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03.07 - 15 anos de uma revolução 
O Plano Real deu nova feição ao Brasil. Os avanços não são fortuitos, não começaram agora. São o encadeamento de conquistas progressivas
Há 15 anos, esta Folha publicava em manchete: "Real começa a circular; preços disparam na virada da moeda". Aquelas duas linhas exprimiam certo ceticismo então reinante, embora todos torcessem para que o país conquistasse, enfim, a tão sonhada estabilidade monetária. Deu certo. O Plano Real, que chega ao seu 15º aniversário, marcou o início de uma bem-sucedida nova era para o Brasil.
Para as novas gerações, que, desde que se entendem por gente, manuseiam as mesmas cédulas e moedinhas, superinflação parece algo tão remoto quanto o telégrafo. Mas, apenas 15 anos atrás, nosso martírio era conviver com preços que mudavam todos os dias. Como sempre, quem mais perdia eram os mais pobres, sem meios para se defenderem do imposto inflacionário.
O real foi o único dos 12 planos de estabilização tentados no Brasil -se consideradas as experiências ortodoxas do fim do regime militar- que obteve sucesso.
A taxa de inflação acumulada desde que a nova moeda foi criada até hoje é de 245%. Vale comparar: num único ano, o de 1993, o índice ultrapassara 2.700%. Mais: a última moeda antes do real, o cruzeiro real, existiu por meros 334 dias e acumulou inflação de 3.673%. Isso acabou.
O Plano Real não foi somente uma mudança de moeda. Foi o início de um processo que levou os brasileiros a perceberem as vantagens de ter referência de valor. Foi uma verdadeira revolução cultural, cujo grande artífice foi o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ministro da Fazenda de Itamar Franco até a véspera do lançamento da nova moeda.
Cercado de mentes brilhantes, que lograram encontrar solução para um problema secular -o real é nossa décima moeda-, ele construiu a credibilidade do plano repetindo, por meses, que nada aconteceria na calada da noite. Aquilo, em si, era revolucionário, acostumados que estávamos com pacotes baixados da noite para o dia, com eficácia de curto prazo.
Desde seu início, o plano foi uma obra aberta. À época já se alertava para o fato de que a conquista da estabilidade era um processo a ser vencido dia após dia. Só isso já representava uma atitude absolutamente inovadora, honesta, para uma época em que os brasileiros ainda acreditavam em milagreiros na economia.
A estabilidade criava a necessidade de difíceis e urgentes mudanças econômicas. Já no poder, o PSDB topou a parada, e o PT, ainda na oposição, fez de tudo para dificultá-la sempre um pouco mais, votando no Congresso contra tudo o que era de interesse dos brasileiros.
Conquistada a estabilidade, cabia reformar o Estado, modernizá-lo e desatá-lo da herança patrimonialista de séculos. Quem há de negar que conseguimos? O país que temos hoje -melhor do que ontem, mas ainda distante do que será amanhã- é resultado dessas transformações, indissociáveis da história do PSDB.
Com a estabilidade da moeda, tornou-se imperativo pôr em ordem as contas públicas, desorganizadas pela inflação. Foram renegociadas as dívidas de Estados e prefeituras, dando-lhes previsibilidade e condições para que seus governantes pudessem atender melhor a população.
O passo seguinte, em 2000, foi disciplinar as contas do governo central a partir da Lei de Responsabilidade Fiscal. Antes, o governo tucano já instituíra mudanças importantes na atuação do Banco Central, com a adoção do sistema de metas de inflação e do regime de câmbio flutuante.
Mas não bastava. Era preciso canalizar energias para o cumprimento de funções básicas na saúde, educação, segurança. Foi então que partimos para as privatizações, cujo sucesso encontra sua mais perfeita tradução na universalização das comunicações e nos ganhos gerados para a vida de todos os 180 milhões de brasileiros.
A desestatização foi acompanhada pelo fortalecimento de empresas como a Petrobras e o Banco do Brasil.
Deixou de ser função do Estado investir diretamente na produção, mas o papel de disciplinador do mercado foi reforçado com a criação de agências reguladoras. O sistema financeiro foi redesenhado por meio do Proer, hoje modelo para a reengenharia das finanças mundiais.
O Plano Real deu nova feição ao Brasil. Os avanços não são fortuitos, não começaram agora. São o encadeamento de conquistas progressivas, que permitiram a construção de uma economia de mercado moderna, competitiva e integrada de maneira soberana com o mundo. E é só por isso que conseguimos sofrer menos com a crise.
Como dizia Guimarães Rosa, "o caminho se faz no andar". É certo que já poderíamos estar muito mais adiante, aonde o governo Lula não conseguiu nem conseguirá nos levar. Mas o tempo de avançar em breve estará de volta.   (SEVERINO SÉRGIO ESTELITA GUERRA - Folha de S.Paulo)

03.07 - Na moeda, a síntese de um plano
A maior crise mundial em mais de meio século é um bom momento para se avaliar a história do real, lançado há 15 anos, em 1º de julho de 1994. Este não é um aniversário comum. Num cenário global de aversão ao risco, a moeda nacional se valoriza, o Banco Central (BC) acumula reservas, a balança comercial se mantém superavitária e o déficit em conta corrente fica abaixo das previsões. A inflação continua controlada e aproxima-se do centro da meta. Tudo isso é o oposto do velho script. As crises detonadas a partir do setor externo resultavam em fuga de capitais, crise cambial, maxidesvalorizações, enormes pressões inflacionárias e desastres fiscais.
Esta mudança não ocorreu de uma vez e não é obra de um só governo. Em 2003, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou seu primeiro mandato, o Brasil enfrentava a ressaca de uma crise iniciada na campanha eleitoral. A inflação havia chegado a 12,53% e a primeira providência da nova diretoria do BC foi elevar os juros. A inflação recuou para 9,30% no fim do ano, 7,60% em 2004 e 5,69% em 2005. Durante esse período, a economia voltou a crescer e as contas externas ganharam solidez.
Dois pontos chamam a atenção. Primeiro, o impacto inflacionário da crise de 2002 foi muito menor que o observado em episódios anteriores. Segundo, o BC foi capaz de baixar a inflação de forma contínua, a partir de 2003, enquanto a economia retomava impulso e voltava à expansão em 2004. Foi possível conter a elevação dos preços com certa rapidez porque o BC dispunha de condições para executar a política monetária e também porque os salários e a maior parte dos preços estavam desindexados.
Mesmo na crise cambial de 1999, muito mais violenta, a inflação havia sido contida com rapidez, com a alta dos preços ao consumidor ficando limitada a 8,94% entre janeiro e dezembro. Quando o sistema de banda cambial faliu, em janeiro, houve quem previsse inflação de 40% e até mais, profetizando a falência do Plano Real.
A crise daquele ano motivou duas mudanças importantes: foram adotadas metas de inflação e o câmbio se tornou muito mais flexível, com o abandono do sistema de bandas e de metas cambiais (pelo menos explícitas). Mas o regime de metas só produziu resultados porque o governo havia recriado condições para a política monetária. Essas condições eram muito precárias no início dos anos 90. Boa parte do esforço de contenção dos preços, por meio da gestão da moeda, era perdida. Não podia haver política eficaz enquanto os governos estaduais pudessem recorrer livremente a seus bancos para financiar seus gastos e essas operações fossem sancionadas pelo BC.
O ajuste consumiu alguns anos. Em São Paulo, depois da privatização do Banespa e de seu enquadramento na disciplina monetária, a Caixa estadual continuou durante algum tempo recorrendo ao socorro do BC. Foi necessário um duro trabalho para disciplinar os bancos estaduais sobreviventes.
A reabilitação da política monetária só foi possível porque o governo federal negociou pacientemente o refinanciamento dos débitos de Estados e municípios. Foi o primeiro passo para a imposição de alguma disciplina fiscal aos governos estaduais e às prefeituras. O alcance dessa mudança e o seu significado histórico certamente não foram percebidos pela maioria das pessoas. A explicação não seria fácil e a tentativa nunca seria um sucesso de público. Mas o eleitorado soube apreciar uma das consequências dessas mudanças - a elevação do salário real, facilitada pela inflação sob controle. Isso ajudou a reeleição do presidente Lula. O reconhecimento desse fato explica a manutenção do presidente do BC, apesar das pressões contrárias, e o respeito à autonomia de fato do Comitê de Política Monetária (Copom).
Depois da renegociação das dívidas veio a aprovação, no ano 2000, das leis de responsabilidade fiscal - uma com as novas normas disciplinares, outra com as punições. Isso não eliminou todos os desmandos fiscais de governadores e prefeitos, mas limitou-os com muita efícácia. Com os governos estaduais e municipais sujeitos a uma disciplina sem precedentes - neste caso caberia, de fato, a referência ao "nunca antes" - ficou muito mais fácil produzir superávit primário e tornar a dívida pública mais administrável. Não há como negar ao governo Lula alguns acertos importantes. Um deles foi a manutenção das condições de gestão criadas a partir do Plano Real. Sem esse, os outros acertos teriam sido muito mais limitados.    (Rolf Kuntz - O Estado de S.Paulo)

