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31.08 - ‘É uma recessão longa e severa’
Professor da Universidade George Washington, o economista americano William Handorf foi testemunha privilegiada do processo que, em 2008, culminou no estouro da bolha imobiliária americana. Era diretor do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) entre 2001 e 2006. Na função que exercia, não votava nas decisões de política monetária (taxa de juros). Mas participava do dia a dia da instituição.
Especialista justamente em finanças do setor imobiliário, Handorf conta que, pouco antes de deixar o Fed, provocou os colegas. Para ele, estava claro que a instituição falhava na supervisão do sistema financeiro. Durante uma exposição, afirmou: "Acredito que estamos entrando em uma nova fase que mostrará falhas na supervisão. Digam-me se - e por que - estou errado." Segundo ele, a reação foi de incredulidade.
Handorf avalia que a economia americana só vai recuperar a vitalidade, na melhor das hipóteses, em 2013. Até lá, afirmou, a taxa de desemprego continuará elevada (hoje está na casa dos 10%). "É uma recessão longa e severa." Ele conversou com o Estado após dar palestra num evento da Fecomércio em São Paulo. A seguir, os principais trechos da entrevista.
O sr. acredita que o Federal Reserve adotará mais uma rodada do chamado afrouxamento quantitativo (QE3)? Se adotar, terá efeito positivo na economia?
Se vão adotar ou não, é uma questão que cabe ao Comitê de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Fed. Se eles deveriam fazer ou não, minha resposta é a seguinte: a probabilidade de que funcione é muito pequena. As taxas de juros nos EUA já estão muito baixas.
O Fed acertou ao informar publicamente, em sua última reunião de política monetária, que a taxa de juros vai ficar baixa ao menos até 2013?
Se eu fosse um integrante do Fed com direito a voto, teria sido mais um a discordar (dos dez diretores do Fed que votaram, três foram contrários). Não há dúvida de que o Fed tem de manter os juros baixos, pois o mandato do BC americano não é apenas para manter a inflação baixa. Deve também dar atenção ao crescimento. É algo que faz o Fed ser diferente de muitos bancos centrais. Mas, apesar disso, não se pode brincar com a inflação. É uma experiência, aliás, que vocês brasileiros conhecem bem. Leva um tempo muito longo para a inflação e as expectativas baixarem.
Cresceu a probabilidade de uma nova recessão nos EUA?
Sim. No ano passado, a probabilidade de uma recessão era de 5%. Diria que, nos últimos seis meses, essa chance cresceu para 20%. O cenário eleitoral contribuiu para essa elevação.
Como assim?
Já de olho na eleição, o Congresso e o Executivo demoraram para encontrar um acordo sobre o aumento do teto da dívida. O gatilho para esse assunto - o rebaixamento da nota de classificação de risco pela agência Standard & Poor’s - foi apenas simbólico. Mas indica, de qualquer maneira, que temos problemas no país. Goste-se ou não dessas agências, é uma opinião respeitada no mercado.
O sr. disse, em sua apresentação, que a questão do emprego é a chave para a economia americana hoje. Por quê?
Cerca de 8 milhões de americanos perderam seus empregos durante a recessão. Alguns empregos têm sido criados tanto no setor público quanto no privado, mas em quantidade insuficiente. O problema é que os EUA precisam criar entre 1 milhão e 2 milhões de empregos por ano apenas para dar conta da imigração e dos jovens que entram no mercado. Ou seja, enquanto todos esses empregos não forem criados, com salários minimamente razoáveis, será difícil imaginar uma recuperação.
Quando o sr. imagina que o cenário para o emprego nos EUA apresentará melhora?
Provavelmente não antes de 2013, talvez só em 2014. É uma recessão longa e muito severa. Não é uma recessão que se resolverá facilmente, pois há algo que continua machucando a economia: o setor imobiliário, que demanda enorme contingente de mão de obra.
O sr. foi diretor do Fed.
Fui diretor. Não votava nas decisões do Fomc.
Trabalhou na época em que Alan Greenspan era o presidente.
Sim, em parte. Fui diretor entre 2001 e 2006 (Greenspan deixou o cargo justamente em fevereiro daquele ano).
Como avalia o trabalho dele? Naquela época, ele era uma espécie de deus do mercado.
Greenspan não era uma espécie de deus. Era um deus. Concordo com a maneira como Greenspan comandou a política monetária, mas ele falhou na supervisão do sistema. Ele não reconheceu o alto risco dos empréstimos hipotecários. Se fosse eleger as cinco causas principais da crise, colocaria em primeiro lugar o papel do Fed. Certa vez, minha mulher me viu chegar em casa chateado após uma reunião em que havia falado sobre o alto risco daqueles empréstimos e as consequências para o mercado. A percepção era de que tudo estava bem. No fim de meu período no Fed, fiz uma colocação, não era um discurso formal, em que disse: "O Fed tem uma longa história de falhas em política monetária e na política de supervisão. Acredito que estamos entrando em uma nova fase que mostrará falhas na supervisão. Digam-me se - e por que - estou errado."
E qual foi a reação?
Foi de incredulidade. Como um diretor do Fed poderia dizer aquilo? O homem a quem fiz a pergunta ficou indignado.
Quando os EUA voltarão a crescer de acordo com o potencial?
Os EUA precisam crescer de 3% a 4% ao ano para criar os empregos necessários. Ficaria surpreso se isso acontecesse antes de um ano e meio ou dois.
E o Brasil nesse cenário?
Não gostaria de falar sobre o Brasil. Meu foco de análise são os Estados Unidos. O que se pode dizer, genericamente, é que o Brasil tem uma classe média emergente muito grande, que vai gerar demanda doméstica.  (Leandro Modé - O Estado de S. Paulo)

31.08 - Vento contra
O futuro é opaco e se nega a ser decifrado. Mesmo quando explorado pelas melhores inteligências apoiadas nos mais recentes modelos e torturado com as mais recentes técnicas econométricas, ele se recusa a confessar qual o caminho que tomará. Essa realidade e a prudência levam a comportamentos defensivos.
As autoridades responsáveis pela política econômica devem pesar cuidadosamente os riscos alternativos sem deixar-se imobilizar, mesmo porque não há caminho de custo zero. Os analistas, para preservar a credibilidade, procurarão acertar (ou errar!) juntos.
Estamos num momento grave. Com a conivência dos governos, construíram-se "inovações" financeiras cujas consequências foram ignoradas. Alguns economistas foram ridicularizados pelos que detinham o poder político porque apontaram, inadvertidamente, os perigos que as "inovações" embutiam.
O resultado dessa aventura explodiu quando a miopia dos bancos centrais dos EUA (o Fed), da Inglaterra e da Comunidade Econômica Europeia, permitiu a liquidação desordenada do Lehman Brothers.
Ignoraram a rede construída pelas "inovações" e seus abusos. De fato, como confessou Alan Greenspan -que durante 18 anos foi "el maestro" e agora é demonizado-, "ninguém sabia o que estava acontecendo".
A chamada "grande moderação" (alto crescimento e baixa inflação), na qual surfaram os bancos centrais, nada tinha a ver com eles. O mundo vive o rescaldo da crise financeira que ainda não terminou.
O grave é que os instrumentos disponíveis (a política fiscal e a monetária) esgotaram os seus efeitos no mundo desenvolvido sem restabelecer o "circuito econômico", cujo funcionamento depende da confiança dos trabalhadores, dos empresários e do sistema financeiro.
Paradoxalmente, o mundo precisa agora do ritmo de crescimento dos países emergentes. As notícias não são boas.
Vencidos dois terços de 2011, a perspectiva de crescimento no ano dos países desenvolvidos é da ordem de 1,4% (contra 2,6% em 2010) e dos emergentes da ordem de 5,4% (contra 7,3% em 2010), o que sugere um crescimento global da ordem de 2,5%, com viés de baixa (contra 3,9% em 2010).
Mesmo a China e a Índia começam a dar sinais de fadiga.
Toda essa tragédia sugere que o vento de cauda que ajudou o crescimento do Brasil com o modelo exportador agromineral induzido pela China, está terminando.
Se quisermos crescer à taxa de 4,5% a 5% nos próximos anos, devemos complementá-lo e dar especial atenção ao nosso mercado com um programa que fortaleça a poupança e a competitividade internas e dê inteligente proteção externa, como luta para realizar o governo Dilma.   (Antonio Delfim Netto - Folha de S.Paulo)

31.08 - IGP-M sobe para 0,44% após ter deflação
Alta no mês não anula tendência de queda no acumulado em 12 meses, diz economista
A Fundação Getúlio Vargas (FGV) informou ontem que o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de agosto foi de 0,44%, ante queda de 0,12% em julho. A taxa ficou dentro das estimativas dos analistas consultados pelo AE Projeções (entre 0,32% e 0,47%), sendo, no entanto, superior à mediana de 0,41%.
Apesar do fim da deflação, o economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre-FGV), André Braz, disse ontem ser improvável que o IGP-M de setembro supere o resultado verificado no mesmo mês de 2010, quando o índice subiu 1,15%. Essa projeção deve confirmar o oitavo mês consecutivo em que o IGP-M acumulado em 12 meses deve registrar desaceleração.
Em janeiro, o índice registrou o pico de 11,50% em 12 meses. Em agosto, o índice registrou alta acumulada de 8%. "Muito provavelmente o IGP-M no mês que vem deve ficar menor que 1,15% registrado em setembro de 2010", disse o economista.
Segundo Braz, esse comportamento deve ser influenciado pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-M). "O IGP-M deve continuar a desacelerar em 12 meses, ainda que algumas pressões continuem em pauta em setembro, principalmente a alta de alimentos processados. Mesmo com essas pressões, acho difícil que o IGP-M supere o 1,15% de setembro do ano passado e que o IPA-M ultrapasse o 1,60% de setembro de 2010", afirmou.
Braz destacou que a desaceleração em 12 meses do IPA-M não deve ocorrer com o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M). Isso porque em setembro de 2010 o IPC-M registrou alta de 0,34% e, no mês que vem, deve sofrer as pressões já apresentadas no IPA-M deste mês, vindas do grupo Alimentação, principalmente do subgrupo Alimentos Processados, que passou de uma queda de 0,51% em julho para alta de 3,77% em agosto. Os destaques foram açúcar cristal (de -0,70% para +15,49%), arroz beneficiado (de 1,36% para 7,14%), aves abatidas (de 2,32% para 5,58%), carne bovina (de -1,18% para +7,55%) e leite industrializado (de -0,78% para +1,81%).
"Todos esses alimentos devem impactar o IPC-M no mês que vem, principalmente porque fazem parte da cesta básica"", explicou Braz.
Pressões. O IPA-M também sofreu pressões do grupo Matérias-Primas Brutas, que saiu de -1% em julho para +1,51% em agosto, motivado por itens agropecuários. Neste grupo, Braz destacou os aumentos de bovinos (de -0,33% para +2,33%), soja (de -1,05% para +2,07%), arroz (de 4,10% para 8,99%), aves (de 2,39% para 9,09%) e suínos (de -3,93% para 19,33%). O trigo e o milho também devem pressionar o índice no mês que vem, devido aos problemas de qualidade do trigo na Europa e nos EUA, onde questões climáticas também devem afetar o milho.
Dentro do IPC-M, alguns alimentos da cesta básica já apresentam alta que deve se intensificar em setembro.
Entre eles, arroz, feijão carioca, fruta, açúcar refinado, leite longa vida, carne bovina e frango inteiro. "Tivemos aumentos disseminados no grupo Alimentação do IPC-M e prevemos que há espaço para mais pressões", disse Braz. De acordo com o ecomnomista, é possível que o reajuste da energia elétrica em São Paulo, que deveria ter saído em julho, ocorra em setembro. Também está previsto reajuste na tarifa de telefonia fixa nacional. "É por esse motivo que a reversão do IPC-M acumulado em 12 meses, que esperávamos para setembro, talvez fique apenas para outubro", afirmou.
Outro grupo que continua a pressionar o IPC-M é o de Serviços Livres, que passou de 0,23% em julho para 0,34% em agosto.
Destaques
1,15% foi o quanto subiu o IGP-M em setembro de 2010 11,50% foi o quanto registrou o IGP-M de 12 meses, em janeiro.
Em agosto, o índice registrou alta acumulada de 8%   (Anne Warth - O Estado de S.Paulo)
 
 
 
 

30.08 - Susep: Nomeados mais três diretores
A edição desta segunda-feira (29 de agosto) do Diário Oficial da União publica a nomeação, pela presidente da República, Dilma Rousseff, de três novos diretores da Superintendência de Seguros Privados (Susep). São eles Carlos Roberto Amorelli de Freitas; Danilo Cláudio da Silva; e Nelson Victor Le Coqc D’ Oliveira.
Também foi publicada a exoneração, a pedido, dos diretores Alexandre Penner e Paulo Roberto Fleury Araújo.  (CQCS)

30.08 - FMI reduz previsão de crescimento mundial
Economia americana é a que sofre a maior alteração na projeção para 2011 e 2012
O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu sua previsão de crescimento da economia mundial. Segundo o relatório "Perspectivas Econômicas Mundiais", que será divulgado pelo órgão no fim de setembro, a previsão para a expansão econômica mundial caiu de 4,3% para 4,2% este. Para 2012, o crescimento foi revisto de 4,5% para 4,3%.
A maior revisão para baixo foi a do PIB americano. Segundo o FMI, a maior economia do mundo deve crescer 1,6% este ano, uma queda de 0,9 ponto percentual em relação à estimativa anterior. Em 2012, o PIB americano deve crescer 2%, contra previsão anterior de 2,7%.
No documento, antecipado pela agência italiana Ansa, o FMI diz que a prioridade do governo americano deve ser "colocar em prática um plano para reduzir, a médio prazo, o déficit público", mas reafirma sua confiança de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) "está preparado para adotar novas medidas fora do convencional em apoio à economia".
O relatório também indica redução da expansão nas principais economias da Europa. Na zona do euro, a projeção passou de 2% para 1,9% este ano e de 1,7% para 1,4% em 2012.
Neste cenário de desaceleração, os franceses aparecem como os mais pessimistas em relação às perspectivas econômicas. Segundo pesquisa do instituto Ipsos Mori, eles - apenas 3% - são os que menos acreditam numa melhora no panorama da economia nos próximos seis meses. Os britânicos aparecem em seguida, com 9% apostando numa melhora.
Canadá, Alemanha e EUA estão entre os mais otimistas, com 25% de seus cidadãos dizendo crer numa melhora da economia a curto prazo.  (O Globo)

30.08 - Governo prevê expansão do PIB de 4% a 4,5%
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem que o governo continua trabalhando com a previsão de crescimento da economia em 2011 entre 4% e 4,5%. "Claro que não temos como acertar milimetricamente", ressaltou. "Tínhamos planejado uma desaceleração da economia este ano, e isso ocorreu", afirmou. Ele lembrou que o primeiro trimestre foi mais aquecido que o segundo trimestre e previu que o terceiro trimestre mostrará nova desaceleração, mas ainda será positivo.
Mantega acredita que o quarto trimestre voltará a ficar mais aquecido. "A economia está dentro da rota que traçamos", afirmou. "Mas não é justo pegar o resultado do segundo trimestre e início do terceiro trimestre e projetar para o ano todo. Continuamos trabalhando com a taxa entre 4% e 4,5% para o ano", afirmou.
O ministro da Fazenda disse que não vê necessidade de estímulo monetário no momento. "Mas se o cenário mudar, temos instrumentos para poder reagir." Ele disse que o governo está "atento e vigilante" para adotar as medidas que sejam necessárias para enfrentar a situação de anormalidade do mundo.
Mantega lembrou que o aumento do superávit primário garantirá mais recursos primários no final deste ano e início de 2012. "Agora prefiro que os estímulos sejam monetários, caso necessário", destacou.
O ministro destacou que as despesas previstas no Orçamento de 2011 estão garantidas, inclusive para folha de pagamento do funcionalismo. "Não foi decidido nenhum novo corte", afirmou. "Estamos falando em não aumentar gastos e não cortar", completou. Mantega disse que a proposta orçamentária de 2012 estará afinada com esta nova situação, embora tenha dito que as despesas serão maiores no próximo ano.
Mercado financeiro
O ministro da Fazenda acredita que o mercado financeiro vai reagir bem ao anúncio das medidas fiscais feito hoje na sede do ministério. "Acho que o mercado vai considerar que estamos aumentando o esforço fiscal. Estamos seguindo a trilha desde o começo do ano, quando anunciamos o corte de R$ 50 bilhões e está sendo cumprido, não flexibilizamos. A medida vai na direção correta", disse.
Mantega esclareceu que o arrocho anunciado hoje não têm nenhuma relação com a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) que começa amanhã e termina na quarta-feira. "Não é porque é véspera de Copom. Estamos nos precavendo da situação internacional", disse. "Não tem nada a ver que o Copom será amanhã ou depois de amanhã. Isso é uma dinâmica diferente do BC. Queremos criar proteção para que o Brasil continue na trajetória de crescimento."
O ministro da Fazenda disse várias vezes que esse esforço do País afasta o Brasil do caminho seguido pelos países centrais, principais vítimas da crise financeira internacional. "Não teremos o mesmo destino dos países avançados. Tomamos medidas necessárias para neutralizar o efeito externo. Queremos criar proteção para que o Brasil continue na trajetória de crescimento", disse.   (Renata Veríssimo, Eduardo Rodrigues e Fernando Nakagawa - Agência Estado)
 
 
 
 

29.08 - EUA: Bernanke empurrou a responsabilidade para o governo
O discurso de Bernanke realizado na manhã de sexta-feira (26) mostrou que o presidente do Federal Reserve mais chamou atenção para o governo norte-americano sobre sua responsabilidade no crescimento da economia do país do que trouxe novidades sobre medidas a serem adotadas no mercado, segundo o economista da Gradual Investimentos, André Perfeito.
"A minha avaliação preliminar é de que o Fed jogou a questão para o colo do Obama", comenta Perfeito. "Ele [Bernanke] deixou claro que o que havia para ser feito em questão de política monetária já foi feito, e se alguma coisa vier não será nada excepcional", acrescenta o economista.
Dessa forma, o presidente do banco central norte-americano cobrou mais gastos por parte do governo para acelerar o motor econômico, destaca Perfeito. "Bernanke cobrou que o executivo gaste mais e que faça isso logo", ressalta.
Coelho segue dentro da cartola
O líder do Fed afirmou que a instituição está pronta para usar ferramentas adicionais para colaborar com a recuperação econômica, o que na visão de Perfeito não ficou claro. "Ele não diz quais são e nem se vai usar. A expectativa do mercado de que um coelho fosse tirado da cartola não foi atendida", diz.
Por outro lado, o analista da Cruzeiro do Sul Corretora, Jason Vieira, disse que o discurso veio dentro das expectativas. "O Fed já havia sinalizado que não ia anunciar nada para agradar o mercado financeiro", afirma, acrescentando que a indicação pode ser entendida como a implementação de medidas macroprudendiais, principalmente para o setor imobiliário.  (InfoMoney)

29.08 - Do Fed, nada
O aguardado discurso do presidente do banco central americano (Fed), Ben Bernanke, acabou em anticlímax. Havia a expectativa de que indicaria os próximos passos de estímulo da economia, dada a pífia alta do PIB, de 0,8% no primeiro semestre, muito aquém das projeções de alguns meses atrás.
Bernanke reconheceu que a recuperação da economia americana decepciona e manteve a porta aberta para novas ações, caso necessárias. Não as especificou, contudo. Preferiu enviar uma mensagem genérica, de que a política de juro zero e de inundação do mercado com dólares não é a única ferramenta para combater a crise.
Gastou parte do discurso para explicar que os problemas da economia dos EUA requerem uma ação coordenada em várias frentes, em especial no aspecto de arrecadação e dos gastos do governo. Não se furtou a críticas sobre o processo de tomada de decisão nesse campo -referência ao ruído gerado pelo debate do aumento do teto da dívida, no mês passado.
Bernanke traçou também as linhas gerais de uma reforma para estimular a economia no curto prazo e, ao mesmo tempo, reduzir a dívida pública no longo prazo.
A ideia é de mais estímulos fiscais agora, na forma de tributação e gastos que animem o trabalho e o investimento, em troca de um pacto firme de menores deficits no futuro. No clima atual do Congresso, seria uma surpresa positiva se essa agenda prosperasse.
O discurso teve o claro objetivo de desviar o foco da política tocada pelo Fed. Muitos analistas consideram, por exemplo, que as ações do BC contribuíram para altas de preços de matérias-primas, em especial do petróleo, que corroem a renda das famílias. Tal ação seria, a partir de certo nível, contraproducente, dificultando a retomada econômica.
O próprio comitê de política monetária do Fed se dividiu a respeito da decisão recente de estender os juros próximos de zero até meados de 2013. Foi um sinal de que os temores de inflação não estão afastados, mesmo sob a perspectiva de atividade econômica deprimida por longo período à frente.
Fortalece-se a hipótese de que nem a mais poderosa instituição financeira do planeta guarda na manga um remédio capaz de abreviar a pasmaceira por que passa a economia dos Estados Unidos. (Folha de S.Paulo)

29.08 - Risco global cresce e a hora é de agir
A nova chefe do Fundo Monetário Internacional ( FMI), Christine Lagarde, alertou no sábado que a economia global pode voltar à recessão e pediu medidas coordenadas urgentes, incluindo recapitalização obrigatória de bancos europeus.
"Os desdobramentos deste verão indicam que estamos em uma perigosa fase nova", disse Lagarde durante reunião anual de líderes globais de política monetária, realizada no Federal Reserve (o banco central dos Estados Unidos) de Kansas City.
"Os riscos são claros: estamos arriscando ver o descarrilamento da frágil recuperação. Então, precisamos agir agora", disse a francesa.
Dois anos depois do fim da pior crise financeira recente, o crescimento nos EUA e na Europa está enfraquecendo e as crises de dívida em ambos os lados do Atlântico abalaram a confiança pública na recuperação global.
Longo prazo. Economias avançadas precisam forjar planos de longo prazo para controlar suas dívidas, mas, ao mesmo tempo, não podem adotar políticas restritivas ao crescimento muito rapidamente para não prejudicar a recuperação econômica, disse Lagarde.
"Colocando em termos simples, as políticas macroeconômicas precisam apoiar o crescimento", disse a ex-ministra francesa da Economia em seu primeiro grande discurso sobre política econômica desde que assumiu o cargo de diretora-gerente do FMI, após a saída de Dominique Strauss-Kahn do posto, em julho.
"A política monetária também precisa continuar altamente acomodativa, já que o risco de recessão supera o risco da inflação", disse ela, acrescentando que o banco central deve estar preparado para voltar a adotar medidas não convencionais se necessário.
Recapitalização. Os bancos europeus precisam ser recapitalizados, disse Lagarde, acrescentando que a forma mais eficiente de fazer isso é por meio de uma "substancial recapitalização obrigatória" por canais privados, se possível, e alguma forma de financiamento público europeu.
Países europeus precisam também colocar em prática planos de redução de déficits com um "plano factível de financiamento", incluindo apoio continuado do Banco Central Europeu.
Nos Estados Unidos, o foco em consolidação fiscal de longo prazo não pode ignorar a importância de geração de crescimento no curto prazo, acrescentou Lagarde.
"Afinal, quem acreditaria que os compromissos de corte de gastos poderão sobreviver a uma estagnação longa com prolongados índices de desemprego alto e insatisfação social", questionou a chefe do FMI.
As autoridades também precisam conter a crise no mercado imobiliário norte-americano por meio de intervenção de agências de financiamento do governo e programas mais agressivos para redução de dívida dos proprietários de imóveis, segundo a chefe do FMI. (Reuters/O Estado de S.Paulo)
 
 
 
 

26.08 - Brasil será 4ª economia em 2030, diz consultoria
Britânica EIU prevê crescimento de 3,9% ao ano nos próximos 20 anos
País deve superar o PIB da França, Alemanha, Reino Unido e Japão, mas ainda ficará atrás de China, Índia e EUA
O Brasil vai se tornar a quarta maior economia do mundo até 2030, segundo projeção da consultoria britânica EIU (Economist Intelligence Unit).
Atualmente, o país ocupa a sétima posição no ranking global, considerando o PIB (Produto Interno Bruto) medido em dólares. A crise que afeta as economias dos países desenvolvidos, minando sua capacidade de expansão no longo prazo, vai beneficiar a ascensão do Brasil.
A EIU previa, antes, que o país alcançaria o quinto lugar no ranking mundial na próxima década. Mas reduziu recentemente sua projeção para o crescimento do Japão. Com isso, espera agora que a economia brasileira vai se tornar maior do que a japonesa em 2027. "Antes, tínhamos o Brasil superando a França, a Alemanha e o Reino Unido, mas não o Japão. Essa projeção agora mudou", afirma Robert Wood, analista sênior da EIU.
O analista ressalta que a economia brasileira deixará para trás a dos quatro países desenvolvidos, mas será ultrapassada pela indiana no meio do caminho.
A EIU prevê que o Brasil crescerá 3,9%, em média, por ano nas próximas duas décadas. A expansão será mais forte que os 2,9% registrados nos últimos 25 anos, mas menor que as taxas previstas para Índia (6,6%) e China (5,7%) nos próximos vinte anos.
Wood acredita que o dinamismo dos emergentes asiáticos grandes, principalmente a China, continuará sendo um importante motor do crescimento do Brasil: "Mesmo que a China faça uma transição para um modelo de crescimento mais apoiado no consumo do que em investimento ainda vai demandar as commodities que o Brasil produz, principalmente alimentos".
PESO DA CHINA
Ao longo da última década, a China contribuiu três vezes mais para a expansão da economia brasileira do que os EUA, segundo cálculo do economista Tony Volpon, chefe de pesquisas de mercados emergentes da corretora japonesa Nomura.
"A correlação entre o crescimento da China e do Brasil é forte desde o início da década passada, mas deve ter aumentado em anos recentes", afirma Volpon.
Ele ressalta que a China se tornou o principal parceiro comercial do país.
Além de vender produtos como alimentos e minério para a China, o Brasil se beneficia do efeito da demanda asiática sobre os preços das commodities, que tiveram forte alta nos últimos anos.
O analista diz que outros fatores como uma população ainda jovem e o potencial comercial das descobertas de petróleo da camada pré-sal contribuem para as perspectivas de crescimento de longo prazo do Brasil.
Mas ele ressalta que o país deveria fazer reformas para evitar problemas que afetam países desenvolvidos atualmente, como o envelhecimento da população.  (ÉRICA FRAGA - Folha de S.Paulo)

26.08 - Governo: Taxa de crescimento abaixo de 4%
Projeções internas sugerem 3,7% para este ano, abaixo da previsão oficial
Dilma acha que crise abrirá caminho para redução dos juros em breve, mas espera que BC aja com cautela
O governo voltou a rever suas projeções para o desempenho da economia e agora trabalha internamente com uma previsão de crescimento de 3,7% neste ano, abaixo dos 4% previstos nesta semana pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega.
O Palácio do Planalto avalia que esse desempenho é positivo diante das incertezas criadas pela crise global. Se a projeção do governo se confirmar, o Brasil crescerá menos que outros países emergentes, como China e Índia, mas num passo mais acelerado que o de países avançados, como os EUA.
A presidente Dilma Rousseff acredita que a desaceleração da economia abrirá caminho para que o Banco Central comece a reduzir em breve a taxa básica de juros, que foi elevada nos últimos meses para conter a inflação.
Para tentar garantir uma queda dos juros ainda neste ano, o governo vai enviar ao Congresso, na próxima semana, um Orçamento para 2012 "bem austero, tendo como palavra de ordem o equilíbrio fiscal", de acordo com um assessor presidencial.
Segundo esse assessor, a equipe econômica analisou medidas para garantir ao mesmo tempo o cumprimento da meta de superavit primário em 2012 e a preservação de investimentos e gastos sociais considerados essenciais pela presidente.
Dilma, porém, espera que o BC analise com cautela o cenário econômico antes de cortar a taxa Selic, hoje fixada em 12,5% ao ano.
Em conversa com assessores, ela lembrou que seria "a primeira pessoa a defender a redução dos juros", mas entende que isso é quase impossível de acontecer na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC, na semana que vem.
Integrantes da equipe econômica acham que o BC poderá começar a reduzir as taxas de juros ainda neste ano. Inicialmente, a aposta era que isso poderia acontecer no fim de novembro, quando o Copom fará a última reunião do ano.
Assessores não descartam, porém, que essa queda possa ocorrer na penúltima reunião do órgão em 2011, em outubro, caso os próximos dados mostrem maior desaceleração da economia.
A equipe apresentou recentemente à presidente cenários prevendo que a economia brasileira crescerá entre 3,5% e 4% neste ano, sendo que o mais provável é que fique em 3,7% ou 3,8%.
Para evitar pessimismo, Mantega só passou a admitir nesta semana a possibilidade de o país crescer 4% em vez dos 4,5% da projeção oficial do governo.
No mercado, as projeções passaram a indicar crescimento abaixo de 4%. Analistas consultados pelo relatório Focus do BC preveem 3,84%. As apostas de alguns bancos e consultorias estão mais próximas de 3%.
Para o Planalto, essas projeções significam que a economia crescerá num ritmo abaixo do chamado PIB potencial brasileiro, hoje estimado em 4%, que pode ser sustentado pela capacidade produtiva sem gerar inflação. Ou seja, o BC poderia cortar os juros sem perder o controle dos preços.
O governo voltou a trabalhar com a expectativa de terminar o mandato de Dilma com juros reais na casa dos 2% (hoje estão perto de 7%). Esse objetivo foi praticamente abandonado depois que o BC foi obrigado a subir os juros para segurar a inflação.
Dilma tem recomendado a sua equipe que monitore a desaceleração da economia. Segundo um assessor, a preocupação dela é se a queda está no ritmo "ideal" ou "passando do ponto".   (VALDO CRUZ - Folha de S.Paulo)

26.08 - Mercosul terá maior inflação do mundo em 2011
Os países do Mercosul apresentarão a maior taxa de inflação do mundo neste ano, de acordo com levantamento da consultoria EIU (Economist Intelligence Unit).
A média do índice de Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela, que ainda depende da aprovação do congresso paraguaio para ser membro pleno do bloco, será de 9,3% em 2011, segundo a entidade britânica.
A forte demanda interna é um dos principais motivos para a alta da inflação, de acordo com a EIU.
"A taxa está elevada devido à Argentina e à Venezuela", diz o professor de comércio exterior da FGV-SP Evaldo Alves, que destaca o grande deficit fiscal desses países.
A inflação no setor de serviços, impulsionada pela alta da renda média no bloco, é uma das variáveis que está acima das outras regiões do mundo, segundo Paulo Tigre, economista da UFRJ.
"Houve aumento da demanda, mas o número de profissionais disponíveis não cresce na mesma velocidade, o que influencia diretamente no preço pago pelo consumidor", afirma Tigre.   (Maria Cristina Frias - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

25.08 - Agências de rating não estão cumprindo seu papel
O recente rebaixamento do rating americano pela agência Standard & Poor´s gerou a necessidade de analisar os indicadores de risco mais de perto. O presidente do conselho de planejamento estratégico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio), Paulo Rabello de Castro, enfatiza o papel dessas agências de risco como sendo antecipadoras de uma crise.
Afirmação foi feita durante evento "Gerenciamento de Capital na Economia Global e Indicadores de Risco", realizado ontem na sede da Fecomercio em São Paulo.
''Atualmente essas agências viraram market followers, ou seja, esperam o mercado se movimentar para sinalizar suas previsões. Enquanto não houver mudança, o mercado sentirá falta dessa medida antecipacional'', observa Rabello.
O executivo destaca ainda que as crises não estão sendo identificadas com antecedência e que os Eua não pode ser emissor de títulos soberanos sem considerar que existe um risco.
O professor do departamento de finanças da The George Washington University, Willian Handorf, observa que o rebaixamento de uma única letra pode parecer inofensivo, mas no caso dos bancos não é. ''Essa nomenclatura faz com que os bancos rebaixados tenham que tomar e conceder empréstimos a juros maiores''. (Luisa Pascoareli - Executivos Financeiros)

25.08 - Crise do euro: saída é monetária
Nas últimas semanas temos vivenciado mais uma rodada de queda generalizada das bolsas, aumento da aversão ao risco e instabilidade das taxas de câmbio. Crescem os temores de uma crise financeira sistêmica na Europa. Muitos economistas têm afirmado que a raiz de todos esses problemas é fiscal. Os mercados desconfiam da solvência dos governos europeus e cobram elevados prêmios de risco sobre os títulos soberanos desses países, aumentando assim o custo de rolagem dessas dívidas e o déficit público, o que acaba por "realizar" a expectativa de insolvência. A saída seria fazer um fortíssimo ajuste fiscal para sinalizar de forma inequívoca aos mercados que as condições de solvência dos países da área do euro estão garantidas. Está claro que, nesse cenário, o Estado do Bem-Estar Social teria que ser desmontado na maior parte dos países europeus. Seria a vitória definitiva do neoliberalismo.
A realização de um "ajuste fiscal a frio" não irá resolver a crise financeira europeia; pelo contrário, pode ainda agravá-la.
Para entender o porque dessa afirmação é necessário esclarecer a origem da atual crise. A mesma não se originou de um descontrole fiscal dos países da área do euro (exceção feita à Grécia). Com efeito, entre 1999 e 2007 a dívida pública (bruta) consolidada desses países ficou estável em torno de 60% do Produto Interno Bruto (PIB). O que se observa nesse período é um notável crescimento do endividamento do setor privado. A dívida das empresas não financeiras passou de 250% para 280% do PIB; o endividamento dos bancos, de 190% para 250% do PIB; e as famílias aumentaram o seu endividamento em quase 50%. A indisciplina "fiscal" estava centrada no setor privado, não no setor público.
Após o colapso do Lehman Brothers em setembro de 2008, os governos dos países europeus realizaram amplos programas de socorro ao setor financeiro e estímulo à economia em recessão, os quais impediram o colapso das economias europeias após uma forte queda em 2009, mas contribuíram para aumentar o endividamento público na área do euro.
A monetização da zona do euro permitiria aos bancos europeus se livrar de uma parte dos títulos públicos "micados" de seus balanços, reduzindo assim o seu próprio risco de insolvência. E geraria uma forte depreciação do euro frente ao dólar e ao yuan, estimulando as exportações europeias
A expansão fiscal, no entanto, não foi suficiente para garantir a volta ao crescimento sustentado nos países do sul da Europa (Espanha, Portugal, Itália, Grécia) por duas razões. Em primeiro lugar, esses países se defrontaram com uma forte apreciação cambial nos anos pré-crise em função da ocorrência de aumentos salariais acima da expansão da produtividade do trabalho, ocasionando um forte aumento do custo unitário do trabalho. Na Alemanha, ao contrário, verificou-se uma redução desse custo em razão da política de moderação salarial implementada com a chancela dos sindicatos alemães. O resultado disso foi uma deterioração da competitividade dos países do Sul da Europa com relação à Alemanha, dando origem a grandes déficits em conta corrente nos primeiros e um crescente superávit no último. Em segundo lugar, o setor privado na Europa iniciou um processo de "deflação de dívidas" no qual o gasto corrente e de capital é reduzido com o intuito de se aumentar a poupança privada e assim reduzir o nível de endividamento.
O efeito combinado da apreciação cambial e do aumento da poupança privada nos países do sul da Europa acabou por amortecer o impacto expansionista da política fiscal anticíclica, contribuindo para manter o desemprego a nível elevado e a atividade econômica semiestagnada. Nesse contexto, cria-se um ciclo vicioso no qual o aumento inicial do endividamento público eleva a percepção de risco por parte dos agentes econômicos quanto à solvência dos países do Sul da Europa, aumentando o custo de refinanciamento das dívidas desses países e, por conseguinte o seu déficit nominal. A elevação do déficit "realiza" as expectativas pessimistas quanto à solvência dos Piigs, criando assim as pré-condições para um default soberano.
Uma contração fiscal irá apenas aumentar a taxa de desemprego e deprimir os lucros das empresas financeiras e não financeiras da área do euro. Isso irá reduzir a poupança privada, retardando assim o processo de deflação de dívidas, o que irá alongar o período de contração dos gastos privados de consumo e de investimento. Dessa forma, a semiestagnação irá se prolongar por vários anos, deprimindo a receita tributária e impedindo a recuperação das finanças públicas dos países do Sul da Europa.
A saída para a crise fiscal da área do euro passa por um "relaxamento quantitativo" da política monetária. Uma alternativa seria o Banco Central Europeu (BCE) monetizar uma parte da dívida pública de forma a reduzir a relação entre juros e PIB para algo como 2% em todos os países da área do euro.
A monetização resolveria numa só tacada dois problemas. Em primeiro lugar, permitiria aos bancos europeus se livrar de uma parte dos títulos públicos "micados" de seus balanços, reduzindo assim o seu próprio risco de insolvência. Em segundo lugar, ocorreria uma forte depreciação do euro frente ao dólar e ao yuan, aumentando assim a competitividade das exportações europeias, viabilizando uma recuperação do nível de atividade por intermédio das exportações. Além disso, a inflação certamente se elevaria como resultado dessa medida, transferindo riqueza dos credores para os devedores, aliviando parte do problema do elevado endividamento do setor privado na Europa do euro.   (José Luis Oreiro - Valor Online)

25.08 - Governo já espera crescimento menor
O governo já admite que a economia pode não crescer neste ano tanto quanto esperava anteriormente. Em apresentação à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, manteve a estimativa oficial de que o Produto Interno Bruto (PIB) crescerá 4,5% neste ano, mas reconheceu que o crescimento pode ser menor diante da instabilidade internacional. "Se as condições externas piorarem mais, ao longo deste segundo semestre, o PIB pode crescer menos, mas não ficará abaixo de 4%. Conseguiremos ficar em torno desse patamar", afirmou o ministro da Fazenda aos senadores, na terça-feira.
Mantega acredita que conseguirá neutralizar a influência externa negativa com os estímulos do Plano Brasil Maior à indústria, a ampliação do SuperSimples e ainda com a redução das taxas de juros. Medidas de afrouxamento fiscal estão, em princípio, descartadas porque o governo pretende manter o controle das contas públicas e cumprir o superávit primário prometido.
Mas, a realidade é que o cenário internacional já piorou. Nos últimos dias, várias instituições financeiras internacionais anunciaram a redução das expectativas de crescimento das economias centrais neste ano. De concreto, a consequência mais importante do rebaixamento da dívida americana pela Standard & Poor's (S&P) foi a conclusão de que a economia deverá desacelerar quando o governo fizer os cortes prometidos ao Congresso para obter a elevação do teto do endividamento do país. Na zona do euro, as perspectivas também são de aperto das contas para conter o déficit público.
O banco americano Morgan Stanley, que esperava um crescimento da economia global neste ano de 4,2% - muito perto dos 4,3% estimados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em sua última revisão, em junho -, reduziu a previsão para 3,9% e cortou ainda mais a perspectiva para 2012, de 4,5% para 3,8%. Para a zona do euro, a previsão é alarmante: 1,7% de crescimento neste ano e praticamente estagnação em 2012 (0,5%).
No Brasil, os analistas também já trabalham com números menores para o PIB, inferiores aos comentados por Mantega. A crise internacional contagiará a economia com a redução das compras de produtos brasileiros, queda dos preços das commodities e, eventualmente, aperto do crédito, com impacto não só neste ano mas também no próximo. No início do mês, antes mesmo do rebaixamento da dívida americana, o Itaú Unibanco revisou seus cenários: o banco manteve a previsão de crescimento do PIB de 3,6% neste ano, mas reduziu os números de 2012 de 3,8% para 3,7%. Para o banco, este terceiro trimestre já revelará o impacto mais significativo do novo cenário.
Outras instituições financeiras acompanharam o movimento do Itaú Unibanco depois que o Banco Central divulgou seu índice IBC-Br, que pretende antecipar o PIB. O IBC-Br fechou o segundo trimestre com alta de 0,7%, inferior à variação de 1,1% do trimestre anterior, em linha com a desaceleração da produção industrial e das vendas do varejo.
De fato, reportagem publicada ontem pelo Valor revela que os estoques estão subindo na indústria e que alguns setores pararam de contratar empregados ou até passaram às demissões. O indicador da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que compara o inventário efetivo com o planejado pelas empresas subiu de 53 e junho para 53,9 pontos em julho. Quando o índice está acima de 50 significa que os estoques superaram o programado pelos empresários. Dos 26 setores pesquisados pela CNI, 17 já tinham estoques acima do desejado em junho; e o número passou a 20 no mês seguinte.
O emprego, de modo geral, ainda cresce, mas alguns setores já demitem, especialmente os mais afetados pela concorrência dos produtos importados ou pelo impacto da apreciação cambial nas suas exportações. Assim, a Pesquisa Industrial de Emprego e Salários do IBGE mostra que a ocupação total na indústria subiu 1,9% de janeiro a junho. Mas houve queda nos setores de madeira (7,8%), vestuário (3,1%) e calçados e couro (2%). No setor têxtil houve alta, mas inferior à média da indústria, de 0,8%, a produção caiu 12,5% no primeiro semestre, mas o volume importado subiu 21,8%, de acordo com números da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex), citados na reportagem. (Valor Online)
 
 
 
 

24.08 - Anbima vê dificuldade de consenso sobre crise global
O presidente da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), Marcelo Giufrida, afirmou que não há coerência no diagnóstico do cenário atual e na formulação de possíveis ações para solucionar a turbulência global. "Há uma grande interrogação se estamos tendo uma segunda crise ou um desdobramento do estresse de 2008. Estamos num período bastante ansioso e de dificuldade de consenso, como nunca vi", disse, no 8º Seminário Anbima de Direito do Mercado de Capitais.
Na visão de Giufrida, o tempo deve contribuir para a resolução do cenário atual, à medida que as pessoas recuperem sua poupança, os governos avancem quanto a solução para suas dívidas fiscais e as empresas, que estão numa "situação melhor", segundo ele, também tenham um horizonte mais favorável. "Não há coerência se vamos avançar nesta crise", ponderou.
O executivo citou que aguarda dados dos Estados Unidos, como na próxima sexta-feira, quando será anunciada a revisão do Produto Interno Bruto (PIB) do 2º trimestre, e está previsto o discurso de Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano). Enquanto isso, no Reino Unido, sai o PIB preliminar de julho.
Sobre o Brasil, o presidente da Anbima alegou que o País está administrando um "tipo diferente de problema", com crescimento acima da média mundial, e a possibilidade de mantê-lo nos próximos anos, e inflação dentro da faixa estipulada pelo Banco Central. "Vivemos uma situação meritória, mas temos desafios importantes", disse, citando "um senso de urgência" tanto no investimento em infraestrutura devido aos eventos esportivos mundiais previstos para acontecer no Brasil como também na exploração de riquezas naturais.
Neste cenário, o mercado de capitais é, em sua visão, o ator preponderante. No entanto, este setor não está completo, segundo ele. Isso porque embora tenha uma força grande, além do desenvolvimento de fundos, previdência e bolsa, falta dar mais dinamismo e ampliar o segmento de renda fixa. "Este setor é fundamental para o fornecimento de funding para projetos de infraestrutura", disse.  (Aline Bronzati - Agência Estado)

24.08 - CMN poderá elevar margem de derivativos
Segundo o ministro da Fazenda, o governo estuda elevar as margens no mercado de derivativos, além de proporcionar descontos na taxação para exportadores que fazem hedge.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o governo poderá elevar as margens de garantias para controlar o mercado de derivativos, visando conter a apreciação do real.
"Hoje, o derivativo tem que recolher uma margem de segurança. Poderemos exigir uma margem adicional, de modo a reduzir a rentabilidade da operação", afirmou o ministro.
Atualmente, as operações com derivativos exigem o depósito de uma garantia antes para serem realizadas. O aumento dessa garantia tende a desestimular essas operações. O mecanismo não existe em outros países, como nos Estados Unidos.
Segundo o ministro, a intenção não é impossibilitar a realização do hedge, espécie de seguros feitos no mercado futuro contra oscilações no câmbio. "O problema são aqueles que ficam apenas com posição vendida, muito além do que possuem em hedge. Eles estão especulando, então poderemos estabelecer medidas", afirmou.
No final de julho, o governo impôs uma taxação de 1% sobre as operações de derivativos cambiais feitas por investidores brasileiros e estrangeiros no país. A medida visa conter as apostas com o dólar no mercado futuro.
No mesmo dia, foi publicada uma medida provisória autorizando o Conselho Monetário Nacional (CMN) a estabelecer limites, prazos e outras condições sobre negociação dos derivativos. A medida ainda abre a possibilidade de que a tarifa seja elevada até 25% sobre derivativos.
A cartada foi adotada para possibilitar ao governo "moderar o apetite daqueles que especulam no mercado de derivativos", segundo Mantega. "O derivativo tem a capacidade de manusear o mercado de câmbio e elevar a valorização do real".
Uma das possibilidades estudadas pelo governo é ajustar a alíquota do IOF apenas para investidores estrangeiros. "Temos como saber qual foi o setor que ficou vendido em dólar, e podemos ajustar a alíquota para o não-residente".
O ministro, no entanto, afastou a possibilidade de impor controles ao Investimento Estrangeiro Direto (IED) no país. "O investimento é bem recebido aqui no Brasil", garantiu.
Desconto ao exportador
Mantega adiantou que o governo está estudando meios de repor as perdas com o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sofridas pelos exportadores, que fazem hedge para obterem proteção da variação cambial.
"No caso do exportador, estamos estudando como fazer com que ele não precise pagar esse 1%, como, por exemplo, possibilitando descontar do imposto de renda".
O ministro, no entanto, frisou que a valorização do dólar obtida com as medidas beneficia o exportador. Ele garantiu que caso o governo eleve novamente a alíquota, o setor será compensado.
Unhas e dentes
O ministro participou de reunião na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, em que discutiu a crise mundial.
Para Mantega, a crise nos países desenvolvidos está longe do fim. "A crise vai continuar nos próximos dois anos, com uma baixa recuperação dos países avançados", disse.
Para Mantega, a crise piora a situação de guerra cambial entre os países. "Se os países avançados podem entrar em uma recessão, os mercados deles estão apáticos, então cabe a nós defender nossos mercados com unhas e dentes."
Juros
O ministro afirmou a necessidade de diminuir a taxa básica de juros na economia, o que, segundo Mantega, "estabelece um atrativo fantástico" aos capitais internacionais.
"Baixar a Selic neste momento parece prioritário, sob todos os pontos de vista."
Ainda assim, Mantega acrescentou que é necessário olhar para a inflação. "Não se pode baixar a taxa de juros de uma forma voluntarista", declarou.  (Felipe Peroni -  Brasil Econômico)

24.08 - Mantega reduz para 4% alta do PIB deste ano
Ministro reconhece que a economia não deve crescer 4,5%, como havia sido projetado, e diz que governo pode cortar juros caso a crise se agrave
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu que a economia brasileira poderá crescer 4% este ano, e não os 4,5% projetados por sua equipe.
"Não acredito que vá para menos do que 4%", disse ele, ao reconhecer que a crise poderá levar a uma menor expansão do Produto Interno Bruto (PIB). "É o suficiente para gerar arrecadação e bancar os custos", acrescentou.
"Não deixaremos a economia cair", afirmou o ministro. Mas, diferente do que fez na crise de 2008 e 2009, quando cortou impostos e acelerou gastos para manter a economia aquecida, o governo quer combater a possível retração de 2011 e 2012 com outros remédios: o corte nos juros e liberação de recursos retidos nos depósitos compulsórios do Banco Central. Assim, seria eliminada uma "distorção" na economia brasileira, que é a alta taxa de juros. Esse "novo mix" da política econômica, que privilegia o uso da política monetária (juros) em vez da fiscal (desoneração e gastos), foi anunciado pelo ministro durante reunião na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.
Ele ressaltou que o corte nos juros "não será feito de forma voluntarista" e que as taxas continuarão a ser fixadas tendo em vista o combate à inflação. "Há um pacto no País no sentido que não podemos deixar a inflação voltar", afirmou. "Temos de olhar a inflação, garantir que ela esteja sob controle e aí sim trabalhar com os juros." Haverá mais espaço para cortar juros, segundo o ministro, porque o governo vai conter o crescimento dos gastos, sobretudo os de custeio.
Além disso, avaliou, a inflação está controlada. O próprio mercado projeta taxas da ordem de 0,38% ao mês ao longo do segundo semestre do ano, o que aponta para uma inflação em 12 meses na casa dos 5%. "A inflação está alta quando se olha para trás", observou. Para a frente, "que é o que interessa", a tendência é de preços mais controlados.
Commodity. Ele observou que, no ano passado, as commodities subiram40%e tiveram forte impacto nas taxas de inflação brasileira.
Isso não deve se repetir.Pelo contrário, o ministro acha que, se o preço das commodities mudar, será para baixo, devido à queda na demanda mundial.
"Temos de dar esse passo, evoluir no novo arranjo, porque não podemos continuar pagando quase 6% do PIB como serviço da dívida", enfatizou o ministro.
O Brasil gasta quase R$ 200 bilhões em juros da dívida pública, algo que nem os países altamente endividados da Europa fazem.
"Se a Itália pagasse isso, já teria quebrado três vezes." O ministro reconheceu que parte desses gastos, cerca de R$ 35 bilhões, refere-se ao custo de carregamento das reservas internacionais.
E isso só ocorre porque as taxas de juros no País são muito elevadas. A China, disse ele, tem US$ 2,6 trilhões em reservas e não tem custo de carregamento, porque o juro interno é semelhante às taxas internacionais.
Mantega disse que a crise nas economias avançadas piorou, dadas as dificuldades de elas tomarem decisões políticas que ajudem a retomar o crescimento.
Para o ministro, existe a possibilidade de as dificuldades em honrar as dívidas se transformem numa nova crise bancária, numa espécie de ciclo negativo iniciado em 2008. Além de adotar medidas para evitar o "derretimento" do câmbio, o Brasil tem fortalecido suas defesas comerciais, explicou o ministro. (Lu Aiko Otta - O Estado de S.Paulo)
 
