30.06 - Relatório do BC prevê aumento do IPCA em 2012
O segundo Relatório de Inflação deste ano ofereceu
uma surpresa ao admitir que a inflação, medida pelo Índice
Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), suba, no final de
2012, de 4,6% para 4,9%. Isso se explica por causa da incerteza em relação
ao próximo ano, pois é difícil avaliar os efeitos
de uma alta fora do comum que o salário mínimo terá,
com repercussões sobre os gastos do governo federal.
No seu sumário executivo, o Banco Central (BC) fala de um cenário
com recuperação em ritmo mais moderado, com contribuição
também moderada do crédito para a expansão dos investimentos
e do consumo - num mercado de trabalho também aquecido que dá
sinais de moderação - e com um comércio exterior se
expandindo, mas com inflação em alta em 2011, em razão
da elevação dos preços livres e administrados. Todavia,
no capítulo mais interessante, tem de reconhecer que o Brasil está
vivendo num clima de grande incerteza, certamente acima da usual.
Partindo do fato de que a economia mundial entra num ritmo de recuperação
muito moderado, afetada pelo aumento dos preços das commodities,
o BC constata que esse aumento também afetou a economia brasileira
e que o recuo atual dessa pressão obriga a pensar que ela voltará
no próximo ano. Embora o País se aproveite dos preços
dos produtos importados, isso aumenta o descompasso entre a oferta e a
demanda.
O relatório dá grande importância aos efeitos de
reajustes salariais acima dos ganhos de produtividade, favorecidos por
uma situação de quase pleno emprego, especialmente no setor
dos serviços. E aponta o risco de que a elevação dos
preços no atacado alimente a expectativa dos formadores de preços
no varejo.
O BC mais uma vez aplaude o processo de consolidação
fiscal, desprezando o fato de que é o aumento das receitas - mais
do que o corte das despesas - que permitirá atingir o objetivo de
superávit primário. No entanto, atualmente, deveria dar maior
atenção ao resultado nominal das contas públicas.
Os autores do relatório reconhecem que a moderação
do crédito é um fator importante, mas parecem satisfeitos
com os 15% de crescimento, muito acima do PIB, e destacam o perigo de um
excesso de empréstimos externos.
Sem dúvida, é o nível de incerteza que levou o
Banco Central a rever suas previsões para 2012, levando em conta
que o IBC-BR de 3,3% permite, com o carry-over, um crescimento do PIB de
4% e também que não se pode apostar na continuidade da austeridade
fiscal num governo que quer crescimento econômico maior. (O
Estado de S.Paulo)
30.06 - Inflação pelo IGP-M tem queda em junho
A inflação pelo Índice Geral de Preços–
Mercado (IGP-M), indicador usado como referência para o reajuste
de contratos de aluguel, caiu 0,18% em junho, informou a Fundação
Getulio Vargas (FGV). Em maio, o índice tivera alta de 0,43%. O
IGP-M é calculado com base nos preços coletados entre os
dias 21 do mês anterior e 20 do mês corrente.
Dos componentes do IGP-M, coube ao Índice de Preços ao
Consumidor (IPC) registrar deflação de 0,12% em junho, ante
variação de 0,9% em maio. Segundo a FGV, seis dos sete grupos
componentes do IPC tiveram queda em suas taxas de variação,
com destaque para alimentação (de 1,09%, em maio, para -0,81%,
em junho) e transportes (de 1,14% para -1,34%). Outro componente do IGP-M,
o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) teve
alta de 1,43% em junho, abaixo do resultado de maio, 2,03%. Segundo a FGV,
o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), terceiro componente
do IGP-M, apresentou taxa de variação negativa de 0,45%,
ante 0,03%. (Fenaseg)
30.06 - Deflação em junho foi evento pontual, avalia FGV
O movimento de queda de preços registrado em junho pelo Índice
Geral de Preços - Mercado (IGP-M) não deverá se repetir
ao longo do segundo semestre. Essa é a avaliação da
Fundação Getulio Vargas, responsável pelo indicador,
que vê na deflação de 0,18% deste mês um evento
pontual.
"Os principais fatores que levaram a esse resultado são temporários.
Daqui um ou dois meses deveremos ter inflação de novo, porém
em faixas mais moderadas que as vistas na segunda metade de 2010", afirma
o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão
Quadros. Desde dezembro de 2009 que o IGP-M não registrava variação
negativa.
Neste mês, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC),
um dos três indicadores que compõem o IGP-M, foi o principal
personagem da queda de preços. Apesar de contribuir com apenas 30%
do IGP-M, o indicador apresentou uma retração acentuada,
passando de 0,90% em maio para -0,12% em junho. No mesmo período,
o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que responde
por 60% do IGP-M, variou de 0,03% para -0,45%.
Alimentos e transportes, principalmente combustíveis, foram
os itens que puxaram a deflação, com quedas de 0,81% e 1,34%,
respectivamente. "O preço do etanol recuou muito com a nova safra,
mas já há sinais de alta. Nas últimas duas semanas,
já percebemos reajustes nas usinas", conta Quadros.
Em maio, o álcool hidratado caiu 13,34%, enquanto em junho a
retração desacelerou para 9,96%. "A diminuição
no ritmo de queda em plena safra mostra como a demanda está forte.
Com o crescimento da frota de carros flex, não está sendo
possível repor adequadamente os estoques", comenta o coordenador
de Análises Econômicas da FGV.
Nos últimos 12 meses, o álcool hidratado subiu 37,29%,
enquanto o álcool anidro (misturado à gasolina) teve alta
de 58,97%.
Já em relação às commodities agrícolas,
Quadros estima que mesmo apresentando variações positivas,
os reajustes de preços não deverão ser tão
intensos como no ano passado. "A demanda da China e fatores climáticos
não devem permitir que os preços se acalmem, mas não
esperamos uma alta como a de 2010."
O maior risco para a inflação, em sua avaliação,
vem do setor de serviços, que registrou aumento de 0,44% em junho
e acumula alta de 6,34% em 12 meses. "A inflação de 12 meses
em serviços vem acelerando e não vemos nenhuma alteração
nesse cenário nos próximos meses", cometa Quadros, acrescentando
que o reajuste no salário mínimo em 2012 deverá pressionar
ainda mais os preços. Isso porque além de representar um
aumento de custos para o setor, significa crescimento de renda para a população,
que poderá demandar ainda mais serviços. "As quedas em outros
segmentos encobriram o aumento em serviços, que segue sendo um ponto
de atenção." (Francine De Lorenzo - Valor Online)
29.06 - Susep: Faturamento do setor cresceu 19,5% até maio
Dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep) indicam
que a receita de prêmios apurada de janeiro a maio pelo mercado de
seguros somou R$ 41,1 bilhões, com crescimento de 19,5% em relação
aos cinco primeiros meses de 2010. Esses dados não incluem o seguro
saúde, que está sob a alçada da Agência Nacional
de Saúde Suplementar (ANS).
A taxa média de sinistralidade caiu de 51% para 46% entre os
dois períodos comparados. Contudo, os sinistros retidos pelas seguradoras
apresentaram alta de 11,3%, para R$ 10,5 bilhões. Isso significa
que, nos cinco primeiros meses do ano, o mercado devolveu para a sociedade,
na forma de indenizações, benefícios e resgates, algo
em torno de R$ 70,2 milhões por dia, incluindo finais de semana
e feriados. (Revista CoberturaCQCS)
29.06 - BC deve manter foco no centro da meta de 2012
As condições fiscais do país ou uma ruptura no
cenário externo sempre podem abreviar o ciclo de aperto monetário.
Apesar dessa avaliação, analistas do mercado financeiro consideram
que política fiscal e economia internacional não serão
destaque no Relatório de Inflação do segundo trimestre,
que será divulgado hoje pelo Banco Central (BC).
O foco do documento deve ser a reafirmação do compromisso
do BC com a convergência da inflação para o centro
da meta em 2012 e com o ajuste "prolongado" das condições
monetárias para que esse objetivo seja alcançado. Política
fiscal e cenário externo - centrados em Grécia e EUA - devem
constar do cardápio do BC, especialmente durante a entrevista do
diretor de Política Econômica, Carlos Hamilton Araújo.
"O Relatório de Inflação deve ter um tom austero,
consistente com o comunicado da última reunião do Comitê
de Política Monetária e com a ata. O BC deve reforçar
o seu compromisso com o centro da meta de inflação no ano
que vem. Deve destacar, adicionalmente, sua atenção ao ritmo
de expansão dos salários e indicar preocupação
com a inflação de serviços", afirma Marcelo Carvalho,
economista-chefe do BNP Paribas para a América Latina.
Carvalho não acredita que o BC "vai cantar vitória antes
da hora" quanto ao controle da inflação. "O relatório
deve registrar que há, como se previu, melhora da inflação
no curto prazo e deve manter cautela quanto ao ritmo da atividade econômica.
Afinal, o IBC-Br, o índice de atividade do BC, veio mais forte que
o esperado em abril", diz.
Zeina Latif, economista-chefe do Royal Bank of Scotland (RBS) no Brasil,
lembra que o BC pode alterar a projeção para o Produto Interno
Bruto (PIB) deste ano, mas considera improvável que isso aconteça.
"O BC não deve mudar a projeção à luz do IBC-Br
de abril, divulgado recentemente. O indicador veio forte. Se o BC tinha
alguma inclinação para rever para baixo a projeção
de aumento do PIB em 4% neste ano, o IBC-Br pode ter imposto maior cautela."
A economista do RBS faz outra ponderação sobre o Relatório
de Inflação do segundo trimestre. Ela observa que a defasagem
temporal entre a divulgação da ata do Copom e do relatório
é de apenas duas semanas, o que deve limitar abordagens novas nesse
último documento. "A estratégia do BC deve ser confirmada
com foco em 2012. Considerando o avanço de mais um trimestre no
calendário, já teremos nesse relatório de junho projeções
para o primeiro semestre de 2013. Mas não acredito que o BC já
dará ênfase a 2013. Isso deve acontecer, sim, mas ao longo
do segundo semestre deste ano."
Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, também
alerta para a forma como o BC tratará a atividade, por considerar
a desaceleração vista no segundo trimestre mais momentânea
do que uma tendência. "No caso da indústria, teve a ver com
o efeito Japão e as greves nas montadoras. Além disso, a
alta da inflação tirou renda real dos trabalhadores, o que
pontualmente desacelerou o consumo. Veremos, portanto, um PIB voltando
a crescer num ritmo mais forte do que no segundo trimestre. Quanto à
inflação, passado o momento positivo de commodities agora
na virada do semestre, voltaremos a nos preocupar com a aceleração
no final do ano."
Para o economista da MB Associados, o BC segue focado no curto prazo
e não está dando valor às condições
de longo prazo. Vale espera que o Relatório de Inflação
continue dando peso às commodities e ao cenário internacional,
que, avalia, piorou no segundo trimestre, devido ao efeito Japão
e a vários desastres na economia americana.
A política fiscal, que vem produzindo resultados positivos,
segue no radar do mercado, mas não deve levar o BC a externar preocupação
particular com o tema, comentam analistas. "O BC deve reafirmar que o país
caminha para o cumprimento das metas fiscais", afirma Carvalho, do BNP
Paribas, que resume a opinião de vários economistas. Mas
alguns gostariam de ver uma postura mais clara do BC quanto às contas
públicas.
Um economista que prefere manter o anonimato considera que o BC está
se abrigando na ambiguidade do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias
(LDO), que preserva a prerrogativa de abater o Plano Plurianual de Investimentos
da meta de superávit primário em 2012. O BC não vem
citando em seus documentos a possibilidade de abatimento do PPI (que implicaria
superávit primário menor) em 2012, mas implicitamente considera
esse abatimento ao referir-se genericamente ao projeto da LDO.
A curva de juros não embute piora no quadro fiscal e mantém
a sinalização de alta da taxa Selic em 0,25 ponto percentual
pelo Copom em julho. De agosto em diante, as apostas ficam em aberto no
pregão da BM&F. Departamentos econômicos de grandes bancos
dividem-se entre os que esperam leve recuo ou estabilidade do juro básico
em 12,5% até o fim de 2012. A manutenção dessa expectativa
depende fundamentalmente, porém, da consistência das contas
públicas, que devem mudar radicalmente no ano que vem.
"A combinação, este ano, de contenção de
despesas na boca do caixa, um salário mínimo zerado e gastos
adequados a um período pós-eleição vem efetivamente
desacelerando os gastos reais nas três esferas públicas. Essa
rara moderação conjunta na União, nos Estados e nos
municípios ocorreu pela última vez em 2003 e deve se mostrar
efêmera", alerta Fernando Montero, economista-chefe da Convenção
Corretora, para quem dificilmente esse positivo resultado conjunto vai
se repetir no ano que vem.
"Ao menos este ano, a conjuntura confirmará que faz diferença
quando um terço da economia - representado pelos governos federal,
estaduais e municipais - deixa de crescer o dobro do PIB para crescer tanto
quanto ele", avalia Montero.
Em 2012, os investimentos serão retomados com força.
O salário mínimo terá reajuste real expressivo. As
eleições municipais aquecerão despesas pontuais, Estados
pressionarão brechas para ampliar gastos, que serão acrescidos
de outros que foram adiados ou represados. A possibilidade de pagamento
de precatórios judiciais, que deverão ser quitados numa única
parcela, seria mais uma pressão a considerar. Apenas a folha de
salários deve continuar comportada, diz Montero, considerando que
o governo conseguirá evitar projetos que rondam o Congresso. Ainda
assim, somente a folha federal deve ficar comportada, uma vez que muitas
folhas de pagamento regionais sofrerão impacto com o ajuste do novo
mínimo. (Angela Bittencourt - Valor Online)
29.06 - Fantasma ou dragão?
Pouco importa a metáfora! Seja representada, na crença
popular, pela alma ou o espírito de algo que já havia sido
sepultado ou pela criatura mitológica de aspecto reptiliano horroroso,
a inflação nunca saiu de perto de nós.
Alguns especialistas e políticos, normalmente de apoio ao governo,
tangenciam o debate, mas a inflação, definida como “aumento
persistente dos preços em geral, que acaba resultando em uma perda
contínua do poder aquisitivo da moeda”, segue presente em todos
os lugares e momentos da vida cotidiana.
Seja nas gôndolas dos supermercados ou prateleiras das vendinhas
e armazéns, ou na feira livre que abastece todas as semanas nossas
geladeiras e despensas.
Ou ainda na conta mensal das concessionárias dos serviços
públicos (energia elétrica, água e saneamento, etc)
ou no valor dos aluguéis, passagens de ônibus, metrô
ou trem, taxas de pedágio, e tudo o mais que se possa imaginar.
E o contracheque, ó!
Inclusive perdura a proibição de indexação
dos salários a índice de preços, mas os demais produtos
e serviços de consumo e utilização diários
seguem com sua ligação umbilical a determinados índices,
mesmo que referencialmente.
Ainda não temos uma hiperinflação e como leiga,
a maioria da população não sabe definir se a inflação
é de demanda ou de custos, ou se há em curso uma espiral
inflacionária leve.
O fato é que o brasileiro, ao comprar pão, leite, carne,
massa, água mineral, material de limpeza ou utilizar os serviços
da faxineira, da manicure, da lavanderia, nota e sente na parte mais sensível
do seu corpo – o bolso! (rsrsr) – que a cada dia necessita mais dinheiro
para viver.
Se isto não é inflação, deve ser o seu
fantasma ou o dragão, com certeza!!!
Basta uma rápida olhada na dezena de indicadores de preços
existentes.
Como a cesta de produtos ou serviços consumidos se altera de
indivíduo para indivíduo, foram criados diversos. Entre eles
o IGP (Índice Geral de Preços), o INPC (Índice Nacional
de Preços ao Consumidor), o IPCA (Índice de Preços
ao Consumidor Amplo), o INCC (Índice Nacional do Custo da Construção),
e cada um com variantes que tonteiam o pobre mortal.
Mas o que salta aos olhos é que, em maio, a sua variação,
computada nos últimos doze meses, ficou na faixa entre 6,30% (INPC)
e 10,84% (IGP-DI). Ou seja, temos a constatação oficial de
que a inflação perdura e persiste. E isto que em muitos setores
a elevação de preços foi muito superior.
Por isso não estranhamos a resposta dada por cerca de um terço
dos entrevistados em pesquisa contratada pela Federação das
Indústrias de SP (Fiesp).
A inflação é “o que mais faz perder o sono” dos
cidadãos que responderam à pesquisa, superando inclusive
o medo da violência urbana e o desemprego.
Indiscutivelmente, apesar de o governo dizer que está jogando
forte pela estabilização, é sempre bom reafirmar e
ser mais incisivo em medidas de contenção dos preços.
Passamos por este drama da inflação galopante há
menos de duas décadas, e foram momentos difíceis da vida
brasileira.
Fantasma ou dragão, a inflação tem que ser controlada,
num combate sem tréguas. Pois sua recidiva é assustadora
e intranquilizante. Faz perder o sono. (Vilson Antonio Romero
- Anfip)
29.06 - A leniência do Brasil com a inflação
Doze anos depois de adotado o regime de metas para inflação,
o Brasil ainda possui uma das metas mais altas dentre os países
que aderiram a esse sistema. O atual objetivo (4,5%), que amanhã,
em reunião do Conselho Monetário Nacional, deve ser fixado
também para 2013, é o mesmo há oito anos.
Com exceção da Turquia e da Rússia, apenas economias
em estágio de desenvolvimento inferior ao do Brasil têm metas
inflacionárias maiores. Países emergentes como Chile, México
e Coreia do Sul operam com metas e índices de preços bem
menores. Nessa seara, avançaram mais que a economia brasileira nos
anos recentes, apesar de enfrentarem pressões inflacionárias
semelhantes.
Um balanço feito pelo economista Scott Roger, do Fundo Monetário
Internacional, mostra que o regime de metas funcionou bem em praticamente
todos os países que o adotaram. Os índices de preços
foram derrubados num primeiro momento e depois ancorados. O Brasil não
é uma exceção, mas, aqui, a inflação
está num patamar elevado e persistente.
Meta e tolerância do país estão entre as mais altas
De 1999 a 2010, o IPCA anual médio foi de 6,78%. Retirando da
estatística o primeiro ano do regime, afinal, ele entrou em vigência
apenas em meados de 1999, a média cai para 6,58%. Considerando apenas
o período em que a meta passou a ser 4,5% - de 2005 até agora
-, a inflação média efetiva ficou próxima do
alvo (4,9%).
Bráulio Borges, economista-chefe da LCA Consultores, calculou
que, dentre os países emergentes que usam o regime, a meta média
estava, em 2010, em 4,4%, com tolerância para baixo e para cima de
1,2 ponto percentual. Quando se considera a mediana, cálculo que
exclui as situações extremas, o índice médio
cai para 3,5% (+/- 1 p.p.), bem abaixo da meta brasileira. Além
disso, o Brasil é o que tem o intervalo de tolerância mais
amplo - em tese, o intervalo existe para absorção de choques,
mas, mantido em patamares elevados (já foi de 2,5 p.p.!), demonstra
leniência.
O governo perdeu excelente oportunidade de reduzir a meta em 2007.
No ano anterior, o IPCA recuara para o nível mais baixo da história
do regime - 3,14%. Nos primeiros meses de 2007, o Banco Central (BC) constatou
que os preços internacionais das commodities, especialmente dos
alimentos, já começavam a avançar acima dos níveis
dos anos anteriores.
Com a inflação dentro da meta, o governo, ao fixar o
objetivo de 2009, poderia ter reduzido o alvo sem a necessidade de um aperto
monetário adicional. A diminuição teria ajudado a
controlar as expectativas num momento crucial, mas a equipe econômica
julgou que um objetivo menor levaria o BC a derrubar o crescimento do Produto
Interno Bruto (PIB).
O que se viu, desde então, foi a aceleração concomitante
de PIB e inflação. Em 2008, mesmo com a parada súbita
da economia no último trimestre, o IPCA chegou a 5,9%. No ano seguinte,
apesar da recessão, bateu em 4,31% e, em 2010, voltou a 5,9%. Os
números mostram que toda vez que o PIB cresce acima do potencial,
estimado hoje entre 4% e 4,5%, a inflação supera a meta e
ameaça sair de controle, como nos últimos meses.
Bráulio Borges sustenta que reduzir a meta para muito menos
de 4%, num espaço curto de tempo, não é recomendável.
São três as principais razões: o peso dos serviços
na cesta de consumo dos brasileiros está crescendo de maneira relevante,
em detrimento da participação dos bens, e a inflação
dos serviços costuma correr bem acima da dos preços industriais;
o grau de indexação da economia brasileira ainda é
grande; o país tem juros reais muito altos.
O esforço para diminuir a meta, alega Borges, poderia derrubar
o PIB abaixo do potencial durante a transição para o novo
alvo. Na verdade, é bem provável que, por causa da aceleração
inflacionária do fim de 2010 e início de 2011, a economia
já tenha que crescer abaixo do potencial neste e no próximo
ano. Este é o custo de se crescer acima do possível.
É difícil ver o país caminhando para patamares
de inflação menores. O problema da indexação
foi agravado pela política de correção do salário
mínimo (IPCA do ano anterior, acrescido do PIB de dois anos antes),
transformada em lei pelo governo Dilma Rousseff. O mínimo, além
de corrigir mais de 40% das despesas primárias do governo, é
talvez o principal indexador do setor de serviços, justamente o
que mais vem pressionando os preços. (Cristiano Romero
- Valor Online)
28.06 - Mercado ajusta crescimento do PIB
Um pequeno ajuste na estimativa para o crescimento da economia neste
ano foi feito por analistas do mercado financeiro na virada da semana.
Para eles, o PIB deverá crescer 3,95% este ano e não mais
3,96% estimados na pesquisa Focus do Banco Central da semana passada. Para
2012, a projeção do PIB, a soma de todos os bens e serviços
produzidos no país, continua em 4,10%.
No caso do crescimento da produção industrial, a taxa
estimada prossegue inalterada em 3,44% neste ano, e em 4,50%, em 2012.
Já a projeção para a relação entre a
dívida líquida do setor público e o PIB foi corrigida
de 39,26% para 39,18% neste ano, e continua em 38%, no próximo ano.
A cotação do dólar comercial ao final de 2011
foi mantida em R$ 1,60 neste ano, e em R$ 1,70, em 2012. A previsão
para o superávit comercial (saldo positivo de exportações
menos importações) teve ligeira melhora, de US$ 20 bilhões
para US$ 20,05 bilhões, neste ano, e de US$ 10,08 bilhões
para US$ 10,10 bilhões, no próximo ano.
Para o déficit em transações correntes (registro
das transações de compra e venda de mercadorias e serviços
do Brasil com o exterior), não houve alteração nos
números do mercado. Prossegue em US$ 60 bilhões neste ano
e avança para US$ 70 bilhões, no próximo ano.
O chamado Investimento Estrangeiro Direto (IED, recursos destinados
ao setor produtivo do País) deve crescer um pouco, passando de US$
51,30 bilhões- conforme estimado na semana passada- para US$ 51,85
bilhões neste ano. o IED permanece em US$ 46 bilhões em 2012.
(Fenaseg)
28.06 - Mercado prevê taxa selic de 12,50% para 2012
O relatório Focus divulgado pelo Banco Central ontem mostra
que as instituições financeiras esperam agora que o IPCA
suba 5,15 % nos próximos 12 meses, ante previsão de 5,07%
da semana anterior.
A previsão para o Índice Nacional de Preços ao
Consumidor Amplo (IPCA) recuou a 6,16%, frente a 6,18% na semana anterior.
O número está acima da meta central de 4,5%. A estimativa
da inflação pelo IPCA para 2012, caiu de 5,18% para 5,15%.
O prognóstico para a Selic no encerramento deste ano foi mantido
em 12,50%. Para o final de 2012, a projeção subiu a 12,50%,
após seis semanas congelada em 12,25%.
O Comitê de Política Monetária (Copom) vem elevando
o juro básico desde o início do ano, diante de um repique
da inflação. Na última reunião, no início
deste mês, a Selic alcançou 12,25 %ao ano.
As estimativas de crescimento da economia brasileira neste ano oscilaram
para 3,95%, frente a 3,96% antes. Para 2012, a projeção é
de que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça 4,10 %, a mesma da semana
anterior. (Executivos Financeiros)
28.06 - Analistas reduzem estimativa de inflação oficial
A estimativa de analistas do mercado financeiro consultados pelo Banco
Central (BC) para a inflação oficial neste ano caiu pela
oitava semana consecutiva. A projeção para o Índice
de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 6,18% para 6,16%,
segundo o boletim Focus, divulgado todas as segundas-feiras.
Apesar da queda, a estimativa está acima do centro da meta de
inflação de 4,5%. Para o BC, essa meta só deve convergir
para o centro em 2012, diferentemente dos analistas que esperam o IPCA
em 5,15% no próximo ano. Mas essa projeção caiu 0,3
ponto percentual em relação ao boletim da semana passada.
A meta de inflação, que deve ser perseguida pelo BC,
tem margem de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, ou seja, o
limite inferior é 2,5% e o superior, 6,5%.
Quando considera que a economia está muito aquecida, com trajetória
de inflação em alta, o BC eleva a taxa básica de juros,
a Selic. Na avaliação dos analistas, essa taxa deve encerrar
2011 em 12,50% ao ano, o mesmo patamar previsto anteriormente. Atualmente,
a Selic está em 12,25% ao ano. Para o fim de 2012, a projeção
subiu de 12,25% para 12,50% ao ano.
A pesquisa semanal do BC também traz projeções
para outros índices de inflação. A expectativa para
o Índice de Preços ao Consumidor da Fundação
Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe), neste ano, caiu de
5,83% para 5,71%. Para 2012, a estimativa passou de 4,80% para 4,79%.
A estimativa para o Índice Geral de Preços – Disponibilidade
Interna (IGP-DI), neste ano, passou de 6,05% para 5,97%. No caso do Índice
Geral de Preços de Mercado (IGP-M), neste ano, a estimativa também
caiu, de 6,28% para 6,16%. Para 2012, a projeção para esses
dois índices continua em 5%.
A estimativa dos analistas para os preços administrados subiu
de 5% para 5,10%, em 2011, e permaneceu em 4,50%, no próximo ano.
Os preços administrados são aqueles cobrados por serviços
monitorados, como combustíveis, energia elétrica, telefonia,
medicamentos, água, educação, saneamento e transporte
urbano coletivo. (Agência Brasil)
27.06 - Schwartsman: "Inflação é prioridade"
Para ex-diretor do BC, conter câmbio é mais fácil
que controlar preços
Crítico voraz do controle de gastos na “boca do caixa” e da
política adotada pelo Ministério da Fazenda de equilibrar
as contas públicas recolhendo mais impostos do que cortando gastos,
o ex-diretor do Banco Central e ex-economista do Banco Santander Alexandre
Schwartsman acha que agora o principal desafio do governo é o controle
da inflação. Para ele, a autoridade monetária, que
atualmente sofre questionamentos e atravessa uma crise de confiança
do mercado financeiro, deveria elevar a taxa básica Selic aos 13%
ao ano, uma vez que está longe de atingir as metas para este ano
e para o próximo. Entretanto, admite que, diante da queda da atividade
econômica mundial e com os países ricos se debatendo para
sair do atoleiro pós-crise, o BC pode estancar os juros nos atuais
12,25% ao ano. “Aliás, esse parece ser o cenário pelo qual
o BC mais torce. Porque o espaço para subir os juros fica menor
a cada dia”, afirma. Enquanto prepara sua volta com a abertura de uma consultoria,
Schwartsman defende que o governo deveria colocar em prática um
ajuste fiscal vigoroso, que trouxesse o gasto público para patamares
mais próximos aos observados entre nossos vizinhos.
A inflação próxima do teto (de 6,5%) reduziu suas
pressões, mas continua preocupante. O governo conseguirá
cumprir as metas estipuladas?
Por enquanto não, pois todas as indicações sugerem
que o Produto Interno Bruto segue crescendo acima do potencial e, portanto,
as pressões sobre mercado de trabalho e sobre a utilização
de capacidade não dão sinais de alívio. Os salários
aumentam mais do que a produtividade, o que se traduz em elevação
dos custos. Obviamente, o repasse desses custos crescentes para preços
depende das condições de demanda. Em setores muito expostos
à competição internacional, não há condições
de repasse. No conjunto da obra, a inflação deve ficar muito
próxima ao teto este ano, podendo até superar o patamar,
e permanecer acima da meta ano que vem. Não parece, portanto, que
as metas serão atingidas.
O governo chegou à metade do superávit primário
(economia para pagamento dos juros) previsto para o ano em cinco meses,
mas deve aumentar os gastos em função da necessidade de investimento
em infraestrutura. Como o Brasil conseguirá equilibrar as contas
públicas?
O governo só vai equilibrar as contas por causa do aumento de
receita decorrente do aquecimento econômico. O começo do ano
foi bom em termos do desempenho fiscal, mas não parece sustentável.
Houve repressão de investimentos e parece ter havido alguma alteração
no padrão das despesas. Ainda temos um encontro marcado com um aumento
real de 7,5% do salário mínimo no ano que vem. Assim, a questão
fiscal aparenta estar longe de uma solução. Não quer
dizer, é claro, que teremos problemas de solvência, mas a
política fiscal não está desempenhando um papel central
na desaceleração da economia.
Onde deverão ser feitos os apertos?
Passou a época do controle feito na boca do caixa, como o Tesouro
tem feito há muito tempo. A redução do gasto público
no Brasil não vai ocorrer por esta via. Temos que voltar para as
ideias propostas no chamado “plano rudimentar” apresentado pelo ex-ministro
Antonio Palocci ainda em 2005, ou seja, adotar um programa de redução
planejada (não na boca do caixa) do gasto ao longo de um horizonte
de alguns anos.
O Banco Central está demonstrando comprometimento em conter
a inflação ou atravessa uma crise de credibilidade?
Ele está sendo questionado. A persistência das expectativas
de inflação acima da meta em 2012 é sintoma de arranhão
na credibilidade do BC. Basta lembrar que, há pouco tempo, as estimativas
traçadas para dois anos à frente estavam tipicamente ao redor
da meta (4,5%). Claro que ninguém sabia o que iria ocorrer naquele
prazo, exceto que, em qualquer caso, o Comitê de Política
Monetária (Copom) faria o necessário para trazer o índice
de volta à meta. Esta percepção não existe
mais. Não quer dizer que não possa ser reconstruída,
mas vai requerer trabalho persistente.
Novos aumentos na taxa de juros vão ampliar o deficit nas contas
públicas, devido aos juros pagos pelos títulos do Tesouro.
Há um limite para esse endividamento, que já é bastante
elevado?
Mesmo que o endividamento bruto do governo seja elevado, não
há indicações de que, mesmo sob uma taxa de juros
mais alta, a dívida se torne um processo explosivo. Para 2011, acredito
que o BC tenha que trazer a Selic até 13% ao ano.
Diante da desaceleração da economia e da dificuldade
de os países ricos saírem do atoleiro, existe a possibilidade
de não haver mais aumento de juros?
Existe. Aliás, esse parece ser o cenário pelo qual o
BC mais torce. Porque o espaço para subir os juros fica menor a
cada dia.
Qual é o maior desafio para o governo: conter o câmbio
ou a inflação? Qual deles é mais prejudicial para
a economia?
Inflação, sem dúvida. Conter o câmbio é
fácil. No limite, podemos fazer como outros países e fixar
a taxa de câmbio onde bem entendermos. O difícil é
fazer com que a inflação não “coma” o câmbio,
conforme ocorre, por exemplo, na Argentina.
A piora da percepção dos brasileiros sobre a economia
e a inflação, apesar da melhora na aprovação
da gestão de Dilma Rousseff, é um sinal de que o governo
deve começar a se preocupar?
Se houve uma variável econômica sobre a qual o presidente
Lula nunca teve dúvida, foi a inflação. Mesmo uma
taxa que – para padrões brasileiros – não é das mais
elevadas já faz algum estrago na popularidade do governo, porque
afeta as camadas mais pobres da população. Trazer a inflação
de volta à meta vai requerer desaceleração da economia
abaixo do seu potencial, o que, na prática, implica elevar a taxa
de desemprego, mesmo que transitoriamente. Há um custo político
para obter o resultado e as dúvidas se referem principalmente à
disposição do governo em arcar com este custo.
(Rosana Hessel - Estado de Minas)
27.06 - Prova de fogo para medidas contra inflação
As medidas tomadas pelo governo para conter a alta dos preços
no Brasil serão colocadas em xeque ao longo desta semana. De hoje
até sexta, serão divulgados dados importantes sobre a inflação
no país. O principal teste será o relatório trimestral
que será publicado na quarta-feira pelo Banco Central.
O documento pode dar pistas sobre os próximos passos do Comitê
de Política Monetária (Copom), que se reunirá no dia
20 de julho. O próprio Copom vai entrar em cena, nesta quinta-feira,
para divulgar a meta de inflação para 2013. Segundo o Banco
Fator e o departamento de pesquisa do Santander, a expectativa é
que a meta permaneça na casa dos 4,5%.
Hoje é a vez do IPC-S e do INCC-M. A estimativa do Fator é
que haja uma desaceleração no INCC de 2,03%, atingindo 1,45%.
Já o IPC-S deve ficar negativo em 0,15% ante uma variação
positiva de 0,02% da semana anterior, de acordo com José Francisco
de Lima Gonçalves, economista-chefe do banco. Na terça, será
publicado o IPC-Fipe da terceira semana, que deve variar 0,14% para baixo;
no dia seguinte, sairá o IGP-M, que deve desacelerar 0,36% ante
uma oscilação positiva de 0,43% no mês anterior. Por
fim, será a vez do IPC-S da quarta semana, que, segundo Fator, deve
aparecer com 0,27% negativo.
Saindo do tema inflação, o BC divulga hoje nota sobre
setor externo. "Esperamos que a conta de transação corrente
registre déficit de US$ 3,7 bilhões em maio. Com este resultado,
o déficit acumulado em 12 meses deve ter atingido US$ 50,5 bilhões
(2,3% do PIB), contra US$ 48,9 bilhões até abril", escreve
Maurício Molan, no relatório do Santander. Amanhã
será a vez da nota de política monetária e de crédito
- que será importante para avaliação das medidas macroprudenciais
e para se observar o ritmo de crescimento do crédito no Brasil.
De acordo com Santander, o aumento da carteira em maio deve mostrar
avanço similar ao resultado do mês anterior, de cerca de 1,3%.
"Contudo, acreditamos que a expansão da carteira deve ser cada vez
mais afetada pela piora das condições de crédito -
juros e inadimplência." Outro dado importante que será divulgado
na quinta-feira é a política fiscal. A expectativa do Banco
Fator é que o superávit do setor público consolidado
passe de R$ 18,1 bilhões para R$ 6 bilhões em maio, devido
à queda sazonal de receita com impostos. Já o Santander projeta
superávit primário de R$ 6,5 bilhões. "Se o resultado
for confirmado, o saldo acumulado em12meses se elevaria para 1,9% do PIB
de 1,7% registrado até abril (sem considerar o benefício
contábil da capitalização da Petrobras), ficando cada
vez mais perto da meta de 2,1% do PIB para 2011", diz Molan.
Internacional
Alexandre de Macedo Marques Filho, analista de investimento da Elite
Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários, chama atenção
para os pedidos de seguro desemprego nos Estados Unidos. "Eles vieram acima
do esperado pelo mercado, na quinta-feira passada. Vamos ver se isso é
algo pontual ou uma tendência", afirma. Os dados serão publicados
nesta quinta. O especialista dá outra dica: é bom ficar de
olho na atividade industrial (chamada de PMI).
"O cenário de desaceleração mundial deve ser reforçado
por conta dos números do consumo das famílias, do setor imobiliário
nos Estados Unidos, do desemprego na Zona do Euro e Japão", acrescenta
Mola (Natália Flach - Brasil Econômico)
22.06 - Susep: Nova diretoria em julho
O Ministério da Fazenda irá nomear a nova diretoria da
Susep dentro de 15 a 20 dias, segundo informou o Jornal do Commercio do
Rio de Janeiro. Ainda de acordo com a reportagem, a primeira grande missão
dessa nova diretoria será entregar ao ministro Guido Mantega um
plano de trabalho da Susep para os próximos três anos.
O Ministério da Fazenda informou que esse plano de trabalho
dará ênfase à fiscalização do mercado
marginal de seguros, que atua sem autorização da Susep e
descumpre as regras do setor.
A estimativa da Susep é que somente no segmento de cooperativas
e associações mais de 100 empresas de seguros atuam sem autorização
do órgão. "Temos informações de que até
mesmo empresas estrangeiras estão atuando no Brasil sem autorização
da Susep", afirmou Santanna.
Segunda-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, deu posse ontem
ao novo presidente da Superintendência dos Seguros Privados (Susep),
Luciano Portal Santanna. (Seguros dia-a-dia)
22.06 - Momento de definição contra a inflação
Ainflação voltou a ser motivo de preocupação
no Brasil desde o fim do ano passado, em parte devido à alta de
preços no mercado internacional, mas principalmente em decorrência
de fatores domésticos. O governo contribuiu para essa aceleração
ao ter optado por uma política fiscal expansionista quando já
havia claras evidências de pressões de demandas em 2010. Motivado
pelo calendário eleitoral, o governo Lula custou a pôr um
freio nos gastos públicos - o que só veio a ocorrer, de forma
ainda modesta, já na administração Dilma Rousseff.
Em face dessa aceleração, a tendência é
que a inflação em 2011 fique próxima do teto (6,5%)
da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional há
dois anos. Ainda que a política monetária tenha se tornado
restritiva e a fiscal já seja mais neutra que expansionista, o país
enfrentará em 2012 uma herança inflacionária que dificultará
o recuo dos índices de preços para o centro da meta (4,5%).
Não esquecer, ainda, o impacto do previsto aumento na faixa dos
14% do salário mínimo no ano que vem.
Para desarmar esse ambiente favorável à inflação,
a política econômica teria que anular pressões de demanda
e favorecer a ampliação da oferta de bens e serviços.
Para tal, é essencial que haja aumento da poupança pública,
o que só pode ser obtido por contenção de gastos e
aumento de receitas. O governo teria de abrir mão, ou diminuir o
ritmo de execução de alguns de seus programas, o que significaria
arcar, no curto prazo, com um risco político que o PT e seus aliados
não parecem dispostos a correr.
O resultado é que a política econômica tende a
conviver com uma inflação igual ou acima de 4,5%, patamar
não recomendável, pois qualquer choque de oferta ou de demanda
é suficiente para empurrar os índices para um nível
que desorganiza os orçamentos das famílias, corrói
rapidamente o poder de compra dos assalariados e desencadeia um processo
de reindexação indesejável e de difícil controle.
Assim, mesmo que em 2011 e 2012 sejam necessários esforços
vigorosos para pôr a inflação nos eixos, o governo
deveria mirar numa meta mais baixa para 2013. Por várias razões:
primeiro, está provado na prática que a meta atual (4,5%,
com tolerância de dois pontos percentuais para mais ou para menos)
não é satisfatória para se neutralizar os mecanismos
remanescentes de indicação automática da economia
brasileira; segundo, a experiência internacional do regime de metas
mostra que não se deve mantê-las por longo período
(e o atual patamar permanece inalterado desde o primeiro mandato do governo
Lula); terceiro, para o bom funcionamento desse regime é preciso
mexer com as expectativas dos agentes econômicos, que, no momento,
estão mais voltadas para uma inflação acima do centro
da meta, o que obrigará o governo a dar demonstrações
firmes de que não pretende ser tolerante em relação
a índices de preços mais altos.
O CMN terá de definir até o fim deste mês a meta
de inflação de 2013. O governo estará diante de uma
oportunidade de dar um passo à frente para resolver um problema
crônico da economia brasileira. Ou deixará evidente que não
deseja solucioná-lo ainda nesta administração Dilma
Rousseff. (O Globo)
22.06 - Inflação atrasada
Meta para 2013 vai ser reflexo dos gastos em excesso do ano passado
Depois de não se deixar enganar pelo canto das sereias saudosistas,
que insistem em voltar aos tempos dos choques e das mágicas que
lançaram o país no fosso profundo da hiperinflação,
o governo se vê, agora, na contingência de dizer não
aos que defendem com mais ousadia o sistema de metas de inflação.
Nos próximos dias, o Conselho Monetário Nacional (CMN) tem
de cumprir uma de suas agendas mais importantes: fixar a meta de inflação
para 2013 (dois anos de antecedência). Coerentes com os fundamentos
que ancoram a mais bem-sucedida política de combate à inflação
já implantada no Brasil, economistas mais modernos gostariam que
o governo aproveitasse a boa fase que vive o país desde a crise
financeira internacional de 2008/2009, para aumentar o esforço de
redução da inflação. Isso se daria com a adoção,
a partir de 2013, de um cronograma de rebaixamentos anuais das metas de
inflação. Começando com 3% ou 3,5%, o país
chegaria a uma inflação entre 1% e 1,5% por volta de 2015.
É pena, mas tudo indica que não será a decisão
do CMN.
O governo deverá manter o núcleo da meta em 4,5% pelo
nono ano seguido. Com isso, o Brasil continuará tendo a mais elevada
meta de inflação entre os 22 países que empregam esse
sistema. Apesar das turbulências provocadas pela crise, as economias
mais desenvolvidas têm metas em torno de 2%, mesmo considerando os
países que não adotam formalmente o sistema. Se pudéssemos
adotar 3% como núcleo da meta para 2013, estaríamos pelo
menos empatando com a maioria dos países em desenvolvimento. Este
é, aliás, o nível que a maioria dos economistas que
propõem mais rigor na política monetária sugerem ao
CMN. A discussão não é nova. Nos dois anos anteriores
à crise internacional, foram muitos os embates entre o Banco Central
(BC), então presidido por Henrique Meirelles, e o Ministério
da Fazenda, do mesmo Guido Mantega de hoje. O país já tinha
adotado a meta de 4,5% desde 2005 e, em 2006, essa meta foi cumprida com
folga, tendo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)
chegado ao mais baixo nível dos últimos tempos: 3,16%.
Parecia o momento ideal para baixar a meta para 2008, mas prevaleceu
a preocupação de Mantega com a eventual necessidade de aumentar
muito as taxas de juros. A crise acabou deixando para depois essa disputa.
Ora, se com 3,16% de inflação em 2006 o governo preferiu
não correr o risco de ter de segurar o consumo e a criação
de empregos pela via da política monetária, o que dizer de
hoje, quando o próprio BC já dá por perdida a meta
de 2011 (a inflação deste ano deve ficar em 6%, na melhor
das hipóteses) e trabalha com olhos fixos nos 4,5% da meta de 2012?
A presidente Dilma Rousseff já deu a orientação básica
de seu governo: não quer perder o controle da inflação,
mas teme errar a mão na calibragem da desaceleração
da economia, provocando desemprego. A verdade é que ainda não
aprendemos a manter a política econômica ao resguardo do calendário
eleitoral e das pressões políticas. Ao afrouxar o controle
de gastos e retardar o aperto na política monetária em 2010,
o governo Lula correu risco calculado de ter sucesso na eleição
presidencial em troca do pagamento da conta em 2011. Portanto, antes de
perseguir metas mais civilizadas de inflação, uma dieta fiscal
mais severa é inevitável. (Estado de Minas)
21.06 - Moody´s eleva classificação de risco do
Brasil
A agência Moodys elevou o rating (classificação
de risco) dos bônus do governo brasileiro de Baa3 para Baa2, "considerando
que o desempenho do crédito soberano é consistente com ratings
na parte elevada da margem Baa, que os recentes ajustes nas políticas
que devem resultar em um cenário macroeconômico mais sustentável,
e diante da perspectiva de melhora dos indicadores fiscais e de crescimento
no médio prazo". A perspectiva para o rating do País segue
positiva.
Em comunicado, a Moody´s afirma que a perspectiva positiva mantida
para o rating do Brasil captura a possibilidade de uma nova elevação
da classificação nos próximos 12 a 18 meses. "Isto
será possível se: 1) o crescimento econômico se moderar
e continuar em taxas mais baixas - mas mais sustentáveis e 2) as
autoridades quiserem e conseguirem cumprir as metas orçamentárias
de curto prazo."
Alternativamente, prossegue a nota da agência, se não
houver evidências de um progresso significativo nestas áreas,
o potencial de alta associado à perspectiva positiva poderá
ser removido, deixando o rating do País no atual nível de
Baa2.
A última ação de rating referente ao Brasil pela
Moody´s havia sido anunciada em 22 de setembro de 2009, quando a
classificação foi elevada de Ba1 para Baa3 e a perspectiva
positiva foi atribuída ao País. (Cynthia Decloedt
e Regina Cardeal - Agência Estado)
21.06 - Equipe quer manter meta de inflação em 2013
Proposta que será levada a Dilma é que índice
fique em 4,5% ao ano para não arriscar atual momento de crescimento
Na avaliação de técnicos do governo, meta menor
levaria Banco Central a elevar juros para conter alta de preços
em 2012
A equipe econômica vai propor à presidente Dilma manter
inalterada a atual meta de inflação de 4,5% ao ano em 2013
e sua tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.
Na próxima semana, o CMN (Conselho Monetário Nacional)
se reúne para definir a meta de 2013.
Segundo a Folha apurou, a equipe econômica avalia que reduzir
a meta neste momento seria o mesmo que forçar o Banco Central a
manter por mais tempo o atual ciclo de alta dos juros, de forma a garantir
queda rápida dos índices de preços para o patamar
desejado.
Esse movimento poderia colocar em risco um momento de retomada do crescimento
da economia.
Dentro da estratégia do governo, o primeiro ano de Dilma deve
ser de menor crescimento da produção nacional para controlar
a inflação, que está elevada.
A expectativa é que a economia cresça este ano entre
3,5% e 4%. No mercado financeiro, as apostas são de crescimento
de 3,9%.
Esse recuo mais forte em 2011, depois dos 7,5% registrados no ano passado,
é considerado importante para compatibilizar nos próximos
anos da gestão Dilma crescimento em torno de 5% ao ano com preços
sob controle.
Essa taxa, almejada já para 2012, está acima dos 4,10%
previstos por analistas de mercado.
ARMADILHA
Segundo técnicos do governo, se for incluída nessa equação
uma meta de inflação menor para 2013, ela se transformaria
numa "armadilha" para o BC.
A autoridade monetária teria que elevar os juros para conter
os preços já no ano que vem, para garantir o alcance da meta
do ano seguinte, considerando que a política monetária tem
um período de defasagem de seis a nove meses para que seus efeitos
sejam sentidos.
Além disso, a equipe de Dilma avalia que a redução
da meta inflacionária deveria ocorrer ao mesmo tempo ou depois da
adoção de medidas para reduzir a indexação
da economia brasileira.
O ministro Guido Mantega (Fazenda) costuma lembrar que resíduos
de indexação como, por exemplo, reajustes de contratos de
acordo com a inflação passada, fazem com que os preços
do ano seguinte já partam de uma base mais alta.
Esse efeito leva a uma realimentação da inflação,
tornando mais difícil o combate às pressões sobre
os preços.
Durante o governo Lula, o BC chegou a defender uma redução
da meta de 4,5% para 4% ou uma redução no intervalo de tolerância
de 2 pontos para 1,5 ponto, mas foi voto vencido na disputa com a Fazenda.
O atual presidente do BC, Alexandre Tombini, manifestou em seu discurso
de posse a necessidade de, no futuro, o país discutir uma redução
das metas, mas segundo assessores o cenário atual não é
propício para esse tipo de discussão.
A expectativa do ministro da Fazenda é que a inflação
feche 2011 em 6,2%, muito próxima, portanto, do teto da meta, que
é de 6,5%.
Para Mantega, os últimos indicadores mostram que a política
de combate à inflação está acertada. Mas ele
admite que ainda é preciso ter cuidado. "O desafio continua e vamos
tomar as medidas para que a inflação permaneça sob
controle." (VALDO CRUZ e SHEILA D'AMORIM - Folha de S.Paulo)
21.06 - Faz sentido controlar a inflação elevando a Selic?
Nos últimos anos, os mercados de commodities têm sido
influenciados pelo processo de globalização financeira, entendida
como financeirização da riqueza. Nesses mercados, tem-se
observado uma dinâmica especulativa na formação de
seus preços. Esse comportamento especulativo dos preços das
commodities, especialmente agrícolas e energéticas, explica
boa parte das pressões inflacionárias globais, em 2007 e
2008. Essas pressões voltaram à tona no segundo semestre
de 2010 e têm sido um dos principais responsáveis pela inflação
mundial.
Como resposta a esse tipo peculiar de inflação - que
vem pelo lado dos custos e, não, da demanda -, as autoridades econômicas
internacionais adotaram políticas de elevação dos
juros. Em uma situação em que a recuperação
da economia mundial está longe de consolidada, essas autoridades
deveriam elevar os juros para conter os efeitos (secundários) sobre
a inflação doméstica oriundos de choques exógenos
protagonizados pela alta das commodities?
No Brasil, infelizmente, o Banco Central (BC) parece entender que sim.
Em linha com o regime de metas de inflação, a Selic é
tida como o instrumento mais indicado para debelar as pressões inflacionárias
- independentemente de sua natureza.
Assim sendo, com o intuito de desaquecer a economia e, portanto, conter
o avanço dos preços, iniciou-se novo ciclo de alta da Selic
no ano passado (atualmente ela se encontra em 12,25%). Todavia, a despeito
das recorrentes elevações da Selic, a inflação
brasileira continua se acelerando. Por uma razão muito simples:
a inflação brasileira, assim como a de outros países
emergentes, não é predominantemente de demanda.
Seguiremos batendo recordes mundiais de juros, sem que a inflação
se reduza de forma contundente
Vejamos, portanto, nosso argumento de que a atual inflação
brasileira não decorre de um excesso de demanda. Nos últimos
12 meses, entre junho de 2010 e maio de 2011, o IPCA acumulou alta de 6,55%.
A contribuição, aproximada, de cada grupo de produtos para
o referido valor foi a seguinte: alimentos e bebidas, 2,0%; transportes,
1,1%; educação, 0,6%; despesas pessoais, 0,8%; vestuário,
0,5%; habitação, 0,8%; saúde e cuidados pessoais,
0,6%; artigos de residência, 0,1%; e comunicação, 0,1%.
Os grupos alimentação e bebidas e transportes - influenciados
pelo choque internacional das commodities - foram responsáveis por
quase metade da inflação, nos últimos 12 meses.
Considerando-se que a inflação brasileira deriva, fundamentalmente,
de choques de preços internacionais, contrair a política
monetária não é a solução mais apropriada.
Além disso, vale lembrar que, em condições normais,
conter a inflação com origem no lado da oferta por meio de
elevação da taxa básica de juros acaba gerando um
sacrifício adicional.
Por quê? Porque, por um lado, atua-se meramente sobre os sintomas
e não sobre as causas da inflação. Nesse caso a política
monetária meramente conteria os efeitos secundários da inflação
importada: ao retrair a atividade, coibiria o repasse dos preços
externos para os preços domésticos. Por outro lado, porque,
ao se restringir a política monetária amplia-se o impacto
recessivo de uma elevação dos custos de produção.
Isso é verdade, mesmo na hipótese de que o mecanismo
de transmissão da política monetária funcione perfeitamente.
A questão é que, no caso brasileiro, esse mecanismo não
tem funcionado adequadamente. Nesse sentido, pode-se explicar a persistente
coexistência de taxas reais de juros anomalamente altas (somos recordistas
nesse critério) com níveis relativamente elevados de inflação.
Em outras palavras, o IPCA tem-se mostrado pouco sensível ao nível
de atividade econômica. Portanto, o BC não tem sido capaz
de trazer o IPCA para a meta de inflação (4,5% ao ano), apesar
das altas taxas.
A existência de problemas no mecanismo de transmissão
amplia ainda mais o sacrifício imposto pela política monetária
à sociedade brasileira. Nesse particular, não é demais
ressaltar que o custo de uma redução da inflação
por meio da elevação da Selic tem sido muito alto, pois (1)
a economia cresce pouco (temos a pior taxa média de crescimento
dentre os países emergentes), (2) o real é umas das moedas
que mais se valoriza e (3) as contas públicas são contaminadas,
transformando o superávit primário em déficit nominal.
O alto sacrifício imposto pela política monetária
à sociedade brasileira torna urgente a busca de mecanismos alternativos
de combate a inflação. Ou seja, critica-se a concepção
de que a Selic deva ser o único instrumento de combate a inflação.
Nesse caso não há "receita de bolo": pressões inflacionárias
com causas distintas devem ser combatidas com diferentes instrumentos.
O BC ensaiou uma mudança nesse sentido com o uso das medidas de
controle de crédito (acanhadamente denominadas de macroprudenciais)
tomadas no final do ano passado.
