31.08 - ‘É uma recessão longa e
severa’
Professor da Universidade George Washington,
o economista americano William Handorf foi testemunha privilegiada do processo
que, em 2008, culminou no estouro da bolha imobiliária americana.
Era diretor do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos)
entre 2001 e 2006. Na função que exercia, não votava
nas decisões de política monetária (taxa de juros).
Mas participava do dia a dia da instituição.
Especialista justamente em finanças do
setor imobiliário, Handorf conta que, pouco antes de deixar o Fed,
provocou os colegas. Para ele, estava claro que a instituição
falhava na supervisão do sistema financeiro. Durante uma exposição,
afirmou: "Acredito que estamos entrando em uma nova fase que mostrará
falhas na supervisão. Digam-me se - e por que - estou errado." Segundo
ele, a reação foi de incredulidade.
Handorf avalia que a economia americana só
vai recuperar a vitalidade, na melhor das hipóteses, em 2013. Até
lá, afirmou, a taxa de desemprego continuará elevada (hoje
está na casa dos 10%). "É uma recessão longa e severa."
Ele conversou com o Estado após dar palestra num evento da Fecomércio
em São Paulo. A seguir, os principais trechos da entrevista.
O sr. acredita que o Federal Reserve adotará
mais uma rodada do chamado afrouxamento quantitativo (QE3)? Se adotar,
terá efeito positivo na economia?
Se vão adotar ou não, é
uma questão que cabe ao Comitê de Mercado Aberto (Fomc, na
sigla em inglês) do Fed. Se eles deveriam fazer ou não, minha
resposta é a seguinte: a probabilidade de que funcione é
muito pequena. As taxas de juros nos EUA já estão muito baixas.
O Fed acertou ao informar publicamente, em sua
última reunião de política monetária, que a
taxa de juros vai ficar baixa ao menos até 2013?
Se eu fosse um integrante do Fed com direito
a voto, teria sido mais um a discordar (dos dez diretores do Fed que votaram,
três foram contrários). Não há dúvida
de que o Fed tem de manter os juros baixos, pois o mandato do BC americano
não é apenas para manter a inflação baixa.
Deve também dar atenção ao crescimento. É algo
que faz o Fed ser diferente de muitos bancos centrais. Mas, apesar disso,
não se pode brincar com a inflação. É uma experiência,
aliás, que vocês brasileiros conhecem bem. Leva um tempo muito
longo para a inflação e as expectativas baixarem.
Cresceu a probabilidade de uma nova recessão
nos EUA?
Sim. No ano passado, a probabilidade de uma recessão
era de 5%. Diria que, nos últimos seis meses, essa chance cresceu
para 20%. O cenário eleitoral contribuiu para essa elevação.
Como assim?
Já de olho na eleição, o
Congresso e o Executivo demoraram para encontrar um acordo sobre o aumento
do teto da dívida. O gatilho para esse assunto - o rebaixamento
da nota de classificação de risco pela agência Standard
& Poor’s - foi apenas simbólico. Mas indica, de qualquer maneira,
que temos problemas no país. Goste-se ou não dessas agências,
é uma opinião respeitada no mercado.
O sr. disse, em sua apresentação,
que a questão do emprego é a chave para a economia americana
hoje. Por quê?
Cerca de 8 milhões de americanos perderam
seus empregos durante a recessão. Alguns empregos têm sido
criados tanto no setor público quanto no privado, mas em quantidade
insuficiente. O problema é que os EUA precisam criar entre 1 milhão
e 2 milhões de empregos por ano apenas para dar conta da imigração
e dos jovens que entram no mercado. Ou seja, enquanto todos esses empregos
não forem criados, com salários minimamente razoáveis,
será difícil imaginar uma recuperação.
Quando o sr. imagina que o cenário para
o emprego nos EUA apresentará melhora?
Provavelmente não antes de 2013, talvez
só em 2014. É uma recessão longa e muito severa. Não
é uma recessão que se resolverá facilmente, pois há
algo que continua machucando a economia: o setor imobiliário, que
demanda enorme contingente de mão de obra.
O sr. foi diretor do Fed.
Fui diretor. Não votava nas decisões
do Fomc.
Trabalhou na época em que Alan Greenspan
era o presidente.
Sim, em parte. Fui diretor entre 2001 e 2006
(Greenspan deixou o cargo justamente em fevereiro daquele ano).
Como avalia o trabalho dele? Naquela época,
ele era uma espécie de deus do mercado.
Greenspan não era uma espécie de
deus. Era um deus. Concordo com a maneira como Greenspan comandou a política
monetária, mas ele falhou na supervisão do sistema. Ele não
reconheceu o alto risco dos empréstimos hipotecários. Se
fosse eleger as cinco causas principais da crise, colocaria em primeiro
lugar o papel do Fed. Certa vez, minha mulher me viu chegar em casa chateado
após uma reunião em que havia falado sobre o alto risco daqueles
empréstimos e as consequências para o mercado. A percepção
era de que tudo estava bem. No fim de meu período no Fed, fiz uma
colocação, não era um discurso formal, em que disse:
"O Fed tem uma longa história de falhas em política monetária
e na política de supervisão. Acredito que estamos entrando
em uma nova fase que mostrará falhas na supervisão. Digam-me
se - e por que - estou errado."
E qual foi a reação?
Foi de incredulidade. Como um diretor do Fed
poderia dizer aquilo? O homem a quem fiz a pergunta ficou indignado.
Quando os EUA voltarão a crescer de acordo
com o potencial?
Os EUA precisam crescer de 3% a 4% ao ano para
criar os empregos necessários. Ficaria surpreso se isso acontecesse
antes de um ano e meio ou dois.
E o Brasil nesse cenário?
Não gostaria de falar sobre o Brasil.
Meu foco de análise são os Estados Unidos. O que se pode
dizer, genericamente, é que o Brasil tem uma classe média
emergente muito grande, que vai gerar demanda doméstica. (Leandro
Modé - O Estado de S. Paulo)
31.08 - Vento contra
O futuro é opaco e se nega a ser decifrado. Mesmo quando explorado
pelas melhores inteligências apoiadas nos mais recentes modelos e
torturado com as mais recentes técnicas econométricas, ele
se recusa a confessar qual o caminho que tomará. Essa realidade
e a prudência levam a comportamentos defensivos.
As autoridades responsáveis pela política econômica
devem pesar cuidadosamente os riscos alternativos sem deixar-se imobilizar,
mesmo porque não há caminho de custo zero. Os analistas,
para preservar a credibilidade, procurarão acertar (ou errar!) juntos.
Estamos num momento grave. Com a conivência dos governos, construíram-se
"inovações" financeiras cujas consequências foram ignoradas.
Alguns economistas foram ridicularizados pelos que detinham o poder político
porque apontaram, inadvertidamente, os perigos que as "inovações"
embutiam.
O resultado dessa aventura explodiu quando a miopia dos bancos centrais
dos EUA (o Fed), da Inglaterra e da Comunidade Econômica Europeia,
permitiu a liquidação desordenada do Lehman Brothers.
Ignoraram a rede construída pelas "inovações"
e seus abusos. De fato, como confessou Alan Greenspan -que durante 18 anos
foi "el maestro" e agora é demonizado-, "ninguém sabia o
que estava acontecendo".
A chamada "grande moderação" (alto crescimento e baixa
inflação), na qual surfaram os bancos centrais, nada tinha
a ver com eles. O mundo vive o rescaldo da crise financeira que ainda não
terminou.
O grave é que os instrumentos disponíveis (a política
fiscal e a monetária) esgotaram os seus efeitos no mundo desenvolvido
sem restabelecer o "circuito econômico", cujo funcionamento depende
da confiança dos trabalhadores, dos empresários e do sistema
financeiro.
Paradoxalmente, o mundo precisa agora do ritmo de crescimento dos países
emergentes. As notícias não são boas.
Vencidos dois terços de 2011, a perspectiva de crescimento no
ano dos países desenvolvidos é da ordem de 1,4% (contra 2,6%
em 2010) e dos emergentes da ordem de 5,4% (contra 7,3% em 2010), o que
sugere um crescimento global da ordem de 2,5%, com viés de baixa
(contra 3,9% em 2010).
Mesmo a China e a Índia começam a dar sinais de fadiga.
Toda essa tragédia sugere que o vento de cauda que ajudou o
crescimento do Brasil com o modelo exportador agromineral induzido pela
China, está terminando.
Se quisermos crescer à taxa de 4,5% a 5% nos próximos
anos, devemos complementá-lo e dar especial atenção
ao nosso mercado com um programa que fortaleça a poupança
e a competitividade internas e dê inteligente proteção
externa, como luta para realizar o governo Dilma. (Antonio
Delfim Netto - Folha de S.Paulo)
31.08 - IGP-M sobe para 0,44% após ter deflação
Alta no mês não anula tendência de queda no acumulado
em 12 meses, diz economista
A Fundação Getúlio Vargas (FGV) informou ontem
que o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de agosto
foi de 0,44%, ante queda de 0,12% em julho. A taxa ficou dentro das estimativas
dos analistas consultados pelo AE Projeções (entre 0,32%
e 0,47%), sendo, no entanto, superior à mediana de 0,41%.
Apesar do fim da deflação, o economista do Instituto
Brasileiro de Economia (Ibre-FGV), André Braz, disse ontem ser improvável
que o IGP-M de setembro supere o resultado verificado no mesmo mês
de 2010, quando o índice subiu 1,15%. Essa projeção
deve confirmar o oitavo mês consecutivo em que o IGP-M acumulado
em 12 meses deve registrar desaceleração.
Em janeiro, o índice registrou o pico de 11,50% em 12 meses.
Em agosto, o índice registrou alta acumulada de 8%. "Muito provavelmente
o IGP-M no mês que vem deve ficar menor que 1,15% registrado em setembro
de 2010", disse o economista.
Segundo Braz, esse comportamento deve ser influenciado pelo Índice
de Preços ao Produtor Amplo (IPA-M). "O IGP-M deve continuar a desacelerar
em 12 meses, ainda que algumas pressões continuem em pauta em setembro,
principalmente a alta de alimentos processados. Mesmo com essas pressões,
acho difícil que o IGP-M supere o 1,15% de setembro do ano passado
e que o IPA-M ultrapasse o 1,60% de setembro de 2010", afirmou.
Braz destacou que a desaceleração em 12 meses do IPA-M
não deve ocorrer com o Índice de Preços ao Consumidor
(IPC-M). Isso porque em setembro de 2010 o IPC-M registrou alta de 0,34%
e, no mês que vem, deve sofrer as pressões já apresentadas
no IPA-M deste mês, vindas do grupo Alimentação, principalmente
do subgrupo Alimentos Processados, que passou de uma queda de 0,51% em
julho para alta de 3,77% em agosto. Os destaques foram açúcar
cristal (de -0,70% para +15,49%), arroz beneficiado (de 1,36% para 7,14%),
aves abatidas (de 2,32% para 5,58%), carne bovina (de -1,18% para +7,55%)
e leite industrializado (de -0,78% para +1,81%).
"Todos esses alimentos devem impactar o IPC-M no mês que vem,
principalmente porque fazem parte da cesta básica"", explicou Braz.
Pressões. O IPA-M também sofreu pressões do grupo
Matérias-Primas Brutas, que saiu de -1% em julho para +1,51% em
agosto, motivado por itens agropecuários. Neste grupo, Braz destacou
os aumentos de bovinos (de -0,33% para +2,33%), soja (de -1,05% para +2,07%),
arroz (de 4,10% para 8,99%), aves (de 2,39% para 9,09%) e suínos
(de -3,93% para 19,33%). O trigo e o milho também devem pressionar
o índice no mês que vem, devido aos problemas de qualidade
do trigo na Europa e nos EUA, onde questões climáticas também
devem afetar o milho.
Dentro do IPC-M, alguns alimentos da cesta básica já
apresentam alta que deve se intensificar em setembro.
Entre eles, arroz, feijão carioca, fruta, açúcar
refinado, leite longa vida, carne bovina e frango inteiro. "Tivemos aumentos
disseminados no grupo Alimentação do IPC-M e prevemos que
há espaço para mais pressões", disse Braz. De acordo
com o ecomnomista, é possível que o reajuste da energia elétrica
em São Paulo, que deveria ter saído em julho, ocorra em setembro.
Também está previsto reajuste na tarifa de telefonia fixa
nacional. "É por esse motivo que a reversão do IPC-M acumulado
em 12 meses, que esperávamos para setembro, talvez fique apenas
para outubro", afirmou.
Outro grupo que continua a pressionar o IPC-M é o de Serviços
Livres, que passou de 0,23% em julho para 0,34% em agosto.
Destaques
1,15% foi o quanto subiu o IGP-M em setembro de 2010 11,50% foi o quanto
registrou o IGP-M de 12 meses, em janeiro.
Em agosto, o índice registrou alta acumulada de 8%
(Anne Warth - O Estado de S.Paulo)
30.08 - Susep: Nomeados mais três diretores
A edição desta segunda-feira (29
de agosto) do Diário Oficial da União publica a nomeação,
pela presidente da República, Dilma Rousseff, de três novos
diretores da Superintendência de Seguros Privados (Susep). São
eles Carlos Roberto Amorelli de Freitas; Danilo Cláudio da Silva;
e Nelson Victor Le Coqc D’ Oliveira.
Também foi publicada a exoneração,
a pedido, dos diretores Alexandre Penner e Paulo Roberto Fleury Araújo.
(CQCS)
30.08 - FMI reduz previsão de crescimento
mundial
Economia americana é a que sofre a maior
alteração na projeção para 2011 e 2012
O Fundo Monetário Internacional (FMI)
reduziu sua previsão de crescimento da economia mundial. Segundo
o relatório "Perspectivas Econômicas Mundiais", que será
divulgado pelo órgão no fim de setembro, a previsão
para a expansão econômica mundial caiu de 4,3% para 4,2% este.
Para 2012, o crescimento foi revisto de 4,5% para 4,3%.
A maior revisão para baixo foi a do PIB
americano. Segundo o FMI, a maior economia do mundo deve crescer 1,6% este
ano, uma queda de 0,9 ponto percentual em relação à
estimativa anterior. Em 2012, o PIB americano deve crescer 2%, contra previsão
anterior de 2,7%.
No documento, antecipado pela agência italiana
Ansa, o FMI diz que a prioridade do governo americano deve ser "colocar
em prática um plano para reduzir, a médio prazo, o déficit
público", mas reafirma sua confiança de que o Federal Reserve
(Fed, o banco central dos EUA) "está preparado para adotar novas
medidas fora do convencional em apoio à economia".
O relatório também indica redução
da expansão nas principais economias da Europa. Na zona do euro,
a projeção passou de 2% para 1,9% este ano e de 1,7% para
1,4% em 2012.
Neste cenário de desaceleração,
os franceses aparecem como os mais pessimistas em relação
às perspectivas econômicas. Segundo pesquisa do instituto
Ipsos Mori, eles - apenas 3% - são os que menos acreditam numa melhora
no panorama da economia nos próximos seis meses. Os britânicos
aparecem em seguida, com 9% apostando numa melhora.
Canadá, Alemanha e EUA estão entre
os mais otimistas, com 25% de seus cidadãos dizendo crer numa melhora
da economia a curto prazo. (O Globo)
30.08 - Governo prevê expansão do
PIB de 4% a 4,5%
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou
ontem que o governo continua trabalhando com a previsão de crescimento
da economia em 2011 entre 4% e 4,5%. "Claro que não temos como acertar
milimetricamente", ressaltou. "Tínhamos planejado uma desaceleração
da economia este ano, e isso ocorreu", afirmou. Ele lembrou que o primeiro
trimestre foi mais aquecido que o segundo trimestre e previu que o terceiro
trimestre mostrará nova desaceleração, mas ainda será
positivo.
Mantega acredita que o quarto trimestre voltará
a ficar mais aquecido. "A economia está dentro da rota que traçamos",
afirmou. "Mas não é justo pegar o resultado do segundo trimestre
e início do terceiro trimestre e projetar para o ano todo. Continuamos
trabalhando com a taxa entre 4% e 4,5% para o ano", afirmou.
O ministro da Fazenda disse que não vê
necessidade de estímulo monetário no momento. "Mas se o cenário
mudar, temos instrumentos para poder reagir." Ele disse que o governo está
"atento e vigilante" para adotar as medidas que sejam necessárias
para enfrentar a situação de anormalidade do mundo.
Mantega lembrou que o aumento do superávit
primário garantirá mais recursos primários no final
deste ano e início de 2012. "Agora prefiro que os estímulos
sejam monetários, caso necessário", destacou.
O ministro destacou que as despesas previstas
no Orçamento de 2011 estão garantidas, inclusive para folha
de pagamento do funcionalismo. "Não foi decidido nenhum novo corte",
afirmou. "Estamos falando em não aumentar gastos e não cortar",
completou. Mantega disse que a proposta orçamentária de 2012
estará afinada com esta nova situação, embora tenha
dito que as despesas serão maiores no próximo ano.
Mercado financeiro
O ministro da Fazenda acredita que o mercado
financeiro vai reagir bem ao anúncio das medidas fiscais feito hoje
na sede do ministério. "Acho que o mercado vai considerar que estamos
aumentando o esforço fiscal. Estamos seguindo a trilha desde o começo
do ano, quando anunciamos o corte de R$ 50 bilhões e está
sendo cumprido, não flexibilizamos. A medida vai na direção
correta", disse.
Mantega esclareceu que o arrocho anunciado hoje
não têm nenhuma relação com a reunião
do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central
(BC) que começa amanhã e termina na quarta-feira. "Não
é porque é véspera de Copom. Estamos nos precavendo
da situação internacional", disse. "Não tem nada a
ver que o Copom será amanhã ou depois de amanhã. Isso
é uma dinâmica diferente do BC. Queremos criar proteção
para que o Brasil continue na trajetória de crescimento."
O ministro da Fazenda disse várias vezes
que esse esforço do País afasta o Brasil do caminho seguido
pelos países centrais, principais vítimas da crise financeira
internacional. "Não teremos o mesmo destino dos países avançados.
Tomamos medidas necessárias para neutralizar o efeito externo. Queremos
criar proteção para que o Brasil continue na trajetória
de crescimento", disse. (Renata Veríssimo, Eduardo Rodrigues
e Fernando Nakagawa - Agência Estado)
29.08 - EUA: Bernanke empurrou a responsabilidade
para o governo
O discurso de Bernanke realizado na manhã
de sexta-feira (26) mostrou que o presidente do Federal Reserve mais chamou
atenção para o governo norte-americano sobre sua responsabilidade
no crescimento da economia do país do que trouxe novidades sobre
medidas a serem adotadas no mercado, segundo o economista da Gradual Investimentos,
André Perfeito.
"A minha avaliação preliminar é
de que o Fed jogou a questão para o colo do Obama", comenta Perfeito.
"Ele [Bernanke] deixou claro que o que havia para ser feito em questão
de política monetária já foi feito, e se alguma coisa
vier não será nada excepcional", acrescenta o economista.
Dessa forma, o presidente do banco central norte-americano
cobrou mais gastos por parte do governo para acelerar o motor econômico,
destaca Perfeito. "Bernanke cobrou que o executivo gaste mais e que faça
isso logo", ressalta.
Coelho segue dentro da cartola
O líder do Fed afirmou que a instituição
está pronta para usar ferramentas adicionais para colaborar com
a recuperação econômica, o que na visão de Perfeito
não ficou claro. "Ele não diz quais são e nem se vai
usar. A expectativa do mercado de que um coelho fosse tirado da cartola
não foi atendida", diz.
Por outro lado, o analista da Cruzeiro do Sul
Corretora, Jason Vieira, disse que o discurso veio dentro das expectativas.
"O Fed já havia sinalizado que não ia anunciar nada para
agradar o mercado financeiro", afirma, acrescentando que a indicação
pode ser entendida como a implementação de medidas macroprudendiais,
principalmente para o setor imobiliário. (InfoMoney)
29.08 - Do Fed, nada
O aguardado discurso do presidente do banco central
americano (Fed), Ben Bernanke, acabou em anticlímax. Havia a expectativa
de que indicaria os próximos passos de estímulo da economia,
dada a pífia alta do PIB, de 0,8% no primeiro semestre, muito aquém
das projeções de alguns meses atrás.
Bernanke reconheceu que a recuperação
da economia americana decepciona e manteve a porta aberta para novas ações,
caso necessárias. Não as especificou, contudo. Preferiu enviar
uma mensagem genérica, de que a política de juro zero e de
inundação do mercado com dólares não é
a única ferramenta para combater a crise.
Gastou parte do discurso para explicar que os
problemas da economia dos EUA requerem uma ação coordenada
em várias frentes, em especial no aspecto de arrecadação
e dos gastos do governo. Não se furtou a críticas sobre o
processo de tomada de decisão nesse campo -referência ao ruído
gerado pelo debate do aumento do teto da dívida, no mês passado.
Bernanke traçou também as linhas
gerais de uma reforma para estimular a economia no curto prazo e, ao mesmo
tempo, reduzir a dívida pública no longo prazo.
A ideia é de mais estímulos fiscais
agora, na forma de tributação e gastos que animem o trabalho
e o investimento, em troca de um pacto firme de menores deficits no futuro.
No clima atual do Congresso, seria uma surpresa positiva se essa agenda
prosperasse.
O discurso teve o claro objetivo de desviar o
foco da política tocada pelo Fed. Muitos analistas consideram, por
exemplo, que as ações do BC contribuíram para altas
de preços de matérias-primas, em especial do petróleo,
que corroem a renda das famílias. Tal ação seria,
a partir de certo nível, contraproducente, dificultando a retomada
econômica.
O próprio comitê de política
monetária do Fed se dividiu a respeito da decisão recente
de estender os juros próximos de zero até meados de 2013.
Foi um sinal de que os temores de inflação não estão
afastados, mesmo sob a perspectiva de atividade econômica deprimida
por longo período à frente.
Fortalece-se a hipótese de que nem a mais
poderosa instituição financeira do planeta guarda na manga
um remédio capaz de abreviar a pasmaceira por que passa a economia
dos Estados Unidos. (Folha de S.Paulo)
29.08 - Risco global cresce e a hora é
de agir
A nova chefe do Fundo Monetário Internacional
( FMI), Christine Lagarde, alertou no sábado que a economia global
pode voltar à recessão e pediu medidas coordenadas urgentes,
incluindo recapitalização obrigatória de bancos europeus.
"Os desdobramentos deste verão indicam
que estamos em uma perigosa fase nova", disse Lagarde durante reunião
anual de líderes globais de política monetária, realizada
no Federal Reserve (o banco central dos Estados Unidos) de Kansas City.
"Os riscos são claros: estamos arriscando
ver o descarrilamento da frágil recuperação. Então,
precisamos agir agora", disse a francesa.
Dois anos depois do fim da pior crise financeira
recente, o crescimento nos EUA e na Europa está enfraquecendo e
as crises de dívida em ambos os lados do Atlântico abalaram
a confiança pública na recuperação global.
Longo prazo. Economias avançadas precisam
forjar planos de longo prazo para controlar suas dívidas, mas, ao
mesmo tempo, não podem adotar políticas restritivas ao crescimento
muito rapidamente para não prejudicar a recuperação
econômica, disse Lagarde.
"Colocando em termos simples, as políticas
macroeconômicas precisam apoiar o crescimento", disse a ex-ministra
francesa da Economia em seu primeiro grande discurso sobre política
econômica desde que assumiu o cargo de diretora-gerente do FMI, após
a saída de Dominique Strauss-Kahn do posto, em julho.
"A política monetária também
precisa continuar altamente acomodativa, já que o risco de recessão
supera o risco da inflação", disse ela, acrescentando que
o banco central deve estar preparado para voltar a adotar medidas não
convencionais se necessário.
Recapitalização. Os bancos europeus
precisam ser recapitalizados, disse Lagarde, acrescentando que a forma
mais eficiente de fazer isso é por meio de uma "substancial recapitalização
obrigatória" por canais privados, se possível, e alguma forma
de financiamento público europeu.
Países europeus precisam também
colocar em prática planos de redução de déficits
com um "plano factível de financiamento", incluindo apoio continuado
do Banco Central Europeu.
Nos Estados Unidos, o foco em consolidação
fiscal de longo prazo não pode ignorar a importância de geração
de crescimento no curto prazo, acrescentou Lagarde.
"Afinal, quem acreditaria que os compromissos
de corte de gastos poderão sobreviver a uma estagnação
longa com prolongados índices de desemprego alto e insatisfação
social", questionou a chefe do FMI.
As autoridades também precisam conter
a crise no mercado imobiliário norte-americano por meio de intervenção
de agências de financiamento do governo e programas mais agressivos
para redução de dívida dos proprietários de
imóveis, segundo a chefe do FMI. (Reuters/O Estado de S.Paulo)
26.08 - Brasil será 4ª economia em
2030, diz consultoria
Britânica EIU prevê crescimento de
3,9% ao ano nos próximos 20 anos
País deve superar o PIB da França,
Alemanha, Reino Unido e Japão, mas ainda ficará atrás
de China, Índia e EUA
O Brasil vai se tornar a quarta maior economia
do mundo até 2030, segundo projeção da consultoria
britânica EIU (Economist Intelligence Unit).
Atualmente, o país ocupa a sétima
posição no ranking global, considerando o PIB (Produto Interno
Bruto) medido em dólares. A crise que afeta as economias dos países
desenvolvidos, minando sua capacidade de expansão no longo prazo,
vai beneficiar a ascensão do Brasil.
A EIU previa, antes, que o país alcançaria
o quinto lugar no ranking mundial na próxima década. Mas
reduziu recentemente sua projeção para o crescimento do Japão.
Com isso, espera agora que a economia brasileira vai se tornar maior do
que a japonesa em 2027. "Antes, tínhamos o Brasil superando a França,
a Alemanha e o Reino Unido, mas não o Japão. Essa projeção
agora mudou", afirma Robert Wood, analista sênior da EIU.
O analista ressalta que a economia brasileira
deixará para trás a dos quatro países desenvolvidos,
mas será ultrapassada pela indiana no meio do caminho.
A EIU prevê que o Brasil crescerá
3,9%, em média, por ano nas próximas duas décadas.
A expansão será mais forte que os 2,9% registrados nos últimos
25 anos, mas menor que as taxas previstas para Índia (6,6%) e China
(5,7%) nos próximos vinte anos.
Wood acredita que o dinamismo dos emergentes
asiáticos grandes, principalmente a China, continuará sendo
um importante motor do crescimento do Brasil: "Mesmo que a China faça
uma transição para um modelo de crescimento mais apoiado
no consumo do que em investimento ainda vai demandar as commodities que
o Brasil produz, principalmente alimentos".
PESO DA CHINA
Ao longo da última década, a China
contribuiu três vezes mais para a expansão da economia brasileira
do que os EUA, segundo cálculo do economista Tony Volpon, chefe
de pesquisas de mercados emergentes da corretora japonesa Nomura.
"A correlação entre o crescimento
da China e do Brasil é forte desde o início da década
passada, mas deve ter aumentado em anos recentes", afirma Volpon.
Ele ressalta que a China se tornou o principal
parceiro comercial do país.
Além de vender produtos como alimentos
e minério para a China, o Brasil se beneficia do efeito da demanda
asiática sobre os preços das commodities, que tiveram forte
alta nos últimos anos.
O analista diz que outros fatores como uma população
ainda jovem e o potencial comercial das descobertas de petróleo
da camada pré-sal contribuem para as perspectivas de crescimento
de longo prazo do Brasil.
Mas ele ressalta que o país deveria fazer
reformas para evitar problemas que afetam países desenvolvidos atualmente,
como o envelhecimento da população. (ÉRICA FRAGA
- Folha de S.Paulo)
26.08 - Governo: Taxa de crescimento abaixo de
4%
Projeções internas sugerem 3,7%
para este ano, abaixo da previsão oficial
Dilma acha que crise abrirá caminho para
redução dos juros em breve, mas espera que BC aja com cautela
O governo voltou a rever suas projeções
para o desempenho da economia e agora trabalha internamente com uma previsão
de crescimento de 3,7% neste ano, abaixo dos 4% previstos nesta semana
pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega.
O Palácio do Planalto avalia que esse
desempenho é positivo diante das incertezas criadas pela crise global.
Se a projeção do governo se confirmar, o Brasil crescerá
menos que outros países emergentes, como China e Índia, mas
num passo mais acelerado que o de países avançados, como
os EUA.
A presidente Dilma Rousseff acredita que a desaceleração
da economia abrirá caminho para que o Banco Central comece a reduzir
em breve a taxa básica de juros, que foi elevada nos últimos
meses para conter a inflação.
Para tentar garantir uma queda dos juros ainda
neste ano, o governo vai enviar ao Congresso, na próxima semana,
um Orçamento para 2012 "bem austero, tendo como palavra de ordem
o equilíbrio fiscal", de acordo com um assessor presidencial.
Segundo esse assessor, a equipe econômica
analisou medidas para garantir ao mesmo tempo o cumprimento da meta de
superavit primário em 2012 e a preservação de investimentos
e gastos sociais considerados essenciais pela presidente.
Dilma, porém, espera que o BC analise
com cautela o cenário econômico antes de cortar a taxa Selic,
hoje fixada em 12,5% ao ano.
Em conversa com assessores, ela lembrou que seria
"a primeira pessoa a defender a redução dos juros", mas entende
que isso é quase impossível de acontecer na próxima
reunião do Copom (Comitê de Política Monetária)
do BC, na semana que vem.
Integrantes da equipe econômica acham que
o BC poderá começar a reduzir as taxas de juros ainda neste
ano. Inicialmente, a aposta era que isso poderia acontecer no fim de novembro,
quando o Copom fará a última reunião do ano.
Assessores não descartam, porém,
que essa queda possa ocorrer na penúltima reunião do órgão
em 2011, em outubro, caso os próximos dados mostrem maior desaceleração
da economia.
A equipe apresentou recentemente à presidente
cenários prevendo que a economia brasileira crescerá entre
3,5% e 4% neste ano, sendo que o mais provável é que fique
em 3,7% ou 3,8%.
Para evitar pessimismo, Mantega só passou
a admitir nesta semana a possibilidade de o país crescer 4% em vez
dos 4,5% da projeção oficial do governo.
No mercado, as projeções passaram
a indicar crescimento abaixo de 4%. Analistas consultados pelo relatório
Focus do BC preveem 3,84%. As apostas de alguns bancos e consultorias estão
mais próximas de 3%.
Para o Planalto, essas projeções
significam que a economia crescerá num ritmo abaixo do chamado PIB
potencial brasileiro, hoje estimado em 4%, que pode ser sustentado pela
capacidade produtiva sem gerar inflação. Ou seja, o BC poderia
cortar os juros sem perder o controle dos preços.
O governo voltou a trabalhar com a expectativa
de terminar o mandato de Dilma com juros reais na casa dos 2% (hoje estão
perto de 7%). Esse objetivo foi praticamente abandonado depois que o BC
foi obrigado a subir os juros para segurar a inflação.
Dilma tem recomendado a sua equipe que monitore
a desaceleração da economia. Segundo um assessor, a preocupação
dela é se a queda está no ritmo "ideal" ou "passando do ponto".
(VALDO CRUZ - Folha de S.Paulo)
26.08 - Mercosul terá maior inflação
do mundo em 2011
Os países do Mercosul apresentarão
a maior taxa de inflação do mundo neste ano, de acordo com
levantamento da consultoria EIU (Economist Intelligence Unit).
A média do índice de Brasil, Argentina,
Paraguai, Uruguai e Venezuela, que ainda depende da aprovação
do congresso paraguaio para ser membro pleno do bloco, será de 9,3%
em 2011, segundo a entidade britânica.
A forte demanda interna é um dos principais
motivos para a alta da inflação, de acordo com a EIU.
"A taxa está elevada devido à Argentina
e à Venezuela", diz o professor de comércio exterior da FGV-SP
Evaldo Alves, que destaca o grande deficit fiscal desses países.
A inflação no setor de serviços,
impulsionada pela alta da renda média no bloco, é uma das
variáveis que está acima das outras regiões do mundo,
segundo Paulo Tigre, economista da UFRJ.
"Houve aumento da demanda, mas o número
de profissionais disponíveis não cresce na mesma velocidade,
o que influencia diretamente no preço pago pelo consumidor", afirma
Tigre. (Maria Cristina Frias - Folha de S.Paulo)
25.08 - Agências de rating não estão
cumprindo seu papel
O recente rebaixamento do rating americano pela
agência Standard & Poor´s gerou a necessidade de analisar
os indicadores de risco mais de perto. O presidente do conselho de planejamento
estratégico da Federação do Comércio de Bens,
Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio), Paulo
Rabello de Castro, enfatiza o papel dessas agências de risco como
sendo antecipadoras de uma crise.
Afirmação foi feita durante evento
"Gerenciamento de Capital na Economia Global e Indicadores de Risco", realizado
ontem na sede da Fecomercio em São Paulo.
''Atualmente essas agências viraram market
followers, ou seja, esperam o mercado se movimentar para sinalizar suas
previsões. Enquanto não houver mudança, o mercado
sentirá falta dessa medida antecipacional'', observa Rabello.
O executivo destaca ainda que as crises não
estão sendo identificadas com antecedência e que os Eua não
pode ser emissor de títulos soberanos sem considerar que existe
um risco.
O professor do departamento de finanças
da The George Washington University, Willian Handorf, observa que o rebaixamento
de uma única letra pode parecer inofensivo, mas no caso dos bancos
não é. ''Essa nomenclatura faz com que os bancos rebaixados
tenham que tomar e conceder empréstimos a juros maiores''. (Luisa
Pascoareli - Executivos Financeiros)
25.08 - Crise do euro: saída é monetária
Nas últimas semanas temos vivenciado mais
uma rodada de queda generalizada das bolsas, aumento da aversão
ao risco e instabilidade das taxas de câmbio. Crescem os temores
de uma crise financeira sistêmica na Europa. Muitos economistas têm
afirmado que a raiz de todos esses problemas é fiscal. Os mercados
desconfiam da solvência dos governos europeus e cobram elevados prêmios
de risco sobre os títulos soberanos desses países, aumentando
assim o custo de rolagem dessas dívidas e o déficit público,
o que acaba por "realizar" a expectativa de insolvência. A saída
seria fazer um fortíssimo ajuste fiscal para sinalizar de forma
inequívoca aos mercados que as condições de solvência
dos países da área do euro estão garantidas. Está
claro que, nesse cenário, o Estado do Bem-Estar Social teria que
ser desmontado na maior parte dos países europeus. Seria a vitória
definitiva do neoliberalismo.
A realização de um "ajuste fiscal
a frio" não irá resolver a crise financeira europeia; pelo
contrário, pode ainda agravá-la.
Para entender o porque dessa afirmação
é necessário esclarecer a origem da atual crise. A mesma
não se originou de um descontrole fiscal dos países da área
do euro (exceção feita à Grécia). Com efeito,
entre 1999 e 2007 a dívida pública (bruta) consolidada desses
países ficou estável em torno de 60% do Produto Interno Bruto
(PIB). O que se observa nesse período é um notável
crescimento do endividamento do setor privado. A dívida das empresas
não financeiras passou de 250% para 280% do PIB; o endividamento
dos bancos, de 190% para 250% do PIB; e as famílias aumentaram o
seu endividamento em quase 50%. A indisciplina "fiscal" estava centrada
no setor privado, não no setor público.
Após o colapso do Lehman Brothers em setembro
de 2008, os governos dos países europeus realizaram amplos programas
de socorro ao setor financeiro e estímulo à economia em recessão,
os quais impediram o colapso das economias europeias após uma forte
queda em 2009, mas contribuíram para aumentar o endividamento público
na área do euro.
A monetização da zona do euro permitiria
aos bancos europeus se livrar de uma parte dos títulos públicos
"micados" de seus balanços, reduzindo assim o seu próprio
risco de insolvência. E geraria uma forte depreciação
do euro frente ao dólar e ao yuan, estimulando as exportações
europeias
A expansão fiscal, no entanto, não
foi suficiente para garantir a volta ao crescimento sustentado nos países
do sul da Europa (Espanha, Portugal, Itália, Grécia) por
duas razões. Em primeiro lugar, esses países se defrontaram
com uma forte apreciação cambial nos anos pré-crise
em função da ocorrência de aumentos salariais acima
da expansão da produtividade do trabalho, ocasionando um forte aumento
do custo unitário do trabalho. Na Alemanha, ao contrário,
verificou-se uma redução desse custo em razão da política
de moderação salarial implementada com a chancela dos sindicatos
alemães. O resultado disso foi uma deterioração da
competitividade dos países do Sul da Europa com relação
à Alemanha, dando origem a grandes déficits em conta corrente
nos primeiros e um crescente superávit no último. Em segundo
lugar, o setor privado na Europa iniciou um processo de "deflação
de dívidas" no qual o gasto corrente e de capital é reduzido
com o intuito de se aumentar a poupança privada e assim reduzir
o nível de endividamento.
O efeito combinado da apreciação
cambial e do aumento da poupança privada nos países do sul
da Europa acabou por amortecer o impacto expansionista da política
fiscal anticíclica, contribuindo para manter o desemprego a nível
elevado e a atividade econômica semiestagnada. Nesse contexto, cria-se
um ciclo vicioso no qual o aumento inicial do endividamento público
eleva a percepção de risco por parte dos agentes econômicos
quanto à solvência dos países do Sul da Europa, aumentando
o custo de refinanciamento das dívidas desses países e, por
conseguinte o seu déficit nominal. A elevação do déficit
"realiza" as expectativas pessimistas quanto à solvência dos
Piigs, criando assim as pré-condições para um default
soberano.
Uma contração fiscal irá
apenas aumentar a taxa de desemprego e deprimir os lucros das empresas
financeiras e não financeiras da área do euro. Isso irá
reduzir a poupança privada, retardando assim o processo de deflação
de dívidas, o que irá alongar o período de contração
dos gastos privados de consumo e de investimento. Dessa forma, a semiestagnação
irá se prolongar por vários anos, deprimindo a receita tributária
e impedindo a recuperação das finanças públicas
dos países do Sul da Europa.
A saída para a crise fiscal da área
do euro passa por um "relaxamento quantitativo" da política monetária.
Uma alternativa seria o Banco Central Europeu (BCE) monetizar uma parte
da dívida pública de forma a reduzir a relação
entre juros e PIB para algo como 2% em todos os países da área
do euro.
A monetização resolveria numa só
tacada dois problemas. Em primeiro lugar, permitiria aos bancos europeus
se livrar de uma parte dos títulos públicos "micados" de
seus balanços, reduzindo assim o seu próprio risco de insolvência.
Em segundo lugar, ocorreria uma forte depreciação do euro
frente ao dólar e ao yuan, aumentando assim a competitividade das
exportações europeias, viabilizando uma recuperação
do nível de atividade por intermédio das exportações.
Além disso, a inflação certamente se elevaria como
resultado dessa medida, transferindo riqueza dos credores para os devedores,
aliviando parte do problema do elevado endividamento do setor privado na
Europa do euro. (José Luis Oreiro - Valor Online)
25.08 - Governo já espera crescimento menor
O governo já admite que a economia pode
não crescer neste ano tanto quanto esperava anteriormente. Em apresentação
à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado,
o ministro da Fazenda, Guido Mantega, manteve a estimativa oficial de que
o Produto Interno Bruto (PIB) crescerá 4,5% neste ano, mas reconheceu
que o crescimento pode ser menor diante da instabilidade internacional.
"Se as condições externas piorarem mais, ao longo deste segundo
semestre, o PIB pode crescer menos, mas não ficará abaixo
de 4%. Conseguiremos ficar em torno desse patamar", afirmou o ministro
da Fazenda aos senadores, na terça-feira.
Mantega acredita que conseguirá neutralizar
a influência externa negativa com os estímulos do Plano Brasil
Maior à indústria, a ampliação do SuperSimples
e ainda com a redução das taxas de juros. Medidas de afrouxamento
fiscal estão, em princípio, descartadas porque o governo
pretende manter o controle das contas públicas e cumprir o superávit
primário prometido.
Mas, a realidade é que o cenário
internacional já piorou. Nos últimos dias, várias
instituições financeiras internacionais anunciaram a redução
das expectativas de crescimento das economias centrais neste ano. De concreto,
a consequência mais importante do rebaixamento da dívida americana
pela Standard & Poor's (S&P) foi a conclusão de que a economia
deverá desacelerar quando o governo fizer os cortes prometidos ao
Congresso para obter a elevação do teto do endividamento
do país. Na zona do euro, as perspectivas também são
de aperto das contas para conter o déficit público.
O banco americano Morgan Stanley, que esperava
um crescimento da economia global neste ano de 4,2% - muito perto dos 4,3%
estimados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em sua última
revisão, em junho -, reduziu a previsão para 3,9% e cortou
ainda mais a perspectiva para 2012, de 4,5% para 3,8%. Para a zona do euro,
a previsão é alarmante: 1,7% de crescimento neste ano e praticamente
estagnação em 2012 (0,5%).
No Brasil, os analistas também já
trabalham com números menores para o PIB, inferiores aos comentados
por Mantega. A crise internacional contagiará a economia com a redução
das compras de produtos brasileiros, queda dos preços das commodities
e, eventualmente, aperto do crédito, com impacto não só
neste ano mas também no próximo. No início do mês,
antes mesmo do rebaixamento da dívida americana, o Itaú Unibanco
revisou seus cenários: o banco manteve a previsão de crescimento
do PIB de 3,6% neste ano, mas reduziu os números de 2012 de 3,8%
para 3,7%. Para o banco, este terceiro trimestre já revelará
o impacto mais significativo do novo cenário.
Outras instituições financeiras
acompanharam o movimento do Itaú Unibanco depois que o Banco Central
divulgou seu índice IBC-Br, que pretende antecipar o PIB. O IBC-Br
fechou o segundo trimestre com alta de 0,7%, inferior à variação
de 1,1% do trimestre anterior, em linha com a desaceleração
da produção industrial e das vendas do varejo.
De fato, reportagem publicada ontem pelo Valor
revela que os estoques estão subindo na indústria e que alguns
setores pararam de contratar empregados ou até passaram às
demissões. O indicador da Confederação Nacional da
Indústria (CNI), que compara o inventário efetivo com o planejado
pelas empresas subiu de 53 e junho para 53,9 pontos em julho. Quando o
índice está acima de 50 significa que os estoques superaram
o programado pelos empresários. Dos 26 setores pesquisados pela
CNI, 17 já tinham estoques acima do desejado em junho; e o número
passou a 20 no mês seguinte.
O emprego, de modo geral, ainda cresce, mas alguns
setores já demitem, especialmente os mais afetados pela concorrência
dos produtos importados ou pelo impacto da apreciação cambial
nas suas exportações. Assim, a Pesquisa Industrial de Emprego
e Salários do IBGE mostra que a ocupação total na
indústria subiu 1,9% de janeiro a junho. Mas houve queda nos setores
de madeira (7,8%), vestuário (3,1%) e calçados e couro (2%).
No setor têxtil houve alta, mas inferior à média da
indústria, de 0,8%, a produção caiu 12,5% no primeiro
semestre, mas o volume importado subiu 21,8%, de acordo com números
da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior
(Funcex), citados na reportagem. (Valor Online)
24.08 - Anbima vê dificuldade de consenso
sobre crise global
O presidente da Associação Brasileira
das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), Marcelo Giufrida,
afirmou que não há coerência no diagnóstico
do cenário atual e na formulação de possíveis
ações para solucionar a turbulência global. "Há
uma grande interrogação se estamos tendo uma segunda crise
ou um desdobramento do estresse de 2008. Estamos num período bastante
ansioso e de dificuldade de consenso, como nunca vi", disse, no 8º
Seminário Anbima de Direito do Mercado de Capitais.
Na visão de Giufrida, o tempo deve contribuir
para a resolução do cenário atual, à medida
que as pessoas recuperem sua poupança, os governos avancem quanto
a solução para suas dívidas fiscais e as empresas,
que estão numa "situação melhor", segundo ele, também
tenham um horizonte mais favorável. "Não há coerência
se vamos avançar nesta crise", ponderou.
O executivo citou que aguarda dados dos Estados
Unidos, como na próxima sexta-feira, quando será anunciada
a revisão do Produto Interno Bruto (PIB) do 2º trimestre, e
está previsto o discurso de Ben Bernanke, presidente do Federal
Reserve (Fed, banco central norte-americano). Enquanto isso, no Reino Unido,
sai o PIB preliminar de julho.
Sobre o Brasil, o presidente da Anbima alegou
que o País está administrando um "tipo diferente de problema",
com crescimento acima da média mundial, e a possibilidade de mantê-lo
nos próximos anos, e inflação dentro da faixa estipulada
pelo Banco Central. "Vivemos uma situação meritória,
mas temos desafios importantes", disse, citando "um senso de urgência"
tanto no investimento em infraestrutura devido aos eventos esportivos mundiais
previstos para acontecer no Brasil como também na exploração
de riquezas naturais.
Neste cenário, o mercado de capitais é,
em sua visão, o ator preponderante. No entanto, este setor não
está completo, segundo ele. Isso porque embora tenha uma força
grande, além do desenvolvimento de fundos, previdência e bolsa,
falta dar mais dinamismo e ampliar o segmento de renda fixa. "Este setor
é fundamental para o fornecimento de funding para projetos de infraestrutura",
disse. (Aline Bronzati - Agência Estado)
24.08 - CMN poderá elevar margem de derivativos
Segundo o ministro da Fazenda, o governo estuda
elevar as margens no mercado de derivativos, além de proporcionar
descontos na taxação para exportadores que fazem hedge.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que
o governo poderá elevar as margens de garantias para controlar o
mercado de derivativos, visando conter a apreciação do real.
"Hoje, o derivativo tem que recolher uma margem
de segurança. Poderemos exigir uma margem adicional, de modo a reduzir
a rentabilidade da operação", afirmou o ministro.
Atualmente, as operações com derivativos
exigem o depósito de uma garantia antes para serem realizadas. O
aumento dessa garantia tende a desestimular essas operações.
O mecanismo não existe em outros países, como nos Estados
Unidos.
Segundo o ministro, a intenção
não é impossibilitar a realização do hedge,
espécie de seguros feitos no mercado futuro contra oscilações
no câmbio. "O problema são aqueles que ficam apenas com posição
vendida, muito além do que possuem em hedge. Eles estão especulando,
então poderemos estabelecer medidas", afirmou.
No final de julho, o governo impôs uma
taxação de 1% sobre as operações de derivativos
cambiais feitas por investidores brasileiros e estrangeiros no país.
A medida visa conter as apostas com o dólar no mercado futuro.
No mesmo dia, foi publicada uma medida provisória
autorizando o Conselho Monetário Nacional (CMN) a estabelecer limites,
prazos e outras condições sobre negociação
dos derivativos. A medida ainda abre a possibilidade de que a tarifa seja
elevada até 25% sobre derivativos.
A cartada foi adotada para possibilitar ao governo
"moderar o apetite daqueles que especulam no mercado de derivativos", segundo
Mantega. "O derivativo tem a capacidade de manusear o mercado de câmbio
e elevar a valorização do real".
Uma das possibilidades estudadas pelo governo
é ajustar a alíquota do IOF apenas para investidores estrangeiros.
"Temos como saber qual foi o setor que ficou vendido em dólar, e
podemos ajustar a alíquota para o não-residente".
O ministro, no entanto, afastou a possibilidade
de impor controles ao Investimento Estrangeiro Direto (IED) no país.
"O investimento é bem recebido aqui no Brasil", garantiu.
Desconto ao exportador
Mantega adiantou que o governo está estudando
meios de repor as perdas com o aumento do Imposto sobre Operações
Financeiras (IOF) sofridas pelos exportadores, que fazem hedge para obterem
proteção da variação cambial.
"No caso do exportador, estamos estudando como
fazer com que ele não precise pagar esse 1%, como, por exemplo,
possibilitando descontar do imposto de renda".
O ministro, no entanto, frisou que a valorização
do dólar obtida com as medidas beneficia o exportador. Ele garantiu
que caso o governo eleve novamente a alíquota, o setor será
compensado.
Unhas e dentes
O ministro participou de reunião na Comissão
de Assuntos Econômicos do Senado, em que discutiu a crise mundial.
Para Mantega, a crise nos países desenvolvidos
está longe do fim. "A crise vai continuar nos próximos dois
anos, com uma baixa recuperação dos países avançados",
disse.
Para Mantega, a crise piora a situação
de guerra cambial entre os países. "Se os países avançados
podem entrar em uma recessão, os mercados deles estão apáticos,
então cabe a nós defender nossos mercados com unhas e dentes."
Juros
O ministro afirmou a necessidade de diminuir
a taxa básica de juros na economia, o que, segundo Mantega, "estabelece
um atrativo fantástico" aos capitais internacionais.
"Baixar a Selic neste momento parece prioritário,
sob todos os pontos de vista."
Ainda assim, Mantega acrescentou que é
necessário olhar para a inflação. "Não se pode
baixar a taxa de juros de uma forma voluntarista", declarou. (Felipe
Peroni - Brasil Econômico)
24.08 - Mantega reduz para 4% alta do PIB deste
ano
Ministro reconhece que a economia não
deve crescer 4,5%, como havia sido projetado, e diz que governo pode cortar
juros caso a crise se agrave
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu
que a economia brasileira poderá crescer 4% este ano, e não
os 4,5% projetados por sua equipe.
"Não acredito que vá para menos
do que 4%", disse ele, ao reconhecer que a crise poderá levar a
uma menor expansão do Produto Interno Bruto (PIB). "É o suficiente
para gerar arrecadação e bancar os custos", acrescentou.
"Não deixaremos a economia cair", afirmou
o ministro. Mas, diferente do que fez na crise de 2008 e 2009, quando cortou
impostos e acelerou gastos para manter a economia aquecida, o governo quer
combater a possível retração de 2011 e 2012 com outros
remédios: o corte nos juros e liberação de recursos
retidos nos depósitos compulsórios do Banco Central. Assim,
seria eliminada uma "distorção" na economia brasileira, que
é a alta taxa de juros. Esse "novo mix" da política econômica,
que privilegia o uso da política monetária (juros) em vez
da fiscal (desoneração e gastos), foi anunciado pelo ministro
durante reunião na Comissão de Assuntos Econômicos
do Senado.
Ele ressaltou que o corte nos juros "não
será feito de forma voluntarista" e que as taxas continuarão
a ser fixadas tendo em vista o combate à inflação.
"Há um pacto no País no sentido que não podemos deixar
a inflação voltar", afirmou. "Temos de olhar a inflação,
garantir que ela esteja sob controle e aí sim trabalhar com os juros."
Haverá mais espaço para cortar juros, segundo o ministro,
porque o governo vai conter o crescimento dos gastos, sobretudo os de custeio.
Além disso, avaliou, a inflação
está controlada. O próprio mercado projeta taxas da ordem
de 0,38% ao mês ao longo do segundo semestre do ano, o que aponta
para uma inflação em 12 meses na casa dos 5%. "A inflação
está alta quando se olha para trás", observou. Para a frente,
"que é o que interessa", a tendência é de preços
mais controlados.
Commodity. Ele observou que, no ano passado,
as commodities subiram40%e tiveram forte impacto nas taxas de inflação
brasileira.
Isso não deve se repetir.Pelo contrário,
o ministro acha que, se o preço das commodities mudar, será
para baixo, devido à queda na demanda mundial.
