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23.02 -A hora e a vez dos investimentos
O aumento dos investimentos representa o próximo importante desafio para a economia brasileira. É preciso criar condições de ampliação tanto da capacidade produtiva quanto da infraestrutura, para dar suporte à expansão do consumo. Isso é o que vai garantir que a oferta se amplie sempre à frente da demanda, evitando pressões inflacionárias futuras.
A reação da economia brasileira depois da crise tem sido impulsionada pela retomada do mercado de consumo doméstico. Ela foi incrementada com as reduções de impostos (veículos, eletrodomésticos e construção civil, principalmente) e também com a atuação dos bancos públicos ampliando a oferta de crédito. A ação desses bancos compensou a retração do mercado financeiro privado, muito afetado pela paralisação das linhas externas e também pela crise de confiança nas relações interbancárias.
O crescimento da massa salarial também foi importante. Como foi gerado cerca de 1 milhão de empregos formais no ano passado e os acordos salariais garantiram a reposição da inflação mais um aumento real, compatível com os ganhos de produtividade, isso sustentou o aumento da massa salarial, que cresceu 4% reais - nada mal em tempos de crise.
Os indicadores de crescimento do comércio ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, denotam um crescimento anual da ordem de 8%. Portanto, as condições para a retomada do consumo em bases razoavelmente sólidas estão fundamentalmente dadas para o ano em curso, o que propiciará um crescimento expressivo do Produto Interno Bruto (PIB).
Há quem considere exagerado esse movimento, o que abriria espaço para o crescimento da inflação. No entanto, uma análise mais pormenorizada dos dados disponíveis não apontam nessa direção, muito pelo contrário.
Embora haja uma clara retomada da produção industrial, o fechamento do ano de 2009 representou uma queda de 7,4% comparativamente ao ano anterior. O nível de ocupação da capacidade instalada rapidamente retoma o patamar pré-crise, de cerca de 82%, mas isso precisa ser visto com cautela. Isso poderia induzir-nos a uma conclusão equivocada de que a capacidade produtiva estaria perto do seu limite. No entanto, é preciso levar em conta que as indústrias têm grande flexibilidade de ampliar a sua produção, num primeiro momento, sem novos projetos de ampliação, mediante a utilização de novos turnos de produção ou adaptações na sua linha de produção.
Também é preciso levar em conta que várias empresas estão retomando seus projetos de investimentos, o que representará, num futuro breve, aumento da capacidade de produção. Esse é um movimento geral, mas especialmente perceptível em setores como o energético, o de petróleo e gás, de papel e celulose, a indústria química, a automobilística, entre outros, que têm projetos já em andamento, assim como têm anunciado novos investimentos.
Portanto, a pior decisão que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central poderia tomar nos próximos meses seria elevar as taxas de juros básicas, pois isso seria um péssimo sinalizador justamente para o fator determinante do atendimento da demanda, que é a retomada dos investimentos.
A elevação da inflação observada neste início de ano está diretamente associada a fatores localizados e sazonais, não necessariamente revelam uma tendência para os meses vindouros.
Assim, deveríamos afastar a possibilidade de aumento dos juros, mesmo porque eles continuam a ser os mais elevados do mundo: 4% real ao ano. Da mesma forma, deveríamos deslocar para os investimentos os incentivos de desoneração tributária de bens de consumo, uma vez que estes já cumpriram o seu objetivo de catapultar a demanda. O momento é de fomentar o investimento, o que não significa desestimular o consumo.
No Brasil há alternativas importantes de financiamento do investimento, como o mercado de capitais, com grande potencial de crescimento, mas também um importante instrumento público - o BNDES - que oferece linhas de financiamento em condições mais vantajosas comparativamente às disponíveis no mercado doméstico.
No entanto, apesar disso, o custo de financiamento do investimento no Brasil, mesmo de fontes públicas, ainda é elevado relativamente aos nossos concorrentes internacionais - especialmente a China e a Coreia do Sul, para destacar os principais - que praticam juros zero para investimentos, além de adotarem outros incentivos.
O que motiva o investimento privado é uma expectativa firme de crescimento da demanda e clima de negócios, condições de financiamento favoráveis e uma certa garantia de que o investimento público cumprirá a sua parte. O desafio é expandir a atividade não apenas este ano, mas no longo prazo. Somente a elevação do nível geral de investimentos vai garantir a sustentabilidade intertemporal do crescimento econômico.    (Antonio Corrêa de Lacerda - O Estado de S.Paulo)

23.02 - Pesadelo europeu
Crise na zona do euro expõe fragilidades da moeda única e deverá obrigar autoridades da União Europeia a agir
A cada dia se torna mais evidente o potencial de estrago da crise nos países periféricos da zona do euro. Dados do Bank for International Settlements, organismo internacional formado por bancos centrais das principais economias do mundo, mostram que o grupo dos chamados Piigs -Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha- deve aos bancos internacionais a fantástica soma de US$ 3,4 trilhões, mais que o dobro do Produto Interno Bruto brasileiro.
Tão ou mais importante do que a dimensão da cifra é o fato de a maior parte desse passivo, que inclui não só dívidas dos governos mas também do setor privado, ter sido contraída por intermediação de bancos europeus.
A crise põe a nu não apenas as dificuldades de um arranjo institucional que combina moeda única e políticas econômicas nacionais relativamente autônomas. Ela também explicita as consequências da atitude passiva das autoridades diante da atuação dos mercados financeiros dos últimos anos.
Uma moeda única pressupõe monitorar com atenção o endividamento dos governos e agentes privados das nações que a compartilham, já que tais dívidas representam compromissos futuros expressos nessa moeda.
Foi precisamente o que não ocorreu. Deficits governamentais combinados a práticas contábeis heterogêneas -e, por vezes, duvidosas- foram recorrentes na zona do euro, gerando níveis de dívida pública muito acima das recomendações da própria União Europeia. Juntamente com endividamento privado de empresas e famílias, esses passivos alimentaram, durante alguns anos, as carteiras de bancos dentro e fora da comunidade.
O problema é que o volume de dívida pública e privada tolerado pelas autoridades e absorvido pelos mercados financeiros foi excessivo. Além disso, aparentemente, instituições financeiras se aprimoraram na realização de operações que mascaravam a real magnitude das dívidas de alguns países.
A contrapartida é que várias nações integrantes da união monetária sustentaram padrões de gasto público e consumo privado incompatíveis com o que sua capacidade produtiva autorizaria. De fato, Piigs e alguns outros países mantiveram elevados déficits comerciais financiados pelos fluxos de recursos oriundos de empréstimos bancários.
Até agora foram tímidos os sinais de que os países mais fortes da zona do euro, notadamente a Alemanha e a França, de fato darão garantia às dívidas das nações cuja capacidade de pagamento encontra-se sob suspeita.
No entanto, a alta exposição dos bancos da Europa a essas dívidas sugere que a resistência dos países integrantes do bloco econômico em adotar medidas de socorro poderá ser menor do que alguns supõem. Afinal, não se trata apenas de apoiar devedores pouco responsáveis em um momento crítico, mas de tentar resguardar a já combalida saúde das próprias instituições financeiras europeias.  (Folha de S.Paulo)

23.02 - O cavalo de Troia europeu
A crise grega pode ser o cavalo de Troia que conduzirá a Europa a uma integração política mais profunda
A Europa agora está se encaminhando inelutavelmente a uma operação para resgatar a Grécia. Haverá financiamento de emergência. Haverá condições. Haverá promessas obrigatórias de parte do governo em Atenas.
Isso tornará possível ao governo grego manter em dia o serviço de sua dívida. Os mercados se aquietarão. As consequências em longo prazo nada terão de agradáveis, mas isso é problema para um outro dia.
Alguns dirão que o erro fatal foi ter permitido que a Grécia adotasse o euro, para começar. O despreparo do país deveria ter estado claro. As políticas fiscais gregas já estavam descontroladas quando Atenas aderiu à união monetária, em 2001, e os sindicatos do país pressionavam por elevação de salários aos patamares do restante da Europa, a despeito da baixa produtividade.
Mas essa é uma resposta simples demais, se consideramos que os sinais de disfunção não se limitam à Grécia. A Espanha, com seu índice de desemprego de 20% e expansão explosiva de deficit orçamentário, vê na Grécia uma imagem de seu futuro. Ou, caso isso não valha para o país, vale para os mercados. Portugal e Itália não estão muito melhores.
Como a Grécia, esses países agora terão de enfrentar cortes pesados no Orçamento. Como a Grécia, não podem desvalorizar suas moedas a fim de encorajar exportações. Como a Grécia, enfrentam profundas recessões. Como a Grécia, vão se sentir tentados a pedir ajuda.
Tudo isso suscita uma pergunta óbvia: será que o verdadeiro erro foi ter criado o euro?
Minha resposta é não, criar o euro não foi um erro, mas ainda pode se tornar um. A crise grega demonstrou que a Europa está apenas a meio caminho da criação de uma união monetária viável. Caso não se mexa, a próxima crise fará a atual parecer brincadeira de criança.
Completar a união monetária requer que a Europa crie um mecanismo apropriado de financiamento para situações de emergência. Atualmente, os demais países-membros só podem oferecer assistência à Grécia contornando as regras, que as impedem de realizar empréstimos a não ser em resposta a desastres naturais ou a circunstâncias que estejam além do controle do país recipiente. Isso reforça a incerteza. Quando os líderes europeus ajudam, isso faz com que o público e os mercados considerem que estão sendo desonestos. Se é o Tratado de Lisboa que cria esses problemas, então é necessário que o Tratado de Lisboa mude.
Além disso, a assistência deve vir acompanhada não apenas da imposição de condições, mas do controle temporário sobre o orçamento nacional grego por um comitê de "interventores especiais" apontados pela União Europeia.
Se a Europa está mesmo falando sério sobre união monetária, precisará não apenas de elos econômicos mais estreitos, mas também de elos políticos mais estreitos. Os responsáveis pela gestão do mecanismo de financiamento de emergência terão de prestar contas detalhadas a alguém. E precisam ser responsáveis diante de um Parlamento Europeu fortalecido.
A Alemanha se beneficiou extraordinariamente da criação do euro. Está na hora de retribuir o favor. Deve pressionar pela criação de uma linha de empréstimos de emergência e pela integração política que a viabilizaria. Deve oferecer mais apoio fiscal. E que país estaria em melhor posição para pressionar por um BCE (Banco Central Europeu) que responda mais às demais autoridades?
A crise grega pode ser o cavalo de Troia que conduzirá a Europa a uma integração política mais profunda. Ao menos podemos esperar que o seja.    (BARRY EICHENGREEN - Project Syndicate, tradução de PAULO MIGLIACCI - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

22.02 - A crise grega e as outras
Uma mudança significativa na política econômica alemã pode ter efeito muito maior sobre a união monetária do que a crise na Grécia
Num momento em que os líderes da zona do euro defrontam-se com a crescente incerteza nos mercados financeiros sobre as finanças públicas da Grécia e de outros países membros, suas declarações, embora um pouco vagas, ressaltam uma história muito mais abrangente, que obrigará as empresas e os investidores a questionar suas premissas sobre o ambiente econômico, financeiro e político europeu.
Primeiro, descartemos um vigoroso mito emergente. Os problemas da Grécia estimularam algumas pessoas a pensar em voz alta se a zona do euro é capaz de sobreviver a crescentes desequilíbrios internos. Mas essas dúvidas ignoram os fatores políticos e culturais que dão suporte a um profundo engajamento europeu pela preservação da união monetária.
O euro foi criado, em parte, para reforçar a eficiência do mercado interno e evitar volatilidade monetária. Mas é também o produto de uma convicção arraigada de que as instituições europeias transnacionais e a interdependência econômica têm ajudado a estabelecer e manter a paz em todo o continente nas últimas seis décadas. Num mundo de fragilidade das instituições multilaterais - inclusive um G-20 assediado por importantes diferenças de opinião sobre questões básicas - é mais importante do que nunca que os governos da zona do euro reforcem sua influência coletiva em um ambiente mundial incerto, sem precedentes e competitivo.
Para os Estados membros, a zona do euro é importante demais para fracassar. Isso significa que as soluções para os muitos problemas que eles ora enfrentam demandarão um ajuste na forma como cada um deles tributa e gasta. No entanto, de um governo para outro, o resultado será enormemente desigual - um problema recorrente durante o esforço de diversas décadas por estabilidade monetária interna. Essa divergência de políticas fiscais tem muitas causas e nenhum choque individual irá alterá-la.
A compreensão da maior importância da política fiscal é complicada pela confusão sobre como os diversos governos da zona realmente tomam decisões de política econômica - um processo que depende de um incessantemente cambiante e opaco elenco de complexos fatores institucionais e de uma dinâmica política doméstica que variam consideravelmente de país para país. Numa época em que transparência e divulgação são a norma prevalente na maior parte dos aspectos da governança europeia, os aspectos políticos da política fiscal ainda parecem uma conferência diplomática.
Essa é a nova realidade europeia e não um lapso momentâneo da boa ordem. Empresas e investidores expostos a riscos na Europa devem assumir muito maior volatilidade nas taxas de juro na zona do euro e crescimento econômico e perspectivas inflacionárias cada vez mais desiguais. A convergência dos rendimentos das dívidas soberanas suposta e exigida na criação da moeda comum não deverá, necessariamente, ser restabelecida.
A ausência de um referencial estável obrigará os investidores a repensar suas decisões de alocação de ativos e precificação de riscos. Como o mercado de ações começa, finalmente, a precificar maior risco relativo nos títulos soberanos da zona euro, os fundamentos intelectuais da ideia de uma divisão mundial de trabalho entre títulos de mercados emergentes e de mercados desenvolvidos terão seus fundamentos testados.
Essas mudanças serão graduais, persistentes e menos previsíveis do que o cenário que os investidores se acostumaram a tomar como líquido e certo durante a calma enganosa na primeira década do euro, quando o estabelecimento da união monetária, juntamente com a ampliação e a liberalização da UE, pareceram criar um ambiente estável e benigno.
Finalmente, mudanças substanciais e duradouras em política econômica não se limitarão a países com problemas financeiros imediatos. A política fiscal alemã poderá em breve ser muito diferente da que tendeu para déficit zero e prevaleceu sob a grande coalizão que governou desde 2005 até 2009. Durante esse período, os partidários da redução do déficit- tanto entre os social-democratas como no campo democrata-cristão - assumiram como causa comum rechaçar as pressões de outras facções em seus respectivos partidos que desejavam mudanças de política econômica.
Essa estrutura não existe mais. Hoje, a direita quer cortes de impostos e a esquerda agora defende o aumento da despesa. Ninguém acredita que a Alemanha esteja sob risco de inadimplência, mas os investidores que ignorarem esse tipo de mudança de política econômica estarão assumindo riscos. Afinal, uma mudança significativa de orientação da política econômica na maior economia da zona do euro poderá ter um efeito muito maior sobre a união monetária do que a evolução dos acontecimentos na Grécia.
Em vista do conflito interno sobre impostos e gastos, talvez a Alemanha, e não a Grécia, vá se tornar o primeiro país da zona euro a ver uma queda de governo.   (Ian Bremmer - Valor Online)

