05.09 - Fipe reduz previsão do IPC para o ano de 6,5% para 6,4%
A Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas)
reduziu a previsão do IPC (Índice de Preços ao Consumidor)
para o ano de 6,5% para 6,4% devido, principalmente, a um avanço
menor que o esperado para inflação em agosto. O IPC fechou
o mês em 0,38%, ante previsão anterior de 0,6%.
Para este mês, a Fipe prevê que o índice de inflação
deve fechar com alta entre 0,35% e 0,40%, mantendo a média do mês
passado. Segundo o coordenador da pesquisa, Antônio Evaldo Comune,
a expectativa é que o aumento de preço fica estabilizado
nesse patamar até o fim do ano, com uma pequena variação
em dezembro, quando deve atingir 0,5%.
No acumulado de 12 meses, o IPC-Fipe fechou agosto em alta de 6,35%.
Agosto
Os preços dos alimentos tiveram deflação de 0,49%
em agosto, a maior queda desde junho de 2006. Em maio deste ano, o aumento
de preços da categoria chegou a 3,17%.
"Todos que contribuíram para a queda da inflação
são do grupo de alimentação", afirmou o coordenador
da pesquisa, Antônio Evaldo Comune.
O tomate liderou a lista, com deflação de 29,86% em agosto,
seguido por melão (-28,43%), a vagem (-15,63%), o feijão
(-6,2%) e o leite longa vida (-4,75%). Os preços do óleo
de soja e do arroz também tiveram queda, 3,2% e 2,76%, respectivamente.
Na relação dos itens que pressionaram o IPC, a energia
elétrica foi a responsável por mais da metade do IPC de agosto,
com alta de 5,05%. Segundo Comune, esse item deve deixar de pressionar
os preços em setembro, visto que os aumentos já foram repassados
ao consumidor.
O grupo Habitação, no geral, subiu 1,03%, contribuindo
com mais de 88% do resultado do IPC-Fipe. O índice divulgado hoje
foi o maior desde a segunda semana de setembro de 2004, quando houve alta
de 1,27%. Na comparação com os índices finais para
cada mês nessa categoria, foi o maior resultado desde agosto de 2004,
quando teve alta de 1,78%.
Na categoria Despesas Pessoais os preços subiram e encerraram
agosto com alta de 0,75%, ante um acréscimo de 1,19% no mês
anterior. O aumento de 2,10% nos preços dos cigarros pressionou
o índice no mês passado e deverá ter o mesmo impacto
na inflação de setembro, segundo a Fipe.
Os preços da categoria Vestuário tiveram queda acentuada,
registrando menos 0,38%, contra deflação de 0,03% em julho.
Para Comune, a altas temperaturas verificadas neste inverno anteciparam
as liquidações de roupas. Por outro lado, os preços
dos calçados, que não são tão sensíveis
às estações do ano, tiveram aumento de 2,09 em agosto.
Já na categoria Transportes, os preços ligeira variação
para baixo, registrando alta de 0,29%, contra 0,30% uma semana antes. Nos
preços na categoria Saúde houve nova variação
para baixo, passando de alta de 0,49% para uma de 0,44%. O grupo de educação
teve variação mensal positiva de 0,12%.
O IPC mede a variação dos preços no município
de São Paulo de famílias com renda de 1 até 20 salários
mínimos. Na pesquisa, são feitas cerca de 110 mil tomadas
de preços. (FERNANDO ANTUNES - Folha Online)
05.09 - Sorte para os acionistas da Petrobras
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse se considerar um
homem de sorte ao inaugurar na terça-feira a produção
do primeiro poço de petróleo da camada pré-sal, no
litoral do Espírito Santo. "Eu tenho tanta sorte que acho que Deus
passou por aqui e resolveu ficar. Porque a sorte aumenta a cada dia", afirmou.
O otimismo de Lula se justifica diante das perspectivas de exploração
das reservas de petróleo da camada pré-sal, estimadas pelos
especialistas entre 40 bilhões e 100 bilhões de barris. O
que o presidente não pode esquecer é de zelar pela sorte
dos acionistas da Petrobras, todos aqueles que pegaram uma parte de suas
economias e compraram uma fração do capital da empresa.
A produção iniciada nesta semana é do campo de
Jubarte, na bacia de Campos, estimada entre 10 mil e 15 mil barris diários
de óleo, de quatro a seis vezes a atual produção diária,
de 2,389 milhões de barris de óleo equivalente. Mas essa
não é a única reserva. A estatal furou, perfurou,
gastou, investiu e concluiu que há muito mais óleo ao lado
de Jubarte. O campo de Tupi, descoberto no ano passado, tem estimados 5
bilhões a 8 bilhões de barris, a metade das atuais reservas,
calculadas pela estatal em cerca de 14 bilhões de barris. É
em toda a camada pré-sal, que se estende do Espírito Santo
a Santa Catarina, que pode haver de 40 bilhões de barris a 100 bilhões
de barris.Toda essa riqueza em recursos naturais pode colocar o Brasil
em pé de igualdade com os maiores produtores mundiais de petróleo.
Inclusive já teria proporcionado o convite ao País para que
participe da Organização dos Países Produtores de
Petróleo (Opep), o cartel que define quantidade de produção/preço
para a commodity.
A estatal já avisou ao mercado que colocou R$ 1,7 bilhão
na perfuração de 15 poços que chegaram à camada
pré-sal. Oito deles foram testados e indicaram a presença
de petróleo leve, de valor comercial mais alto que o óleo
pesado extraído hoje. Esse dinheiro para exploração
e pesquisa saiu do caixa da companhia, do bolso dos acionistas da empresa.
É certo que 32,2% do capital total da empresa está nas mãos
do Tesouro Nacional, o maior acionista. Outros 7,6% pertencem à
BNDESPar, empresa de fomento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social, e 3,1% ficam com a Previ, o fundo de pensão dos funcionários
do Banco do Brasil. Além deles, há centenas de milhares de
acionistas, investidores em fundos e clubes de investimentos que precisam
ter seus direitos resguardados.