 
 
 
 

23.08 - OCDE: Recessão está mais próxima dos ricos
Os países que integram a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que abrange 30 nações, entre as quais algumas das mais ricas do mundo, cresceram apenas 0,2% entre abril e junho, informou a instituição por meio de nota divulgada ontem. Esse é o quarto trimestre consecutivo de desaceleração. Para especialistas, o baixo crescimento já é sinal de estagnação. Daí para uma recessão, alertam, é um pulo. O resultado dos números pífios tem sido taxas de desemprego altíssimas, sobretudo na Espanha, onde a fila de trabalhadores em busca de um posto não para de crescer.
Ainda segundo a OCDE, a desaceleração econômica está "marcada particularmente na Zona do Euro". O governo da Alemanha - país cuja taxa de crescimento foi de 0,1% no segundo trimestre -se apressou em garantir que o país não está em recessão. O comunicado foi importante para a Europa, já que a economia alemã tem se apresentado como o lastro do euro e da própria União Europeia.
"Não há sinais de recessão na Alemanha. O mercado de trabalho está positivo", afirmou o ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble, à rádio Deutschlandfunk. Segundo ele, o país vai crescer 3% neste ano. "Na Alemanha, como no resto da Europa, o segundo trimestre foi menos positivo que o esperado, mas não há motivos para preocupação", garantiu. (Correio Braziliense)

23.08 - Ainda sem saída
Uma das peculiaridades da crise atual reside na resistência a aceitá-la como um evento com potencial para jogar o mundo num longo período de baixo crescimento e instabilidades - não só econômicas, mas também políticas. Um comportamento de avestruz, que deveria preocupar mais justamente por não ser inédito na história das crises.
Cada mergulho dos mercados amplia a percepção de que este não é um capítulo trivial na rotineira história dos vales e picos que marcam a economia global pós-guerra. Mas, apesar de alguns episódios dramáticos - e da sensação de que vivemos à beira do precipício -, ainda faltam às turbulências recentes a carga demolidora do tipo de colapso que dissolve, instantaneamente, as esperanças de que desta vez será diferente - e menos grave.
As projeções para o crescimento da economia global, em especial no caso de Estados Unidos e União Europeia, têm sido, sistemática e negativamente, atropeladas pela realidade. Ainda sobrevivem, no entanto, expectativas de que, no fim das contas, o diabo que estão pintando não seja tão feio. Menções ao risco de "duplo mergulho" ou de trajetória em "W" são reveladoras da ideia de que a crise de 2008 havia sido superada e agora sobreveio outra - não de que se trataria apenas de um novo capítulo de um sombrio enredo que ainda vai longe.
Fora do pensamento mais convencional, no entanto, as mensagens são bem diversas. Ainda que não chegue a uma depressão clássica, a crise, na visão de economistas de grande prestígio, é profunda e tende a manter as economias maduras em banho-maria por longo período. O medo maior é que, em algum momento, se persistirem os déficits e as dívidas públicas, o potencial de aversão ao risco se concretize, atingindo, num efeito dominó, a saúde dos bancos.
A verdade é que a crise atual tanto mais assusta quanto mais as fórmulas para superá-la não pareçam descritas nos livros-texto. Se o tratamento convencional para as crises de dívida e déficits públicos - a contração dos gastos de governo - perdeu força, com a constatação de que mais aprofundaria do que solucionaria o problema, também as saídas heterodoxas conhecidas não estão dando conta do recado.
Em artigo recente, Nouriel Roubini, cujo pessimismo antecedente se revelou realista, observou que todos os coelhos conhecidos para reativar economias já foram tirados da cartola sem resolver os problemas. Estímulos fiscais, taxas de juros próximas de zero, "relaxamentos quantitativos", injeções diretas de liquidez em instituições financeiras promoveram uma recuperação tão rápida quanto inconsistente. O temor do "duplo mergulho" - aquele que parece ser sem ter sido, mas que agora assombra os mercados - é a prova de que todas as medidas heroicas tentadas não passaram de fogo de palha.
Além do esgotamento das receitas conhecidas já aplicadas, que produziram até aqui mais déficits, dívidas, dúvidas e pânicos, há na crise atual elementos políticos e institucionais que complicam tudo e esvaziam a potência das fórmulas conhecidas de saída das crises de superendividamento. A mais clássica delas, a da depreciação cambial, para mover a economia doméstica combalida pelo canal das exportações tem, desta vez, pelo menos dois poderosos limitadores. Um deles é a amarra do câmbio fixo nos países afetados na zona do euro. O outro é a abrangência da crise, que atinge os dois lados do Atlântico, e, portanto, não permite que todos, ao mesmo tempo, se beneficiem das políticas de desvalorização competitiva de moedas. Isso sem considerar as dúvidas sobre a capacidade chinesa de repetir o papel de locomotiva global que o país desempenhou na etapa anterior da crise.
É desse caldo indigesto como salada de pepino à meia-noite que se alimentam propostas antes impensáveis, como a do prestigioso Kenneth Rogoff, ex-economista-chefe do FMI e um dos maiores especialistas em crises financeiras. Em resumo grosseiro, mas fiel, para Rogoff, a saída da crise, que reflete um episódio de grande contração econômica, exigirá a produção de um certo nível de inflação, expressa em medidas fiscais e monetárias expansionistas. Pode ser que o processo leve a isso, mas como decisão de governos, já afogados em dívidas e déficits, parece tão inviável em termos políticos como a proposta do Nobel Joseph Stiglitz, que recomenda, principalmente para os EUA, uma rápida, ampla e francamente progressiva reforma tributária.
O pior dessa crise, até agora, é a falta de alternativas indiscutíveis para acabar com ela. (José Paulo Kupfer - O Estado de S.Paulo)

23.08 - O Tesouro acredita em queda dos juros
É de caráter transitório a redução da dívida pública mobiliária, entre junho e julho,equivalente a 4% do total ou a R$ 83,7 bilhões, segundo o relatório mensal divulgado ontem pelo Tesouro Nacional. Venceram, no mês passado, papéis prefixados no montante de R$ 117,6 bilhões, valor correspondente a 7,7% da dívida de R$ 1,66 trilhão. Com a concentração de vencimentos, a renovação de todas essas aplicações só seria possível se fosse paga remuneração mais alta aos aplicadores. Entre junho e julho, a remuneração média já havia aumentado de 12,36% ao ano para 12,43% ao ano.
Como é boa a situação de caixa do Tesouro,as vendas foram adiadas,na suposição de que será possível pagar juros menores nas próximas semanas.
Entre 19 de julho e 19 de agosto, os juros futuros caíram de 12,59% ao ano para 11,70% ao ano.
A explicação do coordenador-geral da Dívida Pública, Fernando Garrido, é de que o Tesouro preferiu colocar papéis com remuneração próxima à média do mercado, evitando pagar prêmios mais elevados, por causa da volatilidade. Isso significa que a turbulência financeira global já teve algum impacto no Brasil.
No mês passado, as instituições financeiras reduziram em quase R$ 53 bilhões suas posições em títulos federais, mas, para atender à demanda dos clientes,é provável que elas retomem as compras de títulos.
Em julho, os aplicadores subscreveram apenas R$ 22,5 bilhões em papéis prefixados, cuja participação no total da dívida mobiliária federal interna caiu de 39,1%, em junho, para 35,3%, em julho, enquanto aumentava o peso dos títulos corrigidos pela inflação ou com taxas flutuantes,que dependem da Selic. O prazo médio da dívida total aumentou de 3,58 anos, em junho, para 3,77 anos, em julho, mas a parcela que vence em 12 meses cresceu de 21,03% para 21,79%, no mês passado.
Para colocar papéis a custo menor, o Tesouro conta com a elevada arrecadação tributária e a obtenção de um superávit primário superior às projeções, como ocorreu em julho.
Além do mais, quanto maiores as incertezas, maior a busca de títulos emitidos pelo governo - no caso brasileiro, muito bem remunerados.
Mas o horizonte não é tranquilo: o ano que vem é eleitoral e são prováveis pressões fiscais adicionais, além das já conhecidas, como o aumento real do salário mínimo.Ou seja, o Tesouro não poderá adiar por muito tempo a retomada das colocações líquidas de títulos. Só um enorme superávit primário permitiria reduzir a dívida pública. (O Estado de S.Paulo)
 
 
 
 
 

22.08 - O diagnóstico real da crise começa a surgir
Há muitos americanos ilustres na América. Inclusive os muito ricos, que lá, talvez mais do que aqui, são capazes de reconhecer seus papéis maiores na sociedade, como é o caso do megainvestidor Warren Buffett.
Em artigo circulado mundialmente esta semana, Buffett fez um call à sociedade e aos políticos americanos, oferecendo caminhos de saída mais rápidos e seguros do que simplesmente confiar no poder inesgotável da máquina de fazer déficits do governo federal.
Outro americano ilustre, o economista Jeffrey Sachs, do Earth Institute, também ressaltou, no Financial Times da edição de ontem, a tríplice carência dos EUA de hoje: falta de coragem para agir, falta de diagnóstico preciso da crise e falta de visão do conjunto da sociedade.
Sachs arrisca o diagnóstico: seria a globalização, que teria roubado os empregos menos especializados dos estratos mais baixos da sociedade americana sem que esta esboçasse uma reação organizada.
Embora evitando apontar o dedo para a China, Sachs deixa entrever esta conclusão ao usar - a meu ver, de modo equivocado - o termo globalização como definidor da origem da perda de poder de competição da máquina produtiva dos EUA.
De fato, a ampliação do escopo competitivo mundial se ampliou formidavelmente com a incorporação de centenas de milhões de novos candidatos a trabalhos industriais na Ásia, na Índia e até na África. Prejudicou os EUA e alguns países europeus, mas nem todos! Em compensação, o mundo como um todo conseguiu dar um salto extraordinário de bem-estar e progresso.
Os desequilíbrios decorrentes dessa melhora são, agora, responsabilidade de todos e, assim, as nações em conjunto devem trabalhar para tentar atenuá-los. A China, por exemplo, deve começar a rever seriamente seu próprio modelo de câmbio artificial.
O próprio Sachs reconhece que os EUA pouco fizeram. Atuaram de modo defensivo, acelerando dispêndios em duas áreas, construção civil e guerras externas, com isso absorvendo mão de obra menos especializada.
O financiamento desses setores de não-exportáveis se deu de modo ruinoso, com excesso de alavancagem pelas famílias endividadas e pelo governo que delas depende para cobrar impostos, já que a política de Bush liberou os mais ricos de um esforço de poupança fiscal para bancar as ações militares mundo afora. Destravar o modelo americano baseado em poupança do resto do mundo será o desafio deles nesta década.
Isso implicará em empurrar parte do ajuste mundial de volta para o colo dos chineses, cujo modelo é hoje o espelho simétrico das carências americanas, ou seja, um esquema de alta taxa de poupança e alta empregabilidade, sem qualquer interesse pelo que venha a suceder aos vizinhos.
O Brasil, nesse contexto, mal despertou para as consequências devastadoras das próximas rodadas de enfrentamento da competição mundial na produção de bens e serviços. Por causa da folga momentânea que nos deram os termos de troca do comércio exterior, com preços elevadíssimos de commodities, posamos de campeões num ambiente em que nosso segmento industrial entrega pontos de competitividade a cada dia.
Nossa abordagem ao problema é gradual (vide o recente divulgação do Plano Brasil Maior), quando a urgência pediria um ataque radical e simultâneo a todos os focos do grande e crescente custo-Brasil. Antes que fique tarde demais.  (Paulo Rabello de Castro - Brasil Econômico)

22.08 - "Ante pânico, lógica da crise deve mudar"
Os mercados estão em pânico, mandam mensagens contraditórias e cabe aos governos da Europa mudarem o enfoque da crise.
"É preciso uma resposta com visão estratégica, mostrar aos mercados que o crescimento também lhes interessa", diz a chilena Stephany Griffith-Jones, especialista em finanças da Initiative for Policy Dialogue, criada pelo economista Joseph Stiglitz na Universidade Columbia.
Griffith-Jones, 64, fez parte da comissão do governo francês que estudou a viabilidade de um imposto sobre transações financeiras.
Ela está no Rio para participar, nos dias 23 e 24, do seminário "Administrando a Conta de Capital e Regulando o Setor Financeiro: a Perspectiva de um País em Desenvolvimento".
Folha - Por que a reunião entre Nicolas Sarkozy e Angela Merkel não acalmou os mercados?
Stephany Griffith-Jones - Os mercados estão em pânico, e é muito difícil satisfazê-los. Mas também diria que os governos europeus reagiram de maneira muito lenta.
Há agora uma proposta que pode ajudar a solucionar o problema, que é a criação dos eurobônus, em que o risco das dívidas seria garantido por todos da zona do euro.
O fato de Sarkozy e Merkel terem enfatizado cortes de gastos não é uma contradição?
É o problema central. Há um risco de "duplo mergulho" porque as empresas e as pessoas estão endividadas e têm medo de gastar. A resposta deveria ser maiores gastos públicos. Isso está limitado pelos mercados, que mandam mensagens contraditórias: se queixam dos deficits fiscais e depois do freio no crescimento.
Um imposto sobre transações financeiras teria que ser global ou pode ser só na Europa?
O imposto é factível, em especial uma taxa pequena sobre as transações cambiais. É preferível que seja global.
Quanto tempo os países ricos vão demorar para se recuperar?
Hoje todo o mundo só olha para os indicadores ruins, o que acaba reforçando os problemas. É importante que os políticos mudem o enfoque da crise, talvez com uma cúpula do crescimento.
É preciso uma resposta com visão estratégica.  (CLAUDIA ANTUNES - Folha de S.Paulo)

22.08 - Solução para Europa precisa ser rápida
Desfecho para os problemas do euro e dos países periféricos da união monetária tem de acontecer no curto prazo, dizem economistas
A Europa está numa encruzilhada, e um desfecho para os problemas do euro e dos países periféricos da união monetária deve acontecer no curto prazo. Esta é a visão de reputados economistas, como Mohamed El-Erian, principal executivo do Pimco, o maior fundo de investimentos do mundo, e Jim O"Neill, presidente do Goldman Sachs Asset Management e criador do termo Brics.
"A zona central do euro parece agora estar optando por uma união mais forte, baseada em uma integração econômica mais profunda e, o que é um ponto crítico, uma melhor disciplina fiscal", disse El-Erian ao Estado.
Na verdade, ele acha que a solução mais provável é algo até pouco tempo considerado impensável: a saída de alguns países do euro. Em artigo, o economista descreveu três desfechos possíveis para a crise, que, segundo sua previsão, devem acontecer "em semanas e meses, e não em trimestres e anos".
O primeiro cenário é o de uma ruptura caótica da zona do euro, que acontecerá se os governos centrais resistirem a dar suporte fiscal à solução da crise, se os países periféricos abandonarem seu esforço fiscal, e se a população das nações mais problemáticas não aguentarem mais a combinação de estagnação econômica, desemprego elevado e austeridade orçamentária.
A segunda alternativa é a de uma união fiscal mais ampla entre os 17 países-membros do euro. Para o economista, esta saída significaria na prática que a Alemanha teria de bancar por anos os países problemáticos, como se dispôs a fazer com a Alemanha Oriental depois da reunificação. Em contrapartida, a Alemanha tentaria forçar os países-membros a renunciar parcialmente à soberania fiscal.
O terceiro cenário, que El-Erian considera o mais provável, consiste na criação de uma zona do euro menor e mais "economicamente coerente", com uma união fiscal mais forte. Ele estima que "duas ou três" economias periféricas fariam um "sabático" (um desligamento não permanente) do euro.
Neste caso, ele considera que a incerteza provocada naqueles dois ou três países por causa do desligamento seria compensada pelo acesso a um conjunto mais amplo de instrumentos para lidar com seu excesso de dívidas e falta de competitividade. Um dos principais instrumentos é a possibilidade de desvalorizar o câmbio, que pode reativar a economia pela via das exportações.
Grécia, Portugal e Irlanda são as economias mais fragilizadas da zona do euro. Para o Estado, El-Erian apontou a Grécia como exemplo mais evidente de país cuja permanência ele considera impraticável. "O país tem um maciço estoque de dívida, um alto déficit, uma economia em contração e um desemprego alto; é virtualmente impossível que a Grécia consiga cumprir a sua parte na barganha (para permanecer no euro)."
Eurobônus. Já O"Neill não aposta tanto na saída de alguns países do euro, mas considera que esse desfecho é possível se o grupo de participantes não fechar no curto prazo um reforço do Pacto de Estabilidade e Crescimento (que embasou a criação da moeda única) e se não caminhar na direção de um "eurobônus".
O eurobônus seria um título público lançado em conjunto pelos países-membros, e remunerado por todos proporcionalmente ao tamanho das suas economias. Seria, no fundo, a criação de um mercado de dívida unificado em euros, assim como existe nos Estados Unidos o mercado dos treasuries, os títulos do Tesouro americano.
Com o eurobônus, países periféricos e com custos altíssimos para se financiar teriam acesso a um instrumento de captação com juros provavelmente muito mais baixo, já que o custo refletiria a qualidade de crédito dos países centrais, que seriam responsáveis pela maior parte da remuneração do papel.
O"Neill, que defende uma transição permanente na direção de que a maior parte da dívida dos países do euro seja financiada pelos eurobônus, ressalva que este é um esquema naturalmente muito bem visto pelos países em pior situação, que terão custos reduzidos. Já os países mais sólidos, ao contrário, terão algum aumento de custo, uma vez que o bônus refletirá também, em proporção menor, o risco dos membros debilitados. Ainda assim, o economista defende um mercado comum de bônus em euros. Segundo ele, o eurobônus têm de vir com a contrapartida de uma autoridade fiscal (central) muito mais forte".
O"Neill considera que os europeus devem agir com pressa, e o desfecho dependerá do que for proposto em setembro para reforçar o Pacto de Estabilidade e Crescimento. "Se não seguirem esse caminho (união fiscal e eurobônus), não vai ser possível continuar com todos os membros; se eles não tiverem algo de sensato para apresentar em setembro, nós poderemos ter uma grande crise", ele concluiu.
CENÁRIOS
Ruptura caótica
O primeiro cenário é o de uma ruptura caótica da zona do euro, que acontecerá se os governos centrais resistirem a dar suporte fiscal à solução da crise e se os países periféricos abandonarem seu esforço fiscal.
União fiscal
A segunda alternativa é a de uma união fiscal mais ampla entre os 17 países-membros do euro. Nesta saída, a Alemanha teria de bancar os países problemáticos e, em contrapartida, forçá-los a renunciar parcialmente à soberania fiscal.
Desligamento de países
O terceiro cenário, que o economista El-Erian considera o mais provável, consiste na criação de uma zona do euro menor, com uma união fiscal mais forte. (Fernando Dantas - O Estado de S.Paulo)
 
 
 
 
 

19.08 - Crise pode acelerar redução dos juros no Brasil
O temor com inflação - que, para muitos, forçaria a alta na taxa de juros - pode ser combatido com outros mecanismos financeiros
A crise intenacional pode acelerar o processo de queda na taxa básica de juros do país, a Selic (hoje em 12,50%), segundo avaliação do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
"A crise pode alicerçar um processo de redução mais forte da taxa de juros", apontou o estudo O Brasil ante a Crise Financeira Internacional, divulgado ontem pelo instituto, em Brasília.
"Após ter atravessado com sucesso a primeira tormenta, o Brasil reúne reservas macroeconômicas estratégicas para o combate da possível segunda tormenta", ressalta o Ipea.
Claudio Hamilton, coordenador de Finanças Públicas do Ipea, ressaltou que a política monetária está entre as principais alternativas para o Brasil enfrentar a crise internacional.  "Se você reduz os juros, há economia com o financiamento da dívida e sobra dinheiro para se investir em escolas e hospitais, por exemplo", disse.
Hamilton lembrou ainda que o temor com inflação - que, para muitos, forçaria a alta na taxa de juros - pode ser combatido com outros mecanismos financeiros, como o aumento dos compulsórios dos bancos (que restringe a disponibilidade de recursos para crédito).
Contas públicas
O economista do Ipea, no entanto, admitiu que o Brasil, num certo momento, poderá ter problemas para financiar o seu balanço de pagamentos, mas que essa dificuldade poderá ser driblada pelo câmbio, por meio de uma depreciação do real - cenário oposto ao atual, de apreciação da moeda brasileira diante do dólar (a despeito da volatilidade das últimas semanas).  (Elaine Cotta - Brasil Econômico)

19.08 - Sinais de desaceleração começam a se multiplicar
Alguns indicadores do nível de atividades da economia brasileira divulgados nesta semana vão certamente influenciar as expectativas para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) no fim do mês. Se o cenário internacional já sugeria cautela, o doméstico reforça essa posição e certamente vai pesar no futuro da taxa básica de juros (Selic), que está em 12,50% ao ano.
A informação mais significativa foi o recuo de 0,26% do IBC-BR de junho em relação a maio - a primeira queda desde dezembro de 2008, quando a crise internacional já atingia o Brasil com intensidade, exigindo medidas anticíclicas para tentar reativar a economia. Com o recuo de junho, o índice do segundo trimestre fechou com alta de apenas 0,69% em comparação com o trimestre anterior.
Calculado pelo Banco Central (BC) como indicador que busca antecipar o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB), o IBC-BR tem desempenhado bem esse papel. Por isso, o IBC-BR que acaba de ser divulgado sinaliza importante desaceleração da economia e que as medidas tomadas pelo governo para esfriar o nível de atividades começam a fazer efeito. A estimativa do PIB para o segundo trimestre, com base no IBC-BR, é de 0,7% de crescimento, abaixo do 1,3% de variação do primeiro trimestre. O desempenho do IBC-BR no segundo trimestre, em termos anualizados, é inferior a 3%, bem abaixo das taxas de 4,5% a 5,5% dos trimestres anteriores.
O resultado do IBC-BR levou várias instituições financeiras a revisarem as estimativas para o PIB do ano, mais para perto de 3% do que dos 4% anteriormente esperados. É um número bem inferior aos 7,5% exuberantes de 2010 e ao que outros emergentes prometem para este ano - a China deve crescer 9,5% -, mas obviamente muito melhor do que parece reservado para as economias avançadas.
Por outro lado, crescer menos tira pressão da inflação e, portanto, dos juros. Fontes do Banco Central vazaram para a imprensa a avaliação de que o resultado do IBC-BR reforça a convicção do Copom de que a inflação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) convergirá para o centro da meta (4,5%) já em 2012.
Analistas já esperavam o recuo do nível de atividades em função do comportamento da indústria e do varejo nos últimos meses. Depois de ter crescido 1,1% em maio, a produção industrial encolheu 1,6% em junho. A retração indústria de transformação influenciou o resultado do setor, apesar da estabilidade na construção. Até regiões tradicionais como São Paulo foram atingidas. No semestre, a expansão foi de 1,7%. O Valor apurou que o segundo semestre com estoques elevados nas revendas de automóveis e distribuição de aço, o que indica compras menores junto à industria. No varejo as vendas perderam o ímpeto e, depois do aumento de 0,7% em maio, cresceram apenas 0,2% em junho.
Sugerem igualmente uma desaceleração os dados da geração de emprego formal, calculada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), foram criados 140.563 postos de trabalho em julho, quase 40% a menos do que em junho, quando 234 mil novas vagas foram criadas. Em comparação com igual mês de 2010, a queda foi de 22,5%.
Foi o terceiro mês consecutivo de redução no número de vagas criadas, encolhimento que atingiu inclusive o setor de serviços, que vinha puxando o emprego no país. De janeiro a julho, surgiram 1,59 milhão de novos postos de trabalho, 14,1% a menos do que o 1,85 milhão de vagas criadas em igual período de 2010.
Mas, prever o futuro nunca é tão fácil. Na contramão desses indicadores, a receita de impostos continua explodindo, sugerindo uma economia em expansão. A Receita Federal acaba de divulgar que arrecadou, em julho, R$ 90,247 bilhões em impostos, contribuições federais e previdenciárias, segundo maior valor do ano. O crescimento real sobre o mês anterior foi de 8,92% e sobre o mesmo mês de 2010 foi de 21,31%. No acumulado do ano, a arrecadação é também recorde e soma R$ 555,857 bilhões, com aumento real de 13,98%. Apenas a receita de impostos cresceu 14,40% reais no ano.
Contribuiram para o recorde receitas extraordinárias com o pagamento de R$ 5,8 bilhões em CSLL devido por uma das maiores empresas do país em razão de encerramento de uma disputa judicial, e de R$ 2,264 bilhão referentes ao Refis da crise. Mesmo sem isso a arrecadação continua expressiva.
O mais perigoso nesse momento é que informações contraditórias podem conduzir a avaliações erradas da conjuntura. (Editorial - Valor Online)

19.08 - BC: Inflação cairá fortemente entre setembro e abril de 2012
A inflação brasileira cairá “fortemente” a partir de setembro, segundo o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini. Em entrevista concedida a jornalistas estrangeiros na quinta-feira, ele afirmou que a inflação oficial, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), cairá dois pontos percentuais entre os resultados de setembro deste ano e abril de 2012, considerando o acumulado de 12 meses.
Isso quer dizer que, na avaliação de Tombini, o IPCA deve atingir algo entre 4,7% e 4,8% nos 12 meses terminados em abril do ano que vem – taxa muito mais próxima do centro da meta perseguida pelo BC, de 4,5% ao ano. Atualmente, o IPCA está acima do teto da meta do BC, que é dois pontos percentuais superior ao centro (6,5%). Nos 12 meses terminados em julho, dado mais recente divulgado pelo governo, o IPCA acumulou 6,87%.
“O BC já comunicou ao mercado, no relatório de inflação de março, que persegue a meta de 4,5% para 2012. Já começamos a ver resultados promissores da política coordenada de aperto tocada pelo governo desde o início do ano. A inflação brasileira já está em trajetória declinante”, afirmou Tombini, logo no início da entrevista, feita por teleconferência.
Ao longo da entrevista, o presidente do BC voltou a falar de inflação. Pela primeira vez, Tombini externou sua visão de como foi formada a aceleração da inflação no Brasil. “A inflação foi alta em todos os países na passagem de 2010 para 2011, especialmente para os emergentes”, disse Tombini, para quem a elevação nos preços das commodities, iniciada em meados de 2010, foi a principal responsável, ao lado do mercado doméstico aquecido, para a alta nos preços. “A alta de commodities foi muito mais intensa nos países emergentes, uma vez que os alimentos tem um peso maior na cesta de consumo dessas sociedades”, afirmou. Segundo Tombini, a atuação do governo brasileiro foi “muito ativa” no combate a inflação. “Tivemos uma política muito abrangente de combate à inflação, combinando apertos fiscais e monetários”, disse.  (João Villaverde - Valor)
 
 
 
 
 

18.08 - Auditoria: CVM ganha aliado em defesa do rodízio
Com os Estados Unidos abrindo a discussão sobre a aplicação do rodízio obrigatório de auditorias naquele país, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ganhou um aliado de peso na sua batalha para defender a troca periódica em vigor para as companhias abertas não financeiras no Brasil.
Um dos principais argumentos daqueles que são contra o rodízio - incluindo auditores independentes e empresas - é o fato de a rotação obrigatória de firmas ser uma espécie de jabuticaba, que só existe no Brasil e, no caso do rodízio, também na Itália, entre os países de maior peso na economia global.
Esse ponto é citado na carta enviada pelo Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon) à CVM no início desta semana, como comentário à recente audiência pública aberta pela autarquia sobre o tema.
A minuta proposta pela autarquia tem como objetivo induzir as companhias abertas a constituir um comitê de auditoria estatutário em troca de um prazo mais longo para o rodízio de auditor externo. Para essas empresas, o período de rotação subiria de cinco para dez anos.
Embora esse fosse o desejo dos auditores, a proposta da CVM não coloca em questão a desistência da troca obrigatória, sendo que o próximo giro deve ocorrer em 2012. "Não pensamos em mudar a figura do rodízio. Falamos só do prazo, no caso de haver o comitê, mas não da prática em si", diz Alexsandro Broedel, diretor da CVM, sobre a minuta.
Na carta enviada à autarquia, o Ibracon propõe que empresas que criarem comitês de auditoria sejam dispensadas do rodízio.
Nesse caso, a decisão do PCAPOB (sigla em inglês para Conselho de Supervisão de Contabilidade de Companhias Abertas) de discutir o tema também favorece o argumento da CVM, já que lá o rodízio não seria uma opção ao comitê, mas se somaria a ele. "Estamos na mesma tecla, a preocupação é exatamente a mesma", afirma Broedel, lembrando que na União Europeia o tema também foi colocado em audiência pública. Na Europa, a maior parte dos comentários recebidos foi contrária à prática.
Uma ideia que surgiu foi o estabelecimento de contratos de longo prazo, sem possibilidade de rescisão, dando estabilidade ao auditor por alguns anos.
Nos Estados Unidos, a última vez que o rodízio foi discutido foi na época da edição da lei Sarbanes-Oxley, em 2002. Entre outras coisas, a lei criou o próprio PCAOB e também obrigou as companhias abertas a constituir comitê de auditoria.
Em 2003, o General Accounting Office (GAO), órgão ligado ao congresso americano que supervisiona as contas públicas, disse aos reguladores que seria importante ter alguns anos com a experiência de se ter os comitês de auditoria e também o trabalho de fiscalização do PCAOB para então concluir sobre a necessidade de rodízio obrigatório.
É com base nesse argumento que o PCAOB traz o tema novamente ao debate. Nesses quase dez anos, o órgão fez 1,7 mil inspeções detalhadas e examinou parcialmente mais de 7,25 mil trabalhos de auditoria, o que se considera experiência suficiente.
No trabalho de supervisão, o PCAOB encontrou centenas de falhas nos trabalhos de auditorias, diz o advogado James R. Doty, presidente do órgão.
Embora não divulgue estatísticas, Doty diz que a falta de independência, objetividade e de ceticismo são apontados com frequência nas fiscalizações. "Quando se vê auditores vendendo seu serviço para potenciais clientes como 'parceiros para dar suporte e ajudar' os clientes 'a atingir suas metas', é difícil não se perguntar se essa mentalidade contribuiu para algumas dessas falhas de auditoria", afirma ele.
Basicamente, a discussão gira em torno do conflito gerado pelo fato de que é o cliente que paga pelo serviço do auditor.
O PCAOB levanta a questão se, com o rodízio, o auditor pode ser mais independente dessa relação comercial, já que ele não precisa se preocupar em manter o cliente por um longo prazo.
Do outro lado, os críticos da prática falam dos custos que a mudança gera e também do aumento do risco de problemas nos pareceres de auditoria - que teriam sido verificados em estudos acadêmicos -, uma vez que haveria uma curva de aprendizagem do novo auditor.
Na manifestação de voto dos cinco membros do PCAOB, é possível notar que alguns se mostram mais favoráveis à implantação do rodízio, enquanto outros veem mais mérito na discussão sobre o tema e nas sugestões que podem surgir durante o debate.
Na primeira rodada de inspeção feita nas divisões brasileiras de PwC, Deloitte, Ernst & Young e KPMG, as quatro grandes, o PCAOB encontrou falhas no trabalho de todas. Mas nenhum balanço teve que ser republicado.  (Fernando Torres - Valor Online)

18.08 - Estagnação ameaça EUA, diz Nobel
O economista Edward Prescott está pessimista quanto às perspectivas econômicas dos Estados Unidos. Para o ganhador do Prêmio Nobel de 2004, o país pode enfrentar um longo período de estagnação, correndo o risco de repetir a experiência do Japão nos anos 90, da Itália nos últimos 15 anos ou do Brasil dos anos 80 e começo dos anos 90. Segundo Prescott, o problema é que "políticas anticrescimento" dominam hoje o país, atrapalhando a recuperação da economia. Para estimular a atividade, ele defende cortes de gastos públicos, que permitam a redução de impostos.
"Gastar é taxar, como disse Friedman, e ele estava certo", afirmou ontem Prescott, em entrevista ao Valor, referindo-se ao Nobel de Economia de 1976, Milton Friedman. Para ele, se o governo se comprometer com um corte crível dos gastos públicos, a economia americana pode ter um boom. Prescott veio ao Brasil a convite do Principal Financial Group. É o convidado de maior destaque do evento "Economia global: riscos e oportunidades".
Professor da Universidade do Estado do Arizona, ele classificou como "falsa ciência" a ideia de que só restou ao país a política fiscal para estimular a atividade, já que os consumidores estão endividados, as empresas não investem e a política monetária já está no limite, com os juros próximos de zero. "É como dizer que o mundo é plano", afirmou ele, para quem planos de estímulo fiscal tendem a ter o efeito de deprimir a atividade econômica.
A percepção de que os impostos serão mais altos no futuro leva as pessoas a trabalhar e produzir menos no presente, de acordo com Prescott, que completou: "Gastar é taxar, e taxar é deprimir [a atividade econômica]". Economistas como Paulo Krugman, Nobel em 2008, defendem a expansão de gastos como forma de sustentar a economia neste momento, hipótese rechaçada por Prescott.
E quais são exatamente as políticas anticrescimento que ameaçam jogar os EUA num longo período de estagnação? Segundo Prescott, são as tentativas de preservar a ordem estabelecida, que acabam por dificultar a expansão da economia. Um exemplo seria o esforço do Conselho Nacional de Relações do Trabalho (NLRB, na sigla em inglês) em tentar impedir a Boeing de fabricar um determinado avião na Carolina do Sul - a companhia teria transferido a produção para lá com o objetivo de escapar das greves promovidas pelos trabalhadores numa fábrica do Estado de Washington. "É a nossa maior exportadora", reclama Prescott, incomodado com a iniciativa.
"O que nós precisamos é de mais descentralização, dar mais poder aos Estados", afirmou ele, criticando a tendência centralizadora do governo do presidente Barack Obama. Para Prescott, o país também deveria dar mais espaço à competição. "Abertura é ótimo", destacou Prescott, dizendo que o país se beneficiou quando houve a concorrência com a indústria automobilística japonesa, que resultou em carros melhores para os consumidores.
Prescott não vê com bons olhos a iniciativa do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de ter se comprometido com a política de juros próximos de zero até 2013. "Eles não deveriam ter se comprometido com isso por tanto tempo. A situação pode mudar", afirmou ele, que preferia um compromisso com uma meta de inflação de 2%, e não com o nível dos juros. Para Prescott, também não há necessidade de uma nova rodada de afrouxamento quantitativo (pelo qual o Fed compra títulos públicos e privados).
O economista se disse otimista com o Brasil, especialmente pelo fato de o país estar "mais integrado com as multinacionais e com o resto do mundo". Segundo ele, as perspectivas favoráveis de crescimento e os juros elevados tornam o país atraente para os investidores estrangeiros.
Para Prescott, os juros no Brasil vão cair à medida que houver mais confiança de que o país continuará no caminho atual. "Se essa tendência se mantiver, não vejo por que as taxas não vão cair no futuro", disse ele. Questionado sobre a valorização excessiva do real e as tentativas do governo de evitar uma apreciação exagerada da moeda, Prescott afirmou que ter uma meta para o câmbio não é uma boa política.
Ao falar da crise da Europa, o economista disse acreditar que o euro sobreviverá. "É algo útil e valioso", afirmou ele, para quem os países do continente precisam enfrentar a questão dos impostos, hoje muito elevados, o que afeta a capacidade de competição. "E a Grécia, por exemplo, precisa de fato se tornar mais responsável fiscalmente", disse Prescott, para quem uma reestruturação ordenada da dívida de alguns países pode ser algo desejável.   (Sergio Lamucci - Valor Online)

18.08 - Economia americana afasta risco recessivo
Parte das trevas que se abateram sobre as perspectivas para a economia americana, com a queda das bolsas e do otimismo dos investidores nas últimas semanas, poderá em breve se dissipar, uma vez que as famílias continuam gastando e a indústria, produzindo.
A produção industrial teve o maior crescimento do ano em julho, segundo números divulgados na terça-feira pelo Federal Reserve (Fed). Relatórios publicados na semana passada mostraram que as vendas no varejo tiveram a maior alta em quatro meses, e os pedidos de auxílio desemprego caíram ao menor nível desde o começo de abril.
"Não há nada aqui sugerindo que a economia está desacelerando, muito menos declinando", diz Chris Rupkey, economista financeiro do Bank of Tokyo-Mitsubishi UFJ em Nova York. "A produção continua, e a produção continua porque os consumidores ainda estão fazendo suas compras."
Os lucros de companhias como a Home Depot e a Macy's estão superando as estimativas, enquanto as vendas crescem, indicando uma recuperação nos gastos das famílias após uma freada no segundo trimestre. As ações da Cisco Systems dispararam na semana passada com o aumento da demanda por seus equipamentos de rede, sinalizando um aumento dos investimentos pelas empresas.
"É só olhar para o que as companhias estão dizendo em suas chamadas de lucros para perceber que não há nenhuma indicação de que elas estão reduzindo abruptamente as contratações ou os investimentos", diz Neil Dutta, economista do Bank of America Merrill Lynch em Nova York. "É certo que os riscos de uma recessão estão aumentando, mas ela ainda não é tida como inevitável."
O relatório do Fed mostrou que o aumento de 0,9% na produção das fábricas, minas e empresas de serviços públicos seguiu-se a um ganho revisto de 0,4%. Economistas projetavam um aumento de 0,5% para julho, segundo a estimativa média computada por uma pesquisa da Bloomberg News.
A produção de automóveis e autopeças aumentou 5,2% no mês passado, uma reação às interrupções ocorridas após o terremoto de março no Japão, segundo o Fed. Excluindo esse setor, a produção industrial cresceu 0,3%, após ganho de 0,2% no mês anterior.
A produção de equipamentos industriais aumentou 0,6% em julho, depois de um ganho de 0,2% em junho. A de computadores e produtos eletrônicos cresceu 0,5%, após queda de 0,8% no mês anterior. E de móveis aumentou 0,7%, ter caído 2,4% em junho.
Do lado do consumidor, redes varejistas estão se beneficiando com a continuidade dos gastos das famílias. As vendas cresceram 0,5% em julho, o maior número em quatro meses, depois de ganho de 0,3% em junho, segundo dados do Departamento do Comércio. A Walmart Stores, maior grupo varejista do mundo, elevou na terça-feira sua estimativa de lucro para o ano.
Mais consumidores e empresas estão ganhando acesso a crédito, depois que os bancos afrouxaram suas exigências para a maior parte dos tipos de empréstimos no segundo trimestre. Bancos comerciais e industriais citando a "competição agressiva" como um dos motivos do afrouxamento, segundo consta em uma pesquisa divulgada pelo Fed em 15 de agosto.
"Há muitas preocupações, há muitos temores, mas até agora esses temores se mostraram totalmente infundados", diz Rupkey  (Timothy R. Homan - Bloomberg/Valor Online)
 
 
 
 
 

17.08 - Fitch confirma nota de risco AAA dos EUA
A agência de classificação de risco Fitch afirmou o rating (nota) AAA de longo prazo em moeda local e estrangeira dos Estados Unidos e dos títulos do Tesouro norte-americano, com perspectiva estável. A decisão reflete o fato de que os pilares-chave da excepcional de qualidade de crédito dos EUA continuam intactos, diz a agência.
A reiteração do rating também reflete o papel central dos EUA no sistema financial global e sua economia saudável, flexível e diversificada que formam a base de sua receita, acrescenta a Fitch. A flexibilidade monetária e da taxa de câmbio amplia a capacidade da economia dos EUA de absorver e se ajustar aos choques, prossegue a Fitch.
A agência afirma que revisará suas projeções fiscais a luz do resultado das deliberações do comitê conjunto, esperadas para novembro, assim como sua perspectiva econômica de curto e médio prazo para os EUA até o fim do ano.
Uma revisão em alta nas projeções de médio e longo prazo da Fitch para a dívida pública seja como resultado de uma recuperação econômica mais fraca do que a esperada, seja pelo fracasso do comitê conjunto de chegar a um acordo sobre medidas de redução do déficit em pelo menos US$ 1,2 trilhão provavelmente resultará numa ação de rating negativa, diz a Fitch.
Esta ação mais provavelmente seria uma revisão da perspectiva do rating para negativa, o que indicaria uma chance de mais de 50% de um rebaixamento em um horizonte de dois anos. Menos provavelmente seria um rebaixamento de um grau na nota, acrescenta o comunicado da Fitch. As informações são da Dow Jones. (Regina Cardeal - Agência Estado)

17.08 - Alemanha enfraquece e eleva risco de recessão na Europa
Levada pela desaceleração na Alemanha, a Zona do Euro obteve um crescimento de 0,2% no segundo trimestre, ante um avanço de 0,9% no trimestre anterior, e se aproxima de uma recessão.
O Produto Interno Bruto (PIB) da Alemanha cresceu apenas 0,1% no segundo trimestre, após uma alta de 1,3% no trimestre anterior. Segundo a agência de estatísticas da Alemanha, neste trimestre o país contou com uma menor contribuição do setor externo, tradicional motor do PIB alemão, devido a um aumento das importações.
"O dado é preocupante, pois boa parte da força no crescimento europeu estava concentrado na Alemanha", diz Mauro Schneider, economista chefe da Banif.
Na França, o crescimento trimestral foi nulo, após uma alta de 0,9% no trimestre anterior. Por lá, a demanda interna enfraqueceu no trimestre, com uma queda de 0,7% no consumo.
"Mesmo que a gente não caia no cenário de recessão, que seria um cenário bastante negativo, as perspectivas para o crescimento da Europa não são das melhores", ressalta Schneider.
As recentes sondagens da atividade econômica não são animadoras. O índice gerente de compras (PMI, na sigla em inglês), divulgado no início do mês, atingiu o nível mais baixo em 22 meses em julho, a 51,1 pontos (frente a 53,3 pontos em julho).
Nesse índice, um número abaixo de 50 indica contração, enquanto um número acima dessa marca sinaliza expansão.
Nessa leitura, a França obteve o nível mais baixo em 23 meses, a 53,2 pontos, enquanto a Alemanha caiu para 52,5 pontos, resultado mais baixo em 21 meses.
"Você tem queda na confiança e um aumento dos juros pagos por diversos países. Isso os força a aprofundar os ajustes fiscais, criando uma força contracionista a mais."
Em meio a esse cenário, as opções de política econômica dos governos fica reduzida.
"Não dá para repetir a medicação que foi usada em 2008, isso praticamente se esgotou. Mas isso não significa que não dá pra fazer mais nada."
Em meio ao agravamento da crise, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente da França, Nicolas Sarkozy, anunciaram medidas para enfrentar a crise. Foi proposta a criação de um imposto sobre transações financeiras na Zona do Euro, além da instituição de um governo econômico para a região.
FMI
Por meio de um artigo publicado no jornal inglês Financial Times, a diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, alertou os governos a não serem vítimas de paralisia, acreditando que não há nada que possa ser feito.
"Para economias avançadas, há uma necessidade de restaurar a sustentabilidade por meio de planos de consolidação factíveis. Ao mesmo tempo nós sabemos que pisar nos freios com muita força vai prejudicar a recuperação e afetar o mercado de trabalho", afirmou Lagarde.
Para Lagarde, a economia na Zona do Euro depende de um ajuste fino. "A política monetária agora está mais apertada, problemas bancários deverão novamente ser enfrentados, e a crise deixou um legado de dívida pública".
A diretora alertou os governos a não serem guiados unicamente pelos mercados financeiros. "Ainda que os mercados desaprovem o endividamento público - e aplaudam uma rápida consolidação fiscal - como vimos na semana passada eles desaprovam ainda mais um crescimento baixo ou negativo.  (Felipe Peroni - Brasil Econômico)

17.08 - PIB europeu perde velocidade no 2º trimestre
Alemanha e França praticamente param, taxa anualizada chega a 1,7%, inferior ao previsto pelos analistas; desaceleração é maior na Grécia
O anúncio da maior integração econômica entre os 17 países da zona do euro foi feito em Paris pelos líderes francês e alemão horas depois de o Escritório Estatístico das Comunidades Europeias (Eurostat) confirmar a desaceleração do crescimento na região.
Segundo o instituto de Bruxelas, a zona do euro registrou crescimento de 0,2% no segundo trimestre em relação ao primeiro trimestre - 0,1 ponto porcentual inferior à previsão de analistas -, o que em termos anuais representa 1,7%.
Além da França, que já havia registrado estagnação no período, a Alemanha também decepcionou. Enquanto os especialistas estimavam o crescimento do país em 0,5% no segundo trimestre, o Eurostat constatou 0,1% de avanço.
No apanhado dos últimos 12 meses, o país registra 2,8% de aumento do Produto Interno Bruto (PIB), mais uma vez abaixo do previsto (3,2%).
De passagem por Paris, onde se reuniu com o colega Nicolas Sarkozy, a chanceler alemã, Angela Merkel, minimizou a desaceleração. "Não se deve ver unicamente as flutuações trimestrais. Nosso objetivo é fazer de tudo para que o potencial de crescimento da Europa seja reforçado", afirmou.
Em Londres, o Banco da Inglaterra (BoE) já havia anunciado na segunda-feira a redução das perspectivas de crescimento de 1,8% para 1,4% em 2011. Com isso, todos os três principais motores da União Europeia confirmaram a desaceleração.
Entre os países em crise, a Espanha registrou crescimento de 0,2% no segundo trimestre. Na Grécia, a situação é mais grave. Considerando os últimos 12 meses, o recuo do Produto Interno Bruto (PIB) chegou a 6,9%.
Outro dado preocupante sobre a performance econômica da zona do euro também foi anunciado: o recuo de 0,7% na produção industrial de junho em relação ao mês anterior.
FMI. Diante dos números de crescimento insuficientes, a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, pediu em artigo publicado no jornal Financial Times a reprogramação das políticas de austeridade, de forma a evitar a recessão no continente. "O reequilíbrio fiscal deve resolver uma equação delicada, não sendo rápido demais, nem lento demais", defendeu.
Para Nicolas Bouzou, diretor da consultoria Asterès, de Paris, os indicadores conjunturais apontam a degradação do desempenho da UE. "Mas eu não acredito que possamos falar em volta da recessão mundial", afirmou.  (O Estado de S.Paulo)
 
 
 
 
 

16.08 - CVM diz não haver fundos fora de limites de alavancagem
Não há nenhum fundo de investimento fora dos limites de alavancagem e exposição, de acordo com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A afirmação é uma resposta ao fechamento dos fundos geridos pela GWI na semana passada, após ficarem perto da insolvência. A CVM informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que os acontecimentos com os fundos geridos pela GWI e casos similares estão sendo acompanhados "de perto".
As nove carteiras da gestora foram interrompidas para resgates e aplicações até o dia 26 de agosto, quando será realizada assembleia com os cotistas para decidir o futuro delas. O pedido de paralisação foi feito pelo BNY Mellon, que administra os fundos da GWI, "para evitar prejuízo ao conjunto dos cotistas". Apenas o fundo "Private" perdeu 273,1% apenas no dia 8 de agosto e ficou com patrimônio negativo de R$ 25 milhões.
A CVM lembra que, conforme os artigos 88 e 89, da Instrução CVM nº 409, os administradores devem comunicar à CVM qualquer desenquadramento em relação aos limites estabelecidos pela Instrução e pelo Regulamento.
A seguir, a íntegra da nota da autarquia sobre o assunto:
"A CVM está acompanhando de perto os acontecimentos com os fundos geridos pela GWI e, em relação a outros possíveis casos similares, vale mencionar que, nos termos do disposto nos arts. 88 e 89, da Instrução CVM nº 409, os administradores devem comunicar à CVM qualquer desenquadramento em relação aos limites estabelecidos pela Instrução e pelo Regulamento, sendo que, no momento, não há registro de desenquadramento em relação a limites de alavancagem e exposição."  (Agência Estado)