"Temos de dar esse passo, evoluir no novo arranjo,
porque não podemos continuar pagando quase 6% do PIB como serviço
da dívida", enfatizou o ministro.
O Brasil gasta quase R$ 200 bilhões em
juros da dívida pública, algo que nem os países altamente
endividados da Europa fazem.
"Se a Itália pagasse isso, já teria
quebrado três vezes." O ministro reconheceu que parte desses gastos,
cerca de R$ 35 bilhões, refere-se ao custo de carregamento das reservas
internacionais.
E isso só ocorre porque as taxas de juros
no País são muito elevadas. A China, disse ele, tem US$ 2,6
trilhões em reservas e não tem custo de carregamento, porque
o juro interno é semelhante às taxas internacionais.
Mantega disse que a crise nas economias avançadas
piorou, dadas as dificuldades de elas tomarem decisões políticas
que ajudem a retomar o crescimento.
Para o ministro, existe a possibilidade de as
dificuldades em honrar as dívidas se transformem numa nova crise
bancária, numa espécie de ciclo negativo iniciado em 2008.
Além de adotar medidas para evitar o "derretimento" do câmbio,
o Brasil tem fortalecido suas defesas comerciais, explicou o ministro.
(Lu Aiko Otta - O Estado de S.Paulo)
23.08 - OCDE: Recessão está mais
próxima dos ricos
Os países que integram a Organização
para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE),
que abrange 30 nações, entre as quais algumas das mais ricas
do mundo, cresceram apenas 0,2% entre abril e junho, informou a instituição
por meio de nota divulgada ontem. Esse é o quarto trimestre consecutivo
de desaceleração. Para especialistas, o baixo crescimento
já é sinal de estagnação. Daí para uma
recessão, alertam, é um pulo. O resultado dos números
pífios tem sido taxas de desemprego altíssimas, sobretudo
na Espanha, onde a fila de trabalhadores em busca de um posto não
para de crescer.
Ainda segundo a OCDE, a desaceleração
econômica está "marcada particularmente na Zona do Euro".
O governo da Alemanha - país cuja taxa de crescimento foi de 0,1%
no segundo trimestre -se apressou em garantir que o país não
está em recessão. O comunicado foi importante para a Europa,
já que a economia alemã tem se apresentado como o lastro
do euro e da própria União Europeia.
"Não há sinais de recessão
na Alemanha. O mercado de trabalho está positivo", afirmou o ministro
das Finanças, Wolfgang Schäuble, à rádio Deutschlandfunk.
Segundo ele, o país vai crescer 3% neste ano. "Na Alemanha, como
no resto da Europa, o segundo trimestre foi menos positivo que o esperado,
mas não há motivos para preocupação", garantiu.
(Correio Braziliense)
23.08 - Ainda sem saída
Uma das peculiaridades da crise atual reside
na resistência a aceitá-la como um evento com potencial para
jogar o mundo num longo período de baixo crescimento e instabilidades
- não só econômicas, mas também políticas.
Um comportamento de avestruz, que deveria preocupar mais justamente por
não ser inédito na história das crises.
Cada mergulho dos mercados amplia a percepção
de que este não é um capítulo trivial na rotineira
história dos vales e picos que marcam a economia global pós-guerra.
Mas, apesar de alguns episódios dramáticos - e da sensação
de que vivemos à beira do precipício -, ainda faltam às
turbulências recentes a carga demolidora do tipo de colapso que dissolve,
instantaneamente, as esperanças de que desta vez será diferente
- e menos grave.
As projeções para o crescimento
da economia global, em especial no caso de Estados Unidos e União
Europeia, têm sido, sistemática e negativamente, atropeladas
pela realidade. Ainda sobrevivem, no entanto, expectativas de que, no fim
das contas, o diabo que estão pintando não seja tão
feio. Menções ao risco de "duplo mergulho" ou de trajetória
em "W" são reveladoras da ideia de que a crise de 2008 havia sido
superada e agora sobreveio outra - não de que se trataria apenas
de um novo capítulo de um sombrio enredo que ainda vai longe.
Fora do pensamento mais convencional, no entanto,
as mensagens são bem diversas. Ainda que não chegue a uma
depressão clássica, a crise, na visão de economistas
de grande prestígio, é profunda e tende a manter as economias
maduras em banho-maria por longo período. O medo maior é
que, em algum momento, se persistirem os déficits e as dívidas
públicas, o potencial de aversão ao risco se concretize,
atingindo, num efeito dominó, a saúde dos bancos.
A verdade é que a crise atual tanto mais
assusta quanto mais as fórmulas para superá-la não
pareçam descritas nos livros-texto. Se o tratamento convencional
para as crises de dívida e déficits públicos - a contração
dos gastos de governo - perdeu força, com a constatação
de que mais aprofundaria do que solucionaria o problema, também
as saídas heterodoxas conhecidas não estão dando conta
do recado.
Em artigo recente, Nouriel Roubini, cujo pessimismo
antecedente se revelou realista, observou que todos os coelhos conhecidos
para reativar economias já foram tirados da cartola sem resolver
os problemas. Estímulos fiscais, taxas de juros próximas
de zero, "relaxamentos quantitativos", injeções diretas de
liquidez em instituições financeiras promoveram uma recuperação
tão rápida quanto inconsistente. O temor do "duplo mergulho"
- aquele que parece ser sem ter sido, mas que agora assombra os mercados
- é a prova de que todas as medidas heroicas tentadas não
passaram de fogo de palha.
Além do esgotamento das receitas conhecidas
já aplicadas, que produziram até aqui mais déficits,
dívidas, dúvidas e pânicos, há na crise atual
elementos políticos e institucionais que complicam tudo e esvaziam
a potência das fórmulas conhecidas de saída das crises
de superendividamento. A mais clássica delas, a da depreciação
cambial, para mover a economia doméstica combalida pelo canal das
exportações tem, desta vez, pelo menos dois poderosos limitadores.
Um deles é a amarra do câmbio fixo nos países afetados
na zona do euro. O outro é a abrangência da crise, que atinge
os dois lados do Atlântico, e, portanto, não permite que todos,
ao mesmo tempo, se beneficiem das políticas de desvalorização
competitiva de moedas. Isso sem considerar as dúvidas sobre a capacidade
chinesa de repetir o papel de locomotiva global que o país desempenhou
na etapa anterior da crise.
É desse caldo indigesto como salada de
pepino à meia-noite que se alimentam propostas antes impensáveis,
como a do prestigioso Kenneth Rogoff, ex-economista-chefe do FMI e um dos
maiores especialistas em crises financeiras. Em resumo grosseiro, mas fiel,
para Rogoff, a saída da crise, que reflete um episódio de
grande contração econômica, exigirá a produção
de um certo nível de inflação, expressa em medidas
fiscais e monetárias expansionistas. Pode ser que o processo leve
a isso, mas como decisão de governos, já afogados em dívidas
e déficits, parece tão inviável em termos políticos
como a proposta do Nobel Joseph Stiglitz, que recomenda, principalmente
para os EUA, uma rápida, ampla e francamente progressiva reforma
tributária.
O pior dessa crise, até agora, é
a falta de alternativas indiscutíveis para acabar com ela. (José
Paulo Kupfer - O Estado de S.Paulo)
23.08 - O Tesouro acredita em queda dos juros
É de caráter transitório
a redução da dívida pública mobiliária,
entre junho e julho,equivalente a 4% do total ou a R$ 83,7 bilhões,
segundo o relatório mensal divulgado ontem pelo Tesouro Nacional.
Venceram, no mês passado, papéis prefixados no montante de
R$ 117,6 bilhões, valor correspondente a 7,7% da dívida de
R$ 1,66 trilhão. Com a concentração de vencimentos,
a renovação de todas essas aplicações só
seria possível se fosse paga remuneração mais alta
aos aplicadores. Entre junho e julho, a remuneração média
já havia aumentado de 12,36% ao ano para 12,43% ao ano.
Como é boa a situação de
caixa do Tesouro,as vendas foram adiadas,na suposição de
que será possível pagar juros menores nas próximas
semanas.
Entre 19 de julho e 19 de agosto, os juros futuros
caíram de 12,59% ao ano para 11,70% ao ano.
A explicação do coordenador-geral
da Dívida Pública, Fernando Garrido, é de que o Tesouro
preferiu colocar papéis com remuneração próxima
à média do mercado, evitando pagar prêmios mais elevados,
por causa da volatilidade. Isso significa que a turbulência financeira
global já teve algum impacto no Brasil.
No mês passado, as instituições
financeiras reduziram em quase R$ 53 bilhões suas posições
em títulos federais, mas, para atender à demanda dos clientes,é
provável que elas retomem as compras de títulos.
Em julho, os aplicadores subscreveram apenas
R$ 22,5 bilhões em papéis prefixados, cuja participação
no total da dívida mobiliária federal interna caiu de 39,1%,
em junho, para 35,3%, em julho, enquanto aumentava o peso dos títulos
corrigidos pela inflação ou com taxas flutuantes,que dependem
da Selic. O prazo médio da dívida total aumentou de 3,58
anos, em junho, para 3,77 anos, em julho, mas a parcela que vence em 12
meses cresceu de 21,03% para 21,79%, no mês passado.
Para colocar papéis a custo menor, o Tesouro
conta com a elevada arrecadação tributária e a obtenção
de um superávit primário superior às projeções,
como ocorreu em julho.
Além do mais, quanto maiores as incertezas,
maior a busca de títulos emitidos pelo governo - no caso brasileiro,
muito bem remunerados.
Mas o horizonte não é tranquilo:
o ano que vem é eleitoral e são prováveis pressões
fiscais adicionais, além das já conhecidas, como o aumento
real do salário mínimo.Ou seja, o Tesouro não poderá
adiar por muito tempo a retomada das colocações líquidas
de títulos. Só um enorme superávit primário
permitiria reduzir a dívida pública. (O Estado de S.Paulo)
22.08 - O diagnóstico real da crise começa
a surgir
Há muitos americanos ilustres na América.
Inclusive os muito ricos, que lá, talvez mais do que aqui, são
capazes de reconhecer seus papéis maiores na sociedade, como é
o caso do megainvestidor Warren Buffett.
Em artigo circulado mundialmente esta semana,
Buffett fez um call à sociedade e aos políticos americanos,
oferecendo caminhos de saída mais rápidos e seguros do que
simplesmente confiar no poder inesgotável da máquina de fazer
déficits do governo federal.
Outro americano ilustre, o economista Jeffrey
Sachs, do Earth Institute, também ressaltou, no Financial Times
da edição de ontem, a tríplice carência dos
EUA de hoje: falta de coragem para agir, falta de diagnóstico preciso
da crise e falta de visão do conjunto da sociedade.
Sachs arrisca o diagnóstico: seria a globalização,
que teria roubado os empregos menos especializados dos estratos mais baixos
da sociedade americana sem que esta esboçasse uma reação
organizada.
Embora evitando apontar o dedo para a China,
Sachs deixa entrever esta conclusão ao usar - a meu ver, de modo
equivocado - o termo globalização como definidor da origem
da perda de poder de competição da máquina produtiva
dos EUA.
De fato, a ampliação do escopo
competitivo mundial se ampliou formidavelmente com a incorporação
de centenas de milhões de novos candidatos a trabalhos industriais
na Ásia, na Índia e até na África. Prejudicou
os EUA e alguns países europeus, mas nem todos! Em compensação,
o mundo como um todo conseguiu dar um salto extraordinário de bem-estar
e progresso.
Os desequilíbrios decorrentes dessa melhora
são, agora, responsabilidade de todos e, assim, as nações
em conjunto devem trabalhar para tentar atenuá-los. A China, por
exemplo, deve começar a rever seriamente seu próprio modelo
de câmbio artificial.
O próprio Sachs reconhece que os EUA pouco
fizeram. Atuaram de modo defensivo, acelerando dispêndios em duas
áreas, construção civil e guerras externas, com isso
absorvendo mão de obra menos especializada.
O financiamento desses setores de não-exportáveis
se deu de modo ruinoso, com excesso de alavancagem pelas famílias
endividadas e pelo governo que delas depende para cobrar impostos, já
que a política de Bush liberou os mais ricos de um esforço
de poupança fiscal para bancar as ações militares
mundo afora. Destravar o modelo americano baseado em poupança do
resto do mundo será o desafio deles nesta década.
Isso implicará em empurrar parte do ajuste
mundial de volta para o colo dos chineses, cujo modelo é hoje o
espelho simétrico das carências americanas, ou seja, um esquema
de alta taxa de poupança e alta empregabilidade, sem qualquer interesse
pelo que venha a suceder aos vizinhos.
O Brasil, nesse contexto, mal despertou para
as consequências devastadoras das próximas rodadas de enfrentamento
da competição mundial na produção de bens e
serviços. Por causa da folga momentânea que nos deram os termos
de troca do comércio exterior, com preços elevadíssimos
de commodities, posamos de campeões num ambiente em que nosso segmento
industrial entrega pontos de competitividade a cada dia.
Nossa abordagem ao problema é gradual
(vide o recente divulgação do Plano Brasil Maior), quando
a urgência pediria um ataque radical e simultâneo a todos os
focos do grande e crescente custo-Brasil. Antes que fique tarde demais.
(Paulo Rabello de Castro - Brasil Econômico)
22.08 - "Ante pânico, lógica da crise
deve mudar"
Os mercados estão em pânico, mandam
mensagens contraditórias e cabe aos governos da Europa mudarem o
enfoque da crise.
"É preciso uma resposta com visão
estratégica, mostrar aos mercados que o crescimento também
lhes interessa", diz a chilena Stephany Griffith-Jones, especialista em
finanças da Initiative for Policy Dialogue, criada pelo economista
Joseph Stiglitz na Universidade Columbia.
Griffith-Jones, 64, fez parte da comissão
do governo francês que estudou a viabilidade de um imposto sobre
transações financeiras.
Ela está no Rio para participar, nos dias
23 e 24, do seminário "Administrando a Conta de Capital e Regulando
o Setor Financeiro: a Perspectiva de um País em Desenvolvimento".
Folha - Por que a reunião entre Nicolas
Sarkozy e Angela Merkel não acalmou os mercados?
Stephany Griffith-Jones - Os mercados estão
em pânico, e é muito difícil satisfazê-los. Mas
também diria que os governos europeus reagiram de maneira muito
lenta.
Há agora uma proposta que pode ajudar
a solucionar o problema, que é a criação dos eurobônus,
em que o risco das dívidas seria garantido por todos da zona do
euro.
O fato de Sarkozy e Merkel terem enfatizado cortes
de gastos não é uma contradição?
É o problema central. Há um risco
de "duplo mergulho" porque as empresas e as pessoas estão endividadas
e têm medo de gastar. A resposta deveria ser maiores gastos públicos.
Isso está limitado pelos mercados, que mandam mensagens contraditórias:
se queixam dos deficits fiscais e depois do freio no crescimento.
Um imposto sobre transações financeiras
teria que ser global ou pode ser só na Europa?
O imposto é factível, em especial
uma taxa pequena sobre as transações cambiais. É preferível
que seja global.
Quanto tempo os países ricos vão
demorar para se recuperar?
Hoje todo o mundo só olha para os indicadores
ruins, o que acaba reforçando os problemas. É importante
que os políticos mudem o enfoque da crise, talvez com uma cúpula
do crescimento.
É preciso uma resposta com visão
estratégica. (CLAUDIA ANTUNES - Folha de S.Paulo)
22.08 - Solução para Europa precisa
ser rápida
Desfecho para os problemas do euro e dos países
periféricos da união monetária tem de acontecer no
curto prazo, dizem economistas
A Europa está numa encruzilhada, e um
desfecho para os problemas do euro e dos países periféricos
da união monetária deve acontecer no curto prazo. Esta é
a visão de reputados economistas, como Mohamed El-Erian, principal
executivo do Pimco, o maior fundo de investimentos do mundo, e Jim O"Neill,
presidente do Goldman Sachs Asset Management e criador do termo Brics.
"A zona central do euro parece agora estar optando
por uma união mais forte, baseada em uma integração
econômica mais profunda e, o que é um ponto crítico,
uma melhor disciplina fiscal", disse El-Erian ao Estado.
Na verdade, ele acha que a solução
mais provável é algo até pouco tempo considerado impensável:
a saída de alguns países do euro. Em artigo, o economista
descreveu três desfechos possíveis para a crise, que, segundo
sua previsão, devem acontecer "em semanas e meses, e não
em trimestres e anos".
O primeiro cenário é o de uma ruptura
caótica da zona do euro, que acontecerá se os governos centrais
resistirem a dar suporte fiscal à solução da crise,
se os países periféricos abandonarem seu esforço fiscal,
e se a população das nações mais problemáticas
não aguentarem mais a combinação de estagnação
econômica, desemprego elevado e austeridade orçamentária.
A segunda alternativa é a de uma união
fiscal mais ampla entre os 17 países-membros do euro. Para o economista,
esta saída significaria na prática que a Alemanha teria de
bancar por anos os países problemáticos, como se dispôs
a fazer com a Alemanha Oriental depois da reunificação. Em
contrapartida, a Alemanha tentaria forçar os países-membros
a renunciar parcialmente à soberania fiscal.
O terceiro cenário, que El-Erian considera
o mais provável, consiste na criação de uma zona do
euro menor e mais "economicamente coerente", com uma união fiscal
mais forte. Ele estima que "duas ou três" economias periféricas
fariam um "sabático" (um desligamento não permanente) do
euro.
Neste caso, ele considera que a incerteza provocada
naqueles dois ou três países por causa do desligamento seria
compensada pelo acesso a um conjunto mais amplo de instrumentos para lidar
com seu excesso de dívidas e falta de competitividade. Um dos principais
instrumentos é a possibilidade de desvalorizar o câmbio, que
pode reativar a economia pela via das exportações.
Grécia, Portugal e Irlanda são
as economias mais fragilizadas da zona do euro. Para o Estado, El-Erian
apontou a Grécia como exemplo mais evidente de país cuja
permanência ele considera impraticável. "O país tem
um maciço estoque de dívida, um alto déficit, uma
economia em contração e um desemprego alto; é virtualmente
impossível que a Grécia consiga cumprir a sua parte na barganha
(para permanecer no euro)."
Eurobônus. Já O"Neill não
aposta tanto na saída de alguns países do euro, mas considera
que esse desfecho é possível se o grupo de participantes
não fechar no curto prazo um reforço do Pacto de Estabilidade
e Crescimento (que embasou a criação da moeda única)
e se não caminhar na direção de um "eurobônus".
O eurobônus seria um título público
lançado em conjunto pelos países-membros, e remunerado por
todos proporcionalmente ao tamanho das suas economias. Seria, no fundo,
a criação de um mercado de dívida unificado em euros,
assim como existe nos Estados Unidos o mercado dos treasuries, os títulos
do Tesouro americano.
Com o eurobônus, países periféricos
e com custos altíssimos para se financiar teriam acesso a um instrumento
de captação com juros provavelmente muito mais baixo, já
que o custo refletiria a qualidade de crédito dos países
centrais, que seriam responsáveis pela maior parte da remuneração
do papel.
O"Neill, que defende uma transição
permanente na direção de que a maior parte da dívida
dos países do euro seja financiada pelos eurobônus, ressalva
que este é um esquema naturalmente muito bem visto pelos países
em pior situação, que terão custos reduzidos. Já
os países mais sólidos, ao contrário, terão
algum aumento de custo, uma vez que o bônus refletirá também,
em proporção menor, o risco dos membros debilitados. Ainda
assim, o economista defende um mercado comum de bônus em euros. Segundo
ele, o eurobônus têm de vir com a contrapartida de uma autoridade
fiscal (central) muito mais forte".
O"Neill considera que os europeus devem agir
com pressa, e o desfecho dependerá do que for proposto em setembro
para reforçar o Pacto de Estabilidade e Crescimento. "Se não
seguirem esse caminho (união fiscal e eurobônus), não
vai ser possível continuar com todos os membros; se eles não
tiverem algo de sensato para apresentar em setembro, nós poderemos
ter uma grande crise", ele concluiu.
CENÁRIOS
Ruptura caótica
O primeiro cenário é o de uma ruptura
caótica da zona do euro, que acontecerá se os governos centrais
resistirem a dar suporte fiscal à solução da crise
e se os países periféricos abandonarem seu esforço
fiscal.
União fiscal
A segunda alternativa é a de uma união
fiscal mais ampla entre os 17 países-membros do euro. Nesta saída,
a Alemanha teria de bancar os países problemáticos e, em
contrapartida, forçá-los a renunciar parcialmente à
soberania fiscal.
Desligamento de países
O terceiro cenário, que o economista El-Erian
considera o mais provável, consiste na criação de
uma zona do euro menor, com uma união fiscal mais forte. (Fernando
Dantas - O Estado de S.Paulo)
19.08 - Crise pode acelerar redução
dos juros no Brasil
O temor com inflação - que, para
muitos, forçaria a alta na taxa de juros - pode ser combatido com
outros mecanismos financeiros
A crise intenacional pode acelerar o processo
de queda na taxa básica de juros do país, a Selic (hoje em
12,50%), segundo avaliação do Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea).
"A crise pode alicerçar um processo de
redução mais forte da taxa de juros", apontou o estudo O
Brasil ante a Crise Financeira Internacional, divulgado ontem pelo instituto,
em Brasília.
"Após ter atravessado com sucesso a primeira
tormenta, o Brasil reúne reservas macroeconômicas estratégicas
para o combate da possível segunda tormenta", ressalta o Ipea.
Claudio Hamilton, coordenador de Finanças
Públicas do Ipea, ressaltou que a política monetária
está entre as principais alternativas para o Brasil enfrentar a
crise internacional. "Se você reduz os juros, há economia
com o financiamento da dívida e sobra dinheiro para se investir
em escolas e hospitais, por exemplo", disse.
Hamilton lembrou ainda que o temor com inflação
- que, para muitos, forçaria a alta na taxa de juros - pode ser
combatido com outros mecanismos financeiros, como o aumento dos compulsórios
dos bancos (que restringe a disponibilidade de recursos para crédito).
Contas públicas
O economista do Ipea, no entanto, admitiu que
o Brasil, num certo momento, poderá ter problemas para financiar
o seu balanço de pagamentos, mas que essa dificuldade poderá
ser driblada pelo câmbio, por meio de uma depreciação
do real - cenário oposto ao atual, de apreciação da
moeda brasileira diante do dólar (a despeito da volatilidade das
últimas semanas). (Elaine Cotta - Brasil Econômico)
19.08 - Sinais de desaceleração
começam a se multiplicar
Alguns indicadores do nível de atividades
da economia brasileira divulgados nesta semana vão certamente influenciar
as expectativas para a reunião do Comitê de Política
Monetária (Copom) no fim do mês. Se o cenário internacional
já sugeria cautela, o doméstico reforça essa posição
e certamente vai pesar no futuro da taxa básica de juros (Selic),
que está em 12,50% ao ano.
A informação mais significativa
foi o recuo de 0,26% do IBC-BR de junho em relação a maio
- a primeira queda desde dezembro de 2008, quando a crise internacional
já atingia o Brasil com intensidade, exigindo medidas anticíclicas
para tentar reativar a economia. Com o recuo de junho, o índice
do segundo trimestre fechou com alta de apenas 0,69% em comparação
com o trimestre anterior.
Calculado pelo Banco Central (BC) como indicador
que busca antecipar o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB), o IBC-BR
tem desempenhado bem esse papel. Por isso, o IBC-BR que acaba de ser divulgado
sinaliza importante desaceleração da economia e que as medidas
tomadas pelo governo para esfriar o nível de atividades começam
a fazer efeito. A estimativa do PIB para o segundo trimestre, com base
no IBC-BR, é de 0,7% de crescimento, abaixo do 1,3% de variação
do primeiro trimestre. O desempenho do IBC-BR no segundo trimestre, em
termos anualizados, é inferior a 3%, bem abaixo das taxas de 4,5%
a 5,5% dos trimestres anteriores.
O resultado do IBC-BR levou várias instituições
financeiras a revisarem as estimativas para o PIB do ano, mais para perto
de 3% do que dos 4% anteriormente esperados. É um número
bem
inferior aos 7,5% exuberantes de 2010 e ao que outros emergentes prometem
para este ano - a China deve crescer 9,5% -, mas obviamente muito melhor
do que parece reservado para as economias avançadas.
Por outro lado, crescer menos tira pressão
da inflação e, portanto, dos juros. Fontes do Banco Central
vazaram para a imprensa a avaliação de que o resultado do
IBC-BR reforça a convicção do Copom de que a inflação
do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) convergirá
para o centro da meta (4,5%) já em 2012.
Analistas já esperavam o recuo do nível
de atividades em função do comportamento da indústria
e do varejo nos últimos meses. Depois de ter crescido 1,1% em maio,
a produção industrial encolheu 1,6% em junho. A retração
indústria de transformação influenciou o resultado
do setor, apesar da estabilidade na construção. Até
regiões tradicionais como São Paulo foram atingidas. No semestre,
a expansão foi de 1,7%. O Valor apurou que o segundo semestre com
estoques elevados nas revendas de automóveis e distribuição
de aço, o que indica compras menores junto à industria. No
varejo as vendas perderam o ímpeto e, depois do aumento de 0,7%
em maio, cresceram apenas 0,2% em junho.
Sugerem igualmente uma desaceleração
os dados da geração de emprego formal, calculada pelo Ministério
do Trabalho e Emprego (MTE). Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados
(Caged), foram criados 140.563 postos de trabalho em julho, quase 40% a
menos do que em junho, quando 234 mil novas vagas foram criadas. Em comparação
com igual mês de 2010, a queda foi de 22,5%.
Foi o terceiro mês consecutivo de redução
no número de vagas criadas, encolhimento que atingiu inclusive o
setor de serviços, que vinha puxando o emprego no país. De
janeiro a julho, surgiram 1,59 milhão de novos postos de trabalho,
14,1% a menos do que o 1,85 milhão de vagas criadas em igual período
de 2010.
Mas, prever o futuro nunca é tão
fácil. Na contramão desses indicadores, a receita de impostos
continua explodindo, sugerindo uma economia em expansão. A Receita
Federal acaba de divulgar que arrecadou, em julho, R$ 90,247 bilhões
em impostos, contribuições federais e previdenciárias,
segundo maior valor do ano. O crescimento real sobre o mês anterior
foi de 8,92% e sobre o mesmo mês de 2010 foi de 21,31%. No acumulado
do ano, a arrecadação é também recorde e soma
R$ 555,857 bilhões, com aumento real de 13,98%. Apenas a receita
de impostos cresceu 14,40% reais no ano.
Contribuiram para o recorde receitas extraordinárias
com o pagamento de R$ 5,8 bilhões em CSLL devido por uma das maiores
empresas do país em razão de encerramento de uma disputa
judicial, e de R$ 2,264 bilhão referentes ao Refis da crise. Mesmo
sem isso a arrecadação continua expressiva.
O mais perigoso nesse momento é que informações
contraditórias podem conduzir a avaliações erradas
da conjuntura. (Editorial - Valor Online)
19.08 - BC: Inflação cairá
fortemente entre setembro e abril de 2012
A inflação brasileira cairá
“fortemente” a partir de setembro, segundo o presidente do Banco Central
(BC), Alexandre Tombini. Em entrevista concedida a jornalistas estrangeiros
na quinta-feira, ele afirmou que a inflação oficial, medida
pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), cairá
dois pontos percentuais entre os resultados de setembro deste ano e abril
de 2012, considerando o acumulado de 12 meses.
Isso quer dizer que, na avaliação
de Tombini, o IPCA deve atingir algo entre 4,7% e 4,8% nos 12 meses terminados
em abril do ano que vem – taxa muito mais próxima do centro da meta
perseguida pelo BC, de 4,5% ao ano. Atualmente, o IPCA está acima
do teto da meta do BC, que é dois pontos percentuais superior ao
centro (6,5%). Nos 12 meses terminados em julho, dado mais recente divulgado
pelo governo, o IPCA acumulou 6,87%.
“O BC já comunicou ao mercado, no relatório
de inflação de março, que persegue a meta de 4,5%
para 2012. Já começamos a ver resultados promissores da política
coordenada de aperto tocada pelo governo desde o início do ano.
A inflação brasileira já está em trajetória
declinante”, afirmou Tombini, logo no início da entrevista, feita
por teleconferência.
Ao longo da entrevista, o presidente do BC voltou
a falar de inflação. Pela primeira vez, Tombini externou
sua visão de como foi formada a aceleração da inflação
no Brasil. “A inflação foi alta em todos os países
na passagem de 2010 para 2011, especialmente para os emergentes”, disse
Tombini, para quem a elevação nos preços das commodities,
iniciada em meados de 2010, foi a principal responsável, ao lado
do mercado doméstico aquecido, para a alta nos preços. “A
alta de commodities foi muito mais intensa nos países emergentes,
uma vez que os alimentos tem um peso maior na cesta de consumo dessas sociedades”,
afirmou. Segundo Tombini, a atuação do governo brasileiro
foi “muito ativa” no combate a inflação. “Tivemos uma política
muito abrangente de combate à inflação, combinando
apertos fiscais e monetários”, disse. (João Villaverde
- Valor)
18.08 - Auditoria: CVM ganha aliado em defesa
do rodízio
Com os Estados Unidos abrindo a discussão
sobre a aplicação do rodízio obrigatório de
auditorias naquele país, a Comissão de Valores Mobiliários
(CVM) ganhou um aliado de peso na sua batalha para defender a troca periódica
em vigor para as companhias abertas não financeiras no Brasil.
Um dos principais argumentos daqueles que são
contra o rodízio - incluindo auditores independentes e empresas
- é o fato de a rotação obrigatória de firmas
ser uma espécie de jabuticaba, que só existe no Brasil e,
no caso do rodízio, também na Itália, entre os países
de maior peso na economia global.
Esse ponto é citado na carta enviada pelo
Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon) à CVM
no início desta semana, como comentário à recente
audiência pública aberta pela autarquia sobre o tema.
A minuta proposta pela autarquia tem como objetivo
induzir as companhias abertas a constituir um comitê de auditoria
estatutário em troca de um prazo mais longo para o rodízio
de auditor externo. Para essas empresas, o período de rotação
subiria de cinco para dez anos.
Embora esse fosse o desejo dos auditores, a proposta
da CVM não coloca em questão a desistência da troca
obrigatória, sendo que o próximo giro deve ocorrer em 2012.
"Não pensamos em mudar a figura do rodízio. Falamos só
do prazo, no caso de haver o comitê, mas não da prática
em si", diz Alexsandro Broedel, diretor da CVM, sobre a minuta.
Na carta enviada à autarquia, o Ibracon
propõe que empresas que criarem comitês de auditoria sejam
dispensadas do rodízio.
Nesse caso, a decisão do PCAPOB (sigla
em inglês para Conselho de Supervisão de Contabilidade de
Companhias Abertas) de discutir o tema também favorece o argumento
da CVM, já que lá o rodízio não seria uma opção
ao comitê, mas se somaria a ele. "Estamos na mesma tecla, a preocupação
é exatamente a mesma", afirma Broedel, lembrando que na União
Europeia o tema também foi colocado em audiência pública.
Na Europa, a maior parte dos comentários recebidos foi contrária
à prática.
Uma ideia que surgiu foi o estabelecimento de
contratos de longo prazo, sem possibilidade de rescisão, dando estabilidade
ao auditor por alguns anos.
Nos Estados Unidos, a última vez que o
rodízio foi discutido foi na época da edição
da lei Sarbanes-Oxley, em 2002. Entre outras coisas, a lei criou o próprio
PCAOB e também obrigou as companhias abertas a constituir comitê
de auditoria.
Em 2003, o General Accounting Office (GAO), órgão
ligado ao congresso americano que supervisiona as contas públicas,
disse aos reguladores que seria importante ter alguns anos com a experiência
de se ter os comitês de auditoria e também o trabalho de fiscalização
do PCAOB para então concluir sobre a necessidade de rodízio
obrigatório.
É com base nesse argumento que o PCAOB
traz o tema novamente ao debate. Nesses quase dez anos, o órgão
fez 1,7 mil inspeções detalhadas e examinou parcialmente
mais de 7,25 mil trabalhos de auditoria, o que se considera experiência
suficiente.
No trabalho de supervisão, o PCAOB encontrou
centenas de falhas nos trabalhos de auditorias, diz o advogado James R.
Doty, presidente do órgão.
Embora não divulgue estatísticas,
Doty diz que a falta de independência, objetividade e de ceticismo
são apontados com frequência nas fiscalizações.
"Quando se vê auditores vendendo seu serviço para potenciais
clientes como 'parceiros para dar suporte e ajudar' os clientes 'a atingir
suas metas', é difícil não se perguntar se essa mentalidade
contribuiu para algumas dessas falhas de auditoria", afirma ele.
Basicamente, a discussão gira em torno
do conflito gerado pelo fato de que é o cliente que paga pelo serviço
do auditor.
O PCAOB levanta a questão se, com o rodízio,
o auditor pode ser mais independente dessa relação comercial,
já que ele não precisa se preocupar em manter o cliente por
um longo prazo.
Do outro lado, os críticos da prática
falam dos custos que a mudança gera e também do aumento do
risco de problemas nos pareceres de auditoria - que teriam sido verificados
em estudos acadêmicos -, uma vez que haveria uma curva de aprendizagem
do novo auditor.
Na manifestação de voto dos cinco
membros do PCAOB, é possível notar que alguns se mostram
mais favoráveis à implantação do rodízio,
enquanto outros veem mais mérito na discussão sobre o tema
e nas sugestões que podem surgir durante o debate.
Na primeira rodada de inspeção
feita nas divisões brasileiras de PwC, Deloitte, Ernst & Young
e KPMG, as quatro grandes, o PCAOB encontrou falhas no trabalho de todas.
Mas nenhum balanço teve que ser republicado. (Fernando Torres
- Valor Online)
18.08 - Estagnação ameaça
EUA, diz Nobel
O economista Edward Prescott está pessimista
quanto às perspectivas econômicas dos Estados Unidos. Para
o ganhador do Prêmio Nobel de 2004, o país pode enfrentar
um longo período de estagnação, correndo o risco de
repetir a experiência do Japão nos anos 90, da Itália
nos últimos 15 anos ou do Brasil dos anos 80 e começo dos
anos 90. Segundo Prescott, o problema é que "políticas anticrescimento"
dominam hoje o país, atrapalhando a recuperação da
economia. Para estimular a atividade, ele defende cortes de gastos públicos,
que permitam a redução de impostos.
"Gastar é taxar, como disse Friedman,
e ele estava certo", afirmou ontem Prescott, em entrevista ao Valor, referindo-se
ao Nobel de Economia de 1976, Milton Friedman. Para ele, se o governo se
comprometer com um corte crível dos gastos públicos, a economia
americana pode ter um boom. Prescott veio ao Brasil a convite do Principal
Financial Group. É o convidado de maior destaque do evento "Economia
global: riscos e oportunidades".
Professor da Universidade do Estado do Arizona,
ele classificou como "falsa ciência" a ideia de que só restou
ao país a política fiscal para estimular a atividade, já
que os consumidores estão endividados, as empresas não investem
e a política monetária já está no limite, com
os juros próximos de zero. "É como dizer que o mundo é
plano", afirmou ele, para quem planos de estímulo fiscal tendem
a ter o efeito de deprimir a atividade econômica.
A percepção de que os impostos
serão mais altos no futuro leva as pessoas a trabalhar e produzir
menos no presente, de acordo com Prescott, que completou: "Gastar é
taxar, e taxar é deprimir [a atividade econômica]". Economistas
como Paulo Krugman, Nobel em 2008, defendem a expansão de gastos
como forma de sustentar a economia neste momento, hipótese rechaçada
por Prescott.
E quais são exatamente as políticas
anticrescimento que ameaçam jogar os EUA num longo período
de estagnação? Segundo Prescott, são as tentativas
de preservar a ordem estabelecida, que acabam por dificultar a expansão
da economia. Um exemplo seria o esforço do Conselho Nacional de
Relações do Trabalho (NLRB, na sigla em inglês) em
tentar impedir a Boeing de fabricar um determinado avião na Carolina
do Sul - a companhia teria transferido a produção para lá
com o objetivo de escapar das greves promovidas pelos trabalhadores numa
fábrica do Estado de Washington. "É a nossa maior exportadora",
reclama Prescott, incomodado com a iniciativa.
"O que nós precisamos é de mais
descentralização, dar mais poder aos Estados", afirmou ele,
criticando a tendência centralizadora do governo do presidente Barack
Obama. Para Prescott, o país também deveria dar mais espaço
à competição. "Abertura é ótimo", destacou
Prescott, dizendo que o país se beneficiou quando houve a concorrência
com a indústria automobilística japonesa, que resultou em
carros melhores para os consumidores.
Prescott não vê com bons olhos a
iniciativa do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de ter se
comprometido com a política de juros próximos de zero até
2013. "Eles não deveriam ter se comprometido com isso por tanto
tempo. A situação pode mudar", afirmou ele, que preferia
um compromisso com uma meta de inflação de 2%, e não
com o nível dos juros. Para Prescott, também não há
necessidade de uma nova rodada de afrouxamento quantitativo (pelo qual
o Fed compra títulos públicos e privados).
O economista se disse otimista com o Brasil,
especialmente pelo fato de o país estar "mais integrado com as multinacionais
e com o resto do mundo". Segundo ele, as perspectivas favoráveis
de crescimento e os juros elevados tornam o país atraente para os
investidores estrangeiros.
Para Prescott, os juros no Brasil vão
cair à medida que houver mais confiança de que o país
continuará no caminho atual. "Se essa tendência se mantiver,
não vejo por que as taxas não vão cair no futuro",
disse ele. Questionado sobre a valorização excessiva do real
e as tentativas do governo de evitar uma apreciação exagerada
da moeda, Prescott afirmou que ter uma meta para o câmbio não
é uma boa política.
Ao falar da crise da Europa, o economista disse
acreditar que o euro sobreviverá. "É algo útil e valioso",
afirmou ele, para quem os países do continente precisam enfrentar
a questão dos impostos, hoje muito elevados, o que afeta a capacidade
de competição. "E a Grécia, por exemplo, precisa de
fato se tornar mais responsável fiscalmente", disse Prescott, para
quem uma reestruturação ordenada da dívida de alguns
países pode ser algo desejável. (Sergio Lamucci
- Valor Online)
18.08 - Economia americana afasta risco recessivo
Parte das trevas que se abateram sobre as perspectivas
para a economia americana, com a queda das bolsas e do otimismo dos investidores
nas últimas semanas, poderá em breve se dissipar, uma vez
que as famílias continuam gastando e a indústria, produzindo.
A produção industrial teve o maior
crescimento do ano em julho, segundo números divulgados na terça-feira
pelo Federal Reserve (Fed). Relatórios publicados na semana passada
mostraram que as vendas no varejo tiveram a maior alta em quatro meses,
e os pedidos de auxílio desemprego caíram ao menor nível
desde o começo de abril.
"Não há nada aqui sugerindo que
a economia está desacelerando, muito menos declinando", diz Chris
Rupkey, economista financeiro do Bank of Tokyo-Mitsubishi UFJ em Nova York.
"A produção continua, e a produção continua
porque os consumidores ainda estão fazendo suas compras."
Os lucros de companhias como a Home Depot e a
Macy's estão superando as estimativas, enquanto as vendas crescem,
indicando uma recuperação nos gastos das famílias
após uma freada no segundo trimestre. As ações da
Cisco Systems dispararam na semana passada com o aumento da demanda por
seus equipamentos de rede, sinalizando um aumento dos investimentos pelas
empresas.
"É só olhar para o que as companhias
estão dizendo em suas chamadas de lucros para perceber que não
há nenhuma indicação de que elas estão reduzindo
abruptamente as contratações ou os investimentos", diz Neil
Dutta, economista do Bank of America Merrill Lynch em Nova York. "É
certo que os riscos de uma recessão estão aumentando, mas
ela ainda não é tida como inevitável."
O relatório do Fed mostrou que o aumento
de 0,9% na produção das fábricas, minas e empresas
de serviços públicos seguiu-se a um ganho revisto de 0,4%.
Economistas projetavam um aumento de 0,5% para julho, segundo a estimativa
média computada por uma pesquisa da Bloomberg News.
A produção de automóveis
e autopeças aumentou 5,2% no mês passado, uma reação
às interrupções ocorridas após o terremoto
de março no Japão, segundo o Fed. Excluindo esse setor, a
produção industrial cresceu 0,3%, após ganho de 0,2%
no mês anterior.
A produção de equipamentos industriais
aumentou 0,6% em julho, depois de um ganho de 0,2% em junho. A de computadores
e produtos eletrônicos cresceu 0,5%, após queda de 0,8% no
mês anterior. E de móveis aumentou 0,7%, ter caído
2,4% em junho.
Do lado do consumidor, redes varejistas estão
se beneficiando com a continuidade dos gastos das famílias. As vendas
cresceram 0,5% em julho, o maior número em quatro meses, depois
de ganho de 0,3% em junho, segundo dados do Departamento do Comércio.
A Walmart Stores, maior grupo varejista do mundo, elevou na terça-feira
sua estimativa de lucro para o ano.
Mais consumidores e empresas estão ganhando
acesso a crédito, depois que os bancos afrouxaram suas exigências
para a maior parte dos tipos de empréstimos no segundo trimestre.
Bancos comerciais e industriais citando a "competição agressiva"
como um dos motivos do afrouxamento, segundo consta em uma pesquisa divulgada
pelo Fed em 15 de agosto.
"Há muitas preocupações,
há muitos temores, mas até agora esses temores se mostraram
totalmente infundados", diz Rupkey (Timothy R. Homan - Bloomberg/Valor
Online)
17.08 - Fitch confirma nota de risco AAA dos EUA
A agência de classificação
de risco Fitch afirmou o rating (nota) AAA de longo prazo em moeda local
e estrangeira dos Estados Unidos e dos títulos do Tesouro norte-americano,
com perspectiva estável. A decisão reflete o fato de que
os pilares-chave da excepcional de qualidade de crédito dos EUA
continuam intactos, diz a agência.
A reiteração do rating também
reflete o papel central dos EUA no sistema financial global e sua economia
saudável, flexível e diversificada que formam a base de sua
receita, acrescenta a Fitch. A flexibilidade monetária e da taxa
de câmbio amplia a capacidade da economia dos EUA de absorver e se
ajustar aos choques, prossegue a Fitch.
A agência afirma que revisará suas
projeções fiscais a luz do resultado das deliberações
do comitê conjunto, esperadas para novembro, assim como sua perspectiva
econômica de curto e médio prazo para os EUA até o
fim do ano.
Uma revisão em alta nas projeções
de médio e longo prazo da Fitch para a dívida pública
seja como resultado de uma recuperação econômica mais
fraca do que a esperada, seja pelo fracasso do comitê conjunto de
chegar a um acordo sobre medidas de redução do déficit
em pelo menos US$ 1,2 trilhão provavelmente resultará numa
ação de rating negativa, diz a Fitch.
Esta ação mais provavelmente seria
uma revisão da perspectiva do rating para negativa, o que indicaria
uma chance de mais de 50% de um rebaixamento em um horizonte de dois anos.
Menos provavelmente seria um rebaixamento de um grau na nota, acrescenta
o comunicado da Fitch. As informações são da Dow Jones.
(Regina Cardeal - Agência Estado)
17.08 - Alemanha enfraquece e eleva risco de recessão
na Europa
Levada pela desaceleração na Alemanha,
a Zona do Euro obteve um crescimento de 0,2% no segundo trimestre, ante
um avanço de 0,9% no trimestre anterior, e se aproxima de uma recessão.
O Produto Interno Bruto (PIB) da Alemanha cresceu
apenas 0,1% no segundo trimestre, após uma alta de 1,3% no trimestre
anterior. Segundo a agência de estatísticas da Alemanha, neste
trimestre o país contou com uma menor contribuição
do setor externo, tradicional motor do PIB alemão, devido a um aumento
das importações.
"O dado é preocupante, pois boa parte
da força no crescimento europeu estava concentrado na Alemanha",
diz Mauro Schneider, economista chefe da Banif.
Na França, o crescimento trimestral foi
nulo, após uma alta de 0,9% no trimestre anterior. Por lá,
a demanda interna enfraqueceu no trimestre, com uma queda de 0,7% no consumo.
"Mesmo que a gente não caia no cenário
de recessão, que seria um cenário bastante negativo, as perspectivas
para o crescimento da Europa não são das melhores", ressalta
Schneider.
As recentes sondagens da atividade econômica
não são animadoras. O índice gerente de compras (PMI,
na sigla em inglês), divulgado no início do mês, atingiu
o nível mais baixo em 22 meses em julho, a 51,1 pontos (frente a
53,3 pontos em julho).
Nesse índice, um número abaixo
de 50 indica contração, enquanto um número acima dessa
marca sinaliza expansão.
Nessa leitura, a França obteve o nível
mais baixo em 23 meses, a 53,2 pontos, enquanto a Alemanha caiu para 52,5
pontos, resultado mais baixo em 21 meses.
"Você tem queda na confiança e um
aumento dos juros pagos por diversos países. Isso os força
a aprofundar os ajustes fiscais, criando uma força contracionista
a mais."
Em meio a esse cenário, as opções
de política econômica dos governos fica reduzida.
"Não dá para repetir a medicação
que foi usada em 2008, isso praticamente se esgotou. Mas isso não
significa que não dá pra fazer mais nada."
Em meio ao agravamento da crise, a chanceler
alemã, Angela Merkel, e o presidente da França, Nicolas Sarkozy,
anunciaram medidas para enfrentar a crise. Foi proposta a criação
de um imposto sobre transações financeiras na Zona do Euro,
além da instituição de um governo econômico
para a região.
FMI
Por meio de um artigo publicado no jornal inglês
Financial Times, a diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI),
Christine Lagarde, alertou os governos a não serem vítimas
de paralisia, acreditando que não há nada que possa ser feito.
"Para economias avançadas, há uma
necessidade de restaurar a sustentabilidade por meio de planos de consolidação
factíveis. Ao mesmo tempo nós sabemos que pisar nos freios
com muita força vai prejudicar a recuperação e afetar
o mercado de trabalho", afirmou Lagarde.
Para Lagarde, a economia na Zona do Euro depende
de um ajuste fino. "A política monetária agora está
mais apertada, problemas bancários deverão novamente ser
enfrentados, e a crise deixou um legado de dívida pública".
A diretora alertou os governos a não serem
guiados unicamente pelos mercados financeiros. "Ainda que os mercados desaprovem
o endividamento público - e aplaudam uma rápida consolidação
fiscal - como vimos na semana passada eles desaprovam ainda mais um crescimento
baixo ou negativo. (Felipe Peroni - Brasil Econômico)
17.08 - PIB europeu perde velocidade no 2º
trimestre
Alemanha e França praticamente param,
taxa anualizada chega a 1,7%, inferior ao previsto pelos analistas; desaceleração
é maior na Grécia
O anúncio da maior integração
econômica entre os 17 países da zona do euro foi feito em
Paris pelos líderes francês e alemão horas depois de
o Escritório Estatístico das Comunidades Europeias (Eurostat)
confirmar a desaceleração do crescimento na região.
Segundo o instituto de Bruxelas, a zona do euro
registrou crescimento de 0,2% no segundo trimestre em relação
ao primeiro trimestre - 0,1 ponto porcentual inferior à previsão
de analistas -, o que em termos anuais representa 1,7%.
Além da França, que já havia
registrado estagnação no período, a Alemanha também
decepcionou. Enquanto os especialistas estimavam o crescimento do país
em 0,5% no segundo trimestre, o Eurostat constatou 0,1% de avanço.
No apanhado dos últimos 12 meses, o país
registra 2,8% de aumento do Produto Interno Bruto (PIB), mais uma vez abaixo
do previsto (3,2%).
De passagem por Paris, onde se reuniu com o colega
Nicolas Sarkozy, a chanceler alemã, Angela Merkel, minimizou a desaceleração.
"Não se deve ver unicamente as flutuações trimestrais.
Nosso objetivo é fazer de tudo para que o potencial de crescimento
da Europa seja reforçado", afirmou.
Em Londres, o Banco da Inglaterra (BoE) já
havia anunciado na segunda-feira a redução das perspectivas
de crescimento de 1,8% para 1,4% em 2011. Com isso, todos os três
principais motores da União Europeia confirmaram a desaceleração.
Entre os países em crise, a Espanha registrou
crescimento de 0,2% no segundo trimestre. Na Grécia, a situação
é mais grave. Considerando os últimos 12 meses, o recuo do
Produto Interno Bruto (PIB) chegou a 6,9%.
Outro dado preocupante sobre a performance econômica
da zona do euro também foi anunciado: o recuo de 0,7% na produção
industrial de junho em relação ao mês anterior.
FMI. Diante dos números de crescimento
insuficientes, a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional
(FMI), Christine Lagarde, pediu em artigo publicado no jornal Financial
Times a reprogramação das políticas de austeridade,
de forma a evitar a recessão no continente. "O reequilíbrio
fiscal deve resolver uma equação delicada, não sendo
rápido demais, nem lento demais", defendeu.
Para Nicolas Bouzou, diretor da consultoria Asterès,
de Paris, os indicadores conjunturais apontam a degradação
do desempenho da UE. "Mas eu não acredito que possamos falar em
volta da recessão mundial", afirmou. (O Estado de S.Paulo)
16.08 - CVM diz não haver fundos fora de
limites de alavancagem
Não há nenhum fundo de investimento
fora dos limites de alavancagem e exposição, de acordo com
a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A afirmação
é uma resposta ao fechamento dos fundos geridos pela GWI na semana
passada, após ficarem perto da insolvência. A CVM informou,
por meio de sua assessoria de imprensa, que os acontecimentos com os fundos
geridos pela GWI e casos similares estão sendo acompanhados "de
perto".
As nove carteiras da gestora foram interrompidas
para resgates e aplicações até o dia 26 de agosto,
quando será realizada assembleia com os cotistas para decidir o
futuro delas. O pedido de paralisação foi feito pelo BNY
Mellon, que administra os fundos da GWI, "para evitar prejuízo ao
conjunto dos cotistas". Apenas o fundo "Private" perdeu 273,1% apenas no
dia 8 de agosto e ficou com patrimônio negativo de R$ 25 milhões.
A CVM lembra que, conforme os artigos 88 e 89,
da Instrução CVM nº 409, os administradores devem comunicar
à CVM qualquer desenquadramento em relação aos limites
estabelecidos pela Instrução e pelo Regulamento.
A seguir, a íntegra da nota da autarquia
sobre o assunto:
"A CVM está acompanhando de perto os acontecimentos
com os fundos geridos pela GWI e, em relação a outros possíveis
casos similares, vale mencionar que, nos termos do disposto nos arts. 88
e 89, da Instrução CVM nº 409, os administradores devem
comunicar à CVM qualquer desenquadramento em relação
aos limites estabelecidos pela Instrução e pelo Regulamento,
sendo que, no momento, não há registro de desenquadramento
em relação a limites de alavancagem e exposição."
(Agência Estado)
16.08 - Gigantismo de ação para
salvar Espanha e Itália surpreende
Banco Central Europeu diz ter gasto € 22
bi no resgate dos papéis na semana passada, recorde nesse tipo de
operação
Ação sinaliza preocupação
maior do que a imaginada com a situação dos dois países
e leva inquietação a investidores do mercado
O BCE (Banco Central Europeu) anunciou ontem
ter gasto € 22 bilhões (cerca de R$ 50,5 bilhões) na
semana passada para ajudar Itália e Espanha, valor recorde em operações
do tipo.
