30.04 - Bravatas de Lula e o leilão de Belo Monte
Para ter êxito no leilão de Belo Monte, o governo usou
os mesmos instrumentos que condenava quando estava na oposição
a FHC
O resultado final do leilão da concessão da hidrelétrica
de Belo Monte permite avaliação profunda dos chamados anos
Lula.
Nesse ato do Executivo estão presentes questões políticas,
administrativas e, principalmente, de comportamento ético e moral
que precisam ser devidamente entendidas. A mídia centrou sua cobertura
nos detalhes técnicos mais pontuais, como a questão ambiental,
a questão financeira e a questão de viabilidade técnica
da concessão.
Na esteira do debate que vai se seguir, certamente estarão presentes
reflexões de natureza mais abrangente. Essa é a dinâmica
natural em uma democracia aberta, como a brasileira. É com esse
objetivo que escrevo hoje sobre o leilão de Belo Monte. Por ter
participado como ator do processo de privatizações no governo
FHC, creio ter uma contribuição muito particular na avaliação
da ação do governo no caso de Belo Monte.
Durante mais de dez anos estive envolvido em uma série de procedimentos
-no nível administrativo do Tribunal de Contas da União e
no legal em vários níveis da Justiça brasileira- em
relação às regras que a Constituição
brasileira estabelece no caso da alienação de bens públicos,
e meus comentários a seguir nascem exatamente desse caráter
especial de minha relação com as privatizações.
O que mais chama a atenção neste caso é que, na
busca de realizar com êxito o leilão de Belo Monte, o governo
usou os mesmos instrumentos operacionais que condenava quando estava na
oposição ao governo FHC.
Interferiu diretamente na formação dos consórcios,
manipulando o comportamento dos fundos de pensão públicos,
pressionando empresas privadas como a Vale para participar da licitação
e até colocou o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social) como agente ativo do processo.
Foi ainda mais longe em sua ação para viabilizar o leilão:
deu isenção de 75% do Imposto de Renda para o empreendimento
e mandou o BNDES financiar 80% do valor do investimento. O leitor da Folha
precisa saber que, nas normas operacionais do BNDES, o valor do financiamento
de qualquer projeto pode chegar no máximo a 60% do total.
Quando Lula e o PT usavam -como confessou mais tarde nosso presidente-
bravatas para pressionar o governo tucano, todas essas ações
eram apontadas como um crime contra a Constituição.
Alguns juristas engajados na luta política da oposição
de então nos acusaram -publicamente- de estarmos quebrando o princípio
da impessoalidade ao agir de tal forma. Segundo eles, o governo tinha que
ser isento, deixando que os interessados no processo agissem de forma totalmente
livre. Aliás, foi a partir desse entendimento legal que vários
procuradores federais iniciaram processos judiciais contra nós.
E agora, como caracterizar esse arsenal de ações do governo
para viabilizar a concessão de Belo Monte? Onde estão os
juristas que foram a público acusar de maneira incisiva os ilícitos
cometidos pelos membros do governo FHC responsáveis pelas privatizações?
Terão eles a mesma leitura de Antonio Gramsci, de que, no caso de
um governo popular, todas as ações na busca do poder político
em nome do povo são justificáveis?
Vou ainda mais longe nos meus questionamentos: será que, após
executarem as mesmas ações que condenavam no caso de FHC,
vão os petistas trazer novamente as denúncias contra as privatizações
tucanas nas eleições que se aproximam? Vão ainda falar
na privataria tucana?
Os responsáveis pela realização do leilão
de Belo Monte não correm, todavia, os riscos de serem processados
na Justiça como fomos nós em 1998.
Recentemente, o Tribunal Regional Federal de Brasília confirmou
-por unanimidade de seus membros - a decisão da Justiça Federal
de primeira instância que considerou absolutamente legais os procedimentos
adotados pelo BNDES na privatização da Telebrás em
1998.
Temos agora uma jurisprudência formada sobre como deve proceder
o administrador público em casos como o leilão de Belo Monte.
A tese de quebra do princípio da impessoalidade, levantada pelos
juristas petistas em 1998, não passou de uma justificativa muito
pobre e oportunista para permitir a luta política contra o governo
Fernando Henrique Cardoso. Que a opinião pública seja mais
uma vez lembrada disso. (LUIZ CARLOS MENDONÇA
DE BARROS - Folha de S.Paulo)
30.04 - Por que o BC subiu a taxa de juros?
Quarta-feira o Banco Central subiu a taxa básica de juros, iniciando
um processo de aperto monetário que tende a continuar nos próximos
meses. As decisões do BC, especialmente de alta de juros, normalmente
vêm acompanhadas de uma onda de críticas de diversos setores
da sociedade, principalmente organizações empresariais e
centrais sindicais. Mas, de fato, qual a racionalidade desse movimento?
As críticas são justificáveis?
A teoria econômica, amplamente respaldada pela pesquisa empírica,
diz que a função primordial da política monetária
é -por meio de movimentos da taxa de juros- estimular ou desestimular
a demanda agregada da economia, para que esta cresça em compasso
com a sua capacidade de ofertar bens e serviços sem pressões
de custo. Se a demanda estiver muito aquecida, ou seja, as empresas, indivíduos
e governo desejarem "comprar" mais produtos do que a economia consegue
produzir em situação "normal", isso resultará em aumento
sistemático de preços, que acabará por reduzir "na
marra" a própria demanda.
Dessa forma, o superaquecimento da economia até gera algum crescimento
maior no curto prazo, mas, com o passar do tempo, sobra apenas inflação
mais alta. Muito se critica o BC, dizendo que, na obsessão de manter
a inflação baixa, abrimos mão de crescimento econômico
valioso.
Mas, como dissemos, essa escolha só se apresenta no curto prazo:
ao longo do tempo, a demanda será freada "por bem", por meio da
pilotagem gradual e cuidadosa da política monetária; ou "por
mal", pela alta generalizada dos preços.
Quando a crise internacional foi deflagrada, no final de 2008, os brasileiros
(assim como o resto do mundo) cortaram suas despesas com medo dos efeitos
que a possível quebra do sistema financeiro mundial poderia ter
em suas vidas. Com a demanda agregada deprimida, o Banco Central viu a
necessidade de reestimulá-la cortando agressivamente os juros, que
na oportunidade foram cortados de 13,75% para 8,75% ao ano.
Com a percepção de que o pior da crise havia passado,
e como resposta ao próprio estímulo dos juros (e de outras
medidas como corte de IPI para alguns setores), a demanda agregada brasileira
voltou a se animar. Hoje, estimamos que já recuperou o espaço
perdido na crise e vem crescendo aceleradamente na margem, a taxas próximas
a 8% ao ano. E os sinais na inflação começam a aparecer,
dado que o IPCA se acelerou de 4,2% para 5,2% nos últimos meses.
