23.02 -A hora e a vez dos investimentos
O aumento dos investimentos representa o próximo importante
desafio para a economia brasileira. É preciso criar condições
de ampliação tanto da capacidade produtiva quanto da infraestrutura,
para dar suporte à expansão do consumo. Isso é o que
vai garantir que a oferta se amplie sempre à frente da demanda,
evitando pressões inflacionárias futuras.
A reação da economia brasileira depois da crise tem sido
impulsionada pela retomada do mercado de consumo doméstico. Ela
foi incrementada com as reduções de impostos (veículos,
eletrodomésticos e construção civil, principalmente)
e também com a atuação dos bancos públicos
ampliando a oferta de crédito. A ação desses bancos
compensou a retração do mercado financeiro privado, muito
afetado pela paralisação das linhas externas e também
pela crise de confiança nas relações interbancárias.
O crescimento da massa salarial também foi importante. Como
foi gerado cerca de 1 milhão de empregos formais no ano passado
e os acordos salariais garantiram a reposição da inflação
mais um aumento real, compatível com os ganhos de produtividade,
isso sustentou o aumento da massa salarial, que cresceu 4% reais - nada
mal em tempos de crise.
Os indicadores de crescimento do comércio ampliado, que inclui
veículos e materiais de construção, denotam um crescimento
anual da ordem de 8%. Portanto, as condições para a retomada
do consumo em bases razoavelmente sólidas estão fundamentalmente
dadas para o ano em curso, o que propiciará um crescimento expressivo
do Produto Interno Bruto (PIB).
Há quem considere exagerado esse movimento, o que abriria espaço
para o crescimento da inflação. No entanto, uma análise
mais pormenorizada dos dados disponíveis não apontam nessa
direção, muito pelo contrário.
Embora haja uma clara retomada da produção industrial,
o fechamento do ano de 2009 representou uma queda de 7,4% comparativamente
ao ano anterior. O nível de ocupação da capacidade
instalada rapidamente retoma o patamar pré-crise, de cerca de 82%,
mas isso precisa ser visto com cautela. Isso poderia induzir-nos a uma
conclusão equivocada de que a capacidade produtiva estaria perto
do seu limite. No entanto, é preciso levar em conta que as indústrias
têm grande flexibilidade de ampliar a sua produção,
num primeiro momento, sem novos projetos de ampliação, mediante
a utilização de novos turnos de produção ou
adaptações na sua linha de produção.
Também é preciso levar em conta que várias empresas
estão retomando seus projetos de investimentos, o que representará,
num futuro breve, aumento da capacidade de produção. Esse
é um movimento geral, mas especialmente perceptível em setores
como o energético, o de petróleo e gás, de papel e
celulose, a indústria química, a automobilística,
entre outros, que têm projetos já em andamento, assim como
têm anunciado novos investimentos.
Portanto, a pior decisão que o Comitê de Política
Monetária (Copom) do Banco Central poderia tomar nos próximos
meses seria elevar as taxas de juros básicas, pois isso seria um
péssimo sinalizador justamente para o fator determinante do atendimento
da demanda, que é a retomada dos investimentos.
A elevação da inflação observada neste
início de ano está diretamente associada a fatores localizados
e sazonais, não necessariamente revelam uma tendência para
os meses vindouros.
Assim, deveríamos afastar a possibilidade de aumento dos juros,
mesmo porque eles continuam a ser os mais elevados do mundo: 4% real ao
ano. Da mesma forma, deveríamos deslocar para os investimentos os
incentivos de desoneração tributária de bens de consumo,
uma vez que estes já cumpriram o seu objetivo de catapultar a demanda.
O momento é de fomentar o investimento, o que não significa
desestimular o consumo.
No Brasil há alternativas importantes de financiamento do investimento,
como o mercado de capitais, com grande potencial de crescimento, mas também
um importante instrumento público - o BNDES - que oferece linhas
de financiamento em condições mais vantajosas comparativamente
às disponíveis no mercado doméstico.
No entanto, apesar disso, o custo de financiamento do investimento
no Brasil, mesmo de fontes públicas, ainda é elevado relativamente
aos nossos concorrentes internacionais - especialmente a China e a Coreia
do Sul, para destacar os principais - que praticam juros zero para investimentos,
além de adotarem outros incentivos.
O que motiva o investimento privado é uma expectativa firme
de crescimento da demanda e clima de negócios, condições
de financiamento favoráveis e uma certa garantia de que o investimento
público cumprirá a sua parte. O desafio é expandir
a atividade não apenas este ano, mas no longo prazo. Somente a elevação
do nível geral de investimentos vai garantir a sustentabilidade
intertemporal do crescimento econômico. (Antonio
Corrêa de Lacerda - O Estado de S.Paulo)
23.02 - Pesadelo europeu
Crise na zona do euro expõe fragilidades da moeda única
e deverá obrigar autoridades da União Europeia a agir
A cada dia se torna mais evidente o potencial de estrago da crise nos
países periféricos da zona do euro. Dados do Bank for International
Settlements, organismo internacional formado por bancos centrais das principais
economias do mundo, mostram que o grupo dos chamados Piigs -Portugal, Irlanda,
Itália, Grécia e Espanha- deve aos bancos internacionais
a fantástica soma de US$ 3,4 trilhões, mais que o dobro do
Produto Interno Bruto brasileiro.
Tão ou mais importante do que a dimensão da cifra é
o fato de a maior parte desse passivo, que inclui não só
dívidas dos governos mas também do setor privado, ter sido
contraída por intermediação de bancos europeus.
A crise põe a nu não apenas as dificuldades de um arranjo
institucional que combina moeda única e políticas econômicas
nacionais relativamente autônomas. Ela também explicita as
consequências da atitude passiva das autoridades diante da atuação
dos mercados financeiros dos últimos anos.
Uma moeda única pressupõe monitorar com atenção
o endividamento dos governos e agentes privados das nações
que a compartilham, já que tais dívidas representam compromissos
futuros expressos nessa moeda.
Foi precisamente o que não ocorreu. Deficits governamentais
combinados a práticas contábeis heterogêneas -e, por
vezes, duvidosas- foram recorrentes na zona do euro, gerando níveis
de dívida pública muito acima das recomendações
da própria União Europeia. Juntamente com endividamento privado
de empresas e famílias, esses passivos alimentaram, durante alguns
anos, as carteiras de bancos dentro e fora da comunidade.
O problema é que o volume de dívida pública e
privada tolerado pelas autoridades e absorvido pelos mercados financeiros
foi excessivo. Além disso, aparentemente, instituições
financeiras se aprimoraram na realização de operações
que mascaravam a real magnitude das dívidas de alguns países.
A contrapartida é que várias nações integrantes
da união monetária sustentaram padrões de gasto público
e consumo privado incompatíveis com o que sua capacidade produtiva
autorizaria. De fato, Piigs e alguns outros países mantiveram elevados
déficits comerciais financiados pelos fluxos de recursos oriundos
de empréstimos bancários.
Até agora foram tímidos os sinais de que os países
mais fortes da zona do euro, notadamente a Alemanha e a França,
de fato darão garantia às dívidas das nações
cuja capacidade de pagamento encontra-se sob suspeita.
No entanto, a alta exposição dos bancos da Europa a essas
dívidas sugere que a resistência dos países integrantes
do bloco econômico em adotar medidas de socorro poderá ser
menor do que alguns supõem. Afinal, não se trata apenas de
apoiar devedores pouco responsáveis em um momento crítico,
mas de tentar resguardar a já combalida saúde das próprias
instituições financeiras europeias. (Folha de S.Paulo)
23.02 - O cavalo de Troia europeu
A crise grega pode ser o cavalo de Troia que conduzirá a Europa
a uma integração política mais profunda
A Europa agora está se encaminhando inelutavelmente a uma operação
para resgatar a Grécia. Haverá financiamento de emergência.
Haverá condições. Haverá promessas obrigatórias
de parte do governo em Atenas.
Isso tornará possível ao governo grego manter em dia
o serviço de sua dívida. Os mercados se aquietarão.
As consequências em longo prazo nada terão de agradáveis,
mas isso é problema para um outro dia.
Alguns dirão que o erro fatal foi ter permitido que a Grécia
adotasse o euro, para começar. O despreparo do país deveria
ter estado claro. As políticas fiscais gregas já estavam
descontroladas quando Atenas aderiu à união monetária,
em 2001, e os sindicatos do país pressionavam por elevação
de salários aos patamares do restante da Europa, a despeito da baixa
produtividade.
Mas essa é uma resposta simples demais, se consideramos que
os sinais de disfunção não se limitam à Grécia.
A Espanha, com seu índice de desemprego de 20% e expansão
explosiva de deficit orçamentário, vê na Grécia
uma imagem de seu futuro. Ou, caso isso não valha para o país,
vale para os mercados. Portugal e Itália não estão
muito melhores.
Como a Grécia, esses países agora terão de enfrentar
cortes pesados no Orçamento. Como a Grécia, não podem
desvalorizar suas moedas a fim de encorajar exportações.
Como a Grécia, enfrentam profundas recessões. Como a Grécia,
vão se sentir tentados a pedir ajuda.
Tudo isso suscita uma pergunta óbvia: será que o verdadeiro
erro foi ter criado o euro?
Minha resposta é não, criar o euro não foi um
erro, mas ainda pode se tornar um. A crise grega demonstrou que a Europa
está apenas a meio caminho da criação de uma união
monetária viável. Caso não se mexa, a próxima
crise fará a atual parecer brincadeira de criança.
Completar a união monetária requer que a Europa crie
um mecanismo apropriado de financiamento para situações de
emergência. Atualmente, os demais países-membros só
podem oferecer assistência à Grécia contornando as
regras, que as impedem de realizar empréstimos a não ser
em resposta a desastres naturais ou a circunstâncias que estejam
além do controle do país recipiente. Isso reforça
a incerteza. Quando os líderes europeus ajudam, isso faz com que
o público e os mercados considerem que estão sendo desonestos.
Se é o Tratado de Lisboa que cria esses problemas, então
é necessário que o Tratado de Lisboa mude.
Além disso, a assistência deve vir acompanhada não
apenas da imposição de condições, mas do controle
temporário sobre o orçamento nacional grego por um comitê
de "interventores especiais" apontados pela União Europeia.
Se a Europa está mesmo falando sério sobre união
monetária, precisará não apenas de elos econômicos
mais estreitos, mas também de elos políticos mais estreitos.
Os responsáveis pela gestão do mecanismo de financiamento
de emergência terão de prestar contas detalhadas a alguém.
E precisam ser responsáveis diante de um Parlamento Europeu fortalecido.
A Alemanha se beneficiou extraordinariamente da criação
do euro. Está na hora de retribuir o favor. Deve pressionar pela
criação de uma linha de empréstimos de emergência
e pela integração política que a viabilizaria. Deve
oferecer mais apoio fiscal. E que país estaria em melhor posição
para pressionar por um BCE (Banco Central Europeu) que responda mais às
demais autoridades?
A crise grega pode ser o cavalo de Troia que conduzirá a Europa
a uma integração política mais profunda. Ao menos
podemos esperar que o seja. (BARRY EICHENGREEN - Project
Syndicate, tradução de PAULO MIGLIACCI - Folha de S.Paulo)
22.02 - A crise grega e as outras
Uma mudança significativa na política econômica
alemã pode ter efeito muito maior sobre a união monetária
do que a crise na Grécia
Num momento em que os líderes da zona do euro defrontam-se com
a crescente incerteza nos mercados financeiros sobre as finanças
públicas da Grécia e de outros países membros, suas
declarações, embora um pouco vagas, ressaltam uma história
muito mais abrangente, que obrigará as empresas e os investidores
a questionar suas premissas sobre o ambiente econômico, financeiro
e político europeu.
Primeiro, descartemos um vigoroso mito emergente. Os problemas da Grécia
estimularam algumas pessoas a pensar em voz alta se a zona do euro é
capaz de sobreviver a crescentes desequilíbrios internos. Mas essas
dúvidas ignoram os fatores políticos e culturais que dão
suporte a um profundo engajamento europeu pela preservação
da união monetária.
O euro foi criado, em parte, para reforçar a eficiência
do mercado interno e evitar volatilidade monetária. Mas é
também o produto de uma convicção arraigada de que
as instituições europeias transnacionais e a interdependência
econômica têm ajudado a estabelecer e manter a paz em todo
o continente nas últimas seis décadas. Num mundo de fragilidade
das instituições multilaterais - inclusive um G-20 assediado
por importantes diferenças de opinião sobre questões
básicas - é mais importante do que nunca que os governos
da zona do euro reforcem sua influência coletiva em um ambiente mundial
incerto, sem precedentes e competitivo.
Para os Estados membros, a zona do euro é importante demais
para fracassar. Isso significa que as soluções para os muitos
problemas que eles ora enfrentam demandarão um ajuste na forma como
cada um deles tributa e gasta. No entanto, de um governo para outro, o
resultado será enormemente desigual - um problema recorrente durante
o esforço de diversas décadas por estabilidade monetária
interna. Essa divergência de políticas fiscais tem muitas
causas e nenhum choque individual irá alterá-la.
A compreensão da maior importância da política
fiscal é complicada pela confusão sobre como os diversos
governos da zona realmente tomam decisões de política econômica
- um processo que depende de um incessantemente cambiante e opaco elenco
de complexos fatores institucionais e de uma dinâmica política
doméstica que variam consideravelmente de país para país.
Numa época em que transparência e divulgação
são a norma prevalente na maior parte dos aspectos da governança
europeia, os aspectos políticos da política fiscal ainda
parecem uma conferência diplomática.
Essa é a nova realidade europeia e não um lapso momentâneo
da boa ordem. Empresas e investidores expostos a riscos na Europa devem
assumir muito maior volatilidade nas taxas de juro na zona do euro e crescimento
econômico e perspectivas inflacionárias cada vez mais desiguais.
A convergência dos rendimentos das dívidas soberanas suposta
e exigida na criação da moeda comum não deverá,
necessariamente, ser restabelecida.
A ausência de um referencial estável obrigará os
investidores a repensar suas decisões de alocação
de ativos e precificação de riscos. Como o mercado de ações
começa, finalmente, a precificar maior risco relativo nos títulos
soberanos da zona euro, os fundamentos intelectuais da ideia de uma divisão
mundial de trabalho entre títulos de mercados emergentes e de mercados
desenvolvidos terão seus fundamentos testados.
Essas mudanças serão graduais, persistentes e menos previsíveis
do que o cenário que os investidores se acostumaram a tomar como
líquido e certo durante a calma enganosa na primeira década
do euro, quando o estabelecimento da união monetária, juntamente
com a ampliação e a liberalização da UE, pareceram
criar um ambiente estável e benigno.
Finalmente, mudanças substanciais e duradouras em política
econômica não se limitarão a países com problemas
financeiros imediatos. A política fiscal alemã poderá
em breve ser muito diferente da que tendeu para déficit zero e prevaleceu
sob a grande coalizão que governou desde 2005 até 2009. Durante
esse período, os partidários da redução do
déficit- tanto entre os social-democratas como no campo democrata-cristão
- assumiram como causa comum rechaçar as pressões de outras
facções em seus respectivos partidos que desejavam mudanças
de política econômica.
Essa estrutura não existe mais. Hoje, a direita quer cortes
de impostos e a esquerda agora defende o aumento da despesa. Ninguém
acredita que a Alemanha esteja sob risco de inadimplência, mas os
investidores que ignorarem esse tipo de mudança de política
econômica estarão assumindo riscos. Afinal, uma mudança
significativa de orientação da política econômica
na maior economia da zona do euro poderá ter um efeito muito maior
sobre a união monetária do que a evolução dos
acontecimentos na Grécia.
Em vista do conflito interno sobre impostos e gastos, talvez a Alemanha,
e não a Grécia, vá se tornar o primeiro país
da zona euro a ver uma queda de governo. (Ian Bremmer - Valor
Online)
22.02 - Todos os olhos na economia americana
Somente ao fim da primeira metade do ano é que poderemos ter
um quadro mais claro nos Estados Unidos
Estamos completando o segundo mês do ano e os mercados financeiros
continuam pisando em ovos. Até os analistas confiantes em um cenário
mais positivo estão com suas barbas de molho. Embora sejam cada
vez mais sólidos os sinais de recuperação no mundo
emergente, os receios de uma recidiva nos países do rico G3 têm
temperado o otimismo dos que acreditam nessa nova divisão do mundo.