Entretanto, parece que ele abandonou tal caminho, o que lamentamos,
e voltou a elevar a Selic, o que consideramos inapropriado. Infelizmente,
indo nessa direção, vamos continuar batendo recordes mundiais
em termos de taxas de juros (reais), sem que a inflação se
reduza de forma mais contundente. (Fernando Ferrari Filho e Andre
De Melo Modenesi - Valor Online)
20.06 - FMI revê previsão de alta do PIB do País
para 4,1%
Entre os maiores países emergentes, o Brasil foi alvo da maior
revisão nas estimativas do Fundo Monetário Internacional
(FMI) no segundo trimestre deste ano, com revisão na estimativa
de crescimento de 4,5% para 4,1% em 2011 e de 4,1% para 3,6% em 2012. Segundo
o economista-chefe e diretor do Departamento de Pesquisa do FMI, Olivier
Blanchard, a revisão se deve ao fato de que alguns indicadores recentes
vieram mais fracos que o esperado em abril, quando foi divulgado o World
Economic Outlook, em Washington.
Em entrevista exclusiva à Agência Estado, em São
Paulo, Blanchard acrescentou que a nova estimativa de crescimento da economia
brasileira também prevê que a política monetária
terá de ser um pouco mais apertada.
“Isso vai resultar num crescimento mais fraco, e é uma das principais
razões para a revisão”, afirmou o diretor do FMI.
Sobre a inflação no País, o economista-chefe do
FMI não mostrou grande preocupação e previu que o
IPCA retornará ao centro da meta, de 4,5%, em 2012. “Poderia ser
um problema, mas o BC está bem ciente disso.”
América Latina
A revisão do relatório prevê um avanço “robusto”
do crescimento da América Latina e Caribe, que deve superar 4,6%
em 2011 e 4,1% no próximo ano, e alerta para o risco de superaquecimento
na região.
“A expansão tem sido mais forte na América do Sul, onde
os preços altos de commodities e as boas condições
de financiamento externo estão alimentando a demanda doméstica”,
afirma o relatório, divulgado ontem em São Paulo. (Andréia
Lago e Ricardo Leopoldo - Jornal da Tarde-19.06)
20.06 - Crescer para conter a inflação
O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, marca seus primeiros
seis meses de gestão recorrendo constantemente ao verbo moderar
e suas variações. E é assim, com moderação,
que ele afirma ter certeza de que é possível controlar a
inflação e, ao mesmo tempo, permitir o crescimento econômico.
Dessa forma, pontua uma discussão que, no governo passado, causou
sérias crises entre o BC de Henrique Meirelles e o Ministério
da Fazenda de Guido Mantega.
“O Banco Central reconhece que é possível trazer a inflação
para a meta crescendo”, afirmou. “Isso tem acontecido e acontecerá.
Levaremos a inflação de volta à meta de 4,5% em 2012
com a economia brasileira crescendo.”
Em entrevista concedida sexta-feira à tarde ao Estado, à
Agência Estado e à rádio Estadão ESPN, o presidente
do BC deixou claro que a área econômica do governo Dilma Rousseff
trabalha em sintonia. O que não significa uma ameaça à
autonomia operacional da instituição.
“A presidente dá o comando. E o comando dela tem sido muito
claro no sentido de que as políticas do governo sejam adotadas,
ajustadas, para assegurar a estabilidade monetária, a inflação
na meta”, disse. O IPCA, índice que serve de referência para
o sistema de metas no País, acumula alta de 6,55% em 12 meses, acima
do teto estabelecido pelo governo, que é de 6,50% (o centro é
de 4,50%).
Durante uma hora de conversa, Tombini frisou que “o BC não está
sozinho” na tarefa de combater a inflação. “Temos hoje uma
estratégia de governo, consistente e abrangente, de moderação
do crédito e de ajuste fiscal e monetário.” A propósito
especificamente do crédito, o presidente do BC descartou a existência
de uma bolha no Brasil, hipótese que foi recentemente levantada
por alguns analistas internacionais. “Trabalhamos cotidianamente para que
não ocorram excessos que levem a um risco sistêmico, a uma
bolha que estoure lá na frente.” (Jornal da Tarde)
20.06 - A inflação e o crescimento
Dezessete anos se passaram desde a criação do Real e
o enterro definitivo do regime de alta inflação que prevaleceu
na economia brasileira desde o fim dos anos 60. Nesses anos, a economia
brasileira foi submetida a diversos choques, provindos das crises de balanço
de pagamentos nos países emergentes nos anos 90, do colapso do regime
cambial brasileiro em 1999, da primeira eleição de Lula em
2002, de vários episódios de alta de preços de matérias-primas
e alimentos importados e/ou produzidos no país e, mais recentemente,
da crise internacional iniciada nos Estados Unidos, em 2007.
Episódios que geraram preocupação com uma eventual
aceleração da inflação doméstica, mas
que, afinal, acabaram se dissipando sem deixar marcas mais duradouras no
comportamento da economia. Desde o fim do ano passado, vive-se outro desses
momentos, resultado de um conjunto variado de elementos, que vão
de mais um forte choque nos preços internacionais de commodities
a pressões de demanda doméstica.
Muitos exemplos nos demonstram que grandes catástrofes deixam
marcas profundas na memória coletiva e alimentam temores que podem
ir muito além do racional. É impossível entender o
momento macroeconômico brasileiro sem se levar em conta a persistência
do temor da alta inflação, tanto entre as autoridades de
governo quanto do público em geral. Ameaças que em outros
países poderiam ser vistas como moderadas, tendem a ser magnificadas
quando vistas através do prisma do medo do retorno da inflação.
A economia brasileira tem se notabilizado, desde 1994, pelo extraordinário
sucesso em manter a inflação dentro de intervalos estreitos
em paralelo a um desempenho pobre em termos de crescimento econômico.
Os dois governos FHC foram marcados pela semiestagnação.
Os dois governos Lula foram caracterizados por um desempenho melhor, mas
ainda assim fundamentalmente medíocre. É na sustentação
do crescimento econômico, portanto, que se encontra o nó da
política macroeconômica.
"Política de câmbio valorizado tem estimulado o investimento,
embora promova a desindustrialização."
O Plano Real apoiou-se em uma combinação de instrumentos
que já tinha demonstrado sua eficácia em outras experiências.
A valorização do real em um contexto de liberalização
de importações tem sido, exceto por breves períodos
após a crise de 1998, um elemento essencial da estratégia
de estabilização de preços implementada desde 1994.
A ameaça de perda de mercados para produtos importados mais
baratos conteve as tentativas de recuperação de margens de
produtores locais em um cenário em que trabalhadores pareceram satisfeitos
com o efeito positivo da estabilidade de preços sobre suas rendas
reais (ou suficientemente assustados com a aceleração inflacionária
de 1993/1994 para não demandar a reposição de seus
picos de renda anteriores).
Essa estratégia sempre foi extremamente eficaz no controle de
preços, ao custo, porém, de um efeito colateral importante:
a valorização da moeda local cria problemas de competitividade,
doméstica e externa, de produtores locais, refletida em déficits
crescentes de transações correntes e acumulação
de dívidas com emprestadores externos, que conduziram, via de regra,
a crises de balanço de pagamentos.
A valorização da moeda local exigiu a manutenção
de altas taxas de juros domésticas para atrair capitais externos
(e manter no país os capitais domésticos, em um contexto
de crescente liberalização da conta de capitais). Os defensores
dessa política esperavam que a economia reagisse a essas pressões
pelo aumento da produtividade. O saldo final da política, porém,
foi visto no final de 1998, quando o balanço de pagamentos brasileiro
implodiu e forçou o abandono do regime cambial adotado no início
de 1995, em favor da flutuação cambial, e da adoção
do regime de metas inflacionárias.
Os instrumentos mudaram, mas os dilemas não. Com câmbio
flutuante, sob o regime de metas inflacionárias, o Banco Central
continuou a se apoiar fortemente na valorização do real como
canal de transmissão das altas da taxa Selic para os preços.
Altas taxas de juros, atração de capitais externos, valorização
do real, redução do preço de produtos importados,
de consumo ou de capital, parecem ter sido o mecanismo essencial de transmissão
da política monetária em uma economia em que os canais mais
tradicionais, voltados para a redução de investimentos privados
e do consumo de duráveis, se tornaram menos eficazes como parte
das heranças deixadas pela alta inflação.
Mas o mecanismo de transmissão via câmbio reproduz, de
forma ligeiramente diversa, os problemas dos primeiros tempos do real.
Apesar da influência positiva sobre investimentos, pelo barateamento
de bens de capital importados, o impacto líquido dessa política
foi promover a chamada, talvez com algum exagero, desindustrialização,
o emagrecimento relativo da produção local de manufaturados
e da participação de manufaturados na pauta de exportações.
"Os controles de capitais foram demonizados, mas eles contêm
crises de balanço de pagamentos."
Essa política é danosa para o país em muitos aspectos,
suficientemente conhecidos para dispensar listagem. Apenas a miopia e a
inércia podem justificar trocar as perspectivas de futuro pelos
ganhos de curto prazo que a concentração da produção
e exportação de matérias primas pode render.
Alem disso, há algum tempo que se acumulam sinais de que esse
mix de políticas está se esgotando, com os efeitos colaterais
negativos se sobrepondo aos positivos. A valorização do real
parece estar encontrando seus limites. Os diferenciais existentes de juros
domésticos sobre os externos já são grandes o suficiente
para atrair volumes muitos elevados de moeda estrangeira, independentemente
de novas elevações de juros. As entradas de moeda estrangeira
ou se convertem em pressões adicionais para a valorização
do real ou em aumentos da liquidez doméstica, no caso em que o Banco
Central tenta esterilizar esses influxos.
A expectativa de economistas ortodoxos era de que a entrada de capitais
seria eventualmente detida pela emergente expectativa de uma desvalorização
cambial no futuro, que acabasse por compensar o diferencial positivo de
juros, eliminando, em equilíbrio, as vantagens da aplicação
financeira no país.
No caso brasileiro dos últimos anos, porém, prevalece
o desequilíbrio: as pesadas entradas de moeda estrangeira levam
à antecipação de mais entradas no futuro (especialmente
quando se tem em conta as enormes dificuldades com que se debatem os EUA
e a União Europeia) e, assim, de valorização ainda
mais intensa do real. Nessas condições, ganha-se duplamente,
nos juros pagos em reais, e na valorização do real.
A política monetária opera de dois modos. Por um lado,
ela contribui, junto com a política fiscal, para evitar choques
de demanda agregada. O governo opera, pela política fiscal, diretamente
sobre a renda do público; pela política monetária,
por meio do uso que o público faz dela, adquirindo bens ou ativos
financeiros. Em tese, é difícil mas não impossível
ajustar a demanda agregada à capacidade produtiva do país
de modo a evitar seja o desemprego, seja a inflação de demanda,
pela combinação apropriada de instrumentos monetários
e fiscais. Se houver restrições sobre a flexibilidade de
um dos instrumentos, o outro pode ser utilizado para contrabalançar,
em direção contrária, a pressão que se estiver
exercendo.
Alem de prevenir choques de demanda, a política monetária
(como também a fiscal) pode controlar a propagação
de choques de oferta, como no caso de altas de preços de matérias
primas importadas ou de escassez de produtos resultante de catástrofes
naturais. A política de administração de demanda não
tem como evitar esses choques.
Mas se os preços de matérias-primas importadas aumentam,
aqueles que sofrem esse impacto de forma mais imediata tentarão
repassar a redução de sua renda para outros grupos da sociedade,
aumentando os preços do que quer que vendam para eles. A política
de esfriamento da demanda desestimula o repasse dessas pressões,
impedindo a propagação do choque inicial pelo restante da
economia. Quando isso acontece, o desemprego e a redução
do nível de atividades são mais do que efeitos colaterais
inevitáveis: eles são o próprio mecanismo de operação
da política.
É isto que torna o mecanismo de transmissão via câmbio
tão atraente, pois ele permite ocultar o preço que a sociedade
tem de pagar para manter a inflação dentro de certos intervalos.
No curto prazo, todos parecem ganhar (exceto, naturalmente, os setores
manufatureiros que competem mais diretamente com mercadorias estrangeiras,
aqui e no exterior), seja pela inflação controlada, seja
pelo acesso a bens importados, enquanto a perda de substância na
estrutura produtiva e a piora da situação do balanço
de pagamentos parecem interessar a poucos.
Como o acúmulo de reservas internacionais dos últimos
anos ampliou, sem dúvida alguma, a margem de manobra das autoridades,
a vida tornou-se difícil para as Cassandras que apontam os riscos
dessa estratégia no médio e longo prazos. Não se trata
realmente de ideologias, liberais ou quaisquer outras.
Como já mencionado, essa política parece estar encontrando
seus limites. Impedida de impactar a economia através da valorização
cambial, a política monetária dependerá mais e mais
de seus efeitos sobre o nível de atividade e o emprego, inibindo
as pressões de firmas que querem aumentar preços e trabalhadores
que querem aumentar salários. Os mecanismos de transmissão
tradicionais da política monetária no Brasil, contudo, são
truncados em muitos pontos, aumentando o custo social de seu eventual sucesso.
Mas uma estratégia de estabilização da inflação
que minimizasse os seus efeitos negativos sobre o crescimento deveria se
apoiar em três pilares. A ordem em que eles são apresentados
a seguir obedece mais às ênfases do debate corrente do que
à importância intrínseca de cada instrumento. Todos
os elementos são na verdade igualmente essenciais.
Com relação à política monetária,
é preciso ter-se sempre em mente que ela atua através da
indução ao gasto e da sua facilitação. Taxas
de juros baixas estimulam mais gastos, já que o custo de oportunidade
da compra de bens diminui. Mas instrumentos que hoje se chamam de macroprudenciais
exercem efeito semelhante, não pela indução ao gasto,
mas pelo lado da facilitação desse mesmo gasto. Tetos de
crédito, especialmente quando incorporados em valores de prestações
mais altas, têm uma história de sucesso no controle do consumo
no Brasil. O racionamento de crédito, em geral, tem o efeito contracionista
que se deseja, quando se quer reduzir a inflação, mas sem
os efeitos negativos da elevação da taxa de juros.
Por outro lado, o aumento da eficácia da política monetária
depende da eliminação das formas de indexação
que sobreviveram ao Plano Real. Aqui se incluem desde a indexação
de contratos de várias naturezas, inclusive de tarifas por serviços
públicos privatizados, a formas de remuneração. A
indexação formal deve ser permitida somente para contratos
de duração realmente longa, como em certos tipos de títulos
públicos demandados por entidades como fundos de pensão.
De qualquer modo, deveria caber à política fiscal a principal
responsabilidade pela regulação da demanda agregada. Consolidou-se
no período da chamada preeminência neoliberal a ideia de que
a política fiscal é inerentemente ineficiente como instrumento
de administração de demanda agregada, sem que realmente se
tivesse qualquer evidencia empírica sólida disso, antes pelo
contrário. Para que a política fiscal possa, no entanto,
exercer realmente esse papel, é preciso recuperar sua eficiência
e sua maleabilidade. O ponto de partida deve ser a clara separação
entre as funções normais do estado, a prestação
dos serviços cujo financiamento deve ser garantido rotineiramente
através da coleta de impostos, e as funções extraordinárias,
como, por exemplo, as iniciativas de natureza anti-cíclica, cujo
financiamento não precisa nem deve obedecer a uma lógica
contábil, mas, sim, à lógica econômica.
O terceiro pilar diz respeito ao câmbio, e tem implicações
fundamentais para o funcionamento da economia como um todo, no curto como
no longo prazos. Durante muito tempo, controles de capitais foram demonizados
por alguns analistas, caracterizados como instrumentos estatizantes de
inspiração soviética, ou como formas de violação
dos direitos sagrados de investidores de colocar seu dinheiro onde quisessem.
Controles de capitais nada mais são que instrumentos de regulação
financeira, que buscam conter externalidades negativas resultantes da entrada
e saída de moeda estrangeira: entradas excessivas valorizam o cambio
e causam os desequilíbrios que vemos no Brasil; saídas excessivas
criam crises de balanço de pagamentos como as que experimentamos
em nosso passado recente, em 1999 e em 2002.
Com contas de capitais abertas como são, na prática,
as brasileiras, transações com ativos financeiros são
um determinante muito mais importante das taxas de câmbio do que
as transações comerciais, que têm efeito direto sobre
a renda e o emprego da sociedade. Controles de capitais servem para conter
aquelas transações quando elas forem incompatíveis
com a manutenção do nível de atividades desejado,
permitindo a administração mais eficaz da taxa de câmbio
de acordo com as necessidades de crescimento e transformação
produtiva do país.
Há todo um conjunto fundamental de iniciativas e reformas que
são necessárias para viabilizar a expansão radical
do investimento privado no Brasil, diminuindo o custo de financiamentos,
diversificando seus canais, ampliando sua capilaridade, e estendendo seu
alcance. Alem disso, há que considerar o investimento em educação,
a política industrial, "the whole shebang", como se diz nos Estados
Unidos, de políticas que a experiência mostrou necessárias
para promover o crescimento. Essas, porém, não são
propriamente reformas macroeconômicas, pelo menos no seu sentido
tradicional, e não serão tratadas aqui.
Uma leitura equivocada de uma frase famosa de Keynes (a longo prazo
estamos todos mortos) levou muitos a supor que para keynesianos o curto
prazo é tudo o que importa. Na verdade, o sentido da frase era exatamente
o contrário, o de que esperar que tudo se arranjasse por si mesmo
no longo prazo era uma estratégia equivocada, senão francamente
suicida. Chega-se ao longo prazo um passo de cada vez e esses passos são
dados no presente, olhando-se, no entanto, para o futuro. Preocupam-me
menos as pressões inflacionárias do presente neste país
que o crescimento no futuro em que viverá Carolina, minha neta de
seis meses. (Fernando J. Cardim de Carvalho - Valor Online)
17.06 - CVM propõe mudar regra para fundos imobiliários
Uma revisão das regras contábeis dos fundos imobiliários
colocada em audiência pública ontem pela Comissão de
Valores Mobiliários (CVM) pretende tornar obrigatória a atualização
do valor dos imóveis em carteira destinados à renda nas demonstrações
financeiras anuais. Hoje, segundo o gerente de Normas Contábeis
da CVM, José Carlos Bezerra da Silva, os fundos têm a obrigação
de reavaliar periodicamente seus imóveis para renda, contudo é
decisão do administrador fazer o ajuste no balanço.
Assim como há fundos que atualizam o valor patrimonial das cotas
de modo a refletir no balanço o que se considera justo - o parâmetro
de cálculo mais comum é o valor de mercado em condições
normais -, alguns optam por manter o valor de custo dos imóveis.
Bezerra da Silva destaca, contudo, que, mesmo que um fundo hoje não
faça o ajuste de preços dos imóveis no balanço,
o resultado das avaliações anuais dos ativos é divulgado
ao investidor nas notas explicativas.
"Na prática, para aqueles que já faziam o ajuste no balanço,
o impacto da medida deverá ser pequeno", diz o gerente da CVM. Já
no caso daqueles que trabalham com o valor de custo, acrescenta, a atualização
do valor patrimonial das cotas tende a ser mais significativa.
Ainda assim ele lembra que, diferentemente do que ocorre com companhias
abertas, um eventual aumento do valor patrimonial das cotas não
vai alterar a base de cálculo dos rendimentos distribuídos
pelos fundos. Isso porque as carteiras imobiliárias pagam rendimentos
com base no fluxo de caixa, ou seja, na renda do aluguel. Nas empresas,
compara, um ajuste para cima no patrimônio significa mais resultado
e, consequentemente, mais dividendos para distribuir.
Na avaliação do diretor-executivo da RB Capital, Marcelo
Michaluá, ainda que o investidor continue olhando apenas o fluxo
de rendimentos como referência de preço de mercado, a medida
é importante. "Tudo que ajudar a trazer o valor dos ativos das carteiras
dos fundos mais próximo do real é positivo, tanto para a
correta 'precificação' do patrimônio como para o desenvolvimento
do mercado secundário", diz. Além disso, a medida padroniza
o mercado, facilitando a comparação entre os fundos.
Para o também diretor-executivo da RB, Alexandre Rhinow, a obrigatoriedade
da atualização do valor patrimonial das cotas deverá
ser mais um elemento a ser considerado na tomada de decisão, já
que essa não é uma informação trivial. O investidor,
diz, terá mais condição de avaliar se o valor de mercado
de um fundo no secundário reflete ou não o valor de seu patrimônio,
se a cota está cara, barata, se há oportunidades de compra
e até se é hora de vender.
A advogada Marina Anselmo Schneider, sócio do escritório
Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga, acredita que, na prática,
o investidor que busca renda vai continuar olhando o fluxo de rendimentos
para avaliar um fundo. O impacto maior deve ocorrer em carteiras que tenham
uma gestão mais ativa, que comprem e vendam imóveis, ainda
que sejam destinados à renda. A revisão das regras de atualização
do valor patrimonial vale apenas para imóveis de renda. Para propriedades
destinadas à venda, a contabilização continua pelo
valor de custo.
Outra alteração proposta pela CVM para os fundos imobiliários
envolve o critério para o registro de "impairment" (redução
ao valor recuperável) de ativos financeiros. Segundo Bezerra da
Silva, a nova regra propõe que a avaliação desses
ativos leve em consideração o fluxo de caixa esperado, no
qual as provisões são calculadas e registradas com base na
estimativa de recebimento, ou seja, nas perdas esperadas. Hoje, o modelo
adotado é o de perdas incorridas. "Entendemos que a medida é
a que melhor reflete o valor do ativo", diz o executivo.
A CVM aproveitou o edital para sugerir a substituição
do balancete semestral pela demonstração dos fluxos de caixa.
"A intenção é ter mais informação e
de melhor qualidade, como a variação de caixa no período",
diz.
Também ontem, a autarquia colocou em audiência minuta
de instrução que exige a divulgação de informações
sobre transações com partes relacionadas na notas explicativas
que acompanham as demonstrações financeiras dos fundos de
investimentos. A proposta nasceu da necessidade observada pela área
de acompanhamento da CVM de ter esse assunto expresso na norma, diz Bezerra
da Silva.
"As propostas da CVM são importantes para os fundos em geral
porque aumentam o nível de informação disponível,
trazendo mais transparência, além de padronização",
destaca Marina, do Mattos Filho. As sugestões para ambas as propostas
devem ser encaminhadas, por escrito, até o dia 18 de julho. As minutas
estão disponíveis no site da CVM. (Alessandra Bellotto
- Valor Online)
17.06 - Mercados se retraem com mais uma onda de incertezas
As expectativas globais se deterioraram e as principais bolsas do mundo
estão apontando consistentemente para baixo. As incertezas estão
em alta, basicamente alimentadas pela sucessão de medidas de aperto
monetário na banda mais dinâmica da economia mundial - China,
Índia, Rússia e Brasil - e pelos resultados decepcionantes
das atividades produtivas nos Estados Unidos e Europa. Um fator adicional
a espalhar angústia pelos mercados é a desesperadora situação
da Grécia, que está a um passo de uma moratória enquanto
sucessivas reuniões dos ministros de finanças da zona do
euro terminam sem acordo quanto à melhor forma de evitar um desastre
na questão da dívida soberana dos países da periferia
da união monetária.
Um dos principais focos de pessimismo é a economia americana.
Seus últimos indicadores apontaram que não há ainda
fim à vista para os efeitos devastadores do estouro da bolha imobiliária,
embora um ou outro número mostre uma melhora descontínua.
Os preços das habitações continuam caindo sob o peso
de um enorme estoque de residências em oferta, que contribui para
deprimir a construção de novas habitações.
No setor comercial, a situação não é tão
desanimadora, mas nada saudável. A produção industrial
arrefeceu e as vendas ao consumidor agora avançam em um ritmo mais
moderado que nos últimos seis meses. Tudo isso indica que o Produto
Interno Bruto americano, cuja previsão de crescimento chegou a ser
elevada de 3,2% para 3,5%, pode não chegar à casa dos 3%.
O avanço no primeiro trimestre do ano foi de apenas 1,8%, e no segundo,
pelas estimativas, deve ser apenas um pouco melhor. O desemprego voltou
a subir, está em 9,1% e criou expectativas de novas medidas de estímulo
à economia - que muito provavelmente não virão.
Para piorar o quadro, republicanos e democratas, que já estão
em calendário eleitoral, não se entendem sobre o aumento
do limite de déficit do país, colocando o Tesouro americano
diante da possibilidade real de um calote temporário nas dívidas.
É uma situação provisória, mas também
um sintoma de que propostas heterodoxas para reanimar a economia não
encontrarão um mínimo de consenso e possibilidade de serem
aprovadas na atmosfera carregada de intransigência reinante em Washington.
O atual clima age tão negativamente sobre o humor dos mercados que
até mesmo o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, rompeu
sua discrição a respeito dos assuntos fiscais para pintar
um panorama aterrador sobre as consequências do déficit americano.
Do outro lado do Atlântico, as dívidas da Grécia,
Irlanda e Portugal continuam assombrando os investidores. A perspectiva
de calote grego levantou mais uma vez dúvidas sobre a saúde
financeira dos bancos credores e continua a castigar, com juros mais altos,
os países que estão na linha de tiro, como Espanha e Itália.
O crescimento da zona do euro continua lento e deve atingir pouco mais
de 1% no ano.
Os países emergentes, que claramente impulsionaram a recuperação
mundial, estão tentando domar suas economias e levá-las a
um ritmo compatível com uma inflação menor. A China
acabará desacelerando (ela cresceu 9,7% no primeiro trimestre) para
resolver o grave problema político de uma inflação
em alta (5,5% em maio para o índice geral em 12 meses, 12% para
alimentos). Mas será preciso fazer mais do que os consecutivos aumentos
dos compulsórios bancários. Com todos os apertos já
realizados, a taxa de juros chinesa ainda é negativa em 2,4%. Rússia
e Brasil continuam em um ciclo de aperto monetário, como a Índia,
que ontem fez seu décimo aumento de juros em 18 meses. Ela também
tem muito mais a fazer e convive ainda com taxas de juros negativas.
Com a desaceleração das economias emergentes, que tende
a ser moderada, a recuperação mundial perde fôlego
e confirma o cenário de que será desta vez muito mais lenta
do que nas recessões anteriores. Os países desenvolvidos
começam a sofrer uma alta da inflação que, se persistir,
jogará as autoridades monetárias mais conservadoras, como
o Banco Central Europeu, a também elevar as taxas de juros. As chances
são de um desempenho ainda mais medíocre no mundo desenvolvido
e um desaquecimento nos emergentes, o que justifica a onda baixista dos
ativos financeiros. (Opinião - Valor Online)
17.06 - BC vê cenário melhor, mas indica nova alta de juros
Economistas apostam em mais uma elevação da taxa para
combater a inflação
Projeção para alta de preços em 2011 caiu em relação
à estimada no final de abril, mas ainda há incertezas no
cenário
O Banco Central vê melhora no cenário para a inflação
em 2011, mas as projeções para o próximo ano continuam
acima da meta de 4,5%, o que deve exigir novo aumento dos juros para conter
a escalada dos preços.
Ontem, foi divulgada a ata da reunião do Copom (Comitê
de Política Monetária do BC) da semana passada, quando a
taxa básica de juros Selic foi elevada de 12% para 12,25% ao ano.
O texto reforça a avaliação de alguns economistas
de que o ciclo de aumentos deve terminar em julho, com mais uma elevação
de 0,25 ponto percentual na taxa.
Mas deixa também uma porta aberta para futuras elevações,
se necessário, embora economistas achem esse cenário menos
provável.
Na ata, o BC diz que a projeção da instituição
para a inflação em 2011 caiu em relação ao
estimado no final de abril. Em relação a 2012, ficou estável.
As duas previsões estão acima da meta central fixada pelo
governo, de 4,5%.
O Copom reafirma no documento que manter os juros em alta "por um período
suficientemente prolongado" continua sendo a estratégia mais adequada.
Para o BC, informações preliminares sobre o segundo trimestre
mostram moderação da demanda, em ritmo incerto, mas diz que
as perspectivas ainda são favoráveis para a atividade econômica.
O documento destaca uma preocupação do comitê com
o fato de a produção estar se desacelerando enquanto o mercado
de trabalho continua aquecido. A falta de sintonia entre oferta e demanda
pode ser um fator adicional para pressionar os preços.
Apesar da perda na força da recuperação econômica
de países desenvolvidos, o BC diz que o comportamento dos preços
de produtos negociados no mercado internacional está "envolto em
grande incerteza".
Também vê riscos relacionados a falta de mão de
obra e a aumentos de salário acima dos ganhos de produtividade das
empresas (o volume produzido por custo da hora trabalhada).
Para a economista-chefe da Icap Brasil, Inês Filipa, a ata mostra
um cenário mais favorável para a inflação,
o que aumenta a possibilidade de que o BC encerre o ciclo de alta dos juros
em julho.
Essa é a mesma avaliação do economista-chefe da
Prosper Corretora, Eduardo Velho. Para ele, a ata não surpreendeu,
ao apontar que será mantida a estratégia de combate à
inflação.
Os dois avaliam que a instituição deixou espaço
para esticar o processo de aperto, se necessário, para garantir
a queda da inflação em 2012.
Bradesco e Itaú também consideram provável apenas
mais uma alta nos juros.
O BC informou ainda que projeta reajuste da gasolina de 4% neste ano,
quase o dobro da previsão de abril (2,2%). Apesar de maior, o valor
significa uma reversão de parte do reajuste de 10,5% verificado
até maio. (EDUARDO CUCOLO - Folha de S.Paulo)
16.06 - Atividade econômica desacelera em abril
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br)
registrou alta de 0,44% em abril deste ano, conforme divulgado pela autoridade
monetária na quarta-feira (15/6).
O resultado mostra uma desaceleração no ritmo de expansão
da atividade econômica, considerando o avanço apurado em março,
que foi de 0,51%.
Na comparação com o mesmo mês em 2010, o índice
dessazonalizado - que elimina fatores pontuais de determinado período
do ano - registra alta de 3,91%.
No acumulado do ano a expansão é de 3,94%, frente ao
mesmo período do ano passado.
Em 12 meses, o IBC-Br marca expansão de 5,76%.
O IBC-Br passou a ser divulgado mensalmente a partir de março
de 2010 e é considerado um bom sinalizador do desempenho do Produto
Interno Bruto (PIB). (Brasil Econômico)
16.06 - Brasil passa EUA em risco, diz Mantega
O Credit Default Swap (CDS) do Brasil, um tipo de um seguro contra
o risco de um calote, atingiu ontem, pela primeira vez, nível inferior
ao dos Estados Unidos. A pontuação do CDS de um ano da dívida
brasileira baixou para 38,5 pontos-base, enquanto a nota americana está
em 49,4 pontos-base.
Ao comentar a melhora da nota, o ministro da Fazenda, Guido Mantega,
avaliou que a redução do indicador de risco é um reconhecimento
sobre a eficácia das políticas macroeconômicas adotadas
pelo Brasil.
"Pela primeira vez na história o risco do Brasil é menor
que o risco dos EUA", comemorou o ministro.
A diferença entre avaliação da dívida brasileira
e americana foi comentada também pelo secretário do Tesouro,
Arno Augustin, que atribuiu a nota ao desempenho favorável da política
fiscal. "É uma demonstração de que nossos resultados
são reconhecidos e isso se reflete em risco menor. Isso tem a ver
com estratégia de cumprimentos de metas fiscais que temos conseguido
apresentar", disse.
Entre janeiro e abril, o governo federal realizou superávit
primário de R$ 40,69 bilhões, metade da meta anual de R$
81,76 bilhões.
Ao repercutir o novo nível do CDS brasileiro, Mantega voltou
a comentar a sucessão ao comando do Fundo Monetário Internacional
(FMI). O ministro disse que o governo brasileiro ainda não definiu
qual candidato apoiará. Ele informou que na próxima semana
os candidatos, Christine Lagarde, ministra de Finanças da França,
e Agustín Carstens, presidente do Banco Central mexicano, serão
sabatinados pelos 24 diretores do organismo internacional. (Luciani Otoni
- Valor Online)
16.06 - Antecipação do PIB aponta crescimento no trimestre
No início do segundo trimestre deste ano, a atividade econômica
do país apresentou ligeiro desaquecimento na comparação
com o mês de março, mas o ritmo de expansão registrado
em abril ainda permanece em patamar elevado. O Índice de Atividade
Econômica do Banco Central (IBC-Br), indicador da autoridade monetária
que tenta antecipar o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB), apresentou
expansão de 0,44% em abril, na comparação com o mês
anterior, passando de 142,97 pontos para 143,6 pontos, na série
dessazonalizada.
O ritmo representa queda em relação ao crescimento registrado
em março, quando o avanço mensal foi de 0,51% sobre fevereiro.
Em fevereiro, a atividade havia crescido menos, 0,36%, mostrando que ainda
há certa volatilidade nos dados sobre o desempenho da economia.
Em termos trimestrais, a expansão do IBC-Br entre fevereiro
e abril, na comparação com os três meses anteriores
(novembro de 2010 a janeiro de 2011) foi de 1,33%, uma ligeira aceleração
em relação ao primeiro trimestre fechado entre janeiro e
março (1,26%). Em termos anualizados, o crescimento trimestral indica
uma expansão do produto da ordem de 5,4%, praticamente o mesmo registrado
no mês anterior.
Para economista-chefe da Máxima Asset Management, Elson Teles,
o dado superou sua expectativa. "O mercado ainda não divulga estimativas
específicas desse índice, mas tenho a impressão que
ele veio mais forte do que o esperado, porque uma parte do mercado ficou
muito influenciada pela queda de 2,1% na produção industrial
em abril", afirma.
Para o economista, o IBC-Br de abril mostra que a economia continuará
crescendo no segundo semestre, porque, mesmo se não houver aumento
da atividade em maio e junho, o aumento de 0,44% em abril garante um "carry
over" próximo de 0,9% no segundo trimestre do ano.
Segundo Teles, a atividade está se desacelerando "num ritmo
muito lento". "A economia está se acomodando, mas num ritmo muito
suave. Só ao longo do tempo os dados vão dizer se o ritmo
está no nível que o BC gostaria, caminhando para um crescimento
de 4% no fim do ano."
"O número é forte, indicando que a economia continua
crescendo acima do seu potencial na margem", diz a avaliação
do banco Barclays Capital. "Os dados reforçam nossa visão
de que a atividade econômica no Brasil está se moderando e
não caindo de um penhasco." O Barclays prevê crescimento de
3,8% para o PIB este ano.
De acordo com fontes do governo, os sinais até agora são
de que neste início de segundo trimestre o ritmo de crescimento
da economia já é mais modesto do que o observado nos primeiros
três meses do ano. Além disso, avaliam que os números
sugerem que o trabalho do BC tem sido bem-sucedido.
A estratégia de combate à inflação nos
últimos trimestres inclui medidas de contenção de
crédito, com restrições ao financiamento ao consumo;
aumento de 1,5 ponto percentual da taxa de juros e a sinalização
de continuidade do ciclo de alta; e uma política de contenção
fiscal, com metade da meta de superávit primário atingida
no primeiro quadrimestre do ano.
O BC divulga hoje a ata da última reunião do Copom, na
semana passada. Na ocasião, a Selic foi elevada em 0,25 ponto percentual,
para 12,25% ao ano. A aposta do BC para a convergência dos preços
está na defasagem já conhecida entre as ações
de política monetária e seu impacto na economia real. Essa
diferença é estimada entre seis e nove meses. Dessa forma,
o auge do impacto da alta dos juros, cujo ciclo de elevação
começou em janeiro, será sentido no segundo semestre.
A partir daí, a moderação da atividade será
mais intensa e a inflação mensal apresentará níveis
"razoáveis", segundo fontes do governo. A expectativa é que
no fim do ano, portanto, a inflação medida em 12 meses, que
pode superar 7% em agosto, comece a ceder, convergindo para o centro da
meta em 2012.
Já o mercado acredita que a inflação medida pelo
IPCA termine este ano acima de 6%, recuando para 5,1% no próximo
ano. (Fernando Travaglini e Arícia Martins - Valor Online)
15.06 - Susep repensa a gestão interna
Aprimorar as normas e práticas da Superintendência de
Seguros Privados (Susep) voltadas à tutela dos interesses dos adquirentes
de planos de previdência, seguros e capitalização,
que são a razão de ser da atuação estatal.
Essa é uma das prioridades do novo superintendente da Susep, Luciano
Portal Santanna, que também defende a redução de custos,
a fim de viabilizar o acesso a tais produtos a camadas mais baixas da população,
e maior proteção do consumidor serão prioridades.
"Para isso teremos que repensar a gestão interna. A redução
dos prazos dos processos sancionadores, hoje superior a seis anos, para
menos de doze meses, com um comando que determine o efetivo cumprimento
do contrato, é um exemplo concreto disso", ressalta Santanna, procurador
federal que ocupava o cargo de procurador-chefe da Procuradoria Federal
junto à Susep (PF/Susep).
"Nossa atuação nas áreas de regulação
e administrativa será pautada pelo diálogo com os agentes
do mercado, representantes dos consumidores e os servidores da autarquia",
ressalta, acrescentando que a "Susep tem um quadro de pessoal de excelente
qualidade técnica, fator determinante para o sucesso de qualquer
política regulatória".
Cooperativas e seguro piratas
Especificamente em relação à fiscalização,
o novo superintendente está preocupado com a atuação
de agentes sem autorização da Susep, que desrespeitam de
forma sistemática todas as regras técnicas que visam o correto
cumprimento dos contratos. "O consumir está exposto a demasiado
risco. Teremos uma atuação mais enérgica neste segmento",
ressalta. Também promete dar mais ênfase à fiscalização
do DPVAT, que "tem elevados custos administrativos, um número expressivo
de demandas judiciais e ainda sofre com a atuação ilícita
de alguns intermediários".
Santanna informou que a escolha da diretoria da Susep obedecerá
critério técnico. "Obviamente deverá haver harmonia
com a política regulatória a ser implementada e, fundamentalmente,
com as diretrizes do Ministério da Fazenda, órgão
ao qual estamos vinculados", recomenda.
Auto-regulação
Santanna também espera realizar parcerias com entidades autorreguladoras
do mercado de corretagem, projeto concebido na gestão anterior e
que possibilitará maior eficiência na fiscalização
dos corretores, com uma atuação seletiva da SUSEP. "Hoje
temos mais 60 mil corretores. Com um quadro de cerca de 430 servidores
e atuação nas áreas de seguros, resseguros, capitalização
e previdência complementar aberta, a autarquia não dispõe
de meios para fiscalizar de forma adequada o segmento da corretagem. Esse
projeto viabilizará uma atuação estatal seletiva,
de forma que as principais fiscalizadas serão as entidades autorreguladoras",
avalia.
A inserção das entidades voltadas à proteção
do consumidor no processo regulatório, o aprimoramento da legislação,
a informatização dos meios de controle e a revisão
de exigências burocráticas aos agentes, por vezes desnecessárias,
estão na pauta do novo superintendente da Susep.
Mercado
O aumento dos contratos de seguros e previdência complementar,
na opinião de Santanna é desejável para a sociedade
brasileira, seja por incluir parcelas da população num segmento
de proteção de alto valor social, seja por que as reservas
técnicas são aplicadas no país e contribuem para o
desenvolvimento da nossa economia.
"O papel primordial da Susep é conciliar esses interesses com
as normas que visam o correto cumprimento dos contratos. Nem podemos inviabilizar
o mercado com exigências excessivas, num momento em que o país
o desenvolvimento econômico requer maior capacidade securitária,
nem podemos descurar da proteção consumidor, nosso objetivo
primordial. É preciso regular com equilíbrio tendo em vista
os interesses envolvidos", afirma.
Solvência II:
As regras do Solvência II, segundo o novo superintendente da
Susep, aprimoram de forma significativa a governança e aplicação
dos recursos da poupança popular. "De outra parte, é preciso
atenção para não estimularmos uma concentração
de mercado que diminua a competição, justamente num momento
em que a economia do País requer um aumento da capacidade securitária",
alerta, acrescentando que "neste sentido, faremos sim um estudo para verificar
a necessidade de alguma alteração normativa".
Santanna pretende dispor na Susep um instrumento regulatório
da maior eficácia e que já vem sendo utilizado com sucesso
por outras entidades reguladoras, a exemplo da Superintendência Nacional
de Previdência Complementar (Previc), Comissão de Valores
Mobiliários (CVM) e Agência Nacional de Saúde (ANS).
Trata-se do termo de compromisso de ajustamento de conduta, que permitirá
a redefinição de prazos a partir de casos concretos específicos,
considerando a capacidade e dificuldades de cada empresa.
"O sistema de regimes especiais adotado pela Susep é um remédio
demasiado amargo, com sérios efeitos colaterais e de eficácia
limitada para proteção do consumidor, que raramente vê
seus direitos satisfeitos. Precisamos intervir com racionalidade e de forma
preventiva para induzir a correção de condutas e a adaptação
das empresas às novas regras de prudência", conclui.
Perfil
O novo Superintendente é mestrando em Direito Regulatório
pela Universidade Cândido Mendes, pós-graduado em Direto da
Regulação pela Fundação Getúlio Vargas
e diretor para agências reguladoras da Associação Nacional
dos Procuradores Federais (Anpaf). Sua nomeação representa
uma escolha técnica, um perfil desejado pelo Ministério da
Fazenda.
No âmbito da Advocacia-Geral da União, Luciano Portal
Santanna foi chefe de gabinete e coordenador-geral da Procuradoria-Geral
Federal, coordenador-geral da Procuradoria Federal Especializada junto
ao INSS (PFE/INSS), coordenador da Procuradoria Federal junto à
Agência Nacional do Petróleo (PF/ANP) e procurador-chefe da
Procuradoria Federal junto à Comissão Nacional de Energia
Nuclear (PF/CNEN). (Jornal Monitor Mercantil)
15.06 - Poupança baixa e gasto público elevam os juros
Em debate, economistas chegam a consenso sobre anomalia brasileira;
Gustavo Franco diz que déficit do governo é de 12% do PIB
O desajuste fiscal e a baixa poupança estão entre as
principais causas dos altos juros reais brasileiros, de acordo com o consenso
formado num debate realizado na segunda-feira na Casa do Saber, em São
Paulo.
A discussão, que tinha como tema exatamente o nível extraordinariamente
elevado dos juros no Brasil, reuniu André Lara Resende, um dos principais
formuladores do Plano Real; Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central
(BC); Yoshiaki Nakano, ex-secretário da Fazenda de São Paulo;
Luiz Gonzaga Belluzzo, da Universidade de Campinas; e Samuel Pessôa,
da Tendências.
Um economista presente ao debate contestou depois, para o Estado, o
diagnóstico fiscal do elevadíssimo juro real brasileiros,
notando que o mundo hoje tem vários países com as contas
públicas em estado muito pior, e com juros muito inferiores aos
do Brasil.
Na sua apresentação, Franco recalculou em 12% do PIB
o déficit nominal do setor público consolidado brasileiro
(o número oficial está em 2,5%). Para tanto, incluiu as amortizações
da dívida pública que, segundo ele, devem fazer parte do
cálculo, segundo a metodologia internacional de maior aceitação.
Franco, Lara Resende e Pessôa bateram na tecla da baixa poupança
nacional, que obriga a economia na prática a fazer uma espécie
de "racionamento" das decisões de consumo e de investimento dos
agentes econômicos. Assim, Lara Resende observou que, no passado,
a inflação era o mecanismo pelo qual a renda era subtraída
dos trabalhadores em benefício do governo e das empresas, gerando
uma poupança adicional para financiar o investimento.
Com a estabilização e o controle da inflação,
aquela forma de racionar os gastos foi bloqueada, mas à custa de
juros muito altos para coibir o excesso de demanda privada. Franco ainda
vê um "conflito distributivo" entre os setores público e privado,
no qual o primeiro, com os altos gastos, "acotovela" o segundo "para fora
da demanda agregada".
Para o ex-presidente do BC, o setor público também abre
espaço para si com elevados depósitos compulsórios,
poupança forçada (como no FGTS), direcionamento de crédito,
etc.
Um ponto levantado por Lara Resende, e retomado por Pessôa, é
o de que a tentativa do governo de evitar a valorização do
real contribui para aumentar ainda mais o juro real. Isso ocorre porque
a valorização da moeda e o aumento do déficit externo
são a outra válvula de escape, além da inflação,
para o excesso crônico de demanda. Assim, quanto menos valorização,
mais pressão inflacionária, e maiores os juros reais.
Lara Resende, porém, alertou para as "consequências altamente
negativas" do real sobrevalorizado, por causas dos riscos do endividamento
externo.
Nakano e Belluzzo, que também pregaram um maior esforço
fiscal, enfatizaram fortemente a questão da indexação
contratual e financeira, que torna mais difícil o combate à
inflação e contribui para a elevação do juro
real. Nakano observou que o Brasil mantém até hoje parte
expressiva da dívida pública no curtíssimo prazo,
expediente dos tempos da hiperinflação, mas que impede o
alongamento da poupança financeira nacional. (Fernando Dantas -
O Estado de S.Paulo)
15.06 - Equilíbrio macroeconômico sob ameaça
Os indicadores de atividade e a confiança de empresários
e consumidores caracterizam uma conjuntura favorável para a economia
brasileira no curto prazo, mantendo-se a trajetória de queda do
desemprego que vem sendo observada desde a passagem do impacto mais forte
da crise financeira internacional, no final de 2008 e no início
de 2009.
Não obstante tal clima otimista, a economia vive um momento
particularmente decisivo no que concerne à sustentação
da trajetória de crescimento no médio prazo. Concretamente,
os riscos de o país sofrer uma "parada súbita" no crescimento,
pelos efeitos negativos da aceleração inflacionária,
mantêm-se elevados, haja vista a presença de desequilíbrio
entre oferta e demanda ainda não corrigido plenamente pelas políticas
macroeconômicas praticadas pelo Ministério da Fazenda e pelo
Banco Central.
Em relação ao ano passado, é inegável que
está havendo algum grau de desaceleração da atividade
econômica, como indicam os dados recentes de produção
industrial, oferta de crédito e vendas no varejo, entre outros.
A moderação na atividade é fruto, em parte, do aumento
acumulado dos juros básicos pelo Banco Central e da adoção
das medidas de controle de crédito ("macroprudenciais"). Mas a própria
aceleração inflacionária, ao corroer o rendimento
real dos trabalhadores, está também contribuindo para moderar
o crescimento da demanda até aqui.
Contudo, as evidências continuam indicando que a demanda agregada
segue aquecida e que ainda se faz necessário continuar o ajuste
da taxa básica de juros nos próximos meses, mesmo diante
da perspectiva quase certa de trégua nos índices de inflação
nos próximos três meses. De fato, grande parte dos fatores
de desaceleração inflacionária entre junho e agosto
são temporários e sazonais, como é o caso da queda
do preço do etanol e de alguns alimentos, como carnes e grãos.
A subida do índice de difusão e das medidas de núcleo
de inflação, nos dados mais recentes que indicam queda do
IPCA, corrobora a percepção de que se está ainda diante
de um arrefecimento pontual e temporário das pressões inflacionárias.
Além disso, o segundo semestre deve observar uma forte pressão
de aumentos reais de salários, em razão da concentração
neste período de dissídios de importantes categorias de trabalhadores,
como bancários, metalúrgicos e petroleiros, entre outras.
Não bastasse isso, logo no início de 2012 teremos as pressões
derivadas do turbinado aumento do salário-mínimo previsto
pela regra em vigor, cujo percentual deve ficar em torno dos 14% nominais.
Nesse contexto, não deve haver hesitação por parte
das autoridades econômicas no uso das medidas adequadas de política
para o controle da demanda agregada, fugindo da tentação
do experimentalismo e do hipergradualismo que caracterizaram a atuação
do governo em 2010 e no início de 2011. Aliás, a necessidade
de continuidade do ciclo de alta dos juros em 2011 é resultado direto
da frouxidão fiscal do ano passado e da timidez do BC que encerrou
prematuramente o processo de ajuste da taxa Selic. Contribuiu também
para isso a cacofonia do discurso do governo no que diz respeito à
política antiinflacionária, ora minimizando o papel dos juros
no controle da demanda, ora enfatizando sua importância.
A tentação de se declarar vitória e abandonar
prematuramente o campo de jogo, numa conjuntura em que os índices
inflacionários estarão momentaneamente baixos, pode ser grande
para um governo que não escondeu no passado seu viés gradualista
no uso de medidas macroeconômicas de controle da demanda agregada.
Porém, os equívocos cometidos em 2010 não devem ser
reprisados neste ano, sob pena de a inflação se manter acima
da meta em 2012, o que elevaria os riscos de disseminação
maior da indexação na economia, inercializando ainda mais
a inflação e elevando os custos reais para trazê-la
de volta para a meta.
Ademais, continua preocupante a situação estrutural das
contas públicas que aponta para uma redução relevante
do superávit primário no ano que vem. O governo tem sido
bem sucedido até agora na contenção da execução
orçamentária, o que muito provavelmente assegurará
o cumprimento da meta de resultado primário em 2011. Lamentavelmente,
a situação para 2012 se apresenta muito mais complicada,
principalmente em razão da inadequada e esdrúxula regra de
reajuste automático do salário-mínimo que deve elevar
substancialmente a conta do pagamento de benefícios sociais e previdenciários
no ano que vem. Além disso, a contenção do gasto ora
em curso tem características que dificultam a repetição
desta estratégia no próximo exercício. É o
caso, por exemplo, do corte das despesas de investimento às vésperas
da realização dos grandes eventos esportivos no Brasil.
Em suma, o momento é de completar o ajuste da economia a um
ritmo de crescimento que, embora menor no curto prazo, assegure um bom
desempenho macroeconômico nos próximos anos, sem incertezas
e volatilidades que prejudicam a economia, principalmente no diz respeito
às decisões de investimento de longo prazo. (Gustavo
Loyola - Valor Online)
14.06 - Susep tem novo superintendente
A edição de ontem do Diário Oficial da União
publicou ato da presidenta Dilma Rousseff nomeando Luciano Portal Santanna
para exercer o cargo de Superintendente da Superintendência de Seguros
Privados (Susep) em substituição a Paulo dos Santos.
Luciano Portal Santanna exercia o cargo de Procurador-Geral da autarquia
desde junho de 2010. Antes disso, ele foi Procurador-Chefe da Procuradoria
Federal junto à Comissão Nacional de Energia Nuclear (PF/CNEN).
Paulo dos Santos, que é funcionário de carreira do Banco
Central, afirma que, profissionalmente, foi muito importante, “poder participar
de um momento mágico nesta autarquia” e de poder contribuir para
levar produtos do mercado supervisionado a uma parcela cada vez maior da
sociedade brasileira.
Ele acentua que a melhoria da atuação da Susep é
uma ação contínua. “A nossa missão enquanto
servidores públicos nunca estará completamente atingida.
Sempre podemos melhorar mais”, observa Paulo dos Santos, acrescentando
que a sociedade brasileira “sempre vai precisar da Susep”.
Ele frisa ainda que os produtos que são transacionados no mercado
supervisionado têm um importante cunho social e que o esforço
feito para que isso se dê sempre da melhor maneira possível,
“me permitiu experimentar o sentimento real de prestar um bom serviço
à sociedade brasileira, e este é o fim maior de qualquer
servidor público, categoria da qual tenho muito orgulho de pertencer”.
Por fim, Paulo dos Santos afirma que deixa o cargo feliz. “ No breve
tempo em que aqui estive, pude contribuir para a construção
de um tempo de grandes avanços”, conclui. (Seguros dia-a-dia)
14.06 - S&P rebaixa a Grécia por temor de moratória
Agência reduz classificação de risco e põe
o país como "CCC" por considerar provável reestruturação
da dívida
A Grécia se tornou ontem o país com a pior nota de crédito
do mundo depois de a Standard & Poor"s (S&P) reduzir sua classificação
em três níveis, afirmando que um calote é cada vez
mais provável. O rating de longo prazo da Grécia passou de
"B" para "CCC", apenas quatro níveis acima de uma moratória.
A nota de curto prazo está mantida em "C", e todas as classificações
foram removidas da observação.
Segundo a S&P, a reestruturação da dívida
grega, seja por troca de títulos ou pela extensão do prazo
dos bônus existentes, parece cada vez mais provável. "Qualquer
transação desse tipo seria feita em termos menos favoráveis
que em um refinanciamento da dívida, o que nós vemos como
um default", afirmou a agência em nota.
Nesse caso, acrescentou, a nota da dívida da Grécia seria
reduzida para "SD", que significa selective default (calote seletivo),
enquanto o rating dos instrumentos da dívida do país cairia
para "D" (calote).
