14.11 - Controle de capitais e governo global
Economistas sugerem ao G20 mais governo mundial sobre a finança,
limites para fluxos financeiros e outras blasfêmias
Controlar a a livre movimentação de capitais pode ser
uma boa coisa. O FMI deve ter mais poder, até para interferir no
mundo rico e de modo preventivo.
Deveria ser comandado por uma espécie de G20 bem diverso, no
qual ninguém teria poder de veto.
Tais coisas foram propostas por economistas liberais -ou apenas economistas
convencionais. Muitos são europeus, é verdade, o que faz
alguma diferença. São sugestões que economistas do
portal Vox, do Centro para a Pesquisa de Política Econômica,
reuniram numa coletânea de 17 textos chamada "O que os líderes
do G20 devem fazer para estabilizar nossa economia e consertar o sistema
financeiro". Entre os autores há gente como o Nobel Michael Spence,
o especialista em finanças Barry Eichengreen, o ex-economista-chefe
do FMI Raghuram Rajan etc. O G20 faz uma reunião depois de amanhã,
nos EUA.
No pacote está, por exemplo, Guillermo Calvo. Escreve que não
adianta elevar as linhas de crédito de emergência para países
da periferia mundial se não houver controle de fluxos financeiros
a fim de evitar que tais capitais fujam de novo.
Diz mais: "As instituições do novo Bretton Woods devem
ser mais tolerantes com o controle da mobilidade de capitais, especialmente
quando tais controles se concentram em limitar as ações do
setor bancário".
Há três meses, isso soaria como blasfêmia no mundo
de Calvo, que dá aula em Columbia, foi economista-chefe do BID,
alto assessor do FMI e conselheiro de "reformas" no Leste Europeu e na
América Latina.
Rajan, ex-FMI e professor de Chicago, diz que há um diálogo
de surdos entre os "países industrializados" (G7) e os "emergentes".
O G7 não quer pitacos em seu mundo e acha que as instituições
multilaterais (FMI, OMC) devem se ocupar só de corrigir erros econômicos
e o mercantilismo dos "emergentes", que têm a opinião inversa,
claro.
O economista sugere, então, que se crie um novo FMI, comandado
por União Européia (uma cadeira), EUA, Japão, mais
13 membros do G20 e outros quatro países em vagas rotativas. O novo
FMI deveria ter poder de fogo de até US$ 3,4 trilhões (mais
de dez vezes o atual) para combater crises. Rajan quer mais liberalismo,
mas acha que as regras do jogo devem ser decididas por mais gente. Objetivo:
evitar que conflitos e crises redundem em mais protecionismo e dirigismo.
Eichengreen escreve que muita gente pede um "regulador global [das
finanças]", mas que é "irrealista imaginar que os EUA e qualquer
outro país vão entregar a regulação financeira
a um órgão internacional". Mas o economista de Berkeley sugere
a criação de uma Organização Mundial das Finanças,
nos moldes da Organização Mundial do Comércio (que,
aliás, mal funciona). Quem quiser que seus bancos tenham acesso
ao mercado mundial deverá se submeter a acordos na OMF. Parece doido,
mas é sinal de como o clima ideológico, ao menos, mudou.
A maioria dos economistas pede mais governo mundial e intensa intervenção
para domar a presente crise. Não dá para resumir aqui, mas
os textos têm em geral quatro páginas e podem ser lidos de
graça em www.voxeu.org/reports/G20-Summit.pdf. (VINICIUS
TORRES FREIRE - Folha de S.Paulo)
14.11 - Economia britânica enfrenta risco de deflação
Depois de ter se preocupado muito com a alta dos preços, o BoE
(Banco da Inglaterra) mencionou na quarta-feira um risco de deflação
e se disse disposto a continuar baixando suas taxas de juros, como instrumento
para enfrentar a recessão que está se instalando no Reino
Unido.
Em seu relatório trimestral sobre a inflação,
o Banco Central britânico avisou que a alta dos preços poderá,
no próximo ano, não apenas ultrapassar a meta de 2% fixada
para a instituição, mas também se transformar em baixa,
ou seja, em deflação - um cenário que está,
agora, entre as hipóteses estudadas pelo BoE para decidir a política
monetária.
"A economia provavelmente entrou em recessão no segundo semestre
de 2008, e a atividade pode se contrair ainda mais", admitiu o BoE.
"O sistema bancário sofreu suas turbulências mais fortes
desde a Primeira Guerra Mundial", afirma o preâmbulo do relatório
do BoE, insistindo na "necessidade de elevar o grau de estímulo
fiscal" que o governo prometeu aplicar ante "o grau de incerteza em relação
à desaceleração da economia".
A chegada da deflação é muito provável,
já que novas reduções das taxas, depois do corte espetacular
de um ponto e meio percentual registrada em novembro, que levou a taxa
básica para 3%, são previstas pelo mercado.
O governador Mervyn King afirmou durante a entrevista coletiva realizada
após a publicação do relatório que sua instituição
estava disposta a flexibilizar novamente sua política monetária,
se fosse preciso.
Depois da publicação do relatório, a libra desmoronou
frente ao euro, caindo a 82,38 pence para um euro, um nível nunca
atingido desde a criação da moeda única.
Este relatório marca uma nítida mudança em relação
aos precedentes, observaram os analistas.
Em seu relatório anterior, publicado em agosto, o BoE antecipara
um cenário contrário, o de uma disparada da inflação,
depois do aumento dos preços das matérias-primas. Segundo
o BoE, a inflação deveria superar os 5% antes do fim de 2008,
um prognóstico que se confirmou em setembro.
No médio prazo, isso significa que King vai ter que escrever
novamente ao ministro das Finanças para dar explicações.
Trata-se de uma obrigação oficial quando a evolução
dos preços é superior em mais de um ponto percentual à
meta de 2%.
Esta tendência deflacionista foi confirmada por vários
indicadores nas últimas semanas, como os preços na produção.
Eles caíram 1% no mês de outubro no Reino Unido, o que representa
a maior baixa mensal da história, num momento em que os preços
do setor imobiliário registravam uma nova queda anual.
Indiretamente, ela também foi confirmada pelos sinais de desaceleração
da economia britânica, com o PIB (Produto Interno Bruto) caindo 0,5%
entre o segundo e o terceiro trimestre.
A taxa de desemprego da Grã-Bretanha atingiu seu maior nível
desde 1997, com 5,8% contra 5,4% para os três meses precedentes.
Segundo o BoE, o cenário deflacionista pode continuar até
pelo menos 2011, e a baixa dos preços pode chegar a 1%. (AFP/Diário
Online)
13.11 - Desaceleração em 2009 é inevitável,
diz seguradora
Ainda que os bancos brasileiros retomem o crédito com firmeza,
a economia do país terá desaceleração no primeiro
semestre de 2009, segundo Fernando Blanco, presidente brasileiro da Coface,
seguradora de crédito.
O motivo é a baixa entrada de capital externo. As fontes que
entraram com força em 2007 e 2006 devem secar em 2009, como os investimentos
diretos de multinacionais, os fundos de private equity, os IPO's, que deixarão
de ter "apetite para este risco por algum tempo", e os empréstimos
internacionais, pois os bancos estão sem liquidez em seus próprios
mercados, segundo Blanco.
Isso causa uma reação em cadeia: redução
da atividade gera desemprego e inadimplência, que recaem em varejo
e indústria. "E como bancos e financeiras se retraem em períodos
de recessão, o processo se retroalimenta." (Guilherme
Barros - Folha de S.Paulo)
13.11 - Maioria dos bancos crê que crise irá durar até
2 anos
A pesquisa Projeções e Expectativas de Mercado da Federação
Brasileira de Bancos (Febraban) mostrou que 95% das 30 instituições
consultadas acreditam que o período de desaceleração
da economia mundial deve durar até dois anos. Os outros 5% restantes
apostam que esta fase da economia deve perdurar por mais de dois anos.
Em relação ao Brasil, para 67% das instituições
financeiras a desaceleração da economia brasileira deve durar
um ano e, para os 33% restantes, o desaquecimento da economia nacional
terá duração de dois anos.
A pesquisa da Febraban, divulgada na terça-feira, apontou que,
para 78% dos entrevistados, o mundo vive agora o estágio intermediário
da crise. Os otimistas correspondem a 13%, que vêem o atual momento
como o estágio final. Já os pessimistas, minoria de 9%, acreditam
que a crise apenas começou. Para a maioria dos entrevistados, 87%,
a crise financeira deve contagiar a economia global. São apenas
13% que apostam que o contágio da economia real deve ser reduzido,
dadas as medidas preventivas adotadas pelo governo.
No cenário internacional, a maior preocupação
das instituições financeiras é com uma evolução
da crise financeira na economia norte-americana, citada por 68% das instituições.
Destas, 64% também destacaram a diminuição da liquidez
mundial como motivo para preocupação. O economista-chefe
da Febraban, Rubens Sardemberg, destacou que apenas 21% das instituições
citaram um eventual aumento da pressão inflacionária nos
Estados Unidos como um fator a ser levado em conta em suas projeções.
No cenário doméstico, os maiores temores são a
desvalorização da taxa de câmbio, lembrada por 75%,
e a desaceleração do crescimento do volume de crédito,
citada por 68%. Sardemberg acredita que o Brasil tem vivido uma situação
menos complicada do que o resto do mundo com a crise financeira. "A situação
do Brasil é comparativamente melhor do que a de outros países",
aponta. Ele cita o sistema financeiro capitalizado do País, o nível
menor de alavancagem, a situação favorável das políticas
institucionais brasileiras e o crescimento recente da economia doméstica
como fatores importantes para o desempenho do País ao lidar com
a crise.
Ele acredita que a situação dos países emergentes,
em geral, é melhor do que a dos países desenvolvidos, mas
aproveitou para ressaltar que os emergentes não constituem um bloco,
vivem questões diferenciadas entre si. "Neste contexto todo, o Brasil
está em uma boa situação", minimizou. (Agência
Estado)
13.11 - Inflação tem terceira aceleração
seguida em São Paulo
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) medido pela Fundação
Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) atingiu 0,57% na primeira
quadrissemana de novembro, na terceira alta seguida. Sobre a primeira prévia
de outubro, houve avanço de 0,25% ponto percentual. Os alimentos
passaram de uma variação negativa de -0,24%, na primeira
prévia de outubro, para um aumento de 0,56%.
