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11.03 - BC e produto potencial 
Qualquer cidadão que tenha alguma intimidade com o "chão da fábrica" sabe que, não importando a natureza e a sofisticação do controle, toda organização tende a acomodar-se num padrão de produção que, em condições normais de temperatura e pressão, dá relativo conforto aos seus participantes.
Quando solicitada (por uma variação externa), a organização aumenta (temporariamente) o nível de esforço para responder à pressão. Quem tiver dificuldade em aceitar esse fato (mesmo que seja um economista acadêmico fechado em seu universo de meditação) basta dar um olhar relativamente crítico ao seu entorno (e introspectivamente em si mesmo!) para introjetá-lo. Essa é uma velha "descoberta" (de 1966) do arguto economista Harvey Liebenstein. A esse nível de acomodação ele deu o nome de X-Eficiência.
Como é evidente, a existência desse fato lança sérias dúvidas sobre o uso apropriado do conceito de "função de produção" e sobre a teoria marginalista de distribuição nela implícita. A dúvida torna-se ameaçador pesadelo quando se tenta agregar as funções microeconômicas ao misterioso agregado a que se dá o nome de "produto potencial". E o ameaçador pesadelo torna-se uma realidade horrorosa quando usamos cegamente tal conceito para determinar a taxa de juro Selic (que ainda supõe conhecida a fugidia taxa de juro real de "equilíbrio") para manter a inflação na meta politicamente estabelecida.
Tem toda razão o ministro Henrique Meirelles, ilustre presidente do Banco Central ("Valor Econômico", 26/02/2010), quando afirma: "Não sabemos qual é o produto potencial do Brasil neste momento (...), porque ainda não há dados suficientes para analisar qual é o potencial de crescimento da economia hoje e onde vai se estabilizar a partir de 2011. O PIB potencial aumentou bastante entre 2002 e 2008".
Cuidadoso, acrescentou: "No processo de recuperação da economia, assim como num determinado ano se operou abaixo do potencial, é possível operar em alguns momentos acima do potencial". E, fazendo o velho "hedge", concluiu precavido: "A extensão desse período, e se isso é homogêneo nos diversos setores da economia, é outro problema. Não se pode fazer esse cálculo de forma simplista. Há uma série de outros fatores que precisam ser analisados".
É exatamente isso o que se espera da reunião do Copom de 15/16 de março. Seria pedir muito que cada membro revelasse por escrito os fundamentos do seu voto?  (ANTONIO DELFIM NETTO - Folha de S.Paulo)

11.03 - PIB deve crescer 4,7% no 4º tri
O resultado do PIB do quarto trimestre de 2009, que será divulgado amanhã pelo IBGE, deve apresentar crescimento de 4,7% na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, de acordo com a projeção do Credit Suisse.
O mercado espera crescimento de 4,5% no PIB (Produto Interno Bruto) do último trimestre do ano passado.
A expansão acontece após três trimestres seguidos de retração, devido aos impactos da crise financeira internacional. No terceiro trimestre, a economia brasileira havia tido retração de 1,2% ante o mesmo período de 2008.
"O crescimento confirma a forte recuperação da atividade econômica no Brasil, em particular dos investimentos", afirma Nilson Teixeira, economista-chefe do banco.
O perfil da recuperação, segundo Teixeira, liderada pela demanda doméstica, é diferente das retomadas passadas, que em geral foram lideradas pelas exportações. "Esse perfil tende a se repetir nos próximos trimestres, embora em ritmo menos acelerado do que o observado até agora", diz.
Na comparação com o terceiro trimestre, a previsão é de crescimento em todos os componentes do PIB sob a ótica da demanda, com destaque para a expansão dos investimentos. "Os investimentos continuarão crescendo nos próximos anos."  (Maria Cristina Frias - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

10.03 - Regras globais contra a crise emperram
Reunião de presidentes de bancos centrais na Suíça termina sem acordo, e ritmo diferente das economias dificulta consenso
Oposição de instituições barram "lista negra" de bancos em dificuldade; Meirelles chefiará Conselho das Américas do BIS
Está empacando o plano de impor regras mais duras para os bancos "sistemicamente importantes" -aqueles cuja quebra pode se perpetuar em cascata pelas finanças de um país ou pela economia global.
A proposta foi inicialmente colocada como um pilar da estratégia do BIS (o Banco para Compensações Internacionais, que rege os BCs mundiais) para evitar novas bolhas de crédito e conter o efeito de crises futuras. Mas, a cada reunião da entidade e de seu Conselho de Estabilidade Financeira, as medidas que poriam o plano de pé ficam mais nebulosas.
O prazo para definir as regras é setembro, com vistas à sua aprovação até o fim do ano e implementação até 2012.
De início, o BIS listaria as instituições alvo de atenção especial. Mas queixas dos bancos privados, contrários a uma "lista negra", dividiu os 27 BCs, e a ideia sucumbiu. Depois, proclamou-se que as medidas (como um valor mais alto para o "colchão" de capital que cada banco terá para se prevenir contra crises) seriam fixadas pela entidade central. Agora, não mais.
"O que estamos discutindo é exatamente o quão específico o comitê da Basileia pode ser nessa definição das organizações sistemicamente importantes, de quais serão os colchões de capital e de liquidez", disse o presidente do BC brasileiro, Henrique Meirelles.
Mais cedo, Mario Draghi, presidente do conselho, afirmara que caberia a cada BC avaliar as medidas aplicáveis a seu sistema. "Temos de ter um mínimo de regulação comum em um campo como este, e aí os países teriam liberdade para tomar mais medidas", disse.
A discussão cresce com a desarmonia no ritmo da recuperação econômica global, com a Ásia à frente, os demais emergentes em seguida (Brasil inclusive), os EUA depois e a Europa na lanterna. Afinal, enquanto delineiam as regras, os BCs precisam tratar da retirada gradual das medidas que tomaram para ampliar a liquidez em seus países no auge da crise.
E a disparidade nessa operação ficou clara nas reuniões do BIS ontem e domingo. Jean-Claude Trichet, que preside a entidade, frisou ser interesse geral corrigir o desequilíbrio.
O Brasil nesse campo vai bem, diz Meirelles, já tendo retirado das reservas o saldo dos estímulos e revertido quase completamente a decisão excepcional de liberar o compulsório, entre outras coisas.
Segundo ele, EUA e emergentes se recuperam mais rápido, e o risco é a União Europeia. O BIS debateu o risco de a crise da dívida grega contaminar o bloco, inflando os juros das dívidas de outros países. Outra preocupação, segundo Meirelles, é com uma bolha chinesa.
Ontem, como antecipou a coluna "Mercado Aberto", Meirelles anunciou que chefiará o Conselho das Américas do BIS.  (LUCIANA COELHO - Folha de S.Paulo)

10.03 - Analistas: Selic aumentará só em abril
Analistas do mercado financeiro esperam que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central eleve a taxa básica de juros, a Selic, em 0,5 ponto percentual em abril deste ano. Atualmente a taxa básica está em 8,75% ao ano e a expectativa é de que suba para 9,25% no próximo mês.
Na reunião marcada para os próximos dias 16 e 17, os analistas consultados pelo BC esperam que a taxa permaneça no atual patamar.
Na avaliação dos analistas, a Selic deve ter nova alta em junho (9,75% ao ano), em julho (10,25% ao ano), em setembro (10,75% ao ano) e em outubro (11,25% ao ano).
O Copom eleva a taxa básica quando considera que a economia está aquecida e que a trajetória de inflação é de alta. O BC persegue a meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. Para este e o próximo ano, a meta é de 4,5%, com margem de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Na projeção dos analistas, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que serve de referência para a meta de inflação, deve fechar 2010 em 4,99% e 2011 em 4,50%.
A Selic é a taxa praticada nas operações de curtíssimo prazo entre bancos e remunera empréstimos que o governo toma, por meio do lançamento de títulos. Essa taxa também influencia nos juros cobrados nos empréstimos ofertados pelas instituições financeiras aos seus clientes.     (Agência Brasil/Jornal Monitor Mercantil)

10.03 - Inflação oficial fecha fevereiro em 0,78%
A inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do mês de fevereiro apresentou variação de 0,78%, pouco acima da taxa de 0,75% registrada no mês de janeiro. Com o resultado de fevereiro, o acumulado do ano fechou em 1,54%, acima da taxa de 1,03% relativa a igual período de 2009, segundo divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O grupo Educação, com alta de 4,53% e contribuição de 0,32 ponto percentual (p.p.), foi responsável por 41% do índice de fevereiro. Refletindo os reajustes típicos do início do ano, os aumentos nas mensalidades escolares ficaram em 5,38%, com 0,26 p.p., a maior contribuição individual do mês.
De janeiro para fevereiro, os preços dos alimentos continuaram aumentando, mas em ritmo um pouco menor (de 1,13% para 0,96%). Vários se mantiveram em destaque, a exemplo dos açúcares refinado (de 6,25% para 10,90%) e cristal (de 10,27% para 10,48%), tomate (de - 3,74 para 17,26%), leite pasteurizado (de 1,88 % para 2,84%) e arroz (de 3,26 % para 4,45%).
Os combustíveis apresentaram resultados menores em fevereiro, de 2,08% para 1,14%. Sob influência da alta dos preços do álcool, a gasolina passou de 1,33%, em janeiro, para 0,97% em fevereiro. Com isto, o grupo dos Transportes passou de 1,45% para 0,79%.
Assim, atuando no sentido de conter o índice do mês, além do menor ritmo de crescimento dos alimentos, combustíveis e outros itens, vale destacar a queda nos preços dos remédios (de 0,06% para -0,43%) e artigos de vestuário (de 0,31% para -0,52%). Ainda assim, o agrupamento dos produtos não alimentícios teve variação de 0,73% (acima dos 0,64% de janeiro) em razão dos aumentos registrados em Educação.   (Executivos Financeiros)
 
 
 
 
 
 

09.03 - BNDES bate recorde de desembolsos à AL
Financiamento à exportação de bens e serviços brasileiros na região cresceu 77% em média ao ano no segundo mandato de Lula
Empresa mais beneficiada é a Odebrecht , mas pagamentos do banco correspondem a só 10% do que a construtora recebe por obras no exterior
Em 2009, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) bateu o recorde em sua linha de financiamentos às exportações de serviços e bens brasileiros para a América Latina e o Caribe: desembolsou US$ 726 milhões a países da região, sobretudo para a contratação de obras de infraestrutura, realizadas por empreiteiras brasileiras.
Na média anual do primeiro mandato de Lula (2003 a 2006), os desembolsos ficaram em US$ 352,1 milhões -cifra 26% superior à média do segundo governo FHC. Essa média subiu 77% no segundo mandato de Lula, para US$ 622 milhões, segundo dados compilados a pedido da Folha. Lançada em 1997, a linha especial de crédito já movimentou US$ 4,9 bilhões na América Latina.
O aumento coincide com a ênfase do governo na liderança regional e na internacionalização das empresas brasileiras. Argentina, República Dominicana, Equador, Venezuela e Chile lideram a lista dos tomadores dos empréstimos.
Entre as construtoras, a Odebrecht, há 30 anos no mercado externo, foi a maior beneficiada. Dos cerca de US$ 600 milhões que a empresa recebeu em 2009 dessa linha do BNDES, 80%, ou US$ 480 milhões, foram referentes a contratos na Argentina e na República Dominicana -o restante corresponde a Angola.
De um lado, o programa visa promover exportações de bens e serviços brasileiros -de 50% a 80% do valor da obra é financiado pelo BNDES, para compras de produtos do país. De outro, cobre uma lacuna de crédito em alguns países.
"São esses os nossos clientes. Não dá para ser nem uma Suíça nem uma Dinamarca. Esses não precisam. Ou a gente faz ou não tem ninguém para fazer", disse Luciane Machado, superintendente de Comércio Exterior do BNDES. Os projetos incluem hidrelétricas, gasodutos, rodovias, ônibus e linhas de metrô. O BNDES não financia bens, serviços e mão de obra do país que contrata a obra.
Para Kurt Müller, diretor da Abimaq (associação da indústria de máquinas), o programa "alavanca" as vendas nacionais do setor. Cerca de 40% do valor total das operações, afirma, se refere a bens exportados. "A construtora brasileira sempre prefere levar uma máquina a que já está acostumada."
Luiz Antonio Mameri, presidente da Odebrecht América Latina e Angola, diz que a linha é "extremamente importante", embora o que a empresa recebe do BNDES signifique apenas 10% de seus ingressos por obras em 18 países -um total de entre US$ 6 bilhões e US$ 6,5 bilhões em 2009.
"Há uma interpretação incorreta de que o Brasil financia obra em outro país, quando financia bens e serviços brasileiros, gerando impostos e movimentando a economia aqui", diz Mameri, recém-chegado de Cuba, onde a empresa inicia ampliação de porto financiada pelo BNDES. Segundo ele, nas obras no exterior com outra fonte de financiamento a proporção de bens e serviços brasileiros usados pela Odebrecht cai de cerca de 60% para 5%.
No mercado externo há quatro anos, a OAS já construiu uma rede de gás no Uruguai com recursos do BNDES e articula mais três financiamentos, num total de US$ 1,1 bilhão, para uma rodovia na Bolívia e um aqueduto e uma hidrelétrica na Argentina. "10% do nosso faturamento tem origem no exterior. A meta é chegar a um terço em 2012", afirma Cesar Uzêda, diretor da área internacional da construtora.
Estudo do BNDES qualifica de "altamente competitivo" o mercado internacional de serviços de construção. Na África, quase 50% das empresas contratadas vêm das metrópoles europeias, embora os chineses, agressivos no financiamento, já tenham 21% do mercado.
Riscos
Segundo Machado, do BNDES, a linha de crédito à exportação para a América Latina tem risco menor do que a média do banco porque os contratos são garantidos pelo CCR (Convênio de Crédito Recíproco), sistema de compensação entre bancos centrais.
"Mesmo na moratória argentina, os empréstimos foram pagos. Uma vez o crédito cursado, ele é irrevogável", afirma ela. Cuba, que não está no CCR, deu como garantia conta no exterior que recebe receitas de suas exportações.
Em 13 anos, o BNDES enfrentou somente um contencioso, com o Equador, que contesta em tribunal internacional as condições de financiamento à construção de uma hidrelétrica pela Odebrecht. Apesar da disputa, os pagamentos continuam.   (CLAUDIA ANTUNES e PEDRO SOARES - Folha de S.Paulo)