03.07 - Dados mostram recuperação lenta nos EUA
Instituto prevê que levará três meses para que a produção volte a crescer; 473 mil são demitidos em junho
O ritmo de queda na produção industrial norte-americana diminuiu pelo sexto mês consecutivo em junho, mas dados do mercado de trabalho e imobiliário voltaram a alertar o quão lenta poderá ser a saída da atual recessão, que já dura 20 meses.
Segundo dados do Institute for Supply Management, o índice de produção industrial no mês passado subiu de 42,8 pontos para 44,8, embora o indicador abaixo de 50 pontos ainda indique retração. Há 17 meses ele está abaixo dessa marca.
Em comunicado sobre o novo indicador, o presidente do instituto, Norbert Ore, estimou que ainda levará cerca de três meses para que a produção industrial norte-americana volte ao território positivo.
Mas as estatísticas do mercado de trabalho levantadas pela ADP Employer Services revelaram que as empresas eliminaram cerca de 473 mil empregos privados em junho (o dado oficial do Departamento do Trabalho, com vagas públicas e privadas, será conhecido hoje). No mês anterior, os cortes haviam sido de 485 mil postos.
Outro dado negativo mostrou que voltou a perder força o ritmo de assinaturas de novos contratos ou de refinanciamentos de suas dívidas imobiliárias. O aumento foi de 0,1% em junho, contra uma alta de 7,1% em maio. Número do Departamento do Comércio revelou que os gastos em projetos de construção caíram 0,9% em maio, após terem apresentado alta em abril pela primeira vez em sete meses.
"Mesmo que a economia venha mostrando sinais de recuperação, não é o caso no mercado de trabalho. Ele ainda está piorando, embora o ritmo da piora também tenha diminuído", disse Nigel Gault, economista da IHS Global Insight sobre os dados divulgados ontem.
No primeiro dia do segundo semestre do ano, período em que muitos apostam em uma estabilização mais firme e na recuperação da economia dos EUA, a Bolsa de Valores de Nova York voltou a fechar em alta. Apesar dos números econômicos contraditórios.
O índice Dow Jones subiu 0,79%, o S&P 500, 0,54%, e a Bolsa eletrônica Nasdaq fechou em alta de 0,64%. Entre abril e junho deste ano, o índice S&P 500 teve a maior valorização para o período em dez anos.  (FERNANDO CANZIAN - Folha de S.Paulo)

03.07 - Brasil: Cenário macroeconômico favorável aos negócios
O Brasil aparece em 42º lugar no ranking mundial do E-Readiness 2009, um estudo que mede a capacidade de 70 países de absorverem novas tecnologias de informação e usá-las a favor do desenvolvimento econômico e social.
A pesquisa realizada pela divisão de consultoria da IBM e a Unidade de Inteligência da The Economist alega que o país tem um dos melhores cenários macroeconômicos e de oportunidades de negócios do mundo, pouco alterado diante da turbulência financeira.
Essa situação é sustentada pelo fato de o Brasil ser um dos países com maior índice de empreendedorismo entre os pesquisados, mesmo sofrendo com problemas relacionados a deficiências na infraestrutura e baixa adoção do comércio eletrônico pelos consumidores e empresas de um modo geral.
Dentre os latino-americanos, o Brasil aparece no ranking abaixo do Chile (30º) e do México (40º). Já entre os países do Bric, o Brasil está na liderança, apresentando o melhor ambiente geral para o crescimento do e-commerce. A Dinamarca é a líder global com maior presença da economia online e o uso de serviços públicos via internet.
A pontuação E-readiness é uma medida de quão amigável é o mercado local às oportunidades baseadas na internet. São analisados fatores como educação, experiência online, política governamental, empreendedorismo, inovação, além de consumo de mercadorias e serviços digitais.    (Executivos Financeiros)
 
 
 
 
 
 

02.07 - Em estudo o Código de Defesa do Investidor
Em razão da falta de lei específica para proteger investidores, surge a proposta de criação de um Código de Defesa do Investidor. O projeto nesse sentido foi apresentado na terça-feira pelo procurador do município do Rio de Janeiro, José Eduardo Cavalcanti, durante palestra sobre mercado de capitais, promovida promovido pelos fóruns permanentes de Direito Tributário e Direito Empresarial da Escola de Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (Emerj).
Cavalcanti explicou que, junto à popularização do mercado de capitais, surgiu uma série de situações que ainda carecem de legislação especifica para maior segurança jurídica dos envolvidos. "Há um vácuo legal. Há necessidade de maior regulamentação da proteção a esses investidores", afirmou o procurador. De acordo com ele, diante da falta de regulamentação, o Código de Defesa do Consumidor tem sido utilizado pelo Judiciário para resolução dos litígios oriundos da relação entre investidores e intermediários de mercado - corretores, agentes autônomos, prepostos, etc.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está desenvolvendo estudos para elaboração do Código de Defesa do Investidor. O objetivo é trazer maior segurança jurídica e criar dispositivos que viabilizem a solução das ações interpostas de forma rápida e eficaz, sem gerar grandes custos para aquele que foi lesado. "Queremos maior proteção para aquele que investe. Entendo que se ouve uma falha de mercado, fraude, ou utilização indevida de informações privilegiadas, o prejudicado não pode ter custos elevados para obter a sua reparação. Nem custo do tempo, nem o custo monetário, para ter essa proteção", disse.
A elaboração do novo código ainda se encontra em fase inicial e sem previsão para se tornar projeto de lei.
EDUCAÇÃO FINANCEIRA.
No debate, o superintendente de produtos e relações institucionais da Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro (Andima), Luiz Macahyba, apresentou um plano estratégico nacional de educação financeira. O objetivo é criar uma política de educação financeira que perpasse todos os níveis de instrução, do primário ao ensino superior, e também atinja aos adultos através de parcerias com as associações de classes, entidades civis e ministérios. "Quanto mais informação e educação financeira dispor a sociedade, menores são os riscos de as famílias adquirirem investimentos que não condizem com o seu perfil. Entendemos que disseminar a educação financeira é um benefício que a sociedade ganhará na medida de que tiver melhor condição de entender como melhor alocar seus recursos superavitários", afirmou.
A iniciativa conta participação de entidades do setor público, como a Secretaria de Previdência Complementar, o Banco Central, a CVM e a Superintendência de Seguros Privados (Susep). Além disso, também apoiam a iniciativa privada, através de entidades de classe como a Andima, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a Federação Nacional das Empresas de Seguros Privados e de Capitalização (Fenaseg), entre outras.
"A ideia é que você consiga chegar aos diversos seguimentos da sociedade brasileira através das escolas, mas também que se consiga chegar a sociedade brasileira como um todo. Ao ponto que no futuro a educação financeira vire assunto das famílias, assim como se tronou a questão da sustentabilidade", explicou Macahyba. O documento que trata sobre o tema ainda não está concluído, porém, segundo o superintendente, assim que for implantado terá caracter permanente.  (Bruno Nasser - Jornal do Commercio do Brasil)