No fechamento do mês passado, o grupo alimentação
havia apresentado alta de 0,37%. Dos sete grupos pesquisados, educação
foi o único com desaceleração, tendo alcançado
0,03% ante 0,08% na primeira prévia de outubro e 0,04% no encerramento
do mês anterior.
Nos demais grupos foram constatadas as seguintes elevações:
habitação, com alta de 0,76%, a mesma taxa da pesquisa anterior
e variação superior ao fechamento de outubro (0,62%); transportes,
que aumentou 0,41% ante 0,36% e 0,26%; despesas pessoais, com 0,40% ante
0,26% e 0,54%; e saúde, com 0,63% ante 0,63% e 0,44% . (Agência
Brasil/ Diário Online)
13.11 - Inflação semanal sobe em todas as capitais pesquisadas,
diz FGV
A inflação semanal medida pelo IPC-S (Índice de
Preços ao Consumidor – Semanal) acelerou em todas as capitais do
País analisadas pela FGV (Fundação Getúlio
Vargas), segundo dados divulgados na terça-feira. O indicador foi
analisado com base nos preços coletados na semana encerrada no dia
7 de novembro.
Na passagem da última semana de outubro para a primeira deste
mês, a capital que teve a maior alta nos preços foi Brasília,
cuja taxa aumentou de 0,50% para 0,93%.
As demais cidades que também registraram aceleração
foram Porto Alegre (0,18% para 0,50%), Recife (0,45% para 0,68%), Belo
Horizonte (0,29% para 0,49%), São Paulo (0,54% para 0,65%), Salvador
(0,32% para 0,41%) e Rio de Janeiro (0,54% para 0,55%).
Nesta segunda-feira, a FGV informou que a inflação semanal
medida pelo IPC-S subiu para 0,58% na primeira semana de novembro – taxa
0,11 ponto percentual acima da leitura anterior. Foi o maior resultado
desde a terceira prévia de julho, com 0,67%. (Diário Online)
12.11 - Crise é oportunidade para mercado de capitais
A contração do crédito no sistema bancário
é uma oportunidade para fortalecer o mercado de capitais brasileiro
como uma fonte de captação de recursos para as empresas.
Essa é a avaliação do diretor técnico do Ibmec
(Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais), Carlos Antônio Rocca,
que discutiu o tema com outros 17 representantes de entidades e empresas
do setor financeiro, como CVM, BM&FBovespa e Apimec.
Segundo Rocca, isso já vem acontecendo. Em carta-resumo da reunião,
ele mostra que o volume médio mensal captado pelas empresas brasileiras
no mercado de capitais até 30 de setembro cresceu para R$ 6,8 bilhões
neste ano -21,4% mais que o registrado no ano passado (R$ 5,6 bilhões).
No acumulado do ano, já foram captados R$ 60 bilhões
no mercado de capitais, 89% do total movimentado em 2007. Os dados consideram
instrumentos como emissões primárias de ações,
debêntures, notas promissórias e cessão de direitos
creditórios.
Apesar do aumento na captação de recursos via mercado
de capitais, apenas 4 empresas abriram o capital na Bovespa neste ano ante
64 no ano passado. Para Rocca, a retração nos IPOs (oferta
inicial de ações) reflete mais a saída de investidores
estrangeiros do Brasil que um desaquecimento do mercado de capitais nacional.
"Antes, ao lado das emissões primárias de empresas que
já têm capital aberto, havia um fluxo significativo de IPOs,
com forte participação de investidores estrangeiros. Como
eles sumiram com a crise, entende-se que agora não há mercado
para entrar na Bolsa."
Mas o contexto desfavorável para os IPOs não deve impedir
que empresas captem recursos no mercado de capitais. "Há uma grande
quantidade de empresas que não o usam como alternativa para captar
recursos. Mas à medida que enfrentarem restrições
ao crédito, podem considerar a opção."
(Guilherme Barros - Folha de S.Paulo)
12.11 - Especialistas defendem o uso da auto-regulação
O Brasil foi atingido pela crise financeira internacional não
por falhas em seu sistema regulatório, mas por atitudes de algumas
empresas. Especialistas acreditam que o modelo adotado no país,
em que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) trabalha ao
lado de entidades auto-reguladoras, como BM&FBovespa, Associação
Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid) e Associação
dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec),
delegando poderes, mas fiscalizando e cobrando suas atuações,
é o mais indicado para manter o desenvolvimento dos mercados.
"É hora de os auto-reguladores chamarem para si novas obrigações
para que o regulador [CVM] não tenha que interferir", diz Waldir
de Jesus Nobre, superintendente relações com o mercado e
intermediários da autarquia. "Estamos cobrando iniciativas dos auto-reguladores",
diz.
Nos últimos dias, por exemplo, a BM&FBovespa iniciou a revisão
de normas do Novo Mercado e colocou anúncios nos jornais dizendo
que dentro de seu ambiente o mercado "é regulado, protegido e transparente".
Fora dele, "bem, você tem lido os jornais", afirma a peça
publicitária.
"É a hora de os auto-reguladores aparecerem para se destacar
em seus postos, que é também educativo", diz o professor
Ricardo Almeida, da Fundação Instituto de Administração
(FIA). Para ele, agora que muitos investidores tiveram perdas, sem mesmo
entender por quê, é preciso um trabalho das entidades para
que o mercado seja visto não como sujeito a humores, mas, sim, como
um instrumento de capitalização das empresas.
Mas essa conscientização tem de passar também
pelas empresas. Alexsandro Broedel, professor da Fundação
Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi),
lembra que o Brasil foi atingido pela crise não por problemas de
desregulamentação, mas por conta das opções
de suas empresas.
"Vimos um problema de governança, em que algumas companhias
falharam em controles internos de riscos e talvez na remuneração
e qualificação de seus profissionais e conselheiros. Não
há como o regulador antever isso", diz. Para ele, a CVM fez o que
podia ao editar uma deliberação para que todas detalhassem
as operações. A medida demorou um pouco a sair - a temporada
de balanços do terceiro trimestre já havia iniciado.
Alexandre Póvoa, diretor do Modal Asset, concorda que o problema
maior por aqui foi de governança, mas acredita que, neste caso,
seria fundamental a ação do regulador, mais imediata. "Não
há dúvidas de que não se deve proibir ou regular as
operações de mercado financeiro, pois isso impede seu desenvolvimento,
nem mesmo as feitas pelas empresas. Mas o regulador deve estabelecer regras
e exigir que as companhias as divulguem da forma mais clara possível,
uma vez que o tema derivativos não é óbvio de se compreender",
diz.
Ricardo Humberto Rocha, professor do Ibmec São Paulo, lembra
que muitas companhias fizeram contratos de balcão, fora do ambiente
regulado das bolsas. "Eles podem ter muitas vantagens, mas também
um grande problema: o risco não fica transparente como na bolsa,
que exige o depósito de margens", diz.
Lucy Souza, presidente da Apimec-SP, acredita que apesar das falhas,
não se deve pensar que não houve avanços na governança
no Brasil. "Talvez se a crise tivesse chegado alguns anos antes, as surpresas
vindas de empresas poderia ter sido maiores", diz.
Otavio Yazbek, diretor de auto-regulação da Bovespa Supervisão
de Mercados, afirma ainda que alguns instrumentos derivativos de maior
risco, e hoje problemáticos, não foram adotados no Brasil,
como alguns mecanismos de securitização e os "credit default
swaps"."Não ficamos expostos a eles, mas por outro lado, não
usufruímos das vantagens do ponto de vista da gestão de riscos."
Broedel, da Fipecafi, diz que cada companhia tem as particularidades de
seu negócio e necessita que um banco estruture um derivativo para
ela, sob medida para diminuir sua exposição aos riscos. "Não
se deve tratar os derivativos como um mal."
Yazbek também chama a atenção de que, em tempos
de crise, é grande o risco de que se exijam "respostas desnecessárias".
Ele exemplifica com o fato de que muitas empresas reclamarem da venda de
papéis a descoberto, que estaria derrubando ações.
Mas ele ressalta as diferenças do sistema brasileiro, em que o papel
tem necessariamente de ser entregue, diferentemente do americano, em que
isso poderia não ocorrer. "Logo, é possível crer que
as ações caem por força do mercado mesmo. Essa é
uma discussão que não vale para o Brasil. Mas em momentos
de crise, enxerga-se problemas onde não há", afirma. Segundo
ele, hoje, muito do que se precisa fazer no mercado brasileiro diz respeito
a melhorar a liquidez e, neste caso, não se trata de regulação,
mas de política econômica e monetária. "Durante a crise,
o regulador tem estímulos para tomar medidas que acabam sendo mais
políticas do que regulatórias."
Pedro Dutra, professor da Fundação Getúlio Vargas
(FGV), que promoveu ontem debate sobre auto-regulação, diz
que o regulador deve agir quando a crise financeira se transforma em econômica.
A análise é , por exemplo, que o governo tem de socorrer
os bancos, uma vez que eles afetam a economia popular, ao pois concentram
depósitos do povo. Já investimentos em ações,
no Brasil, não são vistos como poupança e, portanto,
não relacionados à economia popular. (Ana
Paula Ragazzi - Valor Online)
12.11 - Inflação pelo IGP-M sobe 0,80% na primeira estimativa
de novembro
O IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) teve alta
de 0,80% na primeira leitura prévia de novembro, contra alta de
0,55% na primeira projeção de outubro. Nessa apuração,
o índice acumula alta de 10,4% e, nos últimos 12 meses, a
alta acumulada é de 12,34%. Os dados foram divulgados na segunda-feira
pela FGV (Fundação Getulio Vargas).
Entenda a diferença entre os principais índices de inflação
A metodologia aplicada na apuração do IGP-M é
a mesma do IGP-10 e do IGP-DI --usados no reajuste, por exemplo, de contratos
de aluguel--, também apurados pela FGV, com a única diferença
de ter um período de coleta diferente. A primeira prévia
do IGP-M de novembro compreendeu o intervalo entre os dias 21 e 31 do mês
de outubro.
