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28.11 - Governo se aproxima ainda mais de zerar o déficit nominal
As contas públicas fecharam novamente o mês com saldo positivo. De acordo com dados divulgados na quarta-feira pelo Banco Central, graças à forte arrecadação, governo, estados, municípios e empresas estatais, pagaram suas despesas a ainda apresentaram um superávit nominal de R$ 5,22 bilhões em outubro, o melhor resultado desde janeiro deste ano, quando foi registrado um superávit de R$ 5,53 bilhões. O superávit nominal é o resultado da arrecadação menos as despesas com juros da dívida. Em setembro deste ano, as contas públicas já tinham fechado no azul, com um resultado positivo de R$ 3,86 bilhões. Superávits nominais em dois meses consecutivos já haviam sido registrados em março e abril.
No acumulado de janeiro a outubro deste ano, o setor público continuou a apresentar déficit nominal, ou seja, o pagamento de juros ainda foi maior do que o resultado positivo do caixa. Mas essa diferença situou-se em R$ 1,835 bilhão, apenas 0,08% do Produto Interno Bruto estimado para o período. O déficit acumulado é o melhor para o período da série iniciada em 1991. Nos dez primeiros meses de 2007, houve déficit nominal de R$ 28,668 bilhões, o equivalente a 1,36% do Produto Interno Bruto (PIB).
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, tem afirmado que o buscado déficit nominal zero, ou seja, momento no qual o setor público conseguirá pagará todas as duas despesas e ainda sobrarão recursos, seria obtido somente no ano de 2010, último ano de gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os números mostram, portanto, que o objetivo está próximo de ser alcançado, embora os dois últimos meses do ano, tradicionalmente, apresentem resultados menos favoráveis.
No acumulado até outubro, o superávit primário, por sua vez, somou R$ 132,8 bilhões, já superando, com isso, a meta estabelecida para todo este ano, que é de 3,8% do PIB, ou R$ 106 bilhões. Se considerada a economia extra necessária para formar o fundo soberano, de 0,5% do PIB, ou R$ 14,2 bilhões, a economia total sobe para 4,3% do PIB, ou cerca de R$ 120 bilhões.
Em outubro, o superávit primário do setor público foi de R$ 14,47 bilhões, contra um resultado de R$ 15,347 observados em outubro do ano passado. Do total deste ano, cerca de R$ 2,84 bilhões de superávit vieram dos Estados e municípios. O resultado fiscal global, contudo, foi parcialmente abatido pelo déficit de R$ 9 bilhões das despesas com pagamento de juros, sendo R$ 2,83 bilhões advindos das estatais, volume também recorde para o mês. O dado reflete principalmente o resultado da Petrobras. De acordo com o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, no mês passado houve "uma conjugação" de investimentos elevados por parte da petrolífera e também de pagamentos de royalties e impostos.
"O crescimento dos juros apropriados refletiu o maior número de dias úteis em outubro e a menor desvalorização cambial registrada no mês, relativamente a setembro, reduzindo o impacto sobre os ativos internos indexados ao dólar e sobre as operações de swap cambial", informou o BC.
Dívida
A dívida líquida do setor público recuou de R$ 1,12 trilhão em setembro, o equivalente a 38,2% do PIB, para R$ 1,08 trilhão em outubro, ou 36,6% do PIB. De acordo com o BC, este é o menor patamar, na proporção com o PIB, desde setembro de 1998 (36,5% do PIB). "A desvalorização cambial ocorrida no mês foi responsável pela redução de R$ 34,1 bilhões no valor do endividamento líquido (1,1 p.p. do PIB)", informou o BC. Além do elevado superávit primário, a dívida também recuou por conta da alta do dólar.
Lopes explicou que o dólar alto ajuda na queda da dívida, porque o Brasil ainda é credor, ou seja, tem mais ativos (bens e direitos, como as reservas internacionais) do que os passivos em moeda estrangeira. Quando o dólar sobe, aumentam também os valores dos ativos e dos passivos.
Ele informou ainda que, para o fechamento de novembro, a estimativa é de nova queda na dívida líquida. A projeção do BC é que a dívida caia para 35,7% do PIB em novembro, o menor patamar desde julho de 1998.  (Paula Andrade - DCI)

28.11 - Economistas: PIB pode crescer 3% em 2009
Em função da crise internacional o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro pode atingir 3% em 2009, essa é a conclusão do economista chefe do Banco do Brasil, Uilson Melo Araújo. No final de 2007 o PIB atingiu 5,4% de crescimento devido a alta do consumo e de investimentos.
“Haverá recessão para economias avançadas e desaceleração das economias emergentes”, analisa Araújo. No entanto, o presidente do Conselho de Planejamento estratégico da Fecomércio, Paulo Rabello de Castro, acredita que vivemos um momento que o Brasil precisa se manter mais estável.
Rabello diz que estamos longe do fundo do poço, mas que a tempestade (crise) está apenas no início. “Não estamos depois da tempestade, ela mal começou”, pondera. O economista chefe do Banco Itaú, Tomás Málaga, acredita que o PIB cresça 2,5% no próximo ano.
“Estamos observando desaceleração e decréscimo de produtos em todos os países, haverá uma deflação de 5 p.p (pontos percentuais) nas economias emergentes”, avalia o CFO da Vale, Fábio de Oliveira Barbosa.
Em relação as medidas que estão sendo realizadas pelos bancos centrais ao redor do mundo para conter a ‘quebradeira’ de empresas, o Federal Reserve (Fed, banco central americano), até dia 12 de novembro havia vendido US$ 303 bilhões.
Rabello critica dizendo que é uma forma simples de resolver os problemas financeiros quando precisa injetar liquidez nas empresas, “uma torneira e uma mão, quando sentir que estamos precisando é só abrir a torneira”, finaliza Rabello.    (Tatiany Cavalcante - Executivos Financeiros)

28.11 - Meirelles indica que Selic não vai cair
Governo já tomou medidas para restabelecer liquidez, afirma BC
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, sinalizou que o Comitê de Política Monetária (Copom) vai manter mais uma vez inalterada a taxa básica de juros. Em audiência pública na Comissão de Orçamento, Meirelles disse que o Brasil não enfrenta a mesma situação de recessão e deflação dos EUA e da Europa para reduzir juros, como pedem parlamentares.
"Uma queda nesses países é perfeitamente natural. No Brasil é um caso diferente. Certamente, o BC vai se reunir e vai levar em conta todos os fatores da economia para tomar a melhor decisão para a sustentabilidade do crescimento da economia brasileira", disse.
Comparando a crise a um "desarranjo" e a política econômica a um tratamento médico, Meirelles disse que cada País deve tomar a decisão adequada ao seu caso, não cedendo à tentação de usar o mesmo remédio do vizinho. "Quanto mais específico melhor, porque todo remédio tem efeito colateral. As medidas anticrise também."
Para bom entendedor, o presidente do BC quis dizer que uma redução "agressiva" da taxa de juros, como pedida pelo deputado Jilmar Tatto (PT-SP), poderia provocar pressões inflacionárias inadequadas ao Brasil, que - segundo ele - não apresenta problemas de demanda, mas apenas de liquidez. "A experiência internacional mostra que a inflação não é a forma de crescer rápido", avisou.
O presidente do BC chegou a comentar que existem países que estão subindo a taxa de juros, como a Rússia e a Hungria, e enfrentam depreciações cambiais como no Brasil. Mas, para não dar a impressão de que estava defendendo a alta da Selic, disse que talvez o País se enquadre num caso intermediário entre Estados Unidos e Rússia.
"É preciso separar a gestão da liquidez da política monetária", disse Meirelles. Segundo ele, o governo já tomou as medidas necessárias para restabelecer a liquidez do mercado e não vai permitir que falte crédito aos exportadores.
Questionado sobre a decisão dos bancos de entesourar ou comprar títulos públicos com dinheiro do compulsório liberado pelo BC, Meirelles disse que o governo está tentando reverter a situação indiretamente, via bancos públicos, como BNDES, Banco do Brasil e Caixa. "Eles são capazes de influenciar na formação das taxas de juros e na oferta de crédito."
Meirelles também destacou a recuperação do crédito, que, pelos dados parciais de novembro, subiu 5,7% nos primeiros oito dias úteis, mas ressaltou que o movimento é mais lento entre as empresas. Enquanto a média diária do crédito para pessoas físicas cresceu 14,8% em novembro, entre as pessoas jurídicas foi de apenas 1,2%.   (Sérgio Gobetti - O Estado de S.Paulo)

28.11 - CVM muda número de seu 0800
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) comunicou nesta quarta-feira (26/11) que, a partir do próximo dia 1 de dezembro, o número 0800 destinado ao Serviço de Atendimento aos Investidores passará a ser o 0800-722-5354.
Segundo a Comissão, a mudança tem o objetivo de aumentar a capacidade desse serviço, que a partir de agora terá de atender, no mínimo, a 98% do total de ligações dirigidas à CVM, por dia, mesmo em momentos de pico na demanda por informações. Antes, esse percentual era de 95%, com limites no total de atendimentos mensais.
As ligações para a Central de Atendimento são gratuitas, podendo ser realizadas de segunda a sexta-feira, de 8h às 20h. O serviço se destina a prestar informações de caráter genérico sobre investimentos, bem como dados cadastrais de companhias abertas, corretoras e outros participantes do mercado, além de responder a dúvidas mais freqüentes dos investidores e a orientar sobre os procedimentos para apresentar uma reclamação ou denúncia a CVM.   (Executivos Financeiros)
 
 
 
 
 
 