O dinheiro consumido nas sondagens poderia ser sido distribuído
na forma de dividendos. Já que ele foi usado - corretamente, é
claro - na prospecção de mais petróleo, que o seu
benefício seja compartilhado entre os que participam do capital
da empresa.
O governo fala em usar os recursos para a educação, o
que, sem, dúvida, é primordial para o avanço do País.
Mas é preciso que a sociedade avalie como será feita a partilha
dos recursos que virão do pré-sal. O dinheiro que o Tesouro
terá de desembolsar sozinho para a exploração da região
pode ser canalizado para a educação, sim. E os investimentos
da companhia fica na conta de todos os seus sócios.
O banco de investimentos UBS estimou em recente relatório que
serão necessários cerca de US$ 600 bilhões para a
exploração do óleo do pré-sal. Com a participação
que tem na empresa, o Tesouro teria de desembolsar um terço disso.
O restante viria do bolso dos acionistas/caixa da empresa. A contrapartida
virá com o aumento do volume de impostos e royalties pagos pela
companhia. No ano passado, a Petrobras pagou cerca de R$ 55 bilhões
em impostos. Com o aumento da produção e das exportações,
com certeza esse valor irá crescer na mesma proporção
- dinheiro que pode ir para a educação, saúde e outros
fins sociais, sem que se crie uma nova estatal, um novo sorvedouro de dinheiro
público. E os acionistas terão suas ações valorizadas,
além de gordos dividendos. Para que mais? (Gazeta
Mercantil - NELSON ROCCO)
04.09 - Investigação apreciativa
A atual geração tem um grande desafio e uma oportunidade
única. Estamos passando por um momento de transição
Participei recentemente de seminário organizado pela Febraban
(Federação Brasileira de Bancos) para apreciar uma palestra
do professor David Cooperrider, da Case Western Reserve University.
Falou-nos sobre sustentabilidade, na perspectiva das oportunidades
de negócios que surgem a cada dificuldade social que atualmente
encontramos neste complexo mundo globalizado em que vivemos.
Ele é um pesquisador, ativista de conversações
positivas como ferramentas de ativação do potencial humano
e um propagador da chamada investigação apreciativa, metodologia
de construção de inovação em comunidades e
empresas.
A "appreciative inquiry", introduzida em 1980 por aquela universidade,
foi definida como uma busca cooperativa do melhor nas pessoas, nas suas
organizações e no mundo ao redor.
Envolve a descoberta sistemática de dar "vida" a um sistema
quando ele está no seu estado mais eficaz e capaz em termos humanos,
ecológicos e econômicos. A investigação apreciativa
envolve a arte e a prática de fazer perguntas que reforcem a capacidade
de um sistema de elevar o potencial positivo. Ela mobiliza a "investigação"
artesanalmente na preparação de uma "pergunta positiva incondicional",
envolvendo normalmente centenas ou, por vezes, milhares de pessoas.
A atual geração tem um grande desafio e uma oportunidade
única. Estamos passando por um momento de transição
em que os recursos escasseiam, obrigando os líderes de empresas
a ter que operar com objetivos de competitividade de longo prazo.
Novas lideranças deverão criar um sistema de forças
que tornem as fraquezas irrelevantes, superando os obstáculos a
partir de ações positivas e inovadoras.
As gerações anteriores aprenderam com os erros e os acertos.
Mas, agora, não temos mais espaço para errar.
Como estratégia para superar esse impasse, Cooperrider sugere
desenvolvermos nossa capacidade de prever problemas e antecipar soluções
por meio do uso de uma inteligência coletiva que só pode ser
acessada por diálogos organizados e inspiradores, como é
o caso da investigação apreciativa, metodologia criada e
disseminada por ele em todo o mundo.
Foram apresentados diversos casos de sucesso da aplicação
da investigação apreciativa em empresas norte-americanas
de grande porte. De embalagens descartáveis feitas com fibras naturais
à produção de areia fertilizante a partir de resíduos
de fundição, mencionou uma série de inovações
geradas em encontros promovidos pela investigação apreciativa.
Além do papel central das empresas no processo de tomada de
consciência sobre a sustentabilidade do planeta, deve haver um protagonismo
das instituições de ensino, que devem passar a formar desde
já pessoas engajadas em conversações positivas que
pautem a sustentabilidade como tema organizador das ações
e do conhecimento humano.
Esse parece-me ser um ponto fundamental. Será nas universidades
que esses conceitos terão que ser disseminados, para que os formandos
adquiram uma nova visão a respeito de suas responsabilidades.
Citou o Brasil como um país de enorme potencial de inovação
na busca de soluções sustentáveis. A diversidade de
nossa natureza e a composição cultural variada de nosso povo
estabelecem condições ideais para que nosso país se
destaque como um centro potencial de diálogos de qualidade sobre
sustentabilidade.
Reforçou a importância de trabalharmos pontos fortes em
nossas empresas e instituições e na vida pessoal, promovendo
as transformações necessárias para enfrentar desafios
de curto, médio e longo prazo. As elites têm, mais do que
nunca, uma responsabilidade fundamental acerca dos destinos do planeta
Terra.
Refleti que, alguns anos atrás, se fosse convidado para um evento
com esse objetivo, daria um rotundo "não tenho tempo a perder".
Hoje, ficamos com uma questão engasgada. Qual é o nosso
papel nesse grande desafio? O que podemos fazer isoladamente ou em conjunto?
Qual a contribuição esperada?
Saí do evento com a sensação de que, se realmente
mobilizarmos nosso esforço criativo e buscarmos por meio da inovação
soluções para problemas ambientais ou melhor utilização
de energias renováveis, entre muitos outros, estaremos assim contribuindo
para olhar o futuro com mais confiança. (ROBERTO
TEIXEIRA DA COSTA - Folha de S.Paulo)
04.09 - Produção industrial desacelera e sobe apenas 1%
em julho
A produção das indústrias do País desacelerou
em julho ao crescer 1%, ante 2,9% no mês anterior, segundo dados
divulgados nesta terça-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística).
Em relação a julho de 2007, a produção
avançou para 8,5% e completou uma seqüência de 25 altas
consecutivas nesta comparação. No acumulado dos sete primeiros
meses deste ano, o acréscimo foi de 6,6% e, nos últimos 12
meses, de 6,8%.