A maior parte do dinheiro foi usada em títulos
desvalorizados desses dois países, apesar de papéis de Portugal
e Irlanda também terem sido incluídos no pacote.
O montante é maior que o anteriormente
especulado e reflete a crescente preocupação com a crise
da dívida. Até quando o BCE continuará a promover
este tipo de "resgate maquiado" é o que o mercado se pergunta agora.
No início de agosto, cresceu a preocupação
sobre a capacidade de Itália e Espanha pagarem suas dívidas,
depois que os juros dos títulos dos dois países subiram a
níveis estratosféricos para padrões europeus (acima
de 6%).
Na semana seguinte, o BCE rapidamente interveio.
Comprou títulos no mercado secundário, o que ajudou a baixar
os juros. O montante da operação, porém, só
foi revelado ontem. E assustou.
O número anunciado ontem supera os €
16,5 bilhões que o BCE gastou na primeira semana de intervenções
para comprar títulos da dívida grega, em maio de 2010. A
dívida pública italiana chega a € 1,65 trilhão,
e a espanhola, a € 654 bilhões.
O apoio a papéis italianos e espanhóis
é a primeira compra do BCE em 19 semanas. O banco central entrou
no mercado fazendo compras no dia 8, depois que políticos da zona
do euro não conseguiram convencer os investidores de que a crise
estava sob controle e não havia risco de contágio.
Analistas dizem que a medida só irá
artificialmente dar mais tempo para que os investidores possam adquirir
papéis europeus a juros menores. Mas não seria uma solução
duradoura.
Frente ao cenário, aumenta também
o debate no mercado sobre "eurobonds". Os governos da zona do euro avaliam
a possibilidade de lançar papéis da dívida comuns
aos 16 países do grupo.
BOLSAS
A proposta dos "eurobonds" tranquilizaria os
mercados sobre a capacidade de pagamento dos países e fortaleceria
o euro. A ideia, porém, segue polêmica. Ontem, um porta-voz
do governo alemão disse que a chanceler Angela Merkel e o presidente
francês Nicolas Sarkozy não discutirão uma "dívida
comum europeia", em reunião em Paris hoje, porque "Berlim não
acha a proposta uma boa ideia".
Os mercados tiveram um dia mais tranquilo. As
Bolsas europeias e asiáticas fecharam em leve alta, assim como o
índice Dow Jones, nos EUA. A Bovespa ganhou 2,2%. (Folha de
S.Paulo)
16.08 - Economistas para o BC: PIB fraco e inflação
forte
Baixo crescimento com inflação.
Esse seria o cenário básico da maioria dos economistas que
atendeu à reunião trimestral com o Banco Central (BC) para
a montagem do Relatório de Inflação.
Segundo alguns dos participantes, o tom foi de
preocupação com a atividade doméstica em função
da piora do cenário externo, que mostra a economia americana com
risco maior de recessão e uma Europa que entra em uma rodada de
ajustes fiscais sem precedentes para tentar lidar com uma crise de endividamento
soberano.
De acordo com um dos participantes, o Produto
Interno Bruto (PIB) brasileiro deve crescer em torno de 3,5% neste ano
e no próximo.
"Números ruins do PIB americano determinaram
a mudança de visão", disse.
Para outro economista, o fraco desempenho da
produção industrial, que tem peso relevante na composição
do PIB, também responde pela formação dessa expectativa
de menor crescimento.
No entanto, o PIB menor não resultará
automaticamente em Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)
no centro da meta de 4,5% ao ano.
"Apesar de a maioria dos economistas ter revisado
para baixo a sua previsão para a inflação em 2012,
as projeções permanecem bem acima do centro da meta, entre
5% e 5,5%", diz um participante.
Essa resistência da inflação
teria fontes diversas. Primeiro, a própria dinâmica da inflação
de serviços, que mostra maior resistência à queda em
função do binômio emprego e renda.
Segundo, o preço das commodities, que
traria benefício limitado sobre a inflação doméstica.
De fato, não se sabe qual a resultante dos vetores que influem sobre
o preço das matérias-primas.
O menor crescimento global é sinal de
menor demanda e consequentemente menor preço. Mas a expectativa
de uma nova rodada de injeção de liquidez, o famigerado "Quantitative
Easing" - que é dado como certo, segundo participante da reunião
- daria sustentação ao preço das matérias-primas.
Soma-se a esse intrincado quadro o comportamento
da China, que ainda sofre com inflação elevada e não
se tem clara indicação sobre o ritmo de redução
na sua atividade.
Nas considerações sobre a cena
internacional, o ponto de maior preocupação, sempre de acordo
com os presentes, seria a Europa.
É lá que está o risco latente
capaz de provocar uma queda abrupta da liquidez internacional caso haja
a quebra de um grande banco no continente. "Mas esse não é
o cenário base", diz um participante.
Olhando o mercado com um todo, a segunda-feira
foi marcada por tranquilidade e tomada de ativos de risco.
Em nada se compara com a segunda-feira, dia 8
de agosto, que entrou para história como um dos piores pregões
dos mercados mundiais, ao menos por ora.
Como bem disse o gestor da Vetorial Asset, Sérgio
Machado, estamos em um mercado de "não eventos".
"Criam-se os monstros e eles se esvaem. Depois
criam-se os paraísos que se esvaem também. E nisso o dinheiro
muda de mão com uma violência ímpar. Os tontos seguem
explicando o inexplicável. E tudo continua sendo nada", resume o
especialista.
Na avaliação do vice-presidente
de tesouraria do Banco WestLB, Ures Folchini, o que ficou depois de todo
o pânico e pessimismo da semana passada é que as taxas de
juros em âmbito global ficarão baixas por um longo período
de tempo e que para evitar algum tipo de colapso no sistema financeiro
internacional novas injeções de liquidez serão necessárias.
E dentro desse mundo de juros baixos e dinheiro
farto, é natural que se procure alternativas de juros maiores.
"É aí que aparece um tal de Brasil
na tela dos investidores pagando 11,80% ao ano para 2014. O que parece
uma boa oportunidade de investimento", conclui o tesoureiro.
Esse investidor em busca de bons rendimentos
é que estaria por traz da queda dos prêmios de risco nos juros
futuros nos contratos de prazo mais longo. Ontem, os contratos voltaram
a apontar para baixo e desde sexta-feira se fala em "gringo" comprando
juro.
No câmbio, o dólar caiu no mundo
e por aqui não foi diferente. A exceção foi o franco
suíço, que perdeu para a moeda americana em meio a novos
rumores de que a divisa pode ter seu preço atrelado ao euro.
O dólar comercial teve uma das maiores
quedas percentuais diárias do ano ao perder 1,24% e fechar a R$
1,591.
Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F),
o dólar para setembro recuava 1,47%, para R$ 1,598, antes do ajuste
final.
Na avaliação do economista da BGC
Liquidez, Alfredo Barbutti, depois de três semanas seguidas de valorização,
que resultaram em alta de 3,7% de preço, o dólar ganhou um
prêmio de venda, ou seja, ficou atrativo tornar a vender moeda americana,
mesmo com as restrições impostas pela nova regulamentação,
que taxa em 1% o aumento da posição vendida líquida
em derivativos que ultrapassar US$ 10 milhões.
"O mercado está exercendo esse prêmio.
Mas conforme o real se fortalece, esse prêmio cai e o ônus
da posição vendida cresce", diz o economista, lembrando que
dentro dessa dinâmica haverá um momento no qual a venda não
mais será atrativa e o mercado volta a ser comprador.
"O jogo está mais equilibrado", diz Barbutti,
lembrando que pouco tempo atrás a posição vendida
era praticamente uma garantia de ganho certo. (Eduardo
Campos - Valor Online)
12.08 - Cresce temor de recessão nos EUA
O risco de os EUA voltarem à recessão
cresceu bastante devido ao golpe duplo da desaceleração no
crescimento e das oscilações vertiginosas nas bolsas mundiais,
segundo economistas entrevistados pelo "Wall Street Journal" na última
semana.
Os 46 economistas que participaram da pesquisa
- nem todos respondem a todas as perguntas - calculam uma chance de 13%
de que os Estados Unidos já tenham entrado numa nova recessão,
enquanto as chances de seguir por esse caminho ano que vem estão
em 29% - ante 17% apenas um mês atrás.
O retorno à recessão não
é uma certeza. A bolsa subiu ontem, em parte por causa de indícios
tranquilizadores de que o mercado de trabalho dos EUA ainda não
descarrilou de vez. Os pedidos iniciais de seguro desemprego caíram
semana passada para 395.000, deixando o total abaixo do piso de 400.000
pedidos, que geralmente indica que a economia está criando mais
empregos do que perdendo. Os temores de uma crise de dívida soberana
na Europa também diminuíram ligeiramente.
Mas o cenário mais amplo é o de
uma economia em que o crescimento desacelerou tanto que não precisa
muito para empurrá-la para uma contração total. Uma
recessão - segundo a Comissão de Definição
do Ciclo Empresarial do Birô Nacional de Pesquisas Econômicas
(NBER, na sigla em inglês), o grupo sem fins lucrativos considerado
o juiz oficial das recessões - "é um declínio significativo
na atividade econômica disseminado na economia e que dura mais que
alguns meses". A comissão estuda o PIB, os dados do emprego e a
renda para determinar quando as recessões começam e terminam.
O problema é que a comissão geralmente
só declara o início da recessão bem depois de ela
ter começado. O início oficial da última, em 2007,
por exemplo, só foi anunciado em dezembro de 2008.
Para alguns economistas, a diferença entre
uma recessão e o crescimento extremamente lento registrado até
agora no ano é praticamente insignificante. "Provavelmente estamos
discutindo apenas palavras a esta altura; a volta à recessão
já está acontecendo", disse Paul Ballew, economista-chefe
do Nationwide.
As revisões do PIB divulgadas no fim do
mês passado mostram que a recuperação tem sido lenta,
com crescimento no primeiro semestre menor que 1% a um índice anualizado
e dessazonalizado. O segundo trimestre teve expansão de apenas 1,3%
e, depois da divulgação ontem de um déficit comercial
maior que o de junho, os economistas do Goldman Sachs sugeriram que o crescimento
pode ser revisado ainda mais, para cerca de 0,9%. O crescimento mais lento
do primeiro semestre levou os economistas entrevistados pelo WSJ a diminuir
suas previsões para o restante do ano, bem como para o próximo.
Eles calculam agora crescimento de apenas 1,6% para 2011 e meros 2,5% para
2012.
"A economia já foi atingida por uma série
de choques este ano, então acho que só precisa mais um choque
modesto para empurrá-la de volta à recessão", disse
a economista Michelle Meyer, do Bank of America.
Ela citou a turbulência na Europa como
o choque mais provável por trás disso, com boas chances de
contaminar os EUA. Outra possibilidade é a volatilidade recente
em Wall Street.
"Com certeza, isso aumenta o risco de uma volta
à recessão", disse Steve Blitz, economista sênior da
ITG Investment Research, em Nova York. "É difícil que não
contribua para isso." Grandes quedas nas bolsas, disse Blitz, podem levar
as pessoas a diminuir o consumo, o que pode prejudicar ainda mais uma economia
já enfraquecida. O efeito pode ser especialmente visível
no consumo dos americanos ricos, que têm mais aplicações
na bolsa - e cujos gastos até agora eram uma das poucas fontes de
otimismo.
Alguns analistas estão mais otimistas.
Maury Harris, economista-chefe do UBS para os EUA, afirmou que vê
um risco relativamente pequeno de uma volta à recessão. Ela
disse que muitos economistas estão concentrados demais na falta
de opções do governo e ignoram os sinais de que a economia
já está melhorando por conta própria. A cotação
do petróleo está em queda, o que pode permitir às
pessoas gastar menos no posto de gasolina e mais em outras coisas. Enquanto
isso, os bancos estão aumentando a concessão de crédito
tanto para pessoas físicas quanto para empresas.
Mas a pesquisa mostra como um elemento crucial
da economia - o mercado de trabalho - continua sob forte pressão.
Os economistas preveem que o desemprego ainda será de 9% no fim
do ano, ante os atuais 9,1%. Eles calculam que a economia vai criar em
média apenas 145.000 empregos por mês nos próximos
12 meses, praticamente suficiente para absorver o crescimento populacional,
mas pouco para os 13,9 milhões que continuam procurando emprego
no país.
Outros fatores estão prejudicando a economia
americana, como notou o Federal Reserve, o banco central do país,
na previsão sombria divulgada em seu comunicado desta semana. O
Fed apontou para o fraco consumo das famílias, a deterioração
do mercado de trabalho e a desvalorização do mercado imobiliário.
De fato, os economistas continuam prevendo que
a construção civil continuará num nível moribundo
até 2012. Eles acham que o preço dos imóveis vai cair
3% este ano e subir apenas 1,5% ano que vem. O Fed também expressou
temores de que fatores temporários como a alta no preço do
petróleo no início do ano e os problemas de cadeia de suprimento
causados pelo terremoto no Japão são apenas parte do que
está enfraquecendo a economia. (Phil Izzo e Ben Casselman - The
Wall Street Journal/Valor Online)
12.08 - Crise nos EUA e Europa pode afetar o Brasil
A deterioração dos mercados nos
últimos tempos pode ter impactos relevantes na economia brasileira
de acordo com análise do banco Itaú Unibanco. Nos últimos
dias, os preços de alguns ativos de risco (ações,
por exemplo) tiveram fortes quedas e algumas medidas de aversão
ao risco subiram consideravelmente. A fonte dos problemas é o endividamento
público excessivo nas economias maduras segundo analistas do banco.
Na Europa, as dúvidas sobre a sustentabilidade
da dívida de alguns países periféricos contagiaram
a percepção sobre a capacidade de pagamento de Espanha e
Itália. Nos EUA, a situação fiscal é desafiadora
nos próximos anos, como ficou evidente na dificuldade política
em aprovar a elevação do teto da dívida e no rebaixamento
de seu rating pela agência Standard & Poor’s.
Ao mesmo tempo, a divulgação de
dados mais fracos de crescimento econômico, especialmente nos EUA,
coloca em dúvida a capacidade de recuperação dessas
economias, em face da menor disponibilidade de políticas anticíclicas
(juros perto do piso e política fiscal em xeque).
Os economistas do banco se questionam se o crescimento
mais baixo dessas economias é suficiente para ter um impacto importante
na trajetória de crescimento da economia brasileira ao longo dos
próximos trimestres. A chance de recessão para eles, já
a partir deste trimestre, é bastante superior a 50%. No entanto,
essa probabilidade cai consideravelmente no caso em que a recente deterioração
dos mercados é passageira.
Efeitos da crise mundial no mercado doméstico
A primeira conclusão, portanto, é
que a manutenção das atuais condições financeiras
por um período extenso elevaria a probabilidade de uma desaceleração
mais forte da atividade econômica no Brasil. A crise internacional
chegaria à economia doméstica por diversos canais. Entre
eles, o da exportação.
A desaceleração econômica
mundial afetaria diretamente a demanda por produtos brasileiros, diminuindo
o crescimento das exportações. No caso de a desaceleração
impactar a China e outros emergentes, a queda dos preços de commodities
reforçaria ainda mais esse quadro de baixo dinamismo das vendas
externas.
Para os analistas, pela via de consumo, o aumento
da incerteza e da aversão ao risco, como o movimento visto nos últimos
dias, levaria à diminuição da confiança dos
consumidores, ao adiamento do consumo e à elevação
da poupança por precaução. A poupança poderia
subir, ainda, por alguma restrição de liquidez. Esses efeitos,
junto com a perda de riqueza produzida pela queda dos preços de
ativos, reduziriam o consumo e impactariam negativamente o PIB.
O investimento reagiria por canais similares
ao consumo. O aumento da incerteza reduziria a confiança dos empresários.
Como os investimentos não são facilmente reversíveis,
em um ambiente de maior incerteza sobre o futuro uma parte deles seria
adiada. A queda do preço das ações também desestimularia
a aquisição de máquinas e equipamentos, pois ficaria
mais barato adquirir uma empresa no mercado do que investir no negócio
através da construção de uma fábrica, por exemplo.
Além dos impactos diretos, o banco sinaliza
que há outros efeitos indiretos da crise no crescimento do PIB.
Por exemplo, a diminuição das exportações ou
o adiamento dos investimentos implicaria menos contratações
de pessoas, o que diminuiria a expansão da massa salarial real e
afetaria negativamente o consumo.
Simulação de cenários
Considerando um cenário básico,
o banco prevê que as dificuldades e a incerteza na Europa e nos Estados
Unidos permanecem, mas as condições financeiras retornam
à normalidade. Mesmo impulsionado pela China, o mundo cresce pouco,
3,7%, em 2012. No Brasil, a política fiscal ajuda a sustentar o
crescimento e o Banco Central para de elevar os juros, mas não chega
a reduzi-los devido a um cenário de inflação ainda
pouco confortável.
No cenário pessimista, parte das condições
financeiras segue mais restritiva. As economias europeias apresentam uma
contração do PIB no próximo ano e a expansão
da economia americana é baixa, apenas ligeiramente acima de 1%.
Nesse cenário, o mundo cresce apenas 2,6% em 2012, e o ambiente
de elevada incerteza e aversão ao risco permanece de acordo com
os analistas. Sob estas condições, desacelera-se o crescimento
do Brasil, o preço das commodities recua, a taxa de câmbio
desvaloriza-se e a inflação cede.
Para minimizar os efeitos dessa desaceleração,
o Banco Central corta a taxa de juros, ainda este ano, e o governo eleva
os gastos e o crédito direcionado. O crescimento do PIB ainda é
menor do que no cenário básico, mas a reação
de política econômica é capaz de evitar uma desaceleração
mais drástica a da economia.
No cenário ultrapessimista, o quadro é
de ruptura dos mercados de crédito internacionais, como a que aconteceu
em 2008. A intensidade da queda do PIB mundial supera a observada após
a crise financeira de 2008. Nesse cenário, as dificuldades econômicas
se acentuam na Itália e na Espanha, levando à restrição
de liquidez e à forte piora das condições financeiras.
O preço dos ativos cai ainda mais do que
o observado nos últimos dias, empurrando para baixo a riqueza das
famílias, o valor do colateral das empresas e sua confiança
nas condições econômicas correntes e futuras.
Como atualmente as taxas de juros já estão
perto de zero nas economias maduras e os déficits fiscais e a dinâmica
da dívida não permitem o uso de política fiscal anticíclica,
a munição é menor para tentar evitar uma nova recessão.
Tais restrições tendem a aprofundar o impacto de um cenário
ultrapessimista sobre o crescimento mundial. (Executivos Financeiros)
12.08 - Como blindar a economia brasileira
Há uma taxa mínima de crescimento
da economia brasileira que é indispensável para que sejam
atingidos três objetivos simultânea e complementarmente. O
primeiro é manter um ritmo adequado do nível de emprego capaz
de absorver quase 2 milhões de brasileiros que entram anualmente
nos diferentes mercados de trabalho. O segundo objetivo é gerar
um excedente econômico que permita financiar as necessidades crescentes
das políticas sociais compensatórias, visando a atenuar os
índices de pobreza e de miséria, assim como atenuar eventuais
tensões sociais e políticas em nosso país. Finalmente,
essa taxa tem a função de manter acesa a chama do "espírito
animal" dos nossos empreendedores efetivos ou potenciais, além de
uma expectativa recorrente de confiança no nosso progresso econômico
e social.
Não é tão difícil
obter consenso entre lideranças políticas e comunitárias
sobre uma agenda de reformas estruturais e institucionais que poderiam
dar sustentabilidade a essa taxa mínima de crescimento, mantidas
as condições de relativa estabilidade monetária e
de consistência macroeconômica de nossa economia. Mas, entre
o processo de negociação político-institucional dessa
agenda e a sua implementação, prevê-se um longo período
de maturação. Como já dizia Keynes em 1923, em momentos
de turbulências financeiras pouco adianta sugerir soluções
que somente são eficazes no longo prazo.
Partindo, pois, dos pressupostos de que essa
taxa mínima de garantia se situa entre 4% e 5% e que a crise econômico-financeira
mundial deverá persistir sem solução por um longo
período plurianual, como será possível evitar que
uma eventual desaceleração da economia brasileira comprometa
a realização dos três objetivos mencionados?
Por um lado, a política monetária
deverá continuar restritiva para trazer a taxa de inflação
para o centro da meta pelo menos em 2012. Por outro lado, há poucas
saídas que venham da política fiscal anticíclica,
num contexto em que a carga tributária se encontra no seu limite
do possível econômico e político; a despesa pública,
enrijecida por razões constitucionais e comprometimentos com políticas
sociais compensatórias; e a gestão da dívida pública,
com restrições à redução do superávit
primário, sob pena de perda de credibilidade diante dos credores
internos e externos. O que fazer, então?
Uma estratégia factível no curto
prazo se refere à aceleração da execução
de um conjunto único e magnificente de grandes projetos de investimentos
em implantação ou em fase final de decisão para serem
operacionalizados em diferentes setores e regiões do País.
Somente no segmento de minérios e seus concentrados, o Instituto
Brasileiro de Mineração (Ibram) destaca investimentos no
valor total de US$ 64 bilhões, sem contar os projetos da cadeia
produtiva do setor petrolífero, em que os investimentos do pré-sal
atingem os três dígitos de bilhões de dólares.
A esse conjunto se somam os grandes investimentos dos setores do agronegócio
e da bioenergia com projetos em andamento.
São grandes projetos de investimento que
se orientam pelo comportamento dos mercados no médio e no longo
prazos, em que novos patamares de demanda foram alavancados de forma sustentada
pela China e por outros países emergentes, como megaconsumidores
de produtos intensivos direta e indiretamente de recursos naturais, onde
esses investimentos se posicionam competitivamente em nível global,
independentemente das turbulências financeiras de curto prazo. A
sua implementação tem como fator limitante os riscos jurisdicionais
e a lentidão das burocracias governamentais que prevalecem atualmente
no País. Cabe, pois, ao governo, coordenar-se internamente e negociar
com as organizações que controlam esses projetos os mecanismos
e instrumentos que possam acelerar e tornar irreversíveis o seu
processo de implantação. A não ser que o governo continue
acreditando que a atual crise econômica mundial não será
longa, profunda e portadora de incertezas. (Paulo R. Haddad - O Estado
de S.Paulo)
11.08 - A vingança das agências de
risco
As agências de classificação
de crédito estão se aproveitando dos problemas financeiros
do país para aumentar o seu poder político. E querem se assegurar
de que os órgãos reguladores não reduzam sua autonomia
e influência.
A estratégia que adotaram é brilhante.
Não se juntaram de uma vez no rebaixamento da nota dos Estados Unidos.
Agora o policial malvado foi a Standard & Poor"s, que lançou
o primeiro ataque contra o país na sexta-feira passada e viu sua
influência confirmada pela dramática reação
das bolsas. A Moody"s e a Fitch estão fazendo o papel do policial
camarada - preferindo a contenção no caso de um rebaixamento,
mas mostrando sua força ao criticar o governo publicamente ou nos
bastidores.
As agências de classificação
têm o governo federal à sua mercê. Se as autoridades
ignorarem as suas advertências, elas podem lançar um ataque
fulminante com rebaixamentos adicionais que acabarão com a confiança
no governo e provocarão uma elevação das taxas de
juro. E a rotina de trabalho desses policiais é especialmente potente,
porque um rebaixamento por duas das três maiores agências de
classificação pode ter consequências negativas como,
por exemplo, exigir que alguns emissores de títulos ofereçam
uma garantia adicional.
A partir dos anos 70, estatutos e regulamentos
têm determinado que emissores de dívida obtenham uma nota
que prove a sua solvabilidade. Um oligopólio de agências usou
esse poder para controlar efetivamente o acesso ao sistema financeiro.
Uma simples ameaça de rebaixamento da nota por uma dessas agências
pode fazer com que linhas de crédito desapareçam, e poucas
pessoas, dentro e fora de Washington, ousam contestar a hegemonia delas.
Mas a crise financeira comprometeu a posição
privilegiada que elas mantinham. Políticos e analistas as acusaram
de negligência, se não até de cumplicidade com os emissores
de títulos, camuflando os riscos e enganando os investidores às
vésperas da crise das hipotecas de alto risco. Na lei Dodd-Frank,
que prevê uma reforma de Wall Street, sancionada há um ano,
mas ainda não plenamente em vigor, se ameaçou com a introdução
de regulamentos e uma fiscalização sem precedentes do sistema.
Com base na lei, as agências poderão
ser responsabilizadas civilmente em processos envolvendo valores mobiliários
se as suas classificações foram inexatas. E a lei também
desafiou o predomínio do oligopólio, estabelecendo que a
Comissão de Valores Mobiliários estudasse a viabilidade de
ter uma organização independente de seleção
das agências de classificação para títulos lastreados
em ativos, em vez de os emissores de títulos se encarregarem dessa
seleção e pagarem as agências, como é o caso
hoje.
Mas o oligopólio reagiu, primeiro pela
desobediência civil. Para escapar de uma potencial responsabilidade,
as agências ameaçaram congelar os mercados de títulos
lastreados em ativos, recusando-se a permitir que suas classificações
fossem citadas nos registros da Comissão de Arquivos Mobiliários.
A Comissão cedeu e suspendeu a regra. Iniciaram então uma
campanha de guerrilha nos bastidores fazendo lobby para anular iniciativas
da comissão para implementar outros dispositivos da lei Dodd-Frank.
O rebaixamento feito pela Standard & Poor"
s levou esse impasse para um confronto aberto. Os políticos serão
tentados a recuar e permitir que as agências não se submetam
a regras muito severas, desde que não rebaixem mais a nota da dívida
federal. Embora essa estratégia possa dar aos Estados Unidos um
pouco de fôlego no curto prazo, o governo não deve ceder a
tal extorsão. Em vez disso, as autoridades devem aceitar o rebaixamento
e colocar a casa em ordem, uma vez que o país corre o risco de ficar
arruinado se os desequilíbrios orçamentários continuarem.
Por outro lado, não devem esquecer o papel das agências de
classificação na crise, de modo a permitir que essas monitoras
da capacidade creditícia voltem a trabalhar da maneira como atuavam
antes da crise, com suas classificações negligentes e cegas
às fraudes. (Jeffrey Manns - New York Times, ttradução
Terezinha Martino - O Estado de S.Paulo)
11.08 - Gigantes dominam avaliação
de risco
Três semanas atás, a Egan-Jones
Ratings Co. rebaixou a dívida soberana dos Estados Unidos. Quase
ninguém prestou atenção.
"O rebaixamento pela S&P estava na primeira
página de todos os jornais", disse Sean Egan, presidente de firma
de classificação de risco sediada em Haverford, Pensilvânia,
que tem emitido notas de crédito desde 1995.
A decepção de Egan com o fato de
a Standard & Poor's ter chacoalhado o mundo com seu corte da nota da
dívida de longo prazo do governo americano de AAA para AA+ sexta
à noite, enquanto decisão idêntica de sua firma foi
basicamente ignorada, é um sinal do controle que as três gigantes
da classificação de crédito têm sobre o seu
mercado.
A S&P, uma unidade do grupo McGraw-Hill Cos.,
a Moody's Investors Service da Moody's Corp. e a Fitch Ratings, que pertence
à companhia francesa Fimalac SA, têm cerca de 2,7 milhões
de classificações em títulos de dívida de empresas,
de municípios, de países e outros tipos, de acordo com informes
a reguladores.
As sete outras firmas de classificação
supervisionadas pela autoridade aumericana do mercado aberto, a Securities
and Exchange Commission, têm cerca de 82.000 classificações.
As três maiores firmas de classificação
de risco "receberam um monopólio", disse Mohamed El-Erian, diretor-presidente
e codiretor de investimentos do fundo Pacific Investment Management Co.,
ao Wall Street Journal semana passada, antes do rebaixamento pela S&P.
"As agências de classificação estão imiscuídas
no sistema."
Críticas contra o domínio do setor
ganharam destaque depois do rebaixamento pela S&P, especialmente porque
a firma foi adiante com sua decisão depois que autoridades do governo
notaram um erro de US$ 2 trilhões nos cálculos da S&P.
A confusão está alimentando um
consenso inusitado entre os dois grandes partidos americanos, o Democrata,
do presidente Barack Obama, e o Republicano, hoje na oposição.
Ambos concordam que pode ser necessário ter mais concorrência
para limitar o impacto de uma única firma de classificação
sobre os mercados financeiros.
A S&P, a Moody's e a Fitch têm uma
fatia de mercado de cerca de 95%, com base em gastos por parte de instituições
que emitem dívida e pagam para as firmas classificarem seu crédito,
estima Peter Appert, analista da Piper Jaffray & Co.
Seu predomínio no setor não mudou
depois que elas perderam credibilidade por serem otimistas demais quanto
a milhares de títulos de dívida ligados a hipotecas e durante
a crise financeira.
Muitos investidores ainda estão furiosos,
mas nenhuma outra firma pode chegar perto de alcançar o número
de análises, ampla cobertura e décadas de experiência.
A Moody's entrou no ramo em 1909, seguida pela
S&P em 1923 e a Fitch em 1927. A firma de classificação
mais antiga, a A.M. Best Co., começou a emitir notas em 1907, mas
se especializa em seguradoras.
Durante décadas, o setor teve supervisão
relaxada. A SEC assumiu em 2007, depois que o Congresso aprovou uma lei
parcialmente voltada a encorajar mais concorrência. Mesmo firmas
de classificação já existentes tiveram de obter aprovação
da SEC para se tornar organizações de "rating" reconhecidas
nacionalmente.
Fundos de pensão, fundos mútuos
e outros grandes investidores costumam ter a obrigação de
comprar títulos de investimento com classificações
de uma ou mais das dez firmas registradas na SEC. A lista também
inclui a Egan-Jones, a Kroll Bond RatingsAgency Inc. e a Morningstar Credit
Ratings LLC, uma divisão da Morningstar Inc.
Alguns críticos das três gigantes
alegam que regras mais rígidas tornaram ainda mais difícil
ignorar essas firmas quando elas puseram uma nota AAA em obrigações
de débito colateralizadas, ou CDOs, e outros papéis gerados
pelo boom imobiliário nos EUA. "A SEC protegeu o negócio
de finanças estruturadas das [três maiores agências
de classificação] durante toda a crise" de hipotecas de alto
risco, disse James H. Gellert, presidente da Rapid Ratings International
Inc.
A firma nova-iorquina emite notas para dívidas
mas decidiu não pedir aprovação da SEC por causa de
custos administrativos e de observância das regras. Como a Rapid
Ratings não é supervisionada pelo governo americano, alguns
agentes financeiros não podem tomar decisões de investimento
com base somente nas notas emitidas pela firma, o que pode limitar o mercado
para suas notas. Nova regras propostas, porém, querem mudar isso.
"É importante lembrar que nem todas as
agências de classificação são iguais, e cada
uma deve ser julgada por seus próprios méritos", disse num
comunicado um porta-voz da Fitch. "Os mercados se beneficiam de várias
opiniões de crédito."
Um porta-voz da Moody's disse que a firma acredita
que "os mercados se beneficiam de concorrência saudável baseada
em qualidade analítica e uma diversidade de opiniões de crédito,
e nós apoiamos esforços para promover essa diversidade, seja
por classificações de crédito ou por meios alternativos
de medir risco".
Um porta-voz da S&P disse que a firma aprecia
"concorrência porque achamos que o mercado se beneficia com variedade
de opiniões sobre risco de crédito", acrescentando que "acreditamos
que investidores continuam a ver valor na transparência e comparabilidade
de nossas classificações e da qualidade de nossas análises".
(Jeannette Neumann - The Wall Street Journal/Valor Online)
11.08 - Mercados mais atentos aos rumos dos EUA
Os mercados financeiros se movem influenciados
por diferentes expectativas. Os acontecimentos de hoje possivelmente pesarão
menos amanhã sobre a formação dos preços das
ações, das cotações das moedas e dos patamares
das taxas de juros que os sentimentos predominantes, entre os principais
atores desses mercados, em relação ao que poderá ocorrer
no futuro próximo ou mais distante.
Perplexos diante do desenrolar das negociações
entre o governo Obama e a oposição republicana para a elevação
do teto de endividamento do Tesouro americano, os mercados mergulharam
em uma fase de muito pessimismo.
A reação dos últimos dias,
especialmente nas bolsas de valores, sem dúvida foi exagerada, mas
não se pode negar que existam motivos concretos para preocupação.
O próprio comunicado do Federal Reserve, o banco central americano,
após a reunião do seu comitê de política monetária
(Fomc, na sigla em inglês), denota que as autoridades projetam uma
recuperação mais lenta da economia dos Estados Unidos. Tanto
assim que o Fomc não espera alterar substancialmente o patamar das
taxas básicas de juros (de zero a 0,25% ao ano) antes de 2013.
Embora exagerada, a reação dos
mercados financeiros soou como um alerta mesmo para países emergentes.
No caso do Brasil, é preciso que a política econômica
reforce seus fundamentos positivos, de modo a manter a inflação
sob controle e as finanças públicas em ordem. Do lado das
contas externas, as reservas cambiais acumuladas no Banco Central tranquilizam
os investidores estrangeiros, a ponto de o Brasil estar com perspectiva
positiva nas mais influentes agências classificadoras de risco, ao
contrário dos Estados Unidos, que acabaram de perder o conceito
máximo na escala da Standard & Poor"s, por sinal, uma companhia
americana.
Ainda que a queda de braço entre governo
e oposição nos Estados Unidos tenha sido o estopim de toda
essa onda de pessimismo, na verdade o mundo tem mais razões para
se preocupar com a Europa. A economia americana tem reconhecido dinamismo
e uma insofismável capacidade de recuperação. Logo
após a crise de 2008, acreditava-se que os créditos e títulos
podres iriam corroer as instituições financeiras americanas
e muitas delas acabariam quebrando. Esse temor desapareceu, e não
é por falta de crédito que os consumidores andam retraídos.
Já na União Europeia, as dificuldades,
que antes se restringiam aos países periféricos, hoje se
estendem a economias de peso no bloco, sem solução aparente,
no horizonte. Até quando economias emergentes conseguirão
manter um ritmo de crescimento distanciado do que se passa nos Estados
Unidos, na Europa e no Japão? Trata-se de um novo quadro, para o
qual não é possível se arriscar uma resposta.
Nesse sentido, o mundo agora ficará ainda
mais atento aos acontecimentos dos Estados Unidos, pois é de lá
que pode vir alguma brisa capaz de desanuviar o ambiente de pessimismo.
Isso dependerá de um entendimento entre governo e congresso quanto
aos rumos das finanças públicas. Tal como o Brasil, os Estados
Unidos precisam melhorar, e muito, sua política fiscal, evitando
o déficit crônico. (O Globo)
10.08 - Brasil quer mudar regras para classificações de
risco
Enquanto o mundo discute a credibilidade das agências classificadoras
de risco depois do rebaixamento da nota dos títulos norte-americanos,
o Brasil revê suas regras no setor. A área técnica
da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está redigindo
a primeira regulamentação para essas agências no País
e deve apresentá-la nos próximos meses ao colegiado, órgão
máximo da autarquia. O Comitê de Regulação e
Fiscalização dos Mercados Financeiro, de Capitais, de Seguros,
de Previdência e Capitalização deve concluir até
o fim do ano como reduzir e, em alguns casos, eliminar as exigências
de uso dos ratings nas normas usadas em seus órgãos. Isso
significa restringir exigências ligadas à classificação
de riscos de ativos financeiros nas normas da CVM, Banco Central Susep
e da Previc. (DCI)
10.08 - A primeira crise de endividamento
O Ocidente está entalado numa crise de endividamento. Os EUA
chegaram perto de um calote em 2 de agosto e a Standard & Poor's (S&P)
rebaixou sua dívida de "AAA" em 5 de agosto. Na Europa, o presidente
em fim de mandato no Banco Central Europeu (BCE) recomenda mais autoridade
fiscal na Europa, para lidar com prováveis inadimplências
de um ou mais países - Grécia, Portugal e Espanha.
Tanto a Europa como os EUA podem aprender uma lição oculta
na história americana, pois, perdida na névoa de veneração
patriótica dos fundadores dos EUA está o fato de que eles
criaram um novo país durante - e em grande parte devido a - uma
crise incapacitante de endividamento. As crises atuais, torcemos por isso,
poderiam ser transformadas em um momento semelhante de criatividade política.
Após conquistar sua independência do Reino Unido em 1783,
os Estados componentes dos EUA recusaram-se a pagar as dívidas contraídas
na Guerra Revolucionária. O país não tinha como resolver
seus problemas financeiros e então chegou um momento em que esses
problemas -grandes e recorrentes calotes - catalisaram a convenção
de Philadelphia, em 1787, para criar um novo Estados Unidos.
E então, em 1790-1791, Alexander Hamilton, primeiro secretário
do Tesouro dos EUA, converteu a crise em uma das histórias de sucesso
de construção do país.
Para entender o feito de Hamilton - e, portanto, para apreciar seu
significado para os nossos próprios dias - é preciso compreender
a dimensão da crise da dívida da Guerra Revolucionária.
Alguns Estados não dispunham de recursos para pagar. Outros tentaram
pagar, mas não cobraram os impostos necessários para fazê-lo.
Outros, como Massachusetts, tentaram cobrar impostos, mas seus cidadãos
recusaram-se a pagá-los.
Tanto a Europa como os Estados Unidos podem aprender uma lição
oculta na história americana pois, perdida na névoa de veneração
patriótica dos fundadores dos Estados Unidos está o fato
de que eles criaram um novo país durante uma crise incapacitante
de débitos.
Hoje, as características mais notáveis da Constituição
americana são a distribuição de poder entre o Congresso
e a presidência e a garantia dos direitos individuais por meio de
suas dez primeiras emendas. Mas, naquele momento, seu papel fundamental
foi como mecanismo de pagamento da dívida ao governo. A Constituição
criaria um novo governo nacional que poderia cunhar moeda estável,
tomar e pagar dívidas, inclusive zerar a inadimplência de
Estados incapacitados de pagar empréstimos assumidos na Guerra Revolucionária.
Com a Constituição ratificada em 1789, Washington tornou-se
presidente e nomeou Hamilton - ainda com trinta e poucos anos - para comandar
o Tesouro. Hamilton não era oriundo do mundo financeiro. Ele tinha
sido Chefe do Estado-Maior de Washington durante a Guerra Revolucionária
e um estudante ágil: no momento de aprender táticas de batalha,
ele leu manuais militares; quando foi hora de tornar-se um líder
nacional com conhecimento financeiros, ele leu livros sobre finanças.
Mas não foi por acaso que dois militares foram cruciais na transformação
dos EUA em uma "nação respeitável" em termos financeiros.
Ambos acreditavam que apenas um EUA fiscalmente forte poderia dispor da
capacidade militar necessária para defender-se das potências
europeias, cujo retorno ao solo americano era esperado por Washington e
Hamilton.
Mas conseguir os dólares para pagar a dívida não
foi fácil. Não havia direitos sociais passíveis de
cortes ou fundos governamentais que pudessem ser redirecionados. Hamilton
sabia que um tipo errado de impostos enfraqueceria a economia já
frágil. Ele se concentrou na tributação sobre importações
e bens não essenciais, como uísque.
E Hamilton precisava que o Congresso aprovasse que o governo federal
assumisse as dívidas dos Estados, o que, de início, parecia
pouco provável. Alguns Estados, como a Virgínia, já
tinham quitado boa parte de sua dívida e outros viram sua dívida
convertida em jogo de especuladores financeiros em Nova York. Como resultado,
muitos Estados federais temiam que o fato de o governo federal assumir
seu endividamento significaria que os impostos que recolhessem remunerariam
os especuladores nortistas ou servissem para quitar a dívida de
grandes tomadores, como Massachusetts.
A Virginia e vários outros Estados sulinos com pequeno endividamento,
ou que tinham pago o que deviam, votaram contra - e derrotaram - o primeiro
projeto de lei de Hamilton que previa a transferência do ônus
do endividamento para o governo federal.
Jefferson e Madison, os líderes sulinos, opuseram-se ao plano
de Hamilton de "federalização do endividamento" e Madison
era um obstáculo crucial à sua aprovação no
Congresso. Mas, então, os três reuniram-se num jantar para
negociar um acordo. Jefferson e Madison não queriam que a capital
do país ficasse no norte e Hamilton, relutantemente, concordou em
apoiar sua mudança para uma área removida da Virginia ou
de Maryland. Eles, por sua vez, assegurariam os votos para que o governo
federal assumisse e pagasse as dívidas não honradas pelos
Estados.
Um Estado fiscal responsável emergiu dessa grande solução
conciliatória. Apesar do enorme custo - mais de metade dos gastos
do novo governo nos primeiros anos destinaram-se ao serviço da dívida
- a economia livrou-se da depressão de 1780 e entrou em crescimento
acelerado.
A tarefa de Hamilton foi a um só tempo mais fácil e mais
difícil do que a nossa, hoje. Foi mais fácil porque havia
poucas opções: não havia imposto de renda a ser ajustado
ou direitos sociais passíveis de cortes. E foi mais difícil
porque os EUA eram uma entidade desconhecida e havia pouca razão
para confiar na não nação americana.
A trajetória, atualmente, é a inversa da percorrida nas
décadas de 1780 e 1790. É difícil, hoje, para os Estados
Unidos (e, até recentemente, para o mundo) imaginar uma inadimplência
americana, porque nunca houve fortes razões para temer um calote
desde 1790.
Hoje, os americanos sabem o que precisa ser feito: uma combinação
de cortes de direitos sociais e aumentos de impostos. Também os
europeus sabem que é preciso articular um novo equilíbrio.
Mas, até que a Europa e os EUA encontrem líderes com autoridade
e disposição para replicar uma versão moderna do exemplo
de concessões mútuas e acordo criado por Hamilton, Jefferson
e Madison 200 anos atrás, seus problemas de endividamento continuarão
a enfraquecer suas bases nacionais. (Mark Roe - Valor Online)
10.08 - Crise é diferente da vivida em 2008, diz especialista
O pânico atual não é uma repetição
da turbulência financeira de 2008. Há paralelos, mas a situação
é diferente. É o que diz William Allen, da Cass Business
School, em Londres, e autor com Richhild Moessner de pesquisa publicada
pelo Banco Internacional de Compensações (BIS), o banco dos
bancos centrais, sobre a propagação internacional da crise
financeira de 2008 e a comparação com 1931. Para ele, o principal
fator da propagação da crise há três anos foi
a fuga de investidores para ativos líquidos e seguros. Agora, ele
vê um setor financeiro mais sólido.
Valor: O senhor vê paralelo entre a situação atual
nos mercados globais e as turbulências financeira do fim de 2008?
Allen: Há paralelos, mas não muito próximos O
evento central de 2008 foi o colapso do Lehman Brothers, que criou dúvidas
sobre a estabilidade de muitas outras instituições financeiras
que estavam expostas a ele. Os mercados estão agora preocupados
com a segurança de títulos governamentais, mas pelo menos
na zona euro os problemas foram identificados. Seguramente, uma preocupação
é que algumas notícias ruins podem emergir de qualquer lugar,
quando os mecanismos de defesa global têm sido fragilizados.
Valor: Quais as diferenças fundamentais entre a crise financeira
de três anos atrás e a atual?
Allen: Os acontecimentos de hoje são consequência dos
eventos de 2007/08. Lá, o problema começou com os bancos
e foi absorvido pelos governos. Agora o problema migrou para os governos.
Haverá a aceleração da consolidação
fiscal e atraso na recuperação econômica É por
isso que os mercados estão liquidando suas posições.
Valor: O que poderá causar mais propagação desse
pânico?
Allen: A principal questão é o débito da zona
euro. Os bancos comerciais em algumas partes da Europa têm papéis
desses países mais afetados. É uma óbvia cadeia de
contágio.
Valor: A corrida por ativos seguros e líquidos é idêntica?
Allen: Bom, foi uma grande benção em 2008 que as dívidas
da maioria dos governos eram consideradas seguras e líquidas. A
S&P rebaixou o risco de crédito dos EUA, num julgamento fundamentalmente
político. Mas outra diferença hoje é que a maioria
das companhias financeiras está agora melhor capitalizada do que
em 2008, e ai a situação é menos perigosa.
Valor: E sobre os "shadow banks" (hedge funds, etc)?
Allen: A maioria sobreviveu em 2008 com a ajuda de suas próprias
reservas de liquidez e o apoio do Federal Reserve. Acho que eles vão
fazer a mesma coisa agora, se for necessário.
Valor: Um fantasma de 2008 que está presente é menos
funding de curto prazo. O risco é grande?
Allen: É bem menos do que em 2008, porque todo mundo está
muito consciente do risco que enfrentou na época.
Valor: O senhor escreveu que no inicio da crise financeira a atração
por 'carry trade' diminuiu e as moedas com maior rendimento desvalorizaram.
Isso vai acontecer agora?
Allen: Até a crise de 2008, o iene japonês e o franco
suíço tinham taxa de juro mais baixa do que qualquer outra
moeda. Agora, há muitas moedas com taxas de juros extremamente baixas.
Valor: Que lições foram aprendidas de 2008 e também
o que continua sendo ignorado?
Allen: Houve muitos erros na crise de 1930, por exemplo, como o fiasco
na cooperação e coordenação internacional,
fiasco em reconhecer que o padrão ouro era parte do problema e não
da solução. Agora, lamento que o acordo de Basileia 3 esteja
traga riscos de repetir o erro, ao forçar os bancos a acumular ativos
líquidos às custas dos empréstimos comerciais, num
momento em que há uma corrida por ativos líquidos.
(Assis Moreira - Valor Online)
09.08 - O declínio do Império Americano
No dia mais nervoso para os mercados mundiais desde a crise de 2008,
os investidores se dividiram entre os que contabilizaram perdas e os que
aproveitaram para ir às compras em meio à queda de 8,09%
do Índice Bovespa, para 48.668 pontos. No primeiro grupo, estão
fundos e investidores que compraram além dos limites e tiveram de
reduzir as aplicações por exigência da bolsa, das corretoras
ou dos setores de controle de riscos das próprias instituições,
forçando uma queda ainda maior dos preços de alguns papéis.
No segundo grupo, entraram fundos de ações e investidores
com visão de longo prazo e menor exposição em bolsa
aconselhados pelos gestores de fortunas.
Haverá perdas para muitos fundos de investimento, e não
só de ações, alertam analistas. Carteiras multimercados
também sofrerão, apesar de sua menor exposição
à bolsa. Mas muitos compensarão isso com ganhos na renda
fixa, já que a maioria estava apostando na queda dos juros, aplicada
em taxas prefixadas, e acertou, pois os juros caíram ontem com a
crise. O mesmo efeito deve ocorrer nas carteiras de renda fixa. "Os fundos
multimercados também não estão muito alavancados,
por isso não temos visto perdas gigantescas nas cotas", diz Celso
Scaramuzza, responsável pelo Itaú Private Bank.
Já nas carteiras de ações, a perda vai depender
da concentração do gestor em cada papel e sua alavancagem.
O caso que chama mais a atenção é novamente o da gestora
GWI e seus fundos alavancados. Em um deles, o Leverage, a perda até
dia 5 já era de 40% no mês e 86% no ano. E as perdas devem
ter se acelerado ontem, já que a gestora é grande investidora
em ações da Marfrig, que caíram apenas ontem 25%.
O pânico observado nos últimos dias fez com que a gestora
independente Investidor Profissional (IP) aproveitasse o momento para elevar
a exposição em papéis que já mantém
em carteira, como Itaúsa, Aliansce e Multiplan, conta o sócio
Bruno Barreto. "As pessoas tendem a achar que, por causa do aumento de
volatilidade e da forte queda vista recentemente, está mais arriscado
aplicar em ações, quando na verdade é justamente o
contrário", diz ele. "Pagar 30% menos num papel traz um risco muito
menor do que trazia há dois meses, por exemplo."
Entre os gestores de fortunas, a orientação já
vinha sendo de proteção em meio ao crescimento da incerteza
internacional, afirma Mauro Rached Rached, estrategista de investimentos
do BNP Paribas Wealth Management. "Alguns aceitaram algum tipo de mecanismo
de proteção e outros, com visão de longuíssimo
prazo, resolveram correr o risco."
Agora, segundo Rached, a orientação do banco diante da
piora do cenário é ver se há clientes querendo algum
tipo de proteção ou até redução de aplicações.
"Mas, hoje, o custo dessa proteção é muito maior,
e pode reduzir os ganhos de uma eventual recuperação dos
mercados."
Para Rached, diminuindo o nervosismo, pode haver uma retomada inicial
mais forte dos preços das ações para um nível
mais perto de uma ou duas semanas atrás. Depois, o ritmo da valorização
seria mais lento e sujeito à volatilidade dos indicadores dos países.
"Mas o mercado pode ainda vir mais para baixo se não vier fato novo
que resgate a confiança ou se saírem mais notícias
negativas, novos rebaixamentos de ratings", alerta.
Por isso, para os clientes que fizeram proteção, estão
abaixo da exposição média em bolsa ou alguns que sequer
estavam expostos e se mostram propostos a entrar no mercado, Rached diz
que a orientação é comprar gradualmente. "O nível
atual de preços já embute a revisão das expectativas
econômicas mundiais das últimas duas semanas e muito mais",
diz. "Mesmo que a bolsa suba 5%, ainda estaremos com preços atrativos",
diz. E nem é preciso escolher muito. Rached sugere a compra do Índice
Bovespa. " Vale, bancos e grandes empresas de consumo, como AmBev e Brasil
Foods, estão atrativos, mas o próprio índice é
opção neste momento."
Já nas corretoras, diferentemente de 2008, quando houve uma
saída em massa dos investidores pessoa física, a agitação
é menor. "Em 2008, o investidor estava mais despreparado depois
de três anos de alta da bolsa e hoje tem mais ferramentas para limitar
suas perdas", afirma Paulo Levy, diretor-executivo da Icap no Brasil.
Na coreana Mirae, o movimento de venda na última semana, e principalmente
no pregão de ontem, foi liderado por investidores estrangeiros e
gestores de fundos brasileiros que estavam buscando diminuir a alavancagem
das carteiras. "Temos visto a maior parte dos estrangeiros vendendo seja
porque acredita que o cenário externo deve piorar ou porque a expansão
do crédito no Brasil foi exagerada", afirma Pablo Spyer, chefe da
divisão de corretagem da Mirae.
Os fundos de pensão não têm diminuído a
posição em bolsa, dizem analistas. Na Funcef, fundo de pensão
dos funcionários da Caixa, a visão é de que o momento
é mais para compra do que para a venda, afirma Demósthenes
Marques, diretor de investimento. (Angelo Pavini, Daniele Camba,
Luciana Monteiro e Silvia Rosa - Valor Onlne)
09.08 - A crise da dívida americana
A atual crise da dívida pública nos Estados Unidos e
alguns países europeus é uma decorrência lógica
da grande crise financeira de 2007-2008, e, particularmente, da forma como
os governos e bancos centrais reagiram à crise.