27.11 - Fundos investem na baixa
A crise pode ter apavorado muitos investidores, que bateram em revoada. Mas, para alguns gestores, os altos preços da euforia que reinava até o início deste ano assustavam muito mais. Para esses fundos, que investem em ações e participações e gostam de ter grandes nacos de determinados ativos com objetivos de longo prazo, há muito tempo o mercado não abria tantas oportunidades de montar posições. São gestores locais - como Orbe, HSBC, Tarpon, Gávea, Fama e Pólo, entre outros -, mas também estrangeiros, como Skagen e Aberdeen, que têm ido às compras de pedaços mais relevantes das companhias para as quais projetam futuro mais promissor. Também os fundos de pensão aproveitaram a temporada de promoções: a Petros, fundo dos petroleiros, por exemplo, elevou para 5,5% a fatia na Lupatech.
Toda vez que um investidor ultrapassa a cota de 5% de uma classe de papéis de uma companhia, é preciso tornar essa informação pública. O mesmo vale para posições significativas que se reduzem. Desde o dia 20 de setembro, os comunicados de venda ou redução de participação foram cerca de 30 no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), enquanto os comunicados de aquisições ou aumento de participações relevantes foram mais de 65 nesse período. Alguns desses investidores aparentemente também aproveitaram para fazer trocas de ativos nas carteiras, vendendo algumas posições e comprando outras.
Na última sexta, em comunicado ao mercado, a Lojas Renner informou que o fundo Aberdeen, com sede no Reino Unido, aumentou de 9,9% para 15% a participação no capital social da companhia, que é de controle disperso. No informe, o fundo detalhou como as compras foram feitas. Essas ocorreram exatamente no período de 17 de setembro a 19 de novembro, ou seja, quando a crise se agravou muito e os preços começaram a cair aceleradamente na bolsa.
Eduardo Favrin , diretor de renda variável da HSBC Global Asset Management, afirma que a ocorrência de aumentos de participação de fundos para além dos 5% é mais frequente em companhias menos líquidas. Por conta da crise, o valor de mercado de diversas companhias caiu muito, em vários casos mais de 50%, diz. Assim, ficou muito mais fácil para um fundo atingir uma participação maior em uma empresa, uma vez que precisará de metade dos recursos que teria necessidade de alocar se fosse fazer compras ano passado, por exemplo.
"O volume de dinheiro necessário para que um investidor tenha fatia acima de 5% das ações de uma companhia ficou muito menor. Por esta razão cresceu o número de comunicados enviados à bolsa", diz. Favrin destaca ainda que alguns gestores são especialistas em empresas que possuem menor valor de mercado e com baixa liquidez e agora aproveitam oportunidades.
"A atratividade das operações é o preço das ações atualmente, na visão dos fundos de longo prazo. Este é sem dúvida um nicho de mercado, e o momento é favorável para esse tipo de gestor", afirma. Favrin acredita ainda que, quando a crise passar e o mercado tiver mais visibilidade das perspectivas macroeconômicas e também das empresas, muitos desses papéis bastante depreciados podem apresentar valorizações acentuadas, o que justifica o movimento atual. "Sempre vai haver esse perfil de investidor, que aceita assumir um prazo maior para ter o retorno e monetizar o ganho", afirma.
O sócio da gestora de recursos Pólo Capital Marcos Duarte diz que há pelo menos uma década não via as oportunidades que estão aparecendo nos últimos meses. "Há empresas que estão sendo negociadas por um valor de mercado abaixo do patrimonial. Em outras, o preço é praticamente equivalente ao caixa", diz. Os fundos da Pólo já informaram ter feito aquisições que resultaram em parcelas relevantes de companhias como Abyara (6,42%), Inpar (5,21%) e Telemig Celular (6,15%). "Essas são as que excederam os 5% e precisam ser comunicadas, mas temos comprado também outros ativos", diz Duarte. "Em algumas construtoras, comprar a ação está equivalendo a comprar um apartamento com 20% de desconto", compara ele.
Fabio Carvalho, sócio da Orbe Investimentos, afirma que a questão é preço, uma vez que várias ações caíram 80%, 90% neste ano. Para alguém chegar aos 5% ficou muito mais fácil. "Há muitas oportunidades de compra. Apesar da crise, da diminuição de negócios, o mercado não está sem investidor", diz Carvalho. Ele lembra ainda que muitas companhias anunciaram programas de recompra de ações, o que pode influenciar também na distribuição do capital.
"Se ela retira e cancela as ações, pode interferir na base e fazer com que automaticamente determinado fundo supere a fatia de 5% dos papéis e tenha de soltar o comunicado", diz Carvalho. A Orbe tem perfil de investir em companhias menos líquidas à espera de retornos no longo prazo. "Para nós, o momento atual do mercado é muito raro em termos de oportunidades de negócio. Essa fase, de preços muito baixos, é o melhor momento para nos posicionarmos. Algumas empresas que já olhávamos, mas achávamos caras já se transformam em investimentos possíveis. "
A sensação entre os investidores é a de que a fase atual de preços depreciados, em que muitas companhias estão avaliadas abaixo do valor do patrimônio, é injustificada e já está atraindo olhares.
Mês passado um grande banco internacional fez evento reunindo investidores e houve um consenso de que tudo está muito barato. A grande dúvida, diante da gangorra da crise, é saber se não vai ficar ainda mais barato. Por isso, muitos gestores alertam que a hora é estudar opções de investimento, gastar mais tempo avaliando companhias que, mesmo que caiam ainda mais no curto prazo, podem oferecer elevados ganhos no futuro.
Outro que foi às compras é o fundo norueguês Skagen, que levou nacos do Banrisul. Relatório disponível no site da gestora comenta que as ações do banco foram compradas pela metade do preço pelo qual eram negociadas há um ano e ressalta que isso significa comprar abaixo do valor patrimonial. "Além disso, o retorno projetado com dividendos é de 12%", diz o texto. No mesmo relatório, os gestores do Skagen revelam que também investe em outras ações locais, como Vale, Eletrobrás e Nossa Caixa.
Poucos gestores, pelo que se pode notar pelos informes reportados ao mercado, foram tão agressivos nas compras de participações relevantes quanto a Tarpon. Na verdade, a gestora, que abriu capital em 2007, já vinha comprando pedaços maiores de companhias antes da crise e continuou nesse movimento. Na época da captação de recursos, a gestora já tinha mencionado que a maior parte dos R$ 260 milhões obtidos seria usado para aproveitar oportunidades no mercado de ações. Entre as compras dos últimos meses estão ações de Cremer, Marisa e Daycoval.
Os fundos de pensão também vêm aproveitando as ofertas. O presidente da Petros, Wagner Pinheiro, explica que a crise gera oportunidades de forma geral no mercado e lembra que as fundações têm condições de aproveitá-las ainda melhor. "Fundos comuns muitas vezes sofrem resgates e precisam vender papéis mesmo que os gestores não queiram. Nos fundos de pensão isso não acontece, o que nos dá um conforto para aproveitar esses momentos", afirmou Pinheiro.    (Catherine Vieira e Ana Paula Ragazzi - Valor Online)

27.11 - Consumidor insatisfeito com SAC agora usa RI 
O Código de Defesa do Consumidor existe desde 1990. O primeiro serviço de atendimento ao consumidor do Brasil foi criado nos anos 60, pela Nestlé. Agora, no século 21, os consumidores estão lançando mão de uma nova arma para fazer suas queixas e reclamações serem ouvidas pelas empresas: a diretoria de Relacionamento com Investidores (RI). 
No Banco do Brasil, por exemplo, 70% das demandas que chegam por e mail ou telefone ao RI não são de acionistas, e sim de consumidores com as mais diferentes queixas, reclamações ou pedidos de ajuda. "Tem gente que liga até para perguntar se é melhor deixar o dinheiro na poupança ou aplicar em CDB", diz Marco Geovanne, gerente de Relações com Investidores do BB e vice-presidente do Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (Ibri). 
Os departamentos de RI das companhias, segundos Geovanne, são para o consumidor como uma " porta lateral" de entrada na empresa. "Muitos sabem que o RI tem canal direto com o presidente e querem que suas reclamações cheguem até ele. Outros só querem ter alguém com nome e sobrenome para poder passar a queixa, uma coisa mais pessoal que o SAC", diz o executivo. Para ele, a maior parte dos que apelam para o RI são consumidores mais conscientes que a média, que sabem se a empresa tem ou não capital aberto e que não conseguem muitas vezes resolver suas questões pelas vias comuns. 
Esse foi o caso da professora Aparecida Luchini, de Campinas, que levou sua queixa ao RI da empresa de convênios médicos da qual é cliente. "Eles queriam cancelar meu contrato sem razão fundamentada. Da primeira vez que isso aconteceu, levei o caso ao Procon. Mas quando recebi a ameaça pela segunda vez, um ano depois, fui direto ao RI", conta ela. Menos de 24 horas depois de o e mail ter sido enviado, a operadora entrou em contato pedindo desculpas. 
Rapidez de resultados como a do caso acima é o que querem também os moradores de um edifício em São Paulo. Como a construção foi entregue em 2004, muitos itens do prédio ainda estão na garantia da construtora, a Even. Um desses itens é a pintura externa, que precisa ser renovada, e a reforma de um deck. Por isso, o síndico está recomendando aos moradores que mandem e mails ao RI da Even pedindo a realização dos serviços. "Sem pressão, a construtora vai empurrar o problema com a barriga até a garantia vencer", afirma João Vidigal, um dos membros do conselho de condomínio do prédio. 
A esperança de que problemas seja resolvidos logo tem fundamento, segundo Paulo Campos, gerente do departamento de relacionamento com investidores da Petrobrás e também diretor da seção Rio de Janeiro do Ibri. O consumidor, de acordo com ele (que já recebeu até denúncia de postos que batizam gasolina), chega cansado, usando o RI como último recurso. 
"Muitas vezes o cliente consegue o que quer porque o pessoal que está acostumado a lidar com acionistas tem treinamento para resolver pendências e conhece a empresa muito melhor que o SAC ", afirma Campos. 
De maneira geral, segundo os membros do Ibri, a proximidade do consumidor com o RI é boa para a empresa. "Muitas vezes o RI acaba funcionando como um ombudsman. Recebemos reclamações de um departamento, por exemplo, que está sempre dizendo que tudo vai bem. Quando confrontamos essa posição, com base na reclamação de um consumidor, muitas vezes até nos indispomos com essa área", afirma Geovanne. 
Em outras empresas, entretanto, o contato do RI com o consumidor não é tão valorizado. "Tive um problema com uma companhia telefônica e escrevi para o RI, depois de muito brigar com o SAC", conta Aline Lima, estudante de literatura. "Mas o RI acabou por redirecionar minha mensagem novamente para o SAC e nada foi resolvido até agora", afirma ela. 
Dany Muszkat, diretor de relações com investidores da construtora Even, diz que esse é um procedimento comum. "Mas uma coisa é certa: mesmo que a mensagem seja redirecionada, é certo que o RI lê todos os e mails e com atenção", afirma ele. No caso dos moradores do edifício paulistano, a empresa diz que está estudando o que está acontecendo com o prédio e que irá tomar providências em breve.     (Lílian Cunha - Valor Online)

27.11 - O incômodo real 
No governo, sempre houve quem fosse contra a apreciação do real. Agora, os próprios estão preocupados com a sua depreciação. 
Uma parte da apreciação do real nos anos recentes veio de fora, com o boom mundial, associado a alguns méritos nossos. O compromisso com a estabilidade, a abundância de commodities e a qualidade da administração das empresas são fatores que fazem do Brasil um país atrativo. 
Mas a apreciação do real também resultou de nossos erros. Em geral, o principal culpado é a taxa de juros, muito alta. Se o Banco Central tivesse reduzido os juros, atrairíamos menos capitais, e o câmbio se fortaleceria menos. 
Nos últimos anos o Brasil passou por um período de ouro com o pragmatismo do presidente Lula, embalado pelo boom global. E o setor privado reagiu à altura. As empresas investiram e contrataram trabalhadores como não faziam desde os anos 70. 
O Bolsa Família e a queda dos preços dos alimentos em 2005 e 2006 fizeram a renda dos mais pobres crescer a um ritmo chinês, como costuma dizer Marcelo Néri. Os consumidores, embalados pelo aumento da renda e da segurança, para não falar do crédito consignado e o próprio barateamento das importações devido ao real forte, foram às compras. 
Enquanto a produção crescia à taxa de 4-5%, as vendas no varejo cresciam 12% ao ano - aliás, ainda cresceram á taxa de dois dígitos em setembro último. Esse descompasso não ia muito longe sem que a inflação aparecesse. Apareceu. E o BC não só teve que manter os juros elevados durante todo o período, como teve que elevá-lo no primeiro semestre desse ano. 
O erro de manter os juros elevados não tinha muita alternativa se o compromisso com a estabilidade fosse respeitado. Então o erro não estava aí. Onde estava? 
Estava na política fiscal e para-fiscal. Se a demanda privada estava de vento em popa, por que o governo não reduziu o ritmo de expansão dos gastos públicos e transferências? Por que não diminuiu os gastos correntes em relação aos gastos públicos em infra-estrutura, que abrem espaço para o crescimento não inflacionário? Por que não ajudou o BC, em vez de atrapalhar? 
Por que os bancos federais, em particular o BNDES, tinham que expandir o crédito a juros subsidiados quanto havia crédito privado farto e o mercado de capitais passava por um bom momento? 
Em um país que tem demanda privada crescendo acima do PIB, política fiscal pró-cíclica e Banco Central comprometido com inflação baixa, o câmbio só tem um caminho: a apreciação. Se você tivesse que abrir mão de um dos três, de qual você abriria? 
Agora, os mesmos que queriam um real mais depreciado, se preocupam com o real muito depreciado. 
Um pedaço, talvez o maior, da depreciação dos últimos meses, vem de fora. O medo e a demanda por liquidez no mundo rico funcionam como um aspirador de pó, buscando dólares onde quer que eles estejam. E eles estavam no Brasil que tinha atraído muito capital. Esse efeito não difere muito entre os países. 
O que diferenciará os países nos próximos meses, com impacto sobre as taxas de juros e câmbio, será a resposta à crise. 
Os preços das commodities caíram e o PIB mundial vai desacelerar. O valor de nossas exportações vai cair em torno de 20% em 2009, ou mais. O efeito da queda dos preços de commodities fará o saldo desse segmento da balança voltar ao nível de 2005 (US$ 30 bilhões) quando a preços do início de 2008 estava em US$ 70 bilhões. 
Se mantivermos a demanda doméstica e as importações crescendo, o déficit da conta corrente vai aumentar. Pode crescer para 4-5% do PIB, em um mundo menos complacente com países deficitários. Isso é o que definirá o valor do real daqui para frente. 
No Brasil, a demanda privada vai desacelerar. Em um mundo que cresce menos e, principalmente, em que o acesso ao crédito é muito mais restrito, a demanda agregada dos países emergentes terá que crescer mais em linha com seu produto potencial.
De novo, as políticas fiscal e para-fiscal têm um papel importante na evolução do câmbio. A política fiscal não deve tentar evitar a desaceleração da demanda doméstica sob risco de que o déficit externo cresça além do razoável, colocando o real sob pressão. 
Os bancos privados têm se mostrado cautelosos em oferecer crédito nesse mundo de aversão ao risco. Em seu lugar, tem-se assistido a uma ação voraz dos bancos federais tanto no crédito ao consumidor quanto às empresas. Por que os bancos públicos se comportam diferente dos privados? Os bancos públicos já passaram por vários processos de recapitalização, com efeitos relevantes sobre o endividamento do setor público. Será que deixaremos um passivo para nossos filhos? 
Outra forma pela qual a política fiscal pode afetar o câmbio é através da confiança na sua consistência intertemporal. A hiperatividade da política fiscal é contraproducente. Se ela for responsável por manter o real muito depreciado por muito tempo, o Banco Central será obrigado a manter os juros elevados para conter a inflação, justamente quando a demanda privada estará desacelerando ou caindo. 
Uma política fiscal mais passiva reduz o risco de efeitos nocivos sobre o real e se, de fato, a demanda doméstica se mostrar muito débil, o Banco Central sempre terá espaço para cortar os juros. 
Esse é o último artigo que escrevo para essa coluna. Agradeço à direção e à equipe de editoria do Valor Econômico pela honra de colaborar com o jornal, bem como pelo tratamento amável que recebi nos últimos anos.     (Edward Amadeo - Valor Online)

