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27.07 - Seguros: Crescimento de 16,7% no primeiro semestre
Dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep) indicam que o mercado de seguros gerou, no primeiro semestre, um volume de prêmios da ordem de R$ 40,9 bilhões, o que representou um incremento de 16,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Esses números não englobam o seguro saúde, que está sob a jurisdição da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Segundo o superintendente da Susep, Paulo dos Santos, boa parte desse crescimento pode ser atribuída ao aumento do poder de compra de milhões de brasileiros. "Essas pessoas estão adquirindo bens e procuram o seguro para ter uma garantia de que não vão perder o patrimônio conquistado com tanto esforço", afirma Paulo dos Santos.
De fato, mais uma vez, os seguros voltados para as classes de menor poder aquisitivo foram o destaque. Nesse contexto, o ramo de pessoas apresentou um crescimento de 19,8%, com receita de R$ 23 bilhões.
O seguro prestamista também voltou a apresentar um excelente desempenho, com salto de 22% e receita de R$ R$ 1,6 bilhão.
Mais impressionante ainda foi a variação apurada no seguro viagem, que cresceu 93%, gerando um volume de prêmios de R$ 13 milhões.
No seguro residencial a Susep apurou crescimento de 17%, com receita acumulada de R$ 601 milhões no primeiro semestre.
Já na carteira de automóveis, a receita somou R$ 9,3 bilhões até junho, com incremento de 16,6%.
No seguro de garantia estendido o percentual de crescimento atingiu 49%, para R$ 806 milhões.
Ainda de acordo com a Susep, a taxa média de sinistralidade baixou de 53% para 51% entre os dois períodos comparados. Os sinistros somaram cerca de R$ 11,2 bilhões no primeiro semestre deste ano.
Isso significa que, até junho, o mercado devolveu para a sociedade, na forma de indenizações, benefícios, resgates e sorteios, algo em torno de R$ 62 milhões por dia, incluindo finais de semana e feriados.
Já as despesas comerciais - que englobam, em linhas gerais, as comissões pagas aos corretores e os valores investidos em campanhas de vendas - tiveram um crescimento de 22,2% entre os dois períodos comparados, somando R$ 4,9 bilhões no acumulado de janeiro a junho deste ano.
Paulo dos Santos acredita que essa tendência de crescimento do mercado será mantida nos próximos meses. Além dos seguros populares, ele aponta as coberturas para grandes obras como outro foco que merece a atenção do mercado. "As perspectivas são muito positivas", observa o superintendente da Susep. (CQCS)

27.07 - Burocracia é obstáculo ao crescimento
Queiram governantes ou não, há temas que se impõem às agendas dos países, sob o risco de haver crises abissais. Por exemplo, se não forem feitos ajustes periódicos nas regras previdenciárias, para adaptá-las ao novo perfil demográfico da população, cuja tendência é o envelhecimento, as contas públicas serão tragadas por aposentadorias e pensões. A regra vale para o mundo -, não se trata de algum peculiar desvio de caráter deste ou daquele governo.
Reformas como esta são politicamente difíceis, e por isso costumam ser feitas em momentos especiais, nas crises ou quando chega ao poder alguém com visão de prazo mais longo e disposto a arriscar a popularidade em troca do lançamento de bases mais sólidas para o país.
Mas há áreas em que é possível avançar com mudanças modernizantes e tendo apoio amplo da população. A burocracia é uma dessas áreas em que melhorias podem ter efeito imediato em termos de geração de mais renda e emprego. E dada a nossa histórica herança autárquica, trabalho não falta para aprimorar o ambiente de negócios no Brasil, por meio de simplificações de incontáveis rotinas impostas pelo Estado às empresas.
No domingo, reportagem do GLOBO trouxe um caso exemplar: de todo navio que aporta no país são exigidos, em média, 112 documentos, com a obrigatoriedade de serem fornecidas 935 informações. É um calhamaço de formulários com diversas vias a serem remetidas a órgãos diferentes e em duplicidade. Apenas no porto de Santos, o maior do país, a burocracia exige, por ano, o preenchimento de 3.773.800 folhas, 17,4 toneladas de papel, segundo estimativa do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro).
Por ser de navio que qualquer país faz a maior parte das exportações e importações, conclui-se que a burocracia é poderoso entrave ao comércio exterior brasileiro.
As exportações só cresceram devido ao ciclo de formidável expansão mundial esgotado no final de 2008. Tanto que a participação brasileira no comércio global, apesar de todo aquele crescimento, se manteve estável, não muito acima de 1%.
O grave problema da burocracia coloca o Brasil sempre mal nos rankings sobre facilidades e dificuldades para o fechamento de negócios.
Estudo recente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) calculou que, no Brasil, uma empresa gasta 2.600 horas/ano no padesgamento de impostos, contra 453 na Argentina, 316 no Chile e 177, nos países desenvolvidos, em média. Com um agravante: os impostos são também elevados.
Impostos pesados e burocracia paralisante são receita infalível para uma sociedade não se desenvolver no sentido amplo da palavra - na produção, no conhecimento, etc. Entendese por que, apesar de todo o falatório interno sobre crescimento econômico, o peso brasileiro no PIB mundial está em queda: era de 2,92% em 2002 e cairá ao final deste ano para 2,90%, de acordo com projeções do Fundo Monetário (FMI).
Faz bem à autoestima incluir o Brasil no bloco dos emergentes, o que mais cresce no mundo. Mas, quando se olham as estatísticas, vê-se que o país está longe de repetir o desempenho chinês e indiano. China e Índia aumentam sua fatia no PIB mundial; o Brasil, perde participação. A burocracia e os impostos ajudam a explicar esta história.  (O Globo)

27.07 - Transparência 2010: Clareza premiada
Após quatro meses de análise, 20 empresas brasileiras foram contempladas com o Troféu Transparência 2010, destinado às companhias que apresentam maior transparência em suas demonstrações financeiras. A premiação é realizada pela Anefac-Fipecafi-Serasa Experian e está em sua 14ª edição.
As empresas de capital aberto com faturamento acima de R$ 8 bilhões contempladas são Souza Cruz, AmBev, Embraer, Usiminas, Vale, Cemig, CSN, Petrobras, Gerdau e Braskem. Dentre as que faturam abaixo dessa faixa estão Sabesp, Natura e BM&F Bovespa. A Albras foi premiada na categoria capital fechado.   (Maria Crisitina Frias - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

26.07 - Reformando lá, e aqui?
No Brasil, a avaliação da crise econômica foi superficial e feita em um tom ufanista, proclamando a solidez do sistema financeiro nacional
Passado o tsunami financeiro, especialistas do mundo inteiro são unânimes em afirmar que um bom sistema bancário é fundamental para o desenvolvimento. Todos fizeram a mesma pergunta: "O que poderia ser melhorado?".
A resposta mais contundente veio dos Estados Unidos: seu projeto de reforma tem mais de 2.000 páginas, com melhorias no controle do risco e a criação de uma agência para a proteção ao consumidor financeiro, a inovação mais comentada do projeto.
O novo órgão terá independência e autoridade. Fixará regras exigindo mais transparência dos produtos financeiros, coibirá abusos e evitará os empréstimos predatórios, responsáveis pela crise na economia norte-americana.
O objetivo da reforma é construir base sólida para um crescimento sem sustos do crédito e do país.
No Brasil, a avaliação da crise foi superficial e com um tom ufanista, proclamando a solidez do sistema financeiro nacional. A bem da verdade, considerando que aqui não havia exposição aos derivativos que originaram as dificuldades no exterior, não havia razão para ter problemas. Seria uma surpresa se fosse o contrário.
O ponto principal dos debates, "o que poderia ser melhorado?", foi ignorado e a criação de agência semelhante à norte-americana nem sequer foi discutida publicamente. É fato, o sistema financeiro brasileiro é sólido, sofisticado e tem abrangência nacional. Entretanto, a sua utilização é baixa.
Ilustrando o ponto, mais da metade do crédito pessoal é do consignado de funcionários públicos; uma pesquisa do Sebrae aponta que apenas 12% das pequenas e médias empresas usam financiamento de bancos, enquanto 45% usam o cheque pré-datado. São números que incomodam.
Além de baixa, as estatísticas mostram que a relação crédito/PIB para esses pequenos tomadores está praticamente estagnada.
A expansão atual dos financiamentos é dos grandes. É paradoxal, pois é a base da pirâmide que deveria apresentar o maior crescimento, e é ela o que dá mais sustentabilidade à economia.
A criação no Brasil de uma agência inspirada na norte-americana poderia melhorar o quadro acima; complementaria a atividade dos Procons, do Idec e do Banco Central, fomentando o crédito responsável, padronizando produtos e corrigindo distorções existentes.
Deveria ter como objetivo uma atuação equilibrada, protegendo consumidores, criando condições adequadas para oferta segura de crédito e promovendo melhorias institucionais na intermediação.
A política atual de "deixar como está para ver como é que fica" é inconsequente, e o que está acontecendo no resto do mundo deveria servir de alerta. Lembrando que a solidez de um sistema bancário vem da composição de seus balanços, bem como da base econômica subjacente, em que o crédito é um dos pilares.  (ROBERTO LUIS TROSTER - Folha de S.Paulo)

26.07 - A formalização da economia
Crescimento econômico, mais exportações, menor tributação e mais crédito ajudaram na formalização
A partir do final de 2003 iniciou-se uma importante inversão nos dados relativos à geração de empregos formais e informais. Naquele ano, a relação se inverteu e o Brasil passou a gerar mais empregos formais do que informais. No conjunto das ocupações, os dados do IBGE da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) mostram que, em 2008, os empregos formais já eram maioria, diferentemente do que ocorrera durante toda a década anterior, quando o trabalho sem carteira atingia em média 57% dos ocupados. Registre-se que a Pnad inclui os autônomos como informais.
Esse é um sinal sem paralelo da melhora do tecido econômico brasileiro nos últimos anos. Entender suas causas nos ajuda a valorizar políticas corretas e ampliá-las, colhendo os melhores frutos da melhoria do ambiente de negócios.
O crescimento econômico é, sem dúvida, um dos fatores explicativos.
Mas não é suficiente, como mostra nossa história recente. A década de 1970, do chamado "milagre brasileiro", cujos patamares de crescimento per capita são semelhantes aos dos anos mais recentes, foram também os de expansão das relações comerciais e de trabalho informais, quando o sem nota, o vale e o trabalho sem ficha eram a regra.
De fato, vários outros fatores têm contribuído para o avanço da formalização de empresas e empregos.
A ampliação do esforço exportador, que permitiu às empresas sobreviverem à crise econômica de 2002, expondo nossa produção ao mercado mundial, ampliou a formalização dos negócios. Ninguém exporta na informalidade.
A modernização acelerada do mercado de capitais também contribuiu de maneira importante. A redução da tributação sobre a renda variável, as importantes mudanças estruturais de nossas Bolsas de Valores, além da legislação, que permitiu a criação de novos títulos no setor bancário, agrícola e imobiliário, tudo isso incentivou um grande número de empresas a buscar, no mercado de capitais, novos e volumosos recursos para seus investimentos.
Aqui é notável a ampla formalização do setor imobiliário e de frigoríficos, entre tantos outros. De novo, ninguém vai ao mercado de capitais na informalidade.
O acesso ao crédito de melhor qualidade e de menor custo tem também a sua parte nessa dinâmica de formalização. Isso vale para as empresas e para os trabalhadores.
A instituição do crédito consignado gestou, em 2003, um novo mercado de empréstimos de baixo risco e de grande importância na ampliação da capacidade de consumo dos assalariados, o que elevou as pressões pela formalização das relações de trabalho.
A melhoria dos sistemas de fiscalização também conta de maneira decisiva, tanto no setor trabalhista como no previdenciário e no tributário. Mais recentemente, a nota fiscal eletrônica tem sido um fator importante. Sua expansão prevista para os próximos anos dará um grande salto na formalização da economia.
Vale destacar também iniciativas de redução e simplificação de recolhimento de tributos como a nova Lei Geral da Micro e Pequena Empresas, mecanismo para o qual se inscrevem voluntariamente 1,2 milhão de empresas por ano desde 2007.
Também merece destaque para as pequenas atividades a recente legislação do Microempreendedor Individual, que teve 371 mil adesões desde julho de 2009. A tributação se restringe praticamente aos custos previdenciários, numa iniciativa que propicia a inclusão previdenciária para um contingente de milhões de trabalhadores informais com pequenos negócios familiares.
Finalmente, é preciso reconhecer o grande alcance de mudanças institucionais localizadas e bem desenhadas sobre o ambiente econômico e a formalização. Reformas incrementais nos tributos, na regulação e na supervisão do mercado de capitais, nos sistemas de garantia para o crédito, entre outras, sugerem-nos quais os dispositivos a serem permanentemente acionados para o aperfeiçoamento, tanto das regras como da conduta dos atores econômicos, sejam eles trabalhadores, empresários ou agentes públicos.   (ANTÔNIO PALOCCI FILHO - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

23.07 - Macroeconomia da saúde e papel do Estado
O atual contexto da distribuição de saúde no Brasil requer a presença do Estado atuando incisivamente, seja para a aplicação de ações públicas preventivas a priori, seja para a regulamentação da atenção privada através das operadoras de planos de saúde. Por sua vez, as características populacionais e geográficas do Brasil requerem políticas específicas nas regiões.
A Constituição de 1988 e a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), cujas finalidades essenciais foram a descentralização e a universalização do sistema de saúde, resultam, em grande medida, em eficiência. A compreensão deste cenário complexo da saúde no Brasil é auxiliada por dados estatísticos disponibilizados pelo governo, essenciais tanto para avaliar resultados de políticas adotadas quanto para projeções.
Desde a década de 1990, tivemos aumento dos gastos em saúde de 6% para 8%do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Do total, os gastos do setor público representam 3,4% e os do setor privado, 4,6%. Quanto ao acesso ao atendimento, 70% da população recorre ao setor público e 30% ao privado. Isto revela que a maior arte da população é alvo da menor parcela de gastos com saúde (ressaltando-se que na fatia dos gastos do setor público entram as campanhas preventivas, que devem abranger toda a população indistintamente, sendo responsabilidade indiscutível do Estado).
Quanto à qualidade dos gastos públicos, evidenciamos ações essencialmente preventivas como a que erradicou a poliomielite ou a de combate à aids. Ambas se tornaram modelos de políticas preventivas bem sucedidas para o mundo. Também se destacam a implantação de Unidades Básicas de Saúde (UBS), os estudos para desenvolvimento de tecnologia de alta-complexidade nas universidades públicas e, mais recentemente, os programas curativos como a farmácia de alto custo e a farmácia popular.
Quanto às ações curativas, aí sim o setor público de saúde requer atenção dos gestores, principalmente em regiões como o Nordeste e o Norte do país. Cabe, aqui, substancialmente a função distributiva do Estado, à luz da universalização prevista no SUS, planejando recursos para as localidades carentes das periferias das grandes cidades, bem como para a população pobre da zona rural.
Identifica-se no setor privado, por sua vez, uma concentração das operadoras de saúde, que caíram de 2004 no ano 2000 para 1.269 em 2008. Se a política de saúde no Brasil visa a promover o mercado das operadoras e desonerar o Estado, são necessárias medidas de estímulo à entrada de novos participantes.
A tendência de crescimento da economia com novas contratações a partir deste ano potencializam tal demanda. Eis o que os dados macroeconômicos do setor de saúde brasileiro apontam: a saúde, enquanto bem público, é essencialmente de responsabilidade do Estado. A política de saúde prevê o papel essencialmente preventivo do setor público, que ao mesmo tempo tema responsabilidade de atender o segmento curativo da maior parte da população.
Para promoção da oferta do setor privado, a Agência Nacional de Saúde (ANS) regula as operadoras. Mas quando a oferta privada, afinal, vai atender à demanda de mais brasileiros? Há falhas de mercado, que exigem atenção à distribuição dos recursos da saúde.    (Brasil Econômico)

26.07 - Cenário incerto influencia a decisão do Copom
Embalado pelos dados recentes que sugerem a desaceleração da economia brasileira e internacional, o Comitê de Política Monetária (Copom) foi menos rigoroso do que se esperava em sua 152ª reunião, realizada quarta-feira. O Copom aumentou a taxa básica de juros (Selic) em 0,50 ponto percentual, abaixo do 0,75 ponto que parte do mercado esperava. Foi o terceiro ajuste consecutivo da taxa desde abril, quando começou o ciclo de aperto do Banco Central (BC) e a Selic estava no piso histórico de 8,75%. Após duas elevações de 0,75 ponto percentual mais a de 0,50 ponto desta semana, o reajuste acumulado está em dois pontos e a Selic chegou a 10,75%.
O mercado ficou dividido até o final a respeito do resultado da reunião, mas a decisão dos membros do Copom foi unânime. Conforme o comunicado divulgado, a expectativa do BC para a inflação foi determinante para a decisão: "Considerando o processo de redução de risco para o cenário inflacionário que se configura desde a última reunião do Copom, e que se deve à evolução recente de fatores domésticos e externos, o comitê entende que a decisão irá contribuir para intensificar esse processo".
Exatamente um dia antes do veredicto do Copom, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou informações muito positivas para o comportamento da inflação. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo -15 (IPCA-15), uma espécie de prévia do IPCA, índice de referência da meta de inflação perseguida pelo BC, teve deflação de 0,09% em julho. Em junho, o IPCA já havia apresentado variação nula, embora os resultados elevados dos meses anteriores levassem o acumulado do índice a 3,09% no primeiro semestre e 4,84% em doze meses - acima dos 4,5% do centro da meta do BC.
Outros indicadores divulgados nos dias anteriores sugeriam também cautela ao BC, como os dados de emprego medidos pelo Ministério do Trabalho e Emprego (Caged), as vendas de varejo de imóveis e automóveis. O IBC-Br, índice calculado pelo próprio BC, que reproduz o PIB, mostrou uma acomodação em maio depois do desempenho fraco também em abril.
Enfim, vários indicadores mostravam, de fato, uma desaceleração talvez maior do que a esperada na atividade doméstica após o fim da redução de impostos de diversos bens e provavelmente algum efeito da elevação dos juros. As vendas de automóveis, por exemplo, estão abaixo do patamar do primeiro semestre de 2008, depois de terem estourado nos últimos meses, estimuladas pelos incentivos fiscais. A produção industrial caiu 0,7% em abril em relação a março, ficou estável em maio, e promete um número fraco em junho.
O cenário externo, citado no comunicado do Copom, também favorece o recuo da inflação. A economia internacional mais fraca deprime o preço das principais commodities, o que barateia os insumos para a indústria. Com o mercado interno perdendo o gás, a economia brasileira fica mais vulnerável ao cenário externo.
Note-se bem que não se trata de desaceleração, mas de uma expansão menor do mundo, no próximo ano. Isso já era previsto. De acordo com as previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI), o crescimento médio da economia mundial vai desacelerar dos 4,6% deste ano para 4,3% no próximo.
Enquanto o mercado ainda digeria a elevação de 0,50 da Selic, alguns indicadores positivos eram divulgados. O principal deles foi a queda da taxa de desemprego medida pelo IBGE. A taxa da população economicamente ativa desempregada foi de 7% em junho, meio ponto abaixo dos 7,5% de maio. O rendimento médio real habitual dos trabalhadores subiu 0,5% no mês e 3,4% no ano. A massa de rendimentos médio real habitual dos ocupados cresceu 0,5% em relação a maio e 6,7% em relação a junho de 2009. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) medido pela Fundação Getúlio Vargas, subiu; já o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), avaliado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), recuou.
No mercado externo, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Ben Bernanke, também contribuiu para um cenário nebuloso ao afirmar que o cenário econômico está "atipicamente incerto".
Mas os sinais ainda são contraditórios, o que indica que pode ter influído na decisão desta semana o desejo de não fornecer combustível ao debate político que começa a esquentar, à medida que o calendário eleitoral avança. De concreto há o consenso de que o ciclo de aperto monetário não foi concluído, mas agora ficaram duas dúvidas: qual será o ritmo de alta da Selic e para qual patamar a taxa será levada.   (Valor Online)

26.07 - A visão otimista do Copom sobre o futuro da inflação
Na sua reunião de junho, o Comitê de Política Monetária (Copom) avaliou mal a evolução da conjuntura econômica brasileira, anunciando uma consolidação da política monetária restritiva. Na de julho voltou atrás, limitando em 0,50 ponto porcentual (p.p.) o aumento da taxa Selic, recuo que um significativo número de economistas tinha previsto da divulgação de alguns índices de preços.
Essa interpretação quase generalizada da decisão das autoridades monetárias faz esquecer que, de qualquer maneira, o Copom realizou um novo aumento da taxa Selic, recorrendo à tática do "bode na sala", em homenagem às entidades de classe, apavoradas com um aumento quase certo de 0,75 p.p. da Selic.
Já tivemos oportunidade de dizer que, qualquer que fosse o aumento, seria preciso respeitar a decisão do Banco Central. Na ata da reunião de junho podia-se ler que "a demanda doméstica se apresenta robusta em grande parte devido aos efeitos de fatores de estímulo, como o crescimento da renda e a expansão de crédito".
No mês de julho não se registrou um forte aumento da renda, embora no mês anterior, segundo os dados divulgados ontem pelo IBGE, a população ocupada cresceu e sua massa de rendimento médio real aumentou 0,5%, o que deveria se traduzir por um aumento da demanda.
O recuo da inflação pode ser atribuído a uma redução das compras nas lojas em razão das férias e, mais provavelmente, dos empréstimos imobiliários, que levam a uma redução da compra de outros bens, uma vez que o preço dos imóveis está subindo.
O Copom costuma dizer que sua política visa aos acontecimentos futuros, e não apenas à situação presente. A questão é saber se o seu otimismo (medido, já que aumentou menos a Selic) é justificado. Os estímulos à renda acabaram com o fim das isenções fiscais, mas foram substituídos por uma elevação da remuneração do funcionalismo e dos aposentados. O Copom seguramente não se esqueceu dos enormes gastos que o governo está prometendo e que representam um forte aumento da distribuição de renda, a menos que esteja consciente de que tais promessas visam apenas a seduzir os eleitores.
Ontem a Fundação Getúlio Vargas divulgou a sua sondagem sobre as intenções dos consumidores, nitidamente otimista, e o Índice Antecedente de Vendas (IAV), apurado pelo Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), mostra um bom desempenho em julho e considera que as vendas atingirão o pico da alta em setembro. O Copom poderá ainda atuar...  (O Estado de S.Paulo)
 
 
 
 
 

22.07 - EBS: Governo promete fazer aperfeiçoamentos
Após reunião do ministro da Fazenda, Guido Mantega, com representantes da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada, Vida e Capitalização (CNSeg), o governo se comprometeu a realizar aperfeiçoamentos na proposta de lei que cria a seguradora estatal, a Empresa Brasileira de Seguros (EBS).
Uma proposta elaborada conjuntamente deve ser enviada em 15 dias ao Congresso Nacional. A informação foi dada hoje pelo secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, que participou do encontro.
- O mercado tem condições de garantir o risco nas operações. A função da seguradora estatal seria gerir o risco por uma seguradora e não por fundos garantidores - disse Barbosa.
Apesar de concordar com o objetivo colocado pelo governo, o presidente da CNSeg, Jorge Hilário, deixou a reunião ainda criticando a criação da uma nova estatal.
- Temos a mesma preocupação do governo com a eficiência da alocação de recursos dos fundos garantidores. Mas não queremos que essa entidade seja uma seguradora, que poderia ter restrições que não seriam adequadas também aos tomadores. Vamos continuar conversando para tentar encontrar um ponto comum - disse.
O setor de seguradoras é contrário à criação da EBS e vem pressionando o governo para recuar da decisão de criar a estatal. Hoje, representantes da CNSeg estiveram reunidos no ministério da Fazenda com técnicos, mas não foram recebidos por Mantega, o que ocorreu hoje. A criação da EBS foi incluída pelo governo no pacote de estímulo às exportações, anunciado em maio passado.   (Jornal Monitor Mercantil)

22.07 - IPCA-15 cai 0,09% em julho
O Índice de Preços ao Consumidor - 15 (IPCA-15) teve deflação de 0,09% neste mês, em comparação com a inflação de 0,19% em junho, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado está aquém do previsto pelos especialistas, que tinham estimativa do índice de deflação de 0,03% e inflação de 0,10%, com mediana de 0,02%. Em 2010, o IPCA-15 soma aumento de 3,26% e de julho de 2009 até agora, sofreu variação de 4,74%.
A queda de 0,09% no IPCA-15 deste mês sofreu pressão dos alimentos, na análise dos profissionais do IBGE. Alimentos e bebidas caíram 0,80% em julho, comparado com a diminuição de 0,42% em junho. Mesmo com queda de destaque em ao menos sete alimentos, as refeições fora de casa ficaram 0,95% mais caras neste mês e auxiliaram com 0,04 ponto porcentual para compor este índice em julho.
Produtos não alimentícios subiram 0,12% no IPCA-15 deste mês, com relação aos 0,37% do mês passado. A desaceleração na taxa teve pressão de transportes (baixa de 0,36%). De acordo com o IBGE, os automóveis caíram 1,16% e os já usados, 2,22%. O litro do álcool teve queda de 3,15% e o da gasolina diminuiu 0,53%.   (Executivos Financeiros)

22.07 - Analistas reduzem previsões para PIB do 2º tri
O resultado decepcionante de indicadores importantes como a produção industrial e as vendas no varejo evidenciam uma forte desaceleração da atividade econômica a partir de abril, levando a uma onda de redução das estimativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre. A expectativa hoje é de uma alta entre 0,4% e 0,8% em relação ao primeiro, feito o ajuste sazonal, um ritmo muito mais fraco que os 2,7% registrados no primeiro. Há algumas semanas, vários analistas ainda estimavam uma alta próxima a 1% ou até mais no segundo trimestre. Por enquanto, porém, ainda não há um movimento generalizado de diminuição das projeções para o PIB do ano de 2010.
Os economistas do Itaú Unibanco, que calculam a variação do PIB mensalmente, avaliam que houve duplo recuo na comparação com o mês anterior: em abril, de -0,4%, e maio, de -0,2%. Para Aurélio Bicalho, economista do banco, o resultado veio abaixo das expectativas na indústria e no comércio, o que fez o Itaú Unibanco reduzir a estimativa de avanço do PIB entre abril e junho - de 0,8% para 0,5% sobre o primeiro trimestre. "Mas no ritmo em que se expandem o crédito e o mercado de trabalho, a economia deve compensar no segundo semestre esses fatores transitórios, que explicam a desaceleração do segundo trimestre", diz Bicalho, que mantém a previsão de 7,5% para o PIB do ano.
Há dez dias, o departamento econômico do Bradesco revisou a sua projeção de crescimento no segundo trimestre de 1,3% para 0,8%. "Após quatro trimestres de um crescimento médio de 3,9%, as vendas do varejo ampliadas devem ter registrado queda de 0,9% no segundo", escrevem os economistas do banco. Números preliminares do Bradesco apontam que, depois da queda em abril e da estabilidade em maio, a produção industrial recuou em junho 0,8% em relação ao mês anterior. Apesar do resultado fraco, a indústria deverá avançar 1,5% sobre o primeiro trimestre, porque a média de abril a junho ficará superior à dos três meses anteriores. Antes, a expectativa do banco era de uma alta na casa de 2%.
Para os analistas do Bradesco, além da antecipação do consumo no primeiro trimestre, provocada pela iminência do fim do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido para bens como veículos, pode estar em curso também uma "canibalização" entre os bens duráveis e os imóveis. Quem compra uma casa muitas vezes faz algum esforço inicial de poupança e reduz a taxa de consumo para se adaptar ao novo fluxo de caixa, dizem eles. Depois do forte resultado do primeiro trimestre, o banco chegou a apostar em crescimento de 1,3% no segundo trimestre e num PIB de 7,7% para o ano, números que foram rebaixados para, respectivamente, 0,8% e 7,5%.
O economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, é um dos que apostavam na desaceleração expressiva do PIB no segundo trimestre. Ele acredita hoje numa expansão de 0,7% sobre o primeiro, número que chegou a ser de 1%. Para ele, a antecipação de consumo induzida pelas reduções temporárias de IPI funcionaram como um freio natural da atividade no segundo trimestre. "O PIB no primeiro trimestre não podia ser extrapolado para o resto do ano", afirma Borges, que espera uma alta de 6,6% em 2010. Para a segunda metade do ano, ele aposta numa alta média de 0,8% por trimestre, "contido já pelo impacto contracionista da política monetária".
"Do jeito que o mercado está reagindo, parece que ninguém esperava uma desaceleração depois do primeiro trimestre", diz Fernando de Paula Rocha, economista da JGP Gestão de Recursos. Para ele, o ritmo real da economia não ocorreu nem no primeiro trimestre - inflado pelos incentivos à produção e ao consumo - tampouco no segundo - quando os incentivos foram retirados e a Copa do Mundo ainda provocou "semiferiados nacionais". O economista mantém projeção de 7,5% para o ano. "Antes eu estava mais para 8%, agora estou mais para 7%".
O economista Juan Jensen, da Tendências Consultoria, mantém a sua projeção de uma alta de apenas 0,4% no segundo trimestre, um dos números mais conservadores do mercado. "Acreditávamos numa desaceleração forte a partir de abril, por causa da antecipação de consumo no primeiro trimestre, mas ela tem sido até mais forte do que esperávamos, especialmente na indústria", afirma ele, que projeta expansão de 6,6% no PIB.   (Sergio Lamucci e João Villaverde - Valor Online)
 
 
 
 
 

21.07 - O duplo mergulho
A recente revisão das estimativas do crescimento mundial feita pelo Fundo Monetário Internacional (que como "previsão" é sujeita a chuvas e trovoadas) mostra que, até onde é possível enxergar o futuro, existe um movimento de recuperação que foi vigoroso no primeiro trimestre de 2010 e provavelmente seguirá a uma velocidade menor nos trimestres seguintes.
Segundo o FMI, o mundo crescerá em 2010 qualquer coisa como 4,6%, contra um crescimento negativo de 0,6% em 2009. Para 2011 o FMI sugere um crescimento de 4,3%.
Com exceção de alguns analistas da evolução do mercado financeiro internacional, ninguém considera seriamente a probabilidade de uma nova crise (o "double dip").
Quando se olha para o setor produtivo, há um otimismo moderado de que o processo de recuperação vai continuar.
Os EUA, ao lado das medidas monetárias e fiscais de estímulo ao crescimento, mas relativamente hostis ao setor produtivo, continuam a dar ênfase à busca da autonomia energética.
Acrescentaram recentemente três vetores mais agradáveis ao setor produtivo privado para tentar mobilizá-lo:
1) duplicar em cinco anos o valor das exportações com amplo e sofisticado suporte governamental; 2) acelerar os acordos de livre comércio parados no Congresso por pressão dos sindicatos e 3) uma ação psicológica e de persuasão moral sobre os empresários para que acreditem na recuperação e aumentem seus investimentos, uma vez que dispõem de US$ 2 trilhões em caixa. O FMI estima para os EUA um crescimento de 3,3% para 2010 e 2,9% para 2011.
No caso da Alemanha (crescimento de 1,4% em 2010 e 1,6% em 2011 de acordo com o FMI), o ministro das Finanças estima que o crescimento poderá atingir 2% em 2010 graças à credibilidade, no setor privado, do ajuste fiscal e ao aumento das exportações promovidas pela desvalorização do euro.
No caso do Japão, a dependência das exportações é maior e sua rápida expansão no primeiro trimestre levou o FMI a estimar um crescimento do PIB de 2,4% em 2010 e 1,8% em 2011.
Na China continuam os estímulos de toda sorte à produção e à criação de um mercado interno cada vez mais robusto.
Ela iniciou agora um novo e importante programa, a "Grande Exploração do Oeste". O FMI estima um crescimento de 10,5% em 2010 e de 9,6% em 2011.
No nível do setor produtivo, que cria o PIB e dá emprego, parece que ninguém está falando num "double dip" criador da volatilidade tão querida dos especuladores financeiros.   (ANTONIO DELFIM NETTO - Folha de S.Paulo)

21.07 - Governo eleva projeção de crescimento do PIB
O ministério do Planejamento informou nesta terça-feira, 20, a revisão de 5,5% para 6,5% na projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano inserida no relatório bimestral de avaliação de receitas e despesas da União.
O número previsto para o crescimento do País, que é elaborado pela secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda, contraria as declarações públicas recentes do ministro Guido Mantega, que diz trabalhar com um PIB entre 6,5% e 7%, e do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disse que o Brasil não cresceria menos que 7% neste ano.
Também está longe dos 7,3% previstos pelo BC. Até a segunda-feira, segundo apurou a Agência Estado, a projeção de crescimento enviada pela SPE ao ministério do Planejamento era de 6,8%.
De acordo com o relatório bimestral, o cenário previsto para a inflação melhorou. A previsão de inflação pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), passou de 5,5% para 5,2%, e para o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), de 9,14% para 8,68%. A expectativa para a média da taxa Selic no ano passou de 9,19% para 9,60%. Para a taxa média de câmbio, de R$ 1,79 para R$ 1,80.
O governo prevê um crescimento ainda maior para a massa salarial nominal neste ano: 13,95%, ante 12,69% no relatório anterior. Para o petróleo, a estimativa passou de US$ 80,47 para US$ 76,68. O documento oficial do governo incorporou o reajuste de 7,72% para os benefícios previdenciários acima do salário mínimo, que antes estava previsto em 6,14%.
Orçamento
O governo aumentou em R$ 2,5 bilhões a projeção de despesas em 2010, informou o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão nesta terça-feira em sua terceira avaliação bimestral do Orçamento.  (Fabio Graner - Agência Estado)
 
 
 
 
 

20.07 - Crescimento de 20% no mercado de seguros
Estimativas apontam para crescimento de 20% no mercado de seguros
De acordo com a Superintendência de Seguros Privados (Susep), em 2010, os seguros massificados devem movimentar R$ 4 bilhões em prêmios, enquanto o mercado de seguros geral movimentará perto dos R$ 60 bilhões. De 2004 até hoje, o mercado de seguros no País cresceu, em média, 12% ao ano, e para esse ano, a estimativa de expansão é de 20%.
As empresas seguradoras brasileiras esperam crescer em ritmo acelerado nos próximos anos, e sair dos atuais 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em movimentação para 5% do PIB até o final de 2013, com destaque para os seguros massificados.
O setor de varejo se firma como excelente ponto de comercialização desses produtos para as classes C e D, por sua vez. Essas duas parcelas da população representam mais de 50 milhões de emergentes que passam a consumir, e leva as redes varejistas investirem na expansão dos negócios voltados para essas classes.
Usando o recurso da oferta de seguros como proteção financeira, coberturas em caso de desemprego, proteção residencial, assistência médica e odontológica, garantia estendida, entre outras coberturas e serviços de assistência aos consumidores, o lojista se beneficia com uma receita adicional, tem circulação maior na loja, e ainda fideliza o cliente por facilitar a aquisição de um tipo de produto a que ele muitas vezes não tem acesso.
A Classic Corretora de Seguros dá atenção especial ao varejo por entender que as redes conseguem atingir de número maior de consumidor. Assim, a Classic faz parceria com redes varejistas para oferecer produtos de acordo com a real necessidade e perfil do cliente.
No entanto, além do varejo, o mercado de massificados também vê oportunidades para expansão, principalmente as geradas a partir das obras do PAC, pré-sal, Olimpíadas e Copa. O presidente da Classic, Rubens Nogueira, acredita que além da oferta de produtos e serviços por conta dos riscos de engenharia nas grandes obras, as redes de produtos esportivos oferecerão seguros relacionados aos esportes graças aos dois eventos.   (Executivos Financeiros)

20.07 - Mercado volta a reduzir projeções de inflação
Dois dias antes da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), que termina amanhã, e influenciado por dados mostrando desaceleração da economia, o mercado voltou a reduzir as projeções para a inflação deste ano. Pela segunda semana consecutiva, economistas e analistas que respondem à pesquisa Focus, do BC, puxaram para baixo a estimativa para a inflação oficial. A mediana das expectativas para o IPCA em 2010 passou de 5,45% para 5,42%. Há um mês, o mercado apostava em 5,61%.
Os demais índices também recuaram. As projeções para o IGP-DI de 2010 caiu pela quinta semana, de 8,68% para 8,58%. O IGP-M esperado passou de 8,89% para 8,79%. Já o IPC-Fipe baixou de 5,15% para 5,12%. As estimativas para o IPCA de julho também foram reduzidas de 0,21% para 0,1%.
Ontem, na contramão da expectativa dos analistas do mercado financeiro, o IPC da Fipe relativo à segunda quadrissemana do mês avançou para 0,12%, ante elevação de 0,10% no levantamento anterior. Na segunda quadrissemana de junho, a inflação na capital paulista havia sido de 0,03%.
Os analistas ouvidos pelo Banco Central mantiveram a expectativa para o ciclo de aperto monetário promovido pela autoridade monetária. A mediana indica a Selic em 12% ao ano no fim do ano, com duas novas elevações de 0,75 ponto percentual e mais uma de 0,25 ponto em outubro. Para 2011, a projeção se manteve em 11,75% ao ano.
Como a coleta de dados para a pesquisa foi feita até sexta-feira, o Focus não captou um início de mudança nessas projeções. Começam a crescer no mercado as apostas de uma redução no passo do aperto, que passaria para 0,5 ponto percentual.
O Bradesco, por exemplo, divulgou ontem relatório apontando essa desaceleração no ritmo de alta da taxa básica, que subiria 50 pontos bases e poderia fechar o ano abaixo dos 12% projetados anteriormente. O estrategista-chefe do WestLB, Roberto Padovani, acredita em alta de 0,75 ponto no encontro de quarta-feira, mas avalia que esse seria o último movimento do Copom, deixando a taxa estável em 11%.
Os novos dados de desaceleração da economia começam a entrar no cenário dos analistas, como o índice de atividade econômica do BC, IBC-Br, que indicou estabilidade em maio, além de números menos vistosos de emprego e vendas de varejo. As prévias de inflação também têm saído abaixo das projeções de mercado.
Na semana passada, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ressaltou que o BC não toma decisão de forma antecipada e que todos os dados disponíveis entre as reuniões são levadas em conta a cada novo encontro do Copom.   (Fernando Travaglini - Valor Online)