16.08 - Gigantismo de ação para salvar Espanha e Itália surpreende
Banco Central Europeu diz ter gasto € 22 bi no resgate dos papéis na semana passada, recorde nesse tipo de operação
Ação sinaliza preocupação maior do que a imaginada com a situação dos dois países e leva inquietação a investidores do mercado
O BCE (Banco Central Europeu) anunciou ontem ter gasto € 22 bilhões (cerca de R$ 50,5 bilhões) na semana passada para ajudar Itália e Espanha, valor recorde em operações do tipo.
A maior parte do dinheiro foi usada em títulos desvalorizados desses dois países, apesar de papéis de Portugal e Irlanda também terem sido incluídos no pacote.
O montante é maior que o anteriormente especulado e reflete a crescente preocupação com a crise da dívida. Até quando o BCE continuará a promover este tipo de "resgate maquiado" é o que o mercado se pergunta agora.
No início de agosto, cresceu a preocupação sobre a capacidade de Itália e Espanha pagarem suas dívidas, depois que os juros dos títulos dos dois países subiram a níveis estratosféricos para padrões europeus (acima de 6%).
Na semana seguinte, o BCE rapidamente interveio. Comprou títulos no mercado secundário, o que ajudou a baixar os juros. O montante da operação, porém, só foi revelado ontem. E assustou.
O número anunciado ontem supera os € 16,5 bilhões que o BCE gastou na primeira semana de intervenções para comprar títulos da dívida grega, em maio de 2010. A dívida pública italiana chega a € 1,65 trilhão, e a espanhola, a € 654 bilhões.
O apoio a papéis italianos e espanhóis é a primeira compra do BCE em 19 semanas. O banco central entrou no mercado fazendo compras no dia 8, depois que políticos da zona do euro não conseguiram convencer os investidores de que a crise estava sob controle e não havia risco de contágio.
Analistas dizem que a medida só irá artificialmente dar mais tempo para que os investidores possam adquirir papéis europeus a juros menores. Mas não seria uma solução duradoura.
Frente ao cenário, aumenta também o debate no mercado sobre "eurobonds". Os governos da zona do euro avaliam a possibilidade de lançar papéis da dívida comuns aos 16 países do grupo.
BOLSAS
A proposta dos "eurobonds" tranquilizaria os mercados sobre a capacidade de pagamento dos países e fortaleceria o euro. A ideia, porém, segue polêmica. Ontem, um porta-voz do governo alemão disse que a chanceler Angela Merkel e o presidente francês Nicolas Sarkozy não discutirão uma "dívida comum europeia", em reunião em Paris hoje, porque "Berlim não acha a proposta uma boa ideia".
Os mercados tiveram um dia mais tranquilo. As Bolsas europeias e asiáticas fecharam em leve alta, assim como o índice Dow Jones, nos EUA. A Bovespa ganhou 2,2%.  (Folha de S.Paulo)

16.08 - Economistas para o BC: PIB fraco e inflação forte
Baixo crescimento com inflação. Esse seria o cenário básico da maioria dos economistas que atendeu à reunião trimestral com o Banco Central (BC) para a montagem do Relatório de Inflação.
Segundo alguns dos participantes, o tom foi de preocupação com a atividade doméstica em função da piora do cenário externo, que mostra a economia americana com risco maior de recessão e uma Europa que entra em uma rodada de ajustes fiscais sem precedentes para tentar lidar com uma crise de endividamento soberano.
De acordo com um dos participantes, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deve crescer em torno de 3,5% neste ano e no próximo.
"Números ruins do PIB americano determinaram a mudança de visão", disse.
Para outro economista, o fraco desempenho da produção industrial, que tem peso relevante na composição do PIB, também responde pela formação dessa expectativa de menor crescimento.
No entanto, o PIB menor não resultará automaticamente em Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no centro da meta de 4,5% ao ano.
"Apesar de a maioria dos economistas ter revisado para baixo a sua previsão para a inflação em 2012, as projeções permanecem bem acima do centro da meta, entre 5% e 5,5%", diz um participante.
Essa resistência da inflação teria fontes diversas. Primeiro, a própria dinâmica da inflação de serviços, que mostra maior resistência à queda em função do binômio emprego e renda.
Segundo, o preço das commodities, que traria benefício limitado sobre a inflação doméstica. De fato, não se sabe qual a resultante dos vetores que influem sobre o preço das matérias-primas.
O menor crescimento global é sinal de menor demanda e consequentemente menor preço. Mas a expectativa de uma nova rodada de injeção de liquidez, o famigerado "Quantitative Easing" - que é dado como certo, segundo participante da reunião - daria sustentação ao preço das matérias-primas.
Soma-se a esse intrincado quadro o comportamento da China, que ainda sofre com inflação elevada e não se tem clara indicação sobre o ritmo de redução na sua atividade.
Nas considerações sobre a cena internacional, o ponto de maior preocupação, sempre de acordo com os presentes, seria a Europa.
É lá que está o risco latente capaz de provocar uma queda abrupta da liquidez internacional caso haja a quebra de um grande banco no continente. "Mas esse não é o cenário base", diz um participante.
Olhando o mercado com um todo, a segunda-feira foi marcada por tranquilidade e tomada de ativos de risco.
Em nada se compara com a segunda-feira, dia 8 de agosto, que entrou para história como um dos piores pregões dos mercados mundiais, ao menos por ora.
Como bem disse o gestor da Vetorial Asset, Sérgio Machado, estamos em um mercado de "não eventos".
"Criam-se os monstros e eles se esvaem. Depois criam-se os paraísos que se esvaem também. E nisso o dinheiro muda de mão com uma violência ímpar. Os tontos seguem explicando o inexplicável. E tudo continua sendo nada", resume o especialista.
Na avaliação do vice-presidente de tesouraria do Banco WestLB, Ures Folchini, o que ficou depois de todo o pânico e pessimismo da semana passada é que as taxas de juros em âmbito global ficarão baixas por um longo período de tempo e que para evitar algum tipo de colapso no sistema financeiro internacional novas injeções de liquidez serão necessárias.
E dentro desse mundo de juros baixos e dinheiro farto, é natural que se procure alternativas de juros maiores.
"É aí que aparece um tal de Brasil na tela dos investidores pagando 11,80% ao ano para 2014. O que parece uma boa oportunidade de investimento", conclui o tesoureiro.
Esse investidor em busca de bons rendimentos é que estaria por traz da queda dos prêmios de risco nos juros futuros nos contratos de prazo mais longo. Ontem, os contratos voltaram a apontar para baixo e desde sexta-feira se fala em "gringo" comprando juro.
No câmbio, o dólar caiu no mundo e por aqui não foi diferente. A exceção foi o franco suíço, que perdeu para a moeda americana em meio a novos rumores de que a divisa pode ter seu preço atrelado ao euro.
O dólar comercial teve uma das maiores quedas percentuais diárias do ano ao perder 1,24% e fechar a R$ 1,591.
Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar para setembro recuava 1,47%, para R$ 1,598, antes do ajuste final.
Na avaliação do economista da BGC Liquidez, Alfredo Barbutti, depois de três semanas seguidas de valorização, que resultaram em alta de 3,7% de preço, o dólar ganhou um prêmio de venda, ou seja, ficou atrativo tornar a vender moeda americana, mesmo com as restrições impostas pela nova regulamentação, que taxa em 1% o aumento da posição vendida líquida em derivativos que ultrapassar US$ 10 milhões.
"O mercado está exercendo esse prêmio. Mas conforme o real se fortalece, esse prêmio cai e o ônus da posição vendida cresce", diz o economista, lembrando que dentro dessa dinâmica haverá um momento no qual a venda não mais será atrativa e o mercado volta a ser comprador.
"O jogo está mais equilibrado", diz Barbutti, lembrando que pouco tempo atrás a posição vendida era praticamente uma garantia de ganho certo.    (Eduardo Campos - Valor Online)
 
 
 
 

12.08 - Cresce temor de recessão nos EUA
O risco de os EUA voltarem à recessão cresceu bastante devido ao golpe duplo da desaceleração no crescimento e das oscilações vertiginosas nas bolsas mundiais, segundo economistas entrevistados pelo "Wall Street Journal" na última semana.
Os 46 economistas que participaram da pesquisa - nem todos respondem a todas as perguntas - calculam uma chance de 13% de que os Estados Unidos já tenham entrado numa nova recessão, enquanto as chances de seguir por esse caminho ano que vem estão em 29% - ante 17% apenas um mês atrás.
O retorno à recessão não é uma certeza. A bolsa subiu ontem, em parte por causa de indícios tranquilizadores de que o mercado de trabalho dos EUA ainda não descarrilou de vez. Os pedidos iniciais de seguro desemprego caíram semana passada para 395.000, deixando o total abaixo do piso de 400.000 pedidos, que geralmente indica que a economia está criando mais empregos do que perdendo. Os temores de uma crise de dívida soberana na Europa também diminuíram ligeiramente.
Mas o cenário mais amplo é o de uma economia em que o crescimento desacelerou tanto que não precisa muito para empurrá-la para uma contração total. Uma recessão - segundo a Comissão de Definição do Ciclo Empresarial do Birô Nacional de Pesquisas Econômicas (NBER, na sigla em inglês), o grupo sem fins lucrativos considerado o juiz oficial das recessões - "é um declínio significativo na atividade econômica disseminado na economia e que dura mais que alguns meses". A comissão estuda o PIB, os dados do emprego e a renda para determinar quando as recessões começam e terminam.
O problema é que a comissão geralmente só declara o início da recessão bem depois de ela ter começado. O início oficial da última, em 2007, por exemplo, só foi anunciado em dezembro de 2008.
Para alguns economistas, a diferença entre uma recessão e o crescimento extremamente lento registrado até agora no ano é praticamente insignificante. "Provavelmente estamos discutindo apenas palavras a esta altura; a volta à recessão já está acontecendo", disse Paul Ballew, economista-chefe do Nationwide.
As revisões do PIB divulgadas no fim do mês passado mostram que a recuperação tem sido lenta, com crescimento no primeiro semestre menor que 1% a um índice anualizado e dessazonalizado. O segundo trimestre teve expansão de apenas 1,3% e, depois da divulgação ontem de um déficit comercial maior que o de junho, os economistas do Goldman Sachs sugeriram que o crescimento pode ser revisado ainda mais, para cerca de 0,9%. O crescimento mais lento do primeiro semestre levou os economistas entrevistados pelo WSJ a diminuir suas previsões para o restante do ano, bem como para o próximo. Eles calculam agora crescimento de apenas 1,6% para 2011 e meros 2,5% para 2012.
"A economia já foi atingida por uma série de choques este ano, então acho que só precisa mais um choque modesto para empurrá-la de volta à recessão", disse a economista Michelle Meyer, do Bank of America.
Ela citou a turbulência na Europa como o choque mais provável por trás disso, com boas chances de contaminar os EUA. Outra possibilidade é a volatilidade recente em Wall Street.
"Com certeza, isso aumenta o risco de uma volta à recessão", disse Steve Blitz, economista sênior da ITG Investment Research, em Nova York. "É difícil que não contribua para isso." Grandes quedas nas bolsas, disse Blitz, podem levar as pessoas a diminuir o consumo, o que pode prejudicar ainda mais uma economia já enfraquecida. O efeito pode ser especialmente visível no consumo dos americanos ricos, que têm mais aplicações na bolsa - e cujos gastos até agora eram uma das poucas fontes de otimismo.
Alguns analistas estão mais otimistas. Maury Harris, economista-chefe do UBS para os EUA, afirmou que vê um risco relativamente pequeno de uma volta à recessão. Ela disse que muitos economistas estão concentrados demais na falta de opções do governo e ignoram os sinais de que a economia já está melhorando por conta própria. A cotação do petróleo está em queda, o que pode permitir às pessoas gastar menos no posto de gasolina e mais em outras coisas. Enquanto isso, os bancos estão aumentando a concessão de crédito tanto para pessoas físicas quanto para empresas.
Mas a pesquisa mostra como um elemento crucial da economia - o mercado de trabalho - continua sob forte pressão. Os economistas preveem que o desemprego ainda será de 9% no fim do ano, ante os atuais 9,1%. Eles calculam que a economia vai criar em média apenas 145.000 empregos por mês nos próximos 12 meses, praticamente suficiente para absorver o crescimento populacional, mas pouco para os 13,9 milhões que continuam procurando emprego no país.
Outros fatores estão prejudicando a economia americana, como notou o Federal Reserve, o banco central do país, na previsão sombria divulgada em seu comunicado desta semana. O Fed apontou para o fraco consumo das famílias, a deterioração do mercado de trabalho e a desvalorização do mercado imobiliário.
De fato, os economistas continuam prevendo que a construção civil continuará num nível moribundo até 2012. Eles acham que o preço dos imóveis vai cair 3% este ano e subir apenas 1,5% ano que vem. O Fed também expressou temores de que fatores temporários como a alta no preço do petróleo no início do ano e os problemas de cadeia de suprimento causados pelo terremoto no Japão são apenas parte do que está enfraquecendo a economia. (Phil Izzo e Ben Casselman - The Wall Street Journal/Valor Online)

12.08 - Crise nos EUA e Europa pode afetar o Brasil
A deterioração dos mercados nos últimos tempos pode ter impactos relevantes na economia brasileira de acordo com análise do banco Itaú Unibanco. Nos últimos dias, os preços de alguns ativos de risco (ações, por exemplo) tiveram fortes quedas e algumas medidas de aversão ao risco subiram consideravelmente. A fonte dos problemas é o endividamento público excessivo nas economias maduras segundo analistas do banco.
Na Europa, as dúvidas sobre a sustentabilidade da dívida de alguns países periféricos contagiaram a percepção sobre a capacidade de pagamento de Espanha e Itália. Nos EUA, a situação fiscal é desafiadora nos próximos anos, como ficou evidente na dificuldade política em aprovar a elevação do teto da dívida e no rebaixamento de seu rating pela agência Standard & Poor’s.
Ao mesmo tempo, a divulgação de dados mais fracos de crescimento econômico, especialmente nos EUA, coloca em dúvida a capacidade de recuperação dessas economias, em face da menor disponibilidade de políticas anticíclicas (juros perto do piso e política fiscal em xeque).
Os economistas do banco se questionam se o crescimento mais baixo dessas economias é suficiente para ter um impacto importante na trajetória de crescimento da economia brasileira ao longo dos próximos trimestres. A chance de recessão para eles, já a partir deste trimestre, é bastante superior a 50%. No entanto, essa probabilidade cai consideravelmente no caso em que a recente deterioração dos mercados é passageira.
Efeitos da crise mundial no mercado doméstico
A primeira conclusão, portanto, é que a manutenção das atuais condições financeiras por um período extenso elevaria a probabilidade de uma desaceleração mais forte da atividade econômica no Brasil. A crise internacional chegaria à economia doméstica por diversos canais. Entre eles, o da exportação.
A desaceleração econômica mundial afetaria diretamente a demanda por produtos brasileiros, diminuindo o crescimento das exportações. No caso de a desaceleração impactar a China e outros emergentes, a queda dos preços de commodities reforçaria ainda mais esse quadro de baixo dinamismo das vendas externas.
Para os analistas, pela via de consumo, o aumento da incerteza e da aversão ao risco, como o movimento visto nos últimos dias, levaria à diminuição da confiança dos consumidores, ao adiamento do consumo e à elevação da poupança por precaução. A poupança poderia subir, ainda, por alguma restrição de liquidez. Esses efeitos, junto com a perda de riqueza produzida pela queda dos preços de ativos, reduziriam o consumo e impactariam negativamente o PIB.
O investimento reagiria por canais similares ao consumo. O aumento da incerteza reduziria a confiança dos empresários. Como os investimentos não são facilmente reversíveis, em um ambiente de maior incerteza sobre o futuro uma parte deles seria adiada. A queda do preço das ações também desestimularia a aquisição de máquinas e equipamentos, pois ficaria mais barato adquirir uma empresa no mercado do que investir no negócio através da construção de uma fábrica, por exemplo.
Além dos impactos diretos, o banco sinaliza que há outros efeitos indiretos da crise no crescimento do PIB. Por exemplo, a diminuição das exportações ou o adiamento dos investimentos implicaria menos contratações de pessoas, o que diminuiria a expansão da massa salarial real e afetaria negativamente o consumo.
Simulação de cenários
Considerando um cenário básico, o banco prevê que as dificuldades e a incerteza na Europa e nos Estados Unidos permanecem, mas as condições financeiras retornam à normalidade. Mesmo impulsionado pela China, o mundo cresce pouco, 3,7%, em 2012. No Brasil, a política fiscal ajuda a sustentar o crescimento e o Banco Central para de elevar os juros, mas não chega a reduzi-los devido a um cenário de inflação ainda pouco confortável.
No cenário pessimista, parte das condições financeiras segue mais restritiva. As economias europeias apresentam uma contração do PIB no próximo ano e a expansão da economia americana é baixa, apenas ligeiramente acima de 1%. Nesse cenário, o mundo cresce apenas 2,6% em 2012, e o ambiente de elevada incerteza e aversão ao risco permanece de acordo com os analistas. Sob estas condições, desacelera-se o crescimento do Brasil, o preço das commodities recua, a taxa de câmbio desvaloriza-se e a inflação cede.
Para minimizar os efeitos dessa desaceleração, o Banco Central corta a taxa de juros, ainda este ano, e o governo eleva os gastos e o crédito direcionado. O crescimento do PIB ainda é menor do que no cenário básico, mas a reação de política econômica é capaz de evitar uma desaceleração mais drástica a da economia.
No cenário ultrapessimista, o quadro é de ruptura dos mercados de crédito internacionais, como a que aconteceu em 2008. A intensidade da queda do PIB mundial supera a observada após a crise financeira de 2008. Nesse cenário, as dificuldades econômicas se acentuam na Itália e na Espanha, levando à restrição de liquidez e à forte piora das condições financeiras.
O preço dos ativos cai ainda mais do que o observado nos últimos dias, empurrando para baixo a riqueza das famílias, o valor do colateral das empresas e sua confiança nas condições econômicas correntes e futuras.
Como atualmente as taxas de juros já estão perto de zero nas economias maduras e os déficits fiscais e a dinâmica da dívida não permitem o uso de política fiscal anticíclica, a munição é menor para tentar evitar uma nova recessão. Tais restrições tendem a aprofundar o impacto de um cenário ultrapessimista sobre o crescimento mundial.  (Executivos Financeiros)

12.08 - Como blindar a economia brasileira
Há uma taxa mínima de crescimento da economia brasileira que é indispensável para que sejam atingidos três objetivos simultânea e complementarmente. O primeiro é manter um ritmo adequado do nível de emprego capaz de absorver quase 2 milhões de brasileiros que entram anualmente nos diferentes mercados de trabalho. O segundo objetivo é gerar um excedente econômico que permita financiar as necessidades crescentes das políticas sociais compensatórias, visando a atenuar os índices de pobreza e de miséria, assim como atenuar eventuais tensões sociais e políticas em nosso país. Finalmente, essa taxa tem a função de manter acesa a chama do "espírito animal" dos nossos empreendedores efetivos ou potenciais, além de uma expectativa recorrente de confiança no nosso progresso econômico e social.
Não é tão difícil obter consenso entre lideranças políticas e comunitárias sobre uma agenda de reformas estruturais e institucionais que poderiam dar sustentabilidade a essa taxa mínima de crescimento, mantidas as condições de relativa estabilidade monetária e de consistência macroeconômica de nossa economia. Mas, entre o processo de negociação político-institucional dessa agenda e a sua implementação, prevê-se um longo período de maturação. Como já dizia Keynes em 1923, em momentos de turbulências financeiras pouco adianta sugerir soluções que somente são eficazes no longo prazo.
Partindo, pois, dos pressupostos de que essa taxa mínima de garantia se situa entre 4% e 5% e que a crise econômico-financeira mundial deverá persistir sem solução por um longo período plurianual, como será possível evitar que uma eventual desaceleração da economia brasileira comprometa a realização dos três objetivos mencionados?
Por um lado, a política monetária deverá continuar restritiva para trazer a taxa de inflação para o centro da meta pelo menos em 2012. Por outro lado, há poucas saídas que venham da política fiscal anticíclica, num contexto em que a carga tributária se encontra no seu limite do possível econômico e político; a despesa pública, enrijecida por razões constitucionais e comprometimentos com políticas sociais compensatórias; e a gestão da dívida pública, com restrições à redução do superávit primário, sob pena de perda de credibilidade diante dos credores internos e externos. O que fazer, então?
Uma estratégia factível no curto prazo se refere à aceleração da execução de um conjunto único e magnificente de grandes projetos de investimentos em implantação ou em fase final de decisão para serem operacionalizados em diferentes setores e regiões do País. Somente no segmento de minérios e seus concentrados, o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) destaca investimentos no valor total de US$ 64 bilhões, sem contar os projetos da cadeia produtiva do setor petrolífero, em que os investimentos do pré-sal atingem os três dígitos de bilhões de dólares. A esse conjunto se somam os grandes investimentos dos setores do agronegócio e da bioenergia com projetos em andamento.
São grandes projetos de investimento que se orientam pelo comportamento dos mercados no médio e no longo prazos, em que novos patamares de demanda foram alavancados de forma sustentada pela China e por outros países emergentes, como megaconsumidores de produtos intensivos direta e indiretamente de recursos naturais, onde esses investimentos se posicionam competitivamente em nível global, independentemente das turbulências financeiras de curto prazo. A sua implementação tem como fator limitante os riscos jurisdicionais e a lentidão das burocracias governamentais que prevalecem atualmente no País. Cabe, pois, ao governo, coordenar-se internamente e negociar com as organizações que controlam esses projetos os mecanismos e instrumentos que possam acelerar e tornar irreversíveis o seu processo de implantação. A não ser que o governo continue acreditando que a atual crise econômica mundial não será longa, profunda e portadora de incertezas.  (Paulo R. Haddad - O Estado de S.Paulo)
 
 
 
 

11.08 - A vingança das agências de risco
As agências de classificação de crédito estão se aproveitando dos problemas financeiros do país para aumentar o seu poder político. E querem se assegurar de que os órgãos reguladores não reduzam sua autonomia e influência.
A estratégia que adotaram é brilhante. Não se juntaram de uma vez no rebaixamento da nota dos Estados Unidos. Agora o policial malvado foi a Standard & Poor"s, que lançou o primeiro ataque contra o país na sexta-feira passada e viu sua influência confirmada pela dramática reação das bolsas. A Moody"s e a Fitch estão fazendo o papel do policial camarada - preferindo a contenção no caso de um rebaixamento, mas mostrando sua força ao criticar o governo publicamente ou nos bastidores.
As agências de classificação têm o governo federal à sua mercê. Se as autoridades ignorarem as suas advertências, elas podem lançar um ataque fulminante com rebaixamentos adicionais que acabarão com a confiança no governo e provocarão uma elevação das taxas de juro. E a rotina de trabalho desses policiais é especialmente potente, porque um rebaixamento por duas das três maiores agências de classificação pode ter consequências negativas como, por exemplo, exigir que alguns emissores de títulos ofereçam uma garantia adicional.
A partir dos anos 70, estatutos e regulamentos têm determinado que emissores de dívida obtenham uma nota que prove a sua solvabilidade. Um oligopólio de agências usou esse poder para controlar efetivamente o acesso ao sistema financeiro. Uma simples ameaça de rebaixamento da nota por uma dessas agências pode fazer com que linhas de crédito desapareçam, e poucas pessoas, dentro e fora de Washington, ousam contestar a hegemonia delas.
Mas a crise financeira comprometeu a posição privilegiada que elas mantinham. Políticos e analistas as acusaram de negligência, se não até de cumplicidade com os emissores de títulos, camuflando os riscos e enganando os investidores às vésperas da crise das hipotecas de alto risco. Na lei Dodd-Frank, que prevê uma reforma de Wall Street, sancionada há um ano, mas ainda não plenamente em vigor, se ameaçou com a introdução de regulamentos e uma fiscalização sem precedentes do sistema.
Com base na lei, as agências poderão ser responsabilizadas civilmente em processos envolvendo valores mobiliários se as suas classificações foram inexatas. E a lei também desafiou o predomínio do oligopólio, estabelecendo que a Comissão de Valores Mobiliários estudasse a viabilidade de ter uma organização independente de seleção das agências de classificação para títulos lastreados em ativos, em vez de os emissores de títulos se encarregarem dessa seleção e pagarem as agências, como é o caso hoje.
Mas o oligopólio reagiu, primeiro pela desobediência civil. Para escapar de uma potencial responsabilidade, as agências ameaçaram congelar os mercados de títulos lastreados em ativos, recusando-se a permitir que suas classificações fossem citadas nos registros da Comissão de Arquivos Mobiliários. A Comissão cedeu e suspendeu a regra. Iniciaram então uma campanha de guerrilha nos bastidores fazendo lobby para anular iniciativas da comissão para implementar outros dispositivos da lei Dodd-Frank.
O rebaixamento feito pela Standard & Poor" s levou esse impasse para um confronto aberto. Os políticos serão tentados a recuar e permitir que as agências não se submetam a regras muito severas, desde que não rebaixem mais a nota da dívida federal. Embora essa estratégia possa dar aos Estados Unidos um pouco de fôlego no curto prazo, o governo não deve ceder a tal extorsão. Em vez disso, as autoridades devem aceitar o rebaixamento e colocar a casa em ordem, uma vez que o país corre o risco de ficar arruinado se os desequilíbrios orçamentários continuarem. Por outro lado, não devem esquecer o papel das agências de classificação na crise, de modo a permitir que essas monitoras da capacidade creditícia voltem a trabalhar da maneira como atuavam antes da crise, com suas classificações negligentes e cegas às fraudes.   (Jeffrey Manns - New York Times, ttradução Terezinha Martino - O Estado de S.Paulo)

11.08 - Gigantes dominam avaliação de risco
Três semanas atás, a Egan-Jones Ratings Co. rebaixou a dívida soberana dos Estados Unidos. Quase ninguém prestou atenção.
"O rebaixamento pela S&P estava na primeira página de todos os jornais", disse Sean Egan, presidente de firma de classificação de risco sediada em Haverford, Pensilvânia, que tem emitido notas de crédito desde 1995.
A decepção de Egan com o fato de a Standard & Poor's ter chacoalhado o mundo com seu corte da nota da dívida de longo prazo do governo americano de AAA para AA+ sexta à noite, enquanto decisão idêntica de sua firma foi basicamente ignorada, é um sinal do controle que as três gigantes da classificação de crédito têm sobre o seu mercado.
A S&P, uma unidade do grupo McGraw-Hill Cos., a Moody's Investors Service da Moody's Corp. e a Fitch Ratings, que pertence à companhia francesa Fimalac SA, têm cerca de 2,7 milhões de classificações em títulos de dívida de empresas, de municípios, de países e outros tipos, de acordo com informes a reguladores.
As sete outras firmas de classificação supervisionadas pela autoridade aumericana do mercado aberto, a Securities and Exchange Commission, têm cerca de 82.000 classificações.
As três maiores firmas de classificação de risco "receberam um monopólio", disse Mohamed El-Erian, diretor-presidente e codiretor de investimentos do fundo Pacific Investment Management Co., ao Wall Street Journal semana passada, antes do rebaixamento pela S&P. "As agências de classificação estão imiscuídas no sistema."
Críticas contra o domínio do setor ganharam destaque depois do rebaixamento pela S&P, especialmente porque a firma foi adiante com sua decisão depois que autoridades do governo notaram um erro de US$ 2 trilhões nos cálculos da S&P.
A confusão está alimentando um consenso inusitado entre os dois grandes partidos americanos, o Democrata, do presidente Barack Obama, e o Republicano, hoje na oposição. Ambos concordam que pode ser necessário ter mais concorrência para limitar o impacto de uma única firma de classificação sobre os mercados financeiros.
A S&P, a Moody's e a Fitch têm uma fatia de mercado de cerca de 95%, com base em gastos por parte de instituições que emitem dívida e pagam para as firmas classificarem seu crédito, estima Peter Appert, analista da Piper Jaffray & Co.
Seu predomínio no setor não mudou depois que elas perderam credibilidade por serem otimistas demais quanto a milhares de títulos de dívida ligados a hipotecas e durante a crise financeira.
Muitos investidores ainda estão furiosos, mas nenhuma outra firma pode chegar perto de alcançar o número de análises, ampla cobertura e décadas de experiência.
A Moody's entrou no ramo em 1909, seguida pela S&P em 1923 e a Fitch em 1927. A firma de classificação mais antiga, a A.M. Best Co., começou a emitir notas em 1907, mas se especializa em seguradoras.
Durante décadas, o setor teve supervisão relaxada. A SEC assumiu em 2007, depois que o Congresso aprovou uma lei parcialmente voltada a encorajar mais concorrência. Mesmo firmas de classificação já existentes tiveram de obter aprovação da SEC para se tornar organizações de "rating" reconhecidas nacionalmente.
Fundos de pensão, fundos mútuos e outros grandes investidores costumam ter a obrigação de comprar títulos de investimento com classificações de uma ou mais das dez firmas registradas na SEC. A lista também inclui a Egan-Jones, a Kroll Bond RatingsAgency Inc. e a Morningstar Credit Ratings LLC, uma divisão da Morningstar Inc.
Alguns críticos das três gigantes alegam que regras mais rígidas tornaram ainda mais difícil ignorar essas firmas quando elas puseram uma nota AAA em obrigações de débito colateralizadas, ou CDOs, e outros papéis gerados pelo boom imobiliário nos EUA. "A SEC protegeu o negócio de finanças estruturadas das [três maiores agências de classificação] durante toda a crise" de hipotecas de alto risco, disse James H. Gellert, presidente da Rapid Ratings International Inc.
A firma nova-iorquina emite notas para dívidas mas decidiu não pedir aprovação da SEC por causa de custos administrativos e de observância das regras. Como a Rapid Ratings não é supervisionada pelo governo americano, alguns agentes financeiros não podem tomar decisões de investimento com base somente nas notas emitidas pela firma, o que pode limitar o mercado para suas notas. Nova regras propostas, porém, querem mudar isso.
"É importante lembrar que nem todas as agências de classificação são iguais, e cada uma deve ser julgada por seus próprios méritos", disse num comunicado um porta-voz da Fitch. "Os mercados se beneficiam de várias opiniões de crédito."
Um porta-voz da Moody's disse que a firma acredita que "os mercados se beneficiam de concorrência saudável baseada em qualidade analítica e uma diversidade de opiniões de crédito, e nós apoiamos esforços para promover essa diversidade, seja por classificações de crédito ou por meios alternativos de medir risco".
Um porta-voz da S&P disse que a firma aprecia "concorrência porque achamos que o mercado se beneficia com variedade de opiniões sobre risco de crédito", acrescentando que "acreditamos que investidores continuam a ver valor na transparência e comparabilidade de nossas classificações e da qualidade de nossas análises".  (Jeannette Neumann - The Wall Street Journal/Valor Online)

11.08 - Mercados mais atentos aos rumos dos EUA
Os mercados financeiros se movem influenciados por diferentes expectativas. Os acontecimentos de hoje possivelmente pesarão menos amanhã sobre a formação dos preços das ações, das cotações das moedas e dos patamares das taxas de juros que os sentimentos predominantes, entre os principais atores desses mercados, em relação ao que poderá ocorrer no futuro próximo ou mais distante.
Perplexos diante do desenrolar das negociações entre o governo Obama e a oposição republicana para a elevação do teto de endividamento do Tesouro americano, os mercados mergulharam em uma fase de muito pessimismo.
A reação dos últimos dias, especialmente nas bolsas de valores, sem dúvida foi exagerada, mas não se pode negar que existam motivos concretos para preocupação. O próprio comunicado do Federal Reserve, o banco central americano, após a reunião do seu comitê de política monetária (Fomc, na sigla em inglês), denota que as autoridades projetam uma recuperação mais lenta da economia dos Estados Unidos. Tanto assim que o Fomc não espera alterar substancialmente o patamar das taxas básicas de juros (de zero a 0,25% ao ano) antes de 2013.
Embora exagerada, a reação dos mercados financeiros soou como um alerta mesmo para países emergentes. No caso do Brasil, é preciso que a política econômica reforce seus fundamentos positivos, de modo a manter a inflação sob controle e as finanças públicas em ordem. Do lado das contas externas, as reservas cambiais acumuladas no Banco Central tranquilizam os investidores estrangeiros, a ponto de o Brasil estar com perspectiva positiva nas mais influentes agências classificadoras de risco, ao contrário dos Estados Unidos, que acabaram de perder o conceito máximo na escala da Standard & Poor"s, por sinal, uma companhia americana.
Ainda que a queda de braço entre governo e oposição nos Estados Unidos tenha sido o estopim de toda essa onda de pessimismo, na verdade o mundo tem mais razões para se preocupar com a Europa. A economia americana tem reconhecido dinamismo e uma insofismável capacidade de recuperação. Logo após a crise de 2008, acreditava-se que os créditos e títulos podres iriam corroer as instituições financeiras americanas e muitas delas acabariam quebrando. Esse temor desapareceu, e não é por falta de crédito que os consumidores andam retraídos.
Já na União Europeia, as dificuldades, que antes se restringiam aos países periféricos, hoje se estendem a economias de peso no bloco, sem solução aparente, no horizonte. Até quando economias emergentes conseguirão manter um ritmo de crescimento distanciado do que se passa nos Estados Unidos, na Europa e no Japão? Trata-se de um novo quadro, para o qual não é possível se arriscar uma resposta.
Nesse sentido, o mundo agora ficará ainda mais atento aos acontecimentos dos Estados Unidos, pois é de lá que pode vir alguma brisa capaz de desanuviar o ambiente de pessimismo. Isso dependerá de um entendimento entre governo e congresso quanto aos rumos das finanças públicas. Tal como o Brasil, os Estados Unidos precisam melhorar, e muito, sua política fiscal, evitando o déficit crônico. (O Globo)
 
 
 
 

10.08 - Brasil quer mudar regras para classificações de risco
Enquanto o mundo discute a credibilidade das agências classificadoras de risco depois do rebaixamento da nota dos títulos norte-americanos, o Brasil revê suas regras no setor. A área técnica da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está redigindo a primeira regulamentação para essas agências no País e deve apresentá-la nos próximos meses ao colegiado, órgão máximo da autarquia. O Comitê de Regulação e Fiscalização dos Mercados Financeiro, de Capitais, de Seguros, de Previdência e Capitalização deve concluir até o fim do ano como reduzir e, em alguns casos, eliminar as exigências de uso dos ratings nas normas usadas em seus órgãos. Isso significa restringir exigências ligadas à classificação de riscos de ativos financeiros nas normas da CVM, Banco Central Susep e da Previc.  (DCI)

10.08 - A primeira crise de endividamento
O Ocidente está entalado numa crise de endividamento. Os EUA chegaram perto de um calote em 2 de agosto e a Standard & Poor's (S&P) rebaixou sua dívida de "AAA" em 5 de agosto. Na Europa, o presidente em fim de mandato no Banco Central Europeu (BCE) recomenda mais autoridade fiscal na Europa, para lidar com prováveis inadimplências de um ou mais países - Grécia, Portugal e Espanha.
Tanto a Europa como os EUA podem aprender uma lição oculta na história americana, pois, perdida na névoa de veneração patriótica dos fundadores dos EUA está o fato de que eles criaram um novo país durante - e em grande parte devido a - uma crise incapacitante de endividamento. As crises atuais, torcemos por isso, poderiam ser transformadas em um momento semelhante de criatividade política.
Após conquistar sua independência do Reino Unido em 1783, os Estados componentes dos EUA recusaram-se a pagar as dívidas contraídas na Guerra Revolucionária. O país não tinha como resolver seus problemas financeiros e então chegou um momento em que esses problemas -grandes e recorrentes calotes - catalisaram a convenção de Philadelphia, em 1787, para criar um novo Estados Unidos.
E então, em 1790-1791, Alexander Hamilton, primeiro secretário do Tesouro dos EUA, converteu a crise em uma das histórias de sucesso de construção do país.
Para entender o feito de Hamilton - e, portanto, para apreciar seu significado para os nossos próprios dias - é preciso compreender a dimensão da crise da dívida da Guerra Revolucionária. Alguns Estados não dispunham de recursos para pagar. Outros tentaram pagar, mas não cobraram os impostos necessários para fazê-lo. Outros, como Massachusetts, tentaram cobrar impostos, mas seus cidadãos recusaram-se a pagá-los.
Tanto a Europa como os Estados Unidos podem aprender uma lição oculta na história americana pois, perdida na névoa de veneração patriótica dos fundadores dos Estados Unidos está o fato de que eles criaram um novo país durante uma crise incapacitante de débitos.
Hoje, as características mais notáveis da Constituição americana são a distribuição de poder entre o Congresso e a presidência e a garantia dos direitos individuais por meio de suas dez primeiras emendas. Mas, naquele momento, seu papel fundamental foi como mecanismo de pagamento da dívida ao governo. A Constituição criaria um novo governo nacional que poderia cunhar moeda estável, tomar e pagar dívidas, inclusive zerar a inadimplência de Estados incapacitados de pagar empréstimos assumidos na Guerra Revolucionária.
Com a Constituição ratificada em 1789, Washington tornou-se presidente e nomeou Hamilton - ainda com trinta e poucos anos - para comandar o Tesouro. Hamilton não era oriundo do mundo financeiro. Ele tinha sido Chefe do Estado-Maior de Washington durante a Guerra Revolucionária e um estudante ágil: no momento de aprender táticas de batalha, ele leu manuais militares; quando foi hora de tornar-se um líder nacional com conhecimento financeiros, ele leu livros sobre finanças.
Mas não foi por acaso que dois militares foram cruciais na transformação dos EUA em uma "nação respeitável" em termos financeiros. Ambos acreditavam que apenas um EUA fiscalmente forte poderia dispor da capacidade militar necessária para defender-se das potências europeias, cujo retorno ao solo americano era esperado por Washington e Hamilton.
Mas conseguir os dólares para pagar a dívida não foi fácil. Não havia direitos sociais passíveis de cortes ou fundos governamentais que pudessem ser redirecionados. Hamilton sabia que um tipo errado de impostos enfraqueceria a economia já frágil. Ele se concentrou na tributação sobre importações e bens não essenciais, como uísque.
E Hamilton precisava que o Congresso aprovasse que o governo federal assumisse as dívidas dos Estados, o que, de início, parecia pouco provável. Alguns Estados, como a Virgínia, já tinham quitado boa parte de sua dívida e outros viram sua dívida convertida em jogo de especuladores financeiros em Nova York. Como resultado, muitos Estados federais temiam que o fato de o governo federal assumir seu endividamento significaria que os impostos que recolhessem remunerariam os especuladores nortistas ou servissem para quitar a dívida de grandes tomadores, como Massachusetts.
A Virginia e vários outros Estados sulinos com pequeno endividamento, ou que tinham pago o que deviam, votaram contra - e derrotaram - o primeiro projeto de lei de Hamilton que previa a transferência do ônus do endividamento para o governo federal.
Jefferson e Madison, os líderes sulinos, opuseram-se ao plano de Hamilton de "federalização do endividamento" e Madison era um obstáculo crucial à sua aprovação no Congresso. Mas, então, os três reuniram-se num jantar para negociar um acordo. Jefferson e Madison não queriam que a capital do país ficasse no norte e Hamilton, relutantemente, concordou em apoiar sua mudança para uma área removida da Virginia ou de Maryland. Eles, por sua vez, assegurariam os votos para que o governo federal assumisse e pagasse as dívidas não honradas pelos Estados.
Um Estado fiscal responsável emergiu dessa grande solução conciliatória. Apesar do enorme custo - mais de metade dos gastos do novo governo nos primeiros anos destinaram-se ao serviço da dívida - a economia livrou-se da depressão de 1780 e entrou em crescimento acelerado.
A tarefa de Hamilton foi a um só tempo mais fácil e mais difícil do que a nossa, hoje. Foi mais fácil porque havia poucas opções: não havia imposto de renda a ser ajustado ou direitos sociais passíveis de cortes. E foi mais difícil porque os EUA eram uma entidade desconhecida e havia pouca razão para confiar na não nação americana.
A trajetória, atualmente, é a inversa da percorrida nas décadas de 1780 e 1790. É difícil, hoje, para os Estados Unidos (e, até recentemente, para o mundo) imaginar uma inadimplência americana, porque nunca houve fortes razões para temer um calote desde 1790.
Hoje, os americanos sabem o que precisa ser feito: uma combinação de cortes de direitos sociais e aumentos de impostos. Também os europeus sabem que é preciso articular um novo equilíbrio. Mas, até que a Europa e os EUA encontrem líderes com autoridade e disposição para replicar uma versão moderna do exemplo de concessões mútuas e acordo criado por Hamilton, Jefferson e Madison 200 anos atrás, seus problemas de endividamento continuarão a enfraquecer suas bases nacionais.   (Mark Roe - Valor Online)

10.08 - Crise é diferente da vivida em 2008, diz especialista
O pânico atual não é uma repetição da turbulência financeira de 2008. Há paralelos, mas a situação é diferente. É o que diz William Allen, da Cass Business School, em Londres, e autor com Richhild Moessner de pesquisa publicada pelo Banco Internacional de Compensações (BIS), o banco dos bancos centrais, sobre a propagação internacional da crise financeira de 2008 e a comparação com 1931. Para ele, o principal fator da propagação da crise há três anos foi a fuga de investidores para ativos líquidos e seguros. Agora, ele vê um setor financeiro mais sólido.
Valor: O senhor vê paralelo entre a situação atual nos mercados globais e as turbulências financeira do fim de 2008?
Allen: Há paralelos, mas não muito próximos O evento central de 2008 foi o colapso do Lehman Brothers, que criou dúvidas sobre a estabilidade de muitas outras instituições financeiras que estavam expostas a ele. Os mercados estão agora preocupados com a segurança de títulos governamentais, mas pelo menos na zona euro os problemas foram identificados. Seguramente, uma preocupação é que algumas notícias ruins podem emergir de qualquer lugar, quando os mecanismos de defesa global têm sido fragilizados.
Valor: Quais as diferenças fundamentais entre a crise financeira de três anos atrás e a atual?
Allen: Os acontecimentos de hoje são consequência dos eventos de 2007/08. Lá, o problema começou com os bancos e foi absorvido pelos governos. Agora o problema migrou para os governos. Haverá a aceleração da consolidação fiscal e atraso na recuperação econômica É por isso que os mercados estão liquidando suas posições.
Valor: O que poderá causar mais propagação desse pânico?
Allen: A principal questão é o débito da zona euro. Os bancos comerciais em algumas partes da Europa têm papéis desses países mais afetados. É uma óbvia cadeia de contágio.
Valor: A corrida por ativos seguros e líquidos é idêntica?
Allen: Bom, foi uma grande benção em 2008 que as dívidas da maioria dos governos eram consideradas seguras e líquidas. A S&P rebaixou o risco de crédito dos EUA, num julgamento fundamentalmente político. Mas outra diferença hoje é que a maioria das companhias financeiras está agora melhor capitalizada do que em 2008, e ai a situação é menos perigosa.
Valor: E sobre os "shadow banks" (hedge funds, etc)?
Allen: A maioria sobreviveu em 2008 com a ajuda de suas próprias reservas de liquidez e o apoio do Federal Reserve. Acho que eles vão fazer a mesma coisa agora, se for necessário.
Valor: Um fantasma de 2008 que está presente é menos funding de curto prazo. O risco é grande?
Allen: É bem menos do que em 2008, porque todo mundo está muito consciente do risco que enfrentou na época.
Valor: O senhor escreveu que no inicio da crise financeira a atração por 'carry trade' diminuiu e as moedas com maior rendimento desvalorizaram. Isso vai acontecer agora?
Allen: Até a crise de 2008, o iene japonês e o franco suíço tinham taxa de juro mais baixa do que qualquer outra moeda. Agora, há muitas moedas com taxas de juros extremamente baixas.
Valor: Que lições foram aprendidas de 2008 e também o que continua sendo ignorado?
Allen: Houve muitos erros na crise de 1930, por exemplo, como o fiasco na cooperação e coordenação internacional, fiasco em reconhecer que o padrão ouro era parte do problema e não da solução. Agora, lamento que o acordo de Basileia 3 esteja traga riscos de repetir o erro, ao forçar os bancos a acumular ativos líquidos às custas dos empréstimos comerciais, num momento em que há uma corrida por ativos líquidos.  (Assis Moreira - Valor Online)
 
 
 
 
 

09.08 - O declínio do Império Americano
No dia mais nervoso para os mercados mundiais desde a crise de 2008, os investidores se dividiram entre os que contabilizaram perdas e os que aproveitaram para ir às compras em meio à queda de 8,09% do Índice Bovespa, para 48.668 pontos. No primeiro grupo, estão fundos e investidores que compraram além dos limites e tiveram de reduzir as aplicações por exigência da bolsa, das corretoras ou dos setores de controle de riscos das próprias instituições, forçando uma queda ainda maior dos preços de alguns papéis. No segundo grupo, entraram fundos de ações e investidores com visão de longo prazo e menor exposição em bolsa aconselhados pelos gestores de fortunas.
Haverá perdas para muitos fundos de investimento, e não só de ações, alertam analistas. Carteiras multimercados também sofrerão, apesar de sua menor exposição à bolsa. Mas muitos compensarão isso com ganhos na renda fixa, já que a maioria estava apostando na queda dos juros, aplicada em taxas prefixadas, e acertou, pois os juros caíram ontem com a crise. O mesmo efeito deve ocorrer nas carteiras de renda fixa. "Os fundos multimercados também não estão muito alavancados, por isso não temos visto perdas gigantescas nas cotas", diz Celso Scaramuzza, responsável pelo Itaú Private Bank.
Já nas carteiras de ações, a perda vai depender da concentração do gestor em cada papel e sua alavancagem. O caso que chama mais a atenção é novamente o da gestora GWI e seus fundos alavancados. Em um deles, o Leverage, a perda até dia 5 já era de 40% no mês e 86% no ano. E as perdas devem ter se acelerado ontem, já que a gestora é grande investidora em ações da Marfrig, que caíram apenas ontem 25%.
O pânico observado nos últimos dias fez com que a gestora independente Investidor Profissional (IP) aproveitasse o momento para elevar a exposição em papéis que já mantém em carteira, como Itaúsa, Aliansce e Multiplan, conta o sócio Bruno Barreto. "As pessoas tendem a achar que, por causa do aumento de volatilidade e da forte queda vista recentemente, está mais arriscado aplicar em ações, quando na verdade é justamente o contrário", diz ele. "Pagar 30% menos num papel traz um risco muito menor do que trazia há dois meses, por exemplo."
Entre os gestores de fortunas, a orientação já vinha sendo de proteção em meio ao crescimento da incerteza internacional, afirma Mauro Rached Rached, estrategista de investimentos do BNP Paribas Wealth Management. "Alguns aceitaram algum tipo de mecanismo de proteção e outros, com visão de longuíssimo prazo, resolveram correr o risco."
Agora, segundo Rached, a orientação do banco diante da piora do cenário é ver se há clientes querendo algum tipo de proteção ou até redução de aplicações. "Mas, hoje, o custo dessa proteção é muito maior, e pode reduzir os ganhos de uma eventual recuperação dos mercados."
Para Rached, diminuindo o nervosismo, pode haver uma retomada inicial mais forte dos preços das ações para um nível mais perto de uma ou duas semanas atrás. Depois, o ritmo da valorização seria mais lento e sujeito à volatilidade dos indicadores dos países. "Mas o mercado pode ainda vir mais para baixo se não vier fato novo que resgate a confiança ou se saírem mais notícias negativas, novos rebaixamentos de ratings", alerta.
Por isso, para os clientes que fizeram proteção, estão abaixo da exposição média em bolsa ou alguns que sequer estavam expostos e se mostram propostos a entrar no mercado, Rached diz que a orientação é comprar gradualmente. "O nível atual de preços já embute a revisão das expectativas econômicas mundiais das últimas duas semanas e muito mais", diz. "Mesmo que a bolsa suba 5%, ainda estaremos com preços atrativos", diz. E nem é preciso escolher muito. Rached sugere a compra do Índice Bovespa. " Vale, bancos e grandes empresas de consumo, como AmBev e Brasil Foods, estão atrativos, mas o próprio índice é opção neste momento."
Já nas corretoras, diferentemente de 2008, quando houve uma saída em massa dos investidores pessoa física, a agitação é menor. "Em 2008, o investidor estava mais despreparado depois de três anos de alta da bolsa e hoje tem mais ferramentas para limitar suas perdas", afirma Paulo Levy, diretor-executivo da Icap no Brasil.
Na coreana Mirae, o movimento de venda na última semana, e principalmente no pregão de ontem, foi liderado por investidores estrangeiros e gestores de fundos brasileiros que estavam buscando diminuir a alavancagem das carteiras. "Temos visto a maior parte dos estrangeiros vendendo seja porque acredita que o cenário externo deve piorar ou porque a expansão do crédito no Brasil foi exagerada", afirma Pablo Spyer, chefe da divisão de corretagem da Mirae.
Os fundos de pensão não têm diminuído a posição em bolsa, dizem analistas. Na Funcef, fundo de pensão dos funcionários da Caixa, a visão é de que o momento é mais para compra do que para a venda, afirma Demósthenes Marques, diretor de investimento.   (Angelo Pavini, Daniele Camba, Luciana Monteiro e Silvia Rosa - Valor Onlne)

