11.03 - BC e produto potencial
Qualquer cidadão que tenha alguma intimidade com o "chão
da fábrica" sabe que, não importando a natureza e a sofisticação
do controle, toda organização tende a acomodar-se num padrão
de produção que, em condições normais de temperatura
e pressão, dá relativo conforto aos seus participantes.
Quando solicitada (por uma variação externa), a organização
aumenta (temporariamente) o nível de esforço para responder
à pressão. Quem tiver dificuldade em aceitar esse fato (mesmo
que seja um economista acadêmico fechado em seu universo de meditação)
basta dar um olhar relativamente crítico ao seu entorno (e introspectivamente
em si mesmo!) para introjetá-lo. Essa é uma velha "descoberta"
(de 1966) do arguto economista Harvey Liebenstein. A esse nível
de acomodação ele deu o nome de X-Eficiência.
Como é evidente, a existência desse fato lança
sérias dúvidas sobre o uso apropriado do conceito de "função
de produção" e sobre a teoria marginalista de distribuição
nela implícita. A dúvida torna-se ameaçador pesadelo
quando se tenta agregar as funções microeconômicas
ao misterioso agregado a que se dá o nome de "produto potencial".
E o ameaçador pesadelo torna-se uma realidade horrorosa quando usamos
cegamente tal conceito para determinar a taxa de juro Selic (que ainda
supõe conhecida a fugidia taxa de juro real de "equilíbrio")
para manter a inflação na meta politicamente estabelecida.
Tem toda razão o ministro Henrique Meirelles, ilustre presidente
do Banco Central ("Valor Econômico", 26/02/2010), quando afirma:
"Não sabemos qual é o produto potencial do Brasil neste momento
(...), porque ainda não há dados suficientes para analisar
qual é o potencial de crescimento da economia hoje e onde vai se
estabilizar a partir de 2011. O PIB potencial aumentou bastante entre 2002
e 2008".
Cuidadoso, acrescentou: "No processo de recuperação da
economia, assim como num determinado ano se operou abaixo do potencial,
é possível operar em alguns momentos acima do potencial".
E, fazendo o velho "hedge", concluiu precavido: "A extensão desse
período, e se isso é homogêneo nos diversos setores
da economia, é outro problema. Não se pode fazer esse cálculo
de forma simplista. Há uma série de outros fatores que precisam
ser analisados".
É exatamente isso o que se espera da reunião do Copom
de 15/16 de março. Seria pedir muito que cada membro revelasse por
escrito os fundamentos do seu voto? (ANTONIO DELFIM NETTO - Folha
de S.Paulo)
11.03 - PIB deve crescer 4,7% no 4º tri
O resultado do PIB do quarto trimestre de 2009, que será divulgado
amanhã pelo IBGE, deve apresentar crescimento de 4,7% na comparação
com o mesmo trimestre do ano anterior, de acordo com a projeção
do Credit Suisse.
O mercado espera crescimento de 4,5% no PIB (Produto Interno Bruto)
do último trimestre do ano passado.
A expansão acontece após três trimestres seguidos
de retração, devido aos impactos da crise financeira internacional.
No terceiro trimestre, a economia brasileira havia tido retração
de 1,2% ante o mesmo período de 2008.
"O crescimento confirma a forte recuperação da atividade
econômica no Brasil, em particular dos investimentos", afirma Nilson
Teixeira, economista-chefe do banco.
O perfil da recuperação, segundo Teixeira, liderada pela
demanda doméstica, é diferente das retomadas passadas, que
em geral foram lideradas pelas exportações. "Esse perfil
tende a se repetir nos próximos trimestres, embora em ritmo menos
acelerado do que o observado até agora", diz.
Na comparação com o terceiro trimestre, a previsão
é de crescimento em todos os componentes do PIB sob a ótica
da demanda, com destaque para a expansão dos investimentos. "Os
investimentos continuarão crescendo nos próximos anos."
(Maria Cristina Frias - Folha de S.Paulo)
10.03 - Regras globais contra a crise emperram
Reunião de presidentes de bancos centrais na Suíça
termina sem acordo, e ritmo diferente das economias dificulta consenso
Oposição de instituições barram "lista
negra" de bancos em dificuldade; Meirelles chefiará Conselho das
Américas do BIS
Está empacando o plano de impor regras mais duras para os bancos
"sistemicamente importantes" -aqueles cuja quebra pode se perpetuar em
cascata pelas finanças de um país ou pela economia global.
A proposta foi inicialmente colocada como um pilar da estratégia
do BIS (o Banco para Compensações Internacionais, que rege
os BCs mundiais) para evitar novas bolhas de crédito e conter o
efeito de crises futuras. Mas, a cada reunião da entidade e de seu
Conselho de Estabilidade Financeira, as medidas que poriam o plano de pé
ficam mais nebulosas.
O prazo para definir as regras é setembro, com vistas à
sua aprovação até o fim do ano e implementação
até 2012.
De início, o BIS listaria as instituições alvo
de atenção especial. Mas queixas dos bancos privados, contrários
a uma "lista negra", dividiu os 27 BCs, e a ideia sucumbiu. Depois, proclamou-se
que as medidas (como um valor mais alto para o "colchão" de capital
que cada banco terá para se prevenir contra crises) seriam fixadas
pela entidade central. Agora, não mais.
"O que estamos discutindo é exatamente o quão específico
o comitê da Basileia pode ser nessa definição das organizações
sistemicamente importantes, de quais serão os colchões de
capital e de liquidez", disse o presidente do BC brasileiro, Henrique Meirelles.
Mais cedo, Mario Draghi, presidente do conselho, afirmara que caberia
a cada BC avaliar as medidas aplicáveis a seu sistema. "Temos de
ter um mínimo de regulação comum em um campo como
este, e aí os países teriam liberdade para tomar mais medidas",
disse.
A discussão cresce com a desarmonia no ritmo da recuperação
econômica global, com a Ásia à frente, os demais emergentes
em seguida (Brasil inclusive), os EUA depois e a Europa na lanterna. Afinal,
enquanto delineiam as regras, os BCs precisam tratar da retirada gradual
das medidas que tomaram para ampliar a liquidez em seus países no
auge da crise.
E a disparidade nessa operação ficou clara nas reuniões
do BIS ontem e domingo. Jean-Claude Trichet, que preside a entidade, frisou
ser interesse geral corrigir o desequilíbrio.
O Brasil nesse campo vai bem, diz Meirelles, já tendo retirado
das reservas o saldo dos estímulos e revertido quase completamente
a decisão excepcional de liberar o compulsório, entre outras
coisas.
Segundo ele, EUA e emergentes se recuperam mais rápido, e o
risco é a União Europeia. O BIS debateu o risco de a crise
da dívida grega contaminar o bloco, inflando os juros das dívidas
de outros países. Outra preocupação, segundo Meirelles,
é com uma bolha chinesa.
Ontem, como antecipou a coluna "Mercado Aberto", Meirelles anunciou
que chefiará o Conselho das Américas do BIS. (LUCIANA
COELHO - Folha de S.Paulo)
10.03 - Analistas: Selic aumentará só em abril
Analistas do mercado financeiro esperam que o Comitê de Política
Monetária (Copom) do Banco Central eleve a taxa básica de
juros, a Selic, em 0,5 ponto percentual em abril deste ano. Atualmente
a taxa básica está em 8,75% ao ano e a expectativa é
de que suba para 9,25% no próximo mês.
Na reunião marcada para os próximos dias 16 e 17, os
analistas consultados pelo BC esperam que a taxa permaneça no atual
patamar.
Na avaliação dos analistas, a Selic deve ter nova alta
em junho (9,75% ao ano), em julho (10,25% ao ano), em setembro (10,75%
ao ano) e em outubro (11,25% ao ano).
O Copom eleva a taxa básica quando considera que a economia
está aquecida e que a trajetória de inflação
é de alta. O BC persegue a meta de inflação estabelecida
pelo Conselho Monetário Nacional. Para este e o próximo ano,
a meta é de 4,5%, com margem de dois pontos percentuais para mais
ou para menos. Na projeção dos analistas, o Índice
de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que serve de referência
para a meta de inflação, deve fechar 2010 em 4,99% e 2011
em 4,50%.
A Selic é a taxa praticada nas operações de curtíssimo
prazo entre bancos e remunera empréstimos que o governo toma, por
meio do lançamento de títulos. Essa taxa também influencia
nos juros cobrados nos empréstimos ofertados pelas instituições
financeiras aos seus clientes. (Agência Brasil/Jornal
Monitor Mercantil)
10.03 - Inflação oficial fecha fevereiro em 0,78%
A inflação oficial, medida pelo Índice Nacional
de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do mês de fevereiro apresentou
variação de 0,78%, pouco acima da taxa de 0,75% registrada
no mês de janeiro. Com o resultado de fevereiro, o acumulado do ano
fechou em 1,54%, acima da taxa de 1,03% relativa a igual período
de 2009, segundo divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística).
O grupo Educação, com alta de 4,53% e contribuição
de 0,32 ponto percentual (p.p.), foi responsável por 41% do índice
de fevereiro. Refletindo os reajustes típicos do início do
ano, os aumentos nas mensalidades escolares ficaram em 5,38%, com 0,26
p.p., a maior contribuição individual do mês.
De janeiro para fevereiro, os preços dos alimentos continuaram
aumentando, mas em ritmo um pouco menor (de 1,13% para 0,96%). Vários
se mantiveram em destaque, a exemplo dos açúcares refinado
(de 6,25% para 10,90%) e cristal (de 10,27% para 10,48%), tomate (de -
3,74 para 17,26%), leite pasteurizado (de 1,88 % para 2,84%) e arroz (de
3,26 % para 4,45%).
Os combustíveis apresentaram resultados menores em fevereiro,
de 2,08% para 1,14%. Sob influência da alta dos preços do
álcool, a gasolina passou de 1,33%, em janeiro, para 0,97% em fevereiro.
Com isto, o grupo dos Transportes passou de 1,45% para 0,79%.
Assim, atuando no sentido de conter o índice do mês, além
do menor ritmo de crescimento dos alimentos, combustíveis e outros
itens, vale destacar a queda nos preços dos remédios (de
0,06% para -0,43%) e artigos de vestuário (de 0,31% para -0,52%).
Ainda assim, o agrupamento dos produtos não alimentícios
teve variação de 0,73% (acima dos 0,64% de janeiro) em razão
dos aumentos registrados em Educação. (Executivos
Financeiros)
09.03 - BNDES bate recorde de desembolsos à AL
Financiamento à exportação de bens e serviços
brasileiros na região cresceu 77% em média ao ano no segundo
mandato de Lula
Empresa mais beneficiada é a Odebrecht , mas pagamentos do banco
correspondem a só 10% do que a construtora recebe por obras no exterior
Em 2009, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social) bateu o recorde em sua linha de financiamentos às exportações
de serviços e bens brasileiros para a América Latina e o
Caribe: desembolsou US$ 726 milhões a países da região,
sobretudo para a contratação de obras de infraestrutura,
realizadas por empreiteiras brasileiras.
Na média anual do primeiro mandato de Lula (2003 a 2006), os
desembolsos ficaram em US$ 352,1 milhões -cifra 26% superior à
média do segundo governo FHC. Essa média subiu 77% no segundo
mandato de Lula, para US$ 622 milhões, segundo dados compilados
a pedido da Folha. Lançada em 1997, a linha especial de crédito
já movimentou US$ 4,9 bilhões na América Latina.
O aumento coincide com a ênfase do governo na liderança
regional e na internacionalização das empresas brasileiras.
Argentina, República Dominicana, Equador, Venezuela e Chile lideram
a lista dos tomadores dos empréstimos.
Entre as construtoras, a Odebrecht, há 30 anos no mercado externo,
foi a maior beneficiada. Dos cerca de US$ 600 milhões que a empresa
recebeu em 2009 dessa linha do BNDES, 80%, ou US$ 480 milhões, foram
referentes a contratos na Argentina e na República Dominicana -o
restante corresponde a Angola.
De um lado, o programa visa promover exportações de bens
e serviços brasileiros -de 50% a 80% do valor da obra é financiado
pelo BNDES, para compras de produtos do país. De outro, cobre uma
lacuna de crédito em alguns países.
"São esses os nossos clientes. Não dá para ser
nem uma Suíça nem uma Dinamarca. Esses não precisam.
Ou a gente faz ou não tem ninguém para fazer", disse Luciane
Machado, superintendente de Comércio Exterior do BNDES. Os projetos
incluem hidrelétricas, gasodutos, rodovias, ônibus e linhas
de metrô. O BNDES não financia bens, serviços e mão
de obra do país que contrata a obra.
Para Kurt Müller, diretor da Abimaq (associação
da indústria de máquinas), o programa "alavanca" as vendas
nacionais do setor. Cerca de 40% do valor total das operações,
afirma, se refere a bens exportados. "A construtora brasileira sempre prefere
levar uma máquina a que já está acostumada."
Luiz Antonio Mameri, presidente da Odebrecht América Latina
e Angola, diz que a linha é "extremamente importante", embora o
que a empresa recebe do BNDES signifique apenas 10% de seus ingressos por
obras em 18 países -um total de entre US$ 6 bilhões e US$
6,5 bilhões em 2009.
"Há uma interpretação incorreta de que o Brasil
financia obra em outro país, quando financia bens e serviços
brasileiros, gerando impostos e movimentando a economia aqui", diz Mameri,
recém-chegado de Cuba, onde a empresa inicia ampliação
de porto financiada pelo BNDES. Segundo ele, nas obras no exterior com
outra fonte de financiamento a proporção de bens e serviços
brasileiros usados pela Odebrecht cai de cerca de 60% para 5%.
No mercado externo há quatro anos, a OAS já construiu
uma rede de gás no Uruguai com recursos do BNDES e articula mais
três financiamentos, num total de US$ 1,1 bilhão, para uma
rodovia na Bolívia e um aqueduto e uma hidrelétrica na Argentina.