02.07 - Moeda forte completa 15 anos
O Plano Real, que completa hoje 15 anos, foi um sucesso para o objetivo proposto: derrubar a inflação, dar uma moeda forte ao País e organizar minimamente o Estado brasileiro. A avaliação é do economista e professor Winston Fritsch, um dos pais do programa de estabilização lançado pelo governo Itamar Franco em 1994. Fritsch teve participação ativa na primeira fase do programa como secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Com ele trabalhava Gustavo Franco. Os dois faziam parte do seleto grupo de economistas responsáveis pelas ideias e implementação do que ficou conhecido como o Plano Real. Mais tarde ele se afastou do governo.
"O plano foi fundamental para enfrentar a inflação inercial", garantiu. Sem o plano, Fritsch disse que não saberia nem onde o País teria parado. "Estávamos caminhando para o caos ", afirmou, lembrando da inflação da época, que apontava para inimagináveis 7.000% ao ano. O professor conta uma cena que o deixou chocado. Pouco acostumado a fazer compras, precisou ir ao supermercado. Coincidentemente era dia de pagamento e o que Fritsch presenciou foi uma cena de guerra, com centenas de pessoas se apertando nos estreitos corredores para conseguir comprar a comida necessária para abastecer a casa até a chegada do próximo salário. Se deixassem para o dia seguinte não conseguiriam levar a mesma quantidade de mercadorias porque a inflação já teria comido mais uma parte dos salários. "Quem tem hoje mais de 30 anos deve se recordar dessa cena", observou. 
O professor rebate os críticos e garante que o Plano Real não acabou com a desvalorização da moeda em 1999. "Estava previsto que, em algum momento, o câmbio iria flutuar. Já tínhamos, inclusive, as bandas cambiais, mas a crise apressou tudo", explicou. Para Fritsch, o presidente Fernando Henrique Cardoso colheu os frutos do real num primeiro momento e o presidente Lula está colhendo outros. "Todo plano de estabilização tem benefícios de curto, médio e longo prazos", observou. 
A avaliação de quem não participou da elaboração do plano , mas já esteve no comando da economia brasileira é a mesma. Para o ex-ministro da Economia, Marcílio Marques Moreira, a introdução do Plano Real foi um verdadeiro divisor de águas da histórica econômica brasileira recente. "Foi um salto que representou um avanço institucional importantíssimo, com repercussão sobre outras atividades", avaliou. Segundo o ex-ministro, as décadas de inflação que antecederam este momento criaram uma tremenda confusão na economia. "A inflação deprime os salários, cria incerteza diária nos preços de referência, não estimula a poupança, nem o investimento. E a moeda é um símbolo essencial para qualquer diálogo econômico", observou. Para Marcílio, "a inflação era uma verdadeira chaga, não só prejudicando os menos aquinhoados, como freando o crescimento econômico". 
Como retrato da época, ele recorda o que aconteceu com o segmento de seguro de vida no Brasil. O ex-ministro explicou quem, antes do real, um produto deste tipo, uma espécie de poupança de longo prazo, praticamente não era possível. "Não podemos nos esquecer que a inflação, em um determinado momento, chegou a ser de 3% ao dia. Um verdadeiro pandemônio", relembra. Marcílio ressalta que este avanço institucional foi aprimorado ao longo do tempo com outros marcos macroeconômicos. "O estabelecimento de metas de inflação, a adoção do câmbio flutuante e a preocupação com a austeridade fiscal são alguns marcos de grande relevância". Para ele, um outro aspecto que merece destaque neste período foi o ajuste profundo no setor financeiro. "Com a implementação do real foi possível separar o joio do trigo em termos de instituição financeira. Temos um sistema bancário resistente a crises, o que foi testado agora com sucesso", avaliou.
CÉDULAS. 
No dia em que o real completa 15 anos, os brasileiros e a rede bancária acordam com R$ 103,5 bilhões em mãos. Esse é o dinheiro em circulação hoje no país, segundo o Banco Central (BC). A nota de R$ 1, contudo, está cada vez mais rara. São 171,4 milhões de cédulas apenas. São bem mais difíceis de serem encontradas que as de R$ 100 - 207,9 milhões. Isso não significa que a população ficou mais rica, embora o plano tenha trazido estabilidade econômica ao país. Na verdade, a Casa da Moeda deixou de produzir novas notas de R$ 1, dando lugar a moeda de mesmo valor. A cédula já não é produzida desde março de 2006. As notas em más condições são retiradas de circulação. 
EQUIPE
Quando a equipe econômica do presidente Itamar Franco, liderada pelo então ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso e que reunia os "pais do real" Persio Arida, André Lara Resende, Gustavo Franco, Pedro Malan e Edmar Bacha, apresentou nova tentativa de conter o flagelo de quase duas décadas de inflação descontrolada, o Brasil já tinha sofrido várias experiências frustradas, do congelamento de preços ao confisco de depósitos da poupança.
URV
O planejamento do Plano Real começou em 1993, com o Programa de Ação Imediata (PAI), que tinha as primeiras medidas para debelar a hiperinflação. Diferentemente das outras tentativas, o Plano Real não congelou preços e salários e também não lançou nova moeda imediatamente. Foi criada a Unidade Real de Valor (URV) para desvincular preços do Cruzeiro Real e que depois seria convertida para a moeda real, lançada em 1º de julho de 1994. 
Saldo
Lastreado por reservas internacionais na exata proporção ao dólar, o real começou a circular com valor acima da moeda norte-americana, chegando a US$ 0,80. As importações de matérias-primas e máquinas ficaram atrativas e produtos importados chegavam com preços abaixo dos nacionais, afertando a balança comercial. A inflação desabou e ficou em 18,57% de julho a dezembro de 1994. A inflação acumulada em 15 anos foi 244%.    (LIANA VERDINI E VÂNIA CRISTINO - Jornal do Commercio do Brasil)

02.07 - Sucesso obtido não é garantia para o futuro
O sucesso alcançado pelo Plano Real não garante o futuro da estabilidade econômica no País, opina o ex-ministro da Economia Marcílio Marques Moreira. Para ele, o sucesso não é algo que se compra, mas que se aluga. "O que quero dizer com isso é que este é um processo que devemos cuidar diariamente e não termina nunca", afirmou. Para o ex-ministro, o plano tem um resultado muito positivo, embora tenha tido avanços e retrocessos ao longo do tempo. "Como retrocesso digo que se dependeu um tempo longo demais da taxa de câmbio e ocorreu uma instabilidade acentuada em 1999 quando se passou para o câmbio flutuante", disse. 
Marcílio disse que é preciso adotar outras iniciativas para que o País encontre um patamar de desenvolvimento sustentável. Ele alertou para o risco de se resvalar para algo medíocre, como um crescimento de 3% ao ano. O ex-ministro citou a necessidade das reformas tributária, da Previdência e trabalhista como avanços necessários para a consolidação do real. De acordo com ele, o governo está olhando para 2010, quando deveria olhar para 2020, 2030. "O mundo está mais competitivo. Estamos na sociedade do conhecimento e atrasados neste aspecto. Isto é preocupante", afirmou. 
O economista Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central por duas vezes, disse que o Plano Real nunca pretendeu resolver todos os problemas do País. "E nem poderia", observou. Na defesa do plano econômico, Loyola disse que a estabilização está aí até hoje e o sistema bancário forte conseguiu resistir a mais uma crise. Os acertos do Plano Real, segundo Loyola, não significam que a política econômica tenha sido sempre correta. "Ainda tem muita coisa para ser feita. Temos que avançar nas reformas, reduzir a burocracia, atacar as graves deficiências de infraestrutura e dar condições ao Estado de investir mais, pois até hoje se gasta muito com custeio", avaliou.   (LIANA VERDINI E VÂNIA CRISTINO - Jornal do Commercio do Brasil)
 