O chamado descolamento ficou ainda mais forte depois da crise fiscal
que tomou conta da Europa. Até agora o motivo principal para sustentar
a tese do mundo que cresce a duas velocidades era a dinâmica diferenciada
do consumo entre os dois blocos. Nas nações emergentes, ainda
há um espaço enorme para acomodar novos consumidores ao mercado;
já no mundo rico, a estagnação da renda e do emprego,
ao lado dos excessos do endividamento dos últimos anos, cria um
quadro sombrio para a nova década.
A crise fiscal da Grécia chamou a atenção para
o gigantesco obstáculo a ser enfrentado pelas nações
ricas para voltar a crescer a taxas elevadas. A combinação
do esforço fiscal para superar a crise bancária com a perda
de arrecadação durante a recessão que se seguiu fez
com que o endividamento dos países do G3 atingisse níveis
perigosos. A necessidade de reduzir esse endividamento ao longo da próxima
década vai exigir um aumento significativo da poupança pública,
o que limitará o crescimento econômico.
Os mercados temem que não haja condições políticas
para que os governos desses países façam o arrocho fiscal
necessário para reduzir o endividamento. Os custos sociais de um
ajuste da natureza e da intensidade que serão exigidas para satisfazer
as expectativas dos investidores em títulos públicos serão
certamente superiores ao que imaginam os lideres políticos dessas
nações. Nos países mais frágeis e de menor
coesão social, poderemos ter momentos de muita tensão pela
frente.
Sabemos hoje que a consolidação de um mundo emergente,
que se expande a uma velocidade muito maior do que as economias ricas,
pressupõe que não ocorra nessas economias uma nova crise
de crescimento. E o medo desse novo mergulho na recessão não
está afastado, principalmente em relação à
Europa. Por isso a recuperação da economia americana passou
a ser ainda mais importante para as economias do mundo emergente. Se ela
voltar a crescer de forma sustentável -algo como 2,5% ao ano neste
início de década-, é provável que a fraqueza
europeia e japonesa possa ser revertida. Nesse caso, o mundo emergente
terá condição de continuar a crescer a taxas elevadas.
Por isso, todos os olhos estão focados nos dados econômicos
que são divulgados quase que diariamente nos EUA. Tenho uma visão
positiva -que divido com a equipe de economistas da Quest- em relação
a essa questão. Os gastos dos consumidores americanos estão
sendo superiores às expectativas mais pessimistas, e as empresas
de maior porte têm apresentado resultados bem acima dos esperados
pelos analistas. Ainda existem importantes segmentos do tecido produtivo
americano que não estão funcionando normalmente, mas há
sinais de que podem começar a melhorar a partir do verão
no hemisfério Norte.
Em minha opinião, somente ao fim da primeira metade do ano é
que poderemos ter um quadro mais claro nos EUA. Até lá os
mercados continuarão divididos entre canarinhos e urubus.
(LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS - Folha de S.Paulo)
22.02 - IPC desacelera para 1,09%
A inflação na cidade de São Paulo, medida pelo
Índice de Preços ao Consumidor (IPC), ficou em 1,09% na segunda
quadrissemana de fevereiro, abaixo da taxa apurada na primeira quadrissemana
(1,28%). O resultado superou a taxa de 0,85% registrada no mesmo período
do mês passado. Divulgado pela Fundação Instituto de
Pesquisas Econômicas (Fipe), o IPC ficou dentro das projeções
dos analistas ouvidos pela Agência Estado, que iam de 0,98% a 1,22%.
Dos sete grupos que compõem o IPC, apenas dois apresentaram
alta: Habitação (de 0,29% para 0,45%) e Saúde (0,23%
para 0,37%). Houve desaceleração nos grupos Alimentação
(de 1,18% para 0,91%), Transportes (de 4,49% para 3,52%), Despesas Pessoais
(de 0,60% para 0,45%), Vestuário (de 0,39% para 0,01%) e Educação
(de 3,77% para 2,57%).
A persistente alta nos preços dos alimentos levou a Fipe a elevar
a projeção para a inflação na capital paulista
em fevereiro, de 0,60% para 0,69%.
Segundo o coordenador do IPC, Antonio Comune, essa mudança ocorreu
porque os preços dos alimentos não cederam, contrariando
o comportamento tradicional no período.
O grupo Alimentação subiu 0,91% na segunda quadrissemana
de fevereiro, em uma leve desaceleração à alta de
1,18% na primeira leitura deste mês. Porém, o grupo havia
subido 0,59% na segunda quadrissemana do ano passado e 0,83% na primeira
quadrissemana de fevereiro do mesmo ano. Comune lembra que grupo Alimentação
tem um peso de 22% no IPC. (Lucinda Pinto - O Estado de S.Paulo)
19.02 - Da crise financeira à crise fiscal
Dúvidas crescentes quanto à sustentabilidade das contas
públicas devem forçar os governos a iniciar o ajuste fiscal
A crise econômica mundial, que começou no sistema financeiro
em 2007, ameaça converter-se em crise fiscal. Refiro-me principalmente
aos países desenvolvidos. Na maioria dos países de mercado
emergente, o quadro é mais favorável.
O problema é mais grave na Europa, onde diversas economias avançadas
e emergentes registram deterioração dramática em termos
de deficit público e nível de endividamento. A Grécia
parece ser apenas a ponta de um iceberg.
Os números são medonhos. Nos Estados Unidos, o deficit
fiscal alcançou quase 10% do PIB em 2009. No Reino Unido, mais de
14%. Na Espanha, mais de 11%. Na França, quase 8% do PIB. A dívida
pública vem aumentando rapidamente nas economias desenvolvidas.
Nos cinco países atingidos por crises financeiras sistêmicas
(Estados Unidos, Reino Unido, Espanha, Irlanda e Islândia), a dívida
pública aumentou em média cerca de 75% em termos reais de
2007 a 2009.
Menos comentados são os dados de dívida externa bruta
(dívida pública e privada colocada no exterior) dos países
desenvolvidos. Estudo recente de Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff, que
toma por base estatísticas do FMI e do Banco Mundial, mostra que
a dívida externa das economias avançadas alcança,
em média, nada menos que 200% do PIB.
No caso da Europa desenvolvida, a razão dívida externa/PIB
chega a 266%! Na América Latina, notória por sua propensão
a crises de endividamento externo, a razão dívida externa
bruta/PIB está por volta de 50%. Parte considerável da dívida
externa dos europeus é dentro da Europa, o que pode mitigar o problema.
Mas não há dúvida de que a fragilidade das contas
europeias aumentou bastante nos anos recentes.
A desconfiança começa a rondar os desenvolvidos, especialmente
os europeus. A situação fiscal pré-crise já
era problemática em muitos desses países em razão
do impacto do envelhecimento da população sobre gastos públicos
com previdência e saúde. Com a crise de 2007-2009, as contas
governamentais foram fortemente afetadas pelas medidas de socorro ao sistema
financeiro, pelos programas de estímulo fiscal e pela própria
recessão.
Os mercados estão ficando cada vez mais inquietos quanto à
sustentabilidade das contas públicas de vários países
europeus. A Grécia é um caso extremo, mas diversas outras
economias estão sob suspeita, notadamente Espanha, Portugal e Itália,
mas também o Reino Unido e até mesmo a França. Alguns
analistas avaliam que as contas britânicas e francesas se parecem
mais com as italianas do que com as alemãs.
Essa situação cria um dilema delicado para os países
desenvolvidos, inclusive para os Estados Unidos. A recuperação
da atividade econômica ainda está longe de consolidada. Ela
foi impulsionada por políticas fiscais e monetárias ultra-expansivas,
mas a demanda privada continua relativamente fraca. Desse ponto de vista,
parece prematuro retirar os estímulos fiscais e monetários.
Por outro lado, as dúvidas crescentes quanto à sustentabilidade
e confiabilidade das contas públicas devem forçar os governos,
ou alguns deles, a iniciar o ajustamento fiscal antes que a recuperação
tenha se firmado. Cortes de gastos ou aumentos de impostos reforçariam
a confiança na solvência do governo, mas podem provocar uma
recaída na recessão. (PAULO NOGUEIRA BATISTA
JR - Folha de S.Paulo)
19.02 - Cenário delicado
Os efeitos da crise financeira que assolou a economia mundial continuam
a percorrer sua nefasta trajetória. Com maior ou menor impacto,
praticamente todos os países estão se ressentindo do tumulto
que o fenômeno provocou, embora alguns tenham de pronto menor grau
de abalo. No Brasil, por exemplo, estamos sentindo agora que a marolinha
citada pelo governo o está ameaçando de terminar seu mandato
sob provável recuo econômico em termos estruturais. Mas é
no estuário das grandes economias que a situação gerada
ficou e continua séria.
Nos Estados Unidos,por exemplo,o presidente Obama apresta-se a um embate
interno contra Wall Street e os ranços argentários do Partido
Republicano, sendo que o aspecto mais importante de todo o imbróglio
é o alto nível de desemprego. No reino Unido Gordon Brown
e o Partido Trabalhista podem vivenciar até mesmo um retrocesso
político. Na França, Sarcozy se mexe muito para não
embarcar na onda depressiva que vai alcançando a Alemanha e já
ameaça a economia da UE como um todo. Alguns periféricos
da União estão verdadeiramente num pátio de milagres
em potencial, como Espanha, Grécia, Portugal, Itália e miúdos
da Europa Central. Parece formar-se uma contenda de poderes em torno de
nova regulação financeira e seus reflexos.
Obama, com Paul Volcker a tiracolo, foca os bancos, desejando suprimir-lhes
o pomo de ouro ou sejam operações inside mercado, como hedges,
private equity funds, swaps, securitizações, colaterais,
indisputáveis alavancagens , etc, numa higienização
bancária baseada no sentido fundamental do termo, isto é,
intermediação bancária pura, sem guirlandas fiduciárias
generosas, como são as decorrentes de aplicações de
tesouraria na especulação do mercado de curto e curtíssimos
prazos.
No caso brasileiro, entre outros aspectos, teríamos erradicação
de jogadas especulativas no mercado de moedas, especialmente do dólar,
com menos ímpeto e maior transparência dos "comprados" e "vendidos";
uma espécie de mercadinho específico, mas bem rendoso. O
agravamento instantâneo da situação global decorre
de duas causas maiores - a lenta recuperação da economia
real e recalcitrante volta de lineamentos que envolveram os negócios
bancários e mesmo extra bancários numa séria crise
. A recaída foi tão rápida e ameaçadora que
o BIS admoestou os BCs do mundo para as ameaças que poderiam advir.
Os trabalhos do BIS para efeito de nova regulação estão
transcorrendo de modo consistente e defensável.
Os acontecimentos estão repercutindo de forma impactante na
Europa. Na zona do euro, com grande força; no resto da Europa também
e até na Rússia os efeitos negativos se multiplicam. Há
indícios de que a recuperação da economia europeia,
depois da primeira onda de crise, será bem mais lenta do que o suposto
inicialmente; o que parece ser consequência, também, do recuo
na economia alemã, cujo mercado interno vem perdendo força.
É uma situação curiosa considerando o estado dos PIIGS
que agora, a começar pela Grécia, move o BC Europeu no sentido
de um amparo coordenado pela própria Alemanha.
Diante desta complicação e de notícias restritivas
que chegam da China, o Banco Mundial alerta para a possibilidade de recessão
em 2011, algo não muito provável mas também não
descartável, tendo-se em vista o comportamento do PIB no ano passado;
recuo de 2,2%, prevendo-se recuo 2,7% no ano corrente. Se a China não
ostentar atividade que reponha a taxa de crescimento de seu PIB, em 2010,
a situação mundial será de apreensão. Lembremo-nos
que a variação trimestral média do PIB chinês,
no período 2007 a 2009, foi de 8,7%. Taxa essa que parece duvidosa
se o governo chinês ampliar as medidas que vem tomando para desinflar
a bolha imobiliária e já agora a de caráter acionário
.
Há, portanto, sinais preocupantes no cenário econômico
mundial. A cena internacional por sua delicadeza e as perspectivas que
se formam, põe em destaque o G-20, instituído em boa hora
e capaz de agir vigorosamente se as lideranças que o compõem
em matéria de decisão se mostrarem a altura dos acontecimentos.
Sua existência, ainda de reduzido tempo, um quase noviciado, e sua
forma de operar deixam certa ansiedade. Todavia, alguns aspectos já
se mostram positivos, como a interdependência e a articulação
entre os grandes da economia, esforço que precisa aumentar para
que também se adense a cooperação dos países
emergentes
Existem fenômenos fortuitos na cena mundial como, por exemplo,
os casos de Iraque e Afeganistão, perigosos e onerosos. A inquietude
crescente desferida pelo affair Iran, que se mostra não menos perigoso
e seguramente mais conturbador para a economia ocidental. Agora, por exemplo,
os cinco países da União Europeia que escaparam aos ditames
do Tratado de Maastricht geram uma situação duplamente desconfortável.
Por um lado, criam ameaça de distúrbio não descartado;
por outro lado, rompem uma sistemática multilateral de grande projeção.
A superação desse último insucesso terá
, de qualquer forma, reflexos sobre a economia mundial e sobre as maneiras
de dar curso aos dispositivos legais que amparam as conjunções
de nível alto, como o da União Europeia. Tudo somado, requer
competência e zelo no trato da situação, cujos reflexos
batem as portas de todos os países. No que concerne ao Brasil, é
momento em que sobretudo o Itamaraty precisa revelar segurança e
discernimento nos embates diplomáticos inexoráveis.
(JAYME MAGRASSI DE SÁ - Jornal do Commercio Brasil)
18.02 - O Banco Central e o mercado de câmbio
O mesmo raciocínio que levou o BC a comprar dólares leva
agora à necessidade de estar preparado para vender
Na edição da Folha do dia 06, defendi em entrevista ao
jornalista Toni Sciarretta a intervenção do Banco Central
para administrar uma possível desvalorização do real
nos próximos meses. A superposição de fatores externos
e internos pode sustentar essa nova tendência, depois de mais de
seis anos de fortalecimento quase ininterrupto da moeda brasileira.
Durante esse período, o Banco Central comprou várias
dezenas de bilhões de dólares no mercado para evitar uma
desvalorização ainda maior da moeda americana. Como as forças
que agem dentro do tecido econômico criam, ao longo do tempo, mecanismos
autônomos de compensação, a valorização
do real levou a um aumento significativo do deficit na conta-corrente.
Com o dólar barato, as exportações perderam vigor,
as importações cresceram a taxas elevadas e os gastos dos
brasileiros com viagens ao exterior explodiram. Além disso, as empresas
internacionais com sede no Brasil aumentaram em muito suas remessas de
dividendos.
O resultado final é que, em 2010, teremos uma necessidade de
cerca de US$ 50 bilhões para equilibrar nossas contas externas,
valor que, se for seguida a tendência, pode chegar próximo
a US$ 90 bilhões em 2011. Nessas condições, para equilibrar
o mercado de câmbio, será necessária uma entrada substantiva
de capitais financeiros nos próximos dois anos. Investimentos estrangeiros
em ações brasileiras e em títulos de renda fixa passam
a ser necessários para equilibrar a taxa de câmbio. Antes,
esses investimentos criavam uma situação de sobra de dólares
que o BC precisava retirar do mercado; agora, por conta de uma situação
internacional de maior aversão ao risco, na ausência dessas
entradas, poderemos ter uma situação de falta de dólares
no mercado.
O mesmo raciocínio lógico que levou o BC a participar
do mercado de câmbio comprando dólares leva agora à
necessidade de estar preparado para vender dólares em dias de escassez.
Não me parece que, ao aceitar essa possibilidade, estará
o BC se comprometendo com a fixação de um valor para o real.
Também não me parece que, ao aceitar intervir no mercado
também como vendedor de dólares de sua reserva, estará
nossa autoridade monetária rasgando os compromissos envolvidos no
atual sistema de metas de inflação.
Essas foram duas razões que o presidente Henrique Meirelles
usou para rechaçar a possibilidade de vender dólares quando
uma situação de escassez ocorrer. A sensibilidade da burocracia
do BC brasileiro -inclusive de seus diretores nomeados- em relação
à intervenção no mercado de câmbio sempre me
pareceu exagerada. Além disso, sempre procuram caracterizar qualquer
sugestão de interferência na formação da taxa
de câmbio como vinda de mentes exóticas e irresponsáveis.
Para esses, sugiro a leitura de texto do dia 9 do site da Bloomberg.
O presidente do banco central suíço, no meio da crise do
euro que estamos vivendo, disse ao repórter: "Realmente compramos
hoje euro no mercado para evitar a valorização do franco
suíço. Afinal, as empresas suíças não
podem sofrer porque a Grécia está em dificuldades e existe
um movimento especulativo de curto prazo". Não me parece que se
possa acusar o presidente do BC suíço de delírios
desenvolvimentistas.