"10% do nosso faturamento tem origem no exterior. A meta é chegar
a um terço em 2012", afirma Cesar Uzêda, diretor da área
internacional da construtora.
Estudo do BNDES qualifica de "altamente competitivo" o mercado internacional
de serviços de construção. Na África, quase
50% das empresas contratadas vêm das metrópoles europeias,
embora os chineses, agressivos no financiamento, já tenham 21% do
mercado.
Riscos
Segundo Machado, do BNDES, a linha de crédito à exportação
para a América Latina tem risco menor do que a média do banco
porque os contratos são garantidos pelo CCR (Convênio de Crédito
Recíproco), sistema de compensação entre bancos centrais.
"Mesmo na moratória argentina, os empréstimos foram pagos.
Uma vez o crédito cursado, ele é irrevogável", afirma
ela. Cuba, que não está no CCR, deu como garantia conta no
exterior que recebe receitas de suas exportações.
Em 13 anos, o BNDES enfrentou somente um contencioso, com o Equador,
que contesta em tribunal internacional as condições de financiamento
à construção de uma hidrelétrica pela Odebrecht.
Apesar da disputa, os pagamentos continuam. (CLAUDIA ANTUNES
e PEDRO SOARES - Folha de S.Paulo)
09.03 - País saiu da crise graças à regulação
sólida
Time de ex-ministros, ex-diretores do BC e economistas de peso sugere
em livro aprimorar supervisão para blindar Brasil
O Brasil saiu fortalecido da crise global graças a um sistema
financeiro sólido, a regras de regulação e supervisão
rígidas e a uma administração eficiente da autoridade
monetária.
Mas as lições extraídas do abalo econômico
indicam que ainda há muito o que fazer nas áreas de monitoramento,
prevenção e regulação, para evitar crises futuras.
A dupla de Mários (Mesquita e Torós) que esteve na linha
de frente do Banco Central (BC) no auge da crise global, entre 2008 e 2009,
detalha a atuação do BC nesse período crítico
e sugere um cardápio de medidas para evitar novas turbulências
no livro "Risco e Regulação", que será lançado
na próxima quinta-feira, no Rio, pela Editora Campus/Elsevier.
Organizado pelos economistas Marcio Garcia (PUC-Rio) e Fábio
Giambiagi (BNDES), o livro traz análises e reflexões sobre
a origem da crise global, as lições e o caso brasileiro,
com contribuições de um time de especialistas e formuladores
de políticas públicas de primeira linha - que inclui os ex-ministros
da Fazenda Maílson da Nóbrega e Pedro Malan, os expresidentes
do BC Gustavo Franco e Gustavo Loyola, o ex-diretor de Normas do BC Sérgio
Darcy, e o ex-subsecretário do Tesouro americano John Taylor.
Economistas sugerem ação conjunta de BC e CVM No artigo
assinado pelo atual diretor de Política Econômica do BC, Mário
Mesquita, e pelo ex-diretor de Política Monetária, Mário
Torós, a dupla sugere medidas para mitigar ou mesmo evitar crises
futuras. Entre as ações, propõem o aumento da regulação
sobre fundos de investimentos, de forma que o BC e a Comissão de
Valores Mobiliários (CVM) passem a ter, em conjunto, "autoridade
de supervisão sobre essa indústria, especificamente sobre
os fundos que fazem parte de conglomerados financeiros liderados por bancos".
Outra proposta é a realização de leilões
de liquidez em moeda nacional, complementares às linhas de redesconto
oferecidas pelo BC aos bancos, que se mostraram ineficazes durante a crise,
pelo estigma que as vinculam às dificuldades das instituições.
Também é sugerido por Mesquita e Torós o aumento
da regulação e um estreitamento das relações
entre o BC e a CVM no monitoramento de empresas não-financeiras
cujas ações podem ter implicações no sistema
financeiro, como aconteceu no Brasil com a excessiva exposição
a derivativos cambiais de grandes empresas.
A avaliação geral, porém, é que o Brasil
se saiu bem da crise porque tem um sistema financeiro sólido e regras
rígidas de regulação e supervisão.
- O Brasil se saiu relativamente bem na crise, em boa parte por termos
tido uma regulação financeira mais adequada que nos próprios
países centrais, mérito compartilhado por várias administrações
- destaca Giambiagi.
- Fizemos a coisa certa, mas temos que continuar aprimorando.
A complacência na questão fiscal vai criar problemas para
o desenvolvimento futuro do país - alerta Marcio Garcia.
O papel do Estado na prevenção de crises sistêmicas
e a atuação dos BCs é um dos temas debatidos. Maílson
rebate argumentos daqueles que culpam os BCs dos países ricos pela
crise, como o ex-subsecretário do Tesouro dos EUA John Taylor. Este
considera uma falha do governo americano não ter usado a política
monetária para furar a bolha imobiliária, aumentando as taxas
básicas de juros. Já Maílson acredita que os BCs devem
atuar após o estouro das bolhas: "Não é trivial estabelecer
se a expansão de um determinado ativo tem base em fundamentos ou
sinaliza uma bolha.
Por isso, o papel relevante dos BCs é lidar com o day after
(o dia seguinte)".
Arcabouço jurídico como exemplo para os EUA Gustavo Franco
sugere que parte do arcabouço jurídico existente no Brasil
- como o mecanismo de intervenção no sistema financeiro,
por exemplo - poderia ser usado nos EUA como forma de evitar crises generalizadas.
Gustavo Loyola defende um conjunto de normas para tornar o sistema
financeiro menos vulnerável.
Propõe, por exemplo, que a regulação e a supervisão
sejam abrangentes, de modo a incluir todos os intermediários financeiros
que tenham importância sistêmica.
Já o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan, em artigo sobre a crise
e o processo de superação, dá uma estocada no governo:
"É respeitar os outros - e os fatos - reconhecer que o governo Lula
contribuiu para esse processo ao longo dos últimos sete anos. É
desrespeitar os outros - e os fatos - a tentativa de apropriação
exclusiva, porque indébita, dos resultados desse processo. Espero,
pois, que possamos um dia recuperar um certo senso de perspectiva que hoje
a muitos parece faltar - expresso no discurso fácil (...) do 'nunca
antes, jamais, na História deste país'. Como se o Brasil
tivesse começado a enfrentar seus problemas apenas a partir de 1º
de janeiro de 2003 - pretenso marco zero de uma enganosa Nova Era".
(Regina Alvarez - O Globo)
09.03 - Presente de grego
Entre 1999-2002, a dívida pública parecia que ia explodir,
crescendo sistematicamente acima do Produto Interno Bruto (PIB). As sobras
fiscais, mesmo altas, eram insuficientes para cobrir minimamente a despesa
de juros.
Parte da explicação era que a própria dívida
era alta. Além disso, a taxa de câmbio subia muito e pressionava
a inflação e a dívida, em parte indexada ao dólar.
Para combater a inflação, o Banco Central (BC) subia as taxas
de juros, levando à queda dos investimentos e da taxa de crescimento
do PIB e ao aumento da dívida.
As subidas da taxa de câmbio se deviam à saída
de dólares decorrente de choques frequentes, na presença
de reservas internacionais baixas e do alto peso da dívida pública
de origem externa. Os avanços da era FHC se mostravam, assim, insuficientes
para nos livrar rapidamente do círculo vicioso em que o País
se encontrava.
A fase de bonança internacional que se seguiu acabou legitimando
a decisão governamental, inspirada na visão do ministro Antonio
Palocci, de manter a política macroeconômica anterior inalterada.
Assim, depois de um 2003 bastante difícil, o País ingressou
rapidamente num círculo virtuoso, em que, tanto por conta das exportações
crescentes como do forte ingresso de capitais, a taxa de câmbio caiu
seguidamente, a inflação e as taxas de juros, idem, e o PIB
passou a crescer a taxas mais elevadas.
Em consequência, a dívida pública começou
a declinar relativamente ao PIB, atingindo um ponto mínimo em novembro
de 2008. Equacionava-se, assim, em grande medida, o problema de insolvência
do setor público brasileiro.
Diante da crise de 2008, mesmo impedido de fugir da queda das exportações,
o governo pôde se dar ao luxo de reforçar a ação
anticíclica do Banco Central, estabelecendo isenções
temporárias de impostos e aumentando os gastos, além de injetar
um volume de recursos sem precedentes no BNDES, que emprestava ao setor
produtivo. Só que, nas suas contas, enfatizou o aumento de gastos
correntes, especialmente aumentos de salários, em vez de focar nos
investimentos, passíveis de ajuste relativamente tranquilo à
frente.
O País logo voltou a crescer, mas ficaram dois grandes problemas,
ambos programados para estourar em 2010 ou, no máximo, em 2011.
O primeiro, que na fase pré-2003 nunca aparecia, foi mais uma instância
de congestionamento de gastos públicos e privados que aconteceu
pelo menos duas vezes entre 2003 e 2008, quando se abriu espaço
para os investimentos privados crescerem de forma mais expressiva.
Em face de gastos públicos correntes em permanente ascensão,
à medida que as taxas de câmbio e de juros entraram em rota
de queda, foi só questão de tempo para o citado congestionamento
se transformar em excesso de demanda agregada ? excesso este capaz de pressionar
preços para cima e as contas externas, para o déficit. Isso
força o BC a retomar a alta taxa de juros Selic, que serve de base
para as demais taxas praticadas nos mercados financeiros. Projeta-se, inclusive,
subida dos atuais 8,7% para 11,2% antes do final do ano.
O outro problema complicado é o aumento do risco fiscal, por
duas razões básicas. Diante da crise, a despesa subiu bem
mais do que vinha subindo anteriormente. Enquanto isso, a receita desabava.
Voltaram, assim, dúvidas sobre a geração de superávits
fiscais suficientes nas contas públicas. Dado que o crescimento
da despesa são favas contadas para os próximos dois anos,
quando (e como) a receita vai chegar ao ponto ideal?
Por outro lado, a emissão de dívida mobiliária
aumentou a uma velocidade cada vez maior, principalmente para injetar recursos
no BNDES (no ano passado, uma injeção de R$ 100 bilhões
foi amplamente alardeada). Isso significa que, mesmo sendo utilizados para
empréstimos, o que implica nenhum efeito inicial sobre a dívida
pública líquida (dívida bruta menos ativos financeiros),
tem-se logo em seguida o impacto desfavorável da diferença
positiva entre a despesa de juros, pela captação, e a receita
financeira, do lado da aplicação.
Finalmente, há o risco inerente ao tipo de empréstimo
que é feito pelo BNDES. Até que ponto haverá retorno
efetivo dos recursos emprestados? Adiciona-se, assim, mais uma dúvida
sobre a qualidade dos ativos que são abatidos da dívida bruta
no cálculo da dívida líquida. Lá existem empréstimos
dificilmente recuperáveis a Estados e municípios e o estoque
prévio de recursos públicos emprestados via BNDES.
Dado o diferencial desfavorável de juros acima citado, o custo
implícito da dívida líquida acaba ficando bem maior
que a Selic, aproveitando apenas parcialmente suas quedas. Pela piora da
qualidade dos ativos, o valor da dívida que deveria entrar nos cálculos
relacionados com a busca de solvência é maior do que parece
à primeira vista. Assim, é preciso gerar mais superávit
fiscal do que se deduz em análises superficiais.
Em resumo, entre 2010 e 2011 far-se-á menos superávit
do que se precisa para manter a dívida sob controle. A não
ser que venham mais impostos ou cortes de gastos rígidos. Que presente!
(Raul Velloso - O Estado de S.Paulo)
08.03 - Presente de grego
A crise na Grécia teve o efeito positivo de chamar a atenção
do mundo rico para a necessidade de corrigir rumos
A dificuldade da Grécia para administrar sua dívida pública
continua a ser um dos temas dominantes nos mercados financeiros. Embora
as especulações sobre uma possível situação
de insolvência tenham se reduzido, o nervosismo associado a uma crise
no seio da poderosa União Europeia continua a ser um fator de instabilidade
no mundo desenvolvido. Como resultado, o euro flutua como se fosse uma
moeda emergente, e não mais como uma alternativa ao dólar
no sistema financeiro internacional.
A Grécia, com a relação dívida sobre PIB
de 130%, é certamente uma situação-limite dentro do
espaço europeu. Mas a verdade é que a deterioração
fiscal por conta da crise é hoje comum a todos os membros da UE.
Mesmo a comportadíssima Alemanha deve ter neste ano um deficit fiscal
de mais de 6% do PIB, com sua dívida pública tocando os 80%
do PIB no fim de 2010.
Mas todos sabem que a sociedade alemã tem uma tradição
de aceitar -quando se faz necessário- um ajuste fiscal de grandes
proporções, como aconteceu nos anos que se seguiram ao processo
de reunificação do país. Entretanto essa não
é a tradição dos chamados países mediterrâneos
da UE, como Espanha, Itália e Grécia. Entre os chamados Piigs,
apenas a Irlanda, que enfrenta uma situação fiscal tão
grave como a grega, vem dando mostras de aceitar os sacrifícios
necessários para preservar o desenvolvimento econômico atingido
nos anos anteriores à crise.
Além dessa diferença de comportamento social, outro fator
diferencia os Piigs das nações mais avançadas na Europa.
O esforço fiscal necessário para voltar à situação
de endividamento público que prevalecia antes da crise em um caso
e no outro tem dimensão completamente distinta. Tomemos os dois
casos-limites, que são Alemanha e Grécia. O FMI fez um cálculo
do esforço fiscal para que isso venha a ocorrer entre 2010 e 2020
nesses dois países.
No caso alemão, será preciso gerar -entre aumento de
impostos e corte de despesas- um aperto fiscal de 4,4% do PIB. No caso
da Grécia, esse esforço terá de ser superior a 15%
do PIB nesse mesmo período de dez anos. Parece-me que nem na época
heroica de Ulisses isso teria sido possível. Mas posso estar errado.
