Financeiro - Notícias Recentes
30.04 - Bravatas de Lula e o leilão de Belo Monte 
Para ter êxito no leilão de Belo Monte, o governo usou os mesmos instrumentos que condenava quando estava na oposição a FHC 
O resultado final do leilão da concessão da hidrelétrica de Belo Monte permite avaliação profunda dos chamados anos Lula. 
Nesse ato do Executivo estão presentes questões políticas, administrativas e, principalmente, de comportamento ético e moral que precisam ser devidamente entendidas. A mídia centrou sua cobertura nos detalhes técnicos mais pontuais, como a questão ambiental, a questão financeira e a questão de viabilidade técnica da concessão. 
Na esteira do debate que vai se seguir, certamente estarão presentes reflexões de natureza mais abrangente. Essa é a dinâmica natural em uma democracia aberta, como a brasileira. É com esse objetivo que escrevo hoje sobre o leilão de Belo Monte. Por ter participado como ator do processo de privatizações no governo FHC, creio ter uma contribuição muito particular na avaliação da ação do governo no caso de Belo Monte. 
Durante mais de dez anos estive envolvido em uma série de procedimentos -no nível administrativo do Tribunal de Contas da União e no legal em vários níveis da Justiça brasileira- em relação às regras que a Constituição brasileira estabelece no caso da alienação de bens públicos, e meus comentários a seguir nascem exatamente desse caráter especial de minha relação com as privatizações. 
O que mais chama a atenção neste caso é que, na busca de realizar com êxito o leilão de Belo Monte, o governo usou os mesmos instrumentos operacionais que condenava quando estava na oposição ao governo FHC. 
Interferiu diretamente na formação dos consórcios, manipulando o comportamento dos fundos de pensão públicos, pressionando empresas privadas como a Vale para participar da licitação e até colocou o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) como agente ativo do processo. 
Foi ainda mais longe em sua ação para viabilizar o leilão: deu isenção de 75% do Imposto de Renda para o empreendimento e mandou o BNDES financiar 80% do valor do investimento. O leitor da Folha precisa saber que, nas normas operacionais do BNDES, o valor do financiamento de qualquer projeto pode chegar no máximo a 60% do total. 
Quando Lula e o PT usavam -como confessou mais tarde nosso presidente- bravatas para pressionar o governo tucano, todas essas ações eram apontadas como um crime contra a Constituição. 
Alguns juristas engajados na luta política da oposição de então nos acusaram -publicamente- de estarmos quebrando o princípio da impessoalidade ao agir de tal forma. Segundo eles, o governo tinha que ser isento, deixando que os interessados no processo agissem de forma totalmente livre. Aliás, foi a partir desse entendimento legal que vários procuradores federais iniciaram processos judiciais contra nós. 
E agora, como caracterizar esse arsenal de ações do governo para viabilizar a concessão de Belo Monte? Onde estão os juristas que foram a público acusar de maneira incisiva os ilícitos cometidos pelos membros do governo FHC responsáveis pelas privatizações? Terão eles a mesma leitura de Antonio Gramsci, de que, no caso de um governo popular, todas as ações na busca do poder político em nome do povo são justificáveis? 
Vou ainda mais longe nos meus questionamentos: será que, após executarem as mesmas ações que condenavam no caso de FHC, vão os petistas trazer novamente as denúncias contra as privatizações tucanas nas eleições que se aproximam? Vão ainda falar na privataria tucana? 
Os responsáveis pela realização do leilão de Belo Monte não correm, todavia, os riscos de serem processados na Justiça como fomos nós em 1998. 
Recentemente, o Tribunal Regional Federal de Brasília confirmou -por unanimidade de seus membros - a decisão da Justiça Federal de primeira instância que considerou absolutamente legais os procedimentos adotados pelo BNDES na privatização da Telebrás em 1998. 
Temos agora uma jurisprudência formada sobre como deve proceder o administrador público em casos como o leilão de Belo Monte. 
A tese de quebra do princípio da impessoalidade, levantada pelos juristas petistas em 1998, não passou de uma justificativa muito pobre e oportunista para permitir a luta política contra o governo Fernando Henrique Cardoso. Que a opinião pública seja mais uma vez lembrada disso.    (LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS - Folha de S.Paulo)

30.04 - Por que o BC subiu a taxa de juros?
Quarta-feira o Banco Central subiu a taxa básica de juros, iniciando um processo de aperto monetário que tende a continuar nos próximos meses. As decisões do BC, especialmente de alta de juros, normalmente vêm acompanhadas de uma onda de críticas de diversos setores da sociedade, principalmente organizações empresariais e centrais sindicais. Mas, de fato, qual a racionalidade desse movimento? As críticas são justificáveis?
A teoria econômica, amplamente respaldada pela pesquisa empírica, diz que a função primordial da política monetária é -por meio de movimentos da taxa de juros- estimular ou desestimular a demanda agregada da economia, para que esta cresça em compasso com a sua capacidade de ofertar bens e serviços sem pressões de custo. Se a demanda estiver muito aquecida, ou seja, as empresas, indivíduos e governo desejarem "comprar" mais produtos do que a economia consegue produzir em situação "normal", isso resultará em aumento sistemático de preços, que acabará por reduzir "na marra" a própria demanda.
Dessa forma, o superaquecimento da economia até gera algum crescimento maior no curto prazo, mas, com o passar do tempo, sobra apenas inflação mais alta. Muito se critica o BC, dizendo que, na obsessão de manter a inflação baixa, abrimos mão de crescimento econômico valioso.
Mas, como dissemos, essa escolha só se apresenta no curto prazo: ao longo do tempo, a demanda será freada "por bem", por meio da pilotagem gradual e cuidadosa da política monetária; ou "por mal", pela alta generalizada dos preços.
Quando a crise internacional foi deflagrada, no final de 2008, os brasileiros (assim como o resto do mundo) cortaram suas despesas com medo dos efeitos que a possível quebra do sistema financeiro mundial poderia ter em suas vidas. Com a demanda agregada deprimida, o Banco Central viu a necessidade de reestimulá-la cortando agressivamente os juros, que na oportunidade foram cortados de 13,75% para 8,75% ao ano.
Com a percepção de que o pior da crise havia passado, e como resposta ao próprio estímulo dos juros (e de outras medidas como corte de IPI para alguns setores), a demanda agregada brasileira voltou a se animar. Hoje, estimamos que já recuperou o espaço perdido na crise e vem crescendo aceleradamente na margem, a taxas próximas a 8% ao ano. E os sinais na inflação começam a aparecer, dado que o IPCA se acelerou de 4,2% para 5,2% nos últimos meses.
É hora de reverter os estímulos dados para que o crescimento se acomode em patamar mais sustentável, evitando que a festa de consumo, investimento e gastos do governo de hoje não se transforme em ressaca inflacionária mais à frente.  (CAIO MEGALE - Folha de S.Paulo)

30.04 - Na zona do agrião 
Se quisermos realmente mudar a arquitetura financeira internacional, teremos de lutar muito mais 
Desde que me mudei para Washington, tenho usado esta coluna para me manter em contato com o Brasil e o leitor brasileiro. É um diálogo muito particular, e a rigor estritamente reservado. No entanto, volta e meia aterrissa um estrangeiro por aqui (tenho leitores muito atentos na Europa, por motivos que já expliquei em colunas anteriores). Tudo bem, todo leitor é bem-vindo, mas com uma condição -que não venha dar palpite e interferir no meu diálogo com o brasileiro.
Veja bem, leitor, falei especificamente do brasileiro. Além do estrangeiro, há outro elemento considerável que aparece, de vez em quando, misturado entre as forças nacionais. Refiro-me à célebre quinta-coluna. Continua volumoso o batalhão dos discípulos de Calabar. É o brasileiro sem sotaque físico, mas com tremendo sotaque espiritual.
Um dia alguém terá de escrever todo um tratado, em vários volumes, sobre as atividades dos quinta-colunistas no Brasil. A referida coluna, diga-se de passagem, também tem seus representantes -e muito ativos- no exterior, inclusive aqui em Washington.
Mas deixo a quinta-coluna de lado. Na última quinta-feira, não pude escrever. Tivemos um período de excepcional sobrecarga aqui em Washington.
Só na semana passada, o Brasil presidiu três encontros em Washington: o do G24, o dos Brics e a reunião dos nove países do nosso grupo no FMI.
Além disso, o Brasil participou da reunião de ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais do G20, que (fato incomum) ocorreu à margem das reuniões de Primavera do FMI e envolveu negociação demorada de um comunicado.
O Brasil participou, também, da reunião do Comitê Monetário e Financeiro Internacional do FMI (mais conhecido pela sigla em inglês, IMFC), que envolveu outra negociação demorada de comunicado. Isso sem falar nas reuniões bilaterais com diversos países -China, África do Sul, Haiti e Grécia, por exemplo.
Os comunicados do G20 e do IMFC determinam, entre outros aspectos, a agenda do FMI para os próximos meses. Para quem está fora do processo, é difícil entender a importância desses documentos -de aparência burocrática e linguagem não raro obscura. Mas os envolvidos lutam de maneira aguerrida -alguns de maneira muito desleal- para que os comunicados reflitam as suas posições.
Saiu-se bem a delegação brasileira? Para dizer a verdade, não tão bem como em outras ocasiões. Temos quadros qualificados na Fazenda, no Banco Central e nos nossos escritórios no FMI e no Banco Mundial. Mas somos poucos, muito poucos.
A luta é desigual. Os países desenvolvidos têm quadros mais numerosos. Além da quinta-coluna tupiniquim, temos de enfrentar o adesismo de alguns países em desenvolvimento. Os nossos principais aliados também sofrem da falta de quadros.
Desde o final do ano passado, intensificou-se bastante a resistência à mudança no G20 e no FMI.
Se quisermos realmente mudar a arquitetura financeira internacional, teremos de lutar muito mais. E saber que os que continuarem lutando serão (na verdade, já estão sendo) caçados a pauladas, feito ratazanas prenhes.   (PAULO NOGUEIRA BATISTA JR - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

29.04 - FMI: não se pode acreditar muito em agências de rating 
O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, afirmou que não se pode crer demais nas agências de classificação de risco e disse esperar uma conclusão "muito rápida" das negociações entre o FMI e o governo da Grécia.
A autoridade fez os comentários pouco depois de a Standard & Poor''s reduzir o rating soberano da Espanha. Segundo ele, é difícil dizer se as agências de rating estão reagindo ao mercado ou se é o mercado que está reagindo às agências. "Você não deveria acreditar muito no que elas dizem, mesmo que seja útil", afirmou Strauss-Kahn.
Ele acrescentou que a economia mundial ainda está sofrendo ameaças diversas, entre elas os riscos provocados pelo grau elevado de desemprego e de dívidas públicas, mas disse também que esses fatores sozinhos "não são suficientes para destruir o início da recuperação". As informações são da Dow Jones.   (Gustavo Nicoletta - Agência Estado)

29.04 - Apoio à Grécia pode superar 100 bi de euros 
O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, teria dito ao Parlamento alemão que o pacote de ajuda à Grécia pode ficar entre 100 bilhões de euros e 120 bilhões de euros em três anos. A informação foi repassada por legisladores alemães após encontro com representantes do Fundo.
Segundo esses políticos, o atual plano de resgate, da ordem de 40 bilhões de euros, seria suficiente apenas para o primeiro ano de socorro. O ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble, foi nesta mesma linha, dizendo que o resgate aos gregos se estenderia em um período de três anos.
Strauss-Kahn se recusou a confirmar os dados, notando que os detalhes da negociação só serão conhecidos depois que o programa de ajuda estiver concluído por funcionários do FMI, Banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia.
O dirigente do Fundo e o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, concordam, porém, que é necessário tomar uma decisão rápida com relação à Grécia. No caso de não haver essa velocidade, a crise da dívida grega pode contaminar outras economias.   (Juliana Cardoso - Valor)

29.04 - Despreparo dos profissionais influencia ocorrências de fraudes nas empresas
O despreparo dos profissionais responsáveis pela análise de dados nas empresas é uma das principais causas que levam à ocorrência de fraudes. De acordo com Thais Antoniolli, gerente de Produtos da Equifax, empresa especializada em soluções para gestão de riscos, muitos profissionais confundem fraude com inadimplência. “Principalmente nas pequenas empresas costuma acontecer essa confusão, e isso interfere na análise dos dados”, explica.
Para Thais, a falta de preparo dos profissionais da área dificulta a “correlação entre os dados obtidos”. “Esses profissionais não conseguem fazer uma correlação entre dados, além da falta de atenção com alguns detalhes”, afirma.
De acordo com a executiva, atualmente no Brasil, os segmentos mais afetados pelas fraudes são aqueles que atuam com produtos “de fácil revenda”. Pesquisa realizada pela Equifax mostrou um aumento de 28% no total de fraudes aplicadas em empresa do Brasil. “As mais afetadas são aquelas que produzem itens de fácil revenda, como a indústria têxtil. O golpista compra a mercadoria, não paga, muda de região, revende os itens e utiliza o dinheiro arrecadado para aplicar um novo golpe. Com isso, além de afetar a empresa, ele ainda prejudica pequenos comerciantes que não conseguem concorrer com o preço praticado pelo fraudador, que vende a mercadoria com preços bem abaixo do mercado”, destaca Thais. Segundo ela, segmentos que trabalham com a venda de grandes volumes por atacado, como setor alimentício ou higiene, além do setor de eletroeletrônicos, também costumam ser alvo das fraudes.
Em relação à procura das empresas por soluções que auxiliem na análise dos dados e gestão dos riscos, a gerente afirma que tem sido observada uma movimentação entre as empresas de médio e grande porte. “Entretanto, mesmo entre as pequenas empresas dos setores mais afetados, não existe essa procura, porque as empresas ainda se guiam muito pelo feeling dos seus profissionais”, conclui.   (Christiane Aguiar - Executivos Financeiros)
 
 
 
 
 

28.04 - Enfrentar já o deficit externo 
A principal razão do aumento do deficit é o câmbio; o dólar hoje, a R$ 1,75, está 40% abaixo da média de 2003 
A economia brasileira atravessou a crise mundial sem grandes solavancos. Há crescimento de produção, inflação baixa, boa oferta de empregos e investimentos em alta.
Tudo isso é verdade, mas existe uma questão que preocupa: o rápido aumento do deficit externo. Não custa lembrar que esse problema levou o país à falência algumas vezes em décadas passadas, a última delas em 1998, na esteira da crise da Rússia.
Nos últimos dias, depois que foram divulgados os dados das contas externas no primeiro trimestre, algumas pessoas passaram a prever uma crise cambial brasileira em 2011 ou em 2012.
Esses profetas da desgraça pecam pelo excesso de catastrofismo. Os números da semana passada mostram que houve, de fato, aumento significativo no deficit em conta-corrente do balanço de pagamentos, para US$ 5 bilhões em março e para US$ 12,1 bilhões no primeiro trimestre. Estima-se que, neste ano, o deficit deva atingir US$ 50 bilhões. Será bastante alto, portanto.
É preciso, porém, considerar que não há razões para maiores preocupações com um possível constrangimento externo decorrente desse deficit, porque ele será facilmente coberto por investimentos diretos, previstos em US$ 45 bilhões, e investimentos em portfólio, da ordem de US$ 35 bilhões.
Mesmo que não ocorressem esses investimentos -uma hipótese absurda diante da tendência atual e do prestígio internacional do Brasil- o país poderia usar uma parte de suas reservas de US$ 250 bilhões para honrar tranquilamente seus compromissos com juros e amortizações de dívidas externas.
Por mais catastrofismo que se cultive, não há como admitir nenhum paralelo entre o que ocorreu nas crises cambiais de 1998 e de 1982 e o que ocorre hoje. Naquelas oportunidades, as reservas estavam muito baixas -quase a zero no caso de 1982- e a dívida externa era relativamente muito maior que a de hoje.
Em 1998, inclusive, a dívida externa era nominalmente superior à de hoje: US$ 241 bilhões em comparação com US$ 200 bilhões, atualmente.
Feitas todas essas ressalvas, vale observar que, embora as contas externas dispensem medidas emergenciais, não convém ignorar os problemas que provocam o agravamento do deficit. Até os brasileiros mais distraídos sabem que a principal razão do aumento do deficit é o câmbio. O dólar estava cotado, na semana passada, a R$ 1,75, cerca de 40% abaixo da taxa média de 2003.
Ao contrário do que poderia sugerir o senso comum, esse real cada vez mais forte atua para reduzir exportações, aumentar importações e gastos de divisas com viagens internacionais e, além disso, dá um forte estímulo à remessa de lucros das empresas multinacionais que operam no Brasil.
Para complicar, tudo indica que vem aí mais um ciclo de aperto monetário, com aumentos de juros internos que trarão como efeito colateral a atração de mais capital especulativo e o fortalecimento do real.
Se não dá ou não se quer mexer no câmbio, outras medidas incentivadoras das exportações são necessárias, para que o país não vá aos poucos voltando à posição de exportador preferencial de commodities.
Os profetas da crise cambial certamente exageram em seu catastrofismo. Mas não é recomendável ficar de braços cruzados enquanto cai o peso relativo das exportações de manufaturados, as importações avançam e o deficit externo se alarga.   (BENJAMIN STEINBRUCH - Folha de S.Paulo)

28.04 - Desafio é aumentar poupança interna e externa
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse ontem, em entrevista à Agência Estado, que um dos desafios da economia brasileira daqui para a frente, especialmente para o próximo governo, será aumentar a poupança interna e externa para que o País possa crescer de modo sustentável. Meirelles discursou para cerca de 300 investidores em Nova York, em evento organizado pela Câmara de Comércio Brasil-EUA.
Segundo ele, a estabilidade econômica é uma precondição para que isso ocorra, mas não o suficiente, pois ele também reconhece que uma economia mais próspera e estável serve de incentivo para maior consumo. O presidente do BC evitou fazer comentários sobre se a economia estaria muito aquecida. Apenas repetiu que o "Brasil saiu mais forte da crise e o consumo está forte", mas que a economia está em trajetória saudável.
No caso da poupança privada, Meirelles disse ser importante que haja incentivos do governo para que se poupe mais e, no caso da poupança pública, o desafio está em assegurar uma trajetória de queda dos gastos públicos e na relação dívida/PIB.
O presidente do BC tem ressaltado frequentemente a importância de outro país emergente, a China, fazer uma transição para uma economia de maior consumo doméstico e menos poupança e de os EUA passarem a poupar mais e reduzir o consumo doméstico, para possibilitar o reequilíbrio mundial.
Meirelles disse ainda que o País se beneficiou de uma política prudencial no momento da crise, com um sistema financeiro livre da excessiva alavancagem vista em economias avançadas e pelo fato de "o Brasil não ter uma política monetária superacomodatícia, como nos Estados Unidos".   (Luciana Xavier - Agência Estado)
 
 
 
 
 