A perspectiva para o rating de longo prazo continua negativa. Isso
significa que pode haver outro rebaixamento nos próximos 12 a 18
meses.
- Há grande possibilidade de calote na Grécia. Então,
o rating cairia para "D". Isso implicaria um calote em todas as obrigações
- explicou ao GLOBO, de Londres, Frank Gill, um dos analistas responsáveis
pelo rebaixamento da Grécia.
Moratória prejudicaria recuperação da Europa
Os ratings de crédito soberano de S&P e outras agências,
como Moody"s e Fitch, refletem a opinião das empresas sobre a capacidade
e a disposição de governos de honrarem suas obrigações
financeiras. Quanto pior a nota - sendo "A" a melhor e "D", calote generalizado
-, maior é a chance de o país não honrar títulos
e dívidas assumidas com credores.
Analistas temem as consequências de um calote da Grécia
na recuperação da economia europeia. David Riley, diretor
de Rating Soberano da Fitch, disse ao "New York Times" que uma moratória
grega representaria um abalo tanto para os países periféricos
da União Europeia como para a Espanha.
A Argentina foi rebaixada pela S&P para "SD" em 2001, quando assumiu
o calote da dívida pública. Sua nota atual é "B".
Paquistão e Equador também já foram "SD".
Na Europa, Portugal também provoca temores de um calote. O rating
do país pela S&P está em "BBB-". (Daniel
Haidar - O Globo)
14.06 - Analistas reduzem projeção de crescimento da economia
Analistas do mercado financeiro consultados pelo Banco Central reduziram
a expectativa para o crescimento da economia este ano. A estimativa para
a expansão do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todas as riquezas
produzidas no país, caiu de 4% para 3,96%. Para 2012, a projeção
permanece em 4,10%.
A expectativa para o crescimento da produção industrial
neste ano também caiu, passando de 3,50% para 3,46%. Em 2012, a
estimativa é 4,50% e não mais 4,55%.
A projeção para a relação entre a dívida
líquida do setor público e o PIB foi ajustada de 39,15% para
39,26%, em 2011, e de 38% para 37,98%, em 2012.
A expectativa para a cotação do dólar caiu de
R$ 1,61 para R$ 1,60, ao final de 2011, e permanece em R$ 1,70, ao fim
do próximo ano. A previsão para o superávit comercial
(saldo positivo de exportações menos importações)
continua em US$ 20 bilhões, neste ano, e em US$ 10,1 bilhões,
em 2012.
Para o déficit em transações correntes (registro
das transações de compra e venda de mercadorias e serviços
do Brasil com o exterior), a estimativa foi mantida em US$ 60 bilhões,
em 2011, e em US$ 70 bilhões, no próximo ano.
A expectativa para o investimento estrangeiro direto (recursos que
vão para o setor produtivo do país) foi mantida em US$ 50
bilhões, neste ano, e em US$ 45 bilhões, em 2012.
(Agência Brasil/Jornal Monitor Mercantil)
13.06 - Longo caminho a percorrer
O Brasil guarda semelhanças com os EUA nas origens de seus erros
quanto à política macroeconômica: o setor financeiro
é poderoso demais
A economia brasileira cresceu entre 2004 e 2010 a uma média
anual de 4,2%, mais de duas vezes o índice em que crescera entre
1999 e 2003 e mais de duas vezes seu crescimento anual entre 1980 e 2000.
Isso a despeito da recessão mundial de 2009, que deixou o país
sem crescimento nesse ano.
Esse crescimento intensificado possibilitou a redução
acelerada da pobreza, a redução da disparidade de renda e
a queda do desemprego para o atual recorde de nível baixo.
Em documento detalhado e importante (http://www.iececon.net/arquivos/OBSERVATORIO-6.pdf),
os economistas Franklin Serrano e Ricardo Summa, da UFRJ, argumentam que
isso foi fruto não só de condições externas
favoráveis, mas também de algumas mudanças moderadas,
porém importantes, na política econômica.
O mais importante foi o fato de o governo ter permitido uma política
fiscal mais expansionista, incluindo o aumento dos investimentos públicos.
Isso ajudou especialmente a conservar em grau mínimo os prejuízos
advindos da recessão global e permitiu uma recuperação
mais rápida. Resta, contudo, outro problema significativo de política
macroeconômica: o Banco Central vem elevando o valor do real quase
continuamente, há anos, para poder alcançar sua meta de inflação.
Para isso, o BC eleva os juros de curto prazo, como vem fazendo recentemente.
Isso aumenta os fluxos de capital entrante, o que eleva o valor do real.
Desse modo, a inflação é reduzida principalmente por
meio da redução dos preços dos importados. Contudo,
as importações mais baratas prejudicam os produtores brasileiros
de bens comerciáveis, que precisam competir com os importados.
O mesmo se aplica aos exportadores brasileiros da maioria dos bens
que não sejam commodities: o real mais alto torna os produtos menos
competitivos nos mercados mundiais. Isso vem prejudicando seriamente o
potencial manufatureiro do Brasil, especialmente naqueles setores tecnologicamente
mais avançados.
Por exemplo, entre 1996 e 2008, o conteúdo importado de "equipamentos
de comunicações e eletrônica" produzidos no país
aumentou cerca de 33 pontos percentuais.
O Brasil guarda semelhanças com os Estados Unidos, sob alguns
aspectos, nas origens de seus erros de política macroeconômica:
o setor financeiro é poderoso demais.
Assim como Wall Street contribuiu maciçamente para a crise financeira
e para a Grande Recessão nos EUA, o setor financeiro brasileiro
luta com êxito demasiado por políticas que sufoquem o desenvolvimento
industrial do país para promover seus interesses próprios.
Os trunfos em jogo são ainda maiores para o Brasil que para
os EUA, porque o Brasil ainda é um país em desenvolvimento.
Entre 1960 e 1980, o índice de crescimento do Brasil foi semelhante
ao da Coreia do Sul, e o Brasil tinha renda per capita muito mais alta.
Depois de 1980, a Coreia do Sul continuou no caminho do crescimento
acelerado e hoje tem padrões de vida comparáveis aos da Europa.
Mas o Brasil estagnou e, depois de 1990, descreveu um desvio acentuado
em direção ao neoliberalismo; assim, apesar de sua grande
vantagem em matéria de recursos naturais, hoje os brasileiros têm
renda per capita que equivale a apenas um terço da renda per capita
da Coreia do Sul, com índice de mortalidade infantil quatro vezes
superior ao desse país e 42 milhões de habitantes que vivem
com menos de US$ 3 por dia.
Nos últimos seis anos, o Brasil começou a romper com
o fracasso de longo prazo da era neoliberal.
Mas ainda há um longo caminho a ser percorrido para que o país
consiga realizar seu potencial. (MARK WEISBROT - Folha de S.Paulo-12.06)
13.06 - Juro ainda muito alto
BC acerta em não dar ouvidos à gritaria e cumprir seu
papel
A decisão de quarta-feira do Comitê de Política
Monetária (Copom) do Banco Central, de elevar a taxa básica
de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual, confirma pelo menos três
expectativas: a autoridade monetária não pretende navegar
rumo à conquista de simpatias mas, sim, na direção
do controle da inflação; por mais que as coisas melhorem,
a meta de 4,5% estabelecida para 2011 é caso perdido e o que se
pode fazer é evitar que ela vá muito além do teto
de 6,5%; por isso mesmo, tudo tem que ser feito, desde já, para
convergir os índices de preço no varejo para o centro da
meta de 2012. Tomada sob os humores e rumores da saída do ministro
Antonio Palocci da Casa Civil e do início da remontagem do núcleo
do governo Dilma Rousseff, a decisão não deixa de sinalizar,
também, que o BC continua autorizado a fazer o que entende ser o
melhor para cumprir sua missão de trazer a inflação
de volta a índices civilizados. No máximo, o que se permite
como saudável é a discussão sobre a melhor maneira
de combater a inflação brasileira, que, é bom lembrar,
tem suas manhas.
Por enquanto, a despreocupação com a simpatia no curto
prazo transmite a confiança que não apenas os mercados, mas
todas as pessoas informadas precisam ter, de que há um objetivo
maior a ser perseguido: a estabilidade da moeda e, de quebra, a manutenção
do poder de compra dos salários. Do contrário, todos os agentes
econômicos não conseguirão conter a tentação
de ajustar seus preços, temendo ficar aquém dos custos de
reposição do capital. Esse é um dos detonadores clássicos
da corrida inflacionária, que, durante décadas, mergulhou
o Brasil num processo acelerado de concentração de renda
e riqueza. Foi quando a sociedade aprendeu que quem paga mais caro pela
inflação é sempre o segmento mais pobre da população,
embora ainda não falte entre os economistas quem menospreze esse
mal. Há até os que acham e propagam a perigosa ideia de que
um pouco de inflação não faz mal, pois que o que conta
é o crescimento (filme antigo e ruim). Outros, talvez mais enviesados
pelo ambiente acadêmico ou apenas antiquados, percebem na política
monetária apertada uma conspiração do mercado financeiro.
É claro que os juros básicos no Brasil são muito
altos. Até as plantas que ornamentam a entrada da sede do Banco
Central sabem que 6,8% de taxa básica de juro real é ponto
fora da curva internacional. Também beira a velha prática
de ensinar o Pai Nosso ao vigário a mania professoral de relacionar
os males que essa política de juros causa em diversas frentes da
economia. O que não se diz é que o país está
pagando hoje o preço de ter relaxado o controle fiscal em 2010,
quando deixou de cumprir as metas de superávit primário,
mesmo tendo lançado mão de discutível criatividade
contábil. Escaldado por ter fraquejado ante esse tipo de pressão
política – comum na maioria das democracias ocidentais em ano eleitoral
–, o Banco Central acerta em optar por ser xingado agora, em vez de ser
execrado mais tarde, se o país tiver de encarar o calendário
eleitoral de 2012 com a inflação fora da meta pelo segundo
ano seguido. Sem prejuízo de se acionarem outros mecanismos como
o compulsório dos bancos e a limitação dos prazos
do crediário, enquanto for preciso segurar os preços neste
país de gastadores públicos e privados, será imperdoável
dar ouvidos à gritaria contra os juros. (Estado de Minas-11.06)
13.06 - Ainda a questão da inflação
A recente desaceleração da inflação e a
perspectiva de números mais moderados no trimestre de junho a agosto
levou muitos analistas a revisar seus cenários para a inflação
neste ano. Algumas destas revisões foram relativamente suaves, mantendo
para o ano um IPCA próximo a 6% ou um pouco acima disto. Entretanto,
já é possível encontrar avaliações bem
mais otimistas, nas quais se projeta até uma inflação
de 5,0%. Será que de fato o cenário inflacionário
mudou frente ao que se projetava no início do ano? Na visão
da MB, este não é o caso, por uma série de razões
que iremos detalhar a seguir.
Entretanto, antes de entrar nesta questão, vale relembrar o
cenário de inflação traçado por nós
desde o final do ano passado e início deste ano. Afirmávamos
que dificilmente a inflação caminharia para o centro da meta
de 4,5%, como esperado pelo governo. Na nossa visão, esta não
apenas iria ultrapassar o centro da meta, mas também testaria seu
teto de 6,5% em junho. Mais do que isso, dizíamos que a opção
do governo por enfrentar esta inflação de forma relativamente
tímida e em certa medida contraditória (ora enfatizando que
a combinação - pequenos aumentos nos juros, medidas macroprudenciais
e ajuste fiscal - seria suficiente, ora afirmando que seriam necessários
mais juros) tornaria mais custoso trazê-la de volta para a meta.
Isto porque além de uma forte pressão de demanda, já
havia sinais de que a indexação voltava a se disseminar.
O resultado deste cenário, na nossa visão, seria uma
inflação que paulatinamente ficaria acima da meta. Um cenário
que não é de descontrole, mas sim de deterioração
das condições econômicas, que apesar de não
ser alarmante, prejudica o crescimento de médio e longo prazo da
economia.
Voltemos agora para as razões pelas quais acreditamos que o
cenário inflacionário continuará pressionado.
De fato deveremos observar a partir de junho, até agosto, altas
mais moderadas na inflação (podendo o IPCA de junho inclusive
ficar próximo de zero). Esta moderação decorrerá
em grande medida de fatores sazonais, já observados na inflação
de maio, com altas mais moderadas ou mesmo quedas em itens como alimentos
e, especialmente, combustíveis. Apesar destes resultados serem positivos,
não acreditamos que estas condições devam se manter
até o final do ano (discutiremos isto a seguir).
Adicionalmente, os núcleos de inflação e o índice
de difusão do IPCA de maio continuam subindo, o que sugere que a
demanda continua relativamente forte. Os dados de atividade na indústria
calculados pela CNI, divulgados recentemente, também vão
nesta direção: no mês de abril frente a março
o faturamento real da indústria apresentou alta de 4,3%, número
que certamente não sugere uma demanda fraca. Na mesma direção
vão os dados do mercado de trabalho, com taxa de desemprego ainda
em queda, escassez de mão de obra em diversos setores e alta no
rendimento médio nominal. Apenas a título de exemplo, o custo
da mão de obra na construção civil elevou-se 12%,
nos 12 meses encerrados em maio.
Sem dúvida há certa acomodação da atividade,
nossa projeção de crescimento para a economia de 4,5% já
supunha alguma redução da produção frente ao
ano de 2010, quando crescemos 7,5%. Entretanto, o dado da indústria
de abril surpreendeu negativamente e nos levou a revisar moderadamente
nossa estimativa para o crescimento do PIB no 2.º trimestre e do ano
(agora em 4,2%). Na nossa visão, esta desaceleração
do crescimento acima do esperado, resultou de uma série de fatores
que vão desde alguns impactos negativos do terremoto no Japão
em parte da indústria nacional de bens de capital e de automóveis
(em função da dependência de componentes importados),
certa desaceleração no crédito em função
do aumento dos juros e também das medidas macroprudenciais e, embora
pouco observado, uma redução importante no poder de compra
da população por conta da aceleração da inflação
neste início do ano, evidenciada pela queda no rendimento médio
real (de janeiro a abril o rendimento nominal mensal dos empregados com
carteira assinada cresceu em média 0,65%, frente a uma inflação
média mensal de 0,80%).
Este último fator, na nossa visão, teve um papel relevante
nesta desaceleração. Se esta hipótese de fato se confirmar,
a desaceleração da inflação nos meses de junho
a agosto combinada a continuidade de elevação nos salários
nominais no segundo semestre, permitirão uma recomposição
do salário real dos empregados, o que, por sua vez, voltará
a estimular o consumo (veja-se o gráfico).
Em terceiro lugar, acreditamos que muitos dos itens que estão
ajudando a conter a inflação neste momento voltarão
a pressioná-la a partir de novembro. Os preços de etanol,
por exemplo, que tiveram queda de quase 12% no IPCA e de quase 30% no IGP-DI
de maio, deverão voltar a subir. Isto porque a oferta de cana-de-açúcar
deverá permanecer praticamente estável na safra 2011/12 na
comparação com a safra 2010/11, enquanto a demanda por etanol
continuará crescendo fortemente. Estimamos na MB que a frota de
automóveis flex fuel aumentará em quase 3 milhões
de veículos neste ano, ou seja, a demanda por etanol continuará
crescendo rapidamente, enquanto a oferta cresce muito timidamente. Os preços
das carnes que também estão em queda devem voltar a subir.
Isto porque daqui para frente entra-se no período de entressafra.
No caso da carne de frango e de suíno, os preços atuais também
são os mais baixos do ano, mas devem voltar a subir, pois os produtores
estão com margens muito apertadas, já que os custos de produção
continuam em alta.
Finalmente, os preços dos grãos, especialmente o trigo,
também poderão voltar a subir em função de
uma forte seca em diversas regiões produtoras, como em parte dos
EUA, Europa e China. Nos EUA, o excesso de umidade na região do
Corn Belt já atrasou o plantio de milho e soja, elevando o risco
de quebra de safra (veja os gráficos).
Finalmente, não podemos esquecer que no segundo semestre teremos
dissídios de importantes categorias, como petroleiros, metalúrgicos
e bancários e, em 2012, um reajuste do salário mínimo
da ordem de 14%, o que fará com que a inflação de
serviços e de outros itens não importáveis, como construção
civil, continue bastante pressionada. Reajustes nominais de salários
entre 10 e 14% não combinam com uma meta de 4.5% de inflação,
mesmo que o PIB cresça algo abaixo de 4%. A escassez de mão
de obra continuará forte mesmo com menor expansão da produção,
tal a secura do mercado de trabalho.
Assim, se estivermos corretos, os núcleos de inflação
deverão continuar pressionados (no melhor dos cenários irão
cair lentamente) e a inflação cheia ficará acima de
6%.
Enfim razões suficientes, a nosso ver, para ainda ter bastante
cautela com inflação e a extrapolação dos resultados
recentes para o ano. Continuamos achando que é muito cedo para decretar
vitória contra a inflação e que o melhor que as autoridades
governamentais têm a fazer neste momento é continuar firme
no seu combate. (José Roberto Mendonça de Barros - O Estado
de S.Paulo)
10.06 - Desafios do Brasil para os próximos 30 anos
É um truísmo nas relações entre Brasil
e Reino Unido o fato de a maior economia da América Latina e a primeira
letra dos Brics raramente aparecer nos radares de Londres até cinco
anos atrás. Os historiadores gostam de culpar o imperialismo britânico
do passado e usam o seguinte argumento: o Brasil sempre foi parte da esfera
de influência de outro país, e, portanto, Oriente Médio,
África e mesmo a China pareciam oportunidades bem mais próximas
para negócios.
"Explicações", baseadas no contexto do século
XIX, são condescendentes em relação ao Brasil e muito
suaves sobre o Reino Unido. Investidores britânicos dormiram no ponto
e falharam ao não perceber a transformação da América
do Sul nas últimas décadas. Agora estamos fazendo o máximo
possível para recuperar o tempo perdido.
Minha visita ao Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília e São
Paulo neste mês será seguida pela de outras autoridades britânicas
em breve. Na semana passada, uma delegação brasileira do
setor de construção foi recebida em minha residência
oficial, Mansion House. Além disso, o Ministério das Relações
Exteriores britânico, apesar dos cortes de gastos, anunciou que expandirá
sua presença no Brasil e aumentará a capacidade de nosso
consulado em Recife.
Como embaixador do setor financeiro em Londres, estou determinado a
encontrar áreas de cooperação, não apenas para
a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016, mas também projetos
de infraestrutura e Parcerias Público-Privadas (PPPs), na listagem
de empresas britânicas no mercado de ações brasileiro
e em outras oportunidades de trabalho conjunto.
País conseguirá transformar esta era de prosperidade
em uma economia moderna em todas as frentes?
Alguns pontos positivos merecem destaque: um novo memorando de entendimento
para levar adiante o projeto do embaixador britânico, Alan Charlton,
de ampliar PPPs em Minas Gerais, o grande interesse em tecnologia britânica
capaz de injetar gás em motores a diesel, permitindo que caminhões
reduzam emissões de carbono em 18% e sinais de que os planejadores
da Olimpíada no Rio de Janeiro estão dispostos a enfrentar
o problema da dispersão dos locais onde haverá jogos e eventos.
Uma ideia apresentada - que eu, como engenheiro, considero muito elegante
- é de utilizar tecnologia de indução energética
com carregadores subterrâneos para sistemas de ônibus elétricos
sem fio, acabando com a necessidade de sistemas de ligação
direta e permitindo que os ônibus sejam recarregados enquanto se
locomovem.
Porém, ainda há problemas, como, por exemplo, a notícia
sobre a reação do mercado de seguros sobre a introdução
das resoluções 224 e 225. Essa decisão, sem qualquer
aviso prévio, consulta ou análise completa de seu impacto
foi um choque e, ao conversar pessoalmente com representantes do setor,
em sua maioria no Rio, ficou claro para mim que muitos temem uma nova era
de regulação instável. Essa é uma notícia
grave, já que seguros e resseguros são fundamentais para
a infraestrutura financeira e grandes empresas internacionais do setor
estão confusas com a mudança repentina. Sinais dos mais altos
escalões, de que esse tipo de ação brusca e sem consulta
não se torne comum seriam muito bem recebidos pelo mercado global
de resseguros.
Contudo, estou certo de que o Brasil superará esses momentos
acidentados, visto que há boa vontade, por parte de todos, de abrir
o Brasil para a economia global de forma plena e assegurar um futuro sustentável.
O Brasil está em uma corrida global por empregos e espero que haja
desejo de explorar todas as oportunidades, com Londres e em outros locais.
Apesar de esta viagem ser de aprendizado, acredito que acabar com problemas
tópicos como o descrito acima é o desafio chave do Brasil.
Na China, costuma-se dizer "devo enriquecer antes de envelhecer". Isso
no Brasil, poderia ser "invista em seus anos dourados para que todos os
nossos netos possam ter emprego qualificado se trabalharem para eles".
Afinal, o Brasil passa por um período de prosperidade com altas
receitas geradas pela exportação de minerais e outros produtos,
receita de petróleo, com perspectivas de aumento desta receita e
uma influência crescente no cenário internacional. Tropeços
serão possíveis até que uma economia doméstica
competitiva seja estabelecida de maneira formal e sob taxação
justa, com boa infraestrutura e vasto alcance social.
O país tem uma enorme quantidade de recursos naturais, mas tem
também uma série de problemas relacionados a emprego, capacitação,
infraestrutura e educação. O Brasil encontra-se no 127º
lugar no Índice de Países mais Propícios para Negócios.
O abismo entre ricos e pobres continua um desafio.
Enquanto o mundo estiver ávido por produtos brasileiros, o dinheiro
fluirá, parte dele hot money. A questão real não é
se recursos altamente capitalizados ou empreendimentos agrícolas
possam aproveitar o desejo mundial por matéria-prima: Isso é
certo. A verdadeira questão é se o Brasil conseguirá
transformar esta era de prosperidade em uma economia moderna e competitiva
em todas as frentes, com 100 mil novas pequenas empresas, um setor de exportação
ágil e em crescimento, educação superior com cérebros
competitivos no mercado global, um forte setor educacional, infraestrutura
de primeiro mundo, pouca burocracia, e claro, uma classe média que
seja mais do que uma classe trabalhadora com poucos recursos e tenha dinheiro
suficiente para economizar e possibilitar investimentos futuros.
Sem essas mudanças, o Brasil em 2040 pode estar na direção
errada: com grande fluxo de capital, advindo do petróleo, mas sem
emprego para a sociedade em geral. O caminho ainda não está
traçado e não há razão para que o Brasil deixe
de vencer o desafio. Como pude ver durante a semana, seus líderes,
como o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, reconhecem os desafios
e acreditam que parte da resposta seja de que um Brasil, em crescimento
sustentado e estável, desempenhe um papel cada vez mais ativo no
resto do mundo, em todas as esferas. Londres, o centro financeiro mais
globalizado do mundo, está preparado para dar suporte.
(Lord Mayor Michael Bear - Valor Online)
10.06 - O Copom mira só a inflação de 2012; a de
2011 já é dada
A decisão do Comitê de Política Monetária
(Copom) do Banco Central (BC) de elevar o juro básico em 0,25 ponto
porcentual, de 12% para 12,25% ao ano, foi tomada por unanimidade e confirmou
o esperado pelos agentes econômicos. Na nota distribuída após
a reunião, atribuiu-se a decisão à persistência
dos riscos inflacionários, ao ritmo incerto da atividade doméstica
e à complexidade do ambiente internacional. Por isso, "a implementação
de ajustes das condições monetárias por um período
suficientemente prolongado continua sendo a estratégia mais adequada
para garantir a convergência da inflação para a meta
em 2012".
Dito de maneira mais clara, tornou-se bastante provável uma
nova elevação do juro básico na reunião do
Copom do mês que vem, apesar de os indicadores de inflação
- em maio, o IGP-DI subiu 0,01% e o IPCA, 0,47%; e, no primeiro decêndio
de junho, o IGP-M foi negativo em 0,09% - terem viés de baixa.
A decisão do Copom baseia-se na teoria econômica de que
o tempo da política monetária não coincide com o da
inflação. A economia está em desaceleração,
que provavelmente seria mais forte e evidente não fosse a interrupção,
no semestre passado, da alta de juros iniciada em abril de 2010.
O BC reafirmou, na reunião de anteontem, a adoção
da política gradualista de controle da inflação. Neste
ano, na melhor das hipóteses, o IPCA não vai estourar o teto
da meta de inflação de 6,5%, como já admitiram as
autoridades monetárias. Estas se voltam para as ameaças inflacionárias
de 2012, cujo primeiro desafio será o da correção
do salário mínimo em cerca de 14%, em janeiro. Mas, além
desse fator de estímulo à demanda e à tomada de empréstimos,
2012 será um ano de eleições municipais - e, como
em 2010, estão previstas enormes pressões por mais gastos,
dificultando o trabalho do BC e o cumprimento das metas de inflação.
Entre janeiro e junho, o juro básico subiu 1,5 ponto porcentual
e as taxas médias dos empréstimos pessoais também
subiram. Esse é um fator de desaceleração econômica,
mesmo levando em conta que grande parte dos empréstimos é
direcionada (BNDES e crédito imobiliário, por exemplo, que
pouco sofrem com o aumento da taxa Selic).
Nos próximos meses, se a economia continuar em desaceleração,
o BC conviverá com mais manifestações de repúdio
à alta do juro, embora pouco ou nada possa fazer para modificar
a realidade. Derrubar a inflação e os juros seria bem mais
fácil sem déficit das contas fiscais e sem a colocação
de mais dívida pública. (O Estado de S.Paulo)
10.06 - ‘Juros subirão até inflação de 12
meses cair’
O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco
Central, deverá manter a trajetória de elevação
de juros enquanto a inflação acumulada em 12 meses permanecer
elevada, disse ontem o professor de economia da USP e presidente do Conselho
Regional de Economia (Corecon-SP), Heron do Carmo.
O IPCA acumulado em 12 meses até maio está em 6,55%.
Apesar de a inflação perseguida pelo BC se restringir ao
ano-calendário, o acumulado em 12 meses supera o centro da meta,
que é de 4,5%, e o teto que é de 6,5%.
Sobre a elevação ontem de 0,25 ponto porcentual da taxa
Selic, de 12% para 12,25% ao ano, Heron diz não ter havido nenhuma
surpresa, já que esta medida era esperada por quase todo o mercado.
O presidente do Corecon-SP lembrou que a autoridade monetária
já havia sinalizado, por meio da ata do Copom de maio, que iria
manter a trajetória de alta da Selic enquanto a inflação
anualizada estiver acima da meta.
“A não ser que o cenário de inflação melhore
muito daqui para frente, a taxa de juros continuará a subir”, disse
Heron. Mas ele se diz otimista com relação ao cenário
inflacionário para o próximo ano. “Acho que convergiremos
para o centro da meta (4,5%) em 2012?, acrescentou o professor de economia.
(Francisco Carlos de Assis — Agência Estado)
09.06 - Seguros: Busca de 30 milhões de novos consumidores
Empresas estão de olho no consumidor exigente e descomplicado
do futuro, principalmente o das classes C e D
Depois de arrecadar, em 2010, R$ 183,9 bilhões – 14,3% a mais
que em 2009 –, o setor de seguros pretende ganhar 30 milhões de
novos consumidores no país nos próximos anos, apostando,
principalmente, nas classes C e D e na desburocratização
e padronização do mercado de seguros como um todo. Os dados
são da Confederação Nacional das Empresas de Seguros
(CNSeg).
Na última década, mais de 20 milhões de pessoas
saíram da miséria no Brasil, e outras 19 milhões migraram
para a classe C só em 2010, integrando uma nova classe média
brasileira que corresponde hoje, segundo dados da Ipsos Public Affairs,
a 53% da população do país (101,65 milhões
de pessoas). Com renda média de R$ 1,3 mil, essas famílias
estão gastando mais e contraindo mais dívidas, mas não
estão poupando tanto quanto deveriam. É com foco nesse cenário
que o mercado de seguros está trabalhando.
“O indivíduo que estamos chamando de consumidor do futuro é
atropelado pelo tempo, não tem paciência para ler contratos
complicados. Nas classes mais baixas, não se tem ideia da importância
de se fazer um seguro de vida ou residencial diante de outras necessidades
imediatas. Temos aí um grande espaço para simplificar os
processos, diversificar e apostar em inovações como o mercado
dos microsseguros”, avalia a diretora-executiva da CNSeg, Solange Beatriz
Mendes. O microsseguro é um produto de tíquete (prestação)
baixo, voltado para famílias com renda de até três
salários mínimos.
Potencial
Um estudo inédito encomendado pela CNSeg ao Centre for Financial
Regulation and Inclusion (Cenfri) – instituição sul-africana
que ajuda a formular modelos de regulação financeira para
inclusão social – e apresentado ontem, durante a 5.ª Conferência
Brasileira de Seguros, Resseguros, Previdência Privada, Saúde
Suplementar e Capitalização (Conseguro), em Brasília,
apontou que os seguros mais populares, como aqueles de diferentes modalidades
vendidos em redes de varejo, atingem entre 23 milhões e 33 milhões
de brasileiros. Ou seja, o potencial de crescimento do mercado na classe
média-baixa é enorme. Hennie Bester, coordenador do estudo
e ex-assessor de Nelson Mandela na reforma da Constituição
da África do Sul, acredita que o seguro, especialmente o micro,
pode ser um importante instrumento para garantir a sustentabilidade de
políticas sociais que visam à ascensão social das
camadas mais pobres da população. “Temos uma combinação
de fatores que nos levam a pensar isso. Ascensão social e um perfil
de consumidor de cabeça aberta, mas que não sabe poupar ou
não tem nenhum incentivo para isso”, afirma.
Bester propõe uma série de mudanças para atingir
esse consumidor: mais incentivos fiscais, como a redução
de impostos; modelos com ênfase também em benefícios
em vida, afinal “o brasileiro não quer ganhar só depois da
morte”; e um incremento na rede de distribuição, eliminando
intermediários e investindo em redes como os Correios, lotéricas
ou mesmo funerárias, já que boa parte do público-alvo
não é bancarizado. “O sonho de qualquer mercado de seguros
é a venda passiva. Essas medidas, com um marco regulatório
que desburocratize e padronize as apólices – e aí não
falo só dos microsseguros –, são cruciais para isso”, avalia.
Bester acredita no auxílio-funeral como o “produto âncora”
para atrair as classes C e D.
Fator cultural segura mercado
Para entrar no mercado, o modelo do microsseguro ainda depende da aprovação
de um projeto de lei (PL 3.266/2008) no Congresso e da regulamentação
da Superintendência de Seguros Privados, a Susep, que analisa a proposta
há três anos. No documento, que espera parecer da Comissão
de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados,
os prêmios mensais (mensalidades) dos microsseguros não passariam
de R$ 40. “O preço é determinante na conquista da classe
média, mas não é o único fator. Mesmo os chamados
seguros populares [como os vendidos na parceria da Mapfre com as Casas
Bahia, por exemplo] ainda não deslancharam por uma questão
cultural. O consumidor da classe C e D ainda prefere pagar um desejo imediato,
como uma cerveja, a usar R$ 5 em um seguro de acidente pessoal, deixando
uma indenização de R$ 20 mil à família caso
venha a falecer por acidente”, observa Solange Mendes, da CNSeg.
Para o ex-diretor da Susep Murilo Matos Chaim, todas as sugestões
de Hennie Bester são bem-vindas, mas precisam vencer obstáculos
regulatórios. “É de se esperar que prêmios de valores
pequenos exijam menos capital, mas os riscos ainda existem, e o mercado
de microsseguros precisa ser igualmente regulado. Nesse pé de igualdade
– que acredito que deva existir entre seguradoras de todo tipo –, o melhor
caminho para implantar incentivos fiscais seria direto para os segurados”,
opina. Chaim também acredita que a ideia de incentivar fiscalmente
os empregadores a subsidiar seguros para seus trabalhadores é um
bom caminho.
São esperados até o fim de 2011 os primeiros resultados
da aprovação da regulação dos microsseguros,
assim como da padronização de apólices por meio de
15 pontos-chave que facilitem as escolhas pelo consumidor – começando
pelos seguros de previdência. (Fabiane Ziolla Menezes - Gazeta
do Povo Online)
09.06 - Seguradoras projetam R$ 205 bi em receita
Diante do crescimento econômico brasileiro dos últimos
anos e da mudança do perfil do consumidor, com a ascensão
das classes D e C, o mercado de seguros vê a necessidade de novas
estratégias para ampliar sua participação e opções
de negócios. A oportunidade de expansão também surge
com o seguro-garantia para obras de infraestrutura por conta do Programa
de Aceleração do Crescimento (PAC), da Copa do Mundo de 2014
e das Olimpíadas de 2016. Para o desenvolvimento do segmento, a
Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência
Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização
(CNseg) apresentou ao Ministério da Fazenda sugestões complementares
à Lei de Licitações (8.666/93), com o objetivo de
informar ao mercado da possibilidade da apólice como garantia da
conclusão de contratos.
Os desafios e oportunidades para ganhar competitividade nesse cenário
foram discutidos na 5ª Conseguro (Conferência Brasileira de
Seguros Gerais, Previdência Privada, Saúde Suplementar e Capitalização),
em Brasília. Durante o evento, a expectativa de faturamento para
2011 foi revisada para R$ 205 bilhões, o que corresponde a um acréscimo
de 12,1% ante 2010.
Em 2010, a arrecadação do segmento totalizou R$ 183,9
bilhões, o que representa 5,17% do Produto Interno Bruto (PIB),
de acordo com a CNseg. Já o total de arrecadação efetivamente
ganho pelas seguradoras foi de R$ 134,1 bilhões, um acréscimo
de 7,33% em relação a 2009. Em pagamento de sinistros, o
valor chegou a R$ 89,2 bilhões, com índice médio de
sinistralidade de 66,54%.
Para Jorge Hilário Gouvêa Vieira, presidente da CNseg,
o setor de seguros no Brasil é o maior da América Latina,
mas ainda há espaço para crescimento. "O nosso desafio é
identificar o mercado consumidor do futuro, com estratégias para
desenvolver e aperfeiçoar os produtos e serviços para este
público."
O seguro-garantia é um segmento com possibilidade de expansão
por conta das obras de infraestrutura e da lei 8.666/93 de licitações
públicas, que exige garantias nos processos de concorrência
e contratos. Diante dessa obrigatoriedade, o presidente da CNseg, Jorge
Hilário Gouvêa Vieira, aponta a apólice como opção
para as empresas que participam de licitações. "Apresentamos
sugestões para aperfeiçoar a 8.666 com a inclusão
da possibilidade do seguro-garantia. Além disso, enviamos a proposta
de aumentar para até 45% do contrato da obra as obrigações
assumidas."
Nos Estados Unidos a média é de 100% e na Europa é
de 30%, apontou José Américo Peón, assessor da presidência
e coordenador técnico da CNseg. "À medida que o projeto garantido
caminha, a necessidade de cobertura diminui. Então, a média
fica em 30%. Chegamos a 45% do valor da obra, pois entendemos que é
a capacidade das seguradoras", afirma.
Outro produto com futura rentabilidade é o microsseguro, voltado
para a população de baixa renda e pequenas empresas, que
surge como alternativa de baixo custo e para complementar os seguros populares.
No Congresso Nacional, tramita um projeto de lei para a regulamentação
do produto que, para o presidente da CNseg, configura como oportunidade
de negócios e de acesso de novas classes. "A regulamentação
do microsseguro é uma questão de política pública,
que representa novas oportunidades", argumentou Vieira.
O coordenador da 5ª Conseguro, Pedro Bulcão, concorda com
a importância do microsseguro. "O Brasil tem a ascensão social,
com pessoas que saem da pobreza. Mas ainda é baseado no consumo
e em dívidas. O setor precisa fornecer soluções adequadas
para essas famílias". Para o executivo, as modalidades de seguro
mais conhecidas por essa faixa da população são os
de funeral, vida, acidentes pessoais e saúde. Em 2010, o microsseguro
pagou a segurados R$ 2,6 bilhões de indenização.
Além do desenvolvimento de produtos adequados para o público
e segmentos da economia brasileira, a informação também
é crucial no contato com o consumidor, segundo Solange Mendes, diretora
Executiva da CNseg. "Se não tiver contato, não haverá
produto adequado, porque as demandas mudam sempre." De acordo com dados
da Superintendência de Seguros Privados (Susep), o setor conta com
99 ouvidorias. Em 2010fizeram-se 4.114 reclamações, das quais
94% foram solucionadas." (Marcelle Gutierrez - DCI)
09.06 - Investidor doméstico "foge" da Bovespa
Queda de quase 7% no ano faz pessoa física vender mais do que
comprar ações; saldo fica negativo em R$ 2,7 bi
Investidor estrangeiro e fundos de pensão, no entanto, retomaram
as compras de papéis no mês passado
A desvalorização da Bolsa de Valores neste ano -de 6,8%-
tem desanimado os investidores domésticos.
Dados da BM&FBovespa apontam que, há quatro meses, os participantes
da categoria pessoa física (20% do giro da Bolsa) têm preferido
vender a comprar ações no mercado acionário.
Somente no mês passado, as vendas superaram as compras por R$
609,5 milhões, diferença bem superior ao saldo já
negativo de R$ 44,4 milhões registrado em abril.
Em todo o ano, as operações de venda bateram as de compra
por R$ 2,7 bilhões.
Esse comportamento vai na contramão dos investidores estrangeiros,
que movimentam mais de um terço dos negócios da Bolsa.
Após quatro meses vendendo mais do que comprando, o fluxo de
investimento dos participantes "não residentes" ficou positivo em
R$ 2,9 bilhões, a maior cifra desde setembro.
Considerando os cinco meses, no entanto, o saldo ainda ficou negativo
em mais de R$ 600 milhões.
Esses números não consideram as compras realizadas em
IPOs (ofertas públicas de ações), em que os estrangeiros
têm forte participação.
Os números da BM&FBovespa mostram que os investidores institucionais,
como os fundos de pensão, também fizeram "saques" da Bovespa
nos últimos meses, mas voltaram a comprar em maio.
No mês passado, as compras desses participantes -que movimentam
outros 30% da Bolsa- bateram as vendas por R$ 2,058 bilhões. No
ano, eles já compraram R$ 3,6 bilhões a mais do que venderam.
O diretor da Wagner Investimentos, José Raymundo Jr., nota que
é típico do investidor pessoa física comprar na alta
e vender na baixa e que falta "educação financeira" para
a média dos participantes.
Ele ressalva, porém, que alguns analistas apontavam a Bovespa
na casa dos 80 mil pontos ainda neste ano, o que dificilmente deve acontecer,
mesmo nos cenários mais otimistas.
"O problema é que a memória de que era fácil ganhar
dinheiro na Bolsa, como vimos entre 2003 e 2007, ainda está muito
forte", considera. (EPAMINONDAS NETO - Folha de S.Paulo)
08.06 - Investimentos: o motor do Brasil
Há boas razões para acreditar que o investimento, item
que liderou a alta do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre
do ano, será o motor da economia brasileira nos próximos
anos. Os números são impressionantes. O BNDES estima que,
entre este ano e 2014, os setores industrial, de infraestrutura e de construção
civil investirão R$ 1,6 trilhão, 62,2% a mais do que no período
2006-2009. Pouquíssimas economias têm, neste momento, perspectiva
de inversão comparável à do Brasil.
O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, atribui a cinco fatores autônomos
essa forte demanda por investimentos. O primeiro está no setor de
petróleo e gás, movido pelas descobertas na camada do pré-sal.
O setor tem investimento programado de R$ 378 bilhões entre 2011
e 2014. Deve responder, já este ano, por 14,1% da Formação
Bruta de Capital Fixo. "São investimentos que estão dados
e que em grande medida são financiáveis", diz o presidente
do BNDES.
O segundo fator está no setor de energia elétrica, que
deve aplicar R$ 139 bilhões nos próximos quatro anos. Até
2013, o país deve aumentar a capacidade de geração
em 24.066 Megawatts, com destaque para a inauguração das
usinas de Santo Antônio e Jirau, em Rondônia. Entre 2014 e
2019, a capacidade terá novo incremento, de 32.406 MW, com a entrada
em funcionamento de Belo Monte e Tapajós.
Concessões vão impulsionar setores de logística
"A função de regulação, dados os leilões
de energia contratada, cria um ambiente de recebíveis extremamente
seguros e isso induz investimentos muito fortes em energia elétrica",
explica Coutinho, que, na sexta-feira, falou sobre o tema durante o seminário
promovido pela Brain, empresa responsável pelo projeto que ambiciona
transformar São Paulo num polo financeiro regional.
O terceiro fator está no agronegócio, "sustentáculo
da balança comercial", observa o presidente do BNDES, e de "inigualável"
capacidade de competir internacionalmente. De fato, com o acelerado processo
de urbanização de potências emergentes como China e
Índia, que juntas têm mais de dois bilhões de habitantes,
o mercado de produtos agropecuários vive momento histórico
de forte expansão, uma excelente notícia para os produtores
brasileiros.
Um outro componente relevante dos investimentos está no setor
habitacional. E aqui, assinala Luciano Coutinho, "há uma avenida
de crescimento". Os ativos de crédito imobiliário representam
ainda uma proporção muito pequena do PIB brasileiro - 3,8%,
no caso das pessoas físicas. "Nos próximos cinco a seis anos,
o Brasil pode triplicar o peso dos ativos de crédito imobiliário
[hoje, em 8%] no crédito total", diz Coutinho.
Por fim, está o setor de logística, onde a demanda por
investimento é gigantesca, mas os gargalos são igualmente
enormes. "Há uma compreensão clara do governo de que o Brasil
tem deficiências logísticas sérias. Temos bela infraestrutura
de telecomunicação e financeira, mas não temos ainda
uma de logística", reconhece o presidente do BNDES.
A recente decisão do governo de conceder à iniciativa
privada a gestão de grandes aeroportos, modelo já usado no
setor elétrico e que será replicado onde for necessário
para acelerar investimentos, principalmente em logística, está
nesse contexto. O governo abandonou o viés ideológico que,
na gestão Lula, impediu que muitos investimentos em infraestrutura
fossem feitos.
"Em todas as áreas de infraestrutura onde existam necessidades
relevantes de investimento que demandem agilidade e flexibilidade do setor
privado, e que ao mesmo tempo tenham suporte em termos de demanda e de
taxa de retorno, os investimentos podem caminhar na forma de concessão
ao setor privado, sem necessariamente excluir empresas públicas
que precisem também passar por um processo de reciclagem, caso da
Infraero ", informa Coutinho.
Às necessidades de investimento, o presidente do BNDES acrescenta
um outro desafio, que é o de criar condições para
aumentar a competitividade da indústria de transformação.
"O Brasil é uma grande economia urbana e não pode abrir mão
de ter um setor de serviços sofisticado, que gere muitos empregos,
e de ter uma indústria manufatureira competitiva. Temos aqui um
desafio muito grande que é o de aumentar consistentemente a produtividade
do país", diz Coutinho.
O volume de investimento previsto, além do apoio à indústria,
impõe ao país o desafio de aumentar as taxas de investimento
e de poupança doméstica, ainda muito acanhadas para as ambições
da economia brasileira. Hoje, o investimento está em 18,4% do PIB.
Já a taxa de poupança, em apenas 15,8% do PIB. O presidente
do BNDES acredita que as inversões programadas devem elevar o investimento
para 23% do PIB em 2014, fato que, acompanhado de ganhos de produtividade
firmes, sustentaria um crescimento da economia em torno de 5% ao ano.
Coutinho está otimista. "Temos algo precioso na economia brasileira
neste momento que é um enorme potencial de investimento com alta
rentabilidade, taxas de retorno satisfatórias e riscos de demanda
relativamente baixos, em função de carências acumuladas",
diz ele.
A queda de Antônio Palocci ocorre no momento em que o governo
promove mudanças no rumo da política econômica, tornando-a
mais à feição do que sempre defendeu o ex-ministro.
A ênfase no crescimento a qualquer custo está sendo substituída
pela prioridade ao combate à inflação.
O Banco Central inicia hoje um movimento delicado, do ponto de vista
político. Vai aumentar os juros no momento em que a inflação
mensal entra em período sazonal de trégua. Resta saber se
a diretoria do banco terá força para enfrentar, sozinha,
as críticas, já em gestação em setores do governo,
do PT e das centrais sindicais, a essa política.
Em março, Palocci emitiu sinais de que o Palácio do Planalto
não interferiria, caso o BC decidisse por um aperto monetário
mais forte do que o que vinha sendo feito. O BC optou, no entanto, pelo
caminho politicamente mais fácil. Ato contínuo, as expectativas
de inflação bateram no teto e o banco decidiu mudar a estratégia.
(Cristiano Romero - Valor Online)
08.06 - Quem acordou a fera?
A melhor expectativa para a inflação futura seria a média
ponderada entre a meta e a inflação passada
A aceleração recente da inflação veio acompanhada
de uma velha conhecida: a indexação, caracterizada pelo reajuste
de preços e de salários de acordo com a inflação
passada.
Nessas condições, o custo para desinflacionar a economia
é mais alto do que seria caso os reajustes de salários e
de preços fossem determinados apenas pelas expectativas sobre a
inflação futura, em particular quando o Banco Central consegue
convencer a sociedade acerca do seu comprometimento com a meta de inflação.
Com efeito, num cenário de alta credibilidade tanto empresas
quanto trabalhadores tendem a reajustar seus preços em valores próximos
à meta, desviando-se dela apenas em resposta ao estado cíclico
da economia: quando a economia está aquecida, as condições
se tornam mais propícias para aumentos de salários e repasses
de preços e vice-versa.
Nesse caso, a redução da inflação envolve
tipicamente alguma desaceleração do crescimento abaixo do
seu potencial por algum tempo, mas nada muito além disso. Por outro
lado, quando preços e salários refletem (mesmo parcialmente)
a inflação passada, a tarefa de trazer a inflação
de volta à meta se torna mais difícil.
Ainda que a economia se desacelere relativamente ao seu potencial,
parcela de preços e de salários continuará reagindo
aos aumentos observados em períodos anteriores.
Sob tais circunstâncias, a desaceleração requerida
para reduzir a inflação será mais profunda (ou mais
prolongada, ou ainda uma combinação de ambas). Não
é difícil, portanto, entender por que bancos centrais abominam
tal conduta. Isso dito, embora seja tentador imaginar que a indexação
tenha raízes históricas e culturais (transparente, por exemplo,
no uso frequente da expressão "cultura de indexação"),
muito provavelmente esse comportamento surge em resposta a condições
econômicas bastante concretas.
De fato, alta credibilidade do BC não parece combinar com indexação;
já a prevalência desse comportamento aparenta resultar de
uma percepção de baixo compromisso do BC com a meta.
Essa última questão é geralmente caracterizada
como uma resposta insuficiente do BC em termos da taxa de juros quando
a inflação esperada se desvia da meta. Posto de outra forma,
se a inflação esperada atinge, digamos, 1% acima da meta,
a boa gestão monetária requer que o BC responda com aumento
da taxa nominal de juros superior a 1%, levando ao incremento da taxa real
de juros (a taxa nominal menos a expectativa de inflação),
que traria a inflação de volta à trajetória.
Caso o BC não siga essa regra, a inflação não
retorna à meta e tende a reproduzir a inflação passada,
mas, como deve ficar claro, a indexação seria, nesse contexto,
consequência -e não causa- do descontrole inflacionário.
Não há, contudo, indicações de que o BC brasileiro
tenha adotado tal posição. Pelo contrário, houve elevação
da taxa real de juros.
Por outro lado, o problema pode estar relacionado à velocidade
de ajuste da taxa de juros, em particular à adoção
de uma política de aperto muito gradual.
É possível mostrar que, com ajustes mais lentos da taxa
de juros, a melhor expectativa para a inflação futura seria
uma média ponderada entre a meta de inflação e a inflação
passada, mesmo se o BC gozasse de plena credibilidade acerca de seu compromisso
com a meta.
Adicionalmente, quanto mais gradual fosse o ajuste da taxa de juros,
tanto maior seria o peso atribuído à inflação
passada na formação das expectativas.
A intuição é simples: se o BC prefere, como sua
comunicação deixa claro, promover o retorno lento da inflação
à meta, os agentes ajustarão suas expectativas para refletir
esse processo e, mais uma vez, a indexação será resultado
da posição de política monetária.
Vale dizer, ainda que seja compreensível que o BC reclame da
indexação quando tenta baixar a inflação, não
pode fugir da responsabilidade de ter acordado o leão adormecido.
(ALEXANDRE SCHWARTSMAN - Folha de S.Paulo)
08.06 - Inflação oficial sobe menos em maio
A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços
ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou maio com alta de 0,47%, ante avanço
de 0,77% em abril, informou ontem o IBGE. O resultado ficou dentro do intervalo
das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções,
que iam de 0,40% a 0,52%, e em linha com a mediana, de 0,47%.
O IPCA é o índice oficial utilizado pelo Banco Central
para cumprir o regime de metas de inflação, determinado pelo
Conselho Monetário Nacional. Até maio, o indicador acumula
altas de 3,71% no ano e de 6,55% nos últimos 12 meses.
Preços ao consumidor
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) subiu
0,57% em maio, ante alta de 0,72% em abril. Com o resultado, até
o mês passado, o índice acumula altas de 3,48% no ano e de
6,44% em 12 meses.
O INPC mede a variação dos preços para as famílias
com renda de um a seis salários mínimos e chefiadas por assalariados.
Construção civil
O Índice Nacional da Construção Civil (INCC/Sinapi),
divulgado hoje pelo IBGE, variou 1,50% em maio, ante 0,48% em abril.
No ano, a alta é de 3,20%. O índice acumulado em 12 meses
está em 6,88%, abaixo dos 7% registrados em igual período
imediatamente anterior.
Segundo o IBGE, o custo nacional da construção alcançou
R$ 790,90 por metro quadrado em maio, acima dos R$ 779,18 de abril. A parcela
dos materiais variou 0,07%, enquanto o custo da mão de obra acelerou
para 3,37% em maio, ante 0,80% em abril. (Daniela Amorim - Agência
Estado)
07.06 - 5ª Conseguro: Painéis discutem presente e futuro
do mercado
Com 500 participantes já confirmados na 5ª Conseguro- as
inscrições agora só podem ser feitas no local- é
grande a expectativa do mercado em torno dos assuntos que serão
debatidos durante os 12 painéis do mais importante evento do mercado
segurador brasileiro, que tem início neste quarta-feira e se estende
até quinta-feira (8 e 9), no Centro de Convenções
Brasil 21, em Brasília. São temas estratégicos ou
sensíveis para o crescimento sustentado do mercado brasileiro, incluindo-se
aí as novas regras de solvência; microsseguros e os seguros
populares; o acesso da nova classe média ao seguro; os impactos
das mudanças do perfil demográfico da população
brasileira; a correlação entre as obras de infraestrutura,
o boom da construção de moradias e o seguro garantia; o meio
ambiente e o seguro de catástrofes; além das perspectivas
para os seguros de saúde, vida e previdência.
Entre os palestrantes, especialistas e executivos nacionais e internacionais:
Daniel Goldberg (executivo, Morgan Stanley Brasil e ex-secretário
de Direito Econômico do Ministério da Justiça); Robert
Kerzner (Limra – Limra, Loma & LL Global); Eduardo Gianetti da Fonseca
(economista); Hennie Bester (consultor do CENFRI - Centre for Financial
Regulation and Inclusion); Rolf Steiner (vice-presidente senior da Swiss
Re Brasil); Washington Novaes (jornalista); Michaela Koller (executiva,
CEA- European Insurance and Reinsurance Federation); Patrick Kennedy (democrata,
ex-congressista dos EUA); Alexandre Malucelli (executivo, Grupo J. Malucelli);
Roberto Macedo (economista, professor da USP e da FAAP, ex-secretário
de Política Econômica do Ministério da Fazenda); Eike
Batista (Grupo EBX) e Steven Levitt (autor do livro Freakonomics).
O diretor da CNSeg e coordenador da 5ª Conseguro, Pedro Bulcão,
explica que as palestras e debates oferecerão perspectivas sobre
os desafios e oportunidades para o mercado segurador brasileiro. “O Brasil
está mudando rapidamente e a ascensão social vivida por milhões
de brasileiros é uma fantástica prova disso. Mas, será
preciso qualificar essa ascensão, gerando poupança, segurança,
saúde e bem-estar para essas famílias. Esse papel é
da indústria de seguros e é disso que vamos tratar no evento,
entre outros assuntos”, afirma Bulcão. “Em outras palavras, vamos
debater como o setor de seguros deve se preparar para servir à futura
sociedade brasileira”, completa.