09.03 - País saiu da crise graças à regulação sólida
Time de ex-ministros, ex-diretores do BC e economistas de peso sugere em livro aprimorar supervisão para blindar Brasil
O Brasil saiu fortalecido da crise global graças a um sistema financeiro sólido, a regras de regulação e supervisão rígidas e a uma administração eficiente da autoridade monetária.
Mas as lições extraídas do abalo econômico indicam que ainda há muito o que fazer nas áreas de monitoramento, prevenção e regulação, para evitar crises futuras. A dupla de Mários (Mesquita e Torós) que esteve na linha de frente do Banco Central (BC) no auge da crise global, entre 2008 e 2009, detalha a atuação do BC nesse período crítico e sugere um cardápio de medidas para evitar novas turbulências no livro "Risco e Regulação", que será lançado na próxima quinta-feira, no Rio, pela Editora Campus/Elsevier.
Organizado pelos economistas Marcio Garcia (PUC-Rio) e Fábio Giambiagi (BNDES), o livro traz análises e reflexões sobre a origem da crise global, as lições e o caso brasileiro, com contribuições de um time de especialistas e formuladores de políticas públicas de primeira linha - que inclui os ex-ministros da Fazenda Maílson da Nóbrega e Pedro Malan, os expresidentes do BC Gustavo Franco e Gustavo Loyola, o ex-diretor de Normas do BC Sérgio Darcy, e o ex-subsecretário do Tesouro americano John Taylor.
Economistas sugerem ação conjunta de BC e CVM No artigo assinado pelo atual diretor de Política Econômica do BC, Mário Mesquita, e pelo ex-diretor de Política Monetária, Mário Torós, a dupla sugere medidas para mitigar ou mesmo evitar crises futuras. Entre as ações, propõem o aumento da regulação sobre fundos de investimentos, de forma que o BC e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) passem a ter, em conjunto, "autoridade de supervisão sobre essa indústria, especificamente sobre os fundos que fazem parte de conglomerados financeiros liderados por bancos".
Outra proposta é a realização de leilões de liquidez em moeda nacional, complementares às linhas de redesconto oferecidas pelo BC aos bancos, que se mostraram ineficazes durante a crise, pelo estigma que as vinculam às dificuldades das instituições.
Também é sugerido por Mesquita e Torós o aumento da regulação e um estreitamento das relações entre o BC e a CVM no monitoramento de empresas não-financeiras cujas ações podem ter implicações no sistema financeiro, como aconteceu no Brasil com a excessiva exposição a derivativos cambiais de grandes empresas.
A avaliação geral, porém, é que o Brasil se saiu bem da crise porque tem um sistema financeiro sólido e regras rígidas de regulação e supervisão.
- O Brasil se saiu relativamente bem na crise, em boa parte por termos tido uma regulação financeira mais adequada que nos próprios países centrais, mérito compartilhado por várias administrações - destaca Giambiagi.
- Fizemos a coisa certa, mas temos que continuar aprimorando.
A complacência na questão fiscal vai criar problemas para o desenvolvimento futuro do país - alerta Marcio Garcia.
O papel do Estado na prevenção de crises sistêmicas e a atuação dos BCs é um dos temas debatidos. Maílson rebate argumentos daqueles que culpam os BCs dos países ricos pela crise, como o ex-subsecretário do Tesouro dos EUA John Taylor. Este considera uma falha do governo americano não ter usado a política monetária para furar a bolha imobiliária, aumentando as taxas básicas de juros. Já Maílson acredita que os BCs devem atuar após o estouro das bolhas: "Não é trivial estabelecer se a expansão de um determinado ativo tem base em fundamentos ou sinaliza uma bolha.
Por isso, o papel relevante dos BCs é lidar com o day after (o dia seguinte)".
Arcabouço jurídico como exemplo para os EUA Gustavo Franco sugere que parte do arcabouço jurídico existente no Brasil - como o mecanismo de intervenção no sistema financeiro, por exemplo - poderia ser usado nos EUA como forma de evitar crises generalizadas.
Gustavo Loyola defende um conjunto de normas para tornar o sistema financeiro menos vulnerável.
Propõe, por exemplo, que a regulação e a supervisão sejam abrangentes, de modo a incluir todos os intermediários financeiros que tenham importância sistêmica.
Já o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan, em artigo sobre a crise e o processo de superação, dá uma estocada no governo: "É respeitar os outros - e os fatos - reconhecer que o governo Lula contribuiu para esse processo ao longo dos últimos sete anos. É desrespeitar os outros - e os fatos - a tentativa de apropriação exclusiva, porque indébita, dos resultados desse processo. Espero, pois, que possamos um dia recuperar um certo senso de perspectiva que hoje a muitos parece faltar - expresso no discurso fácil (...) do 'nunca antes, jamais, na História deste país'. Como se o Brasil tivesse começado a enfrentar seus problemas apenas a partir de 1º de janeiro de 2003 - pretenso marco zero de uma enganosa Nova Era".   (Regina Alvarez - O Globo)

09.03 - Presente de grego
Entre 1999-2002, a dívida pública parecia que ia explodir, crescendo sistematicamente acima do Produto Interno Bruto (PIB). As sobras fiscais, mesmo altas, eram insuficientes para cobrir minimamente a despesa de juros.
Parte da explicação era que a própria dívida era alta. Além disso, a taxa de câmbio subia muito e pressionava a inflação e a dívida, em parte indexada ao dólar. Para combater a inflação, o Banco Central (BC) subia as taxas de juros, levando à queda dos investimentos e da taxa de crescimento do PIB e ao aumento da dívida.
As subidas da taxa de câmbio se deviam à saída de dólares decorrente de choques frequentes, na presença de reservas internacionais baixas e do alto peso da dívida pública de origem externa. Os avanços da era FHC se mostravam, assim, insuficientes para nos livrar rapidamente do círculo vicioso em que o País se encontrava.
A fase de bonança internacional que se seguiu acabou legitimando a decisão governamental, inspirada na visão do ministro Antonio Palocci, de manter a política macroeconômica anterior inalterada. Assim, depois de um 2003 bastante difícil, o País ingressou rapidamente num círculo virtuoso, em que, tanto por conta das exportações crescentes como do forte ingresso de capitais, a taxa de câmbio caiu seguidamente, a inflação e as taxas de juros, idem, e o PIB passou a crescer a taxas mais elevadas.
Em consequência, a dívida pública começou a declinar relativamente ao PIB, atingindo um ponto mínimo em novembro de 2008. Equacionava-se, assim, em grande medida, o problema de insolvência do setor público brasileiro.
Diante da crise de 2008, mesmo impedido de fugir da queda das exportações, o governo pôde se dar ao luxo de reforçar a ação anticíclica do Banco Central, estabelecendo isenções temporárias de impostos e aumentando os gastos, além de injetar um volume de recursos sem precedentes no BNDES, que emprestava ao setor produtivo. Só que, nas suas contas, enfatizou o aumento de gastos correntes, especialmente aumentos de salários, em vez de focar nos investimentos, passíveis de ajuste relativamente tranquilo à frente.
O País logo voltou a crescer, mas ficaram dois grandes problemas, ambos programados para estourar em 2010 ou, no máximo, em 2011. O primeiro, que na fase pré-2003 nunca aparecia, foi mais uma instância de congestionamento de gastos públicos e privados que aconteceu pelo menos duas vezes entre 2003 e 2008, quando se abriu espaço para os investimentos privados crescerem de forma mais expressiva.
Em face de gastos públicos correntes em permanente ascensão, à medida que as taxas de câmbio e de juros entraram em rota de queda, foi só questão de tempo para o citado congestionamento se transformar em excesso de demanda agregada ? excesso este capaz de pressionar preços para cima e as contas externas, para o déficit. Isso força o BC a retomar a alta taxa de juros Selic, que serve de base para as demais taxas praticadas nos mercados financeiros. Projeta-se, inclusive, subida dos atuais 8,7% para 11,2% antes do final do ano.
O outro problema complicado é o aumento do risco fiscal, por duas razões básicas. Diante da crise, a despesa subiu bem mais do que vinha subindo anteriormente. Enquanto isso, a receita desabava. Voltaram, assim, dúvidas sobre a geração de superávits fiscais suficientes nas contas públicas. Dado que o crescimento da despesa são favas contadas para os próximos dois anos, quando (e como) a receita vai chegar ao ponto ideal?
Por outro lado, a emissão de dívida mobiliária aumentou a uma velocidade cada vez maior, principalmente para injetar recursos no BNDES (no ano passado, uma injeção de R$ 100 bilhões foi amplamente alardeada). Isso significa que, mesmo sendo utilizados para empréstimos, o que implica nenhum efeito inicial sobre a dívida pública líquida (dívida bruta menos ativos financeiros), tem-se logo em seguida o impacto desfavorável da diferença positiva entre a despesa de juros, pela captação, e a receita financeira, do lado da aplicação.
Finalmente, há o risco inerente ao tipo de empréstimo que é feito pelo BNDES. Até que ponto haverá retorno efetivo dos recursos emprestados? Adiciona-se, assim, mais uma dúvida sobre a qualidade dos ativos que são abatidos da dívida bruta no cálculo da dívida líquida. Lá existem empréstimos dificilmente recuperáveis a Estados e municípios e o estoque prévio de recursos públicos emprestados via BNDES.
Dado o diferencial desfavorável de juros acima citado, o custo implícito da dívida líquida acaba ficando bem maior que a Selic, aproveitando apenas parcialmente suas quedas. Pela piora da qualidade dos ativos, o valor da dívida que deveria entrar nos cálculos relacionados com a busca de solvência é maior do que parece à primeira vista. Assim, é preciso gerar mais superávit fiscal do que se deduz em análises superficiais.
Em resumo, entre 2010 e 2011 far-se-á menos superávit do que se precisa para manter a dívida sob controle. A não ser que venham mais impostos ou cortes de gastos rígidos. Que presente!    (Raul Velloso - O Estado de S.Paulo)
 
 
 
 
 
 

08.03 - Presente de grego
A crise na Grécia teve o efeito positivo de chamar a atenção do mundo rico para a necessidade de corrigir rumos
A dificuldade da Grécia para administrar sua dívida pública continua a ser um dos temas dominantes nos mercados financeiros. Embora as especulações sobre uma possível situação de insolvência tenham se reduzido, o nervosismo associado a uma crise no seio da poderosa União Europeia continua a ser um fator de instabilidade no mundo desenvolvido. Como resultado, o euro flutua como se fosse uma moeda emergente, e não mais como uma alternativa ao dólar no sistema financeiro internacional.
A Grécia, com a relação dívida sobre PIB de 130%, é certamente uma situação-limite dentro do espaço europeu. Mas a verdade é que a deterioração fiscal por conta da crise é hoje comum a todos os membros da UE. Mesmo a comportadíssima Alemanha deve ter neste ano um deficit fiscal de mais de 6% do PIB, com sua dívida pública tocando os 80% do PIB no fim de 2010.
Mas todos sabem que a sociedade alemã tem uma tradição de aceitar -quando se faz necessário- um ajuste fiscal de grandes proporções, como aconteceu nos anos que se seguiram ao processo de reunificação do país. Entretanto essa não é a tradição dos chamados países mediterrâneos da UE, como Espanha, Itália e Grécia. Entre os chamados Piigs, apenas a Irlanda, que enfrenta uma situação fiscal tão grave como a grega, vem dando mostras de aceitar os sacrifícios necessários para preservar o desenvolvimento econômico atingido nos anos anteriores à crise.
Além dessa diferença de comportamento social, outro fator diferencia os Piigs das nações mais avançadas na Europa. O esforço fiscal necessário para voltar à situação de endividamento público que prevalecia antes da crise em um caso e no outro tem dimensão completamente distinta. Tomemos os dois casos-limites, que são Alemanha e Grécia. O FMI fez um cálculo do esforço fiscal para que isso venha a ocorrer entre 2010 e 2020 nesses dois países.
No caso alemão, será preciso gerar -entre aumento de impostos e corte de despesas- um aperto fiscal de 4,4% do PIB. No caso da Grécia, esse esforço terá de ser superior a 15% do PIB nesse mesmo período de dez anos. Parece-me que nem na época heroica de Ulisses isso teria sido possível. Mas posso estar errado.
O estudo do FMI traz dados muito interessantes sobre o ajuste necessário para uma situação fiscal mais estável no Primeiro Mundo. O que mais chama a atenção é o número relativo aos Estados Unidos, a maior economia do mundo. O aperto necessário -despesas menores e impostos maiores- é de 10,6% do PIB, número superior ao da Espanha, que está na infame lista dos Piigs. Outro fato que chama a atenção é o número associado à normalização fiscal do Japão: 13,5% do PIB, inferior apenas ao valor calculado para a Grécia.
Normalmente se associa um presente de grego a algo ruim. Mas agora uma série de analistas está defendendo que -dessa vez- o presente fiscal grego deve ser bem-vindo. Isso porque as dificuldades no pais de Sócrates tiveram o efeito positivo de chamar a atenção dos governos e das sociedades no mundo mais rico para a necessidade de uma correção de rumo.
A dimensão dos ajustes é enorme, e o esforço será longo. É plausível que os mercados tenham paciência no caso dos EUA, mas os países mais frágeis permanecerão reféns dos especuladores globais. Vamos conviver com as incertezas de hoje por muito tempo.   (LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS - Folha de S.Paulo)

