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05.09 - PIB cresce apenas 0,8% no 2º trimestre
O PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 0,8% no segundo trimestre de 2011. O destaque foi para serviços (0,8%), seguidos da indústria (0,2%). Agropecuária teve variação negativa(-0,1%).
Os dados foram divulgados sexta-feira pelo Intituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Na comparação com o segundo trimestre de 2010, o PIB cresceu 3,1% e, dentre as atividades econômicas, destacou-se o aumento dos serviços (3,4%), seguidos pela indústria (1,7%). Agropecuária registrou variação nula (0%).
No acumulado nos quatro trimestres terminados no segundo trimestre de 2011 (12 meses), o crescimento foi de 4,7% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores.
Na comparação com o 1º trimestre de 2011, o crescimento de serviços foi de 0,8%. As maiores elevações no setor foram em serviços de informação (1,9%), intermediação financeira e seguros (1,6%) e comércio (1,1%). O índice de volume dos outros serviços cresceu 1,0%, seguido por administração, saúde e educação públicas (0,6%), transporte, armazenagem e correio (0,1%) e atividades imobiliárias e aluguel (0,1%).
Na Indústria (0,2%), a expansão de 2,2% apresentada pela indústria extrativa foi contrabalançada pelo comportamento da indústria de transformação, que registrou variação nula neste trimestre.
Em relação aos componentes da demanda interna, a formação bruta de capital fixo (FBCF ou investimento planejado) registrou expansão de 1,7% no segundo trimestre de 2011. Após apresentar crescimento de 0,7% no primeiro trimestre, a despesa de consumo das famílias voltou a acelerar e cresceu 1,0%. Já a despesa de consumo da administração pública teve aumento de 1,2% em relação ao trimestre anterior.
Pelo lado do setor externo, tanto as Exportações de Bens e Serviços como as Importações de Bens e Serviços apresentaram expansão, de 2,3% e 6,1%, respectivamente, após registrarem queda no trimestre anterior.
A despesa de consumo das famílias cresceu 5,5%, a trigésima primeira variação positiva consecutiva. Dentre os fatores que contribuíram para esse resultado, estão os aumentos da massa salarial real e do saldo de operações de crédito do sistema financeiro com recursos livres para as pessoas físicas. A despesa de consumo da administração pública, por sua vez, cresceu 2,5% em relação ao primeiro trimestre de 2010.
Pelo lado da demanda externa, tanto as exportações (6,0%)
quanto as importações de bens e serviços (14,6%) apresentaram crescimento.
Investimentos
A taxa de investimento no segundo trimestre de 2011 foi de 17,8% do PIB, inferior à taxa referente a igual período do ano anterior (18,2%). A taxa de poupança alcançou 18,1% no segundo trimestre de 2011, ante 17,8% no mesmo trimestre de 2010.
No resultado do segundo trimestre de 2011, a necessidade de financiamento alcançou R$ 20,5 bilhões contra R$ 24,6 bilhões no mesmo período do ano anterior. A Renda Nacional Bruta atingiu R$ 1.004,2 bilhões contra R$ 886,9 bilhões em igual período do ano anterior; e, nessa mesma comparação, a Poupança Bruta atingiu R$ 185,4 bilhões, contra R$ 161,6 bilhões em 2010.  (Executivos Financeiros)