É hora de reverter os estímulos dados para que o crescimento
se acomode em patamar mais sustentável, evitando que a festa de
consumo, investimento e gastos do governo de hoje não se transforme
em ressaca inflacionária mais à frente. (CAIO MEGALE
- Folha de S.Paulo)
30.04 - Na zona do agrião
Se quisermos realmente mudar a arquitetura financeira internacional,
teremos de lutar muito mais
Desde que me mudei para Washington, tenho usado esta coluna para me
manter em contato com o Brasil e o leitor brasileiro. É um diálogo
muito particular, e a rigor estritamente reservado. No entanto, volta e
meia aterrissa um estrangeiro por aqui (tenho leitores muito atentos na
Europa, por motivos que já expliquei em colunas anteriores). Tudo
bem, todo leitor é bem-vindo, mas com uma condição
-que não venha dar palpite e interferir no meu diálogo com
o brasileiro.
Veja bem, leitor, falei especificamente do brasileiro. Além
do estrangeiro, há outro elemento considerável que aparece,
de vez em quando, misturado entre as forças nacionais. Refiro-me
à célebre quinta-coluna. Continua volumoso o batalhão
dos discípulos de Calabar. É o brasileiro sem sotaque físico,
mas com tremendo sotaque espiritual.
Um dia alguém terá de escrever todo um tratado, em vários
volumes, sobre as atividades dos quinta-colunistas no Brasil. A referida
coluna, diga-se de passagem, também tem seus representantes -e muito
ativos- no exterior, inclusive aqui em Washington.
Mas deixo a quinta-coluna de lado. Na última quinta-feira, não
pude escrever. Tivemos um período de excepcional sobrecarga aqui
em Washington.
Só na semana passada, o Brasil presidiu três encontros
em Washington: o do G24, o dos Brics e a reunião dos nove países
do nosso grupo no FMI.
Além disso, o Brasil participou da reunião de ministros
das Finanças e presidentes de bancos centrais do G20, que (fato
incomum) ocorreu à margem das reuniões de Primavera do FMI
e envolveu negociação demorada de um comunicado.
O Brasil participou, também, da reunião do Comitê
Monetário e Financeiro Internacional do FMI (mais conhecido pela
sigla em inglês, IMFC), que envolveu outra negociação
demorada de comunicado. Isso sem falar nas reuniões bilaterais com
diversos países -China, África do Sul, Haiti e Grécia,
por exemplo.
Os comunicados do G20 e do IMFC determinam, entre outros aspectos,
a agenda do FMI para os próximos meses. Para quem está fora
do processo, é difícil entender a importância desses
documentos -de aparência burocrática e linguagem não
raro obscura. Mas os envolvidos lutam de maneira aguerrida -alguns de maneira
muito desleal- para que os comunicados reflitam as suas posições.
Saiu-se bem a delegação brasileira? Para dizer a verdade,
não tão bem como em outras ocasiões. Temos quadros
qualificados na Fazenda, no Banco Central e nos nossos escritórios
no FMI e no Banco Mundial. Mas somos poucos, muito poucos.
A luta é desigual. Os países desenvolvidos têm
quadros mais numerosos. Além da quinta-coluna tupiniquim, temos
de enfrentar o adesismo de alguns países em desenvolvimento. Os
nossos principais aliados também sofrem da falta de quadros.
Desde o final do ano passado, intensificou-se bastante a resistência
à mudança no G20 e no FMI.
Se quisermos realmente mudar a arquitetura financeira internacional,
teremos de lutar muito mais. E saber que os que continuarem lutando serão
(na verdade, já estão sendo) caçados a pauladas, feito
ratazanas prenhes. (PAULO NOGUEIRA BATISTA JR - Folha de S.Paulo)
29.04 - FMI: não se pode acreditar muito em agências de
rating
O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique
Strauss-Kahn, afirmou que não se pode crer demais nas agências
de classificação de risco e disse esperar uma conclusão
"muito rápida" das negociações entre o FMI e o governo
da Grécia.
A autoridade fez os comentários pouco depois de a Standard &
Poor''s reduzir o rating soberano da Espanha. Segundo ele, é difícil
dizer se as agências de rating estão reagindo ao mercado ou
se é o mercado que está reagindo às agências.
"Você não deveria acreditar muito no que elas dizem, mesmo
que seja útil", afirmou Strauss-Kahn.
Ele acrescentou que a economia mundial ainda está sofrendo ameaças
diversas, entre elas os riscos provocados pelo grau elevado de desemprego
e de dívidas públicas, mas disse também que esses
fatores sozinhos "não são suficientes para destruir o início
da recuperação". As informações são
da Dow Jones. (Gustavo Nicoletta - Agência Estado)
29.04 - Apoio à Grécia pode superar 100 bi de euros
O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique
Strauss-Kahn, teria dito ao Parlamento alemão que o pacote de ajuda
à Grécia pode ficar entre 100 bilhões de euros e 120
bilhões de euros em três anos. A informação
foi repassada por legisladores alemães após encontro com
representantes do Fundo.
Segundo esses políticos, o atual plano de resgate, da ordem
de 40 bilhões de euros, seria suficiente apenas para o primeiro
ano de socorro. O ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble,
foi nesta mesma linha, dizendo que o resgate aos gregos se estenderia em
um período de três anos.
Strauss-Kahn se recusou a confirmar os dados, notando que os detalhes
da negociação só serão conhecidos depois que
o programa de ajuda estiver concluído por funcionários do
FMI, Banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia.
O dirigente do Fundo e o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, concordam,
porém, que é necessário tomar uma decisão rápida
com relação à Grécia. No caso de não
haver essa velocidade, a crise da dívida grega pode contaminar outras
economias. (Juliana Cardoso - Valor)
29.04 - Despreparo dos profissionais influencia ocorrências de
fraudes nas empresas
O despreparo dos profissionais responsáveis pela análise
de dados nas empresas é uma das principais causas que levam à
ocorrência de fraudes. De acordo com Thais Antoniolli, gerente de
Produtos da Equifax, empresa especializada em soluções para
gestão de riscos, muitos profissionais confundem fraude com inadimplência.
“Principalmente nas pequenas empresas costuma acontecer essa confusão,
e isso interfere na análise dos dados”, explica.
Para Thais, a falta de preparo dos profissionais da área dificulta
a “correlação entre os dados obtidos”. “Esses profissionais
não conseguem fazer uma correlação entre dados, além
da falta de atenção com alguns detalhes”, afirma.
De acordo com a executiva, atualmente no Brasil, os segmentos mais
afetados pelas fraudes são aqueles que atuam com produtos “de fácil
revenda”. Pesquisa realizada pela Equifax mostrou um aumento de 28% no
total de fraudes aplicadas em empresa do Brasil. “As mais afetadas são
aquelas que produzem itens de fácil revenda, como a indústria
têxtil. O golpista compra a mercadoria, não paga, muda de
região, revende os itens e utiliza o dinheiro arrecadado para aplicar
um novo golpe. Com isso, além de afetar a empresa, ele ainda prejudica
pequenos comerciantes que não conseguem concorrer com o preço
praticado pelo fraudador, que vende a mercadoria com preços bem
abaixo do mercado”, destaca Thais. Segundo ela, segmentos que trabalham
com a venda de grandes volumes por atacado, como setor alimentício
ou higiene, além do setor de eletroeletrônicos, também
costumam ser alvo das fraudes.
