03.07 - 15 anos de uma revolução
O Plano Real deu nova feição ao
Brasil. Os avanços não são fortuitos, não começaram
agora. São o encadeamento de conquistas progressivas
Há 15 anos, esta Folha publicava em manchete:
"Real começa a circular; preços disparam na virada da moeda".
Aquelas duas linhas exprimiam certo ceticismo então reinante, embora
todos torcessem para que o país conquistasse, enfim, a tão
sonhada estabilidade monetária. Deu certo. O Plano Real, que chega
ao seu 15º aniversário, marcou o início de uma bem-sucedida
nova era para o Brasil.
Para as novas gerações, que, desde
que se entendem por gente, manuseiam as mesmas cédulas e moedinhas,
superinflação parece algo tão remoto quanto o telégrafo.
Mas, apenas 15 anos atrás, nosso martírio era conviver com
preços que mudavam todos os dias. Como sempre, quem mais perdia
eram os mais pobres, sem meios para se defenderem do imposto inflacionário.
O real foi o único dos 12 planos de estabilização
tentados no Brasil -se consideradas as experiências ortodoxas do
fim do regime militar- que obteve sucesso.
A taxa de inflação acumulada desde
que a nova moeda foi criada até hoje é de 245%. Vale comparar:
num único ano, o de 1993, o índice ultrapassara 2.700%. Mais:
a última moeda antes do real, o cruzeiro real, existiu por meros
334 dias e acumulou inflação de 3.673%. Isso acabou.
O Plano Real não foi somente uma mudança
de moeda. Foi o início de um processo que levou os brasileiros a
perceberem as vantagens de ter referência de valor. Foi uma verdadeira
revolução cultural, cujo grande artífice foi o ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso, ministro da Fazenda de Itamar Franco até
a véspera do lançamento da nova moeda.
Cercado de mentes brilhantes, que lograram encontrar
solução para um problema secular -o real é nossa décima
moeda-, ele construiu a credibilidade do plano repetindo, por meses, que
nada aconteceria na calada da noite. Aquilo, em si, era revolucionário,
acostumados que estávamos com pacotes baixados da noite para o dia,
com eficácia de curto prazo.
Desde seu início, o plano foi uma obra
aberta. À época já se alertava para o fato de que
a conquista da estabilidade era um processo a ser vencido dia após
dia. Só isso já representava uma atitude absolutamente inovadora,
honesta, para uma época em que os brasileiros ainda acreditavam
em milagreiros na economia.
A estabilidade criava a necessidade de difíceis
e urgentes mudanças econômicas. Já no poder, o PSDB
topou a parada, e o PT, ainda na oposição, fez de tudo para
dificultá-la sempre um pouco mais, votando no Congresso contra tudo
o que era de interesse dos brasileiros.
Conquistada a estabilidade, cabia reformar o
Estado, modernizá-lo e desatá-lo da herança patrimonialista
de séculos. Quem há de negar que conseguimos? O país
que temos hoje -melhor do que ontem, mas ainda distante do que será
amanhã- é resultado dessas transformações,
indissociáveis da história do PSDB.
Com a estabilidade da moeda, tornou-se imperativo
pôr em ordem as contas públicas, desorganizadas pela inflação.
Foram renegociadas as dívidas de Estados e prefeituras, dando-lhes
previsibilidade e condições para que seus governantes pudessem
atender melhor a população.
O passo seguinte, em 2000, foi disciplinar as
contas do governo central a partir da Lei de Responsabilidade Fiscal. Antes,
o governo tucano já instituíra mudanças importantes
na atuação do Banco Central, com a adoção do
sistema de metas de inflação e do regime de câmbio
flutuante.
Mas não bastava. Era preciso canalizar
energias para o cumprimento de funções básicas na
saúde, educação, segurança. Foi então
que partimos para as privatizações, cujo sucesso encontra
sua mais perfeita tradução na universalização
das comunicações e nos ganhos gerados para a vida de todos
os 180 milhões de brasileiros.
A desestatização foi acompanhada
pelo fortalecimento de empresas como a Petrobras e o Banco do Brasil.
Deixou de ser função do Estado
investir diretamente na produção, mas o papel de disciplinador
do mercado foi reforçado com a criação de agências
reguladoras. O sistema financeiro foi redesenhado por meio do Proer, hoje
modelo para a reengenharia das finanças mundiais.
O Plano Real deu nova feição ao
Brasil. Os avanços não são fortuitos, não começaram
agora. São o encadeamento de conquistas progressivas, que permitiram
a construção de uma economia de mercado moderna, competitiva
e integrada de maneira soberana com o mundo. E é só por isso
que conseguimos sofrer menos com a crise.
Como dizia Guimarães Rosa, "o caminho
se faz no andar". É certo que já poderíamos estar
muito mais adiante, aonde o governo Lula não conseguiu nem conseguirá
nos levar. Mas o tempo de avançar em breve estará de volta.
(SEVERINO SÉRGIO ESTELITA GUERRA - Folha de S.Paulo)
03.07 - Na moeda, a síntese de um plano
A maior crise mundial em mais de meio século
é um bom momento para se avaliar a história do real, lançado
há 15 anos, em 1º de julho de 1994. Este não é
um aniversário comum. Num cenário global de aversão
ao risco, a moeda nacional se valoriza, o Banco Central (BC) acumula reservas,
a balança comercial se mantém superavitária e o déficit
em conta corrente fica abaixo das previsões. A inflação
continua controlada e aproxima-se do centro da meta. Tudo isso é
o oposto do velho script. As crises detonadas a partir do setor externo
resultavam em fuga de capitais, crise cambial, maxidesvalorizações,
enormes pressões inflacionárias e desastres fiscais.
Esta mudança não ocorreu de uma
vez e não é obra de um só governo. Em 2003, quando
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou seu primeiro mandato,
o Brasil enfrentava a ressaca de uma crise iniciada na campanha eleitoral.
A inflação havia chegado a 12,53% e a primeira providência
da nova diretoria do BC foi elevar os juros. A inflação recuou
para 9,30% no fim do ano, 7,60% em 2004 e 5,69% em 2005. Durante esse período,
a economia voltou a crescer e as contas externas ganharam solidez.
Dois pontos chamam a atenção. Primeiro,
o impacto inflacionário da crise de 2002 foi muito menor que o observado
em episódios anteriores. Segundo, o BC foi capaz de baixar a inflação
de forma contínua, a partir de 2003, enquanto a economia retomava
impulso e voltava à expansão em 2004. Foi possível
conter a elevação dos preços com certa rapidez porque
o BC dispunha de condições para executar a política
monetária e também porque os salários e a maior parte
dos preços estavam desindexados.
Mesmo na crise cambial de 1999, muito mais violenta,
a inflação havia sido contida com rapidez, com a alta dos
preços ao consumidor ficando limitada a 8,94% entre janeiro e dezembro.
Quando o sistema de banda cambial faliu, em janeiro, houve quem previsse
inflação de 40% e até mais, profetizando a falência
do Plano Real.
A crise daquele ano motivou duas mudanças
importantes: foram adotadas metas de inflação e o câmbio
se tornou muito mais flexível, com o abandono do sistema de bandas
e de metas cambiais (pelo menos explícitas). Mas o regime de metas
só produziu resultados porque o governo havia recriado condições
para a política monetária. Essas condições
eram muito precárias no início dos anos 90. Boa parte do
esforço de contenção dos preços, por meio da
gestão da moeda, era perdida. Não podia haver política
eficaz enquanto os governos estaduais pudessem recorrer livremente a seus
bancos para financiar seus gastos e essas operações fossem
sancionadas pelo BC.
O ajuste consumiu alguns anos. Em São
Paulo, depois da privatização do Banespa e de seu enquadramento
na disciplina monetária, a Caixa estadual continuou durante algum
tempo recorrendo ao socorro do BC. Foi necessário um duro trabalho
para disciplinar os bancos estaduais sobreviventes.
A reabilitação da política
monetária só foi possível porque o governo federal
negociou pacientemente o refinanciamento dos débitos de Estados
e municípios. Foi o primeiro passo para a imposição
de alguma disciplina fiscal aos governos estaduais e às prefeituras.