Em janeiro de 2009, na reunião da Associação Americana
de Economia, Carmen Reinhart & Kenneth Rogoff ("The Aftermath of Financial
Crises"), a partir de uma extensa pesquisa empírica, apontavam três
características comuns presentes no período pós-crise
financeira severa. Primeira, o colapso do mercado de ativos tem sido profundo
e prolongado. Segunda, no pós-crise bancária sistêmica
observou-se grande queda no produto e no nível de emprego, podendo
se falar em "década perdida". Terceira, o valor real da dívida
pública cresce explosivamente, verificando-se nos episódios,
desde a Segunda Guerra Mundial, um aumento médio de 86% - mesmo
que haja "default", a dívida continua aumentando pois os atrasados
acumulam e o Produto Interno Bruto (PIB) tende a cair. Na crise atual,
o aumento da dívida pública desde 2007 nos países
com crise financeira supera em muito aquele número.
Outra conclusão é que existe uma relação
fraca entre endividamento do governo e crescimento do PIB para países
com relação dívida/PIB abaixo de 90%; mas, acima deste
limite, a dívida elevada está relacionada a uma taxa de crescimento
significativamente menor.
Fed evitou uma crise maior, mas não consegue estimular a economia
nem o emprego e permite a especulação financeira
O explosivo aumento da dívida pública nos Estados Unidos
e Europa foi causado pelos trilhões de dólares gastos para
socorrer os bancos e pelas medidas fiscais para estimular a demanda agregada.
Em países onde o cidadão tem consciência de que ele
terá que pagar essa conta, como nos Estados Unidos, há uma
forte reprovação política dos governos, o que certamente
abriu espaço para que grupos radicais antiestado, como o Tea Party,
fizessem chantagens contra o governo Obama que, surpreendentemente, cedeu.
A disputa entre o executivo e o partido republicano que assistimos até
a semana passada provocou também uma perda de credibilidade das
instituições políticas e fiscais americanas. Aproveitando-se
do momento, uma das três empresas de rating (S&P), desmoralizada
após a crise financeira, resolveu fazer um rebaixamento da dívida
pública americana para "AA+", abrindo caminho para deteriorar as
expectativas e aumentar especulações sobre qual país
será o próximo a ser rebaixado.
Mas o resultado mais relevante desta crise política e que terá
impactos nos próximos anos é que o governo Obama terá
que cortar mais de US$ 2 trilhões de despesa pública, exatamente
no momento em que a economia dá sinais de fraqueza e os fluxos de
estímulos fiscais, dados a partir de 2008, chegam ao seu fim. A
consequência provável desse corte nas despesas será
uma recessão profunda, a exemplo do que aconteceu na crise financeira
da década de 30 e no Japão nos anos 90.
Muitos países europeus deverão seguir caminho similar,
pois são mais frágeis tanto econômica como financeiramente
do que o Estados Unidos. É importante lembrar que estamos falando
de uma potência ainda hegemônica que emite moeda reserva, e
certamente, se tivermos um novo pânico financeiro e uma nova corrida
pela liquidez, o dólar será o porto escolhido.
É importante lembrar que a crise financeira de 2007-2008 não
foi equacionada. Ao contrário, os bancos centrais e os governos
atacaram basicamente os efeitos da crise, para evitar o colapso financeiro
total e fizeram mais dívida, absorvendo dívidas ruins nos
seus balanços. Não adianta passar dívidas ruins, feitos
na euforia financeira, dos bancos e instituições financeiras
privadas para os bancos centrais e os tesouros nacionais. Alguém
tem que pagar a dívida ou ela tem que ser cancelada, o que leva
anos ou décadas, pois trata-se de um estoque monumental diante dos
fluxos de produção e renda que entrarão em contração.
Estes são, em última análise, a única garantia
para as dívidas.
A monumental expansão monetária e redução
da taxa de juros feitas pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano),
evitou uma crise maior naquele momento, permitindo que detentores de dívida
as financiassem com juros fartos e baratos, mas no atual quadro não
consegue estimular a economia nem o emprego. Ainda, permitiu a continuidade
da especulação financeira, gerou um boom de crédito
nos países emergentes e a criação de novas bolhas.
Postergou o colapso de muitos bancos e dos ativos financeiros artificialmente,
mas a persistir nesse caminho, uma década será pouco para
digerir e limpar os seus balanços.
O cenário mais provável para os próximos anos
é de novas recessões, o que obrigará os governos a
recorrerem novamente à política fiscal, ou um quadro de estagnação
econômica nos países desenvolvidos. Os países emergentes
certamente serão afetados em diversos graus, dependendo da sua capacidade
de pragmaticamente defender os interesses nacionais, gerando crescimento
autônomo voltado para o mercado doméstico e uma política
cambial mais ativa para se defender contra a guerra cambial e uma política
fiscal responsável. (Yoshiaki Nakano - Valor Online)
09.08 - Precauções numa crise nada desprezível
O inédito rebaixamento dos títulos da dívida americana,
de triplo para duplo "A+" , foi recebido com irritação pela
Casa Branca. Para a Secretaria do Tesouro, a agência Standard &
Poor"s teria cometido um erro grosseiro ao desconsiderar US$2 trilhões
no cálculo de redução de despesas acertada no pacote
de ampliação do teto do endividamento público do país.
Já o presidente Barack Obama, no pronunciamento feito ontem
enquanto os mercados desabavam ao redor do mundo, disse que os Estados
Unidos não precisam que uma agência de risco lhes diga da
necessidade de ter um orçamento equilibrado. "Não importa
o que alguma agência possa dizer, nós sempre fomos e sempre
seremos um país AAA", declarou.
Mas o dia foi mesmo de quedas vertiginosas. Quando Obama começou
falar, na Casa Branca, Wall Street acumulava perdas de mais de 3%. Fechou
com menos 5,5%. A Ásia já havia encerrado os negócios
também com retrações. A Europa seguiu a tendência,
e a Bovespa, no Brasil, caiu 8,08%, tendo chegado a retroceder 9,74%.
Não pode ser considerada uma hipótese realista que os
Estados Unidos venham a dar um calote no mundo. Mas os mercados oscilam
em cima de expectativas, mesmo as menos prováveis.
O dia em Wall Street ficou mais tenso com a notícia de que a
seguradora AIG, estatizada no estouro da crise das hipotecas, no final
de 2008, processará o Bank of America. A seguradora deseja recuperar
mais de US$10 bilhões dos US$20 bilhões perdidos na operação
com hipotecas subprime, reempacotadas por bancos e negociadas como se fossem
investimentos seguros. A AIG reclama ter sido enganada pelo Bank of America.
O resultado é que as ações da instituição
financeira caíram 23%.
O histórico rebaixamento da dívida americana, anunciado
sexta-feira, agravou o pessimismo existente com a situação
da Europa, esta de fato preocupante. Nem mesmo o anúncio do Banco
Central europeu, feito sexta, de que passaria a comprar títulos
das dívidas italiana e espanhola acalmou os mercados no continente.
Índices das bolsas francesa e alemã caíram mais de
20% em relação ao seu pico. Apesar de o BC europeu ter aplicado
bilhões de euros na compra de papéis de dívida.
No Brasil, a presidente Dilma deu a declaração de praxe
sobre a "sólida" posição do país, mas esclareceu
que isso não significa nos colocar imunes à crise. Sem dúvida,
mesmo que as reservas estejam acima de US$300 bilhões.
Termômetro sensível, a taxa do dólar subiu 1,96%,
para R$1,6125. Desde 24 de junho, a moeda não ficava acima de R$1,60,
na maior alta diária depois de maio de 2010. O bom-senso aconselha
cautela redobrada do governo brasileiro, com destaque para o lado fiscal
da economia, talvez o ponto de maior fragilidade do país.
Reduzir para valer os gastos em custeio é uma medida de segurança
diante da possibilidade crescente de haver algum impacto mais forte proveniente
do exterior. Não se pode deixar de lado que a inflação
está numa faixa de alto risco, ao contrário do momento em
que eclodiu a crise em 2008. Ser conservador na política fiscal
é o mais indicado para uma fase de maior turbulência mundial.
(O Globo)
08.08 - Economia mundial acende o sinal amarelo
A semana se encerra com o mundo tendo vivido,
na quinta-feira, um dia quase como aqueles da segunda quinzena de setembro
de 2008, quando a quebra do banco de investimento americano Lehman Brothers
espalhou ondas de pânico pelos mercados financeiros globalizados.
Nada naquela proporção, mas a soma do pessimismo diante do
futuro da economia americana com os maus presságios em torno da
crise de dívidas soberanas na Europa deflagrou um planetário
movimento de venda nas bolsas, num clássico "efeito manada".
A sexta-feira foi melhor. A Bovespa teve pequena
alta (0,26%), mas, na semana, as perdas somaram quase 10%. Wall Street,
um dos faróis do mercado, oscilou bastante e fechou, pelo índice
Dow Jones industrial, com uma ínfima elevação de 0,54%.
A depender do indicador, houve queda, mas também irrisória.
Não foi possível as bolsas recuperarem os prejuízos
de dias anteriores, mas ao menos não desabaram.
O último dia útil da semana também
trouxe notícias que compensaram, em alguma medida, o mau humor diante
do acordo americano para o aumento do teto da dívida - embora os
cortes de curto prazo sejam pequenos, a perspectiva de redução
de despesas preocupa quem considera incipiente o ensaio de recuperação
dos Estados Unidos.
Diante do pessimismo generalizado, os 117 mil
novos empregos criados nos EUA em julho - apenas 46 mil no mês anterior,
e a expectativa era de mais 85 mil vagas no mercado de trabalho - injetaram
algum ânimo, embora a taxa de desemprego continue nas nuvens, em
9,1%, 0,1 ponto percentual inferior à de junho, mas apenas porque
pessoas desistiram de procurar emprego. Para ajudar na mudança de
perspectiva, ontem, o cenário europeu se desanuviou em parte. Nos
últimos dias, ficaram mais visíveis sinais de deterioração
da Espanha e Itália, com o mercado exigindo taxas elevadas de rendimento
- e, portanto, insustentáveis -, para adquirir títulos destes
países. Geralmente, pedem o dobro do rendimento dos títulos
alemães.
A informação de que o Banco Central
Europeu voltara a comprar títulos de países em má
situação de liquidez, depois de quatro meses sem fazer este
tipo de operação, melhorou o clima. Primeiro, absorveu papéis
de Irlanda e Portugal. Depois, anunciou que também adquiriria títulos
de Espanha e Itália. Nesta, o primeiro-ministro Silvio Berlusconi
declarou que o país irá mesmo reequilibrar o orçamento
até 2013. Cedo, em Roma, até prometeu emenda constitucional
sobre a necessidade de haver equilíbrio orçamentário.
Foi bem recebido.
A questão europeia é até
mais intrincada que a americana. Afinal, se uma face da crise é
a incapacidade de países pagarem dívidas, na outra está
à espreita uma crise de insolvência bancária, pois
estes títulos, micos expressos em euros, estão no caixa de
bancos alemães, franceses, e não se sabe quem adquiriu títulos
lançados para lastrear o seguro de operações com esses
papéis. Na forma, está pronto um enredo como o de setembro
de 2008.
O Brasil precisa ter extrema cautela. Deixar
a bravata e a patriotada de lado, e não repetir erros históricos.
Como o de Geisel, que, diante da recessão mundial deflagrada pela
primeira crise do petróleo, decretou ser o país uma "ilha
de paz e prosperidade", mandou apertar o acelerador e, assim, preparou
o terreno para a hiperinflação e o calote nas dívidas
externa (Sarney) e interna (Collor). (O Globo)
08.08 - Agência ameaça EUA com novo
rebaixamento
Agência vê 1 em 3 chances de novo
rebaixamento dos EUA
Diretor-gerente da Standard & Poor's diz
que piora na situação fiscal ou a falta de negociação
política podem levar a uma nova revisão da nota do país
para baixo
O diretor-gerente e presidente do comitê
de rating soberano da agência de classificação de risco
Standard & Poor's, John Chambers, afirmou neste domingo que existe
uma em três chances de haver um novo rebaixamento da nota de crédito
dos Estados Unidos nos próximos seis meses a dois anos. "Temos uma
perspectiva negativa... de seis meses a 24 meses", disse ele a um programa
do canal de TV ABC.
"E se a posição fiscal dos EUA
se deteriorar mais ou se a contenção política se tornar
mais arraigada, isso pode levar a um rebaixamento. A perspectiva indica
pelo menos uma em três chances de rebaixamento nesse período".
Chambers disse que levará algum tempo
para que os EUA recuperem a nota máxima de crédito "AAA".
"Exigiria uma estabilização da dívida como parte da
economia e um eventual declínio. E exigiria, eu acho, maior habilidade
para obter consenso em Washington do que vemos hoje", acrescentou.
O diretor também defendeu a decisão
da empresa durante o programa. "Pensamos que nossa mensagem foi bastante
consistente e também avaliamos que os números falam por si",
disse. Ele afirmou que cinco governos perderam e então reconquistaram
o rating AAA pela S&P, e que levou de nove a 18 anos para isso. "Se
a história pode servir de guia, pode levar um tempo", Chambers afirmou.
Juros
David Beers, diretor para rating soberano global
da S&P, disse que "não esperaria muito impacto em termos de
maiores taxas de juros" na próxima semana, seguindo a decisão
de rebaixar a classificação da dívida dos Estados
Unidos. Em entrevista à rede Fox News, neste domingo, ele classificou
o rebaixamento como "uma deterioração branda na posição
de crédito dos EUA".
A agência de rating ficou sob críticas
da administração Barack Obama em relação à
decisão tomada. O Tesouro reclamou que a empresa agiu de forma precipitada
ao rebaixar a classificação mesmo depois que um erro em suas
projeções iniciais veio à tona, dizendo que há
questões sobre a "credibilidade e integridade" da ação
da S&P. "Esta é uma imagem incorreta sobre o que aconteceu",
disse Beers na Fox.
Ele disse que o erro "não muda o fato"
de que "a carga subjacente da dívida do governo dos EUA está
subindo e provavelmente continuará a subir na próxima década",
mesmo com o acordo para a dívida obtido na semana passada. A S&P
corrigiu o erro nos seus cálculos, mas manteve com o rebaixamento.
PARA ENTENDER
As agências de classificação
de risco avaliam a capacidade de um emissor de dívida honrar o pagamento
do papel que emite. Pode ser uma empresa, um governo ou um fundo de crédito,
entre outras instituições. As agências são contratadas
pelos próprios emissores da dívida para atribuir um rating
(nota) aos títulos. Os emissores têm interesse em mostrar
aos investidores a visão das agências sobre seus títulos.
Com isso, aumenta a demanda pelos papéis. As três principais
agências do mundo, pela ordem, são: Standard & Poor’s,
Moody’s e Fitch. (Dow Jones/Agência Estado)
08.08 - Plano italiano deu breve alívio
a mercados
Dados do desemprego nos EUA também acalmaram
Bolsas na sexta-feira, antes do anúncio de rebaixamento da nota
dos EUA
Berlusconi promete um Orçamento equilibrado,
corte de salários de políticos e leis mais flexíveis
para empregos
O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi,
anunciou um pacote de medidas para acalmar o mercado.
O anúncio, feito após o fechamento
das Bolsas europeias -mas antes da notícia de que a Standard and
Poor's rebaixara a nota dos Estados Unidos-, teve efeitos em Nova York
e em São Paulo.
O índice Dow Jones subiu 0,54%, após
um dia de vaivém. A Bovespa teve alta de 0,26% no dia, mas a semana
foi a pior desde 2008, com perda acumulada de 10%.
Berlusconi afirmou também que acertou
com outros líderes mundiais uma reunião de emergência
do G7 (grupo das maiores economias do mundo) para discutir a atual crise
econômica.
Entre as medidas da Itália para reduzir
o deficit e sua pesada dívida pública, que o Parlamento ainda
terá de aprovar, estão corte de salários de políticos
eleitos, liberalização de leis trabalhistas e a inclusão
na Constituição de que o país não poderá
gastar mais do que arrecada. (VAGUINALDO MARINHEIRO E ÁLVARO FAGUNDES
- Folha de S.Paulo)
05.08 - Mundo pode estar numa "corrida para o fundo"
O mundo pode estar caminhando para uma "espiral negativa". Um círculo
vicioso onde a austeridade fiscal traria mais desemprego, menos consumo
privado, queda da arrecadação de impostos, recessão.
O acordo do governo dos Estados Unidos com o Congresso para aumentar
o teto da dívida pública pacificou temores imediatos, mas
criou a percepção de que a política fiscal restritiva
decorrente do acordo pode desacelerar em mais 0,5 ponto percentual o já
baixo crescimento da economia americana esperado para 2012 e agravar o
já elevado nível de desemprego.
A isso se agrega a crise de confiança que se esparrama pela
Europa e que ameaça se tornar uma crise financeira, com danos para
o sistema bancário da Zona do Euro, carregado de títulos
dos governos, o que acentua o risco de estagnação ou mesmo
de uma recessão global.
Foi com base nesse quadro dramático que o governo brasileiro
tomou medidas duras para o mercado de derivativos cambiais na semana passada
e anunciou, nesta semana, um programa de incentivos fiscais para garantir
alguma competitividade à indústria.
Medidas são para proteger o país, diz Barbosa
"Situação extraordinária requer medidas extraordinárias",
comentou o secretário-executivo do Ministério da Fazenda,
Nelson Barbosa. Ele foi um dos artífices da MP 539 que, no dia 27,
deu um duro golpe no mercado de derivativos. A MP instituiu o IOF de 1%
sobre as variações das posições vendidas em
câmbio dos bancos, empresas e fundos e paralisou o mercado, comprometendo
inclusive as operações de hedge cambial.
Barbosa também esteve no centro da concepção do
programa Brasil Maior, que pretendeu assegurar condições
mínimas de competitividade da indústria no mercado mundial,
onde ele prevê que a concorrência ficará mais acirrada.
"Não se trata de uma volta aos anos 70", disse. A crise internacional
está gerando um grau elevado de desconfiança e o Brasil,
dos Bric, é o país mais aberto para receber fluxos de capitais
externos e apreciar ainda mais a taxa de câmbio. "Com essas medidas
queremos proteger nossa demanda", disse o secretário.
Com os olhos na tela do celular que estampava as quedas nas bolsas
de valores, ontem, pelo mundo e aqui, ele avaliou: "Está se consolidando,
hoje, o risco de uma desaceleração ou, até, de uma
recessão americana. E há uma grande incerteza financeira
na Europa." Assinalou que comungava dos mesmos temores que têm sido
apontados pelo economista Paul Krugman, de uma volta prematura da contração
fiscal, tal como ocorreu em 1937, abortar a recuperação econômica
nos Estados Unidos (que levou o país à depressão até
a Segunda Guerra). Resultado de uma polarização das forças
políticas do país que deixou o mundo em estado de perplexidade.
"É o mito da contração fiscal expansionista",
citou Barbosa, referindo-se à crença de que uma política
de corte do gasto público gera um ambiente de grande confiança,
capaz de animar o gasto e o investimento privado e de reativar as forças
da economia. "Nem a 'The Economist' acredita mais nisso", disse, reportando-se
à edição da revista britânica do dia 14 de julho,
que trouxe um texto intitulado " A história mostra que austeridade
e crescimento não andam juntos".
Os EUA, que demandariam mais estímulos fiscais, vão ter
que cortar gastos. A Europa, que tem um grave problema de demanda, quer
resolver a crise pelo lado da oferta. "Estão indo para uma linha
onde não há o agente do crescimento", comentou o secretário.
Liquidez elevada e juros muito baixos devem perdurar no mundo ainda
por um bom tempo, pelo menos por todo o próximo ano, estimulando
operações altamente alavancadas em derivativos e em commodities,
explicou. Isso motivou as medidas cambiais.
"O governo sentou à mesa de operação e quer saber
o que os investidores estão fazendo. Não há nada proibido.
Apenas queremos saber", disse Barbosa. Ainda estão frescos na memória
do governo os efeitos colaterais da crise de 2008, que derrubaram empresas
altamente alavancadas em derivativos que apostavam na apreciação
do real. "Queremos dar ao Conselho Monetário Nacional uma visão
sistêmica dos movimentos individuais nesse mercado." Ele reconhece
que o mercado de derivativos tem importantes funções, dentre
elas a de proteger os exportadores do risco cambial, mas acredita que ele
gera, também, "externalidades negativas" que o governo quer evitar.
As conversas dos dirigentes da BM&FBovespa, Febraban e Cetip com
o Ministério da Fazenda, para dar aplicabilidade à medida,
prosseguem. O secretário admitiu desde o primeiro dia que poderão
ser feitas as adequações necessárias à implementação
da MP, mas nega mudanças no mérito da decisão. "Na
primeira reunião eles nos pediram 60 dias de prazo. Demos o prazo,
estamos avaliando e não há qualquer medida iminente."
Sobre o risco de uma migração desse mercado para fora
do país, Barbosa comentou: "Pode ocorrer de uma parcela do mercado,
mas não de todo ele." Ainda que haja a possibilidade de uma fatia
importante dessas operações migrar, ele foi claro: "Esse
é um risco que estamos dispostos a correr para não ter que
perder empregos aqui e perder, também, setores industriais inteiros
por conta de uma apreciação temporária do câmbio
- por excesso de alavancagem - mas longa o suficiente para produzir efeitos
permanentes na economia."
Diante de tantos perigos, o governo reafirma que a economia está
preparada para enfrentar mais essa crise, mas sabe que ninguém passa
incólume por ela. Ontem o ministro da Fazenda, Guido Mantega, lembrou
que o arsenal de medidas tomadas na avalanche de 2008 está à
disposição para ser resgatado caso seja preciso.
(Claudia Safatle - Valor Online)
05.08 - Mais perto de um mergulho recessivo
Professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de
Janeiro (UFRJ), Fernando Cardim se mostra pessimista diante da atual conjuntura
política e econômica nos Estados Unidos e na Europa. Na análise
do economista, a combinação entre desgaste político
e pouca margem de manobra dos governos para animar a economia deixa o mundo
muito próximo de uma nova recessão.
A crise de 2008 pode se repetir?
FERNANDO CARDIM: Acho que desde 2009 a probabilidade de um novo mergulho
recessivo nunca foi tão alta. Nos Estados Unidos não há
um colapso como na queda do Lehman Brothers, em 2008, mas de uma perspectiva
de recuperação fraca este ano passamos à de estagnação.
Na Europa o quadro é ainda mais assustador, com as crises de dívida
soberana em países como Itália e Espanha. A saída
seria uma reestruturação das regras da União Europeia,
com a equalização entre economias centrais e a periferia,
como Grécia e Portugal. As fragilidades são muito fortes,
e a capacidade de recuperação dos governos é muito
pequena.
O pacote fiscal americano não ajuda?
CARDIM: Em nada. As empresas percebem que a demanda se reduz e se contraem.
Se por um lado os cortes de gastos não têm grande impacto
a curto prazo, por outro o governo americano já fez o seu máximo.
Daqui para a frente não poderá gastar mais.
Que efeitos o Brasil pode sofrer?
CARDIM: Uma nova crise pode ter um impacto comparável ou até
pior que a de 2008. A guerra cambial já está nas primeiras
páginas. Os bancos centrais do Japão e Europa lutam para
desvalorizar suas moedas. Para o Brasil será muito ruim do ponto
de vista do comércio exterior ter de lidar, além do dólar,
contra um euro desvalorizado. (Mariana Durão - O Globo)
05.08 - EUA podem voltar à recessão
A revista "Economist" que chegou às bancas britânicas
ontem pergunta se os EUA entrarão novamente em recessão -
o chamado double dip -, já que as perspectivas para a economia americana
não são muito boas. O assunto é o tema da capa, que
pergunta: "Time for a double dip?" ("hora de um novo mergulho?"), numa
imagem que lembra o filme "Tubarão".
"A irreflexão do acordo sobre a dívida - especialmente
seu fracasso em lidar com quaisquer das verdadeiras fontes dos problemas
fiscais dos EUA - suscita uma preocupação maior. Os políticos
do país, tão polarizados e dispostos a jogar com a economia,
serão capazes de não transformar um inevitável período
de dificuldades em uma estagnação a longo prazo?", pergunta
a "Economist".
A revista lembra que há fatores externos, como a crise na zona
do euro, mas ressalta que dados recentes mostram uma recuperação
abaixo do esperado. "É fácil uma economia voltar à
recessão, especialmente se for atingida por um novo choque - como
os EUA serão em breve, graças a uma dose maciça de
aperto fiscal tornado pior pelo acordo sobre a dívida". Para a "Economist",
os EUA podem evitar a recessão, pois têm vantagens como uma
população jovem e o dólar, ainda moeda de reserva
global. Faltam, no entanto, líderes políticos para combinar.
(O Globo)
04.08 - Fundo é insuficiente para Espanha e Itália
Enquanto se agrava a pressão dos mercados sobre Itália
e Espanha, analistas destacam que mesmo que o Fundo Europeu de Estabilidade
Financeira (EFSF, na sigla em inglês) utilize todos os recursos de
que dispõe para apoiar os dois países, só poderá
gastar no máximo € 340 bilhões, volume insuficiente
para socorrer a terceira e a quarta economias europeia.
No segundo resgate da Grécia, no mês passado, a cúpula
de líderes europeus ampliou a funções do EFSF para
socorrer os países que, mesmo sem ser resgatados, atravessassem
dificuldades no mercado de dívida.
Ocorre que o valor de € 340 bilhões que resta no fundo
no momento é equivalente a apenas 13% do estoque da dívida
governamental espanhola e italiana. Em comparação, no ano
passado o Banco Central Europeu (BCE) comprou 15% da dívida grega,
mas não conseguiu evitar que o rendimento dos títulos de
10 anos de Atenas dobrasse.
A avaliação no mercado é de que a fronteira entre
o resgate e a sobrevivência de um país está justamente
no fato de seu título de 10 anos não superar a rentabilidade
de 7%. O economista Ben May nota que os títulos de 10 anos da Grécia
atingiram 7% três meses depois de ter quebrado a barreira de 6%,
e Portugal e Irlanda levaram apenas dois meses.
Ou seja, até que o fundo europeu tenha mais poder financeiro
para socorrer a Itália e a Espanha já poderá ser tarde
demais. Esse socorro nos moldes aplicados a Portugal exigiram quase €
800 bilhoes, ou seja, o dobro da munição atual do EFSF pelos
cálculos de economistas alemães.
O chefe do governo espanhol, José Luís Zapatero, conclamou
ontem o presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, a que a Europa
aprove o quanto antes o plano de ajuda para a Grécia e a reforma
do mecanismo europeu de apoio à zona do euro.
O presidente da Comissão Europeia, José Durão
Barroso, só pode mesmo reclamar que os ataques do mercado contra
a Itália e a Espanha causam "profunda preocupação"
e são "injustificados levando-se em conta os princípios econômicos
e orçamentários dessas economias".
A avaliação no mercado, porém, é que mesmo
a compra de títulos dos dois governos pode até atenuar problemas
de liquidez, mas não vai alterar a fragilidade das duas economias,
com problemas de competitividade e produtividade baixa. Analistas estimam
que a Itália e a Espanha ficarão estagnadas pelos próximos
anos.
Isso torna ainda mais difícil para qualquer governo em Madri
e em Roma alcançar as metas de redução da dívida
sem novas medidas de austeridade, o que, por sua vez, provocará
mais tensões sociais.
O comissário de assuntos econômicos e financeiros da UE,
Olli Rehn, disse que, em todo caso, ao ministro de finanças da Itália,
Giulio Tremonti, que confia plenamente que o governo de Sílvio Berlusconi
adotará as medidas necessárias para recuperar a economia.
Sobretudo, a mensagem de Bruxelas foi de que não há nenhuma
discussão de plano de socorro para a Itália ou Espanha.
Mas certos analistas veem aumentar a possibilidade de as duas economias
terem de reestruturar suas dívidas, com consequências para
a zona do euro e o mercado financeiro. (Assis Moreira - Valor Online)
04.08 - Economia brasileira se dá bem em meio à insensatez
global
Os brasileiros, que no passado não ficavam alheios às
crises econômicas, viram-se repentinamente na invejável posição
de espectadores das insanidades do mundo desenvolvido.
Na TV brasileira, em programas de entrevistas sobre temas atuais, fervilham
há semanas, discussões sobre os problemas que estão
varrendo a Europa e os EUA - do impasse em Washington em torno do teto
de endividamento americano à crise financeira grega e o escândalo
envolvendo o "News of the World", no Reino Unido.
Dilma Rousseff, a presidente do Brasil, pareceu resumir, na semana
passada, as percepções brasileiras sobre um mundo exterior
enlouquecido, ao descrever a crise da dívida nos EUA e na Europa
como "insanidade". A incapacidade política do mundo desenvolvido
em encontrar soluções para seus problemas, segundo ela, representa
uma "ameaça" à economia mundial.
Mercado emergente em dificuldades, uma década atrás,
o Brasil é hoje um cenário de estabilidade macroeconômica
e política, em comparação com seu antes arrogante
parceiro setentrional e com as antigas potências coloniais europeias.
Não só o Brasil é agora um credor dos EUA, com US$
327 bilhões em reservas de moeda estrangeira em junho, como também
a economia está crescendo e o desemprego registra uma baixa recorde.
Mas, com o mundo desenvolvido exibindo tendências antes associadas
a mercados emergentes, o desafio, para o Brasil, está em como administrar
seu êxito. O país não pode se dar ao luxo de complacência
diante da tarefa ainda difícil de escapar da "armadilha de renda
média" em que sua economia ficou presa durante décadas.
A ruptura positiva, para a economia brasileira, veio na década
de 90, quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso implementou políticas
destinadas a estabilizar os preços ao consumidor e o câmbio.
Seu sucessor, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, manteve
o foco na estabilidade macroeconômica e, ao mesmo tempo, expandiu
programas sociais para melhorar a qualidade de vida dos mais pobres.
Os resultados foram notáveis. O crescimento econômico
brasileiro registrou uma média de 4% ao ano durante os últimos
oito anos e quase 49 milhões de brasileiros foram alçados
às classes média ou alta.
O Brasil também mostrou-se relativamente responsável
no enfrentamento de desafios. Seu sucesso econômico atraiu uma enxurrada
de dinheiro de estagnados mercados desenvolvidos, elevando a taxa de câmbio
da moeda brasileira, o real, em relação ao dólar,
ameaçando a competitividade da indústria local.
O Brasil tem reagido com a denominada "guerra cambial" - controles
de capital e monetários - visando conter essa valorização.
Mas o Brasil, predominantemente, tem resistido às pressões
da indústria nacional no sentido de tomar medidas extremas, impondo,
em vez disso, um complexo sistema de taxação destinado a
desencorajar os fluxos de capital especulativo de curto prazo.
No front fiscal, durante a campanha presidencial no ano passado, Dilma
posicionou-se contra uma enxurrada de gastos, defendendo o enxugamento
da proposta de Orçamento para este ano. O Banco Central também
tomou a difícil decisão política de elevar as taxas
básicas de juros, já altas, no Brasil, por cinco vezes, neste
ano, para 12,5%, para reprimir um surto inflacionário. O BC acoplou
essas medidas a outras, destinadas a frear o crescimento rápido
do crédito, que alguns analistas temem ser insustentável.
No front político, Dilma está limpando a corrupção
no Ministério dos Transportes, demitindo autoridades alinhadas com
um partido político parceiro da coligação de seu PT.
Seus problemas políticos têm sido interpretadas pela opinião
pública como uma "limpeza de primavera" por uma presidente recém-eleita.
Nada disso significa que o Brasil não tenha seus próprios
problemas. Um mercado de trabalho apertado, um sistema de ensino fraco
e escassez de trabalhadores qualificados estão provocando altas
de salários, ao mesmo tempo em que uma infraestrutura deficiente
vem pressionando os custos para cima.
Os níveis de endividamento das famílias estão
parecendo insustentáveis para os endividados que vivem um boom de
crédito. O Brasil precisa ter cuidado para não enterrar sua
nova classe média sob tanta dívida que, quando chegar a próxima
crise de desaquecimento econômico, eles voltem a submergir na pobreza.
Os custos de tocar negócios continuam proibitivos, em parte
por causa dos altos impostos e dos custos trabalhistas. Embora os preços
das commodities tenham subido, os volumes de exportações
não cresceram. O Brasil tem usado as receitas inesperadas do boom
de commodities para incrementar o volume de suas importações.
O Brasil pode sentir-se orgulhoso de si próprio. Mas terá
de manter-se vigilante para assegurar que não plante as sementes
da próxima crise durante o atual período de prosperidade.
(Joe Leahy - Financial Times, tradução de Sergio Blum - Valor
Online)
04.08 - A incongruência entre juros e prêmio de risco
Mesmo discutida à exaustão, ainda não se encontrou
explicação satisfatória para a questão dos
juros elevados no Brasil, quanto menos uma solução unânime
que permita a queda da Selic sem pôr em risco o controle da inflação
e a estabilidade macroeconômica.
Não se descartam, claro, as razões tradicionais, principalmente
o baixo nível de poupança doméstica - que limita a
expansão dos investimentos e, consequentemente, impede o avanço
do Produto Interno Bruto (PIB) potencial - e a ineficiência dos gastos
fiscais. Mas basta uma comparação com outros países
de características semelhantes para verificar que apenas as razões
tradicionais não explicam o juro elevado.
A Austrália, por exemplo, apesar de já estar em estágio
de desenvolvimento superior e apresentar nível mais alto de bem-estar,
também é um país em que a exportação
de commodities tem peso grande na economia e que, principalmente, carece
de poupança doméstica. No entanto, essa insuficiência
é coberta com um elevado déficit nas transações
correntes, pouco mais que o dobro, em termos de proporção
do PIB, do que tem o Brasil. Isso, no entanto, não gera preocupações
exageradas aos australianos, já que seu fluxo de investimentos é
capaz de cobrir o saldo negativo das transações correntes,
o que equilibra o balanço de pagamentos, além de proporcionar
uma mais alta taxa de investimentos como proporção do PIB.
Mas o que permite à Austrália ter nível de investimentos
proporcionalmente maior que o Brasil, já que este tem um potencial
de crescimento claramente superior? O prêmio de risco, ao apontar
um diferencial de menos de 60 pontos (Credit Default Swap), é capaz
de explicar apenas uma parte dessa diferença, já que se avalia
unicamente o risco inerente aos títulos da dívida brasileira.
A razão para não existir tamanha arbitragem entre as
taxas de juros de Brasil e Austrália, hoje em 12,5% e 4,75% ao ano,
respectivamente, é a baixa conversibilidade da moeda doméstica,
para residentes ou não, ou seja, o risco cambial. Como se sabe,
o arcabouço institucional e as leis "cambiais" no Brasil são
frágeis. Toda a legislação que trata dos direitos
de transação e fluxo de capitais com o exterior é
imbuída no espírito de controle de capitais, além
de imprimir o caráter de Estado centralizador, algo típico
do período em que foi elaborada, a exemplo do Decreto Lei n.º
23.258/33 e da Lei n.º 4.393/64. Vale lembrar que tal legislação
permite intervenções administrativas acionáveis sob
qualquer tipo de motivação política.
Após o primeiro default da dívida externa, em 1983, teve
início o movimento liberalizante, por meio de resoluções
do Conselho Monetário Nacional e circulares do Banco Central, cujo
objetivo foi criar instrumentos que permitissem a volta da comunicação
com o mundo. Tais normativos, que podem ser chamados de "safenas liberalizantes",
como a Resolução 1.552/88, que cria o mercado de taxas flutuantes,
porém, podem ser alterados ou revogados por resolução
ou circular a qualquer momento e sem necessidade de autorização
do Congresso. Assim, na ausência de instituições formais
que garantam não só o regime de câmbio, mas o funcionamento
dos mercados no País - ainda mais diante do histórico de
default e intervenção nos mercados -, o custo do hedge se
eleva na mesma toada da percepção de risco. E é justamente
esse risco que faz com que exista um enorme diferencial de juros sem um
proporcional volume de arbitragem entre os mercados.
Se o risco cambial não existisse e, assim, houvesse espaço
para arbitragem, teríamos o câmbio mais forte e, por consequência,
os índices de preços estariam mais comportados. Isso permitiria,
sem dúvida, uma taxa de juros que se aproximasse dos níveis
internacionais, tendo sua diferença explicada com maior precisão
pelos prêmios de risco.
A modernização do aparato cambial brasileiro, ainda que
não inclua, necessariamente, maior liberalização,
permitiria o barateamento dos fluxos de moeda estrangeira, o que, acima
de tudo, aumentaria o tão necessário investimento no País,
além de permitir praticar juros menores. (Nathan Blanche -
O Estado de S.Paulo)
03.08 - EUA: Acordo é alívio de curtíssimo prazo
Economistas concordam que a solução não foi a
melhor e significou uma derrota para Obama e seus aliados democratas
O acordo para aumentar o limite da dívida dos Estados Unidos
adiou o risco da primeira suspensão de pagamentos da história
do país para 2013. Em curtíssimo prazo, foi capaz de aliviar
o governo e de acalmar os mercados. Mas, além de afetar duramente
a fragilizada economia, a solução estampou a impossibilidade
política de os EUA adotarem o ajuste necessário para colocar
suas contas em ordem.
A ameaça de rebaixamento da nota de risco da dívida continua
presente, assim como de uma futura suspensão de pagamentos. "Esta
não foi nem sequer a melhor solução possível.
No curto prazo, o acordo pode aplacar os temores dos mercados sobre a capacidade
de os EUA pagarem sua dívida. Mas o método adotado pode prejudicar
a economia", afirmou William Gale, sócio sênior para Estudos
Econômicos do Brookings Institution.
"Não há um acordo fiscal finalizado. Há apenas
um processo em andamento. Os cortes não foram suficientemente profundos
nem estão assegurados", opinou J.D. Foster, especialista em Política
Fiscal da conservadora The Heritage Foundation.
As circunstâncias do embate político preocupam os dois
economistas consultados pelo Estado. Gale assinalou o fato de as três
medidas necessárias para criar um pacote fiscal efetivo continuarem
barradas pelos dois partidos e suas facções à direita
e à esquerda.
O aumento de impostos, afirmou ele, é uma "blasfêmia"
para os republicanos; o corte de gastos com saúde, apesar de ser
o maior problema do orçamento americano em longo prazo, é
rechaçado pelos democratas; o corte de gastos de defesa tem difícil
digestão em ambos os partidos.
"Isso pode criar uma nova situação de crise quando houver
necessidade de novo aumento do teto da dívida federal", afirmou
Gale. "A questão é: o que vai acontecer a partir de 2013?"
Nem Gale nem Foster mostraram-se seguros da capacidade de o acordo
restituir a confiança de consumidores e investidores, prejudicada
pelo ritmo lento de recuperação econômica e pelo debate
sobre a questão fiscal.
Gale considera o momento impróprio para redução
de gastos públicos federais - medida já em adoção
por Estados e governos locais nos últimos três anos. "A melhor
solução teria sido aumentar o teto da dívida, adiar
a redução de despesas para o momento de recuperação
mais forte da economia e fechar um pacote de médio prazo, com aumento
de imposto e cortes de gastos."
Perdedores. Os economistas concordaram com a vitória dos republicanos
- em especial, sua facção mais à direita, o Tea Party
- nesse processo. Segundo Foster, o presidente Obama e seus aliados "perderam
feio". Gale, porém, observou terem sido os americanos de renda baixa
e média os reais perdedores. "Eles vão carregar o peso do
corte de gasto e enfrentar a recuperação econômica
anêmica e o aumento de longo prazo no desemprego", afirmou Gale.
(Denise Chrispim Marin - O Estado de S.Paulo)
03.08 - Moody''s mantém rating AAA para EUA
A agência de classificação de risco Moody''s anunciou
que atribuiu perspectiva negativa ao rating soberano dos EUA, atualmente
em AAA, depois de o Congresso ter aprovado medidas para elevar o teto de
endividamento e reduzir o déficit orçamentário do
país.
Segundo a agência, as medidas são "um passo importante
para atingir a consolidação fiscal no longo prazo e evitar
um rebaixamento" na nota de crédito norte-americana, mas afirmou
que o rating ainda pode ser reduzido "se houver um enfraquecimento da disciplina
fiscal no próximo ano, se medidas de consolidação
fiscal não forem implementadas até 2013, se o prognóstico
econômico sofrer deterioração significativa ou se houver
um aumento apreciável no custo de financiamento do governo".
No início de julho, a Moody''s colocou o rating dos EUA em revisão
para potencial rebaixamento por causa da pequena, porém crescente
possibilidade de uma moratória do país naquele momento. A
agência disse que o plano aprovado pelo Congresso e já sancionado
pelo presidente norte-americano, Barack Obama, virtualmente elimina o risco
de um calote. Por isso, o rating AAA foi mantido.
A Moody''s também reiterou a nota AAA de alguns títulos
de Israel e do Egito que possuem como garantia os papéis da dívida
dos EUA e que também haviam sido colocados em revisão para
potencial rebaixamento no início de julho. (Gustavo
Nicoletta - Agência Estado)
03.08 - Fitch: Revisão de nota dos EUA neste mês
A agência de classificação de risco Fitch afirmou
ontem, em uma nota, que pretende concluir a revisão do rating (nota)
soberano dos Estados Unidos no final de agosto. A agência acrescentou
que o acordo para redução no déficit orçamentário
e aumento no limite de endividamento aprovado pelo Congresso norte-americano
é um passo na direção certa, mas ainda precisarão
ser feitas escolhas difíceis para diminuir o buraco nas contas públicas.
"O aumento no teto da dívida e o acordo sobre os parâmetros
gerais do plano de redução no déficit dão suporte
à perspectiva da Fitch, de que apesar da intensidade e do teatro
de discurso político nos EUA, há desejo político e
capacidade para, no fim das contas, ser feita a coisa certa. Na opinião
da Fitch, o acordo é um primeiro passo importante, mas não
o fim do processo que levará a um plano confiável para reduzir
o déficit orçamentário a um nível que garanta
o rating AAA dos EUA no médio prazo", disse a agência.
A agência afirmou também que "os fundamentos econômicos
e financeiros que dão suporte ao rating AAA dos EUA ainda são
fortes". Segundo a Fitch, "os balanços e a lucratividade do setor
corporativo são saudáveis, o crescimento subjacente da produtividade
ainda é relativamente robusto, e o dólar continua ocupando
a posição de moeda de reserva global".
No final do comunicado, no entanto, a Fitch alertou que, segundo as
tendências atuais, a dívida dos EUA - levando em conta municípios,
estados e governo federal - deve atingir 100% do Produto Interno Bruto
(PIB) até o final de 2012 e continuará a subir no médio
prazo, "perfil que não é consistente com a manutenção
do rating AAA.
No início de junho, a Fitch alertou que o rating dos EUA seria
colocado em observação para potencial rebaixamento se o país
não aprovasse até dois de agosto um plano para reduzir o
déficit orçamentário e elevar o limite de endividamento.
(Gustavo Nicoletta - Agência Estado)
02.08 - Agência de rating deverá ter registro na CVM
Após terem sua imagem arranhada durante a crise financeira internacional
iniciada em 2008, as agências de classificação de risco
lutam pela sua credibilidade e torcem para que as regulamentações
que começam a ser instauradas internacionalmente tragam transparência
aos processos internos que, dizem, já foram adotados. A indicação
da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é de que
o modelo a ser adotado no Brasil poderá ser, inclusive, mais flexível
do que o europeu ou o americano, já que o alcance do uso das notas
de crédito no país ainda é bem mais reduzido.
A expectativa é de que a primeira regulamentação
das agências de rating vá para audiência pública
em outubro ou novembro deste ano. O assunto já entrou na pauta do
Conselho de diretores da autarquia para as reuniões realizadas às
quartas-feiras em agosto e em setembro. No entanto, as mudanças,
que precisam ser feitas em conjunto com outras instituições
como o Banco Central, Superintendência de Seguros Privados (Susep)
e de Previdência Complementar (Previc), ficarão para 2012.
A instrução que está sendo preparada pela CVM
deverá exigir que todas as agências de classificação
tenham registro na autarquia. Devem também ser instauradas regras
para minimizar a possibilidade de conflitos de interesses, além
de instituídas publicações periódicas pelas
agências, com informações sobre a metodologia, a estrutura
administrativa e estrutura de análise utilizada pelas agências,
acredita a diretora da autarquia, Luciana Dias.
"É importante, quando se contrata um serviço, saber quais
são as medidas que o prestador adota para que o serviço seja
bem feito, como a segregação de atividades, da estrutura
administrativa, de identificação dos clientes mais importantes.
Tudo deve entrar nas divulgações periódicas", diz.
A divulgação dos clientes mais importantes de uma agência
de rating, apesar de polêmica, poderá entrar no radar da CVM,
a exemplo do que é feito na Europa e nos Estados Unidos. A divulgação
poderá ser feita a partir dos dez maiores clientes ou dos clientes
que forem responsáveis por mais de 5% do faturamento. "Certamente
a gente vai ter que decidir se isso vai ser divulgado ou não, mas
é uma das coisas que se exige no exterior", disse Luciana. Quanto
mais dependente de um cliente é uma agência, maior é
o espaço para que ele possa ter ingerência sobre o trabalho
de classificação.
Mas nem todas as regras adotadas no exterior deverão ser replicadas
no Brasil. Na Europa, por exemplo, as agências deverão avisar
a um emissor de títulos que vai ter sua nota rebaixada com 12 horas
de antecedência. "Isso é muito polêmico, porque pode
estimular o insider trading. Talvez a gente não precise ter isso
aqui, mas vai ser discutido na audiência publica", disse Luciana.
Como no Brasil praticamente não há exigência legal
de análise de rating, exceto em emissões de debêntures,
a CVM pensa em um modelo diferente do exterior também para evitar
a prática de "shopping", em que uma empresa contrata mais de uma
agência classificadora, mas, se não utilizar a nota com nenhum
investidor, publica apenas a nota mais alta. "O jeito de inibir essa prática
é exigir transparência", afirmou a diretora.
Uma possibilidade, então, pode ser a obrigatoriedade de disponibilização
de todas as informações concedidas a uma determinada agência
para qualquer outra exigida pelo próprio investidor. Isso abre a
possibilidade para que o investidor também contrate o rating, em
vez de apenas o próprio emissor, o que, no mercado, é visto
como grande gerador de conflito de interesses. (Juliana Ennes - Valor
Online)
02.08 - Brasil está preparado para piora no cenário
Presidente do BC afirma que situação global pede cautela
e proteção do sistema financeiro
Pesquisa semanal com economistas projetou inflação mais
alta em 2012, após mudança de tom do Banco Central
O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, disse ontem
que a economia brasileira está preparada para enfrentar a eventual
piora do cenário externo, mas afirmou que não espera um desfecho
catastrófico para a crise global.
"Nosso cenário é de uma economia mundial que cresce menos
do que se supunha no início do ano, e com normalização
das condições monetárias e financeiras posterior ao
que se supunha inicialmente", afirmou.
Segundo ele, o Brasil tomou medidas para conter a entrada de dólares
no país e está preparado para o segundo momento, que seria
a reversão deste movimento.
Tombini lembrou que o país conta com reservas de US$ 345 bilhões
-quantia considerada "moderada" por corresponder a 15% do PIB brasileiro-
e ainda possui saldo de R$ 419 bilhões em compulsórios (depósitos
obrigatórios dos bancos).
"Esse cenário internacional requer cautela, com medidas prudenciais
para proteger o sistema financeiro como um todo. A economia brasileira
se preparou para eventualidade em um cenário ainda mais complexo."
Quanto à inflação, o tom é mais ameno.
Tombini disse que o mercado já tem expectativa de inflação
média mensal de 0,35% para o período junho-dezembro de 2011
-abaixo do centro da meta, equivalente a 0,37%.
Apesar de o governo já ter dito que só chegará
ao centro da meta de 4,5% apenas em 2012, ele disse que essa expectativa
já está "na cabeça do mercado".
Tombini destacou que os economistas já projetam, de setembro
a abril de 2012, queda de dois pontos percentuais na taxa em 12 meses.
E que o "instrumento de controle da inflação" corresponde
às previsões feitas.
INFLAÇÃO
Pesquisa semanal do BC, no entanto, mostrou nova piora nas projeções
de 2012.
Nas duas últimas semanas, o BC sinalizou, em dois documentos,
que vai encerrar em breve a alta dos juros.
A mudança no discurso já se refletiu em dois aumentos
seguidos na inflação estimada por economistas e compilada
pelo BC, que passou de 5,20% para 5,30% nas duas últimas semanas.
Os economistas esperam que os preços voltem a subir entre julho
e novembro na comparação mensal, mas fechem o semestre abaixo
do verificado no 1º semestre. (PAULO PEIXOTO e EDUARDO CUCOLO - Folha
de S.Paulo)
02.08 - Economia deve crescer 3,96% este ano
A economia brasileira deve crescer um pouco mais este ano, segundo
a nova projeção do mercado financeiro divulgada pelo Banco
Central. A expansão estimada do Produto Interno Bruto (PIB), a soma
de todos os bens e serviços produzidos no país, subiu de
3,94% para 3,96%. A taxa projetada para o próximo ano permanece
em 4%. No caso da produção industrial, a taxa passou de 3,24%
para 3,21% este ano pelas contas de analistas financeiros, mantendo-se
em 4,34%, em 2012.
Já a projeção para a relação entre
a dívida líquida do setor público e o PIB foi ligeiramente
ajustada de 39,28% para 39,26%, este ano, continuando em 38%, em 2012.
A estimativa para a cotação do dólar ao final
de 2011 segue em R$ 1,60 este ano e em R$ 1,65, em 2012. A previsão
do superávit comercial (saldo positivo de exportações
menos importações) foi alterada de US$ 20,90 bilhões
para US$ 21 bilhões, este ano, e de US$ 10,07 bilhões para
US$ 10,03 bilhões, em 2012.
Também a projeção do déficit em transações
correntes (registro das transações de compra e venda de mercadorias
e serviços do Brasil com o exterior) foi alterada, passando de US$
59,45 bilhões para US$ 59 bilhões, em 2011, e de US$ 69,61
bilhões para US$ 69,30 bilhões, no próximo ano. A
expectativa para o investimento estrangeiro direto (recursos que vão
para o setor produtivo do País) permanece em US$ 55 bilhões,
este ano, e em US$ 50 bilhões, em 2012. (Fenaseg)
01.08 - Seguros de pessoas puxam crescimento do mercado
Nos primeiros cinco meses do ano de 2011 houve um crescimento na procura
de Seguros de pessoas. Esse crescimento trouxe para o segmento uma soma
de arrecadação de prêmios de R$24,3 bilhões,
24% superior ao mesmo período do ano anterior.
Os dados fornecidos pela Susep apontam crescimento também nos
ramos de Seguros de Vida, planos VGBL e outras apólices, como as
de viagens e turismo, não estando incluído o segmento de
Saúde, de alçada da Agência Nacional de Saúde
Suplementar (ANS).
Crescimento em outros ramos
Ramos que também tiveram um crescimento positivo até
maio foram: rural, alta de 30%, riscos financeiros, com crescimento de
17%, transporte de cargas, evolução de 13% e automóveis,
com o crescimento de 8,3% no volume de prêmios, totalizando R$10
bilhões, incluindo o DPVAT.