08.03 - Fundos perdem após ajudar bancos
Foram necessários três dias até que o Government of Singapore Investment Corp. (GIC) concordasse em socorrer o UBS, que sofria com as perdas no subprime. Pode ser necessária uma década para recuperar esse investimento de US$ 10 bilhões.
O GIC, que administra mais de US$ 100 bilhões das reservas de moeda estrangeira da cidade-Estado, enfrentará um prejuízo não realizado de cerca de US$ 5,1 bilhões quando se tornar o maior acionista do UBS, dia 5 de março, pois as ações do maior banco suíço são negociadas a um terço do preço de conversão registrado nas notas em poder do fundo.
Cingapura não está sozinho entre os fundos soberanos que enfrentam perdas por terem auxiliado bancos americanos e europeus na crise de crédito. Mais de US$ 69 bilhões em investimentos feitos por tais fundos produziram até o momento US$ 20 bilhões em prejuízos realizados e não realizados, de acordo com dados reunidos pela Bloomberg. Afetados pela contribuição feita para preservar a saúde do sistema financeiro e presos a alguns desses investimentos por anos, os fundos soberanos podem se mostrar menos dispostos a ajudar os bancos quando estes se virem em novas dificuldades.
"Gato escaldado não toma banho", diz Charles Whitehead, professor de direito financeiro da Universidade Cornell, que acompanhou a estratégia dos fundos. "Se um banco enfraquecido voltar a procurá-los numa crise futura solicitando capital, os fundos soberanos devem recusar esses apelos." Os diretores dos bancos americanos e europeus fizeram solicitações pessoais aos fundos no auge do derretimento do mercado de hipotecas. Na época, Marcel Ospel, então presidente do UBS, de Zurique, telefonou ao diretor executivo de investimentos do GIC, Ng Kok Song.
Reconhecendo que pode ser necessário mais tempo do que o inicialmente esperado para recuperar o dinheiro, Ng disse no relatório anual do GIC, publicado em setembro, que ainda está "confiante" na "perspectiva de longo prazo" do investimento.
Nesta semana, o GIC, que não quis fazer comentários para a reportagem, receberá 230,7 milhões de ações do UBS em troca de suas notas obrigatoriamente conversíveis, ao preço de cerca de US$ 44 cada. As ações da UBS valiam US$ 13,83 no fechamento das negociações de segunda-feira.
"O jogo se revelou mais difícil do que parecia", disse Florian Esterer, que ajuda a administrar cerca de US$ 55 bilhões, incluindo ações do UBS, na firma Swisscanto Asset Management, de Zurique. Para que as ações do UBS retornem aos níveis de 2007 "é mais provável que seja necessária uma década, e não apenas 3 anos".
Houve também negócios rentáveis, como os concretizados pelos fundos do Catar e de Abu Dabi, que esperaram até o aprofundamento da crise para investir no Barclays, de Londres, e no Credit Suisse, de Zurique. Ainda assim, um terço do lucro, que chega a US$ 12 bilhões, resultou de alteração regulatória.
Depois que o governo americano passou a exigir dos bancos em dificuldades que aumentassem a proporção de ações comuns em relação a níveis mais frágeis de capital, o Citigroup teve de oferecer preços favoráveis aos seus acionistas preferenciais para que se convertessem em acionistas comuns. Isso levou a um lucro inesperado de US$ 4 bilhões ao Kuwait e ao GIC, relativo a investimentos que teriam representado prejuízo de US$ 9 bilhões dentro das regras originais dos acordos.
O Abu Dhabi Investment Authority não foi beneficiado porque não comprou ações preferenciais quando socorreu o Citigroup, de Nova York.
Assim, pôde enfrentar um prejuízo não realizado de US$ 4,8 bilhões quando for obrigado a converter este mês suas "equity units" - papéis estruturados que consistem em US$ 2,8 bilhões de contratos de compra de ação e US$ 700 milhões de títulos subordinados - em ações a preço quase dez vezes superior ao atual. Abu Dabi entrou com queixa contra o Citigroup, alegando que o banco não foi transparente quanto à sua saúde financeira quando o procurou em busca de capital. Em pronunciamento divulgado em dezembro, o Citigroup chamou a queixa de "infundada".
Houve outras apostas lucrativas nos bancos durante a crise, como o investimento da Berkshire Hathaway Inc., de Warren Buffett, no Goldman Sachs Group, em setembro de 2008. Buffett comprou US$ 5 bilhões em ações preferenciais perpétuas com dividendo de 10%, obtendo para a Berkshire US$ 500 milhões com a distribuição de lucros. Ele também recebeu garantias para comprar US$ 5 bilhões em ações comuns por US$ 115 cada em qualquer momento nos próximos 5 anos. Com base no preço de US$ 156,54 por ação registrado no fechamento do pregão de segunda-feira, a Berkshire obtém um lucro não realizado de US$ 1,8 bilhão com as garantias.
"Uma lição que todos os investidores aprenderam com essa crise, incluindo os fundos soberanos, é que se deve fazer a lição de casa antes de investir", disse Rachel Ziemba, analista sênior que acompanha esses fundos para o RGE Monitor, de Nouriel Roubini, em Nova York. O investimento dos fundos nos bancos durante a crise divergiu da estratégia tradicional, que propõe uma participação menor numa maior gama de empresas, disse Rachel.
A distribuição diversificada da participação da China Investment Corp. (CIC) em quase 100 empresas americanas, revelada em relatório entregue às autoridades no mês passado, prova que eles estão voltando às metas originais, disse ela.
Em junho, a CIC aumentou em US$ 1,2 bilhão seus investimentos no Morgan Stanley, apesar de sua compra inicial estar fora do preço em cerca de US$ 2 bilhões dos US$ 5,6 bilhões investidos. O fundo participou da venda de novas ações do Morgan Stanley, dizendo esperar que o banco de investimentos se torne mais competitivo. As "equity units" compradas pela CIC em 2007 serão convertidas em ações a US$ 48 cada em agosto. As ações do Morgan Stanley fecharam o pregão de segunda-feira a US$ 28,19. A CIC não quis comentar.
Os fundos soberanos tendem a apoiar as empresas nas quais investiram em tempos de necessidade, disse Nuno Fernandes, professor de finanças da Faculdade de Administração IMD, em Lausanne, Suíça, que estuda os fundos. Ainda assim, as perdas recentes "tiveram grandes implicações internas, e os fundos foram criticados por sua clientela local". "No futuro, eles investirão menos nos produtos financeiros."   (Elena Logutenkova e Yalman Onaran - Bloomberg News,  tradução Augusto Calil - O Estado de S.Paulo)

08.03 - Câmbio e juro já não causam preocupação
Por que o mercado financeiro doméstico anda tão nervoso com câmbio e juros? Essa é a pergunta mais ouvida pela delegação do Banco Central, chefiada pelo seu presidente, Henrique Meirelles, em reuniões com investidores de Wall Street. "Os estrangeiros já não estão mais preocupados com esses detalhes da política econômica, por isso estão muito curiosos com a alta temperatura no mercado brasileiro", diz uma fonte que acompanha as conversas.
Nos últimos dois dias, Meirelles manteve uma intensa agenda de encontro com banqueiros, fundos de investimento, analistas econômicos e agências de classificação de risco. Também integram a comitiva o diretor de política econômica do BC, Mario Mesquita, e o novo diretor de assuntos internacionais da instituição, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo.
As eleições presidenciais deste ano foram outro tema recorrente nas conversas. Sobre ele, a delegação do BC mais ouviu do que falou. "A avaliação geral é que, hoje, as instituições brasileiras, como o BC e os marcos da política fiscal, são bastante sólidas", afirma uma fonte. "Isso garante um processo sucessório bem tranquilo."
Dentro do Brasil, assinala a fonte, o momento exato em que o BC vai subir os juros, seja março, abril ou depois, vem sendo tratado como informação crucial para definir a sorte da economia nos próximos anos. Algo semelhante, acrescenta, ocorre com o câmbio. Ora os analistas defendem pesadas vendas de dólares para evitar depreciações mínimas, ora pregam compras agressivas para evitar maior valorização da taxa.
Esses assuntos, por enquanto, estão fora do radar dos investidores de Wall Street, mas os ruídos vindos do Brasil estão começando a chamar a atenção. "É como se o mercado financeiro brasileiro soubesse algo que Wall Street também deveria saber", diz a mesma fonte.
Num dos encontros, investidores fizeram perguntas diretas sobre câmbio e juros, segundo o relato de um dos seus participantes. Meirelles respondeu com uma outra questão: "Se o BC resolvesse fazer movimentos extremos nos juros neste ano, deixando de subi-los ou subindo demais, isso afetaria de alguma forma as suas decisões de investimento?" A resposta unânime entre os presentes foi que nada que o BC fizesse ou deixasse de fazer seria capaz de afetar suas decisões de investimentos. "Decisões imediatas do BC sobre câmbio e juros já não afetam mais as decisões de investimento estrangeiro", diz uma fonte que acompanha as conversas. "Isso é muito bom porque diz muito sobre a credibilidade da políticas econômicas do Brasil."
Um banqueiro especializado em vender papéis de empresas brasileiras concorda que, mesmo em um ano de eleições presidenciais, o tema macroeconômico desapareceu das conversas com investidores de Wall Street. "Uns anos atrás, quando eu ia vender o Brasil, sempre tinha que fazer uma didática e detalhada exposição sobre a macroeconomia", relata. "Agora, eles sabem que nossa política econômica está no caminho certo e pedem para a gente pular essa parte."
O BC disse aos seus interlocutores em Wall Street que a ansiedade do mercado doméstico se deve a uma combinação de fatores. Primeiro, o fato de parte dos investidores brasileiros terem montado posições de curto prazo no mercado financeiro, cujos ganhos estão diretamente ligados aos movimentos imediatos de juros e câmbio. Segundo, uma memória mais viva das crises vividas no país, que fazem o mercado doméstico acreditar que a próxima turbulência está muito próxima.
Já os investidores estrangeiros estão interessados na perspectiva de longo prazo do país. Diz pouco, afirma a fonte, se o BC vai subir os juros já ou daqui a pouco. O importante é qualidade da política monetária ao longo dos anos. As oscilações do câmbio também seriam secundárias, diante das perspectivas favoráveis de financiamento da conta corrente. O BC projeta para 2010 um déficit em transações correntes de US$ 40 bilhões, que será financiado com um ingresso esperado de US$ 45 bilhões em investimentos estrangeiros diretos. "Os investidores têm dito que as projeções do BC de ingressos de investimentos diretos são muito conservadoras", diz uma fonte que participa dos encontros.   (Alex Ribeiro - Valor Online)
 
 
 
 
 
 