09.08 - A crise da dívida americana
A atual crise da dívida pública nos Estados Unidos e alguns países europeus é uma decorrência lógica da grande crise financeira de 2007-2008, e, particularmente, da forma como os governos e bancos centrais reagiram à crise.
Em janeiro de 2009, na reunião da Associação Americana de Economia, Carmen Reinhart & Kenneth Rogoff ("The Aftermath of Financial Crises"), a partir de uma extensa pesquisa empírica, apontavam três características comuns presentes no período pós-crise financeira severa. Primeira, o colapso do mercado de ativos tem sido profundo e prolongado. Segunda, no pós-crise bancária sistêmica observou-se grande queda no produto e no nível de emprego, podendo se falar em "década perdida". Terceira, o valor real da dívida pública cresce explosivamente, verificando-se nos episódios, desde a Segunda Guerra Mundial, um aumento médio de 86% - mesmo que haja "default", a dívida continua aumentando pois os atrasados acumulam e o Produto Interno Bruto (PIB) tende a cair. Na crise atual, o aumento da dívida pública desde 2007 nos países com crise financeira supera em muito aquele número.
Outra conclusão é que existe uma relação fraca entre endividamento do governo e crescimento do PIB para países com relação dívida/PIB abaixo de 90%; mas, acima deste limite, a dívida elevada está relacionada a uma taxa de crescimento significativamente menor.
Fed evitou uma crise maior, mas não consegue estimular a economia nem o emprego e permite a especulação financeira
O explosivo aumento da dívida pública nos Estados Unidos e Europa foi causado pelos trilhões de dólares gastos para socorrer os bancos e pelas medidas fiscais para estimular a demanda agregada. Em países onde o cidadão tem consciência de que ele terá que pagar essa conta, como nos Estados Unidos, há uma forte reprovação política dos governos, o que certamente abriu espaço para que grupos radicais antiestado, como o Tea Party, fizessem chantagens contra o governo Obama que, surpreendentemente, cedeu. A disputa entre o executivo e o partido republicano que assistimos até a semana passada provocou também uma perda de credibilidade das instituições políticas e fiscais americanas. Aproveitando-se do momento, uma das três empresas de rating (S&P), desmoralizada após a crise financeira, resolveu fazer um rebaixamento da dívida pública americana para "AA+", abrindo caminho para deteriorar as expectativas e aumentar especulações sobre qual país será o próximo a ser rebaixado.
Mas o resultado mais relevante desta crise política e que terá impactos nos próximos anos é que o governo Obama terá que cortar mais de US$ 2 trilhões de despesa pública, exatamente no momento em que a economia dá sinais de fraqueza e os fluxos de estímulos fiscais, dados a partir de 2008, chegam ao seu fim. A consequência provável desse corte nas despesas será uma recessão profunda, a exemplo do que aconteceu na crise financeira da década de 30 e no Japão nos anos 90.
Muitos países europeus deverão seguir caminho similar, pois são mais frágeis tanto econômica como financeiramente do que o Estados Unidos. É importante lembrar que estamos falando de uma potência ainda hegemônica que emite moeda reserva, e certamente, se tivermos um novo pânico financeiro e uma nova corrida pela liquidez, o dólar será o porto escolhido.
É importante lembrar que a crise financeira de 2007-2008 não foi equacionada. Ao contrário, os bancos centrais e os governos atacaram basicamente os efeitos da crise, para evitar o colapso financeiro total e fizeram mais dívida, absorvendo dívidas ruins nos seus balanços. Não adianta passar dívidas ruins, feitos na euforia financeira, dos bancos e instituições financeiras privadas para os bancos centrais e os tesouros nacionais. Alguém tem que pagar a dívida ou ela tem que ser cancelada, o que leva anos ou décadas, pois trata-se de um estoque monumental diante dos fluxos de produção e renda que entrarão em contração. Estes são, em última análise, a única garantia para as dívidas.
A monumental expansão monetária e redução da taxa de juros feitas pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano), evitou uma crise maior naquele momento, permitindo que detentores de dívida as financiassem com juros fartos e baratos, mas no atual quadro não consegue estimular a economia nem o emprego. Ainda, permitiu a continuidade da especulação financeira, gerou um boom de crédito nos países emergentes e a criação de novas bolhas. Postergou o colapso de muitos bancos e dos ativos financeiros artificialmente, mas a persistir nesse caminho, uma década será pouco para digerir e limpar os seus balanços.
O cenário mais provável para os próximos anos é de novas recessões, o que obrigará os governos a recorrerem novamente à política fiscal, ou um quadro de estagnação econômica nos países desenvolvidos. Os países emergentes certamente serão afetados em diversos graus, dependendo da sua capacidade de pragmaticamente defender os interesses nacionais, gerando crescimento autônomo voltado para o mercado doméstico e uma política cambial mais ativa para se defender contra a guerra cambial e uma política fiscal responsável.   (Yoshiaki Nakano - Valor Online)

09.08 - Precauções numa crise nada desprezível
O inédito rebaixamento dos títulos da dívida americana, de triplo para duplo "A+" , foi recebido com irritação pela Casa Branca. Para a Secretaria do Tesouro, a agência Standard & Poor"s teria cometido um erro grosseiro ao desconsiderar US$2 trilhões no cálculo de redução de despesas acertada no pacote de ampliação do teto do endividamento público do país.
Já o presidente Barack Obama, no pronunciamento feito ontem enquanto os mercados desabavam ao redor do mundo, disse que os Estados Unidos não precisam que uma agência de risco lhes diga da necessidade de ter um orçamento equilibrado. "Não importa o que alguma agência possa dizer, nós sempre fomos e sempre seremos um país AAA", declarou.
Mas o dia foi mesmo de quedas vertiginosas. Quando Obama começou falar, na Casa Branca, Wall Street acumulava perdas de mais de 3%. Fechou com menos 5,5%. A Ásia já havia encerrado os negócios também com retrações. A Europa seguiu a tendência, e a Bovespa, no Brasil, caiu 8,08%, tendo chegado a retroceder 9,74%.
Não pode ser considerada uma hipótese realista que os Estados Unidos venham a dar um calote no mundo. Mas os mercados oscilam em cima de expectativas, mesmo as menos prováveis.
O dia em Wall Street ficou mais tenso com a notícia de que a seguradora AIG, estatizada no estouro da crise das hipotecas, no final de 2008, processará o Bank of America. A seguradora deseja recuperar mais de US$10 bilhões dos US$20 bilhões perdidos na operação com hipotecas subprime, reempacotadas por bancos e negociadas como se fossem investimentos seguros. A AIG reclama ter sido enganada pelo Bank of America. O resultado é que as ações da instituição financeira caíram 23%.
O histórico rebaixamento da dívida americana, anunciado sexta-feira, agravou o pessimismo existente com a situação da Europa, esta de fato preocupante. Nem mesmo o anúncio do Banco Central europeu, feito sexta, de que passaria a comprar títulos das dívidas italiana e espanhola acalmou os mercados no continente. Índices das bolsas francesa e alemã caíram mais de 20% em relação ao seu pico. Apesar de o BC europeu ter aplicado bilhões de euros na compra de papéis de dívida.
No Brasil, a presidente Dilma deu a declaração de praxe sobre a "sólida" posição do país, mas esclareceu que isso não significa nos colocar imunes à crise. Sem dúvida, mesmo que as reservas estejam acima de US$300 bilhões.
Termômetro sensível, a taxa do dólar subiu 1,96%, para R$1,6125. Desde 24 de junho, a moeda não ficava acima de R$1,60, na maior alta diária depois de maio de 2010. O bom-senso aconselha cautela redobrada do governo brasileiro, com destaque para o lado fiscal da economia, talvez o ponto de maior fragilidade do país.
Reduzir para valer os gastos em custeio é uma medida de segurança diante da possibilidade crescente de haver algum impacto mais forte proveniente do exterior. Não se pode deixar de lado que a inflação está numa faixa de alto risco, ao contrário do momento em que eclodiu a crise em 2008. Ser conservador na política fiscal é o mais indicado para uma fase de maior turbulência mundial.  (O Globo)
 
 
 
 

08.08 - Economia mundial acende o sinal amarelo
A semana se encerra com o mundo tendo vivido, na quinta-feira, um dia quase como aqueles da segunda quinzena de setembro de 2008, quando a quebra do banco de investimento americano Lehman Brothers espalhou ondas de pânico pelos mercados financeiros globalizados. Nada naquela proporção, mas a soma do pessimismo diante do futuro da economia americana com os maus presságios em torno da crise de dívidas soberanas na Europa deflagrou um planetário movimento de venda nas bolsas, num clássico "efeito manada".
A sexta-feira foi melhor. A Bovespa teve pequena alta (0,26%), mas, na semana, as perdas somaram quase 10%. Wall Street, um dos faróis do mercado, oscilou bastante e fechou, pelo índice Dow Jones industrial, com uma ínfima elevação de 0,54%. A depender do indicador, houve queda, mas também irrisória. Não foi possível as bolsas recuperarem os prejuízos de dias anteriores, mas ao menos não desabaram.
O último dia útil da semana também trouxe notícias que compensaram, em alguma medida, o mau humor diante do acordo americano para o aumento do teto da dívida - embora os cortes de curto prazo sejam pequenos, a perspectiva de redução de despesas preocupa quem considera incipiente o ensaio de recuperação dos Estados Unidos.
Diante do pessimismo generalizado, os 117 mil novos empregos criados nos EUA em julho - apenas 46 mil no mês anterior, e a expectativa era de mais 85 mil vagas no mercado de trabalho - injetaram algum ânimo, embora a taxa de desemprego continue nas nuvens, em 9,1%, 0,1 ponto percentual inferior à de junho, mas apenas porque pessoas desistiram de procurar emprego. Para ajudar na mudança de perspectiva, ontem, o cenário europeu se desanuviou em parte. Nos últimos dias, ficaram mais visíveis sinais de deterioração da Espanha e Itália, com o mercado exigindo taxas elevadas de rendimento - e, portanto, insustentáveis -, para adquirir títulos destes países. Geralmente, pedem o dobro do rendimento dos títulos alemães.
A informação de que o Banco Central Europeu voltara a comprar títulos de países em má situação de liquidez, depois de quatro meses sem fazer este tipo de operação, melhorou o clima. Primeiro, absorveu papéis de Irlanda e Portugal. Depois, anunciou que também adquiriria títulos de Espanha e Itália. Nesta, o primeiro-ministro Silvio Berlusconi declarou que o país irá mesmo reequilibrar o orçamento até 2013. Cedo, em Roma, até prometeu emenda constitucional sobre a necessidade de haver equilíbrio orçamentário. Foi bem recebido.
A questão europeia é até mais intrincada que a americana. Afinal, se uma face da crise é a incapacidade de países pagarem dívidas, na outra está à espreita uma crise de insolvência bancária, pois estes títulos, micos expressos em euros, estão no caixa de bancos alemães, franceses, e não se sabe quem adquiriu títulos lançados para lastrear o seguro de operações com esses papéis. Na forma, está pronto um enredo como o de setembro de 2008.
O Brasil precisa ter extrema cautela. Deixar a bravata e a patriotada de lado, e não repetir erros históricos. Como o de Geisel, que, diante da recessão mundial deflagrada pela primeira crise do petróleo, decretou ser o país uma "ilha de paz e prosperidade", mandou apertar o acelerador e, assim, preparou o terreno para a hiperinflação e o calote nas dívidas externa (Sarney) e interna (Collor).  (O Globo)

08.08 - Agência ameaça EUA com novo rebaixamento
Agência vê 1 em 3 chances de novo rebaixamento dos EUA
Diretor-gerente da Standard & Poor's diz que piora na situação fiscal ou a falta de negociação política podem levar a uma nova revisão da nota do país para baixo
O diretor-gerente e presidente do comitê de rating soberano da agência de classificação de risco Standard & Poor's, John Chambers, afirmou neste domingo que existe uma em três chances de haver um novo rebaixamento da nota de crédito dos Estados Unidos nos próximos seis meses a dois anos. "Temos uma perspectiva negativa... de seis meses a 24 meses", disse ele a um programa do canal de TV ABC.
"E se a posição fiscal dos EUA se deteriorar mais ou se a contenção política se tornar mais arraigada, isso pode levar a um rebaixamento. A perspectiva indica pelo menos uma em três chances de rebaixamento nesse período".
Chambers disse que levará algum tempo para que os EUA recuperem a nota máxima de crédito "AAA". "Exigiria uma estabilização da dívida como parte da economia e um eventual declínio. E exigiria, eu acho, maior habilidade para obter consenso em Washington do que vemos hoje", acrescentou.
O diretor também defendeu a decisão da empresa durante o programa. "Pensamos que nossa mensagem foi bastante consistente e também avaliamos que os números falam por si", disse. Ele afirmou que cinco governos perderam e então reconquistaram o rating AAA pela S&P, e que levou de nove a 18 anos para isso. "Se a história pode servir de guia, pode levar um tempo", Chambers afirmou.
Juros
David Beers, diretor para rating soberano global da S&P, disse que "não esperaria muito impacto em termos de maiores taxas de juros" na próxima semana, seguindo a decisão de rebaixar a classificação da dívida dos Estados Unidos. Em entrevista à rede Fox News, neste domingo, ele classificou o rebaixamento como "uma deterioração branda na posição de crédito dos EUA".
A agência de rating ficou sob críticas da administração Barack Obama em relação à decisão tomada. O Tesouro reclamou que a empresa agiu de forma precipitada ao rebaixar a classificação mesmo depois que um erro em suas projeções iniciais veio à tona, dizendo que há questões sobre a "credibilidade e integridade" da ação da S&P. "Esta é uma imagem incorreta sobre o que aconteceu", disse Beers na Fox.
Ele disse que o erro "não muda o fato" de que "a carga subjacente da dívida do governo dos EUA está subindo e provavelmente continuará a subir na próxima década", mesmo com o acordo para a dívida obtido na semana passada. A S&P corrigiu o erro nos seus cálculos, mas manteve com o rebaixamento.
PARA ENTENDER
As agências de classificação de risco avaliam a capacidade de um emissor de dívida honrar o pagamento do papel que emite. Pode ser uma empresa, um governo ou um fundo de crédito, entre outras instituições. As agências são contratadas pelos próprios emissores da dívida para atribuir um rating (nota) aos títulos. Os emissores têm interesse em mostrar aos investidores a visão das agências sobre seus títulos. Com isso, aumenta a demanda pelos papéis. As três principais agências do mundo, pela ordem, são: Standard & Poor’s, Moody’s e Fitch.  (Dow Jones/Agência Estado)

08.08 - Plano italiano deu breve alívio a mercados
Dados do desemprego nos EUA também acalmaram Bolsas na sexta-feira, antes do anúncio de rebaixamento da nota dos EUA
Berlusconi promete um Orçamento equilibrado, corte de salários de políticos e leis mais flexíveis para empregos
O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, anunciou um pacote de medidas para acalmar o mercado.
O anúncio, feito após o fechamento das Bolsas europeias -mas antes da notícia de que a Standard and Poor's rebaixara a nota dos Estados Unidos-, teve efeitos em Nova York e em São Paulo.
O índice Dow Jones subiu 0,54%, após um dia de vaivém. A Bovespa teve alta de 0,26% no dia, mas a semana foi a pior desde 2008, com perda acumulada de 10%.
Berlusconi afirmou também que acertou com outros líderes mundiais uma reunião de emergência do G7 (grupo das maiores economias do mundo) para discutir a atual crise econômica.
Entre as medidas da Itália para reduzir o deficit e sua pesada dívida pública, que o Parlamento ainda terá de aprovar, estão corte de salários de políticos eleitos, liberalização de leis trabalhistas e a inclusão na Constituição de que o país não poderá gastar mais do que arrecada. (VAGUINALDO MARINHEIRO E ÁLVARO FAGUNDES - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

05.08 - Mundo pode estar numa "corrida para o fundo"
O mundo pode estar caminhando para uma "espiral negativa". Um círculo vicioso onde a austeridade fiscal traria mais desemprego, menos consumo privado, queda da arrecadação de impostos, recessão.
O acordo do governo dos Estados Unidos com o Congresso para aumentar o teto da dívida pública pacificou temores imediatos, mas criou a percepção de que a política fiscal restritiva decorrente do acordo pode desacelerar em mais 0,5 ponto percentual o já baixo crescimento da economia americana esperado para 2012 e agravar o já elevado nível de desemprego.
A isso se agrega a crise de confiança que se esparrama pela Europa e que ameaça se tornar uma crise financeira, com danos para o sistema bancário da Zona do Euro, carregado de títulos dos governos, o que acentua o risco de estagnação ou mesmo de uma recessão global.
Foi com base nesse quadro dramático que o governo brasileiro tomou medidas duras para o mercado de derivativos cambiais na semana passada e anunciou, nesta semana, um programa de incentivos fiscais para garantir alguma competitividade à indústria.
Medidas são para proteger o país, diz Barbosa
"Situação extraordinária requer medidas extraordinárias", comentou o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa. Ele foi um dos artífices da MP 539 que, no dia 27, deu um duro golpe no mercado de derivativos. A MP instituiu o IOF de 1% sobre as variações das posições vendidas em câmbio dos bancos, empresas e fundos e paralisou o mercado, comprometendo inclusive as operações de hedge cambial.
Barbosa também esteve no centro da concepção do programa Brasil Maior, que pretendeu assegurar condições mínimas de competitividade da indústria no mercado mundial, onde ele prevê que a concorrência ficará mais acirrada. "Não se trata de uma volta aos anos 70", disse. A crise internacional está gerando um grau elevado de desconfiança e o Brasil, dos Bric, é o país mais aberto para receber fluxos de capitais externos e apreciar ainda mais a taxa de câmbio. "Com essas medidas queremos proteger nossa demanda", disse o secretário.
Com os olhos na tela do celular que estampava as quedas nas bolsas de valores, ontem, pelo mundo e aqui, ele avaliou: "Está se consolidando, hoje, o risco de uma desaceleração ou, até, de uma recessão americana. E há uma grande incerteza financeira na Europa." Assinalou que comungava dos mesmos temores que têm sido apontados pelo economista Paul Krugman, de uma volta prematura da contração fiscal, tal como ocorreu em 1937, abortar a recuperação econômica nos Estados Unidos (que levou o país à depressão até a Segunda Guerra). Resultado de uma polarização das forças políticas do país que deixou o mundo em estado de perplexidade.
"É o mito da contração fiscal expansionista", citou Barbosa, referindo-se à crença de que uma política de corte do gasto público gera um ambiente de grande confiança, capaz de animar o gasto e o investimento privado e de reativar as forças da economia. "Nem a 'The Economist' acredita mais nisso", disse, reportando-se à edição da revista britânica do dia 14 de julho, que trouxe um texto intitulado " A história mostra que austeridade e crescimento não andam juntos".
Os EUA, que demandariam mais estímulos fiscais, vão ter que cortar gastos. A Europa, que tem um grave problema de demanda, quer resolver a crise pelo lado da oferta. "Estão indo para uma linha onde não há o agente do crescimento", comentou o secretário.
Liquidez elevada e juros muito baixos devem perdurar no mundo ainda por um bom tempo, pelo menos por todo o próximo ano, estimulando operações altamente alavancadas em derivativos e em commodities, explicou. Isso motivou as medidas cambiais.
"O governo sentou à mesa de operação e quer saber o que os investidores estão fazendo. Não há nada proibido. Apenas queremos saber", disse Barbosa. Ainda estão frescos na memória do governo os efeitos colaterais da crise de 2008, que derrubaram empresas altamente alavancadas em derivativos que apostavam na apreciação do real. "Queremos dar ao Conselho Monetário Nacional uma visão sistêmica dos movimentos individuais nesse mercado." Ele reconhece que o mercado de derivativos tem importantes funções, dentre elas a de proteger os exportadores do risco cambial, mas acredita que ele gera, também, "externalidades negativas" que o governo quer evitar.
As conversas dos dirigentes da BM&FBovespa, Febraban e Cetip com o Ministério da Fazenda, para dar aplicabilidade à medida, prosseguem. O secretário admitiu desde o primeiro dia que poderão ser feitas as adequações necessárias à implementação da MP, mas nega mudanças no mérito da decisão. "Na primeira reunião eles nos pediram 60 dias de prazo. Demos o prazo, estamos avaliando e não há qualquer medida iminente."
Sobre o risco de uma migração desse mercado para fora do país, Barbosa comentou: "Pode ocorrer de uma parcela do mercado, mas não de todo ele." Ainda que haja a possibilidade de uma fatia importante dessas operações migrar, ele foi claro: "Esse é um risco que estamos dispostos a correr para não ter que perder empregos aqui e perder, também, setores industriais inteiros por conta de uma apreciação temporária do câmbio - por excesso de alavancagem - mas longa o suficiente para produzir efeitos permanentes na economia."
Diante de tantos perigos, o governo reafirma que a economia está preparada para enfrentar mais essa crise, mas sabe que ninguém passa incólume por ela. Ontem o ministro da Fazenda, Guido Mantega, lembrou que o arsenal de medidas tomadas na avalanche de 2008 está à disposição para ser resgatado caso seja preciso.   (Claudia Safatle - Valor Online)

05.08 - Mais perto de um mergulho recessivo
Professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Fernando Cardim se mostra pessimista diante da atual conjuntura política e econômica nos Estados Unidos e na Europa. Na análise do economista, a combinação entre desgaste político e pouca margem de manobra dos governos para animar a economia deixa o mundo muito próximo de uma nova recessão.
A crise de 2008 pode se repetir?
FERNANDO CARDIM: Acho que desde 2009 a probabilidade de um novo mergulho recessivo nunca foi tão alta. Nos Estados Unidos não há um colapso como na queda do Lehman Brothers, em 2008, mas de uma perspectiva de recuperação fraca este ano passamos à de estagnação. Na Europa o quadro é ainda mais assustador, com as crises de dívida soberana em países como Itália e Espanha. A saída seria uma reestruturação das regras da União Europeia, com a equalização entre economias centrais e a periferia, como Grécia e Portugal. As fragilidades são muito fortes, e a capacidade de recuperação dos governos é muito pequena.
O pacote fiscal americano não ajuda?
CARDIM: Em nada. As empresas percebem que a demanda se reduz e se contraem. Se por um lado os cortes de gastos não têm grande impacto a curto prazo, por outro o governo americano já fez o seu máximo. Daqui para a frente não poderá gastar mais.
Que efeitos o Brasil pode sofrer?
CARDIM: Uma nova crise pode ter um impacto comparável ou até pior que a de 2008. A guerra cambial já está nas primeiras páginas. Os bancos centrais do Japão e Europa lutam para desvalorizar suas moedas. Para o Brasil será muito ruim do ponto de vista do comércio exterior ter de lidar, além do dólar, contra um euro desvalorizado. (Mariana Durão - O Globo)

05.08 - EUA podem voltar à recessão
A revista "Economist" que chegou às bancas britânicas ontem pergunta se os EUA entrarão novamente em recessão - o chamado double dip -, já que as perspectivas para a economia americana não são muito boas. O assunto é o tema da capa, que pergunta: "Time for a double dip?" ("hora de um novo mergulho?"), numa imagem que lembra o filme "Tubarão".
"A irreflexão do acordo sobre a dívida - especialmente seu fracasso em lidar com quaisquer das verdadeiras fontes dos problemas fiscais dos EUA - suscita uma preocupação maior. Os políticos do país, tão polarizados e dispostos a jogar com a economia, serão capazes de não transformar um inevitável período de dificuldades em uma estagnação a longo prazo?", pergunta a "Economist".
A revista lembra que há fatores externos, como a crise na zona do euro, mas ressalta que dados recentes mostram uma recuperação abaixo do esperado. "É fácil uma economia voltar à recessão, especialmente se for atingida por um novo choque - como os EUA serão em breve, graças a uma dose maciça de aperto fiscal tornado pior pelo acordo sobre a dívida". Para a "Economist", os EUA podem evitar a recessão, pois têm vantagens como uma população jovem e o dólar, ainda moeda de reserva global. Faltam, no entanto, líderes políticos para combinar.  (O Globo)
 
 
 
 

04.08 - Fundo é insuficiente para Espanha e Itália
Enquanto se agrava a pressão dos mercados sobre Itália e Espanha, analistas destacam que mesmo que o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF, na sigla em inglês) utilize todos os recursos de que dispõe para apoiar os dois países, só poderá gastar no máximo € 340 bilhões, volume insuficiente para socorrer a terceira e a quarta economias europeia.
No segundo resgate da Grécia, no mês passado, a cúpula de líderes europeus ampliou a funções do EFSF para socorrer os países que, mesmo sem ser resgatados, atravessassem dificuldades no mercado de dívida.
Ocorre que o valor de € 340 bilhões que resta no fundo no momento é equivalente a apenas 13% do estoque da dívida governamental espanhola e italiana. Em comparação, no ano passado o Banco Central Europeu (BCE) comprou 15% da dívida grega, mas não conseguiu evitar que o rendimento dos títulos de 10 anos de Atenas dobrasse.
A avaliação no mercado é de que a fronteira entre o resgate e a sobrevivência de um país está justamente no fato de seu título de 10 anos não superar a rentabilidade de 7%. O economista Ben May nota que os títulos de 10 anos da Grécia atingiram 7% três meses depois de ter quebrado a barreira de 6%, e Portugal e Irlanda levaram apenas dois meses.
Ou seja, até que o fundo europeu tenha mais poder financeiro para socorrer a Itália e a Espanha já poderá ser tarde demais. Esse socorro nos moldes aplicados a Portugal exigiram quase € 800 bilhoes, ou seja, o dobro da munição atual do EFSF pelos cálculos de economistas alemães.
O chefe do governo espanhol, José Luís Zapatero, conclamou ontem o presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, a que a Europa aprove o quanto antes o plano de ajuda para a Grécia e a reforma do mecanismo europeu de apoio à zona do euro.
O presidente da Comissão Europeia, José Durão Barroso, só pode mesmo reclamar que os ataques do mercado contra a Itália e a Espanha causam "profunda preocupação" e são "injustificados levando-se em conta os princípios econômicos e orçamentários dessas economias".
A avaliação no mercado, porém, é que mesmo a compra de títulos dos dois governos pode até atenuar problemas de liquidez, mas não vai alterar a fragilidade das duas economias, com problemas de competitividade e produtividade baixa. Analistas estimam que a Itália e a Espanha ficarão estagnadas pelos próximos anos.
Isso torna ainda mais difícil para qualquer governo em Madri e em Roma alcançar as metas de redução da dívida sem novas medidas de austeridade, o que, por sua vez, provocará mais tensões sociais.
O comissário de assuntos econômicos e financeiros da UE, Olli Rehn, disse que, em todo caso, ao ministro de finanças da Itália, Giulio Tremonti, que confia plenamente que o governo de Sílvio Berlusconi adotará as medidas necessárias para recuperar a economia.
Sobretudo, a mensagem de Bruxelas foi de que não há nenhuma discussão de plano de socorro para a Itália ou Espanha.
Mas certos analistas veem aumentar a possibilidade de as duas economias terem de reestruturar suas dívidas, com consequências para a zona do euro e o mercado financeiro.  (Assis Moreira - Valor Online)

04.08 - Economia brasileira se dá bem em meio à insensatez global
Os brasileiros, que no passado não ficavam alheios às crises econômicas, viram-se repentinamente na invejável posição de espectadores das insanidades do mundo desenvolvido.
Na TV brasileira, em programas de entrevistas sobre temas atuais, fervilham há semanas, discussões sobre os problemas que estão varrendo a Europa e os EUA - do impasse em Washington em torno do teto de endividamento americano à crise financeira grega e o escândalo envolvendo o "News of the World", no Reino Unido.
Dilma Rousseff, a presidente do Brasil, pareceu resumir, na semana passada, as percepções brasileiras sobre um mundo exterior enlouquecido, ao descrever a crise da dívida nos EUA e na Europa como "insanidade". A incapacidade política do mundo desenvolvido em encontrar soluções para seus problemas, segundo ela, representa uma "ameaça" à economia mundial.
Mercado emergente em dificuldades, uma década atrás, o Brasil é hoje um cenário de estabilidade macroeconômica e política, em comparação com seu antes arrogante parceiro setentrional e com as antigas potências coloniais europeias. Não só o Brasil é agora um credor dos EUA, com US$ 327 bilhões em reservas de moeda estrangeira em junho, como também a economia está crescendo e o desemprego registra uma baixa recorde.
Mas, com o mundo desenvolvido exibindo tendências antes associadas a mercados emergentes, o desafio, para o Brasil, está em como administrar seu êxito. O país não pode se dar ao luxo de complacência diante da tarefa ainda difícil de escapar da "armadilha de renda média" em que sua economia ficou presa durante décadas.
A ruptura positiva, para a economia brasileira, veio na década de 90, quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso implementou políticas destinadas a estabilizar os preços ao consumidor e o câmbio. Seu sucessor, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, manteve o foco na estabilidade macroeconômica e, ao mesmo tempo, expandiu programas sociais para melhorar a qualidade de vida dos mais pobres.
Os resultados foram notáveis. O crescimento econômico brasileiro registrou uma média de 4% ao ano durante os últimos oito anos e quase 49 milhões de brasileiros foram alçados às classes média ou alta.
O Brasil também mostrou-se relativamente responsável no enfrentamento de desafios. Seu sucesso econômico atraiu uma enxurrada de dinheiro de estagnados mercados desenvolvidos, elevando a taxa de câmbio da moeda brasileira, o real, em relação ao dólar, ameaçando a competitividade da indústria local.
O Brasil tem reagido com a denominada "guerra cambial" - controles de capital e monetários - visando conter essa valorização. Mas o Brasil, predominantemente, tem resistido às pressões da indústria nacional no sentido de tomar medidas extremas, impondo, em vez disso, um complexo sistema de taxação destinado a desencorajar os fluxos de capital especulativo de curto prazo.
No front fiscal, durante a campanha presidencial no ano passado, Dilma posicionou-se contra uma enxurrada de gastos, defendendo o enxugamento da proposta de Orçamento para este ano. O Banco Central também tomou a difícil decisão política de elevar as taxas básicas de juros, já altas, no Brasil, por cinco vezes, neste ano, para 12,5%, para reprimir um surto inflacionário. O BC acoplou essas medidas a outras, destinadas a frear o crescimento rápido do crédito, que alguns analistas temem ser insustentável.
No front político, Dilma está limpando a corrupção no Ministério dos Transportes, demitindo autoridades alinhadas com um partido político parceiro da coligação de seu PT. Seus problemas políticos têm sido interpretadas pela opinião pública como uma "limpeza de primavera" por uma presidente recém-eleita.
Nada disso significa que o Brasil não tenha seus próprios problemas. Um mercado de trabalho apertado, um sistema de ensino fraco e escassez de trabalhadores qualificados estão provocando altas de salários, ao mesmo tempo em que uma infraestrutura deficiente vem pressionando os custos para cima.
Os níveis de endividamento das famílias estão parecendo insustentáveis para os endividados que vivem um boom de crédito. O Brasil precisa ter cuidado para não enterrar sua nova classe média sob tanta dívida que, quando chegar a próxima crise de desaquecimento econômico, eles voltem a submergir na pobreza.
Os custos de tocar negócios continuam proibitivos, em parte por causa dos altos impostos e dos custos trabalhistas. Embora os preços das commodities tenham subido, os volumes de exportações não cresceram. O Brasil tem usado as receitas inesperadas do boom de commodities para incrementar o volume de suas importações.
O Brasil pode sentir-se orgulhoso de si próprio. Mas terá de manter-se vigilante para assegurar que não plante as sementes da próxima crise durante o atual período de prosperidade. (Joe Leahy - Financial Times, tradução de Sergio Blum - Valor Online)

04.08 - A incongruência entre juros e prêmio de risco
Mesmo discutida à exaustão, ainda não se encontrou explicação satisfatória para a questão dos juros elevados no Brasil, quanto menos uma solução unânime que permita a queda da Selic sem pôr em risco o controle da inflação e a estabilidade macroeconômica.
Não se descartam, claro, as razões tradicionais, principalmente o baixo nível de poupança doméstica - que limita a expansão dos investimentos e, consequentemente, impede o avanço do Produto Interno Bruto (PIB) potencial - e a ineficiência dos gastos fiscais. Mas basta uma comparação com outros países de características semelhantes para verificar que apenas as razões tradicionais não explicam o juro elevado.
A Austrália, por exemplo, apesar de já estar em estágio de desenvolvimento superior e apresentar nível mais alto de bem-estar, também é um país em que a exportação de commodities tem peso grande na economia e que, principalmente, carece de poupança doméstica. No entanto, essa insuficiência é coberta com um elevado déficit nas transações correntes, pouco mais que o dobro, em termos de proporção do PIB, do que tem o Brasil. Isso, no entanto, não gera preocupações exageradas aos australianos, já que seu fluxo de investimentos é capaz de cobrir o saldo negativo das transações correntes, o que equilibra o balanço de pagamentos, além de proporcionar uma mais alta taxa de investimentos como proporção do PIB.
Mas o que permite à Austrália ter nível de investimentos proporcionalmente maior que o Brasil, já que este tem um potencial de crescimento claramente superior? O prêmio de risco, ao apontar um diferencial de menos de 60 pontos (Credit Default Swap), é capaz de explicar apenas uma parte dessa diferença, já que se avalia unicamente o risco inerente aos títulos da dívida brasileira.
A razão para não existir tamanha arbitragem entre as taxas de juros de Brasil e Austrália, hoje em 12,5% e 4,75% ao ano, respectivamente, é a baixa conversibilidade da moeda doméstica, para residentes ou não, ou seja, o risco cambial. Como se sabe, o arcabouço institucional e as leis "cambiais" no Brasil são frágeis. Toda a legislação que trata dos direitos de transação e fluxo de capitais com o exterior é imbuída no espírito de controle de capitais, além de imprimir o caráter de Estado centralizador, algo típico do período em que foi elaborada, a exemplo do Decreto Lei n.º 23.258/33 e da Lei n.º 4.393/64. Vale lembrar que tal legislação permite intervenções administrativas acionáveis sob qualquer tipo de motivação política.
Após o primeiro default da dívida externa, em 1983, teve início o movimento liberalizante, por meio de resoluções do Conselho Monetário Nacional e circulares do Banco Central, cujo objetivo foi criar instrumentos que permitissem a volta da comunicação com o mundo. Tais normativos, que podem ser chamados de "safenas liberalizantes", como a Resolução 1.552/88, que cria o mercado de taxas flutuantes, porém, podem ser alterados ou revogados por resolução ou circular a qualquer momento e sem necessidade de autorização do Congresso. Assim, na ausência de instituições formais que garantam não só o regime de câmbio, mas o funcionamento dos mercados no País - ainda mais diante do histórico de default e intervenção nos mercados -, o custo do hedge se eleva na mesma toada da percepção de risco. E é justamente esse risco que faz com que exista um enorme diferencial de juros sem um proporcional volume de arbitragem entre os mercados.
Se o risco cambial não existisse e, assim, houvesse espaço para arbitragem, teríamos o câmbio mais forte e, por consequência, os índices de preços estariam mais comportados. Isso permitiria, sem dúvida, uma taxa de juros que se aproximasse dos níveis internacionais, tendo sua diferença explicada com maior precisão pelos prêmios de risco.
A modernização do aparato cambial brasileiro, ainda que não inclua, necessariamente, maior liberalização, permitiria o barateamento dos fluxos de moeda estrangeira, o que, acima de tudo, aumentaria o tão necessário investimento no País, além de permitir praticar juros menores.  (Nathan Blanche - O Estado de S.Paulo)
 
 
 
 
 

03.08 - EUA: Acordo é alívio de curtíssimo prazo
Economistas concordam que a solução não foi a melhor e significou uma derrota para Obama e seus aliados democratas
O acordo para aumentar o limite da dívida dos Estados Unidos adiou o risco da primeira suspensão de pagamentos da história do país para 2013. Em curtíssimo prazo, foi capaz de aliviar o governo e de acalmar os mercados. Mas, além de afetar duramente a fragilizada economia, a solução estampou a impossibilidade política de os EUA adotarem o ajuste necessário para colocar suas contas em ordem.
A ameaça de rebaixamento da nota de risco da dívida continua presente, assim como de uma futura suspensão de pagamentos. "Esta não foi nem sequer a melhor solução possível. No curto prazo, o acordo pode aplacar os temores dos mercados sobre a capacidade de os EUA pagarem sua dívida. Mas o método adotado pode prejudicar a economia", afirmou William Gale, sócio sênior para Estudos Econômicos do Brookings Institution.
"Não há um acordo fiscal finalizado. Há apenas um processo em andamento. Os cortes não foram suficientemente profundos nem estão assegurados", opinou J.D. Foster, especialista em Política Fiscal da conservadora The Heritage Foundation.
As circunstâncias do embate político preocupam os dois economistas consultados pelo Estado. Gale assinalou o fato de as três medidas necessárias para criar um pacote fiscal efetivo continuarem barradas pelos dois partidos e suas facções à direita e à esquerda.
O aumento de impostos, afirmou ele, é uma "blasfêmia" para os republicanos; o corte de gastos com saúde, apesar de ser o maior problema do orçamento americano em longo prazo, é rechaçado pelos democratas; o corte de gastos de defesa tem difícil digestão em ambos os partidos.
"Isso pode criar uma nova situação de crise quando houver necessidade de novo aumento do teto da dívida federal", afirmou Gale. "A questão é: o que vai acontecer a partir de 2013?"
Nem Gale nem Foster mostraram-se seguros da capacidade de o acordo restituir a confiança de consumidores e investidores, prejudicada pelo ritmo lento de recuperação econômica e pelo debate sobre a questão fiscal.
Gale considera o momento impróprio para redução de gastos públicos federais - medida já em adoção por Estados e governos locais nos últimos três anos. "A melhor solução teria sido aumentar o teto da dívida, adiar a redução de despesas para o momento de recuperação mais forte da economia e fechar um pacote de médio prazo, com aumento de imposto e cortes de gastos."
Perdedores. Os economistas concordaram com a vitória dos republicanos - em especial, sua facção mais à direita, o Tea Party - nesse processo. Segundo Foster, o presidente Obama e seus aliados "perderam feio". Gale, porém, observou terem sido os americanos de renda baixa e média os reais perdedores. "Eles vão carregar o peso do corte de gasto e enfrentar a recuperação econômica anêmica e o aumento de longo prazo no desemprego", afirmou Gale.   (Denise Chrispim Marin - O Estado de S.Paulo)

03.08 - Moody''s mantém rating AAA para EUA
A agência de classificação de risco Moody''s anunciou que atribuiu perspectiva negativa ao rating soberano dos EUA, atualmente em AAA, depois de o Congresso ter aprovado medidas para elevar o teto de endividamento e reduzir o déficit orçamentário do país.
Segundo a agência, as medidas são "um passo importante para atingir a consolidação fiscal no longo prazo e evitar um rebaixamento" na nota de crédito norte-americana, mas afirmou que o rating ainda pode ser reduzido "se houver um enfraquecimento da disciplina fiscal no próximo ano, se medidas de consolidação fiscal não forem implementadas até 2013, se o prognóstico econômico sofrer deterioração significativa ou se houver um aumento apreciável no custo de financiamento do governo".
No início de julho, a Moody''s colocou o rating dos EUA em revisão para potencial rebaixamento por causa da pequena, porém crescente possibilidade de uma moratória do país naquele momento. A agência disse que o plano aprovado pelo Congresso e já sancionado pelo presidente norte-americano, Barack Obama, virtualmente elimina o risco de um calote. Por isso, o rating AAA foi mantido.
A Moody''s também reiterou a nota AAA de alguns títulos de Israel e do Egito que possuem como garantia os papéis da dívida dos EUA e que também haviam sido colocados em revisão para potencial rebaixamento no início de julho.   (Gustavo Nicoletta - Agência Estado)

03.08 - Fitch: Revisão de nota dos EUA neste mês
A agência de classificação de risco Fitch afirmou ontem, em uma nota, que pretende concluir a revisão do rating (nota) soberano dos Estados Unidos no final de agosto. A agência acrescentou que o acordo para redução no déficit orçamentário e aumento no limite de endividamento aprovado pelo Congresso norte-americano é um passo na direção certa, mas ainda precisarão ser feitas escolhas difíceis para diminuir o buraco nas contas públicas.
"O aumento no teto da dívida e o acordo sobre os parâmetros gerais do plano de redução no déficit dão suporte à perspectiva da Fitch, de que apesar da intensidade e do teatro de discurso político nos EUA, há desejo político e capacidade para, no fim das contas, ser feita a coisa certa. Na opinião da Fitch, o acordo é um primeiro passo importante, mas não o fim do processo que levará a um plano confiável para reduzir o déficit orçamentário a um nível que garanta o rating AAA dos EUA no médio prazo", disse a agência.
A agência afirmou também que "os fundamentos econômicos e financeiros que dão suporte ao rating AAA dos EUA ainda são fortes". Segundo a Fitch, "os balanços e a lucratividade do setor corporativo são saudáveis, o crescimento subjacente da produtividade ainda é relativamente robusto, e o dólar continua ocupando a posição de moeda de reserva global".
No final do comunicado, no entanto, a Fitch alertou que, segundo as tendências atuais, a dívida dos EUA - levando em conta municípios, estados e governo federal - deve atingir 100% do Produto Interno Bruto (PIB) até o final de 2012 e continuará a subir no médio prazo, "perfil que não é consistente com a manutenção do rating AAA.
No início de junho, a Fitch alertou que o rating dos EUA seria colocado em observação para potencial rebaixamento se o país não aprovasse até dois de agosto um plano para reduzir o déficit orçamentário e elevar o limite de endividamento.   (Gustavo Nicoletta - Agência Estado)
 
 
 
 
 

02.08 - Agência de rating deverá ter registro na CVM
Após terem sua imagem arranhada durante a crise financeira internacional iniciada em 2008, as agências de classificação de risco lutam pela sua credibilidade e torcem para que as regulamentações que começam a ser instauradas internacionalmente tragam transparência aos processos internos que, dizem, já foram adotados. A indicação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é de que o modelo a ser adotado no Brasil poderá ser, inclusive, mais flexível do que o europeu ou o americano, já que o alcance do uso das notas de crédito no país ainda é bem mais reduzido.
A expectativa é de que a primeira regulamentação das agências de rating vá para audiência pública em outubro ou novembro deste ano. O assunto já entrou na pauta do Conselho de diretores da autarquia para as reuniões realizadas às quartas-feiras em agosto e em setembro. No entanto, as mudanças, que precisam ser feitas em conjunto com outras instituições como o Banco Central, Superintendência de Seguros Privados (Susep) e de Previdência Complementar (Previc), ficarão para 2012.
A instrução que está sendo preparada pela CVM deverá exigir que todas as agências de classificação tenham registro na autarquia. Devem também ser instauradas regras para minimizar a possibilidade de conflitos de interesses, além de instituídas publicações periódicas pelas agências, com informações sobre a metodologia, a estrutura administrativa e estrutura de análise utilizada pelas agências, acredita a diretora da autarquia, Luciana Dias.
"É importante, quando se contrata um serviço, saber quais são as medidas que o prestador adota para que o serviço seja bem feito, como a segregação de atividades, da estrutura administrativa, de identificação dos clientes mais importantes. Tudo deve entrar nas divulgações periódicas", diz.
A divulgação dos clientes mais importantes de uma agência de rating, apesar de polêmica, poderá entrar no radar da CVM, a exemplo do que é feito na Europa e nos Estados Unidos. A divulgação poderá ser feita a partir dos dez maiores clientes ou dos clientes que forem responsáveis por mais de 5% do faturamento. "Certamente a gente vai ter que decidir se isso vai ser divulgado ou não, mas é uma das coisas que se exige no exterior", disse Luciana. Quanto mais dependente de um cliente é uma agência, maior é o espaço para que ele possa ter ingerência sobre o trabalho de classificação.
Mas nem todas as regras adotadas no exterior deverão ser replicadas no Brasil. Na Europa, por exemplo, as agências deverão avisar a um emissor de títulos que vai ter sua nota rebaixada com 12 horas de antecedência. "Isso é muito polêmico, porque pode estimular o insider trading. Talvez a gente não precise ter isso aqui, mas vai ser discutido na audiência publica", disse Luciana.
Como no Brasil praticamente não há exigência legal de análise de rating, exceto em emissões de debêntures, a CVM pensa em um modelo diferente do exterior também para evitar a prática de "shopping", em que uma empresa contrata mais de uma agência classificadora, mas, se não utilizar a nota com nenhum investidor, publica apenas a nota mais alta. "O jeito de inibir essa prática é exigir transparência", afirmou a diretora.
Uma possibilidade, então, pode ser a obrigatoriedade de disponibilização de todas as informações concedidas a uma determinada agência para qualquer outra exigida pelo próprio investidor. Isso abre a possibilidade para que o investidor também contrate o rating, em vez de apenas o próprio emissor, o que, no mercado, é visto como grande gerador de conflito de interesses.  (Juliana Ennes - Valor Online)

02.08 - Brasil está preparado para piora no cenário
Presidente do BC afirma que situação global pede cautela e proteção do sistema financeiro
Pesquisa semanal com economistas projetou inflação mais alta em 2012, após mudança de tom do Banco Central
O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, disse ontem que a economia brasileira está preparada para enfrentar a eventual piora do cenário externo, mas afirmou que não espera um desfecho catastrófico para a crise global.
"Nosso cenário é de uma economia mundial que cresce menos do que se supunha no início do ano, e com normalização das condições monetárias e financeiras posterior ao que se supunha inicialmente", afirmou.
Segundo ele, o Brasil tomou medidas para conter a entrada de dólares no país e está preparado para o segundo momento, que seria a reversão deste movimento.
Tombini lembrou que o país conta com reservas de US$ 345 bilhões -quantia considerada "moderada" por corresponder a 15% do PIB brasileiro- e ainda possui saldo de R$ 419 bilhões em compulsórios (depósitos obrigatórios dos bancos).
"Esse cenário internacional requer cautela, com medidas prudenciais para proteger o sistema financeiro como um todo. A economia brasileira se preparou para eventualidade em um cenário ainda mais complexo."
Quanto à inflação, o tom é mais ameno. Tombini disse que o mercado já tem expectativa de inflação média mensal de 0,35% para o período junho-dezembro de 2011 -abaixo do centro da meta, equivalente a 0,37%.
Apesar de o governo já ter dito que só chegará ao centro da meta de 4,5% apenas em 2012, ele disse que essa expectativa já está "na cabeça do mercado".
Tombini destacou que os economistas já projetam, de setembro a abril de 2012, queda de dois pontos percentuais na taxa em 12 meses.
E que o "instrumento de controle da inflação" corresponde às previsões feitas.
INFLAÇÃO
Pesquisa semanal do BC, no entanto, mostrou nova piora nas projeções de 2012.
Nas duas últimas semanas, o BC sinalizou, em dois documentos, que vai encerrar em breve a alta dos juros.
A mudança no discurso já se refletiu em dois aumentos seguidos na inflação estimada por economistas e compilada pelo BC, que passou de 5,20% para 5,30% nas duas últimas semanas.
Os economistas esperam que os preços voltem a subir entre julho e novembro na comparação mensal, mas fechem o semestre abaixo do verificado no 1º semestre. (PAULO PEIXOTO e EDUARDO CUCOLO - Folha de S.Paulo)

02.08 - Economia deve crescer 3,96% este ano
A economia brasileira deve crescer um pouco mais este ano, segundo a nova projeção do mercado financeiro divulgada pelo Banco Central. A expansão estimada do Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, subiu de 3,94% para 3,96%. A taxa projetada para o próximo ano permanece em 4%. No caso da produção industrial, a taxa passou de 3,24% para 3,21% este ano pelas contas de analistas financeiros, mantendo-se em 4,34%, em 2012.
Já a projeção para a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB foi ligeiramente ajustada de 39,28% para 39,26%, este ano, continuando em 38%, em 2012.
A estimativa para a cotação do dólar ao final de 2011 segue em R$ 1,60 este ano e em R$ 1,65, em 2012. A previsão do superávit comercial (saldo positivo de exportações menos importações) foi alterada de US$ 20,90 bilhões para US$ 21 bilhões, este ano, e de US$ 10,07 bilhões para US$ 10,03 bilhões, em 2012.
Também a projeção do déficit em transações correntes (registro das transações de compra e venda de mercadorias e serviços do Brasil com o exterior) foi alterada, passando de US$ 59,45 bilhões para US$ 59 bilhões, em 2011, e de US$ 69,61 bilhões para US$ 69,30 bilhões, no próximo ano. A expectativa para o investimento estrangeiro direto (recursos que vão para o setor produtivo do País) permanece em US$ 55 bilhões, este ano, e em US$ 50 bilhões, em 2012.  (Fenaseg)
 
 
 
 
 

01.08 - Seguros de pessoas puxam crescimento do mercado
Nos primeiros cinco meses do ano de 2011 houve um crescimento na procura de Seguros de pessoas. Esse crescimento trouxe para o segmento uma soma de arrecadação de prêmios de R$24,3 bilhões, 24% superior ao mesmo período do ano anterior.
Os dados fornecidos pela Susep apontam crescimento também nos ramos de Seguros de Vida, planos VGBL e outras apólices, como as de viagens e turismo, não estando incluído o segmento de Saúde, de alçada da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Crescimento em outros ramos
Ramos que também tiveram um crescimento positivo até maio foram: rural, alta de 30%, riscos financeiros, com crescimento de 17%, transporte de cargas, evolução de 13% e automóveis, com o crescimento de 8,3% no volume de prêmios, totalizando R$10 bilhões, incluindo o DPVAT.
Historicamente, a expansão do mercado de seguros tem relação direta com o crescimento da economia, e com percentuais superiores. De janeiro à maio, a receita de prêmios totalizou R$41,1 bilhões, um crescimento de 19,5% em comparação com o mesmo período de 2010, enquanto o PIB teve uma evolução de 3,72%, todos esses dados segundo o Banco Central.  (Tania Araújo - CQCS)