“Um dos maiores desafios hoje do mercado segurador é o combate
à desinformação. O mercado segurador brasileiro está
atento às mudanças da sociedade para aperfeiçoar a
prestação de seus serviços e poder atendê-la
cada vez melhor”, assegura Jorge Hilário Gouvêa Vieira, presidente
da CNSeg.
A 5ª Conseguro é promovida pela CNSeg, com o apoio da FenSeg
(Federação Nacional de Seguros Gerais), FenaPrevi (Federação
Nacional de Previdência Privada e Vida), FenaSaúde (Federação
Nacional de Saúde Suplementar) e FenaCap (Federação
Nacional de Capitalização). (Fenaseg)
07.06 - Mais criatividade para o controle da inflação
Cada vez mais o Brasil se afasta do padrão internacional de
taxas básicas de juros relativamente moderadas, transformando-se
no campeão inquestionável dos juros mais altos do planeta.
A elevação dos juros é uma prática usual em
termos de política monetária para a redução
do ritmo da atividade econômica e da inflação. Quanto
a isso não há o que questionar. O problema é o nível
que as taxas de juros alcançaram no Brasil, que não tem paralelo
na economia mundial.
A atuação do Banco Central (BC) sobre a taxa básica
de juros do país (Selic) nesse momento é bastante questionável
se o que se deseja é a redução do consumo e, consequentemente,
da atividade econômica e da inflação. Inclusive porque
as taxas de juros utilizadas pelos consumidores são muito mais elevadas
que a Selic. Além disso, seu efeito sobre a atividade econômica
leva vários meses.
Há formas mais diretas de se atuar na ponta do consumo, como
por sinal o próprio BC já vem atuando desde o final do ano
passado, como no caso da elevação dos depósitos compulsórios
dos bancos, que reduzem o volume de recursos disponíveis para empréstimos
e elevam a taxa de juros ao consumidor.
Embora parte do aumento da inflação nos últimos
meses possa estar associada a um crescimento da demanda interna, que responde
à elevação dos juros, importante parcela está
ligada ao aumento do preço das commodities internacionais, incluindo
os alimentos que têm peso elevado no IPCA. Os preços administrados
possuem regras definidas de indexação e também têm
tido importante contribuição para a inflação
recente. Qual seria a contribuição de um aumento da Selic
sobre tais itens? Provavelmente nenhuma.
O atual processo de elevação da taxa básica de
juros deveria ser encerrado imediatamente
Ao fixar a taxa básica em nível extremamente elevado,
representando um verdadeiro "outlier" na conjuntura internacional, o BC
estimula a entrada de capitais especulativos no país, como já
vem ocorrendo há vários anos. Isso favorece a valorização
do real, prejudicando as exportações e aumentando as importações.
Assim, o atual déficit em conta corrente tenderia a crescer
ainda mais. Talvez o único efeito favorável da valorização
do real seja seu reflexo sobre a inflação, através
da queda dos preços dos produtos importados.
Há críticas generalizadas que aparecem na mídia
sobre os gastos exagerados do governo e a necessidade de redução
do déficit público. Certamente a qualidade do gasto público
no Brasil pode e deve ser questionada. Entretanto, é preciso também
não esquecer que, apesar do grande esforço fiscal, o superávit
primário do governo acaba se transformando em déficit por
conta do enorme volume de pagamento de juros da dívida pública.
Essa questão praticamente não representa uma preocupação
importante para críticos dos gastos públicos.
Nos últimos 12 meses, a Selic subiu mais de três pontos
percentuais. Isso representa algo como R$ 50 bilhões de pagamentos
adicionais de juros ao ano se considerarmos seu efeito sobre o conjunto
da dívida pública. Por sinal, trata-se do mesmo valor dos
cortes no orçamento deste ano anunciado pelo governo Dilma, e pouco
menos do que o volume de novos aportes ao BNDES para incentivar os investimentos
reconhecidamente necessários ao país.
Quando feita a comparação do que o Brasil desperdiça
com o pagamento dos altos juros da dívida pública com os
demais gastos do governo fica ainda mais clara a necessidade do BC mudar
sua atuação no sentido de trocar novas elevações
da Selic por formas alternativas de política monetária, como
as chamadas "medidas macroprudenciais", buscando se aproximar do padrão
internacional de taxas de juros.
Um exemplo é suficiente para ilustrar a situação.
Basta considerar o principal programa da área social do governo:
o programa Bolsa Família. Cada ponto a menos na taxa básica
de juros seria suficiente para cobrir as despesas anuais do PBF e ainda
sobrariam alguns bilhões de reais a cada ano.
Poder-se-ia argumentar que o BC é obrigado a seguir as expectativas
e demandas do mercado no sentido de elevação dos juros básicos
da economia sob o risco de ter dificuldades de rolagem da dívida
pública. Ora, se os capitais internacionais estão interessados
em aplicar em títulos públicos brasileiros, por que razão
os investidores nacionais não o fariam? Quais seriam as alternativas
melhores do que uma aplicação praticamente sem risco que
paga atualmente 12% ao ano em reais, uma das moedas que mais se valorizam
no mundo? Mesmo com a redução da Selic as aplicações
em títulos públicos ainda continuariam a ser um investimento
excepcional.
Outro ponto que poderia ser acrescentado à análise é
a exagerada preocupação com o ritmo da atividade econômica
que precisaria ser reduzido para favorecer o combate à inflação.
Quanto a isso, já existem diversos indicadores da indústria
e do comércio que mostram um nítido arrefecimento da economia
nos últimos meses. As expectativas para o crescimento econômico
em 2011 estão baixando rapidamente. Os 7,5% de crescimento do Produto
Interno Bruto (PIB) em 2010 foram excepcionais e ocorreram a partir de
uma base extremamente deprimida por conta da recessão de 2009.
Quando considerados os dois últimos anos o crescimento médio
não passa de 3,5%, portanto, abaixo da média dos oito anos
do governo Lula. Dessa forma, a preocupação deveria se deslocar
para a rápida desaceleração da economia e não
o contrário.
Em resumo, o atual processo de elevação da taxa básica
de juros deveria ser encerrado imediatamente, ao mesmo tempo em que o BC
deveria procurar ser mais criativo, aprofundando formas alternativas de
política monetária (com taxas de juros civilizadas), que
conduzam os preços para o centro da meta inflacionária a
médio prazo, sem grandes prejuízos para o crescimento da
economia. O novo BC parece querer caminhar nesse sentido, mas ainda se
mostra muito tímido. (João Saboia - Valor Online)
07.06 - O pessimismo veio para ficar ou é algo passageiro?
Há poucas semanas, o Valor publicou ótima matéria,
assinada pelas repórteres Daniele Camba e Beatriz Cutait, em que
mostra a mudança de expectativas de instituições do
mercado para o Ibovespa no final do ano. Seria interessante fazermos uma
análise dos números ali apresentados.
Foram consultadas dezessete instituições. Apesar de o
número não ser estatisticamente relevante, podemos ter uma
boa ideia com essa amostra. No fim do ano passado, a média das estimativas
apontava para um Ibovespa em 83.200 pontos ao final de 2011 (uma expectativa
de alta de 20%), com desvio-padrão de 4.300 pontos.
Agora em maio, cinco daquelas instituições não
responderam a enquete das jornalistas, pois estavam com o número
sob revisão. As doze que responderam derrubaram a média do
indicador para 78.600 pontos em dezembro (5,8% abaixo da estimativa anterior),
com um aumento de desvio-padrão para 5.200 pontos.
Curioso notar que somente três das dezessete instituições
(17%) tinham projeções iniciais abaixo de 80 mil pontos.
Portanto, supondo que essa sondagem represente - minimamente que seja -
a expectativa do mercado, constata-se que havia um enorme otimismo para
a bolsa em 2011, sobretudo considerando o ano sem graça que fora
2010. Mas o fato é que o otimismo foi abatido em apenas poucos meses,
como mostram as estatísticas acima, pois somente quatro instituições
mantiveram suas pontuações esperadas inalteradas; as demais
as revisaram para baixo!
É evidente que fazer projeções para o Ibovespa,
uma carteira teórica composta de quase 70 ações, é
uma tarefa dificílima. Muitos as fazem por múltiplos P/L,
outros pelo "valuation" justo, mas não temos como fazer uma espécie
de relatório Focus para a bolsa.
Da mesma forma, não há como acreditar que ter uma estimativa
média possa vir a se tornar uma profecia autorrealizável,
como eventualmente possa ocorrer num sistema de metas de inflação.
São infinitas as variáveis, domésticas e externas,
que afetam o desempenho da bolsa e das empresas, como riscos sistêmicos
e empresariais.
Mas o que estará ocorrendo com o mercado local, agora? Semana
passada, um aluno me questionou sobre este momento pessimista. "Será
que veio para ficar?"
Ao longo dos últimos três anos, o que mais ouvi foram
análises advogando teses sobre o tal "decoupling" dos emergentes,
em função da crise de 2008 e seus efeitos sobre os países
centrais.
Quem acompanha minhas intervenções aqui neste espaço
há de se recordar que sempre discordei dessas avaliações.
Parece que o presidente Obama comunga desse pensamento, ao afirmar, há
poucos dias, que EUA e Europa não perderão espaço
com a ascensão desses países.
Voltando ao assunto, nos primeiros cinco meses de 2011, a bolsa brasileira
realmente descolou das bolsas internacionais, que sobem. Portanto foi um
"decoupling" reverso, fruto das incertezas em relação à
inflação, que está "furando" o teto da meta e das
ingerências políticas sobre empresas de capital aberto (a
anti-governança).
Como salientei em artigo anterior, investir em ações
é questão de avaliar preço e risco. Nos últimos
anos considerei pouco atraente o posicionamento em bolsa, face aos enormes
riscos que antevia vis-à-vis um juro extremamente convidativo. Mostrei,
naquele texto, que o investidor que optou pelo CDI não tem do que
reclamar.
Neste momento, quais seriam prós e contras para se investir
na bolsa?
- Prós: preços relativamente baixos e muitas notícias
ruins já conhecidas podem ensejar perspectivas interessantes, caso,
circunstancialmente, os eventos caminhem de forma um pouco mais favorável,
sobretudo se a batalha contra a inflação for vencida.
- Contras: sérios problemas políticos na base aliada
e as renovadas preocupações com economia global, que continua
sem empuxo.
Finalizando, é sempre bom frisar que investir em bolsa recursos
do orçamento doméstico de curto prazo é terminantemente
desaconselhável. Se o leitor considerar interessante o momento,
o ideal é que consulte profissionais especializados ou que as aplicações
sejam realizadas por meio de fundos ou clubes de investimentos em ações.
(Alexandre Espirito Santo - Valor Online)
06.06 - Seguros: R$ 39,3 bi no quadrimestre de 2011
O mercado de seguros doméstico cresceu 15% no quadrimestre de
2011, para vendas de R$ 39,3 bilhões. Segundo dados da Superintendência
de Seguros Privados (Susep),os seguros gerais participou com R$ 13,3 bilhões
do valor total, seguros de pessoas com R$ 21,8 bilhões e receitas
de capitalização com R$ 4,1 bilhões. As indenizações
pagas aos segurados ou titulares com pedidos de resgate totalizaram R$
11,8 bilhões no mesmo período.
O bom desempenho das vendas de seguros no Brasil pode ser explicado
pelo avanço do crédito bancário, emprego em alta,
ganho de poder aquisitivo da populção e milionários
contratos de financiamento a projetos de infraestrutura. Mas há
uma razão em especial que tem aquecido a demanda por apólices:
a insegurança.
Entre os segmentos que mais se destacaram no primeiro quadrimestre
do ano, estão o de riscos especiais, com avanço de 54% nos
últimos doze meses, para R$ 309 milhões em prêmios,
o de riscos patrimoniais, com avanço de 23%, para R$ 8,3 bilhões,
e o de responsabilidade civil, com R$ 800 milhões em prêmios
acumulados entre janeiro e abril deste ano.
As vendas de seguro de carro entre janeiro e abril totalizaram R$ 20,3
bilhões, avanço de 11% nos últimos doze meses. Considerando-se
apenas os últimos três meses, o crescimento cai para 3% devido
às medidas de restrição ao crédito imposta
pelo governo como forma de segurar o consumo e assim manter a inflação
dentro da meta.
A estimativa é de que o setor encerre o ano com lucro líquido
de R$ 10,6 bilhões, alta de 18%, e reservas de R$ 331 bilhões,
avanço de 19%, segundo estimativas da Siscorp. (Executivos
Financeiros)
06.06 - Mercado segurador mantém alta
O efeito de desaceleração de 2,1% da produção
industrial detectada pela pesquisa do IBGE no primeiro quadrimestre do
ano ainda não chegou no mercado de seguros doméstico, que
cresceu 15% no período, para vendas de R$ 39,3 bilhões. Segundo
dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep), consolidados
pela consultoria Siscorp, seguros gerais participou com R$ 13,3 bilhões
do valor total, seguros de pessoas com R$ 21,8 bilhões e receitas
de capitalização com R$ 4,1 bilhões. As indenizações
pagas aos segurados ou titulares com pedidos de resgate totalizaram R$
11,8 bilhões no mesmo período.
Segundo o IBGE, a inflação, que corroi o poder de compra
dos assalariados, causou a desaceleração da produção
industrial no primeiro quadrimestre do ano. O setor têxtil foi o
mais afetado, com queda de 15,2%, seguido pelo de calçados (-11,4%),
máquinas e aparelhos eletrônicos (-10,3%) e alimentos (-8,2%).
Apesar de o seguro estar totalmente ligado ao desempenho da economia, a
expectativa é de que o ritmo de crescimento do setor continue aquecido
por conta do baixo consumo per capita em comparação com países
desenvolvidos, bem como pela participação da indústria
no PIB, que chega a 3,5% enquanto a media mundial se aproxima de 10%.
Vários fatores explicam o bom desempenho das vendas de seguros
no Brasil, como o avanço do crédito bancário, emprego
em alta, ganho de poder aquisitivo e milionários contratos de financiamento
a projetos de infraestrutura que só saem do papel após a
assinatura de um programa de garantias. Mas há uma razão
em especial que tem aquecido a demanda por apólices: a insegurança.
A população tem sido bombardeada por notícias
que reforçam os riscos do dia a dia. Na maioria das manchetes, situações
que exibem gerenciamento de risco para preservar a vida e o patrimônio.
As notícias vão desde ataques a caixa eletrônicos –
já foram quase 70 neste ano –, passam pela falta de preparo financeiro
para a aposentadoria e seguem até o risco do desenvolvimento de
câncer pelo uso excessivo do celular, segundo apontou pesquisa daAgência
Internacional de Pesquisa Contra o Câncer no início de junho.
Esse cenário impulsiona as seguradoras a responderem às
demandas da população por proteção e assim
capturarem oportunidades de crescimento ao manterem o equilíbrio
socioeconômico dos indivíduos, famílias e empresas.
Entre os segmentos que mais se destacaram no primeiro quadrimestre do ano,
temos o de riscos especiais, com avanço de 54% nos últimos
doze meses, para R$ 309 milhões em prêmios, o de riscos patrimoniais,
com avanço de 23%, para R$ 8,3 bilhões, e o de responsabilidade
civil, com R$ 800 milhões em prêmios acumulados entre janeiro
e abril deste ano.
Em automóvel, a maior carteira do setor no nicho patrimonial,
a tendência é de desaceleração, acompanhando
o desempenho da indústria automobilística, que sofre com
as medidas de restrição ao crédito imposta pelo governo
como forma de segurar o consumo e assim manter a inflação
dentro da meta. As vendas de seguro de carro entre janeiro e abril totalizaram
R$ 20,3 bilhões, avanço de 11% nos últimos doze meses.
Considerando-se apenas os últimos três meses, o crescimento
cai para 3%, segundo a resenha mensal de abril divulgada pela Siscorp.
No mesmo período, o Brasil caiu para a sexta posição
mundial em vendas de carros, depois de encerrar 2010 como quarto maior
mercado mundial, com vendas de 3,5 milhões de veículos. O
Brasil acumulou de janeiro a abril deste ano vendas de 1,114 milhão
de veículos. Apesar da queda, o Brasil está no páreo.
A diferença em vendas entre o terceiro colocado (Japão) e
o sexto (Brasil) é de apenas 216 mil carros. No meio dos dois estão
Índia e Alemanha.
Uma tendência que pode ser observada nos números é
o avanço das seguradoras ligadas a bancos nos seguros pessoais e
um índice de crescimento bem acima da média das seguradoras
estrangeiras nos seguros patrimoniais. Zurich e Allianz exibem taxas de
evolução de vendas de 92% e 76% em riscos patrimoniais. Em
VGBL, principal segmento do ramo pessoas, Banco do Brasil e Itaú
avançam 67% e 40%, respectivamente .
A expansão do mercado é considerável, tendo em
vista o esforço do governo para conter o consumo, via aumento da
taxa básica de juros da economia. Na verdade, até este movimento
de alta é benéfico ao lucro das seguradoras, que tem quase
a totalidade das reservas aplicadas, de R$ 296 bilhões, em títulos
do governo. O ganho avançou 24% no quadrimestre, para R$ 3,5 bilhões,
o que levou a um retorno sobre o patrimônio líquido de 19%.
A estimativa é de que o setor encerre o ano com lucro líquido
de R$ 10,6 bilhões, alta de 18%, e reservas de R$ 331 bilhões,
avanço de 19%, segundo estimativas da Siscorp. (Fenaseg)
06.06 - Acionistas: Voto a distância liberado
"O Projeto de Lei 13, originário da Medida Provisória
(MP) 517, apelidada de "árvore-de-natal", trouxe entre seus diversos
assuntos uma mudança com potencial de facilitar significativamente
a vida dos acionistas de companhias abertas. O texto aprovado pelo Senado
muda a Lei das Sociedades por Ações e, no lugar de exigir
a presença física do acionista na assembleia, permite que
o voto seja praticado a distância.
Para que passe a valer, a modificação ainda depende da
sanção da presidente Dilma Rousseff.
O texto do projeto de lei, simples e resumido, atribui à Comissão
de Valores Mobiliários (CVM) a responsabilidade de regular como
essa votação poderá acontecer. Dependerá da
autarquia, portanto, definir se o pleito será eletrônico ou
pelo correio, ou ambas as formas.
A alteração é significativa especialmente porque
a legislação obriga a realização da assembleia
na sede social das companhias, o que dificulta a vida dos acionistas especialmente
em um país grande como o Brasil.
Em 2008, a CVM já havia facilitado a vida dos investidores com
uma interpretação nova da legislação, permitindo
votações eletrônicas desde que com o uso de procurações,
mesmo digitais, para assegurar o cumprimento da lei quanto à presença
física do acionista na assembleia. A questão foi regulada
na Instrução 481 da CVM. A procuração é
emitida por meio de certificação digital, mas há um
representante contratado para, presencialmente, levar os votos à
assembleia.
A diretora da CVM Luciana Dias afirmou que ainda é preciso avaliar
internamente se há necessidade de rever a regulação
ou se a regra atual já atende a questão.
Atualmente, contudo, não é possível que o acionista,
eletronicamente, emita seu voto simultaneamente à realização
da assembleia. Nas atuais ferramentas para internet - as mais conhecidas
são as da MZ Consult e da Firb - o acionista deve emitir seu voto
com até 48 horas de antecedência. Não é possível
votar durante a realização do encontro.
A iniciativa de inserir esse trecho na medida provisória partiu
da BM&FBovespa, que encaminhou seu pleito diretamente ao Congresso.
No texto original da MP não havia esse tema. Contudo, uma vez que
decidiu-se por acrescentar o ponto ao texto, a CVM participou da redação
final.
"Trata-se de uma notícia importante para o mercado de capitais
brasileiro", avaliou o presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto. Segundo
ele, esse era um pleito antigo do mercado.
Na opinião de Walter Mendes, presidente da Associação
de Investidores no Mercado de Capitais (Amec), a mudança é
positiva e realmente uma antiga demanda dos investidores. "A participação
em assembleias era bastante eventual e havia pouco espaço para o
minoritário. Mas isso está mudando com o tempo."
Para Régis Abreu, diretor da Associação Brasileiras
das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), trata-se
de algo novo o que o Brasil poderá experimentar a partir dessa modificação
da legislação.
"Poucos países têm experiência de sucesso nessa
área no mundo", ressaltou ele, lembrando a experiência brasileira
com o envio do Imposto de Renda.
Já existe tecnologia desenvolvida para permitir a votação
eletrônica durante a realização da assembleia. Segundo
Rodolfo Zabisky, da MZ Consult, o sistema do Assembleias Online está
pronto para esse uso, falta apenas regulamentação para isso.
Hoje, o produto oferece a transmissão da assembleia e a possibilidade
da existência de fóruns de discussão entre os acionistas.
Contudo, nenhuma das companhias que contratou a ferramenta liberou esses
serviços para utilização. Até agora, o único
serviço usado foi o da procuração eletrônica.
Apesar de a ferramenta existir há pouco mais de dois anos, apenas
12 companhias contrataram o serviço, que foi utilizado por um total
de 1.085 investidores - 284 fundos e 801 pessoas físicas, sendo
58 fundos estrangeiros e 27 pessoas fora do país.
O Projeto de Lei 13 também mudou a obrigatoriedade de publicação
de balanços e atos societários pelas empresas abertas. Pelo
texto que aguarda sanção presidencial, companhias com ativos
totais inferiores a R$ 240 milhões ou receita bruta anual menor
que R$ 500 milhões não precisarão mais publicar essas
informações no Diário Oficial e poderão publicar
apenas a versão resumida num jornal de grande circulação,
desde que a íntegra desses documentos esteja disponível em
página na internet.
Esse item também foi inserido na MP conforme solicitação
da BM&FBovespa. Para Edemir Pinto, a iniciativa "vai reduzir o custo
das companhias abertas, beneficiando, principalmente, as pequenas e médias
empresas". (Graziella Valenti - Valor Online)
03.06 - As causas estruturais do real forte
Entrada maciça de capitais e valorização de produtos
primários no exterior estão entre as causas do real forte
Uma das questões mais relevantes no debate econômico atual
tem sido a força do real nos mercados de câmbio. Apesar do
esforço do governo, a moeda norte-americana está novamente
sendo negociada abaixo de R$ 1,60.
As causas por trás do real valorizado continuam a ser as mesmas
que prevalecem há vários anos: entrada maciça de capitais
e valorização de produtos primários importantes nos
mercados internacionais.
A diferença agora fica por conta de uma mudança na composição
dos recursos que estão entrando no país: as aplicações
em títulos de renda fixa estão sendo substituídas
por investimentos diretos no capital de empresas brasileiras.
Muitos analistas dizem que esse fluxo de investimentos -que, nos últimos
12 meses, chegou a mais de US$ 60 bilhões- não se sustenta
no médio prazo e que o real vai voltar a se desvalorizar. Para esses
pessimistas, uma nova crise internacional pode ocorrer a qualquer momento
e o Brasil enfrentará a fuga desses capitais. A causa mais citada
para esse cenário negativo é a de crise na China, seja por
questões econômicas, seja por questões políticas.
Mas outro cenário provável é que o crescimento
chinês se sustente -como vem acontecendo há mais de 20 anos-
e que o mundo emergente atravesse a próxima década crescendo
de forma sustentada.
Nessas condições, o Brasil continuará a receber
investimentos maciços, principalmente se o governo Dilma resolver
trilhar o caminho das concessões de serviços públicos
ao setor privado e de outras reformas.
Para um país com taxas muito baixas de poupança -privada
e do governo-, a única forma de financiar os investimentos para
garantir crescimento anual de 4% será a absorção de
poupança externa.
Essa é uma verdade derivada da teoria econômica, e não
apenas uma posição ideológica de liberais extremados.
Por essa razão é que o real forte é um subproduto
natural da onda de investimentos que varre nossa economia e que o governo
-corretamente- quer preservar a todo custo. Ou seja, não há
como fugir desse fato, a não ser reduzindo os investimentos e, mais
à frente, o próprio crescimento econômico.
Outras forças externas estão agindo também na
direção do real forte. A principal delas é a valorização
das exportações de produtos primários e que têm
garantido saldo comercial expressivo, apesar do aumento vigoroso das importações.
Outra fonte externa de demanda pelo real está relacionada com
os juros baixos que devem prevalecer no mundo desenvolvido nos próximos
anos. A fraqueza da recuperação econômica nos Estados
Unidos e em outros países do Primeiro Mundo e o choque deflacionário
que ainda virá quando tiverem de lidar com os níveis insustentáveis
do endividamento público devem manter esse quadro de juros baixos
por um tempo ainda bastante longo. Os mercados, aliás, especulam
com um novo movimento do Federal Reserve -que se ria chamado de QE3- no
sentido de manter os mercados inundados de dólares em 2012.
Nesse ambiente, os países emergentes vão continuar a
receber investimentos internacionais por muitos anos, movimento que deve
sustentar as cotações atuais de suas moedas. E o Brasil,
que alia um grande potencial de crescimento a juros internos elevados,
vai ser uma das economias de maior atração.
Finalmente, podemos observar já há algum tempo uma busca
por moedas alternativas por parte dos bancos centrais de países
com superavit em conta-corrente -principalmente na Ásia e os produtores
de petróleo- e grandes investidores institucionais privados para
compor suas reservas e carteiras de investimento de renda fixa.
A gestora de recursos Pimco, a maior do mundo, revelou recentemente
que tem hoje um volume de títulos de países emergentes maior
do que sua carteira de papéis do Tesouro norte-americano.
Por todas essas razões, acredito que teremos de conviver por
muito tempo com o real valorizado e buscar, por outros meios, minorar seus
efeitos negativos, entre eles a perda de competitividade da indústria
brasileira. (LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS - Folha
de S.Paulo)
03.06 - Mercado vê Selic a 12,25% em junho
Tesourarias e economistas fecham questão e projetam, em bloco,
alta da taxa Selic em 0,25 ponto percentual pelo Copom nesta semana. Todos
os 33 economistas consultados pelo Valor trabalham com Selic de 12,25%
em junho. Mas não há unanimidade quanto à evolução
do ciclo de aperto monetário iniciado em janeiro e que deve puxar
em 1,5 ponto percentual a taxa básica no primeiro semestre do ano.
Na BM&F, a curva de juro embute mais uma alta da Selic em julho, enquanto
os economistas de bancos e consultorias estão divididos. Mas o ajuste
já feito na Selic e os efeitos das medidas macroprudenciais ao longo
do tempo sinalizam, para a maioria do mercado, que o fim do ciclo de alta
do juro está próximo.
A maioria dos economistas -19 entre os 33 pesquisados - está
afinada com as tesourarias e aponta Selic de 12,50% em dezembro. Parte
dos analistas, porém, acredita no encerramento do ciclo de alta
já na semana que vem. Alguns não descartam uma pausa, mas
com posterior retomada do ciclo de alta no quarto trimestre, resultando
em Selic de até 13,25% em dezembro. Essa escalada é associada
à percepção de que as expectativas de inflação
para 2012 seguem resistentes acima de 5% e que o Banco Central não
vai abandonar o compromisso de fazer a convergência da inflação
para a meta no ano que vem.
"Esperamos agora aumento de 0,25 ponto, considerando a última
ata, onde o BC sugeriu que os ajustes das condições monetárias
ocorreriam por tempo 'suficientemente longo'. Com essa indicação,
não faria sentido o ciclo ser interrompido agora. Mas consideramos
uma parada técnica em julho e agosto com retomada em outubro, quando
já terá passado a combinação de sazonalidades
que pode até levar a inflação à variação
negativa em junho e muito baixa em julho e agosto", avalia Tatiana Pinheiro,
economista do Santander, para quem a alta da inflação no
último trimestre tende a mobilizar o Copom com foco em 2012. "As
ações do BC devem ser condizentes com o discurso que vem
indicando o compromisso de fazer a convergência da inflação",
completa a economista que trabalha com Selic de 13% no fim do ano.
Com arrefecimento da atividade e metas fiscais cumpridas, ciclo de
aperto pode ser encerrado em junho
O BNP Paribas , a Rosenberg Consultores Associados e a Tendências
Consultoria trabalham com projeção de 13% em dezembro; e
o Banif projeta 13,25%. Mauro Schneider, economista-chefe do Banif, pondera
que no cenário básico a aplicação do gradualismo
por um 'período suficientemente prolongado para garantir a convergência
da inflação para meta em 2012' significa que a Selic provavelmente
continuará a ser elevada em 0,25 ponto, Copom após Copom,
passando por 13,25% no final de 2011 e chegando a 13,50% no início
de 2012. "Esse cenário está relacionado à força
do mercado de trabalho e ao risco de elevação generalizada
dos salários", afirma.
Para Marcelo Gusmão Arnosti, gerente da divisão de macroeconomia
da BB DTVM, para quem a Selic chegará a 12,75% até dezembro,
o fraco resultado da produção industrial de abril, em queda
de 2,1%, não alterou a perspectiva para a política monetária.
Ele entende que os riscos inflacionários ao longo do segundo semestre
são
a persistência ainda relativamente elevada dos núcleos e índices
de difusão; a reduzida ociosidade no mercado de trabalho com a possibilidade
de que os custos salariais, já corrigidos pela produtividade, acelerem
consideravelmente; e as expectativas de inflação ainda distantes
das metas, limitando a melhora inflacionária mesmo sob a desaceleração
do PIB.
Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, concorda com Arnosti
e acrescenta entre os riscos inflacionários o peso das tarifas públicas
que sofrerão os efeitos dos índices de preços no atacado
que, em 12 meses, devem superar 10% até o final do ano.
O Bradesco integra o grupo majoritário de 19 instituições
que espera Selic de 12,50% em dezembro. Octávio de Barros, diretor
do departamento de pesquisas e estudos econômicos da instituição,
não tira a razão dos colegas que estão questionando
o cumprimento da meta de inflação em 2012 pelo efeito salário
mínimo e pelo impacto dos dissídios. "A preocupação
é legítima. Porém eu não vejo porque isso não
possa ser acomodado na meta de 4,5%. A economia está desacelerando
e prevemos um PIB do segundo trimestre correndo a 0,8% em relação
ao primeiro trimestre. Estamos também revisando para baixo o PIB
de 2012 de 4,5% para 4%. O carry-over de 2011 para 2012 será baixo
e isso explica nossa revisão para baixo do PIB do ano que vem. Com
a economia desacelerando, o poder negocial dos sindicatos dificilmente
será o mesmo no segundo semestre em relação ao que
assistimos até aqui neste ano. Com dois aumentos de 0,25 ponto,
com uma política fiscal cumprindo mais do que a meta genuína
de R$ 118 bilhões de primário e com o crédito crescendo
entre 13% e 15% nesse ano, não me parece um grande desafio chegar
no centro da meta em 2012. Não se pode descartar que, em um cenário
frustrante, o aperto de juros peça mais rodadas de 0,25%. Mas esse
não é o cenário base do Bradesco."
Fábio Akira, economista-chefe do J.P. Morgan, está na
mesma corrente e atento às pressões salariais. Em contrapartida,
afirma o economista, o cenário externo - que vem sendo enfatizado
pelo Copom - deverá continuar no centro das atenções,
principalmente se a fraqueza da economia americana levar o Federal Reserve
a anunciar a terceira rodada de afrouxamento monetário, com mais
impulso às commodities e aumento do fluxo de dólar para emergentes
e Brasil.
Bráulio Borges, economista-chefe da LCA Consultores também
vê Selic a 12,50% em dezembro. Ele pondera que a economia rodará
cerca de três meses com alívio da inflação para
além da sazonalidade típica do período, graças
à descompressão de combustíveis e alimentação.
E acrescenta que alguns itens menos voláteis também surpreendem
para baixo. José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe
do Banco Fator, relata que os riscos para a inflação são
os de sempre: velocidade de desaceleração da economia e do
crédito, eventuais pressões no mercado de trabalho e commodities.
"A parte fiscal vai indo muito bem, mas ainda há desconfiança,
principalmente se o tal mercado fizer a associação altamente
questionável entre [o ministro da Casa Civil] Antonio Palocci e
racionalidade econômica", comenta Gonçalves.
Felipe Tâmega, economista-chefe do Modal, está no grupo
de quatro instituições que espera para a semana que vem a
última alta da Selic em 2011. Ele pondera que o cenário é
de desaceleração econômica. "Acreditamos que as metas
fiscais estão sendo entregues e o crédito está se
desacelerando. Com a inflação baixando e a atividade dando
sinais cada vez mais claros de desaceleração, não
haverá muito porque não parar o ciclo de juros muito em breve."
(Angela Bittencourt - Valor Online)
03.06 - Inflação enganadora
Preços dão sinal de queda, mas nada sugere relaxamento
São bons os sinais de que a corrida dos preços começa
a ceder. Dois índices que medem semanalmente a inflação
no varejo, divulgados ontem, confirmaram as expectativas mais otimistas
de queda geral nos preços. O tradicional Índice de Preços
ao Consumidor (IPC-S), calculado pela Fundação Getulio Vargas
para a quarta quadrissemana de maio, desacelerou nas sete capitais em que
é medido. E o índice semelhante, medido pela Fundação
Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que tinha assustado com
uma alta de 0,70% em abril, fechou maio ainda em alta, mas forte redução
para 0,31%. O grupo alimentação, tradicional vilão
do custo de vida no país, depois de vários meses pressionado
pelos preços internacionais das commodities agrícolas e por
efeitos sazonais do clima em algumas regiões do país, cedeu
mais do que o previsto. O IPC da Fipe, por exemplo, mostra que os preços
desse grupo tinham registrado alta de 0,46% em abril, baixaram para 0,34%
na terceira quadrissemana e, por fim, fecharam o mês com elevação
de 0,19%.
A pressão de demanda, movida pela firme disposição
do consumidor de ir às compras, até abril não dava
sinais de arrefecimento, o que levou a maioria dos especialistas a esperar
pelo pior em relação à inflação acumulada
no fim deste ano. Quase ninguém duvidava que o aumento dos preços
ultrapassaria o teto admitido para 2010, de 6,5%, dois pontos acima do
centro da meta definida pelo governo, por meio do Conselho Monetário
Nacional (CMN). Mas preços que vinham em disparada desde o ano passado,
como o da carne bovina, do leite e de produtos lácteos, surpreenderam
até mesmo os agentes desses mercados. Os economistas da Fipe, acostumados
ao cálculo da inflação, esperavam alta de pelo menos
0,23% em maio para os preços da carne. No entanto, eles não
foram além de 0,13%. O leite apresentou variação ainda
mais distante das estimativas: alta de 2,72% em vez dos 3,13% projetados.
Mas, mesmo com expectativas mais otimistas para junho, nada aconselha
o relaxamento da vigilância. É verdade que já bateu
na ponta mais rápida do varejo, os supermercados, o desaquecimento
do consumo: as vendas do setor pararam de crescer e perderam fôlego
em maio. Mas é equivocada a ideia de que a inflação
está controlada e que a curva da média dos preços
vai se manter em queda. As medidas chamadas de macroprudenciais de contenção
do ritmo da atividade econômica estão, de fato, fazendo efeito.
Mas há bombas-relógio armadas para os segundo semestre, em
forma de indexação de tarifas e, principalmente, de negociações
salariais de grandes categorias trabalhadoras. Mesmo que o governo consiga
evitar o avanço verificado nos dois últimos anos em seus
custos com o funcionalismo, o país ainda paga o preço de
não ter feito o capítulo das indexações e o
das reformas estruturais do dever de casa. Portanto, ainda vai depender
da habilidade do governo em conduzir as políticas monetária
e fiscal para o país comemorar o Natal sem o constrangimento de
fechar 2010 com o teto da inflação estourado depois de vários
anos de sucesso no combate ao dragão da maldade inflacionária.
É esse o mais cruel dos impostos sobre os mais pobres e, bem diverso
do que pregam alguns candidatos a mágicos da economia, assim como
na gravidez, para o salário do trabalhador não existe meia
inflação. (Estado de Minas)
02.06 - Moodys reduz nota da Grécia em três níveis
País é o pior do ranking europeu, atrás de Montenegro
A agência de classificação de risco Moody"s reduziu
ontem em três níveis a nota da Grécia de "B1" para
"Caa1", ecoando os temores sobre a insolvência do país. A
agência, que já havia anunciado sua preocupação
com uma possível reestruturação da dívida grega
e admitiu possíveis cortes na classificação do país,
colocou a avaliação sobre dívida soberana - em moeda
local e estrangeira - sob perspectiva negativa, o que indica que pode haver
novas reduções no rating.
Segundo a Moody"s, Atenas provavelmente não conseguirá
superar a crise "sem uma reestruturação da dívida,
levando em conta os desafios cada vez maiores que o governo grego enfrenta,
as perspectivas de crescimento altamente incertas e um histórico
de maus resultados em relação aos objetivos de consolidação
orçamentária".
A redução do rating também se deve à tendência
de que União Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário
Internacional exijam, como pré-condição de ajuda,
a participação de credores privados na reestruturação
da dívida grega.
Na avaliação da Moody"s, a Grécia está
a quatro posições de distância do grau de investimento
e abaixo de Montenegro, ocupando agora a pior posição entre
os países europeus. (O Globo)
02.06 - Inflação desacelera nas 7 classes do IPC-S
Todas as sete classes de despesas usadas para cálculo do Índice
de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) apresentaram desaceleração
de preços entre e a terceira e a quarta quadrissemana de maio, informou
quarta-feira a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O indicador,
considerando todas as classes, registrou inflação de 0,51%
em maio.
Os destaques partiram de dois grupos: Alimentação (de
1,27% para 0,47%) e Transportes (de 1,04% para 0,01%). Isso ocorreu porque
estas classes de despesas foram beneficiadas por taxas de inflação
mais fracas em produtos de peso no cálculo da inflação
varejista, como hortaliças e legumes (de 6,84% para 3,08%) e gasolina
(de 3,81% para 0,75%), respectivamente.
Os outros grupos que apresentaram desaceleração de preços
no período foram Saúde e Cuidados Pessoais (de 0,88% para
0,60%), Habitação (de 0,91% para 0,83%), Vestuário
(de 1,04% para 0,71%), Despesas Diversas (de 0,46% para 0,19%) e Educação,
Leitura e Recreação (de 0,27% para 0,19%).
A FGV informou ainda que, entre os produtos pesquisados para cálculo
do IPC-S de até 31 de maio, os aumentos mais intensos foram apurados
nos preços de taxa de água e esgoto residencial (3,22%),
tomate (12,58%) e tarifa de eletricidade residencial (1,34%). Já
as mais expressivas quedas de preços foram registradas em álcool
combustível (baixa de 11,25%), laranja pera (queda de 13,70%) e
cenoura (recuo de 7,75%). (Alessandra Saraiva - Agência
Estado)
02.06 - FGV espera desaceleração sem repetir deflação
de 2010
O cenário para o Índice de Preços ao Consumidor-Semanal
(IPC-S) nos próximos três meses é de desaceleração,
mas não deve haver deflação em maio, junho, e julho,
como foi observado no ano passado. Segundo Paulo Picchetti, coordenador
do indicador da Fundação Getulio Vargas (FGV), é improvável
que se repitam as quedas do índice registradas no meio de 2010 (que
foram de -0,21%, -0,21% e -0,08%, em junho, julho e agosto, respectivamente)
porque o momento atual da economia é diferente do ano passado. "Naquela
época de 2010, houve deflação de alimentos e a economia
não tinha entrado em trajetória de aquecimento", disse.
Para os três meses seguintes, o economista projeta um IPC-S médio
em torno de 0,35%, menor do que a taxa de 0,5% verificada em 31 de maio.
"Mesmo com um possível choque de oferta de alimentos, essa projeção
é realista e favorável." Os mesmos itens que puxaram o índice
para baixo na leitura atual - em 22 de maio, ele estava em 0,96% - vão
continuar a exercer efeito benigno entre junho e agosto, afirmou Picchetti.
O grupo alimentação, que desacelerou de 1,27 para 0,47%
entre a terceira e a última semana de maio, continuará nessa
trajetória devido ao aumento da oferta interna com a normalização
da produção de alimentos in natura, e também à
queda das commodities no mercado externo. O grupo transportes, que recuou
de 1,04 para 0,01% na última leitura, continuará a ser favorecido
pelo álcool combustível, que ainda seguirá em deflação,
e pela gasolina, que terá desaceleração maior.
Picchetti destacou, no entanto, que os itens alimentação
e transportes não explicaram, sozinhos, a atual desaceleração
do IPC-S. "O item alimentos respondeu por 0,26 ponto percentual da queda
[de 0,45 p.p.], e combustíveis, por 0,13 p.p., mas eles não
explicam tudo. A boa notícia é que a queda foi disseminada
em todos os itens." (Arícia Martins - Valor Online)
01.06 - Previdência Privada para crianças
Conheça a modalidade de seguro que pode garantir o futuro de
seus filhos
O ano de 2011 já registra um aumento de 58% na procura do benefício
oferecido pelas seguradoras por meio da Seguralta, corretora que explica
como funciona este tipo de previdência, suas opções
e os benefícios para os responsáveis pelo investimento e
futuros beneficiários
Com os problemas enfrentados pela Previdência Social (INSS) no
Brasil, devidos em grande parte ao envelhecimento da população
e ao aumento da expectativa de vida, muitos brasileiros passaram a se preocupar
mais com o futuro, tanto para garantir uma velhice tranquila quanto para
assegurar os estudos ou início de carreira dos filhos.
Segundo Nilton Dias, consultor de seguros da Seguralta, esses fatores,
associados a uma melhoria nos índices econômicos e no nível
de renda, levaram uma maior parte da população a procurar
por investimentos em previdência privada. “A população
passou a ter acesso a novos mercados, o que tem gerado aumento significativo
na procura por produtos que permitam uma maior tranquilidade, principalmente
no que se refere ao futuro dos filhos”, explica. Segundo Dias, a procura
por Previdência Privada Infantil, que vem justamente atender a esta
demanda, cresceu, só no início de 2011, 58% em relação
ao ano anterior.
Mas como funciona este tipo de previdência? No que ela se diferencia
da previdência privada tradicional? Quais são as vantagens
em relação a uma caderneta de poupança?
A Seguralta, única franquia de corretoras de seguros no Brasil,
tem especialistas em todo o País que podem ajudar com estas e outras
questões. Abaixo, Nilton Dias explica como funciona e as opções
disponíveis hoje no mercado:
A Previdência Infantil é um investimento voltado a pessoas
de 0 a 17 aos, reunindo segurança e rentabilidade. Com ele, você
garante uma boa reserva em dinheiro para a faculdade ou início da
carreira do seu filho.
Qualquer criança pode ser beneficiária do plano: filho,
neto, sobrinho, afilhado etc. Quando a criança completa 18 anos,
ela passa a ser automaticamente a titular do Fundo, podendo administrá-lo
da forma que achar mais conveniente. Pode-se optar por uma retirada mensal,
uma retirada do montante total ou até migrar para um plano de previdência
tradicional, já pensando na aposentadoria.
Como no plano de previdência tradicional, pode-se optar por dois
modelos, VGBL ou PGBL. No primeiro, o responsável não poderá
deduzir o montante investido do Imposto de Renda, e a tributação,
realizada na retirada, recai somente sobre os rendimentos. Já no
plano PGBL, o responsável pode deduzir do IR, em até 12%
da renda, bastando que o menor seja seu dependente econômico.
Algumas vantagens podem ser destacadas em relação aos
planos tradicionais. A primeira delas é o fato da previdência
poder ser contratada em nome de crianças desde o seu nascimento.
Quanto antes forem iniciadas as contribuições, maior o saldo
quando o menor atingir a maioridade. De forma similar a outras previdências
privadas, os pais ou responsáveis podem depositar uma quantia qualquer
de dinheiro ou mesmo fazer aplicações esporádicas,
isto é, aplicar uma quantia maior uma única vez, aumentando
o montante final.
Outra vantagem é a contribuição mínima.
Enquanto num plano tradicional é de R$ 100,00, numa previdência
infantil pode-se iniciar com apenas R$ 50,00.
Com relação à poupança, antigamente o investimento
tradicional dos pais para garantir o futuro de seus filhos, normalmente
a previdência rende mais. Mas, segundo Dias, isto depende do investimento
escolhido. “Se a opção de contratação for por
um investimento mais agressivo, com a maior parte em ações,
por exemplo, pode ser que o rendimento seja menor que a poupança
ou até mesmo que não haja rendimento”, alerta. Nestes últimos
12 meses, o rendimento médio da previdência foi de 9,39% e
no mês de março foi de 0,78%, enquanto que a poupança
rendeu 0,62%.
Uma opção para garantir ainda mais o futuro de seus filhos
ou dependentes é a contratação do Pecúlio por
Morte. Assim, em caso de falecimento do responsável financeiro,
o menor receberá o valor correspondente ao seguro de vida.
(Jornal da Mulher)
01.06 - Refresco para o investidor?
Depois de meses prejudicando o desempenho das aplicações
financeiras, o incômodo bode da inflação dá
sinais de que pode estar saindo da sala de estar do investidor brasileiro.
E sem o fantasma do descontrole inflacionário, alimentado por dúvidas
sobre a eficácia da atuação do Banco Central (BC),
a bolsa pode finalmente se ver livre para refletir, pelo menos em parte,
o bom resultado das empresas e os preços das commodities no mercado
internacional, apontam analistas ouvidos pelo Valor. "A queda das expectativas
de inflação ainda não se refletiu totalmente na bolsa",
diz Luiz Gustavo Medina, sócio do escritório de aconselhamento
financeiro M2 Investimentos.
Ele lembra que o boletim Focus, levantamento do BC com as perspectivas
de mais de cem instituições financeiras, mostra que, nas
últimas quatro semanas, a projeção para a variação
do IPCA (inflação oficial) este ano recuou de 6,37% para
6,23%, afastando-se do teto da banda da meta perseguida pelo BC, de 6,5%.
"Logo teremos a boa notícia de não há mais riscos
de estourar o teto da meta, esta tragédia vai ser evitada", diz
Medina. "E quando isso ficar claro, essa sombra que paira sobre a bolsa
desde janeiro vai sair de cena, trazendo um grande ganho para o mercado
de ações".
Depois de tombar 3,58% em abril, o Índice Bovespa perdeu mais
2,29% em maio, acumulando desvalorização de 6,76% em 2011
- o que faz da bolsa a última colocada no ranking dos investimentos
do ano. Em maio, a bolsa ficou na penúltima colocação,
atrás apenas do euro, com queda de 2,54% em relação
ao real.
Na ponta oposta, as aplicações conservadoras apresentaram
as melhores rentabilidades no mês passado. Segundo estimativas da
Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro
e de Capitais (Anbima), os fundos de renda fixa devem fechar maio com rentabilidade
média de 1,09%, o melhor desempenho entre todas as aplicações.
Em segundo lugar, aparecem os fundos referenciados DI, com ganhos de 1,02%.
Os Certificados de Depósito Bancário (CDB) renderam em média
0,94% em maio, e as cadernetas de poupança, 0,66% (rendimento líquido).
"A renda fixa já tem um ganho nominal bom com a alta da Selic, e
agora terá rendimento real melhor com a queda da inflação",
diz Medina.
Mesmo com o rendimento gordo oferecido pelas aplicações
conservadoras, graças à taxa Selic de 12% ao ano - e em trajetória
de alta -, ele acredita que vale a pena olhar para a bolsa. Os resultados
das empresas brasileiras, como aumento espetacular de 292% do lucro líquido
da Vale, na esteira da alta do minério de ferro, mostram que as
ações domésticas são promissoras.
A recuperação do Ibovespa na última semana de
maio, diz Medina, já seria um sinal de que o mercado percebeu que
a queda foi muito longe quando se leva em conta os fundamentos das empresas
e da economia brasileira. Além da superação da questão
da inflação, outros problemas que afugentavam os investidores,
sobretudo os estrangeiros, do mercado local estão ficando para trás.
É caso da troca de comando da Vale, com forte ingerência do
governo, que deve aos poucos ser superada, e a pressão do mercado
para que a Petrobras aumentasse o preço da gasolina, que está
diminuindo "Além disso, com a queda da inflação, é
menor a chance de novas medidas macroprudenciais, o que deixa o caminho
livre para ações dos bancos", diz Medina. "Isso tudo contribui
para uma perspectiva melhor para a bolsa em junho", afirma.
Com esse cenário, a área de wealth management (gestão
de fortunas) do banco BTG Pactual está começando a recomendar
aos seus clientes o aumento da aplicação em bolsa. Segundo
Rogério Pessoa C. de Albuquerque, um dos responsáveis pela
área,
o cenário mudou em relação ao início do ano.
"Havia uma recomendação para o cliente reduzir o investimento
em ações, pois o cenário para a inflação
era incerto, havia uma oferta extra de papéis de novas empresas
entrando no mercado e o estrangeiro estava tirando o pé da bolsa
brasileira, atraído pela recuperação projetada da
economia americana", lembra. Com isso, a Bovespa fico bem para trás
em relação à similar americana.
Agora, o cenário mudou, a recuperação dos Estados
Unidos não parece ser tão forte e a inflação
aqui parece estar arrefecendo. "E os lucros das empresas brasileiras cresceram,
tornando o mercado local mais atrativo em termos de preço que outros
países similares", diz Albuquerque. "Por isso, resolvemos há
uma semana que, para o investidor com visão de longo prazo, já
achamos interessante montar uma posição em ações",
diz Renato Cohn, que divide com Albuquerque o comando da área.
Para Albuquerque, pode ser que a bolsa brasileira ainda caia um pouco
mais, mas o risco hoje é menor e a tendência de longo prazo
é de recuperação. "Podemos perder mais uns 3%, mas
daqui um ano acreditamos que a bolsa deverá ter subido mais de 12%",
diz. Para clientes mais conservadores, a sugestão são notas
estruturadas, ou fundos de capital protegido, que capturam parte dos ganhos
sem o risco de uma perda maior.
O alívio do lado da inflação nos próximos
meses deve retirar a principal barreira doméstica para a alta da
bolsa apenas temporariamente, alerta o economista Rodrigo Constantino,
sócio da gestora de recursos Graphus Capital. "Se o BC afrouxar
o discurso de combate à inflação ou interromper a
alta dos juros antes da Selic chegar perto de 13% [hoje está em
12%], a inflação vai piorar novamente e a bolsa voltará
a sofrer no médio prazo", afirma Constantino.
No curto prazo, contudo, o sócio da Graphus acredita que o Ibovespa
pode superar novamente a casa dos 66 mil pontos, na esteira do alívio
sazonal da inflação. Isso significa a possibilidade de o
investidor embolsar ganhos de cerca de 3% em um período de um ou
dois meses. "Esse é sem dúvida um bom momento para ir adicionando
um pouco mais de risco à carteira", afirma Constantino. (Antonio
Perez e Angelo Pavini - Valor Online)
01.06 - Inflação já ganha da bolsa e da poupança
Rendimentos de fundos de ações e do ouro também
perdem
Os investimentos mais conhecidos pelos brasileiros, a bolsa de valores
e a poupança, levaram uma surra da inflação nos cinco
primeiros meses do ano. Frente a essas duas modalidades, a carestia foi
imbatível. Com um Índice de Preços ao Consumidor Amplo
(IPCA) acumulando 3,7% até maio, quem colocou o dinheiro na poupança,
cujo rendimento foi de 3,34% no período, ficou no prejuízo.
Na bolsa, a perda foi maior ainda. O Ibovespa, principal indicador do mercado
brasileiro, amargou prejuízo de 2,29% em maio e de 6,76% no ano.
Para Márcio Cardoso, diretor da Título Corretora de Valores,
a bolsa está perdendo porque investidores estão vendo um
cenário de Brasil menos otimista. “No caso dos brasileiros, há
uma certa instabilidade devido a turbulências políticas e
inflação elevada. Para os estrangeiros, há preocupações
com a crise na Grécia e de como ela vai repercutir pelo mundo”,
justificou Cardoso. Ainda assim, segundo ele, para quem deseja colocar
dinheiro na Bovespa, este pode ser um bom momento, desde que o objetivo
do poupador seja de longo prazo. “Aconselho que invista quem puder esperar
de três a quatro anos.”
Ficaram também no vermelho neste primeiro semestre os fundos
de renda variável ligados ao Ibovespa (prejuízo de 2,88%
em maio e de 5,40% no ano) e o ouro (-0,88% e -3,90%). Até mesmo
quem tinha o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) investido
na Petrobras e na Vale, aplicações avaliadas por especialistas
como excelentes, entrou para o time dos que registraram prejuízos.
No caso da petrolífera, a perda ficou em 5,60% no mês e 10,12%
no ano. Na mineradora, a rentabilidade foi negativa em 3,28% em maio e,
no acumulado de 2011, derreteu 8,36%.