22.02 - Todos os olhos na economia americana
Somente ao fim da primeira metade do ano é que poderemos ter um quadro mais claro nos Estados Unidos
Estamos completando o segundo mês do ano e os mercados financeiros continuam pisando em ovos. Até os analistas confiantes em um cenário mais positivo estão com suas barbas de molho. Embora sejam cada vez mais sólidos os sinais de recuperação no mundo emergente, os receios de uma recidiva nos países do rico G3 têm temperado o otimismo dos que acreditam nessa nova divisão do mundo.
O chamado descolamento ficou ainda mais forte depois da crise fiscal que tomou conta da Europa. Até agora o motivo principal para sustentar a tese do mundo que cresce a duas velocidades era a dinâmica diferenciada do consumo entre os dois blocos. Nas nações emergentes, ainda há um espaço enorme para acomodar novos consumidores ao mercado; já no mundo rico, a estagnação da renda e do emprego, ao lado dos excessos do endividamento dos últimos anos, cria um quadro sombrio para a nova década.
A crise fiscal da Grécia chamou a atenção para o gigantesco obstáculo a ser enfrentado pelas nações ricas para voltar a crescer a taxas elevadas. A combinação do esforço fiscal para superar a crise bancária com a perda de arrecadação durante a recessão que se seguiu fez com que o endividamento dos países do G3 atingisse níveis perigosos. A necessidade de reduzir esse endividamento ao longo da próxima década vai exigir um aumento significativo da poupança pública, o que limitará o crescimento econômico.
Os mercados temem que não haja condições políticas para que os governos desses países façam o arrocho fiscal necessário para reduzir o endividamento. Os custos sociais de um ajuste da natureza e da intensidade que serão exigidas para satisfazer as expectativas dos investidores em títulos públicos serão certamente superiores ao que imaginam os lideres políticos dessas nações. Nos países mais frágeis e de menor coesão social, poderemos ter momentos de muita tensão pela frente.
Sabemos hoje que a consolidação de um mundo emergente, que se expande a uma velocidade muito maior do que as economias ricas, pressupõe que não ocorra nessas economias uma nova crise de crescimento. E o medo desse novo mergulho na recessão não está afastado, principalmente em relação à Europa. Por isso a recuperação da economia americana passou a ser ainda mais importante para as economias do mundo emergente. Se ela voltar a crescer de forma sustentável -algo como 2,5% ao ano neste início de década-, é provável que a fraqueza europeia e japonesa possa ser revertida. Nesse caso, o mundo emergente terá condição de continuar a crescer a taxas elevadas.
Por isso, todos os olhos estão focados nos dados econômicos que são divulgados quase que diariamente nos EUA. Tenho uma visão positiva -que divido com a equipe de economistas da Quest- em relação a essa questão. Os gastos dos consumidores americanos estão sendo superiores às expectativas mais pessimistas, e as empresas de maior porte têm apresentado resultados bem acima dos esperados pelos analistas. Ainda existem importantes segmentos do tecido produtivo americano que não estão funcionando normalmente, mas há sinais de que podem começar a melhorar a partir do verão no hemisfério Norte.
Em minha opinião, somente ao fim da primeira metade do ano é que poderemos ter um quadro mais claro nos EUA. Até lá os mercados continuarão divididos entre canarinhos e urubus.   (LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS - Folha de S.Paulo)

22.02 - IPC desacelera para 1,09%
A inflação na cidade de São Paulo, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC), ficou em 1,09% na segunda quadrissemana de fevereiro, abaixo da taxa apurada na primeira quadrissemana (1,28%). O resultado superou a taxa de 0,85% registrada no mesmo período do mês passado. Divulgado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), o IPC ficou dentro das projeções dos analistas ouvidos pela Agência Estado, que iam de 0,98% a 1,22%.
Dos sete grupos que compõem o IPC, apenas dois apresentaram alta: Habitação (de 0,29% para 0,45%) e Saúde (0,23% para 0,37%). Houve desaceleração nos grupos Alimentação (de 1,18% para 0,91%), Transportes (de 4,49% para 3,52%), Despesas Pessoais (de 0,60% para 0,45%), Vestuário (de 0,39% para 0,01%) e Educação (de 3,77% para 2,57%).
A persistente alta nos preços dos alimentos levou a Fipe a elevar a projeção para a inflação na capital paulista em fevereiro, de 0,60% para 0,69%.
Segundo o coordenador do IPC, Antonio Comune, essa mudança ocorreu porque os preços dos alimentos não cederam, contrariando o comportamento tradicional no período.
O grupo Alimentação subiu 0,91% na segunda quadrissemana de fevereiro, em uma leve desaceleração à alta de 1,18% na primeira leitura deste mês. Porém, o grupo havia subido 0,59% na segunda quadrissemana do ano passado e 0,83% na primeira quadrissemana de fevereiro do mesmo ano. Comune lembra que grupo Alimentação tem um peso de 22% no IPC.   (Lucinda Pinto - O Estado de S.Paulo)
 
 
 
 
 

19.02 - Da crise financeira à crise fiscal 
Dúvidas crescentes quanto à sustentabilidade das contas públicas devem forçar os governos a iniciar o ajuste fiscal 
A crise econômica mundial, que começou no sistema financeiro em 2007, ameaça converter-se em crise fiscal. Refiro-me principalmente aos países desenvolvidos. Na maioria dos países de mercado emergente, o quadro é mais favorável. 
O problema é mais grave na Europa, onde diversas economias avançadas e emergentes registram deterioração dramática em termos de deficit público e nível de endividamento. A Grécia parece ser apenas a ponta de um iceberg. 
Os números são medonhos. Nos Estados Unidos, o deficit fiscal alcançou quase 10% do PIB em 2009. No Reino Unido, mais de 14%. Na Espanha, mais de 11%. Na França, quase 8% do PIB. A dívida pública vem aumentando rapidamente nas economias desenvolvidas. Nos cinco países atingidos por crises financeiras sistêmicas (Estados Unidos, Reino Unido, Espanha, Irlanda e Islândia), a dívida pública aumentou em média cerca de 75% em termos reais de 2007 a 2009. 
Menos comentados são os dados de dívida externa bruta (dívida pública e privada colocada no exterior) dos países desenvolvidos. Estudo recente de Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff, que toma por base estatísticas do FMI e do Banco Mundial, mostra que a dívida externa das economias avançadas alcança, em média, nada menos que 200% do PIB. 
No caso da Europa desenvolvida, a razão dívida externa/PIB chega a 266%! Na América Latina, notória por sua propensão a crises de endividamento externo, a razão dívida externa bruta/PIB está por volta de 50%. Parte considerável da dívida externa dos europeus é dentro da Europa, o que pode mitigar o problema. Mas não há dúvida de que a fragilidade das contas europeias aumentou bastante nos anos recentes. 
A desconfiança começa a rondar os desenvolvidos, especialmente os europeus. A situação fiscal pré-crise já era problemática em muitos desses países em razão do impacto do envelhecimento da população sobre gastos públicos com previdência e saúde. Com a crise de 2007-2009, as contas governamentais foram fortemente afetadas pelas medidas de socorro ao sistema financeiro, pelos programas de estímulo fiscal e pela própria recessão. 
Os mercados estão ficando cada vez mais inquietos quanto à sustentabilidade das contas públicas de vários países europeus. A Grécia é um caso extremo, mas diversas outras economias estão sob suspeita, notadamente Espanha, Portugal e Itália, mas também o Reino Unido e até mesmo a França. Alguns analistas avaliam que as contas britânicas e francesas se parecem mais com as italianas do que com as alemãs. 
Essa situação cria um dilema delicado para os países desenvolvidos, inclusive para os Estados Unidos. A recuperação da atividade econômica ainda está longe de consolidada. Ela foi impulsionada por políticas fiscais e monetárias ultra-expansivas, mas a demanda privada continua relativamente fraca. Desse ponto de vista, parece prematuro retirar os estímulos fiscais e monetários. 
Por outro lado, as dúvidas crescentes quanto à sustentabilidade e confiabilidade das contas públicas devem forçar os governos, ou alguns deles, a iniciar o ajustamento fiscal antes que a recuperação tenha se firmado. Cortes de gastos ou aumentos de impostos reforçariam a confiança na solvência do governo, mas podem provocar uma recaída na recessão.   (PAULO NOGUEIRA BATISTA JR - Folha de S.Paulo)

19.02 - Cenário delicado
Os efeitos da crise financeira que assolou a economia mundial continuam a percorrer sua nefasta trajetória. Com maior ou menor impacto, praticamente todos os países estão se ressentindo do tumulto que o fenômeno provocou, embora alguns tenham de pronto menor grau de abalo. No Brasil, por exemplo, estamos sentindo agora que a marolinha citada pelo governo o está ameaçando de terminar seu mandato sob provável recuo econômico em termos estruturais. Mas é no estuário das grandes economias que a situação gerada ficou e continua séria. 
Nos Estados Unidos,por exemplo,o presidente Obama apresta-se a um embate interno contra Wall Street e os ranços argentários do Partido Republicano, sendo que o aspecto mais importante de todo o imbróglio é o alto nível de desemprego. No reino Unido Gordon Brown e o Partido Trabalhista podem vivenciar até mesmo um retrocesso político. Na França, Sarcozy se mexe muito para não embarcar na onda depressiva que vai alcançando a Alemanha e já ameaça a economia da UE como um todo. Alguns periféricos da União estão verdadeiramente num pátio de milagres em potencial, como Espanha, Grécia, Portugal, Itália e miúdos da Europa Central. Parece formar-se uma contenda de poderes em torno de nova regulação financeira e seus reflexos.
Obama, com Paul Volcker a tiracolo, foca os bancos, desejando suprimir-lhes o pomo de ouro ou sejam operações inside mercado, como hedges, private equity funds, swaps, securitizações, colaterais, indisputáveis alavancagens , etc, numa higienização bancária baseada no sentido fundamental do termo, isto é, intermediação bancária pura, sem guirlandas fiduciárias generosas, como são as decorrentes de aplicações de tesouraria na especulação do mercado de curto e curtíssimos prazos. 
No caso brasileiro, entre outros aspectos, teríamos erradicação de jogadas especulativas no mercado de moedas, especialmente do dólar, com menos ímpeto e maior transparência dos "comprados" e "vendidos"; uma espécie de mercadinho específico, mas bem rendoso. O agravamento instantâneo da situação global decorre de duas causas maiores - a lenta recuperação da economia real e recalcitrante volta de lineamentos que envolveram os negócios bancários e mesmo extra bancários numa séria crise . A recaída foi tão rápida e ameaçadora que o BIS admoestou os BCs do mundo para as ameaças que poderiam advir. Os trabalhos do BIS para efeito de nova regulação estão transcorrendo de modo consistente e defensável.
Os acontecimentos estão repercutindo de forma impactante na Europa. Na zona do euro, com grande força; no resto da Europa também e até na Rússia os efeitos negativos se multiplicam. Há indícios de que a recuperação da economia europeia, depois da primeira onda de crise, será bem mais lenta do que o suposto inicialmente; o que parece ser consequência, também, do recuo na economia alemã, cujo mercado interno vem perdendo força. É uma situação curiosa considerando o estado dos PIIGS que agora, a começar pela Grécia, move o BC Europeu no sentido de um amparo coordenado pela própria Alemanha.
Diante desta complicação e de notícias restritivas que chegam da China, o Banco Mundial alerta para a possibilidade de recessão em 2011, algo não muito provável mas também não descartável, tendo-se em vista o comportamento do PIB no ano passado; recuo de 2,2%, prevendo-se recuo 2,7% no ano corrente. Se a China não ostentar atividade que reponha a taxa de crescimento de seu PIB, em 2010, a situação mundial será de apreensão. Lembremo-nos que a variação trimestral média do PIB chinês, no período 2007 a 2009, foi de 8,7%. Taxa essa que parece duvidosa se o governo chinês ampliar as medidas que vem tomando para desinflar a bolha imobiliária e já agora a de caráter acionário .
Há, portanto, sinais preocupantes no cenário econômico mundial. A cena internacional por sua delicadeza e as perspectivas que se formam, põe em destaque o G-20, instituído em boa hora e capaz de agir vigorosamente se as lideranças que o compõem em matéria de decisão se mostrarem a altura dos acontecimentos. Sua existência, ainda de reduzido tempo, um quase noviciado, e sua forma de operar deixam certa ansiedade. Todavia, alguns aspectos já se mostram positivos, como a interdependência e a articulação entre os grandes da economia, esforço que precisa aumentar para que também se adense a cooperação dos países emergentes
Existem fenômenos fortuitos na cena mundial como, por exemplo, os casos de Iraque e Afeganistão, perigosos e onerosos. A inquietude crescente desferida pelo affair Iran, que se mostra não menos perigoso e seguramente mais conturbador para a economia ocidental. Agora, por exemplo, os cinco países da União Europeia que escaparam aos ditames do Tratado de Maastricht geram uma situação duplamente desconfortável. Por um lado, criam ameaça de distúrbio não descartado; por outro lado, rompem uma sistemática multilateral de grande projeção. 
A superação desse último insucesso terá , de qualquer forma, reflexos sobre a economia mundial e sobre as maneiras de dar curso aos dispositivos legais que amparam as conjunções de nível alto, como o da União Europeia. Tudo somado, requer competência e zelo no trato da situação, cujos reflexos batem as portas de todos os países. No que concerne ao Brasil, é momento em que sobretudo o Itamaraty precisa revelar segurança e discernimento nos embates diplomáticos inexoráveis.  (JAYME MAGRASSI DE SÁ - Jornal do Commercio Brasil)
 
 
 
 
 

18.02 - O Banco Central e o mercado de câmbio
O mesmo raciocínio que levou o BC a comprar dólares leva agora à necessidade de estar preparado para vender 
Na edição da Folha do dia 06, defendi em entrevista ao jornalista Toni Sciarretta a intervenção do Banco Central para administrar uma possível desvalorização do real nos próximos meses. A superposição de fatores externos e internos pode sustentar essa nova tendência, depois de mais de seis anos de fortalecimento quase ininterrupto da moeda brasileira.
Durante esse período, o Banco Central comprou várias dezenas de bilhões de dólares no mercado para evitar uma desvalorização ainda maior da moeda americana. Como as forças que agem dentro do tecido econômico criam, ao longo do tempo, mecanismos autônomos de compensação, a valorização do real levou a um aumento significativo do deficit na conta-corrente. Com o dólar barato, as exportações perderam vigor, as importações cresceram a taxas elevadas e os gastos dos brasileiros com viagens ao exterior explodiram. Além disso, as empresas internacionais com sede no Brasil aumentaram em muito suas remessas de dividendos.
O resultado final é que, em 2010, teremos uma necessidade de cerca de US$ 50 bilhões para equilibrar nossas contas externas, valor que, se for seguida a tendência, pode chegar próximo a US$ 90 bilhões em 2011. Nessas condições, para equilibrar o mercado de câmbio, será necessária uma entrada substantiva de capitais financeiros nos próximos dois anos. Investimentos estrangeiros em ações brasileiras e em títulos de renda fixa passam a ser necessários para equilibrar a taxa de câmbio. Antes, esses investimentos criavam uma situação de sobra de dólares que o BC precisava retirar do mercado; agora, por conta de uma situação internacional de maior aversão ao risco, na ausência dessas entradas, poderemos ter uma situação de falta de dólares no mercado.
O mesmo raciocínio lógico que levou o BC a participar do mercado de câmbio comprando dólares leva agora à necessidade de estar preparado para vender dólares em dias de escassez. Não me parece que, ao aceitar essa possibilidade, estará o BC se comprometendo com a fixação de um valor para o real. Também não me parece que, ao aceitar intervir no mercado também como vendedor de dólares de sua reserva, estará nossa autoridade monetária rasgando os compromissos envolvidos no atual sistema de metas de inflação.
Essas foram duas razões que o presidente Henrique Meirelles usou para rechaçar a possibilidade de vender dólares quando uma situação de escassez ocorrer. A sensibilidade da burocracia do BC brasileiro -inclusive de seus diretores nomeados- em relação à intervenção no mercado de câmbio sempre me pareceu exagerada. Além disso, sempre procuram caracterizar qualquer sugestão de interferência na formação da taxa de câmbio como vinda de mentes exóticas e irresponsáveis.
Para esses, sugiro a leitura de texto do dia 9 do site da Bloomberg. O presidente do banco central suíço, no meio da crise do euro que estamos vivendo, disse ao repórter: "Realmente compramos hoje euro no mercado para evitar a valorização do franco suíço. Afinal, as empresas suíças não podem sofrer porque a Grécia está em dificuldades e existe um movimento especulativo de curto prazo". Não me parece que se possa acusar o presidente do BC suíço de delírios desenvolvimentistas.
Intervenção nos mercados de câmbio é uma arte complexa e difícil, mas não um crime.   (LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS - Folha de S.Paulo)