Em relação à procura das empresas por soluções
que auxiliem na análise dos dados e gestão dos riscos, a
gerente afirma que tem sido observada uma movimentação entre
as empresas de médio e grande porte. “Entretanto, mesmo entre as
pequenas empresas dos setores mais afetados, não existe essa procura,
porque as empresas ainda se guiam muito pelo feeling dos seus profissionais”,
conclui. (Christiane Aguiar - Executivos Financeiros)
28.04 - Enfrentar já o deficit externo
A principal razão do aumento do deficit é o câmbio;
o dólar hoje, a R$ 1,75, está 40% abaixo da média
de 2003
A economia brasileira atravessou a crise mundial sem grandes solavancos.
Há crescimento de produção, inflação
baixa, boa oferta de empregos e investimentos em alta.
Tudo isso é verdade, mas existe uma questão que preocupa:
o rápido aumento do deficit externo. Não custa lembrar que
esse problema levou o país à falência algumas vezes
em décadas passadas, a última delas em 1998, na esteira da
crise da Rússia.
Nos últimos dias, depois que foram divulgados os dados das contas
externas no primeiro trimestre, algumas pessoas passaram a prever uma crise
cambial brasileira em 2011 ou em 2012.
Esses profetas da desgraça pecam pelo excesso de catastrofismo.
Os números da semana passada mostram que houve, de fato, aumento
significativo no deficit em conta-corrente do balanço de pagamentos,
para US$ 5 bilhões em março e para US$ 12,1 bilhões
no primeiro trimestre. Estima-se que, neste ano, o deficit deva atingir
US$ 50 bilhões. Será bastante alto, portanto.
É preciso, porém, considerar que não há
razões para maiores preocupações com um possível
constrangimento externo decorrente desse deficit, porque ele será
facilmente coberto por investimentos diretos, previstos em US$ 45 bilhões,
e investimentos em portfólio, da ordem de US$ 35 bilhões.
Mesmo que não ocorressem esses investimentos -uma hipótese
absurda diante da tendência atual e do prestígio internacional
do Brasil- o país poderia usar uma parte de suas reservas de US$
250 bilhões para honrar tranquilamente seus compromissos com juros
e amortizações de dívidas externas.
Por mais catastrofismo que se cultive, não há como admitir
nenhum paralelo entre o que ocorreu nas crises cambiais de 1998 e de 1982
e o que ocorre hoje. Naquelas oportunidades, as reservas estavam muito
baixas -quase a zero no caso de 1982- e a dívida externa era relativamente
muito maior que a de hoje.
Em 1998, inclusive, a dívida externa era nominalmente superior
à de hoje: US$ 241 bilhões em comparação com
US$ 200 bilhões, atualmente.
Feitas todas essas ressalvas, vale observar que, embora as contas externas
dispensem medidas emergenciais, não convém ignorar os problemas
que provocam o agravamento do deficit. Até os brasileiros mais distraídos
sabem que a principal razão do aumento do deficit é o câmbio.
O dólar estava cotado, na semana passada, a R$ 1,75, cerca de 40%
abaixo da taxa média de 2003.
Ao contrário do que poderia sugerir o senso comum, esse real
cada vez mais forte atua para reduzir exportações, aumentar
importações e gastos de divisas com viagens internacionais
e, além disso, dá um forte estímulo à remessa
de lucros das empresas multinacionais que operam no Brasil.
Para complicar, tudo indica que vem aí mais um ciclo de aperto
monetário, com aumentos de juros internos que trarão como
efeito colateral a atração de mais capital especulativo e
o fortalecimento do real.
Se não dá ou não se quer mexer no câmbio,
outras medidas incentivadoras das exportações são
necessárias, para que o país não vá aos poucos
voltando à posição de exportador preferencial de commodities.
Os profetas da crise cambial certamente exageram em seu catastrofismo.
Mas não é recomendável ficar de braços cruzados
enquanto cai o peso relativo das exportações de manufaturados,
as importações avançam e o deficit externo se alarga.
(BENJAMIN STEINBRUCH - Folha de S.Paulo)
28.04 - Desafio é aumentar poupança interna e externa
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse ontem, em
entrevista à Agência Estado, que um dos desafios da economia
brasileira daqui para a frente, especialmente para o próximo governo,
será aumentar a poupança interna e externa para que o País
possa crescer de modo sustentável. Meirelles discursou para cerca
de 300 investidores em Nova York, em evento organizado pela Câmara
de Comércio Brasil-EUA.
Segundo ele, a estabilidade econômica é uma precondição
para que isso ocorra, mas não o suficiente, pois ele também
reconhece que uma economia mais próspera e estável serve
de incentivo para maior consumo. O presidente do BC evitou fazer comentários
sobre se a economia estaria muito aquecida. Apenas repetiu que o "Brasil
saiu mais forte da crise e o consumo está forte", mas que a economia
está em trajetória saudável.
No caso da poupança privada, Meirelles disse ser importante
que haja incentivos do governo para que se poupe mais e, no caso da poupança
pública, o desafio está em assegurar uma trajetória
de queda dos gastos públicos e na relação dívida/PIB.
O presidente do BC tem ressaltado frequentemente a importância
de outro país emergente, a China, fazer uma transição
para uma economia de maior consumo doméstico e menos poupança
e de os EUA passarem a poupar mais e reduzir o consumo doméstico,
para possibilitar o reequilíbrio mundial.
Meirelles disse ainda que o País se beneficiou de uma política
prudencial no momento da crise, com um sistema financeiro livre da excessiva
alavancagem vista em economias avançadas e pelo fato de "o Brasil
não ter uma política monetária superacomodatícia,
como nos Estados Unidos". (Luciana Xavier - Agência Estado)
27.04 - Bolsa do Brasil está entre as piores na AL
O Brasil é o país de pior desempenho na Bolsa, dentre
os principais mercados da América Latina neste ano.
Com alta de 1,2%, o país ainda ficou abaixo da média
dos emergentes, pelo índice MSCI, que registrou elevação
de 3,2% no período. A perspectiva de aumento de juros e a proximidade
das eleições são razões apontadas por analistas
para o fraca performance do Brasil.
Entre as sete principais Bolsas latinas, a do Peru é a que mais
se valorizou, com alta de 11,3%. Venezuela, Colômbia, Chile, México
e Argentina também subiram mais que o Brasil, de acordo com dados
da consultoria Economática, até quinta-feira passada.
As ações dos principais mercados latinos, por sua vez,
tiveram apreciação inferior à média dos países
emergentes, que foi pior que o desempenho de ações globais,
segundo relatório do Citi, do dia 19.
Essa tendência é oposta ao que ocorreu em 2009, quando
a Bolsa brasileira bateu a média latina, que havia sido melhor do
que a dos emergentes e que a do mundo, conforme lembra o relatório
do banco.