20.07 - Alta de 0,5 ponto na Selic ganha força
O que antes era apenas uma sugestão da curva futura, ganha respaldo, agora, na opinião de grandes agentes de mercado. A possibilidade de uma alta de meio ponto percentual na Selic na reunião de amanhã foi adotada pelo Bradesco, que mudou seu prognóstico ontem. Os economistas do Bank of America Merrill Lynch também apoiam uma elevação mais branda da taxa básica, mas ainda acreditam que o colegiado do Banco Central está comprometido com outra elevação de 0,75 ponto.
Mas essa desconstrução de consenso é apenas uma reação exacerbada do mercado aos dados de curto prazo ou há, de fato, uma mudança significativa de cenário?
Cabe lembrar que no começo do ano o Banco Central foi duramente criticado por responder de forma "atrasada" ao ritmo de crescimento chinês que a economia brasileira apresentava.
Em relatório, o diretor do Departamento Econômico do Bradesco, Octávio de Barros, lembra que não devemos dar peso excessivo aos dados de curto prazo pela sua natural volatilidade.
No entanto, ponderou o especialista, a sequência de dados mais fracos alcançou magnitude suficiente para que se faça uma mudança da leitura sobre a velocidade de expansão da economia.
"A informação mais relevante desde a última reunião do Copom é que presenciamos uma desaceleração maior do que aquela que era amplamente esperada na atividade doméstica", notou.
Outro ponto considerado pelo especialista em seu relatório é a influencia externa.
Barros nota que não se trata de uma crise, mas sim de uma redução, possivelmente por alguns trimestres, do ritmo de recuperação da economia global. "A acomodação do crescimento mundial é, a nosso ver, benigna para o cenário de inflação brasileiro, uma vez que implicaria preços de commodities em reais mais baixos, em alguma perda de dinamismo das exportações e também em crescimento um pouco abaixo do que se esperava da demanda doméstica."
Concluindo, Octávio de Barros nota que houve um significativo aumento da incerteza sobre o cenário prospectivo, tanto para economia internacional quanto para a demanda doméstica.
"A experiência internacional de bancos centrais, assim como a teoria econômica, mostra que, quando há aumento da incerteza, a política monetária caminha mais devagar, ainda que mantenha a direção", avalia Barros.
O contraponto a essa visão é dada pelo Banco Santander, que mantém sua previsão de alta de 0,75 ponto na Selic não só agora em julho, mas também em setembro. A instituição ainda espera mais dois reajuste de meio ponto nas reuniões de outubro e dezembro e um aperto final de 0,25 ponto em janeiro de 2011. Com isso, a Selic encerraria 2010 em 12,75% e chegaria a 13% no começo de 2011.
Segundo Cristiano Souza, economista do Santander, o mercado está se deixando levar pelas informações de curto prazo, como inflação próxima de zero e menor crescimento durante o trimestre.
"Essa leitura pode estar um pouco exagerada. Olhando para os fundamentos não vemos tamanha desaceleração", pondera.
Souza chama atenção para o comportamento do emprego, da renda e do crédito, que seguem mostrando firme ritmo de crescimento.
Com isso, diz o economista, não temos como esperar uma retração muito forte da atividade.   (Eduardo Campos - Valor Online)
 
 
 
 
 

19.07 - EUA: Senado aprova reforma financeira
Projeto de lei altera desde a dinâmica dos negócios com cartões de débito até as negociações com derivativos
O Senado dos EUA aprovou, com 60 votos a favor e 39 contra, o projeto de reforma regulatória do sistema financeiro do país. A legislação deve ser sancionada pelo presidente norte-americano, Barack Obama, nesta semana.
Os democratas precisaram do apoio de alguns republicanos para aprovar o projeto de lei, que altera desde a dinâmica dos negócios com cartões de débito até as negociações com derivativos e deve afetar principalmente grandes bancos, como o JPMorgan Chase, o Goldman Sachs e o Bank of America.
Fundos de hedge e private equity
O projeto de lei de reforma do sistema financeiro dos EUA exige que os fundos de hedge e de private equity sejam registrados na Securities and Exchange Comission (SEC, a CVM dos EUA) como consultores de investimento. Isso obrigará essas instituições a manter registros sobre itens como negociações, alavancagem extrapatrimonial e exposição ao risco de crédito de contraparte que estarão sujeitos a inspeções por parte da SEC.
A maior parte dos consultores que gerenciam os fundos de hedge maiores e mais conhecidos já é registrada na agência reguladora.
Agências de rating
A reforma prevê a criação de uma entidade semioficial que supervisionará a indústria de ratings de crédito e mediará conflitos de interesse inerentes a esse ramo de negócios após a Securities and Exchange Comission (SEC) estudar o assunto. As mudanças na legislação também permitirão aos investidores processar as agências de rating por um fracasso "conhecido ou irresponsável" na atribuição de notas aos créditos avaliados.
Escritório federal de seguros
Os Estados norte-americanos continuarão detendo a autoridade sobre as regras impostas às seguradoras do país, podendo, por exemplo, supervisionar os produtos oferecidos por essas empresas, de acordo com a reforma aprovada hoje no Senado. No entanto, uma nova agência, chamada Departamento Federal de Seguros, passará a monitorar o setor e estudará potenciais mudanças na regulação aplicada às seguradoras.
Derivativos
As novas regras do setor financeiro dos EUA determinam que grande parte das negociações com derivativos no mercado de balcão passem a ser realizadas em outra plataforma e também que passem por câmaras de compensação. Swaps customizados ainda poderiam ser negociados em balcão, desde que a transação seja reportada, de forma que os reguladores possam ter uma visão mais ampla do que ocorre no mercado.
As empresas que negociam derivativos também seriam afetadas por novos requisitos de margem, de capital e de transparência.
Longo alcance
O presidente do Federal Reserve norte-americano, Ben Bernanke, disse que a lei de reforma do setor financeiro, aprovada pelo Congresso, é um passo bem-vindo e de longo alcance. Em comunicado divulgado pelo Fed logo depois da aprovação da lei pelo Senado, Bernanke afirma que a nova legislação "representa um passo bem-vindo e de longo alcance na direção de prevenir uma repetição da crise financeira recente".
Segundo o presidente do Fed, a nova lei fortalece a supervisão das instituições financeiras e dá ao governo uma ferramenta para desmontar de forma segura as empresas financeiras que falirem. A lei também "aumenta a transparência do Federal Reserve e ao mesmo tempo preserva a independência política que é crucial para a formulação da política monetária", diz o comunicado.
"Mesmo antes da aprovação da legislação de reforma, o Federal Reserve tem mudado sua supervisão e regulamentação das organizações bancárias e trabalhado para fortalecer as infraestruturas e as práticas do mercado financeiro. Estaremos focados e diligentes ao desempenhar nossas responsabilidades sob a nova lei", acrescentou Bernanke.  (Gustavo Nicoletta e Renato Martins - Agência Estado)

19.07 - Desaceleração chinesa gera temor em investidores
A China cresceu 10,3% no segundo trimestre, comparado ao mesmo período do ano passado. Foi uma desaceleração em relação ao trimestre anterior, à medida que começam a fazer efeito os esforços do governo para esfriar o mercado imobiliário e os investimentos em infraestrutura. O ritmo de crescimento e outros dados divulgados ontem criaram temor entre os investidores de que a China pode estar desacelerando demais.
O número comparável do primeiro trimestre foi de 11,9%, quando muitos economistas temiam que a China estivesse perto de um superaquecimento. No primeiro semestre do ano, a economia cresceu 11,1%.
Embora o desaquecimento fosse esperado, outros indicadores sugeriram, ontem, que a economia pode estar esfriando mais rápido do que previsto, com uma queda na expansão da produção industrial de 13,7% em junho, ano a ano, dos 16,5% em maio.
O governo disse estar tranquilo quanto à redução no ritmo da atividade econômica. "A desaceleração ajudará a evitar o superaquecimento de nossa economia e ajudará na transformação do nosso modelo econômico", disse Sheng Laiyun, porta-voz do Birô Nacional de Estatísticas.
No entanto, o desaquecimento deixou nervosos os investidores, numa hora em que muitos esperavam que a China pudesse ajudar a sustentar uma recuperação mundial que mostra sinais perda de sustentação nos EUA e na Europa.
Isso também poderá colocar Pequim sob pressão interna para relaxar algumas de suas recentes medidas de contenção, especialmente no setor habitacional.
"Conseguir uma aterrissagem suave para o mercado imobiliário será realmente um sério problema", disse Liao Qun, economista-chefe do Banco Citic International. Uma desaceleração prolongada no setor imobiliário terá um impacto sobre muitos setores - do siderúrgico ao da produção de aparelhos elétricos de uso doméstico -, disse ele, mas as autoridades não querem relaxar a política antes de estarem convencidas da queda do preços.
A China publica números de crescimento em base anual, mas não divulga estatísticas sequenciais com ajustes de sazonalidade, que dariam uma ideia mais precisa do rumo da atividade econômica. As estimativas do setor privado variam consideravelmente: o Goldman Sachs estima a taxa de crescimento implícita no quarto trimestre em 8%, numa base anualizada, ao passo que o Standard Chartered a estima em 10%.
Embora o ritmo de novos empréstimos venha caindo desde o segundo semestre passado, a principal iniciativa de aperto econômico é a campanha que começou em meados de abril, como tentativa para limitar a especulação no mercado imobiliário e frear empréstimos a empresas de investimento operadas por governos locais.
O esfriamento da atividade parece ter tolhido o aumento da inflação. O IPC caiu de 3,1% em maio para 2,9% em junho.  (Geoff Dyer - Financial Times/ Valor Online)

19.07 - Decisões sobre juro consideram todos os dados existentes
Afirmação veio um dia após a divulgação do IBC-Br, que apresentou estabilidade em maio
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, repetiu na quinta-feira a afirmação de que as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre o juro básico da economia (Selic) são tomadas "levando em conta todos os dados existentes" até o dia da reunião. A afirmação foi feita um dia depois de o próprio Banco Central divulgar que o Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br) apresentou estabilidade em maio, na comparação com abril, já dessazonalizado.
Meirelles reiterou a avaliação de que é positivo o calendário das reuniões do Copom, com intervalo de 45 dias, período que permite à autoridade monetária acumular dados sobre a economia e assim tomar a decisão mais adequada. Por isso, segundo ele, o BC não toma decisões previamente.
Questionado sobre a hipótese de que o mercado poderia estar "atrasado" em relação às suas apostas para a reunião que acontece na próxima semana, Meirelles preferiu não opinar e disse apenas que esses prognósticos são de responsabilidade de cada instituição. Ele também não quis tecer comentários sobre a forte queda observa nos juros futuros anteontem, após a divulgação dos dados das vendas do varejo pelo IBGE.  (Fernando Nakagawa - Agência Estado)
 
 
 
 
 

16.07 - Desaceleração da economia já começou
Números mais modestos no varejo e na indústria em junho revelam que "crescimento chinês" já ficou para trás
Analistas culpam fim de incentivos fiscais e alta no preço de alimentos; aumento nos juros básicos pode ser menor
Indicadores importantes referentes a maio e junho deste ano trazem números abaixo das expectativas de mercado e revelam sinais de desaceleração da economia brasileira.
A recente tendência mostra que os dias de crescimento econômico "chinês" ficaram para trás e contribuiu para uma redução na expectativa do mercado de aumento dos juros básicos, atualmente em 10,25%.
Após 16 meses de crescimento, o nível de atividade da economia ficou estável em maio ante abril, segundo o Índice de Atividade do BC (leia texto na pág. B3).
"O Brasil deixou de crescer a um ritmo chinês e voltou a se expandir a um ritmo brasileiro", diz Bráulio Borges, economista-chefe da LCA Consultores.
Indicador calculado pela LCA que tenta revelar o comportamento mensal do PIB, levando em conta indicadores diários e semanais, também aponta leves retrações ou estagnação da atividade em relação ao mês anterior desde abril após sete meses consecutivos de expansão.
Dados divulgados anteontem pelo IBGE mostraram, por exemplo, que, depois de contração de 3,1% em abril em relação a março, o volume de vendas no comércio avançou 1,4% (descontados efeitos sazonais) em maio.
Essa recuperação em maio foi considerada relativamente fraca ante uma expectativa de expansão de 1,8% pela média do mercado.
Segundo dado divulgado recentemente pela FGV (Fundação Getulio Vargas), o percentual de empresas do setor de serviços que esperam uma melhoria na evolução dos negócios nos próximos seis meses caiu de 53% em maio para 49% em junho.
O fluxo de veículos pesados nas estradas com pedágio se contraiu em 2,5% em junho com relação a maio (descontados efeitos sazonais), segundo a ABCR (Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias).
Esse foi o pior resultado para o indicador na base de comparação mensal desde março de 2008.
As vendas de papelão ondulado (que, assim como o fluxo de veículos pesados, é importante indicador antecedente da produção industrial) também recuaram -2,1% (descontados efeitos sazonais segundo cálculo da LCA) em junho ante maio.
CAUSAS
Segundo Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, as causas da desaceleração econômica vão do fim de incentivos fiscais a uma forte base de comparação dado o crescimento robusto do primeiro trimestre.
Ele cita ainda a elevação dos preços de alimentos, que abalou as vendas no setor, e o "efeito Copa do Mundo", que prejudicou vários setores com as paralisações nos dias de jogos do Brasil.  (ÉRICA FRAGA - Folha de S.Paulo)

16.07 - País fica abaixo de emergentes em 2011
Brasil deve crescer 4,2% no ano que vem, ante média de 6,4%; mercado aposta em 11,75% como teto de juros
Mercado de crédito e trabalho continuam aquecidos, mas taxas de investimento e poupança continuam baixas
A recente desaceleração da economia brasileira já tem fomentado duas discussões: até que patamar o BC (Banco Central) subirá os juros básicos, atualmente, em 10,25%, e para que nível deverá convergir a taxa de expansão da economia brasileira a partir de agora.
Rápido em seus ajustes, o mercado financeiro já aponta expectativa menor de aumento de juros.
Os juros no mercado futuro chegaram a apontar expectativa de aumento da Selic do atual patamar para até quase 13%. Agora, sugere alta para cerca de 12%.
Tudo indica que a autoridade monetária enfrentará grande dilema em suas próximas decisões de política monetária.
A atividade econômica doméstica tem se desacelerado. Riscos ao desempenho da economia global aumentaram. Além disso, dados recentes de inflação revelam menor aumentos de preços.
Mas, ressalvam economistas, o desempenho passado da inflação ainda tem peso no comportamento futuro dos reajustes nos preços de serviços no Brasil. Fator que o BC leva em conta em suas decisões.
Além disso, segundo Armando Castellar, economista da Gávea Investimentos, o mercado de trabalho brasileiro segue aquecido. O mercado de crédito também mostra dinamismo.
Esses fatores têm sido importantes sustentáculos do forte crescimento da demanda doméstica.
INSUSTENTÁVEL
É consenso entre economistas que a economia brasileira não tinha condições de sustentar taxas de crescimento próximas do nível registrado no primeiro trimestre de 2010, quando o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu a uma taxa anualizada superior a 11%.
Calcula-se que, dadas as restrições para aumento da capacidade de oferta no Brasil, o país não tem condições de crescer acima de algo entre 4% e 5% sem gerar pressões inflacionárias.
E é provavelmente para esse patamar de expansão que agora caminha a economia brasileira. Segundo economistas, esse desempenho sem dúvida é favorável, mas poderia ser melhor.
Em suas projeções de PIB atualizadas divulgadas na semana passada, o FMI (Fundo Monetário Internacional) indica que o Brasil crescerá acima da média de países emergentes e em desenvolvimento em 2010 (7,1% ante 6,8%, respectivamente).
Mas, segundo o Fundo, o Brasil retomará seu patamar de expansão abaixo da média dos emergentes em 2011: 4,2%, ante 6,4%.
O problema é que, para atingir patamares de crescimento mais altos, o Brasil ainda precisa superar uma série de restrições, como taxas de poupança doméstica e de investimentos ainda extremamente baixas.   (ÉRICA FRAGA - Folha de S.Paulo)

16.07 - Desaceleração reduz expectativa de aperto de juro
Demanda ainda é forte, mas a produção desacelera indicando acomodação da atividade após período de maior crescimento em 15 anos 
Depois de crescer no ritmo mais forte em 15 anos no 1.º trimestre, a economia brasileira dá vários sinais de desaceleração, que já levam o mercado financeiro a projetar uma alta menor da taxa básica de juros (Selic). Quarta-feira, por exemplo, o Banco Central (BC) informou que o Índice de Atividade Econômica, calculado pela própria instituição, ficou estável em maio em relação a abril.
No fim de junho, o BC divulgou seu Relatório de Inflação trimestral. Na avaliação de especialistas, o documento traçou cenário preocupante para a evolução dos preços, graças, principalmente, à atividade econômica aquecida. Ganhou espaço, então, a ideia de que a Selic subiria em todas as reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) até o fim do ano - julho, setembro, outubro e dezembro.
No entanto, tal percepção começa a mudar por causa de vários indicadores divulgados nos últimos dias. A sensação é de que a demanda continua forte, mas em ritmo mais lento que o do primeiro trimestre, e a produção desaquece até mais rapidamente do que se esperava. Em abril, a produção industrial caiu 0,7% em relação a março. Em maio, houve estabilidade, o que surpreendeu os especialistas.
As projeções de mercado indicam que junho também foi fraco (o número oficial ainda não saiu). A economista Thays Zara, da Rosenberg & Associados, estima uma queda de 0,2% em relação a maio. Se isso se confirmar, diz ela, será o primeiro trimestre de baixa desde o estouro da crise global, em setembro de 2008.
Estoques
A contradição entre demanda forte e produção em baixa se explica pela "equalização dos estoques", segundo explica o economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa. "A indústria teve muitos incentivos para produzir. Com o fim desses incentivos (como o IPI menor para vários setores), há uma acomodação."
Os juros futuros caíram na quarta, em reação ao índice divulgado pelo BC. Os contratos para outubro negociados na BM&FBovespa fecharam em 10,93% ao ano, de 10,95% terça-feira. O contrato para janeiro de 2011 recuou de 11,26% para 11,21%.
Não se trata de uma queda pontual. O contrato para janeiro de 2012 - apesar de distante, é o segundo mais negociado na bolsa - saiu de 12,06% ao ano no fim de junho para 11,76% na quarta-feira.
Na segunda-feira, o boletim Focus, síntese de uma pesquisa do BC com instituições do mercado, mostrou que a expectativa para a Selic no fim deste ano saiu de 12,13% para 12%. Hoje, a taxa está em 10,25%. A estimativa para o IPCA, o índice oficial de inflação, de 2010 também caiu: de 5,55% para 5,45%, ainda acima da meta de 4,50%.
Na semana que vem, o Copom reúne-se para decidir se altera a Selic. No mercado, há quase um consenso de que será elevada em 0,75 ponto porcentual, para 11%. A mudança de perspectiva tem se dado para a partir de julho.
O economista-chefe do banco WestLB, Roberto Padovani, acredita que a taxa vai parar nos 11%. Antes dessa sequência de indicadores mais fracos, ele apostava em uma alta adicional de 0,75 ponto em setembro. Thays, da Rosenberg, mantém a avaliação de que a taxa chegará a 11,75% ao ano em dezembro e Rosa, da Sul América, projeta 12,25% ao ano.  (Leandro Modé - O Estado de S. Paulo)
 
 
 
 
 

15.07 - Inflação para a terceira idade diminui no 2º trimestre
Os idosos gastaram menos com a cesta de compras no segundo trimestre do ano, na comparação com os três primeiros meses. O Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i) subiu 0,92% no período, mas ficou bem abaixo dos 2,72% registrados no primeiro trimestre de 2010, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV).
Com o resultado, o índice – que mede a inflação para as pessoas com 60 anos ou mais – acumula em 12 meses alta de 5,10%, superior à taxa de 4,93% observada no período anterior.
De acordo com a FGV, o resultado dos grupos alimentação (de 5,80% para 0,01%), transportes (de 3,87% para –0,62%) e despesas diversas (de 1,88% para 1,12%) teve forte influência para o recuo do IPC-3i em abril, maio e junho deste ano. Os itens que mais se destacaram foram hortaliças e legumes, tarifa de ônibus urbano e mensalidade para TV por assinatura, respectivamente.
Em alta aparecem os grupos saúde e cuidados pessoais (de 0,96% para 2,12%), pressionado pelo reajuste dos preços dos remédios; vestuário (de –0,77% para 3,58%), em função da entrada da coleção outono-inverno; e habitação (de 1,11% para 1,38%), por conta do reajuste das tarifas de energia elétrica residencial.    (Agência Brasil/Anfip)

15.07 - Banco Santos: Credores começam a ser ressarcidos
Até setembro, todos os quase 2 mil credores quirografários - sem direitos especiais - do Banco Santos devem receber o equivalente a 10% dos recursos a que fazem jus, cinco anos depois de decretada a falência da instituição.
Nesse grupo de credores estão fundos, empresas e pessoas físicas que possuíam depósitos à vista (como os mantidos em conta corrente) e a prazo (tal e qual os CDBs), além de bancos estrangeiros (a quem o Santos ficou devendo, por exemplo, juros de linhas de crédito), entre outros.
A eles estão sendo pagos, desde o dia 30 de junho, pouco mais de R$ 250 milhões relativos ao primeiro rateio da massa falida do banco, administrada por Vânio Aguiar.
"Até o momento, foi pago 50% do valor previsto", diz. O restante será creditado em, no máximo, mais 60 dias.
O passivo quirografário do banco de Edemar Cid Ferreira, conforme Aguiar, ultrapassa os R$ 2,5 bilhões - em valores, destaque-se, não corrigidos desde 2005. Antes dele, foram quitados outros créditos com prioridade, como os trabalhistas e alguns tributários.
Para os credores quirografários, os recursos pagos agora são os primeiros do banco em que colocam as mãos desde a falência. O dinheiro está saindo do caixa da massa falida do Banco Santos, que somava R$ 664 milhões ao fim de abril.
Esse primeiro rateio já havia sido aprovado no ano passado pela 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo e deveria ter saído há meses.
Mas bancos estrangeiros, que pleiteiam a restituição de recursos relacionados a operações de adiantamento de contratos de câmbio (ACC) a exportadores, questionaram os valores do caixa a eles reservados. Foi o que atrasou o processo, segundo Aguiar.
Nova proposta foi apresentada no fim de maio ao juiz Caio de Oliveira e aprovada.
Mas nem todo o caixa da massa falida entrou no rateio, já que precisaram ser reservados mais de R$ 400 milhões relativos ao pleito dos bancos estrangeiros (sob litígio com a massa falida e com recurso no Superior Tribunal de Justiça), além de acordos com devedores ainda pendentes de julgamento de recurso do Banco Santos.
Segundo rateio
O segundo rateio - de outra fatia equivalente a 10% do passivo - está previsto para acontecer ainda neste ano, afirma Aguiar. "O novo rateio virá de um acordo que o falido [o banco] fez com a Eletropaulo, liberando R$ 10 milhões, e de recebimentos que devem ingressar até a data do pagamento", explica.
O maior credor quirografário do Santos, com saldo de R$ 165 milhões a receber, é a Fundação Real Grandeza, fundo de pensão dos funcionários de Furnas. Nesse rateio, reaverá R$ 16,5 milhões.
O segundo é o fundo de renda fixa Santos Credit Yield, do próprio banco, que possui 758 cotistas e tem R$ 115 milhões a receber.
Entre os maiores credores, mas com valores menores, constam ainda o Banco da Amazônia, o Estaleiro Itajaí, a AES Tietê, o Instituto de Previdência do Legislativo de Minas Gerais, bancos americanos e europeus e algumas pessoas físicas.  (Mariana Segala - Brasil Econômico)

15.07 - Fundos recuperam perdas com Banco Santos
Quase seis anos depois, os fundos de investimento que tinham ativos do falido Banco Santos em suas carteiras começam a recuperar parte dos prejuízos. Desta vez, foi o Banco do Estado do Espírito Santo (Banestes) que obteve autorização judicial para o pagamento de perdas registradas em dois fundos. Na semana passada, a Caixa Econômica Federal (CEF) comunicou que conseguiu reaver uma parcela dos recursos que lhe eram devidos.
O administrador judicial da massa falida do banco, Vânio Aguiar, conseguiu reaver parte das dívidas, que são estimadas em R$ 2,3 bilhões. Após o pagamento de créditos trabalhistas e tributários, que são preferenciais em caso de falência, cada credor recebeu o equivalente a 10% do valor ao qual tem direito.
A intervenção no Banco Santos ocorreu em novembro de 2004, trazendo perdas para vários fundos de investimento que aplicavam em carteiras do banco ou que mantinham CDBs do Santos em carteira. Houve prejuízo também em carteiras que tinham Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) ou Cédulas de Produto Rural (CPRs).
Em novembro de 2004, duas carteiras do Banestes sofreram: o VIP DI e o Institucional Renda Fixa. No primeiro, o prejuízo só no dia 17 foi de 5,75%, o que fez o fundo encerrar o ano em queda de 9,37%. Para se ter ideia, o Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI, que serve de referencial para as aplicações mais conservadoras) encerrou 2004 com variação de 16,17%.
Segundo comunicado do Banestes, no último dia 9, o VIP DI registrou rentabilidade de 0,562%. Isso ocorreu por conta do recebimento de R$ 1,323 milhão referente a 10% dos créditos "relativos ao 1º rateio da massa falida do Banco Santos".
No Institucional Renda Fixa, as perdas no dia 17 de novembro de 2004 foram de 7,37%. Com a recuperação de parte do que tem a receber, o retorno adicional do fundo será de 0,284%, o que corresponde a um valor de R$ 328,855 milhões. O Banestes foi procurado pela reportagem do Valor e, por meio de sua assessoria de imprensa, o diretor-presidente do banco, Roberto da Cunha Penedo, informou que a instituição não se pronunciaria sobre o assunto.
Já a Caixa Econômica Federal (CEF) informou na semana passada que recuperou parte dos créditos a receber na carteira Seleção Renda Fixa. O prejuízo desse fundo somou 10,33% apenas no dia 16 de novembro daquele ano, o que fez com que a carteira encerrasse 2004 com ganhos módicos de 3,91%. O Seleção aplicava em outro fundo da Caixa, o Master III, e era nessa carteira que estavam os CDBs.
Segundo Aline Arruda, gerente de renda fixa da asset da Caixa, o total recuperado pela instituição somou cerca R$ 2,6 milhões. Esse valor foi dividido entre o Seleção e outros fundos exclusivos que também tiveram perdas com o Banco Santos. Após o prejuízo, o Seleção foi fechado para aplicações. Observando-se o desempenho no dia 8 deste mês, vê-se que a carteira obteve rentabilidade de 9,59%, de acordo com dados da consultoria BDS. O "ganho extra" elevou o retorno do fundo no ano para 13,86%, até o dia 9, ante 4,57% do CDI no mesmo período.
Embora a notícia de recuperar parte das perdas seja positiva, não é possível dizer quando os investidores conseguirão recuperar todo o prejuízo, ressalta Aline. "Não há previsão, pois é algo que foge de nossa alçada", diz.
Outras instituições que tiveram fundos de investimento com prejuízos por conta da falência do Santos foram o Banco Regional de Brasília (BRB) e o Banco Mercantil do Brasil (BMB).
No BRB, três carteiras abertas foram afetadas. A primeira, a Líder 30 Dias DI, teve perdas de 9,18% apenas no dia 17 de novembro de 2004. Já o segundo, o Multicapital (um multimercado) registrou queda de 13,97% naquele dia. O terceiro, o Renda Fixa Executivo, apresentou prejuízo de 8,41%. O Valor procurou o BRB e a assessoria de imprensa da instituição informou que o executivo responsável pela área não estava disponível.
No BMB, o renda fixa MB Especial perdeu 15,37% em apenas um dia, o que comprometeu toda a rentabilidade acumulada em 2004, já que a carteira encerrou em queda de 3,21%. No último dia 9, por conta de o fundo reaver parte das perdas, o retorno foi de 8,33%.
Outro fundo de renda fixa do banco, o Matic, teve prejuízo de 15,35% apenas em 16 de novembro daquele ano. Isso prejudicou o desempenho de 2004 da carteira, que terminou em queda de 3,21%. No dia 9, com o ganho por conta do pagamento de parte das perdas, a carteira teve retorno de 8,34%. A assessoria de imprensa do BMB disse que não consegui contato com executivo que poderia comentar o assunto, já que ele estava em viagem de negócios.  (Luciana Monteiro - Valor Online)
 
 
 
 
 

14.07 - Inflação pressiona gastos dos idosos para cima
A inflação apurada para os idosos ficou, mais uma vez, acima da média da inflação aos consumidores no segundo trimestre de 2010. Enquanto o Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i) registrou variação de 0,92% no período, o Índice de Preços ao Consumidor – Brasil (IPC-BR) ficou em 0,76%. Há mais de seis anos os mais velhos têm um custo de vida mais alto, segundo mostram os indicadores da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
O economista da instituição, André Braz, explica que, desde 2004 a inflação tem sido maior para os idosos do que para a média da população sendo que, entre 2004 e 2009, enquanto o IPC-BR acumulou uma alta de 31,24%, o IPC-3i somou uma variação de 33,13%. O índice revela o cenário de preços para famílias com pelo menos 50% dos indivíduos de 60 anos ou mais de idade, e renda mensal entre um e 33 salários mínimos.
Braz explica que alguns itens importantes no cálculo da inflação ao consumidor, como tarifas e remédios, pesam mais no bolso dos idosos. Ele exemplifica que os mais velhos ficam mais em casa quando deixam de trabalhar, aumentando gastos com tarifas como energia elétrica, gás e água. Além disso, na idade mais avançada aumentam os gastos com remédios, sobretudo para coração e antidepressivos, e com o seguro saúde.
No segundo trimestre de 2010 o IPC-3i mostrou uma forte desaceleração, para 0,92%, em relação à taxa verificada no primeiro trimestre do ano (2,72%). A redução no ritmo de reajustes foi puxada pelo grupo alimentação, que passou, de um trimestre para o outro, de uma variação de 5,80% para 0,01%.  (Jacqueline Farid - Jornal da Tarde)

14.07 - EUA tentam aprovar reforma financeira
Os democratas terão pouca margem de erro esta semana, quando tentarão aprovar no Congresso dos Estados Unidos a mais abrangente mudança nas leis de regulamentação financeira desde a Grande Depressão.
O líder do partido majoritário no Senado, Harry Reid, espera conseguir a aprovação da regulamentação quando o Congresso voltar a se reunir depois de uma semana de recesso, apesar de ainda não ter obtido os 60 votos necessários para evitar um bloqueio processual na casa, que tem 100 membros.
A Câmara dos Deputados americana já aprovou a versão final do projeto, que impõe uma série de duras restrições à indústria financeira, em um esforço para evitar uma nova crise como a que ocorreu entre 2007 e 2009. Depois de um ano e meio de trabalho, os democratas estão ansiosos para encaminhar o projeto à sanção do presidente Barack Obama.
O projeto dá às autoridades reguladoras o poder de intervir em companhias financeiras com problemas por meio da divisão delas, venda de ativos e aceitação de perdas por parte de credores e acionistas a fim de que os contribuintes não paguem essa conta. Envolve ainda ampliação dos poderes reguladores do Federal Reserve (Fed) e estabelece um conselho de risco com altos funcionários, liderado pelo secretário do Tesouro, para detectar potenciais ameaças ao sistema financeiro como um todo.
Engloba também a criação de uma agência de proteção financeira ao consumidor e expande o alcance da Securities and Exchange Commission (SEC).
A aprovação do projeto representaria a segunda grande conquista legislativa do partido, que já conseguiu a aprovação da reforma do sistema de saúde, um feito importante já que eles estão tentando manter o controle do Congresso nas eleições de Novembro desse ano.
No Senado, Reid já conta com 57 votos dos democratas para a aprovação do projeto. Os republicanos Susan Collins e Scott Brown também já indicaram que pretendem apoiar o projeto. Mas isso ainda deixa Reid a um voto da aprovação. Os republicanos Olympia Snowe e Charles Grassley já apoiaram o projeto anteriormente, durante o processo legislativo, mas nenhum dos dois confirmou se pretendem apoiar a versão final.
Entretanto, os analistas acreditam que Reid terá os votos necessários para enviar o projeto a Obama, já que os republicanos moderados serão duramente pressionados a explicar um voto "não" depois de obter uma série de concessões importantes.  (Andy Sullivan - Reuters/Valor Online)

14.07 - Selic deve fechar 2010 em 12% ao ano
A projeção de analistas do mercado financeiro para a taxa básica de juros, a Selic, ao final de 2010 caiu de 12,13% para 12% ao ano, segundo o boletim Focus, divulgado segunda-feira pelo Banco Central (BC).
Para o fim de 2011, foi mantida em 11,75% ao ano a estimativa para a taxa Selic. Atualmente, a taxa básica está em 10,25% ao ano e a expectativa dos analistas é que na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, marcada para os dias 20 e 21 deste mês, a Selic seja ajustada para 11% ao ano.
A Selic é um instrumento usado pelo Banco Central para controlar a inflação. Quando a instituição considera que a economia está aquecida e a trajetória de inflação é de alta, eleva a Selic.
O BC tem que perseguir uma meta de inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que tem centro de 4,5%, com margem de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Essa meta é válida para este ano e 2011.
Para 2010, a projeção dos analistas para o IPCA caiu de 5,55% para 5,45%. Em 2011, os analistas esperam que a inflação oficial chegue a 4,80%, a mesma estimativa anterior. Essas previsões estão, portanto, acima do centro da meta de inflação.
O boletim Focus também traz projeção para o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), que caiu de 9,03% para 8,68%, neste ano, e permaneceu em 5%, em 2011.
A expectativa para o Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) neste ano também caiu – de 9% para 8,89%. Para o próximo ano, passou de 5% para 5,01%.
A projeção para o Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe), neste ano, caiu de 5,24% para 5,15%. Para 2011, a estimativa para esse índice permaneceu em 4,50%.
A expectativa dos analistas para os preços administrados permaneceu em 3,60%, em 2010, e caiu de 4,80% para 4,78%, em 2011. Os preços administrados são aqueles cobrados por serviços monitorados, como combustíveis, energia elétrica, telefonia, medicamentos, água, educação, saneamento, transporte urbano coletivo, entre outros.
As informações são da Agência Brasil.  (Anfip)
 
 
 
 
 

13.07 - Governança passa longe da decisão do investidor
Na semana passada, o Valor publicou um estudo das empresas listadas em bolsa com o maior número de acionistas individuais. Peço licença para usá-lo como referência para uma reflexão acerca do peso da governança na decisão do investidor. Tudo indica que a pessoa física não olha para isso.
Das 20 empresas de maior base acionária, levantamento do diretor do curso de Relações Internacionais da ESPM-RJ, Alexandre Espírito Santo, mostra que 12 fazem parte de algum segmento de governança corporativa. Dessas, duas apenas - Banco do Brasil, com 331 mil investidores individuais, e BM&FBovespa, com 97 mil - estão no Novo Mercado, o mais rigoroso dos níveis. No Nível 2, segmento intermediário, aparecem Eletropaulo, com 56 mil acionistas, e Santander, com 199 mil investidores.
As oito companhias restantes estão no Nível 1. Nesse grupo, destacam-se bancos como Bradesco, com 344 mil acionistas individuais, Itaú Unibanco, com 193 mil, e Banrisul, com uma base de 63 mil. Há ainda a Vale, com 181 mil investidores, a Bradespar (93 mil), a Cemig (110 mil) e as siderúrgicas Gerdau (99 mil) e Usiminas (46 mil).
"Mais empresas poderiam estar em algum nível de governança, mas é melhor do que nada", afirma Espírito Santo, também economista da Way Investimentos. Mas as maiores, destaca, não fazem parte de nenhum segmento, caso das companhias de telefonia Telebrás, Telesp (Telefônica), Tele Norte Leste Participações (Oi), Vivo, Brasil Telecom e Telemar Norte Leste, além de Petrobras e CSN.
Vale uma ressalva: as empresas de telefonia lideram em número de investidores, por conta dos antigos planos de expansão, em que a compra de linha dava direito a ações das companhias. Não foi propriamente uma escolha do investidor, ainda assim as empresas não evoluíram no quesito governança.
A grande restrição é que a listagem num dos segmentos diferenciados abriria a possibilidade de os atuais controladores terem de dividir o prêmio pelo controle (o tag along) pago na privatização das teles. O que é relevante hoje, dado o momento de consolidação por que passa o setor de telefonia.
Já a Petrobras, companhia de maior peso no Ibovespa, está no nível tradicional. "O fato de a principal empresa não fazer parte de nenhum segmento especial é um grande desafio para o mercado brasileiro, uma vez que limita o avanço maior da governança", afirma.
Na visão de Espírito Santo, a criação de regras de governança para a bolsa há cerca de dez anos teve papel fundamental no crescimento do mercado. O momento agora é de revisão das normas e de convencer mais empresas dos benefícios da governança, diz. Entre eles, a redução do custo de capital. Questionada sobre a possibilidade de participar de algum dos segmentos, a Petrobras disse que "está estudando" e "irá avaliar as propostas de mudanças sugeridas pela Bovespa".
Empresas com governança tendem a ter uma melhor relação risco/retorno. Estudo do economista mostra que, entre junho de 2001 e junho de 2010, o Índice de Governança Corporativa (IGC) apresentou retorno esperado médio anualizado de 24,6%, acima dos 20,45% para o Ibovespa, principal índice da bolsa. Já o risco esperado médio anualizado ficou em 26,4% para o IGC e em 28,41% para o Ibovespa.
Dividindo o risco pelo retorno, o coeficiente de variação para o IGC é de 1,07 e para o Ibovespa de 1,39. Quanto menor, melhor a relação risco/retorno. Além de apresentar um melhor retorno esperado, o índice de governança embutia menos risco. "Infelizmente, o ser humano é ganancioso e tende a olhar apenas para o que dá mais retorno." Mas mesmo levando em conta o retorno, o IGC ganha, com alta de 567% de 2002 a 2009, ante variação de 396% do Ibovespa.
O presidente da Rio Bravo, Mario Fleck, concorda que o ideal seria que o investidor olhasse para a estrutura de governança das empresas antes de tomar sua decisão, assim como o gestor profissional. Mas ele destaca que esse deve ser apenas um dos critérios, já que a governança não determina necessariamente o retorno do investimento.
Fleck cita como exemplo as empresas que abriram capital recentemente no Novo Mercado com preços elevadíssimos. "Não tem governança que faça com que empresas caras tenham retornos satisfatórios."
Ele acrescenta que há muitas empresas que não estão em segmentos regulados pela bolsa, mas apresentam bons modelos de governança.   (Alessandra Bellotto - Valor Online)