01.08 - Por que a crise na Europa não terminou
O anúncio dramático por líderes da União Europeia (UE) na noite de quinta-feira, 21 de julho, de que eles haviam finalmente chegado a um acordo para reestruturar a dívida da Grécia devia supostamente encerrar a crise da Europa. Nas circunstâncias, ele proporcionou exatamente um dia de alívio. Na segunda-feira seguinte, os spreads dos bônus italianos e espanhóis subiram de novo, reacendendo temores de que essas duas economias, a 8.ª e a 12.ª maiores do mundo, estavam prestes a acompanhar a Grécia para o abismo.
Era previsível, aliás, que os investidores ficassem inquietos. Eles compreenderam que o pacote de 21 de julho não resolvera absolutamente nada. Para começar, ele não resolveu a crise da dívida da Grécia. O quanto ele reduzirá, em última instância, a carga da dívida do governo grego ainda é uma incógnita.
O menu de ofertas publicado pelo Instituto de Finanças Internacionais, a associação global de grandes bancos, é vago nos termos da troca de bônus. Mais que isso, não sabemos que fração dos detentores de bônus ofertará seus bônus e se a taxa de participação na troca se aproximará dos 90% previstos pelo plano.
Mesmo no melhor cenário, porém, a dívida do governo grego ainda ficará próxima de 150% do Produto Interno Bruto (PIB). É proporção alta demais para se suportar. Ela não começa a recolocar o país no caminho da solvência.
Os investidores compreendem que a Grécia não saiu do atoleiro. Eles compreendem que haverá uma nova reestruturação no futuro, com mais cortes para os detentores de bônus. De modo que não foram tranquilizados.
Por que, alguém poderia perguntar, o plano atual é inadequado? A resposta não é simplesmente que o Banco Central Europeu (BCE) estava relutante em concordar com uma reestruturação, ou que líderes da UE temiam que termos mais duros pudessem levar a Associação Internacional de Derivativos e Swaps a declarar um evento de crédito que acionaria credit defaults swaps (CDS) sobre bônus do governo grego.
A explicação verdadeira é que uma baixa contábil maior da dívida teria prejudicado os balanços de importantes bancos europeus, bancos franceses em particular. Aliás, os principais bancos alemães, numa posição mais forte, estavam preparados para suportar uma redução maior da dívida da Grécia, mas não poderiam se sobrepor à oposição de seus rivais franceses mais fracos.
Estratégia. Desse ponto de vista, a estratégia atual é como a inicialmente adotada para lidar com a crise da dívida latino-americana na década de 1980. Uma séria reestruturação da dívida foi executada durante sete anos, até os bancos terem tempo suficiente para fortalecer seus balanços. Medidas cosméticas foram adotadas nesse ínterim. Mas o sofrimento dos países em crise continuou. A América Latina experimentou uma década perdida. O medo agora é que a Europa experimente uma também.
Líderes europeus reconheceram implicitamente isso quando propuseram dar a seu fundo emergencial de salvamento, o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), a capacidade não só de emprestar para governos em dificuldade, mas também de recapitalizar bancos em dificuldade. Se o FEEF fizer um uso inteligente dessa capacidade, uma segunda e mais significativa reestruturação grega poderá ocorrer dentro de não muito tempo. Talvez a década perdida possa ser encurtada para três meses perdidos.
Mas isso será possível se, e somente se, os parlamentos europeus, incluindo o Bundestag alemão, concordarem em modificar as atribuições da FEEF. E sua concordância não é garantida.
Para aumentar as chances da anuência parlamentar nacional, os líderes europeus resistiram à tentação de pedir também para dobrar ou triplicar o tamanho do FEEF. Um FEEF muito maior seria necessário para o fundo ser mobilizado não só para recapitalizar bancos fracos, mas também para fornecer empréstimos preventivos a outros governos na linha de frente, como os de Espanha e Itália, como uma maneira de criar uma proteção contra a crise.
Mas depois que a União Europeia não conseguiu transformar sua espingarda de rolha numa bazuca estilo Hank Paulson (ex-secretário do Tesouro americano, no governo de George W. Bush), os investidores percebem que o FEEF só terá uma capacidade limitada para segurar os mercados de bônus espanhol e italiano. E o Banco Central Europeu, depois de ter desativado totalmente seu programa de compras no mercado de bônus, mostra pouca inclinação para entrar na brecha.
Mais basicamente, as decisões tomadas no dia 21 de julho não fazem nada para resolver os problemas da Espanha e da Itália. O fundamental, em especial para a Itália, é a incapacidade de crescer. Encargos de dívida que são apenas manejáveis quando uma economia está crescendo tornam-se insustentáveis quando ela não está. No caso da Itália, com a razão dívida/PIB acima de 100%, a taxa de crescimento precisa exceder a taxa de juros sobre a dívida.
É revelador que o mercado de bônus da Itália tenha tido uma reação ainda pior que o da Espanha na reabertura dos negócios na última segunda-feira. A Espanha, a despeito de seus outros problemas, tem pelo menos implementado algumas reformas estruturais significativas, criando a possibilidade de retomada do crescimento econômico. A Itália, ao contrário, não fez nada além de cortar gastos públicos, o que somente enfraquecerá a demanda e desacelerará o crescimento no curto prazo.
Não há nenhuma bala de prata para resolver magicamente esse problema, somente a reforma estrutural dura na qual a Espanha embarcou, mas a Itália mal começou. Mas há uma ajuda potencialmente disponível na forma de uma política monetária mais maleável.
Com Itália e Espanha cortando gastos públicos, uma política monetária mais frouxa ajudaria a sustentar a demanda - como ocorreu na Grã-Bretanha, que tem a vantagem de um banco central ideologicamente menos rígido. Taxas de juros mais baixas do Banco Central Europeu facilitariam para os governos espanhol e italiano a tarefa de honrar suas dívidas. Facilitariam para empresas espanholas e italianas fazerem empréstimos para se reestruturar. Um euro mais baixo facilitaria para elas exportarem.
A necessidade está se tornando mais urgente, dado que os índices de gerentes de compras (índices de confiança) tanto na Espanha como na Itália caíram em junho, aumentando o risco de uma nova recessão em ambos os países.
Infelizmente, o Banco Central Europeu parece preferir a intransigência a estender a mão. Ele pode temer que Espanha e Itália vejam a ajuda monetária como um alívio das pressões para empreender reformas estruturais. Se assim for, o BCE devia dizer aos governos espanhol e italiano exatamente o que deseja que eles façam. E, se eles então agirem, o banco deveria baixar rapidamente as taxas e retomar seu programa de compras no mercado de bônus para proteger os dois países contra a disseminação da crise.
Ainda é possível pôr fim à crise da Europa. Mas isso vai exigir a cooperação não só dos governos europeus, mas também do BCE. (Tradução de CELSO PACIORNIK - O Estado de S.Paulo)

01.08 - Crise europeia longe de uma solução
O plano anunciado na semana passada pelos líderes europeus para lidar com a crise da dívida da Grécia e de outros países periféricos da zona do euro trouxe apenas ânimo passageiro aos mercados. Feitas as contas, tornou-se aparente que o alívio financeiro associado àquele plano será insuficiente para levar a uma solução sustentável para o endividamento da Grécia.
É certo que o anúncio da cúpula da Comunidade Europeia representou um grande avanço, após longo período de indecisão e procrastinação. O volume de recursos posto à disposição da Grécia por meio da EFSF (European Financial Stability Facility), assim como o alongamento dos prazos e redução dos juros associados a essa linha de crédito, representam um passo positivo no reconhecimento da seriedade da situação fiscal daquele país, assim como do potencial de contaminação da crise para outros países da zona do euro, igualmente marcados por aguda crise fiscal (Portugal e Irlanda, principalmente).
Da mesma forma, a previsão de envolvimento dos credores privados, por meio de renegociação "voluntária" da dívida da Grécia, mostra o abandono da equivocada ideia de que seria possível resolver o problema sem que houvesse algum tipo de redução do montante da dívida em poder do mercado, a exemplo do que ocorreu no Plano Brady, em relação à crise da dívida latino-americana dos anos 1980.
Uma crise bancária sistêmica seria o pior dos mundos para os países que já sofrem de dificuldades crônicas
Além disso, a flexibilização no uso dos recursos da EFSF, permitindo seu uso na recapitalização de instituições bancárias, por meio de empréstimos aos governos nacionais, é outro movimento importante, tendo em vista as fragilidades que cercam alguns bancos europeus, mormente aqueles sediados nos países atingidos mais agudamente pela crise fiscal, em razão não apenas do carregamento de papéis emitidos pelos seus governos, como também pela anemia da atividade econômica que leva à deterioração de seus ativos de crédito. De fato, uma crise bancária sistêmica seria o pior dos mundos para os países já sofrendo de dificuldades crônicas para ativar suas economias.
Porém, embora significativos, tais avanços são insuficientes para tornar a Grécia um país solvente nos próximos anos. A dívida do governo corresponde a cerca de 140% do seu PIB e o déficit fiscal nominal foi de mais de 10% do PIB no ano passado. No primeiro semestre deste ano, apesar das medidas de austeridade já adotadas, o baixo crescimento da economia frustrou a previsão de receitas tributárias, o que fez com que as metas acordadas com o FMI e a Comunidade Europeia não fossem cumpridas. Não bastasse o déficit fiscal elevado, a Grécia exibe um expressivo déficit em conta-corrente, cerca de 10,5 % do PIB em 2010, o que configura uma situação de "déficits gêmeos", típica de um país que vem vivendo acima de suas possibilidades.
Numa situação como essa, a ausência de autonomia monetária dificulta enormemente o necessário ajuste da economia. Para aumentar sua competitividade e, desse modo, reduzir seu déficit externo, a Grécia necessita realizar uma "desvalorização interna", que passa pelo abaixamento dos salários e pela redução do déficit público, políticas que trazem enorme estresse político. Num contexto como esse, a permanência de um endividamento elevado não apenas é insustentável sob o ponto de vista de solvência, como se torna um ônus político incontornável. Desse modo, não há como escapar de uma solução que implique na redução sensível do fluxo dos encargos da dívida nos próximos anos, o que exige seu alongamento e também uma redução ("haircut") no seu valor nominal, o que trará perdas para os detentores dos papéis da dívida daquele país.
Por outro lado, a situação fiscal de Irlanda e Portugal, não obstante menos grave do que a da Grécia, também exige ação decidida da Comunidade Europeia. A flexibilização anunciada no emprego dos recursos da EFSF ajudará a melhora do perfil do endividamento desses países, assim como na eventual recapitalização de seus bancos. Contudo, a falta de uma solução definitiva para a Grécia pode diminuir a confiança dos mercados quanto à sustentabilidade das dívidas portuguesa e irlandesa, o que anularia os efeitos positivos da maior ajuda financeira proporcionada pela Comunidade. Assim, uma solução para Irlanda e Portugal deve necessariamente passar pela resolução definitiva para o problema grego.
Nas próximas semanas provavelmente saberemos se a reestruturação da dívida da Grécia e dos demais países afetados (Irlanda e Portugal) se dará de maneira ordenada ou não. Na primeira hipótese, uma crise bancária seria evitada, assim como a contaminação do financiamento da dívida de países maiores como Espanha e Itália. Nesse cenário, a zona do euro pode contar com uma retomada modesta da atividade econômica nos próximos anos e a economia mundial seguirá uma trajetória de crescimento, sem maiores percalços. Contudo, para tanto, é necessário que o mercado passe a confiar na sustentabilidade da posição fiscal dos países atingidos pela crise, assim como na higidez de seus sistemas bancários, para o que o pacote anunciado semana passada ainda se mostra aquém do necessário.  (Gustavo Loyola - Valor Online)
 
 
 
 

29.07 - EUA: Mercado e governo se preparam para calote
Tesouro dos EUA admite que elabora plano que detalha como vai pagar as contas sem novo teto de empréstimo
Títulos de curto prazo que costumam ter juro de 0% subiram ontem a 0,10% em reação ao impasse no Congresso
O Departamento do Tesouro dos EUA já tem um plano de contingência para o caso de o Congresso não votar a liberação de novos empréstimos do governo até terça. Sem listar que contas deixará de pagar, não conseguiu aplacar o temor do mercado.
A pergunta, que o Tesouro diz que responderá antes da data-limite, no dia 2, monopoliza o foco de investidores, analistas, eleitores e lobbies.
Dois grupos influentes do país, os banqueiros e o sindicato dos aposentados, enviaram cartas à Casa Branca e ao Congresso pressionando os políticos a agir no prazo.
O Tesouro, porém, hesita em detalhar o plano enquanto o Congresso ainda discute se aumenta o teto da dívida, alimentando a ansiedade. Com isso -e com o adiamento da votação de mais uma proposta para ampliar a dívida pela Câmara, devido à falta de consenso- os juros que o governo paga sobre os títulos de curto prazo do Tesouro subiram a 0,10%. Os papeis vencem em agosto.
A variação pode ser discreta, mas títulos com vencimento próximo têm virtualmente taxa zero de retorno, e a rapidez da mudança indica que os investidores se preparam para um calote.
"O que posso dizer agora é que, embora só o Congresso possa garantir que o governo pague todas as suas contas, o Tesouro detalhará, conforme se aproxima o dia 2, como fará sem poder tomar empréstimo", disse à Folha uma porta-voz do Tesouro.
Segundo a mesma porta-voz, as medidas podem ser anunciadas "a qualquer momento até terça", quando a verba dos empréstimos acaba. Na prática, o plano deve apontar manobras de caixa e mostrar onde será o calote -se doméstico ou externo.
EMBATE
A Casa Branca não divulgou dados completos, mas a estimativa mais corrente, do Centro de Políticas Bipartidárias, aponta que o governo tem contas de US$ 307 bilhões e expectativa de receita de US$ 172 bilhões no mês. A diferença implicaria em calote. Resta saber onde o governo decidirá cortar.
As possibilidades vão dos juros sobre títulos da dívida americana -o que afetaria a economia global, já que eles são referência do mercado- a cheques dos aposentados.
Ontem, o Fórum de Serviços Financeiros, que reúne os 20 principais bancos e seguradoras do país, enviou uma carta à Casa Branca e ao Congresso, coassinada por 470 empresas, em que exorta o Executivo e o Legislativo a superarem a polarização partidária e agirem por uma solução de longo prazo.
"Uma grande nação, como uma grande empresa, precisa de credibilidade de que paga suas contas em dia", diz. "Esta questão afeta a população, não só o mercado, pois os juros sobre os títulos do Tesouro influenciam hipotecas, cartões de crédito, empréstimos estudantis."
Na véspera, a associação de aposentados, AARP, também enviara carta cobrando ações para preservar a seguridade social. Para aumentar a dívida, o Congresso precisa aprovar cortes no Orçamento que tornem o deficit sustentável. É sobre esses cortes que falta consenso entre os partidos -e até mesmo dentro deles
Impasse é alimentado por limites do bipartidarismo dos EUA
FILIPE CAMPANTE
A explicação mais imediata para a crise política manufaturada em torno da dívida pública dos EUA passa pelo alto grau de polarização hoje existente no sistema político americano.
Os dois principais partidos tornaram-se cada vez mais bem definidos do ponto de vista ideológico, após o sucesso da revolução dos direitos civis da metade do século 20 e a consequente redução da proeminência da questão racial.
Desde 2006, e pela primeira vez na história recente, a posição do mais conservador dos democratas no Congresso tem sido medida claramente à esquerda daquela do menos conservador dos republicanos.
Assim sendo, não espanta que seja mais difícil obter consenso bipartidário. O problema é, contudo, mais profundo. Tal polarização não seria tão danosa não fosse a inadequação das bicentenárias instituições políticas do país em lidar com ela.
A separação e grande autonomia entre os Poderes Executivo e Legislativo -base essencial do sistema de freios e contrapesos que fundamenta a democracia americana- têm nesse contexto efeito colateral de paralisia. Atualmente, o Partido Republicano tem poder suficiente para bloquear a agenda do presidente Obama, refém da necessidade de aprovação de quaisquer medidas no Congresso. O partido ainda se beneficia eleitoralmente da percepção de insucesso que isso gera para o governo democrata.
Com tal influência, e sem a contra partida em responsabilidade, o incentivo da oposição é o de fazer uso de sua capacidade de provocar o fracasso do governo.
Trata-se de óbvia receita para radicalização e crises. Em contraste, se o que um partido propõe pode ser de fato implementado caso ele conquiste o poder, impõe-se pela via eleitoral um incentivo à moderação.
As reformas ocorrem via alternância de poder, em torno de políticas relativamente consensuais. Não há sistema político perfeito, claro, e o sucesso da democracia americana ao longo dos séculos é evidente.
Porém tempos distintos trazem problemas distintos, e as respostas que cada sistema oferece podem ser mais adequadas ou menos. Dado o apego visceral dos EUA à herança dos "pais fundadores", é de se esperar que crises como a atual tornem-se cada vez mais comuns, até que o cenário mude ou reformas façam-se inevitáveis.   (LUCIANA COELHO - Folha de S.Paulo)

29.07 - Insensatez de EUA e Europa são "ameaça global"
Presidente pede que países sul-americanos discutam medidas conjuntas para enfrentar efeitos da crise externa
Governo prevê embate mais longo sobre teto da dívida dos EUA, mas duvida que país anuncie um calote em credores
A presidente Dilma Rousseff afirmou ontem, em Lima, que a "insensatez" e a "incapacidade política" dos Estados Unidos e da União Europeia para resolver seus problemas econômicos geram uma "ameaça global".
Em reunião de presidentes de nove países da Unasul (União Sul-Americana de Nações), ela defendeu que os governos do continente acertem uma estratégia comum para enfrentar a crise.
"Esse quadro onde a insensatez é a regra, e a marcha da insensatez parece ser o caminho, só reforça a necessidade de nossa união", afirmou Dilma a presidentes de 9 dos 12 países da Unasul.
Na semana que vem, os ministros da Fazenda e os presidentes dos Bancos Centrais do bloco se reunirão em Lima para discutir medidas conjuntas. Nos dias 10 e 11 de agosto haverá novo encontro, em Buenos Aires.
Ontem, Dilma reclamou do "mar extraordinário de liquidez" que flui de países desenvolvidos aos emergentes em busca de rentabilidade e provocam "desequilíbrio cambial". Também atacou os produtos dos países ricos que "alagam" a região.
"Temos de nos defender do imenso, do fantástico, do extraordinário mar de liquidez que se dirige às nossas economias buscando a rentabilidade que não tem nas suas", disse ela.
"Não podemos incorrer no erro de comprometer tudo que conquistamos (...) pelos efeitos da conjuntura internacional desequilibrada."
Em Brasília, a equipe econômica aposta que a incerteza nos EUA vai se prolongar por muitos meses, mas acredita dispor instrumentos necessários para proteger a economia brasileira.
O governo duvida que o cenário mais catastrófico se materialize, com os americanos dando calote nos credores da sua dívida e disseminando pânico no mercado. Na avaliação da equipe econômica, o cenário mais provável indica o prolongamento do embate político entre o presidente Barack Obama e seus adversários até o ano que vem.
O governo acredita que um dos resultados desse embate será um aperto fiscal rigoroso nos EUA, com reflexos sobre o mundo inteiro.
O Ministério da Fazenda anunciou anteontem pacote de medidas para inibir operações cambiais de caráter especulativo e conter a valorização do real.
O governo se preocupa com os riscos tomados por bancos e empresas que aproveitaram o dólar barato para se endividar captando recursos no exterior e lucrar com a especulação.
A equipe econômica acredita que o país está mais preparado para se defender de um choque externo hoje do que na crise financeira de 2008, e poderá recorrer aos mesmos instrumentos.
Se faltar dinheiro, o governo poderia liberar parte dos R$ 410 bilhões em recursos dos bancos retidos pelo Banco Central. No início da crise de 2008, o BC dispunha de R$ 240 bilhões para usar dessa maneira.
Além disso, o governo tem hoje US$ 344 bilhões em reservas internacionais, volume de recursos 70% maior que o disponível às vésperas da crise de três anos atrás.
O problema é que quase dois terços dessas reservas estão aplicadas em títulos dos EUA, que podem perder valor se Obama não chegar a um acordo com a oposição.   (FLÁVIA MARREIRO, SHEILA D'AMORIM, NATUZA NERY e EDUARDO CUCOLO, , colaborou ANA FLOR - Folha de S.Paulo)

29.07 - Grécia: Bancos franceses aderem ao pacote grego
Os bancos e seguradoras franceses irão aderir em massa ao plano de resgate financeiro à Grécia.
As instituições financeiras do país disseram ao governo que estão dispostas a oferecer todos os títulos da dívida grega que vencem até 2020 para trocas por novos papéis, com desconto.
Pelas contas do ministro das Finanças da França, François Baroin, essa contribuição deve somar € 15 bilhões (R$ 33,45 bilhões). Os franceses e alemães são principais bancos estrangeiros credores da Grécia. A maior parte da dívida do país está nas mãos dos bancos gregos, que também devem aderir ao pacote.
O plano de resgate da Grécia foi fechado na quinta-feira da semana passada pelos líderes europeus. A participação privada esperada é de € 37 bilhões, sendo que pode chegar a € 135 bilhões, pela avaliação do presidente francês Nicolas Sarkozy. O pacote terá empréstimos da União Europeia e do FMI (Fundo Monetário Internacional) de € 109 bilhões.
Baroin pediu que os 17 países da zona do euro fechem rapidamente sua participação "para que não haja espaço para especulação". A participação privada no resgate à Grécia deve levar as agências de classificação de risco a rebaixar a nota do país para calote seletivo quando o plano for colocado em prática.
O ministro grego das Finanças, Evangelos Venizelos, disse que o país começou as conversas com os bancos sobre os termos do acordo. Ele informou ao Parlamento esperar que as trocas de títulos comecem em agosto para que os vencimentos dos próximos dois meses já estejam garantidos pelo acordo.
"Nós já começamos [as conversas] e vamos concluir em breve porque enfrentaremos vencimentos em agosto e setembro", disse Venizelos. (Folha de S.Paulo)
 
 
 
 

28.07 - Empresas: Maioria não adota gestão de risco
Junto a 67 empresas de diversos setores, pesquisa da KPMG aponta que apenas 44% delas implantaram gestão de risco. Mesmo assim, entre elas, 47% responderam que ainda há espaço para muitas melhorias, quando indagadas sobre a eficácia de seus controles internos
Apesar desse cenário, os executivos reconhecem que esta área é estratégica para a empresa. De acordo com o levantamento, o item “cultura forte e sensibilização de riscos em toda a organização” foi considerado por mais de 20% dos entrevistados um dos pontos mais importantes para o sucesso do gerenciamento de riscos. O segundo tema mais votado pelos executivos foi o “apoio da alta administração”, com 17%. “Ter o patrocínio da diretoria e da presidência para projetos voltados para a gestão de riscos é fundamental para o sucesso da atividade. Sem esse apoio, muitos desses programas acabam perdendo a efetividade ou simplesmente nem saem do papel”, diz o sócio de Risk & Compliance da KPMG no Brasil, André Coutinho.
Outro ponto interessante é que as empresas ainda demonstram forte carência por instrumentos de mensuração desses riscos. Este ponto é possível observar tendo em vista que 34% dos executivos afirmaram que seus indicadores são pouco efetivos. “É muito importante as empresas darem atenção nesse caso, pois indicadores eficazes podem proporcionar informações relevantes para a tomada de decisão dessa organizações”, comenta o gerente de Risk & Compliance da KPMG no Brasil, Guilherme Dultra.  (Seguros-Dia-a-Dia)

28.07 - Governo fixa em até 25% IOF sobre derivativos
O Diário Oficial da União (DOU) de ontem trouxe a Medida Provisória (MP) com uma alíquota máxima de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 25% sobre o valor da operação com títulos ou valores mobiliários envolvendo contratos de derivativos.
Em outubro do ano passado, o Ministério da Fazenda anunciou a elevação do IOF para o recolhimento de margem na BM&FBovespa, de 0,38% para 6%.
A MP publicada ontem também contempla autorização para o Conselho Monetário Nacional (CMN) estabelecer condições específicas para a negociação de derivativos, como, por exemplo, fixar limites, prazos e condições para esses contratos.
Terça-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o governo não vai deixar vencer-se pela guerra cambial e mostrou-se apreensivo com relação ao cenário financeiro global, mas afirmou que o crescimento econômico brasileiro é sustentável.
Também na terça-feira, o dólar comercial teve o sexto dia seguido de queda - recuou 0,38%, terminando a R$ 1,537 na venda, menor cotação desde 15 de janeiro de 1999, quando a moeda terminou a R$ 1,4659.    (Juliana Cardoso - Valor)

28.07 - O novo e errático comportamento do mercado de capitais
O período que sucedeu a crise de 2008 pode ser dividido em duas fases: "QE1" - primeiro "quantitative easing" (compra de títulos e expansão do balanço do Fed), que, através de uma forte liquidez suprida pelo Fed, conseguiu trazer estabilidade aos mercados e gerar crescimento econômico
"QE2" - que pouco mudou a dinâmica da atividade econômica nos Estados Unidos, alterando, no entanto, o comportamento de muitos ativos globais de forma significativa.
Essa nova dinâmica tornou o ambiente mais desafiador tanto para o investidor de longo prazo, que geralmente busca retornos através de análises macroeconômicas, como para investidores de curto prazo, que tentam explorar oportunidades através de análises técnicas e estatísticas.
A decisão do Fed de injetar liquidez e alterar seu balanço em 2009 foi acertada. Os mercados de capitais conseguiram fortalecer-se de forma gradual, com queda da aversão a risco, tendências bem definidas e melhora nos fundamentos macroeconômicos ao redor do mundo.
Entretanto, o segundo pacote de estímulo americano (QE2) parece ter trazido mais incertezas do que benefícios para a economia global e, consequentemente, para a trajetória de diversos ativos. Um bom exemplo foi o comportamento das commodities nos primeiros meses em que o estímulo foi adotado. Esses ativos, que já estavam em tendência de alta, começaram a subir em ritmo mais acelerado gerando alta da inflação nos países emergentes como Brasil e China.
Contribuiu para a concretização desses riscos o fato de os governos desses países mostraram-se mais preocupados com a valorização de suas moedas, buscando, assim, intervir no câmbio ao mesmo tempo em que evitavam altas maiores nas taxas de juros. Criava-se, dessa forma, um ambiente de grande imprevisibilidade quanto às políticas macroeconômicas e seus efeitos no crescimento.
Associados a essas incertezas, temos a crise na dívida dos países periféricos da Europa (e seus infinitos pacotes), receios com bolhas no setor de crédito de países emergentes e questionamentos em relação à recuperação da economia americana, bem como a trajetória da dívida e corte do déficit público. Entretanto, a liquidez abundante e o custo de oportunidade próximo de zero nos países desenvolvidos tornam os investidores mais propensos a assumir riscos, a despeito das incertezas mencionadas.
Uma situação de certa forma paradoxal que ilustra a dificuldade para o investidor de longo prazo é o comportamento recente da correlação do "treasury" de dez anos com as bolsas americanas. No ciclo atual de alta das bolsas, verificam-se vários movimentos de queda dos juros longos acompanhado de elevações em ativos mais de risco. Dado que inflação nos EUA também vem subindo, esse padrão parece ainda menos intuitivo.
Uma possível explicação para esse comportamento errático seria que, com a abundância de liquidez, acaba sobrando dinheiro para os dois tipos de ativos. Essa dinâmica levanta a seguinte questão: Os juros vão começar a subir com o fim do "QE2" ou continuarão baixos pois a economia (que já teve sua projeção de crescimento revisado para baixo) terá dificuldade para se recuperar de forma consistente?
Investidores que buscam explorar oportunidades de curto prazo por meio de análise técnica e estudos estatísticos também estão tendo que se adaptar a esse ambiente. Alguns padrões históricos simplesmente se perderam.
A queda da volatilidade do Ibovespa é um bom retrato: esse indicador encontra-se muito próximo da mínima histórica, o que alguns poderiam argumentar como resultante das recentes melhorias na nota de rating do país. Entretanto, antes do "QE1" é difícil encontrar um momento de queda da bolsa acompanhado de redução da volatilidade, mesmo com as contínuas melhoras nas perspectivas para o Brasil (o Ibovespa apresenta até o dia 14 de julho queda de 14% no ano). Intuitivamente, como a volatilidade é uma medida de risco, num ambiente tão incerto e de queda nos preços dos ativos, era de se esperar exatamente o oposto, ou seja, elevação da volatilidade.
O ambiente atual é errático. A grande liquidez e as muitas incertezas fazem com que os investidores de uma forma geral tenham que se adaptar a essa nova realidade objetivando rentabilidade no mercado financeiro. O investidor de longo prazo terá que ser mais seletivo nas suas decisões de investimento e o investidor de curto prazo terá que criar novos algoritmos que se adaptem a e esse ambiente. O papel dos gestores nesse cenário é fundamental.   (Jacob Weintraub - Valor Online)
 
 
 
 

27.07 - Seguros: Setor vai crescer mais que a meta
O bom momento do mercado de seguros no Brasil levou a Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNSeg) a prever que as empresas superarão a projeção de crescimento estipulada no início do ano, de 12%, ficando entre 14% e 16%. De janeiro a maio de 2011, o total de prêmios chegou a R$ 41,130 bilhões, expansão de 19,52% na comparação com o do mesmo período de 2010, de R$ 34,413 bilhões. Na soma de previdência privada e capitalização, o faturamento ultrapassa R$ 50 bilhões, ou elevação de 18%, de acordo com dados da Superintendência de seguros Privados (Susep).
O mercado de seguros cresce em ritmo acelerado e representa 5,2% do Produto Interno Bruto (PIB). Para o segundo semestre de 2011, a Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNSeg) prevê que o setor ultrapasse a projeção estipulada no início do ano, de 12%, e fique na faixa de 14% a 16%.
De janeiro a maio de 2011, o total de prêmios chegou a R$ 41,130 bilhões, expansão de 19,52% na comparação com o do mesmo período de 2010, de R$ 34,413 bilhões. Na soma com previdência privada e capitalização, o faturamento ultrapassa R$ 50 bilhões, com elevação de 18%, de acordo com dados da Superintendência de seguros Privados (Susep).
Segundo o superintendente de Regulação da CNSeg, Alexandre Leal, o positivo desempenho dos primeiros meses de 2011 deve ser repetido. "Para permanecer na projeção de 12% [divulgada pela CNSeg no início do ano, tem que haver uma desaceleração. Então, deve ficar acima dos 14% registrados em 2010".
Para Leal, o setor cresce apesar da desaceleração econômica. Ao considerar somente seguros, o segmento Patrimonial apresentou elevação expressiva, de 20%, com representação de 9%. O setor foi impulsionado também por seguros de pessoas, cuja participação é de cerca de 19%, com crescimento de 25%, para R$ 24,4 bilhões.
Em relação aos impactos da desaceleração do consumo, com altas das taxas de juros, Leal aponta um possível impacto em automóveis. "Com a altas taxas de juros, pode haver uma diminuição do crédito, o que ocasiona menor venda de automóveis, por exemplo, e se reflete em seguros. Atualmente a participação de veículos é de 20%, com aumento de 7% nos primeiros meses do ano."
Estabilidade econômica, ascensão da renda , eventos esportivos e projetos de infraestrutura serão os principais impulsionadores do mercado na opinião de Gustavo de Albuquerque, advogado e membro da Associação Internacional de Direito de Seguros (Aida). "Muita gente entra nos microsseguros, como o funeral, prestamista e eletrodomésticos, pois agora entende a função do seguro. Ainda há os produtos ligados à construção civil e seguro-garantia com a Copa do Mundo, Olimpíadas e PAC."
O desempenho no mercado acionário das companhias Porto Seguro, SulAmérica e Brasil Insurance tem-se mostrado instável nos últimos dias. Na segunda-feira (25), a Porto Seguro operava em queda de 1,46%, com preço de R$ 22,80. A baixa se repetiu na terça (26), com queda de 0,26 e valor de fechamento de R$ 22,80.
Na SulAmérica, a segunda-feira (25) foi de queda de 0,11%, com preço de R$ 17,90. O cenário foi diferenciado na terça (26), quando finalizou em alta de 2,23% e preço de fechamento de R$ 18,30. As ações ON da Brasil Insurance estavam em queda na segunda (25), de 0,50%, com preço de R$ 19,90 ao final do dia. O resultado negativo se repetiu na terça (26), de 0,25%, com preço de R$ 19,85.
Mas o analista econômico da corretora WinTrade, José Góes, credita as quedas à performance do mercado. "Tem estado muito ruim e é natural que afete todas as empresas. Mas o setor de seguros é interessante, porque estas companhias tendem a ganhar mais dinheiro." A Ibovespa fechou terça feira em queda de 1,05%, com 59.339 pontos.
Atuação no Brasil
Os grupos nacionais focam no Brasil como principal mercado de expansão. Na divulgação de resultados do primeiro semestre, a espanhola Mapfre destacou o Brasil com o início de operações com o Banco do Brasil, que gerou aumento de 15% do patrimônio líquido do conglomerado. O lucro chegou a 543,2 milhões de euros, puxado pela América Latina.
"Ao longo dos anos, uma série de empresas chegou e fomos tomando uma relevância expressiva. Esta é uma tendência que deve se consolidar nos próximos anos, inclusive observamos que companhias voltaram depóis de terem saído do Brasil", disse Alexandre Leal, da CNSeg.
Outra novidade do mercado foi a venda das operações de seguros na América Latina pelo holandês ING a o grupo colombiano Suramericana por US$ 3,9 bilhões.
Em consequência da crise de 2008, a empresa também leiloa 36% de sua participação na Sul América, que deve ser fechada com o grupo francês AXA.
Nesta semana, o Banco do Brasil também oficializou a compra da fatia da SulAmérica na BrasilCap por R$ 137 milhões, o que oficializa o fim da parceria. O acordo já tinha sido finalizado nos ramos de vida e automóveis.   (Marcelle Gutierrez - DCI)

27.07 - Investimento estrangeiro bate recorde
Entrada de recursos voltados para a produção chega a US$ 32,5 bi e cobre o rombo, também recorde, das contas externas, de US$ 25,5 bi
A entrada de investimentos estrangeiros diretos - voltados para o setor produtivo - atingiu no primeiro semestre a marca recorde de US$ 32,5 bilhões, a mais alta desde o início da série histórica do Banco Central (BC), em 1947. Em seis meses, a entrada de recursos superou o volume de ingressos anuais de toda a série, com exceção de quatro anos, e cobriu, com folga, o déficit das contas externas brasileiras.
O saldo negativo de US$ 25,5 bilhões nas contas externas, impulsionado por gastos sem precedentes com viagens internacionais e aluguel de equipamentos, também foi recorde na primeira metade do ano.
No período acumulado em 12 meses, os investimentos diretos também superaram, com larga vantagem, o saldo negativo da chamada conta corrente, que registra as transações comerciais, de serviços e transferências de renda do País com o exterior. Para o BC, isso indica a boa saúde das contas externas.
Enquanto os investimentos direcionados ao setor produtivo estão em forte crescimento, os ingressos de recursos para aplicações em títulos de renda fixa e ações estão em baixa. A entrada de investimentos estrangeiros estritamente financeiros somou US$ 11,6 bilhões, quase a metade do observado no primeiro semestre de 2010.
O BC voltou a negar irregularidades no ingresso de investimentos diretos (IED), apesar das suspeitas do mercado financeiro, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do próprio governo federal. A desconfiança é que a rubrica estaria sendo usada para os investidores driblarem a taxação mais alta do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
"Prefiro atribuir o ingresso de IED, que está dentro da trajetória prevista, às condições da economia brasileira", disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel. Ele destacou que as estatísticas mostram que tem havido operações muito vultosas que permitem ao BC acompanhar se o registro está sendo feito corretamente.
Mês a mês, os ingressos de IED têm surpreendido. A previsão inicial do BC era de US$ 4,5 bilhões em junho. O resultado ficou quase US$ 1 bilhão acima da previsão. Maciel disse que houve uma concentração de investimentos na última semana de junho, disseminada entre diversos setores. A projeção de saldo para os investimentos estrangeiros diretos no ano é de US$ 55 bilhões, o que pressupõe uma média mensal de ingressos de US$ 4 bilhões no segundo semestre, número que o BC espera que já ocorra em julho.
Para o ex-diretor do Banco Central Carlos Thadeu de Freitas, o investimento direto deve continuar alto, porque a taxa de retorno ao investidor é muito elevada no Brasil em comparação a outros países. "O cenário continuará favorável para investimentos", disse, destacando as boas oportunidades em investimentos em infraestrutura.  (Fabio Graner e Adriana Fernandes - O Estado de S.Paulo)

27.07 - Mantega: Brasil é um dos mais preparados
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o Brasil é um dos países mais preparados para enfrentar os problemas mundiais por causa da solidez da economia e do forte mercado doméstico. “O que falta no mundo é mercado. O Brasil tem grande vantagem porque construiu o mercado interno”, afirmou.
Segundo Mantega, a demanda interna estimula a economia brasileira e os investimentos. “Vamos garantir esta demanda para manter a economia ativada. Esta demanda vem da ascensão social”, disse o ministro, acrescento que a demanda no País é constituída por emprego e renda.
O ministro lembrou que o governo trabalhou no sentido de moderar a economia. “Crescemos 7,5% no ano passado e estamos reduzindo a demanda e o crescimento do crédito. No primeiro trimestre, já vimos este resultado e, no segundo trimestre, o crescimento será menor que isso”, afirmou. O ministro disse que a economia já cresce num patamar de 4,5%. “A economia não está superaquecida. Portanto, é um crescimento sustentável”, afirmou.
“Reduzindo gastos públicos, não derrubamos o crescimento do emprego. Está é uma conquista da sociedade. O Brasil é um dos países do mundo que mais gera emprego e não vamos deixar escapar esta conquista”, disse.  (Renata Veríssimo e Eduardo Rodrigues - Jornal da Tarde)
 
 
 
 

26.07 - Falha em prever crises expõe agências de risco
Quão arriscado é investir em determinada empresa ou país? O papel das agências de classificação de risco é fornecer resposta à essa pergunta.
Fazem isso por notas dadas aos títulos de dívida emitidos. São os chamados "ratings". As notas piores são as que confirmam que uma empresa ou país deu calote.
As melhores são as chamadas grau de investimento, que apontam um risco muito baixo de "default". Mas mesmo nessas categorias existem gradações.
O Brasil recebeu em anos recentes o grau de investimento das três principais agências: Fitch, Moody's e Standard & Poor's. Mas em nenhum dos casos tem a nota mais alta possível.
Há algumas décadas, as agências de classificação de risco são alvo de uma saraivada de críticas. O motivo geralmente é agir tarde demais. Às vezes sobem a nota do país ou da empresa quando já é notório que as condições financeiras melhoraram significativamente.
E pior: com alguma frequência só apontam problemas quando o furacão já passou.
Foi assim na crise da Ásia em 1997, quando nenhuma agência deu sinal de que problemas econômicos significativos poderiam estourar. Enredo idêntico ao da crise financeira de 2008, quando a enorme encrenca dos títulos que refletem o perigo de calotes nas hipotecas imobiliárias passou despercebida.
Um detalhe sobre a atuação das agências é que elas são pagas pelos próprios emissores de títulos que querem e precisam ser avaliados. Precisam porque a chancela das agências é importante para atrair investimentos. Há grandes fundos de pensão que só podem colocar dinheiro em títulos que sejam grau de investimento. A ironia do momento atual é que as agências -ainda que tardiamente- estão colocando o dedo nas feridas das nações desenvolvidas e sofrendo alguma resistência dos governos desses países.
Foi o caso de Portugal quando a Moody's rebaixou a nota dos títulos da dívida pública do país para nível que indica risco de calote, no início de julho.
O presidente da Comissão Europeia, o português José Manuel Barroso, afirmou que a entidade tinha avaliações mais "refinadas e completas" que as da agência.
Agora, assim que as agências começaram a anunciar o previsto, que a Grécia vai ganhar o selo de calote, os europeus reagiram dizendo ter planos para criar sua própria entidade de classificação.
A verdade é que, desde a crise financeira de 2008, há discussões entre as maiores economias do mundo sobre métodos alternativos aos "ratings" das agências, mas as discussões ainda patinam. Mais urgente que isso é consertar as finanças públicas dos países desenvolvidos.  (ÉRICA FRAGA - Folha de S.Paulo)

26.07 - O futuro do crescimento econômico
Talvez pela primeira vez na história moderna, o futuro da economia mundial está nas mãos dos países pobres. Os Estados Unidos e a Europa marcham como gigantes feridos, vítimas dos seus excessos financeiros e paralisia política. Parecem condenados, por seu pesado endividamento, a anos de estagnação ou crescimento lento, ampliando a desigualdade e possíveis conflitos sociais.
Grande parte do resto do mundo, entretanto, está carregado de energia e esperança. Autoridades governamentais na China, Brasil, Índia e Turquia estão preocupados com crescimento excessivo, e não com pouco crescimento. Sob determinados parâmetros, a China já é a maior economia no mundo e os mercados emergentes e os países em desenvolvimento respondem por mais de metade da produção mundial. A empresa de consultoria McKinsey qualificou a África, há muito tempo sinônimo de fracasso econômico, de terra dos "leões em movimento".
Como acontece frequentemente, a ficção reflete melhor a mudança de clima. "Super Sad True Love Story" (Verdadeiro Caso de Amor Supertriste), romance em quadrinhos do russo Gary Shteyngart, é um guia tão bom quanto qualquer outro para o que pode nos esperar. Situado num futuro próximo, a história se desenrola contra o pano de fundo de um EUA financeiramente arruinado sob uma ditadura de partido único e envolvido em mais uma inútil aventura militar no exterior - dessa vez na Venezuela. Todo o trabalho real nas empresas é feito por imigrantes qualificados; faculdades da Ivy League adotaram os nomes de suas homólogas na Ásia a fim de sobreviver; a economia está endividada junto ao banco central da China e "dólares ancorados ao yuan" substituíram a moeda tradicional como ativo seguro preferido.
Mas serão os países em desenvolvimento realmente capazes de puxar a economia mundial? Grande parte do otimismo sobre suas perspectivas econômicas é resultado da extrapolação. A década anterior à crise financeira mundial foi, sob muitos aspectos, a melhor de todos os tempos para os emergentes. O crescimento disseminou-se para muito além de um pequeno número de países asiáticos e, pela primeira vez desde a década de 1950, a grande maioria dos países pobres experimentou o que os economistas chamam de convergência - um estreitamento do diferencial de renda em relação aos países ricos.
Crescimento baseado em afluxos de capital ou booms de commodities tendem a ser de curta duração. Crescimento sustentado requer a elaboração de incentivos para encorajar investimentos do setor privado em novos setores, e fazê-lo com um mínimo de corrupção.
Esse, no entanto, foi um período peculiar, caracterizado por muito vento de cauda econômico. Os preços das commodities estavam elevados, o que beneficiou países africanos e latino-americanos em especial, e o financiamento externo foi abundante e barato. Além disso, muitos países africanos bateram no fundo do poço e recuperam-se de longos períodos de guerra civil e declínio econômico. E, como sabemos, o rápido crescimento nos países avançados alimentou, de modo geral, um aumento no volume do comércio mundial até níveis recordes.
Em princípio, um baixo crescimento pós-crise nos países avançados não bloqueará, necessariamente, o desempenho econômico dos países pobres. Em última instância, o crescimento depende de fatores do lado da oferta - investimento e aquisição de novas tecnologias - e do estoque de tecnologias que podem ser adotadas pelos países pobres e que não desaparece quando o crescimento dos países avançados fica lento. Assim, o potencial de crescimento dos países atrasados é determinado por sua capacidade de eliminar o atraso em relação à fronteira tecnológica - e não pela velocidade com que a própria fronteira está avançando.
A má notícia é que ainda não temos uma compreensão adequada sobre quando esse potencial de convergência é concretizado ou sobre o tipo de políticas que gerem crescimento autossustentado. Mesmo casos de inquestionável êxito têm sido objeto de interpretações conflitantes. Alguns estudiosos atribuem o milagre econômico da Ásia a mercados mais livres, ao passo que outros acreditam que intervenção estatal foi o fator decisivo. E a aceleração excessiva de crescimento, após algum tempo, perdeu impulso.
Os otimistas estão confiantes em que dessa vez será diferente. Eles acreditam que as reformas da década de 1990 - melhor política macroeconômica, maior abertura e mais democracia - colocaram o mundo em desenvolvimento em curso de crescimento sustentado. Recente relatório do Citigroup, por exemplo, prevê que o crescimento será fácil para países pobres com populações jovens.
Minha leitura das evidências é mais cautelosa. É certamente motivo para comemoração que as políticas inflacionárias tenham sido extirpadas e a governança melhorou em grande parte do mundo em desenvolvimento. De modo geral, essas mudanças melhoram a resistência da economia a choques e evitam colapsos econômicos.
Mas desencadear e sustentar crescimento rápido exige algo mais: políticas orientadas para a produção que estimulem mudanças estruturais em curso e fomentem emprego em novas atividades econômicas. Crescimento baseado em afluxos de capital ou booms de commodities tendem a ser de curta duração. Crescimento sustentado requer a elaboração de incentivos para encorajar investimentos do setor privado em novos setores - e fazê-lo com um mínimo de corrupção e competência adequada.
Se a história pode nos servir de guia, o leque de países que capazes desse feito continuará estreito. Assim, embora possa haver menos colapsos econômicos devido a melhor gestão macroeconômica, crescimento elevado provavelmente permanecerá episódico e excepcional. Em média, o desempenho pode ser um pouco melhor do que no passado, mas nem de longe tão espetacular como esperam os otimistas.
A grande questão para a economia mundial é se os países avançados atolados em dificuldades econômicas serão capazes de abrir espaço para o rápido crescimento dos países em desenvolvimento cujo desempenho dependerá em larga medida de sua incursão em setores industriais e de serviços onde os países ricos têm sido tradicionalmente dominantes. As consequências para o nível de emprego nos países avançados seriam problemáticas, especialmente tendo em conta a escassez de empregos com altos salários. Consideráveis conflitos sociais poderão tornar-se inevitáveis, colocando em risco o apoio político a aberturas econômicas.
Em última instância, parece inevitável uma convergência maior na economia mundial pós-crise. Mas uma grande reversão na sorte dos países ricos e pobres não parece economicamente provável nem politicamente viável.   (Dani Rodrik - Valor Online)

26.07 - A referência do mercado brasileiro: Ibovespa ou 'Ibovestatal'?
Sempre ouvi dizer que os detalhes são o mais importante. Que eles definem o todo e que podem comprometer um grande projeto. Fico me perguntando, assim como a maioria dos investidores, o motivo pelo qual o Ibovespa apresenta a segunda pior rentabilidade entre as bolsas do mundo capitalista.
Desde o inicio do ano até a primeira semana de julho, nosso Ibovespa apresentou variação negativa de 10,24%, sendo melhor apenas do que a bolsa grega, com queda de 10,60%. A indiana caiu 6,86%, a chinesa, 2,19%, e a russa, única representante do Bric no azul, subiu 1,38%.
Será que nós, brasileiros, estamos só um pouquinho melhores dos que os gregos? Nossa economia está só um pouquinho melhor que a deles? Nossa dívida externa é impagável como a deles? Claro que não. Então, por que estamos só um pouco melhores do que eles em termos de desempenho das ações negociadas em bolsa de valores?
E quem disse que a bolsa de valores brasileira está ruim? O Ibovespa disse. E o que dizem outros índices compostos por empresas cujas ações são negociadas na Bovespa, mas que são pouco divulgados?
Vamos a alguns deles e suas variações no primeiro semestre:
IBrA (ações mais negociadas nos últimos 12 meses), queda de 6,18%
IMOB (setor imobiliário), queda de 13,93%
INDX (setor industrial), queda de 10,66%
ICON (consumo), queda de 3,77%
IEE (energia elétrica), alta de 10,39%
ITEL (telecomunicações), alta de 22,81%;
UTIL (utilidade publica), alta de 12,20%
IDIV (dividendos, que reúne ações com os maiores "yields" nos últimos dois anos), alta de 2,71%
É uma variedade de índices, sendo que alguns deles em desacordo com o título que recebem. O IDIV, por exemplo, possui em sua composição ações de empresas com maior peso que outras, apesar de um "dividend yield" bem menor. É o caso de Ambev, CCR e Natura com mais peso que Eletropaulo, Tietê e Transmissão Paulista. Isso apenas por terem mais liquidez que as outras. Mas é o critério, e não se discute.
Há também o UTIL, formado por ações de empresas de utilidade pública com alto "dividend yield". Esse sim deveria ser o IDIV. Pelo menos é composto por ações com os maiores "yields" da Bovespa.
E o Ibovespa propriamente dito? O que diz o próprio site da Bovespa? "O Ibovespa é o mais importante indicador do desempenho médio das cotações do mercado de ações brasileiro". Mais: "A finalidade básica do Ibovespa é a de servir como indicador médio do comportamento do mercado".
Concordo que não devemos usar outros índices apenas porque estão com rentabilidades superiores. Acho correto usar o Ibovespa, que engloba um grande numero de empresas. Mas será que o critério é o melhor? Será que deveríamos privilegiar determinadas ações por possuírem mais liquidez? A quem pretendemos informar quando o Ibovespa é divulgado?
Será que, no fim das contas, não acabamos influenciando negativamente o público quando mostramos o principal indicador bursátil caindo mais que 10%? Essa é a realidade do mercado de ações brasileiro? Mais de 30% do Ibovespa é formado por empresas cujas decisões administrativas e estratégicas são emanadas diretamente de Brasília. Ilustres e imortais políticos têm o poder de influenciar o índice com suas sábias e imparciais decisões.
E se adicionarmos nessa parcela as empresas do setor financeiro, esse peso passa a mais de 48% na composição do Ibovespa. Qual não deve ser o sofrimento do gestor que não concorda com a gestão pública e não investe no setor financeiro, mas precisa do Ibovespa como referencial. E não pretendo entrar na área de influência do BNDESPAR e até onde conseguem ir seus tentáculos.
Sei que não conseguiremos viver numa ilha da fantasia, isolados dos acontecimentos, mesmo que nossa economia esteja em melhores condições que a maioria dos países industrializados. Entretanto, é importante mostrar o desempenho de outras empresas e não apenas as de gestões públicas, que são, de maneira geral, repudiadas pelos investidores.
Basta tomarmos os exemplos mais recente de Petrobras e Vale, que, apesar de mostrarem os maiores lucros de suas histórias, vêm se desvalorizando dia após dia.
Para o bem do crescimento da base de investidores, devemos divulgar, ao lado do "Ibovestatal", o IDIV, o IEE, o UTIL, o ITEL, em que a gestão, a transparência e os dividendos poderão atrair mais adeptos do que simples aliados da base governamental.   (Fernando Leitão - Valor Online)
 