05.09 - Economia desacelera, mas consumo continua em alta
PIB cresceu 0,8% no segundo trimestre, depois de subir 1,2% de janeiro a março
IBGE vê tendência de esfriamento em todos os setores e BC diz que ritmo condiz com meta para inflação em 2012
A economia brasileira cresceu menos no segundo trimestre, com a perda de ritmo concentrada na indústria -afetada pela valorização do real e pelos juros mais altos.
Foco de preocupação do governo por conta da inflação, o consumo, entretanto, ganhou força, lastreado pelo avanço do emprego e do rendimento, e impulsionou o setor de serviços no país.
Tal retrato surge dos números do PIB (Produto Interno Bruto, soma da produção de bens e serviços) de abril a junho, divulgados sexta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas).
No período, a economia do país cresceu 0,8% na comparação com o primeiro trimestre, quando a alta foi de 1,2%.
A foto é antiga, e reflete realidade já esperada. Mas alimenta preocupações com cenário que una inflação e crescimento baixo: o ritmo entre produção e consumo segue em descompasso.
Prejudicada pela alta das importações e em desvantagem para competir no exterior com o real valorizado, a indústria cresceu apenas 0,2% ante o 1º trimestre.
De abril a junho, as famílias, que tinham pisado no freio no início do ano, em parte em função de medidas mais restritivas ao crédito, voltaram a gastar. E impulsionaram ramos como comércio e serviços de informação (telefonia e informática).
"O mercado de trabalho continuou firme e o crédito não secou como o esperado. Isso estimulou o consumo", diz Rafael Bacciotti, analista da Tendências Consultoria.
A boa notícia, no entanto, foi o aumento dos investimentos, de 1,7%. Isso sinaliza que as empresas podem estar se preparando para a oferta maior lá na frente, via compra de equipamentos.
FÔLEGO
Apesar da expansão do investimento, Silvia Matos, economista da FGV (Fundação Getulio Vargas), diz que a alta do consumo traz risco de inflação maior. Ela acha que o BC foi "precipitado" ao reduzir o juro em 0,50 ponto.
Já Aurélio Bicalho, do Itaú-Unibanco, avalia, em relatório, que o consumo está em níveis inferiores aos de 2010. E que pode perder mais fôlego no restante do ano.
Numa perspectiva mais longa, os dados do PIB mostram de forma mais clara o esfriamento da economia. A expansão foi de 4,7% nos últimos 12 meses encerrados em junho -em 2010, a alta havia sido de 7,5%.
Após a divulgação, o presidente do BC, Alexandre Tombini, divulgou nota para dizer que o PIB mostrou ritmo "consistente com o cenário de convergência da inflação para a meta em 2012".
Para Rebecca Palis, gerente do IBGE, o PIB mostra "desaceleração generalizada".
Ela lembra que todos os subsetores, a exceção de serviços de informação, cresceram menos que em 2010.
Analistas esperam uma expansão do PIB um pouco mais moderada neste e no próximo trimestres - de 0,5% a 0,7%-, o que deve resultar em crescimento na casa dos 3,5% em 2011.
As estimativas de um crescimento menor do PIB, no entanto, já estavam dadas antes mesmo da divulgação do indicador no segundo trimestre, dentro do esperado.
O Itaú-Unibanco manteve previsão de alta de 3,6% para o ano e espera impacto maior da crise global em 2012.
Para Thaiz Marzola Zara, da Rosenberg & Associados, a decisão do BC de reduzir os juros pode, porém, melhorar a confiança e trazer novos investimentos, o que estimularia mais a economia.  (PEDRO SOARES e CIRILO JUNIOR - Folha de S.Paulo)

05.09 - Mais devagar
A percepção geral de que a atividade econômica perdeu ímpeto na passagem do primeiro para o segundo trimestre deste ano foi confirmada pelos números do PIB que o IBGE divulgou sexta-feira.
A redução do ritmo de crescimento da economia sobre o trimestre anterior -de 1,2% para 0,8%- pode ser atribuída, em parte, às medidas que o governo tomou visando a moderar o ritmo de expansão do crédito (aumentos de juros, redução dos recursos à disposição dos bancos para emprestar). Atuou nesse sentido também o fortalecimento do real, que barateia as importações e encarece as exportações da indústria.
Excluída a mineração, a produção da indústria repetiu, no segundo trimestre, o nível do primeiro. Essa estagnação foi influenciada pela desaceleração das economias mais ricas a partir de abril, o que limitou o dinamismo das exportações de manufaturas. Outro fator foi a continuidade da perda de espaço, no mercado brasileiro, dos produtos industriais fabricados por aqui.
Os números sobre o volume de exportações e importações mostram o efeito desses processos sobre o crescimento da economia.
No segundo trimestre, as importações de bens e serviços foram 6,1% maiores do que no primeiro, enquanto a alta das exportações limitou-se a 2,3%. Assim, a contribuição do comércio exterior para a variação do PIB foi negativa em 0,6% -ou seja, o crescimento do PIB teria sido bem mais expressivo, chegando a 1,4% sobre o primeiro trimestre, caso exportações e importações tivessem evoluído de maneira equilibrada.
Um elemento que atuou no sentido contrário, impulsionando o Produto Interno Bruto do segundo trimestre, foi a acumulação de estoques.
Há indicações, porém, de que também em julho e agosto os estoques da indústria aumentaram, a ponto de os empresários julgarem que eles se tornaram excessivos. Isso, somado à maior incerteza em relação às economias ricas, prenuncia um freio na produção e, portanto, um terceiro trimestre com crescimento novamente modesto (ou mesmo quase nulo).
Confirma-se, assim, que a economia perde ritmo. A inflação, porém, segue salgada. A recente decisão do Banco Central de voltar a cortar a taxa de juros básica poderá se revelar arriscada, do ponto de vista do controle da inflação, caso as promessas de moderação dos gastos públicos não se traduzam em ações efetivas.  (Folha de S.Paulo)
 