13.07 - Cresce temor de uma nova recessão no próximo ano
Indicadores recentes reforçam risco de "duplo mergulho" na economia
Países desenvolvidos e mesmo a China emitem sinais de que a reação no pós-crise é menos vigorosa que a esperada
Recentes indicadores econômicos negativos de países desenvolvidos e até da China suscitaram um debate sobre uma possível nova recessão em 2011. Isso levaria ao chamado "mergulho duplo", ou seja, a economia global, que se contraiu em 2008, voltaria a se retrair no próximo ano.
"Os indicadores ainda são mistos, mas dados recentes do mercado de trabalho e do setor imobiliário foram negativos. O risco de um "mergulho duplo" é real, e eu o colocaria como sendo de 1 em 3", diz John Bowler, diretor de risco soberano da consultoria Economist Intelligence Unit (EIU).
Mesmo que a tese do risco crescente de um "mergulho duplo" -defendida, entre outros, pelo ganhador do Prêmio Nobel de Economia Paul Krugman- não se confirme, é consensual a percepção de que as ameaças ao desempenho global cresceram.
Essa visão foi referendada ontem pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) na sua atualização do Panorama Econômico Mundial.
Em alusão à sua projeção de crescimento para a economia global de 4,6% para 2010, que representa alta de 0,4 ponto percentual em relação ao número divulgado em abril passado, o Fundo alertou: "Riscos [à recuperação] aumentaram fortemente em meio à renovada turbulência financeira".
O Fundo ressaltou a recuperação mais forte do que o esperado nos EUA no primeiro semestre deste ano.
Mas dados recentes revelaram que as economias dos países desenvolvidos, ainda solapadas por dívidas gigantescas tanto do setor público como do privado, não adquiriram vigor suficiente para caminhar de forma mais acelerada sem a ajuda das muletas de políticas fiscais e monetárias expansionistas.
"À medida que os incentivos estão expirando, a atividade econômica voltou a patinar", diz Virgílio Castro Cunha, economista-chefe para o Brasil e estrategista de renda fixa do Bank of America Merrill Lynch (BAML).
PERSPECTIVAS RUINS
O número de contratos pendentes para compras de casas usadas nos EUA recuou 15,6% em maio em relação ao mesmo período do ano anterior. Isso indica perspectivas ruins tanto para novas vendas como para os preços de imóveis.
Dados recentes do mercado de trabalho norte-americano também têm preocupado. O saldo entre contratações e demissões (excluindo o setor agrícola) nos EUA em junho atingiu pela primeira vez em 2010 uma marca negativa de 125 mil postos de trabalhos eliminados.
Até na China, principal motor do crescimento global, dados que revelaram um ritmo menor de expansão da produção industrial nos últimos meses apontam para crescimento ainda forte, mas com uma clara tendência de desaceleração.  (ÉRICA FRAGA - Folha de S.Paulo)

13.07 - Brasil destoa de Brics com saída de investidor de ações
Ao contrário do que ocorreu com os demais Brics, os fundos que investiram em ações de empresas brasileiras tiveram saída de dinheiro no primeiro semestre.
As retiradas no Brasil superaram os depósitos em US$ 1,4 bilhão nos seis primeiros meses deste ano, segundo levantamento da consultoria norte-americana EPFR Global.
Os motivos para a saída de dinheiro do país são o aumento na taxa de juros pelo Banco Central e a proximidade das eleições, de acordo com a consultoria.
A Bovespa acumula desvalorização de 7,45% neste ano -é a que mais recuou entre os principais mercados financeiros das Américas.
No ano passado, quando a Bolsa de Valores brasileira teve o maior avanço global em dólares, o país recebeu mais de US$ 5 bilhões.
Na Rússia, houve entrada de quase US$ 2 bilhões no primeiro semestre deste ano, e os fundos chineses receberam US$ 1,2 bilhão. Os depósitos na Índia ficaram bem abaixo dos vistos no ano passado, mas ainda assim positivos: US$ 246 milhões.
Os fundos de emergentes registraram no total entrada de US$ 17,4 bilhões neste ano. Já os dedicados aos países ricos tiveram saída de US$ 15,7 bilhões.   (Maria Cristina Frias - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

12.07 - FMI eleva previsão de crescimento mundial
O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou até 4,6% sua previsão de crescimento mundial para 2010. O motor é a forte evolução da Ásia na primeira metade do ano, mas o destaque é do Brasil, país cujas expectativas mais subiram: 1,6%, chegando a 7,1%. A China terá o maior crescimento entre eles: 10%.
O novo número supera em quatro décimos o cálculo de abril, enquanto o organismo manteve sua previsão para 2011: 4,3%. O bom desempenho dos países emergentes, que crescerão este ano meio ponto percentual a mais que o antecipado, explica o aumento.
O FMI segue acreditando em uma recuperação a duas marchas, com os países ricos avançando em ritmo "modesto" e os mercados emergentes acelerados, mas a grande incógnita que pesa sobre a recuperação mundial é a Europa. A boa notícia é que não há sinais de que os problemas financeiros na Europa tenham freado a subida econômica.
O FMI manteve sua previsão de crescimento de 1% na zona do euro para este ano, embora o reduziu em três décimos para 2011, até 1,3%. Em seus cálculos, o organismo assume que as condições nos mercados europeus melhorarão de forma progressiva, e os transtornos em outras regiões serão menores.
Mas, como admite o próprio Fundo, o grande perigo é de que a preocupação dos investidores pelo nível de dívida de alguns países europeus, como Grécia, Portugal, Espanha, Itália e Irlanda, se transforme em uma crise de confiança em seu bancos, causando a perda da confiança das empresas e dos consumidores, fazendo afundar o euro. Esse cenário diminuiria 1,5 pontos percentuais o crescimento do planeta em 2011, o deixando em 2,8%.
Outros riscos são uma redução da demanda devido a planos de ajuste fiscal "excessivamente profundos ou mal desenhados" e o agravamento do setor imobiliário dos Estados Unidos, que ainda não dá sinais claros de levantar a cabeça, explicou a entidade.
O FMI recomendou aos países ricos que elaborem planos para pôr suas finanças em ordem em médio e longo prazo, com metas de redução de déficit durante vários anos, baixas permanentes da despesa e reformas dos sistemas de previdência e de saúde que lhes permitam economizar dinheiro público.
Enquanto isso, os países emergentes de alto crescimento foram aconselhados a acabar imediatamente com as políticas de estímulo econômico. Os que têm altos superávit comerciais e um baixo nível de dívida devem, segundo o FMI, subir as taxas de juros e deixar que suas moedas se apreciem. Nesse grupo estaria a China, embora o organismo não tenha mencionado países específicos em seu relatório.
Na recomendação à América Latina, os fundo indicou que nações que recebem um alto volume de capital estrangeiro deveriam reduzir o gasto público primeiro, para evitar que um aumento nos juros faça crescer mais ainda o fluxo de dinheiro externo que chega a seu território.  (EFE/Invertia)

12.07 - Inflação muda de rota e desacelera em junho
Conjuntura: Preços ficam estáveis ao consumidor e apresentam desaceleração disseminada na indústria
A tendência da inflação mudou em junho. Dois importantes índices divulgados ontem - o IPCA, que mede preços ao consumidor, e o IGP-DI, focado no atacado - recuaram fortemente em relação aos números de maio e indicaram a possibilidade de a inflação apresentar, no segundo semestre, um comportamento mais benigno. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou 0,0% pela primeira vez em quatro anos e o IGP-DI ficou em 0,34%, bem abaixo do 1,57% de maio. Esse duplo recuou colocou um ponto de interrogação sobre o manejo da política monetária e abriu a possibilidade de uma trajetória mais branda para a taxa básica de juros definida pelo Banco Central.
Entre os sinais positivos que apareceram nos dois índices estão a deflação de 0,9% no grupo alimentação e bebidas (inflação ao consumidor), uma desaceleração bastante disseminada nos preços industriais no atacado (cuja alta recuou de 2,66% em maio para 0,42% em junho) e o índice de difusão no varejo, que indica quantos itens registraram elevação de preços no mês - em junho atingiu 57,3%, a menor desde outubro de 2009 e a primeira abaixo do patamar de 60% no ano.
Os preços agrícolas no atacado, por outro lado, tiveram variação maior entre maio e junho, passando de 0,19% para 0,46%, mas as matérias primas desaceleraram muito: de 8,1%, em maio, para 1,5%, em junho.
Além da deflação em alimentos, todos os itens pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que calcula o IPCA, registraram queda frente a maio. Enquanto a alta dos preços administrados caíram pela metade, de 0,33% para 0,12%, os serviços perderam um pouco menos - dos 0,62%, em maio, para 0,41%, em junho. O tombo foi maior entre os preços livres, onde a alta próxima a 0,5% de maio se transformou em deflação no mês passado. No ano, o IPCA já acumula 3%, acima dos 2,6% de igual período em 2009, mas inferior aos 3,6% registrados em 2008, quando a atividade estava aquecida.
Na avaliação dos economistas, a deflação em alimentos deve permanecer neste mês. A oscilação destes itens pode ser explicada por fatores extraordinários e sazonais, diz Fábio Romão, economista da LCA Consultores. "No início do ano, com o excesso de chuvas no Brasil e em países exportadores, como a Índia, houve um choque de oferta em itens básicos. Agora vemos uma devolução, pois a situação se normalizou", afirma Romão, para quem o movimento é amplificado por fatores sazonais.
Além disso, aponta o economista, a queda nos preços dos automóveis novos e usados em junho indica que o consumo não têm mais o ímpeto do início de 2010. Enquanto preço do carro novo caiu 0,37%, o automóvel usado despencou 1,41% no mês passado. "Muita gente tinha no horizonte a compra de um usado, mas adquiriu um novo graças aos incentivos do governo", avalia. O IPCA zero de junho fez a LCA rever sua projeção de inflação no fim de ano - a projeção agora é de 5,1%, acima, ainda, da meta de 4,5% do BC.
Para Salomão Quadros, coordenador de preços da Fundação Getulio Vargas (FGV), que calcula o IGP, a inflação registrada em junho já demonstra desaceleração dos preços, principalmente durante a cadeia de produção, o que já indica menor possibilidade de haver repasses de preços ao consumidor. "Houve uma desaceleração bastante disseminada, bastante difundida, tanto na fase industrial, como na fase de consumo. Talvez seja cedo para o BC mudar a concepção do processo inflacionário, mas é sinal de que atenuou um pouco a pressão inflacionária". Ele acredita não haver redução de demanda, mas, sim, maior capacidade de a indústria atender às necessidades de consumo.
Para Tatiana Pinheiro, do Santander, e Felipe Insunza, da Rosenberg & Associados, no entanto, os resultados de junho estão mais para "pontos fora da curva". Segundo Tatiana, o fraco resultado da inflação no varejo foi muito influenciado pelos alimentos. Descontados do resultado final, o IPCA teria avançado 0,4% em junho. Além disso, diz ela, o item de alimentação fora de domicílio teve alta de 0,66%. "O tomate, a matéria prima, ficou mais barato. Mas ele está mais caro no restaurante porque há mais pessoas comendo fora de casa, uma vez que a renda está em alta", diz. Para Insunza, o aumento no pedágio das rodovias paulistas e da tarifa dos ônibus interestaduais, a partir de julho, deverão voltar a pressionar os índices.
A perspectiva de que a inflação possa ter uma trajetória mais benigna do que o projetado pelos analistas e, assim, influenciar a política monetária, refletiu ontem no mercado futuro de juros, negociado na BM&FBovespa, que ontem recuou.  (João Villaverde e Juliana Ennes - Valor Online)

12.07 - "O BC poderá elevar os juros para menos que 12% ao ano"
Para o economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, a desaceleração da inflação abre espaço para alta menor da taxa de básica de juros (Selic).
O que chamou a atenção nos dados do IPCA zerado de junho?
O mais interessante é que não foi devido a um ou outro produto. A desaceleração da inflação cheia do IPCA foi acompanhada por uma desaceleração importante também das medidas de núcleo. A média simples, que estava em 0,59 ponto porcentual em maio, caiu para 0,35. Ou seja, houve uma desaceleração relativamente generalizada entre vários produtos.
Por que isso é importante?
Sinaliza uma tendência de convergência ao centro da meta de inflação de 4,5% mais rápido que muitos analistas imaginavam, o que tem implicações do ponto de vista de política monetária. Alguns analistas que projetavam um IPCA de 6% no ano, começaram a revisar suas projeções para 5,4%, 5,5% ,
Qual é a implicação na política monetária?
Em seu último relatório de inflação, o Banco Central mostrava que, com a Selic subindo para 12% ao ano, a inflação saia de 5,3% este ano para 4,6% no próximo ano. Agora, se a inflação de 2010 fechar em 5%, por exemplo, será mais fácil chegar a 4,6% em 2011. Isso indica que o BC poderá elevar os juros para menos que 12%.
Qual a sua expectativa de alta na Selic?
A gente acha que duas altas de 0,75 ponto porcentual, com a Selic chegando a 11,75%, já é suficiente para levar a inflação para o centro da meta no ano que vem. (Marcelo Rehder - O Estado de S.Paulo)
 
 
 
 
 
 
 

08.07 - Demanda insuficiente e austeridade
Os países avançados continuam carentes de demanda. Nesse ambiente, cortes rápidos no apoio fiscal fazem sentido se a política monetária puder ser eficaz
O default fiscal é iminente, insistem as cassandras: arrependei-vos e cortai gastos antes que seja tarde demais. Mas tenho uma pergunta: será que acreditamos que os mercados são incapazes de estimar corretamente o preço das coisas, até mesmo da dívida pública nos maiores países avançados do mundo, que são os ativos mais bem compreendidos e mais líquidos no mundo? Sugiro que não. Os mercados estão dizendo algo importante.
Na segunda-feira, o rendimento dos títulos do governo do Tesouro com maturação em 10 anos estava em 1,1% no Japão, 2,6% na Alemanha, 3% nos EUA e 3,3% no Reino Unido. Com base nos rendimentos de títulos vinculados a índices, as taxas de juros reais sobre empréstimos contraídos por esses governos estão muito baixas (1,2% ou menos nos EUA, Alemanha e Reino Unido). Os investidores estão dizendo que veem o risco de depressão e deflação como maior do que o de inadimplência e inflação.
Por que deveria ser tão fácil financiar déficits fiscais tão enormes, mesmo depois de os bancos centrais terem cessado suas compras de títulos governamentais? Em resposta, apresento aqui um cálculo que pode ser deduzido dos valores das balanças em conta corrente e fiscal publicados no mais recente Panorama Econômico da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE): prevê-se que o setor privado - famílias e empresas - nos países avançados, deverão registrar um excesso de rendas em relação aos gastos, neste ano, de 7% do PIB. Em números redondos, serão US$ 3 trilhões. Nos EUA e na zona euro, o excedente privado pressuposto será de aproximadamente US$ 1 trilhão, em cada caso. No Japão, são aproximadamente US$ 500 bilhões. No Reino Unido, US$ 200 bilhões.
Concentremo-nos nos US$ 3 trilhões: esse é o montante previsto para o incremento dos créditos líquidos do setor privado nos países avançados, resultantes de sua exposição a governos e a estrangeiros em 2010.
Aonde poderia ir esse dinheiro? Uma possibilidade poderia ser: para os países emergentes. Poderíamos imaginar, por exemplo, que os países avançados eliminassem seus déficits fiscais, porém mantivessem esses superávits privados. Isso significaria um superávit agregado em conta corrente de US$ 3 trilhões (ou 7% do PIB). A região da OCDE se tornaria um mega-Alemanha. Os países ricos estariam despejando capital nos mais pobres.
Na prática, porém, isso não acontecerá. Longe de incorrer num déficit em conta corrente de US$ 3 trilhões, as previsões são de que os países emergentes incorrerão em superávits: a estimativa mais recente, do Institute for International Finance (IIF), em Washington, é de um superávit agregado de aproximadamente US$ 300 bilhões, dois terços dos quais serão gerados pela China. Esse montante é menor do que dois anos antes. Mas isso ainda significa que o mundo emergente será um provedor líquido de capital para os países avançados, e não o contrário.
Isso não é tudo. Segundo o IIF, o fluxo líquido de fundos privados dos países desenvolvidos para os países emergentes ficará em torno de US$ 700 bilhões neste ano. Mas isso será quase inteiramente compensado por uma saída oficial, mobilizando reservas em moeda estrangeira, próximas de US$ 600 bilhões. Essas enormes intervenções oficiais impedem o surgimento de de grandes afluxos líquidos de capital para os países emergentes. Em vez disso, os setores privados dos países avançados acumularão créditos líquidos junto ao setor privado de países emergentes, ao passo que os governos de países emergentes, em compensação, acumularão créditos junto aos governos dos países avançados.
A conclusão é clara: não existe, atualmente, um gigantesco fluxo líquido de fundos focado em passivos dos governos dos países avançados. Naturalmente, alguns países ainda podem entrar em dificuldades. Mas é completamente errôneo afirmar que as dificuldades de uma Grécia ou de uma Espanha implicam dificuldades mais à frente para os EUA ou mesmo para o Reino Unido. O contrário é mais provável: fugir de riscos implica fugir para algo menos arriscado. Qual é o ativo menos arriscado para o investimento de gigantescos superávits financeiros privados? A única resposta é: a dívida pública dos grandes países avançados.
Esses fluxos de fundos consistem apenas de identidades. Então, quais são os fatores causais? Talvez o colapso nos gastos privados na esteira da crise financeira tenha sido causado pelo terror em face do déficit fiscal por vir. Ou talvez a lua seja feita de queijo verde. Também não há praticamente nenhum sinal de que o déficit público esteja ocupando o espaço dos mercados de capital. A hipótese plausível, então, é que os déficits fiscais foram uma reação ao colapso do desejo de gastar do setor privado impactado pela crise. A política fiscal poderia ter sido mais apertada. Mas o resultado teria sido uma depressão.
Qual é, então, o futuro? Suponha que não haja nenhuma mudança significativa de política econômico-financeira nas economias emergentes. Então, para que uma contração fiscal nos países avançados não provoque um desaquecimento, ou até mesmo uma segunda recessão, ela precisa vir acompanhada de uma escalada nos gastos privados.
O argumento tem de ser o de que maior confiança na sustentabilidade das finanças públicas no longo prazo resultaria em maior consumo privado e em gastos com investimentos agora, mesmo se não houver efeitos significativos sobre os juros ou sobre o câmbio. Sou extremamente cético em relação a esse argumento . Mas admitamos que isso seja verdadeiro. Então, a melhor política é desacelerar o crescimento de longo prazo dos gastos com foco etário. Essa conclusão fica bem clara como resultado da discussão das tendências fiscais de longo prazo no excelente novo relatório anual do Banco para Compensações Internacionais (BIS).
Os argumentos em defesa de uma enorme contração fiscal em curto prazo, porém, são frágeis. Sim, estamos desfrutando de uma recuperação. Mas as economias ainda estão muito abaixo dos níveis de pico de atividade e também abaixo de quase qualquer estimativa plausível para a tendência de longo prazo. Isso é particularmente verdadeiro nos EUA, onde as taxas de desemprego dispararam bem mais do que em outros países avançados. A menos que os EUA tenham repentinamente se convertido em Europa continental, por que deveria o desemprego de equilíbrio ter subido tanto assim?
Minha conclusão, portanto, é que os países avançados continuam extremamente carentes de demanda. Nesse ambiente, cortes rápidos no apoio fiscal faz sentido se, e somente se, a política monetária puder, ela mesma, ser eficaz e se expandir as partes da economia elásticas em relação aos juros for a melhor maneira de sair do buraco. Há razão para duvidar de ambas as ideias. Na cúpula do G-20, no Canadá, os líderes comprometeram-se a "reduzir à metade o déficit fiscal até 2013 e estabilizar ou reduzir a dívida pública como percentual do PIB até 2016". Faria muito mais sentido, para os governos, concentrarem seus esforços em alterar a trajetória dos gastos no longo prazo. Os governos podem torcer para que os cortes de gastos agora impulsionarão os gastos privados. Mas qual é o plano deles caso isso não aconteça?   (Martin Wolf - Valor Online)

08.07 - Recuperação econômica nunca é uniforme
O secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, afirmou durante uma entrevista à rede de televisão PBS estar confiante na recuperação da economia dos EUA, alertando que as cicatrizes "profundas" da crise financeira precisarão de tempo para ser curadas e que os períodos de recuperação econômica nunca são regulares.
"Ainda vemos os efeitos duradouros da deterioração na confiança das empresas e no sentimento das pessoas em relação às próprias vidas. As pessoas ainda se sentem, compreensivelmente, receosas, um pouco descrentes", disse Geithner. "Vimos uma parte das preocupações com a Europa passarem pela economia americana", acrescentou.
Questionado sobre se a queda recente nos mercados de ações o preocupa, o secretário disse que "tivemos um longo período de melhora nos mercados. O preço dos imóveis ficou mais estável, o valor da poupança das pessoas está crescendo de novo, e isso é muito bom. É um sinal de maior confiança."
"E novamente, vocês viram e vocês sabem, as recuperações nunca são uniformes nem regulares", afirmou Geithner. A autoridade também disse que a economia dos mercados emergentes - em particular a da China, a da Índia, a do Brasil e a do México - "está muito forte agora" e que "a América é muito boa em produzir as coisas que esses países precisam".   (GUSTAVO NICOLETTA - Agencia Estado)

08.07 - Consumo, crescimento e equilíbrio
O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro terá este ano a mais expressiva expansão dos últimos 10 anos. O maior índice de crescimento, 6,1% em 2007, será superado, devendo ficar em torno de 7%, segundo estimativas de analistas e do governo. Caso o país conseguisse manter esse nível nos próximos 10 anos, o PIB dobraria no período. Um dos fatores preponderantes para o crescimento da economia brasileira tem sido o consumo das famílias. Nos últimos anos, a demanda vem se mantendo aquecida em parte por causa dos ganhos reais dos rendimentos de um grande contingente que se beneficia de programas da seguridade social, como o Bolsa-Família, que, só este ano, conta com recursos que somam mais de R$ 13 bilhões, e os benefícios previdenciários, que só no início de 2010 tiveram um reajuste nominal de 10% frente a uma inflação ao consumidor de 4% em 2009.
A seguridade tem sido importante para aquecer o mercado interno, mas nada se compara com o que ocorre no mercado de trabalho e no crédito à pessoa física. Na questão do emprego os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que desde março de 2002, quando a nova Pesquisa Mensal de Emprego foi aplicada, o número de desempregados nas seis regiões metropolitanas do país caiu de 2,6 milhões para 1,7 milhão em abril. Os índices de desocupados despencaram, no período, de 12,9% para 7,3%. Nesses cinco anos, o contingente de ocupados saltou de 17,3 milhões para 21,8 milhões e o rendimento real médio mensal dos trabalhadores se elevou de R$ 1.359,81 para R$ 1.424,10. A massa salarial desse grupo passou de R$ 23,5 bilhões por mês para R$ 31,1 bilhões por mês. São R$ 7,6 bilhões mensalmente, R$ 91 bilhões no ano, em recursos sendo aplicados no consumo de alimentos, roupas, perfumaria e outros bens e serviços. Vale repetir que esses valores estão expressos em termos reais. No que se refere ao crédito para as pessoas físicas, os números também são impressionantes. Em janeiro de 2001, o volume de recursos para os consumidores equivalia a 5,6% do PIB e em abril foi para 15,2%. O que não falta é dinheiro para financiar automóveis, eletrodomésticos, imóveis, passagens aéreas etc.
O consumo está aquecido e os investimentos produtivos estão voltando, depois da retração no ano passado. O resultado foi o repique da inflação e a rápida deterioração das contas externas. O nível de preços ao consumidor se descolou do centro da meta de 4,5% para este ano e as transações correntes do balanço de pagamentos, que, em 2005, foram superavitárias em US$ 14 bilhões e, no ano passado, tiveram déficit de US$ 24 bilhões, vão crescer e podem fechar 2010 com saldo negativo de US$ 40 bilhões.
O Banco Central já começou a elevar a Selic e o governo projetou cortar despesas para amenizar o impacto da demanda sobre a inflação. Mas a maior preocupação refere-se ao rombo nas contas externas. O que virá depois das eleições para reduzir o ritmo de crescimento e diminuir a pressão sobre os preços e o balanço de pagamentos deveria se pautar pela preservação do nível de empregos, da renda e dos investimentos. O Brasil, mais uma vez, se vê incapaz de crescer de modo robusto e sustentado com equilíbrio em seus fundamentos econômicos. É uma equação difícil, mas que poderia ter sido resolvida se o país tivesse feito uma reforma tributária nos moldes do imposto único.   (Marcos Cintra - Estado de Minas)
 
 
 
 
 

07.07 - A  grande lição da crise
O mundo vive um grande momento de "mágica besta". A tragédia financeira iniciada nos EUA foi produzida pela soma da concupiscência do sistema financeiro e suas "inovações", com o tratamento descuidado pelos governos que deveriam regulá-las. Antes que ela tivesse terminado, somos atropelados por uma nova grave crise produzida pela total irresponsabilidade fiscal dos mesmos governos. Em alguns casos, em evidente conspiração com o mesmo sistema financeiro! Até agora elas produziram mais de 30 milhões de desempregados, aumentaram a pobreza e continuam a manter a economia mundial sob estresse e volatilidade.
Trata-se, obviamente, de obra conjunta dos "mercados financeiros" e dos "governos". Não deixa de ser patético, portanto, imaginar que o governo é o "salvador". Ele é tão culpado quanto os patifes do mercado financeiro. Só pode salvá-los à custa de recursos do setor privado produtivo graças ao seu poder de império.
A "mágica besta" é que são a renda e o emprego dos que ganham (ou ganhavam) a vida honestamente que estão pagando a conta do governo "salvador". Nunca é demais lembrar um fato físico: os governos não criam recursos. No máximo podem transferi-los. Tomam de um setor produtivo e o transferem para outro, apropriando-se no caminho de um pedaço para seu custeio...
Quando se olha de perto o que aconteceu não podemos deixar de lembrar a célebre descoberta do velho Hegel na sua introdução à "Filosofia da História": "O que a experiência e a história nos ensinam é apenas que os povos e os governos nunca aprendem nada com a história ou usaram princípios dela deduzidos."
E, no entanto, é necessário aprender com a história e tirar dela lições que reduzam a probabilidade de novo erro. Essa lição não se circunscreve à necessidade de construção de um sistema monetário e financeiro hígido, estável e adequadamente regulado para financiar o sistema produtivo e as inovações que são a base do crescimento da produtividade do trabalho.
A crise mostrou a velocidade com que controles fiscais aparentemente bem sucedidos podem deteriorar-se e ameaçar o equilíbrio dos países. É preciso não esquecer: 1º ) que, por bem ou por mal, o governo será sempre o instrumento de "salvação de última instância" para enfrentar choques mais profundos, tanto do lado da oferta como do lado da procura globais, usando recursos que extrairá da sociedade; e 2º ) que o sistema de economia de mercado tem ínsita uma tendência à flutuação produzida ou por fatores físicos ou pelo comportamento dos seus agentes. Esses são permanentemente tomados ou pelo entusiasmo e propensão ao risco, ou pelo pessimismo, pelas incertezas e angústias.
A grande lição da crise é que a percepção da existência de um sólido equilíbrio fiscal de longo prazo e de uma apropriada relação dívida pública/PIB (corretamente medida) são fundamentos do sucesso da boa governança. São eles que dão ao governo a capacidade de cumprir bem o seu papel no enfrentamento das crises de oferta ou procura globais.
O Brasil é um exemplo do sucesso dessa lição. Desde a Constituição de 1988 vimos aperfeiçoando nossas instituições fiscais (LDO, Orçamento Plurianual, LRF) e monetárias (Banco Central operacionalmente autônomo, metas inflacionárias, câmbio flutuante). É certo que elas carecem ainda de profundos aperfeiçoamentos, principalmente o Orçamento anual cuja receita deveria ser fixada por uma comissão composta de representantes do Executivo e do Congresso e não passível de ajustamento durante sua discussão. É preciso tornar, na prática, impossível o aumento de despesas permanentes sem um correspondente aumento também permanente dos recursos para financiá-las.
Não deixa de ser aterradora a verdadeira orgia de despesas recentemente criadas sob pressão do processo eleitoral que assola o Congresso. Não há dúvida que o Executivo andou cometendo manhosos desatinos em matéria de política de pessoal da União. Isso não deveria, entretanto, justificar o "espírito natalino" que se apossou da coalizão do Legislativo e Judiciário. Na base do vale-tudo, confundiu-se a absolutamente necessária independência dos poderes como um salvo conduto para exageros salariais em harmonioso desrespeito à realidade orçamentária. Mais do que isso, o Congresso e o próprio Executivo não se cansam de cometer fraquezas "ad hoc" de inspiração oportuno-populista com graves consequências futuras, como restabelecer a trágica, falaciosa e aparentemente "justa" correção "pelo salário mínimo" para toda sorte de remuneração. O que se esquece é que foi exatamente a desvinculação de outras rendas ao salário mínimo que permitiu o seu importante aumento real, para a mais rápida redução da pobreza e da desigualdade obtidas no governo Lula.
Não pode haver dúvida que esses fatos comprometerão o equilíbrio fiscal dos próximos governos. A busca do "benefício eleitoral" que comanda o Congresso e o Executivo e leva à insensatez, às vésperas dos pleitos nacionais, deve ser corrigido por um dispositivo constitucional que proíba a discussão de qualquer mudança na estrutura do governo e na sua remuneração a partir de um ano antes das eleições, quando ainda há esperanças de que lhes resta alguma lucidez...   (Antonio Delfim Netto - Valor Online)

07.07 - Crise econômica fragiliza principais governos da UE
Os líderes políticos europeus estão perdendo popularidade e autoridade em casa, enquanto buscam soluções para a crise da dívida da zona do euro e para as perspectivas de um crescimento econômico raquítico.
Efeitos adversos da crise, junto com problemas domésticos, têm atormentado governos em Berlim, Paris e Madri, e até mesmo afetado a popularidade do premiê "teflon" da Itália, Silvio Berlusconi.
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, perdeu dois ministros no domingo por causa de escândalos com despesas, justamente num momento em que o apoio ao seu governo está em queda, acompanhando a desaceleração econômica e as medidas de austeridade adotadas. A premiê alemã, Angela Merkel, está lutando com dificuldades para mudar a percepção de que seu governo, eleito no final do ano passado, está dividido e sem rumo. E o primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, está com dificuldades para aprovar cortes impopulares no orçamento, sem uma maioria estável no Parlamento.
"Todos esses governos estão sendo forçados a fazer cortes impopulares [de gastos] por uma crise financeira internacional que está fora do controle das autoridades nacionais, e isso está prejudicando a imagem dos governos", diz Jan Techau, analista de política internacional do Colégio de Defesa da Otan, em Roma.
Os governos da zona do euro foram afligidos por uma série de desafios econômicos, reforçados pela crise da dívida grega e por suas consequências de um lado a outro da Europa.
Fortalecer as regras fiscais da zona do euro, reparar as combalidas finanças públicas na região e melhorar a competitividade econômica de alguns países implica realizar reformas há muito adiadas nas leis trabalhistas e nos sistemas de benefícios sociais.
Em toda a zona do euro, cortes de gastos e de subvenções causam choques e provocam raiva e protestos dos sindicatos trabalhistas.
Escândalos e descuidos políticos enfraqueceram a capacidade de alguns líderes europeus de convencer os seus cidadãos de que medidas dolorosas fazem parte de uma estratégia para criar uma economia mais forte no futuro.
Um alento para os líderes das principais economias da zona do euro é que nenhum deles enfrentará eleições nacionais antes de 2012 - e, no caso de Berlusconi, seus rivais políticos continuam fracos.
No mês passado, o governo Sarkozy informou que vai cortar os gastos públicos franceses em
Ontem, Alain Joyandet, o secretário de Estado para desenvolvimento internacional da França, renunciou depois de admitir que contratou um jato particular por € 116.500 para voar para o Caribe a negócios, quando poderia ter pego um voo regular.
Christian Blanc, secretário de Estado para a região de Paris, também pediu demissão depois de admitir que gastou 12 mil em dinheiro dos contribuintes para comprar charutos - e que fumou, ele mesmo, um terço dos charutos. O governo determinou que ele deve cobrir a despesa por completo.
Sarkozy está se mexendo para dar ao seu governo uma imagem mais frugal, na tentativa de vender os cortes orçamentários. Este ano, ele cancelou caçadas presidenciais e a tradicional festa de 14 de julho no jardim do Palácio do Eliseu. Embora ainda tenha dois anos antes de tentar a reeleição, analistas dizem que ele tende a suavizar as propostas quando a oposição popular fica muito forte, e pode fazer isso de novo.
Na Itália, a taxa de aprovação de Berlusconi caiu para 41%, ante mais de 50% no ano passado, por causa de escândalos sobre questões pessoais e legais do premiê.
A coalizão de centro-direita de Berlusconi obteve uma vitória convincente nas eleições regionais de março, mas, desde então, cresceu o descontentamento com um pacote de austeridade que prevê cortes de € 25 bilhões até 2012. Os cortes propostos enfrentam resistência dos legisladores de centro-direita e dos governadores regionais, assim como dos sindicatos trabalhistas.
Berlusconi sofreu um golpe na segunda-feira, quando seu ministro para o federalismo, Aldo Brancher, renunciou apenas duas semanas depois de ter sido indicado pelo líder italiano, em meio a acusações de que estaria usando o cargo público para se proteger de um julgamento por corrupção.
A premiê alemã Angela Merkel, no comando da maior economia da Europa, também viu as taxas de aprovação caírem para menos de 40%, ante mais de 50% no começo de maio, quando concordou com o plano europeu para socorrer a Grécia. Antes disso, ela tinha garantido aos eleitores alemães que a Grécia não precisava ser resgatada.
A revolta popular dos alemães por terem de socorrer os países em dificuldades no sul do continente machucou ainda mais um governo assolado por disputas internas. Alguns políticos que participam da coalizão de Merkel estão pedindo que a premiê exerça uma liderança mais firme, alegando que o estilo discreto dela está permitindo que surjam divisões e indisciplina.
Na semana passada, a coalizão precisou de três rodadas de votação num colégio eleitoral para garantir a maioria dos votos para eleger o seu próprio candidato à Presidência alemã, Christian Wulff. Isso foi visto com um grande motivo de vergonha para Merkel e como sintoma de um problema maior.
"Merkel não inspira, não provoca a união. Ela não tem uma estratégia que não seja permanecer no poder e fazer as coisas da melhor forma que conseguir", afirma Josef Joffe, um importante cientista político e editor do jornal alemão "Die Zeit".
Um dos líderes políticos mais fortes da Europa é o primeiro-ministro grego, George Papandreou, cujo governo socialista tem uma maioria indiscutível no Parlamento, ainda que por uma pequena margem. Apesar de terem conseguido aprovar cortes profundos no orçamento em meio a grandes protestos de rua, os socialistas gregos ainda são mais populares que seus rivais, segundo as pesquisas.
Zapatero, o líder socialista espanhol, está parecendo menos seguro desde que seu governo conseguiu aprovar em maio, no Parlamento, cortes orçamentários por uma diferença de apenas um voto. Ele garantiu ao público que novos cortes não seriam necessários, mas a piora da crise da dívida na zona do euro e a pressão de líderes da Europa e dos Estados Unidos o forçaram a voltar atrás. Líderes de oposição acusaram Zapatero de entregar a soberania econômica espanhola à União Europeia.
Os sindicatos espanhóis convocaram uma greve geral para 29 de setembro, para protestar contra as reformas de flexibilização do mercado de trabalho.
A maioria da população espanhola elegeria o oposicionista Partido Popular, de centro-direita, se as eleições fossem hoje, segundo pesquisas de intenção de voto.
O próximo grande teste de Zapatero será o orçamento da Espanha para 2011, que o Parlamento precisa aprovar até o fim deste ano. O seu mandato de quatro anos termina no fim de 2012, mas alguns analistas dizem que ele poderia pedir a antecipação das eleições caso não consiga aprovar o orçamento.  (Marcus Walker, Sebastian Moffett e Jonathan House - The Wall Street Journal/Valor Online)