O alcance dessa mudança e o seu significado histórico certamente
não foram percebidos pela maioria das pessoas. A explicação
não seria fácil e a tentativa nunca seria um sucesso de público.
Mas o eleitorado soube apreciar uma das consequências dessas mudanças
- a elevação do salário real, facilitada pela inflação
sob controle. Isso ajudou a reeleição do presidente Lula.
O reconhecimento desse fato explica a manutenção do presidente
do BC, apesar das pressões contrárias, e o respeito à
autonomia de fato do Comitê de Política Monetária (Copom).
Depois da renegociação das dívidas
veio a aprovação, no ano 2000, das leis de responsabilidade
fiscal - uma com as novas normas disciplinares, outra com as punições.
Isso não eliminou todos os desmandos fiscais de governadores e prefeitos,
mas limitou-os com muita efícácia. Com os governos estaduais
e municipais sujeitos a uma disciplina sem precedentes - neste caso caberia,
de fato, a referência ao "nunca antes" - ficou muito mais fácil
produzir superávit primário e tornar a dívida pública
mais administrável. Não há como negar ao governo Lula
alguns acertos importantes. Um deles foi a manutenção das
condições de gestão criadas a partir do Plano Real.
Sem esse, os outros acertos teriam sido muito mais limitados.
(Rolf Kuntz - O Estado de S.Paulo)
03.07 - Dados mostram recuperação
lenta nos EUA
Instituto prevê que levará três meses para que a
produção volte a crescer; 473 mil são demitidos em
junho
O ritmo de queda na produção industrial norte-americana
diminuiu pelo sexto mês consecutivo em junho, mas dados do mercado
de trabalho e imobiliário voltaram a alertar o quão lenta
poderá ser a saída da atual recessão, que já
dura 20 meses.
Segundo dados do Institute for Supply Management, o índice de
produção industrial no mês passado subiu de 42,8 pontos
para 44,8, embora o indicador abaixo de 50 pontos ainda indique retração.
Há 17 meses ele está abaixo dessa marca.
Em comunicado sobre o novo indicador, o presidente do instituto, Norbert
Ore, estimou que ainda levará cerca de três meses para que
a produção industrial norte-americana volte ao território
positivo.
Mas as estatísticas do mercado de trabalho levantadas pela ADP
Employer Services revelaram que as empresas eliminaram cerca de 473 mil
empregos privados em junho (o dado oficial do Departamento do Trabalho,
com vagas públicas e privadas, será conhecido hoje). No mês
anterior, os cortes haviam sido de 485 mil postos.
Outro dado negativo mostrou que voltou a perder força o ritmo
de assinaturas de novos contratos ou de refinanciamentos de suas dívidas
imobiliárias. O aumento foi de 0,1% em junho, contra uma alta de
7,1% em maio. Número do Departamento do Comércio revelou
que os gastos em projetos de construção caíram 0,9%
em maio, após terem apresentado alta em abril pela primeira vez
em sete meses.
"Mesmo que a economia venha mostrando sinais de recuperação,
não é o caso no mercado de trabalho. Ele ainda está
piorando, embora o ritmo da piora também tenha diminuído",
disse Nigel Gault, economista da IHS Global Insight sobre os dados divulgados
ontem.
No primeiro dia do segundo semestre do ano, período em que muitos
apostam em uma estabilização mais firme e na recuperação
da economia dos EUA, a Bolsa de Valores de Nova York voltou a fechar em
alta. Apesar dos números econômicos contraditórios.
O índice Dow Jones subiu 0,79%, o S&P 500, 0,54%, e a Bolsa
eletrônica Nasdaq fechou em alta de 0,64%. Entre abril e junho deste
ano, o índice S&P 500 teve a maior valorização
para o período em dez anos. (FERNANDO CANZIAN - Folha de S.Paulo)
03.07 - Brasil: Cenário macroeconômico
favorável aos negócios
O Brasil aparece em 42º lugar no ranking mundial do E-Readiness
2009, um estudo que mede a capacidade de 70 países de absorverem
novas tecnologias de informação e usá-las a favor
do desenvolvimento econômico e social.
A pesquisa realizada pela divisão de consultoria da IBM e a
Unidade de Inteligência da The Economist alega que o país
tem um dos melhores cenários macroeconômicos e de oportunidades
de negócios do mundo, pouco alterado diante da turbulência
financeira.
Essa situação é sustentada pelo fato de o Brasil
ser um dos países com maior índice de empreendedorismo entre
os pesquisados, mesmo sofrendo com problemas relacionados a deficiências
na infraestrutura e baixa adoção do comércio eletrônico
pelos consumidores e empresas de um modo geral.
Dentre os latino-americanos, o Brasil aparece no ranking abaixo do
Chile (30º) e do México (40º). Já entre os países
do Bric, o Brasil está na liderança, apresentando o melhor
ambiente geral para o crescimento do e-commerce. A Dinamarca é a
líder global com maior presença da economia online e o uso
de serviços públicos via internet.
A pontuação E-readiness é uma medida de quão
amigável é o mercado local às oportunidades baseadas
na internet. São analisados fatores como educação,
experiência online, política governamental, empreendedorismo,
inovação, além de consumo de mercadorias e serviços
digitais. (Executivos Financeiros)
02.07 - Em estudo o Código de Defesa
do Investidor
Em razão da falta de lei específica para proteger investidores,
surge a proposta de criação de um Código de Defesa
do Investidor. O projeto nesse sentido foi apresentado na terça-feira
pelo procurador do município do Rio de Janeiro, José Eduardo
Cavalcanti, durante palestra sobre mercado de capitais, promovida promovido
pelos fóruns permanentes de Direito Tributário e Direito
Empresarial da Escola de Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (Emerj).
Cavalcanti explicou que, junto à popularização
do mercado de capitais, surgiu uma série de situações
que ainda carecem de legislação especifica para maior segurança
jurídica dos envolvidos. "Há um vácuo legal. Há
necessidade de maior regulamentação da proteção
a esses investidores", afirmou o procurador. De acordo com ele, diante
da falta de regulamentação, o Código de Defesa do
Consumidor tem sido utilizado pelo Judiciário para resolução
dos litígios oriundos da relação entre investidores
e intermediários de mercado - corretores, agentes autônomos,
prepostos, etc.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está desenvolvendo
estudos para elaboração do Código de Defesa do Investidor.
O objetivo é trazer maior segurança jurídica e criar
dispositivos que viabilizem a solução das ações
interpostas de forma rápida e eficaz, sem gerar grandes custos para
aquele que foi lesado. "Queremos maior proteção para aquele
que investe. Entendo que se ouve uma falha de mercado, fraude, ou utilização
indevida de informações privilegiadas, o prejudicado não
pode ter custos elevados para obter a sua reparação. Nem
custo do tempo, nem o custo monetário, para ter essa proteção",
disse.
A elaboração do novo código ainda se encontra
em fase inicial e sem previsão para se tornar projeto de lei.
EDUCAÇÃO FINANCEIRA.
No debate, o superintendente de produtos e relações institucionais
da Associação Nacional das Instituições do
Mercado Financeiro (Andima), Luiz Macahyba, apresentou um plano estratégico
nacional de educação financeira. O objetivo é criar
uma política de educação financeira que perpasse todos
os níveis de instrução, do primário ao ensino
superior, e também atinja aos adultos através de parcerias
com as associações de classes, entidades civis e ministérios.
"Quanto mais informação e educação financeira
dispor a sociedade, menores são os riscos de as famílias
adquirirem investimentos que não condizem com o seu perfil. Entendemos
que disseminar a educação financeira é um benefício
que a sociedade ganhará na medida de que tiver melhor condição
de entender como melhor alocar seus recursos superavitários", afirmou.
A iniciativa conta participação de entidades do setor
público, como a Secretaria de Previdência Complementar, o
Banco Central, a CVM e a Superintendência de Seguros Privados (Susep).
Além disso, também apoiam a iniciativa privada, através
de entidades de classe como a Andima, a Federação Brasileira
de Bancos (Febraban), a Federação Nacional das Empresas de
Seguros Privados e de Capitalização (Fenaseg), entre outras.
