27.07 - Seguros: Crescimento de 16,7% no primeiro semestre
Dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep) indicam
que o mercado de seguros gerou, no primeiro semestre, um volume de prêmios
da ordem de R$ 40,9 bilhões, o que representou um incremento de
16,7% em relação ao mesmo período do ano passado.
Esses números não englobam o seguro saúde, que está
sob a jurisdição da Agência Nacional de Saúde
Suplementar (ANS).
Segundo o superintendente da Susep, Paulo dos Santos, boa parte desse
crescimento pode ser atribuída ao aumento do poder de compra de
milhões de brasileiros. "Essas pessoas estão adquirindo bens
e procuram o seguro para ter uma garantia de que não vão
perder o patrimônio conquistado com tanto esforço", afirma
Paulo dos Santos.
De fato, mais uma vez, os seguros voltados para as classes de menor
poder aquisitivo foram o destaque. Nesse contexto, o ramo de pessoas apresentou
um crescimento de 19,8%, com receita de R$ 23 bilhões.
O seguro prestamista também voltou a apresentar um excelente
desempenho, com salto de 22% e receita de R$ R$ 1,6 bilhão.
Mais impressionante ainda foi a variação apurada no seguro
viagem, que cresceu 93%, gerando um volume de prêmios de R$ 13 milhões.
No seguro residencial a Susep apurou crescimento de 17%, com receita
acumulada de R$ 601 milhões no primeiro semestre.
Já na carteira de automóveis, a receita somou R$ 9,3
bilhões até junho, com incremento de 16,6%.
No seguro de garantia estendido o percentual de crescimento atingiu
49%, para R$ 806 milhões.
Ainda de acordo com a Susep, a taxa média de sinistralidade
baixou de 53% para 51% entre os dois períodos comparados. Os sinistros
somaram cerca de R$ 11,2 bilhões no primeiro semestre deste ano.
Isso significa que, até junho, o mercado devolveu para a sociedade,
na forma de indenizações, benefícios, resgates e sorteios,
algo em torno de R$ 62 milhões por dia, incluindo finais de semana
e feriados.
Já as despesas comerciais - que englobam, em linhas gerais,
as comissões pagas aos corretores e os valores investidos em campanhas
de vendas - tiveram um crescimento de 22,2% entre os dois períodos
comparados, somando R$ 4,9 bilhões no acumulado de janeiro a junho
deste ano.
Paulo dos Santos acredita que essa tendência de crescimento do
mercado será mantida nos próximos meses. Além dos
seguros populares, ele aponta as coberturas para grandes obras como outro
foco que merece a atenção do mercado. "As perspectivas são
muito positivas", observa o superintendente da Susep. (CQCS)
27.07 - Burocracia é obstáculo ao crescimento
Queiram governantes ou não, há temas que se impõem
às agendas dos países, sob o risco de haver crises abissais.
Por exemplo, se não forem feitos ajustes periódicos nas regras
previdenciárias, para adaptá-las ao novo perfil demográfico
da população, cuja tendência é o envelhecimento,
as contas públicas serão tragadas por aposentadorias e pensões.
A regra vale para o mundo -, não se trata de algum peculiar desvio
de caráter deste ou daquele governo.
Reformas como esta são politicamente difíceis, e por
isso costumam ser feitas em momentos especiais, nas crises ou quando chega
ao poder alguém com visão de prazo mais longo e disposto
a arriscar a popularidade em troca do lançamento de bases mais sólidas
para o país.
Mas há áreas em que é possível avançar
com mudanças modernizantes e tendo apoio amplo da população.
A burocracia é uma dessas áreas em que melhorias podem ter
efeito imediato em termos de geração de mais renda e emprego.
E dada a nossa histórica herança autárquica, trabalho
não falta para aprimorar o ambiente de negócios no Brasil,
por meio de simplificações de incontáveis rotinas
impostas pelo Estado às empresas.
No domingo, reportagem do GLOBO trouxe um caso exemplar: de todo navio
que aporta no país são exigidos, em média, 112 documentos,
com a obrigatoriedade de serem fornecidas 935 informações.
É um calhamaço de formulários com diversas vias a
serem remetidas a órgãos diferentes e em duplicidade. Apenas
no porto de Santos, o maior do país, a burocracia exige, por ano,
o preenchimento de 3.773.800 folhas, 17,4 toneladas de papel, segundo estimativa
do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro).
Por ser de navio que qualquer país faz a maior parte das exportações
e importações, conclui-se que a burocracia é poderoso
entrave ao comércio exterior brasileiro.
As exportações só cresceram devido ao ciclo de
formidável expansão mundial esgotado no final de 2008. Tanto
que a participação brasileira no comércio global,
apesar de todo aquele crescimento, se manteve estável, não
muito acima de 1%.
O grave problema da burocracia coloca o Brasil sempre mal nos rankings
sobre facilidades e dificuldades para o fechamento de negócios.
Estudo recente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) calculou
que, no Brasil, uma empresa gasta 2.600 horas/ano no padesgamento de impostos,
contra 453 na Argentina, 316 no Chile e 177, nos países desenvolvidos,
em média. Com um agravante: os impostos são também
elevados.
Impostos pesados e burocracia paralisante são receita infalível
para uma sociedade não se desenvolver no sentido amplo da palavra
- na produção, no conhecimento, etc. Entendese por que, apesar
de todo o falatório interno sobre crescimento econômico, o
peso brasileiro no PIB mundial está em queda: era de 2,92% em 2002
e cairá ao final deste ano para 2,90%, de acordo com projeções
do Fundo Monetário (FMI).
Faz bem à autoestima incluir o Brasil no bloco dos emergentes,
o que mais cresce no mundo. Mas, quando se olham as estatísticas,
vê-se que o país está longe de repetir o desempenho
chinês e indiano. China e Índia aumentam sua fatia no PIB
mundial; o Brasil, perde participação. A burocracia e os
impostos ajudam a explicar esta história. (O Globo)
27.07 - Transparência 2010: Clareza premiada
Após quatro meses de análise, 20 empresas brasileiras
foram contempladas com o Troféu Transparência 2010, destinado
às companhias que apresentam maior transparência em suas demonstrações
financeiras. A premiação é realizada pela Anefac-Fipecafi-Serasa
Experian e está em sua 14ª edição.
As empresas de capital aberto com faturamento acima de R$ 8 bilhões
contempladas são Souza Cruz, AmBev, Embraer, Usiminas, Vale, Cemig,
CSN, Petrobras, Gerdau e Braskem. Dentre as que faturam abaixo dessa faixa
estão Sabesp, Natura e BM&F Bovespa. A Albras foi premiada na
categoria capital fechado. (Maria Crisitina Frias - Folha de
S.Paulo)
26.07 - Reformando lá, e aqui?
No Brasil, a avaliação da crise econômica foi superficial
e feita em um tom ufanista, proclamando a solidez do sistema financeiro
nacional
Passado o tsunami financeiro, especialistas do mundo inteiro são
unânimes em afirmar que um bom sistema bancário é fundamental
para o desenvolvimento. Todos fizeram a mesma pergunta: "O que poderia
ser melhorado?".
A resposta mais contundente veio dos Estados Unidos: seu projeto de
reforma tem mais de 2.000 páginas, com melhorias no controle do
risco e a criação de uma agência para a proteção
ao consumidor financeiro, a inovação mais comentada do projeto.
O novo órgão terá independência e autoridade.
Fixará regras exigindo mais transparência dos produtos financeiros,
coibirá abusos e evitará os empréstimos predatórios,
responsáveis pela crise na economia norte-americana.
O objetivo da reforma é construir base sólida para um
crescimento sem sustos do crédito e do país.
No Brasil, a avaliação da crise foi superficial e com
um tom ufanista, proclamando a solidez do sistema financeiro nacional.
A bem da verdade, considerando que aqui não havia exposição
aos derivativos que originaram as dificuldades no exterior, não
havia razão para ter problemas. Seria uma surpresa se fosse o contrário.
O ponto principal dos debates, "o que poderia ser melhorado?", foi
ignorado e a criação de agência semelhante à
norte-americana nem sequer foi discutida publicamente. É fato, o
sistema financeiro brasileiro é sólido, sofisticado e tem
abrangência nacional. Entretanto, a sua utilização
é baixa.
Ilustrando o ponto, mais da metade do crédito pessoal é
do consignado de funcionários públicos; uma pesquisa do Sebrae
aponta que apenas 12% das pequenas e médias empresas usam financiamento
de bancos, enquanto 45% usam o cheque pré-datado. São números
que incomodam.
Além de baixa, as estatísticas mostram que a relação
crédito/PIB para esses pequenos tomadores está praticamente
estagnada.
A expansão atual dos financiamentos é dos grandes. É
paradoxal, pois é a base da pirâmide que deveria apresentar
o maior crescimento, e é ela o que dá mais sustentabilidade
à economia.
A criação no Brasil de uma agência inspirada na
norte-americana poderia melhorar o quadro acima; complementaria a atividade
dos Procons, do Idec e do Banco Central, fomentando o crédito responsável,
padronizando produtos e corrigindo distorções existentes.
Deveria ter como objetivo uma atuação equilibrada, protegendo
consumidores, criando condições adequadas para oferta segura
de crédito e promovendo melhorias institucionais na intermediação.
A política atual de "deixar como está para ver como é
que fica" é inconsequente, e o que está acontecendo no resto
do mundo deveria servir de alerta. Lembrando que a solidez de um sistema
bancário vem da composição de seus balanços,
bem como da base econômica subjacente, em que o crédito é
um dos pilares. (ROBERTO LUIS TROSTER - Folha de S.Paulo)
26.07 - A formalização da economia
Crescimento econômico, mais exportações, menor
tributação e mais crédito ajudaram na formalização
A partir do final de 2003 iniciou-se uma importante inversão
nos dados relativos à geração de empregos formais
e informais. Naquele ano, a relação se inverteu e o Brasil
passou a gerar mais empregos formais do que informais. No conjunto das
ocupações, os dados do IBGE da Pesquisa Nacional por Amostra
de Domicílios (Pnad) mostram que, em 2008, os empregos formais já
eram maioria, diferentemente do que ocorrera durante toda a década
anterior, quando o trabalho sem carteira atingia em média 57% dos
ocupados. Registre-se que a Pnad inclui os autônomos como informais.
Esse é um sinal sem paralelo da melhora do tecido econômico
brasileiro nos últimos anos. Entender suas causas nos ajuda a valorizar
políticas corretas e ampliá-las, colhendo os melhores frutos
da melhoria do ambiente de negócios.
O crescimento econômico é, sem dúvida, um dos fatores
explicativos.
Mas não é suficiente, como mostra nossa história
recente. A década de 1970, do chamado "milagre brasileiro", cujos
patamares de crescimento per capita são semelhantes aos dos anos
mais recentes, foram também os de expansão das relações
comerciais e de trabalho informais, quando o sem nota, o vale e o trabalho
sem ficha eram a regra.
De fato, vários outros fatores têm contribuído
para o avanço da formalização de empresas e empregos.
A ampliação do esforço exportador, que permitiu
às empresas sobreviverem à crise econômica de 2002,
expondo nossa produção ao mercado mundial, ampliou a formalização
dos negócios. Ninguém exporta na informalidade.
A modernização acelerada do mercado de capitais também
contribuiu de maneira importante. A redução da tributação
sobre a renda variável, as importantes mudanças estruturais
de nossas Bolsas de Valores, além da legislação, que
permitiu a criação de novos títulos no setor bancário,
agrícola e imobiliário, tudo isso incentivou um grande número
de empresas a buscar, no mercado de capitais, novos e volumosos recursos
para seus investimentos.
Aqui é notável a ampla formalização do
setor imobiliário e de frigoríficos, entre tantos outros.
De novo, ninguém vai ao mercado de capitais na informalidade.
O acesso ao crédito de melhor qualidade e de menor custo tem
também a sua parte nessa dinâmica de formalização.
Isso vale para as empresas e para os trabalhadores.
A instituição do crédito consignado gestou, em
2003, um novo mercado de empréstimos de baixo risco e de grande
importância na ampliação da capacidade de consumo dos
assalariados, o que elevou as pressões pela formalização
das relações de trabalho.
A melhoria dos sistemas de fiscalização também
conta de maneira decisiva, tanto no setor trabalhista como no previdenciário
e no tributário. Mais recentemente, a nota fiscal eletrônica
tem sido um fator importante. Sua expansão prevista para os próximos
anos dará um grande salto na formalização da economia.
Vale destacar também iniciativas de redução e
simplificação de recolhimento de tributos como a nova Lei
Geral da Micro e Pequena Empresas, mecanismo para o qual se inscrevem voluntariamente
1,2 milhão de empresas por ano desde 2007.
Também merece destaque para as pequenas atividades a recente
legislação do Microempreendedor Individual, que teve 371
mil adesões desde julho de 2009. A tributação se restringe
praticamente aos custos previdenciários, numa iniciativa que propicia
a inclusão previdenciária para um contingente de milhões
de trabalhadores informais com pequenos negócios familiares.
Finalmente, é preciso reconhecer o grande alcance de mudanças
institucionais localizadas e bem desenhadas sobre o ambiente econômico
e a formalização. Reformas incrementais nos tributos, na
regulação e na supervisão do mercado de capitais,
nos sistemas de garantia para o crédito, entre outras, sugerem-nos
quais os dispositivos a serem permanentemente acionados para o aperfeiçoamento,
tanto das regras como da conduta dos atores econômicos, sejam eles
trabalhadores, empresários ou agentes públicos.
(ANTÔNIO PALOCCI FILHO - Folha de S.Paulo)
23.07 - Macroeconomia da saúde e papel do Estado
O atual contexto da distribuição de saúde no Brasil
requer a presença do Estado atuando incisivamente, seja para a aplicação
de ações públicas preventivas a priori, seja para
a regulamentação da atenção privada através
das operadoras de planos de saúde. Por sua vez, as características
populacionais e geográficas do Brasil requerem políticas
específicas nas regiões.
A Constituição de 1988 e a criação do Sistema
Único de Saúde (SUS), cujas finalidades essenciais foram
a descentralização e a universalização do sistema
de saúde, resultam, em grande medida, em eficiência. A compreensão
deste cenário complexo da saúde no Brasil é auxiliada
por dados estatísticos disponibilizados pelo governo, essenciais
tanto para avaliar resultados de políticas adotadas quanto para
projeções.
Desde a década de 1990, tivemos aumento dos gastos em saúde
de 6% para 8%do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Do total, os gastos
do setor público representam 3,4% e os do setor privado, 4,6%. Quanto
ao acesso ao atendimento, 70% da população recorre ao setor
público e 30% ao privado. Isto revela que a maior arte da população
é alvo da menor parcela de gastos com saúde (ressaltando-se
que na fatia dos gastos do setor público entram as campanhas preventivas,
que devem abranger toda a população indistintamente, sendo
responsabilidade indiscutível do Estado).
Quanto à qualidade dos gastos públicos, evidenciamos
ações essencialmente preventivas como a que erradicou a poliomielite
ou a de combate à aids. Ambas se tornaram modelos de políticas
preventivas bem sucedidas para o mundo. Também se destacam a implantação
de Unidades Básicas de Saúde (UBS), os estudos para desenvolvimento
de tecnologia de alta-complexidade nas universidades públicas e,
mais recentemente, os programas curativos como a farmácia de alto
custo e a farmácia popular.
Quanto às ações curativas, aí sim o setor
público de saúde requer atenção dos gestores,
principalmente em regiões como o Nordeste e o Norte do país.
Cabe, aqui, substancialmente a função distributiva do Estado,
à luz da universalização prevista no SUS, planejando
recursos para as localidades carentes das periferias das grandes cidades,
bem como para a população pobre da zona rural.
Identifica-se no setor privado, por sua vez, uma concentração
das operadoras de saúde, que caíram de 2004 no ano 2000 para
1.269 em 2008. Se a política de saúde no Brasil visa a promover
o mercado das operadoras e desonerar o Estado, são necessárias
medidas de estímulo à entrada de novos participantes.
A tendência de crescimento da economia com novas contratações
a partir deste ano potencializam tal demanda. Eis o que os dados macroeconômicos
do setor de saúde brasileiro apontam: a saúde, enquanto bem
público, é essencialmente de responsabilidade do Estado.
A política de saúde prevê o papel essencialmente preventivo
do setor público, que ao mesmo tempo tema responsabilidade de atender
o segmento curativo da maior parte da população.
Para promoção da oferta do setor privado, a Agência
Nacional de Saúde (ANS) regula as operadoras. Mas quando a oferta
privada, afinal, vai atender à demanda de mais brasileiros? Há
falhas de mercado, que exigem atenção à distribuição
dos recursos da saúde. (Brasil Econômico)
26.07 - Cenário incerto influencia a decisão do Copom
Embalado pelos dados recentes que sugerem a desaceleração
da economia brasileira e internacional, o Comitê de Política
Monetária (Copom) foi menos rigoroso do que se esperava em sua 152ª
reunião, realizada quarta-feira. O Copom aumentou a taxa básica
de juros (Selic) em 0,50 ponto percentual, abaixo do 0,75 ponto que parte
do mercado esperava. Foi o terceiro ajuste consecutivo da taxa desde abril,
quando começou o ciclo de aperto do Banco Central (BC) e a Selic
estava no piso histórico de 8,75%. Após duas elevações
de 0,75 ponto percentual mais a de 0,50 ponto desta semana, o reajuste
acumulado está em dois pontos e a Selic chegou a 10,75%.
O mercado ficou dividido até o final a respeito do resultado
da reunião, mas a decisão dos membros do Copom foi unânime.
Conforme o comunicado divulgado, a expectativa do BC para a inflação
foi determinante para a decisão: "Considerando o processo de redução
de risco para o cenário inflacionário que se configura desde
a última reunião do Copom, e que se deve à evolução
recente de fatores domésticos e externos, o comitê entende
que a decisão irá contribuir para intensificar esse processo".
Exatamente um dia antes do veredicto do Copom, o Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou informações
muito positivas para o comportamento da inflação. O Índice
de Preços ao Consumidor Amplo -15 (IPCA-15), uma espécie
de prévia do IPCA, índice de referência da meta de
inflação perseguida pelo BC, teve deflação
de 0,09% em julho. Em junho, o IPCA já havia apresentado variação
nula, embora os resultados elevados dos meses anteriores levassem o acumulado
do índice a 3,09% no primeiro semestre e 4,84% em doze meses - acima
dos 4,5% do centro da meta do BC.
Outros indicadores divulgados nos dias anteriores sugeriam também
cautela ao BC, como os dados de emprego medidos pelo Ministério
do Trabalho e Emprego (Caged), as vendas de varejo de imóveis e
automóveis. O IBC-Br, índice calculado pelo próprio
BC, que reproduz o PIB, mostrou uma acomodação em maio depois
do desempenho fraco também em abril.
Enfim, vários indicadores mostravam, de fato, uma desaceleração
talvez maior do que a esperada na atividade doméstica após
o fim da redução de impostos de diversos bens e provavelmente
algum efeito da elevação dos juros. As vendas de automóveis,
por exemplo, estão abaixo do patamar do primeiro semestre de 2008,
depois de terem estourado nos últimos meses, estimuladas pelos incentivos
fiscais. A produção industrial caiu 0,7% em abril em relação
a março, ficou estável em maio, e promete um número
fraco em junho.
O cenário externo, citado no comunicado do Copom, também
favorece o recuo da inflação. A economia internacional mais
fraca deprime o preço das principais commodities, o que barateia
os insumos para a indústria. Com o mercado interno perdendo o gás,
a economia brasileira fica mais vulnerável ao cenário externo.
Note-se bem que não se trata de desaceleração,
mas de uma expansão menor do mundo, no próximo ano. Isso
já era previsto. De acordo com as previsões do Fundo Monetário
Internacional (FMI), o crescimento médio da economia mundial vai
desacelerar dos 4,6% deste ano para 4,3% no próximo.
Enquanto o mercado ainda digeria a elevação de 0,50 da
Selic, alguns indicadores positivos eram divulgados. O principal deles
foi a queda da taxa de desemprego medida pelo IBGE. A taxa da população
economicamente ativa desempregada foi de 7% em junho, meio ponto abaixo
dos 7,5% de maio. O rendimento médio real habitual dos trabalhadores
subiu 0,5% no mês e 3,4% no ano. A massa de rendimentos médio
real habitual dos ocupados cresceu 0,5% em relação a maio
e 6,7% em relação a junho de 2009. O Índice de Confiança
do Consumidor (ICC) medido pela Fundação Getúlio Vargas,
subiu; já o Índice de Confiança do Empresário
Industrial (ICEI), avaliado pela Confederação Nacional da
Indústria (CNI), recuou.
No mercado externo, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central
americano), Ben Bernanke, também contribuiu para um cenário
nebuloso ao afirmar que o cenário econômico está "atipicamente
incerto".
Mas os sinais ainda são contraditórios, o que indica
que pode ter influído na decisão desta semana o desejo de
não fornecer combustível ao debate político que começa
a esquentar, à medida que o calendário eleitoral avança.
De concreto há o consenso de que o ciclo de aperto monetário
não foi concluído, mas agora ficaram duas dúvidas:
qual será o ritmo de alta da Selic e para qual patamar a taxa será
levada. (Valor Online)
26.07 - A visão otimista do Copom sobre o futuro da inflação
Na sua reunião de junho, o Comitê de Política Monetária
(Copom) avaliou mal a evolução da conjuntura econômica
brasileira, anunciando uma consolidação da política
monetária restritiva. Na de julho voltou atrás, limitando
em 0,50 ponto porcentual (p.p.) o aumento da taxa Selic, recuo que um significativo
número de economistas tinha previsto da divulgação
de alguns índices de preços.
Essa interpretação quase generalizada da decisão
das autoridades monetárias faz esquecer que, de qualquer maneira,
o Copom realizou um novo aumento da taxa Selic, recorrendo à tática
do "bode na sala", em homenagem às entidades de classe, apavoradas
com um aumento quase certo de 0,75 p.p. da Selic.
Já tivemos oportunidade de dizer que, qualquer que fosse o aumento,
seria preciso respeitar a decisão do Banco Central. Na ata da reunião
de junho podia-se ler que "a demanda doméstica se apresenta robusta
em grande parte devido aos efeitos de fatores de estímulo, como
o crescimento da renda e a expansão de crédito".
No mês de julho não se registrou um forte aumento da renda,
embora no mês anterior, segundo os dados divulgados ontem pelo IBGE,
a população ocupada cresceu e sua massa de rendimento médio
real aumentou 0,5%, o que deveria se traduzir por um aumento da demanda.
O recuo da inflação pode ser atribuído a uma redução
das compras nas lojas em razão das férias e, mais provavelmente,
dos empréstimos imobiliários, que levam a uma redução
da compra de outros bens, uma vez que o preço dos imóveis
está subindo.
O Copom costuma dizer que sua política visa aos acontecimentos
futuros, e não apenas à situação presente.
A questão é saber se o seu otimismo (medido, já que
aumentou menos a Selic) é justificado. Os estímulos à
renda acabaram com o fim das isenções fiscais, mas foram
substituídos por uma elevação da remuneração
do funcionalismo e dos aposentados. O Copom seguramente não se esqueceu
dos enormes gastos que o governo está prometendo e que representam
um forte aumento da distribuição de renda, a menos que esteja
consciente de que tais promessas visam apenas a seduzir os eleitores.
Ontem a Fundação Getúlio Vargas divulgou a sua
sondagem sobre as intenções dos consumidores, nitidamente
otimista, e o Índice Antecedente de Vendas (IAV), apurado pelo Instituto
para Desenvolvimento do Varejo (IDV), mostra um bom desempenho em julho
e considera que as vendas atingirão o pico da alta em setembro.
O Copom poderá ainda atuar... (O Estado de S.Paulo)
22.07 - EBS: Governo promete fazer aperfeiçoamentos
Após reunião do ministro da Fazenda, Guido Mantega, com
representantes da Confederação Nacional das Empresas de Seguros
Gerais, Previdência Privada, Vida e Capitalização (CNSeg),
o governo se comprometeu a realizar aperfeiçoamentos na proposta
de lei que cria a seguradora estatal, a Empresa Brasileira de Seguros (EBS).
Uma proposta elaborada conjuntamente deve ser enviada em 15 dias ao
Congresso Nacional. A informação foi dada hoje pelo secretário
de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson
Barbosa, que participou do encontro.
- O mercado tem condições de garantir o risco nas operações.
A função da seguradora estatal seria gerir o risco por uma
seguradora e não por fundos garantidores - disse Barbosa.
Apesar de concordar com o objetivo colocado pelo governo, o presidente
da CNSeg, Jorge Hilário, deixou a reunião ainda criticando
a criação da uma nova estatal.
- Temos a mesma preocupação do governo com a eficiência
da alocação de recursos dos fundos garantidores. Mas não
queremos que essa entidade seja uma seguradora, que poderia ter restrições
que não seriam adequadas também aos tomadores. Vamos continuar
conversando para tentar encontrar um ponto comum - disse.
O setor de seguradoras é contrário à criação
da EBS e vem pressionando o governo para recuar da decisão de criar
a estatal. Hoje, representantes da CNSeg estiveram reunidos no ministério
da Fazenda com técnicos, mas não foram recebidos por Mantega,
o que ocorreu hoje. A criação da EBS foi incluída
pelo governo no pacote de estímulo às exportações,
anunciado em maio passado. (Jornal Monitor Mercantil)
22.07 - IPCA-15 cai 0,09% em julho
O Índice de Preços ao Consumidor - 15 (IPCA-15) teve
deflação de 0,09% neste mês, em comparação
com a inflação de 0,19% em junho, de acordo com o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado está
aquém do previsto pelos especialistas, que tinham estimativa do
índice de deflação de 0,03% e inflação
de 0,10%, com mediana de 0,02%. Em 2010, o IPCA-15 soma aumento de 3,26%
e de julho de 2009 até agora, sofreu variação de 4,74%.
A queda de 0,09% no IPCA-15 deste mês sofreu pressão dos
alimentos, na análise dos profissionais do IBGE. Alimentos e bebidas
caíram 0,80% em julho, comparado com a diminuição
de 0,42% em junho. Mesmo com queda de destaque em ao menos sete alimentos,
as refeições fora de casa ficaram 0,95% mais caras neste
mês e auxiliaram com 0,04 ponto porcentual para compor este índice
em julho.
Produtos não alimentícios subiram 0,12% no IPCA-15 deste
mês, com relação aos 0,37% do mês passado. A
desaceleração na taxa teve pressão de transportes
(baixa de 0,36%). De acordo com o IBGE, os automóveis caíram
1,16% e os já usados, 2,22%. O litro do álcool teve queda
de 3,15% e o da gasolina diminuiu 0,53%. (Executivos Financeiros)
22.07 - Analistas reduzem previsões para PIB do 2º tri
O resultado decepcionante de indicadores importantes como a produção
industrial e as vendas no varejo evidenciam uma forte desaceleração
da atividade econômica a partir de abril, levando a uma onda de redução
das estimativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo
trimestre. A expectativa hoje é de uma alta entre 0,4% e 0,8% em
relação ao primeiro, feito o ajuste sazonal, um ritmo muito
mais fraco que os 2,7% registrados no primeiro. Há algumas semanas,
vários analistas ainda estimavam uma alta próxima a 1% ou
até mais no segundo trimestre. Por enquanto, porém, ainda
não há um movimento generalizado de diminuição
das projeções para o PIB do ano de 2010.
Os economistas do Itaú Unibanco, que calculam a variação
do PIB mensalmente, avaliam que houve duplo recuo na comparação
com o mês anterior: em abril, de -0,4%, e maio, de -0,2%. Para Aurélio
Bicalho, economista do banco, o resultado veio abaixo das expectativas
na indústria e no comércio, o que fez o Itaú Unibanco
reduzir a estimativa de avanço do PIB entre abril e junho - de 0,8%
para 0,5% sobre o primeiro trimestre. "Mas no ritmo em que se expandem
o crédito e o mercado de trabalho, a economia deve compensar no
segundo semestre esses fatores transitórios, que explicam a desaceleração
do segundo trimestre", diz Bicalho, que mantém a previsão
de 7,5% para o PIB do ano.
Há dez dias, o departamento econômico do Bradesco revisou
a sua projeção de crescimento no segundo trimestre de 1,3%
para 0,8%. "Após quatro trimestres de um crescimento médio
de 3,9%, as vendas do varejo ampliadas devem ter registrado queda de 0,9%
no segundo", escrevem os economistas do banco. Números preliminares
do Bradesco apontam que, depois da queda em abril e da estabilidade em
maio, a produção industrial recuou em junho 0,8% em relação
ao mês anterior. Apesar do resultado fraco, a indústria deverá
avançar 1,5% sobre o primeiro trimestre, porque a média de
abril a junho ficará superior à dos três meses anteriores.
Antes, a expectativa do banco era de uma alta na casa de 2%.
Para os analistas do Bradesco, além da antecipação
do consumo no primeiro trimestre, provocada pela iminência do fim
do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido para bens como
veículos, pode estar em curso também uma "canibalização"
entre os bens duráveis e os imóveis. Quem compra uma casa
muitas vezes faz algum esforço inicial de poupança e reduz
a taxa de consumo para se adaptar ao novo fluxo de caixa, dizem eles. Depois
do forte resultado do primeiro trimestre, o banco chegou a apostar em crescimento
de 1,3% no segundo trimestre e num PIB de 7,7% para o ano, números
que foram rebaixados para, respectivamente, 0,8% e 7,5%.
O economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, é
um dos que apostavam na desaceleração expressiva do PIB no
segundo trimestre. Ele acredita hoje numa expansão de 0,7% sobre
o primeiro, número que chegou a ser de 1%. Para ele, a antecipação
de consumo induzida pelas reduções temporárias de
IPI funcionaram como um freio natural da atividade no segundo trimestre.
"O PIB no primeiro trimestre não podia ser extrapolado para o resto
do ano", afirma Borges, que espera uma alta de 6,6% em 2010. Para a segunda
metade do ano, ele aposta numa alta média de 0,8% por trimestre,
"contido já pelo impacto contracionista da política monetária".
"Do jeito que o mercado está reagindo, parece que ninguém
esperava uma desaceleração depois do primeiro trimestre",
diz
Fernando de Paula Rocha, economista da JGP Gestão de Recursos. Para
ele, o ritmo real da economia não ocorreu nem no primeiro trimestre
- inflado pelos incentivos à produção e ao consumo
- tampouco no segundo - quando os incentivos foram retirados e a Copa do
Mundo ainda provocou "semiferiados nacionais". O economista mantém
projeção de 7,5% para o ano. "Antes eu estava mais para 8%,
agora estou mais para 7%".
O economista Juan Jensen, da Tendências Consultoria, mantém
a sua projeção de uma alta de apenas 0,4% no segundo trimestre,
um dos números mais conservadores do mercado. "Acreditávamos
numa desaceleração forte a partir de abril, por causa da
antecipação de consumo no primeiro trimestre, mas ela tem
sido até mais forte do que esperávamos, especialmente na
indústria", afirma ele, que projeta expansão de 6,6% no PIB.
(Sergio Lamucci e João Villaverde - Valor Online)
21.07 - O duplo mergulho
A recente revisão das estimativas do crescimento mundial feita
pelo Fundo Monetário Internacional (que como "previsão" é
sujeita a chuvas e trovoadas) mostra que, até onde é possível
enxergar o futuro, existe um movimento de recuperação que
foi vigoroso no primeiro trimestre de 2010 e provavelmente seguirá
a uma velocidade menor nos trimestres seguintes.
Segundo o FMI, o mundo crescerá em 2010 qualquer coisa como
4,6%, contra um crescimento negativo de 0,6% em 2009. Para 2011 o FMI sugere
um crescimento de 4,3%.
Com exceção de alguns analistas da evolução
do mercado financeiro internacional, ninguém considera seriamente
a probabilidade de uma nova crise (o "double dip").
Quando se olha para o setor produtivo, há um otimismo moderado
de que o processo de recuperação vai continuar.
Os EUA, ao lado das medidas monetárias e fiscais de estímulo
ao crescimento, mas relativamente hostis ao setor produtivo, continuam
a dar ênfase à busca da autonomia energética.
Acrescentaram recentemente três vetores mais agradáveis
ao setor produtivo privado para tentar mobilizá-lo:
1) duplicar em cinco anos o valor das exportações com
amplo e sofisticado suporte governamental; 2) acelerar os acordos de livre
comércio parados no Congresso por pressão dos sindicatos
e 3) uma ação psicológica e de persuasão moral
sobre os empresários para que acreditem na recuperação
e aumentem seus investimentos, uma vez que dispõem de US$ 2 trilhões
em caixa. O FMI estima para os EUA um crescimento de 3,3% para 2010 e 2,9%
para 2011.
No caso da Alemanha (crescimento de 1,4% em 2010 e 1,6% em 2011 de
acordo com o FMI), o ministro das Finanças estima que o crescimento
poderá atingir 2% em 2010 graças à credibilidade,
no setor privado, do ajuste fiscal e ao aumento das exportações
promovidas pela desvalorização do euro.
No caso do Japão, a dependência das exportações
é maior e sua rápida expansão no primeiro trimestre
levou o FMI a estimar um crescimento do PIB de 2,4% em 2010 e 1,8% em 2011.
Na China continuam os estímulos de toda sorte à produção
e à criação de um mercado interno cada vez mais robusto.
Ela iniciou agora um novo e importante programa, a "Grande Exploração
do Oeste". O FMI estima um crescimento de 10,5% em 2010 e de 9,6% em 2011.
No nível do setor produtivo, que cria o PIB e dá emprego,
parece que ninguém está falando num "double dip" criador
da volatilidade tão querida dos especuladores financeiros.
(ANTONIO DELFIM NETTO - Folha de S.Paulo)
21.07 - Governo eleva projeção de crescimento do PIB
O ministério do Planejamento informou nesta terça-feira,
20, a revisão de 5,5% para 6,5% na projeção de crescimento
do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano inserida no relatório bimestral
de avaliação de receitas e despesas da União.
O número previsto para o crescimento do País, que é
elaborado pela secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério
da Fazenda, contraria as declarações públicas recentes
do ministro Guido Mantega, que diz trabalhar com um PIB entre 6,5% e 7%,
e do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disse
que o Brasil não cresceria menos que 7% neste ano.
Também está longe dos 7,3% previstos pelo BC. Até
a segunda-feira, segundo apurou a Agência Estado, a projeção
de crescimento enviada pela SPE ao ministério do Planejamento era
de 6,8%.
De acordo com o relatório bimestral, o cenário previsto
para a inflação melhorou. A previsão de inflação
pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), passou
de 5,5% para 5,2%, e para o Índice Geral de Preços - Disponibilidade
Interna (IGP-DI), de 9,14% para 8,68%. A expectativa para a média
da taxa Selic no ano passou de 9,19% para 9,60%. Para a taxa média
de câmbio, de R$ 1,79 para R$ 1,80.
O governo prevê um crescimento ainda maior para a massa salarial
nominal neste ano: 13,95%, ante 12,69% no relatório anterior. Para
o petróleo, a estimativa passou de US$ 80,47 para US$ 76,68. O documento
oficial do governo incorporou o reajuste de 7,72% para os benefícios
previdenciários acima do salário mínimo, que antes
estava previsto em 6,14%.
Orçamento
O governo aumentou em R$ 2,5 bilhões a projeção
de despesas em 2010, informou o Ministério do Planejamento, Orçamento
e Gestão nesta terça-feira em sua terceira avaliação
bimestral do Orçamento. (Fabio Graner - Agência Estado)
20.07 - Crescimento de 20% no mercado de seguros
Estimativas apontam para crescimento de 20% no mercado de seguros
De acordo com a Superintendência de Seguros Privados (Susep),
em 2010, os seguros massificados devem movimentar R$ 4 bilhões em
prêmios, enquanto o mercado de seguros geral movimentará perto
dos R$ 60 bilhões. De 2004 até hoje, o mercado de seguros
no País cresceu, em média, 12% ao ano, e para esse ano, a
estimativa de expansão é de 20%.
As empresas seguradoras brasileiras esperam crescer em ritmo acelerado
nos próximos anos, e sair dos atuais 3,5% do Produto Interno Bruto
(PIB) em movimentação para 5% do PIB até o final de
2013, com destaque para os seguros massificados.
O setor de varejo se firma como excelente ponto de comercialização
desses produtos para as classes C e D, por sua vez. Essas duas parcelas
da população representam mais de 50 milhões de emergentes
que passam a consumir, e leva as redes varejistas investirem na expansão
dos negócios voltados para essas classes.
Usando o recurso da oferta de seguros como proteção financeira,
coberturas em caso de desemprego, proteção residencial, assistência
médica e odontológica, garantia estendida, entre outras coberturas
e serviços de assistência aos consumidores, o lojista se beneficia
com uma receita adicional, tem circulação maior na loja,
e ainda fideliza o cliente por facilitar a aquisição de um
tipo de produto a que ele muitas vezes não tem acesso.
A Classic Corretora de Seguros dá atenção especial
ao varejo por entender que as redes conseguem atingir de número
maior de consumidor. Assim, a Classic faz parceria com redes varejistas
para oferecer produtos de acordo com a real necessidade e perfil do cliente.
No entanto, além do varejo, o mercado de massificados também
vê oportunidades para expansão, principalmente as geradas
a partir das obras do PAC, pré-sal, Olimpíadas e Copa. O
presidente da Classic, Rubens Nogueira, acredita que além da oferta
de produtos e serviços por conta dos riscos de engenharia nas grandes
obras, as redes de produtos esportivos oferecerão seguros relacionados
aos esportes graças aos dois eventos. (Executivos Financeiros)
20.07 - Mercado volta a reduzir projeções de inflação
Dois dias antes da reunião do Comitê de Política
Monetária (Copom), do Banco Central (BC), que termina amanhã,
e influenciado por dados mostrando desaceleração da economia,
o mercado voltou a reduzir as projeções para a inflação
deste ano. Pela segunda semana consecutiva, economistas e analistas que
respondem à pesquisa Focus, do BC, puxaram para baixo a estimativa
para a inflação oficial. A mediana das expectativas para
o IPCA em 2010 passou de 5,45% para 5,42%. Há um mês, o mercado
apostava em 5,61%.
Os demais índices também recuaram. As projeções
para o IGP-DI de 2010 caiu pela quinta semana, de 8,68% para 8,58%. O IGP-M
esperado passou de 8,89% para 8,79%. Já o IPC-Fipe baixou de 5,15%
para 5,12%. As estimativas para o IPCA de julho também foram reduzidas
de 0,21% para 0,1%.
Ontem, na contramão da expectativa dos analistas do mercado
financeiro, o IPC da Fipe relativo à segunda quadrissemana do mês
avançou para 0,12%, ante elevação de 0,10% no levantamento
anterior. Na segunda quadrissemana de junho, a inflação na
capital paulista havia sido de 0,03%.
Os analistas ouvidos pelo Banco Central mantiveram a expectativa para
o ciclo de aperto monetário promovido pela autoridade monetária.
A mediana indica a Selic em 12% ao ano no fim do ano, com duas novas elevações
de 0,75 ponto percentual e mais uma de 0,25 ponto em outubro. Para 2011,
a projeção se manteve em 11,75% ao ano.
Como a coleta de dados para a pesquisa foi feita até sexta-feira,
o Focus não captou um início de mudança nessas projeções.
Começam a crescer no mercado as apostas de uma redução
no passo do aperto, que passaria para 0,5 ponto percentual.
O Bradesco, por exemplo, divulgou ontem relatório apontando
essa desaceleração no ritmo de alta da taxa básica,
que subiria 50 pontos bases e poderia fechar o ano abaixo dos 12% projetados
anteriormente. O estrategista-chefe do WestLB, Roberto Padovani, acredita
em alta de 0,75 ponto no encontro de quarta-feira, mas avalia que esse
seria o último movimento do Copom, deixando a taxa estável
em 11%.
Os novos dados de desaceleração da economia começam
a entrar no cenário dos analistas, como o índice de atividade
econômica do BC, IBC-Br, que indicou estabilidade em maio, além
de números menos vistosos de emprego e vendas de varejo. As prévias
de inflação também têm saído abaixo das
projeções de mercado.
