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14.11 - Controle de capitais e governo global 
Economistas sugerem ao G20 mais governo mundial sobre a finança, limites para fluxos financeiros e outras blasfêmias 
Controlar a a livre movimentação de capitais pode ser uma boa coisa. O FMI deve ter mais poder, até para interferir no mundo rico e de modo preventivo. 
Deveria ser comandado por uma espécie de G20 bem diverso, no qual ninguém teria poder de veto. 
Tais coisas foram propostas por economistas liberais -ou apenas economistas convencionais. Muitos são europeus, é verdade, o que faz alguma diferença. São sugestões que economistas do portal Vox, do Centro para a Pesquisa de Política Econômica, reuniram numa coletânea de 17 textos chamada "O que os líderes do G20 devem fazer para estabilizar nossa economia e consertar o sistema financeiro". Entre os autores há gente como o Nobel Michael Spence, o especialista em finanças Barry Eichengreen, o ex-economista-chefe do FMI Raghuram Rajan etc. O G20 faz uma reunião depois de amanhã, nos EUA. 
No pacote está, por exemplo, Guillermo Calvo. Escreve que não adianta elevar as linhas de crédito de emergência para países da periferia mundial se não houver controle de fluxos financeiros a fim de evitar que tais capitais fujam de novo. 
Diz mais: "As instituições do novo Bretton Woods devem ser mais tolerantes com o controle da mobilidade de capitais, especialmente quando tais controles se concentram em limitar as ações do setor bancário". 
Há três meses, isso soaria como blasfêmia no mundo de Calvo, que dá aula em Columbia, foi economista-chefe do BID, alto assessor do FMI e conselheiro de "reformas" no Leste Europeu e na América Latina. 
Rajan, ex-FMI e professor de Chicago, diz que há um diálogo de surdos entre os "países industrializados" (G7) e os "emergentes". O G7 não quer pitacos em seu mundo e acha que as instituições multilaterais (FMI, OMC) devem se ocupar só de corrigir erros econômicos e o mercantilismo dos "emergentes", que têm a opinião inversa, claro. 
O economista sugere, então, que se crie um novo FMI, comandado por União Européia (uma cadeira), EUA, Japão, mais 13 membros do G20 e outros quatro países em vagas rotativas. O novo FMI deveria ter poder de fogo de até US$ 3,4 trilhões (mais de dez vezes o atual) para combater crises. Rajan quer mais liberalismo, mas acha que as regras do jogo devem ser decididas por mais gente. Objetivo: evitar que conflitos e crises redundem em mais protecionismo e dirigismo. 
Eichengreen escreve que muita gente pede um "regulador global [das finanças]", mas que é "irrealista imaginar que os EUA e qualquer outro país vão entregar a regulação financeira a um órgão internacional". Mas o economista de Berkeley sugere a criação de uma Organização Mundial das Finanças, nos moldes da Organização Mundial do Comércio (que, aliás, mal funciona). Quem quiser que seus bancos tenham acesso ao mercado mundial deverá se submeter a acordos na OMF. Parece doido, mas é sinal de como o clima ideológico, ao menos, mudou. A maioria dos economistas pede mais governo mundial e intensa intervenção para domar a presente crise. Não dá para resumir aqui, mas os textos têm em geral quatro páginas e podem ser lidos de graça em www.voxeu.org/reports/G20-Summit.pdf.   (VINICIUS TORRES FREIRE - Folha de S.Paulo)

14.11 - Economia britânica enfrenta risco de deflação
Depois de ter se preocupado muito com a alta dos preços, o BoE (Banco da Inglaterra) mencionou na quarta-feira um risco de deflação e se disse disposto a continuar baixando suas taxas de juros, como instrumento para enfrentar a recessão que está se instalando no Reino Unido.
Em seu relatório trimestral sobre a inflação, o Banco Central britânico avisou que a alta dos preços poderá, no próximo ano, não apenas ultrapassar a meta de 2% fixada para a instituição, mas também se transformar em baixa, ou seja, em deflação - um cenário que está, agora, entre as hipóteses estudadas pelo BoE para decidir a política monetária.
"A economia provavelmente entrou em recessão no segundo semestre de 2008, e a atividade pode se contrair ainda mais", admitiu o BoE.
"O sistema bancário sofreu suas turbulências mais fortes desde a Primeira Guerra Mundial", afirma o preâmbulo do relatório do BoE, insistindo na "necessidade de elevar o grau de estímulo fiscal" que o governo prometeu aplicar ante "o grau de incerteza em relação à desaceleração da economia".
A chegada da deflação é muito provável, já que novas reduções das taxas, depois do corte espetacular de um ponto e meio percentual registrada em novembro, que levou a taxa básica para 3%, são previstas pelo mercado.
O governador Mervyn King afirmou durante a entrevista coletiva realizada após a publicação do relatório que sua instituição estava disposta a flexibilizar novamente sua política monetária, se fosse preciso.
Depois da publicação do relatório, a libra desmoronou frente ao euro, caindo a 82,38 pence para um euro, um nível nunca atingido desde a criação da moeda única.
Este relatório marca uma nítida mudança em relação aos precedentes, observaram os analistas.
Em seu relatório anterior, publicado em agosto, o BoE antecipara um cenário contrário, o de uma disparada da inflação, depois do aumento dos preços das matérias-primas. Segundo o BoE, a inflação deveria superar os 5% antes do fim de 2008, um prognóstico que se confirmou em setembro.
No médio prazo, isso significa que King vai ter que escrever novamente ao ministro das Finanças para dar explicações. Trata-se de uma obrigação oficial quando a evolução dos preços é superior em mais de um ponto percentual à meta de 2%.
Esta tendência deflacionista foi confirmada por vários indicadores nas últimas semanas, como os preços na produção. Eles caíram 1% no mês de outubro no Reino Unido, o que representa a maior baixa mensal da história, num momento em que os preços do setor imobiliário registravam uma nova queda anual.
Indiretamente, ela também foi confirmada pelos sinais de desaceleração da economia britânica, com o PIB (Produto Interno Bruto) caindo 0,5% entre o segundo e o terceiro trimestre.
A taxa de desemprego da Grã-Bretanha atingiu seu maior nível desde 1997, com 5,8% contra 5,4% para os três meses precedentes.
Segundo o BoE, o cenário deflacionista pode continuar até pelo menos 2011, e a baixa dos preços pode chegar a 1%. (AFP/Diário Online)
 
 
 
 
 

13.11 - Desaceleração em 2009 é inevitável, diz seguradora 
Ainda que os bancos brasileiros retomem o crédito com firmeza, a economia do país terá desaceleração no primeiro semestre de 2009, segundo Fernando Blanco, presidente brasileiro da Coface, seguradora de crédito.
O motivo é a baixa entrada de capital externo. As fontes que entraram com força em 2007 e 2006 devem secar em 2009, como os investimentos diretos de multinacionais, os fundos de private equity, os IPO's, que deixarão de ter "apetite para este risco por algum tempo", e os empréstimos internacionais, pois os bancos estão sem liquidez em seus próprios mercados, segundo Blanco.
Isso causa uma reação em cadeia: redução da atividade gera desemprego e inadimplência, que recaem em varejo e indústria. "E como bancos e financeiras se retraem em períodos de recessão, o processo se retroalimenta."   (Guilherme Barros - Folha de S.Paulo)

13.11 - Maioria dos bancos crê que crise irá durar até 2 anos 
A pesquisa Projeções e Expectativas de Mercado da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) mostrou que 95% das 30 instituições consultadas acreditam que o período de desaceleração da economia mundial deve durar até dois anos. Os outros 5% restantes apostam que esta fase da economia deve perdurar por mais de dois anos. Em relação ao Brasil, para 67% das instituições financeiras a desaceleração da economia brasileira deve durar um ano e, para os 33% restantes, o desaquecimento da economia nacional terá duração de dois anos.
A pesquisa da Febraban, divulgada na terça-feira, apontou que, para 78% dos entrevistados, o mundo vive agora o estágio intermediário da crise. Os otimistas correspondem a 13%, que vêem o atual momento como o estágio final. Já os pessimistas, minoria de 9%, acreditam que a crise apenas começou. Para a maioria dos entrevistados, 87%, a crise financeira deve contagiar a economia global. São apenas 13% que apostam que o contágio da economia real deve ser reduzido, dadas as medidas preventivas adotadas pelo governo.
No cenário internacional, a maior preocupação das instituições financeiras é com uma evolução da crise financeira na economia norte-americana, citada por 68% das instituições. Destas, 64% também destacaram a diminuição da liquidez mundial como motivo para preocupação. O economista-chefe da Febraban, Rubens Sardemberg, destacou que apenas 21% das instituições citaram um eventual aumento da pressão inflacionária nos Estados Unidos como um fator a ser levado em conta em suas projeções.
No cenário doméstico, os maiores temores são a desvalorização da taxa de câmbio, lembrada por 75%, e a desaceleração do crescimento do volume de crédito, citada por 68%. Sardemberg acredita que o Brasil tem vivido uma situação menos complicada do que o resto do mundo com a crise financeira. "A situação do Brasil é comparativamente melhor do que a de outros países", aponta. Ele cita o sistema financeiro capitalizado do País, o nível menor de alavancagem, a situação favorável das políticas institucionais brasileiras e o crescimento recente da economia doméstica como fatores importantes para o desempenho do País ao lidar com a crise.
Ele acredita que a situação dos países emergentes, em geral, é melhor do que a dos países desenvolvidos, mas aproveitou para ressaltar que os emergentes não constituem um bloco, vivem questões diferenciadas entre si. "Neste contexto todo, o Brasil está em uma boa situação", minimizou. (Agência Estado)