26.11 - Campanha contra a crise
Uma nova campanha publicitária do governo entrará no ar na primeira quinzena de dezembro com o seguinte tema: "O mundo aprendeu a respeitar o Brasil e o Brasil confia nos brasileiros". A informação é do ministro Franklin Martins ( Comunicação de Governo). Ele explicou que a campanha será veiculada em emissoras de rádio e TV, além de publicada em jornais. 
O objetivo é mostrar como o Brasil enfrenta a crise, qual a situação do País hoje e dizer à população que se ela tiver condições, não deve deixar de comprar, guardando o dinheiro sob o colchão, pois isso reduz a demanda. A campanha pretende mostrar que o País está preparado para enfrentar a crise e que as pessoas não devem se apavorar.   (Tânia Monteiro - O Estado de S.Paulo)

26.11 - Investimentos a longo prazo, uma necessidade
Nem mesmo a crise financeira global parece ameaçar a evolução da previdência complementar no Brasil. Ao contrário.
Em momentos como o atual, de incertezas sobre o desempenho das aplicações de curto prazo, ganham ainda mais destaque os investimentos de longo prazo. E a previdência é aquele que mais se enquadra no perfil de risco reduzido, por conta do extenso período de contribuição, tradicionalmente voltada para garantir uma aposentadoria complementar ou garantir projetos de vida diversos, como o custeio da educação dos filhos dos aplicadores.
Prova disso são os números da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), que mostram que, em setembro, no início da crise internacional, os planos de previdência complementar brasileiros captaram R$ 2,4 bilhões, 23,2% acima do mesmo mês de 2007. No acumulado dos três trimestres deste ano, o crescimento chega a 19% sobre o mesmo período do ano passado.
Cada vez mais grandes bancos - como o Bradesco, líder absoluto no segmento, com market share de 35,27% em captações - aproveitam a escala de seus negócios para popularizar o mercado de previdência privada. As instituições bancárias e seguradoras independentes disputam o mercado palmo a palmo para oferecer diferentes tipos de produtos a públicos que antes tinham que se contentar apenas com a previdência pública para garantir alguma renda adicional após deixar o mercado de trabalho.
Nessa linha de crescimento, o avanço de renda da classe C transforma essas faixas da população nos mais novos alvos das companhias de previdência privada. Aos poucos, como aponta o vice-presidente da Fenaprevi, Renato Russo, esse tipo de investimento está deixando de ser exclusividade de executivos e profissionais de alta renda para se tornar uma opção essencial para a garantia de renda na velhice de toda a população. Já há planos de baixo investimento acessíveis para aqueles que querem apenas complementar a renda oferecida pela Previdência Social, com contribuições mensais a partir de R$ 10.
"Alcançar este segmento é mais um objetivo de educação financeira. Temos que olhar para essa questão e ampliar o leque de produtos, na perspectiva de que a classe C de hoje não será a classe C de amanhã, graças à mobilidade social. Mais recentemente, passamos a enxergar a classe média baixa como uma massa cada vez maior de novos clientes que procuram iniciar o seu planejamento financeiro de longo prazo", analisa Renato Russo.
Mas a crescente preocupação do brasileiro em entrar com maior segurança financeira na terceira idade não decorre apenas de novos produtos e campanhas publicitárias promovidas pelas empresas de previdência privada. O envelhecimento da população está intimamente ligado a esse processo, e também está exigindo adaptações dos planos a uma expectativa de vida crescente: os segurados estão vivendo mais, e recebendo o benefício da previdência por mais tempo.
Também colabora para a disparada do mercado de previdência privada no País a adoção de planos como benefícios corporativos oferecidos pelas empresas a seus funcionários, dentro das políticas de retenção e atração de talentos. E não só as grandes companhias, mas também muitos pequenos e médios negócios já enxergam na previdência privada uma ferramenta acessível de recursos humanos. "É uma questão cultural. Nos Estados Unidos, por exemplo, os planos de previdência privada das empresas aos empregados são os complementares, enquanto os produtos individuais são considerados suplementares, mais uma opção de investimento", comenta Edson Franco, presidente da Real Tokio Marine Vida e Previdência.
Por fim, para aqueles que ainda têm dúvidas sobre as estratégias de investimento que devem adotar agora e o papel que a previdência privada pode ter neste planejamento, um artigo do professor da USP e ex-secretário de Previdência Complementar do Ministério da Previdência Social, José Roberto Savoia, esclarece: "Quanto antes se iniciar a poupança voluntária, melhor será o resultado final. Não há políticas de educação financeira no País, apenas iniciativas isoladas. Nossa cultura não valoriza o hábito de poupar. Nossos jovens são impelidos ao consumo e valorizam o imediato, poupando muito pouco. É imprescindível alterarmos esta cultura e incentivarmos hábitos saudáveis de poupança".  (Segs)

26.11 - Dívida reduz o fôlego da Petrobras para projetos
Com caixa de R$ 10,77 bilhões (equivalentes a US$ 5,6 bilhões) acumulado entre janeiro e setembro de 2008, a Petrobras é uma das empresas com maior número de projetos no mundo. Não se trata de notícia alvissareira considerando a atual escassez de crédito. O momento pode fazer minguar os financiamentos necessários para tocar os pesados investimentos necessários para desenvolver a produção de petróleo no pré-sal e construir as refinarias que poderão transformar o país em exportador de combustíveis.
Desde 2007, a estatal passou a usar com mais intensidade o dinheiro do seu caixa para investimentos. A companhia começou 2007 com R$ 27,8 bilhões, valor que caiu para R$ 13 bilhões no início de 2008. Em setembro, reduziu-se para R$ 10,7 bilhões. Porém, com aumento da dívida financeira líquida de quase R$ 7 bilhões no terceiro trimestre, para R$ 37,5 bilhões, seu poder de fogo ficou bem reduzido.
Em 2008, a estatal captou ou contratou US$ 9,2 bilhões, dos quais US$ 1,1 bilhão no mercado de capitais e bancos comerciais no exterior. Em 2009, a Petrobras pode elevar as captações em moeda local, inclusive com o BNDES.
Com menos recursos em caixa e diante de um longo ciclo de investimentos à frente, a Petrobras passa a depender ainda mais dos recursos gerados pela venda de combustíveis. Mas está diante da possibilidade de ter que baixar preços da gasolina depois de terem passado três anos sem reajuste, justo no período de escalada de preços do petróleo no mercado internacional. Atualmente, a gasolina vendida no Brasil está 70% mais cara do que a da região do Golfo do México americano e o diesel 19% mais alto segundo cálculos do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE). A estatal contesta esses números: alega que não contabilizam frete e outros custos de importação, mas o CBIE diz que esse é o cálculo possível dado que se desconhece a estrutura de custos da Petrobras.
O aumento de preços feito em maio Petrobras nas nas refinarias foi compensado pela redução da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) não chegou às bombas. Já no diesel, só uma parte da Cide foi usada como amortecedor de preço.
A avaliação da Petrobras, já manifestada publicamente, é de que os investimentos mais elevados para elevar a produção no pré-sal vão ocorrer em 2013 e 2014, quando virão os gastos com a perfuração de centenas de poços e a construção de várias plataformas que vão permitir a produção de petróleo. Até lá, o que se espera é uma melhora do quadro econômico e da liquidez de recursos em 2009 ou, no máximo, em 2010.    (Valor Online)
 
 
 
 
 

25.11 - O fim de um ''círculo virtuoso''
Há fortes sinais de que a recessão mundial será mais intensa e mais prolongada do que inicialmente se previa. O Japão e a Alemanha já estão em recessão e a economia dos Estados Unidos, onde ocorreu o epicentro da crise, trilha o mesmo caminho. Com um agravante, apontado pelo prêmio Nobel em economia Paul Krugman, em recente artigo: ainda faltam quase dois meses para a posse de Barack Obama na presidência. Até lá, alertou Krugman, a deterioração da maior economia do planeta poderá se agravar pela inércia da atual administração, em fim de mandato.
Quanto maior e mais longa for a recessão mundial, mais o Brasil sofrerá. O economista Raul Velloso, em conversa com este colunista, chamou a atenção para o fato de que os elementos que sustentaram o ?circulo virtuoso? de crescimento da economia brasileira nos últimos anos já não existem. ''O Brasil tinha entrado num círculo virtuoso em que havia um horizonte de crescimento bem nítido. Estamos presenciando agora a reversão deste círculo'', disse.
Durante os últimos anos, o Brasil foi beneficiado pelo forte crescimento da economia mundial, marcado por uma expressiva valorização dos preços das commodities minerais e agrícolas e por uma grande liquidez. A valorização das commodities permitiu ao Brasil acumular significativos saldos comerciais. A entrada de capitais externos ajudou a financiar o crescimento. O ingresso maciço de moeda estrangeira, resultante do saldo comercial elevado e das aplicações e dos investimentos externos no País, valorizou o real e barateou as importações. Com importações mais baratas, os empresários puderam investir mais e elevar a capacidade produtiva do Brasil.
Esse era o círculo virtuoso em que o Brasil estava até a quebra do banco americano de investimento Lehman Brothers. Esse modelo acabou, observou Raul Velloso. ''O dinheiro externo secou e os preços das commodities desabaram'', disse. O preço médio em dólar das commodities já caiu para o mesmo nível de 2003, como mostra o gráfico acima. ''Levou-se cinco anos para que os preços das commodities atingissem o pico e quatro meses para desfazer quase tudo'', constatou Velloso.
No dia 4 de julho deste ano, o preço médio da cesta de commodities (petróleo, minerais, grãos, etc.) atingiu o seu pico, registrando US$ 472,4. No dia 10 de novembro último, o preço médio da cesta já tinha caído para US$ 261,3 - uma queda de 45% em quatro meses. O nível mais baixo nesta década foi registrado no início de novembro de 2001, quando a cesta de commodities estava cotada a US$ 185,1.
Com a desvalorização brutal do real nas últimas semanas, provocada pela saída de dólares e pelo corte das linhas externas de crédito, as importações ficaram muito mais caras. Assim, as importações de bens de capital ficaram mais difíceis, o que poderá comprometer a renovação e ampliação do parque produtivo brasileiro. ''O pior efeito do câmbio será sobre os investimentos'', disse Velloso.
Para ele, a demanda interna já vinha subindo fortemente antes da quebra do Lehman Brothers, o que podia ser percebido pelas pressões inflacionárias. A economia estava crescendo em torno de 6% e o Banco Central foi obrigado a iniciar um movimento de elevação de juros para arrefecer um pouco a demanda. Mas, até então, o investimento crescia a taxa elevada, o que ajudava a atenuar as pressões inflacionárias. Os investimentos ampliavam a capacidade produtiva do País ou, como os economistas preferem dizer, o Produto Interno Bruto (PIB) potencial brasileiro.
O cenário para os próximos meses, advertiu Velloso, é de pressão sobre os preços provocada pela maxidesvalorização do real e de queda no ritmo de investimentos, o que poderá levar o Banco Central a subir os juros. Isto porque se o ritmo de investimento for reduzido, também cairá o PIB potencial do País, ou seja, a capacidade dos produtores de atender à demanda. A redução do ritmo de crescimento da economia no próximo ano, em decorrência da crise econômica, ajudará a atenuar as pressões inflacionárias, admitiu o economista, mas poderá não ser suficiente.
Para reduzir as chances do BC elevar os juros, Velloso recomenda que o governo corte os gastos correntes. A receita do economista é amarga. Ele sugeriu que o governo reveja os aumentos salariais concedidos ao funcionalismo, escalonado em vários anos, e não conceda o aumento real de 5,4% previsto para o salário mínimo em fevereiro do próximo ano, equivalente ao crescimento do PIB de 2007. A receita de Velloso é para que o governo mantenha o superávit primário.   (Ribamar Oliveira - O Estado de S.Paulo)