 
 
 

02.09 - Surpresa nos juros
Decisão que tirou meio ponto da taxa básica tem o mérito de mostrar capacidade de antecipação do BC e o risco de perturbar formação de preços
Não há registro, na breve história do regime brasileiro de metas para inflação, de uma decisão do Banco Central de baixar juros tão surpreendente como a tomada anteontem, quando a taxa de curto prazo da economia foi reduzida em meio ponto percentual, para 12% ao ano. Em geral as surpresas ocorriam no sentido contrário -o BC era rápido e implacável no gatilho para aumentar a taxa Selic.
Explicar essa mudança pela nova composição -talvez menos ortodoxa- da diretoria do banco, porém, seria uma atitude simplista. Tomá-la, por outro lado, como sintoma de revés na autonomia do BC diante das pressões políticas do Planalto seria precipitado.
Houve uma subversão, em escala planetária, no ambiente de exercício da política econômica desde a eclosão da crise de 2008. A dose cavalar de intervenção dos governos ricos para impedir uma depressão conquistou seu objetivo, mas produziu sequelas que se acumulam onde quer que se olhe.
Coube às economias emergentes o papel de sustentar a atividade global. Produziram e consumiram como nunca, estimuladas pela inundação de dólares oriundos do Fed, o BC americano.
Desde o ano passado, no entanto, esse esquema dava sinais de exaustão. Dispararam os preços das matérias-primas, denominados em dólares, respondendo aos empuxos da demanda e da política inflacionária do Fed. A inflação começou a subir em todo o mundo emergente, e os BCs aumentaram os juros na tentativa de refreá-la.
Até que eclodiu, em meados deste ano, um segundo episódio agudo de derrocada econômica na Europa e nos EUA. A decisão do BC brasileiro tenta reagir, em antecipação, a esse novo quadro global. Preponderou a convicção de que a crise vai abalar a atividade econômica no Brasil, já às voltas com alguma desaceleração.
A vantagem do corte inesperado de juros é mostrar que o BC também pode antecipar-se a uma queda da atividade que vislumbra e considera deletéria. As taxas brasileiras, afinal, continuam as mais altas do mundo. Não deixa de ser saudável o BC demonstrar a conhecidos arautos das finanças algum distanciamento.
Os riscos, contudo, não são desprezíveis. O principal deles é que a inflação ainda não baixou. A alta dos preços que respondem, sobretudo, ao mercado interno -pouco afetados pela crise internacional- está em 9% ao ano. A ousadia do BC brasileiro deveria continuar, portanto, apenas até o ponto em que não ameace desorganizar o dispositivo de formação de preços no país, hoje ancorado no sistema de metas de inflação.  (Folha de S.Paulo)