 
 
 
 
 

01.07 - Cresce rigor para sustentabilidade na Bolsa
Devido à crise financeira mundial, empresas terão de detalhar política de gestão de riscos e remuneração de executivos
Mudanças deverão integrar questionário a que empresas listadas no ISE responderão para formar a carteira do índice para o próximo ano
As empresas que participam do ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial) da BM&FBovespa terão de responder, a partir deste ano, a questões específicas sobre sua política de gestão de riscos financeiros e sobre os mecanismos de remuneração de seus principais executivos, como o pagamento de bônus com ações. Essas são as principais mudanças propostas para a revisão anual do ISE, cuja etapa de consulta pública terminou na sexta-feira.
As mudanças guardam relação direta com a crise financeira global. No Brasil, diversas empresas registraram perdas significativas ao apostar na tendência de enfraquecimento do dólar diante do real no mercado de derivativos. Entre os casos mais célebres, estão os da Sadia, da Aracruz Celulose e do Grupo Votorantim, que amargaram perdas bilionárias quando o dólar, na esteira da crise, inverteu o sinal e passou a se valorizar diante do real.
A remuneração de bônus milionários a executivos de empresas que praticamente faliram em razão da crise, como a seguradora AIG, nos Estados Unidos, também foi alvo de intenso debate aqui e no exterior.
"Com os desdobramentos da crise, as questões relacionadas à política de riscos na área financeira e às regras de remuneração dos executivos assumiram maior relevância na análise sobre quão sustentáveis são as empresas", disse à Folha a coordenadora dos trabalhos de revisão do ISE, Roberta Simonetti, do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV-SP.
As mudanças, que ainda terão de ser aprovadas pelo Conselho do ISE, passarão a fazer parte do questionário que as empresas listadas no índice responderão a partir de agosto -e que formará a carteira do ISE para o ano de 2010.
Por sugestão das empresas, que pela primeira vez participaram dos debates para a revisão do índice, temas como a qualidade de vida dos funcionários e a política de terceirização de mão de obra também deverão fazer parte do questionário enviado às companhias.
Idealizado para reunir as empresas mais "sustentáveis" listadas na Bolsa, a partir do conceito de "triple bottom line" (no qual são considerados de maneira integrada os aspectos ambientais, sociais e econômicos da gestão) e dos quesitos governança corporativa, características gerais e natureza do produto, o ISE ainda está longe de atrair a atenção dos investidores no mercado local.
"Salvo para um ou outro fundo de ações, a sustentabilidade das empresas ainda não é um fator determinante na decisão dos investidores domésticos ao comprar um papel, sobretudo para as pessoas físicas. O que importa mesmo é o potencial de geração de lucro, e não em quem se está investindo ou como lida com as questões de sustentabilidade", diz o economista-chefe da corretora Souza Barros, Clodoir Oliveira.
Referência a mais
A rentabilidade do ISE é pior quando comparada à do Ibovespa, o principal índice da Bolsa. Desde sua criação em dezembro de 2005 até o fechamento de maio, o índice de sustentabilidade acumulou alta de 49%. No mesmo período, o Ibovespa teve ganho de 59%.
"Não é correto afirmar que o ISE não tem boa performance. Há uma série de variáveis, relacionadas com as políticas de sustentabilidade nas empresas, que não se refletem no curto prazo no valor de suas ações em Bolsa. Além disso, o ISE mede empresas que buscam otimizar o seu lucro, e não simplesmente maximizá-lo, muitas vezes em detrimento de variáveis ambientais, sociais e econômicas de longo prazo", afirma Simonetti.
A rentabilidade também não parece ser um problema para as empresas listadas, que buscam no ISE mais uma referência de práticas e ações de sustentabilidade internacionalmente reconhecidas do que de retorno financeiro.
"O ISE, assim como o índice de sustentabilidade da Bolsa de Nova York, são instrumentos para medirmos e avaliarmos até que ponto nossas práticas nessa área estão no caminho certo. E, por ser comparável, funciona como um importante instrumento para definir os benchmarks no setor", diz o presidente do Grupo EDP no Brasil, António Pita Abreu.
"Além disso, esse tipo de índice coloca de maneira concreta como as empresas estão lidando com suas questões de riscos sociais, ambientais, trabalhistas etc. Itens que, cada vez mais, serão essenciais para qualquer companhia que queira sobreviver no longo prazo."   (ANDRÉ PALHANO - Folha de S.Paulo)

01.07 - Crise coloca em xeque o mercado financeiro
As perspectivas apontam para um novo sistema financeiro que operará menos alavancado que no passado recente
A crise financeira internacional está prestes a entrar em seu terceiro ano. Originalmente a turbulência financeira era vista como um fenômeno passageiro e de pequena dimensão, localizado em um segmento pequeno do mercado imobiliário americano, o subprime. Desde então, o sistema bancário dos EUA - que é o "coração" do sistema financeiro internacional - foi fortemente impactado. Grandes bancos de investimento americanos, como o Bear Stearns e o Lehman Brothers, não conseguiram sobreviver. As perdas acumuladas pelos bancos americanos chegam a níveis alarmantes. Entre janeiro de 2007 e abril de 2009, o valor de mercado dessas instituições se reduziu de US$ 1,4 trilhão para pouco mais de US$ 400 bilhões, um montante que, grosso modo, se aproxima do aporte do governo americano nessas instituições.
A atual crise financeira internacional, no entanto, nos remete ao passado. A partir do início dos anos 1980, as limitações aos fluxos de capitais de curto prazo foram sendo paulatinamente eliminadas. Em todo o mundo, as reformas foram baseadas em três pontos básicos: desregulamentação, redução do papel dos bancos na intermediação e internacionalização dos mercados financeiros. Para tanto, revogaram-se leis e normas que permitiam aos governos impor limitações aos fluxos de capitais de curto prazo e aos investimentos estrangeiros no setor financeiro. O mesmo aconteceu com as restrições que estabeleciam separação entre as atividades dos bancos e as dos mercados de capitais, e entre as atividades de curto e as de longo prazo.
A partir dessas reformas, surgiu um sistema financeiro global, no qual os bancos continuavam a ser atores importantes, mas com um papel inteiramente novo. Em lugar de captarem recursos do público e carregarem créditos por prazos mais longos, transformaram-se em estruturadores de negócios. Sua responsabilidade no financiamento de operações ficou restrita ao tempo entre a geração de um crédito (por exemplo, uma hipoteca) e sua posterior transferência a investidores nos mercados de capitais. Era a consagração de um novo modelo de negócios, conhecido por "Originação e Distribuição" (O&D).
O processo de securitização do crédito foi ainda acompanhado pela terceirização de outras atividades que até então também tinham sido características dos bancos: a análise de risco e a captação de depósitos. As agências de rating passaram a avaliar o risco e os money market funds substituíram os depositantes.
O resultado desse processo foi o rápido crescimento, entre 1982 e 2009, do crédito doméstico privado americano, que passou de 123% do PIB para quase 300%. A maior parte desse crescimento deveu-se ao aumento da demanda das instituições financeiras não-bancárias, isto é, destinou-se a apoiar as operações de securitização.
Com a atual crise, o modelo de O&D tornou-se vulnerável à medida em que o processo de deflação de ativos se intensificou. Inicialmente foram os preços dos imóveis. Em seguida foi a vez das ações e das commodities.
A deflação se acentuou com o pânico que se seguiu à falência do Lehman Brothers, em setembro de 2008. Naquele momento, os problemas de liquidez, que já eram graves, se estenderam aos mercados interbancários, com as instituições financeiras evitando empréstimos de curto prazo entre si. Em meados de outubro, os mercados interbancários virtualmente pararam de operar.
A quebra do Lehman Brothers marca o auge de um processo de revisão generalizada da solidez dos instrumentos de garantia e das convenções que deram suporte ao processo de securitização por mais de duas décadas. Os investidores perceberam, entre outras coisas, que: I) as avaliações feitas pelas agências de rating tinham se baseado em modelos estatísticos frágeis; II) a divisão das cotas dos fundos de investimento em tranches, com prioridade de recebimento escalonada e de diferentes graus de risco-retorno (tranchismo), não refletiam o real risco das operações; III) as seguradoras de crédito - como a AIG e outras - não teriam condições de atender ao volume de inadimplementos que se anunciava; e IV) os mecanismos de terceirização dos créditos - como as "Empresas de Investimento Estruturadas" (Structured Investment Vehicles - SIV) - não isentariam os bancos de assumirem a responsabilidade por créditos de péssima qualidade - os chamados "lixos tóxicos".
Diante desse cenário, desencadeou-se uma brutal desvalorização dos ativos privados. Os capitais seguiram em fuga em direção à riqueza pública ou garantida pelos governos, que continuavam a ser vistos como "corretamente" precificados.
A pronta resposta dos governos, particularmente dos bancos centrais, de ampliar seus balanços e acomodar o excesso de demanda, contribuiu para estabilização dos mercados que vem sendo observada desde o início de 2009. Isto impediu uma quebra generalizada do sistema bancário. Entretanto, a política monetária não é instrumento capaz de, por si, forçar os bancos a voltarem a oferecer crédito abundante a taxas atraentes. Por esse motivo, tanto nos EUA quanto na Europa, a primeira resposta do setor bancário foi deixar essa liquidez depositada nos próprios bancos centrais. Nos Estados Unidos, por exemplo, enquanto o Fed ampliava seu balanço em cerca de US$ 1 trilhão a partir de setembro de 2008, os bancos americanos aumentavam seus depósitos na autoridade monetária em mais US$ 900 bilhões.
As medidas em curso desde setembro de 2008 mostram-se capazes, seis meses depois, de conter a desaceleração do crédito. Entretanto, a retomada de um novo ciclo de expansão financeira, como o que assistimos entre 1982 e 2008, ainda deve tardar. Terá de ser feita com base em normas, instituições e regulação diferentes. As perspectivas apontam para um novo sistema financeiro que operará menos alavancado, mais centrado em bancos, com instituições mais reguladas e com forte presença do Estado, seja direta ou indiretamente. Essa transição, no entanto, não deve ocorrer de forma rápida, e muito menos será indolor. Promete ainda momentos de intensa volatilidade e de embates entre os interesses públicos e privados.   (Ernani Torres Teixeira Filho e Gilberto Rodrigues Borça Junior - Valor Online)