O IPA (Índice de Preços por Atacado) subiu 1,01% na leitura
divulgada hoje, contra 0,71% um mês antes. O índice dos preços
dos Bens Finais passou de deflação de 0,17% para alta de
0,29%, com destaque para o subgrupo alimentos processados (de 0,20% para
0,92%). No estágio dos Bens Intermediários, o índice
passou de 1,03% para 1,51%, com destaque para o subgrupo materiais e componentes
para a manufatura (de 0,93% para 1,49%).
O índice referente a Matérias-Primas Brutas subiu 1,04%,
menos que na primeira prévia de outubro, 1,20%. Os destaques foram
soja em grão (2,58% para -1,16%), mandioca (23,20% para 3,79%) e
suínos (4,96% para -6,82%). Já os itens minério de
ferro (10,06% para 19,28%), leite in natura (-12,87% para -5,05%) e cana-de-açúcar
(-0,84% para 1,79%) tiveram elevação.
O IPC (Índice de Preços ao Consumidor) subiu 0,22%, contra
ligeira deflação de 0,08% um mês antes. Os grupos Alimentação
(-0,87% para 0,12%), Saúde e Cuidados Pessoais (0,10% para 0,43%)
e Educação, Leitura e Recreação (-0,08% para
0,26%) subiram, com destaque para carnes bovinas (0,50% para 3,97%), artigos
de higiene e cuidado pessoal (-0,58% para 0,38%) e passagem aérea
(-2,04% para 2,87%).
Já os grupos Despesas Diversas (0,56% para -0,14%), Vestuário
(0,77% para 0,63%), Transportes (0,19% para 0,12%) e Habitação
(0,27% para 0,26%) tiveram redução, com destaque para cigarros
(1,74% para 0,00%), calçados (1,16% para -0,49%), álcool
combustível (1,63% para 0,04%) e taxa de água e esgoto residencial
(1,75% para 0,07%).
O INCC (Índice Nacional de Custo da Construção)
subiu 0,70%, desacelerando em relação ao verificado um mês
antes, 0,97%. O índice relativo a Materiais e Serviços subiu
1,19%, contra 1,55% em outubro. O índice que representa o custo
da Mão-de-Obra subiu 0,13% neste mês, contra 0,29% na primeira
prévia de outubro. (Folha Online)
11.11 - Crise favorece repatriação de capital
A atual conjuntura econômica, com dólar valorizado e juros
menores nos Estados Unidos, é ideal para os brasileiros que têm
capital no exterior trazerem os recursos para o Brasil. A análise
é de Roberto Justo, sócio do escritório de advocacia
Choaib, Paiva e Justo, especializado em atender clientes do setor de "private
banking" de bancos como Itaú, Bradesco e Banco do Brasil.
Segundo ele, a demanda por consultoria sobre a melhor forma para trazer
os recursos aplicados no exterior cresceu após a quebra do banco
Lehman Brothers, no dia 15 de setembro, que provocou a disparada da cotação
da moeda norte-americana.
Desde então, o escritório já estruturou a entrada
de cerca de R$ 100 milhões. E, segundo Justo, o fluxo ainda continua.
O motivo, diz ele, é a oportunidade de transformar a mesma quantia
em dólares em um volume maior de reais criada pela mudança
cambial. Outro fator é o diferencial de juros -nos EUA a taxa básica
de juros é de 1% ao ano. Já no Brasil é de 13,75%.
"É melhor aproveitar o câmbio para trazer o dinheiro para
o Brasil e aplicar em DI que deixar lá para render quase nada em
títulos norte-americanos", afirma Justo.
De acordo com Justo, a maioria dos recursos provém de clientes
que têm empresas no exterior. O escritório estrutura operações
de distribuição de dividendos para o acionista ou redução
do capital da empresa para que o empresário traga a dinheiro ao
Brasil de forma legalizada.
Apesar do aumento do interesse de brasileiros em trazer o dinheiro
do exterior para o Brasil, o movimento de saída de recursos de estrangeiros
aplicados no Brasil é ainda maior. O mês passado fechou com
um saldo negativo de US$ 4,639 bilhões, o pior resultado desde janeiro
de 1999. Segundo economistas, a retirada do dinheiro do Brasil se deve
à necessidade de vender ativos líquidos em países
emergentes para compensar perdas no exterior. (Guilherme Barros -
Folha de S.Paulo)
11.11 - Depois da tormenta
O ambiente econômico é negativo, uma vez que os mercados
reais já foram contaminados pela crise
Uma tempestade , ou um incêndio, é terrível. Mas
o pior pode vir depois, em seu rescaldo. A atual crise financeira semeou
o pânico em todos os mercados do mundo. A globalização
e os misteriosos instrumentos financeiros criados nas últimas décadas
fizeram um trabalho de quase completa destruição da credibilidade
das instituições financeiras mundiais.
Felizmente, tudo indica que esse tempo passou. Mas fica uma esteira
de destruição de valores por todo o espaço econômico
global.
Cabe agora juntar os cacos e avaliar o que o futuro nos reserva.
Inicialmente, cabe apontar que, apesar de a violência do olho
do furacão já haver se dissipado, o ambiente econômico
é alarmantemente negativo. A crise financeira já contaminou
os mercados reais. A falta de crédito, o entesouramento de valores
e a suspensão dos investimentos já comprometeram o crescimento
econômico futuro pela via dos canais de comércio e de transferências
de capitais. A virulência da recessão que se avizinha já
assusta as economias de todo o mundo desenvolvido, e a expectativa otimista
de que os países emergentes seriam capazes de sustentar, ainda que
fragilmente, a economia mundial torna-se cada dia mais irrealista.
Nesse terreno desolado existe apenas a sensação confortadora
de que a pronta ação das autoridades econômicas em
todo o mundo foi capaz de controlar o pânico. Balões de oxigênio
contendo pura liquidez foram distribuídos abundantemente, mas, como
alertou Anna Schwartz, em entrevista recente, o problema fundamental pode
estar alhures, ou seja, na perda de credibilidade do sistema quanto à
sua solvência. Reconstruir esse monumental edifício pode levar
décadas.
O que esperar daqui para a frente? Certamente haverá um período
de acomodação dos mercados, como o que estamos adentrando
no momento. Os fundamentos econômicos passarão a ser reavaliados,
e as oportunidades de investimento serão timidamente avaliadas nos
próximos seis meses a um ano. Os primeiros balanços e demonstrações
de lucros e perdas após a tormenta ainda irão assombrar os
mercados e os investidores. A volatilidade e a incerteza irão prevalecer,
porém dentro de faixas estreitas e mais racionais. Essa deverá
ser a marca dos meses à frente. Determinar valor de qualquer ativo
será uma tarefa difícil e altamente arriscada. Será
a hora das oportunidades, quando surgirão os vencedores dessa crise,
e quando o mundo estará escolhendo seus novos jogadores estratégicos.
Mas, como afirmei no início, o pior será o rescaldo.
Como o mundo irá drenar a crescente liquidez que alaga os mercados
mundiais? Como evitar as pressões inflacionárias que surgirão?
Como refluir os capitais públicos que invadiram os "board rooms"
das empresas em todo o mundo? Como evitar que a intervenção
estatal, necessária no momento como um típico "bem público",
seja confundida com a estatização da gestão e com
os ultrapassados métodos de produção centralizados?
Como reconquistar credibilidade para o mercado e permitir que ele continue
sendo o melhor mecanismo gerador de riqueza já usado pela humanidade?
Como administrar o crescente endividamento do setor público e evitar
o crescimento da carga tributária? Que blindagens contra futuras
crises serão erigidas e que restrições ao crescimento
econômico elas poderão implicar? Não temos respostas
para essas dúvidas. O futuro será um emocionante desenrolar
de novos desafios. (MARCOS CINTRA CAVALCANTI DE
ALBUQUERQUE - Folha de S.Paulo)
11.11 - Depois da crise
O presidente Ronald Reagan entrará para a história como
o líder político que liquidou com dois impérios: o
soviético e o americano. Não é exatamente o que tinha
em mente quando acelerou a corrida armamentista, com o projeto Guerra nas
Estrelas, nem quando iniciou a desregulação financeira, ambos
os movimentos em 1980. Sua ambição era restaurar o poderio
abalado da América no campo financeiro e levar a União Soviética
à rendição, no campo militar. Quase deu certo!
Ele não contava com as leis da dialética, pelas quais
qualquer quantidade em excesso acaba por produzir o seu contrário.
Praticamente todos os analistas independentes, e pelo menos alguns líderes
políticos na União Européia, localizam a origem da
crise financeira em curso na emergência de mercados desregulados
de derivativos nos anos 80 e 90. É quase unânime o entendimento
de que, qualquer que seja a saída da crise a curto prazo, isso implica
maior regulação no futuro num contexto de cooperação
entre as nações.
O herdeiro político de Reagan, George Bush, tem se esforçado
para explicar que a intervenção no sistema bancário
não se confunde com estatização. Na realidade, porém,
isso não passa de um eco ideológico do passado. Para vislumbrar
o futuro são necessárias duas coisas: primeiro, abrir as
contas das instituições financeiras e avaliar o rombo efetivo;
segundo, decidir se a gestão inepta das instituições
socorridas deve ficar nas mesmas mãos responsáveis pelo fracasso.
Na medida em que a caixa preta for aberta, a estatização
pode se impor como inevitável.
Subjacente a esse processo, existe um fato muito pouco percebido por
economistas: estamos num mundo de democracia de cidadania ampliada. A própria
China, com todas as suas complexidades, caminha nessa direção.
Isso significa que não é possível articular soluções
para a crise na base do Titanic, que só tinha barcos salva-vidas
para a primeira classe. É preciso encontrar barcos para todo mundo,
pois do contrário a crise econômica vira crise social, e a
crise social, crise política.
O paradigma democrático é apenas um dentre os que estão
em jogo. De uma certa forma, já estava presente em alguns países
na Grande Depressão dos anos 30 - o que, nos Estados Unidos, levou
ao New Deal, sobre os escombros do paradigma liberal. No contexto do New
Deal, três idéias-força se impuseram no plano político:
a do pleno emprego, a do planejamento e a do ativismo estatal. Isso foi
tão bem-sucedido que gerou seu contrário: a re-emergência
do liberalismo sob forma de neoliberaismo.
Entre a Grande Depressão e os anos gloriosos da chamada Era
de Ouro, o quarto de século do pós-guerra, sobreveio a Segunda
Guerra. Para muitos, foi a guerra, não o New Deal, que salvou o
capitalismo americano. Isso é falso. Mas a idéia falsa repetida
várias vezes serviu para cristalizar o conceito de que somente a
guerra dá conta de superar as crises no capitalismo. Suponhamos,
para argumentar, que isso foi verdade. Já não é mais.