O estudo do FMI traz dados muito interessantes sobre o ajuste necessário
para uma situação fiscal mais estável no Primeiro
Mundo. O que mais chama a atenção é o número
relativo aos Estados Unidos, a maior economia do mundo. O aperto necessário
-despesas menores e impostos maiores- é de 10,6% do PIB, número
superior ao da Espanha, que está na infame lista dos Piigs. Outro
fato que chama a atenção é o número associado
à normalização fiscal do Japão: 13,5% do PIB,
inferior apenas ao valor calculado para a Grécia.
Normalmente se associa um presente de grego a algo ruim. Mas agora
uma série de analistas está defendendo que -dessa vez- o
presente fiscal grego deve ser bem-vindo. Isso porque as dificuldades no
pais de Sócrates tiveram o efeito positivo de chamar a atenção
dos governos e das sociedades no mundo mais rico para a necessidade de
uma correção de rumo.
A dimensão dos ajustes é enorme, e o esforço será
longo. É plausível que os mercados tenham paciência
no caso dos EUA, mas os países mais frágeis permanecerão
reféns dos especuladores globais. Vamos conviver com as incertezas
de hoje por muito tempo. (LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS
- Folha de S.Paulo)
08.03 - Fundos perdem após ajudar bancos
Foram necessários três dias até que o Government
of Singapore Investment Corp. (GIC) concordasse em socorrer o UBS, que
sofria com as perdas no subprime. Pode ser necessária uma década
para recuperar esse investimento de US$ 10 bilhões.
O GIC, que administra mais de US$ 100 bilhões das reservas de
moeda estrangeira da cidade-Estado, enfrentará um prejuízo
não realizado de cerca de US$ 5,1 bilhões quando se tornar
o maior acionista do UBS, dia 5 de março, pois as ações
do maior banco suíço são negociadas a um terço
do preço de conversão registrado nas notas em poder do fundo.
Cingapura não está sozinho entre os fundos soberanos
que enfrentam perdas por terem auxiliado bancos americanos e europeus na
crise de crédito. Mais de US$ 69 bilhões em investimentos
feitos por tais fundos produziram até o momento US$ 20 bilhões
em prejuízos realizados e não realizados, de acordo com dados
reunidos pela Bloomberg. Afetados pela contribuição feita
para preservar a saúde do sistema financeiro e presos a alguns desses
investimentos por anos, os fundos soberanos podem se mostrar menos dispostos
a ajudar os bancos quando estes se virem em novas dificuldades.
"Gato escaldado não toma banho", diz Charles Whitehead, professor
de direito financeiro da Universidade Cornell, que acompanhou a estratégia
dos fundos. "Se um banco enfraquecido voltar a procurá-los numa
crise futura solicitando capital, os fundos soberanos devem recusar esses
apelos." Os diretores dos bancos americanos e europeus fizeram solicitações
pessoais aos fundos no auge do derretimento do mercado de hipotecas. Na
época, Marcel Ospel, então presidente do UBS, de Zurique,
telefonou ao diretor executivo de investimentos do GIC, Ng Kok Song.
Reconhecendo que pode ser necessário mais tempo do que o inicialmente
esperado para recuperar o dinheiro, Ng disse no relatório anual
do GIC, publicado em setembro, que ainda está "confiante" na "perspectiva
de longo prazo" do investimento.
Nesta semana, o GIC, que não quis fazer comentários para
a reportagem, receberá 230,7 milhões de ações
do UBS em troca de suas notas obrigatoriamente conversíveis, ao
preço de cerca de US$ 44 cada. As ações da UBS valiam
US$ 13,83 no fechamento das negociações de segunda-feira.
"O jogo se revelou mais difícil do que parecia", disse Florian
Esterer, que ajuda a administrar cerca de US$ 55 bilhões, incluindo
ações do UBS, na firma Swisscanto Asset Management, de Zurique.
Para que as ações do UBS retornem aos níveis de 2007
"é mais provável que seja necessária uma década,
e não apenas 3 anos".
Houve também negócios rentáveis, como os concretizados
pelos fundos do Catar e de Abu Dabi, que esperaram até o aprofundamento
da crise para investir no Barclays, de Londres, e no Credit Suisse, de
Zurique. Ainda assim, um terço do lucro, que chega a US$ 12 bilhões,
resultou de alteração regulatória.
Depois que o governo americano passou a exigir dos bancos em dificuldades
que aumentassem a proporção de ações comuns
em relação a níveis mais frágeis de capital,
o Citigroup teve de oferecer preços favoráveis aos seus acionistas
preferenciais para que se convertessem em acionistas comuns. Isso levou
a um lucro inesperado de US$ 4 bilhões ao Kuwait e ao GIC, relativo
a investimentos que teriam representado prejuízo de US$ 9 bilhões
dentro das regras originais dos acordos.
O Abu Dhabi Investment Authority não foi beneficiado porque
não comprou ações preferenciais quando socorreu o
Citigroup, de Nova York.
Assim, pôde enfrentar um prejuízo não realizado
de US$ 4,8 bilhões quando for obrigado a converter este mês
suas "equity units" - papéis estruturados que consistem em US$ 2,8
bilhões de contratos de compra de ação e US$ 700 milhões
de títulos subordinados - em ações a preço
quase dez vezes superior ao atual. Abu Dabi entrou com queixa contra o
Citigroup, alegando que o banco não foi transparente quanto à
sua saúde financeira quando o procurou em busca de capital. Em pronunciamento
divulgado em dezembro, o Citigroup chamou a queixa de "infundada".
Houve outras apostas lucrativas nos bancos durante a crise, como o
investimento da Berkshire Hathaway Inc., de Warren Buffett, no Goldman
Sachs Group, em setembro de 2008. Buffett comprou US$ 5 bilhões
em ações preferenciais perpétuas com dividendo de
10%, obtendo para a Berkshire US$ 500 milhões com a distribuição
de lucros. Ele também recebeu garantias para comprar US$ 5 bilhões
em ações comuns por US$ 115 cada em qualquer momento nos
próximos 5 anos. Com base no preço de US$ 156,54 por ação
registrado no fechamento do pregão de segunda-feira, a Berkshire
obtém um lucro não realizado de US$ 1,8 bilhão com
as garantias.
"Uma lição que todos os investidores aprenderam com essa
crise, incluindo os fundos soberanos, é que se deve fazer a lição
de casa antes de investir", disse Rachel Ziemba, analista sênior
que acompanha esses fundos para o RGE Monitor, de Nouriel Roubini, em Nova
York. O investimento dos fundos nos bancos durante a crise divergiu da
estratégia tradicional, que propõe uma participação
menor numa maior gama de empresas, disse Rachel.
A distribuição diversificada da participação
da China Investment Corp. (CIC) em quase 100 empresas americanas, revelada
em relatório entregue às autoridades no mês passado,
prova que eles estão voltando às metas originais, disse ela.
Em junho, a CIC aumentou em US$ 1,2 bilhão seus investimentos
no Morgan Stanley, apesar de sua compra inicial estar fora do preço
em cerca de US$ 2 bilhões dos US$ 5,6 bilhões investidos.
O fundo participou da venda de novas ações do Morgan Stanley,
dizendo esperar que o banco de investimentos se torne mais competitivo.
As "equity units" compradas pela CIC em 2007 serão convertidas em
ações a US$ 48 cada em agosto. As ações do
Morgan Stanley fecharam o pregão de segunda-feira a US$ 28,19. A
CIC não quis comentar.
Os fundos soberanos tendem a apoiar as empresas nas quais investiram
em tempos de necessidade, disse Nuno Fernandes, professor de finanças
da Faculdade de Administração IMD, em Lausanne, Suíça,
que estuda os fundos. Ainda assim, as perdas recentes "tiveram grandes
implicações internas, e os fundos foram criticados por sua
clientela local". "No futuro, eles investirão menos nos produtos
financeiros." (Elena Logutenkova e Yalman Onaran - Bloomberg
News, tradução Augusto Calil - O Estado de S.Paulo)
08.03 - Câmbio e juro já não causam preocupação
Por que o mercado financeiro doméstico anda tão nervoso
com câmbio e juros? Essa é a pergunta mais ouvida pela delegação
do Banco Central, chefiada pelo seu presidente, Henrique Meirelles, em
reuniões com investidores de Wall Street. "Os estrangeiros já
não estão mais preocupados com esses detalhes da política
econômica, por isso estão muito curiosos com a alta temperatura
no mercado brasileiro", diz uma fonte que acompanha as conversas.
Nos últimos dois dias, Meirelles manteve uma intensa agenda
de encontro com banqueiros, fundos de investimento, analistas econômicos
e agências de classificação de risco. Também
integram a comitiva o diretor de política econômica do BC,
Mario Mesquita, e o novo diretor de assuntos internacionais da instituição,
Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo.
As eleições presidenciais deste ano foram outro tema
recorrente nas conversas. Sobre ele, a delegação do BC mais
ouviu do que falou. "A avaliação geral é que, hoje,
as instituições brasileiras, como o BC e os marcos da política
fiscal, são bastante sólidas", afirma uma fonte. "Isso garante
um processo sucessório bem tranquilo."
Dentro do Brasil, assinala a fonte, o momento exato em que o BC vai
subir os juros, seja março, abril ou depois, vem sendo tratado como
informação crucial para definir a sorte da economia nos próximos
anos. Algo semelhante, acrescenta, ocorre com o câmbio. Ora os analistas
defendem pesadas vendas de dólares para evitar depreciações
mínimas, ora pregam compras agressivas para evitar maior valorização
da taxa.
Esses assuntos, por enquanto, estão fora do radar dos investidores
de Wall Street, mas os ruídos vindos do Brasil estão começando
a chamar a atenção. "É como se o mercado financeiro
brasileiro soubesse algo que Wall Street também deveria saber",
diz a mesma fonte.
Num dos encontros, investidores fizeram perguntas diretas sobre câmbio
e juros, segundo o relato de um dos seus participantes. Meirelles respondeu
com uma outra questão: "Se o BC resolvesse fazer movimentos extremos
nos juros neste ano, deixando de subi-los ou subindo demais, isso afetaria
de alguma forma as suas decisões de investimento?" A resposta unânime
entre os presentes foi que nada que o BC fizesse ou deixasse de fazer seria
capaz de afetar suas decisões de investimentos. "Decisões
imediatas do BC sobre câmbio e juros já não afetam
mais as decisões de investimento estrangeiro", diz uma fonte que
acompanha as conversas. "Isso é muito bom porque diz muito sobre
a credibilidade da políticas econômicas do Brasil."
Um banqueiro especializado em vender papéis de empresas brasileiras
concorda que, mesmo em um ano de eleições presidenciais,
o tema macroeconômico desapareceu das conversas com investidores
de Wall Street. "Uns anos atrás, quando eu ia vender o Brasil, sempre
tinha que fazer uma didática e detalhada exposição
sobre a macroeconomia", relata. "Agora, eles sabem que nossa política
econômica está no caminho certo e pedem para a gente pular
essa parte."
O BC disse aos seus interlocutores em Wall Street que a ansiedade do
mercado doméstico se deve a uma combinação de fatores.
Primeiro, o fato de parte dos investidores brasileiros terem montado posições
de curto prazo no mercado financeiro, cujos ganhos estão diretamente
ligados aos movimentos imediatos de juros e câmbio. Segundo, uma
memória mais viva das crises vividas no país, que fazem o
mercado doméstico acreditar que a próxima turbulência
está muito próxima.
Já os investidores estrangeiros estão interessados na
perspectiva de longo prazo do país. Diz pouco, afirma a fonte, se
o BC vai subir os juros já ou daqui a pouco. O importante é
qualidade da política monetária ao longo dos anos. As oscilações
do câmbio também seriam secundárias, diante das perspectivas
favoráveis de financiamento da conta corrente. O BC projeta para
2010 um déficit em transações correntes de US$ 40
bilhões, que será financiado com um ingresso esperado de
US$ 45 bilhões em investimentos estrangeiros diretos. "Os investidores
têm dito que as projeções do BC de ingressos de investimentos
diretos são muito conservadoras", diz uma fonte que participa dos
encontros. (Alex Ribeiro - Valor Online)
05.03 - Economia dos EUA teve leve melhora
As condições econômicas nos Estados Unidos continuaram
a melhorar ligeiramente no início de 2010, apesar das nevascas que
atingiram a Costa Leste em fevereiro e afetaram vários setores da
economia, segundo o mais recente Livro Bege do Federal Reserve (Fed, banco
central americano). Nove dos 12 distritos regionais do Fed informaram que
a atividade econômica melhorou, mas em muitos casos os aumentos foram
modestos.
O Livro Bege é um sumário da atividade econômica
preparada para servir de base para a decisão de política
monetária do Comitê Federal de Mercado Aberto do banco central
americano, cujo próximo encontro está marcado para 16 de
março. O mais recente relatório foi preparado pelo Fed de
Kansas City, que reuniu informações sobre as condições
econômicas através dos distritos até ou antes de 22
de fevereiro.
O Fed de Richmond informou que a atividade econômica diminuiu
ou permaneceu fraca através de muitos setores, em virtude especialmente
das condições climáticas severas naquela região
em fevereiro. O gasto de consumo, um importante motor do crescimento econômico
dos EUA, melhorou ligeiramente em muitos distritos desde o Livro Bege anterior,
de 13 de janeiro.
"A atividade industrial se fortaleceu em muitos distritos, particularmente
nas indústrias de equipamentos de alta tecnologia, automóveis
e metais", diz o relatório. "Entre os informes sobre as expectativas
de no curto prazo, a perspectiva do setor industrial era otimista, mas
os planos de investimentos permanecem cautelosos." Os distritos de Boston,
Chicago, Cleveland, Kansas City, Nova York e Filadélfia reportaram
que as expectativas de curto prazo são otimistas, embora as companhias
na região de Kansas City estivessem menos otimistas em comparação
ao relatório anterior. Apenas os distritos de Boston e Filadélfia
informaram que as companhias estavam planejando aumentar os investimentos
no ano corrente. Cleveland, Chicago e Kansas City informaram que as expectativas
são de continuidade de investimentos modestos.