Intervenção nos mercados de câmbio é uma
arte complexa e difícil, mas não um crime. (LUIZ
CARLOS MENDONÇA DE BARROS - Folha de S.Paulo)
18.02 - BC: Efeitos da crise têm sido superados
O diretor de Política Econômica do Banco Central, Mário
Mesquita, disse ontem, em Curitiba, que as projeções feitas
no fim do ano passado de que 2010 seria o início de um novo ciclo
de crescimento na economia brasileira estão se confirmando. "Os
efeitos da crise global sobre a economia brasileira têm sido superados",
afirmou. Ele esteve em Curitiba para divulgar o Boletim Regional do Banco
Central. "Os dados corroboram essa avaliação (de crescimento)."
Segundo Mesquita, na Região Sudeste, a recuperação
industrial, iniciada no segundo semestre de 2009, tem se mantido, principalmente
em consequência da desoneração tributária de
bens duráveis e da oferta de crédito. "A queda foi aguda,
mas a recuperação também é forte", destacou.
Na Região Sul, na qual se deteve mais durante a exposição,
o diretor ressaltou que a recuperação deve-se ao desempenho
da indústria e do varejo, associado ao crescimento da massa salarial,
expansão das operações de crédito e retração
nas taxas de inflação. Além disso, há expectativa
de boa safra agrícola.
No entanto, o relatório aponta que a retomada econômica
vem acompanhada pelo recrudescimento das pressões inflacionárias,
"em processo que requer atitude vigilante por parte da autoridade monetária,
visto que pode sinalizar tendência de desvio em relação
à trajetória de metas por parte do índice agregado".
Em entrevista coletiva, Mesquita foi questionado sobre os números
que já apontam nesse sentido. "A inflação de 12 meses,
de fato, situa-se acima da meta. O que a gente trabalha é sempre
o horizonte temporal de nove a 12 meses, olhando para frente", afirmou.
"Ela estava um pouco abaixo da meta, ficou um pouco acima, o nosso trabalho
é evitar que ela desvie de forma consistente e significativa em
relação a 4,5%."
Ele também destacou que ainda não há qualquer
indicativo para se rever a previsão de crescimento econômico
do País de 5,8% este ano. "O Banco Central sempre pode mudar a cada
relatório de inflação, o próximo será
no final de março e até lá dá para coletar
novos dados, atualizar cenários e, se for o caso, atualizar projeções
sobre a economia brasileira", disse. Sobre a possibilidade de tomar medidas
mais duras em ano eleitoral, Mesquita foi sucinto: "O Banco Central trabalha
para fazer com a inflação convirja para a trajetória
de metas todo ano, chova ou faça sol." (Evandro Fadel
- Agência Estado)
18.02 - BC: Retomada traz pressões inflacionárias
O Banco Central aproveitou a divulgação de mais um documento
para fazer novos alertas em relação ao aumento da inflação
no país. Nas últimas semanas, a instituição
vem dando sinais de que deve aumentar, em breve, a taxa básica de
juros, que segue inalterada desde julho do ano passado em 8,75% ao ano.
A expectativa dos economistas é que os juros subam a partir de abril.
De acordo com o Boletim Regional divulgado ontem pelo BC, a retomada
do crescimento econômico em todas as regiões do país
está sendo acompanhada pelo "recrudescimento das pressões
inflacionárias".
Segundo o BC, esse processo de aumento da inflação requer
"atitude vigilante por parte da autoridade monetária", já
que pode sinalizar "tendência de desvio" em relação
à meta fixada pelo governo. A instituição cita, em
especial, o Norte e o Centro-Oeste, que apresentaram inflação
mais alta que outras regiões nos últimos 12 meses, de acordo
com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O relatório traz expectativas, sem números, para o desempenho
da economia nessas regiões em 2010 e dados para o trimestre encerrado
em novembro de 2009. Nesse período, Sul e Sudeste foram os que mais
cresceram em relação ao trimestre anterior, acima de 2,5%.
Isso se deve ao fato de as duas regiões terem sido mais afetadas
pela crise econômica, devido ao impacto da desaceleração
mundial sobre o setor industrial. Agora, recuperam-se mais rápido.
Crise
De acordo com o boletim do BC, o Centro-Oeste e o Nordeste tiveram
desempenhos econômicos que ajudaram a atenuar os efeitos da crise
global no Brasil em 2009. As duas regiões foram as que sofreram
menor impacto com a crise.
O diretor de Política Econômica do BC, Mário Mesquita,
disse que o desempenho do setor de serviços no país também
foi importante para barrar o avanço dos efeitos da crise.
Segundo o Boletim Regional do BC, as transferências do governo
federal para programas sociais, como o Bolsa Família, ajudaram a
economia do Nordeste a liderar as variações positivas registradas
em 2009. Cerca de 50% dos recursos do Bolsa Família ficam com a
região. No Centro-Oeste, o agronegócio e a estabilização
do gasto público em Brasília ajudaram na expansão.
(EDUARDO CUCOLO e DIMITRI DO VALLE - Folha de S.Paulo)
12.02 - UE vai socorrer Grécia
Detalhes do plano de ajuda deverão ser anunciados hoje, na reunião
de cúpula da União Europeia
Os países europeus, em particular os 16 que fazem parte da zona
do euro, vão dar suporte à Grécia para enfrentar sua
crise orçamentária. A informação foi divulgada
ontem pelo primeiro-ministro da Espanha, Jose Luis Rodriguez Zapatero,
que exerce a presidência rotativa da União Europeia. O acordo
foi possível depois que as maiores economias da Europa, Alemanha
e França, chegaram a um entendimento de que precisariam agir para
desbloquear as negociações de um resgate da economia da Grécia
e impedir que o euro sofra um desgaste em sua credibilidade.
"Temos de dar suporte à Grécia, isso está claro,
e é a Europa e o zona do euro que farão isso", disse Zapatero
à imprensa ao desembarcar em Bruxelas para um encontro dos socialistas
europeus, na véspera da reunião de cúpula da UE, prevista
para hoje. A zona do euro é formada pelos ministros de Finanças
dos 16 países que integram a zona do euro. Zapatero não deu
detalhes sobre o tipo de apoio à Grécia, que seria negociado
nesta madrugada e anunciado hoje na reunião de cúpula.
A aliança franco-alemã foi construída nos últimos
dias, enquanto crescia a pressão do mercado sobre o euro e um questionamento
cada vez maior sobre a capacidade da UE de dar solução às
suas crises. Com o apoio das duas maiores economias do bloco, ministros
de Finanças fizeram ontem uma teleconferência para debater
uma saída. No fim do dia, foi a vez dos membros do conselho do Banco
Central Europeu (BCE) se reunirem com o mesmo objetivo. Jean-Claude Juncker,
presidente da zona do euro e primeiro-ministro de Luxemburgo, disse que
a proposta surgiu depois dessas reuniões.
Berlim e Paris privilegiam uma solução bilateral de apoio
à Grécia para evitar violação às leis
da UE. O envolvimento financeiro do FMI estaria descartado, mas Paris admite
que a entidade poderá auxiliar o processo em sua condição
de "especialista". Nos últimos 12 meses, o Fundo já atuou
em vários países do Leste Europeu. Nenhum, porém,
era da zona do euro.
O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, insinuou ontem que
seu país apenas faria parte de um plano de resgate se o FMI fosse
incluído financeiramente. Por enquanto, em seu ponto de vista, a
Grécia é um problema da zona do euro.
As divisões ficaram claras quando o ministro belga de Finanças,
Didier Reynders, defendeu, em entrevista ao jornal Le Monde, que se recorra
ao FMI na ajuda à Grécia. "A Grécia tem o direito
de recorrer ao FMI. Senão, qual é a vantagem de ser parte
do FMI?" Atenas, porém, é contra.
Para completar, o Parlamento Alemão concluiu um relatório
indicando que qualquer ajuda oficial de Berlim aos gregos violaria as regras
da UE.
Diante da indefinição europeia, o euro voltou a cair
ontem, pelo temor de que o anúncio de hoje ainda não seja
suficiente, numa demonstração da volatilidade dos mercados
e das incertezas em relação à cúpula. A queda
do euro em relação ao dólar foi de 0,7%. Já
as bolsas subiram pelo terceiro dia seguido.
A ideia original da cúpula era apenas tratar da recuperação
econômica da região. Mas a agenda acabará dominada
pela nova crise. A Grécia precisa de empréstimos de 53 bilhões
neste ano para financiar suas dívidas públicas, que atingem
12,7% do PIB e quatro vezes o limite permitido por Bruxelas. Até
abril, precisa de cerca de 20 bilhões. Se o valor é alto
para os gregos, representa apenas uma fração do que Berlim
deu aos próprios bancos.
Uma das propostas é que a UE ou a aliança franco-alemã
dê empréstimos a bancos estatais para a compra de bônus
gregos, fortalecendo a posição do país e reagindo
aos especuladores. Outra opção seria injetar recursos nos
bancos altamente expostos à Grécia, também para estabilizar
os mercados.
O projeto não virá sem a imposição de condições
à Grécia, tendo como meta reduzir seu déficit a 2,7%
em 2012. Os critérios serão uma sinalização
a Portugal, Irlanda e Espanha de que não haverá pacotes gratuitos
de ajuda. Na realidade, seja qual for o tipo de ajuda, haverá uma
lista de exigências a serem cumpridas pelos gregos. (Jamil
Chade - O Estado de S.Paulo)
12.02 - EUA precisam de esforço adicional
Os esforços da administração do presidente Barack
Obama para restaurar o mercado de crédito e enfrentar os problemas
econômicos do país foram bem-sucedidos, mas são necessários
esforços adicionais, disse o secretário do Tesouro americano,
Timothy Geithner, em comunicado.
''Há um ano, as ações que adotamos, junto com
o Ato de Recuperação, funcionaram para restaurar o crescimento
econômico e a estabilidade financeira'', disse ele. ''O sistema financeiro
está se restabelecendo, mas ainda está danificado e temos
muito a arrumar ainda'', disse Geithner.
Segundo ele, os ganhos econômicos ao longo do último ano
agora deverão vir a um custo muito mais baixo para os contribuintes.
Atualmente, o Tesouro estima que os seus esforços de estabilização
financeira vão custar menos de US$ 120 bilhões, mas esse
valor ainda pode ser reduzido. (Dow Jones Newswires/O Estado
de S.Paulo)
12.02 - Abertas: Crescimento acima de 20% em 2009
O mercado de previdência aberta voltou a crescer acima de 20%
em 2009, superando as previsões traçadas no início
do ano, ainda em meio à crise global. A arrecadação
dos planos PGBL, VGBL e tradicionais atingiu R$ 38,7 bilhões, alta
de 21,8%. O saldo das provisões técnicas, formadas pelos
recursos acumulados pelos titulares dos planos, cresceu 24,45%, para R$
176,6 bilhões.
"Depois de um começo de ano complicado, o setor conseguiu bater
todos os recordes, o que mostra que o brasileiro está mais preocupado
com a longevidade", diz o presidente da Mapfre Seguros, Antonio Cássio
dos Santos, que encerra o mandato à frente da Federação
Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi). No seu lugar,
assume Marco Antonio Rossi, presidente da Bradesco Seguros e Previdência.
Um dos destaques, segundo Santos, foi a conquista de 1,2 milhão
de novos planos, elevando o total para 12,2 milhões. A expansão,
aponta ele, atesta que a previdência é percebida não
só como uma opção de poupança de longo prazo,
mas como um instrumento de preservação de capital. Os benefícios
fiscais de curto prazo e seus efeitos no longo prazo têm valorizado
o produto, mesmo em relação a um fundo tradicional, diz.
Na Brasilprev, dos R$ 6,2 bilhões arrecadados em 2009, R$ 2,7
bilhões foram para planos com tabela regressiva de imposto, o que
equivale a 43,5% do total. No ano anterior, esse número ficou em
R$ 1,5 bilhão, ou 37,5% da arrecadação total (R$ 4
bilhões). "O investidor mostra que está mais maduro ao perceber
as vantagens do modelo regulatório", diz o presidente da Brasilprev,
Tarcísio Godoy. Pela tabela regressiva, quanto maior o prazo, menor
o imposto a pagar.
A previdência sofre mais quando a perspectiva de longo prazo
é ruim, afirma o vice-presidente de Vida e Previdência da
SulAmérica, Renato Russo. Isso porque as pessoas ficam receosas
de comprometer recursos por tanto tempo. Quando o ambiente é de
estabilidade, como o atual, o investidor fica mais motivado a optar por
instrumentos de longo prazo, dadas as vantagens fiscais, diz. Para este
ano, sua expectativa é de que o setor repita o crescimento de 20%.
O bom desempenho dos fundos de previdência contribuiu para o
crescimento em 2009, acredita Russo. "Os retornos polpudos animaram os
investidores." Nem a queda da bolsa em 2008 atrapalhou. Além de
a parcela de renda variável ainda ser pequena na previdência,
o investidor em ações conhece o mercado, explica o também
vice-presidente da Fenaprevi.
A Brasilprev, além de investir em produtos como o Ciclo de Vida
(que ajustam a parcela de ações ao longo do tempo), ampliou
seu percentual em crédito privado em busca de mais retorno, conta
Godoy. Hoje, dos R$ 27 bilhoes em ativos, R$ 6,2 bilhões estão
em renda fixa privada e ações. Em 2007, do total de R$ 16
bilhões, apenas R$ 2 bilhões iam para o segmento.
Russo destaca ainda o movimento de maior segmentação
dos planos, por faixa de renda e tipo de investimento. Para ele, essa é
uma tendência que vai se acentuar este ano e só contribui
para o desenvolvimento do mercado. "A segmentação traz mais
clareza para o investidor sobre os planos e características, além
de ajustar a oferta à demanda, ao público-alvo."
Nessa linha, as classes de menor renda ganharam a atenção
do setor, até em função do ganho de renda e aumento
do emprego. "Essa é uma fatia da população que estamos
mirando", afirma Russo. Os aportes vêm caindo, com planos a partir
de R$ 35. (Alessandra Bellotto - Valor Online)
11.02 - Europa firma acordo inicial de ajuda a Grécia
Os governos europeus chegaram a um acordo inicial para ajudar a Grécia,
dando partida ao primeiro resgate destinado a um Estado-membro nos últimos
11 anos.
"A decisão de ajudar a Grécia foi um acordo inicial entre
os estados-membros", disse fonte da coligação alemã
que acompanha de perto as negociações à Reuters.
A mesma fonte revelou que várias opções serão
consideradas e que, apesar de nenhuma decisão final ter sido tomada,
o mais provável é que ocorra "uma ajuda bilateral".
Estas informações são, até agora, o sinal
mais fortes de que a União Europeia tentará conter a crise
de confiança que está derrubando os mercados mundiais.
A decisão surge no mesmo dia em que o Financial Times Deutschland
noticiou que o governo alemão já teria preparado um pacote
de ajuda para a Grécia, e dois dias antes da reunião informal
da União Europeia, onde se espera que o déficit grego seja
discutido.
Joaquin Almunia, comissário europeu para os assuntos econômicos,
disse na quinta-feira passada (4), no Parlamento Europeu, que esperava
que os estados-membros ajudassem a Grécia, mostrando ao país
que a UE reconhecia os seus esforços para melhorar a situação
das contas públicas.
"Espero que os dirigentes europeus digam às autoridades gregas
que, em troca dos seus esforços, a Grécia poderá contar
com o nosso apoio", pediu Almunia dirigindo-se ao Parlamento.
"Este apoio não é gratuito, isso seria lançar
as bases para desequilíbrios futuros", acrescentou. "É um
apoio claro - nós dispomos de instrumentos para garantir esse apoio
- em troca de um compromisso claro. O governo grego deverá assumir
as suas responsabilidades", concluiu Almunia.
O ministro das Finanças português, Teixeira dos Santos,
disse à Reuters que estava certo de que a União Europeia
iria ajudar a Grécia em caso de necessidade, mesmo que os tratados
europeus não previssem esse resgate. (Brasil Econômico)
11.02 - Dividida, UE busca saída para a Grécia
Países que não usam o euro querem o envolvimento do FMI,
ideia rejeitada por França e Alemanha, entre outros
A União Europeia e a Alemanha negociam um plano para salvar
a Grécia, evitando que outras economias sejam afetadas e reduzindo
os ataques ao euro. Mas, às vésperas de uma cúpula,
o bloco está dividido sobre como seria um pacote de resgate, e não
há um entendimento sobre quem pagaria a conta. Países europeus
que não usam o euro querem o envolvimento do Fundo Monetário
Internacional (FMI), ideia rejeitada por Bruxelas.