18.02 - BC: Efeitos da crise têm sido superados
O diretor de Política Econômica do Banco Central, Mário Mesquita, disse ontem, em Curitiba, que as projeções feitas no fim do ano passado de que 2010 seria o início de um novo ciclo de crescimento na economia brasileira estão se confirmando. "Os efeitos da crise global sobre a economia brasileira têm sido superados", afirmou. Ele esteve em Curitiba para divulgar o Boletim Regional do Banco Central. "Os dados corroboram essa avaliação (de crescimento)."
Segundo Mesquita, na Região Sudeste, a recuperação industrial, iniciada no segundo semestre de 2009, tem se mantido, principalmente em consequência da desoneração tributária de bens duráveis e da oferta de crédito. "A queda foi aguda, mas a recuperação também é forte", destacou. Na Região Sul, na qual se deteve mais durante a exposição, o diretor ressaltou que a recuperação deve-se ao desempenho da indústria e do varejo, associado ao crescimento da massa salarial, expansão das operações de crédito e retração nas taxas de inflação. Além disso, há expectativa de boa safra agrícola.
No entanto, o relatório aponta que a retomada econômica vem acompanhada pelo recrudescimento das pressões inflacionárias, "em processo que requer atitude vigilante por parte da autoridade monetária, visto que pode sinalizar tendência de desvio em relação à trajetória de metas por parte do índice agregado". Em entrevista coletiva, Mesquita foi questionado sobre os números que já apontam nesse sentido. "A inflação de 12 meses, de fato, situa-se acima da meta. O que a gente trabalha é sempre o horizonte temporal de nove a 12 meses, olhando para frente", afirmou. "Ela estava um pouco abaixo da meta, ficou um pouco acima, o nosso trabalho é evitar que ela desvie de forma consistente e significativa em relação a 4,5%."
Ele também destacou que ainda não há qualquer indicativo para se rever a previsão de crescimento econômico do País de 5,8% este ano. "O Banco Central sempre pode mudar a cada relatório de inflação, o próximo será no final de março e até lá dá para coletar novos dados, atualizar cenários e, se for o caso, atualizar projeções sobre a economia brasileira", disse. Sobre a possibilidade de tomar medidas mais duras em ano eleitoral, Mesquita foi sucinto: "O Banco Central trabalha para fazer com a inflação convirja para a trajetória de metas todo ano, chova ou faça sol."   (Evandro Fadel - Agência Estado)

18.02 - BC: Retomada traz pressões inflacionárias
O Banco Central aproveitou a divulgação de mais um documento para fazer novos alertas em relação ao aumento da inflação no país. Nas últimas semanas, a instituição vem dando sinais de que deve aumentar, em breve, a taxa básica de juros, que segue inalterada desde julho do ano passado em 8,75% ao ano. A expectativa dos economistas é que os juros subam a partir de abril.
De acordo com o Boletim Regional divulgado ontem pelo BC, a retomada do crescimento econômico em todas as regiões do país está sendo acompanhada pelo "recrudescimento das pressões inflacionárias".
Segundo o BC, esse processo de aumento da inflação requer "atitude vigilante por parte da autoridade monetária", já que pode sinalizar "tendência de desvio" em relação à meta fixada pelo governo. A instituição cita, em especial, o Norte e o Centro-Oeste, que apresentaram inflação mais alta que outras regiões nos últimos 12 meses, de acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O relatório traz expectativas, sem números, para o desempenho da economia nessas regiões em 2010 e dados para o trimestre encerrado em novembro de 2009. Nesse período, Sul e Sudeste foram os que mais cresceram em relação ao trimestre anterior, acima de 2,5%. Isso se deve ao fato de as duas regiões terem sido mais afetadas pela crise econômica, devido ao impacto da desaceleração mundial sobre o setor industrial. Agora, recuperam-se mais rápido.
Crise
De acordo com o boletim do BC, o Centro-Oeste e o Nordeste tiveram desempenhos econômicos que ajudaram a atenuar os efeitos da crise global no Brasil em 2009. As duas regiões foram as que sofreram menor impacto com a crise.
O diretor de Política Econômica do BC, Mário Mesquita, disse que o desempenho do setor de serviços no país também foi importante para barrar o avanço dos efeitos da crise.
Segundo o Boletim Regional do BC, as transferências do governo federal para programas sociais, como o Bolsa Família, ajudaram a economia do Nordeste a liderar as variações positivas registradas em 2009. Cerca de 50% dos recursos do Bolsa Família ficam com a região. No Centro-Oeste, o agronegócio e a estabilização do gasto público em Brasília ajudaram na expansão.   (EDUARDO CUCOLO e DIMITRI DO VALLE - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 
 

12.02 - UE vai socorrer Grécia
Detalhes do plano de ajuda deverão ser anunciados hoje, na reunião de cúpula da União Europeia
Os países europeus, em particular os 16 que fazem parte da zona do euro, vão dar suporte à Grécia para enfrentar sua crise orçamentária. A informação foi divulgada ontem pelo primeiro-ministro da Espanha, Jose Luis Rodriguez Zapatero, que exerce a presidência rotativa da União Europeia. O acordo foi possível depois que as maiores economias da Europa, Alemanha e França, chegaram a um entendimento de que precisariam agir para desbloquear as negociações de um resgate da economia da Grécia e impedir que o euro sofra um desgaste em sua credibilidade.
"Temos de dar suporte à Grécia, isso está claro, e é a Europa e o zona do euro que farão isso", disse Zapatero à imprensa ao desembarcar em Bruxelas para um encontro dos socialistas europeus, na véspera da reunião de cúpula da UE, prevista para hoje. A zona do euro é formada pelos ministros de Finanças dos 16 países que integram a zona do euro. Zapatero não deu detalhes sobre o tipo de apoio à Grécia, que seria negociado nesta madrugada e anunciado hoje na reunião de cúpula.
A aliança franco-alemã foi construída nos últimos dias, enquanto crescia a pressão do mercado sobre o euro e um questionamento cada vez maior sobre a capacidade da UE de dar solução às suas crises. Com o apoio das duas maiores economias do bloco, ministros de Finanças fizeram ontem uma teleconferência para debater uma saída. No fim do dia, foi a vez dos membros do conselho do Banco Central Europeu (BCE) se reunirem com o mesmo objetivo. Jean-Claude Juncker, presidente da zona do euro e primeiro-ministro de Luxemburgo, disse que a proposta surgiu depois dessas reuniões.
Berlim e Paris privilegiam uma solução bilateral de apoio à Grécia para evitar violação às leis da UE. O envolvimento financeiro do FMI estaria descartado, mas Paris admite que a entidade poderá auxiliar o processo em sua condição de "especialista". Nos últimos 12 meses, o Fundo já atuou em vários países do Leste Europeu. Nenhum, porém, era da zona do euro.
O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, insinuou ontem que seu país apenas faria parte de um plano de resgate se o FMI fosse incluído financeiramente. Por enquanto, em seu ponto de vista, a Grécia é um problema da zona do euro.
As divisões ficaram claras quando o ministro belga de Finanças, Didier Reynders, defendeu, em entrevista ao jornal Le Monde, que se recorra ao FMI na ajuda à Grécia. "A Grécia tem o direito de recorrer ao FMI. Senão, qual é a vantagem de ser parte do FMI?" Atenas, porém, é contra.
Para completar, o Parlamento Alemão concluiu um relatório indicando que qualquer ajuda oficial de Berlim aos gregos violaria as regras da UE.
Diante da indefinição europeia, o euro voltou a cair ontem, pelo temor de que o anúncio de hoje ainda não seja suficiente, numa demonstração da volatilidade dos mercados e das incertezas em relação à cúpula. A queda do euro em relação ao dólar foi de 0,7%. Já as bolsas subiram pelo terceiro dia seguido.
A ideia original da cúpula era apenas tratar da recuperação econômica da região. Mas a agenda acabará dominada pela nova crise. A Grécia precisa de empréstimos de 53 bilhões neste ano para financiar suas dívidas públicas, que atingem 12,7% do PIB e quatro vezes o limite permitido por Bruxelas. Até abril, precisa de cerca de 20 bilhões. Se o valor é alto para os gregos, representa apenas uma fração do que Berlim deu aos próprios bancos.
Uma das propostas é que a UE ou a aliança franco-alemã dê empréstimos a bancos estatais para a compra de bônus gregos, fortalecendo a posição do país e reagindo aos especuladores. Outra opção seria injetar recursos nos bancos altamente expostos à Grécia, também para estabilizar os mercados.
O projeto não virá sem a imposição de condições à Grécia, tendo como meta reduzir seu déficit a 2,7% em 2012. Os critérios serão uma sinalização a Portugal, Irlanda e Espanha de que não haverá pacotes gratuitos de ajuda. Na realidade, seja qual for o tipo de ajuda, haverá uma lista de exigências a serem cumpridas pelos gregos.   (Jamil Chade - O Estado de S.Paulo)

12.02 - EUA precisam de esforço adicional
Os esforços da administração do presidente Barack Obama para restaurar o mercado de crédito e enfrentar os problemas econômicos do país foram bem-sucedidos, mas são necessários esforços adicionais, disse o secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, em comunicado.
''Há um ano, as ações que adotamos, junto com o Ato de Recuperação, funcionaram para restaurar o crescimento econômico e a estabilidade financeira'', disse ele. ''O sistema financeiro está se restabelecendo, mas ainda está danificado e temos muito a arrumar ainda'', disse Geithner.
Segundo ele, os ganhos econômicos ao longo do último ano agora deverão vir a um custo muito mais baixo para os contribuintes. Atualmente, o Tesouro estima que os seus esforços de estabilização financeira vão custar menos de US$ 120 bilhões, mas esse valor ainda pode ser reduzido.   (Dow Jones Newswires/O Estado de S.Paulo)

12.02 - Abertas: Crescimento acima de 20% em 2009
O mercado de previdência aberta voltou a crescer acima de 20% em 2009, superando as previsões traçadas no início do ano, ainda em meio à crise global. A arrecadação dos planos PGBL, VGBL e tradicionais atingiu R$ 38,7 bilhões, alta de 21,8%. O saldo das provisões técnicas, formadas pelos recursos acumulados pelos titulares dos planos, cresceu 24,45%, para R$ 176,6 bilhões.
"Depois de um começo de ano complicado, o setor conseguiu bater todos os recordes, o que mostra que o brasileiro está mais preocupado com a longevidade", diz o presidente da Mapfre Seguros, Antonio Cássio dos Santos, que encerra o mandato à frente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi). No seu lugar, assume Marco Antonio Rossi, presidente da Bradesco Seguros e Previdência.
Um dos destaques, segundo Santos, foi a conquista de 1,2 milhão de novos planos, elevando o total para 12,2 milhões. A expansão, aponta ele, atesta que a previdência é percebida não só como uma opção de poupança de longo prazo, mas como um instrumento de preservação de capital. Os benefícios fiscais de curto prazo e seus efeitos no longo prazo têm valorizado o produto, mesmo em relação a um fundo tradicional, diz.
Na Brasilprev, dos R$ 6,2 bilhões arrecadados em 2009, R$ 2,7 bilhões foram para planos com tabela regressiva de imposto, o que equivale a 43,5% do total. No ano anterior, esse número ficou em R$ 1,5 bilhão, ou 37,5% da arrecadação total (R$ 4 bilhões). "O investidor mostra que está mais maduro ao perceber as vantagens do modelo regulatório", diz o presidente da Brasilprev, Tarcísio Godoy. Pela tabela regressiva, quanto maior o prazo, menor o imposto a pagar.
A previdência sofre mais quando a perspectiva de longo prazo é ruim, afirma o vice-presidente de Vida e Previdência da SulAmérica, Renato Russo. Isso porque as pessoas ficam receosas de comprometer recursos por tanto tempo. Quando o ambiente é de estabilidade, como o atual, o investidor fica mais motivado a optar por instrumentos de longo prazo, dadas as vantagens fiscais, diz. Para este ano, sua expectativa é de que o setor repita o crescimento de 20%.
O bom desempenho dos fundos de previdência contribuiu para o crescimento em 2009, acredita Russo. "Os retornos polpudos animaram os investidores." Nem a queda da bolsa em 2008 atrapalhou. Além de a parcela de renda variável ainda ser pequena na previdência, o investidor em ações conhece o mercado, explica o também vice-presidente da Fenaprevi.
A Brasilprev, além de investir em produtos como o Ciclo de Vida (que ajustam a parcela de ações ao longo do tempo), ampliou seu percentual em crédito privado em busca de mais retorno, conta Godoy. Hoje, dos R$ 27 bilhoes em ativos, R$ 6,2 bilhões estão em renda fixa privada e ações. Em 2007, do total de R$ 16 bilhões, apenas R$ 2 bilhões iam para o segmento.
Russo destaca ainda o movimento de maior segmentação dos planos, por faixa de renda e tipo de investimento. Para ele, essa é uma tendência que vai se acentuar este ano e só contribui para o desenvolvimento do mercado. "A segmentação traz mais clareza para o investidor sobre os planos e características, além de ajustar a oferta à demanda, ao público-alvo."
Nessa linha, as classes de menor renda ganharam a atenção do setor, até em função do ganho de renda e aumento do emprego. "Essa é uma fatia da população que estamos mirando", afirma Russo. Os aportes vêm caindo, com planos a partir de R$ 35.   (Alessandra Bellotto - Valor Online)
 
 
 
 
 
 

11.02 - Europa firma acordo inicial de ajuda a Grécia
Os governos europeus chegaram a um acordo inicial para ajudar a Grécia, dando partida ao primeiro resgate destinado a um Estado-membro nos últimos 11 anos.
"A decisão de ajudar a Grécia foi um acordo inicial entre os estados-membros", disse fonte da coligação alemã que acompanha de perto as negociações à Reuters.
A mesma fonte revelou que várias opções serão consideradas e que, apesar de nenhuma decisão final ter sido tomada, o mais provável é que ocorra "uma ajuda bilateral".
Estas informações são, até agora, o sinal mais fortes de que a União Europeia tentará conter a crise de confiança que está derrubando os mercados mundiais.
A decisão surge no mesmo dia em que o Financial Times Deutschland noticiou que o governo alemão já teria preparado um pacote de ajuda para a Grécia, e dois dias antes da reunião informal da União Europeia, onde se espera que o déficit grego seja discutido.
Joaquin Almunia, comissário europeu para os assuntos econômicos, disse na quinta-feira passada (4), no Parlamento Europeu, que esperava que os estados-membros ajudassem a Grécia, mostrando ao país que a UE reconhecia os seus esforços para melhorar a situação das contas públicas.
"Espero que os dirigentes europeus digam às autoridades gregas que, em troca dos seus esforços, a Grécia poderá contar com o nosso apoio", pediu Almunia dirigindo-se ao Parlamento.
"Este apoio não é gratuito, isso seria lançar as bases para desequilíbrios futuros", acrescentou. "É um apoio claro - nós dispomos de instrumentos para garantir esse apoio - em troca de um compromisso claro. O governo grego deverá assumir as suas responsabilidades", concluiu Almunia.
O ministro das Finanças português, Teixeira dos Santos, disse à Reuters que estava certo de que a União Europeia iria ajudar a Grécia em caso de necessidade, mesmo que os tratados europeus não previssem esse resgate.  (Brasil Econômico)