Simplesmente pelo fato de que uma guerra generalizada, na era nuclear,
é impensável.
Isso leva ao novo paradigma imposto pelas circunstâncias: os
Estados, não podendo resolver seus conflitos de interesse pela guerra,
estão compelidos a agirem em cooperação. Vemos isso
nesse momento: os Estados Unidos, que em outras circunstâncias atuariam
sozinhos, na qualidade de potência hegemônica, aceitam uma
reunião do G-8 para se sentar em igualdade de condições
com seus parceiros. É a verdadeira inauguração do
paradigma da cooperação no plano mundial.
Entretanto, vai-se cooperar em torno de quê? A proposta desta
Conferência é nitidamente elitista: salvar bancos e instituições
financeiras e, através delas, salvar investidores-especuladores.
Ora, na democracia de cidadania ampliada, essa linha de ação
não será aceita. A plataforma mínima de que se terá
de partir é o New Deal, um grande socorro pela base, reequilibrando
a economia a partir do gasto público em infra-estrutura e políticas
públicas para reativar a demanda, o investimento e o emprego. Só
assim será possível efetiva cooperação entre
os agentes nacionais.
Seja no plano econômico, seja no plano militar, o novo paradigma,
portanto, é o da cooperação entre os povos e as nações,
dispensando impérios. E também entre as classes sociais -
embora isso seja um pouco mais difícil de ser enxergado, em face
dos preconceitos arraigados por uma leitura a-histórica de Marx.
É que o paradigma do trabalho assalariado, base conceitual da luta
de classes, já não representa nem toda, nem a maior parte
do trabalho social, que em grande parte já se dá sob forma
cooperativa - por exemplo, na Europa do Norte.
Numa visão prospectiva, podemos nos dar ao luxo de ser otimistas,
mesmo que a curto prazo se possa prever um aprofundamento da crise. É
que um mundo de cooperação mundial e nacional é um
mundo mais de acordo com os valores básicos de solidariedade humana
do que um mundo de competição predatória em relação
aos homens e ao meio ambiente. É verdade que essa visão otimista
depende essencialmente de uma coisa, a saber, a sobrevivência e prevalência
da democracia no mundo. Isso, contudo, me parece o mais irreversível
dos novos paradigmas. (J.Carlos de Assis - Valor
Online)
10.11 - Fazenda diz que PIB deve crescer 4% em
2009
Dois dias depois de traçar um cenário
pessimista para o crescimento da economia no ano que vem, o governo melhorou
suas expectativas e prometeu uma política monetária que reduza
os custos financeiros das empresas.
Quinta-feira, o secretário de Política
Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, disse
que a revisão do orçamento de 2009 vai prever uma alta de
4% no PIB.
Já o ministro Guido Mantega (Fazenda),
em seu discurso no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social,
disse que em 2010 a economia crescerá 5% ao ano.
Na terça-feira, a estimativa oficial feita
pelo ministro Paulo Bernardo (Planejamento) era de 3,7% ou 3,8%, para 2009.
O governo também vai implementar uma política
fiscal anticíclica em 2009, que, segundo Mantega, incluirá
uma política monetária para reduzir o custo financeiro. Ele
até citou o contexto mundial de queda das taxas como uma tendência.
"Essa política [anticíclica] conterá,
certamente, uma política monetária no sentido de reduzir
o custo financeiro das empresas", disse.
De acordo com o secretário de Política
Econômica, a queda na arrecadação de 2009 e o corte
de despesas serão definidos em conjunto com a Comissão Mista
de Orçamento. O ministro Paulo Bernardo já estimou perda
de receita de R$ 15,2 bilhões e cortes de R$ 8 bilhões.
Segundo Nelson Barbosa, pode ser que o ministro
tenha se confundido, já que trabalha com várias projeções.
Sua assessoria explicou que Paulo Bernardo disse na terça-feira
que os números poderiam ser revistos.
O secretário afirmou que o compromisso
do governo é com uma economia de 3,8% do PIB de 2009 para garantir
o superávit primário. Esse percentual pode chegar a 4,3%,
se o governo decidir usar parte da arrecadação para aumentar
o FSB (Fundo Soberano do Brasil), ainda em discussão no Congresso.
(Folha de S.Paulo)
10.11 - Moody's rebaixa rating da Sadia e mantém
o da Perdigão
Concluindo a revisão iniciada no final
de setembro, a agência de classificação de risco Moody's
anunciou nesta quinta-feira (6) que rebaixou de "Ba3" para "B1" todos os
ratings da Sadia (SDIA4). A perspectiva para as notas continua estável.
Segundo a agência, a redução
reflete os fracos resultados divulgados pela companhia no terceiro trimestre
deste ano, no qual obteve um forte prejuízo de R$ 777,3 milhões
por causa de perdas com derivativos cambiais, devido à repentina
mudança na força do dólar frente ao real.
"A deterioração dos ratings da
Sadia se deve principalmente ao aumento significativo do grau de alavancagem
da empresa", disse Soummo Mukherjee, analista sênior da instituição.
Rating da Perdigão é mantido
Também nesta quinta-feira, a Moody's afirmou
o rating corporativo da Perdigão (PRGA3) em "Ba1". No entanto, a
nota da companhia leva perspectiva negativa por parte da agência,
ao contrário de sua concorrente.
De acordo com a Moody's, a manutenção
reflete a forte liquidez da empresa e os bons resultados reportados no
terceiro trimestre, apesar do prejuízo de R$ 25,4 milhões
em função das perdas com a exposição cambial.
"A afirmação do rating da Pedigão
baseia-se na melhora da margem Ebitda - relação entre a receita
e a geração operacional de caixa - e no sólido fluxo
de caixa apresentado no terceiro trimestre, devido principalmente aos menores
custos e às sinergias da integração da Eleva", explicou
a Moody's. (Gabriel Ignatti Casonato - InfoMoney)
10.11 - Unibanco une-se à Gávea
Independente da anunciada fusão com o
grupo Itaú, a Unibanco Seguros e Previdência, já sem
usar a marca AIG na nomenclatura da seguradora, aliou-se à Gávea
Investimentos, de Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central,
para lançar, em conjunto, um plano de previdência para a classe
alta. O aporte inicial exigido é de R$ 100 mil. O produto destina-se,
inicialmente, a pessoa física. Uma versão corporativa do
produto só sairá no ano que vem. Aos clientes, a seguradora
coloca à disposição um site contendo informações
sobre previdência, fundos, simuladores exclusivos, formulários
para investimento e atendimento. Eles contam também com uma central
de atendimento telefônico. As opções de fundos são
duas: multimercado com ou sem renda variável. "O momento é
bom para aplicações de longuíssimo prazo, como é
o caso de fundos de previdência, devido à possibilidade de
ganhos futuros tanto com papéis de renda variável quanto
com papéis atrelados a juros longos, que são normalmente
mais altos", diz o diretor da Unibanco, Luiz Butori. Um dos alvos da parceria
são clientes que desejam fazer planejamento sucessório, pois
nesses casos os beneficiários recebem o valor previsto diretamente.
(Jornal do Commercio do Brasil)
07.11 - IBGE revisa PIB de 2006 de 3,8% para 4%
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revisou
o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 2006 para 4% em 2006, ante
alta anterior de 3,8%. Em valores absolutos, a economia brasileira alcançou
R$ 2,370 bilhões. Já o PIB per capita ficou em R$ 12.688,
crescimento em volume de 2,5% na comparação com 2005.
A agropecuária foi a atividade que registrou maior crescimento
em volume (4,5%) entre 2005 e 2006. Porém, foram os serviços
que mais ganharam peso, passando de 65% para 65,8% do PIB, com variações
em volume (4,2%) e em preço (7,2%) acima do total da economia (3,7%
e 6,5% respectivamente).
A indústria, por sua vez, cresceu 2,3% em volume em 2006, acima
dos 2,1% verificados em 2005. Ainda assim, houve queda de participação
no total do valor adicionado bruto (de 29,3% para 28,8%).
Outro indicador, a Formação Bruta de Capital Fixo, que
mede o investimento das empresas, teve aumento expressivo de 9,8%. Assim,
a taxa de investimento (formação bruta de capital fixo em
relação ao PIB) ficou em 16,4%, ante 15,9% um ano antes.
Já o consumo das família, que tem alto peso no PIB, subiu
5,3%, e o consumo do governo teve elevação de 2,6%.
No que refere-se à balança comercial, o saldo externo
de bens e serviços apresentou superávit em 2006 de R$ 68,8
bilhões, resultado 11% inferior ao de 2005 (R$ 77,5 bilhões).
A valorização de 10,6% do câmbio no ano contribuiu
para desacelerar o ritmo de crescimento das exportações,
que variaram, em termos nominais, 4,8%, enquanto as importações
cresceram 9,8%.
Em volume, as exportações cresceram 5% contra um aumento
de 18,4% das importações, gerando uma contribuição
negativa do setor externo na variação do PIB.
Por isso, em 2006, a contribuição do saldo externo de
bens e serviços para o crescimento anual, em volume, do PIB, passou
a ser negativa (-1,4%). Em contrapartida, a contribuição
da demanda interna para o crescimento da economia brasileira foi de 5,3%.
(Folha Online)
07.11 - Sob Lula, PIB cresce à base de 3,5% ao ano
Dado de 2006 é revisado para cima e passa de 3,8% para 4%; taxa
supera os mandatos de Fernando Henrique Cardoso
Média de crescimento da primeira gestão de FHC ficou
em 2,6% por ano, enquanto a da segunda recuou para 2,3%, diz IBGE
Em 2006, a economia brasileira cresceu mais do que o estimado inicialmente:
4%, contra a taxa de 3,8% divulgada inicialmente pelo IBGE (Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística). Em 2005, a expansão havia sido
de 3,2%. Com o resultado, a taxa de investimento do país saltou
de 15,9% em 2005 para 16,4% em 2006.
Durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da
Silva, a economia se expandiu à taxa média anual de 3,5%.
Esse dado supera o desempenho de 2,6% do primeiro mandato do ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso (95/98) e da segunda administração
do tucano (99/2002), de 2,3%.