Hoje o governo alemão se reúne para definir uma proposta,
enquanto o presidente da França, Nicolas Sarkozy, recebe os gregos
para obter um compromisso de que o déficit será atacado.
Amanhã, líderes da UE fazem uma cúpula para avaliar
várias medidas, que têm como meta dar um sinal político
de que a UE tem resposta à pior crise da moeda comum desde a sua
criação.
Uma das propostas que vêm sendo debatidas entre Bruxelas e Berlim
é a de estender aos gregos um plano de garantias, como forma de
ajudar no financiamento da dívida. O governo alemão insistiu
ontem que ainda não há nada fechado. Mas o Banco Central
Europeu (BCE) também estaria envolvido nas negociações.
Berlim não quer arcar com os custos e quer que a Grécia "pague
um preço" pela ajuda.
Além de cortes em gastos públicos, Berlim quer garantias
de que os déficits na Grécia serão definitivamente
eliminados. Atenas, que já está sob uma espécie de
tutela da UE em seu orçamento, ganharia novas obrigações.
O debate ainda se refere a uma ampliação desse pacote para
outras economias com problemas.
A notícia de um eventual pacote provocou alívio nos mercados
europeus, evitando perdas nas bolsas e elevando os preços de commodities
e do próprio euro. Os únicos insatisfeitos, porém,
são os sindicatos, que planejam paralisar a Grécia hoje,
enquanto outros se movimentam para promover ações similares
em outras capitais da Europa.
Depois de tentar superar a recessão, os governos vivem uma nova
crise: a da dívida. Os mercados temem que países como Grécia,
Irlanda, Espanha e Portugal não tenham como financiar os rombos
em suas contas.
A especulação sobre um pacote começou quando o
presidente do BCE, Jean Claude Trichet, abandonou ontem, antes do fim,
uma reunião de presidentes de BCs na Austrália. A assessoria
do BCE insistiu que a decisão de retornar à Europa era uma
questão logística. Mas os mercados passaram a apostar que
isso fosse um sinal de que a UE estaria preparando um pacote.
A notícia sobre um eventual pacote teve efeito imediato. O euro
subiu mais de 1%, depois de sofrer as maiores perdas em nove meses na semana
passada. O risco da Grécia caiu 80 pontos, para 340, enquanto as
ações de bancos gregos subiram 5%. Os riscos da Espanha e
Portugal também sofreram quedas. Eles chegaram a estar acima do
risco Brasil na sexta-feira.
No fim de semana, ministros europeus já deixaram claro ao G-7
que não queriam a intromissão do FMI na questão e
buscariam uma "solução europeia". O problema é que,
pelas leis da UE, países não têm direito de serem resgatados.
Ontem, o site em alemão do Financial Times já publicava
a notícia de que o governo de Berlim preparava um plano para salvar
a Grécia. A notícia foi logo confirmada pelo vice-líder
da União Democrática Cristão no Parlamento, Michael
Meister. Agências de notícias indicaram que o governo alemão
havia obtido da UE um compromisso de que a Grécia seria ajudada.
Como a lei proíbe um pacote de resgate, a ideia mais cogitada era
um empréstimo do governo alemão aos gregos. Duas horas depois,
o governo alemão desmentiu o acordo. As bolsas europeias já
estavam fechadas. No início da noite, Berlim disse que não
existia uma data para concluir um pacote.
Durante a criação do euro, foram os alemães que
fizeram questão de incluir no tratado a proibição
de pacotes de resgate. Temiam pagar a conta, exatamente o que pode ocorrer
agora. Tanto o BCE como o Banco de Investimentos Europeu indicaram que
não poderiam entrar em um plano de resgate.
DIVISÃO
Todos concordam que a Grécia precisará de ajuda. Mas
não há acordo sobre como isso ocorreria. Ontem, a divisão
ficou clara. Países que não usam o euro, como o Reino Unido
e Suécia, sustentam que o FMI deve ser usado para bancar o déficit
grego. Esses governos estimam que o risco de um contágio existe
e não se trata apenas de um problema da zona do euro. Para os países
que usam o euro, chamar o FMI seria a comprovação de que
o euro ainda não ganhou posição de moeda de referência.
Ontem, o próprio governo grego afirmou ser contra uma intervenção
do FMI. Alemanha e França são os que mais se opõem
à ideia. (Jamil Chade - O Estado de S.Paulo)
11.02 - Bom janeiro
O início de 2010 tem sido promissor. As dúvidas sobre
a dimensão dos deficits em conta corrente de 2010 e 2011 não
põem em risco nossa solvabilidade. Devem apenas levar-nos a repensar
a necessidade de maior esforço exportador dos nossos manufaturados
e serviços. É errôneo pensar que isso sugere a redução
da ênfase nas exportações do agronegócio ou
do setor mineral. Pelo contrário.
Essas exportações têm garantido a melhoria das
relações de troca e continuam sendo um componente importante
do crescimento do nosso PIB.
A ênfase na exportação de produtos manufaturados
é necessária, porque, normalmente, o tamanho do mercado interno
é incapaz de garantir os ganhos de produtividade embutidos no aumento
de escala. É o caso, por exemplo, dos setores de alimentação,
de comunicação, celulose, petroquímica e energia elétrica,
onde se formam complexos de dimensão internacional. Eles precisam,
entretanto, ser submetidos a um adequado controle por agências ou
pela competição externa, que impedirão o uso abusivo
do seu poder de mercado.
Nessa linha, chama a atenção a disposição
da Secretaria de Direito Econômico (SDE), do Ministério da
Justiça, que começa a voltar os seus olhos para o inconveniente
monopólio da Petrobras na rede de distribuição de
gás. Além do mais, deve ser evidente que em 2030 teremos
de dar emprego de boa qualidade a 151 milhões de brasileiros entre
15 e 65 anos, o que só se conseguirá se a um agronegócio
de alta produtividade agregarmos setores industriais e de serviços
igualmente eficientes, o que exige a ajuda das exportações.
Outro fato promissor é o compromisso "em pedra e cal" do Tesouro
Nacional de que construiremos ("sem choro nem vela") um superavit primário
de 3,3% do PIB. Isso é fundamental para o controle da relação
dívida pública/PIB, um dos fatores determinantes da taxa
de juro real.
O terceiro e fundamental fato promissor para o nosso desenvolvimento
é o avanço registrado no setor de energia elétrica.
A concessionária Energia Sustentável do Brasil (ESBR) anunciou
que no final de 2012 estará antecipando a produção
de Jirau, com 2.000 MW. Por outro lado, parece que as resistências
a Monte Belo estão se liquefazendo e o seu leilão sairá
(talvez!) no segundo trimestre. O quarto e decisivo fator promissor é
o anuncio da renovação das concessões do setor elétrico,
cujo atraso injustificado já custou um enorme retardo dos investimentos
nas 49 usinas hidrelétricas cujos contratos terminam entre 2015
e 2020. Começamos muito bem! (ANTONIO DELFIM NETTO -
Folha de S.Paulo)
10.02 - Essa crise não para de avançar
Quando ouvimos dizer que os problemas econômicos de Grécia,
Portugal e Espanha - os países mais endividados da zona do euro
- devem permanecer seguramente contidos nas suas fronteiras, isso é
indício de encrenca.
Afinal, escutamos a mesma baboseira em 2007 quando a liderança
financeira dos Estados Unidos falou sobre a bagunça nas hipotecas
subprime. Tanto o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano),
Ben Bernanke, quanto o então secretário do Tesouro Henry
Paulson fizeram numerosos pronunciamentos para garantir a investidores
preocupados que os problemas hipotecários não contaminariam
o restante da economia.
Como sabemos agora, o drama das hipotecas foi contido - nos limites
do planeta Terra. E o mesmo pode acontecer com os países exageradamente
alavancados na Europa.
O contágio é simplesmente um fato inescapável
em nossa economia global e nossos mercados financeiros, tão interconectados.
E isso significa que os investidores precisam se preparar para novos giros
nos mercados de ações e títulos conforme o grande
e doloroso processo de redução da alavancagem que teve início
em 2007 e prossegue em todo o mundo.
Há certamente alguns raios de luz em meio à melancolia.
Um exemplo disso é o algo animador relatório da situação
do emprego, publicado na sexta feira. Mas esse é apenas um indicador,
e não reúne força suficiente para melhorar a situação
de temas muito mais amplos e ainda sem solução, como o temor
dos investidores diante de uma possível moratória nas dívidas
de Grécia, Portugal e Espanha.
"Isso nos lembra que todo país tem seu limite", disse David
A. Rosenberg, economista-chefe e estrategista da Gluskin Sheff & Associados,
uma das maiores firmas canadenses de administração de capital,
com sede em Toronto. "Nossa grande preocupação com a qualidade
do crédito soberano não será relaxada num futuro próximo."
Durante seus anos como economista-chefe do Merrill Lynch em Nova York,
Rosenberg demonstrou grande perspicácia. Assim, sua interpretação
das potenciais consequências dos problemas nos países em dificuldades
financeiras é considerada valiosa.
Primeiro, Rosenberg reconhece que a fuga para o dólar deve continuar.
Apesar de os Estados Unidos enfrentarem seus próprios desafios
econômicos - uma imensa dívida pública que se equilibra
sobre uma economia em dificuldades, por exemplo -, ele sustenta que a situação
do país é muito melhor do que aquela encontrada no restante
do mundo. "Em terra de cego, aquele que tem um olho é rei", afirmou.
"O dólar americano é esse rei de um olho só." Mas
isso não quer dizer que nosso expurgo das dívidas tenha acabado.
"Quando observamos a situação na Europa, não fica
claro se aquilo que está na raiz de nossos problemas domésticos
foi solucionado", disse Rosenberg. "Ainda encontramos uma situação
de extrema fragilidade: o balanço patrimonial dos lares, a mora,
as inadimplências e o preço dos imóveis são
fatores que permanecem vulneráveis a um novo período de declínio.
As pessoas parecem pensar que, por termos concluído o primeiro estágio
deste colapso do crédito pós-bolha, o problema já
está resolvido."
Quanto ao preço dos imóveis, Rosenberg espera ainda um
declínio entre 10% e 15% ao longo dos próximos anos. Ele
destacou os cerca de 9 milhões de unidades habitacionais disponíveis
para venda em todo o país, uma taxa de desocupação
bastante alta quando comparada a um total de 130 milhões de unidades
habitacionais.
Se essa previsão estiver certa, o número de moradores
com dívidas que superam o valor de seus imóveis vai aumentar
significativamente.
Rosenberg estima que metade dos americanos com imóveis hipotecados
pode cair na inadimplência até 2011.
No momento, esses americanos endividados não podem contar com
a ajuda dos credores - o que não surpreende - nem com o auxílio
do governo.
Na verdade, o programa de modificação de empréstimos
do governo Obama permitiu, em boa medida, que os bancos detentores de segundas
hipotecas sobre os lares de cidadãos endividados continuassem a
pressionar pelo pagamento integral destas obrigações.
Quanto à desvalorização do montante principal
nas hipotecas, o governo exerceu sobre os detentores das primeiras hipotecas
uma pressão maior do que aquela exercida sobre as instituições
detentoras das segundas hipotecas. Aparentemente, o fato de os segundos
ônus não terem nenhum valor, devendo ser desvalorizados até
o zero, não preocupa ninguém.
Essa abordagem para as segundas hipotecas, que ignora todos os males,
faz parte de uma negação generalizada por parte de membros
do governo, políticos, banqueiros e reguladores que só prolongou
a agonia provocada por essa crise. Admitir o valor real dos empréstimos
é um remédio amargo, mas negar a existência dos problemas
só faz adiar o inevitável.
"Estamos muito mais avançados no rumo da correção
de preços e da divulgação plena do que o Japão
estava neste mesmo estágio de sua contração de crédito",
disse Rosenberg. "Ainda há nos Estados Unidos alguns problemas de
crédito bastante significativos e, como estão associados
a imóveis comerciais, considero-os extremamente preocupantes. É
provável que alguns bancos sejam duramente atingidos." O desafio
enfrentado por Obama está no fato de ele ter gasto rios de dinheiro
do contribuinte para combater tais problemas, e ainda assim a taxa de desemprego
encontra-se em 9,7%.
"Chegamos ao fim de um ano no qual seria impossível pedir um
maior estímulo proporcionado pelo governo, e ainda assim perdemos
cinco milhões de postos de trabalho", destacou Rosenberg. "O que
mais pode ser feito? A redução da alavancagem prossegue,
mas o estímulo do governo já ficou para trás. Isso
representa grandes problemas para um analista econômico." A verdade
é que, para salvar o mundo do colapso econômico, transferimos
para o público as obrigações do setor privado. E nem
todos os países dispõem de dinheiro suficiente para arcar
com os encargos dessas dívidas ou para pagá-las.
"Estamos num colapso de crédito pós-bolha, e haverá
períodos de calmaria e de tormenta. Os investidores terão
de manobrar em meio à volatilidade", disse Rosenberg. "Infelizmente,
acho que ainda estamos nos estágios iniciais. A próxima recessão
chegará antes do que as pessoas acreditam." (Gretchen
Morgenson - The New York Times, tradução de Augusto Calil
- O Estado de S.Paulo)
10.02 - Europa já avalia socorro à Grécia
As autoridades da União Europeia aqui são rápidas
na hora de torcer o nariz para qualquer boato de socorro à combalida
economia da Grécia, o país mais prejudicado pela crise na
zona do euro, e insistem que Atenas precisa é arrumar as contas
da casa. Mas se os temores de moratória da dívida soberana
que estão contaminando cada vez mais os membros mais frágeis
da zona do euro ficarem mais fortes, e se a Grécia tiver dificuldade
para refinanciar seu alto endividamento, os políticos europeus terão
várias opções para ajudá-la a sair do buraco.
Mas essas opções são raramente discutidas em público,
já que um programa de socorro à Grécia seria um acontecimento
negativo para a moeda comum europeia - seria como reconhecer que as leis
orçamentárias da UE, voltadas para manter a disciplina fiscal
que é o coração do euro, são profundamente
inadequadas. Os custos do crédito à Grécia subiram
rapidamente nos últimos meses devido aos temores de que o país
não conseguirá solucionar seu enorme déficit, que
subiu para cerca de 13% do PIB no ano passado. O limite da zona do euro
é de 3%.
O país entrará num período crítico nos
próximos meses, quando precisará tomar emprestado quase €
23 bilhões (US$ 31,5 bilhões), o que inclui um pouco mais
que 40% de sua tomada de empréstimos prevista para este ano. Os
problemas na Grécia apontam para antigas fragilidades na governança
da moeda comum. Embora a Comissão Europeia possa exigir que países
cortem seus déficits, ela tem poucas ferramentas para policiar suas
ordens, já que o controle dos orçamentos nacionais sempre
fica a cargo de cada país.
O socorro à Grécia não seria feito diretamente,
já que o Banco Central Europeu e os BCs nacionais do bloco não
podem socorrer os países, segundo o tratado da UE em vigência.
Mas vários diplomatas europeus e especialistas em UE dizem que não
existe nenhuma determinação como essa para os governos nacionais.
Os países da zona do euro não podem ser obrigados a arcar
com o custo do endividamento de seus membros, mas não há
nada que os impeça de ajudar voluntariamente.
Os diplomatas da UE em Bruxelas dizem que o plano de contingência
mais provável para a Grécia envolve um pacote de ajuda encabeçado
por França e Alemanha, as maiores e mais estáveis economias
da zona do euro. Um porta-voz do governo alemão diz que o país
é "claro como o cristal" em sua determinação de que
a Grécia deve resolver seus próprios problemas; as autoridades
francesas já disseram várias vezes que socorrer os gregos
está fora de questão.
Outra cláusula do tratado da UE diz explicitamente que o bloco
pode oferecer ajuda financeira se o caso envolver "acontecimentos excepcionais".
Essa cláusula do tratado normalmente serviria para terremotos e
enchentes, mas teoricamente também pode ser estendida para problemas
financeiros graves. "A princípio, os outros membros da União
Europeia podem lidar com isso", diz Paul De Grauwe, professor de economia
da Universidade Católica de Leuven. "Não há nada no
tratado que diga que não eles não podem." De Grauwe diz que
"não há uma estrutura institucional para fazer isso" e os
políticos precisariam arranjar uma solução de última
hora. Uma opção, diz, poderia ser a garantia dos países
maiores da UE para as dívidas, como os Bônus Brady criados
depois da crise da dívida latino-americana da década de 1980.