13.11 - Inflação tem terceira aceleração seguida em São Paulo
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) atingiu 0,57% na primeira quadrissemana de novembro, na terceira alta seguida. Sobre a primeira prévia de outubro, houve avanço de 0,25% ponto percentual. Os alimentos passaram de uma variação negativa de -0,24%, na primeira prévia de outubro, para um aumento de 0,56%.
No fechamento do mês passado, o grupo alimentação havia apresentado alta de 0,37%. Dos sete grupos pesquisados, educação foi o único com desaceleração, tendo alcançado 0,03% ante 0,08% na primeira prévia de outubro e 0,04% no encerramento do mês anterior.
Nos demais grupos foram constatadas as seguintes elevações: habitação, com alta de 0,76%, a mesma taxa da pesquisa anterior e variação superior ao fechamento de outubro (0,62%); transportes, que aumentou 0,41% ante 0,36% e 0,26%; despesas pessoais, com 0,40% ante 0,26% e 0,54%; e saúde, com 0,63% ante 0,63% e 0,44% . (Agência Brasil/ Diário Online)

13.11 - Inflação semanal sobe em todas as capitais pesquisadas, diz FGV
A inflação semanal medida pelo IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor – Semanal) acelerou em todas as capitais do País analisadas pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), segundo dados divulgados na terça-feira. O indicador foi analisado com base nos preços coletados na semana encerrada no dia 7 de novembro.
Na passagem da última semana de outubro para a primeira deste mês, a capital que teve a maior alta nos preços foi Brasília, cuja taxa aumentou de 0,50% para 0,93%.
As demais cidades que também registraram aceleração foram Porto Alegre (0,18% para 0,50%), Recife (0,45% para 0,68%), Belo Horizonte (0,29% para 0,49%), São Paulo (0,54% para 0,65%), Salvador (0,32% para 0,41%) e Rio de Janeiro (0,54% para 0,55%).
Nesta segunda-feira, a FGV informou que a inflação semanal medida pelo IPC-S subiu para 0,58% na primeira semana de novembro – taxa 0,11 ponto percentual acima da leitura anterior. Foi o maior resultado desde a terceira prévia de julho, com 0,67%. (Diário Online)
 
 
 
 
 

12.11 - Crise é oportunidade para mercado de capitais 
A contração do crédito no sistema bancário é uma oportunidade para fortalecer o mercado de capitais brasileiro como uma fonte de captação de recursos para as empresas. Essa é a avaliação do diretor técnico do Ibmec (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais), Carlos Antônio Rocca, que discutiu o tema com outros 17 representantes de entidades e empresas do setor financeiro, como CVM, BM&FBovespa e Apimec.
Segundo Rocca, isso já vem acontecendo. Em carta-resumo da reunião, ele mostra que o volume médio mensal captado pelas empresas brasileiras no mercado de capitais até 30 de setembro cresceu para R$ 6,8 bilhões neste ano -21,4% mais que o registrado no ano passado (R$ 5,6 bilhões).
No acumulado do ano, já foram captados R$ 60 bilhões no mercado de capitais, 89% do total movimentado em 2007. Os dados consideram instrumentos como emissões primárias de ações, debêntures, notas promissórias e cessão de direitos creditórios.
Apesar do aumento na captação de recursos via mercado de capitais, apenas 4 empresas abriram o capital na Bovespa neste ano ante 64 no ano passado. Para Rocca, a retração nos IPOs (oferta inicial de ações) reflete mais a saída de investidores estrangeiros do Brasil que um desaquecimento do mercado de capitais nacional.
"Antes, ao lado das emissões primárias de empresas que já têm capital aberto, havia um fluxo significativo de IPOs, com forte participação de investidores estrangeiros. Como eles sumiram com a crise, entende-se que agora não há mercado para entrar na Bolsa."
Mas o contexto desfavorável para os IPOs não deve impedir que empresas captem recursos no mercado de capitais. "Há uma grande quantidade de empresas que não o usam como alternativa para captar recursos. Mas à medida que enfrentarem restrições ao crédito, podem considerar a opção."   (Guilherme Barros - Folha de S.Paulo)

12.11 - Especialistas defendem o uso da auto-regulação 
O Brasil foi atingido pela crise financeira internacional não por falhas em seu sistema regulatório, mas por atitudes de algumas empresas. Especialistas acreditam que o modelo adotado no país, em que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) trabalha ao lado de entidades auto-reguladoras, como BM&FBovespa, Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid) e Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec), delegando poderes, mas fiscalizando e cobrando suas atuações, é o mais indicado para manter o desenvolvimento dos mercados. 
"É hora de os auto-reguladores chamarem para si novas obrigações para que o regulador [CVM] não tenha que interferir", diz Waldir de Jesus Nobre, superintendente relações com o mercado e intermediários da autarquia. "Estamos cobrando iniciativas dos auto-reguladores", diz. 
Nos últimos dias, por exemplo, a BM&FBovespa iniciou a revisão de normas do Novo Mercado e colocou anúncios nos jornais dizendo que dentro de seu ambiente o mercado "é regulado, protegido e transparente". Fora dele, "bem, você tem lido os jornais", afirma a peça publicitária. 
"É a hora de os auto-reguladores aparecerem para se destacar em seus postos, que é também educativo", diz o professor Ricardo Almeida, da Fundação Instituto de Administração (FIA). Para ele, agora que muitos investidores tiveram perdas, sem mesmo entender por quê, é preciso um trabalho das entidades para que o mercado seja visto não como sujeito a humores, mas, sim, como um instrumento de capitalização das empresas. 
Mas essa conscientização tem de passar também pelas empresas. Alexsandro Broedel, professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), lembra que o Brasil foi atingido pela crise não por problemas de desregulamentação, mas por conta das opções de suas empresas. 
"Vimos um problema de governança, em que algumas companhias falharam em controles internos de riscos e talvez na remuneração e qualificação de seus profissionais e conselheiros. Não há como o regulador antever isso", diz. Para ele, a CVM fez o que podia ao editar uma deliberação para que todas detalhassem as operações. A medida demorou um pouco a sair - a temporada de balanços do terceiro trimestre já havia iniciado. 
Alexandre Póvoa, diretor do Modal Asset, concorda que o problema maior por aqui foi de governança, mas acredita que, neste caso, seria fundamental a ação do regulador, mais imediata. "Não há dúvidas de que não se deve proibir ou regular as operações de mercado financeiro, pois isso impede seu desenvolvimento, nem mesmo as feitas pelas empresas. Mas o regulador deve estabelecer regras e exigir que as companhias as divulguem da forma mais clara possível, uma vez que o tema derivativos não é óbvio de se compreender", diz. 
Ricardo Humberto Rocha, professor do Ibmec São Paulo, lembra que muitas companhias fizeram contratos de balcão, fora do ambiente regulado das bolsas. "Eles podem ter muitas vantagens, mas também um grande problema: o risco não fica transparente como na bolsa, que exige o depósito de margens", diz. 
Lucy Souza, presidente da Apimec-SP, acredita que apesar das falhas, não se deve pensar que não houve avanços na governança no Brasil. "Talvez se a crise tivesse chegado alguns anos antes, as surpresas vindas de empresas poderia ter sido maiores", diz. 
Otavio Yazbek, diretor de auto-regulação da Bovespa Supervisão de Mercados, afirma ainda que alguns instrumentos derivativos de maior risco, e hoje problemáticos, não foram adotados no Brasil, como alguns mecanismos de securitização e os "credit default swaps"."Não ficamos expostos a eles, mas por outro lado, não usufruímos das vantagens do ponto de vista da gestão de riscos." Broedel, da Fipecafi, diz que cada companhia tem as particularidades de seu negócio e necessita que um banco estruture um derivativo para ela, sob medida para diminuir sua exposição aos riscos. "Não se deve tratar os derivativos como um mal." 
Yazbek também chama a atenção de que, em tempos de crise, é grande o risco de que se exijam "respostas desnecessárias". Ele exemplifica com o fato de que muitas empresas reclamarem da venda de papéis a descoberto, que estaria derrubando ações. Mas ele ressalta as diferenças do sistema brasileiro, em que o papel tem necessariamente de ser entregue, diferentemente do americano, em que isso poderia não ocorrer. "Logo, é possível crer que as ações caem por força do mercado mesmo. Essa é uma discussão que não vale para o Brasil. Mas em momentos de crise, enxerga-se problemas onde não há", afirma. Segundo ele, hoje, muito do que se precisa fazer no mercado brasileiro diz respeito a melhorar a liquidez e, neste caso, não se trata de regulação, mas de política econômica e monetária. "Durante a crise, o regulador tem estímulos para tomar medidas que acabam sendo mais políticas do que regulatórias." 
Pedro Dutra, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que promoveu ontem debate sobre auto-regulação, diz que o regulador deve agir quando a crise financeira se transforma em econômica. A análise é , por exemplo, que o governo tem de socorrer os bancos, uma vez que eles afetam a economia popular, ao pois concentram depósitos do povo. Já investimentos em ações, no Brasil, não são vistos como poupança e, portanto, não relacionados à economia popular.    (Ana Paula Ragazzi - Valor Online)