Imóveis
A atividade nos setores de construção e imóveis
comerciais se enfraqueceu ou ficou mais debilitada, segundo o Livro Bege.
A demanda por empréstimos também permaneceu fraca e os padrões
de empréstimos ainda estavam apertados em todo o país. Os
distritos de Nova York, St.Louis e Kansas City informaram que observaram
padrões de empréstimos um tanto mais apertados para o financiamento
de imóveis comerciais. Nova York observou um aumento no rigor dos
padrões para concessão de empréstimos para imóveis
comerciais e empresas.
Na semana passada, o presidente do Fed, Ben Bernanke, alertou que os
bancos pequenos e regionais podem ficar sob pressão das perdas de
empréstimos para imóveis comerciais, obstruindo sua habilidade
de conceder empréstimos para pequenas empresas e atingindo a economia
mais ampla.
Emprego
O Livro Bege informou que os mercados de mão de obra no geral
permaneceram fracos nos EUA, embora algumas áreas tenham reportado
um ligeiro aumento nas contratações ou desaceleração
nas demissões. Os economistas entrevistados pela Dow Jones preveem
uma perda de 75 mil vagas em fevereiro, após uma perda de 20 mil
vagas em janeiro. A taxa de desemprego, que é calculada usando uma
pesquisa diferente, deve subir para 9,8% em fevereiro, de 9,7% no mês
anterior. O Departamento do Trabalho divulgará seu relatório
na sexta-feira.
A fraqueza do mercado de mão de obra resultou numa pressão
salarial mínima, o que ajudou a manter a pressão de preços
limitada, diz o Livro Bege. Contudo, vários distritos do Fed observaram
um aumento nos custos de produção em virtude dos preços
mais altos das commodities. As informações são da
Dow Jones. (Suzi Katzumata - Agência Estado)
05.03 - Selic: Compulsório adia alta de juros
O diretor financeiro e de relações com investidores do
Itaú, Alfredo Setubal, disse na quarta-feira que o aumento do depósito
compulsório (parcela de dinheiro que os bancos são obrigados
a recolher no Banco Central) reduz a necessidade de alta na taxa Selic
(taxa básica dos juros). Segundo ele, a medida adotada recentemente
pelo governo acarreta um aumento natural de juros no mercado financeiro,
reduzindo assim a necessidade de mexida na taxa Selic. (Folha de
S.Paulo)
05.03 - Indexação ainda segura queda da Selic
Política monetária: Debate sobre as causas dos juros
elevados deve empolgar a sucessão presidencial
A alta do juro real nessa reta final do governo Lula deve servir de
combustível aos debates eleitorais entre os candidatos a sua sucessão.
Não faltam argumentos aos economistas do mercado para legitimar
os juros elevados, nem justificativas para baixá-los por parte dos
heterodoxos. Mas parece ser unanimidade entre as duas alas o ainda elevado
grau de indexação da economia, tanto a financeira quanto
a incorporada aos índices de inflação.
Contribui, por exemplo, para reduzir a eficácia da política
monetária a elevada participação dos preços
administrados no IPCA, que alcança a cerca de 33% desse índice.
A insensibilidade desses preços à taxa de juros, aliada ao
fato de que a taxa de crescimento dos mesmos, em geral, tem sido superior
à inflação dos preços livres, requer que os
preços livres sejam excessivamente represados, a fim de compensar
a forte pressão (direta e indireta) exercida pelos administrados
sobre o IPCA. "Para uma dada meta de inflação, a existência
de preços administrados implica que a Selic deve ser mantida em
nível superior àquele que seria necessário, caso todos
os preços fossem livres", explica o pesquisador do IPEA, André
Modenesi.
Outro entrave de transmissão: a alta participação
das LFT no estoque da dívida pode gerar um canal perverso de transmissão
da política monetária ou um efeito riqueza financeira às
avessas. Um aumento da taxa básica geraria um incremento de renda
que pode ampliar a demanda agregada, aumentando os preços. E uma
elevação dos juros impacta negativamente o nível de
atividade econômica. Entretanto, uma redução do nível
de atividade tem efeito deflacionário muito reduzido. Ao puxar a
Selic, o BC desaquece a economia. Entretanto, a inflação
se reduz muito pouco em resposta a uma queda da atividade.
A segunda causa para o juro alto é a convenção
(conceito desenvolvida pelo economista inglês John Maynard Keynes
em 1937) conservadora. A morosidade no processo de diminuição
da taxa básica somente se explicaria em função da
aceitação por parte do BC de uma convenção
estabelecida pelos agentes econômicos (e, sobretudo, pelo mercado
financeiro) de que a taxa de juros de equilíbrio é muito
elevada, podendo alcançar até 14%, e de que as decisões
do Copom devem se basear em uma regra (a de Taylor) que suavize as variações
da Selic. Tudo seria justificável à luz dessa convenção.
A explicação lançada pelos professores da FGV-SP
Luiz Carlos Bresser-Pereira e Yoshiaki Nakano já é clássica.
Como a Selic é utilizada para alcançar muitos e múltiplos
objetivos, incompatíveis entre si, precisa permanecer em patamar
exageradamente elevado. As metas são: 1) controlar pressões
inflacionárias do lado da demanda; 2) evitar desvalorizações
cambiais, cujo repasse para os preços gera pressões inflacionárias
do lado da oferta (ou dos custos); 3) administrar o volume de reservas
internacionais garantindo o financiamento do balanço de pagamentos;
e 4) financiar o déficit público (ou induzir os investidores
a carregarem a dívida pública).
Para Modenesi, não há razão para o BC perseguir
taxas "neutras", "de equilíbrio" ou "naturais". Ele precisa desobstruir
os canais de transmissão da política monetária e eliminar
os mecanismos de indexação dos ativos financeiros, a começar
pelas LFT. Os desafios ao próximo governo em busca de um juro real
civilizado não são pequenos.
O economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, observa que
o conceito de taxa de juros de equilíbrio é bastante flexível
e varia com o tempo. Se existe uma taxa estática de juros de equilíbrio
seria aquela que permitisse um dado crescimento sem gerar inflação.
"Gradualmente a taxa básica vai convergir para níveis de
equilíbrio no futuro, mas isso vai depender de algumas mudanças",
alerta Vale. Com uma meta de inflação de 4,5%, fica difícil
pensar numa taxa real menor que a atual, de 6%. Isso pelo fato de que quanto
maior o nível de inflação maior a taxa real necessária
para manter a inflação no alvo. É como se a taxa de
juros real fosse elástica à inflação, ou seja,
a cada alta de 1 ponto percentual de inflação a taxa real
precisaria subir mais do que um ponto percentual. Isso ocorre porque o
risco inflacionário é assimétrico. Quanto maior a
inflação, maior o risco de ela crescer ainda mais. Mas, por
que isso ocorre? Porque, no entender de Vale, a inflação
brasileira ainda é muito indexada, cerca de 60% dela olha para trás
e olha para índices ruins como os IGPs, que tem uma volatilidade
acentuada. "Basta lembrar que, enquanto o mundo inteiro estava com deflação,
mesmo a acelerada China, nossa inflação não arredou
o pé dos 4,5%", compara o economista.
Não se trata de um efeito do crescimento econômico, mas
da indexação que ainda existe. Por essa razão, o consultor
da MB considera equivocado usar o conceito de taxa de juros de equilíbrio
no Brasil enquanto amarras de indexação ainda existirem.
Para acabar com ela todos os índices de inflação teriam
que ser extintos, menos o IPCA e um índice de preços ao produtor
que o IBGE poderia fazer, e baixar a meta de inflação gradualmente.
E sugere que, alternativamente à taxa básica, o governo poderia
pesquisar mais intensamente como baixar os spreads - "estes sim absurdamente
elevados".
Para o gestor da Claritas Investimento, Humberto Vignatti de Assis
Silva, o BC busca detectar o "juro ótimo" para cada momento específico
da economia. Se o ritmo efetivo de crescimento estiver compatível
com o potencial de crescimento, a inflação tende a não
incomodar. E o juro é o principal instrumento a disposição
do BC para conseguir esse equilíbrio entre o PIB potencial e o efetivo.
O juro que consegue cumprir esse objetivo é considerado "neutro".
Trata-se de um juro que, sob determinadas condições macroeconômicas,
"induz um crescimento econômico equivalente ao crescimento potencial,
sem que surjam pressões inflacionárias ou deflacionárias".
O problema é que quantificar o hiato do produto é uma
tarefa de extrema dificuldade. Por esta razão, o BC se cerca de
diversos modelos econométricos para tentar a melhor aproximação
possível. Estudos recentes sugerem que o PIB tem hoje um potencial
de crescimento de 4,5%. Se crescer mais do que isso, a economia irá
produzir inflação. O BC projeta para 2010 expansão
de 5,8%. Como trazer o PIB para o seu potencial não inflacionário?
Pela prática de um juro real neutro entre 7% e 8%. Ou seja, a Selic
"ótima" deveria variar hoje entre 11,82% e 12,86%. A curva a termo
da taxa de juros, implícita nos contratos de CDIs futuros negociados
na BM&F, projeta taxa praticamente no meio entre as duas. Humberto
Vignatti alerta que, como o juro real está hoje em 5,8%, atua para
induzir mais crescimento econômico, "superior àquele suportado
pela economia sem que apareçam pressões inflacionárias".
Ou seja, no seu entender, o patamar atual é "expansionista".
(Luiz Sérgio Guimarães - Valor Online)
04.03 - Pés no chão
A mudança de foco da política monetária não
altera a trajetória do câmbio real, só traz volatilidade
à inflação
Recentemente , o economista-chefe do FMI (Fundo Monetário Internacional),
Olivier Blanchard, coescreveu um texto importante ("Rethinking Macroeconomic
Policy") em que explora lições da crise internacional para
o desenho de política econômica, como a definição
de metas mais elevadas para a inflação, a necessidade de
um arcabouço regulatório no sistema financeiro que leve em
conta os efeitos macroeconômicos da expansão do crédito
e a conveniência de melhorar as contas fiscais nos períodos
de crescimento. Cada um desses assuntos requereria várias colunas,
mas hoje quero abordar outra das sugestões do documento, relativa
à opção entre a inflação e a taxa de
câmbio como potenciais metas para a política monetária.
Segundo a proposta, a estabilização da taxa de câmbio
também deveria ser um objetivo dos bancos centrais, ao lado da estabilidade
de preços. Os autores reconhecem que há conflitos entre esses
objetivos, mas sugerem que, em caso de conflito insanável, a meta
de inflação deveria ser abandonada, e a política monetária,
utilizada apenas para apoiar a intervenção cambial, prevenindo
a apreciação (ou a depreciação) exagerada da
moeda.
A razão alegada para uma mudança no foco da política
monetária refere-se a possíveis efeitos negativos de grandes
flutuações da taxa de câmbio, seja sobre o setor exportador
no caso de apreciação excessiva, seja sobre o balanço
dos devedores em moeda estrangeira no caso oposto. Da forma como entendo
o problema, porém, podemos até nos preocupar com esses efeitos,
mas temos primeiro que reconhecer que não resultam daquela cotação
real-dólar diariamente observada, mas sim da taxa real de câmbio,
isto é, da taxa de câmbio ajustada pela diferença entre
a inflação doméstica e a externa.
Assim, por exemplo, caso o preço do dólar aumente 10%,
mas todos os preços da economia também subam 10%, tanto a
capacidade de pagamento das empresas endividadas em dólares como
a "competitividade" do setor exportador permaneceriam inalterados. Vale
dizer, mesmo partindo do pressuposto de que a estabilidade cambial é
um objetivo meritório, é necessário admitir que este
só se aplica à taxa de câmbio ajustada à inflação.
Isto dito, se o BC consegue estabilizar a taxa de câmbio nominal,
tipicamente igualando a taxa doméstica de juros (ajustada pelo risco)
à internacional, não há quaisquer garantias de que
a inflação se mantenha baixa o suficiente para que a taxa
real de câmbio não acabe se apreciando. Só por um acaso
monumental a mesma taxa de juros que estabiliza a taxa nominal de câmbio
será aquela que também gera inflação próxima
à internacional, de modo a estabilizar simultaneamente a taxa real
de câmbio.
Tudo isso pode parecer muito abstrato, mas as implicações
são bastante palpáveis. A Argentina, por exemplo, optou por
um regime monetário e cambial muito semelhante ao sugerido por Blanchard
e colegas.
De forma não totalmente explícita, o BC argentino tem
buscado estabilizar a cotação do peso com relação
ao dólar, abdicando do controle dos preços domésticos.
A aceleração da inflação, contudo, erodiu a
taxa real de câmbio, que continua se apreciando a despeito do regime
cambial, seguindo de perto o comportamento da cotação real-dólar,
também ajustada pela diferença de inflação.
Na prática, portanto, observamos exatamente o sugerido pela
teoria: a mudança de foco da política monetária não
consegue mudar a trajetória do câmbio real, levando apenas
à maior volatilidade da inflação. Em que pese a indiscutível
competência dos autores, não parece que essa proposta irá
voar. (ALEXANDRE SCHWARTSMAN - Folha de S.Paulo)
04.03 - FMI volta a discutir controle de capitais
O Fundo Monetário Internacional, que agora defende o controle
de capitais, organizou seminário sobre o tema aproveitando a presença
de autoridades e acadêmicos na Coreia para participar da reunião
preparatória para o G20.