"A ideia é que você consiga chegar aos diversos seguimentos
da sociedade brasileira através das escolas, mas também que
se consiga chegar a sociedade brasileira como um todo. Ao ponto que no
futuro a educação financeira vire assunto das famílias,
assim como se tronou a questão da sustentabilidade", explicou Macahyba.
O documento que trata sobre o tema ainda não está concluído,
porém, segundo o superintendente, assim que for implantado terá
caracter permanente. (Bruno Nasser - Jornal do Commercio do Brasil)
02.07 - Moeda forte completa 15 anos
O Plano Real, que completa hoje 15 anos, foi
um sucesso para o objetivo proposto: derrubar a inflação,
dar uma moeda forte ao País e organizar minimamente o Estado brasileiro.
A avaliação é do economista e professor Winston Fritsch,
um dos pais do programa de estabilização lançado pelo
governo Itamar Franco em 1994. Fritsch teve participação
ativa na primeira fase do programa como secretário de Política
Econômica do Ministério da Fazenda. Com ele trabalhava Gustavo
Franco. Os dois faziam parte do seleto grupo de economistas responsáveis
pelas ideias e implementação do que ficou conhecido como
o Plano Real. Mais tarde ele se afastou do governo.
"O plano foi fundamental para enfrentar a inflação
inercial", garantiu. Sem o plano, Fritsch disse que não saberia
nem onde o País teria parado. "Estávamos caminhando para
o caos ", afirmou, lembrando da inflação da época,
que apontava para inimagináveis 7.000% ao ano. O professor conta
uma cena que o deixou chocado. Pouco acostumado a fazer compras, precisou
ir ao supermercado. Coincidentemente era dia de pagamento e o que Fritsch
presenciou foi uma cena de guerra, com centenas de pessoas se apertando
nos estreitos corredores para conseguir comprar a comida necessária
para abastecer a casa até a chegada do próximo salário.
Se deixassem para o dia seguinte não conseguiriam levar a mesma
quantidade de mercadorias porque a inflação já teria
comido mais uma parte dos salários. "Quem tem hoje mais de 30 anos
deve se recordar dessa cena", observou.
O professor rebate os críticos e garante
que o Plano Real não acabou com a desvalorização da
moeda em 1999. "Estava previsto que, em algum momento, o câmbio iria
flutuar. Já tínhamos, inclusive, as bandas cambiais, mas
a crise apressou tudo", explicou. Para Fritsch, o presidente Fernando Henrique
Cardoso colheu os frutos do real num primeiro momento e o presidente Lula
está colhendo outros. "Todo plano de estabilização
tem
benefícios de curto, médio e longo prazos", observou.
A avaliação de quem não
participou da elaboração do plano , mas já esteve
no comando da economia brasileira é a mesma. Para o ex-ministro
da Economia, Marcílio Marques Moreira, a introdução
do Plano Real foi um verdadeiro divisor de águas da histórica
econômica brasileira recente. "Foi um salto que representou um avanço
institucional importantíssimo, com repercussão sobre outras
atividades", avaliou. Segundo o ex-ministro, as décadas de inflação
que antecederam este momento criaram uma tremenda confusão na economia.
"A inflação deprime os salários, cria incerteza diária
nos preços de referência, não estimula a poupança,
nem o investimento. E a moeda é um símbolo essencial para
qualquer diálogo econômico", observou. Para Marcílio,
"a inflação era uma verdadeira chaga, não só
prejudicando os menos aquinhoados, como freando o crescimento econômico".
Como retrato da época, ele recorda o que
aconteceu com o segmento de seguro de vida no Brasil. O ex-ministro explicou
quem, antes do real, um produto deste tipo, uma espécie de poupança
de longo prazo, praticamente não era possível. "Não
podemos nos esquecer que a inflação, em um determinado momento,
chegou a ser de 3% ao dia. Um verdadeiro pandemônio", relembra. Marcílio
ressalta que este avanço institucional foi aprimorado ao longo do
tempo com outros marcos macroeconômicos. "O estabelecimento de metas
de inflação, a adoção do câmbio flutuante
e a preocupação com a austeridade fiscal são alguns
marcos de grande relevância". Para ele, um outro aspecto que merece
destaque neste período foi o ajuste profundo no setor financeiro.
"Com a implementação do real foi possível separar
o joio do trigo em termos de instituição financeira. Temos
um sistema bancário resistente a crises, o que foi testado agora
com sucesso", avaliou.
CÉDULAS.
No dia em que o real completa 15 anos, os brasileiros
e a rede bancária acordam com R$ 103,5 bilhões em mãos.
Esse é o dinheiro em circulação hoje no país,
segundo o Banco Central (BC). A nota de R$ 1, contudo, está cada
vez mais rara. São 171,4 milhões de cédulas apenas.
São bem mais difíceis de serem encontradas que as de R$ 100
- 207,9 milhões. Isso não significa que a população
ficou mais rica, embora o plano tenha trazido estabilidade econômica
ao país. Na verdade, a Casa da Moeda deixou de produzir novas notas
de R$ 1, dando lugar a moeda de mesmo valor. A cédula já
não é produzida desde março de 2006. As notas em más
condições são retiradas de circulação.
EQUIPE
Quando a equipe econômica do presidente
Itamar Franco, liderada pelo então ministro da Fazenda Fernando
Henrique Cardoso e que reunia os "pais do real" Persio Arida, André
Lara Resende, Gustavo Franco, Pedro Malan e Edmar Bacha, apresentou nova
tentativa de conter o flagelo de quase duas décadas de inflação
descontrolada, o Brasil já tinha sofrido várias experiências
frustradas, do congelamento de preços ao confisco de depósitos
da poupança.
URV
O planejamento do Plano Real começou em
1993, com o Programa de Ação Imediata (PAI), que tinha as
primeiras medidas para debelar a hiperinflação. Diferentemente
das outras tentativas, o Plano Real não congelou preços e
salários e também não lançou nova moeda imediatamente.
Foi criada a Unidade Real de Valor (URV) para desvincular preços
do Cruzeiro Real e que depois seria convertida para a moeda real, lançada
em 1º de julho de 1994.
Saldo
Lastreado por reservas internacionais na exata
proporção ao dólar, o real começou a circular
com valor acima da moeda norte-americana, chegando a US$ 0,80. As importações
de matérias-primas e máquinas ficaram atrativas e produtos
importados chegavam com preços abaixo dos nacionais, afertando a
balança comercial. A inflação desabou e ficou em 18,57%
de julho a dezembro de 1994. A inflação acumulada em 15 anos
foi 244%. (LIANA VERDINI E VÂNIA CRISTINO - Jornal
do Commercio do Brasil)
02.07 - Sucesso obtido não é garantia
para o futuro
O sucesso alcançado pelo Plano Real não
garante o futuro da estabilidade econômica no País, opina
o ex-ministro da Economia Marcílio Marques Moreira. Para ele, o
sucesso não é algo que se compra, mas que se aluga. "O que
quero dizer com isso é que este é um processo que devemos
cuidar diariamente e não termina nunca", afirmou. Para o ex-ministro,
o plano tem um resultado muito positivo, embora tenha tido avanços
e retrocessos ao longo do tempo. "Como retrocesso digo que se dependeu
um tempo longo demais da taxa de câmbio e ocorreu uma instabilidade
acentuada em 1999 quando se passou para o câmbio flutuante", disse.
Marcílio disse que é preciso adotar
outras iniciativas para que o País encontre um patamar de desenvolvimento
sustentável. Ele alertou para o risco de se resvalar para algo medíocre,
como um crescimento de 3% ao ano. O ex-ministro citou a necessidade das
reformas tributária, da Previdência e trabalhista como avanços
necessários para a consolidação do real. De acordo
com ele, o governo está olhando para 2010, quando deveria olhar
para 2020, 2030. "O mundo está mais competitivo. Estamos na sociedade
do conhecimento e atrasados neste aspecto. Isto é preocupante",
afirmou.