12.11 - Inflação pelo IGP-M sobe 0,80% na primeira estimativa de novembro 
O IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) teve alta de 0,80% na primeira leitura prévia de novembro, contra alta de 0,55% na primeira projeção de outubro. Nessa apuração, o índice acumula alta de 10,4% e, nos últimos 12 meses, a alta acumulada é de 12,34%. Os dados foram divulgados na segunda-feira pela FGV (Fundação Getulio Vargas). 
Entenda a diferença entre os principais índices de inflação 
A metodologia aplicada na apuração do IGP-M é a mesma do IGP-10 e do IGP-DI --usados no reajuste, por exemplo, de contratos de aluguel--, também apurados pela FGV, com a única diferença de ter um período de coleta diferente. A primeira prévia do IGP-M de novembro compreendeu o intervalo entre os dias 21 e 31 do mês de outubro. 
O IPA (Índice de Preços por Atacado) subiu 1,01% na leitura divulgada hoje, contra 0,71% um mês antes. O índice dos preços dos Bens Finais passou de deflação de 0,17% para alta de 0,29%, com destaque para o subgrupo alimentos processados (de 0,20% para 0,92%). No estágio dos Bens Intermediários, o índice passou de 1,03% para 1,51%, com destaque para o subgrupo materiais e componentes para a manufatura (de 0,93% para 1,49%). 
O índice referente a Matérias-Primas Brutas subiu 1,04%, menos que na primeira prévia de outubro, 1,20%. Os destaques foram soja em grão (2,58% para -1,16%), mandioca (23,20% para 3,79%) e suínos (4,96% para -6,82%). Já os itens minério de ferro (10,06% para 19,28%), leite in natura (-12,87% para -5,05%) e cana-de-açúcar (-0,84% para 1,79%) tiveram elevação. 
O IPC (Índice de Preços ao Consumidor) subiu 0,22%, contra ligeira deflação de 0,08% um mês antes. Os grupos Alimentação (-0,87% para 0,12%), Saúde e Cuidados Pessoais (0,10% para 0,43%) e Educação, Leitura e Recreação (-0,08% para 0,26%) subiram, com destaque para carnes bovinas (0,50% para 3,97%), artigos de higiene e cuidado pessoal (-0,58% para 0,38%) e passagem aérea (-2,04% para 2,87%). 
Já os grupos Despesas Diversas (0,56% para -0,14%), Vestuário (0,77% para 0,63%), Transportes (0,19% para 0,12%) e Habitação (0,27% para 0,26%) tiveram redução, com destaque para cigarros (1,74% para 0,00%), calçados (1,16% para -0,49%), álcool combustível (1,63% para 0,04%) e taxa de água e esgoto residencial (1,75% para 0,07%). 
O INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) subiu 0,70%, desacelerando em relação ao verificado um mês antes, 0,97%. O índice relativo a Materiais e Serviços subiu 1,19%, contra 1,55% em outubro. O índice que representa o custo da Mão-de-Obra subiu 0,13% neste mês, contra 0,29% na primeira prévia de outubro. (Folha Online)
 
 
 
 
 

11.11 - Crise favorece repatriação de capital 
A atual conjuntura econômica, com dólar valorizado e juros menores nos Estados Unidos, é ideal para os brasileiros que têm capital no exterior trazerem os recursos para o Brasil. A análise é de Roberto Justo, sócio do escritório de advocacia Choaib, Paiva e Justo, especializado em atender clientes do setor de "private banking" de bancos como Itaú, Bradesco e Banco do Brasil.
Segundo ele, a demanda por consultoria sobre a melhor forma para trazer os recursos aplicados no exterior cresceu após a quebra do banco Lehman Brothers, no dia 15 de setembro, que provocou a disparada da cotação da moeda norte-americana.
Desde então, o escritório já estruturou a entrada de cerca de R$ 100 milhões. E, segundo Justo, o fluxo ainda continua. O motivo, diz ele, é a oportunidade de transformar a mesma quantia em dólares em um volume maior de reais criada pela mudança cambial. Outro fator é o diferencial de juros -nos EUA a taxa básica de juros é de 1% ao ano. Já no Brasil é de 13,75%.
"É melhor aproveitar o câmbio para trazer o dinheiro para o Brasil e aplicar em DI que deixar lá para render quase nada em títulos norte-americanos", afirma Justo.
De acordo com Justo, a maioria dos recursos provém de clientes que têm empresas no exterior. O escritório estrutura operações de distribuição de dividendos para o acionista ou redução do capital da empresa para que o empresário traga a dinheiro ao Brasil de forma legalizada.
Apesar do aumento do interesse de brasileiros em trazer o dinheiro do exterior para o Brasil, o movimento de saída de recursos de estrangeiros aplicados no Brasil é ainda maior. O mês passado fechou com um saldo negativo de US$ 4,639 bilhões, o pior resultado desde janeiro de 1999. Segundo economistas, a retirada do dinheiro do Brasil se deve à necessidade de vender ativos líquidos em países emergentes para compensar perdas no exterior.  (Guilherme Barros - Folha de S.Paulo)

11.11 - Depois da tormenta 
O ambiente econômico é negativo, uma vez que os mercados reais já foram contaminados pela crise 
Uma tempestade , ou um incêndio, é terrível. Mas o pior pode vir depois, em seu rescaldo. A atual crise financeira semeou o pânico em todos os mercados do mundo. A globalização e os misteriosos instrumentos financeiros criados nas últimas décadas fizeram um trabalho de quase completa destruição da credibilidade das instituições financeiras mundiais. 
Felizmente, tudo indica que esse tempo passou. Mas fica uma esteira de destruição de valores por todo o espaço econômico global. 
Cabe agora juntar os cacos e avaliar o que o futuro nos reserva. 
Inicialmente, cabe apontar que, apesar de a violência do olho do furacão já haver se dissipado, o ambiente econômico é alarmantemente negativo. A crise financeira já contaminou os mercados reais. A falta de crédito, o entesouramento de valores e a suspensão dos investimentos já comprometeram o crescimento econômico futuro pela via dos canais de comércio e de transferências de capitais. A virulência da recessão que se avizinha já assusta as economias de todo o mundo desenvolvido, e a expectativa otimista de que os países emergentes seriam capazes de sustentar, ainda que fragilmente, a economia mundial torna-se cada dia mais irrealista. 
Nesse terreno desolado existe apenas a sensação confortadora de que a pronta ação das autoridades econômicas em todo o mundo foi capaz de controlar o pânico. Balões de oxigênio contendo pura liquidez foram distribuídos abundantemente, mas, como alertou Anna Schwartz, em entrevista recente, o problema fundamental pode estar alhures, ou seja, na perda de credibilidade do sistema quanto à sua solvência. Reconstruir esse monumental edifício pode levar décadas. 
O que esperar daqui para a frente? Certamente haverá um período de acomodação dos mercados, como o que estamos adentrando no momento. Os fundamentos econômicos passarão a ser reavaliados, e as oportunidades de investimento serão timidamente avaliadas nos próximos seis meses a um ano. Os primeiros balanços e demonstrações de lucros e perdas após a tormenta ainda irão assombrar os mercados e os investidores. A volatilidade e a incerteza irão prevalecer, porém dentro de faixas estreitas e mais racionais. Essa deverá ser a marca dos meses à frente. Determinar valor de qualquer ativo será uma tarefa difícil e altamente arriscada. Será a hora das oportunidades, quando surgirão os vencedores dessa crise, e quando o mundo estará escolhendo seus novos jogadores estratégicos. 
Mas, como afirmei no início, o pior será o rescaldo. Como o mundo irá drenar a crescente liquidez que alaga os mercados mundiais? Como evitar as pressões inflacionárias que surgirão? Como refluir os capitais públicos que invadiram os "board rooms" das empresas em todo o mundo? Como evitar que a intervenção estatal, necessária no momento como um típico "bem público", seja confundida com a estatização da gestão e com os ultrapassados métodos de produção centralizados? Como reconquistar credibilidade para o mercado e permitir que ele continue sendo o melhor mecanismo gerador de riqueza já usado pela humanidade? Como administrar o crescente endividamento do setor público e evitar o crescimento da carga tributária? Que blindagens contra futuras crises serão erigidas e que restrições ao crescimento econômico elas poderão implicar? Não temos respostas para essas dúvidas. O futuro será um emocionante desenrolar de novos desafios.     (MARCOS CINTRA CAVALCANTI DE ALBUQUERQUE - Folha de S.Paulo)

11.11 - Depois da crise 
O presidente Ronald Reagan entrará para a história como o líder político que liquidou com dois impérios: o soviético e o americano. Não é exatamente o que tinha em mente quando acelerou a corrida armamentista, com o projeto Guerra nas Estrelas, nem quando iniciou a desregulação financeira, ambos os movimentos em 1980. Sua ambição era restaurar o poderio abalado da América no campo financeiro e levar a União Soviética à rendição, no campo militar. Quase deu certo! 
Ele não contava com as leis da dialética, pelas quais qualquer quantidade em excesso acaba por produzir o seu contrário. Praticamente todos os analistas independentes, e pelo menos alguns líderes políticos na União Européia, localizam a origem da crise financeira em curso na emergência de mercados desregulados de derivativos nos anos 80 e 90. É quase unânime o entendimento de que, qualquer que seja a saída da crise a curto prazo, isso implica maior regulação no futuro num contexto de cooperação entre as nações. 
O herdeiro político de Reagan, George Bush, tem se esforçado para explicar que a intervenção no sistema bancário não se confunde com estatização. Na realidade, porém, isso não passa de um eco ideológico do passado. Para vislumbrar o futuro são necessárias duas coisas: primeiro, abrir as contas das instituições financeiras e avaliar o rombo efetivo; segundo, decidir se a gestão inepta das instituições socorridas deve ficar nas mesmas mãos responsáveis pelo fracasso. Na medida em que a caixa preta for aberta, a estatização pode se impor como inevitável. 
Subjacente a esse processo, existe um fato muito pouco percebido por economistas: estamos num mundo de democracia de cidadania ampliada. A própria China, com todas as suas complexidades, caminha nessa direção. Isso significa que não é possível articular soluções para a crise na base do Titanic, que só tinha barcos salva-vidas para a primeira classe. É preciso encontrar barcos para todo mundo, pois do contrário a crise econômica vira crise social, e a crise social, crise política. 
O paradigma democrático é apenas um dentre os que estão em jogo. De uma certa forma, já estava presente em alguns países na Grande Depressão dos anos 30 - o que, nos Estados Unidos, levou ao New Deal, sobre os escombros do paradigma liberal. No contexto do New Deal, três idéias-força se impuseram no plano político: a do pleno emprego, a do planejamento e a do ativismo estatal. Isso foi tão bem-sucedido que gerou seu contrário: a re-emergência do liberalismo sob forma de neoliberaismo. 
Entre a Grande Depressão e os anos gloriosos da chamada Era de Ouro, o quarto de século do pós-guerra, sobreveio a Segunda Guerra. Para muitos, foi a guerra, não o New Deal, que salvou o capitalismo americano. Isso é falso. Mas a idéia falsa repetida várias vezes serviu para cristalizar o conceito de que somente a guerra dá conta de superar as crises no capitalismo. Suponhamos, para argumentar, que isso foi verdade. Já não é mais. Simplesmente pelo fato de que uma guerra generalizada, na era nuclear, é impensável. 
Isso leva ao novo paradigma imposto pelas circunstâncias: os Estados, não podendo resolver seus conflitos de interesse pela guerra, estão compelidos a agirem em cooperação. Vemos isso nesse momento: os Estados Unidos, que em outras circunstâncias atuariam sozinhos, na qualidade de potência hegemônica, aceitam uma reunião do G-8 para se sentar em igualdade de condições com seus parceiros. É a verdadeira inauguração do paradigma da cooperação no plano mundial. 
Entretanto, vai-se cooperar em torno de quê? A proposta desta Conferência é nitidamente elitista: salvar bancos e instituições financeiras e, através delas, salvar investidores-especuladores. Ora, na democracia de cidadania ampliada, essa linha de ação não será aceita. A plataforma mínima de que se terá de partir é o New Deal, um grande socorro pela base, reequilibrando a economia a partir do gasto público em infra-estrutura e políticas públicas para reativar a demanda, o investimento e o emprego. Só assim será possível efetiva cooperação entre os agentes nacionais. 
Seja no plano econômico, seja no plano militar, o novo paradigma, portanto, é o da cooperação entre os povos e as nações, dispensando impérios. E também entre as classes sociais - embora isso seja um pouco mais difícil de ser enxergado, em face dos preconceitos arraigados por uma leitura a-histórica de Marx. É que o paradigma do trabalho assalariado, base conceitual da luta de classes, já não representa nem toda, nem a maior parte do trabalho social, que em grande parte já se dá sob forma cooperativa - por exemplo, na Europa do Norte. 
Numa visão prospectiva, podemos nos dar ao luxo de ser otimistas, mesmo que a curto prazo se possa prever um aprofundamento da crise. É que um mundo de cooperação mundial e nacional é um mundo mais de acordo com os valores básicos de solidariedade humana do que um mundo de competição predatória em relação aos homens e ao meio ambiente. É verdade que essa visão otimista depende essencialmente de uma coisa, a saber, a sobrevivência e prevalência da democracia no mundo. Isso, contudo, me parece o mais irreversível dos novos paradigmas.     (J.Carlos de Assis - Valor Online)
 