01.07 - Petrobras tem financiamento para planos até 2013
Longe da crise, empresa já conseguiu no mercado mais de US$ 30 bilhões
Na contramão da crise financeira mundial, que deixou várias empresas sem recursos e obrigadas a realizar cortes, a Petrobras já obteve no mercado financiamentos suficientes para cobrir o plano de investimentos até 2013, afirmou ontem o diretor financeiro da estatal, Almir Barbassa.
Segundo ele, a empresa já conseguiu no mercado, desde o lançamento do plano, mais de US$ 30 bilhões.
– São suficientes para a empresa até 2013 a preços correntes. O plano é perfeitamente exequível e vai nos levar a crescimento em todos os setores – disse na segunda-feira Barbassa a jornalistas, após evento no Rio de Janeiro. – Estamos bastante confortáveis.
O volume de financiamentos deve se somar à geração de caixa da companhia para a execução do plano, cujos investimentos previstos são de US$ 174,4 bilhões.
BNDES
Barbassa citou entre os financiamentos já obtidos pela Petrobras os 25 bilhões de reais conseguidos junto ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social); 6,5 bilhões de dólares por meio de um pool de bancos; 2 bilhões de dólares do US Exim Bank, além dos 10 bilhões de dólares junto ao Banco de Desenvolvimento da China.
Apesar de já ter conseguido no mercado cobrir as necessidades de financiamentos, o diretor disse que a empresa pode fazer novas operações.
– Mesmo com o plano de financiamento coberto, é sempre bom ter sobra de caixa. Dinheiro bom é dinheiro no caixa, até para administrar o passivo da companhia, não vamos sair do mercado – disse Barbassa, em café da manhã com jornalistas.
Pré-sal
Após criticar o rebaixamento da Petrobras por agências de classificação de risco, Barbassa disse que a companhia está desenvolvendo um projeto de redução de custos para a exploração da camada pré-sal.
De acordo com Barbassa, a redução de custos inclui uma maior automação das plataformas, o que reduziria o número de trabalhadores, modificações nos projetos das plataformas e a redução de perfuração de poços pela empresa.
Estimativas da empresa feitas em 2008 apontavam para necessidade de 30 poços para a produção de 120 mil barris/dia no pré-sal, sendo 20 para produção e dez para a rejeição.
Mas estudos mais recentes, acrescentou Barbassa, reduziram o número de perfurações para 20, sendo 12 para produção e 8 para injeção:
– Já aumentamos a produtividade, reduzir em dez poços significa uma economia de mais de 1 bilhão de dólares por plataforma, porque cada poço custa mais de 100 milhões de dólares.
Hoje em uma plataforma de grande porte trabalham cerca de cem pessoas, e Barbassa disse que a empresa quer melhorar o monitoramento em terra, reduzindo assim os profissionais embarcados.  (Rodrigo Viga Gaier - Reuters/JB Online)
 
 
 
 
 

30.06 - Recebíveis
A redução da taxa básica de juros aumenta a atratividade dos FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) para os investidores, afirma José Luis Doles, sócio do escritório Barcellos Tucunduva. Segundo ele, a rentabilidade dos fundos é de cerca de 120% do CDI (taxa usada para empréstimos entre bancos). "Quem estava tranquilo nos fundos de renda fixa agora vai ter de arriscar mais para ter uma rentabilidade alta." Neste ano, o escritório estruturou R$ 717 milhões em operações de FIDC. O volume representa cerca de 50% do total lançado no período, de R$ 1,5 bilhão. No último semestre do ano passado, cerca de R$ 10 bilhões em FIDCs foram lançados no mercado brasileiro.  (Guilherme Barros - Folha de S.Paulo)

30.06 - Investidores estão mais conservadores
Pesquisa mostra que apenas 22% dos entrevistados afirmam ter perspectiva positiva de investimento no curto prazo
Uma pesquisa realizada pela Deloitte e pelo Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (Ibri) aponta que, após os piores momentos da crise financeira internacional no ano passado, de maneira geral, os investidores se mostram mais conservadores que as empresas.
Apenas 22% dos investidores participantes do levantamento (61 no total, a maior parte fundos e entidades de previdência) afirmam ter perspectiva positiva de investimento no curto prazo. As expectativas dos 78% restantes são estáveis ou negativas. 
Considerando as perspectivas das empresas participantes (54 no total), representadas pelos seus profissionais da área de relações com investidores, 67% afirmam que continuarão investindo no curto prazo e 33% dizem não ter planos para novos investimentos neste período.   (Gazeta de Alagoas)