Na semana passada, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles,
ressaltou que o BC não toma decisão de forma antecipada e
que todos os dados disponíveis entre as reuniões são
levadas em conta a cada novo encontro do Copom. (Fernando Travaglini
- Valor Online)
20.07 - Alta de 0,5 ponto na Selic ganha força
O que antes era apenas uma sugestão da curva futura, ganha respaldo,
agora, na opinião de grandes agentes de mercado. A possibilidade
de uma alta de meio ponto percentual na Selic na reunião de amanhã
foi adotada pelo Bradesco, que mudou seu prognóstico ontem. Os economistas
do Bank of America Merrill Lynch também apoiam uma elevação
mais branda da taxa básica, mas ainda acreditam que o colegiado
do Banco Central está comprometido com outra elevação
de 0,75 ponto.
Mas essa desconstrução de consenso é apenas uma
reação exacerbada do mercado aos dados de curto prazo ou
há, de fato, uma mudança significativa de cenário?
Cabe lembrar que no começo do ano o Banco Central foi duramente
criticado por responder de forma "atrasada" ao ritmo de crescimento chinês
que a economia brasileira apresentava.
Em relatório, o diretor do Departamento Econômico do Bradesco,
Octávio de Barros, lembra que não devemos dar peso excessivo
aos dados de curto prazo pela sua natural volatilidade.
No entanto, ponderou o especialista, a sequência de dados mais
fracos alcançou magnitude suficiente para que se faça uma
mudança da leitura sobre a velocidade de expansão da economia.
"A informação mais relevante desde a última reunião
do Copom é que presenciamos uma desaceleração maior
do que aquela que era amplamente esperada na atividade doméstica",
notou.
Outro ponto considerado pelo especialista em seu relatório é
a influencia externa.
Barros nota que não se trata de uma crise, mas sim de uma redução,
possivelmente por alguns trimestres, do ritmo de recuperação
da economia global. "A acomodação do crescimento mundial
é, a nosso ver, benigna para o cenário de inflação
brasileiro, uma vez que implicaria preços de commodities em reais
mais baixos, em alguma perda de dinamismo das exportações
e também em crescimento um pouco abaixo do que se esperava da demanda
doméstica."
Concluindo, Octávio de Barros nota que houve um significativo
aumento da incerteza sobre o cenário prospectivo, tanto para economia
internacional quanto para a demanda doméstica.
"A experiência internacional de bancos centrais, assim como a
teoria econômica, mostra que, quando há aumento da incerteza,
a política monetária caminha mais devagar, ainda que mantenha
a direção", avalia Barros.
O contraponto a essa visão é dada pelo Banco Santander,
que mantém sua previsão de alta de 0,75 ponto na Selic não
só agora em julho, mas também em setembro. A instituição
ainda espera mais dois reajuste de meio ponto nas reuniões de outubro
e dezembro e um aperto final de 0,25 ponto em janeiro de 2011. Com isso,
a Selic encerraria 2010 em 12,75% e chegaria a 13% no começo de
2011.
Segundo Cristiano Souza, economista do Santander, o mercado está
se deixando levar pelas informações de curto prazo, como
inflação próxima de zero e menor crescimento durante
o trimestre.
"Essa leitura pode estar um pouco exagerada. Olhando para os fundamentos
não vemos tamanha desaceleração", pondera.
Souza chama atenção para o comportamento do emprego,
da renda e do crédito, que seguem mostrando firme ritmo de crescimento.
Com isso, diz o economista, não temos como esperar uma retração
muito forte da atividade. (Eduardo Campos - Valor Online)
19.07 - EUA: Senado aprova reforma financeira
Projeto de lei altera desde a dinâmica dos negócios com
cartões de débito até as negociações
com derivativos
O Senado dos EUA aprovou, com 60 votos a favor e 39 contra, o projeto
de reforma regulatória do sistema financeiro do país. A legislação
deve ser sancionada pelo presidente norte-americano, Barack Obama, nesta
semana.
Os democratas precisaram do apoio de alguns republicanos para aprovar
o projeto de lei, que altera desde a dinâmica dos negócios
com cartões de débito até as negociações
com derivativos e deve afetar principalmente grandes bancos, como o JPMorgan
Chase, o Goldman Sachs e o Bank of America.
Fundos de hedge e private equity
O projeto de lei de reforma do sistema financeiro dos EUA exige que
os fundos de hedge e de private equity sejam registrados na Securities
and Exchange Comission (SEC, a CVM dos EUA) como consultores de investimento.
Isso obrigará essas instituições a manter registros
sobre itens como negociações, alavancagem extrapatrimonial
e exposição ao risco de crédito de contraparte que
estarão sujeitos a inspeções por parte da SEC.
A maior parte dos consultores que gerenciam os fundos de hedge maiores
e mais conhecidos já é registrada na agência reguladora.
Agências de rating
A reforma prevê a criação de uma entidade semioficial
que supervisionará a indústria de ratings de crédito
e mediará conflitos de interesse inerentes a esse ramo de negócios
após a Securities and Exchange Comission (SEC) estudar o assunto.
As mudanças na legislação também permitirão
aos investidores processar as agências de rating por um fracasso
"conhecido ou irresponsável" na atribuição de notas
aos créditos avaliados.
Escritório federal de seguros
Os Estados norte-americanos continuarão detendo a autoridade
sobre as regras impostas às seguradoras do país, podendo,
por exemplo, supervisionar os produtos oferecidos por essas empresas, de
acordo com a reforma aprovada hoje no Senado. No entanto, uma nova agência,
chamada Departamento Federal de Seguros, passará a monitorar o setor
e estudará potenciais mudanças na regulação
aplicada às seguradoras.
Derivativos
As novas regras do setor financeiro dos EUA determinam que grande parte
das negociações com derivativos no mercado de balcão
passem a ser realizadas em outra plataforma e também que passem
por câmaras de compensação. Swaps customizados ainda
poderiam ser negociados em balcão, desde que a transação
seja reportada, de forma que os reguladores possam ter uma visão
mais ampla do que ocorre no mercado.
As empresas que negociam derivativos também seriam afetadas
por novos requisitos de margem, de capital e de transparência.
Longo alcance
O presidente do Federal Reserve norte-americano, Ben Bernanke, disse
que a lei de reforma do setor financeiro, aprovada pelo Congresso, é
um passo bem-vindo e de longo alcance. Em comunicado divulgado pelo Fed
logo depois da aprovação da lei pelo Senado, Bernanke afirma
que a nova legislação "representa um passo bem-vindo e de
longo alcance na direção de prevenir uma repetição
da crise financeira recente".
Segundo o presidente do Fed, a nova lei fortalece a supervisão
das instituições financeiras e dá ao governo uma ferramenta
para desmontar de forma segura as empresas financeiras que falirem. A lei
também "aumenta a transparência do Federal Reserve e ao mesmo
tempo preserva a independência política que é crucial
para a formulação da política monetária", diz
o comunicado.
"Mesmo antes da aprovação da legislação
de reforma, o Federal Reserve tem mudado sua supervisão e regulamentação
das organizações bancárias e trabalhado para fortalecer
as infraestruturas e as práticas do mercado financeiro. Estaremos
focados e diligentes ao desempenhar nossas responsabilidades sob a nova
lei", acrescentou Bernanke. (Gustavo Nicoletta e Renato Martins -
Agência Estado)
19.07 - Desaceleração chinesa gera temor em investidores
A China cresceu 10,3% no segundo trimestre, comparado ao mesmo período
do ano passado. Foi uma desaceleração em relação
ao trimestre anterior, à medida que começam a fazer efeito
os esforços do governo para esfriar o mercado imobiliário
e os investimentos em infraestrutura. O ritmo de crescimento e outros dados
divulgados ontem criaram temor entre os investidores de que a China pode
estar desacelerando demais.
O número comparável do primeiro trimestre foi de 11,9%,
quando muitos economistas temiam que a China estivesse perto de um superaquecimento.
No primeiro semestre do ano, a economia cresceu 11,1%.
Embora o desaquecimento fosse esperado, outros indicadores sugeriram,
ontem, que a economia pode estar esfriando mais rápido do que previsto,
com uma queda na expansão da produção industrial de
13,7% em junho, ano a ano, dos 16,5% em maio.
O governo disse estar tranquilo quanto à redução
no ritmo da atividade econômica. "A desaceleração ajudará
a evitar o superaquecimento de nossa economia e ajudará na transformação
do nosso modelo econômico", disse Sheng Laiyun, porta-voz do Birô
Nacional de Estatísticas.
No entanto, o desaquecimento deixou nervosos os investidores, numa
hora em que muitos esperavam que a China pudesse ajudar a sustentar uma
recuperação mundial que mostra sinais perda de sustentação
nos EUA e na Europa.
Isso também poderá colocar Pequim sob pressão
interna para relaxar algumas de suas recentes medidas de contenção,
especialmente no setor habitacional.
"Conseguir uma aterrissagem suave para o mercado imobiliário
será realmente um sério problema", disse Liao Qun, economista-chefe
do Banco Citic International. Uma desaceleração prolongada
no setor imobiliário terá um impacto sobre muitos setores
- do siderúrgico ao da produção de aparelhos elétricos
de uso doméstico -, disse ele, mas as autoridades não querem
relaxar a política antes de estarem convencidas da queda do preços.
A China publica números de crescimento em base anual, mas não
divulga estatísticas sequenciais com ajustes de sazonalidade, que
dariam uma ideia mais precisa do rumo da atividade econômica. As
estimativas do setor privado variam consideravelmente: o Goldman Sachs
estima a taxa de crescimento implícita no quarto trimestre em 8%,
numa base anualizada, ao passo que o Standard Chartered a estima em 10%.
Embora o ritmo de novos empréstimos venha caindo desde o segundo
semestre passado, a principal iniciativa de aperto econômico é
a campanha que começou em meados de abril, como tentativa para limitar
a especulação no mercado imobiliário e frear empréstimos
a empresas de investimento operadas por governos locais.
O esfriamento da atividade parece ter tolhido o aumento da inflação.
O IPC caiu de 3,1% em maio para 2,9% em junho. (Geoff Dyer - Financial
Times/ Valor Online)
19.07 - Decisões sobre juro consideram todos os dados existentes
Afirmação veio um dia após a divulgação
do IBC-Br, que apresentou estabilidade em maio
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, repetiu na quinta-feira
a afirmação de que as decisões do Comitê de
Política Monetária (Copom) sobre o juro básico da
economia (Selic) são tomadas "levando em conta todos os dados existentes"
até o dia da reunião. A afirmação foi feita
um dia depois de o próprio Banco Central divulgar que o Índice
de Atividade Econômica do BC (IBC-Br) apresentou estabilidade em
maio, na comparação com abril, já dessazonalizado.
Meirelles reiterou a avaliação de que é positivo
o calendário das reuniões do Copom, com intervalo de 45 dias,
período que permite à autoridade monetária acumular
dados sobre a economia e assim tomar a decisão mais adequada. Por
isso, segundo ele, o BC não toma decisões previamente.
Questionado sobre a hipótese de que o mercado poderia estar
"atrasado" em relação às suas apostas para a reunião
que acontece na próxima semana, Meirelles preferiu não opinar
e disse apenas que esses prognósticos são de responsabilidade
de cada instituição. Ele também não quis tecer
comentários sobre a forte queda observa nos juros futuros anteontem,
após a divulgação dos dados das vendas do varejo pelo
IBGE. (Fernando Nakagawa - Agência Estado)
16.07 - Desaceleração da economia já começou
Números mais modestos no varejo e na indústria em junho
revelam que "crescimento chinês" já ficou para trás
Analistas culpam fim de incentivos fiscais e alta no preço de
alimentos; aumento nos juros básicos pode ser menor
Indicadores importantes referentes a maio e junho deste ano trazem
números abaixo das expectativas de mercado e revelam sinais de desaceleração
da economia brasileira.
A recente tendência mostra que os dias de crescimento econômico
"chinês" ficaram para trás e contribuiu para uma redução
na expectativa do mercado de aumento dos juros básicos, atualmente
em 10,25%.
Após 16 meses de crescimento, o nível de atividade da
economia ficou estável em maio ante abril, segundo o Índice
de Atividade do BC (leia texto na pág. B3).
"O Brasil deixou de crescer a um ritmo chinês e voltou a se expandir
a um ritmo brasileiro", diz Bráulio Borges, economista-chefe da
LCA Consultores.
Indicador calculado pela LCA que tenta revelar o comportamento mensal
do PIB, levando em conta indicadores diários e semanais, também
aponta leves retrações ou estagnação da atividade
em relação ao mês anterior desde abril após
sete meses consecutivos de expansão.
Dados divulgados anteontem pelo IBGE mostraram, por exemplo, que, depois
de contração de 3,1% em abril em relação a
março, o volume de vendas no comércio avançou 1,4%
(descontados efeitos sazonais) em maio.
Essa recuperação em maio foi considerada relativamente
fraca ante uma expectativa de expansão de 1,8% pela média
do mercado.
Segundo dado divulgado recentemente pela FGV (Fundação
Getulio Vargas), o percentual de empresas do setor de serviços que
esperam uma melhoria na evolução dos negócios nos
próximos seis meses caiu de 53% em maio para 49% em junho.
O fluxo de veículos pesados nas estradas com pedágio
se contraiu em 2,5% em junho com relação a maio (descontados
efeitos sazonais), segundo a ABCR (Associação Brasileira
de Concessionárias de Rodovias).
Esse foi o pior resultado para o indicador na base de comparação
mensal desde março de 2008.
As vendas de papelão ondulado (que, assim como o fluxo de veículos
pesados, é importante indicador antecedente da produção
industrial) também recuaram -2,1% (descontados efeitos sazonais
segundo cálculo da LCA) em junho ante maio.
CAUSAS
Segundo Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, as causas
da desaceleração econômica vão do fim de incentivos
fiscais a uma forte base de comparação dado o crescimento
robusto do primeiro trimestre.
Ele cita ainda a elevação dos preços de alimentos,
que abalou as vendas no setor, e o "efeito Copa do Mundo", que prejudicou
vários setores com as paralisações nos dias de jogos
do Brasil. (ÉRICA FRAGA - Folha de S.Paulo)
16.07 - País fica abaixo de emergentes em 2011
Brasil deve crescer 4,2% no ano que vem, ante média de 6,4%;
mercado aposta em 11,75% como teto de juros
Mercado de crédito e trabalho continuam aquecidos, mas taxas
de investimento e poupança continuam baixas
A recente desaceleração da economia brasileira já
tem fomentado duas discussões: até que patamar o BC (Banco
Central) subirá os juros básicos, atualmente, em 10,25%,
e para que nível deverá convergir a taxa de expansão
da economia brasileira a partir de agora.
Rápido em seus ajustes, o mercado financeiro já aponta
expectativa menor de aumento de juros.
Os juros no mercado futuro chegaram a apontar expectativa de aumento
da Selic do atual patamar para até quase 13%. Agora, sugere alta
para cerca de 12%.
Tudo indica que a autoridade monetária enfrentará grande
dilema em suas próximas decisões de política monetária.
A atividade econômica doméstica tem se desacelerado. Riscos
ao desempenho da economia global aumentaram. Além disso, dados recentes
de inflação revelam menor aumentos de preços.
Mas, ressalvam economistas, o desempenho passado da inflação
ainda tem peso no comportamento futuro dos reajustes nos preços
de serviços no Brasil. Fator que o BC leva em conta em suas decisões.
Além disso, segundo Armando Castellar, economista da Gávea
Investimentos, o mercado de trabalho brasileiro segue aquecido. O mercado
de crédito também mostra dinamismo.
Esses fatores têm sido importantes sustentáculos do forte
crescimento da demanda doméstica.
INSUSTENTÁVEL
É consenso entre economistas que a economia brasileira não
tinha condições de sustentar taxas de crescimento próximas
do nível registrado no primeiro trimestre de 2010, quando o PIB
(Produto Interno Bruto) cresceu a uma taxa anualizada superior a 11%.
Calcula-se que, dadas as restrições para aumento da capacidade
de oferta no Brasil, o país não tem condições
de crescer acima de algo entre 4% e 5% sem gerar pressões inflacionárias.
E é provavelmente para esse patamar de expansão que agora
caminha a economia brasileira. Segundo economistas, esse desempenho sem
dúvida é favorável, mas poderia ser melhor.
Em suas projeções de PIB atualizadas divulgadas na semana
passada, o FMI (Fundo Monetário Internacional) indica que o Brasil
crescerá acima da média de países emergentes e em
desenvolvimento em 2010 (7,1% ante 6,8%, respectivamente).
Mas, segundo o Fundo, o Brasil retomará seu patamar de expansão
abaixo da média dos emergentes em 2011: 4,2%, ante 6,4%.
O problema é que, para atingir patamares de crescimento mais
altos, o Brasil ainda precisa superar uma série de restrições,
como taxas de poupança doméstica e de investimentos ainda
extremamente baixas. (ÉRICA FRAGA - Folha de S.Paulo)
16.07 - Desaceleração reduz expectativa de aperto de juro
Demanda ainda é forte, mas a produção desacelera
indicando acomodação da atividade após período
de maior crescimento em 15 anos
Depois de crescer no ritmo mais forte em 15 anos no 1.º trimestre,
a economia brasileira dá vários sinais de desaceleração,
que já levam o mercado financeiro a projetar uma alta menor da taxa
básica de juros (Selic). Quarta-feira, por exemplo, o Banco Central
(BC) informou que o Índice de Atividade Econômica, calculado
pela própria instituição, ficou estável em
maio em relação a abril.
No fim de junho, o BC divulgou seu Relatório de Inflação
trimestral. Na avaliação de especialistas, o documento traçou
cenário preocupante para a evolução dos preços,
graças, principalmente, à atividade econômica aquecida.
Ganhou espaço, então, a ideia de que a Selic subiria em todas
as reuniões do Comitê de Política Monetária
(Copom) até o fim do ano - julho, setembro, outubro e dezembro.
No entanto, tal percepção começa a mudar por causa
de vários indicadores divulgados nos últimos dias. A sensação
é de que a demanda continua forte, mas em ritmo mais lento que o
do primeiro trimestre, e a produção desaquece até
mais rapidamente do que se esperava. Em abril, a produção
industrial caiu 0,7% em relação a março. Em maio,
houve estabilidade, o que surpreendeu os especialistas.
As projeções de mercado indicam que junho também
foi fraco (o número oficial ainda não saiu). A economista
Thays Zara, da Rosenberg & Associados, estima uma queda de 0,2% em
relação a maio. Se isso se confirmar, diz ela, será
o primeiro trimestre de baixa desde o estouro da crise global, em setembro
de 2008.
Estoques
A contradição entre demanda forte e produção
em baixa se explica pela "equalização dos estoques", segundo
explica o economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton
Rosa. "A indústria teve muitos incentivos para produzir. Com o fim
desses incentivos (como o IPI menor para vários setores), há
uma acomodação."
Os juros futuros caíram na quarta, em reação ao
índice divulgado pelo BC. Os contratos para outubro negociados na
BM&FBovespa fecharam em 10,93% ao ano, de 10,95% terça-feira.
O contrato para janeiro de 2011 recuou de 11,26% para 11,21%.
Não se trata de uma queda pontual. O contrato para janeiro de
2012 - apesar de distante, é o segundo mais negociado na bolsa -
saiu de 12,06% ao ano no fim de junho para 11,76% na quarta-feira.
Na segunda-feira, o boletim Focus, síntese de uma pesquisa do
BC com instituições do mercado, mostrou que a expectativa
para a Selic no fim deste ano saiu de 12,13% para 12%. Hoje, a taxa está
em 10,25%. A estimativa para o IPCA, o índice oficial de inflação,
de 2010 também caiu: de 5,55% para 5,45%, ainda acima da meta de
4,50%.
Na semana que vem, o Copom reúne-se para decidir se altera a
Selic. No mercado, há quase um consenso de que será elevada
em 0,75 ponto porcentual, para 11%. A mudança de perspectiva tem
se dado para a partir de julho.
O economista-chefe do banco WestLB, Roberto Padovani, acredita que
a taxa vai parar nos 11%. Antes dessa sequência de indicadores mais
fracos, ele apostava em uma alta adicional de 0,75 ponto em setembro. Thays,
da Rosenberg, mantém a avaliação de que a taxa chegará
a 11,75% ao ano em dezembro e Rosa, da Sul América, projeta 12,25%
ao ano. (Leandro Modé - O Estado de S. Paulo)
15.07 - Inflação para a terceira idade diminui no 2º
trimestre
Os idosos gastaram menos com a cesta de compras no segundo trimestre
do ano, na comparação com os três primeiros meses.
O Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i)
subiu 0,92% no período, mas ficou bem abaixo dos 2,72% registrados
no primeiro trimestre de 2010, segundo a Fundação Getulio
Vargas (FGV).
Com o resultado, o índice – que mede a inflação
para as pessoas com 60 anos ou mais – acumula em 12 meses alta de 5,10%,
superior à taxa de 4,93% observada no período anterior.
De acordo com a FGV, o resultado dos grupos alimentação
(de 5,80% para 0,01%), transportes (de 3,87% para –0,62%) e despesas diversas
(de 1,88% para 1,12%) teve forte influência para o recuo do IPC-3i
em abril, maio e junho deste ano. Os itens que mais se destacaram foram
hortaliças e legumes, tarifa de ônibus urbano e mensalidade
para TV por assinatura, respectivamente.
Em alta aparecem os grupos saúde e cuidados pessoais (de 0,96%
para 2,12%), pressionado pelo reajuste dos preços dos remédios;
vestuário (de –0,77% para 3,58%), em função da entrada
da coleção outono-inverno; e habitação (de
1,11% para 1,38%), por conta do reajuste das tarifas de energia elétrica
residencial. (Agência Brasil/Anfip)
15.07 - Banco Santos: Credores começam a ser ressarcidos
Até setembro, todos os quase 2 mil credores quirografários
- sem direitos especiais - do Banco Santos devem receber o equivalente
a 10% dos recursos a que fazem jus, cinco anos depois de decretada a falência
da instituição.
Nesse grupo de credores estão fundos, empresas e pessoas físicas
que possuíam depósitos à vista (como os mantidos em
conta corrente) e a prazo (tal e qual os CDBs), além de bancos estrangeiros
(a quem o Santos ficou devendo, por exemplo, juros de linhas de crédito),
entre outros.
A eles estão sendo pagos, desde o dia 30 de junho, pouco mais
de R$ 250 milhões relativos ao primeiro rateio da massa falida do
banco, administrada por Vânio Aguiar.
"Até o momento, foi pago 50% do valor previsto", diz. O restante
será creditado em, no máximo, mais 60 dias.
O passivo quirografário do banco de Edemar Cid Ferreira, conforme
Aguiar, ultrapassa os R$ 2,5 bilhões - em valores, destaque-se,
não corrigidos desde 2005. Antes dele, foram quitados outros créditos
com prioridade, como os trabalhistas e alguns tributários.
Para os credores quirografários, os recursos pagos agora são
os primeiros do banco em que colocam as mãos desde a falência.
O dinheiro está saindo do caixa da massa falida do Banco Santos,
que somava R$ 664 milhões ao fim de abril.
Esse primeiro rateio já havia sido aprovado no ano passado pela
2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais
de São Paulo e deveria ter saído há meses.
Mas bancos estrangeiros, que pleiteiam a restituição
de recursos relacionados a operações de adiantamento de contratos
de câmbio (ACC) a exportadores, questionaram os valores do caixa
a eles reservados. Foi o que atrasou o processo, segundo Aguiar.
Nova proposta foi apresentada no fim de maio ao juiz Caio de Oliveira
e aprovada.
Mas nem todo o caixa da massa falida entrou no rateio, já que
precisaram ser reservados mais de R$ 400 milhões relativos ao pleito
dos bancos estrangeiros (sob litígio com a massa falida e com recurso
no Superior Tribunal de Justiça), além de acordos com devedores
ainda pendentes de julgamento de recurso do Banco Santos.
Segundo rateio
O segundo rateio - de outra fatia equivalente a 10% do passivo - está
previsto para acontecer ainda neste ano, afirma Aguiar. "O novo rateio
virá de um acordo que o falido [o banco] fez com a Eletropaulo,
liberando R$ 10 milhões, e de recebimentos que devem ingressar até
a data do pagamento", explica.
O maior credor quirografário do Santos, com saldo de R$ 165
milhões a receber, é a Fundação Real Grandeza,
fundo de pensão dos funcionários de Furnas. Nesse rateio,
reaverá R$ 16,5 milhões.
O segundo é o fundo de renda fixa Santos Credit Yield, do próprio
banco, que possui 758 cotistas e tem R$ 115 milhões a receber.
Entre os maiores credores, mas com valores menores, constam ainda o
Banco da Amazônia, o Estaleiro Itajaí, a AES Tietê,
o Instituto de Previdência do Legislativo de Minas Gerais, bancos
americanos e europeus e algumas pessoas físicas. (Mariana
Segala - Brasil Econômico)
15.07 - Fundos recuperam perdas com Banco Santos
Quase seis anos depois, os fundos de investimento que tinham ativos
do falido Banco Santos em suas carteiras começam a recuperar parte
dos prejuízos. Desta vez, foi o Banco do Estado do Espírito
Santo (Banestes) que obteve autorização judicial para o pagamento
de perdas registradas em dois fundos. Na semana passada, a Caixa Econômica
Federal (CEF) comunicou que conseguiu reaver uma parcela dos recursos que
lhe eram devidos.
O administrador judicial da massa falida do banco, Vânio Aguiar,
conseguiu reaver parte das dívidas, que são estimadas em
R$ 2,3 bilhões. Após o pagamento de créditos trabalhistas
e tributários, que são preferenciais em caso de falência,
cada credor recebeu o equivalente a 10% do valor ao qual tem direito.
A intervenção no Banco Santos ocorreu em novembro de
2004, trazendo perdas para vários fundos de investimento que aplicavam
em carteiras do banco ou que mantinham CDBs do Santos em carteira. Houve
prejuízo também em carteiras que tinham Cédulas de
Crédito Bancário (CCBs) ou Cédulas de Produto Rural
(CPRs).
Em novembro de 2004, duas carteiras do Banestes sofreram: o VIP DI
e o Institucional Renda Fixa. No primeiro, o prejuízo só
no dia 17 foi de 5,75%, o que fez o fundo encerrar o ano em queda de 9,37%.
Para se ter ideia, o Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI,
que serve de referencial para as aplicações mais conservadoras)
encerrou 2004 com variação de 16,17%.
Segundo comunicado do Banestes, no último dia 9, o VIP DI registrou
rentabilidade de 0,562%. Isso ocorreu por conta do recebimento de R$ 1,323
milhão referente a 10% dos créditos "relativos ao 1º
rateio da massa falida do Banco Santos".
No Institucional Renda Fixa, as perdas no dia 17 de novembro de 2004
foram de 7,37%. Com a recuperação de parte do que tem a receber,
o retorno adicional do fundo será de 0,284%, o que corresponde a
um valor de R$ 328,855 milhões. O Banestes foi procurado pela reportagem
do Valor e, por meio de sua assessoria de imprensa, o diretor-presidente
do banco, Roberto da Cunha Penedo, informou que a instituição
não se pronunciaria sobre o assunto.
Já a Caixa Econômica Federal (CEF) informou na semana
passada que recuperou parte dos créditos a receber na carteira Seleção
Renda Fixa. O prejuízo desse fundo somou 10,33% apenas no dia 16
de novembro daquele ano, o que fez com que a carteira encerrasse 2004 com
ganhos módicos de 3,91%. O Seleção aplicava em outro
fundo da Caixa, o Master III, e era nessa carteira que estavam os CDBs.
Segundo Aline Arruda, gerente de renda fixa da asset da Caixa, o total
recuperado pela instituição somou cerca R$ 2,6 milhões.
Esse valor foi dividido entre o Seleção e outros fundos exclusivos
que também tiveram perdas com o Banco Santos. Após o prejuízo,
o Seleção foi fechado para aplicações. Observando-se
o desempenho no dia 8 deste mês, vê-se que a carteira obteve
rentabilidade de 9,59%, de acordo com dados da consultoria BDS. O "ganho
extra" elevou o retorno do fundo no ano para 13,86%, até o dia 9,
ante 4,57% do CDI no mesmo período.
Embora a notícia de recuperar parte das perdas seja positiva,
não é possível dizer quando os investidores conseguirão
recuperar todo o prejuízo, ressalta Aline. "Não há
previsão, pois é algo que foge de nossa alçada", diz.
Outras instituições que tiveram fundos de investimento
com prejuízos por conta da falência do Santos foram o Banco
Regional de Brasília (BRB) e o Banco Mercantil do Brasil (BMB).
No BRB, três carteiras abertas foram afetadas. A primeira, a
Líder 30 Dias DI, teve perdas de 9,18% apenas no dia 17 de novembro
de 2004. Já o segundo, o Multicapital (um multimercado) registrou
queda de 13,97% naquele dia. O terceiro, o Renda Fixa Executivo, apresentou
prejuízo de 8,41%. O Valor procurou o BRB e a assessoria de imprensa
da instituição informou que o executivo responsável
pela área não estava disponível.
No BMB, o renda fixa MB Especial perdeu 15,37% em apenas um dia, o
que comprometeu toda a rentabilidade acumulada em 2004, já que a
carteira encerrou em queda de 3,21%. No último dia 9, por conta
de o fundo reaver parte das perdas, o retorno foi de 8,33%.
Outro fundo de renda fixa do banco, o Matic, teve prejuízo de
15,35% apenas em 16 de novembro daquele ano. Isso prejudicou o desempenho
de 2004 da carteira, que terminou em queda de 3,21%. No dia 9, com o ganho
por conta do pagamento de parte das perdas, a carteira teve retorno de
8,34%. A assessoria de imprensa do BMB disse que não consegui contato
com executivo que poderia comentar o assunto, já que ele estava
em viagem de negócios. (Luciana Monteiro - Valor Online)
14.07 - Inflação pressiona gastos dos idosos para cima
A inflação apurada para os idosos ficou, mais uma vez,
acima da média da inflação aos consumidores no segundo
trimestre de 2010. Enquanto o Índice de Preços ao Consumidor
da Terceira Idade (IPC-3i) registrou variação de 0,92% no
período, o Índice de Preços ao Consumidor – Brasil
(IPC-BR) ficou em 0,76%. Há mais de seis anos os mais velhos têm
um custo de vida mais alto, segundo mostram os indicadores da Fundação
Getúlio Vargas (FGV).
O economista da instituição, André Braz, explica
que, desde 2004 a inflação tem sido maior para os idosos
do que para a média da população sendo que, entre
2004 e 2009, enquanto o IPC-BR acumulou uma alta de 31,24%, o IPC-3i somou
uma variação de 33,13%. O índice revela o cenário
de preços para famílias com pelo menos 50% dos indivíduos
de 60 anos ou mais de idade, e renda mensal entre um e 33 salários
mínimos.
Braz explica que alguns itens importantes no cálculo da inflação
ao consumidor, como tarifas e remédios, pesam mais no bolso dos
idosos. Ele exemplifica que os mais velhos ficam mais em casa quando deixam
de trabalhar, aumentando gastos com tarifas como energia elétrica,
gás e água. Além disso, na idade mais avançada
aumentam os gastos com remédios, sobretudo para coração
e antidepressivos, e com o seguro saúde.
No segundo trimestre de 2010 o IPC-3i mostrou uma forte desaceleração,
para 0,92%, em relação à taxa verificada no primeiro
trimestre do ano (2,72%). A redução no ritmo de reajustes
foi puxada pelo grupo alimentação, que passou, de um trimestre
para o outro, de uma variação de 5,80% para 0,01%.
(Jacqueline Farid - Jornal da Tarde)
14.07 - EUA tentam aprovar reforma financeira
Os democratas terão pouca margem de erro esta semana, quando
tentarão aprovar no Congresso dos Estados Unidos a mais abrangente
mudança nas leis de regulamentação financeira desde
a Grande Depressão.
O líder do partido majoritário no Senado, Harry Reid,
espera conseguir a aprovação da regulamentação
quando o Congresso voltar a se reunir depois de uma semana de recesso,
apesar de ainda não ter obtido os 60 votos necessários para
evitar um bloqueio processual na casa, que tem 100 membros.
A Câmara dos Deputados americana já aprovou a versão
final do projeto, que impõe uma série de duras restrições
à indústria financeira, em um esforço para evitar
uma nova crise como a que ocorreu entre 2007 e 2009. Depois de um ano e
meio de trabalho, os democratas estão ansiosos para encaminhar o
projeto à sanção do presidente Barack Obama.
O projeto dá às autoridades reguladoras o poder de intervir
em companhias financeiras com problemas por meio da divisão delas,
venda de ativos e aceitação de perdas por parte de credores
e acionistas a fim de que os contribuintes não paguem essa conta.
Envolve ainda ampliação dos poderes reguladores do Federal
Reserve (Fed) e estabelece um conselho de risco com altos funcionários,
liderado pelo secretário do Tesouro, para detectar potenciais ameaças
ao sistema financeiro como um todo.
Engloba também a criação de uma agência
de proteção financeira ao consumidor e expande o alcance
da Securities and Exchange Commission (SEC).
A aprovação do projeto representaria a segunda grande
conquista legislativa do partido, que já conseguiu a aprovação
da reforma do sistema de saúde, um feito importante já que
eles estão tentando manter o controle do Congresso nas eleições
de Novembro desse ano.
No Senado, Reid já conta com 57 votos dos democratas para a
aprovação do projeto. Os republicanos Susan Collins e Scott
Brown também já indicaram que pretendem apoiar o projeto.
Mas isso ainda deixa Reid a um voto da aprovação. Os republicanos
Olympia Snowe e Charles Grassley já apoiaram o projeto anteriormente,
durante o processo legislativo, mas nenhum dos dois confirmou se pretendem
apoiar a versão final.
Entretanto, os analistas acreditam que Reid terá os votos necessários
para enviar o projeto a Obama, já que os republicanos moderados
serão duramente pressionados a explicar um voto "não" depois
de obter uma série de concessões importantes. (Andy
Sullivan - Reuters/Valor Online)
14.07 - Selic deve fechar 2010 em 12% ao ano
A projeção de analistas do mercado financeiro para a
taxa básica de juros, a Selic, ao final de 2010 caiu de 12,13% para
12% ao ano, segundo o boletim Focus, divulgado segunda-feira pelo Banco
Central (BC).
Para o fim de 2011, foi mantida em 11,75% ao ano a estimativa para
a taxa Selic. Atualmente, a taxa básica está em 10,25% ao
ano e a expectativa dos analistas é que na próxima reunião
do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, marcada
para os dias 20 e 21 deste mês, a Selic seja ajustada para 11% ao
ano.
A Selic é um instrumento usado pelo Banco Central para controlar
a inflação. Quando a instituição considera
que a economia está aquecida e a trajetória de inflação
é de alta, eleva a Selic.
O BC tem que perseguir uma meta de inflação, medida pelo
Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que tem centro
de 4,5%, com margem de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Essa
meta é válida para este ano e 2011.
Para 2010, a projeção dos analistas para o IPCA caiu
de 5,55% para 5,45%. Em 2011, os analistas esperam que a inflação
oficial chegue a 4,80%, a mesma estimativa anterior. Essas previsões
estão, portanto, acima do centro da meta de inflação.
O boletim Focus também traz projeção para o Índice
Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), que caiu de
9,03% para 8,68%, neste ano, e permaneceu em 5%, em 2011.
A expectativa para o Índice Geral de Preços de Mercado
(IGP-M) neste ano também caiu – de 9% para 8,89%. Para o próximo
ano, passou de 5% para 5,01%.
A projeção para o Índice de Preços ao Consumidor
da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe),
neste ano, caiu de 5,24% para 5,15%. Para 2011, a estimativa para esse
índice permaneceu em 4,50%.
A expectativa dos analistas para os preços administrados permaneceu
em 3,60%, em 2010, e caiu de 4,80% para 4,78%, em 2011. Os preços
administrados são aqueles cobrados por serviços monitorados,
como combustíveis, energia elétrica, telefonia, medicamentos,
água, educação, saneamento, transporte urbano coletivo,
entre outros.
As informações são da Agência Brasil.
(Anfip)
13.07 - Governança passa longe da decisão do investidor
Na semana passada, o Valor publicou um estudo das empresas listadas
em bolsa com o maior número de acionistas individuais. Peço
licença para usá-lo como referência para uma reflexão
acerca do peso da governança na decisão do investidor. Tudo
indica que a pessoa física não olha para isso.
Das 20 empresas de maior base acionária, levantamento do diretor
do curso de Relações Internacionais da ESPM-RJ, Alexandre
Espírito Santo, mostra que 12 fazem parte de algum segmento de governança
corporativa. Dessas, duas apenas - Banco do Brasil, com 331 mil investidores
individuais, e BM&FBovespa, com 97 mil - estão no Novo Mercado,
o mais rigoroso dos níveis. No Nível 2, segmento intermediário,
aparecem Eletropaulo, com 56 mil acionistas, e Santander, com 199 mil investidores.
As oito companhias restantes estão no Nível 1. Nesse
grupo, destacam-se bancos como Bradesco, com 344 mil acionistas individuais,
Itaú Unibanco, com 193 mil, e Banrisul, com uma base de 63 mil.
Há ainda a Vale, com 181 mil investidores, a Bradespar (93 mil),
a Cemig (110 mil) e as siderúrgicas Gerdau (99 mil) e Usiminas (46
mil).
"Mais empresas poderiam estar em algum nível de governança,
mas é melhor do que nada", afirma Espírito Santo, também
economista da Way Investimentos. Mas as maiores, destaca, não fazem
parte de nenhum segmento, caso das companhias de telefonia Telebrás,
Telesp (Telefônica), Tele Norte Leste Participações
(Oi), Vivo, Brasil Telecom e Telemar Norte Leste, além de Petrobras
e CSN.
Vale uma ressalva: as empresas de telefonia lideram em número
de investidores, por conta dos antigos planos de expansão, em que
a compra de linha dava direito a ações das companhias. Não
foi propriamente uma escolha do investidor, ainda assim as empresas não
evoluíram no quesito governança.
A grande restrição é que a listagem num dos segmentos
diferenciados abriria a possibilidade de os atuais controladores terem
de dividir o prêmio pelo controle (o tag along) pago na privatização
das teles. O que é relevante hoje, dado o momento de consolidação
por que passa o setor de telefonia.
Já a Petrobras, companhia de maior peso no Ibovespa, está
no nível tradicional. "O fato de a principal empresa não
fazer parte de nenhum segmento especial é um grande desafio para
o mercado brasileiro, uma vez que limita o avanço maior da governança",
afirma.
Na visão de Espírito Santo, a criação de
regras de governança para a bolsa há cerca de dez anos teve
papel fundamental no crescimento do mercado. O momento agora é de
revisão das normas e de convencer mais empresas dos benefícios
da governança, diz. Entre eles, a redução do custo
de capital. Questionada sobre a possibilidade de participar de algum dos
segmentos, a Petrobras disse que "está estudando" e "irá
avaliar as propostas de mudanças sugeridas pela Bovespa".
Empresas com governança tendem a ter uma melhor relação
risco/retorno. Estudo do economista mostra que, entre junho de 2001 e junho
de 2010, o Índice de Governança Corporativa (IGC) apresentou
retorno esperado médio anualizado de 24,6%, acima dos 20,45% para
o Ibovespa, principal índice da bolsa. Já o risco esperado
médio anualizado ficou em 26,4% para o IGC e em 28,41% para o Ibovespa.
Dividindo o risco pelo retorno, o coeficiente de variação
para o IGC é de 1,07 e para o Ibovespa de 1,39. Quanto menor, melhor
a relação risco/retorno. Além de apresentar um melhor
retorno esperado, o índice de governança embutia menos risco.
"Infelizmente, o ser humano é ganancioso e tende a olhar apenas
para o que dá mais retorno." Mas mesmo levando em conta o retorno,
o IGC ganha, com alta de 567% de 2002 a 2009, ante variação
de 396% do Ibovespa.