 
 
 
 

10.11 - Fazenda diz que PIB deve crescer 4% em 2009
Dois dias depois de traçar um cenário pessimista para o crescimento da economia no ano que vem, o governo melhorou suas expectativas e prometeu uma política monetária que reduza os custos financeiros das empresas.
Quinta-feira, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, disse que a revisão do orçamento de 2009 vai prever uma alta de 4% no PIB.
Já o ministro Guido Mantega (Fazenda), em seu discurso no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, disse que em 2010 a economia crescerá 5% ao ano.
Na terça-feira, a estimativa oficial feita pelo ministro Paulo Bernardo (Planejamento) era de 3,7% ou 3,8%, para 2009.
O governo também vai implementar uma política fiscal anticíclica em 2009, que, segundo Mantega, incluirá uma política monetária para reduzir o custo financeiro. Ele até citou o contexto mundial de queda das taxas como uma tendência.
"Essa política [anticíclica] conterá, certamente, uma política monetária no sentido de reduzir o custo financeiro das empresas", disse.
De acordo com o secretário de Política Econômica, a queda na arrecadação de 2009 e o corte de despesas serão definidos em conjunto com a Comissão Mista de Orçamento. O ministro Paulo Bernardo já estimou perda de receita de R$ 15,2 bilhões e cortes de R$ 8 bilhões.
Segundo Nelson Barbosa, pode ser que o ministro tenha se confundido, já que trabalha com várias projeções. Sua assessoria explicou que Paulo Bernardo disse na terça-feira que os números poderiam ser revistos.
O secretário afirmou que o compromisso do governo é com uma economia de 3,8% do PIB de 2009 para garantir o superávit primário. Esse percentual pode chegar a 4,3%, se o governo decidir usar parte da arrecadação para aumentar o FSB (Fundo Soberano do Brasil), ainda em discussão no Congresso.  (Folha de S.Paulo)

10.11 - Moody's rebaixa rating da Sadia e mantém o da Perdigão
Concluindo a revisão iniciada no final de setembro, a agência de classificação de risco Moody's anunciou nesta quinta-feira (6) que rebaixou de "Ba3" para "B1" todos os ratings da Sadia (SDIA4). A perspectiva para as notas continua estável.
Segundo a agência, a redução reflete os fracos resultados divulgados pela companhia no terceiro trimestre deste ano, no qual obteve um forte prejuízo de R$ 777,3 milhões por causa de perdas com derivativos cambiais, devido à repentina mudança na força do dólar frente ao real.
"A deterioração dos ratings da Sadia se deve principalmente ao aumento significativo do grau de alavancagem da empresa", disse Soummo Mukherjee, analista sênior da instituição.
Rating da Perdigão é mantido
Também nesta quinta-feira, a Moody's afirmou o rating corporativo da Perdigão (PRGA3) em "Ba1". No entanto, a nota da companhia leva perspectiva negativa por parte da agência, ao contrário de sua concorrente.
De acordo com a Moody's, a manutenção reflete a forte liquidez da empresa e os bons resultados reportados no terceiro trimestre, apesar do prejuízo de R$ 25,4 milhões em função das perdas com a exposição cambial.
"A afirmação do rating da Pedigão baseia-se na melhora da margem Ebitda - relação entre a receita e a geração operacional de caixa - e no sólido fluxo de caixa apresentado no terceiro trimestre, devido principalmente aos menores custos e às sinergias da integração da Eleva", explicou a Moody's.   (Gabriel Ignatti Casonato - InfoMoney)

10.11 - Unibanco une-se à Gávea
Independente da anunciada fusão com o grupo Itaú, a Unibanco Seguros e Previdência, já sem usar a marca AIG na nomenclatura da seguradora, aliou-se à Gávea Investimentos, de Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, para lançar, em conjunto, um plano de previdência para a classe alta. O aporte inicial exigido é de R$ 100 mil. O produto destina-se, inicialmente, a pessoa física. Uma versão corporativa do produto só sairá no ano que vem. Aos clientes, a seguradora coloca à disposição um site contendo informações sobre previdência, fundos, simuladores exclusivos, formulários para investimento e atendimento. Eles contam também com uma central de atendimento telefônico. As opções de fundos são duas: multimercado com ou sem renda variável. "O momento é bom para aplicações de longuíssimo prazo, como é o caso de fundos de previdência, devido à possibilidade de ganhos futuros tanto com papéis de renda variável quanto com papéis atrelados a juros longos, que são normalmente mais altos", diz o diretor da Unibanco, Luiz Butori. Um dos alvos da parceria são clientes que desejam fazer planejamento sucessório, pois nesses casos os beneficiários recebem o valor previsto diretamente.   (Jornal do Commercio do Brasil)
 
 
 
 
 

07.11 - IBGE revisa PIB de 2006 de 3,8% para 4% 
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revisou o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 2006 para 4% em 2006, ante alta anterior de 3,8%. Em valores absolutos, a economia brasileira alcançou R$ 2,370 bilhões. Já o PIB per capita ficou em R$ 12.688, crescimento em volume de 2,5% na comparação com 2005. 
A agropecuária foi a atividade que registrou maior crescimento em volume (4,5%) entre 2005 e 2006. Porém, foram os serviços que mais ganharam peso, passando de 65% para 65,8% do PIB, com variações em volume (4,2%) e em preço (7,2%) acima do total da economia (3,7% e 6,5% respectivamente). 
A indústria, por sua vez, cresceu 2,3% em volume em 2006, acima dos 2,1% verificados em 2005. Ainda assim, houve queda de participação no total do valor adicionado bruto (de 29,3% para 28,8%). 
Outro indicador, a Formação Bruta de Capital Fixo, que mede o investimento das empresas, teve aumento expressivo de 9,8%. Assim, a taxa de investimento (formação bruta de capital fixo em relação ao PIB) ficou em 16,4%, ante 15,9% um ano antes. 
Já o consumo das família, que tem alto peso no PIB, subiu 5,3%, e o consumo do governo teve elevação de 2,6%. 
No que refere-se à balança comercial, o saldo externo de bens e serviços apresentou superávit em 2006 de R$ 68,8 bilhões, resultado 11% inferior ao de 2005 (R$ 77,5 bilhões). A valorização de 10,6% do câmbio no ano contribuiu para desacelerar o ritmo de crescimento das exportações, que variaram, em termos nominais, 4,8%, enquanto as importações cresceram 9,8%. 
Em volume, as exportações cresceram 5% contra um aumento de 18,4% das importações, gerando uma contribuição negativa do setor externo na variação do PIB. 
Por isso, em 2006, a contribuição do saldo externo de bens e serviços para o crescimento anual, em volume, do PIB, passou a ser negativa (-1,4%). Em contrapartida, a contribuição da demanda interna para o crescimento da economia brasileira foi de 5,3%. (Folha Online)