Historicamente, a expansão do mercado de seguros tem relação
direta com o crescimento da economia, e com percentuais superiores. De
janeiro à maio, a receita de prêmios totalizou R$41,1 bilhões,
um crescimento de 19,5% em comparação com o mesmo período
de 2010, enquanto o PIB teve uma evolução de 3,72%, todos
esses dados segundo o Banco Central. (Tania Araújo - CQCS)
01.08 - Por que a crise na Europa não terminou
O anúncio dramático por líderes da União
Europeia (UE) na noite de quinta-feira, 21 de julho, de que eles haviam
finalmente chegado a um acordo para reestruturar a dívida da Grécia
devia supostamente encerrar a crise da Europa. Nas circunstâncias,
ele proporcionou exatamente um dia de alívio. Na segunda-feira seguinte,
os spreads dos bônus italianos e espanhóis subiram de novo,
reacendendo temores de que essas duas economias, a 8.ª e a 12.ª
maiores do mundo, estavam prestes a acompanhar a Grécia para o abismo.
Era previsível, aliás, que os investidores ficassem inquietos.
Eles compreenderam que o pacote de 21 de julho não resolvera absolutamente
nada. Para começar, ele não resolveu a crise da dívida
da Grécia. O quanto ele reduzirá, em última instância,
a carga da dívida do governo grego ainda é uma incógnita.
O menu de ofertas publicado pelo Instituto de Finanças Internacionais,
a associação global de grandes bancos, é vago nos
termos da troca de bônus. Mais que isso, não sabemos que fração
dos detentores de bônus ofertará seus bônus e se a taxa
de participação na troca se aproximará dos 90% previstos
pelo plano.
Mesmo no melhor cenário, porém, a dívida do governo
grego ainda ficará próxima de 150% do Produto Interno Bruto
(PIB). É proporção alta demais para se suportar. Ela
não começa a recolocar o país no caminho da solvência.
Os investidores compreendem que a Grécia não saiu do
atoleiro. Eles compreendem que haverá uma nova reestruturação
no futuro, com mais cortes para os detentores de bônus. De modo que
não foram tranquilizados.
Por que, alguém poderia perguntar, o plano atual é inadequado?
A resposta não é simplesmente que o Banco Central Europeu
(BCE) estava relutante em concordar com uma reestruturação,
ou que líderes da UE temiam que termos mais duros pudessem levar
a Associação Internacional de Derivativos e Swaps a declarar
um evento de crédito que acionaria credit defaults swaps (CDS) sobre
bônus do governo grego.
A explicação verdadeira é que uma baixa contábil
maior da dívida teria prejudicado os balanços de importantes
bancos europeus, bancos franceses em particular. Aliás, os principais
bancos alemães, numa posição mais forte, estavam preparados
para suportar uma redução maior da dívida da Grécia,
mas não poderiam se sobrepor à oposição de
seus rivais franceses mais fracos.
Estratégia. Desse ponto de vista, a estratégia atual
é como a inicialmente adotada para lidar com a crise da dívida
latino-americana na década de 1980. Uma séria reestruturação
da dívida foi executada durante sete anos, até os bancos
terem tempo suficiente para fortalecer seus balanços. Medidas cosméticas
foram adotadas nesse ínterim. Mas o sofrimento dos países
em crise continuou. A América Latina experimentou uma década
perdida. O medo agora é que a Europa experimente uma também.
Líderes europeus reconheceram implicitamente isso quando propuseram
dar a seu fundo emergencial de salvamento, o Fundo Europeu de Estabilidade
Financeira (FEEF), a capacidade não só de emprestar para
governos em dificuldade, mas também de recapitalizar bancos em dificuldade.
Se o FEEF fizer um uso inteligente dessa capacidade, uma segunda e mais
significativa reestruturação grega poderá ocorrer
dentro de não muito tempo. Talvez a década perdida possa
ser encurtada para três meses perdidos.
Mas isso será possível se, e somente se, os parlamentos
europeus, incluindo o Bundestag alemão, concordarem em modificar
as atribuições da FEEF. E sua concordância não
é garantida.
Para aumentar as chances da anuência parlamentar nacional, os
líderes europeus resistiram à tentação de pedir
também para dobrar ou triplicar o tamanho do FEEF. Um FEEF muito
maior seria necessário para o fundo ser mobilizado não só
para recapitalizar bancos fracos, mas também para fornecer empréstimos
preventivos a outros governos na linha de frente, como os de Espanha e
Itália, como uma maneira de criar uma proteção contra
a crise.
Mas depois que a União Europeia não conseguiu transformar
sua espingarda de rolha numa bazuca estilo Hank Paulson (ex-secretário
do Tesouro americano, no governo de George W. Bush), os investidores percebem
que o FEEF só terá uma capacidade limitada para segurar os
mercados de bônus espanhol e italiano. E o Banco Central Europeu,
depois de ter desativado totalmente seu programa de compras no mercado
de bônus, mostra pouca inclinação para entrar na brecha.
Mais basicamente, as decisões tomadas no dia 21 de julho não
fazem nada para resolver os problemas da Espanha e da Itália. O
fundamental, em especial para a Itália, é a incapacidade
de crescer. Encargos de dívida que são apenas manejáveis
quando uma economia está crescendo tornam-se insustentáveis
quando ela não está. No caso da Itália, com a razão
dívida/PIB acima de 100%, a taxa de crescimento precisa exceder
a taxa de juros sobre a dívida.
É revelador que o mercado de bônus da Itália tenha
tido uma reação ainda pior que o da Espanha na reabertura
dos negócios na última segunda-feira. A Espanha, a despeito
de seus outros problemas, tem pelo menos implementado algumas reformas
estruturais significativas, criando a possibilidade de retomada do crescimento
econômico. A Itália, ao contrário, não fez nada
além de cortar gastos públicos, o que somente enfraquecerá
a demanda e desacelerará o crescimento no curto prazo.
Não há nenhuma bala de prata para resolver magicamente
esse problema, somente a reforma estrutural dura na qual a Espanha embarcou,
mas a Itália mal começou. Mas há uma ajuda potencialmente
disponível na forma de uma política monetária mais
maleável.
Com Itália e Espanha cortando gastos públicos, uma política
monetária mais frouxa ajudaria a sustentar a demanda - como ocorreu
na Grã-Bretanha, que tem a vantagem de um banco central ideologicamente
menos rígido. Taxas de juros mais baixas do Banco Central Europeu
facilitariam para os governos espanhol e italiano a tarefa de honrar suas
dívidas. Facilitariam para empresas espanholas e italianas fazerem
empréstimos para se reestruturar. Um euro mais baixo facilitaria
para elas exportarem.
A necessidade está se tornando mais urgente, dado que os índices
de gerentes de compras (índices de confiança) tanto na Espanha
como na Itália caíram em junho, aumentando o risco de uma
nova recessão em ambos os países.
Infelizmente, o Banco Central Europeu parece preferir a intransigência
a estender a mão. Ele pode temer que Espanha e Itália vejam
a ajuda monetária como um alívio das pressões para
empreender reformas estruturais. Se assim for, o BCE devia dizer aos governos
espanhol e italiano exatamente o que deseja que eles façam. E, se
eles então agirem, o banco deveria baixar rapidamente as taxas e
retomar seu programa de compras no mercado de bônus para proteger
os dois países contra a disseminação da crise.
Ainda é possível pôr fim à crise da Europa.
Mas isso vai exigir a cooperação não só dos
governos europeus, mas também do BCE. (Tradução de
CELSO PACIORNIK - O Estado de S.Paulo)
01.08 - Crise europeia longe de uma solução
O plano anunciado na semana passada pelos líderes europeus para
lidar com a crise da dívida da Grécia e de outros países
periféricos da zona do euro trouxe apenas ânimo passageiro
aos mercados. Feitas as contas, tornou-se aparente que o alívio
financeiro associado àquele plano será insuficiente para
levar a uma solução sustentável para o endividamento
da Grécia.
É certo que o anúncio da cúpula da Comunidade
Europeia representou um grande avanço, após longo período
de indecisão e procrastinação. O volume de recursos
posto à disposição da Grécia por meio da EFSF
(European Financial Stability Facility), assim como o alongamento dos prazos
e redução dos juros associados a essa linha de crédito,
representam um passo positivo no reconhecimento da seriedade da situação
fiscal daquele país, assim como do potencial de contaminação
da crise para outros países da zona do euro, igualmente marcados
por aguda crise fiscal (Portugal e Irlanda, principalmente).
Da mesma forma, a previsão de envolvimento dos credores privados,
por meio de renegociação "voluntária" da dívida
da Grécia, mostra o abandono da equivocada ideia de que seria possível
resolver o problema sem que houvesse algum tipo de redução
do montante da dívida em poder do mercado, a exemplo do que ocorreu
no Plano Brady, em relação à crise da dívida
latino-americana dos anos 1980.
Uma crise bancária sistêmica seria o pior dos mundos para
os países que já sofrem de dificuldades crônicas
Além disso, a flexibilização no uso dos recursos
da EFSF, permitindo seu uso na recapitalização de instituições
bancárias, por meio de empréstimos aos governos nacionais,
é outro movimento importante, tendo em vista as fragilidades que
cercam alguns bancos europeus, mormente aqueles sediados nos países
atingidos mais agudamente pela crise fiscal, em razão não
apenas do carregamento de papéis emitidos pelos seus governos, como
também pela anemia da atividade econômica que leva à
deterioração de seus ativos de crédito. De fato, uma
crise bancária sistêmica seria o pior dos mundos para os países
já sofrendo de dificuldades crônicas para ativar suas economias.
Porém, embora significativos, tais avanços são
insuficientes para tornar a Grécia um país solvente nos próximos
anos. A dívida do governo corresponde a cerca de 140% do seu PIB
e o déficit fiscal nominal foi de mais de 10% do PIB no ano passado.
No primeiro semestre deste ano, apesar das medidas de austeridade já
adotadas, o baixo crescimento da economia frustrou a previsão de
receitas tributárias, o que fez com que as metas acordadas com o
FMI e a Comunidade Europeia não fossem cumpridas. Não bastasse
o déficit fiscal elevado, a Grécia exibe um expressivo déficit
em conta-corrente, cerca de 10,5 % do PIB em 2010, o que configura uma
situação de "déficits gêmeos", típica
de um país que vem vivendo acima de suas possibilidades.
Numa situação como essa, a ausência de autonomia
monetária dificulta enormemente o necessário ajuste da economia.
Para aumentar sua competitividade e, desse modo, reduzir seu déficit
externo, a Grécia necessita realizar uma "desvalorização
interna", que passa pelo abaixamento dos salários e pela redução
do déficit público, políticas que trazem enorme estresse
político. Num contexto como esse, a permanência de um endividamento
elevado não apenas é insustentável sob o ponto de
vista de solvência, como se torna um ônus político incontornável.
Desse modo, não há como escapar de uma solução
que implique na redução sensível do fluxo dos encargos
da dívida nos próximos anos, o que exige seu alongamento
e também uma redução ("haircut") no seu valor nominal,
o que trará perdas para os detentores dos papéis da dívida
daquele país.
Por outro lado, a situação fiscal de Irlanda e Portugal,
não obstante menos grave do que a da Grécia, também
exige ação decidida da Comunidade Europeia. A flexibilização
anunciada no emprego dos recursos da EFSF ajudará a melhora do perfil
do endividamento desses países, assim como na eventual recapitalização
de seus bancos. Contudo, a falta de uma solução definitiva
para a Grécia pode diminuir a confiança dos mercados quanto
à sustentabilidade das dívidas portuguesa e irlandesa, o
que anularia os efeitos positivos da maior ajuda financeira proporcionada
pela Comunidade. Assim, uma solução para Irlanda e Portugal
deve necessariamente passar pela resolução definitiva para
o problema grego.
Nas próximas semanas provavelmente saberemos se a reestruturação
da dívida da Grécia e dos demais países afetados (Irlanda
e Portugal) se dará de maneira ordenada ou não. Na primeira
hipótese, uma crise bancária seria evitada, assim como a
contaminação do financiamento da dívida de países
maiores como Espanha e Itália. Nesse cenário, a zona do euro
pode contar com uma retomada modesta da atividade econômica nos próximos
anos e a economia mundial seguirá uma trajetória de crescimento,
sem maiores percalços. Contudo, para tanto, é necessário
que o mercado passe a confiar na sustentabilidade da posição
fiscal dos países atingidos pela crise, assim como na higidez de
seus sistemas bancários, para o que o pacote anunciado semana passada
ainda se mostra aquém do necessário. (Gustavo Loyola
- Valor Online)
29.07 - EUA: Mercado e governo se preparam para calote
Tesouro dos EUA admite que elabora plano que detalha como vai pagar
as contas sem novo teto de empréstimo
Títulos de curto prazo que costumam ter juro de 0% subiram ontem
a 0,10% em reação ao impasse no Congresso
O Departamento do Tesouro dos EUA já tem um plano de contingência
para o caso de o Congresso não votar a liberação de
novos empréstimos do governo até terça. Sem listar
que contas deixará de pagar, não conseguiu aplacar o temor
do mercado.
A pergunta, que o Tesouro diz que responderá antes da data-limite,
no dia 2, monopoliza o foco de investidores, analistas, eleitores e lobbies.
Dois grupos influentes do país, os banqueiros e o sindicato
dos aposentados, enviaram cartas à Casa Branca e ao Congresso pressionando
os políticos a agir no prazo.
O Tesouro, porém, hesita em detalhar o plano enquanto o Congresso
ainda discute se aumenta o teto da dívida, alimentando a ansiedade.
Com isso -e com o adiamento da votação de mais uma proposta
para ampliar a dívida pela Câmara, devido à falta de
consenso- os juros que o governo paga sobre os títulos de curto
prazo do Tesouro subiram a 0,10%. Os papeis vencem em agosto.
A variação pode ser discreta, mas títulos com
vencimento próximo têm virtualmente taxa zero de retorno,
e a rapidez da mudança indica que os investidores se preparam para
um calote.
"O que posso dizer agora é que, embora só o Congresso
possa garantir que o governo pague todas as suas contas, o Tesouro detalhará,
conforme se aproxima o dia 2, como fará sem poder tomar empréstimo",
disse à Folha uma porta-voz do Tesouro.
Segundo a mesma porta-voz, as medidas podem ser anunciadas "a qualquer
momento até terça", quando a verba dos empréstimos
acaba. Na prática, o plano deve apontar manobras de caixa e mostrar
onde será o calote -se doméstico ou externo.
EMBATE
A Casa Branca não divulgou dados completos, mas a estimativa
mais corrente, do Centro de Políticas Bipartidárias, aponta
que o governo tem contas de US$ 307 bilhões e expectativa de receita
de US$ 172 bilhões no mês. A diferença implicaria em
calote. Resta saber onde o governo decidirá cortar.
As possibilidades vão dos juros sobre títulos da dívida
americana -o que afetaria a economia global, já que eles são
referência do mercado- a cheques dos aposentados.
Ontem, o Fórum de Serviços Financeiros, que reúne
os 20 principais bancos e seguradoras do país, enviou uma carta
à Casa Branca e ao Congresso, coassinada por 470 empresas, em que
exorta o Executivo e o Legislativo a superarem a polarização
partidária e agirem por uma solução de longo prazo.
"Uma grande nação, como uma grande empresa, precisa de
credibilidade de que paga suas contas em dia", diz. "Esta questão
afeta a população, não só o mercado, pois os
juros sobre os títulos do Tesouro influenciam hipotecas, cartões
de crédito, empréstimos estudantis."
Na véspera, a associação de aposentados, AARP,
também enviara carta cobrando ações para preservar
a seguridade social. Para aumentar a dívida, o Congresso precisa
aprovar cortes no Orçamento que tornem o deficit sustentável.
É sobre esses cortes que falta consenso entre os partidos -e até
mesmo dentro deles
Impasse é alimentado por limites do bipartidarismo dos EUA
FILIPE CAMPANTE
A explicação mais imediata para a crise política
manufaturada em torno da dívida pública dos EUA passa pelo
alto grau de polarização hoje existente no sistema político
americano.
Os dois principais partidos tornaram-se cada vez mais bem definidos
do ponto de vista ideológico, após o sucesso da revolução
dos direitos civis da metade do século 20 e a consequente redução
da proeminência da questão racial.
Desde 2006, e pela primeira vez na história recente, a posição
do mais conservador dos democratas no Congresso tem sido medida claramente
à esquerda daquela do menos conservador dos republicanos.
Assim sendo, não espanta que seja mais difícil obter
consenso bipartidário. O problema é, contudo, mais profundo.
Tal polarização não seria tão danosa não
fosse a inadequação das bicentenárias instituições
políticas do país em lidar com ela.
A separação e grande autonomia entre os Poderes Executivo
e Legislativo -base essencial do sistema de freios e contrapesos que fundamenta
a democracia americana- têm nesse contexto efeito colateral de paralisia.
Atualmente, o Partido Republicano tem poder suficiente para bloquear a
agenda do presidente Obama, refém da necessidade de aprovação
de quaisquer medidas no Congresso. O partido ainda se beneficia eleitoralmente
da percepção de insucesso que isso gera para o governo democrata.
Com tal influência, e sem a contra partida em responsabilidade,
o incentivo da oposição é o de fazer uso de sua capacidade
de provocar o fracasso do governo.
Trata-se de óbvia receita para radicalização e
crises. Em contraste, se o que um partido propõe pode ser de fato
implementado caso ele conquiste o poder, impõe-se pela via eleitoral
um incentivo à moderação.
As reformas ocorrem via alternância de poder, em torno de políticas
relativamente consensuais. Não há sistema político
perfeito, claro, e o sucesso da democracia americana ao longo dos séculos
é evidente.
Porém tempos distintos trazem problemas distintos, e as respostas
que cada sistema oferece podem ser mais adequadas ou menos. Dado o apego
visceral dos EUA à herança dos "pais fundadores", é
de se esperar que crises como a atual tornem-se cada vez mais comuns, até
que o cenário mude ou reformas façam-se inevitáveis.
(LUCIANA COELHO - Folha de S.Paulo)
29.07 - Insensatez de EUA e Europa são "ameaça global"
Presidente pede que países sul-americanos discutam medidas conjuntas
para enfrentar efeitos da crise externa
Governo prevê embate mais longo sobre teto da dívida dos
EUA, mas duvida que país anuncie um calote em credores
A presidente Dilma Rousseff afirmou ontem, em Lima, que a "insensatez"
e a "incapacidade política" dos Estados Unidos e da União
Europeia para resolver seus problemas econômicos geram uma "ameaça
global".
Em reunião de presidentes de nove países da Unasul (União
Sul-Americana de Nações), ela defendeu que os governos do
continente acertem uma estratégia comum para enfrentar a crise.
"Esse quadro onde a insensatez é a regra, e a marcha da insensatez
parece ser o caminho, só reforça a necessidade de nossa união",
afirmou Dilma a presidentes de 9 dos 12 países da Unasul.
Na semana que vem, os ministros da Fazenda e os presidentes dos Bancos
Centrais do bloco se reunirão em Lima para discutir medidas conjuntas.
Nos dias 10 e 11 de agosto haverá novo encontro, em Buenos Aires.
Ontem, Dilma reclamou do "mar extraordinário de liquidez" que
flui de países desenvolvidos aos emergentes em busca de rentabilidade
e provocam "desequilíbrio cambial". Também atacou os produtos
dos países ricos que "alagam" a região.
"Temos de nos defender do imenso, do fantástico, do extraordinário
mar de liquidez que se dirige às nossas economias buscando a rentabilidade
que não tem nas suas", disse ela.
"Não podemos incorrer no erro de comprometer tudo que conquistamos
(...) pelos efeitos da conjuntura internacional desequilibrada."
Em Brasília, a equipe econômica aposta que a incerteza
nos EUA vai se prolongar por muitos meses, mas acredita dispor instrumentos
necessários para proteger a economia brasileira.
O governo duvida que o cenário mais catastrófico se materialize,
com os americanos dando calote nos credores da sua dívida e disseminando
pânico no mercado. Na avaliação da equipe econômica,
o cenário mais provável indica o prolongamento do embate
político entre o presidente Barack Obama e seus adversários
até o ano que vem.
O governo acredita que um dos resultados desse embate será um
aperto fiscal rigoroso nos EUA, com reflexos sobre o mundo inteiro.
O Ministério da Fazenda anunciou anteontem pacote de medidas
para inibir operações cambiais de caráter especulativo
e conter a valorização do real.
O governo se preocupa com os riscos tomados por bancos e empresas que
aproveitaram o dólar barato para se endividar captando recursos
no exterior e lucrar com a especulação.
A equipe econômica acredita que o país está mais
preparado para se defender de um choque externo hoje do que na crise financeira
de 2008, e poderá recorrer aos mesmos instrumentos.
Se faltar dinheiro, o governo poderia liberar parte dos R$ 410 bilhões
em recursos dos bancos retidos pelo Banco Central. No início da
crise de 2008, o BC dispunha de R$ 240 bilhões para usar dessa maneira.
Além disso, o governo tem hoje US$ 344 bilhões em reservas
internacionais, volume de recursos 70% maior que o disponível às
vésperas da crise de três anos atrás.
O problema é que quase dois terços dessas reservas estão
aplicadas em títulos dos EUA, que podem perder valor se Obama não
chegar a um acordo com a oposição. (FLÁVIA
MARREIRO, SHEILA D'AMORIM, NATUZA NERY e EDUARDO CUCOLO, , colaborou ANA
FLOR - Folha de S.Paulo)
29.07 - Grécia: Bancos franceses aderem ao pacote grego
Os bancos e seguradoras franceses irão aderir em massa ao plano
de resgate financeiro à Grécia.
As instituições financeiras do país disseram ao
governo que estão dispostas a oferecer todos os títulos da
dívida grega que vencem até 2020 para trocas por novos papéis,
com desconto.
Pelas contas do ministro das Finanças da França, François
Baroin, essa contribuição deve somar € 15 bilhões
(R$ 33,45 bilhões). Os franceses e alemães são principais
bancos estrangeiros credores da Grécia. A maior parte da dívida
do país está nas mãos dos bancos gregos, que também
devem aderir ao pacote.
O plano de resgate da Grécia foi fechado na quinta-feira da
semana passada pelos líderes europeus. A participação
privada esperada é de € 37 bilhões, sendo que pode chegar
a € 135 bilhões, pela avaliação do presidente
francês Nicolas Sarkozy. O pacote terá empréstimos
da União Europeia e do FMI (Fundo Monetário Internacional)
de € 109 bilhões.
Baroin pediu que os 17 países da zona do euro fechem rapidamente
sua participação "para que não haja espaço
para especulação". A participação privada no
resgate à Grécia deve levar as agências de classificação
de risco a rebaixar a nota do país para calote seletivo quando o
plano for colocado em prática.
O ministro grego das Finanças, Evangelos Venizelos, disse que
o país começou as conversas com os bancos sobre os termos
do acordo. Ele informou ao Parlamento esperar que as trocas de títulos
comecem em agosto para que os vencimentos dos próximos dois meses
já estejam garantidos pelo acordo.
"Nós já começamos [as conversas] e vamos concluir
em breve porque enfrentaremos vencimentos em agosto e setembro", disse
Venizelos. (Folha de S.Paulo)
28.07 - Empresas: Maioria não adota gestão de risco
Junto a 67 empresas de diversos setores, pesquisa da KPMG aponta que
apenas 44% delas implantaram gestão de risco. Mesmo assim, entre
elas, 47% responderam que ainda há espaço para muitas melhorias,
quando indagadas sobre a eficácia de seus controles internos
Apesar desse cenário, os executivos reconhecem que esta área
é estratégica para a empresa. De acordo com o levantamento,
o item “cultura forte e sensibilização de riscos em toda
a organização” foi considerado por mais de 20% dos entrevistados
um dos pontos mais importantes para o sucesso do gerenciamento de riscos.
O segundo tema mais votado pelos executivos foi o “apoio da alta administração”,
com 17%. “Ter o patrocínio da diretoria e da presidência para
projetos voltados para a gestão de riscos é fundamental para
o sucesso da atividade. Sem esse apoio, muitos desses programas acabam
perdendo a efetividade ou simplesmente nem saem do papel”, diz o sócio
de Risk & Compliance da KPMG no Brasil, André Coutinho.
Outro ponto interessante é que as empresas ainda demonstram
forte carência por instrumentos de mensuração desses
riscos. Este ponto é possível observar tendo em vista que
34% dos executivos afirmaram que seus indicadores são pouco efetivos.
“É muito importante as empresas darem atenção nesse
caso, pois indicadores eficazes podem proporcionar informações
relevantes para a tomada de decisão dessa organizações”,
comenta o gerente de Risk & Compliance da KPMG no Brasil, Guilherme
Dultra. (Seguros-Dia-a-Dia)
28.07 - Governo fixa em até 25% IOF sobre derivativos
O Diário Oficial da União (DOU) de ontem trouxe a Medida
Provisória (MP) com uma alíquota máxima de Imposto
sobre Operações Financeiras (IOF) de 25% sobre o valor da
operação com títulos ou valores mobiliários
envolvendo contratos de derivativos.
Em outubro do ano passado, o Ministério da Fazenda anunciou
a elevação do IOF para o recolhimento de margem na BM&FBovespa,
de 0,38% para 6%.
A MP publicada ontem também contempla autorização
para o Conselho Monetário Nacional (CMN) estabelecer condições
específicas para a negociação de derivativos, como,
por exemplo, fixar limites, prazos e condições para esses
contratos.
Terça-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que
o governo não vai deixar vencer-se pela guerra cambial e mostrou-se
apreensivo com relação ao cenário financeiro global,
mas afirmou que o crescimento econômico brasileiro é sustentável.
Também na terça-feira, o dólar comercial teve
o sexto dia seguido de queda - recuou 0,38%, terminando a R$ 1,537 na venda,
menor cotação desde 15 de janeiro de 1999, quando a moeda
terminou a R$ 1,4659. (Juliana Cardoso - Valor)
28.07 - O novo e errático comportamento do mercado de capitais
O período que sucedeu a crise de 2008 pode ser dividido em duas
fases: "QE1" - primeiro "quantitative easing" (compra de títulos
e expansão do balanço do Fed), que, através de uma
forte liquidez suprida pelo Fed, conseguiu trazer estabilidade aos mercados
e gerar crescimento econômico
"QE2" - que pouco mudou a dinâmica da atividade econômica
nos Estados Unidos, alterando, no entanto, o comportamento de muitos ativos
globais de forma significativa.
Essa nova dinâmica tornou o ambiente mais desafiador tanto para
o investidor de longo prazo, que geralmente busca retornos através
de análises macroeconômicas, como para investidores de curto
prazo, que tentam explorar oportunidades através de análises
técnicas e estatísticas.
A decisão do Fed de injetar liquidez e alterar seu balanço
em 2009 foi acertada. Os mercados de capitais conseguiram fortalecer-se
de forma gradual, com queda da aversão a risco, tendências
bem definidas e melhora nos fundamentos macroeconômicos ao redor
do mundo.
Entretanto, o segundo pacote de estímulo americano (QE2) parece
ter trazido mais incertezas do que benefícios para a economia global
e, consequentemente, para a trajetória de diversos ativos. Um bom
exemplo foi o comportamento das commodities nos primeiros meses em que
o estímulo foi adotado. Esses ativos, que já estavam em tendência
de alta, começaram a subir em ritmo mais acelerado gerando alta
da inflação nos países emergentes como Brasil e China.
Contribuiu para a concretização desses riscos o fato
de os governos desses países mostraram-se mais preocupados com a
valorização de suas moedas, buscando, assim, intervir no
câmbio ao mesmo tempo em que evitavam altas maiores nas taxas de
juros. Criava-se, dessa forma, um ambiente de grande imprevisibilidade
quanto às políticas macroeconômicas e seus efeitos
no crescimento.
Associados a essas incertezas, temos a crise na dívida dos países
periféricos da Europa (e seus infinitos pacotes), receios com bolhas
no setor de crédito de países emergentes e questionamentos
em relação à recuperação da economia
americana, bem como a trajetória da dívida e corte do déficit
público. Entretanto, a liquidez abundante e o custo de oportunidade
próximo de zero nos países desenvolvidos tornam os investidores
mais propensos a assumir riscos, a despeito das incertezas mencionadas.
Uma situação de certa forma paradoxal que ilustra a dificuldade
para o investidor de longo prazo é o comportamento recente da correlação
do "treasury" de dez anos com as bolsas americanas. No ciclo atual de alta
das bolsas, verificam-se vários movimentos de queda dos juros longos
acompanhado de elevações em ativos mais de risco. Dado que
inflação nos EUA também vem subindo, esse padrão
parece ainda menos intuitivo.
Uma possível explicação para esse comportamento
errático seria que, com a abundância de liquidez, acaba sobrando
dinheiro para os dois tipos de ativos. Essa dinâmica levanta a seguinte
questão: Os juros vão começar a subir com o fim do
"QE2" ou continuarão baixos pois a economia (que já teve
sua projeção de crescimento revisado para baixo) terá
dificuldade para se recuperar de forma consistente?
Investidores que buscam explorar oportunidades de curto prazo por meio
de análise técnica e estudos estatísticos também
estão tendo que se adaptar a esse ambiente. Alguns padrões
históricos simplesmente se perderam.
A queda da volatilidade do Ibovespa é um bom retrato: esse indicador
encontra-se muito próximo da mínima histórica, o que
alguns poderiam argumentar como resultante das recentes melhorias na nota
de rating do país. Entretanto, antes do "QE1" é difícil
encontrar um momento de queda da bolsa acompanhado de redução
da volatilidade, mesmo com as contínuas melhoras nas perspectivas
para o Brasil (o Ibovespa apresenta até o dia 14 de julho queda
de 14% no ano). Intuitivamente, como a volatilidade é uma medida
de risco, num ambiente tão incerto e de queda nos preços
dos ativos, era de se esperar exatamente o oposto, ou seja, elevação
da volatilidade.
O ambiente atual é errático. A grande liquidez e as muitas
incertezas fazem com que os investidores de uma forma geral tenham que
se adaptar a essa nova realidade objetivando rentabilidade no mercado financeiro.
O investidor de longo prazo terá que ser mais seletivo nas suas
decisões de investimento e o investidor de curto prazo terá
que criar novos algoritmos que se adaptem a e esse ambiente. O papel dos
gestores nesse cenário é fundamental. (Jacob
Weintraub - Valor Online)
27.07 - Seguros: Setor vai crescer mais que a meta
O bom momento do mercado de seguros no Brasil levou a Confederação
Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida,
Saúde Suplementar e Capitalização (CNSeg) a prever
que as empresas superarão a projeção de crescimento
estipulada no início do ano, de 12%, ficando entre 14% e 16%. De
janeiro a maio de 2011, o total de prêmios chegou a R$ 41,130 bilhões,
expansão de 19,52% na comparação com o do mesmo período
de 2010, de R$ 34,413 bilhões. Na soma de previdência privada
e capitalização, o faturamento ultrapassa R$ 50 bilhões,
ou elevação de 18%, de acordo com dados da Superintendência
de seguros Privados (Susep).
O mercado de seguros cresce em ritmo acelerado e representa 5,2% do
Produto Interno Bruto (PIB). Para o segundo semestre de 2011, a Confederação
Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida,
Saúde Suplementar e Capitalização (CNSeg) prevê
que o setor ultrapasse a projeção estipulada no início
do ano, de 12%, e fique na faixa de 14% a 16%.
De janeiro a maio de 2011, o total de prêmios chegou a R$ 41,130
bilhões, expansão de 19,52% na comparação com
o do mesmo período de 2010, de R$ 34,413 bilhões. Na soma
com previdência privada e capitalização, o faturamento
ultrapassa R$ 50 bilhões, com elevação de 18%, de
acordo com dados da Superintendência de seguros Privados (Susep).
Segundo o superintendente de Regulação da CNSeg, Alexandre
Leal, o positivo desempenho dos primeiros meses de 2011 deve ser repetido.
"Para permanecer na projeção de 12% [divulgada pela CNSeg
no início do ano, tem que haver uma desaceleração.
Então, deve ficar acima dos 14% registrados em 2010".
Para Leal, o setor cresce apesar da desaceleração econômica.
Ao considerar somente seguros, o segmento Patrimonial apresentou elevação
expressiva, de 20%, com representação de 9%. O setor foi
impulsionado também por seguros de pessoas, cuja participação
é de cerca de 19%, com crescimento de 25%, para R$ 24,4 bilhões.
Em relação aos impactos da desaceleração
do consumo, com altas das taxas de juros, Leal aponta um possível
impacto em automóveis. "Com a altas taxas de juros, pode haver uma
diminuição do crédito, o que ocasiona menor venda
de automóveis, por exemplo, e se reflete em seguros. Atualmente
a participação de veículos é de 20%, com aumento
de 7% nos primeiros meses do ano."
Estabilidade econômica, ascensão da renda , eventos esportivos
e projetos de infraestrutura serão os principais impulsionadores
do mercado na opinião de Gustavo de Albuquerque, advogado e membro
da Associação Internacional de Direito de Seguros (Aida).
"Muita gente entra nos microsseguros, como o funeral, prestamista e eletrodomésticos,
pois agora entende a função do seguro. Ainda há os
produtos ligados à construção civil e seguro-garantia
com a Copa do Mundo, Olimpíadas e PAC."
O desempenho no mercado acionário das companhias Porto Seguro,
SulAmérica e Brasil Insurance tem-se mostrado instável nos
últimos dias. Na segunda-feira (25), a Porto Seguro operava em queda
de 1,46%, com preço de R$ 22,80. A baixa se repetiu na terça
(26), com queda de 0,26 e valor de fechamento de R$ 22,80.
Na SulAmérica, a segunda-feira (25) foi de queda de 0,11%, com
preço de R$ 17,90. O cenário foi diferenciado na terça
(26), quando finalizou em alta de 2,23% e preço de fechamento de
R$ 18,30. As ações ON da Brasil Insurance estavam em queda
na segunda (25), de 0,50%, com preço de R$ 19,90 ao final do dia.
O resultado negativo se repetiu na terça (26), de 0,25%, com preço
de R$ 19,85.
Mas o analista econômico da corretora WinTrade, José Góes,
credita as quedas à performance do mercado. "Tem estado muito ruim
e é natural que afete todas as empresas. Mas o setor de seguros
é interessante, porque estas companhias tendem a ganhar mais dinheiro."
A Ibovespa fechou terça feira em queda de 1,05%, com 59.339 pontos.
Atuação no Brasil
Os grupos nacionais focam no Brasil como principal mercado de expansão.
Na divulgação de resultados do primeiro semestre, a espanhola
Mapfre destacou o Brasil com o início de operações
com o Banco do Brasil, que gerou aumento de 15% do patrimônio líquido
do conglomerado. O lucro chegou a 543,2 milhões de euros, puxado
pela América Latina.
"Ao longo dos anos, uma série de empresas chegou e fomos tomando
uma relevância expressiva. Esta é uma tendência que
deve se consolidar nos próximos anos, inclusive observamos que companhias
voltaram depóis de terem saído do Brasil", disse Alexandre
Leal, da CNSeg.
Outra novidade do mercado foi a venda das operações de
seguros na América Latina pelo holandês ING a o grupo colombiano
Suramericana por US$ 3,9 bilhões.
Em consequência da crise de 2008, a empresa também leiloa
36% de sua participação na Sul América, que deve ser
fechada com o grupo francês AXA.
Nesta semana, o Banco do Brasil também oficializou a compra
da fatia da SulAmérica na BrasilCap por R$ 137 milhões, o
que oficializa o fim da parceria. O acordo já tinha sido finalizado
nos ramos de vida e automóveis. (Marcelle Gutierrez
- DCI)
27.07 - Investimento estrangeiro bate recorde
Entrada de recursos voltados para a produção chega a
US$ 32,5 bi e cobre o rombo, também recorde, das contas externas,
de US$ 25,5 bi
A entrada de investimentos estrangeiros diretos - voltados para o setor
produtivo - atingiu no primeiro semestre a marca recorde de US$ 32,5 bilhões,
a mais alta desde o início da série histórica do Banco
Central (BC), em 1947. Em seis meses, a entrada de recursos superou o volume
de ingressos anuais de toda a série, com exceção de
quatro anos, e cobriu, com folga, o déficit das contas externas
brasileiras.
O saldo negativo de US$ 25,5 bilhões nas contas externas, impulsionado
por gastos sem precedentes com viagens internacionais e aluguel de equipamentos,
também foi recorde na primeira metade do ano.
No período acumulado em 12 meses, os investimentos diretos também
superaram, com larga vantagem, o saldo negativo da chamada conta corrente,
que registra as transações comerciais, de serviços
e transferências de renda do País com o exterior. Para o BC,
isso indica a boa saúde das contas externas.
Enquanto os investimentos direcionados ao setor produtivo estão
em forte crescimento, os ingressos de recursos para aplicações
em títulos de renda fixa e ações estão em baixa.
A entrada de investimentos estrangeiros estritamente financeiros somou
US$ 11,6 bilhões, quase a metade do observado no primeiro semestre
de 2010.
O BC voltou a negar irregularidades no ingresso de investimentos diretos
(IED), apesar das suspeitas do mercado financeiro, do Fundo Monetário
Internacional (FMI) e do próprio governo federal. A desconfiança
é que a rubrica estaria sendo usada para os investidores driblarem
a taxação mais alta do Imposto sobre Operações
Financeiras (IOF).
"Prefiro atribuir o ingresso de IED, que está dentro da trajetória
prevista, às condições da economia brasileira", disse
o chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel. Ele
destacou que as estatísticas mostram que tem havido operações
muito vultosas que permitem ao BC acompanhar se o registro está
sendo feito corretamente.
Mês a mês, os ingressos de IED têm surpreendido.
A previsão inicial do BC era de US$ 4,5 bilhões em junho.
O resultado ficou quase US$ 1 bilhão acima da previsão. Maciel
disse que houve uma concentração de investimentos na última
semana de junho, disseminada entre diversos setores. A projeção
de saldo para os investimentos estrangeiros diretos no ano é de
US$ 55 bilhões, o que pressupõe uma média mensal de
ingressos de US$ 4 bilhões no segundo semestre, número que
o BC espera que já ocorra em julho.
Para o ex-diretor do Banco Central Carlos Thadeu de Freitas, o investimento
direto deve continuar alto, porque a taxa de retorno ao investidor é
muito elevada no Brasil em comparação a outros países.
"O cenário continuará favorável para investimentos",
disse, destacando as boas oportunidades em investimentos em infraestrutura.
(Fabio Graner e Adriana Fernandes - O Estado de S.Paulo)
27.07 - Mantega: Brasil é um dos mais preparados
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o Brasil é
um dos países mais preparados para enfrentar os problemas mundiais
por causa da solidez da economia e do forte mercado doméstico. “O
que falta no mundo é mercado. O Brasil tem grande vantagem porque
construiu o mercado interno”, afirmou.
Segundo Mantega, a demanda interna estimula a economia brasileira e
os investimentos. “Vamos garantir esta demanda para manter a economia ativada.
Esta demanda vem da ascensão social”, disse o ministro, acrescento
que a demanda no País é constituída por emprego e
renda.
O ministro lembrou que o governo trabalhou no sentido de moderar a
economia. “Crescemos 7,5% no ano passado e estamos reduzindo a demanda
e o crescimento do crédito. No primeiro trimestre, já vimos
este resultado e, no segundo trimestre, o crescimento será menor
que isso”, afirmou. O ministro disse que a economia já cresce num
patamar de 4,5%. “A economia não está superaquecida. Portanto,
é um crescimento sustentável”, afirmou.
“Reduzindo gastos públicos, não derrubamos o crescimento
do emprego. Está é uma conquista da sociedade. O Brasil é
um dos países do mundo que mais gera emprego e não vamos
deixar escapar esta conquista”, disse. (Renata Veríssimo e
Eduardo Rodrigues - Jornal da Tarde)
26.07 - Falha em prever crises expõe agências de risco
Quão arriscado é investir em determinada empresa ou país?
O papel das agências de classificação de risco é
fornecer resposta à essa pergunta.
Fazem isso por notas dadas aos títulos de dívida emitidos.
São os chamados "ratings". As notas piores são as que confirmam
que uma empresa ou país deu calote.
As melhores são as chamadas grau de investimento, que apontam
um risco muito baixo de "default". Mas mesmo nessas categorias existem
gradações.
O Brasil recebeu em anos recentes o grau de investimento das três
principais agências: Fitch, Moody's e Standard & Poor's. Mas
em nenhum dos casos tem a nota mais alta possível.
Há algumas décadas, as agências de classificação
de risco são alvo de uma saraivada de críticas. O motivo
geralmente é agir tarde demais. Às vezes sobem a nota do
país ou da empresa quando já é notório que
as condições financeiras melhoraram significativamente.
E pior: com alguma frequência só apontam problemas quando
o furacão já passou.
Foi assim na crise da Ásia em 1997, quando nenhuma agência
deu sinal de que problemas econômicos significativos poderiam estourar.
Enredo idêntico ao da crise financeira de 2008, quando a enorme encrenca
dos títulos que refletem o perigo de calotes nas hipotecas imobiliárias
passou despercebida.
Um detalhe sobre a atuação das agências é
que elas são pagas pelos próprios emissores de títulos
que querem e precisam ser avaliados. Precisam porque a chancela das agências
é importante para atrair investimentos. Há grandes fundos
de pensão que só podem colocar dinheiro em títulos
que sejam grau de investimento. A ironia do momento atual é que
as agências -ainda que tardiamente- estão colocando o dedo
nas feridas das nações desenvolvidas e sofrendo alguma resistência
dos governos desses países.
Foi o caso de Portugal quando a Moody's rebaixou a nota dos títulos
da dívida pública do país para nível que indica
risco de calote, no início de julho.
O presidente da Comissão Europeia, o português José
Manuel Barroso, afirmou que a entidade tinha avaliações mais
"refinadas e completas" que as da agência.
Agora, assim que as agências começaram a anunciar o previsto,
que a Grécia vai ganhar o selo de calote, os europeus reagiram dizendo
ter planos para criar sua própria entidade de classificação.
A verdade é que, desde a crise financeira de 2008, há
discussões entre as maiores economias do mundo sobre métodos
alternativos aos "ratings" das agências, mas as discussões
ainda patinam. Mais urgente que isso é consertar as finanças
públicas dos países desenvolvidos. (ÉRICA FRAGA
- Folha de S.Paulo)
26.07 - O futuro do crescimento econômico
Talvez pela primeira vez na história moderna, o futuro da economia
mundial está nas mãos dos países pobres. Os Estados
Unidos e a Europa marcham como gigantes feridos, vítimas dos seus
excessos financeiros e paralisia política. Parecem condenados, por
seu pesado endividamento, a anos de estagnação ou crescimento
lento, ampliando a desigualdade e possíveis conflitos sociais.
Grande parte do resto do mundo, entretanto, está carregado de
energia e esperança. Autoridades governamentais na China, Brasil,
Índia e Turquia estão preocupados com crescimento excessivo,
e não com pouco crescimento. Sob determinados parâmetros,
a China já é a maior economia no mundo e os mercados emergentes
e os países em desenvolvimento respondem por mais de metade da produção
mundial. A empresa de consultoria McKinsey qualificou a África,
há muito tempo sinônimo de fracasso econômico, de terra
dos "leões em movimento".
Como acontece frequentemente, a ficção reflete melhor
a mudança de clima. "Super Sad True Love Story" (Verdadeiro Caso
de Amor Supertriste), romance em quadrinhos do russo Gary Shteyngart, é
um guia tão bom quanto qualquer outro para o que pode nos esperar.
Situado num futuro próximo, a história se desenrola contra
o pano de fundo de um EUA financeiramente arruinado sob uma ditadura de
partido único e envolvido em mais uma inútil aventura militar
no exterior - dessa vez na Venezuela. Todo o trabalho real nas empresas
é feito por imigrantes qualificados; faculdades da Ivy League adotaram
os nomes de suas homólogas na Ásia a fim de sobreviver; a
economia está endividada junto ao banco central da China e "dólares
ancorados ao yuan" substituíram a moeda tradicional como ativo seguro
preferido.
Mas serão os países em desenvolvimento realmente capazes
de puxar a economia mundial? Grande parte do otimismo sobre suas perspectivas
econômicas é resultado da extrapolação. A década
anterior à crise financeira mundial foi, sob muitos aspectos, a
melhor de todos os tempos para os emergentes. O crescimento disseminou-se
para muito além de um pequeno número de países asiáticos
e, pela primeira vez desde a década de 1950, a grande maioria dos
países pobres experimentou o que os economistas chamam de convergência
- um estreitamento do diferencial de renda em relação aos
países ricos.
Crescimento baseado em afluxos de capital ou booms de commodities tendem
a ser de curta duração. Crescimento sustentado requer a elaboração
de incentivos para encorajar investimentos do setor privado em novos setores,
e fazê-lo com um mínimo de corrupção.
Esse, no entanto, foi um período peculiar, caracterizado por
muito vento de cauda econômico. Os preços das commodities
estavam elevados, o que beneficiou países africanos e latino-americanos
em especial, e o financiamento externo foi abundante e barato. Além
disso, muitos países africanos bateram no fundo do poço e
recuperam-se de longos períodos de guerra civil e declínio
econômico. E, como sabemos, o rápido crescimento nos países
avançados alimentou, de modo geral, um aumento no volume do comércio
mundial até níveis recordes.
Em princípio, um baixo crescimento pós-crise nos países
avançados não bloqueará, necessariamente, o desempenho
econômico dos países pobres. Em última instância,
o crescimento depende de fatores do lado da oferta - investimento e aquisição
de novas tecnologias - e do estoque de tecnologias que podem ser adotadas
pelos países pobres e que não desaparece quando o crescimento
dos países avançados fica lento. Assim, o potencial de crescimento
dos países atrasados é determinado por sua capacidade de
eliminar o atraso em relação à fronteira tecnológica
- e não pela velocidade com que a própria fronteira está
avançando.
A má notícia é que ainda não temos uma
compreensão adequada sobre quando esse potencial de convergência
é concretizado ou sobre o tipo de políticas que gerem crescimento
autossustentado. Mesmo casos de inquestionável êxito têm
sido objeto de interpretações conflitantes. Alguns estudiosos
atribuem o milagre econômico da Ásia a mercados mais livres,
ao passo que outros acreditam que intervenção estatal foi
o fator decisivo. E a aceleração excessiva de crescimento,
após algum tempo, perdeu impulso.
Os otimistas estão confiantes em que dessa vez será diferente.
Eles acreditam que as reformas da década de 1990 - melhor política
macroeconômica, maior abertura e mais democracia - colocaram o mundo
em desenvolvimento em curso de crescimento sustentado. Recente relatório
do Citigroup, por exemplo, prevê que o crescimento será fácil
para países pobres com populações jovens.
Minha leitura das evidências é mais cautelosa. É
certamente motivo para comemoração que as políticas
inflacionárias tenham sido extirpadas e a governança melhorou
em grande parte do mundo em desenvolvimento. De modo geral, essas mudanças
melhoram a resistência da economia a choques e evitam colapsos econômicos.
Mas desencadear e sustentar crescimento rápido exige algo mais:
políticas orientadas para a produção que estimulem
mudanças estruturais em curso e fomentem emprego em novas atividades
econômicas. Crescimento baseado em afluxos de capital ou booms de
commodities tendem a ser de curta duração. Crescimento sustentado
requer a elaboração de incentivos para encorajar investimentos
do setor privado em novos setores - e fazê-lo com um mínimo
de corrupção e competência adequada.
Se a história pode nos servir de guia, o leque de países
que capazes desse feito continuará estreito. Assim, embora possa
haver menos colapsos econômicos devido a melhor gestão macroeconômica,
crescimento elevado provavelmente permanecerá episódico e
excepcional. Em média, o desempenho pode ser um pouco melhor do
que no passado, mas nem de longe tão espetacular como esperam os
otimistas.
A grande questão para a economia mundial é se os países
avançados atolados em dificuldades econômicas serão
capazes de abrir espaço para o rápido crescimento dos países
em desenvolvimento cujo desempenho dependerá em larga medida de
sua incursão em setores industriais e de serviços onde os
países ricos têm sido tradicionalmente dominantes. As consequências
para o nível de emprego nos países avançados seriam
problemáticas, especialmente tendo em conta a escassez de empregos
com altos salários. Consideráveis conflitos sociais poderão
tornar-se inevitáveis, colocando em risco o apoio político
a aberturas econômicas.
Em última instância, parece inevitável uma convergência
maior na economia mundial pós-crise. Mas uma grande reversão
na sorte dos países ricos e pobres não parece economicamente
provável nem politicamente viável. (Dani Rodrik
- Valor Online)
26.07 - A referência do mercado brasileiro: Ibovespa ou 'Ibovestatal'?
Sempre ouvi dizer que os detalhes são o mais importante. Que
eles definem o todo e que podem comprometer um grande projeto. Fico me
perguntando, assim como a maioria dos investidores, o motivo pelo qual
o Ibovespa apresenta a segunda pior rentabilidade entre as bolsas do mundo
capitalista.
Desde o inicio do ano até a primeira semana de julho, nosso
Ibovespa apresentou variação negativa de 10,24%, sendo melhor
apenas do que a bolsa grega, com queda de 10,60%. A indiana caiu 6,86%,
a chinesa, 2,19%, e a russa, única representante do Bric no azul,
subiu 1,38%.
Será que nós, brasileiros, estamos só um pouquinho
melhores dos que os gregos? Nossa economia está só um pouquinho
melhor que a deles? Nossa dívida externa é impagável
como a deles? Claro que não. Então, por que estamos só
um pouco melhores do que eles em termos de desempenho das ações
negociadas em bolsa de valores?
E quem disse que a bolsa de valores brasileira está ruim? O
Ibovespa disse. E o que dizem outros índices compostos por empresas
cujas ações são negociadas na Bovespa, mas que são
pouco divulgados?
Vamos a alguns deles e suas variações no primeiro semestre:
IBrA (ações mais negociadas nos últimos 12 meses),
queda de 6,18%
IMOB (setor imobiliário), queda de 13,93%
INDX (setor industrial), queda de 10,66%
ICON (consumo), queda de 3,77%
IEE (energia elétrica), alta de 10,39%
ITEL (telecomunicações), alta de 22,81%;
UTIL (utilidade publica), alta de 12,20%
IDIV (dividendos, que reúne ações com os maiores
"yields" nos últimos dois anos), alta de 2,71%
É uma variedade de índices, sendo que alguns deles em
desacordo com o título que recebem. O IDIV, por exemplo, possui
em sua composição ações de empresas com maior
peso que outras, apesar de um "dividend yield" bem menor. É o caso
de Ambev, CCR e Natura com mais peso que Eletropaulo, Tietê e Transmissão
Paulista. Isso apenas por terem mais liquidez que as outras. Mas é
o critério, e não se discute.
Há também o UTIL, formado por ações de
empresas de utilidade pública com alto "dividend yield". Esse sim
deveria ser o IDIV. Pelo menos é composto por ações
com os maiores "yields" da Bovespa.
E o Ibovespa propriamente dito? O que diz o próprio site da
Bovespa? "O Ibovespa é o mais importante indicador do desempenho
médio das cotações do mercado de ações
brasileiro". Mais: "A finalidade básica do Ibovespa é a de
servir como indicador médio do comportamento do mercado".
Concordo que não devemos usar outros índices apenas porque
estão com rentabilidades superiores. Acho correto usar o Ibovespa,
que engloba um grande numero de empresas. Mas será que o critério
é o melhor? Será que deveríamos privilegiar determinadas
ações por possuírem mais liquidez? A quem pretendemos
informar quando o Ibovespa é divulgado?