27.04 - Bolsa do Brasil está entre as piores na AL
O Brasil é o país de pior desempenho na Bolsa, dentre os principais mercados da América Latina neste ano.
Com alta de 1,2%, o país ainda ficou abaixo da média dos emergentes, pelo índice MSCI, que registrou elevação de 3,2% no período. A perspectiva de aumento de juros e a proximidade das eleições são razões apontadas por analistas para o fraca performance do Brasil.
Entre as sete principais Bolsas latinas, a do Peru é a que mais se valorizou, com alta de 11,3%. Venezuela, Colômbia, Chile, México e Argentina também subiram mais que o Brasil, de acordo com dados da consultoria Economática, até quinta-feira passada.
As ações dos principais mercados latinos, por sua vez, tiveram apreciação inferior à média dos países emergentes, que foi pior que o desempenho de ações globais, segundo relatório do Citi, do dia 19.
Essa tendência é oposta ao que ocorreu em 2009, quando a Bolsa brasileira bateu a média latina, que havia sido melhor do que a dos emergentes e que a do mundo, conforme lembra o relatório do banco.
Preocupação com as eleições e com o novo ciclo de alta de juros são apontados como fatores que têm depreciado a Bolsa brasileira. O relatório também registra a pífia performance de Petrobras (-11%, em dólar), em razão da emissão que está por vir, além do desempenho do setor de energia, que explica 60% do baixo retorno da Bolsa brasileira neste ano.
No longo prazo, analistas do Citi afirmam continuar positivos, mas projetam ganhos modestos no continente em 2010.  (Maria Cristina Frias - Folha de S.Paulo)

27.04 - Regular e supervisionar as finanças
A crise convenceu a todos de que a teoria econômica neoclássica dos mercados autorregulados é enganadora
Em Nova York , os dois temas que continuam a dominar a discussão de economistas e financistas são o "grande demais para quebrar" ("too big to fail") e a necessária regulação e supervisão dos bancos. Em outras palavras, pergunta-se, de um lado, como impedir que os grandes bancos comerciais façam operações arriscadas porque sabem que, na última hora, serão socorridos, e, de outro, como regulá-los e supervisioná-los melhor. Essa dupla preocupação dominou a Conferência Minsky, organizada pelo Levy Institute e patrocinada pela Fundação Ford. Participaram dela um equilibrado número de financistas, representantes do governo (inclusive três diretores do banco central americano) e professores de economia.
Na conferência, poucos se mostraram seguros quanto à solidez da recuperação econômica depois da crise.
Boa parte dos que intervieram nos debates se mostrou convencida de que a crise poderá voltar a qualquer momento, principalmente porque, apesar do empenho do presidente Barack Obama, o governo não foi ainda capaz de re-regular o sistema financeiro desregulado durante os 30 Anos Neoliberais (1979-2008). Há também uma grande insatisfação com a teoria econômica ortodoxa ou convencional, que, evidentemente, contribuiu para a crise ao pressupor um mercado financeiro eficiente, autorregulado.
Em relação ao problema do "grande demais para quebrar", a solução apresentada por Paul Volcker -ex-presidente do Fed e hoje assessor especial de Obama- de proibir os bancos de realizarem operações de tesouraria (uma espécie de volta à separação dos bancos comerciais dos bancos de investimento) dividiu as opiniões. Volcker argumentou que a medida é necessária para impedir que os bancos participem de operações financeiras arriscadas demais. Entretanto, muitos consideraram a proposta pouco realista; incompatível com a necessária rentabilidade dos bancos comerciais. Melhor será regulá-los e supervisioná-los mais cerradamente, já que são entidades quase públicas que criam crédito e, portanto, dinheiro.
Embora a principal causa da crise tenha sido a desregulação do sistema financeiro promovida no início dos 30 Anos Neoliberais, houve também grande falha de supervisão, já que muitas operações com securitização e derivativos não eram apenas excessivamente arriscadas; elas violavam a regulação ainda existente, implicando fraude. Esse fato, assinalado por diversos participantes, foi mais uma vez confirmado no dia seguinte ao término da conferência, quando os jornais publicaram que a SEC acusou de fraude e iniciou ação civil contra o banco Goldman Sachs, porque este teria participado, com o fundo hedge Paulson & Co., da securitização e empacotamento de hipotecas que sabiam ser de baixa qualidade. Eles as venderam para clientes e outros bancos mal informados para, em seguida, o próprio banco e o fundo hedge apostarem contra esses mesmos títulos e, assim, obterem enorme ganho à custa dos que compraram os títulos empacotados.
Nessa fraude, o fundo ganhou US$ 1 bilhão, enquanto Goldman Sachs ganhava quase a mesma quantia.
Antes da crise, muitas operações desse tipo passaram sem supervisão, não por falta de regulação, mas porque se supunha que os mercados eficientes tudo regulavam. A crise global ainda custará muito ao mundo, mas, pelo menos, convenceu a todos quão importante é a regulação e a supervisão e quão enganadora é a teoria econômica neoclássica dos mercados autorregulados.   (LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA - Folha de S.Paulo)

27.04 - Grécia pede ajuda de US$ 60 bi à UE e ao FMI
Diante de crise de endividamento, governo faz apelo para a liberação de pacote de socorro negociado há duas semanas
Ativação do plano ainda depende de aprovação de legisladores de países como a a Alemanha, que exige novas medidas de ajuste fiscal
Ao descrever a economia de seu país como "um navio afundando", o primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, solicitou sexta-feira a liberação de um pacote de até US$ 60 bilhões de ajuda econômica à União Europeia e ao FMI (Fundo Monetário Internacional).
"Nós criamos um plano, tomamos medidas difíceis e dolorosas", disse o primeiro-ministro. "Mas os mercados não responderam."
A urgência do apelo grego, após enfrentar um aumento exorbitante dos custos de captação no mercado, pode ser depreendida pelo fato de que Papandreou discursou em Megisti, uma ilha no Egeu, e não na capital. "Chegou a hora de apelarmos aos nossos parceiros da UE pela ativação do mecanismo que formulamos juntos."
Ele se referia a um pacote de assistência de emergência negociado duas semanas atrás em Bruxelas. O plano prevê até € 30 bilhões (US$ 40,1 bilhões) em empréstimos dos parceiros da Grécia na zona do euro e outros € 15 bilhões (US$ 20 bilhões) vindos do FMI (Fundo Monetário Internacional).
A ativação do plano de resgate da UE e do FMI, disse Papandreou, "enviará uma forte mensagem aos mercados de que a União não vai fazer o jogo deles e não colocará sua moeda em risco". As principais Bolsas europeias fecharam em alta ontem. A de Atenas, no entanto, caiu 0,15%.
"Estamos preparados para agir rapidamente quanto a essa solicitação", afirmou Dominique Strauss-Kahn, diretor-gerente do FMI, em comunicado divulgado em Washington, onde se realizou reunião entre os ministros das Finanças do G20 (que reúne as 20 maiores economias do mundo).
Os empréstimos prometidos para a Grécia por seus parceiros na zona do euro continuam a aguardar aprovação de legisladores em alguns países. Entre eles está a Alemanha, a maior economia da zona do euro.
Ontem, a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, disse que a assistência só seria concedida depois que a Grécia negociasse um novo programa de austeridade com a UE, o FMI e o BCE (Banco Central Europeu).
"Apenas quando essas medidas tiverem sido tomadas poderemos falar sobre assistência, bem como sobre a forma e o montante dessa assistência", disse. Ainda assim, o Ministério das Finanças anunciou que o governo estava "pronto a agir" para abrir caminho à aprovação no Legislativo.
Bancos franceses e alemães estão entre os maiores detentores de títulos públicos gregos, e uma moratória teria profundo impacto negativo sobre os seus balanços.
Endividamento
As preocupações quanto ao endividamento da Grécia, que já passa de 100% do PIB (Produto Interno Bruto), levaram as taxas de juros dos títulos gregos a superar a dos papéis de países em desenvolvimento como Índia e Filipinas, que em geral tendem a ser considerados como de maior risco.
Muitos investidores estão convencidos de que Atenas, diante de anos de austeridade fiscal e possível estagnação econômica, terminará por ser forçada a postergar o pagamento de suas dívidas e a renegociar seus termos com os credores, o que representa o passo final antes de uma moratória plena.
"Isso [o pacote de ajuda econômica] claramente propiciará um bom respiro para a Grécia", disse Julian Callow, economista-chefe da Barclays Capital, em Londres. Mas, no futuro, disse Callow, talvez depois de 2011, "não está descartada a necessidade de uma postergação de pagamentos".
A Grécia sofre pressões de financiamento e requer € 10 bilhões até maio para cobrir vencimentos de títulos e pagamentos de juros.   (New York Times, tradução de PAULO MIGLIACCI - Folha de S.Paulo)

27.04 - Brasil não está imune à Grécia
O Brasil está bem longe da Grécia, o epicentro da crise fiscal de países europeus. Mas não está completamente imune a eventuais contágios, mostra o Fundo Monetário Internacional (FMI), em documento divulgado em seu encontro de Primavera em Washington, encerrado ontem.
Entre as economias emergentes, há dois grupos. Rússia, África do Sul, Romênia e outros países da Europa Oriental são bastante suscetíveis a um eventual aumento do risco soberano em países da zona do euro.
Brasil, Peru, México e outros países latino-americanos não são afetados pelo risco soberano, mas seriam atingidos pela elevação dos juros cobrados de empresas europeias.
Tecnicamente, o FMI mede a correlação do risco soberano de países emergentes e os riscos corporativo e soberano dos países da Europa Ocidental, medido pelos CDS, ou "credito default swaps". As principais conclusões foram apresentadas no relatório de estabilidade financeira, divulgado pelo FMI. O risco do Brasil tem fraca correlação com o risco soberano em países da Europa, mas tem uma correlação importante com o risco corporativo.
A mensagem básica é que, conforme os economistas já aprenderam nessa crise financeira mundial, não existe completo descolamento das economias emergentes de eventuais crises nos países desenvolvidos. O mundo financeiro continua bastante integrado, e todas economias sofreriam algum impacto de uma eventual quebra da Grécia, embora com graus diferenciados.
A Grécia finalmente admitiu na sexta negociar um pacote de socorro de US$ 60 bilhões com países da zona do euro e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Os investidores, porém, continuam a apostar numa eventual reestruturação da dívida grega, mesmo com o início da negociação do pacote de ajuda.
Ainda falta o principal: definir quais ajustes a Grécia deverá fazer para controlar seu enorme déficit público, na casa dos 13% do Produto Interno Bruto (PIB). Membro da zona do euro, a Grécia tem basicamente ferramentas fiscais para conter o avanço de sua dívida pública. O país não pode lançar mão de eventual desvalorização da moeda para corrigir seus desequilíbrios.
No sábado, o ministro das finanças da Grécia, George Papaconstantinou, reuniu-se com o ministro da Fazenda brasileiro, Guido Mantega, para obter apoio dentro do FMI. Mantega está seguro que a Grécia não impõe riscos à economia brasileira. "A Grécia não tem tamanho suficiente para ameaçar a recuperação da economia mundial", afirmou o ministro. "A questão da Grécia é equacionável.
O presidente do BC, Henrique Meirelles, considera a crise grega séria, mas localizada na Europa. "É um problema sério para a Grécia", afirmou Meirelles. "A Grécia é uma economia limitada dentro da Grécia e não tem instituições financeiras sistemicamente importantes que podem levar à ramificação dos problemas." Meirelles ponderou, porém, que o caso da Grécia pode contaminar outras economias europeias, que têm fragilidades fiscais semelhantes.   (Valor Online)
 
 
 
 

26.04 - Em fevereiro, economia cresceu 7,4%
Segundo o Indicador Serasa Experian de Atividade Econômica (PIB Mensal), o crescimento estimado em fevereiro foi de 7,4% em relação ao mesmo mês do ano passado. Com isto, a expansão da atividade econômica acumulou alta de 7,3% no primeiro bimestre de 2010 (comparativamente ao mesmo período do ano anterior), fazendo com que a variação acumulada nos 12 meses encerrados em fevereiro atingisse 1,4%.
Para os economistas da Serasa Experian, o forte crescimento econômico anual observado neste início de ano deve-se não apenas à base mais fraca de comparação (no mesmo período em 2009 a economia brasileira estava em recessão), mas também aos efeitos favoráveis dos estímulos fiscais à compra de bens duráveis bem como dos impulsos oriundos de uma política monetária expansionista ainda vigente, favorecendo o crédito ao consumidor.
Sob a ótica da demanda agregada, a alta de 7,4% na atividade econômica, considerando a sua comparação anual, foi determinada pelos crescimentos de 24,3% nos investimentos produtivos (formação bruta de capital fixo) e de 10,5% no consumo das famílias. Também as exportações, com avanço anual de 13,3% em fevereiro de 2010, contribuíram para este resultado positivo.
Do ponto de vista da oferta agregada, a atividade industrial foi a grande responsável pelo avanço de 7,4% na atividade econômica em fevereiro: crescimento de 13,4% frente a fevereiro de 2009. O setor de serviços apresentou uma alta mais modesta: 4,7% frente a fevereiro do ano passado. Por sua vez, o setor agropecuário exibiu crescimento anual de 2,6% em fevereiro de 2010, revertendo treze meses consecutivos de taxas anuais negativas.
No acumulado do primeiro bimestre de 2010, os investimentos foram o principal componente do crescimento da atividade econômica, registrando expansão de 19,5%, praticamente duas vezes mais intenso do que se observou com o consumo das famílias (alta de 10,3%). As exportações também registraram crescimento favorável no primeiro bimestre de 2010, avançando 11,2% em relação ao verificado no mesmo período de 2009. Por fim, as importações subiram 32,4% no primeiro bimestre, refletindo não apenas o consumo doméstico aquecido bem como os investimentos em elevação.
Desconsiderando-se os fatores sazonais, o crescimento mensal observado em fevereiro/2010 foi de 0,5% em relação a janeiro/2010. Com isto, a variação do PIB trimestral (estimado) encerrado em fevereiro foi de 2,0% em relação ao trimestre anterior (set/out/nov de 2009), sinalizando que a economia brasileira vem crescendo num ritmo anualizado de 8,4% neste início de ano. Tal ritmo deverá ser reduzido a partir do segundo trimestre de 2010, tendo em vista a retirada dos estímulos fiscais à aquisição de veículos, e pelos efeitos da política de aperto monetário (elevação de juros e compulsórios) a ser conduzida pelo Banco Central objetivando recolocar a trajetória da inflação corrente às suas metas.   (Executivos Financeiros)

26.04 - Paulo Bernardo: Economia brasileira não corre riscos
Ministro disse que governo não vê risco nem de superaquecimento da economia, nem de alta da inflação
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, comentou quinta-feira a elevação que o Fundo Monetário Internacional (FMI) fez da projeção de crescimento do Brasil para 2010 e 2011. O FMI estima para este ano crescimento de 5,5% do Produto Interno Bruto (PIB), um aumento de 0,8 ponto percentual sobre a previsão anterior de 4,7%. Para 2011 a previsão de crescimento passou de 3,7% para 4,1%.
- O FMI fez uma estimativa um pouco maior do que a que o governo trabalha hoje, mas acho que está firmando o conceito de que, de fato, o crescimento vai superar 5,5% esse ano - afirmou o ministro após se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No relatório divulgado no último dia 21 o FMI alerta para o risco de superaquecimento da economia e recomenda cautela com a manutenção de políticas de estímulo à atividade econômica que possam levar a pressões inflacionárias. Paulo Bernardo disse que o governo está atento e não vê risco nem de superaquecimento da economia, nem de alta da inflação.
- Estamos adotando todas as medidas, monitorando o desempenho da economia e, portanto, não vai acontecer isso.   (Agência Brasil/Jornal Monitor Mercantil)

26.04 - Economia não chegou ao limite, diz Mantega
O ministro Guido Mantega (Fazenda) defendeu na quinta-feira, em Washington, que o Brasil ainda não alcançou seu limite produtivo e que a economia ainda tem capacidade para crescer. Ontem, na Bahia, Henrique Meirelles, presidente do BC (Banco Central), afirmou que o FMI "subestimou" o país ao prever, antes de ontem, que o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro crescerá 5,5%. As projeções do BC apontam para um aumento de 5,8%.
Segundo Mantega, o crescimento do país não acelerará a inflação. "É preciso parar com essa paranoia de achar que vai subir juros, que o Brasil não tem condição de crescer mais de forma equilibrada. Podemos crescer mais um pouco, sim. Não ultrapassamos os limites de capacidade da economia brasileira." O ministrou falou à imprensa após encontro com o secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner.
Petya Koeva, chefe-adjunta da área de Estudos Econômicos Globais do Fundo FMI, dissera, após a divulgação das projeções para o Brasil, que "a demanda no país está em estágio avançado" e que é preciso retirar os estímulos fiscais durante a crise -algo que já está em curso.
Com a tendência de aceleração dos preços, o mercado conta com o aumento da taxa básica no fim do mês e com a retirada dos estímulos adotados.
"Não identifiquei até agora uma inflação de demanda", disse o ministro, em alusão à pressão inflacionária que ocorre quando a demanda por produtos ultrapassa a capacidade produtiva do país. "Não há uma trajetória acentuada de crescimento. Já estamos tirando os estímulos fiscais."
O ministro afirma que, se os resultados de produção de abril, maio e junho apontarem para o superaquecimento visto pelos órgãos internacionais, a Fazenda e o Banco Central agirão para frear a tendência (com tarifas de importação ou redução de tributos e aumento de taxa de juros).
Por enquanto, diz ver um "aquecimento normal" após um ano de crise.
China
O ministro negou relatos de que o Brasil está fazendo pressão pela valorização do yuan. Mas disse que "temos uma posição de aproximação com a China e que isso tem que ser feito em condições favoráveis".   (ANDREA MURTA, colaborou ANDRÉ LOBATO - Folha de S.Paulo)

26.04 - Serasa: PIB cresceu 7,3% no 1º bimestre
A economia brasileira expandiu-se 7,4% em fevereiro, na comparação com igual mês do ano passado, segundo pesquisa da Serasa Experian. Com isso, o crescimento acumulado do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro bimestre, em relação ao mesmo período de 2009 é de 7,3%.
Os resultados, segundo economistas da Serasa, foram motivados pela base fraca de comparação, já que nos primeiros meses do ano passado o país sofria as consequências da crise econômica mundial. Também influenciaram os estímulos fiscais à compra de bens duráveis e o aumenta da oferta de crédito ao consumidor.
A expansão da atividade econômica em fevereiro foi determinada, sob a ótica da demanda agregada, pelo crescimento de 24,3% nos investimentos produtivos, de 10,5% no consumo das famílias e de 13,3% nas exportações. Por outro lado, as importações, com alta de 44,1% no período, limitaram o avanço do PIB.
Sob a ótica da oferta agregada, a atividade industrial impulsionou o PIB em fevereiro, com expansão de 13,4% contra o mesmo mês de 2009. Por sua vez, o setor de serviços teve ampliação de 4,7% e o agropecuário, de 2,6%, revertendo 13 meses consecutivos de taxas anuais negativas.
A variação estimada do PIB nos três meses encerrados em fevereiro foi de 2% em relação ao período que engloba setembro, outubro e novembro de 2009. Isso mostra que a economia brasileira vem crescendo num ritmo anualizado de 8,4% neste início de ano.
"Esse ritmo deverá ser reduzido a partir do segundo trimestre de 2010, tendo em vista a retirada dos estímulos fiscais à aquisição de veículos e os efeitos da política de aperto monetário (elevação de juros e compulsórios) a ser conduzida pelo Banco Central, objetivando recolocar a trajetória da inflação corrente às suas metas", conclui a Serasa, em nota.
A variação acumulada nos 12 meses encerrados em fevereiro ficou em 1,4%. Desconsiderando-se fatores sazonais, o crescimento do PIB no segundo mês do ano foi de 0,5%, na comparação com janeiro.  (Karin Sato - Valor Online)
 