07.11 - Sob Lula, PIB cresce à base de 3,5% ao ano
Dado de 2006 é revisado para cima e passa de 3,8% para 4%; taxa supera os mandatos de Fernando Henrique Cardoso
Média de crescimento da primeira gestão de FHC ficou em 2,6% por ano, enquanto a da segunda recuou para 2,3%, diz IBGE
Em 2006, a economia brasileira cresceu mais do que o estimado inicialmente: 4%, contra a taxa de 3,8% divulgada inicialmente pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em 2005, a expansão havia sido de 3,2%. Com o resultado, a taxa de investimento do país saltou de 15,9% em 2005 para 16,4% em 2006.
Durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a economia se expandiu à taxa média anual de 3,5%.
Esse dado supera o desempenho de 2,6% do primeiro mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (95/98) e da segunda administração do tucano (99/2002), de 2,3%.
Para Roberto Olinto, a queda do dólar naquele ano foi importante estímulo ao investimento, pois houve queda nos preços de máquinas e equipamentos importados -itens que correspondem a 55% do investimento. O maior volume de investimentos, tanto em modernização do parque produtivo como em construção civil, foi um dos motores do PIB.
Pelos dados do IBGE, o país também poupou mais em 2006: a taxa passou de 17,3% em 2005 para 17,8% do PIB, apesar da forte expansão do consumo registrada em 2006 -5,3%, percentual superior aos 4,6% estimados inicialmente.
O IBGE divulga o PIB definitivo sempre com quase dois anos de defasagem. No cálculo, substitui indicadores estimados por dados reais apurados em pesquisas setoriais anuais de indústria, comércio, construção civil e serviços. Incorpora ainda dados da Receita Federal (Imposto de Renda das pessoas jurídicas) e revisa informações coletadas pelo PIB trimestral, divulgado ao longo do próprio ano corrente.
De posse dos dados definitivos do PIB, o IBGE mensurou a carga tributária brasileira: 34,1% em 2006, percentual superior aos 33,8% de 2005. Houve expansão na toada do próprio crescimento maior da economia, segundo Olinto.
Com o avanço do emprego com carteira assinada e a expansão dos rendimentos do trabalho, houve retrocesso da informalidade da economia brasileira em 2006, segundo o IBGE. A parcela informal do PIB cedeu de 10,1% em 2005 para 9,7%. Já a formal subiu para 78,4%.
Esses dados são referente à produção formal e informal, e não às relações de vínculo de trabalho. Segundo o IBGE, ainda persiste a informalidade no mercado de trabalho -57,6% das contratações são informais.
Greve
Ontem, servidores do IBGE fizeram paralisações em todo o país. Os trabalhadores pleiteiam antecipação da parcela do reajuste salarial, aumento do valor dos benefícios, realização de concursos públicos e paridade salarial entre servidores da ativa e aposentados.
O IBGE afirma que não houve prejuízo ao trabalho de pesquisa   (PEDRO SOARES - Folha de S.Paulo)

07.11 - Aposentados e a crise financeira mundial
A crise financeira que teve início nos Estados Unidos, detonada pela inadimplência no setor imobiliário, se alastrou rapidamente por todo o mundo, afetando empresas e bancos que apostaram no recebimento de créditos podres. O castelo de papel veio ao chão e as bolsas refletiram as perdas no valor das ações de empresas e bancos. Tradicionais instituições bancárias tiveram de ser socorridas pelos bancos centrais dos Estados Unidos e da Europa. E a crise, que ainda está longe de acabar, já chegou ao Brasil, secando as fontes de crédito para produção e consumo. Em maior ou menor escala, todos sentirão os efeitos. O desemprego deve aumentar e até mesmo os aposentados, teoricamente alheios aos solavancos da economia, terão sua renda e hábitos de consumo afetados.
O tombo no mercado acionário também puxou para baixo os rendimentos de grandes empresas e de alguns fundos de pensão, de onde vem a complementação de aposentaria de muitos dos nossos aposentados. Normalmente, esses fundos canalizam seus recursos para ações ou imóveis (renda fixa ou variável). No entanto, a diversificação da carteira de aplicações com o intuito de reduzir riscos ao patrimônio do fundo nem sempre cria imunidade contra perdas. Assim, o aposentado pode ser surpreendido com a redução de rendimentos caso o fundo para o qual contribuiu durante décadas vier a sofrer perdas acentuadas.
Mas, nem somente para os aposentados que têm a receber dos fundos de pensão a crise traz conseqüências. Ela interfere também na realidade dos que vivem apenas com os recursos provindos do INSS. Para esses, agora mais do que nunca, é necessário um imenso controle de caixa, para que não lhes falte dinheiro e tenham que recorrer aos empréstimos bancários e créditos consignados. Em tempos de dificuldade e, com medo de calotes, bancos e outras instituições financeiras têm cobrado juros mais elevados, além de fazer uma série de exigências para liberar o empréstimo.
Nesse sentido, a crise traz uma importante lição no que se refere ao consumo. Em uma época em que o dinheiro está custando "mais caro", não se deve gastar além do que se tem. É claro que muitas vezes uma necessidade específica, um remédio a mais, faz com que o orçamento do aposentado estoure. Tal eventualidade, porém, deve ser considerada exceção à regra. O consumo precisa ser altamente consciente.
Provisão é a palavra a ser usada como fio condutor nessa nova relação entre o aposentado e seu dinheiro. Na medida do possível, o cidadão deve poupar o mínimo que seja para poder gastar no momento de necessidade, sem ter que depender de onerosos empréstimos. Tal lição vale para todos, aposentados com recebimentos dos fundos de pensão, beneficiários da Previdência Social e demais cidadãos. Afinal, ter os ganhos reduzidos é ruim, mas pior ainda é ficar endividado em tempos de crise.  (Milton Dallari - Jornal do Commercio do Brasil)
 
 
 
 
 

06.11 - Concentrado bancário 
Fusão que criou o maior banco do país eleva defesas contra crise, mas concentração de poder requer ações corretivas
O sistema bancário brasileiro tem características que o tornam mais resistente a crises de confiança, como a que assolou as nações desenvolvidas nos últimos 40 dias -e que agora, parece, vai ficando para trás. Os negócios são concentrados em poucos bancos, a rede é moderna e integrada, os conglomerados são conservadores em suas operações e o capital nacional predomina, largamente, no controle das casas bancárias.
A fusão entre Itaú e Unibanco, uma das cartadas mais importantes na história das empresas financeiras do país, reforça todos esses fatores e, com isso, as linhas de defesa do Brasil contra turbulências de potencial desagregador. Consagra, além disso, a trajetória de sucesso de duas famílias de empresários que, nos últimos 50 anos, estiveram na vanguarda da modernização da atividade bancária no país.
O banco que emerge da fusão será o maior do país sob diversos critérios. Tomando-se por base o valor total dos ativos -os recursos que um banco destina a empréstimos, à compra de ações, títulos públicos e privados etc.-, o Itaú Unibanco S.A. passa a controlar 20% do mercado nacional. Bradesco, com uma fatia de 14%, e Banco do Brasil, que detém 16%, foram ultrapassados.
A solidez de um sistema bancário como o brasileiro, agora reforçada por uma fusão que desmente em definitivo os boatos sobre suas principiais instituições, deveria facilitar a travessia da crise global. As dificuldades ainda enfrentadas para destravar o crédito doméstico, contudo, indicam que essa vantagem teórica está sujeita a muitos obstáculos na prática.
A maioria dos trunfos da malha bancária brasileira, no que tange a solidez e solvência, implica também problemas que precisam ser combatidos. A concentração -cinco bancos dominam mais de 70% do mercado, índice que tende a aumentar no curto prazo- é um deles. A competição diminui, e os cidadãos ficam cada vez mais expostos a abusos nas tarifas e nas taxas de juros.
É difícil explicar por que os bancos brasileiros, quando emprestam recursos a seus clientes, acrescentam, em média, 26 pontos percentuais à taxa anual de juros que desembolsam para captar recursos -diferença, ou "spread", que subiu em 2008, apesar do fim da CPMF, que onerava os empréstimos. Sucessivas iniciativas para levar mais competição a esse mercado em concentração falharam no objetivo de aliviar o bolso dos clientes.
A aglutinação de poder de mercado também significa aumento da influência do lobby dos conglomerados bancários na política e sobre os órgãos reguladores. A freqüência e a rapidez com que profissionais trocam de posição entre o governo e o setor privado nesse segmento enfraquece a capacidade de arbitragem do poder público. A desenvoltura de grandes bancos no financiamento de campanhas, no Executivo e no Legislativo, também preocupa.
Sobre esses aspectos indesejáveis da concentração as autoridades deveriam agir com mais rigor a partir de agora, a fim de que o sistema bancário brasileiro, cada vez mais sólido e solvente, amplie sua contribuição para o desenvolvimento do país.   (Folha de S.Paulo)

06.11 - As crises 
Há pelo menos dois fatos empiricamente verificáveis que não podem (ou não deveriam) ser esquecidos neste momento de crise: 1º) as vantagens insuperáveis da organização da atividade econômica através dos mercados (cujo bom funcionamento depende de instituições garantidas pelo Estado), à qual se dá o nome impreciso de "capitalismo". Permitindo aos homens apropriaram-se dos benefícios de sua liberdade de iniciativa e criatividade na ciência e na tecnologia, ele, nos últimos 250 anos (depois de quase dez séculos de prática estagnação), permitiu que a população mundial se multiplicasse por seis, acompanhada de um enorme aumento de seu bem-estar material, cujo indicador definitivo foi a duplicação de sua expectativa de vida ao nascer (de 30 para 60 anos) e 2º) que nestes 250 anos todas as organizações alternativas inventadas por cérebros peregrinos revelaram-se tragicamente ineficientes do ponto de vista econômico e supressoras da liberdade individual sem a qual o homem não realiza o seu potencial.
A organização de atividade econômica pelos mercados tem também seus defeitos. Eles precisam ser mitigados para acomodar outras necessidades do homem: 1º) seu desejo de relativa igualdade e 2º) sua busca incessante de um mínimo de segurança. Os mercados criam um ambiente de intensa competição entre os homens, cujo resultado final depende, obviamente, do ponto de partida de cada um (do lar em que nasceu, das oportunidades de manter sua higidez física e de apropriar-se do conhecimento etc.). A experiência histórica mostra que, deixada a si mesma, ela tende a produzir uma desigualdade econômica moralmente inaceitável. Nos regimes politicamente abertos, a cidadania tenta corrigi-la pelas urnas. É preciso ter presente, portanto, que a busca da estrita eficiência produtiva que não leva em conta as desigualdades dela resultantes não sobrevive ao sufrágio universal livre.
Outro fato historicamente verificável é que, mesmo quando a ação do Estado corrige parte das desigualdades, a organização econômica pelos mercados deixada a si mesma produz uma variação das atividades (do nível de emprego) que gera uma insegurança custosa em termos do bem-estar dos cidadãos. Nos últimos 250 anos, o crescimento do PIB per capita se fez em torno de uma tendência exponencial com 46 ciclos irregulares de flutuação, o último dos quais estamos vivendo.
É por isso que, muito mais do que tentar "refundar o capitalismo" em resposta à crise, é melhor continuar a aperfeiçoá-lo para que a próxima crise tenha menos virulência que a atual...    (ANTONIO DELFIM NETTO - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 
 