25.11 - E para onde essa bola vai rolar?
Olhando no retrovisor tudo esteve bem. Já no farol de milha há muita neblina em noite escura. Esse pode ser o resumo - com licença do Joelmir Betting - da situação geral da economia brasileira e mundial. Aliás, lembrando o tradicional discurso de muitas autoridades sobre a necessidade de haver coordenação internacional das políticas econômicas, é irônico constatar que o que na verdade está bem coordenado, desta vez, é a crise: praticamente todos os países do mundo estão diante dela. E sem saber o que fazer...
E como toda crise que se preze, em qualquer campo de atividade, essa também tem sua parcela de vida própria. Caminhou muito depressa. Em pouco tempo, deixou-se de falar em recessão e já se fala abertamente em depressão. Pelo menos nos EUA. No Brasil, ainda não se manifestou abertamente uma recessão nem uma depressão: a arrecadação do governo continua batendo recordes, o emprego ainda cresce, embora menos, a renda e o consumo também. Ainda. É o que se vê no espelho retrovisor: tudo fruto da inércia, como na física (um corpo posto em movimento tende a permanecer em movimento, etc., etc.). A economia brasileira vinha surfando um bom vento de popa e, em certa medida, ainda está no embalo. Deve continuar assim até o final do ano, pelo menos. Os empregos temporários criados nessa época de festas natalinas mais o pagamento do saldo do 13º salário em dezembro são dois bons assoprões nas velas do barco.
E o governo está agindo certo, afinal, injetando dinheiro na economia - nas montadoras, um pouco na agricultura, um outro tanto nos bancos, etc. Poderia agir muito melhor dando um corte significativo na carga tributária, cortando o próprio custeio e deixando nas mãos dos contribuintes o dinheiro que está empoçado em projetos que não andam, pois o aumento da arrecadação (aumento real de 12,36% em um ano) mais do que garante os gastos inadiáveis (basicamente, folha do funcionalismo, ativo e aposentado).
Mas governo é assim mesmo: quando age certo, é ação meia-boca; quando age errado, é boca inteira.
O que está indo ladeira abaixo, no contraponto dos números da economia, são as expectativas. Ninguém espera nem conta com um início de 2009 minimamente auspicioso. Normalmente é assim, aliás. Os começos de anos são de baixa estação na economia. Mas o começo de 2009 pode ser de baixíssima estação. Que talvez se prolongue por três quartos do ano. A julgar pelo que está acontecendo na construção civil, no mercado de ações, no quesito dos juros e do crédito e na lavoura, onde há muito não se viam bancos tomando de volta máquinas agrícolas por eles financiadas (aliás, entre parênteses, para fazer o que com elas? Vender no desmanche?), enfim, se o Brasil emplacar um crescimento do PIB de 3,5% no ano que vem, será pra lá de bom.
Muitos leitores mandarão e-mails indignados, dizendo que isso não passa de puro mau agouro. Tomara que seja. Ninguém torce pela crise. O presidente Lula é que vive pensando e dizendo que a oposição está torcendo a favor da crise, para que o governo dele acabe no buraco, e não no nirvana com que ele contava (e conta ainda). Mas não é verdade. Nem pode ser verdade. Só um tonto desejaria isso. E, embora a oposição esteja cheia de tontos e sôfrega para voltar ao pódio em 2010 - está, é claro! -, quem é que quer pegar para governar um país em crise, uma economia em frangalhos?
Não, nada disso. O que vai levar a economia para baixo, a partir do início de 2009, não é a torcida de ninguém e, sim, as tais das expectativas. As expectativas, das empresas, das pessoas, dos investidores, são uma coisa danada, impossível de medir, e não estão boas. Quando isso acontece, os fatos começam a dar para trás. Por exemplo: a indústria automobilística vendeu muito. Ajudou e facilitou bastante a freguesia. Estendeu os prazos de financiamentos ad infinitum. Ganhava talvez mais nos juros do que na venda dos carros. Aí, de repente, mudam as expectativas dos que compraram carros e dos que pretendem comprar. Eles começam a achar que não vai dar para pagar as prestações, porque o salário não está seguro, a inflação vai subir e pressionar o orçamento doméstico - o mar não está pra peixe, enfim. Por tudo isso, podem escolher entregar os carros que compraram. A concessionária e o banco vão fazer o quê? Vender para outros fregueses? Mas, estes podem ter a mesma expectativa, não vão querer comprar. A expectativa da concessionária, que antes era de lucro crescente, passa a ser de prejuízo crescente. A do banco, que antes era de aumentar a oferta de crédito para lucrar mais, passa a ser a de diminuir a oferta de crédito para perder menos. A expectativa geral do mercado de carros passa do viés de alta para o viés de baixa. E, na seqüência, o mesmo acontece nos mercados dos fornecedores de peças e acessórios, nos dos serviços de oficinas, nos dos pneumáticos e até nos dos combustíveis. O time inteiro passa a jogar na retranca - e na retranca, como sabe o grande técnico de futebol Lula da Silva, não se faz gol.
De modo que, independentemente da torcida de quem quer que seja, oposição ou situação, a vaca, ou seja, a economia, está entrando no brejo. A questão é saber quanto tempo permanecerá nele e até onde pode afundar. Ninguém tem essa resposta. O que se sabe é que os tempos vindouros, como diriam os antigos, serão difíceis.
O governo não está fazendo tudo o que poderia, como já dissemos, mas está fazendo coisas positivas que aliviam a situação. E, de fato, concordando com o que o ele diz, a economia brasileira está hoje mais sólida e em melhores condições para enfrentar crises do que no passado. Mas vai haver muita dificuldade. O mais importante é que não haja muito desemprego, pois é no emprego, afinal, que está o motor de toda a economia.    (Marco Antonio Rocha - O Estado de S.Paulo)
 
 
 
 
 

24.11 - Banco do Brasil fecha compra da Nossa Caixa por R$ 5,4 bilhões 
O Banco do Brasil fechou na quinta-feira a compra da Nossa Caixa, banco estadual de São Paulo. A negociação foi concluída por R$ 5,386 bilhões e é o primeiro passo do BB no sentido de retomar a liderança de mercado perdida após a fusão entre o Unibanco e o Itaú. 
O pagamento será realizado em espécie dividido em 18 parcelas de R$ 299,250 milhões a partir de março de 2009, corrigidas pela taxa Selic até o pagamento das respectivas parcelas. Pelo acordo, cada ação foi avaliada em R$ 70,63. 
De acordo com o banco federal, a negociação envolve 71,25% do capital na Nossa Caixa, o que dá o controle ao Banco do Brasil. A instituição informou ainda que dará aos acionistas minoritários as mesmas condições que ofereceu ao governo do Estado. 
O Banco do Brasil negocia ainda a compra do BRB (Banco Regional de Brasília) e de metade do banco Votorantim, de propriedade da família Ermírio de Moraes. Caso concretize esses negócios, poderá voltar a ser a maior instituição financeira do país. a instituição aprovou a compra do Banco do Piauí. 
Na última terça-feira (18), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o governo quer que o Banco do Brasil volte a ser o maior banco do país, posto que ele perdeu com a fusão do Itaú com o Unibanco. 
"O Banco do Brasil era o principal banco do Brasil e com a fusão do Itaú e do Unibanco passou a ser o segundo. Nós queremos que o Banco do Brasil seja muito maior do que qualquer outro banco no Brasil", disse Lula na terça-feira. 
Divulgação 
Lucro do Banco do Brasil ficou em R$ 1,867 bilhão no 3ºtrimestre, em alta de 36,9% 
Na semana retrazada, durante a divulgação dos resultados do BB, o presidente da instituição, Lima Neto afirmou que o banco tem interesse em crescer no mercado de São Paulo -- maior do país e onde o BB ocupa a 4ª colocação em número de agências-- e além da expansão orgânica (por meio dos próprios negócios) no país. Ele antecipou isso só ser possível com aquisições e que tal posição já existia antes mesmo do início da crise financeira e da fusão Itaú-Unibanco 
Unibanco e Itaú anunciaram no começo do mês a fusão de suas operações financeiras, o que formará o maior banco do país e o maior grupo financeiro do Hemisfério Sul. A união é resultado de 15 meses de negociação. 
Segundo as duas instituições, o total de ativos combinado é de mais de R$ 575 bilhões --contra R$ 403,5 bilhões do Banco do Brasil, e R$ 348,4 bilhões do Bradesco, de acordo com dados de junho do Banco Central. 
A compra da Nossa Caixa pelo BB também frustra os planos do Bradesco, que também se moveu em direção ao banco estadual, vista como uma das poucas possibilidade de ampliar sua presença no mercado. Com a fusão entre Itaú e Unibanco, o Bradesco deixou de ser a maior instituição financeira privada do país. 
A possibilidade de compra de bancos estaduais, sem licitação, foi possível por meio de um medida provisória, que permite ao BB e à Caixa Econômica Federal adquirem outras instituições financeiras. 
Divulgação 
Nossa Caixa reverteu prejuízo e lucrou R$ 69,8 milhões no 3º trimestre deste ano 
Balanço 
O Banco do Brasil encerrou o terceiro trimestre deste ano com lucro líquido de R$ 1,867 bilhão, um crescimento de 36,9% sobre o mesmo período de 2007. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, o crescimento foi de 13,6%. 
Nos nove primeiros meses deste ano, o lucro líquido do banco foi de R$ 5,9 bilhões, 52,5% de crescimento em relação ao observado no mesmo período de 2007. Os ativos totais do BB cresceram 10,2% no trimestre, e 26,5% em 12 meses, alcançando R$ 444,7 bilhões. Já o resultado consolidado econômico-financeiro (que incorpora, proporcionalmente, as informações contábeis das empresas não-financeiras coligadas ao banco) mostra um total de ativos de R$ 458,9 bilhões. 
Já a Nossa Caixa teve lucro líquido de R$ 69,8 milhões no terceiro trimestre, ante prejuízo líquido de R$ 67,9 milhões no mesmo período do ano passado. Nos acumulado do ano, o lucro somou R$ 596 milhões, alta de 87,5% sobre os nove primeiros meses de 2007. Os ativos totais da Nossa Caixa, segundo o balanço do terceiro trimestre, totalizaram R$ 53,43 bilhões.   (Folha Online)

24.11 - Insuficiente 
As medidas de socorro às atividades financeiras tomadas em todo o mundo desenvolvido e, com maior ou menor vigor, em todos os países emergentes, dão sinais que começam a funcionar. Isso se vê pela redução (ainda pequena) da taxa Libor dos juros nas transações interbancárias.
A crise que estamos vivendo simplesmente iluminou um fato conhecido desde sempre: a confiança entre os agentes é o ingrediente necessário à existência de toda a atividade econômica que se processa através dos mercados. Estes, por sua vez, só podem existir quando amparados num Estado capaz de garantir a propriedade privada que permite aos cidadãos apropriarem-se dos benefícios de sua liberdade de iniciativa e assegurar a execução dos contratos estabelecidos entre eles.
O problema da "confiança" é multifacetário (antropológico, psicológico, sociológico, econômico, teológico etc.). Já em 1979, Luhmann mostrou que esse conceito, fundamental para explicar o comportamento das sociedades tradicionais, era também central para entender o funcionamento das sociedades cuja complexidade de relações é crescente, a incerteza é generalizada, e os riscos, inevitáveis. Maximizando o reducionismo, podemos dizer que: 1º) a confiança envolve risco; 2º) o "principal" (quem confia) não tem condições de monitorar permanentemente o "agente" (em quem confia) e 3º) o "principal" não confia apenas no "agente". Espera (confia) que o Estado o substitua no seu controle.
Quando, por qualquer motivo, desaparece a confiança, os sistemas financeiros e produtivo entram em colapso. O governo inglês foi o primeiro a reconhecer que a crise era algo mais profundo do que um problema de liquidez. Tratava-se da morte súbita da confiança, o fator catalítico que controla toda a atividade econômica, o que exigia uma ação enérgica e radical do Estado.
No Brasil, é preciso reconhecer que o governo agiu corretamente e com razoável rapidez, mas sem a radicalidade necessária. O que se fez até agora não será suficiente para minimizar o custo (inevitável) da retração mundial sobre a economia brasileira. É ilusão pensar que o crescimento de 2009 está escrito nas estrelas ou em 2008. Ele será o que soubermos fazer dele com inteligência e alguma ousadia.
O governo tem sido expedito, mas tímido e desajeitado, em dar o "conforto" ao setor privado para restabelecer a confiança geral. Isso é evidente no que se refere às instituições financeiras menores (mas não menos hígidas!) que financiam a pequena indústria e o pequeno comércio, responsáveis pela maioria dos empregos.   (ANTONIO DELFIM NETTO - Folha de S.Paulo)