07.07 - Alemanha quer ser exemplo de austeridade para a Europa
A Alemanha quer servir, mais uma vez, de modelo para as outras economias da Europa. E, para isso, reduzirá seu déficit público nos próximos anos abaixo do que o previsto. Segundo um documento do governo alemão, os novos números reforçarão sua posição de defensor do rigor orçamentário na região.
De acordo com as projeções para as contas públicas nos próximos cinco anos, o déficit orçamentário do Estado federal alemão será em 2010 de 65 bilhões de euros (em torno de 81 bilhões de dólares), no lugar dos 80 bilhões de euros previstos anteriormente. A situação se repetirá em 2011, ano para o qual se espera agora um déficit de 57,5 bilhões de euros, contra 76,6 bilhões de euros projetados anteriormente.
O déficit deverá reduzir-se de forma progressiva até alcançar 24,1 bilhões de euros em 2014, conforme as metas de saneamento das finanças públicas inscritos na lei federal.
A redução do déficit explica-se, em primeiro lugar, pela extraordinária saúde do mercado de trabalho, que permitirá à Alemanha economizar no ano que vem ao menos 10 bilhões de euros destinados ao seguro-desemprego. O ministro da Economia, Rainer Brüderle, fala inclusive de um milagre do emprego.
O índice de desemprego está atualmente em 7,5% na Alemanha, onde as usinas, orientadas de preferência para a exportação, trabalham a pleno vapor graças à reativação da economia internacional.
Sustentado por essas boas cifras, o governo aproveita para, em seu planejamento orçamentário, dar um pequeno sermão nos outros países europeus. "Nos próximos meses, os países da zona do euro - e os demais - deverão tomar definitivamente o caminho da consolidação dos orçamentos estatais", afirma o texto. "A Alemanha desempenhará nesse contexto um papel de modelo na zona do euro", completou.
A questão poderá provocar tensão na Europa, já que o objetivo adotado pela Alemanha irrita certos sócios europeus, que prefeririam sustentar um pouco mais a reativação econômica, ainda frágil. O debate não é apenas europeu: os Estados Unidos criticam a austeridade alemã.
No entanto, os alemães podem encontrar respaldo em Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu (BCE). Ele defende que, tendo em vista a estabilidade no longo prazo, reduzir déficits e instaurar políticas fiscais sustentáveis são fundamentais para restaurar a confiança do mercado, que por sua vez estimulará o crescimento.
"Estamos em um período em que é preciso administrar os orçamentos com muita cautela. Você pode chamar isto de austeridade se quiser, eu chamo de políticas fiscais rigorosas", declarou Trichet.
Parte das chamadas políticas fiscais rigorosas já está surtindo efeito: o déficit do governo central da Grécia caiu para 11,4 bilhões de euros (cerca de US$ 9 bilhões) no período entre janeiro e junho, de 19,6 bilhões de euros no mesmo período do ano passado, informou o Banco da Grécia ontem. Durante os seis meses, as receitas orçamentárias ordinárias subiram para 23,2 bilhões de euros (US$ 18,5 bilhões), de 21,7 bilhões em euros no mesmo período de 2009. Os gastos orçamentários ordinários caíram para 30,1 bilhões de euros (US$ 24 bilhões), de 35,5 bilhões de euros nos seis primeiros meses de 2009, acrescentou o banco central.
O ministro das Finanças da Grécia, George Papaconstantinou, disse que a Grécia está no caminho para atingir sua meta de déficit para 2010 e sugeriu que a economia poderá surpreender com um desempenho melhor do que o esperado. Ele citou os números divulgados pelo banco central, mostrando que o déficit orçamentário atingiu 4,9% do Produto Interno Bruto (PIB) nos primeiros seis meses do ano, superando a meta de 5,8% do PIB acertada com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a União Europeia no memorando de entendimento para obtenção do empréstimo de 110 bilhões de euros.
No ano passado, a Grécia informou que o déficit orçamentário estava em 13,6% do PIB, o qual pretende reduzir para 8,1% do PIB este ano. "Estamos reduzindo o déficit como prometemos e o PIB pode não registrar uma contração de até 4% conforme previmos", diz Papaconstantinou. Mas, acrescentou, a receita orçamentária cresceu apenas 7,1%, abaixo da meta de 11%.
Já o governo da Itália vai buscar um voto de confiança para o seu plano de austeridade de 25 bilhões de euros, informou a assessoria do primeiro-ministro Silvio Berlusconi. Ele vai orientar o gabinete a pedir um voto de confiança no Parlamento. Berlusconi e o ministro de Economia, Giulio Tremonti, estão avaliando propostas para mudar o orçamento.  (DCI)
 
 
 
 
 

06.07 - Ajuste nos países ricos vai segurar economia global
O ajuste fiscal nos países ricos deve tirar 1,25 ponto percentual do crescimento econômico mundial em 2011 e atingir também os emergentes, avalia a entidade que representa os maiores bancos do mundo, o Instituto Internacional de Finanças (IIF).
Pelas projeções, o crescimento econômico do Brasil cairá quase pela metade, de 7,5% este ano para 4,4% em 2011, coincidindo com o primeiro ano do novo governo.
A análise dos bancos reforça a preocupação de uma recaída na recessão que toma conta dos mercados nos EUA e na Europa. Ou seja, a expansão econômica recente pode ser mais temporária do que uma recuperação real das economias ditas maduras.
Em 2009, os programas de estímulo lançados pelos países desenvolvidos resultaram em 2 pontos adicionais no Produto Interno Bruto (PIB). Já neste ano, terão efeito "neutro".
Mas, em 2011, a enorme virada de política fiscal, passando de estímulos para forte redução de despesas e aumento de impostos, deve contrair o crescimento econômico dos países desenvolvidos de 2,5% para 1,8%, ou menos.
Na próxima fase do ajuste fiscal, de um lado estarão os países forçados a medidas mais agressivas no curto prazo por causa da capacidade limitada de financiamento, principalmente na zona euro. E, de outro, os que tem acesso a financiamento, como os sete maiores economias do mundo, e podem fazer um ajuste fiscal gradual em 2011-2012 e mais tarde.
Uma preocupação forte é com relação aos EUA. A IIF calcula que o endurecimento fiscal vai tirar um ponto percentual do PIB da maior economia do mundo. E prevê alta de impostos, corte nas despesas e retirada de estímulos do American Recovery and Reinvestment Act.
Além disso, deverá haver menos transferência de recursos do governo federal para os Estados americano. O IIF cita crescente temor de analistas quando ao risco maior de calote por governos locais nos EUA em 2011.
Na zona euro, que reúne os 16 países que utilizam a moeda comum europeia, analistas consideram que medidas fiscais anunciadas desde maio podem exacerbar o já forte desemprego. Sem reaceleração nas contratações de empregados, o ritmo na recuperação econômica será inaceitavelmente lento. Alem disso, a fragilidade dos bancos europeus está no centro das preocupações.
Nas economias emergentes, a fase de aceleração do crescimento após a crise é dada, pelos bancos, como terminada, embora o tamanho de qualquer desaceleração nos próximos 12 a 18 meses deva ser moderado, sobretudo comparado à situação das economias desenvolvidas.
Todos os grandes emergentes têm desempenho melhor em 2010 em comparação com 2009. Mas a China, com peso decisivo, deve diminuir o ritmo dos investimentos públicos a partir do segundo semestre, embora mantendo uma robusta demanda doméstica.
A expectativa de aumento mais moderado das exportações chinesas a partir deste mês deve reforçar a relutância do governo de Pequim, o que provavelmente limitará o ajuste do yuan ou pode até fazer retornar a "tendência do pré-crise" de moeda desvalorizada.
O IIF projeta para 2011 expansão chinesa de 9,5%, comparado a 10% neste ano, o que implica desaceleração neste segundo semestre; na Índia, de 8,1%, contra 8,6% neste ano; e no Brasil, 4,4%, depois dos 7,5% esperados para este ano.
Os dois países que mais inquietam investidores seriam Argentina, com "modelo de crescimento insustentável" que deve se manter até as eleições de outubro de 2011; e Venezuela, com "má gestão, intervenções, erosão nos direitos de propriedade privada e conflitos políticos que deixaram a economia vulnerável a flutuações do preço do petróleo".   (Assis Moreira - Valor Online)

06.07 - Incerteza em alta
Para a economia mundial voltar a sustentar taxas elevadas de crescimento será preciso reequilibrar relações entre os países
Depois da rápida recuperação nos últimos 12 meses, acumulam-se sinais de esgotamento e crescem os riscos de recaída da economia mundial. O crescimento acelerado -com expansão industrial superior a 10% desde o início do ano- esteve em parte ligado à recomposição de estoques e, ao que tudo indica, perderá força.
É um movimento natural que não deveria por si gerar preocupações extremadas. Mas há outras incertezas no contexto atual: a crise na Europa antecipou um aperto fiscal que só se esperava para 2011, os EUA ainda patinam com baixa criação de emprego e a China adotou medidas agressivas de controle no setor imobiliário.
Não está claro qual será a resultante dessas forças. Algumas projeções alarmistas têm ganhado evidência: nova recessão nos EUA, crise bancária na Europa, risco de ruptura do euro e estouro do que seria uma bolha imobiliária chinesa. A pronta reação dos mercados financeiros a essas previsões só tem contribuído para aumentar a insegurança.
É cedo no entanto para acreditar no pior. Permanecem em cena as indicações de solidez nas economias em desenvolvimento, a liquidez de bancos e empresas é bem melhor que em 2008 e as autoridades dos países ricos continuam atuando com vigor -na Europa, por exemplo, espera-se avanço com os chamados testes de estresse nos bancos.
Cabe, no entanto, o alerta de que ainda não há um encaminhamento satisfatório do que talvez seja a causa maior dos problemas atuais na economia mundial: o crescimento global desequilibrado que se viu na última década.
De um lado, estão os países que cresceram com consumo excessivo e incorreram em pesados deficits externos, como os EUA, a Inglaterra e a periferia da Europa. O resultado foi um grande endividamento do setor privado e, desde o ano passado, dos governos que vieram em seu socorro.
De outro estão os que acumularam superavits externos por meio de exportações e consumo interno baixo. A China é o exemplo maior, com US$ 2,5 trilhões em reservas internacionais e uma posição credora contra os EUA. A Alemanha, por sua vez, também é credora dos outros países da União Europeia. Mas, ao contrário da China, seu governo não acumulou reservas. São seus bancos que detêm créditos contra o restante da Europa e, agora, se veem ameaçados.
Esse modelo se esgotou, e os países devedores terão que consumir menos e exportar mais por muitos anos. Em tese o problema poderia ser resolvido se países credores fizessem o movimento contrário. Caso não o façam, a chance maior é que o mundo permaneça preso em uma armadilha de excesso de capacidade de produção, falta de consumo e deflação.
Não havendo maior descontrole financeiro, como ainda parece possível, há boa chance de que a desaceleração econômica em curso seja moderada e que 2011 seja um ano positivo. Mas a sustentação do crescimento global em nível alto só será possível a médio prazo se houver um reequilíbrio entre países e regiões.  (Folha de S.Paulo)

06.07 - Para acelerar o crescimento
Brasil fora da Copa, as eleições presidenciais logo chegarão ao centro do noticiário. Adiantando, eis alguns pontos que merecem atenção no que se refere ao modelo macroeconômico:
Metas de inflação ? o regime de metas funciona no Brasil desde 1999, com bastante sucesso. A inflação, medida pelo IPCA, roda em torno dos 4,5% ao ano, no centro da meta, e os juros reais estão na faixa dos 5%, ante os 15% verificados no início do regime. Já basta?
A resposta é não. A meta de inflação no Chile, no México, na Coreia do Sul e na China é de 3% ao ano, considerado um padrão mais adequado para emergentes de renda média.
Assim, há três possíveis avanços que poderiam ser implementados no regime de metas. Primeiro, colocar na lei a independência do Banco Central. Hoje, há uma autonomia operacional concedida pelo presidente da República, que, portanto, pode cancelá-la a qualquer momento. Isso é um fator de incerteza ? e toda incerteza leva a uma inflação mais elevada (e, pois, a juros mais altos).
A segunda mudança seria reduzir a meta e a margem de tolerância, hoje de dois pontos para cima e para baixo. Assim, a rigor, a inflação brasileira pode ir a 6,5% num ano, o que é muito elevado. Costuma-se dizer que o Brasil tem a mais alta taxa de juros entre os países importantes. Tem também a meta de inflação mais alta.
A terceira mudança seria um programa para eliminar as indexações que ainda existem na economia brasileira, como as diversas modalidades de correção automática de preços e contratos.
Dívida pública? A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) está em torno dos 40% do PIB. Já foi de 70%, de modo que houve uma notável redução. Mas, entre os emergentes importantes, o padrão é de 30%. A Dívida Pública Bruta, aqui, se aproxima dos 70% do PIB ? é também mais elevada do que na concorrência.
Dívida elevada é uma das causas de juros mais altos. Portanto, uma boa política seria estabelecer metas de redução desse endividamento, nos dois conceitos.
O peso do Estado ? Também seria uma boa política a introdução de metas de redução do peso do Estado na economia. Não é preciso, dada a dificuldade política e jurídica, demitir funcionários e fechar órgãos. Há alternativas: por exemplo, de cada dois que se aposentam, contratar apenas um novo funcionário. Ou estabelecer como regra que todo o gasto público cresce sempre abaixo da expansão do PIB.
Paralelamente, é preciso aplicar programas de eficiência na administração pública. O Brasil gasta com saúde e educação a mesma coisa que gastam outros países com melhores resultados.
Reforma tributária ? Políticas de redução e controle de gastos públicos criam o espaço para a tão sonhada reforma tributária, com o duplo objetivo de diminuir a carga e simplificar o sistema. Hoje, é impossível falar em redução de impostos diante de uma dinâmica de gastos públicos sempre crescentes.
Investimentos ? É o ponto fraco da economia brasileira. Na média, os países emergentes investem 28,5% ao ano, com destaque para os asiáticos, normalmente acima dos 30%. Na América Latina a média cai para 22,5% ao ano. E o Brasil? Neste século, o melhor que conseguiu foi 20%, em 2000. A média de 2003/2008, até a crise global, foi inferior a 17%. Por isso, o crescimento brasileiro também está abaixo das médias global e latino-americana. O Brasil tem uma propensão ao consumo, a começar pelo governo.
Estabelecer metas de investimentos públicos e privados é possível, mas apenas em conjunto com políticas de redução e controle do gasto público.
Petrobrás. Comentamos aqui, na semana passada, como o governo Lula está impondo enormes tarefas e programas de investimentos à Petrobrás, em alguns pontos contra a opinião técnica da própria estatal. É o caso das três refinarias em construção, ao mesmo tempo, em Pernambuco, Ceará e Maranhão ? todas longe tanto dos centros de produção de petróleo quanto dos principais mercados consumidores de derivados.
Para bancar todos esses investimentos, a Petrobrás terá de se endividar e comprometer sua lucratividade atual. Além disso, o governo vai capitalizar a estatal entregando barris de petróleo "futuros", enquanto os minoritários terão de entrar com dinheiro vivo.
Vários leitores comentaram. O e-mail abaixo, do leitor Davi Lamas, resume bem a posição de minoritários descontentes:
"Gostaria de demonstrar meu profundo descontentamento diante dos inúmeros erros que a Petrobrás vem cometendo. Obviamente, este e-mail pode ser insignificante, mas acho interessante demonstrar o sentimento do acionista minoritário, ainda mais diante do aporte do Oceano Atlântico em troca de ações da empresa. Se não bastassem a questão política, os gastos excessivos, a falta de planejamento, vejam o plano de negócios patético da estatal, que comprometerá a empresa no mínimo pelos seis próximos anos ? jogando no lixo o lucro por ação, a rentabilidade, etc. Deveriam aprender com a Vale, uma empresa preocupada com o acionista e que traz valor real ao mesmo. É o contrário do que faz a Petrobrás, que se tornou um sinônimo de má administração, ingerência e falta de controle. (A capitalização a ser promovida pelo governo tem sido definida como) "manobras de um país sem leis", segundo sites de economia internacionais."
De outro lado, o próprio presidente Lula tem dito que a Petrobrás, por ser estatal, deve mesmo agir como instrumento do governo na promoção de investimentos no País. Essa seria sua função principal, e não a distribuição de lucros aos acionistas.
O valor das ações da Petrobrás tem estado em queda, refletindo tanto as preocupações dos minoritários quanto as decisões do governo para a estatal.  (Carlos Alberto Sardenberg - O Estado de S.Paulo)
 
 
 
 

05.07 - Semestre: Ouro lidera ranking dos investimentos
Bolsa fica na lanterna
Forte aversão ao risco afastou investidores das ações
Pelo terceiro mês consecutivo, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) ficou na lanterna do ranking dos investimentos. Em junho, o principal índice da bolsa perdeu 3,35%. O ouro, por sua vez, ficou no topo da listagem com valorização de 2,92%, também pela terceira vez seguida. A repetição, segundo especialistas, é por conta do aumento de aversão ao risco, sobretudo nos investidores estrangeiros, ocasionada pelas turbulências econômicas mais recentes. No semestre, o Ibovespa acumula queda de 11,16%. O ouro, soma alta de 19,52%.
"Ouro é investimento seguro e vai bem porque há incerteza sobre os desdobramentos dos problemas europeus. A bolsa é outro lado da moeda: há risco e as incertezas afastam os investidores", explica Marcelo Guterman, professor de finanças do Insper (ex-Ibmex São Paulo).
O cenário de queda na bolsa reforça, na opinião de especialistas, que as ações devem ser encaradas como investimento de longo prazo. "Cinco anos, no mínimo", diz o educador financeiro Mauro Calil. Para quem se enquadra nesse perfil, a desaceleração do Ibovespa configura um bom momento para entrar ou ampliar o valor investido na bolsa. "É hora de começar a fazer compras gradativas, conforme os preços continuem a se depreciar", sugere Fábio Colombo, administrador de investimentos.
As duas ações mais líquidas do mercado acionário brasileiro - Petrobrás PN e Vale PNA - recuaram mais que o Ibovespa. Petrobrás PN caiu 9,26% e Vale PNA, 11,2%. A queda na cotação da petrolífera, no entanto, não tem a ver somente com a baixa do mercado, mas também à postergação da capitalização, que estava prevista para ocorrer no início do segundo semestre.
Na segunda posição do ranking estão os títulos indexados ao IGP-M, com rentabilidade de 0,85% em junho e de 5,68% no ano. Especialistas recomendam a modalidade para diversificação de portfólio.
Os investimentos de menor risco, como os fundos de renda fixa e os DI, tiveram rendimentos de 0,71% e 0,63%, respectivamente, em junho. Esse tipo de aplicação não é impactado pela turbulência internacional, mas pelo comportamento da taxa básica de juros (Selic), definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). "Quanto mais alta a taxa, melhor a rentabilidade dessas modalidades", afirma Rogério Bastos, da consultoria FinPlan.
A alta nos fundos de renda fixa e DI roubam a atratividade da tradicional caderneta de poupança, que mostrou rentabilidade de 0,56% em junho e 3,23% no ano. "Quem está na poupança faz bom negócio se mudar para um fundo DI", completa Bastos.
Os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) de até R$ 5 mil tiveram o pior rendimento dentro da renda fixa, subindo 0,44%. Por serem oferecidos a pequenos investidores, estes títulos costumam ter taxas não tão atrativas.  (Roberta Scrivano - O Estado de S.Paulo)
 
 
 
 

02.07 - Mercado financeiro contribuiu para o crescimento econômico
O mercado financeiro possui um papel importante no crescimento econômico do País, haja visto o grande montante movimentado por este segmento durante os últimos anos, afirmou Marcelo Giufrida, presidente da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capital), durante abertura do seminário realizado pela entidade ontem.
De acordo com dados fornecidos durante o evento, o mercado de renda variável movimentou, até maio de 2010, mais de 20 milhões. Com relação ao volume negociado em renda variável, este montante é de cerca de R$ 14 milhões. Contudo, este segmento registrou mudanças em seus valores negociados, como apontou Alberto Kiarely, vice-presidente e coordenador do Comitê de Finanças Corporativas da Anbima.
"Até 2007, 56% dos investidores realizavam operações abaixo de R$ 1 bilhão, mas com a crise, em 2008, 80% das operações eram superiores a R$ 1 bilhão, e até maio este total já está em 77%, o que mostra que a liquidez é importante para estes investidores. Mas nós acreditamos que, com a recuperação da economia, podemos retornar aos resultados de 2007", afirma.
Outros dados importantes levantados pelo executivo são a predominância dos investidores estrangeiros no mercado financeiro brasileiro (cerca de 2/3), e o crescimento da participação das pessoas físicas nestas transações, atualmente em 5%.   (Rosangela Sousa - Executivos Financeiros)

02.07 - BC eleva de 5,8% para 7,3% a previsão de crescimento
O Banco Central elevou a previsão de crescimento da economia em 2010 de 5,8% para 7,3%. O número está acima das estimativas do mercado e da previsão oficial do Ministério da Fazenda.
A projeção de inflação para o ano também subiu, para até 5,4%. Já a expectativa para 2011 aumentou em relação a março, mas caiu em relação ao estimado há três semanas, quando a taxa básica de juros subiu para 10,25% ao ano.
Os dados fazem parte do Relatório Trimestral de Inflação, divulgado ontem, que reforçou as expectativas do mercado financeiro de que a instituição manterá a política atual de aumento dos juros, que devem chegar a 12% no final do ano.
O diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Vasconcelos, afirmou que o país não pode crescer "a taxas muito elevadas" considerando o nível dos investimentos.
Em relação à inflação, o BC fez críticas indiretas às metas fixadas pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), de 4,5% até 2012. O diretor da instituição afirmou que a taxa média de 4,7% verificada nos últimos seis anos está acima dos 3% apontados pela teoria econômica como um nível desejável para economias emergentes.
"Estamos afastados do conceito de estabilidade de preços", afirmou Hamilton.
O Banco Central também diz no relatório que a política de juros ganhou mais "poder" nos últimos anos devido ao aumento da relação entre crédito e crescimento, entre outros fatores. Ou seja, os aumentos da taxa básica têm efeitos maiores sobre a inflação que há dois ou mais anos.
Para o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco Gonçalves, isso não significa que o BC irá mudar o ritmo de alta dos juros. Para ele, o crescimento acima de 7% e uma inflação acima de 5% devem se confirmar.  (Folha de S.Paulo)

02.07 - Controle da inflação exige dose menor de juros
A política de juros ficou mais poderosa e eficiente nos últimos anos, refletindo algumas mudanças no perfil da economia brasileira. A avaliação consta de um capítulo especial do Relatório Trimestral de Inflação divulgado ontem pelo Banco Central (BC), órgão responsável pela condução da política monetária no Brasil.
O diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, afirmou que o maior poderio significa que, para reduzir a taxa de inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom) precisa atualmente pesar menos a mão na taxa de juros do que em 2006 e em 2008. Mas ele não quis se comprometer com movimentos futuros da Selic.
"A mensagem que queremos passar é de que há uma tendência de alta do poder da política monetária", afirmou. Questionado sobre as interpretações de que o estudo sinalizava uma postura mais gradualista na definição dos juros, Carlos Hamilton se limitou a reiterar que o objetivo era só mostrar a tendência dos últimos anos.
Crédito. De acordo com o BC, um dos fatores que amplificou a potência da política de juros foi o aumento da quantidade de crédito na economia. Para se ter uma ideia, entre janeiro de 2006 e março de 2010, o estoque de crédito com recursos livres - que os bancos podem aplicar em qualquer segmento e cujo custo de captação é referenciado na taxa Selic - passou de 18,8% do Produto Interno Bruto (PIB) para 30,2% do PIB.
Com maior volume de financiamentos, é natural que os juros ganhem um peso maior na atividade econômica. Ao elevar a Selic, o BC encarece o consumo e os investimentos, adia ou cancela essas decisões e, assim, diminui o ritmo de crescimento e segura a inflação. E quando baixa a Selic, o processo se inverte.
O aumento no prazo da dívida, que também ocorreu nos últimos anos, é outro fator que reforça o efeito riqueza negativo ou positivo da política monetária, amplificando sua potência.
Além desses três fatores, Hamilton também disse que a maior eficiência da política monetária reflete algo que não se pode mensurar: o ganho de credibilidade do BC nos últimos anos.   (Fernando Nakagawa e Fabio Graner - O Estado de S.Paulo)
 
 
 
 

01.07 - Fiesp revê projeção do PIB deste ano de 6% para 7,5%
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) revisou ontem sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deste ano, de uma alta de 6% para um crescimento de 7,5%. "Se a nossa projeção se confirmar, será a primeira vez desde 1986 que o País terá crescido 7,5% em um ano" disse o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, Paulo Francini. A nova projeção da Fiesp considera que a indústria como um todo deverá crescer 11,6% neste ano.
A indústria extrativa mineral, nas projeções da Fiesp, terá alta de 11,8%. A indústria da transformação e a construção civil devem crescer, respectivamente, 11,3% e 12,6%. O PIB da agropecuária deve registrar alta, segundo a Fiesp, de 5,7% e para o de serviços é calculado aumento de 5,2%. O consumo das famílias, para a Fiesp, deve crescer 7,4% e o do governo, 2,8%. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) registrará na avaliação da entidade elevação de 21,2%. Para 2011, a Fiesp calcula um crescimento de 4,7% do PIB, de 4,3% da indústria e de 3,8% da indústria da transformação.
Ainda de acordo com a Fiesp, as exportações devem somar US$ 189 5 bilhões neste ano. As importações devem totalizar US$ 177,6 bilhões e o saldo da balança comercial deverá ficar positivo em US$ 11,9 bilhões. Por essas projeção, as exportações devem ter alta de 23,9%, as importações crescerão 39,2% e o saldo da balança comercial registrará queda de 53%. Segundo a Fiesp, a indústria paulista deverá crescer 13,5% e o emprego na indústria do Estado apresentará alta de 5,6%. A produção física da indústria, calculada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), deverá aumentar 15% e o emprego industrial, também calculado pelo IBGE, deve crescer 5,7%. (Agência Estado)

01.07 - Economista espera nova melhoria no rating do País
"Podemos esperar um novo upgrade do Brasil, pois, quando se olha a trajetória brasileira em comparação à de outros países, é inequívoco o sucesso do País", avalia a sócia da Galanto Consultoria e diretora do instituto Casa das Garças, Monica Baumgarten de Bolle. O momento da elevação, no entanto, pode esperar as eleições. "É um anúncio positivo, mas não sei até que ponto esta mudança de rating sairia tão tempestivamente. Pode ser, sim, que resolvam esperar para ver um horizonte político mais bem definido."
A Fitch Ratings elevou, na segunda-feira, a perspectiva do rating do Brasil de estável para positiva e reafirmou em BBB- a classificação para moeda local e estrangeira de longo prazo. Para a decisão, a agência citou a resiliência econômica do País durante a recessão global.
Baumgarten de Bolle cita que o Brasil ainda tem desequilíbrios importantes e que estão ficando maiores. "Um deles é o reflexo da insuficiência de poupança e o impacto sobre nossas contas externas que naturalmente estão se deteriorando", diz. A economista também menciona que o ritmo do crescimento do crédito está bastante elevado, o que pode ser perigoso. "Ainda não é o caso do Brasil, mas todas as crises que estamos vendo pelo mundo são resultado de excesso de endividamento, seja do setor público ou do privado."
Mas, quando se compara a situação brasileira à de outros países, a economista avalia que é difícil dizer que o País não esteja tão bem quanto está. "A comparação internacional mostra que a fragilidade dos outros é muito evidente comparada à do Brasil."
Quanto à expansão econômica, assim como outros agentes estimam, a analista concorda que o País já está em superaquecimento. "Um sintoma evidente disso é a elevação inflacionária que vimos nos últimos meses." Mas, continua ela, o Brasil tem instrumentos para adequar o ritmo de crescimento à realidade da economia. (Agência Estado)
 
 
 
 
 

30.06 - Recorde de captação em PGBL e VGBL
O público crescente e a sofisticação dos produtos de previdência elevam, cada vez mais, a arrecadação de longo prazo dos planos de previdência. De janeiro a abril, o volume de aportes resultou na captação recorde de R$ 13,7 bilhões, alta de 30% se comparada aos R$ 10,5 bilhões arrecadados no mesmo período de 2009 na previdência privada aberta.
Em 2010, o desempenho do setor será superior ao crescimento da economia, fechando o ano com uma expansão de 25% maior do que a de 2009, quando os resultados foram positivos, no entanto, muitos ainda estavam intimidados com a crise financeira, diz o presidente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), Marco Antonio Rossi.
O volume total de recursos investidos em planos PGBL e VGBL no Brasil, até abril de 2010, somava cerca de R$ 153 bilhões. "Levando-se em conta que somente 10 milhões de brasileiros fazem depósitos em planos de previdência, o mercado tem potencial para chegar aos 40 milhões de pessoas com planos, principalmente, na classe C, na mira das seguradoras", diz Rossi. Projeções do setor indicam que os recursos da previdência privada aberta deverão chegar a R$ 1 trilhão de ativos em 10 anos.
Em 2009, a classe C foi uma das que mais pouparam para os produtos da previdência privada aberta, como VGBL e PGBL. Levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV) mostra que, nos últimos anos, quase 20 milhões de pessoas ingressaram na classe C, brasileiros com renda entre R$ 1.065 e R$ 4,5 mil mensais.
Segundo Rossi, o público da faixa C alta passou a chamar a atenção das seguradoras nos últimos cinco anos. Daqui para frente, a classe C, na faixa média e baixa, é quem sustentará o crescimento. O espaço a ser conquistado é vasto, tanto na venda individual como nos planos corporativos.
"Em virtude da maior competitividade, mais empresas também vão oferecer planos aos funcionários", diz o presidente da Fenaprevi. As empresas podem ter planos empresariais a partir de acordos fechados com as entidades de previdência aberta para a apresentação dos fundos de previdência aos trabalhadores.
Rossi conta que, atualmente, 70% das grandes companhias oferecem plano de previdência aos empregados. Daqui a cinco anos, o percentual passará para 90%. Em relação às empresas de médio porte, no mesmo intervalo de tempo, o alcance dos planos aos funcionários, estimado hoje em 45%, tem potencial para chegar aos 70%.
O plano de previdência funciona como uma ferramenta para atração de profissionais e retenção de talentos. E há os incentivos fiscais dados pelo governo às empresas que fazem contribuição aos planos dos empregados. Elas podem descontar o aporte feito da base de cálculo do Imposto de Renda (IR) devido pela companhia ao Fisco.
Nas pequenas empresas, por enquanto, menos de 10% delas oferecem planos de previdência aos funcionários. "Estão em estágio preliminar, iniciado com a oferta de seguros como benefício aos funcionários", explica Rossi.
O recorde da arrecadação dos planos privados da previdência aberta se deve também à sofisticação alcançada pelos produtos ao longo dos anos. Hoje, a menor alíquota para aplicações em fundo de longo prazo só é encontrada nos produtos de previdência privada. O poupador só é premiado com a alíquota mínima de 10% se cada aporte permanecer por mais de dez anos no plano. Trata-se do regime regressivo.
Por esse regime de tributação, com alíquotas que variam de 35% a 10%, quem deixar o dinheiro aplicado por apenas dois anos, será penalizado com a alíquota do IR em 35%. Quanto maior o tempo de permanência de cada aporte no fundo, menor será o imposto pago. Aqueles que iniciam plano de previdência, prevendo prazo inferior a dez anos de contribuição, têm o sistema progressivo como o mais adequado para não correr o risco de pagar alíquotas superiores a 27,5%.
Segundo Rossi, o regime de tributação regressiva é a opção de 60% dos participantes dos planos de previdência corporativo, já nos planos individuais, 60% escolhem a tributação progressiva.
Outra inovação para o aumento do interesse do público pelos planos de previdência foi a portabilidade. Quem está insatisfeito com o rendimento alcançado pelo fundo ou descontente com as altas taxas de carregamento ou de administração, pode fazer a transferência dos recursos para outra seguradora, sem qualquer justificativa ou prejuízo.
Segundo a Fenaprevi, a transferência efetiva de recursos da previdência entre instituições, de janeiro a março de 2010, somou R$ 8,5 milhões. Em 2009, a portabilidade contabilizou R$ 42,9 milhões. Em 2008, foram transferidos R$ 40,1 milhões entre as seguradoras. (Adriana Aguilar - Valor Online)

30.06 - Investimento sem risco
Descoberta do pré-sal abriu um novo horizonte para o Brasil, que se transformaria em um player global no fornecimento de petróleo
É de Joseph Stiglitz, ganhador do Prêmio Nobel de Economia de 2001, o livro Corrida para o fundo do poço. A obra trata das disputas entre os países em desenvolvimento pela atração de capital externo, que, por sua vez, busca regiões com leis trabalhistas e ambientais frágeis ou inexistentes. A proposta do autor é que a globalização, se bem conduzida, pode contribuir para a prosperidade econômica e promoção do bem-estar da sociedade. Contudo, há uma assimetria de poder e recursos entre as nações, sendo que o grupo dos mais ricos não pensa, necessariamente, nos impactos negativos de suas ações sobre o grupo dos mais pobres. O livro não trata de uma guerra entre dois lados, mas propõe alternativas para que todos possam ganhar. Mas quais as condições para que isso ocorra?
A 1ª Revolução Industrial ocorreu em um setor que hoje todos dominam, o setor têxtil. Mas a expansão econômica da Inglaterra dependeu do fornecimento de matéria-prima (algodão) oriunda de sua colônia, os Estados Unidos. Esse poderia ser apenas mais um caso de exploração metrópole-colônia, não fosse por um aspecto abordado por Celso Furtado: os recursos obtidos pelos norte-americanos foram utilizados para diversificar a cadeia produtiva, estimulando a indústria nacional e o empreendedorismo. Isso só foi possível porque os ingleses que se dirigiram para lá estavam fugindo de perseguição política ou religiosa e, principalmente, dependiam das condições locais para sobreviver, que não se resumiam ao acesso às terras, mas também das melhores técnicas produtivas e do respeito às regras do jogo, ao ambiente institucional. A conjunção desses elementos permitiu que os norte-americanos criassem uma base produtiva com elevado potencial, que se realizaria no século seguinte.
O tempo passou e, se hoje os norte-americanos ocupam o lugar da Inglaterra, quem desempenha o papel de fornecedor para eles? Poderíamos dizer que, em uma economia mais globalizada, não existe essas distinção, mas o fato é que a China se transformou nesse fornecedor. As técnicas empregadas são mais avançadas, bem como os produtos. Porém, o que explica o avanço chinês? Não é apenas a mão de obra barata ou zonas especiais de exportação. A verdade é que o ambiente institucional que está sendo construído no gigante amarelo tem importante função, a de usar a capacidade inovativa dos outros para reforçar as vantagens locais. Novamente, ter a posição mais fraca não significa perder no longo prazo, desde que as políticas internas estimulem a produção.
No caso da América Latina, temos dois exemplos. A descoberta do pré-sal abriu um novo horizonte para o Brasil, que se transformaria em um player global no fornecimento de petróleo. Com as receitas obtidas, o país passaria por uma gigantesca revolução social e tecnológica. Esse projeto continua viável, mas os acontecimentos dos últimos meses lançam dúvidas (mais uma vez) sobre a capacidade do Estado em gerenciar esse empreendimento. A demora em estabelecer o novo padrão de exploração está afetando a posição da Petrobras e deixando seus acionistas apreensivos. E mais: como se darão as mudanças na área social? Ter reservas abundantes não é garantia de sucesso, como nos comprova o caso da Bolívia. O país vizinho foi agraciado com gigantescas reservas de gás e lítio, mas nem por isso é um exemplo a ser seguido. Para piorar, existe uma mistura de populismo e desrespeito contratual, o que afasta investimentos de longo prazo. Sem eles, sem segurança institucional e baixa capacidade tecnológica, não há por que esperarmos que a prosperidade alcance país tão pobre.
Finalmente, no Afeganistão, na Ásia, país conturbado por uma ocupação dos EUA e aliados, as reservas encontradas de lítio são iguais ou superiores às da Bolívia, sendo avaliadas em mais de US$ 1 trilhão. E não é só a descoberta em si que poderia melhorar o país. As inovações na indústria têm usado cada vez mais esse material, o que implica potencializar o desenvolvimento. Quem se arrisca a investir em um país com todos os tipos de risco? Existe ambiente de liberdade econômica e política?  (Flávio Constantino - Estado de Minas)

30.06 - Chega de despesa
Nas sociedades constitucionalmente organizadas, nenhum dos Poderes pode propor aumento de despesa (em particular aumentos salariais) sem uma coordenação preliminar com o Poder Executivo.
Mais do que isso, nenhum Congresso ou Parlamento pode aprovar aumento de despesa permanente sem estabelecer fontes também permanentes de seu financiamento.
A necessária independência e harmonia entre os Poderes não pode ser justificativa plausível para que o Legislativo ou uma coalizão do Legislativo e Judiciário proponha livremente seus salários. A cada quatro anos, com a proximidade do processo eleitoral, o Legislativo costuma ser atacado por uma febre "social" para competir com o espírito natalino do manhoso Executivo.
O fato lamentável é que tais desatinos fiscais se fazem à base de "truques interpretativos" que ilidem as disposições da Constituição de 1988 e a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Nossa situação ainda está sob controle, mas é cada vez mais evidente que lentamente se acumulam compromissos de despesas permanentes cujo pagamento depende do crescimento permanente da receita, o que não pode ser garantido. Trata-se de uma imprudência que põe em risco a própria estabilidade econômica.
Um exemplo claro dessa ameaça é o desequilíbrio da Previdência Social, que o Executivo não tem tido disposição para enfrentar e o Legislativo tem feito todo o possível para aumentar.
A lei que regula a previdência do setor público e pode abrir caminho para uma solução a partir de quando for posta em prática dorme há anos no Congresso em companhia da lei que regula o direito de greve do setor público. Ambas, propostas pelo Executivo, foram abandonadas na "roda" do Congresso como crianças indesejadas...
Recuperamos o crescimento a partir de 2006 com o PAC e desde 2003 fomos beneficiados pelo "bônus" da expansão mundial. Sem maior esforço exportador, passamos de país devedor para país credor e acumulamos US$ 250 bilhões em reservas. Isso aliviou as pressões, deu algum conforto ao governo e permitiu-lhe enfrentar com relativo sucesso a crise mundial.
Estamos hoje bem preparados para um crescimento anual da ordem de 5% a 6% sem problemas internos ou externos. É hora, portanto, de formular um programa que enfrente com inteligência e determinação aqueles problemas. Basta que ele implique num crescimento menor (do que o do PIB) das despesas de custeio e assistência social.
Estas, mesmo ampliadas, deixarão um "excedente" para ser utilizado nos investimentos de infraestrutura que seja capaz de garantir aquelas taxas de crescimento.   (ANTONIO DELFIM NETTO - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

29.06 - Fitch revisa perspectiva do Brasil para positiva
Revisão reflete a resiliência e o desempenho econômico melhores que o esperado diante da recessão global
A agência de classificação Fitch elevou a perspectiva do rating do Brasil de estável para positiva e reafirmou o rating de probabilidade de inadimplência do emissor (IDRs, na sigla em inglês) para moeda local e estrangeira de longo prazo do Brasil em BBB-. A agência também confirmou o IDR de curto prazo do Brasil em F3 e o teto do rating do país em BBB.
A revisão da perspectiva reflete a resiliência e o desempenho econômico do Brasil em meio à recessão global, considerados melhores do que o esperado. Estes fatores, somados a políticas econômicas relativamente prudentes, devem permitir que a renda per capita e as taxa de solvência fiscal do país aumentem constantemente durante o período previsto. A Fitch não espera uma mudança significativa na direção das políticas econômicas após as eleições presidenciais de outubro.
Um sistema de política macroeconômica prudente, suportado pelos regimes de meta inflacionária e taxa de câmbio flexível, uma balança comercial externa forte, um setor financeiro saudável e um consenso sobre a direção das principais políticas econômicas entre os grandes partidos políticos sustentam a classificação de investimento do Brasil. Estes fatores compensam suficientemente fragilidades de crédito do Brasil, como as finanças públicas estruturalmente fracas e o pesado déficit público, e as baixas taxas de poupança e de investimento que impedem um crescimento maior.   (Ligia Sanchez - Agência Estado)