Será que, no fim das contas, não acabamos influenciando
negativamente o público quando mostramos o principal indicador bursátil
caindo mais que 10%? Essa é a realidade do mercado de ações
brasileiro? Mais de 30% do Ibovespa é formado por empresas cujas
decisões administrativas e estratégicas são emanadas
diretamente de Brasília. Ilustres e imortais políticos têm
o poder de influenciar o índice com suas sábias e imparciais
decisões.
E se adicionarmos nessa parcela as empresas do setor financeiro, esse
peso passa a mais de 48% na composição do Ibovespa. Qual
não deve ser o sofrimento do gestor que não concorda com
a gestão pública e não investe no setor financeiro,
mas precisa do Ibovespa como referencial. E não pretendo entrar
na área de influência do BNDESPAR e até onde conseguem
ir seus tentáculos.
Sei que não conseguiremos viver numa ilha da fantasia, isolados
dos acontecimentos, mesmo que nossa economia esteja em melhores condições
que a maioria dos países industrializados. Entretanto, é
importante mostrar o desempenho de outras empresas e não apenas
as de gestões públicas, que são, de maneira geral,
repudiadas pelos investidores.
Basta tomarmos os exemplos mais recente de Petrobras e Vale, que, apesar
de mostrarem os maiores lucros de suas histórias, vêm se desvalorizando
dia após dia.
Para o bem do crescimento da base de investidores, devemos divulgar,
ao lado do "Ibovestatal", o IDIV, o IEE, o UTIL, o ITEL, em que a gestão,
a transparência e os dividendos poderão atrair mais adeptos
do que simples aliados da base governamental. (Fernando Leitão
- Valor Online)
25.07 - Private equity: Captação e investimento recordes
no país
O mercado brasileiro de fundos de "private equity" - que compram participações
em empresas de capital fechado - virou um jogo para gente cada vez maior.
Em um espaço de pouco menos de um mês, duas das principais
gestoras nacionais, Vinci Partners e BTG Pactual, fecharam captações
dos dois maiores fundos já destinados ao país, de US$ 1,4
bilhão e US$ 1,6 bilhão, respectivamente. O recorde pode
ser batido novamente pela gestora Gávea, que também está
para concluir uma captação bilionária. Estima-se que
atualmente existam outros US$ 9 bilhões em fase de captação.
Não só a captação neste ano deverá
ser recorde, como também o volume efetivamente investido na compra
de participação em empresas por fundos nacionais e estrangeiros.
Especialistas estimam que a cifra chegue ao patamar de US$ 10 bilhões,
superando em quase 60% os US$ 6,3 bilhões aplicados no ano passado.
Com isso, os fundos de private equity já rivalizam com as ofertas
de ações como fonte de recursos para as empresas. No ano
passado, as ofertas primárias de ações, que representam
dinheiro no caixa das companhias, totalizaram R$ 10 bilhões. Vale
lembrar que muitas vezes os private equity entram comprando fatias de outros
acionistas e não injetando dinheiro novo nas empresas.
No primeiro semestre, no entanto, as aquisições ficaram
aquém do esperado, período em que vários fundos se
posicionaram na ponta vendedora, mas a estimativa de US$ 10 bilhões
se mantém nos cálculos de agentes da indústria.
Ainda que de forma mais seletiva, os pesos-pesados do setor aproveitaram
os cofres cheios e partiram para o ataque. A Advent, que no ano passado
levantou US$ 1,65 bilhão para investir na América Latina,
adquiriu 50% do Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP)
por R$ 835 milhões. O primeiro negócio do fundo de US$ 1,7
bilhão da argentina Southern Cross também foi no Brasil,
com a aquisição da fabricante gaúcha de utensílios
de cozinha Brinox.
Conhecido por adotar uma postura mais ativa, logo após captar
seu primeiro fundo, o BTG Pactual não perdeu tempo e entrou nas
negociações - por ora frustradas - para a criação
do Novo Pão de Açúcar, que reuniria os ativos da rede
de supermercados comandada por Abílio Diniz com os do Carrefour.
O fundo, porém, já conta com outras duas empresas: a Brasbunker,
que atua na prestação de serviços para a indústria
de petróleo, e a rede de drogarias Brazil Pharma.
A lista de gestores com fundos bilionários na praça inclui
ainda a Vinci Partners, do ex-Pactual Gilberto Sayão, que já
alocou uma parte dos US$ 1,4 bilhão obtido dos investidores na masterfranqueada
da rede de fast food Burger King no Brasil e na empresa de locação
de veículos Unidas (ao lado da Kinea, do Itaú, e da Gávea).
Com a maior competitividade em torno dos projetos, o aumento no tamanho
dos fundos é uma tendência para o setor, segundo o superintendente
executivo de private equity do Banco Santander, Geoffrey Cleaver. "Os cheques
têm ficado cada vez maiores para compensar a rentabilidade mais apertada
dos projetos", diz. O investimento médio dos fundos com foco em
infraestrutura, que girava em torno de R$ 50 milhões, subiu para
R$ 200 milhões, o que eleva o patrimônio necessário
desses fundo para a casa de R$ 2 bilhões, afirma o executivo.
Além das gestoras tradicionais, os investimentos no País
devem ser reforçados ainda pelos chamados fundos "fly-in", de empresas
estrangeiras que não possuem escritórios nem portfólios
dedicados exclusivamente ao país. Em 2010, eles responderam por
mais de um terço dos negócios dos private equity.
O crescente interesse em ativos brasileiros coincide com a demanda
das empresas em angariar recursos para financiar seus planos de expansão,
o que cria condições ideais para o volume de investimentos
aumentar ainda mais, avalia Alexandre Pierantoni, sócio da PwC Brasil.
A empresa de auditoria e consultoria estima que 43% dos negócios
de fusões e aquisições anunciados no país neste
ano até junho tenham participação de private equity.
Em 2006 essa participação era de 11%.
"Todos os grandes gestores internacionais possuem ou planejam ter presença
no Brasil", diz Pierantoni. Não por acaso, importantes negócios
do ano passado envolveram a compra de participações em gestoras
nacionais, incluindo a entrada da Blackstone no capital do Pátria
Investimentos e a aquisição do controle da Gávea pela
Highbridge, braço de investimentos alternativos do J.P. Morgan.
Apesar do apetite por aquisições e dos recursos disponíveis,
os negócios ainda estão aquém do potencial. De um
modo geral, o número de operações de fusões
e aquisições recuou 9% no primeiro semestre deste ano, segundo
levantamento da PwC. No período, as gestoras de private equity apareceram
com destaque na venda de participações, especialmente em
ofertas públicas iniciais (IPO, na sigla em inglês).
O ritmo mais lento é resultado de uma maior seletividade dos
gestores, segundo Leonardo Ribeiro, sócio da gestora Ocroma. "Em
busca de condições mais favoráveis para o fundo, as
negociações acabam levando um tempo maior para ser concluídas",
afirma. A chegada dos grandes fundos aumentou ainda a concorrência
por potenciais ativos, algo relativamente novo no mercado brasileiro.
(Vinícius Pinheiro - Valor Online)
25.07 - Fundo de dividendos: variável com menos riscos
Concentrado em setores mais consolidados, investimento acumula rentabilidade
de 10,03% nos últimos 12 meses
Em um cenário de instabilidade no mercado de ações,
os fundos de dividendos vêm aos poucos atraindo a atenção
do investidor que não abre mão da renda variável,
mas que tem perfil mais conservador e é avesso a grandes riscos.
Com aplicação em papéis de setores mais consolidados,
esses produtos captaram R$269 milhões no ano até o último
dia 19, no terceiro melhor resultado para o período entre os fundos
de ações acompanhados pela Associação Brasileira
das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Nos últimos
12 meses, esses fundos acumulam uma rentabilidade de 10,03%, contra rendimento
negativo de 7,3% dos fundos indexados ao Índice Bovespa.
Para o superintendente nacional de Gestão de Ativos da Caixa,
Marcelo de Jesus, os fundos de dividendos são uma opção
para quem quer investir em renda variável e, ao mesmo tempo, evitar
as grandes flutuações do mercado de ações.
Isso porque concentram suas carteiras em setores mais consolidados, como
telecomunicações, bancos e energia - que pagam dividendos
maiores e são menos sensíveis às flutuações
da bolsa. Essas empresas também apresentam uma resistência
maior aos períodos de inflação em alta, porque têm
seus custos corrigidos, justamente, por índices de preços.
O superintendente executivo de Fundos de Investimento do Santander,
Eduardo Castro, dá outra razão para o maior interesse neste
segundo semestre: as incertezas no cenário internacional. Ele cita
a indefinição sobre o teto da dívida nos Estados Unidos,
a crise dos países periféricos da Europa (apesar do recente
pacote de ajuda financeira à Grécia) e ainda as dúvidas
sobre a capacidade de crescimento da China:
- Neste ambiente de incertezas, esse tipo de investimento vai ter uma
performance melhor que as demais opções da renda variável,
porque está ligado a empresas que têm resultados menos elásticos.
É uma opção mais defensiva - diz Castro.
No Banco do Brasil - que administra o maior fundo de dividendos do
país, com patrimônio líquido de R$815 milhões
-, a aplicação foi a menos impactada pela fuga de investidores
entre as opções de renda variável no primeiro semestre.
Segundo Jorge Ricca, gerente executivo de Fundos de Ações,
isso se deve principalmente ao bom desempenho que o fundo teve se comparado
ao resultado do índice Bovespa.
- Nos últimos 24 meses nosso fundo de dividendos teve uma rentabilidade
de 34,35%, contra um desempenho de 21,25% da Bovespa - afirma.
O investidor pode ter acesso a esses fundos com investimentos a partir
de R$200 e taxas de administração que variam de 1,5% a 4%
ao ano. Em geral, esses fundos reaplicam os dividendos recebidos na própria
carteira, o que faz com que esse rendimento seja tributado em 15% pelo
Imposto de Renda.
Rendimento deste segmento é livre de impostos
Existem, porém, opções no mercado que já
permitem que o investidor receba os dividendos separadamente. Esse rendimento
é pago diretamente na conta corrente do investidor e é livre
de impostos, uma vez que já foi tributado quando foi distribuído
pelas empresas.
- A pessoa que investe nesse tipo de produto está mais interessada
na renda que vai receber mensalmente do que no valor das cotas - diz Osvaldo
do Nascimento, diretor de Investimentos e Previdência Pessoa Física
do Itaú, que lançou há menos de um ano dois fundos
que distribuem dividendos separadamente aos cotistas.
Segundo Nascimento, o produto funciona como o investimento em imóveis
para aluguel, uma vez que paga um rendimento periódico sobre um
valor de patrimônio que pode variar ao longo do tempo. A vantagem,
no caso desses fundos, é que o rendimento já vem livre de
impostos enquanto o ganho com aluguel é tributado pelo Imposto de
Renda. No Itaú, as opções Personalité Renda
Dividendos e Private Renda Dividendos permitem aplicações
a partir de R$2 mil e cobram taxa de administração de 4%
ao ano.
Porta de entrada para renda variável
No ano até o dia 19, os fundos de dividendos acumulam rentabilidade
negativa de 2,35%, segundo a Anbima. Apesar de negativo, o resultado é
o segundo melhor da categoria de ações, atrás somente
dos fundos fechados de ações, que renderam 0,85%, e está
significativamente melhor que a rentabilidade negativa de 15,09% registrada
pelos fundos indexados ao Ibovespa. Castro, do Santander, frisa que, apesar
de os fundos de dividendos terem um desempenho melhor que a média
em tempos de Bolsa em queda, essas aplicações tendem a render
abaixo da média em momentos de mercado em alta. Exatamente por causa
da maior estabilidade no desempenho das empresas.
- Esse fundo pode ser encarado como porta de entrada para o investidor
que está migrando para a renda variável. Ou como um fundo
de renda variável mais conservador, que vai ter um desempenho melhor
em tempos de baixa - afirma.
O sócio-diretor da consultoria TGX Capital Rodrigo Lara diz
que a maior distribuição de dividendos é uma garantia
de que o ganho da empresa será apropriado pelo acionista ou cotista
do fundo de dividendos. (Paulo Justus - O Globo)
25.07 - Nova alta dos juros aumenta vantagens da renda fixa
Banco Central, porém, deverá parar de elevar a taxa básica
de juros da economia, advertem especialistas
No país dos maiores juros do planeta, as aplicações
em renda fixa viram o "caminho natural" em época de aumento de juros,
principalmente para aqueles que preferem manter distância das ações.
O Banco Central voltou a elevar a taxa de juros na semana passada,
desta vez para 12,5% ao ano. Depois de cinco altas consecutivas, porém,
o BC indicou que pode ter encerrado o ciclo de alta dos juros, segundo
analistas.
"O primeiro semestre foi desfavorável para a renda variável.
E vai continuar assim enquanto o cenário externo continuar confuso",
diz Demósthenes Pinho Neto, diretor da área de fundos da
Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados
Financeiro e de Capitais).
Essa facilidade, no entanto, não isenta o investidor de algumas
escolhas e cuidados: altas taxas de administração, as mordidas
do Imposto de Renda, os prazos da aplicação e a opção
entre produtos prefixados ou pós-fixados podem comprometer os ganhos.
Para saber em qual dos dois aplicar, é bom analisar a perspectiva
para os juros nos próximos meses. Se for de queda, o ideal é
o prefixado, que aproveita a alta do momento. Em caso de alta, o pós-fixado
é a melhor opção.
"Os melhores investimentos nesses períodos são aqueles
indexados aos juros pós-fixados e os fundos de renda fixa com papéis
ajustados de acordo com o aumento das taxas", afirma Gilberto Braga, professor
do Ibmec-RJ.
É o caso de alguns títulos pós-fixados do Tesouro,
como as LFTs, atreladas à trajetória da taxa Selic. Quanto
mais a taxa sobe, mais os investidores ganham. Outros exemplos são
os fundos DI e os CDBs (Certificado de Depósito Bancário)
pós-fixados.
CUSTOS
Cada uma dessas aplicações tem vantagens e desvantagens.
Os fundos DI são produtos de "prateleira" dos bancos, mas arcam
com taxas de administração inversamente proporcionais à
aplicação mínima. Quanto menores, maiores os custos
""em média, 1,24%, diz a Anbima.
Também têm o chamado "come-cotas", a cobrança semestral
do IR, que, com as taxas de administração, reduz os ganhos.
Os CDBs também são práticos, com a vantagem de
o IR ser cobrado só no resgate.
Já os títulos do Tesouro Direto, dependendo da corretora,
podem oferecer custos bem menores, mesmo para aplicações
de baixo valor.
E o IR, em boa parte dos casos, também é cobrado somente
no resgate. Em compensação, o investidor terá de arcar
com a burocracia para se inscrever no Tesouro Direto, além de ficar
responsável pela escolha dos papéis.
Todas as aplicações de renda fixa pagam Imposto de Renda
de acordo com uma tabela regressiva, que estabelece que a menor alíquota
(15%) vigora para investimentos de, no mínimo, dois anos.
(EPAMINONDAS NETO e GIULIANA VALLONE - Folha de S.Paulo)
22.07 - A bonança do mercado de private equity e a pessoa física
O mercado brasileiro de private equity está bem aquecido. Em
2010, foram realizadas 80 transações por cerca de 50 gestoras
diferentes. O valor total investido foi de US$ 6 bilhões, um recorde
histórico para o setor.
Desde 2004, é a primeira vez que o volume investido em private
equity supera o valor levantado por ofertas públicas iniciais (IPOs,
na sigla em inglês) na bolsa de valores. A expectativa é que,
em 2011, o volume investido possa atingir US$ 10 bilhões e permanecer
nesse patamar até 2013.
É possível notar o interesse dos investidores estrangeiros
em fundos e operações de private equity na região.
O Brasil passou a ser o destino mais procurado entre os países emergentes
e já representa 1/5 do mercado de private equity desses países.
Esse número era metade em 2009.
Com a chegada dos fundos de fundos de private equity no Brasil, algo
ainda novo, os investidores pessoas física e "family offices" -
de alta renda - poderão também entrar nesse mercado. Um fundo
de fundos aplica em diversos fundos de private equity e realiza coinvestimentos
em empresas junto com gestores selecionados.
No mundo, mais de 22% dos recursos investidos em private equity passam
por fundos de fundos. Esse instrumento permite a diversificação
da carteira de investimentos com "tickets" de entrada muito mais acessíveis.
Fundos de fundos são especialmente úteis para se acessar
o segmento de "growth capital" e "mid-market buyout", no qual atuam gestoras
independentes especializadas e de tamanho menor, muitas vezes com nomes
pouco conhecidos dos investidores. A grande tendência no Brasil é
que a maioria das transações, principalmente aquelas com
preços de entrada mais atrativos, aconteçam nesses segmentos.
Companhias de menor porte, mas com crescimento projetado que permita
sua venda ou mesmo entrada em bolsa de valores em prazo de cinco anos,
são excelentes oportunidades e continuam sendo negociadas de quatro
a seis vezes o Ebitda, o que muitas vezes se reflete em um preço
bastante atrativo de entrada. Além disso, essas empresas se beneficiam
muito do apoio estratégico-operacional que os melhores fundos de
private equity conseguem aportar às empresas.
Com esse segmento do mercado mais aquecido, mais empresários
e empreendedores buscarão capitalizar suas empresas e projetos por
meio de private equity. Nos segmentos de "growth capital" e "buyout" pode
se observar empresas de médio e grande porte, muitas vezes familiares,
buscando recursos para adquirir concorrentes, colocar em prática
seus planos de crescimento ou mesmo facilitar processos sucessórios
e de profissionalização.
Muitos entraves para o desenvolvimento do private equity foram superados
como, por exemplo, a falta de estruturas jurídicas adequadas para
regular os fundos de private equity, a dificuldade de desinvestimento,
instabilidade econômica, entre outros.
Atualmente, a CVM criou instrumentos modernos para private equity (FIP,
FIC-FIP e FMIEE) dando mais segurança ao investidor, a bolsa restaurou
o apetite por IPOs e há mais estabilidade tornando mais atrativos
investimentos de longo prazo. Sem falar nos excelentes retornos que os
fundos têm alcançado. Investimentos como Gafisa, ALL, Gol,
Odontoprev e outros retornaram de cinco a 30 vezes mais o capital investido.
São Paulo e Rio de Janeiro ainda são os estados que mais
atraem capital. Em 2009, os dois estados representavam 80% do volume investido
em PE, em 2010 esse percentual passou para 89%. Outras regiões como
Minas Gerais e Rio Grande do Sul começam a ganhar espaço.
Nesses Estados, é possível encontrar um grande número
de empresas de médio porte atrativas, que poderiam ser alvo dos
investimentos de "growth capital" e "mid-market buyout".
Esse "gap" já começa a ser coberto. Em Minas, os investimentos
cresceram 48%, para US$ 272 milhões no ano passado, e o número
de transações aumentou 167%, para oito. Já no rio
Grande do Sul, o aumento dos investimentos foi de 550%, para US$ 105 milhões
e as transações registraram elevação de 25%,
para um total de cinco operações.
O mercado de private equity vem mantendo um desempenho extraordinário
desde 2004, ano em que os desinvestimentos foram facilitados pelo aquecimento
de capital e os diversos IPOs decorrentes disso. Durante os últimos
cinco anos o mercado de private equity tem crescido 46% ao ano. A crise
não diminuiu as atividades de investimento nem as captações,
principalmente nos fundos de pensão. Essa é uma tendência
que deve permanecer por um bom tempo. (Leonardo Ribeiro - Valor Online)
22.07 - Pontos-chave para salvar a Grécia e a Zona do Euro
O acordo que os líderes da zona do euro alcançaram nesta
quinta-feira para ajudar a Grécia e garantir a sobrevivência
da moeda única implica em várias medidas, na maioria das
vezes muito técnicas, que vão desde a redução
da dívida até a adoção de novas ferramentas
do Fundo de ajuda da União Monetária.
Os principais pontos do projeto de acordo são:
CONDIÇÕES DE EMPRÉSTIMOS SUAVIZADAS:
A zona do euro aumentará dos atuais 7 anos e meio para no mínimo
15 anos, podendo chegar a 30 anos, com um "período de carência
de dez anos" antes do primeiro pagamento, a duração dos empréstimos
feitos aos países em dificuldade, como Grécia, Irlanda e
Portugal.
Paralelamente, as taxas de juros serão reduzidas, de 4,5% para
3,5%, o que diminuirá a carga da dívida.
NOVO PLANO DE AJUDA À GRÉCIA:
A zona do euro, o FMI e os credores privados fecharam para a Grécia
um segundo plano de resgate de três anos (2011-2014), de 158,6 bilhões
de euros. Os países do euro e o Fundo Monetário Internacional
(FMI) aportarão 109 bilhões em empréstimos, cuja divisão
ainda será definida.
O primeiro plano de três anos, fechado em maio de 2010 com a
zona do euro e o FMI, era de 110 bilhões de euros. Desse montante,
restam ser entregues 42 bilhões de euros, que se somam ao segundo
pacote anunciado nesta quinta-feira.
CONTRIBUIÇÃO DE CREDORES PRIVADOS:
Os detentores privados da dívida grega (bancos, seguradoras,
fundos de pensão...) também vão participar do esforço.
Sua contribuição é estimada em 49,6 bilhões
de euros. Desse montante, 37 bilhões virão de uma "contribuição
voluntária", e 12,6 bilhões consistirão de uma recompra
da dívida.
Em dez anos, "da metade de 2011 ao final de 2020", a contribuição
privada será elevada para 106 bilhões de euros.
Em meio à sua participação "voluntária",
os credores poderão escolher entre quatro opções:
- Manter o valor nominal de seus títulos da dívida e
trocá-los por títulos com vencimento de 30 anos. Seria uma
rolagem da dívida.
- Reinvestir seus créditos quando a Grécia pagar, no
vencimento, em novos títulos de 30 anos. É a opção
conhecida como "rollover".
- Aceitar um pagamento sobre o valor nominal de seus títulos,
e trocá-los por obrigações de 15 anos.
- Aceitar o mesmo pagamento e trocar seus títulos por obrigações
de 30 anos, que ofereceriam garantias mais sólidas que os papéis
de 15 anos.
Estas soluções implicam na renúncia dos credores
de parte do montante da dívida que detém, o que reduzirá
a dívida pública do país. É por isso que as
agências de classificação de risco deverão considerar
se trata-se de um default seletivo ou parcial da Grécia.
Em outras palavras, os líderes da zona do euro reconhecem que
um não pagamento de Atenas é provável. "A Grécia
está em estado de gravidade sem precedentes" e "necessita de uma
solução excepcional", afirmam na resolução.
"Os demais países da zona do euro reiteram solenemente sua determinação
inflexível em honrar totalmente sua própria assinatura soberana",
advertem, dando a entender que nenhum outro Estado poderá cair em
default.
UM FUNDO DE AJUDA MAIS EFICAZ:
O Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FESF), Fundo de ajuda da
Zona do Euro criado em 2010 e que já emprestou dinheiro para Irlanda
e Portugal, terá seu campo de ação ampliado.
Se o Banco Central Europeu (BCE) constatar "circunstâncias excepcionais"
e os Estados-membros concordarem por unanimidade, o Fundo poderá
comprar a dívida pública de países em dificuldade
no mercado de obrigações secundário, no qual os investidores
trocam os títulos depois de sua primeira emissão. Isto permitiria
aliviar os bancos que possuem títulos desvalorizados.
O FESF também poderá, mas sob algumas condições,
conceder aos Estados linhas de crédito preventivas, como faz o FMI,
e emprestar dinheiro a um país, inclusive sem precisar solicitar
um plano de ajuda, para que possa recapitalizar seus bancos.
(AFP)
22.07 - EUA mais perto do calote
Sem acordo para dívida, republicanos e democratas estão
sob pressão
Os EUA continuavam ontem perigosamente perto de uma moratória
de sua dívida federal, cujos efeitos desastrosos elevam a pressão
por um acordo entre democratas e republicanos sobre redução
do déficit fiscal. Esse acordo é fundamental para que o Congresso
aprove um aumento do teto de endividamento do governo a tempo de evitar
um calote sem precedentes na história do país. Os negociadores,
porém, têm encontrado dificuldades para superar o impasse
apesar da aproximação de 2 de agosto, data limite para elevar
o teto da dívida, hoje em US$14,3 trilhões.
A proposta da chamada Gangue dos Seis, composta por três senadores
republicanos e três democratas, alimentou esperanças, esta
semana, de um compromisso. Com as medidas propostas, que preveem um corte
geral do déficit em US$3,7 trilhões nos próximos dez
anos, não só o país evitaria a moratória, como
conseguiria manter seu rating em AAA, hoje ameaçado de corte pelas
agências de classificação de risco.
Mas o risco é bastante alto, e a divisão muito ampla
entre o presidente democrata e seus rivais republicanos, sobretudo às
vésperas de um ano eleitoral. Há temor de que as negociações
possam falhar, à medida que o início do próximo mês
se aproxima.
Obama pediu na quarta-feira que os líderes do Congresso fossem
à Casa Branca para terem as primeiras conversas cara a cara nesta
semana, numa nova tentativa de obter algum consenso. Mas não havia
até ontem um sinal mais concreto de avanço.
Os encontros separados de Obama com republicanos e democratas ocorreram
após a Casa Branca, demonstrando uma postura mais flexível
do presidente, sinalizar que Obama poderia apoiar um aumento de curto prazo
no limite da dívida por "alguns dias", caso os parlamentares concordem
com um abrangente acordo de redução de déficit.
(Kevin Lamarque - Reuters/O Globo)
21.07 - Fundos imobiliários: Imóvel de papel
Boa parte dos investidores que mantêm fundos imobiliários
em carteira tem motivos para comemorar. Levantamento da Uqbar Educação
& Informação Financeira mostra que há fundos com
ganho de quase 30% somente no primeiro semestre. O ganho supera de longe
a variação de 5,52% do CDI no período, enquanto o
Ibovespa teve queda de 9,96%. A rentabilidade leva em conta a valorização
das cotas na bolsa mais o retorno distribuído mensalmente aos investidores.
Na listagem, aparecem fundos dos mais diversos tipos - que aplicam
em escritórios, flats, shoppings ou apenas em papéis imobiliários.
Embora esses fundos sejam comparados com carteiras de renda fixa, pelo
pagamento mensal de renda aos cotistas, eles são na verdade aplicações
de renda variável, pois seus ativos são imóveis ou
papéis lastreados por imóveis.
De acordo com Carlos Augusto Lopes, sócio da Uqbar, a maior
parte dos altos retornos dos fundos imobiliários são provenientes
da valorização das cotas na bolsa. Os números mostram
que a negociação de cotas dessas carteiras no mercado secundário
evoluiu bastante no primeiro semestre deste ano.
Segundo estudo da Uqbar, o volume negociado nos primeiros seis meses
de 2011 somou R$ 374,6 milhões, referentes a 29.060 negócios.
No mesmo período de 2010, foram contabilizados R$ 91,9 milhões,
para 8.527 negócios. Isso significa que houve um aumento do volume
negociado de 307,6% e de 240,8% para o número de negócios.
No topo da lista, com 29,65% de ganho, aparece o fundo Hotel Maxinvest,
que aplica em flats. Lançado em 2008, a carteira é administrada
pela Brazilian Mortgages, líder nesse mercado com R$ 5,5 bilhões
sob gestão distribuídos em 30 fundos, dos quais 18 deles
estão listados em bolsa. "A oferta escassa de flats vem se refletindo
no valor da cota em bolsa", afirma Rodrigo Mennocchi, diretor da Brazilian
Mortgages. Nos primeiros seis meses do ano, a carteira distribuiu 9,84%
de retorno aos cotistas. "Os terrenos que comportam flats estão
em regiões caras e as construtoras estão priorizando prédios
residenciais", diz. Mas a economia aquecida e, muitas vezes, o atraso na
entrega dos empreendimentos residenciais, estão aumentando a demanda
por flats.
Outro que aparece muito bem, com 27,84% no semestre, é o Excellence.
De acordo com Mennocchi, trata-se de um fundo formado por 24 Certificados
de Recebíveis Imobiliários (CRIs), que pagam, em média,
a variação do IGP-M mais 8% ao ano. Para criar um CRI, um
incorporador que tem uma carteira de recebíveis imobiliários,
como aluguéis, por exemplo, vende essa carteira para uma empresa
securitizadora que a usa como garantia para a emissão de certificados,
que são distribuídos no mercado. Por lei, um fundo não
pode ter mais do que 10% de um mesmo emissor.
Queridinho no mercado, chama a atenção o fato de o fundo
shopping Pátio Higienópolis, um dos mais antigos, aparecer
com perda de 0,82% no semestre. Luiz Costa, analista da Rio Bravo, alerta,
no entanto, que essa queda é fruto da redução do valor
da cota na bolsa, que iniciou o ano a R$ 480,00 e no fim de junho estava
em R$ 429,00. "Não há, portanto, qualquer problema operacional
no fundo", diz. Segundo Augusto Martins, também analista da gestora,
nos seis primeiros meses do ano, a carteira distribuiu retorno de 3% aos
cotistas referentes aos aluguéis das lojas do shopping. "Esse é
um fundo que não tem muita liquidez, portanto, qualquer negócio
altera o valor da cota na bolsa", afirma.
Na oitava posição entre os mais rentáveis aparece
o Rio Bravo Renda Corporativa. Esse fundo tem uma história interessante.
Lançado em 1999, a carteira, antigamente chamada de Financial Center,
foi assumida pela Rio Bravo em 2008 e mudou de nome. Além disso,
houve uma alteração em sua política de investimentos
- o fundo tinha apenas um empreendimento em seu portfólio e passou
a investir em outros edifícios comerciais. "Com isso, conseguimos
reduzir os riscos por conta da diversificação de ativos e
locatários", diz Martins.
Com perda de 24,94% apenas no primeiro semestre, o Mais Shopping Largo
13 vem decepcionando os investidores. A carteira foi lançada no
segundo semestre do ano passado e adquiriu 40% de um shopping situado no
Largo Treze de Maio, no bairro de Santo Amaro, zona sul de São Paulo.
"O ganhos com estacionamento, que esperávamos que teriam retornos
já no início, não aconteceu, e foi feito agora um
convênio com uma universidade próxima para vagas de mensalistas
para estudantes", conta Dauro Zaltman, do Bradesco, instituição
responsável pelo fundo. O mesmo ocorreu com o cinema, que só
agora começou a dar resultados positivos, afirma o executivo. "Houve
ainda inadimplência de alguns lojistas, mas uma segunda leva virá
agora."
Os fundos imobiliários encerraram o primeiro semestre do ano
com crescimento de 37,6% no número de cotistas. Em dezembro do ano
passado, os investidores com aplicações nessas carteiras
somavam 21.216, passando para 29.192 no fim de junho. O patrimônio
líquido também aumentou, embora em menor proporção:
expansão de 19,2% nos seis primeiros meses do ano, saindo de R$
8,316 milhões para R$ 9,912 milhões.
Os dados fazem parte de um levantamento da bolsa sobre a evolução
dos fundos de investimento imobiliários apresentado ontem em parceria
com a Apimec-SP. Há hoje 114 carteiras imobiliárias registradas
na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Desses, 54 têm
cotas negociadas na BM&FBovespa. Na bolsa, esses 54 fundos somam R$
6,216 milhões, com valor de mercado de R$ 9,563 milhões.
CVM quer transparência na atualização dos ativos
A transparência na divulgação de informações
ainda é uma demanda do setor de fundos imobiliários. Hoje,
por exemplo, a valorização ou desvalorização
de um imóvel não se reflete necessariamente no valor da cota.
Isso porque não há a obrigação de o gestor
pedir um laudo de avaliação para alterar o valor do imóvel.
Poucos são, na verdade, os que dotam essa prática.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está de
olho nisso e colocou em audiência pública uma minuta propondo
regras na reavaliação dos empreendimentos. O prazo para sugestões
terminou na segunda-feira. Na minuta, a CVM propõem que, nas demonstrações
financeiras, os imóveis sejam registrados pelo valor de mercado
e não pelo valor de custo.
A falta de uma classificação mais adequada aos fundos
também é um pleito do setor. Os fundos imobiliários
são bem diferentes entre si, embora estejam sob um mesmo guarda-chuva.
Há carteiras com foco em renda, ou seja, que compram imóveis
e pagam retorno ao investidor de acordo com o aluguel. Existem também
fundos de desenvolvimento, em que a aplicação é feita
em projetos ainda em desenvolvimento. Por fim, há os fundos que
aplicam em papéis com lastro em imóveis, como Certificados
de Recebíveis Imobiliários (CRIs). É nascente no mercado,
ainda, o fundo de fundos.
A baixa liquidez das cotas em bolsa ainda é um entrave, embora
a negociação venha crescendo. Só no primeiro semestre
deste ano, o volume de negócios atingiu R$ 375,5 milhões.
Só para se ter uma ideia, em todo o ano de 2008, o total foi de
R$ 143 milhões.
O preço da cota na bolsa ainda se move de acordo com a renda
distribuída pelo fundo, diz Alexandre Machado, sócio da Credit
Suisse Hedging-Griffo e responsável por fundos imobiliários.
Mas o aumento das negociações no mercado secundário
acabam trazendo um novo apelo pelos fundos imobiliários por parte
do investidor, afirma ele. O grande atrativo dessas aplicações
para o investidor pessoa física ainda está no benefício
tributário, pois sobre os retornos pagos pelo fundo não há
a incidência de imposto de renda. Quando o cotista resolver sair
da aplicação e o valor da cota no mercado secundário
estiver maior, ou seja, se houver ganho de capital, aí é
preciso pagar IR, de 20%.
"O potencial de crescimento do setor ainda é muito grande",
afirma Machado, lembrando que o patrimônio das carteiras imobiliárias
representam apenas 0,6% do total em fundos de investimento no país.
(Luciana Monteiro - Valor Online)
21.07 - Europa, hora de fazer ou quebrar
Há hipóteses diversas em jogo, para todos os paladares;
mas os europeus preferem falar, falar e falar, em vez de agir de uma vez
Em sua coluna de ontem, Delfim Netto citou Vilfredo Pareto, "sociólogo
e economista matemático sério", que dizia já faz um
século: "Concedam-me as hipóteses e eu lhes demonstrarei
qualquer coisa".
A frase deveria servir de epígrafe para os testes de estresse
a que foi submetida a banca europeia, cujos resultados foram divulgados
na última sexta-feira, e para a reação de agentes
de mercado a eles.
Foram reprovados apenas oito bancos, que, na história oficial,
precisariam de apenas € 2,5 bilhões para ficarem sadios. Já
a consultoria JP Morgan jogou para impressionantes € 80 bilhões
o valor necessário para recapitalizar a banca.
Cada um pegou as hipóteses que quis e, com elas, demonstrou
qualquer coisa. E tome especulação. Hoje é outro bom
dia para formular hipóteses e especular em cima delas porque é
dia da cúpula europeia que deveria disparar a bala de prata para
resolver a crise grega, que já se tornou continental e até
global (do que dão provas os telefonemas de anteontem do presidente
americano, Barack Obama, para Nicolas Sarkozy e Angela Merkel).
Em tese, a hipótese que deveria ser formulada é simples,
assim posta pelo Nobel de Economia Joseph Stiglitz em artigo para o jornal
"Financial Times": "A dívida grega deveria ser trazida para um nível
sustentável. Isso só pode ser feito reduzindo a taxa de juros
que a Grécia paga, reduzindo seu endividamento e/ou aumentando seu
produto interno bruto".
Já Barry Einchengreen, outra ilustre grife, professor de Ciência
Política e Econômica da Universidade da Califórnia
em Berkeley, exige que a Europa reconheça que não está
funcionando a presente estratégia (trocar empréstimos à
Grécia por pacotes de austeridade).
"Equivale a tentar tirar sangue de pedra", diz Eichengreen. Nada que
você ainda não tenha lido aqui, mas escrito em inglês
é mais chique.
As hipóteses são, portanto, muito fáceis de expor,
mas a Europa está bloqueada pela divisão em torno de quem
paga a conta, se só os contribuintes, como é em geral a praxe,
ou se também a banca.
Parece, no entanto, que a negociação reservada entre
autoridades e representantes graúdos da banca produziu uma hipótese
de solução. Ou três, mais exatamente, segundo o jornal
francês "Le Figaro".
Os credores privados poderiam escolher entre três formas de contribuir:
trocar seus papéis gregos por outros que só vencerão
dentro de cinco anos; participar no esquema idealizado na França,
em que novos créditos seriam concedidos a 30 anos, mas haveria garantias
europeias para eles; ou vender seus créditos por 60% do valor de
face em operação de compra a ser financiada pelo Fundo Europeu
de Estabilização Financeira.
Em qualquer desses casos, haveria o que o jargão batiza de "calote
seletivo", a que se opõe o Banco Central Europeu, mas que poderia
ser convencido se ficar claro que será limitado no tempo.
Enfim, hipóteses há muitas. À cúpula europeia
cabe o que Mario Monti, presidente da Universidade Bocconi, chama de "escolha
fundamental", em artigo para o "Financial Times": "Ou a União Europeia
declara, mais uma vez, que está pronta para fazer o que for necessário
para superar a crise da eurozona, ou de fato o faz". (CLÓVIS
ROSSI - Folha de S.Paulo)
21.07 - A economia aquecida
A economia brasileira continua aquecida, com mais gente empregada,
mais salários para gastar, crédito ainda abundante e despesa
pública em expansão. Desde o começo do ano o governo
promete frear a economia, para conter a inflação e repor
a atividade num ritmo seguro e duradouro. Seria perigoso deixar repetir-se
o crescimento de 7,5% registrado em 2010. Foi um excelente desempenho,
depois de um ano e meio de atividade contida pela recessão internacional.
Mas desde os meses finais do ano passado os sinais de inflação
em alta já eram preocupantes. Além disso, a demanda excessiva,
combinada com o câmbio valorizado, voltou a afetar as contas externas
- como já ocorria em 2008, antes de chegarem ao Brasil os efeitos
da crise financeira.
Mas até agora os esforços para conter a demanda produziram
resultados muito modestos. Em junho o desemprego nas seis maiores áreas
metropolitanas ficou em 6,2%, o nível mais baixo desde março
de 2002, início da atual série de levantamentos do IBGE.
A população ocupada nessas áreas, 22,4 milhões
de pessoas, foi 2,3% mais numerosa que a de um ano antes. O aumento da
ocupação foi acompanhado de uma elevação dos
ganhos. O rendimento médio real (descontada a inflação)
foi 4% maior que o de junho de 2010.
Como se expandiram ao mesmo tempo o rendimento médio e o número
de ocupados, a massa do ganho real habitual foi 6,2% superior à
de um ano antes. A evolução da massa de rendimentos e a continuada
expansão do crédito se refletem no vigoroso aumento do consumo.
De abril para maio o saldo de empréstimos para pessoas físicas
com recursos livres dos bancos aumentaram 1,7%. Em 12 meses o aumento foi
de 18,4%. É fácil entender, com base nesses dados, a movimentação
do comércio interno. Em maio, as vendas no varejo foram 0,6% maiores
que as de abril, em volume. De janeiro a maio, o total acumulado foi 7,4%
superior ao de igual período de 2010. Mas a receita do comércio
em valores correntes foi 13,4% maior que a de janeiro a maio de 2010. A
diferença em relação ao crescimento do volume pode
resultar, em parte, da recomposição das vendas. Mas com certeza
reflete a alta de preços.
O crescimento dos vários setores industriais tem sido desigual.
Entre janeiro e maio, a indústria em geral produziu 1,8% mais que
nos primeiros cinco meses de 2010. A produção de bens de
consumo foi 0,9%. A de bens intermediários, 1,4% superior à
de um ano antes. Parte da demanda interna tem vazado para o exterior e
isso se reflete no aumento das importações. O aumento das
compras externas é parcialmente explicável pelo descompasso
entre o crescimento da demanda e a expansão da oferta interna. Mas
o fator mais importante é, provavelmente, o preço: câmbio
valorizado e custos impedem a indústria brasileira de competir com
a da China e de outras economias dinâmicas.
A demanda interna é alimentada também pelo gasto público.
Não falta ao governo dinheiro para gastar. No primeiro semestre
a arrecadação federal foi 12,7% superior à de janeiro
a junho de 2010, descontada a inflação. O crescimento da
receita - igualmente um reflexo da economia aquecida - tem facilitado,
neste ano, o cumprimento da meta de superávit primário, o
dinheiro posto de lado para o pagamento de juros. Não basta, no
entanto, alcançar o resultado primário definido oficialmente.
Para conter a demanda, o governo precisa fazer mais que isso e cortar
seus gastos com rigor. Não há sinal desse corte e, no próximo
ano, talvez nem a meta fiscal seja alcançável sem a maquiagem
contábil que consiste em descontar da meta o dinheiro aplicado no
Programa de Aceleração do Crescimento.
A contenção da demanda interna continua sendo um desafio
para os Ministérios da área financeira e para o Banco Central.
Sem um efetivo controle dos gastos, o ajuste da economia continuará
dependendo quase exclusivamente da política monetária. Ninguém
deve iludir-se com a atual trégua da inflação. As
pressões serão tanto mais fortes, nos próximos meses,
quanto mais forte for a demanda. (O Estado de S.Paulo)
20.07 - Seguro de pessoa continua evoluindo
Semestre pode chegar a R$ 10 bi de prêmios
Turismo leva seguro de viagem a ser o destaque de maio com avanço
de 87,03%
O mercado de seguros de pessoas, que engloba seguro de vida, acidentes
pessoais, proteção financeira, educacional, viagem, entre
outros, movimentou R$ 1,5 bilhão em prêmios em maio de 2011,
resultado idêntico ao de abril e 25,37% superior ao registrado no
mesmo mês do ano anterior, quando o setor consolidou R$ 1,2 bilhão
em prêmios.
Ao manter o nível de crescimento verificado em abril e maio,
o segundo trimestre do ano pode fechar com prêmios somando mais de
R$ 4,2 bilhões. No acumulado de janeiro a maio o mercado consolidou
R$ 7,7 bilhões, crescimento 24,69%. O semestre deve chegar com algo
próximo de R$ 10 bilhões
Seguro viagem
O seguro viagem foi o destaque no mês de maio com crescimento
de 87,03% e prêmios de R$ 2,9 milhões - esse foi o melhor
desempenho desde 2002, início da série histórica.
Segundo o presidente da Federação Nacional de Previdência
Privada e Vida (Fenaprevi), Marco Antonio Rossi, o aumento da contratação
do seguro está atrelado ao maior número de viagens nacionais
e internacionais.
"Há uma demanda crescente impulsionada pelo grande número
de viagens turísticas e de negócios. É um produto
com custo bem acessível e com planos de assistência completos",
afirma.
Em maio deste ano, segundo o Ministério do Turismo, foram registrados
7 milhões de desembarques domésticos e internacionais, alta
de 25,43% na comparação aos 5,6 milhões contabilizados
no mesmo mês do ano anterior.
Acidentes pessoais
Mas não foram apenas as apólices de seguro viagem que
tiveram um grande desempenho: os de acidentes pessoais e os prestamistas
também apresentaram bom desempenho.
O volume de prêmios de acidentes pessoais registrou expansão
de 42,12% no período e somou R$ 334,3 milhões em prêmios.
"Seguro de acidentes pessoais é uma forma de se proteger de doenças
ou acidentes no período de formação de patrimônio.
O produto garante ao segurado ou aos seus beneficiários uma renda
caso ocorra imprevistos", explica Rossi.
Já o prestamista, que garante o pagamento de prestações
de bens adquiridos pelo segurado, em caso de morte e invalidez, acumulou
R$ 366,1 milhões em prêmios com evolução de
41,23%.
Acumulado do ano
Nos primeiros cinco meses do ano o seguro viagem obteve o melhor desempenho.
Somou R$ 16,9 milhões, alta de 48,11% na comparação
aos R$ 11,4 milhões do ano passado. O seguro de acidentes pessoais,
por sua vez, foi o segundo produto com maior expansão percentual,
acumulando R$ 1,6 bilhão, com crescimento de 42,08%.
O levantamento da Fenaprevi não inclui o VGBL, considerado para
esse fim como plano de caráter previdenciário, por possuir
cobertura por sobrevivência.
Seguradoras
Quanto ao ranking das seguradoras no mês de maio a Bradesco Seguros
ocupa o primeiro lugar com 16,77%; Itaú (15,51%); Aliança
do Brasil (12,06%); Santander Seguros (8,58%); Mapfre (6,04%); HSBC (4,61%);
Caixa Seguros (3,83%); Cardif do Brasil Vida e Previdência (3,81%);
Metropolitan Life Seguros e Previdência (3,64%) Icatu Seguros (3,41%).
Outras seguradoras representaram 21,75% dos prêmios de seguros. Foram
considerados, para este ranking, as holdings.
Aumento do poder
"O aumento do poder de compra da população em geral no
Brasil refletiu-se no mercado segurador. Com a migração de
consumidores para faixas socioeconômicas mais elevadas, principalmente
o crescimento das faixas D e E, o acesso aos seguros de pessoas, em especial
o de Acidentes Pessoais, foram os mais beneficiados".
Os comentários são do superintendente comercial da Confiança
Seguros, Jorge Luiz Fett, que se baseia nos dados divulgados pela Fenaprevi,
que afirmam que o mercado de seguros no segmento de pessoas expandiu 24%
nos quatro primeiros meses do ano.
Cultura de seguro
Segundo ele, de modo geral, a cultura do seguro de pessoas está
se enraizando no sentimento de proteção do cidadão.
O seguro dito "de vida" não representa mais um conceito pejorativo
e rejeitado como em uma realidade não muito distante. As pessoas
pensam e procuram este tipo de solução para amenizar os prejuízos
e o endividamento das famílias em decorrência de sinistros
envolvendo seus gestores.
O executivo prossegue afirmando que "o seguro nada mais é hoje
do que a melhor forma de se socializar as perdas decorrentes dos sinistros
previstos", e acrescenta que também há de se considerar que
a elevação da renda trouxe outros reflexos interessantes
nos seguros, como, por exemplo, o seguro viagens (preços e parcelamentos
acessíveis de pacotes turísticos) e o seguro prestamista
(elevação do nível de compra e de um maior poder de
crédito das pessoas).
Segundo sua análise, os seguros de acidentes pessoais e de vida
em grupo também sofreram um impacto positivo no crescimento dos
ramos em função da inserção de cláusulas
securitárias nas convenções trabalhistas, dentre outras
práticas. Outros crescimentos importantes no mercado de seguros
foram o de eventos e o de vida em grupo empresarial.
"O primeiro cobre riscos em eventos com grande concentração
de público (alguns por força de lei). O segundo, adotado
por políticas de Recursos Humanos das empresas, possui benefícios
que compõem uma parcela de renda indireta para os empregados", conclui.
(Jornal Monitor Mercantil)
20.07 - Investimentos de fundos de private equity em 2010
O Brasil foi o principal destino dos investimentos de fundos de private
equity na América Latina em 2010, segundo levantamento da Ernst
& Young. Foram US$ 6,6 bilhões em transações realizadas
com empresas da América Latina, representando um crescimento de
404% em relação ao ano de 2009. Só o Brasil recebeu
US$ 4,6 bilhões do total destinado à região.
Os setores que mais receberam aporte de fundos de private equity por
valor de negociação, foram: financeiro (55%), tecnologia
(16%) e consumo (14%). No Brasil, o maior investimento foi a aquisição
de 19% do BTG Pactual, por US$ 1,8 bilhão, realizada por um consórcio
liderado pelo J.C. Flowers & Co.
Outras transações significativas foram a compra de 40%
da Pátria Investimentos pelo The Blackstone Group e a aquisição
da participação majoritária na Gávea Investimentos
pelo JPMorgan Chase.
Entre os demais países da América Latina, os que mais
se destacaram em negócios com private equity foram Colômbia,
Peru, Chile e México. “De uma forma geral, os investimentos na América
Latina foram atraídos pelo crescimento da região, cujo PIB
cresceu em torno de 5,7% em 2010. Os principais fatores que podem explicar
tal desempenho foram o crescente nível de consumo privado – alimentado
pela rápida recuperação no crescimento de empregos
e salários– e a expansão do crédito ao setor privado”,
afirma Carlos Asciutti, sócio da área de transações
da Ernst & Young Terco.
O estudo da Ernst & Young traz ainda os investimentos dos fundos
de private equity em mercados emergentes como Índia e China. Ao
fim de 2010, o mercado indiano contabilizou 275 transações,
avaliadas em US$ 7,2 bilhões.
Na China, o destaque fica para o aumento do interesse em empresas com
fundos denominados em yuan. Até 2008, o principal destino dos investimentos
eram empresas globais com fundos denominados em dólar. Em 2009 e
2010, porém, os fundos em moeda chinesa representaram, respectivamente,
64% e 80,2% dos negócios. (Executivos Financeiros)
20.07 - IGP-M registra queda de 0,21% na 2ª Prévia de julho
O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) registrou,
no segundo decêndio de julho, queda de 0,21%, idêntica à
verificada no mesmo período de apuração do mês
de junho.
O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) apresentou
variação de -0,38%, no segundo decêndio de julho. No
mesmo período do mês anterior, a variação foi
de -0,54%.
A taxa de variação dos Bens Finais avançou de
-0,57% para -0,01%. A maior contribuição para esta aceleração
teve origem no subgrupo alimentos in natura, cuja taxa passou de -3,42%
para 0,67%.
A taxa de variação do grupo Bens Intermediários
passou de ?0,59%, em junho, para 0,16%, em julho. O destaque coube ao subgrupo
materiais e componentes para a manufatura, cuja taxa passou de-0,95% para
0,20%.
O índice referente a Matérias?Primas Brutas teve sua
taxa de variação reduzida de -0,45% para -1,50%. Os itens
que mais contribuíram para este movimento foram: minério
de ferro (8,75% para -1,45%), soja (em grão) (2,73% para -2,44%)
e café (em grão) (-1,86% para -4,66%). Em sentido oposto,
destacam-se: aves (-8,15% para 0,64%), cana-de-açúcar (-3,63%
para -0,26%) e bovinos (-2,69% para -0,82%).
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) registrou variação
de -0,11%, no segundo decêndio de julho, ante -0,15%, no mesmo período
do mês anterior. Apenas o grupo Transportes (-1,33% para -0,02%)
registrou acréscimo em sua taxa de variação. Nesta
classe
de despesa, os itens que mais influenciaram foram: álcool combustível
(-16,43% para 2,80%) e gasolina (-3,37% para -0,73%).
Em sentido oposto, apresentaram recuo em suas taxas de variação
os grupos: Educação, Leitura e Recreação (0,42%
para -0,01%), Vestuário (0,63% para 0,37%), Habitação
(0,42% para 0,26%), Saúde e Cuidados Pessoais (0,58% para 0,41%),
Despesas Diversas (0,16% para 0,04%) e Alimentação (-0,81%
para -0,85%).
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC)
apresentou, no segundo decêndio de julho, variação
de 0,63%. No segundo decêndio do mês anterior, a taxa foi de
1,82%. O índice relativo a Materiais, Equipamentos e Serviços
registrou variação de 0,36%. No mês anterior, a taxa
havia sido de 0,46%.
O índice que representa o custo da Mão de Obra registrou
taxa de 0,90%, no segundo decêndio de julho. Na apuração
referente ao mesmo período do mês anterior, o índice
variou 3,22%. (Executivos Financeiros)
19.07 - Quem tem medo do calote dos EUA?