 
 
 
 

23.04 - O redesenho dos fundos de renda fixa segundo a liquidez
Em artigo publicado recentemente neste espaço, relacionei diversos pontos sobre os fundos de renda fixa que mereciam uma reflexão especial. Dentre eles, destaco, hoje, a (in)adequação entre os prazos para pagamento de resgates e o do vencimento dos ativos que compõem os fundos.
Tomemos por estudo o ALM (gerenciamento de ativos e passivos) que é aplicado em várias instituições financeiras e considerado um modelo bastante adequado para administrar parte dos riscos de liquidez de bancos, seguradoras e entidades de previdência.
Se aplicássemos esse mesmo conceito aos fundos de investimento, a grande maioria dos fundos de renda fixa e DI no Brasil deveria investir, basicamente, em ativos de curto prazo, uma vez que o passivo, aqui representado pela possibilidade de resgates, é também de curtíssimo prazo.
Mencionei, especialmente, os fundos DI com o objetivo de destacar que esses fundos, diferentemente do que muitos investidores pensam, podem aplicar seus recursos também em títulos privados, que normalmente são de maior prazo e possuem liquidez inferior à dos públicos.
É evidente que um dos benefícios do regime de condomínio dos fundos é justamente a possibilidade de aproveitar a grande diversidade dos fluxos de entrada e saída de milhares de investidores para negociar títulos com prazos mais longos e/ou em volumes que possibilitem maior poder de barganha. Essa estratégia resulta, geralmente, em retornos superiores aos dos realizados individualmente.
É certo também que o controle de todos esses aspectos, dentre eles o gerenciamento da liquidez, dos riscos e ainda a obtenção de retornos satisfatórios são obrigações dos gestores.
Com o sucesso do programa de estabilização, o controle da inflação e a redução das taxas de juros, profundas modificações na dinâmica do mercado financeiro doméstico ocorreram, principalmente para o segmento de renda fixa.
Ocorre que nossa cultura financeira, originada em um histórico inflacionário recente, é ainda muito imediatista. Verifica-se esse comportamento no acompanhamento diário da rentabilidade, no uso do CDI (taxa de um dia) como referência e, principalmente, na exigência de liquidez para as aplicações. São comuns, em nossa indústria de fundos, produtos com horário de movimentação até às 17h do próprio dia (após o fechamento do mercado de negociação) ou mesmo até às 23h!
Alguns ativos privados como as debêntures, comuns às carteiras dos fundos de renda fixa, possuem prazo médio de cinco anos, podendo chegar a 10 anos. As Letras Financeiras (LFs), novos títulos emitidos por bancos, possuem prazo mínimo de dois anos.
Para os títulos públicos, a mudança foi mais acentuada. A estratégia apresentada no PAF 2010 (Plano do Tesouro Nacional para 2010) foi a de priorizar as emissões de títulos prefixados (com prazo de seis meses a 10 anos) e os remunerados por índice de preços (com prazo de três a 40 anos!) Há alguns anos, uma estratégia como essa seria uma verdadeira "missão impossível".
Hoje, temos produtos com características do mercado de 15 anos atrás, atuando num ambiente completamente novo. Assim, torna-se necessária uma readequação dos produtos, segmentando-os de acordo com sua política, especialmente em relação ao horizonte dos investimentos e liquidez dos ativos, de forma a melhor alinhá-los às expectativas dos clientes e às atuais condições do mercado.
A tendência é que a própria indústria crie categorias de fundos baseadas nesta nova realidade e que os investidores, aos poucos, redirecionem seus recursos para fundos mais adequados aos seus objetivos de investimento.
Investidores sem necessidade de liquidez aplicariam em fundos de longo prazo, com regras mais rígidas de saque, mas em compensação poderiam se beneficiar dos melhores retornos esperados para esses tipos de investimento. Na mesma linha, tributar esses novos fundos de longo prazo apenas por ocasião dos saques (sem o come-cotas), como já ocorre com os títulos adquiridos diretamente pelos investidores, seria uma medida coerente e muito bem-vinda.
Já aqueles que aplicam por poucos meses, ou não podem estabelecer previamente um prazo, investiriam em fundos com liquidez imediata, com política de investimento adequada, menores riscos e retorno compatível.
O universo da renda fixa mudou muito no Brasil nos últimos anos. Nada mais lógico que seus produtos também mudem. O próprio mercado, sem a necessidade de uma intervenção reguladora, deve buscar o caminho para adequação dos fundos de investimento às novas condições do mercado.   (André Abreu - Valor Online)

23.04 - Os Bric se unem para ganhar mais poder 
Os governos do Brasil, Rússia, Índia e China realizaram sua segunda reunião para ampliar as chances de tornar realidade um de seus poucos pontos em comum: ganhar peso compatível com sua importância nas instituições multilaterais. Houve relativa convergência de pontos de vista desses países quanto à necessidade de reformular as regras do sistema financeiro pra evitar crises e reduzir a especulação, de obterem uma representação ampliada no Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial e de sagrar o G-20 como principal fórum de decisão em assuntos econômicos globais. Como principal argumento, os Bric têm a exibir suas altas taxas de crescimento, o tamanho de seus mercados em expansão e o fato de se constituírem hoje no polo dinâmico de crescimento econômico.
Fora do guarda-chuva da sigla, criada por Jim O'Neill, economista do Goldman Sachs, Brasil e Índia dificilmente teriam peso suficiente para influenciar a cena internacional. A Rússia é uma velha potência que não conseguiu se livrar totalmente do passado autoritário, de sua ineficiência econômica e da dependência de gás e petróleo. A China é uma potência à parte - age como tal e é capaz de cada vez mais impor seus interesses ao resto do mundo.
Os países do Bric têm interesses divergentes, mas convergem na busca de mais poder global. Toda vez que o roteiro diplomático de aproximação foge dos pontos concretos em que uma aliança pontual é possível e pode dar resultados, a arquitetura até certo ponto artificial do grupo parece ruir.
No encontro em Brasília, houve um pouco de tudo. A ação de todos para obter mais poder nos organismos multilaterais foi mais uma vez extensivamente reafirmada no comunicado conjunto. Para "promover a estabilidade econômica internacional", os Bric propõem que se discuta arranjos monetários regionais e a possibilidade de utilizar moedas das quatro nações nas transações comerciais entre si. Essa discussão deveria ocupar boa parte da reunião e caminhar mais rapidamente, mas nada disso ocorreu. O Brasil é um defensor desse esquema e a China vê com apreensão sua excessiva dependência do dólar, mas sabe que um arranjo entre os quatro está a quilômetros de distância de ser a solução.
Na questão do comércio internacional, há o ataque a todas as formas de protecionismo e de restrições disfarçadas, uma tese correta, mas que hoje diz diretamente respeito à China, que tem atraído represálias a seus produtos por praticar um câmbio desvalorizado e um sistema nada transparente de subsídios. A referência à Rodada Doha como "rodada do desenvolvimento" é uma indicação dos Bric sobre quem deverá fazer as maiores concessões. Afora isso, há um cisma entre eles. China e Índia, que têm centenas de milhões de habitantes no campo, não querem abertura no setor agrícola, que é defendida pelo Brasil. A China fechou seu mercado à carne suína brasileira.
No capítulo energético há deferência a energias limpas e, em especial, ao "desenvolvimento, produção e uso dos biocombustíveis", uma bandeira brasileira. Quando se referem à Conferência do Clima, porém, há sabidas divisões, encobertas pelo linguajar da importância de negociações transparentes e resultados justos. É sabido que a resistência chinesa e indiana, ao lado da pouca margem de manobra dos EUA, levaram a Conferência de Copenhague ao fracasso.
Quanto à estabilidade financeira internacional, não há obviamente nenhuma referência ao regime cambial chinês, criticado por grande parte dos economistas como parcialmente responsável pelos desequilíbrios globais. Os Bric se contentaram em defender a manutenção da estabilidade relativa das principais moedas que compõem suas reservas e a sustentação de políticas fiscais que resultem em um equilibrado crescimento econômico de longo prazo.
Desta vez, porém, os governos dos Bric foram objetivos sobre o que pretendem e deixaram pouco espaço para devaneios sobre o poder de uniões ilusórias. A China segue seus estritos interesses ao buscar apoio a eles junto aos demais Brics. E o Brasil, acertadamente, parou de recorrer à retórica ultrapassada da cooperação Sul-Sul.  (Valor Online)

23.04 - PIB deve crescer 5,5% em 2010 e 4,1% em 2011
O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê a desaceleração da economia brasileira entre 2010 e 2011, de 5,5% para 4,1%, de acordo com projeções divulgadas ontem. Em parte, o ritmo de expansão da atividade tende a se acomodar em virtude do esgotamento dos estímulos fiscais e monetários feitos pelo governo durante a crise financeira mundial. Mas, em grande parte, a desaceleração nas projeções do organismo é causada por fatores meramente estatísticos.
Já a economia mundial deverá se expandir a uma taxa de 4,2%, um pouco mais do que os 3,9% projetados em janeiro. O FMI considera menores os riscos de a retomada econômica ser abortada, por isso começa a pedir com um pouco mais de ênfase que os países desenvolvidos anunciem estratégias para controlar seus déficits públicos e conter o aumento de suas dívidas públicas.
O Brasil está avançado no ciclo de recuperação econômica e dá sinais de estar próximo do esgotamento de sua capacidade produtiva, disse Petya Koeva, uma economista do FMI. "Uma das razões para a esperada desaceleração da economia brasileira é que os estímulos fiscais e monetários devem ser retirados", afirmou, referindo-se à necessidade de desaquecer a demanda para evitar pressões inflacionárias.
A taxa de expansão esperada pelo FMI para a economia brasileira no último trimestre de 2009, 2010 e 2011 é praticamente estável em 4,2%. Esse é um sinal de que o crescimento mais forte esperado para 2010, de 5,5%, é em grande parte resultado de um efeito estatístico. Como a expansão brasileira foi muito fraca em 2009, a taxa média de crescimento em 2010 acaba inflada por um efeito que os economistas chamam de "carry over".
O crescimento brasileiro está mais forte do que o esperado pelo FMI. Em janeiro, o organismo projetou uma expansão de 4,7% para 2010, ante os 5,5% divulgados ontem. Para 2011, a projeção foi revista de 3,7% para 4,1%.
O economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, disse que a economia mundial como um todo está tendo um desempenho "melhor do que o esperado". Há algumas fragilidades, como o excesso de prudência dos consumidores americanos e a restrição de oferta de crédito pelos bancos na Europa. Mas o economista considera que os riscos para a recuperação econômica são menores, por isso prega que os países se concentrem na correção de desequilíbrios econômicos que podem causar problemas mais adiante.
Além da dívida pública crescente, outra preocupação é com a moeda desvalorizada da China e outros países asiáticos. Os países desenvolvidos, segundo o FMI, devem reduzir consumo, poupar mais e expandir exportações. Países como a China devem fortalecer suas moedas, poupar e exportar menos, consumir mais e fazer investimentos em setores voltados para o mercado doméstico.   (Alex Ribeiro - Valor Online)
 
 
 
 

22.04 - Aumenta previsão para juro em 2010
Mercado eleva em 0,25 ponto, para 11,50%, expectativa para taxa Selic ao final do ano
Para analistas, trajetória de alta nos índices de inflação e aquecimento da atividade econômica devem levar BC a acelerar ajuste monetário
O mercado passou a contar com juros ainda mais elevados em 2010. Na pesquisa Focus, feita pelo Banco Central com os bancos e divulgada ontem, houve aumento na previsão para a taxa básica Selic no final do ano de 11,25% para 11,50%.
Com os dados de inflação em rota ascendente, somados a um cenário de atividade econômica mais aquecida, os analistas já preveem que a Selic, atualmente em 8,75% anuais, tenha de ser aumentada com maior intensidade pelo Banco Central.
"A revisão das previsões mostra a surpresa do mercado com a atividade econômica, que tem apontado para um ritmo acima do esperado. Junto a isso, os índices de preços têm surpreendido e feito com que ninguém preveja que o IPCA fique abaixo dos 4,5% do centro da meta oficial", diz Newton Rosa, economista-chefe da Sul América Investimentos.
O economista elevou sua previsão para a Selic no fim do ano de 11% para 11,50%. "Na próxima reunião, creio que o Copom deve subir a taxa em pelo menos 0,75 ponto. Uma alta menor do que essa pode ter uma reação negativa por parte do mercado", afirmou Rosa.
O Focus mostrou que as instituições financeiras passaram a trabalhar com o IPCA acumulado em 5,32% em 2010. Essa foi a 13ª semana consecutiva em que os analistas elevaram a expectativa para o IPCA. Há um mês, a previsão era a de que o índice ficasse em 5,10%.
Nos cenários de pressão inflacionária, como o atual, o Copom sobe os juros para inibir o consumo e a escalada dos preços. Como a meta do BC para o IPCA em 2010 é de 4,5%, a previsão do mercado está cada vez mais distante desse objetivo.
No pregão da BM&FBovespa, as taxas projetadas nos contratos que pagam juros subiram em todos os vencimentos. No papel com resgate no fim do mês, a taxa foi de 8,72% para 8,79%. No papel que vence na virada do ano, a taxa subiu de 10,70% para 10,74%.
O Focus também mostrou aumento na expectativa para o PIB. O mercado agora projeta que a economia brasileira irá crescer 5,81% no ano. Na semana anterior, a previsão era de alta de 5,60% no PIB. (FABRICIO VIEIRA - Folha de S.Paulo)

22.04 - IPC-Fipe avança 0,23% na segunda prévia
O cálculo da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) apontou que o índice geral do IPC (Índice de Preços ao Consumidor) teve variação de 0,23% nesta quadrissemana.
O grupo Alimentação foi o que apresentou a maior alta, de 1,27%, da segunda quadrissemana de abril. Houve uma leve alta em comparação à última semana que apontou 1,19%.
Já o Vestuário, que na última quadrissemana ficou com variação de 0,63%, nesta segunda quadrissemana de abril apresentou leve alta, com 0,90% de variação.
Os outros grupos se sustentaram na média da última quadrissemana, foram Saúde com variação de 0,23% e Habitação com variação de 0,03%. Os grupos que ficaram com maior queda de variação foram Despesas Pessoais com 0,06% e Transportes com 0,78%.
O sistema de cálculo sempre abrange um período total de 08 semanas e as variações são obtidas fazendo-se a divisão dos preços médios das quatro semanas de referência pelos preços médios das 4 semanas anteriores (base).
Desta forma, para se obter uma série sequencial de índices quadrissemanais, considera-se sempre 8 semanas incluindo-se no cálculo as informações sobre os preços coletados na última semana automaticamente, eliminando-se da operação os dados referentes à semana mais antiga.   (Executivos Financeiros)

22.04 - Analistas: Crescimento maior da economia: 5,81% este ano
A projeção de crescimento da economia foi revista para cima pelos analistas do mercado: o Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todos os bens e serviços produzidos no País, foi ajustada de 5,60% para 5,81% em uma semana, segundo a pesquisa Focus. Para 2011, a expectativa de crescimento permanece em 4,5% ao ano. Para a expansão da produção industrial, neste ano, a estimativa avançou de 9,31% para 9,41%. Em 2011, os analistas esperam crescimento de 5%, a mesma projeção anterior.  (Fenaseg)
 
 
 
 
 
 

20.04 - Brasil sustenta PIB de 7%?
A economia da China cresce praticamente a 12% e, a nossa, 7%. Eles podem sustentar esse ritmo por algum tempo, nós não. Não há como comparar uma economia dirigida, num regime autoritário controlado pelo Partido Comunista (mesmo que só de nome) com a nossa, democrática, livre e aberta. Mas há algo em comum entre elas que merece consideração: são complementares, a China é nosso principal parceiro comercial e, como nós, enfrenta hoje o mesmo desafio - inflação que caminha para 5%, provocada pelo aquecimento da demanda interna. Na China, devido à injeção direta e indireta de mais de US$ 1 trilhão. Aqui, por desoneração tributária e incentivo monetário.
Outro fator que nos une: a China tem pelo menos US$ 200 bilhões para investimentos diretos no exterior, e nós precisamos deles para não depender apenas dos investimentos financeiros que estão entrando.
Fica a pergunta: podemos sustentar um crescimento de 7% por mais tempo?
Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, acredita que este ano ainda será possível, mas a longo prazo, não. Estima que, se houver o necessário equilíbrio fiscal e monetário, em 2011 a economia deve crescer só 4%. Faltam reformas, falta investimento, falta muito.
"Não será fácil administrar a política econômica nos próximos anos. Há muitos desafios e, de novo, não nos preparamos adequadamente para isso. Na década de 90, fizemos inúmeras reformas e aproveitamos o bom momento mundial na década seguinte. Agora, não estamos fazendo mais nenhuma reforma importante", afirma ele, à coluna.
Efeitos, depois. Mas estamos crescendo mesmo sem as reformas. "Sim, entramos o ano com crescimento forte, mas não podemos nos esquecer de que há muito tempo não tínhamos tantos estímulos fiscais e monetários ao mesmo tempo. Suas retiradas no começo de ano só começarão a ser sentidas mais para frente, no fim do ano, provavelmente. Até lá, o crescimento será forte."
Dependendo dos dados do primeiro trimestre, a MB Associados acredita que o PIB pode ser maior do que os 6%, que previa, e até 7%, "algo que já vínhamos falando para os clientes",afirma Sergio Vale. Mas devemos ficar por aí.
Por quê? Para ele, há três questões fundamentais: como o BC deveria reagir para termos um crescimento sustentável? Quanto aos juros, um PIB maior coloca o BC ainda mais atrás da curva. Por isso, aumentam as chances de uma alta de 0,75. [ ][/ ]
Para Sergio Vale, o segundo motivo para afirmar que um PIB de mais 7% "é claramente insustentável", é do conhecimento de todos: não temos taxa de poupança nem de investimento. O terceiro fator é o déficit em conta corrente. Este ano ele não está tão ruim, diz Vale, pois vamos exportar mais graças, novamente, às commodities. Mas, pelo padrão de crescimento que se coloca para os próximos anos, iremos importar mais. "É inevitável que teremos déficits crescente em transações correntes. A consequência é certamente maior volatilidade do câmbio, pois não me parece haver capitais de longo prazo, a cada ano suficientes para financiar esse déficit."
E volatilidade na taxa de câmbio é o pior cenário para qualquer empresário. Para ele, uma apreciação contínua do câmbio está, agora, fora de questão. Conclusão? Ele deixa para a coluna. Com base nessa análise, podemos dizer que vai bem, sim, mas pode ser que não dure.  (Alberto Tamer - O Estado de S.Paulo)