29.06 - Estimativa da inflação oficial este ano cai para 5,55%
Analistas do mercado financeiro consultados pelo Banco Central reduziram a projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste ano de 5,61% para 5,55%. A informação consta do boletim Focus, divulgado todas as segundas-feiras pelo BC. Para 2011, a estimativa permanece em 4,80%.
As estimativas para o IPCA estão acima do centro da meta de inflação de 4,5%. Essa meta tem margem de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Cabe ao BC perseguir a meta de inflação e, para isso, usa a taxa básica de juros, a Selic, como instrumento de controle. A expectativa dos analistas do mercado financeiro para a Selic ao final de 2010 foi mantida em 12% ao ano. Para 2011, permanece em 11,75% ao ano. Atualmente a Selic está em 10,25% ao ano.
O boletim Focus também traz estimativas para o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI). A projeção para esse índice neste ano oscilou de 9,08% para 9,05%. Para o Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M), a estimativa foi ajustada de 9,07% para 9,08%, em 2010. No próximo ano, os analistas esperam que esses índices fique em 5%.
A projeção para o Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) passou de 5,30% para 5,29%, neste ano. Para 2011, permanece em 4,5%.
A expectativa dos analistas para a alta dos preços administrados ficou em 3,60%, em 2010, e em 4,80%, em 2011. Os preços administrados são aqueles cobrados por serviços monitorados, como combustíveis, energia elétrica, telefonia, medicamentos, água, educação, saneamento, transporte urbano coletivo, entre outros.    (Agência Brasil/Jornal Monitor Mercantil)

29.06 - Mercado prevê crescimento de 7,13% para o PIB em 2010
Os economistas do mercado financeiro elevaram pela 15ª semana consecutiva a previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2010. Segundo o relatório Focus, divulgado ontem pelo Banco Central, o PIB brasileiro deve crescer 7,13% ante estimativas de 7,06% na última divulgação. Para 2011, a previsão permanece inalterada em 4,50%.
Ao mesmo tempo, o mercado financeiro também reduziu, na semana passada, a previsão para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) deste ano de 5,61% para 5,55%. Para 2011, a previsão do mercado ficou inalterada em 4,80%.
A previsão do mercado financeiro para a produção industrial também foi elevada, passando de crescimento de 11,32% na última divulgação para 11,94%. Para 2011, a estimativa permaneceu inalterada em 5,00%.
Os analistas do mercado financeiro apostam que os juros continuarão avançando no resto deste ano. Para julho, a previsão continuou sendo de um novo aumento de 0,75 ponto percentual, o que elevaria a taxa básica dos atuais 10,25% para 11% ao ano. Até o fim deste ano, o mercado acredita que os juros subirão mais ainda, para 12% ao ano. Para o fim de 2011, a estimativa dos analistas do mercado permaneceu em 11,75% ao ano.  (Executios Financeiros)
 
 
 
 
 

28.06 - FMI publica '10 mandamentos' da redução do déficit
Dois altos funcionários do Fundo Monetário Internacional (FMI) publicaram nesta quinta-feira os "dez mandamentos" para as políticas de redução dos déficits nos países desenvolvidos.
"As economias avançadas enfrentam um desafio: instaurar estratégias de ajuste orçamentário sem prejudicar a recuperação econômica ainda frágil", escreveram Olivier Blanchard, economista chefe do Fundo, e Carlo Cottarelli, diretor do departamento de Assuntos Orçamentários do FMI.
O primeiro mandamento é a necessidade de se ter "um plano orçamentário confiável a médio prazo, com um ponto de ancoragem visível".
O segundo mandamento é avançar gradualmente, a menos que não haja outra possibilidade que dar um grande golpe para conservar o acesso aos mercados para seu financiamento.
O terceiro é ter por objetivo uma redução da relação dívida-PIB; e o quarto mandamento passa pela redução dos gastos dos Estados.
O quinto mandamento prevê a adoção de reformas nos sistemas de aposentadoria e assistência médica "porque a atual tendência é inviável"; e o sexto determina que para ser viável a tempo, o ajuste fiscal deve ser equitativo" e garantir a manutenção dos serviços sociais "adequados".
O sétimo e o oitavo mandamentos determinam "grandes reformas para estimular o crescimento", e "modificar as instituições financeiras".
Os dois últimos exigem a coordenação entre a política monetária e a política orçamentária; e entre os diferentes Estados.   (AFP/Yahoo Brasil)

28.06 - Cresce fatia estrangeira nos títulos da dívida
Participação de estrangeiros bateu recorde em maio e atingiu 8,95% do total de R$ 1,52 trilhão do estoque da dívida interna brasileira
Mesmo com o cenário externo de maior aversão ao risco depois do agravamento da crise europeia, os investidores estrangeiros aumentaram o apetite pelos títulos do Tesouro Nacional. A participação de estrangeiros bateu recorde em maio e atingiu 8,95% do total de R$ 1,52 trilhão do estoque da dívida interna em títulos públicos. Isso equivale a R$ 133,4 bilhões. Em abril, a participação era de 8,63%.
O coordenador de Planejamento Estratégico da Dívida Pública, Otavio Ladeira de Medeiros, informou que tem aumentado o interesse de investidores estrangeiros institucionais, como fundos soberanos e de pensão, pelos títulos da dívida interna brasileira. Sem dar nomes, ele contou que um Fundo Soberano bastante conservador, que só aplicava os seus recursos em países com duas notas acima do grau de investimento inicial, flexibilizou as suas regras para aplicar no Brasil. "Foi uma clara demonstração do interesse nos papéis brasileiros", avaliou Medeiros.
A rentabilidade elevada dos papéis brasileiros, devido aos juros altos no Brasil, é um dos fatores que atraem os investidores. Mas, no passado, mesmo com um cenário de juros altos, não havia o mesmo interesse dos investidores estrangeiros pelos títulos brasileiros.
Para o coordenador de Operações da Dívida Pública, Fernando Garrido, o leque maior de investidores mostra a confiança na economia brasileira e na solidez dos fundamentos econômicos, o que foi reforçado com o grau de investimento concedido ao Brasil pelas três maiores agências de classificação de risco. Segundo ele, a tendência é de um aumento da participação dos estrangeiros no total da dívida.
Volatilidade. "Em momentos de incerteza e volatilidade, só o juro não é suficiente para segurar o investidor. Alguns indicadores de solidez são necessários", reforçou o coordenador-geral de Controle da Dívida Pública, Antonio de Pádua Passos. O que faz justamente a diferença, segundo ele, é o fato desses investidores serem institucionais e terem maior apetite por títulos de longo prazo. Por isso, o Tesouro não vê como problema o fato de o déficit na conta corrente do balanço de pagamentos do Brasil com o exterior depender hoje dos chamados investimentos de portifólio (renda fixa e ações) para ser financiado.
A participação dos estrangeiros no total do estoque da dívida sofreu uma queda durante a crise financeira internacional, iniciada nos Estados Unidos, mas recuperou os níveis pré-crise no final do ano passado. Segundo Garrido, o Brasil é o País emergente que sofreu menos com a perda de investimentos em títulos públicos e um dos poucos que recuperou e ultrapassou os investimentos de antes da crise.
Estoque. Os dados divulgados ontem pelo Tesouro mostram que a dívida pública interna em títulos subiu R$ 26,6 bilhões em maio, um aumento de 1,79% em relação ao estoque de abril. O crescimento refletiu não só o impacto de R$ 15 bilhões da correção dos juros que incidem no estoque da divida, mas também a emissão líquida (o quanto o governo emitiu a mais do que resgatou dos papéis que estavam vencendo) de R$ 11,63 bilhões. Parte dessa emissão de papéis ? R$ 5,8 bilhões ? foi feita para o Tesouro emprestar a segunda parcela do empréstimo de R$ 80 bilhões ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A primeira parcela ? de R$ 74,2 bilhões impactou o estoque da dívida em abril.
A dívida pública externa subiu em maio 2,92%, alcançando R$ 94,85 bilhões. A dívida pública federal, que inclui a interna e externa, deu um salto de R$ 29,3 bilhões entre abril e maio, chegando a R$ 1,61 trilhão.  (Adriana Fernandes, Renata Veríssimo - O Estado de S.Paulo)

28.06 - Expansão do crédito deve ser monitorada
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, avisou quinta-feira que a autoridade monetária "não é e não será complacente" com os riscos que podem derivar da alta do crédito no país, que atingiu o estoque recorde de R$ 1,5 trilhão.
Meirelles chegou à Suíça para reuniões com outros banqueiros centrais, e em entrevista a jornalistas brasileiros sua sinalização não foi a de que o BC vai controlar a expansão do crédito, e sim "o risco prudencial, de perda de créditos e crise sistêmica" que pode ocorrer com essa alta.
"O importante não é olhar somente a taxa de expansão [do crédito], e sim olhar o risco do sistema", disse. "Do ponto de vista geral, isso faz parte da regulação. Até agora, o histórico do desempenho do sistema financeiro brasileiro tem sido extremamente bem-sucedido em evitar crises de crédito, mesmo durante a crise de 2008".
Para ele, a forte expansão de crédito não é de agora, mas data de 2003, saindo de uma base muito baixa, equivalente a 22% do PIB, e passou a quase 46% no rastro da estabilidade econômica. "Economia mais estável permite maior expansão do crédito. É responsabilidade do BC de fazer com que essa expansão do crédito se dê em base segura".
Disse que o BC tem tomado uma série de medidas, "continua fazendo o seu trabalho e este não se interrompe. A qualquer momento surgem sempre (...) é um processo contínuo de aperfeiçoamento", chamando atenção para a importância de controle dos riscos.
Vários economistas na Europa se inquietam com o baixo nível das taxas de juros nos países desenvolvidos e seu impacto nas economias emergentes em forte crescimento. Com a diferença de taxas de juros, enorme fluxo de capitais toma o rumo dos emergentes, valorizando a moeda, encorajando a expansão de crédito e as bolhas de preços de ativos. Quando as diferenças nas taxas se normalizam, desestabilizam as economias emergentes com a inversão dos fluxos de capitais.
Indagado sobre a questão, Meirelles declarou-se "sempre preocupado" com a hipótese de criação de bolhas, decorrente do forte fluxo de dinheiro externo, mas deixou claro que "no momento" o Banco Central não está considerando medida como controle de capital.
Ele argumentou que "temos um instrumento muito eficaz que é a compra de reservas, e temos ainda espaço para isso".
Para o presidente do BC, as bolhas "mais perigosas são aquelas que são alavancadas pelo sistema financeiro doméstico, como mostraram diversos países".
Defende nesse sentido uma regulação prudencial rigorosa e considera que o BC brasileiro tem atuado de "forma rigorosa evitando que qualquer entrada de capital alavanque o sistema como um todo, que é o que é perigoso".
Segundo Meirelles, entrada de capital no caso do Brasil fica restrita a determinados tipos de ativo. Isso não alavanca o crédito do sistema como um todo, porque está sujeito a normas prudenciais de controle do BC de risco e de alavancagem e de alocação de capital.
"Existem riscos específicos, mas que aí tem toda uma série de mecanismos que são macroprudenciais", reiterando com a compra de reservas. Ou seja, se existe uma entrada maior de capital, o BC adquire esse excesso. "Aliás, neste ano o BC já comprou mais que a entrada líquida de capitais no país", disse.
"Não há até o momento uma entrada muito maior de renda fixa. Por enquanto, a entrada está muito vinculada não à taxa de juros, mas ao crescimento do país". Ele atribuiu a queda recente de investimento direto estrangeiro ao "problema europeu".   (Assis Moreira, de Lucerna - Valor Online)
 
 
 
 
 

25.06 - Seguros movimenta 3,4% do PIB brasileiro em 2009
Composto por 115 seguradoras, o mercado nacional de seguros movimentou mais de R$ 107 bilhões em 2009, número que corresponde a 3,4% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Cerca de 50% deste total retornou à sociedade em indenizações de seguros gerais, cifra que coloca o Brasil na 17ª posição mundial deste segmento. No caso dos seguros relacionados à saúde humana, 83% do valor arrecadado voltou para a sociedade.
"Esses números são reflexos da retomada da economia mundial, mas também mostram claramente que a sociedade está cada vez mais consciente do papel positivo que os seguros têm. Eles são o que nós chamamos de bem necessário", analisa o presidente do Sindicato das Seguradoras do Estado de São Paulo (Sindseg SP), Mauro Batista.
As modalidades de seguros são cada vez mais compreendidas como instrumentos de proteção e reparação indispensáveis. A implantação do seguro na sociedade está relacionada com o mutualismo (interação que traz benefício para ambas as partes envolvidas) e previdência (capacidade de manter reserva).
"As carteiras estão se diversificando para atender as novas necessidades das pessoas, e neste aspecto os seguros praticados em outros mercados servem de modelo", comenta Mauro Batista.  (Agência IN)

25.06 - Investidores do Brasil
O Brasil vem silenciosamente ampliando o seu papel internacional nos últimos anos, e não apenas no plano diplomático. Grandes empresas brasileiras adquiriram significativos ativos no exterior, o que está fazendo delas importantes agentes no mundo em mutação do capitalismo internacional.
No passado, muitos observadores se preocupavam com a possibilidade de que os fundos de investimento "soberanos", ou seja, os vastos ativos em dólares acumulados por países como Cingapura, China e os emirados ricos em petróleo do Oriente Médio e do golfo Pérsico, usassem sua riqueza para assumir o controle de empresas norte-americanas e europeias.
Mas o desafio que eles ofereciam foi exagerado demais na época e, desde que surgiu a crise econômica mundial, em larga medida ficou para trás. Em lugar disso, as aquisições vêm sendo lideradas pelo setor privado brasileiro. O processo começou com a fusão da Brahma com a Antarctica, em 1999, que criou uma grande fabricante de cerveja sul-americana chamada AmBev.
Em 2004, a AmBev se fundiu com a companhia belga Interbrew, fabricante das cervejas Stella Artois e Beck's, e, em 2008, adquiriu a Anheuser-Busch, norte-americana que produz a Budweiser. Hoje tem participação de 25% no mercado mundial de cerveja.
Recentemente, a Marfrig Alimentos, de São Paulo, uma das maiores produtoras brasileiras de carne bovina, adquiriu a Keystone Foods, criando uma multinacional de US$ 16 bilhões. Sediada na Pensilvânia, a Keystone abastece empresas como McDonald's, Subway Restaurants e Campbell Soups com nuggets de frango, hambúrgueres e outros produtos de carne e tem presença em 13 países, da França à Austrália.
Ironicamente, Glenn Beck, o comentarista televisivo ferozmente direitista do Fox News Channel, vem liderando uma campanha contra o presidente Obama pela suposta conivência deste com George Soros e seu fundo de hedge em um investimento na Petrobras. A Fact Check.org, uma organização independente de verificação, afirma que a alegação constitui exagero. Soros de fato tem investimentos na Petrobras, mas isso aparentemente nada tem a ver com Barack Obama.
Com o desastre que continua a se desenrolar no golfo do México, porém, o assunto oferece alvo tentador demais.
A mais recente pesquisa de opinião pública do "New York Times" mostra que 47% dos entrevistados desaprovam a forma pela qual Obama está conduzindo a questão do vazamento de petróleo. E 50% deles estão "razoavelmente confiantes ou muito confiantes" em que a BP indenizará justamente os prejudicados.   (KENNETH MAXWELL, tradução de PAULO MIGLIACCI.- Folha de S.Paulo)

25.06 - Atividade econômica cresceu 10,68% em abril
A atividade econômica brasileira teve expansão de 10,86% em abril, na comparação om igual período de 2009. É que mostra o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado hoje.
Em relação a março, o aumento foi de 0,27%. Segundo os dados do BC, esse índice vem subindo há 17 meses seguidos.
No primeiro quadrimestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2009, o crescimento da atividade econômica foi de 10,5%.
O IBC-Br é uma forma de avaliar a evolução da atividade econômica e contribui para a decisão do Banco Central sobre a taxa básica de juros, a Selic. Quando a instituição considera que a economia está aquecida e a trajetória e expectativa da inflação são de alta, a Selic é elevada, como ocorreu em abril e neste mês. Atualmente, a Selic está em 10,25% ao ano.
O diretor de Política Econômica do Banco Central, Hamilton Vasconcelos, explicou, no dia 19 de maio, que o IBC-Br incorpora e sintetiza informações já conhecidas sobre atividades dos setores da economia, como indústria, agropecuária e serviços, dados usados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para calcular o Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país.
O IBGE informou no último dia 8 que a economia brasileira cresceu 9% no primeiro trimestre deste ano em relação a igual período de 2009, a maior alta da série histórica nesse tipo de comparação.    (Agência Brasil/Jornal Monitor Mercantil)
 
 
 
 
 

24.06 - CMN define meta de inflação para 2012 em 4,5%
Conselho também confirmou a manutenção da TJLP em 6% para o 3º tri deste ano
O Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu fixar em 4,5% o centro da meta de inflação para 2012. Segundo o secretário-adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Gilson Bittencourt, a margem de variação da meta de inflação de 2012 é de 2 ponto porcentuais para cima ou para baixo. O CMN também confirmou em 4,5% o centro da meta de inflação para 2011.
O secretário-adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Gilson Bittencourt, explicou que o CMN entendeu que, embora a inflação deste ano esteja um pouco acima do centro da meta, a tendência é de baixa e, por isso, ela deve convergir até o final do ano.
"O Conselho Monetário Nacional entendeu que daria para manter a meta de inflação (2012) no mesmo patamar atual", afirmou o secretário. Segundo ele a decisão foi tomada com o foco na inflação. O secretário evitou fazer uma avaliação mais ampla, considerando o ritmo de crescimento econômico. Bittencourt informou também que o CMN confirmou o centro da meta de inflação para 2011 em 4,5%, com uma variação de 2 pontos porcentuais para baixo ou para cima.
TJLP
O CMN decidiu ainda manter em 6% ao ano a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) para o terceiro trimestre deste ano. Bittencour, explicou que o CMN considerou a meta de inflação de 4,5% e o risco País de 150 pontos para manter em 6% a Taxa de Juros de Longo Prazo durante o terceiro trimestre de 2010.
"Por ser uma taxa de longo prazo, não consideramos apenas a expectativa do momento", disse o secretário. Segundo ele, o risco País é um mix da média dos últimos meses, com a expectativa futura. Ele disse também que para fixar a TJLP o governo trabalha com o horizonte de um a 10 anos, que corresponde ao período da maior parte dos financiamentos do BNDES. A TJLP é a taxa utilizada pelo BNDES para corrigir os financiamentos do banco e é fixada a cada três meses pelo CNM.  (Leonardo Goy e Renata Veríssimo - Agência Estado)

24.06 - Mantega nega que economia esteja superaquecida
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, voltou a avaliar ontem que o ritmo de crescimento econômico do Brasil desacelerou. "Não há superaquecimento, temos um aquecimento saudável", afirmou, em rápida entrevista ao deixar a sede do Ministério da Fazenda, em Brasília. Ele destacou que a economia já reduziu o ritmo de expansão verificado no primeiro trimestre de 2010. "No segundo trimestre, já teremos um ritmo bem menor de crescimento, de 1%, 1% e pouco, contra 2,7% no primeiro trimestre", avaliou. O ministro disse que a economia brasileira caminha para um ritmo sustentado de crescimento, em torno de 6% a 6,5% ao ano.
O ministro destacou a queda nos preços dos alimentos, que têm puxado para baixo os índices de inflação, conforme o IPCA-15 divulgado hoje. "O índice vem caindo em relação aos meses anteriores, portanto, o que estamos vendo é uma queda dos preços dos alimentos que está puxando a inflação para baixo, o que já era esperado", disse o ministro, em rápida entrevista ao deixar o Ministério da Fazenda. "Não é nenhuma novidade que tenhamos superado o choque de oferta de alimentos por causa das chuvas de início do ano", completou.  (Renata Veríssimo e Célia Froufe - Agência Estado)

24.06 - Brasil é próxima potência mundial
O americano Sam Zell, do grupo Equity International, está no país até amanhã em busca de novos negócios
"Prefiro investir em um país quente", diz Zell, que já tem participações em brasileiras como Gafisa e BR Malls
O bilionário americano Sam Zell, 68, está no Brasil, hoje e amanhã, para expandir os investimentos do grupo Equity International no país que considera a próxima "potência mundial".
"O quanto vamos investir depende das oportunidades. Até hoje, nenhuma foi maior do que o nosso apetite por capital", afirmou Zell à Folha, por telefone, de Chicago.
O grupo de private equity já tem participações em cinco empresas brasileiras, entre elas a Gafisa e a BR Malls, que tem atualmente 35 shoppings em seu portfólio.
Entusiasta do Brasil, Zell atribui ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o reconhecimento do país como "uma das oportunidades mais atraentes do mundo".
O empresário americano minimiza o risco de superaquecimento da economia brasileira. "O país vai muito bem. Prefiro investir em um país quente demais a investir em um país frio", diz.
"Começamos a estudar o Brasil há quase 12 anos. Desde então, houve o reconhecimento [no exterior] da estabilidade fiscal do país", elogia.
""O Brasil elevou as taxas de juros antes de outros países, evitando a hiperinflação que o infestou no passado."
Para o americano, "o Brasil sempre foi reconhecido como tendo enormes recursos e oportunidades, mas, no passado, não soube tirar vantagem disso".
""Nos últimos oito, nove anos, tem havido um novo nível de disciplina, fazendo dele uma das oportunidades mais atraentes no mundo. O presidente Lula focou no crescimento enquanto manteve a disciplina fiscal, para evitar a hiperinflação."
Zell diz achar que, hoje, ""há menos obstáculos para investir no país". "O Brasil está se transformando de um país em desenvolvimento em um país desenvolvido."
A eleição tampouco o preocupa -os dois principais candidatos à Presidência, diz, manterão a política econômica atual.
CONSELHOS
Ele dá dois conselhos para que o país continue no caminho para se tornar uma potência com liderança mundial: ""Manter a disciplina fiscal e continuar a desenvolver os seus recursos e a construir infraestrutura, facilitando os investimentos".
Apesar de o principal foco da sua empresa ser no setor imobiliário, Zell afirma não descartar nenhuma área. Mas, ao final da entrevista, o empresário responde com um rápido ""não" quando questionado se investiria na mídia brasileira.
Uma das grandes polêmicas que assombram sua carreira é a aquisição da Tribune Company, em 2007. No ano seguinte, o grupo, que publica o ""Los Angeles Times" e o ""Chicago Tribune", entre outros veículos, pediu falência.
Com o processo ainda em andamento, Zell recusa-se a comentar o assunto. Questionado se se arrepende de ter investido em mídia nos EUA, diz apenas: ""Não tenho arrependimento nenhum".   (CRISTINA FIBE - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

23.06 - Capital para crescer
O especialista em "private equity" Hugh MacArthur explica que para o investidor obter sucesso em um negócio é preciso ter um escritório no país em que pretende investir. É importante conhecer o mercado financeiro local, o governo, as leis e a regulamentação. "A interseção desses itens permite que sejam feitas transações bem-sucedidas de "private equity'", diz MacArthur, sócio do escritório de Boston (EUA) da Bain & Company e responsável pela prática global de "private equity" da consultoria.
"O "private equity" no Brasil vai ser um forte mercado nos próximos cinco anos."
Em pesquisa feita pela consultoria, o Brasil foi apontado como um dos principais mercados emergentes para realizar investimentos. "O Brasil ficou em terceiro lugar nas intenções dos investidores, atrás de China e Índia."  (Maria Cristina Frias - Folha de S.Paulo)

23.06 - Mercado mantém previsão de inflação
O relatório Focus do Banco Central, divulgado na segunda-feira, mostra que o mercado brasileiro manteve as perspectivas para a inflação neste e no próximo ano, mas passou a projetar crescimento de mais de 7% em 2010 e Selic a 12%.
O IPCA se manteve com previsão de alta em 2010, continuando em 5,61%. Para o ano que vem, o mercado manteve a projeção de 4,80%, um pouco acima do centro da meta atual de 4,50%. A previsão para a inflação em 12 meses subiu para 4,83%, em ante 4,76% na semana passada.
Já com relação aos juros, no relatório anterior, a estimativa para a taxa de juro Selic era de 11,75%, mas foi elevada para 12% para este ano. Como o mercado manteve as estimativas para 2011, ele agora prevê uma ligeira diminuição da taxa no ano que vem, para 11,75% no final do período.
A Selic em julho, segundo estimativas, continua em 11%, projetando novo aumento de 0,75 ponto percentual na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
Para o Produto Interno Bruto (PIB)de acordo com previsões, em 2010 alcançou 7,06%, diante 6,99% na semana anterior. Para 2011, a projeção se manteve em 4,50%. No primeiro trimestre, o Brasil cresceu 2,7% comparado ao último trimestre de 2009 e 9,0% em relação a igual período de 2009.
No comércio exterior o cenário é de expectativa positiva, com o superávit da balança comercial, que neste ano foi elevado a US$ 15,10 bilhões, contra US$15 bilhões no relatório anterior. Para 2011, a estimativa é que caia ao patamar de US$ 6 bilhões, ante US$ 6,23 bilhões previstos na semana passada.
A expectativa para o câmbio permaneceu em R$1,80 para este ano e para 2011 espera-se elevação de R$1,86 para R$ 1,89.   (Executivos Financeiros)

23.06 - Mercado prevê aperto maior para taxa de juros
Após ata do Copom, analistas estimam Selic em 12% no fim do ano
A avaliação firme e preocupada do Banco Central (BC) sobre o comportamento da inflação, por meio da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), levou o mercado financeiro a piorar sua projeção para a taxa básica de juros Selic. Apesar de terem reduzido ligeiramente a previsão para a inflação, a média dos analistas passou a acreditar num aperto maior dos juros, apostando que eles terminarão 2010 a 12% ao ano, acima dos 11,75% que predominaram nas últimas sete semanas.
Os dados estão no boletim semanal Focus do BC. Hoje, os juros estão em 10,25% ao ano. O mercado prevê ainda que a inflação pelo IPCA ficará em 5,61% neste ano, abaixo dos 5,64% do levantamento anterior, mas longe do centro da meta do governo, de 4,5%. A previsão é que a economia brasileira vai crescer 7,06% este ano, contra 6,99% na semana passada. (Patrícia Duarte - O Globo)
 
 
 
 
 

22.06 - Multipatrocinado avança com juro menor
O aumento da demanda por fundos multipatrocinados se deve, sobretudo, ao maior desafio de elevar a rentabilidade em um cenário de queda da taxa de juros. Os fundos podem aumentar a rentabilidade se expondo mais ao risco ou reduzindo suas despesas administrativas. É aqui que entram os fundos multi patrocinados, explica Jair de Almeida Lacerda Júnior, diretor executivo do MultiPensions Bradesco e da Bradesco Vida e Previdência.
Atualmente, o MultiPensions Bradesco administra os planos de 22 entidades com um patrimônio de R$ 850 milhões. Outras duas entidades estão em análise na Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) - que somariam patrimônio de R$ 1,2 bilhão. Acredito que a maior demanda virá de empresas que possuem fundos próprios e que migrarão para fundos multi patrocinados, seja por conta da redução dos juros, seja por medo de se expor mais ao risco, completa o executivo.
Mas o crescimento não virá só de fundos de pensão já constituídos. Novos entrantes também devem engordar as carteiras dos multi patrocinados. Independente do patrimônio acumulado pelo fundo de pensão, o custo fixo é o mesmo. Em uma empresa que parte do zero, os custos são arcados por ela. Então compensa você iniciar um fundo de pensão com um multi patrocinado, ressalta o diretor executivo do MultiPensions Bradesco.
Robustez
O maior fundo de pensão multi patrocinado, do HSBC, também registra crescimento consistente no número de novas patrocinadoras.Registramos, em média, 10 entrantes por ano, sendo sete já constituídos e três estreantes. Mas essa proporção já foi diferente. Em 2002, para cada 10 entrantes, oito eram novos e dois já possuíam fundos próprios, explica Rogério Aguirre, diretor da HSBC Seguros.
O fundo multi patrocinado do HSBC administra os recursos de 209 entidades fechadas de previdência complementar, que somam R$ 4,5 bilhões em patrimônio. Desse total, entre 60% e 65% estão alocados em um perfil moderado (até 20% em renda variável), e menos de 10% está no perfil agressivo, sendo, principalmente, empresas com participantes jovens, que trabalham no setor de tecnologia. Somos grandes porque também somos o fundo multi patrocinado privado mais antigo do país, conta.
O executivo entende que o fundo multi patrocinado é a incubadora de novos fundos de pensão. Você tem ganho de escala no retorno dos investimentos, bem como pulverização dos custos, diz Aguirre.
Para agilizar o A entidade fechada de previdência complementar também pode optar por um portfólio exclusivo. Porém, indicamos essa opção para empresas que já possuam um volume de recursos acumulados, completa o diretor da HBSC Seguros.   (Brasil Econômico/Segs)

22.06 - Crises e a boa governança
Em todo o mundo, mesmo as democracias mais avançadas têm dificuldades em encontrar soluções para os problemas cada vez mais complexos da sociedade contemporânea. Somem-se a isso as crises sucessivas pelas quais a economia mundial está passando, nem mesmo nos recuperamos da advinda da economia norte-americana e a recente débâcle da economia grega lembra-nos que devemos estar sempre alerta às intempéries econômicas. Se as crises do capitalismo são inevitáveis, os agentes econômicos e, em maior medida, o poder público, devem criar mecanismos de proteção visando a mitigar os seus danosos efeitos. Qual seria o principal desses mecanismos? Para combater esses males, a solução passa pela implantação da boa governança, que visa a atuar preventivamente e a disciplinar o exercício de poder decisório nas empresas e, com muito mais razão, no setor público. A adoção, hoje, das melhores práticas de governança é que dá legitimidade à escolha do modelo de gestão, dos princípios e dos valores das instituições.
Uma vez instalada, a boa governança, que não é mais privilégio só das empresas privadas, constitui-se no melhor instrumento a debelar os efeitos causados pelas crises econômicas. Segundo o Banco Mundial, “a governança é a maneira pela qual o poder é exercido no efetivo gerenciamento dos recursos sociais e econômicos de um país”. Coube ao Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) a edição do festejado Código das melhores práticas de governança corporativa, que é hoje uma referência para todas as empresas que se pretendam modernas e que queiram atuar de forma consentânea com as aspirações da sociedade, com responsabilidade e compromisso social. Está disponível em http: //www.ibgc.org.br/CodigoMelhoresPraticas.aspx).
A governança corporativa, tema que precisa ser cada vez mais difundido entre nós, consiste em um sistema de gestão das sociedades no qual se privilegiam, de um lado, a probidade e a transparência e, de outro, a ampliação e a compatibilização dos direitos daqueles que se relacionam com a companhia. Transpostas para o governo, as boas práticas de governança preveem regras e processos que premiem a busca de resultados e da eficiência na produção de bens e serviços à população, prestação de contas à sociedade, combate efetivo à corrupção e parceria aberta com as instituições não governamentais. Uma das dificuldades na transposição dessas práticas foi a recente postura do governo federal, que não escondeu seu inconformismo com a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), instituição modelar no controle das contas públicas, ao fiscalizar, paralisando 41 obras públicas federais, entre elas 13 contempladas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Em vez de se indignar contra os desvios constatados na execução das obras, para garantir maior transparência nos gastos e sinalizar claramente para a sociedade que as irregularidades seriam rigorosamente apuradas, punindo-se os responsáveis, o que se viu foi o governo exigir mudanças na fiscalização exercida pelo tribunal. Ou seja, o culpado é o fiscal.
O governo de Minas, em relevante e pioneira iniciativa, consciente da necessidade de dar maior transparência também à gestão das empresas estaduais, instituiu o Comitê de Governança Corporativa, cuja competência é acompanhar a gestão das sociedades de economia mista, empresas públicas e demais empresas controladas direta ou indiretamente pelo estado. Foi criado, também o capítulo Minas Gerais do IBGC, que está completando agora um ano, iniciativa que traduz o reconhecimento de que a economia mineira conquistou lugar de destaque no cenário nacional e que a adoção das boas práticas de governança por nossas empresas lhes permitirá avançar no aperfeiçoamento de seus modelos de gestão.
Enaltecer os valores das empresas e de sua conduta ética, o seu bom relacionamento com os cidadãos e com os clientes, bem como a prestação de serviços de qualidade, constitui também dever do Estado, que deve promover as condições indispensáveis para o desenvolvimento tanto do setor público, como do privado. O poder público requer, portanto, uma boa governança pelas mesmas razões que as empresas privadas: obter confiança dos públicos estratégicos e dos cidadãos, captar recursos, atrair investimentos internos e externos, oferecer melhores produtos e serviços, assegurar a sustentabilidade e atrair profissionais talentosos. É o que tem sido feito em nosso estado. Por isso, em períodos de dificuldades e de recursos escassos e de demandas sociais crescentes, não há espaço para amadorismos e aventuras. A gestão pública moderna e eficiente é e será a ferramenta mais eficaz na defesa dos interesses da sociedade. A propósito, vale a máxima de Oliver Williamson, ganhador do Prêmio Nobel de Economia de 2009: “Quanto mais eu vivo, mais eu acredito na eficiência do trabalho modesto, permanente, molecular e definitivo”. Que os mineiros consagrem este propósito.  (Maria Celeste Morais Guimarães - Estado de Minas-19.06)

22.06 - Governança calculada
Muito se fala sobre as vantagens trazidas para a imagem de uma empresa que adere às boas práticas de governança corporativa. Mas, mais do que isso, a adoção de medidas que demonstram maior preocupação com o investidor se traduz em redução no custo de capital. É o que mostra, na ponta do lápis, um estudo elaborado pelo professor Alexandre Espírito Santo, diretor do curso de Relações Internacionais da ESPM-RJ. O assunto é tema de dissertação de mestrado em economia empresarial defendida pelo professor na Universidade Cândido Mendes, no Rio.
Para chegar a essa conclusão, o professor selecionou a Net para avaliar os dados abrangendo as taxas de juros sobre o custo de capital de terceiros da empresa de 1999 até 2007. Analisou ainda outras variáveis, como a taxa de juros de longo prazo (TJLP), cobrada nas linhas de crédito do governo, e o retorno das ações em relação ao Ibovespa. "Os trabalhos sobre governança corporativa sempre seguem a linha de mostrar o quanto ela faz bem para a empresa, mas é difícil ver algo que confirme isso de maneira empírica, com números", explica.
A escolha da Net ocorreu porque o autor queria selecionar uma empresa do setor de serviços, com ações negociadas na bolsa e integrante do Ibovespa. Segundo Espírito Santo, a decisão de avaliar os dados até 2007 se deve à crise de 2008, que elevou o custo de capital para todas as empresas e, portanto, poderiam distorcer o resultado. "Apesar de o setor de serviços da economia ter importante participação no PIB, ele possui dificuldades maiores para conseguir capital a custos mais baixos", escreve o professor.
O estudo revela que, após aderir ao Nível 1 de governança corporativa, ainda como Globo Cabo em junho de 2001 e, um ano depois, ao Nível 2, a Net registrou uma redução considerável do custo de seu endividamento, aumentando a avaliação ("valuation") da companhia no mercado. No quarto trimestre de 1999, por exemplo, o custo de capital da empresa era de 86,80%. Já no segundo trimestre de 2002, esse custo caiu para 36,50%, subindo para 63,90% nos primeiros três meses de 2003. A partir daí, o custo de capital da Net veio caindo, até atingir 9,30% no quarto trimestre de 2007.
Isso significa, de acordo com o professor, que, em períodos de normalidade macroeconômica, "as empresas que fazem uso dos critérios de governança tendem a ser premiadas pelos investidores com menores custos de endividamento." Isso, por consequência, reduz o custo médio do capital da empresa - o chamado WACC, sigla para Weighted Average Cost of Capital -, aumentando o valor da empresa.
Apesar de o professor ter ficado restrito ao caso Net em sua tese, ele também pesquisou o efeito da governança corporativa sobre outras empresas, como Cemig, Celesc e Brasil Telecom. "Em todas, há a mesma tendência", diz. "Todas possuem essa característica de serviços e a provável maior dificuldade de captar", diz. Ele observa, porém, que as empresas de energia apresentam menor queda de custos, "talvez pelo fato de serem estatais".
Na opinião de Espírito Santo, num ambiente de intensa competição, uma das formas de uma empresa se sobressair é, cada vez mais, melhorar a relação com seus potenciais financiadores e/ou investidores. Para a companhia, a mensagem que fica é que adotar boas práticas de governança é positivo, já que reduz o custo de capital, diz o professor. "Já para o investidor, quando há redução de custo de capital, a empresa tem um melhor 'valuation'", afirma. Ou seja, vale mais.
Muitos investidores, no entanto, acreditam que o mercado deveria premiar as companhias que aderiram a um dos níveis de governança, pagando mais pelas ações dessas empresas. O professor mostra, no entanto, que, para o investidor, a presença ou não de governança corporativa representa um fator de risco. Este fator é reduzido à medida que as empresas passam a adotar melhores práticas de governança, o que diminuiria a chance de surpresas desagradáveis, escreve o autor.
Mas, na verdade, quanto melhor a governança, menor deveria ser o retorno esperado das ações e, em consequência, maior o valor relativo destas empresas, proveniente da maior confiança dos investidores. "Então, não se deve esperar um retorno maior de tais empresas, já que a premissa de finanças é que risco e retorno esperado devem andar pari passu", diz o professor.  (Luciana Monteiro - Valor Online)
 
 
 
 