O presidente da Rio Bravo, Mario Fleck, concorda que o ideal seria
que o investidor olhasse para a estrutura de governança das empresas
antes de tomar sua decisão, assim como o gestor profissional. Mas
ele destaca que esse deve ser apenas um dos critérios, já
que a governança não determina necessariamente o retorno
do investimento.
Fleck cita como exemplo as empresas que abriram capital recentemente
no Novo Mercado com preços elevadíssimos. "Não tem
governança que faça com que empresas caras tenham retornos
satisfatórios."
Ele acrescenta que há muitas empresas que não estão
em segmentos regulados pela bolsa, mas apresentam bons modelos de governança.
(Alessandra Bellotto - Valor Online)
13.07 - Cresce temor de uma nova recessão no próximo ano
Indicadores recentes reforçam risco de "duplo mergulho" na economia
Países desenvolvidos e mesmo a China emitem sinais de que a
reação no pós-crise é menos vigorosa que a
esperada
Recentes indicadores econômicos negativos de países desenvolvidos
e até da China suscitaram um debate sobre uma possível nova
recessão em 2011. Isso levaria ao chamado "mergulho duplo", ou seja,
a economia global, que se contraiu em 2008, voltaria a se retrair no próximo
ano.
"Os indicadores ainda são mistos, mas dados recentes do mercado
de trabalho e do setor imobiliário foram negativos. O risco de um
"mergulho duplo" é real, e eu o colocaria como sendo de 1 em 3",
diz John Bowler, diretor de risco soberano da consultoria Economist Intelligence
Unit (EIU).
Mesmo que a tese do risco crescente de um "mergulho duplo" -defendida,
entre outros, pelo ganhador do Prêmio Nobel de Economia Paul Krugman-
não se confirme, é consensual a percepção de
que as ameaças ao desempenho global cresceram.
Essa visão foi referendada ontem pelo FMI (Fundo Monetário
Internacional) na sua atualização do Panorama Econômico
Mundial.
Em alusão à sua projeção de crescimento
para a economia global de 4,6% para 2010, que representa alta de 0,4 ponto
percentual em relação ao número divulgado em abril
passado, o Fundo alertou: "Riscos [à recuperação]
aumentaram fortemente em meio à renovada turbulência financeira".
O Fundo ressaltou a recuperação mais forte do que o esperado
nos EUA no primeiro semestre deste ano.
Mas dados recentes revelaram que as economias dos países desenvolvidos,
ainda solapadas por dívidas gigantescas tanto do setor público
como do privado, não adquiriram vigor suficiente para caminhar de
forma mais acelerada sem a ajuda das muletas de políticas fiscais
e monetárias expansionistas.
"À medida que os incentivos estão expirando, a atividade
econômica voltou a patinar", diz Virgílio Castro Cunha, economista-chefe
para o Brasil e estrategista de renda fixa do Bank of America Merrill Lynch
(BAML).
PERSPECTIVAS RUINS
O número de contratos pendentes para compras de casas usadas
nos EUA recuou 15,6% em maio em relação ao mesmo período
do ano anterior. Isso indica perspectivas ruins tanto para novas vendas
como para os preços de imóveis.
Dados recentes do mercado de trabalho norte-americano também
têm preocupado. O saldo entre contratações e demissões
(excluindo o setor agrícola) nos EUA em junho atingiu pela primeira
vez em 2010 uma marca negativa de 125 mil postos de trabalhos eliminados.
Até na China, principal motor do crescimento global, dados que
revelaram um ritmo menor de expansão da produção industrial
nos últimos meses apontam para crescimento ainda forte, mas com
uma clara tendência de desaceleração. (ÉRICA
FRAGA - Folha de S.Paulo)
13.07 - Brasil destoa de Brics com saída de investidor de ações
Ao contrário do que ocorreu com os demais Brics, os fundos que
investiram em ações de empresas brasileiras tiveram saída
de dinheiro no primeiro semestre.
As retiradas no Brasil superaram os depósitos em US$ 1,4 bilhão
nos seis primeiros meses deste ano, segundo levantamento da consultoria
norte-americana EPFR Global.
Os motivos para a saída de dinheiro do país são
o aumento na taxa de juros pelo Banco Central e a proximidade das eleições,
de acordo com a consultoria.
A Bovespa acumula desvalorização de 7,45% neste ano -é
a que mais recuou entre os principais mercados financeiros das Américas.
No ano passado, quando a Bolsa de Valores brasileira teve o maior avanço
global em dólares, o país recebeu mais de US$ 5 bilhões.
Na Rússia, houve entrada de quase US$ 2 bilhões no primeiro
semestre deste ano, e os fundos chineses receberam US$ 1,2 bilhão.
Os depósitos na Índia ficaram bem abaixo dos vistos no ano
passado, mas ainda assim positivos: US$ 246 milhões.
Os fundos de emergentes registraram no total entrada de US$ 17,4 bilhões
neste ano. Já os dedicados aos países ricos tiveram saída
de US$ 15,7 bilhões. (Maria Cristina Frias - Folha de
S.Paulo)
12.07 - FMI eleva previsão de crescimento mundial
O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou até 4,6%
sua previsão de crescimento mundial para 2010. O motor é
a forte evolução da Ásia na primeira metade do ano,
mas o destaque é do Brasil, país cujas expectativas mais
subiram: 1,6%, chegando a 7,1%. A China terá o maior crescimento
entre eles: 10%.
O novo número supera em quatro décimos o cálculo
de abril, enquanto o organismo manteve sua previsão para 2011: 4,3%.
O bom desempenho dos países emergentes, que crescerão este
ano meio ponto percentual a mais que o antecipado, explica o aumento.
O FMI segue acreditando em uma recuperação a duas marchas,
com os países ricos avançando em ritmo "modesto" e os mercados
emergentes acelerados, mas a grande incógnita que pesa sobre a recuperação
mundial é a Europa. A boa notícia é que não
há sinais de que os problemas financeiros na Europa tenham freado
a subida econômica.
O FMI manteve sua previsão de crescimento de 1% na zona do euro
para este ano, embora o reduziu em três décimos para 2011,
até 1,3%. Em seus cálculos, o organismo assume que as condições
nos mercados europeus melhorarão de forma progressiva, e os transtornos
em outras regiões serão menores.
Mas, como admite o próprio Fundo, o grande perigo é de
que a preocupação dos investidores pelo nível de dívida
de alguns países europeus, como Grécia, Portugal, Espanha,
Itália e Irlanda, se transforme em uma crise de confiança
em seu bancos, causando a perda da confiança das empresas e dos
consumidores, fazendo afundar o euro. Esse cenário diminuiria 1,5
pontos percentuais o crescimento do planeta em 2011, o deixando em 2,8%.
Outros riscos são uma redução da demanda devido
a planos de ajuste fiscal "excessivamente profundos ou mal desenhados"
e o agravamento do setor imobiliário dos Estados Unidos, que ainda
não dá sinais claros de levantar a cabeça, explicou
a entidade.
O FMI recomendou aos países ricos que elaborem planos para pôr
suas finanças em ordem em médio e longo prazo, com metas
de redução de déficit durante vários anos,
baixas permanentes da despesa e reformas dos sistemas de previdência
e de saúde que lhes permitam economizar dinheiro público.
Enquanto isso, os países emergentes de alto crescimento foram
aconselhados a acabar imediatamente com as políticas de estímulo
econômico. Os que têm altos superávit comerciais e um
baixo nível de dívida devem, segundo o FMI, subir as taxas
de juros e deixar que suas moedas se apreciem. Nesse grupo estaria a China,
embora o organismo não tenha mencionado países específicos
em seu relatório.
Na recomendação à América Latina, os fundo
indicou que nações que recebem um alto volume de capital
estrangeiro deveriam reduzir o gasto público primeiro, para evitar
que um aumento nos juros faça crescer mais ainda o fluxo de dinheiro
externo que chega a seu território. (EFE/Invertia)
12.07 - Inflação muda de rota e desacelera em junho
Conjuntura: Preços ficam estáveis ao consumidor e apresentam
desaceleração disseminada na indústria
A tendência da inflação mudou em junho. Dois importantes
índices divulgados ontem - o IPCA, que mede preços ao consumidor,
e o IGP-DI, focado no atacado - recuaram fortemente em relação
aos números de maio e indicaram a possibilidade de a inflação
apresentar, no segundo semestre, um comportamento mais benigno. O Índice
de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou 0,0% pela primeira
vez em quatro anos e o IGP-DI ficou em 0,34%, bem abaixo do 1,57% de maio.
Esse duplo recuou colocou um ponto de interrogação sobre
o manejo da política monetária e abriu a possibilidade de
uma trajetória mais branda para a taxa básica de juros definida
pelo Banco Central.
Entre os sinais positivos que apareceram nos dois índices estão
a deflação de 0,9% no grupo alimentação e bebidas
(inflação ao consumidor), uma desaceleração
bastante disseminada nos preços industriais no atacado (cuja alta
recuou de 2,66% em maio para 0,42% em junho) e o índice de difusão
no varejo, que indica quantos itens registraram elevação
de preços no mês - em junho atingiu 57,3%, a menor desde outubro
de 2009 e a primeira abaixo do patamar de 60% no ano.
Os preços agrícolas no atacado, por outro lado, tiveram
variação maior entre maio e junho, passando de 0,19% para
0,46%, mas as matérias primas desaceleraram muito: de 8,1%, em maio,
para 1,5%, em junho.
Além da deflação em alimentos, todos os itens
pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), que calcula o IPCA, registraram queda frente a maio. Enquanto a
alta dos preços administrados caíram pela metade, de 0,33%
para 0,12%, os serviços perderam um pouco menos - dos 0,62%, em
maio, para 0,41%, em junho. O tombo foi maior entre os preços livres,
onde a alta próxima a 0,5% de maio se transformou em deflação
no mês passado. No ano, o IPCA já acumula 3%, acima dos 2,6%
de igual período em 2009, mas inferior aos 3,6% registrados em 2008,
quando a atividade estava aquecida.
Na avaliação dos economistas, a deflação
em alimentos deve permanecer neste mês. A oscilação
destes itens pode ser explicada por fatores extraordinários e sazonais,
diz Fábio Romão, economista da LCA Consultores. "No início
do ano, com o excesso de chuvas no Brasil e em países exportadores,
como a Índia, houve um choque de oferta em itens básicos.
Agora vemos uma devolução, pois a situação
se normalizou", afirma Romão, para quem o movimento é amplificado
por fatores sazonais.
Além disso, aponta o economista, a queda nos preços dos
automóveis novos e usados em junho indica que o consumo não
têm mais o ímpeto do início de 2010. Enquanto preço
do carro novo caiu 0,37%, o automóvel usado despencou 1,41% no mês
passado. "Muita gente tinha no horizonte a compra de um usado, mas adquiriu
um novo graças aos incentivos do governo", avalia. O IPCA zero de
junho fez a LCA rever sua projeção de inflação
no fim de ano - a projeção agora é de 5,1%, acima,
ainda, da meta de 4,5% do BC.
Para Salomão Quadros, coordenador de preços da Fundação
Getulio Vargas (FGV), que calcula o IGP, a inflação registrada
em junho já demonstra desaceleração dos preços,
principalmente durante a cadeia de produção, o que já
indica menor possibilidade de haver repasses de preços ao consumidor.
"Houve uma desaceleração bastante disseminada, bastante difundida,
tanto na fase industrial, como na fase de consumo. Talvez seja cedo para
o BC mudar a concepção do processo inflacionário,
mas é sinal de que atenuou um pouco a pressão inflacionária".
Ele acredita não haver redução de demanda, mas, sim,
maior capacidade de a indústria atender às necessidades de
consumo.
Para Tatiana Pinheiro, do Santander, e Felipe Insunza, da Rosenberg
& Associados, no entanto, os resultados de junho estão mais
para "pontos fora da curva". Segundo Tatiana, o fraco resultado da inflação
no varejo foi muito influenciado pelos alimentos. Descontados do resultado
final, o IPCA teria avançado 0,4% em junho. Além disso, diz
ela, o item de alimentação fora de domicílio teve
alta de 0,66%. "O tomate, a matéria prima, ficou mais barato. Mas
ele está mais caro no restaurante porque há mais pessoas
comendo fora de casa, uma vez que a renda está em alta", diz. Para
Insunza, o aumento no pedágio das rodovias paulistas e da tarifa
dos ônibus interestaduais, a partir de julho, deverão voltar
a pressionar os índices.
A perspectiva de que a inflação possa ter uma trajetória
mais benigna do que o projetado pelos analistas e, assim, influenciar a
política monetária, refletiu ontem no mercado futuro de juros,
negociado na BM&FBovespa, que ontem recuou. (João Villaverde
e Juliana Ennes - Valor Online)
12.07 - "O BC poderá elevar os juros para menos que 12% ao ano"
Para o economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges,
a desaceleração da inflação abre espaço
para alta menor da taxa de básica de juros (Selic).
O que chamou a atenção nos dados do IPCA zerado de junho?
O mais interessante é que não foi devido a um ou outro
produto. A desaceleração da inflação cheia
do IPCA foi acompanhada por uma desaceleração importante
também das medidas de núcleo. A média simples, que
estava em 0,59 ponto porcentual em maio, caiu para 0,35. Ou seja, houve
uma desaceleração relativamente generalizada entre vários
produtos.
Por que isso é importante?
Sinaliza uma tendência de convergência ao centro da meta
de inflação de 4,5% mais rápido que muitos analistas
imaginavam, o que tem implicações do ponto de vista de política
monetária. Alguns analistas que projetavam um IPCA de 6% no ano,
começaram a revisar suas projeções para 5,4%, 5,5%
,
Qual é a implicação na política monetária?
Em seu último relatório de inflação, o
Banco Central mostrava que, com a Selic subindo para 12% ao ano, a inflação
saia de 5,3% este ano para 4,6% no próximo ano. Agora, se a inflação
de 2010 fechar em 5%, por exemplo, será mais fácil chegar
a 4,6% em 2011. Isso indica que o BC poderá elevar os juros para
menos que 12%.
Qual a sua expectativa de alta na Selic?
A gente acha que duas altas de 0,75 ponto porcentual, com a Selic chegando
a 11,75%, já é suficiente para levar a inflação
para o centro da meta no ano que vem. (Marcelo Rehder - O Estado de S.Paulo)
08.07 - Demanda insuficiente e austeridade
Os países avançados continuam carentes de demanda. Nesse
ambiente, cortes rápidos no apoio fiscal fazem sentido se a política
monetária puder ser eficaz
O default fiscal é iminente, insistem as cassandras: arrependei-vos
e cortai gastos antes que seja tarde demais. Mas tenho uma pergunta: será
que acreditamos que os mercados são incapazes de estimar corretamente
o preço das coisas, até mesmo da dívida pública
nos maiores países avançados do mundo, que são os
ativos mais bem compreendidos e mais líquidos no mundo? Sugiro que
não. Os mercados estão dizendo algo importante.
Na segunda-feira, o rendimento dos títulos do governo do Tesouro
com maturação em 10 anos estava em 1,1% no Japão,
2,6% na Alemanha, 3% nos EUA e 3,3% no Reino Unido. Com base nos rendimentos
de títulos vinculados a índices, as taxas de juros reais
sobre empréstimos contraídos por esses governos estão
muito baixas (1,2% ou menos nos EUA, Alemanha e Reino Unido). Os investidores
estão dizendo que veem o risco de depressão e deflação
como maior do que o de inadimplência e inflação.
Por que deveria ser tão fácil financiar déficits
fiscais tão enormes, mesmo depois de os bancos centrais terem cessado
suas compras de títulos governamentais? Em resposta, apresento aqui
um cálculo que pode ser deduzido dos valores das balanças
em conta corrente e fiscal publicados no mais recente Panorama Econômico
da Organização para Cooperação e Desenvolvimento
Econômico (OCDE): prevê-se que o setor privado - famílias
e empresas - nos países avançados, deverão registrar
um excesso de rendas em relação aos gastos, neste ano, de
7% do PIB. Em números redondos, serão US$ 3 trilhões.
Nos EUA e na zona euro, o excedente privado pressuposto será de
aproximadamente US$ 1 trilhão, em cada caso. No Japão, são
aproximadamente US$ 500 bilhões. No Reino Unido, US$ 200 bilhões.
Concentremo-nos nos US$ 3 trilhões: esse é o montante
previsto para o incremento dos créditos líquidos do setor
privado nos países avançados, resultantes de sua exposição
a governos e a estrangeiros em 2010.
Aonde poderia ir esse dinheiro? Uma possibilidade poderia ser: para
os países emergentes. Poderíamos imaginar, por exemplo, que
os países avançados eliminassem seus déficits fiscais,
porém mantivessem esses superávits privados. Isso significaria
um superávit agregado em conta corrente de US$ 3 trilhões
(ou 7% do PIB). A região da OCDE se tornaria um mega-Alemanha. Os
países ricos estariam despejando capital nos mais pobres.
Na prática, porém, isso não acontecerá.
Longe de incorrer num déficit em conta corrente de US$ 3 trilhões,
as previsões são de que os países emergentes incorrerão
em superávits: a estimativa mais recente, do Institute for International
Finance (IIF), em Washington, é de um superávit agregado
de aproximadamente US$ 300 bilhões, dois terços dos quais
serão gerados pela China. Esse montante é menor do que dois
anos antes. Mas isso ainda significa que o mundo emergente será
um provedor líquido de capital para os países avançados,
e não o contrário.
Isso não é tudo. Segundo o IIF, o fluxo líquido
de fundos privados dos países desenvolvidos para os países
emergentes ficará em torno de US$ 700 bilhões neste ano.
Mas isso será quase inteiramente compensado por uma saída
oficial, mobilizando reservas em moeda estrangeira, próximas de
US$ 600 bilhões. Essas enormes intervenções oficiais
impedem o surgimento de de grandes afluxos líquidos de capital para
os países emergentes. Em vez disso, os setores privados dos países
avançados acumularão créditos líquidos junto
ao setor privado de países emergentes, ao passo que os governos
de países emergentes, em compensação, acumularão
créditos junto aos governos dos países avançados.
A conclusão é clara: não existe, atualmente, um
gigantesco fluxo líquido de fundos focado em passivos dos governos
dos países avançados. Naturalmente, alguns países
ainda podem entrar em dificuldades. Mas é completamente errôneo
afirmar que as dificuldades de uma Grécia ou de uma Espanha implicam
dificuldades mais à frente para os EUA ou mesmo para o Reino Unido.
O contrário é mais provável: fugir de riscos implica
fugir para algo menos arriscado. Qual é o ativo menos arriscado
para o investimento de gigantescos superávits financeiros privados?
A única resposta é: a dívida pública dos grandes
países avançados.
Esses fluxos de fundos consistem apenas de identidades. Então,
quais são os fatores causais? Talvez o colapso nos gastos privados
na esteira da crise financeira tenha sido causado pelo terror em face do
déficit fiscal por vir. Ou talvez a lua seja feita de queijo verde.
Também não há praticamente nenhum sinal de que o déficit
público esteja ocupando o espaço dos mercados de capital.
A hipótese plausível, então, é que os déficits
fiscais foram uma reação ao colapso do desejo de gastar do
setor privado impactado pela crise. A política fiscal poderia ter
sido mais apertada. Mas o resultado teria sido uma depressão.
Qual é, então, o futuro? Suponha que não haja
nenhuma mudança significativa de política econômico-financeira
nas economias emergentes. Então, para que uma contração
fiscal nos países avançados não provoque um desaquecimento,
ou até mesmo uma segunda recessão, ela precisa vir acompanhada
de uma escalada nos gastos privados.
O argumento tem de ser o de que maior confiança na sustentabilidade
das finanças públicas no longo prazo resultaria em maior
consumo privado e em gastos com investimentos agora, mesmo se não
houver efeitos significativos sobre os juros ou sobre o câmbio. Sou
extremamente cético em relação a esse argumento .
Mas admitamos que isso seja verdadeiro. Então, a melhor política
é desacelerar o crescimento de longo prazo dos gastos com foco etário.
Essa conclusão fica bem clara como resultado da discussão
das tendências fiscais de longo prazo no excelente novo relatório
anual do Banco para Compensações Internacionais (BIS).
Os argumentos em defesa de uma enorme contração fiscal
em curto prazo, porém, são frágeis. Sim, estamos desfrutando
de uma recuperação. Mas as economias ainda estão muito
abaixo dos níveis de pico de atividade e também abaixo de
quase qualquer estimativa plausível para a tendência de longo
prazo. Isso é particularmente verdadeiro nos EUA, onde as taxas
de desemprego dispararam bem mais do que em outros países avançados.
A menos que os EUA tenham repentinamente se convertido em Europa continental,
por que deveria o desemprego de equilíbrio ter subido tanto assim?
Minha conclusão, portanto, é que os países avançados
continuam extremamente carentes de demanda. Nesse ambiente, cortes rápidos
no apoio fiscal faz sentido se, e somente se, a política monetária
puder, ela mesma, ser eficaz e se expandir as partes da economia elásticas
em relação aos juros for a melhor maneira de sair do buraco.
Há razão para duvidar de ambas as ideias. Na cúpula
do G-20, no Canadá, os líderes comprometeram-se a "reduzir
à metade o déficit fiscal até 2013 e estabilizar ou
reduzir a dívida pública como percentual do PIB até
2016". Faria muito mais sentido, para os governos, concentrarem seus esforços
em alterar a trajetória dos gastos no longo prazo. Os governos podem
torcer para que os cortes de gastos agora impulsionarão os gastos
privados. Mas qual é o plano deles caso isso não aconteça?
(Martin Wolf - Valor Online)
08.07 - Recuperação econômica nunca é uniforme
O secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, afirmou durante
uma entrevista à rede de televisão PBS estar confiante na
recuperação da economia dos EUA, alertando que as cicatrizes
"profundas" da crise financeira precisarão de tempo para ser curadas
e que os períodos de recuperação econômica nunca
são regulares.
"Ainda vemos os efeitos duradouros da deterioração na
confiança das empresas e no sentimento das pessoas em relação
às próprias vidas. As pessoas ainda se sentem, compreensivelmente,
receosas, um pouco descrentes", disse Geithner. "Vimos uma parte das preocupações
com a Europa passarem pela economia americana", acrescentou.
Questionado sobre se a queda recente nos mercados de ações
o preocupa, o secretário disse que "tivemos um longo período
de melhora nos mercados. O preço dos imóveis ficou mais estável,
o valor da poupança das pessoas está crescendo de novo, e
isso é muito bom. É um sinal de maior confiança."
"E novamente, vocês viram e vocês sabem, as recuperações
nunca são uniformes nem regulares", afirmou Geithner. A autoridade
também disse que a economia dos mercados emergentes - em particular
a da China, a da Índia, a do Brasil e a do México - "está
muito forte agora" e que "a América é muito boa em produzir
as coisas que esses países precisam". (GUSTAVO NICOLETTA
- Agencia Estado)
08.07 - Consumo, crescimento e equilíbrio
O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro terá este ano a mais
expressiva expansão dos últimos 10 anos. O maior índice
de crescimento, 6,1% em 2007, será superado, devendo ficar em torno
de 7%, segundo estimativas de analistas e do governo. Caso o país
conseguisse manter esse nível nos próximos 10 anos, o PIB
dobraria no período. Um dos fatores preponderantes para o crescimento
da economia brasileira tem sido o consumo das famílias. Nos últimos
anos, a demanda vem se mantendo aquecida em parte por causa dos ganhos
reais dos rendimentos de um grande contingente que se beneficia de programas
da seguridade social, como o Bolsa-Família, que, só este
ano, conta com recursos que somam mais de R$ 13 bilhões, e os benefícios
previdenciários, que só no início de 2010 tiveram
um reajuste nominal de 10% frente a uma inflação ao consumidor
de 4% em 2009.
A seguridade tem sido importante para aquecer o mercado interno, mas
nada se compara com o que ocorre no mercado de trabalho e no crédito
à pessoa física. Na questão do emprego os dados do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que
desde março de 2002, quando a nova Pesquisa Mensal de Emprego foi
aplicada, o número de desempregados nas seis regiões metropolitanas
do país caiu de 2,6 milhões para 1,7 milhão em abril.
Os índices de desocupados despencaram, no período, de 12,9%
para 7,3%. Nesses cinco anos, o contingente de ocupados saltou de 17,3
milhões para 21,8 milhões e o rendimento real médio
mensal dos trabalhadores se elevou de R$ 1.359,81 para R$ 1.424,10. A massa
salarial desse grupo passou de R$ 23,5 bilhões por mês para
R$ 31,1 bilhões por mês. São R$ 7,6 bilhões
mensalmente, R$ 91 bilhões no ano, em recursos sendo aplicados no
consumo de alimentos, roupas, perfumaria e outros bens e serviços.
Vale repetir que esses valores estão expressos em termos reais.
No que se refere ao crédito para as pessoas físicas, os números
também são impressionantes. Em janeiro de 2001, o volume
de recursos para os consumidores equivalia a 5,6% do PIB e em abril foi
para 15,2%. O que não falta é dinheiro para financiar automóveis,
eletrodomésticos, imóveis, passagens aéreas etc.
O consumo está aquecido e os investimentos produtivos estão
voltando, depois da retração no ano passado. O resultado
foi o repique da inflação e a rápida deterioração
das contas externas. O nível de preços ao consumidor se descolou
do centro da meta de 4,5% para este ano e as transações correntes
do balanço de pagamentos, que, em 2005, foram superavitárias
em US$ 14 bilhões e, no ano passado, tiveram déficit de US$
24 bilhões, vão crescer e podem fechar 2010 com saldo negativo
de US$ 40 bilhões.
O Banco Central já começou a elevar a Selic e o governo
projetou cortar despesas para amenizar o impacto da demanda sobre a inflação.
Mas a maior preocupação refere-se ao rombo nas contas externas.
O que virá depois das eleições para reduzir o ritmo
de crescimento e diminuir a pressão sobre os preços e o balanço
de pagamentos deveria se pautar pela preservação do nível
de empregos, da renda e dos investimentos. O Brasil, mais uma vez, se vê
incapaz de crescer de modo robusto e sustentado com equilíbrio em
seus fundamentos econômicos. É uma equação difícil,
mas que poderia ter sido resolvida se o país tivesse feito uma reforma
tributária nos moldes do imposto único. (Marcos
Cintra - Estado de Minas)
07.07 - A grande lição
da crise
O mundo vive um grande momento de "mágica besta". A tragédia
financeira iniciada nos EUA foi produzida pela soma da concupiscência
do sistema financeiro e suas "inovações", com o tratamento
descuidado pelos governos que deveriam regulá-las. Antes que ela
tivesse terminado, somos atropelados por uma nova grave crise produzida
pela total irresponsabilidade fiscal dos mesmos governos. Em alguns casos,
em evidente conspiração com o mesmo sistema financeiro! Até
agora elas produziram mais de 30 milhões de desempregados, aumentaram
a pobreza e continuam a manter a economia mundial sob estresse e volatilidade.
Trata-se, obviamente, de obra conjunta dos "mercados financeiros" e
dos "governos". Não deixa de ser patético, portanto, imaginar
que o governo é o "salvador". Ele é tão culpado quanto
os patifes do mercado financeiro. Só pode salvá-los à
custa de recursos do setor privado produtivo graças ao seu poder
de império.
A "mágica besta" é que são a renda e o emprego
dos que ganham (ou ganhavam) a vida honestamente que estão pagando
a conta do governo "salvador". Nunca é demais lembrar um fato físico:
os governos não criam recursos. No máximo podem transferi-los.
Tomam de um setor produtivo e o transferem para outro, apropriando-se no
caminho de um pedaço para seu custeio...
Quando se olha de perto o que aconteceu não podemos deixar de
lembrar a célebre descoberta do velho Hegel na sua introdução
à "Filosofia da História": "O que a experiência e a
história nos ensinam é apenas que os povos e os governos
nunca aprendem nada com a história ou usaram princípios dela
deduzidos."
E, no entanto, é necessário aprender com a história
e tirar dela lições que reduzam a probabilidade de novo erro.
Essa lição não se circunscreve à necessidade
de construção de um sistema monetário e financeiro
hígido, estável e adequadamente regulado para financiar o
sistema produtivo e as inovações que são a base do
crescimento da produtividade do trabalho.
A crise mostrou a velocidade com que controles fiscais aparentemente
bem sucedidos podem deteriorar-se e ameaçar o equilíbrio
dos países. É preciso não esquecer: 1º ) que,
por bem ou por mal, o governo será sempre o instrumento de "salvação
de última instância" para enfrentar choques mais profundos,
tanto do lado da oferta como do lado da procura globais, usando recursos
que extrairá da sociedade; e 2º ) que o sistema de economia
de mercado tem ínsita uma tendência à flutuação
produzida ou por fatores físicos ou pelo comportamento dos seus
agentes. Esses são permanentemente tomados ou pelo entusiasmo e
propensão ao risco, ou pelo pessimismo, pelas incertezas e angústias.
A grande lição da crise é que a percepção
da existência de um sólido equilíbrio fiscal de longo
prazo e de uma apropriada relação dívida pública/PIB
(corretamente medida) são fundamentos do sucesso da boa governança.
São eles que dão ao governo a capacidade de cumprir bem o
seu papel no enfrentamento das crises de oferta ou procura globais.
O Brasil é um exemplo do sucesso dessa lição.
Desde a Constituição de 1988 vimos aperfeiçoando nossas
instituições fiscais (LDO, Orçamento Plurianual, LRF)
e monetárias (Banco Central operacionalmente autônomo, metas
inflacionárias, câmbio flutuante). É certo que elas
carecem ainda de profundos aperfeiçoamentos, principalmente o Orçamento
anual cuja receita deveria ser fixada por uma comissão composta
de representantes do Executivo e do Congresso e não passível
de ajustamento durante sua discussão. É preciso tornar, na
prática, impossível o aumento de despesas permanentes sem
um correspondente aumento também permanente dos recursos para financiá-las.
Não deixa de ser aterradora a verdadeira orgia de despesas recentemente
criadas sob pressão do processo eleitoral que assola o Congresso.
Não há dúvida que o Executivo andou cometendo manhosos
desatinos em matéria de política de pessoal da União.
Isso não deveria, entretanto, justificar o "espírito natalino"
que se apossou da coalizão do Legislativo e Judiciário. Na
base do vale-tudo, confundiu-se a absolutamente necessária independência
dos poderes como um salvo conduto para exageros salariais em harmonioso
desrespeito à realidade orçamentária. Mais do que
isso, o Congresso e o próprio Executivo não se cansam de
cometer fraquezas "ad hoc" de inspiração oportuno-populista
com graves consequências futuras, como restabelecer a trágica,
falaciosa e aparentemente "justa" correção "pelo salário
mínimo" para toda sorte de remuneração. O que se esquece
é que foi exatamente a desvinculação de outras rendas
ao salário mínimo que permitiu o seu importante aumento real,
para a mais rápida redução da pobreza e da desigualdade
obtidas no governo Lula.
Não pode haver dúvida que esses fatos comprometerão
o equilíbrio fiscal dos próximos governos. A busca do "benefício
eleitoral" que comanda o Congresso e o Executivo e leva à insensatez,
às vésperas dos pleitos nacionais, deve ser corrigido por
um dispositivo constitucional que proíba a discussão de qualquer
mudança na estrutura do governo e na sua remuneração
a partir de um ano antes das eleições, quando ainda há
esperanças de que lhes resta alguma lucidez... (Antonio
Delfim Netto - Valor Online)
07.07 - Crise econômica fragiliza principais governos da UE
Os líderes políticos europeus estão perdendo popularidade
e autoridade em casa, enquanto buscam soluções para a crise
da dívida da zona do euro e para as perspectivas de um crescimento
econômico raquítico.
Efeitos adversos da crise, junto com problemas domésticos, têm
atormentado governos em Berlim, Paris e Madri, e até mesmo afetado
a popularidade do premiê "teflon" da Itália, Silvio Berlusconi.
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, perdeu dois ministros
no domingo por causa de escândalos com despesas, justamente num momento
em que o apoio ao seu governo está em queda, acompanhando a desaceleração
econômica e as medidas de austeridade adotadas. A premiê alemã,
Angela Merkel, está lutando com dificuldades para mudar a percepção
de que seu governo, eleito no final do ano passado, está dividido
e sem rumo. E o primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez
Zapatero, está com dificuldades para aprovar cortes impopulares
no orçamento, sem uma maioria estável no Parlamento.
"Todos esses governos estão sendo forçados a fazer cortes
impopulares [de gastos] por uma crise financeira internacional que está
fora do controle das autoridades nacionais, e isso está prejudicando
a imagem dos governos", diz Jan Techau, analista de política internacional
do Colégio de Defesa da Otan, em Roma.
Os governos da zona do euro foram afligidos por uma série de
desafios econômicos, reforçados pela crise da dívida
grega e por suas consequências de um lado a outro da Europa.
Fortalecer as regras fiscais da zona do euro, reparar as combalidas
finanças públicas na região e melhorar a competitividade
econômica de alguns países implica realizar reformas há
muito adiadas nas leis trabalhistas e nos sistemas de benefícios
sociais.
Em toda a zona do euro, cortes de gastos e de subvenções
causam choques e provocam raiva e protestos dos sindicatos trabalhistas.
Escândalos e descuidos políticos enfraqueceram a capacidade
de alguns líderes europeus de convencer os seus cidadãos
de que medidas dolorosas fazem parte de uma estratégia para criar
uma economia mais forte no futuro.
Um alento para os líderes das principais economias da zona do
euro é que nenhum deles enfrentará eleições
nacionais antes de 2012 - e, no caso de Berlusconi, seus rivais políticos
continuam fracos.
No mês passado, o governo Sarkozy informou que vai cortar os
gastos públicos franceses em
Ontem, Alain Joyandet, o secretário de Estado para desenvolvimento
internacional da França, renunciou depois de admitir que contratou
um jato particular por € 116.500 para voar para o Caribe a negócios,
quando poderia ter pego um voo regular.
Christian Blanc, secretário de Estado para a região de
Paris, também pediu demissão depois de admitir que gastou
12 mil em dinheiro dos contribuintes para comprar charutos - e que fumou,
ele mesmo, um terço dos charutos. O governo determinou que ele deve
cobrir a despesa por completo.
Sarkozy está se mexendo para dar ao seu governo uma imagem mais
frugal, na tentativa de vender os cortes orçamentários. Este
ano, ele cancelou caçadas presidenciais e a tradicional festa de
14 de julho no jardim do Palácio do Eliseu. Embora ainda tenha dois
anos antes de tentar a reeleição, analistas dizem que ele
tende a suavizar as propostas quando a oposição popular fica
muito forte, e pode fazer isso de novo.
Na Itália, a taxa de aprovação de Berlusconi caiu
para 41%, ante mais de 50% no ano passado, por causa de escândalos
sobre questões pessoais e legais do premiê.
A coalizão de centro-direita de Berlusconi obteve uma vitória
convincente nas eleições regionais de março, mas,
desde então, cresceu o descontentamento com um pacote de austeridade
que prevê cortes de € 25 bilhões até 2012. Os
cortes propostos enfrentam resistência dos legisladores de centro-direita
e dos governadores regionais, assim como dos sindicatos trabalhistas.
Berlusconi sofreu um golpe na segunda-feira, quando seu ministro para
o federalismo, Aldo Brancher, renunciou apenas duas semanas depois de ter
sido indicado pelo líder italiano, em meio a acusações
de que estaria usando o cargo público para se proteger de um julgamento
por corrupção.
A premiê alemã Angela Merkel, no comando da maior economia
da Europa, também viu as taxas de aprovação caírem
para menos de 40%, ante mais de 50% no começo de maio, quando concordou
com o plano europeu para socorrer a Grécia. Antes disso, ela tinha
garantido aos eleitores alemães que a Grécia não precisava
ser resgatada.
A revolta popular dos alemães por terem de socorrer os países
em dificuldades no sul do continente machucou ainda mais um governo assolado
por disputas internas. Alguns políticos que participam da coalizão
de Merkel estão pedindo que a premiê exerça uma liderança
mais firme, alegando que o estilo discreto dela está permitindo
que surjam divisões e indisciplina.
Na semana passada, a coalizão precisou de três rodadas
de votação num colégio eleitoral para garantir a maioria
dos votos para eleger o seu próprio candidato à Presidência
alemã, Christian Wulff. Isso foi visto com um grande motivo de vergonha
para Merkel e como sintoma de um problema maior.
"Merkel não inspira, não provoca a união. Ela
não tem uma estratégia que não seja permanecer no
poder e fazer as coisas da melhor forma que conseguir", afirma Josef Joffe,
um importante cientista político e editor do jornal alemão
"Die Zeit".
Um dos líderes políticos mais fortes da Europa é
o primeiro-ministro grego, George Papandreou, cujo governo socialista tem
uma maioria indiscutível no Parlamento, ainda que por uma pequena
margem. Apesar de terem conseguido aprovar cortes profundos no orçamento
em meio a grandes protestos de rua, os socialistas gregos ainda são
mais populares que seus rivais, segundo as pesquisas.
Zapatero, o líder socialista espanhol, está parecendo
menos seguro desde que seu governo conseguiu aprovar em maio, no Parlamento,
cortes orçamentários por uma diferença de apenas um
voto. Ele garantiu ao público que novos cortes não seriam
necessários, mas a piora da crise da dívida na zona do euro
e a pressão de líderes da Europa e dos Estados Unidos o forçaram
a voltar atrás. Líderes de oposição acusaram
Zapatero de entregar a soberania econômica espanhola à União
Europeia.
Os sindicatos espanhóis convocaram uma greve geral para 29 de
setembro, para protestar contra as reformas de flexibilização
do mercado de trabalho.
A maioria da população espanhola elegeria o oposicionista
Partido Popular, de centro-direita, se as eleições fossem
hoje, segundo pesquisas de intenção de voto.
O próximo grande teste de Zapatero será o orçamento
da Espanha para 2011, que o Parlamento precisa aprovar até o fim
deste ano. O seu mandato de quatro anos termina no fim de 2012, mas alguns
analistas dizem que ele poderia pedir a antecipação das eleições
caso não consiga aprovar o orçamento. (Marcus Walker,
Sebastian Moffett e Jonathan House - The Wall Street Journal/Valor Online)
07.07 - Alemanha quer ser exemplo de austeridade para a Europa
A Alemanha quer servir, mais uma vez, de modelo para as outras economias
da Europa. E, para isso, reduzirá seu déficit público
nos próximos anos abaixo do que o previsto. Segundo um documento
do governo alemão, os novos números reforçarão
sua posição de defensor do rigor orçamentário
na região.
De acordo com as projeções para as contas públicas
nos próximos cinco anos, o déficit orçamentário
do Estado federal alemão será em 2010 de 65 bilhões
de euros (em torno de 81 bilhões de dólares), no lugar dos
80 bilhões de euros previstos anteriormente. A situação
se repetirá em 2011, ano para o qual se espera agora um déficit
de 57,5 bilhões de euros, contra 76,6 bilhões de euros projetados
anteriormente.
O déficit deverá reduzir-se de forma progressiva até
alcançar 24,1 bilhões de euros em 2014, conforme as metas
de saneamento das finanças públicas inscritos na lei federal.
A redução do déficit explica-se, em primeiro lugar,
pela extraordinária saúde do mercado de trabalho, que permitirá
à Alemanha economizar no ano que vem ao menos 10 bilhões
de euros destinados ao seguro-desemprego. O ministro da Economia, Rainer
Brüderle, fala inclusive de um milagre do emprego.
O índice de desemprego está atualmente em 7,5% na Alemanha,
onde as usinas, orientadas de preferência para a exportação,
trabalham a pleno vapor graças à reativação
da economia internacional.
Sustentado por essas boas cifras, o governo aproveita para, em seu
planejamento orçamentário, dar um pequeno sermão nos
outros países europeus. "Nos próximos meses, os países
da zona do euro - e os demais - deverão tomar definitivamente o
caminho da consolidação dos orçamentos estatais",
afirma o texto. "A Alemanha desempenhará nesse contexto um papel
de modelo na zona do euro", completou.