A semana começou com um clássico movimento de saída
de risco. Bolsas e commodities caíram, enquanto o dólar apontou
para cima.
A justificativa para tal movimento não é nova. O tema
é o endividamento soberano, tanto nos Estados Unidos quanto na Europa.
E o problema nos dois lados do Atlântico parece ser um só,
a falta de liderança na solução dos problemas.
Nos EUA, segue o embate entre Republicanos e Democratas sobre a elevação
do teto do endividamento federal. Os EUA precisam gastar mais que os atuais
US$ 14,3 trilhões e precisam de autorização para isso.
CDS e títulos da dívida mostram baixo risco de default
O que mais se ouve sobre o assunto é que a birra política
será levada até o último momento, mas que no fim das
contas o governo receberá autorização e os EUA não
entrarão em um impensável default.
Apenas uma ou outra análise chama atenção para
a "loucura" de parte dos Republicanos, que impediriam o aumento do teto
só para ver o circo pegar fogo.
Mas mais do que discurso, sinais do próprio mercado mostram
que um calote dos EUA é um evento considerado possível, mas
tido como pouco provável.
O seguro da dívida de curto prazo (CDS - Credit Default Swap
de um ano) segue na linha dos 49 pontos (o que é alto, mas não
explosivo). E mesmo na iminência de um default, a demanda pelos papéis
americanos segue firme. Sinal claro disso é a taxa de retorno do
papel de 10 anos, que voltou a cair para baixo dos 3%.
Quem em sã consciência compraria os papéis de um
governo que está para dar o calote, ainda mais a taxas decrescentes?
O mesmo tipo de questionamento vale para o dólar, que ontem voltou
a ganhar de seus principais rivais.
Nem medidas correlatas captam esse risco de calote dos EUA.
Vamos a um exemplo doméstico. O Brasil, que fechou maio (dado
mais recente) com estoque de US$ 211 bilhões em dívida americana,
quinto maior financiador mundial, não vê uma disparada de
seu risco.
O economista da Gradual Investimentos, André Perfeito, tem interessante
abordagem sobre o tema: é impossível um país dar calote
na própria moeda. Basta ligar a máquina e imprimir dólares.
Os EUA sempre fizeram isso. A situação é mais simples
ainda, pois há gente disposta a financiar os americanos.
Por isso, o economista discorda um pouco das abordagens que vêm
sendo dadas ao problema. Para Perfeito, esse aceno de default vai além
dos embates políticos domésticos.
Essa ameaça de calote seria um jogo de cena. Mais uma jogada
para tentar se fazer o que não se conseguiu com a política
do dólar fraco.
O economista lembra que, desde o início da crise, os EUA jogaram
a taxa de juros a zero para conseguir, entre outras coisas, que o dólar
se desvalorizasse. O objetivo era compensar o baixo crescimento doméstico
via demanda externa.
Não por acaso os EUA pressionaram a China por maior liberdade
cambial. Tudo no âmbito da tal "Guerra Cambial". Mas os americanos
não conseguiram um naco da demanda chinesa. Os dirigentes chineses
foram irredutíveis e, para despistar, adotaram uma banda de oscilação
que pouco mudou o preço do yuan.
Para Perfeito, o que os EUA querem é ajuda para crescer. "Os
EUA estão começando a apertar o resto do mundo para fazer
à força o que era para ser feito via diferencial de juros",
diz o economista.
No mercado local, o dólar começou a semana em alta, mas
terminou a jornada longe das máximas do dia.
Depois de subir a R$ 1,585, o dólar comercial terminou o dia
com alta de 0,12%, a R$ 1,579 na venda.
Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar para
agosto apontava queda de 0,06%, também a R$ 1,579, antes do ajuste
final. O contrato fez máxima a R$ 1,5895, mas no fim da tarde devolveu
os ganhos junto com uma melhora de sentimento que tirou força do
dólar, reverteu o movimento de baixa na taxa dos títulos
americanos e zerou as perdas do euro. Ainda se procura explicação
crível, racional e bem fundamentada para isso. (Eduardo
Campos - Valor Online)
19.07 - Crise externa complica política de juros
BC deve elevar a Selic, mas analistas têm dúvidas se a
estratégia mudará nos próximos meses por causa dos
problemas na Europa e nos EUA
A persistência da inflação ao longo do primeiro
semestre do ano forçará um novo aperto dos juros nesta semana
pelo Banco Central, que tenta demonstrar não ser leniente com o
aumento de preços, mesmo diante de um cenário externo repleto
de incertezas e chances de crise em países desenvolvidos.
Economistas do mercado apostam em alta de mais 0,25 ponto porcentual
na taxa básica de juros e aguardam uma sinalização:
a Selic vai estacionar em 12,50% ao ano ou haverá mais altas à
frente? Em sua reunião na quarta-feira, o Comitê de Política
Monetária (Copom) tentará ancorar as expectativa de mercado,
indicando que busca trazer o IPCA, índice oficial de inflação,
de volta para o centro da meta no fim do ano que vem, ao mesmo tempo em
que o governo luta para preservar fortes taxas de crescimento econômico.
Diante do impasse sobre o limite de endividamento dos Estados Unidos
e incertezas sobre as dívidas de países europeus, analistas
se dividem sobre a possibilidade de o BC - formal ou informalmente - deixar
para 2013 a tarefa de entregar a inflação no centro da meta
(4,5%), desde que o IPCA caminhe nesta direção. Tal discussão
é permeada por preocupações com a arranhada reputação
do BC, mas também com os impactos negativos dos juros altos sobre
o crescimento, a taxa de câmbio e o custo da dívida pública.
O risco de aumento da inadimplência também está no
radar.
Dificuldades. O ex-diretor do Banco Central Carlos Thadeu de Freitas
avalia que dificilmente a meta de 4,5% será alcançada em
2012, ano em que o salário mínimo vai subir bastante, alimentando
o consumo. Mas ele avalia que o temor de um descontrole inflacionário
está se extinguindo, diante da atuação do BC e do
cenário externo que ganha contornos deflacionários.
Ele não vê maiores problemas em a meta não ser
atingida, desde que o IPCA mostre tendência de queda. "Não
haverá uma dramática perda de reputação para
o BC se o IPCA não chegar no centro da meta. Nenhum BC do mundo
atualmente está acertando. Se a inflação chegar a
5%, já será bom e significa que haverá tendência
de chegar ao centro em 2013", disse. Atualmente, o IPCA em 12 meses está
em 6,7%.
Uma eventual decisão de adiar para 2013 o objetivo de atingir
o centro da meta de inflação poderia transmitir a ideia de
maior tolerância com o aumento de preços por um Banco Central
chamuscado por dúvidas sobre sua atuação no ano passado,
segundo Armando Castelar, coordenador de economia aplicada da Fundação
Getúlio Vargas (FGV). "O BC já fez isso em 2010, jogou para
2011, e em 2011 jogou para 2012. Pode usar isso uma vez ou outra, mas se
fizer todo ano perde credibilidade."
O economista-chefe do BES Investimento, Jankiel Santos, considera um
sinal ruim se o IPCA não chegar em 4,5% em 2012. "É problemático
não cumprir a meta, pois o BC está fazendo as pessoas esperarem
uma inflação mais baixa que depois não vão
ter", disse. "É um problema macroeconômico causado por uma
reputação em baixa." (Fabio Graner - O Estado de S.
Paulo)
19.07 - Juros altos ainda são necessários
As taxas básicas de juros no Brasil estão, sem dúvida,
bem acima do desejável. Juros altos pesam sobre o endividamento
público e oneram o custo do capital. No entanto, também são
um antídoto para inibir a pressão de demanda sobre bens e
serviços, porque encarecem o crédito.
Nesse momento, os juros altos são um sacrifício necessário
para que a economia brasileira não volte a conviver com um antigo
flagelo, a inflação crônica. Os índices de preços
ao consumidor, apurados pelo IBGE, ultrapassaram este ano o teto da meta
estabelecida pelo governo (6,5%), o que obrigou as autoridades monetárias
a adotarem uma política restritiva no que se refere ao crédito
e à expansão da moeda. As expectativas no mercado financeiro
são que a inflação fique abaixo desse teto até
dezembro, mas é preciso olhar para 2012, e, se os índices
de preços não recuarem mais em 2011, ficará difícil
para as autoridades controlar a inflação no ano que vem.
Isso porque já se conhece antecipadamente vários fatores
que vão pressionar a demanda por bens e serviços em 2012.
Um deles é o aumento real do salário mínimo, acima
de 7%. Será também um ano de eleições municipais,
e geralmente as prefeituras, em todo o Brasil, aceleram a conclusão
de obras para inaugurá-las durante o primeiro semestre.
Se a inflação em 2011 ficar próxima do teto da
meta, mecanismos remanescentes de indexação na economia irão
repassá-la para alguns preços e tarifas.
Então, o sacrifício que for feito em 2011 pode evitar
que em 2012 o Banco Central tenha que redobrar as restrições
ao crédito, limitando a expansão da economia em percentuais
desanimadores.
É dentro desse contexto que o Comitê de Política
Monetária (Copom) se reunirá hoje e amanhã para definir
o patamar das taxas básicas de juros que deverá vigorar pelos
próximos 45 dias. Os prognósticos dos especialistas apontam
para uma nova alta de 0,25 ponto percentual, e não se descarta a
possibilidade de o ciclo de aperto se estender até agosto/setembro,
com mais um ajuste nos juros básicos.
Evidentemente que os juros altos têm outros efeitos colaterais
negativos que recomendam o uso desse instrumento com moderação.
A taxa de juros - e a política monetária como um todo - não
pode ficar com todo o encargo de inibir a demanda por bens e serviços.
Da política fiscal deveria se esperar mais nesse esforço,
pois, se o setor público conseguisse conter os seus gastos de custeio,
abriria espaço para investimentos privados, e até mesmo os
de responsabilidade governamental. As contas públicas voltaram a
registrar superávits primários expressivos este ano, mas
tal fenômeno tem sido atribuído, além do fôlego
da arrecadação, a uma rearrumação das finanças
federais e estaduais decorrente de mudanças de administração.
Espera-se que o fenômeno não seja mesmo passageiro e se mantenha
pelos próximos meses, especialmente em 2012. Isso evitaria um prolongamento
do aperto monetário por um prazo desnecessário. A economia
brasileira reúne condições de sustentar um crescimento
anual na faixa de 4%, sem pressões inflacionárias preocupantes.
Mas para tal a política fiscal terá de fazer sua parte. (O
Globo)
18.07 - A crise nos países europeus ameaça a zona do euro?
NÃO
Quem tem padrinho não morre pagão
ROBERTO LUIS TROSTER
É paradoxal, mas a maior crise desde a criação
do euro vai torná-lo ainda mais forte.
Há dois motivos para isso. O primeiro é econômico:
o custo de desmantelar o euro, ou de excluir um de seus membros, é
consideravelmente superior ao de consertar os estragos atuais; o segundo,
mais importante, é a transcendência da moeda, que deixou de
ser um projeto comum de cidadãos da Alemanha, da França e
de outros países para se tornar projeto de europeus.
A moeda única faz parte de um processo que começou na
década de 1920, com a proposta de uma confederação
europeia.
Em 1946, Winston Churchill defendeu a criação dos "Estados
Unidos da Europa" e, em 1950, o primeiro passo concreto foi dado, com o
embrião do projeto, a Comunidade Europeia do Carvão e do
Aço, com seis países-membros.
Atualmente, são 27 Estados nacionais, com uma população
de 450 milhões de habitantes e mais de um quinto do PIB mundial.
É um projeto de futuro que não tem volta.
O Tratado de Maastrich, que, entre outras coisas, criou a moeda única,
foi assinado em 1992 e implantado a partir de 1999.
A consolidação da gestão da moeda deu aos países
mais estabilidade cambial e monetária, gerou sinergias empresariais
e bem-estar dentro da Europa e reduziu consideravelmente o custo do crédito.
Alguns países decidiram ficar fora do euro: a Inglaterra é
um deles, mas pesquisas mostram que seus cidadãos acreditam que
a adoção será inevitável no futuro.
A origem dos atuais problemas está, por um lado, em uma ironia:
o barateamento do custo do crédito, uma virtude da moeda única,
induziu a um endividamento excessivo de alguns países. Por outro
lado, está na governança do BCE (Banco Central Europeu),
que ainda não está preparado para solucionar o que aconteceu.
Na sua concepção, a magnitude dos problemas que poderiam
aparecer foram subestimados; com isso, o papel do BCE e a sua capacidade
de prevenir e de resolver crises ficaram reduzidos.
Ainda faltam definições de quanto pode emprestar, de
como restringir o endividamento excessivo. Faltam também recursos
e autoridade para atuar de forma contundente quando aparecerem dificuldades.
Com a crise mundial de 2008, houve uma retração na oferta
de empréstimos e uma deterioração nos termos: taxas
mais altas e prazos mais curtos. Isso fez com que a dinâmica das
dívidas soberanas piorasse; em alguns casos, fez com que piorasse
muito.
O caso da Grécia é o mais dramático. O país
está numa armadilha da qual não consegue sair, com um BCE
ainda sem a capacidade necessária de solucionar o problema.
É imperativo resolver o drama grego e criar mecanismos para
prevenir crises futuras e mitigar seus efeitos. Isso envolve uma engenharia
econômico-financeira que inclui reestruturação de dívidas,
com perdas a serem absorvidas pela Grécia, pelo BCE, pelos credores
e pelos demais países do euro.
Como costurar o projeto e dividir a conta é algo complexo. Alcançar
um compromisso rápido com todos os envolvidos é uma tarefa
hercúlea. As partes, contudo, estão empenhadas em concluí-la
logo.
O projeto do euro é um projeto ganhador: há mais países
interessados em fazer parte dele e as cotações da moeda corroboram
sua força. A integração do continente avança,
mas ainda é fraca.
Há desequilíbrios a serem corrigidos, alguns com recursos,
outros com reformas e educação, o que demora. Mas o tempo
do euro é outro e está sendo construído para durar.
SIM
Atual união monetária já morreu
MÁRIO RAMOS RIBEIRO
Quanto tempo pode resistir uma união monetária sem a
ocorrência conjunta de uma união fiscal? Ou, mais ainda, sem
uma união política? A crise da chamada zona do euro tem sido
vista como uma "crise de dívida soberana". Ou como um problema de
finanças públicas desordenadas. Será somente isso
mesmo? Creio que não.
Crises financeiras são epifenômenos. Estão apenas
na superfície de uma doença mais profunda e ainda não
declarada.
O fenômeno, que é a própria patologia, é
a "crise de governança".
Usualmente reduzida à condição de "governabilidade",
governança é algo maior. Governança é gênero,
governabilidade é espécie.
Governança na zona do euro requer regras do jogo bem definidas,
exige um mapa contratual em que as responsabilidades e a segregação
de atribuições sejam acordadas de modo supranacional, mas
que não abafem o ethos nacional de cada país-membro e que,
assim, possam ser razoavelmente factíveis.
Governança requer instituições comuns. Será
que isso ainda é possível de ser alcançado?
Recorde-se que a zona do euro nasceu, em 1999, do desejo político
de garantir a paz, a democracia e de oferecer um modelo de crescimento
sustentável comum a todos os membros. Mas a ordem dos fatos não
foi essa. Seus principais líderes, a Alemanha e a França,
mergulharam de cabeça na reforma econômica e subestimaram
a reforma política. Não houve uma "união fiscal",
muito menos uma "união política" que pavimentasse o caminho
para uma união monetária.
Ademais, o desequilíbrio econômico entre centro e periferia
(basicamente Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha,
os Piigs) foi o fato mais negligenciado. As instituições
vieram de cima. A convergência foi o artefato econômico que
simplesmente desabou sobre a periferia.
A Alemanha ajudou a disfarçar o risco estimulando a compra de
títulos de dívida soberana por diversos bancos. O Banco Central
Europeu também deu uma força para sustentar a fantasia de
risco zero nesses papéis. O slogan "euro na carteira, Europa no
bolso" servia para informar que a nova união monetária já
teria completado o sonho europeu de plena integração. Nada
mais seria necessário fazer.
Para o futuro, apenas perfumarias, um parafuso aqui, outro ali. Lanternagem
boba. O fato é que os "perdulários" (sic), como os Piigs,
teriam de fazer o dever de casa.
Disciplina fiscal, dizia Angela Merkel -a "Dama do Não", como
os europeus a chamam. Mas a iminência de um calote da Grécia
somente trouxe à tona o tecido já contaminado: toda a periferia
-e não só os Piigs- corre o gravíssimo risco de quebrar
junto com o centro.
Não existe autoengano, mas, sim, autointeresse. O sistema bancário
europeu está subcapitalizado e precisando de reformas; o Banco Central
Europeu eleva as taxas de juros; os alemães propõem uma participação
"voluntária" (deve ser brincadeira!) do setor privado no pacote
que estão tentando costurar para impedir que a periferia arraste
o centro para as suas águas.
A ausência dos adultos no jogo e a inexistência de coordenação
política viabilizam apenas o cenário mais inconcebível:
fugir do euro. A zona do euro apenas foi colada pela convergência
de baixas taxas de juros reais, que impulsionaram um crescimento ilusório.
Haverá reestruturação das dívidas? Sem
dúvida. Mas a questão é saber quando (mais cedo ou
mais tarde) e como (com ou sem ordem na casa). Mas o risco não é
mais idiossincrático, não depende mais deste ou daquele país.
O risco já contaminou o sonho europeu. O tempo apenas mostrará
que a atual união monetária já morreu. (Folha
de S.Paulo-16.07)
18.07 - Crise europeia sem controle?
Não há garantia de que a reestruturação
da dívida grega garantirá a travessia da crise, porque o
risco do contágio sempre existirá
Nesta semana o ataque especulativo contra a Itália deixa claro
que o verdadeiro problema que a Europa enfrenta hoje não é
mais evitar a crise - ela está aí -, mas atravessá-la
sob razoável controle.
Os principais obstáculos a uma solução adequada
são os burocratas internacionais do Banco Central Europeu e do FMI
que rejeitam a restruturação administrada da dívida,
e o Institute of International Finance que quer reduzir o custo da restruturação
para os grandes bancos que representa mais do que já sendo reduzido.
A Grécia está hoje em situação de insolvência.
O documento do IIF reconhece esse fato. Diante disso, a única solução
razoável para o problema é o default e a reestruturação
da dívida ""a redução do valor total a ser pago e
o aumento do prazo de pagamento - feita de maneira negociada e ordenada.
A Alemanha propôs essa solução, que dividiria as
perdas entre os Estados e os bancos.
Estes rejeitaram a propostas com o apoio do Banco Central Europeu,
do FMI, e da Comissão Europeia, e, há três semanas,
a proposta alemã foi descartada em troca de uma alternativa segundo
a qual os grandes bancos participariam do socorro total de € 115 bilhões
de dólares com a substituição de seus créditos
de curto prazo no valor de € 30 bilhões por créditos
de longo prazo com um desconto.
O IIF dá agora sua resposta. Quer anulação ou
redução de uma parte da dívida pública grega
de € 350 bilhões de euros. Concorda, portanto, com a reestruturação
que haviam recusado, mas quer que o setor público pague o prejuízo
que os bancos tiveram ao emprestar à Grécia.
Os adversários da reestruturação argumentavam
que a reestruturação grega contagiaria os demais países.
Mas isto já está acontecendo, e se reflete nos juros elevados
que os outros países europeus afetados estão sendo obrigados
a pagar.
Agora, com o vazamento do documento do IIF, é a Itália
o novo alvo. Devido ao excesso de dívida pública, os juros
de seus títulos aumentaram perigosamente. Ao que parece o IIF foi
longe demais.
Neste fim de semana, diante do agravamento da crise, os ministros de
finanças europeus estão reconsiderando a proposta de reestruturação,
agora chamada de "default seletivo", que obrigará os bancos credores
a aceitar o desconto.
E o FMI dá afinal sinais favoráveis a essa solução.
Não há garantia de que a reestruturação
da dívida grega controlada pela União Europeia, o BCE e o
FMI garantirá a travessia ordenada da crise, porque o risco do contágio
sempre existirá, e porque a solução será parcial.
Resolve o problema da dívida pública, não da dívida
privada grega. Nem o problema dos custos de produção excessivos
nos demais países devedores, porque o aumento dos salários
neles foi maior do que o da produtividade enquanto o inverso ocorria nos
países credores europeus, resultando na sobreapreciação
implícita da taxa de câmbio.
A solução apenas resolve ordenadamente uma parte do problema.
Vamos esperar que a outra parte - a da desvalorização necessária
- vá aos poucos sendo resolvida através da adoção
de planos de austeridade pelos governos, e através do aumento da
produtividade das empresas. O fundamental é manter a economia europeia
sob controle. (LUIZ CARLOS BRESSER - PEREIRA - Folha de S.Paulo)
18.07 - Dívida dos EUA assusta países
Uma solução para o impasse sobre a elevação
do teto da dívida dos Estados Unidos e um plano de ajuste econômico
é de interesse mundial. Como o país é um grande comprador
e estimula a cadeia produtiva global, os demais países torcem pela
recuperação da economia americana. No Brasil, o cenário
incerto reflete em oscilações na Bolsa de Valores, tendência
de desvalorização do dólar frente ao real, e nos casos
de grande desaceleração, queda nas exportações
e consequente desemprego nas empresas que dependem das vendas internacionais.
O problema é que os EUA gastaram mais do que podem pagar e a
legislação do país estabelece um teto de endividamento
de US$ 14,29 trilhões — valor que foi atingido recentemente. Como
no dia 2 de agosto há vencimento de dívidas, as autoridades
americanas precisam fechar um acordo até 22 de julho.
O acerto precisa ser definido pelo congresso daquele país e
a discussão sobre como ele deve ser feito envolve republicanos e
democratas. A professora de macroeconomia da Escola Superior de Propaganda
e Marketing (ESPM), Cristina Helena Pinto de Mello, explica que os EUA
têm só dois partidos, o que torna a discussão mais
polarizada e de difícil negociação. Basicamente, os
democratas defendem aumento de impostos e os republicanos, corte de gastos.
Barack Obama
Quinta-feira, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse estar “pronto
para agir” para elevar o teto da dívida. Ele pediu que o Congresso
apresentasse em cerca de um dia um plano para realizá-lo. “O tempo
está se esgotando.”
Dificilmente um acordo deixará de ser aprovado. Mas caso isso
ocorra, os americanos teriam que suspender alguns pagamentos (como seguro-desemprego
e seguro-saúde), demitir funcionários ou até mesmo
deixar de pagar títulos da dívida. Esse último ponto
é de grande preocupação porque muitos países
— inclusive o Brasil — são detentores de títulos americanos.
“Um eventual calote faria com que esses títulos perdessem valor”,
destaca Fabio Kanczuk, professor da FEA/USP.
E a Standard & Poor’s (S&P), uma das três mais importantes
agências de classificação de risco do mundo, já
informou que os Estados Unidos precisam impedir o crescimento da relação
entre a dívida e o Produto Interno Bruto (PIB) para evitar um rebaixamento
em seu rating de crédito.
Por aqui, o professor do Ibmec Marcio Sette Fortes acredita que o dólar
deve continuar desvalorizado e o produtor terá que se adequar para
enfrentar um câmbio desfavorável à exportação.
O lado positivo para o consumidor é itens importados mais baratos
e viagens internacionais mais acessíveis. “Não podemos ser
tão otimistas porque uma recessão nos EUA não é
boa para ninguém”, diz Mello.
Para Kanczuk, o ajuste americano é inevitável e como
o país tende a andar mais devagar, o Brasil também deve seguir
esse caminho e o real tende a desvalorizar, isso a médio prazo.
Com a discussão ampliada para a Europa, os especialistas acreditam
que as dívidas de nações menores serão cobertas
pelo restante do bloco europeu e não representariam grandes implicações
para os países emergentes. O problema se agrava se a crise atingir
países maiores, como a Itália, o que dificultaria a ajuda.
“Em caso de agravamento da crise, o euro vai perdendo confiabilidade
e o dólar tende a ganhar força diante dele”, diz Fortes.
(Gisele Tamamar - Agência Estado)
15.07 - 'Risco de ruptura da zona do euro não está descartado'
O risco de as autoridades europeias tomarem a "má direção"
continua forte e podem levar à destruição da zona
euro, diz Paul de Grauwe, professor de economia da Universidade de Louvain,
na Bélgica, e especialista na moeda comum europeia. Para ele, no
momento, as soluções possíveis seriam mais no sentido
de superar a crise, como definir como funcionará o fundo de estabilização
financeiro de € 500 bilhões para socorrer os países
em crise. Só mais tarde se voltaria à real discussão
sobre a governança econômica na região.
Valor: A crise da dívida causará a ruptura da zona euro
ou vai acelerar mudanças?
De Grauwe: É a questão chave. Os dois cenários
são possíveis. O cenário catastrófico é
a impossibilidade de as autoridades encontrarem uma solução
para a questão da Grécia e aí o contágio será
forte e o risco de implosão da zona euro é evidente. O outro
cenário é de os governos se conscientizarem, enfim, da intensidade
do problema, dos efeitos negativos e criarem o impulso para manter a coesão
do sistema. Neste momento, há uma probabilidade que se tome a má
direção e se leve à destruição do euro.
Valor: Por que?
De Grauwe: Veja, criamos o fundo de estabilização financeira
para ajudar países em crise e não conseguimos nos entender
sobre a maneira como ele deve funcionar. Se deve emitir obrigações
ou não. Cada país mantém o direito de veto, ou seja,
não se quer transferir soberania a esse fundo. É uma questão
aparentemente impossível. O fundo é necessário, mas
não suficiente. Se a Europa não consegue chegar em acordo
numa questão relativamente secundária, como alcançar
acordo mais substancial, por exemplo, de decidir ter um sistema de eurobônus,
de consolidar uma parte da dívida nacional que seria emitida de
maneira conjunta, com responsabilidade coletiva, e baixando a taxa de juro?
Mas não vejo nenhuma visão sobre isso.
Valor: Quais as propostas que o sr. considera mais sensatas para reformar
a zona do euro?
De Grauwe: É preciso reformar o fundo de estabilização,
é preciso fazê-lo de tomar decisões por maioria, como
no Fundo Monetário Internacional. No FMI, a Venezuela não
pode vetar empréstimo a Portugal, por exemplo. Aqui também
isso não deveria acontecer. Também é preciso reduzir
a taxa de juro que esse fundo impõe no programa de financiamento.
No programa para a Irlanda é a 300 pontos básicos sobre os
títulos da Alemanha.
Valor: Quais as vantagens dessas mudanças?
De Grauwe: Se não vamos nessa direção, a zona
euro desaparecerá. É a escolha que temos. Há quem
não queira a zona euro. Vários economistas alemães
pensam que seria melhor voltar ao marco alemão. A Alemanha, Holanda,
Finlândia são muito rígidos e dominados pela ideia
de que é preciso punir os países do sul porque eles pecaram.
É uma atitude que não ajuda. É verdade que a Grécia
fez coisas horríveis. Fraudou estatísticas, os governos mentiram
e hoje não tem nenhuma confiança. Mas é preciso resolver
a crise.
Valor: O federalismo tem chance de avançar?
De Grauwe: O federalismo transfere uma parte da soberania ao nível
europeu, criaria uma espécie de Estados Unidos da Europa, com integração
política. No cenário atual, não sei se tem possibilidades
de avançar. A evidência mesmo é que fazer união
monetária se não há união política claramente
não funciona.
Valor: No caso de ruptura da zona do euro, quais as consequências
imediatas?
De Grauwe: Se há realmente uma catástrofe, vai ter crise
bancária na Europa, risco de implosão do sistema bancário.
Basta ver o valor dos títulos públicos em poder dos bancos.
E quando há crise bancária, há também crise
econômica, e leva anos para haver recuperação. O impacto
é também sobre a União Europeia como um todo, sem
sua própria moeda e com grande depreciação das moedas
nacionais, distorções no comércio internacional, aumento
do protecionismo. Os efeitos são terríveis.
Valor: Qual o impacto até agora da crise sobre as empresas europeias?
De Grauwe: Os efeitos sobre as companhias estão limitados no
momento, e são muito desiguais. Na Alemanha, nos países escandinavos,
a economia vai bem, com taxa de crescimento respeitável. Já
no Sul da Europa, é claro que a deterioração econômica
afeta empresas, causa demissões, é o desastre.
(Assis Moreira - Valor Online)
15.07 - EUA podem ser rebaixados por não pagamento
Se o governo dos Estados Unidos deixar de pagar uma dívida,
o rating (nota) do país pode ser cortado no dia seguinte, afirmou
ontem Steven Hess, vice-presidente e diretor sênior do grupo de crédito
soberano da agência de classificação de risco Moody''''s.
"Como achamos que o rating provavelmente não voltará para
Aaa (se houver falta de pagamento), podemos rebaixá-los no dia seguinte",
disse Hess em uma entrevista.
Um dos cenários que ele prevê, no caso de os EUA deixarem
de pagar qualquer dívida, seria o rebaixamento na nota do país
em um grau e a atribuição de perspectiva negativa para o
rating, isso apenas um dia depois do evento. Essa revisão daria
tempo para a Moody''''s analisar os potenciais efeitos de longo prazo sobre
a dívida norte-americana, disse Hess. As questões de longo
prazo incluem o impacto da falta de um pagamento sobre os custos futuros
de empréstimo e mudanças regulatórias implementadas
para evitar futuros defaults (não pagamento).
Hess salientou que a Moody''''s ainda não crê que o governo
dos EUA deixará de pagar sua dívida. (Gustavo
Nicoletta - Agência Estado)
15.07 - PIB brasileiro deverá crescer abaixo da média
regional
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deverá crescer 4% em
2011, média abaixo dos 4,7% esperados para os países da América
Latina e dos 5,1% para os países da América do Sul. Essa
é a constatação do relatório pela Comissão
Econômica para América Latina e Caribe (Cepal).
Para que o crescimento continue nesse patamar na região, será
preciso segundo esse levantamento, que o consumo privado traga resultados
positivos, impulsionados pelo emprego e aumento da oferta de crédito.
Esse panorama geraria um índice de desemprego em torno de 6,7% para
região, frente os 7,3% verificado em 2010.
Entre os países que mais crescerão este ano na região,
destacam-se a Argentina (8,3%), Peru (7,1%), Uruguai (6,8%), Equador (6,4%)
e Chile com 6,3%. O desempenho da região atrai investidores estrangeiros
de acordo com o relatório. Isso, no entanto, poderia aumentar volume
de capitais especulativos, pressionando o câmbio local e a inflação.
O corte de gastos públicos é outro destaque da Cepal.
Para o órgão é preciso ajuste fiscal para desenvolver
um crescimento sustentável, com geração de emprego,
produtividade e igualdade. (Executivos Financeiros)
14.07 - O nó europeu
Instituições e governos da zona do euro penam para encontrar
solução razoável para crise de dívida na Grécia,
em Portugal e na Itália
O Fundo Monetário Internacional (FMI) admitiu que um novo plano
de socorro à Grécia deveria impor perdas aos credores da
dívida do governo daquele país.
Trata-se de um apoio à posição do governo alemão
que, premido pela opinião pública e seus contribuintes, não
quer bancar novos empréstimos sem que a finança privada contribua
com o esforço de evitar um colapso grego.
A proposta encontra obstinada oposição do independente
Banco Central Europeu (BCE). Na visão do BCE, e em parte também
da França, a imposição de perdas aos credores levará
agências de classificação de risco e investidores a
definir tal acontecimento como "default" (inadimplência).
Como consequência, haveria crises de confiança, pagamentos
e crédito, da Europa à América. Haveria elevação
de juros para o financiamento da dívida de outros países
em dificuldades (Portugal, Irlanda, Espanha, Itália), que poderiam
então quebrar.
Os países da eurozona estão divididos entre a posição
do BCE e a da Alemanha. As instituições de governo da União
Europeia também divergem sobre o tipo e a urgência da solução
para a crise.
Além da divergência política imediata, o estresse
deriva de uma falha estrutural. A União Europeia, um pacto político-econômico
com ênfase no comércio e na moeda, não previu meios
fiscais para corrigir problemas de países específicos, como
a transferência da receita de tributos do conjunto da UE para nações
em aperto.
Tais empecilhos redundaram em soluções paliativas e temporárias
para a crise da dívida da "periferia" da UE. No momento, obstáculos
políticos e estruturais a mantêm semiparalisada.
O imobilismo leva o mercado a temer um desfecho desordenado para o
caso grego -um calote. O medo leva investidores a exigir juros ainda mais
altos de Espanha e Itália, o que pode arrastar tais países
para uma crise à grega.
Começa a ficar evidente que os presentes planos de "ajuda" enredaram
ainda mais os países endividados num círculo vicioso. Os
cortes de despesas exigidos derrubam o crescimento econômico e a
receita de impostos. Assim, os deficit dos governos não caem, e
as dívidas já impagáveis aumentam.
Parece não haver solução sem que a UE assuma a
dívida grega, tome empréstimos no mercado e os redirecione,
com taxas razoáveis, ao governo da Grécia. Além do
mais, seria necessário impor perdas aos credores, limitadas, organizadas
e por um período curto. Haverá, ainda assim, turbulência
e dores econômicas e sociais.
Não se vislumbra ainda se os governos e instituições
multilaterais envolvidos conseguirão superar o impasse, que tende
a apressar uma solução caótica para a crise. Os mecanismos
institucionais europeus não facilitam uma solução
mais ágil. (Folha de S.Paulo)
14.07 - Brasil vai crescer menos do que vizinhos
A economia brasileira deve crescer menos do que as de seus vizinhos
em 2011 e 2012, segundo relatório divulgado ontem pela Comissão
Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).
Mesmo assim, segundo um economista da Cepal, o crescimento do Brasil
deve ocorrer com menor volatilidade nos próximos anos.
De acordo com o Estudo Econômico da América Latina e do
Caribe 2010-2011, o Brasil será, junto com a Guiana, o país
que registrará o menor crescimento da América do Sul em 2011,
com expansão de 4%.
Já o Panamá deverá registrar o maior crescimento,
com 8,5%, seguido da Argentina, com 8,3%. Para 2012, estima-se que o Brasil
repetirá o crescimento de 4%.
O estudo da Cepal avalia que, na América do Sul, particularmente,
o crescimento da economia é "favorecido pela melhora dos preços
obtidos nas exportações de produtos básicos", como
commodities agrícolas e minerais exportadas principalmente para
a China.
A Cepal destaca ainda a expansão econômica do Haiti, que
deve crescer 8% este ano e no próximo, embalada pela reconstrução
após o terremoto de 2010.
A economia do Peru, que vem registrando um dos maiores índices
de crescimento do continente, deverá expandir 7,1%. A previsão
para o Uruguai é 6,8% — o Chile deve crescer 6,3%, o Paraguai, 5,7%,
e a Venezuela, 4,5%.
Para o economista da Cepal, Carlos Mussi, a expansão menor do
Brasil indica que o país está preocupado em manter uma trajetória
de crescimento "sem maior volatilidade" e "com geração de
empregos e aumento da renda".
Mussi recorda que o Brasil cresceu 7,5% no ano passado e diz que a
redução no crescimento foi resultado do "aumento nas taxas
de juros e do corte dos gastos" que seguraram o ritmo da inflação.
Segundo o economista, o país respondeu "rapidamente" à
crise internacional, a partir de 2009. O "crescimento acelerado" acabou
provocando "pressão sobre os preços", mas sem afetar "a geração
de empregos e o aumento da renda", avalia Mussi.
De acordo com a Cepal, o crescimento vai se refletir no mercado de
trabalho da região, com uma queda no desemprego de 7,3%, em 2010,
para um percentual entre 6,7% e 7% em 2011.
O crescimento resultará também em "um aumento de 3,6%
do Produto Interno Bruto (PIB) per capita", segundo o relatório.
O estudo da Cepal prevê que, em seu conjunto, os países da
América Latina e do Caribe vão crescer 4,7% em 2011.
Segundo o documento, espera-se uma expansão de 4,1% em 2012
devido a "um contexto internacional menos favorável".
Segundo a Cepal, a região deve manter em 2011 a recuperação
iniciada na segunda metade de 2009, "graças ao impulso da demanda
interna" e com uma "melhora dos indicadores do trabalho e aumento do crédito".
A secretária executiva da instituição, Alicia
Bárcena, faz ressalvas, no entanto, sobre a capacidade dos países
da região de administrar o crescimento econômico.
No comunicado, o organismo ressalva que as autoridades "devem implementar
medidas para conter a apreciação cambial, combinando intervenções
nos mercados de câmbio, controle na entrada de capitais e regulamentações
financeiras".
A Cepal diz ainda que a região terá maior potencial de
crescimento nos próximos anos se tiver uma "política fiscal
orientada para o aumento da poupança do setor público".
(Brasil Econômico)
14.07 - BC indica ritmo menor para PIB do trimestre
Depois de meses de sinais contraditórios vindos da atividade
econômica, sem um dado concreto que indique se de fato o país
está desacelerando, o Índice de Atividade Econômica
do Banco Central (IBC-Br) relativo a maio apresentou forte desaceleração
na comparação com o ritmo observado nos meses anteriores.
O indicador, que tenta antecipar o comportamento do Produto Interno Bruto
(PIB), registrou avanço de 0,17% em maio, ante uma alta média
de 0,48% nos primeiros quatro meses do ano e de 0,44% em abril.
Em 12 meses, o crescimento ainda é elevado, de 5,34%, acima
do chamado PIB potencial, nível que representa uma expansão
econômica sem pressões inflacionárias.
A leitura interna do BC, no entanto, é de que o IBC-Br reforça
sua visão de que a economia se mostra em uma trajetória de
crescimento sustentável, segundo fontes da autoridade monetária.
Essa análise tem sido apresentada nos últimos documentos
oficiais, como o Relatório de Inflação, publicado
no fim do mês passado, mas ainda não foi totalmente aceita
por analistas.
O BC tem indicado que os maiores efeitos de suas ações
de política monetária devem ocorrer a partir do segundo semestre,
dada a defasagem já conhecida entre as elevações dos
juros, feitas desde janeiro, e o desaquecimento da economia. Na avaliação
das autoridades do BC, o recuo do IBC-Br em maio aumenta a chance de que
essa premissa de fato se concretize.
Os analistas ainda têm dúvidas quanto ao nível
de desaceleração da atividade, mas já começam
a surgir apostas em um desaquecimento maior a partir deste mês. O
Itaú Unibanco, por exemplo, avalia que ainda houve expressivo crescimento
da construção civil, alta da produção na indústria
de transformação e o aumento do comércio varejista
no mês de maio. A prévia de junho, porém, já
é um pouco mais positiva do ponto de vista do controle da inflação.
Os indicadores preliminares do mês passado apontam para moderação
da atividade econômica em junho, diz Aurélio Bicalho, economista
do Itaú Unibanco, e sinalizam ligeiro crescimento do PIB mensal
na margem, da ordem de 0,2, depois de um avanço de 0,7% em maio,
de acordo com uma medida particular do PIB feita pelo próprio banco.
"Os dados disponíveis sugerem um pequeno recuo da produção
industrial e estabilidade do comércio varejista no mês passado",
diz o economista, em relatório. "Mantemos a avaliação
que a atividade econômica já mostra sinais de acomodação,
apesar da volatilidade dos dados nos últimos meses, e que essa tendência
de moderação deverá ficar ainda mais evidente ao longo
dos próximos meses."
A preocupação com a inflação voltou ao
centro do debate econômico depois da divulgação do
Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho, com
alta de 0,15%, acima do esperado. O último boletim Focus, alimentado
pelas projeções de analistas, mostrou forte piora nas expectativas
de inflação, que foram a 6,31% para este ano e reforçaram
as apostas em duas novas elevações da Selic de 0,25%, uma
delas já na próxima semana, que levariam os juros para 12,75%
ao ano.
Algumas análises, divergem, porém, sobre a intensidade
do recuo da atividade no segundo trimestre. As projeções
para o crescimento do PIB variam de 0,7% a 1,1% na comparação
com o primeiro trimestre, na série com ajuste sazonal. A economia,
no primeiro trimestre, cresceu 1,3% sobre o trimestre anterior, na mesma
série.
Segundo o economista-chefe da Máxima Asset Management, Elson
Teles, o avanço de 0,17% no IBC-Br de maio é compatível
com o cenário de crescimento da economia previsto pelo BC. "A autoridade
monetária quer um arrefecimento, mas não um arrefecimento
forte da atividade. O IBC-Br reforça esse ponto", diz ele, para
quem o PIB crescerá 4% no fim do ano, e em torno de 1% no segundo
trimestre.
Para Rafael Bacciotti, da Tendências Consultoria, e Thaís
Marzola Zara, economista-chefe da Rosenberg & Associados, a desaceleração
será mais evidente a partir do segundo semestre. "O mercado de trabalho
estará um pouco menos aquecido, com a ocupação desacelerando
e a taxa de desemprego avançando", prevê Baciotti. A Tendências
projeta que o PIB crescerá 1,1% no segundo trimestre sobre o primeiro
e 3,9% no fim do ano.
Segundo o relatório da Rosenberg, o IBC-Br reforçou "a
perspectiva de crescimento do PIB superior a 1% no segundo trimestre, ainda
que inferior ao 1,3% do primeiro trimestre". Thaís espera que a
economia cresça 4% no ano, mesmo com a atividade ainda aquecida.
"O IBC-Br não traz tranquilidade no que se refere à evolução
da atividade e suas repercussões sobre a inflação",
diz a consultoria.
Bráulio Borges, economista-chefe da LCA Consultores, tem um
cenário mais pessimista. Para ele, o crescimento de 1,3% no primeiro
trimestre foi apenas um "voo de galinha" e o PIB do segundo trimestre terá
elevação de 0,7%. "O dado do IBC-Br, que é a síntese
de tudo, mostra que a atividade está desacelerando. Quando juntamos
comércio, indústria e atividade no caldeirão do PIB,
o recado é claro. A atividade está voltando a perder fôlego",
argumenta o analista, que espera um PIB de 3,4% em 2011.
Borges destaca que os dados do varejo divulgados pelo IBGE, apesar
de estarem fortes na margem, mostram recuo do comércio nas médias
móveis trimestrais, assim como o indicador do BC, que vem perdendo
força a cada três meses. "Os analistas estão olhando
dados muito pontuais, cuja volatilidade aumentou muito desde dezembro,
e esquecendo a tendência."
Segundo cálculos feitos pela LCA, a atividade econômica
teve crescimento de 0,8% no segundo trimestre de 2011, descontadas as sazonalidades,
número próximo à estimativa da consultoria para o
PIB do período. (Fernando Travaglini e Arícia
Martins - Valor Online)
13.07 - CVM: Fundos imobiliários mais transparentes
A revisão das regras contábeis proposta na minuta colocada
em audiência pública pela Comissão de Valores Mobiliários
(CVM) deverá trazer maior transparência para a avaliação
do valor das cotas dos fundos imobiliários.
A minuta SNC 01/11 exige que os imóveis sejam classificados
de acordo com a sua finalidade. Nas demonstrações financeiras,
os imóveis destinados a renda, que abrange a maioria dos fundos
imobiliários, deverão ser enquadrados como propriedade para
investimentos, sendo registrados pelo seu valor justo, isto é, aquele
transacionado no mercado.
Já aqueles destinados à venda serão classificados
como estoque e registrados no ativo circulante. “Dessa forma, o valor contábil
da cota tende a refletir seu valor justo e se aproximar mais do valor de
mercado, que está sendo negociado em bolsa”, afirma Osvaldo Zanetti
Favero Júnior, analista da CVM.
Para Rodrigo Machado, representante da Câmara Consultiva do Mercado
Imobiliário da BM&FBovespa, a medida permite uma formação
melhor do preço das cotas e poderá, inclusive, beneficiar
os fundos cujas cotas estão sendo mal precificadas no mercado secundário,
sendo negociadas abaixo do valor patrimonial.
A minuta ficará em audiência até o dia 18 de julho.
Atualmente existem 114 fundos registrados na CVM, que somam um patrimônio
de R$ 9,9 bilhões. Desses, 54 são negociados em bolsa.
(Silvia Rosa - Valor)
13.07 - Crise mundial e ausência de precaução
Uma crise financeira mundial pode ser considerada um câncer cujas
metástases se manifestam por muito tempo, se não for estirpado
o núcleo e suas infiltrações. O presidente Lula considerou-a,
inicialmente, produtora de simples "marolinha" no Atlântico Sul.
Posteriormente, foi obrigado a levá-la a sério, porém
tão logo o Federal Reserve (Fed, banco central americano) socorreu
o sistema bancário americano, assumiu que o câncer havia sido
debelado. A presidente Dilma parece ter a mesma postura e o Brasil continua
sem salvaguardas (sequer são discutidas) contra as metástases.
Na zona do euro, a doença progride de forma inexorável.
Irlanda, Grécia e Portugal já foram indicados para uma "Unidade
de Tratamento Intensivo (UTI)". A progressão já ameaçou
a Espanha e, agora, a Itália parece estar sendo atingida. Toda a
Europa está amedrontada e perplexa em relação ao modo
de enfrentar a crise; França, Alemanha e Grã Bretanha apresentam
propostas pouco convergentes.
No Brasil, persiste uma euforia quase ininteligível. Sofremos
com a crise e, apesar da recuperação parcial, não
conseguimos sequer igualar-nos ao desempenho da Argentina, que cresceu
mais que o Brasil. Cada vez mais assumimos a configuração
econômica de país exportador de alimentos e matérias
primas. Ressurgiu o discurso de "Brasil celeiro do mundo", que se nutrirá
exportando alimentos para saciar a fome do mundo. Essa autodenominação
é retórica, pois existem milhões de famílias
brasileiras com fome e péssima qualidade de vida. O Brasil deveria
se preocupar, em primeiro lugar, com a boa alimentação dos
brasileiros. Seria uma medida elementar restaurar o imposto de exportação
sobre alimentos; com esse imposto, poderíamos desfrutar dos altos
preços internacionais e praticar internamente preços em real
menores, favorecendo os consumidores nacionais. Hoje, 80% da população
é urbana e compra alimentos referenciados a taxa cambial do dólar.
O governo brasileiro não tem mais estoques reguladores de suprimento
interno de alimentos; quem deles dispõe são empresas que,
quando monopólicas, desfrutam de vantagens excessivas. Aliás,
essa é a razão do Banco Central praticar a política
de juros elevados, pois dessa forma atrai capitais especulativos do exterior
e valoriza o real.
Apesar da recuperação parcial, não conseguimos
igualar-nos ao resultado da Argentina, que cresceu mais que o Brasil
A curto prazo, na âncora cambial repousa a política anti-inflacionária.
A valorização sustentada do real reduz o preço dos
produtos importados e evita (na ausência do imposto de exportação)
o encarecimento excessivo dos produtos brasileiros exportados. É
extremamente perversa a repercussão da hipervalorização
do real sobre a atividade econômica interna. Empresas que dominam
fatias de mercado e que, antes, produziam internamente, passam a importar
produtos do exterior. Há destruição de elos das cadeias
produtivas, e de empregos. De vagões ferroviários até
lápis e borracha escolar, são hoje milhares de produtos importados
que o Brasil produzia e domina a tecnologia.
Há um silêncio sobre o s custos, a longo prazo, desse
padrão de política anti-inflacionária. As reservas
internacionais brasileiras crescem, porém o Banco Central (BC),
gestor dessas reservas, as constitui emitindo Títulos de dívida
do Tesouro. O povo brasileiro paga a taxa Selic por essa dívida
e o BC recebe uma ínfima remuneração da reserva que
aplica em papéis do Tesouro americano. Esse é um buraco sem
fundo, que recolhe impostos e paga juros. Parcela significativa dos impostos
e contribuições se alimentam do superávit primário
e, sendo insuficientes, engendram novas emissões de títulos
de dívida do Tesouro brasileiro.
Em tempo: são mantidas as indexações das principais
tarifas de serviços públicos e, indiretamente, via sistema
bancário, há uma proteção (pelo menos parcial)
do caixa das empresas. Os bancos remuneram os depósitos à
vista com parcela dos juros que recebem dos Títulos de dívida
pública.
Simultaneamente a essa "política anti-inflacionária",
que mutila o investimento público e orienta as empresas para especulações
financeiras, as famílias são induzidas a se endividarem a
longo prazo não para comprar a moradia, mas com eletrodomésticos,
móveis, veículos, etc. Em uma economia pouco dinâmica,
que admite a destruição de empregos e sacrifica o crescimento
econômico em nome da estabilização, o endividamento
familiar cria uma perigosa bolha cuja manifestação mais evidente
é a inadimplência das famílias. Em junho o recorde
na taxa de inadimplência reproduziu o cenário de nove anos
atrás.
A crescente inadimplência familiar é, em curto prazo,
o efeito combinado da alta da taxa de juros com a elevação
do IOF. Em longo prazo, a estagnação e o medíocre
crescimento continuarão a produzir inadimplência e assistiremos
a consolidação de duas tendências inquietantes: pela
primeira, nossa juventude sem esperança lança seu olhar para
o resto do mundo e emigra; pela segunda, uns poucos grupos brasileiros
bem sucedidos passarão a adquirir empresas em outros países.
A defesa do nível de atividade da economia, mediante um modelo "Casas
Bahia", não é sustentável a longo prazo. Após
um longo período, em que a frota de veículos cresceu 9% ao
ano e foi implantado o congestionamento como padrão urbano brasileiro,
com elevação de acidentes rodoviários, no momento
os pátios das montadoras estão lotados e serão concedidas
férias coletivas. É difícil imaginar o Brasil exportando
crescentemente veículos; é visível o aumento de carros
importados do exterior.
É assustadora a ausência de discussão sobre salvaguardas
e sobre a retomada de um padrão de desenvolvimento nacional que
gere empregos e renda para os jovens. (Carlos Francisco Theodoro
Machado Ribeiro de Lessa - Valor Online)
13.07 - Incerteza é tamanha que até o Fed está
perdido
Mais um dia no qual não falaram notícias ruins. Por isso,
não se estranha a grande variação no preço
dos ativos ao longo da terça-feira.
A maior fonte de instabilidade continua sendo a Europa. O foco que
estava na Itália, deve mudar, agora, para a Irlanda, depois que
o país foi rebaixado para grau especulativos pela agência
de classificação de risco de Moody's.
Ainda na zona do euro, parece crescer a ideia de que a Grécia
não conseguirá escapar de um calote da dívida. Por
ora, se trata do assunto como um "default seletivo", seja lá o que
isso for.
O euro capta essa incerteza e voltou a valer menos de US$ 1,40.
Situação só piora na Europa e euro cai abaixo
de US$ 1,40
Salvo algum novo rebaixamento de nota, o próximo desdobramento
dessa história é o teste de estresse dos bancos europeus.
O resultado está previsto para a sexta-feira. Já tentaram
abafar a divulgação, apontando que isso poderia somar mais
instabilidade aos mercados. E também se fala que os governos já
estariam prontos a ajudar as instituições que não
passarem no testes.
Ilustrando bem como o grau de incerteza que rege o mercado é
sem igual, nem o Federal Reserve (Fed), banco central americano, sabe o
que fazer.
Apesar de um corpo técnico excepcional e mentes premiadas no
seu comando, a ata apresentada, ontem, mostra um colegiado em cima do muro.
Parte do Fed avalia que novas medidas de estímulo podem ser
necessárias se o crescimento não ganhar tração
suficiente, principalmente para reduzir o nível do desemprego.