21.06 - País vai continuar crescendo com recordes de empregos
Segundo o ministro Mantega, proporcionalmente, Brasil foi o país que mais gerou empregos no mundo
O Brasil será o país que mais crescerá depois da crise e vai gerar empregos proporcionalmente, disse na quinta-feira o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
- Teremos neste ano a menor taxa de desemprego da série histórica.
Segundo o ministro, para este ano a estimativa de crescimento do emprego é de 6,5% e a média para os próximos anos chega a 5,5%. Mantega participou da reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).
Ele voltou a afirmar que as medidas de estimulo à economia durante a crise que chegou ao país no final de 2008, deram excelentes resultados e permitiram ao país já ter voltado ao nível pré-crise. Segundo ele, a economia está "praticamente" aquecida e os estímulos foram quase todos retirados.
- Um vez obtido o resultado, estamos retirando quase todos os estímulos. Portanto, caminhamos para um patamar de crescimento mais sustentável e equilibrado até o final do ano - disse.
Outro número apresentado pelo ministro mostra que o total de novos empregos em 2010 deve chegar a 2 milhões, dos quais 962 foram gerados até abril. A taxa de desemprego de 6,8% da população economicamente ativa é considerada a menor da história.
- Proporcionalmente, o Brasil foi o país que mais gerou empregos no mundo, numa quantidade suficiente para atender nossos jovens que estão chegando ao mercado de trabalho. Isso corresponde aos últimos oito anos - acrescentou.     (Agência Brasil/Jornal Monitor Mercantil)

21.06 - BC vê economia acelerada e inflação em alta
Para ministro da Fazenda, não há mais motivos para elevar os juros
Mesmo com sinais de desaceleração do crescimento da economia, o Banco Central (BC) avalia que o cenário de inflação para 2011 se deteriorou, levando o mercado a apostar que o ritmo de elevação da Taxa Selic - que subiu 0,75 ponto percentual em abril e maio - vai ser mantido pelas próximas duas reuniões. A avaliação da autoridade monetária está na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada na quinta-feira. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, porém, fez ontem uma avaliação distinta, afirmando que a inflação deixou de ser um problema que justifique a adoção de medidas para segurar a expansão da economia, como a alta dos juros.
Para Mantega, o país cumprirá a meta oficial este ano, cujo centro é 4,5% pelo IPCA, utilizando a margem de oscilação de dois pontos percentuais, para mais ou menos. O índice deverá ficar entre 5,3% e 5,4%, nos cálculos da Fazenda. Um dos motivos para o prognóstico é a certeza de que o ritmo de atividade está desacelerando.
O Copom, por sua vez, também vê desaquecimento, mas avalia que a economia permanece acelerada.
- Eu queria avisar que a inflação está caindo e dizer que nós vamos cumprir as metas de inflação para este ano.
Posso dizer aos senhores que o índice oficial, o IPCA, vai ficar bem comportado nos próximos meses - afirmou Mantega à platéia de empresários presentes da reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).
O BC informou, sem revelar números, que a projeção da variação dos preços pelo cenário de mercado - com expectativas levantadas junto ao mercado - foi elevada, e está acima do valor central da meta (de 4,5% pelo IPCA) para 2011. Na ata anterior, de abril, o Copom havia afirmado que a projeção estava ao redor do centro da meta.
Para o economista-chefe da Máxima Asset Management, Elson Teles, trata-se de um sinal claro de que o BC deve manter a intensidade das altas na taxa básica de juros por mais tempo.
Teles deverá rever sua estimativa para a Selic neste ano, de entre 11,75% e 12% ao ano para 12,5% e 12,75%.
Lula: Brasil fará revolução produtiva se crescer 6% Mantega, porém, afirmou que "alguns se entusiasmaram" com o pico da inflação nos primeiros meses de 2010, mas essa ameaça já passou. Ele disse que o preço dos alimentos, vilões da inflação este ano, começou a ceder a maio, freando a variação do IPCA.
Segundo o ministro, isso mostra que ele estava certo quando atribuiu a pressão inflacionária ao choque de oferta.
Mas o BC classifica a atual pressão sobre os preços da economia como inflação de demanda e foi com este argumento que deu início, em abril, ao atual ciclo de alta dos juros.
Na semana passada, o comitê elevou a taxa em 0,75 ponto, para 10,25%, o segundo movimento dessa magnitude. Pela pesquisa Focus do próprio BC, o mercado prevê que os juros vão encerrar o ano a 11,75%.
- É muito cedo para falar em efeitos desinflacionários já ocorrendo - afirmou Teles.
A grande preocupação do BC continua sendo com a demanda interna, que, na avaliação de seus diretores, cresce num ritmo maior do que a oferta, impulsionada pelos ganhos de emprego e renda, os impulsos fiscais e o crédito, com destaque para a concessão pelos bancos públicos. Por isso, o BC repetiu a necessidade de uma atuação incisiva no combate à inflação.
Mantega admitiu que alguns setores, como o da construção civil e de serviços, estão acelerados, mas negou que a situação esteja fora do controle.
Presente ao mesmo evento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que o Brasil terá uma revolução produtiva caso consiga crescer a cada ano de 5% a 6%. Para o presidente, este é o ritmo ideal para que a expansão incentive investimentos e não provoque gargalos nas empresas e desequilíbrios, numa referência à escalada da inflação.
Lula disse estar convencido de que o país tem, hoje, espaço para se desenvolver de forma sustentada.
- As duas coisas estão ligadas (crescimento e produção), mas o Brasil ainda tem espaço para crescer. Minha tese é muito singela: não quero que o Brasil fique crescendo no efeito sanfona - disse Lula. - O Brasil está dando um exemplo de seriedade, de economia sóbria, de economia serena, de crescimento.
Já Mantega disse que o Ministério da Fazenda está criando uma ferramenta de monitoramento, na boca do caixa, dos gastos do governo. A avaliar melhor a necessidade e a pertinência de cada um deles: - Os gastos precisam ser mais bem avaliados.  (Patrícia Duarte, Geralda Doca e Cristiane Jungblut - O Globo)

21.06 - Copom: Ata diz que risco de inflação continua alto
Para economistas, documento sinaliza nova alta de juros no próximo mês
A maior ameaça, segundo a avaliação do Banco Central, está na forte demanda interna, e não na crise europeia
O Banco Central diz que os riscos para a inflação permanecem elevados, apesar da retirada de parte dos estímulos econômicos criados durante a crise financeira.
A maior ameaça, segundo o BC, está na própria economia brasileira, e não nos efeitos da crise recente nas economias da Europa.
As informações constam na ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), quando os juros subiram de 9,50% para 10,25% ao ano.
De acordo com economistas, o documento indica que o BC deve manter o ritmo atual de alta dos juros e promover outra elevação de 0,75 ponto percentual em julho. Desde abril, a taxa Selic já subiu 1,5 ponto percentual.
As projeções de inflação do Copom subiram em relação à reunião de abril e estão "sensivelmente" acima do centro da meta de 4,5%.
"Os riscos para a consolidação de um cenário inflacionário benigno se circunscrevem essencialmente ao âmbito interno", diz a ata. Para o BC, a demanda doméstica está acima da capacidade de oferta de bens.
"Enquanto permanecer esse cenário internacional, e com a demanda doméstica no nível em que está, não haverá nenhuma mudança significativa", afirmou Jankiel Santos, economista-chefe do BES Investimento. "O BC vai manter o mesmo patamar de aumento dos juros até setembro", disse Inês Filipa, economista-chefe da Icap Brasil.  (EDUARDO CUCOLO - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

18.06 - Para onde vai o euro?
A crise econômico-financeira que afeta boa parte dos países integrantes da zona do euro começa a contaminar a credibilidade da moeda entre os cidadãos da própria área da união monetária.
Aqui e ali, movimentos contra o euro, inimagináveis há menos de um ano, têm surgido com grande repercussão. Em Berlim, ganha destaque uma campanha popular pela volta do marco alemão. A indignação da opinião pública contra a ajuda financeira concedida à Grécia é geral e já atinge fortemente a reputação política da presidente Angela Merkel e dos dirigentes da União Europeia. Os cidadãos alemães já pagaram caro, nos últimos anos, pela unificação do país, pela política interna de aumento de produtividade e pelas restrições impostas às aposentadorias e não estão satisfeitos em assumir mais um custo que, a rigor, não lhes diz respeito.
Em Portugal, a revista semanal "Sábado" desta semana traz um artigo interessante com as várias implicações da ressurreição do escudo. Sob o título "Viver sem o euro", aponta, entre as vantagens, para o aumento de competitividade das exportações. Resultaria da desvalorização imediata do escudo, estimada por especialistas entre 30% e 40% com relação ao euro.
Entre as desvantagens, está obviamente a inflação, uma vez que a volta da moeda velha implicaria no aumento do custo da importação de produtos básicos para o consumo interno, como arroz, leite e carne, entre outros. Essas questões também afetariam a peseta espanhola, a dracma grega, a lira italiana ou a libra irlandesa se a temerosa ideia de reintrodução das moedas velhas viesse a ser implementada. Isso, sem mencionar a tremenda crise bancária que o abandono do euro por alguns países provocaria, em especial nos bancos alemães que estão abarrotados de ativos do chamado Met Club, como passou a ser denominado o grupo de países da zona do euro banhados pelo Mediterrâneo. Portugal estaria geograficamente fora, mas pelas características está incluído no mesmo clube.
Já não há dúvidas, após a crise da Grécia, sobre a culpa da frouxidão com que os dirigentes máximos da UE monitoraram os limites impostos ao déficit fiscal e à dívida pública, algumas das condições mais importantes para a adesão e permanência como membro da política monetária unificada.
Fica claro também que há um buraco negro difícil de transpor entre a unificação monetária e a unificação política da UE, mas algo precisa ser feito porque as discrepâncias entre os mais ricos e os mais pobres são imensas. Neste mês, um texto de dois economistas do Departamento Europeu do FMI chama atenção para o largo e crescente déficit nas contas correntes do Met Club. "Current Account Imbalances in the Southern Euro Area" ("Desequilíbrios da conta corrente na Área Sul do Euro"), de Florence Jaumotte e Piyaporn Sodsriwiboon, mostra que aqueles déficits têm sido causados pelo declínio na taxa de poupança privada. Essa situação teria sido estimulada pela adesão ao euro que, ao facilitar os investimentos e aumentar o acesso à poupança externa, induziu a maiores déficits em conta corrente.
Como países da área sul do euro os autores classificam Chipre, Grécia, Itália, Malta, Portugal, Eslovênia e Espanha. Na média, a taxa de poupança privada caiu o equivalente a 10% do PIB entre 1994 e 2008, enquanto que as taxas de investimentos subiram, em média, 2% do PIB (boa parte na construção civil que não ajuda nas trocas externas) e as taxas de poupança pública aumentaram em cerca de 2% do PIB no período. O déficit em conta corrente - pulou de um superávit de 0,1% do PIB, em média, em 1994, para déficit de até 10% do PIB em 2008 - foi agravado com a deterioração das balanças comerciais daqueles países pela perda de competitividade.
Por falta de eficiência naquelas economias e altos custos da mão de obra em euros, a nova moeda funcionou nos países do Met Club com forte apreciação cambial efetiva desde o final dos anos 90. Considerando os índices de preços, aqueles países incorreram em apreciações reais que variam de 10% a 16% no período de dez anos, até 2008. Quando calculado em função do custo da unidade de trabalho na indústria manufatureira, a taxa de câmbio efetiva real apresenta uma apreciação de cerca de 25%, em média, enquanto que nos países do Norte da Europa, mais desenvolvidos, considerando a mesma base do custo da mão de obra, ocorreu no período uma depreciação da taxa efetiva de câmbio real de cerca de 8%, em média.
A recomendação para reduzir a disparidade econômica entre o norte e o sul na zona da moeda única requer forte vontade e liderança política.
Na edição da última semana de maio da revista francesa "Le Point", os ex-presidentes da França e da Alemanha, Valéry Giscard d´Estaing e Helmut Schmidt, assinaram em conjunto artigo em defesa do euro, pedindo maior entrosamento entre os dirigentes franceses e alemães nesta fase de ajustes e uma série de medidas, como a submissão dos orçamentos ao conselho de dirigentes da zona do euro antes de serem apresentados aos respectivos parlamentos de cada país, um calendário de redução dos déficits públicos além de medidas de regulação financeira e de combate à especulação e, finalmente, a criação de um mecanismo de estabilização financeira para a zona do euro. Espera-se que alguma luz surja até meados do ano.    (Maria Clara R. M. do Prado - Valor Online)

18.06 - Meta de inflação de 2012 deve ser fixada em 4,5%
Em reunião marcada para o dia 24, o Conselho Monetário Nacional deverá fixar para 2012 uma meta de inflação de 4,5%. Este será, portanto, o oitavo ano consecutivo que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva estabelece como objetivo a ser perseguido pelo Banco Central a mesma meta de inflação. Pelo regime de metas, todos os anos, em junho, o presidente aprova e o Conselho Monetário sanciona a meta de inflação de dois anos à frente.
Quando Lula assumiu o primeiro mandato, em 2003, o país vinha de uma crise cambial no ano anterior, alimentada por especulações eleitorais, que jogou a inflação para 12,53%. A meta para aquele ano era de 4% com 2,5 pontos percentuais de margem de tolerância. Diante do descontrole de 2002, foi escrita a primeira e única carta aberta ao ministro da Fazenda - instrumento previsto no sistema de metas para o BC explicar porque a inflação fugiu dos parâmetros - substituindo aquele percentual por uma meta ajustada de 8,5% para 2003 e de 5,5% com 2,5 pontos percentuais de margem de tolerância para 2004.
Apesar de toda a austeridade monetária e fiscal daquele primeiro ano, a inflação efetiva foi a maior desde o início do regime de metas, em 1999: 9,3%. Em 2004, a inflação também superou o teto e foi de 7,6% . De 2005 em diante, em todos os anos a meta ficou estacionada em 4,5%. O único avanço foi feito na redução da margem de tolerância, que caiu de 2,5 para 2 pontos percentuais. Nesse período, a inflação efetiva ficou por três vezes abaixo do centro da meta: em 3,14% em 2006, 4,46% em 2007 e 4,31% em 2009.   (Claudia Safatle - Valor Online)

18.06 - PIB no pano verde
Crescimento em 2010 virou loteria. Apostas vão de 6,5% a 8%, com forte queda até dezembro. Será?
O desempenho da economia brasileira este ano virou loteria depois da expressiva variação do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre. Ponto pacífico é que está garantida expansão mínima de 6% em relação a 2009. Incerto é quanto mais que isso poderá ser.
O ritmo de crescimento de 2,7% em relação ao trimestre anterior e de 9% sobre igual base de 2009 não vai repetir-se. A economia vai crescer menos – bem menos, na conta do Ministério da Fazenda e de uns poucos analistas –, e não muito menos, na visão de consenso.
Parece picuinha discutir se o crescimento estará mais perto de 8% sobre 2009 que de 6,5%, a aposta da Fazenda. No boletim Focus, do Banco Central, que revisa semanalmente os cenários de uma centena de bancos e consultorias, o PIB projeta crescimento de 7%.
Parece bobagem, mas não é. Conforme as expectativas, o ciclo e a intensidade da Selic serão maiores ou menores. Indústrias ajustam a produção e estoques conforme o que esperam da demanda, e fazem o mesmo com a velocidade dos investimentos, influenciadas não apenas pelos seus dados internos, mas também pelos cenários externos, que por sua vez repercutem na veia a trajetória esperada para a Selic.
Aliás, o efeito imediato da Selic é sobre as disponibilidades das empresas, não bem sobre o consumo das famílias diretamente, já que há uma forte relação entre juros e a taxa de retorno da atividade operacional. Se o BC pilota a Selic de olho na pressão do consumo sobre a oferta interna limitada, complementada por importações, o consenso de curto prazo sobre a temperatura da economia não é uma informação fútil. É decisiva para a condução dos negócios.
Os argumentos que fundamentam os cenários mais ou menos aquecidos sobre o comportamento do PIB até o fim do ano são consistentes, o que significa que os indicadores setoriais de produção, de renda e de evolução do crédito ao consumo não estão prontos para indicar a tendência que se avizinha. Sabe-se que a economia vai rodar a um ritmo menor frente ao primeiro trimestre. Mas se desconhece se sua velocidade vai passar da 4ª marcha para a 3ª ou para a 2ª.
O varejo perde pique
O pessoal preocupado com o radar tenderá a tirar o pé do pedal do crescimento, se considerar notícias como a das vendas do varejo em abril. O comércio vendeu 3% menos que em março, maior queda de um mês para outro na pesquisa do IBGE. No varejo ampliado, conceito que adiciona o comércio de carros, motos e material de construção, a redução foi ainda maior, 4,7%. É a serie mensal que prenuncia o comportamento da economia no curto prazo, não o comparativo anual.
Por tal critério, o varejo tradicional vendeu em abril 9,1% mais que em igual mês do ano passado. O comércio ampliado, mais 12,7%. Mas isso é passado, tanto quanto o PIB do primeiro trimestre.
Dosagens divergentes
Para adiante o que será? Duas fontes de referência da coluna não se põem de acordo sobre o desempenho do PIB de abril a dezembro. O economista Fernando Montero, especialista em contas nacionais, por exemplo, revisou sua projeção de crescimento de 7,1% este ano para 7,8%. A consultoria LCA fez o mesmo, mas de 6,2% para 6,6%.
A divergência está na dosagem da desaceleração até dezembro. Para Montero, para o PIB crescer 6,5% no ano, como projeta a Fazenda, a desaceleração prevista implica “estagnação”. A evolução do PIB nos três trimestres finais de 2010 teria de ser, em média, de 0,34%, o que, diz ele, é inexequível, tanto quanto a variação anual do IPCA prevista pela Fazenda, de 5%, que supõe acréscimos mensais de 0,2% ao mês. A economia perde pique, mas não é acuada. O consumo cai em seu cenário, mas o investimento cresce, amortecendo a redução.
É cedo para concluir
Para a LCA, o fator estoques, “que impulsionou os resultados do PIB nos dois últimos trimestres”, terá redução significativa nos próximos meses. O consumo das famílias, acrescenta, também será um “vetor importante de desaceleração do PIB”. Tais premissas levam o cenário da LCA a projetar crescimento médio de 0,6% entre o 2º e o 4% trimestre do ano. Ou, sem o dado de estoques, 1% por trimestre.
Os indicadores antecedentes próprios da consultoria já captam um desaquecimento maior em curso. “Dado que o PIB deve ter avançado 1,2% em abril-junho, nossa projeção supõe crescimento médio no 2º semestre de 0,4% por trimestre”, diz a análise da LCA. Resultado: a economia transitará de um ritmo de quase 3% por trimestre para um pouco menos que 0,5%. A questão é se o BC concorda com cenário tão moderado de crescimento. Parece cedo para tirar conclusões.    (Antônio Machado - Estado de Minas)
 
 
 
 
 

17.06 - Moody‘s prevê alta da inadimplência nos bancos
Números dos próximos períodos podem mostrar uma piora, destaca a analista, e as provisões podem voltar a ser reforçadas
O forte crescimento da economia e a expansão do crédito para as classes C e D podem levar a um aumento das taxas de inadimplência dos bancos nos próximos 12 a 18 meses, prevê relatório da Moody's sobre perspectivas para o mercado financeiro brasileiro. "A receita recorrente com as operações de crédito vai crescer, mas esse aumento pode ter potenciais problemas, como a piora da qualidade dos ativos", destaca a analista da Moody's, Ceres Lisboa, uma das responsáveis pelo estudo.
Os balanços dos bancos no segundo trimestre ainda devem mostrar taxas de inadimplência em queda, reversão das provisões e forte expansão dos empréstimos, prevê o relatório. Com isso, deve se repetir no período de abril a junho o que ocorreu nos meses de janeiro a março. Mas os números dos próximos períodos podem mostrar uma piora, destaca a analista, e as provisões podem voltar a ser reforçadas. Desde setembro do ano passado a inadimplência vem caindo. "Os bancos estão mais seletivos na concessão de empréstimos desde a crise financeira mundial, mas há uma nova classe consumidora vinda da população de baixa renda, que nunca tomou crédito. Há uma curva de aprendizado dos bancos para essa classe", diz Ceres.
A competição entre os bancos, seja entre os privados ou entre os bancos públicos, nunca esteve tão forte, destaca a analista. Isso, aliado ao aumento da Selic, pode levar a uma redução das margens. "Temos o Banco do Brasil que não quer perder terreno conquistado durante a crise, os grandes bancos privados buscando escala e os médios entrando em novas áreas de negócios", diz Ceres. O BicBanco e o Fibra, por exemplo, que eram muito focados em crédito para empresas, estão reforçando a área de varejo. Já o Banco Pine resolveu montar um banco de investimento.
Melhores do mundo
Por conta das projeções de aumento da inadimplência e uma possível piora da qualidade dos ativos, a perspectiva para os ratings dos bancos brasileiros é "estável", ou seja, não devem ocorrer nem melhora nas notas, nem um rebaixamento nos próximos meses. A exceção é o Banco Fibra, que tem perspectiva "positiva" com a nota podendo ser elevada.
Mesmo sem projeções de aumentos dos ratings para a maioria dos bancos, Ceres destaca que as instituições financeiras brasileiras estão em posição invejável quando comparadas com as estrangeiras. "Os ratings dos bancos locais não mudaram muito nos últimos 12 meses, enquanto as notas de muitos estrangeiros foram rebaixadas", diz ela. Com isso, na comparação internacional, as classificações de bancos como Bradesco e Itaú estão entre as melhores do mundo.
Bancos capitalizados
Diferentemente da crise de 2008, os bancos brasileiros estão capitalizados neste momento, destaca o relatório. "A capitalização é um fator chave da força financeira das instituições brasileiras." Segundo dados da Moody's, este ano, até abril, captaram US$ 9 bilhões no mercado externo, com prazos na casa dos 10 anos e com emissão de dívida subordinada (dinheiro que é usado para reforçar o capital do banco e melhorar o Índice de Basileia, indicador de solvência da instituição).
Mesmo com o fechamento do mercado externo a partir de final abril, por conta dos problemas fiscais na Grécia, a Moody's não problema para o setor bancário brasileiro. Segundo Ceres, as captações externas representam na média 12% das captações totais dos bancos locais, ou seja, não é a principal fonte de recursos. "Os bancos médios estão com bastante caixa e as linhas domésticas não secaram e eles continuam com acesso a elas", diz.   (Altamiro Silva Júnior - O Estado de S.Paulo)

17.06 - Brasil é o 7º entre os países com maiores reservas
O Brasil está entre as sete economias com o maior nível de reservas em moeda estrangeira, segundo dados de 66 países coletados pelo FMI.
Com pouco mais de US$ 250 bilhões, a maior parte aplicada em títulos do governo dos EUA, o Brasil tem estoque de recursos superior ao da maioria dos emergentes.
O valor está abaixo, no entanto, do acumulado pelas outras três economias que fazem parte do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China).
A China é o país com as maiores reservas, US$ 2,4 trilhões, seguida por Japão (US$ 1 trilhão).
Por ser um seguro contra crises, a acumulação de recursos tem custo. A estimativa é que esse valor seja próximo de US$ 30 bilhões.
O valor atual supera o necessário para evitar ataques especulativos contra o país, segundo o professor Fabio Kanczuk, da FEA (Faculdade de Economia e Administração da USP). Hoje, há recursos para pagar toda a dívida externa (US$ 206 bilhões).
"Estão sobrando recursos. E essas reservas custam caro. Basta ver a diferença entre o juro que a gente recebe e a taxa que o governo paga na dívida interna", diz Kanczuk.
Apesar do custo elevado, as reservas evitaram oscilações mais fortes do dólar nas crises internacionais, segundo o economista Flávio Serrano, do BES Investimentos.
"É relativamente custoso manter esse estoque, mas quanto maior for o colchão de recursos, maior a capacidade de absorver turbulências", diz Serrano.  (Maria Cristina Frias - Folha de S.Paulo)

17.06 - Sem freio no crescimento
Após recuo em abril, país voltou a se expandir em maio. Analistas veem superaquecimento e juros maiores
O esperado freio na economia brasileira, depois de um crescimento de 11,2% anualizado no primeiro trimestre, durou apenas um mês. Os indicadores de atividade econômica que recuaram em abril voltaram a crescer em maio, alguns para patamares recordes. Já é assim para a produção de veículos. Em maio, foram fabricados 310 mil carros, a segunda maior produção da série histórica da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que existe desde 1980. E as quedas registradas em abril no consumo de energia, na produção de papel ondulado (usado em embalagens) e no fluxo de veículos pesados (que mostra o movimento de cargas nas rodovias) já estão com sinal positivo em maio.
Esses indicadores são um termômetro da economia e costumam antecipar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos pelo país).
- A queda temporária em abril não muda nossa visão de que a economia ainda está muito aquecida. A leitura de que os juros não precisam ser elevados é equivocada. Os riscos de a inflação subir continuam - afirma Luiza Rodrigues, economista do Santander.
Nas contas do banco, o PIB no segundo trimestre crescerá 1,2% frente aos três primeiros meses do ano, já com ajuste sazonal. Isso depois de ter avançado 2,7% no primeiro trimestre - o que significa uma taxa anualizada de 11,2%. O Santander prevê um crescimento de 7,8% da economia brasileira este ano, e já há analistas estimando uma alta superior a 8%.
Copa ajuda nas vendas do comércio
Para Leonardo Carvalho, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a tríade aumento do salário mínimo, mercado de trabalho aquecido e farta oferta de crédito garantem o cenário positivo para a economia: - Acredito que o PIB vai arrefecer, mas não tanto. As perspectivas continuam boas, mas é melhor crescermos num patamar mais próximo do nosso PIB potencial (em ritmo mais lento).
Ontem, ao sancionar o reajuste de 7,7% para os aposentados que ganham acima do mínimo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acabou dando mais um empurrão para a economia. O aumento será aplicado a 8,2 milhões de benefícios, entre aposentadorias e pensões, representando mais de R$ 813 milhões por mês injetados na economia.
No varejo, as vendas do segundo trimestre contaram com um fator a mais para manter o ritmo acelerado: o efeito Copa. A Confederação Nacional do Comércio (CNC) estima que o faturamento do setor cresceu 0,7% em maio, frente a abril, e fechará o segundo trimestre com alta de 1,5%.
- É um crescimento que vai continuar bom, mas abaixo do primeiro trimestre (4,8%) - disse Fabio Bentes, economista da CNC.
A entidade avaliou o impacto do Mundial sobre os diferentes segmentos do varejo e calcula que, só por conta da Copa, o setor de móveis e eletrodomésticos deve ter avançado 3% no mês passado, graças principalmente à venda de TVs. O segmento de equipamentos de informática e comunicação, que inclui celulares, deve ter registrado impulso, só por efeito da Copa, de 4,3%. No setor de hiper e supermercados, o impacto do Mundial será agora, em junho. Pelos cálculos de Bentes, o setor já deve partir de uma alta de 0,9% graças à Copa.
Vendas mais fortes no varejo, produção maior na indústria. No setor de eletroeletrônicos, a primeira Copa com celulares combinados à TV digital são o destaque. As vendas desses aparelhos cresceram 400% no primeiro trimestre.
A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) elevou a expectativa para 2010, para uma alta de 9% nas vendas domésticas.
- Houve um aquecimento do mercado interno, e as vendas se beneficiam da Copa. Brincamos que o jogo do Brasil você quer assistir na tela grande, mas que o jogo da Argentina você pode assistir no celular - disse Luís Cláudio Carneiro, diretor da Abinee.
A LCA Consultores, que calcula uma variação mensal para o PIB (os dados oficiais, do IBGE, só são divulgados por trimestre), projetou uma estabilidade em abril e maio, depois de uma forte expansão em março. Mesmo estável, o patamar médio dos meses de abril e maio já é 1,3% superior ao nível médio do primeiro trimestre, explicou o economista Francisco Pessoa, da LCA.
Nem mesmo a queda de 0,7% na produção industrial em abril, divulgada pelo IBGE no início deste mês, pode ser considerada um freio na economia, diz Fernando Monteiro, economista-chefe da Convenção Corretora. Como o IBGE revisou o crescimento da indústria em março, de 2,8% para 3,4%, o número de abril veio menor: - Foi uma queda com gosto de alta. Os dados de maio já mostram volta da produção   (Cássia Almeida e Clarice Spitz - O Globo)
 
 
 
 
 

16.06 - Analistas reduzem para 5,61% estimativa da inflação
Analistas do mercado financeiro consultados pelo BC (Banco Central) reduziram, pela segunda semana seguida, a projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste ano, de 5,64% para 5,61%. Para 2011, a estimativa permaneceu em 4,80%. A informação consta no boletim Focus, divulgado às segundas-feiras pelo BC.
As projeções para o IPCA estão acima do centro da meta de inflação de 4,5%, que tem margem de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. A expectativa dos analistas para a Selic ao final de 2010 foi mantida em 11,75% ao ano. Para 2011, subiu de 11,50% para 11,75% ao ano. Atualmente a taxa está em 10,25% ao ano.
O boletim Focus também traz estimativas para o IGP-DI ( Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna). A projeção para esse índice, neste ano, passou de 8,76% para 9,12%. Para o Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M), a estimativa referente a 2010 subiu de 8,84% para 9%. Para o próximo ano, os analistas esperam que esses dois índices fiquem em 5%.
A projeção para o Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe), passou de 5,40% para 5,34%. Para 2011, a estimativa para o IPC-Fipe permanece em 4,5%.
A expectativa dos analistas para a alta dos preços administrados ficou em 3,60%, em 2010, e em 4,70%, em 2011. Os preços administrados são aqueles cobrados por serviços monitorados, como combustíveis, energia elétrica, telefonia, medicamentos, água, educação, saneamento, transporte urbano coletivo, entre outros.   (Agência Brasil/Executivos Financeiros)

16.06 - Mercado prevê crescimento de até 8,1%
Pesquisa do BC foi feita após IBGE ter divulgado dados do PIB no primeiro trimestre, que mostraram expansão de 9%
Na média, estimativa é de alta de 7%; se os 8,1% se confirmarem, será o maior resultado dos últimos 30 anos
O crescimento da economia brasileira pode chegar a 8% neste ano, segundo economistas ouvidos pelo Banco Central na pesquisa semanal Focus.
A previsão se deve aos dados do IBGE divulgados na semana passada, que mostraram expansão de 9% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2009.
O crescimento de 8,1% é o teto das expectativas dos cerca de cem economistas ouvidos no levantamento do Banco Central. Se confirmado, seria o maior resultado dos últimos 30 anos.
Na média, a expansão prevista é de 7%, acima dos 6,6% apontados antes da divulgação da semana passada. A previsão mais pessimista do mercado aponta para taxa de 5,6%.
Na semana passada, o Ministério da Fazenda também elevou, de 5,5% para 6,5%, a previsão de crescimento. O BC só divulga suas novas estimativas no final deste mês.
Assim como aconteceu no início do ano, o destaque do PIB deve ser a indústria, último setor a se recuperar da crise de 2008/2009 e que deve crescer 9%. Agropecuária e serviços teriam expansão de cerca de 5%.
DESACELERAÇÃO
Para os analistas ouvidos pelo BC, o crescimento do PIB vai se desacelerar nos próximos meses até chegar a uma taxa trimestral de 4,25% na metade do próximo ano. Depois, volta a crescer em ritmo mais forte.
A expectativa é que o próximo presidente termine o mandato com taxas de crescimento entre 4% e 7%.
Para Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin, uma das instituições com maior índice de acerto no Focus, o crescimento acima do esperado do setor industrial foi o principal fator que levou às revisões das expectativas.
Ele espera que o crescimento nos próximos anos fique entre 4% e 5%, o que vai depender do desempenho da economia mundial e dos rumos do próximo governo.
"O país tem condições de continuar com um bom ritmo de crescimento, mas é preciso ver como vai se comportar a economia global e se o próximo governo vai fazer reformas estruturais e estimular o aumento dos investimentos", disse.
O Banco Fator também elevou sua projeção, de 6,9% para 7,2%, devido principalmente à expectativa de melhora nos investimentos, que devem ter uma participação maior no resultado do PIB.
O aumento do investimento em detrimento do consumo das famílias e do governo é um dos fatores que ajudaram a reduzir a expectativa de inflação, que caiu pela segunda semana seguida, para 5,6%.
A pesquisa também mostra que o índice de preços só voltará ao centro da meta de 4,5% em 2012.   (EDUARDO CUCOLO - Folha de S.Paulo)

16.06 - O superaquecimento e a ameaça de volta da inflação
O crescimento econômico exige equilíbrio entre os diversos fatores que o sustentam: não basta aumentar o consumo, se a produção industrial não acompanha; não basta incentivar o consumo, se a expansão do crédito não é possível; não se pode produzir sem investimentos, que exigem poupança. São exemplos de desequilíbrios cuja ausência mostra a qualidade de uma política econômica.
Visando às eleições, o governo praticou uma política de estímulo ao consumo sem levar em conta se os vários setores da economia poderiam sustentá-la. O superaquecimento abriu o caminho para a volta das tensões inflacionárias, que exigem medidas para não sair do controle e eliminar rapidamente os progressos alcançados.
No domingo, no caderno de Economia, chegamos a dar diversos exemplos de como o ritmo excessivamente rápido de crescimento do consumo está contribuindo para a volta da inflação, que, paradoxalmente, como dissemos em diversos comentários, está reduzindo o poder aquisitivo dos assalariados.
O excesso de demanda está na origem desse mecanismo cego de volta da inflação. Podemos começar por analisar a demanda pela casa própria, um desejo altamente justificado das famílias. Iniciou-se um programa da casa própria, mas sem preparativos do lado da produção. Diante de um aumento concentrado da demanda (que poderia ser regulada pelo crédito), os fornecedores se aproveitaram para elevar os preços do material de construção. Até abril, em 12 meses, o preço do cimento subiu 25%; o da tinta, 23%; o da argamassa, 15%; e o do tijolo, 11,8%. São os novos proprietários que pagarão esses aumentos, que ultrapassam os mais generosos aumentos salariais.
Na véspera da Copa do Mundo, era previsível uma ampliação da demanda de aparelhos de TV. No 1.º trimestre, só de televisores de tela de cristal líquido a produção cresceu 135%, mas muitas TVs estão esperando a liberação de componentes importados que nosso sistema portuário e alfandegário não consegue agilizar, o que acarreta um aumento do custo do produto. O mesmo se verifica na fabricação de carretas, cujos pneus sofrem um atraso de dez dias de entrega. A mesma situação se verifica no caso das latas de cerveja e refrigerantes. Com o forte crescimento da demanda e a elevação do preço dos insumos, os fabricantes de embalagens pedem aumento de até 20%. Os preços dos serviços também se elevam. E a alta dos juros prepara um crescimento da inadimplência.   (O Estado de S.Paulo)
 
 
 
 
 

15.06 - Crise: Equívocos forçam mudanças na análise de risco
Dos dois lados do Atlântico, o debate sobre como reformar as agências avaliadoras de risco de crédito ganhou nova força e entusiasmo. A magnitude das mudanças cogitadas é tal que, desde o início de abril, o valor de mercado das ações da Moody ' s Investors Service e da Standard & Poor ' s, as duas maiores agências de "rating", caiu em bilhões de dólares.
O trabalho de se avaliar o crédito, dominado pelas duas e pela Fitch, sobrevive basicamente das tarifas que as agências cobram das instituições e empresas emissoras de bônus, com os investidores recebendo as informações de forma gratuita. Após a crise financeira, os conflitos de interesse dessa relação vêm sendo questionados.
Antes da crise, durante a tendência de alta dos valores mobiliários garantidos por hipotecas dos Estados Unidos - desde simples títulos de dívidas lastreados por créditos imobiliários até as extremamente complexas "obrigações garantidas por outros títulos" (CDOs, na sigla em inglês) -, as classificações máximas, "triplo A", para os lançamentos foram concedidas excessivamente, o que alimentou sua demanda e gerou receitas substanciais para as principais agências avaliadoras. De acordo com a Comissão de Investigação da Crise Financeira, que investiga as causas dos problemas no mercado, a Moody ' s classificou, entre 2000 e 2007, "títulos lastreados por hipotecas" (MBS, na sigla em inglês) no valor de US$ 4,7 trilhões e CDOs de US$ 736 bilhões.
O presidente da comissão, Phil Angelides, disse em audiências em Nova York na semana passada que a Moody ' s era uma "fábrica de triplo A", cuja expansão levou a um aumento de seis vezes no valor de suas ações entre 2000 e 2007. "Os investidores que confiaram nas classificações da Moody ' s não se saíram muito bem", afirmou.
Muitos dos papéis avaliados pelas agências viram seu valor despencar e tiveram suas classificações rebaixadas acentuadamente quando os preços residenciais nos EUA despencaram - sendo que as perdas para o sistema financeiro continuam a afetar economias pelo mundo inteiro. As principais agências avaliadoras sustentam, reiteradamente, que aprenderam a lição e que adaptaram muitos de seus procedimentos e controles.
De qualquer forma, os esforços para regulamentar mais pesadamente as agências ganharam mais força. Nos EUA, a investida chega depois de uma série de importantes audiências, como as presididas pelo senador Carl Levin e por Angelides, que colocaram em evidência os equívocos cometidos com os papéis hipotecários e os conflitos de interesse potenciais no modelo de classificação do risco de crédito.
Neste mês, a Securities and Exchange Commission (SEC, a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA) introduziu nova regra exigindo grande transparência sobre a informação usada para classificar operações securitizadas, com a ideia de encorajar todos os interessados a também analisar essas informações - a regra chamada "17g-5". Além disso, são cogitadas novas leis que poderiam ter dois impactos significativos. Uma das leis poderia aumentar a responsabilidade legal que as agências avaliadoras enfrentam - deixando-as mais vulneráveis a processos de emissores e investidores. A outra poderia mudar a forma como os "ratings" são distribuídos, como uma proposta sugerindo que a SEC determine quem faria a classificação de cada emissão. "O que ainda está incerto no longo prazo é quem pagará as agências de ' rating ' ou como os ' ratings ' são distribuídos", diz Anna Pinedo, sócia da Morrison Foerster.
Na Europa, o impacto das classificações de crédito durante a crise da dívida grega - e as polêmicas decisões de rebaixar os títulos da Grécia e Espanha - também evidenciaram seu grande poder de influência. Na semana passada, a Comissão Europeia (CE) decidiu incrementar a concorrência ao exigir que a informação que baseia os "ratings" seja aberta para todas as agências - algo similar à regra "17g-5" da SEC. Bruxelas também propôs colocar as agências que operam na Europa sob supervisão de uma nova autoridade reguladora da União Europeia. "A falta de concorrência [entre as agências] é de particular preocupação", afirmou José Manuel Barroso, presidente da CE.
Mudanças na regulamentação podem encorajar novos concorrentes no setor. Há um punhado de empresas disputando para entrar no mercado ou expandir sua participação. Algumas, como a DBRS, uma agência avaliadora com sede em Toronto, estão à margem há anos - embora mais recentemente a agência tenha conquistado maior participação. "Há muito interesse [entre os investidores] em buscar outras opiniões", afirmou Daniel Curry, presidente das operações da DBRS nos EUA. "Isso nos dá a chance de entrar e nos vender na prática."
Outros são completamente recém-chegados, que ainda não adquiriram o status de agência de "rating", necessário nos EUA, como a K2 Global Partners, criada por Jules Kroll. Outras, como a empresa de consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC), estão na expectativa. "Há esforços por parte dos parlamentares para reduzir o poder do oligopólio das agências de ' rating ' ", disse Kroll. "Esses esforços poderiam representar bem mais do que uma chance às abordagens alternativas."
A base do modelo, no qual os emissores de títulos pagam pelas classificações, continua polêmica. É improvável, no entanto, que isso mude. A principal alternativa é que os investidores paguem. Muitos, contudo, como Warren Buffett, o investidor bilionário cuja Berkshire Hathaway é a maior acionista da Moody ' s, são contrários. Há algumas agências, como a Egan Jones, que cobram dos investidores, mas sua participação de mercado é baixa. Cobrar dos investidores é "um caminho para ter uma operação pequena", afirmou Kroll.
Isso significa que a chave continua sendo administrar os conflitos de interesse. Buffett disse na semana passada que as agências, inevitavelmente, acabam concorrendo por participação de mercado - seja em preço ou diminuindo o padrão de seus "ratings". O investidor sugeriu que um monopólio poderia ser a melhor resposta. "Se houvesse [apenas] uma agência de ' rating ' , não precisaria concorrer."
Com as leis encaminhando-se em outra direção, administrar a compulsão pela conquista de participação cada vez maior será vital, até para poder recuperar a confiança dos investidores nas classificações. "Para qualquer agência de ' rating ' há um risco moral", disse Curry. "Uma diminuição dos padrões no curto prazo eleva suas receitas, mas no fim das contas pode destruir seu modelo de negócios. Agora, todos estão sendo conservadores e cuidadosos. O desafio é como as pessoas se comportarão daqui a sete ou oito anos." (Aline van Duyn - Financial Times, tradução de Sabino Ahumada - Valor Online)