11.02 - Dividida, UE busca saída para a Grécia
Países que não usam o euro querem o envolvimento do FMI, ideia rejeitada por França e Alemanha, entre outros
A União Europeia e a Alemanha negociam um plano para salvar a Grécia, evitando que outras economias sejam afetadas e reduzindo os ataques ao euro. Mas, às vésperas de uma cúpula, o bloco está dividido sobre como seria um pacote de resgate, e não há um entendimento sobre quem pagaria a conta. Países europeus que não usam o euro querem o envolvimento do Fundo Monetário Internacional (FMI), ideia rejeitada por Bruxelas.
Hoje o governo alemão se reúne para definir uma proposta, enquanto o presidente da França, Nicolas Sarkozy, recebe os gregos para obter um compromisso de que o déficit será atacado. Amanhã, líderes da UE fazem uma cúpula para avaliar várias medidas, que têm como meta dar um sinal político de que a UE tem resposta à pior crise da moeda comum desde a sua criação.
Uma das propostas que vêm sendo debatidas entre Bruxelas e Berlim é a de estender aos gregos um plano de garantias, como forma de ajudar no financiamento da dívida. O governo alemão insistiu ontem que ainda não há nada fechado. Mas o Banco Central Europeu (BCE) também estaria envolvido nas negociações. Berlim não quer arcar com os custos e quer que a Grécia "pague um preço" pela ajuda.
Além de cortes em gastos públicos, Berlim quer garantias de que os déficits na Grécia serão definitivamente eliminados. Atenas, que já está sob uma espécie de tutela da UE em seu orçamento, ganharia novas obrigações. O debate ainda se refere a uma ampliação desse pacote para outras economias com problemas.
A notícia de um eventual pacote provocou alívio nos mercados europeus, evitando perdas nas bolsas e elevando os preços de commodities e do próprio euro. Os únicos insatisfeitos, porém, são os sindicatos, que planejam paralisar a Grécia hoje, enquanto outros se movimentam para promover ações similares em outras capitais da Europa.
Depois de tentar superar a recessão, os governos vivem uma nova crise: a da dívida. Os mercados temem que países como Grécia, Irlanda, Espanha e Portugal não tenham como financiar os rombos em suas contas.
A especulação sobre um pacote começou quando o presidente do BCE, Jean Claude Trichet, abandonou ontem, antes do fim, uma reunião de presidentes de BCs na Austrália. A assessoria do BCE insistiu que a decisão de retornar à Europa era uma questão logística. Mas os mercados passaram a apostar que isso fosse um sinal de que a UE estaria preparando um pacote.
A notícia sobre um eventual pacote teve efeito imediato. O euro subiu mais de 1%, depois de sofrer as maiores perdas em nove meses na semana passada. O risco da Grécia caiu 80 pontos, para 340, enquanto as ações de bancos gregos subiram 5%. Os riscos da Espanha e Portugal também sofreram quedas. Eles chegaram a estar acima do risco Brasil na sexta-feira.
No fim de semana, ministros europeus já deixaram claro ao G-7 que não queriam a intromissão do FMI na questão e buscariam uma "solução europeia". O problema é que, pelas leis da UE, países não têm direito de serem resgatados.
Ontem, o site em alemão do Financial Times já publicava a notícia de que o governo de Berlim preparava um plano para salvar a Grécia. A notícia foi logo confirmada pelo vice-líder da União Democrática Cristão no Parlamento, Michael Meister. Agências de notícias indicaram que o governo alemão havia obtido da UE um compromisso de que a Grécia seria ajudada. Como a lei proíbe um pacote de resgate, a ideia mais cogitada era um empréstimo do governo alemão aos gregos. Duas horas depois, o governo alemão desmentiu o acordo. As bolsas europeias já estavam fechadas. No início da noite, Berlim disse que não existia uma data para concluir um pacote.
Durante a criação do euro, foram os alemães que fizeram questão de incluir no tratado a proibição de pacotes de resgate. Temiam pagar a conta, exatamente o que pode ocorrer agora. Tanto o BCE como o Banco de Investimentos Europeu indicaram que não poderiam entrar em um plano de resgate.
DIVISÃO
Todos concordam que a Grécia precisará de ajuda. Mas não há acordo sobre como isso ocorreria. Ontem, a divisão ficou clara. Países que não usam o euro, como o Reino Unido e Suécia, sustentam que o FMI deve ser usado para bancar o déficit grego. Esses governos estimam que o risco de um contágio existe e não se trata apenas de um problema da zona do euro. Para os países que usam o euro, chamar o FMI seria a comprovação de que o euro ainda não ganhou posição de moeda de referência. Ontem, o próprio governo grego afirmou ser contra uma intervenção do FMI. Alemanha e França são os que mais se opõem à ideia.   (Jamil Chade - O Estado de S.Paulo)

11.02 - Bom janeiro
O início de 2010 tem sido promissor. As dúvidas sobre a dimensão dos deficits em conta corrente de 2010 e 2011 não põem em risco nossa solvabilidade. Devem apenas levar-nos a repensar a necessidade de maior esforço exportador dos nossos manufaturados e serviços. É errôneo pensar que isso sugere a redução da ênfase nas exportações do agronegócio ou do setor mineral. Pelo contrário.
Essas exportações têm garantido a melhoria das relações de troca e continuam sendo um componente importante do crescimento do nosso PIB.
A ênfase na exportação de produtos manufaturados é necessária, porque, normalmente, o tamanho do mercado interno é incapaz de garantir os ganhos de produtividade embutidos no aumento de escala. É o caso, por exemplo, dos setores de alimentação, de comunicação, celulose, petroquímica e energia elétrica, onde se formam complexos de dimensão internacional. Eles precisam, entretanto, ser submetidos a um adequado controle por agências ou pela competição externa, que impedirão o uso abusivo do seu poder de mercado.
Nessa linha, chama a atenção a disposição da Secretaria de Direito Econômico (SDE), do Ministério da Justiça, que começa a voltar os seus olhos para o inconveniente monopólio da Petrobras na rede de distribuição de gás. Além do mais, deve ser evidente que em 2030 teremos de dar emprego de boa qualidade a 151 milhões de brasileiros entre 15 e 65 anos, o que só se conseguirá se a um agronegócio de alta produtividade agregarmos setores industriais e de serviços igualmente eficientes, o que exige a ajuda das exportações.
Outro fato promissor é o compromisso "em pedra e cal" do Tesouro Nacional de que construiremos ("sem choro nem vela") um superavit primário de 3,3% do PIB. Isso é fundamental para o controle da relação dívida pública/PIB, um dos fatores determinantes da taxa de juro real.
O terceiro e fundamental fato promissor para o nosso desenvolvimento é o avanço registrado no setor de energia elétrica. A concessionária Energia Sustentável do Brasil (ESBR) anunciou que no final de 2012 estará antecipando a produção de Jirau, com 2.000 MW. Por outro lado, parece que as resistências a Monte Belo estão se liquefazendo e o seu leilão sairá (talvez!) no segundo trimestre. O quarto e decisivo fator promissor é o anuncio da renovação das concessões do setor elétrico, cujo atraso injustificado já custou um enorme retardo dos investimentos nas 49 usinas hidrelétricas cujos contratos terminam entre 2015 e 2020. Começamos muito bem!   (ANTONIO DELFIM NETTO - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

10.02 - Essa crise não para de avançar
Quando ouvimos dizer que os problemas econômicos de Grécia, Portugal e Espanha - os países mais endividados da zona do euro - devem permanecer seguramente contidos nas suas fronteiras, isso é indício de encrenca.
Afinal, escutamos a mesma baboseira em 2007 quando a liderança financeira dos Estados Unidos falou sobre a bagunça nas hipotecas subprime. Tanto o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Ben Bernanke, quanto o então secretário do Tesouro Henry Paulson fizeram numerosos pronunciamentos para garantir a investidores preocupados que os problemas hipotecários não contaminariam o restante da economia.
Como sabemos agora, o drama das hipotecas foi contido - nos limites do planeta Terra. E o mesmo pode acontecer com os países exageradamente alavancados na Europa.
O contágio é simplesmente um fato inescapável em nossa economia global e nossos mercados financeiros, tão interconectados. E isso significa que os investidores precisam se preparar para novos giros nos mercados de ações e títulos conforme o grande e doloroso processo de redução da alavancagem que teve início em 2007 e prossegue em todo o mundo.
Há certamente alguns raios de luz em meio à melancolia. Um exemplo disso é o algo animador relatório da situação do emprego, publicado na sexta feira. Mas esse é apenas um indicador, e não reúne força suficiente para melhorar a situação de temas muito mais amplos e ainda sem solução, como o temor dos investidores diante de uma possível moratória nas dívidas de Grécia, Portugal e Espanha.
"Isso nos lembra que todo país tem seu limite", disse David A. Rosenberg, economista-chefe e estrategista da Gluskin Sheff & Associados, uma das maiores firmas canadenses de administração de capital, com sede em Toronto. "Nossa grande preocupação com a qualidade do crédito soberano não será relaxada num futuro próximo."
Durante seus anos como economista-chefe do Merrill Lynch em Nova York, Rosenberg demonstrou grande perspicácia. Assim, sua interpretação das potenciais consequências dos problemas nos países em dificuldades financeiras é considerada valiosa.
Primeiro, Rosenberg reconhece que a fuga para o dólar deve continuar.
Apesar de os Estados Unidos enfrentarem seus próprios desafios econômicos - uma imensa dívida pública que se equilibra sobre uma economia em dificuldades, por exemplo -, ele sustenta que a situação do país é muito melhor do que aquela encontrada no restante do mundo. "Em terra de cego, aquele que tem um olho é rei", afirmou. "O dólar americano é esse rei de um olho só." Mas isso não quer dizer que nosso expurgo das dívidas tenha acabado.
"Quando observamos a situação na Europa, não fica claro se aquilo que está na raiz de nossos problemas domésticos foi solucionado", disse Rosenberg. "Ainda encontramos uma situação de extrema fragilidade: o balanço patrimonial dos lares, a mora, as inadimplências e o preço dos imóveis são fatores que permanecem vulneráveis a um novo período de declínio. As pessoas parecem pensar que, por termos concluído o primeiro estágio deste colapso do crédito pós-bolha, o problema já está resolvido."
Quanto ao preço dos imóveis, Rosenberg espera ainda um declínio entre 10% e 15% ao longo dos próximos anos. Ele destacou os cerca de 9 milhões de unidades habitacionais disponíveis para venda em todo o país, uma taxa de desocupação bastante alta quando comparada a um total de 130 milhões de unidades habitacionais.
Se essa previsão estiver certa, o número de moradores com dívidas que superam o valor de seus imóveis vai aumentar significativamente.
Rosenberg estima que metade dos americanos com imóveis hipotecados pode cair na inadimplência até 2011.
No momento, esses americanos endividados não podem contar com a ajuda dos credores - o que não surpreende - nem com o auxílio do governo.
Na verdade, o programa de modificação de empréstimos do governo Obama permitiu, em boa medida, que os bancos detentores de segundas hipotecas sobre os lares de cidadãos endividados continuassem a pressionar pelo pagamento integral destas obrigações.
Quanto à desvalorização do montante principal nas hipotecas, o governo exerceu sobre os detentores das primeiras hipotecas uma pressão maior do que aquela exercida sobre as instituições detentoras das segundas hipotecas. Aparentemente, o fato de os segundos ônus não terem nenhum valor, devendo ser desvalorizados até o zero, não preocupa ninguém.
Essa abordagem para as segundas hipotecas, que ignora todos os males, faz parte de uma negação generalizada por parte de membros do governo, políticos, banqueiros e reguladores que só prolongou a agonia provocada por essa crise. Admitir o valor real dos empréstimos é um remédio amargo, mas negar a existência dos problemas só faz adiar o inevitável.
"Estamos muito mais avançados no rumo da correção de preços e da divulgação plena do que o Japão estava neste mesmo estágio de sua contração de crédito", disse Rosenberg. "Ainda há nos Estados Unidos alguns problemas de crédito bastante significativos e, como estão associados a imóveis comerciais, considero-os extremamente preocupantes. É provável que alguns bancos sejam duramente atingidos." O desafio enfrentado por Obama está no fato de ele ter gasto rios de dinheiro do contribuinte para combater tais problemas, e ainda assim a taxa de desemprego encontra-se em 9,7%.
"Chegamos ao fim de um ano no qual seria impossível pedir um maior estímulo proporcionado pelo governo, e ainda assim perdemos cinco milhões de postos de trabalho", destacou Rosenberg. "O que mais pode ser feito? A redução da alavancagem prossegue, mas o estímulo do governo já ficou para trás. Isso representa grandes problemas para um analista econômico." A verdade é que, para salvar o mundo do colapso econômico, transferimos para o público as obrigações do setor privado. E nem todos os países dispõem de dinheiro suficiente para arcar com os encargos dessas dívidas ou para pagá-las.
"Estamos num colapso de crédito pós-bolha, e haverá períodos de calmaria e de tormenta. Os investidores terão de manobrar em meio à volatilidade", disse Rosenberg. "Infelizmente, acho que ainda estamos nos estágios iniciais. A próxima recessão chegará antes do que as pessoas acreditam."    (Gretchen Morgenson - The New York Times, tradução de Augusto Calil - O Estado de S.Paulo)

10.02 - Europa já avalia socorro à Grécia
As autoridades da União Europeia aqui são rápidas na hora de torcer o nariz para qualquer boato de socorro à combalida economia da Grécia, o país mais prejudicado pela crise na zona do euro, e insistem que Atenas precisa é arrumar as contas da casa. Mas se os temores de moratória da dívida soberana que estão contaminando cada vez mais os membros mais frágeis da zona do euro ficarem mais fortes, e se a Grécia tiver dificuldade para refinanciar seu alto endividamento, os políticos europeus terão várias opções para ajudá-la a sair do buraco.
Mas essas opções são raramente discutidas em público, já que um programa de socorro à Grécia seria um acontecimento negativo para a moeda comum europeia - seria como reconhecer que as leis orçamentárias da UE, voltadas para manter a disciplina fiscal que é o coração do euro, são profundamente inadequadas. Os custos do crédito à Grécia subiram rapidamente nos últimos meses devido aos temores de que o país não conseguirá solucionar seu enorme déficit, que subiu para cerca de 13% do PIB no ano passado. O limite da zona do euro é de 3%.
O país entrará num período crítico nos próximos meses, quando precisará tomar emprestado quase € 23 bilhões (US$ 31,5 bilhões), o que inclui um pouco mais que 40% de sua tomada de empréstimos prevista para este ano. Os problemas na Grécia apontam para antigas fragilidades na governança da moeda comum. Embora a Comissão Europeia possa exigir que países cortem seus déficits, ela tem poucas ferramentas para policiar suas ordens, já que o controle dos orçamentos nacionais sempre fica a cargo de cada país.
O socorro à Grécia não seria feito diretamente, já que o Banco Central Europeu e os BCs nacionais do bloco não podem socorrer os países, segundo o tratado da UE em vigência. Mas vários diplomatas europeus e especialistas em UE dizem que não existe nenhuma determinação como essa para os governos nacionais. Os países da zona do euro não podem ser obrigados a arcar com o custo do endividamento de seus membros, mas não há nada que os impeça de ajudar voluntariamente.
Os diplomatas da UE em Bruxelas dizem que o plano de contingência mais provável para a Grécia envolve um pacote de ajuda encabeçado por França e Alemanha, as maiores e mais estáveis economias da zona do euro. Um porta-voz do governo alemão diz que o país é "claro como o cristal" em sua determinação de que a Grécia deve resolver seus próprios problemas; as autoridades francesas já disseram várias vezes que socorrer os gregos está fora de questão.
Outra cláusula do tratado da UE diz explicitamente que o bloco pode oferecer ajuda financeira se o caso envolver "acontecimentos excepcionais". Essa cláusula do tratado normalmente serviria para terremotos e enchentes, mas teoricamente também pode ser estendida para problemas financeiros graves. "A princípio, os outros membros da União Europeia podem lidar com isso", diz Paul De Grauwe, professor de economia da Universidade Católica de Leuven. "Não há nada no tratado que diga que não eles não podem." De Grauwe diz que "não há uma estrutura institucional para fazer isso" e os políticos precisariam arranjar uma solução de última hora. Uma opção, diz, poderia ser a garantia dos países maiores da UE para as dívidas, como os Bônus Brady criados depois da crise da dívida latino-americana da década de 1980.
Autoridades de países da UE e da Comissão Europeia dizem que querem evitar que a Grécia seja obrigada a enfrentar o vexame de apelar ao Fundo Monetário Internacional. O FMI já socorreu três países da UE - Hungria, Letônia e Romênia - na presente crise, mas nenhuma das nações da zona do euro. O bloco também teme que o FMI dê à Grécia termos mais lenientes do que a comissão e outros países da UE estão exigindo, e permita um prazo maior para o país coibir o déficit, segundo um diplomata da UE. Esse temor surgiu no início do ano passado, quando a UE e o Fundo se juntaram para conceder um empréstimo de emergência à Romênia. A comissão alertou o FMI de que seu plano original permitiria que a Romênia continuasse se esquivando das regras orçamentárias da UE.
Se Alemanha e França mobilizarem mais apoio, podem pedir contribuições da Itália e da Holanda, as outras economias da zona do euro que teriam capacidade de ajudar um membro em dificuldades. O socorro pode vir de várias maneiras, seja uma transferência direta de recursos, uma linha de crédito ligada aos programas de financiamento de outros países ou até mesmo uma garantia para o caso de uma moratória grega. O pacote de ajuda direta pode chegar a € 25 bilhões, segundo um diplomata da UE.
A Grécia emitiu € 8 bilhões em novos títulos de dívida em 18 de janeiro, numa operação que atraiu forte interesse. Isso deveria ter tranquilizado os investidores, mas o rendimento dos títulos soberanos da Grécia e o custo do seguro da dívida do país bateram recorde nas últimas semanas.  (Adam Cohen e Charles Forelle - The Wall Street Journal/Valor Online)