24.11 - Bancos pequenos e médios já sentem os reflexos da crise
Com a crise financeira internacional, os bancos grandes têm diminuído a liberação do crédito e os pequenos e médios pararam de operar com o crédito, analisa o consultor e economista Luis Alberto de Paiva, da consultoria financeira Corporate Consulting, em entrevista exclusiva para o Portal Executivos Financeiros, realizado na terça-feira (19/11). 
“Os bancos grandes começaram a segurar as linhas de crédito e os bancos pequenos pararam de operar”, ressalta Paiva. Com isso, explica o economista, houve uma mudança em relação ao perfil de negócio, “as empresas começaram a buscar redução de custo”, completa. Além disso, “temos percebido que os bancos de médio porte têm demitido as áreas comerciais, se eles estão fazendo isso é porquê não tem a intenção de acelerar o volume de crédito na praça”, pondera. 
Segundo Paiva, haverá uma reformulação no sistema financeiro como o todo, “os bancos podem começar a se fundir e devem criar instituições mais fortalecidas. A médio e longo prazo o numero de instituições financeiras no País deve reduzir assim como a crise liquidez”, explica Paiva.
Para o economista, o maior impacto da crise deve vir a partir de janeiro, “temos movimento de liquidez mais difícil esse ano, mas que é amenizado com o natal. Quando o mercado assentar a partir de janeiro, vamos perceber que as empresas não vão obter movimentação para conter os estoques, vai faltar recursos”, sinaliza Paiva.
O economista acredita que isso pode gerar conseqüências para o mercado de trabalho. “Vai ter agravamento da crise, em conseqüência disso desemprego, porque tem que reduzir custos”, diz Paiva. Com o agravamento da crise, “o consumidor vai pensar duas vezes antes de pensar antes de adquirir uma divida”, estima. (Tatiany Cavalcante - Executivos Financeiros)

24.11 - Crise é mais rápida que transição 
Todo mundo está falando sobre um novo New Deal, por motivos óbvios. Em 2008, como em 1932, uma longa era de domínio político republicano chegou ao fim em meio a uma crise econômica e financeira que, aos olhos dos eleitores, tanto desacreditou a ideologia de livre mercado que o Partido Republicano sempre defendeu quanto solapou as alegações de competência administrativa de seus líderes. E para as pessoas que se posicionam na banda progressista do espectro político, o momento é de esperança. 
Mas existe também um segundo paralelo, mais perturbador, entre a situação de 1932 e a de 2008 a saber, o surgimento de um vácuo de poder em um momento culminante da crise. O interregno de 1932-1933, aquele longo período entre a eleição e a transferência efetiva de poder, se provou desastroso para a economia dos Estados Unidos, ao menos em parte porque o governo em fim de mandato não tinha credibilidade, o governo que assumiria não tinha autoridade. A mesma coisa está acontecendo agora. 
O que pode sair de errado nos dois meses que nos separam da posse de Obama? A resposta, infelizmente, é: muita coisa. Considerem o quanto o quadro econômico se agravou no período que sucedeu a quebra do Lehman Brothers, acontecida há apenas pouco mais de dois meses. E o ritmo de deterioração parece estar se acelerando. 
Um indício óbvio é o fato de que estamos em meio ao pior crash nos mercados de ações desde a Grande Depressão: o índice Standard & Poor's 500 está hoje mais de 50% abaixo de seu pico. Há outros indicadores talvez até mais perturbadores: os pedidos de benefícios-desemprego estão em alta, a produção industrial está despencando, as taxas de juros nos títulos corporativos que refletem os temores de inadimplência entre os investidores estão em disparada e isso quase certamente resultará em corte acentuado nos gastos das empresas. As perspectivas econômicas parecem muito mais sombrias hoje do que era o caso uma ou duas semanas atrás. 
Mas a política econômica, em lugar de tentar responder à ameaça, parece ter tirado férias. Um problema particularmente grave é que o pânico retornou aos mercados de crédito e nada está sendo feito para preparar um novo plano de resgate. Pelo contrário: o secretário do Tesouro, Henry Paulson, declarou que não pretende voltar ao Congresso para obter a segunda metade dos US$ 700 bilhões já aprovados para o resgate ao setor financeiro. E a assistência financeira ao setor automobilístico em séria crise está paralisada devido a um impasse político. 
Até que ponto esses dois meses de deriva política deveriam nos preocupar? No mínimo, os próximos dois meses infligirão sérios danos a centenas de milhares de norte-americanos, que perderão seus empregos, suas casas ou ambos. O que realmente incomoda, porém, é a possibilidade de que parte do dano que está sendo causado agora venha a se provar irreversível. Estou especialmente preocupado com duas coisas: deflação e Detroit. 
Quanto à deflação, a "década perdida" do Japão nos anos 90 ensinou que é muito difícil recolocar a economia em movimento quando as expectativas de inflação se tornam excessivamente baixas (não importa se as pessoas esperam ou não que os preços literalmente caiam). No entanto, a economia americana enfrenta clara pressão deflacionária. Cada mês que passa sem sinais de recuperação eleva a chance de que nos vejamos aprisionados em uma armadilha como a do Japão. 
Quanto a Detroit: existe um risco verdadeiro de que, na ausência de assistência rápida, as três grandes montadoras de automóveis e sua rede de fornecedores vão à bancarrota. Caso isso aconteça, trazê-las de volta será muito difícil. 
É fato que permitir a morte das montadoras de automóveis talvez seja a decisão correta, ainda que o colapso da indústria automobilística possa representar mais um duro golpe. Mas trata-se de uma decisão que deveria ser tomada com cuidado e não por inércia, devido a um impasse entre os democratas que desejam que Paulson empregue parte dos US$ 700 bilhões do pacote de resgate para essa finalidade e um governo em fim de mandato que em lugar disso está tentando forçar o Congresso a desviar fundos que bancariam um programa de promoção da eficiência energética. 
A política econômica estará completamente paralisada daqui até o dia 20 de janeiro? Não, não completamente. Algumas medidas úteis estão sendo tomadas. Por exemplo, as agências de crédito hipotecário Fannie Mae e Freddie Mac suspenderam temporariamente as execuções de hipotecas. 
Mas não temos nada acontecendo na frente política em escala minimamente compatível com as dimensões da crise econômica. E é assustador imaginar quantas coisas mais podem acontecer de errado daqui até o dia da posse.    (PAUL KRUGMAN - New York Times,tradução de Paulo Migliacci - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

19.11 - IGP-M sobe 0,49% na 2º- prévia
O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) subiu 0,49% na segunda prévia de novembro, informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV). A taxa ficou abaixo das expectativas do mercado financeiro e é 0,37 ponto percentual inferior à apurada no mesmo período de outubro. Na primeira prévia do mês, o IGP-M subiu 0,80%. 
O Índice de Preços no Atacado (IPA) avançou 0,48%, abaixo da elevação de 1,11% no mesmo período de outubro. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) recuou de 0,89% para 0,71%. 
Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) registrou aceleração, ao passar de 0,13% para 0,41%. Na semana encerrada em 15 de novembro, o indicador semanal registrou alta de 0,56%, queda de 0,02 ponto percentual em relação à apuração anterior.    (Gazeta Mercantil)

19.11 - Inflação semanal recua para 0,56% na 2ª prévia de novembro
A inflação semanal medida pelo IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor - Semanal) diminuiu para 0,56% na segunda semana de novembro – taxa apenas 0,02 ponto percentual abaixo da leitura anterior, segundo dados divulgados na segunda-feira pela FGV (Fundação Getulio Vargas).
Segundo a entidade, das sete classes de despesa que compõem o índice, quatro tiveram queda em suas taxas de variação. A maior contribuição partiu dos alimentos (1,16% para 1,06%), com destaque para Frutas (6,93% para 5,73%), Arroz e Feijão (2,50% para 0,68%) e Carnes Suínas (2,20% para 1,22%).
As outras categorias que também registraram desaceleração em seus preços foram Saúde e Cuidados Pessoais (0,49% para 0,42%), Vestuário (0,98% para 0,95%) e Transportes (0,14% para 0,13%).
Em cada uma dessas classes de despesa, os destaques foram: Serviços de Saúde (0,67% para 0,57%), Calçados (0,60% para 0,48%) e Álcool Combustível (0,52% para -0,16%), nesta ordem.
Por outro lado, os grupos Habitação (0,39% para 0,41%), Educação, Leitura e Recreação (0,21% para 0,39%) e Despesas Diversas (-0,21% para -0,17%) apresentaram acréscimos em seus índices. Os itens que mais contribuíram para este movimento foram Tarifa de Eletricidade Residencial (0,05% para 0,26%), Salas de Espetáculo (-0,21% para 1,21%) e Mensalidade para TV por Assinatura (-1,65% para -0,68%), respectivamente. (Diário Online)

19.11 - Mercado prevê superávit menor
O mercado está consolidando a percepção de que haverá esvaziamento do fôlego do superávit comercial brasileiro neste ano. Conforme apurado pelo boletim Focus, do Banco Central, a mais recente projeção é que o saldo comercial será positivo em US$ 23,78 bilhões, uma pequena retração frente à projeção de superávit verificada no relatório anterior de US$ 23,82 bilhões, mas que indica uma tendência que vem se consolidando. Um mês atrás, as projeções indicavam superávit de US$ 24 bilhões. 
O saldo da balança comercial brasileira atingiu US$ 734 milhões na segunda semana de novembro (do dia 10 ao 16), informou ontem o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). No ano, a balança acumula saldo positivo de US$ 22,031 bilhões, uma retração de 37,25% em relação a igual período de 2007. 
Já para o próximo ano, o mercado melhorou a expectativa, mas continua prevendo um resultado fraco. A nova projeção aponta para superávit comercial de US$ 13,32 bilhões em 2009, o que representa uma pequena recuperação do otimismo frente à projeção de US$ 13,03 bilhões, na semana anterior. 
O boletim Focus apurou também uma piora das perspectivas quanto ao comportamento do câmbio. A mais recente estimativa das cerca de 100 instituições consultadas para a consolidação do boletim Focus indica aposta de dólar a R$ 2,10 no final do ano, frente a estimativa de R$ 2,05 uma semana antes e de R$ 1,90 há quatro semanas. Para o final de 2009, a aposta permanece no mesmo patamar deste ano, ou seja, R$ 2,10. 
Outro indicador que continua em queda para o mercado no ano que vem é a perspectiva quanto ao ingresso de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED). A previsão agora é de entrada de US$ 25 bilhões em 2009, enquanto que há uma semana a projeção era de US$ 26 bilhões e, há um mês, de US$ 30 bilhões. Para este ano, porém, está estabilizada a previsão de ingresso em US$ 35 bilhões. 
As mais recentes perspectivas apuradas pelo BC mostram intensa mudança de projeções em relação ao início do ano. No boletim Focus de 4 de janeiro, havia expectativa de superávit comercial de US$ 31,9 bilhões, mesmo considerando uma taxa de câmbio menor no final do ano, em R$ 1,80. Houve uma forte elevação das estimativas de ingresso de dólares referentes ao IED. No início do ano, havia projeção de ingresso de US$ 27,5 bilhões, ante expectativa atual de US$ 35 bilhões em 2008. 
A projeção de variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou a ser de 6,39% no ano, enquanto que na semana anterior era de 6,4% para o ano. Está estabilizada a estimativa para os juros básicos da economia. A taxa Selic encerrará 2008 em 13,75% ao ano, exatamente o patamar atual.    (Gazeta Mercantil - Ayr Aliski) 
 
 
 
 
 