O Fundo reavaliou seus antigos dogmas e, em artigo publicado há
cerca de dez dias, afirmou que, se algum sistema financeiro não
estivesse preparado, deveria colocar controles de capital. A ideia é
controlar apenas a entrada dos investimentos, não a saída.
Os participantes de países asiáticos, que já estabeleceram
a medida, veem-na de forma favorável.
Para Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco, que participou
do seminário, essa é uma visão de curto prazo.
"Nossa dívida, nosso passivo, está bem estruturado. Estrangeiros
compram nossos títulos, investem na Bolsa brasileira e fazem investimentos
diretos em companhias porque se sentem livres", lembra Goldfajn.
"Isso ocorre porque estamos desenvolvendo um mercado local e deixando
investidores livres para entrar e sair. Se colocarmos muitos controles,
haverá menos confiança."
Com menos investimentos, o passivo não seria tanto em reais.
"Empresas tenderiam a se financiar em mercados no exterior, em dólar,
o que não gostamos", avalia.
Mas, se os países que adotaram a medida a defendem, ela não
seria positiva?
Para Goldfajn, a resposta é não, por não permitir
que mercados locais se desenvolvam como poderiam. "Não podemos nos
dar ao luxo de ter passivo em dólar, em renda fixa emitida lá
fora. Quando vem uma crise, há efeitos colaterais. Se colocar muito
IOF na entrada, na Bolsa, as empresas vão comprar ADRs no exterior."
(Maria Cristina Frias - Folha de S.Paulo)
04.03 - Estrangeiros retiraram R$ 3,354 bi da Bovespa
Investidores estrangeiros retiraram um montante de R$ 3,354 bilhões
de suas aplicações na Bovespa (Bolsa de Valores de São
Paulo) no primeiro bimestre deste ano. A cifra é a diferença
entre as compras de ações no total de R$ 66,993 bilhões
entre os meses de janeiro e fevereiro e as vendas no valor de R$ 70,348
bilhões.
Somente no mês passado, o saldo negativo foi de R$ 1,254 bilhão,
ante R$ 2,099 bilhões em janeiro. No primeiro bimestre do ano passado,
a diferença entre compras e vendas teve um resultado positivo em
R$ 101,9 milhões. Os primeiros dois meses do ano foram caracterizados
pela reversão do otimismo dos mercados sobre a recuperação
da economia global.
O estresse com o episódio Dubai, e depois o nervosismo com a
situação nos países da zona do euro, contribuíram
para reduzir o apetite por risco dos investidores. Outros analistas apontam
também alguma realização de lucros como explicação:
no ano passado, as ações brasileiras valorizaram 86%, pela
medição do índice Ibovespa. Já nesse bimestre,
o mesmo índice registra queda de 3%. (Jornal Monitor
Mercantil)
03.03 - IBGC: Conselho de Administração
O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) anunciou
abertura do processo eleitoral para escolha dos membros do Conselho de
Administração da entidade. Sob três formas de votação
- internet, por fax ou pessoalmente - os associados do instituto irão
escolher até nove nomes, entre as 21 candidaturas apresentadas,
para mandato de dois anos, de acordo com novo Estatuto.
O presidente do Conselho Deliberativo da ANABB, Antonio Gonçalves
de Oliveira, é candidato a uma das vagas. Gonçalves, além
de presidir o Conselho da ANABB, atuou nos conselhos fiscais e de administração,
a exemplo da Melpaper, Telesp Celular, Telemig Celular, Coelba, Iguatemi
Shoppings Centers, além de presidir o Comitê de Auditoria
e Controle da Vivo, desde 2005.
Segundo o site do IBGC, o Conselho de Administração,
formado por nove integrantes, é responsável pela orientação
geral, definição da estratégia e monitoramento dos
planos de ação do instituto. Além disso, possui o
papel de se manifestar sobre o desenvolvimento da governança corporativa
no país.
As votações pela internet e por fax ocorrem entre 24/02
e 25/03. Já a votação presencial acontecerá
no dia 30/03, em Assembleia Geral Ordinária, no Hotel Gran Hyatt,
São Paulo.
Para outras informações, acesse o site do instituto:
www.ibgc.org.br (Anabb)
03.03 - Mercado põe mais pressão sobre o BC
Pela primeira vez em 86 semanas, especialistas projetam inflação
de 2011 acima da meta de 4,50%
A piora das expectativas para a inflação deste ano já
começa a contaminar as projeções para 2011 e aumenta
a pressão sobre o Banco Central (BC) para que eleve a taxa básica
de juros (Selic) na reunião do Comitê de Política Monetária
(Copom) dos dias 16 e 17 de março.
O Relatório Focus, síntese de uma pesquisa realizada
pelo BC com dezenas de instituições financeiras e consultorias,
mostrou que o mercado subiu pela sexta semana seguida a previsão
para o IPCA (índice oficial de inflação do Brasil)
de 2010. A estimativa foi de 4,86% para 4,91%. A meta do governo é
de 4,50%, com margem de tolerância de dois pontos para cima ou para
baixo.
O que mais surpreendeu os investidores, no entanto, foi uma pequena,
mas importante alteração, na expectativa de IPCA para o ano
que vem. Depois de 86 semanas de estabilidade em 4,50%, o mercado elevou
a projeção para 4,53%. "Não é dramático,
mas é ruim", afirmou a economista-chefe do Banco ING, Zeina Latif.
"Pode-se dizer que acendeu a luz amarela", disse o estrategista-chefe do
Banco WestLB, Roberto Padovani.
Como a ação do BC é voltada para o futuro, as
expectativas dos agentes têm papel crucial na trajetória de
inflação. O raciocínio é o seguinte: se o mercado
acreditar em inflação mais alta, a profecia tende a se cumprir;
se acreditar em inflação na meta, também. Por isso,
o BC tenta, ao definir o juro, não só conter o ímpeto
da atividade econômica, mas também "ancorar" as projeções
para o IPCA o mais perto possível do centro da meta.
Os dois analistas discordam, no entanto, sobre o momento em que o Copom
iniciará o esperado ciclo de alta da taxa de juros. Para Zeina,
os números do Relatório Focus dão mais subsídio
para que o BC comece a agir em março. "Há um consenso de
que o juro vai ter de subir. Então, para que esperar?"
Padovani mantém a expectativa de que a Selic só vai ser
elevada a partir de abril. "A estimativa para a inflação
futura está muito ligada à inflação corrente.
Como os últimos índices surpreenderam para cima, muita gente
se assusta", ponderou. Hoje, a taxa básica de juros está
no menor nível da história do País, 8,75% ao ano.
O economista-chefe do Banco BNP Paribas no Brasil, Alexandre Lintz,
é um dos poucos analistas de mercado que avaliam que o BC só
vai mexer no juro no segundo semestre ? no caso dele, em outubro. Lintz
atribuiu a alteração na estimativa de IPCA de 2011 a questões
estatísticas. "Quando o modelo matemático de projeção
é atualizado com os índices mais recentes, que vieram acima
do esperado, automaticamente se joga para cima a inflação
de 2011", afirmou.
Em um evento em São Paulo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega,
voltou a pressionar o BC para que não eleve o juro.
(Leandro Modé e Fabio Graner - O Estado de S.Paulo)
03.03 - Mercado projeta inflação e juros maiores em 2011
A inflação e juros serão maiores em 2011, de acordo
com analistas do mercado financeiro consultados na pesquisa Focus, divulgada
toda segunda-feira pelo Banco Central. Pelas estimativas, o Índice
de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação,
deverá avançar para 4,53%, depois de 86 semanas estável
em 4,50%. Para 2010, foi a sexta semana seguida de projeção
de alta para o índice oficial de inflação, agora em
4,91%, contra 4,86% previstos na semana passada. Ou seja, neste ano, a
projeção para o IPCA continua a se distanciar do centro da
meta de inflação de 4,5%, com margem dois pontos percentuais
para mais ou para menos. Essa meta é válida para este ano
e 2011. A inflação mais alta, contudo, não deve levar
o BC, responsável por perseguir a meta de inflação,
começar a aumentar os juros já na reunião do Comitê
de Política Monetária (Copom) marcada para os dias 16 e 17
deste mês. Atualmente a Selic está em 8,75% ao ano, mas o
mercado projeta-a em 11,25% até o fim do ano. (Fenaseg)
03.03 - Mantega descarta inflação de demanda
Indústria nacional terá condições de expandir
a oferta, afirma ministro durante evento na Fiesp
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, descartou segunda-feira a possibilidade
de o país sofrer pressões inflacionárias devido a
dificuldades do setor industrial para expandir sua oferta.
Em reunião na Fiesp (Federação das Indústrias
do Estado de São Paulo), Mantega questionou os empresários
sobre a capacidade que o setor terá para atender a demanda industrial,
que, segundo ele, deve apresentar crescimento entre 7% e 7,5% neste ano.
"Essa foi a minha indagação, mas não vejo nenhuma
dificuldade de aumento de oferta da indústria", afirmou o ministro.
Segundo ele, os indicadores que medem o nível de utilização
de capacidade instalada "muitas vezes dão a ideia de que a indústria
está em seu limite". "Mas, na realidade, sobra capacidade do ano
passado, e a indústria está fazendo investimentos para expandir
essa capacidade de produção."
Para Mantega, "está afastada a possibilidade de inflação
de demanda". Ao seu lado, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, disse que
o governo precisa ter "cautela" justamente para não tomar medidas
que desestimulem a demanda. Ele se referia à possibilidade de o
Banco Central elevar a taxa básica de juros já na próxima
reunião. "Não há a menor dúvida de que não
é momento de aumentar juros. Não existe razão para
isso."
Na semana passada, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles,
disse que a instituição não evitará decisões
que possam parecer impopulares ou "antipáticas" para segurar a inflação
no país, em um sinal de que o Banco Central poderá elevar
os juros já na próxima reunião do Copom (Comitê
de Política Monetária).
Para Mantega, porém, há um "mau entendimento" em relação
às declarações de Meirelles. "Não vejo ameaça
iminente de alta de juro." "O Banco Central tem dado a sinalização
correta. No ano passado, os juros foram reduzidos para um patamar razoável,
talvez aquém do que gostaríamos, mas poderemos, no futuro,
voltar a ter um juro real em torno de 2,5% ou 3%. Mas o BC sabe quando
deve aumentar e quando deve abaixar os juros."
Exportações
Mantega afirmou que a crise de endividamento vivida por países
da União Europeia, como Grécia, Portugal, Itália e
Espanha, pode retardar a recuperação do comércio exterior
no Brasil. "Mas isso não afeta o nível de crescimento esperado
para o país."
Para ele, o PIB (Produto Interno Bruto) do país deve crescer
entre 5% e 6% neste ano. (PAULO DE ARAUJO - Folha de S.Paulo)
02.03 - Meirelles defende atuação técnica do BC
Presidente da instituição afirma que eleições
não mudam rumo das medidas
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, defendeu ontem a
atuação técnica da autoridade monetária, mesmo
que determinadas medidas possam parecer impopulares a curto prazo. Segundo
ele, nem mesmo as eleições podem mudar a política
do BC. As expectativas do mercado são de que a Selic (atualmente
em 8,75% ao ano) será elevada em março ou abril, a fim de
combater a inflação.
- Atuar de forma consistente significa também não evitar
decisões tecnicamente justificadas que, no curto prazo, possam parecer
antipáticas ou impopulares, mas que visam sim ao bem comum - disse
Meirelles ao dar posse ao novo diretor de Assuntos Internacionais do BC,
Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo.
As declarações de Meirelles foram feitas dois dias depois
de a autoridade monetária ter elevado os depósitos compulsórios
(garantia deixada pelos bancos no BC), retirando da economia R$ 71 bilhões,
o que poderia adiar a decisão de aumentar a taxa de juros.
Meirelles enfatizou que a atuação consistente "significa
fazer o necessário, na medida e na hora adequada, para, por um lado,
manter a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional e, por outro, assegurar
a convergência da inflação à trajetória
das metas".
Em ano eleitoral, Meireilles também destacou que "enganamse
aqueles que esperam por mudanças na conduta política do BC
em função do calendário cívico".
- Nossa dedicação aos objetivos do BC é inequívoca
e permanente. É esse o espírito do corpo funcional do banco
e da Diretoria Colegiada - acrescentou.
Para Meirelles, "é importante que a sociedade procure analisar
os documentos, bem como pronunciamentos de autoridades monetárias
pelo que está escrito ou dito e não pela interpretação
de agentes ou jornalistas".
O presidente do BC também defendeu que a autoridade apenas fale
por meio das atas do Comitê de Política Monetária (Copom)
e nos relatórios trimestrais de inflação.
Meirelles afirmou ainda que mudanças na diretoria do BC são
rotina. "O compromisso do quadro funcional, e seu talento, tem permitindo
que a atuação do banco seja consistente, e persistente, mesmo
com a natural rotatividade da diretoria. Não há razão
alguma para supor que isto seja diferente doravante", disse.
As decisões do BC de aumento da taxa básica de juros,
Selic, costumam ser criticadas por setores da sociedade, mas, para Meirelles,
a instituição tem sido bem-sucedida nos objetivos de zelar
pela estabilidade financeira e monetária, com convergência
da inflação para a trajetória de metas.
Cabe ao BC perseguir a meta de inflação, que tem centro
de 4,5% para este ano, com margem de dois pontos percentuais para mais
ou pra menos. A próxima reunião do Copom será nos
dias 16 e 17 de março. (JB Online)
02.03 - Mais tempo para os juros
Banco Central vai enxugar a liquidez para retardar alta da Selic
Acerta o Banco Central (BC) em iniciar logo a desmontagem de parte
das medidas que foram tomadas em caráter excepcional para enfrentar
a escassez do crédito bancário nos meses da crise financeira
internacional. A autoridade monetária anunciou que vai recompor
os níveis de depósitos compulsórios a que se sujeitavam
os bancos brasileiros até setembro de 2008. Esses depósitos
configuram um importante instrumento de administração da
liquidez do sistema e foram afrouxados exatamente para melhorar a oferta
do crédito nos momentos mais críticos. Desde outubro daquele
ano até o início de 2009, a autoridade monetária liberou
cerca de R$ 100 bilhões dos R$ 257 bilhões que tinha em depósitos
compulsórios. Passada a tempestade, ela retornará pelo menos
70% dos depósitos liberados. A operação vai retirar
R$ 71 bilhões das disponibilidades do sistema, em duas etapas. A
primeira começa em 22 de março e a segunda, em 9 de abril.