O economista Gustavo Loyola, ex-presidente do
Banco Central por duas vezes, disse que o Plano Real nunca pretendeu resolver
todos os problemas do País. "E nem poderia", observou. Na defesa
do plano econômico, Loyola disse que a estabilização
está aí até hoje e o sistema bancário forte
conseguiu resistir a mais uma crise. Os acertos do Plano Real, segundo
Loyola, não significam que a política econômica tenha
sido sempre correta. "Ainda tem muita coisa para ser feita. Temos que avançar
nas reformas, reduzir a burocracia, atacar as graves deficiências
de infraestrutura e dar condições ao Estado de investir mais,
pois até hoje se gasta muito com custeio", avaliou.
(LIANA VERDINI E VÂNIA CRISTINO - Jornal do Commercio do Brasil)
01.07 - Cresce rigor para sustentabilidade
na Bolsa
Devido à crise financeira mundial, empresas terão de
detalhar política de gestão de riscos e remuneração
de executivos
Mudanças deverão integrar questionário a que empresas
listadas no ISE responderão para formar a carteira do índice
para o próximo ano
As empresas que participam do ISE (Índice de Sustentabilidade
Empresarial) da BM&FBovespa terão de responder, a partir deste
ano, a questões específicas sobre sua política de
gestão de riscos financeiros e sobre os mecanismos de remuneração
de seus principais executivos, como o pagamento de bônus com ações.
Essas são as principais mudanças propostas para a revisão
anual do ISE, cuja etapa de consulta pública terminou na sexta-feira.
As mudanças guardam relação direta com a crise
financeira global. No Brasil, diversas empresas registraram perdas significativas
ao apostar na tendência de enfraquecimento do dólar diante
do real no mercado de derivativos. Entre os casos mais célebres,
estão os da Sadia, da Aracruz Celulose e do Grupo Votorantim, que
amargaram perdas bilionárias quando o dólar, na esteira da
crise, inverteu o sinal e passou a se valorizar diante do real.
A remuneração de bônus milionários a executivos
de empresas que praticamente faliram em razão da crise, como a seguradora
AIG, nos Estados Unidos, também foi alvo de intenso debate aqui
e no exterior.
"Com os desdobramentos da crise, as questões relacionadas à
política de riscos na área financeira e às regras
de remuneração dos executivos assumiram maior relevância
na análise sobre quão sustentáveis são as empresas",
disse à Folha a coordenadora dos trabalhos de revisão do
ISE, Roberta Simonetti, do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV-SP.
As mudanças, que ainda terão de ser aprovadas pelo Conselho
do ISE, passarão a fazer parte do questionário que as empresas
listadas no índice responderão a partir de agosto -e que
formará a carteira do ISE para o ano de 2010.
Por sugestão das empresas, que pela primeira vez participaram
dos debates para a revisão do índice, temas como a qualidade
de vida dos funcionários e a política de terceirização
de mão de obra também deverão fazer parte do questionário
enviado às companhias.
Idealizado para reunir as empresas mais "sustentáveis" listadas
na Bolsa, a partir do conceito de "triple bottom line" (no qual são
considerados de maneira integrada os aspectos ambientais, sociais e econômicos
da gestão) e dos quesitos governança corporativa, características
gerais e natureza do produto, o ISE ainda está longe de atrair a
atenção dos investidores no mercado local.
"Salvo para um ou outro fundo de ações, a sustentabilidade
das empresas ainda não é um fator determinante na decisão
dos investidores domésticos ao comprar um papel, sobretudo para
as pessoas físicas. O que importa mesmo é o potencial de
geração de lucro, e não em quem se está investindo
ou como lida com as questões de sustentabilidade", diz o economista-chefe
da corretora Souza Barros, Clodoir Oliveira.
Referência a mais
A rentabilidade do ISE é pior quando comparada à do Ibovespa,
o principal índice da Bolsa. Desde sua criação em
dezembro de 2005 até o fechamento de maio, o índice de sustentabilidade
acumulou alta de 49%. No mesmo período, o Ibovespa teve ganho de
59%.
"Não é correto afirmar que o ISE não tem boa performance.
Há uma série de variáveis, relacionadas com as políticas
de sustentabilidade nas empresas, que não se refletem no curto prazo
no valor de suas ações em Bolsa. Além disso, o ISE
mede empresas que buscam otimizar o seu lucro, e não simplesmente
maximizá-lo, muitas vezes em detrimento de variáveis ambientais,
sociais e econômicas de longo prazo", afirma Simonetti.
A rentabilidade também não parece ser um problema para
as empresas listadas, que buscam no ISE mais uma referência de práticas
e ações de sustentabilidade internacionalmente reconhecidas
do que de retorno financeiro.
"O ISE, assim como o índice de sustentabilidade da Bolsa de
Nova York, são instrumentos para medirmos e avaliarmos até
que ponto nossas práticas nessa área estão no caminho
certo. E, por ser comparável, funciona como um importante instrumento
para definir os benchmarks no setor", diz o presidente do Grupo EDP no
Brasil, António Pita Abreu.
"Além disso, esse tipo de índice coloca de maneira concreta
como as empresas estão lidando com suas questões de riscos
sociais, ambientais, trabalhistas etc. Itens que, cada vez mais, serão
essenciais para qualquer companhia que queira sobreviver no longo prazo."
(ANDRÉ PALHANO - Folha de S.Paulo)
01.07 - Crise coloca em xeque o mercado
financeiro
As perspectivas apontam para um novo sistema financeiro que operará
menos alavancado que no passado recente
A crise financeira internacional está prestes a entrar em seu
terceiro ano. Originalmente a turbulência financeira era vista como
um fenômeno passageiro e de pequena dimensão, localizado em
um segmento pequeno do mercado imobiliário americano, o subprime.
Desde então, o sistema bancário dos EUA - que é o
"coração" do sistema financeiro internacional - foi fortemente
impactado. Grandes bancos de investimento americanos, como o Bear Stearns
e o Lehman Brothers, não conseguiram sobreviver. As perdas acumuladas
pelos bancos americanos chegam a níveis alarmantes. Entre janeiro
de 2007 e abril de 2009, o valor de mercado dessas instituições
se reduziu de US$ 1,4 trilhão para pouco mais de US$ 400 bilhões,
um montante que, grosso modo, se aproxima do aporte do governo americano
nessas instituições.
A atual crise financeira internacional, no entanto, nos remete ao passado.
A partir do início dos anos 1980, as limitações aos
fluxos de capitais de curto prazo foram sendo paulatinamente eliminadas.
Em todo o mundo, as reformas foram baseadas em três pontos básicos:
desregulamentação, redução do papel dos bancos
na intermediação e internacionalização dos
mercados financeiros. Para tanto, revogaram-se leis e normas que permitiam
aos governos impor limitações aos fluxos de capitais de curto
prazo e aos investimentos estrangeiros no setor financeiro. O mesmo aconteceu
com as restrições que estabeleciam separação
entre as atividades dos bancos e as dos mercados de capitais, e entre as
atividades de curto e as de longo prazo.
A partir dessas reformas, surgiu um sistema financeiro global, no qual
os bancos continuavam a ser atores importantes, mas com um papel inteiramente
novo. Em lugar de captarem recursos do público e carregarem créditos
por prazos mais longos, transformaram-se em estruturadores de negócios.
Sua responsabilidade no financiamento de operações ficou
restrita ao tempo entre a geração de um crédito (por
exemplo, uma hipoteca) e sua posterior transferência a investidores
nos mercados de capitais. Era a consagração de um novo modelo
de negócios, conhecido por "Originação e Distribuição"
(O&D).
O processo de securitização do crédito foi ainda
acompanhado pela terceirização de outras atividades que até
então também tinham sido características dos bancos:
a análise de risco e a captação de depósitos.
As agências de rating passaram a avaliar o risco e os money market
funds substituíram os depositantes.
O resultado desse processo foi o rápido crescimento, entre 1982
e 2009, do crédito doméstico privado americano, que passou
de 123% do PIB para quase 300%. A maior parte desse crescimento deveu-se
ao aumento da demanda das instituições financeiras não-bancárias,
isto é, destinou-se a apoiar as operações de securitização.
Com a atual crise, o modelo de O&D tornou-se vulnerável
à medida em que o processo de deflação de ativos se
intensificou. Inicialmente foram os preços dos imóveis. Em
seguida foi a vez das ações e das commodities.