No mês passado, 17 das 27 atividades pesquisadas tiveram um aumento
na produção, com destaque para outros produtos químicos
(4,2%), edição e impressão (5,6%), máquinas
equipamentos (2,0%) e fumo (12,9%).
Em sentido oposto, houve desaceleração nos segmentos:
material eletrônico e equipamentos de comunicações
(-7,6%), veículos automotores (-1,2%), bebidas (-3,0%) e outros
equipamentos de transporte (-3,4%).
Na análise por categorias de uso, os melhores resultados em
julho foram atingidos pelos bens de capital (1,2%) e pelos bens intermediários
(1,1%). Os bens de consumo semi e não duráveis ficaram estáveis
e os bens de consumo duráveis registraram decréscimos de
5,2%.
Em relação a julho do ano passado, 23 dos 27 setores
pesquisados apresentaram incremento na produção. A indústria
automobilística liderou a expansão, com 17,3%. Também
registraram alta máquinas e equipamentos (12,5%) e metalurgia básica
(10%).
Já as atividades que apresentaram queda na produção
foram: madeira (-13,7%), material eletrônico e equipamentos
de comunicações (-3,2%), perfumaria, sabões e produtos
de limpeza (-4,8%) e calçados e artigos de couro (-1,9%). (Diário
Online)
04.09 - Inflação semanal recua em quase todas as capitais
A inflação semanal medida pelo IPC-S (Índice de
Preços ao Consumidor – Semanal) recuou em seis das sete capitais
do País analisadas pela FGV (Fundação Getulio Vargas),
segundo dados divulgados na terça-feira.
A cidade que teve a maior desaceleração na apuração
finalizada dia 31 de agosto foi Salvador, cujo indicador passou de 0,24%
para -0,13%. As outras capitais com queda no índice de inflação
foram São Paulo (0,22% para 0,13%), Brasília (0,37% para
0,22%), Porto Alegre (0,02% para -0,04%), Recife (0,21% para -0,01%) e
Belo Horizonte (0,67% para 0,62%).
Já a taxa de variação do Rio de Janeiro permaneceu
a mesma da semana anterior, com 0,17%. Nenhuma das capitais pesquisadas
pela instituição apresentaram aumento nos preços.
Nesta segunda-feira, a FGV informou que a inflação semanal
medida pelo IPC-S diminuiu para 0,14% na semana encerrada no dia 31 de
agosto – taxa 0,10 ponto percentual abaixo da leitura anterior. Foi
a menor taxa registrada desde a primeira leitura de março, quando
alcançou 0,11%.
Pela sétima semana consecutiva, houve redução
nos preços dos alimentos, de -0,45% para -0,71%. Segundo a FGV,
foi a menor variação desde a primeira leitura de julho de
2006, com -0,89%. (Diário Online)
03.09 - Mal maior
Alguns desenvolvidos lutam para evitar a recessão, enquanto
o Brasil ainda eleva os juros por medo da inflação
Os 15 países da União Européia nunca haviam tido
contração no seu Produto Interno Bruto desde a criação
da zona do euro, há cerca de uma década. Dias atrás,
tiveram a má notícia: o PIB do bloco caiu 0,2% no segundo
trimestre deste ano em relação ao primeiro.
Pode ser que o bloco do euro ainda tenha crescimento do PIB no ano,
como um todo. Mas as notícias que vêm de fora sobre o desaquecimento
da economia dos países desenvolvidos são preocupantes.
Nos EUA, por onde começou a tendência, houve surpresa
agradável no segundo trimestre, porque a economia se expandiu em
3,3% em bases anualizadas -quase o dobro do previsto anteriormente. Na
verdade, embora a possibilidade de recessão ainda não esteja
afastada, a surpresa é explicável. O novo ritmo resulta de
plano governamental de estímulo ao consumo, com injeção
de recursos via Imposto de Renda e, obviamente, da corajosa política
monetária que mantém os juros em apenas 2% ao ano enquanto
a inflação alcança 5,6% em 12 meses, o maior nível
dos últimos 17 anos.
No Reino Unido, pode estar em curso a primeira recessão em 15
anos, pelo que indicam as quedas do consumo e da produção
industrial e a retração dramática do mercado imobiliário.
No Japão, o PIB encolheu 2,4% no segundo trimestre, a maior contração
em sete anos. Alguns tigres asiáticos, como Cingapura e Malásia,
já crescem a taxas menores do que as previstas, e as vendas internas
perdem força no continente que tem sido uma espécie de locomotiva
do século 21. A própria China terá neste ano um PIB
menor do que a média dos últimos anos.
Tudo indica, mesmo com a surpresa americana, que a contração
dos países desenvolvidos poderá se espalhar para o mundo
emergente.
Nesse contexto, as preocupações com a inflação
caem para segundo plano, até porque já está bem definida
a curva descendente dos preços do petróleo e das demais commodities
industriais e agrícolas.
Quando os dados sobre a desaceleração na zona do euro
foram divulgados, dias atrás, alguns analistas lembraram que existe
um complicador nesse quadro global. Enquanto os países desenvolvidos,
principalmente os EUA, lutam bravamente para evitar a recessão há
mais de um ano, alguns emergentes, Brasil à frente, ainda estão
aumentando os juros por causa do medo da inflação.
Como a primeira recessão a gente nunca esquece, lembro-me muito
bem dos anos 1980, quando o Brasil teve redução do PIB depois
de duas décadas de crescimento contínuo, com taxas médias
de 7% ao ano. O quadro de desemprego agudo é um dos mais deprimentes
que um país sem mecanismos de proteção social pode
enfrentar. Além disso, quando o desemprego começa a aumentar,
há uma tendência psicológica de contração
imediata do consumo daqueles que continuam empregados, o que leva a economia
a um círculo perverso de redução de vendas e de emprego.
Nenhuma esdrúxula lógica tupiniquim poderá explicar
por que o Brasil, um dos únicos países que mantém
a inflação dentro da margem fixada para a meta, continua
a promover seguidas elevações na Selic, enquanto os demais,
com inflação relativamente muito maior, mantêm os juros
inalterados.