Preocupação com as eleições e com o novo
ciclo de alta de juros são apontados como fatores que têm
depreciado a Bolsa brasileira. O relatório também registra
a pífia performance de Petrobras (-11%, em dólar), em razão
da emissão que está por vir, além do desempenho do
setor de energia, que explica 60% do baixo retorno da Bolsa brasileira
neste ano.
No longo prazo, analistas do Citi afirmam continuar positivos, mas
projetam ganhos modestos no continente em 2010. (Maria Cristina Frias
- Folha de S.Paulo)
27.04 - Regular e supervisionar as finanças
A crise convenceu a todos de que a teoria econômica neoclássica
dos mercados autorregulados é enganadora
Em Nova York , os dois temas que continuam a dominar a discussão
de economistas e financistas são o "grande demais para quebrar"
("too big to fail") e a necessária regulação e supervisão
dos bancos. Em outras palavras, pergunta-se, de um lado, como impedir que
os grandes bancos comerciais façam operações arriscadas
porque sabem que, na última hora, serão socorridos, e, de
outro, como regulá-los e supervisioná-los melhor. Essa dupla
preocupação dominou a Conferência Minsky, organizada
pelo Levy Institute e patrocinada pela Fundação Ford. Participaram
dela um equilibrado número de financistas, representantes do governo
(inclusive três diretores do banco central americano) e professores
de economia.
Na conferência, poucos se mostraram seguros quanto à solidez
da recuperação econômica depois da crise.
Boa parte dos que intervieram nos debates se mostrou convencida de
que a crise poderá voltar a qualquer momento, principalmente porque,
apesar do empenho do presidente Barack Obama, o governo não foi
ainda capaz de re-regular o sistema financeiro desregulado durante os 30
Anos Neoliberais (1979-2008). Há também uma grande insatisfação
com a teoria econômica ortodoxa ou convencional, que, evidentemente,
contribuiu para a crise ao pressupor um mercado financeiro eficiente, autorregulado.
Em relação ao problema do "grande demais para quebrar",
a solução apresentada por Paul Volcker -ex-presidente do
Fed e hoje assessor especial de Obama- de proibir os bancos de realizarem
operações de tesouraria (uma espécie de volta à
separação dos bancos comerciais dos bancos de investimento)
dividiu as opiniões. Volcker argumentou que a medida é necessária
para impedir que os bancos participem de operações financeiras
arriscadas demais. Entretanto, muitos consideraram a proposta pouco realista;
incompatível com a necessária rentabilidade dos bancos comerciais.
Melhor será regulá-los e supervisioná-los mais cerradamente,
já que são entidades quase públicas que criam crédito
e, portanto, dinheiro.
Embora a principal causa da crise tenha sido a desregulação
do sistema financeiro promovida no início dos 30 Anos Neoliberais,
houve também grande falha de supervisão, já que muitas
operações com securitização e derivativos não
eram apenas excessivamente arriscadas; elas violavam a regulação
ainda existente, implicando fraude. Esse fato, assinalado por diversos
participantes, foi mais uma vez confirmado no dia seguinte ao término
da conferência, quando os jornais publicaram que a SEC acusou de
fraude e iniciou ação civil contra o banco Goldman Sachs,
porque este teria participado, com o fundo hedge Paulson & Co., da
securitização e empacotamento de hipotecas que sabiam ser
de baixa qualidade. Eles as venderam para clientes e outros bancos mal
informados para, em seguida, o próprio banco e o fundo hedge apostarem
contra esses mesmos títulos e, assim, obterem enorme ganho à
custa dos que compraram os títulos empacotados.
Nessa fraude, o fundo ganhou US$ 1 bilhão, enquanto Goldman
Sachs ganhava quase a mesma quantia.
Antes da crise, muitas operações desse tipo passaram
sem supervisão, não por falta de regulação,
mas porque se supunha que os mercados eficientes tudo regulavam. A crise
global ainda custará muito ao mundo, mas, pelo menos, convenceu
a todos quão importante é a regulação e a supervisão
e quão enganadora é a teoria econômica neoclássica
dos mercados autorregulados. (LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA -
Folha de S.Paulo)
27.04 - Grécia pede ajuda de US$ 60 bi à UE e ao FMI
Diante de crise de endividamento, governo faz apelo para a liberação
de pacote de socorro negociado há duas semanas
Ativação do plano ainda depende de aprovação
de legisladores de países como a a Alemanha, que exige novas medidas
de ajuste fiscal
Ao descrever a economia de seu país como "um navio afundando",
o primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, solicitou sexta-feira
a liberação de um pacote de até US$ 60 bilhões
de ajuda econômica à União Europeia e ao FMI (Fundo
Monetário Internacional).
"Nós criamos um plano, tomamos medidas difíceis e dolorosas",
disse o primeiro-ministro. "Mas os mercados não responderam."
A urgência do apelo grego, após enfrentar um aumento exorbitante
dos custos de captação no mercado, pode ser depreendida pelo
fato de que Papandreou discursou em Megisti, uma ilha no Egeu, e não
na capital. "Chegou a hora de apelarmos aos nossos parceiros da UE pela
ativação do mecanismo que formulamos juntos."
Ele se referia a um pacote de assistência de emergência
negociado duas semanas atrás em Bruxelas. O plano prevê até
€ 30 bilhões (US$ 40,1 bilhões) em empréstimos
dos parceiros da Grécia na zona do euro e outros € 15 bilhões
(US$ 20 bilhões) vindos do FMI (Fundo Monetário Internacional).
A ativação do plano de resgate da UE e do FMI, disse
Papandreou, "enviará uma forte mensagem aos mercados de que a União
não vai fazer o jogo deles e não colocará sua moeda
em risco". As principais Bolsas europeias fecharam em alta ontem. A de
Atenas, no entanto, caiu 0,15%.
"Estamos preparados para agir rapidamente quanto a essa solicitação",
afirmou Dominique Strauss-Kahn, diretor-gerente do FMI, em comunicado divulgado
em Washington, onde se realizou reunião entre os ministros das Finanças
do G20 (que reúne as 20 maiores economias do mundo).
Os empréstimos prometidos para a Grécia por seus parceiros
na zona do euro continuam a aguardar aprovação de legisladores
em alguns países. Entre eles está a Alemanha, a maior economia
da zona do euro.
Ontem, a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, disse que a
assistência só seria concedida depois que a Grécia
negociasse um novo programa de austeridade com a UE, o FMI e o BCE (Banco
Central Europeu).
"Apenas quando essas medidas tiverem sido tomadas poderemos falar sobre
assistência, bem como sobre a forma e o montante dessa assistência",
disse. Ainda assim, o Ministério das Finanças anunciou que
o governo estava "pronto a agir" para abrir caminho à aprovação
no Legislativo.
Bancos franceses e alemães estão entre os maiores detentores
de títulos públicos gregos, e uma moratória teria
profundo impacto negativo sobre os seus balanços.