 
 
 
 

25.07 - Private equity: Captação e investimento recordes no país
O mercado brasileiro de fundos de "private equity" - que compram participações em empresas de capital fechado - virou um jogo para gente cada vez maior. Em um espaço de pouco menos de um mês, duas das principais gestoras nacionais, Vinci Partners e BTG Pactual, fecharam captações dos dois maiores fundos já destinados ao país, de US$ 1,4 bilhão e US$ 1,6 bilhão, respectivamente. O recorde pode ser batido novamente pela gestora Gávea, que também está para concluir uma captação bilionária. Estima-se que atualmente existam outros US$ 9 bilhões em fase de captação.
Não só a captação neste ano deverá ser recorde, como também o volume efetivamente investido na compra de participação em empresas por fundos nacionais e estrangeiros. Especialistas estimam que a cifra chegue ao patamar de US$ 10 bilhões, superando em quase 60% os US$ 6,3 bilhões aplicados no ano passado. Com isso, os fundos de private equity já rivalizam com as ofertas de ações como fonte de recursos para as empresas. No ano passado, as ofertas primárias de ações, que representam dinheiro no caixa das companhias, totalizaram R$ 10 bilhões. Vale lembrar que muitas vezes os private equity entram comprando fatias de outros acionistas e não injetando dinheiro novo nas empresas.
No primeiro semestre, no entanto, as aquisições ficaram aquém do esperado, período em que vários fundos se posicionaram na ponta vendedora, mas a estimativa de US$ 10 bilhões se mantém nos cálculos de agentes da indústria.
Ainda que de forma mais seletiva, os pesos-pesados do setor aproveitaram os cofres cheios e partiram para o ataque. A Advent, que no ano passado levantou US$ 1,65 bilhão para investir na América Latina, adquiriu 50% do Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP) por R$ 835 milhões. O primeiro negócio do fundo de US$ 1,7 bilhão da argentina Southern Cross também foi no Brasil, com a aquisição da fabricante gaúcha de utensílios de cozinha Brinox.
Conhecido por adotar uma postura mais ativa, logo após captar seu primeiro fundo, o BTG Pactual não perdeu tempo e entrou nas negociações - por ora frustradas - para a criação do Novo Pão de Açúcar, que reuniria os ativos da rede de supermercados comandada por Abílio Diniz com os do Carrefour. O fundo, porém, já conta com outras duas empresas: a Brasbunker, que atua na prestação de serviços para a indústria de petróleo, e a rede de drogarias Brazil Pharma.
A lista de gestores com fundos bilionários na praça inclui ainda a Vinci Partners, do ex-Pactual Gilberto Sayão, que já alocou uma parte dos US$ 1,4 bilhão obtido dos investidores na masterfranqueada da rede de fast food Burger King no Brasil e na empresa de locação de veículos Unidas (ao lado da Kinea, do Itaú, e da Gávea).
Com a maior competitividade em torno dos projetos, o aumento no tamanho dos fundos é uma tendência para o setor, segundo o superintendente executivo de private equity do Banco Santander, Geoffrey Cleaver. "Os cheques têm ficado cada vez maiores para compensar a rentabilidade mais apertada dos projetos", diz. O investimento médio dos fundos com foco em infraestrutura, que girava em torno de R$ 50 milhões, subiu para R$ 200 milhões, o que eleva o patrimônio necessário desses fundo para a casa de R$ 2 bilhões, afirma o executivo.
Além das gestoras tradicionais, os investimentos no País devem ser reforçados ainda pelos chamados fundos "fly-in", de empresas estrangeiras que não possuem escritórios nem portfólios dedicados exclusivamente ao país. Em 2010, eles responderam por mais de um terço dos negócios dos private equity.
O crescente interesse em ativos brasileiros coincide com a demanda das empresas em angariar recursos para financiar seus planos de expansão, o que cria condições ideais para o volume de investimentos aumentar ainda mais, avalia Alexandre Pierantoni, sócio da PwC Brasil. A empresa de auditoria e consultoria estima que 43% dos negócios de fusões e aquisições anunciados no país neste ano até junho tenham participação de private equity. Em 2006 essa participação era de 11%.
"Todos os grandes gestores internacionais possuem ou planejam ter presença no Brasil", diz Pierantoni. Não por acaso, importantes negócios do ano passado envolveram a compra de participações em gestoras nacionais, incluindo a entrada da Blackstone no capital do Pátria Investimentos e a aquisição do controle da Gávea pela Highbridge, braço de investimentos alternativos do J.P. Morgan.
Apesar do apetite por aquisições e dos recursos disponíveis, os negócios ainda estão aquém do potencial. De um modo geral, o número de operações de fusões e aquisições recuou 9% no primeiro semestre deste ano, segundo levantamento da PwC. No período, as gestoras de private equity apareceram com destaque na venda de participações, especialmente em ofertas públicas iniciais (IPO, na sigla em inglês).
O ritmo mais lento é resultado de uma maior seletividade dos gestores, segundo Leonardo Ribeiro, sócio da gestora Ocroma. "Em busca de condições mais favoráveis para o fundo, as negociações acabam levando um tempo maior para ser concluídas", afirma. A chegada dos grandes fundos aumentou ainda a concorrência por potenciais ativos, algo relativamente novo no mercado brasileiro.  (Vinícius Pinheiro - Valor Online)

25.07 - Fundo de dividendos: variável com menos riscos
Concentrado em setores mais consolidados, investimento acumula rentabilidade de 10,03% nos últimos 12 meses
Em um cenário de instabilidade no mercado de ações, os fundos de dividendos vêm aos poucos atraindo a atenção do investidor que não abre mão da renda variável, mas que tem perfil mais conservador e é avesso a grandes riscos. Com aplicação em papéis de setores mais consolidados, esses produtos captaram R$269 milhões no ano até o último dia 19, no terceiro melhor resultado para o período entre os fundos de ações acompanhados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Nos últimos 12 meses, esses fundos acumulam uma rentabilidade de 10,03%, contra rendimento negativo de 7,3% dos fundos indexados ao Índice Bovespa.
Para o superintendente nacional de Gestão de Ativos da Caixa, Marcelo de Jesus, os fundos de dividendos são uma opção para quem quer investir em renda variável e, ao mesmo tempo, evitar as grandes flutuações do mercado de ações. Isso porque concentram suas carteiras em setores mais consolidados, como telecomunicações, bancos e energia - que pagam dividendos maiores e são menos sensíveis às flutuações da bolsa. Essas empresas também apresentam uma resistência maior aos períodos de inflação em alta, porque têm seus custos corrigidos, justamente, por índices de preços.
O superintendente executivo de Fundos de Investimento do Santander, Eduardo Castro, dá outra razão para o maior interesse neste segundo semestre: as incertezas no cenário internacional. Ele cita a indefinição sobre o teto da dívida nos Estados Unidos, a crise dos países periféricos da Europa (apesar do recente pacote de ajuda financeira à Grécia) e ainda as dúvidas sobre a capacidade de crescimento da China:
- Neste ambiente de incertezas, esse tipo de investimento vai ter uma performance melhor que as demais opções da renda variável, porque está ligado a empresas que têm resultados menos elásticos. É uma opção mais defensiva - diz Castro.
No Banco do Brasil - que administra o maior fundo de dividendos do país, com patrimônio líquido de R$815 milhões -, a aplicação foi a menos impactada pela fuga de investidores entre as opções de renda variável no primeiro semestre. Segundo Jorge Ricca, gerente executivo de Fundos de Ações, isso se deve principalmente ao bom desempenho que o fundo teve se comparado ao resultado do índice Bovespa.
- Nos últimos 24 meses nosso fundo de dividendos teve uma rentabilidade de 34,35%, contra um desempenho de 21,25% da Bovespa - afirma.
O investidor pode ter acesso a esses fundos com investimentos a partir de R$200 e taxas de administração que variam de 1,5% a 4% ao ano. Em geral, esses fundos reaplicam os dividendos recebidos na própria carteira, o que faz com que esse rendimento seja tributado em 15% pelo Imposto de Renda.
Rendimento deste segmento é livre de impostos
Existem, porém, opções no mercado que já permitem que o investidor receba os dividendos separadamente. Esse rendimento é pago diretamente na conta corrente do investidor e é livre de impostos, uma vez que já foi tributado quando foi distribuído pelas empresas.
- A pessoa que investe nesse tipo de produto está mais interessada na renda que vai receber mensalmente do que no valor das cotas - diz Osvaldo do Nascimento, diretor de Investimentos e Previdência Pessoa Física do Itaú, que lançou há menos de um ano dois fundos que distribuem dividendos separadamente aos cotistas.
Segundo Nascimento, o produto funciona como o investimento em imóveis para aluguel, uma vez que paga um rendimento periódico sobre um valor de patrimônio que pode variar ao longo do tempo. A vantagem, no caso desses fundos, é que o rendimento já vem livre de impostos enquanto o ganho com aluguel é tributado pelo Imposto de Renda. No Itaú, as opções Personalité Renda Dividendos e Private Renda Dividendos permitem aplicações a partir de R$2 mil e cobram taxa de administração de 4% ao ano.
Porta de entrada para renda variável
No ano até o dia 19, os fundos de dividendos acumulam rentabilidade negativa de 2,35%, segundo a Anbima. Apesar de negativo, o resultado é o segundo melhor da categoria de ações, atrás somente dos fundos fechados de ações, que renderam 0,85%, e está significativamente melhor que a rentabilidade negativa de 15,09% registrada pelos fundos indexados ao Ibovespa. Castro, do Santander, frisa que, apesar de os fundos de dividendos terem um desempenho melhor que a média em tempos de Bolsa em queda, essas aplicações tendem a render abaixo da média em momentos de mercado em alta. Exatamente por causa da maior estabilidade no desempenho das empresas.
- Esse fundo pode ser encarado como porta de entrada para o investidor que está migrando para a renda variável. Ou como um fundo de renda variável mais conservador, que vai ter um desempenho melhor em tempos de baixa - afirma.
O sócio-diretor da consultoria TGX Capital Rodrigo Lara diz que a maior distribuição de dividendos é uma garantia de que o ganho da empresa será apropriado pelo acionista ou cotista do fundo de dividendos.  (Paulo Justus - O Globo)

25.07 - Nova alta dos juros aumenta vantagens da renda fixa
Banco Central, porém, deverá parar de elevar a taxa básica de juros da economia, advertem especialistas
No país dos maiores juros do planeta, as aplicações em renda fixa viram o "caminho natural" em época de aumento de juros, principalmente para aqueles que preferem manter distância das ações.
O Banco Central voltou a elevar a taxa de juros na semana passada, desta vez para 12,5% ao ano. Depois de cinco altas consecutivas, porém, o BC indicou que pode ter encerrado o ciclo de alta dos juros, segundo analistas.
"O primeiro semestre foi desfavorável para a renda variável. E vai continuar assim enquanto o cenário externo continuar confuso", diz Demósthenes Pinho Neto, diretor da área de fundos da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).
Essa facilidade, no entanto, não isenta o investidor de algumas escolhas e cuidados: altas taxas de administração, as mordidas do Imposto de Renda, os prazos da aplicação e a opção entre produtos prefixados ou pós-fixados podem comprometer os ganhos.
Para saber em qual dos dois aplicar, é bom analisar a perspectiva para os juros nos próximos meses. Se for de queda, o ideal é o prefixado, que aproveita a alta do momento. Em caso de alta, o pós-fixado é a melhor opção.
"Os melhores investimentos nesses períodos são aqueles indexados aos juros pós-fixados e os fundos de renda fixa com papéis ajustados de acordo com o aumento das taxas", afirma Gilberto Braga, professor do Ibmec-RJ.
É o caso de alguns títulos pós-fixados do Tesouro, como as LFTs, atreladas à trajetória da taxa Selic. Quanto mais a taxa sobe, mais os investidores ganham. Outros exemplos são os fundos DI e os CDBs (Certificado de Depósito Bancário) pós-fixados.
CUSTOS
Cada uma dessas aplicações tem vantagens e desvantagens. Os fundos DI são produtos de "prateleira" dos bancos, mas arcam com taxas de administração inversamente proporcionais à aplicação mínima. Quanto menores, maiores os custos ""em média, 1,24%, diz a Anbima.
Também têm o chamado "come-cotas", a cobrança semestral do IR, que, com as taxas de administração, reduz os ganhos.
Os CDBs também são práticos, com a vantagem de o IR ser cobrado só no resgate.
Já os títulos do Tesouro Direto, dependendo da corretora, podem oferecer custos bem menores, mesmo para aplicações de baixo valor.
E o IR, em boa parte dos casos, também é cobrado somente no resgate. Em compensação, o investidor terá de arcar com a burocracia para se inscrever no Tesouro Direto, além de ficar responsável pela escolha dos papéis.
Todas as aplicações de renda fixa pagam Imposto de Renda de acordo com uma tabela regressiva, que estabelece que a menor alíquota (15%) vigora para investimentos de, no mínimo, dois anos.  (EPAMINONDAS NETO e GIULIANA VALLONE - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 

22.07 - A bonança do mercado de private equity e a pessoa física
O mercado brasileiro de private equity está bem aquecido. Em 2010, foram realizadas 80 transações por cerca de 50 gestoras diferentes. O valor total investido foi de US$ 6 bilhões, um recorde histórico para o setor.
Desde 2004, é a primeira vez que o volume investido em private equity supera o valor levantado por ofertas públicas iniciais (IPOs, na sigla em inglês) na bolsa de valores. A expectativa é que, em 2011, o volume investido possa atingir US$ 10 bilhões e permanecer nesse patamar até 2013.
É possível notar o interesse dos investidores estrangeiros em fundos e operações de private equity na região. O Brasil passou a ser o destino mais procurado entre os países emergentes e já representa 1/5 do mercado de private equity desses países. Esse número era metade em 2009.
Com a chegada dos fundos de fundos de private equity no Brasil, algo ainda novo, os investidores pessoas física e "family offices" - de alta renda - poderão também entrar nesse mercado. Um fundo de fundos aplica em diversos fundos de private equity e realiza coinvestimentos em empresas junto com gestores selecionados.
No mundo, mais de 22% dos recursos investidos em private equity passam por fundos de fundos. Esse instrumento permite a diversificação da carteira de investimentos com "tickets" de entrada muito mais acessíveis.
Fundos de fundos são especialmente úteis para se acessar o segmento de "growth capital" e "mid-market buyout", no qual atuam gestoras independentes especializadas e de tamanho menor, muitas vezes com nomes pouco conhecidos dos investidores. A grande tendência no Brasil é que a maioria das transações, principalmente aquelas com preços de entrada mais atrativos, aconteçam nesses segmentos.
Companhias de menor porte, mas com crescimento projetado que permita sua venda ou mesmo entrada em bolsa de valores em prazo de cinco anos, são excelentes oportunidades e continuam sendo negociadas de quatro a seis vezes o Ebitda, o que muitas vezes se reflete em um preço bastante atrativo de entrada. Além disso, essas empresas se beneficiam muito do apoio estratégico-operacional que os melhores fundos de private equity conseguem aportar às empresas.
Com esse segmento do mercado mais aquecido, mais empresários e empreendedores buscarão capitalizar suas empresas e projetos por meio de private equity. Nos segmentos de "growth capital" e "buyout" pode se observar empresas de médio e grande porte, muitas vezes familiares, buscando recursos para adquirir concorrentes, colocar em prática seus planos de crescimento ou mesmo facilitar processos sucessórios e de profissionalização.
Muitos entraves para o desenvolvimento do private equity foram superados como, por exemplo, a falta de estruturas jurídicas adequadas para regular os fundos de private equity, a dificuldade de desinvestimento, instabilidade econômica, entre outros.
Atualmente, a CVM criou instrumentos modernos para private equity (FIP, FIC-FIP e FMIEE) dando mais segurança ao investidor, a bolsa restaurou o apetite por IPOs e há mais estabilidade tornando mais atrativos investimentos de longo prazo. Sem falar nos excelentes retornos que os fundos têm alcançado. Investimentos como Gafisa, ALL, Gol, Odontoprev e outros retornaram de cinco a 30 vezes mais o capital investido.
São Paulo e Rio de Janeiro ainda são os estados que mais atraem capital. Em 2009, os dois estados representavam 80% do volume investido em PE, em 2010 esse percentual passou para 89%. Outras regiões como Minas Gerais e Rio Grande do Sul começam a ganhar espaço. Nesses Estados, é possível encontrar um grande número de empresas de médio porte atrativas, que poderiam ser alvo dos investimentos de "growth capital" e "mid-market buyout".
Esse "gap" já começa a ser coberto. Em Minas, os investimentos cresceram 48%, para US$ 272 milhões no ano passado, e o número de transações aumentou 167%, para oito. Já no rio Grande do Sul, o aumento dos investimentos foi de 550%, para US$ 105 milhões e as transações registraram elevação de 25%, para um total de cinco operações.
O mercado de private equity vem mantendo um desempenho extraordinário desde 2004, ano em que os desinvestimentos foram facilitados pelo aquecimento de capital e os diversos IPOs decorrentes disso. Durante os últimos cinco anos o mercado de private equity tem crescido 46% ao ano. A crise não diminuiu as atividades de investimento nem as captações, principalmente nos fundos de pensão. Essa é uma tendência que deve permanecer por um bom tempo.  (Leonardo Ribeiro - Valor Online)

22.07 - Pontos-chave para salvar a Grécia e a Zona do Euro
O acordo que os líderes da zona do euro alcançaram nesta quinta-feira para ajudar a Grécia e garantir a sobrevivência da moeda única implica em várias medidas, na maioria das vezes muito técnicas, que vão desde a redução da dívida até a adoção de novas ferramentas do Fundo de ajuda da União Monetária.
Os principais pontos do projeto de acordo são:
CONDIÇÕES DE EMPRÉSTIMOS SUAVIZADAS:
A zona do euro aumentará dos atuais 7 anos e meio para no mínimo 15 anos, podendo chegar a 30 anos, com um "período de carência de dez anos" antes do primeiro pagamento, a duração dos empréstimos feitos aos países em dificuldade, como Grécia, Irlanda e Portugal.
Paralelamente, as taxas de juros serão reduzidas, de 4,5% para 3,5%, o que diminuirá a carga da dívida.
NOVO PLANO DE AJUDA À GRÉCIA:
A zona do euro, o FMI e os credores privados fecharam para a Grécia um segundo plano de resgate de três anos (2011-2014), de 158,6 bilhões de euros. Os países do euro e o Fundo Monetário Internacional (FMI) aportarão 109 bilhões em empréstimos, cuja divisão ainda será definida.
O primeiro plano de três anos, fechado em maio de 2010 com a zona do euro e o FMI, era de 110 bilhões de euros. Desse montante, restam ser entregues 42 bilhões de euros, que se somam ao segundo pacote anunciado nesta quinta-feira.
CONTRIBUIÇÃO DE CREDORES PRIVADOS:
Os detentores privados da dívida grega (bancos, seguradoras, fundos de pensão...) também vão participar do esforço. Sua contribuição é estimada em 49,6 bilhões de euros. Desse montante, 37 bilhões virão de uma "contribuição voluntária", e 12,6 bilhões consistirão de uma recompra da dívida.
Em dez anos, "da metade de 2011 ao final de 2020", a contribuição privada será elevada para 106 bilhões de euros.
Em meio à sua participação "voluntária", os credores poderão escolher entre quatro opções:
- Manter o valor nominal de seus títulos da dívida e trocá-los por títulos com vencimento de 30 anos. Seria uma rolagem da dívida.
- Reinvestir seus créditos quando a Grécia pagar, no vencimento, em novos títulos de 30 anos. É a opção conhecida como "rollover".
- Aceitar um pagamento sobre o valor nominal de seus títulos, e trocá-los por obrigações de 15 anos.
- Aceitar o mesmo pagamento e trocar seus títulos por obrigações de 30 anos, que ofereceriam garantias mais sólidas que os papéis de 15 anos.
Estas soluções implicam na renúncia dos credores de parte do montante da dívida que detém, o que reduzirá a dívida pública do país. É por isso que as agências de classificação de risco deverão considerar se trata-se de um default seletivo ou parcial da Grécia.
Em outras palavras, os líderes da zona do euro reconhecem que um não pagamento de Atenas é provável. "A Grécia está em estado de gravidade sem precedentes" e "necessita de uma solução excepcional", afirmam na resolução.
"Os demais países da zona do euro reiteram solenemente sua determinação inflexível em honrar totalmente sua própria assinatura soberana", advertem, dando a entender que nenhum outro Estado poderá cair em default.
UM FUNDO DE AJUDA MAIS EFICAZ:
O Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FESF), Fundo de ajuda da Zona do Euro criado em 2010 e que já emprestou dinheiro para Irlanda e Portugal, terá seu campo de ação ampliado.
Se o Banco Central Europeu (BCE) constatar "circunstâncias excepcionais" e os Estados-membros concordarem por unanimidade, o Fundo poderá comprar a dívida pública de países em dificuldade no mercado de obrigações secundário, no qual os investidores trocam os títulos depois de sua primeira emissão. Isto permitiria aliviar os bancos que possuem títulos desvalorizados.
O FESF também poderá, mas sob algumas condições, conceder aos Estados linhas de crédito preventivas, como faz o FMI, e emprestar dinheiro a um país, inclusive sem precisar solicitar um plano de ajuda, para que possa recapitalizar seus bancos.   (AFP)

22.07 - EUA mais perto do calote
Sem acordo para dívida, republicanos e democratas estão sob pressão
Os EUA continuavam ontem perigosamente perto de uma moratória de sua dívida federal, cujos efeitos desastrosos elevam a pressão por um acordo entre democratas e republicanos sobre redução do déficit fiscal. Esse acordo é fundamental para que o Congresso aprove um aumento do teto de endividamento do governo a tempo de evitar um calote sem precedentes na história do país. Os negociadores, porém, têm encontrado dificuldades para superar o impasse apesar da aproximação de 2 de agosto, data limite para elevar o teto da dívida, hoje em US$14,3 trilhões.
A proposta da chamada Gangue dos Seis, composta por três senadores republicanos e três democratas, alimentou esperanças, esta semana, de um compromisso. Com as medidas propostas, que preveem um corte geral do déficit em US$3,7 trilhões nos próximos dez anos, não só o país evitaria a moratória, como conseguiria manter seu rating em AAA, hoje ameaçado de corte pelas agências de classificação de risco.
Mas o risco é bastante alto, e a divisão muito ampla entre o presidente democrata e seus rivais republicanos, sobretudo às vésperas de um ano eleitoral. Há temor de que as negociações possam falhar, à medida que o início do próximo mês se aproxima.
Obama pediu na quarta-feira que os líderes do Congresso fossem à Casa Branca para terem as primeiras conversas cara a cara nesta semana, numa nova tentativa de obter algum consenso. Mas não havia até ontem um sinal mais concreto de avanço.
Os encontros separados de Obama com republicanos e democratas ocorreram após a Casa Branca, demonstrando uma postura mais flexível do presidente, sinalizar que Obama poderia apoiar um aumento de curto prazo no limite da dívida por "alguns dias", caso os parlamentares concordem com um abrangente acordo de redução de déficit.  (Kevin Lamarque - Reuters/O Globo)
 
 
 
 

21.07 - Fundos imobiliários: Imóvel de papel
Boa parte dos investidores que mantêm fundos imobiliários em carteira tem motivos para comemorar. Levantamento da Uqbar Educação & Informação Financeira mostra que há fundos com ganho de quase 30% somente no primeiro semestre. O ganho supera de longe a variação de 5,52% do CDI no período, enquanto o Ibovespa teve queda de 9,96%. A rentabilidade leva em conta a valorização das cotas na bolsa mais o retorno distribuído mensalmente aos investidores.
Na listagem, aparecem fundos dos mais diversos tipos - que aplicam em escritórios, flats, shoppings ou apenas em papéis imobiliários. Embora esses fundos sejam comparados com carteiras de renda fixa, pelo pagamento mensal de renda aos cotistas, eles são na verdade aplicações de renda variável, pois seus ativos são imóveis ou papéis lastreados por imóveis.
De acordo com Carlos Augusto Lopes, sócio da Uqbar, a maior parte dos altos retornos dos fundos imobiliários são provenientes da valorização das cotas na bolsa. Os números mostram que a negociação de cotas dessas carteiras no mercado secundário evoluiu bastante no primeiro semestre deste ano.
Segundo estudo da Uqbar, o volume negociado nos primeiros seis meses de 2011 somou R$ 374,6 milhões, referentes a 29.060 negócios. No mesmo período de 2010, foram contabilizados R$ 91,9 milhões, para 8.527 negócios. Isso significa que houve um aumento do volume negociado de 307,6% e de 240,8% para o número de negócios.
No topo da lista, com 29,65% de ganho, aparece o fundo Hotel Maxinvest, que aplica em flats. Lançado em 2008, a carteira é administrada pela Brazilian Mortgages, líder nesse mercado com R$ 5,5 bilhões sob gestão distribuídos em 30 fundos, dos quais 18 deles estão listados em bolsa. "A oferta escassa de flats vem se refletindo no valor da cota em bolsa", afirma Rodrigo Mennocchi, diretor da Brazilian Mortgages. Nos primeiros seis meses do ano, a carteira distribuiu 9,84% de retorno aos cotistas. "Os terrenos que comportam flats estão em regiões caras e as construtoras estão priorizando prédios residenciais", diz. Mas a economia aquecida e, muitas vezes, o atraso na entrega dos empreendimentos residenciais, estão aumentando a demanda por flats.
Outro que aparece muito bem, com 27,84% no semestre, é o Excellence. De acordo com Mennocchi, trata-se de um fundo formado por 24 Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), que pagam, em média, a variação do IGP-M mais 8% ao ano. Para criar um CRI, um incorporador que tem uma carteira de recebíveis imobiliários, como aluguéis, por exemplo, vende essa carteira para uma empresa securitizadora que a usa como garantia para a emissão de certificados, que são distribuídos no mercado. Por lei, um fundo não pode ter mais do que 10% de um mesmo emissor.
Queridinho no mercado, chama a atenção o fato de o fundo shopping Pátio Higienópolis, um dos mais antigos, aparecer com perda de 0,82% no semestre. Luiz Costa, analista da Rio Bravo, alerta, no entanto, que essa queda é fruto da redução do valor da cota na bolsa, que iniciou o ano a R$ 480,00 e no fim de junho estava em R$ 429,00. "Não há, portanto, qualquer problema operacional no fundo", diz. Segundo Augusto Martins, também analista da gestora, nos seis primeiros meses do ano, a carteira distribuiu retorno de 3% aos cotistas referentes aos aluguéis das lojas do shopping. "Esse é um fundo que não tem muita liquidez, portanto, qualquer negócio altera o valor da cota na bolsa", afirma.
Na oitava posição entre os mais rentáveis aparece o Rio Bravo Renda Corporativa. Esse fundo tem uma história interessante. Lançado em 1999, a carteira, antigamente chamada de Financial Center, foi assumida pela Rio Bravo em 2008 e mudou de nome. Além disso, houve uma alteração em sua política de investimentos - o fundo tinha apenas um empreendimento em seu portfólio e passou a investir em outros edifícios comerciais. "Com isso, conseguimos reduzir os riscos por conta da diversificação de ativos e locatários", diz Martins.
Com perda de 24,94% apenas no primeiro semestre, o Mais Shopping Largo 13 vem decepcionando os investidores. A carteira foi lançada no segundo semestre do ano passado e adquiriu 40% de um shopping situado no Largo Treze de Maio, no bairro de Santo Amaro, zona sul de São Paulo. "O ganhos com estacionamento, que esperávamos que teriam retornos já no início, não aconteceu, e foi feito agora um convênio com uma universidade próxima para vagas de mensalistas para estudantes", conta Dauro Zaltman, do Bradesco, instituição responsável pelo fundo. O mesmo ocorreu com o cinema, que só agora começou a dar resultados positivos, afirma o executivo. "Houve ainda inadimplência de alguns lojistas, mas uma segunda leva virá agora."
Os fundos imobiliários encerraram o primeiro semestre do ano com crescimento de 37,6% no número de cotistas. Em dezembro do ano passado, os investidores com aplicações nessas carteiras somavam 21.216, passando para 29.192 no fim de junho. O patrimônio líquido também aumentou, embora em menor proporção: expansão de 19,2% nos seis primeiros meses do ano, saindo de R$ 8,316 milhões para R$ 9,912 milhões.
Os dados fazem parte de um levantamento da bolsa sobre a evolução dos fundos de investimento imobiliários apresentado ontem em parceria com a Apimec-SP. Há hoje 114 carteiras imobiliárias registradas na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Desses, 54 têm cotas negociadas na BM&FBovespa. Na bolsa, esses 54 fundos somam R$ 6,216 milhões, com valor de mercado de R$ 9,563 milhões.
CVM quer transparência na atualização dos ativos
A transparência na divulgação de informações ainda é uma demanda do setor de fundos imobiliários. Hoje, por exemplo, a valorização ou desvalorização de um imóvel não se reflete necessariamente no valor da cota. Isso porque não há a obrigação de o gestor pedir um laudo de avaliação para alterar o valor do imóvel. Poucos são, na verdade, os que dotam essa prática.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está de olho nisso e colocou em audiência pública uma minuta propondo regras na reavaliação dos empreendimentos. O prazo para sugestões terminou na segunda-feira. Na minuta, a CVM propõem que, nas demonstrações financeiras, os imóveis sejam registrados pelo valor de mercado e não pelo valor de custo.
A falta de uma classificação mais adequada aos fundos também é um pleito do setor. Os fundos imobiliários são bem diferentes entre si, embora estejam sob um mesmo guarda-chuva. Há carteiras com foco em renda, ou seja, que compram imóveis e pagam retorno ao investidor de acordo com o aluguel. Existem também fundos de desenvolvimento, em que a aplicação é feita em projetos ainda em desenvolvimento. Por fim, há os fundos que aplicam em papéis com lastro em imóveis, como Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs). É nascente no mercado, ainda, o fundo de fundos.
A baixa liquidez das cotas em bolsa ainda é um entrave, embora a negociação venha crescendo. Só no primeiro semestre deste ano, o volume de negócios atingiu R$ 375,5 milhões. Só para se ter uma ideia, em todo o ano de 2008, o total foi de R$ 143 milhões.
O preço da cota na bolsa ainda se move de acordo com a renda distribuída pelo fundo, diz Alexandre Machado, sócio da Credit Suisse Hedging-Griffo e responsável por fundos imobiliários. Mas o aumento das negociações no mercado secundário acabam trazendo um novo apelo pelos fundos imobiliários por parte do investidor, afirma ele. O grande atrativo dessas aplicações para o investidor pessoa física ainda está no benefício tributário, pois sobre os retornos pagos pelo fundo não há a incidência de imposto de renda. Quando o cotista resolver sair da aplicação e o valor da cota no mercado secundário estiver maior, ou seja, se houver ganho de capital, aí é preciso pagar IR, de 20%.
"O potencial de crescimento do setor ainda é muito grande", afirma Machado, lembrando que o patrimônio das carteiras imobiliárias representam apenas 0,6% do total em fundos de investimento no país.  (Luciana Monteiro - Valor Online)

21.07 - Europa, hora de fazer ou quebrar
Há hipóteses diversas em jogo, para todos os paladares; mas os europeus preferem falar, falar e falar, em vez de agir de uma vez
Em sua coluna de ontem, Delfim Netto citou Vilfredo Pareto, "sociólogo e economista matemático sério", que dizia já faz um século: "Concedam-me as hipóteses e eu lhes demonstrarei qualquer coisa".
A frase deveria servir de epígrafe para os testes de estresse a que foi submetida a banca europeia, cujos resultados foram divulgados na última sexta-feira, e para a reação de agentes de mercado a eles.
Foram reprovados apenas oito bancos, que, na história oficial, precisariam de apenas € 2,5 bilhões para ficarem sadios. Já a consultoria JP Morgan jogou para impressionantes € 80 bilhões o valor necessário para recapitalizar a banca.
Cada um pegou as hipóteses que quis e, com elas, demonstrou qualquer coisa. E tome especulação. Hoje é outro bom dia para formular hipóteses e especular em cima delas porque é dia da cúpula europeia que deveria disparar a bala de prata para resolver a crise grega, que já se tornou continental e até global (do que dão provas os telefonemas de anteontem do presidente americano, Barack Obama, para Nicolas Sarkozy e Angela Merkel).
Em tese, a hipótese que deveria ser formulada é simples, assim posta pelo Nobel de Economia Joseph Stiglitz em artigo para o jornal "Financial Times": "A dívida grega deveria ser trazida para um nível sustentável. Isso só pode ser feito reduzindo a taxa de juros que a Grécia paga, reduzindo seu endividamento e/ou aumentando seu produto interno bruto".
Já Barry Einchengreen, outra ilustre grife, professor de Ciência Política e Econômica da Universidade da Califórnia em Berkeley, exige que a Europa reconheça que não está funcionando a presente estratégia (trocar empréstimos à Grécia por pacotes de austeridade).
"Equivale a tentar tirar sangue de pedra", diz Eichengreen. Nada que você ainda não tenha lido aqui, mas escrito em inglês é mais chique.
As hipóteses são, portanto, muito fáceis de expor, mas a Europa está bloqueada pela divisão em torno de quem paga a conta, se só os contribuintes, como é em geral a praxe, ou se também a banca.
Parece, no entanto, que a negociação reservada entre autoridades e representantes graúdos da banca produziu uma hipótese de solução. Ou três, mais exatamente, segundo o jornal francês "Le Figaro".
Os credores privados poderiam escolher entre três formas de contribuir: trocar seus papéis gregos por outros que só vencerão dentro de cinco anos; participar no esquema idealizado na França, em que novos créditos seriam concedidos a 30 anos, mas haveria garantias europeias para eles; ou vender seus créditos por 60% do valor de face em operação de compra a ser financiada pelo Fundo Europeu de Estabilização Financeira.
Em qualquer desses casos, haveria o que o jargão batiza de "calote seletivo", a que se opõe o Banco Central Europeu, mas que poderia ser convencido se ficar claro que será limitado no tempo.
Enfim, hipóteses há muitas. À cúpula europeia cabe o que Mario Monti, presidente da Universidade Bocconi, chama de "escolha fundamental", em artigo para o "Financial Times": "Ou a União Europeia declara, mais uma vez, que está pronta para fazer o que for necessário para superar a crise da eurozona, ou de fato o faz".  (CLÓVIS ROSSI - Folha de S.Paulo)

21.07 - A economia aquecida
A economia brasileira continua aquecida, com mais gente empregada, mais salários para gastar, crédito ainda abundante e despesa pública em expansão. Desde o começo do ano o governo promete frear a economia, para conter a inflação e repor a atividade num ritmo seguro e duradouro. Seria perigoso deixar repetir-se o crescimento de 7,5% registrado em 2010. Foi um excelente desempenho, depois de um ano e meio de atividade contida pela recessão internacional. Mas desde os meses finais do ano passado os sinais de inflação em alta já eram preocupantes. Além disso, a demanda excessiva, combinada com o câmbio valorizado, voltou a afetar as contas externas - como já ocorria em 2008, antes de chegarem ao Brasil os efeitos da crise financeira.
Mas até agora os esforços para conter a demanda produziram resultados muito modestos. Em junho o desemprego nas seis maiores áreas metropolitanas ficou em 6,2%, o nível mais baixo desde março de 2002, início da atual série de levantamentos do IBGE. A população ocupada nessas áreas, 22,4 milhões de pessoas, foi 2,3% mais numerosa que a de um ano antes. O aumento da ocupação foi acompanhado de uma elevação dos ganhos. O rendimento médio real (descontada a inflação) foi 4% maior que o de junho de 2010.
Como se expandiram ao mesmo tempo o rendimento médio e o número de ocupados, a massa do ganho real habitual foi 6,2% superior à de um ano antes. A evolução da massa de rendimentos e a continuada expansão do crédito se refletem no vigoroso aumento do consumo. De abril para maio o saldo de empréstimos para pessoas físicas com recursos livres dos bancos aumentaram 1,7%. Em 12 meses o aumento foi de 18,4%. É fácil entender, com base nesses dados, a movimentação do comércio interno. Em maio, as vendas no varejo foram 0,6% maiores que as de abril, em volume. De janeiro a maio, o total acumulado foi 7,4% superior ao de igual período de 2010. Mas a receita do comércio em valores correntes foi 13,4% maior que a de janeiro a maio de 2010. A diferença em relação ao crescimento do volume pode resultar, em parte, da recomposição das vendas. Mas com certeza reflete a alta de preços.
O crescimento dos vários setores industriais tem sido desigual. Entre janeiro e maio, a indústria em geral produziu 1,8% mais que nos primeiros cinco meses de 2010. A produção de bens de consumo foi 0,9%. A de bens intermediários, 1,4% superior à de um ano antes. Parte da demanda interna tem vazado para o exterior e isso se reflete no aumento das importações. O aumento das compras externas é parcialmente explicável pelo descompasso entre o crescimento da demanda e a expansão da oferta interna. Mas o fator mais importante é, provavelmente, o preço: câmbio valorizado e custos impedem a indústria brasileira de competir com a da China e de outras economias dinâmicas.
A demanda interna é alimentada também pelo gasto público. Não falta ao governo dinheiro para gastar. No primeiro semestre a arrecadação federal foi 12,7% superior à de janeiro a junho de 2010, descontada a inflação. O crescimento da receita - igualmente um reflexo da economia aquecida - tem facilitado, neste ano, o cumprimento da meta de superávit primário, o dinheiro posto de lado para o pagamento de juros. Não basta, no entanto, alcançar o resultado primário definido oficialmente.
Para conter a demanda, o governo precisa fazer mais que isso e cortar seus gastos com rigor. Não há sinal desse corte e, no próximo ano, talvez nem a meta fiscal seja alcançável sem a maquiagem contábil que consiste em descontar da meta o dinheiro aplicado no Programa de Aceleração do Crescimento.
A contenção da demanda interna continua sendo um desafio para os Ministérios da área financeira e para o Banco Central. Sem um efetivo controle dos gastos, o ajuste da economia continuará dependendo quase exclusivamente da política monetária. Ninguém deve iludir-se com a atual trégua da inflação. As pressões serão tanto mais fortes, nos próximos meses, quanto mais forte for a demanda.  (O Estado de S.Paulo)
 
 
 
 
 

20.07 - Seguro de pessoa continua evoluindo
Semestre pode chegar a R$ 10 bi de prêmios
Turismo leva seguro de viagem a ser o destaque de maio com avanço de 87,03%
O mercado de seguros de pessoas, que engloba seguro de vida, acidentes pessoais, proteção financeira, educacional, viagem, entre outros, movimentou R$ 1,5 bilhão em prêmios em maio de 2011, resultado idêntico ao de abril e 25,37% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior, quando o setor consolidou R$ 1,2 bilhão em prêmios.
Ao manter o nível de crescimento verificado em abril e maio, o segundo trimestre do ano pode fechar com prêmios somando mais de R$ 4,2 bilhões. No acumulado de janeiro a maio o mercado consolidou R$ 7,7 bilhões, crescimento 24,69%. O semestre deve chegar com algo próximo de R$ 10 bilhões
Seguro viagem
O seguro viagem foi o destaque no mês de maio com crescimento de 87,03% e prêmios de R$ 2,9 milhões - esse foi o melhor desempenho desde 2002, início da série histórica. Segundo o presidente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), Marco Antonio Rossi, o aumento da contratação do seguro está atrelado ao maior número de viagens nacionais e internacionais.
"Há uma demanda crescente impulsionada pelo grande número de viagens turísticas e de negócios. É um produto com custo bem acessível e com planos de assistência completos", afirma.
Em maio deste ano, segundo o Ministério do Turismo, foram registrados 7 milhões de desembarques domésticos e internacionais, alta de 25,43% na comparação aos 5,6 milhões contabilizados no mesmo mês do ano anterior.
Acidentes pessoais
Mas não foram apenas as apólices de seguro viagem que tiveram um grande desempenho: os de acidentes pessoais e os prestamistas também apresentaram bom desempenho.
O volume de prêmios de acidentes pessoais registrou expansão de 42,12% no período e somou R$ 334,3 milhões em prêmios. "Seguro de acidentes pessoais é uma forma de se proteger de doenças ou acidentes no período de formação de patrimônio. O produto garante ao segurado ou aos seus beneficiários uma renda caso ocorra imprevistos", explica Rossi.
Já o prestamista, que garante o pagamento de prestações de bens adquiridos pelo segurado, em caso de morte e invalidez, acumulou R$ 366,1 milhões em prêmios com evolução de 41,23%.
Acumulado do ano
Nos primeiros cinco meses do ano o seguro viagem obteve o melhor desempenho. Somou R$ 16,9 milhões, alta de 48,11% na comparação aos R$ 11,4 milhões do ano passado. O seguro de acidentes pessoais, por sua vez, foi o segundo produto com maior expansão percentual, acumulando R$ 1,6 bilhão, com crescimento de 42,08%.
O levantamento da Fenaprevi não inclui o VGBL, considerado para esse fim como plano de caráter previdenciário, por possuir cobertura por sobrevivência.
Seguradoras
Quanto ao ranking das seguradoras no mês de maio a Bradesco Seguros ocupa o primeiro lugar com 16,77%; Itaú (15,51%); Aliança do Brasil (12,06%); Santander Seguros (8,58%); Mapfre (6,04%); HSBC (4,61%); Caixa Seguros (3,83%); Cardif do Brasil Vida e Previdência (3,81%); Metropolitan Life Seguros e Previdência (3,64%) Icatu Seguros (3,41%). Outras seguradoras representaram 21,75% dos prêmios de seguros. Foram considerados, para este ranking, as holdings.
Aumento do poder
"O aumento do poder de compra da população em geral no Brasil refletiu-se no mercado segurador. Com a migração de consumidores para faixas socioeconômicas mais elevadas, principalmente o crescimento das faixas D e E, o acesso aos seguros de pessoas, em especial o de Acidentes Pessoais, foram os mais beneficiados".
Os comentários são do superintendente comercial da Confiança Seguros, Jorge Luiz Fett, que se baseia nos dados divulgados pela Fenaprevi, que afirmam que o mercado de seguros no segmento de pessoas expandiu 24% nos quatro primeiros meses do ano.
Cultura de seguro
Segundo ele, de modo geral, a cultura do seguro de pessoas está se enraizando no sentimento de proteção do cidadão. O seguro dito "de vida" não representa mais um conceito pejorativo e rejeitado como em uma realidade não muito distante. As pessoas pensam e procuram este tipo de solução para amenizar os prejuízos e o endividamento das famílias em decorrência de sinistros envolvendo seus gestores.
O executivo prossegue afirmando que "o seguro nada mais é hoje do que a melhor forma de se socializar as perdas decorrentes dos sinistros previstos", e acrescenta que também há de se considerar que a elevação da renda trouxe outros reflexos interessantes nos seguros, como, por exemplo, o seguro viagens (preços e parcelamentos acessíveis de pacotes turísticos) e o seguro prestamista (elevação do nível de compra e de um maior poder de crédito das pessoas).
Segundo sua análise, os seguros de acidentes pessoais e de vida em grupo também sofreram um impacto positivo no crescimento dos ramos em função da inserção de cláusulas securitárias nas convenções trabalhistas, dentre outras práticas. Outros crescimentos importantes no mercado de seguros foram o de eventos e o de vida em grupo empresarial.
"O primeiro cobre riscos em eventos com grande concentração de público (alguns por força de lei). O segundo, adotado por políticas de Recursos Humanos das empresas, possui benefícios que compõem uma parcela de renda indireta para os empregados", conclui.  (Jornal Monitor Mercantil)

20.07 - Investimentos de fundos de private equity em 2010
O Brasil foi o principal destino dos investimentos de fundos de private equity na América Latina em 2010, segundo levantamento da Ernst & Young. Foram US$ 6,6 bilhões em transações realizadas com empresas da América Latina, representando um crescimento de 404% em relação ao ano de 2009. Só o Brasil recebeu US$ 4,6 bilhões do total destinado à região.
Os setores que mais receberam aporte de fundos de private equity por valor de negociação, foram: financeiro (55%), tecnologia (16%) e consumo (14%). No Brasil, o maior investimento foi a aquisição de 19% do BTG Pactual, por US$ 1,8 bilhão, realizada por um consórcio liderado pelo J.C. Flowers & Co.
Outras transações significativas foram a compra de 40% da Pátria Investimentos pelo The Blackstone Group e a aquisição da participação majoritária na Gávea Investimentos pelo JPMorgan Chase.
Entre os demais países da América Latina, os que mais se destacaram em negócios com private equity foram Colômbia, Peru, Chile e México. “De uma forma geral, os investimentos na América Latina foram atraídos pelo crescimento da região, cujo PIB cresceu em torno de 5,7% em 2010. Os principais fatores que podem explicar tal desempenho foram o crescente nível de consumo privado – alimentado pela rápida recuperação no crescimento de empregos e salários– e a expansão do crédito ao setor privado”, afirma Carlos Asciutti, sócio da área de transações da Ernst & Young Terco.
O estudo da Ernst & Young traz ainda os investimentos dos fundos de private equity em mercados emergentes como Índia e China. Ao fim de 2010, o mercado indiano contabilizou 275 transações, avaliadas em US$ 7,2 bilhões.
Na China, o destaque fica para o aumento do interesse em empresas com fundos denominados em yuan. Até 2008, o principal destino dos investimentos eram empresas globais com fundos denominados em dólar. Em 2009 e 2010, porém, os fundos em moeda chinesa representaram, respectivamente, 64% e 80,2% dos negócios.   (Executivos Financeiros)

20.07 - IGP-M registra queda de 0,21% na 2ª Prévia de julho
O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) registrou, no segundo decêndio de julho, queda de 0,21%, idêntica à verificada no mesmo período de apuração do mês de junho.
O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) apresentou variação de -0,38%, no segundo decêndio de julho. No mesmo período do mês anterior, a variação foi de -0,54%.
A taxa de variação dos Bens Finais avançou de -0,57% para -0,01%. A maior contribuição para esta aceleração teve origem no subgrupo alimentos in natura, cuja taxa passou de -3,42% para 0,67%.
A taxa de variação do grupo Bens Intermediários passou de ?0,59%, em junho, para 0,16%, em julho. O destaque coube ao subgrupo materiais e componentes para a manufatura, cuja taxa passou de-0,95% para 0,20%.
O índice referente a Matérias?Primas Brutas teve sua taxa de variação reduzida de -0,45% para -1,50%. Os itens que mais contribuíram para este movimento foram: minério de ferro (8,75% para -1,45%), soja (em grão) (2,73% para -2,44%) e café (em grão) (-1,86% para -4,66%). Em sentido oposto, destacam-se: aves (-8,15% para 0,64%), cana-de-açúcar (-3,63% para -0,26%) e bovinos (-2,69% para -0,82%).
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) registrou variação de -0,11%, no segundo decêndio de julho, ante -0,15%, no mesmo período do mês anterior. Apenas o grupo Transportes (-1,33% para -0,02%) registrou acréscimo em sua taxa de variação. Nesta classe de despesa, os itens que mais influenciaram foram: álcool combustível (-16,43% para 2,80%) e gasolina (-3,37% para -0,73%).
Em sentido oposto, apresentaram recuo em suas taxas de variação os grupos: Educação, Leitura e Recreação (0,42% para -0,01%), Vestuário (0,63% para 0,37%), Habitação (0,42% para 0,26%), Saúde e Cuidados Pessoais (0,58% para 0,41%), Despesas Diversas (0,16% para 0,04%) e Alimentação (-0,81% para -0,85%).
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) apresentou, no segundo decêndio de julho, variação de 0,63%. No segundo decêndio do mês anterior, a taxa foi de 1,82%. O índice relativo a Materiais, Equipamentos e Serviços registrou variação de 0,36%. No mês anterior, a taxa havia sido de 0,46%.
O índice que representa o custo da Mão de Obra registrou taxa de 0,90%, no segundo decêndio de julho. Na apuração referente ao mesmo período do mês anterior, o índice variou 3,22%.   (Executivos Financeiros)
 
 
 
 