Quando se fala em inflação, aqui no Brasil, agimos como
se tivéssemos medo da própria sombra. Pode ser que a história
brasileira de hiperinflações justifique essa "paura", mas,
seguramente, o medo exagerado da inflação pode nos trazer
um mal muito maior. (BENJAMIN STEINBRUCH - Folha de S.Paulo)
03.09 - Só 22 ações do Ibovespa têm ganho
maior que poupança
Das 66 ações que compõem o índice Ibovespa,
apenas 22 têm rentabilidade superior ao CDI e à caderneta
de poupança neste ano. Ações dos setores de siderurgia
e energia elétrica tiveram melhor desempenho neste ano, enquanto
papéis dos setores de petróleo, mineração,
bancos e construção registraram resultados bem negativos.
No panorama do Ibovespa (Índice da Bolsa de Valores de São
Paulo), no entanto, há papéis com alta em setores de desempenho
ruim.
O levantamento comparativo da rentabilidade acumulada neste ano até
a sexta-feira passada dos papéis do principal índice da Bovespa
é de Einar Rivero, da consultoria Economática. O Ibovespa
caiu 12,84%, enquanto a poupança rendeu 4,90% e o CDI, 7,54%.
Setembro, mês em que terminam as férias de verão
no hemisfério Norte, costuma ser propício à melhora
no mercado. Foi assim no passado, quando papéis de maior peso no
índice tiveram altas expressivas.
Uma retomada significativa, porém, é mais provável
a partir de outubro, segundo analistas. Isso, se ficar claro que o crescimento
da China continuará acelerado, sustentando o preço das commodities.
"Persistem a desconfiança no setor financeiro e a volatilidade
nos preços de matérias-primas, que dependem da formação
de consenso sobre a China, o que pode levar mais um pouco de tempo", afirma
o consultor Luiz Antonio Vaz das Neves.
Para outros, a melhora não deve vir antes das eleições
americanas e de uma definição da política econômica
do novo presidente dos EUA.
O setor siderúrgico é um dos que tem tido até
agora bom desempenho, apesar das oscilações das commodities,
porque investidores consideraram que a economia interna continuaria aquecida,
segundo analistas.
Ações de siderurgia podem perder espaço à
medida que comecem a aparecer os efeitos da alta de juros e que haja atração
para a substituição das ações que mais subiram
ou que caíram menos.
"Quando Petrobras e Vale, que perderam muito, começarem a subir,
o investidor vai comprá-las e vender papéis que subiram ou
não recuaram", diz Vaz das Neves.
"Essa alta em 2008 já foi mais forte, e o aço vem derretendo",
afirma Marcelo Ribeiro, da Pentágono Asset Management.
Já o setor elétrico é considerado de defesa porque,
de um lado, blinda o investidor do mercado externo, já que depende
do mercado doméstico. De outro, protege da alta da inflação,
por ter tarifas corrigidas.
À medida que o mercado começa a ver possibilidade de
o Banco Central parar de subir juros por causa do arrefecimento da inflação,
ações do setor tendem a devolver parte do ganho, segundo
analistas.
Mineração e o setor de papel e celulose dependerão
da formação de consenso sobre o ritmo de crescimento da China,
segundo Vaz das Neves.
"Com o estouro da bolha das commodities, todos esses setores perderão
receitas. As ações devem continuar a sofrer", diz Ribeiro.
Construção
O setor da construção caiu muito (com exceção
das ações da Cyrela), fruto do ajuste para baixo dos preços
elevados dos IPOs (oferta inicial de ações), e está
com dificuldade de recuperação ainda neste ano.
Ele foi muito beneficiado pelo crescimento do crédito, mas,
como empresas do setor de consumo (comércio, alimentos e bebidas),
com a retração da liquidez global, aumento dos juros e redução
do crescimento, corre o risco de aumento da inadimplência, segundo
analistas. Outros setores dependentes de commodities, como o de papel e
celulose, dependerão da China. (MARIA CRISTINA FRIAS - Folha Online)
03.09 - IPC-S fecha agosto com a menor taxa desde a 1ª prévia
de março
A inflação semanal medida pelo IPC-S (Índice de
Preços ao Consumidor - Semanal) diminuiu para 0,14% na semana encerrada
no dia 31 de agosto – taxa 0,10 ponto percentual abaixo da leitura anterior,
segundo dados divulgados na segunda-feira pela FGV (Fundação
Getulio Vargas). Foi a menor taxa registrada desde a primeira leitura de
março, quando alcançou 0,11%.
Pela sétima semana consecutiva, houve redução
nos preços dos alimentos, de -0,45% para -0,71%. Segundo a FGV,
foi a menor variação desde a primeira leitura de julho de
2006, com -0,89%. As principais contribuições para a desaceleração
partiram dos itens Hortaliças e Legumes (-7,08% para -8,54%), Arroz
e Feijão (-1,76% para -3,49%), Laticínios (-0,84% para -1,39%)
e Carnes Bovinas (-0,41% para -0,51%).
As categorias Habitação (0,85% para 0,72%) e Saúde
e Cuidados Pessoais (0,54% para 0,43%) também contribuíram
para a queda registrada pelo IPC-S. Em cada uma destas classes de despesa,
merecem destaque os itens Tarifa de Telefone Fixo Residencial (2,67% para
2,11%) e Artigos de Higiene e Cuidado Pessoal (0,60% para 0,23%), nesta
ordem.
Por outro lado, os grupos Educação, Leitura e Recreação
(0,06% para 0,26%), Despesas Diversas (0,97% para 1,04%), Vestuário
(-0,27% para -0,23%) e Transportes (0,18% para 0,21%) registraram acréscimos
em suas taxas de variação. Os itens que mais contribuíram
para este movimento foram: Salas de Espetáculo (0,45% para 1,89%),
Cigarros (0,38% para 1,06%), Calçados (0,40% para 0,55%) e Serviços
de Oficina (-0,11% para 1,20%), respectivamente. (Diário Online)
02.09 - Fundos acumulam saldo negativo no ano
Até 26 de agosto, fundos de investimento acumulam resgates líquidos
de R$ 8 bi; em 2007, captação superou R$ 50 bi
Concorrência dos CDBs, que têm pago taxas maiores, prejudica
os fundos; Bolsa em fase ruim pode dificultar recuperação
do mercado
A expansão do mercado de fundos de investimento, que se mantinha
de forma contínua desde 2003, sofreu uma reversão neste ano.