15.06 - A recuperação americana em xeque
A crise na zona do euro está lançando dúvidas sobre a recuperação econômica nos Estados Unidos. Como sempre acontece nestes momentos de instabilidade é preciso separar os verdadeiros receios das paranoias criadas por análises mais superficiais. Neste nosso encontro mensal vou tentar fazer esse difícil exercício.
Uma primeira observação se impõe: a crise no espaço comum europeu é muito séria e pode contaminar a economia mundial. Estamos diante do primeiro grande teste do arranjo político e econômico que foi construído ao longo de décadas. Problemas que vinham sendo deixados de lado pelo sucesso de duas décadas de funcionamento do Tratado de Maastrich afloraram no meio do desequilíbrio fiscal criado pelo que se convencionou chamar de crise do subprime.
O aumento expressivo dos gastos públicos para evitar uma grande depressão econômica levou a um crescimento explosivo do endividamento dos países da zona do euro. E os elos mais fracos - como Grécia e Portugal - romperam-se sob o peso de uma dívida pública vista como insustentável pelos investidores.
Foi então que se tornou claro que o arranjo regulatório existente não era suficiente para lidar com esse desequilíbrio. A crise de confiança que se instalou foi agravada pelo verdadeiro bate-cabeças ocorrido entre os principais líderes europeus. Quando - finalmente - se chegou a um arranjo de emergência, com a mobilização de cerca de US$ 1 trilhão, o pânico já estava instalado nos mercados financeiros.
Em um segundo momento, os investidores perceberam que são os bancos europeus os grandes detentores de títulos emitidos pelos países chamados de Piigs (sigla em inglês para Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha). Com isso a crise ganhou também as cores de uma nova pressão sobre o sistema bancário europeu. As transações interbancárias voltaram ao estágio de dois anos atrás, com o chamado risco de contraparte inibindo o funcionamento normal dos bancos. Mesmo com a volta do Banco Central Europeu (BCE) como financiador de última instância das instituições vistas como frágeis, o sistema bancário perdeu grande parte de sua funcionalidade.
Sabemos que toda a recidiva - seja ela na saúde de uma pessoa ou da economia de um país - apresenta mais riscos do que a doença original. É o que está acontecendo na Europa e pode ocorrer nos Estados Unidos se a crise europeia não for estancada. Afinal, o endividamento público nos Estados Unidos também passou dos limites.
Quando a crise do subprime contaminou as economias no mundo todo, os governos usaram a receita básica deixada pelo grande Keynes. Os bancos centrais afrouxaram as condições monetárias e os governos realizaram uma expansão fiscal sem precedentes. Até recentemente ela funcionou com grande eficiência e o crescimento econômico voltou em praticamente todos o mundo.
Nos Estados Unidos, os números conhecidos apontam para uma expansão da ordem de 3,5% nesta primeira metade do ano. A massa salarial está crescendo a uma taxa superior a 4% ao ano, trazendo certo alento para a atividade econômica. Mesmo o segmento das pequenas e médias empresas, que vinha apresentando um comportamento pífio quando comparado ao das grandes corporações, vem dando sinais de vida novamente.
Mas essa recuperação ainda é muito tênue e, como reconheceu o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano) recentemente, abaixo das expectativas. Tomando como base as recessões anteriores, o PIB americano deveria estar crescendo a uma taxa duas vezes superior à verificada nesta primeira metade de 2010. O desemprego, de ainda quase 10% da população ativa, é outro sinal evidente dessa fragilidade.
Por isso a cautela com que os analistas estão olhando para a maior economia do mundo. Se os efeitos de um agravamento maior da crise europeia cruzarem o Atlântico e interromperem a recuperação nos Estados Unidos a economia mundial pode sofrer um novo baque. Para que isso não ocorra será necessário que a renda do trabalho continue a crescer nos próximos meses a uma taxa próxima à atual.
Na sua última aparição pública Ben Bernanke nos informa que o Fed estará atento à crise europeia e que tomará as medidas necessárias para preservar a recuperação da economia. Mas quais serão essas medidas se os juros estão próximos de zero e o déficit fiscal americano atual é de dois dígitos? Uma tentativa de repetir o pacote de estímulos fiscais de 2009 pode detonar uma crise de confiança também nos Estados Unidos.
Outra questão que precisa ser acompanhada é o possível aumento do protecionismo nos países mais atingidos por uma eventual retomada da recessão econômica. Um dos mecanismos de compensação nos países europeus que buscam uma redução do déficit público tem sido a desvalorização agressiva do euro. Com isso, países exportadores como a Alemanha, França e Itália podem contrabalançar os efeitos recessivos de gastos públicos menores.
Mas o outro lado da desvalorização do euro é a perda de competitividade das exportações americanas. Caso a recuperação americana seja ameaçada, como vai reagir Washington, principalmente com as disputadas eleições de novembro se aproximando?   (Luiz Carlos Mendonça de Barros - Valor Online)

15.06 - O Brasil não pode (ainda) crescer em ritmo chinês
Na Ásia, o PIB crescer 11% é ótima notícia. No Brasil, 9% é sinal de alerta de superaquecimento da economia
Os números divulgados na semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmaram que o Brasil experimenta os seus dias de China. O total de mercadorias e serviços produzidos pelo país (o produto interno bruto, PIB) cresceu 9% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2009, o maior valor para a série histórica iniciada em 1995. Entre as economias mais relevantes do planeta, apenas a China obteve resultado superior. Lá, ninguém celebrou nem franziu a testa. Aqui, houve comemoração. "Vivemos um momento de ouro no país. É um crescimento exuberante. Acho que o Brasil merecia e precisava disso", festejou o presidente Lula. Mas também preocupação. Falou-se em superaquecimento da economia e em crescimento não sustentável. O que esses termos significam?
Os ponteiros ao lado apontam para os números que explicam as limitações da economia brasileira. Imagine que os indicadores são os painéis de dois carros de competição, um chinês e um brasileiro. Se tomarmos os carros pelas economias dos dois países, assim que elas se aproximarem de um crescimento anual de dois dígitos, um ritmo bastante veloz, os pilotos condutores das políticas econômicas vão bater os olhos nos ponteiros e tirar suas conclusões. Vão bater os olhos primeiro no ponteiro que mede a inflação. O chinês vai ficar tranquilo - 3,1% de inflação não assusta. O brasileiro vai se inquietar ao ver a marca de 5,2% no acumulado até maio deste ano. A reação do chinês será pisar no acelerador. A do brasileiro vai ser oposta, e ele tentará reduzir o número de rotações por minuto do motor, desacelerando, portanto, a atividade econômica.
Quando os dois bólidos metafóricos forem para os boxes, os engenheiros e projetistas terão informações capazes de explicar por que o da China não apresentou problemas e o do Brasil se superaqueceu quando acelerou. Eles olharão os números dos ponteiros que medem a taxa de poupança e a taxa de investimento. A China poupa 54,3% de toda a riqueza nacional que produz e investe outros 44,4% dela. O Brasil poupa menos de 20% do seu PIB e investe também alguma coisa em torno disso. Quanto mais um país poupa, mais ele investe e mais rapidamente pode crescer sem inflação. Segundo cálculo do economista Octavio de Barros, diretor de Pesquisas Macroeconômicas do Bradesco, a taxa de investimento deveria subir a 22% do PIB para que o Brasil pudesse avançar 5% ao ano sem inflação. Conclui ele: "Como o crescimento estimado neste ano para o Brasil é de 7,7%, fica claro que estamos acelerando demais".
Um exemplo ajuda a entender a razão disso no nível da microeconomia. Digamos que uma determinada fábrica decide duplicar sua produção mas não tem poupança para investir em máquinas e tecnologia. Essa fábrica vai ser obrigada a comprar o dobro de matéria-prima, dobrar o número de empregados - ou duplicar as horas trabalhadas, pagando horas extras - e pôr as máquinas para produzir no dobro da velocidade. O resultado disso é mais produção? Sim. Mas ela é sustentável? Não, porque logo os fornecedores vão cobrar mais pela matéria-prima, já que a demanda aumentou; os empregados vão exigir aumento de salário; e, com o ritmo acelerado, as máquinas vão quebrar mais frequentemente e se desgastar precocemente. O exemplo vale para o nível macroeconômico - ou seja, a economia de um país. Os mesmos fenômenos que inviabilizariam a tentativa da fábrica que resolveu duplicar sua produção atuariam para tornar insustentável o esforço de um país que crescesse em ritmo incompatível com suas taxas de poupança e investimento.
Essa constatação leva os olhos dos engenheiros e projetistas para outro ponteiro - o que mede a produtividade. O da China marca 4%. O do Brasil mal saiu do zero - estem 0,3%. O aumento de produtividade significa fazer mais com menos insumos. Sem produtividade, não existe crescimento real - outro nome para crescimento sustentável. A produtividade de um país não aumenta sem poupança e investimento em educação e tecnologia. E por que o Brasil não investe mais? Por diversas razões. A mais ponderável é a "despoupança" do governo. Despoupar significa gastar mais do que se arrecada. Enquanto Brasília despoupar e Pequim poupar, os chineses vão nos ver pelo retrovisor.  (Revista Veja)
 
 
 
 
 

14.06 - Renda fixa é destaque em maio
Maio foi o mês que registrou mais dados e estatísticas que revelam a recuperação da crise anterior, nas comparações anuais e os efeitos da atual com outros meses de 2010. Com o agravamento da crise financeira internacional, o mês foi marcado pela ausência de ofertas de ações e desaceleração das captações no mercado externo, com o mercado local, por meio das emissões de ativos de renda fixa, tornando-se alternativa mais atraente de captação.
Segundo a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), contrariando o desempenho apurado no mês, os dados de operações em renda variável acumulados em 2010, totalizando captação de R$ 14,4 bilhões, indicam uma acentuada recuperação em relação aos volumes reduzidos registrados nos mesmos períodos de 2008 (R$ 2,2 bilhões) e 2009 (R$ 7,9 bilhões).
Da mesma forma, as captações no mercado externo registradas até abril (US$ 10,5 bilhões) foram 150% superiores às registradas no mesmo período do ano anterior, com destaque para as captações do setor financeiro, que responderam por 63,7% do volume das emissões de renda fixa.
O destaque do mês no mercado doméstico ficou por conta dos ativos de renda fixa, especialmente notas promissórias e debêntures reguladas pela Instrução CVM nº 476, que trata das ofertas públicas de valores mobiliários distribuídas com esforços restritos.
Do total das emissões de renda fixa em maio, de R$ 3,8 bilhões, 89% corresponderam a ativos com estas características. No acumulado em 2010, o total das notas promissórias emitidas,R$ 6,9 bilhões, foi desta modalidade, indicando a ausência de registros convencionais na CVM e a total migração destes ativos para ofertas distribuídas com esforços restritos. Entre as debêntures, esta participação correspondeu a 37,9% do total das emissões, atingindo R$ 6,4 bilhões.
Apesar da ausência de emissões de ações no mês, a participação das ofertas de renda variável permanece elevada no ano, em comparação a igual período de 2009. O aumento do número de ofertas em análise na CVM indica que o volume total de IPOs (oferta pública inicial) e Follow-ons em 2010 deve superar o baixo desempenho observado em 2009. As ofertas de renda fixa distribuídas com esforços restritos também.  (Executivos Financeiros)

14.06 - Economia pode crescer até 7% sem ameaçar inflação
O professor de economia Alcides Leite Júnior, da Trevisan Escola de Negócios, está convencido de que a economia do País tem condições de atingir um crescimento de até 7% este ano, sem a inflação sair do controle. Mas acha que a expansão forte, se repetida em 2011, precisa ser precedida de novos investimentos, sob o risco de produzir um aumento generalizado de preços, dada a escassez de mercadorias.
Em reportagem publicada na Agência Brasil, o especialista avalia positivamente o desempenho da economia no primeiro trimestre do ano- crescimento de 9% sobre janeiro a março de 2009- mas assinala que a forte expansão não será repetida nos próximos triestres, em virtude de um efeito estatístico. “O primeiro trimestre de 2009 foi muito ruim porque representou o auge da crise econômica. Então, qualquer crescimento seria expressivo com essa base de comparação”, disse o professor. “Certamente, a economia não fechará o ano com crescimento tão significativo.”, assegurou ele.
Para ele, a taxa de investimento, atualmente em 18% do PIB, terá de avançar para 25%, a fim de manter uma taxa de 5,5% ao ano nos próximos dez anos, sem a ameaça de provocar inflação elevada.  (Fenaseg)

14.06 - Copom - O que se espera das próximas reuniões
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) não surpreendeu ninguém: todo mundo sabia que, um ano depois de ter reduzido a Selic a um dígito, o Copom voltaria a fixá-la em 10,25%. Os índices de inflação, embora com ligeira tendência de baixa, e mais ainda o resultado do PIB no primeiro trimestre do ano, refletindo um nítido aquecimento da economia, estavam justificando uma decisão como essa.
Embora o Copom sempre tenha afirmado que as decisões monetárias demoram cerca de seis meses para surtir efeitos, não há dúvida de que a de quarta-feira vai ser logo acompanhada de uma elevação da taxa de juros do mercado, como também por um aumento dos juros pagos pelo governo sobre a dívida interna.
Mas essa decisão, no início da campanha eleitoral, mostra a independência de fato do Banco Central - o que não impedirá que se reabra a discussão em torno dela, especialmente levando em conta que o Copom, no seu breve comunicado depois da reunião, deixou bem claro que seu objetivo é conduzir o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ao centro da meta de inflação e, para isso, continuará com sua política de aumento progressivo da taxa Selic.
É esse anúncio de uma elevação progressiva da taxa básica de juros que dará força aos que condenam essa política monetária que já está recolocando o Brasil entre os países com a maior taxa de juros do mundo.
Seria importante que o Copom, nas suas próximas reuniões, levasse mais em conta dois fatores: a tendência da pressão inflacionária e, paralelamente, a evolução da economia. Não se pode ter ilusão quanto à possibilidade de a inflação recuar de tal modo que permita o cumprimento da meta do governo. Em contrapartida, pode-se prever um ritmo mais lento de crescimento.
Seria útil levar em conta a qualidade do crescimento, que pode ser muito diferente se for fruto do aumento dos investimentos ou apenas do consumo das famílias.
O que nos parece essencial é que o Copom manifestou a sua vontade de que, voltando a normalidade, possa seguir uma política de redução progressiva da taxa de juros básica até atingir o nível que ela apresenta nos países com inflação menor que a do Brasil. Isso para que a vida econômica possa se desenrolar num clima que permita enfrentar a concorrência internacional e para que o governo volte a pagar um juro sobe a dívida pública nitidamente menor. Em resumo, trata-se de se livrar definitivamente do sistema de indexação, que continua envenenando o mercado financeiro que se recusa a perder com a inflação.  (O Estado de S.Paulo)
 
 
 
 
 

11.06 - EUA: Economia segue em recuperação modesta
A economia dos Estados Unidos seguiu avançando modestamente nos últimos dois meses, na avaliação do Fed em seu Livro Bege. De acordo com o documento, a atividade econômica continuou melhorando na maioria dos setores desde a divulgação do última versão do Livro Bege, mesmo que lentamente.
Por outro lado, o Fed destacou que as preocupações acerca da situação europeia aumentaram no período. "Alguns contatos indicaram preocupações sobre o impacto da crise fiscal europeia em condições financeiras e de negócios, e registraram um aumento na incerteza e volatilidade do mercado financeiro", escreve o BC norte-americano. Além disso, o vazamento de petróleo no golfo do México também aparece como ponto de preocupação.
Ainda segundo o Fed, o mercado de trabalho - um de seus principais pontos de preocupação - mostrou "leve melhora", e as pressões sobre os salários foram limitadas. As taxas e emprego avançaram na maior parte dos distritos, tanto considerando vagas permanentes quanto temporárias. A indústria foi a principal fonte de empregos.
Gastos e preços
Gastos do consumidor mostraram melhora, de maneira geral, mas seguiram concentrados em necessidades básicas ao invés de itens de consumo com maior valor. As vendas no varejo também avançaram nos últimos dois meses, apesar de esses ganhos não serem homogêneos entre maio e junho.
Da mesma forma, os gastos das empresas também avançaram “moderadamente” entre maio e junho tanto em custos de capital quanto em custos de pessoal. Entretanto, as pressões da falta de crédito e a cautela seguem pressionando os negócios. Em alguns distritos, a produção de automóveis não está atendendo a demanda, pressionando os estoques já reduzidos.
Os preços de produtos e serviços, por sua vez, permaneceram estáveis, indicando que os maiores custos de produção não foram repassados para o consumidor.
Atividade
O Fed reportou que o setor financeiro não viu muitas mudanças entre maio e junho – entretanto, alguns distritos notaram uma leve variação positiva nos empréstimos, em especial os comerciais e imobiliários. Já os empréstimos ao consumidor mostraram piora na maior parte dos distritos norte-americanos.
Já a atividade do setor não-financeiro mostrou melhora frente ao último documento, com alguns distritos apresentando maior demanda por serviços técnicos profissionais. Construção, contabilidade e advocacia seguem com a demanda pressionada.
Mercado imobiliário
De acordo com o Fed, a atividade do mercado imobiliário residencial foi sustentada em alguns distritos pelo final do prazo para o homebuyer tax credit – um incentivo fiscal para reaquecer o mercado. Em maio, muitos desses distritos notaram uma desaceleração. Apesar de uma maior demanda industrial, a atividade no mercado imobiliário comercial segue enfraquecida.
“A dificuldade na obtenção de crédito e o alto número de casas disponíveis para venda foram alguns dos fatores que impediram uma melhora mais consistente do mercado imobiliário em alguns distritos”, explicou o BC norte-americano.
Indústria, transporte e turismo
O Livro Bege do Fed indicou também que a produção e o transporte continuaram a mostrar melhoras graduais em todos os doze distritos.
O turismo também mostrou progressos – os estados do sul do país, contudo, já começam a sentir os efeitos negativos do vazamento de óleo no golfo do México e das enchentes no Tenesse. “Há potencial para muito mais impacto, mas ainda é incerto quais serão os efeitos finais”.  (Giulia Santos Camillo - InfoMoney)

11.06 - Banco Mundial prevê avanço da economia global
A recuperação da economia global continua a avançar, mas a crise fiscal na Europa criou dificuldades no caminho do crescimento sustentável no médio a longo prazo. A avaliação é do Banco Mundial, e consta em seu "Global Economic Prospects" para 2010, divulgado nesta quarta-feira (9). A projeção é de aumento do PIB (Produto Interno Bruto) global entre 2,9% e 3,3% este ano.
Emergentes em alta...
Para 2011, a projeção de crescimento é a mesma, Já para 2012, as perspectivas são mais otimistas, com as estimativas ficando entre expansão de 3,2% e 3,5%. Enquanto as economias emergentes devem crescer entre 5,7% e 6,2% em cada ano entre 2010 e 2012, liderando a recuperação, os países desenvolvidos têm projeções que giram entre 2,1% e 2,3% em 2010, insuficientes para reverter a contração de 3,3% vista em 2009. Para 2011, a projeção fica entre 1,9% e 2,4%.
As principais barreiras à recuperação no médio prazo incluem redução dos influxos de capital internacional, alta taxa de desemprego e a capacidade ociosa que excede os 10% em diversos países."Enquanto o impacto da crise fiscal até agora está contido, um prolongamento do aumento da dívida soberana pode tornar o crédito mais caro e reduzir os investimentos", diz o relatório.
Por outro lado, o comércio internacional recuperou-se bruscamente e é esperado que cresça cerca de 21% este ano, sendo que aproximadamente metade do avanço na demanda global entre 2010 e 2012 deve vir dos países desenvolvidos.
... mas não estão livres dos riscos
O relatório afirma ainda que uma segunda rodada da crise financeira não pode ser descartada em alguns países da Ásia Central e emergentes europeus, com aumento da inadimplência podendo prejudicar a solvência do setor bancário.
"Os emergentes não estão imunes aos efeitos da crise da dívida soberana nos países desenvolvidos", afirmou o gerente de macroeconomia global do Banco Mundial, Andrew Burns, apesar de contrapor que a expectativa é que essas economias se saim bem, caso tenham o foco nas estratégias de crescimento, facilitem o caminho para as empresas ou tornem os gastos mais eficientes.
O relatório alerta ainda que, nos próximos 20 anos, a luta contra a pobreza poderá ser dificultada, caso os países sejam "forçados a cortar produtividade e e investimentos em capital humano, devido à menor ajuda ao desenvolvimento e redução das receitas fiscais". Isso pode acabar afetando as taxas de crescimento de longo prazo dos emergentes, aumentando potencialmente o número de pessoas em pobreza extrema em 2020 para cerca de 26 milhões.  (InfoMoney)

11.06 - Economia brasileira em zona de superaquecimento
A divulgação do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro na última sessão veio acompanhada de declarações de diversas autoridades, que aproveitaram o indicador para elogiar a saúde da economia brasileira. Entretanto, o ritmo robusto de expansão da atividade pode implicar mais do que o sucesso do Brasil na saída da crise.
Para Alfredo Coutiño, diretor da Moody's Economy para a América Latina, a economia do País está acelerada acima de seu potencial – o que indica que o Brasil está entrando em uma zona de superaquecimento. Segundo ele, o mercado doméstico – estimulado por medidas governamentais – é a principal mola do crescimento, com consumo das famílias e investimentos públicos em infraestrutura como destaques.
Assim, o mercado interno, aliado ainda a uma recuperação da demanda externa, em especial de commodities, vem mantendo o ritmo de atividade acelerado – o que deve continuar nos próximos meses. "Como resultado, haverá o desenvolvimento de uma demanda em excesso, o que elevará a inflação e causará uma deterioração do balanço externo", explica.
Aperto monetário
A solução, nesse caso, é a imposição de uma política monetária mais dura pelo Banco Central, que ajudaria a levar a economia brasileira para uma "saudável moderação" em 2011 e, no médio prazo, acarretaria em um ritmo de crescimento mais equilibrado. Coutiño prevê que o BC tomará essa decisão em breve.
A Moody's Economy - subsidiária da agência de classificação de risco - espera uma desaceleração no crescimento brasileiro no segundo semestre, projetando um avanço de 6,5% em 2010.  (Julia Ramos M. Leite - InfoMoney)
 
 
 
 
 

10.06 - Ritmo a se manter
O crescimento de 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre, em comparação com o anterior, e de 9% no acumulado dos últimos 12 meses, é muito animador, mesmo depois de descontada a recessão do começo de 2009, o que prejudica a base de comparação. Mas, além da exuberância dos percentuais divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há pelo menos duas notícias que merecem ser destacadas. São sinalizações que deverão influir nas decisões dos executivos tanto do governo quanto das empresas, já que representam bem mais do que papel no fogo da lareira. A primeira é a constatação de que a expansão do consumo das famílias e do governo deu sinais de arrefecimento, depois de longo período de ritmo febril de crescimento. A segunda é ainda mais relevante: depois de ter mergulhado no abismo da aversão ao risco, os investimentos, na capacidade produtiva da economia, inclusive os da iniciativa privada, voltaram a crescer em marcha bem mais convincente.
A indústria, que, no caso brasileiro, continua tendo grande peso na medição da atividade econômica, voltou a ser destaque entre os índices setoriais de crescimento: 4,2% sobre o quarto trimestre de 2009 e nada menos do que 14,6% em relação ao primeiro trimestre do ano passado. A agropecuária cresceu 2,7% em relação ao trimestre imediatamente anterior e 5,1% na comparação anual. O setor de serviços se expandiu, respectivamente, 1,9% e 5,9%. Esse ritmo de crescimento já vinha preocupando os especialistas. Apesar de o acesso à importação estar sendo facilitado pela taxa cambial mais baixa, a pressão sobre os preços já foi suficiente para retirar a inflação dos limites da meta anual. É o preço da corrida ao consumo, no embalo da confiança de que os empregos serão mantidos e o mesmo ocorrendo com os salários. Não é sem razão que o Banco Central (BC) terá de apertar as torneiras da política monetária, antes que a situação fuja do controle. Mas isso também aumenta a importância da queda no ritmo de crescimento do consumo das famílias, que ficou em 1,5%.
Mas, se o ritmo for superior a 5% ao ano, é importante para um país como Brasil manter o crescimento. É o consumo que faz girar a roda da economia, mas não há registro de nação que tenha sustentado taxas de expansão sem separar considerável parcela de sua poupança para os investimentos. Chamado pelos economistas de formação bruta de capital fixo, esse indicador dá a medida da construção do futuro próximo. Foi animador constatar que os investimentos cresceram 7,4% no trimestre e 26% na comparação trimestral. Mas a verdade é que, mesmo com esse desempenho, a parcela investida não passou de 18% do PIB trimestral. É muito pouco, se comparado com o que a maioria dos especialistas recomenda: pelo menos 25%, durante oito ou 10 anos. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, já reconhece que nem o patamar de 21% do PIB previsto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) será alcançado este ano. É desafio que se transfere e que a sociedade terá de cobrar do próximo governo.  (Estado de Minas)

10.06 - PIB positivo aponta para gargalos
Seja qual for o ângulo pelo qual se olhe a economia no primeiro trimestre, há um cenário positivo. A fotografia tirada daquele momento, revelada nas estatísticas divulgadas ontem pelo IBGE, registra a consolidação da recuperação do PIB - o valor de tudo o que é produzido - e coloca o país, de fato, em destaque num mundo em que tradicionais economias desenvolvidas, a americana, as europeias e a japonesa, patinam em diversos estágios de crise - se os americanos dão sinais de haver uma recuperação em marcha, a União Europeia empaca nos problemas de solvência de alguns países do bloco, por exemplo. Os 2,7% de crescimento brasileiro em relação ao último trimestre do ano passado ficam bem à frente do 1,2% obtido pelo Japão; 0,8% dos Estados Unidos; o 0,3% britânico ou o 0,2% germânico.
Para efeito político-eleitoral, a militância petista deve preferir alardear os 9% de expansão, índice obtido quando se compara o que aconteceu de janeiro a março deste ano com o mesmo período de 2009. Os próprios técnicos do IBGE explicam a razão da diferença: como a base de comparação - janeiro a março de 2009 - é muito baixa, o resultado ficou bastante alto. Lembre-se de que 2009 começou ainda sob os efeitos do baque histórico sofrido pela economia americana e, por tabela, a mundial, provocado pelo entupimento do sistema mundial de irrigação de crédito, a partir da falência do Lehman Brothers, em setembro de 2008. Naquele início de 2009, a economia brasileira encolheu 2,1% em relação ao resultado do início de 2008. Não é certo, então, tachar de "chinês" o crescimento brasileiro - os 9% foram tópicos e gerados por um efeito estatístico, que perderá a força nos próximos cálculos. A China, por sua vez, ostenta índices desta ordem, em média, por duas décadas.
O presidente Lula saudou o resultado como sinal de que o Brasil vive "um momento de ouro". As palavras são do político Lula, dedicado a fazer o sucessor. Se a economia brasileira terá um longo ciclo de crescimento, "de ouro", ainda não se sabe. O certo é que muitos analistas consideram insustentável o ritmo atual estimado de expansão. Se anualizada a expansão do primeiro trimestre, o índice ultrapassa um pouco os 10%, bem acima dos 2,4% de crescimento nos quatro trimestres do período janeiro/março 2009 a janeiro/março 2010. Quer dizer, a economia se encontrava em forte aceleração.
Eis por que o Banco Central já começou a subir os juros básicos. Não há mesmo capacidade de produção e infraestrutura no país para atender a esta demanda. É por isso que a inflação, projetada para 2010 pelo mercado, está em 5,6%, um ponto acima do centro da meta, de 4,5%. O problema é que a atual onda de crescimento brasileiro é alimentada basicamente pelo consumo - das famílias e governo -, enquanto a taxa de investimento, embora, felizmente, também em alta, não é suficiente para permitir que o PIB siga muito veloz.
A taxa, também calculada pelo IBGE, foi de 18% do PIB no primeiro trimestre, ainda muito aquém dos 25% considerados ideais para o PIB poder se expandir sem pressões inflacionárias à velocidade de 5% ao ano. E, para chegar a este ponto, o Estado precisa fechar a válvula dos gastos, a fim de ajudar no aumento da poupança interna, um dos pilares dos investimentos.
Boas notícias no futuro, portanto, dependerão das reformas de que o país necessita, como a previdenciária. Se executadas, alguns anos poderão mesmo ser dourados
Manutenção do crescimento vai depender de reformas como a da previdência   (O Globo)

10.06 - Analistas alertam para superaquecimento
Nem a expansão do investimento (18%) seria suficiente para sustentar crescimento da economia sem uma forte pressão inflacionária
A expansão forte do investimento entre o último trimestre do ano passado e o primeiro deste ano elevou a taxa de investimento nacional a 18% do PIB, segundo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Mas esse avanço não é suficiente para sustentar o crescimento da capacidade de produção das empresas e, portanto, da economia sem uma forte pressão inflacionária.
Nem as estimativas otimistas do BNDES apontavam para esse resultado, mas os técnicos do banco calculam que, para manter um ritmo de crescimento econômico anual entre 5% e 5,2%, o País precisa de uma taxa de investimento de 22% do PIB. O banco projeta para 2012 esse patamar de investimento, mas o mercado considera essa estimativa também otimista.
Entre os parceiros do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil tem a menor relação de investimento em relação ao PIB. No ano passado, marcado pela lenta recuperação da crise econômica mundial, a China registrou taxa de investimento de 43%; a Índia, 34%, e a Rússia, 20%. No Brasil, essa relação havia despencado para 16,7% do PIB.
Para Marcelo Nascimento, economista da área de pesquisa econômica do BNDES, os números do IBGE confirmam o restabelecimento das condições anteriores à crise, mas ele admite que ainda é pouco para a expansão segura da economia. O banco revisou ontem de 18,6% para 19% do PIB a sua projeção da taxa de investimento na economia em 2010, mesmo nível do pré-crise.
Taxa baixa. O economista Aurélio Bicalho, do Itaú-Unibanco, concorda que o País começa a se recuperar da grande queda na taxa de investimento ocorrida na crise mundial no final de 2008 e início de 2009. Contudo, aponta que "a taxa de investimento ainda é baixa para que a economia possa crescer a taxas superiores ao nível de 4,5% e 5%. Para ele, os sinais são de que o País está crescendo acima da capacidade de oferta.
Embora a relação investimento/PIB não seja a ideal, o economista do BNDES acredita que o crescimento econômico puxado pelo investimento e pelo setor industrial indica um cenário mais ameno do que se imagina. "A elevação do investimento está aumentando a capacidade produtiva para a frente", diz Nascimento.
Para ele, a partir dos próximos dois trimestres haverá aumento da capacidade produtiva. "Já vai aliviar a indústria e serviços para que a gente siga no passo de crescimento a taxas razoáveis. Não podemos olhar para esse trimestre e achar que é um sinônimo de tudo o que vai acontecer durante o resto do ano", alerta.
Baixa poupança. A taxa de poupança no primeiro trimestre foi de 15,8% do PIB. No primeiro trimestre de 2009 havia sido de 14,3%. Apesar da alta, ainda continua, na média de quatro trimestres, em apenas 15%. Para vários economistas, essa baixa poupança doméstica faz com que o aumento dos investimentos provoque déficit nas contas externas - ainda mais se a taxa de investimentos subir para mais de 20%, como deseja o governo. Com o crescimento econômico, as importações disparam.
Para o Nascimento, do BNDES, a taxa de investimento de 43% da economia da China é invejável e tem relação com o tipo de crescimento experimentado naquele país. Os investimentos chineses estão concentrados principalmente na construção civil e em infraestrutura, que têm reflexo de longo prazo.
Máquinas e equipamentos. Já no Brasil, a expansão do investimento é maior no componente relativo a máquinas e equipamentos, que influencia mais o curto prazo. Por isso, o BNDES acredita que metade do patamar chinês é suficiente para o Brasil.
"Nosso investimento tem uma vantagem em relação ao de outras economias. A maior participação dele, quase 56%, é de máquinas e equipamentos. É a parcela mais produtiva do investimento e que tem ligação direta com a ampliação de oferta. Esse é o componente mais eficaz na ampliação de capacidade produtiva", diz Nascimento.
Para ele, a expansão do investimento será mais lenta a partir de agora, mas deve atingir 21,5% já em 2011 e 22% em 2012.    (Alexandre Rodrigues, colaboraram Nalu Fernandes e MArcílio Souza - O Estado de S.Paulo)

10.06 - Controvérsia 
Levantamento feito pelas competentes jornalistas Ângela Bittencourt e Lucinda Pinto ("Valor Econômico", 4/6) com 31 importantes analistas do sistema financeiro revelou que, para o Copom de hoje, 9 entre cada 10 estimavam um aumento de 0,75% da taxa Selic. O outro esperava 1%!
Tal unanimidade se devia provavelmente à estimativa do crescimento entre 2,5% e 3% do PIB do primeiro trimestre de 2010 contra o último de 2009, que afinal se confirmou em 2,7%.
É verdade que teremos uma safra 2009/10 melhor que a anterior e com aumento da produtividade, que a produção industrial está chegando ao "pico" alcançado antes da crise, que foram feitos investimentos que estão maturando e que existe uma escassez de mão de obra especializada, mas sem resultar em aumento dos salários reais acima da produtividade.
Apesar dos gargalos da infraestrutura, parece claro que podemos crescer entre 5% e 6% sem maiores pressões inflacionárias.
A dificuldade do Banco Central é que as pressões inflacionárias são sorrateiras e a credibilidade da política de metas depende do seu sucesso. No último quinquênio, a "meta" foi de 4,5% ao ano, e a inflação realizada, de 4,7%, o que certamente é um sucesso.
Os Bancos Centrais são normalmente conservadores. Tendem a subestimar o famoso "PIB potencial" e a superestimar a taxa neutra de desemprego e a taxa de juro real de equilíbrio para garantir sua credibilidade.
No Brasil, o caso é grave: depois de longas lutas e derrotas, o Banco Central concede que o tal PIB potencial talvez esteja entre 4,5% e 5%, mas garante que a taxa de juro real de equilíbrio está entre 7% e 8%, tão teratológica quanto sua estimativa de que a taxa de desemprego mínima para domesticar o mercado de trabalho deva ser de 7% a 8%.
O último "Boletim Focus" (4/6) mostra que o mercado financeiro espera uma taxa de inflação de 4,8% e uma taxa de crescimento de 4,5% para 2011, depois da elevação do juro esperada para 2010.
Qual é a taxa de juro real esperada pelos analistas acima?
Os mais comedidos (16% deles) esperam a Selic de 11,50% no final de 2010 e, portanto, uma taxa de juro real de 6,4%; os que esperam a Selic entre 11,51% e 12% (39% dos informantes), 6,6%; de 12,01% a 12,50% (32% dos informantes), 7,10%; e de 12,51% a 13,00% (13% dos informantes), 7,6%. Estão todos bem domesticados pela credibilidade dos modelitos do Banco Central!
Mas há controvérsia. O setor privado brasileiro há de ser muito produtivo para gestar um robusto crescimento pagando a maior taxa real de juros do universo e suportar a supervalorização do real dela decorrente.   (ANTONIO DELFIM NETTO - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

09.06 - Previdência privada garante renda extra
Além do benefício do INSS, o trabalhador que investir em um plano de previdência complementar poderá receber, ao se aposentar, uma pensão vitalícia. Se preferir, ele também poderá resgatar o dinheiro todo de uma vez e usá-lo, por exemplo, na compra de um Imóvel.
Já é possível fazer uma previdência privada pagando R$ 50 por mês. Ao contratar o plano, no entanto, o Investidor precisa ficar atento. Quanto menor o valor da contribuição, maior tende a ser a taxa cobrada pela empresa que administra o dinheiro.
Ainda assim, o investimento tende a ser um bom negócio para quem quer uma aposentadoria tranquila. Um trabalhador de 45 anos que ganha R$ 2.500 por mês poderá ter mais de R$ 100 mil acumulados aos 60 anos de idade se investir R$ 300 mensais em um piano. Ele também poderá resgatar seu dinheiro na forma de uma pensão vitalícia de R$ 360 por mês.
Se, o investidor começasse a aplicar a mesma quantia mensal aos 25 anos de idade, sua reserva acumulada aos 60 anos seria de quase R$ 650 mil, o que garantiria uma pensão vitalícia de R$ 2.285.  (Segs)