05.03 - Economia dos EUA teve leve melhora
As condições econômicas nos Estados Unidos continuaram a melhorar ligeiramente no início de 2010, apesar das nevascas que atingiram a Costa Leste em fevereiro e afetaram vários setores da economia, segundo o mais recente Livro Bege do Federal Reserve (Fed, banco central americano). Nove dos 12 distritos regionais do Fed informaram que a atividade econômica melhorou, mas em muitos casos os aumentos foram modestos.
O Livro Bege é um sumário da atividade econômica preparada para servir de base para a decisão de política monetária do Comitê Federal de Mercado Aberto do banco central americano, cujo próximo encontro está marcado para 16 de março. O mais recente relatório foi preparado pelo Fed de Kansas City, que reuniu informações sobre as condições econômicas através dos distritos até ou antes de 22 de fevereiro.
O Fed de Richmond informou que a atividade econômica diminuiu ou permaneceu fraca através de muitos setores, em virtude especialmente das condições climáticas severas naquela região em fevereiro. O gasto de consumo, um importante motor do crescimento econômico dos EUA, melhorou ligeiramente em muitos distritos desde o Livro Bege anterior, de 13 de janeiro.
"A atividade industrial se fortaleceu em muitos distritos, particularmente nas indústrias de equipamentos de alta tecnologia, automóveis e metais", diz o relatório. "Entre os informes sobre as expectativas de no curto prazo, a perspectiva do setor industrial era otimista, mas os planos de investimentos permanecem cautelosos." Os distritos de Boston, Chicago, Cleveland, Kansas City, Nova York e Filadélfia reportaram que as expectativas de curto prazo são otimistas, embora as companhias na região de Kansas City estivessem menos otimistas em comparação ao relatório anterior. Apenas os distritos de Boston e Filadélfia informaram que as companhias estavam planejando aumentar os investimentos no ano corrente. Cleveland, Chicago e Kansas City informaram que as expectativas são de continuidade de investimentos modestos.
Imóveis
A atividade nos setores de construção e imóveis comerciais se enfraqueceu ou ficou mais debilitada, segundo o Livro Bege. A demanda por empréstimos também permaneceu fraca e os padrões de empréstimos ainda estavam apertados em todo o país. Os distritos de Nova York, St.Louis e Kansas City informaram que observaram padrões de empréstimos um tanto mais apertados para o financiamento de imóveis comerciais. Nova York observou um aumento no rigor dos padrões para concessão de empréstimos para imóveis comerciais e empresas.
Na semana passada, o presidente do Fed, Ben Bernanke, alertou que os bancos pequenos e regionais podem ficar sob pressão das perdas de empréstimos para imóveis comerciais, obstruindo sua habilidade de conceder empréstimos para pequenas empresas e atingindo a economia mais ampla.
Emprego
O Livro Bege informou que os mercados de mão de obra no geral permaneceram fracos nos EUA, embora algumas áreas tenham reportado um ligeiro aumento nas contratações ou desaceleração nas demissões. Os economistas entrevistados pela Dow Jones preveem uma perda de 75 mil vagas em fevereiro, após uma perda de 20 mil vagas em janeiro. A taxa de desemprego, que é calculada usando uma pesquisa diferente, deve subir para 9,8% em fevereiro, de 9,7% no mês anterior. O Departamento do Trabalho divulgará seu relatório na sexta-feira.
A fraqueza do mercado de mão de obra resultou numa pressão salarial mínima, o que ajudou a manter a pressão de preços limitada, diz o Livro Bege. Contudo, vários distritos do Fed observaram um aumento nos custos de produção em virtude dos preços mais altos das commodities. As informações são da Dow Jones.  (Suzi Katzumata - Agência Estado)

05.03 - Selic: Compulsório adia alta de juros
O diretor financeiro e de relações com investidores do Itaú, Alfredo Setubal, disse na quarta-feira que o aumento do depósito compulsório (parcela de dinheiro que os bancos são obrigados a recolher no Banco Central) reduz a necessidade de alta na taxa Selic (taxa básica dos juros). Segundo ele, a medida adotada recentemente pelo governo acarreta um aumento natural de juros no mercado financeiro, reduzindo assim a necessidade de mexida na taxa Selic.  (Folha de S.Paulo)

05.03 - Indexação ainda segura queda da Selic
Política monetária: Debate sobre as causas dos juros elevados deve empolgar a sucessão presidencial
A alta do juro real nessa reta final do governo Lula deve servir de combustível aos debates eleitorais entre os candidatos a sua sucessão. Não faltam argumentos aos economistas do mercado para legitimar os juros elevados, nem justificativas para baixá-los por parte dos heterodoxos. Mas parece ser unanimidade entre as duas alas o ainda elevado grau de indexação da economia, tanto a financeira quanto a incorporada aos índices de inflação.
Contribui, por exemplo, para reduzir a eficácia da política monetária a elevada participação dos preços administrados no IPCA, que alcança a cerca de 33% desse índice. A insensibilidade desses preços à taxa de juros, aliada ao fato de que a taxa de crescimento dos mesmos, em geral, tem sido superior à inflação dos preços livres, requer que os preços livres sejam excessivamente represados, a fim de compensar a forte pressão (direta e indireta) exercida pelos administrados sobre o IPCA. "Para uma dada meta de inflação, a existência de preços administrados implica que a Selic deve ser mantida em nível superior àquele que seria necessário, caso todos os preços fossem livres", explica o pesquisador do IPEA, André Modenesi.
Outro entrave de transmissão: a alta participação das LFT no estoque da dívida pode gerar um canal perverso de transmissão da política monetária ou um efeito riqueza financeira às avessas. Um aumento da taxa básica geraria um incremento de renda que pode ampliar a demanda agregada, aumentando os preços. E uma elevação dos juros impacta negativamente o nível de atividade econômica. Entretanto, uma redução do nível de atividade tem efeito deflacionário muito reduzido. Ao puxar a Selic, o BC desaquece a economia. Entretanto, a inflação se reduz muito pouco em resposta a uma queda da atividade.
A segunda causa para o juro alto é a convenção (conceito desenvolvida pelo economista inglês John Maynard Keynes em 1937) conservadora. A morosidade no processo de diminuição da taxa básica somente se explicaria em função da aceitação por parte do BC de uma convenção estabelecida pelos agentes econômicos (e, sobretudo, pelo mercado financeiro) de que a taxa de juros de equilíbrio é muito elevada, podendo alcançar até 14%, e de que as decisões do Copom devem se basear em uma regra (a de Taylor) que suavize as variações da Selic. Tudo seria justificável à luz dessa convenção.
A explicação lançada pelos professores da FGV-SP Luiz Carlos Bresser-Pereira e Yoshiaki Nakano já é clássica. Como a Selic é utilizada para alcançar muitos e múltiplos objetivos, incompatíveis entre si, precisa permanecer em patamar exageradamente elevado. As metas são: 1) controlar pressões inflacionárias do lado da demanda; 2) evitar desvalorizações cambiais, cujo repasse para os preços gera pressões inflacionárias do lado da oferta (ou dos custos); 3) administrar o volume de reservas internacionais garantindo o financiamento do balanço de pagamentos; e 4) financiar o déficit público (ou induzir os investidores a carregarem a dívida pública).
Para Modenesi, não há razão para o BC perseguir taxas "neutras", "de equilíbrio" ou "naturais". Ele precisa desobstruir os canais de transmissão da política monetária e eliminar os mecanismos de indexação dos ativos financeiros, a começar pelas LFT. Os desafios ao próximo governo em busca de um juro real civilizado não são pequenos.
O economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, observa que o conceito de taxa de juros de equilíbrio é bastante flexível e varia com o tempo. Se existe uma taxa estática de juros de equilíbrio seria aquela que permitisse um dado crescimento sem gerar inflação. "Gradualmente a taxa básica vai convergir para níveis de equilíbrio no futuro, mas isso vai depender de algumas mudanças", alerta Vale. Com uma meta de inflação de 4,5%, fica difícil pensar numa taxa real menor que a atual, de 6%. Isso pelo fato de que quanto maior o nível de inflação maior a taxa real necessária para manter a inflação no alvo. É como se a taxa de juros real fosse elástica à inflação, ou seja, a cada alta de 1 ponto percentual de inflação a taxa real precisaria subir mais do que um ponto percentual. Isso ocorre porque o risco inflacionário é assimétrico. Quanto maior a inflação, maior o risco de ela crescer ainda mais. Mas, por que isso ocorre? Porque, no entender de Vale, a inflação brasileira ainda é muito indexada, cerca de 60% dela olha para trás e olha para índices ruins como os IGPs, que tem uma volatilidade acentuada. "Basta lembrar que, enquanto o mundo inteiro estava com deflação, mesmo a acelerada China, nossa inflação não arredou o pé dos 4,5%", compara o economista.
Não se trata de um efeito do crescimento econômico, mas da indexação que ainda existe. Por essa razão, o consultor da MB considera equivocado usar o conceito de taxa de juros de equilíbrio no Brasil enquanto amarras de indexação ainda existirem. Para acabar com ela todos os índices de inflação teriam que ser extintos, menos o IPCA e um índice de preços ao produtor que o IBGE poderia fazer, e baixar a meta de inflação gradualmente. E sugere que, alternativamente à taxa básica, o governo poderia pesquisar mais intensamente como baixar os spreads - "estes sim absurdamente elevados".
Para o gestor da Claritas Investimento, Humberto Vignatti de Assis Silva, o BC busca detectar o "juro ótimo" para cada momento específico da economia. Se o ritmo efetivo de crescimento estiver compatível com o potencial de crescimento, a inflação tende a não incomodar. E o juro é o principal instrumento a disposição do BC para conseguir esse equilíbrio entre o PIB potencial e o efetivo. O juro que consegue cumprir esse objetivo é considerado "neutro". Trata-se de um juro que, sob determinadas condições macroeconômicas, "induz um crescimento econômico equivalente ao crescimento potencial, sem que surjam pressões inflacionárias ou deflacionárias".
O problema é que quantificar o hiato do produto é uma tarefa de extrema dificuldade. Por esta razão, o BC se cerca de diversos modelos econométricos para tentar a melhor aproximação possível. Estudos recentes sugerem que o PIB tem hoje um potencial de crescimento de 4,5%. Se crescer mais do que isso, a economia irá produzir inflação. O BC projeta para 2010 expansão de 5,8%. Como trazer o PIB para o seu potencial não inflacionário? Pela prática de um juro real neutro entre 7% e 8%. Ou seja, a Selic "ótima" deveria variar hoje entre 11,82% e 12,86%. A curva a termo da taxa de juros, implícita nos contratos de CDIs futuros negociados na BM&F, projeta taxa praticamente no meio entre as duas. Humberto Vignatti alerta que, como o juro real está hoje em 5,8%, atua para induzir mais crescimento econômico, "superior àquele suportado pela economia sem que apareçam pressões inflacionárias". Ou seja, no seu entender, o patamar atual é "expansionista".   (Luiz Sérgio Guimarães - Valor Online)
 
 
 
 
 

04.03 - Pés no chão 
A mudança de foco da política monetária não altera a trajetória do câmbio real, só traz volatilidade à inflação 
Recentemente , o economista-chefe do FMI (Fundo Monetário Internacional), Olivier Blanchard, coescreveu um texto importante ("Rethinking Macroeconomic Policy") em que explora lições da crise internacional para o desenho de política econômica, como a definição de metas mais elevadas para a inflação, a necessidade de um arcabouço regulatório no sistema financeiro que leve em conta os efeitos macroeconômicos da expansão do crédito e a conveniência de melhorar as contas fiscais nos períodos de crescimento. Cada um desses assuntos requereria várias colunas, mas hoje quero abordar outra das sugestões do documento, relativa à opção entre a inflação e a taxa de câmbio como potenciais metas para a política monetária.
Segundo a proposta, a estabilização da taxa de câmbio também deveria ser um objetivo dos bancos centrais, ao lado da estabilidade de preços. Os autores reconhecem que há conflitos entre esses objetivos, mas sugerem que, em caso de conflito insanável, a meta de inflação deveria ser abandonada, e a política monetária, utilizada apenas para apoiar a intervenção cambial, prevenindo a apreciação (ou a depreciação) exagerada da moeda.
A razão alegada para uma mudança no foco da política monetária refere-se a possíveis efeitos negativos de grandes flutuações da taxa de câmbio, seja sobre o setor exportador no caso de apreciação excessiva, seja sobre o balanço dos devedores em moeda estrangeira no caso oposto. Da forma como entendo o problema, porém, podemos até nos preocupar com esses efeitos, mas temos primeiro que reconhecer que não resultam daquela cotação real-dólar diariamente observada, mas sim da taxa real de câmbio, isto é, da taxa de câmbio ajustada pela diferença entre a inflação doméstica e a externa.
Assim, por exemplo, caso o preço do dólar aumente 10%, mas todos os preços da economia também subam 10%, tanto a capacidade de pagamento das empresas endividadas em dólares como a "competitividade" do setor exportador permaneceriam inalterados. Vale dizer, mesmo partindo do pressuposto de que a estabilidade cambial é um objetivo meritório, é necessário admitir que este só se aplica à taxa de câmbio ajustada à inflação.
Isto dito, se o BC consegue estabilizar a taxa de câmbio nominal, tipicamente igualando a taxa doméstica de juros (ajustada pelo risco) à internacional, não há quaisquer garantias de que a inflação se mantenha baixa o suficiente para que a taxa real de câmbio não acabe se apreciando. Só por um acaso monumental a mesma taxa de juros que estabiliza a taxa nominal de câmbio será aquela que também gera inflação próxima à internacional, de modo a estabilizar simultaneamente a taxa real de câmbio.
Tudo isso pode parecer muito abstrato, mas as implicações são bastante palpáveis. A Argentina, por exemplo, optou por um regime monetário e cambial muito semelhante ao sugerido por Blanchard e colegas.
De forma não totalmente explícita, o BC argentino tem buscado estabilizar a cotação do peso com relação ao dólar, abdicando do controle dos preços domésticos. A aceleração da inflação, contudo, erodiu a taxa real de câmbio, que continua se apreciando a despeito do regime cambial, seguindo de perto o comportamento da cotação real-dólar, também ajustada pela diferença de inflação.
Na prática, portanto, observamos exatamente o sugerido pela teoria: a mudança de foco da política monetária não consegue mudar a trajetória do câmbio real, levando apenas à maior volatilidade da inflação. Em que pese a indiscutível competência dos autores, não parece que essa proposta irá voar.   (ALEXANDRE SCHWARTSMAN - Folha de S.Paulo)