A questão poderá provocar tensão na Europa, já
que o objetivo adotado pela Alemanha irrita certos sócios europeus,
que prefeririam sustentar um pouco mais a reativação econômica,
ainda frágil. O debate não é apenas europeu: os Estados
Unidos criticam a austeridade alemã.
No entanto, os alemães podem encontrar respaldo em Jean-Claude
Trichet, presidente do Banco Central Europeu (BCE). Ele defende que, tendo
em vista a estabilidade no longo prazo, reduzir déficits e instaurar
políticas fiscais sustentáveis são fundamentais para
restaurar a confiança do mercado, que por sua vez estimulará
o crescimento.
"Estamos em um período em que é preciso administrar os
orçamentos com muita cautela. Você pode chamar isto de austeridade
se quiser, eu chamo de políticas fiscais rigorosas", declarou Trichet.
Parte das chamadas políticas fiscais rigorosas já está
surtindo efeito: o déficit do governo central da Grécia caiu
para 11,4 bilhões de euros (cerca de US$ 9 bilhões) no período
entre janeiro e junho, de 19,6 bilhões de euros no mesmo período
do ano passado, informou o Banco da Grécia ontem. Durante os seis
meses, as receitas orçamentárias ordinárias subiram
para 23,2 bilhões de euros (US$ 18,5 bilhões), de 21,7 bilhões
em euros no mesmo período de 2009. Os gastos orçamentários
ordinários caíram para 30,1 bilhões de euros (US$
24 bilhões), de 35,5 bilhões de euros nos seis primeiros
meses de 2009, acrescentou o banco central.
O ministro das Finanças da Grécia, George Papaconstantinou,
disse que a Grécia está no caminho para atingir sua meta
de déficit para 2010 e sugeriu que a economia poderá surpreender
com um desempenho melhor do que o esperado. Ele citou os números
divulgados pelo banco central, mostrando que o déficit orçamentário
atingiu 4,9% do Produto Interno Bruto (PIB) nos primeiros seis meses do
ano, superando a meta de 5,8% do PIB acertada com o Fundo Monetário
Internacional (FMI) e a União Europeia no memorando de entendimento
para obtenção do empréstimo de 110 bilhões
de euros.
No ano passado, a Grécia informou que o déficit orçamentário
estava em 13,6% do PIB, o qual pretende reduzir para 8,1% do PIB este ano.
"Estamos reduzindo o déficit como prometemos e o PIB pode não
registrar uma contração de até 4% conforme previmos",
diz Papaconstantinou. Mas, acrescentou, a receita orçamentária
cresceu apenas 7,1%, abaixo da meta de 11%.
Já o governo da Itália vai buscar um voto de confiança
para o seu plano de austeridade de 25 bilhões de euros, informou
a assessoria do primeiro-ministro Silvio Berlusconi. Ele vai orientar o
gabinete a pedir um voto de confiança no Parlamento. Berlusconi
e o ministro de Economia, Giulio Tremonti, estão avaliando propostas
para mudar o orçamento. (DCI)
06.07 - Ajuste nos países ricos vai segurar economia global
O ajuste fiscal nos países ricos deve tirar 1,25 ponto percentual
do crescimento econômico mundial em 2011 e atingir também
os emergentes, avalia a entidade que representa os maiores bancos do mundo,
o Instituto Internacional de Finanças (IIF).
Pelas projeções, o crescimento econômico do Brasil
cairá quase pela metade, de 7,5% este ano para 4,4% em 2011, coincidindo
com o primeiro ano do novo governo.
A análise dos bancos reforça a preocupação
de uma recaída na recessão que toma conta dos mercados nos
EUA e na Europa. Ou seja, a expansão econômica recente pode
ser mais temporária do que uma recuperação real das
economias ditas maduras.
Em 2009, os programas de estímulo lançados pelos países
desenvolvidos resultaram em 2 pontos adicionais no Produto Interno Bruto
(PIB). Já neste ano, terão efeito "neutro".
Mas, em 2011, a enorme virada de política fiscal, passando de
estímulos para forte redução de despesas e aumento
de impostos, deve contrair o crescimento econômico dos países
desenvolvidos de 2,5% para 1,8%, ou menos.
Na próxima fase do ajuste fiscal, de um lado estarão
os países forçados a medidas mais agressivas no curto prazo
por causa da capacidade limitada de financiamento, principalmente na zona
euro. E, de outro, os que tem acesso a financiamento, como os sete maiores
economias do mundo, e podem fazer um ajuste fiscal gradual em 2011-2012
e mais tarde.
Uma preocupação forte é com relação
aos EUA. A IIF calcula que o endurecimento fiscal vai tirar um ponto percentual
do PIB da maior economia do mundo. E prevê alta de impostos, corte
nas despesas e retirada de estímulos do American Recovery and Reinvestment
Act.
Além disso, deverá haver menos transferência de
recursos do governo federal para os Estados americano. O IIF cita crescente
temor de analistas quando ao risco maior de calote por governos locais
nos EUA em 2011.
Na zona euro, que reúne os 16 países que utilizam a moeda
comum europeia, analistas consideram que medidas fiscais anunciadas desde
maio podem exacerbar o já forte desemprego. Sem reaceleração
nas contratações de empregados, o ritmo na recuperação
econômica será inaceitavelmente lento. Alem disso, a fragilidade
dos bancos europeus está no centro das preocupações.
Nas economias emergentes, a fase de aceleração do crescimento
após a crise é dada, pelos bancos, como terminada, embora
o tamanho de qualquer desaceleração nos próximos 12
a 18 meses deva ser moderado, sobretudo comparado à situação
das economias desenvolvidas.
Todos os grandes emergentes têm desempenho melhor em 2010 em
comparação com 2009. Mas a China, com peso decisivo, deve
diminuir o ritmo dos investimentos públicos a partir do segundo
semestre, embora mantendo uma robusta demanda doméstica.
A expectativa de aumento mais moderado das exportações
chinesas a partir deste mês deve reforçar a relutância
do governo de Pequim, o que provavelmente limitará o ajuste do yuan
ou pode até fazer retornar a "tendência do pré-crise"
de moeda desvalorizada.
O IIF projeta para 2011 expansão chinesa de 9,5%, comparado
a 10% neste ano, o que implica desaceleração neste segundo
semestre; na Índia, de 8,1%, contra 8,6% neste ano; e no Brasil,
4,4%, depois dos 7,5% esperados para este ano.
Os dois países que mais inquietam investidores seriam Argentina,
com "modelo de crescimento insustentável" que deve se manter até
as eleições de outubro de 2011; e Venezuela, com "má
gestão, intervenções, erosão nos direitos de
propriedade privada e conflitos políticos que deixaram a economia
vulnerável a flutuações do preço do petróleo".
(Assis Moreira - Valor Online)
06.07 - Incerteza em alta
Para a economia mundial voltar a sustentar taxas elevadas de crescimento
será preciso reequilibrar relações entre os países
Depois da rápida recuperação nos últimos
12 meses, acumulam-se sinais de esgotamento e crescem os riscos de recaída
da economia mundial. O crescimento acelerado -com expansão industrial
superior a 10% desde o início do ano- esteve em parte ligado à
recomposição de estoques e, ao que tudo indica, perderá
força.
É um movimento natural que não deveria por si gerar preocupações
extremadas. Mas há outras incertezas no contexto atual: a crise
na Europa antecipou um aperto fiscal que só se esperava para 2011,
os EUA ainda patinam com baixa criação de emprego e a China
adotou medidas agressivas de controle no setor imobiliário.
Não está claro qual será a resultante dessas forças.
Algumas projeções alarmistas têm ganhado evidência:
nova recessão nos EUA, crise bancária na Europa, risco de
ruptura do euro e estouro do que seria uma bolha imobiliária chinesa.
A pronta reação dos mercados financeiros a essas previsões
só tem contribuído para aumentar a insegurança.
É cedo no entanto para acreditar no pior. Permanecem em cena
as indicações de solidez nas economias em desenvolvimento,
a liquidez de bancos e empresas é bem melhor que em 2008 e as autoridades
dos países ricos continuam atuando com vigor -na Europa, por exemplo,
espera-se avanço com os chamados testes de estresse nos bancos.
Cabe, no entanto, o alerta de que ainda não há um encaminhamento
satisfatório do que talvez seja a causa maior dos problemas atuais
na economia mundial: o crescimento global desequilibrado que se viu na
última década.
De um lado, estão os países que cresceram com consumo
excessivo e incorreram em pesados deficits externos, como os EUA, a Inglaterra
e a periferia da Europa. O resultado foi um grande endividamento do setor
privado e, desde o ano passado, dos governos que vieram em seu socorro.
De outro estão os que acumularam superavits externos por meio
de exportações e consumo interno baixo. A China é
o exemplo maior, com US$ 2,5 trilhões em reservas internacionais
e uma posição credora contra os EUA. A Alemanha, por sua
vez, também é credora dos outros países da União
Europeia. Mas, ao contrário da China, seu governo não acumulou
reservas. São seus bancos que detêm créditos contra
o restante da Europa e, agora, se veem ameaçados.
Esse modelo se esgotou, e os países devedores terão que
consumir menos e exportar mais por muitos anos. Em tese o problema poderia
ser resolvido se países credores fizessem o movimento contrário.
Caso não o façam, a chance maior é que o mundo permaneça
preso em uma armadilha de excesso de capacidade de produção,
falta de consumo e deflação.
Não havendo maior descontrole financeiro, como ainda parece
possível, há boa chance de que a desaceleração
econômica em curso seja moderada e que 2011 seja um ano positivo.
Mas a sustentação do crescimento global em nível alto
só será possível a médio prazo se houver um
reequilíbrio entre países e regiões. (Folha
de S.Paulo)
06.07 - Para acelerar o crescimento
Brasil fora da Copa, as eleições presidenciais logo chegarão
ao centro do noticiário. Adiantando, eis alguns pontos que merecem
atenção no que se refere ao modelo macroeconômico:
Metas de inflação ? o regime de metas funciona no Brasil
desde 1999, com bastante sucesso. A inflação, medida pelo
IPCA, roda em torno dos 4,5% ao ano, no centro da meta, e os juros reais
estão na faixa dos 5%, ante os 15% verificados no início
do regime. Já basta?
A resposta é não. A meta de inflação no
Chile, no México, na Coreia do Sul e na China é de 3% ao
ano, considerado um padrão mais adequado para emergentes de renda
média.
Assim, há três possíveis avanços que poderiam
ser implementados no regime de metas. Primeiro, colocar na lei a independência
do Banco Central. Hoje, há uma autonomia operacional concedida pelo
presidente da República, que, portanto, pode cancelá-la a
qualquer momento. Isso é um fator de incerteza ? e toda incerteza
leva a uma inflação mais elevada (e, pois, a juros mais altos).
A segunda mudança seria reduzir a meta e a margem de tolerância,
hoje de dois pontos para cima e para baixo. Assim, a rigor, a inflação
brasileira pode ir a 6,5% num ano, o que é muito elevado. Costuma-se
dizer que o Brasil tem a mais alta taxa de juros entre os países
importantes. Tem também a meta de inflação mais alta.
A terceira mudança seria um programa para eliminar as indexações
que ainda existem na economia brasileira, como as diversas modalidades
de correção automática de preços e contratos.
Dívida pública? A Dívida Líquida do Setor
Público (DLSP) está em torno dos 40% do PIB. Já foi
de 70%, de modo que houve uma notável redução. Mas,
entre os emergentes importantes, o padrão é de 30%. A Dívida
Pública Bruta, aqui, se aproxima dos 70% do PIB ? é também
mais elevada do que na concorrência.
Dívida elevada é uma das causas de juros mais altos.
Portanto, uma boa política seria estabelecer metas de redução
desse endividamento, nos dois conceitos.
O peso do Estado ? Também seria uma boa política a introdução
de metas de redução do peso do Estado na economia. Não
é preciso, dada a dificuldade política e jurídica,
demitir funcionários e fechar órgãos. Há alternativas:
por exemplo, de cada dois que se aposentam, contratar apenas um novo funcionário.
Ou estabelecer como regra que todo o gasto público cresce sempre
abaixo da expansão do PIB.
Paralelamente, é preciso aplicar programas de eficiência
na administração pública. O Brasil gasta com saúde
e educação a mesma coisa que gastam outros países
com melhores resultados.
Reforma tributária ? Políticas de redução
e controle de gastos públicos criam o espaço para a tão
sonhada reforma tributária, com o duplo objetivo de diminuir a carga
e simplificar o sistema. Hoje, é impossível falar em redução
de impostos diante de uma dinâmica de gastos públicos sempre
crescentes.
Investimentos ? É o ponto fraco da economia brasileira. Na média,
os países emergentes investem 28,5% ao ano, com destaque para os
asiáticos, normalmente acima dos 30%. Na América Latina a
média cai para 22,5% ao ano. E o Brasil? Neste século, o
melhor que conseguiu foi 20%, em 2000. A média de 2003/2008, até
a crise global, foi inferior a 17%. Por isso, o crescimento brasileiro
também está abaixo das médias global e latino-americana.
O Brasil tem uma propensão ao consumo, a começar pelo governo.
Estabelecer metas de investimentos públicos e privados é
possível, mas apenas em conjunto com políticas de redução
e controle do gasto público.
Petrobrás. Comentamos aqui, na semana passada, como o governo
Lula está impondo enormes tarefas e programas de investimentos à
Petrobrás, em alguns pontos contra a opinião técnica
da própria estatal. É o caso das três refinarias em
construção, ao mesmo tempo, em Pernambuco, Ceará e
Maranhão ? todas longe tanto dos centros de produção
de petróleo quanto dos principais mercados consumidores de derivados.
Para bancar todos esses investimentos, a Petrobrás terá
de se endividar e comprometer sua lucratividade atual. Além disso,
o governo vai capitalizar a estatal entregando barris de petróleo
"futuros", enquanto os minoritários terão de entrar com dinheiro
vivo.
Vários leitores comentaram. O e-mail abaixo, do leitor Davi
Lamas, resume bem a posição de minoritários descontentes:
"Gostaria de demonstrar meu profundo descontentamento diante dos inúmeros
erros que a Petrobrás vem cometendo. Obviamente, este e-mail pode
ser insignificante, mas acho interessante demonstrar o sentimento do acionista
minoritário, ainda mais diante do aporte do Oceano Atlântico
em troca de ações da empresa. Se não bastassem a questão
política, os gastos excessivos, a falta de planejamento, vejam o
plano de negócios patético da estatal, que comprometerá
a empresa no mínimo pelos seis próximos anos ? jogando no
lixo o lucro por ação, a rentabilidade, etc. Deveriam aprender
com a Vale, uma empresa preocupada com o acionista e que traz valor real
ao mesmo. É o contrário do que faz a Petrobrás, que
se tornou um sinônimo de má administração, ingerência
e falta de controle. (A capitalização a ser promovida pelo
governo tem sido definida como) "manobras de um país sem leis",
segundo sites de economia internacionais."
De outro lado, o próprio presidente Lula tem dito que a Petrobrás,
por ser estatal, deve mesmo agir como instrumento do governo na promoção
de investimentos no País. Essa seria sua função principal,
e não a distribuição de lucros aos acionistas.
O valor das ações da Petrobrás tem estado em queda,
refletindo tanto as preocupações dos minoritários
quanto as decisões do governo para a estatal. (Carlos Alberto
Sardenberg - O Estado de S.Paulo)
05.07 - Semestre: Ouro lidera ranking dos investimentos
Bolsa fica na lanterna
Forte aversão ao risco afastou investidores das ações
Pelo terceiro mês consecutivo, o Índice da Bolsa de Valores
de São Paulo (Ibovespa) ficou na lanterna do ranking dos investimentos.
Em junho, o principal índice da bolsa perdeu 3,35%. O ouro, por
sua vez, ficou no topo da listagem com valorização de 2,92%,
também pela terceira vez seguida. A repetição, segundo
especialistas, é por conta do aumento de aversão ao risco,
sobretudo nos investidores estrangeiros, ocasionada pelas turbulências
econômicas mais recentes. No semestre, o Ibovespa acumula queda de
11,16%. O ouro, soma alta de 19,52%.
"Ouro é investimento seguro e vai bem porque há incerteza
sobre os desdobramentos dos problemas europeus. A bolsa é outro
lado da moeda: há risco e as incertezas afastam os investidores",
explica Marcelo Guterman, professor de finanças do Insper (ex-Ibmex
São Paulo).
O cenário de queda na bolsa reforça, na opinião
de especialistas, que as ações devem ser encaradas como investimento
de longo prazo. "Cinco anos, no mínimo", diz o educador financeiro
Mauro Calil. Para quem se enquadra nesse perfil, a desaceleração
do Ibovespa configura um bom momento para entrar ou ampliar o valor investido
na bolsa. "É hora de começar a fazer compras gradativas,
conforme os preços continuem a se depreciar", sugere Fábio
Colombo, administrador de investimentos.
As duas ações mais líquidas do mercado acionário
brasileiro - Petrobrás PN e Vale PNA - recuaram mais que o Ibovespa.
Petrobrás PN caiu 9,26% e Vale PNA, 11,2%. A queda na cotação
da petrolífera, no entanto, não tem a ver somente com a baixa
do mercado, mas também à postergação da capitalização,
que estava prevista para ocorrer no início do segundo semestre.
Na segunda posição do ranking estão os títulos
indexados ao IGP-M, com rentabilidade de 0,85% em junho e de 5,68% no ano.
Especialistas recomendam a modalidade para diversificação
de portfólio.
Os investimentos de menor risco, como os fundos de renda fixa e os
DI, tiveram rendimentos de 0,71% e 0,63%, respectivamente, em junho. Esse
tipo de aplicação não é impactado pela turbulência
internacional, mas pelo comportamento da taxa básica de juros (Selic),
definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom)
do Banco Central (BC). "Quanto mais alta a taxa, melhor a rentabilidade
dessas modalidades", afirma Rogério Bastos, da consultoria FinPlan.
A alta nos fundos de renda fixa e DI roubam a atratividade da tradicional
caderneta de poupança, que mostrou rentabilidade de 0,56% em junho
e 3,23% no ano. "Quem está na poupança faz bom negócio
se mudar para um fundo DI", completa Bastos.
Os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) de até
R$ 5 mil tiveram o pior rendimento dentro da renda fixa, subindo 0,44%.
Por serem oferecidos a pequenos investidores, estes títulos costumam
ter taxas não tão atrativas. (Roberta Scrivano - O
Estado de S.Paulo)
02.07 - Mercado financeiro contribuiu para o crescimento econômico
O mercado financeiro possui um papel importante no crescimento econômico
do País, haja visto o grande montante movimentado por este segmento
durante os últimos anos, afirmou Marcelo Giufrida, presidente da
Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados
Financeiro e de Capital), durante abertura do seminário realizado
pela entidade ontem.
De acordo com dados fornecidos durante o evento, o mercado de renda
variável movimentou, até maio de 2010, mais de 20 milhões.
Com relação ao volume negociado em renda variável,
este montante é de cerca de R$ 14 milhões. Contudo, este
segmento registrou mudanças em seus valores negociados, como apontou
Alberto Kiarely, vice-presidente e coordenador do Comitê de Finanças
Corporativas da Anbima.
"Até 2007, 56% dos investidores realizavam operações
abaixo de R$ 1 bilhão, mas com a crise, em 2008, 80% das operações
eram superiores a R$ 1 bilhão, e até maio este total já
está em 77%, o que mostra que a liquidez é importante para
estes investidores. Mas nós acreditamos que, com a recuperação
da economia, podemos retornar aos resultados de 2007", afirma.
Outros dados importantes levantados pelo executivo são a predominância
dos investidores estrangeiros no mercado financeiro brasileiro (cerca de
2/3), e o crescimento da participação das pessoas físicas
nestas transações, atualmente em 5%. (Rosangela
Sousa - Executivos Financeiros)
02.07 - BC eleva de 5,8% para 7,3% a previsão de crescimento
O Banco Central elevou a previsão de crescimento da economia
em 2010 de 5,8% para 7,3%. O número está acima das estimativas
do mercado e da previsão oficial do Ministério da Fazenda.
A projeção de inflação para o ano também
subiu, para até 5,4%. Já a expectativa para 2011 aumentou
em relação a março, mas caiu em relação
ao estimado há três semanas, quando a taxa básica de
juros subiu para 10,25% ao ano.
Os dados fazem parte do Relatório Trimestral de Inflação,
divulgado ontem, que reforçou as expectativas do mercado financeiro
de que a instituição manterá a política atual
de aumento dos juros, que devem chegar a 12% no final do ano.
O diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton
Vasconcelos, afirmou que o país não pode crescer "a taxas
muito elevadas" considerando o nível dos investimentos.
Em relação à inflação, o BC fez
críticas indiretas às metas fixadas pelo CMN (Conselho Monetário
Nacional), de 4,5% até 2012. O diretor da instituição
afirmou que a taxa média de 4,7% verificada nos últimos seis
anos está acima dos 3% apontados pela teoria econômica como
um nível desejável para economias emergentes.
"Estamos afastados do conceito de estabilidade de preços", afirmou
Hamilton.
O Banco Central também diz no relatório que a política
de juros ganhou mais "poder" nos últimos anos devido ao aumento
da relação entre crédito e crescimento, entre outros
fatores. Ou seja, os aumentos da taxa básica têm efeitos maiores
sobre a inflação que há dois ou mais anos.
Para o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco Gonçalves,
isso não significa que o BC irá mudar o ritmo de alta dos
juros. Para ele, o crescimento acima de 7% e uma inflação
acima de 5% devem se confirmar. (Folha de S.Paulo)
02.07 - Controle da inflação exige dose menor de juros
A política de juros ficou mais poderosa e eficiente nos últimos
anos, refletindo algumas mudanças no perfil da economia brasileira.
A avaliação consta de um capítulo especial do Relatório
Trimestral de Inflação divulgado ontem pelo Banco Central
(BC), órgão responsável pela condução
da política monetária no Brasil.
O diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton
Araújo, afirmou que o maior poderio significa que, para reduzir
a taxa de inflação, o Comitê de Política Monetária
(Copom) precisa atualmente pesar menos a mão na taxa de juros do
que em 2006 e em 2008. Mas ele não quis se comprometer com movimentos
futuros da Selic.
"A mensagem que queremos passar é de que há uma tendência
de alta do poder da política monetária", afirmou. Questionado
sobre as interpretações de que o estudo sinalizava uma postura
mais gradualista na definição dos juros, Carlos Hamilton
se limitou a reiterar que o objetivo era só mostrar a tendência
dos últimos anos.
Crédito. De acordo com o BC, um dos fatores que amplificou a
potência da política de juros foi o aumento da quantidade
de crédito na economia. Para se ter uma ideia, entre janeiro de
2006 e março de 2010, o estoque de crédito com recursos livres
- que os bancos podem aplicar em qualquer segmento e cujo custo de captação
é referenciado na taxa Selic - passou de 18,8% do Produto Interno
Bruto (PIB) para 30,2% do PIB.
Com maior volume de financiamentos, é natural que os juros ganhem
um peso maior na atividade econômica. Ao elevar a Selic, o BC encarece
o consumo e os investimentos, adia ou cancela essas decisões e,
assim, diminui o ritmo de crescimento e segura a inflação.
E quando baixa a Selic, o processo se inverte.
O aumento no prazo da dívida, que também ocorreu nos
últimos anos, é outro fator que reforça o efeito riqueza
negativo ou positivo da política monetária, amplificando
sua potência.
Além desses três fatores, Hamilton também disse
que a maior eficiência da política monetária reflete
algo que não se pode mensurar: o ganho de credibilidade do BC nos
últimos anos. (Fernando Nakagawa e Fabio Graner - O
Estado de S.Paulo)
01.07 - Fiesp revê projeção do PIB deste ano de
6% para 7,5%
A Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo (Fiesp) revisou ontem sua projeção para o crescimento
do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deste ano, de uma alta de 6%
para um crescimento de 7,5%. "Se a nossa projeção se confirmar,
será a primeira vez desde 1986 que o País terá crescido
7,5% em um ano" disse o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos
Econômicos da Fiesp, Paulo Francini. A nova projeção
da Fiesp considera que a indústria como um todo deverá crescer
11,6% neste ano.
A indústria extrativa mineral, nas projeções da
Fiesp, terá alta de 11,8%. A indústria da transformação
e a construção civil devem crescer, respectivamente, 11,3%
e 12,6%. O PIB da agropecuária deve registrar alta, segundo a Fiesp,
de 5,7% e para o de serviços é calculado aumento de 5,2%.
O consumo das famílias, para a Fiesp, deve crescer 7,4% e o do governo,
2,8%. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) registrará
na avaliação da entidade elevação de 21,2%.
Para 2011, a Fiesp calcula um crescimento de 4,7% do PIB, de 4,3% da indústria
e de 3,8% da indústria da transformação.
Ainda de acordo com a Fiesp, as exportações devem somar
US$ 189 5 bilhões neste ano. As importações devem
totalizar US$ 177,6 bilhões e o saldo da balança comercial
deverá ficar positivo em US$ 11,9 bilhões. Por essas projeção,
as exportações devem ter alta de 23,9%, as importações
crescerão 39,2% e o saldo da balança comercial registrará
queda de 53%. Segundo a Fiesp, a indústria paulista deverá
crescer 13,5% e o emprego na indústria do Estado apresentará
alta de 5,6%. A produção física da indústria,
calculada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
deverá aumentar 15% e o emprego industrial, também calculado
pelo IBGE, deve crescer 5,7%. (Agência Estado)
01.07 - Economista espera nova melhoria no rating do País
"Podemos esperar um novo upgrade do Brasil, pois, quando se olha a
trajetória brasileira em comparação à de outros
países, é inequívoco o sucesso do País", avalia
a sócia da Galanto Consultoria e diretora do instituto Casa das
Garças, Monica Baumgarten de Bolle. O momento da elevação,
no entanto, pode esperar as eleições. "É um anúncio
positivo, mas não sei até que ponto esta mudança de
rating sairia tão tempestivamente. Pode ser, sim, que resolvam esperar
para ver um horizonte político mais bem definido."
A Fitch Ratings elevou, na segunda-feira, a perspectiva do rating do
Brasil de estável para positiva e reafirmou em BBB- a classificação
para moeda local e estrangeira de longo prazo. Para a decisão, a
agência citou a resiliência econômica do País
durante a recessão global.
Baumgarten de Bolle cita que o Brasil ainda tem desequilíbrios
importantes e que estão ficando maiores. "Um deles é o reflexo
da insuficiência de poupança e o impacto sobre nossas contas
externas que naturalmente estão se deteriorando", diz. A economista
também menciona que o ritmo do crescimento do crédito está
bastante elevado, o que pode ser perigoso. "Ainda não é o
caso do Brasil, mas todas as crises que estamos vendo pelo mundo são
resultado de excesso de endividamento, seja do setor público ou
do privado."
Mas, quando se compara a situação brasileira à
de outros países, a economista avalia que é difícil
dizer que o País não esteja tão bem quanto está.
"A comparação internacional mostra que a fragilidade dos
outros é muito evidente comparada à do Brasil."
Quanto à expansão econômica, assim como outros
agentes estimam, a analista concorda que o País já está
em superaquecimento. "Um sintoma evidente disso é a elevação
inflacionária que vimos nos últimos meses." Mas, continua
ela, o Brasil tem instrumentos para adequar o ritmo de crescimento à
realidade da economia. (Agência Estado)
30.06 - Recorde de captação em PGBL e VGBL
O público crescente e a sofisticação dos produtos
de previdência elevam, cada vez mais, a arrecadação
de longo prazo dos planos de previdência. De janeiro a abril, o volume
de aportes resultou na captação recorde de R$ 13,7 bilhões,
alta de 30% se comparada aos R$ 10,5 bilhões arrecadados no mesmo
período de 2009 na previdência privada aberta.
Em 2010, o desempenho do setor será superior ao crescimento
da economia, fechando o ano com uma expansão de 25% maior do que
a de 2009, quando os resultados foram positivos, no entanto, muitos ainda
estavam intimidados com a crise financeira, diz o presidente da Federação
Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), Marco Antonio
Rossi.
O volume total de recursos investidos em planos PGBL e VGBL no Brasil,
até abril de 2010, somava cerca de R$ 153 bilhões. "Levando-se
em conta que somente 10 milhões de brasileiros fazem depósitos
em planos de previdência, o mercado tem potencial para chegar aos
40 milhões de pessoas com planos, principalmente, na classe C, na
mira das seguradoras", diz Rossi. Projeções do setor indicam
que os recursos da previdência privada aberta deverão chegar
a R$ 1 trilhão de ativos em 10 anos.
Em 2009, a classe C foi uma das que mais pouparam para os produtos
da previdência privada aberta, como VGBL e PGBL. Levantamento da
Fundação Getulio Vargas (FGV) mostra que, nos últimos
anos, quase 20 milhões de pessoas ingressaram na classe C, brasileiros
com renda entre R$ 1.065 e R$ 4,5 mil mensais.
Segundo Rossi, o público da faixa C alta passou a chamar a atenção
das seguradoras nos últimos cinco anos. Daqui para frente, a classe
C, na faixa média e baixa, é quem sustentará o crescimento.
O espaço a ser conquistado é vasto, tanto na venda individual
como nos planos corporativos.
"Em virtude da maior competitividade, mais empresas também vão
oferecer planos aos funcionários", diz o presidente da Fenaprevi.
As empresas podem ter planos empresariais a partir de acordos fechados
com as entidades de previdência aberta para a apresentação
dos fundos de previdência aos trabalhadores.
Rossi conta que, atualmente, 70% das grandes companhias oferecem plano
de previdência aos empregados. Daqui a cinco anos, o percentual passará
para 90%. Em relação às empresas de médio porte,
no mesmo intervalo de tempo, o alcance dos planos aos funcionários,
estimado hoje em 45%, tem potencial para chegar aos 70%.
O plano de previdência funciona como uma ferramenta para atração
de profissionais e retenção de talentos. E há os incentivos
fiscais dados pelo governo às empresas que fazem contribuição
aos planos dos empregados. Elas podem descontar o aporte feito da base
de cálculo do Imposto de Renda (IR) devido pela companhia ao Fisco.
Nas pequenas empresas, por enquanto, menos de 10% delas oferecem planos
de previdência aos funcionários. "Estão em estágio
preliminar, iniciado com a oferta de seguros como benefício aos
funcionários", explica Rossi.
O recorde da arrecadação dos planos privados da previdência
aberta se deve também à sofisticação alcançada
pelos produtos ao longo dos anos. Hoje, a menor alíquota para aplicações
em fundo de longo prazo só é encontrada nos produtos de previdência
privada. O poupador só é premiado com a alíquota mínima
de 10% se cada aporte permanecer por mais de dez anos no plano. Trata-se
do regime regressivo.
Por esse regime de tributação, com alíquotas que
variam de 35% a 10%, quem deixar o dinheiro aplicado por apenas dois anos,
será penalizado com a alíquota do IR em 35%. Quanto maior
o tempo de permanência de cada aporte no fundo, menor será
o imposto pago. Aqueles que iniciam plano de previdência, prevendo
prazo inferior a dez anos de contribuição, têm o sistema
progressivo como o mais adequado para não correr o risco de pagar
alíquotas superiores a 27,5%.
Segundo Rossi, o regime de tributação regressiva é
a opção de 60% dos participantes dos planos de previdência
corporativo, já nos planos individuais, 60% escolhem a tributação
progressiva.
Outra inovação para o aumento do interesse do público
pelos planos de previdência foi a portabilidade. Quem está
insatisfeito com o rendimento alcançado pelo fundo ou descontente
com as altas taxas de carregamento ou de administração, pode
fazer a transferência dos recursos para outra seguradora, sem qualquer
justificativa ou prejuízo.
Segundo a Fenaprevi, a transferência efetiva de recursos da previdência
entre instituições, de janeiro a março de 2010, somou
R$ 8,5 milhões. Em 2009, a portabilidade contabilizou R$ 42,9 milhões.
Em 2008, foram transferidos R$ 40,1 milhões entre as seguradoras.
(Adriana Aguilar - Valor Online)
30.06 - Investimento sem risco
Descoberta do pré-sal abriu um novo horizonte para o Brasil,
que se transformaria em um player global no fornecimento de petróleo
É de Joseph Stiglitz, ganhador do Prêmio Nobel de Economia
de 2001, o livro Corrida para o fundo do poço. A obra trata das
disputas entre os países em desenvolvimento pela atração
de capital externo, que, por sua vez, busca regiões com leis trabalhistas
e ambientais frágeis ou inexistentes. A proposta do autor é
que a globalização, se bem conduzida, pode contribuir para
a prosperidade econômica e promoção do bem-estar da
sociedade. Contudo, há uma assimetria de poder e recursos entre
as nações, sendo que o grupo dos mais ricos não pensa,
necessariamente, nos impactos negativos de suas ações sobre
o grupo dos mais pobres. O livro não trata de uma guerra entre dois
lados, mas propõe alternativas para que todos possam ganhar. Mas
quais as condições para que isso ocorra?
A 1ª Revolução Industrial ocorreu em um setor que
hoje todos dominam, o setor têxtil. Mas a expansão econômica
da Inglaterra dependeu do fornecimento de matéria-prima (algodão)
oriunda de sua colônia, os Estados Unidos. Esse poderia ser apenas
mais um caso de exploração metrópole-colônia,
não fosse por um aspecto abordado por Celso Furtado: os recursos
obtidos pelos norte-americanos foram utilizados para diversificar a cadeia
produtiva, estimulando a indústria nacional e o empreendedorismo.
Isso só foi possível porque os ingleses que se dirigiram
para lá estavam fugindo de perseguição política
ou religiosa e, principalmente, dependiam das condições locais
para sobreviver, que não se resumiam ao acesso às terras,
mas também das melhores técnicas produtivas e do respeito
às regras do jogo, ao ambiente institucional. A conjunção
desses elementos permitiu que os norte-americanos criassem uma base produtiva
com elevado potencial, que se realizaria no século seguinte.
O tempo passou e, se hoje os norte-americanos ocupam o lugar da Inglaterra,
quem desempenha o papel de fornecedor para eles? Poderíamos dizer
que, em uma economia mais globalizada, não existe essas distinção,
mas o fato é que a China se transformou nesse fornecedor. As técnicas
empregadas são mais avançadas, bem como os produtos. Porém,
o que explica o avanço chinês? Não é apenas
a mão de obra barata ou zonas especiais de exportação.
A verdade é que o ambiente institucional que está sendo construído
no gigante amarelo tem importante função, a de usar a capacidade
inovativa dos outros para reforçar as vantagens locais. Novamente,
ter a posição mais fraca não significa perder no longo
prazo, desde que as políticas internas estimulem a produção.
No caso da América Latina, temos dois exemplos. A descoberta
do pré-sal abriu um novo horizonte para o Brasil, que se transformaria
em um player global no fornecimento de petróleo. Com as receitas
obtidas, o país passaria por uma gigantesca revolução
social e tecnológica. Esse projeto continua viável, mas os
acontecimentos dos últimos meses lançam dúvidas (mais
uma vez) sobre a capacidade do Estado em gerenciar esse empreendimento.
A demora em estabelecer o novo padrão de exploração
está afetando a posição da Petrobras e deixando seus
acionistas apreensivos. E mais: como se darão as mudanças
na área social? Ter reservas abundantes não é garantia
de sucesso, como nos comprova o caso da Bolívia. O país vizinho
foi agraciado com gigantescas reservas de gás e lítio, mas
nem por isso é um exemplo a ser seguido. Para piorar, existe uma
mistura de populismo e desrespeito contratual, o que afasta investimentos
de longo prazo. Sem eles, sem segurança institucional e baixa capacidade
tecnológica, não há por que esperarmos que a prosperidade
alcance país tão pobre.
Finalmente, no Afeganistão, na Ásia, país conturbado
por uma ocupação dos EUA e aliados, as reservas encontradas
de lítio são iguais ou superiores às da Bolívia,
sendo avaliadas em mais de US$ 1 trilhão. E não é
só a descoberta em si que poderia melhorar o país. As inovações
na indústria têm usado cada vez mais esse material, o que
implica potencializar o desenvolvimento. Quem se arrisca a investir em
um país com todos os tipos de risco? Existe ambiente de liberdade
econômica e política? (Flávio Constantino - Estado
de Minas)
30.06 - Chega de despesa
Nas sociedades constitucionalmente organizadas, nenhum dos Poderes
pode propor aumento de despesa (em particular aumentos salariais) sem uma
coordenação preliminar com o Poder Executivo.
Mais do que isso, nenhum Congresso ou Parlamento pode aprovar aumento
de despesa permanente sem estabelecer fontes também permanentes
de seu financiamento.
A necessária independência e harmonia entre os Poderes
não pode ser justificativa plausível para que o Legislativo
ou uma coalizão do Legislativo e Judiciário proponha livremente
seus salários. A cada quatro anos, com a proximidade do processo
eleitoral, o Legislativo costuma ser atacado por uma febre "social" para
competir com o espírito natalino do manhoso Executivo.
O fato lamentável é que tais desatinos fiscais se fazem
à base de "truques interpretativos" que ilidem as disposições
da Constituição de 1988 e a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Nossa situação ainda está sob controle, mas é
cada vez mais evidente que lentamente se acumulam compromissos de despesas
permanentes cujo pagamento depende do crescimento permanente da receita,
o que não pode ser garantido. Trata-se de uma imprudência
que põe em risco a própria estabilidade econômica.
Um exemplo claro dessa ameaça é o desequilíbrio
da Previdência Social, que o Executivo não tem tido disposição
para enfrentar e o Legislativo tem feito todo o possível para aumentar.
A lei que regula a previdência do setor público e pode
abrir caminho para uma solução a partir de quando for posta
em prática dorme há anos no Congresso em companhia da lei
que regula o direito de greve do setor público. Ambas, propostas
pelo Executivo, foram abandonadas na "roda" do Congresso como crianças
indesejadas...
Recuperamos o crescimento a partir de 2006 com o PAC e desde 2003 fomos
beneficiados pelo "bônus" da expansão mundial. Sem maior esforço
exportador, passamos de país devedor para país credor e acumulamos
US$ 250 bilhões em reservas. Isso aliviou as pressões, deu
algum conforto ao governo e permitiu-lhe enfrentar com relativo sucesso
a crise mundial.
Estamos hoje bem preparados para um crescimento anual da ordem de 5%
a 6% sem problemas internos ou externos. É hora, portanto, de formular
um programa que enfrente com inteligência e determinação
aqueles problemas. Basta que ele implique num crescimento menor (do que
o do PIB) das despesas de custeio e assistência social.
Estas, mesmo ampliadas, deixarão um "excedente" para ser utilizado
nos investimentos de infraestrutura que seja capaz de garantir aquelas
taxas de crescimento. (ANTONIO DELFIM NETTO - Folha de S.Paulo)
29.06 - Fitch revisa perspectiva do Brasil para positiva
Revisão reflete a resiliência e o desempenho econômico
melhores que o esperado diante da recessão global
A agência de classificação Fitch elevou a perspectiva
do rating do Brasil de estável para positiva e reafirmou o rating
de probabilidade de inadimplência do emissor (IDRs, na sigla em inglês)
para moeda local e estrangeira de longo prazo do Brasil em BBB-. A agência
também confirmou o IDR de curto prazo do Brasil em F3 e o teto do
rating do país em BBB.
A revisão da perspectiva reflete a resiliência e o desempenho
econômico do Brasil em meio à recessão global, considerados
melhores do que o esperado. Estes fatores, somados a políticas econômicas
relativamente prudentes, devem permitir que a renda per capita e as taxa
de solvência fiscal do país aumentem constantemente durante
o período previsto. A Fitch não espera uma mudança
significativa na direção das políticas econômicas
após as eleições presidenciais de outubro.