05.11 - Itaú e Unibanco serão menos rentáveis juntos que separados 
A fusão de Itaú e Unibanco criará um banco menos rentável que se as instituições permanecessem separadas. Com o aumento do patrimônio líquido pela união dos negócios, os bancos terão de fazer um esforço maior para rentabilizar o volume de recursos. A análise é do economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini.
Itaú e Unibanco reúnem um patrimônio líquido de R$ 44,5 bilhões -cerca de R$ 10 bilhões a mais que o Bradesco-, segundo levantamento da Austin com base em dados divulgados no terceiro trimestre pelos bancos. As duas instituições formam um gigante com R$ 575,1 bilhões em ativos -ante R$ 422,7 bilhões do Bradesco e R$ 301,7 bilhões do Santander.
Calculada pela Austin em 24,2% em setembro deste ano, a rentabilidade sobre o patrimônio líquido da instituição formada pela união de Itaú e Unibanco vai cair, diz Agostini. "O Itaú tinha R$ 31,6 bilhões de patrimônio líquido sozinho, e o Unibanco, R$ 12,9 bilhões. Rentabilizar R$ 31 bilhões exige um esforço bem menor que rentabilizar R$ 44,5 bilhões."
Segundo Agostini, a fusão dos bancos trará um ganho de competitividade para as instituições e, provavelmente, um lucro maior.
Para explicar o que deve acontecer com o lucro e a rentabilidade do novo banco, Agostini cita um exemplo de duas empresas: uma que eleva seus lucros em 100%, de R$ 1 para R$ 2, e de outra que aumenta em 50%, de R$ 10 para R$ 15. "A rentabilidade de quem ganhou 100% é maior, mas quem aumentou o lucro em R$ 5 ganhou mais", diz.
Agostini afirma que o negócio deve impulsionar a consolidação e a concentração no setor financeiro. "Os bancos que tinham aquisições na gaveta vão correr para fechar os negócios".
Segundo ele, os grandes bancos privados, como o Bradesco e o Santander, vão partir para as compras de bancos menores. E essa disputa fica mais acirrada com a entrada dos bancos estatais, permitida pela MP 443, editada no mês passado.
O primeiro grande negócio que deve ser concluído é a compra da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil, diz Agostini. "O Banco do Brasil vai acelerar esse processo. Mas com a fusão anunciada hoje [ontem], esse mercado se aqueceu e a Nossa Caixa já vale mais."   (Guilherme Barros - Folha de S.Paulo)

05.11 - Concentrado, mas diversificado 
Sistema bancário vai ter concentração "européia", mas tem instituições estatais, privadas e estrangeiras fortes 
O Brasil vai ficar com cinco ou seis grandes bancos no final do processo de concentração, disse ontem Roberto Setubal, que presidirá o novo bancão brasileiro e mundial. Mas o mercado já é dominado por seis bancos. São dois federais (BB e Caixa), dois privados nacionais (Itaú-Unibanco e Bradesco) e dois estrangeiros (Santander-Real e HSBC). Isso não quer dizer que os bancos menores não tenham relevância no mercado -têm bom relacionamento com empresas pequenas, por exemplo; atuam no varejo do crédito ao consumidor etc.
Aos trancos e barrancos, porém, o sistema bancário brasileiro acabou ficando com um formato interessante para a tranqüilidade financeira do país. Nestes dias de crise, até o setor privado começou a dizer que a atuação de BB e de Caixa pode ser estabilizadora. Há dois fortes bancos privados nacionais, Bradesco e Itaú-Unibanco, e dois concorrentes estrangeiros de peso, para não deixar ninguém acomodado. A diversidade é relevante. Imaginem se o sistema bancário fosse todo dominado por bancos americanos e ingleses meio quebrados ou ao menos alquebrados. Não seria bom.
E o Bradesco, agora? Para ficar com um tamanho parecido com o do novo Itaú-Unibanco (IU), no que diz respeito a ativos, o Bradesco teria de adquirir bancos médios, que são poucos. Ou abocanhar quase uma dezena de bancos menores, o que é inviável prática e estrategicamente.
Mas o Bradesco precisa acompanhar o IU no páreo? Qual o ganho de aparecer no "photochart"? A gente ouve pessoas entendidas em bancos e quase todos dizem: "O movimento do Itaú e do Unibanco vai detonar uma nova onda de concentração bancária". Quando se pergunta se haveria interesse econômico para o Bradesco comprar algum dos bancos ditos médios, os entrevistados já fazem expressão de dúvida. Dizem algo como "sim, é preciso avaliar caso a caso e fazer estudos profundos sobre a complementaridade dos bancos etc.".
Quanto ao volume de depósitos à vista, pelos dados ainda de junho, Banco do Brasil (32%) e Bradesco (20%) tinham, como se vê, mais de metade do mercado. O novo IU terá pouco mais de 13% dos depósitos à vista. Mas os dez maiores bancos no país têm, juntos, 93,5% dos depósitos à vista -o último desta fila é o Citi, com 1,5% do total. A Nossa Caixa tem 2,7%. Nessa área, só há como crescer com compras em massa.
Na área de "private banking" (banco para muito ricos), o IU é líder. O Bradesco vai continuar a liderar em previdência. No total de operações de crédito, a liderança ainda fica com o BB, mas o IU deve passar o Bradesco. Para onde o Bradesco vai crescer? Para a área de grandes fortunas? Para todas as áreas do campo? Para fora do país?
É preciso lembrar ainda que o crédito bancário é uma fatia pequena do PIB brasileiro. Os bancos podem crescer "organicamente", como se diz, mas isso leva tempo.
De qualquer modo (e a depender dos efeitos da concentração sobre os clientes), a fusão (ou aquisição) do dia é uma notícia muito mais positiva do que negativa. É melhor um bancão forte com disposição de se tornar internacional do que um monte de rumores sobre a saúde financeira de sicrano ou beltrano.   (VINICIUS TORRES FREIRE - Folha de S.Paulo)

05.11 - Mercado já prevê inflação mais alta
Depois de o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central ter optado pela interrupção do processo de aumento dos juros básicos da economia na última semana, com a manutenção da taxa Selic em 13,75% ao ano, o mercado financeiro deixou de prever novas elevações em 2008, informou o próprio BC na segunda-feira (3) por meio do relatório de mercado, que é fruto de pesquisa com instituições financeiras. 
Na semana retrasada, o mercado financeiro ainda previa duas elevações de juros neste ano: uma em outubro (que não aconteceu) e a outra em dezembro, com a Selic fechando este ano em 14,25% ao ano. Na última semana, quando se reuniu o Copom, a maior parte do mercado, porém, já havia "virado" com relação à estimativa para os juros no Copom de outubro - pois já previa manunteção da taxa Selic, como aconteceu. 
O relatório de mercado divulgado pelo BC nesta segunda-feira (3) mostra que os economistas ouvidos ainda apostam, entretanto, em subida dos juros no próximo ano. Em janeiro, segundo os dados coletados pelo BC, o mercado acredita em uma elevação pequena da taxa Selic: para 13,88% ao ano. Em março, projetam um novo aumento, agora para 14,25% ao ano. Pelo cenário traçado pelos economistas, os juros só voltariam a cair em abril de 2009, quando recuariam para 14% ao ano. Em julho, cairiam para 13,75% ao ano e, em dezembro do ano que vem, para 13,38% ao ano. 
Inflação 
O objetivo primordial do Banco Central, ao definir os juros básicos da economia brasileira, é o controle da inflação. Pelo sistema de metas de inflação, que vigora no Brasil, a instituição é responsável por calibrar a taxa de juros para que as metas pré-determinadas sejam atingidas. Para este ano e para 2009, a meta central, tendo o IPCA como referência, é de 4,50%. 
No sistema, todavia, há um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo em relação à meta central. Deste modo, a inflação pode oscilar entre 2,50% e 6,50% sem que a meta seja formalmente descumprida em 2008 e em 2009. 
O BC já informou anteriormente que busca trazer a inflação para a meta central já em 2009. Na última semana, a previsão do mercado para o IPCA de 2008 avançou de 6,29% para 6,31%. Para o ano que vem, subiu de 5% para 5,06%. O BC já está ajustando os juros, neste momento, com olho no cenário para o próximo anoe há vários fatores que podem impactar a inflação (crescimento econômico menor e crédito menos aquecido favorecem a queda, enquanto a subida do dólar contribui para um aumento). 
Crescimento 
No caso do crescimento da economia brasileira, a previsão do mercado financeiro para este ano permaneceu estável em 5,23%. Para 2009, porém, a estimativa do mercado recuou de novo. Esta foi a terceira semana consecutiva de redução na estimativa - o que é resultado da crise financeira internacional. A projeção de crescimento para o próximo ano caiu de 3,10% para 3%. Durante a maior parte deste ano, ficou em 3,50%. 
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, tem dito que a economia crescerá de 4% a 4,5% no próximo ano. Oficialmente, a previsão do governo, contida na proposta de orçamento para 2009, é de que o PIB avance 4,5% no ano que vem. Já foi revisada uma vez, pois, antes, estava em 5%. Entretanto, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, já admitiu que o crescimento de 2009 deve ficar abaixo de 4%. 
Dólar 
A projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio é de que ela termine este ano em R$ 2, ou seja, acima da projeção da semana anterior (R$ 1,95 por dólar). Essa é a quinta semana consecutiva de aumento desta previsão e acontece em meio à disparada do dólar por conta da crise financeira internacional - que é reflexo da retirada de recursos do país por investidores estrangeiros. Para o fim de 2009, a estimativa dos analistas para a taxa de câmbio também subiu, passando de R$ 1,90 para R$ 2 por dólar. 
Balança comercial e investimentos diretos
A projeção do mercado financeiro para o saldo da balança comercial (exportações menos importações) de 2008 ficou estável em US$ 24 bilhões na última semana. No início deste ano, os analistas ouvidos pelo Banco Central projetavam superávit de US$ 31,9 bilhões para a balança comercial em 2008. Para o ano de 2009, a estimativa do mercado para o saldo comercial subiu de US$ 12,5 bilhões para US$ 13 bilhões na semana passada. 
No caso dos investimentos estrangeiros diretos, a expectativa do mercado financeiro para o ingresso de 2008 foi mantida em US$ 35 bilhões na última semana. Para 2009, a projeção ficou estável em US$ 30 bilhões. (G1)
 