04.03 - FMI volta a discutir controle de capitais
O Fundo Monetário Internacional, que agora defende o controle de capitais, organizou seminário sobre o tema aproveitando a presença de autoridades e acadêmicos na Coreia para participar da reunião preparatória para o G20.
O Fundo reavaliou seus antigos dogmas e, em artigo publicado há cerca de dez dias, afirmou que, se algum sistema financeiro não estivesse preparado, deveria colocar controles de capital. A ideia é controlar apenas a entrada dos investimentos, não a saída.
Os participantes de países asiáticos, que já estabeleceram a medida, veem-na de forma favorável.
Para Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco, que participou do seminário, essa é uma visão de curto prazo.
"Nossa dívida, nosso passivo, está bem estruturado. Estrangeiros compram nossos títulos, investem na Bolsa brasileira e fazem investimentos diretos em companhias porque se sentem livres", lembra Goldfajn.
"Isso ocorre porque estamos desenvolvendo um mercado local e deixando investidores livres para entrar e sair. Se colocarmos muitos controles, haverá menos confiança."
Com menos investimentos, o passivo não seria tanto em reais. "Empresas tenderiam a se financiar em mercados no exterior, em dólar, o que não gostamos", avalia.
Mas, se os países que adotaram a medida a defendem, ela não seria positiva?
Para Goldfajn, a resposta é não, por não permitir que mercados locais se desenvolvam como poderiam. "Não podemos nos dar ao luxo de ter passivo em dólar, em renda fixa emitida lá fora. Quando vem uma crise, há efeitos colaterais. Se colocar muito IOF na entrada, na Bolsa, as empresas vão comprar ADRs no exterior."  (Maria Cristina Frias - Folha de S.Paulo)

04.03 - Estrangeiros retiraram R$ 3,354 bi da Bovespa
Investidores estrangeiros retiraram um montante de R$ 3,354 bilhões de suas aplicações na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) no primeiro bimestre deste ano. A cifra é a diferença entre as compras de ações no total de R$ 66,993 bilhões entre os meses de janeiro e fevereiro e as vendas no valor de R$ 70,348 bilhões.
Somente no mês passado, o saldo negativo foi de R$ 1,254 bilhão, ante R$ 2,099 bilhões em janeiro. No primeiro bimestre do ano passado, a diferença entre compras e vendas teve um resultado positivo em R$ 101,9 milhões. Os primeiros dois meses do ano foram caracterizados pela reversão do otimismo dos mercados sobre a recuperação da economia global.
O estresse com o episódio Dubai, e depois o nervosismo com a situação nos países da zona do euro, contribuíram para reduzir o apetite por risco dos investidores. Outros analistas apontam também alguma realização de lucros como explicação: no ano passado, as ações brasileiras valorizaram 86%, pela medição do índice Ibovespa. Já nesse bimestre, o mesmo índice registra queda de 3%.   (Jornal Monitor Mercantil)
 
 
 
 
 

03.03 - IBGC: Conselho de Administração
O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) anunciou abertura do processo eleitoral para escolha dos membros do Conselho de Administração da entidade. Sob três formas de votação - internet, por fax ou pessoalmente - os associados do instituto irão escolher até nove nomes, entre as 21 candidaturas apresentadas, para mandato de dois anos, de acordo com novo Estatuto.
O presidente do Conselho Deliberativo da ANABB, Antonio Gonçalves de Oliveira, é candidato a uma das vagas. Gonçalves, além de presidir o Conselho da ANABB, atuou nos conselhos fiscais e de administração, a exemplo da Melpaper, Telesp Celular, Telemig Celular, Coelba, Iguatemi Shoppings Centers, além de presidir o Comitê de Auditoria e Controle da Vivo, desde 2005.
Segundo o site do IBGC, o Conselho de Administração, formado por nove integrantes, é responsável pela orientação geral, definição da estratégia e monitoramento dos planos de ação do instituto. Além disso, possui o papel de se manifestar sobre o desenvolvimento da governança corporativa no país.
As votações pela internet e por fax ocorrem entre 24/02 e 25/03. Já a votação presencial acontecerá no dia 30/03, em Assembleia Geral Ordinária, no Hotel Gran Hyatt, São Paulo.
Para outras informações, acesse o site do instituto: www.ibgc.org.br   (Anabb)

03.03 - Mercado põe mais pressão sobre o BC
Pela primeira vez em 86 semanas, especialistas projetam inflação de 2011 acima da meta de 4,50%
A piora das expectativas para a inflação deste ano já começa a contaminar as projeções para 2011 e aumenta a pressão sobre o Banco Central (BC) para que eleve a taxa básica de juros (Selic) na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) dos dias 16 e 17 de março.
O Relatório Focus, síntese de uma pesquisa realizada pelo BC com dezenas de instituições financeiras e consultorias, mostrou que o mercado subiu pela sexta semana seguida a previsão para o IPCA (índice oficial de inflação do Brasil) de 2010. A estimativa foi de 4,86% para 4,91%. A meta do governo é de 4,50%, com margem de tolerância de dois pontos para cima ou para baixo.
O que mais surpreendeu os investidores, no entanto, foi uma pequena, mas importante alteração, na expectativa de IPCA para o ano que vem. Depois de 86 semanas de estabilidade em 4,50%, o mercado elevou a projeção para 4,53%. "Não é dramático, mas é ruim", afirmou a economista-chefe do Banco ING, Zeina Latif. "Pode-se dizer que acendeu a luz amarela", disse o estrategista-chefe do Banco WestLB, Roberto Padovani.
Como a ação do BC é voltada para o futuro, as expectativas dos agentes têm papel crucial na trajetória de inflação. O raciocínio é o seguinte: se o mercado acreditar em inflação mais alta, a profecia tende a se cumprir; se acreditar em inflação na meta, também. Por isso, o BC tenta, ao definir o juro, não só conter o ímpeto da atividade econômica, mas também "ancorar" as projeções para o IPCA o mais perto possível do centro da meta.
Os dois analistas discordam, no entanto, sobre o momento em que o Copom iniciará o esperado ciclo de alta da taxa de juros. Para Zeina, os números do Relatório Focus dão mais subsídio para que o BC comece a agir em março. "Há um consenso de que o juro vai ter de subir. Então, para que esperar?"
Padovani mantém a expectativa de que a Selic só vai ser elevada a partir de abril. "A estimativa para a inflação futura está muito ligada à inflação corrente. Como os últimos índices surpreenderam para cima, muita gente se assusta", ponderou. Hoje, a taxa básica de juros está no menor nível da história do País, 8,75% ao ano.
O economista-chefe do Banco BNP Paribas no Brasil, Alexandre Lintz, é um dos poucos analistas de mercado que avaliam que o BC só vai mexer no juro no segundo semestre ? no caso dele, em outubro. Lintz atribuiu a alteração na estimativa de IPCA de 2011 a questões estatísticas. "Quando o modelo matemático de projeção é atualizado com os índices mais recentes, que vieram acima do esperado, automaticamente se joga para cima a inflação de 2011", afirmou.
Em um evento em São Paulo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, voltou a pressionar o BC para que não eleve o juro.   (Leandro Modé e Fabio Graner - O Estado de S.Paulo)

03.03 - Mercado projeta inflação e juros maiores em 2011
A inflação e juros serão maiores em 2011, de acordo com analistas do mercado financeiro consultados na pesquisa Focus, divulgada toda segunda-feira pelo Banco Central. Pelas estimativas, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação, deverá avançar para 4,53%, depois de 86 semanas estável em 4,50%. Para 2010, foi a sexta semana seguida de projeção de alta para o índice oficial de inflação, agora em 4,91%, contra 4,86% previstos na semana passada. Ou seja, neste ano, a projeção para o IPCA continua a se distanciar do centro da meta de inflação de 4,5%, com margem dois pontos percentuais para mais ou para menos. Essa meta é válida para este ano e 2011. A inflação mais alta, contudo, não deve levar o BC, responsável por perseguir a meta de inflação, começar a aumentar os juros já na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) marcada para os dias 16 e 17 deste mês. Atualmente a Selic está em 8,75% ao ano, mas o mercado projeta-a em 11,25% até o fim do ano.  (Fenaseg)

03.03 - Mantega descarta inflação de demanda
Indústria nacional terá condições de expandir a oferta, afirma ministro durante evento na Fiesp
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, descartou segunda-feira a possibilidade de o país sofrer pressões inflacionárias devido a dificuldades do setor industrial para expandir sua oferta.
Em reunião na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Mantega questionou os empresários sobre a capacidade que o setor terá para atender a demanda industrial, que, segundo ele, deve apresentar crescimento entre 7% e 7,5% neste ano.
"Essa foi a minha indagação, mas não vejo nenhuma dificuldade de aumento de oferta da indústria", afirmou o ministro. Segundo ele, os indicadores que medem o nível de utilização de capacidade instalada "muitas vezes dão a ideia de que a indústria está em seu limite". "Mas, na realidade, sobra capacidade do ano passado, e a indústria está fazendo investimentos para expandir essa capacidade de produção."
Para Mantega, "está afastada a possibilidade de inflação de demanda". Ao seu lado, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, disse que o governo precisa ter "cautela" justamente para não tomar medidas que desestimulem a demanda. Ele se referia à possibilidade de o Banco Central elevar a taxa básica de juros já na próxima reunião. "Não há a menor dúvida de que não é momento de aumentar juros. Não existe razão para isso."
Na semana passada, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse que a instituição não evitará decisões que possam parecer impopulares ou "antipáticas" para segurar a inflação no país, em um sinal de que o Banco Central poderá elevar os juros já na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária).
Para Mantega, porém, há um "mau entendimento" em relação às declarações de Meirelles. "Não vejo ameaça iminente de alta de juro." "O Banco Central tem dado a sinalização correta. No ano passado, os juros foram reduzidos para um patamar razoável, talvez aquém do que gostaríamos, mas poderemos, no futuro, voltar a ter um juro real em torno de 2,5% ou 3%. Mas o BC sabe quando deve aumentar e quando deve abaixar os juros."
Exportações
Mantega afirmou que a crise de endividamento vivida por países da União Europeia, como Grécia, Portugal, Itália e Espanha, pode retardar a recuperação do comércio exterior no Brasil. "Mas isso não afeta o nível de crescimento esperado para o país."
Para ele, o PIB (Produto Interno Bruto) do país deve crescer entre 5% e 6% neste ano.  (PAULO DE ARAUJO - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

02.03 - Meirelles defende atuação técnica do BC
Presidente da instituição afirma que eleições não mudam rumo das medidas
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, defendeu ontem a atuação técnica da autoridade monetária, mesmo que determinadas medidas possam parecer impopulares a curto prazo. Segundo ele, nem mesmo as eleições podem mudar a política do BC. As expectativas do mercado são de que a Selic (atualmente em 8,75% ao ano) será elevada em março ou abril, a fim de combater a inflação.
- Atuar de forma consistente significa também não evitar decisões tecnicamente justificadas que, no curto prazo, possam parecer antipáticas ou impopulares, mas que visam sim ao bem comum - disse Meirelles ao dar posse ao novo diretor de Assuntos Internacionais do BC, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo.
As declarações de Meirelles foram feitas dois dias depois de a autoridade monetária ter elevado os depósitos compulsórios (garantia deixada pelos bancos no BC), retirando da economia R$ 71 bilhões, o que poderia adiar a decisão de aumentar a taxa de juros.
Meirelles enfatizou que a atuação consistente "significa fazer o necessário, na medida e na hora adequada, para, por um lado, manter a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional e, por outro, assegurar a convergência da inflação à trajetória das metas".
Em ano eleitoral, Meireilles também destacou que "enganamse aqueles que esperam por mudanças na conduta política do BC em função do calendário cívico".
- Nossa dedicação aos objetivos do BC é inequívoca e permanente. É esse o espírito do corpo funcional do banco e da Diretoria Colegiada - acrescentou.
Para Meirelles, "é importante que a sociedade procure analisar os documentos, bem como pronunciamentos de autoridades monetárias pelo que está escrito ou dito e não pela interpretação de agentes ou jornalistas".
O presidente do BC também defendeu que a autoridade apenas fale por meio das atas do Comitê de Política Monetária (Copom) e nos relatórios trimestrais de inflação.
Meirelles afirmou ainda que mudanças na diretoria do BC são rotina. "O compromisso do quadro funcional, e seu talento, tem permitindo que a atuação do banco seja consistente, e persistente, mesmo com a natural rotatividade da diretoria. Não há razão alguma para supor que isto seja diferente doravante", disse.
As decisões do BC de aumento da taxa básica de juros, Selic, costumam ser criticadas por setores da sociedade, mas, para Meirelles, a instituição tem sido bem-sucedida nos objetivos de zelar pela estabilidade financeira e monetária, com convergência da inflação para a trajetória de metas.
Cabe ao BC perseguir a meta de inflação, que tem centro de 4,5% para este ano, com margem de dois pontos percentuais para mais ou pra menos. A próxima reunião do Copom será nos dias 16 e 17 de março.  (JB Online)