A deflação se acentuou com o pânico que se seguiu
à falência do Lehman Brothers, em setembro de 2008. Naquele
momento, os problemas de liquidez, que já eram graves, se estenderam
aos mercados interbancários, com as instituições financeiras
evitando empréstimos de curto prazo entre si. Em meados de outubro,
os mercados interbancários virtualmente pararam de operar.
A quebra do Lehman Brothers marca o auge de um processo de revisão
generalizada da solidez dos instrumentos de garantia e das convenções
que deram suporte ao processo de securitização por mais de
duas décadas. Os investidores perceberam, entre outras coisas, que:
I) as avaliações feitas pelas agências de rating tinham
se baseado em modelos estatísticos frágeis; II) a divisão
das cotas dos fundos de investimento em tranches, com prioridade de recebimento
escalonada e de diferentes graus de risco-retorno (tranchismo), não
refletiam o real risco das operações; III) as seguradoras
de crédito - como a AIG e outras - não teriam condições
de atender ao volume de inadimplementos que se anunciava; e IV) os mecanismos
de terceirização dos créditos - como as "Empresas
de Investimento Estruturadas" (Structured Investment Vehicles - SIV) -
não isentariam os bancos de assumirem a responsabilidade por créditos
de péssima qualidade - os chamados "lixos tóxicos".
Diante desse cenário, desencadeou-se uma brutal desvalorização
dos ativos privados. Os capitais seguiram em fuga em direção
à riqueza pública ou garantida pelos governos, que continuavam
a ser vistos como "corretamente" precificados.
A pronta resposta dos governos, particularmente dos bancos centrais,
de ampliar seus balanços e acomodar o excesso de demanda, contribuiu
para estabilização dos mercados que vem sendo observada desde
o início de 2009. Isto impediu uma quebra generalizada do sistema
bancário. Entretanto, a política monetária não
é instrumento capaz de, por si, forçar os bancos a voltarem
a oferecer crédito abundante a taxas atraentes. Por esse motivo,
tanto nos EUA quanto na Europa, a primeira resposta do setor bancário
foi deixar essa liquidez depositada nos próprios bancos centrais.
Nos Estados Unidos, por exemplo, enquanto o Fed ampliava seu balanço
em cerca de US$ 1 trilhão a partir de setembro de 2008, os bancos
americanos aumentavam seus depósitos na autoridade monetária
em mais US$ 900 bilhões.
As medidas em curso desde setembro de 2008 mostram-se capazes, seis
meses depois, de conter a desaceleração do crédito.
Entretanto, a retomada de um novo ciclo de expansão financeira,
como o que assistimos entre 1982 e 2008, ainda deve tardar. Terá
de ser feita com base em normas, instituições e regulação
diferentes. As perspectivas apontam para um novo sistema financeiro que
operará menos alavancado, mais centrado em bancos, com instituições
mais reguladas e com forte presença do Estado, seja direta ou indiretamente.
Essa transição, no entanto, não deve ocorrer de forma
rápida, e muito menos será indolor. Promete ainda momentos
de intensa volatilidade e de embates entre os interesses públicos
e privados. (Ernani Torres Teixeira Filho e Gilberto Rodrigues
Borça Junior - Valor Online)
01.07 - Petrobras tem financiamento para
planos até 2013
Longe da crise, empresa já conseguiu no mercado mais de US$
30 bilhões
Na contramão da crise financeira mundial, que deixou várias
empresas sem recursos e obrigadas a realizar cortes, a Petrobras já
obteve no mercado financiamentos suficientes para cobrir o plano de investimentos
até 2013, afirmou ontem o diretor financeiro da estatal, Almir Barbassa.
Segundo ele, a empresa já conseguiu no mercado, desde o lançamento
do plano, mais de US$ 30 bilhões.
– São suficientes para a empresa até 2013 a preços
correntes. O plano é perfeitamente exequível e vai nos levar
a crescimento em todos os setores – disse na segunda-feira Barbassa a jornalistas,
após evento no Rio de Janeiro. – Estamos bastante confortáveis.
O volume de financiamentos deve se somar à geração
de caixa da companhia para a execução do plano, cujos investimentos
previstos são de US$ 174,4 bilhões.
BNDES
Barbassa citou entre os financiamentos já obtidos pela Petrobras
os 25 bilhões de reais conseguidos junto ao BNDES (Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social); 6,5 bilhões de dólares
por meio de um pool de bancos; 2 bilhões de dólares do US
Exim Bank, além dos 10 bilhões de dólares junto ao
Banco de Desenvolvimento da China.
Apesar de já ter conseguido no mercado cobrir as necessidades
de financiamentos, o diretor disse que a empresa pode fazer novas operações.
– Mesmo com o plano de financiamento coberto, é sempre bom ter
sobra de caixa. Dinheiro bom é dinheiro no caixa, até para
administrar o passivo da companhia, não vamos sair do mercado –
disse Barbassa, em café da manhã com jornalistas.
Pré-sal
Após criticar o rebaixamento da Petrobras por agências
de classificação de risco, Barbassa disse que a companhia
está desenvolvendo um projeto de redução de custos
para a exploração da camada pré-sal.
De acordo com Barbassa, a redução de custos inclui uma
maior automação das plataformas, o que reduziria o número
de trabalhadores, modificações nos projetos das plataformas
e a redução de perfuração de poços pela
empresa.
Estimativas da empresa feitas em 2008 apontavam para necessidade de
30 poços para a produção de 120 mil barris/dia no
pré-sal, sendo 20 para produção e dez para a rejeição.
Mas estudos mais recentes, acrescentou Barbassa, reduziram o número
de perfurações para 20, sendo 12 para produção
e 8 para injeção:
– Já aumentamos a produtividade, reduzir em dez poços
significa uma economia de mais de 1 bilhão de dólares por
plataforma, porque cada poço custa mais de 100 milhões de
dólares.
Hoje em uma plataforma de grande porte trabalham cerca de cem pessoas,
e Barbassa disse que a empresa quer melhorar o monitoramento em terra,
reduzindo assim os profissionais embarcados. (Rodrigo Viga Gaier
- Reuters/JB Online)
30.06 - Recebíveis
A redução da taxa básica
de juros aumenta a atratividade dos FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos
Creditórios) para os investidores, afirma José Luis Doles,
sócio do escritório Barcellos Tucunduva. Segundo ele, a rentabilidade
dos fundos é de cerca de 120% do CDI (taxa usada para empréstimos
entre bancos). "Quem estava tranquilo nos fundos de renda fixa agora vai
ter de arriscar mais para ter uma rentabilidade alta." Neste ano, o escritório
estruturou R$ 717 milhões em operações de FIDC. O
volume representa cerca de 50% do total lançado no período,
de R$ 1,5 bilhão. No último semestre do ano passado, cerca
de R$ 10 bilhões em FIDCs foram lançados no mercado brasileiro.
(Guilherme Barros - Folha de S.Paulo)
30.06 - Investidores estão mais conservadores
Pesquisa mostra que apenas 22% dos entrevistados
afirmam ter perspectiva positiva de investimento no curto prazo
Uma pesquisa realizada pela Deloitte e pelo Instituto
Brasileiro de Relações com Investidores (Ibri) aponta que,
após os piores momentos da crise financeira internacional no ano
passado, de maneira geral, os investidores se mostram mais conservadores
que as empresas.
Apenas 22% dos investidores participantes do
levantamento (61 no total, a maior parte fundos e entidades de previdência)
afirmam ter perspectiva positiva de investimento no curto prazo. As expectativas
dos 78% restantes são estáveis ou negativas.
Considerando as perspectivas das empresas participantes
(54 no total), representadas pelos seus profissionais da área de
relações com investidores, 67% afirmam que continuarão
investindo no curto prazo e 33% dizem não ter planos para novos
investimentos neste período. (Gazeta de Alagoas)
30.06 - Cerco às taxas
O mercado financeiro espera que haja novas reduções nas
taxas básicas de juros ao longo deste ano, e realmente é
provável que isso ocorra nas próximas reuniões do
Comitê de Política Monetária, ainda que o Banco Central
tenha alertado, na última ata do Copom, que a fase de cortes mais
expressivos estaria chegando ao fim.