TAXA DE JUROS DÁ VALORIZAÇÃO
O alento dos investidores foram as aplicações atreladas
à taxa básica de juros (Selic) ou as que são influenciadas
por ela. Os fundos DI, por exemplo, rendera em maio 0,87% e 4,43% no ano,
ou seja, superaram a inflação e deram algum resultado. Os
de renda fixa também acompanharam essa trajetória, com rentabilidade
de 0,85% no mês e 4,36% no acumulado de 2011. “Tudo o que está
pagando próximo à Selic está interessante. Os campeões
são os títulos pós-fixados (cujo rendimento é
combinado no ato da compra)”, avaliou Alan Soares, consultor de investimentos
da Trader Brasil Escola de Investidores. As Letras do Tesouro Nacional
pós-fixadas e indexadas à Selic pagara 0,88% em maio e 4,45%
no ano. “Não existe receita de bolo para investir. É preciso
estudo e o acompanhamento de um profissional”, aconselhou Soares.
(Victor Martins - Estado de Minas)
31.05 - Ex-dono do Mappin, do Crefisul e da Mesbla é condenado
Segundo a Justiça Federal, Ricardo Mansur mantinha gestão
fraudulenta
O empresário Ricardo Mansur, ex-dono do Mappin e do banco Crefisul,
foi condenado em duas ações pela Justiça Federal a
11 anos e meio de prisão por gestão fraudulenta nas duas
empresas. Além de praticar desvios à frente da tradicional
loja de departamentos, por meio da Mappin Sociedade de Previdência
Privada (MSPP) e do banco, Mansur, que também era dono da Mesbla,
foi considerado culpado por tentar enganar “os órgãos controladores”,
como o Banco Central.
As sentenças, do juiz Marcelo Costenaro Cavali, da 6ª Vara
Criminal Federal de São Paulo, foram proferidas no último
dia 6 e referem-se a atos cometidos entre 1998 e 1999, período no
qual Mansur presidia o Mappin e detinha o controle acionário do
Crefisul. As empresas foram liquidadas naquele mesmo ano, indo à
falência posteriormente.
Mansur foi condenado a partir de denúncias feitas pelo Ministério
Público Federal (MPF). No processo referente ao Crefisul, ele foi
denunciado com seis sócios. Os promotores do MPF apresentaram provas
de que Mansur realizou um saque de R$10 milhões um dia antes da
intervenção do BC no banco, que já apresentava R$120
milhões de passivos a descoberto. Nesse caso, foi condenado a cinco
anos e meio de reclusão. Dois executivos do banco receberam penas
de quatro anos, cada.
No processo sobre a empresa de previdência do Mappin, o juiz
afirma ter ficado evidente a “prática de fraudes diversas, como
a concentração de investimentos em empresas do próprio
grupo e em volumes muito acima dos permitidos pela regulamentação”.
“Tais limites foram ampla e escancaradamente desrespeitados”, escreveu
o juiz Cavali, que estima em R$407,5 milhões os prejuízos
causados por Mansur apenas com a quebra do Crefisul.
Marcelo Rocha Leal Gomes de Sá, advogado de Mansur, tentou isentá-lo
de responsabilidade pelas fraudes argumentando que ele não ocupava
função executiva nem na MSPP nem no Crefisul. Tese que foi
rechaçada pelo magistrado nas sentenças da seguinte forma:
“O que se pode apurar é que o acusado Ricardo Mansur utilizou-se
de seu poder de mando em todo o Grupo Mappin — e especialmente no âmbito
do banco Crefisul —, para determinar aos administradores da instituição
financeira a realização de uma série de operações
fraudulentas. Era ele quem detinha o domínio do fato, o domínio
das ações dos demais corréus”.
Mansur ainda é réu em outros processos que tramitam na
Justiça Federal e, apesar das duas condenações, pode
recorrer em liberdade. (Ronaldo D’Ercole - O Globo)
31.05 - Fazenda projeta PIB de 4,5% em 2011
O Ministério da Fazenda reduziu as projeções de
crescimento da economia brasileira nos próximos quatro anos. O boletim
"Economia Brasileira em Perspectiva", relativo ao primeiro bimestre deste
ano, prevê que a expansão média entre 2011 e 2014 será
de 5,1%. Na edição especial do boletim, divulgada em março
deste ano para um balanço da atividade econômica em 2010,
a previsão do Ministério da Fazenda era de um crescimento
médio de 5,9% nos quatro anos. A estimativa de alta do PIB para
2011 caiu de 5% para 4,5%. Para 2012, a projeção foi reduzida
de 5,5% para 5%. Em 2013 e 2014, o Ministério da Fazenda espera
um crescimento econômico de 5,5%, ante os 6,5% projetados anteriormente.
O boletim destaca ainda o início, em 2010, da retirada de estímulos
adotados para enfrentar a crise financeira internacional. Ressalta ainda
a adoção de medidas macroprudenciais para assegurar o ritmo
sustentável de crescimento, evitando a criação de
desequilíbrios internos e externos. "Como resultados dessas medidas,
a economia brasileira cresceu abaixo do seu potencial nos últimos
dois trimestres do ano passado e deve continuar desacelerando em 2011,
fechando o ano com expansão de 4,5%", afirma a Fazenda, no documento.
"Os primeiros dados de 2011 sobre a atividade econômica ainda
não mostram de maneira clara o ritmo dessa desaceleração
esperada, por causa das defasagens envolvidas nas medidas adotadas e também
em virtude das mudanças estruturais em andamento na economia brasileira",
completa. O Ministério da Fazenda afirma que, mesmo com a expansão
da atividade econômica mais moderada em 2011, a média do crescimento
para os próximos anos deverá ser superior às verificadas
recentemente, por conta da elevação da capacidade produtiva
brasileira.
O relatório "Economia Brasileira em Perspectiva" é publicado
bimestralmente pela Secretaria de Política Econômica (SPE).
O documento consolida e atualiza as principais variáveis macroeconômicas
resultantes da condução da política econômica.
O documento está publicado no site do Ministério da Fazenda
(www.fazenda.gov.br). (Renata Veríssimo - Agência Estado)
30.05 - O acionista majoritário no Brasil
NotíciaComentários(1)CompartilheMais notíciasAA0O
acionista majoritário no Brasil, nas empresas consolidadas e de
bons resultados, assemelha-se mais a um sultão com direitos a benesses
ilimitadas do que a um dirigente empresarial.
Conquanto a chamada Lei das SAs atribua ao controlador deveres para
atingir o objeto social, a grande maioria deles, especialmente nas maiores
corporações, torna-se delas senhor absoluto, originando práticas
exorbitantes aos interesses da empresa e em prejuízo particular
dos acionistas e da própria companhia.
O país precisa rever sua legislação para alinhá-la
à gestão ética, o que favorecerá os resultados
de uma associação anônima em seu comércio de
bens ou serviços.
Os jornais estampam, vez por outra, os bens dourados de consumo que
acionistas majoritários ou controladores exibem para a alegria e
o orgulho de cada um, para o espanto de outros e para a humilhação
da imensa e pobre população brasileira. Ora, convenhamos,
não é absolutamente exigível que um empresário
presumivelmente vitorioso careça de um jato de última geração,
nem de uma embarcação luxuosa com que generosamente divide
maravilhosos momentos e paisagens com seus eleitos, nem de apartamento
em Paris ou Miami para gozo de frequentes e alegres temporadas, o que,
ainda, não fecha o círculo das verdadeiras travessuras e
agressões à sociedade.
O recente "crack" da economia norte-americana, na sua catarse, mostrou
e condenou os altos salários e o excessivo luxo com que viviam executivos
da indústria automobilística, o que levou o governo, em pleno
regime de tradicional e assumida economia livre, a intervir nas companhias
e obrigá-las a limitarem salários e a viajarem em aviões
de carreira.
Procedimentos que ocorrem na contramão da vontade e dos interesses
da companhia e de seus acionistas minoritários. A incorporação
de ganhos ao capital não é permitida pela legislação,
ao passo que não cuidou ela de impedir os excessos dos dirigentes,
ou mesmo a patrimonialização junto à pessoa jurídica
de bens de luxo desfrutados pelos majoritários, o que não
exprime lealdade para com os interesses da companhia.
Para a aquisição de bens de valor considerável,
como aviões, embarcações e imóveis, quando
processada em nome da pessoa jurídica, não deve o exame do
conselho fiscal cingir-se ao grau de conveniência, oportunidade e
possibilidade financeira. Sua responsabilidade deve ir além, questionando
a aquisição e a manutenção de tais bens com
as disponibilidades financeiras do adquirente, sem que isso possa representar
a invasão da competência da Receita Federal, cujo exame só
se verifica a "posteriori". Tudo para pronta defesa dos interesses da corporação
e dos acionistas. O que todos querem é uma governança corporativa
rigorosa e a compatibilização dos meios de transporte e dos
hábitos dos executivos à luz da ética e da boa razão.
Sinais exteriores de opulência e esplendor são indicadores
de má gestão. (JOSÉ MARIA COUTO MOREIRA
- O Tempo)
30.05 - Superconselheiros
Profissionais que fazem parte do conselho de administração
de um grupo de companhias, que inclui OGX, MPX, Bradesco, banco Cruzeiro
do Sul e Ambev, tiveram uma remuneração de fazer inveja aos
executivos mais bem pagos do país.
Um levantamento feito pelo Valor com dados de 189 empresas disponíveis
no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mostra que,
em alguns casos, a bolada individual dos conselheiros representou o dobro
da maior remuneração paga nas diretorias das empresas nas
quais trabalham e até dez vezes mais que o pagamento médio
feito aos seus pares do conselho. Nesse grupo, pagamentos de conselheiros
estão perto R$ 1 milhão por ano, mas podem superar R$ 10
milhões.
A pesquisa inclui as maiores companhias de capital aberto do país
que divulgaram dados sobre remuneração até 15 de abril.
Não entraram na amostra as 39 empresas, como Itaú e Vale,
que usam uma liminar para não revelar parte dos números,
sob o argumento de que a publicação coloca em risco a segurança
dos executivos. A CVM passou a exigir, a partir de 2010, a publicação
da remuneração máxima, média e mínima
dos administradores das empresas no chamado Formulário de Referência.
A decisão foi resultado do embate entre a autarquia e as empresas,
que preservou em parte os profissionais ao mesmo tempo que permitiu aos
acionistas identificar eventuais distorções.
Para profissionais especializados em contratação de administradores
de alto escalão ouvidos pelo Valor, a remuneração
milionária destoa do valor praticado pelas empresas de mesmo porte
- algo entre R$ 30 mil e R$ 35 mil por mês, ou cerca de R$ 400 mil
por ano.
"A remuneração de R$ 400 mil é paga a profissionais
proeminentes, que podem ter ocupado cargos de prestígio em grandes
empresas e no governo", diz o headhunter Dárcio Crespi, sócio
da Heidrick & Struggles.
"O bom senso diz que a remuneração do conselheiro deve
ser proporcional ao tempo dedicado à empresa. Por isso, sua remuneração
nunca deve ser maior que a do principal executivo", diz o consultor Antônio
Carlos Martins, especializado em recrutamento de administradores.
Todas as empresas mencionadas no quadro foram procuradas. Bradesco,
Ambev, Randon, Bombril, Tractebel e Usiminas não quiseram comentar.
OGX e MPX, controladas pelo empresário Eike Batista, pagaram
R$ 50,1 milhões e R$ 6,8 milhões a conselheiros. As empresas
informaram, porém, que esses valores não constituem remuneração
da função de membro do conselho. Os valores foram pagos a
um ex-executivo do grupo, que também era membro do conselho e exerceu
a opção de vender ações concedidas por Eike
Batista.
A maior remuneração do conselho do banco Cruzeiro do
Sul, em 2010, foi R$ 5,2 milhões, 68% maior que a principal remuneração
da diretoria, de R$ 3,1 milhões.
Em nota, o banco diz que adota as melhores práticas de governança
e que seus colaboradores contribuem para os "ótimos resultados"
da instituição. Segundo o Cruzeiro do Sul, "a justa remuneração
a todos os funcionários, diretores e conselheiros é consequência
de tudo isso".
Na BM&FBovespa, a remuneração do presidente do conselho,
Armínio Fraga, é de R$ 1,4 milhão por ano, quatro
vezes maior que a média paga a seus pares. Segundo a assessoria
da empresa, há um pagamento fixo adicional semestral, equivalente
ao dobro do recebido no período. "O componente fixo tem por objetivo
compensar adequadamente os conselheiros pela sua participação
nas reuniões", informa nota da companhia.
A remuneração adicional do presidente do conselho de
administração é paga porque ele exerce um maior número
de funções. Entre suas atribuições, Fraga desempenha,
por exemplo, papel de representante institucional, além de presidir
as reuniões do conselho e das assembleias de acionistas.
O que está por trás da polêmica recorrente que
envolve salários é que as empresas que pagam esses valores
em geral têm controladores e pessoas ligadas a ele no conselho. Para
o especialista em governança Renato Chaves, essa situação
é um "disparate", uma vez que os controladores já recebem
dividendos de acordo com sua fatia nas empresas.
"O artigo 109 da Lei das S.A. equipara todos os acionistas quanto à
participação nos lucros sociais, de acordo com a classe de
ação possuída. O pagamento de altos salários
desvirtua essa relação."
Na Gerdau, por exemplo, quatro dos sete conselheiros remunerados são
da família controladora. O pagamento médio dos membros do
conselho somou R$ 4,6 milhões em 2010. Outros dois integrantes comuns
ao conselho e à diretoria foram remunerados apenas como diretores.
Em dividendos, o bloco de controle recebeu R$ 57 milhões no ano
passado.
Por meio da assessoria, a Gerdau diz que a diferença entre a
remuneração do conselho e da diretoria é decorrente
da forma de reporte dos números à CVM. "A CVM exige que seja
informada apenas a remuneração da diretoria estatutária,
no entanto, a empresa possui outros 65 diretores não estatutários,
cujo valor não faz parte do Formulário de Referência."
As empresas têm incorporado uma parte de remuneração
variável aos salários dos conselheiros, que vai na contramão
do que recomenda o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa
(IBGC).
Porém, há quem defenda a remuneração com
mais de sete dígitos para conselheiros, mesmo que sejam controladores.
Leonardo Salgado, diretor da empresa especializada em remuneração
Hay Group, defende que os conselheiros tenham pagamento até maior
que o de executivos, dependendo da responsabilidade.
"Em muitas empresas familiares, o papel do conselho não se resume
a opinar e cobrar o cumprimento de metas dos executivos. Mas, principalmente,
definir os rumos, como movimentos de fusões e aquisições",
diz Salgado. "Não raro, suas responsabilidades são maiores
que as dos executivos."
Aos olhos dos investidores, porém, a preocupação
nem sempre é o tamanho do salário. A atuação
ativa dos controladores no conselho pode disfarçar, por exemplo,
a dificuldade dos fundadores de sair do negócio. "Além de
desmotivar a contratação de executivos, essa atuação
pode ser um sinal de que a empresa não tem projeto de sucessão",
diz Isabella Saboya, sócia do Jardim Botânico Investimentos.
(Denise Carvalho e Fernando Torres - Valor Online)
30.05 - Analistas temem o controle de capitais
A adoção de controles de capitais, incentivada neste
momento por entidades como o Fundo Monetário Internacional (FMI),
pode fomentar uma guerra comercial entre os países. A advertência
foi feita por especialistas na sexta-feira, durante o segundo e último
dia do seminário promovido pelo FMI e o Ministério da Fazenda
sobre como administrar fluxos de capitais nos mercados emergentes. Para
o economista-chefe do Fundo, Olivier Blanchard, o controle de capitais
não é hoje um tema ideológico.
Uma das preocupações levantadas no seminário foi
a falta de coordenação mundial na adoção de
políticas de controle ao redor do mundo, o que pode fazer com que
as ações tomadas por alguns países afetem diretamente
outros. Além disso, foi comentada a possibilidade, à medida
que o instrumento de controle ganhe legitimidade, do seu uso apenas para
benefícios comerciais, a exemplo do que a China já faz.
Há ainda o risco, alertou um dos participantes do seminário,
de se usar o controle de capital para substituir medidas de política
macroeconômica. O uso de barreiras ao fluxo de dólares sem
fazer os demais ajustes necessários na economia local, como a adoção
de medidas macroprudencais e de aperto fiscal, poderia ser desastroso para
esses países, a exemplo do que ocorreu no passado.
Esse não é o caso do Brasil, enfatizou Nicolas Eyzaguirre,
diretor do Departamento de Hemisfério Ocidental do FMI. "O Brasil
parece ter um perfeito e consistente conjunto de instrumentos", disse em
entrevista após o evento. Segundo ele, o país tem hoje um
quadro macroeconômico muito mais consistente do que no passado e
adotou medidas de controle de capital em conjunto com um pacote de iniciativas
macroprudenciais.
De acordo com Olivier Blanchard, economista-chefe do Fundo, o tema
do controle de capitais ainda levanta muitas dúvidas, mas o seminário
mostrou que existem basicamente cinco instrumentos que devem ser usados
de forma coordenada para lidar com a entrada excessiva de recursos: política
monetária; política fiscal; medidas macroprudenciais para
fortalecer o sistema financeiro; acumulação de reservas,
como forma de intervenção no mercado de câmbio; e,
somente em último caso, controle de fato.
"É difícil ter pragmatismo porque são instrumentos
que nunca foram usados antes. Precisamos estar com a cabeça aberta
porque estamos na curva do aprendizado. É interessante ver o caso
do Brasil", afirmou Blanchard.
De fato, o Brasil está seguindo à risca a cartilha do
FMI. Todas as ações tomadas tanto pelo Banco Central quanto
pelo Ministério da Fazenda, que incluem restrições
ao crédito, recolhimento de depósito compulsório para
posições detidas no mercado de câmbio, consolidação
fiscal e a elevação do Imposto sobre Operações
Financeiras (IOF) sobre ingresso de recursos para operações
de prazo inferior a dois anos se enquadram nos cinco pontos citados por
Blanchard.
Apesar disso, alguns palestrantes criticaram o uso do IOF como instrumento
de controle de capital. Foi citado um estudo preliminar do MIT (Massachusetts
Institute of Technology), baseado em entrevistas com administradores de
recursos nos Estados Unidos, segundo o qual a taxação não
foi suficiente para reduzir o interesse dos aplicadores, que continuam
acreditando em retornos elevados, já que o Brasil se mostra atraente.
O que os controles adotados têm provocado é uma migração
para outros ativos e também para investimento direto.
De acordo com alguns entrevistados desse estudo, na verdade, a adoção
de medidas para reforçar a solidez do sistema e controlar o sobreaquecimento
pode inclusive levar o país a um patamar mais consistente e responsável
do ponto de vista regulatório, o que amplia ainda o interesse dos
investidores. Mas pode, também, trazer efeitos colaterais, como
a possibilidade de, no futuro, os aplicadores reverem a política
de investimento, dado o excesso de intervenção do Estado
no mercado.
A principal conclusão do seminário é que a adoção
de eventuais medidas de controle de capital não são uma questão
ideológica, mas, sim, uma necessidade técnica. Apesar disso,
essas ações precisam ser tomadas com muito pragmatismo, disse
Olivier Blanchard.
"A questão do controle de capitais é um problema técnico
e não uma visão ideológica", afirmou. Ele alertou,
no entanto, que é preciso ter cuidado, pois essas ferramentas ainda
são pouco conhecidas, uma vez que foram pouco usadas.
Alguns países passaram a adotar recentemente alguns desses instrumentos,
como o Brasil, que se vale de intervenções no mercado de
câmbio, com acumulação de reservas, e também
do controle efetivo da entrada de recursos, por meio da taxação
dos investidores estrangeiros. Outros países, como o Chile, preferiram
usar apenas intervenções, sem controle de capital. Outros,
como a Índia, não realizam nenhum tipo de intervenção.
Um alerta feito ao longo das apresentações é que
esse tipo de controle não é perfeito e está longe
de haver uma receita a ser seguida por todos. O fato de o Fundo não
impor uma regra mostra uma nova face do FMI. Segundo o secretário
de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Carlos Márcio
Bicalho Cozendey, os países do G-20 estão ganhando relevância
nas discussões.
Cozendey disse ainda que o Brasil não quer afastar o investidor
estrangeiro, mas, sim, impedir que os efeitos do excesso de capital prejudiquem
a economia. "No Brasil é novidade porque a gente sempre teve [até
o início dos anos 90] políticas procurando segurar o capital,
para não deixar o capital ir embora. Agora, temos políticas
para evitar que entre muito rapidamente, em excesso. Mas não é
para impedir a entrada de capital no Brasil, que é benéfica",
disse. (Fernando Travaglini - Valor Online)
27.05 - Seguros: Mercado cresceu 16,3% até abril
O mercado de seguros manteve em abril a tendência de crescimento,
comparado ao mesmo período do ano passado, embora com redução
do ritmo mantido até então, principalmente por ter havido
queda da receita em relação a março. Segundo dados
da Superintendência de Seguros Privados (Susep), as seguradoras faturaram
pouco mais de R$ 32,2 bilhões no primeiro quadrimestre do ano, com
crescimento de 16,3% em relação ao mesmo período do
ano passado, sem computar o seguro saúde, que está sob a
alçada da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Contudo, a soma apurada no mês de abril – pouco menos de R$ 7,9
bilhões – foi 5,6% menor que a registrada no mês de março
e apenas 9% maior que a computada em abril do ano passado.
Repetindo o que já fora verificado no primeiro trimestre, o
bom desempenho do setor foi favorecido pela queda da taxa média
de sinistralidade, de 51% para 46%, entre os quatro primeiros meses de
2010 e o mesmo período no atual exercício, apesar de os sinistros
retidos pelas seguradoras terem apresentado alta de 19,8%, para R$ 8,6
bilhões.
Isso significa que, nos quatro primeiros meses do ano, o mercado devolveu
para a sociedade, na forma de indenizações, benefícios
e resgates, algo em torno de R$ 71,6 milhões por dia, incluindo
finais de semana e feriados.
O ramo de automóveis voltou a ter um resultado bem mais tímido
do que a média do mercado. A receita apurada nessa carteira (excluindo
o seguro obrigatório, Dpvat) somou R$ 6,5 bilhões no acumulado
de janeiro a abril deste ano, apenas 5,8% a mais que no mesmo período
em 2010.
Entre as carteiras de porte médio, o seguro prestamista voltou
a registrar um desempenho bastante positivo, empurrado pelo aquecimento
do consumo. O volume de prêmios apurado nessa carteira – que cobre
o pagamento de dívidas em caso de morte ou perda de emprego pelo
segurado – ultrapassou a marca de R$ 1,4 bilhão no quadrimestre,
34,6% a mais do que nos três primeiros meses de 2010.
Outro resultado expressivo foi apurado com a comercialização
do seguro turístico ou de viagem. Neste caso, a receita apurada
no acumulado de janeiro a abril ficou em R$ 13 milhões, com crescimento
de 32,4%. (CQCS)
27.05 - Novo mercado de renda fixa e o investimento
Pouco mais de uma década após a bem-sucedida criação
do Novo Mercado da Bovespa, o 6º Seminário Anbima de Mercado
de Capitais foi dedicado ao oportuno lançamento do projeto do Novo
Mercado de Renda Fixa (NMRF) liderado pela Associação Brasileira
das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
A estrutura básica do projeto do NMRF dá início
a um processo de amplo debate da proposta elaborada com a participação
de entidades do setor privado e agentes de mercado e o apoio dos principais
órgãos federais da área, especialmente do Banco Central
(BC), da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O projeto
busca ampliar a proteção ao investidor, com aumento da transparência,
o uso de prospectos mais simples e compreensíveis e atualização
anual da classificação de risco.
As medidas focadas no aumento da liquidez do mercado secundário
- condição essencial para adequada precificação
dos papéis e a colocação de volumes substanciais de
títulos de longo prazo - mereceram atenção especial,
incluindo avanços na padronização dos títulos;
redução do valor de emissão; limites à concentração
e a criação de fundos de apoio e de garantia de liquidez.
Esse projeto se dá na sequência da Medida Provisória
517, de 30/12/2010, que iniciou nova política em favor do mercado
de dívida privada e propõe sua complementação,
mediante a racionalização de normas tributárias compatíveis
com a colocação de papéis de longo prazo, que não
impeçam sua liquidez e sua adequada precificação.
A ativação desse mercado - já reconhecida como
prioridade há alguns anos pelas entidades signatárias do
Plano Diretor do Mercado de Capitais - traduz o reconhecimento de que é
chegada a hora do sistema financeiro privado e, em especial, do mercado
de capitais assumir papel fundamental na mobilização de recursos
de longo prazo para o financiamento de investimentos.
O aumento do volume de financiamento depende da recuperação
da poupança do setor público
A maioria dos analistas concorda que a sustentação de
um crescimento de 4,5% a 5% ao ano nos próximos anos requer a elevação
da taxa de investimento dos atuais 18% a 19% para 21% a 25%. A poupança
interna da ordem de 16% do Produto Interno Bruto (PIB) é insuficiente,
como demonstra o surgimento do déficit em conta corrente. Existem
razões para acreditar que a elevação da poupança
interna no curto prazo é pelo menos improvável, fazendo com
que a complementação da poupança externa seja indispensável
nos próximos anos para manter o crescimento naqueles níveis.
Nas últimas três décadas, em média, a poupança
do setor público em relação à carga tributária
caiu cerca de 9,3 pontos percentuais (de +1,8% na década de 80 para
-7,5% na última década), enquanto que a poupança do
setor privado calculada em relação ao PIB líquido
da tributação se manteve praticamente constante em torno
de 27%. Dada a reconhecida inflexibilidade das despesas correntes e a magnitude
dos compromissos já assumidos, a recuperação da poupança
do setor público seria viável somente a médio e longo
prazo, na medida em que o aumento dessas despesas fosse inferior ao crescimento
do PIB.
A poupança do setor privado, de modo até surpreendente,
manteve-se relativamente estável em cenários econômicos
tão diferentes quanto os observados nas últimas três
décadas, o que também não autoriza esperar mudanças
significativas no curto prazo. Conclui-se que o financiamento dos investimentos
nos níveis mencionados envolve duas frentes: mobilização
e alocação de poupança e o financiamento do déficit
em conta corrente.
Não é difícil demonstrar que o desenvolvimento
do mercado de dívida privada oferece soluções superiores
às alternativas disponíveis em ambos os casos. O desenvolvimento
do mercado de dívida privada viabiliza o acesso de empresas de menor
tamanho e até de capital fechado a recursos de longo prazo em moeda
nacional, criando uma alternativa de financiamento de médio e longo
prazo, hoje limitada aos recursos de bancos oficiais com ônus para
o Tesouro, além de aumentar a concorrência no mercado de crédito.
Por outro lado, dada a elevada liquidez internacional e na ausência
de recursos domésticos de longo prazo em volume suficiente, as maiores
empresas podem ser induzidas a ampliar sua dívida em recursos externos.
Esse movimento aumenta a exposição das empresas nacionais
ao risco cambial, decorrente do descasamento de moedas entre os passivos,
denominados em moeda estrangeira, e os ativos denominados majoritariamente
em moeda nacional.
Como a história recente já mostrou, trata-se de criar
as condições para que muitas empresas caminhem para uma crise
de liquidez ou mesmo de insolvência quando o atual ciclo de liquidez
internacional reverter e a taxa de câmbio saltar para novo patamar.
Na medida em que os recursos de investidores estrangeiros encontrem condições
favoráveis para sua aplicação no mercado de dívida
privada, transfere-se o risco cambial para esses investidores, além
de estimular o alongamento de prazos desses títulos, em linha com
o que foi verificado no mercado de títulos públicos. Mantido
o padrão de financiamento dos investimentos privados, verificado
nos últimos anos inclusive quanto à participação
de empréstimos em moeda estrangeira, e admitindo que a partir de
2012 fossem descontinuadas as transferências do Tesouro para o BNDES,
simulações realizadas pelo Centro de Estudos de Mercado de
Capitais (Cemec - www.cemec.ibmec.org.br) sugerem que a participação
do mercado de capitais deve dobrar para financiar os investimentos necessários
à sustentação de um crescimento da ordem de 4,5% ao
ano nos próximos anos.
O projeto do NMRF melhora a competitividade dos títulos de dívida
privada em relação aos títulos públicos e cria
condições institucionais e operacionais para ativar seu mercado,
com potencial para atingir aquele resultado. Entretanto, deve-se lembrar
que a redução do custo de capital e o aumento do volume de
recursos destinados ao financiamento dos investimentos dependem da recuperação
da poupança do setor público, condição básica
para a queda da carga da dívida e da taxa de juros.
(Carlos A. Rocca - Valor Online)
26.05 - Capital remunerado
As grandes companhias do país remuneraram mais o capital em
2010 do que a média do setor empresarial brasileiro. Levantamento
feito pelo economista Marcelo D'Agosto com 105 grandes empresas com ações
na bolsa mostra que, na média, 36% da riqueza gerada por essas companhias
teve como destino a remuneração do capital - seja dos credores
ou dos acionistas.
Na média brasileira, usando dados do Produto Interno Bruto (PIB)
como referência, apenas 25% da riqueza criada remunerou o capital.
Essa riqueza não se confunde com o lucro das companhias. Ela
representa o "valor adicionado" por elas. Grosso modo, essa medida indica
a contribuição das empresas para a formação
do PIB.
O cálculo tem como base o faturamento bruto, descontados os
custos com insumos comprados de terceiros, como matérias-primas,
mercadorias e energia. A sobra, que é a riqueza criada, é
repartida então entre os donos do capital (acionistas e credores),
governo e trabalhadores.
"Em termos relativos, a remuneração média do capital
que é conseguido pelas grandes empresas é 44% superior ao
alcançado pela média total de todas as atividades econômicas
do Brasil", afirma o especialista.
Da parcela de 36% do valor adicionado que remunerou o capital das companhias
com ações em bolsa no ano passado, 21 pontos percentuais
se referiram à fatia dos acionistas - absorvida por retenção
de lucros ou distribuição de dividendos -, enquanto os credores
ficaram com 15 pontos percentuais via pagamento de juros.
Entre as empresas do estudo, os destaques foram Fibria, Vale e PDG,
que destinaram respectivamente 74%, 68% e 66% do total da riqueza gerada
em 2010 para remuneração do capital.
Ainda que isso não seja verdade em 100% dos casos, o economista
considera que a remuneração maior do capital pode ser um
sinal de que as empresas conseguem construir um "fosso econômico"
ao redor de suas atividades.
O termo foi cunhado para designar o conjunto de vantagens competitivas
de uma empresa, geralmente associado ao seu tamanho, sua estrutura de custos,
à gama de serviços oferecidos e às dificuldades que
os atuais clientes encontram para substituir os serviços ou produtos
e os seus ativos intangíveis, tais como marcas, patentes e reservas
legais de mercado.
A diferença na remuneração do capital pode se
justificar pelo fato de as empresas abertas, pelos setores em que atuam,
serem mais intensivas em capital.
As 105 empresas da amostra usada por D'Agosto distribuíram valor
adicionado de R$ 645 bilhões em 2010, montante equivalente a 17%
do PIB.
O levantamento evidencia também que há diferença
em termos de tributação. Os demonstrativos das grandes empresas
mostram que o recolhimento de tributos equivale, em média, a 37%
do valor adicionado a distribuir. No Brasil, os dados consolidados sobre
as contas públicas apontam que a arrecadação total
com receitas tributárias e contribuições equivale
a 30% do PIB. O que explica a tributação maior do primeiro
grupo, segundo D'Agosto, "é a presença de grandes companhias
em setores altamente tributados, como energia, telecomunicações,
bebidas e fumo".
Da amostra usada, as empresas que tiveram maior parcela do valor adicionado
em 2010 entregue na forma de tributos foram Souza Cruz, Light e CPFL, com
percentuais de 79%, 74% e 71%.
A diferença observada na remuneração do capital
e do setor público é compensada na remuneração
de pessoal, último componente de distribuição do valor
adicionado. Como nas grandes empresas a remuneração do capital
e a tributação representam parcelas relativamente mais elevadas,
a participação média dos salários sobre o valor
adicionado total a distribuir é menor, de 27%.
No Brasil como um todo, o cálculo dessa fatia foi feito com
base na relação entre a massa salarial e o PIB, que foi de
45% em 2010. A partir da diferença entre a fatia destinada aos salários
e ao governo, D'Agosto chegou à fatia de 25% que sobra para o capital.
Para fazer comparações de demonstração
de valor adicionado com o PIB, o professor Ariovaldo dos Santos, da Fipecafi,
prefere usar séries longas e aponta como um dos motivos a diferença
de metodologia dos cálculos. Enquanto a contabilidade chega no valor
adicionado a partir das vendas, o PIB é calculado pela produção.
"Se uma empresa produzir 10 e não vender nada em determinado ano,
o economista vai dizer que ela fez 10 e o contador zero. Se no ano seguinte
ela vender os 10 e não produzir nada, ocorrerá o contrário",
afirma Santos.
Ele ressalta ainda que o cálculo do PIB depende muito de estimativas,
enquanto que a contabilidade é baseada em dados mais estruturados
e verificáveis.
Em relação à distribuição do valor
adicionado, ele chama atenção ainda para variações
que podem ocorrer de um ano para o outro, a depender do cenário
econômico. "Em 1999, numa amostra de quase mil empresas, 36,6% foram
para tributos e 41% para o capital. Em 2003, 43,6% foram para tributos
e 35,5% para capital", exemplifica. (Fernando Torres - Valor Online)
26.05 - O governo não desistiu do câmbio
Com a aceleração inflacionária recente na América
Latina e na Ásia, tem sido comum a leitura de que os governos deixarão
o câmbio se apreciar, compensando parte dos efeitos das altas de
preços de commodities. A lógica desse argumento é
que os políticos estariam menos sensíveis aos impactos negativos
da apreciação cambial sobre a competitividade do país
em virtude da necessidade de se combater um inimigo mais importante, a
inflação.
O mesmo raciocínio tem sido aplicado ao Brasil. Há um
quase consenso no mercado financeiro de que a política cambial permitirá
taxas mais apreciadas a partir de agora. De fato, a presidente Dilma Rousseff
tem afirmado publicamente a prioridade do combate à inflação.
Do ponto de vista econômico faz sentido apostar em uma mudança
de estratégia da política cambial. Não apenas o câmbio
reduz as pressões inflacionárias, mas os fundamentos econômicos
sugerem um real forte. A liquidez global, os preços de commodities,
o risco econômico e os diferenciais de juros e crescimento abrem
espaço para uma moeda mais apreciada.
Além disso, em um contexto de necessidade de financiamento externo
com incerteza global, medidas mais fortes de controle de capital são
arriscadas. Uma alta nos juros internacionais ou um aumento da aversão
ao risco global podem diminuir a atratividade da economia brasileira e
elevar o risco do financiamento do déficit em conta corrente. Da
mesma forma, os custos fiscais da manutenção de reservas
internacionais elevadas não são desprezíveis. Sem
soluções extremas, o arsenal e a eficácia de medidas
se esgotam com o tempo: os mercados antecipam fluxos e passam a atribuir
maior peso aos fundamentos que à capacidade de intervenção
do governo.
A democracia brasileira ensina que as condições de renda
são centrais para explicar os níveis de aprovação
do governo
Politicamente, no entanto, é prematuro supor que a luta contra
o câmbio apreciado e a estratégia intervencionista tenham
chegado ao limite. Há vários indícios de que o "DNA"
deste governo o torna sensível ao câmbio. A indústria
brasileira, que já vem sendo pesadamente penalizada pelas baixas
condições de competitividade sistêmica do país,
assiste a uma queda importante na rentabilidade de suas exportações.
Diferentemente do agronegócio, os preços internacionais não
são favoráveis. O setor industrial, além disso, percebe
um aumento da competição local com o aumento das importações.
Os temas da desindustrialização e da doença holandesa,
ainda que inconclusos, são cada vez mais populares dentro e fora
do governo.
Além da preocupação com a competitividade, o Banco
Central tem seguido um debate internacional e defendido a tese de que o
controle cambial atende a demandas prudenciais: ingressos excessivos de
capitais tornam câmbio e crédito vulneráveis a mudanças
de humor externas, podendo gerar impactos indesejados sobre o crescimento.
Desse modo, embora a inflação tenha mudado o discurso
oficial, é cedo para dizer que as preocupações com
o crescimento e a indústria já estejam em segundo plano.
Mesmo que se tenha deixado de defender um patamar específico para
a taxa de câmbio, dificilmente se desistiu da luta contra o real
forte em nome do combate à inflação. O receio de se
adotar medidas mais drásticas de controle de capital diante de um
cenário externo incerto pode ter convencido o governo a aceitar,
momentaneamente, um câmbio mais apreciado. Isso é diferente
de dizer que a política cambial foi alterada de forma coerente,
em nome do combate à inflação.
Um bom exemplo da falta de consenso dentro do governo sobre o tema
cambial é o fato de o Ministério da Fazenda e o BNDES continuarem
propondo medidas para conter a apreciação da moeda mesmo
com a inflação já tendo se transformado em tema popular.
Novas ações no câmbio, no entanto, dependem tanto
do comportamento da moeda quanto do desempenho da popularidade do governo.
A democracia brasileira, refletindo a experiência internacional,
tem ensinado que as condições de renda são centrais
para explicar os níveis de aprovação do governo. Com
o mercado de trabalho aquecido, o aumento da ocupação tem
compensado, até agora, a corrosão inflacionária dos
salários, preservando o crescimento da renda real. Com isso, a presidente
ainda reúne capital político suficiente para aceitar taxas
mais elevadas de inflação, permitindo uma postura intermediária
entre os incentivos políticos e econômicos. Por um lado, procura
controlar o câmbio nominal e atende a demandas localizadas. De outro,
aceita uma inflação mais elevada e conduz a uma apreciação
em termos reais silenciosa, disfarçada e politicamente palatável.
Para que haja uma guinada na política cambial e se aceite a
livre apreciação da moeda, seria preciso que a inflação
corroesse de modo relevante o poder aquisitivo da população
e a popularidade do governo. Não parece ser o caso ainda.
A tese de que o pior já passou vem ganhando adeptos e reduzindo
o senso de urgência no combate à inflação. Da
mesma forma, dificilmente a aprovação do governo sofrerá
queda mais aguda. Com isso, a "calmaria" na questão cambial pode
ter sido algo temporário. O governo não desistiu do câmbio.
(Christopher Garman e Roberto Padovani - Valor Online)
26.05 - O rali e a inflação
A Finlândia é aquele país escandinavo onde cerca
de 5,4 milhões de pessoas vivem muito bem, comendo muito peixe e
carne de rena e vendendo telefones celulares para o mundo inteiro, debaixo
de um frio de congelar a alma. Por razões difíceis de explicar,
tem sido ao longo de várias décadas um celeiro inesgotável
de pilotos de automóveis. Somente na Fórmula 1 produziu nos
últimos 30 anos os campeões mundiais Keke Rosberg (1982),
Mika Hakkinen (1998-1999) e Kimi Raikkönen (2007).
Nos anos 1970 surgiu no mundo do automobilismo outro furacão
finlandês, atendendo pelo nome de Ari Vatanen. Piloto de rali dos
mais espetaculares, Vatanen encantava aquelas plateias de temerárias
que se acotovelam à beira de perigosas estradas de terra para assistir
outros transloucados exercitarem, em bólidos de muitas centenas
de cavalos de potência, a não menos perigosa arte da derrapagem
controlada.
Vatanen foi - e continua sendo, aos 59 anos, se um acidente sofrido
há duas semanas na ilha francesa da Córsega não o
afastar das pistas - um dos maiores nessa arte. Dizem que a aprendeu sobre
a superfície de um lago congelado na pequena Tuupovaara, sua cidade
natal. Foi campeão mundial de rali em 1981 e venceu por quatro vezes
o Paris-Dakar, entre 1987 e 1991. Mesmo reconhecido como um artista, muitas
vezes Vatanen exagerava, especialmente no começo da carreira, recebendo
muitas críticas por "perder o carro" na derrapagem.
Mantega parece seguir a escola Vatanen de pilotagem
A atual equipe econômica brasileira, cujo piloto, o ministro,
Guido Mantega, é o mesmo da equipe anterior, parece ter o gosto
pela arte de Vatanen no que toca à pilotagem da inflação.
O problema é que os índices de preços são bem
mais ariscos do que os bólidos que o finlandês pilotou ao
longo da carreira. Com a inflação, é muito mais fácil
"perder o carro".
A primeira derrapagem inflacionária deste século, de
inspiração político-eleitoral, ocorreu em 2002, ano
em que o operário Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apavorou
o "establishment" ao derrotar José Serra (PSDB), pondo fim ao reinado
tucano de oito anos que o sociólogo Fernando Henrique Cardoso comandou
sob a égide do neoliberalismo econômico. Do governo FHC não
se pode retirar o mérito, noves fora Itamar Franco, de ter derrotado
o dragão inflacionário que, medida pelo Índice de
Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE, alcançou estratosféricos
2.477,15% em 1993, ano anterior ao Plano Real.
Mesmo depois que, ao menos em economia, Lula mostrou não ter
vindo para mudar nada, foram necessários quatro anos para trazer
o carro de volta à pista. Em 2006 o IPCA, alçado em 1999
ao status de inflação oficial, caiu para 3,14%, a menor variação
do século 21 até agora e 1,36 ponto percentual abaixo do
centro da meta que já era, como hoje, de 4,5%. O regime monetário
de metas de inflação foi instituído também
em 1999, pelo então presidente do Banco Central (BC) Armínio
Fraga.
Depois de 2006 o índice voltou a subir por dois anos, como se
vê na tabela. Caiu de novo abaixo da meta em 2009, junto com o tranco
na atividade provocado pela crise internacional originada na "bolha imobiliária"
dos Estados Unidos, e retomou a trajetória de alta até os
assustadores 3,23% nos quatro primeiros meses deste ano.
Em recente entrevista ao Valor, o economista Persio Arida, um dos formuladores
do Plano Real, lamentou que, passado o olho do furacão da crise
em 2009, comparativamente ao resto do mundo com poucos prejuízos,
apesar da queda de 0,6% no Produto Interno Bruto (PIB), o governo não
tenha feito imediatamente o desmanche do pacote de medidas paliativas baixado,
com acerto, para ajudar o país a atravessar a borrasca.
Seria muito difícil que isso fosse acontecer em um ano eleitoral
no qual o presidente Lula precisava manter-se no auge da sua incrível
popularidade, de modo a transformá-la em votos para uma candidata
de competência técnica inquestionável, mas com zero
de traquejo político-eleitoral. E assim foi feito.
Em março de 2010 os consumidores ávidos ainda brigavam
para comprar um carro novo com zero de Imposto sobre Produtos Industrializados
(IPI). A primeira mexida na taxa de juros (Selic), que estava em 8,75%
desde julho de 2009, só veio no final de abril, para 9,50%.
Era o "pibão" de 7,5% de 2010 sendo gestado. Depois de uma "freada
de arrumação" de junho a agosto, a inflação
retomou a aceleração em setembro e não arrefeceu mais,
oscilando próxima aos 0,8% ao mês. Já então
alimentada pela alta mundial das commodities, apesar de novas elevações
dos juros (hoje em 12% ao ano), das medidas macroprudenciais de dezembro
e do aperto do crédito. Depois de muito tempo, o IPCA anualizado
passou do teto da meta (6,51% em abril).
Para quem viveu o terror que durou do final dos anos 1970 até
1994, quando gente muito competente no governo via-se obrigada a comemorar
queda da inflação mensal de 21% para 19,5%, mesmo sabendo
que o carro estava há muito fora da pista. É claro que seria
ridículo comparar a situação atual com a tragédia
daqueles anos, mas apesar dos sinais de arrefecimento, sazonal e vagaroso,
de preços como o do etanol e dos alimentos, o cheiro de inércia
permanece no ar.
Como inflação não é nada mais do que a
luta dos vários grupos sociais, classes, diria Karl Marx, por uma
fatia maior da renda geral, é saber se os insatisfeitos neste momento
têm poder de fogo para reajustar seus preços, realimentando
a fogueira.
Na semana passado o IPCA-15 oscilou de 0,77% em abril para 0,70% em
maio. No mesmo dia da divulgação, Mantega disse que não
vê necessidade de novas medidas para conter o consumo e o crédito
e que "não fugiremos dos limites da metade inflação".
A pesquisa Focus desta semana reduziu a previsão do IPCA deste
ano de 6,31% para 6,27%, mas elevou de 5% para 5,1% a de 2012, indicando
ceticismo quanto à permanência da redução de
taxas que virá nos próximos meses. Tomara que o ministro
esteja certo e que o país siga crescendo sem derrapagens. Elas só
têm graça nas pistas de rali. (Chico Santos -
Valor Online)
25.05 - Seguradoras discutem o cliente do futuro
Congresso do setor debate produtos, estratégia de comunicação
e modelos de regulação para incluir novos consumidores
A saída de 20 milhões de brasileiros da linha de pobreza
está revolucionando a economia do país. Esses novos consumidores
estão no centro da atenção de vários setores,
inclusive o de seguros. Mas novos consumidores trazem novos problemas.
De 2009 para 2010, aumentou em 34% o número de queixas sobre o setor
enviadas a esta seção. Este ano, a maior parte das 125 reclamações
encaminhadas até agora (66%) diz respeito a serviços mal
prestados e pedidos de esclarecimentos. É justamente "O consumidor
do futuro" o tema da 5ª Conferência Brasileira de Seguros, Resseguros,
Previdência Privada, Saúde Suplementar e Capitalização
(Conseguro), que acontece nos dias 8 e 9 de junho, em Brasília.
A ideia é discutir cenários, regulação, novos
produtos e como descomplicá-los para esses novos clientes.
- Esse consumidor de amanhã terá outro modo de vida,
a sociedade está mudando. Queremos enxergar essas mudanças,
entender o que o consumidor quer e fazer com que ele nos entenda. O empresário
consciente sabe que comunicar não é simples e que seu negócio
depende disso. Estamos trabalhando nessa direção com a Susep
(órgão regulador), estudando a adoção de resumos,
glossários, simplificação de contratos e a modelagem
mais adequada para microsseguros para esse novo público - explica
Solange Beatriz Palheiro Mendes, diretora-executiva da Confederação
Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida,
Saúde Suplementar e Capitalização (CNSeg).
Treinamento de vendedores e educação financeira estão
nos planos das empresas
Segundo Solange, os empresários estão conscientes de
que a informação clara e ostensiva é, sem dúvida,
o maior desafio do setor. O fato de o varejo ser a porta de entrada desses
novos consumidores no ramo de seguros, no entanto, é um complicador,
na avaliação de Renata Reis, técnica do Procon-SP.
- O consumidor sai de casa para comprar uma geladeira e acaba lidando
com várias negociações diferentes: em primeiro lugar,
a compra do produto; em segundo, se não tiver dinheiro para pagar
à vista, com o financiamento; em terceiro, garantia estendida; em
quarto, seguro-desemprego; e algumas vezes, até com uma quinta operação,
uma capitalização. Isso é diferente de quando você
vai fazer um seguro de vida, pesquisa, conversa com amigos, vai a um órgão
de defesa do consumidor para avaliar o contrato. Na hora de comprar a geladeira,
você precisa do produto e não pode voltar depois, e o vendedor,
que é comissionado, treinado para vender a geladeira, bater meta,
não explica o funcionamento do seguro. Já tivemos casos aqui
de seguro-desemprego incluído em prestação de aposentado
- conta Renata.
Treinamento de vendedores é uma das estratégias que o
mercado estuda para melhorar a comunicação com o consumidor.
Outra é educação financeira, com o projeto Estou Seguro,
concebido a partir de um convite da Organização Internacional
do Trabalho (OIT) sobre a importância do seguro como instrumento
de organização financeira. Para conhecer melhor esse novo
mercado, a CNSeg realizou um levantamento nas comunidades Santa Marta,
Chapéu Mangueira e Babilônia, no Rio, entre março e
outubro de 2010. Segundo a pesquisa, os produtos de maior interesse para
os moradores locais são seguro de vida, funeral, saúde, automóvel,
motocicleta, residencial, acidentes pessoais e desemprego. O estudo mostrou
ainda que 21,6% dos moradores dessas comunidades têm algum tipo de
seguro, sendo 45% destes pagos pelo empregador. Risco de incapacidade física,
desemprego e acidente foram apontados como as principais preocupações
dos entrevistados.
Em diagnóstico do setor realizado pelo Centre for Financial
Regulation and Inclusion (Cenfri), instituição sul-africana
que formula modelos de regulação financeira para inclusão
social, o microsseguro (voltado à população com renda
até três salários mínimos) é um importante
instrumento para garantir a sustentabilidade de políticas sociais
que visam à ascensão das camadas mais pobres da população.
Segundo o coordenador da pesquisa, Hennie Bester, estima-se que 33 milhões
de pessoas tenham entrado no mercado brasileiro de seguros.
- Essas pessoas (que saíram da linha de pobreza) estão
gastando mais e contraindo dívidas, mas não estão
poupando. Ou seja, esses ganhos estão em risco e, se esse grupo
não começar a usar serviços do mercado financeiro
agora para garantir suas conquistas, continuará recorrendo a programas
como Bolsa Família para se manter, principalmente na aposentadoria
- avalia Bester.
Nos últimos dois anos, o mercado de seguro registrou um crescimento
forte, de 10,4% em 2009 e de 14,2% em 2010, percentual em que estão
todas as modalidades de seguro, incluindo o de saúde.
Para Procon-SP, o mais importante é a informação
dada na hora da venda
Nos dois dias da conferência, especialistas nacionais e internacionais
debaterão, em 12 painéis, cenários futuros para essa
nova realidade. A discussão não ficará restrita aos
seguros populares e ao envelhecimento da população: seguros
de garantia e a questão do meio ambiente, com seguros contra catástrofes,
também entrarão na pauta. Solange ressalta que isso já
pode ser visto, quando se considera as enchentes no Vale do Itajaí
ou o estrago feito pelas chuvas na Região Serrana do Rio. Mas a
ideia, assegura o coordenador do evento, Pedro Bulcão, é
pensar o setor e o consumidor daqui a 15 ou 25 anos.
- A regulação, por exemplo, deveria incorporar nos seus
objetivos o impacto que as regras causam no dia a dia do consumidor. Hoje,
num seguro de vida, pelo qual se paga R$15 por mês, o consumidor
está arcando com análises desnecessárias, como, por
exemplo, se é uma pessoa envolvida com políticos ou se há
risco de a operação ser uma lavagem de dinheiro. Há
outras questões maiores, como exigência de reserva de capital
das empresas, o que leva à concentração de mercado,
menos alternativas para o consumidor e preços mais elevados. O Brasil
está se transformando, precisamos repensar o modelo - destaca Bulcão.
A Proteste - Associação Brasileira de Defesa do Consumidor
foi a primeira entidade do segmento a se inscrever na conferência.
Gisele Rodrigues, técnica de seguros da Proteste, diz que o produto
é estratégico para o consumidor, ainda mais com a mudança
do perfil da sociedade, que vem envelhecendo:
- Queremos saber como o mercado está vendo o consumidor, o que
pretende ofertar. O principal obstáculo do seguro é o juridiquês.
Um contrato de seguro de casa e de carro é enorme, as cláusulas
são muito técnicas. É preciso entender a importância
do seguro, como ele funciona, como e quando se tem direito a ele e o que
o leva à perda da cobertura. Campanhas e cartilhas são bem-vindas.
Já Renata, do Procon-SP, apesar de considerar a simplificação
do contrato e materiais de apoio importantes, defende que o fundamental
é a prática na hora da venda:
- Melhorar o contrato, fazer cartilhas não resolve. Na hora
da venda, o consumidor está olhando nos olhos do vendedor e acreditando
no que ele diz. Por isso, estamos mais atentos às práticas,
em como essa oferta está sendo feita, o que foi informado e o que
se deixou de informar. Esse consumidor novo é a galinha dos ovos
de ouro. Ele precisa entender sua importância e exigir que as empresas
falem sua língua. (Luciana Casemiro - O Globo)
25.05 - O fracasso do controle de capitais
As medidas adotadas pelo governo para conter a entrada de dólares
no país não estão funcionando. Os fluxos líquidos
de capitais, que recuaram em abril, voltaram a crescer fortemente em maio.
Na prática, as restrições impostas pelas autoridades
estão provocando, apenas, mudança nos canais de ingresso.
Estão entrando mais recursos por meio de empréstimos intercompanhia,
classificados como investimento estrangeiro direto (IED), e menos para
aplicações em ações e renda fixa.
De janeiro até a semana passada, ingressaram no Brasil, em termos
líquidos, isto é, já contabilizadas as saídas,
US$ 45 bilhões. Para se ter uma ideia da dimensão desse valor,
em 2010 o fluxo líquido total de dólares foi de US$ 24 bilhões.
