuldades, vem tentando assumir esta lacuna e se mostrar ao
público como companheiras sociais, ou seja, parceiras, amigas
e até mesmo como se fizessem parte de uma grande família.
Slogans como “Estamos ao seu lado”, “ O amigo de todas as horas”, “Sinta-se
em casa”, “Conte com quem gosta de você”, “Mais do que um hospital,
uma família”, “Podemos lhe ajudar” buscam criar relacionamentos
de lealdade. Se clientes e empresa se considerarem uma família,
ambos obtém vantagens.
O paciente impressiona-se com a campanha publicitária,
acredita que fará parte de uma família, consegue superar
seus medos e chega até o hospital. Fila para ser atendido, ansiedade
até que o plano de saúde libere o exame ou internação,
longas esperas, falta de informações, assinaturas em diversas
vias, cheques como garantia de pagamento. Onde foi parar a família
hospitalar?
É claro que relacionamentos sociais
tem altos e baixos, mas quando uma empresa assume este compromisso, não
pode esquecer que não é possível tratar clientes como
membros de uma família em um momento e depois trata-los de maneira
impessoal. Não é assim que funcionam os relacionamentos sociais.
Não importa quanto a empresa tenha investido em marketing, publicidade,
slogans e símbolos de amizade, o laço familiar será
rompido, e talvez para sempre.
Médicos e demais colaboradores do hospital
também foram convidados a participar desta família ou estão
excluídos? São exatamente estas pessoas que podem
transformar paredes, papéis, computadores em locais agradáveis
de se viver, mas precisam se sentir em casa. A diversidade de sentimentos,
emoções e atributos dos membros que realmente se sentirem
parte desta grande família é que pode contrabalançar
e ser o fiel da balança entre empresas que vivem competindo e adquirindo
cada vez mais aparelhos com tecnologias avançadas porém semelhantes,
impessoais e assustadoras. É com pessoas que começa a se
formar a família hospitalar. (Ildo Meyer - Saúde
Business Web)
06.11 - Nanotecnologia é a nova esperança
da cura do câncer
O governo dos Estados Unidos instalou oito centros
de estudo para pesquisar o uso de nanotecnologia na cura do câncer.
A idéia partiu do técnico em radiação,
John Kanzius, que decidiu injetar sulfato de cobre no corpo humano e logo
irradiar o paciente com ondas de rádio. Essas ondas fazem com que
o sulfato de cobre vibre liberando calor que destrói as células
cancerígenas.
As nanopartículas poderiam ser utilizadas
para transmitir uma substância radioativa para eliminar as células
cancerígenas. Em todas as instâncias, as partículas
são feitas de acordo com as necessidades, e 'enganam' as células
cancerígenas que as deixam ingressar. Uma vez que a substância
esteja dentro do organismo, as partículas fazem seu trabalho.
Steven Curley, cirurgião especialista
em câncer no fígado do Centro Anderson no Texas, disse estar
impressionado com a idéia. "Devo dizer que em 20 anos de pesquisa
isto é o mais interessante que encontrei", avaliou.
A diretora do Instituto Nacional do Câncer,
Anna Baker, informou que tem interesse em usar nanopartículas para
curar o câncer. "Acho que estou mais entusiasmada com isto do que
qualquer coisa que tenha visto".
Em um dos centros, Bob Langer está desenvolvendo
um sistema de transmissão de nanopartículas. Dentro dessas
partículas há drogas que eliminam as células cancerígenas
e por fora a capa está envolvida em proteínas, que são
capazes de enviá-las a células cancerígenas da próstata.
O segredo é na capa que 'engana' a célula
cancerígena e a faz deixar que ingressem as drogas. "Uma vez produzida
a capa apropriada, felizmente irá aonde queremos que vá",
comenta Langer que trabalha no Centro de Nano Tecnologia do MIT de Harvard.
Outros pesquisadores estão estudando o
uso de radioatividade ao invés de drogas. A vantagem de todos esses
sistemas é que o tecido normal não é afetado. Estes
tratamentos são muito focados e específicos. "Aplica-se altas
doses de droga especificamente no lugar onde for necessário, e muito
pouco ao resto do corpo, assim não se danificam áreas saudáveis",
destaca Langer.
O câncer causou 7,6 milhões de mortes
durante o ano de 2007, que representou 13% de todos os falecimentos. Nos
últimos 10 anos, o Governo dos Estados Unidos destinou US$ 4 bilhões
anuais à pesquisa do problema. Para o Governo, a nanotecnologia
se converteu em uma prioridade, por isso foram investidos mais de US$ 144
milhões para fundar esses oito centros de pesquisa. (InvestNews)
05.11 - Assistência domiciliar - Hospital
asilo é solução inglesa
A assistência hospitalar é obvio
que é diferente da domiciliar, apesar de estarem incluídas
dentro de uma cadeia de serviços da saúde.
Os hospitais têm estruturas de gerenciamento
e de prática médica bem definidas e tratam o episódio
agudo liberando rapidamente o paciente para continuar seu tratamento no
lar, deixando o leito livre, para uma nova internação, com
novos procedimentos mais rentáveis, para o hospital.
As empresas de homecare teoricamente deveriam
fazer o gerenciamento dos pacientes crônicos, que precisam de procedimentos
de enfermagem, específicos quando o paciente esta sendo desospitalizado,
mas somente isso.
Na absoluta maioria dos casos as empresas de
homecare não estão aptas a gerenciar os pacientes crônicos,
porque isso é função da família. A prática
homecare na maioria da população de classe C e D que usa
os planos de saúde é quase impossível, devido a precariedade
das condições higiênicas e de acomodações.
Para o hospital, como instituição,
a saída do paciente crônico traz impacto comercial positivo.
O Sistema Médico Inglês que teoricamente é o modelo
melhor preparado para atender o cidadão, o governo e a família,
instituiu o pagamento de uma taxa além da previdência para
garantir a possibilidade do idoso (tudo isso acontece porque a população
de idosos está crescendo) não terá mais família
nem recursos para cuidá-lo . A solução é um
hospital de retaguarda, espécie de asilo-hospital para cuidá-lo.
(Jose Knoplich - Saúde Business Web)
05.11 - Evolução da medicina promove
a desospitalização
Day-Clinics prestam assistência médica
fora de hospitais, com redução de custo e ganho de qualidade
de vida
A dona de casa Vicentina Aparecida Soares, 60,
recuperava-se de uma cirurgia cardíaca quando se sentiu mal e teve
que voltar para o hospital. A recaída nada tinha a ver com o coração.
O diagnóstico foi outro: infecção bacteriana grave,
com prescrição e administração de antibióticos.
Vicentina até começou o tratamento no hospital, mas por conta
do quadro estável de saúde foi orientada por seu médico
a trocar a estrutura hospitalar tradicional pelo Day Clinic ou Hospital-Dia,
modalidade que dispensa a internação graças à
evolução da medicina.
História parecida é contada pela
funcionária pública Maria da Silva Cipriano, 36 anos. Uma
infecção de garganta, que não reagia aos medicamentos
orais, e sintomas como cansaço e desgaste físico resultavam
de uma endocardite - infecção no coração causada
por bactérias. Mais uma vez o Hospital-Dia substituiu o hospital
convencional.
Ambos os casos refletem a tendência de
desospitalização, indicada para um grupo específico
de pacientes, que vão ao serviço de saúde para realizar
procedimentos de baixa complexidade ou para receber medicamentos intravenosos
e, em seguida, podem retornar para casa ou para o trabalho, mantendo assim
uma rotina normal. "São inúmeros os benefícios do
Day Clinic. Em primeiro