Isso deverá ter impacto no atual nível das taxas de juros
cobradas pelos bancos, já que vai representar um corte na oferta
de crédito. Portanto, mesmo não sendo uma medida de política
de juros, a retomada dos recursos do depósito compulsório
deve acabar funcionando, segundo especialista, como uma medida de política
monetária. Pode funcionar como uma estratégia para evitar
a necessidade de aumentar a taxa básica de juros (Selic) na reunião
do Comitê de Política Monetária (Copom) marcada para
17 de março. Afinal, os indicadores de pressão de demanda
generalizada na economia estão se tornando cada vez mais evidentes,
com claros sinais de que um período inflacionário estaria
em curso, puxado pelo aquecimento acelerado do consumo interno. Esse cenário,
sem o concurso de medidas mais severas de controle fiscal, que não
vão ocorrer em curto prazo, poderia deixar o Copom sem alternativa
senão a de elevar a taxa básica de juros na reunião
de 28 de abril.
Essa elevação é tudo que o governo quer evitar
em ano eleitoral, temendo disseminar uma onda de pessimismo e de quebra
de confiança no crescimento da economia brasileira. Ao manejar os
depósitos compulsórios, o BC não apenas ganha tempo
para esperar que o cenário de preços se recomponha, como
recarrega as baterias de um instrumento que se mostrou eficaz para enfrentar
um eventual refluxo da escassez de crédito. De fato, estudiosos
do Fundo Monetário Internacional (FMI), ao examinar os estragos
da crise mundial e a capacidade de cada país de sair dela, concluíram
que os países que, como o Brasil, puderam contar com a flexibilidade
dos depósitos compulsórios ficaram em melhor posição
para enfrentar a crise do que contavam apenas com a alternativa de baixar
a taxa de juros. Faz bem, portanto, o BC em retomar os compulsórios,
exigência criticada por alguns economistas e empresários que
ainda insistem em aconselhar o governo a correr o risco de desapertar a
política monetária, mas que é reconhecida por organismos
internacionais como um dos grandes trunfos do Brasil. (Editorial
- Estado de Minas)
02.03 - Ensaio da Selic
BC retoma depósitos liberados na crise e deixa fase de laxismo
monetário. Os juros vão subir
O Banco Central voltou ao braseiro da economia com a retomada de 71%
dos depósitos habitualmente recolhidos à banca e liberados
no fim de 2008 para evitar a parada do crédito devido à crise
global.
Na época, o aumento da liquidez – para repor parte do crédito
que a banca tirara de circulação por receio de inadimplência
e também devido ao corte das linhas de financiamento externas –
equivaleu a 40% do total de depósitos retidos compulsoriamente pelo
BC.
Trata-se de instrumento coadjuvante ao dos juros interbancários,
a Selic, utilizado em vários países, mas, no Brasil, muito
mais do que seria razoável. A retenção compulsória
aqui é recorde.
Ela passa de 40% dos depósitos bancários, estando nessa
distorção o motivo para boa parte do escandaloso spread embutido
no custo dos empréstimos. É a banca que o cobra, repassando
o custo de o BC reter parte dos recursos captados ao público, ainda
que um pedaço desse recolhimento compulsório seja remunerado
à taxa Selic.
Mas é o governo que determina o nível das retenções,
feitas para reduzir o multiplicador bancário – isto é, a
capacidade de a banca expandir o crédito. O objetivo é o
mesmo que o do manejo da Selic: restringir a oferta de crédito para
reduzir a demanda na economia, quando ela tem a propensão de correr
à frente da produção atendida por fontes nacionais
e complementada pelas importações.
A diferença é que tal alvo é imediato com a retenção
compulsória dos depósitos, enquanto com a Selic vem espaçado
no tempo, estima-se entre seis e oito meses. Outra vantagem é que
não onera o custo da dívida pública. Mas, esgarçada,
raciona a oferta absoluta dos empréstimos, enquanto a Selic apenas
o encarece.
Alguns analistas afirmam que as retenções compulsórias
também se prestam a outra finalidade: cobrir parte do subsídio
de juros nas operações de crédito rural e financiamento
industrial. Deixemos a questão para outro momento. Por agora, o
foco é a decisão em si.
Ela prenuncia a reversão da fase de laxismo monetário
inserida no contexto das medidas anticíclicas para desarmar a recessão.
Foi a primeira reação ao aumento da demanda, que vem forte
desde meados de setembro, embora se questione sua intensidade daqui para
frente e, especialmente, a margem entre a capacidade da oferta e o ritmo
do consumo, chamada pelos economistas de “hiato de produto”.
LIMITE DE TOLERÂNCIA
Quando se olha para a inflação, a folga que havia para
atender ao consumo esticado pela recomposição da renda, expansão
do emprego e as facilidades do crédito, entre juro menor e prazo
maior, fica a sugestão de que ela esteja próxima de seu limite
de tolerância.
A variação do IPCA de janeiro foi expressiva. Passou
de 0,37% em dezembro para 0,75%. Em doze meses até janeiro, o IPCA
cresceu 4,59%, acima da meta anual de 4,5%. E seguiu crescendo na medida
de meio de mês, o IPCA-15, que variou 0,94%, antecipando uma taxa
também obesa para o mês cheio de fevereiro, embora talvez
menor. Em doze meses, segundo o calendário do IPCA-15, já
acumula 4,63%.
CERTEZA DE SELIC GORDA
Na medida do IGP-M, a inflação monitorada pela Fundação
Getulio Vargas – indexador de contas de energia, telefonia e aluguéis,
além de ser o índice de referência para grande parte
dos financiamentos – não foi menos pressionada. E com o agravante
de influenciar cerca de um terço da variação do IPCA.
O IGP-M de fevereiro, impactado pelos preços no atacado, voou 1,18%,
superando as projeções. O BC começa a agir.
É consensual a expectativa de que a Selic, estacionada em 8,75%
desde setembro, voltará a subir em breve. Diverge-se o momento:
se na reunião do Comitê de Política Monetária
(Copom) do próximo dia 17, se na seguinte, em 28 de abril, ou logo
depois, mas este ano.
O tamanho do ajuste para repor a inflação na meta projeta
a Selic espichada até 11,25% a 12,75%, com o ciclo de alta podendo
varar o ano. Mas terminando abaixo dos movimentos altistas anteriores.
RISCO DE CONTAMINAÇÃO
A questão real da política monetária, diz o economista
Fernando Montero, é se haverá “desaceleração
endógena”, ou seja, induzida, “em tempo e intensidade suficiente
para não contaminar a inflação” – e isso, acrescenta,
se é que já não contaminou. Ele prevê para abril
o início do ciclo de alta da Selic, talvez com o BC sob nova direção,
se Henrique Meirelles sair para concorrer às eleições
em outubro. Mas ressalva que o Copom de março “virou moeda no ar”.
Não é que haja risco na fotografia do cenário
da inflação. É que, se o BC precisa tomar a decisão,
melhor que a tome o quanto antes. (Antônio Machado
- Estado de Minas)
01.03 - Moody's sinaliza elevação do rating do Brasil
Nota pode subir no ano que vem se sucessor de Lula mantiver políticas
A Moody"s Investors Service afirmou na quinta-feira que, se a política
econômica no Brasil mantiver, sob a administração do
próximo presidente, os avanços dos anos anteriores, "a deterioração
registrada nos indicadores da dívida do governo durante 2009 pode
ser revertida, aumentando a probabilidade de que os ratings soberanos do
Brasil possam ser colocados em revisão para upgrade no próximo
ano".
No relatório anual sobre o País, Mauro Leos, responsável
por rating de crédito para América Latina da Moody"s, afirma
que os ratings atuais de títulos do governo Baa3, com perspectiva
positiva, "capturam tanto a melhoria substancial que tem sido observada
no perfil de crédito do País quanto a presença de
perspectivas favoráveis de médio prazo, visto que o país
está bem posicionado para retomar o crescimento em ritmo acelerado".
Segundo Leos, o desempenho do Brasil durante a recente crise global
confirmou sua resistência econômica e financeira. "Uma breve
contração do PIB, enfraquecimento mínimo da posição
do país em termos de reservas internacionais e ausência de
estresse financeiro no sistema bancário refletem a capacidade elevada
de absorção de choque, que está consistente com os
ratings de grau de investimento do governo." A Moody"s elevou os ratings
do Brasil de Ba1 para Baa3 e atribuiu uma perspectiva positiva aos ratings
em setembro de 2009. Leos indica que os ratings atuais incorporam uma avaliação
favorável da continuidade das políticas fiscal e monetária.
Ele ressalta a força econômica relativa do Brasil, refletida
pela grande escala da economia e pelo alto grau de diversificação
da base produtiva.
De acordo com o relatório, os desafios fiscais do Brasil incluem
uma tendência persistente de elevação da despesa primária,
os indicadores de dívida do governo, que estão acima das
referências de seus pares ? dívida bruta equivalente a 60%
do PIB ? e as necessidades de financiamento bruto que excedem 10% do PIB.
FATOR ELEITORAL
Faltando alguns meses para as eleições presidenciais,
o analista opina que as diferenças entre os dois principais concorrentes
? José Serra e Dilma Rousseff?são mais de estilo do que de
essência.
O relatório reitera a visão da Moody"s de que a baixa
suscetibilidade ao risco de evento político, um componente crucial
do rating de grau de investimento do Brasil, incorpora a suposição
de que a continuidade de políticas é provável, independentemente
de quem for eleito para presidir o país. (Dow Jones/O
Estado de S.Paulo)
01.03 - IGP-M avança 1,18% em fevereiro
O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) avançou
1,18% no mês de fevereiro. No mês anterior, a taxa ficou em
0,63%. Segundo dados divulgados pela Fundação Getúlio
Vargas (FGV), o Índice de Preços por Atacado (IPA) registrou
variação de 1,42% no mês.
Já o Índice relativo aos Bens Finais variou 1,82%, sendo
que no mês anterior o grupo variou 0,76%. Em relação
ao Índice do grupo Bens Intermediários a variação
ficou em 1,70%, ante avanço de 0,63% em janeiro.
Com variação de 0,88%, o Índice de Preços
ao Consumidor (IPC) foi influenciado pelo decréscimo nas taxas dos
grupos Educação, Leitura e Recreação (1,96%
para 0,87%), Alimentação (1,42% para 1,23%) e Vestuário
(0,44% para -0,40%). No mês anterior, o IPC registrou avanço
de 1,00%.
Na contramão, os grupos Transportes (2,29% para 2,65%), Habitação
(0,23% para 0,29%), Despesas Diversas (0,42% para 0,48%) e Saúde
e Cuidados Pessoais (0,35% para 0,40%) registraram avanço no mês
de fevereiro.
Com variação menor do que a registrada em janeiro, o
Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) ficou
em 0,35% na medição deste mês. Dos três grupos
que compõem o índice, apenas Materiais e Equipamentos apresentou
aceleração, cuja taxa passou de 0,23%, em janeiro, para 0,40%,
em fevereiro.
O grupo Serviços recuou de 1,28% para 0,76%, enquanto a do índice
que representa a Mão de Obra baixou de 0,60% para 0,22%
(Executivos Financeiros)
26.02 - Meta de superávit primário será cumprida
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, comentou ontem, durante entrevista
coletiva, que o resultado primário do governo central de janeiro
demonstra que o governo cumprirá as metas de superávit estabelecidas
para este ano. "O superávit primário de 3,3% (do PIB) vai
ser cumprido, de modo que teremos a economia crescendo, com equilíbrio
fiscal", afirmou ele.
Dados apresentados hoje apontam que o governo central - reúne
as contas do Tesouro Nacional, da Previdência Social e do Banco Central
- registrou em janeiro superávit primário de R$ 13,906 bilhões.
O resultado primário não leva em conta as despesas com juros.
Mantega reconheceu que a carga tributária do Brasil continua
elevada, mas que o governo tem procurado agir de acordo com as possibilidades.
"Não podemos reduzir (a carga) muito rapidamente, senão há
desequilíbrio nas contas do governo", apontou. Para ele, o País
continua crescendo, apesar da carga de impostos. Nos últimos anos,
de acordo com ele, o governo implantou medidas como a redução
do Simples, para as micro e pequenas empresas. "Gradualmente, vamos fazendo
mudanças que vão beneficiar o empresariado", disse.
Estas mudanças, no entanto, não incluem a prorrogação
de incentivos fiscais como a redução do Imposto sobre Produtos
Industrializados (IPI), que foram adotados como política anticíclica
durante a crise financeira mundial. "Estes incentivos têm data para
terminar". Conforme o ministro, a economia vem reagindo bem, as vendas
de vários setores produtivos não caíram e, dessa forma,
e os segmentos beneficiados não precisariam mais dos estímulos
fiscais.
Mantega disse que o governo espera crescimento de 5,2% no Produto Interno
Bruto (PIB) em 2010, mas considera que esta é uma projeção
moderada, uma vez que o mercado trabalha com estimativas entre 5,5% e 6,5%.
"Eu me contento com 5,5%". (Raquel Massote - Agência
Estado)
26.02 - Investimento puxa PIB do fim de 2009
A forte recuperação do investimento no fim do ano passado
ajudou o Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre a crescer próximo
a 2,5% sobre o resultado do terceiro trimestre, mas ainda assim a economia
brasileira encerrou o ano com um desempenho próximo do zero, segundo
as contas feitas pelas consultorias econômicas. Pelas previsões
dos analistas consultados pelo Valor, o PIB de 2009 variou entre 0,1% e
-0,3%. Se confirmada a queda, será a primeira vez desde 1992, quando
o PIB caiu 0,5%, que haverá variação negativa da atividade
econômica.