Todo esse dinheiro está vindo para o Brasil por causa de um
conjunto de fatores. O primeiro é que os termos de troca da economia
brasileira estão muito favoráveis - os preços dos
produtos exportados pelo país têm subido muito mais que os
dos importados. Uma segunda razão está no fato de o Brasil
ainda estar crescendo numa velocidade bem superior à média
das nações de economia avançada. O diferencial de
crescimento atrai investimento.
Regras induzem uma mudança de carteira
Um terceiro fator é que o mercado brasileiro se tornou atrativo
por causa do cupom cambial - a diferença entre o juro interno em
dólar e o juro externo em dólar. Quanto a esse aspecto, a
atuação do governo na gestão anterior foi fundamental
para que isso ocorresse.
Se o Banco Central (BC) compra divisas de maneira excessiva, com o
objetivo de evitar a apreciação do real frente ao dólar,
ele torna a moeda americana mais escassa. Com isso, o custo de financiamento
das empresas em dólar no mercado interno aumenta, distanciando-se
da taxa Libor. Quando o cupom cambial se eleva, o país atrai mais
capitais especulativos.
O aumento continuado do cupom dá aos agentes um incentivo para
arbitrar. Eles tomam dólares no exterior à Libor e emprestam
o equivalente em reais aqui dentro a juros bem mais altos. Paralelamente,
compram dólares no mercado futuro para pagar os empréstimos
que pegam lá fora.
Nos últimos anos, o BC vinha comprando o fluxo positivo de dólares.
No fundo, reconhecia que, dado o modelo de desenvolvimento adotado pelo
país, a tendência de longo prazo do real é apreciar-se.
Por meio de suas intervenções, suavizava esse movimento,
embora sem o propósito de abortá-lo.
Em 2010, pressionado pelo Ministério da Fazenda, o BC comprou
muito mais que o fluxo líquido de capitais. Foram US$ 41 bilhões,
face a uma entrada líquida de US$ 24 bilhões. Essa atuação
provocou distorções no mercado que, agora, a instituição
está tentando eliminar.
Ao comprar divisas acima do fluxo positivo, o BC cria uma demanda artificial
por dólares. Percebendo esse movimento, os bancos tomam empréstimos
no exterior - a juros historicamente baixos -, trazem os dólares
para cá e os vendem ao BC. Os reais equivalentes são aplicados
em papéis da dívida interna, que pagam a taxa de juros mais
alta do planeta. Mais adiante, os bancos compram dólares do BC ou
do mercado para honrar o empréstimo externo. Se o real aprecia em
vez de se desvalorizar, como tem ocorrido, eles ganham duplamente.
O processo funciona, grosso modo, da seguinte maneira: os bancos vendem
os dólares solicitados pelo BC no mercado à vista - no jargão,
montam posições vendidas em dólar - e compram dólares
no mercado futuro para fazer hedge (garantia, proteção).
Por causa de regra baixada pelo próprio BC em meados de 2007, antevendo
o risco de descasamento cambial dos bancos - a crise mundial já
corria solta lá fora -, o passivo das instituições
financeiras em moeda estrangeira tem que ser idêntico ao ativo.
O movimento especulativo no câmbio deriva, portanto, da compra
agressiva de dólares pelo BC no mercado à vista. Este ano,
a instituição começou a desfazer a armadilha ao limitar,
a US$ 3 bilhões por banco, a manutenção de posições
vendidas em dólar no mercado à vista. Quem, desde abril,
monta posições superiores a esse valor está sujeito
a recolhimento compulsório de 60% do adicional, em espécie
e sem direito à remuneração.
Dentro da nova estratégia, o BC passou a comprar menos dólares
no mercado à vista. Em tese, os bancos tiveram que procurar moeda
em outra freguesia para zerar posições. Essa nova realidade
gerou aumento no cupom cambial. A saída encontrada pelo BC foi voltar
a promover leilões de swap cambial reverso.
Nesses leilões, os bancos recebem a variação da
taxa básica de juros (Selic) e pagam ao BC a variação
cambial. Na prática, a operação equivale a uma compra
de dólar no mercado futuro. O BC dá liquidez a quem precisa
desmontar posições vendidas.
Toda essa trabalheira está ajudando a reequilibrar o mercado.
Em 2011, o BC adquiriu US$ 33 bilhões dos US$ 45 bilhões
do fluxo líquido de capitais. Como fez até agora um total
de US$ 11 bilhões em leilões de swap cambial, a conta praticamente
fechou.
O fato é que todas as medidas adotadas pelo governo para evitar
a apreciação do real se mostraram limitadas e tiveram, na
prática, efeito contrário. Por causa dos problemas vividos
pelas economias centrais, há uma abundância absurda de capitais
circulando pelos mercados. Essa abundância representa um problema
para o Brasil, mas é preciso enfrentá-lo sem açodamento.
Quando o governo decidiu taxar com IOF os empréstimos e captações
com prazos inferiores a dois anos, os capitais passaram a entrar no país
por meio de canais como os empréstimos intercompanhia (entre matrizes
e filiais de multinacionais), uma forma de IED. "Essa migração
da carteira de portfólio para IED não mostra que o país
ficou mais atrativo, mas resulta simplesmente do fato de que, como o governo
está criando uma série de restrições para investimento
em portfólio, esse dinheiro está vindo para outro tipo de
investimento", diz um especialista do mercado.
As experiências recentes mostram que não há controle
de capitais pela metade. Ou se controla tudo ou não se controla
nada. Por outro lado, é difícil imaginar que alguém,
no governo, trabalhe com a hipótese de fixar barreiras para a entrada
de investimento produtivo. Seria um tremendo retrocesso. (Cristiano Romero
- Valor Online)
24.05 - Seguros: Associação de companhias estrangeiras
O mercado de seguros brasileiro ficará ainda mais forte com
a criação de uma nova entidade. Trata-se da Associação
Brasileira das Companhias de Seguros Internacionais, que chega para agregar
valor e força ao trabalho já executado por outras instituições
que representam o setor, tais como CNSeg, FenSeg, FenaSáude, FenaPrevi
e FenaCap. “Não é uma briga com outras entidades. O nosso
objetivo é representar os interesses das seguradoras internacionais.
Queremos ter uma atuação mais pró-ativa, defender
os interesses de nossas associadas junto aos órgãos governamentais,
defender a livre iniciativa e brigar contra a reserva de mercado", explicou
o primeiro presidente da nova entidade, João Francisco Borges da
Costa, que também preside a HDI no Brasil, em entrevista ao jornal
Valor Econômico.
Ele lembrou que, informalmente, essa entidade já existia “há
mais de vinte anos”, sendo conhecida como o "Grupo do Sotaque". Essa instituição
informal realizava esporadicamente encontros para discutir temas de interesses
das seguradoras estrangeiras.
Mas, com o expressivo crescimento da presença dos grupos internacionais
no mercado brasileiro, principalmente nos últimos cinco anos, surgiu
a necessidade de se formalizar uma entidade representativa desse segmento.
A primeira “grande batalha” da entidade é referente à
proibição de repasse a empresas de um mesmo grupo no exterior
mais que 20% do risco em operações de resseguro, o que afeta
diretamente as companhias estrangeiras.
Segundo João Francisco Borges, a medida, em vigor desde 31 de
março, "causou desconforto para as companhias estrangeiras, é
discriminatória e pode encarecer o preço final do seguro”.
Além disso, essa nova regra começa a vigorar em um momento
já complicado para o mercado internacional, abalado pelos prejuízos
com a catástrofe no Japão e os preços em alta. "Aceitamos
a reserva de mercado de 40% (também imposta por resoluções
do CNSP), mas não aceitamos o limite de 20%.", observou Borges.
Segundo ele, a nova entidade já conta com 21 empresas associadas,
das 25 estrangeiras presentes no mercado local. (Seguros dia-a-dia)
24.05 - Mercado reduz previsão de inflação em 2011
O mercado financeiro reduziu a projeção para a inflação
em 2011, segundo o boletim Focus, divulgado ontem pelo Banco Central (BC).
De acordo com a pesquisa, a expectativa para a inflação oficial
neste ano recuou de 6,31% para 6,27%, em um patamar ainda distante do centro
da meta de inflação, que é de 4,50%. A meta tem margem
de tolerância de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo.
Os analistas elevaram a projeção para a inflação
em 2012 de 5,00% para 5,10%. No caso da inflação de curto
prazo, o mercado elevou de 0,46% para 0,48% a previsão para o Índice
de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio de 2011. Para a inflação
de junho, a taxa prevista passou de 0,20% para 0,13%.
O mercado financeiro manteve a projeção de crescimento
do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011, em 4,00%, segundo o boletim Focus.
Para o ano que vem, a projeção para o crescimento da economia
recuou de 4,20% para 4,10%. A estimativa para o crescimento da produção
industrial em 2011 seguiu em 3,73%. Para 2012, a projeção
para a expansão da indústria recuou de 4,60% para 4,55%.
Juros e dólar
De acordo com a pesquisa Focus, os analistas também mantiveram
a previsão para a Selic (a taxa básica de juros da economia)
para o fim de 2011, em 12,50% ao ano. Atualmente, a taxa está em
12,00% ao ano. A projeção para a Selic no fim de 2012 seguiu
em 12,25% ao ano.
Para o mercado de câmbio, os analistas preveem que o dólar
encerre 2011 em R$ 1,62, mesmo valor estimado na semana anterior. A projeção
do câmbio médio no decorrer de 2011 seguiu em R$ 1,62. Para
o fim de 2012, a previsão para o câmbio permaneceu em R$ 1,70.
Contas externas
O mercado financeiro manteve a previsão para o déficit
nas contas externas em 2011. A previsão para o déficit em
conta corrente neste ano está em US$ 60,00 bilhões. Para
2012, o déficit em conta corrente do balanço de pagamentos
seguiu em US$ 70,00 bilhões.
Já a previsão de superávit comercial em 2011 subiu
de US$ 19,50 bilhões para US$ 20,00 bilhões. Para 2012, a
estimativa para o saldo da balança comercial seguiu em US$ 10,00
bilhões. Analistas também mantiveram a estimativa de ingresso
de Investimento Estrangeiro Direto (IED) em 2011, em US$ 50 bilhões.
Para 2012, a previsão seguiu em US$ 45,00 bilhões.
(Agência Estado)
24.05 - Mercado: Crescimento menor também para 2012
O mercado financeiro projeta um crescimento menor também para
o próximo ano. Segundo pesquisa Focus divulgada ontem, analistas
revisaram de 4,20% para 4,10% a estimativa de alta do PIB em 2012. Para
2011, a projeção foi mantida em 4%. Analistas projetam crescimento
de 3,73% da produção industrial neste ano, revisando-o para
menos para 2012, de 4,60% para 4,55%. A projeção para a relação
entre a dívida líquida do setor público e o PIB foi
ajustada de 39,26% para 39,23%, em 2011, e continua em 38%, para o o próximo
ano. Já a projeção do dólar segue em R$ 1,62,
ao final de 2011, e em R$ 1,70, ao fim do próximo ano. No caso da
previsão para o superávit comercial (saldo positivo de exportações
menos importações), houve correção de US$ 19,5
bilhões para US$ 20 bilhões, neste ano, permanecendo em US$
10 bilhões, em 2012. Para o déficit em transações
correntes (registro das transações de compra e venda de mercadorias
e serviços do Brasil com o exterior), o mercado projeta-o em US$
60 bilhões em 2011, e em US$ 70 bilhões, no próximo
ano. A expectativa para o investimento estrangeiro direto (recursos que
vão para o setor produtivo do país) permanece em US$ 50 bilhões,
neste ano, e em US$ 45 bilhões, em 2012. (Fenaseg)
23.05 - Já não se fazem assembleias e acionistas como
antigamente
Recentemente, os supermercados on-line Ocado realizaram sua primeira
assembleia geral anual. Quantos acionistas você acha que compareceram?
Apenas uma mulher solitária. Pouco tempo atrás estive na
assembleia geral da companhia onde sou uma diretora não executiva.
Foi mais ou menos a mesma história. Estávamos todos lá,
11 diretores, vestindo nossas melhores roupas, prontos para responder perguntas
delicadas. Chá e café foram servidos, além de biscoitos
e água, com e sem gás. Mas as fileiras de bancos à
nossa frente estavam quase que totalmente vazias.
Essa experiência surreal deixou uma sensação parecida
com a de Charlie Chaplin em "Em Busca do Ouro", quando ele convida sua
amada para jantar, prepara a refeição, espera, mas ela não
aparece. É algo patético ficar sentada em uma plataforma
elevada, pronta para fazer uma apresentação e constatar que
ninguém está interessado. Compare isso com a primeira assembleia
geral de acionistas da qual participei como jornalista. O ano era 1987
e a British Gas havia aberto o capital na bolsa de valores. Mais de três
mil investidores compareceram (número que na época foi visto
como baixo) e ao longo da reunião de três horas uma mulher
vestida a rigor reproduzia as palavras do presidente do conselho de administração
na linguagem dos sinais, caso alguém na plateia tivesse problemas
de audição.
Um quarto de século depois, tantas empresas vêm realizando
assembleias gerais em salões quase vazios que elas começaram
a imaginar se esse exercício tem algum sentido. Elas reclamam que
as assembleias são ridículas - um desperdício de dinheiro,
tempo e esforço. Os diretores se preparam para responder a perguntas
duras, mas ninguém aparece para fazê-las.
É fácil entender porque quase ninguém se dispõe
a participar. As assembleias gerais de acionistas são muito chatas
e a tolerância da sociedade pela chatice voluntária está
diminuindo. Se você pensar nelas como teatro, elas fazem uma peça
como "Esperando Godot" parecer cheia de ação. "Aqueles a
favor da renomeação da Ernst&Young como auditoria...
Votos a favor? Votos contra?" Isso sempre foi chato, mas agora não
tem mais sentido, uma vez que os votos são sempre feitos por procuração,
antecipadamente. A coisa mais difícil de entender é por que
as pessoas comparecem. Pensei nisso por algum tempo e encontrei quatro
motivos.
O primeiro é porque elas estão genuinamente interessadas.
Antes havia uma espinha dorsal formada por investidores sérios e
aposentados, que sempre compareciam às assembleias. Mas enquanto
grupo, eles estão desaparecendo. Em parte porque os pequenos investidores
podem encontrar o que eles precisam na internet, mas também porque
o tipo de investidor excêntrico que em 1997 participou de uma assembleia
do banco Hambro e pediu, em latim, ao diretor financeiro para que ele sapateasse,
é hoje uma raça em extinção. Já não
se faz mais coisa antiga como antigamente.
O segundo motivo é a comida. Ela tem sido o segredo da popularidade
persistente das assembleias de acionistas da Marks and Spencer. As 1.800
pessoas que fizeram fila diante do Royal Albert Hall para participar da
assembleia do ano passado receberam sorvete de graça enquanto esperavam
para entrar, com mais coisas boas esperando do lado de dentro. Para agir
como incentivo, a comida precisa ser boa: um simples biscoito seco não
é mais suficiente para colocar um único traseiro em uma única
poltrona.
O terceiro motivo é o entretenimento, embora esse quesito infelizmente
também esteja em queda. Os presidentes de conselhos de administração
são hoje mais maçantes e figuras combativas como Tiny Rowland
foram substituídas por homens bem comportados que leem roteiros
preparados. Apenas Warren Buffett é digno de ser visto por ser o
que é, mas ele também já é quase uma figura
do passado.
Na ausência de um presidente de conselho carismático,
a melhor opção é conseguir uma celebridade. A M&S
colocou a ex-modelo Twiggy no palanque no ano passado, que agradou a plateia
o tempo todo.
Com isso, sobra apenas um motivo sério para se comparecer a
uma assembleia geral - reclamar. Especialmente na era de internet, é
vital para todos que possuem uma parcela de uma companhia, ter uma chance
por ano de olhar os diretores de perto e desafiá-los em qualquer
coisa - salários, desempenho e mesmo (como no caso da M&S) sobre
os motivos da não existência de camisolas tamanho 20 na loja
em Camden Town.
Se esse é o verdadeiro propósito das assembleias gerais
de acionistas, e a razão pela qual elas devem persistir, ele lança
uma luz diferente sobre o baixo grau de comparecimento. Se ninguém
aparece, isso não significa que a companhia não seja admirada
e todo o exercício não tenha sentido. Significa que ela não
está pagando salários altos demais aos seus executivos, nem
poluindo muitos rios. Em todo caso, os diretores não precisam se
sentir como Charlie Chaplin. Em vez disso, eles merecem abrir a água
com gás e comer eles mesmos os biscoitos intocados.
(Lucy Kellaway - Financial Times/Valor Online)
23.05 - Governo reduz aposta de expansão da economia
Estimativa recuou de 5% para 4,5%; projeções para a inflação
estão maiores
Apesar das mudanças, Planejamento prevê indicadores melhores
que os do mercado e do próprio Banco Central
O governo reduziu a previsão para o crescimento da economia
neste ano em relação à estimativa feita dois meses
atrás.
De acordo com a revisão bimestral do Orçamento divulgada
ontem pelo Ministério do Planejamento, o PIB (Produto Interno Bruto,
ou soma de bens e serviços produzidos no país) deve crescer
4,5% em 2011. A previsão anterior era de 5%.
A projeção para o índice oficial de inflação,
o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), subiu de 5,0%
para 5,7%.
Para o Ministério do Planejamento, o número é
"ainda compatível com a meta de inflação perseguida
pela política monetária", que é de 4,5% com tolerância
de dois pontos percentuais.
A aposta para a taxa média de câmbio, por sua vez, recuou
de R$ 1,70 para R$ 1,61.
As previsões de PIB são mais otimistas que as do Banco
Central, que espera crescimento de 4% no ano. Para a inflação,
o BC projeta 5,6%. Economistas ouvidos semanalmente pelo Banco Central,
na pesquisa Focus, esperam inflação maior (6,31%) e crescimento
de 4%.
As novas previsões do Planejamento para indicadores econômicos
não trouxeram alterações significativas nas projeções
de receita e despesa, que foram praticamente mantidas.
CORTE MANTIDO
Por isso, o Planejamento assegura que o contingenciamento de R$ 50
bilhões no Orçamento da União, divulgado no início
do ano, será mantido. O objetivo é ajudar a conter o crescimento
da economia e melhorar as contas públicas.
Mas é possível que haja uma redução na
arrecadação de Imposto de Renda, pessoa física e jurídica,
e CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido),
tributo cobrado das empresas.
Esta queda, provocada pelo crescimento menor da economia, será
compensada por um maior recolhimento do IOF (Imposto sobre Operações
Financeiras), cuja alíquota subiu para controlar a entrada de dólares
no país e o aumento do crédito.
Em abril, a arrecadação do IOF teve alta de 25,8%.
Também é esperada a arrecadação maior de
PIS/Cofins e de Imposto de Importação.
Na quinta-feira, o governo divulgou que a arrecadação
de tributos federais bateu novo recorde em abril.
Apesar do crescimento, a Receita afirma que o ritmo do pagamento de
tributos começa a arrefecer, refletindo a expansão menor
da atividade. (ANA CAROLINA OLIVEIRA - Folha de S.Paulo)
23.05 - Desindexar a economia
Pela primeira vez desde o pico inflacionário do início
do governo Luiz Inácio Lula da Silva, o tema da indexação
volta com força ao debate da política econômica. A
memória inflacionária no Brasil está viva, mais do
que se imagina.
A lista dos preços indexados é enorme. Pedágios,
escolas, luz, água, esgoto, telefonia, transporte público,
aluguel e medicamentos, entre outros, são direta ou indiretamente
reajustados de acordo com a inflação passada. Inflação
antiga realimenta a futura.
A taxa cheia nos 12 meses encerrados em abril foi de 6,5%. Já
os preços dos serviços subiram 8,6%. O grupo aluguel, educação,
condomínio, empregados domésticos avançou 9,3%.
Desindexar os preços é mais fácil em momentos
de inflação baixa. Como nada se fez nos últimos anos,
agora é preciso recuperar o tempo perdido, mas sem afrontar contratos
nem impor a vontade do governo ao setor privado.
O primeiro passo certamente é controlar a inflação
e trazê-la de volta ao centro da meta, 4,5%. É preciso dar
garantias de que isso ocorrerá em 2012, pois, do contrário,
qualquer esforço de desindexação carecerá de
credibilidade. No médio prazo, um compromisso de redução
gradual da meta de inflação ajudaria nesse objetivo.
Também é preciso atenção às questões
setoriais. Os contratos de concessões públicas deveriam ser
corrigidos não de acordo com o IGP (Índice Geral de Preços),
mas segundo planilhas de custo e rentabilidade. A dificuldade é
que só na renovação das concessões as regras
podem ser alteradas, o que demandará muito tempo.
Além disso, o IGP é um mau indexador. Sua composição
confere peso de 60% aos preços no atacado, que sofrem impacto direto
da taxa de câmbio e da cotação de commodities. Este
peso foi definido décadas atrás e não guarda mais
correlação com a estrutura atual da economia. Acabar com
o IGP é uma ideia a considerar.
Por fim, o ciclo da indexação se fecha com as empresas:
o aumento sincronizado de preços importantes, como salários,
matérias-primas e logística, acaba por impor uma cultura
indesejável de repasse para o consumidor.
Romper tal ciclo demanda, além do esforço de desindexação,
uma agenda de desoneração tributária focalizada, melhoria
logística e redução de custos, para gerar mais competição
e eficiência. (Folha de S.Paulo)
20.05 - Seguradoras debaterão "O consumidor do futuro"
"O Consumidor do Futuro" será o tema da 5a Conferência
Brasileira de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde
Suplementar e Capitalização (5a Conseguro), nos dias 8 e
9 junho, n Centro de Eventos e Convenções Brasil, 21, em
Brasília. O evento é promovido pela Confederação
Brasileira das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e
Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNSeg), com
o apoio das quatro federações representantes do setor: FenSeg,
FenaPrevi, FenaSaude e FenaCap.
Já confirmaram presença especialistas e executivos do
país e do exterior, como Daniel Goldberg (Morgan Stanley Brasil);
Robert Kerzner (Limra - Limra, Loma & LL Global); o economista Eduardo
Gianetti da Fonseca (Economista); Hennie Bester (CENFRI - Centre for Financial
Regulation and Inclusion); Michaela Koller (CEA - European Insurance and
Reinsurance Federation); Karel Van Hulle (European Commission); Eike Batista
(Grupo EBX) e Steven Levitt (autor do livro Freakonomics), além
de representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
(CQCS)
20.05 - Ajustes da Selic: ''Suficientemente prolongados''
O diretor de Política Econômica do Banco Central (BC),
Carlos Hamilton Araújo, reafirmou ontem o compromisso do Comitê
de Política Monetária (Copom) de trabalhar para que a inflação
volte para o centro da meta em 2012. "Como foi informado na ata da última
reunião do Copom, o ciclo de ajuste da taxa básica de juro
será suficientemente prolongado para garantir a convergência
da inflação para a meta em 2012", disse o diretor, durante
apresentação de relatório regional do BC em Recife.
"O compromisso é com a inflação na meta em 2012. Não
é em torno da meta, é em 4,5%", disse.
Segundo o diretor, o cenário "mais provável" é
que a inflação média mensal entre maio e agosto seja
"bem menor" do que o verificado entre outubro do ano passado e abril deste
ano. "Mais adiante, o cenário contempla também a inflação
em 12 meses entrando em trajetória decrescente. Para isso contribuem
as ações de política monetária, contenção
de crédito e o processo de consolidação fiscal", afirmou.
Déficit
A estimativa de déficit nas transações correntes
brasileiras para 2011 está "um pouco acima" da média registrada
nos últimos 40 anos, segundo Hamilton. Os cálculos do BC
indicam que a conta corrente do País encerrará o ano com
um saldo negativo em torno de US$ 60 bilhões, o equivalente a 2,6%
do Produto Interno Bruto (PIB). Entre 1970 e 2010, a média do déficit
em transações correntes foi de 2,1%, segundo mostrou o diretor.
Hamilton destacou, entretanto, que esse resultado tem sido "quase integralmente
ou integralmente" financiado pela entrada de investimentos estrangeiros
diretos. "Especialmente para 2011, o fluxo de investimento estrangeiro
direto estimado é de US$ 55 bilhões, grosso modo, financiando
90% do déficit projetado em conta corrente", disse.
(Renato Andrade - Agência Estado)
20.05 - Economia ainda está aquecida, diz BC
Em abril, foram recolhidos R$ 85 bi em impostos federais, um recorde
para o mês; alta foi de 19% ante março
Previsão da Receita é que arrecadação cresça
10% em 2011, em ritmo igual ao de 2010; BC não descarta novas ações
No mesmo dia em que a Receita Federal divulgou arrecadação
de tributos recorde em abril, sinalizando uma economia ainda aquecida,
o diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton
Araújo, disse que a desaceleração até agora
ainda não é suficiente.
O resultado da arrecadação contrariou as estimativas
do próprio BC, que esperava que os dados já apontassem um
pé no freio da atividade.
Ontem, o diretor do BC afirmou que a economia vai ter crescimento menor
a partir do segundo semestre, quando os efeitos das ações
já tomadas - como restrição ao crédito e alta
da taxa básica de juros- se espalharem.
"Certamente a economia está andando em um ritmo menor do que
estava no ano passado, isso é um ponto. Uma outra pergunta é
o seguinte: isso é suficiente? A minha resposta é não",
declarou Araújo, durante divulgação do boletim de
indicadores regionais do BC.
No mês passado, foram recolhidos R$ 85,2 bilhões em impostos
federais, 10,4% a mais do que em abril de 2010. Trata-se de um recorde
para o mês. Em relação a março, a alta foi de
19,04%.
Mas a Receita afirma que o ritmo do pagamento de tributos já
começa a arrefecer, principalmente aqueles ligados ao faturamento
e ao lucro das empresas. Isso, na visão do governo, sinalizaria
redução do crescimento.
Em abril, o pagamento do PIS/Pasep, por exemplo, feito pelas empresas
para financiar o seguro-desemprego, cresceu 7,5%, contra 12% no mês
anterior.
"É [um desempenho] mais modesto em relação aos
primeiros resultados do ano, que foram muito fortes", afirmou o secretário
da Receita, Carlos Alberto Barreto.
De janeiro a abril, o recolhimento de impostos aumentou 1,5%; no primeiro
bimestre subiu 13%.
A previsão do secretário é que a arrecadação
cresça 10%, como no ano passado.
Para o economista da consultoria Tendências Felipe Salto, o aumento
no recolhimento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras)
contribuiu para o resultado.
O tributo teve a alíquota elevada no crédito para pessoa
física e em captações feitas no exterior.
Depois das medidas do governo a partir de março, o pagamento
do tributo saltou 25,8% em abril.
Ele, no entanto, diz que a economia ainda está aquecida. E alerta
para o risco de que a arrecadação maior dê espaço
para o governo gastar, pressionando a inflação.
O diretor do BC disse que, se necessárias, novas ações
serão tomadas. "Se nós, ao avaliarmos as questões
prudenciais, identificarmos a necessidade de novas ações,
elas serão tomadas como sempre foram", disse. (LORENNA RODRIGUES
e FÁBIO GUIBU - Folha de S.Paulo)
19.05 - Seguradora estrangeira cria entidade e divide setor
A criação, em abril, de uma associação
para representar os interesses das seguradoras estrangeiras instaladas
no país pode levar a uma divisão do setor no Brasil. A nova
entidade, que já conta com 21 empresas associadas, das 25 estrangeiras
presentes no mercado local, vai atuar de forma independente em relação
à Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais,
Previdência Privada, Saúde Complementar e Capitalização
(CNSeg), até então a única representante das companhias
em operação no país.
As diferenças entre os representantes do setor já se
refletem numa das questões mais polêmicas envolvendo o segmento:
a proibição de repassar a empresas de um mesmo grupo no exterior
mais que 20% do risco em operações de resseguro, que afeta
diretamente as companhias estrangeiras e foi alvo de forte pressão
para mudança das regras pelo governo.
A medida, em vigor desde 31 de março, "causou desconforto para
as companhias estrangeiras", afirma João Francisco Borges da Costa,
presidente da nova associação e da seguradora alemã
HDI, presente no país. "É discriminatória e pode encarecer
os preços dos seguros ao consumidor."
O presidente da CNSeg, Jorge Hilário Gouvêa Vieira, considera
cedo para avaliar o impacto da resolução, mas acredita que
a regra "afeta poucas empresas que operam no Brasil". Gouvêa Vieira
lembra que esteve à frente das discussões do governo que
levaram à edição da medida e critica a divisão
do setor com a montagem da nova entidade. " Não é por aí.
Não é criando uma associação que vai melhorar
o segmento. Acho que conhecemos mais o mercado brasileiro."
Segundo Borges da Costa, a nova entidade - que ganhou o nome de Associação
Brasileira das Companhias de Seguros Internacionais - já exista
de uma maneira informal há mais de vinte anos. "Era o 'Grupo de
Sotaque', que se reunia para discutir vários temas." Com o crescimento
das estrangeiras no Brasil nos últimos cinco anos e o aumento das
operações, houve a necessidade de formalizar a entidade.
Conforme Borges da Costa, em número de companhias, as estrangeiras
já representam cerca de 41,8% do mercado segurador no Brasil e o
total de ativos das empresas alcança R$ 73,5 bilhões. Em
prêmios emitidos, as estrangeiras ficaram, em 2010, com 35% do mercado,
ou R$ 30,9 bilhões, do total de cerca de R$ 90 bilhões do
setor como um todo, segundo Borges da Costa.
O presidente da CNSeg questiona os números. "Não se pode
considerar estrangeira, por exemplo, a associação da espanhola
Mapfre com o Banco do Brasil. Não sei como chegaram a esses números."
Conforme dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep), as
empresas nacionais respondem por 66% do mercado, enquanto as estrangeiros
ficam com os restantes 34%. A CNSeg, de acordo com Gouvêa Vieira,
é composta por 149 seguradoras - o total do mercado é de
196 empresas -, incluindo os 15 maiores grupos de operadoras de planos
de saúde, que representam 37,7% do setor de saúde suplementar.
O presidente da CNSeg calcula que as vendas do mercado segurador cheguem
a R$ 205 bilhões em 2011, caso se mantenha o atual ritmo de expansão
da economia, com aumento de 11% em relação ao ano passado.
Para Borges da Costa, a união das estrangeiras em uma associação
"não é uma briga com outras entidades. O nosso objetivo é
representar os interesses das seguradoras internacionais". "Queremos ter
uma atuação mais pró-ativa, defender os interesses
de nossas associadas junto aos órgãos governamentais, defender
a livre iniciativa e brigar contra a reserva de mercado." Para ele, a limitação
do repasse do resseguro a empresas do mesmo grupo no exterior chega num
momento já complicado para o mercado segurador internacional, após
os prejuízos com a catástrofe no Japão e os preços
em alta. "Aceitamos a reserva de mercado de 40% (também prevista
nas resoluções 224 e 225 do Conselho Nacional de Seguros
Privados (CNSP), mas não aceitamos o limite de 20%."
A nova associação conta com as seguradoras estrangeiras
ACE, Allianz, Assurant, Berkley, Cardif, Chartis, Chubb, Fairfax, HDI,
HSBC, Liberty, MetLife, Mitsui Sumitomo, QBE. Royal Sun Alliance, Santander,
Tokio Marine, UBF e Zurich. Participam da diretoria Fernando Zambolim,
da Zurich, Guilhermo Leon, da Chartis, Luis Mauretti, da Liberty, Luis
Roberto Paes Foz, da UBF, Patrícia Godoy Oliveira, da ACE e Paulo
Marracini, da Allianz. (Mauro Arbex - Valor Online)
19.05 - CVM: Maior eficiência da gestão de fundos
Em 2003 a indústria de fundos de investimento no Brasil representava
30% do PIB, em 2010 esta percentagem foi para 43%, com um crescimento médio
de 18% ao ano. A presidente da Comissão de Valores Mobiliários
(CVM), Maria Helena Santana, destaca que a autarquia quer aprofundar a
discussão sobre a evolução dessa indústria.
"A nossa indústria de fundos é um dos casos de sucesso,
que está atuando entre os 10 maiores do mundo", ressalta. Maria
Helena enfoca a necessidade de reduzir a indexação permitindo
assim menores taxas de juros, em níveis de mercados internacionais,
como forma de aumentar a liquidez das carteiras de fundos e o crescimento
dos mercados secundários para papéis privados.
"A CVM propõe aumentar a eficiência economica da gestão
de fundos", diz Maria Helena. Atualmente são sete categorias de
fundos regulados pela CVM e a proposta é diminuir as taxas de administração
e não atuar sobre a rentabilidade passada.
O vice-presidente da Associação Brasileira das Entidades
dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) , Demosthenes M. Pinho,
corrobora com Maria Helena quanto a necessidade de alongamento dos prazos
dando maior espaço para alguns ativcos e a necessidade de aumentar
a liquidez da indústria. (Edilaine Félix - Executivos
Financeiros)
19.05 - Brasil precisa investir 5% do PIB em infraestrutura
Para sustentar o crescimento elevado da indústria de fundos,
o Brasil deve investir de 22% a 25% do PIB, ou seja, 5% a mais do que é
investido hoje. Em valores isso significa R$ 280 bilhões ao ano,
Segundo o economista Armando Castelar, parte desse investimento deveria
ser em infraestrutura - que atualmente é de 2% e precisaria, segundo
ele, atingir 5%.
Já o superintendente da área de pesquisa e acompanhamento
do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES),
Ernani Teixeira, ressalta que investimento em infraestrutura ficou praticamente
o mesmo desde a crise - que afetou com mais força a indústria,
"que tem perspectiva de crescimento superior a 10% ao ano entre 2011 e
2015", diz. (Edilaine Félix - Executivos Financeiros)
18.05 - Seguros: Setor cresceu 14,1% em 2010
O setor de Seguros segue em alta. Estudo que acaba de ser concluído
pelo Sincor-SP, elaborado pelo consultor Francisco Galiza, revela que o
faturamento das seguradoras em 2010 alcançou o valor de R$ 70,3
bilhões, uma variação positiva de 14,1% em relação
a 2009 - que, por sua vez, havia registrado um crescimento de 11% em comparação
a 2008. Desconsiderando o seguro obrigatório (DPVAT), o montante
foi de R$ 64,5 bilhões, com um taxa de crescimento de 14,8%.
Para Mário Sérgio de Almeida Santos, presidente do Sindicato,
um conjunto de fatores pode explicar esse bom desempenho. A estabilidade
monetária, o controle da inflação e o maior acesso
ao crédito, na avaliação do presidente do Sincor-SP,
vêm permitindo a aquisição de mais bens duráveis
pela população e, consequentemente, o setor de seguros acaba
sendo beneficiado. "Como resultado desse bom cenário econômico
e da maior aquisição de bens, as pessoas passam a se preocupar
mais em proteger seu patrimônio e assegurar o futuro de sua família.
A isso se soma também a competência, a eficiência e
o profissionalismo do setor" ressalta.
Com um faturamento de R$ 12,4 bilhões, a Bradesco Seguros repetiu
a performance dos últimas anos, mantendo-se na liderança
do mercado, com uma fatia de 19,4%, praticamente a mesma do ano anterior.
No segundo lugar, porém, houve uma significativa alteração.
Com um faturamento de R$ 8,3 bilhões e 12,8% de participação
no mercado, o Banco do Brasil-Mapfre passou à frente da SulAmérica,
cujo faturamento foi de R$ 8,1 bilhões 12,6% de participação.
Em 2009, antes da parceria entre a Mapfre e o Banco do Brasil ocupavam
a quinta e sexta posições, respectivamente. Em quarto lugar,
logo atrás da SulAmérica, ficou a Porto Seguro com faturamento
de R$ 7,4 bilhões e participação de 11,5%.
O seguro de automóvel segue como o ramo com maior faturamento:
R$ 20,1 bilhões (descontado o DPVAT) - uma variação
15,3% em relação a 2009. Contabilizando o DPVAT, o faturamento
em 2010 ultrapassou os R$ 25,8 bilhões - 13,4% mais que no ano anterior.
A liderança, nesse segmento, pertence à Porto Seguro com
27,1% de toda a receita do setor.
No ramo Pessoas (sem VGBL), o faturamento em 2010 foi de R$ 15,7 bilhões
(variação positiva de 14,6% em relação a 2009).
A liderança praticamente se divide entre os grupos Banco do Brasil-Mapfre
e Bradesco, com participações de 18,2% e 17,3%, respectivamente.
Duas companhias concentram a receita no segmento de Saúde: a
Bradesco Seguros com 43,3% do mercado (R$ 6,1 bilhões em faturamento)
e a SulAmérica com 37,4% de participação (faturamento
de R$ 5,2 bilhões). A receita total nesse setor em 2010 foi de R$
14 bilhões - cerca de 15% mais que em 2009. (JCS/CQCS)
18.05 - Seguros: Mercado dobrou de tamanho em cinco anos
O mercado de seguros dobrou de tamanho em apenas cinco anos. É
o que apontam as mais recentes estatísticas da Susep, segundo as
quais o faturamento do setor apurado no primeiro trimestre deste ano –
da ordem de R$ 24,3 bilhões - foi 111% maior que as soma registrada
nos três primeiros meses de 2006.
Vale lembrar que tais valores não englobam o desempenho do seguro
saúde, que está sob a jurisdição da ANS (Agência
Nacional de Saúde Suplementar). (Seguros dia-a-dia)
18.05 - Índice imobiliário mostra retorno de 3,2%
A Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgou os números
do Índice Geral do Mercado Imobiliário – Comercial relativos
ao primeiro trimestre deste ano, tendo as taxas de retorno do capital,
renda e total alcançado, respectivamente, 3,2%, 1,8% e 5%, sobre
o quarto trimestre de 2010.
Se anualizadas, as taxas de retorno do capital, renda e total
ficaram em, respectivamente, 13,8%, 9,0% e 23,7%.
A divulgação chamou também a atenção
para o crescimento do IGMI-C. A adesão de novos participantes e
a atualização de informações fizeram com que
o universo pesquisado apresentasse um crescimento de 190 imóveis
considerados no quarto trimestre de 2010 para 212 no primeiro de 2011.
(Diário dos Fundos de Pensão)
17.05 - O IBGE acendeu a luz
O censo é o olhar para trás que orienta o olhar para
a frente; diz como chegamos aqui e aponta para onde ir
Num país em transformação acelerada como o Brasil
desta década, as primeiras informações do Censo 2010
iluminam o nosso caminho.
É uma mina de dados de um país em transformação,
o maior e mais detalhado inventário de nossa maior riqueza: os brasileiros.
O censo é o olhar para trás que orienta o olhar para
a frente.
O IBGE mostra como chegamos aqui e aponta para onde devemos ir.
O que tem nos domicílios do país e o que não tem.
Para onde as pessoas estão indo e o que elas vão precisar
nesse novo lugar.
Mergulhem, garimpem, transformem esses dados em planos de expansão,
investimento, inovação. Há um novo Brasil nascendo,
e agora o conhecemos melhor.
A amostragem do IBGE é insuperável. Os recenseadores
visitaram 67,5 milhões de domicílios em 5.565 municípios
e revelaram uma série de avanços: o país está
menos branco, mais feminino, mais alfabetizado e mais maduro, entre outros
avanços deste século promissor.
A população cresce mais no Norte, no Centro-Oeste e no
Nordeste do que no Sudeste e no Sul. A explosão de oportunidades
fora dos centros tradicionais de riqueza está movimentando milhões
de pessoas para novas fronteiras do desenvolvimento e invertendo fluxos
migratórios.
A beleza deste momento econômico é que, trabalhando bem,
poderemos unir as benesses da globalização (acesso a capital
e mercados e exposição à concorrência) com as
benesses da nacionalização, porque temos um país novo
para explorar.
A expansão do mercado interno não é só
uma expansão da renda e do consumo, ela é uma expansão
geográfica da renda e do consumo.
Siga o dinheiro, Brasil adentro. Amo meu país, e amo vê-lo
assim.
É obvio que o copo está metade cheio e metade vazio.
Sou empresário. Trabalho com o que existe para realizar o que falta.
No Brasil em que nasci o Nordeste era uma região de calamidade
e seca. Hoje é a China brasileira. Se você duvida, vá
lá ver. Em junho, em São Paulo, o BID (Banco Interamericano
de Desenvolvimento) realizará uma conferência da maior importância
sobre a base da pirâmide. É dessa base que vem o novo crescimento
da economia do nosso país.
A cesta básica não é mais só básica.
Dona Maria quer beijar de batom, ficar cheirosa e comer chocolate. Produtos
populares não podem mais ser simplesmente pobres e baratos. Eles
têm de ser bons, bonitos e acessíveis. Como as roupas da C&A
e da Zara. Falta uma construtora popular que pense em design e em arquitetura
como a Tok&Stok. Falta uma cadeia de hotéis que seja jovem,
moderna e barata como a Gap.
O consumidor mudou, o Brasil mudou e as empresas têm de mudar.
E a melhor pesquisa que existe é pegar um avião e viajar
pelo Brasil.
Você vai descobrir que mercados antes desprezados se tornaram
obrigatórios. Não dá mais para não olhar para
o Nordeste, para o Centro-Oeste e para o Norte. Há uma chance histórica
de se ganhar escala. De reforçar marcas, de criar marcas, de estabelecer
parcerias.
Mas crescer/vender no Nordeste pode ser muito diferente do que no Sudeste.
Você vai precisar sair da sua zona de conforto para descobrir como
o Brasil não é só grande, é complexo. Se não,
quem vai tirar você do conforto serão eles, que virão
invadir a sua praia. Chegam pessoas nas minhas agências, de lugares
inéditos do país, com demandas inéditas de comunicação
que desafiam a nossa capacidade.
Você até pode, mas não deve falar sempre a mesma
coisa do mesmo jeito em Uberaba, Manaus, São Paulo e Campo Grande.
Mudar vai dar trabalho, mas vai dar retorno.
Basta ouvir o IBGE e o BID. Há um Brasil novo que sempre foi
colorido, mas só neste censo se autodeclarou majoritariamente não
branco. Pardos e pretos juntos são, pela primeira vez, maioria autodeclarada
da população. Porque eles finalmente se sentem seguros e
orgulhosos de se assumirem pelo que são.
A confiança econômica e o reforço na renda já
estão se transformando num reforço de identidades.
E no regime capitalista, gostemos ou não, o consumo é
uma das expressões mais relevantes do indivíduo e da cidadania.
Não tem jeito: sua marca terá de respeitar e dialogar
com esse novo brasileiro. Primeiro você precisa descobrir quem ele
é. O IBGE acendeu uma luz. (NIZAN GUANAES - Folha de S.Paulo)
17.05 - Banco Santos: Credores estão divididos
Uma reunião realizada ontem em São Paulo expôs
uma divisão entre os maiores credores do Banco Santos. Convocados
para um encontro prévio à realização da assembleia
geral - determinada pela Justiça mas ainda sem data marcada para
ocorrer -, representantes de mais de 100 deles manifestaram seu apoio ao
Comitê de Credores e à continuidade de Jorge Queiroz à
frente do órgão. O afastamento do atual representante do
comitê foi proposto por um grupo de 105 credores liderados pela Real
Grandeza - Fundação de Previdência e Assistência
Social.
Representados pelo escritório de advocacia Lobo & Ibeas,
esse grupo reúne 27,4% dos créditos quirografários
(sem privilégio no recebimento) do Banco Santos. Já o grupo
que ontem manifestou seu apoio a Queiroz é formado por mais de 30%
dos créditos da massa falida da instituição. A representatividade
das duas correntes sugere que a assembleia geral, quando ocorrer, será
disputada.
O pedido de afastamento de Jorge Queiroz do Comitê de Credores
é mais um episódio do conturbado processo de falência
do Banco Santos, iniciado em 2005. Desde a decretação da
falência, a instituição sempre foi palco de disputas
judiciais entre as partes envolvidas - sejam elas credoras, devedoras,
o ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira e até juízes e a própria
administração judicial da massa falida. Enquanto o ex-controlador
tentava evitar que a Justiça homologasse uma série de acordos
entre a massa falida e os devedores da instituição, os bancos
estrangeiros tentavam, por meio de ações judiciais, receber
a totalidade dos valores repassados ao banco em adiantamentos de contratos
de câmbio (ACCs). A última pendenga jurídica foi o
despejo de Edemar Cid Ferreira de sua mansão na capital paulista,
com direito à presença policial e acusações
de furto e de quebras de sigilo, entre outras desavenças.
Cinco anos depois, o Comitê de Credores se torna o mais novo
ponto da discórdia. Criado em 2006 após a primeira e única
assembleia geral de credores do Banco Santos realizada até agora,
o órgão já nasceu polêmico. Foi o primeiro comitê
de credores implementado no país, já que segue as regras
da nova Lei de Falências e Recuperação de Empresas,
que entrou em vigor em 2005. Na época, os advogados que representavam
cerca de 65% dos credores do Banco Santos aprovaram a criação
do órgão para fiscalizar a massa falida. O escritório
Lobo & Ibeas, que atua para Real Grandeza - maior credor individual
do banco, com R$ 164,5 milhões a receber -, fechou um acordo com
um grupo de credores para indicar e eleger Jorge Queiroz como representante
do comitê.
Eleito, Queiroz chegou a ser afastado das dependências da massa
falida pela Justiça e jamais teve sua remuneração
definida - o que dependeria de uma nova assembleia geral de credores. Ao
longo do tempo, a afinidade inicial entre ele e o escritório Lobo
& Ibeas foi reduzida diante de divergências na forma de condução
do banco falido. Enquanto Queiroz defende a estratégia da massa
falida de fechar acordos com devedores, mediante descontos, para garantir
algum pagamento ao credores, o grupo representado pelo Lobo & Ibeas
contesta os descontos oferecidos e estuda a criação de um
Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDC) com os valores
que a massa falida tem a receber - que teria entre os cotistas o ex-banqueiro
Edemar Cid Ferreira.
De acordo com o advogado Luiz Eugênio Müller, sócio
do escritório Lobo & Ibeas, a proposta do FIDC foi apresentada
em 2009 pela Cadence Gestora de Recursos, formada por um grupo de ex-executivos
de instituições financeiras. "Nosso papel é examinar
a proposta e apresentá-la aos nossos clientes", diz. "Fizemos uma
apresentação inicial a eles e todos se mostraram interessados
em discutir o assunto." (Cristine Prestes - Valor Online)
17.05 - Seguros: O peso do Brasil
O mercado brasileiro de seguros responde por 44% do volume de prêmios
da América Latina, segundo dados da CNSeg (Confederação
Nacional das Empresas de Seguros).
A receita acumulada nos três primeiros meses deste ano
totalizou R$ 24,3 bilhões, com crescimento de 18,8% na comparação
com o mesmo período do ano passado, segundo a CNSeg. (MAria
Crisitina Frias - Folha de S.Paulo)
16.05 - Contratar seguros é assunto sério
Antes de contratar o seguro, é indispensável que o segurado
saiba exatamente qual é o objeto que pretende ver protegido e contra
que riscos deseja ter a proteção
O contrato de seguro é um contrato de adesão relativa,
ao qual o segurado adere, mas com capacidade de modificar as condições
gerais da apólice para adaptá-la às suas necessidades
de proteção. Ou seja, há imposições
irrecorríveis por parte da seguradora, mas há também
determinações impostas pelo segurado, que a seguradora acata,
nos termos que lhe são passados na proposta de seguro, limitadas
às condições comerciais oferecidas por ela.
Mas se a regra acima vale para todos os contratos de seguros, não
quer dizer que todas as apólices são iguais, ou mesmo semelhantes;
que o clausulado é sempre o mesmo e que as regras aplicáveis
são imutáveis, tanto faz o tipo de seguro e a garantia contratada.
Cada risco tem um tipo de garantia específico. E a forma de
protegê-lo pode variar de companhia para companhia, ou de segurado
para segurado, além de ser possível a contratação
da proteção desejada por meio de mais de um modelo de apólice,
ou seja, nem sempre a cobertura de dois riscos semelhantes é feita
da mesma forma, com clausulados padrões, aceitos por todo o mercado.
Assim, antes de contratar um seguro, é indispensável que
o segurado saiba exatamente qual é o objeto que pretende ver protegido
e contra que riscos deseja ter a proteção.
Pode parecer óbvio, mas nem sempre o risco contra o qual o segurado
deseja se proteger está claro para ele, o que, evidentemente, faz
com que a cobertura pretendida também não fique clara. E
isso pode ter consequências dramáticas na hora de receber
ou não uma indenização. A seguradora sempre paga a
indenização num momento de tensão para o segurado.
O que gera a indenização é uma perda decorrente de
um sinistro. Sem sinistro não há que se falar na obrigação
da seguradora indenizar. Mais que isto, sem sinistro coberto, não
há indenização.
E nem sempre a contratação do seguro, que depende de
informações do segurado, contempla na apólice a garantia
para o risco que o atinge.
Quando isso ocorre, a seguradora encerra o processo de regulação
do sinistro negando o pagamento da indenização. E o segurado,
já abalado pelo sinistro e pela perda, sofre novo abalo ao ser informado
que o seguro não vai indenizá-lo porque a apólice
contratada não tem garantia para aquele determinado tipo de sinistro.
Dadas as características do contrato de seguro, com exceção
de contratos para riscos com coberturas extremamente simples, não
é recomendável o segurado contratar suas apólices
sem o auxílio de um especialista.
Por exemplo, o seguro mais conhecido no Brasil, que é o seguro
de automóvel, ao contrário do que se pensa, é um contrato
complexo, com características que o fazem único e diferente,
mesmo de outros tipos de seguros parecidos.
O seguro de automóvel não é apenas um seguro,
mas três, completamente diferentes, comercializados num único
pacote. Nele estão embutidos um seguro de risco patrimonial, um
seguro de responsabilidade civil e um seguro de acidentes pessoais.
Cada um deles oferece um rol de garantias próprias, que são
diferentes das demais coberturas. Quer dizer, o risco de prejuízo
do veículo é diferente do risco de causar danos a terceiros,
que também é diferente do risco da ocorrência de acidentes
pessoais com o motorista e os passageiros do próprio veículo.
Além disso, as apólices oferecem diferentes tipos de
garantias para cada um deles e isso exige do segurado um mínimo
de conhecimento para que ele possa determinar a opção que
melhor se encaixa nas suas necessidades. O veículo justifica a cobertura
compreensiva? Será que o segurado sabe que sem essa cobertura ele
não terá indenização em caso de danos causados
pela água da chuva ou pela queda de uma árvore? Será
que alguém já disse que o seguro de danos a terceiros não
indeniza o motorista e os passageiros do veículo segurado? É
por essas e outras que a melhor forma de se contratar um seguro é
ter a assessoria de um corretor de seguros realmente profissional.
Um especialista que conheça o assunto, o mercado e as melhores
alternativas para cada segurado. (Antonio Penteado Mendonça
- O Estado de S.Paulo)
16.05 - Assembléias: Informação precária
Levantamento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM)
identificou "desvios" em 87% das propostas que as empresas com ações
listadas em bolsa enviaram para as assembleias gerais ordinárias
de acionistas.
Esses documentos devem conter informações para que os
investidores possam votar temas relevantes como as contas do ano anterior,
a proposta de destinação do lucro, a remuneração
dos administradores, a eleição de conselheiros de administração
e o orçamento de capital.
A análise foi feita com 72 companhias com ações
em bolsa, seguindo o modelo de supervisão baseada em risco da autarquia,
que privilegia a fiscalização de empresas mais relevantes
e sensíveis para o mercado de capitais. Entre outras 34 companhias
sem ações listadas que também foram analisadas, a
ocorrência de "desvios" foi de 79%, segundo a CVM.
Embora com bases e pontos de observação diferentes, o
índice de 87% do primeiro grupo é exatamente o mesmo verificado
em 2010, primeiro ano em que as informações mais abrangentes
e detalhadas passaram a ser exigidas para as assembleias.
Na ocasião, o órgão regulador havia analisado
a documentação de 195 empresas e os "desvios" eram mais comuns
nos dados sobre remuneração e na seção em que
os diretores devem fazer comentários sobre o desempenho passado
e futuro da companhia.
O levantamento da autarquia não cita nomes, mas o Valor verificou
que, entre as 20 maiores empresas por valor de mercado, apenas três
- Vale, OGX e CCR - não tiveram que reapresentar as propostas de
administração por algum motivo.
Bradesco, Ambev, Banco do Brasil, Gerdau e BRF-Brasil Foods estão
entre aquelas que informam claramente ter feito correções
nos documentos por conta de ofício da CVM. As demais falam sobre
ajustes realizados na documentação, mas não é
possível saber se a mudança foi feita por decisão
própria ou após solicitação do órgão
regulador.