Mas qualquer que venha a ser essa trajetória, o fato é
que a economia brasileira está hoje convivendo com as menores taxas
básicas desde que passou a ter uma moeda confiável. É
uma nova realidade, que exigirá mudanças de comportamento
tanto por parte dos investidores como do próprio sistema financeiro.
Dentro desse quadro, spreads bancários elevadíssimos não
se justificariam mais, assim como os níveis atuais das taxas cobradas
para administração de fundos de investimento.
A transição na economia de um período de inflação
crônica e aguda para um ambiente de relativa estabilidade monetária
talvez explique mais esse fenômeno do que uma suposta falta de concorrência.
O Brasil já possui grandes grupos financeiros (privados nacionais,
estatais e estrangeiros) que disputam entre si palmo a palmo do mercado.
No entanto, face à transição, os juros tiveram de
permanecer em patamares altos, o que distorceu também as tarifas
cobradas na prestação de serviços financeiros.
A queda dos juros certamente provocará um ajuste, até
como consequência dos fluxos de capitais.
E esse ajuste precisa começar pelas taxas de administração
dos fundos de investimento. (O Globo/G1)
30.06 - O fim da era do gelo
Depois de meses de paralisia, a Bovespa começa
a reabrir para ofertas de ações e aberturas de capital -
e o IPO da Visanet será o termômetro dessa retomada
O carioca Felipe Claret da Mota, responsável
pela área de registro de aberturas de capital e ofertas de ações
na Comissão de Valores Mobiliários, já mandou suspender
as férias de parte de sua equipe para os próximos meses.
Já avisou também que o time terá de voltar a fazer
hora extra daqui para a frente. Não se trata, nem de perto, da carga
de trabalho de 2006 e 2007, período batizado de "inferno" pelo grupo
de 12 pessoas que Mota lidera - quando 113 empresas lançaram ações,
seja em abertura de capital, seja em ofertas de novos lotes, e fizeram
a Bovespa subir de patamar dentre as grandes bolsas do mundo. Mas o fato
é que a vida começa a voltar ao mercado de capitais brasileiro.
"Estamos nos preparando para conseguir atender empresas que querem ir a
mercado. O número de operações vem aumentando rapidamente",
diz ele. Nos últimos 30 dias, seis empresas abertas comunicaram
formalmente a intenção de lançar novas ações
na Bovespa. A expectativa é que o mercado, que se manteve inativo
por mais de sete meses após o agravamento da crise, ganhe ainda
mais força com a oferta pública inicial de ações
(IPO, da sigla em inglês) da processadora de operações
de cartões Visanet - seus papéis estão programados
para estrear no pregão em 29 de junho. Caso a companhia levante
os 3,3 bilhões de dólares que os analistas estimam, será
o maior IPO do mundo neste primeiro semestre e deverá dar uma injeção
de ânimo às empresas que estão esperando para trilhar
o caminho da Bovespa. (Até o fechamento desta edição,
o valor da captação da Visanet não havia sido definido.)
Ninguém espera, pelo menos por enquanto,
uma volta à euforia que tomou conta da bolsa em 2007, quando houve
uma média de seis aberturas de capital e ofertas de ações
por mês na Bovespa - e talvez seja até saudável que
os patamares de entusiasmo daquele ano não voltem a ser atingidos.
Também é cedo para dizer se a agitação atual
no mercado de capitais é só uma janela de curto prazo ou
se é parte de uma recuperação duradoura. O fato é
que o movimento nos bancos de investimento aumentou de tal forma que muitos
voltaram a contratar depois do período de degola que se seguiu ao
fechamento do mercado, no ano passado. Nos últimos meses, os bancos
Goldman Sachs, Credit Suisse, UBS Pactual e Deutsche reforçaram
suas equipes. "Não se espera uma avalanche de IPOs na Bovespa",
diz Denise Pavarina, diretora do Bradesco BBI. "Mas é provável
que um grande número de companhias já abertas lance novas
ações."
Das companhias de capital fechado, a estrela
do momento é a Visanet. Com faturamento de 2,9 bilhões de
reais em 2008, está entre as 150 maiores companhias do Brasil. Responsável
por metade das transações com cartões de crédito
e débito do país, a Visanet é líder em um segmento
que cresceu a taxas de dois dígitos nos últimos oito anos.
A companhia também parece imune à crise econômica que
abalou o mundo desde setembro: no primeiro trimestre deste ano, aumentou
em mais de 20% o número de lojas credenciadas. Ainda assim, a Visanet
teve de adiar seus planos de abrir o capital. A companhia registrou o pedido
na CVM em agosto de 2008, mas suspendeu o projeto com a piora da crise
internacional. Sua volta agora terá o papel de um termômetro
do mercado.
Se a demanda pelos papéis da empresa agora
for maior que a oferta - algo que as corretoras envolvidas no negócio
diziam já estar ocorrendo na semana anterior à estreia na
Bovespa -, é possível que a Visanet faça um lançamento
adicional de papéis em julho. Essa opção já
está prevista no prospecto do IPO. Somadas, as captações
podem colocá-la na primeira posição do ranking dos
maiores IPOs da Bovespa - até hoje, a companhia brasileira que mais
obteve recursos com uma abertura de capital foi a petroleira OGX, que levantou
4,1 bilhões de dólares em junho de 2008. Apesar de suas particularidades,
a Visanet revela uma nova tendência na bolsa. Para atrair investidores,
as companhias precisam de negócios consolidados - e de tamanho.
"É dificílimo levantar dinheiro hoje para uma companhia que
ainda precisa se provar para os investidores", diz Fabio Motta, gestor
de renda variável da empresa de investimentos Legg Mason.
Até 2007, várias empresas fizeram
aberturas de capital inferiores a 300 milhões de reais. Hoje, os
bancos de investimento sugerem que um IPO só terá sucesso
se forem lançadas ações num valor acima de 1 bilhão
de reais. No caso de uma segunda oferta de papéis, é preciso
atingir a marca de 500 milhões. Trata-se, ainda, de uma herança
da crise. Escaldados com a abrupta queda da bolsa no fim de 2008, os aplicadores
agora exigem liquidez das empresas em que colocam dinheiro. Perdem espaço,
portanto, as small caps, empresas pequenas que fizeram muito sucesso no
passado recente. As demais operações que foram anunciadas
recentemente - da administradora de shoppings BR Malls e das incorporadoras
Gafisa e MRV, entre outras - são de empresas líderes em seus
setores. "O mercado subiu alguns degraus em exigência porque os investidores
tiveram uma má experiência no final de 2008. Queriam vender
ações pouco negociadas na bolsa e não encontravam
comprador", diz José Olympio Pereira, diretor do banco Credit Suisse.
Apesar da má lembrança, o Brasil
parece estar voltando ao centro das atenções. Em maio, o
volume de dinheiro extra dos investidores estrangeiros que entrou na Bovespa
atingiu o recorde de 6,1 bilhões de reais. No ano, o saldo está
positivo em quase 10 bilhões de reais. "Os astros estão alinhados
conosco", diz Bernardo Parnes, presidente do Deutsche Bank no Brasil. O
fluxo externo é um dos principais fatores a estimular a busca de
recursos no mercado. "As ações de várias companhias
se recuperaram e estão próximas de seus picos históricos,
um sinal de vitalidade da bolsa", diz Rodolfo Riechert, diretor do banco
de investimento UBS Pactual.
Previsões favoráveis à parte,
os investidores mantêm os olhos atentos aos preços das ações.
"Estamos analisando o IPO da Visanet e os lançamentos de papéis
de outras empresas, mas só vamos entrar se os valores forem atraentes",
diz Fábio Moser, diretor de investimentos da Previ, o maior fundo
de pensão do país. A recuperação da bolsa ainda
está em curso e já há analistas e gestores de recursos
que veem o mercado brasileiro ficando caro. "Os preços estão
altos quando comparados internacionalmente", diz Mark Mobius, diretor da
gestora americana Franklin Templeton e um dos maiores investidores estrangeiros
da Bovespa. "Caso a valorização das ações brasileiras
continue nesse ritmo, não descarto o risco de uma nova bolha."