20.04 - Controlar inflação acima das eleições
À medida que se aproximam as eleições aumentam as tentações de adoção de políticas que afrouxem o controle da inflação. O presidente Lula afirmou recentemente que o governo manterá os compromissos em relação à inflação; porém, por parte de seus aliados, já existe quase uma campanha para que o Banco Central não eleve as taxas básicas de juros, como parece inevitável Não há dúvidas que a economia brasileira cresce fortemente. E o principal reflexo disso é um mercado de trabalho aquecido, com vários segmentos se ressentindo de escassez de mão de obra, especialmente a de média e alta qualificação. Há segmentos com salários subindo a 10% ao ano.
O crescimento econômico traz benefícios para todos se o ritmo de expansão for gerando ganhos de escala e produtividade que possam ser incorporados à remuneração do trabalho e do capital. Se esse ritmo ultrapassa essa capacidade de absorção, a inflação se encarrega de fazer o ajuste, e os benefícios começam a ser anulados, tanto para o trabalho como para o capital, nem sempre de maneira equânime e simultânea.
Por isso, na atual conjuntura, a manutenção da inflação dentro da meta, ao redor do ponto central (4,5%), é o que pode ser mais positivo para a sociedade brasileira - e existem projeções acima de 5%.
Os indicadores sobre o ritmo de expansão da economia têm confundido os analistas porque a base de comparação com o ano passado distorce qualquer interpretação. Isso talvez explique por que, mesmo com as expectativas no mercado financeiro apontando para uma inflação se afastando do ponto central da meta (e o IPCA - índice de preços aco consumidor apurado pelo IBGE - acumulado no primeiro trimestre reforçou essa possibilidade, ao ficar ligeiramente acima de 2%), o Banco Central, na última reunião do Comitê de Política Monetária, no mês passado, optou por esperar, em vez de subir as taxas básicas de juros naquele momento.
Mas agora em abril esse cenário possivelmente ficará mais claro, e se poderá precisar se a economia, por um ajuste natural, reduzirá seu ritmo de crescimento para um patamar compatível com a oferta disponível e as condições da infraestrutura, ou se essa desejável desaceleração terá de ser induzida por instrumentos de política econômica, entre os quais se destacam as taxas básicas de juros. Até porque não se pode esperar uma política fiscal anti-inflacionária.
A economia brasileira terá muito espaço para crescer nos próximos anos, mas é fundamental que caminhe por uma trajetória sustentável. Para tal, o nível de investimento, como proporção do Produto Interno Bruto (PIB), terá de se ampliar significativamente, evitando que o país volte a ser muito dependente de poupanças externas ou os desequilíbrios provoquem inflação. O setor privado vem dando uma contribuição alentadora para expansão dos investimentos, mas esperase que haja mais colaboração também por parte do setor público, com redução do déficit nas finanças governamentais e contenção dos gastos correntes. Mas no curto prazo pode haver um descompasso entre oferta e demanda, e sobre essa situação é que as autoridades monetárias terão de agir, sem serem pressionadas pelo calendário eleitoral. O interesse do país está acima de qualquer eventual jogo político-partidário.  (O Globo)

20.04 - Sobe retirada de capital de fundo de ação do país
O temor das pressões inflacionárias fez com que a retirada de capital dos fundos de ação brasileiros atingisse na semana passada o maior nível em quase quatro anos, de acordo com pesquisa da consultoria norte-americana Emerging Portfolio Fund Research.
O resultado do país foi na contramão dos demais mercados emergentes.
Segundo o levantamento, US$ 473 milhões foram retirados dos fundos brasileiros no período de sete dias que se encerrou na quarta-feira, o maior montante em 197 semanas.
A explicação, afirma a empresa, é que os investidores esperam uma "série de aumentos na taxa de juros que pode começar no final deste mês", com a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central).
Os resultados brasileiros contrastam com os US$ 997 milhões que ingressaram nos fundos emergentes no mesmo período.
No ano, a Bolsa brasileira -que liderou os ganhos no mundo no ano passado- acumula uma expansão de 1,21%, a menor alta entre os mercados das Américas, com exceção do de Bermudas.
O índice Dow Jones, o principal de Nova York, já registrou alta de 5,66% neste ano, por exemplo.
Analistas esperam que o Banco Central comece a aumentar a taxa Selic, hoje em 8,75% ao ano, para conter as ameaças inflacionárias. A expectativa do mercado é que os juros sejam elevados em 0,5 ponto percentual no encontro da semana que vem.
O mais recente relatório Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central com a projeção de economistas, aponta que o IPCA vai terminar o ano com uma alta de 5,29%. No início do ano, a previsão do mercado era de um aumento de 4,5% nos preços.   (Maria Cristina Frias - Folha de S.Paulo-18.04)
 
 
 
 
 

19.04 - Mais que uma sigla 
Membros do Bric têm grandes diferenças entre si, mas interesses comuns podem impulsionar acordos vantajosos
Nada é tão irresistível como a força de uma ideia cujo tempo chegou, disse Victor Hugo. Assim é com o bloco designado pela sigla Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), criada em 2001.
Nos anos 1980 já havia o conceito de "países baleia", que elegia massa territorial e demografia como elementos críticos para o protagonismo global.
Mas ainda não era o tempo -existia a URSS, a China havia apenas iniciado sua abertura, o Brasil patinava na hiperinflação e a Índia padecia nas ineficiências de seu modelo.
Nesta década, a ascensão da China como plataforma manufatureira barateou os bens industriais e elevou os preços das matérias-primas. Foi um choque favorável para o mundo em desenvolvimento, que viu diminuída a histórica escassez de capital para investimento.
Nos últimos anos, os quatro países concentraram mais de 50% do crescimento mundial, receberam volumes crescentes de investimento e desempenharam papel relevante nas questões globais.
Daí não resulta, contudo, que formarão um bloco a atuar em uníssono. Há convergência em alguns temas, em especial o da reforma financeira global, que deverá evoluir, ainda que lentamente, em favor dos emergentes.
Mas as diferenças são muitas, e cada um atuará em consonância com seus projetos nacionais. Brasil e Índia são democracias, ao passo que Rússia e sobretudo China são regimes autocráticos. Exceto o Brasil, os outros três são rivais estratégicos no xadrez geopolítico asiático e global.
Não há, tampouco, um modelo econômico a uni-los. A China se consolida como potência industrial, num regime de capitalismo dirigido pelo Estado. Brasil e Índia são economias de mercado diversificadas, com forte consumo interno, mas baixa eficiência produtivo-exportadora. Já a Rússia encontra obstáculos para reduzir a dependência do setor de energia.
As divergências são claras no âmbito da Organização Mundial do Comércio. O Brasil é adversário, por exemplo, do protecionismo agrícola, ao contrário de China e Índia. Na questão climática, o governo brasileiro mostra-se mais compromissado em limitar emissões de carbono.
A segunda reunião de cúpula do Bric, realizada na semana passada, mostrou que nos temas multilaterais é difícil ir muito além de declarações de intenção.
Mas seria um erro acreditar que o encontro é mera peça de marketing. No plano bilateral, o documento assinado por Brasil e China, embora vago, é passo importante para oportunidades equilibradas de comércio e investimento. A intenção de colaboração entre bancos nacionais de desenvolvimento também é positiva, pois permitirá diversificar fontes de financiamento.
Esse tipo de cooperação na agenda do desenvolvimento é um fator real de aproximação entre os quatro países, que poderá contribuir gradualmente para maior convergência nos grandes temas globais.  (Folha de S.Paulo)

19.04 - A armadilha mortal da dívida
Contração fiscal pode, ao menos em curto prazo, agravar mais a recessão
A saga financeira grega é a ponta de um iceberg de problemas de sustentabilidade de dívidas públicas em muitas das economias avançadas, e não só entre os chamados Piigs (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha). De fato, a OCDE agora estima que a relação entre dívida pública e PIB nas economias ricas chegue a uma média de 100% do PIB.
Nos Piigs, os problemas não são apenas os deficit públicos excessivos e a razão elevada entre dívida e PIB. Há também problemas de deficit externos, perda de competitividade e, assim, de crescimento anêmico.
Essas são economias que, mesmo uma década atrás, estavam perdendo mercado para China e Ásia, devido às suas exportações de baixo valor adicionado e que requerem uso intensivo de mão de obra. Depois de uma década na qual os salários cresceram mais rápido que a produtividade, os custos por unidade de mão de obra subiram acentuadamente. A perda de competitividade resultante se manifestou em deficit grandes e crescentes em conta corrente e em desaceleração no crescimento. O toque final para o processo foi a valorização do euro entre 2002 e 2008.
Assim, mesmo que a Grécia e os demais Piigs tivessem a firmeza política requerida para reduzir fortemente os seus grandes deficit fiscais -e isso é bastante improvável-, a contração fiscal pode, ao menos em curto prazo, agravar ainda mais a atual recessão, porque impostos mais altos e gastos públicos menores resultariam em redução da demanda agregada. Se o PIB cair, atingir determinadas metas de deficit e dívida se tornará impossível. Foi essa, de fato, a armadilha mortal de dívida em que a Argentina se viu apanhada entre 1998 e 2001.
Restaurar o crescimento sustentado requer desvalorização real da moeda. Existem só três maneiras de realizá-la. A primeira é uma deflação que reduza preços e salários em 20% a 30%. Mas a deflação está associada a uma recessão persistente (vide uma vez mais o caso da Argentina), e sociedade e sistema político de país algum podem aceitar anos de recessão e austeridade fiscal a fim de obter depreciação real. Uma moratória e o abandono do euro poderiam surgir antes disso.
O segundo caminho é seguir o modelo alemão de aceleração das reformas estruturais e reestruturação empresarial, a fim de elevar o avanço da produtividade e manter avanço moderado dos salários. Mas demorou uma década para que a Alemanha reduzisse o custo de sua unidade de mão de obra, dessa maneira; se Espanha ou Grécia começassem o processo hoje, os custos da realocação de recursos em curto prazo seriam altos, enquanto os benefícios em termos de um crescimento mais alto demorariam anos.
Por fim, o euro poderia cair acentuadamente de valor. Mas o principal beneficiário disso seria a Alemanha. E, para que o euro caia o bastante, o risco de moratória da Grécia teria de ser muito grande, e o contágio em termos dos ágios nos títulos dos Piigs, severo o bastante para que o processo resultasse em uma recessão de duplo mergulho na zona do euro, antes que a desvalorização cambial apresentasse resultados concretos.
Caso não haja um milagre, a Grécia parece próxima da insolvência. No início de sua crise, deficit orçamentário, dívida pública e deficit em conta corrente da Argentina (como proporção do PIB) eram de 3%, 50% e 2%, respectivamente. Na Grécia, os indicadores são muito piores: 12,9%, 120% e 10%. Assim, serão necessários um esforço hercúleo, sorte e apoio da União Europeia e do FMI para reduzir a chance de moratória e saída da zona do euro.
A Grécia no momento tem uma economia interconectada demais com as dos demais europeus para que se possa permitir seu colapso. Além disso, o contágio na forma de ágio nos títulos de dívida soberana dos demais Piigs seria forte, o que arremessaria várias dessas economias para a mesma situação.
Necessidade de apoio
Assim, a despeito da repulsa da Alemanha e do Banco Central Europeu quanto à ideia de um "resgate", a Grécia precisa de forte apoio financeiro oficial neste ano, com juros que não sejam insustentáveis, a fim de impedir que sua atual falta de liquidez se transforme imediatamente em insolvência. Mas o apoio oficial só empurrará a situação para o futuro. A combinação mágica de razões sustentáveis de dívida e deficit, desvalorização real e restauração do crescimento dificilmente poderá ser atingida, mesmo que haja apoio financeiro oficial.
Todos os resgates bem-sucedidos a países que enfrentavam dificuldades financeiras, como México, Coreia do Sul e Brasil, dependiam de duas condições: a disposição confiável do país em impor a austeridade fiscal e as reformas estruturais necessárias; e grandes montantes em apoio oficial imediato para evitar uma crise de rolagem de dívida pública e/ou privada com vencimento em curto prazo.
Reforma sem dinheiro na mesa não funciona, porque investidores nervosos e precipitados tirarão seu dinheiro do país caso ele não disponha das reservas cambiais necessárias para impedir o equivalente a uma corrida bancária contra seus passivos de curto prazo.
Assim, depois de um plano completamente ineficaz, que ofereceria dinheiro à Grécia tarde demais -apenas quando o país já estivesse em risco de uma crise de rolagem de dívida- e a taxas de mercado que tornariam sua dívida insustentável, a União Europeia recuperou o juízo e criou um esquema mais parecido com um pacote de apoio condicional do FMI: apoio desembolsado com base em cumprimento de metas, com desembolsos iniciais mais elevados e juros generosos.
Só o tempo dirá se esse plano vai funcionar, ou seja, se a Grécia manterá a solvência apesar da falta de liquidez, o que dependerá de austeridade fiscal e reformas estruturais confiáveis, com a ajuda de grandes montantes em apoio financeiro. Mas, como nos casos de Argentina, Rússia e Equador, a Grécia também pode cair na insolvência caso o ajuste não restaure a sustentabilidade de suas dívidas e de seu crescimento. Por enquanto, a comunidade oficial decidiu que vai tentar o plano A; caso ele fracasse, o plano B seria uma moratória para reduzir as dívidas insustentáveis, e o abandono do euro pela Grécia a fim de permitir uma desvalorização e a restauração da competitividade e do crescimento.   (NOURIEL ROUBINI, tradução de PAULO MIGLIACCI - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 
 

16.04 - Estímulo para investir 
Carga tributária elevada é um obstáculo para que a taxa de investimento cresça e sustente a expansão da economia
O dinamismo do consumo foi o principal fator da rápida virada da economia brasileira após o auge da crise de 2009. Em compensação, o volume de investimentos tem apresentado recuperação mais lenta, o que é natural, pois depende das expectativas e do estado de espírito dos empresários.
O Brasil deve crescer cerca de 6% neste ano -e o aquecimento pressiona as empresas a ampliar a capacidade produtiva. As projeções apontam para uma elevação do investimento próxima a 20% até o fim do ano. Confirmada a estimativa, a taxa em relação ao PIB voltará ao nível de 18,5%, verificado antes da crise.
Há um consenso de que esse percentual não basta para sustentar o atual ritmo de expansão e afastar riscos inflacionários. Para isso, seria desejável uma taxa de investimento próxima a 25% do PIB. Todos parecem estar de acordo, também, sobre a importância de aumentar a poupança interna para manter o crescimento sem gerar deficits externos significativos.
Mas não se deve chegar à conclusão, falaciosa e frequente, de que é impossível crescer de forma acelerada sem que antes a sociedade poupe mais. A poupança não é um dado fixo, mas uma variável diretamente influenciada pelo comportamento do PIB.
Em outras palavras, é a própria realização da demanda, sob a forma de consumo e investimento, que eleva os lucros das empresas e a renda das famílias -e permite a geração da poupança que financiará a continuidade desse processo. Um dos principais objetivos da política econômica é preservar esse delicado equilíbrio com baixa inflação.
É interessante analisar estudos das entidades empresariais para compreender os obstáculos enfrentados no mundo real. Na última pesquisa da Fiesp, os aspectos mais mencionados pelos empresários como limitadores do investimento foram a elevada carga tributária (apontada por 64% dos entrevistados) e, de forma até surpreendente para o momento, a baixa taxa de crescimento da economia (na opinião de 36%). Juros e câmbio aparecem em 4º (31%) e 7º lugares (16%), respectivamente.
Os empresários estão dizendo que a elevação contínua do investimento pressupõe um esforço concreto de redução de impostos por parte do governo -o que, aliás, não é novidade. Pressupõe também -e esse é um ponto relevante- um patamar elevado e estável de expansão econômica, sem acelerações e paradas súbitas que comprometam o horizonte do planejamento empresarial.
Tais considerações contrastam com a política fiscal do governo, que não contribui para um ambiente favorável ao investimento, em especial quando parece certo um novo ciclo de aumento de juros.  (Folha de S.Paulo)

16.04 - Captação de empresas no mercado dobra
Volume de recursos obtidos via emissão de papéis avança no 1º trimestre, mas BNDES se mantém como principal canal de empréstimos 
Desembolsos do BNDES avançam 37%; presidente da instituição afirma que operações no mercado devem ter prazos mais longos 
O mercado de capitais brasileiro começa a retornar ao radar das empresas. No primeiro trimestre deste ano, o volume de recursos captado por meio da emissão de papéis (como ações e debêntures) teve expansão de quase 90% em relação ao mesmo período de 2009 e alcançou R$ 18,9 bilhões.
Mas, apesar do crescimento expressivo, o BNDES ainda segue na frente como porto principal das empresas: entre janeiro e março deste ano, os desembolsos do BNDES somaram R$ 25,5 bilhões, crescimento de 37%. O setor com maior volume de recursos recebidos foi a infraestrutura, com R$ 9,9 bilhões em desembolsos.
Ao menos a diferença entre os volumes captados pelas empresas no mercado e no BNDES encolheu. Nos primeiros três meses de 2009, o montante levantado no mercado de capitais representou 53,7% do emprestado via BNDES pelas empresas. Neste ano, essa proporção subiu para 74,1%.
Para levantar recursos, as companhias dispõem de diferentes canais. A forma mais tradicional é o pedido de empréstimo em bancos ou no próprio BNDES. As maiores companhias também costumam buscar o mercado de capitais, que, nas economias mais desenvolvidas, representa uma fonte de captação de recursos mais ativa e abrangente que no Brasil. Até meados de 2008, empresas de menor porte estavam começando a acessar mais esse mercado. Mas a crise prejudicou a continuidade do processo.
Nesse segmento, ao lado das ações, as debêntures e as notas promissórias aparecem como modalidades de destaque. Esses títulos rendem uma taxa de juros aos investidores que os adquirem e vencem após determinado prazo.
Recuperação e mudanças
"Há a expectativa de que o mercado brasileiro retome o ritmo em que vinha trabalhando até meados de 2008, antes da eclosão da crise. O mercado de capitais representa para as empresas mais canais para captarem e, em muitos casos, a custo menor que as formas tradicionais. Mas o setor privado brasileiro ainda depende muito de recursos oferecidos pelos bancos e pelo BNDES", afirma Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating.
Segundo o presidente do BNDES, o banco pretende iniciar nas próximas semanas conversas com instituições financeiras para estimular a maior participação do setor privado na oferta de crédito de longo prazo. Durante a crise financeira, o BNDES se converteu no maior instrumento do governo para evitar que houvesse uma queda acentuada no investimento. "Não queremos agigantar o banco, então temos de nos mexer", disse Coutinho.
"Queremos que o mercado de capitais migre para prazos mais longos de operação, tanto do lado da emissão de dívida do setor privado como de investidores, fundos de pensão e famílias, que podem apostar em formas de poupança de prazo mais longo. Em nenhum país do mundo você obtém no mercado de aplicação de curtíssimo prazo as taxas de rentabilidade obtidas no Brasil", disse.
A transição para um cenário de maior participação do setor privado poderá exigir alterações tributárias e mudanças na regulação. Coutinho afirmou que o banco pretende desenvolver fundos de crédito e fundos de debêntures em parceria com o setor privado.   (FABRICIO VIEIRA e JANAINA LAGE - Folha de S.Paulo)