"As empresas enfrentaram muita pressão no início deste
ano por causa da divulgação dos resultados em IFRS. Agora
que o período de divulgação dos balanços terminou,
as companhias devem se empenhar para refinar as informações",
acredita o presidente da Associação Brasileira das Companhias
Aberta (Abrasca), Antônio Castro.
Além de entregar pela primeira vez o balanço anual no
padrão contábil internacional, as empresas tiveram que reapresentar
os resultados trimestrais de 2010 e divulgar os números referentes
a janeiro e março deste ano num prazo de quatro meses e meio.
Os capítulos sobre remuneração e comentários
dos executivos - que têm entrega obrigatória na proposta para
assembleia - deverão compor o Formulário de Referência,
principal informe de comunicação e prestação
de contas das empresas de capital aberto. O prazo de entrega do documento
completo se encerra no dia 31 deste mês.
Para Haroldo Levy, coordenador do Comitê de Orientação
para Divulgação de Informação ao Mercado (Codim),
a maior parte dos erros ocorre porque a alta administração
participa pouco do processo de elaboração dos documentos.
"No caso dos comentários dos diretores, há também
uma resistência em oferecer detalhamento maior dos dados. Ou porque
são eles considerados estratégicos, ou porque as empresa
teme se comprometer em alcançar objetivos e depois não cumprir",
explica.
Levy esclarece que os comentários dos diretores devem dar prioridade
a um detalhamento sobre os riscos. Na parte sobre os salários dos
executivos, a empresa deve fundamentar a política de remuneração,
especialmente a variável. As informações devem ser
úteis à avaliação dos valores mobiliários
que elas emitem. "As companhias que fizerem certo vão se beneficiar
com um aumento da demanda de investidores e uma valorização
dos seus papéis no mercado", diz Levy.
Para Charles Holland, do Instituto Brasileiro de Governança
Corporativa (IBGC), o mercado brasileiro ainda não entendeu que
o Formulário de Referência é o principal documento
de prestação de contas das empresas. "Equivale ao 20-F nos
Estados Unidos", diz, se referindo ao documento anual que as empresas com
ações negociadas em bolsas nos EUA precisam apresentar à
Securities and Exchange Commission (SEC).
Em 2010, quando o documento foi exigido pela primeira vez, ocorreu
um fenômeno de "copiar e colar". "Várias empresas copiaram
trechos literais dos formulários de outras companhias porque não
sabiam como fazer o seu. Só que a realidade de cada empresa é
particular e o que está certo para uma pode estar errado para outra",
revela Holland, que espera um melhor desempenho da empresas na apresentação
do formulário deste ano.
Durante o levantamento regular feito sobre a remuneração
de executivos, a reportagem do Valor notou alguns exemplos de inconsistência
e de falta de conformidade em relação ao que a CVM pede no
ofício em que orienta sobre o preenchimento do Formulário
de Referência.
Na primeira vez em que apresentou a proposta de remuneração,
o Bradesco não incluiu os valores pagos em planos de previdência
para o cálculo da remuneração máxima, média
e mínima de diretores e conselheiros. A informação
foi corrigida depois.
A Vale informa como divulgação adicional que a remuneração
divulgada não inclui encargos sociais, ao contrário do que
faz a maior parte das empresas e do que exige a autarquia.
O Itaú Unibanco divulgou a remuneração paga pela
holding e pelas subsidiárias aos seus diretores no campo em que
deveria constar apenas o pagamento feito pela controladora. O banco explica
que faz a divulgação dessa forma ao descrever sua política
de remuneração. Mas essa não é a prática
usada pela maioria das empresas e difere do que é pedido no ofício
da CVM, que fala dos dados apenas da emissora
A Natura afirma que não considera os planos de opções
de compra de ações como remuneração e exclui
esse dado do gasto geral com diretores e conselheiros. Como consequência,
quando ela apresenta o valor máximo, médio e mínimo
pago em cada órgão, a parcela em ações fica
de fora da conta, o que reduz os montantes e distorce a comparação
com o restante do mercado. Ao ser questionada, a fabricante de cosméticos
disse que a "questão é técnica e um assunto ligado
ao relacionamento da empresa com a CVM".
A petrolífera HRT informa ter remunerado com R$ 25 milhões
uma média ponderada por mês de 2,17 diretores. No campo em
que abre os pagamentos, diz que o valor máximo na diretoria foi
de R$ 9,1 milhões e que o valor médio foi de R$ 4,6 milhões,
o que mostra que a conta não bate. A empresa disse que detectou
uma "inconsistência na classificação da remuneração
de diretores" e que essa informação será retificada
no Formulário de Referência completo. (Marina
Falcão e Fernando Torres - Valor Online)
16.05 - O desafio de investir
Redução na abundância do crédito público
vai na direção correta, mas é necessário incentivar
meios de elevar a taxa de investimento no país
Nos últimos meses o governo federal vem reafirmando o compromisso
de reduzir o papel do BNDES no financiamento de investimentos de longo
prazo.
Os aportes do Tesouro serão reduzidos neste ano para R$ 55 bilhões,
diante dos R$ 180 bilhões de 2010. Foram também cortados
subsídios e a parcela máxima dos projetos a ser financiada
pelo banco, que espera uma queda de 14% (para R$ 145 bilhões) nos
desembolsos em 2011.
Tendo em vista o objetivo de controlar a inflação, a
redução no volume de crédito público é
bem-vinda, após os excessos dos últimos dois anos. Mas o
desafio continua sendo o de sempre: fazer com que o setor privado assuma
cada vez mais o papel de fornecedor de capital de longo prazo.
Estima-se que, para crescer 5% ao ano, o país precisaria sustentar
taxas de investimento próximas a 24% do PIB. Isso demandaria volume
adicional de investimentos próximo a R$ 300 bilhões anuais.
Em 2010, o governo adotou pacote de estímulo ao financiamento
de longo prazo e ao desenvolvimento do mercado de capitais. Foram anunciados
na ocasião incentivos fiscais para a aquisição de
debêntures (títulos de renda fixa) com prazo superior a quatro
anos e vinculadas a projetos de infraestrutura, entre outras medidas.
Também foi anunciado um fundo de liquidez, com aporte do BNDES
e a destinação de uma parcela do compulsório nos depósitos
a prazo de bancos para fomentar a negociação dos papéis.
Isto é, capital do fundo pode ser usado para criar um mercado de
compra e venda, dando mais segurança ao investidor de que, em caso
de necessidade, há como se desfazer dos papéis antes do vencimento.
Por fim, a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados
Financeiros e de Capitais (Anbima) lançou recentemente o projeto
de um novo mercado de renda fixa. O objetivo é elevar a transparência,
reduzir custos de transação e criar uma plataforma para as
empresas captarem recursos diretamente do investidor (em vez de contratar
empréstimos bancários).
O mercado de capitais tem crescido, mas a taxas insuficientes para
fazer frente ao desafio, ainda mais com a perspectiva de retração
do BNDES. Estimativas do Centro de Estudos de Mercado de Capitais (Cemec),
uma entidade acadêmica, apontam que apenas 8% do financiamento da
indústria e da infraestrutura tem origem do mercado interno de capitais,
contra 43,6% a partir de recursos próprios e 39,6% por meio do BNDES.
De modo geral, os estímulos mencionados são importantes,
mas passam ao largo da causa maior da insuficiência de financiamento
de longo prazo: a baixa taxa de poupança nacional, ainda em torno
de 18,5% do PIB.
Para o sucesso dos incentivos, é preciso complementá-los
com um esforço de aumento da poupança pública e privada,
que facilitará a queda dos juros. Melhorias tributárias e
redução de impostos figuram no alto dessa agenda. (Folha
de S.Paulo)
13.05 - Inflação: Medidas do BC já começam
a fazer efeito
O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, voltou a reforçar
a ideia de que o aperto monetário será "suficientemente prolongado",
como forma de garantir a convergência da inflação no
próximo ano para a meta de 4,5%. Segundo ele, os dados econômicos
já conhecidos, como as vendas de varejo divulgadas ontem pelo IBGE,
começam a mostrar os efeitos das medidas de política monetária
adotadas desde o início do ano pelo Banco Central.
"É um começo. A política monetária tem
defasagens de seis meses a nove meses e já é um começo.
É o resultado de políticas que foram adotadas desde a virada
do ano e estão tendo impacto no arrefecimento e moderação
da demanda. Isso vai ajudar ao longo do ano para trazer a inflação
de volta para o centro da meta em 2012", disse Tombini em entrevista após
seu discurso de abertura do 13º Seminário de Metas, organizado
pelo próprio BC, ontem, no Rio.
Tombini fez questão de ressaltar que o trabalho neste ano continua
sendo feito para que o IPCA encerre este ano "o mais próximo possível
da meta". Ele disse ainda que a redução nos preços
dos combustíveis também deve contribuir para o controle dos
preços, refletindo na inflação do consumidor. "Eles
não fazem totalmente o trabalho, mas são informações
que vamos levar em consideração."
A consolidação fiscal também foi mencionada por
Tombini como um ponto que vem contribuindo para a atual moderação
da demanda e cujos "efeitos presentes e futuros também serão
levados em consideração no âmbito das decisões
do Copom".
Ele citou que, ao longo do primeiro trimestre, o governo gerou um superávit
primário de 4,20% do Produto Interno Bruto (PIB), com redução
das despesas do governo central (União, BC e Previdência)
de 0,80 ponto percentual do PIB, quando comparado a igual período
de 2010.
O presidente da autoridade monetária voltou ainda a demonstrar
confiança de que nos próximos meses a inflação
apresentará resultados em bases mensais compatíveis com o
centro da meta de inflação, algo na casa dos 0,4% ao mês,
o que, na sua visão, "reforçará a confiança
da sociedade no regime de metas".
O mercado não está tão otimista. Apesar de prever,
de fato, inflação mensal bastante baixa, próxima a
zero em junho e julho, conforme visão do Itaú Unibanco, muitos
avaliam que esse alívio será apenas temporário. "Parte
relevante dessa desaceleração reflete fatores temporários,
como sazonalidade e reversão de fatores específicos (por
exemplo, combustíveis), e não altera nossa visão básica
ou nosso balanço de riscos para a inflação nos meses
subsequentes", avalia Ilan Goldfajn, economista-chefe do banco.
O Itaú Unibanco elevou ontem sua previsão de inflação
para este ano de 6,3% para 6,5%. Em 2012, o banco acredita que o IPCA chegará
a 5,3%. "Acreditamos que a combinação da redução
da inflação, que atingirá patamares baixos entre junho
e agosto, com a desaceleração da economia, num contexto em
que estímulos fiscais estão sendo retirados e apertos monetários
introduzidos, fornecerá mais conforto ao cenário principal
do BC, o que levaria a autoridade monetária a elevar a taxa Selic
em 25 pontos-base apenas mais uma vez, para melhor avaliar os impactos
defasados das medidas de combate à inflação já
adotadas", destacou o relatório do banco.
Um dos pontos discutidos no Seminário de Inflação
do Banco Central foi justamente as condições para a política
monetária no cenário atual de pós-crise. Segundo Nicolás
Eyzaguirre, diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) para
o hemisfério ocidental, o trabalho hoje exige uma atuação
em muitas frentes, como política monetária contracionista,
proteção das taxas de câmbio e medidas macroprudenciais,
a exemplo do que vem fazendo o BC brasileiro. Dessa forma, a política
monetária se tornou "multiplicativa", ou seja, múltiplas
ações, ao mesmo tempo, mas se uma falhar, as outras podem
ser afetadas.
Apenas de elogiar o trabalho feito no Brasil, Eyzaguirre alertou para
o que pode acontecer caso o cenário atual sofra uma inversão.
Ele acredita em manutenção, por pelo menos por 18 ou 24 meses,
dos preços das commodities em um patamar elevado, aliados a uma
política monetária de juros baixos nos países desenvolvidos.
Esse seria o cenário mais provável. Mas ele colocou dois
novos pontos de riscos.
O primeiro diz respeito a uma eventual permanência dos preços
do petróleo em um patamar elevado por muito tempo. Isso poderia
levar a uma redução da demanda global e a uma queda nos preços
das outras commodities, com impacto para países exportadores desses
produtos.
Um segundo cenário de preocupação seria um aperto
monetário nos Estados Unidos antes do esperado, por causa do aumento
da demanda, mas sem o devido ajuste fiscal naquele país. Isso poderia
alterar o fluxo de capitais, provocando depreciação das moedas
que hoje sofrem com o excesso de valorização, como o real
e, inclusive, levar a uma crise na América Latina, hoje muito mais
aberta e depende do capital externo. (Fernando Travaglini - Valor
Online)
12.05 - Seguros: Crescimento nos países emergentes
Levantamento da Accenture, junto com 70 seguradoras de cinco continentes,
mostrou que os mercados emergentes serão responsáveis por
60% do faturamento das seguradoras nos próximos 10 anos.
De acordo com a Accenture, em 2009, o mercado segurador mundial faturou
US$ 5,143 trilhões em prêmios. Em análise da companhia,
estima-se que entre 2010 e 2015 há um potencial de crescimento entre
US$ 400 bilhões e US$ 600 bilhões nos mercados maduros e
US$ 650 bilhões e US$ 900 bilhões nos mercados emergentes.
Outro ponto de destaque é que até 2015, os países
emergentes devem aumentar de 18% para 27% a venda de seguros em todo o
mundo.
O segmento de seguros deve apresentar quatro tendências nos próximos
anos: mudanças demográficas (o aumento da longevidade da
população); novos investimentos em infraestrutura, direcionados
pela busca de uma economia por baixo carbono e crescimento da urbanização;
a classe média emergente nos países em desenvolvimento, e
o potencial de expansão dos negócios nos serviços
para a população em áreas rurais, nos mercados emergentes.
Segundo o líder da área de seguros da Accenture, Raphael
de Carvalho, o Brasil está muito bem preparado para acompanhar o
crescimento do mercado de seguros. Há uma classe média que
ainda não conhece os produtos e que agora terá a oportunidade
de se entender o seu funcionamento e planejar o futuro.
Segundo o estudo, algumas mudanças terão que ser feitas
e observadas pelas seguradoras para atrair e conquistar esse novo público,
como por exemplo: o desenvolvimento tecnológico e o desafio de um
ambiente regulatório mais rigoroso. A pesquisa aponta ainda que
as empresas de seguros devam ser menos complexas e criar flexibilidade
e agilidade (Executivos Financeiros)
12.05 - A importância das novas regras de governança
A BM&FBovespa divulgou uma nova edição do regulamento
de listagem do Novo Mercado, segmento que abriga as companhias sujeitas
aos padrões de governança corporativa mais elevados e diferenciados
exigidos pela entidade.
O novo regulamento, que entrou em vigor no último dia 10, foi
modernizado e adequado às normas expedidas pela Comissão
de Valores Mobiliários (CVM) nos últimos anos. Dentre as
principais alterações, destaca-se a vedação
da limitação do número de votos por acionistas ou
grupos de acionistas em percentual inferior a 5% e a proibição
da inserção, nos estatutos sociais.
Fica também impedido o estabelecimento de quoruns qualificados
para deliberação de assuntos privativos da assembleia geral
de acionistas, bem como a inclusão de medidas que dificultem ou
impossibilitem a aprovação de alterações estatutárias
pelos acionistas. As mudanças visam combater certos dispositivos
inseridos em documentos constitutivos de determinadas companhias sob a
justificativa de fazer frente a potenciais "ataques corporativos" que ameacem
a estrutura de controle acionário de tais empresas.
Esses dispositivos, também conhecidos como "poison pills", impõem
barreiras (societárias ou pecuniárias) a potenciais investidores
interessados em adquirir percentual relevante do capital social ou mesmo
o controle societário sobre a companhia e, em determinadas situações,
podem se mostrar contrários aos melhores interesses da companhia
e de seus acionistas (especialmente os minoritários). Na hipótese
de oferta pública para aquisição de ações
da companhia, caberá ao conselho emitir parecer justificado posicionando-se
acerca da proposta.
Outra novidade é a proibição da acumulação,
em caráter permanente, dos cargos de presidente do conselho de administração
e de principal executivo da companhia (tipicamente, o CEO). Os membros
do conselho de administração deverão, ainda, informar
às companhias em que atuam os cargos que ocupam em órgãos
diretivos, executivos e fiscalizatórios de outras empresas.
No que tange à prestação de informações
periódicas, a obrigatoriedade da apresentação de demonstrações
financeiras anuais traduzidas para o inglês foi mantida e expandida
para englobar também as informações financeiras trimestrais,
sendo que estas últimas deverão incluir, ainda, nota explicativa
sobre transações conduzidas pela companhia com partes relacionadas.
Foram mantidas as obrigações de realizar, ao menos anualmente,
audiência pública com analistas de mercado e outros interessados,
bem como de apresentar o calendário anual de eventos corporativos
(que deverá ser apresentado no ano anterior ao que se refere e passa
a contar com regras mais rígidas para sua alteração).
Adicionalmente, o novo regulamento introduz a obrigatoriedade da implementação
de um código de conduta e de uma política de negociação
com valores mobiliários de própria emissão.
O novo regulamento de listagem traz ainda propostas de redação
para as cláusulas mínimas obrigatórias que devem constar
dos estatutos sociais das empresas listadas no Novo Mercado. Tais cláusulas
deverão ser implementadas nos estatutos sociais das companhias listadas
na primeira assembleia geral de acionistas que ocorrer após o prazo
de noventa dias contado a partir da entrada em vigor do novo regulamento,
ou na assembleia geral que deliberar sobre a aprovação das
demonstrações financeiras relativas ao presente exercício
social, o que ocorrer primeiro.
Finalmente, o novo estatuto inclui um regulamento de aplicação
de sanções pecuniárias no Novo Mercado. Esse regulamento
descreve, de forma elucidativa e detalhada, as infrações
que implicam aplicação de multas.
Com a edição dos novos regulamentos (também as
regras dos Níveis 1 e 2 de governança corporativa foram adaptadas),
a BM&FBovespa conclui um longo processo de revisão que envolveu
diversos participantes do mercado e resultou em normas em linha com o atual
regime de acompanhamento das companhias abertas registradas no Brasil.
(Gustavo Rugani do Couto e Silva - Valor Online)
12.05 - Inflação incomoda o mercado novamente
Estava muito bom para ser verdade. Após um breve período
de recuperação, com três pregões de alta, a
Bovespa retomou ontem o movimento de queda das últimas semanas.
O Índice Bovespa fechou em queda de 1,70%, aos 63.775 pontos, a
um triz da mínima do ano, aos 63.407 pontos do dia 5 deste mês.
O mercado voltou a temer a resistência da inflação
e, por tabela, a estratégia do governo para contê-la com modesta
alta de juros e medidas macroprudenciais. O investidor torceu o nariz após
a divulgação da primeira prévia do Índice Geral
de Preços do Mercado (IGP-M) de maio, com alta de 0,72%, sendo que
a média das expectativas era em torno de 0,37%.
Além do número salgado, a composição do
índice também preocupa, diz o sócio da Cultinvest
Asset Management Walter Mendes. "Dentro do IGP-M, a parte de construção
civil está pressionada pelos salários, algo difícil
de se reverter; sem contar as matérias-primas que o mercado acreditava
que cairiam graças à recente desvalorização
das commodities, e isso não ocorreu", explica Mendes.
Prévia salgada do IGP-M aumenta aversão a risco
A melhora do mercado nos últimos pregões foi exatamente
graças à percepção de que o governo conseguiria
sim domar a inflação, lembra o sócio da Cultinvest.
Um conjunto de fatos levou os investidores a pensar dessa forma.
A ata da última reunião do Comitê de Política
Monetária (Copom) deu menos relevância às medidas macroprudenciais,
reforçando a ideia de que o governo vai focar mais na alta da Selic.
As commodities também caíram, o que contribui para o arrefecimento
da inflação. A queda do dólar também mostrou
que o governo está mais preocupado com a inflação
do que em segurar o câmbio.
O Boletim Focus desta semana também apontou a primeira queda
nas projeções para a inflação, após
nove semanas de alta. E, por fim, o presidente do Banco Central, Alexandre
Tombini, tem sido enfático ao dizer que continua perseguindo o centro
da meta de inflação.
Para Mendes, é cedo para dizer que, com o número negativo
de ontem, "o mercado voltou a jogar a toalha". No entanto, os investidores
devem esperar novos números para só depois resolver se vale
ou não a pena permanecer no mercado.
O cenário externo também ajudou na piora da bolsa ontem.
Na China, a atividade econômica veio mais fraca, mas a inflação
subiu. Houve também um forte movimento de venda das commodities.
O contrato futuro de maior liquidez do petróleo do tipo WTI, negociado
em Nova York, caiu 5,46%, enquanto o Brent, negociado em Londres, se desvalorizou
4,38%. Em relatório, o economista-chefe da Interbolsa Brasil, Júlio
Hegedus, afirma que a impressão que se tem é que o mercado
de commodities vive um estouro de bolha. Na visão dele, os investidores
"caíram na real de que o crescimento global neste ano será
mais fraco", tanto por causa dos países desenvolvidos quanto dos
emergentes. (Daniele Camba - Valor Online)
11.05 - Novo mercado já é metade do Ibovespa
Pouco mais de dez anos após a criação do Novo
Mercado, as companhias desse segmento invadiram o Índice Bovespa,
refletindo as preferências dos investidores e evidenciando a carência
histórica do mercado local por novos ativos. Das 64 companhias que
compõe o indicador, 31 são do espaço diferenciado
de governança da bolsa paulista - praticamente a metade. Essas empresas
respondem por 38% do peso da carteira teórica. Em 2007, ano de maior
atividade do mercado, eram 14 empresas, que somavam 12,5% de participação
no índice.
Integrar a carteira do Ibovespa significa estar entre as ações
mais negociadas da bolsa, pois a liquidez nos últimos 12 meses é
o principal quesito de composição desse indicador.
A formação atual do índice é um sinal de
que os investidores estão dando preferência às companhias
com maior governança, o que fez com que elas saíssem, em
pouco tempo, da lista das novatas para a de mais negociadas.
Embora o Novo Mercado tenha sido criado em dezembro de 2000, somente
a partir de 2004 é que houve atividade efetiva nas aberturas de
capital, com 135 estreias desde então. Antes disso, apenas a CCR,
em 2002, fez uma oferta inicial de ações.
"O Índice Bovespa é o retrato fiel do que é negociado
no mercado", ressaltou Gilberto Mifano, hoje presidente do conselho do
Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) e executivo
que atuou diretamente na criação do Novo Mercado e dos níveis
de governança (1 e 2), quando estava na então Bovespa (hoje
BM&FBovespa).
Das 31 companhias do Novo Mercado que estão na elite de liquidez
da bolsa, 21 são empresas que abriram capital após a criação
do segmento. As demais já eram negociadas e aderiram ao padrão,
convertendo ações preferenciais em ordinárias.
A formação do Ibovespa é revisada a cada quatro
meses. "É um processo dinâmico de entrada e saída de
companhias", destacou Antônio Carlos Rebello, diretor de relações
com empresas da bolsa. Da carteira vigente, apenas dez empresas não
possuem nenhum selo de governança.
Tanto Mifano, que atuou na criação do Novo Mercado, como
Rebello destacam ser surpreendente a força que as empresas do espaço
diferenciado conquistaram no mercado nacional. "É um diferencial
de comprometimento, por conta dessa composição. As companhias
que hoje formam o Ibovespa estão mais preparadas para enxergar o
mercado como componente de seu crescimento", disse o executivo da BM&FBovespa,
lembrando que o cenário era exatamente o oposto há cerca
de dez anos. Na época, o país vivia um movimento de fechamento
de capital e o mercado praticamente não era usado pelas empresas
como instrumento de capitalização.
"O mercado estava totalmente concentrado em telecomunicações",
lembrou Mifano, por causa da privatização do sistema Telebrás.
Em dezembro de 2000, quando o Novo Mercado foi anunciado, o indicador era
composto por 57 ações e 48 empresas - mas 15 delas pertenciam
ao setor de telecomunicações e somavam mais de 45% de participação
no indicador. Atualmente, o indicador tem 69 ativos e 63 empresas e nenhum
setor tem uma representação tão significativa. O número
de setores que participam da formação da carteira teórica
subiu de nove para 15.
Assim, o Novo Mercado e os níveis, ao contribuírem para
a revitalização do mercado brasileiro, também promoveram
a melhora do problemas históricos do Ibovespa, como a excessiva
concentração em poucos setores e companhias. "Hoje dá
para fazer seleção de empresas de verdade", conta Eduardo
Favrin, diretor de renda variável do HSBC.
Com as aberturas de capital, ingressaram no índice os setores
de construção, frigoríficos, operadoras de cartões
de crédito, açúcar e álcool, entre outros.
Além disso, o segmento de consumo ganhou novos representantes no
índice.
Para Favrin, o Ibovespa ainda sofrerá muitas modificações,
porque o mercado o brasileiro ainda está em fase de desenvolvimento.
Uma das críticas ao Ibovespa era a pouca correlação
com os setores relevantes para o Produto Interno Bruto (PIB) do país.
Segundo Favrin, houve uma evolução importante nesse sentido
nos últimos anos. Contudo, ainda há muito para ocorrer. "Finalmente,
o mercado passou a ser visto pelas empresas como instrumento de captação."
Para ele, faz sentido que no futuro setores como turismo, alimentos,
agronegócios e infraestrutura tenham mais representantes na bolsa.
"A economia brasileira, ao contrário de outros países emergentes,
é muito diversificada. O mercado também pode ser ainda mais
do que é hoje."
Na avaliação do diretor do HSBC, foi o Novo Mercado que
permitiu esse movimento, pois chamou atenção do investidor.
"A tendência é se aproximar cada vez mais do PIB", também
aposta Rebello, da BM&FBovespa. O diretor da bolsa acredita que além
de novas aberturas, muitas companhias ainda irão migrar para o segmento
diferenciado. "Acho que o movimento da Ultrapar (a companhia está
em processo de migração) vai ser um divisor de águas,
assim como foi a Natura para as aberturas de capital", disse o executivo.
Para ele, muitas companhias vão seguir esse exemplo, em busca de
uma melhor avaliação pelos investidores e a consequente valorização
do negócio.
Porém, Mifano, do IBGC, destaca que por um longo tempo existirão
as blue chips que não estão no Novo Mercado e que convivem
bem com a estrutura de capital formada por ações preferenciais
e ordinárias. "Não há necessidade que seja tudo Novo
Mercado."
O crescimento, contudo, será natural. Quando observada toda
a bolsa, as companhias dos níveis diferenciados de governança
já respondem por 80% de todo o volume diário negociado e
65% de toda a capitalização bursátil, que é
de R$ 2,5 trilhões.
Ao longo do tempo, o aumento da presença de companhias do espaço
diferenciado no Ibovespa também deve melhorar outro ponto crítico:
a concentração de capital nas mãos dos donos das empresas.
É crescente o número de empresas, entre as do Novo Mercado,
que já não possuem um sócio que tenha mais de 50%
do capital.
Por enquanto, a concentração de capital do Ibovespa permanece
inalterada em 57%. Mas hoje, o indicador já conta com empresas cujo
capital está totalmente ou quase disperso na bolsa, como Lojas Renner
(a primeira a pulverizar as ações, em 2005), Gafisa, PDG,
Hypermarcas e a própria BM&FBovespa.
Não é difícil prever que tal movimento, portanto,
ampliará a dispersão no futuro.
A evolução histórica média dessa concentração
do Ibovespa sofreu com a megaoferta de R$ 120 bilhões da Petrobras
no ano passado. A União ampliou sua participação na
estatal, elevando a concentração na empresa e, portanto,
do próprio índice - a empresa é a maior e mais relevante
do indicador. (Graziella Valenti - Valor Online)
11.05 - Conceito de governança evolui mais que segmento
"O Novo Mercado tem que ser só o começo porque não
é tudo. É ponto de partida, não de chegada." A avaliação
é do coordenador do Centro de Estudos em Governança (CEG),
da Fipecafi-USP, Alexandre Di Miceli. O especialista acredita que as práticas
do espaço diferenciado da BM&FBovespa são importantes,
"mas não suficientes".
Na opinião de Di Miceli, o Novo Mercado perdeu valor desde a
sua criação, pois a diferenciação do segmento
perante o restante do mercado diminuiu e as regras do segmento não
evoluíram na mesma velocidade que a regulamentação
geral ou mesmo que as discussões sobre governança.
O debate sobre boas práticas na gestão empresarial está
em constante evolução, acompanhando as demandas de mercado
- em especial as geradas pelas crises.
Segundo análise de Di Miceli, nos últimos dez anos houve
uma mudança estrutural e uma ampliação no conceito
de governança. O tema deixou de dizer respeito só ao alinhamento
de interesses entre sócios majoritários e minoritários
e agora inclui questões do aprimoramento da gestão e do processo
decisório.
O recente documento emitido pela União Europeia, o "green paper"
sobre governança empresarial, traz diversas questões ligadas
à gestão dos negócios. A minuta destaca a questão
da fiscalização e dedica-se a assuntos relacionados à
administração, como a formação e o papel do
conselho de administração, remuneração, gestão
de riscos e formas de relatar as práticas de governança,
entre outros.
Os conselhos de administração são importantes
para desafiar a gerência executiva, na visão do documento.
O "green paper" defende a diversidade de perfis na composição
desse colegiado, para agregar o máximo possível de competências
e uma variedade maior de valores, visões e experiências.
Nesse mesmo sentido, o documento cobra também o papel do investidor.
É determinante que os acionistas se envolvam com a empresa, para
cobrar e acompanhar a administração. "No entanto, há
evidências de que a maioria dos acionistas é passiva e muitas
vezes focada em lucros de cruto prazo", destaca a minuta.
Gilberto Mifano, presidente do conselho do Instituto Brasileiro de
Governança Corporativa (IBGC), acredita que o Novo Mercado não
precisa ficar sempre à frente da lei, como no momento de sua criação.
Para manter sua evolução, ele acredita que o segmento precisará
incorporar externalidades das companhias, como questões sociais
e ambientais. (Graziella Valenti - Valor Online)
10.05 - Mercado mantém estimativa de crescimento do PIB
Analistas do mercado financeiro consultados pelo Banco Central reduziram
a projeção para o crescimento da economia - Produto Interno
Bruto (PIB) - em 2012 de 4,25% para 4,21%, segundo o boletim Focus, publicado
às segundas-feiras. A expectativa para o crescimento da economia
neste ano permanece em 4%.
A estimativa para o crescimento da produção industrial
foi alterada de 4,04% para 3,78, neste ano, e de 4,58% para 4,68%, em 2012.
A projeção para a relação entre a dívida
líquida do setor público e o PIB foi ajustada de 39,23% 39,20%,
em 2011, e de 38% para 37,87%, no próximo ano.
A expectativa para a cotação do dólar permanece
em R$ 1,62, neste ano, e em R$ 1,70, em 2012. A previsão para o
superávit comercial (saldo positivo de exportações
menos importações) passou de US$ 18,05 bilhões para
US$ 18 bilhões, neste ano, e continua em US$ 10 bilhões,
em 2012.
Para o déficit em transações correntes (registro
das transações de compra e venda de mercadorias e serviços
do Brasil com o exterior), a estimativa permanece em US$ 60 bilhões,
neste ano. Para 2012, subiu de US$ 69,50 bilhões para US$ 70 bilhões.
A expectativa para o investimento estrangeiro direto (recursos que
vão para o setor produtivo do país) passou de US$ 46 bilhões
para US$ 50 bilhões, neste ano, e continua em US$ 50 bilhões,
em 2012. (Agência Brasil)
10.05 - Mercado eleva previsão para taxa de juros
O mercado financeiro elevou a previsão para a Selic (a taxa
básica de juros da economia) para o fim de 2012, de 12,00% para
12,25% ao ano, segundo o boletim Focus, divulgado segunda-feira pelo Banco
Central (BC). Para o encerramento de 2011, as previsões continuaram
apontando taxa de 12,50% ao ano. Atualmente, a Selic está em 12,00%
ao ano.
Embora o mercado tenha aumentado a expectativa para o patamar da Selic
no fim de 2012, os analistas mantiveram em 5% a previsão para o
Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2012. Para
2011, no entanto, o mercado financeiro reduziu levemente a projeção
para a inflação oficial, segundo o boletim Focus. A expectativa
para a taxa neste ano caiu de 6,37% para 6,33%, em um patamar ainda distante
do centro da meta de inflação, que é de 4,50% para
o ano. A meta tem margem de tolerância de dois pontos porcentuais
para cima ou para baixo. No caso da inflação de curto prazo,
o mercado elevou de 0,43% para 0,45% a previsão para o IPCA de maio
de 2011.
O mercado financeiro manteve a projeção de crescimento
do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011, em 4,00%, segundo o boletim Focus.
Para o ano que vem, a projeção para o crescimento da economia
recuou de 4,25% para 4,21%. A estimativa para o crescimento da produção
industrial em 2011 passou de 4,04% para 3,78%. Para 2012, a projeção
para a expansão da indústria subiu de 4,58% para 4,68%.
Para o mercado de câmbio, os analistas preveem que o dólar
encerre 2011 em R$ 1,62, valor igual ao estimado na semana anterior. A
projeção do câmbio médio no decorrer de 2011
seguiu em R$ 1,61. Para o fim de 2012, a previsão para o câmbio
permaneceu em R$ 1,70.
Contas externas
O mercado financeiro manteve a previsão para o déficit
nas contas externas em 2011. A previsão para o déficit em
conta corrente neste ano passou seguiu em US$ 60,00 bilhões. Para
2012, o déficit em conta corrente do balanço de pagamentos
foi de US$ 69,50 bilhões para US$ 70,00 bilhões.
Já a previsão de superávit comercial em 2011 caiu
de US$ 18,05 bilhões para US$ 18,00 bilhões. Para 2012, a
estimativa para o saldo da balança comercial permaneceu em US$ 10,00
bilhões. Analistas elevaram a estimativa de ingresso de Investimento
Estrangeiro Direto (IED) em 2011, de US$ 46,00 bilhões para US$
50,00 bilhões. Para 2012, a previsão seguiu em US$ 45,00
bilhões. (Agência Estado)
10.05 - Analistas agora preveem inflação menor
Pela primeira vez em oito semanas, projeções para o indicador
estão mais baixas; aposta é de 6,33% para 2011
Variações menores de preços de alimentos e combustíveis,
como o álcool, tendem a aliviar o bolso do consumidor
Depois de oito semanas seguidas apostando em uma taxa de inflação
cada vez mais alta para o ano, economistas ouvidos pelo Banco Central cederam
e, pela primeira vez, reduziram suas estimativas para o índice.
Segundo a pesquisa Focus, feita semanalmente, a maior parte dos agentes
do mercado espera que a inflação ficará em 6,33% no
ano, contra estimativa de 6,37% na semana anterior.
O resultado se deve ao fato de que a inflação de abril
ficou abaixo da esperada. Na última sexta-feira, o Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística revelou que o IPCA (Índice de
Preços ao Consumidor Amplo) subiu 0,77%.
Economistas previam uma variação de 0,81% no período,
e tiveram que ajustar suas estimativas.
Segundo Silvio Campos Neto, economista da Tendências, aspectos
sazonais favoráveis, como a acomodação no preço
dos alimentos e a queda esperada dos combustíveis, em função
da safra da cana-de-açúcar, devem ajudar a reduzir a inflação.
Ele espera que o indicador fique abaixo de 0,50% nas próximas
medições mensais.
"Mas isso ainda não sinaliza uma mudança na visão
dos agentes. O estrago já foi feito e essa melhora não mostra
que a batalha está ganha", avalia.
DESACELERAÇÃO
A Fundação Getulio Vargas divulgou ontem que os preços
no atacado já começaram a desacelerar, o que poderá
suavizar os repasses para os consumidores nos próximos meses.
O IGP-DI (Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna)
de abril subiu 0,50%. Os preços do atacado, que têm forte
peso na composição do índice, subiram 0,24%, ante
0,60% no mês anterior.
O economista da FGV Salomão Quadros explicou que a alta das
commodities agrícolas já chega perto de um limite. Segundo
ele, a expectativa é que haja um período de estabilização
das cotações, e que alimentos pressionem menos daqui para
a frente (ANA CAROLINA OLIVEIRA e CIRILO JUNIOR - Folha de S.Paulo)
09.05 - Seguros: Alto risco
A Superintendência de Seguros Privados (Susep) analisa propostas
de blindagem dos fundos de previdência – separação
do dinheiro dos investidores do capital das empresas do setor.
Como o estudo se arrasta na superintendência, pasmem, desde 2006,
já é hora de fazer constar nos contratos advertência
de que, em caso de falência das administradoras, o dinheiro do aplicador
irá para o ralo. (IstoÉ Online)
09.05 - Inflação passa do limite
IPCA acumulado em 12 meses até abril fica em 6,51%, acima da
meta do governo
A inflação rompeu, pela primeira vez desde 2005, o teto
da meta estipulada pelo governo: nos últimos 12 meses terminados
em abril, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA),
calculado pelo IBGE, acumulou variação de 6,51%, enquanto
o limite oficial é de 6,5%. Em julho de 2005, a taxa foi de 6,57%.
No mês passado, o IPCA ficou em 0,77%, o que significou uma ligeira
desaceleração em relação ao 0,79% de março,
mas foi a maior alta mensal para um mês de abril nos últimos
seis anos. Apesar de o governo vir insistindo que a inflação
está sob controle e que começará em maio a convergir
para o centro da meta (4,5% no ano), o objetivo principal, o mercado está
dividido e alguns analistas já acreditam que o IPCA só ficará
no limite desejado pelo Planalto em 2013. Há consenso apenas nas
previsões de novas altas da taxa básica de juros nas próximas
reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom).
Desde janeiro deste ano, já houve elevação de 1,25
ponto percentual da Selic, para 12% ao ano.
O mercado vinha esperando uma taxa maior para abril, entre 0,83% e
0,89%. Já para o índice fechado de 2011, a previsão
de analistas é de que a inflação rompa a barreira
dos 6,5%. A coordenadora de Índices de Preços do IBGE, Eulina
Nunes dos Santos, chama atenção para um detalhe:
- Vamos ter um efeito matemático daqui para a frente. Qualquer
que venha a ser a taxa positiva em junho, julho e agosto, vai puxar o IPCA
em 12 meses para cima, já que a inflação foi próxima
de zero nesses períodos do ano em 2010.
Combustíveis são o novo vilão
Ou seja, segundo Eulina, sairão do cálculo taxas muito
baixas e entrarão novas, com variações mais altas.
No ano, até abril, o IPCA acumulou alta de 3,23%. O que mudou
em relação a março foi o perfil da inflação.
Os alimentos deixaram de ser vilão e os combustíveis ocuparam
este lugar. No mês passado, o grupo com maior alta de preços
foi o de transportes: 1,57%, refletindo o avanço de 6,53% dos combustíveis,
que, sozinhos, responderam por 0,30 ponto percentual do IPCA no mês.
Os alimentos subiram menos: 0,58% contra a alta de 0,75% registrada em
março.
Alessandra Ribeiro, sócia da Tendências Consultoria, acha
que a queda dos preços só dura até outubro. Para ela,
a inflação só vai convergir para o centro da meta
em 2013.
- Aqueles itens que tiveram alta expressiva vão deixar de pressionar.
Mas a inflação vai voltar a acelerar em outubro, e nossa
aposta é que vai passar a girar em torno de 0,5% ao mês. A
inflação não está sob controle.
Já o economista Elson Teles, da Máxima Asset, ressalta
que é a primeira vez, desde o fim de 2010, que a inflação
do mês surpreende positivamente. Ele aposta que, na margem, a inflação
vai continuar desacelerando, mas também acha difícil que
ela volte ao centro da meta em 2012.
O economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otavio de Souza Leal,
por sua vez, acha que o aumento de algumas tarifas deverá impedir
uma queda mais expressiva em maio. Pelas suas projeções,
a inflação este mês deverá ficar entre 0,50%
e 0,55%. Em maio, as pressões no IPCA já esperadas pelo IBGE
serão as tarifas de energia e de ônibus urbano, especialmente
no Rio.
O resultado da inflação não pegou o BC de surpresa,
mas serviu para reforçar a tese de que a escalada de preços,
daqui para frente, vai "recuar fortemente". Em maio, o IPCA já deve
diminuir para algo próximo a 0,45%, como prevê o mercado,
caindo para algo perto de 0,1% nos dois meses seguintes. Desse modo, olhando-se
para 12 meses à frente, o indicador já estaria na trajetória
de convergência para o centro da meta.
Essa perda de força da inflação virá, sobretudo,
dos efeitos da politica monetária restritiva implementada pelo BC
desde dezembro passado, quando anunciou medidas para conter o crédito,
além da alta da Selic. Os preços do álcool devem perder
força e voltar para os níveis históricos em breve:
ou seja, 70% do preço da gasolina, o que também vai ajudar.
O governo lembra que, em 2005, o IPCA ficou sete meses seguidos acima
do teto da meta - chegou a ultrapassar 8% anualizado - e que, no fim do
ano, foi de 5,69%. Ainda bem acima do centro da meta de 4,5%, mas dentro
da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou menos.
(Liana Melo, colaborou Patrícia Duarte - O Globo)
09.05 - Inflação pelo IPCA fica em 0,77% em abril
A inflação de abril pelo Índice de Preços
ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,77%, segundo informou sexta-feira
o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável
pelo levantamento de preços. Em março, a inflação
pelo IPCA havia sido de 0,79%. Com o resultado, o IPCA acumula alta de
3,23% no ano e de 6,51% no período de 12 meses encerrado no mês
passado, superando o teto da meta de inflação do governo
para este ano, de 6,5%.
O índice engloba a variação de preços para
famílias com rendimentos mensais de 1 a 40 salários mínimos,
residentes nas principais áreas urbanas do País. O IPCA também
é o índice oficial utilizado pelo Banco Central (BC) para
cumprir o regime de metas de inflação, determinado pelo Conselho
Monetário Nacional (CMN). O centro da meta de inflação
para 2009 foi estabelecido em 4,5%, com margem de tolerância de dois
pontos porcentuais para cima ou para baixo.
INPC
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que
apura a inflação para famílias com rendimento mensal
de 1 a 6 salários mínimos, foi de 0,72% em abril. No ano,
o INPC acumula alta de 2,89% e, em 12 meses, de 6,30%. O INPC é
utilizado em geral para os reajustes salariais. (Agência
Estado)
06.05 - IPCA de abril: Teto da meta pode ser rompido
Segundo levantamento, analistas de mercado estimam alta de 0,85% na
inflação em abril, o que levaria ao estouro da meta no período
de 12 meses
A inflação acumulada em 12 meses até abril deve
superar o teto da meta de 6,5% e os índices mensais dos três
próximos meses podem trazer alívio para a escalada inflacionária
mensal, preveem analistas de mercado. Mas essa trégua, provocada
pela entrada da safra de alimentos e da cana e pela ausência de reajustes
de preços administrados nesse período, não será
suficiente para atenuar o preocupante cenário inflacionário
de 2011.
Estimativas de 45 instituições financeiras ouvidas pelo
AE Projeções para o Índice de Preços ao Consumidor
Amplo (IPCA) de abril, que será conhecido hoje, variam de 0,66%
a 0,91%, com média em 0,85%. Esse intervalo aponta para uma inflação
acumulada em 12 meses até abril entre 6,39% e 6,65%, com mediana
muito próxima dos 6,60%.
"A inflação de abril ainda será muito feia", diz
a economista do Banco Santander, Tatiana Pinheiro. Ela projeta para abril
um IPCA de 0,83%, ante o de 0,79% em março. Tatiana se considera
otimista entre seus pares de mercado. No extremo oposto, Thiago Curado,
economista da Tendências Consultoria Integrada, espera um IPCA para
abril de 0,89% e se considera pessimista.
Divergências numéricas à parte, ambos economistas
concordam em dois pontos. O primeiro é que a disparada dos preços
dos combustíveis fez a inflação de abril escapar das
previsões. O segundo ponto é que, entre maio e julho, a expectativa
é de que a inflação mensal seja mais moderada por
causa da entrada no mercado da safra de cana-de-açúcar e
de vários produtos agropecuários.
Uma parte desse movimento de queda de preços dos produtos agropecuários
já é realidade no campo e deve ter impacto nas próximas
semanas nos índices de inflação ao consumidor. Pela
primeira vez desde julho do ano passado, o Índice Quadrissemanal
de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista, apurado pela
Secretaria da Agricultura, encerrou abril com deflação de
0,61%. A queda ocorreu tanto entre produtos de origem animal (-1,06%) como
de origem vegetal (-0,42%). O preço do frango recebido pelo produtor
caiu, por exemplo, 11,33% em abril e o arroz com feijão ficou 2,5%
e 6,26% mais barato, respectivamente, no mês passado.
Trégua. De olho nesse recuo dos preços agropecuários,
na ausência de reajustes de preços administrados importantes,
como transporte e energia elétrica, e passado o impacto da alta
dos combustíveis, Curado, da Tendências, projeta um IPCA de
0,42% para maio, de 0,15% para junho e de 0,17% para julho. Tatiana, do
Santander, estima que a inflação deste mês desacelere
para 0,60%, a de junho para 0,30% e o IPCA de julho recue para 0,20%.
"O governo vai ficar mais otimista quando a inflação
recuar para 0,20%, pois esse resultado pode ser mais condizente com a meta",
observa Tatiana. Mas ela e Curado ressaltam que o alívio mensal
no curto prazo não significa que o problema inflacionário
acabou. Muito ao contrário.
Segundo Tatiana, o recuo da inflação no fim do segundo
e no início do terceiro trimestre faz parte do comportamento normal
dos preços nesse período do ano. Mesmo com essa "trégua"
na inflação, ela diz que o IPCA acumulado em 12 meses deve
superar o teto da meta em outubro e novembro. A partir de setembro, com
as negociações salariais de categorias importantes, como
petroleiros e bancários, e o maior consumo de fim de ano, a inflação
normalmente volta a ser pressionada, diz ela. (Márcia De Chiara,
Marcílio Souza e Flávio Leonel - O Estado de S.Paulo)
06.05 - Para o BC, inflação já está sob
controle
O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, aproveitou a
apresentação que fez na Câmara dos Deputados, quinta-feira,
em Brasília, para reforçar os pontos da nova estratégia
do BC para o combate à inflação, descrita na ata da
última reunião do Copom e que indica um aperto "prolongado"
dos juros. Segundo ele, o país já está "com a inflação
sob controle" e os dados mensais a partir deste mês já mostrarão
um IPCA em torno do centro da meta, na casa dos 0,4% ao mês. É
preciso, porém, "garantir" que a inflação convirja
para a meta em 2012 (4,5%), por isso um ciclo mais longo de aumento da
Selic.
"Isso é uma necessidade. Precisamos ter garantias de que a inflação
em 2012 convergirá para o centro da meta", disse Tombini aos deputados
e senadores presentes à audiência pública conjunta
no Plenário da Comissão Mista de Orçamento da Câmara.
"O combate à inflação não é uma
corrida de 100 metros. É um esforço prolongado. A política
monetária tem defasagens. Tudo o que foi feito até agora
não conseguiu atingir ainda a inflação corrente nesses
três meses. A inflação acumulada em 12 meses voltará
a recuar no terceiro ou quarto trimestre deste ano e rumará com
segurança para o centro da meta", disse.
O IPCA do mês passado será divulgado hoje e Tombini acredita
que o número ainda será "alto". O primeiro quadrimestre teve
inflação mensal de 0,8%, disse, acima do que é compatível.
Mas o indicador começará a recuar neste mês, quando
o IPCA deverá apontar para algo entre 0,35% e 0,4%, segundo ele.
Há agentes do mercado, lembrou Tombini, que já acreditam
que a inflação de junho e julho virá em um nível
muito baixo, mas não é esse o cenário do BC. "A inflação
será baixa, mas não tão baixa quanto junho e julho
de 2010 (quando ficou próxima de zero). No acumulado de 12 meses,
no entanto, continuará a crescer, mesmo que hoje a inflação
esteja sob controle e caminhando para a meta (em bases mensais)", afirmou.
Tombini negou que tenha havido uma mudança na política
monetária alardeada na ata do Copom, em relação ao
que havia sido afirmado no Relatório de Inflação do
fim de março. O que ocorreu, segundo ele, foi apenas uma "ênfase"
maior nos instrumentos convencionais (juros), mas as medidas macroprudenciais
não foram descartadas. "Não há mudança alguma.
Apenas na comunicação demos destaque especial para as políticas
convencionais".
Ele também reafirmou que o choque de preços externos
teve impacto relevante nos preços domésticos, mas que esse
não é o único fator que pressiona a inflação.
"Não é a visão do Banco Central de que não
há inflação de demanda. A visão do BC é
que há múltiplos fatores que influenciam os preços.
Alguns são comuns a todos os países (alimentos e energia).
Mas há também, e o BC sempre reconheceu, fatores ligados
à demanda, que cresceu 10,5%, à frente do PIB, e que está
refletido, por exemplo, nos preços dos serviços" afirmou
ele.
Com relação ao câmbio, Tombini disse que não
está no radar do BC a aplicação da temida "quarentena"
para a entrada de recursos estrangeiros no país, mas que a autoridade
monetária permanecerá atenta ao fluxo de dólares,
ainda em nível elevado e com impacto no crédito interno.
Ele ponderou, porém, que a contribuição das variações
cambiais para o controle dos preços diminuiu ao longo do tempo graças
à política de câmbio flutuante. "Não dá
para contar com isso para fazer a inflação convergir", afirmou.
Por fim, o presidente do Banco Central disse que é possível
compatibilizar inflação e crescimento. "Obviamente temos
os ciclos econômicos, quando a ênfase no controle da inflação
deve ser maior, como agora. Não dá para crescer com a inflação
descontrolada. Também de nada vale uma economia controlada que não
cresce", disse Tombini. "Estamos num período de crescimento. É
possível crescer sim e teremos um crescimento significativo. Vamos
combater a inflação e crescendo", completou o presidente
do Banco Central. (Fernando Travaglini - Valor Online)
06.05 - Fazer omelete sem quebrar os ovos?
"Quem apostar na inflação vai perder". Assim, o então
ministro Mário Henrique Simonsen admoestou aqueles que acreditavam
na alta da inflação, na esteira do segundo choque do petróleo,
então nosso principal item de importação. O ano era
1979. Em que pesem as impecáveis credenciais do ministro, sua advertência
não teve mais efeito do que as de outros que o seguiram no cargo:
a inflação, que em junho de 1979 acumulava 45% em doze meses,
um ano depois já estava em 84%; e, cinco anos à frente, beirava
os 200%.
Simonsen deixou o governo em agosto de 1979, defendendo uma política
de contenção de gastos e controle do déficit externo,
o que exigia uma desaceleração da economia, proposta que
não sensibilizou o presidente Figueiredo, que se alinhou com a ala
desenvolvimentista do governo. Após a saída de Simonsen,
o governo tirou o pé do freio e pisou no acelerador: o Produto Interno
Bruto (PIB), que aumentara 5% em 1978, subiu 6,8% em 1979 e acelerou em
1980, quando cresceu 9,2%. Além de a inflação quase
dobrar, isso aumentou o déficit em conta corrente em 1,7% do PIB
- sempre nos doze meses findos em junho - piorando a crise de financiamento
externo que veio em seguida.
Não foi a primeira vez que a relutância em segurar temporariamente
o crescimento para baixar a inflação prejudicou o desenvolvimento
do país. Algo semelhante ocorreu em 1974, depois que a alta dos
preços das importações, em especial do petróleo,
jogou o déficit em conta corrente e a inflação para
cima. A economia brasileira já vinha superaquecida, inclusive pela
política monetária expansionista de 1973, e a resposta a
esse choque deveria ter sido reduzir o crescimento e desvalorizar o câmbio.
Em vez disso, se decidiu combater a alta dos preços e os gargalos
externos aumentando a oferta, via investimentos subsidiados pelo Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), numa nova
rodada de substituição de importações.
Não foi a 1ª vez que a relutância em segurar o crescimento
para baixar a inflação prejudicou o desenvolvimento do país
Pode-se argumentar que a decisão de 1974 tinha uma inspiração
maior, de criar condições para um gradual retorno à
democracia, em um contexto em que a linha dura das Forças Amadas
ainda tinha poder para abortar esse processo, se fosse capaz de embalar
seus argumentos na bandeira de que a redemocratização comprometia
o crescimento. Mas a visão desenvolvimentista, de que crescer mais
rápido justifica "um pouco mais de inflação" e que
esta se resolve aumentando o investimento, em vez de segurando a demanda,
também teve influência. Em 1979, quando o quadro político
era mais favorável, o viés "desenvolvimentista" foi ainda
mais importante.