Saques mais fortes fizeram com que, pela primeira vez desde 2002, a captação
dos fundos de investimento passasse a ser negativa.
Neste ano, até o último dia 26, a indústria de
fundos amargava captação líquida (a diferença
entre as aplicações e os resgates) negativa que batia em
R$ 8 bilhões, segundo dados levantados pela Anbid (Associação
Nacional dos Bancos de Investimento). A elevação da rentabilidade
dos CDBs, aliada a um cenário bastante ruim para a Bolsa de Valores,
tem feito o brasileiro rever suas opções de investimento.
No ano passado, as aplicações nos fundos superaram os
saques em R$ 50,4 bilhões. Em 2006, outros R$ 68,4 bilhões
líquidos haviam aportado no mercado de fundos.
A categoria que mais sofreu resgates líquidos neste ano é
a de multimercados, que computava captação anual negativa
de R$ 28,6 bilhões até o dia 26. Os multimercados são
fundos com a característica de poderem aplicar seus recursos em
diferentes segmentos, como ações, papéis públicos
e privados que pagam juros, câmbio e outros.
A concorrência dos CDBs (Certificados de Depósito Bancário)
se tornou um problema crescente para a indústria de fundos nos últimos
meses. Como os bancos têm encontrado maiores dificuldades para conseguir
captar recursos, em um cenário de crescimento do crédito,
uma opção encontrada por eles foi a de aumentar o retorno
que oferecem nos CDBs.
Títulos emitidos pela maioria dos bancos e vendidos a seus clientes,
os CDBs pagam uma taxa de juros a quem opta por aplicar neles. Além
do retorno mais elevado nos últimos meses, os CDBs levam vantagem
sobre os fundos por não cobrarem taxa de administração,
que representam um custo ao investidor que costuma variar de 1% a 4%. Ou
seja, seu ganho líquido tende a ser maior.
E o investidor parece ter notado essas vantagens. Tanto que uma categoria
com forte resgate no ano é a de renda fixa que, em tese, deveria
estar se tornando mais atrativa com o aumento da taxa básica de
juros. Os fundos de renda fixa, que ainda são a maior categoria
do mercado, representando 30% do total aplicado, estão com resgates
líquidos de R$ 17,3 bilhões neste ano.
Já o estoque dos CDBs superou em agosto pela primeira vez os
R$ 520 bilhões, com uma expansão de mais de 50% neste ano.
Isso indica que não só houve gente que saiu dos fundos, mas
muito investidor preferiu direcionar suas novas economias para os CDBs.
Bolsa desfavorável
Apesar de a Bolsa de Valores de São Paulo ter enfrentado seu
terceiro mês consecutivo de queda, os investidores ainda não
correram para sacar seus recursos dos fundos de ações. Até
a semana passada, os fundos de ações registravam aplicações
líquidas de R$ 155,5 milhões no mês. Em agosto, a Bolsa
acumulou desvalorização de 6,4%, sendo mais uma vez a pior
opção de investimento.
"O que os últimos meses mostraram para o investidor, principalmente
aquele que não estava acostumado com a Bolsa, é que não
há sempre ganhos fáceis com as ações. Com o
susto que muita gente tem levado desde junho, entendo que uma entrada mais
forte de recursos no mercado de ações vai demorar para voltar
a ocorrer", afirma Luiz Antonio Vaz das Neves, da KNA Consultores.
(FABRICIO VIEIRA - Folha de S.Paulo)
02.09 - Novo embate em torno dos juros
Um novo embate está sendo travado, nos bastidores do governo,
em torno da política monetária. Com a aproximação
da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária
do Banco Central), marcada para o dia 10 deste mês, aumenta o número
de assessores do presidente Lula que sugere mais moderação
na administração da taxa de juro, pois a inflação
estaria cedendo no Brasil e no mundo.
Uma nova elevação da taxa em 0,75 ponto porcentual, como
foi feita na última reunião do Copom, apenas afetaria, na
avaliação destes assessores, o nível de atividade
econômica, comprometendo a trajetória de crescimento, o nível
de emprego e a renda dos trabalhadores. O Banco Central (BC) pensa diferente
e está fazendo chegar ao presidente uma análise mais cautelosa
a respeito dos últimos dados da inflação.
As divergências foram explicitadas na reunião de economistas
de fora do governo com Lula, na semana passada. Dela participaram o ministro
da Fazenda, Guido Mantega, o presidente do BC, Henrique Meirelles, o presidente
do BNDES, Luciano Coutinho, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), o representante
do Brasil no Fundo Monetário Internacional (FMI), Paulo Nogueira
Batista Júnior, e os economistas Delfim Netto e Luiz Gonzaga Belluzzo.
Delfim mostrou a Lula que bastou os preços das commodities agrícolas
e do petróleo caírem no mercado internacional para que a
inflação no Brasil desabasse. A inflação caiu
tanto que o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) apresentou
deflação de 0,12% na segunda medição de agosto.
Com essa constatação, Delfim quis reforçar a análise
de que não se pode atribuir o atual surto inflacionário no
Brasil a um excesso de demanda. Ao contrário da tese do BC.
Com a redução dos preços das commodities agrícolas,
metálicas e do preço do petróleo, a inflação
está cedendo em todo o mundo. Esse movimento de queda de preços
parece ser sustentável pois as economias da Europa e do Japão
dão sinais de desaceleração, enquanto a economia dos
Estados Unidos patina em sua crise de crédito. A reunião
do presidente com os economistas de fora do governo foi realizada antes
do anúncio de que a economia americana apresentou o surpreendente
crescimento de 3,3% no segundo trimestre deste ano.