02.03 - Mais tempo para os juros
Banco Central vai enxugar a liquidez para retardar alta da Selic
Acerta o Banco Central (BC) em iniciar logo a desmontagem de parte das medidas que foram tomadas em caráter excepcional para enfrentar a escassez do crédito bancário nos meses da crise financeira internacional. A autoridade monetária anunciou que vai recompor os níveis de depósitos compulsórios a que se sujeitavam os bancos brasileiros até setembro de 2008. Esses depósitos configuram um importante instrumento de administração da liquidez do sistema e foram afrouxados exatamente para melhorar a oferta do crédito nos momentos mais críticos. Desde outubro daquele ano até o início de 2009, a autoridade monetária liberou cerca de R$ 100 bilhões dos R$ 257 bilhões que tinha em depósitos compulsórios. Passada a tempestade, ela retornará pelo menos 70% dos depósitos liberados. A operação vai retirar R$ 71 bilhões das disponibilidades do sistema, em duas etapas. A primeira começa em 22 de março e a segunda, em 9 de abril.
Isso deverá ter impacto no atual nível das taxas de juros cobradas pelos bancos, já que vai representar um corte na oferta de crédito. Portanto, mesmo não sendo uma medida de política de juros, a retomada dos recursos do depósito compulsório deve acabar funcionando, segundo especialista, como uma medida de política monetária. Pode funcionar como uma estratégia para evitar a necessidade de aumentar a taxa básica de juros (Selic) na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) marcada para 17 de março. Afinal, os indicadores de pressão de demanda generalizada na economia estão se tornando cada vez mais evidentes, com claros sinais de que um período inflacionário estaria em curso, puxado pelo aquecimento acelerado do consumo interno. Esse cenário, sem o concurso de medidas mais severas de controle fiscal, que não vão ocorrer em curto prazo, poderia deixar o Copom sem alternativa senão a de elevar a taxa básica de juros na reunião de 28 de abril.
Essa elevação é tudo que o governo quer evitar em ano eleitoral, temendo disseminar uma onda de pessimismo e de quebra de confiança no crescimento da economia brasileira. Ao manejar os depósitos compulsórios, o BC não apenas ganha tempo para esperar que o cenário de preços se recomponha, como recarrega as baterias de um instrumento que se mostrou eficaz para enfrentar um eventual refluxo da escassez de crédito. De fato, estudiosos do Fundo Monetário Internacional (FMI), ao examinar os estragos da crise mundial e a capacidade de cada país de sair dela, concluíram que os países que, como o Brasil, puderam contar com a flexibilidade dos depósitos compulsórios ficaram em melhor posição para enfrentar a crise do que contavam apenas com a alternativa de baixar a taxa de juros. Faz bem, portanto, o BC em retomar os compulsórios, exigência criticada por alguns economistas e empresários que ainda insistem em aconselhar o governo a correr o risco de desapertar a política monetária, mas que é reconhecida por organismos internacionais como um dos grandes trunfos do Brasil.  (Editorial - Estado de Minas)

02.03 - Ensaio da Selic
BC retoma depósitos liberados na crise e deixa fase de laxismo monetário. Os juros vão subir
O Banco Central voltou ao braseiro da economia com a retomada de 71% dos depósitos habitualmente recolhidos à banca e liberados no fim de 2008 para evitar a parada do crédito devido à crise global.
Na época, o aumento da liquidez – para repor parte do crédito que a banca tirara de circulação por receio de inadimplência e também devido ao corte das linhas de financiamento externas – equivaleu a 40% do total de depósitos retidos compulsoriamente pelo BC.
Trata-se de instrumento coadjuvante ao dos juros interbancários, a Selic, utilizado em vários países, mas, no Brasil, muito mais do que seria razoável. A retenção compulsória aqui é recorde.
Ela passa de 40% dos depósitos bancários, estando nessa distorção o motivo para boa parte do escandaloso spread embutido no custo dos empréstimos. É a banca que o cobra, repassando o custo de o BC reter parte dos recursos captados ao público, ainda que um pedaço desse recolhimento compulsório seja remunerado à taxa Selic.
Mas é o governo que determina o nível das retenções, feitas para reduzir o multiplicador bancário – isto é, a capacidade de a banca expandir o crédito. O objetivo é o mesmo que o do manejo da Selic: restringir a oferta de crédito para reduzir a demanda na economia, quando ela tem a propensão de correr à frente da produção atendida por fontes nacionais e complementada pelas importações.
A diferença é que tal alvo é imediato com a retenção compulsória dos depósitos, enquanto com a Selic vem espaçado no tempo, estima-se entre seis e oito meses. Outra vantagem é que não onera o custo da dívida pública. Mas, esgarçada, raciona a oferta absoluta dos empréstimos, enquanto a Selic apenas o encarece.
Alguns analistas afirmam que as retenções compulsórias também se prestam a outra finalidade: cobrir parte do subsídio de juros nas operações de crédito rural e financiamento industrial. Deixemos a questão para outro momento. Por agora, o foco é a decisão em si.
Ela prenuncia a reversão da fase de laxismo monetário inserida no contexto das medidas anticíclicas para desarmar a recessão. Foi a primeira reação ao aumento da demanda, que vem forte desde meados de setembro, embora se questione sua intensidade daqui para frente e, especialmente, a margem entre a capacidade da oferta e o ritmo do consumo, chamada pelos economistas de “hiato de produto”.
LIMITE DE TOLERÂNCIA
Quando se olha para a inflação, a folga que havia para atender ao consumo esticado pela recomposição da renda, expansão do emprego e as facilidades do crédito, entre juro menor e prazo maior, fica a sugestão de que ela esteja próxima de seu limite de tolerância.
A variação do IPCA de janeiro foi expressiva. Passou de 0,37% em dezembro para 0,75%. Em doze meses até janeiro, o IPCA cresceu 4,59%, acima da meta anual de 4,5%. E seguiu crescendo na medida de meio de mês, o IPCA-15, que variou 0,94%, antecipando uma taxa também obesa para o mês cheio de fevereiro, embora talvez menor. Em doze meses, segundo o calendário do IPCA-15, já acumula 4,63%.
CERTEZA DE SELIC GORDA
Na medida do IGP-M, a inflação monitorada pela Fundação Getulio Vargas – indexador de contas de energia, telefonia e aluguéis, além de ser o índice de referência para grande parte dos financiamentos – não foi menos pressionada. E com o agravante de influenciar cerca de um terço da variação do IPCA. O IGP-M de fevereiro, impactado pelos preços no atacado, voou 1,18%, superando as projeções. O BC começa a agir.
É consensual a expectativa de que a Selic, estacionada em 8,75% desde setembro, voltará a subir em breve. Diverge-se o momento: se na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do próximo dia 17, se na seguinte, em 28 de abril, ou logo depois, mas este ano.
O tamanho do ajuste para repor a inflação na meta projeta a Selic espichada até 11,25% a 12,75%, com o ciclo de alta podendo varar o ano. Mas terminando abaixo dos movimentos altistas anteriores.
RISCO DE CONTAMINAÇÃO
A questão real da política monetária, diz o economista Fernando Montero, é se haverá “desaceleração endógena”, ou seja, induzida, “em tempo e intensidade suficiente para não contaminar a inflação” – e isso, acrescenta, se é que já não contaminou. Ele prevê para abril o início do ciclo de alta da Selic, talvez com o BC sob nova direção, se Henrique Meirelles sair para concorrer às eleições em outubro. Mas ressalva que o Copom de março “virou moeda no ar”.
Não é que haja risco na fotografia do cenário da inflação. É que, se o BC precisa tomar a decisão, melhor que a tome o quanto antes.    (Antônio Machado - Estado de Minas)
 
 
 
 

01.03 - Moody's sinaliza elevação do rating do Brasil
Nota pode subir no ano que vem se sucessor de Lula mantiver políticas
A Moody"s Investors Service afirmou na quinta-feira que, se a política econômica no Brasil mantiver, sob a administração do próximo presidente, os avanços dos anos anteriores, "a deterioração registrada nos indicadores da dívida do governo durante 2009 pode ser revertida, aumentando a probabilidade de que os ratings soberanos do Brasil possam ser colocados em revisão para upgrade no próximo ano".
No relatório anual sobre o País, Mauro Leos, responsável por rating de crédito para América Latina da Moody"s, afirma que os ratings atuais de títulos do governo Baa3, com perspectiva positiva, "capturam tanto a melhoria substancial que tem sido observada no perfil de crédito do País quanto a presença de perspectivas favoráveis de médio prazo, visto que o país está bem posicionado para retomar o crescimento em ritmo acelerado".
Segundo Leos, o desempenho do Brasil durante a recente crise global confirmou sua resistência econômica e financeira. "Uma breve contração do PIB, enfraquecimento mínimo da posição do país em termos de reservas internacionais e ausência de estresse financeiro no sistema bancário refletem a capacidade elevada de absorção de choque, que está consistente com os ratings de grau de investimento do governo." A Moody"s elevou os ratings do Brasil de Ba1 para Baa3 e atribuiu uma perspectiva positiva aos ratings em setembro de 2009. Leos indica que os ratings atuais incorporam uma avaliação favorável da continuidade das políticas fiscal e monetária. Ele ressalta a força econômica relativa do Brasil, refletida pela grande escala da economia e pelo alto grau de diversificação da base produtiva.
De acordo com o relatório, os desafios fiscais do Brasil incluem uma tendência persistente de elevação da despesa primária, os indicadores de dívida do governo, que estão acima das referências de seus pares ? dívida bruta equivalente a 60% do PIB ? e as necessidades de financiamento bruto que excedem 10% do PIB.
FATOR ELEITORAL
Faltando alguns meses para as eleições presidenciais, o analista opina que as diferenças entre os dois principais concorrentes ? José Serra e Dilma Rousseff?são mais de estilo do que de essência.
O relatório reitera a visão da Moody"s de que a baixa suscetibilidade ao risco de evento político, um componente crucial do rating de grau de investimento do Brasil, incorpora a suposição de que a continuidade de políticas é provável, independentemente de quem for eleito para presidir o país.   (Dow Jones/O Estado de S.Paulo)

01.03 - IGP-M avança 1,18% em fevereiro
O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) avançou 1,18% no mês de fevereiro. No mês anterior, a taxa ficou em 0,63%. Segundo dados divulgados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Índice de Preços por Atacado (IPA) registrou variação de 1,42% no mês.
Já o Índice relativo aos Bens Finais variou 1,82%, sendo que no mês anterior o grupo variou 0,76%. Em relação ao Índice do grupo Bens Intermediários a variação ficou em 1,70%, ante avanço de 0,63% em janeiro.
Com variação de 0,88%, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) foi influenciado pelo decréscimo nas taxas dos grupos Educação, Leitura e Recreação (1,96% para 0,87%), Alimentação (1,42% para 1,23%) e Vestuário (0,44% para -0,40%). No mês anterior, o IPC registrou avanço de 1,00%.
Na contramão, os grupos Transportes (2,29% para 2,65%), Habitação (0,23% para 0,29%), Despesas Diversas (0,42% para 0,48%) e Saúde e Cuidados Pessoais (0,35% para 0,40%) registraram avanço no mês de fevereiro.
Com variação menor do que a registrada em janeiro, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) ficou em 0,35% na medição deste mês. Dos três grupos que compõem o índice, apenas Materiais e Equipamentos apresentou aceleração, cuja taxa passou de 0,23%, em janeiro, para 0,40%, em fevereiro.
O grupo Serviços recuou de 1,28% para 0,76%, enquanto a do índice que representa a Mão de Obra baixou de 0,60% para 0,22%   (Executivos Financeiros)
 
 
 
 
 

26.02 - Meta de superávit primário será cumprida
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, comentou ontem, durante entrevista coletiva, que o resultado primário do governo central de janeiro demonstra que o governo cumprirá as metas de superávit estabelecidas para este ano. "O superávit primário de 3,3% (do PIB) vai ser cumprido, de modo que teremos a economia crescendo, com equilíbrio fiscal", afirmou ele.
Dados apresentados hoje apontam que o governo central - reúne as contas do Tesouro Nacional, da Previdência Social e do Banco Central - registrou em janeiro superávit primário de R$ 13,906 bilhões. O resultado primário não leva em conta as despesas com juros.
Mantega reconheceu que a carga tributária do Brasil continua elevada, mas que o governo tem procurado agir de acordo com as possibilidades. "Não podemos reduzir (a carga) muito rapidamente, senão há desequilíbrio nas contas do governo", apontou. Para ele, o País continua crescendo, apesar da carga de impostos. Nos últimos anos, de acordo com ele, o governo implantou medidas como a redução do Simples, para as micro e pequenas empresas. "Gradualmente, vamos fazendo mudanças que vão beneficiar o empresariado", disse.
Estas mudanças, no entanto, não incluem a prorrogação de incentivos fiscais como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que foram adotados como política anticíclica durante a crise financeira mundial. "Estes incentivos têm data para terminar". Conforme o ministro, a economia vem reagindo bem, as vendas de vários setores produtivos não caíram e, dessa forma, e os segmentos beneficiados não precisariam mais dos estímulos fiscais.
Mantega disse que o governo espera crescimento de 5,2% no Produto Interno Bruto (PIB) em 2010, mas considera que esta é uma projeção moderada, uma vez que o mercado trabalha com estimativas entre 5,5% e 6,5%. "Eu me contento com 5,5%".    (Raquel Massote - Agência Estado)