Um sistema de política macroeconômica prudente, suportado
pelos regimes de meta inflacionária e taxa de câmbio flexível,
uma balança comercial externa forte, um setor financeiro saudável
e um consenso sobre a direção das principais políticas
econômicas entre os grandes partidos políticos sustentam a
classificação de investimento do Brasil. Estes fatores compensam
suficientemente fragilidades de crédito do Brasil, como as finanças
públicas estruturalmente fracas e o pesado déficit público,
e as baixas taxas de poupança e de investimento que impedem um crescimento
maior. (Ligia Sanchez - Agência Estado)
29.06 - Estimativa da inflação oficial este ano cai para
5,55%
Analistas do mercado financeiro consultados pelo Banco Central reduziram
a projeção para o Índice de Preços ao Consumidor
Amplo (IPCA) neste ano de 5,61% para 5,55%. A informação
consta do boletim Focus, divulgado todas as segundas-feiras pelo BC. Para
2011, a estimativa permanece em 4,80%.
As estimativas para o IPCA estão acima do centro da meta de
inflação de 4,5%. Essa meta tem margem de 2 pontos percentuais
para mais ou para menos. Cabe ao BC perseguir a meta de inflação
e, para isso, usa a taxa básica de juros, a Selic, como instrumento
de controle. A expectativa dos analistas do mercado financeiro para a Selic
ao final de 2010 foi mantida em 12% ao ano. Para 2011, permanece em 11,75%
ao ano. Atualmente a Selic está em 10,25% ao ano.
O boletim Focus também traz estimativas para o Índice
Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI). A projeção
para esse índice neste ano oscilou de 9,08% para 9,05%. Para o Índice
Geral de Preços de Mercado (IGP-M), a estimativa foi ajustada de
9,07% para 9,08%, em 2010. No próximo ano, os analistas esperam
que esses índices fique em 5%.
A projeção para o Índice de Preços ao Consumidor
da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe)
passou de 5,30% para 5,29%, neste ano. Para 2011, permanece em 4,5%.
A expectativa dos analistas para a alta dos preços administrados
ficou em 3,60%, em 2010, e em 4,80%, em 2011. Os preços administrados
são aqueles cobrados por serviços monitorados, como combustíveis,
energia elétrica, telefonia, medicamentos, água, educação,
saneamento, transporte urbano coletivo, entre outros.
(Agência Brasil/Jornal Monitor Mercantil)
29.06 - Mercado prevê crescimento de 7,13% para o PIB em 2010
Os economistas do mercado financeiro elevaram pela 15ª semana
consecutiva a previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2010.
Segundo o relatório Focus, divulgado ontem pelo Banco Central, o
PIB brasileiro deve crescer 7,13% ante estimativas de 7,06% na última
divulgação. Para 2011, a previsão permanece inalterada
em 4,50%.
Ao mesmo tempo, o mercado financeiro também reduziu, na semana
passada, a previsão para o IPCA (Índice Nacional de Preços
ao Consumidor) deste ano de 5,61% para 5,55%. Para 2011, a previsão
do mercado ficou inalterada em 4,80%.
A previsão do mercado financeiro para a produção
industrial também foi elevada, passando de crescimento de 11,32%
na última divulgação para 11,94%. Para 2011, a estimativa
permaneceu inalterada em 5,00%.
Os analistas do mercado financeiro apostam que os juros continuarão
avançando no resto deste ano. Para julho, a previsão continuou
sendo de um novo aumento de 0,75 ponto percentual, o que elevaria a taxa
básica dos atuais 10,25% para 11% ao ano. Até o fim deste
ano, o mercado acredita que os juros subirão mais ainda, para 12%
ao ano. Para o fim de 2011, a estimativa dos analistas do mercado permaneceu
em 11,75% ao ano. (Executios Financeiros)
28.06 - FMI publica '10 mandamentos' da redução do déficit
Dois altos funcionários do Fundo Monetário Internacional
(FMI) publicaram nesta quinta-feira os "dez mandamentos" para as políticas
de redução dos déficits nos países desenvolvidos.
"As economias avançadas enfrentam um desafio: instaurar estratégias
de ajuste orçamentário sem prejudicar a recuperação
econômica ainda frágil", escreveram Olivier Blanchard, economista
chefe do Fundo, e Carlo Cottarelli, diretor do departamento de Assuntos
Orçamentários do FMI.
O primeiro mandamento é a necessidade de se ter "um plano orçamentário
confiável a médio prazo, com um ponto de ancoragem visível".
O segundo mandamento é avançar gradualmente, a menos
que não haja outra possibilidade que dar um grande golpe para conservar
o acesso aos mercados para seu financiamento.
O terceiro é ter por objetivo uma redução da relação
dívida-PIB; e o quarto mandamento passa pela redução
dos gastos dos Estados.
O quinto mandamento prevê a adoção de reformas
nos sistemas de aposentadoria e assistência médica "porque
a atual tendência é inviável"; e o sexto determina
que para ser viável a tempo, o ajuste fiscal deve ser equitativo"
e garantir a manutenção dos serviços sociais "adequados".
O sétimo e o oitavo mandamentos determinam "grandes reformas
para estimular o crescimento", e "modificar as instituições
financeiras".
Os dois últimos exigem a coordenação entre a política
monetária e a política orçamentária; e entre
os diferentes Estados. (AFP/Yahoo Brasil)
28.06 - Cresce fatia estrangeira nos títulos da dívida
Participação de estrangeiros bateu recorde em maio e
atingiu 8,95% do total de R$ 1,52 trilhão do estoque da dívida
interna brasileira
Mesmo com o cenário externo de maior aversão ao risco
depois do agravamento da crise europeia, os investidores estrangeiros aumentaram
o apetite pelos títulos do Tesouro Nacional. A participação
de estrangeiros bateu recorde em maio e atingiu 8,95% do total de R$ 1,52
trilhão do estoque da dívida interna em títulos públicos.
Isso equivale a R$ 133,4 bilhões. Em abril, a participação
era de 8,63%.
O coordenador de Planejamento Estratégico da Dívida Pública,
Otavio Ladeira de Medeiros, informou que tem aumentado o interesse de investidores
estrangeiros institucionais, como fundos soberanos e de pensão,
pelos títulos da dívida interna brasileira. Sem dar nomes,
ele contou que um Fundo Soberano bastante conservador, que só aplicava
os seus recursos em países com duas notas acima do grau de investimento
inicial, flexibilizou as suas regras para aplicar no Brasil. "Foi uma clara
demonstração do interesse nos papéis brasileiros",
avaliou Medeiros.
A rentabilidade elevada dos papéis brasileiros, devido aos juros
altos no Brasil, é um dos fatores que atraem os investidores. Mas,
no passado, mesmo com um cenário de juros altos, não havia
o mesmo interesse dos investidores estrangeiros pelos títulos brasileiros.
Para o coordenador de Operações da Dívida Pública,
Fernando Garrido, o leque maior de investidores mostra a confiança
na economia brasileira e na solidez dos fundamentos econômicos, o
que foi reforçado com o grau de investimento concedido ao Brasil
pelas três maiores agências de classificação
de risco. Segundo ele, a tendência é de um aumento da participação
dos estrangeiros no total da dívida.
Volatilidade. "Em momentos de incerteza e volatilidade, só o
juro não é suficiente para segurar o investidor. Alguns indicadores
de solidez são necessários", reforçou o coordenador-geral
de Controle da Dívida Pública, Antonio de Pádua Passos.
O que faz justamente a diferença, segundo ele, é o fato desses
investidores serem institucionais e terem maior apetite por títulos
de longo prazo. Por isso, o Tesouro não vê como problema o
fato de o déficit na conta corrente do balanço de pagamentos
do Brasil com o exterior depender hoje dos chamados investimentos de portifólio
(renda fixa e ações) para ser financiado.
A participação dos estrangeiros no total do estoque da
dívida sofreu uma queda durante a crise financeira internacional,
iniciada nos Estados Unidos, mas recuperou os níveis pré-crise
no final do ano passado. Segundo Garrido, o Brasil é o País
emergente que sofreu menos com a perda de investimentos em títulos
públicos e um dos poucos que recuperou e ultrapassou os investimentos
de antes da crise.
Estoque. Os dados divulgados ontem pelo Tesouro mostram que a dívida
pública interna em títulos subiu R$ 26,6 bilhões em
maio, um aumento de 1,79% em relação ao estoque de abril.
O crescimento refletiu não só o impacto de R$ 15 bilhões
da correção dos juros que incidem no estoque da divida, mas
também a emissão líquida (o quanto o governo emitiu
a mais do que resgatou dos papéis que estavam vencendo) de R$ 11,63
bilhões. Parte dessa emissão de papéis ? R$ 5,8 bilhões
? foi feita para o Tesouro emprestar a segunda parcela do empréstimo
de R$ 80 bilhões ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES). A primeira parcela ? de R$ 74,2 bilhões impactou
o estoque da dívida em abril.
A dívida pública externa subiu em maio 2,92%, alcançando
R$ 94,85 bilhões. A dívida pública federal, que inclui
a interna e externa, deu um salto de R$ 29,3 bilhões entre abril
e maio, chegando a R$ 1,61 trilhão. (Adriana Fernandes, Renata
Veríssimo - O Estado de S.Paulo)
28.06 - Expansão do crédito deve ser monitorada
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, avisou quinta-feira
que a autoridade monetária "não é e não será
complacente" com os riscos que podem derivar da alta do crédito
no país, que atingiu o estoque recorde de R$ 1,5 trilhão.
Meirelles chegou à Suíça para reuniões
com outros banqueiros centrais, e em entrevista a jornalistas brasileiros
sua sinalização não foi a de que o BC vai controlar
a expansão do crédito, e sim "o risco prudencial, de perda
de créditos e crise sistêmica" que pode ocorrer com essa alta.
"O importante não é olhar somente a taxa de expansão
[do crédito], e sim olhar o risco do sistema", disse. "Do ponto
de vista geral, isso faz parte da regulação. Até agora,
o histórico do desempenho do sistema financeiro brasileiro tem sido
extremamente bem-sucedido em evitar crises de crédito, mesmo durante
a crise de 2008".
Para ele, a forte expansão de crédito não é
de agora, mas data de 2003, saindo de uma base muito baixa, equivalente
a 22% do PIB, e passou a quase 46% no rastro da estabilidade econômica.
"Economia mais estável permite maior expansão do crédito.
É responsabilidade do BC de fazer com que essa expansão do
crédito se dê em base segura".
Disse que o BC tem tomado uma série de medidas, "continua fazendo
o seu trabalho e este não se interrompe. A qualquer momento surgem
sempre (...) é um processo contínuo de aperfeiçoamento",
chamando atenção para a importância de controle dos
riscos.
Vários economistas na Europa se inquietam com o baixo nível
das taxas de juros nos países desenvolvidos e seu impacto nas economias
emergentes em forte crescimento. Com a diferença de taxas de juros,
enorme fluxo de capitais toma o rumo dos emergentes, valorizando a moeda,
encorajando a expansão de crédito e as bolhas de preços
de ativos. Quando as diferenças nas taxas se normalizam, desestabilizam
as economias emergentes com a inversão dos fluxos de capitais.
Indagado sobre a questão, Meirelles declarou-se "sempre preocupado"
com a hipótese de criação de bolhas, decorrente do
forte fluxo de dinheiro externo, mas deixou claro que "no momento" o Banco
Central não está considerando medida como controle de capital.
Ele argumentou que "temos um instrumento muito eficaz que é
a compra de reservas, e temos ainda espaço para isso".
Para o presidente do BC, as bolhas "mais perigosas são aquelas
que são alavancadas pelo sistema financeiro doméstico, como
mostraram diversos países".
Defende nesse sentido uma regulação prudencial rigorosa
e considera que o BC brasileiro tem atuado de "forma rigorosa evitando
que qualquer entrada de capital alavanque o sistema como um todo, que é
o que é perigoso".
Segundo Meirelles, entrada de capital no caso do Brasil fica restrita
a determinados tipos de ativo. Isso não alavanca o crédito
do sistema como um todo, porque está sujeito a normas prudenciais
de controle do BC de risco e de alavancagem e de alocação
de capital.
"Existem riscos específicos, mas que aí tem toda uma
série de mecanismos que são macroprudenciais", reiterando
com a compra de reservas. Ou seja, se existe uma entrada maior de capital,
o BC adquire esse excesso. "Aliás, neste ano o BC já comprou
mais que a entrada líquida de capitais no país", disse.
"Não há até o momento uma entrada muito maior
de renda fixa. Por enquanto, a entrada está muito vinculada não
à taxa de juros, mas ao crescimento do país". Ele atribuiu
a queda recente de investimento direto estrangeiro ao "problema europeu".
(Assis Moreira, de Lucerna - Valor Online)
25.06 - Seguros movimenta 3,4% do PIB brasileiro em 2009
Composto por 115 seguradoras, o mercado nacional de seguros movimentou
mais de R$ 107 bilhões em 2009, número que corresponde a
3,4% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Cerca de 50% deste total
retornou à sociedade em indenizações de seguros gerais,
cifra que coloca o Brasil na 17ª posição mundial deste
segmento. No caso dos seguros relacionados à saúde humana,
83% do valor arrecadado voltou para a sociedade.
"Esses números são reflexos da retomada da economia mundial,
mas também mostram claramente que a sociedade está cada vez
mais consciente do papel positivo que os seguros têm. Eles são
o que nós chamamos de bem necessário", analisa o presidente
do Sindicato das Seguradoras do Estado de São Paulo (Sindseg SP),
Mauro Batista.
As modalidades de seguros são cada vez mais compreendidas como
instrumentos de proteção e reparação indispensáveis.
A implantação do seguro na sociedade está relacionada
com o mutualismo (interação que traz benefício para
ambas as partes envolvidas) e previdência (capacidade de manter reserva).
"As carteiras estão se diversificando para atender as novas
necessidades das pessoas, e neste aspecto os seguros praticados em outros
mercados servem de modelo", comenta Mauro Batista. (Agência
IN)
25.06 - Investidores do Brasil
O Brasil vem silenciosamente ampliando o seu papel internacional nos
últimos anos, e não apenas no plano diplomático. Grandes
empresas brasileiras adquiriram significativos ativos no exterior, o que
está fazendo delas importantes agentes no mundo em mutação
do capitalismo internacional.
No passado, muitos observadores se preocupavam com a possibilidade
de que os fundos de investimento "soberanos", ou seja, os vastos ativos
em dólares acumulados por países como Cingapura, China e
os emirados ricos em petróleo do Oriente Médio e do golfo
Pérsico, usassem sua riqueza para assumir o controle de empresas
norte-americanas e europeias.
Mas o desafio que eles ofereciam foi exagerado demais na época
e, desde que surgiu a crise econômica mundial, em larga medida ficou
para trás. Em lugar disso, as aquisições vêm
sendo lideradas pelo setor privado brasileiro. O processo começou
com a fusão da Brahma com a Antarctica, em 1999, que criou uma grande
fabricante de cerveja sul-americana chamada AmBev.
Em 2004, a AmBev se fundiu com a companhia belga Interbrew, fabricante
das cervejas Stella Artois e Beck's, e, em 2008, adquiriu a Anheuser-Busch,
norte-americana que produz a Budweiser. Hoje tem participação
de 25% no mercado mundial de cerveja.
Recentemente, a Marfrig Alimentos, de São Paulo, uma das maiores
produtoras brasileiras de carne bovina, adquiriu a Keystone Foods, criando
uma multinacional de US$ 16 bilhões. Sediada na Pensilvânia,
a Keystone abastece empresas como McDonald's, Subway Restaurants e Campbell
Soups com nuggets de frango, hambúrgueres e outros produtos de carne
e tem presença em 13 países, da França à Austrália.
Ironicamente, Glenn Beck, o comentarista televisivo ferozmente direitista
do Fox News Channel, vem liderando uma campanha contra o presidente Obama
pela suposta conivência deste com George Soros e seu fundo de hedge
em um investimento na Petrobras. A Fact Check.org, uma organização
independente de verificação, afirma que a alegação
constitui exagero. Soros de fato tem investimentos na Petrobras, mas isso
aparentemente nada tem a ver com Barack Obama.
Com o desastre que continua a se desenrolar no golfo do México,
porém, o assunto oferece alvo tentador demais.
A mais recente pesquisa de opinião pública do "New York
Times" mostra que 47% dos entrevistados desaprovam a forma pela qual Obama
está conduzindo a questão do vazamento de petróleo.
E 50% deles estão "razoavelmente confiantes ou muito confiantes"
em que a BP indenizará justamente os prejudicados. (KENNETH
MAXWELL, tradução de PAULO MIGLIACCI.- Folha de S.Paulo)
25.06 - Atividade econômica cresceu 10,68% em abril
A atividade econômica brasileira teve expansão de 10,86%
em abril, na comparação om igual período de 2009.
É que mostra o Índice de Atividade Econômica do Banco
Central (IBC-Br), divulgado hoje.
Em relação a março, o aumento foi de 0,27%. Segundo
os dados do BC, esse índice vem subindo há 17 meses seguidos.
No primeiro quadrimestre deste ano, em comparação com
o mesmo período de 2009, o crescimento da atividade econômica
foi de 10,5%.
O IBC-Br é uma forma de avaliar a evolução da
atividade econômica e contribui para a decisão do Banco Central
sobre a taxa básica de juros, a Selic. Quando a instituição
considera que a economia está aquecida e a trajetória e expectativa
da inflação são de alta, a Selic é elevada,
como ocorreu em abril e neste mês. Atualmente, a Selic está
em 10,25% ao ano.
O diretor de Política Econômica do Banco Central, Hamilton
Vasconcelos, explicou, no dia 19 de maio, que o IBC-Br incorpora e sintetiza
informações já conhecidas sobre atividades dos setores
da economia, como indústria, agropecuária e serviços,
dados usados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) para calcular o Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens
e serviços produzidos no país.
O IBGE informou no último dia 8 que a economia brasileira cresceu
9% no primeiro trimestre deste ano em relação a igual período
de 2009, a maior alta da série histórica nesse tipo de comparação.
(Agência Brasil/Jornal Monitor Mercantil)
24.06 - CMN define meta de inflação para 2012 em 4,5%
Conselho também confirmou a manutenção da TJLP
em 6% para o 3º tri deste ano
O Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu fixar em 4,5% o
centro da meta de inflação para 2012. Segundo o secretário-adjunto
de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Gilson
Bittencourt, a margem de variação da meta de inflação
de 2012 é de 2 ponto porcentuais para cima ou para baixo. O CMN
também confirmou em 4,5% o centro da meta de inflação
para 2011.
O secretário-adjunto de Política Econômica do Ministério
da Fazenda, Gilson Bittencourt, explicou que o CMN entendeu que, embora
a inflação deste ano esteja um pouco acima do centro da meta,
a tendência é de baixa e, por isso, ela deve convergir até
o final do ano.
"O Conselho Monetário Nacional entendeu que daria para manter
a meta de inflação (2012) no mesmo patamar atual", afirmou
o secretário. Segundo ele a decisão foi tomada com o foco
na inflação. O secretário evitou fazer uma avaliação
mais ampla, considerando o ritmo de crescimento econômico. Bittencourt
informou também que o CMN confirmou o centro da meta de inflação
para 2011 em 4,5%, com uma variação de 2 pontos porcentuais
para baixo ou para cima.
TJLP
O CMN decidiu ainda manter em 6% ao ano a Taxa de Juros de Longo Prazo
(TJLP) para o terceiro trimestre deste ano. Bittencour, explicou que o
CMN considerou a meta de inflação de 4,5% e o risco País
de 150 pontos para manter em 6% a Taxa de Juros de Longo Prazo durante
o terceiro trimestre de 2010.
"Por ser uma taxa de longo prazo, não consideramos apenas a
expectativa do momento", disse o secretário. Segundo ele, o risco
País é um mix da média dos últimos meses, com
a expectativa futura. Ele disse também que para fixar a TJLP o governo
trabalha com o horizonte de um a 10 anos, que corresponde ao período
da maior parte dos financiamentos do BNDES. A TJLP é a taxa utilizada
pelo BNDES para corrigir os financiamentos do banco e é fixada a
cada três meses pelo CNM. (Leonardo Goy e Renata Veríssimo
- Agência Estado)
24.06 - Mantega nega que economia esteja superaquecida
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, voltou a avaliar ontem que o
ritmo de crescimento econômico do Brasil desacelerou. "Não
há superaquecimento, temos um aquecimento saudável", afirmou,
em rápida entrevista ao deixar a sede do Ministério da Fazenda,
em Brasília. Ele destacou que a economia já reduziu o ritmo
de expansão verificado no primeiro trimestre de 2010. "No segundo
trimestre, já teremos um ritmo bem menor de crescimento, de 1%,
1% e pouco, contra 2,7% no primeiro trimestre", avaliou. O ministro disse
que a economia brasileira caminha para um ritmo sustentado de crescimento,
em torno de 6% a 6,5% ao ano.
O ministro destacou a queda nos preços dos alimentos, que têm
puxado para baixo os índices de inflação, conforme
o IPCA-15 divulgado hoje. "O índice vem caindo em relação
aos meses anteriores, portanto, o que estamos vendo é uma queda
dos preços dos alimentos que está puxando a inflação
para baixo, o que já era esperado", disse o ministro, em rápida
entrevista ao deixar o Ministério da Fazenda. "Não é
nenhuma novidade que tenhamos superado o choque de oferta de alimentos
por causa das chuvas de início do ano", completou. (Renata
Veríssimo e Célia Froufe - Agência Estado)
24.06 - Brasil é próxima potência mundial
O americano Sam Zell, do grupo Equity International, está no
país até amanhã em busca de novos negócios
"Prefiro investir em um país quente", diz Zell, que já
tem participações em brasileiras como Gafisa e BR Malls
O bilionário americano Sam Zell, 68, está no Brasil,
hoje e amanhã, para expandir os investimentos do grupo Equity International
no país que considera a próxima "potência mundial".
"O quanto vamos investir depende das oportunidades. Até hoje,
nenhuma foi maior do que o nosso apetite por capital", afirmou Zell à
Folha, por telefone, de Chicago.
O grupo de private equity já tem participações
em cinco empresas brasileiras, entre elas a Gafisa e a BR Malls, que tem
atualmente 35 shoppings em seu portfólio.
Entusiasta do Brasil, Zell atribui ao presidente Luiz Inácio
Lula da Silva o reconhecimento do país como "uma das oportunidades
mais atraentes do mundo".
O empresário americano minimiza o risco de superaquecimento
da economia brasileira. "O país vai muito bem. Prefiro investir
em um país quente demais a investir em um país frio", diz.
"Começamos a estudar o Brasil há quase 12 anos. Desde
então, houve o reconhecimento [no exterior] da estabilidade fiscal
do país", elogia.
""O Brasil elevou as taxas de juros antes de outros países,
evitando a hiperinflação que o infestou no passado."
Para o americano, "o Brasil sempre foi reconhecido como tendo enormes
recursos e oportunidades, mas, no passado, não soube tirar vantagem
disso".
""Nos últimos oito, nove anos, tem havido um novo nível
de disciplina, fazendo dele uma das oportunidades mais atraentes no mundo.
O presidente Lula focou no crescimento enquanto manteve a disciplina fiscal,
para evitar a hiperinflação."
Zell diz achar que, hoje, ""há menos obstáculos para
investir no país". "O Brasil está se transformando de um
país em desenvolvimento em um país desenvolvido."
A eleição tampouco o preocupa -os dois principais candidatos
à Presidência, diz, manterão a política econômica
atual.
CONSELHOS
Ele dá dois conselhos para que o país continue no caminho
para se tornar uma potência com liderança mundial: ""Manter
a disciplina fiscal e continuar a desenvolver os seus recursos e a construir
infraestrutura, facilitando os investimentos".
Apesar de o principal foco da sua empresa ser no setor imobiliário,
Zell afirma não descartar nenhuma área. Mas, ao final da
entrevista, o empresário responde com um rápido ""não"
quando questionado se investiria na mídia brasileira.
Uma das grandes polêmicas que assombram sua carreira é
a aquisição da Tribune Company, em 2007. No ano seguinte,
o grupo, que publica o ""Los Angeles Times" e o ""Chicago Tribune", entre
outros veículos, pediu falência.
Com o processo ainda em andamento, Zell recusa-se a comentar o assunto.
Questionado se se arrepende de ter investido em mídia nos EUA, diz
apenas: ""Não tenho arrependimento nenhum". (CRISTINA
FIBE - Folha de S.Paulo)
23.06 - Capital para crescer
O especialista em "private equity" Hugh MacArthur explica que para
o investidor obter sucesso em um negócio é preciso ter um
escritório no país em que pretende investir. É importante
conhecer o mercado financeiro local, o governo, as leis e a regulamentação.
"A interseção desses itens permite que sejam feitas transações
bem-sucedidas de "private equity'", diz MacArthur, sócio do escritório
de Boston (EUA) da Bain & Company e responsável pela prática
global de "private equity" da consultoria.
"O "private equity" no Brasil vai ser um forte mercado nos próximos
cinco anos."
Em pesquisa feita pela consultoria, o Brasil foi apontado como um dos
principais mercados emergentes para realizar investimentos. "O Brasil ficou
em terceiro lugar nas intenções dos investidores, atrás
de China e Índia." (Maria Cristina Frias - Folha de S.Paulo)
23.06 - Mercado mantém previsão de inflação
O relatório Focus do Banco Central, divulgado na segunda-feira,
mostra que o mercado brasileiro manteve as perspectivas para a inflação
neste e no próximo ano, mas passou a projetar crescimento de mais
de 7% em 2010 e Selic a 12%.
O IPCA se manteve com previsão de alta em 2010, continuando
em 5,61%. Para o ano que vem, o mercado manteve a projeção
de 4,80%, um pouco acima do centro da meta atual de 4,50%. A previsão
para a inflação em 12 meses subiu para 4,83%, em ante 4,76%
na semana passada.
Já com relação aos juros, no relatório
anterior, a estimativa para a taxa de juro Selic era de 11,75%, mas foi
elevada para 12% para este ano. Como o mercado manteve as estimativas para
2011, ele agora prevê uma ligeira diminuição da taxa
no ano que vem, para 11,75% no final do período.
A Selic em julho, segundo estimativas, continua em 11%, projetando
novo aumento de 0,75 ponto percentual na próxima reunião
do Comitê de Política Monetária (Copom).
Para o Produto Interno Bruto (PIB)de acordo com previsões, em
2010 alcançou 7,06%, diante 6,99% na semana anterior. Para 2011,
a projeção se manteve em 4,50%. No primeiro trimestre, o
Brasil cresceu 2,7% comparado ao último trimestre de 2009 e 9,0%
em relação a igual período de 2009.
No comércio exterior o cenário é de expectativa
positiva, com o superávit da balança comercial, que neste
ano foi elevado a US$ 15,10 bilhões, contra US$15 bilhões
no relatório anterior. Para 2011, a estimativa é que caia
ao patamar de US$ 6 bilhões, ante US$ 6,23 bilhões previstos
na semana passada.
A expectativa para o câmbio permaneceu em R$1,80 para este ano
e para 2011 espera-se elevação de R$1,86 para R$ 1,89.
(Executivos Financeiros)
23.06 - Mercado prevê aperto maior para taxa de juros
Após ata do Copom, analistas estimam Selic em 12% no fim do
ano
A avaliação firme e preocupada do Banco Central (BC)
sobre o comportamento da inflação, por meio da ata da última
reunião do Comitê de Política Monetária (Copom),
levou o mercado financeiro a piorar sua projeção para a taxa
básica de juros Selic. Apesar de terem reduzido ligeiramente a previsão
para a inflação, a média dos analistas passou a acreditar
num aperto maior dos juros, apostando que eles terminarão 2010 a
12% ao ano, acima dos 11,75% que predominaram nas últimas sete semanas.
Os dados estão no boletim semanal Focus do BC. Hoje, os juros
estão em 10,25% ao ano. O mercado prevê ainda que a inflação
pelo IPCA ficará em 5,61% neste ano, abaixo dos 5,64% do levantamento
anterior, mas longe do centro da meta do governo, de 4,5%. A previsão
é que a economia brasileira vai crescer 7,06% este ano, contra 6,99%
na semana passada. (Patrícia Duarte - O Globo)
22.06 - Multipatrocinado avança com juro menor
O aumento da demanda por fundos multipatrocinados se deve, sobretudo,
ao maior desafio de elevar a rentabilidade em um cenário de queda
da taxa de juros. Os fundos podem aumentar a rentabilidade se expondo mais
ao risco ou reduzindo suas despesas administrativas. É aqui que
entram os fundos multi patrocinados, explica Jair de Almeida Lacerda Júnior,
diretor executivo do MultiPensions Bradesco e da Bradesco Vida e Previdência.
Atualmente, o MultiPensions Bradesco administra os planos de 22 entidades
com um patrimônio de R$ 850 milhões. Outras duas entidades
estão em análise na Superintendência Nacional de Previdência
Complementar (Previc) - que somariam patrimônio de R$ 1,2 bilhão.
Acredito que a maior demanda virá de empresas que possuem fundos
próprios e que migrarão para fundos multi patrocinados, seja
por conta da redução dos juros, seja por medo de se expor
mais ao risco, completa o executivo.
Mas o crescimento não virá só de fundos de pensão
já constituídos. Novos entrantes também devem engordar
as carteiras dos multi patrocinados. Independente do patrimônio acumulado
pelo fundo de pensão, o custo fixo é o mesmo. Em uma empresa
que parte do zero, os custos são arcados por ela. Então compensa
você iniciar um fundo de pensão com um multi patrocinado,
ressalta o diretor executivo do MultiPensions Bradesco.
Robustez
O maior fundo de pensão multi patrocinado, do HSBC, também
registra crescimento consistente no número de novas patrocinadoras.Registramos,
em média, 10 entrantes por ano, sendo sete já constituídos
e três estreantes. Mas essa proporção já foi
diferente. Em 2002, para cada 10 entrantes, oito eram novos e dois já
possuíam fundos próprios, explica Rogério Aguirre,
diretor da HSBC Seguros.
O fundo multi patrocinado do HSBC administra os recursos de 209 entidades
fechadas de previdência complementar, que somam R$ 4,5 bilhões
em patrimônio. Desse total, entre 60% e 65% estão alocados
em um perfil moderado (até 20% em renda variável), e menos
de 10% está no perfil agressivo, sendo, principalmente, empresas
com participantes jovens, que trabalham no setor de tecnologia. Somos grandes
porque também somos o fundo multi patrocinado privado mais antigo
do país, conta.
O executivo entende que o fundo multi patrocinado é a incubadora
de novos fundos de pensão. Você tem ganho de escala no retorno
dos investimentos, bem como pulverização dos custos, diz
Aguirre.
Para agilizar o A entidade fechada de previdência complementar
também pode optar por um portfólio exclusivo. Porém,
indicamos essa opção para empresas que já possuam
um volume de recursos acumulados, completa o diretor da HBSC Seguros.
(Brasil Econômico/Segs)
22.06 - Crises e a boa governança
Em todo o mundo, mesmo as democracias mais avançadas têm
dificuldades em encontrar soluções para os problemas cada
vez mais complexos da sociedade contemporânea. Somem-se a isso as
crises sucessivas pelas quais a economia mundial está passando,
nem mesmo nos recuperamos da advinda da economia norte-americana e a recente
débâcle da economia grega lembra-nos que devemos estar sempre
alerta às intempéries econômicas. Se as crises do capitalismo
são inevitáveis, os agentes econômicos e, em maior
medida, o poder público, devem criar mecanismos de proteção
visando a mitigar os seus danosos efeitos. Qual seria o principal desses
mecanismos? Para combater esses males, a solução passa pela
implantação da boa governança, que visa a atuar preventivamente
e a disciplinar o exercício de poder decisório nas empresas
e, com muito mais razão, no setor público. A adoção,
hoje, das melhores práticas de governança é que dá
legitimidade à escolha do modelo de gestão, dos princípios
e dos valores das instituições.
Uma vez instalada, a boa governança, que não é
mais privilégio só das empresas privadas, constitui-se no
melhor instrumento a debelar os efeitos causados pelas crises econômicas.
Segundo o Banco Mundial, “a governança é a maneira pela qual
o poder é exercido no efetivo gerenciamento dos recursos sociais
e econômicos de um país”. Coube ao Instituto Brasileiro de
Governança Corporativa (IBGC) a edição do festejado
Código das melhores práticas de governança corporativa,
que é hoje uma referência para todas as empresas que se pretendam
modernas e que queiram atuar de forma consentânea com as aspirações
da sociedade, com responsabilidade e compromisso social. Está disponível
em http: //www.ibgc.org.br/CodigoMelhoresPraticas.aspx).
A governança corporativa, tema que precisa ser cada vez mais
difundido entre nós, consiste em um sistema de gestão das
sociedades no qual se privilegiam, de um lado, a probidade e a transparência
e, de outro, a ampliação e a compatibilização
dos direitos daqueles que se relacionam com a companhia. Transpostas para
o governo, as boas práticas de governança preveem regras
e processos que premiem a busca de resultados e da eficiência na
produção de bens e serviços à população,
prestação de contas à sociedade, combate efetivo à
corrupção e parceria aberta com as instituições
não governamentais. Uma das dificuldades na transposição
dessas práticas foi a recente postura do governo federal, que não
escondeu seu inconformismo com a decisão do Tribunal de Contas da
União (TCU), instituição modelar no controle das contas
públicas, ao fiscalizar, paralisando 41 obras públicas federais,
entre elas 13 contempladas pelo Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC). Em vez de se indignar contra os desvios constatados
na execução das obras, para garantir maior transparência
nos gastos e sinalizar claramente para a sociedade que as irregularidades
seriam rigorosamente apuradas, punindo-se os responsáveis, o que
se viu foi o governo exigir mudanças na fiscalização
exercida pelo tribunal. Ou seja, o culpado é o fiscal.
O governo de Minas, em relevante e pioneira iniciativa, consciente
da necessidade de dar maior transparência também à
gestão das empresas estaduais, instituiu o Comitê de Governança
Corporativa, cuja competência é acompanhar a gestão
das sociedades de economia mista, empresas públicas e demais empresas
controladas direta ou indiretamente pelo estado. Foi criado, também
o capítulo Minas Gerais do IBGC, que está completando agora
um ano, iniciativa que traduz o reconhecimento de que a economia mineira
conquistou lugar de destaque no cenário nacional e que a adoção
das boas práticas de governança por nossas empresas lhes
permitirá avançar no aperfeiçoamento de seus modelos
de gestão.
Enaltecer os valores das empresas e de sua conduta ética, o
seu bom relacionamento com os cidadãos e com os clientes, bem como
a prestação de serviços de qualidade, constitui também
dever do Estado, que deve promover as condições indispensáveis
para o desenvolvimento tanto do setor público, como do privado.
O poder público requer, portanto, uma boa governança pelas
mesmas razões que as empresas privadas: obter confiança dos
públicos estratégicos e dos cidadãos, captar recursos,
atrair investimentos internos e externos, oferecer melhores produtos e
serviços, assegurar a sustentabilidade e atrair profissionais talentosos.
É o que tem sido feito em nosso estado. Por isso, em períodos
de dificuldades e de recursos escassos e de demandas sociais crescentes,
não há espaço para amadorismos e aventuras. A gestão
pública moderna e eficiente é e será a ferramenta
mais eficaz na defesa dos interesses da sociedade. A propósito,
vale a máxima de Oliver Williamson, ganhador do Prêmio Nobel
de Economia de 2009: “Quanto mais eu vivo, mais eu acredito na eficiência
do trabalho modesto, permanente, molecular e definitivo”. Que os mineiros
consagrem este propósito. (Maria Celeste Morais Guimarães
- Estado de Minas-19.06)
22.06 - Governança calculada
Muito se fala sobre as vantagens trazidas para a imagem de uma empresa
que adere às boas práticas de governança corporativa.
Mas, mais do que isso, a adoção de medidas que demonstram
maior preocupação com o investidor se traduz em redução
no custo de capital. É o que mostra, na ponta do lápis, um
estudo elaborado pelo professor Alexandre Espírito Santo, diretor
do curso de Relações Internacionais da ESPM-RJ. O assunto
é tema de dissertação de mestrado em economia empresarial
defendida pelo professor na Universidade Cândido Mendes, no Rio.
Para chegar a essa conclusão, o professor selecionou a Net para
avaliar os dados abrangendo as taxas de juros sobre o custo de capital
de terceiros da empresa de 1999 até 2007. Analisou ainda outras
variáveis, como a taxa de juros de longo prazo (TJLP), cobrada nas
linhas de crédito do governo, e o retorno das ações
em relação ao Ibovespa. "Os trabalhos sobre governança
corporativa sempre seguem a linha de mostrar o quanto ela faz bem para
a empresa, mas é difícil ver algo que confirme isso de maneira
empírica, com números", explica.
A escolha da Net ocorreu porque o autor queria selecionar uma empresa
do setor de serviços, com ações negociadas na bolsa
e integrante do Ibovespa. Segundo Espírito Santo, a decisão
de avaliar os dados até 2007 se deve à crise de 2008, que
elevou o custo de capital para todas as empresas e, portanto, poderiam
distorcer o resultado. "Apesar de o setor de serviços da economia
ter importante participação no PIB, ele possui dificuldades
maiores para conseguir capital a custos mais baixos", escreve o professor.
O estudo revela que, após aderir ao Nível 1 de governança
corporativa, ainda como Globo Cabo em junho de 2001 e, um ano depois, ao
Nível 2, a Net registrou uma redução considerável
do custo de seu endividamento, aumentando a avaliação ("valuation")
da companhia no mercado. No quarto trimestre de 1999, por exemplo, o custo
de capital da empresa era de 86,80%. Já no segundo trimestre de
2002, esse custo caiu para 36,50%, subindo para 63,90% nos primeiros três
meses de 2003. A partir daí, o custo de capital da Net veio caindo,
até atingir 9,30% no quarto trimestre de 2007.
Isso significa, de acordo com o professor, que, em períodos
de normalidade macroeconômica, "as empresas que fazem uso dos critérios
de governança tendem a ser premiadas pelos investidores com menores
custos de endividamento." Isso, por consequência, reduz o custo médio
do capital da empresa - o chamado WACC, sigla para Weighted Average Cost
of Capital -, aumentando o valor da empresa.
Apesar de o professor ter ficado restrito ao caso Net em sua tese,
ele também pesquisou o efeito da governança corporativa sobre
outras empresas, como Cemig, Celesc e Brasil Telecom. "Em todas, há
a mesma tendência", diz. "Todas possuem essa característica
de serviços e a provável maior dificuldade de captar", diz.
Ele observa, porém, que as empresas de energia apresentam menor
queda de custos, "talvez pelo fato de serem estatais".
Na opinião de Espírito Santo, num ambiente de intensa
competição, uma das formas de uma empresa se sobressair é,
cada vez mais, melhorar a relação com seus potenciais financiadores
e/ou investidores. Para a companhia, a mensagem que fica é que adotar
boas práticas de governança é positivo, já
que reduz o custo de capital, diz o professor. "Já para o investidor,
quando há redução de custo de capital, a empresa tem
um melhor 'valuation'", afirma. Ou seja, vale mais.
Muitos investidores, no entanto, acreditam que o mercado deveria premiar
as companhias que aderiram a um dos níveis de governança,
pagando mais pelas ações dessas empresas. O professor mostra,
no entanto, que, para o investidor, a presença ou não de
governança corporativa representa um fator de risco. Este fator
é reduzido à medida que as empresas passam a adotar melhores
práticas de governança, o que diminuiria a chance de surpresas
desagradáveis, escreve o autor.
Mas, na verdade, quanto melhor a governança, menor deveria ser
o retorno esperado das ações e, em consequência, maior
o valor relativo destas empresas, proveniente da maior confiança
dos investidores. "Então, não se deve esperar um retorno
maior de tais empresas, já que a premissa de finanças é
que risco e retorno esperado devem andar pari passu", diz o professor.
(Luciana Monteiro - Valor Online)
21.06 - País vai continuar crescendo com recordes de empregos
Segundo o ministro Mantega, proporcionalmente, Brasil foi o país
que mais gerou empregos no mundo
O Brasil será o país que mais crescerá depois
da crise e vai gerar empregos proporcionalmente, disse na quinta-feira
o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
- Teremos neste ano a menor taxa de desemprego da série histórica.