Depois da reunião, o ministro Guido Mantega concedeu várias
entrevistas em que reforçava a idéia de que a inflação
está cedendo no Brasil e no mundo, embora ele tenha dito que ela
ainda inspira cuidados. O economista Paulo Nogueira Batista Júnior
publicou artigo na Folha de S. Paulo questionando a tese do excesso de
demanda na economia brasileira. Os argumentos apresentados pelo presidente
do BC, durante a reunião, não vazaram para a imprensa. Ele
certamente não deve ter ficado calado durante toda a reunião
com Lula.
Meirelles aproveitou uma aula magna para alunos da Faculdade de Engenharia
da Universidade Mackenzie, na sexta-feira, para apresentar os seus argumentos.
A tese básica de Meirelles é que a existência de fatores
domésticos e internacionais torna mais difícil a análise
da inflação.
Segundo ele, a demanda está muito aquecida no front interno.
Ao mesmo tempo, na frente externa, ocorre uma alta dos preços das
commodities e do petróleo, motivada, principalmente, pela demanda
da China e da Índia. Uma queda dos preços internacionais
das commodities, registrada nas últimas semanas, não significa
que o outro fator - a demanda interna - esteja sob controle.
Na aula magna, Meirelles sugeriu ainda que os analistas trabalhem com
os núcleos da inflação e não apenas com o índice
cheio. Embora o índice cheio da inflação apresente
queda, o núcleo por exclusão de alimentos no domicílio
e dos preços administrados ainda está correndo em ritmo acelerado.
Nos últimos doze meses, o núcleo por exclusão está
variando entre 5,7% e 5,8%, mas pela média móvel dos últimos
seis meses, a variação está acima de 6%.
Ao sugerir que se olhe os núcleos e não o índice
cheio, Meirelles parece indicar que o movimento de queda dos preços
das commodities pode não se sustentar a médio prazo. A verdade
é que não há consenso sobre isso. É possível
encontrar especialistas que apostam na continuidade da queda dos preços,
como aqueles que garantem ser inevitável nova rodada de elevação,
com o preço do petróleo podendo chegar, no médio prazo,
a US$ 150.
Para os técnicos do Banco Central, não há dúvida
de que o excesso de demanda é um componente fundamental do atual
surto inflacionário. Eles lembram que o setor de serviços
está crescendo acima de 7%, o que é um indicador do aquecimento
da demanda. Argumentam ainda que um crescimento da economia de 5,8% ao
ano e da demanda doméstica de 8,5% não é sustentável.
É bom lembrar que não há discordância entre
o Ministério da Fazenda e o Banco Central sobre essa questão.
Ambos consideram que o crescimento da demanda deve ser reduzido dos 8,5%
do final de 2007 para 6%. A divergência é sobre o ritmo dessa
redução. O BC trabalha com essa queda para 2009 e modula
sua política monetária para isso. A Fazenda gostaria que
essa redução ocorresse até 2010. Em outras palavras,
o BC quer convergir a inflação para o centro da meta de 4,5%
no próximo ano e a Fazenda, em 2010. (Ribamar
Oliveira - O Estado de S.Paulo)
02.09 - Estrutural, crise está longe de
terminar
Para Maria da Conceição Tavares,
a crise é sistêmica, tem uma vasta zona de sombra não
dimensionada e coloca em xeque o padrão baseado no dólar
A crise financeira internacional é sistêmica
e estrutural, e não tem prazo para terminar. O que está em
jogo é a hegemonia do dólar como padrão financeiro
global. E não há um sucessor à vista. A atual crise
não
deve ser entendida como um espasmo típico e corriqueiro que, de
vez em quando, sacode o sistema capitalista. Trata-se de um evento de natureza
nunca experimentada antes. O mundo desenvolvido terá de se reestruturar
para lidar com suas consequências. E países como o Brasil,
ainda a salvo das tempestades, devem torcer para não serem convocados
a dar a sua cota de sacrifício.
Estas afirmações foram feitas,
no seu costumeiro tom enfático, pela professora de economia da UFRJ
e da Unicamp, Maria da Conceição Tavares. Auto-exilada do
debate econômico e dos artigos à imprensa, a professora só
consentiu em voltar a expor suas idéias a um auditório por
tratar-se de um evento especial: o primeiro seminário de um ciclo
destinado a comemorar os 40 anos do Instituto de Economia da Unicamp. Em
sua palestra vespertina, Conceição contestou a visão
exposta de manhã pelo economista Luiz Carlos Mendonça de
Barros, diretor da Quest Investimentos, segundo a qual a crise de crédito
atual é apenas mais uma das ocorrências periódicas
pelas quais passa o capitalismo. São irrupções inerentes
à dinâmica do capitalismo.
Por causa disso, para Mendonça de Barros,
não há muito o que fazer a não ser o que está
sendo feito pelo Federal Reserve (Fed): a injeção de vastos
oceanos de liquidez, enquanto ganha tempo para que o preço dos imóveis
que serviram de lastro à securitizações se recupere,
permitindo uma reestruturação das carteiras. As autoridades
americanas podem igualmente aumentar os regulamentos, as interdições
e punições às operações engendradas
pelo mercado. Mas logo "mentes brilhantes" irão desenvolver novos
produtos financeiros capazes de burlar as restrições implantadas.
E, após um período de trégua, de cinco a dez anos,
nova crise irá assolar os mercados.
A sorte é que, no entender de Mendonça
de Barros, está surgindo um poder capaz de contrastar e contrabalançar
a hegemonia americana. Com o advento da China, as crises peculiares ao
capitalismo surgidas no centro financeiro podem ser menos devastadoras.
Isso porque a China decidiu concentrar a sua produção para
atendimento prioritário ao gigantesco mercado doméstico.
É uma grande exportadora, mas só exporta o que sobra.
Conceição Tavares discorda. Trata-se
hoje da primeira crise invisível do capitalismo. Como cerca de metade
das intrincadas operações de securitização
nunca foi registrada, há uma enorme "sombra" sobre o tamanho real
do rombo. Nunca antes se lidou com uma "shadow finance" de dimensão
apenas vislumbrada em territórios movediços como os pregões
de derivativos e os instrumentos de balcão destinados a multiplicar
os títulos lastreados em apenas um único bem real. A crise
atual tem uma natureza etérea e enganosa que escapa aos reguladores
e ao Federal Reserve. Como não há registros confiáveis,
não pode agir como no passado. "O Fed está tratando a Fannie
Mae como se esta fosse um banco de investimentos. Isso é ilegal.