18.11 - Analistas prevêem PIB trimestral zero
A economia brasileira está sentindo, mais rapidamente do que se esperava, os efeitos da crise global. Por isso, nos últimos dias, vários analistas alteraram, para pior, as projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no quarto trimestre. Parte deles prevê estagnação e alguns já falam até em retração - o que, na prática, significa encolhimento. Por ora, uma recessão técnica, definida pela queda do PIB em dois trimestres seguidos, é uma hipótese remota.
O pessimismo desses especialistas se consolidou com a divulgação de alguns indicadores considerados antecedentes, ou seja, que apontam a tendência para a economia. A confiança dos empresários em outubro, por exemplo, caiu para o nível mais baixo desde julho de 2005, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Uma pesquisa realizada pelo Banco Real, chamada de Índice de Gerentes de Compra, teve em outubro o maior recuo desde que começou a ser feita no Brasil, em fevereiro de 2006. 
Em tese, os dados de outubro deveriam ser vistos com certa desconfiança, pois o mês foi o pior da crise até agora, com perdas brutais nas bolsas de valores e contração total do crédito. No entanto, os especialistas notam que algumas dificuldades entraram novembro adentro, o que levou à revisão das projeções para o trimestre inteiro. Além disso, a percepção de agravamento da crise nos países ricos deixou consumidores e empresários ressabiados. 
O setor de embalagens, visto como um termômetro das condições futuras da economia, afirmou na semana passada que há indícios de redução na demanda em novembro. Informações de sindicatos e uma pesquisa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) mostram que diversos setores já demitiram nas últimas semanas. Montadoras deram férias coletivas a milhares de funcionários. 
Com base nesse cenário, a Credit Suisse Hedging-Griffo, uma das maiores e mais importantes gestoras de recursos do País, prevê retração de 0,1% do PIB brasileiro no quarto trimestre em relação ao anterior. "Apesar do desempenho robusto do terceiro trimestre, o mundo mudou e os números dos três últimos meses do ano serão bem mais fracos", disse a economista da instituição Fernanda Batolla. 
Segundo Fernanda, a contração do crédito provocou um efeito dominó, que já é identificado, por exemplo, nas pesquisas que medem a confiança do consumidor. "O varejo começa a ver alguns sinais de desaceleração, pois a disposição das pessoas de tomar crédito (encarecido) diminuiu", observou. 
Outra área que, nas contas da Hedging-Griffo, será duramente afetada é a do investimento, como indica o levantamento da CNI com os empresários. "A indústria foi pega no contrapé pela crise", disse Fernanda. A expectativa dela para o ano inteiro de 2008 é de um crescimento de 5,2%.
O economista-chefe da Gradual Corretora, Pedro Paulo Silveira, prevê um PIB negativo de 0,5% no último trimestre do ano, em razão, principalmente, do aperto de crédito. "Normalmente, a restrição na oferta de empréstimos afeta a economia com certa defasagem. Mas, desta vez, a contração foi tão forte que o efeito será quase imediato", explicou. Não é à toa, segundo ele, que os primeiros setores a sofrer são os mais sensíveis ao crédito, como a indústria automotiva. 
A LCA Consultores também espera um 4º trimestre "complicado", na definição do economista Francisco Carlos Faria Júnior. "Mesmo com a volatilidade menor dos mercados em novembro, fica esse mal-estar com a crise", disse. "A alta do dólar (que na sexta-feira fechou cotado a R$ 2,27) afeta psicologicamente o consumidor e os agentes econômicos." A consultoria projeta crescimento zero para o PIB do quarto trimestre.
A economista-chefe do Banco ING, Zeina Latif, ainda não refez as projeções para o quarto trimestre, porque avalia que não há dados suficientes para um cálculo preciso. Mesmo assim, tem poucas dúvidas de que o PIB do período será negativo. "As vendas estão caindo nos setores sensíveis a crédito, a produção industrial sofrerá um forte ajuste para baixo por causa das montadoras, a piora da confiança indica queda dos investimentos das empresas e, no setor externo, a recessão dos países ricos reduzirá o avanço das exportações", sintetiza. 
Evidentemente, nem todos os especialistas pensam da mesma forma. A MCM Consultores, que tem entre os sócios o ex-diretor do Banco Central (BC) José Júlio Senna, ainda vê um crescimento de 0,3% do PIB do 4º trimestre em relação ao terceiro. Mesmo assim, Senna observa que as pessoas estão mais prudentes. "Ainda há muita disparidade de informações, mas é possível prever uma desaceleração importante no crescimento da produção industrial."
Também ex-diretor do BC, o economista-chefe do Banco Santander, Alexandre Schwartsman, avalia que há chance de o PIB do quarto trimestre ficar estagnado, "mas ela não é tão forte assim". Segundo Schwartsman, "há um carry-over (carregamento) importante da produção industrial do terceiro para o quarto trimestre". Em outras palavras, nas contas dele, a menos que haja uma catástrofe, a produção industrial terá expansão entre outubro e dezembro, o que, por si só, garantiria uma alta do PIB no período.   (Leandro Modé - Agência Estado/Jornal do Commercio do Brasil)

18.11 - Inflação na Eurozona atinge nível mais baixo dos últimos nove meses
A inflação caiu para 3,2% ao ano em outubro na zona do euro, o nível mais baixo dos últimos nove meses, confirmou nesta sexta-feira o escritório europeu de estatísticas Eurostat.
O índice de preços ao consumidor havia sido de 3,6% em setembro e de 3,8% em agosto.
O dado de 3,2% é similar ao de janeiro de 2008, momento a partir do qual a inflação começou a aumentar até chegar a 4% em junho e julho, um recorde desde à criação da zona euro em 1999. (AFP/Diário Online)

18.11 - Economia da depressão
As notícias econômicas, se vocês não perceberam, continuam a piorar. Mas por piores que sejam, não antecipo uma nova Grande Depressão. De fato, não devemos ver o desemprego atingir de novo seu pico posterior à Depressão, 10,7%, estabelecido em 1982 (embora eu preferisse me sentir mais seguro quanto a isso).
Mas já estamos bem adentrados no território no que denomino como "economia da depressão". O que quero dizer é um estado de coisa semelhante ao que existia nos anos 1930, no qual as ferramentas da política econômica -especialmente a capacidade do Federal Reserve de continuar bombeando estímulo para a economia com cortes dos juros- perdem a capacidade. Quando a economia da depressão prevalece, regras usuais da política econômica deixam de se aplicar: a virtude se torna vício, a cautela é arriscada e a prudência é insensatez.
Para compreender sobre o que estou falando, considerem as implicações da última notícia econômica desastrosa: o relatório da quinta sobre os pedidos de seguros-desemprego, que ultrapassaram a marca do meio milhão. Por pior que seja, por si só não seria catastrófico. São números da mesma ordem vista na recessão de 1991 e na recessão de 2000/1, ambas as quais terminaram por se provar relativamente amenas, sob as normas históricas (embora em ambos os casos o mercado de trabalho tenha demorado muito a se recuperar).
Mas nessas duas ocasiões, a resposta padrão de política econômica a uma economia fraca, um corte na taxa de fundos federais -a taxa de juros mais diretamente afetada pela política do banco central- continuava disponível. Hoje não é esse o caso: a taxa de fundos federais efetiva (em oposição à meta oficial, que por motivos técnicos se tornou irrelevante) está abaixo dos 0,3% nos últimos dias. Basicamente, não resta nada a cortar.
E, sem a possibilidade de novos cortes de juros, nada poderá deter a queda da economia. A alta do desemprego resultará em redução do consumo, o qual, segundo o alerta da cadeia de varejo de eletrônicos Best Buy esta semana, já sofreu um declínio "sísmico". O consumo fraco levará a cortes nos planos de investimentos das empresas. E a economia enfraquecida resultará em novas perdas de empregos, o que gerará um novo ciclo de contração.
Para que possamos sair dessa espiral de queda, o governo federal terá de oferecer estímulo na forma de gastos maiores e de maior assistência àqueles que sofrem dificuldades e o plano de estímulo não surgirá com rapidez suficiente e tampouco será forte o suficiente a menos que os políticos e os dirigentes da economia sejam capazes de transcender diversos preconceitos e idéias convencionais.
Um desses preconceitos é o medo do déficit. Em momentos normais, é bom se preocupar com o déficit orçamentário e responsabilidade fiscal é uma virtude que teremos de reaprender assim que passar a crise. Quando a economia da depressão está em, vigor, porém, essa virtude se torna vício. A tentativa prematura do presidente Franklin Roosevelt de reequilibrar o orçamento federal norte-americano, em 1937, quase destruiu o New Deal.
Outro preconceito é a crença de que a política econômica precise ser cautelosa. Em tempos normais, isso faz sentido: não devemos promover grandes mudanças políticas até que sua necessidade se torna clara. Mas sob as condições atuais, a cautela é um risco, porque grandes mudanças para pior já estão em curso e qualquer atraso na ação eleva a chance de um desastre econômico ainda mais sério. A resposta política deve ser a mais bem cuidada possível, mas o tempo é escasso.
Por fim, em tempos normais, modéstia e prudência quanto às metas de uma nova política costumam ser boas. Nas condições atuais, porém, é muito melhor pecar pelo exagero do que pela cautela. O risco, caso o plano de estímulo venha a se provar mais forte que o necessário, seria o de que a economia se reaqueça e gere inflação mas o Federal Reserve sempre pode combater essa ameaça por uma elevação nas taxas de juros. Por outro lado, caso o plano de estímulo seja pequeno demais, o Fed nada poderia fazer para compensar suas deficiência. Assim, quando a economia da depressão prevalece, prudência é insensatez.
O que isso tudo diz sobre a política econômica do futuro? O governo Obama quase certamente vai assumir com uma economia em situação pior que a atual. O Goldman Sachs prevê que o índice de desemprego, hoje 6,5%, chegará aos 8,5% pelo final do ano que vem.
Todas as indicações são de que o novo governo oferecerá um pacote de estímulo considerável. Um cálculo rápido indica que o pacote deveria da ordem de US$ 600 bilhões.
Assim, a próxima questão é determinar se a equipe de Obama será ousada o bastante para propor algo nessa escala.
Vamos esperar que a resposta seja positiva, e que o novo governo seja audacioso a esse ponto. Pois vivemos uma situação, hoje, na qual seria muito perigoso ceder a idéias convencionais de prudência.    (PAUL KRUGMAN - New Yok Times, tradução de Paulo Migliaci - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

17.11 - O "Big One" finalmente chegou
Os preços das commodities já regrediram aos níveis de 2002, eliminando todos os ganhos dos últimos anos 
Economistas importantes vêm há muito tempo -alguns há mais de oito anos- alertando para uma grande correção na economia norte-americana em razão de seus déficits externos crescentes. Alguns chamaram esse movimento de "The Big One", em homenagem ao grande terremoto previsto para acontecer na região de Los Angeles. Esse abalo sísmico econômico seria a conseqüência de um vigoroso e inevitável aumento na taxa de poupança do consumidor, única forma conhecida para ajustar a conta corrente norte-americana. 
Os medos foram crescendo nos últimos anos por causa da verdadeira orgia de crédito ocorrida nos Estados Unidos, que aumentou progressivamente a armadilha financeira. Nesse período, a relação entre o endividamento das famílias e o PIB chegou ao número incrível de 130%. Não por outra razão, o déficit na conta corrente atingiu quase US$ 800 bilhões, cerca de 6% do PIB. Esses números representam o outro lado da moeda da expansão descontrolada do crédito ao consumidor. 
Muito embora o "Big One" tenha sido antecipado, sua ocorrência agora não tem nada a ver com as previsões de uns poucos iluminados. Para esses, seria a desconfiança dos mercados e dos investidores em relação ao dólar que provocaria um movimento tectônico na economia norte-americana, a partir do colapso de sua moeda. Entretanto a correção macroeconômica está ocorrendo com o dólar forte e em processo continuado de valorização em relação a todas as moedas do mundo, com exceção do iene japonês. Esqueceram de que a moeda reserva não é facilmente substituível, especialmente em um mundo em recessão. 
Mas o que interessa ao analista econômico de hoje não são as causas desse movimento, mas suas conseqüências sobre a economia global. E elas serão dramáticas nos próximos anos. Segundo algumas avaliações, o processo de correção do comportamento do consumidor americano só deve se estabilizar quando a taxa de poupança chegar a algo como 7% do PIB. A velocidade desse ajuste dependerá das condições do crédito bancário ao longo dos próximos meses. Até o novo equilíbrio, a redução dos gastos dos americanos deverá subtrair cerca de 4% do crescimento da maior economia do mundo. 
Isso implica dizer que os Estados Unidos devem crescer a taxas menores do que 1% ao ano, se esse processo se realizar ao longo dos próximos três anos. Se ele ocorrer em prazo mais curto, devido à recuperação mais lenta do crédito, a recessão pode se espalhar por 2009 e por um bom pedaço de 2010. A política fiscal também será um elemento importante para definir o perfil do ajuste. 
Essa nova dinâmica dos Estados Unidos terá repercussão muito importante no mundo emergente e principalmente no Brasil. No cenário de uma recessão mais prolongada, os preços das commodities devem permanecer deprimidos, reduzindo os termos de troca de nossa economia. Os preços das commodities já regrediram aos níveis de 2002, eliminando todos os ganhos dos últimos anos. Em outras palavras, ficamos mais pobres e perdemos a possibilidade de continuar importando bens industriais de consumo e investimentos na intensidade atual. 
Essa nova situação nos obriga a repensar nossa política econômica e a deixar a euforia dos últimos anos para trás. No terceiro trimestre deste ano, a economia brasileira cresceu cerca de 6% em termos anualizados. Temos de nos preparar para números bem mais baixos para os próximos anos.    (LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS - Folha de S.Paulo)