10.02 - Mercado aumenta estimativa de inflação de 2010
Alta está em sintonia com sinais do BC em elevar a taxa básica de juros devido à pressão inflacionária
Na semana em que o Banco Central reforçou a sinalização de que irá aumentar os juros em breve, o mercado financeiro reiterou as previsões de que a inflação terminará o ano acima do centro da meta, 4,5%.
Os economistas consultados pelo próprio BC na pesquisa semanal Focus já projetam um IPCA (indicador oficial de inflação) de 4,78% -uma semana antes, estimavam-no em 4,62%. Também estimam que os índices que corrigem tarifas e aluguéis (IGP-M e IGP-DI) ficarão próximos de 5% em 2010.
Na semana passada, o BC afirmou que monitora "com particular atenção" o comportamento das expectativas de inflação, que começaram a subir em janeiro. É a primeira vez que isso ocorre desde a piora na crise econômica (fim de 2008).
A pesquisa também mostra que os cinco economistas com maior índice de acerto, entre os cerca de cem consultados, já esperam IPCA acima de 5%, pondo em dúvida a credibilidade do BC em alcançar seu objetivo.
Segundo a economista-chefe da Icap Brasil, Inês Filipa, a revisão dessas projeções tem como fundamento a alta da inflação verificada em janeiro, que veio acima do esperado pelo mercado. Apesar da mudança, Filipa não crê em um aumento dos juros na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do BC), em março.
"Se os indicadores de inflação mostrarem um arrefecimento em fevereiro e março, o que é factível, o BC poderia aumentar os juros somente entre junho e julho. Se não vierem [quedas de preços], a alta pode começar em abril", afirma.
Na pesquisa divulgada ontem, foi mantida a expectativa de que a taxa básica de juros, hoje em 8,75% ao ano, comece a subir em abril. A Selic chegaria a 11,25% em outubro -na previsão anterior, ela alcançaria esse patamar apenas em dezembro-, percentual que deve ser mantido até o início de 2011.
Em relação ao câmbio, a previsão é que o dólar termine fevereiro em R$ 1,82 e permaneça nesse patamar até o fim do ano. Espera-se um crescimento econômico de 5,35% em 2010.
Cesta básica
Ontem, o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) divulgou que, em janeiro, o valor da cesta básica subiu em 10 das 17 capitais pesquisadas, na comparação com dezembro. A variação positiva ficou entre 0,79% e 4,61%. Na comparação com janeiro de 2009, houve queda em todas as capitais.  (Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

09.02 - Por que os ortodoxos erram tanto? 
Porque adotam método de ciências como a matemática para justificar o "laissez-faire", origem de crises e mais crises 
A grande crise de 2008 foi também a crise da teoria econômica ortodoxa ou neoclássica, dominante desde os anos 1980; foi a crise da teoria do equilíbrio geral e da macroeconomia neoclássica baseada nas expectativas racionais. Esse fracasso não foi surpreendente. Essas duas teorias ensinadas nos cursos de pós-graduação das grandes universidades têm aparência científica, porque o método hipotético-dedutivo empregado para desenvolvê-las permite o uso abusivo da matemática. 
Na verdade, são castelos no ar que possuem alguma coerência lógica, mas não têm base na realidade dos sistemas econômicos reais. Além de não terem utilidade prática, essas teorias apresentam alta periculosidade. Foram essas construções matemáticas que legitimaram a principal causa da crise financeira global: a desregulação dos mercados. 
A ortodoxia neoclássica é dogmática e afastada da realidade porque usa um método baseado em axiomas, em vez de generalizar a experiência do comportamento dos mercados. Embora também usando o método hipotético-dedutivo, a microeconomia neoclássica, excluído o modelo de equilíbrio geral, é muito útil porque, juntamente com a teoria dos jogos, constitui uma ciência metodológica auxiliar: a teoria econômica da decisão. Já a teoria do equilíbrio geral, a macroeconomia das expectativas racionais e os modelos de crescimento endógeno são teorias ortodoxas que nos períodos de grande desenvolvimento não orientaram a política econômica dos países em que foram formuladas. 
Na Inglaterra, no século 18, foi a teoria econômica mercantilista que desempenhou esse papel; na Alemanha de Bismarck, a escola histórica; nos EUA, na primeira metade do século 20, a teoria institucionalista americana; no Japão e em todos os países que se industrializaram no século 20, a teoria estruturalista do desenvolvimento ("development economics") e a estratégia desenvolvimentista; e, finalmente, nos países ricos, nos "30 anos dourados do capitalismo" (1945-75), foi a teoria econômica keynesiana que inspirou a política econômica. 
Para se legitimar, a ortodoxia busca se contrapor à política de irresponsabilidade fiscal e cambial que é tão comum em países mal governados -mas isso não a torna verdadeira. Nem justifica a tese de que era ela a única alternativa ao populismo econômico. A lenda que a envolve é que sua seriedade e severidade assegurariam estabilidade macroeconomia aos países que a aplicassem. Entretanto, as crises financeiras muito mais frequentes jogaram por terra essa tese. No caso dos países em desenvolvimento, a instabilidade resulta do apoio da ortodoxia a deficit em conta-corrente (ou seja, no populismo cambial); no caso dos países ricos, do pressuposto de mercados autorregulados e de sua deliberada desregulação. 
Há alguns meses, Paul Krugman perguntou: "Por que os economistas erraram tanto?". A razão principal foi que os economistas "mainstream" adotaram o método hipotético-dedutivo, que é próprio de ciências metodológicas como a matemática, a estatística e a teoria econômica da decisão, em vez de usarem o método histórico ou empírico e, a partir dele, generalizarem e formularem teorias pouco matemáticas, mas realistas, como acontece com a teoria keynesiana. Isso lhes permitiu matematizar a teoria econômica, usar cálculo diferencial e integral e, assim, dar-lhe uma aparência científica, mas, com essa roupagem matemática, a teoria ortodoxa estava justificando o velho "laissez-faire" que sempre foi origem de crises e mais crises.    (LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA - Folha de S.Paulo)

09.02 - Tragédia grega, drama europeu
Momento mais crítico da história do euro lança dúvidas sobre o futuro de um mercado comum desequilibrado
Pandora, de fato, abriu sua caixa. Entre os demônios que saíram dela está o caos da dívida, as incertezas no mercado e o temor de uma nova recessão. Mas, para a Europa, o maior demônio é mesmo a dúvida sobre o euro e o futuro de um mercado comum desequilibrado entre o norte exportador e o sul endividado. Depois de pensar que superou a recessão de 2009, a União Europeia (UE) vive o momento mais crítico na história de dez anos da moeda comum, diante das incertezas sobre a capacidade de países como Espanha, Grécia, Portugal, Irlanda ou Itália financiarem suas dívidas.
"Estamos vivendo o primeiro e maior teste da história do euro. Esse também é um teste para o futuro da Europa", afirma, ao Estado, Loukas Tsoukalis, assessor especial do presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, e ex-conselheiro do governo grego para temas europeus. Seu país, a Grécia, está no centro de uma verdadeira tragédia.
Nos últimos dias, os mercados entraram em ebulição diante da constatação de que alguns dos governos europeus poderiam não honrar suas dívidas. Emissões de bônus e de papéis da dívida desses países nem sequer encontraram compradores. O impacto no euro foi imediato: caiu para o menor valor em sete meses. Ironicamente, investidores venderam euros e optaram pelo dólar, moeda de um país com um déficit do orçamento de 12% de seu PIB, equivalente ao da Grécia.
Como numa tragédia grega, a situação dos países europeus é resultado de vários atos. O primeiro foi o momento anterior à recessão, em que governos apostaram que a taxa de crescimento robusto seria mantida por alguns anos. Na Grécia, por exemplo, a economia chegou a crescer 4% por ano entre 2001 e 2008. Bolhas foram criadas em setores como o imobiliário. Mas eram financiadas com créditos abundantes.
Com a chegada da crise, a opção adotada foi a de lançar mão de pacotes bilionários para incentivar os setores mais críticos da economia e evitar uma perda ainda maior de empregos. Ao mesmo tempo, a arrecadação dos governos despencou e os créditos secaram.
A recessão foi freada, com uma participação inédita do Estado na economia. Pela Espanha, cartazes estão espalhados por todas as cidades como sinal de que o governo decidiu liberar verbas para obras públicas, gerando empregos e incentivando certos setores. Mas uma nova crise foi gerada: a da dívida. Países como Grécia, Irlanda e Portugal passaram a ter uma dívida equivalente ao próprio PIB. A Espanha, depois de um superávit em 2008, viu que as suas contas foram revertidas.
Fontes do gabinete do governo espanhol contaram ao Estado que nos primeiros meses da recessão a tensão era máxima na cúpula do governo e técnicos eram pressionados a apresentar propostas quase todos os dias para salvar um setor. O problema, segundo a fonte, é que grande parte das medidas era apenas superficial. Dinheiro seria injetado na economia, mas sem um impacto duradouro. Alguns meses depois, a constatação em vários mercados é de que a dívida se transformou em uma ameaça.
CRITÉRIOS
O que mais preocupa é que todas as regras para que países participem do euro foram violadas. Pelo Pacto de Estabilidade, uma economia apenas poderia participar do euro se apresentasse um déficit orçamentário de menos de 3%. Na Grécia, o valor é quatro vezes maior. Na Espanha, chega a 9,8%, em Portugal, a 9,3%. Os gregos chegaram a mentir para Bruxelas sobre os reais valores do orçamento e déficit e agora a UE abriu um processo contra Atenas.
Pelas normas da UE, um país que viole o teto de 3% por dois anos seguidos é repreendido e, se o problema persistir, poderia ser até suspenso do euro. Mas o problema é que, pelo menos neste semestre, quem preside a UE é a Espanha, um dos países que teoricamente estaria prestes a ser punido por não cumprir os critérios do euro. "Politicamente, é impossível pensar que a Grécia ou qualquer outro país poderia ser retirada da zona do euro. Se a Grécia sair, o euro deixa de existir em termos de credibilidade", ressaltou Tsoukalis.
A solução, por enquanto, foi colocar a Grécia numa camisa de força, no início da semana. O plano apresentado pelo governo de Atenas de congelar salários e reduzir o déficit será monitorado pela Comissão Europeia, com medidas inéditas de tutela orçamentária.
O governo grego chegou a ensaiar uma crítica aos investidores, acusando o mercado de estar "apostando contra a Grécia". "Isso até pode ser verdade, mas não podemos esconder os fatos: a dívida existe e é pesada", disse Tsoukalis. "Em muitos aspectos, a Grécia se parece mais com um país latino-americano que europeu. Mas o que preocupa é que existem muitas Grécias agora na Europa."
De fato, o mercado é unânime em afirmar que um calote na Grécia faria o risco Portugal ou o risco Espanha explodir. Portugal já sentiu a dificuldade nesta semana, quando sua dívida chegou a 77% do PIB. O governo se apressou em dizer que "não entendia" as dúvidas do mercado em relação ao país. Na Itália, a dívida supera a marca de 100% do PIB e há anos o governo não consegue gerar crescimento suficiente para uma arrecadação que reduza o tamanho do déficit orçamentário.
Um após o outro, governos europeus passaram a anunciar medidas de restrição. Portugal apresentou um plano de corte de gastos, mas se recusou a aumentar impostos. Na Irlanda, a opção foi reduzir os salários dos funcionários públicos. Na Grécia, o primeiro-ministro George Papandreou disse que os trabalhadores precisarão se acostumar com o fato de que suas aposentadorias não serão tão confortáveis como esperam.
Para analistas mais apressados, é o estado de bem-estar social da Europa que também está sendo posto à prova. Nesta semana, o governo socialista na Espanha insinuou que a idade de aposentadoria poderia ser elevada. A oposição retrucou de forma tipicamente espanhola: só passando sobre ela.
Na melhor das hipóteses, as medidas possibilitarão que os critérios voltem a ser respeitados em 2013. Seja qual for a medida, porém, os sindicatos europeus já preparam protestos contra seus respectivos governos para os próximos dias.   (Jamil Chade - O Estado de S.Paulo)