O que poderia manter o PIB no terreno positivo, segundo os analistas,
seria uma elevação dos investimentos muito superior ao estimado
hoje. Os economistas calculam que o aumento dos investimentos foi de "pelo
menos" 7% nos últimos três meses do ano passado, superior
aos 6,5% registrados entre julho e setembro. Mas, avaliam, "é um
dado que pode surpreender para cima". O Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE) divulga no dia 11 de março os dados
relativos à atividade no ano passado.
"Esperamos que, ao divulgar os resultados do quarto trimestre, o IBGE
também revise, para cima, os indicadores referentes ao segundo e
terceiro trimestres", avalia Aurélio Bicalho, economista do Itaú
Unibanco. Esta também é a aposta de Júlio Callegari,
economista do J.P. Morgan, para quem os dados de 1,1% e 1,3%, do segundo
e terceiro trimestres, respectivamente, serão revisados para 1,4%
e 1,8%.
Ao mesmo tempo, calcula Callegari, o PIB dos últimos três
meses de 2009 cresceu 2,4%, com ajuste sazonal, sobre os três meses
anteriores, configurando variação anualizada superior a 9%.
"A percepção que se fará, então, é de
que estávamos crescendo mais forte do que imaginávamos",
afirma Callegari, "mesmo que o PIB seja zero".
A alta dos investimentos será contrabalançada por uma
variação menor do consumo das famílias, graças
à combinação entre a retirada dos estímulos
fiscais por parte do governo e o consumo já efetuado, que não
se repetirá. A LCA Consultores calcula que houve diminuição
de 2% para 1% no consumo das famílias, entre o terceiro e o quarto
trimestres. O Itaú Unibanco espera alta de 2% na mesma comparação,
mas conta com a revisão do dado do terceiro trimestre, que subiria
para 2,4%. Para Bicalho, o quarto trimestre serviu para "consolidar a recuperação
iniciada em abril, quando deixamos para trás a pequena recessão
do pós-crise". Segundo avalia ele, o "carry-over" para 2010 ficará
entre 2,7% e 3%, o que significa que, se nenhuma turbulência ocorrer
- e nenhum crescimento extra se verificar - ao menos 3% do PIB estão
garantidos para este ano.
As turbulências mundiais fizeram a atividade despencar cinco
pontos percentuais entre 2008 e 2009, mas foram os investimentos os que
mais sofreram com o baque internacional. Segundo dados do IBGE, a produção
de máquinas e equipamentos, que funciona como indicador dos investimentos,
despencou 10,9% no último trimestre de 2008, e 17,9% nos primeiros
três meses do ano passado.
Houve queda forte também no mercado de trabalho, mas por tempo
mais curto e com reversão mais rápida. Os 736,1 mil postos
de trabalho perdidos entre outubro de 2008 e janeiro de 2009 foram revertidos
nos sete meses até agosto, quando os números do Cadastro
Geral de Empregados e Desempregados (Caged) acumularam saldo líquido
de 781,8 mil vagas. A recuperação da produção
industrial, no entanto, demorou mais a acontecer.
Se o consumo das famílias e o mercado de trabalho já
estavam reagindo nos primeiros meses do ano, ajudando a puxar a recuperação
da atividade a partir do segundo trimestre, foram os investimento em aumento
de produção industrial que puxaram o PIB no segundo semestre
do ano, avaliam os economistas. A produção de máquinas
e equipamentos aumentou 13,3% entre outubro e dezembro, depois de ter crescido
6,5% no terceiro trimestre.
"O Brasil deu show no ano passado. É preciso ressaltar que um
PIB próximo a zero num ano de crise mundial é algo muito
bom", avalia José Júlio Senna, ex-diretor do Banco Central
e sócio da MCM Consultores. Para Senna, a ação do
governo foi "inegavelmente" bem feita, uma vez que o BC agiu rápido
ao liberar os compulsórios e cortar as taxas de juros, e o governo
federal foi "certeiro" em isentar de impostos a indústria, "justamente
o setor que mais sofreu com a crise".
Nas contas da MCM, o quarto trimestre passou por elevação
de 2,6% sobre o trimestre anterior, o que caracterizaria crescimento anualizado
de 10,8%. Segundo Senna, o consumo das famílias deve continuar a
se expandir, mas tende a crescer num ritmo menos elevado que o verificado
em 2009, em parte porque os estímulos fiscais e monetários
serão retirados. "O consumo foi um fator de sustentação
da economia, mas, já no fim do ano, os investimentos voltaram com
força e são eles que estão puxando a economia neste
começo de 2010." (João Villaverde - Valor
Online)
26.02 - A crise está de volta ou é apenas uma turbulência?
Infelizmente, o início deste ano vem sendo caracterizado pelo
retorno da volatilidade nos mercados. Sempre que ela aumenta - no caso
da Bovespa, praticamente dobrou entre janeiro e fevereiro -, os investidores
de longo prazo saem prejudicados. Já os especuladores são,
temporariamente, beneficiados.
Quando isso acontece, a tendência é de que os pequenos
e médios investidores se retraiam, face às possibilidades
de maiores perdas. Outra consequência ruim é a interrupção
de processos de abertura de capital de algumas empresas, que pretendiam
captar recursos para expansão dos negócios. Mas por que os
mercados estressaram de uma forma tão abrupta e radical, contrastando
com a "festa" de valorização de 2009?
Os amantes da física sabem das implicações da
transformação de energia num determinado sistema, a chamada
entropia. O exemplo clássico: o gelo derretendo num copo aumenta
a entropia. Peço licença para comparar a economia com um
sistema/organismo.
Quando abusamos na alimentação, ingerindo em excesso
gorduras e carboidratos, nosso organismo responde aumentando as taxas de
colesterol e glicose. De forma análoga, quando na economia os excessos
se fazem presentes por muito tempo, as consequências aparecerão,
cedo ou tarde.
É assim que se dão os momentos de expansão e retração,
caracterizando os convencionais ciclos econômicos. Muitos economistas,
nesses anos de esplendor, afirmavam que a nova economia mudaria os paradigmas
e que viveríamos para todo o sempre um período de grande
moderação, com crescimento sustentável e baixa inflação.
Até que veio a crise para sepultar todos esses prognósticos.
A lambança de 2008 foi uma resposta aos excessos que ocorreram,
a partir da década de 1990. A globalização financeira,
alicerçada pelo liberalismo econômico do consenso de Washington,
deu origem a uma série de bolhas de preços em ativos, mais
notadamente no mercado imobiliário americano e nas ações.
Essas bolhas, embaladas por um sistema financeiro pouco regulado e
ganancioso, criaram um ambiente propício para níveis de alavancagem
jamais vistos, já que a liquidez era abundante e os juros muito
baixos.
Essas condições favoráveis fizeram com que os
agentes econômicos se empanturrassem de dívidas, cujos riscos
eram "teoricamente diluídos" via derivativos mágicos, mas
que, na hora h, de nada serviram. Como gosto de dizer aos meus alunos:
"Se você quer boa mágica, chame o David Copperfield e não
um financista"!
O que está acontecendo pode ser uma recaída da crise,
que, em 2009, pareceu estar no retrovisor. O mote do estresse é
a situação fiscal de alguns países europeus, atolados
em déficits gigantescos. O que os mercados temem é que os
PIIGS (Portugal, Itália, Islândia, Grécia e Espanha)
caminhem para um "default" soberano, o que seria uma tragédia grega.
O que fazer para que essas nações não quebrem?
Qualquer bom estudante de economia sabe que um país possui três
grandes instrumentos de política macroeconômica: fiscal, monetária
e cambial. Como esses países integram a União Europeia, sob
a égide da moeda/banco central únicos, eles perderam o pleno
manejo destas duas últimas.
Uma das mais rápidas e eficazes políticas de expansão
econômica é a desvalorização da moeda, que traz
impacto positivo sobre o setor exportador, ao melhorar a competitividade
dos produtos no exterior. Nenhum desses países pode optar por isso
(não mais possuem moeda própria), nem mesmo reduzir seus
juros a zero, como fez o Fed.
Resta-lhes, portanto, a política fiscal, grande fator de preocupação,
já que seus déficits públicos parecem difíceis
de serem revertidos. Mesmo com o FMI ou a própria União Europeia
jogando a boia para salvá-los, injetando bilhões de euros
em suas economias, a sinalização terá sido péssima
e talvez nem funcione. Minha grande preocupação é:
os tesouros salvaram o setor privado para debelar a crise, mas quem irá
salvar os tesouros?
Estou convencido de que ainda teremos muitos sobressaltos. Serão
necessários ajustes duríssimos, com novas doses de sacrifício
para as sociedades. Nem mesmo a China estará livre de uma mudança
em sua política de crescimento acelerado. Voltando às comparações
acima, o gelo derreteu e o sistema ficou instável. O coração
enfartou e agora só uma dieta radical para salvar a economia global.
(Alexandre Espírito Santo - Valor Online)
25.02 - Prévia da inflação fica em 0,95% em fevereiro
O IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15) teve
variação de 0,94% em fevereiro, taxa superior à de
0,52% de janeiro, informou ontem o IBGE (Instituto Brasileiro de Goegrafia
e Estatística). Considerando os últimos doze meses, o índice
situou-se em 4,63%, também acima dos doze meses anteriores (4,31%).
Em fevereiro de 2009 a taxa havia ficado em 0,63%.
Os custos com educação aumentaram 4,55%, sendo a maior
contribuição para o índice do mês, de 0,32 ponto
percentual. Segundo o IBGE, “esse resultado reflete os reajustes verificados
no início do ano letivo, com destaque para os aumentos nas mensalidades
dos cursos de ensino formal, que subiram 5,38 % e constituíram-se
no item de maior contribuição individual no índice
do mês, de 0,26 ponto percentual”.
Ainda de janeiro para fevereiro, a aceleração do IPCA-15
pode ser explicada, também, pelos aumentos ocorridos nos preços
dos alimentos e reajustes nas tarifas dos ônibus urbanos, que contribuíram
com 0,14 ponto percentual no resultado do mês.
Os alimentos mantiveram a trajetória de alta e subiram de 0,81%,
em janeiro, para 0,98%, em fevereiro, na média das regiões
pesquisadas, ficando com Belém o maior resultado (1,75%). Vários
produtos passaram a custar mais, com destaque para os açúcares
cristal (12,13%) e refinado (9,94%), além das hortaliças
(9,52%), arroz (5,22%) e frutas (2,85%).
As tarifas dos ônibus urbanos, com aumento de 3,84%, refletiram
reajustes ocorridos nas seguintes regiões metropolitanas: Rio de
Janeiro (0,91%), Porto Alegre (0,87%), São Paulo (11,11%), Belém
(2,35%) e Salvador (4,54%). Além do aumento das tarifas dos ônibus,
gasolina (1,34%) e álcool (8,86%) também contribuíram
para o maior o resultado do mês.
Por outro lado, os artigos de Vestuário apresentaram queda de
0,20% em virtude do período de liquidação no mercado.
Quanto ao agrupamento dos não alimentícios, a taxa foi de
0,93% e ficou maior que a de janeiro (0,44%). (Executivos Financeiros)
25.02 - Brasil lidera recuperação da crise na AL
O Brasil obteve pela segunda vez consecutiva o melhor resultado na
Sondagem Econômica da América Latina. Segundo levantamento
feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceria
com o Institute for Economic Research at the University of Munich (IFO),
a região manteve a trajetória de recuperação
após a crise financeira internacional.
Pelo Índice de Clima Econômico (ICE), a região
passou de 5,2 para 5,6 pontos entre outubro de 2009 e janeiro deste ano.
Variando entre 1 e 9 pontos, o Índice de Situação
Atual (ISA) passou de 3,3 para 4,0 pontos.
Entretanto, apesar de ser considerado expressivo, o resultado mostra
que a economia da região ainda não voltou aos níveis
pré-crise.
Na análise por região, o levantamento destaca que mais
quatro países, além do Brasil, estão em fase de expansão
econômica. Com ICE de 7,8 pontos, o Brasil lidera a pesquisa, seguido
de Chile 7,4; Peru, 7,3; Uruguai, 7,0; e Argentina 5,3. Já Bolívia,
Colômbia, Equador, México e Paraguai seguem no grupo dos países
em recuperação. Somente a Venezuela, com ICE de 30 pontos,
foi considerada em recessão.
No ranking referente as avaliações sobre a situação
atual, o Brasil também ficou em primeiro com ISA de 7,7 pontos.
Em seguida, aparecem Uruguai (6,3) e Chile (6,1). (Executivos
Financeiros)
24.02 - Depois da Grécia, investidor teme os déficits
"ocultos"
Os temores de que a Grécia e outros países europeus em
dificuldades talvez não consigam pagar suas dívidas começaram
a concentrar a atenção dos investidores em outra grande preocupação:
as economias do continente têm usado transações financeiras
complexas - às vezes em segredo - para esconder o verdadeiro tamanho
das dívidas e dos déficits.
Os investidores têm feito vista grossa há muito tempo
para a contabilidade agressiva dos governos europeus, feita para cumprir
o teto fiscal da zona do euro. Os países que usam a moeda têm
um histórico amplo de manobras exóticas para cumprir as regras
que determinam que os membros limitem o endividamento a 60% de seu produto
interno bruto e o déficit anual do orçamento a no máximo
3%. Apesar das críticas, os líderes europeus consideraram
muitas dessas medidas aceitáveis quando tentavam implantar a tão
planejada união cambial.