16.04 - Brasil crescerá 7%, prevê JPMorgan
Crescimento econômico, caso estimativa se confirme, será o maior desde 1986 
Vendas no varejo no país se expandiram em 1,6% em fevereiro em relação a janeiro, quando alta foi de 3,0%, de acordo com IBGE
A economia brasileira vai crescer 7% neste ano, segundo previsão do banco americano JPMorgan, resultado que, se confirmado, será o maior desde 1986, quando o PIB do país se expandiu em 7,5%. A estimativa da instituição é mais otimista que a de organismo internacionais e que a média dos economistas consultados pelo Banco Central (que, no levantamento da semana passada, apostavam em alta de 5,6%).
Segundo o banco, o crescimento no consumo e nos investimentos deve acelerar a expansão da economia brasileira, que se retraiu em 0,2% no ano passado -ainda assim foi uma das que tiveram menor queda no mundo em 2009.
Ele, no entanto, afirma que a sua previsão depende das ações do BC (isto é, do aumento da taxa de juros básica) e do controle de gastos pelo governo.
A previsão anual do JPMorgan supera a de outras instituições financeiras. Para a consultoria LCA, o PIB brasileiro vai se expandir em 5,8% neste ano. O banco Schahin estima alta de 5,2%, e o banco Espírito Santo aponta crescimento de 5,0%.
Já o FMI, que nos próximos dias vai divulgar uma nova previsão para o Brasil, afirmou no fim de janeiro que a economia do país deve se expandir em 4,7% neste ano.
Para o primeiro trimestre deste ano, o JPMorgan prevê que a economia vai crescer 8,7% na taxa anualizada em relação aos três meses imediatamente anteriores, devido aos bons resultados das vendas no varejo e da produção industrial. A estimativa anterior da instituição era de expansão de 6,3%.
Segundo o IBGE, as vendas no comércio no país em fevereiro cresceram 1,6%, na comparação com janeiro. Em janeiro, o varejo havia subido 3%.  (Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

15.04 - Brasil é o segundo mais atrativo entre emergentes
Os investidores dão sinais de maior otimismo e estão mais confiantes num crescimento robusto da economia mundial. É o revela pesquisa realizada pelo Bank of American Merrill Lynch com 282 gestores globais entre os dias 1º e 8 de abril.
Com a redução das tensões com a Grécia, os administradores de recursos puderam se concentrar na análise do comportamento da inflação, expectativa de expansão econômica e no resultado das empresas, diz o relatório.
Os mercados emergentes se mantêm como a região mais atrativa para os gestores. Entre os consultados, 31% têm expectativa de desempenho acima da média ("overweight") para esses países. As posições mantidas pelos gestores nos emergentes, no entanto, se mostraram menores pelo terceiro mês consecutivo.
Na lista de países emergentes preferidos pelos investidores no mês de abril, o Brasil aparece na vice-liderança, atrás apenas da Rússia. Na terceira colocação está a Tailândia. Os números mostram, no entanto, que os investidores reduziram suas posições em Rússia. Em contrapartida, elevaram o posicionamento em Brasil e Coreia. As apostas acima da média no México atingiram 24%, um sinal de confiança na recuperação da economia americana, ressalta o relatório. As posições defensivas se mantêm nos mercados de Israel, Malásia e Chile.
O maior otimismo dos gestores se reflete numa queda significativa na percepção de risco de crédito - apenas 37% dos executivos acreditam que ele está acima do normal em abril. Na pesquisa realizada no início de março, esse percentual era de 54%. Os investidores também reavaliaram a expectativa de alta de juros. A maior parte dos gestores (39%) acredita que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) vai elevar os juros no quarto trimestre do ano.
Mais do que o aumento dos lucros, os gestores listaram os dividendos e os investimentos das empresas como as prioridades a serem observadas nos balanços. É a primeira vez que isso ocorre desde dezembro de 2007. Os dividendos foram colocados em primeiro lugar por 27% dos respondentes e os investimentos, por 43%.
As aplicações dos gestores continuaram se revezando em títulos de renda fixa e ações. Entre os consultados, 52% estão com expectativa acima da média de mercado em ações. Mesmo com relação aos bancos, o pessimismo caiu. O total de investidores que esperam que os papéis das instituições financeiras tenham desempenho abaixo da média ("underweight") somou 10% em abril ante 24% em março.  (Luciana Monteiro - Valor Online)

15.04 - FMI recomenda restrição a capital externo
Para o Fundo, forte ingresso de dólares em alguns países, como o Brasil, pode gerar "bolhas" e apreciar moeda local em excesso
Diagnóstico é que dinheiro público direcionado ao mundo desenvolvido "vaza" com força para emergentes, potencializando distorções
O FMI (Fundo Monetário Internacional) recomendou aos países que se tornaram alvo de fortes ingressos de dólares, como o Brasil, que considerem adotar medidas para restringir essa entrada de capitais.
A defesa aberta do Fundo a esse tipo de medida é inédita, contraria a opinião de muitos economistas ortodoxos e foi feita na apresentação de parte do "Relatório sobre a Estabilidade Financeira Global".
Para o FMI, o ingresso "excessivo" de dólares em alguns países pode gerar "bolhas" nos preços de alguns ativos (como ações e imóveis) e apreciar além da conta a moeda local, afetando os exportadores.
O diagnóstico é que a enxurrada de dinheiro público e dos BCs direcionada aos mercados do mundo desenvolvido a partir da crise de 2008 "vaza" com força para os emergentes, potencializando distorções.
Nos países avançados, além de os BCs terem elevado muito a oferta de dinheiro no mercado, a taxa de juro por eles praticada é hoje em muitos casos negativa (menor que a inflação).
O investidor que tem acesso a esse dinheiro barato dos BCs procura alternativas de ganhos fora de seus países. Nos EUA, pode captar dólares a custo perto de zero e receber remuneração próxima a 8% ao ano em um país como o Brasil.
"O grande risco é ocorrer uma reversão abrupta desses fluxos de capital especulativos", diz Effie Psalida, uma das autoras do relatório do Fundo.
Normalmente, o controle de capital é uma medida que onera a entrada de dólares em um país com impostos ou que impõe um prazo mínimo para que o dinheiro fique aplicado, reduzindo o risco de saídas violentas de capital estrangeiro.
Outra sugestão do FMI para tentar neutralizar o efeito de ingresso exagerado de dólares é acumular reservas. O expediente vem sendo adotado pelo BC brasileiro, mas ainda assim o dólar tem se desvalorizado.
As Bolsas dos mercados emergentes, em especial a do Brasil, têm subido nos últimos meses impulsionadas por essa entrada de dólares.
A contrapartida é que a cotação da moeda continua pressionada para baixo por conta dessa oferta de dólares, o que reduz o ganho dos exportadores.
Com a inflação em alta nas últimas semanas, a expectativa é que o BC brasileiro comece a aumentar a taxa de juros para conter a atividade econômica.
Isso deve estimular ainda mais investidores internacionais a investir em papéis do Tesouro brasileiro (que oferecem remuneração maior que a dos títulos norte-americanos).
A especialista em economia internacional Alessandra Ribeiro, da Tendências, discorda da sugestão do Fundo. "A maior parte dos dólares que entra no Brasil hoje é de investimentos produtivos ou para financiamento de empresas. São capitais de longo prazo", diz.
Para Sidnei Nehme, diretor-executivo da corretora de câmbio NGO, a recomendação do FMI pode conter uma "espécie de armadilha".
"Parece haver um interesse dos países desenvolvidos [que controlam na prática o FMI] em querer segurar esse capital em seus próprios mercados."  (FERNANDO CANZIAN - Folha de S.Paulo)

15.04 - Analistas veem PIB de 6% como piso
Uma elevação de 6% no Produto Interno Bruto (PIB) deste ano é "piso". Com a alta esperada de 2% no primeiro trimestre sobre os últimos três meses do ano passado, será preciso diminuir sensivelmente o ritmo - para algo próximo a 1% por trimestre, até o fim do ano - para, ainda assim, registrar crescimento entre 6% e 6,5% no PIB. A avaliação é consensual não entre economistas do governo, mas entre analistas do mercado financeiro. Para Ilan Goldfajn, Alexandre Schwartsman, Eduardo Loyo e Luiz Fernando Figueiredo, todos ex-diretores do Banco Central, hoje quadros proeminentes de bancos privados e de gestoras de recursos, o país está crescendo "com força", desencadeando um processo inflacionário ancorado na ampliação da demanda e, por isso, necessita de um "ajuste firme". Segundo eles, o Banco Central será o protagonista do processo de controle, visto que o governo mantém ou até amplia os estímulos fiscais e o crédito por meio dos bancos públicos e de fomento.
Reunidos em seminário promovido pela Emerging Markets Traders Association (EMTA), no Itaú Cultural, em São Paulo, os economistas foram unânimes em defender elevações nas taxas de juros, hoje em 8,75% ao ano, como forma de conter um crescimento da atividade "muito acima do potencial". Segundo cálculos do economista Affonso Celso Pastore, ex-presidente do Banco Central e também presente ao evento, mantidos os atuais ritmos de absorção da mão de obra e aumento dos investimentos, o PIB potencial brasileiro seria próximo a 4,5%. Isto quer dizer que a economia pode crescer até 4,5% sem gerar pressões inflacionárias.
"O ritmo atual de crescimento trimestral é de 2%. Ainda que caia para cerca de 1,1% nos próximos três trimestres, fecharemos 2010 com uma elevação de 6,5% no PIB", avalia Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco. Para ele, no entanto, "não há nenhum sinal de que haverá desaceleração".
Pelo contrário, acredita Schwartsman, economista-chefe do Santander. De acordo com o economista, os sinais dados pelos índices de preços, no primeiro trimestre do ano, são de que "a demanda doméstica está pressionando a inflação". Nos primeiros três meses do ano, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou 2,06%, quase metade da meta de 4,5% perseguida pelo BC até o fim do ano. "O peso para conter essa demanda forte recairá sobre o BC", avalia Schwartsman.
Segundo os economistas, o BC deve começar a elevar a Selic já neste mês, na reunião que ocorre no dia 27. A avaliação é de que o processo deveria ter sido iniciado antes disso. Até o fim de 2010, avaliam, a Selic deve saltar dos 8,75% atuais para algo entre 11,75% e 12% ao ano.
O economista da Mauá Investimentos, Luiz Fernando Figueiredo, não vê riscos eleitorais afetando a ação do Banco Central. Segundo ele, "as válvulas que o governo encontrou no ano passado para capitalizar bancos públicos, como o BNDES, trazem mais incertezas que a atuação do BC neste e nos próximos anos". O economista aposta que a atuação do BC, no ano, será balizada pelo controle da inflação e, por isso, "não terá problemas em elevar os juros".
A elevação dos juros deve ampliar a entrada de capitais, que, ao mesmo tempo em que financiam o crescente déficit das transações correntes - segundo analistas, deve passar de 1,2% do PIB em 2009 para cerca de 2,5% do PIB neste ano - também pressionam a valorização do câmbio. Assim, bancos e consultorias trabalhavam, desde o início do ano, com uma diminuição do saldo comercial em 2010, frente aos cerca de US$ 25 bilhões registrados em 2008 e 2009.
O reajuste de preços do minério de ferro, anunciado pela Vale, BHP Billiton e Rio Tinto, de cerca de 90%, pode alterar essa rota, segundo economistas. Pastore lembra que somente o aumento promovido pela Vale deve significar US$ 10 bilhões a mais no saldo comercial. Ele vê o risco de uma entrada forte de recursos, com apreciação do real.   (João Villaverde e Cristiane Perini Lucchesi - Valor Online)
 
 
 
 
 

14.04 - Mercado aumenta previsão para inflação de 2010
O mercado aumentou pela 12ª vez consecutiva a perspectiva para a inflação de 2010, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), para 5,29%, enquanto a estimativa da semana passada era de 5,18%, segundo o relatório Focus, divulgado segunda-feira, pelo Banco Central (BC).
A taxa básica de juros (Selic) se manteve estável em 11,25% nesta semana, enquanto para 2011 a perspectiva passou de 11% na semana passada, para 11,25%. A previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) de 2010 passou de 5,52% para 5,6%.
O BC manteve estável a previsão para o superávit da balança comercial neste ano, em US$ 10 bilhões, enquanto para 2011 caiu de US$ 4,5 bilhões para US$ 3,54 bilhões.   (Executivos Financeiros)

14.04 - Brasil deve crescer 6,4%
A economia brasileira terá expansão de 6,4% neste ano, bem mais que o dobro que o país cresceu na média dos últimos 15 anos, que foi de 2,9%. Essa é a análise de Octavio de Barros, diretor de pesquisa e estudos econômicos do banco Bradesco.
No novo cenário macroeconômico realizado pelo banco para este ano, a inflação no país será de 5,5% no IPCA, do IBGE, e de 8,0% no IGP-M, da FGV.
"Caso não haja reação tempestiva do Banco Central, esses números deverão ser revisados para cima. Contudo, consideramos que a política monetária será acionada imperativamente com três aumentos sucessivos da taxa Selic a partir de abril, atingindo 11% até julho e continuando o ciclo em 2011 até um pico de juros de 12,25%", afirma Barros.
A balança comercial brasileira projetada pela equipe de economistas do banco deverá atingir saldo positivo de US$ 18,4 bilhões neste ano.
O resultado do superavit se deve, em grande parte, às commodities e, em particular, ao minério de ferro, cujo preço médio deverá ser reajustado em cerca de 90%, segundo análise do Bradesco.   (Maria Cristina Frias - Folha de S.Paulo)

14.04 - Economia: Sinais de indigestão
Afora o previsível BC, restante dos economistas de Lula passa a achar que economia já está crescendo demais
A Economia está quente demais. Não apenas na opinião dos suspeitos de sempre, como o Banco Central e a finança privada. O restante do governo Lula que também se ocupa de economia está preocupado com os aumentos devidos à animação excessiva da economia.
Não se trata mais só de "evitar que o BC aumente demais os juros". O governo está algo surpreendido com a velocidade da recuperação. Pensa agora como pode ajudar a conter a escalada de alguns preços.
A estimativa oficial para o aumento do PIB deste ano é ainda de 5,5%. Mas, afora imprevistos fortes, o governo acha que a economia já vai para 6%. Ainda está menos otimista que dois bancões.
Os economistas do Itaú Unibanco revisaram na sexta-feira passada sua projeção de crescimento para 2010 de 6% para 6,5%; a inflação ficaria em torno de 5,3% (o IPCA).
Um pouco antes, o pessoal do Bradesco revisara sua projeção de alta do PIB para 6,4%, com inflação em torno de 5,5%. Na média do mercado ouvida pelo BC, o PIB sobe 5,6%, e o IPCA, 5,3%.
Os economistas do Bradesco esperam três altas de 0,75 ponto percentual para a taxa de juros, que iria assim de 8,75% para 11%. Os do Itaú Unibanco acreditam em quatro aumentos de 0,75, com a Selic indo a 11,75%. Ainda pedem mais altas de juros no primeiro trimestre de 2011.
O preço de matérias-primas industriais (metais) sobe no mundo inteiro, reajustes que vão desaguar aqui. Para o bem e para o mal, o preço dos produtos de exportação brasileiros está subindo, agora até um pouco mais que os dos importados.
O preço dos alimentos continua a subir, mesmo após a temporada climática ruim. Indústrias famintas com o faturamento magro de 2009 estão conseguindo reajustes, dados o aumento contínuo da renda e a melhora do crédito para pessoas físicas.
O governo está preocupado com esses três vetores de inflação. Pensa até em facilitar a importação de alguns insumos industriais. Como de costume, a parte dos economistas do governo que não está no Banco Central gostaria de ver o BC tomar medidas "alternativas" para reduzir o crescimento do crédito. Ou seja, exigir que os bancos deixem mais dinheiro parado no BC -aumentar o compulsório.
Em tese, o BC não acha que congelar mais dinheiro dos bancos seja o modo de conter o crédito. Porém, o BC sabe que algum efeito o aumento do compulsório tem, efeito muito mal estudado.
No que diz respeito ao corte do gasto público, outro modo de conter consumo e crescimento excessivos, o governo tem pouco tempo e pouco raio de ação para este ano. Teria de talhar na carne eleitoral, como parar obras e medidas ineficientes dessa espécie, pois contratou muita despesa inadiável. E ainda pode ter de arcar com mais reajustes do INSS.
Atitudes outras são ainda mais exóticas e com cheiro de mofo, como limitar prazos de financiamento (encurtar crediários) e elevar impostos financeiros. De resto, são medidas que vão na veia do eleitor. Gente do governo ressalta que tais coisas nem estão em cogitação.
Já não tem muito jeito. Haverá paulada nos juros. E, mesmo assim, o efeito disso só vai ser sentido na veia depois da eleição.  (VINICIUS TORRES FREIRE - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

13.04 - Aberturas de capital devem se intensificar
Embora o volume de operações feitas no início do ano tenha ficado abaixo da previsão, perspectiva é de aumento, dizem analistas 
Com reação das economias e das empresas, lançamentos de ações já cresceram 400% no 1º trimestre em todo o mundo, aponta consultoria 
O Brasil, que vivia uma febre de abertura de capital de empresas antes do agravamento da crise internacional em 2009, deve ser um dos países que mais terão companhias indo à Bolsa nos próximos dois anos, segundo especialistas.
A trajetória de queda dos juros e a recomposição da liquidez internacional no mercado de crédito facilitam o financiamento corporativo pelos meios tradicionais, como emissões de títulos e empréstimos de bancos. Mas o mercado de ações é cada vez mais a escolha dos empreendedores que buscam recursos para ampliar as suas operações e se preparar para a esperada decolagem do Brasil.
Essa opção tem, para os gestores, a vantagem de reforçar a marca das companhias, tornando-as mais conhecidas do público em geral, que está se familiarizando com a Bolsa, e ainda trazer para dentro do negócio novas e mais modernas normas de administração.
De acordo com informações da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), já existem atualmente em análise 18 pedidos de ofertas de lançamento de ações por companhias brasileiras. Dessas operações, seis são de IPOs (ofertas públicas iniciais, na sigla em inglês).
"O único fator que pode atrapalhar é a elevação dos juros nos EUA, porque, nesse caso, os investidores correriam para alocar parte dos seus recursos em ativos norte-americanos. Mas não parece provável que isso vá acontecer tão cedo, pelo comportamento da economia por lá", ressalva Ricardo Fontes, professor do Insper.
Segundo pesquisa feita pela firma de auditoria e consultoria Ernst & Young, 267 empresas abriram capital nos três primeiros meses do ano em todo o mundo, o que significa elevação de 413% na comparação com o registrado no mesmo período de 2009 (52 IPOs).
Essas operações movimentaram US$ 53,2 bilhões globalmente, e, desses, 6% se referem a transações ocorridas no mercado de capitais do Brasil. O país ficou na quarta posição no ranking de aberturas entre janeiro e março deste ano, com cinco operações, as quais captaram US$ 3,3 bilhões. Os três primeiros colocados foram China, Japão e Estados Unidos.
Essa retomada se deve, principalmente, à melhora no cenário econômico mundial, pois os países dão sinais de recuperação das suas atividades -nos emergentes, mais do que nos EUA ou na Europa.
Por isso, juntos, os países do chamado grupo dos Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) conseguiram 49% do total das aberturas de capital, o correspondente a US$ 26,2 bilhões em 135 negociações. Seis dos dez maiores IPOs e 11 dos 20 maiores vieram do grupo de países emergentes.
Embora os valores dos IPOs realizados no Brasil no início de 2010 tenham ficado um pouco abaixo do esperado, a sinalização é positiva, destaca Paulo Sérgio Dortas, sócio da Ernst & Young Brasil para essa área, em nota. "As perspectivas são as melhores possíveis. A atividade nos mercados emergentes continua forte, mas o diferencial do período é que presenciamos o renascimento da atividade em mercados importantes, como Tóquio, Londres, Paris e Frankfurt", diz Dortas.
O continente asiático foi o que apresentou maior número de IPOs no primeiro trimestre de 2010: 166 (US$ 35,1 bilhões).
Na Europa, apesar das incertezas e dos temores que cercam o euro e a saúde financeira de países como Grécia e Portugal, o número de IPOs registrado nos três primeiros meses deste ano foi o maior desde o último trimestre de 2007: 39.   (Folha de S.Paulo)