09.02 - Crise na Europa poupa emergentes
Agrava-se a crise dos países da zona do euro, que, puxados pela Grécia, afundam em dívidas crescentes, sem perspectiva de poder financiá-las no curto prazo. As poucas portas de saída estão fechada pelas regras da zona do euro. Não podem desvalorizar sua moeda, que não é mais sua, é o euro. Outra medida que parece inevitável é o aumento de impostos. Dolorosa. Acabaria com qualquer possibilidade de crescimento nos próximos anos, pressionaria a inflação e já está provocando reações populares que podem ganhar impulso. Além disso, cortes dolorosos nos gastos públicos podem chegar aos investimentos. Essa é a análise do economista-chefe do BNP Paribas, André Luiz, em conversa com a coluna.
SAIR DO EURO?
E se os países em crise, Grécia, Portugal, Irlanda, Espanha e Itália, batizados de Piigs, na sigla em inglês, saíssem do euro? André Luiz não acha possível. "A saída dos Piigs da zona do euro, seguida de desvalorização cambial, não é uma opção viável, dado que o endividamento das famílias e empresas é em euros. Isso levaria a uma severa crise interna. O processo de redução do endividamento não será fácil. A recessão será severa nos Piigs."
E o aperto fiscal? O economista-chefe do BNP Paris responde com outra pergunta: "Qual é a capacidade desses países de pôr em prática um aperto fiscal tão duro (via corte de gastos e aumento de impostos) quando as pessoas começarem a sair às ruas para protestar? Em consequência, os investidores ficarão ansiosos e o custo de financiamento desses países permanecerá elevado, impondo uma pressão constante sobre o equilíbrio fiscal e financeiro da região".
UM EURO MAIS FRACO
Sim, mas anuncia-se um pacote para conter a crise, pelo menos no momento. "O FMI e a União Europeia provavelmente virão com pacotes de resgates, incluindo a emissão de garantias para a dívida dos países, com maior custo de captação. Serão soluções paliativas, pois enquanto os Piigs não apresentarem seus motores próprios de crescimento, a instabilidade econômica, financeira e social prevalecerá. Não há outra condição de equilíbrio para a zona do euro, a não ser aceitar uma moeda enfraquecida nos próximos anos, de forma a minimizar a dor dos Piigs. Uma moeda fraca, que levará ao aumento do risco de inflação. O Banco Central Europeu (BCE) aceitará esse risco, mantendo as condições monetárias frouxas e o câmbio fraco? Não sei... 2010 será um ano desafiador.
CONHECEMOS ESSA HISTÓRIA
A pergunta inevitável: E nós? "É importante ressaltar aqui a grande diferença que existe entre as economias avançadas e emergentes. O aumento forte de endividamento do setor público observado no mundo em 2009 não foi notado nas economias emergentes. Por elas serem menos alavancadas, endividadas, não apresentaram problemas, tais como a quebra do sistema bancário e absorção pelo setor público de enormes perdas financeiras.
Esse fato será um divisor de águas para a economia global na próxima década. Diferentemente das economias avançadas, que precisarão passar por um processo de redução de endividamento - demandando políticas fiscais muito apertadas, baixa expansão do crédito e crescimento econômico baixo -, as economias emergentes não terão de colocar em prática políticas que conspirem contra o crescimento," afirma o economista-chefe do BNP Paribas.
Para ele, a situação dos Piigs não é fácil. "Nós, brasileiros, conhecemos bem o ciclo vicioso gerado por crises de endividamento. Países com problema de dívida, caso não queiram entrar em inadimplência, precisam realizar apertos fiscais importantes, aumentar impostos."
É o que lhes resta dentro das normas da eurozona. Decididamente, vamos ter anos difíceis e turbulentos na eurozona, que passa pelo seu primeiro teste. Um teste que se iniciou em janeiro e levará alguns anos para terminar.
A coluna pode prever anos de baixo crescimento econômico, após uma recessão severa e uma resposta pouco eficiente e unificada à crise que abalou a economia mundial.
Mas não a nossa. O câmbio esteve sempre na origem de todas as crises passadas. Agora, não. Fizemos reservas, mantivemos credibilidade, por meio de uma política econômica consistente, um sistema bancário e financeiro saudável e, acima de tudo, agimos antes que a onda maior chegasse. Não fosse isso, o tsunami não teria virado marola...
O problema, agora, é deles, mas podem fazer pouco porque têm uma moeda comum, mas não uma economia unificada.
André Luiz lembra que história do superciclo de endividamento global, que teve início no pós-guerra culminou em uma crise sem precedentes, no final dos anos 2000. A crise global - que teve como ápice a quebra da banco de investimento americano Lehman Brothers, em setembro de 2008 - ocorreu em razão do problema de excesso de endividamento e a sua solução passará necessariamente por uma redução significativa desse estoque de dívida. Em 2009 não houve ajuste nenhum.  (Alberto Tamer - O Estado de S.Paulo)

09.02 - A incerteza na economia mundial
Inicio hoje minha colaboração com O Estado de S. Paulo e a faço com muita satisfação. Conheço boa parte dos jornalistas da área econômica e também acompanhei a construção da nova fase do Caderno de Negócios e de Economia. Poucas vezes conseguiu-se reunir um time tão parrudo de profissionais.
Nos artigos, tratarei de três temas complementares: macroeconomia, análise setorial dos segmentos mais relevantes da economia brasileira e, cada vez mais importante num mundo incerto, de questões ou exigências estratégicas que se colocam para as empresas.
Existe uma linha importante a ligar essas três abordagens, que, na verdade, são complementares. Como me foi dito recentemente por Fábio Barbosa (do Santander), o volume e as incertezas futuras são de tal natureza que se exige dos países e das empresas, antes de tudo, flexibilidade para que o custo do ajuste a uma situação imprevista seja o mais reduzido possível.
A proposta de elaborar uma regra rígida para distribuição de lucro das empresas, tentando transformá-las numa repartição pública, vinda dos Ministérios da Justiça e do Trabalho e das centrais sindicais, é o último dos exemplos de como construir uma perda de flexibilidade e competitividade da economia, como analisado por José Pastore nesta semana.
O que mais chama a atenção quando se analisa a economia internacional é a enorme disparidade de situações no que tange ao crescimento econômico. De fato, em algumas regiões prevalece a mais profunda recessão, enquanto em outras a recuperação está tão rápida que coloca riscos inflacionários a serem combatidos.
China, Índia, Austrália, Vietnã, Noruega e Brasil são os casos mais relevantes. Todos eles já começaram a reverter os incentivos concedidos logo no início da crise, seja elevando as taxas de juros, seja aumentando os depósitos compulsórios, controlando crédito, etc.
Mesmo essa situação favorável não é totalmente segura, uma vez que as autoridades devem operar com cuidado a velocidade de retirada dos incentivos para não matar a recuperação. Além do mais, todos sofrerão caso a economia americana venha a mergulhar na temida segunda recessão.
No caso chinês em particular, alguns analistas temem que, findo o programa de gastos fiscais, a economia passe a viver um grave problema de realização, ou seja, de insuficiência da demanda interna e externa frente a capacidade produtiva. Não acredito nessa segunda possibilidade, uma vez que a maior parte dos programas de investimentos chineses está na infraestrutura e busca uma elevação da produtividade sistêmica da economia. Mesmo onde o sol brilha, remanescem incertezas que geram volatilidade.
Por outro lado, a recuperação americana deverá ser sustentada, porém lenta. Ao longo de 2010, passado o ajuste de estoques que inflou o crescimento no fim de 2009, a economia americana deve convergir para um crescimento de algo como 2,5%. Entretanto, mesmo esse crescimento enfrenta dúvidas, pois muitos analistas acreditam que teremos uma segunda recessão, e não apenas uma desaceleração, à medida que se esgotem os incentivos fiscais com uma situação de alto desemprego. Temos aqui apenas duas certezas: o melhor cenário é o de crescimento baixo por alguns anos; e a volatilidade seguirá alta, tal é o volume de desafios a enfrentar (redução do desemprego, estratégia fiscal e redução do déficit, enxugamento adequado do excesso de liquidez, retomada do crédito, regulação do sistema financeiro, etc).
O terceiro e maior bloco de países é o da recessão, capitaneados por Japão e Europa. O caso do Japão é extremamente significativo, pois o país parece estar saindo do jogo ao completar a segunda década sem crescimento. Como todos percebem, já não se trata da purga de um período de excesso, curável com uma dose de restrição fiscal e de gastos de consumo. Fatores mais permanentes estão presentes: um sistema político envelhecido, sem liderança e criatividade; uma dinâmica demográfica horrível, com forte queda da natalidade e envelhecimento da população, resultando numa trajetória de redução absoluta do tamanho da população. A questão populacional fica ainda mais perversa pela absoluta antipatia e rejeição aos imigrantes, mesmo quando esses tem antepassados japoneses. O resultado é uma fraqueza do mercado de consumo que o governo tenta compensar, sem nenhum sucesso, com gasto e elevação da dívida pública. Com o consumidor retraído, as empresas não têm estímulo para investir, especialmente quando o mercado externo se torna mais competitivo e restrito, acumulando-se recursos líquidos direcionados ao mercado financeiro. Nessa sociedade não existe volta da confiança que possa trazer a retomada do crescimento; tudo indica que o país seguirá envelhecido, rico e estagnado.
Na Europa, os problemas se acumulam. A Europa oriental tem de digerir uma crise de excesso de dívidas denominadas em moeda estrangeira. Ao mesmo tempo, a fragilidade da situação fiscal da Grécia levantou o espectro de um default soberano. Não acredito nessa ocorrência, mas ela contaminou os riscos de vários países, como Irlanda, Portugal, Espanha, Itália, e vai exigir uma prolongada recessão nos mercados antes que se volte à normalidade.
O que completou o quadro ruim foi o recente enfraquecimento de Alemanha e França. Recentemente, a chanceler alemã levantou, em um discurso, o risco de o país iniciar uma trajetória à la Japão, com uma demanda interna estagnada, externa fraca e empresas sem vontade de investir, mesmo com caixa. No geral, a falta de confiança no futuro é generalizada: apesar de uma vigorosa expansão monetária na comunidade (de 12%), o crédito não cresce. Nem bancos nem as empresas e os consumidores estão dispostos a correr riscos.
O cenário internacional aponta para uma leve recuperação do Produto Interno Bruto (PIB) global, uma valorização do dólar muito mais decorrente da fraqueza da Europa e do Japão e razoáveis preços de commodities (peso da China e Índia). O euro pode vir abaixo de 1,30 por dólar e o real deve se desvalorizar para a faixa de 1,90/1,95, como resultado da tendência internacional, da piora acelerada do déficit em conta corrente e das incertezas políticas.
Finalmente, existe uma grande lição dessa crise para a nossa política comercial. Uma das forças do Brasil é ser um global trader, pois permite manter as exportações crescendo mesmo em crise. Exportar muitos produtos para muitos mercados é um grande ativo. Daí porque ser lamentável que um antiamericanismo infanto-juvenil tenha colocado a busca por mercados na última prioridade do Itamaraty, em parte responsável pela redução do peso das exportações para os EUA a meros 10% do total.   (JOSÉ ROBERTO MENDONÇA DE BARROS - O Estado de S.Paulo)
 
 
 
 
 
 

08.02 - Temor com a dívida de países da zona do euro
Situação de Grécia, Portugal e Espanha preocupa investidores, e EUA têm dados ruins de emprego
Os abalos nos mercados mundiais ontem foram gerados novamente entre os países desenvolvidos, com dúvidas em relação a economias da zona do euro e à recuperação dos EUA.
Os mercados de Portugal, da Grécia e da Espanha foram os mais prejudicados, enquanto os temores dos investidores quanto às dívidas públicas cada vez mais altas desses países solapavam a confiança em suas economias e a capacidade de seus governos para custear crescente deficit orçamentário.
Na quinta-feira o dólar disparou para sua mais alta cotação ante o euro em mais de sete meses, US$ 1,37 (alta de 1,1%), enquanto os preços dos títulos do Tesouro dos EUA subiam. O índice Vix, que acompanha a volatilidade do índice S&P 500 de Nova York e costuma ser descrito como o barômetro do medo em Wall Street, saltou 17%.
As tentativas de Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu (BCE), de estimular a confiança nas finanças públicas da região não funcionaram. Segundo Trichet, o deficit dos EUA deve atingir 10% do PIB do país neste ano, ante 6% na zona do euro.
Em semanas, os temores dos investidores, inicialmente concentrados na Grécia, espalharam-se para Portugal e Espanha e chegaram aos mercados de câmbio de EUA e Reino Unido, com forte queda nas Bolsas.
Os mercados de dívidas das chamadas economias periféricas europeias também sofrem pressão, com o alargamento considerável do ágio entre seus títulos e os da Alemanha, que são a referência de mercado.
Gary Jenkins, da Evolution Securities, disse que "os resultados das empresas podem estar fortes [nos EUA], mas os investidores estão preocupados com a possível moratória de um país europeu". Também preocupam as implicações do fim dos programas de ajuda nos EUA e no Reino Unido.
E números ruins do emprego nos EUA divulgados ontem elevaram os temores de que a recuperação pode ser mais lenta. O número de pedidos iniciais de seguro-desemprego cresceu para 480 mil na semana passada -a expectativa era de queda.
As preocupações continuam hoje, quando sai a pesquisa mensal de emprego nos EUA. Analistas estimam que 15 mil vagas foram criadas em janeiro, em um país que precisa criar 100 mil postos mensais só para atender as pessoas que ingressam no mercado de trabalho.
Além disso, o governo deve anunciar uma revisão nos dados de emprego nos últimos meses, que devem apontar que muito mais vagas foram eliminadas desde o início da recessão, no fim de 2007. Estima-se que o novo cálculo vai apontar que mais 800 mil vagas foram perdidas, totalizando 8 milhões a partir de dezembro de 2007.  (Financial Times/Folha de S.Paulo)

08.02 - Plano de reforma da Grécia vai na direção certa
O Banco Central Europeu (BCE) está "confiante" de que a Grécia tomará todas as medidas necessárias para reduzir o déficit orçamentário a um nível sustentável, de acordo com o presidente da instituição, Jean-Claude Trichet. Após a reunião mensal do conselho do BCE, Trichet afirmou que as medidas de redução do déficit orçamentário apresentadas pela Grécia em um relatório enviado à Comissão Europeia representavam "passos na direção certa". Entre as provisões, ele destacou os planos do governo grego para elevar impostos sobre derivados de petróleo, para congelar os salários do setor público e para reformar o sistema de pensões.
"A estratégia é crucial para um crescimento sustentável e para a criação de empregos na Grécia", disse Trichet. Ele reiterou a necessidade de os países integrantes da União Europeia seguirem o Pacto de Estabilidade e Crescimento do bloco, segundo o qual o déficit orçamentário de um Estado-membro não pode ultrapassar 3% de seu respectivo Produto Interno Bruto (PIB).
Trichet afirmou que seus comentários não são nenhuma novidade, mas refletem a necessidade de os integrantes da zona do euro concentrarem os esforços na implementação de princípios sólidos subjacentes à criação da moeda única. "Quando você divide uma moeda com os outros, a contrapartida é que você precisa se comportar adequadamente", acrescentou. Os comentários do presidente do BCE ocorrem duas semanas após um aumento na preocupação dos mercados internacionais com a capacidade dos países-membros da zona do euro de reduzir os déficits orçamentários. O euro caiu ao menor nível em oito meses em relação ao dólar durante esse período, enquanto o yield de títulos de países com uma situação fiscal delicada, como a Grécia, subiu acentuadamente.
Trichet, no entanto, ressaltou que o déficit orçamentário consolidado da zona do euro, equivalente a 6% do PIB do bloco, é menor do que números análogos de outros países desenvolvidos. Ele citou estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI) segundo as quais os déficits dos EUA e do Japão provavelmente superarão 10% do PIB neste ano. "De forma geral, estamos numa situação semelhante a de outros países industrializados, mas não podemos ser complacentes", disse Trichet. "A política fiscal pode ser onerosa para a política monetária", avaliou, acrescentando que os governos precisam transmitir confiança ao anunciar como arrumarão as finanças públicas.  (G1)

08.02 - Moody's pode rebaixar nota dos EUA
Para a agência gastos para conter crise limitam ação do governo
A agência de classificação de risco Moody"s afirmou, em relatório, que o rating Aaa da dívida soberana dos Estados Unidos corre o risco de ser pressionado pela posição fiscal do país, acrescentando que essa situação só poderá ser amenizada se o governo adotar medidas eficientes para a redução do déficit orçamentário ou se o crescimento da economia americana superar as expectativas.
Segundo a Moody"s, o governo Barack Obama está limitado pelo nível elevado de desemprego no país, fator que pode dificultar um grande ajuste fiscal atualmente e também minar a recuperação da economia.
Outros fatores que pesam contra a posição fiscal americana, de acordo com a agência, são os investimentos para a criação de empregos e os gastos com programas de benefícios. "Os déficits projetados no orçamento não estabilizam o nível da dívida em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) e a parcela de recursos do governo que será direcionada aos juros da dívida crescerá. Aparentemente, sob qualquer cenário, o custo da dívida vai se deteriorar", avalia o relatório.
A agência afirma que, no orçamento apresentado pela Casa Branca para o ano fiscal 2011, a relação entre o pagamento dos juros da dívida e a receita do governo federal vai aumentar de 8,7% no atual ano fiscal para 17,8% até 2020, isso porque as taxas de juro vão aumentar, assim como o tamanho da dívida. Já a relação entre a dívida e a receita do governo federal - utilizada pela Moody"s para avaliar a robustez financeira - recuará de 429% no atual ano fiscal para 394% até 2020 -, nível que, para a agência, ainda é muito elevado e não demonstra uma forte melhora.
"As projeções para o orçamento incluem um déficit primário equivalente a 0,9% do Produto Interno Bruto em 2015", posição que não é equilibrada, segundo a Moody"s. "Portanto, mais aumentos na receita ou cortes nos gastos seriam necessários" para conseguir equilibrar o orçamento.
DIA NERVOSO
Ainda ontem, nos Estados Unidos, houve preocupação com os dados do desemprego, revelando que o ritmo da recuperação pode ser bem mais lento do que se esperava. O preço do petróleo no país ainda sofreu uma queda de 5%. O número de pessoas que contam com seguro desemprego aumentou em 8 mil, atingindo 480 mil americanos na última semana. Foi o quarto aumento em cinco semanas. Já o número de desempregos foi o maior em dois meses.
O índice Dow Jones chegou a cair 2,1% e atingiu a pior marca desde novembro, ante uma queda de 2,3% na Nasdaq.   (O Estado de S.Paulo)
 