Endividamento
As preocupações quanto ao endividamento da Grécia,
que já passa de 100% do PIB (Produto Interno Bruto), levaram as
taxas de juros dos títulos gregos a superar a dos papéis
de países em desenvolvimento como Índia e Filipinas, que
em geral tendem a ser considerados como de maior risco.
Muitos investidores estão convencidos de que Atenas, diante
de anos de austeridade fiscal e possível estagnação
econômica, terminará por ser forçada a postergar o
pagamento de suas dívidas e a renegociar seus termos com os credores,
o que representa o passo final antes de uma moratória plena.
"Isso [o pacote de ajuda econômica] claramente propiciará
um bom respiro para a Grécia", disse Julian Callow, economista-chefe
da Barclays Capital, em Londres. Mas, no futuro, disse Callow, talvez depois
de 2011, "não está descartada a necessidade de uma postergação
de pagamentos".
A Grécia sofre pressões de financiamento e requer €
10 bilhões até maio para cobrir vencimentos de títulos
e pagamentos de juros. (New York Times, tradução
de PAULO MIGLIACCI - Folha de S.Paulo)
27.04 - Brasil não está imune à Grécia
O Brasil está bem longe da Grécia, o epicentro da crise
fiscal de países europeus. Mas não está completamente
imune a eventuais contágios, mostra o Fundo Monetário Internacional
(FMI), em documento divulgado em seu encontro de Primavera em Washington,
encerrado ontem.
Entre as economias emergentes, há dois grupos. Rússia,
África do Sul, Romênia e outros países da Europa Oriental
são bastante suscetíveis a um eventual aumento do risco soberano
em países da zona do euro.
Brasil, Peru, México e outros países latino-americanos
não são afetados pelo risco soberano, mas seriam atingidos
pela elevação dos juros cobrados de empresas europeias.
Tecnicamente, o FMI mede a correlação do risco soberano
de países emergentes e os riscos corporativo e soberano dos países
da Europa Ocidental, medido pelos CDS, ou "credito default swaps". As principais
conclusões foram apresentadas no relatório de estabilidade
financeira, divulgado pelo FMI. O risco do Brasil tem fraca correlação
com o risco soberano em países da Europa, mas tem uma correlação
importante com o risco corporativo.
A mensagem básica é que, conforme os economistas já
aprenderam nessa crise financeira mundial, não existe completo descolamento
das economias emergentes de eventuais crises nos países desenvolvidos.
O mundo financeiro continua bastante integrado, e todas economias sofreriam
algum impacto de uma eventual quebra da Grécia, embora com graus
diferenciados.
A Grécia finalmente admitiu na sexta negociar um pacote de socorro
de US$ 60 bilhões com países da zona do euro e o Fundo Monetário
Internacional (FMI). Os investidores, porém, continuam a apostar
numa eventual reestruturação da dívida grega, mesmo
com o início da negociação do pacote de ajuda.
Ainda falta o principal: definir quais ajustes a Grécia deverá
fazer para controlar seu enorme déficit público, na casa
dos 13% do Produto Interno Bruto (PIB). Membro da zona do euro, a Grécia
tem basicamente ferramentas fiscais para conter o avanço de sua
dívida pública. O país não pode lançar
mão de eventual desvalorização da moeda para corrigir
seus desequilíbrios.
No sábado, o ministro das finanças da Grécia,
George Papaconstantinou, reuniu-se com o ministro da Fazenda brasileiro,
Guido Mantega, para obter apoio dentro do FMI. Mantega está seguro
que a Grécia não impõe riscos à economia brasileira.
"A Grécia não tem tamanho suficiente para ameaçar
a recuperação da economia mundial", afirmou o ministro. "A
questão da Grécia é equacionável.
O presidente do BC, Henrique Meirelles, considera a crise grega séria,
mas localizada na Europa. "É um problema sério para a Grécia",
afirmou Meirelles. "A Grécia é uma economia limitada dentro
da Grécia e não tem instituições financeiras
sistemicamente importantes que podem levar à ramificação
dos problemas." Meirelles ponderou, porém, que o caso da Grécia
pode contaminar outras economias europeias, que têm fragilidades
fiscais semelhantes. (Valor Online)
26.04 - Em fevereiro, economia cresceu 7,4%
Segundo o Indicador Serasa Experian de Atividade Econômica (PIB
Mensal), o crescimento estimado em fevereiro foi de 7,4% em relação
ao mesmo mês do ano passado. Com isto, a expansão da atividade
econômica acumulou alta de 7,3% no primeiro bimestre de 2010 (comparativamente
ao mesmo período do ano anterior), fazendo com que a variação
acumulada nos 12 meses encerrados em fevereiro atingisse 1,4%.
Para os economistas da Serasa Experian, o forte crescimento econômico
anual observado neste início de ano deve-se não apenas à
base mais fraca de comparação (no mesmo período em
2009 a economia brasileira estava em recessão), mas também
aos efeitos favoráveis dos estímulos fiscais à compra
de bens duráveis bem como dos impulsos oriundos de uma política
monetária expansionista ainda vigente, favorecendo o crédito
ao consumidor.
Sob a ótica da demanda agregada, a alta de 7,4% na atividade
econômica, considerando a sua comparação anual, foi
determinada pelos crescimentos de 24,3% nos investimentos produtivos (formação
bruta de capital fixo) e de 10,5% no consumo das famílias. Também
as exportações, com avanço anual de 13,3% em fevereiro
de 2010, contribuíram para este resultado positivo.
Do ponto de vista da oferta agregada, a atividade industrial foi a
grande responsável pelo avanço de 7,4% na atividade econômica
em fevereiro: crescimento de 13,4% frente a fevereiro de 2009. O setor
de serviços apresentou uma alta mais modesta: 4,7% frente a fevereiro
do ano passado. Por sua vez, o setor agropecuário exibiu crescimento
anual de 2,6% em fevereiro de 2010, revertendo treze meses consecutivos
de taxas anuais negativas.
No acumulado do primeiro bimestre de 2010, os investimentos foram o
principal componente do crescimento da atividade econômica, registrando
expansão de 19,5%, praticamente duas vezes mais intenso do que se
observou com o consumo das famílias (alta de 10,3%). As exportações
também registraram crescimento favorável no primeiro bimestre
de 2010, avançando 11,2% em relação ao verificado
no mesmo período de 2009. Por fim, as importações
subiram 32,4% no primeiro bimestre, refletindo não apenas o consumo
doméstico aquecido bem como os investimentos em elevação.
Desconsiderando-se os fatores sazonais, o crescimento mensal observado
em fevereiro/2010 foi de 0,5% em relação a janeiro/2010.