26.02 - Investimento puxa PIB do fim de 2009
A forte recuperação do investimento no fim do ano passado ajudou o Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre a crescer próximo a 2,5% sobre o resultado do terceiro trimestre, mas ainda assim a economia brasileira encerrou o ano com um desempenho próximo do zero, segundo as contas feitas pelas consultorias econômicas. Pelas previsões dos analistas consultados pelo Valor, o PIB de 2009 variou entre 0,1% e -0,3%. Se confirmada a queda, será a primeira vez desde 1992, quando o PIB caiu 0,5%, que haverá variação negativa da atividade econômica.
O que poderia manter o PIB no terreno positivo, segundo os analistas, seria uma elevação dos investimentos muito superior ao estimado hoje. Os economistas calculam que o aumento dos investimentos foi de "pelo menos" 7% nos últimos três meses do ano passado, superior aos 6,5% registrados entre julho e setembro. Mas, avaliam, "é um dado que pode surpreender para cima". O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga no dia 11 de março os dados relativos à atividade no ano passado.
"Esperamos que, ao divulgar os resultados do quarto trimestre, o IBGE também revise, para cima, os indicadores referentes ao segundo e terceiro trimestres", avalia Aurélio Bicalho, economista do Itaú Unibanco. Esta também é a aposta de Júlio Callegari, economista do J.P. Morgan, para quem os dados de 1,1% e 1,3%, do segundo e terceiro trimestres, respectivamente, serão revisados para 1,4% e 1,8%.
Ao mesmo tempo, calcula Callegari, o PIB dos últimos três meses de 2009 cresceu 2,4%, com ajuste sazonal, sobre os três meses anteriores, configurando variação anualizada superior a 9%. "A percepção que se fará, então, é de que estávamos crescendo mais forte do que imaginávamos", afirma Callegari, "mesmo que o PIB seja zero".
A alta dos investimentos será contrabalançada por uma variação menor do consumo das famílias, graças à combinação entre a retirada dos estímulos fiscais por parte do governo e o consumo já efetuado, que não se repetirá. A LCA Consultores calcula que houve diminuição de 2% para 1% no consumo das famílias, entre o terceiro e o quarto trimestres. O Itaú Unibanco espera alta de 2% na mesma comparação, mas conta com a revisão do dado do terceiro trimestre, que subiria para 2,4%. Para Bicalho, o quarto trimestre serviu para "consolidar a recuperação iniciada em abril, quando deixamos para trás a pequena recessão do pós-crise". Segundo avalia ele, o "carry-over" para 2010 ficará entre 2,7% e 3%, o que significa que, se nenhuma turbulência ocorrer - e nenhum crescimento extra se verificar - ao menos 3% do PIB estão garantidos para este ano.
As turbulências mundiais fizeram a atividade despencar cinco pontos percentuais entre 2008 e 2009, mas foram os investimentos os que mais sofreram com o baque internacional. Segundo dados do IBGE, a produção de máquinas e equipamentos, que funciona como indicador dos investimentos, despencou 10,9% no último trimestre de 2008, e 17,9% nos primeiros três meses do ano passado.
Houve queda forte também no mercado de trabalho, mas por tempo mais curto e com reversão mais rápida. Os 736,1 mil postos de trabalho perdidos entre outubro de 2008 e janeiro de 2009 foram revertidos nos sete meses até agosto, quando os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) acumularam saldo líquido de 781,8 mil vagas. A recuperação da produção industrial, no entanto, demorou mais a acontecer.
Se o consumo das famílias e o mercado de trabalho já estavam reagindo nos primeiros meses do ano, ajudando a puxar a recuperação da atividade a partir do segundo trimestre, foram os investimento em aumento de produção industrial que puxaram o PIB no segundo semestre do ano, avaliam os economistas. A produção de máquinas e equipamentos aumentou 13,3% entre outubro e dezembro, depois de ter crescido 6,5% no terceiro trimestre.
"O Brasil deu show no ano passado. É preciso ressaltar que um PIB próximo a zero num ano de crise mundial é algo muito bom", avalia José Júlio Senna, ex-diretor do Banco Central e sócio da MCM Consultores. Para Senna, a ação do governo foi "inegavelmente" bem feita, uma vez que o BC agiu rápido ao liberar os compulsórios e cortar as taxas de juros, e o governo federal foi "certeiro" em isentar de impostos a indústria, "justamente o setor que mais sofreu com a crise".
Nas contas da MCM, o quarto trimestre passou por elevação de 2,6% sobre o trimestre anterior, o que caracterizaria crescimento anualizado de 10,8%. Segundo Senna, o consumo das famílias deve continuar a se expandir, mas tende a crescer num ritmo menos elevado que o verificado em 2009, em parte porque os estímulos fiscais e monetários serão retirados. "O consumo foi um fator de sustentação da economia, mas, já no fim do ano, os investimentos voltaram com força e são eles que estão puxando a economia neste começo de 2010."   (João Villaverde -  Valor Online)

26.02 - A crise está de volta ou é apenas uma turbulência?
Infelizmente, o início deste ano vem sendo caracterizado pelo retorno da volatilidade nos mercados. Sempre que ela aumenta - no caso da Bovespa, praticamente dobrou entre janeiro e fevereiro -, os investidores de longo prazo saem prejudicados. Já os especuladores são, temporariamente, beneficiados.
Quando isso acontece, a tendência é de que os pequenos e médios investidores se retraiam, face às possibilidades de maiores perdas. Outra consequência ruim é a interrupção de processos de abertura de capital de algumas empresas, que pretendiam captar recursos para expansão dos negócios. Mas por que os mercados estressaram de uma forma tão abrupta e radical, contrastando com a "festa" de valorização de 2009?
Os amantes da física sabem das implicações da transformação de energia num determinado sistema, a chamada entropia. O exemplo clássico: o gelo derretendo num copo aumenta a entropia. Peço licença para comparar a economia com um sistema/organismo.
Quando abusamos na alimentação, ingerindo em excesso gorduras e carboidratos, nosso organismo responde aumentando as taxas de colesterol e glicose. De forma análoga, quando na economia os excessos se fazem presentes por muito tempo, as consequências aparecerão, cedo ou tarde.
É assim que se dão os momentos de expansão e retração, caracterizando os convencionais ciclos econômicos. Muitos economistas, nesses anos de esplendor, afirmavam que a nova economia mudaria os paradigmas e que viveríamos para todo o sempre um período de grande moderação, com crescimento sustentável e baixa inflação. Até que veio a crise para sepultar todos esses prognósticos.
A lambança de 2008 foi uma resposta aos excessos que ocorreram, a partir da década de 1990. A globalização financeira, alicerçada pelo liberalismo econômico do consenso de Washington, deu origem a uma série de bolhas de preços em ativos, mais notadamente no mercado imobiliário americano e nas ações.
Essas bolhas, embaladas por um sistema financeiro pouco regulado e ganancioso, criaram um ambiente propício para níveis de alavancagem jamais vistos, já que a liquidez era abundante e os juros muito baixos.
Essas condições favoráveis fizeram com que os agentes econômicos se empanturrassem de dívidas, cujos riscos eram "teoricamente diluídos" via derivativos mágicos, mas que, na hora h, de nada serviram. Como gosto de dizer aos meus alunos: "Se você quer boa mágica, chame o David Copperfield e não um financista"!
O que está acontecendo pode ser uma recaída da crise, que, em 2009, pareceu estar no retrovisor. O mote do estresse é a situação fiscal de alguns países europeus, atolados em déficits gigantescos. O que os mercados temem é que os PIIGS (Portugal, Itália, Islândia, Grécia e Espanha) caminhem para um "default" soberano, o que seria uma tragédia grega.
O que fazer para que essas nações não quebrem? Qualquer bom estudante de economia sabe que um país possui três grandes instrumentos de política macroeconômica: fiscal, monetária e cambial. Como esses países integram a União Europeia, sob a égide da moeda/banco central únicos, eles perderam o pleno manejo destas duas últimas.
Uma das mais rápidas e eficazes políticas de expansão econômica é a desvalorização da moeda, que traz impacto positivo sobre o setor exportador, ao melhorar a competitividade dos produtos no exterior. Nenhum desses países pode optar por isso (não mais possuem moeda própria), nem mesmo reduzir seus juros a zero, como fez o Fed.
Resta-lhes, portanto, a política fiscal, grande fator de preocupação, já que seus déficits públicos parecem difíceis de serem revertidos. Mesmo com o FMI ou a própria União Europeia jogando a boia para salvá-los, injetando bilhões de euros em suas economias, a sinalização terá sido péssima e talvez nem funcione. Minha grande preocupação é: os tesouros salvaram o setor privado para debelar a crise, mas quem irá salvar os tesouros?
Estou convencido de que ainda teremos muitos sobressaltos. Serão necessários ajustes duríssimos, com novas doses de sacrifício para as sociedades. Nem mesmo a China estará livre de uma mudança em sua política de crescimento acelerado. Voltando às comparações acima, o gelo derreteu e o sistema ficou instável. O coração enfartou e agora só uma dieta radical para salvar a economia global.    (Alexandre Espírito Santo - Valor Online)
 
 
 
 
 

25.02 - Prévia da inflação fica em 0,95% em fevereiro
O IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15) teve variação de 0,94% em fevereiro, taxa superior à de 0,52% de janeiro, informou ontem o IBGE (Instituto Brasileiro de Goegrafia e Estatística). Considerando os últimos doze meses, o índice situou-se em 4,63%, também acima dos doze meses anteriores (4,31%). Em fevereiro de 2009 a taxa havia ficado em 0,63%.
Os custos com educação aumentaram 4,55%, sendo a maior contribuição para o índice do mês, de 0,32 ponto percentual. Segundo o IBGE, “esse resultado reflete os reajustes verificados no início do ano letivo, com destaque para os aumentos nas mensalidades dos cursos de ensino formal, que subiram 5,38 % e constituíram-se no item de maior contribuição individual no índice do mês, de 0,26 ponto percentual”.
Ainda de janeiro para fevereiro, a aceleração do IPCA-15 pode ser explicada, também, pelos aumentos ocorridos nos preços dos alimentos e reajustes nas tarifas dos ônibus urbanos, que contribuíram com 0,14 ponto percentual no resultado do mês.
Os alimentos mantiveram a trajetória de alta e subiram de 0,81%, em janeiro, para 0,98%, em fevereiro, na média das regiões pesquisadas, ficando com Belém o maior resultado (1,75%). Vários produtos passaram a custar mais, com destaque para os açúcares cristal (12,13%) e refinado (9,94%), além das hortaliças (9,52%), arroz (5,22%) e frutas (2,85%).
As tarifas dos ônibus urbanos, com aumento de 3,84%, refletiram reajustes ocorridos nas seguintes regiões metropolitanas: Rio de Janeiro (0,91%), Porto Alegre (0,87%), São Paulo (11,11%), Belém (2,35%) e Salvador (4,54%). Além do aumento das tarifas dos ônibus, gasolina (1,34%) e álcool (8,86%) também contribuíram para o maior o resultado do mês.
Por outro lado, os artigos de Vestuário apresentaram queda de 0,20% em virtude do período de liquidação no mercado. Quanto ao agrupamento dos não alimentícios, a taxa foi de 0,93% e ficou maior que a de janeiro (0,44%).   (Executivos Financeiros)

25.02 - Brasil lidera recuperação da crise na AL
O Brasil obteve pela segunda vez consecutiva o melhor resultado na Sondagem Econômica da América Latina. Segundo levantamento feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceria com o Institute for Economic Research at the University of Munich (IFO), a região manteve a trajetória de recuperação após a crise financeira internacional.
Pelo Índice de Clima Econômico (ICE), a região passou de 5,2 para 5,6 pontos entre outubro de 2009 e janeiro deste ano. Variando entre 1 e 9 pontos, o Índice de Situação Atual (ISA) passou de 3,3 para 4,0 pontos.
Entretanto, apesar de ser considerado expressivo, o resultado mostra que a economia da região ainda não voltou aos níveis pré-crise.
Na análise por região, o levantamento destaca que mais quatro países, além do Brasil, estão em fase de expansão econômica. Com ICE de 7,8 pontos, o Brasil lidera a pesquisa, seguido de Chile 7,4; Peru, 7,3; Uruguai, 7,0; e Argentina 5,3. Já Bolívia, Colômbia, Equador, México e Paraguai seguem no grupo dos países em recuperação. Somente a Venezuela, com ICE de 30 pontos, foi considerada em recessão.
No ranking referente as avaliações sobre a situação atual, o Brasil também ficou em primeiro com ISA de 7,7 pontos. Em seguida, aparecem Uruguai (6,3) e Chile (6,1).   (Executivos Financeiros)
 
 
 
 
 
 