Autoridades de países da UE e da Comissão Europeia dizem
que querem evitar que a Grécia seja obrigada a enfrentar o vexame
de apelar ao Fundo Monetário Internacional. O FMI já socorreu
três países da UE - Hungria, Letônia e Romênia
- na presente crise, mas nenhuma das nações da zona do euro.
O bloco também teme que o FMI dê à Grécia termos
mais lenientes do que a comissão e outros países da UE estão
exigindo, e permita um prazo maior para o país coibir o déficit,
segundo um diplomata da UE. Esse temor surgiu no início do ano passado,
quando a UE e o Fundo se juntaram para conceder um empréstimo de
emergência à Romênia. A comissão alertou o FMI
de que seu plano original permitiria que a Romênia continuasse se
esquivando das regras orçamentárias da UE.
Se Alemanha e França mobilizarem mais apoio, podem pedir contribuições
da Itália e da Holanda, as outras economias da zona do euro que
teriam capacidade de ajudar um membro em dificuldades. O socorro pode vir
de várias maneiras, seja uma transferência direta de recursos,
uma linha de crédito ligada aos programas de financiamento de outros
países ou até mesmo uma garantia para o caso de uma moratória
grega. O pacote de ajuda direta pode chegar a € 25 bilhões,
segundo um diplomata da UE.
A Grécia emitiu € 8 bilhões em novos títulos
de dívida em 18 de janeiro, numa operação que atraiu
forte interesse. Isso deveria ter tranquilizado os investidores, mas o
rendimento dos títulos soberanos da Grécia e o custo do seguro
da dívida do país bateram recorde nas últimas semanas.
(Adam Cohen e Charles Forelle - The Wall Street Journal/Valor Online)
10.02 - Mercado aumenta estimativa de inflação de 2010
Alta está em sintonia com sinais do BC em elevar a taxa básica
de juros devido à pressão inflacionária
Na semana em que o Banco Central reforçou a sinalização
de que irá aumentar os juros em breve, o mercado financeiro reiterou
as previsões de que a inflação terminará o
ano acima do centro da meta, 4,5%.
Os economistas consultados pelo próprio BC na pesquisa semanal
Focus já projetam um IPCA (indicador oficial de inflação)
de 4,78% -uma semana antes, estimavam-no em 4,62%. Também estimam
que os índices que corrigem tarifas e aluguéis (IGP-M e IGP-DI)
ficarão próximos de 5% em 2010.
Na semana passada, o BC afirmou que monitora "com particular atenção"
o comportamento das expectativas de inflação, que começaram
a subir em janeiro. É a primeira vez que isso ocorre desde a piora
na crise econômica (fim de 2008).
A pesquisa também mostra que os cinco economistas com maior
índice de acerto, entre os cerca de cem consultados, já esperam
IPCA acima de 5%, pondo em dúvida a credibilidade do BC em alcançar
seu objetivo.
Segundo a economista-chefe da Icap Brasil, Inês Filipa, a revisão
dessas projeções tem como fundamento a alta da inflação
verificada em janeiro, que veio acima do esperado pelo mercado. Apesar
da mudança, Filipa não crê em um aumento dos juros
na próxima reunião do Copom (Comitê de Política
Monetária do BC), em março.
"Se os indicadores de inflação mostrarem um arrefecimento
em fevereiro e março, o que é factível, o BC poderia
aumentar os juros somente entre junho e julho. Se não vierem [quedas
de preços], a alta pode começar em abril", afirma.
Na pesquisa divulgada ontem, foi mantida a expectativa de que a taxa
básica de juros, hoje em 8,75% ao ano, comece a subir em abril.
A Selic chegaria a 11,25% em outubro -na previsão anterior, ela
alcançaria esse patamar apenas em dezembro-, percentual que deve
ser mantido até o início de 2011.
Em relação ao câmbio, a previsão é
que o dólar termine fevereiro em R$ 1,82 e permaneça nesse
patamar até o fim do ano. Espera-se um crescimento econômico
de 5,35% em 2010.
Cesta básica
Ontem, o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e
Estudos Socioeconômicos) divulgou que, em janeiro, o valor da cesta
básica subiu em 10 das 17 capitais pesquisadas, na comparação
com dezembro. A variação positiva ficou entre 0,79% e 4,61%.
Na comparação com janeiro de 2009, houve queda em todas as
capitais. (Folha de S.Paulo)
09.02 - Por que os ortodoxos erram tanto?
Porque adotam método de ciências como a matemática
para justificar o "laissez-faire", origem de crises e mais crises
A grande crise de 2008 foi também a crise da teoria econômica
ortodoxa ou neoclássica, dominante desde os anos 1980; foi a crise
da teoria do equilíbrio geral e da macroeconomia neoclássica
baseada nas expectativas racionais. Esse fracasso não foi surpreendente.
Essas duas teorias ensinadas nos cursos de pós-graduação
das grandes universidades têm aparência científica,
porque o método hipotético-dedutivo empregado para desenvolvê-las
permite o uso abusivo da matemática.
Na verdade, são castelos no ar que possuem alguma coerência
lógica, mas não têm base na realidade dos sistemas
econômicos reais. Além de não terem utilidade prática,
essas teorias apresentam alta periculosidade. Foram essas construções
matemáticas que legitimaram a principal causa da crise financeira
global: a desregulação dos mercados.
A ortodoxia neoclássica é dogmática e afastada
da realidade porque usa um método baseado em axiomas, em vez de
generalizar a experiência do comportamento dos mercados. Embora também
usando o método hipotético-dedutivo, a microeconomia neoclássica,
excluído o modelo de equilíbrio geral, é muito útil
porque, juntamente com a teoria dos jogos, constitui uma ciência
metodológica auxiliar: a teoria econômica da decisão.
Já a teoria do equilíbrio geral, a macroeconomia das expectativas
racionais e os modelos de crescimento endógeno são teorias
ortodoxas que nos períodos de grande desenvolvimento não
orientaram a política econômica dos países em que foram
formuladas.
Na Inglaterra, no século 18, foi a teoria econômica mercantilista
que desempenhou esse papel; na Alemanha de Bismarck, a escola histórica;
nos EUA, na primeira metade do século 20, a teoria institucionalista
americana; no Japão e em todos os países que se industrializaram
no século 20, a teoria estruturalista do desenvolvimento ("development
economics") e a estratégia desenvolvimentista; e, finalmente, nos
países ricos, nos "30 anos dourados do capitalismo" (1945-75), foi
a teoria econômica keynesiana que inspirou a política econômica.
Para se legitimar, a ortodoxia busca se contrapor à política
de irresponsabilidade fiscal e cambial que é tão comum em
países mal governados -mas isso não a torna verdadeira. Nem
justifica a tese de que era ela a única alternativa ao populismo
econômico. A lenda que a envolve é que sua seriedade e severidade
assegurariam estabilidade macroeconomia aos países que a aplicassem.
Entretanto, as crises financeiras muito mais frequentes jogaram por terra
essa tese. No caso dos países em desenvolvimento, a instabilidade
resulta do apoio da ortodoxia a deficit em conta-corrente (ou seja, no
populismo cambial); no caso dos países ricos, do pressuposto de
mercados autorregulados e de sua deliberada desregulação.
Há alguns meses, Paul Krugman perguntou: "Por que os economistas
erraram tanto?". A razão principal foi que os economistas "mainstream"
adotaram o método hipotético-dedutivo, que é próprio
de ciências metodológicas como a matemática, a estatística
e a teoria econômica da decisão, em vez de usarem o método
histórico ou empírico e, a partir dele, generalizarem e formularem
teorias pouco matemáticas, mas realistas, como acontece com a teoria
keynesiana. Isso lhes permitiu matematizar a teoria econômica, usar
cálculo diferencial e integral e, assim, dar-lhe uma aparência
científica, mas, com essa roupagem matemática, a teoria ortodoxa
estava justificando o velho "laissez-faire" que sempre foi origem de crises
e mais crises. (LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA - Folha de
S.Paulo)
09.02 - Tragédia grega, drama europeu
Momento mais crítico da história do euro lança
dúvidas sobre o futuro de um mercado comum desequilibrado
Pandora, de fato, abriu sua caixa. Entre os demônios que saíram
dela está o caos da dívida, as incertezas no mercado e o
temor de uma nova recessão. Mas, para a Europa, o maior demônio
é mesmo a dúvida sobre o euro e o futuro de um mercado comum
desequilibrado entre o norte exportador e o sul endividado. Depois de pensar
que superou a recessão de 2009, a União Europeia (UE) vive
o momento mais crítico na história de dez anos da moeda comum,
diante das incertezas sobre a capacidade de países como Espanha,
Grécia, Portugal, Irlanda ou Itália financiarem suas dívidas.
"Estamos vivendo o primeiro e maior teste da história do euro.
Esse também é um teste para o futuro da Europa", afirma,
ao Estado, Loukas Tsoukalis, assessor especial do presidente da Comissão
Europeia, José Manuel Barroso, e ex-conselheiro do governo grego
para temas europeus. Seu país, a Grécia, está no centro
de uma verdadeira tragédia.
Nos últimos dias, os mercados entraram em ebulição
diante da constatação de que alguns dos governos europeus
poderiam não honrar suas dívidas. Emissões de bônus
e de papéis da dívida desses países nem sequer encontraram
compradores. O impacto no euro foi imediato: caiu para o menor valor em
sete meses. Ironicamente, investidores venderam euros e optaram pelo dólar,
moeda de um país com um déficit do orçamento de 12%
de seu PIB, equivalente ao da Grécia.
Como numa tragédia grega, a situação dos países
europeus é resultado de vários atos. O primeiro foi o momento
anterior à recessão, em que governos apostaram que a taxa
de crescimento robusto seria mantida por alguns anos. Na Grécia,
por exemplo, a economia chegou a crescer 4% por ano entre 2001 e 2008.
Bolhas foram criadas em setores como o imobiliário. Mas eram financiadas
com créditos abundantes.
Com a chegada da crise, a opção adotada foi a de lançar
mão de pacotes bilionários para incentivar os setores mais
críticos da economia e evitar uma perda ainda maior de empregos.
Ao mesmo tempo, a arrecadação dos governos despencou e os
créditos secaram.
A recessão foi freada, com uma participação inédita
do Estado na economia. Pela Espanha, cartazes estão espalhados por
todas as cidades como sinal de que o governo decidiu liberar verbas para
obras públicas, gerando empregos e incentivando certos setores.
Mas uma nova crise foi gerada: a da dívida. Países como Grécia,
Irlanda e Portugal passaram a ter uma dívida equivalente ao próprio
PIB. A Espanha, depois de um superávit em 2008, viu que as suas
contas foram revertidas.
Fontes do gabinete do governo espanhol contaram ao Estado que nos primeiros
meses da recessão a tensão era máxima na cúpula
do governo e técnicos eram pressionados a apresentar propostas quase
todos os dias para salvar um setor. O problema, segundo a fonte, é
que grande parte das medidas era apenas superficial. Dinheiro seria injetado
na economia, mas sem um impacto duradouro. Alguns meses depois, a constatação
em vários mercados é de que a dívida se transformou
em uma ameaça.
CRITÉRIOS
O que mais preocupa é que todas as regras para que países
participem do euro foram violadas. Pelo Pacto de Estabilidade, uma economia
apenas poderia participar do euro se apresentasse um déficit orçamentário
de menos de 3%. Na Grécia, o valor é quatro vezes maior.
Na Espanha, chega a 9,8%, em Portugal, a 9,3%. Os gregos chegaram a mentir
para Bruxelas sobre os reais valores do orçamento e déficit
e agora a UE abriu um processo contra Atenas.
Pelas normas da UE, um país que viole o teto de 3% por dois
anos seguidos é repreendido e, se o problema persistir, poderia
ser até suspenso do euro. Mas o problema é que, pelo menos
neste semestre, quem preside a UE é a Espanha, um dos países
que teoricamente estaria prestes a ser punido por não cumprir os
critérios do euro. "Politicamente, é impossível pensar
que a Grécia ou qualquer outro país poderia ser retirada
da zona do euro. Se a Grécia sair, o euro deixa de existir em termos
de credibilidade", ressaltou Tsoukalis.
A solução, por enquanto, foi colocar a Grécia
numa camisa de força, no início da semana. O plano apresentado
pelo governo de Atenas de congelar salários e reduzir o déficit
será monitorado pela Comissão Europeia, com medidas inéditas
de tutela orçamentária.
O governo grego chegou a ensaiar uma crítica aos investidores,
acusando o mercado de estar "apostando contra a Grécia". "Isso até
pode ser verdade, mas não podemos esconder os fatos: a dívida
existe e é pesada", disse Tsoukalis. "Em muitos aspectos, a Grécia
se parece mais com um país latino-americano que europeu. Mas o que
preocupa é que existem muitas Grécias agora na Europa."
De fato, o mercado é unânime em afirmar que um calote
na Grécia faria o risco Portugal ou o risco Espanha explodir. Portugal
já sentiu a dificuldade nesta semana, quando sua dívida chegou
a 77% do PIB. O governo se apressou em dizer que "não entendia"
as dúvidas do mercado em relação ao país. Na
Itália, a dívida supera a marca de 100% do PIB e há
anos o governo não consegue gerar crescimento suficiente para uma
arrecadação que reduza o tamanho do déficit orçamentário.
Um após o outro, governos europeus passaram a anunciar medidas
de restrição. Portugal apresentou um plano de corte de gastos,
mas se recusou a aumentar impostos. Na Irlanda, a opção foi
reduzir os salários dos funcionários públicos. Na
Grécia, o primeiro-ministro George Papandreou disse que os trabalhadores
precisarão se acostumar com o fato de que suas aposentadorias não
serão tão confortáveis como esperam.
Para analistas mais apressados, é o estado de bem-estar social
da Europa que também está sendo posto à prova. Nesta
semana, o governo socialista na Espanha insinuou que a idade de aposentadoria
poderia ser elevada. A oposição retrucou de forma tipicamente
espanhola: só passando sobre ela.
Na melhor das hipóteses, as medidas possibilitarão que
os critérios voltem a ser respeitados em 2013. Seja qual for a medida,
porém, os sindicatos europeus já preparam protestos contra
seus respectivos governos para os próximos dias. (Jamil
Chade - O Estado de S.Paulo)
09.02 - Crise na Europa poupa emergentes
Agrava-se a crise dos países da zona do euro, que, puxados pela
Grécia, afundam em dívidas crescentes, sem perspectiva de
poder financiá-las no curto prazo. As poucas portas de saída
estão fechada pelas regras da zona do euro. Não podem desvalorizar
sua moeda, que não é mais sua, é o euro. Outra medida
que parece inevitável é o aumento de impostos. Dolorosa.
Acabaria com qualquer possibilidade de crescimento nos próximos
anos, pressionaria a inflação e já está provocando
reações populares que podem ganhar impulso. Além disso,
cortes dolorosos nos gastos públicos podem chegar aos investimentos.
Essa é a análise do economista-chefe do BNP Paribas, André
Luiz, em conversa com a coluna.
SAIR DO EURO?
E se os países em crise, Grécia, Portugal, Irlanda, Espanha
e Itália, batizados de Piigs, na sigla em inglês, saíssem
do euro? André Luiz não acha possível. "A saída
dos Piigs da zona do euro, seguida de desvalorização cambial,
não é uma opção viável, dado que o endividamento
das famílias e empresas é em euros. Isso levaria a uma severa
crise interna. O processo de redução do endividamento não
será fácil. A recessão será severa nos Piigs."
E o aperto fiscal? O economista-chefe do BNP Paris responde com outra
pergunta: "Qual é a capacidade desses países de pôr
em prática um aperto fiscal tão duro (via corte de gastos
e aumento de impostos) quando as pessoas começarem a sair às
ruas para protestar? Em consequência, os investidores ficarão
ansiosos e o custo de financiamento desses países permanecerá
elevado, impondo uma pressão constante sobre o equilíbrio
fiscal e financeiro da região".
UM EURO MAIS FRACO
Sim, mas anuncia-se um pacote para conter a crise, pelo menos no momento.
"O FMI e a União Europeia provavelmente virão com pacotes
de resgates, incluindo a emissão de garantias para a dívida
dos países, com maior custo de captação. Serão
soluções paliativas, pois enquanto os Piigs não apresentarem
seus motores próprios de crescimento, a instabilidade econômica,
financeira e social prevalecerá. Não há outra condição
de equilíbrio para a zona do euro, a não ser aceitar uma
moeda enfraquecida nos próximos anos, de forma a minimizar a dor
dos Piigs. Uma moeda fraca, que levará ao aumento do risco de inflação.