É interessante contrastar a resposta desenvolvimentista com
as reações mais ortodoxas a esses mesmos choques. Em 1974-75,
o mundo entrou em recessão, com o PIB global expandindo 2,3% ao
ano, contra 6,2% no biênio anterior. O Brasil, que, na visão
oficial da época, era uma ilha de tranquilidade em um mundo em crise,
cresceu 6,7% ao ano, em média nesse biênio. Para financiar
esse crescimento fomos aumentando nosso déficit externo que, em
que pese a gradual recuperação dos termos de troca até
1977, gerou a elevada dívida que nos anos 1980 nos levaria à
crise de financiamento externo e a perder quase duas décadas de
crescimento.
A comparação com a Coreia do Sul também ilustra
a diferença de estratégia. Em 1979, Brasil e Coreia do Sul
registravam grande dependência do petróleo importado, elevados
déficits em conta corrente e dívidas externas expressivas.
Os dois países sentiram, portanto, o segundo choque do petróleo
e o aperto monetário nos EUA. O Brasil tinha então um PIB
per capita, em paridade de poder compra, 20% acima do coreano. Em 1980,
a Coreia empreendeu um forte ajuste, freando firme a demanda doméstica,
em resposta a esses choques externos. O PIB coreano caiu 1,5% esse ano.
A inflação subiu, de 18% para 29%, com a alta do preço
dos combustíveis, mas cinco anos depois era de 2%. O Brasil, como
se viu, pisou no acelerador. Trinta anos depois, nosso PIB per capita é
um terço do coreano.
A visão desenvolvimentista, de que a demanda cria sua própria
oferta e que "um pouco de inflação" é só uma
turbulência transitória que não justifica "derrubar"
o crescimento para ser combatida, manteve-se viva e influente, mesmo com
a aceleração da inflação nos anos 1980. Ela
ajuda a entender, por exemplo, o fracasso do Plano Cruzado.
A experiência mostra, porém, que o desenvolvimento não
se alcança expandindo a economia além do que permitem as
restrições de oferta, mas sim com crescimento sustentável
e continuado. Nesse processo, a inflação não é
só a temperatura alta que sinaliza haver algo de errado com o organismo
econômico, mas também um fator que o debilita, aumentando
a incerteza e desestimulando o investimento, o grande limitante ao nosso
crescimento.
Declarações de efeito sobre o combate à inflação
são um esforço de moldar expectativas e, claro, são
válidas. Como mostrou a nossa história, porém, elas
se tornam mais recorrentes exatamente quando os fundamentos, que deveriam
fazer esse trabalho, não são bons. Não por outra razão,
elas raramente surtem efeito. (Armando Castelar Pinheiro -
Valor Online)
05.05 - Harmonizar interesses é a missão de conselheiro
'de fora'
A BM&FBovespa e o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa
(IBGC) possuem diretrizes para conselheiros independentes. Basicamente,
eles não podem ter vínculos com os controladores e com a
empresa, exceto uma eventual participação societária.
"O independente deve harmonizar os anseios de todos os acionistas.
A intenção é visar a valorização da
empresa, o que equivale a dizer que interesses que privilegiem um único
acionista deverão ser monitorados pelos independentes", afirma Ricardo
José de Almeida, professor do Insper.
"Isso dará maior confiança a todos os minoritários
e, em tese, aumentará a previsibilidade por parte dos que não
tem representantes no conselho do retorno de seus investimentos", diz.
Almeida observa que no caso de Nildemar Secches, Luiz Fernando Furlan
e Walter Fontana Filho, que têm passagens marcantes na Perdigão
e na Sadia, que originaram a BRF, o questionamento possível é
sobre a relação já estabelecida com os acionistas
controladores da empresa. A pergunta é se suas decisões podem
carregar um conteúdo de histórico de interesses conflitantes.
"É possível dizer eles não são os independentes
ideais", diz.
Eliane Lustosa, coordenadora-geral do Capítulo Rio, braço
regional do IBGC, explica que as discussões sobre as características
e principalmente a forma de escolha dos conselheiros independentes estão
atualmente no foco de debates da instituição.
"O tema é muito relevante porque envolve a escolha de uma pessoa
de fora da companhia e que tem a missão de alinhar os interesses",
afirma Eliane. O IBGC não comenta casos específicos, portanto
Eliane não opinou sobre as escolhas feitas pela BRF.
Embora haja diretrizes para o perfil e a escolha desse conselheiro,
ela acha que muitas questões podem ser avaliadas especificamente.
Um presidente de conselho, por exemplo, pode passar a independente no mandato
seguinte se tiver sido eleito como independente para comandar o órgão.
Para aqueles que já foram funcionários da companhia, a sugestão
é que haja um período de "quarentena" de três anos.
"O afastamento pode dar ao conselheiro a capacidade de questionar o
comando da empresa sem se constranger", diz. "É função
monitorar a administração, e ele tem de se sentir confortável
para isso". Para Eliane, como regra geral, se a pessoa é ligada
ao controlador, ou funcionário, é difícil ser totalmente
independente. (Ana Paula Ragazzi - Valor Online)
05.05 - Inflação convergirá para a meta só
em 2012
O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, disse terça-feira
que o BC está tomando todas as medidas necessárias para fazer
com que a inflação convirja para o centro da meta (4,5%)
em 12 meses. Em entrevista ao programa ‘Espaço Aberto Miriam Leitão’,
da GloboNews, Tombini reiterou que o BC vai trazer a inflação
para o centro da meta apenas em 2012 e admitiu que, nos próximos
meses, o índice de preços vai superar o teto de 6,5% no acumulado
de 12 meses.
A partir de maio ou junho, a expectativa do BC é de que a inflação
mensal esteja rodando dentro da meta, embora a anualizada ainda esteja
alta. Tombini negou que o BC tenha ''''jogado a toalha'''', ao ter admitido
que a inflação só vai convergir para a meta em 2012.
''''Para trazer essa inflação para o centro da meta, precisamos
de um horizonte um pouco mais largo'''', disse, ponderando que o BC brasileiro
talvez seja o ''''mais ativo'''' entre seus pares na luta contra a inflação.
De acordo com ele, a política fiscal vai ajudar no combate à
inflação. Confiante que a meta de superávit primário
será cumprida neste ano, Tombini elogiou a qualidade do esforço
fiscal. ''''Se olharmos os dados de março, veremos que as despesas
na margem estão crescendo abaixo do crescimento do PIB''''.
Questionado sobre se teria de fato autonomia para enfrentar a alta
da inflação, o presidente do BC lembrou que a taxa de juros
subiu 1 ponto porcentual nos três primeiros meses deste ano e sofreu
novo ajuste de 0,25 ponto na reunião do Comitê de Política
Monetária (Copom) de abril. ''''Isso não é uma corrida
de 100 metros, é um processo longo. E o BC levará esse processo
adiante o tempo que for necessário para fazer a inflação
convergir para a meta de 4,5% em 2012".
Fluxo
Tombini negou que tenha mudado a estratégia de combate à
inflação, substituindo o foco em medidas macroprudencias
por instrumentos convencionais de política monetária. Segundo
ele, o fluxo de US$ 35 bilhões recebidos pelo País em três
meses é inédito e provoca duas preocupações:
a inflação e a estabilidade financeira.
Ele ponderou que, quando houver uma reversão desses fluxos,
podem ocorrer problemas na estabilidade financeira. ''''Estamos trabalhando
junto com outros ministérios para moderar esse fluxo de entrada
e mitigarmos o problema de estabilidade financeira e econômica quando
esse dinheiro sair do Brasil".
O presidente do Banco Central reiterou que a política de acumulação
de reservas internacionais continua a mesma. Segundo ele, a crise de 2008
demonstrou a importância de ter um colchão de reservas sólido.
''''Nós vamos continuar comprando. O colchão de reservas
em relação ao tamanho da economia brasileira está
na faixa de 14% do PIB'''', disse, citando a proporção de
outras economias emergentes: Rússia (30%), Índia (21%) e
China (entre 47% e 50%).
Sobre um possível aumento de 14% para o salário mínimo
em 2012, Tombini disse que o impacto máximo das medidas de combate
à inflação ocorrerá no quarto trimestre deste
ano e no primeiro trimestre de 2012. ''''Nós temos de levar em consideração
tudo aquilo que sabemos de antemão. Temos de levar em consideração
essa regra (do salário mínimo) para definir nossos passos".
(Agência Estado)
05.05 - Inflação sinaliza recuo
Arrefecimento da alta de preços no atacado, influenciado por
carne e açúcar, pode chegar ao bolso do brasileiro
A inflação está batendo à porta das fábricas,
porém com menos força que no bolso do consumidor. Enquanto
a carestia cresceu 0,80% em março para as famílias, antes
do frete e de chegar à ponta, os produtos encareceram 0,39% - arrefecimento
de 0,21 ponto percentual frente aos 0,60% da alta de preços no atacado
registrada em fevereiro. A expectativa de analistas, a partir desses números,
é de que parte do recuo seja repassada para o varejo e dê
um alívio para o orçamento do brasileiro.
Os dados são do Índice de Preços ao Produtor (IPP),
indicador elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) que mostrou o arrefecimento mensal ainda fortemente influenciado
pelos alimentos - grupo cujos preços ficaram 0,59% mais baratos
quando comparados a fevereiro. Carne e açúcar puxaram a baixa.
A proteína animal devido aos pastos mais verdes, substitutos das
rações, baixou 4,46% para o consumidor no acumulado do ano.
Depois que o Brasil deixou de produzir etanol para lucrar com os altos
preços da commodity no mercado internacional, o açúcar
acabou vítima de uma oferta excessiva, o que levou seu valor a uma
tendência de baixa - em abril, recuou 0,10%.
Para Manuel Souza, um dos pesquisadores do IBGE responsáveis
pelo indicador, a transferência dos preços do atacado para
o varejo vai ocorrer, mas apenas parcialmente. "No grupo alimentação,
isso corre de maneira mais direta", explicou. Flávio Serrano, economista
do Espírito Santo Investment Bank, concorda com Souza, e acrescenta:
"No setor de combustíveis, essa transmissão do atacado para
o varejo também é mais rápida." Exemplo dessa dinâmica
dos combustíveis, são os preços de refino de petróleo
e produtos de álcool - contraponto aos alimentos no atacado. Eles
aumentaram 1,99% em março. No ano, acumulam incremento de 3,67%.
(Victor Martins - Correio Braziliense)
04.05 - Incertezas
Uma boa parte das divergências de diagnóstico entre os
economistas brasileiros refere-se às incertezas sobre como distinguir,
inequivocamente, se estamos diante de um excesso de demanda sobre a oferta
global, corrigível pelo corte da demanda (aumento da taxa de juros
real), ou se estamos diante, por exemplo, de desajustes setoriais que podem
ser produzidos: 1º) Pelo excesso do uso de regulação;
2º) Por excesso de proteção;
3º) Por modificações na estrutura do mercado de
trabalho superáveis apenas com o tempo e através de alterações
nos preços relativos.
Estes não podem ser corrigidos apenas pela manobra da taxa de
juros. Precisam de forte apoio de medidas que deem aos agentes econômicos
os incentivos adequados para ajustarem-se.
Os primeiros devem ser corrigidos pela redução da interferência
do poder público que, frequentemente, aumenta os riscos dos investimentos
privados. Os segundos devem ser tratados com reduções tarifárias.
Os terceiros, com rápido e substancial esforço de qualificação
da mão de obra.
Desequilíbrios setoriais podem ocorrer sem que sejam "prova"
irrefutável da existência de profunda divergência entre
a oferta e a procura globais ou de um nível de desemprego incompatível
com a estabilidade monetária.
São condições em que se exigiriam cortes da demanda
pública (despesas) e da demanda privada (aumento da taxa de juros
real).
Tentar corrigi-los apenas com o uso desses instrumentos resultará
em enorme e desnecessário custo social.
Por exemplo: o tumulto que tem acompanhado o problema dos aeroportos
é sinal inequívoco de excesso de demanda global? Ou é
apenas o efeito da falta de investimento privado no setor, consequência
de um perverso mecanismo de intervenção estatal?
Tal intervenção foi surpreendida pela modificação
da estrutura da demanda gerada por um aumento de renda não compensado
por uma modificação de preços relativos entre o transporte
rodoviário e o aéreo, ambos sujeitos a "subsídios".
Deve ser corrigido por uma redução do bem-estar geral
com aumento da taxa de juros real? Ou com medidas que o liberem do excesso
de regulação e deem confiança ao investidor privado
para estimular a oferta?
Em princípio, o Banco Central só tem um instrumento,
a taxa de juros de curto prazo, com que ele espera manobrar a de longo
prazo e controlar o consumo e o investimento.
O mundo é mais complicado do que parece. Há sérias
dúvidas de que o BC possa fazê-lo sem o suporte da política
fiscal e de medidas monetárias não convencionais. (ANTONIO
DELFIM NETTO - Folha de S.Paulo)
04.05 - Banco Central muda diagnóstico e ação
O Banco Central (BC) mudou seu diagnóstico do cenário
econômico e também a receita para enfrentar o problema central
- a inflação. Se antes, o combate à alta inflacionária
estava centrado na combinação de aumento da taxa básica
de juros (Selic) com a adoção de medidas macroprudenciais,
agora, o instrumento principal volta a ser o convencional (os juros). Se
previamente, o ajuste monetário seria encerrado proximamente, agora
ele será prolongado.
O "novo" BC está nas entrelinhas da ata da última reunião
do Comitê de Política Monetária (Copom). Escrito de
forma incremental, o documento, quando comparado à ata do encontro
anterior do Comitê, ocorrido no início de março, revela
mudanças significativas na forma como o BC está vendo a economia
brasileira, o mundo e a sua própria forma de agir.
Uma leitura pormenorizada da 158ª ata mostra, por exemplo, que,
neste momento, o BC vê "persistência elevada" nos reajustes
dos preços dos alimentos; piora nos preços administrados
e da gasolina; "clara disseminação" de pressões inflacionárias
nas principais economias do mundo; e aumento da inércia no front
interno, provocado por uma maior duração dos choques de oferta
que atingiram a economia no fim de 2010.
A diretoria do BC chega a cometer uma ousadia política. No item
28 da ata, diz que "o Comitê considera oportuna a introdução
de iniciativas no sentido de moderar concessões de subsídios
por intermédio de operações de crédito". Em
outras palavras, o BC defendeu que os bancos públicos, especialmente
o BNDES, reduzam a oferta de crédito subsidiado, que, além
de aumentar a demanda no curto prazo, diminui a eficácia da política
monetária.
Banco clama por redução do subsídio no crédito
Questionar a expansão do crédito público tornou-se,
desde o advento da crise financeira mundial, em 2008, um debate interditado
no país. Certamente, essa forma de crédito cumpriu um papel
importante, mas o seu crescimento contínuo, no pós-crise,
quando o mercado de capitais já havia se recuperado, faz pouco ou
nenhum sentido. A cutucada dada pelo BC foi corajosa. Não constava
de seus documentos recentes.
Registre-se que o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, é ardoroso
defensor da adoção de medidas que favoreçam o desenvolvimento
de mecanismos privados de financiamento, uma forma de reduzir a dependência
das empresas do crédito público de longo prazo. Liderou,
inclusive, as discussões que resultaram na adoção
das primeiras medidas nessa direção, em 2010.
O BC está mais realista. Na ata da reunião do Copom de
março, demonstrava relutância em admitir a persistência
da aceleração dos preços, liderada pelos preços
livres, ocorrida no ano passado. Dizia que o cenário podia "mostrar
alguma persistência". Na última ata foi taxativo: a aceleração
de preços "mostra persistência".
O Copom enfatiza ainda mais, na ata recente, a pressão dos preços
dos alimentos sobre a inflação. O documento fala em "persistência
elevada" desses preços, expressão que não constava
do texto anterior. Recentemente, conforme revelou o repórter Mauro
Zanatta, o BC foi informado pelo Ministério da Agricultura de que
os aumentos de preços de alimentos, no Brasil, são disseminados
e decorrem, principalmente, de uma "forte pressão de demanda".
A constatação se confrontou com a tese anterior, e na
qual o BC vinha apostando suas fichas, de que a alta resultava de um choque
de oferta de commodities importado do exterior. Há, de fato, problemas
lá fora, especialmente o efeito da abundância de capitais
sobre a negociação de commodities, inclusive de alimentos,
mas o fato é que, por aqui, o problema diz respeito essencialmente
ao descompasso entre oferta e demanda.
O BC reviu suas previsões de reajuste da gasolina para este
ano (de 0% para 2,2%) e do conjunto dos preços administrados por
contrato e monitorados (de 4% para 4,3%). Quando aborda o cenário
de inflação no mundo, o Copom diz, na última ata,
que "a trajetória dos índices de preços mostra clara
disseminação de pressões inflacionárias nas
principais economias". Na ata anterior, afirmara que havia uma "certa disseminação".
No item 24 da ata atual há um outro destaque que, apenas na
aparência, pareceu meramente semântico. O Comitê diz
que o dinamismo da atividade doméstica continuará a ser favorecido
pelo vigor do mercado de trabalho, "que se reflete em taxas de desemprego
historicamente baixas e em substancial crescimento dos salários".
No documento de março, restringiu-se a afirmar que o crescimento
dos salários se dava "notadamente no setor público".
Uma mudança relevante no diagnóstico do BC diz respeito
à inércia, isto é, ao efeito da inflação
passada sobre a corrente e a futura. Na penúltima ata, o BC já
falava da elevada inércia trazida de 2010, mas, desta vez, acrescentou
que esse processo é agravado "pela duração de choques
que atingiram a economia no final do ano passado, que se estenderam para
o primeiro trimestre deste ano".
Por fim, amparado por um diagnóstico menos róseo da realidade,
o Copom sinalizou um ajuste mais prolongado na política de juros.
Dos sete integrantes do Comitê, cinco votaram pelo aumento da taxa
Selic em 0,25 ponto percentual e dois, por uma elevação maior
(de 0,50 p.p.).
Na tradição do Copom, dissensos numa reunião costumam
virar consensos no momento seguinte, o que indicaria um aperto monetário
maior na próxima reunião. Talvez, não seja este o
caso, mas, na ata, o Comitê fez questão de informar que a
decisão de fazer um ajuste prolongado na política monetária
foi unânime. Embora não tenha fechado inteiramente a porta
para novas medidas macroprudenciais, o BC sinalizou que elas não
estão mais na ordem do dia - no item 27 da ata anterior, defendeu
seus efeitos sobre a demanda agregada.
O BC pode estar no início de uma nova fase. Se persistir nesse
caminho, deverá coordenar melhor as expectativas dos agentes econômicos,
diminuindo a dispersão de opiniões, o que certamente ajudará
na difícil batalha contra a inflação no curto prazo.
Não faltarão críticos, dentro e fora do governo. Os
defensores de uma "inflaçãozinha-a-mais-para- promover-mais-crescimento"
vão se decepcionar e reclamar muito. Tempos animados virão.
(Cristiano Romero - Valor Online)
04.05 - 2012, o ano que já começou
Inflação do ano que vem pode bater 5,5%, ameaçando
meta. Salário mínimo tem forte impacto
Adivulgação dos índices desta semana confirma
que a escalada corrente dos preços ainda não deu trégua.
Mas o que os indicadores não mostram é o risco para a inflação
de 2012, quando o Banco Central (BC) promete levá-la ao centro da
meta de 4,5%. A principal ameaça é o reajuste de dois dígitos
do salário mínimo - estimado entre 13% e 14% pelo mercado.
O impacto deve ser de R$22,8 bilhões só de gastos adicionais
nas contas federais, segundo a consultoria Tendências. Isso é
o que o governo vai desembolsar com previdência, seguro-desemprego
e Lei Orgânica de Assistência Social (Loas). O efeito potencial
do aumento é de uma alta de 0,8 ponto percentual no IPCA ou mais
de 20% do alvo para o ano.
Para 2013, o custo será de R$16,5 bilhões e, para 2014,
de R$17,5 bilhões. Segundo o economista da Tendências Thiago
Curado, a inflação de 2012 já começa alta,
partindo de 6,6%, e não há muito o que se possa fazer para
combater os principais fatores que estarão por trás dela:
expectativas, inércia (um patamar alto de inflação
começa a funcionar como piso para variações dos preços)
e indexação.
- O que o salário mínimo faz sobre a inflação
é injeção de demanda. Quando já tem inflação
por descompasso entre oferta e demanda (como é o caso atual), é
complicado. O trabalhador pode adiantar o consumo hoje com o ganho de renda
que terá amanhã - diz Curado.
Para o economista do banco ABC Brasil, Luis Otavio Leal, o salário
mínimo é apenas a "cereja do bolo" na questão salarial
do país. A partir de setembro deste ano começam as negociações
dos dissídios das chamadas "categorias-farol": petroleiros, metalúrgicos
e bancários. O resultado obtido por estes grupos deve ser usado
como referência para outras categorias menos organizadas, segundo
ele.
O mercado de trabalho foi um dos fatores de risco apontados pelo BC
no primeiro relatório de inflação do presidente Alexandre
Tombini, divulgado em março. "Um aspecto crucial em ciclos como
o atual é a possibilidade de que o aquecimento no mercado de trabalho
eleve a concessão de aumentos nominais dos salários em níveis
não compatíveis com o crescimento da produtividade, o que
de fato tem ocorrido", diz o documento.
- Em agosto, a inflação deve atingir seu pico e chegar
a algo próximo de 7,5% em 12 meses, e essa será a referência
deles. Trata-se de um fator importante de pressão sobre os serviços
(nos meses seguintes), que já vêm se mantendo em um patamar
elevado de 8,5% - disse Leal, lembrando que o mínimo também
é base de cálculo para profissionais como cabeleireiros e
manicures.
Serviços respondem por metade da meta
Se os serviços se mantiverem no atual patamar, segundo Leal,
já carregam 2,25 pontos percentuais para a inflação
de 2012, ou seja, a metade da meta central para o período. Mas os
efeitos negativos do aumento do mínimo não param aí.
Segundo o economista, o novo piso vai pesar nas despesas de estados e municípios,
que vêm demonstrando dificuldades em manter suas contas no azul.
- O salário mínimo é crucial, uma bomba-relógio.
O governo vai ter que estar preparado para lidar com seu impacto - alertou
Leal.
Os economistas são unânimes ao reconhecer que os preços
das commodities continuam sendo fator de incerteza para 2012 e podem não
arrefecer como esperado, criando uma situação ainda mais
complicada para trazer o IPCA ao centro da meta. Mais de 70% dos preços
de commodities subiram desde o segundo semestre do ano passado.
- Isso exerce pressão não só sobre a economia
como um todo, mas também sobre os aluguéis, corrigidos pelo
IGP-M, que carrega em boa medida os efeitos dos preços das commodities
- destaca Leal.
Outro ponto que preocupa os analistas é a chamada inércia
da inflação.
- Afinal, depois de dois anos com inflação muito pressionada,
ela acaba ganhando vida própria - disse o economista-chefe da Maxima
Corretora, Elson Teles, que concorda com risco do salário mínimo
para 2012 e a possíveis surpresas nas commodities.
Pela estimativa do BC no último relatório de inflação,
de março, o IPCA poderia fechar o ano entre 4,8% e 6,3%. A projeção
central era de 5,6%. Para 2012, a expectativa era de 4,6%, podendo oscilar
em cenários mais extremos de 3,1% a 6%. Depois de rever sucessivas
vezes suas projeções para a inflação este ano,
o mercado já não acredita em nada abaixo de 6%. Apesar das
pressões, a Tendências espera que a inflação
feche 2012 em 5,2%, se não houver novos choques inesperados. E há
quem trabalhe com 5,5%:
- É muito difícil fazer convergir mais depressa para
2012 pelo fato de a inflação ter passado muito da margem
este ano - afirmou Elson Teles.
Já o ministro da Fazenda, Guido Mantega, assegurou ontem que
a inflação ficará dentro da meta fixada para 2011.
Segundo ele, o IPCA pode até encostar no teto da meta, de 6,5%,
mas não fechará o ano acima dele.
- Posso garantir que a inflação ficará dentro
dos parâmetros - disse Mantega, ao participar de audiência
pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do
Senado Federal.
O ministro defendeu a estratégia do governo de combinar política
monetária com política fiscal na hora de combater pressões
sobre os preços:
- É uma forma de debelar a inflação sem derrubar
o
crescimento. A arte da coisa é equilibrar as medidas e estamos tomando
cada uma delas na gradação certa.
Mantega disse aos senadores que não está preocupado com
o impacto que o reajuste do salário mínimo deve exercer sobre
a economia no ano que vem. Enquanto o mínimo deste ano teve apenas
a reposição inflacionária, o do ano que vem será
corrigido pelo IPCA e pelo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de
2010, de 7,5%. Ele também reconheceu que a economia brasileira é
fortemente indexada, o que contribui para deixar a inflação
mais alta. Segundo ele, 3% do índice de inflação são
resultado apenas da indexação. (Vivian Oswald,
colaborou Martha Beck - O Globo)
03.05 - O termômetro de uma economia aquecida
No início do ano, quando as restrições ao crédito
aumentaram, esperava-se que o consumo fosse freado. No entanto, o que vemos
é uma economia que segue aquecida e o mercado automobilístico
é um ótimo termômetro. De janeiro a abril deste ano,
as vendas foram 4,5% superiores ao mesmo período de 2010. Abril
registrou queda nas vendas na comparação ao mês anterior,
porém, vale ressaltar que, se considerarmos somente os dias úteis,
abril volta à frente.
O Brasil já é o quarto maior mercado automotivo do mundo
e, em 2011, esse cenário deve se consolidar ainda mais. As previsões
apontam para 3,7 milhões de unidades vendidas, uma ampliação
de 5,2% na comparação com 2010.
Antes atribuído à classe A, atualmente as responsáveis
por mais de 50% do consumo no País são as classes B e C.
Mesmo com as restrições ao crédito, as pessoas têm
melhorado suas rendas e, com isso, é possível administrar
melhor os gastos e investir em bens de consumo, como um carro zero. É
justamente por esse motivo que as vendas seguem aquecidas. O consumidor
dessas classes planeja a compra do primeiro carro e, com estabilidade no
emprego, assume um financiamento mesmo com o crédito restrito.
Com dinheiro no bolso, os brasileiros agora também buscam por
veículos mais equipados, com opcionais que tornam seu cotidiano
mais confortável. Nesse sentido, os consumidores brasileiros só
têm a ganhar. Com a chegada de novas montadoras ao País, os
clientes têm mais opção. Fabricantes chineses, por
exemplo, são a força emergente da indústria automotiva
para os próximos anos. Com alta tecnologia e baixos custos de produção,
estão trazendo ao Brasil carros equipados por menos de R$ 40 mil,
o que ainda é difícil de encontrar entre as montadoras tradicionais
brasileiras.
Para os próximos meses, podemos esperar crescimento mais tímido
do que o registrado no ano passado mas, ao mesmo tempo, um mercado que
amadurece aos poucos, com consumidores mais exigentes e mais opções
de compra. (Stephan Keese - O Estado de S.Paulo)
03.05 - Inflação pelo IPC-S é de 0,95% em abril
A inflação medida pelo Índice de Preços
ao Consumidor - Semanal (IPC-S) foi de 0,95% em abril, o que indica uma
aceleração de 0,24 ponto em relação à
taxa de 0,71% registrada em março, informou ontem a Fundação
Getúlio Vargas (FGV). O resultado superou o teto das estimativas
dos economistas, que previam taxa de 0,76% a 0,93%. A mediana das previsões
estava em 0,85%.
Com o resultado, o indicador acumula alta de 3,46% no ano e de 6,05%
em 12 meses. O IPC-S também mostrou aceleração na
comparação com a quadrissemana anterior do IPC-S, encerrada
no último dia 22, quando o indicador teve alta de 0,80%.
Das sete classes de despesas usadas para cálculo do índice,
houve aceleração de preços entre as duas últimas
leituras de abril nos grupos Alimentação (de 0,91% para 1,04%),
Transportes (de 1,82% para 2,10%), Despesas Diversas (de 0,53% para 0,81%),
Vestuário (de 1,06% para 1,34%), Saúde e Cuidados Pessoais
(de 0,87% para 1,10%) e Habitação (de 0,38% para 0,47%).
Apenas o grupo Educação, Leitura e Recreação
(de 0,36% para 0,32%) registrou desaceleração da inflação.
Neste caso, o movimento foi puxado pelo item passagem aérea, cuja
taxa passou de alta de 3,08% para um recuo de 1,04%. (Daniela Amorim
- Agência Estado)
03.05 - Mercado eleva projeção do PIB deste ano
Analistas do mercado financeiro elevaram a estimativa de crescimento
da economia este ano, de 4,21% para 4,25%. E permanece inalterada em 4%
para o próximo ano. Ainda segundo a pesquisa Focus, divulgada ontem
pelo Banco Central, no caso produção industrial, a previsão
de crescimento teve ligeiro recuo, de 4,06% para 4,04% neste ano,
e, para 2012, a estimativa passou de 4,65% para 4,58%.
Analistas, em relação à projeção
entre a dívida líquida do setor público e o PIB, foi
ajustada de 39,26% para 39,23% neste ano, devendo recuar para 38%, no próximo
ano. No caso do câmbio, o mercado projeta uma cotação
ainda menor até o fim do ano, de R$ 1,65 para R$ 1,62. Para o fim
de 2012, a projeção segue em R$ 1,70. Já a estimativa
para o superávit comercial (saldo positivo de exportações
menos importações) foi de novo ajustada para mais, de US$
18 bilhões para US$ 18,05 bilhões neste ano, e fixada em
US$ 10 bilhões, em 2012.
Sobre o déficit em transações correntes (registro
das transações de compra e venda de mercadorias e serviços
do Brasil com o exterior), a estimativa do mercado recuou de US$ 60,5 bilhões
para US$ 60 bilhões neste ano, e teve alta para 2012: de US$ 69,1
bilhões para US$ 69,5 bilhões.
Já o Investimento Estrangeiro Direto (IED, recursos que vão
para o setor produtivo do País) foi ampliado de US$ 45 bilhões
para US$ 46 bilhões neste ano, e segue em US$ 45 bilhões,
em 2012, ainda segundo projeções do mercado financeiro.
(Fenaseg)
02.05 - 190 milhões em um retrato
Brasileiro. Um povo, segundo o IBGE, que cresceu 12% em 10 anos - no
DF, o o avanço foi o dobro -, envelheceu, criou coragem para enfrentar
preconceitos, mas ainda enfrenta problemas estruturais, como o trabalho
infantil e o analfabetismo
Uma população 12,48% maior que há 10 anos, na
maioria mulheres, cada dia mais velha e com famílias cada vez menores.
Eis a realidade brasileira retratada no Censo 2010, divulgado sexta-feira
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Brasil
passou de 169,5 milhões de habitantes, registrados no levantamento
de 2000, para 190,7 milhões. Apesar do crescimento significativo
da população em quase 140 anos - o primeiro recenseamento
foi realizado em 1872, quando éramos 10.112.061-, foi registrado
um crescimento médio anual de 1,17% - a menor taxa observada desde
que começou a pesquisa domiciliar.
Na contramão da tendência está o Distrito Federal,
que ficou na casa dos 2,28% no quesito aumento do número de habitantes.
Do levantamento de 2000 para o do ano passado, o número de moradores
na capital federal pulou de 2 milhões para 2,5 milhões, fazendo
com que Brasília saísse do sexto para o quarto lugar no ranking
de municípios mais populosos do país.
Para Sonia Baena Maciel, da Supervisão de Disseminação
de Informações do IBGE, a alta taxa de crescimento da população
na capital do país está relacionada ao poder de atração
que o local mantém. "O DF continua sendo um polo para onde vêm
pessoas em busca de emprego, de saúde, de oportunidades melhores
de vida", afirma a especialista. Ela destaca também que, mantido
o ritmo atual, no próximo Censo, a ser realizado em 2020, Brasília
subirá uma posição na escala dos populosos, ocupando
o lugar que atualmente é de Salvador.
Histórias como a da gaúcha Renata Zortea Fadanelli, 29
anos, ilustram bem o inchaço enfrentado pela capital. Cansada de
trabalhar em agências bancárias em seu estado de origem, a
economista mudou-se para Brasília há cerca de um ano, transferida
para a Fundação Banco do Brasil, onde exerce funções
na área financeira. Apesar de morar sozinha e sentir falta da família,
Renata diz gostar da cidade. "A qualidade de vida aqui se equipara com
a de Porto Alegre. As pessoas são legais, estou adorando", destaca
a jovem, que reclama apenas da dificuldade de encontrar locais que toquem
rock na "capital do rock".
A Região Sul, de Renata, foi a que menos teve aumento populacional,
com taxa de 0,87%, influenciada pelas baixas no Paraná (0,89%) e
no Rio Grande do Sul (0.49%), o estado que menos cresceu anualmente nestes
10 anos e passou a ocupar a 15ª posição no ranking das
unidades da Federação mais populosas. Nas regiões
Norte e Centro-Oeste, houve os maiores incrementos na quantidade de habitantes.
O Amapá saiu na frente, com 40,7% - passou de 475,8 mil, em 2000,
para 669,5 mil. Palmas foi a capital com o maior índice de crescimento
anual de moradores: 5,2%, em 10 anos. Segundo o IBGE, o avanço,
como no caso do DF, é impulsionado pela migração.
Muita gente
O termo populoso significa de população densa, onde há
muitos habitantes. Quando se fala em povoamento, refere-se à densidade
demográfica (divisão da quantidade de habitantes por área
ocupada). Devido à extensão territorial brasileira, o país
é considerado populoso, mas pouco povoado. Ou seja, com baixa densidade
demográfica.
Desde o império
A palavra Censo vem do latim e significa conjunto de dados estatísticos
sobre pessoas que vivem em uma cidade, um estado ou um país. No
Brasil, assim como em boa parte do mundo, a sondagem é feita a cada
10 anos. Aqui, a primeira ocorreu em 1872, quando éramos uma monarquia
governada por D. Pedro II. Foram registrados 10.112.061 habitantes, que
responderam a perguntas sobre sexo, idade, escolaridade, estado civil,
religião, deficiência física e ser eram ou não
escravos. Antes disso, as estatísticas eram baseadas em probabilidades
feitas por autoridades religiosas a mando de Portugal.
A partir dos dados do Censo, o governo define como os investimentos
serão feitos em áreas como saúde, educação,
saneamento básico e transporte. As informações também
são usadas para definir a quantidade de deputados federais, estaduais
e vereadores de cada unidade da Federação e município.
O levantamento ainda é fonte de informações para o
setor privado, que a partir dele pode definir, por exemplo, o melhor local
para a construção de uma indústria, de um shopping
ou de um hospital. (Correio Braziliense)
02.05 - Inflação perigosa
Governo precisa de dar sinais mais fortes de combate à alta
dos preços
Desde que o Banco Central (BC), na última reunião do
Comitê de Política Monetária (20/4), optou por comedidos
0,25 ponto percentual de aumento na taxa básica de juros (Selic),
o desconforto vem tomando conta dos profissionais responsáveis pela
administração de recursos aplicados pela clientela. O mal-estar
se justifica. Assim como no mundo diplomático, o mercado financeiro
e todas as pessoas dotadas de algum juízo a respeito do dinheiro
que têm (seja qual for a quantia) costumam prestar atenção
e reagir aos sinais emitidos pela autoridade. A decisão de pegar
mais leve na política monetária funcionou como sinal trocado,
numa hora em que a inflação tem se recusado a ceder. De fato,
a última projeção do mercado divulgada pelo próprio
BC é de 6,34% no fim do ano, com tendência de alta. Ou seja,
transcorridos apenas os quatro primeiros meses do ano, o teto da meta anual
de 6,5%, fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), está
claramente ameaçado. E o que a experiência brasileira anterior
ao Plano Real ensinou é que a reação dos agentes econômicos
é ainda pior do que a corrida dos preços, em boa parte devido
à memória inflacionária.
Foi adequada a declaração enfática da presidente
Dilma Rousseff de que o compromisso com o controle da inflação
e a manutenção do poder de compra dos salários estão
assegurados. Mas não foi convincente o discurso do ministro da Fazenda,
Guido Mantega, que manteve a velha cantilena do governo passado, de que
“o Brasil não está mal na foto” da inflação
se comparado a outros países. É como se alguém com
febre de 39 graus pudesse se contentar com o fato de que o termômetro
do vizinho já chegou nos 40 graus. É sabido que há
um surto inflacionário no mundo, com o preço das commodities
pressionando as cotações. Mas os responsáveis pela
política econômica não podem considerar apenas essa
razão para o aumento dos preços. Industriais informam que
os custos de vários insumos e matérias-primas estão
em alta e, já que o consumo não deu ainda sinais consistentes
de esfriamento, esses empresários já contam com a transferência
total desses aumentos para o preço de venda.
Se a inflação atual é um fenômeno mundial,
como defende o ministro, convém lembrar que a nossa é mais
perigosa do que a dos outros, pois tem história recente de descontrole
e ainda carrega alguns indexadores. Basta lembrar a regra em pleno vigor
do reajuste do salário mínimo, que, indiscutivelmente, é
um preço básico importante na economia. Com o Produto Interno
Bruto (PIB) tendo crescido por volta de 7,5% em 2010 e uma taxa de inflação
acima de 6% em 2011, o efeito pode ser explosivo sobre o salário
mínimo de 2012 e, portanto, sobre a inflação do ano
que vem. Está aí um pesado indexador. É problema anunciado
e não adianta empurrá-lo para frente. A conta virá
e o mais prudente parece ser atacá-lo agora pelo lado da inflação,
já que o crescimento está dado. Afinal, não foi outra
coisa que permitiu a Lula ser o mais popular presidente do Brasil senão
a sensação de conforto oferecida pelo poder de compra do
salário do trabalhador. (Estado de Minas-01.05)
02.05 - Inflação e indexação, causas ou
efeitos?
É preciso desindexar a economia para baixar a inflação
ou, antes, é necessário reduzir a inflação
para, aí sim, retomar a desindexação interrompida
há 16 anos?
Essa é a primeira pergunta que surge a partir da informação,
publicada na edição de sexta-feira do Valor, sobre os estudos
que começaram a ser feitos no governo para desarmar os mecanismos
subsistentes de indexação, que geram a inércia inflacionária
e deixam o processo de estabilização econômica no meio
do caminho.
Instituído no país há 40 anos, o mecanismo da
correção monetária se espalhou por todas as relações
econômicas e subtraiu o nominalismo como a essência do padrão
monetário nacional. A Medida Provisória nº 1.053, de
julho de 1995, editada um ano após o Plano Real, proibiu o uso da
correção monetária e de índices de reajustes
de preços nos contratos de até um ano e deu início
à livre negociação salarial. Desde então, nada
mais foi feito.
Nesse contexto, a iniciativa do governo, de colocar o assunto na sua
agenda de preocupações é bastante louvável.
Não deve haver dúvida sobre a necessidade de se interromper
um processo perverso onde parte da inflação futura será
determinada pela inflação passada.
Tem razão quem diz que a indexação existe porque
a inflação, hoje da ordem de 6,3%, é muito elevada
para se dispensar essa proteção. Seguindo esse lógica,
apenas quando a inflação for baixa, próxima de uma
taxa neutra, é que será possível os agentes econômicos
se desfazerem dos mecanismo de defesa contra a deterioração
do valor da moeda.
Por esse caminho, primeiro o governo deveria levar a taxa de inflação
para o centro da meta, de 4,5% ao ano. Feito isso, passaria a perseguir
metas mais baixas - retomando o processo de desinflação.
Aí sim, o país estaria pronto para aprofundar a desindexação.
Por outro lado, há economistas que argumentam que com os mecanismos
de correção automática de preços, será
difícil levar a inflação para algo muito abaixo dos
4,5% anuais.
Este ano, com os reajustes autorizados pela agência reguladora
Aneel, a partir de maio, as tarifas de energia elétrica para os
consumidores residenciais serão reajustadas por índices que
variam de 8% a 18,57%, muito superiores, portanto, ao IPCA acumulado em
doze meses até março, de 6,3%. Os contratos de energia ainda
têm seus custos gerenciáveis (depreciação e
manutenção, entre outros) reajustados pelo IGP-M menos um
fator x que consideraria ganhos de produtividade. Os não gerenciáveis
(encargos e custo da energia) são corrigidos pela variação
do IPCA.
Os aluguéis residenciais e comerciais são reajustados
também pelo IGP-M, que acumula inflação de 10,95%
em doze meses.
Esses são apenas dois exemplos de um vasto universo em que a
correção dos preços hoje é feita com base no
aumento dos preços de ontem, o que torna alguns setores resistentes
à variação da taxa básica de juros como principal
instrumento de controle da inflação.
O resultado disso é que os preços dos segmentos que respondem
ao nível da atividade econômica têm que ser mais deprimidos
para, numa política anti-inflacionária, compensar os indexados.
É discutível uma eventual solução que implique
na substituição da inflação passada pela meta
de inflação futura como fator de reajuste de preços.
Mal comparando, essa alternativa foi experimentada no governo do general
Figueiredo, em 1980, quando o então ministro da Economia, Delfim
Netto, prefixou a correção monetaria em 50%, na intenção
de domar as expectativas da inflação. A tentativa fracassou
e a inflação superou 100%.
Os técnicos do governo encarregados de propor mudanças
nesse quadro têm uma missão mais ambiciosa, de mexer também
na indústria financeira atrelada ao DI (média dos juros das
operações interbancárias) e na caderneta, estimulando
o alongamento da poupança financeira do país. Eles salientaram
que isso não é um projeto a ser executado da noite para o
dia nem para ser imposto ao mercado. Sua implementação obedeceria
a regras de "incentivos e penalizações".
O momento adequado para adotar medidas nesse sentido pode não
ser agora, quando a taxa de inflação é alta e há
muitas dúvidas sobre seu curso ao longo do ano. Mas é importante
que o governo tenha uma visão de médio e longo prazo, que
já possua uma radiografia minuciosa dos problemas a serem atacados
e que esteja preparado para agir quando for a hora certa. (Valor Online)
29.04 - Seguros ganham espaço
O Brasil e os demais países emergentes vêm atraindo atenção
quando o assunto é economia. As relações entre as
regiões mudaram e hoje são as nações com maiores
reservas financeiras que dependem das emergentes. O Brasil ocupa a 7ª
posição na economia mundial, à frente de países
como França e Reino Unido. Em 2010, o PIB brasileiro cresceu 7,5%,
o maior avanço desde 1986, quando o país vivia o Plano Cruzado.
A produção industrial encerrou o ano com taxa de crescimento
acima de 10%e a geração do emprego formal atingiu mais de
2,5 milhões de vagas, o melhor resultado da série histórica
do Ministério do Trabalho.
O setor de seguros - incluindo saúde, previdência e capitalização
-, movimentou cerca de R$ 118 bilhões (equivalente a 3,5% do PIB)
em 2010, crescimento de 15% frente a 2009 (R$ 102 bilhões). Tradicionalmente,
o segmento cresce três vezes a taxa do PIB, porém, como o
crescimento foi alto, houve uma proporção menor.
Salvo a preocupação com a inflação, o crescimento
do PIB deve se manter na casa dos 5%. É importante sustentar o incremento
da economia nacional tanto quanto o controle sobre a inflação,
uma vez que a corrosão da moeda provocou a estagnação
dos seguros de vida ao longo do ano passado.
Outro destaque foi o saldo positivo da balança comercial, que
deve se repetir neste ano devido à valorização de
commodities. Isso é especialmente favorável para o Brasil
e para o desempenho dos seguros nos ramos de importação e
exportação. A única ameaça ao bom andamento
do mercado são as mudanças nas regras de resseguro (Resoluções
224 e 225), que, se vigorarem, poderão representar a volta ao estado
de monopólio e a elevação dos preços.
O crescimento interno deve gerar negócios ao setor.
Os indicadores que reforçam essa tese são o aumento das
vendas de bens de consumo, a evolução do salário mínimo
e a ascensão das mulheres no mercado de trabalho.
No caso dos rendimentos da população ativa, houve crescimento
de72% entre 1995 e 2010. Esse dado merece a atenção das seguradoras,
pois metade da população ganha apenas um salário,
compõe a base da pirâmide e movimenta a economia coma classe
C.
Se essa tendência for mantida, em 2014 a classe C, que em 2010
registrou consumo de R$ 500 bilhões, deverá representar 56%
da população brasileira. As seguradoras têm um enorme
horizonte à frente, mas precisarão inovar e redesenhar seus
produtos, oferecendo ao menos cinco novos ao ano.
Nesta década, os seguros com maior potencial de crescimento
são os de riscos de obras (17%), grandes riscos empresariais (15%),
habitacional (13%), previdência (12%), saúde (12%) e vida
e acidentes pessoais (11%), impulsionados não só pelo pleno
emprego e aumento da renda,mas também por Copa e Olimpíadas.
As perspectivas para o segmento são otimistas,mas o setor privado
precisa fazer sua parte, sem esperar que o governo aja sozinho. Temos de
contribuir para as reformas e contestar. O seguro tem um enorme espaço
para avançar e o conselho é: cresça devagar e sempre.
O aumento de vendas de bens de consumo, do salário e a ascenção
das mulheres no mercado de trabalho devem gerar negócios ao setor.
(Brasil Econômico)
29.04 - Copom: Estratégia gradualista e prolongada
A opção do governo por uma estratégia gradual
de combate à inflação ficou mais uma vez evidenciada
na ata da reunião do Comitê de Política Monetária
(Copom), realizada na semana passada, quando a taxa básica de juro
(Selic) foi elevada em 0,25 ponto, para 12% ao ano. Não foi uma
decisão unânime: dois membros do Copom preferiam um aumento
de 0,50 ponto, como havia ocorrido nas duas reuniões anteriores
deste ano.
O Copom sabe que um tratamento gradual, que permite uma sintonia mais
fina na dosagem do remédio, tem o preço de prolongar o tempo
de correção de rota. O tratamento prolongado da inflação
em uma economia com o histórico da brasileira tem o risco de abrir
espaço para recidiva da reindexação de preços.
Mas o Copom resolveu assumir esse risco e deixou bem clara a opção.
"O Copom entende, de forma unânime, que diante das incertezas quanto
ao grau de persistência das pressões inflacionárias
recentes, e da complexidade que envolve hoje o ambiente internacional,
o ajuste total da taxa básica de juros deve ser, a partir desta
reunião, suficientemente prolongado", diz o parágrafo 30
da ata do Copom, ontem divulgada. Em outro trecho da ata, no parágrafo
32, a opção é novamente sublinhada: "Considerando
o balanço de riscos para a inflação, o ritmo ainda
incerto de moderação da atividade doméstica, bem como
a complexidade que ora envolve o ambiente internacional, o Comitê
entende que, neste momento, a implementação de ajustes das
condições monetárias por um período suficientemente
prolongado é a estratégia mais adequada para garantir a convergência
da inflação para a meta em 2012".
A inflação claramente escapou da trajetória desejada,
desde a reunião anterior, realizada no início de março.
O IPCA do mês passado ficou em 0,79%, próximo do 0,80% de
fevereiro, acumulando 6,30% em doze meses, traçando uma rota ascendente
depois dos 6,01% de fevereiro e dos 5,99% de janeiro. O Copom reconheceu
o forte impacto da elevação dos serviços, além
das commodities. De acordo com a ata, a inflação no setor
de serviços acumula 8,53% nos doze meses terminados em março,
a maior variação desde agosto de 1997.
Pior do que isso, o Copom sabe que o cenário prospectivo para
a inflação "não evoluiu favoravelmente" desde a última
reunião. Choques de oferta internos e externos e a concentração
de reajustes de preços administrados, que contaminaram os números
do início do ano, tendem agora a influenciar em cadeia os preços
ao consumidor, inclusive por meio da inércia. Há ainda incógnitas
a enfrentar como o descompasso entre a oferta e a demanda, a estreita margem
de ociosidade da capacidade instalada e a pressão sobre os salários,
sem falar no cenário internacional, que continua bastante incerto.
O Copom prevê dois momentos distintos na trajetória da
inflação ao longo deste ano. No primeiro momento, entre agora
e o terceiro trimestre, a inflação acumulada em doze meses
tende a permanecer no patamar atual ou acima dele, basicamente por causa
da inércia, batendo nos 6,5% do teto da meta. A partir do quarto
trimestre, porém, a expectativa é que a inflação
acumulada em doze meses passe a declinar, convergindo para os 4,5% do centro
da meta, ao longo do próximo ano.
A estratégia gradualista de combate à inflação
sustenta-se em cima de apostas não totalmente destituídas
de risco. Uma delas é que "o esforço anti-inflacionário"
já feito desde o fim do ano passado ainda está produzindo
e produzirá efeitos porque há alguma defasagem nesse processo.
A ata do Copom não explicita, mas certamente estão incluídas
neste pacote as medidas macroprudenciais tomadas para deter o crédito,
como o aumento do compulsório dos bancos e dos custos do crédito,
na forma de IOF mais elevado. No entanto, como foi visto nos dados de crédito
desta semana, são ainda muito tênues os sinais de desaceleração.
O próprio Copom, como indica a ata, reduziu a ênfase nas medidas
macroprudenciais e passou a contar mais com a eficiência do que chama
de medidas convencionais de política monetária, ou seja,
o manejo da taxa de juros.
Com o câmbio no atual patamar, aparentemente se esgotou sua contribuição
para a contenção dos preços. Ainda resta a aposta
na colaboração do ajuste fiscal. Os resultados recentes do
governo central dão apoio a essa expectativa. Como está escrito
na ata, "desde o início deste ano, importantes decisões foram
tomadas e executadas, e reforçam a visão de que está
em curso um processo de consolidação fiscal".
(Editorial - Valor Online)
29.04 - A volta do velho inimigo
Um inimigo bastante conhecido dos brasileiros está de volta
e vem tirando o sono do investidor: a inflação. Apesar de
todas as incertezas externas, é a alta de preços que tem
ditado o comportamento dos principais ativos brasileiros. E, para maio,
as perspectivas dos economistas não se mostram nem um pouco otimistas,
a não ser que a inflação, enfim, dê sinais de
arrefecimento.
A ata da última reunião do Comitê de Política
Monetária (Copom), divulgada ontem, mostra que a confiança
do Banco Central (BC) na convergência da inflação para
o centro da meta em 2012 se mantém. Mas houve uma novidade: a indicação
clara de que o ciclo de aperto monetário será mais prolongado.
É verdade que o Índice Geral de Preços - Mercado
(IGP-M), que reflete principalmente os preços no atacado, deve desacelerar
gradativamente por conta da menor pressão das commodities agrícolas.
O indicador avançou 0,45% em abril, depois de uma alta de 0,62%
em março. Mas o que mercado espera é um arrefecimento mais
contundente da inflação ao consumidor para se convencer de
que o BC está no rumo correto, ao tentar controlar o dragão
inflacionário com uma mistura de altas homeopáticas dos juros
com medidas macroprudenciais para frear a expansão do crédito.
Por enquanto, o que se vê é uma descrença na estratégia
adotada pela autoridade monetária. O último boletim Focus,
que traz as perspectivas de mais de cem instituições financeiras,
mostrou que os analistas elevaram de 6,29% para 6,34% a previsão
para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - a inflação
oficial - de 2011. Foi a sétima alta consecutiva na projeção.
Abril tem tudo para coroar os investidores que resolveram concentrar
as suas fichas nas aplicações mais conservadoras. De acordo
com as projeções da Associação Brasileira das
Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), os fundos DI
e os de renda fixa devem encerrar o mês com rentabilidade média
de 0,83%. O percentual é bem próximo à variação
de 0,84% do Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI, o juro
interbancário que serve de referencial para as essas carteiras)
até ontem. Os CDBs, por sua vez, rendiam 0,92%, em média,
até ontem.
Já o Índice Bovespa tem tudo para encerrar abril em queda.
Até ontem, a desvalorização do indicador somava 4,25%
e, no ano, era de 5,24%. Ontem, o Ibovespa terminou o pregão com
queda de 0,89%, a 65.673 pontos. "O investidor mais agressivo terá
de esperar para colher os frutos da aplicação em bolsa",
diz Otávio Vieira, diretor de investimentos da Safdié Gestão
de Patrimônio. Os resultados que vêm sendo divulgados pelas
empresas estão bons, mas ainda assim a bolsa não sobe. "O
investidor estrangeiro está com medo de inflação alta
ou de um choque de juros e vem questionando o modus operandi do Banco Central
e do governo para conter a escalada de preços", afirma.
Os números relativos à movimentação do
investidor estrangeiro na bolsa mostram um saldo (compras menos vendas)
negativo de R$ 529,4 milhões em abril até o dia 26. No acumulado
do ano, a saíd
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