02.09 - Polêmica e discórdia no rastro da decisão do Copom
Aredução de meio ponto na taxa básica de juros, imprimida de uma só vez, nesta semana, pelo Comitê de Política Monetária (Copom) foi certamente uma das decisões mais polêmicas em seus 15 anos de história. De um lado, ficaram analistas que não acreditam que a inflação perdeu o fôlego e consideraram precipitado o corte da Selic para 12%; e, do outro, industriais e sindicalistas que apoiaram a decisão e até a consideraram tímida.
Em um ponto, porém, todos têm que concordar: tem fundamento a preocupação com o incerto cenário internacional, um dos principais argumentos usados pelo Copom para justificar a decisão. Segundo a extraordinariamente prolixa nota divulgada após a reunião, na noite da quarta-feira, o Copom, ao avaliar o cenário internacional, "considera que houve substancial deterioração, consubstanciada, por exemplo, em reduções generalizadas e de grande magnitude nas projeções de crescimento para os principais blocos econômicos". Ao contrário do que ocorre no Brasil, "nessas economias, parece limitado o espaço para utilização de política monetária e prevalece um cenário de restrição fiscal", segundo a nota. Diante disso, o Comitê "avalia que o cenário internacional manifesta viés desinflacionário no horizonte relevante".
O principal alerta foi dado nesta semana quando agências de notícias vazaram as revisões feitas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que serão divulgadas oficialmente na reunião anual, que será realizada entre os dias 23 e 25, em Washington.
De acordo com os números não desmentidos, o FMI agora prevê que a economia global vai crescer 4,2% neste ano, o que representa uma redução ainda que pequena frente aos 4,3% esperados em junho que, por sua vez, já era um número inferior aos 4,4% anteriormente projetados. Para o próximo ano, a previsão foi ainda mais reduzida, de um crescimento de 4,5% para 4,3%.
A principal razão do pessimismo do FMI é o desempenho das economias avançadas, uma vez que a previsão de crescimento para os mercados emergentes foi mantida em 6,6% para este ano e de 6,4% em 2012. Já nas economias avançadas, o crescimento deste ano pode ficar limitado a 1,8%, bem inferior aos 2,2% esperados em junho, que já era 0,2 ponto menor do que a projeção anterior. Para 2012 a situação não está melhor: em vez de 2,6%, a economia deve crescer apenas 2,2%.
A economia global começou o ano abalada pelo tsunami e terremoto no Japão e não conseguiu superar a onda de desconfiança e crise de liquidez na zona do euro e a letargia nos Estados Unidos.
O maior baque será exatamente nos Estados Unidos. De acordo com os novos números do FMI, a economia americana deve crescer apenas 1,6% neste ano, cerca de 1 ponto a menos do que os 2,5% esperados em junho e que os 2,8% estimados anteriormente. No próximo ano, a situação vai melhorar pouco, com crescimento de 2%, também com quase 1 ponto de queda em comparação com os 2,9% inicialmente projetados.
A situação dramática nos Estados Unidos ficou evidente no discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke, na reunião dos bancos centrais realizada em Jackson Hole, interior do Estado de Wyoming, na semana passada. Bernanke pressionou pela ajuda dos responsáveis pela política fiscal, do Executivo e do Legislativo, e não quis tomar nova medida antes da próxima reunião do Copom americano, que será realizada na semana do encontro anual do FMI. Sem muitos instrumentos à mão, o Fed já havia feito o anúncio incomum de que vai manter os juros em patamar baixo até 2013 - sem muitos resultados.
Como disse a nova presidente do FMI, Christine Lagarde, também em Jackson Hole, "os acontecimentos deste verão [no hemisfério Norte] indicaram que estamos em uma perigosa nova fase: estamos arriscados a ver a frágil recuperação descarrilar".
Se é praticamente unânime a avaliação do cenário internacional, nem todos concordam, porém, com os desdobramentos esperados pelo Copom. Para o Comitê, esse cenário internacional hostil pode afetar a economia brasileira de vários modos, como a redução do comércio internacional, a moderação dos fluxos de investimento, restrições de crédito e deterioração no sentimento dos empresários e consumidores. Em consequência, o Copom considera provável uma maior desaceleração da economia brasileira, com menor pressão inflacionária, o que, depreende-se pela nota da reunião, abriu espaço para a redução dos juros, sem prejudicar a convergência da inflação para a meta em 2012.  (Valor Online)

02.09 - Queda de juros muda todo o cenário para investimentos
A surpreendente decisão do Banco Central de reduzir os juros em 0,5 ponto percentual derrubou as projeções de quase todos os bancos para o custo do dinheiro, aumentou o receio de alta da inflação, acelerou as estimativas de queda do juro real e acrescentou um ingrediente de imprevisibilidade para as políticas do BC. Colocou também os investidores diante da necessidade de rever estratégias em um novo cenário, especialmente na renda fixa, ameaçada pela expectativa de uma elevação maior dos preços.
O mercado interpretou a decisão como um sinal de que o BC e o governo vão aceitar uma inflação mais alta. A NTN-B para 2014, corrigida pelo IPCA, passou a projetar uma inflação de 6% ao ano, ante 5,85% no dia anterior, a maior dos últimos seis meses. A tendência do juro real é encolher, porque estima-se que o BC continuará cortando a taxa Selic nas próximas reuniões, enquanto que a inflação não deverá declinar rapidamente.
Assim, o mercado deve procurar mais as aplicações pós-fixadas, já que as prefixadas são um risco em um ambiente de possível deterioração da inflação. Entre as opções "pós" estão os títulos indexados à inflação, como as NTN-B, ou ao juro diário, como as LFT, CDBs atrelados ao CDI e fundos DI. Correm maior risco os prefixados como as LTN e os fundos de renda fixa. Ações de empresas cujas receitas são indexadas à inflação, como as elétricas, também podem ser opções. Para o dólar, o viés é de alta.
Os fundos de renda fixa darão um ganho extraordinário esta semana, por conta do ajuste dos papéis prefixados das carteiras às novas taxas futuras, mais baixas. Mas, a partir de agora, passarão a ter volatilidade maior. Os bancos ainda devem seguir pagando taxas atraentes no CDB. O ideal é conseguir taxas pós-fixadas que paguem mais de 90% do CDI.  (Angelo Pavini e Silvia Rosa - Valor Online)
 