Com isto, a variação do PIB trimestral (estimado) encerrado
em fevereiro foi de 2,0% em relação ao trimestre anterior
(set/out/nov de 2009), sinalizando que a economia brasileira vem crescendo
num ritmo anualizado de 8,4% neste início de ano. Tal ritmo deverá
ser reduzido a partir do segundo trimestre de 2010, tendo em vista a retirada
dos estímulos fiscais à aquisição de veículos,
e pelos efeitos da política de aperto monetário (elevação
de juros e compulsórios) a ser conduzida pelo Banco Central objetivando
recolocar a trajetória da inflação corrente às
suas metas. (Executivos Financeiros)
26.04 - Paulo Bernardo: Economia brasileira não corre riscos
Ministro disse que governo não vê risco nem de superaquecimento
da economia, nem de alta da inflação
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, comentou quinta-feira a
elevação que o Fundo Monetário Internacional (FMI)
fez da projeção de crescimento do Brasil para 2010 e 2011.
O FMI estima para este ano crescimento de 5,5% do Produto Interno Bruto
(PIB), um aumento de 0,8 ponto percentual sobre a previsão anterior
de 4,7%. Para 2011 a previsão de crescimento passou de 3,7% para
4,1%.
- O FMI fez uma estimativa um pouco maior do que a que o governo trabalha
hoje, mas acho que está firmando o conceito de que, de fato, o crescimento
vai superar 5,5% esse ano - afirmou o ministro após se reunir com
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No relatório divulgado no último dia 21 o FMI alerta
para o risco de superaquecimento da economia e recomenda cautela com a
manutenção de políticas de estímulo à
atividade econômica que possam levar a pressões inflacionárias.
Paulo Bernardo disse que o governo está atento e não vê
risco nem de superaquecimento da economia, nem de alta da inflação.
- Estamos adotando todas as medidas, monitorando o desempenho da economia
e, portanto, não vai acontecer isso. (Agência
Brasil/Jornal Monitor Mercantil)
26.04 - Economia não chegou ao limite, diz Mantega
O ministro Guido Mantega (Fazenda) defendeu na quinta-feira, em Washington,
que o Brasil ainda não alcançou seu limite produtivo e que
a economia ainda tem capacidade para crescer. Ontem, na Bahia, Henrique
Meirelles, presidente do BC (Banco Central), afirmou que o FMI "subestimou"
o país ao prever, antes de ontem, que o PIB (Produto Interno Bruto)
brasileiro crescerá 5,5%. As projeções do BC apontam
para um aumento de 5,8%.
Segundo Mantega, o crescimento do país não acelerará
a inflação. "É preciso parar com essa paranoia de
achar que vai subir juros, que o Brasil não tem condição
de crescer mais de forma equilibrada. Podemos crescer mais um pouco, sim.
Não ultrapassamos os limites de capacidade da economia brasileira."
O ministrou falou à imprensa após encontro com o secretário
do Tesouro americano, Timothy Geithner.
Petya Koeva, chefe-adjunta da área de Estudos Econômicos
Globais do Fundo FMI, dissera, após a divulgação das
projeções para o Brasil, que "a demanda no país está
em estágio avançado" e que é preciso retirar os estímulos
fiscais durante a crise -algo que já está em curso.
Com a tendência de aceleração dos preços,
o mercado conta com o aumento da taxa básica no fim do mês
e com a retirada dos estímulos adotados.
"Não identifiquei até agora uma inflação
de demanda", disse o ministro, em alusão à pressão
inflacionária que ocorre quando a demanda por produtos ultrapassa
a capacidade produtiva do país. "Não há uma trajetória
acentuada de crescimento. Já estamos tirando os estímulos
fiscais."
O ministro afirma que, se os resultados de produção de
abril, maio e junho apontarem para o superaquecimento visto pelos órgãos
internacionais, a Fazenda e o Banco Central agirão para frear a
tendência (com tarifas de importação ou redução
de tributos e aumento de taxa de juros).
Por enquanto, diz ver um "aquecimento normal" após um ano de
crise.
China
O ministro negou relatos de que o Brasil está fazendo pressão
pela valorização do yuan. Mas disse que "temos uma posição
de aproximação com a China e que isso tem que ser feito em
condições favoráveis". (ANDREA MURTA,
colaborou ANDRÉ LOBATO - Folha de S.Paulo)
26.04 - Serasa: PIB cresceu 7,3% no 1º bimestre
A economia brasileira expandiu-se 7,4% em fevereiro, na comparação
com igual mês do ano passado, segundo pesquisa da Serasa Experian.
Com isso, o crescimento acumulado do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro
bimestre, em relação ao mesmo período de 2009 é
de 7,3%.
Os resultados, segundo economistas da Serasa, foram motivados pela
base fraca de comparação, já que nos primeiros meses
do ano passado o país sofria as consequências da crise econômica
mundial. Também influenciaram os estímulos fiscais à
compra de bens duráveis e o aumenta da oferta de crédito
ao consumidor.
A expansão da atividade econômica em fevereiro foi determinada,
sob a ótica da demanda agregada, pelo crescimento de 24,3% nos investimentos
produtivos, de 10,5% no consumo das famílias e de 13,3% nas exportações.
Por outro lado, as importações, com alta de 44,1% no período,
limitaram o avanço do PIB.
Sob a ótica da oferta agregada, a atividade industrial impulsionou
o PIB em fevereiro, com expansão de 13,4% contra o mesmo mês
de 2009. Por sua vez, o setor de serviços teve ampliação
de 4,7% e o agropecuário, de 2,6%, revertendo 13 meses consecutivos
de taxas anuais negativas.
A variação estimada do PIB nos três meses encerrados
em fevereiro foi de 2% em relação ao período que engloba
setembro, outubro e novembro de 2009. Isso mostra que a economia brasileira
vem crescendo num ritmo anualizado de 8,4% neste início de ano.
"Esse ritmo deverá ser reduzido a partir do segundo trimestre
de 2010, tendo em vista a retirada dos estímulos fiscais à
aquisição de veículos e os efeitos da política
de aperto monetário (elevação de juros e compulsórios)
a ser conduzida pelo Banco Central, objetivando recolocar a trajetória
da inflação corrente às suas metas", conclui a Serasa,
em nota.
A variação acumulada nos 12 meses encerrados em fevereiro
ficou em 1,4%. Desconsiderando-se fatores sazonais, o crescimento do PIB
no segundo mês do ano foi de 0,5%, na comparação com
janeiro. (Karin Sato - Valor Online)
23.04 - O redesenho dos fundos de renda fixa segundo a liquidez
Em artigo publicado recentemente neste espaço, relacionei diversos
pontos sobre os fundos de renda fixa que mereciam uma reflexão especial.
Dentre eles, destaco, hoje, a (in)adequação entre os prazos
para pagamento de resgates e o do vencimento dos ativos que compõem
os fundos.
Tomemos por estudo o ALM (gerenciamento de ativos e passivos) que é
aplicado em várias instituições financeiras e considerado
um modelo bastante adequado para administrar parte dos riscos de liquidez
de bancos, seguradoras e entidades de previdência.
Se aplicássemos esse mesmo conceito aos fundos de investimento,
a grande maioria dos fundos de renda fixa e DI no Brasil deveria investir,
basicamente, em ativos de curto prazo, uma vez que o passivo, aqui representado
pela possibilidade de resgates, é também de curtíssimo
prazo.