Para Roberto Olinto, a queda do dólar naquele ano foi importante
estímulo ao investimento, pois houve queda nos preços de
máquinas e equipamentos importados -itens que correspondem a 55%
do investimento. O maior volume de investimentos, tanto em modernização
do parque produtivo como em construção civil, foi um dos
motores do PIB.
Pelos dados do IBGE, o país também poupou mais em 2006:
a taxa passou de 17,3% em 2005 para 17,8% do PIB, apesar da forte expansão
do consumo registrada em 2006 -5,3%, percentual superior aos 4,6% estimados
inicialmente.
O IBGE divulga o PIB definitivo sempre com quase dois anos de defasagem.
No cálculo, substitui indicadores estimados por dados reais apurados
em pesquisas setoriais anuais de indústria, comércio, construção
civil e serviços. Incorpora ainda dados da Receita Federal (Imposto
de Renda das pessoas jurídicas) e revisa informações
coletadas pelo PIB trimestral, divulgado ao longo do próprio ano
corrente.
De posse dos dados definitivos do PIB, o IBGE mensurou a carga tributária
brasileira: 34,1% em 2006, percentual superior aos 33,8% de 2005. Houve
expansão na toada do próprio crescimento maior da economia,
segundo Olinto.
Com o avanço do emprego com carteira assinada e a expansão
dos rendimentos do trabalho, houve retrocesso da informalidade da economia
brasileira em 2006, segundo o IBGE. A parcela informal do PIB cedeu de
10,1% em 2005 para 9,7%. Já a formal subiu para 78,4%.
Esses dados são referente à produção formal
e informal, e não às relações de vínculo
de trabalho. Segundo o IBGE, ainda persiste a informalidade no mercado
de trabalho -57,6% das contratações são informais.
Greve
Ontem, servidores do IBGE fizeram paralisações em todo
o país. Os trabalhadores pleiteiam antecipação da
parcela do reajuste salarial, aumento do valor dos benefícios, realização
de concursos públicos e paridade salarial entre servidores da ativa
e aposentados.
O IBGE afirma que não houve prejuízo ao trabalho de pesquisa
(PEDRO SOARES - Folha de S.Paulo)
07.11 - Aposentados e a crise financeira mundial
A crise financeira que teve início nos Estados Unidos, detonada
pela inadimplência no setor imobiliário, se alastrou rapidamente
por todo o mundo, afetando empresas e bancos que apostaram no recebimento
de créditos podres. O castelo de papel veio ao chão e as
bolsas refletiram as perdas no valor das ações de empresas
e bancos. Tradicionais instituições bancárias tiveram
de ser socorridas pelos bancos centrais dos Estados Unidos e da Europa.
E a crise, que ainda está longe de acabar, já chegou ao Brasil,
secando as fontes de crédito para produção e consumo.
Em maior ou menor escala, todos sentirão os efeitos. O desemprego
deve aumentar e até mesmo os aposentados, teoricamente alheios aos
solavancos da economia, terão sua renda e hábitos de consumo
afetados.
O tombo no mercado acionário também puxou para baixo
os rendimentos de grandes empresas e de alguns fundos de pensão,
de onde vem a complementação de aposentaria de muitos dos
nossos aposentados. Normalmente, esses fundos canalizam seus recursos para
ações ou imóveis (renda fixa ou variável).
No entanto, a diversificação da carteira de aplicações
com o intuito de reduzir riscos ao patrimônio do fundo nem sempre
cria imunidade contra perdas. Assim, o aposentado pode ser surpreendido
com a redução de rendimentos caso o fundo para o qual contribuiu
durante décadas vier a sofrer perdas acentuadas.
Mas, nem somente para os aposentados que têm a receber dos fundos
de pensão a crise traz conseqüências. Ela interfere também
na realidade dos que vivem apenas com os recursos provindos do INSS. Para
esses, agora mais do que nunca, é necessário um imenso controle
de caixa, para que não lhes falte dinheiro e tenham que recorrer
aos empréstimos bancários e créditos consignados.
Em tempos de dificuldade e, com medo de calotes, bancos e outras instituições
financeiras têm cobrado juros mais elevados, além de fazer
uma série de exigências para liberar o empréstimo.
Nesse sentido, a crise traz uma importante lição no que
se refere ao consumo. Em uma época em que o dinheiro está
custando "mais caro", não se deve gastar além do que se tem.
É claro que muitas vezes uma necessidade específica, um remédio
a mais, faz com que o orçamento do aposentado estoure. Tal eventualidade,
porém, deve ser considerada exceção à regra.
O consumo precisa ser altamente consciente.
Provisão é a palavra a ser usada como fio condutor nessa
nova relação entre o aposentado e seu dinheiro. Na medida
do possível, o cidadão deve poupar o mínimo que seja
para poder gastar no momento de necessidade, sem ter que depender de onerosos
empréstimos. Tal lição vale para todos, aposentados
com recebimentos dos fundos de pensão, beneficiários da Previdência
Social e demais cidadãos. Afinal, ter os ganhos reduzidos é
ruim, mas pior ainda é ficar endividado em tempos de crise.
(Milton Dallari - Jornal do Commercio do Brasil)
06.11 - Concentrado bancário
Fusão que criou o maior banco do país eleva defesas contra
crise, mas concentração de poder requer ações
corretivas
O sistema bancário brasileiro tem características que
o tornam mais resistente a crises de confiança, como a que assolou
as nações desenvolvidas nos últimos 40 dias -e que
agora, parece, vai ficando para trás. Os negócios são
concentrados em poucos bancos, a rede é moderna e integrada, os
conglomerados são conservadores em suas operações
e o capital nacional predomina, largamente, no controle das casas bancárias.
A fusão entre Itaú e Unibanco, uma das cartadas mais
importantes na história das empresas financeiras do país,
reforça todos esses fatores e, com isso, as linhas de defesa do
Brasil contra turbulências de potencial desagregador. Consagra, além
disso, a trajetória de sucesso de duas famílias de empresários
que, nos últimos 50 anos, estiveram na vanguarda da modernização
da atividade bancária no país.
O banco que emerge da fusão será o maior do país
sob diversos critérios. Tomando-se por base o valor total dos ativos
-os recursos que um banco destina a empréstimos, à compra
de ações, títulos públicos e privados etc.-,
o Itaú Unibanco S.A. passa a controlar 20% do mercado nacional.
Bradesco, com uma fatia de 14%, e Banco do Brasil, que detém 16%,
foram ultrapassados.
A solidez de um sistema bancário como o brasileiro, agora reforçada
por uma fusão que desmente em definitivo os boatos sobre suas principiais
instituições, deveria facilitar a travessia da crise global.
As dificuldades ainda enfrentadas para destravar o crédito doméstico,
contudo, indicam que essa vantagem teórica está sujeita a
muitos obstáculos na prática.
A maioria dos trunfos da malha bancária brasileira, no que tange
a solidez e solvência, implica também problemas que precisam
ser combatidos. A concentração -cinco bancos dominam mais
de 70% do mercado, índice que tende a aumentar no curto prazo- é
um deles. A competição diminui, e os cidadãos ficam
cada vez mais expostos a abusos nas tarifas e nas taxas de juros.
É difícil explicar por que os bancos brasileiros, quando
emprestam recursos a seus clientes, acrescentam, em média, 26 pontos
percentuais à taxa anual de juros que desembolsam para captar recursos
-diferença, ou "spread", que subiu em 2008, apesar do fim da CPMF,
que onerava os empréstimos. Sucessivas iniciativas para levar mais
competição a esse mercado em concentração falharam
no objetivo de aliviar o bolso dos clientes.
A aglutinação de poder de mercado também significa
aumento da influência do lobby dos conglomerados bancários
na política e sobre os órgãos reguladores. A freqüência
e a rapidez com que profissionais trocam de posição entre
o governo e o setor privado nesse segmento enfraquece a capacidade de arbitragem
do poder público. A desenvoltura de grandes bancos no financiamento
de campanhas, no Executivo e no Legislativo, também preocupa.
Sobre esses aspectos indesejáveis da concentração
as autoridades deveriam agir com mais rigor a partir de agora, a fim de
que o sistema bancário brasileiro, cada vez mais sólido e
solvente, amplie sua contribuição para o desenvolvimento
do país. (Folha de S.Paulo)
06.11 - As crises
Há pelo menos dois fatos empiricamente verificáveis que
não podem (ou não deveriam) ser esquecidos neste momento
de crise: 1º) as vantagens insuperáveis da organização
da atividade econômica através dos mercados (cujo bom funcionamento
depende de instituições garantidas pelo Estado), à
qual se dá o nome impreciso de "capitalismo". Permitindo aos homens
apropriaram-se dos benefícios de sua liberdade de iniciativa e criatividade
na ciência e na tecnologia, ele, nos últimos 250 anos (depois
de quase dez séculos de prática estagnação),
permitiu que a população mundial se multiplicasse por seis,
acompanhada de um enorme aumento de seu bem-estar material, cujo indicador
definitivo foi a duplicação de sua expectativa de vida ao
nascer (de 30 para 60 anos) e 2º) que nestes 250 anos todas as organizações
alternativas inventadas por cérebros peregrinos revelaram-se tragicamente
ineficientes do ponto de vista econômico e supressoras da liberdade
individual sem a qual o homem não realiza o seu potencial.
A organização de atividade econômica pelos mercados
tem também seus defeitos. Eles precisam ser mitigados para acomodar
outras necessidades do homem: 1º) seu desejo de relativa igualdade
e 2º) sua busca incessante de um mínimo de segurança.
Os mercados criam um ambiente de intensa competição entre
os homens, cujo resultado final depende, obviamente, do ponto de partida
de cada um (do lar em que nasceu, das oportunidades de manter sua higidez
física e de apropriar-se do conhecimento etc.). A experiência
histórica mostra que, deixada a si mesma, ela tende a produzir uma
desigualdade econômica moralmente inaceitável. Nos regimes
politicamente abertos, a cidadania tenta corrigi-la pelas urnas. É
preciso ter presente, portanto, que a busca da estrita eficiência
produtiva que não leva em conta as desigualdades dela resultantes
não sobrevive ao sufrágio universal livre.