 
 
 

01.09 - Portugal aperta o cinto com mais cortes
Portugal fará maior corte de gasto em cinco décadas
País segue a França e adota "imposto da solidariedade" sobre mais ricos
Governo português age para cumprir metas da UE e do FMI e planeja reduzir o deficit do orçamento para 0,5%
Portugal anunciou novas medidas de austeridade cujo objetivo é reduzir seu deficit orçamentário a quase zero em menos de cinco anos, e prometeu os maiores cortes dos gastos governamentais em mais de 50 anos.
Vítor Gaspar, ministro das Finanças, declarou ontem que a redução nos gastos públicos até 2015 -de sete pontos percentuais, para o equivalente a 43,5% do PIB (Produto Interno Bruto) - "não tem precedentes" na história recente de Portugal.
A estratégia mostra como o governo planeja cumprir as ambiciosas metas de redução de deficit que Portugal aceitou em seu acordo de resgate de € 78 bilhões (R$ 177,8 bilhões) com a União Europeia e o FMI (Fundo Monetário Internacional).
Gaspar anunciou um "imposto de solidariedade" sobre as rendas familiares e empresariais mais altas, medida semelhante às propostas de taxar a riqueza que causaram controvérsia em outros países da zona do euro.
Outras medidas incluem prolongar até 2012 e 2013 o congelamento dos salários do setor público, acelerar as reduções no número de funcionários públicos e reduzir em 0,6% do PIB os pagamentos previdenciários.
As medidas são as mais recentes em uma série de pacotes duros de austeridade adotados por Portugal nos dois últimos anos. Os detalhes quanto aos cortes de custos dos ministérios, porém, não serão divulgados antes que o governo apresente sua proposta de orçamento para 2012, na metade de outubro.
TESTE
O primeiro-ministro Pedro Passos Coelho alertou que a necessidade de reduzir o deficit em meio a uma recessão profunda será o teste mais difícil que Portugal já enfrentou desde que a democracia foi introduzida, em 1974.
Em Madri, ele admitiu que os esforços de redução do deficit haviam ficado € 2 bilhões abaixo do projetado no primeiro semestre do ano.
Gaspar disse que as novas medidas eram necessárias para cobrir essa deficiência e atingir as metas. A estratégia é reduzir o deficit orçamentário de 9,1% do PIB em 2010 para 0,5% em 2015.
Dois terços do ajuste fiscal serão realizados por cortes de gastos e o restante pelo aumento na arrecadação. Alguns economistas temem que anos de austeridade possam ter efeito mais negativo na economia, tornando difícil para o governo gerar arrecadação adicional.
O governo também vai conversar com a oposição para adotar um limite constitucional ao deficit e dívida.  (Financial Times, tradução de PAULO MIGLIACCI - Folha de S.Paulo)

01.09 - Alemanha aprova plano para aumentar fundo de emergência
Berlim - O gabinete da Alemanha aprovou um plano prévio para aumentar o alcance e o volume da Linha de Esta­bilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês), o fundo de resgate da zona do euro. O governo da chanceler Angela Merkel sinalizou, porém, que poderá conceder poder ao Parlamento alemão sobre os direitos de aprovação de futuros pacotes de resgate com a finalidade de ganhar o apoio dos formuladores de políticas públicas de sua coalização de centro-direita para o plano na votação no próximo mês.
O plano prévio do gabinete esclarece que os futuros pacotes de socorro necessitariam de aprovação unânime de todos os membros da zona do euro, embora não determine a concessão ao Parlamento de direitos de aprovação do socorro. O esboço da legislação serve como base para uma proposta dos partidos de coalização que deverá ser levada ao Parlamento alemão, o Bundestag, para votação no dia 29 de setembro.
O plano permitirá que a EFSF compre títulos soberanos nos mercados primário e secundário sob condições rigorosas e aumentará a atual capacidade do fundo de resgate de 250 bilhões de euros para 440 bilhões de euros. “O governo [alemão] reafirmou sua determinação para assegurar a estabilidade do euro”, afirmou o ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, num comunicado. Segundo ele, a ampliação dos poderes da EFSF tem a finalidade de conter os “possíveis efeitos de contágio” numa fase inicial.
Líderes da zona do euro endossaram essas mudanças no fundo de resgate durante uma cúpula no dia 21 de julho, como parte do novo pacote de resgate concedido à Grécia num esforço para tranquilizar os mercados nervosos e evitar que a crise da dívida soberana grega se espalhasse para outros países.
O ministro disse que a mudança nos direitos para a participação do Bundestag nas futuras decisões sobre pacotes de resgate será deixada para o próprio parlamento. Tal movimento poderá abrandar consideravelmente os futuros esforços de socorro em tempos de turbulência do mercado e minar a proposta de renovar o fundo de resgate com a finalidade de permitir que a linha aja rápido para conter crises de dívida no futuro.
Mas a proposta está ganhando tração, com o Partido Democrático Liberal (FDP), o parceiro menor na coalizão no governo Merkel, juntando-se ontem aos formuladores de políticas públicas do partido da chanceler alemã, os Democratas Cristãos, no pedido por uma participação maior do Parlamento em futuros pacotes de resgate.  (Agência Estado)