 
 
 
 

05.02 - Crise: UE aprova plano contra deficit grego
A Comissão Europeia anunciou ontem que manterá vigilância cerrada sobre a Grécia, cuja crise fiscal começa a contaminar a confiança no bloco e já pesa sobre a cotação do euro. O país propôs na terça um pacote extenso de reformas fiscais para conter o problema.
O órgão executivo da UE aprovou o plano, cuja meta é reduzir um deficit orçamentário crescente que beira 13% do PIB para menos de 3% do PIB até 2012. Mas disse que, pela primeira vez, fará monitoramento econômico e orçamentário simultâneos de um país membro.
Entre outras coisas, a comissão quer ver Atenas reduzir a folha de pagamento do funcionalismo público, reformar seu sistema tributário e a previdência social e fornecer estatísticas confiáveis para evitar surpresas como a que detonou a turbulência atual. Os mercados, a princípio, reagiram bem.
"A Grécia adotou um programa ambicioso para corrigir seus desequilíbrios fiscais e reformar sua economia. Isso é do interesse da população grega (...) e de toda a zona do euro", disse o comissário da UE para questões Econômicas e Monetárias, o espanhol Joaquín Almunia.
A crise estourou em outubro, após uma revisão dos dados de 2008 revelar um quadro pior que o previsto.
A UE repreendeu o governo do premiê George Papandreou, contra o qual tomará ações legais, pelas estatísticas pouco confiáveis, e exigiu que o país adote até 15 de maio lei que torne obrigatória a elaboração de relatórios de execução orçamentária.
A crise grega pôs ainda na mira dos investidores e das agências de "rating" Portugal, Irlanda e Espanha, países com deficit acima de 10%.  (LUCIANA COELHO - Folha de S.Paulo)

05.02 - Moody's coloca rating dos EUA sob pressão
A Moody's Investors Service lançou um aviso, ontem, segundo o qual a classificação de crédito soberano "AAA" dos EUA poderá ficar sob pressão, a menos que o crescimento econômico seja mais forte do que o esperado ou que medidas mais duras forem tomadas para combater o déficit orçamentário do país.
Em decisão que acompanha o crescimento da preocupação entre os investidores sobre o déficit americano, a Moody's afirmou que o país tem uma trajetória de crescimento da dívida "evidentemente em alta sustentada".
Steven Hess, diretor sênior de crédito na Moody's, disse que o déficit projetado na perspectiva orçamentária apresentada pelo governo Obama nesta semana não estabiliza os níveis de endividamento em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). "A menos que novas medidas sejam tomadas para reduzir ainda mais o déficit orçamentário ou que a economia reaja de forma mais vigorosa do que o esperado, o quadro financeiro federal, tal como apresentado nas projeções para a próxima década, em algum momento exercerá pressão sobre a pontuação de crédito 'AAA' dos títulos do governo", disse Moody's em nota sobre emissores de títulos.
Nesta semana, a Casa Branca previu déficit orçamentário de US$ 1,565 trilhão para 2010, o que representa 10,6% do PIB e é a proporção mais elevada entre dívida e PIB desde a Segunda Guerra Mundial. Embora haja previsões de estreitamento do déficit orçamentário, para cerca de 4% em 2013, isso, em parte, se baseia em que o crescimento econômico não caia abaixo das expectativas do governo e que o Congresso concorde com aumento de impostos e congelamento de gastos com despesas discricionárias não relacionados com segurança. O crucial está nas projeções de que a dívida total em relação ao PIB americano passarão de 53% em 2009 para 73% em 2015 e 77% até 2020.
A Moody's, no entanto, diz que isso subestima o nível de endividamento geral americano. "Utilizando a medida geralmente usada por governos internacionalmente - incluindo governos estaduais, municipais e o governo federal -, essa proporção será bastante superior a 100% em 2020." A questão do risco soberano dominou muitas discussões no Fórum Econômico Mundial de Davos na semana passada. Embora muita atenção estivesse centrada na crise fiscal grega, preocupações foram também expressas quanto às perspectivas em países como os EUA e Reino Unido.
"Todo mundo tem razão para, neste momento, estar preocupado com a economia americana e seu dólar", disse Tony Teixeira, vice-diretor da Government of Singapore Investment. "Continuamos julgando que a economia dos EUA é a mais diversificada e resiliente no mundo, mas está passando por um momento difícil." No centro das preocupações, a questão é se países como os EUA, com o seu crescente peso da endividamento, têm a vontade política, ou a percepção consensual, para tomar medidas decisivas para reduzir a dívida.   (Michael Mackenzie e Gillian Tett - Financial Times/Valor Online)

05.02 - Visão de confiança
A garantia do ministro da Fazenda, Guido Mantega, em palestra no seminário "Brasil: preparado para crescer", de que o governo não abrirá mão da disciplina fiscal e monetária, propondo também um pacto com o setor empresarial para blindar a economia ante perturbações comuns em período eleitoral, funda-se, além de outros pressupostos, no reconhecimento de que, durante a crise, foram tomadas medidas eficazes e as empresas reagiram de forma positiva, gerando, a seu ver, um ambiente de confiança que precisa ser preservado.
"Estamos entrando em um ano eleitoral - disse ele - e eu acredito que ele não vai interferir nos rumos da economia". Por outro lado, assegurou que "não vai haver nenhuma alteração na nossa conduta por ser um ano eleitoral, e isso significa manter a responsabilidade fiscal e a inflação sob controle, manter a economia crescendo de forma sólida e equilibrada, sem nenhum populismo ou coisa parecida".
Quanto à queda de 7,4 % da produção da indústria brasileira em 2009, por sinal o pior resultado das duas últimas décadas e o primeiro resultado negativo apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em dez anos, o ministro disse que "é passado, e no presente o setor está crescendo fortemente", não devendo isto, a seu ver, "servir de empecilho para continuar apostando no crescimento econômico".
A recuperação da economia brasileira acontece, em sua avaliação, graças sobretudo ao restabelecimento da confiança, tanto entre os empresários quanto entre os consumidores. Veja-se a esse respeito, segundo os dados por ele apresentados, que o nível de confiança da indústria estava em 76 pontos em fevereiro de 2009 e alcança agora 110 pontos, enquanto o nível de confiança do consumidor, que era de 95, alcança hoje 110 pontos. "A economia do País já consegue caminhar com as próprias pernas" - afirmou o ministro, sendo possível até observar uma "euforia exagerada" após a saída da crise, afora o fato de o consumo continuar crescendo e garantindo dinamismo ao mercado interno, aliás a vantagem da economia brasileira face a outros países.
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em palestra no mesmo seminário, ressaltou por sua vez que a queda contínua da taxa de juro real é fruto da estabilidade econômica e "uma das características importantes do sucesso do Brasil resulta da tomada de atitudes que sejam realistas, possíveis" e o fato de que "a inflação está na meta, de termos reservas cambiais, dívida pública cadente como proporção do PIB, gera essa queda, em um ambiente de responsabilidade macroeconômica", sendo ainda fundamental, conforme assinalou, "não tentar fazer mágica, dar um passo maior do que a perna".
Esta, na síntese das afirmações de ambos e nas projeções sobre o desempenho da economia brasileira neste ano, a visão que compartilham de um modelo sustentável de desenvolvimento, sólido em seus fundamentos econômicos e lastreado na estabilidade monetária, além de abrangente nas dimensões sociais que se interligam ao respectivo conceito, situando pois o homem como agente e, a um só tempo, beneficiário do respectivo processo.  (Jornal do Commercio Brasil)
 
 
 
 
 

04.02 - A taxa de câmbio 
De acordo com estimativas (sempre sujeitas a chuvas e trovoadas), em 2008 transacionou-se diariamente, nos mercados de câmbio mundiais, qualquer coisa como US$ 1,8 trilhão (mais ou menos o PIB anual brasileiro). 
Eles funcionaram cerca de 156 horas semanalmente para as 168 horas possíveis! Para ter uma ideia de sua dimensão, basta considerar que suas transações anuais andavam às voltas de US$ 450 trilhões, contra um pouco mais de US$ 16 trilhões de operações comerciais e serviços (exportação + importação, dividido por dois). 
Esses números sugerem que mais de 95% das transações com moedas são oriundas do movimento internacional de capitais, para investimentos, arbitragem ou pura especulação. No Brasil, a situação não é muito diferente, porque dispomos de um eficiente e sofisticado sistema financeiro e uma Bolsa segura e organizada.
Mesmo quando não há nenhuma restrição às operações de comércio e serviços, a taxa de câmbio não é mais aquele animal pré-histórico, o preço relativo, que equilibrava fluxos de oferta e procura de divisas.
Ela é um ativo financeiro e, como tal, sujeita, no curto prazo, às condições que estabelecem o equilíbrio nos mercados daqueles ativos, particularmente as expectativas. 
No mundo em que operam, 24 horas por dia, sete dias por semana, os agentes financeiros especializados têm à sua disposição a velocidade proporcionada pela moderna tecnologia ("high-frequency trading"). Para eles, o que importa são as condições de equilíbrio de seus portfólios, ou seja, dos estoques da riqueza (moedas, títulos nacionais e estrangeiros), que são ajustados a cada variação das condições internas e externas e das expectativas. 
A taxa de câmbio é apenas um dos ingredientes do equilíbrio. Os outros são a sua própria expectativa, a taxa de juro interna e a externa, o nível do PIB e o saldo em conta corrente, que equilibram (ajustam os estoques de ativos) os mercados financeiros nominados nas várias moedas, como assistimos no Brasil nas últimas semanas. Esse é o preço da integração profunda do mercado de capitais nacional ao mercado internacional. 
O câmbio flexível (e a liberdade de movimento de capitais, com instituições eficientes), ao mesmo tempo em que libera às autoridades a escolha da política monetária, pode tirar-lhe as condições de permitir o estabelecimento de uma taxa de câmbio adequada ao desenvolvimento econômico, o que só acontecerá quando a taxa de juro real interna for igual à externa. 
Isso é claramente impossível no Brasil, onde o Banco Central namora a crença de que nossa taxa de juro real de equilíbrio está entre 7% e 8% ao ano!   (ANTONIO DELFIM NETTO - Folha de S.Paulo)

04.02 - A ameaça de inflação e o Banco Central
Ainda é cedo para temer que o custo de vida avance em 2010 muito além da meta de 4,5%, admitida variação de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Mas não se deve ignorar o sinal de alerta emitido por um dos principais indicadores econômicos. O Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) no mês de janeiro, segundo cálculos de especialistas do mercado, deverá situar-se em torno de 0,71%. O percentual representa o dobro das previsões consensuais dos analistas, convalidadas até por alguns situados na esfera oficial.
É, portanto, natural o despertar de preocupações, quando nada como forma de agendar a tomada de reações táticas para aplicação logo adiante, se a tendência de recrudescimento de preços tomar fôlego. É certo que o incremento do IPCA do mês recém-findo, quando anualizado, projeta aumento de quase 9% de inflação. Tem-se aí referência duas vezes superior ao centro da meta de 4,5% estabelecida pelo Banco Central (BC). Ademais, com o resultado de janeiro, o IPCA acumulado em 12 meses ficará acima de 4,5%.
A despeito dos dados procederem do sistema financeiro, há poucas dúvidas de que serão diferentes daqueles a serem divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na próxima sexta-feira. Parece não restar dúvida de que parte da exacerbação anotada no índice de janeiro decorre de reajustes de produtos essenciais, entre eles álcool e gasolina. As chuvas, a seu turno, empurraram para cima os preços de hortaliças, frutas, leguminosas e itens industriais derivados.
O problema é que o núcleo da inflação observa altas pontuais desde dezembro do ano passado, com avanço de 0,38% para 0,45% e, em janeiro, deve alcançar 0,53%. Há expectativa, no entanto, de que tais resultados representem resíduos de estágio transitório da economia. De qualquer modo, não há motivo para os gestores públicos cruzarem os braços e deixar que a situação se acomode por si mesma. Na verdade, o Banco Central já admite aumentar as taxas de juros, único instrumento que considera apto a atacar as fontes da inflação.
A recorrência da política monetária em antepor juros altos como meio de contornar eventual recidiva inflacionária parece ter a dimensão de uma epifania - isto é, solução inspirada em verdadeira revelação divina. Não se concebe outra maneira de enfrentar o problema. Despreza-se o aconselhamento mais eficaz para garantir a estabilidade de preços, como o declínio da carga tributária para níveis civilizados e a redução das despesas correntes do governo. É consensual que ambos os fatores - tributos astronômicos e gastos perdulários da máquina estatal - atingem o sistema econômico e abrem espaço a superestimação de custos no nível do consumidor. Mas a lógica não frequenta a agenda do governo. Tampouco a do Banco Central.  (Correio Braziliense)

04.02 - Ascensão e queda dos bancos centrais
Uma das consequências menos comentadas do recente terremoto na economia global decorrente da crise financeira de 2008/09 tem que ver com a relativa perda de reputação dos bancos centrais (BCs) e o efeito que ela pode provocar na erosão da integridade institucional dessas organizações. A afirmação anterior não decorre do patético e aberto conflito de autoridade entre o presidente do BC argentino e a chefe do Executivo daquele país, que só pode representar um caso extremo e dramático (nada menos que isso parece ser aceitável na Argentina) da perda de autoridade daquela instituição monetária.
Trata-se, na verdade, de um processo mais amplo e que afeta com maior intensidade os BCs nos países desenvolvidos, principalmente nos EUA, em decorrência da negligência do Federal Reserve (Fed) em praticar, por períodos desnecessariamente longos, políticas expansionistas que facilitaram a emergência de bolhas especulativas nos mercados de ativos imobiliários. Junte-se a isso a frouxa regulação dos derivativos, sobretudo daqueles negociados nos mercados de balcão, e os sistemas de incentivos perversos implantados nos bancos mais agressivos e tem-se um quadro propício para a emergência da crise internacional. A inação não se limitou ao Fed, mas alcançou também o Banco Central Europeu (BCE), o Banco da Inglaterra, o Banco do Japão e outros menos importantes. Até o BC da pequena Islândia parece ter acompanhado passivamente o crescimento das operações dos três bancos privados cuja falência causou a bancarrota do país. Não deixa de ser irônico lembrar que um estudo acadêmico da década de 1990, com uma amostra significativa de bancos centrais, mostrou que o BC da Islândia era o detentor do grau mais elevado de estabilidade institucional.
Em geral, crises bancárias sistêmicas quase sempre arranharam a reputação dos BCs, além de produzirem conflitos e rachaduras internas que diminuem a independência e/ou a capacidade de atuação daquelas instituições. Na maior delas, na Grande Depressão da década de 30, algumas iniciativas do Fed de Nova York para atenuar os efeitos das dificuldades do sistema bancário foram suspensas pela postura rigidamente ortodoxa da Junta de Governadores em Washington, o que acabou prolongando os efeitos negativos da crise bancária sobre a atividade econômica.
Na crise atual, não é improvável que conflitos semelhantes possam ocorrer entre o BCE e os BCs dos países-membros, o que poderia comprometer a unidade de atuação daquele organismo multilateral e/ou a viabilidade do novo formato expandido da zona do euro. Observe-se também a crescente pressão (do fogo amigo) de parte de membros do Congresso dos EUA em favor de reduzir o poder de atuação do Fed, para lidar com crises bancárias.
De outro lado, vários trabalhos acadêmicos já demonstraram que reputação e/ou credibilidade são dois ativos importantes, se não os mais relevantes, para a autoridade monetária, pois permitem que ela possa alcançar seus objetivos de estabilidade monetária ao menor custo em termos de queda na atividade econômica. Nesse sentido, ambos têm um valor econômico significativo para o BC e têm de ser preservados em benefício da sociedade.
O novo desafio para os bancos centrais no mundo pós-crise é desmontar o conjunto de programas de injeção de crédito e/ou de liquidez que foram necessários para manter os mercados em funcionamento durante os piores momentos da crise. Não é uma tarefa trivial, considerando que somente no caso do Fed seu balanço foi praticamente triplicado num curto período de tempo, com ativos de qualidade bastante duvidosa. A maior parte desses programas deve terminar em março de 2010 e essa data deve ser monitorada para avaliar o grau de dependência que ainda resta dos bancos em relação aos créditos do banco central.
Além disso, cumpre negociar com os congressistas uma ampliação do mandato explícito dos bancos centrais para incorporar o objetivo de estabilidade do sistema financeiro. Isso exigirá, certamente, mudanças regulatórias que enfrentarão resistências dos interesses estabelecidos em praticamente todos os segmentos dos intermediários financeiros.
Por último, resta mencionar que, nesse jogo de reputação dos bancos centrais, não existem só perdedores. Felizmente, pela sua atuação tempestiva e na direção correta, o Banco Central do Brasil ganhou um enorme capital de reputação e credibilidade, como indicado pelo seu crescente status na fechada comunidade internacional de banqueiros centrais e de organizações multilaterais. Desta vez, pelo menos, estamos do lado dos ganhadores.    (Alkimar R. Moura - O Estado de S.Paulo)
 