13.04 - Falta de recursos ameaça obras do governo
Capacidade de financiamento do BNDES a megaprojetos preocupa o Planalto, que estuda capitalização de R$ 100 bi 
Entre os gastos bilionários, estão hidrelétricas, trem-bala e PAC 2; BNDES nega risco e diz que setor privado também participará dos investimentos
A capacidade de financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) em 2010 para os megaprojetos de infraestrutura do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) preocupa o Palácio do Planalto.
Só a hidrelétrica de Belo Monte e o trem-bala, que deverão ser leiloados neste ano irão exigir, juntos, R$ 35 bilhões do banco nos próximos anos. Isso sem contar as linhas de transmissão das usinas do rio Madeira, a construção de Angra 3, os complexos bilionários na área de petroquímica, além de portos (cujo programa de licitação está na iminência de sair), estradas, ferrovias e a criação de uma "gigante nacional" na área de energia.
Além disso, o processo de capitalização da Petrobras exigirá outros bilhões da instituição. Se o projeto de lei da capitalização da estatal for aprovado no Congresso, o BNDES injetará recursos para manter sua fatia de 7,7% no capital da estatal ou até aumentá-la, conforme já foi anunciado pelo presidente do banco, Luciano Coutinho. E, se o projeto não for apreciado no Legislativo em 2010, o BNDES poderá antecipar R$ 20 bilhões em financiamento para que a Petrobras viabilize seu plano de investimento.
A equipe econômica trabalha com previsões totalmente abstratas para os financiamentos públicos a partir de julho, e está em estudo na Fazenda uma nova capitalização do banco via Tesouro, cuja soma poderia chegar a R$ 100 bilhões.
A projeção oficial do BNDES é de um desembolso de R$ 126 bilhões em financiamentos neste ano, valor 8% inferior aos R$ 137 bilhões liberados no ano passado. E para os próximos anos existem previsões de grande aumento de demanda na área de infraestrutura com os megaempreendimentos desenhados especialmente para o ciclo de exploração do pré-sal, Copa do Mundo e Olimpíada.
Mais desembolsos
Confirmando a tendência de aquecimento, nos dois primeiros meses do ano os desembolsos do BNDES mantiveram um crescimento vertiginoso. Em janeiro, somaram R$ 7,7 bilhões, com alta de 74% na comparação com o mesmo mês de 2009 e, em fevereiro, os desembolsos foram de R$ 8,3 bilhões, com aumento de 66%.
O BNDES disse, por meio de sua assessoria, que acredita que o valor dos desembolsos, um pouco inferior ao do ano passado, é suficiente porque é esperado que o mercado privado atue de maneira mais ativa na tarefa de manter os investimentos em alta. Mas o setor financeiro privado reluta muito em ingressar em projetos como o da usina Belo Monte e o trem-bala, que exigem um volume muito alto de recursos e são considerados "inseguros".
A assessoria do banco disse que acha prematuro fazer previsões em relação à demanda gerada pela Copa do Mundo, pela Olimpíada e pelo PAC 2.
Se o Tesouro decidir fazer um novo aporte para que o BNDES tenha recursos, a iniciativa poderá comprometer as contas públicas. Isso porque todo crédito novo é financiado por emissão de dívida.
E para dar verba ao banco de fomento, o Tesouro arca com subsídio bilionário: capta por Selic (8,75% ao ano) e empresta por TJLP (6% ao ano). No ano passado, o Tesouro fez um aporte de R$ 100 bilhões no BNDES e, neste ano, de mais R$ 80 bilhões.  (LEILA COIMBRA - Folha de S.Paulo)

13.04 - Zona do euro propõe crédito de 30 bi para socorrer Grécia
Com detalhamento do plano de ajuda a Atenas, países esperam conter o nervosismo do mercado 
Os países europeus definiram, no domingo, os primeiros detalhes concretos de um pacote para socorrer a endividada Grécia, cujas dificuldades financeiras vêm provocando nervosismo nos investidores e ameaçando a estabilidade da moeda comum e da região.
Pelo plano alinhavado durante uma teleconferência entre ministros de Economia, as 16 nações que fazem parte da zona do euro propuseram emprestar até 30 bilhões a Atenas, cobrando uma taxa de juros de cerca de 5% ao ano, inferior à que os gregos têm pago atualmente, de 7% a 7,5% ao ano. O acordo ainda precisa ser assinado, o que deve acontecer nos próximos dias.
Desde os primeiros sinais de problemas na Grécia, há algumas semanas, os europeus sinalizam que podem lhe dar algum suporte, porém não haviam especificado como e em que montante essa ajuda viria. "Agora estamos dando o esclarecimento pelo qual os mercados têm esperado, mostrando que há dinheiro por trás disso tudo", afirmou Jean-Claude Juncker, primeiro-ministro e ministro da Fazenda de Luxemburgo, líder do grupo de ministros das Finanças dos países da região. "Fica nas mãos do governo grego decidir se quer utilizar esse novo mecanismo ou não."
A Grécia agradeceu a iniciativa, porém frisou que, por ora, não vai fazer uso desse financiamento especial, pois espera poder continuar tomando empréstimos normalmente no mercado -embora o rebaixamento da sua nota de risco pela agência de classificação Fitch Ratings, na sexta-feira, para um nível acima do patamar classificado como "podre" possa dificultar (e encarecer) as operações daqui para a frente.
Amanhã, a estratégia do país será objeto de um grande teste com uma emissão de títulos soberanos de curto prazo. O resultado mostrará se a demonstração de união dos europeus será suficiente para conter a especulação contra a Grécia.
"Com a decisão de hoje [ontem], a Europa envia uma clara mensagem de que ninguém pode brincar com a nossa moeda comum, ninguém pode brincar com o nosso destino conjunto", disse George Papandreou, o primeiro-ministro grego, em comunicado.
Para o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, a resolução "mostra que a zona do euro é séria em fazer o que é necessário para garantir a estabilidade financeira da região".
O FMI (Fundo Monetário Internacional) também vai abrir uma linha de crédito para a Grécia, mas ainda não definiu de quanto -segundo autoridades europeias, o volume ficaria entre 10 bilhões e 15 bilhões. As negociações com o Fundo começam hoje.
Como o eventual empréstimo europeu teria cobrança de juros, não quebraria uma lei da região segundo a qual os países-membros da zona do euro não podem se socorrer mutuamente, esclareceu Juncker. A contribuição de cada nação seria proporcional à sua fatia no capital do BCE (Banco Central Europeu), que, por sua vez, se baseia no tamanho da sua economia. E até mesmo Portugal, Espanha e Irlanda, que igualmente enfrentam dificuldades, concordaram em participar   (Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

12.04 - Inflação no trimestre é a maior em 7 anos
Nos três primeiros meses de 2010, IPCA fica em 2,06% sob pressão de alimentos, que sobem mais do que em todo o ano passado
IPCA se desacelera em março, para 0,52%, e alimentos contribuem com dois terços do resultado; IBGE vê sinais de inflação de demanda
Pressionado por uma forte alta dos alimentos, o IPCA ficou em 0,52% em março, abaixo do 0,78% de fevereiro, graças apenas ao fim da correção sazonal das escolas. Tal resultado fez o índice em 12 meses acumular uma variação de 5,17%, acima do centro da meta do governo (4,5%) e superior a 5% pela primeira vez desde maio do ano passado.
No primeiro trimestre, o IPCA subiu 2,06%, maior taxa para o período desde 2003 (5,13%). No mesmo período de 2009, o índice fora de 1,23%.
Vilões do mês, os alimentos subiram de 0,96% em fevereiro para 1,55% e tiveram a maior variação mensal desde junho de 2008 (2,11%). Sozinho, o grupo alimentação contribuiu com 0,35 ponto percentual do índice geral, o que correspondeu por 67% do resultado.
No primeiro trimestre, os alimentos subiram 3,69%, mais que os 3,18% registrados em todo o ano passado.
Em março, as altas de destaque ficaram com tomate (42,95%), feijão-carioca (10,46%), batata-inglesa (8,44%), leite pasteurizado (8,03%) e açúcar refinado (6,32%).
Em parte, foram impulsionadas pelo calor e pelas chuvas em excesso. Há também, no entanto, pressões típicas do consumo maior de alguns itens, como o leite.
Inflação de demanda
Segundo Eulina Nunes dos Santos, o movimento de alta dos alimentos é "generalizado" e há sinais de inflação de demanda (quando os preços sobem devido à alta procura) em alguns produtos, embora a tendência não esteja clara ainda.
"A chuva e o calor têm prejudicado as lavouras, o que reduz a oferta. Com isso, os preços sobem muito. É o caso do tomate, por exemplo. Mas há a questão da demanda, que pode permear toda essa situação, mas não é evidente ainda."
Além do leite, mais consumido pela baixa renda neste ano, outro sinal de "inflação de demanda" vem das recorrentes altas da alimentação fora de casa, que subiu 0,57% em março.
"As pressões de demanda existem, mas elas não preponderam desde o início do ano", diz Fábio Romão, da LCA.
Em março, a inflação cedeu não só na esteira da ausência dos reajustes das mensalidades mas também por causa dos combustíveis. É que com o início da safra de cana-de-açúcar caiu o preço do álcool (-8,87% em março) e, por consequência, o da gasolina (-1,95%).
Para o economista da LCA, o IPCA vai entrar numa fase de "descompressão" e, aos poucos, convergirá para o centro da meta. A LCA projeta taxa de 4,7% ao final do ano, pouco acima do objetivo central de 4,5%.
Menos otimista, a Rosenberg & Associados avalia que há sinais claros de inflação de demanda e não estima desaceleração nos próximos meses -o que obrigará o Banco Central a subir os juros. A LCA espera elevação da Selic já neste mês.
"Com o movimento de preços livres em alta e a demanda cada vez mais forte, dificilmente a inflação arrefecerá até o final do ano", afirma a Rosenberg em sua análise.
Romão argumenta, por seu turno, que os preços no atacado já sinalizam para deflação, o que aliviará, nos próximos meses, as taxas no varejo.
O IGP-DI (Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna), divulgado ontem, registrou alta de 0,63% -abaixo do 1,09% de fevereiro. No atacado, os preços avançaram 0,52%, com deflação nos itens industriais (-0,05%). Já no varejo, o índice ficou em 0,86%, também pressionado por alimentos.   (PEDRO SOARES - Folha de S.Paulo)

12.04 - Inflação no ano atinge quase metade da meta
A inflação desacelera, mas ainda assim supera as expectativas do governo e do mercado para o início de ano. Ao subir 0,52% em março e acumular 2,06% em apenas três meses, a alta de preços no varejo já atingiu quase metade da meta de 4,5% para o ano todo, perseguida pelo Banco Central (BC). As perspectivas de aceleração da atividade - o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer 6% em 2010 - e da alta de preços importantes na economia, como o minério de ferro, deixam os economistas em alerta para uma inflação mais salgada neste ano.
Puxado pela alta dos alimentos e de serviços, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal indicador de inflação no varejo, registrou avanço superior à média do mercado, que trabalhava com taxas inferiores a 0,5%. Ainda que as pressões sazonais de transportes (que recuaram de 1,45%, em janeiro, para -0,54%, em março) e material escolar (de 4,53% para 0,54% entre fevereiro e março) tenham arrefecido, o índice de difusão se expandiu de 61,4% em fevereiro para 66,4% em março. Isso significa que aumentou o número de diferentes produtos que tiveram elevação de preços. Os analistas, no entanto, divergem quanto a capacidade dessa alta no trimestre se manter ao longo do ano.
"Os alimentos estão pressionando os preços desde o começo do ano, principalmente no mês passado, mas não são motivados por demanda excessiva", avalia José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Fator. Gonçalves ressalta que apenas alimentos e bebidas responderam por 0,35% da alta do IPCA em março. "E esses foram pressionados por choques em produtos in natura, devido a problemas de chuva, ou em alguns grãos, que tiveram problemas no mercado internacional", diz. Descontada a alta de alimentos, os outros preços cresceram 0,22% em março. "Isso não pode ser caracterizado como demanda explosiva."
Em igual período de 2008, os alimentos também pressionavam a inflação, inflamando o mercado, que levou as expectativas inflacionárias para aquele ano para níveis superiores à meta ampliada do BC, de 6,5%. O Banco Central, então, começou a elevar a taxa Selic em abril daquele ano. "Hoje, no entanto, o movimento é diferente", diz Felipe Insunza, analista da Rosenberg & Associados. Segundo ele, a alta nos alimentos verificada em 2008 era mais concentrada em grãos, como soja e milho, enquanto neste ano é explicada por problemas da oferta interna em produtos in natura, prejudicados pelas chuvas em excesso verificadas em São Paulo, no começo do ano. "Em 2008 estávamos importando inflação, agora ela ocorre aqui dentro", avalia.
A expectativa de bancos e consultorias, segundo o boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, é de que o IPCA termine o ano próximo a 5,2%, acima, portanto, da meta do BC. Além da alta mais forte registrada no primeiro trimestre, o mercado avalia que o aumento de 90% proposto pelas três mineradoras (Vale, BHP Billiton e Rio Tinto) para o preço do minério de ferro a partir deste segundo trimestre terá impacto considerável sobre os preços no varejo.
Assim, os preços de bens industriais devem repassar a alta do minério, ainda que em menor escala. Divulgado ontem, o Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI), que apura os preços no atacado, acusou deflação de 0,05% nos itens industriais, em queda em relação aos 1,35% registrados no mês anterior. Para Insunza, os ajustes do minério de ferro e siderurgia devem contaminar toda a cadeia de bens industriais e preços de frete já a partir deste mês, alterando a rota deflacionária.
A alta do minério de ferro, por outro lado, deve ser contrabalançada por reajustes menores em energia e telefonia. Em alguns casos, haverá inclusive deflação entre os administrados. Ontem começou a valer a nova tabela de tarifas de energia para mais de 230 municípios paulistas, que terão redução de 5,04%. Para a indústria, a deflação chega a 6,64%, segundo os contratos da CPFL Paulista, concessionária da região. Em comparação, no ano passado, as tarifas tiveram alta de 20,2% e 24,8%, respectivamente. O movimento de baixa deve continuar ao longo de 2010. Em julho serão reajustados os contratos da Eletropaulo; agosto, da Elektro; e em outubro, da Bandeirante.
A valorização cambial explica boa parte da baixa nos preços administrados neste ano. No mesmo período de 2009, devido aos efeitos da crise mundial, o dólar oscilava em níveis próximos a R$ 2,20. Hoje, a moeda é negociada por menos de R$ 1,80. Por isso, outros preços como a tarifa de telefonia, também deverão registrar altas menos expressivas. O Índice de Serviços de Telecomunicações (IST), usado para o reajuste das contas de telefone é calculado por uma cesta de itens como câmbio - mais favorável - e o IGP-M do ano anterior - que registrou deflação em 2009.
O economista Bernardo Wjuniski, da Tendências Consultoria, avalia que a combinação entre administrados comportados, arrefecimento dos alimentos e o efeito da alta dos juros por parte do BC devem trazer o IPCA para o centro da meta de 4,5% até o fim do ano. "O impacto do minério de ferro será de apenas 0,2% no índice total. Além disso, não vemos pressão de demanda até agora", afirma. Segundo os analistas, o BC deve elevar a Selic no fim deste mês em 0,5 ponto, alcançando 9,25% ao ano.  (João Villaverde - Valor Online)
 
 
 
 
 
 

09.04 - Fed: Economia ainda não está fora de perigo
O presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke, disse que embora a economia tenha começado a crescer novamente, ela "está longe de estar fora de perigo". "Hoje, a economia continua a operar bem abaixo de seu potencial, o que implica que uma acentuada redução no curto prazo em nosso déficit fiscal provavelmente não será prático ou aconselhável", afirmou.
Contudo, ele alertou que a fragilidade atual da recuperação econômica não deve ser um impedimento para os EUA começarem a elaborar um plano com credibilidade para enfrentar os desafios fiscais no longo prazo. Um plano crível mostrando um comprometimento para alcançar a sustentabilidade fiscal no longo prazo pode levar a taxas de juro mais baixas e a um crescimento mais rápido no curto prazo, disse Bernanke, acrescentando que os EUA devem tomar decisões difíceis.
"Alguns dos problemas mais difíceis estão no mercado de mão de obra", afirmou Bernanke, acrescentando que estava particularmente preocupado com a taxa de desemprego persistentemente alta, que refletia a fraqueza nas contratações apesar das demissões terem diminuído nos últimos meses. Segundo dados do Fed, mais de 40% dos desempregados passam de seis meses a mais fora do mercado de trabalho, quase o dobro do tempo de há ano. "Eu estou particularmente preocupado sobre essa estatística, porque longo período de desemprego reduz a habilidade (do trabalhador) e a renda no longo prazo e a perspectiva de emprego desses trabalhadores", disse.
"Dito isso, meu melhor palpite é que o crescimento econômico, apoiado pela política monetária de estímulo do Fed, será suficiente para reduzir lentamente a taxa de desemprego ao longo do próximo ano", afirmou.
Bernanke observou que ainda persistem desafios críticos para a economia americana tanto no curto quanto no longo prazo. "Ainda temos de ver evidências de uma recuperação sustentada no mercado de moradia. A inadimplência nos empréstimos de primeira e segunda linha (prime e subprime) continua a crescer, assim como as execuções de hipotecas. O setor de imóveis comerciais permanece problemático, o que é uma preocupação para as comunidades e para os bancos", afirmou.
Em recentes audiências no Congresso, Bernanke alertou os legisladores de que os déficits dos EUA não são sustentáveis. Após exortar os legisladores a elaborarem um plano crível para gradualmente reduzir o déficit em crescimento ao longo do tempo, o presidente do Fed está agora levando a sua mensagem para um público maior.
A proposta de orçamento federal da administração do presidente Barack Obama prevê um déficit recorde de US$ 1,6 trilhão, ou 10,6% do PIB - o mais alto desde a Segunda Guerra Mundial. O governo planeja reduzir o déficit para 3,9% do PIB até o ano fiscal 2014.
Bernanke disse que os EUA terão de decidir entre aumentar os impostos, reduzir os benefícios de seguridade social ou Medicare, ou gastar menos em todas as áreas, da educação à defesa.
Envelhecimento
Os Estados Unidos precisam começar a se preparar agora para os desafios colocados pelo envelhecimento da população com um plano crível para reduzir gradualmente uma crescente dívida pública, afirmou Bernanke. Os gastos com saúde deverão aumentar no longo prazo à medida que cresce a população de idosos nos EUA, colocando desafios sobre as finanças do país, que já estão sob pressão, alertou o presidente do Fed em discurso preparado para um evento na Câmara de Comércio de Dallas. Bernanke disse que "a menos que nós, como uma nação, demonstremos um forte compromisso com a sustentabilidade fiscal, no longo prazo não teremos nem estabilidade financeira nem crescimento econômico saudável." As informações são da Dow Jones.   (Suzi Katzumata - Agência Estado)