30.06 - Cerco às taxas
O mercado financeiro espera que haja novas reduções nas taxas básicas de juros ao longo deste ano, e realmente é provável que isso ocorra nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária, ainda que o Banco Central tenha alertado, na última ata do Copom, que a fase de cortes mais expressivos estaria chegando ao fim.
Mas qualquer que venha a ser essa trajetória, o fato é que a economia brasileira está hoje convivendo com as menores taxas básicas desde que passou a ter uma moeda confiável. É uma nova realidade, que exigirá mudanças de comportamento tanto por parte dos investidores como do próprio sistema financeiro. Dentro desse quadro, spreads bancários elevadíssimos não se justificariam mais, assim como os níveis atuais das taxas cobradas para administração de fundos de investimento.
A transição na economia de um período de inflação crônica e aguda para um ambiente de relativa estabilidade monetária talvez explique mais esse fenômeno do que uma suposta falta de concorrência.
O Brasil já possui grandes grupos financeiros (privados nacionais, estatais e estrangeiros) que disputam entre si palmo a palmo do mercado. No entanto, face à transição, os juros tiveram de permanecer em patamares altos, o que distorceu também as tarifas cobradas na prestação de serviços financeiros.
A queda dos juros certamente provocará um ajuste, até como consequência dos fluxos de capitais.
E esse ajuste precisa começar pelas taxas de administração dos fundos de investimento.  (O Globo/G1)

30.06 - O fim da era do gelo
Depois de meses de paralisia, a Bovespa começa a reabrir para ofertas de ações e aberturas de capital - e o IPO da Visanet será o termômetro dessa retomada
O carioca Felipe Claret da Mota, responsável pela área de registro de aberturas de capital e ofertas de ações na Comissão de Valores Mobiliários, já mandou suspender as férias de parte de sua equipe para os próximos meses. Já avisou também que o time terá de voltar a fazer hora extra daqui para a frente. Não se trata, nem de perto, da carga de trabalho de 2006 e 2007, período batizado de "inferno" pelo grupo de 12 pessoas que Mota lidera - quando 113 empresas lançaram ações, seja em abertura de capital, seja em ofertas de novos lotes, e fizeram a Bovespa subir de patamar dentre as grandes bolsas do mundo. Mas o fato é que a vida começa a voltar ao mercado de capitais brasileiro. "Estamos nos preparando para conseguir atender empresas que querem ir a mercado. O número de operações vem aumentando rapidamente", diz ele. Nos últimos 30 dias, seis empresas abertas comunicaram formalmente a intenção de lançar novas ações na Bovespa. A expectativa é que o mercado, que se manteve inativo por mais de sete meses após o agravamento da crise, ganhe ainda mais força com a oferta pública inicial de ações (IPO, da sigla em inglês) da processadora de operações de cartões Visanet - seus papéis estão programados para estrear no pregão em 29 de junho. Caso a companhia levante os 3,3 bilhões de dólares que os analistas estimam, será o maior IPO do mundo neste primeiro semestre e deverá dar uma injeção de ânimo às empresas que estão esperando para trilhar o caminho da Bovespa. (Até o fechamento desta edição, o valor da captação da Visanet não havia sido definido.)
Ninguém espera, pelo menos por enquanto, uma volta à euforia que tomou conta da bolsa em 2007, quando houve uma média de seis aberturas de capital e ofertas de ações por mês na Bovespa - e talvez seja até saudável que os patamares de entusiasmo daquele ano não voltem a ser atingidos. Também é cedo para dizer se a agitação atual no mercado de capitais é só uma janela de curto prazo ou se é parte de uma recuperação duradoura. O fato é que o movimento nos bancos de investimento aumentou de tal forma que muitos voltaram a contratar depois do período de degola que se seguiu ao fechamento do mercado, no ano passado. Nos últimos meses, os bancos Goldman Sachs, Credit Suisse, UBS Pactual e Deutsche reforçaram suas equipes. "Não se espera uma avalanche de IPOs na Bovespa", diz Denise Pavarina, diretora do Bradesco BBI. "Mas é provável que um grande número de companhias já abertas lance novas ações."
Das companhias de capital fechado, a estrela do momento é a Visanet. Com faturamento de 2,9 bilhões de reais em 2008, está entre as 150 maiores companhias do Brasil. Responsável por metade das transações com cartões de crédito e débito do país, a Visanet é líder em um segmento que cresceu a taxas de dois dígitos nos últimos oito anos. A companhia também parece imune à crise econômica que abalou o mundo desde setembro: no primeiro trimestre deste ano, aumentou em mais de 20% o número de lojas credenciadas. Ainda assim, a Visanet teve de adiar seus planos de abrir o capital. A companhia registrou o pedido na CVM em agosto de 2008, mas suspendeu o projeto com a piora da crise internacional. Sua volta agora terá o papel de um termômetro do mercado.
Se a demanda pelos papéis da empresa agora for maior que a oferta - algo que as corretoras envolvidas no negócio diziam já estar ocorrendo na semana anterior à estreia na Bovespa -, é possível que a Visanet faça um lançamento adicional de papéis em julho. Essa opção já está prevista no prospecto do IPO. Somadas, as captações podem colocá-la na primeira posição do ranking dos maiores IPOs da Bovespa - até hoje, a companhia brasileira que mais obteve recursos com uma abertura de capital foi a petroleira OGX, que levantou 4,1 bilhões de dólares em junho de 2008. Apesar de suas particularidades, a Visanet revela uma nova tendência na bolsa. Para atrair investidores, as companhias precisam de negócios consolidados - e de tamanho. "É dificílimo levantar dinheiro hoje para uma companhia que ainda precisa se provar para os investidores", diz Fabio Motta, gestor de renda variável da empresa de investimentos Legg Mason.
Até 2007, várias empresas fizeram aberturas de capital inferiores a 300 milhões de reais. Hoje, os bancos de investimento sugerem que um IPO só terá sucesso se forem lançadas ações num valor acima de 1 bilhão de reais. No caso de uma segunda oferta de papéis, é preciso atingir a marca de 500 milhões. Trata-se, ainda, de uma herança da crise. Escaldados com a abrupta queda da bolsa no fim de 2008, os aplicadores agora exigem liquidez das empresas em que colocam dinheiro. Perdem espaço, portanto, as small caps, empresas pequenas que fizeram muito sucesso no passado recente. As demais operações que foram anunciadas recentemente - da administradora de shoppings BR Malls e das incorporadoras Gafisa e MRV, entre outras - são de empresas líderes em seus setores. "O mercado subiu alguns degraus em exigência porque os investidores tiveram uma má experiência no final de 2008. Queriam vender ações pouco negociadas na bolsa e não encontravam comprador", diz José Olympio Pereira, diretor do banco Credit Suisse.
Apesar da má lembrança, o Brasil parece estar voltando ao centro das atenções. Em maio, o volume de dinheiro extra dos investidores estrangeiros que entrou na Bovespa atingiu o recorde de 6,1 bilhões de reais. No ano, o saldo está positivo em quase 10 bilhões de reais. "Os astros estão alinhados conosco", diz Bernardo Parnes, presidente do Deutsche Bank no Brasil. O fluxo externo é um dos principais fatores a estimular a busca de recursos no mercado. "As ações de várias companhias se recuperaram e estão próximas de seus picos históricos, um sinal de vitalidade da bolsa", diz Rodolfo Riechert, diretor do banco de investimento UBS Pactual.
Previsões favoráveis à parte, os investidores mantêm os olhos atentos aos preços das ações. "Estamos analisando o IPO da Visanet e os lançamentos de papéis de outras empresas, mas só vamos entrar se os valores forem atraentes", diz Fábio Moser, diretor de investimentos da Previ, o maior fundo de pensão do país. A recuperação da bolsa ainda está em curso e já há analistas e gestores de recursos que veem o mercado brasileiro ficando caro. "Os preços estão altos quando comparados internacionalmente", diz Mark Mobius, diretor da gestora americana Franklin Templeton e um dos maiores investidores estrangeiros da Bovespa. "Caso a valorização das ações brasileiras continue nesse ritmo, não descarto o risco de uma nova bolha."   (Giuliana Napolitano e Guilherme Fogaça - Portal Exame)