Outro fato historicamente verificável é que, mesmo quando
a ação do Estado corrige parte das desigualdades, a organização
econômica pelos mercados deixada a si mesma produz uma variação
das atividades (do nível de emprego) que gera uma insegurança
custosa em termos do bem-estar dos cidadãos. Nos últimos
250 anos, o crescimento do PIB per capita se fez em torno de uma tendência
exponencial com 46 ciclos irregulares de flutuação, o último
dos quais estamos vivendo.
É por isso que, muito mais do que tentar "refundar o capitalismo"
em resposta à crise, é melhor continuar a aperfeiçoá-lo
para que a próxima crise tenha menos virulência que a atual...
(ANTONIO DELFIM NETTO - Folha de S.Paulo)
05.11 - Itaú e Unibanco serão menos rentáveis juntos
que separados
A fusão de Itaú e Unibanco criará um banco menos
rentável que se as instituições permanecessem separadas.
Com o aumento do patrimônio líquido pela união dos
negócios, os bancos terão de fazer um esforço maior
para rentabilizar o volume de recursos. A análise é do economista-chefe
da Austin Rating, Alex Agostini.
Itaú e Unibanco reúnem um patrimônio líquido
de R$ 44,5 bilhões -cerca de R$ 10 bilhões a mais que o Bradesco-,
segundo levantamento da Austin com base em dados divulgados no terceiro
trimestre pelos bancos. As duas instituições formam um gigante
com R$ 575,1 bilhões em ativos -ante R$ 422,7 bilhões do
Bradesco e R$ 301,7 bilhões do Santander.
Calculada pela Austin em 24,2% em setembro deste ano, a rentabilidade
sobre o patrimônio líquido da instituição formada
pela união de Itaú e Unibanco vai cair, diz Agostini. "O
Itaú tinha R$ 31,6 bilhões de patrimônio líquido
sozinho, e o Unibanco, R$ 12,9 bilhões. Rentabilizar R$ 31 bilhões
exige um esforço bem menor que rentabilizar R$ 44,5 bilhões."
Segundo Agostini, a fusão dos bancos trará um ganho de
competitividade para as instituições e, provavelmente, um
lucro maior.
Para explicar o que deve acontecer com o lucro e a rentabilidade do
novo banco, Agostini cita um exemplo de duas empresas: uma que eleva seus
lucros em 100%, de R$ 1 para R$ 2, e de outra que aumenta em 50%, de R$
10 para R$ 15. "A rentabilidade de quem ganhou 100% é maior, mas
quem aumentou o lucro em R$ 5 ganhou mais", diz.
Agostini afirma que o negócio deve impulsionar a consolidação
e a concentração no setor financeiro. "Os bancos que tinham
aquisições na gaveta vão correr para fechar os negócios".
Segundo ele, os grandes bancos privados, como o Bradesco e o Santander,
vão partir para as compras de bancos menores. E essa disputa fica
mais acirrada com a entrada dos bancos estatais, permitida pela MP 443,
editada no mês passado.
O primeiro grande negócio que deve ser concluído é
a compra da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil, diz Agostini. "O Banco do
Brasil vai acelerar esse processo. Mas com a fusão anunciada hoje
[ontem], esse mercado se aqueceu e a Nossa Caixa já vale mais."
(Guilherme Barros - Folha de S.Paulo)
05.11 - Concentrado, mas diversificado
Sistema bancário vai ter concentração "européia",
mas tem instituições estatais, privadas e estrangeiras fortes
O Brasil vai ficar com cinco ou seis grandes bancos no final do processo
de concentração, disse ontem Roberto Setubal, que presidirá
o novo bancão brasileiro e mundial. Mas o mercado já é
dominado por seis bancos. São dois federais (BB e Caixa), dois privados
nacionais (Itaú-Unibanco e Bradesco) e dois estrangeiros (Santander-Real
e HSBC). Isso não quer dizer que os bancos menores não tenham
relevância no mercado -têm bom relacionamento com empresas
pequenas, por exemplo; atuam no varejo do crédito ao consumidor
etc.
Aos trancos e barrancos, porém, o sistema bancário brasileiro
acabou ficando com um formato interessante para a tranqüilidade financeira
do país. Nestes dias de crise, até o setor privado começou
a dizer que a atuação de BB e de Caixa pode ser estabilizadora.
Há dois fortes bancos privados nacionais, Bradesco e Itaú-Unibanco,
e dois concorrentes estrangeiros de peso, para não deixar ninguém
acomodado. A diversidade é relevante. Imaginem se o sistema bancário
fosse todo dominado por bancos americanos e ingleses meio quebrados ou
ao menos alquebrados. Não seria bom.
E o Bradesco, agora? Para ficar com um tamanho parecido com o do novo
Itaú-Unibanco (IU), no que diz respeito a ativos, o Bradesco teria
de adquirir bancos médios, que são poucos. Ou abocanhar quase
uma dezena de bancos menores, o que é inviável prática
e estrategicamente.
Mas o Bradesco precisa acompanhar o IU no páreo? Qual o ganho
de aparecer no "photochart"? A gente ouve pessoas entendidas em bancos
e quase todos dizem: "O movimento do Itaú e do Unibanco vai detonar
uma nova onda de concentração bancária". Quando se
pergunta se haveria interesse econômico para o Bradesco comprar algum
dos bancos ditos médios, os entrevistados já fazem expressão
de dúvida. Dizem algo como "sim, é preciso avaliar caso a
caso e fazer estudos profundos sobre a complementaridade dos bancos etc.".
Quanto ao volume de depósitos à vista, pelos dados ainda
de junho, Banco do Brasil (32%) e Bradesco (20%) tinham, como se vê,
mais de metade do mercado. O novo IU terá pouco mais de 13% dos
depósitos à vista. Mas os dez maiores bancos no país
têm, juntos, 93,5% dos depósitos à vista -o último
desta fila é o Citi, com 1,5% do total. A Nossa Caixa tem 2,7%.
Nessa área, só há como crescer com compras em massa.
Na área de "private banking" (banco para muito ricos), o IU
é líder. O Bradesco vai continuar a liderar em previdência.
No total de operações de crédito, a liderança
ainda fica com o BB, mas o IU deve passar o Bradesco. Para onde o Bradesco
vai crescer? Para a área de grandes fortunas? Para todas as áreas
do campo? Para fora do país?
É preciso lembrar ainda que o crédito bancário
é uma fatia pequena do PIB brasileiro. Os bancos podem crescer "organicamente",
como se diz, mas isso leva tempo.
De qualquer modo (e a depender dos efeitos da concentração
sobre os clientes), a fusão (ou aquisição) do dia
é uma notícia muito mais positiva do que negativa. É
melhor um bancão forte com disposição de se tornar
internacional do que um monte de rumores sobre a saúde financeira
de sicrano ou beltrano. (VINICIUS TORRES FREIRE - Folha de
S.Paulo)
05.11 - Mercado já prevê inflação mais alta
Depois de o Comitê de Política Monetária (Copom)
do Banco Central ter optado pela interrupção do processo
de aumento dos juros básicos da economia na última semana,
com a manutenção da taxa Selic em 13,75% ao ano, o mercado
financeiro deixou de prever novas elevações em 2008, informou
o próprio BC na segunda-feira (3) por meio do relatório de
mercado, que é fruto de pesquisa com instituições
financeiras.
Na semana retrasada, o mercado financeiro ainda previa duas elevações
de juros neste ano: uma em outubro (que não aconteceu) e a outra
em dezembro, com a Selic fechando este ano em 14,25% ao ano. Na última
semana, quando se reuniu o Copom, a maior parte do mercado, porém,
já havia "virado" com relação à estimativa
para os juros no Copom de outubro - pois já previa manunteção
da taxa Selic, como aconteceu.
O relatório de mercado divulgado pelo BC nesta segunda-feira
(3) mostra que os economistas ouvidos ainda apostam, entretanto, em subida
dos juros no próximo ano. Em janeiro, segundo os dados coletados
pelo BC, o mercado acredita em uma elevação pequena da taxa
Selic: para 13,88% ao ano. Em março, projetam um novo aumento, agora
para 14,25% ao ano. Pelo cenário traçado pelos economistas,
os juros só voltariam a cair em abril de 2009, quando recuariam
para 14% ao ano. Em julho, cairiam para 13,75% ao ano e, em dezembro do
ano que vem, para 13,38% ao ano.
Inflação
O objetivo primordial do Banco Central, ao definir os juros básicos
da economia brasileira, é o controle da inflação.
Pelo sistema de metas de inflação, que vigora no Brasil,
a instituição é responsável por calibrar a
taxa de juros para que as metas pré-determinadas sejam atingidas.
Para este ano e para 2009, a meta central, tendo o IPCA como referência,
é de 4,50%.
No sistema, todavia, há um intervalo de tolerância de
dois pontos percentuais para cima ou para baixo em relação
à meta central. Deste modo, a inflação pode oscilar
entre 2,50% e 6,50% sem que a meta seja formalmente descumprida em 2008
e em 2009.
O BC já informou anteriormente que busca trazer a inflação
para a meta central já em 2009. Na última semana, a previsão
do mercado para o IPCA de 2008 avançou de 6,29% para 6,31%. Para
o ano que vem, subiu de 5% para 5,06%. O BC já está ajustando
os juros, neste momento, com olho no cenário para o próximo
anoe há vários fatores que podem impactar a inflação
(crescimento econômico menor e crédito menos aquecido favorecem
a queda, enquanto a subida do dólar contribui para um aumento).
Crescimento
No caso do crescimento da economia brasileira, a previsão do
mercado financeiro para este ano permaneceu estável em 5,23%. Para
2009, porém, a estimativa do mercado recuou de novo. Esta foi a
terceira semana consecutiva de redução na estimativa - o
que é resultado da crise financeira internacional. A projeção
de crescimento para o próximo ano caiu de 3,10% para 3%. Durante
a maior parte deste ano, ficou em 3,50%.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, tem dito que a economia crescerá
de 4% a 4,5% no próximo ano. Oficialmente, a previsão do
governo, contida na proposta de orçamento para 2009, é de
que o PIB avance 4,5% no ano que vem. Já foi revisada uma vez, pois,
antes, estava em 5%. Entretanto, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo,
já admitiu que o crescimento de 2009 deve ficar abaixo de 4%.