Segundo o ministro, para este ano a estimativa de crescimento do emprego
é de 6,5% e a média para os próximos anos chega a
5,5%. Mantega participou da reunião do Conselho de Desenvolvimento
Econômico e Social (CDES).
Ele voltou a afirmar que as medidas de estimulo à economia durante
a crise que chegou ao país no final de 2008, deram excelentes resultados
e permitiram ao país já ter voltado ao nível pré-crise.
Segundo ele, a economia está "praticamente" aquecida e os estímulos
foram quase todos retirados.
- Um vez obtido o resultado, estamos retirando quase todos os estímulos.
Portanto, caminhamos para um patamar de crescimento mais sustentável
e equilibrado até o final do ano - disse.
Outro número apresentado pelo ministro mostra que o total de
novos empregos em 2010 deve chegar a 2 milhões, dos quais 962 foram
gerados até abril. A taxa de desemprego de 6,8% da população
economicamente ativa é considerada a menor da história.
- Proporcionalmente, o Brasil foi o país que mais gerou empregos
no mundo, numa quantidade suficiente para atender nossos jovens que estão
chegando ao mercado de trabalho. Isso corresponde aos últimos oito
anos - acrescentou. (Agência Brasil/Jornal
Monitor Mercantil)
21.06 - BC vê economia acelerada e inflação em alta
Para ministro da Fazenda, não há mais motivos para elevar
os juros
Mesmo com sinais de desaceleração do crescimento da economia,
o Banco Central (BC) avalia que o cenário de inflação
para 2011 se deteriorou, levando o mercado a apostar que o ritmo de elevação
da Taxa Selic - que subiu 0,75 ponto percentual em abril e maio - vai ser
mantido pelas próximas duas reuniões. A avaliação
da autoridade monetária está na ata da última reunião
do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada
na quinta-feira. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, porém, fez
ontem uma avaliação distinta, afirmando que a inflação
deixou de ser um problema que justifique a adoção de medidas
para segurar a expansão da economia, como a alta dos juros.
Para Mantega, o país cumprirá a meta oficial este ano,
cujo centro é 4,5% pelo IPCA, utilizando a margem de oscilação
de dois pontos percentuais, para mais ou menos. O índice deverá
ficar entre 5,3% e 5,4%, nos cálculos da Fazenda. Um dos motivos
para o prognóstico é a certeza de que o ritmo de atividade
está desacelerando.
O Copom, por sua vez, também vê desaquecimento, mas avalia
que a economia permanece acelerada.
- Eu queria avisar que a inflação está caindo
e dizer que nós vamos cumprir as metas de inflação
para este ano.
Posso dizer aos senhores que o índice oficial, o IPCA, vai ficar
bem comportado nos próximos meses - afirmou Mantega à platéia
de empresários presentes da reunião do Conselho de Desenvolvimento
Econômico e Social (CDES).
O BC informou, sem revelar números, que a projeção
da variação dos preços pelo cenário de mercado
- com expectativas levantadas junto ao mercado - foi elevada, e está
acima do valor central da meta (de 4,5% pelo IPCA) para 2011. Na ata anterior,
de abril, o Copom havia afirmado que a projeção estava ao
redor do centro da meta.
Para o economista-chefe da Máxima Asset Management, Elson Teles,
trata-se de um sinal claro de que o BC deve manter a intensidade das altas
na taxa básica de juros por mais tempo.
Teles deverá rever sua estimativa para a Selic neste ano, de
entre 11,75% e 12% ao ano para 12,5% e 12,75%.
Lula: Brasil fará revolução produtiva se crescer
6% Mantega, porém, afirmou que "alguns se entusiasmaram" com o pico
da inflação nos primeiros meses de 2010, mas essa ameaça
já passou. Ele disse que o preço dos alimentos, vilões
da inflação este ano, começou a ceder a maio, freando
a variação do IPCA.
Segundo o ministro, isso mostra que ele estava certo quando atribuiu
a pressão inflacionária ao choque de oferta.
Mas o BC classifica a atual pressão sobre os preços da
economia como inflação de demanda e foi com este argumento
que deu início, em abril, ao atual ciclo de alta dos juros.
Na semana passada, o comitê elevou a taxa em 0,75 ponto, para
10,25%, o segundo movimento dessa magnitude. Pela pesquisa Focus do próprio
BC, o mercado prevê que os juros vão encerrar o ano a 11,75%.
- É muito cedo para falar em efeitos desinflacionários
já ocorrendo - afirmou Teles.
A grande preocupação do BC continua sendo com a demanda
interna, que, na avaliação de seus diretores, cresce num
ritmo maior do que a oferta, impulsionada pelos ganhos de emprego e renda,
os impulsos fiscais e o crédito, com destaque para a concessão
pelos bancos públicos. Por isso, o BC repetiu a necessidade de uma
atuação incisiva no combate à inflação.
Mantega admitiu que alguns setores, como o da construção
civil e de serviços, estão acelerados, mas negou que a situação
esteja fora do controle.
Presente ao mesmo evento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
disse ontem que o Brasil terá uma revolução produtiva
caso consiga crescer a cada ano de 5% a 6%. Para o presidente, este é
o ritmo ideal para que a expansão incentive investimentos e não
provoque gargalos nas empresas e desequilíbrios, numa referência
à escalada da inflação.
Lula disse estar convencido de que o país tem, hoje, espaço
para se desenvolver de forma sustentada.
- As duas coisas estão ligadas (crescimento e produção),
mas o Brasil ainda tem espaço para crescer. Minha tese é
muito singela: não quero que o Brasil fique crescendo no efeito
sanfona - disse Lula. - O Brasil está dando um exemplo de seriedade,
de economia sóbria, de economia serena, de crescimento.
Já Mantega disse que o Ministério da Fazenda está
criando uma ferramenta de monitoramento, na boca do caixa, dos gastos do
governo. A avaliar melhor a necessidade e a pertinência de cada um
deles: - Os gastos precisam ser mais bem avaliados. (Patrícia
Duarte, Geralda Doca e Cristiane Jungblut - O Globo)
21.06 - Copom: Ata diz que risco de inflação continua
alto
Para economistas, documento sinaliza nova alta de juros no próximo
mês
A maior ameaça, segundo a avaliação do Banco Central,
está na forte demanda interna, e não na crise europeia
O Banco Central diz que os riscos para a inflação permanecem
elevados, apesar da retirada de parte dos estímulos econômicos
criados durante a crise financeira.
A maior ameaça, segundo o BC, está na própria
economia brasileira, e não nos efeitos da crise recente nas economias
da Europa.
As informações constam na ata da última reunião
do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central),
quando os juros subiram de 9,50% para 10,25% ao ano.
De acordo com economistas, o documento indica que o BC deve manter
o ritmo atual de alta dos juros e promover outra elevação
de 0,75 ponto percentual em julho. Desde abril, a taxa Selic já
subiu 1,5 ponto percentual.
As projeções de inflação do Copom subiram
em relação à reunião de abril e estão
"sensivelmente" acima do centro da meta de 4,5%.
"Os riscos para a consolidação de um cenário inflacionário
benigno se circunscrevem essencialmente ao âmbito interno", diz a
ata. Para o BC, a demanda doméstica está acima da capacidade
de oferta de bens.
"Enquanto permanecer esse cenário internacional, e com a demanda
doméstica no nível em que está, não haverá
nenhuma mudança significativa", afirmou Jankiel Santos, economista-chefe
do BES Investimento. "O BC vai manter o mesmo patamar de aumento dos juros
até setembro", disse Inês Filipa, economista-chefe da Icap
Brasil. (EDUARDO CUCOLO - Folha de S.Paulo)
18.06 - Para onde vai o euro?
A crise econômico-financeira que afeta boa parte dos países
integrantes da zona do euro começa a contaminar a credibilidade
da moeda entre os cidadãos da própria área da união
monetária.
Aqui e ali, movimentos contra o euro, inimagináveis há
menos de um ano, têm surgido com grande repercussão. Em Berlim,
ganha destaque uma campanha popular pela volta do marco alemão.
A indignação da opinião pública contra a ajuda
financeira concedida à Grécia é geral e já
atinge fortemente a reputação política da presidente
Angela Merkel e dos dirigentes da União Europeia. Os cidadãos
alemães já pagaram caro, nos últimos anos, pela unificação
do país, pela política interna de aumento de produtividade
e pelas restrições impostas às aposentadorias e não
estão satisfeitos em assumir mais um custo que, a rigor, não
lhes diz respeito.
Em Portugal, a revista semanal "Sábado" desta semana traz um
artigo interessante com as várias implicações da ressurreição
do escudo. Sob o título "Viver sem o euro", aponta, entre as vantagens,
para o aumento de competitividade das exportações. Resultaria
da desvalorização imediata do escudo, estimada por especialistas
entre 30% e 40% com relação ao euro.
Entre as desvantagens, está obviamente a inflação,
uma vez que a volta da moeda velha implicaria no aumento do custo da importação
de produtos básicos para o consumo interno, como arroz, leite e
carne, entre outros. Essas questões também afetariam a peseta
espanhola, a dracma grega, a lira italiana ou a libra irlandesa se a temerosa
ideia de reintrodução das moedas velhas viesse a ser implementada.
Isso, sem mencionar a tremenda crise bancária que o abandono do
euro por alguns países provocaria, em especial nos bancos alemães
que estão abarrotados de ativos do chamado Met Club, como passou
a ser denominado o grupo de países da zona do euro banhados pelo
Mediterrâneo. Portugal estaria geograficamente fora, mas pelas características
está incluído no mesmo clube.
Já não há dúvidas, após a crise
da Grécia, sobre a culpa da frouxidão com que os dirigentes
máximos da UE monitoraram os limites impostos ao déficit
fiscal e à dívida pública, algumas das condições
mais importantes para a adesão e permanência como membro da
política monetária unificada.
Fica claro também que há um buraco negro difícil
de transpor entre a unificação monetária e a unificação
política da UE, mas algo precisa ser feito porque as discrepâncias
entre os mais ricos e os mais pobres são imensas. Neste mês,
um texto de dois economistas do Departamento Europeu do FMI chama atenção
para o largo e crescente déficit nas contas correntes do Met Club.
"Current Account Imbalances in the Southern Euro Area" ("Desequilíbrios
da conta corrente na Área Sul do Euro"), de Florence Jaumotte e
Piyaporn Sodsriwiboon, mostra que aqueles déficits têm sido
causados pelo declínio na taxa de poupança privada. Essa
situação teria sido estimulada pela adesão ao euro
que, ao facilitar os investimentos e aumentar o acesso à poupança
externa, induziu a maiores déficits em conta corrente.
Como países da área sul do euro os autores classificam
Chipre, Grécia, Itália, Malta, Portugal, Eslovênia
e Espanha. Na média, a taxa de poupança privada caiu o equivalente
a 10% do PIB entre 1994 e 2008, enquanto que as taxas de investimentos
subiram, em média, 2% do PIB (boa parte na construção
civil que não ajuda nas trocas externas) e as taxas de poupança
pública aumentaram em cerca de 2% do PIB no período. O déficit
em conta corrente - pulou de um superávit de 0,1% do PIB, em média,
em 1994, para déficit de até 10% do PIB em 2008 - foi agravado
com a deterioração das balanças comerciais daqueles
países pela perda de competitividade.
Por falta de eficiência naquelas economias e altos custos da
mão de obra em euros, a nova moeda funcionou nos países do
Met Club com forte apreciação cambial efetiva desde o final
dos anos 90. Considerando os índices de preços, aqueles países
incorreram em apreciações reais que variam de 10% a 16% no
período de dez anos, até 2008. Quando calculado em função
do custo da unidade de trabalho na indústria manufatureira, a taxa
de câmbio efetiva real apresenta uma apreciação de
cerca de 25%, em média, enquanto que nos países do Norte
da Europa, mais desenvolvidos, considerando a mesma base do custo da mão
de obra, ocorreu no período uma depreciação da taxa
efetiva de câmbio real de cerca de 8%, em média.
A recomendação para reduzir a disparidade econômica
entre o norte e o sul na zona da moeda única requer forte vontade
e liderança política.
Na edição da última semana de maio da revista
francesa "Le Point", os ex-presidentes da França e da Alemanha,
Valéry Giscard d´Estaing e Helmut Schmidt, assinaram em conjunto
artigo em defesa do euro, pedindo maior entrosamento entre os dirigentes
franceses e alemães nesta fase de ajustes e uma série de
medidas, como a submissão dos orçamentos ao conselho de dirigentes
da zona do euro antes de serem apresentados aos respectivos parlamentos
de cada país, um calendário de redução dos
déficits públicos além de medidas de regulação
financeira e de combate à especulação e, finalmente,
a criação de um mecanismo de estabilização
financeira para a zona do euro. Espera-se que alguma luz surja até
meados do ano. (Maria Clara R. M. do Prado - Valor Online)
18.06 - Meta de inflação de 2012 deve ser fixada em 4,5%
Em reunião marcada para o dia 24, o Conselho Monetário
Nacional deverá fixar para 2012 uma meta de inflação
de 4,5%. Este será, portanto, o oitavo ano consecutivo que o governo
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva estabelece como objetivo
a ser perseguido pelo Banco Central a mesma meta de inflação.
Pelo regime de metas, todos os anos, em junho, o presidente aprova e o
Conselho Monetário sanciona a meta de inflação de
dois anos à frente.
Quando Lula assumiu o primeiro mandato, em 2003, o país vinha
de uma crise cambial no ano anterior, alimentada por especulações
eleitorais, que jogou a inflação para 12,53%. A meta para
aquele ano era de 4% com 2,5 pontos percentuais de margem de tolerância.
Diante do descontrole de 2002, foi escrita a primeira e única carta
aberta ao ministro da Fazenda - instrumento previsto no sistema de metas
para o BC explicar porque a inflação fugiu dos parâmetros
- substituindo aquele percentual por uma meta ajustada de 8,5% para 2003
e de 5,5% com 2,5 pontos percentuais de margem de tolerância para
2004.
Apesar de toda a austeridade monetária e fiscal daquele primeiro
ano, a inflação efetiva foi a maior desde o início
do regime de metas, em 1999: 9,3%. Em 2004, a inflação também
superou o teto e foi de 7,6% . De 2005 em diante, em todos os anos a meta
ficou estacionada em 4,5%. O único avanço foi feito na redução
da margem de tolerância, que caiu de 2,5 para 2 pontos percentuais.
Nesse período, a inflação efetiva ficou por três
vezes abaixo do centro da meta: em 3,14% em 2006, 4,46% em 2007 e 4,31%
em 2009. (Claudia Safatle - Valor Online)
18.06 - PIB no pano verde
Crescimento em 2010 virou loteria. Apostas vão de 6,5% a 8%,
com forte queda até dezembro. Será?
O desempenho da economia brasileira este ano virou loteria depois da
expressiva variação do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro
trimestre. Ponto pacífico é que está garantida expansão
mínima de 6% em relação a 2009. Incerto é quanto
mais que isso poderá ser.
O ritmo de crescimento de 2,7% em relação ao trimestre
anterior e de 9% sobre igual base de 2009 não vai repetir-se. A
economia vai crescer menos – bem menos, na conta do Ministério da
Fazenda e de uns poucos analistas –, e não muito menos, na visão
de consenso.
Parece picuinha discutir se o crescimento estará mais perto
de 8% sobre 2009 que de 6,5%, a aposta da Fazenda. No boletim Focus, do
Banco Central, que revisa semanalmente os cenários de uma centena
de bancos e consultorias, o PIB projeta crescimento de 7%.
Parece bobagem, mas não é. Conforme as expectativas,
o ciclo e a intensidade da Selic serão maiores ou menores. Indústrias
ajustam a produção e estoques conforme o que esperam da demanda,
e fazem o mesmo com a velocidade dos investimentos, influenciadas não
apenas pelos seus dados internos, mas também pelos cenários
externos, que por sua vez repercutem na veia a trajetória esperada
para a Selic.
Aliás, o efeito imediato da Selic é sobre as disponibilidades
das empresas, não bem sobre o consumo das famílias diretamente,
já que há uma forte relação entre juros e a
taxa de retorno da atividade operacional. Se o BC pilota a Selic de olho
na pressão do consumo sobre a oferta interna limitada, complementada
por importações, o consenso de curto prazo sobre a temperatura
da economia não é uma informação fútil.
É decisiva para a condução dos negócios.
Os argumentos que fundamentam os cenários mais ou menos aquecidos
sobre o comportamento do PIB até o fim do ano são consistentes,
o que significa que os indicadores setoriais de produção,
de renda e de evolução do crédito ao consumo não
estão prontos para indicar a tendência que se avizinha. Sabe-se
que a economia vai rodar a um ritmo menor frente ao primeiro trimestre.
Mas se desconhece se sua velocidade vai passar da 4ª marcha para a
3ª ou para a 2ª.
O varejo perde pique
O pessoal preocupado com o radar tenderá a tirar o pé
do pedal do crescimento, se considerar notícias como a das vendas
do varejo em abril. O comércio vendeu 3% menos que em março,
maior queda de um mês para outro na pesquisa do IBGE. No varejo ampliado,
conceito que adiciona o comércio de carros, motos e material de
construção, a redução foi ainda maior, 4,7%.
É a serie mensal que prenuncia o comportamento da economia no curto
prazo, não o comparativo anual.
Por tal critério, o varejo tradicional vendeu em abril 9,1%
mais que em igual mês do ano passado. O comércio ampliado,
mais 12,7%. Mas isso é passado, tanto quanto o PIB do primeiro trimestre.
Dosagens divergentes
Para adiante o que será? Duas fontes de referência da
coluna não se põem de acordo sobre o desempenho do PIB de
abril a dezembro. O economista Fernando Montero, especialista em contas
nacionais, por exemplo, revisou sua projeção de crescimento
de 7,1% este ano para 7,8%. A consultoria LCA fez o mesmo, mas de 6,2%
para 6,6%.
A divergência está na dosagem da desaceleração
até dezembro. Para Montero, para o PIB crescer 6,5% no ano, como
projeta a Fazenda, a desaceleração prevista implica “estagnação”.
A evolução do PIB nos três trimestres finais de 2010
teria de ser, em média, de 0,34%, o que, diz ele, é inexequível,
tanto quanto a variação anual do IPCA prevista pela Fazenda,
de 5%, que supõe acréscimos mensais de 0,2% ao mês.
A economia perde pique, mas não é acuada. O consumo cai em
seu cenário, mas o investimento cresce, amortecendo a redução.
É cedo para concluir
Para a LCA, o fator estoques, “que impulsionou os resultados do PIB
nos dois últimos trimestres”, terá redução
significativa nos próximos meses. O consumo das famílias,
acrescenta, também será um “vetor importante de desaceleração
do PIB”. Tais premissas levam o cenário da LCA a projetar crescimento
médio de 0,6% entre o 2º e o 4% trimestre do ano. Ou, sem o
dado de estoques, 1% por trimestre.
Os indicadores antecedentes próprios da consultoria já
captam um desaquecimento maior em curso. “Dado que o PIB deve ter avançado
1,2% em abril-junho, nossa projeção supõe crescimento
médio no 2º semestre de 0,4% por trimestre”, diz a análise
da LCA. Resultado: a economia transitará de um ritmo de quase 3%
por trimestre para um pouco menos que 0,5%. A questão é se
o BC concorda com cenário tão moderado de crescimento. Parece
cedo para tirar conclusões. (Antônio Machado
- Estado de Minas)
17.06 - Moody‘s prevê alta da inadimplência nos bancos
Números dos próximos períodos podem mostrar uma
piora, destaca a analista, e as provisões podem voltar a ser reforçadas
O forte crescimento da economia e a expansão do crédito
para as classes C e D podem levar a um aumento das taxas de inadimplência
dos bancos nos próximos 12 a 18 meses, prevê relatório
da Moody's sobre perspectivas para o mercado financeiro brasileiro. "A
receita recorrente com as operações de crédito vai
crescer, mas esse aumento pode ter potenciais problemas, como a piora da
qualidade dos ativos", destaca a analista da Moody's, Ceres Lisboa, uma
das responsáveis pelo estudo.
Os balanços dos bancos no segundo trimestre ainda devem mostrar
taxas de inadimplência em queda, reversão das provisões
e forte expansão dos empréstimos, prevê o relatório.
Com isso, deve se repetir no período de abril a junho o que ocorreu
nos meses de janeiro a março. Mas os números dos próximos
períodos podem mostrar uma piora, destaca a analista, e as provisões
podem voltar a ser reforçadas. Desde setembro do ano passado a inadimplência
vem caindo. "Os bancos estão mais seletivos na concessão
de empréstimos desde a crise financeira mundial, mas há uma
nova classe consumidora vinda da população de baixa renda,
que nunca tomou crédito. Há uma curva de aprendizado dos
bancos para essa classe", diz Ceres.
A competição entre os bancos, seja entre os privados
ou entre os bancos públicos, nunca esteve tão forte, destaca
a analista. Isso, aliado ao aumento da Selic, pode levar a uma redução
das margens. "Temos o Banco do Brasil que não quer perder terreno
conquistado durante a crise, os grandes bancos privados buscando escala
e os médios entrando em novas áreas de negócios",
diz Ceres. O BicBanco e o Fibra, por exemplo, que eram muito focados em
crédito para empresas, estão reforçando a área
de varejo. Já o Banco Pine resolveu montar um banco de investimento.
Melhores do mundo
Por conta das projeções de aumento da inadimplência
e uma possível piora da qualidade dos ativos, a perspectiva para
os ratings dos bancos brasileiros é "estável", ou seja, não
devem ocorrer nem melhora nas notas, nem um rebaixamento nos próximos
meses. A exceção é o Banco Fibra, que tem perspectiva
"positiva" com a nota podendo ser elevada.
Mesmo sem projeções de aumentos dos ratings para a maioria
dos bancos, Ceres destaca que as instituições financeiras
brasileiras estão em posição invejável quando
comparadas com as estrangeiras. "Os ratings dos bancos locais não
mudaram muito nos últimos 12 meses, enquanto as notas de muitos
estrangeiros foram rebaixadas", diz ela. Com isso, na comparação
internacional, as classificações de bancos como Bradesco
e Itaú estão entre as melhores do mundo.
Bancos capitalizados
Diferentemente da crise de 2008, os bancos brasileiros estão
capitalizados neste momento, destaca o relatório. "A capitalização
é um fator chave da força financeira das instituições
brasileiras." Segundo dados da Moody's, este ano, até abril, captaram
US$ 9 bilhões no mercado externo, com prazos na casa dos 10 anos
e com emissão de dívida subordinada (dinheiro que é
usado para reforçar o capital do banco e melhorar o Índice
de Basileia, indicador de solvência da instituição).
Mesmo com o fechamento do mercado externo a partir de final abril,
por conta dos problemas fiscais na Grécia, a Moody's não
problema para o setor bancário brasileiro. Segundo Ceres, as captações
externas representam na média 12% das captações totais
dos bancos locais, ou seja, não é a principal fonte de recursos.
"Os bancos médios estão com bastante caixa e as linhas domésticas
não secaram e eles continuam com acesso a elas", diz.
(Altamiro Silva Júnior - O Estado de S.Paulo)
17.06 - Brasil é o 7º entre os países com maiores
reservas
O Brasil está entre as sete economias com o maior nível
de reservas em moeda estrangeira, segundo dados de 66 países coletados
pelo FMI.
Com pouco mais de US$ 250 bilhões, a maior parte aplicada em
títulos do governo dos EUA, o Brasil tem estoque de recursos superior
ao da maioria dos emergentes.
O valor está abaixo, no entanto, do acumulado pelas outras três
economias que fazem parte do Bric (Brasil, Rússia, Índia
e China).
A China é o país com as maiores reservas, US$ 2,4 trilhões,
seguida por Japão (US$ 1 trilhão).
Por ser um seguro contra crises, a acumulação de recursos
tem custo. A estimativa é que esse valor seja próximo de
US$ 30 bilhões.
O valor atual supera o necessário para evitar ataques especulativos
contra o país, segundo o professor Fabio Kanczuk, da FEA (Faculdade
de Economia e Administração da USP). Hoje, há recursos
para pagar toda a dívida externa (US$ 206 bilhões).
"Estão sobrando recursos. E essas reservas custam caro. Basta
ver a diferença entre o juro que a gente recebe e a taxa que o governo
paga na dívida interna", diz Kanczuk.
Apesar do custo elevado, as reservas evitaram oscilações
mais fortes do dólar nas crises internacionais, segundo o economista
Flávio Serrano, do BES Investimentos.
"É relativamente custoso manter esse estoque, mas quanto maior
for o colchão de recursos, maior a capacidade de absorver turbulências",
diz Serrano. (Maria Cristina Frias - Folha de S.Paulo)
17.06 - Sem freio no crescimento
Após recuo em abril, país voltou a se expandir em maio.
Analistas veem superaquecimento e juros maiores
O esperado freio na economia brasileira, depois de um crescimento de
11,2% anualizado no primeiro trimestre, durou apenas um mês. Os indicadores
de atividade econômica que recuaram em abril voltaram a crescer em
maio, alguns para patamares recordes. Já é assim para a produção
de veículos. Em maio, foram fabricados 310 mil carros, a segunda
maior produção da série histórica da Associação
Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que
existe desde 1980. E as quedas registradas em abril no consumo de energia,
na produção de papel ondulado (usado em embalagens) e no
fluxo de veículos pesados (que mostra o movimento de cargas nas
rodovias) já estão com sinal positivo em maio.
Esses indicadores são um termômetro da economia e costumam
antecipar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e
serviços produzidos pelo país).
- A queda temporária em abril não muda nossa visão
de que a economia ainda está muito aquecida. A leitura de que os
juros não precisam ser elevados é equivocada. Os riscos de
a inflação subir continuam - afirma Luiza Rodrigues, economista
do Santander.
Nas contas do banco, o PIB no segundo trimestre crescerá 1,2%
frente aos três primeiros meses do ano, já com ajuste sazonal.
Isso depois de ter avançado 2,7% no primeiro trimestre - o que significa
uma taxa anualizada de 11,2%. O Santander prevê um crescimento de
7,8% da economia brasileira este ano, e já há analistas estimando
uma alta superior a 8%.
Copa ajuda nas vendas do comércio
Para Leonardo Carvalho, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
(Ipea), a tríade aumento do salário mínimo, mercado
de trabalho aquecido e farta oferta de crédito garantem o cenário
positivo para a economia: - Acredito que o PIB vai arrefecer, mas não
tanto. As perspectivas continuam boas, mas é melhor crescermos num
patamar mais próximo do nosso PIB potencial (em ritmo mais lento).
Ontem, ao sancionar o reajuste de 7,7% para os aposentados que ganham
acima do mínimo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acabou
dando mais um empurrão para a economia. O aumento será aplicado
a 8,2 milhões de benefícios, entre aposentadorias e pensões,
representando mais de R$ 813 milhões por mês injetados na
economia.
No varejo, as vendas do segundo trimestre contaram com um fator a mais
para manter o ritmo acelerado: o efeito Copa. A Confederação
Nacional do Comércio (CNC) estima que o faturamento do setor cresceu
0,7% em maio, frente a abril, e fechará o segundo trimestre com
alta de 1,5%.
- É um crescimento que vai continuar bom, mas abaixo do primeiro
trimestre (4,8%) - disse Fabio Bentes, economista da CNC.
A entidade avaliou o impacto do Mundial sobre os diferentes segmentos
do varejo e calcula que, só por conta da Copa, o setor de móveis
e eletrodomésticos deve ter avançado 3% no mês passado,
graças principalmente à venda de TVs. O segmento de equipamentos
de informática e comunicação, que inclui celulares,
deve ter registrado impulso, só por efeito da Copa, de 4,3%. No
setor de hiper e supermercados, o impacto do Mundial será agora,
em junho. Pelos cálculos de Bentes, o setor já deve partir
de uma alta de 0,9% graças à Copa.
Vendas mais fortes no varejo, produção maior na indústria.
No setor de eletroeletrônicos, a primeira Copa com celulares combinados
à TV digital são o destaque. As vendas desses aparelhos cresceram
400% no primeiro trimestre.
A Associação Brasileira da Indústria Elétrica
e Eletrônica (Abinee) elevou a expectativa para 2010, para uma alta
de 9% nas vendas domésticas.
- Houve um aquecimento do mercado interno, e as vendas se beneficiam
da Copa. Brincamos que o jogo do Brasil você quer assistir na tela
grande, mas que o jogo da Argentina você pode assistir no celular
- disse Luís Cláudio Carneiro, diretor da Abinee.
A LCA Consultores, que calcula uma variação mensal para
o PIB (os dados oficiais, do IBGE, só são divulgados por
trimestre), projetou uma estabilidade em abril e maio, depois de uma forte
expansão em março. Mesmo estável, o patamar médio
dos meses de abril e maio já é 1,3% superior ao nível
médio do primeiro trimestre, explicou o economista Francisco Pessoa,
da LCA.
Nem mesmo a queda de 0,7% na produção industrial em abril,
divulgada pelo IBGE no início deste mês, pode ser considerada
um freio na economia, diz Fernando Monteiro, economista-chefe da Convenção
Corretora. Como o IBGE revisou o crescimento da indústria em março,
de 2,8% para 3,4%, o número de abril veio menor: - Foi uma queda
com gosto de alta. Os dados de maio já mostram volta da produção
(Cássia Almeida e Clarice Spitz - O Globo)
16.06 - Analistas reduzem para 5,61% estimativa da inflação
Analistas do mercado financeiro consultados pelo BC (Banco Central)
reduziram, pela segunda semana seguida, a projeção para o
Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste ano, de
5,64% para 5,61%. Para 2011, a estimativa permaneceu em 4,80%. A informação
consta no boletim Focus, divulgado às segundas-feiras pelo BC.
As projeções para o IPCA estão acima do centro
da meta de inflação de 4,5%, que tem margem de 2 pontos percentuais
para mais ou para menos. A expectativa dos analistas para a Selic ao final
de 2010 foi mantida em 11,75% ao ano. Para 2011, subiu de 11,50% para 11,75%
ao ano. Atualmente a taxa está em 10,25% ao ano.
O boletim Focus também traz estimativas para o IGP-DI ( Índice
Geral de Preços-Disponibilidade Interna). A projeção
para esse índice, neste ano, passou de 8,76% para 9,12%. Para o
Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M), a estimativa referente
a 2010 subiu de 8,84% para 9%. Para o próximo ano, os analistas
esperam que esses dois índices fiquem em 5%.
A projeção para o Índice de Preços ao Consumidor
da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe),
passou de 5,40% para 5,34%. Para 2011, a estimativa para o IPC-Fipe permanece
em 4,5%.
A expectativa dos analistas para a alta dos preços administrados
ficou em 3,60%, em 2010, e em 4,70%, em 2011. Os preços administrados
são aqueles cobrados por serviços monitorados, como combustíveis,
energia elétrica, telefonia, medicamentos, água, educação,
saneamento, transporte urbano coletivo, entre outros. (Agência
Brasil/Executivos Financeiros)
16.06 - Mercado prevê crescimento de até 8,1%
Pesquisa do BC foi feita após IBGE ter divulgado dados do PIB
no primeiro trimestre, que mostraram expansão de 9%
Na média, estimativa é de alta de 7%; se os 8,1% se confirmarem,
será o maior resultado dos últimos 30 anos
O crescimento da economia brasileira pode chegar a 8% neste ano, segundo
economistas ouvidos pelo Banco Central na pesquisa semanal Focus.
A previsão se deve aos dados do IBGE divulgados na semana passada,
que mostraram expansão de 9% no primeiro trimestre deste ano em
relação ao mesmo período de 2009.
O crescimento de 8,1% é o teto das expectativas dos cerca de
cem economistas ouvidos no levantamento do Banco Central. Se confirmado,
seria o maior resultado dos últimos 30 anos.
Na média, a expansão prevista é de 7%, acima dos
6,6% apontados antes da divulgação da semana passada. A previsão
mais pessimista do mercado aponta para taxa de 5,6%.
Na semana passada, o Ministério da Fazenda também elevou,
de 5,5% para 6,5%, a previsão de crescimento. O BC só divulga
suas novas estimativas no final deste mês.
Assim como aconteceu no início do ano, o destaque do PIB deve
ser a indústria, último setor a se recuperar da crise de
2008/2009 e que deve crescer 9%. Agropecuária e serviços
teriam expansão de cerca de 5%.
DESACELERAÇÃO
Para os analistas ouvidos pelo BC, o crescimento do PIB vai se desacelerar
nos próximos meses até chegar a uma taxa trimestral de 4,25%
na metade do próximo ano. Depois, volta a crescer em ritmo mais
forte.
A expectativa é que o próximo presidente termine o mandato
com taxas de crescimento entre 4% e 7%.
Para Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin, uma das
instituições com maior índice de acerto no Focus,
o crescimento acima do esperado do setor industrial foi o principal fator
que levou às revisões das expectativas.
Ele espera que o crescimento nos próximos anos fique entre 4%
e 5%, o que vai depender do desempenho da economia mundial e dos rumos
do próximo governo.
"O país tem condições de continuar com um bom
ritmo
de crescimento, mas é preciso ver como vai se comportar a economia
global e se o próximo governo vai fazer reformas estruturais e estimular
o aumento dos investimentos", disse.
O Banco Fator também elevou sua projeção, de 6,9%
para 7,2%, devido principalmente à expectativa de melhora nos investimentos,
que devem ter uma participação maior no resultado do PIB.
O aumento do investimento em detrimento do consumo das famílias
e do governo é um dos fatores que ajudaram a reduzir a expectativa
de inflação, que caiu pela segunda semana seguida, para 5,6%.
A pesquisa também mostra que o índice de preços
só voltará ao centro da meta de 4,5% em 2012.
(EDUARDO CUCOLO - Folha de S.Paulo)
16.06 - O superaquecimento e a ameaça de volta da inflação
O crescimento econômico exige equilíbrio entre os diversos
fatores que o sustentam: não basta aumentar o consumo, se a produção
industrial não acompanha; não basta incentivar o consumo,
se a expansão do crédito não é possível;
não se pode produzir sem investimentos, que exigem poupança.
São exemplos de desequilíbrios cuja ausência mostra
a qualidade de uma política econômica.
Visando às eleições, o governo praticou uma política
de estímulo ao consumo sem levar em conta se os vários setores
da economia poderiam sustentá-la. O superaquecimento abriu o caminho
para a volta das tensões inflacionárias, que exigem medidas
para não sair do controle e eliminar rapidamente os progressos alcançados.
No domingo, no caderno de Economia, chegamos a dar diversos exemplos
de como o ritmo excessivamente rápido de crescimento do consumo
está contribuindo para a volta da inflação, que, paradoxalmente,
como dissemos em diversos comentários, está reduzindo o poder
aquisitivo dos assalariados.
O excesso de demanda está na origem desse mecanismo cego de
volta da inflação. Podemos começar por analisar a
demanda pela casa própria, um desejo altamente justificado das famílias.
Iniciou-se um programa da casa própria, mas sem preparativos do
lado da produção. Diante de um aumento concentrado da demanda
(que poderia ser regulada pelo crédito), os fornecedores se aproveitaram
para elevar os preços do material de construção. Até
abril, em 12 meses, o preço do cimento subiu 25%; o da tinta, 23%;
o da argamassa, 15%; e o do tijolo, 11,8%. São os novos proprietários
que pagarão esses aumentos, que ultrapassam os mais generosos aumentos
salariais.
Na véspera da Copa do Mundo, era previsível uma ampliação
da demanda de aparelhos de TV. No 1.º trimestre, só de televisores
de tela de cristal líquido a produção cresceu 135%,
mas muitas TVs estão esperando a liberação de componentes
importados que nosso sistema portuário e alfandegário não
consegue agilizar, o que acarreta um aumento do custo do produto. O mesmo
se verifica na fabricação de carretas, cujos pneus sofrem
um atraso de dez dias de entrega. A mesma situação se verifica
no caso das latas de cerveja e refrigerantes. Com o forte crescimento da
demanda e a elevação do preço dos insumos, os fabricantes
de embalagens pedem aumento de até 20%. Os preços dos serviços
também se elevam. E a alta dos juros prepara um crescimento da inadimplência.
(O Estado de S.Paulo)
15.06 - Crise: Equívocos forçam mudanças na análise
de risco
Dos dois lados do Atlântico, o debate sobre como reformar as
agências avaliadoras de risco de crédito ganhou nova força
e entusiasmo. A magnitude das mudanças cogitadas é tal que,
desde o início de abril, o valor de mercado das ações
da Moody ' s Investors Service e da Standard & Poor ' s, as duas maiores
agências de "rating", caiu em bilhões de dólares.
O trabalho de se avaliar o crédito, dominado pelas duas e pela
Fitch, sobrevive basicamente das tarifas que as agências cobram das
instituições e empresas emissoras de bônus, com os
investidores recebendo as informações de forma gratuita.
Após a crise financeira, os conflitos de interesse dessa relação
vêm sendo questionados.
Antes da crise, durante a tendência de alta dos valores mobiliários
garantidos por hipotecas dos Estados Unidos - desde simples títulos
de dívidas lastreados por créditos imobiliários até
as extremamente complexas "obrigações garantidas por outros
títulos" (CDOs, na sigla em inglês) -, as classificações
máximas, "triplo A", para os lançamentos foram concedidas
excessivamente, o que alimentou sua demanda e gerou receitas substanciais
para as principais agências avaliadoras. De acordo com a Comissão
de Investigação da Crise Financeira, que investiga as causas
dos problemas no mercado, a Moody ' s classificou, entre 2000 e 2007, "títulos
lastreados por hipotecas" (MBS, na sigla em inglês) no valor de US$
4,7 trilhões e CDOs de US$ 736 bilhões.
O presidente da comissão, Phil Angelides, disse em audiências
em Nova York na semana passada que a Moody ' s era uma "fábrica
de triplo A", cuja expansão levou a um aumento de seis vezes no
valor de suas ações entre 2000 e 2007. "Os investidores que
confiaram nas classificações da Moody ' s não se saíram
muito bem", afirmou.
Muitos dos papéis avaliados pelas agências viram seu valor
despencar e tiveram suas classificações rebaixadas acentuadamente
quando os preços residenciais nos EUA despencaram - sendo que as
perdas para o sistema financeiro continuam a afetar economias pelo mundo
inteiro. As principais agências avaliadoras sustentam, reiteradamente,
que aprenderam a lição e que adaptaram muitos de seus procedimentos
e controles.
De qualquer forma, os esforços para regulamentar mais pesadamente
as agências ganharam mais força. Nos EUA, a investida chega
depois de uma série de importantes audiências, como as presididas
pelo senador Carl Levin e por Angelides, que colocaram em evidência
os equívocos cometidos com os papéis hipotecários
e os conflitos de interesse potenciais no modelo de classificação
do risco de crédito.
Neste mês, a Securities and Exchange Commission (SEC, a Comissão
de Valores Mobiliários dos EUA) introduziu nova regra exigindo grande
transparência sobre a informação usada para classificar
operações securitizadas, com a ideia de encorajar todos os
interessados a também analisar essas informações -
a regra chamada "17g-5". Além disso, são cogitadas novas
leis que poderiam ter dois impactos significativos. Uma das leis poderia
aumentar a responsabilidade legal que as agências avaliadoras enfrentam
- deixando-as mais vulneráveis a processos de emissores e investidores.
A outra poderia mudar a forma como os "ratings" são distribuídos,
como uma proposta sugerindo que a SEC determine quem faria a classificação
de cada emissão. "O que ainda está incerto no longo prazo
é quem pagará as agências de ' rating ' ou como os
' ratings ' são distribuídos", diz Anna Pinedo, sócia
da Morrison Foerster.
Na Europa, o impacto das classificações de crédito
durante a crise da dívida grega - e as polêmicas decisões
de rebaixar os títulos da Grécia e Espanha - também
evidenciaram seu grande poder de influência. Na semana passada, a
Comissão Europeia (CE) decidiu incrementar a concorrência
ao exigir que a informação que baseia os "ratings" seja aberta
para todas as agências - algo similar à regra "17g-5" da SEC.
Bruxelas também propôs colocar as agências que operam
na Europa sob supervisão de uma nova autoridade reguladora da União
Europeia. "A falta de concorrência [entre as agências] é
de particular preocupação", afirmou José Manuel Barroso,
presidente da CE.