30.06 - Inflação: Meta a reduzir
O regime de metas de inflação busca, como um dos seus objetivos, influenciar as expectativas dos agentes econômicos de modo a facilitar a difícil tarefa das autoridades monetárias de manter diferentes variáveis econômicas em relativo equilíbrio. Mas tal equilíbrio depende de muitas condições prévias sobre as quais a política monetária nem sempre tem ingerência
Assim, a área de ação do Banco Central acaba se restringindo ao controle do crédito, tendo como um dos principais instrumentos a fixação dos juros básicos - o que somente é possível devido à correlação entre essas taxas e a remuneração dos títulos públicos federais, que se reflete sobre os rendimentos dos demais papéis e ativos financeiros.
Então, para que realmente as autoridades consigam influenciar as expectativas dos agentes econômicos quanto ao comportamento futuro dos preços, as metas precisam ser factíveis e os instrumentos de política monetária (especialmente os juros básicos) devem estar calibrados para o seu alcance.
O ajuste pelo qual a economia brasileira teve de passar para assegurar a estabilidade da moeda exigiu uma política de juros altos, o que, por sua vez, impediu o estabelecimento de metas mais ousadas para a inflação.
A percepção predominante entre os agentes do mercado financeiro era que uma redução mais expressiva da inflação forçaria o Banco Central a manter os juros básicos em níveis que acabariam causando outros desequilíbrios na economia, que redundariam em baixo ou nenhum crescimento.
Assim, o governo optou por uma meta de 4,5% (com tolerância de dois pontos percentuais acima ou abaixo) para a inflação dos anos de 2008, 2009 e 2010.
Com isso, o Brasil assumiu como objetivo uma inflação acima da média da economia mundial e dos próprios países emergentes.
A crise financeira internacional fez com que surgissem condições favoráveis à redução das taxas básicas de juros no Brasil sem que as metas de inflação fossem postas em risco. O relatório trimestral divulgado na sexta-feira pelo Banco Central confirma esse cenário, pois, para 2009, se projeta uma inflação de 4,1% e 3,9% para 2010.
Diante desse novo quadro, faz pleno sentido que o Conselho Monetário agora resolva reduzir as metas de inflação para 2011, pois isso poderá ocorrer sem que o BC seja levado a recorrer mais uma vez a uma política monetária calcada em juros básicos excessivamente altos.  (O Globo/G1)
 
 
 
 
 

29.06 - Modelos de regulação estão em debate
Enquanto se discute se o pior da recessão mundial já passou ou não, legisladores dos Estados Unidos e autoridades reguladoras do Reino Unido estão engajados em outro debate: as regras que governam as companhias de capital aberto.
A maioria dos especialistas afirma - quando comparam sua eficiência - que o Código Unificado do Reino Unido é melhor que a lei Sarbanes-Oxley dos EUA. Na verdade, muitos observadores gostariam de ver nos EUA um modelo parecido com o britânico.
"Eu acho que o Código Unificado é a melhor maneira de proceder porque ele depende da ação voluntária do setor privado", afirma Ira Millstein, um renomado consultor corporativo e sócio da firma de advocacia de Nova York Weil, Gotschal & Manges.
Millstein acredita que as exigências para as empresas britânicas de obedecerem o Código Unificado ou explicarem porque têm boas razões para não fazer isso, é "algo mais gentil, à maneira britânica".
O Código Unificado, elaborado para organizar a conduta dos diretores de conselho, a remuneração dos executivos e questões de auditoria, data de 1990 e foi revisado em 2006. Atualmente, ele está sendo novamente revisto.
O Financial Reporting Council (FRC), que regula as condutas de governança corporativa no Reino Unido, fez uma consulta aos detentores de participações em empresas para saber como o código está se saindo. As constatações devem ser publicadas no ano que vem. Mudanças poderão ocorrer.
O princípio do "Pratique ou Explique" só funciona em países nos quais os acionistas possuem direitos significativos garantidos por lei, como a capacidade de votar em diretores individuais para o conselho de administração, afirma Chris Hodge, o diretor da unidade de governança corporativa do FRC. Sem esses direitos, explica Hodge, as autoridades reguladoras precisam ter um papel mais ativo na proteção dos investidores.
Inversamente, os acionistas sentem que uma abordagem baseada nos princípios como os do Código Unificado produz menos obstáculos à condução dos negócios, afirma Leo Martin, consultor de ética corporativa da GoodCorporation.
Ele cita como evidência a queda das listagens de empresas nas bolsas de valores dos EUA desde a implementação da Sarbanes-Oxley. "As companhias estão insatisfeitas. As empresas britânicas são menos sobrecarregadas."
Nos dois países, muitas instituições financeiras, como o Lehman Brothers e o Northern Rock, fracassaram em supervisionar os riscos sistêmicos. Ainda assim, esse não foi o problema para o qual as leis de governança dos dois países foram criadas para administrar.
A lei Sarbanes-Oxley, por exemplo, foi criada para garantir a exatidão das demonstrações financeiras. "Não sabemos quantas fraudes deixaram de ocorrer por causa da Sarbanes-Oxley. Mas, em geral, ela tem sido benéfica", diz Eliot Spitzer, que levou a juízo alguns dos maiores casos de fraudes no mercado de valores mobiliários quando foi procurador-geral do Estado de Nova York.
Assim, a Sox (como a lei é conhecida) provavelmente continuará intacta. Mesmo assim, é quase certo que será substituída por novas disposições de governança corporativa como a declaração de direitos dos acionistas que foi introduzida no Congresso dos EUA no mês passado. Isso porque a Sox claramente não resolveu o problema da alavancagem financeira excessiva que posteriormente provocou a falência de muitos bancos. "Vozes mais cínicas diriam que a Sarbanes-Oxley é a mesma coisa que a Linha Maginot", ironiza Spitzer.
Os americanos afirmam que criar normas de comportamento corporativo é mais fácil no Reino Unido porque lá existe uma comunidade menor de autoridades reguladoras, bolsas e investidores.
"Você pode convocar, da City de Londres, uma reunião com a maioria dos controladores institucionais de uma grande companhia do índice FTSE com talvez um link online com Edimburgo", diz Jon Lukomnik, membro fundador da International Corporate Governance Network (ICGN).
A familiaridade encoraja o que Lukomnik chama de "compromisso construtivo e silencioso". Os detentores de participações em empresas no Reino Unido chegaram a um acordo sobre tópicos de governança, como o direito dos acionistas de votarem a remuneração dos executivos, a exigência de separação dos cargos de presidente executivo e do conselho de administração, e o ponto em que profissionais ficam "overboarded", ou seja, participam de um número muito grande de conselhos, o que pode afetar sua eficiência.
Algumas companhias americanas seguem voluntariamente essas práticas, mas continuam sendo minoria. Porém, isso deverá mudar sob a administração Obama, mais amigável aos acionistas.
A maioria dos observadores concorda com os benefícios da Sarbanes-Oxley, mas mesmo assim apontam para as desvantagens que ela impõe. Erroll Davis diz que quando foi diretor-presidente da Alliant Energy, uma companhia de serviços públicos do Meio-Oeste americana, avaliada em US$ 3 bilhões, ficou contrariado com o "grau de imposição da Sox".
Posteriormente, ele passou a apreciá-la, porque a lei forçou os administradores de sua companhia a terem um maior entendimento das finanças e dos controles internos da empresa.
Hoje, diz Davis, que é membro dos comitês de auditoria dos conselhos da General Motors (GM) e da British Petroleum (BP), as autoridades reguladoras americanas e as firmas de contabilidade estão mais receptivas ao uso da materialidade e do senso comum na avaliação do enquadramento das companhias à Sox.
Um dos críticos mais ácidos da Sox é Harvey Pitt, ex-presidente da Securities and Exchange Commission (SEC). Ele classifica a lei de "relativamente ineficiente" e "mal elaborada, feita às pressas". Para Pitt, a Sox estimulou uma mentalidade bitolada nos administradores, em vez de um entendimento do por quê da existência dos riscos. "A abordagem do Código Unificado é superior. A coisa mais significativa é tornar as empresas participantes ativos da regulamentação de suas próprias condutas", diz.   (Tony Chapelle - Financial Times/Valor Online)