Pela lei, não pode. Mas eu cometeria a mesma ilegalidade", diz a
professora.
Não se pode confundir a crise atual, eminentemente
de ativos, com os ciclos de renda de uma economia monetária. Ou
seja, tudo está bem em uma economia e de repente estoura uma crise
financeira. O Fed tem de agir sobre esta sem esquecer do ciclo maior em
que se insere a economia. A crise é de destruição
de riqueza financeira nos EUA, na Europa e na Ásia. A professora
refuta as profecias fáceis segundo as quais a crise irá provocar
a substituição do dólar como moeda-padrão universal.
Isso não está claro. Em primeiro lugar porque os americanos
não vão deixar. Depois de todas as turbulências, o
dólar ainda é a moeda de negociação de todas
as commodities e do petróleo. As bolhas não foram provocadas
porque há um desequilíbrio entre oferta e demanda. Na verdade,
elas foram inchadas pela frenética volatilidade recente do dólar.
Em segundo, porque o euro não se presta a ocupar o lugar do dólar.
A velha Europa não consegue unir-se para de fato se transformar
na segunda força econômica do mundo. De sua parte, o Japão
sempre é escalado pelos EUA para acolher os estilhaços decorrentes
dos ajustes feitos na economia interna americana. E o yuan não é
ainda nem uma moeda conversível. Se o dólar acabar, provavelmente
se assistirá ao nascimento de pequenas aglutinações
de países negociando entre si por meio de uma moeda aceita livremente
por eles, mas nada que lembre a cobertura universal do dólar.
No entender da professor da Unicamp, a China
não fará o papel de potência num mundo bipolar. Enquanto
o Japão tem a pretensão de competir globalmente com os EUA,
a China está "dentro" da globalização, ou seja, abriga
as empresas de ponta do mundo desnacionalizado. "Quem, no começo
dos anos 90, arriscasse a previsão de que a China se tornaria a
plataforma mais moderna inserida dentro do sistema capitalista correria
o risco de ser ridicularizado, mas é isso o que aconteceu", diz
Conceição. (Luiz Sérgio Guimarães - Valor
Online)
01.09 - Brasil terá R$ 2,4 tri em investimentos
até 2011
O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, informou
ontem, durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico
e Social, que o Brasil vai receber R$ 1,5 trilhão em investimentos
no período de 2008-2011. Segundo Coutinho, esses são os números
"confiáveis e mapeados", mas existe uma perspectiva de que esse
montante chegue a R$ 2,36 trilhões no mesmo período. A maior
fatia será destinada à indústria e serviços,
com R$ 627,1 bilhões, seguidos de perto pela construção
residencial, com R$ 534,9 bilhões. A apresentação
feita por Coutinho mostrou que, entre 2004 e 2007, foram investidos no
Brasil R$ 896 milhões nos mesmos setores.
Coutinho, que abriu as apresentações
da reunião do conselho, intitulada "Um Novo Brasil em Construção",
afirmou que esse bom resultado do país acontece independentemente
da crise financeira do subprime americana, que completa um ano em agosto.
Enquanto a crise das hipotecas retraiu a economia americana, no Brasil
o BNDES teve crescimento de 30% nos projetos de investimento programados
de 2008 a 2011. "Neste período, as decisões de investimento
nem tremeram", assinalou.
Segundo a avaliação do presidente
do BNDES, há a percepção de que o Brasil pode atravessar
as tormentas que poderão vir, porque tem um mercado interno com
um potencial enorme. Ressaltou que os empresários estão confiando
e investindo e o país tem um forte sistema financeiro. O diretor
do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio
Vargas, Marcelo Nery, disse que uma prova de que os empresários
confiam no futuro do Brasil é o número de empregos com carteira
assinada gerados nos últimos 12 meses, que ficou em torno de 1,5
milhão. "Carteira assinada era um elemento em extinção
no cenário brasileiro. Essa reversão é uma clara aposta
de futuro do empresariado nacional", destacou Nery.
Antes mesmo de o presidente da Petrobras, Sérgio
Gabrielli, iniciar sua exposição, Coutinho já havia
destacado que o Brasil teria de criar uma política industrial específica
para o setor do petróleo. Segundo ele, essa tese ganhava força
no Executivo há algum tempo, mas tornou-se imprescindível
após o descobrimento dos campos do pré-sal, o que, nas palavras
do próprio Gabrielli, que fez depois sua exposição,
colocará "a indústria do petróleo em outro patamar".
O presidente da Petrobras apontou, em seu discurso,
a necessidade de se encomendar navios-sonda para atuar na exploração
em alto-mar. Serão 28 embarcações construídas
no Brasil e 12 no exterior ao preço que varia entre US$ 700 milhões
e US$ 1 bilhão. Essa política industrial do petróleo
terá o foco na produção de máquinas e equipamentos
para as elevadas demandas previstas para essa cadeia.
Embora haja uma orientação do governo
em não falar muito sobre o modelo e a regulação do
pré-sal antes da conclusão dos trabalhos da comissão
interministerial, Gabrielli destacou que o campo Tupi começa a operar
no final de 2010. "Os volumes do pré-sal encontrados, provavelmente,
serão muito grandes." Nesse campo, ele estima uma reserva de cinco
a oito bilhões de barris e, para explorá-lo, é preciso
investir muito. O presidente da Vale do Rio Doce, Roger Agnelli, acha que
o pré-sal será bom também para a Vale. "Se há
uma demanda por novos navios, haverá necessidade de mais ferro.
Se a Petrobras investir em material eletrônico, precisará
de mais cobre. Se investir em materiais anticorrosivos, precisará
de mais níquel", disse ele.
A Petrobras pretende investir, no período
de 2008-2012, US$ 112,4 bilhões. Desse total, US$ 65,1 bilhões
são destinados à exploração e produção.