19.07 - Quem tem medo do calote dos EUA?
A semana começou com um clássico movimento de saída de risco. Bolsas e commodities caíram, enquanto o dólar apontou para cima.
A justificativa para tal movimento não é nova. O tema é o endividamento soberano, tanto nos Estados Unidos quanto na Europa. E o problema nos dois lados do Atlântico parece ser um só, a falta de liderança na solução dos problemas.
Nos EUA, segue o embate entre Republicanos e Democratas sobre a elevação do teto do endividamento federal. Os EUA precisam gastar mais que os atuais US$ 14,3 trilhões e precisam de autorização para isso.
CDS e títulos da dívida mostram baixo risco de default
O que mais se ouve sobre o assunto é que a birra política será levada até o último momento, mas que no fim das contas o governo receberá autorização e os EUA não entrarão em um impensável default.
Apenas uma ou outra análise chama atenção para a "loucura" de parte dos Republicanos, que impediriam o aumento do teto só para ver o circo pegar fogo.
Mas mais do que discurso, sinais do próprio mercado mostram que um calote dos EUA é um evento considerado possível, mas tido como pouco provável.
O seguro da dívida de curto prazo (CDS - Credit Default Swap de um ano) segue na linha dos 49 pontos (o que é alto, mas não explosivo). E mesmo na iminência de um default, a demanda pelos papéis americanos segue firme. Sinal claro disso é a taxa de retorno do papel de 10 anos, que voltou a cair para baixo dos 3%.
Quem em sã consciência compraria os papéis de um governo que está para dar o calote, ainda mais a taxas decrescentes? O mesmo tipo de questionamento vale para o dólar, que ontem voltou a ganhar de seus principais rivais.
Nem medidas correlatas captam esse risco de calote dos EUA.
Vamos a um exemplo doméstico. O Brasil, que fechou maio (dado mais recente) com estoque de US$ 211 bilhões em dívida americana, quinto maior financiador mundial, não vê uma disparada de seu risco.
O economista da Gradual Investimentos, André Perfeito, tem interessante abordagem sobre o tema: é impossível um país dar calote na própria moeda. Basta ligar a máquina e imprimir dólares. Os EUA sempre fizeram isso. A situação é mais simples ainda, pois há gente disposta a financiar os americanos.
Por isso, o economista discorda um pouco das abordagens que vêm sendo dadas ao problema. Para Perfeito, esse aceno de default vai além dos embates políticos domésticos.
Essa ameaça de calote seria um jogo de cena. Mais uma jogada para tentar se fazer o que não se conseguiu com a política do dólar fraco.
O economista lembra que, desde o início da crise, os EUA jogaram a taxa de juros a zero para conseguir, entre outras coisas, que o dólar se desvalorizasse. O objetivo era compensar o baixo crescimento doméstico via demanda externa.
Não por acaso os EUA pressionaram a China por maior liberdade cambial. Tudo no âmbito da tal "Guerra Cambial". Mas os americanos não conseguiram um naco da demanda chinesa. Os dirigentes chineses foram irredutíveis e, para despistar, adotaram uma banda de oscilação que pouco mudou o preço do yuan.
Para Perfeito, o que os EUA querem é ajuda para crescer. "Os EUA estão começando a apertar o resto do mundo para fazer à força o que era para ser feito via diferencial de juros", diz o economista.
No mercado local, o dólar começou a semana em alta, mas terminou a jornada longe das máximas do dia.
Depois de subir a R$ 1,585, o dólar comercial terminou o dia com alta de 0,12%, a R$ 1,579 na venda.
Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar para agosto apontava queda de 0,06%, também a R$ 1,579, antes do ajuste final. O contrato fez máxima a R$ 1,5895, mas no fim da tarde devolveu os ganhos junto com uma melhora de sentimento que tirou força do dólar, reverteu o movimento de baixa na taxa dos títulos americanos e zerou as perdas do euro. Ainda se procura explicação crível, racional e bem fundamentada para isso.   (Eduardo Campos - Valor Online)

19.07 - Crise externa complica política de juros
BC deve elevar a Selic, mas analistas têm dúvidas se a estratégia mudará nos próximos meses por causa dos problemas na Europa e nos EUA
A persistência da inflação ao longo do primeiro semestre do ano forçará um novo aperto dos juros nesta semana pelo Banco Central, que tenta demonstrar não ser leniente com o aumento de preços, mesmo diante de um cenário externo repleto de incertezas e chances de crise em países desenvolvidos.
Economistas do mercado apostam em alta de mais 0,25 ponto porcentual na taxa básica de juros e aguardam uma sinalização: a Selic vai estacionar em 12,50% ao ano ou haverá mais altas à frente? Em sua reunião na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) tentará ancorar as expectativa de mercado, indicando que busca trazer o IPCA, índice oficial de inflação, de volta para o centro da meta no fim do ano que vem, ao mesmo tempo em que o governo luta para preservar fortes taxas de crescimento econômico.
Diante do impasse sobre o limite de endividamento dos Estados Unidos e incertezas sobre as dívidas de países europeus, analistas se dividem sobre a possibilidade de o BC - formal ou informalmente - deixar para 2013 a tarefa de entregar a inflação no centro da meta (4,5%), desde que o IPCA caminhe nesta direção. Tal discussão é permeada por preocupações com a arranhada reputação do BC, mas também com os impactos negativos dos juros altos sobre o crescimento, a taxa de câmbio e o custo da dívida pública. O risco de aumento da inadimplência também está no radar.
Dificuldades. O ex-diretor do Banco Central Carlos Thadeu de Freitas avalia que dificilmente a meta de 4,5% será alcançada em 2012, ano em que o salário mínimo vai subir bastante, alimentando o consumo. Mas ele avalia que o temor de um descontrole inflacionário está se extinguindo, diante da atuação do BC e do cenário externo que ganha contornos deflacionários.
Ele não vê maiores problemas em a meta não ser atingida, desde que o IPCA mostre tendência de queda. "Não haverá uma dramática perda de reputação para o BC se o IPCA não chegar no centro da meta. Nenhum BC do mundo atualmente está acertando. Se a inflação chegar a 5%, já será bom e significa que haverá tendência de chegar ao centro em 2013", disse. Atualmente, o IPCA em 12 meses está em 6,7%.
Uma eventual decisão de adiar para 2013 o objetivo de atingir o centro da meta de inflação poderia transmitir a ideia de maior tolerância com o aumento de preços por um Banco Central chamuscado por dúvidas sobre sua atuação no ano passado, segundo Armando Castelar, coordenador de economia aplicada da Fundação Getúlio Vargas (FGV). "O BC já fez isso em 2010, jogou para 2011, e em 2011 jogou para 2012. Pode usar isso uma vez ou outra, mas se fizer todo ano perde credibilidade."
O economista-chefe do BES Investimento, Jankiel Santos, considera um sinal ruim se o IPCA não chegar em 4,5% em 2012. "É problemático não cumprir a meta, pois o BC está fazendo as pessoas esperarem uma inflação mais baixa que depois não vão ter", disse. "É um problema macroeconômico causado por uma reputação em baixa."  (Fabio Graner - O Estado de S. Paulo)

19.07 - Juros altos ainda são necessários
As taxas básicas de juros no Brasil estão, sem dúvida, bem acima do desejável. Juros altos pesam sobre o endividamento público e oneram o custo do capital. No entanto, também são um antídoto para inibir a pressão de demanda sobre bens e serviços, porque encarecem o crédito.
Nesse momento, os juros altos são um sacrifício necessário para que a economia brasileira não volte a conviver com um antigo flagelo, a inflação crônica. Os índices de preços ao consumidor, apurados pelo IBGE, ultrapassaram este ano o teto da meta estabelecida pelo governo (6,5%), o que obrigou as autoridades monetárias a adotarem uma política restritiva no que se refere ao crédito e à expansão da moeda. As expectativas no mercado financeiro são que a inflação fique abaixo desse teto até dezembro, mas é preciso olhar para 2012, e, se os índices de preços não recuarem mais em 2011, ficará difícil para as autoridades controlar a inflação no ano que vem.
Isso porque já se conhece antecipadamente vários fatores que vão pressionar a demanda por bens e serviços em 2012. Um deles é o aumento real do salário mínimo, acima de 7%. Será também um ano de eleições municipais, e geralmente as prefeituras, em todo o Brasil, aceleram a conclusão de obras para inaugurá-las durante o primeiro semestre.
Se a inflação em 2011 ficar próxima do teto da meta, mecanismos remanescentes de indexação na economia irão repassá-la para alguns preços e tarifas.
Então, o sacrifício que for feito em 2011 pode evitar que em 2012 o Banco Central tenha que redobrar as restrições ao crédito, limitando a expansão da economia em percentuais desanimadores.
É dentro desse contexto que o Comitê de Política Monetária (Copom) se reunirá hoje e amanhã para definir o patamar das taxas básicas de juros que deverá vigorar pelos próximos 45 dias. Os prognósticos dos especialistas apontam para uma nova alta de 0,25 ponto percentual, e não se descarta a possibilidade de o ciclo de aperto se estender até agosto/setembro, com mais um ajuste nos juros básicos.
Evidentemente que os juros altos têm outros efeitos colaterais negativos que recomendam o uso desse instrumento com moderação. A taxa de juros - e a política monetária como um todo - não pode ficar com todo o encargo de inibir a demanda por bens e serviços.
Da política fiscal deveria se esperar mais nesse esforço, pois, se o setor público conseguisse conter os seus gastos de custeio, abriria espaço para investimentos privados, e até mesmo os de responsabilidade governamental. As contas públicas voltaram a registrar superávits primários expressivos este ano, mas tal fenômeno tem sido atribuído, além do fôlego da arrecadação, a uma rearrumação das finanças federais e estaduais decorrente de mudanças de administração. Espera-se que o fenômeno não seja mesmo passageiro e se mantenha pelos próximos meses, especialmente em 2012. Isso evitaria um prolongamento do aperto monetário por um prazo desnecessário. A economia brasileira reúne condições de sustentar um crescimento anual na faixa de 4%, sem pressões inflacionárias preocupantes. Mas para tal a política fiscal terá de fazer sua parte. (O Globo)
 
 
 
 

18.07 - A crise nos países europeus ameaça a zona do euro?
NÃO
Quem tem padrinho não morre pagão
ROBERTO LUIS TROSTER
É paradoxal, mas a maior crise desde a criação do euro vai torná-lo ainda mais forte.
Há dois motivos para isso. O primeiro é econômico: o custo de desmantelar o euro, ou de excluir um de seus membros, é consideravelmente superior ao de consertar os estragos atuais; o segundo, mais importante, é a transcendência da moeda, que deixou de ser um projeto comum de cidadãos da Alemanha, da França e de outros países para se tornar projeto de europeus.
A moeda única faz parte de um processo que começou na década de 1920, com a proposta de uma confederação europeia.
Em 1946, Winston Churchill defendeu a criação dos "Estados Unidos da Europa" e, em 1950, o primeiro passo concreto foi dado, com o embrião do projeto, a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, com seis países-membros.
Atualmente, são 27 Estados nacionais, com uma população de 450 milhões de habitantes e mais de um quinto do PIB mundial. É um projeto de futuro que não tem volta.
O Tratado de Maastrich, que, entre outras coisas, criou a moeda única, foi assinado em 1992 e implantado a partir de 1999.
A consolidação da gestão da moeda deu aos países mais estabilidade cambial e monetária, gerou sinergias empresariais e bem-estar dentro da Europa e reduziu consideravelmente o custo do crédito.
Alguns países decidiram ficar fora do euro: a Inglaterra é um deles, mas pesquisas mostram que seus cidadãos acreditam que a adoção será inevitável no futuro.
A origem dos atuais problemas está, por um lado, em uma ironia: o barateamento do custo do crédito, uma virtude da moeda única, induziu a um endividamento excessivo de alguns países. Por outro lado, está na governança do BCE (Banco Central Europeu), que ainda não está preparado para solucionar o que aconteceu.
Na sua concepção, a magnitude dos problemas que poderiam aparecer foram subestimados; com isso, o papel do BCE e a sua capacidade de prevenir e de resolver crises ficaram reduzidos.
Ainda faltam definições de quanto pode emprestar, de como restringir o endividamento excessivo. Faltam também recursos e autoridade para atuar de forma contundente quando aparecerem dificuldades.
Com a crise mundial de 2008, houve uma retração na oferta de empréstimos e uma deterioração nos termos: taxas mais altas e prazos mais curtos. Isso fez com que a dinâmica das dívidas soberanas piorasse; em alguns casos, fez com que piorasse muito.
O caso da Grécia é o mais dramático. O país está numa armadilha da qual não consegue sair, com um BCE ainda sem a capacidade necessária de solucionar o problema.
É imperativo resolver o drama grego e criar mecanismos para prevenir crises futuras e mitigar seus efeitos. Isso envolve uma engenharia econômico-financeira que inclui reestruturação de dívidas, com perdas a serem absorvidas pela Grécia, pelo BCE, pelos credores e pelos demais países do euro.
Como costurar o projeto e dividir a conta é algo complexo. Alcançar um compromisso rápido com todos os envolvidos é uma tarefa hercúlea. As partes, contudo, estão empenhadas em concluí-la logo.
O projeto do euro é um projeto ganhador: há mais países interessados em fazer parte dele e as cotações da moeda corroboram sua força. A integração do continente avança, mas ainda é fraca.
Há desequilíbrios a serem corrigidos, alguns com recursos, outros com reformas e educação, o que demora. Mas o tempo do euro é outro e está sendo construído para durar.
SIM
Atual união monetária já morreu
MÁRIO RAMOS RIBEIRO
Quanto tempo pode resistir uma união monetária sem a ocorrência conjunta de uma união fiscal? Ou, mais ainda, sem uma união política? A crise da chamada zona do euro tem sido vista como uma "crise de dívida soberana". Ou como um problema de finanças públicas desordenadas. Será somente isso mesmo? Creio que não.
Crises financeiras são epifenômenos. Estão apenas na superfície de uma doença mais profunda e ainda não declarada.
O fenômeno, que é a própria patologia, é a "crise de governança".
Usualmente reduzida à condição de "governabilidade", governança é algo maior. Governança é gênero, governabilidade é espécie.
Governança na zona do euro requer regras do jogo bem definidas, exige um mapa contratual em que as responsabilidades e a segregação de atribuições sejam acordadas de modo supranacional, mas que não abafem o ethos nacional de cada país-membro e que, assim, possam ser razoavelmente factíveis.
Governança requer instituições comuns. Será que isso ainda é possível de ser alcançado?
Recorde-se que a zona do euro nasceu, em 1999, do desejo político de garantir a paz, a democracia e de oferecer um modelo de crescimento sustentável comum a todos os membros. Mas a ordem dos fatos não foi essa. Seus principais líderes, a Alemanha e a França, mergulharam de cabeça na reforma econômica e subestimaram a reforma política. Não houve uma "união fiscal", muito menos uma "união política" que pavimentasse o caminho para uma união monetária.
Ademais, o desequilíbrio econômico entre centro e periferia (basicamente Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha, os Piigs) foi o fato mais negligenciado. As instituições vieram de cima. A convergência foi o artefato econômico que simplesmente desabou sobre a periferia.
A Alemanha ajudou a disfarçar o risco estimulando a compra de títulos de dívida soberana por diversos bancos. O Banco Central Europeu também deu uma força para sustentar a fantasia de risco zero nesses papéis. O slogan "euro na carteira, Europa no bolso" servia para informar que a nova união monetária já teria completado o sonho europeu de plena integração. Nada mais seria necessário fazer.
Para o futuro, apenas perfumarias, um parafuso aqui, outro ali. Lanternagem boba. O fato é que os "perdulários" (sic), como os Piigs, teriam de fazer o dever de casa.
Disciplina fiscal, dizia Angela Merkel -a "Dama do Não", como os europeus a chamam. Mas a iminência de um calote da Grécia somente trouxe à tona o tecido já contaminado: toda a periferia -e não só os Piigs- corre o gravíssimo risco de quebrar junto com o centro.
Não existe autoengano, mas, sim, autointeresse. O sistema bancário europeu está subcapitalizado e precisando de reformas; o Banco Central Europeu eleva as taxas de juros; os alemães propõem uma participação "voluntária" (deve ser brincadeira!) do setor privado no pacote que estão tentando costurar para impedir que a periferia arraste o centro para as suas águas.
A ausência dos adultos no jogo e a inexistência de coordenação política viabilizam apenas o cenário mais inconcebível: fugir do euro. A zona do euro apenas foi colada pela convergência de baixas taxas de juros reais, que impulsionaram um crescimento ilusório.
Haverá reestruturação das dívidas? Sem dúvida. Mas a questão é saber quando (mais cedo ou mais tarde) e como (com ou sem ordem na casa). Mas o risco não é mais idiossincrático, não depende mais deste ou daquele país. O risco já contaminou o sonho europeu. O tempo apenas mostrará que a atual união monetária já morreu.  (Folha de S.Paulo-16.07)

18.07 - Crise europeia sem controle?
Não há garantia de que a reestruturação da dívida grega garantirá a travessia da crise, porque o risco do contágio sempre existirá
Nesta semana o ataque especulativo contra a Itália deixa claro que o verdadeiro problema que a Europa enfrenta hoje não é mais evitar a crise - ela está aí -, mas atravessá-la sob razoável controle.
Os principais obstáculos a uma solução adequada são os burocratas internacionais do Banco Central Europeu e do FMI que rejeitam a restruturação administrada da dívida, e o Institute of International Finance que quer reduzir o custo da restruturação para os grandes bancos que representa mais do que já sendo reduzido.
A Grécia está hoje em situação de insolvência. O documento do IIF reconhece esse fato. Diante disso, a única solução razoável para o problema é o default e a reestruturação da dívida ""a redução do valor total a ser pago e o aumento do prazo de pagamento - feita de maneira negociada e ordenada.
A Alemanha propôs essa solução, que dividiria as perdas entre os Estados e os bancos.
Estes rejeitaram a propostas com o apoio do Banco Central Europeu, do FMI, e da Comissão Europeia, e, há três semanas, a proposta alemã foi descartada em troca de uma alternativa segundo a qual os grandes bancos participariam do socorro total de € 115 bilhões de dólares com a substituição de seus créditos de curto prazo no valor de € 30 bilhões por créditos de longo prazo com um desconto.
O IIF dá agora sua resposta. Quer anulação ou redução de uma parte da dívida pública grega de € 350 bilhões de euros. Concorda, portanto, com a reestruturação que haviam recusado, mas quer que o setor público pague o prejuízo que os bancos tiveram ao emprestar à Grécia.
Os adversários da reestruturação argumentavam que a reestruturação grega contagiaria os demais países. Mas isto já está acontecendo, e se reflete nos juros elevados que os outros países europeus afetados estão sendo obrigados a pagar.
Agora, com o vazamento do documento do IIF, é a Itália o novo alvo. Devido ao excesso de dívida pública, os juros de seus títulos aumentaram perigosamente. Ao que parece o IIF foi longe demais.
Neste fim de semana, diante do agravamento da crise, os ministros de finanças europeus estão reconsiderando a proposta de reestruturação, agora chamada de "default seletivo", que obrigará os bancos credores a aceitar o desconto.
E o FMI dá afinal sinais favoráveis a essa solução.
Não há garantia de que a reestruturação da dívida grega controlada pela União Europeia, o BCE e o FMI garantirá a travessia ordenada da crise, porque o risco do contágio sempre existirá, e porque a solução será parcial.
Resolve o problema da dívida pública, não da dívida privada grega. Nem o problema dos custos de produção excessivos nos demais países devedores, porque o aumento dos salários neles foi maior do que o da produtividade enquanto o inverso ocorria nos países credores europeus, resultando na sobreapreciação implícita da taxa de câmbio.
A solução apenas resolve ordenadamente uma parte do problema. Vamos esperar que a outra parte - a da desvalorização necessária - vá aos poucos sendo resolvida através da adoção de planos de austeridade pelos governos, e através do aumento da produtividade das empresas. O fundamental é manter a economia europeia sob controle.  (LUIZ CARLOS BRESSER - PEREIRA - Folha de S.Paulo)

18.07 - Dívida dos EUA assusta países
Uma solução para o impasse sobre a elevação do teto da dívida dos Estados Unidos e um plano de ajuste econômico é de interesse mundial. Como o país é um grande comprador e estimula a cadeia produtiva global, os demais países torcem pela recuperação da economia americana. No Brasil, o cenário incerto reflete em oscilações na Bolsa de Valores, tendência de desvalorização do dólar frente ao real, e nos casos de grande desaceleração, queda nas exportações e consequente desemprego nas empresas que dependem das vendas internacionais.
O problema é que os EUA gastaram mais do que podem pagar e a legislação do país estabelece um teto de endividamento de US$ 14,29 trilhões — valor que foi atingido recentemente. Como no dia 2 de agosto há vencimento de dívidas, as autoridades americanas precisam fechar um acordo até 22 de julho.
O acerto precisa ser definido pelo congresso daquele país e a discussão sobre como ele deve ser feito envolve republicanos e democratas. A professora de macroeconomia da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Cristina Helena Pinto de Mello, explica que os EUA têm só dois partidos, o que torna a discussão mais polarizada e de difícil negociação. Basicamente, os democratas defendem aumento de impostos e os republicanos, corte de gastos.
Barack Obama
Quinta-feira, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse estar “pronto para agir” para elevar o teto da dívida. Ele pediu que o Congresso apresentasse em cerca de um dia um plano para realizá-lo. “O tempo está se esgotando.”
Dificilmente um acordo deixará de ser aprovado. Mas caso isso ocorra, os americanos teriam que suspender alguns pagamentos (como seguro-desemprego e seguro-saúde), demitir funcionários ou até mesmo deixar de pagar títulos da dívida. Esse último ponto é de grande preocupação porque muitos países — inclusive o Brasil — são detentores de títulos americanos. “Um eventual calote faria com que esses títulos perdessem valor”, destaca Fabio Kanczuk, professor da FEA/USP.
E a Standard & Poor’s (S&P), uma das três mais importantes agências de classificação de risco do mundo, já informou que os Estados Unidos precisam impedir o crescimento da relação entre a dívida e o Produto Interno Bruto (PIB) para evitar um rebaixamento em seu rating de crédito.
Por aqui, o professor do Ibmec Marcio Sette Fortes acredita que o dólar deve continuar desvalorizado e o produtor terá que se adequar para enfrentar um câmbio desfavorável à exportação. O lado positivo para o consumidor é itens importados mais baratos e viagens internacionais mais acessíveis. “Não podemos ser tão otimistas porque uma recessão nos EUA não é boa para ninguém”, diz Mello.
Para Kanczuk, o ajuste americano é inevitável e como o país tende a andar mais devagar, o Brasil também deve seguir esse caminho e o real tende a desvalorizar, isso a médio prazo.
Com a discussão ampliada para a Europa, os especialistas acreditam que as dívidas de nações menores serão cobertas pelo restante do bloco europeu e não representariam grandes implicações para os países emergentes. O problema se agrava se a crise atingir países maiores, como a Itália, o que dificultaria a ajuda.
“Em caso de agravamento da crise, o euro vai perdendo confiabilidade e o dólar tende a ganhar força diante dele”, diz Fortes.  (Gisele Tamamar - Agência Estado)
 
 
 
 
 

15.07 - 'Risco de ruptura da zona do euro não está descartado'
O risco de as autoridades europeias tomarem a "má direção" continua forte e podem levar à destruição da zona euro, diz Paul de Grauwe, professor de economia da Universidade de Louvain, na Bélgica, e especialista na moeda comum europeia. Para ele, no momento, as soluções possíveis seriam mais no sentido de superar a crise, como definir como funcionará o fundo de estabilização financeiro de € 500 bilhões para socorrer os países em crise. Só mais tarde se voltaria à real discussão sobre a governança econômica na região.
Valor: A crise da dívida causará a ruptura da zona euro ou vai acelerar mudanças?
De Grauwe: É a questão chave. Os dois cenários são possíveis. O cenário catastrófico é a impossibilidade de as autoridades encontrarem uma solução para a questão da Grécia e aí o contágio será forte e o risco de implosão da zona euro é evidente. O outro cenário é de os governos se conscientizarem, enfim, da intensidade do problema, dos efeitos negativos e criarem o impulso para manter a coesão do sistema. Neste momento, há uma probabilidade que se tome a má direção e se leve à destruição do euro.
Valor: Por que?
De Grauwe: Veja, criamos o fundo de estabilização financeira para ajudar países em crise e não conseguimos nos entender sobre a maneira como ele deve funcionar. Se deve emitir obrigações ou não. Cada país mantém o direito de veto, ou seja, não se quer transferir soberania a esse fundo. É uma questão aparentemente impossível. O fundo é necessário, mas não suficiente. Se a Europa não consegue chegar em acordo numa questão relativamente secundária, como alcançar acordo mais substancial, por exemplo, de decidir ter um sistema de eurobônus, de consolidar uma parte da dívida nacional que seria emitida de maneira conjunta, com responsabilidade coletiva, e baixando a taxa de juro? Mas não vejo nenhuma visão sobre isso.
Valor: Quais as propostas que o sr. considera mais sensatas para reformar a zona do euro?
De Grauwe: É preciso reformar o fundo de estabilização, é preciso fazê-lo de tomar decisões por maioria, como no Fundo Monetário Internacional. No FMI, a Venezuela não pode vetar empréstimo a Portugal, por exemplo. Aqui também isso não deveria acontecer. Também é preciso reduzir a taxa de juro que esse fundo impõe no programa de financiamento. No programa para a Irlanda é a 300 pontos básicos sobre os títulos da Alemanha.
Valor: Quais as vantagens dessas mudanças?
De Grauwe: Se não vamos nessa direção, a zona euro desaparecerá. É a escolha que temos. Há quem não queira a zona euro. Vários economistas alemães pensam que seria melhor voltar ao marco alemão. A Alemanha, Holanda, Finlândia são muito rígidos e dominados pela ideia de que é preciso punir os países do sul porque eles pecaram. É uma atitude que não ajuda. É verdade que a Grécia fez coisas horríveis. Fraudou estatísticas, os governos mentiram e hoje não tem nenhuma confiança. Mas é preciso resolver a crise.
Valor: O federalismo tem chance de avançar?
De Grauwe: O federalismo transfere uma parte da soberania ao nível europeu, criaria uma espécie de Estados Unidos da Europa, com integração política. No cenário atual, não sei se tem possibilidades de avançar. A evidência mesmo é que fazer união monetária se não há união política claramente não funciona.
Valor: No caso de ruptura da zona do euro, quais as consequências imediatas?
De Grauwe: Se há realmente uma catástrofe, vai ter crise bancária na Europa, risco de implosão do sistema bancário. Basta ver o valor dos títulos públicos em poder dos bancos. E quando há crise bancária, há também crise econômica, e leva anos para haver recuperação. O impacto é também sobre a União Europeia como um todo, sem sua própria moeda e com grande depreciação das moedas nacionais, distorções no comércio internacional, aumento do protecionismo. Os efeitos são terríveis.
Valor: Qual o impacto até agora da crise sobre as empresas europeias?
De Grauwe: Os efeitos sobre as companhias estão limitados no momento, e são muito desiguais. Na Alemanha, nos países escandinavos, a economia vai bem, com taxa de crescimento respeitável. Já no Sul da Europa, é claro que a deterioração econômica afeta empresas, causa demissões, é o desastre.   (Assis Moreira - Valor Online)

15.07 - EUA podem ser rebaixados por não pagamento
Se o governo dos Estados Unidos deixar de pagar uma dívida, o rating (nota) do país pode ser cortado no dia seguinte, afirmou ontem Steven Hess, vice-presidente e diretor sênior do grupo de crédito soberano da agência de classificação de risco Moody''''s. "Como achamos que o rating provavelmente não voltará para Aaa (se houver falta de pagamento), podemos rebaixá-los no dia seguinte", disse Hess em uma entrevista.
Um dos cenários que ele prevê, no caso de os EUA deixarem de pagar qualquer dívida, seria o rebaixamento na nota do país em um grau e a atribuição de perspectiva negativa para o rating, isso apenas um dia depois do evento. Essa revisão daria tempo para a Moody''''s analisar os potenciais efeitos de longo prazo sobre a dívida norte-americana, disse Hess. As questões de longo prazo incluem o impacto da falta de um pagamento sobre os custos futuros de empréstimo e mudanças regulatórias implementadas para evitar futuros defaults (não pagamento).
Hess salientou que a Moody''''s ainda não crê que o governo dos EUA deixará de pagar sua dívida.   (Gustavo Nicoletta - Agência Estado)

15.07 - PIB brasileiro deverá crescer abaixo da média regional
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deverá crescer 4% em 2011, média abaixo dos 4,7% esperados para os países da América Latina e dos 5,1% para os países da América do Sul. Essa é a constatação do relatório pela Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal).
Para que o crescimento continue nesse patamar na região, será preciso segundo esse levantamento, que o consumo privado traga resultados positivos, impulsionados pelo emprego e aumento da oferta de crédito. Esse panorama geraria um índice de desemprego em torno de 6,7% para região, frente os 7,3% verificado em 2010.
Entre os países que mais crescerão este ano na região, destacam-se a Argentina (8,3%), Peru (7,1%), Uruguai (6,8%), Equador (6,4%) e Chile com 6,3%. O desempenho da região atrai investidores estrangeiros de acordo com o relatório. Isso, no entanto, poderia aumentar volume de capitais especulativos, pressionando o câmbio local e a inflação.
O corte de gastos públicos é outro destaque da Cepal. Para o órgão é preciso ajuste fiscal para desenvolver um crescimento sustentável, com geração de emprego, produtividade e igualdade.  (Executivos Financeiros)
 
 
 
 

14.07 - O nó europeu
Instituições e governos da zona do euro penam para encontrar solução razoável para crise de dívida na Grécia, em Portugal e na Itália
O Fundo Monetário Internacional (FMI) admitiu que um novo plano de socorro à Grécia deveria impor perdas aos credores da dívida do governo daquele país.
Trata-se de um apoio à posição do governo alemão que, premido pela opinião pública e seus contribuintes, não quer bancar novos empréstimos sem que a finança privada contribua com o esforço de evitar um colapso grego.
A proposta encontra obstinada oposição do independente Banco Central Europeu (BCE). Na visão do BCE, e em parte também da França, a imposição de perdas aos credores levará agências de classificação de risco e investidores a definir tal acontecimento como "default" (inadimplência).
Como consequência, haveria crises de confiança, pagamentos e crédito, da Europa à América. Haveria elevação de juros para o financiamento da dívida de outros países em dificuldades (Portugal, Irlanda, Espanha, Itália), que poderiam então quebrar.
Os países da eurozona estão divididos entre a posição do BCE e a da Alemanha. As instituições de governo da União Europeia também divergem sobre o tipo e a urgência da solução para a crise.
Além da divergência política imediata, o estresse deriva de uma falha estrutural. A União Europeia, um pacto político-econômico com ênfase no comércio e na moeda, não previu meios fiscais para corrigir problemas de países específicos, como a transferência da receita de tributos do conjunto da UE para nações em aperto.
Tais empecilhos redundaram em soluções paliativas e temporárias para a crise da dívida da "periferia" da UE. No momento, obstáculos políticos e estruturais a mantêm semiparalisada.
O imobilismo leva o mercado a temer um desfecho desordenado para o caso grego -um calote. O medo leva investidores a exigir juros ainda mais altos de Espanha e Itália, o que pode arrastar tais países para uma crise à grega.
Começa a ficar evidente que os presentes planos de "ajuda" enredaram ainda mais os países endividados num círculo vicioso. Os cortes de despesas exigidos derrubam o crescimento econômico e a receita de impostos. Assim, os deficit dos governos não caem, e as dívidas já impagáveis aumentam.
Parece não haver solução sem que a UE assuma a dívida grega, tome empréstimos no mercado e os redirecione, com taxas razoáveis, ao governo da Grécia. Além do mais, seria necessário impor perdas aos credores, limitadas, organizadas e por um período curto. Haverá, ainda assim, turbulência e dores econômicas e sociais.
Não se vislumbra ainda se os governos e instituições multilaterais envolvidos conseguirão superar o impasse, que tende a apressar uma solução caótica para a crise. Os mecanismos institucionais europeus não facilitam uma solução mais ágil.  (Folha de S.Paulo)

14.07 - Brasil vai crescer menos do que vizinhos
A economia brasileira deve crescer menos do que as de seus vizinhos em 2011 e 2012, segundo relatório divulgado ontem pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).
Mesmo assim, segundo um economista da Cepal, o crescimento do Brasil deve ocorrer com menor volatilidade nos próximos anos.
De acordo com o Estudo Econômico da América Latina e do Caribe 2010-2011, o Brasil será, junto com a Guiana, o país que registrará o menor crescimento da América do Sul em 2011, com expansão de 4%.
Já o Panamá deverá registrar o maior crescimento, com 8,5%, seguido da Argentina, com 8,3%. Para 2012, estima-se que o Brasil repetirá o crescimento de 4%.
O estudo da Cepal avalia que, na América do Sul, particularmente, o crescimento da economia é "favorecido pela melhora dos preços obtidos nas exportações de produtos básicos", como commodities agrícolas e minerais exportadas principalmente para a China.
A Cepal destaca ainda a expansão econômica do Haiti, que deve crescer 8% este ano e no próximo, embalada pela reconstrução após o terremoto de 2010.
A economia do Peru, que vem registrando um dos maiores índices de crescimento do continente, deverá expandir 7,1%. A previsão para o Uruguai é 6,8% — o Chile deve crescer 6,3%, o Paraguai, 5,7%, e a Venezuela, 4,5%.
Para o economista da Cepal, Carlos Mussi, a expansão menor do Brasil indica que o país está preocupado em manter uma trajetória de crescimento "sem maior volatilidade" e "com geração de empregos e aumento da renda".
Mussi recorda que o Brasil cresceu 7,5% no ano passado e diz que a redução no crescimento foi resultado do "aumento nas taxas de juros e do corte dos gastos" que seguraram o ritmo da inflação.
Segundo o economista, o país respondeu "rapidamente" à crise internacional, a partir de 2009. O "crescimento acelerado" acabou provocando "pressão sobre os preços", mas sem afetar "a geração de empregos e o aumento da renda", avalia Mussi.
De acordo com a Cepal, o crescimento vai se refletir no mercado de trabalho da região, com uma queda no desemprego de 7,3%, em 2010, para um percentual entre 6,7% e 7% em 2011.
O crescimento resultará também em "um aumento de 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB) per capita", segundo o relatório. O estudo da Cepal prevê que, em seu conjunto, os países da América Latina e do Caribe vão crescer 4,7% em 2011.
Segundo o documento, espera-se uma expansão de 4,1% em 2012 devido a "um contexto internacional menos favorável".
Segundo a Cepal, a região deve manter em 2011 a recuperação iniciada na segunda metade de 2009, "graças ao impulso da demanda interna" e com uma "melhora dos indicadores do trabalho e aumento do crédito".
A secretária executiva da instituição, Alicia Bárcena, faz ressalvas, no entanto, sobre a capacidade dos países da região de administrar o crescimento econômico.
No comunicado, o organismo ressalva que as autoridades "devem implementar medidas para conter a apreciação cambial, combinando intervenções nos mercados de câmbio, controle na entrada de capitais e regulamentações financeiras".
A Cepal diz ainda que a região terá maior potencial de crescimento nos próximos anos se tiver uma "política fiscal orientada para o aumento da poupança do setor público".   (Brasil Econômico)

14.07 - BC indica ritmo menor para PIB do trimestre
Depois de meses de sinais contraditórios vindos da atividade econômica, sem um dado concreto que indique se de fato o país está desacelerando, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) relativo a maio apresentou forte desaceleração na comparação com o ritmo observado nos meses anteriores. O indicador, que tenta antecipar o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB), registrou avanço de 0,17% em maio, ante uma alta média de 0,48% nos primeiros quatro meses do ano e de 0,44% em abril.
Em 12 meses, o crescimento ainda é elevado, de 5,34%, acima do chamado PIB potencial, nível que representa uma expansão econômica sem pressões inflacionárias.
A leitura interna do BC, no entanto, é de que o IBC-Br reforça sua visão de que a economia se mostra em uma trajetória de crescimento sustentável, segundo fontes da autoridade monetária. Essa análise tem sido apresentada nos últimos documentos oficiais, como o Relatório de Inflação, publicado no fim do mês passado, mas ainda não foi totalmente aceita por analistas.
O BC tem indicado que os maiores efeitos de suas ações de política monetária devem ocorrer a partir do segundo semestre, dada a defasagem já conhecida entre as elevações dos juros, feitas desde janeiro, e o desaquecimento da economia. Na avaliação das autoridades do BC, o recuo do IBC-Br em maio aumenta a chance de que essa premissa de fato se concretize.
Os analistas ainda têm dúvidas quanto ao nível de desaceleração da atividade, mas já começam a surgir apostas em um desaquecimento maior a partir deste mês. O Itaú Unibanco, por exemplo, avalia que ainda houve expressivo crescimento da construção civil, alta da produção na indústria de transformação e o aumento do comércio varejista no mês de maio. A prévia de junho, porém, já é um pouco mais positiva do ponto de vista do controle da inflação.
Os indicadores preliminares do mês passado apontam para moderação da atividade econômica em junho, diz Aurélio Bicalho, economista do Itaú Unibanco, e sinalizam ligeiro crescimento do PIB mensal na margem, da ordem de 0,2, depois de um avanço de 0,7% em maio, de acordo com uma medida particular do PIB feita pelo próprio banco.
"Os dados disponíveis sugerem um pequeno recuo da produção industrial e estabilidade do comércio varejista no mês passado", diz o economista, em relatório. "Mantemos a avaliação que a atividade econômica já mostra sinais de acomodação, apesar da volatilidade dos dados nos últimos meses, e que essa tendência de moderação deverá ficar ainda mais evidente ao longo dos próximos meses."
A preocupação com a inflação voltou ao centro do debate econômico depois da divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho, com alta de 0,15%, acima do esperado. O último boletim Focus, alimentado pelas projeções de analistas, mostrou forte piora nas expectativas de inflação, que foram a 6,31% para este ano e reforçaram as apostas em duas novas elevações da Selic de 0,25%, uma delas já na próxima semana, que levariam os juros para 12,75% ao ano.
Algumas análises, divergem, porém, sobre a intensidade do recuo da atividade no segundo trimestre. As projeções para o crescimento do PIB variam de 0,7% a 1,1% na comparação com o primeiro trimestre, na série com ajuste sazonal. A economia, no primeiro trimestre, cresceu 1,3% sobre o trimestre anterior, na mesma série.
Segundo o economista-chefe da Máxima Asset Management, Elson Teles, o avanço de 0,17% no IBC-Br de maio é compatível com o cenário de crescimento da economia previsto pelo BC. "A autoridade monetária quer um arrefecimento, mas não um arrefecimento forte da atividade. O IBC-Br reforça esse ponto", diz ele, para quem o PIB crescerá 4% no fim do ano, e em torno de 1% no segundo trimestre.
Para Rafael Bacciotti, da Tendências Consultoria, e Thaís Marzola Zara, economista-chefe da Rosenberg & Associados, a desaceleração será mais evidente a partir do segundo semestre. "O mercado de trabalho estará um pouco menos aquecido, com a ocupação desacelerando e a taxa de desemprego avançando", prevê Baciotti. A Tendências projeta que o PIB crescerá 1,1% no segundo trimestre sobre o primeiro e 3,9% no fim do ano.
Segundo o relatório da Rosenberg, o IBC-Br reforçou "a perspectiva de crescimento do PIB superior a 1% no segundo trimestre, ainda que inferior ao 1,3% do primeiro trimestre". Thaís espera que a economia cresça 4% no ano, mesmo com a atividade ainda aquecida. "O IBC-Br não traz tranquilidade no que se refere à evolução da atividade e suas repercussões sobre a inflação", diz a consultoria.
Bráulio Borges, economista-chefe da LCA Consultores, tem um cenário mais pessimista. Para ele, o crescimento de 1,3% no primeiro trimestre foi apenas um "voo de galinha" e o PIB do segundo trimestre terá elevação de 0,7%. "O dado do IBC-Br, que é a síntese de tudo, mostra que a atividade está desacelerando. Quando juntamos comércio, indústria e atividade no caldeirão do PIB, o recado é claro. A atividade está voltando a perder fôlego", argumenta o analista, que espera um PIB de 3,4% em 2011.
Borges destaca que os dados do varejo divulgados pelo IBGE, apesar de estarem fortes na margem, mostram recuo do comércio nas médias móveis trimestrais, assim como o indicador do BC, que vem perdendo força a cada três meses. "Os analistas estão olhando dados muito pontuais, cuja volatilidade aumentou muito desde dezembro, e esquecendo a tendência."
Segundo cálculos feitos pela LCA, a atividade econômica teve crescimento de 0,8% no segundo trimestre de 2011, descontadas as sazonalidades, número próximo à estimativa da consultoria para o PIB do período.   (Fernando Travaglini e Arícia Martins - Valor Online)
 
 
 
 

13.07 - CVM: Fundos imobiliários mais transparentes
A revisão das regras contábeis proposta na minuta colocada em audiência pública pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) deverá trazer maior transparência para a avaliação do valor das cotas dos fundos imobiliários.
A minuta SNC 01/11  exige que os imóveis sejam classificados de acordo com a sua finalidade. Nas demonstrações financeiras, os imóveis destinados a renda, que abrange a maioria dos fundos imobiliários, deverão ser enquadrados como propriedade para investimentos, sendo registrados pelo seu valor justo, isto é, aquele transacionado no mercado.
Já aqueles destinados à venda serão classificados como estoque e registrados no ativo circulante. “Dessa forma, o valor contábil da cota tende a refletir seu valor justo e se aproximar mais do valor de mercado, que está sendo negociado em bolsa”, afirma Osvaldo Zanetti Favero Júnior, analista da CVM.
Para Rodrigo Machado, representante da Câmara Consultiva do Mercado Imobiliário da BM&FBovespa, a medida permite uma formação melhor do preço das cotas e poderá, inclusive, beneficiar os fundos cujas cotas estão sendo mal precificadas no mercado secundário, sendo negociadas abaixo do valor patrimonial.
A minuta ficará em audiência até o dia 18 de julho.
Atualmente existem 114 fundos registrados na CVM, que somam um patrimônio de R$ 9,9 bilhões. Desses, 54 são negociados em bolsa.  (Silvia Rosa - Valor)

13.07 - Crise mundial e ausência de precaução
Uma crise financeira mundial pode ser considerada um câncer cujas metástases se manifestam por muito tempo, se não for estirpado o núcleo e suas infiltrações. O presidente Lula considerou-a, inicialmente, produtora de simples "marolinha" no Atlântico Sul. Posteriormente, foi obrigado a levá-la a sério, porém tão logo o Federal Reserve (Fed, banco central americano) socorreu o sistema bancário americano, assumiu que o câncer havia sido debelado. A presidente Dilma parece ter a mesma postura e o Brasil continua sem salvaguardas (sequer são discutidas) contra as metástases.
Na zona do euro, a doença progride de forma inexorável. Irlanda, Grécia e Portugal já foram indicados para uma "Unidade de Tratamento Intensivo (UTI)". A progressão já ameaçou a Espanha e, agora, a Itália parece estar sendo atingida. Toda a Europa está amedrontada e perplexa em relação ao modo de enfrentar a crise; França, Alemanha e Grã Bretanha apresentam propostas pouco convergentes.
No Brasil, persiste uma euforia quase ininteligível. Sofremos com a crise e, apesar da recuperação parcial, não conseguimos sequer igualar-nos ao desempenho da Argentina, que cresceu mais que o Brasil. Cada vez mais assumimos a configuração econômica de país exportador de alimentos e matérias primas. Ressurgiu o discurso de "Brasil celeiro do mundo", que se nutrirá exportando alimentos para saciar a fome do mundo. Essa autodenominação é retórica, pois existem milhões de famílias brasileiras com fome e péssima qualidade de vida. O Brasil deveria se preocupar, em primeiro lugar, com a boa alimentação dos brasileiros. Seria uma medida elementar restaurar o imposto de exportação sobre alimentos; com esse imposto, poderíamos desfrutar dos altos preços internacionais e praticar internamente preços em real menores, favorecendo os consumidores nacionais. Hoje, 80% da população é urbana e compra alimentos referenciados a taxa cambial do dólar. O governo brasileiro não tem mais estoques reguladores de suprimento interno de alimentos; quem deles dispõe são empresas que, quando monopólicas, desfrutam de vantagens excessivas. Aliás, essa é a razão do Banco Central praticar a política de juros elevados, pois dessa forma atrai capitais especulativos do exterior e valoriza o real.
Apesar da recuperação parcial, não conseguimos igualar-nos ao resultado da Argentina, que cresceu mais que o Brasil
A curto prazo, na âncora cambial repousa a política anti-inflacionária. A valorização sustentada do real reduz o preço dos produtos importados e evita (na ausência do imposto de exportação) o encarecimento excessivo dos produtos brasileiros exportados. É extremamente perversa a repercussão da hipervalorização do real sobre a atividade econômica interna. Empresas que dominam fatias de mercado e que, antes, produziam internamente, passam a importar produtos do exterior. Há destruição de elos das cadeias produtivas, e de empregos. De vagões ferroviários até lápis e borracha escolar, são hoje milhares de produtos importados que o Brasil produzia e domina a tecnologia.
Há um silêncio sobre o s custos, a longo prazo, desse padrão de política anti-inflacionária. As reservas internacionais brasileiras crescem, porém o Banco Central (BC), gestor dessas reservas, as constitui emitindo Títulos de dívida do Tesouro. O povo brasileiro paga a taxa Selic por essa dívida e o BC recebe uma ínfima remuneração da reserva que aplica em papéis do Tesouro americano. Esse é um buraco sem fundo, que recolhe impostos e paga juros. Parcela significativa dos impostos e contribuições se alimentam do superávit primário e, sendo insuficientes, engendram novas emissões de títulos de dívida do Tesouro brasileiro.
Em tempo: são mantidas as indexações das principais tarifas de serviços públicos e, indiretamente, via sistema bancário, há uma proteção (pelo menos parcial) do caixa das empresas. Os bancos remuneram os depósitos à vista com parcela dos juros que recebem dos Títulos de dívida pública.
Simultaneamente a essa "política anti-inflacionária", que mutila o investimento público e orienta as empresas para especulações financeiras, as famílias são induzidas a se endividarem a longo prazo não para comprar a moradia, mas com eletrodomésticos, móveis, veículos, etc. Em uma economia pouco dinâmica, que admite a destruição de empregos e sacrifica o crescimento econômico em nome da estabilização, o endividamento familiar cria uma perigosa bolha cuja manifestação mais evidente é a inadimplência das famílias. Em junho o recorde na taxa de inadimplência reproduziu o cenário de nove anos atrás.
A crescente inadimplência familiar é, em curto prazo, o efeito combinado da alta da taxa de juros com a elevação do IOF. Em longo prazo, a estagnação e o medíocre crescimento continuarão a produzir inadimplência e assistiremos a consolidação de duas tendências inquietantes: pela primeira, nossa juventude sem esperança lança seu olhar para o resto do mundo e emigra; pela segunda, uns poucos grupos brasileiros bem sucedidos passarão a adquirir empresas em outros países. A defesa do nível de atividade da economia, mediante um modelo "Casas Bahia", não é sustentável a longo prazo. Após um longo período, em que a frota de veículos cresceu 9% ao ano e foi implantado o congestionamento como padrão urbano brasileiro, com elevação de acidentes rodoviários, no momento os pátios das montadoras estão lotados e serão concedidas férias coletivas. É difícil imaginar o Brasil exportando crescentemente veículos; é visível o aumento de carros importados do exterior.
É assustadora a ausência de discussão sobre salvaguardas e sobre a retomada de um padrão de desenvolvimento nacional que gere empregos e renda para os jovens.   (Carlos Francisco Theodoro Machado Ribeiro de Lessa - Valor Online)