O Banco Central Europeu (BCE) aceitará esse risco, mantendo as condições
monetárias frouxas e o câmbio fraco? Não sei... 2010
será um ano desafiador.
CONHECEMOS ESSA HISTÓRIA
A pergunta inevitável: E nós? "É importante ressaltar
aqui a grande diferença que existe entre as economias avançadas
e emergentes. O aumento forte de endividamento do setor público
observado no mundo em 2009 não foi notado nas economias emergentes.
Por elas serem menos alavancadas, endividadas, não apresentaram
problemas, tais como a quebra do sistema bancário e absorção
pelo setor público de enormes perdas financeiras.
Esse fato será um divisor de águas para a economia global
na próxima década. Diferentemente das economias avançadas,
que precisarão passar por um processo de redução de
endividamento - demandando políticas fiscais muito apertadas, baixa
expansão do crédito e crescimento econômico baixo -,
as economias emergentes não terão de colocar em prática
políticas que conspirem contra o crescimento," afirma o economista-chefe
do BNP Paribas.
Para ele, a situação dos Piigs não é fácil.
"Nós, brasileiros, conhecemos bem o ciclo vicioso gerado por crises
de endividamento. Países com problema de dívida, caso não
queiram entrar em inadimplência, precisam realizar apertos fiscais
importantes, aumentar impostos."
É o que lhes resta dentro das normas da eurozona. Decididamente,
vamos ter anos difíceis e turbulentos na eurozona, que passa pelo
seu primeiro teste. Um teste que se iniciou em janeiro e levará
alguns anos para terminar.
A coluna pode prever anos de baixo crescimento econômico, após
uma recessão severa e uma resposta pouco eficiente e unificada à
crise que abalou a economia mundial.
Mas não a nossa. O câmbio esteve sempre na origem de todas
as crises passadas. Agora, não. Fizemos reservas, mantivemos credibilidade,
por meio de uma política econômica consistente, um sistema
bancário e financeiro saudável e, acima de tudo, agimos antes
que a onda maior chegasse. Não fosse isso, o tsunami não
teria virado marola...
O problema, agora, é deles, mas podem fazer pouco porque têm
uma moeda comum, mas não uma economia unificada.
André Luiz lembra que história do superciclo de endividamento
global, que teve início no pós-guerra culminou em uma crise
sem precedentes, no final dos anos 2000. A crise global - que teve como
ápice a quebra da banco de investimento americano Lehman Brothers,
em setembro de 2008 - ocorreu em razão do problema de excesso de
endividamento e a sua solução passará necessariamente
por uma redução significativa desse estoque de dívida.
Em 2009 não houve ajuste nenhum. (Alberto Tamer - O Estado
de S.Paulo)
09.02 - A incerteza na economia mundial
Inicio hoje minha colaboração com O Estado de S. Paulo
e a faço com muita satisfação. Conheço boa
parte dos jornalistas da área econômica e também acompanhei
a construção da nova fase do Caderno de Negócios e
de Economia. Poucas vezes conseguiu-se reunir um time tão parrudo
de profissionais.
Nos artigos, tratarei de três temas complementares: macroeconomia,
análise setorial dos segmentos mais relevantes da economia brasileira
e, cada vez mais importante num mundo incerto, de questões ou exigências
estratégicas que se colocam para as empresas.
Existe uma linha importante a ligar essas três abordagens, que,
na verdade, são complementares. Como me foi dito recentemente por
Fábio Barbosa (do Santander), o volume e as incertezas futuras são
de tal natureza que se exige dos países e das empresas, antes de
tudo, flexibilidade para que o custo do ajuste a uma situação
imprevista seja o mais reduzido possível.
A proposta de elaborar uma regra rígida para distribuição
de lucro das empresas, tentando transformá-las numa repartição
pública, vinda dos Ministérios da Justiça e do Trabalho
e das centrais sindicais, é o último dos exemplos de como
construir uma perda de flexibilidade e competitividade da economia, como
analisado por José Pastore nesta semana.
O que mais chama a atenção quando se analisa a economia
internacional é a enorme disparidade de situações
no que tange ao crescimento econômico. De fato, em algumas regiões
prevalece a mais profunda recessão, enquanto em outras a recuperação
está tão rápida que coloca riscos inflacionários
a serem combatidos.
China, Índia, Austrália, Vietnã, Noruega e Brasil
são os casos mais relevantes. Todos eles já começaram
a reverter os incentivos concedidos logo no início da crise, seja
elevando as taxas de juros, seja aumentando os depósitos compulsórios,
controlando crédito, etc.
Mesmo essa situação favorável não é
totalmente segura, uma vez que as autoridades devem operar com cuidado
a velocidade de retirada dos incentivos para não matar a recuperação.
Além do mais, todos sofrerão caso a economia americana venha
a mergulhar na temida segunda recessão.
No caso chinês em particular, alguns analistas temem que, findo
o programa de gastos fiscais, a economia passe a viver um grave problema
de realização, ou seja, de insuficiência da demanda
interna e externa frente a capacidade produtiva. Não acredito nessa
segunda possibilidade, uma vez que a maior parte dos programas de investimentos
chineses está na infraestrutura e busca uma elevação
da produtividade sistêmica da economia. Mesmo onde o sol brilha,
remanescem incertezas que geram volatilidade.
Por outro lado, a recuperação americana deverá
ser sustentada, porém lenta. Ao longo de 2010, passado o ajuste
de estoques que inflou o crescimento no fim de 2009, a economia americana
deve convergir para um crescimento de algo como 2,5%. Entretanto, mesmo
esse crescimento enfrenta dúvidas, pois muitos analistas acreditam
que teremos uma segunda recessão, e não apenas uma desaceleração,
à medida que se esgotem os incentivos fiscais com uma situação
de alto desemprego. Temos aqui apenas duas certezas: o melhor cenário
é o de crescimento baixo por alguns anos; e a volatilidade seguirá
alta, tal é o volume de desafios a enfrentar (redução
do desemprego, estratégia fiscal e redução do déficit,
enxugamento adequado do excesso de liquidez, retomada do crédito,
regulação do sistema financeiro, etc).
O terceiro e maior bloco de países é o da recessão,
capitaneados por Japão e Europa. O caso do Japão é
extremamente significativo, pois o país parece estar saindo do jogo
ao completar a segunda década sem crescimento. Como todos percebem,
já não se trata da purga de um período de excesso,
curável com uma dose de restrição fiscal e de gastos
de consumo. Fatores mais permanentes estão presentes: um sistema
político envelhecido, sem liderança e criatividade; uma dinâmica
demográfica horrível, com forte queda da natalidade e envelhecimento
da população, resultando numa trajetória de redução
absoluta do tamanho da população. A questão populacional
fica ainda mais perversa pela absoluta antipatia e rejeição
aos imigrantes, mesmo quando esses tem antepassados japoneses. O resultado
é uma fraqueza do mercado de consumo que o governo tenta compensar,
sem nenhum sucesso, com gasto e elevação da dívida
pública. Com o consumidor retraído, as empresas não
têm estímulo para investir, especialmente quando o mercado
externo se torna mais competitivo e restrito, acumulando-se recursos líquidos
direcionados ao mercado financeiro. Nessa sociedade não existe volta
da confiança que possa trazer a retomada do crescimento; tudo indica
que o país seguirá envelhecido, rico e estagnado.
Na Europa, os problemas se acumulam. A Europa oriental tem de digerir
uma crise de excesso de dívidas denominadas em moeda estrangeira.
Ao mesmo tempo, a fragilidade da situação fiscal da Grécia
levantou o espectro de um default soberano. Não acredito nessa ocorrência,
mas ela contaminou os riscos de vários países, como Irlanda,
Portugal, Espanha, Itália, e vai exigir uma prolongada recessão
nos mercados antes que se volte à normalidade.
O que completou o quadro ruim foi o recente enfraquecimento de Alemanha
e França. Recentemente, a chanceler alemã levantou, em um
discurso, o risco de o país iniciar uma trajetória à
la Japão, com uma demanda interna estagnada, externa fraca e empresas
sem vontade de investir, mesmo com caixa. No geral, a falta de confiança
no futuro é generalizada: apesar de uma vigorosa expansão
monetária na comunidade (de 12%), o crédito não cresce.
Nem bancos nem as empresas e os consumidores estão dispostos a correr
riscos.
O cenário internacional aponta para uma leve recuperação
do Produto Interno Bruto (PIB) global, uma valorização do
dólar muito mais decorrente da fraqueza da Europa e do Japão
e razoáveis preços de commodities (peso da China e Índia).
O euro pode vir abaixo de 1,30 por dólar e o real deve se desvalorizar
para a faixa de 1,90/1,95, como resultado da tendência internacional,
da piora acelerada do déficit em conta corrente e das incertezas
políticas.
Finalmente, existe uma grande lição dessa crise para
a nossa política comercial. Uma das forças do Brasil é
ser um global trader, pois permite manter as exportações
crescendo mesmo em crise. Exportar muitos produtos para muitos mercados
é um grande ativo. Daí porque ser lamentável que um
antiamericanismo infanto-juvenil tenha colocado a busca por mercados na
última prioridade do Itamaraty, em parte responsável pela
redução do peso das exportações para os EUA
a meros 10% do total. (JOSÉ ROBERTO MENDONÇA
DE BARROS - O Estado de S.Paulo)
08.02 - Temor com a dívida de países da zona do euro
Situação de Grécia, Portugal e Espanha preocupa
investidores, e EUA têm dados ruins de emprego
Os abalos nos mercados mundiais ontem foram gerados novamente entre
os países desenvolvidos, com dúvidas em relação
a economias da zona do euro e à recuperação dos EUA.
Os mercados de Portugal, da Grécia e da Espanha foram os mais
prejudicados, enquanto os temores dos investidores quanto às dívidas
públicas cada vez mais altas desses países solapavam a confiança
em suas economias e a capacidade de seus governos para custear crescente
deficit orçamentário.
Na quinta-feira o dólar disparou para sua mais alta cotação
ante o euro em mais de sete meses, US$ 1,37 (alta de 1,1%), enquanto os
preços dos títulos do Tesouro dos EUA subiam. O índice
Vix, que acompanha a volatilidade do índice S&P 500 de Nova
York e costuma ser descrito como o barômetro do medo em Wall Street,
saltou 17%.
As tentativas de Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu
(BCE), de estimular a confiança nas finanças públicas
da região não funcionaram. Segundo Trichet, o deficit dos
EUA deve atingir 10% do PIB do país neste ano, ante 6% na zona do
euro.
Em semanas, os temores dos investidores, inicialmente concentrados
na Grécia, espalharam-se para Portugal e Espanha e chegaram aos
mercados de câmbio de EUA e Reino Unido, com forte queda nas Bolsas.
Os mercados de dívidas das chamadas economias periféricas
europeias também sofrem pressão, com o alargamento considerável
do ágio entre seus títulos e os da Alemanha, que são
a referência de mercado.
Gary Jenkins, da Evolution Securities, disse que "os resultados das
empresas podem estar fortes [nos EUA], mas os investidores estão
preocupados com a possível moratória de um país europeu".
Também preocupam as implicações do fim dos programas
de ajuda nos EUA e no Reino Unido.
E números ruins do emprego nos EUA divulgados ontem elevaram
os temores de que a recuperação pode ser mais lenta. O número
de pedidos iniciais de seguro-desemprego cresceu para 480 mil na semana
passada -a expectativa era de queda.
As preocupações continuam hoje, quando sai a pesquisa
mensal de emprego nos EUA. Analistas estimam que 15 mil vagas foram criadas
em janeiro, em um país que precisa criar 100 mil postos mensais
só para atender as pessoas que ingressam no mercado de trabalho.
Além disso, o governo deve anunciar uma revisão nos dados
de emprego nos últimos meses, que devem apontar que muito mais vagas
foram eliminadas desde o início da recessão, no fim de 2007.
Estima-se que o novo cálculo vai apontar que mais 800 mil vagas
foram perdidas, totalizando 8 milhões a partir de dezembro de 2007.
(Financial Times/Folha de S.Paulo)
08.02 - Plano de reforma da Grécia vai na direção
certa
O Banco Central Europeu (BCE) está "confiante" de que a Grécia
tomará todas as medidas necessárias para reduzir o déficit
orçamentário a um nível sustentável, de acordo
com o presidente da instituição, Jean-Claude Trichet. Após
a reunião mensal do conselho do BCE, Trichet afirmou que as medidas
de redução do déficit orçamentário apresentadas
pela Grécia em um relatório enviado à Comissão
Europeia representavam "passos na direção certa". Entre as
provisões, ele destacou os planos do governo grego para elevar impostos
sobre derivados de petróleo, para congelar os salários do
setor público e para reformar o sistema de pensões.
"A estratégia é crucial para um crescimento sustentável
e para a criação de empregos na Grécia", disse Trichet.
Ele reiterou a necessidade de os países integrantes da União
Europeia seguirem o Pacto de Estabilidade e Crescimento do bloco, segundo
o qual o déficit orçamentário de um Estado-membro
não pode ultrapassar 3% de seu respectivo Produto Interno Bruto
(PIB).
Trichet afirmou que seus comentários não são nenhuma
novidade, mas refletem a necessidade de os integrantes da zona do euro
concentrarem os esforços na implementação de princípios
sólidos subjacentes à criação da moeda única.
"Quando você divide uma moeda com os outros, a contrapartida é
que você precisa se comportar adequadamente", acrescentou. Os comentários
do presidente do BCE ocorrem duas semanas após um aumento na preocupação
dos mercados internacionais com a capacidade dos países-membros
da zona do euro de reduzir os déficits orçamentários.
O euro caiu ao menor nível em oito meses em relação
ao dólar durante esse período, enquanto o yield de títulos
de países com uma situação fiscal delicada, como a
Grécia, subiu acentuadamente.
Trichet, no entanto, ressaltou que o déficit orçamentário
consolidado da zona do euro, equivalente a 6% do PIB do bloco, é
menor do que números análogos de outros países desenvolvidos.
Ele citou estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI) segundo
as quais os déficits dos EUA e do Japão provavelmente superarão
10% do PIB neste ano. "De forma geral, estamos numa situação
semelhante a de outros países industrializados, mas não podemos
ser complacentes", disse Trichet. "A política fiscal pode ser onerosa
para a política monetária", avaliou, acrescentando que os
governos precisam transmitir confiança ao anunciar como arrumarão
as finanças públicas. (G1)
08.02 - Moody's pode rebaixar nota dos EUA
Para a agência gastos para conter crise limitam ação
do governo
A agência de classificação de risco Moody"s afirmou,
em relatório, que o rating Aaa da dívida soberana dos Estados
Unidos corre o risco de ser pressionado pela posição fiscal
do país, acrescentando que essa situação só
poderá ser amenizada se o governo adotar medidas eficientes para
a redução do déficit orçamentário ou
se o crescimento da economia americana superar as expectativas.
Segundo a Moody"s, o governo Barack Obama está limitado pelo
nível elevado de desemprego no país, fator que pode dificultar
um grande ajuste fiscal atualmente e também minar a recuperação
da economia.
Outros fatores que pesam contra a posição fiscal americana,
de acordo com a agência, são os investimentos para a criação
de empregos e os gastos com programas de benefícios. "Os déficits
projetados no orçamento não estabilizam o nível da
dívida em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) e
a parcela de recursos do governo que será direcionada aos juros
da dívida crescerá. Aparentemente, sob qualquer cenário,
o custo da dívida vai se deteriorar", avalia o relatório.
A agência afirma que, no orçamento apresentado pela Casa
Branca para o ano fiscal 2011, a relação entre o pagamento
dos juros da dívida e a receita do governo federal vai aumentar
de 8,7% no atual ano fiscal para 17,8% até 2020, isso porque as
taxas de juro vão aumentar, assim como o tamanho da dívida.
Já a relação entre a dívida e a receita do
governo federal - utilizada pela Moody"s para avaliar a robustez financeira
- recuará de 429% no atual ano fiscal para 394% até 2020
-, nível que, para a agência, ainda é muito elevado
e não demonstra uma forte melhora.
"As projeções para o orçamento incluem um déficit
primário equivalente a 0,9% do Produto Interno Bruto em 2015", posição
que não é equilibrada, segundo a Moody"s. "Portanto, mais
aumentos na receita ou cortes nos gastos seriam necessários" para
conseguir equilibrar o orçamento.