09.06 - Metas de inflação podem ser mais baixas
Como acontece desde a adoção das metas de inflação, o Conselho Monetário Nacional se reunirá em breve para definir o alvo a ser perseguido em 2012. O do ano que vem já está estabelecido: os mesmos 4,5% fixados desde 2005, com margem de tolerância de dois pontos percentuais para ambos os lados, menos ou mais. A política, aplicada a partir de 1999, quando a meta foi de 8% - a inflação fechou 0,94 ponto acima -, é parte de um tripé no qual as duas outras pernas são o superávit primário nas contas públicas - destinado ao pagamento dos juros da dívida interna, indicador da qualidade da administração do endividamento - e o câmbio flutuante.
Adotados quando explodiu o câmbio semifixo, no governo FH, e o país teve de recorrer ao FMI, estes três parâmetros funcionaram tão bem que sequer o governo Lula, ao assumir em 2003, deixou de segui-los. Se o câmbio flutuante ajuda o país a economizar reservas - o BC não tem compromisso com faixas de flutuação do dólar -, e o superávit primário sinaliza mensalmente a maior ou menor capacidade de os governos gerirem as finanças públicas, a meta de inflação é poderoso farol para os formadores de preços.
Como o BC tem autonomia operacional - peça fundamental na política econômica -, os agentes econômicos procuram trabalhar com suas planilhas atreladas às metas de inflação.
Se apostarem em reajustes de preços acima das previsões da autoridade monetária, passam a correr elevado risco de acumular prejuízos.
Pelo que se conhece da atual equipe econômica, será uma surpresa se ela reduzir a meta para 2012. Deve mantê-la nos 4,5% de alvo central, quando, segundo alguns analistas, o Brasil já poderia preparar o terreno para conviver com índices inflacionários mais baixos. Têm razão.
Os 4,5% podem ser baixos se comparados com o Brasil da década de 80, mas são elevados diante do patamar da inflação no mundo desenvolvido em situação de normalidade.
Diante do aguçamento das pressões inflacionárias, devido ao atual aquecimento indesejável da economia, o BC continuará a subir os juros. É provável, então, a existência do temor em Brasília de que um corte de meta, mesmo para 2012, induza o BC a, mais à frente, aumentar o aperto da política monetária.
Há, ainda, um outro aspecto, este de origem mais ideológica do que técnica, nesta resistência em Brasília a se partir para objetivos mais ousados na inflação. É a crença, equivocada, de que um pouco mais de inflação garante também um adicional na taxa de crescimento. Já houve quem dissesse no governo que uma inflação de 15% se justificaria por um crescimento a taxas mais elevadas.
Trata-se de uma crença "desenvolvimentista", e que se esquece de duas mazelas da alta de preços: o empobrecimento da população e, no segundo momento, a perda de ritmo da própria economia.
Mas, pelo jeito, metas mais civilizadas para a inflação ficarão por conta do novo presidente, que terá pela frente, também, um desafio correlato: a desindexação de tarifas de serviços públicos.
CMN deveria reduzir, para 2012, o centro do alvo de 4,5%   (O Globo)

09.06 - Mercado: Crescimento do PIB vai a 6,60% em 2010
Os analistas de mercado elevaram pela 12ª semana consecutiva a projeção para o crescimento da economia brasileira em 2010. Segundo o relatório Focus, divulgado na segunda-feira pelo Banco Central, o PIB (Produto Interno Bruto) do País terá alta de 6,60%. Para 2011, a estimativa permanece inalterada em 4,50%.
A estimativa para a inflação oficial, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), apresentou queda após 19 semanas, e passou de 5,67% na última semana para 5,64%. Apesar da queda, a projeção ainda está acima da meta de inflação traçada pelo governo, que é de 4,50%. Para 2011, a previsão do IPCA permanece estável em 4,80%.
A previsão para o crescimento da produção industrial para 2010 também foi elevada pela 15ª semana consecutiva, ao passar de 11,00% na última divulgação para 11,34%. Para o ano que vem, espera-se um acréscimo de 5,00%.
Nesta edição do relatório Focus, a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2010 permaneceu em R$ 1,80 por dólar. Para o fechamento de 2011, a previsão dos analistas para a taxa de câmbio ficou estável em R$ 1,85 por dólar.
A projeção dos economistas do mercado financeiro para o superávit da balança comercial em 2010 permaneceu estável em US$ 15 bilhões na semana passada. Para 2011, a previsão dos economistas para o saldo da balança comercial subiu de US$ 4,5 bilhões para US$ 5,23 bilhões de superávit.  (Executivos Financeiros)
 
 
 
 

08.06 - Aposentadoria multiplicada
Gestores independentes lançam fundos de previdência em parceria com seguradoras.
Plantar hoje para colher bons frutos amanhã. A frase quase surrada continua obrigatória na cartilha da previdência privada. Ela promete juntar o pouquinho guardado todos os meses e transformá-lo em uma bolada daqui a algumas décadas. É o milagre da multiplicação da aposentadoria garantido pelos juros compostos e pela tabela regressiva do Imposto de Renda, que diminui a mordida do Leão de 35% para 10% dos ganhos a partir do décimo ano.
Não faz muito tempo, a gestão desses recursos de longo prazo era exclusiva das seguradoras e das companhias de previdência privada. Agora, gestores independentes de recursos fazem parcerias com essas instituições e assumem o comando de fundos de investimento multimercado previdenciário. Nos últimos 12 meses, dez novos fundos desse tipo foram criados. Nos próximos meses, XP e Ventor vão aumentar essa lista. O que eles querem oferecer ao investidor?
Em uma palavra: rentabilidade. A fama dos gestores independentes é a de conseguir a melhor combinação entre ativos, como ações e títulos de renda fixa. É esta especialização que seria capaz de multiplicar os retornos. "Investimentos em ações com a filosofia de esperar a maturação do negócio para cinco ou dez anos tem tudo a ver com previdência", diz Felipe Claudino, sócio da Leblon Equities, que lançou um fundo do gênero em dezembro, em parceria com a Icatu.
Os independentes já administram R$ 830 milhões nessa categoria. Eles fazem a gestão, mas a comercialização e o pagamento dos futuros benefícios fica a cargo das seguradoras parceiras. As regras de contribuição e resgate são as mesmas dos demais fundos tipo VGBL e PGBL oferecidos no mercado, ou seja, dependem de cada cliente.
Por força da legislação, nos multimercados previdenciários as aplicações em renda variável são feitas até o limite de 49% do patrimônio líquido. O restante é usado na compra de títulos públicos. No curto prazo, a comparação com multimercados tradicionais é desfavorável. A rentabilidade média dos 39 fundos de previdência não ligados a bancos estava em 2,5% no ano, até a quarta-feira 26 de maio.
Ela é menor, por exemplo, do que a dos fundos de renda fixa (3,5%), dos multimercados multiestratégia (2,9%) e dos DI (2,7%). Porém, no longo prazo as estimativas são de uma diferença gritante. Um aporte de R$ 100, por exemplo, é 43% maior no prazo de 30 anos (veja quadro).
"A gestão dinâmica e ativa é que vai fazer toda a diferença para a aposentadoria", afirma Daniel Fuks, da Gávea Investimentos, que atua com a Itaú Seguros. "Faz pouco sentido pensar em um horizonte de mais de 15 anos sem renda variável", diz Guilherme Benchimol, sócio da XP Investimentos. A gestora lançará em junho seus primeiros fundos de previdência multimercado.
Além da taxa regressiva do IR, que só será cobrada no resgate, as carteiras de previdência não sofrem com o come-cotas, o imposto descontado automaticamente duas vezes ao ano dos fundos tradicionais. "Os fundos de previdência oferecem uma estrutura melhor devido às suas vantagens tributárias", diz Henry Gonzalez, da Fram Capital. "É importante haver um alinhamento de interesses para 20 ou 30 anos", completa Fernando Luiz, sócio da Orbe Investimentos, que estreou neste mercado em fevereiro, também com a Icatu.
Os novos fundos têm sido lançados com aplicação inicial de R$ 50 mil, em média. A taxa de administração está em 1,6% ao ano, em média. Os gestores praticamente aboliram a cobrança de taxa de carregamento, um pedágio de até 10% da aplicação inicial. "A taxa de carregamento é negociável para valores menores de R$ 50 mil", diz José Eduardo Araújo, diretor da GAP Asset Management.  (Márcio Kroehn - Isto É Dinheiro)

08.06 - Brasil já se desacelerou, afirma Mantega
Em Xangai, ministro da Fazenda citou redução no consumo e na produção industrial como sinais importantes
Para Mantega, a decisão do Copom de elevar os juros foi baseada em análises "animadas" do mercado financeiro
A uma semana da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que a economia brasileira já não corre risco de superaquecimento devido a medidas recentes do governo e à crise da União Europeia.
Em entrevista coletiva durante encontro de empresários brasileiros e chineses, na última quarta-feira, em Xangai, Mantega disse que a economia tem dado "sinais importantes" de desaceleração.
Para o ministro, o Copom se baseou em análises "animadas" do mercado financeiro para o recente aumento dos juros, pelas quais o PIB do Brasil cresceria até 8% neste ano.
"Quando o Copom resolveu elevar a taxa de juros, estava olhando o ritmo da economia seis meses adiante. Ele trabalhou com o pressuposto dessas análises que dizem que a economia está crescendo 6%, 7%, 8%, principalmente o pessoal do mercado financeiro [que] está animado, dizendo que a economia está crescendo a taxas elevadas. Vai ver que eles querem que a taxa de juros suba", afirmou.
"Eu não vou avaliar porque não sei quais foram os critérios que o Copom utilizou para as suas conclusões. Estou constatando que a economia brasileira já está se desacelerando e aí já temos os indicadores concretos, não é mera suposição", completou Mantega.
Na última reunião, realizada no final de abril, o Copom elevou a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual, com o objetivo de esfriar a economia e diminuir a pressão inflacionária.
Na época, vários analistas do mercado consideravam que o aumento já deveria ter sido feito antes, para conter o superaquecimento.
Questionado se o aumento dos juros poderá desacelerar a economia mais do que o necessário neste ano, Mantega disse que "não sou eu quem tem de fazer [essa avaliação], vocês perguntem ao Banco Central".
SINAIS
O ministro da Fazenda mencionou a desaceleração no consumo e na produção industrial como sinais de desaquecimento da economia.
Para Mantega, o país já está voltando para "aquele curso normal e sustentável de um crescimento de 5,5%, 6% no final do ano".
Mantega disse que a desaceleração ocorreu devido à recomposição de tributos, à retirada de estímulos, ao corte de R$ 10 bilhões nos gastos do governo e ao aumento do compulsório dos bancos -parcela dos depósitos dos clientes recolhida obrigatoriamente ao BC.
A crise na União Europeia também contribui para a desaceleração, disse Mantega, pois provocou a diminuição na disponibilidade de crédito para a economia brasileira.
Sobre o crescimento do PIB no primeiro trimestre, Mantega ratificou que será uma "taxa chinesa" e que ficará entre 8% e 10%. "Ninguém quer que a economia cresça 10%, pelo menos neste momento", afirmou.  (FABIANO MAISONNAVE - Folha de S.Paulo)

08.06 - Selic: Analistas preveem alta de 0,75 ponto
Para o mercado financeiro, Copom dará sequência nesta semana ao processo de elevação da Taxa Selic, que deve chegar a 10,25%
De olho no forte ritmo da atividade econômica brasileira e os ainda elevados índices de inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve dar sequência nesta semana ao processo de elevação da taxa básica de juros (Selic). Os economistas do mercado financeiro concentram majoritariamente suas apostas em uma elevação de 0,75 ponto porcentual na quarta-feira, o que levaria a taxa básica para 10,25% ao ano.
Apesar de a crise na Europa ser um fator que adiciona incerteza ao cenário macroeconômico, os analistas entendem que o problema ainda não traz impactos relevantes para a economia brasileira. Por isso, o BC deve tomar a decisão mirando a situação interna. "Os fatores domésticos é que vão pesar. A inflação está alta e a atividade econômica, muito forte afirmou o economista-chefe do banco BES Investimento, Jankiel Santos.
Segundo ele, a situação europeia só mudaria o rumo do Copom em caso de uma deterioração forte da situação atual. Não acho que a crise lá vai se resolver rapidamente. Mas também não acredito que vai piorar o BC vai continuar olhando para o cenário doméstico.
Nos quatro primeiros meses de 2010, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 2,65%, praticamente metade da meta de 4,5% para  ano inteiro (que tem tolerância de 2 pontos porcentuais para cima ou para baix o. Nos 12 meses encerrados em abril, a inflação pelo índice oficial, que baliza o sistema de metas oficial, ficou em 5,26%.
Boa parte do nível mais elevado dos preços neste início de ano foi provocada por choques em preços de alimentos, que não estariam relacionados a um superaquecimento da economia. Mas o BC entende que a atividade econômica está muito forte, com a procura crescendo acima da oferta, e que isso tem contribuído para a elevação do IPCA. O índice de atividade econômica do BC (IBC-BR) mostrou crescimento de quase 10% na economia brasileira no primeiro trimestre.
Expectativas.
Mais importante para o BC do que a inflação do início do ano é a piora nas expectativas para o IPCA no fim de 2010. Durante várias semanas, os analistas pesquisados pelo BC elevaram suas estimativas para o indicador de inflação. Para conter essa trajetória, o BC foi agressivo na primeira elevação dos juros, aumentandoa Selic da mínima histórica de 8,75% ao ano para 9,5%. A sinalização era de que a tendência será mantida até que esse processo seja inteiramente revertido.
A piora nas expectativas finalmente foi estancada, com os analistas consolidando o cenário de aperto monetário forte, parcial reversão das altas de alimentos, certo impacto negativo da crise europeia nas commodities e retomada do discurso de austeridade fiscal do governo.
Agora, o mercado trabalha com um IPCA de 5,67% em 2010 e de 4,8% em 2011. Como a alta da Selic neste momento tem pouco efeito na inflação deste ano, o BC está interessado em consolidar a queda para 2011."É essencial que o Copom atue elevando os juros para dosar o ritmo de atividade e garantir que as expectativas de inflação em 2011 se mantenham nesse nível de 4,8%", disse a economista-chefe do banco ING, Zeina Latif.
A LCA Consultores, porém, ainda crê em um Copom mais agressivo, com a elevação da Selic em 1 ponto porcentual. Segundo o economista Homero Guizzo, seria conveniente surpreender com uma posição mais conservadora para acelerar a redução das expectativas de inflação. Com isso, o ciclo de aperto teria uma duração menor.    (Fabio Grandes - Agência Estado)
 
 
 
 

07.06 - Crescimento do país em ritmo chinês tende a perder força
Em abril, a produção industrial acumulou crescimento anual de 17,4%. Apesar disso, houve retração de 0,7% em relação a março. Esse tropeço indica um movimento mais relevante de esfriamento da economia no futuro?
A resposta não é óbvia. Parte das oscilações mensais de indicadores econômicos tem origem em fatores pontuais. Obtém-se um retrato mais fiel do ritmo de andamento da economia a partir de médias que suavizam as flutuações de curto prazo -por exemplo, a média móvel de três meses.
A partir dessa ótica, o pulso continuou bastante forte em abril: crescimento mensal anualizado de 18% ao ano, espalhado em mais de 70% dos segmentos. Para uma comparação, a produção industrial chinesa tem crescido a esse ritmo, despertando desconforto nas autoridades.
Os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) não permitem, portanto, descartar a tese de que a escorregada de abril tenha sido apenas um movimento breve de acomodação, frequente em períodos de forte crescimento.
Na verdade, algumas sondagens do mês de maio revelam que o empresariado segue confiante. Isso se reflete na elevação robusta da produção de bens de capital (associada às decisões de investimento), que aumentou quase 8% em abril.
Nesse contexto, os analistas têm elevado as projeções de crescimento, havendo apostas de que o PIB (Produto Interno Bruto) aumentará até 8% em 2010.
A contrapartida é o receio de que um pequeno deslize do governo na aplicação de políticas de contenção poderá fazer com que a inflação se descole significativamente da meta em 2011. Daí a pressão sobre o Banco Central.
A meu ver, apesar dos números recentes ainda "fortes" e do crescente otimismo das projeções para a atividade econômica, é bastante provável a ocorrência de uma desaceleração nos próximos trimestres.
A razão é simples: ninguém compra duas geladeiras, e a produção desses bens e afins tem conexões importantes com o restante da economia. O licenciamento de automóveis caiu mais de 8% em maio.
CONSUMO ANTECIPADO
Em que pese a dificuldade técnica de isolar o efeito das políticas de estímulo adotadas após o estouro da crise -cujo efeito positivo, diga-se, foi subestimado pela maioria dos economistas em 2009-, estou convencido de que houve um movimento expressivo de antecipação de consumo de bens duráveis que "roubará" parte do crescimento no futuro.
O final dos estímulos e as tendências de elevação da taxa de juros e de amortecimento do crescimento mundial são fatores que precipitarão a perda de fôlego desses segmentos, com o efeito de diminuir o dinamismo dos demais setores da economia.   (CELSO DE CAMPOS TOLEDO NETO - Folha de S.Paulo)

07.06 - Bancos centrais em transição?
Instituições debatem se é possível utilizar a política monetária para evitar cenário de vulnerabilidade
Os banqueiros centrais, além das aprazíveis reuniões bimensais em Basileia, encontram-se em frequentes conferências.
A propósito, entre o final de maio e o final de junho, a comunidade dos banqueiros centrais (da ativa ou aposentados) terá tido quatro conferências importantes.
A primeira, organizada pelo Banco do Japão na semana passada, teve como tema o futuro dos bancos centrais sob a globalização. No início desta semana, o Banco da Coreia promoveu uma conferência sobre a mudança no papel dos bancos centrais.
Em junho, será a vez do Banco da Rússia, com a conferência sobre "Bancos Centrais e o Desenvolvimento da Economia Mundial: Novos Desafios e um Olhar à Frente", seguida pela conferência anual do BIS (Banco de Compensações Internacionais), o banco central e ponto de encontro dos BCs.
O tema desta será "O Futuro dos Bancos Centrais sob Mandatos Pós-Crise". A ênfase no tema da mudança sugere que os BCs estão em fase de autoexame e, possivelmente, de transição. As discussões nesses eventos cobrem ampla gama de tópicos. Um, recorrente, refere-se ao papel da política monetária na gestação da crise.
Isso porque, para um número crescente de analistas, essa seria ao menos em parte resultado de um período de taxas de juros excessivamente baixas e condições monetárias excessivamente acomodatícias, que, por sua vez, teria sido ocasionado pelo cenário inflacionário benigno vivido pelos Estados Unidos no início da década.
As condições monetárias relaxadas teriam ocasionado aceleração da inflação, não dos preços de bens e serviços, mas dos preços de ativos, em especial ativos imobiliários, com as consequências conhecidas.
Uma questão em debate, portanto, é se, e como, os BCs podem utilizar a política monetária para se antecipar a booms de ativos e crédito.
A ideia não é adotar metas para preço de ativos, mas evitar o surgimento de processos nos quais apreciação de ativos e relaxamento de condições de crédito se realimentem mutuamente, causando acúmulo de vulnerabilidades financeiras. A posição tradicional do Fed, emulada pelos outros bancos centrais, era a de não intervenção.
Uma justificativa era a de que é difícil determinar quando e em que medida preços de ativos se descolam dos fundamentos.
Outro argumento era o de que elevar a taxa de juros para conter processos de altas de preços de ativos e expansão creditícia, sem que existam riscos evidentes para a inflação, pode punir indevidamente a atividade econômica.
A essa visão se contrapunham as análises de economistas europeus, em especial no BIS, propondo que, além de medidas regulatórias e prudenciais, os BCs devem usar a política monetária para conter booms de ativos e crédito, aceitando desacelerações no curto prazo como o preço razoável a pagar para evitar crises financeiras e recessões profundas a médio prazo.
Sob o novo paradigma, além das questões tradicionais, como a existência de descompassos entre demanda e oferta e o estado das expectativas de inflação, as decisões dos BCs deveriam levar em conta a evolução dos preços de ativos e agregados de crédito, não apenas sob o ponto de vista de seus impulsos sobre a demanda, e assim sobre a trajetória futura da inflação, mas também dos possíveis riscos prudenciais.
Na prática, o que pode vir a ocorrer é BCs, na presença de desequilíbrios no setor real acompanhados por evidências de excessos nos mercados de ativos e crédito, adotarem políticas mais restritivas do que em ciclos passados -ou melhor, mais restritivas do que justificariam as considerações macroeconômicas usuais.
A visão dominante entre os BCs segue sendo que a primeira linha de defesa contra bolhas de ativos e crédito é a política regulatória. Contudo, os eventos dos últimos anos mostram que a atitude meramente reativa de política monetária diante de tais desenvolvimentos pode ser insuficiente, e, à medida que os BCs incorporem essa lição, alterações na sua calibragem não podem ser descartadas.   (MARIO MESQUITA - Folha de S.Paulo)

07.06 - Investidor se resguarda com cenário instável
O mercado opera em uma fina linha que divide o temor da tranquilidade. Então, qualquer coisa que mude o panorama leva o investidor a correr para se resguardar.
A definição é do gerente de câmbio da Treviso Corretora de Câmbio, Reginaldo Galhardo, e explica bem a forte degradação de ambiente observada no final do pregão de ontem, que puxou o preço do dólar para cima, as bolsas para baixo e deu força aos títulos da dívida americana.
A repentina piora de humor foi atribuída a novos desdobramentos do ataque de Israel a um grupo de ajuda humanitária. Surgiram notícias de que o Líbano teria atirado contra aeronaves israelenses. E dos Estados Unidos veio a notícia de que o governo decidiu processar criminalmente a petrolífera BP pelo derramamento de petróleo no Golfo do México.
Por aqui, a piora de humor levou o preço do dólar comercial a subir 0,98% rapidamente, até fechar a R$ 1,839, máxima do dia. No mercado futuro, o dólar para julho subiu 0,67%, para encerrar valendo a R$ 1,843.
Segundo o gerente de operações da Terra Futuros, Arnaldo Puccinelli, essa demanda por dólar no final do dia também obrigou quem vendeu no período de calmaria a correr para zerar posições, o que ajudou a amplificar a alta.
Para quem gosta de análise técnica, Puccinelli aponta que o dólar para junho cumpriu seu objetivo gráfico do dia ao bater R$ 1,860 na máxima. Pela análise gráfica, superada e confirmada a linha de R$ 1,8735, a moeda entra em novo canal de alta, com objetivo de atingir R$ 1,891. Na ponta contrária, a moeda só entraria em canal de baixa se perdesse o R$ 1,826. Nesse caso, o primeiro objetivo seria a R$ 1,8075.
Hoje, atenção esta voltada aos dados da BM&F, que mostrarão o posicionamento dos bancos e estrangeiros no mercado futuro após a virada do mês. Vale lembrar que os bancos estavam amplamente vendidos (apostas pró-real) e os estrangeiros comprados (aposta pró-dólar).
Também no front cambial, o Banco Central (BC) mostra o fluxo fechado para o mês de maio. Já se sabe que pelo lado comercial foi registrado um superávit de US$ 3,44 bilhões. Melhor resultado mensal desde junho de 2009, quando as vendas externas tinham superado as compras em US$ 4,6 bilhões. O resultado do mês passado também superou em 31,3% o saldo de maio de 2010.
No mercado de juros futuros, os contratos de prazo mais dilatado seguiram perdendo prêmio de risco. Já os curtos mostraram certa resistência à queda, refletindo a força da atividade econômica local e a manutenção das apostas de que o Banco Central fará novo ajuste de 0,75 ponto percentual na Selic na semana que vem.
Essa é a aposta majoritária e a dúvida, segundo o economista-chefe da Prosper Corretora, Eduardo Velho, fica com o encontro de julho. Apesar de essa degradação de ambiente externo dar respaldo às expectativa de um colegiado menos incisivo no ajuste da Selic, Velho nota que o mercado ainda está receoso em montar grandes apostas com base nessa ideia.
"Não acredito que o BC apresente uma ata sinalizando ajustes mais moderados. Ele não deve correr esse risco em função da dinâmica doméstica", pondera o economista.
O mercado aguarda também com expectativa o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, que será apresentado na semana que vem. Para Velho, a economia deve mostrar avanço próximo a 3% sobre o quarto trimestre. Certamente, diz o economista, veremos um ritmo menor no segundo trimestre, mas não a ponto de ajudar o Banco Central no ajuste das condições monetárias.   (Eduardo Campos - Valor Online)
 
 
 
 

02.06 - Mercado eleva previsão para crescimento do PIB
Expectativa para expansão da economia neste ano sobe para 6,47%
A estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano aumentou para 6,47%, contra 6,46% na semana passada, completando a 11ª alta consecutiva para esse índice. A prévia para 2011 permaneceu em 4,5%, mostrou relatório Focus divulgado nesta segunda-feira. Há um mês, o mercado previa uma expansão de 6,06% da economia em 2010.
O mercado brasileiro manteve suas estimativas para a alta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste ano e no próximo, em, respectivamente, 5,67% e 4,8%.
Produção industrial
No mesmo levantamento, a estimativa para a produção industrial em 2010 subiu de 10,90% para 11,00%. Para 2011, a projeção para o desempenho da indústria permaneceu em alta de 5,00%.
Juros
A estimativa para a taxa básica de juros (Selic) para o fim de 2010 manteve-se em 11,75% ao ano. A projeção para a taxa no fim de 2011 permaneceu em 11,50% ao ano.
Câmbio e contas externas
Os analistas mantiveram a previsão para o patamar do dólar no fim do ano. O nível da moeda norte-americana no fim de 2010 ficou em R$ 1,80. Para o fim de 2011, a expectativa para a moeda americana seguiu em R$ 1,85. A previsão de câmbio médio no decorrer de 2010 ficou em R$ 1,80.
O mercado financeiro alterou as previsões para o déficit nas contas externas em 2010. A previsão para o déficit em conta corrente neste ano subiu de US$ 48,05 bilhões para US$ 48,10 bilhões. Para 2011, a previsão de déficit em conta corrente do balanço de pagamentos avançou de US$ 57,00 bilhões para US$ 57,97 bilhões.
A previsão de superávit comercial em 2010 subiu de US$ 14,54 bilhões para US$ 15,00 bilhões. Para 2011, a estimativa para o saldo da balança comercial manteve-se em US$ 4,50 bilhões.
Analistas alteraram ainda a estimativa de ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED) em 2010 de US$ 37,00 bilhões para US$ 36,50 bilhões. Para 2011, a estimativa para o IED permaneceu em US$ 40 bilhões.  (O Estado de S.Paulo com Agência Estado e Reuters)
 
 
 
 
 

01.06 - O tamanho da crise segundo Roubini
O economista que antecipou a implosão das bolsas diz que ela ainda vai longe. E garante: era 100% previsível
O economista Nouriel Roubini, um turco-italiano radicado nos Estados Unidos, não é o tipo de pessoa que você espera encontrar à beira de um lago contemplando o balé de lindos cisnes. Considerado uma das cassandras mais eloquentes e certeiras da atualidade, o inquieto professor da Universidade de Nova York é aquele inconveniente que, em setembro de 2006, desafiou o otimismo geral e antecipou o estouro da bolha imobiliária americana e seus efeitos devastadores sobre os bancos e a economia global.
Fez isso dois anos antes de qualquer outro analista, o que certamente rendeu muitos contratos para sua empresa de consultoria, a Roubini Global Economics. Pois não é que Roubini, hoje mergulhado nos números da grave crise da União Europeia, acabou encontrando cisnes brancos?
Em seu novo livro, A Economia das Crises, lançado no Brasil pela editora Intrínseca na sexta-feira 28, Roubini desmistifica a fama de vidente. A crise de 2008, que agora se estende para países como Grécia, Portugal, Espanha, Itália, Irlanda e Reino Unido, era totalmente previsível, argumenta. Aliás, como todas as outras grandes débâcles econômico-financeiras que envolveram países menos desenvolvidos e industrializados desde sempre.
Crises não são eventos inusitados e transformadores que não aparecem no radar, como definiu Nassim Nicholas Taleb no best-seller O Cisne Negro (leia quadro abaixo). São cisnes brancos, insiste Roubini. "As crises não são eventos aleatórios. São previsíveis", afirmou o economista à DINHEIRO na segunda-feira 24, antes de embarcar de Nova York, onde vive, para a Romênia. "Os sinais da crise sempre aparecem antes e são fáceis de identificar", afirma (leia entrevista exclusiva abaixo). E que sinais são esses?
A maioria das crises começa com uma bolha, na qual o preço de um ativo ultrapassa seu valor real. As bolhas estão associadas a um aumento excessivo do crédito. Este pode ser consequência de uma política monetária frouxa ou da supervisão ou regulação negligente do sistema financeiro. Qualquer semelhança com a valorização excessiva dos imóveis e da crise subsequente nos Estados Unidos e na Europa não é mera coincidência.
No livro, escrito em parceria com o historiador Stephen Mihn, Roubini dá crédito aos outros economistas que enxergaram os sinais preocupantes da bolha imobiliária americana, da atuação leniente do Federal Reserve, o banco central dos EUA, dos riscos sistêmicos das bolhas e dos derivativos financeiros.
Gente como Robert Shiller, Raghuram Rajan, Kenneth Rogoff e o próprio Taleb, entre outros, fizeram vários alertas preocupantes. Roubini apenas ligou os pontos para enxergar seu novo cisne branco, a mesma criatura metódica que apareceu na Europa dos últimos três séculos e, nas décadas de 80 e 90, na América Latina e na Ásia. E agora, o que ele vê?
Dá para imaginar. O tamanho da crise pode aumentar, pois é grande o risco de solvência soberana e privada em países importantes. Não se assuste se o cheiro de calote, tão temido por bancos e investidores, aumentar. Pode haver uma ruptura da União Monetária Europeia, escreve Roubini. "As coisas na Europa vão piorar", diz.
As águas continuam turbulentas do outro lado do Atlântico. Na terça-feira 27, a Itália entrou no grupo dos países que anunciou cortes expressivos de gastos (E 24 bilhões) para resgatar a confiança dos mercados. Foi precedida por Grã-Bretanha, Espanha, Portugal, Grécia, França e Alemanha, numa tesoura monumental de despesas orçamentárias que já soma E 220 bilhões - um terço do orçamento público brasileiro em 2010. Não se trata apenas de colocar o pé no freio para ajustar as contas públicas.
O ministro de assuntos econômicos da União Europeia, Olli Rehn, já fala em uma "década perdida" na região se não forem feitas algumas reformas estruturais que aumentem o crescimento e a competitividade, como a desoneração do trabalho. Para Roubini, pode ocorrer o pior: uma recessão global. Nem a China escaparia de uma crise bancária. "Todos esses cenários podem levar a um retrocesso na globalização", prevê. Tomara que, desta vez, ele esteja errado.
Entrevista: "O problema privado virou risco público"
Socialização dos prejuízos em 2008 agravou o risco de solvência de países endividados, diz Nouriel Roubini, em entrevista exclusiva:
DINHEIRO - Por que as crises são como cisnes brancos?
ROUBINI - Antigamente, todos pensavam que só existiam cisnes brancos. Até que um cisne negro foi encontrado na Austrália. As crises não são um evento aleatório, são previsíveis. São resultado de uma sequência de acontecimentos causados por vulnerabilidades macroeconômicas e financeiras. Seguem padrões de comportamento históricos.
DINHEIRO - Quais padrões?
ROUBINI - Elas começam com excesso de investimentos em algum setor. Há alavancagem de dívida privada e/ou pública, expansões excessivas de crédito, política monetária frouxa, pouca supervisão e regulação financeira. As bolhas de ativos crescem, explodem e causam um crash.
DINHEIRO - A crise na Europa é nova ou ainda estamos vivendo a de 2008?
ROUBINI - E o estágio seguinte da mesma crise. Os governos adotaram medidas anticíclicas de estímulo para evitar que a recessão se transformasse em depressão. Decidiram socializar as perdas privadas colocando-as nos balanços dos governos. O problema privado virou risco de solvência do setor público.
DINHEIRO - A situação da Grécia irá piorar? Pode se espalhar?
ROUBINI - As coisas na Europa irão piorar. O pacote de US$ 1 trilhão foi anunciado, mas a reação positiva do mercado durou apenas um ou dois dias. As condições financeiras estão ficando apertadas. O pacote não é suficiente, pois não resolve os problemas fundamentais. Há excesso de dívida pública, excesso de dívida privada, muitos déficits orçamentários, perda de competitividade, grandes déficits em conta-corrente, falta de crescimento, risco de uma recessão em duplo mergulho na zona do euro. Só o dinheiro não resolve. Pode ajudar na liquidez, mas não soluciona problemas de solvência. O risco que a Europa enfrenta é uma eventual insolvência de Portugal, Espanha e assim por diante.
DINHEIRO - A renegociação da dívida pública da Grécia é inevitável?
ROUBINI - Em alguns países, isso será inevitável. É o caso da Grécia. É possível fazer isso de uma maneira ordenada e evitar crises como a da Rússia, da Argentina e do Equador, que tiveram calotes e grandes descontos. Deve-se fazer como no Uruguai, no Paquistão, na Ucrânia e na República Dominicana, em que houve uma reestruturação de dívida baseada no alongamento dos prazos e redução das taxas de juros para níveis abaixo de mercado, mantendo-se o valor de face. Se fizerem isso, será uma reestruturação amigável com o mercado. Senão, será um calote feio.
DINHEIRO - O bom momento da economia brasileira pode ser afetado se a situação na Europa piorar?
ROUBINI - Todo mundo será afetado. Os preços das commodities estão caindo, a aversão ao risco está aumentando, os mercados de ações e de crédito estão passando por correções. Os mercados emergentes não terão recessão, mas sofrerão impacto negativo. Os países com boas políticas monetárias e fiscais e com um sistema financeiro sólido irão se sair melhor da crise e o Brasil é um deles.  (Isto É Dinheiro)

01.06 - Standard & Poors: Economia não está fora de controle
A economia brasileira está crescendo acima do potencial, mas isso não significa que esteja fora de controle. A avaliação foi feita pela diretora de ratings soberanos da Standard & Poors, Lisa Schineller. "Há freios", disse.
De acordo com as análises da diretora, não há hoje nenhum grande impedimento para que o Brasil galgue mais um degrau na escala de país grau de investimento, mas a agência quer observar como o governo irá retirar todos os estímulos dados durante a crise. Ela ressaltou ainda que o primeiro passo será elevar a perspectiva e depois o rating.
A S&P foi a primeira agência a tirar o Brasil da categoria grau especulativo e colocar o país como grau de investimento, em 30 de abril de 2008. A agência elevou o rating do Brasil para "BBB-" (investment grade), com perspectiva estável. Pela escala de rating grau de investimento da S&P, hoje o Brasil está no térreo de um edifício de dez andares. Os países com rating BBB são aqueles que possuem segurança financeira média e são mais vulneráveis a mudanças econômicas do que países com rating mais alto.
Pelo histórico da S&P, o país passou por oito ações positivas consecutivas de 2003 a 2008, e desde 2001 nunca ficou mais de dois anos sem que houvesse mudança em sua avaliação.  (O Tempo)

01.06 - IGP-M apresenta alta de 1,19% em maio
O IGP-M (Índice Geral de Preços Mercado) registrou variação de 1,19% em maio deste ano, segundo informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Em abril, a variação ficou em 0,77%.
O IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo),um dos componentes deste indicador, variou 1,49% em maio, ante 0,72% no mês anterior. O índice relativo aos Bens Finais variou para 0,82%. O destaque do índice neste mês para movimento de desaceleração foi o subgrupo alimentos processados, cuja taxa passou de 0,57% para -1,93%. Excluindo-se os subgrupos alimentos in natura e combustíveis, o índice de Bens Finais (ex) registrou variação de -0,41%. Em abril, a taxa foi de 0,34%.
No item Bens Intermediários, a variação ficou em 0,58%, inferior ao registrado em abril (0,78%). O subgrupo materiais e componentes para a manufatura registrou queda acentuada em sua taxa de variação, que passou de 1,12% para 0,57%, sendo o principal responsável pela desaceleração do grupo. O índice de Bens Intermediários (ex), calculado após a exclusão do subgrupo combustíveis e lubrificantes para a produção, variou 0,64%, ante 0,86%, em abril.
Para Matérias-Primas Brutas houve variação de 5,83% em maio. No mês anterior, o índice registrou variação de 0,47%. Os itens que mais contribuíram para a trajetória de aceleração foram o minério de ferro (-1,06% para 49,76%), soja (em grão) (-2,02% para 2,88%) e laranja (-18,25% para -15,21%). Em sentido oposto, registraram-se desacelerações em itens leite in natura (10,97% para 6,04%), bovinos (3,63% para 1,49%) e algodão (em caroço) (11,44% para 2,67%).
O IPC (Índice de Preços ao Consumidor) variou 0,49% em maio, ante 0,73% um mês antes. De acordo com a pesquisa, apenas o grupo Alimentação recuou (de 2,06% para 0,56%). Com destaque para os itens: hortaliças e legumes (7,79% para -1,95%), laticínios (5,02% para 2,74%) e adoçantes (0,96% para -2,32%).
Em sentido oposto, avançaram: habitação (0,23% para 0,60%), despesas diversas (0,10% para 0,39%), transportes (-0,38% para -0,11%), saúde e cuidados pessoais (0,53% para 0,80%), vestuário (0,69% para 0,81%) e educação, leitura e recreação (0,19% para 0,24%).
Os destaques nestes grupos foram: tarifa de eletricidade residencial (0,04% para 1,38%), alimento para animais domésticos (-0,74% para 0,28%), álcool combustível (-11,49% para -4,98%), medicamentos em geral (1,00% para 2,57%), roupas (0,60% para 1,22%) e passagem aérea (-5,64% para 2,30%), respectivamente.
Finalizando, o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) registrou em maio variação de 0,93%, abaixo do resultado do mês anterior, de 1,17%. O índice de Materiais e Equipamentos decresceu de 0,73%, para 0,51%, e mão de obra, de 1,73% para 1,41%. O grupo serviços apresentou a mesma taxa do mês anterior, 0,36%.
O IGP-M é calculado com base nos preços coletados entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês de referência.  (Executivos Financeiros)

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