Dólar
A projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio
é de que ela termine este ano em R$ 2, ou seja, acima da projeção
da semana anterior (R$ 1,95 por dólar). Essa é a quinta semana
consecutiva de aumento desta previsão e acontece em meio à
disparada do dólar por conta da crise financeira internacional -
que é reflexo da retirada de recursos do país por investidores
estrangeiros. Para o fim de 2009, a estimativa dos analistas para a taxa
de câmbio também subiu, passando de R$ 1,90 para R$ 2 por
dólar.
Balança comercial e investimentos diretos
A projeção do mercado financeiro para o saldo da balança
comercial (exportações menos importações) de
2008 ficou estável em US$ 24 bilhões na última semana.
No início deste ano, os analistas ouvidos pelo Banco Central projetavam
superávit de US$ 31,9 bilhões para a balança comercial
em 2008. Para o ano de 2009, a estimativa do mercado para o saldo comercial
subiu de US$ 12,5 bilhões para US$ 13 bilhões na semana passada.
No caso dos investimentos estrangeiros diretos, a expectativa do mercado
financeiro para o ingresso de 2008 foi mantida em US$ 35 bilhões
na última semana. Para 2009, a projeção ficou estável
em US$ 30 bilhões. (G1)
04.11 - Mercado discute regulação das operações
O desconhecimento dos riscos alegados por empresas de diferentes portes
que tiveram prejuízo em operações com derivativos
de câmbio reacende a discussão sobre a auto-regulação
e o aperfeiçoamento de regras para financiamentos oferecidos pelos
bancos.
Entidades do mercado discutem como criar incentivos para que os produtos
financeiros disponíveis sejam oferecidos de acordo com as necessidades
de cada cliente. No caso da proteção cambial, uma das propostas
é que seja oferecida à empresa que realmente está
exposta a esse risco, como exportadores e importadores.
Desde o ano passado, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários)
discute internamente e com o mercado como criar regras para a adequação
de produtos oferecidos aos investidores. A idéia proposta em consulta
pública é que, por exemplo, os gerentes de bancos só
ofereçam fundos de investimento a clientes que tenham condições
de compreender o risco envolvido.
Pela proposta, por exemplo, o gerente teria de ter a sensibilidade
para não estimular que um cliente idoso entre em um fundo que só
se torna interessante no longo prazo, dadas as regras tributárias.
"Se sentirmos a necessidade de criar regras de adequação
para produtos com derivativos, vamos abrir uma nova consulta pública",
diz Waldir Nobre, superintendente de relações com o mercado
da CVM.
A Folha pediu para alguns advogados analisarem o contrato feito entre
a Damarfe e o Banco Itaú na operação que envolve risco
cambial para avaliar se o contrato é claro e adequado ao tamanho
da empresa.
"O contrato é extremamente confuso e não esclarece que
há lastro em dólar, menciona apenas que é "um contrato
cujos títulos derivam de outros contratos ou títulos", o
que permite vincular o contrato a empresas desconhecidas. O Código
de Defesa do Consumidor proíbe práticas como essa", afirma
o advogado Paulo Bonadies.
Na sua avaliação, "o contrato demonstra desequilíbrio
entre as partes, principalmente porque é de crucial entendimento
que um pequeno empresário, que não é aplicador e não
exporta nem importa, não tem pleno conhecimento do risco desse mercado",
afirma.
Luciane Brandão, da Saddi Advogados, também vê
desequilíbrio entre os ganhos que ambas as partes teriam como argumento
em defesa dos empresários. Diz que, enquanto o empresário
tem seu ganho limitado a um prêmio, o banco pode ter ganho infinito
dependendo da variação cambial. "Esses clientes desconheciam
a extensão do problema. O risco máximo de pagamento a que
os bancos contratantes estão expostos é prefixado e limitado,
já o da empresa é ilimitado."
Para José Eduardo Carneiro Queiroz, sócio do escritório
Mattos Filho, que atende a bancos, dificilmente a Justiça vai acolher
o questionamento de empresas que assinaram contrato e agora alegam desconhecer
o risco. "Se tivessem ganho, iam questionar também? Dizer que, no
Brasil, o câmbio não varia não é razoável."
(Folha de S.Paulo)
04.11 - A outra crise
De um modo amplo, pode-se dizer que é grande o esforço
realizado para evitar o colapso do sistema financeiro. A ameaça
maior agora é a de desaceleração econômica profunda
e persistente. O temor dominante é de que se venha a mergulhar na
indefinição das relações internacionais, com
prejuízos generalizados.
No curso das medidas de amparo à finança mundial novos
entendimentos têm tido lugar, novas concepções de política
aplicada advieram, desprendendo-se dos tratos consuetudinários e
alterações impositivas de relacionamento entre setor público
e setor privado estão ocorrendo a cada passo, com efeitos em cadeia.
Previsões e estimativas sucumbem quase instantaneamente.
Os impactos sobre a economia real vão se desdobrando, aumentando
os temores à luz de comprometimentos que se espraiem sobre o resto
do ano, mais pronunciadamente sobre o exercício de 2009. Insistem
os julgamentos especializados que no segundo semestre do ano vindouro os
índices gerais poderão indicar forte rebaixamento do PIB
mundial, bastante para condicionar largo período de ações
restritivas no cenário internacional.
Decorre disso, a mobilização que se expressa na reunião
programada para 15 de novembro próximo e que reunirá os maiores
países desenvolvidos, acompanhados por alguns emergentes de expressão
econômica. Encontro que focalizará a situação
global e a busca de reformas. A iniciativa européia, apoiada pelos
EUA, já angariou a designação de reunião G-8+5,
na qual o Brasil estará representado, convidado que foi pelo Executivo
norte americano.
A esperança é alimentada de que da reunião resultem
linhas gerais para o advento de um novo setor financeiro, em que, por exemplo,
os fundos de hedge não mais agiriam com a desenvoltura especulativa
que os estigmatizou; os paraísos fiscais não mais atuariam,
como atualmente, no desvio de recursos e as instituições
financeiras não reguladas passariam a ser passíveis de sanções
penais.
Todo esse panorama traz a baila o caso brasileiro, que sofre os primeiros
sinais de abordagem pela crise e já bastantes para reformar e minorar
as declarações oficiais, agora despidas das jactâncias
de dias atrás. Mais humilde, o governo procura atuar corretivamente,
mas, malgrado, escolheu o processo menos indicado para tanto, que é
o da contingência fracionária, ou seja, vai a reboque dos
casos específicos, atuando aqui, ali, acolá, ao sabor de
maior ou menor pressão dos eventos que se configuram. Uma espécie
de varejo para atuar no que de fato é um grande e ameaçador
atacado.
O perigo de uma tal inorganicidade tem duplo aspecto - fraco rendimento
das medidas tomadas e gestação de uma nova perturbação
ao final da crise atual. Fenômeno decorrente de ataques assistemáticos,
desequilíbrios assim provocados e distúrbios implícitos
nas políticas monetária, fiscal e de investimento.
Exatamente para prevenir essa distonia e evitar efeitos negativos internos
no atacar os males da crise externa é que sugerimos aqui a constituição
de um comitê da crise, densificando, conjuminando e racionalizando
as medidas defensivas que viessem a ser tomadas.
Três aspectos, aparentemente de caráter adjetivo, levaram
ao que está exercitando o plano oficial. O primeiro é a prática
presidencial, de uso intensivo das metáforas (como por exemplo marolinha
para designar um verdadeiro tufão )bem como a de colocar-se na condição
de coordenador sub operacional nas ações de âmbito
executivo. O segundo é o domínio férreo do Copom que,
pela sanha de juros cada vez mais elevados, reduziu o BC a uma espécie
de expositor de última instância e para o qual tudo o mais
era detalhe. O terceiro aspecto é a inexistência factual de
um autêntico Conselho Monetário, com visão larga da
economia nacional e mundial.
Pior para o País, pois todos os sinais indicam que a desaceleração
da economia poderá ser perversa em suas conseqüências.
Pior ainda porque, no entorno de nossa situação econômica
,acontecem fatos quase hediondos, economicamente falando, como o da Aracruz
Celulose, um gigante florestal e industrial pendurado em transação
bancária especulativa que ameaça seu patrimônio financeiro
e físico (hoje um ativo relevante da nacionalidade) de perder-se
nas mãos pusilânimes de um grupelho composto por alguns bancos
usurários e pela direção da empresa.
A Aracruz Celulose tem um passado genuinamente verde - amarelo. Nasceu
de um fundo fiscal criado para impulsionar o reflorestamento no País,
a base do que criou-se a Aracruz Florestal, cujo admirável trabalho
de campo na formação de densas florestas-insumo, foi incorporada
pela Aracruz Celulose. É algo que transcende ao simples enunciado
de empresa corporativa.
O assunto Aracruz está em exame. Deve ser considerado por CVM,
Banco Central e Procuradoria da União, com assistência de
acionistas e do BNDES, que além de acionista minoritário,
foi financiador da empresa.
Espera-se que o assunto chegue a alçada do Presidente da República
e que Sua Excelência, como chefe de governo, compreenda que não
é só dizer que se precisa estabilizar o câmbio, ativar
o crédito, manter o PAC e evitar agravamento da taxa básica
de juro. É preciso administrar a crise e os assuntos exponenciais
que advenham. Sem provocar, na esteira de seu final, uma outra crise, a
da dispersão e tumulto internos. (Jayme Magrassi de
Sá - Jornal do Commercio do Brasil)
03.11 - A Fase 1 da crise está demorando demais
O forte impacto da crise financeira internacional sobre a economia
brasileira ainda não produziu todas as graves conseqüências
de que é capaz, mas já provocou a escassez de duas matérias-primas
essenciais ao combate das dificuldades: crédito para financiar a
produção, mantendo o nível de atividade minimamente
aquecido, e disposição para gastar o invejável patrimônio
de credibilidade do governo no esclarecimento da forma de agir do inimigo.
A sociedade anseia por um choque de informação detalhada
sobre seus sintomas - única forma de neutralizar o temor de que
o Brasil poderá ser os EUA amanhã.
Deve-se esclarecer que ainda estamos na "Fase 1" do problema, durante
a qual os agentes econômicos reagem de forma racional do ponto de
vista individual, mas francamente irracional se analisarmos a situação
levando em conta o aspecto coletivo. É esse tipo de comportamento
que tem levado à desoladora seca das carteiras de crédito
nos pequenos bancos, simultaneamente ao seu empoçamento em grandes
instituições, que por sua vez se defendem criando um "muro
de liquidez". Com medo de voltar a emprestar, os bancos têm apenas
uma preocupação: cuidar da própria saúde financeira
num momento marcado por desconfiança generalizada.