01.09 - Banco Central corta taxa de juros para 12%
Copom aponta crise externa como justificativa para movimento surpreendente
Analistas temem perda de controle sobre a inflação e apontam falta de independência política da instituição
O Banco Central decidiu ontem cortar a taxa básica de juros da economia de 12,50% para 12% ao ano, num movimento surpreendente um dia depois de a presidente Dilma Rousseff dizer que considera o país pronto para reduzir suas elevadas taxas de juros.
O corte é o primeiro feito pelo Copom (Comitê de Política Monetária) em dois anos e interrompe a série de aumentos sucessivos da taxa de juros iniciada em janeiro para combater a inflação, que ultrapassou a meta estabelecida pelo governo nos últimos meses.
A decisão do Copom não foi unânime. Cinco diretores do BC votaram pela redução dos juros e dois foram a favor da sua manutenção. O BC divulgou um extenso comunicado para justificar a medida, no lugar das notas lacônicas com que costuma anunciar suas decisões.
Segundo o BC, a "substancial deterioração" do cenário econômico nos países mais avançados vai reduzir o crescimento da economia mundial e ter impacto no Brasil. A redução dos juros agora ajudaria a atenuar esse impacto sem que a inflação escape ao controle, diz o BC.
No comunicado de ontem, o BC indicou que outro fator que influenciou sua decisão foi o anúncio feito pelo governo no início da semana, de que a arrecadação extra obtida neste ano será usada para abater a dívida pública em vez de aumentar os gastos do governo.
Analistas do mercado consideraram a decisão do Banco Central um movimento arriscado e o interpretaram como um sinal de que a diretoria da instituição cedeu a pressões que vinha sofrendo do governo para baixar os juros e evitar uma desaceleração muito forte da atividade econômica.
"A independência do BC está arranhada", afirmou o diretor da Quest Investimentos, Luiz Carlos Mendonça de Barros. "Ele é hoje um órgão auxiliar do Ministério da Fazenda."
O ex-presidente do BC Carlos Langoni acredita que o banco exagerou na sua avaliação do cenário externo e teme que os preços voltem a subir, porque a renda dos trabalhadores brasileiros continua em alta e os gastos do governo continuam crescendo, apesar do esforço feito para freá-los.
"Seria um grande retrocesso o BC voltar a atuar cedendo a pressões políticas", disse Langoni. "Isso teria consequências negativas para o crescimento de longo prazo que depende muito da expectativa de estabilidade."
A expectativa dos analistas é de que o Copom promova novo corte nos juros na sua próxima reunião, que está marcada para 18 e 19 de outubro.
No comunicado de ontem, o BC descreveu um quadro mais pessimista do que o retratado pelas projeções feitas pelo próprio governo na apresentação de sua proposta para o Orçamento-Geral da União do ano que vem.
Segundo o BC, a piora do cenário internacional contribuirá para "intensificar e acelerar" o processo de desaquecimento da economia brasileira.
No Orçamento, o governo prevê crescimento de 5% para o próximo ano, acima de todas as previsões do mercado e dos 4% esperados pelo governo para este ano.
Segundo o comunicado do BC, a crise global poderá atingir o Brasil com a redução dos fluxos de comércio exterior, "moderação" nos investimentos, condições de crédito mais restritas e "piora no sentimento" de consumidores e empresários.  (EDUARDO CUCOLO e MARIANA SCHREIBER - Folha de S.Paulo)

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