13.07 - Incerteza é tamanha que até o Fed está perdido
Mais um dia no qual não falaram notícias ruins. Por isso, não se estranha a grande variação no preço dos ativos ao longo da terça-feira.
A maior fonte de instabilidade continua sendo a Europa. O foco que estava na Itália, deve mudar, agora, para a Irlanda, depois que o país foi rebaixado para grau especulativos pela agência de classificação de risco de Moody's.
Ainda na zona do euro, parece crescer a ideia de que a Grécia não conseguirá escapar de um calote da dívida. Por ora, se trata do assunto como um "default seletivo", seja lá o que isso for.
O euro capta essa incerteza e voltou a valer menos de US$ 1,40.
Situação só piora na Europa e euro cai abaixo de US$ 1,40
Salvo algum novo rebaixamento de nota, o próximo desdobramento dessa história é o teste de estresse dos bancos europeus. O resultado está previsto para a sexta-feira. Já tentaram abafar a divulgação, apontando que isso poderia somar mais instabilidade aos mercados. E também se fala que os governos já estariam prontos a ajudar as instituições que não passarem no testes.
Ilustrando bem como o grau de incerteza que rege o mercado é sem igual, nem o Federal Reserve (Fed), banco central americano, sabe o que fazer.
Apesar de um corpo técnico excepcional e mentes premiadas no seu comando, a ata apresentada, ontem, mostra um colegiado em cima do muro.
Parte do Fed avalia que novas medidas de estímulo podem ser necessárias se o crescimento não ganhar tração suficiente, principalmente para reduzir o nível do desemprego.
Outro grupo aponta o aumento nos riscos inflacionários como uma indicação de que as condições econômicas podem evoluir de forma a levar o Fed a retirar as medidas de estímulo antes do previsto.
A primeira reação ao documento foi positiva, afinal, parte do Fed falou em novos estímulos. Mas o tom positivo não durou muito e o humor virou de vez após o rebaixamento da Irlanda para "junk bond".
Mas mesmo que mais ajuda seja dada nos EUA (fica a dúvida sobre como isso seria feito), os resultados podem se mostrar pouco duradouros.
Qualquer aumento de liquidez tira força do dólar e impulsiona as commodities (já vimos esse filme antes). Só que a alta das matérias-primas, particularmente o petróleo, consome renda disponível do americano. Com isso, o consumo cai e a retomada perde força. Sem falar que as commodities mais caras poderiam garantir ciclos ainda mais longos de aperto monetário em mercados emergentes, única fonte de demanda na conjuntura atual.
No mercado local, essa agenda toda fez preço, principalmente na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que perdeu os 60 mil pontos pela primeira vez desde maio do ano passado.
No câmbio, as cotações oscilaram bastante, mas os preços fecharam o dia sem mudanças relevantes. O dólar comercial cedeu 0,12%, para R$ 1,580 na venda. Mas a moeda para agosto subia 0,18%, a R$ 1,5865, antes do ajuste final.
Não bastasse a instabilidade externa e a nova circular do Banco Central (BC) que ainda está sendo digerida, ontem, as famigeradas "fontes de governo" voltaram ao noticiário, falando sobre a possibilidade de novas medidas na área cambial.
Essas fontes reforçaram postura já externada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, na semana passada, pois falaram em alterações no mercado de derivativos.
Assim que as manchetes piscaram, pouco antes das 16 horas, o dólar futuro teve firme repique de alta. De fato, o período foi um dos mais movimentados do dia.
Nas mesas, a reação de sempre: "o que esses caras querem com esse tipo de notícia?", questionou um operador. Outro agente acrescentou: "para quê criar esse tipo de ruído no meio do pregão?"
Um terceiro agente acredita que qualquer medida que seja tomada visa, apenas, elevar a arrecadação do governo, pois de efetivo nada pode ser efeito enquanto o Brasil ostentar a maior taxa de juros do mundo.
Por mais dificuldades que se criem, o mercado sempre acabará encontrando uma forma de ganhar esse "dinheiro fácil".
No mercado de juros futuros, os contratos não sofreram grande alteração. A curva segue acenando com duas altas de 0,25 ponto percentual na Selic, que atualmente vale 12,25% ao ano.
Um operador baseado em Nova York, no entanto, chama atenção para o fato de o mercado local se mostrar muito à parte dos acontecimentos externos.
Para esse especialista, atribuir probabilidade zero a um de calote na zona do euro, ou outro evento do gênero, é sinal claro desse "isolamento" dos operadores brasileiros.
Por isso, caso a crise na Europa se agrave, não será estranho ver uma queda de 0,50 ponto base nos juros futuros.  (Eduardo Campos - Valor Online)
 
 
 
 
 

12.07 - OCDE: Desaceleração das economias
Muitas das maiores economias do mundo estão indo em direção a um período de crescimento abaixo da tendência, de acordo com os indicadores antecedentes divulgados ontem pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).
O índice composto de indicadores antecedentes da atividade econômica dos 34 membros da OCDE caiu para 102,5 em maio, de 102,8 em abril, sugerindo que o crescimento econômico provavelmente vai se desacelerar. O indicador para o Brasil, que não é membro da OCDE, caiu para 97,6 em maio, de 98,3 em abril.
Entre as economias desenvolvidas, o indicador apontou desaceleração no Canadá, França, Alemanha, Itália e Reino Unido, enquanto entre as economias em desenvolvimento deverá haver desaceleração no Brasil, China e Índia. Desde fevereiro os indicadores do Brasil e da Índia têm ficado abaixo de 100 - nível que marca a tendência de crescimento de longo prazo.
No entanto, ainda não está claro se as economias de EUA, Rússia e Japão também se desacelerarão. O indicador antecedente dos EUA ficou estável em 103,4 em maio, depois de subir nos meses anteriores. Japão teve queda no indicador para 103,7 em maio, de 104,1 em abril, mas a OCDE alertou que isso deve ser interpretado com cautela em razão do desastre natural de março no país.  (Danielle Chaves - Agência Estado)

12.07 - Desafios da política macroeconômica
Os desdobramentos da grande crise financeira, a ascensão da China e mudanças estruturais pelas quais passa a economia global e a economia brasileira nos últimos anos colocam enormes desafios aos economistas brasileiros. Vivemos uma época histórica ímpar em que somos obrigados a repensar a economia diante das mudanças impostas pela necessidade de enfrentar os novos problemas ou velhos problemas em novos contextos.
Os desafios e os problemas estão postos, mas o verdadeiro debate nem começou ainda. Os economistas ainda se reúnem em grupos doutrinários e de interesses, continuam defendendo as suas "verdades", contidas nos seus pressupostos ou aquelas que convêm aos seus interesses. Em vez de destilar doutrinas, é preciso caminhar para um debate pragmático para enfrentarmos os problemas novos que nos apresentam.
Vamos nos restringir ao problema da inflação que ganhou novos componentes e impõe alguns desafios, particularmente o fato de os instrumentos até agora utilizados tornarem-se insuficientes diante do novo contexto trazido pelas mudanças tanto na economia global, como doméstica. Além disso, sabemos que, para cada problema, devidamente convertido em objetivo da política, é necessário um instrumento para resolvê-lo. Hoje, os instrumentos utilizados são em número muito menor do que as metas e objetivos a serem enfrentados.
Pleno emprego e inflação dos serviços estão aí para exigir mais eficácia da política de juros do que no passado
Hoje todos concordam que a inflação tem origens externa e interna. Do lado externo, a elevação dos preços das commodities causada pelo excesso de demanda global gerado pela rápida expansão econômica da China e de outros países asiáticos. Esse novo quadro inflacionário veio substituir o quadro anterior de desinflação, em função da contenção dos salários nos países desenvolvidos, pelo "deslocamento" das fábricas e empregos para China e outros países com baixos salários e da queda nos preços das manufaturas pela acirrada competição global. No quadro desinflacionário, a política de metas de inflação, com os bancos centrais perseguindo uma única meta, com um instrumento, a taxa de juros, podia ser aceitável, já que a meta de emprego ou de crescimento era providenciada pelo "boom de crédito". Com a crise financeira, a política monetária assumiu novas funções e a política de metas de inflação precisará ser repensada, incorporando no mínimo novos instrumentos e metas.
Essa elevação generalizada dos preços de commodities, especialmente no caso dos alimentos, é um fenômeno novo, pelo menos no período pós-guerra, e tem também uma inovação. A causa original do excesso de demanda global tem sido impulsionada pela inovação financeira, que converteu as commodities e as moedas de países produtores em ativos financeiros, objeto hoje de forte especulação. No novo quadro inflacionário, o instrumento taxa de juros tem eficácia limitada, pois a demanda tanto de alimentos como de petróleo são inelásticas e não consegue inibir a especulação financeira.
Além disso, a atual pressão inflacionária não é passageira, decorrente de simples quebra de safra, mas um deslocamento persistente para cima na demanda, em função do rápido crescimento da China e Índia em que a oferta só conseguirá eliminar o excesso de demanda no longo prazo. E mais, a elevação da taxa de juros atrai fluxo de capitais e aprecia a taxa de câmbio e tem efeitos perversos. Taxa de juros elevadas e taxa de câmbio apreciada inibem novos investimentos em vez de ampliar a oferta de commodities e geram déficits em transações correntes. O aumento do fluxo de capitais acaba expandindo a oferta de moeda e de crédito.
Do lado interno, a causa da aceleração da inflação no Brasil que preocupa neste momento é a elevação dos salários, acima da produtividade, e que está pressionando principalmente o setor de serviços. Aqui há um fenômeno novo, pois, pela primeira vez, atingimos o "pleno emprego" e, com isso tudo indica que a chamada "curva de Phillips" que estabelece um "trade off" entre variação da taxa de salário e taxa de desemprego começa a valer de fato no Brasil. Não é o esgotamento da capacidade ociosa na indústria, nem a depreciação da taxa de câmbio ou algum choque de oferta doméstica que pressionam a inflação, mas o esgotamento relativo do excesso de oferta de trabalho.
Mudanças demográficas ocorridas ainda na década de 70 e 80, com redução na taxa de natalidade e que já há alguns anos vem diminuindo o número de trabalhadores que procuram o seu primeiro emprego, modificou completamente a dinâmica do mercado de trabalho no Brasil.
Além disso, é do setor de não "tradables" que vem a maior pressão inflacionária, pois a apreciação da taxa de câmbio não tem efeito anti-inflacionário neste setor, ao contrário, a apreciação, ao elevar os salários, geram pressões de demanda e inflação, exatamente em setores não expostos à competição das importações. É importante lembrar que a apreciacão da taxa de câmbio significa elevação relativa de preços dos setores não "tradables" onde a produtividade aumenta menos do que no setor de "tradables", expostos a competição internacional. Isso somado à desindustrialização fará com que a produtividade cresça lentamente na economia brasileira, fazendo com que os custos unitários de trabalho tenham que ser repassados aos preços. Os desafios estão postos: "pleno emprego" e inflação do setor de serviços estão aí para exigir muito maior eficácia da política de juros do que no passado.   (Yoshiaki Nakano - Valor Online)

12.07 - Gerenciamento de riscos: respondendo as perguntas certas
Qual é o potencial de perda que um fundo de investimento tem em um dia? Essa deveria ser uma das questões a ser respondida pelos gestores aos investidores quando da alocação de seus recursos em um determinado fundo de investimento.
É comum no mercado o gestor que responde a seus investidores com fatos e argumentos que sugiram suas expectativas de retorno para o período deparar com perguntas como: "Qual a expectativa de rendimento, de ganho, para este ano?"
A consistência da resposta não está somente na concretização dos cenários projetados e na realização das promessas em termos de resultados dos ativos que compõem a carteira de investimento de um determinado fundo, mas está também no controle e monitoramento de sua volatilidade e no conhecimento do potencial de perda desses ativos.
De forma complementar aos potenciais de ganho de que o mercado tanto fala e emite relatórios, os conhecidos "upsides", a história de retornos dos ativos aliados a metodologias matemáticas e estatísticas nos permite conhecer de forma bem consistente qual o potencial de perda para determinada carteira.
O VaR, metodologia de cálculo de risco de mercado voltada para mensuração da máxima perda esperada para um portfólio dado um nível de confiança determinado, nos apresenta a informação do quanto se poderá perder em um dia o portfólio analisado. Essa informação e a gestão desses níveis de perda associados aos potenciais projetados de ganho podem assegurar a consistência dos retornos dos fundos de investimento bem como dar mais conforto a alocação por parte do investidor na medida em que os riscos são mensurados e conhecidos.
Nos dias atuais, em que movimentos locais têm influências diretas e imediatas globalmente, nada mais responsável do que se conhecer o potencial de perda de seus investimentos. Saber a que nível de risco financeiro um portfólio está exposto é conhecer a que custo a rentabilidade pretendida ou projetada poderá ser conquistada.
O gestor de recursos deve ter que como prática diária a mensuração dos níveis de risco a que os portfólios que ele realiza a gestão estão submetidos. O responsável pela alocação dos recursos de terceiros e o gestor de riscos devem ter uma separação em termos de atribuições, sendo que o papel de um deve ser complementar ao do outro e ser necessariamente realizado por pessoas diferentes, garantindo assim a transparência do processo, o cumprimento das políticas de alocação e de exposição em termos de risco bem como a devida consistência na tomada de decisão.
Deve fazer parte do dia a dia da gestora, a realização de comitês de risco com a participação das demais áreas envolvidas no processo de tomada de decisão de investimento, uma vez que esses comitês demonstram e debatem os níveis de risco por ativo e por portfólio. Além disso, auxiliam os alocadores a operarem seus papéis diários na medida em que os mesmos passam a conhecer quais ativos contribuem mais para o aumento de volatilidade do fundo, qual o risco marginal e incremental de determinado ativo e todas as outras informações necessárias para o dia a dia de um investimento responsável.
Essa postura deve partir não somente dos próprios gestores, mas de investidores atentos e dos agentes reguladores e autorreguladores, pois guarda relações com o aprimoramento do próprio mercado. É fator decisivo de sucesso em gestão de recursos.
Para se ter ideia do quão vantajoso é conhecer o VaR (valor no risco) de uma carteira, portfólios com políticas de risco conhecidas, limites de perdas determinados a que podem se sujeitar bem como um comitê de risco atuante, em 2008, na crise do subprime, tiveram como conhecer a depressão das rentabilidades com antecedência dado o aumento de volatilidade. Por isso, puderam, frente a preciosa informação, distribuir e alocar seus recursos de maneira mais eficiente, mantendo os níveis de perda, quando ocorreram em patamares baixos - isso quando não ocorreram ganhos.
Portanto, a pergunta não mais deve ser isoladamente voltada para o conhecimento das expectativas de ganhos dos gestores e dos fundos de investimento, mas também dos riscos a que estão expostos em termos de perdas financeiras possíveis. Sendo assim, ao procurar uma alocação, deve-se perguntar: "Qual o potencial não somente de ganho, mas também de perda para determinado portfólio para o período?"
Fazer (e exigir respostas) as perguntas certas é cada dia mais importante e deve ser comportamento de investidores bem-sucedidos. Eles devem verificar não somente resultados passados e potenciais, mas a qualidade técnica com que seus recursos são geridos por completo.   (Rafael Salgado Matos - Valor Online)
 
 
 
 
 

11.07 - BM&FBovespa quer incentivar governança
A BM&FBovespa quer aumentar o diálogo com as companhias listadas para estimular iniciativas que aumentem a liquidez dessas ações no pregão.
"Nesse momento, o trabalho é muito de escutar as dúvidas, críticas e demandas das companhias e tentar equacioná-las", afirma Cristiana Pereira, diretora de desenvolvimento de empresas da BM&FBovespa.
Um resultado dessas conversas iniciais, diz, foi o anúncio de reforma da Câmara de Arbitragem do Mercado (CAM).
"Muitas companhia afirmam que não migram para níveis mais elevados de governança por conta da CAM. Resolvemos então colocar o assunto em discussão", conta a executiva.
Após alguns anos com o discurso de que a migração para os níveis de governança é uma decisão só das empresas, agora a bolsa deverá incentivá-las a estudar o assunto.
Internamente, a bolsa vê a possibilidade de, no curto prazo, 19 companhias se aperfeiçoarem em termos de governança. Recentemente, Mundial, Mahle Metal Leve e Forjas Taurus, já anunciaram migrações.
"Nós já fazemos um trabalho forte de prospecção para apresentar o mercado de capitais como forma de financiamento para as novatas. No entanto, há muitas listadas que também estão em fase de crescimento ou até em processos de sucessão que podem estar mais ativas no mercado", afirma Cristiana.
"Queremos mostrar que aprimorar a governança vai trazer mais valor a essas empresas", diz. Um grupo de trabalho foi criado na bolsa para estreitar o relacionamento. Além da adesão aos níveis diferenciados, a bolsa também reforçará as conversas sobre aspectos de sustentabilidade, discutindo, por exemplo, os critérios para ingresso no Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE); capacitação dos profissionais da empresa para interagir com o mercado e educação financeira.
Um dos desejos da BM&FBovespa é também aumentar a quantidade dos eventos chamados "Dia das empresas", quando as companhias reúnem, na própria bolsa, investidores e imprensa para fazer apresentações de seus negócios.
Em princípio, as conversas de aproximação serão com as 140 empresas abertas cujas ações são as mais negociadas.  (Ana Paula Ragazzi - Valor Online)

11.07 - Economia mundial: Apatia global
Expectativa positiva do início do ano quanto à recuperação da economia mundial cede lugar ao desalento diante de dados setoriais preocupantes
A ansiada recuperação da economia global caminha sobre terreno pantanoso. Basta a divulgação de dados setoriais decepcionantes, como as cifras de emprego nos EUA ontem, para fazer os mercados mundiais deslizarem.
Nos países desenvolvidos, os problemas principais são o baixo crescimento e o peso da dívida pública deixada pela crise financeira. Há uma relação perniciosa entre eles: a falta de dinamismo agrava o endividamento, o que impõe mais austeridade aos governos, num círculo vicioso.
Os recorrentes pacotes de auxilio a Grécia, Irlanda e Portugal, em ambiente cada vez mais recessivo, mostram a dificuldade de lidar com dívidas impagáveis. O rebaixamento da nota de risco dos títulos da dívida de Portugal pela agência Moody's, para a categoria "investimento especulativo", só reforça o temor de que será difícil escapar de uma reestruturação da dívida (ou calote parcial).
No momento, autoridades tentam delinear a participação do setor privado, que rolaria as dívidas voluntariamente, sem caracterizar calote formal. Com isso, busca-se ganhar tempo para que cortes fiscais e arrochos salariais deem frutos, o que ainda soa duvidoso.
Nos Estados Unidos o problema é similar, embora mitigado pelo fato de o país controlar a principal moeda de reserva global. Com a emissão de dólares, os EUA conseguem financiar-se a custo baixo, mas sem alterar a implacável aritmética da dívida. Para o Fundo Monetário Internacional, será preciso um corte de gastos de 7,5% do PIB americano, nos próximos anos, para conter a deterioração.
Tal ajuste seria facilitado num ambiente de maior crescimento, mas, assim como na Europa, as notícias são desanimadoras. A criação de empregos continua frustrante: em junho, apenas 18 mil vagas; o desemprego voltou a subir, para 9,2%. Três anos após a crise, os EUA mal conseguem sustentar 2% ao ano de crescimento.
A primeira oportunidade para um ajuste seria a negociação no Congresso para elevar o limite de endividamento do governo (US$ 14,3 trilhões), atingido em maio, mas os partidos não se põem de acordo. Republicanos defendem cortes drásticos de gastos, inclusive nos programas de saúde, e não aceitam aumentos de impostos. Já democratas querem mínimos ajustes nos programas e elevação de impostos para os mais ricos.
O ponto crucial é que o legado da crise financeira implicará carestia por anos a fio no mundo desenvolvido, num contexto de envelhecimento da população e concorrência cada vez maior dos países emergentes. As consequências para a economia mundial ainda são incertas, mas podem incluir menor crescimento estrutural e maior protecionismo.
Nesse cenário, até o desempenho mais robusto de economias como China, Índia e Brasil seria afetado. Um dos efeitos previsíveis é o arrefecimento da alta nos preços de commodities, como minérios e alimentos, que tanto tem contribuído para manter a saúde das contas externas por aqui, em que pese a valorização do real.   (Folha de S.Paulo)

11.07 - Grécia é só biombo
A Europa rica não socorre a Grécia por solidariedade comunitária, mas por autopreservação
antônio machado
Com medo de fazer algo mais que jogar para baixo do tapete toda a sujeira do endividamento resultante da farra entre seus bancos e o naco frágil da zona do euro, a União Europeia encurralou o governo da Grécia, o mais endividado da comunidade, e se trancou em casa.
O Parlamento grego aprovou o projeto levado pelos tecnocratas de Bruxelas, sede da União Europeia (UE), com o aval do Banco Central Europeu (BCE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) – a chamada “trinca do status quo”, segundo a imprensa europeia -, ao governo já rifado e sem escolhas do primeiro-ministro George Papandreou.
Ou a Grécia dá um beiço à dívida e é expelida da união monetária ou corta gastos, aumenta impostos e vende bens públicos, recebendo em troca empréstimos para pagar as prestações e juros do que deve.
É isso o que foi aprovado em troca de 12 bilhões de euros, dinheiro que sairá do bolso da trinca para entrar no da banca européia credora da Grécia, não para movimentar a economia grega. É o mesmo destino da primeira ajuda de 110 bilhões de euros, liberada em parcelas, conforme vão vencendo os títulos da dívida soberana da Grécia.
O país tem dívida total de 340 bilhões de euros, e não há mais mercado que aceite rolar tais papagaios. Do total, 36% já estão com o FMI e o BCE. E assim continuará. A rigor, a moratória dessa dívida é um cisco para os bancos alemães e franceses, os maiores credores da Grécia na Europa, que ao todo carrega 17% desse pepino. Bancos de outras partes do mundo detêm 16%. O problema não está bem aí.
Em caso de insolvência, o BCE e os tesouros regionais da zona do euro limpariam os balanços dos seus “bancos grandes demais para quebrar”. O BCE, a propósito, já aspirou 400 bilhões de euros em ativos podres do sistema financeiro europeu desde 2009, infringindo uma das normas basilares da união monetária: a proibição de um país pedir euros ao BCE para financiar dívida e déficit fiscal.
Fazer o quê? Não havia o que fazer antes, sob pena de aceitar o colapso da economia europeia e da moeda única, e não há agora. É essa a dimensão a enxergar da crise grega. Não é ela o mal em si.
O risco é que, entregue à própria sorte, a Grécia quebre à sua revelia, como ocorreu com a Argentina no fim de 2001, e arraste a porção da Europa em estado comatoso, Portugal e Irlanda, e o trio afunde o resto como abraço de afogado. A Europa rica não salva a Grécia por solidariedade comunitária, mas por autopreservação.
EUA têm mais escolhas
A ruína do Lehman Brothers teria o mesmo impacto destrutivo para Wall Street, se o Federal Reserve (Fed) e o Tesouro dos EUA não acudissem a banca. A diferença para a Europa é que o Fed emite o meio de pagamento global e o Tesouro, títulos que o mundo quer.
É assim, mesmo a contragosto. Euros não têm o mesmo apelo, sem falar que os EUA são uma rede de entes regionais desprovidos de soberania, assim como os estados no Brasil, enquanto a UE é uma federação de nações livres que abdicaram apenas da moeda própria.
Com pavor das marolas
Crise generalizada de desconfiança na Europa poderia ser fatal ao sistema bancário europeu, como reporta o analista Niels Jensen, do Absolute Return Partners, uma casa de investimentos de Londres. A soma do capital e reservas do sistema europeu de bancos centrais, segundo Jensen, é de apenas 81 bilhões de euros, o que significa que, se emulasse o laxismo monetário do Fed desde 2008, o BCE entraria em pane, já que acabaria provocando uma hiperinflação na Europa.
Como suas mazelas são mais políticas que de política econômica, a liderança da UE busca ganhar tempo. E é o que explica o destempero dos caciques europeus com a decisão da agência de risco Moody’s de rebaixar os papéis de Portugal à categoria de junk bond, ou lixo, como o mercado trata os títulos que dão choque. A reação do BCE foi sintomática: seu presidente, Jean-Claude Trichet, anunciou que os papéis da dívida de Portugal podem ser aceitos como “bons”, portanto, sem risco, pelo mercado financeiro. O BCE os garante.
Diques contra ataques
É a isto que se resume a estratégia de Bruxelas: construir diques que protejam o euro de ataques cambiais e impedir a repulsa contra a dívida soberana dos países da união monetária. E a reconstrução da Grécia? De Portugal? A austeridade que Bruxelas lhes cobra não trará crescimento econômico, adverte o inglês Jansen. O arrocho do mercado doméstico só funciona se compensado com exportações, o que nenhum deles dispõe como vantagem. O grosso das divisas captadas é originado do turismo. A questão não é mais saber quando a Grécia vai quebrar, diz ele, mas o que acontecerá depois que isso acontecer.   (Estado de Minas)
 
 
 
 
 

08.07 - Vendas de seguros atingem US$ 4,3 tri em 2010
O volume global de prêmios apresentou grande aumento em 2010, impulsionado pelo crescimento econômico, repercutindo em capital e solvência. Os países emergentes continuaram a ganhar em importância – a China tornou-se o sexto maior mercado de seguros, e o retorno dos investimentos sofreu com as baixas taxas de juros.
Essas são as principais conclusões do estudo sobre as vendas mundiais de seguros, realizado pela Sigma, divisão de estudos da Swiss Re, segunda maior resseguradora do mundo. De acordo com o estudo, as vendas de seguros chegaram a US$ 4,3 trilhões em 2010, crescimento real (já descontada a inflação) de 2,7% acima do resultado de 2009.
No ano passado, os prêmios do segmento de vida cresceram 3,2%, para US$ 2,5 trilhões, e de ramos elementares avançaram 2,1%, para US$ 1,8 trilhão. De acordo com o estudo, o crescimento dos prêmios nos mercados emergentes se acelerou. No Brasil, os prêmios chegaram a US$ 60 bilhões e a penetração no PIB situou-se em 3,1%, bem abaixo da media mundial de 6,9%.
A participação dos países emergentes no mercado global, atualmente de 14%, deverá continuar aumentando vigorosamente nos próximos dez anos. É provável que a China se torne o segundo maior mercado de seguros dentro de uma década.
Nos mercados emergentes, os prêmios do segmento de vida subiram 13%. A Ásia Meridional e Oriental formou a região com mais forte crescimento, alcançando 18%, tendo à frente a China, com grande demanda tanto por produtos tradicionais quanto por produtos vinculados a investimentos. A América Latina e o Caribe não ficaram muito atrás, com 12%, liderados pelo Brasil.
Em 2010, os prêmios do seguro de ramos elementares aumentaram 2,1% em nível mundial. Os resultados da subscrição se deterioraram, em geral, nos Estados Unidos, e ficaram negativos nos grandes mercados europeus; no último caso, devido aos péssimos resultados do seguro de automóveis.
Nos oito maiores mercados, pelo segundo ano consecutivo, a receita de prêmios não conseguiu cobrir completamente as liquidações de sinistros e outros custos. O índice combinado médio desses principais mercados degenerou para 103%, comparado com 101% em 2009.
Para 2011, o cenário é de incertezas. Os principais riscos para o panorama futuro referem-se a uma escalada da crise da dívida soberana em euros ou a uma grave escassez de petróleo causada por tumultos nos principais países produtores de petróleo.
No entanto, a recuperação econômica deverá seguir seu curso e estimular o crescimento de prêmios nos setores de vida e ramos elementares em nível mundial. Entretanto, o retorno dos investimentos, tanto no setor de vida quanto de ramos elementares, vai permanecer fraco, pois as taxas de juros apresentarão, quando muito, apenas uma lenta subida.  (Executivos Financeiros)

08.07 - Será que os bons ventos do Brasil vão durar muito?
Estes são os melhores tempos do Brasil. O país emergiu como nítido líder na América Latina e força mundial essencial. Sua economia esteve entre as primeiras a recuperar-se com força da recente crise financeira e, desde então, manteve crescimento impressionante. A pobreza foi reduzida drasticamente e a desigualdade de renda vem diminuindo, enquanto a classe média fica cada vez maior. E, graças à descoberta de vastas reservas marítimas de petróleo, o Brasil não apenas se tornou autossuficiente em termos energéticos, mas também se encaminha a ser um importante exportador de petróleo.
Ainda assim, apesar das boas notícias, os brasileiros deveriam preocupar-se, porque os bons tempos durarão apenas se o Brasil resolver uma série de desafios cada vez maiores de política econômica. Alguns se referem a questões de curto prazo; a maioria tem natureza de médio prazo.
No curto prazo, é essencial evitar o superaquecimento da economia: o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) real anual superou os 10% em 2010, graças à política monetária e fiscal expansionista e a termos favoráveis no comércio exterior. É preciso assegurar que a demanda doméstica se desacelere a um ritmo mais sustentável para moderar a pressão de alta nos preços, que ameaça a credibilidade da estrutura de política monetária de metas inflacionárias - em abril, aliás, a inflação ao consumidor acumulada em 12 meses superou o limite máximo da banda de tolerância do Banco Central. Da mesma forma, o Brasil precisa esfriar seu mercado de trabalho, também superaquecido, e estancar a deterioração da balança externa (que saiu de um pequeno superávit para um déficit de mais de 2% do PIB nos últimos três anos, apesar da grande melhora nos termos comerciais).
Autoridades devem almejar a remoção, ou redução substancial, dos obstáculos tributários à competitividade
Para moderar a demanda doméstica, é preciso, primeiramente, um aperto fiscal, porque mais aumentos nas taxas de juros, que já estão relativamente altas, apenas alimentarão novos fluxos de entrada de capital e pressionarão ainda mais o real, já sobrevalorizado. As autoridades deram os primeiros passos para ajustar a política fiscal ao anunciar cortes significativos no orçamento aprovado. Estima-se, no entanto, que mesmo assim os gastos do governo central aumentarão cerca de 4% em termos reais em 2011, em relação ao nível de 2010, que já é historicamente alto. As autoridades complementam o aperto fiscal moderado com medidas macroprudenciais de restrição de crédito e controles de capitais (em sua maior parte baseados em impostos).
Em um prazo mais longo, o Brasil depara-se com vários desafios de reformas fiscais. Abordá-los com êxito permitirá ao país gerar as economias necessárias para atender suas imensas, e cada vez maiores, necessidades de investimentos públicos: a expansão da infraestrutura produtiva (estradas, portos e aeroportos) para solucionar graves gargalos que travam a aceleração do crescimento não inflacionário; os planos de investimentos em escala sem precedentes na exploração de petróleo e geração elétrica; e os eventos esportivos internacionais (Copa do Mundo e Olimpíada) que terão sede no Brasil nos próximos anos.
O Brasil também precisa de espaço no orçamento para acomodar os investimentos necessários em infraestrutura social, especialmente em instalações de saneamento e saúde básica, para poder reduzir a incidência de doenças infecciosas. Também precisa financiar programas bem focalizados para reduzir ainda mais a pobreza e assegurar acesso universal à educação básica; melhorar o ensino médio, com a ideia e aperfeiçoar a capacitação técnica da mão de obra; e incentivar a pesquisa e inovação.
Por fim, as autoridades de política econômica brasileiras devem almejar a remoção, ou pelo menos a redução substancial, dos atuais obstáculos tributários à eficiência e competitividade.
Então, que reformas fiscais são necessárias?
Em primeiro lugar, o Brasil deveria adotar uma estrutura fiscal de médio prazo traçando um caminho gradual de declínio da dívida pública, incluindo o compromisso de ajustar analogamente a meta do superávit primário no orçamento. O cálculo sistemático e a publicação de indicadores fiscais ajustados ciclicamente ajudariam a manter a disciplina, ao promover a prestação de contas, assim como outros avanços na transparência, especialmente, no que se refere às operações "quase fiscais" e ao passivo contingente do governo e empresas públicas. A criação de um conselho fiscal independente para verificar as projeções orçamentárias oficiais também ajudaria a atingir as metas fiscais.
No front da arrecadação, o Brasil deveria substituir o atual imposto sobre o valor agregado no nível estadual, carregado de grandes distorções, e os impostos federais em cascata sobre o faturamento com um tipo moderno de imposto sobre o valor agregado dual (federal e estatal) sobre o consumo, com uma base comum e um número bem pequeno de alíquotas. Também deveria reduzir a pletora de impostos sobre a folha de pagamento, que atualmente aumenta em cerca de 50% o custo médio da mão de obra, atrapalhando a competitividade e criando um incentivo significativo ao emprego informal.
No lado dos gastos, o Brasil precisa de uma nova rodada de reformas previdenciárias - claramente uma prioridade, tendo em vista o rápido envelhecimento da população. As reformas precisarão incluir o aumento na idade de aposentadoria e mudanças nos benefícios, especialmente a desvinculação entre salário mínimo e aposentadoria mínima. Além disso, são necessárias várias reformas no funcionalismo público para ampliar a flexibilidade e aumentar a produtividade, já que os programas educacionais e de saúde exigem maior eficiência de custos.
Em resumo, apesar das aparências encorajadoras, o Brasil claramente depara-se com uma agenda complexa e, em alguns aspectos, intimidante, que não se pode esperar ser resolvida pela nova presidente eleita, Dilma Rousseff, em seu mandato atual. É importante, no entanto, que o governo comece com determinação e algumas "vitórias rápidas", para ganhar credibilidade tanto com os brasileiros como com os mercados mundiais.
O Brasil atualmente se beneficia de um cenário externo favorável, forte credibilidade internacional e prosperidade sem precedentes em segmentos cada vez maiores da população. Mas essa janela de oportunidade não pode ser desperdiçada, se o Brasil quiser consolidar e desenvolver ainda mais seus atuais êxitos.  (Teresa Ter-Minassian - Valor Online)

08.07 - Aumenta aposta de mais duas altas na Selic
O mercado de juros futuros teve firme movimento de alta no pregão desta quinta-feira. Além de os agentes assimilarem o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho, que ficou acima do previsto, o leilão de títulos do Tesouro também contribuiu para o aumento nos prêmios de risco.
Começando pela inflação, o IPCA marcou 0,15% em junho, acima da mediana de 0,07%. Em 12 meses, o índice acumula alta de 6,71%, acima do teto da meta de 6,5%.
De acordo com o estrategista de renda fixa da Coinvalores, Paulo Nepomuceno, o que preocupa é o comportamento da inflação para frente. O IPCA do ano certamente ficará acima de 6% em 2011. E 2012 já garante componentes inerciais para a inflação, como reajuste do salário mínimo.
O estrategista chama atenção para o boletim Focus que sairá na segunda-feira, e tem grandes chances de mostrar um aumento nas expectativas de inflação de curto prazo.
Avaliando a curva futura, Nepomuceno aponta que cresceu a expectativa de que o Banco Central (BC) fará mais duas elevações na Selic.
A medida que o cenário de mais altas se consolida, diz o especialista, não será estranho se o mercado começar a pedir prêmio referente a uma terceira alta no juro básico.
O lado técnico do mercado também piorou, segundo Nepomuceno. Durante o dia, o contrato janeiro de 2013 rompeu a linha de 12,70%, pegando de surpresa agentes “mal vendidos”, que foram obrigados a mudar de mão.
Ainda de acordo com o especialista, sempre que tem leilão de títulos pré-fixados o mercado força a mão para conseguir taxas maiores. O que difere o pregão de hoje do movimento usual é que as taxas não recuaram após a operação.
Segundo dados do Tesouro, foram vendidos 6,06 milhões Letras do Tesouro Nacional (LTN), num total de R$ 4,34 bilhões. Também foram colocadas 2,5 milhões de Notas do Tesouro Nacional Série F (NTN-F), a R$ 2,25 bilhões.
O quadro externo também dá a sua contribuição. As taxas nos Estados Unidos também apontam para cima, captando a melhor percepção quanto à atividade econômica depois que o setor privado mostrou forte criação de empregos em junho.
De volta ao mercado local, antes do ajuste final de posições na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em agosto de 2011 apontava alta de 0,01 ponto percentual, a 12,25%. Outubro de 2011 marcava estabilidade a 12,40%. E janeiro de 2012, o mais líquido do dia, avançava 0,02 ponto, a 12,49%.
Entre os contratos mais longos, janeiro de 2013 mostrava alta de 0,05 ponto, a 12,70%. Janeiro de 2014 também registrava ganho de 0,05 ponto, a 12,62%. Janeiro de 2015 mostrava valorização de 0,04 ponto, a 12,52%. Janeiro de 2016 acumulava 0,05 ponto, a 12,43%. E janeiro de 2017 projetava 12,33%, alta de 0,06 ponto.
Até as 16h10, foram negociados 1.474.194 contratos, equivalentes a R$ 130,13 bilhões (US$ 83,08 bilhões), duas vezes mais do que o registrado no pregão anterior. O vencimento janeiro de 2012 foi o mais negociado, com 674.735 contratos, equivalentes a R$ 63,70 bilhões (US$ 40,67 bilhões).   (Eduardo Campos - Valor)
 
 
 
 
 

07.07 - Risco de contágio grego ganha força
O risco de contágio da crise da Grécia ganhou um novo ingrediente agora que Portugal está classificado como “junk” pela Moody´s. Ao rebaixar a nota portuguesa ontem, a agência de rating deixou claro que os desdobramentos da situação grega terão reflexos no restante da zona do euro endividada.
O perigo de alastramento dos graves problemas da Grécia para as demais economias já fragilizadas da região é uma das principais preocupações dos investidores. Uma vez que a reestruturação de dívidas está definitivamente na mesa, pois o endividamento de Atenas é classificado como insustentável, o default em outros membros do bloco passa a ser visto com maior probabilidade.
Tanto que a Moody´s justificou o rebaixamento ao apontar o risco crescente de que Portugal vá requerer uma segunda rodada de financiamento oficial antes que possa voltar ao mercado privado e a possibilidade de que a participação de credores privados seja requerida como precondição, exatamente como no caso da Grécia.
Os mercados internacionais refletem esses temores nesta manhã. O prêmio do swap de default de crédito (CDS) de Portugal atingiu o nível recorde de 850 pontos-base mais cedo. Os demais países periféricos também estavam pressionados pelo risco de contágio.
O euro reage em queda forte e volta para a casa de US$ 1,43. O desempenho negativo chama a atenção porque a moeda deixa de lado a perspectiva de mais aperto monetário na zona do euro. O Banco Central Europeu (BCE) deve ignorar os problemas da periferia do bloco e subir os juros em 0,25 ponto porcentual amanhã, para 1,50%, dando continuidade ao combate à inflação.
As agências de rating vêm roubando a cena nos últimos dias, numa postura bem mais ativa do que no passado. As classificadoras de risco perderam muita credibilidade durante a crise por não detectarem riscos embutidos em diversas instituições financeiras tomadas por ativos tóxicos. Agora, mostram estratégia mais pró-ativa. “Os departamentos de mídia das agências de rating parecem estar fazendo hora extra na tentativa de conseguir manchetes”, ironiza Paul Donovan, economista do UBS.
Na segunda-feira, a Standard & Poor’s afirmou que a atual proposta de rolagem da dívida grega será classificada como default, reforçando a visão que já havia deixado clara anteriormente. As negociações com os credores prosseguem e hoje está agendada reunião em Paris para os grandes bancos discutirem sua participação na nova ajuda à Grécia.
Esse ponto precisa ser acertado para que as autoridades europeias possam aprovar mais um pacote de resgate para Atenas, o que deve ser feito somente em setembro. De qualquer forma, o país ganhou oxigênio ao aprovar medidas adicionais de austeridade e ter a quinta parcela do empréstimo tomado no ano passado, de 12 bilhões de euros, liberada pela União Europeia. Os recursos são vitais para que a Grécia pague seus compromissos dos próximos dois meses.  (Daniela Milanese)

07.07 - A Europa volta a apertar o calo do mercado
Estava muito bom para ser verdade. O mercado brasileiro vinha subindo nos últimos pregões e já havia quem se animasse a dizer que poderia ser o começo de uma tendência positiva da bolsa. Pois é, não era. O mercado ontem virou e novamente por conta da Europa, desta vez por causa de Portugal.
A agência de classificação de risco Moody"s rebaixou a nota da dívida soberana de Portugal de "Baa1" para "Ba2", nível já considerado como "junk", e ainda com uma perspectiva negativa. A agência lembra que existe um risco cada vez maior de o país necessitar de uma segunda rodada de ajuda financeira externa.
A Moody"s diz ainda que Portugal provavelmente não conseguirá cumprir suas metas de redução do déficit e da estabilização da dívida, acertados no acordo de financiamento que o país obteve da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Mesmo esse rebaixamento de Portugal sendo considerado favas contadas, o mercado reagiu mal à notícia. O Índice Bovespa fechou em queda de 1,33%, aos 63.038 pontos, se segurando com unhas e dentes na casa dos 63 mil pontos.
Os Estados Unidos também contribuíram com o seu quinhão de fatos negativos. As encomendas à indústria americana em maio tiveram alta de 0,8%, abaixo das expectativas dos analistas, que giravam em torno de um acréscimo de 1%.
Seja pelos problemas na economia internacional, vindos principalmente dos Estados Unidos, da Europa e da China, ou por todas as dúvidas que ainda pairam sobre a capacidade do governo brasileiro de conter a alta da inflação, fato é que a Bovespa tem uma imensa dificuldade de engatar um movimento mais consistente de valorização.
Para se ter ideia do descompasso entre a expectativa dos analistas e o desempenho do mercado, o segundo semestre já começou e o Ibovespa patina nos 63 mil pontos, quase caindo para os 62 mil pontos, enquanto a maioria das casas de análise mantém suas projeções para o indicador no fim deste ano entre 75 e 80 mil pontos. A conta definitivamente não fecha: ou a bolsa terá um bom movimento de valorização em algum momento até dezembro, ou os analistas terão de se curvar a dura realidade, revendo para baixo tais projeções.
A longa novela "Carreçúcar" continua. As ações preferenciais (PN, sem direito a voto) do Pão de Açúcar caíram 1,92%, refletindo as sinalizações de que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) só vai apoiar uma fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour caso haja algum tipo de entendimento entre os atuais sócios da varejista brasileira - a família Diniz e o grupo francês Casino.
As ações de construtoras lideraram as quedas do Ibovespa ontem, a começar pelos papéis ordinários (ON, com voto) da Rossi Residencial, em baixa de 4,55%.  (Daniele Camba - Valor)

07.07 - Mercado projeta inflação quase nula em junho
O mercado está projetando variação próxima de zero para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho, que hoje será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em quatro previsões coletadas pelo Valor as estimativas vão de menos 0,01% até uma leve alta de 0,09%. Em maio, a inflação medida pelo IPCA foi de 0,47% sobre o mês anterior.
A LCA Consultores espera ligeira elevação, de 0,09%, no índice para o mês de junho. Para a consultoria, os preços dos grupos alimentação e bebidas devem reverter a trajetória ascendente registrada em maio (+0,63%) para queda de 0,25% em junho, ocasionada pelo recuo nos preços do arroz, feijão, batata-inglesa, hortaliças e verduras, frutas, carnes, pescados, aves e ovos. O movimento de deflação no grupo transportes, com queda de 0,24% em maio, deve ser intensificado em junho, com queda de 0,86%, prevê a LCA.
Já a Quest Investimentos projeta alta ainda mais comedida, de 0,06%. A correção nos preços do álcool e seus impactos na gasolina devem se somar a repasses na queda das commodities sobre o item alimentos no mês. “Uma estabilidade mais duradoura nas principais commodities e no câmbio pode ser suficiente para atenuar pressões estruturais”, aponta a Quest em relatório.
A Rosenberg Associados também prevê elevação de 0,06% no IPCA de junho, e deflação de 0,15% para o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), a ser divulgado também amanhã pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
A avaliação do banco Santander é mais aguda, prevendo variação negativa de 0,01% para o IPCA de junho, e deflação de 0,13% para o IGP-DI. Segundo análise do banco, neste mês o IPCA deve atingir sua menor variação desde junho do ano passado, quando a inflação foi nula. A previsão é de que os preços dos nove grupos acompanhados pelo IBGE recuem em relação à última divulgação, mas com apenas dois grupos, alimentação e transportes, apresentando deflação.  (Bruno De Vizia - Valor)
 
 
 
 
 

06.07 - Seguros de pessoas cresce 24,5%
O segmento de seguros de pessoas apresentou expansão de 24,52% no acumulado dos primeiros quatro meses de 2011 em relação ao mesmo período do ano passado, com faturamento (prêmio) de R$ 6,2 bilhões. Os dados são da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), representante de 79 seguradoras que comercializam produtos de vida e previdência.
O destaque no período foi o seguro de acidentes pessoais (individuais e coletivos), que registrou volume de prêmios acumulado de R$ 1,3 bilhão entre janeiro e abril deste ano, um crescimento de 47,62% de acordo com a entidade.
O presidente da Fenaprevi, Marco Antonio Rossi, atribuiu o resultado ao aumento da renda da população. Segundo o executivo, o seguro de acidentes pessoais protege o segurado dos riscos mais perceptíveis, o que o leva a ser praticamente o primeiro produto a ser contratado.
A procura pelo seguro viagem também cresceu acima da média do setor, com expansão de 41,85% nos primeiros quatro meses de 2011 e volume de prêmios de R$ 13,9 milhões. Segundo Rossi, o resultado é consequência do maior número de viagens nacionais e internacionais realizadas no período.
O seguro de proteção financeira (prestamista) foi o terceiro produto com maior expansão percentual (34,38%) e volume de R$ 1,4 bilhão no primeiro quadrimestre do ano.
Especificamente no mês de abril, o mercado de seguros voltados para pessoas movimentou R$ 1,5 bilhão, crescimento 20,16% em relação ao mesmo período de 2010. O balanço do setor tem como base as informações coletadas pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) e não inclui o VGBL, considerado para esse fim como plano de caráter previdenciário.
Ranking
A Bradesco Seguros lidera o ranking no mercado de seguros de pessoas no acumulado do ano até abril, com participação de 15,92%, ainda de acordo com a Fenaprevi. A Santander Seguros aparece em seguida, com 15,13%, à frente de Itaú (13,31%); Aliança do Brasil (10,62%); Mapfre (6,71%); HSBC (4,35%); Metropolitan Life (3,69%); Caixa Seguros (3,26%); Icatu Seguros (3,24%); e Cardif do Brasil (2,73%). Outras seguradoras representaram 21,05% dos prêmios de seguros.  (Portal G1)

06.07 - Seguros: Acidentes pessoais se destaca
O seguro de acidentes pessoais está entre os destaques do ramo de pessoas nos cinco primeiros meses do ano. Segundo dados da Susep, essa carteira gerou uma receita de prêmios de pouco menos de 1,5 bilhão, o que representou um incremento de 28% em relação ao mesmo período no ano passado.
Tal desempenho foi festejado pelos executivos do setor. Segundo o presidente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), Marco Antonio Rossi, boa parte do crescimento do seguro de acidentes pessoais está atrelada ao maior número de viagens nacionais e internacionais. “O principal benefício dessa proteção está relacionado à cobertura em caso de acidente ou doença e inclui pagamentos de despesas médicas e medicamentos, principalmente em viagens ao exterior. Inclui até também proteção contra extravio de bagagem”, afirma o executivo.
De acordo com a Fenaprevi, o mercado de seguros de pessoas acumulou R$ 6,2 bilhões e cresceu 24,52% de janeiro a abril. No período, o seguro de acidentes pessoais (individuais e coletivos) cresceu acima da média do mercado.
Marco Antonio Rossi explica que o seguro de acidentes pessoais protege daqueles riscos mais perceptíveis, o que o leva a ser praticamente o primeiro produto a ser contratado. “É uma proteção contra acidentes ou doenças e garante ao segurado ou aos seus beneficiários uma renda caso ocorra imprevistos”, observa.
O mercado de seguros de pessoas engloba outros produtos, entre eles, educacionais, vida, viagem e (prestamista) proteção financeira. O prestamista foi o terceiro produto com maior expansão percentual. O seu volume de prêmios acumulou R$ 1,4 bilhão, expansão de 34,38%.
Ainda de acordo com a Fenaprevi, a Bradesco Seguros consolidou a sua liderança no ramo de pessoas, com market share de 15,9% até abril. Logo depois vieram Santander (15,1%); Itaú (13,3%); Aliança do Brasil (10,6%); Mapfre (6,7%); HSBC (4,3%); Metropolitan Life (3,7%); Caixa (3,2%); Icatu (3,2%); e Cardif do Brasil (2,7%). Foram considerados, para este ranking, as holdings.  (CQCS)

06.07 - Aumento da massa salarial favorece crescimento
A expansão da massa salarial no País, cuja principal consequência é elevar o poder de compra, faz o seguro de vida se apropriar cada vez mais de uma parte do orçamento das famílias. Tanto que os indicadores do balanço de seguros de pessoas, no primeiro quadrimestre de 2011, demonstraram uma expansão de 24,52% nas vendas no comparativo ao mesmo período do ano passado. Com isso, a receita acumulada alcançou R$ 6,2 bilhões. No período, o seguro de acidentes pessoais (individuais e coletivos) obteve taxa de crescimento ainda maior que a média de mercado, atingindo prêmios de R$ 1,3 bilhão.
No primeiro quadrimestre, além de acidentes pessoais, outro destaque foi o seguro viagem, que teve expansão de 41,85% no período e somou R$ 13,9 milhões. “O aumento da contratação desse seguro está atrelado ao maior número de viagens nacionais e internacionais. O principal benefício dessa proteção está relacionado à cobertura em caso de acidente ou doença e inclui pagamentos de despesas médicas e medicamentos, principalmente em viagens ao exterior. Inclui até também proteção contra extravio de bagagem”, explica o presidente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), Marco Antonio Rossi. O prestamista foi o terceiro produto com maior expansão percentual: acumulou R$ 1,4 bilhão de prêmios, expansão de 34,38%.
Na avaliação mensal, o mercado de seguros voltados para pessoas movimentou R$ 1,5 bilhão, crescimento 20,16% em abril de 2011. Dentre os seguros de maior representatividade no mercado, os produtos que obtiveram melhor desempenho foram o seguro viagem, com crescimento de  60,33% e prêmios de R$ 2,5 milhões, e o seguro prestamista, o qual expandiu 40,52% e registrou R$ 389,2 milhões. O produto tem o objetivo de pagar prestações de bens adquiridos pelo segurado, em caso de morte e invalidez. Os números consolidados do mercado de seguros de pessoas são elaborados mensalmente pela Fenaprevi. O balanço do setor tem como base as informações coletadas pela Susep (Superintendência de Seguros Privados). O levantamento não inclui o VGBL, considerado para esse fim como plano de caráter previdenciário, por possuir cobertura por sobrevivência.   (Fenaseg)
 
 
 
 

05.07 - Erros de quem poupa para a aposentadoria
Para consultor financeiro Gustavo Cerbasi, heranças econômica e cultural prejudicam os beneficiários de planos de previdência
Com a atual conjuntura econômica e as perspectivas para o fut