 
 
 
 

04.11 - Mercado discute regulação das operações
O desconhecimento dos riscos alegados por empresas de diferentes portes que tiveram prejuízo em operações com derivativos de câmbio reacende a discussão sobre a auto-regulação e o aperfeiçoamento de regras para financiamentos oferecidos pelos bancos.
Entidades do mercado discutem como criar incentivos para que os produtos financeiros disponíveis sejam oferecidos de acordo com as necessidades de cada cliente. No caso da proteção cambial, uma das propostas é que seja oferecida à empresa que realmente está exposta a esse risco, como exportadores e importadores.
Desde o ano passado, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) discute internamente e com o mercado como criar regras para a adequação de produtos oferecidos aos investidores. A idéia proposta em consulta pública é que, por exemplo, os gerentes de bancos só ofereçam fundos de investimento a clientes que tenham condições de compreender o risco envolvido.
Pela proposta, por exemplo, o gerente teria de ter a sensibilidade para não estimular que um cliente idoso entre em um fundo que só se torna interessante no longo prazo, dadas as regras tributárias.
"Se sentirmos a necessidade de criar regras de adequação para produtos com derivativos, vamos abrir uma nova consulta pública", diz Waldir Nobre, superintendente de relações com o mercado da CVM.
A Folha pediu para alguns advogados analisarem o contrato feito entre a Damarfe e o Banco Itaú na operação que envolve risco cambial para avaliar se o contrato é claro e adequado ao tamanho da empresa.
"O contrato é extremamente confuso e não esclarece que há lastro em dólar, menciona apenas que é "um contrato cujos títulos derivam de outros contratos ou títulos", o que permite vincular o contrato a empresas desconhecidas. O Código de Defesa do Consumidor proíbe práticas como essa", afirma o advogado Paulo Bonadies.
Na sua avaliação, "o contrato demonstra desequilíbrio entre as partes, principalmente porque é de crucial entendimento que um pequeno empresário, que não é aplicador e não exporta nem importa, não tem pleno conhecimento do risco desse mercado", afirma.
Luciane Brandão, da Saddi Advogados, também vê desequilíbrio entre os ganhos que ambas as partes teriam como argumento em defesa dos empresários. Diz que, enquanto o empresário tem seu ganho limitado a um prêmio, o banco pode ter ganho infinito dependendo da variação cambial. "Esses clientes desconheciam a extensão do problema. O risco máximo de pagamento a que os bancos contratantes estão expostos é prefixado e limitado, já o da empresa é ilimitado."
Para José Eduardo Carneiro Queiroz, sócio do escritório Mattos Filho, que atende a bancos, dificilmente a Justiça vai acolher o questionamento de empresas que assinaram contrato e agora alegam desconhecer o risco. "Se tivessem ganho, iam questionar também? Dizer que, no Brasil, o câmbio não varia não é razoável."  (Folha de S.Paulo)

04.11 - A outra crise
De um modo amplo, pode-se dizer que é grande o esforço realizado para evitar o colapso do sistema financeiro. A ameaça maior agora é a de desaceleração econômica profunda e persistente. O temor dominante é de que se venha a mergulhar na indefinição das relações internacionais, com prejuízos generalizados.
No curso das medidas de amparo à finança mundial novos entendimentos têm tido lugar, novas concepções de política aplicada advieram, desprendendo-se dos tratos consuetudinários e alterações impositivas de relacionamento entre setor público e setor privado estão ocorrendo a cada passo, com efeitos em cadeia. Previsões e estimativas sucumbem quase instantaneamente.
Os impactos sobre a economia real vão se desdobrando, aumentando os temores à luz de comprometimentos que se espraiem sobre o resto do ano, mais pronunciadamente sobre o exercício de 2009. Insistem os julgamentos especializados que no segundo semestre do ano vindouro os índices gerais poderão indicar forte rebaixamento do PIB mundial, bastante para condicionar largo período de ações restritivas no cenário internacional. 
Decorre disso, a mobilização que se expressa na reunião programada para 15 de novembro próximo e que reunirá os maiores países desenvolvidos, acompanhados por alguns emergentes de expressão econômica. Encontro que focalizará a situação global e a busca de reformas. A iniciativa européia, apoiada pelos EUA, já angariou a designação de reunião G-8+5, na qual o Brasil estará representado, convidado que foi pelo Executivo norte americano.
A esperança é alimentada de que da reunião resultem linhas gerais para o advento de um novo setor financeiro, em que, por exemplo, os fundos de hedge não mais agiriam com a desenvoltura especulativa que os estigmatizou; os paraísos fiscais não mais atuariam, como atualmente, no desvio de recursos e as instituições financeiras não reguladas passariam a ser passíveis de sanções penais.
Todo esse panorama traz a baila o caso brasileiro, que sofre os primeiros sinais de abordagem pela crise e já bastantes para reformar e minorar as declarações oficiais, agora despidas das jactâncias de dias atrás. Mais humilde, o governo procura atuar corretivamente, mas, malgrado, escolheu o processo menos indicado para tanto, que é o da contingência fracionária, ou seja, vai a reboque dos casos específicos, atuando aqui, ali, acolá, ao sabor de maior ou menor pressão dos eventos que se configuram. Uma espécie de varejo para atuar no que de fato é um grande e ameaçador atacado.
O perigo de uma tal inorganicidade tem duplo aspecto - fraco rendimento das medidas tomadas e gestação de uma nova perturbação ao final da crise atual. Fenômeno decorrente de ataques assistemáticos, desequilíbrios assim provocados e distúrbios implícitos nas políticas monetária, fiscal e de investimento. 
Exatamente para prevenir essa distonia e evitar efeitos negativos internos no atacar os males da crise externa é que sugerimos aqui a constituição de um comitê da crise, densificando, conjuminando e racionalizando as medidas defensivas que viessem a ser tomadas.
Três aspectos, aparentemente de caráter adjetivo, levaram ao que está exercitando o plano oficial. O primeiro é a prática presidencial, de uso intensivo das metáforas (como por exemplo marolinha para designar um verdadeiro tufão )bem como a de colocar-se na condição de coordenador sub operacional nas ações de âmbito executivo. O segundo é o domínio férreo do Copom que, pela sanha de juros cada vez mais elevados, reduziu o BC a uma espécie de expositor de última instância e para o qual tudo o mais era detalhe. O terceiro aspecto é a inexistência factual de um autêntico Conselho Monetário, com visão larga da economia nacional e mundial.
Pior para o País, pois todos os sinais indicam que a desaceleração da economia poderá ser perversa em suas conseqüências. Pior ainda porque, no entorno de nossa situação econômica ,acontecem fatos quase hediondos, economicamente falando, como o da Aracruz Celulose, um gigante florestal e industrial pendurado em transação bancária especulativa que ameaça seu patrimônio financeiro e físico (hoje um ativo relevante da nacionalidade) de perder-se nas mãos pusilânimes de um grupelho composto por alguns bancos usurários e pela direção da empresa.
A Aracruz Celulose tem um passado genuinamente verde - amarelo. Nasceu de um fundo fiscal criado para impulsionar o reflorestamento no País, a base do que criou-se a Aracruz Florestal, cujo admirável trabalho de campo na formação de densas florestas-insumo, foi incorporada pela Aracruz Celulose. É algo que transcende ao simples enunciado de empresa corporativa.
O assunto Aracruz está em exame. Deve ser considerado por CVM, Banco Central e Procuradoria da União, com assistência de acionistas e do BNDES, que além de acionista minoritário, foi financiador da empresa.
Espera-se que o assunto chegue a alçada do Presidente da República e que Sua Excelência, como chefe de governo, compreenda que não é só dizer que se precisa estabilizar o câmbio, ativar o crédito, manter o PAC e evitar agravamento da taxa básica de juro. É preciso administrar a crise e os assuntos exponenciais que advenham. Sem provocar, na esteira de seu final, uma outra crise, a da dispersão e tumulto internos.   (Jayme Magrassi de Sá - Jornal do Commercio do Brasil)
 
 
 
 
 