Mencionei, especialmente, os fundos DI com o objetivo de destacar que
esses fundos, diferentemente do que muitos investidores pensam, podem aplicar
seus recursos também em títulos privados, que normalmente
são de maior prazo e possuem liquidez inferior à dos públicos.
É evidente que um dos benefícios do regime de condomínio
dos fundos é justamente a possibilidade de aproveitar a grande diversidade
dos fluxos de entrada e saída de milhares de investidores para negociar
títulos com prazos mais longos e/ou em volumes que possibilitem
maior poder de barganha. Essa estratégia resulta, geralmente, em
retornos superiores aos dos realizados individualmente.
É certo também que o controle de todos esses aspectos,
dentre eles o gerenciamento da liquidez, dos riscos e ainda a obtenção
de retornos satisfatórios são obrigações dos
gestores.
Com o sucesso do programa de estabilização, o controle
da inflação e a redução das taxas de juros,
profundas modificações na dinâmica do mercado financeiro
doméstico ocorreram, principalmente para o segmento de renda fixa.
Ocorre que nossa cultura financeira, originada em um histórico
inflacionário recente, é ainda muito imediatista. Verifica-se
esse comportamento no acompanhamento diário da rentabilidade, no
uso do CDI (taxa de um dia) como referência e, principalmente, na
exigência de liquidez para as aplicações. São
comuns, em nossa indústria de fundos, produtos com horário
de movimentação até às 17h do próprio
dia (após o fechamento do mercado de negociação) ou
mesmo até às 23h!
Alguns ativos privados como as debêntures, comuns às carteiras
dos fundos de renda fixa, possuem prazo médio de cinco anos, podendo
chegar a 10 anos. As Letras Financeiras (LFs), novos títulos emitidos
por bancos, possuem prazo mínimo de dois anos.
Para os títulos públicos, a mudança foi mais acentuada.
A estratégia apresentada no PAF 2010 (Plano do Tesouro Nacional
para 2010) foi a de priorizar as emissões de títulos prefixados
(com prazo de seis meses a 10 anos) e os remunerados por índice
de preços (com prazo de três a 40 anos!) Há alguns
anos, uma estratégia como essa seria uma verdadeira "missão
impossível".
Hoje, temos produtos com características do mercado de 15 anos
atrás, atuando num ambiente completamente novo. Assim, torna-se
necessária uma readequação dos produtos, segmentando-os
de acordo com sua política, especialmente em relação
ao horizonte dos investimentos e liquidez dos ativos, de forma a melhor
alinhá-los às expectativas dos clientes e às atuais
condições do mercado.
A tendência é que a própria indústria crie
categorias de fundos baseadas nesta nova realidade e que os investidores,
aos poucos, redirecionem seus recursos para fundos mais adequados aos seus
objetivos de investimento.
Investidores sem necessidade de liquidez aplicariam em fundos de longo
prazo, com regras mais rígidas de saque, mas em compensação
poderiam se beneficiar dos melhores retornos esperados para esses tipos
de investimento. Na mesma linha, tributar esses novos fundos de longo prazo
apenas por ocasião dos saques (sem o come-cotas), como já
ocorre com os títulos adquiridos diretamente pelos investidores,
seria uma medida coerente e muito bem-vinda.
Já aqueles que aplicam por poucos meses, ou não podem
estabelecer previamente um prazo, investiriam em fundos com liquidez imediata,
com política de investimento adequada, menores riscos e retorno
compatível.
O universo da renda fixa mudou muito no Brasil nos últimos anos.
Nada mais lógico que seus produtos também mudem. O próprio
mercado, sem a necessidade de uma intervenção reguladora,
deve buscar o caminho para adequação dos fundos de investimento
às novas condições do mercado. (André
Abreu - Valor Online)
23.04 - Os Bric se unem para ganhar mais poder
Os governos do Brasil, Rússia, Índia e China realizaram
sua segunda reunião para ampliar as chances de tornar realidade
um de seus poucos pontos em comum: ganhar peso compatível com sua
importância nas instituições multilaterais. Houve relativa
convergência de pontos de vista desses países quanto à
necessidade de reformular as regras do sistema financeiro pra evitar crises
e reduzir a especulação, de obterem uma representação
ampliada no Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial e de sagrar
o G-20 como principal fórum de decisão em assuntos econômicos
globais. Como principal argumento, os Bric têm a exibir suas altas
taxas de crescimento, o tamanho de seus mercados em expansão e o
fato de se constituírem hoje no polo dinâmico de crescimento
econômico.
Fora do guarda-chuva da sigla, criada por Jim O'Neill, economista do
Goldman Sachs, Brasil e Índia dificilmente teriam peso suficiente
para influenciar a cena internacional. A Rússia é uma velha
potência que não conseguiu se livrar totalmente do passado
autoritário, de sua ineficiência econômica e da dependência
de gás e petróleo. A China é uma potência à
parte - age como tal e é capaz de cada vez mais impor seus interesses
ao resto do mundo.
Os países do Bric têm interesses divergentes, mas convergem
na busca de mais poder global. Toda vez que o roteiro diplomático
de aproximação foge dos pontos concretos em que uma aliança
pontual é possível e pode dar resultados, a arquitetura até
certo ponto artificial do grupo parece ruir.
No encontro em Brasília, houve um pouco de tudo. A ação
de todos para obter mais poder nos organismos multilaterais foi mais uma
vez extensivamente reafirmada no comunicado conjunto. Para "promover a
estabilidade econômica internacional", os Bric propõem que
se discuta arranjos monetários regionais e a possibilidade de utilizar
moedas das quatro nações nas transações comerciais
entre si. Essa discussão deveria ocupar boa parte da reunião
e caminhar mais rapidamente, mas nada disso ocorreu. O Brasil é
um defensor desse esquema e a China vê com apreensão sua excessiva
dependência do dólar, mas sabe que um arranjo entre os quatro
está a quilômetros de distância de ser a solução.
Na questão do comércio internacional, há o ataque
a todas as formas de protecionismo e de restrições disfarçadas,
uma tese correta, mas que hoje diz diretamente respeito à China,
que tem atraído represálias a seus produtos por praticar
um câmbio desvalorizado e um sistema nada transparente de subsídios.
A referência à Rodada Doha como "rodada do desenvolvimento"
é uma indicação dos Bric sobre quem deverá
fazer as maiores concessões. Afora isso, há um cisma entre
eles. China e Índia, que têm centenas de milhões de
habitantes no campo, não querem abertura no setor agrícola,
que é defendida pelo Brasil. A China fechou seu mercado à
carne suína brasileira.
No capítulo energético há deferência a energias
limpas e, em especial, ao "desenvolvimento, produção e uso
dos biocombustíveis", uma bandeira brasileira. Quando se referem
à Conferência do Clima, porém, há sabidas divisões,
encobertas pelo linguajar da importância de negociações
transparentes e resultados justos. É sabido que a resistência
chinesa e indiana, ao lado da pouca margem de manobra dos EUA, levaram
a Conferência de Copenhague ao fracasso.