DIA NERVOSO
Ainda ontem, nos Estados Unidos, houve preocupação com
os dados do desemprego, revelando que o ritmo da recuperação
pode ser bem mais lento do que se esperava. O preço do petróleo
no país ainda sofreu uma queda de 5%. O número de pessoas
que contam com seguro desemprego aumentou em 8 mil, atingindo 480 mil americanos
na última semana. Foi o quarto aumento em cinco semanas. Já
o número de desempregos foi o maior em dois meses.
O índice Dow Jones chegou a cair 2,1% e atingiu a pior marca
desde novembro, ante uma queda de 2,3% na Nasdaq. (O Estado
de S.Paulo)
05.02 - Crise: UE aprova plano contra deficit grego
A Comissão Europeia anunciou ontem que manterá vigilância
cerrada sobre a Grécia, cuja crise fiscal começa a contaminar
a confiança no bloco e já pesa sobre a cotação
do euro. O país propôs na terça um pacote extenso de
reformas fiscais para conter o problema.
O órgão executivo da UE aprovou o plano, cuja meta é
reduzir um deficit orçamentário crescente que beira 13% do
PIB para menos de 3% do PIB até 2012. Mas disse que, pela primeira
vez, fará monitoramento econômico e orçamentário
simultâneos de um país membro.
Entre outras coisas, a comissão quer ver Atenas reduzir a folha
de pagamento do funcionalismo público, reformar seu sistema tributário
e a previdência social e fornecer estatísticas confiáveis
para evitar surpresas como a que detonou a turbulência atual. Os
mercados, a princípio, reagiram bem.
"A Grécia adotou um programa ambicioso para corrigir seus desequilíbrios
fiscais e reformar sua economia. Isso é do interesse da população
grega (...) e de toda a zona do euro", disse o comissário da UE
para questões Econômicas e Monetárias, o espanhol Joaquín
Almunia.
A crise estourou em outubro, após uma revisão dos dados
de 2008 revelar um quadro pior que o previsto.
A UE repreendeu o governo do premiê George Papandreou, contra
o qual tomará ações legais, pelas estatísticas
pouco confiáveis, e exigiu que o país adote até 15
de maio lei que torne obrigatória a elaboração de
relatórios de execução orçamentária.
A crise grega pôs ainda na mira dos investidores e das agências
de "rating" Portugal, Irlanda e Espanha, países com deficit acima
de 10%. (LUCIANA COELHO - Folha de S.Paulo)
05.02 - Moody's coloca rating dos EUA sob pressão
A Moody's Investors Service lançou um aviso, ontem, segundo
o qual a classificação de crédito soberano "AAA" dos
EUA poderá ficar sob pressão, a menos que o crescimento econômico
seja mais forte do que o esperado ou que medidas mais duras forem tomadas
para combater o déficit orçamentário do país.
Em decisão que acompanha o crescimento da preocupação
entre os investidores sobre o déficit americano, a Moody's afirmou
que o país tem uma trajetória de crescimento da dívida
"evidentemente em alta sustentada".
Steven Hess, diretor sênior de crédito na Moody's, disse
que o déficit projetado na perspectiva orçamentária
apresentada pelo governo Obama nesta semana não estabiliza os níveis
de endividamento em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).
"A menos que novas medidas sejam tomadas para reduzir ainda mais o déficit
orçamentário ou que a economia reaja de forma mais vigorosa
do que o esperado, o quadro financeiro federal, tal como apresentado nas
projeções para a próxima década, em algum momento
exercerá pressão sobre a pontuação de crédito
'AAA' dos títulos do governo", disse Moody's em nota sobre emissores
de títulos.
Nesta semana, a Casa Branca previu déficit orçamentário
de US$ 1,565 trilhão para 2010, o que representa 10,6% do PIB e
é a proporção mais elevada entre dívida e PIB
desde a Segunda Guerra Mundial. Embora haja previsões de estreitamento
do déficit orçamentário, para cerca de 4% em 2013,
isso, em parte, se baseia em que o crescimento econômico não
caia abaixo das expectativas do governo e que o Congresso concorde com
aumento de impostos e congelamento de gastos com despesas discricionárias
não relacionados com segurança. O crucial está nas
projeções de que a dívida total em relação
ao PIB americano passarão de 53% em 2009 para 73% em 2015 e 77%
até 2020.
A Moody's, no entanto, diz que isso subestima o nível de endividamento
geral americano. "Utilizando a medida geralmente usada por governos internacionalmente
- incluindo governos estaduais, municipais e o governo federal -, essa
proporção será bastante superior a 100% em 2020."
A questão do risco soberano dominou muitas discussões no
Fórum Econômico Mundial de Davos na semana passada. Embora
muita atenção estivesse centrada na crise fiscal grega, preocupações
foram também expressas quanto às perspectivas em países
como os EUA e Reino Unido.
"Todo mundo tem razão para, neste momento, estar preocupado
com a economia americana e seu dólar", disse Tony Teixeira, vice-diretor
da Government of Singapore Investment. "Continuamos julgando que a economia
dos EUA é a mais diversificada e resiliente no mundo, mas está
passando por um momento difícil." No centro das preocupações,
a questão é se países como os EUA, com o seu crescente
peso da endividamento, têm a vontade política, ou a percepção
consensual, para tomar medidas decisivas para reduzir a dívida.
(Michael Mackenzie e Gillian Tett - Financial Times/Valor Online)
05.02 - Visão de confiança
A garantia do ministro da Fazenda, Guido Mantega, em palestra no seminário
"Brasil: preparado para crescer", de que o governo não abrirá
mão da disciplina fiscal e monetária, propondo também
um pacto com o setor empresarial para blindar a economia ante perturbações
comuns em período eleitoral, funda-se, além de outros pressupostos,
no reconhecimento de que, durante a crise, foram tomadas medidas eficazes
e as empresas reagiram de forma positiva, gerando, a seu ver, um ambiente
de confiança que precisa ser preservado.
"Estamos entrando em um ano eleitoral - disse ele - e eu acredito que
ele não vai interferir nos rumos da economia". Por outro lado, assegurou
que "não vai haver nenhuma alteração na nossa conduta
por ser um ano eleitoral, e isso significa manter a responsabilidade fiscal
e a inflação sob controle, manter a economia crescendo de
forma sólida e equilibrada, sem nenhum populismo ou coisa parecida".
Quanto à queda de 7,4 % da produção da indústria
brasileira em 2009, por sinal o pior resultado das duas últimas
décadas e o primeiro resultado negativo apurado pelo Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE) em dez anos, o ministro disse
que "é passado, e no presente o setor está crescendo fortemente",
não devendo isto, a seu ver, "servir de empecilho para continuar
apostando no crescimento econômico".
A recuperação da economia brasileira acontece, em sua
avaliação, graças sobretudo ao restabelecimento da
confiança, tanto entre os empresários quanto entre os consumidores.
Veja-se a esse respeito, segundo os dados por ele apresentados, que o nível
de confiança da indústria estava em 76 pontos em fevereiro
de 2009 e alcança agora 110 pontos, enquanto o nível de confiança
do consumidor, que era de 95, alcança hoje 110 pontos. "A economia
do País já consegue caminhar com as próprias pernas"
- afirmou o ministro, sendo possível até observar uma "euforia
exagerada" após a saída da crise, afora o fato de o consumo
continuar crescendo e garantindo dinamismo ao mercado interno, aliás
a vantagem da economia brasileira face a outros países.
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em palestra no mesmo
seminário, ressaltou por sua vez que a queda contínua da
taxa de juro real é fruto da estabilidade econômica e "uma
das características importantes do sucesso do Brasil resulta da
tomada de atitudes que sejam realistas, possíveis" e o fato de que
"a inflação está na meta, de termos reservas cambiais,
dívida pública cadente como proporção do PIB,
gera essa queda, em um ambiente de responsabilidade macroeconômica",
sendo ainda fundamental, conforme assinalou, "não tentar fazer mágica,
dar um passo maior do que a perna".
Esta, na síntese das afirmações de ambos e nas
projeções sobre o desempenho da economia brasileira neste
ano, a visão que compartilham de um modelo sustentável de
desenvolvimento, sólido em seus fundamentos econômicos e lastreado
na estabilidade monetária, além de abrangente nas dimensões
sociais que se interligam ao respectivo conceito, situando pois o homem
como agente e, a um só tempo, beneficiário do respectivo
processo. (Jornal do Commercio Brasil)
04.02 - A taxa de câmbio
De acordo com estimativas (sempre sujeitas a chuvas e trovoadas), em
2008 transacionou-se diariamente, nos mercados de câmbio mundiais,
qualquer coisa como US$ 1,8 trilhão (mais ou menos o PIB anual brasileiro).
Eles funcionaram cerca de 156 horas semanalmente para as 168 horas
possíveis! Para ter uma ideia de sua dimensão, basta considerar
que suas transações anuais andavam às voltas de US$
450 trilhões, contra um pouco mais de US$ 16 trilhões de
operações comerciais e serviços (exportação
+ importação, dividido por dois).
Esses números sugerem que mais de 95% das transações
com moedas são oriundas do movimento internacional de capitais,
para investimentos, arbitragem ou pura especulação. No Brasil,
a situação não é muito diferente, porque dispomos
de um eficiente e sofisticado sistema financeiro e uma Bolsa segura e organizada.
Mesmo quando não há nenhuma restrição às
operações de comércio e serviços, a taxa de
câmbio não é mais aquele animal pré-histórico,
o preço relativo, que equilibrava fluxos de oferta e procura de
divisas.
Ela é um ativo financeiro e, como tal, sujeita, no curto prazo,
às condições que estabelecem o equilíbrio nos
mercados daqueles ativos, particularmente as expectativas.
No mundo em que operam, 24 horas por dia, sete dias por semana, os
agentes financeiros especializados têm à sua disposição
a velocidade proporcionada pela moderna tecnologia ("high-frequency trading").
Para eles, o que importa são as condições de equilíbrio
de seus portfólios, ou seja, dos estoques da riqueza (moedas, títulos
nacionais e estrangeiros), que são ajustados a cada variação
das condições internas e externas e das expectativas.
A taxa de câmbio é apenas um dos ingredientes do equilíbrio.
Os outros são a sua própria expectativa, a taxa de juro interna
e a externa, o nível do PIB e o saldo em conta corrente, que equilibram
(ajustam os estoques de ativos) os mercados financeiros nominados nas várias
moedas, como assistimos no Brasil nas últimas semanas. Esse é
o preço da integração profunda do mercado de capitais
nacional ao mercado internacional.
O câmbio flexível (e a liberdade de movimento de capitais,
com instituições eficientes), ao mesmo tempo em que libera
às autoridades a escolha da política monetária, pode
tirar-lhe as condições de permitir o estabelecimento de uma
taxa de câmbio adequada ao desenvolvimento econômico, o que
só acontecerá quando a taxa de juro real interna for igual
à externa.
Isso é claramente impossível no Brasil, onde o Banco
Central namora a crença de que nossa taxa de juro real de equilíbrio
está entre 7% e 8% ao ano! (ANTONIO DELFIM NETTO - Folha
de S.Paulo)
04.02 - A ameaça de inflação e o Banco Central
Ainda é cedo para temer que o custo de vida avance em 2010 muito
além da meta de 4,5%, admitida variação de dois pontos
percentuais para cima ou para baixo. Mas não se deve ignorar o sinal
de alerta emitido por um dos principais indicadores econômicos. O
Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) no mês de
janeiro, segundo cálculos de especialistas do mercado, deverá
situar-se em torno de 0,71%. O percentual representa o dobro das previsões
consensuais dos analistas, convalidadas até por alguns situados
na esfera oficial.
É, portanto, natural o despertar de preocupações,
quando nada como forma de agendar a tomada de reações táticas
para aplicação logo adiante, se a tendência de recrudescimento
de preços tomar fôlego. É certo que o incremento do
IPCA do mês recém-findo, quando anualizado, projeta aumento
de quase 9% de inflação. Tem-se aí referência
duas vezes superior ao centro da meta de 4,5% estabelecida pelo Banco Central
(BC). Ademais, com o resultado de janeiro, o IPCA acumulado em 12 meses
ficará acima de 4,5%.
A despeito dos dados procederem do sistema financeiro, há poucas
dúvidas de que serão diferentes daqueles a serem divulgados
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na próxima
sexta-feira. Parece não restar dúvida de que parte da exacerbação
anotada no índice de janeiro decorre de reajustes de produtos essenciais,
entre eles álcool e gasolina. As chuvas, a seu turno, empurraram
para cima os preços de hortaliças, frutas, leguminosas e
itens industriais derivados.
O problema é que o núcleo da inflação observa
altas pontuais desde dezembro do ano passado, com avanço de 0,38%
para 0,45% e, em janeiro, deve alcançar 0,53%. Há expectativa,
no entanto, de que tais resultados representem resíduos de estágio
transitório da economia. De qualquer modo, não há
motivo para os gestores públicos cruzarem os braços e deixar
que a situação se acomode por si mesma. Na verdade, o Banco
Central já admite aumentar as taxas de juros, único instrumento
que considera apto a atacar as fontes da inflação.
A recorrência da política monetária em antepor
juros altos como meio de contornar eventual recidiva inflacionária
parece ter a dimensão de uma epifania - isto é, solução
inspirada em verdadeira revelação divina. Não se concebe
outra maneira de enfrentar o problema. Despreza-se o aconselhamento mais
eficaz para garantir a estabilidade de preços, como o declínio
da carga tributária para níveis civilizados e a redução
das despesas correntes do governo. É consensual que ambos os fatores
- tributos astronômicos e gastos perdulários da máquina
estatal - atingem o sistema econômico e abrem espaço a superestimação
de custos no nível do consumidor. Mas a lógica não
frequenta a agenda do governo. Tampouco a do Banco Central. (Correio
Braziliense)
04.02 - Ascensão e queda dos bancos centrais
Uma das consequências menos comentadas do recente terremoto na
economia global decorrente da crise financeira de 2008/09 tem que ver com
a relativa perda de reputação dos bancos centrais (BCs) e
o efeito que ela pode provocar na erosão da integridade institucional
dessas organizações. A afirmação anterior não
decorre do patético e aberto conflito de autoridade entre o presidente
do BC argentino e a chefe do Executivo daquele país, que só
pode representar um caso extremo e dramático (nada menos que isso
parece ser aceitável na Argentina) da perda de autoridade daquela
instituição monetária.
Trata-se, na verdade, de um processo mais amplo e que afeta com maior
intensidade os BCs nos países desenvolvidos, principalmente nos
EUA, em decorrência da negligência do Federal Reserve (Fed)
em praticar, por períodos desnecessariamente longos, políticas
expansionistas que facilitaram a emergência de bolhas especulativas
nos mercados de ativos imobiliários. Junte-se a isso a frouxa regulação
dos derivativos, sobretudo daqueles negociados nos mercados de balcão,
e os sistemas de incentivos perversos implantados nos bancos mais agressivos
e tem-se um quadro propício para a emergência da crise internacional.
A inação não se limitou ao Fed, mas alcançou
também o Banco Central Europeu (BCE), o Banco da Inglaterra, o Banco
do Japão e outros menos importantes. Até o BC da pequena
Islândia parece ter acompanhado passivamente o crescimento das operações
dos três bancos privados cuja falência causou a bancarrota
do país. Não deixa de ser irônico lembrar que um estudo
acadêmico da década de 1990, com uma amostra significativa
de bancos centrais, mostrou que o BC da Islândia era o detentor do
grau mais elevado de estabilidade institucional.
Em geral, crises bancárias sistêmicas quase sempre arranharam
a reputação dos BCs, além de produzirem conflitos
e rachaduras internas que diminuem a independência e/ou a capacidade
de atuação daquelas instituições. Na maior
delas, na Grande Depressão da década de 30, algumas iniciativas
do Fed de Nova York para atenuar os efeitos das dificuldades do sistema
bancário foram suspensas pela postura rigidamente ortodoxa da Junta
de Governadores em Washington, o que acabou prolongando os efeitos negativos
da crise bancária sobre a atividade econômica.
Na crise atual, não é improvável que conflitos
semelhantes possam ocorrer entre o BCE e os BCs dos países-membros,
o que poderia comprometer a unidade de atuação daquele organismo
multilateral e/ou a viabilidade do novo formato expandido da zona do euro.
Observe-se também a crescente pressão (do fogo amigo) de
parte de membros do Congresso dos EUA em favor de reduzir o poder de atuação
do Fed, para lidar com crises bancárias.