17.11 - A crise das finanças desregulamentadas: o que fazer? 
A internacionalização do sistema financeiro tem alterado substancialmente a natureza e os determinantes da dinâmica econômica mundial: a conjugação entre a desregulamentação dos mercados financeiros e inovações financeiras - tais como securitizações e derivativos - a livre mobilidade de capitais e a flexibilidade e a volatilidade das taxas de câmbio e de juros têm, por um lado, limitado a ação das políticas macroeconômicas domésticas e, por outro, sido responsáveis tanto pelas freqüentes crises de balanço de pagamentos das economias emergentes, quanto pelas crises de liquidez e solvência, como a recente crise financeira internacional. 
Este processo de globalização financeira, em que os mercados financeiros são integrados de tal forma a criar um "único" mercado mundial de dinheiro e crédito, acaba, por sua vez, diante de um quadro em que inexistem regras monetário-financeiras e cambiais estabilizantes e os instrumentos tradicionais de política macroeconômica tornam-se crescentemente insuficientes para conter os colapsos financeiros (e cambiais) em nível mundial, resultando em crises de demanda efetiva. 
J. M. Keynes, em sua "Teoria Geral do Emprego, dos Juros e da Moeda", de 1936, já chamava a atenção para o fato de que, em economias monetárias da produção, a organização dos mercados financeiros enfrenta um trade-off entre liquidez e investimento: por um lado, eles estimulam o desenvolvimento da atividade produtiva ao tornar os ativos mais líquidos, liberando, portanto, o investidor da irreversibilidade do investimento; por outro, aumenta as possibilidades de ganhos especulativos. Assim, ao estabelecer uma conexão entre os mercados financeiro e o lado real da economia, Keynes, na Teoria Geral, escreveu que "a posição é séria quando o empreendimento torna-se uma bolha sobre o redemoinho da especulação. Quando o desenvolvimento das atividades de um país torna-se o subproduto das atividades de um cassino, o trabalho provavelmente será mal-feito". 
Indo ao encontro de Keynes, nos dias de hoje, a ação dos global players, em um mercado mais liberalizado e integrado, faz com que os mercados financeiros convertam-se em uma espécie de grande cassino global. Especulação, em uma economia global, tem caráter disruptivo não somente em mercados domésticos, mas sobre países como um todo, criando uma espécie de cassino financeiro ampliado. 
Na perspectiva keynesiana, instabilidade financeira não é vista como "anomalia", mas como resultante da própria forma de operação dos mercados financeiros em um sistema no qual não existe uma estrutura de salvaguarda que exerça o papel de um market maker global. Assim, o formato institucional específico dos mercados financeiros determina as possibilidades de se ter um ambiente em que a especulação possa florescer. Crises financeiras não são apenas resultados de comportamentos "irracionais" dos agentes, mas resultam da própria forma de operação dos mercados financeiros globais liberalizados e sem um sistema de regulação adequado. 
A atual crise financeira internacional, originada pelas perdas causadas pelo crescente default dos empréstimos das hipotecas do mercado americano de subprime e dinamizada em termos globais, uma vez que grande parte dessas hipotecas foi securitizada e distribuída a investidores do mercado global, nos induz a duas reflexões. Em primeiro lugar, ela põe em xeque os benefícios concretos da globalização financeira, com mercados financeiros desregulados, inclusive nos países desenvolvidos. Em segundo lugar, ela nos remete, a partir das medidas de natureza fiscal e monetária implementadas pelos EUA e países da Zona do Euro e do Japão - tais como injeção de liquidez e de capital nos sistemas financeiros por parte das autoridades econômicas destes países e a redução sincronizada da taxa básica de juros dos principais bancos centrais mundiais - para se evitar uma recessão econômica aguda, tanto a repensar o próprio papel do Estado na economia quanto à necessidade de re-regulamentar os sistemas financeiros domésticos e reestruturar o sistema financeiro mundial (SFM). 
Em relação à primeira questão, como os mercados financeiros desregulamentados não são eficientes, na ausência de regras que estabilizem o referido mercado, as atividades especulativas e a valorização financeira da riqueza afloram naturalmente. Isto porque a liberalização dos mercados financeiros e a existência de novos instrumentos financeiros (como derivativos) ampliaram a possibilidade de realização de atividades especulativas. Torna-se, assim, necessária a regulamentação de operações derivativas "exóticas" e outras práticas (por exemplo, alavancagem excessiva de instituições financeiras) que ocasionam a "festa dos investidores e bancos". 
Quanto à segunda questão, a lição da crise atual é que não somente a ação estatal é fundamental para prevenir ou remediar a crise, como é necessária, sobretudo em momentos críticos, uma maior coordenação global entre as diferentes políticas nacionais, em particular dos grandes países desenvolvidos. Assim sendo, pode-se dizer que há um certo consenso entre economistas e policymakers de que medidas para restaurar a estabilidade do SFM são necessárias. Todavia, infelizmente, não há um consenso acerca de como o referido sistema deve ser reestruturado. 
Para os economistas do mainstream, um SFM eficiente para os países é aquele constituído por regimes cambiais flexíveis, maior mobilidade de capitais e maior liberalização financeira dos mercados, pois tais medidas equilibram, automaticamente, os balanços de pagamentos, alocam eficientemente as poupanças e melhoram a performance econômica. Por outro lado, a necessidade de se preservarem a autonomia das políticas fiscal e monetária dos países - essenciais para asseguraram trajetórias de crescimento econômico sustentável - tem reforçado o ponto de vista de economistas keynesianos de que é necessária a criação de uma espécie de International Market Maker para garantir a liquidez internacional para expandir a demanda efetiva mundial e coibir a livre mobilidade dos fluxos de capitais especulativos, condições fundamentais para que a economia mundial possa voltar a experimentar períodos mais duradouros de crescimento do produto e do emprego. 
No pêndulo das posições, não resta dúvida de que a atual crise financeira internacional deixa claro que os mercados não são eficientes e que, portanto, é necessária a mão visível do Estado para assegurar a "funcionalidade" da mão invisível do mercado.     (Fernando Ferrari Filho e Luiz Fernando de Paula  - Valor Online)

17.11 - Números que falam
Zander Navarro, notável acadêmico, hoje na universidade britânica de Sussex, manda e-mail com o que chama de "ilustração dramática" do "ritmo desenfreado de apropriação da riqueza nas últimas décadas, o que gerou aumento na desigualdade".
Alguns números: 1 - A renda dos 1.125 bilionários do planeta (US$ 4,4 trilhões) supera a renda somada de metade da população adulta do planeta. Se se quiser comparar com o Brasil, 1.125 bilionários têm uma renda que é quatro vezes tudo o que 180 milhões de brasileiros produzem de bens e serviços.
2 - Segundo o Instituto para Estudos de Política, os executivos-chefes das 500 maiores corporações dos EUA ganharam em 2007, em média, US$ 10,5 milhões, 344 vezes o pagamento do trabalhador norte-americano típico.
Já os gerentes dos 50 fundos de hedge e de "private equity" receberam cada um US$ 588 milhões, mais do que 19 mil vezes o salário-tipo do norte-americano.
3 - Em agosto de 2008, a Exxon, a maior companhia do planeta, registrava lucros recordes à taxa de US$ 90 mil POR MINUTO. Os rendimentos do Wal-Mart batiam, em 2007, o produto nacional bruto da Grécia; os da Toyota superavam o da Venezuela.
Não pense que o Brasil escapa, não. Por muito que o governo cultive a lenda da queda da desigualdade, o Ipea acaba de divulgar estudo mostrando que só em 2011 o rendimento do trabalho voltará a ter a participação na riqueza nacional que tinha em 1990 (45,4%).
Mesmo que volte, continuará atrás do capital, embora o número de capitalistas seja obviamente bem inferior ao de assalariados.
No governo Lula, aliás, a queda da participação do trabalho no bolo da riqueza nacional acentuou-se até 2004, só começando a se recuperar a partir de 2005.
Todos esses números dispensam opinião. Falam sozinhos.   (CLÓVIS ROSSI - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

14.11 - Controle de capitais e governo global 
Economistas sugerem ao G20 mais governo mundial sobre a finança, limites para fluxos financeiros e outras blasfêmias 
Controlar a a livre movimentação de capitais pode ser uma boa coisa. O FMI deve ter mais poder, até para interferir no mundo rico e de modo preventivo. 
Deveria ser comandado por uma espécie de G20 bem diverso, no qual ninguém teria poder de veto. 
Tais coisas foram propostas por economistas liberais -ou apenas economistas convencionais. Muitos são europeus, é verdade, o que faz alguma diferença. São sugestões que economistas do portal Vox, do Centro para a Pesquisa de Política Econômica, reuniram numa coletânea de 17 textos chamada "O que os líderes do G20 devem fazer para estabilizar nossa economia e consertar o sistema financeiro". Entre os autores há gente como o Nobel Michael Spence, o especialista em finanças Barry Eichengreen, o ex-economista-chefe do FMI Raghuram Rajan etc. O G20 faz uma reunião depois de amanhã, nos EUA. 
No pacote está, por exemplo, Guillermo Calvo. Escreve que não adianta elevar as linhas de crédito de emergência para países da periferia mundial se não houver controle de fluxos financeiros a fim de evitar que tais capitais fujam de novo. 
Diz mais: "As instituições do novo Bretton Woods devem ser mais tolerantes com o controle da mobilidade de capitais, especialmente quando tais controles se concentram em limitar as ações do setor bancário". 
Há três meses, isso soaria como blasfêmia no mundo de Calvo, que dá aula em Columbia, foi economista-chefe do BID, alto assessor do FMI e conselheiro de "reformas" no Leste Europeu e na América Latina. 
Rajan, ex-FMI e professor de Chicago, diz que há um diálogo de surdos entre os "países industrializados" (G7) e os "emergentes". O G7 não quer pitacos em seu mundo e acha que as instituições multilaterais (FMI, OMC) devem se ocupar só de corrigir erros econômicos e o mercantilismo dos "emergentes", que têm a opinião inversa, claro. 
O economista sugere, então, que se crie um novo FMI, comandado por União Européia (uma cadeira), EUA, Japão, mais 13 membros do G20 e outros quatro países em vagas rotativas. O novo FMI deveria ter poder de fogo de até US$ 3,4 trilhões (mais de dez vezes o atual) para combater crises. Rajan quer mais liberalismo, mas acha que as regras do jogo devem ser decididas por mais gente. Objetivo: evitar que conflitos e crises redundem em mais protecionismo e dirigismo. 
Eichengreen escreve que muita gente pede um "regulador global [das finanças]", mas que é "irrealista imaginar que os EUA e qualquer outro país vão entregar a regulação financeira a um órgão internacional". Mas o economista de Berkeley sugere a criação de uma Organização Mundial das Finanças, nos moldes da Organização Mundial do Comércio (que, aliás, mal funciona). Quem quiser que seus bancos tenham acesso ao mercado mundial deverá se submeter a acordos na OMF. Parece doido, mas é sinal de como o clima ideológico, ao menos, mudou. A maioria dos economistas pede mais governo mundial e intensa intervenção para domar a presente crise. Não dá para resumir aqui, mas os textos têm em geral quatro páginas e podem ser lidos de graça em www.voxeu.org/reports/G20-Summit.pdf.   (VINICIUS TORRES FREIRE - Folha de S.Paulo)

14.11 - Economia britânica enfrenta risco de deflação
Depois de ter se preocupado muito com a alta dos preços, o BoE (Banco da Inglaterra) mencionou na quarta-feira um risco de deflação e se disse disposto a continuar baixando suas taxas de juros, como instrumento para enfrentar a recessão que está se instalando no Reino Unido.
Em seu relatório trimestral sobre a inflação, o Banco Central britânico avisou que a alta dos preços poderá, no próximo ano, não apenas ultrapassar a meta de 2% fixada para a instituição, mas também se transformar em baixa, ou seja, em deflação - um cenário que está, agora, entre as hipóteses estudadas pelo BoE para decidir a política monetária.
"A economia provavelmente entrou em recessão no segundo semestre de 2008, e a atividade pode se contrair ainda mais", admitiu o BoE.
"O sistema bancário sofreu suas turbulências mais fortes desde a Primeira Guerra Mundial", afirma o preâmbulo do relatório do BoE, insistindo na "necessidade de elevar o grau de estímulo fiscal" que o governo prometeu aplicar ante "o grau de incerteza em relação à desaceleração da economia".
A chegada da deflação é muito provável, já que novas reduções das taxas, depois do corte espetacular de um ponto e meio percentual registrada em novembro, que levou a taxa básica para 3%, são previstas pelo mercado.
O governador Mervyn King afirmou durante a entrevista coletiva realizada após a publicação do relatório que sua instituição estava disposta a flexibilizar novamente sua política monetária, se fosse preciso.
Depois da publicação do relatório, a libra desmoronou frente ao euro, caindo a 82,38 pence para um euro, um nível nunca atingido desde a criação da moeda única.
Este relatório marca uma nítida mudança em relação aos precedentes, observaram os analistas.
Em seu relatório anterior, publicado em agosto, o BoE antecipara um cenário contrário, o de uma disparada da inflação, depois do aumento dos preços das matérias-primas. Segundo o BoE, a inflação deveria superar os 5% antes do fim de 2008, um prognóstico que se confirmou em setembro.
No médio prazo, isso significa que King vai ter que escrever novamente ao ministro das Finanças para dar explicações. Trata-se de uma obrigação oficial quando a evolução dos preços é superior em mais de um ponto percentual à meta de 2%.
Esta tendência deflacionista foi confirmada por vários indicadores nas últimas semanas, como os preços na produção. Eles caíram 1% no mês de outubro no Reino Unido, o que representa a maior baixa mensal da história, num momento em que os preços do setor imobiliário registravam uma nova queda anual.
Indiretamente, ela também foi confirmada pelos sinais de desaceleração da economia britânica, com o PIB (Produto Interno Bruto) caindo 0,5% entre o segundo e o terceiro trimestre.
A taxa de desemprego da Grã-Bretanha atingiu seu maior nível desde 1997, com 5,8% contra 5,4% para os três meses precedentes.
Segundo o BoE, o cenário deflacionista pode continuar até pelo menos 2011, e a baixa dos preços pode chegar a 1%. (AFP/Diário Online)
 