03.11 - A Fase 1 da crise está demorando demais
O forte impacto da crise financeira internacional sobre a economia brasileira ainda não produziu todas as graves conseqüências de que é capaz, mas já provocou a escassez de duas matérias-primas essenciais ao combate das dificuldades: crédito para financiar a produção, mantendo o nível de atividade minimamente aquecido, e disposição para gastar o invejável patrimônio de credibilidade do governo no esclarecimento da forma de agir do inimigo. A sociedade anseia por um choque de informação detalhada sobre seus sintomas - única forma de neutralizar o temor de que o Brasil poderá ser os EUA amanhã.
Deve-se esclarecer que ainda estamos na "Fase 1" do problema, durante a qual os agentes econômicos reagem de forma racional do ponto de vista individual, mas francamente irracional se analisarmos a situação levando em conta o aspecto coletivo. É esse tipo de comportamento que tem levado à desoladora seca das carteiras de crédito nos pequenos bancos, simultaneamente ao seu empoçamento em grandes instituições, que por sua vez se defendem criando um "muro de liquidez". Com medo de voltar a emprestar, os bancos têm apenas uma preocupação: cuidar da própria saúde financeira num momento marcado por desconfiança generalizada.
Ironicamente, os recursos do "muro de liquidez" não vêm apenas das facilidades proporcionadas pelo Banco Central (BC) no manejo dos depósitos compulsórios. Vêm da transfusão monetária que alguns tesoureiros estariam fazendo das pequenas para as grandes instituições, sobressaltados pela idéia de que, se nos EUA um banco do porte do Lehman Brothers quebra, por que no Brasil, com todo um prontuário de submissão às crises financeiras de grande poder combustível, ele escaparia?
O fato é que, desta vez, embora seja difícil de acreditar, seguramente o Brasil não é o portador do vírus. No mundo do subprime, ao contrário das outras vezes, a crise não surge da debilidade fiscal com que alguns gestores de países emergentes tratavam o setor público, até contagiar as relações financeiras do mundo desenvolvido. Em 2008, a bolha alimentada pelo setor privado dos países ricos proliferou sob as mais diferentes formas de mutação até chegar aos países periféricos, como está acontecendo hoje com o Brasil.
O ponto, então, é como organizar uma saída rápida da "Fase 1", porque ainda temos toda a "Fase 2" (quando o pior, de fato, acontece) pela frente: novo patamar da taxa de câmbio, volta da inflação e necessidade do remédio amargo da elevação dos juros. Quanto menos tempo ficarmos na primeira fase - marcada pela ansiedade dos diagnósticos e pelos palpites de curiosos -, menos riscos carregaremos para a segunda. Pelo visto, estamos, de fato, mais bem preparados, mas para aquelas clássicas crises resultantes do populismo fiscal dos emergentes e não para o esgotamento de um ciclo capitalista como este a que assistimos.
A acertada fórmula Gordon Brown - que prevê a injeção maciça de capital público nas instituições financeiras, garantia de depósitos e exigência de emprestar no mercado interbancário - começa a ser adotada por aqui por meio dos bancos oficiais federais. Com a nova medida provisória, esses entes podem comprar carteiras de empréstimos e até bancos, pagando com dinheiro vivo. Contudo, só isso pode ser pouco. Além do mais, há a demora na conclusão da auditoria dos novos passivos que têm de controlar, tempo em que muito patrimônio saudável poderá estar sendo contaminado. Sem evitar que, mais adiante, a receita das exportações encolha, o investidor continue regrando o capital estrangeiro, a arrecadação tributária desabe e o emprego volte a cair.
O mundo pós-subprime será um lugar sem empréstimos fáceis, com mais regulamentação e menos crescimento. É possível que, no Brasil, fiquemos inclusive sem o PAC. Se o governo, responsável por 40% do PIB, não cortar gastos correntes significativos (pessoal, previdência, assistência social, etc.), recairá num erro recorrente do passado, que é só cortar os investimentos. Além disso, o BC sobe os juros e os investimentos privados caem.
A única maneira de eliminar de uma vez o risco de insolvência no setor público é antecipar o ingresso do País na "Fase 3": o governo vai à TV e finalmente enfrenta a realidade, convoca a população a viver com o que tem e estimula a geração de poupança própria. Está passando da hora de substituirmos discurso por trabalho duro. (Raul Velloso - O Estado de S.Paulo)

03.11 - Recessão e deflação global
Recessão global combinada com deflação fará estragos profundos no setor real da economia, como nos anos 30
Superado o pânico do mercado financeiro internacional no início de outubro, o medo passa a ser a recessão global, que já dá seus sinais. O problema da inflação já foi retirado da agenda dos bancos centrais, pois ela deverá sofrer queda rápida nos EUA e na Europa e é provável uma deflação no próximo um ano e meio. Uma recessão global combinada com deflação provocará estragos profundos no setor real da economia, como ocorreu na década de 30. O Fed reduziu mais uma vez a taxa de juros e se os demais BCs, de forma coordenada, não reduzirem mais aceleradamente a taxa de juros para evitar uma deflação global, a recessão, além de profunda, poderá ser mais prolongada.
As projeções de crescimento global para este último trimestre do ano e para o primeiro de 2009 já foram revistas por todos e se tornaram negativas. O JPMorgan estima para este trimestre queda do PIB à taxa anualizada de 4% nos EUA, de 3% na Inglaterra e de 2% na área do euro e crescimento da economia global de 0,4% em 2009. Esses números poderão ser revistos para baixo, pois a economia da China poderá desacelerar mais fortemente em 2009, para um crescimento de 6% a 7%.
Nos países emergentes, num primeiro momento, a depreciação da taxa de câmbio vai elevar os preços dos bens comercializáveis, ainda que em menor grau do que nas experiências recentes, e no Brasil a indexação fará persistir a inflação de preços administrados. Mas tudo isso ocorrerá num quadro recessivo, tornando desnecessária a elevação da taxa de juros. Nos demais setores, vamos certamente assistir a uma deflação já no próximo ano.
A perspectiva que a crise financeira abriu para o Brasil é de pressão para a redução da taxa de juros. A taxa de câmbio já sofreu mudança de patamar devido à restrição externa de crédito e à inversão no movimento financeiro de capitais, que deverá persistir por longo período. Ainda, dificilmente cairá da faixa de R$ 2 ou R$ 2,10 e, certamente, não responderá à variação na taxa de juros, enquanto a crise financeira não for resolvida, o que levará de dois a quatro anos. Dessa forma, se a política de meta de inflação do BC tem que atuar hoje sobre a inflação futura, temos é que atuar com a perspectiva de deflação -e não de inflação.
O BC tem a oportunidade de uma redução da taxa de juros mantendo a sua credibilidade e aumentando a confiança, que é o que falta hoje. Uma redução nos custos de captação dos bancos, no momento em que há preocupação com seu prejuízo, é o melhor que se pode fazer para evitar uma crise de confiança. Além disso, o problema mais grave e prioritário no Brasil é a contração no crédito que, se não for restabelecido, poderá provocar uma recessão na economia brasileira. As medidas tomadas pelo BC, de redução no depósito compulsório dos bancos, não estão surtindo os efeitos desejados.
Se o BC paga no over ou em títulos públicos 13,75% sem risco, por que emprestar correndo risco desconhecido, dada a situação de incerteza que vivemos? Num quadro de crise financeira, com travamento do sistema de crédito e perspectiva de deflação, nada melhor do que a redução adicional dos compulsórios e a redução da taxa de juros.   (YOSHIAKI NAKANO - Folha de S.Paulo)

03.11 - Nova Bretton Woods
A agência que substituir o FMI deverá alertar os países que ultrapassarem o limite de déficit em conta corrente 
Nos próximos dias os líderes políticos e econômicos dos grandes países reunir-se-ão para discutir uma nova Bretton Woods, ou seja, uma nova arquitetura e um sistema de regulação mais rigoroso para o sistema financeiro mundial. Aproveitarão também para repassar as medidas que já tomaram para garantir a solvência e para aumentar a liquidez dos bancos. 
Nesse ponto, o essencial já foi decidido e está sendo implementado: a recapitalização dos bancos. O crédito, porém, está demorando a ser restabelecido, dada a natural desconfiança dos bancos em relação às demais empresas. Nos Estados Unidos, o Fed vem se encarregando de agir nessa direção; no Brasil, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) já revelou essa disposição, embora aqui o problema dos grandes bancos não seja grave. 
Entrementes as previsões quanto às conseqüências reais da crise estão se agravando. O JPMorgan prevê para 2009 queda de 0,5% no PIB dos países ricos e crescimento de 4,2% no dos emergentes. Para o Brasil, as previsões estão tendendo para 2%. Nouriel Roubini fala em estag-deflação. Embora não tenha dúvida quanto à recessão dos países ricos e à diminuição das taxas de crescimento dos emergentes, creio haver excesso de pessimismo. No momento em que as medidas que estão sendo tomadas fizerem efeito -e farão- deixará de haver motivo para a retração violenta da atividade econômica que está sendo prevista. 
Como aconteceu em 1929, a crise financeira terá conseqüências reais, mas não serão tão graves porque, ao contrário do que ocorreu naquela época, os governos agora agiram com rapidez e competência para enfrentá-la. Deverão, adicionalmente, tomar medidas fortes para neutralizar a natural contração real da demanda. Medidas dessa natureza começaram a ser tomadas ainda pelo governo Hoover depois de 1929, mas eram tímidas; as políticas mais fortes vieram com Roosevelt, mas em 1933 o desastre já estava feito. 
O que constituirá uma nova Bretton Woods em vez de meros remendos à desgovernança montada desde 1971? Nessa questão, é preciso diferenciar o crédito interno a empresas do crédito externo a países para cobrir déficits em conta corrente. No crédito interno, o essencial é uma regulação muito maior sobre os bancos de varejo, ao mesmo tempo em que se tomem medidas duras para reduzir a desintermediação financeira -ou seja, a concessão de crédito por agências que não são bancos comerciais. É necessário também limitar os bônus dos agentes financeiros, porque são uma causa maior de especulação irresponsável. 
No plano internacional, o fundamental é limitar o crédito dado aparentemente a empresas, mas que, na verdade, financia déficits em conta corrente. Em Bretton Woods não havia essa preocupação, e o Banco Mundial foi criado para viabilizar déficits em conta corrente ou "crescimento com poupança externa". 
Recentemente, ficou afinal claro que os países não crescem com poupança externa, mas com um bom sistema de crédito interno e com suas próprias poupanças. Os déficits em conta corrente são apenas causa de substituição da poupança interna pela externa, e por crises do balanço de pagamentos. A agência internacional que substituir o FMI (Fundo Monetário Internacional) deverá ter como uma de suas atribuições principais alertar publicamente os países que ultrapassarem o limite, a ser convencionado internacionalmente, de déficit em conta corrente.    (LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA - Folha de S.Paulo)

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