O total de investimentos poderá gerar, de acordo com cálculos
do presidente da estatal, uma média anual de 917 mil novos postos
de trabalho. Até 2010, a empresa pretende contar com 9.621 quilômetros
de dutos no país. Em 2003, eram 5.804 quilômetros. Cinco novas
refinarias serão construídas no país. Gabrielli lembrou
que a última refinaria havia sido inaugurada em 1980.
Na avaliação do presidente da Federação
das Indústrias do Paraná (Fiep) e um dos vice-presidentes
da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Rodrigo
Loures, presente à reunião, é interessante e positiva
essa aproximação das ações do BNDES e do Ministério
da Fazenda, mas afirma que os investimentos em infra-estrutura não
têm a velocidade desejada. Como exemplo, cita o caso dos portos do
país, que ainda estão muito aquém do desafio exportador
e do crescimento da economia brasileira.
O que mais incomoda os empresários atualmente,
segundo Loures, é o câmbio, que vem sendo ainda mais valorizado
com o aperto monetário. Ele considera que a âncora das políticas
econômicas está errada e deveria ser deslocada para a gestão
fiscal. "O real valorizado tira competitividade do produto brasileiro no
exterior e essa situação fica ainda mais deteriorada com
a subida dos juros. É preciso racionalizar as despesas públicas",
argumentou.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
disse que o evento serviu para reunir todos os dados da economia brasileira
que passavam, muitas vezes, despercebidos do conjunto da sociedade. "Mostramos
que o crescimento do Brasil não é um vôo de galinha,
mas de uma águia que pode voar mais alto do que pensava que voaria
antes", afirmou o presidente. (Paulo de Tarso Lyra e Arnaldo Galvão
- Valor Online)
01.09 - Perspectivas da abertura do mercado de
resseguro
A economia é uma ciência razoável
na análise de situações estáticas, mas ainda
tateia na compreensão dos processos dinâmicos. Tal consideração
vem à mente no momento atual, de transição do mercado
monopolista para o mercado aberto de resseguros. As perspectivas para o
futuro são muito favoráveis e se manifestam no interesse
de várias resseguradoras e corretoras de resseguro em operar no
Brasil.A expectativa é de que até 90 empresas venham a participar
desse mercado nos próximos anos.
A transição, entretanto, apresenta
inevitáveis turbulências. O mercado está aberto e a
entrada é livre, sujeita às determinações da
lei. Mas, com poucas resseguradoras autorizadas, a competição
é pequena. Falta ainda o pleno entendimento do modo de operação
do resseguro aberto, o que é compreensível depois de mais
de 70 anos de monopólio do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB).
Fusões e aquisições são
prováveis, tendo em vista as dificuldades de seguradoras menos capitalizadas
e mais expostas ao risco de contratar resseguro nas condições
que obtinham anteriormente. A Superintendência de Seguros Privados
(Susep) foi relativamente conservadora nos requisitos de solvência
que, junto com o resseguro, garantem o patrimônio das seguradoras.
Isso lhe dará tempo para se ajustar ao novo ambiente e reverte em
benefício da segurança do mercado, mas retarda o impacto
pleno da abertura sem, no entanto, afetar as excelentes perspectivas de
médio e longo prazos.
Preocupações surgiram quanto ao
desenho do novo mercado, tendo em vista algumas salvaguardas contidas na
Lei Complementar n 126. Entretanto, a regulamentação optou
por uma interpretação liberal da lei. Assim, no que se refere
ao sistema de preferência - oferta obrigatória de 60% dos
prêmios cedidos aos resseguradores locais até janeiro de 2010
e 40% daí para frente -, os cedentes poderão incluir na oferta
as cotações que obtiverem junto a resseguradores admitidos
ou eventuais, podendo aceitá-las se forem melhores que as dos resseguradores
locais.
Não obstante, foi introduzida norma de
que seguradoras e resseguradores locais não poderão ceder,
em resseguro e retrocessão, respectivamente, mais de 50% dos prêmios
emitidos em cada ano. Ademais, as seguradoras não poderão
ceder diretamente para o ressegurador eventual mais de 10% da carteira
anual de negócios de resseguro.
Tratemos do longo prazo. A expectativa é
que a abertura do resseguro proporcione não apenas oportunidades
interessantes para as resseguradoras, mas também oferta de novos
produtos, mais competição entre os entes do mercado e crescimento
dos negócios de seguros diretos.
Com isso, ganharão os consumidores, por
meio de novas apólices e melhor apreçamento do risco; as
empresas, pelo uso mais eficiente de seus recursos; e o País, que
passará a contar com maior cobertura de seguros e uma regulação
de mercado em linha com as práticas internacionais. O atual ambiente
de estabilidade de preços, crescimento econômico e queda do
risco-País facilitam a tarefa do mercado, bem como o ciclo de "soft
market" no resseguro internacional.
No que se refere à arrecadação,
as projeções de longo prazo variam, mas parece inteiramente
afastada a idéia de que o impacto seria pequeno.
Segundo a Swiss Re, em 2003, os prêmios
de resseguro do ramo não-vida representaram mundialmente 13,7% dos
prêmios de seguros diretos e, no ramo vida, 1,9%. Na América
Latina (fora o Brasil), foram de 21% e 4%, respectivamente. No Brasil,
tais variáveis foram de 11,7% e menos de 1%. Assim, o alcance pelo
País de parâmetros internacionais implicaria forte acréscimo
da procura por resseguro. Antes da LC 126, fiz um exercício que,
supondo total reversão do cosseguro, dentre outras variáveis,
projetou aumentos de 208% nos prêmios de resseguros e de 34% nos
de seguros diretos três anos após a abertura do resseguro.
Na verdade, sabemos que a modelagem da transição é
difícil e o impacto pleno da abertura envolverá um prazo
maior.
Enfim, no que se refere ao resseguro, o futuro
chegou e espera-se que a abertura propicie forte crescimento de negócios
no ramo vida e em ramos notoriamente pouco desenvolvidos no Brasil, como
os seguros agrícola, de proteção ambiental, de florestas,
financeiro, etc. Os consumidores agradecem. O mercado e o Brasil também.
(Gazeta Mercantil - LAURO VIEIRA DE FARIA)
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