 
 
 
 

13.11 - Desaceleração em 2009 é inevitável, diz seguradora 
Ainda que os bancos brasileiros retomem o crédito com firmeza, a economia do país terá desaceleração no primeiro semestre de 2009, segundo Fernando Blanco, presidente brasileiro da Coface, seguradora de crédito.
O motivo é a baixa entrada de capital externo. As fontes que entraram com força em 2007 e 2006 devem secar em 2009, como os investimentos diretos de multinacionais, os fundos de private equity, os IPO's, que deixarão de ter "apetite para este risco por algum tempo", e os empréstimos internacionais, pois os bancos estão sem liquidez em seus próprios mercados, segundo Blanco.
Isso causa uma reação em cadeia: redução da atividade gera desemprego e inadimplência, que recaem em varejo e indústria. "E como bancos e financeiras se retraem em períodos de recessão, o processo se retroalimenta."   (Guilherme Barros - Folha de S.Paulo)

13.11 - Maioria dos bancos crê que crise irá durar até 2 anos 
A pesquisa Projeções e Expectativas de Mercado da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) mostrou que 95% das 30 instituições consultadas acreditam que o período de desaceleração da economia mundial deve durar até dois anos. Os outros 5% restantes apostam que esta fase da economia deve perdurar por mais de dois anos. Em relação ao Brasil, para 67% das instituições financeiras a desaceleração da economia brasileira deve durar um ano e, para os 33% restantes, o desaquecimento da economia nacional terá duração de dois anos.
A pesquisa da Febraban, divulgada na terça-feira, apontou que, para 78% dos entrevistados, o mundo vive agora o estágio intermediário da crise. Os otimistas correspondem a 13%, que vêem o atual momento como o estágio final. Já os pessimistas, minoria de 9%, acreditam que a crise apenas começou. Para a maioria dos entrevistados, 87%, a crise financeira deve contagiar a economia global. São apenas 13% que apostam que o contágio da economia real deve ser reduzido, dadas as medidas preventivas adotadas pelo governo.
No cenário internacional, a maior preocupação das instituições financeiras é com uma evolução da crise financeira na economia norte-americana, citada por 68% das instituições. Destas, 64% também destacaram a diminuição da liquidez mundial como motivo para preocupação. O economista-chefe da Febraban, Rubens Sardemberg, destacou que apenas 21% das instituições citaram um eventual aumento da pressão inflacionária nos Estados Unidos como um fator a ser levado em conta em suas projeções.
No cenário doméstico, os maiores temores são a desvalorização da taxa de câmbio, lembrada por 75%, e a desaceleração do crescimento do volume de crédito, citada por 68%. Sardemberg acredita que o Brasil tem vivido uma situação menos complicada do que o resto do mundo com a crise financeira. "A situação do Brasil é comparativamente melhor do que a de outros países", aponta. Ele cita o sistema financeiro capitalizado do País, o nível menor de alavancagem, a situação favorável das políticas institucionais brasileiras e o crescimento recente da economia doméstica como fatores importantes para o desempenho do País ao lidar com a crise.
Ele acredita que a situação dos países emergentes, em geral, é melhor do que a dos países desenvolvidos, mas aproveitou para ressaltar que os emergentes não constituem um bloco, vivem questões diferenciadas entre si. "Neste contexto todo, o Brasil está em uma boa situação", minimizou. (Agência Estado)

13.11 - Inflação tem terceira aceleração seguida em São Paulo
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) atingiu 0,57% na primeira quadrissemana de novembro, na terceira alta seguida. Sobre a primeira prévia de outubro, houve avanço de 0,25% ponto percentual. Os alimentos passaram de uma variação negativa de -0,24%, na primeira prévia de outubro, para um aumento de 0,56%.
No fechamento do mês passado, o grupo alimentação havia apresentado alta de 0,37%. Dos sete grupos pesquisados, educação foi o único com desaceleração, tendo alcançado 0,03% ante 0,08% na primeira prévia de outubro e 0,04% no encerramento do mês anterior.
Nos demais grupos foram constatadas as seguintes elevações: habitação, com alta de 0,76%, a mesma taxa da pesquisa anterior e variação superior ao fechamento de outubro (0,62%); transportes, que aumentou 0,41% ante 0,36% e 0,26%; despesas pessoais, com 0,40% ante 0,26% e 0,54%; e saúde, com 0,63% ante 0,63% e 0,44% . (Agência Brasil/ Diário Online)

13.11 - Inflação semanal sobe em todas as capitais pesquisadas, diz FGV
A inflação semanal medida pelo IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor – Semanal) acelerou em todas as capitais do País analisadas pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), segundo dados divulgados na terça-feira. O indicador foi analisado com base nos preços coletados na semana encerrada no dia 7 de novembro.
Na passagem da última semana de outubro para a primeira deste mês, a capital que teve a maior alta nos preços foi Brasília, cuja taxa aumentou de 0,50% para 0,93%.
As demais cidades que também registraram aceleração foram Porto Alegre (0,18% para 0,50%), Recife (0,45% para 0,68%), Belo Horizonte (0,29% para 0,49%), São Paulo (0,54% para 0,65%), Salvador (0,32% para 0,41%) e Rio de Janeiro (0,54% para 0,55%).
Nesta segunda-feira, a FGV informou que a inflação semanal medida pelo IPC-S subiu para 0,58% na primeira semana de novembro – taxa 0,11 ponto percentual acima da leitura anterior. Foi o maior resultado desde a terceira prévia de julho, com 0,67%. (Diário Online)
 
 
 
 
 

12.11 - Crise é oportunidade para mercado de capitais 
A contração do crédito no sistema bancário é uma oportunidade para fortalecer o mercado de capitais brasileiro como uma fonte de captação de recursos para as empresas. Essa é a avaliação do diretor técnico do Ibmec (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais), Carlos Antônio Rocca, que discutiu o tema com outros 17 representantes de entidades e empresas do setor financeiro, como CVM, BM&FBovespa e Apimec.
Segundo Rocca, isso já vem acontecendo. Em carta-resumo da reunião, ele mostra que o volume médio mensal captado pelas empresas brasileiras no mercado de capitais até 30 de setembro cresceu para R$ 6,8 bilhões neste ano -21,4% mais que o registrado no ano passado (R$ 5,6 bilhões).
No acumulado do ano, já foram captados R$ 60 bilhões no mercado de capitais, 89% do total movimentado em 2007. Os dados consideram instrumentos como emissões primárias de ações, debêntures, notas promissórias e cessão de direitos creditórios.
Apesar do aumento na captação de recursos via mercado de capitais, apenas 4 empresas abriram o capital na Bovespa neste ano ante 64 no ano passado. Para Rocca, a retração nos IPOs (oferta inicial de ações) reflete mais a saída de investidores estrangeiros do Brasil que um desaquecimento do mercado de capitais nacional.
"Antes, ao lado das emissões primárias de empresas que já têm capital aberto, havia um fluxo significativo de IPOs, com forte participação de investidores estrangeiros. Como eles sumiram com a crise, entende-se que agora não há mercado para entrar na Bolsa."
Mas o contexto desfavorável para os IPOs não deve impedir que empresas captem recursos no mercado de capitais. "Há uma grande quantidade de empresas que não o usam como alternativa para captar recursos. Mas à medida que enfrentarem restrições ao crédito, podem considerar a opção."   (Guilherme Barros - Folha de S.Paulo)

12.11 - Especialistas defendem o uso da auto-regulação 
O Brasil foi atingido pela crise financeira internacional não por falhas em seu sistema regulatório, mas por atitudes de algumas empresas. Especialistas acreditam que o modelo adotado no país, em que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) trabalha ao lado de entidades auto-reguladoras, como BM&FBovespa, Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid) e Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec), delegando poderes, mas fiscalizando e cobrando suas atuações, é o mais indicado para manter o desenvolvimento dos mercados. 
"É hora de os auto-reguladores chamarem para si novas obrigações para que o regulador [CVM] não tenha que interferir", diz Waldir de Jesus Nobre, superintendente relações com o mercado e intermediários da autarquia. "Estamos cobrando iniciativas dos auto-reguladores", diz. 
Nos últimos dias, por exemplo, a BM&FBovespa iniciou a revisão de normas do Novo Mercado e colocou anúncios nos jornais dizendo que dentro de seu ambiente o mercado "é regulado, protegido e transparente". Fora dele, "bem, você tem lido os jornais", afirma a peça publicitária. 
"É a hora de os auto-reguladores aparecerem para se destacar em seus postos, que é também educativo", diz o professor Ricardo Almeida, da Fundação Instituto de Administração (FIA). Para ele, agora que muitos investidores tiveram perdas, sem mesmo entender por quê, é preciso um trabalho das entidades para que o mercado seja visto não como sujeito a humores, mas, sim, como um instrumento de capitalização das empresas. 
Mas essa conscientização tem de passar também pelas empresas. Alexsandro Broedel, professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), lembra que o Brasil foi atingido pela crise não por problemas de desregulamentação, mas por conta das opções de suas empresas. 
"Vimos um problema de governança, em que algumas companhias falharam em controles internos de riscos e talvez na remuneração e qualificação de seus profissionais e conselheiros. Não há como o regulador antever isso", diz. Para ele, a CVM fez o que podia ao editar uma deliberação para que todas detalhassem as operações. A medida demorou um pouco a sair - a temporada de balanços do terceiro trimestre já havia iniciado. 
Alexandre Póvoa, diretor do Modal Asset, concorda que o problema maior por aqui foi de governança, mas acredita que, neste caso, seria fundamental a ação do regulador, mais imediata. "Não há dúvidas de que não se deve proibir ou regular as operações de mercado financeiro, pois isso impede seu desenvolvimento, nem mesmo as feitas pelas empresas. Mas o regulador deve estabelecer regras e exigir que as companhias as divulguem da forma mais clara possível, uma vez que o tema derivativos não é óbvio de se compreender", diz. 
Ricardo Humberto Rocha, professor do Ibmec São Paulo, lembra que muitas companhias fizeram contratos de balcão, fora do ambiente regulado das bolsas. "Eles podem ter muitas vantagens, mas também um grande problema: o risco não fica transparente como na bolsa, que exige o depósito de margens", diz. 
Lucy Souza, presidente da Apimec-SP, acredita que apesar das falhas, não se deve pensar que não houve avanços na governança no Brasil. "Talvez se a crise tivesse chegado alguns anos antes, as surpresas vindas de empresas poderia ter sido maiores", diz. 
Otavio Yazbek, diretor de auto-regulação da Bovespa Supervisão de Mercados, afirma ainda que alguns instrumentos derivativos de maior risco, e hoje problemáticos, não foram adotados no Brasil, como alguns mecanismos de securitização e os "credit default swaps"."Não ficamos expostos a eles, mas por outro lado, não usufruímos das vantagens do ponto de vista da gestão de riscos." Broedel, da Fipecafi, diz que cada companhia tem as particularidades de seu negócio e necessita que um banco estruture um derivativo para ela, sob medida para diminuir sua exposição aos riscos. "Não se deve tratar os derivativos como um mal." 
Yazbek também chama a atenção de que, em tempos de crise, é grande o risco de que se exijam "respostas desnecessárias". Ele exemplifica com o fato de que muitas empresas reclamarem da venda de papéis a descoberto, que estaria derrubando ações. Mas ele ressalta as diferenças do sistema brasileiro, em que o papel tem necessariamente de ser entregue, diferentemente do americano, em que isso poderia não ocorrer. "Logo, é possível crer que as ações caem por força do mercado mesmo. Essa é uma discussão que não vale para o Brasil. Mas em momentos de crise, enxerga-se problemas onde