Mudanças na regulamentação podem encorajar novos
concorrentes no setor. Há um punhado de empresas disputando para
entrar no mercado ou expandir sua participação. Algumas,
como a DBRS, uma agência avaliadora com sede em Toronto, estão
à margem há anos - embora mais recentemente a agência
tenha conquistado maior participação. "Há muito interesse
[entre os investidores] em buscar outras opiniões", afirmou Daniel
Curry, presidente das operações da DBRS nos EUA. "Isso nos
dá a chance de entrar e nos vender na prática."
Outros são completamente recém-chegados, que ainda não
adquiriram o status de agência de "rating", necessário nos
EUA, como a K2 Global Partners, criada por Jules Kroll. Outras, como a
empresa de consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC), estão na expectativa.
"Há esforços por parte dos parlamentares para reduzir o poder
do oligopólio das agências de ' rating ' ", disse Kroll. "Esses
esforços poderiam representar bem mais do que uma chance às
abordagens alternativas."
A base do modelo, no qual os emissores de títulos pagam pelas
classificações, continua polêmica. É improvável,
no entanto, que isso mude. A principal alternativa é que os investidores
paguem. Muitos, contudo, como Warren Buffett, o investidor bilionário
cuja Berkshire Hathaway é a maior acionista da Moody ' s, são
contrários. Há algumas agências, como a Egan Jones,
que cobram dos investidores, mas sua participação de mercado
é baixa. Cobrar dos investidores é "um caminho para ter uma
operação pequena", afirmou Kroll.
Isso significa que a chave continua sendo administrar os conflitos
de interesse. Buffett disse na semana passada que as agências, inevitavelmente,
acabam concorrendo por participação de mercado - seja em
preço ou diminuindo o padrão de seus "ratings". O investidor
sugeriu que um monopólio poderia ser a melhor resposta. "Se houvesse
[apenas] uma agência de ' rating ' , não precisaria concorrer."
Com as leis encaminhando-se em outra direção, administrar
a compulsão pela conquista de participação cada vez
maior será vital, até para poder recuperar a confiança
dos investidores nas classificações. "Para qualquer agência
de ' rating ' há um risco moral", disse Curry. "Uma diminuição
dos padrões no curto prazo eleva suas receitas, mas no fim das contas
pode destruir seu modelo de negócios. Agora, todos estão
sendo conservadores e cuidadosos. O desafio é como as pessoas se
comportarão daqui a sete ou oito anos." (Aline van Duyn - Financial
Times, tradução de Sabino Ahumada - Valor Online)
15.06 - A recuperação americana em xeque
A crise na zona do euro está lançando dúvidas
sobre a recuperação econômica nos Estados Unidos. Como
sempre acontece nestes momentos de instabilidade é preciso separar
os verdadeiros receios das paranoias criadas por análises mais superficiais.
Neste nosso encontro mensal vou tentar fazer esse difícil exercício.
Uma primeira observação se impõe: a crise no espaço
comum europeu é muito séria e pode contaminar a economia
mundial. Estamos diante do primeiro grande teste do arranjo político
e econômico que foi construído ao longo de décadas.
Problemas que vinham sendo deixados de lado pelo sucesso de duas décadas
de funcionamento do Tratado de Maastrich afloraram no meio do desequilíbrio
fiscal criado pelo que se convencionou chamar de crise do subprime.
O aumento expressivo dos gastos públicos para evitar uma grande
depressão econômica levou a um crescimento explosivo do endividamento
dos países da zona do euro. E os elos mais fracos - como Grécia
e Portugal - romperam-se sob o peso de uma dívida pública
vista como insustentável pelos investidores.
Foi então que se tornou claro que o arranjo regulatório
existente não era suficiente para lidar com esse desequilíbrio.
A crise de confiança que se instalou foi agravada pelo verdadeiro
bate-cabeças ocorrido entre os principais líderes europeus.
Quando - finalmente - se chegou a um arranjo de emergência, com a
mobilização de cerca de US$ 1 trilhão, o pânico
já estava instalado nos mercados financeiros.
Em um segundo momento, os investidores perceberam que são os
bancos europeus os grandes detentores de títulos emitidos pelos
países chamados de Piigs (sigla em inglês para Portugal, Irlanda,
Itália, Grécia e Espanha). Com isso a crise ganhou também
as cores de uma nova pressão sobre o sistema bancário europeu.
As transações interbancárias voltaram ao estágio
de dois anos atrás, com o chamado risco de contraparte inibindo
o funcionamento normal dos bancos. Mesmo com a volta do Banco Central Europeu
(BCE) como financiador de última instância das instituições
vistas como frágeis, o sistema bancário perdeu grande parte
de sua funcionalidade.
Sabemos que toda a recidiva - seja ela na saúde de uma pessoa
ou da economia de um país - apresenta mais riscos do que a doença
original. É o que está acontecendo na Europa e pode ocorrer
nos Estados Unidos se a crise europeia não for estancada. Afinal,
o endividamento público nos Estados Unidos também passou
dos limites.
Quando a crise do subprime contaminou as economias no mundo todo, os
governos usaram a receita básica deixada pelo grande Keynes. Os
bancos centrais afrouxaram as condições monetárias
e os governos realizaram uma expansão fiscal sem precedentes. Até
recentemente ela funcionou com grande eficiência e o crescimento
econômico voltou em praticamente todos o mundo.
Nos Estados Unidos, os números conhecidos apontam para uma expansão
da ordem de 3,5% nesta primeira metade do ano. A massa salarial está
crescendo a uma taxa superior a 4% ao ano, trazendo certo alento para a
atividade econômica. Mesmo o segmento das pequenas e médias
empresas, que vinha apresentando um comportamento pífio quando comparado
ao das grandes corporações, vem dando sinais de vida novamente.
Mas essa recuperação ainda é muito tênue
e, como reconheceu o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central
americano) recentemente, abaixo das expectativas. Tomando como base as
recessões anteriores, o PIB americano deveria estar crescendo a
uma taxa duas vezes superior à verificada nesta primeira metade
de 2010. O desemprego, de ainda quase 10% da população ativa,
é outro sinal evidente dessa fragilidade.
Por isso a cautela com que os analistas estão olhando para a
maior economia do mundo. Se os efeitos de um agravamento maior da crise
europeia cruzarem o Atlântico e interromperem a recuperação
nos Estados Unidos a economia mundial pode sofrer um novo baque. Para que
isso não ocorra será necessário que a renda do trabalho
continue a crescer nos próximos meses a uma taxa próxima
à atual.
Na sua última aparição pública Ben Bernanke
nos informa que o Fed estará atento à crise europeia e que
tomará as medidas necessárias para preservar a recuperação
da economia. Mas quais serão essas medidas se os juros estão
próximos de zero e o déficit fiscal americano atual é
de dois dígitos? Uma tentativa de repetir o pacote de estímulos
fiscais de 2009 pode detonar uma crise de confiança também
nos Estados Unidos.
Outra questão que precisa ser acompanhada é o possível
aumento do protecionismo nos países mais atingidos por uma eventual
retomada da recessão econômica. Um dos mecanismos de compensação
nos países europeus que buscam uma redução do déficit
público tem sido a desvalorização agressiva do euro.
Com isso, países exportadores como a Alemanha, França e Itália
podem contrabalançar os efeitos recessivos de gastos públicos
menores.
Mas o outro lado da desvalorização do euro é a
perda de competitividade das exportações americanas. Caso
a recuperação americana seja ameaçada, como vai reagir
Washington, principalmente com as disputadas eleições de
novembro se aproximando? (Luiz Carlos Mendonça de Barros
- Valor Online)
15.06 - O Brasil não pode (ainda) crescer em ritmo chinês
Na Ásia, o PIB crescer 11% é ótima notícia.
No Brasil, 9% é sinal de alerta de superaquecimento da economia
Os números divulgados na semana passada pelo Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE) confirmaram que o Brasil experimenta
os seus dias de China. O total de mercadorias e serviços produzidos
pelo país (o produto interno bruto, PIB) cresceu 9% no primeiro
trimestre em relação ao mesmo período de 2009, o maior
valor para a série histórica iniciada em 1995. Entre as economias
mais relevantes do planeta, apenas a China obteve resultado superior. Lá,
ninguém celebrou nem franziu a testa. Aqui, houve comemoração.
"Vivemos um momento de ouro no país. É um crescimento exuberante.
Acho que o Brasil merecia e precisava disso", festejou o presidente Lula.
Mas também preocupação. Falou-se em superaquecimento
da economia e em crescimento não sustentável. O que esses
termos significam?
Os ponteiros ao lado apontam para os números que explicam as
limitações da economia brasileira. Imagine que os indicadores
são os painéis de dois carros de competição,
um chinês e um brasileiro. Se tomarmos os carros pelas economias
dos dois países, assim que elas se aproximarem de um crescimento
anual de dois dígitos, um ritmo bastante veloz, os pilotos condutores
das políticas econômicas vão bater os olhos nos ponteiros
e tirar suas conclusões. Vão bater os olhos primeiro no ponteiro
que mede a inflação. O chinês vai ficar tranquilo -
3,1% de inflação não assusta. O brasileiro vai se
inquietar ao ver a marca de 5,2% no acumulado até maio deste ano.
A reação do chinês será pisar no acelerador.
A do brasileiro vai ser oposta, e ele tentará reduzir o número
de rotações por minuto do motor, desacelerando, portanto,
a atividade econômica.
Quando os dois bólidos metafóricos forem para os boxes,
os engenheiros e projetistas terão informações capazes
de explicar por que o da China não apresentou problemas e o do Brasil
se superaqueceu quando acelerou. Eles olharão os números
dos ponteiros que medem a taxa de poupança e a taxa de investimento.
A China poupa 54,3% de toda a riqueza nacional que produz e investe outros
44,4% dela. O Brasil poupa menos de 20% do seu PIB e investe também
alguma coisa em torno disso. Quanto mais um país poupa, mais ele
investe e mais rapidamente pode crescer sem inflação. Segundo
cálculo do economista Octavio de Barros, diretor de Pesquisas Macroeconômicas
do Bradesco, a taxa de investimento deveria subir a 22% do PIB para que
o Brasil pudesse avançar 5% ao ano sem inflação. Conclui
ele: "Como o crescimento estimado neste ano para o Brasil é de 7,7%,
fica claro que estamos acelerando demais".
Um exemplo ajuda a entender a razão disso no nível da
microeconomia. Digamos que uma determinada fábrica decide duplicar
sua produção mas não tem poupança para investir
em máquinas e tecnologia. Essa fábrica vai ser obrigada a
comprar o dobro de matéria-prima, dobrar o número de empregados
- ou duplicar as horas trabalhadas, pagando horas extras - e pôr
as máquinas para produzir no dobro da velocidade. O resultado disso
é mais produção? Sim. Mas ela é sustentável?
Não, porque logo os fornecedores vão cobrar mais pela matéria-prima,
já que a demanda aumentou; os empregados vão exigir aumento
de salário; e, com o ritmo acelerado, as máquinas vão
quebrar mais frequentemente e se desgastar precocemente. O exemplo vale
para o nível macroeconômico - ou seja, a economia de um país.
Os mesmos fenômenos que inviabilizariam a tentativa da fábrica
que resolveu duplicar sua produção atuariam para tornar insustentável
o esforço de um país que crescesse em ritmo incompatível
com suas taxas de poupança e investimento.
Essa constatação leva os olhos dos engenheiros e projetistas
para outro ponteiro - o que mede a produtividade. O da China marca 4%.
O do Brasil mal saiu do zero - estem 0,3%. O aumento de produtividade significa
fazer mais com menos insumos. Sem produtividade, não existe crescimento
real - outro nome para crescimento sustentável. A produtividade
de um país não aumenta sem poupança e investimento
em educação e tecnologia. E por que o Brasil não investe
mais? Por diversas razões. A mais ponderável é a "despoupança"
do governo. Despoupar significa gastar mais do que se arrecada. Enquanto
Brasília despoupar e Pequim poupar, os chineses vão nos ver
pelo retrovisor. (Revista Veja)
14.06 - Renda fixa é destaque em maio
Maio foi o mês que registrou mais dados e estatísticas
que revelam a recuperação da crise anterior, nas comparações
anuais e os efeitos da atual com outros meses de 2010. Com o agravamento
da crise financeira internacional, o mês foi marcado pela ausência
de ofertas de ações e desaceleração das captações
no mercado externo, com o mercado local, por meio das emissões de
ativos de renda fixa, tornando-se alternativa mais atraente de captação.
Segundo a Anbima (Associação Brasileira das Entidades
dos Mercados Financeiro e de Capitais), contrariando o desempenho apurado
no mês, os dados de operações em renda variável
acumulados em 2010, totalizando captação de R$ 14,4 bilhões,
indicam uma acentuada recuperação em relação
aos volumes reduzidos registrados nos mesmos períodos de 2008 (R$
2,2 bilhões) e 2009 (R$ 7,9 bilhões).
Da mesma forma, as captações no mercado externo registradas
até abril (US$ 10,5 bilhões) foram 150% superiores às
registradas no mesmo período do ano anterior, com destaque para
as captações do setor financeiro, que responderam por 63,7%
do volume das emissões de renda fixa.
O destaque do mês no mercado doméstico ficou por conta
dos ativos de renda fixa, especialmente notas promissórias e debêntures
reguladas pela Instrução CVM nº 476, que trata das ofertas
públicas de valores mobiliários distribuídas com esforços
restritos.
Do total das emissões de renda fixa em maio, de R$ 3,8 bilhões,
89% corresponderam a ativos com estas características. No acumulado
em 2010, o total das notas promissórias emitidas,R$ 6,9 bilhões,
foi desta modalidade, indicando a ausência de registros convencionais
na CVM e a total migração destes ativos para ofertas distribuídas
com esforços restritos. Entre as debêntures, esta participação
correspondeu a 37,9% do total das emissões, atingindo R$ 6,4 bilhões.
Apesar da ausência de emissões de ações
no mês, a participação das ofertas de renda variável
permanece elevada no ano, em comparação a igual período
de 2009. O aumento do número de ofertas em análise na CVM
indica que o volume total de IPOs (oferta pública inicial) e Follow-ons
em 2010 deve superar o baixo desempenho observado em 2009. As ofertas de
renda fixa distribuídas com esforços restritos também.
(Executivos Financeiros)
14.06 - Economia pode crescer até 7% sem ameaçar inflação
O professor de economia Alcides Leite Júnior, da Trevisan Escola
de Negócios, está convencido de que a economia do País
tem condições de atingir um crescimento de até 7%
este ano, sem a inflação sair do controle. Mas acha que a
expansão forte, se repetida em 2011, precisa ser precedida de novos
investimentos, sob o risco de produzir um aumento generalizado de preços,
dada a escassez de mercadorias.
Em reportagem publicada na Agência Brasil, o especialista avalia
positivamente o desempenho da economia no primeiro trimestre do ano- crescimento
de 9% sobre janeiro a março de 2009- mas assinala que a forte expansão
não será repetida nos próximos triestres, em virtude
de um efeito estatístico. “O primeiro trimestre de 2009 foi muito
ruim porque representou o auge da crise econômica. Então,
qualquer crescimento seria expressivo com essa base de comparação”,
disse o professor. “Certamente, a economia não fechará o
ano com crescimento tão significativo.”, assegurou ele.
Para ele, a taxa de investimento, atualmente em 18% do PIB, terá
de avançar para 25%, a fim de manter uma taxa de 5,5% ao ano nos
próximos dez anos, sem a ameaça de provocar inflação
elevada. (Fenaseg)
14.06 - Copom - O que se espera das próximas reuniões
A decisão do Comitê de Política Monetária
(Copom) não surpreendeu ninguém: todo mundo sabia que, um
ano depois de ter reduzido a Selic a um dígito, o Copom voltaria
a fixá-la em 10,25%. Os índices de inflação,
embora com ligeira tendência de baixa, e mais ainda o resultado do
PIB no primeiro trimestre do ano, refletindo um nítido aquecimento
da economia, estavam justificando uma decisão como essa.
Embora o Copom sempre tenha afirmado que as decisões monetárias
demoram cerca de seis meses para surtir efeitos, não há dúvida
de que a de quarta-feira vai ser logo acompanhada de uma elevação
da taxa de juros do mercado, como também por um aumento dos juros
pagos pelo governo sobre a dívida interna.
Mas essa decisão, no início da campanha eleitoral, mostra
a independência de fato do Banco Central - o que não impedirá
que se reabra a discussão em torno dela, especialmente levando em
conta que o Copom, no seu breve comunicado depois da reunião, deixou
bem claro que seu objetivo é conduzir o Índice Nacional de
Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ao centro da meta de inflação
e, para isso, continuará com sua política de aumento progressivo
da taxa Selic.
É esse anúncio de uma elevação progressiva
da taxa básica de juros que dará força aos que condenam
essa política monetária que já está recolocando
o Brasil entre os países com a maior taxa de juros do mundo.
Seria importante que o Copom, nas suas próximas reuniões,
levasse mais em conta dois fatores: a tendência da pressão
inflacionária e, paralelamente, a evolução da economia.
Não se pode ter ilusão quanto à possibilidade de a
inflação recuar de tal modo que permita o cumprimento da
meta do governo. Em contrapartida, pode-se prever um ritmo mais lento de
crescimento.
Seria útil levar em conta a qualidade do crescimento, que pode
ser muito diferente se for fruto do aumento dos investimentos ou apenas
do consumo das famílias.
O que nos parece essencial é que o Copom manifestou a sua vontade
de que, voltando a normalidade, possa seguir uma política de redução
progressiva da taxa de juros básica até atingir o nível
que ela apresenta nos países com inflação menor que
a do Brasil. Isso para que a vida econômica possa se desenrolar num
clima que permita enfrentar a concorrência internacional e para que
o governo volte a pagar um juro sobe a dívida pública nitidamente
menor. Em resumo, trata-se de se livrar definitivamente do sistema de indexação,
que continua envenenando o mercado financeiro que se recusa a perder com
a inflação. (O Estado de S.Paulo)
11.06 - EUA: Economia segue em recuperação modesta
A economia dos Estados Unidos seguiu avançando modestamente
nos últimos dois meses, na avaliação do Fed em seu
Livro Bege. De acordo com o documento, a atividade econômica continuou
melhorando na maioria dos setores desde a divulgação do última
versão do Livro Bege, mesmo que lentamente.
Por outro lado, o Fed destacou que as preocupações acerca
da situação europeia aumentaram no período. "Alguns
contatos indicaram preocupações sobre o impacto da crise
fiscal europeia em condições financeiras e de negócios,
e registraram um aumento na incerteza e volatilidade do mercado financeiro",
escreve o BC norte-americano. Além disso, o vazamento de petróleo
no golfo do México também aparece como ponto de preocupação.
Ainda segundo o Fed, o mercado de trabalho - um de seus principais
pontos de preocupação - mostrou "leve melhora", e as pressões
sobre os salários foram limitadas. As taxas e emprego avançaram
na maior parte dos distritos, tanto considerando vagas permanentes quanto
temporárias. A indústria foi a principal fonte de empregos.
Gastos e preços
Gastos do consumidor mostraram melhora, de maneira geral, mas seguiram
concentrados em necessidades básicas ao invés de itens de
consumo com maior valor. As vendas no varejo também avançaram
nos últimos dois meses, apesar de esses ganhos não serem
homogêneos entre maio e junho.
Da mesma forma, os gastos das empresas também avançaram
“moderadamente” entre maio e junho tanto em custos de capital quanto em
custos de pessoal. Entretanto, as pressões da falta de crédito
e a cautela seguem pressionando os negócios. Em alguns distritos,
a produção de automóveis não está atendendo
a demanda, pressionando os estoques já reduzidos.
Os preços de produtos e serviços, por sua vez, permaneceram
estáveis, indicando que os maiores custos de produção
não foram repassados para o consumidor.
Atividade
O Fed reportou que o setor financeiro não viu muitas mudanças
entre maio e junho – entretanto, alguns distritos notaram uma leve variação
positiva nos empréstimos, em especial os comerciais e imobiliários.
Já os empréstimos ao consumidor mostraram piora na maior
parte dos distritos norte-americanos.
Já a atividade do setor não-financeiro mostrou melhora
frente ao último documento, com alguns distritos apresentando maior
demanda por serviços técnicos profissionais. Construção,
contabilidade e advocacia seguem com a demanda pressionada.
Mercado imobiliário
De acordo com o Fed, a atividade do mercado imobiliário residencial
foi sustentada em alguns distritos pelo final do prazo para o homebuyer
tax credit – um incentivo fiscal para reaquecer o mercado. Em maio, muitos
desses distritos notaram uma desaceleração. Apesar de uma
maior demanda industrial, a atividade no mercado imobiliário comercial
segue enfraquecida.
“A dificuldade na obtenção de crédito e o alto
número de casas disponíveis para venda foram alguns dos fatores
que impediram uma melhora mais consistente do mercado imobiliário
em alguns distritos”, explicou o BC norte-americano.
Indústria, transporte e turismo
O Livro Bege do Fed indicou também que a produção
e o transporte continuaram a mostrar melhoras graduais em todos os doze
distritos.
O turismo também mostrou progressos – os estados do sul do país,
contudo, já começam a sentir os efeitos negativos do vazamento
de óleo no golfo do México e das enchentes no Tenesse. “Há
potencial para muito mais impacto, mas ainda é incerto quais serão
os efeitos finais”. (Giulia Santos Camillo - InfoMoney)
11.06 - Banco Mundial prevê avanço da economia global
A recuperação da economia global continua a avançar,
mas a crise fiscal na Europa criou dificuldades no caminho do crescimento
sustentável no médio a longo prazo. A avaliação
é do Banco Mundial, e consta em seu "Global Economic Prospects"
para 2010, divulgado nesta quarta-feira (9). A projeção é
de aumento do PIB (Produto Interno Bruto) global entre 2,9% e 3,3% este
ano.
Emergentes em alta...
Para 2011, a projeção de crescimento é a mesma,
Já para 2012, as perspectivas são mais otimistas, com as
estimativas ficando entre expansão de 3,2% e 3,5%. Enquanto as economias
emergentes devem crescer entre 5,7% e 6,2% em cada ano entre 2010 e 2012,
liderando a recuperação, os países desenvolvidos têm
projeções que giram entre 2,1% e 2,3% em 2010, insuficientes
para reverter a contração de 3,3% vista em 2009. Para 2011,
a projeção fica entre 1,9% e 2,4%.
As principais barreiras à recuperação no médio
prazo incluem redução dos influxos de capital internacional,
alta taxa de desemprego e a capacidade ociosa que excede os 10% em diversos
países."Enquanto o impacto da crise fiscal até agora está
contido, um prolongamento do aumento da dívida soberana pode tornar
o crédito mais caro e reduzir os investimentos", diz o relatório.
Por outro lado, o comércio internacional recuperou-se bruscamente
e é esperado que cresça cerca de 21% este ano, sendo que
aproximadamente metade do avanço na demanda global entre 2010 e
2012 deve vir dos países desenvolvidos.
... mas não estão livres dos riscos
O relatório afirma ainda que uma segunda rodada da crise financeira
não pode ser descartada em alguns países da Ásia Central
e emergentes europeus, com aumento da inadimplência podendo prejudicar
a solvência do setor bancário.
"Os emergentes não estão imunes aos efeitos da crise
da dívida soberana nos países desenvolvidos", afirmou o gerente
de macroeconomia global do Banco Mundial, Andrew Burns, apesar de contrapor
que a expectativa é que essas economias se saim bem, caso tenham
o foco nas estratégias de crescimento, facilitem o caminho para
as empresas ou tornem os gastos mais eficientes.
O relatório alerta ainda que, nos próximos 20 anos, a
luta contra a pobreza poderá ser dificultada, caso os países
sejam "forçados a cortar produtividade e e investimentos em capital
humano, devido à menor ajuda ao desenvolvimento e redução
das receitas fiscais". Isso pode acabar afetando as taxas de crescimento
de longo prazo dos emergentes, aumentando potencialmente o número
de pessoas em pobreza extrema em 2020 para cerca de 26 milhões.
(InfoMoney)
11.06 - Economia brasileira em zona de superaquecimento
A divulgação do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro
na última sessão veio acompanhada de declarações
de diversas autoridades, que aproveitaram o indicador para elogiar a saúde
da economia brasileira. Entretanto, o ritmo robusto de expansão
da atividade pode implicar mais do que o sucesso do Brasil na saída
da crise.
Para Alfredo Coutiño, diretor da Moody's Economy para a América
Latina, a economia do País está acelerada acima de seu potencial
– o que indica que o Brasil está entrando em uma zona de superaquecimento.
Segundo ele, o mercado doméstico – estimulado por medidas governamentais
– é a principal mola do crescimento, com consumo das famílias
e investimentos públicos em infraestrutura como destaques.
Assim, o mercado interno, aliado ainda a uma recuperação
da demanda externa, em especial de commodities, vem mantendo o ritmo de
atividade acelerado – o que deve continuar nos próximos meses. "Como
resultado, haverá o desenvolvimento de uma demanda em excesso, o
que elevará a inflação e causará uma deterioração
do balanço externo", explica.
Aperto monetário
A solução, nesse caso, é a imposição
de uma política monetária mais dura pelo Banco Central, que
ajudaria a levar a economia brasileira para uma "saudável moderação"
em 2011 e, no médio prazo, acarretaria em um ritmo de crescimento
mais equilibrado. Coutiño prevê que o BC tomará essa
decisão em breve.
A Moody's Economy - subsidiária da agência de classificação
de risco - espera uma desaceleração no crescimento brasileiro
no segundo semestre, projetando um avanço de 6,5% em 2010.
(Julia Ramos M. Leite - InfoMoney)
10.06 - Ritmo a se manter
O crescimento de 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre,
em comparação com o anterior, e de 9% no acumulado dos últimos
12 meses, é muito animador, mesmo depois de descontada a recessão
do começo de 2009, o que prejudica a base de comparação.
Mas, além da exuberância dos percentuais divulgados pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há pelo menos
duas notícias que merecem ser destacadas. São sinalizações
que deverão influir nas decisões dos executivos tanto do
governo quanto das empresas, já que representam bem mais do que
papel no fogo da lareira. A primeira é a constatação
de que a expansão do consumo das famílias e do governo deu
sinais de arrefecimento, depois de longo período de ritmo febril
de crescimento. A segunda é ainda mais relevante: depois de ter
mergulhado no abismo da aversão ao risco, os investimentos, na capacidade
produtiva da economia, inclusive os da iniciativa privada, voltaram a crescer
em marcha bem mais convincente.
A indústria, que, no caso brasileiro, continua tendo grande
peso na medição da atividade econômica, voltou a ser
destaque entre os índices setoriais de crescimento: 4,2% sobre o
quarto trimestre de 2009 e nada menos do que 14,6% em relação
ao primeiro trimestre do ano passado. A agropecuária cresceu 2,7%
em relação ao trimestre imediatamente anterior e 5,1% na
comparação anual. O setor de serviços se expandiu,
respectivamente, 1,9% e 5,9%. Esse ritmo de crescimento já vinha
preocupando os especialistas. Apesar de o acesso à importação
estar sendo facilitado pela taxa cambial mais baixa, a pressão sobre
os preços já foi suficiente para retirar a inflação
dos limites da meta anual. É o preço da corrida ao consumo,
no embalo da confiança de que os empregos serão mantidos
e o mesmo ocorrendo com os salários. Não é sem razão
que o Banco Central (BC) terá de apertar as torneiras da política
monetária, antes que a situação fuja do controle.
Mas isso também aumenta a importância da queda no ritmo de
crescimento do consumo das famílias, que ficou em 1,5%.
Mas, se o ritmo for superior a 5% ao ano, é importante para
um país como Brasil manter o crescimento. É o consumo que
faz girar a roda da economia, mas não há registro de nação
que tenha sustentado taxas de expansão sem separar considerável
parcela de sua poupança para os investimentos. Chamado pelos economistas
de formação bruta de capital fixo, esse indicador dá
a medida da construção do futuro próximo. Foi animador
constatar que os investimentos cresceram 7,4% no trimestre e 26% na comparação
trimestral. Mas a verdade é que, mesmo com esse desempenho, a parcela
investida não passou de 18% do PIB trimestral. É muito pouco,
se comparado com o que a maioria dos especialistas recomenda: pelo menos
25%, durante oito ou 10 anos. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo,
já reconhece que nem o patamar de 21% do PIB previsto no Programa
de Aceleração do Crescimento (PAC) será alcançado
este ano. É desafio que se transfere e que a sociedade terá
de cobrar do próximo governo. (Estado de Minas)
10.06 - PIB positivo aponta para gargalos
Seja qual for o ângulo pelo qual se olhe a economia no primeiro
trimestre, há um cenário positivo. A fotografia tirada daquele
momento, revelada nas estatísticas divulgadas ontem pelo IBGE, registra
a consolidação da recuperação do PIB - o valor
de tudo o que é produzido - e coloca o país, de fato, em
destaque num mundo em que tradicionais economias desenvolvidas, a americana,
as europeias e a japonesa, patinam em diversos estágios de crise
- se os americanos dão sinais de haver uma recuperação
em marcha, a União Europeia empaca nos problemas de solvência
de alguns países do bloco, por exemplo. Os 2,7% de crescimento brasileiro
em relação ao último trimestre do ano passado ficam
bem à frente do 1,2% obtido pelo Japão; 0,8% dos Estados
Unidos; o 0,3% britânico ou o 0,2% germânico.
Para efeito político-eleitoral, a militância petista deve
preferir alardear os 9% de expansão, índice obtido quando
se compara o que aconteceu de janeiro a março deste ano com o mesmo
período de 2009. Os próprios técnicos do IBGE explicam
a razão da diferença: como a base de comparação
- janeiro a março de 2009 - é muito baixa, o resultado ficou
bastante alto. Lembre-se de que 2009 começou ainda sob os efeitos
do baque histórico sofrido pela economia americana e, por tabela,
a mundial, provocado pelo entupimento do sistema mundial de irrigação
de crédito, a partir da falência do Lehman Brothers, em setembro
de 2008. Naquele início de 2009, a economia brasileira encolheu
2,1% em relação ao resultado do início de 2008. Não
é certo, então, tachar de "chinês" o crescimento brasileiro
- os 9% foram tópicos e gerados por um efeito estatístico,
que perderá a força nos próximos cálculos.
A China, por sua vez, ostenta índices desta ordem, em média,
por duas décadas.
O presidente Lula saudou o resultado como sinal de que o Brasil vive
"um momento de ouro". As palavras são do político Lula, dedicado
a fazer o sucessor. Se a economia brasileira terá um longo ciclo
de crescimento, "de ouro", ainda não se sabe. O certo é que
muitos analistas consideram insustentável o ritmo atual estimado
de expansão. Se anualizada a expansão do primeiro trimestre,
o índice ultrapassa um pouco os 10%, bem acima dos 2,4% de crescimento
nos quatro trimestres do período janeiro/março 2009 a janeiro/março
2010. Quer dizer, a economia se encontrava em forte aceleração.
Eis por que o Banco Central já começou a subir os juros
básicos. Não há mesmo capacidade de produção
e infraestrutura no país para atender a esta demanda. É por
isso que a inflação, projetada para 2010 pelo mercado, está
em 5,6%, um ponto acima do centro da meta, de 4,5%. O problema é
que a atual onda de crescimento brasileiro é alimentada basicamente
pelo consumo - das famílias e governo -, enquanto a taxa de investimento,
embora, felizmente, também em alta, não é suficiente
para permitir que o PIB siga muito veloz.
A taxa, também calculada pelo IBGE, foi de 18% do PIB no primeiro
trimestre, ainda muito aquém dos 25% considerados ideais para o
PIB poder se expandir sem pressões inflacionárias à
velocidade de 5% ao ano. E, para chegar a este ponto, o Estado precisa
fechar a válvula dos gastos, a fim de ajudar no aumento da poupança
interna, um dos pilares dos investimentos.
Boas notícias no futuro, portanto, dependerão das reformas
de que o país necessita, como a previdenciária. Se executadas,
alguns anos poderão mesmo ser dourados
Manutenção do crescimento vai depender de reformas como
a da previdência (O Globo)
10.06 - Analistas alertam para superaquecimento
Nem a expansão do investimento (18%) seria suficiente para sustentar
crescimento da economia sem uma forte pressão inflacionária
A expansão forte do investimento entre o último trimestre
do ano passado e o primeiro deste ano elevou a taxa de investimento nacional
a 18% do PIB, segundo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES). Mas esse avanço não é suficiente
para sustentar o crescimento da capacidade de produção das
empresas e, portanto, da economia sem uma forte pressão inflacionária.
Nem as estimativas otimistas do BNDES apontavam para esse resultado,
mas os técnicos do banco calculam que, para manter um ritmo de crescimento
econômico anual entre 5% e 5,2%, o País precisa de uma taxa
de investimento de 22% do PIB. O banco projeta para 2012 esse patamar de
investimento, mas o mercado considera essa estimativa também otimista.
Entre os parceiros do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China),
o Brasil tem a menor relação de investimento em relação
ao PIB. No ano passado, marcado pela lenta recuperação da
crise econômica mundial, a China registrou taxa de investimento de
43%; a Índia, 34%, e a Rússia, 20%. No Brasil, essa relação
havia despencado para 16,7% do PIB.
Para Marcelo Nascimento, economista da área de pesquisa econômica
do BNDES, os números do IBGE confirmam o restabelecimento das condições
anteriores à crise, mas ele admite que ainda é pouco para
a expansão segura da economia. O banco revisou ontem de 18,6% para
19% do PIB a sua projeção da taxa de investimento na economia
em 2010, mesmo nível do pré-crise.
Taxa baixa. O economista Aurélio Bicalho, do Itaú-Unibanco,
concorda que o País começa a se recuperar da grande queda
na taxa de investimento ocorrida na crise mundial no final de 2008 e início
de 2009. Contudo, aponta que "a taxa de investimento ainda é baixa
para que a economia possa crescer a taxas superiores ao nível de
4,5% e 5%. Para ele, os sinais são de que o País está
crescendo acima da capacidade de oferta.
Embora a relação investimento/PIB não seja a ideal,
o economista do BNDES acredita que o crescimento econômico puxado
pelo investimento e pelo setor industrial indica um cenário mais
ameno do que se imagina. "A elevação do investimento está
aumentando a capacidade produtiva para a frente", diz Nascimento.
Para ele, a partir dos próximos dois trimestres haverá
aumento da capacidade produtiva. "Já vai aliviar a indústria
e serviços para que a gente siga no passo de crescimento a taxas
razoáveis. Não podemos olhar para esse trimestre e achar
que é um sinônimo de tudo o que vai acontecer durante o resto
do ano", alerta.
Baixa poupança. A taxa de poupança no primeiro trimestre
foi
de 15,8% do PIB. No primeiro trimestre de 2009 havia sido de 14,3%. Apesar
da alta, ainda continua, na média de quatro trimestres, em apenas
15%. Para vários economistas, essa baixa poupança doméstica
faz com que o aumento dos investimentos provoque déficit nas contas
externas - ainda mais se a taxa de investimentos subir para mais de 20%,
como deseja o governo. Com o crescimento econômico, as importações
disparam.
Para o Nascimento, do BNDES, a taxa de investimento de 43% da economia
da China é invejável e tem relação com o tipo
de crescimento experimentado naquele país. Os investimentos chineses
estão concentrados principalmente na construção civil
e em infraestrutura, que têm reflexo de longo prazo.
Máquinas e equipamentos. Já no Brasil, a expansão
do investimento é maior no componente relativo a máquinas
e equipamentos, que influencia mais o curto prazo. Por isso, o BNDES acredita
que metade do patamar chinês é suficiente para o Brasil.
"Nosso investimento tem uma vantagem em relação ao de
outras economias. A maior participação dele, quase 56%, é
de máquinas e equipamentos. É a parcela mais produtiva do
investimento e que tem ligação direta com a ampliação
de oferta. Esse é o componente mais eficaz na ampliação
de capacidade produtiva", diz Nascimento.
Para ele, a expansão do investimento será mais lenta
a partir de agora, mas deve atingir 21,5% já em 2011 e 22% em 2012.
(Alexandre Rodrigues, colaboraram Nalu Fernandes e MArcílio Souza
- O Estado de S.Paulo)
10.06 - Controvérsia
Levantamento feito pelas competentes jornalistas Ângela Bittencourt
e Lucinda Pinto ("Valor Econômico", 4/6) com 31 importantes analistas
do sistema financeiro revelou que, para o Copom de hoje, 9 entre cada 10
estimavam um aumento de 0,75% da taxa Selic. O outro esperava 1%!
Tal unanimidade se devia provavelmente à estimativa do crescimento
entre 2,5% e 3% do PIB do primeiro trimestre de 2010 contra o último
de 2009, que afinal se confirmou em 2,7%.
É verdade que teremos uma safra 2009/10 melhor que a anterior
e com aumento da produtividade, que a produção industrial
está chegando ao "pico" alcançado antes da crise, que foram
feitos investimentos que estão maturando e que existe uma escassez
de mão de obra especializada, mas sem resultar em aumento dos salários
reais acima da produtividade.
Apesar dos gargalos da infraestrutura, parece claro que podemos crescer
entre 5% e 6% sem maiores pressões inflacionárias.
A dificuldade do Banco Central é que as pressões inflacionárias
são sorrateiras e a credibilidade da política de metas depende
do seu sucesso. No último quinquênio, a "meta" foi de 4,5%
ao ano, e a inflação realizada, de 4,7%, o que certamente
é um sucesso.
Os Bancos Centrais são normalmente conservadores. Tendem a subestimar
o famoso "PIB potencial" e a superestimar a taxa neutra de desemprego e
a taxa de juro real de equilíbrio para garantir sua credibilidade.
No Brasil, o caso é grave: depois de longas lutas e derrotas,
o Banco Central concede que o tal PIB potencial talvez esteja entre 4,5%
e 5%, mas garante que a taxa de juro real de equilíbrio está
entre 7% e 8%, tão teratológica quanto sua estimativa de
que a taxa de desemprego mínima para domesticar o mercado de trabalho
deva ser de 7% a 8%.
O último "Boletim Focus" (4/6) mostra que o mercado financeiro
espera uma taxa de inflação de 4,8% e uma taxa de crescimento
de 4,5% para 2011, depois da elevação do juro esperada para
2010.
Qual é a taxa de juro real esperada pelos analistas acima?
Os mais comedidos (16% deles) esperam a Selic de 11,50% no final de
2010 e, portanto, uma taxa de juro real de 6,4%; os que esperam a Selic
entre 11,51% e 12% (39% dos informantes), 6,6%; de 12,01% a 12,50% (32%
dos informantes), 7,10%; e de 12,51% a 13,00% (13% dos informantes), 7,6%.
Estão todos bem domesticados pela credibilidade dos modelitos do
Banco Central!
Mas há controvérsia. O setor privado brasileiro há
de ser muito produtivo para gestar um robusto crescimento pagando a maior
taxa real de juros do universo e suportar a supervalorização
do real dela decorrente. (ANTONIO DELFIM NETTO - Folha de S.Paulo)
09.06 - Previdência privada garante renda extra
Além do benefício do INSS, o trabalhador que investir
em um plano de previdência complementar poderá receber, ao
se aposentar, uma pensão vitalícia. Se preferir, ele também
poderá resgatar o dinheiro todo de uma vez e usá-lo, por
exemplo, na compra de um Imóvel.
Já é possível fazer uma previdência privada
pagando R$ 50 por mês. Ao contratar o plano, no entanto, o Investidor
precisa ficar atento. Quanto menor o valor da contribuição,
maior tende a ser a taxa cobrada pela empresa que administra o dinheiro.
Ainda assim, o investimento tende a ser um bom negócio para
quem quer uma aposentadoria tranquila. Um trabalhador de 45 anos que ganha
R$ 2.500 por mês poderá ter mais de R$ 100 mil acumulados
aos 60 anos de idade se investir R$ 300 mensais em um piano. Ele também
poderá resgatar seu dinheiro na forma de uma pensão vitalícia
de R$ 360 por mês.