Ironicamente, os recursos do "muro de liquidez" não vêm
apenas das facilidades proporcionadas pelo Banco Central (BC) no manejo
dos depósitos compulsórios. Vêm da transfusão
monetária que alguns tesoureiros estariam fazendo das pequenas para
as grandes instituições, sobressaltados pela idéia
de que, se nos EUA um banco do porte do Lehman Brothers quebra, por que
no Brasil, com todo um prontuário de submissão às
crises financeiras de grande poder combustível, ele escaparia?
O fato é que, desta vez, embora seja difícil de acreditar,
seguramente o Brasil não é o portador do vírus. No
mundo do subprime, ao contrário das outras vezes, a crise não
surge da debilidade fiscal com que alguns gestores de países emergentes
tratavam o setor público, até contagiar as relações
financeiras do mundo desenvolvido. Em 2008, a bolha alimentada pelo setor
privado dos países ricos proliferou sob as mais diferentes formas
de mutação até chegar aos países periféricos,
como está acontecendo hoje com o Brasil.
O ponto, então, é como organizar uma saída rápida
da "Fase 1", porque ainda temos toda a "Fase 2" (quando o pior, de fato,
acontece) pela frente: novo patamar da taxa de câmbio, volta da inflação
e necessidade do remédio amargo da elevação dos juros.
Quanto menos tempo ficarmos na primeira fase - marcada pela ansiedade dos
diagnósticos e pelos palpites de curiosos -, menos riscos carregaremos
para a segunda. Pelo visto, estamos, de fato, mais bem preparados, mas
para aquelas clássicas crises resultantes do populismo fiscal dos
emergentes e não para o esgotamento de um ciclo capitalista como
este a que assistimos.
A acertada fórmula Gordon Brown - que prevê a injeção
maciça de capital público nas instituições
financeiras, garantia de depósitos e exigência de emprestar
no mercado interbancário - começa a ser adotada por aqui
por meio dos bancos oficiais federais. Com a nova medida provisória,
esses entes podem comprar carteiras de empréstimos e até
bancos, pagando com dinheiro vivo. Contudo, só isso pode ser pouco.
Além do mais, há a demora na conclusão da auditoria
dos novos passivos que têm de controlar, tempo em que muito patrimônio
saudável poderá estar sendo contaminado. Sem evitar que,
mais adiante, a receita das exportações encolha, o investidor
continue regrando o capital estrangeiro, a arrecadação tributária
desabe e o emprego volte a cair.
O mundo pós-subprime será um lugar sem empréstimos
fáceis, com mais regulamentação e menos crescimento.
É possível que, no Brasil, fiquemos inclusive sem o PAC.
Se o governo, responsável por 40% do PIB, não cortar gastos
correntes significativos (pessoal, previdência, assistência
social, etc.), recairá num erro recorrente do passado, que é
só cortar os investimentos. Além disso, o BC sobe os juros
e os investimentos privados caem.
A única maneira de eliminar de uma vez o risco de insolvência
no setor público é antecipar o ingresso do País na
"Fase 3": o governo vai à TV e finalmente enfrenta a realidade,
convoca a população a viver com o que tem e estimula a geração
de poupança própria. Está passando da hora de substituirmos
discurso por trabalho duro. (Raul Velloso - O Estado de S.Paulo)
03.11 - Recessão e deflação global
Recessão global combinada com deflação fará
estragos profundos no setor real da economia, como nos anos 30
Superado o pânico do mercado financeiro internacional no início
de outubro, o medo passa a ser a recessão global, que já
dá seus sinais. O problema da inflação já foi
retirado da agenda dos bancos centrais, pois ela deverá sofrer queda
rápida nos EUA e na Europa e é provável uma deflação
no próximo um ano e meio. Uma recessão global combinada com
deflação provocará estragos profundos no setor real
da economia, como ocorreu na década de 30. O Fed reduziu mais uma
vez a taxa de juros e se os demais BCs, de forma coordenada, não
reduzirem mais aceleradamente a taxa de juros para evitar uma deflação
global, a recessão, além de profunda, poderá ser mais
prolongada.
As projeções de crescimento global para este último
trimestre do ano e para o primeiro de 2009 já foram revistas por
todos e se tornaram negativas. O JPMorgan estima para este trimestre queda
do PIB à taxa anualizada de 4% nos EUA, de 3% na Inglaterra e de
2% na área do euro e crescimento da economia global de 0,4% em 2009.
Esses números poderão ser revistos para baixo, pois a economia
da China poderá desacelerar mais fortemente em 2009, para um crescimento
de 6% a 7%.
Nos países emergentes, num primeiro momento, a depreciação
da taxa de câmbio vai elevar os preços dos bens comercializáveis,
ainda que em menor grau do que nas experiências recentes, e no Brasil
a indexação fará persistir a inflação
de preços administrados. Mas tudo isso ocorrerá num quadro
recessivo, tornando desnecessária a elevação da taxa
de juros. Nos demais setores, vamos certamente assistir a uma deflação
já no próximo ano.
A perspectiva que a crise financeira abriu para o Brasil é de
pressão para a redução da taxa de juros. A taxa de
câmbio já sofreu mudança de patamar devido à
restrição externa de crédito e à inversão
no movimento financeiro de capitais, que deverá persistir por longo
período. Ainda, dificilmente cairá da faixa de R$ 2 ou R$
2,10 e, certamente, não responderá à variação
na taxa de juros, enquanto a crise financeira não for resolvida,
o que levará de dois a quatro anos. Dessa forma, se a política
de meta de inflação do BC tem que atuar hoje sobre a inflação
futura, temos é que atuar com a perspectiva de deflação
-e não de inflação.
O BC tem a oportunidade de uma redução da taxa de juros
mantendo a sua credibilidade e aumentando a confiança, que é
o que falta hoje. Uma redução nos custos de captação
dos bancos, no momento em que há preocupação com seu
prejuízo, é o melhor que se pode fazer para evitar uma crise
de confiança. Além disso, o problema mais grave e prioritário
no Brasil é a contração no crédito que, se
não for restabelecido, poderá provocar uma recessão
na economia brasileira. As medidas tomadas pelo BC, de redução
no depósito compulsório dos bancos, não estão
surtindo os efeitos desejados.
Se o BC paga no over ou em títulos públicos 13,75% sem
risco, por que emprestar correndo risco desconhecido, dada a situação
de incerteza que vivemos? Num quadro de crise financeira, com travamento
do sistema de crédito e perspectiva de deflação, nada
melhor do que a redução adicional dos compulsórios
e a redução da taxa de juros. (YOSHIAKI NAKANO
- Folha de S.Paulo)
03.11 - Nova Bretton Woods
A agência que substituir o FMI deverá alertar os países
que ultrapassarem o limite de déficit em conta corrente
Nos próximos dias os líderes políticos e econômicos
dos grandes países reunir-se-ão para discutir uma nova Bretton
Woods, ou seja, uma nova arquitetura e um sistema de regulação
mais rigoroso para o sistema financeiro mundial. Aproveitarão também
para repassar as medidas que já tomaram para garantir a solvência
e para aumentar a liquidez dos bancos.
Nesse ponto, o essencial já foi decidido e está sendo
implementado: a recapitalização dos bancos. O crédito,
porém, está demorando a ser restabelecido, dada a natural
desconfiança dos bancos em relação às demais
empresas. Nos Estados Unidos, o Fed vem se encarregando de agir nessa direção;
no Brasil, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social) já revelou essa disposição, embora aqui o
problema dos grandes bancos não seja grave.
Entrementes as previsões quanto às conseqüências
reais da crise estão se agravando. O JPMorgan prevê para 2009
queda de 0,5% no PIB dos países ricos e crescimento de 4,2% no dos
emergentes. Para o Brasil, as previsões estão tendendo para
2%. Nouriel Roubini fala em estag-deflação. Embora não
tenha dúvida quanto à recessão dos países ricos
e à diminuição das taxas de crescimento dos emergentes,
creio haver excesso de pessimismo. No momento em que as medidas que estão
sendo tomadas fizerem efeito -e farão- deixará de haver motivo
para a retração violenta da atividade econômica que
está sendo prevista.
Como aconteceu em 1929, a crise financeira terá conseqüências
reais, mas não serão tão graves porque, ao contrário
do que ocorreu naquela época, os governos agora agiram com rapidez
e competência para enfrentá-la. Deverão, adicionalmente,
tomar medidas fortes para neutralizar a natural contração
real da demanda. Medidas dessa natureza começaram a ser tomadas
ainda pelo governo Hoover depois de 1929, mas eram tímidas; as políticas
mais fortes vieram com Roosevelt, mas em 1933 o desastre já estava
feito.
O que constituirá uma nova Bretton Woods em vez de meros remendos
à desgovernança montada desde 1971? Nessa questão,
é preciso diferenciar o crédito interno a empresas do crédito
externo a países para cobrir déficits em conta corrente.
No crédito interno, o essencial é uma regulação
muito maior sobre os bancos de varejo, ao mesmo tempo em que se tomem medidas
duras para reduzir a desintermediação financeira -ou seja,
a concessão de crédito por agências que não
são bancos comerciais. É necessário também
limitar os bônus dos agentes financeiros, porque são uma causa
maior de especulação irresponsável.
No plano internacional, o fundamental é limitar o crédito
dado aparentemente a empresas, mas que, na verdade, financia déficits
em conta corrente. Em Bretton Woods não havia essa preocupação,
e o Banco Mundial foi criado para viabilizar déficits em conta corrente
ou "crescimento com poupança externa".
Recentemente, ficou afinal claro que os países não crescem
com poupança externa, mas com um bom sistema de crédito interno
e com suas próprias poupanças. Os déficits em conta
corrente são apenas causa de substituição da poupança
interna pela externa, e por crises do balanço de pagamentos. A agência
internacional que substituir o FMI (Fundo Monetário Internacional)
deverá ter como uma de suas atribuições principais
alertar publicamente os países que ultrapassarem o limite, a ser
convencionado internacionalmente, de déficit em conta corrente.
(LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA - Folha de S.Paulo)
Outras
Notícias

|