De outro lado, vários trabalhos acadêmicos já demonstraram
que reputação e/ou credibilidade são dois ativos importantes,
se não os mais relevantes, para a autoridade monetária, pois
permitem que ela possa alcançar seus objetivos de estabilidade monetária
ao menor custo em termos de queda na atividade econômica. Nesse sentido,
ambos têm um valor econômico significativo para o BC e têm
de ser preservados em benefício da sociedade.
O novo desafio para os bancos centrais no mundo pós-crise é
desmontar o conjunto de programas de injeção de crédito
e/ou de liquidez que foram necessários para manter os mercados em
funcionamento durante os piores momentos da crise. Não é
uma tarefa trivial, considerando que somente no caso do Fed seu balanço
foi praticamente triplicado num curto período de tempo, com ativos
de qualidade bastante duvidosa. A maior parte desses programas deve terminar
em março de 2010 e essa data deve ser monitorada para avaliar o
grau de dependência que ainda resta dos bancos em relação
aos créditos do banco central.
Além disso, cumpre negociar com os congressistas uma ampliação
do mandato explícito dos bancos centrais para incorporar o objetivo
de estabilidade do sistema financeiro. Isso exigirá, certamente,
mudanças regulatórias que enfrentarão resistências
dos interesses estabelecidos em praticamente todos os segmentos dos intermediários
financeiros.
Por último, resta mencionar que, nesse jogo de reputação
dos bancos centrais, não existem só perdedores. Felizmente,
pela sua atuação tempestiva e na direção correta,
o Banco Central do Brasil ganhou um enorme capital de reputação
e credibilidade, como indicado pelo seu crescente status na fechada comunidade
internacional de banqueiros centrais e de organizações multilaterais.
Desta vez, pelo menos, estamos do lado dos ganhadores.
(Alkimar R. Moura - O Estado de S.Paulo)
03.02 - Grécia apresenta seu plano antidéficit
A Grécia apresentou à Comissão Europeia um plano
para controlar seu déficit e acalmar os mercados. A dívida
soberana grega é considerada uma das de maior risco na União
Europeia e analistas de todo o mundo vêm advertindo que se não
houver um plano radical para controlar os gastos, o risco de um default
vai se tornar cada vez mais real.
Entre as medidas apresentadas pela Grécia está o início
da publicação mensal de relatórios sobre suas receitas
e despesas, para mostrar claramente aos mercados e a outros governos da
UE como está tentando equilibrar as contas. O país também
terá, a partir de meados de março, de se reportar regularmente
à Comissão Europeia para dizer o que está fazendo
para colocar em prática as reformas prometidas.
Essas reformas incluem maior ação para remodelar a economia
grega ao combater o vasto mercado negro e trazer os trabalhadores para
a formalidade. Atenas terá de atuar para tornar a economia mais
competitiva, reduzindo os níveis salariais, que estão bem
acima dos níveis de produtividade. Haverá também uma
reforma da aposentadoria do setor público.
O objetivo é reduzir o seu déficit abaixo dos 12,7% estimados
no ano passado para 3% em 2013. A Comissão Europeia anunciou que
vai exigir medidas mais duras, tais como novos impostos e cortes de gastos,
caso a Grécia não progrida.
A Comissão vai publicar mais detalhes do plano hoje e pedirá,
na reunião de ministros das Finanças da UE no dia 15, que
eles apoiem o programa.
Agência de classificação de crédito Moody´s
afirmou que o plano grego é relativamente bem concebido, mas criticou
Atenas ao dizer que cerca de metade das economias previstas nele não
se deve a mudanças estruturais, e sim à retirada de gastos
extras de antes das eleições de outubro. (AgÊncias/Valor
Online)
03.02 - IPC-S tem elevação de 1,29% em janeiro
O IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor – Semanal) registrou
variação de 1,29% em janeiro, taxa é 0,19 ponto percentual
(p.p.) acima da apurada na última divulgação, informou
na segunda-feira a FGV (Fundação Getúlio Vargas).
Este foi o maior resultado desde a terceira semana de fevereiro de 2003,
quando o índice registrou alta de 1,55%.
A principal contribuição para a aceleração
da taxa do IPC-S partiu das tarifas de ônibus urbano, cuja variação
passou de 5,26% para 7,87%. Com este movimento, a taxa do grupo transportes,
passou de 2,59% para 3,45%, a maior entre as sete classes de despesa componentes
do índice.
A segunda maior influência foi exercida pelo item curso de ensino
superior que registrou variação de 4,45%, ante 2,55%, na
última apuração. Com este resultado, a variação
média para cursos formais – que agrega também as variações
do ensino fundamental, médio, infantil e creche - ficou em 6,01%,
taxa abaixo da apurada no ano de 2009, que foi de 6,72%.
Os grupos habitação (0,25% para 0,30%) e despesas diversas
(0,35% para 0,76%) também registraram avanços em suas taxas
de variação. Já os grupos alimentação
(1,65% para 1,57%), vestuário (0,48% para 0,09%) e saúde
e cuidados pessoais (0,31% para 0,28%) apresentaram decréscimos
em suas taxas de variação. (Executivos Financeiros)
03.02 - PIB: Mercado aumenta previsão para 5,35%
Os analistas de mercado elevaram suas previsões para o crescimento
da economia brasileira em 2010. A estimativa do PIB (Produto Interno Bruto)
passou de 5,3% no último relatório para 5,35%, segundo a
pesquisa Focus, divulgada na segunda-feira pelo Banco Central. Para 2011
espera-se crescimento de 4,5%.
As expectativas para a inflação oficial também
subiram pela segunda semana seguida, passando de 4,6% na última
divulgação para 4,62%. Para 2011 a estimativa permenaceu
inalterada em 4,50%.
O mercado financeiro manteve a projeção de que a taxa
básica de juros terminará este ano em 11,25% ao ano. Atualmente,
a taxa está em 8,75% ao ano. Para o fim de 2011, a projeção
do mercado para os juros básicos permaneceu estável em 11%
ao ano.
A projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio
no fim de 2010 subiu de R$ 1,75 para R$ 1,76 por dólar. Para o fechamento
de 2011, a previsão dos analistas para a taxa de câmbio avançou
de R$ 1,83 para R$ 1,85 por dólar. (Executivos Financeiros)
02.02 - PIB americano: Maior alta trimestral em 6 anos
Em 2009, no entanto, economia encolhe 2,4%, pior desempenho desde 1946
Queda menor nos estoques puxa alta de 5,7% no 4º tri; para analistas,
recuperação sustentável depende do mercado de trabalho
A economia americana cresceu a uma taxa anualizada de 5,7% no quarto
trimestre. O resultado superou a expectativa dos analistas -que previam,
em média, expansão de 4,8%- e representou a maior taxa de
crescimento em seis anos.
O fator principal para o resultado no período de outubro a dezembro
do ano passado foi um corte menor dos estoques, que estão em queda
há sete trimestres. O efeito dos estoques representou 3,39 pontos
percentuais da taxa de expansão. Com isso, analistas avaliam que
o pior já tenha passado, mas esperam um crescimento mais suave nos
próximos trimestres.
Os resultados divulgados ontem pelo Departamento de Comércio
mostram que em 2009 a economia americana encolheu 2,4%, o pior desempenho
desde 1946. Após a explosão da crise econômica, em
setembro de 2008, o país só voltou a apresentar taxas positivas
no terceiro trimestre do ano passado, quando a economia cresceu 2,2%. De
modo geral, a receita do resultado negativo da economia americana em 2009
foi baseada em menores investimentos, exportações em baixa
e fortes quedas nos estoques.
O governo comemorou os resultados do quarto trimestre, mas reforçou
o papel da geração de empregos como item número um
da agenda econômica. Crhristina Romer, que preside o conselho de
economistas da Casa Branca, classificou os resultados como uma notícia
encorajadora. "Enquanto o resultado positivo do PIB é um primeiro
passo necessário para a criação de empregos, nosso
foco deve ser colocar os americanos de volta no mercado de trabalho", disse.
Já o presidente Barack Obama, que viu sua popularidade cair
com o avanço da taxa de desemprego, aproveitou para detalhar medidas
de apoio à criação de vagas (leia texto abaixo).
Segundo avaliação do Fed (o BC dos EUA) divulgada nesta
semana, o desemprego em alta, na faixa de 10%, ainda limita uma recuperação
mais sólida do consumo -que representa cerca de dois terços
da economia do país. Na passagem do terceiro para o quarto trimestre,
a dúvida era se o consumidor teria fôlego para gastar após
o encerramento de programas de auxílio do governo, como o que incentivava
a compra de carros mais eficientes. De outubro a dezembro, o consumo cresceu
2%, ante 2,8% no terceiro trimestre.
Os gastos do governo aumentaram 0,1% no quarto trimestre, após
uma alta de 8% de julho a setembro. Os gastos dos governos estaduais e
locais caíram 0,3%. Os investimentos em compras de equipamentos
e softwares tiveram efeito positivo sobre o resultado, com uma alta de
2,9%. "A recuperação do investimento é seguramente
um sinal positivo para os próximos trimestres", diz Greg Thomas,
da PNC Financial Service.
"Um crescimento sustentável depende de emprego. Para ter um
avanço superior a 2% em gastos dos consumidores, será necessária
uma recuperação sólida do mercado de trabalho. O que
se viu no último trimestre foi um fator transitório: firmas
que cortaram fortemente os estoques reduziram o ritmo ou pararam de fazer
isso", disse Cary Leahey, da Decision Economics. Em crises anteriores,
a recuperação da economia foi focada em consumo e mercado
imobiliário.
Confiança em alta
Mesmo com o mercado de trabalho fraco, o consumidor está mais
confiante. Pesquisa divulgada ontem mostra que o sentimento do consumidor
atingiu o maior patamar desde janeiro de 2008 e ficou em 74,4 pontos. Segundo
relatório da Universidade de Michigan, responsável pelo indicador,
os consumidores estão convencidos de que o pior da crise já
passou, mas apesar de tudo esperam estagnação na renda e
no emprego. (JANAINA LAGE - Folha de S.Paulo-30.01)
02.02 - Cresce risco de nova crise, diz relatório
O socorro do governo norte-americano aos bancos, no fim de 2008 e em
2009, tornou mais provável que o sistema financeiro enfrente nova
crise. O alerta consta do mais recente relatório do inspetor-geral
Neil Barofsky, que supervisiona o Tarp, o programa do Tesouro dos EUA para
resgatar o setor.
Segundo o relatório, não só as causas da crise
não foram solucionadas como algumas se agravaram. Bancos tidos como
"grandes demais para quebrar" -e que, portanto, tiveram que ser socorridos
a qualquer custo- tornaram-se maiores e falharam em restringir o pagamento
a seus executivos.
Barofsky diz que os bancos continuam a incentivar que seus executivos
assumam riscos porque sabem que o governo irá resgatá-los
se necessário para evitar um contágio no sistema financeiro.
Essa avaliação é semelhante à que a Rússia
teve com as gigantes norte-americanas de hipoteca Fannie Mae e Freddie
Mac em 2008, segundo conta o então secretário do Tesouro
dos EUA na época da crise, Henry Paulson, em livro que está
lançando.
Paulson diz que a Rússia propôs ao governo chinês,
em 2008, que vendessem os papéis que detinham das duas empresas,
já em situação frágil, para forçar um
socorro da Casa Branca. Essa ajuda valorizaria ambas. Mas, segundo Paulson,
a China não concordou com o plano. (Folha de S.Paulo-31.01)
02.02 - Itaú Unibanco: Regulação no setor
"Uma mudança vai haver. Temos que estar preparados. Vai ter
que ter mais regulação [no setor financeiro], capital mínimo
regulatório, novas regras de contabilidade para os bancos, além
dos modelos de remuneração dos executivos."
A opinião sobre as propostas do presidente Obama é de
Ricardo Villela Marino, diretor-executivo responsável pelas unidades
externas e pela área de pessoas do Itaú Unibanco.
"Há uma tendência de taxar, de colocar mais regras. É
uma medida popular que dará votos. Mas vai ter que passar pelo Congresso",
disse.
"Será algo mais alinhado com o interesse dos acionistas a longo
prazo e ajustado ao risco."
Marino frisa, porém, que é importante distinguir o que
ocorre nos EUA e no Brasil.
"É diferente. Nos EUA, houve falhas na gestão de risco,
nas companhias que dão "rating", excesso de alavancagem do consumidor
americano que, no final, teve de pagar a conta."
Marino disse que participantes do Fórum Econômico Mundial
neste ano estão "mais aliviados que em 2009. Mas, sabem que têm
muito a fazer para evitar recessão de fundo duplo".
Villela Marino teve encontros com importantes banqueiros estrangeiros
no Fórum suíço.
Com relação ao setor financeiro no Brasil, Marino diz
que neste ano haverá crescimento da reversão de provisões
que os bancos estão fazendo e queda da inadimplência em relação
a dois anos anteriores. (Maria Cristina Frias - Folha de S.Paulo)
01.02 - Mantega diz que já é hora de retirar medidas de
incentivos fiscais
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse na quinta-feira que está
na hora de o Brasil começar a retirar as medidas fiscais para socorrer
a economia e garantiu que os incentivos serão eliminados. Ele adiantou
que a isenção fiscal - redução do Imposto sobre
Produtos Industrializados (IPI) - para a linha branca acabará neste
fim de semana e o incentivo ao setor automotivo também tem data
marcada para terminar. Segundo ele, a indústria sofreu contração
de 5% a 6% em 2009, mas as perspectivas são de crescimento para
2010.
Apesar de defender o fim dos pacotes criados para ajudar a economia
a enfrentar a crise, Mantega diz que o Estado precisará garantir
uma nova regulação ao sistema financeiro internacional e
manter sua presença. Hoje, Mantega defenderá a tese da importância
do papel do Estado aos empresários reunidos no Fórum Econômico
Mundial, em Davos, e cobrará a aceleração de reformas
no sistema financeiro.
Segundo Mantega, os incentivos fiscais criados para dar fôlego
às vendas de eletrodomésticos terminarão no fim de
semana, já em um sinal de que o Brasil começa a adotar sua
estratégia de saída dos pacotes. "Os estímulos fiscais
estão sendo desativados e chegando ao fim". (Agência Estado)
01.02 - Inflação se acelera no mês
Índice da FGV, utilizado para corrigir aluguéis, confirma
tendência de alta de preços durante ano
Impulsionados pela recuperação da economia, os preços
aos consumidores e os valores cobrados no atacado começaram a se
acelerar. Segundo o IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado),
medido pela Fundação Getulio Vargas, a inflação
em janeiro foi de 0,63%. Em dezembro, o índice havia registrado
queda de 0,26%.
Houve aumento de 0,51% dos preços no atacado e de 1% da inflação
ao consumidor, medida em sete capitais. Nessas cidades, o incremento dos
custos da construção civil foi de 0,52%.
Na quinta-feira, a Abras (Associação Brasileira de Supermercados),
que divulgou seu balanço de 2009, disse que já sentiu pressão
inflacionária no atacado. Apesar disso, representantes afirmaram
que os preços podem não subir para o consumidor, pois há
indústrias que ainda têm capacidade ociosa e há condições
de elevar a produção.
Nesta e na semana passada, outros índices de inflação
também mostraram a tendência de alta. O IPCA-15, prévia
do indicador usado na definição das metas oficiais de inflação,
avançou e, em 12 meses, indicou elevação de 4,31%,
percentual muito próximo à meta estabelecida pelo governo,
de 4,5%. A inflação próxima ao centro da meta pressiona
o governo a aumentar a taxa de juros.
Segundo a FGV, a aceleração da inflação
está ligada à reacomodação do nível
de preços na indústria, que caíram bastante durante
a crise, ao início da recuperação das cotações
dos fertilizantes e à correção de preços administrados
ou sazonais, como as tarifas de ônibus urbano e as mensalidades escolares.
Salomão Quadros, coordenador de Análises Econômicas
da FGV, afirma que a inflação de janeiro sinaliza que o período
de queda de preços ficou para trás, mas ressalta que o número
não indica um novo padrão para a inflação mensal
neste ano.
"Certamente, a inflação será maior do que foi
no ano passado, mas não será tão alta como vimos em
2008." Segundo ele, a tendência é que os índices se
mantenham altos até que os preços se recuperem. A valorização
do dólar no início deste ano é outro fator que acentua
esse processo. Feita a correção, disse, os índices
mensais devem ceder e se ajustar ao ritmo de crescimento da economia.
Em 12 meses, a variação do IGP-M continua negativa, a
exemplo do que ocorreu no final do ano passado. Até este mês,
a retração foi de 0,67%. O IGP-M é usado para corrigir
contratos, como os de aluguel. (VERENA FORNETTI e MARIANA SALLOWICZ
- Folha de S.Paulo)
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