24.02 - Depois da Grécia, investidor teme os déficits "ocultos"
Os temores de que a Grécia e outros países europeus em dificuldades talvez não consigam pagar suas dívidas começaram a concentrar a atenção dos investidores em outra grande preocupação: as economias do continente têm usado transações financeiras complexas - às vezes em segredo - para esconder o verdadeiro tamanho das dívidas e dos déficits.
Os investidores têm feito vista grossa há muito tempo para a contabilidade agressiva dos governos europeus, feita para cumprir o teto fiscal da zona do euro. Os países que usam a moeda têm um histórico amplo de manobras exóticas para cumprir as regras que determinam que os membros limitem o endividamento a 60% de seu produto interno bruto e o déficit anual do orçamento a no máximo 3%. Apesar das críticas, os líderes europeus consideraram muitas dessas medidas aceitáveis quando tentavam implantar a tão planejada união cambial.
Para tentar atingir essas metas, que foram criadas para aumentar a confiança na estabilidade do euro, no decorrer dos anos os governos venderam ativos estatais, transformaram pagamentos a receber em títulos de investimento e até, no caso da Grécia, insistiram com a agência de estatísticas Eurostat que porções vultosas de seus gastos militares eram "confidenciais" e portanto excluídas dos cálculos do déficit.
Em 2000, a Grécia informou ter gastado € 828 milhões (o equivalente a US$ 1,13 bilhão) com as Forças Armadas - cerca de um quarto dos 3,17 bilhões de euros que depois admitiu ter realmente gasto. A Grécia acabou admitindo que deixou de declarar US$ 8,7 bilhões em gastos militares entre 1997 e 2003.
Portugal classificou os subsídios ao metrô de Lisboa e a outros empreendimentos estatais como investimento em participações. Depois de ficar sabendo disso, a Eurostat obrigou Portugal a refazer a contabilidade em 2002. O país revisou o déficit de 2001 de 2,76 bilhões de euros, ou 2,2% do PIB, para 5,09 bilhões de euros, ou 4,1% - bem acima do limite.
Em 1997, a França fez um acordo com a então prestes a ser privatizada France Télécom pelo qual a empresa pagou ao governo mais de € 5 bilhões. Em troca, a França concordou em assumir as despesas com aposentadoria dos trabalhadores da telefônica.
Os bilhões da France Télécom ajudaram a diminuir o déficit do orçamento francês para cerca de € 40 bilhões em 1997; o país divulgou déficit de 3% do PIB naquele ano - exatamente no limite, o que ajudou a França a entrar na zona do euro.
Até a Alemanha, maior economia da Europa, tentou reavaliar suas reservas de ouro para obter um benefício imediato em 1997, mas terminou desistindo depois de enfrentar a resistência do banco central do país.
Os países "procuram coisas porque isso aumenta seu arsenal de técnicas para reduzir os déficits orçamentários", diz James D. Savage, professor da Universidade da Virgínia, dos Estados Unidos, que é considerado uma autoridade em questões orçamentárias da União Europeia. "O problema para a Eurostat é a multiplicação de instrumentos e técnicas financeiras. Os países membros vão tentar se aproveitar deles."
A possibilidade de contágio em outros países tem preocupado profundamente políticos e investidores enquanto os problemas com a dívida da Grécia têm aumentado nas últimas semanas. O custo do seguro contra a moratória da Grécia continua em níveis recordes. E as emissões de títulos realizadas pela Espanha, pela Irlanda e por Portugal nas últimas duas semanas deram certo principalmente porque ofereceram juros mais altos que o usual.
Na semana passada, essas preocupações exacerbaram os temores do mercado quanto aos problemas de dívida na Europa e podem complicar os planos da Grécia de vender mais títulos esta semana, dizem banqueiros e investidores.
O uso de swaps cambiais por esses países tem despertado atenção nas últimas semanas. Em transações como essas, os países podem assumir empréstimos em moedas que não a sua, por exemplo, e usar um derivativo para compensar o risco de flutuação cambial. Mas esses instrumentos também podem ser usados para inflar artificialmente as contas a receber e a pagar, e para cumprir limites de endividamento e de déficit orçamentário.
Os investidores prestaram pouca atenção a esses acordos com derivativos, muitas vezes opacos, até que os temores de moratória grega começaram a tumultuar os mercados, com receios quanto à estabilidade do euro.
Os governos da zona do euro não são obrigados a divulgar precisamente a natureza das transações com derivativos que realizarem, tornando praticamente impossível que os investidores consigam discernir os possíveis riscos desses instrumentos.
A Eurostat permitiu até 2008 o uso dessas transações para ajustar os níveis de endividamento.
Embora outras manobras possam ter tido impacto menor nas dívidas e nos déficits, os swaps cambiais são uma ferramenta que os países têm usado regularmente no decorrer dos anos para conseguir atingir os limites da zona do euro. Em alguns casos os governos realizaram várias dessas transações, geralmente sem divulgá-las, o que dificulta que os investidores meçam seu impacto nas finanças de um país.
O Goldman Sachs Group Inc. realizou 12 swaps cambiais para a Grécia entre 1998 e 2001, segundo pessoas familiarizadas com a questão. O Credit Suisse também esteve envolvido com Atenas, criando um swap cambial para a Grécia no mesmo período, segundo pessoas a par da questão.
O Deutsche Bank realizou vários swaps cambiais para Portugal entre 1998 e 2003, segundo o porta-voz Roland Weichert. Ele disse também que os negócios do Deutsche Bank com Portugal incluíram "swaps cambiais completamente normais" e outras atividades que ele não quis discutir detalhadamente. Os swaps cambiais para Portugal estavam de acordo com o "padrão de administração de dívida soberana", disse Weichert. As transações não foram criadas para esconder a dívida externa de Portugal, afirmou ele.
O Ministério das Finanças de Portugal não quis comentar se o país usou swaps cambiais como os usados pela Grécia, mas afirmou que Portugal usou apenas instrumentos financeiros que atendem às regras da UE.
Membros de governos europeus disseram na semana passada que as autoridades da UE não tinham conhecimento de um swap cambial polêmico estruturado em 2001 para a Grécia pelo Goldman Sachs. Eles dizem acreditar que o problema não está disseminado, mas vários políticos europeus importantes, como a chanceler alemã Angela Merkel, pediram que as autoridades investiguem mais as transações e se os bancos ajudaram os governos a maquiar suas contas.
Um relatório de 2008 da Eurostat, todavia, diz que os primeiros questionamentos sobre como contabilizar swaps isolados do mercado como os usados pela Grécia surgiram em 2007. O relatório afirma que estabeleceu um guia detalhado sobre como lidar com algumas formas desses swaps. A Eurostat não respondeu a um pedido de entrevista.
A Eurostat tentou por vários anos mudar as regras sobre o uso dos swaps. Os ministros da Fazenda da Europa negaram os poderes da Eurostat em 2000, argumentando que precisavam do máximo de flexibilidade possível para administrar suas dívidas.
Foi só em 2008 - dez anos depois que esses acordos se popularizaram - que a Eurostat conseguiu revisar suas regras para pressionar os países a incluir os swaps em seus cálculos de dívida e déficit. Mesmo assim, os críticos dizem que ainda se sabe muito pouco sobre a contínua exposição desses países a acordos que já estão em vigência.
Os 12 acordos de swap cambial da Grécia feitos pelo Goldman, além de permitir que o país garantisse um taxa de câmbio, tinham outra vantagem: juros fixos que tornavam permissível, sob as regras europeias de contabilidade, que a Grécia divulgasse sua dívida em moeda estrangeira com as taxas de câmbio do contrato de swap - sem importar a variação que o câmbio pudesse ter posteriormente. Isso poderia proteger o país de alta súbitas das dívidas que já tinha contabilizado.
Mas apesar de os swaps cambiais ajudarem a enfeitar a contabilidade, eles não alteraram os fundamentos econômicos: que uma desvalorização do euro deixaria a Grécia com um swap negativo. Foi o que aconteceu em 2000 e 2001, segundo pessoas a par da situação.
Em 2001, o Goldman e a Grécia criaram uma solução que agora se tornou polêmica: um novo swap fora do mercado. Ficou acordado que, no futuro, ienes e dólares seriam convertidos em euros a uma cotação artificialmente favorável.
A Grécia poderia usar essa cotação quando contabilizasse sua dívidas nas contas europeias - diminuindo o endividamento divulgado pelo país em mais de 2 bilhões, segundo pessoas a par da questão.
No final das contas, o benefício marginal foi pequeno. A dívida total da Grécia caiu de 105,3% do PIB para 103,7% e o déficit de 2001 foi reduzido por um décimo de ponto porcentual do PIB, segundo pessoas ligadas ao Goldman.
Ainda não está claro qual é a exposição restante da Gré- cia nesse complicado acordo. (Charles Forelle e Susanne Craig, colaboraram David Crawford, Robin Sidel, Jonathan House e Deborah Ball - The Wall Street Journal/Valor Online)

24.02 - Investimentos e expansão do crédito
Há muito a ser construído no Brasil e são inúmeros os setores que apresentam oportunidades atraentes de investimento
Depois de várias décadas de crescimento baixo e muito volátil, o Brasil acelerou o ritmo nos últimos anos. Nesse período, o país conquistou maior estabilidade macroeconômica e tornou-se mais previsível. Dadas as possibilidades que se desenham, é difícil não estar otimista. Nos próximos anos, o país será capaz de crescer em torno de 5% ao ano de forma sustentável.
Nesse ambiente, há uma revolução em andamento no sistema de crédito no Brasil. O crédito bancário cresceu de 25% do PIB em 2004 para 47% do PIB em 2009, com os prazos de financiamento para pessoas físicas aumentando de 300 para 500 dias no período. Parte da expansão deveu-se à universalização do crédito no país, com os financiamentos oferecidos por empresas de varejo e do setor imobiliário sendo incorporados gradualmente à carteira de crédito dos bancos.
Os intermediários financeiros vêm ampliando a distribuição de inovações, tais como os fundos imobiliários e de direitos creditórios, que contribuem para expandir o crédito e impulsionar o crescimento econômico.
As condições dos financiamentos ainda precisam melhorar para sustentar a ampliação dos investimentos, que tendem a ser disseminados.
Isso exigirá maior integração e coordenação entre os setores público e privado, com participação crescente deste último. Além disso, é desejável haver aumento da concorrência, surgimento de empresas que ocupem nichos específicos no mercado de crédito e redução dos custos das operações, inclusive com a desoneração tributária sobre a intermediação financeira.
Há muito a ser construído no Brasil e são inúmeros os setores que apresentam oportunidades atraentes de investimento.
As deficiências na infraestrutura são reflexo de uma economia que até há pouco tempo era muito suscetível a choques. Ademais, o capital era escasso e caro e, portanto, os retornos dos investimentos que exigem prazos longos de maturação eram pouco atrativos. Esses entraves têm sido enfrentados nos últimos anos.
O aumento dos investimentos em infraestrutura é crucial para acelerar o crescimento. Igualmente, a vantagem comparativa do país nos setores de commodities sugere que os investimentos nessas áreas continuarão elevados. Em especial, o setor de óleo e gás receberá o fluxo de investimentos mais elevado da história brasileira. Essa dinâmica exigirá não só um aporte elevado por parte de instituições financeiras públicas como também de estruturas privadas, domésticas e externas, para financiar a ampliação dos investimentos.
Mas as oportunidades de investimento não param por aí. O mercado imobiliário, por exemplo, tem se beneficiado do aumento do poder aquisitivo e das importantes alterações da legislação. Os financiamentos imobiliários, equivalentes a apenas 3% do PIB em 2009, crescerão bastante. Em um ambiente de juros inferiores aos atuais e de custos de construção mais reduzidos, as condições de financiamento serão mais favoráveis e menos dependentes dos recursos das aplicações em caderneta de poupança.
Além disso, o aumento do rendimento do trabalho e a melhora da distribuição de renda nos últimos anos têm incluído uma parte crescente da sociedade no mercado consumidor.
Diversos segmentos do setor de serviços, tais como os de educação, turismo, restaurantes, planos de saúde e comércio varejista, também terão desempenho ímpar na próxima década.
A solidez do sistema financeiro brasileiro e a rápida recuperação do país após a crise reforçam a percepção de que os financiamentos privados de longo prazo aumentarão bastante nos próximos anos, impulsionando o crescimento econômico.
Embora abrangente, essa expansão tende a ser heterogênea, com vários setores crescendo bem acima da média. Esses setores estarão associados, provavelmente, à construção de uma infraestrutura compatível com o padrão de crescimento atual ou à expansão da oferta de bens e, principalmente, dos serviços para atender a maior demanda de consumidores de menor, porém crescente, poder aquisitivo.
Esse cenário favorável requer a manutenção de políticas econômicas austeras e responsáveis, o que consolidará um dos avanços dos últimos anos, o da expansão e universalização do crédito.   (ANTONIO QUINTELLA e NILSON TEIXEIRA - Folha de S.Paulo)

24.02 - Investimento cresce, mas não zera perdas
Os investimentos no país devem iniciar retomada no final deste ano, mas ainda não deverão ser suficientes para recuperar as perdas ocorridas com a crise.
A taxa de investimento em relação ao PIB deve atingir 18,5%, superando os 18% registrados em 2007 -período anterior aos impactos causados pela crise-, segundo a consultoria MB Associados.
"Nota-se melhora gradual dos investimentos, que devem atingir o pico do pré-crise neste final de ano", afirma Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados.
A expansão, porém, não será suficiente para cobrir o que se perdeu de investimento na crise, diz.
Adicionada a variação em valor real da demanda, na soma de 2009 e 2010, os investimentos ainda caem R$ 2,2 bilhões, afirma Vale. O economista projeta aumento de R$ 180 bilhões do consumo das famílias e de R$ 51,6 bilhões do governo. "Em dois anos o consumo total terá expansão de R$ 230 bilhões, enquanto o investimento ficará estagnado", conclui.
Por que um crescimento sustentável de 5% ou 6% ao ano não é possível?
A taxa de investimento ainda é muito baixa e, mesmo que aumente o dobro do crescimento do PIB nos próximos anos, não alcançaria os 25% necessários para sustentar o crescimento do PIB em torno de 5%, segundo o economista.   (Maria Cristina Frias - Folha de S.Paulo)

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