09.04 - EUA precisam recuperar sustentabilidade fiscal
Presidente do BC dos EUA alerta para desafios trazidos pelo envelhecimento da população
Os EUA precisam começar a se preparar agora para os desafios colocados pelo envelhecimento da população com um plano crível para reduzir gradualmente uma crescente dívida pública, afirmou o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke.
Os gastos com saúde deverão aumentar no longo prazo à medida que cresce a população de idosos nos EUA, colocando desafios sobre as finanças do país, que já estão sob pressão, alertou o presidente do Fed em discurso preparado para um evento na Câmara de Comércio de Dallas.
Bernanke disse que "a menos que nós, como uma nação, demonstremos um forte compromisso com a responsabilidade fiscal, no longo prazo não teremos nem estabilidade financeira nem crescimento econômico saudável.
Para combater a crise financeira, o governo dos EUA reduziu impostos e elevou os gastos ao longo dos últimos dois anos, levando a um acentuado desequilíbrio orçamentário. As preocupações com o déficit orçamentário poderão começar a trabalhar contra os próprios esforços do Fed para reviver a economia através da elevação das taxas de juro de longo prazo.
A atenção do mercado mudou para como a política fiscal pode retornar para um rumo sustentável depois da crise. Os yields (taxa de retorno) dos Treasuries subiram recentemente em meio aos temores sobre déficits orçamentários muito altos. O problema se estende a outras partes do mundo, como destacado pela crescente pressão sobre a dívida soberana da Grécia.
A íntegra do discurso de Bernanke está disponível, em inglês, no site do Fed, para ver o texto, clique aqui. As informações são da Dow Jones.  (Suzi Katzumata - Agência Estado)

09.04 - Será que foi mesmo uma 'Grande Depressão'?
O presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, a chama de "pior crise financeira da história moderna". Seu antecessor à frente do banco central americano, Alan Greenspan, diz que foi "a mais virulenta crise financeira mundial de todos os tempos". A recessão resultante foi mais longa e profunda do que qualquer outra que os Estados Unidos tenham vivido desde a Segunda Guerra Mundial.
Mas será que ela merece o pesado epíteto de "Grande Recessão" que parece estar adquirindo? "Grande" é uma palavra de peso, uma marca de enorme significado histórico. A Primeira Guerra Mundial foi a Grande Guerra, até que houve a segunda.
Herbert Hoover foi um dos primeiros a falar da "Grande Depressão", usando a expressão em 1931 porque a achava menos alarmante que "pânico" ou "crise". A Grande Depressão certamente merece o nome. A produção industrial caiu 45% entre 1929 e 1932. O desemprego foi de 3% para 25%.
Economistas americanos muitas vezes se referem à Grande Inflação da década de 1970, a única vez em que os EUA viram uma inflação sustentada acima de 5% em tempos de paz no século XX. Durante um tempo, eles falaram sobre a Grande Moderação, o período de águas inusitadamente calmas que foi de meados dos anos 80 a meados dos anos 2000 e que alguns viam como uma mudança permanente. Eventos recentes sugerem que aquilo poderia ser melhor descrito como a Grande Miragem.
A recente recessão começou em dezembro de 2007 e provavelmente terminou em junho ou julho de 2009. (O fim da recessão não é o término vitorioso de um jogo. A data marca apenas o momento em que as coisas pararam de piorar.) Ela durou 18 meses, mais que qualquer recessão no pós-guerra. A produção industrial caiu 16%, muito mais do que em qualquer recessão depois da Depressão. As folhas de pagamento caíram 6%, algo inigualado em recessão do último meio século. O desemprego foi de 4,4% para 10,1%, um aumento superior ao do início dos anos 80 - ainda que aquele crescimento de 5 pontos percentuais tenha levado a taxa de desemprego a 10,8% em 1982.
"Está bem claro que esta é a mais severa recessão do pós-guerra", diz Mark Watson, um economista da Universidade Princeton. Mas "grandeza", acrescenta, implica algo mais que "severo".
Como Catherine Rampell, do "New York Times", observou recentemente, com um toque de exagero: "Toda recessão das últimas décadas recebeu, em algum momento ou outro, essa designação especial". Os arquivos de jornais registram tentativas persistentes de afixar o apelido às recessões profundas de 1974-75 e do início dos anos 80.
A agência de notícias Associated Press decidiu em fevereiro usar Grande Recessão como um nome próprio. "Tornou-se expressão comum no governo e entre economistas", diz David Minthorn, editor-adjunto de padronização da AP. "Ela teve tremendo impacto. Parece ser um marco. É por isso que estamos usando isso." Também a usam o presidente Barack Obama ("Por todo o país", disse em dezembro, "americanos que perderam emprego na Grande Recessão estão à procura de trabalho.") e o economista Lawrence Summers, da Casa Branca ("Há uma Grande Recessão por toda parte", disse na TV esta semana. "Há uma depressão silenciosa entre as pequenas empresas.") A expressão apareceu impressa mais de 10 mil vezes no último ano, informa uma busca no banco de dados Factiva.
Mas uma rápida enquete entre acadêmicos que integram o comitê americano que data as recessão não produz nenhum consenso.
"O declínio no emprego é suficientemente maior que qualquer registrado, fora a Depressão, para que o 'grande' (isto é, terrível) seja justificado", diz Bob Hall, da Universidade Stanford. James Stock, de Harvard, acrescenta: "Esse termo é apropriado mesmo que pareça servir a uma tendência natural de exagero. Se com 'grande' queremos dizer disseminada, profunda e prolongada, esta recessão justifica pelo menos duas das três". Outros fenômenos econômicos chamados de "grandes" duraram mais, diz.
Watson, da Universidade Princeton, argumenta que, como a recessão provocou medidas inéditas do Fed e do Departamento do Tesouro e está tendo um impacto maior no pensamento econômico que retrações anteriores, foi "a mais importante recessão do período pós-guerra" e portanto pode "ser razoavelmente descrita como grande".
Mas Jeffrey Frankel, da Universidade Harvard, tem suas dúvidas. "Foi mesmo quantitativamente diferente do início dos anos 80?", questiona. Robert Gordon, da Universidade Northwestern, usa o mesmo argumento: "Não me referiria a ela como a Grande Recessão", diz enfaticamente. "Não está claro em 1980-82 x 2007-09 qual foi a 'grande' recessão pós anos 30."
Como a recessão é chamada é irrelevante para suas vítimas. Ela foi tortuosa e destrutiva qualquer que seja o nome. Mas os epítetos moldam a narrativa nacional e as lições aprendidas. Eles influenciam a visão do passado de maneiras que afetam comportamentos e políticas para o futuro. Para mim, o que fez esta recessão verdadeiramente grande não é apenas sua profundidade e duração, são as mudanças que está provocando no papel do governo na economia, nas regras para as finanças, no negócio bancário - e nas atitudes dos americanos em relação a gastos e poupança, aposentadoria e casa própria, instituições financeiras e governo.  (David Wessel - The Wall Street Journal/Valor Online)
 
 
 
 
 

08.04 - BC aprova incorporação da Nossa Caixa pelo BB
O Banco do Brasil (BB) informa que o Banco Central do Brasil (Bacen) aprovou a incorporação do Banco Nossa Caixa. O BB passa a deter a totalidade do patrimônio da Nossa Caixa, bem como todos os direitos e obrigações.
Na mesma decisão, o Bacen informa que o Banco Nossa Caixa teve sua autorização de funcionamento cancelada a partir de 01 de abril de 2010. O BB também informou que as ações da Nossa Caixa serão convertidas em ações do BB a partir de 09 de abril de 2010, sendo 08 de abril de 2010 o último dia para negociação das ações BNCA3 em bolsa. Uma vez cancelado o registro do Banco Nossa Caixa na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o mesmo ocorrerá na Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa).
Para conversão das ações, serão obedecidas as relações de substituição de uma ação ordinária de emissão do BNC para 2,28873181 ações ordinárias de emissão do BB. Ainda de acordo com o Protocolo de Justificação e Incorporação as ações convertidas farão jus aos mesmos direitos e vantagens atribuídas às ações ordinária do BB em circulação.  (Executivos Financeiros)

08.04 - Compromisso com as metas de inflação
A escolha de Henrique Meirelles para a presidência do Banco Central tranquilizou os mercados financeiros - e os agentes econômicos, em geral - no início do governo Lula. Embora a política monetária do BC tivesse sofrido muitas críticas do PT e de aliados do presidente, o Banco Central não teve a sua autonomia operacional ameaçada nesses sete anos e três meses.
Tal política se mostrou exitosa, pois certamente contribuiu para criar as condições que levaram a economia brasileira a ser promovida a grau de investimento pelas agências de classificação de risco. As iniciativas do BC durante a recente crise financeira internacional também evitaram um contágio que possivelmente teria levado o país a enfrentar processo recessivo ainda mais grave.
Nesse sentido, a decisão de Meirelles de permanecer à frente do Banco Central nos meses restantes do governo Lula amortecerá especulações que poderiam agitar os mercados financeiros no período pré-eleitoral.
A eventual saída de Meirelles já vinha se refletindo nas projeções de analistas financeiros para a trajetória das taxas futuras de juros, pois temia-se que uma diretoria com mandato tampão não conseguisse impor suas diretrizes em um momento que a inflação é motivo de alguma preocupação.
Os mercados financeiros costumam ficar mais sensíveis nos meses que antecedem eleições gerais, o que é compreensível, pois incertezas se multiplicam quanto ao futuro.
A formação de expectativas negativas, se não neutralizada a tempo, acaba prejudicando a tarefa do Banco Central no controle da inflação.
O último relatório publicado pelo BC indica que um ajuste nas taxas de juros deverá ocorrer para que a inflação seja contida em torno do ponto central da meta definida para este ano (4,5%) - e o mercado já a estima acima de 5%. Na ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) há também sinais sobre esse ajuste. E a permanência de Meirelles e da maioria dos diretores no Banco Central reforça a tese que a política monetária nos próximos meses será a necessária para o cumprimento das metas.
Tanto melhor para a economia brasileira, pois o atual impulso de crescimento somente será sustentável com a inflação sob controle, do mesmo modo que o balanço de pagamentos (finanças externas).
Antes da crise financeira internacional já havia uma certa resistência no Brasil contra a independência institucional do BC. Depois da crise - atribuída, em parte, à pouca eficácia de autoridades monetárias pelo mundo - esse item não deverá constar da agenda política. Mas seria um grande retrocesso se o BC perdesse sua autonomia operacional, ratificada, na prática, pelos bons resultados que foram colhidos desde o lançamento do real.
Seria muito bom que os candidatos à Presidência da República se posicionassem sobre essa questão. O governo Lula, que não parecia inclinado a conviver com um BC autônomo, só se favoreceu ao assegurá-la. Que sirva de exemplo, para o bem da economia brasileira e do país  (O Globo)
 
 
 
 
 

07.04 - EUA: Sinais de retomada
Apesar de incipiente, abertura de vagas nos EUA pode prenunciar uma recuperação mais vigorosa da economia
Os Estados Unidos talvez tenham sido o país que mais sofreu com a interrupção do crédito decorrente da crise financeira internacional. Na recessão mais profunda das últimas décadas, os norte-americanos perderam cerca de 8,5 milhões de empregos em 2008 e 2009 e observaram drástica queda da produção industrial -próxima a 15% entre fins de 2007 e junho de 2009.
O padrão foi similar, porém menos intenso, do lado da demanda, com declínio importante no consumo das famílias e no investimento das empresas.
A resposta das autoridades, na forma de maciços estímulos fiscais e monetários, foi suficiente para estancar a crise e reduzir progressivamente o aperto de crédito. Mesmo assim, o ritmo de reação da economia revelou-se lento até o fim de 2009 -sustentado pela recomposição de estoques das empresas, que haviam se preparado para uma queda da demanda mais profunda do que a verificada.
Os analistas mais pessimistas consideram que, uma vez esgotada essa recomposição, a economia não terá forças para manter crescimento superior a 2%. O peso do endividamento das famílias e do governo seria o grande obstáculo estrutural para uma retomada mais vigorosa.
Mas os otimistas não deixarão de ver sinais auspiciosos, que, a persistirem, podem mudar as expectativas para melhor. Ao recompor estoques, as empresas estão alongando as horas de trabalho e abrindo novas vagas. A criação de 123 mil postos pelo setor privado em março, divulgada na última sexta-feira, é um marco importante nesse processo, pois o emprego é condição necessária para que a recuperação se torne sustentável.
Embora incipientes, resultados já aparecem. O consumo das famílias tem apresentado crescimento mais forte nos últimos meses e há algum avanço do investimento. Outro ponto são as exportações, cujo desempenho tem sido favorecido pelo dólar desvalorizado e pela força das economias emergentes.
A retomada dos EUA é muito positiva para a economia mundial. Deve contribuir para prolongar a elevação das exportações asiáticas e certamente terá reflexos favoráveis na recuperação da Europa. Não é por outra razão que os mercados financeiros parecem estar festejando as boas notícias recentes.
Para a economia brasileira, o reaquecimento global poderá auxiliar na expansão das exportações, em especial de produtos manufaturados. Por outro lado, um cenário de crescimento mais forte, caso realmente se verifique, trará o risco de pressões sobre a inflação, em especial nos países em que já elas já se manifestam com intensidade -como ocorre no Brasil.
Além disso, não se deve descartar a possibilidade de uma ação mais cautelosa por parte do Federal Reserve, o Banco Central dos EUA. Embora ainda não se apresente no horizonte próximo, uma mudança da política de juros zero pode estar menos distante do que se supõe.  (Folha de S.Paulo)

07.04 - Mercado eleva expectativa de inflação para 5,18%
Os economistas do mercado financeiro elevaram na última semana, pela décima primeira vez consecutiva, sua estimativa para a inflação de 2010. Segundo dados da pesquisa Focus, divulgada ontem pelo Banco Central, a expectativa para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) passou de 5,16% para 5,18% na semana passada. Para 2011, a previsão passou de 4,70% para 4,74%.
A previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) também se elevou na semana passada, pela terceira vez seguida, e passou de 5,51% para 5,52%. Para 2011, a expectativa para o PIB permaneceu estável, em 4,50%.
A estimativa para o crescimento da produção industrial em 2010 também se elevou pela sexta semana seguida, passando de 8,95% para 9,00%. Para o ano que vem, a perspectiva permaneceu inalterada em 5,00%.
Na semana passada, a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2010 permaneceu em R$ 1,80 por dólar. Para o fechamento de 2011, a previsão dos analistas para a taxa de câmbio subiu de R$ 1,85 para R$ 1,90 por dólar.   (Executivos Financeiros)

07.04 - Mercado projeta IPCA mais alto no ano
Depois de o próprio Banco Central, na semana passada, revisar sua projeção para a inflação deste ano, foi a vez de os economistas ouvidos pela instituição seguirem o mesmo caminho.
No relatório Focus divulgado ontem, os profissionais elevaram de 5,16% para 5,18% a estimativa para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) em 2010. Foi a 11ª vez seguida que o índice foi revisto para cima.
A meta de inflação fixada para este ano pelo governo é de 4,5%.
Na última quarta, o BC, no Relatório Trimestral de Inflação, elevou o patamar esperado para o IPCA em 2010 de 4,6% (cálculo de dezembro) para 5,2%.  (Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

06.04 - Inflação disseminada
Consumidores, que já sofrem com a carestia dos alimentos, terão de absorver os reajustes dos remédios e de todos os produtos fabricados com aço, como carros e eletrodomésticos
Os consumidores que andam reclamando da alta dos preços nos supermercados vão ficar ainda mais assustados. A partir deste mês, terão de arcar com o aumento superior a 5% nos medicamentos e serão obrigados a pagar mais caro por todos os produtos fabricados com aço, devido ao reajuste de mais de 90% no minério de ferro anunciado pela Vale. Pelas contas da economista Tatiana Pinheiro, do Banco Santander, sozinho, o minério de ferro impactará em 1,46 ponto percentual os índices gerais de preços (IGPs), usados como referência para a correção dos aluguéis e das tarifas públicas. Quando levada em conta toda a cadeia produtiva que gira em torno do minério, o efeito chegará a 3,4 pontos.
Não é à toa, na avaliação da economista, que o Banco Central acendeu a luz vermelha e vai pisar fundo na elevação da taxa básica de juros (Selic) no fim deste mês. Ela ressaltou que, a despeito de, no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como referência para o sistema de metas do governo, o peso do reajuste do minério de ferro não ser tão grande - somente 0,2 ponto percentual -, o indicador continuará pressionado. Deverá variar entre 0,4% e 0,5% em abril e maio, sobretudo por causa dos remédios e das contas de luz, que terão aumento em Minas Gerais, Ceará e Mato Grosso do Sul.
Na próxima quinta-feira, o IBGE divulgará o IPCA de março, que deve cravar 0,49%. A se confirmar esse número, o índice acumulado no primeiro trimestre baterá em 2,03%, quase a metade do centro da meta perseguida pelo BC, de 4,5%.   (Correio Braziliense)

06.04 - Permanência de Meirelles: Alta de 0,5 ponto na Selic
A permanência do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, à frente do cargo pode reforçar as apostas de uma alta de 0,5 ponto percentual da Selic na próxima reunião do Copom, nos dias 27 e 28 de abril. Ao longo das últimas semanas, as expectativas inflacionárias se deterioram de forma mais acentuada e o mercado já precifica uma alta de 0,75 ponto em abril como mais provável. A decisão de Meirelles, no entanto, divulgada na quinta-feira após o fechamento dos mercados, pode reverter essa tendência.
"O fato de o Meirelles ter decidido pela permanência adiciona força à visão de que o Copom vai manter o curso originalmente estabelecido e, como sugerido pelo Relatório de Inflação, o plano é iniciar um aperto monetário em abril com alta de 50 pontos bases (como já votado por três membros da diretoria no encontro do Copom de março)", afirma o banco J.P. Morgan, em relatório para clientes.
Já o Banco of América Merrill Lynch afirma que a permanência de Meirelles "preserva a credibilidade do banco" e é um fato positivo para a autoridade monetária. Na visão do banco, o Copom vai iniciar um ciclo de aperto monetário menor do que o esperado pelo consenso. "Os preços de mercado sugerem o potencial para uma alta de 75 pontos base para as reuniões de abril ou junho, mas a nossa visão é de que o Copom está comprometido com um incremento de 50 pontos base", diz em relatório.
A discussão sobre o tamanho e a duração do aperto devem se estender até o dia 28, quando sai a nova meta Selic. Parte do mercado argumenta que tanto a deterioração das expectativas como os dados objetivos do aquecimento econômicos podem levar a uma alta maior já no próximo mês. Outros acreditam que a inflação decorre de eventos sazonais e que os documentos oficiais, ata e relatório de inflação, sugerem aumento de 0,5 ponto.
José Francisco de Lima Gonçalves, economista do Banco Fator, afirma que as últimas três semanas foram, de fato, "complicadas". Além da indefinição sobre a presidência do Banco Central, houve a divulgação da ata do Copom e do relatório de inflação e também novos dados econômicos bastante controversos, como o reajuste do minério de ferro que pode ter impacto de até 0,3 ponto no IPCA e também uma recuperação mais forte que o esperado da atividade na Europa e nos EUA. "O clima era adverso e às vezes uma coisa amplifica outra. O humor não estava bom na quinta-feira", dia do anúncio da permanência do Meirelles. O próprio economista do Fator mudou a sua curva de mercado na quarta-feira, apostando agora em uma aperto mais concentrado, com uma elevação de 0,5 ponto na próxima reunião, seguido por duas altas de 1 ponto em junho e julho.
Gonçalves lembra ainda que as estimativas que compõem o boletim Focus desta segunda-feira ainda não incorporam a decisão de Meirelles de permanecer à frente do BC. "Pode ter ali uma dose de incerteza que não existe mais. As opiniões mudam muito rapidamente." Para ele, a permanência depois de um longo período de indefinição não vai ter influência na decisão do Copom. "O Meirelles vem dizendo há meses que o BC tem de ignorar qualquer impacto de uma decisão técnica e fazer o que ele chamou de "coisas desagradáveis" em ano de eleição." De fato, durante o anúncio de sua permanência, Meirelles reforçou diversas vezes que resolveu ficar para "contribuir para a continuidade dessa racionalidade econômica" e também para "colaborar para a perenização da estabilidade econômica".
Meirelles também indicou que a preocupação do Banco Central é com o "horizonte relevante". "A inflação, pelo cenário de mercado [que leva em conta as previsões do boletim Focus e incorpora uma alta de juros] está na meta e para o ano de 2011 está abaixo da meta. O compromisso do Banco Central é com o horizonte relevante, isto é, com 12 meses e o ano de 2011." Ele ressaltou, no entanto, que a inflação pode até convergir para o centro da meta neste ano, mas isso "depende de uma série de fatores" e que o "Banco Central não vai necessariamente fazer uma política de desequilíbrio visando corrigir algo que possa ser pontual".
De fato houve mudança na diretoria do Banco Central. O novo diretor de Política Econômica, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, assumiu o posto de Mário Mesquita, que deixou a instituição na quarta-feira. O novo diretor reforçou o compromisso do BC com o centro da meta.  (Fernando Travaglini - Valor Online)
 