 
 
 
 

03.02 - Grécia apresenta seu plano antidéficit
A Grécia apresentou à Comissão Europeia um plano para controlar seu déficit e acalmar os mercados. A dívida soberana grega é considerada uma das de maior risco na União Europeia e analistas de todo o mundo vêm advertindo que se não houver um plano radical para controlar os gastos, o risco de um default vai se tornar cada vez mais real.
Entre as medidas apresentadas pela Grécia está o início da publicação mensal de relatórios sobre suas receitas e despesas, para mostrar claramente aos mercados e a outros governos da UE como está tentando equilibrar as contas. O país também terá, a partir de meados de março, de se reportar regularmente à Comissão Europeia para dizer o que está fazendo para colocar em prática as reformas prometidas.
Essas reformas incluem maior ação para remodelar a economia grega ao combater o vasto mercado negro e trazer os trabalhadores para a formalidade. Atenas terá de atuar para tornar a economia mais competitiva, reduzindo os níveis salariais, que estão bem acima dos níveis de produtividade. Haverá também uma reforma da aposentadoria do setor público.
O objetivo é reduzir o seu déficit abaixo dos 12,7% estimados no ano passado para 3% em 2013. A Comissão Europeia anunciou que vai exigir medidas mais duras, tais como novos impostos e cortes de gastos, caso a Grécia não progrida.
A Comissão vai publicar mais detalhes do plano hoje e pedirá, na reunião de ministros das Finanças da UE no dia 15, que eles apoiem o programa.
Agência de classificação de crédito Moody´s afirmou que o plano grego é relativamente bem concebido, mas criticou Atenas ao dizer que cerca de metade das economias previstas nele não se deve a mudanças estruturais, e sim à retirada de gastos extras de antes das eleições de outubro.  (AgÊncias/Valor Online)

03.02 - IPC-S tem elevação de 1,29% em janeiro
O IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor – Semanal) registrou variação de 1,29% em janeiro, taxa é 0,19 ponto percentual (p.p.) acima da apurada na última divulgação, informou na segunda-feira a FGV (Fundação Getúlio Vargas). Este foi o maior resultado desde a terceira semana de fevereiro de 2003, quando o índice registrou alta de 1,55%.
A principal contribuição para a aceleração da taxa do IPC-S partiu das tarifas de ônibus urbano, cuja variação passou de 5,26% para 7,87%. Com este movimento, a taxa do grupo transportes, passou de 2,59% para 3,45%, a maior entre as sete classes de despesa componentes do índice.
A segunda maior influência foi exercida pelo item curso de ensino superior que registrou variação de 4,45%, ante 2,55%, na última apuração. Com este resultado, a variação média para cursos formais – que agrega também as variações do ensino fundamental, médio, infantil e creche - ficou em 6,01%, taxa abaixo da apurada no ano de 2009, que foi de 6,72%.
Os grupos habitação (0,25% para 0,30%) e despesas diversas (0,35% para 0,76%) também registraram avanços em suas taxas de variação. Já os grupos alimentação (1,65% para 1,57%), vestuário (0,48% para 0,09%) e saúde e cuidados pessoais (0,31% para 0,28%) apresentaram decréscimos em suas taxas de variação.   (Executivos Financeiros)

03.02 - PIB: Mercado aumenta previsão para 5,35%
Os analistas de mercado elevaram suas previsões para o crescimento da economia brasileira em 2010. A estimativa do PIB (Produto Interno Bruto) passou de 5,3% no último relatório para 5,35%, segundo a pesquisa Focus, divulgada na segunda-feira pelo Banco Central. Para 2011 espera-se crescimento de 4,5%.
As expectativas para a inflação oficial também subiram pela segunda semana seguida, passando de 4,6% na última divulgação para 4,62%. Para 2011 a estimativa permenaceu inalterada em 4,50%.
O mercado financeiro manteve a projeção de que a taxa básica de juros terminará este ano em 11,25% ao ano. Atualmente, a taxa está em 8,75% ao ano. Para o fim de 2011, a projeção do mercado para os juros básicos permaneceu estável em 11% ao ano.
A projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2010 subiu de R$ 1,75 para R$ 1,76 por dólar. Para o fechamento de 2011, a previsão dos analistas para a taxa de câmbio avançou de R$ 1,83 para R$ 1,85 por dólar.   (Executivos Financeiros)
 
 
 
 
 

02.02 - PIB americano: Maior alta trimestral em 6 anos
Em 2009, no entanto, economia encolhe 2,4%, pior desempenho desde 1946
Queda menor nos estoques puxa alta de 5,7% no 4º tri; para analistas, recuperação sustentável depende do mercado de trabalho
A economia americana cresceu a uma taxa anualizada de 5,7% no quarto trimestre. O resultado superou a expectativa dos analistas -que previam, em média, expansão de 4,8%- e representou a maior taxa de crescimento em seis anos.
O fator principal para o resultado no período de outubro a dezembro do ano passado foi um corte menor dos estoques, que estão em queda há sete trimestres. O efeito dos estoques representou 3,39 pontos percentuais da taxa de expansão. Com isso, analistas avaliam que o pior já tenha passado, mas esperam um crescimento mais suave nos próximos trimestres.
Os resultados divulgados ontem pelo Departamento de Comércio mostram que em 2009 a economia americana encolheu 2,4%, o pior desempenho desde 1946. Após a explosão da crise econômica, em setembro de 2008, o país só voltou a apresentar taxas positivas no terceiro trimestre do ano passado, quando a economia cresceu 2,2%. De modo geral, a receita do resultado negativo da economia americana em 2009 foi baseada em menores investimentos, exportações em baixa e fortes quedas nos estoques.
O governo comemorou os resultados do quarto trimestre, mas reforçou o papel da geração de empregos como item número um da agenda econômica. Crhristina Romer, que preside o conselho de economistas da Casa Branca, classificou os resultados como uma notícia encorajadora. "Enquanto o resultado positivo do PIB é um primeiro passo necessário para a criação de empregos, nosso foco deve ser colocar os americanos de volta no mercado de trabalho", disse.
Já o presidente Barack Obama, que viu sua popularidade cair com o avanço da taxa de desemprego, aproveitou para detalhar medidas de apoio à criação de vagas (leia texto abaixo).
Segundo avaliação do Fed (o BC dos EUA) divulgada nesta semana, o desemprego em alta, na faixa de 10%, ainda limita uma recuperação mais sólida do consumo -que representa cerca de dois terços da economia do país. Na passagem do terceiro para o quarto trimestre, a dúvida era se o consumidor teria fôlego para gastar após o encerramento de programas de auxílio do governo, como o que incentivava a compra de carros mais eficientes. De outubro a dezembro, o consumo cresceu 2%, ante 2,8% no terceiro trimestre.
Os gastos do governo aumentaram 0,1% no quarto trimestre, após uma alta de 8% de julho a setembro. Os gastos dos governos estaduais e locais caíram 0,3%. Os investimentos em compras de equipamentos e softwares tiveram efeito positivo sobre o resultado, com uma alta de 2,9%. "A recuperação do investimento é seguramente um sinal positivo para os próximos trimestres", diz Greg Thomas, da PNC Financial Service.
"Um crescimento sustentável depende de emprego. Para ter um avanço superior a 2% em gastos dos consumidores, será necessária uma recuperação sólida do mercado de trabalho. O que se viu no último trimestre foi um fator transitório: firmas que cortaram fortemente os estoques reduziram o ritmo ou pararam de fazer isso", disse Cary Leahey, da Decision Economics. Em crises anteriores, a recuperação da economia foi focada em consumo e mercado imobiliário.
Confiança em alta
Mesmo com o mercado de trabalho fraco, o consumidor está mais confiante. Pesquisa divulgada ontem mostra que o sentimento do consumidor atingiu o maior patamar desde janeiro de 2008 e ficou em 74,4 pontos. Segundo relatório da Universidade de Michigan, responsável pelo indicador, os consumidores estão convencidos de que o pior da crise já passou, mas apesar de tudo esperam estagnação na renda e no emprego.   (JANAINA LAGE - Folha de S.Paulo-30.01)

02.02 - Cresce risco de nova crise, diz relatório
O socorro do governo norte-americano aos bancos, no fim de 2008 e em 2009, tornou mais provável que o sistema financeiro enfrente nova crise. O alerta consta do mais recente relatório do inspetor-geral Neil Barofsky, que supervisiona o Tarp, o programa do Tesouro dos EUA para resgatar o setor.
Segundo o relatório, não só as causas da crise não foram solucionadas como algumas se agravaram. Bancos tidos como "grandes demais para quebrar" -e que, portanto, tiveram que ser socorridos a qualquer custo- tornaram-se maiores e falharam em restringir o pagamento a seus executivos.
Barofsky diz que os bancos continuam a incentivar que seus executivos assumam riscos porque sabem que o governo irá resgatá-los se necessário para evitar um contágio no sistema financeiro.
Essa avaliação é semelhante à que a Rússia teve com as gigantes norte-americanas de hipoteca Fannie Mae e Freddie Mac em 2008, segundo conta o então secretário do Tesouro dos EUA na época da crise, Henry Paulson, em livro que está lançando.
Paulson diz que a Rússia propôs ao governo chinês, em 2008, que vendessem os papéis que detinham das duas empresas, já em situação frágil, para forçar um socorro da Casa Branca. Essa ajuda valorizaria ambas. Mas, segundo Paulson, a China não concordou com o plano.   (Folha de S.Paulo-31.01)

02.02 - Itaú Unibanco: Regulação no setor
"Uma mudança vai haver. Temos que estar preparados. Vai ter que ter mais regulação [no setor financeiro], capital mínimo regulatório, novas regras de contabilidade para os bancos, além dos modelos de remuneração dos executivos."
A opinião sobre as propostas do presidente Obama é de Ricardo Villela Marino, diretor-executivo responsável pelas unidades externas e pela área de pessoas do Itaú Unibanco.
"Há uma tendência de taxar, de colocar mais regras. É uma medida popular que dará votos. Mas vai ter que passar pelo Congresso", disse.
"Será algo mais alinhado com o interesse dos acionistas a longo prazo e ajustado ao risco."
Marino frisa, porém, que é importante distinguir o que ocorre nos EUA e no Brasil.
"É diferente. Nos EUA, houve falhas na gestão de risco, nas companhias que dão "rating", excesso de alavancagem do consumidor americano que, no final, teve de pagar a conta."
Marino disse que participantes do Fórum Econômico Mundial neste ano estão "mais aliviados que em 2009. Mas, sabem que têm muito a fazer para evitar recessão de fundo duplo".
Villela Marino teve encontros com importantes banqueiros estrangeiros no Fórum suíço.
Com relação ao setor financeiro no Brasil, Marino diz que neste ano haverá crescimento da reversão de provisões que os bancos estão fazendo e queda da inadimplência em relação a dois anos anteriores.  (Maria Cristina Frias - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

01.02 - Mantega diz que já é hora de retirar medidas de incentivos fiscais 
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse na quinta-feira que está na hora de o Brasil começar a retirar as medidas fiscais para socorrer a economia e garantiu que os incentivos serão eliminados. Ele adiantou que a isenção fiscal - redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) - para a linha branca acabará neste fim de semana e o incentivo ao setor automotivo também tem data marcada para terminar. Segundo ele, a indústria sofreu contração de 5% a 6% em 2009, mas as perspectivas são de crescimento para 2010.
Apesar de defender o fim dos pacotes criados para ajudar a economia a enfrentar a crise, Mantega diz que o Estado precisará garantir uma nova regulação ao sistema financeiro internacional e manter sua presença. Hoje, Mantega defenderá a tese da importância do papel do Estado aos empresários reunidos no Fórum Econômico Mundial, em Davos, e cobrará a aceleração de reformas no sistema financeiro.
Segundo Mantega, os incentivos fiscais criados para dar fôlego às vendas de eletrodomésticos terminarão no fim de semana, já em um sinal de que o Brasil começa a adotar sua estratégia de saída dos pacotes. "Os estímulos fiscais estão sendo desativados e chegando ao fim". (Agência Estado)

01.02 - Inflação se acelera no mês
Índice da FGV, utilizado para corrigir aluguéis, confirma tendência de alta de preços durante ano
Impulsionados pela recuperação da economia, os preços aos consumidores e os valores cobrados no atacado começaram a se acelerar. Segundo o IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado), medido pela Fundação Getulio Vargas, a inflação em janeiro foi de 0,63%. Em dezembro, o índice havia registrado queda de 0,26%.
Houve aumento de 0,51% dos preços no atacado e de 1% da inflação ao consumidor, medida em sete capitais. Nessas cidades, o incremento dos custos da construção civil foi de 0,52%.
Na quinta-feira, a Abras (Associação Brasileira de Supermercados), que divulgou seu balanço de 2009, disse que já sentiu pressão inflacionária no atacado. Apesar disso, representantes afirmaram que os preços podem não subir para o consumidor, pois há indústrias que ainda têm capacidade ociosa e há condições de elevar a produção.
Nesta e na semana passada, outros índices de inflação também mostraram a tendência de alta. O IPCA-15, prévia do indicador usado na definição das metas oficiais de inflação, avançou e, em 12 meses, indicou elevação de 4,31%, percentual muito próximo à meta estabelecida pelo governo, de 4,5%. A inflação próxima ao centro da meta pressiona o governo a aumentar a taxa de juros.
Segundo a FGV, a aceleração da inflação está ligada à reacomodação do nível de preços na indústria, que caíram bastante durante a crise, ao início da recuperação das cotações dos fertilizantes e à correção de preços administrados ou sazonais, como as tarifas de ônibus urbano e as mensalidades escolares.
Salomão Quadros, coordenador de Análises Econômicas da FGV, afirma que a inflação de janeiro sinaliza que o período de queda de preços ficou para trás, mas ressalta que o número não indica um novo padrão para a inflação mensal neste ano.
"Certamente, a inflação será maior do que foi no ano passado, mas não será tão alta como vimos em 2008." Segundo ele, a tendência é que os índices se mantenham altos até que os preços se recuperem. A valorização do dólar no início deste ano é outro fator que acentua esse processo. Feita a correção, disse, os índices mensais devem ceder e se ajustar ao ritmo de crescimento da economia.
Em 12 meses, a variação do IGP-M continua negativa, a exemplo do que ocorreu no final do ano passado. Até este mês, a retração foi de 0,67%. O IGP-M é usado para corrigir contratos, como os de aluguel.  (VERENA FORNETTI e MARIANA SALLOWICZ - Folha de S.Paulo)

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