Para tentar atingir essas metas, que foram criadas para aumentar a
confiança na estabilidade do euro, no decorrer dos anos os governos
venderam ativos estatais, transformaram pagamentos a receber em títulos
de investimento e até, no caso da Grécia, insistiram com
a agência de estatísticas Eurostat que porções
vultosas de seus gastos militares eram "confidenciais" e portanto excluídas
dos cálculos do déficit.
Em 2000, a Grécia informou ter gastado € 828 milhões
(o equivalente a US$ 1,13 bilhão) com as Forças Armadas -
cerca de um quarto dos 3,17 bilhões de euros que depois admitiu
ter realmente gasto. A Grécia acabou admitindo que deixou de declarar
US$ 8,7 bilhões em gastos militares entre 1997 e 2003.
Portugal classificou os subsídios ao metrô de Lisboa e
a outros empreendimentos estatais como investimento em participações.
Depois de ficar sabendo disso, a Eurostat obrigou Portugal a refazer a
contabilidade em 2002. O país revisou o déficit de 2001 de
2,76 bilhões de euros, ou 2,2% do PIB, para 5,09 bilhões
de euros, ou 4,1% - bem acima do limite.
Em 1997, a França fez um acordo com a então prestes a
ser privatizada France Télécom pelo qual a empresa pagou
ao governo mais de € 5 bilhões. Em troca, a França concordou
em assumir as despesas com aposentadoria dos trabalhadores da telefônica.
Os bilhões da France Télécom ajudaram a diminuir
o déficit do orçamento francês para cerca de €
40 bilhões em 1997; o país divulgou déficit de 3%
do PIB naquele ano - exatamente no limite, o que ajudou a França
a entrar na zona do euro.
Até a Alemanha, maior economia da Europa, tentou reavaliar suas
reservas de ouro para obter um benefício imediato em 1997, mas terminou
desistindo depois de enfrentar a resistência do banco central do
país.
Os países "procuram coisas porque isso aumenta seu arsenal de
técnicas para reduzir os déficits orçamentários",
diz James D. Savage, professor da Universidade da Virgínia, dos
Estados Unidos, que é considerado uma autoridade em questões
orçamentárias da União Europeia. "O problema para
a Eurostat é a multiplicação de instrumentos e técnicas
financeiras. Os países membros vão tentar se aproveitar deles."
A possibilidade de contágio em outros países tem preocupado
profundamente políticos e investidores enquanto os problemas com
a dívida da Grécia têm aumentado nas últimas
semanas. O custo do seguro contra a moratória da Grécia continua
em níveis recordes. E as emissões de títulos realizadas
pela Espanha, pela Irlanda e por Portugal nas últimas duas semanas
deram certo principalmente porque ofereceram juros mais altos que o usual.
Na semana passada, essas preocupações exacerbaram os
temores do mercado quanto aos problemas de dívida na Europa e podem
complicar os planos da Grécia de vender mais títulos esta
semana, dizem banqueiros e investidores.
O uso de swaps cambiais por esses países tem despertado atenção
nas últimas semanas. Em transações como essas, os
países podem assumir empréstimos em moedas que não
a sua, por exemplo, e usar um derivativo para compensar o risco de flutuação
cambial. Mas esses instrumentos também podem ser usados para inflar
artificialmente as contas a receber e a pagar, e para cumprir limites de
endividamento e de déficit orçamentário.
Os investidores prestaram pouca atenção a esses acordos
com derivativos, muitas vezes opacos, até que os temores de moratória
grega começaram a tumultuar os mercados, com receios quanto à
estabilidade do euro.
Os governos da zona do euro não são obrigados a divulgar
precisamente a natureza das transações com derivativos que
realizarem, tornando praticamente impossível que os investidores
consigam discernir os possíveis riscos desses instrumentos.
A Eurostat permitiu até 2008 o uso dessas transações
para ajustar os níveis de endividamento.
Embora outras manobras possam ter tido impacto menor nas dívidas
e nos déficits, os swaps cambiais são uma ferramenta que
os países têm usado regularmente no decorrer dos anos para
conseguir atingir os limites da zona do euro. Em alguns casos os governos
realizaram várias dessas transações, geralmente sem
divulgá-las, o que dificulta que os investidores meçam seu
impacto nas finanças de um país.
O Goldman Sachs Group Inc. realizou 12 swaps cambiais para a Grécia
entre 1998 e 2001, segundo pessoas familiarizadas com a questão.
O Credit Suisse também esteve envolvido com Atenas, criando um swap
cambial para a Grécia no mesmo período, segundo pessoas a
par da questão.
O Deutsche Bank realizou vários swaps cambiais para Portugal
entre 1998 e 2003, segundo o porta-voz Roland Weichert. Ele disse também
que os negócios do Deutsche Bank com Portugal incluíram "swaps
cambiais completamente normais" e outras atividades que ele não
quis discutir detalhadamente. Os swaps cambiais para Portugal estavam de
acordo com o "padrão de administração de dívida
soberana", disse Weichert. As transações não foram
criadas para esconder a dívida externa de Portugal, afirmou ele.
O Ministério das Finanças de Portugal não quis
comentar se o país usou swaps cambiais como os usados pela Grécia,
mas afirmou que Portugal usou apenas instrumentos financeiros que atendem
às regras da UE.
Membros de governos europeus disseram na semana passada que as autoridades
da UE não tinham conhecimento de um swap cambial polêmico
estruturado em 2001 para a Grécia pelo Goldman Sachs. Eles dizem
acreditar que o problema não está disseminado, mas vários
políticos europeus importantes, como a chanceler alemã Angela
Merkel, pediram que as autoridades investiguem mais as transações
e se os bancos ajudaram os governos a maquiar suas contas.
Um relatório de 2008 da Eurostat, todavia, diz que os primeiros
questionamentos sobre como contabilizar swaps isolados do mercado como
os usados pela Grécia surgiram em 2007. O relatório afirma
que estabeleceu um guia detalhado sobre como lidar com algumas formas desses
swaps. A Eurostat não respondeu a um pedido de entrevista.
A Eurostat tentou por vários anos mudar as regras sobre o uso
dos swaps. Os ministros da Fazenda da Europa negaram os poderes da Eurostat
em 2000, argumentando que precisavam do máximo de flexibilidade
possível para administrar suas dívidas.
Foi só em 2008 - dez anos depois que esses acordos se popularizaram
- que a Eurostat conseguiu revisar suas regras para pressionar os países
a incluir os swaps em seus cálculos de dívida e déficit.
Mesmo assim, os críticos dizem que ainda se sabe muito pouco sobre
a contínua exposição desses países a acordos
que já estão em vigência.
Os 12 acordos de swap cambial da Grécia feitos pelo Goldman,
além de permitir que o país garantisse um taxa de câmbio,
tinham outra vantagem: juros fixos que tornavam permissível, sob
as regras europeias de contabilidade, que a Grécia divulgasse sua
dívida em moeda estrangeira com as taxas de câmbio do contrato
de swap - sem importar a variação que o câmbio pudesse
ter posteriormente. Isso poderia proteger o país de alta súbitas
das dívidas que já tinha contabilizado.
Mas apesar de os swaps cambiais ajudarem a enfeitar a contabilidade,
eles não alteraram os fundamentos econômicos: que uma desvalorização
do euro deixaria a Grécia com um swap negativo. Foi o que aconteceu
em 2000 e 2001, segundo pessoas a par da situação.
Em 2001, o Goldman e a Grécia criaram uma solução
que agora se tornou polêmica: um novo swap fora do mercado. Ficou
acordado que, no futuro, ienes e dólares seriam convertidos em euros
a uma cotação artificialmente favorável.
A Grécia poderia usar essa cotação quando contabilizasse
sua dívidas nas contas europeias - diminuindo o endividamento divulgado
pelo país em mais de 2 bilhões, segundo pessoas a par da
questão.
No final das contas, o benefício marginal foi pequeno. A dívida
total da Grécia caiu de 105,3% do PIB para 103,7% e o déficit
de 2001 foi reduzido por um décimo de ponto porcentual do PIB, segundo
pessoas ligadas ao Goldman.
Ainda não está claro qual é a exposição
restante da Gré- cia nesse complicado acordo. (Charles Forelle e
Susanne Craig, colaboraram David Crawford, Robin Sidel, Jonathan House
e Deborah Ball - The Wall Street Journal/Valor Online)
24.02 - Investimentos e expansão do crédito
Há muito a ser construído no Brasil e são inúmeros
os setores que apresentam oportunidades atraentes de investimento
Depois de várias décadas de crescimento baixo e muito
volátil, o Brasil acelerou o ritmo nos últimos anos. Nesse
período, o país conquistou maior estabilidade macroeconômica
e tornou-se mais previsível. Dadas as possibilidades que se desenham,
é difícil não estar otimista. Nos próximos
anos, o país será capaz de crescer em torno de 5% ao ano
de forma sustentável.
Nesse ambiente, há uma revolução em andamento
no sistema de crédito no Brasil. O crédito bancário
cresceu de 25% do PIB em 2004 para 47% do PIB em 2009, com os prazos de
financiamento para pessoas físicas aumentando de 300 para 500 dias
no período. Parte da expansão deveu-se à universalização
do crédito no país, com os financiamentos oferecidos por
empresas de varejo e do setor imobiliário sendo incorporados gradualmente
à carteira de crédito dos bancos.
Os intermediários financeiros vêm ampliando a distribuição
de inovações, tais como os fundos imobiliários e de
direitos creditórios, que contribuem para expandir o crédito
e impulsionar o crescimento econômico.
As condições dos financiamentos ainda precisam melhorar
para sustentar a ampliação dos investimentos, que tendem
a ser disseminados.
Isso exigirá maior integração e coordenação
entre os setores público e privado, com participação
crescente deste último. Além disso, é desejável
haver aumento da concorrência, surgimento de empresas que ocupem
nichos específicos no mercado de crédito e redução
dos custos das operações, inclusive com a desoneração
tributária sobre a intermediação financeira.
Há muito a ser construído no Brasil e são inúmeros
os setores que apresentam oportunidades atraentes de investimento.
As deficiências na infraestrutura são reflexo de uma economia
que até há pouco tempo era muito suscetível a choques.
Ademais, o capital era escasso e caro e, portanto, os retornos dos investimentos
que exigem prazos longos de maturação eram pouco atrativos.
Esses entraves têm sido enfrentados nos últimos anos.
O aumento dos investimentos em infraestrutura é crucial para
acelerar o crescimento. Igualmente, a vantagem comparativa do país
nos setores de commodities sugere que os investimentos nessas áreas
continuarão elevados. Em especial, o setor de óleo e gás
receberá o fluxo de investimentos mais elevado da história
brasileira. Essa dinâmica exigirá não só um
aporte elevado por parte de instituições financeiras públicas
como também de estruturas privadas, domésticas e externas,
para financiar a ampliação dos investimentos.
Mas as oportunidades de investimento não param por aí.
O mercado imobiliário, por exemplo, tem se beneficiado do aumento
do poder aquisitivo e das importantes alterações da legislação.
Os financiamentos imobiliários, equivalentes a apenas 3% do PIB
em 2009, crescerão bastante. Em um ambiente de juros inferiores
aos atuais e de custos de construção mais reduzidos, as condições
de financiamento serão mais favoráveis e menos dependentes
dos recursos das aplicações em caderneta de poupança.
Além disso, o aumento do rendimento do trabalho e a melhora
da distribuição de renda nos últimos anos têm
incluído
uma parte crescente da sociedade no mercado consumidor.
Diversos segmentos do setor de serviços, tais como os de educação,
turismo, restaurantes, planos de saúde e comércio varejista,
também terão desempenho ímpar na próxima década.
A solidez do sistema financeiro brasileiro e a rápida recuperação
do país após a crise reforçam a percepção
de que os financiamentos privados de longo prazo aumentarão bastante
nos próximos anos, impulsionando o crescimento econômico.
Embora abrangente, essa expansão tende a ser heterogênea,
com vários setores crescendo bem acima da média. Esses setores
estarão associados, provavelmente, à construção
de uma infraestrutura compatível com o padrão de crescimento
atual ou à expansão da oferta de bens e, principalmente,
dos serviços para atender a maior demanda de consumidores de menor,
porém crescente, poder aquisitivo.
Esse cenário favorável requer a manutenção
de políticas econômicas austeras e responsáveis, o
que consolidará um dos avanços dos últimos anos, o
da expansão e universalização do crédito.
(ANTONIO QUINTELLA e NILSON TEIXEIRA - Folha de S.Paulo)
24.02 - Investimento cresce, mas não zera perdas
Os investimentos no país devem iniciar retomada no final deste
ano, mas ainda não deverão ser suficientes para recuperar
as perdas ocorridas com a crise.
A taxa de investimento em relação ao PIB deve atingir
18,5%, superando os 18% registrados em 2007 -período anterior aos
impactos causados pela crise-, segundo a consultoria MB Associados.
"Nota-se melhora gradual dos investimentos, que devem atingir o pico
do pré-crise neste final de ano", afirma Sérgio Vale, economista-chefe
da MB Associados.
A expansão, porém, não será suficiente
para cobrir o que se perdeu de investimento na crise, diz.
Adicionada a variação em valor real da demanda, na soma
de 2009 e 2010, os investimentos ainda caem R$ 2,2 bilhões, afirma
Vale. O economista projeta aumento de R$ 180 bilhões do consumo
das famílias e de R$ 51,6 bilhões do governo. "Em dois anos
o consumo total terá expansão de R$ 230 bilhões, enquanto
o investimento ficará estagnado", conclui.
Por que um crescimento sustentável de 5% ou 6% ao ano não
é possível?
A taxa de investimento ainda é muito baixa e, mesmo que aumente
o dobro do crescimento do PIB nos próximos anos, não alcançaria
os 25% necessários para sustentar o crescimento do PIB em torno
de 5%, segundo o economista. (Maria Cristina Frias - Folha
de S.Paulo)
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