29.06 - Fed, saindo à francesa
O Fed começou a construir a estratégia de saída dessa parte menos convencional de sua intervenção no mercado 
Na última quarta-feira, o mundo econômico parou na expectativa do resultado da reunião do Fed. Embora até as pedras soubessem que seria mantida a política de taxas de juros próximas de zero, havia uma grande expectativa quanto às palavras que ele utilizaria para comunicar sua decisão. Qualquer mudança seria lida e interpretada com muito cuidado pelos especialistas, pois poderiam esconder informações preciosas sobre o futuro da política monetária na maior economia do mundo. 
Existem hoje três leituras principais sobre o futuro da economia nos Estados Unidos. A primeira, herdada da crise bancária que estamos vivendo, chama a atenção para o risco de uma verdadeira depressão econômica, com risco de deflação, como a ocorrida nos anos 30 do século passado. Foi leitura dominante nos meses que se seguiram ao colapso do banco Lehman Brothers. Hoje, ela está um pouco desprestigiada, devido à recuperação da atividade econômica nos últimos dois meses, mas ainda faz sucesso em certos meios acadêmicos. 
Uma segunda leitura incorpora essa recuperação e trabalha com a volta de crescimento moderado já no último trimestre deste ano. Em 2010, ajudado em parte pelo vigor dos países emergentes, o mundo voltaria a crescer 4%. Mas, no chamado G7, a atividade econômica seria ainda débil, e o desemprego continuaria a subir nos primeiros meses do ano.
Somente a partir de 2011 é que a atividade econômica chegaria perto do potencial. A inflação continuaria baixa, permitindo a lenta reversão dos estímulos monetários adotados para combater a crise. Finalmente, outro grupo de analistas que olha para o futuro com extrema preocupação de uma volta súbita da inflação, devido à política monetária extremamente expansionista, pedia uma mudança já na atitude do Fed. 
O Fed tem mantido até agora uma política agressiva e fora dos padrões de expansão monetária para lidar com o primeiro cenário. Ela incorpora, além de um compromisso com juros muito baixos, instrumentos não convencionais na tentativa de substituir os bancos privados nos mercados de crédito. Para atingir esse objetivo, comprometeu-se a comprar até US$ 1,6 trilhão em títulos públicos e em papéis hipotecários. 
Como resultado dessas iniciativas, o volume de dólares em circulação nos mercados financeiros atingiu números extremos. Nesse movimento, o total de ativos do Fed passou de algo como US$ 800 bilhões para mais de US$ 2 trilhões. Mas, com a redução do risco de deflação, o mercado passou a especular sobre o momento em que o Fed terá de voltar a um comportamento mais convencional. Não por outra razão, tivemos um agressivo movimento de elevação dos juros mais longos nos Estados Unidos nas últimas semanas. Mas é importante separar os problemas. Uma coisa são as taxas de juros muito baixas, que devem continuar, pois a recuperação ainda é muito frágil. Isso foi reforçado pelo Fed no comunicado desta semana. Outra coisa são os mecanismos de expansão quantitativa de moeda, que foi adotada de forma emergencial há alguns meses e que começa a perder seu sentido. 
O Fed começou a construir, de forma eficiente, a estratégia de saída dessa parte menos convencional de sua intervenção. Sem se comprometer com datas e valores, a autoridade monetária deu um sinal claro, ao mencionar que ajustará esses mecanismos de forma adequada ao cenário dos próximos meses. Os mercados reagiram muito bem a esse movimento, mostrando que Ben Bernanke e sua equipe sabem o que estão fazendo.    (LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS - Folha de S.Paulo)

29.06 - Governo: Retomada só no fim do ano
Equipe econômica refaz as contas e acredita em crescimento forte apenas entre outubro e dezembro; expansão no ano seria de, no máximo, 0,5%
Mesmo tendo sido surpreendido favoravelmente com o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre (que mostrou retração menor do que se esperava), o governo refez as contas e agora aposta numa forte aceleração da economia somente entre outubro e dezembro para conseguir fechar 2009 com um número positivo. Pelos cálculos da equipe econômica, ainda é possível o País ter uma expansão de 5% no quarto trimestre na comparação com o mesmo período de 2008, o que daria condições de o PIB anual ficar entre zero e 0,5%. Até há pouco tempo, o governo esperava uma forte retomada já a partir de julho.
A agressiva recuperação, conforme cenário da equipe econômica, será puxada pelo programa "Minha Casa, Minha Vida". Também impulsionarão a atividade os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), principalmente os da Petrobrás, e a volta do crédito. "Existe grande probabilidade de crescimento positivo", afirmou uma fonte graduada do governo. Mas, continuou, atingir a marca de 1%, definida pela própria equipe econômica, será bem mais difícil.
Hoje, o Banco Central divulga o Relatório Trimestral de Inflação e a expectativa é de que o BC diminua sua previsão de crescimento deste ano de 1,2% para algo entre 0,3% e 0,5%. Por enquanto, segundo cenário do Ministério da Fazenda, o PIB deve ficar negativo em 1% no segundo e terceiro trimestres em relação a 2008. No primeiro trimestre, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a economia teve recuo de 1,8%.
O quadro, no entanto, seria revertido nos últimos três meses do ano com o crescimento 5%. A avaliação é de que apenas no quarto trimestre será possível começar a colher os frutos do programa habitacional "Minha Casa, Minha Vida". Os investimentos do PAC também deverão ser mantidos mesmo com a queda na arrecadação, o que deixará o governo com uma margem mais apertada para novos gastos. Somente a Petrobrás contribuiria com 0,3% do PIB nos últimos três meses do ano. Outro fator destacado é que o crédito está voltando gradualmente e, portanto, sustentará o consumo das famílias no segundo semestre.
Se confirmadas essas projeções oficiais, o crescimento do ano ficará em 0,3%, segundo cálculo feito por analistas do mercado financeiro. O valor ainda está abaixo do 1% esperado pelos ministérios da Fazenda e Planejamento. Mas o crescimento mais próximo de zero do que de 1% é considerado mais realista pelos analistas. A expansão de 5% no quarto trimestre é vista com cautela.
O economista-chefe do BES Investimento, Jankiel Santos, está revisando para baixo a projeção do PIB deste ano, prevista até agora em 1%. "Está havendo uma recuperação da economia num ritmo bem mais brando do que esperávamos." Para ele, medidas paliativas como desoneração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos veículos e geladeiras já tiveram impacto na atividade e, daqui para frente, os efeitos serão limitados na aceleração do crescimento.
O economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, já revisou suas projeções. Antes, esperava um recuo do PIB de 0,5%. Agora, trabalha com queda de 0,1%. "Acho que é um pouco forte demais crescer 5% no último trimestre. Mas ter uma projeção de PIB anual mais próximo de zero é bem mais factível."
O economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa, estima um PIB negativo de 1% para 2009, mesmo com a retomada mais forte no segundo semestre. Ele prevê um recuo de 2% e 2,5% no segundo e terceiro trimestres, respectivamente, na comparação com o ano anterior. De outubro a dezembro, Newton projeta uma expansão econômica de 2,5% em relação ao mesmo período de 2008. "Não me surpreenderia se o PIB se mostrar melhor do que o que estou projetando."
"Pode haver uma surpresa do consumo no segundo semestre. O que pode estragar a festa é a continuidade da queda dos investimentos", ressaltou Rosa.  (Edna Simão - O Estado de S.Paulo)

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