Outro grupo aponta o aumento nos riscos inflacionários como
uma indicação de que as condições econômicas
podem evoluir de forma a levar o Fed a retirar as medidas de estímulo
antes do previsto.
A primeira reação ao documento foi positiva, afinal,
parte do Fed falou em novos estímulos. Mas o tom positivo não
durou muito e o humor virou de vez após o rebaixamento da Irlanda
para "junk bond".
Mas mesmo que mais ajuda seja dada nos EUA (fica a dúvida sobre
como isso seria feito), os resultados podem se mostrar pouco duradouros.
Qualquer aumento de liquidez tira força do dólar e impulsiona
as commodities (já vimos esse filme antes). Só que a alta
das matérias-primas, particularmente o petróleo, consome
renda disponível do americano. Com isso, o consumo cai e a retomada
perde força. Sem falar que as commodities mais caras poderiam garantir
ciclos ainda mais longos de aperto monetário em mercados emergentes,
única fonte de demanda na conjuntura atual.
No mercado local, essa agenda toda fez preço, principalmente
na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que perdeu os 60 mil
pontos pela primeira vez desde maio do ano passado.
No câmbio, as cotações oscilaram bastante, mas
os preços fecharam o dia sem mudanças relevantes. O dólar
comercial cedeu 0,12%, para R$ 1,580 na venda. Mas a moeda para agosto
subia 0,18%, a R$ 1,5865, antes do ajuste final.
Não bastasse a instabilidade externa e a nova circular do Banco
Central (BC) que ainda está sendo digerida, ontem, as famigeradas
"fontes de governo" voltaram ao noticiário, falando sobre a possibilidade
de novas medidas na área cambial.
Essas fontes reforçaram postura já externada pelo ministro
da Fazenda, Guido Mantega, na semana passada, pois falaram em alterações
no mercado de derivativos.
Assim que as manchetes piscaram, pouco antes das 16 horas, o dólar
futuro teve firme repique de alta. De fato, o período foi um dos
mais movimentados do dia.
Nas mesas, a reação de sempre: "o que esses caras querem
com esse tipo de notícia?", questionou um operador. Outro agente
acrescentou: "para quê criar esse tipo de ruído no meio do
pregão?"
Um terceiro agente acredita que qualquer medida que seja tomada visa,
apenas, elevar a arrecadação do governo, pois de efetivo
nada pode ser efeito enquanto o Brasil ostentar a maior taxa de juros do
mundo.
Por mais dificuldades que se criem, o mercado sempre acabará
encontrando uma forma de ganhar esse "dinheiro fácil".
No mercado de juros futuros, os contratos não sofreram grande
alteração. A curva segue acenando com duas altas de 0,25
ponto percentual na Selic, que atualmente vale 12,25% ao ano.
Um operador baseado em Nova York, no entanto, chama atenção
para o fato de o mercado local se mostrar muito à parte dos acontecimentos
externos.
Para esse especialista, atribuir probabilidade zero a um de calote
na zona do euro, ou outro evento do gênero, é sinal claro
desse "isolamento" dos operadores brasileiros.
Por isso, caso a crise na Europa se agrave, não será
estranho ver uma queda de 0,50 ponto base nos juros futuros. (Eduardo
Campos - Valor Online)
12.07 - OCDE: Desaceleração das economias
Muitas das maiores economias do mundo estão indo em direção
a um período de crescimento abaixo da tendência, de acordo
com os indicadores antecedentes divulgados ontem pela Organização
para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).
O índice composto de indicadores antecedentes da atividade econômica
dos 34 membros da OCDE caiu para 102,5 em maio, de 102,8 em abril, sugerindo
que o crescimento econômico provavelmente vai se desacelerar. O indicador
para o Brasil, que não é membro da OCDE, caiu para 97,6 em
maio, de 98,3 em abril.
Entre as economias desenvolvidas, o indicador apontou desaceleração
no Canadá, França, Alemanha, Itália e Reino Unido,
enquanto entre as economias em desenvolvimento deverá haver desaceleração
no Brasil, China e Índia. Desde fevereiro os indicadores do Brasil
e da Índia têm ficado abaixo de 100 - nível que marca
a tendência de crescimento de longo prazo.
No entanto, ainda não está claro se as economias de EUA,
Rússia e Japão também se desacelerarão. O indicador
antecedente dos EUA ficou estável em 103,4 em maio, depois de subir
nos meses anteriores. Japão teve queda no indicador para 103,7 em
maio, de 104,1 em abril, mas a OCDE alertou que isso deve ser interpretado
com cautela em razão do desastre natural de março no país.
(Danielle Chaves - Agência Estado)
12.07 - Desafios da política macroeconômica
Os desdobramentos da grande crise financeira, a ascensão da
China e mudanças estruturais pelas quais passa a economia global
e a economia brasileira nos últimos anos colocam enormes desafios
aos economistas brasileiros. Vivemos uma época histórica
ímpar em que somos obrigados a repensar a economia diante das mudanças
impostas pela necessidade de enfrentar os novos problemas ou velhos problemas
em novos contextos.
Os desafios e os problemas estão postos, mas o verdadeiro debate
nem começou ainda. Os economistas ainda se reúnem em grupos
doutrinários e de interesses, continuam defendendo as suas "verdades",
contidas nos seus pressupostos ou aquelas que convêm aos seus interesses.
Em vez de destilar doutrinas, é preciso caminhar para um debate
pragmático para enfrentarmos os problemas novos que nos apresentam.
Vamos nos restringir ao problema da inflação que ganhou
novos componentes e impõe alguns desafios, particularmente o fato
de os instrumentos até agora utilizados tornarem-se insuficientes
diante do novo contexto trazido pelas mudanças tanto na economia
global, como doméstica. Além disso, sabemos que, para cada
problema, devidamente convertido em objetivo da política, é
necessário um instrumento para resolvê-lo. Hoje, os instrumentos
utilizados são em número muito menor do que as metas e objetivos
a serem enfrentados.
Pleno emprego e inflação dos serviços estão
aí para exigir mais eficácia da política de juros
do que no passado
Hoje todos concordam que a inflação tem origens externa
e interna. Do lado externo, a elevação dos preços
das commodities causada pelo excesso de demanda global gerado pela rápida
expansão econômica da China e de outros países asiáticos.
Esse novo quadro inflacionário veio substituir o quadro anterior
de desinflação, em função da contenção
dos salários nos países desenvolvidos, pelo "deslocamento"
das fábricas e empregos para China e outros países com baixos
salários e da queda nos preços das manufaturas pela acirrada
competição global. No quadro desinflacionário, a política
de metas de inflação, com os bancos centrais perseguindo
uma única meta, com um instrumento, a taxa de juros, podia ser aceitável,
já que a meta de emprego ou de crescimento era providenciada pelo
"boom de crédito". Com a crise financeira, a política monetária
assumiu novas funções e a política de metas de inflação
precisará ser repensada, incorporando no mínimo novos instrumentos
e metas.
Essa elevação generalizada dos preços de commodities,
especialmente no caso dos alimentos, é um fenômeno novo, pelo
menos no período pós-guerra, e tem também uma inovação.
A causa original do excesso de demanda global tem sido impulsionada pela
inovação financeira, que converteu as commodities e as moedas
de países produtores em ativos financeiros, objeto hoje de forte
especulação. No novo quadro inflacionário, o instrumento
taxa de juros tem eficácia limitada, pois a demanda tanto de alimentos
como de petróleo são inelásticas e não consegue
inibir a especulação financeira.
Além disso, a atual pressão inflacionária não
é passageira, decorrente de simples quebra de safra, mas um deslocamento
persistente para cima na demanda, em função do rápido
crescimento da China e Índia em que a oferta só conseguirá
eliminar o excesso de demanda no longo prazo. E mais, a elevação
da taxa de juros atrai fluxo de capitais e aprecia a taxa de câmbio
e tem efeitos perversos. Taxa de juros elevadas e taxa de câmbio
apreciada inibem novos investimentos em vez de ampliar a oferta de commodities
e geram déficits em transações correntes. O aumento
do fluxo de capitais acaba expandindo a oferta de moeda e de crédito.
Do lado interno, a causa da aceleração da inflação
no Brasil que preocupa neste momento é a elevação
dos salários, acima da produtividade, e que está pressionando
principalmente o setor de serviços. Aqui há um fenômeno
novo, pois, pela primeira vez, atingimos o "pleno emprego" e, com isso
tudo indica que a chamada "curva de Phillips" que estabelece um "trade
off" entre variação da taxa de salário e taxa de desemprego
começa a valer de fato no Brasil. Não é o esgotamento
da capacidade ociosa na indústria, nem a depreciação
da taxa de câmbio ou algum choque de oferta doméstica que
pressionam a inflação, mas o esgotamento relativo do excesso
de oferta de trabalho.
Mudanças demográficas ocorridas ainda na década
de 70 e 80, com redução na taxa de natalidade e que já
há alguns anos vem diminuindo o número de trabalhadores que
procuram o seu primeiro emprego, modificou completamente a dinâmica
do mercado de trabalho no Brasil.
Além disso, é do setor de não "tradables" que
vem a maior pressão inflacionária, pois a apreciação
da taxa de câmbio não tem efeito anti-inflacionário
neste setor, ao contrário, a apreciação, ao elevar
os salários, geram pressões de demanda e inflação,
exatamente em setores não expostos à competição
das importações. É importante lembrar que a apreciacão
da taxa de câmbio significa elevação relativa de preços
dos setores não "tradables" onde a produtividade aumenta menos do
que no setor de "tradables", expostos a competição internacional.
Isso somado à desindustrialização fará com
que a produtividade cresça lentamente na economia brasileira, fazendo
com que os custos unitários de trabalho tenham que ser repassados
aos preços. Os desafios estão postos: "pleno emprego" e inflação
do setor de serviços estão aí para exigir muito maior
eficácia da política de juros do que no passado.
(Yoshiaki Nakano - Valor Online)
12.07 - Gerenciamento de riscos: respondendo as perguntas certas
Qual é o potencial de perda que um fundo de investimento tem
em um dia? Essa deveria ser uma das questões a ser respondida pelos
gestores aos investidores quando da alocação de seus recursos
em um determinado fundo de investimento.
É comum no mercado o gestor que responde a seus investidores
com fatos e argumentos que sugiram suas expectativas de retorno para o
período deparar com perguntas como: "Qual a expectativa de rendimento,
de ganho, para este ano?"
A consistência da resposta não está somente na
concretização dos cenários projetados e na realização
das promessas em termos de resultados dos ativos que compõem a carteira
de investimento de um determinado fundo, mas está também
no controle e monitoramento de sua volatilidade e no conhecimento do potencial
de perda desses ativos.
De forma complementar aos potenciais de ganho de que o mercado tanto
fala e emite relatórios, os conhecidos "upsides", a história
de retornos dos ativos aliados a metodologias matemáticas e estatísticas
nos permite conhecer de forma bem consistente qual o potencial de perda
para determinada carteira.
O VaR, metodologia de cálculo de risco de mercado voltada para
mensuração da máxima perda esperada para um portfólio
dado um nível de confiança determinado, nos apresenta a informação
do quanto se poderá perder em um dia o portfólio analisado.
Essa informação e a gestão desses níveis de
perda associados aos potenciais projetados de ganho podem assegurar a consistência
dos retornos dos fundos de investimento bem como dar mais conforto a alocação
por parte do investidor na medida em que os riscos são mensurados
e conhecidos.
Nos dias atuais, em que movimentos locais têm influências
diretas e imediatas globalmente, nada mais responsável do que se
conhecer o potencial de perda de seus investimentos. Saber a que nível
de risco financeiro um portfólio está exposto é conhecer
a que custo a rentabilidade pretendida ou projetada poderá ser conquistada.
O gestor de recursos deve ter que como prática diária
a mensuração dos níveis de risco a que os portfólios
que ele realiza a gestão estão submetidos. O responsável
pela alocação dos recursos de terceiros e o gestor de riscos
devem ter uma separação em termos de atribuições,
sendo que o papel de um deve ser complementar ao do outro e ser necessariamente
realizado por pessoas diferentes, garantindo assim a transparência
do processo, o cumprimento das políticas de alocação
e de exposição em termos de risco bem como a devida consistência
na tomada de decisão.
Deve fazer parte do dia a dia da gestora, a realização
de comitês de risco com a participação das demais áreas
envolvidas no processo de tomada de decisão de investimento, uma
vez que esses comitês demonstram e debatem os níveis de risco
por ativo e por portfólio. Além disso, auxiliam os alocadores
a operarem seus papéis diários na medida em que os mesmos
passam a conhecer quais ativos contribuem mais para o aumento de volatilidade
do fundo, qual o risco marginal e incremental de determinado ativo e todas
as outras informações necessárias para o dia a dia
de um investimento responsável.
Essa postura deve partir não somente dos próprios gestores,
mas de investidores atentos e dos agentes reguladores e autorreguladores,
pois guarda relações com o aprimoramento do próprio
mercado. É fator decisivo de sucesso em gestão de recursos.
Para se ter ideia do quão vantajoso é conhecer o VaR
(valor no risco) de uma carteira, portfólios com políticas
de risco conhecidas, limites de perdas determinados a que podem se sujeitar
bem como um comitê de risco atuante, em 2008, na crise do subprime,
tiveram como conhecer a depressão das rentabilidades com antecedência
dado o aumento de volatilidade. Por isso, puderam, frente a preciosa informação,
distribuir e alocar seus recursos de maneira mais eficiente, mantendo os
níveis de perda, quando ocorreram em patamares baixos - isso quando
não ocorreram ganhos.
Portanto, a pergunta não mais deve ser isoladamente voltada
para o conhecimento das expectativas de ganhos dos gestores e dos fundos
de investimento, mas também dos riscos a que estão expostos
em termos de perdas financeiras possíveis. Sendo assim, ao procurar
uma alocação, deve-se perguntar: "Qual o potencial não
somente de ganho, mas também de perda para determinado portfólio
para o período?"
Fazer (e exigir respostas) as perguntas certas é cada dia mais
importante e deve ser comportamento de investidores bem-sucedidos. Eles
devem verificar não somente resultados passados e potenciais, mas
a qualidade técnica com que seus recursos são geridos por
completo. (Rafael Salgado Matos - Valor Online)
11.07 - BM&FBovespa quer incentivar governança
A BM&FBovespa quer aumentar o diálogo com as companhias
listadas para estimular iniciativas que aumentem a liquidez dessas ações
no pregão.
"Nesse momento, o trabalho é muito de escutar as dúvidas,
críticas e demandas das companhias e tentar equacioná-las",
afirma Cristiana Pereira, diretora de desenvolvimento de empresas da BM&FBovespa.
Um resultado dessas conversas iniciais, diz, foi o anúncio de
reforma da Câmara de Arbitragem do Mercado (CAM).
"Muitas companhia afirmam que não migram para níveis
mais elevados de governança por conta da CAM. Resolvemos então
colocar o assunto em discussão", conta a executiva.
Após alguns anos com o discurso de que a migração
para os níveis de governança é uma decisão
só das empresas, agora a bolsa deverá incentivá-las
a estudar o assunto.
Internamente, a bolsa vê a possibilidade de, no curto prazo,
19 companhias se aperfeiçoarem em termos de governança. Recentemente,
Mundial, Mahle Metal Leve e Forjas Taurus, já anunciaram migrações.
"Nós já fazemos um trabalho forte de prospecção
para apresentar o mercado de capitais como forma de financiamento para
as novatas. No entanto, há muitas listadas que também estão
em fase de crescimento ou até em processos de sucessão que
podem estar mais ativas no mercado", afirma Cristiana.
"Queremos mostrar que aprimorar a governança vai trazer mais
valor a essas empresas", diz. Um grupo de trabalho foi criado na bolsa
para estreitar o relacionamento. Além da adesão aos níveis
diferenciados, a bolsa também reforçará as conversas
sobre aspectos de sustentabilidade, discutindo, por exemplo, os critérios
para ingresso no Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE); capacitação
dos profissionais da empresa para interagir com o mercado e educação
financeira.
Um dos desejos da BM&FBovespa é também aumentar a
quantidade dos eventos chamados "Dia das empresas", quando as companhias
reúnem, na própria bolsa, investidores e imprensa para fazer
apresentações de seus negócios.
Em princípio, as conversas de aproximação serão
com as 140 empresas abertas cujas ações são as mais
negociadas. (Ana Paula Ragazzi - Valor Online)
11.07 - Economia mundial: Apatia global
Expectativa positiva do início do ano quanto à recuperação
da economia mundial cede lugar ao desalento diante de dados setoriais preocupantes
A ansiada recuperação da economia global caminha sobre
terreno pantanoso. Basta a divulgação de dados setoriais
decepcionantes, como as cifras de emprego nos EUA ontem, para fazer os
mercados mundiais deslizarem.
Nos países desenvolvidos, os problemas principais são
o baixo crescimento e o peso da dívida pública deixada pela
crise financeira. Há uma relação perniciosa entre
eles: a falta de dinamismo agrava o endividamento, o que impõe mais
austeridade aos governos, num círculo vicioso.
Os recorrentes pacotes de auxilio a Grécia, Irlanda e Portugal,
em ambiente cada vez mais recessivo, mostram a dificuldade de lidar com
dívidas impagáveis. O rebaixamento da nota de risco dos títulos
da dívida de Portugal pela agência Moody's, para a categoria
"investimento especulativo", só reforça o temor de que será
difícil escapar de uma reestruturação da dívida
(ou calote parcial).
No momento, autoridades tentam delinear a participação
do setor privado, que rolaria as dívidas voluntariamente, sem caracterizar
calote formal. Com isso, busca-se ganhar tempo para que cortes fiscais
e arrochos salariais deem frutos, o que ainda soa duvidoso.
Nos Estados Unidos o problema é similar, embora mitigado pelo
fato de o país controlar a principal moeda de reserva global. Com
a emissão de dólares, os EUA conseguem financiar-se a custo
baixo, mas sem alterar a implacável aritmética da dívida.
Para o Fundo Monetário Internacional, será preciso um corte
de gastos de 7,5% do PIB americano, nos próximos anos, para conter
a deterioração.
Tal ajuste seria facilitado num ambiente de maior crescimento, mas,
assim como na Europa, as notícias são desanimadoras. A criação
de empregos continua frustrante: em junho, apenas 18 mil vagas; o desemprego
voltou a subir, para 9,2%. Três anos após a crise, os EUA
mal conseguem sustentar 2% ao ano de crescimento.
A primeira oportunidade para um ajuste seria a negociação
no Congresso para elevar o limite de endividamento do governo (US$ 14,3
trilhões), atingido em maio, mas os partidos não se põem
de acordo. Republicanos defendem cortes drásticos de gastos, inclusive
nos programas de saúde, e não aceitam aumentos de impostos.
Já democratas querem mínimos ajustes nos programas e elevação
de impostos para os mais ricos.
O ponto crucial é que o legado da crise financeira implicará
carestia por anos a fio no mundo desenvolvido, num contexto de envelhecimento
da população e concorrência cada vez maior dos países
emergentes. As consequências para a economia mundial ainda são
incertas, mas podem incluir menor crescimento estrutural e maior protecionismo.
Nesse cenário, até o desempenho mais robusto de economias
como China, Índia e Brasil seria afetado. Um dos efeitos previsíveis
é o arrefecimento da alta nos preços de commodities, como
minérios e alimentos, que tanto tem contribuído para manter
a saúde das contas externas por aqui, em que pese a valorização
do real. (Folha de S.Paulo)
11.07 - Grécia é só biombo
A Europa rica não socorre a Grécia por solidariedade
comunitária, mas por autopreservação
antônio machado
Com medo de fazer algo mais que jogar para baixo do tapete toda a sujeira
do endividamento resultante da farra entre seus bancos e o naco frágil
da zona do euro, a União Europeia encurralou o governo da Grécia,
o mais endividado da comunidade, e se trancou em casa.
O Parlamento grego aprovou o projeto levado pelos tecnocratas de Bruxelas,
sede da União Europeia (UE), com o aval do Banco Central Europeu
(BCE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) – a chamada “trinca
do status quo”, segundo a imprensa europeia -, ao governo já rifado
e sem escolhas do primeiro-ministro George Papandreou.
Ou a Grécia dá um beiço à dívida
e é expelida da união monetária ou corta gastos, aumenta
impostos e vende bens públicos, recebendo em troca empréstimos
para pagar as prestações e juros do que deve.
É isso o que foi aprovado em troca de 12 bilhões de euros,
dinheiro que sairá do bolso da trinca para entrar no da banca européia
credora da Grécia, não para movimentar a economia grega.
É o mesmo destino da primeira ajuda de 110 bilhões de euros,
liberada em parcelas, conforme vão vencendo os títulos da
dívida soberana da Grécia.
O país tem dívida total de 340 bilhões de euros,
e não há mais mercado que aceite rolar tais papagaios. Do
total, 36% já estão com o FMI e o BCE. E assim continuará.
A rigor, a moratória dessa dívida é um cisco para
os bancos alemães e franceses, os maiores credores da Grécia
na Europa, que ao todo carrega 17% desse pepino. Bancos de outras partes
do mundo detêm 16%. O problema não está bem aí.
Em caso de insolvência, o BCE e os tesouros regionais da zona
do euro limpariam os balanços dos seus “bancos grandes demais para
quebrar”. O BCE, a propósito, já aspirou 400 bilhões
de euros em ativos podres do sistema financeiro europeu desde 2009, infringindo
uma das normas basilares da união monetária: a proibição
de um país pedir euros ao BCE para financiar dívida e déficit
fiscal.
Fazer o quê? Não havia o que fazer antes, sob pena de
aceitar o colapso da economia europeia e da moeda única, e não
há agora. É essa a dimensão a enxergar da crise grega.
Não é ela o mal em si.
O risco é que, entregue à própria sorte, a Grécia
quebre à sua revelia, como ocorreu com a Argentina no fim de 2001,
e arraste a porção da Europa em estado comatoso, Portugal
e Irlanda, e o trio afunde o resto como abraço de afogado. A Europa
rica não salva a Grécia por solidariedade comunitária,
mas por autopreservação.
EUA têm mais escolhas
A ruína do Lehman Brothers teria o mesmo impacto destrutivo
para Wall Street, se o Federal Reserve (Fed) e o Tesouro dos EUA não
acudissem a banca. A diferença para a Europa é que o Fed
emite o meio de pagamento global e o Tesouro, títulos que o mundo
quer.
É assim, mesmo a contragosto. Euros não têm o mesmo
apelo, sem falar que os EUA são uma rede de entes regionais desprovidos
de soberania, assim como os estados no Brasil, enquanto a UE é uma
federação de nações livres que abdicaram apenas
da moeda própria.
Com pavor das marolas
Crise generalizada de desconfiança na Europa poderia ser fatal
ao sistema bancário europeu, como reporta o analista Niels Jensen,
do Absolute Return Partners, uma casa de investimentos de Londres. A soma
do capital e reservas do sistema europeu de bancos centrais, segundo Jensen,
é de apenas 81 bilhões de euros, o que significa que, se
emulasse o laxismo monetário do Fed desde 2008, o BCE entraria em
pane, já que acabaria provocando uma hiperinflação
na Europa.
Como suas mazelas são mais políticas que de política
econômica, a liderança da UE busca ganhar tempo. E é
o que explica o destempero dos caciques europeus com a decisão da
agência de risco Moody’s de rebaixar os papéis de Portugal
à categoria de junk bond, ou lixo, como o mercado trata os títulos
que dão choque. A reação do BCE foi sintomática:
seu presidente, Jean-Claude Trichet, anunciou que os papéis da dívida
de Portugal podem ser aceitos como “bons”, portanto, sem risco, pelo mercado
financeiro. O BCE os garante.
Diques contra ataques
É a isto que se resume a estratégia de Bruxelas: construir
diques que protejam o euro de ataques cambiais e impedir a repulsa contra
a dívida soberana dos países da união monetária.
E a reconstrução da Grécia? De Portugal? A austeridade
que Bruxelas lhes cobra não trará crescimento econômico,
adverte o inglês Jansen. O arrocho do mercado doméstico só
funciona se compensado com exportações, o que nenhum deles
dispõe como vantagem. O grosso das divisas captadas é originado
do turismo. A questão não é mais saber quando a Grécia
vai quebrar, diz ele, mas o que acontecerá depois que isso acontecer.
(Estado de Minas)
08.07 - Vendas de seguros atingem US$ 4,3 tri em 2010
O volume global de prêmios apresentou grande aumento em 2010,
impulsionado pelo crescimento econômico, repercutindo em capital
e solvência. Os países emergentes continuaram a ganhar em
importância – a China tornou-se o sexto maior mercado de seguros,
e o retorno dos investimentos sofreu com as baixas taxas de juros.
Essas são as principais conclusões do estudo sobre as
vendas mundiais de seguros, realizado pela Sigma, divisão de estudos
da Swiss Re, segunda maior resseguradora do mundo. De acordo com o estudo,
as vendas de seguros chegaram a US$ 4,3 trilhões em 2010, crescimento
real (já descontada a inflação) de 2,7% acima do resultado
de 2009.
No ano passado, os prêmios do segmento de vida cresceram 3,2%,
para US$ 2,5 trilhões, e de ramos elementares avançaram 2,1%,
para US$ 1,8 trilhão. De acordo com o estudo, o crescimento dos
prêmios nos mercados emergentes se acelerou. No Brasil, os prêmios
chegaram a US$ 60 bilhões e a penetração no PIB situou-se
em 3,1%, bem abaixo da media mundial de 6,9%.
A participação dos países emergentes no mercado
global, atualmente de 14%, deverá continuar aumentando vigorosamente
nos próximos dez anos. É provável que a China se torne
o segundo maior mercado de seguros dentro de uma década.
Nos mercados emergentes, os prêmios do segmento de vida subiram
13%. A Ásia Meridional e Oriental formou a região com mais
forte crescimento, alcançando 18%, tendo à frente a China,
com grande demanda tanto por produtos tradicionais quanto por produtos
vinculados a investimentos. A América Latina e o Caribe não
ficaram muito atrás, com 12%, liderados pelo Brasil.
Em 2010, os prêmios do seguro de ramos elementares aumentaram
2,1% em nível mundial. Os resultados da subscrição
se deterioraram, em geral, nos Estados Unidos, e ficaram negativos nos
grandes mercados europeus; no último caso, devido aos péssimos
resultados do seguro de automóveis.
Nos oito maiores mercados, pelo segundo ano consecutivo, a receita
de prêmios não conseguiu cobrir completamente as liquidações
de sinistros e outros custos. O índice combinado médio desses
principais mercados degenerou para 103%, comparado com 101% em 2009.
Para 2011, o cenário é de incertezas. Os principais riscos
para o panorama futuro referem-se a uma escalada da crise da dívida
soberana em euros ou a uma grave escassez de petróleo causada por
tumultos nos principais países produtores de petróleo.
No entanto, a recuperação econômica deverá
seguir seu curso e estimular o crescimento de prêmios nos setores
de vida e ramos elementares em nível mundial. Entretanto, o retorno
dos investimentos, tanto no setor de vida quanto de ramos elementares,
vai permanecer fraco, pois as taxas de juros apresentarão, quando
muito, apenas uma lenta subida. (Executivos Financeiros)
08.07 - Será que os bons ventos do Brasil vão durar muito?
Estes são os melhores tempos do Brasil. O país emergiu
como nítido líder na América Latina e força
mundial essencial. Sua economia esteve entre as primeiras a recuperar-se
com força da recente crise financeira e, desde então, manteve
crescimento impressionante. A pobreza foi reduzida drasticamente e a desigualdade
de renda vem diminuindo, enquanto a classe média fica cada vez maior.
E, graças à descoberta de vastas reservas marítimas
de petróleo, o Brasil não apenas se tornou autossuficiente
em termos energéticos, mas também se encaminha a ser um importante
exportador de petróleo.
Ainda assim, apesar das boas notícias, os brasileiros deveriam
preocupar-se, porque os bons tempos durarão apenas se o Brasil resolver
uma série de desafios cada vez maiores de política econômica.
Alguns se referem a questões de curto prazo; a maioria tem natureza
de médio prazo.
No curto prazo, é essencial evitar o superaquecimento da economia:
o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) real anual superou os 10%
em 2010, graças à política monetária e fiscal
expansionista e a termos favoráveis no comércio exterior.
É preciso assegurar que a demanda doméstica se desacelere
a um ritmo mais sustentável para moderar a pressão de alta
nos preços, que ameaça a credibilidade da estrutura de política
monetária de metas inflacionárias - em abril, aliás,
a inflação ao consumidor acumulada em 12 meses superou o
limite máximo da banda de tolerância do Banco Central. Da
mesma forma, o Brasil precisa esfriar seu mercado de trabalho, também
superaquecido, e estancar a deterioração da balança
externa (que saiu de um pequeno superávit para um déficit
de mais de 2% do PIB nos últimos três anos, apesar da grande
melhora nos termos comerciais).
Autoridades devem almejar a remoção, ou redução
substancial, dos obstáculos tributários à competitividade
Para moderar a demanda doméstica, é preciso, primeiramente,
um aperto fiscal, porque mais aumentos nas taxas de juros, que já
estão relativamente altas, apenas alimentarão novos fluxos
de entrada de capital e pressionarão ainda mais o real, já
sobrevalorizado. As autoridades deram os primeiros passos para ajustar
a política fiscal ao anunciar cortes significativos no orçamento
aprovado. Estima-se, no entanto, que mesmo assim os gastos do governo central
aumentarão cerca de 4% em termos reais em 2011, em relação
ao nível de 2010, que já é historicamente alto. As
autoridades complementam o aperto fiscal moderado com medidas macroprudenciais
de restrição de crédito e controles de capitais (em
sua maior parte baseados em impostos).
Em um prazo mais longo, o Brasil depara-se com vários desafios
de reformas fiscais. Abordá-los com êxito permitirá
ao país gerar as economias necessárias para atender suas
imensas, e cada vez maiores, necessidades de investimentos públicos:
a expansão da infraestrutura produtiva (estradas, portos e aeroportos)
para solucionar graves gargalos que travam a aceleração do
crescimento não inflacionário; os planos de investimentos
em escala sem precedentes na exploração de petróleo
e geração elétrica; e os eventos esportivos internacionais
(Copa do Mundo e Olimpíada) que terão sede no Brasil nos
próximos anos.
O Brasil também precisa de espaço no orçamento
para acomodar os investimentos necessários em infraestrutura social,
especialmente em instalações de saneamento e saúde
básica, para poder reduzir a incidência de doenças
infecciosas. Também precisa financiar programas bem focalizados
para reduzir ainda mais a pobreza e assegurar acesso universal à
educação básica; melhorar o ensino médio, com
a ideia e aperfeiçoar a capacitação técnica
da mão de obra; e incentivar a pesquisa e inovação.
Por fim, as autoridades de política econômica brasileiras
devem almejar a remoção, ou pelo menos a redução
substancial, dos atuais obstáculos tributários à eficiência
e competitividade.
Então, que reformas fiscais são necessárias?
Em primeiro lugar, o Brasil deveria adotar uma estrutura fiscal de
médio prazo traçando um caminho gradual de declínio
da dívida pública, incluindo o compromisso de ajustar analogamente
a meta do superávit primário no orçamento. O cálculo
sistemático e a publicação de indicadores fiscais
ajustados ciclicamente ajudariam a manter a disciplina, ao promover a prestação
de contas, assim como outros avanços na transparência, especialmente,
no que se refere às operações "quase fiscais" e ao
passivo contingente do governo e empresas públicas. A criação
de um conselho fiscal independente para verificar as projeções
orçamentárias oficiais também ajudaria a atingir as
metas fiscais.
No front da arrecadação, o Brasil deveria substituir
o atual imposto sobre o valor agregado no nível estadual, carregado
de grandes distorções, e os impostos federais em cascata
sobre o faturamento com um tipo moderno de imposto sobre o valor agregado
dual (federal e estatal) sobre o consumo, com uma base comum e um número
bem pequeno de alíquotas. Também deveria reduzir a pletora
de impostos sobre a folha de pagamento, que atualmente aumenta em cerca
de 50% o custo médio da mão de obra, atrapalhando a competitividade
e criando um incentivo significativo ao emprego informal.
No lado dos gastos, o Brasil precisa de uma nova rodada de reformas
previdenciárias - claramente uma prioridade, tendo em vista o rápido
envelhecimento da população. As reformas precisarão
incluir o aumento na idade de aposentadoria e mudanças nos benefícios,
especialmente a desvinculação entre salário mínimo
e aposentadoria mínima. Além disso, são necessárias
várias reformas no funcionalismo público para ampliar a flexibilidade
e aumentar a produtividade, já que os programas educacionais e de
saúde exigem maior eficiência de custos.
Em resumo, apesar das aparências encorajadoras, o Brasil claramente
depara-se com uma agenda complexa e, em alguns aspectos, intimidante, que
não se pode esperar ser resolvida pela nova presidente eleita, Dilma
Rousseff, em seu mandato atual. É importante, no entanto, que o
governo comece com determinação e algumas "vitórias
rápidas", para ganhar credibilidade tanto com os brasileiros como
com os mercados mundiais.
O Brasil atualmente se beneficia de um cenário externo favorável,
forte credibilidade internacional e prosperidade sem precedentes em segmentos
cada vez maiores da população. Mas essa janela de oportunidade
não pode ser desperdiçada, se o Brasil quiser consolidar
e desenvolver ainda mais seus atuais êxitos. (Teresa Ter-Minassian
- Valor Online)
08.07 - Aumenta aposta de mais duas altas na Selic
O mercado de juros futuros teve firme movimento de alta no pregão
desta quinta-feira. Além de os agentes assimilarem o Índice
de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho, que ficou acima do
previsto, o leilão de títulos do Tesouro também contribuiu
para o aumento nos prêmios de risco.
Começando pela inflação, o IPCA marcou 0,15% em
junho, acima da mediana de 0,07%. Em 12 meses, o índice acumula
alta de 6,71%, acima do teto da meta de 6,5%.
De acordo com o estrategista de renda fixa da Coinvalores, Paulo Nepomuceno,
o que preocupa é o comportamento da inflação para
frente. O IPCA do ano certamente ficará acima de 6% em 2011. E 2012
já garante componentes inerciais para a inflação,
como reajuste do salário mínimo.
O estrategista chama atenção para o boletim Focus que
sairá na segunda-feira, e tem grandes chances de mostrar um aumento
nas expectativas de inflação de curto prazo.
Avaliando a curva futura, Nepomuceno aponta que cresceu a expectativa
de que o Banco Central (BC) fará mais duas elevações
na Selic.
A medida que o cenário de mais altas se consolida, diz o especialista,
não será estranho se o mercado começar a pedir prêmio
referente a uma terceira alta no juro básico.
O lado técnico do mercado também piorou, segundo Nepomuceno.
Durante o dia, o contrato janeiro de 2013 rompeu a linha de 12,70%, pegando
de surpresa agentes “mal vendidos”, que foram obrigados a mudar de mão.
Ainda de acordo com o especialista, sempre que tem leilão de
títulos pré-fixados o mercado força a mão para
conseguir taxas maiores. O que difere o pregão de hoje do movimento
usual é que as taxas não recuaram após a operação.
Segundo dados do Tesouro, foram vendidos 6,06 milhões Letras
do Tesouro Nacional (LTN), num total de R$ 4,34 bilhões. Também
foram colocadas 2,5 milhões de Notas do Tesouro Nacional Série
F (NTN-F), a R$ 2,25 bilhões.
O quadro externo também dá a sua contribuição.
As taxas nos Estados Unidos também apontam para cima, captando a
melhor percepção quanto à atividade econômica
depois que o setor privado mostrou forte criação de empregos
em junho.
De volta ao mercado local, antes do ajuste final de posições
na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o contrato de Depósito
Interfinanceiro (DI) com vencimento em agosto de 2011 apontava alta de
0,01 ponto percentual, a 12,25%. Outubro de 2011 marcava estabilidade a
12,40%. E janeiro de 2012, o mais líquido do dia, avançava
0,02 ponto, a 12,49%.
Entre os contratos mais longos, janeiro de 2013 mostrava alta de 0,05
ponto, a 12,70%. Janeiro de 2014 também registrava ganho de 0,05
ponto, a 12,62%. Janeiro de 2015 mostrava valorização de
0,04 ponto, a 12,52%. Janeiro de 2016 acumulava 0,05 ponto, a 12,43%. E
janeiro de 2017 projetava 12,33%, alta de 0,06 ponto.
Até as 16h10, foram negociados 1.474.194 contratos, equivalentes
a R$ 130,13 bilhões (US$ 83,08 bilhões), duas vezes mais
do que o registrado no pregão anterior. O vencimento janeiro de
2012 foi o mais negociado, com 674.735 contratos, equivalentes a R$ 63,70
bilhões (US$ 40,67 bilhões). (Eduardo Campos
- Valor)
07.07 - Risco de contágio grego ganha força
O risco de contágio da crise da Grécia ganhou um novo
ingrediente agora que Portugal está classificado como “junk” pela
Moody´s. Ao rebaixar a nota portuguesa ontem, a agência de
rating deixou claro que os desdobramentos da situação grega
terão reflexos no restante da zona do euro endividada.
O perigo de alastramento dos graves problemas da Grécia para
as demais economias já fragilizadas da região é uma
das principais preocupações dos investidores. Uma vez que
a reestruturação de dívidas está definitivamente
na mesa, pois o endividamento de Atenas é classificado como insustentável,
o default em outros membros do bloco passa a ser visto com maior probabilidade.
Tanto que a Moody´s justificou o rebaixamento ao apontar o risco
crescente de que Portugal vá requerer uma segunda rodada de financiamento
oficial antes que possa voltar ao mercado privado e a possibilidade de
que a participação de credores privados seja requerida como
precondição, exatamente como no caso da Grécia.
Os mercados internacionais refletem esses temores nesta manhã.
O prêmio do swap de default de crédito (CDS) de Portugal atingiu
o nível recorde de 850 pontos-base mais cedo. Os demais países
periféricos também estavam pressionados pelo risco de contágio.
O euro reage em queda forte e volta para a casa de US$ 1,43. O desempenho
negativo chama a atenção porque a moeda deixa de lado a perspectiva
de mais aperto monetário na zona do euro. O Banco Central Europeu
(BCE) deve ignorar os problemas da periferia do bloco e subir os juros
em 0,25 ponto porcentual amanhã, para 1,50%, dando continuidade
ao combate à inflação.
As agências de rating vêm roubando a cena nos últimos
dias, numa postura bem mais ativa do que no passado. As classificadoras
de risco perderam muita credibilidade durante a crise por não detectarem
riscos embutidos em diversas instituições financeiras tomadas
por ativos tóxicos. Agora, mostram estratégia mais pró-ativa.
“Os departamentos de mídia das agências de rating parecem
estar fazendo hora extra na tentativa de conseguir manchetes”, ironiza
Paul Donovan, economista do UBS.
Na segunda-feira, a Standard & Poor’s afirmou que a atual proposta
de rolagem da dívida grega será classificada como default,
reforçando a visão que já havia deixado clara anteriormente.
As negociações com os credores prosseguem e hoje está
agendada reunião em Paris para os grandes bancos discutirem sua
participação na nova ajuda à Grécia.
Esse ponto precisa ser acertado para que as autoridades europeias possam
aprovar mais um pacote de resgate para Atenas, o que deve ser feito somente
em setembro. De qualquer forma, o país ganhou oxigênio ao
aprovar medidas adicionais de austeridade e ter a quinta parcela do empréstimo
tomado no ano passado, de 12 bilhões de euros, liberada pela União
Europeia. Os recursos são vitais para que a Grécia pague
seus compromissos dos próximos dois meses. (Daniela Milanese)
07.07 - A Europa volta a apertar o calo do mercado
Estava muito bom para ser verdade. O mercado brasileiro vinha subindo
nos últimos pregões e já havia quem se animasse a
dizer que poderia ser o começo de uma tendência positiva da
bolsa. Pois é, não era. O mercado ontem virou e novamente
por conta da Europa, desta vez por causa de Portugal.
A agência de classificação de risco Moody"s rebaixou
a nota da dívida soberana de Portugal de "Baa1" para "Ba2", nível
já considerado como "junk", e ainda com uma perspectiva negativa.
A agência lembra que existe um risco cada vez maior de o país
necessitar de uma segunda rodada de ajuda financeira externa.
A Moody"s diz ainda que Portugal provavelmente não conseguirá
cumprir suas metas de redução do déficit e da estabilização
da dívida, acertados no acordo de financiamento que o país
obteve da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional
(FMI).
Mesmo esse rebaixamento de Portugal sendo considerado favas contadas,
o mercado reagiu mal à notícia. O Índice Bovespa fechou
em queda de 1,33%, aos 63.038 pontos, se segurando com unhas e dentes na
casa dos 63 mil pontos.
Os Estados Unidos também contribuíram com o seu quinhão
de fatos negativos. As encomendas à indústria americana em
maio tiveram alta de 0,8%, abaixo das expectativas dos analistas, que giravam
em torno de um acréscimo de 1%.
Seja pelos problemas na economia internacional, vindos principalmente
dos Estados Unidos, da Europa e da China, ou por todas as dúvidas
que ainda pairam sobre a capacidade do governo brasileiro de conter a alta
da inflação, fato é que a Bovespa tem uma imensa dificuldade
de engatar um movimento mais consistente de valorização.
Para se ter ideia do descompasso entre a expectativa dos analistas
e o desempenho do mercado, o segundo semestre já começou
e o Ibovespa patina nos 63 mil pontos, quase caindo para os 62 mil pontos,
enquanto a maioria das casas de análise mantém suas projeções
para o indicador no fim deste ano entre 75 e 80 mil pontos. A conta definitivamente
não fecha: ou a bolsa terá um bom movimento de valorização
em algum momento até dezembro, ou os analistas terão de se
curvar a dura realidade, revendo para baixo tais projeções.
A longa novela "Carreçúcar" continua. As ações
preferenciais (PN, sem direito a voto) do Pão de Açúcar
caíram 1,92%, refletindo as sinalizações de que o
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) só
vai apoiar uma fusão entre Pão de Açúcar e
Carrefour caso haja algum tipo de entendimento entre os atuais sócios
da varejista brasileira - a família Diniz e o grupo francês
Casino.
As ações de construtoras lideraram as quedas do Ibovespa
ontem, a começar pelos papéis ordinários (ON, com
voto) da Rossi Residencial, em baixa de 4,55%. (Daniele Camba - Valor)
07.07 - Mercado projeta inflação quase nula em junho
O mercado está projetando variação próxima
de zero para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)
de junho, que hoje será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE). Em quatro previsões coletadas pelo
Valor as estimativas vão de menos 0,01% até uma leve alta
de 0,09%. Em maio, a inflação medida pelo IPCA foi de 0,47%
sobre o mês anterior.
A LCA Consultores espera ligeira elevação, de 0,09%,
no índice para o mês de junho. Para a consultoria, os preços
dos grupos alimentação e bebidas devem reverter a trajetória
ascendente registrada em maio (+0,63%) para queda de 0,25% em junho, ocasionada
pelo recuo nos preços do arroz, feijão, batata-inglesa, hortaliças
e verduras, frutas, carnes, pescados, aves e ovos. O movimento de deflação
no grupo transportes, com queda de 0,24% em maio, deve ser intensificado
em junho, com queda de 0,86%, prevê a LCA.
Já a Quest Investimentos projeta alta ainda mais comedida, de
0,06%. A correção nos preços do álcool e seus
impactos na gasolina devem se somar a repasses na queda das commodities
sobre o item alimentos no mês. “Uma estabilidade mais duradoura nas
principais commodities e no câmbio pode ser suficiente para atenuar
pressões estruturais”, aponta a Quest em relatório.
A Rosenberg Associados também prevê elevação
de 0,06% no IPCA de junho, e deflação de 0,15% para o Índice
Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), a ser divulgado
também amanhã pela Fundação Getulio Vargas
(FGV).
A avaliação do banco Santander é mais aguda, prevendo
variação negativa de 0,01% para o IPCA de junho, e deflação
de 0,13% para o IGP-DI. Segundo análise do banco, neste mês
o IPCA deve atingir sua menor variação desde junho do ano
passado, quando a inflação foi nula. A previsão é
de que os preços dos nove grupos acompanhados pelo IBGE recuem em
relação à última divulgação,
mas com apenas dois grupos, alimentação e transportes, apresentando
deflação. (Bruno De Vizia - Valor)
06.07 - Seguros de pessoas cresce 24,5%
O segmento de seguros de pessoas apresentou expansão de 24,52%
no acumulado dos primeiros quatro meses de 2011 em relação
ao mesmo período do ano passado, com faturamento (prêmio)
de R$ 6,2 bilhões. Os dados são da Federação
Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), representante
de 79 seguradoras que comercializam produtos de vida e previdência.
O destaque no período foi o seguro de acidentes pessoais (individuais
e coletivos), que registrou volume de prêmios acumulado de R$ 1,3
bilhão entre janeiro e abril deste ano, um crescimento de 47,62%
de acordo com a entidade.
O presidente da Fenaprevi, Marco Antonio Rossi, atribuiu o resultado
ao aumento da renda da população. Segundo o executivo, o
seguro de acidentes pessoais protege o segurado dos riscos mais perceptíveis,
o que o leva a ser praticamente o primeiro produto a ser contratado.
A procura pelo seguro viagem também cresceu acima da média
do setor, com expansão de 41,85% nos primeiros quatro meses de 2011
e volume de prêmios de R$ 13,9 milhões. Segundo Rossi, o resultado
é consequência do maior número de viagens nacionais
e internacionais realizadas no período.
O seguro de proteção financeira (prestamista) foi o terceiro
produto com maior expansão percentual (34,38%) e volume de R$ 1,4
bilhão no primeiro quadrimestre do ano.
Especificamente no mês de abril, o mercado de seguros voltados
para pessoas movimentou R$ 1,5 bilhão, crescimento 20,16% em relação
ao mesmo período de 2010. O balanço do setor tem como base
as informações coletadas pela Superintendência de Seguros
Privados (Susep) e não inclui o VGBL, considerado para esse fim
como plano de caráter previdenciário.
Ranking
A Bradesco Seguros lidera o ranking no mercado de seguros de pessoas
no acumulado do ano até abril, com participação de
15,92%, ainda de acordo com a Fenaprevi. A Santander Seguros aparece em
seguida, com 15,13%, à frente de Itaú (13,31%); Aliança
do Brasil (10,62%); Mapfre (6,71%); HSBC (4,35%); Metropolitan Life (3,69%);
Caixa Seguros (3,26%); Icatu Seguros (3,24%); e Cardif do Brasil (2,73%).
Outras seguradoras representaram 21,05% dos prêmios de seguros.
(Portal G1)
06.07 - Seguros: Acidentes pessoais se destaca
O seguro de acidentes pessoais está entre os destaques do ramo
de pessoas nos cinco primeiros meses do ano. Segundo dados da Susep, essa
carteira gerou uma receita de prêmios de pouco menos de 1,5 bilhão,
o que representou um incremento de 28% em relação ao mesmo
período no ano passado.
Tal desempenho foi festejado pelos executivos do setor. Segundo o presidente
da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida
(Fenaprevi), Marco Antonio Rossi, boa parte do crescimento do seguro de
acidentes pessoais está atrelada ao maior número de viagens
nacionais e internacionais. “O principal benefício dessa proteção
está relacionado à cobertura em caso de acidente ou doença
e inclui pagamentos de despesas médicas e medicamentos, principalmente
em viagens ao exterior. Inclui até também proteção
contra extravio de bagagem”, afirma o executivo.
De acordo com a Fenaprevi, o mercado de seguros de pessoas acumulou
R$ 6,2 bilhões e cresceu 24,52% de janeiro a abril. No período,
o seguro de acidentes pessoais (individuais e coletivos) cresceu acima
da média do mercado.
Marco Antonio Rossi explica que o seguro de acidentes pessoais protege
daqueles riscos mais perceptíveis, o que o leva a ser praticamente
o primeiro produto a ser contratado. “É uma proteção
contra acidentes ou doenças e garante ao segurado ou aos seus beneficiários
uma renda caso ocorra imprevistos”, observa.
O mercado de seguros de pessoas engloba outros produtos, entre eles,
educacionais, vida, viagem e (prestamista) proteção financeira.
O prestamista foi o terceiro produto com maior expansão percentual.
O seu volume de prêmios acumulou R$ 1,4 bilhão, expansão
de 34,38%.
Ainda de acordo com a Fenaprevi, a Bradesco Seguros consolidou a sua
liderança no ramo de pessoas, com market share de 15,9% até
abril. Logo depois vieram Santander (15,1%); Itaú (13,3%); Aliança
do Brasil (10,6%); Mapfre (6,7%); HSBC (4,3%); Metropolitan Life (3,7%);
Caixa (3,2%); Icatu (3,2%); e Cardif do Brasil (2,7%). Foram considerados,
para este ranking, as holdings. (CQCS)
06.07 - Aumento da massa salarial favorece crescimento
A expansão da massa salarial no País, cuja principal
consequência é elevar o poder de compra, faz o seguro de vida
se apropriar cada vez mais de uma parte do orçamento das famílias.
Tanto que os indicadores do balanço de seguros de pessoas, no primeiro
quadrimestre de 2011, demonstraram uma expansão de 24,52% nas vendas
no comparativo ao mesmo período do ano passado. Com isso, a receita
acumulada alcançou R$ 6,2 bilhões. No período, o seguro
de acidentes pessoais (individuais e coletivos) obteve taxa de crescimento
ainda maior que a média de mercado, atingindo prêmios de R$
1,3 bilhão.
No primeiro quadrimestre, além de acidentes pessoais, outro
destaque foi o seguro viagem, que teve expansão de 41,85% no período
e somou R$ 13,9 milhões. “O aumento da contratação
desse seguro está atrelado ao maior número de viagens nacionais
e internacionais. O principal benefício dessa proteção
está relacionado à cobertura em caso de acidente ou doença
e inclui pagamentos de despesas médicas e medicamentos, principalmente
em viagens ao exterior. Inclui até também proteção
contra extravio de bagagem”, explica o presidente da Federação
Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), Marco Antonio
Rossi. O prestamista foi o terceiro produto com maior expansão percentual:
acumulou R$ 1,4 bilhão de prêmios, expansão de 34,38%.
Na avaliação mensal, o mercado de seguros voltados para
pessoas movimentou R$ 1,5 bilhão, crescimento 20,16% em abril de
2011. Dentre os seguros de maior representatividade no mercado, os produtos
que obtiveram melhor desempenho foram o seguro viagem, com crescimento
de 60,33% e prêmios de R$ 2,5 milhões, e o seguro prestamista,
o qual expandiu 40,52% e registrou R$ 389,2 milhões. O produto tem
o objetivo de pagar prestações de bens adquiridos pelo segurado,
em caso de morte e invalidez. Os números consolidados do mercado
de seguros de pessoas são elaborados mensalmente pela Fenaprevi.
O balanço do setor tem como base as informações coletadas
pela Susep (Superintendência de Seguros Privados). O levantamento
não inclui o VGBL, considerado para esse fim como plano de caráter
previdenciário, por possuir cobertura por sobrevivência.
(Fenaseg)
05.07 - Erros de quem poupa para a aposentadoria
Para consultor financeiro Gustavo Cerbasi, heranças econômica
e cultural prejudicam os beneficiários de planos de previdência
Com a atual conjuntura econômica e as perspectivas para o fut
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