Se, o investidor começasse a aplicar a mesma quantia mensal
aos 25 anos de idade, sua reserva acumulada aos 60 anos seria de quase
R$ 650 mil, o que garantiria uma pensão vitalícia de R$ 2.285.
(Segs)
09.06 - Metas de inflação podem ser mais baixas
Como acontece desde a adoção das metas de inflação,
o Conselho Monetário Nacional se reunirá em breve para definir
o alvo a ser perseguido em 2012. O do ano que vem já está
estabelecido: os mesmos 4,5% fixados desde 2005, com margem de tolerância
de dois pontos percentuais para ambos os lados, menos ou mais. A política,
aplicada a partir de 1999, quando a meta foi de 8% - a inflação
fechou 0,94 ponto acima -, é parte de um tripé no qual as
duas outras pernas são o superávit primário nas contas
públicas - destinado ao pagamento dos juros da dívida interna,
indicador da qualidade da administração do endividamento
- e o câmbio flutuante.
Adotados quando explodiu o câmbio semifixo, no governo FH, e
o país teve de recorrer ao FMI, estes três parâmetros
funcionaram tão bem que sequer o governo Lula, ao assumir em 2003,
deixou de segui-los. Se o câmbio flutuante ajuda o país a
economizar reservas - o BC não tem compromisso com faixas de flutuação
do dólar -, e o superávit primário sinaliza mensalmente
a maior ou menor capacidade de os governos gerirem as finanças públicas,
a meta de inflação é poderoso farol para os formadores
de preços.
Como o BC tem autonomia operacional - peça fundamental na política
econômica -, os agentes econômicos procuram trabalhar com suas
planilhas atreladas às metas de inflação.
Se apostarem em reajustes de preços acima das previsões
da autoridade monetária, passam a correr elevado risco de acumular
prejuízos.
Pelo que se conhece da atual equipe econômica, será uma
surpresa se ela reduzir a meta para 2012. Deve mantê-la nos 4,5%
de alvo central, quando, segundo alguns analistas, o Brasil já poderia
preparar o terreno para conviver com índices inflacionários
mais baixos. Têm razão.
Os 4,5% podem ser baixos se comparados com o Brasil da década
de 80, mas são elevados diante do patamar da inflação
no mundo desenvolvido em situação de normalidade.
Diante do aguçamento das pressões inflacionárias,
devido ao atual aquecimento indesejável da economia, o BC continuará
a subir os juros. É provável, então, a existência
do temor em Brasília de que um corte de meta, mesmo para 2012, induza
o BC a, mais à frente, aumentar o aperto da política monetária.
Há, ainda, um outro aspecto, este de origem mais ideológica
do que técnica, nesta resistência em Brasília a se
partir para objetivos mais ousados na inflação. É
a crença, equivocada, de que um pouco mais de inflação
garante também um adicional na taxa de crescimento. Já houve
quem dissesse no governo que uma inflação de 15% se justificaria
por um crescimento a taxas mais elevadas.
Trata-se de uma crença "desenvolvimentista", e que se esquece
de duas mazelas da alta de preços: o empobrecimento da população
e, no segundo momento, a perda de ritmo da própria economia.
Mas, pelo jeito, metas mais civilizadas para a inflação
ficarão por conta do novo presidente, que terá pela frente,
também, um desafio correlato: a desindexação de tarifas
de serviços públicos.
CMN deveria reduzir, para 2012, o centro do alvo de 4,5%
(O Globo)
09.06 - Mercado: Crescimento do PIB vai a 6,60% em 2010
Os analistas de mercado elevaram pela 12ª semana consecutiva a
projeção para o crescimento da economia brasileira em 2010.
Segundo o relatório Focus, divulgado na segunda-feira pelo Banco
Central, o PIB (Produto Interno Bruto) do País terá alta
de 6,60%. Para 2011, a estimativa permanece inalterada em 4,50%.
A estimativa para a inflação oficial, medida pelo IPCA
(Índice de Preços ao Consumidor Amplo), apresentou queda
após 19 semanas, e passou de 5,67% na última semana para
5,64%. Apesar da queda, a projeção ainda está acima
da meta de inflação traçada pelo governo, que é
de 4,50%. Para 2011, a previsão do IPCA permanece estável
em 4,80%.
A previsão para o crescimento da produção industrial
para 2010 também foi elevada pela 15ª semana consecutiva, ao
passar de 11,00% na última divulgação para 11,34%.
Para o ano que vem, espera-se um acréscimo de 5,00%.
Nesta edição do relatório Focus, a projeção
do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2010 permaneceu
em R$ 1,80 por dólar. Para o fechamento de 2011, a previsão
dos analistas para a taxa de câmbio ficou estável em R$ 1,85
por dólar.
A projeção dos economistas do mercado financeiro para
o superávit da balança comercial em 2010 permaneceu estável
em US$ 15 bilhões na semana passada. Para 2011, a previsão
dos economistas para o saldo da balança comercial subiu de US$ 4,5
bilhões para US$ 5,23 bilhões de superávit.
(Executivos Financeiros)
08.06 - Aposentadoria multiplicada
Gestores independentes lançam fundos de previdência em
parceria com seguradoras.
Plantar hoje para colher bons frutos amanhã. A frase quase surrada
continua obrigatória na cartilha da previdência privada. Ela
promete juntar o pouquinho guardado todos os meses e transformá-lo
em uma bolada daqui a algumas décadas. É o milagre da multiplicação
da aposentadoria garantido pelos juros compostos e pela tabela regressiva
do Imposto de Renda, que diminui a mordida do Leão de 35% para 10%
dos ganhos a partir do décimo ano.
Não faz muito tempo, a gestão desses recursos de longo
prazo era exclusiva das seguradoras e das companhias de previdência
privada. Agora, gestores independentes de recursos fazem parcerias com
essas instituições e assumem o comando de fundos de investimento
multimercado previdenciário. Nos últimos 12 meses, dez novos
fundos desse tipo foram criados. Nos próximos meses, XP e Ventor
vão aumentar essa lista. O que eles querem oferecer ao investidor?
Em uma palavra: rentabilidade. A fama dos gestores independentes é
a de conseguir a melhor combinação entre ativos, como ações
e títulos de renda fixa. É esta especialização
que seria capaz de multiplicar os retornos. "Investimentos em ações
com a filosofia de esperar a maturação do negócio
para cinco ou dez anos tem tudo a ver com previdência", diz Felipe
Claudino, sócio da Leblon Equities, que lançou um fundo do
gênero em dezembro, em parceria com a Icatu.
Os independentes já administram R$ 830 milhões nessa
categoria. Eles fazem a gestão, mas a comercialização
e o pagamento dos futuros benefícios fica a cargo das seguradoras
parceiras. As regras de contribuição e resgate são
as mesmas dos demais fundos tipo VGBL e PGBL oferecidos no mercado, ou
seja, dependem de cada cliente.
Por força da legislação, nos multimercados previdenciários
as aplicações em renda variável são feitas
até o limite de 49% do patrimônio líquido. O restante
é usado na compra de títulos públicos. No curto prazo,
a comparação com multimercados tradicionais é desfavorável.
A rentabilidade média dos 39 fundos de previdência não
ligados a bancos estava em 2,5% no ano, até a quarta-feira 26 de
maio.
Ela é menor, por exemplo, do que a dos fundos de renda fixa
(3,5%), dos multimercados multiestratégia (2,9%) e dos DI (2,7%).
Porém, no longo prazo as estimativas são de uma diferença
gritante. Um aporte de R$ 100, por exemplo, é 43% maior no prazo
de 30 anos (veja quadro).
"A gestão dinâmica e ativa é que vai fazer toda
a diferença para a aposentadoria", afirma Daniel Fuks, da Gávea
Investimentos, que atua com a Itaú Seguros. "Faz pouco sentido pensar
em um horizonte de mais de 15 anos sem renda variável", diz Guilherme
Benchimol, sócio da XP Investimentos. A gestora lançará
em junho seus primeiros fundos de previdência multimercado.
Além da taxa regressiva do IR, que só será cobrada
no resgate, as carteiras de previdência não sofrem com o come-cotas,
o imposto descontado automaticamente duas vezes ao ano dos fundos tradicionais.
"Os fundos de previdência oferecem uma estrutura melhor devido às
suas vantagens tributárias", diz Henry Gonzalez, da Fram Capital.
"É importante haver um alinhamento de interesses para 20 ou 30 anos",
completa Fernando Luiz, sócio da Orbe Investimentos, que estreou
neste mercado em fevereiro, também com a Icatu.
Os novos fundos têm sido lançados com aplicação
inicial de R$ 50 mil, em média. A taxa de administração
está em 1,6% ao ano, em média. Os gestores praticamente aboliram
a cobrança de taxa de carregamento, um pedágio de até
10% da aplicação inicial. "A taxa de carregamento é
negociável para valores menores de R$ 50 mil", diz José Eduardo
Araújo, diretor da GAP Asset Management. (Márcio Kroehn
- Isto É Dinheiro)
08.06 - Brasil já se desacelerou, afirma Mantega
Em Xangai, ministro da Fazenda citou redução no consumo
e na produção industrial como sinais importantes
Para Mantega, a decisão do Copom de elevar os juros foi baseada
em análises "animadas" do mercado financeiro
A uma semana da reunião do Copom (Comitê de Política
Monetária), o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que a economia
brasileira já não corre risco de superaquecimento devido
a medidas recentes do governo e à crise da União Europeia.
Em entrevista coletiva durante encontro de empresários brasileiros
e chineses, na última quarta-feira, em Xangai, Mantega disse que
a economia tem dado "sinais importantes" de desaceleração.
Para o ministro, o Copom se baseou em análises "animadas" do
mercado financeiro para o recente aumento dos juros, pelas quais o PIB
do Brasil cresceria até 8% neste ano.
"Quando o Copom resolveu elevar a taxa de juros, estava olhando o ritmo
da economia seis meses adiante. Ele trabalhou com o pressuposto dessas
análises que dizem que a economia está crescendo 6%, 7%,
8%, principalmente o pessoal do mercado financeiro [que] está animado,
dizendo que a economia está crescendo a taxas elevadas. Vai ver
que eles querem que a taxa de juros suba", afirmou.
"Eu não vou avaliar porque não sei quais foram os critérios
que o Copom utilizou para as suas conclusões. Estou constatando
que a economia brasileira já está se desacelerando e aí
já temos os indicadores concretos, não é mera suposição",
completou Mantega.
Na última reunião, realizada no final de abril, o Copom
elevou a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual, com o objetivo
de esfriar a economia e diminuir a pressão inflacionária.
Na época, vários analistas do mercado consideravam que
o aumento já deveria ter sido feito antes, para conter o superaquecimento.
Questionado se o aumento dos juros poderá desacelerar a economia
mais do que o necessário neste ano, Mantega disse que "não
sou eu quem tem de fazer [essa avaliação], vocês perguntem
ao Banco Central".
SINAIS
O ministro da Fazenda mencionou a desaceleração no consumo
e na produção industrial como sinais de desaquecimento da
economia.
Para Mantega, o país já está voltando para "aquele
curso normal e sustentável de um crescimento de 5,5%, 6% no final
do ano".
Mantega disse que a desaceleração ocorreu devido à
recomposição de tributos, à retirada de estímulos,
ao corte de R$ 10 bilhões nos gastos do governo e ao aumento do
compulsório dos bancos -parcela dos depósitos dos clientes
recolhida obrigatoriamente ao BC.
A crise na União Europeia também contribui para a desaceleração,
disse Mantega, pois provocou a diminuição na disponibilidade
de crédito para a economia brasileira.
Sobre o crescimento do PIB no primeiro trimestre, Mantega ratificou
que será uma "taxa chinesa" e que ficará entre 8% e 10%.
"Ninguém quer que a economia cresça 10%, pelo menos neste
momento", afirmou. (FABIANO MAISONNAVE - Folha de S.Paulo)
08.06 - Selic: Analistas preveem alta de 0,75 ponto
Para o mercado financeiro, Copom dará sequência nesta
semana ao processo de elevação da Taxa Selic, que deve chegar
a 10,25%
De olho no forte ritmo da atividade econômica brasileira e os
ainda elevados índices de inflação, o Comitê
de Política Monetária (Copom) deve dar sequência nesta
semana ao processo de elevação da taxa básica de juros
(Selic). Os economistas do mercado financeiro concentram majoritariamente
suas apostas em uma elevação de 0,75 ponto porcentual na
quarta-feira, o que levaria a taxa básica para 10,25% ao ano.
Apesar de a crise na Europa ser um fator que adiciona incerteza ao
cenário macroeconômico, os analistas entendem que o problema
ainda não traz impactos relevantes para a economia brasileira. Por
isso, o BC deve tomar a decisão mirando a situação
interna. "Os fatores domésticos é que vão pesar. A
inflação está alta e a atividade econômica,
muito forte afirmou o economista-chefe do banco BES Investimento, Jankiel
Santos.
Segundo ele, a situação europeia só mudaria o
rumo do Copom em caso de uma deterioração forte da situação
atual. Não acho que a crise lá vai se resolver rapidamente.
Mas também não acredito que vai piorar o BC vai continuar
olhando para o cenário doméstico.
Nos quatro primeiros meses de 2010, o Índice de Preços
ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 2,65%, praticamente metade
da meta de 4,5% para ano inteiro (que tem tolerância de 2 pontos
porcentuais para cima ou para baix o. Nos 12 meses encerrados em abril,
a inflação pelo índice oficial, que baliza o sistema
de metas oficial, ficou em 5,26%.
Boa parte do nível mais elevado dos preços neste início
de ano foi provocada por choques em preços de alimentos, que não
estariam relacionados a um superaquecimento da economia. Mas o BC entende
que a atividade econômica está muito forte, com a procura
crescendo acima da oferta, e que isso tem contribuído para a elevação
do IPCA. O índice de atividade econômica do BC (IBC-BR) mostrou
crescimento de quase 10% na economia brasileira no primeiro trimestre.
Expectativas.
Mais importante para o BC do que a inflação do início
do ano é a piora nas expectativas para o IPCA no fim de 2010. Durante
várias semanas, os analistas pesquisados pelo BC elevaram suas estimativas
para o indicador de inflação. Para conter essa trajetória,
o BC foi agressivo na primeira elevação dos juros, aumentandoa
Selic da mínima histórica de 8,75% ao ano para 9,5%. A sinalização
era de que a tendência será mantida até que esse processo
seja inteiramente revertido.
A piora nas expectativas finalmente foi estancada, com os analistas
consolidando o cenário de aperto monetário forte, parcial
reversão das altas de alimentos, certo impacto negativo da crise
europeia nas commodities e retomada do discurso de austeridade fiscal do
governo.
Agora, o mercado trabalha com um IPCA de 5,67% em 2010 e de 4,8% em
2011. Como a alta da Selic neste momento tem pouco efeito na inflação
deste ano, o BC está interessado em consolidar a queda para 2011."É
essencial que o Copom atue elevando os juros para dosar o ritmo de atividade
e garantir que as expectativas de inflação em 2011 se mantenham
nesse nível de 4,8%", disse a economista-chefe do banco ING, Zeina
Latif.
A LCA Consultores, porém, ainda crê em um Copom mais agressivo,
com a elevação da Selic em 1 ponto porcentual. Segundo o
economista Homero Guizzo, seria conveniente surpreender com uma posição
mais conservadora para acelerar a redução das expectativas
de inflação. Com isso, o ciclo de aperto teria uma duração
menor. (Fabio Grandes - Agência Estado)
07.06 - Crescimento do país em ritmo chinês tende a perder
força
Em abril, a produção industrial acumulou crescimento
anual de 17,4%. Apesar disso, houve retração de 0,7% em relação
a março. Esse tropeço indica um movimento mais relevante
de esfriamento da economia no futuro?
A resposta não é óbvia. Parte das oscilações
mensais de indicadores econômicos tem origem em fatores pontuais.
Obtém-se um retrato mais fiel do ritmo de andamento da economia
a partir de médias que suavizam as flutuações de curto
prazo -por exemplo, a média móvel de três meses.
A partir dessa ótica, o pulso continuou bastante forte em abril:
crescimento mensal anualizado de 18% ao ano, espalhado em mais de 70% dos
segmentos. Para uma comparação, a produção
industrial chinesa tem crescido a esse ritmo, despertando desconforto nas
autoridades.
Os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)
não permitem, portanto, descartar a tese de que a escorregada de
abril tenha sido apenas um movimento breve de acomodação,
frequente em períodos de forte crescimento.
Na verdade, algumas sondagens do mês de maio revelam que o empresariado
segue confiante. Isso se reflete na elevação robusta da produção
de bens de capital (associada às decisões de investimento),
que aumentou quase 8% em abril.
Nesse contexto, os analistas têm elevado as projeções
de crescimento, havendo apostas de que o PIB (Produto Interno Bruto) aumentará
até 8% em 2010.
A contrapartida é o receio de que um pequeno deslize do governo
na aplicação de políticas de contenção
poderá fazer com que a inflação se descole significativamente
da meta em 2011. Daí a pressão sobre o Banco Central.
A meu ver, apesar dos números recentes ainda "fortes" e do crescente
otimismo das projeções para a atividade econômica,
é bastante provável a ocorrência de uma desaceleração
nos próximos trimestres.
A razão é simples: ninguém compra duas geladeiras,
e a produção desses bens e afins tem conexões importantes
com o restante da economia. O licenciamento de automóveis caiu mais
de 8% em maio.
CONSUMO ANTECIPADO
Em que pese a dificuldade técnica de isolar o efeito das políticas
de estímulo adotadas após o estouro da crise -cujo efeito
positivo, diga-se, foi subestimado pela maioria dos economistas em 2009-,
estou convencido de que houve um movimento expressivo de antecipação
de consumo de bens duráveis que "roubará" parte do crescimento
no futuro.
O final dos estímulos e as tendências de elevação
da taxa de juros e de amortecimento do crescimento mundial são fatores
que precipitarão a perda de fôlego desses segmentos, com o
efeito de diminuir o dinamismo dos demais setores da economia.
(CELSO DE CAMPOS TOLEDO NETO - Folha de S.Paulo)
07.06 - Bancos centrais em transição?
Instituições debatem se é possível utilizar
a política monetária para evitar cenário de vulnerabilidade
Os banqueiros centrais, além das aprazíveis reuniões
bimensais em Basileia, encontram-se em frequentes conferências.
A propósito, entre o final de maio e o final de junho, a comunidade
dos banqueiros centrais (da ativa ou aposentados) terá tido quatro
conferências importantes.
A primeira, organizada pelo Banco do Japão na semana passada,
teve como tema o futuro dos bancos centrais sob a globalização.
No início desta semana, o Banco da Coreia promoveu uma conferência
sobre a mudança no papel dos bancos centrais.
Em junho, será a vez do Banco da Rússia, com a conferência
sobre "Bancos Centrais e o Desenvolvimento da Economia Mundial: Novos Desafios
e um Olhar à Frente", seguida pela conferência anual do BIS
(Banco de Compensações Internacionais), o banco central e
ponto de encontro dos BCs.
O tema desta será "O Futuro dos Bancos Centrais sob Mandatos
Pós-Crise". A ênfase no tema da mudança sugere que
os BCs estão em fase de autoexame e, possivelmente, de transição.
As discussões nesses eventos cobrem ampla gama de tópicos.
Um, recorrente, refere-se ao papel da política monetária
na gestação da crise.
Isso porque, para um número crescente de analistas, essa seria
ao menos em parte resultado de um período de taxas de juros excessivamente
baixas e condições monetárias excessivamente acomodatícias,
que, por sua vez, teria sido ocasionado pelo cenário inflacionário
benigno vivido pelos Estados Unidos no início da década.
As condições monetárias relaxadas teriam ocasionado
aceleração da inflação, não dos preços
de bens e serviços, mas dos preços de ativos, em especial
ativos imobiliários, com as consequências conhecidas.
Uma questão em debate, portanto, é se, e como, os BCs
podem utilizar a política monetária para se antecipar a booms
de ativos e crédito.
A ideia não é adotar metas para preço de ativos,
mas evitar o surgimento de processos nos quais apreciação
de ativos e relaxamento de condições de crédito se
realimentem mutuamente, causando acúmulo de vulnerabilidades financeiras.
A posição tradicional do Fed, emulada pelos outros bancos
centrais, era a de não intervenção.
Uma justificativa era a de que é difícil determinar quando
e em que medida preços de ativos se descolam dos fundamentos.
Outro argumento era o de que elevar a taxa de juros para conter processos
de altas de preços de ativos e expansão creditícia,
sem que existam riscos evidentes para a inflação, pode punir
indevidamente a atividade econômica.
A essa visão se contrapunham as análises de economistas
europeus, em especial no BIS, propondo que, além de medidas regulatórias
e prudenciais, os BCs devem usar a política monetária para
conter booms de ativos e crédito, aceitando desacelerações
no curto prazo como o preço razoável a pagar para evitar
crises financeiras e recessões profundas a médio prazo.
Sob o novo paradigma, além das questões tradicionais,
como a existência de descompassos entre demanda e oferta e o estado
das expectativas de inflação, as decisões dos BCs
deveriam levar em conta a evolução dos preços de ativos
e agregados de crédito, não apenas sob o ponto de vista de
seus impulsos sobre a demanda, e assim sobre a trajetória futura
da inflação, mas também dos possíveis riscos
prudenciais.
Na prática, o que pode vir a ocorrer é BCs, na presença
de desequilíbrios no setor real acompanhados por evidências
de excessos nos mercados de ativos e crédito, adotarem políticas
mais restritivas do que em ciclos passados -ou melhor, mais restritivas
do que justificariam as considerações macroeconômicas
usuais.
A visão dominante entre os BCs segue sendo que a primeira linha
de defesa contra bolhas de ativos e crédito é a política
regulatória. Contudo, os eventos dos últimos anos mostram
que a atitude meramente reativa de política monetária diante
de tais desenvolvimentos pode ser insuficiente, e, à medida que
os BCs incorporem essa lição, alterações na
sua calibragem não podem ser descartadas. (MARIO MESQUITA
- Folha de S.Paulo)
07.06 - Investidor se resguarda com cenário instável
O mercado opera em uma fina linha que divide o temor da tranquilidade.
Então, qualquer coisa que mude o panorama leva o investidor a correr
para se resguardar.
A definição é do gerente de câmbio da Treviso
Corretora de Câmbio, Reginaldo Galhardo, e explica bem a forte degradação
de ambiente observada no final do pregão de ontem, que puxou o preço
do dólar para cima, as bolsas para baixo e deu força aos
títulos da dívida americana.
A repentina piora de humor foi atribuída a novos desdobramentos
do ataque de Israel a um grupo de ajuda humanitária. Surgiram notícias
de que o Líbano teria atirado contra aeronaves israelenses. E dos
Estados Unidos veio a notícia de que o governo decidiu processar
criminalmente a petrolífera BP pelo derramamento de petróleo
no Golfo do México.
Por aqui, a piora de humor levou o preço do dólar comercial
a subir 0,98% rapidamente, até fechar a R$ 1,839, máxima
do dia. No mercado futuro, o dólar para julho subiu 0,67%, para
encerrar valendo a R$ 1,843.
Segundo o gerente de operações da Terra Futuros, Arnaldo
Puccinelli, essa demanda por dólar no final do dia também
obrigou quem vendeu no período de calmaria a correr para zerar posições,
o que ajudou a amplificar a alta.
Para quem gosta de análise técnica, Puccinelli aponta
que o dólar para junho cumpriu seu objetivo gráfico do dia
ao bater R$ 1,860 na máxima. Pela análise gráfica,
superada e confirmada a linha de R$ 1,8735, a moeda entra em novo canal
de alta, com objetivo de atingir R$ 1,891. Na ponta contrária, a
moeda só entraria em canal de baixa se perdesse o R$ 1,826. Nesse
caso, o primeiro objetivo seria a R$ 1,8075.
Hoje, atenção esta voltada aos dados da BM&F, que
mostrarão o posicionamento dos bancos e estrangeiros no mercado
futuro após a virada do mês. Vale lembrar que os bancos estavam
amplamente vendidos (apostas pró-real) e os estrangeiros comprados
(aposta pró-dólar).
Também no front cambial, o Banco Central (BC) mostra o fluxo
fechado para o mês de maio. Já se sabe que pelo lado comercial
foi registrado um superávit de US$ 3,44 bilhões. Melhor resultado
mensal desde junho de 2009, quando as vendas externas tinham superado as
compras em US$ 4,6 bilhões. O resultado do mês passado também
superou em 31,3% o saldo de maio de 2010.
No mercado de juros futuros, os contratos de prazo mais dilatado seguiram
perdendo prêmio de risco. Já os curtos mostraram certa resistência
à queda, refletindo a força da atividade econômica
local e a manutenção das apostas de que o Banco Central fará
novo ajuste de 0,75 ponto percentual na Selic na semana que vem.
Essa é a aposta majoritária e a dúvida, segundo
o economista-chefe da Prosper Corretora, Eduardo Velho, fica com o encontro
de julho. Apesar de essa degradação de ambiente externo dar
respaldo às expectativa de um colegiado menos incisivo no ajuste
da Selic, Velho nota que o mercado ainda está receoso em montar
grandes apostas com base nessa ideia.
"Não acredito que o BC apresente uma ata sinalizando ajustes
mais moderados. Ele não deve correr esse risco em função
da dinâmica doméstica", pondera o economista.
O mercado aguarda também com expectativa o Produto Interno Bruto
(PIB) do primeiro trimestre, que será apresentado na semana que
vem. Para Velho, a economia deve mostrar avanço próximo a
3% sobre o quarto trimestre. Certamente, diz o economista, veremos um ritmo
menor no segundo trimestre, mas não a ponto de ajudar o Banco Central
no ajuste das condições monetárias. (Eduardo
Campos - Valor Online)
02.06 - Mercado eleva previsão para crescimento do PIB
Expectativa para expansão da economia neste ano sobe para 6,47%
A estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste
ano aumentou para 6,47%, contra 6,46% na semana passada, completando a
11ª alta consecutiva para esse índice. A prévia para
2011 permaneceu em 4,5%, mostrou relatório Focus divulgado nesta
segunda-feira. Há um mês, o mercado previa uma expansão
de 6,06% da economia em 2010.
O mercado brasileiro manteve suas estimativas para a alta do Índice
Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste ano e no próximo,
em, respectivamente, 5,67% e 4,8%.
Produção industrial
No mesmo levantamento, a estimativa para a produção industrial
em 2010 subiu de 10,90% para 11,00%. Para 2011, a projeção
para o desempenho da indústria permaneceu em alta de 5,00%.
Juros
A estimativa para a taxa básica de juros (Selic) para o fim
de 2010 manteve-se em 11,75% ao ano. A projeção para a taxa
no fim de 2011 permaneceu em 11,50% ao ano.
Câmbio e contas externas
Os analistas mantiveram a previsão para o patamar do dólar
no fim do ano. O nível da moeda norte-americana no fim de 2010 ficou
em R$ 1,80. Para o fim de 2011, a expectativa para a moeda americana seguiu
em R$ 1,85. A previsão de câmbio médio no decorrer
de 2010 ficou em R$ 1,80.
O mercado financeiro alterou as previsões para o déficit
nas contas externas em 2010. A previsão para o déficit em
conta corrente neste ano subiu de US$ 48,05 bilhões para US$ 48,10
bilhões. Para 2011, a previsão de déficit em conta
corrente do balanço de pagamentos avançou de US$ 57,00 bilhões
para US$ 57,97 bilhões.
A previsão de superávit comercial em 2010 subiu de US$
14,54 bilhões para US$ 15,00 bilhões. Para 2011, a estimativa
para o saldo da balança comercial manteve-se em US$ 4,50 bilhões.
Analistas alteraram ainda a estimativa de ingresso de Investimento
Estrangeiro Direto (IED) em 2010 de US$ 37,00 bilhões para US$ 36,50
bilhões. Para 2011, a estimativa para o IED permaneceu em US$ 40
bilhões. (O Estado de S.Paulo com Agência Estado e Reuters)
01.06 - O tamanho da crise segundo Roubini
O economista que antecipou a implosão das bolsas diz que ela
ainda vai longe. E garante: era 100% previsível
O economista Nouriel Roubini, um turco-italiano radicado nos Estados
Unidos, não é o tipo de pessoa que você espera encontrar
à beira de um lago contemplando o balé de lindos cisnes.
Considerado uma das cassandras mais eloquentes e certeiras da atualidade,
o inquieto professor da Universidade de Nova York é aquele inconveniente
que, em setembro de 2006, desafiou o otimismo geral e antecipou o estouro
da bolha imobiliária americana e seus efeitos devastadores sobre
os bancos e a economia global.
Fez isso dois anos antes de qualquer outro analista, o que certamente
rendeu muitos contratos para sua empresa de consultoria, a Roubini Global
Economics. Pois não é que Roubini, hoje mergulhado nos números
da grave crise da União Europeia, acabou encontrando cisnes brancos?
Em seu novo livro, A Economia das Crises, lançado no Brasil
pela editora Intrínseca na sexta-feira 28, Roubini desmistifica
a fama de vidente. A crise de 2008, que agora se estende para países
como Grécia, Portugal, Espanha, Itália, Irlanda e Reino Unido,
era totalmente previsível, argumenta. Aliás, como todas as
outras grandes débâcles econômico-financeiras que envolveram
países menos desenvolvidos e industrializados desde sempre.
Crises não são eventos inusitados e transformadores que
não aparecem no radar, como definiu Nassim Nicholas Taleb no best-seller
O Cisne Negro (leia quadro abaixo). São cisnes brancos, insiste
Roubini. "As crises não são eventos aleatórios. São
previsíveis", afirmou o economista à DINHEIRO na segunda-feira
24, antes de embarcar de Nova York, onde vive, para a Romênia. "Os
sinais da crise sempre aparecem antes e são fáceis de identificar",
afirma (leia entrevista exclusiva abaixo). E que sinais são esses?
A maioria das crises começa com uma bolha, na qual o preço
de um ativo ultrapassa seu valor real. As bolhas estão associadas
a um aumento excessivo do crédito. Este pode ser consequência
de uma política monetária frouxa ou da supervisão
ou regulação negligente do sistema financeiro. Qualquer semelhança
com a valorização excessiva dos imóveis e da crise
subsequente nos Estados Unidos e na Europa não é mera coincidência.
No livro, escrito em parceria com o historiador Stephen Mihn, Roubini
dá crédito aos outros economistas que enxergaram os sinais
preocupantes da bolha imobiliária americana, da atuação
leniente do Federal Reserve, o banco central dos EUA, dos riscos sistêmicos
das bolhas e dos derivativos financeiros.
Gente como Robert Shiller, Raghuram Rajan, Kenneth Rogoff e o próprio
Taleb, entre outros, fizeram vários alertas preocupantes. Roubini
apenas ligou os pontos para enxergar seu novo cisne branco, a mesma criatura
metódica que apareceu na Europa dos últimos três séculos
e, nas décadas de 80 e 90, na América Latina e na Ásia.
E agora, o que ele vê?
Dá para imaginar. O tamanho da crise pode aumentar, pois é
grande o risco de solvência soberana e privada em países importantes.
Não se assuste se o cheiro de calote, tão temido por bancos
e investidores, aumentar. Pode haver uma ruptura da União Monetária
Europeia, escreve Roubini. "As coisas na Europa vão piorar", diz.
As águas continuam turbulentas do outro lado do Atlântico.
Na terça-feira 27, a Itália entrou no grupo dos países
que anunciou cortes expressivos de gastos (E 24 bilhões) para resgatar
a confiança dos mercados. Foi precedida por Grã-Bretanha,
Espanha, Portugal, Grécia, França e Alemanha, numa tesoura
monumental de despesas orçamentárias que já soma E
220 bilhões - um terço do orçamento público
brasileiro em 2010. Não se trata apenas de colocar o pé no
freio para ajustar as contas públicas.
O ministro de assuntos econômicos da União Europeia, Olli
Rehn, já fala em uma "década perdida" na região se
não forem feitas algumas reformas estruturais que aumentem o crescimento
e a competitividade, como a desoneração do trabalho. Para
Roubini, pode ocorrer o pior: uma recessão global. Nem a China escaparia
de uma crise bancária. "Todos esses cenários podem levar
a um retrocesso na globalização", prevê. Tomara que,
desta vez, ele esteja errado.
Entrevista: "O problema privado virou risco público"
Socialização dos prejuízos em 2008 agravou o risco
de solvência de países endividados, diz Nouriel Roubini, em
entrevista exclusiva:
DINHEIRO - Por que as crises são como cisnes brancos?
ROUBINI - Antigamente, todos pensavam que só existiam cisnes
brancos. Até que um cisne negro foi encontrado na Austrália.
As crises não são um evento aleatório, são
previsíveis. São resultado de uma sequência de acontecimentos
causados por vulnerabilidades macroeconômicas e financeiras. Seguem
padrões de comportamento históricos.
DINHEIRO - Quais padrões?
ROUBINI - Elas começam com excesso de investimentos em algum
setor. Há alavancagem de dívida privada e/ou pública,
expansões excessivas de crédito, política monetária
frouxa, pouca supervisão e regulação financeira. As
bolhas de ativos crescem, explodem e causam um crash.
DINHEIRO - A crise na Europa é nova ou ainda estamos vivendo
a de 2008?
ROUBINI - E o estágio seguinte da mesma crise. Os governos adotaram
medidas anticíclicas de estímulo para evitar que a recessão
se transformasse em depressão. Decidiram socializar as perdas privadas
colocando-as nos balanços dos governos. O problema privado virou
risco de solvência do setor público.
DINHEIRO - A situação da Grécia irá piorar?
Pode se espalhar?
ROUBINI - As coisas na Europa irão piorar. O pacote de US$ 1
trilhão foi anunciado, mas a reação positiva do mercado
durou apenas um ou dois dias. As condições financeiras estão
ficando apertadas. O pacote não é suficiente, pois não
resolve os problemas fundamentais. Há excesso de dívida pública,
excesso de dívida privada, muitos déficits orçamentários,
perda de competitividade, grandes déficits em conta-corrente, falta
de crescimento, risco de uma recessão em duplo mergulho na zona
do euro. Só o dinheiro não resolve. Pode ajudar na liquidez,
mas não soluciona problemas de solvência. O risco que a Europa
enfrenta é uma eventual insolvência de Portugal, Espanha e
assim por diante.
DINHEIRO - A renegociação da dívida pública
da Grécia é inevitável?
ROUBINI - Em alguns países, isso será inevitável.
É o caso da Grécia. É possível fazer isso de
uma maneira ordenada e evitar crises como a da Rússia, da Argentina
e do Equador, que tiveram calotes e grandes descontos. Deve-se fazer como
no Uruguai, no Paquistão, na Ucrânia e na República
Dominicana, em que houve uma reestruturação de dívida
baseada no alongamento dos prazos e redução das taxas de
juros para níveis abaixo de mercado, mantendo-se o valor de face.
Se fizerem isso, será uma reestruturação amigável
com o mercado. Senão, será um calote feio.
DINHEIRO - O bom momento da economia brasileira pode ser afetado se
a situação na Europa piorar?
ROUBINI - Todo mundo será afetado. Os preços das commodities
estão caindo, a aversão ao risco está aumentando,
os mercados de ações e de crédito estão passando
por correções. Os mercados emergentes não terão
recessão, mas sofrerão impacto negativo. Os países
com boas políticas monetárias e fiscais e com um sistema
financeiro sólido irão se sair melhor da crise e o Brasil
é um deles. (Isto É Dinheiro)
01.06 - Standard & Poors: Economia não está fora de
controle
A economia brasileira está crescendo acima do potencial, mas
isso não significa que esteja fora de controle. A avaliação
foi feita pela diretora de ratings soberanos da Standard & Poors, Lisa
Schineller. "Há freios", disse.
De acordo com as análises da diretora, não há
hoje nenhum grande impedimento para que o Brasil galgue mais um degrau
na escala de país grau de investimento, mas a agência quer
observar como o governo irá retirar todos os estímulos dados
durante a crise. Ela ressaltou ainda que o primeiro passo será elevar
a perspectiva e depois o rating.
A S&P foi a primeira agência a tirar o Brasil da categoria
grau especulativo e colocar o país como grau de investimento, em
30 de abril de 2008. A agência elevou o rating do Brasil para "BBB-"
(investment grade), com perspectiva estável. Pela escala de rating
grau de investimento da S&P, hoje o Brasil está no térreo
de um edifício de dez andares. Os países com rating BBB são
aqueles que possuem segurança financeira média e são
mais vulneráveis a mudanças econômicas do que países
com rating mais alto.
Pelo histórico da S&P, o país passou por oito ações
positivas consecutivas de 2003 a 2008, e desde 2001 nunca ficou mais de
dois anos sem que houvesse mudança em sua avaliação.
(O Tempo)
01.06 - IGP-M apresenta alta de 1,19% em maio
O IGP-M (Índice Geral de Preços Mercado) registrou variação
de 1,19% em maio deste ano, segundo informou a Fundação Getúlio
Vargas (FGV). Em abril, a variação ficou em 0,77%.
O IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo),um dos componentes
deste indicador, variou 1,49% em maio, ante 0,72% no mês anterior.
O índice relativo aos Bens Finais variou para 0,82%. O destaque
do índice neste mês para movimento de desaceleração
foi o subgrupo alimentos processados, cuja taxa passou de 0,57% para -1,93%.
Excluindo-se os subgrupos alimentos in natura e combustíveis, o
índice de Bens Finais (ex) registrou variação de -0,41%.
Em abril, a taxa foi de 0,34%.
No item Bens Intermediários, a variação ficou
em 0,58%, inferior ao registrado em abril (0,78%). O subgrupo materiais
e componentes para a manufatura registrou queda acentuada em sua taxa de
variação, que passou de 1,12% para 0,57%, sendo o principal
responsável pela desaceleração do grupo. O índice
de Bens Intermediários (ex), calculado após a exclusão
do subgrupo combustíveis e lubrificantes para a produção,
variou 0,64%, ante 0,86%, em abril.
Para Matérias-Primas Brutas houve variação de
5,83% em maio. No mês anterior, o índice registrou variação
de 0,47%. Os itens que mais contribuíram para a trajetória
de aceleração foram o minério de ferro (-1,06% para
49,76%), soja (em grão) (-2,02% para 2,88%) e laranja (-18,25% para
-15,21%). Em sentido oposto, registraram-se desacelerações
em itens leite in natura (10,97% para 6,04%), bovinos (3,63% para 1,49%)
e algodão (em caroço) (11,44% para 2,67%).
O IPC (Índice de Preços ao Consumidor) variou 0,49% em
maio, ante 0,73% um mês antes. De acordo com a pesquisa, apenas o
grupo Alimentação recuou (de 2,06% para 0,56%). Com destaque
para os itens: hortaliças e legumes (7,79% para -1,95%), laticínios
(5,02% para 2,74%) e adoçantes (0,96% para -2,32%).
Em sentido oposto, avançaram: habitação (0,23%
para 0,60%), despesas diversas (0,10% para 0,39%), transportes (-0,38%
para -0,11%), saúde e cuidados pessoais (0,53% para 0,80%), vestuário
(0,69% para 0,81%) e educação, leitura e recreação
(0,19% para 0,24%).
Os destaques nestes grupos foram: tarifa de eletricidade residencial
(0,04% para 1,38%), alimento para animais domésticos (-0,74% para
0,28%), álcool combustível (-11,49% para -4,98%), medicamentos
em geral (1,00% para 2,57%), roupas (0,60% para 1,22%) e passagem aérea
(-5,64% para 2,30%), respectivamente.
Finalizando, o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção)
registrou em maio variação de 0,93%, abaixo do resultado
do mês anterior, de 1,17%. O índice de Materiais e Equipamentos
decresceu de 0,73%, para 0,51%, e mão de obra, de 1,73% para 1,41%.
O grupo serviços apresentou a mesma taxa do mês anterior,
0,36%.
O IGP-M é calculado com base nos preços coletados entre
os dias 21 do mês anterior e 20 do mês de referência.
(Executivos Financeiros)
Outras
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