(Giuliana Napolitano e Guilherme Fogaça - Portal Exame)
30.06 - Inflação: Meta a
reduzir
O regime de metas de inflação busca, como um dos seus
objetivos, influenciar as expectativas dos agentes econômicos de
modo a facilitar a difícil tarefa das autoridades monetárias
de manter diferentes variáveis econômicas em relativo equilíbrio.
Mas tal equilíbrio depende de muitas condições prévias
sobre as quais a política monetária nem sempre tem ingerência
Assim, a área de ação do Banco Central acaba se
restringindo ao controle do crédito, tendo como um dos principais
instrumentos a fixação dos juros básicos - o que somente
é possível devido à correlação entre
essas taxas e a remuneração dos títulos públicos
federais, que se reflete sobre os rendimentos dos demais papéis
e ativos financeiros.
Então, para que realmente as autoridades consigam influenciar
as expectativas dos agentes econômicos quanto ao comportamento futuro
dos preços, as metas precisam ser factíveis e os instrumentos
de política monetária (especialmente os juros básicos)
devem estar calibrados para o seu alcance.
O ajuste pelo qual a economia brasileira teve de passar para assegurar
a estabilidade da moeda exigiu uma política de juros altos, o que,
por sua vez, impediu o estabelecimento de metas mais ousadas para a inflação.
A percepção predominante entre os agentes do mercado
financeiro era que uma redução mais expressiva da inflação
forçaria o Banco Central a manter os juros básicos em níveis
que acabariam causando outros desequilíbrios na economia, que redundariam
em baixo ou nenhum crescimento.
Assim, o governo optou por uma meta de 4,5% (com tolerância de
dois pontos percentuais acima ou abaixo) para a inflação
dos anos de 2008, 2009 e 2010.
Com isso, o Brasil assumiu como objetivo uma inflação
acima da média da economia mundial e dos próprios países
emergentes.
A crise financeira internacional fez com que surgissem condições
favoráveis à redução das taxas básicas
de juros no Brasil sem que as metas de inflação fossem postas
em risco. O relatório trimestral divulgado na sexta-feira pelo Banco
Central confirma esse cenário, pois, para 2009, se projeta uma inflação
de 4,1% e 3,9% para 2010.
Diante desse novo quadro, faz pleno sentido que o Conselho Monetário
agora resolva reduzir as metas de inflação para 2011, pois
isso poderá ocorrer sem que o BC seja levado a recorrer mais uma
vez a uma política monetária calcada em juros básicos
excessivamente altos. (O Globo/G1)
29.06 - Modelos de regulação
estão em debate
Enquanto se discute se o pior da recessão mundial já
passou ou não, legisladores dos Estados Unidos e autoridades reguladoras
do Reino Unido estão engajados em outro debate: as regras que governam
as companhias de capital aberto.
A maioria dos especialistas afirma - quando comparam sua eficiência
- que o Código Unificado do Reino Unido é melhor que a lei
Sarbanes-Oxley dos EUA. Na verdade, muitos observadores gostariam de ver
nos EUA um modelo parecido com o britânico.
"Eu acho que o Código Unificado é a melhor maneira de
proceder porque ele depende da ação voluntária do
setor privado", afirma Ira Millstein, um renomado consultor corporativo
e sócio da firma de advocacia de Nova York Weil, Gotschal &
Manges.
Millstein acredita que as exigências para as empresas britânicas
de obedecerem o Código Unificado ou explicarem porque têm
boas razões para não fazer isso, é "algo mais gentil,
à maneira britânica".
O Código Unificado, elaborado para organizar a conduta dos diretores
de conselho, a remuneração dos executivos e questões
de auditoria, data de 1990 e foi revisado em 2006. Atualmente, ele está
sendo novamente revisto.
O Financial Reporting Council (FRC), que regula as condutas de governança
corporativa no Reino Unido, fez uma consulta aos detentores de participações
em empresas para saber como o código está se saindo. As constatações
devem ser publicadas no ano que vem. Mudanças poderão ocorrer.
O princípio do "Pratique ou Explique" só funciona em
países nos quais os acionistas possuem direitos significativos garantidos
por lei, como a capacidade de votar em diretores individuais para o conselho
de administração, afirma Chris Hodge, o diretor da unidade
de governança corporativa do FRC. Sem esses direitos, explica Hodge,
as autoridades reguladoras precisam ter um papel mais ativo na proteção
dos investidores.
Inversamente, os acionistas sentem que uma abordagem baseada nos princípios
como os do Código Unificado produz menos obstáculos à
condução dos negócios, afirma Leo Martin, consultor
de ética corporativa da GoodCorporation.
Ele cita como evidência a queda das listagens de empresas nas
bolsas de valores dos EUA desde a implementação da Sarbanes-Oxley.
"As companhias estão insatisfeitas. As empresas britânicas
são menos sobrecarregadas."
Nos dois países, muitas instituições financeiras,
como o Lehman Brothers e o Northern Rock, fracassaram em supervisionar
os riscos sistêmicos. Ainda assim, esse não foi o problema
para o qual as leis de governança dos dois países foram criadas
para administrar.
A lei Sarbanes-Oxley, por exemplo, foi criada para garantir a exatidão
das demonstrações financeiras. "Não sabemos quantas
fraudes deixaram de ocorrer por causa da Sarbanes-Oxley. Mas, em geral,
ela tem sido benéfica", diz Eliot Spitzer, que levou a juízo
alguns dos maiores casos de fraudes no mercado de valores mobiliários
quando foi procurador-geral do Estado de Nova York.
Assim, a Sox (como a lei é conhecida) provavelmente continuará
intacta. Mesmo assim, é quase certo que será substituída
por novas disposições de governança corporativa como
a declaração de direitos dos acionistas que foi introduzida
no Congresso dos EUA no mês passado. Isso porque a Sox claramente
não resolveu o problema da alavancagem financeira excessiva que
posteriormente provocou a falência de muitos bancos. "Vozes mais
cínicas diriam que a Sarbanes-Oxley é a mesma coisa que a
Linha Maginot", ironiza Spitzer.
Os americanos afirmam que criar normas de comportamento corporativo
é mais fácil no Reino Unido porque lá existe uma comunidade
menor de autoridades reguladoras, bolsas e investidores.
"Você pode convocar, da City de Londres, uma reunião com
a maioria dos controladores institucionais de uma grande companhia do índice
FTSE com talvez um link online com Edimburgo", diz Jon Lukomnik, membro
fundador da International Corporate Governance Network (ICGN).
A familiaridade encoraja o que Lukomnik chama de "compromisso construtivo
e silencioso". Os detentores de participações em empresas
no Reino Unido chegaram a um acordo sobre tópicos de governança,
como o direito dos acionistas de votarem a remuneração dos
executivos, a exigência de separação dos cargos de
presidente executivo e do conselho de administração, e o
ponto em que profissionais ficam "overboarded", ou seja, participam de
um número muito grande de conselhos, o que pode afetar sua eficiência.
Algumas companhias americanas seguem voluntariamente essas práticas,
mas continuam sendo minoria. Porém, isso deverá mudar sob
a administração Obama, mais amigável aos acionistas.
A maioria dos observadores concorda com os benefícios da Sarbanes-Oxley,
mas mesmo assim apontam para as desvantagens que ela impõe. Erroll
Davis diz que quando foi diretor-presidente da Alliant Energy, uma companhia
de serviços públicos do Meio-Oeste americana, avaliada em
US$ 3 bilhões, ficou contrariado com o "grau de imposição
da Sox".
Posteriormente, ele passou a apreciá-la, porque a lei forçou
os administradores de sua companhia a terem um maior entendimento das finanças
e dos controles internos da empresa.
Hoje, diz Davis, que é membro dos comitês de auditoria
dos conselhos da General Motors (GM) e da British Petroleum (BP), as autoridades
reguladoras americanas e as firmas de contabilidade estão mais receptivas
ao uso da materialidade e do senso comum na avaliação do
enquadramento das companhias à Sox.
Um dos críticos mais ácidos da Sox é Harvey Pitt,
ex-presidente da Securities and Exchange Commission (SEC). Ele classifica
a lei de "relativamente ineficiente" e "mal elaborada, feita às
pressas". Para Pitt, a Sox estimulou uma mentalidade bitolada nos administradores,
em vez de um entendimento do por quê da existência dos riscos.