 
 
 
 

05.04 - Dívida sobre PIB deve fechar 2010 em 40%
Segundo chefe do Departamento Econômico (Depec) do BC, Altamir Lopes, meta de superávit deve ser cumprida
O chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes, previu, na última quarta-feira, que a tendência é de desaceleração da relação entre a dívida líquida do setor público e o Produto Interno Bruto (PIB). Segundo ele, a dívida líquida do setor público deve fechar o ano de 2010 em 40% do PIB. Em fevereiro, a dívida líquida subiu para 42,1%, mas deve fechar o mês de março em 42% do PIB, de acordo com a previsão do chefe do Depec.
A previsão de dívida líquida em 40% do PIB no ano foi feita por Altamir Lopes com base nos seguintes parâmetros: cumprimento da meta cheia do superávit primário das contas do setor público (3,3% do PIB); juros médios de 10,08%; câmbio, ao final do ano, de R$ 1,80; IGP-DI de 6,8%; e crescimento do PIB de 5,80%.
O chefe do Depec destacou que a projeção de 40% leva em conta um aumento dos juros, uma vez que a taxa dos juros médios, até fevereiro, estava em 9,28%. "Ao final do ano teremos, de fato, uma tendência de desaceleração da dívida líquida do setor público", afirmou Lopes.
Meta do superávit
Lopes avaliou que o superávit primário das contas do setor público no bimestre - de R$ 17,044 bilhões - é bastante expressivo e indica cumprimento da meta de 3,3% de superávit primário das contas do setor público. Segundo ele, apesar de ainda estar longe da meta o superávit primário de 2,21% em 12 meses, até fevereiro, a tendência agora é de aumento do porcentual.
O chefe do Depec previu uma melhoria do superávit primário com o processo de recuperação das receitas. Segundo ele, o superávit de R$ 859 milhões nas contas do setor público, em fevereiro, "é relativamente baixo", considerando-se o processo de recuperação de receitas que já está acontecendo.
Lopes atribuiu esse resultado menor, de fevereiro, ao desempenho das contas do Governo Central (Governo Federal, Banco Central e INSS). Segundo ele, o governo federal teve que pagar royalties e fez elevadas transferências de recursos para Estados e municípios, o que impactou o resultado.
Essas transferências mais elevadas ajudaram, segundo ele, as contas dos Estados, que apresentaram um superávit primário de R$ 3,719 bilhões.
O chefe do Depec observou que se, por um lado, o resultado do Governo Central foi ruim, por outro, os governos estaduais apresentaram resultado positivo. Ele classificou de "ruim" o resultado das estatais federais, que apresentaram um déficit primário de R$ 2,002 bilhões.
Altamir Lopes atribuiu o resultado ruim das empresas estatais federais ao pagamento de dividendos.  (Adriana Fernandes e Renata Veríssimo - O Estado de S.Paulo)

05.04 - Alerta contra a inflação
A inflação tende a subir e o risco de ultrapassar o limite superior da meta, em 2010, deixou de ser desprezível, segundo o Banco Central (BC). A atividade econômica é intensa e a demanda está mais aquecida do que se imaginava até há pouco tempo, disse na quarta-feira o novo diretor de Política Econômica da instituição, Carlos Hamilton Araújo, ao apresentar o novo Relatório de Inflação. O documento é publicado a cada três meses pelo BC e contém, sempre, uma análise ampla da economia brasileira, uma boa descrição do quadro internacional e projeções para um período de dois anos. Desta vez as pressões inflacionárias são o foco principal e o relatório reforça a expectativa de uma próxima elevação dos juros ? dada como certa pelo mercado financeiro.
Mesmo sem o relatório, um aumento de pelo menos 0,5 ponto porcentual da taxa básica de juros, no fim de abril, não causaria surpresa. Se há alguma novidade, é a maior preocupação revelada pelos autores do informe. Representantes da indústria negam as evidências apontadas pelos economistas do BC. Ainda há, segundo os porta-vozes do setor privado, suficiente capacidade ociosa para uma expansão segura da atividade. Mas o investimento em meios de produção continua abaixo do necessário.
O Copom, responsável pela fixação dos juros básicos, vai continuar, tudo indica, agindo sem levar em conta as pressões de outras áreas do governo. Mas o presidente da República poderá capitalizar politicamente essa independência. Terá um bom argumento: num ano de eleições, o governo não deixará de dar prioridade à estabilidade dos preços, essencial ao bem-estar das famílias.
Os autores do texto mostram-se menos preocupados com as contas públicas do que estavam há pouco tempo. O superávit primário acumulado nos 12 meses até fevereiro continuou abaixo da meta fixada para este ano, mas esse fato, assinalado no relatório, não é novidade. O que chama a atenção, é o relativo otimismo quanto à evolução de longo prazo da dívida pública.
Essa tendência será favorecida neste ano, segundo a análise, pelo aumento de receita propiciado pela expansão econômica e pelo fim dos incentivos concedidos durante a crise. O relatório contém ainda um texto e um quadro comparativos da evolução da dívida pública bruta no Brasil e nos países desenvolvidos, a partir do agravamento da crise, em 2008. Os números brasileiros são obviamente bem mais favoráveis, porque não foram necessárias, no Brasil, grandes intervenções do Tesouro para frear a quebradeira de bancos e de indústrias.
Dois indicadores de grande importância tendem a piorar, segundo o relatório. No cenário de referência, com juros básicos de 8,75% e câmbio de R$ 1,80 por dólar, o BC elevou de 4,6% para 5,2% a inflação prevista para 2010 e de 4,3% para 4,9% a estimada para 2011. O outro indicador é a conta corrente do balanço de pagamentos: o déficit projetado para este ano aumentou de US$ 40 bilhões para US$ 49 bilhões. Essa piora será uma das consequências do crescimento econômico: as importações crescerão mais que as exportações e, além disso, crescerão os gastos com viagens e a remessa de lucros. Mas não se demonstra preocupação com essa tendência.
Segundo o relatório, o buraco da conta corrente será coberto sem dificuldade pelo ingresso de investimentos diretos, pelas aplicações em carteira e por novos financiamentos. Só este detalhe já tira a tranquilidade dos menos otimistas: o investimento direto, estimado em US$ 45 bilhões, será insuficiente para cobrir o déficit. O resto será compensado por novas dívidas e investimentos especulativos.
O descompasso entre o crescimento de importações e o das exportações deverá reduzir o superávit comercial para US$ 10 bilhões (US$ 15 bilhões no relatório anterior). Nenhum desses dados indica uma tragédia, mas apostar em operações financeiras para equilibrar as contas externas pode ser um jogo arriscado. Um pouco mais de preocupação com o assunto seria saudável, mas a responsabilidade, nesse caso, cabe muito mais aos Ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento do que ao BC.  (O Estado de S.Paulo)

05.04 - Mão pesada na Selic
O Banco Central não terá escapatória e deverá forçar a mão no aumento da taxa básica de juros (Selic) na reunião dos dias 27 e 28 deste mês do Comitê de Política Monetária (Copom). Boa parte dos analistas acredita que o arrocho poderá começar em 0,75 ponto percentual e não em 0,50 ponto, devido ao recrudescimento da inflação. Para o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal, o relatório trimestral de inflação divulgado ontem pelo BC foi contundente e deixou claro que o centro da meta definida pelo governo, de 4,5%, já está perdido.
Na avaliação do economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, não há motivo para desespero. A seu ver, mesmo com a nova projeção do BC para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano passando de 4,6% para 5,2%, o aumento dos juros poderá ser moderado, começando por 0,5 ponto. "Para nós, a inflação ficará em 5% em 2010 e cairá para 4,5% em 2011. Mas, para isso, o BC terá que subir os juros já em abril", assinalou. Ele ressaltou ainda que o BC deve mirar a inflação do ano que vem e não a de 2010.   (Deco Bancillon - Correio Braziliense)
 
 
 
 
 

01.04 - FMI: Risco em atraso nas regras do setor financeiro
Mundo pode perder janela de oportunidade para adoção de medidas, diz nº 1 do Fundo
G20 exorta em carta seus membros a mostrarem seu compromisso com as reformas acordadas em reunião de 2009 nos EUA
O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Kahn, disse terça-feira que a demora na fixação de regras para os bancos de maior peso no sistema pode jogar por terra o principal avanço obtido com a crise global: a busca por soluções conjuntas.
"Uma das lições da crise é que, para enfrentar desafios globais, precisamos de respostas globais. Essa lição está prestes a se perder", afirmou em discurso no Parlamento romeno, em Bucareste, o número um do FMI.
O G20 criou no ano passado um Conselho de Estabilidade Financeira cuja missão inclui estabelecer regras comuns e parâmetros mínimos para evitar o surgimento de bolhas, garantir a liquidez das instituições e, em caso de falência, evitar a contaminação do sistema. Pelo plano, até o fim deste ano as diretrizes teriam de estar aprovadas, e até 2012, vigorar.
Mas, como a Folha mostrou no início do mês, o projeto tratado pelo BIS (Banco para Compensações Internacionais, o BC dos BCs) em suas reuniões em Basileia (Suíça) está totalmente empacado.
Algumas medidas, como a criação de lista com as instituições-chave, já foram descartadas. Outras foram atenuadas e repassadas da autoridade comum às locais -caso da fixação de valores para o colchão de capital que os bancos terão de ter preventivamente.
O resultado é um descompasso daninho, como alertou Strauss-Kahn ontem: "[As medidas tomadas individualmente] fazem sentido. O único problema é que elas não combinam entre si". E a janela de oportunidade, lembrou, está se fechando conforme se amenizam os efeitos da crise.
Strauss-Kahn não é o único a demonstrar desânimo com o atraso. Uma carta dos membros-chave do G20 aos demais exorta os governos do grupo a mostrarem seu compromisso com as reformas acordadas na reunião de 2009 nos EUA.
"Todos nós temos uma responsabilidade mútua", diz o texto emitido em Londres. "[Tratar do que levou à crise] vai requerer que mantenhamos nossa vigilância para lidar com as reformas necessárias e que nos resguardemos da complacência conforme nossas economias se recuperam."
As medidas definidas até agora param em um patamar mais baixo do que o inicialmente almejado pelo G20.
Ontem, o BIS divulgou o relatório de sua primeira "peer review" (revisão pelos pares) dentro da nova pauta de discussão, na qual abordou os salários e bônus pagos a executivos do mercado financeiro.
O Brasil é citado como um do países que ainda precisam avançar nas medidas para regular a remuneração.  (LUCIANA COELHO - Folha de S.Paulo)

01.04 - IGP-M recua para 0,94% em março
De acordo com dados divulgados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) de março recuou e apresentou variação de 0,94%. Em fevereiro, o índice registrado havia sido de 1,18%.
O Índice de Preços por Atacado (IPA), cuja taxa em fevereiro foi de 1,42%, agora, em março, a taxa foi de 1,07%. Assim como o índice relativo aos Bens Finais, que também recuou: de 1,82% no mês passado para 1,19%, em março. Contribuiu para a desaceleração o subgrupo alimentos processados, cuja taxa de variação passou de 3,67% para 0,32%. Fora os subgrupos alimentos in natura e combustíveis, o índice de Bens Finais registrou variação de 0,21%. Em fevereiro, a taxa foi de 1,40%.
A taxa de Bens Intermediários variou 0,81% em março contra 1,70% em fevereiro. O subgrupo materiais e componentes para a manufatura registrou decréscimo em sua taxa de variação, que passou de 2,26% para 0,98%, sendo o principal responsável pela desaceleração do grupo. O índice de Bens Intermediários, calculado após a exclusão do subgrupo combustíveis e lubrificantes para a produção, variou 0,88%, ante 1,83%, em fevereiro.
O índice de Matérias-Primas Brutas apresentou aceleração de preços e variou 1,33%, em março. No mês anterior, a taxa havia sido de 0,37%. Os vilões deste grupo foram os itens soja em grão, que variou de -12,38% para -5,60%, leite in natura, que subiu de 1,99% para 6,04% e mandioca, que foi de -1,17% para 5,72%.  Já os itens que recuaram foram o arroz em casca, de 6,36% para -9,77%, o minério de ferro 4,73% para -2,84% e a laranja, de 43,88% para 24,34%.
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) variou de 0,88% mês passado para 0,83% em março. Os maiores responsáveis pelo recuo foram: Transportes, de 2,65% para 0,41%, Educação, Leitura e Recreação, de 0,87% para 0,20%, Despesas Diversas, de 0,48% para 0,17% e Saúde e Cuidados Pessoais, de 0,40% para 0,36%. Os destaques para cada um destes grupos foram: tarifa de ônibus urbano, de 4,98% para 0,93%, cursos formais, de 2,02% para 0,00%, mensalidade para TV por assinatura, de 0,87% para 0,10% e artigos de higiene e cuidado pessoal, de 0,40% para 0,09%.
Por outro lado, os grupos Alimentação (1,23% para 2,24%) e Vestuário (-0,40% para -0,24%) apresentaram aceleração nos preços, com destaque para o itens hortaliças e legumes (3,80% para 10,58%) e calçados (-0,48% para 0,33%).
Já o grupo Habitação manteve a mesma taxa de variação registrada em fevereiro: 0,29%, com destaque para a aceleração do item móveis para residência (-0,67% para 0,89%) e para a desaceleração do item empregada doméstica mensalista (2,38% para 1,47%).
Em março, a variação do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC)foi de 0,45%, superando o resultado do mês anterior, que foi de 0,35%, com destaque para os acréscimos nos preços dos itens Materiais e Equipamentos, de 0,40% para 0,45%, e Mão de Obra, de 0,22% para 0,40%. Já o grupo Serviços recuou de 0,76% em fevereiro para 0,66%. A pesquisa foi feita entre os dias 21 do mês passado e o dia 20 deste mês.   (Marcio Allemand - Jornal do Commercio do Brasil)

01.04 - É hora de mexer na Selic?
Tudo indica que sim. Houve, nos últimos meses, uma aceleração simultânea e sincronizada da taxa de crescimento econômico e da taxa de inflação, ambas medidas por diferentes indicadores. Entretanto, é possível desenhar um cenário alternativo da economia no curto prazo que indique um outro momento mais adequado para um eventual início do ciclo de elevação da Selic.
Em princípio, o uso de todo instrumento de política econômica deve ser analisado dentro de uma rede de precedência, que envolve o sequenciamento, a cadência e a intensidade das ações a serem implementadas. Essa rede de precedência define critérios que possibilitam acionar um plano, um projeto ou um instrumento no tempo ideal, com os melhores resultados possíveis para os objetivos propostos dentro dos princípios da precaução e do risco mínimo para as políticas públicas.
Dentro dessa linha de raciocínio, é possível construir um conjunto de argumentos para destacar uma possível desaceleração tanto da taxa de inflação quanto da taxa de crescimento econômico ao longo dos próximos meses. A percepção, a qual não é consensual, é a de que deverá se observar uma perda de eficácia do ímpeto inicial das medidas fiscais e monetárias antirrecessão, estruturadas de forma inteligente e rápida pela equipe econômica do governo federal desde o último trimestre de 2008. Incentivos fiscais estão sendo retirados atualmente de setores-chave que garantiram a inequívoca retomada do crescimento econômico. O crescente endividamento público indireto por meio das instituições financeiras federais está comprometendo o nível de confiança dos investidores em papéis da dívida pública. O compromisso com o superávit primário maior e sem mágicas contábeis tende a restringir a capacidade de execução dos programas e projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Enfim, do lado fiscal, não há muito espaço para continuar pressionando direta e indiretamente a demanda agregada.
Entre outros componentes da demanda agregada, não se percebe que famílias crescentemente endividadas possam alavancar novos patamares de consumo em 2010; que investidores empresariais tenham absorvido as incertezas e os ajustes estruturais que permeiam uma economia global ainda sob o risco de um segundo mergulho recessivo; que novos atos generosos de desonerações tributárias possam estimular outros setores de grande dinamismo econômico.
Quanto ao comportamento da inflação, as incertezas são mais agudas. De um lado, tem-se o que se denomina inflação gregoriana, os conhecidos ajustes de preços relativos na virada do ano para repasse de custos realizados e esperados. Tem-se também a expectativa (nem sempre comprovada) do aumento do gasto público em ano de eleições. Da mesma forma, a propalada "perda de controle do processo inflacionário" por protagonistas do mercado financeiro pode levar ao contexto de profecias autoconfirmadas por meio da consolidação das expectativas inflacionárias. Mas há de se convir que as taxas de inflação neste início de 2010 estão engravidadas de variações em preços, sujeitas a eventos cíclicos, fortuitos e ocasionais que podem não se replicar ou se reproduzir ao longo dos próximos dois ou três meses.
Assim, seria recomendável deixar o ano de 2010 rodar mais algum tempo, observar se a taxa de crescimento do PIB não vai se acomodar no nível mais baixo de 4% a 5%, se a taxa de inflação não irá gradativamente convergir para a meta de 4,5% e, aí então, mexer ou não na taxa Selic.
Uma das questões mais delicadas nas políticas econômicas anticíclicas é a de posicionar o melhor sequenciamento em ritmo e em intensidade, para ativar ou desativar determinados instrumentos que têm se mostrado relativamente eficazes para os seus objetivos. Particularmente, num momento em que a atual crise econômico-financeira global tem, entre suas raízes, o fracasso intelectual das previsões dos economistas.  (Paulo R. Haddad - O Estado de S.Paulo)

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