"A abordagem do Código Unificado é superior. A coisa mais
significativa é tornar as empresas participantes ativos da regulamentação
de suas próprias condutas", diz. (Tony Chapelle - Financial
Times/Valor Online)
29.06 - Fed, saindo à francesa
O Fed começou a construir a estratégia
de saída dessa parte menos convencional de sua intervenção
no mercado
Na última quarta-feira, o mundo econômico
parou na expectativa do resultado da reunião do Fed. Embora até
as pedras soubessem que seria mantida a política de taxas de juros
próximas de zero, havia uma grande expectativa quanto às
palavras que ele utilizaria para comunicar sua decisão. Qualquer
mudança seria lida e interpretada com muito cuidado pelos especialistas,
pois poderiam esconder informações preciosas sobre o futuro
da política monetária na maior economia do mundo.
Existem hoje três leituras principais sobre
o futuro da economia nos Estados Unidos. A primeira, herdada da crise bancária
que estamos vivendo, chama a atenção para o risco de uma
verdadeira depressão econômica, com risco de deflação,
como a ocorrida nos anos 30 do século passado. Foi leitura dominante
nos meses que se seguiram ao colapso do banco Lehman Brothers. Hoje, ela
está um pouco desprestigiada, devido à recuperação
da atividade econômica nos últimos dois meses, mas ainda faz
sucesso em certos meios acadêmicos.
Uma segunda leitura incorpora essa recuperação
e trabalha com a volta de crescimento moderado já no último
trimestre deste ano. Em 2010, ajudado em parte pelo vigor dos países
emergentes, o mundo voltaria a crescer 4%. Mas, no chamado G7, a atividade
econômica seria ainda débil, e o desemprego continuaria a
subir nos primeiros meses do ano.
Somente a partir de 2011 é que a atividade
econômica chegaria perto do potencial. A inflação continuaria
baixa, permitindo a lenta reversão dos estímulos monetários
adotados para combater a crise. Finalmente, outro grupo de analistas que
olha para o futuro com extrema preocupação de uma volta súbita
da inflação, devido à política monetária
extremamente expansionista, pedia uma mudança já na atitude
do Fed.
O Fed tem mantido até agora uma política
agressiva e fora dos padrões de expansão monetária
para lidar com o primeiro cenário. Ela incorpora, além de
um compromisso com juros muito baixos, instrumentos não convencionais
na tentativa de substituir os bancos privados nos mercados de crédito.
Para atingir esse objetivo, comprometeu-se a comprar até US$ 1,6
trilhão em títulos públicos e em papéis hipotecários.
Como resultado dessas iniciativas, o volume de
dólares em circulação nos mercados financeiros atingiu
números extremos. Nesse movimento, o total de ativos do Fed passou
de algo como US$ 800 bilhões para mais de US$ 2 trilhões.
Mas, com a redução do risco de deflação, o
mercado passou a especular sobre o momento em que o Fed terá de
voltar a um comportamento mais convencional. Não por outra razão,
tivemos um agressivo movimento de elevação dos juros mais
longos nos Estados Unidos nas últimas semanas. Mas é importante
separar os problemas. Uma coisa são as taxas de juros muito baixas,
que devem continuar, pois a recuperação ainda é muito
frágil. Isso foi reforçado pelo Fed no comunicado desta semana.
Outra coisa são os mecanismos de expansão quantitativa de
moeda, que foi adotada de forma emergencial há alguns meses e que
começa a perder seu sentido.
O Fed começou a construir, de forma eficiente,
a estratégia de saída dessa parte menos convencional de sua
intervenção. Sem se comprometer com datas e valores, a autoridade
monetária deu um sinal claro, ao mencionar que ajustará esses
mecanismos de forma adequada ao cenário dos próximos meses.
Os mercados reagiram muito bem a esse movimento, mostrando que Ben Bernanke
e sua equipe sabem o que estão fazendo. (LUIZ
CARLOS MENDONÇA DE BARROS - Folha de S.Paulo)
29.06 - Governo: Retomada só no
fim do ano
Equipe econômica refaz as contas e acredita em crescimento forte
apenas entre outubro e dezembro; expansão no ano seria de, no máximo,
0,5%
Mesmo tendo sido surpreendido favoravelmente com o resultado do Produto
Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre (que mostrou retração
menor do que se esperava), o governo refez as contas e agora aposta numa
forte aceleração da economia somente entre outubro e dezembro
para conseguir fechar 2009 com um número positivo. Pelos cálculos
da equipe econômica, ainda é possível o País
ter uma expansão de 5% no quarto trimestre na comparação
com o mesmo período de 2008, o que daria condições
de o PIB anual ficar entre zero e 0,5%. Até há pouco tempo,
o governo esperava uma forte retomada já a partir de julho.
A agressiva recuperação, conforme cenário da equipe
econômica, será puxada pelo programa "Minha Casa, Minha Vida".
Também impulsionarão a atividade os investimentos do Programa
de Aceleração do Crescimento (PAC), principalmente os da
Petrobrás, e a volta do crédito. "Existe grande probabilidade
de crescimento positivo", afirmou uma fonte graduada do governo. Mas, continuou,
atingir a marca de 1%, definida pela própria equipe econômica,
será bem mais difícil.
Hoje, o Banco Central divulga o Relatório Trimestral de Inflação
e a expectativa é de que o BC diminua sua previsão de crescimento
deste ano de 1,2% para algo entre 0,3% e 0,5%. Por enquanto, segundo cenário
do Ministério da Fazenda, o PIB deve ficar negativo em 1% no segundo
e terceiro trimestres em relação a 2008. No primeiro trimestre,
conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), a economia teve recuo de 1,8%.
O quadro, no entanto, seria revertido nos últimos três
meses do ano com o crescimento 5%. A avaliação é de
que apenas no quarto trimestre será possível começar
a colher os frutos do programa habitacional "Minha Casa, Minha Vida". Os
investimentos do PAC também deverão ser mantidos mesmo com
a queda na arrecadação, o que deixará o governo com
uma margem mais apertada para novos gastos. Somente a Petrobrás
contribuiria com 0,3% do PIB nos últimos três meses do ano.
Outro fator destacado é que o crédito está voltando
gradualmente e, portanto, sustentará o consumo das famílias
no segundo semestre.
Se confirmadas essas projeções oficiais, o crescimento
do ano ficará em 0,3%, segundo cálculo feito por analistas
do mercado financeiro. O valor ainda está abaixo do 1% esperado
pelos ministérios da Fazenda e Planejamento. Mas o crescimento mais
próximo de zero do que de 1% é considerado mais realista
pelos analistas. A expansão de 5% no quarto trimestre é vista
com cautela.
O economista-chefe do BES Investimento, Jankiel Santos, está
revisando para baixo a projeção do PIB deste ano, prevista
até agora em 1%. "Está havendo uma recuperação
da economia num ritmo bem mais brando do que esperávamos." Para
ele, medidas paliativas como desoneração do Imposto sobre
Produtos Industrializados (IPI) dos veículos e geladeiras já
tiveram impacto na atividade e, daqui para frente, os efeitos serão
limitados na aceleração do crescimento.
O economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves,
já revisou suas projeções. Antes, esperava um recuo
do PIB de 0,5%. Agora, trabalha com queda de 0,1%. "Acho que é um
pouco forte demais crescer 5% no último trimestre. Mas ter uma projeção
de PIB anual mais próximo de zero é bem mais factível."
O economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa,
estima um PIB negativo de 1% para 2009, mesmo com a retomada mais forte
no segundo semestre. Ele prevê um recuo de 2% e 2,5% no segundo e
terceiro trimestres, respectivamente, na comparação com o
ano anterior. De outubro a dezembro, Newton projeta uma expansão
econômica de 2,5% em relação ao mesmo período
de 2008. "Não me surpreenderia se o PIB se mostrar melhor do que
o que estou projetando."
"Pode haver uma surpresa do consumo no segundo semestre. O que pode
estragar a festa é a continuidade da queda dos investimentos", ressaltou
Rosa. (Edna Simão - O Estado de S.Paulo)
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