Quanto à estabilidade financeira internacional, não há
obviamente nenhuma referência ao regime cambial chinês, criticado
por grande parte dos economistas como parcialmente responsável pelos
desequilíbrios globais. Os Bric se contentaram em defender a manutenção
da estabilidade relativa das principais moedas que compõem suas
reservas e a sustentação de políticas fiscais que
resultem em um equilibrado crescimento econômico de longo prazo.
Desta vez, porém, os governos dos Bric foram objetivos sobre
o que pretendem e deixaram pouco espaço para devaneios sobre o poder
de uniões ilusórias. A China segue seus estritos interesses
ao buscar apoio a eles junto aos demais Brics. E o Brasil, acertadamente,
parou de recorrer à retórica ultrapassada da cooperação
Sul-Sul. (Valor Online)
23.04 - PIB deve crescer 5,5% em 2010 e 4,1% em 2011
O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê a desaceleração
da economia brasileira entre 2010 e 2011, de 5,5% para 4,1%, de acordo
com projeções divulgadas ontem. Em parte, o ritmo de expansão
da atividade tende a se acomodar em virtude do esgotamento dos estímulos
fiscais e monetários feitos pelo governo durante a crise financeira
mundial. Mas, em grande parte, a desaceleração nas projeções
do organismo é causada por fatores meramente estatísticos.
Já a economia mundial deverá se expandir a uma taxa de
4,2%, um pouco mais do que os 3,9% projetados em janeiro. O FMI considera
menores os riscos de a retomada econômica ser abortada, por isso
começa a pedir com um pouco mais de ênfase que os países
desenvolvidos anunciem estratégias para controlar seus déficits
públicos e conter o aumento de suas dívidas públicas.
O Brasil está avançado no ciclo de recuperação
econômica e dá sinais de estar próximo do esgotamento
de sua capacidade produtiva, disse Petya Koeva, uma economista do FMI.
"Uma das razões para a esperada desaceleração da economia
brasileira é que os estímulos fiscais e monetários
devem ser retirados", afirmou, referindo-se à necessidade de desaquecer
a demanda para evitar pressões inflacionárias.
A taxa de expansão esperada pelo FMI para a economia brasileira
no último trimestre de 2009, 2010 e 2011 é praticamente estável
em 4,2%. Esse é um sinal de que o crescimento mais forte esperado
para 2010, de 5,5%, é em grande parte resultado de um efeito estatístico.
Como a expansão brasileira foi muito fraca em 2009, a taxa média
de crescimento em 2010 acaba inflada por um efeito que os economistas chamam
de "carry over".
O crescimento brasileiro está mais forte do que o esperado pelo
FMI. Em janeiro, o organismo projetou uma expansão de 4,7% para
2010, ante os 5,5% divulgados ontem. Para 2011, a projeção
foi revista de 3,7% para 4,1%.
O economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, disse que a economia
mundial como um todo está tendo um desempenho "melhor do que o esperado".
Há algumas fragilidades, como o excesso de prudência dos consumidores
americanos e a restrição de oferta de crédito pelos
bancos na Europa. Mas o economista considera que os riscos para a recuperação
econômica são menores, por isso prega que os países
se concentrem na correção de desequilíbrios econômicos
que podem causar problemas mais adiante.
Além da dívida pública crescente, outra preocupação
é com a moeda desvalorizada da China e outros países asiáticos.
Os países desenvolvidos, segundo o FMI, devem reduzir consumo, poupar
mais e expandir exportações. Países como a China devem
fortalecer suas moedas, poupar e exportar menos, consumir mais e fazer
investimentos em setores voltados para o mercado doméstico.
(Alex Ribeiro - Valor Online)
22.04 - Aumenta previsão para juro em 2010
Mercado eleva em 0,25 ponto, para 11,50%, expectativa para taxa Selic
ao final do ano
Para analistas, trajetória de alta nos índices de inflação
e aquecimento da atividade econômica devem levar BC a acelerar ajuste
monetário
O mercado passou a contar com juros ainda mais elevados em 2010. Na
pesquisa Focus, feita pelo Banco Central com os bancos e divulgada ontem,
houve aumento na previsão para a taxa básica Selic no final
do ano de 11,25% para 11,50%.
Com os dados de inflação em rota ascendente, somados
a um cenário de atividade econômica mais aquecida, os analistas
já preveem que a Selic, atualmente em 8,75% anuais, tenha de ser
aumentada com maior intensidade pelo Banco Central.
"A revisão das previsões mostra a surpresa do mercado
com a atividade econômica, que tem apontado para um ritmo acima do
esperado. Junto a isso, os índices de preços têm surpreendido
e feito com que ninguém preveja que o IPCA fique abaixo dos 4,5%
do centro da meta oficial", diz Newton Rosa, economista-chefe da Sul América
Investimentos.
O economista elevou sua previsão para a Selic no fim do ano
de 11% para 11,50%. "Na próxima reunião, creio que o Copom
deve subir a taxa em pelo menos 0,75 ponto. Uma alta menor do que essa
pode ter uma reação negativa por parte do mercado", afirmou
Rosa.
O Focus mostrou que as instituições financeiras passaram
a trabalhar com o IPCA acumulado em 5,32% em 2010. Essa foi a 13ª
semana consecutiva em que os analistas elevaram a expectativa para o IPCA.
Há um mês, a previsão era a de que o índice
ficasse em 5,10%.
Nos cenários de pressão inflacionária, como o
atual, o Copom sobe os juros para inibir o consumo e a escalada dos preços.
Como a meta do BC para o IPCA em 2010 é de 4,5%, a previsão
do mercado está cada vez mais distante desse objetivo.
No pregão da BM&FBovespa, as taxas projetadas nos contratos
que pagam juros subiram em todos os vencimentos. No papel com resgate no
fim do mês, a taxa foi de 8,72% para 8,79%. No papel que vence na
virada do ano, a taxa subiu de 10,70% para 10,74%.
O Focus também mostrou aumento na expectativa para o PIB. O
mercado agora projeta que a economia brasileira irá crescer 5,81%
no ano. Na semana anterior, a previsão era de alta de 5,60% no PIB.
(FABRICIO VIEIRA - Folha de S.Paulo)
22.04 - IPC-Fipe avança 0,23% na segunda prévia
O cálculo da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas
Econômicas) apontou que o índice geral do IPC (Índice
de Preços ao Consumidor) teve variação de 0,23% nesta
quadrissemana.
O grupo Alimentação foi o que apresentou a maior alta,
de 1,27%, da segunda quadrissemana de abril. Houve uma leve alta em comparação
à última semana que apontou 1,19%.
Já o Vestuário, que na última quadrissemana ficou
com variação de 0,63%, nesta segunda quadrissemana de abril
apresentou leve alta, com 0,90% de variação.
Os outros grupos se sustentaram na média da última quadrissemana,
foram Saúde com variação de 0,23% e Habitação
com variação de 0,03%. Os grupos que ficaram com maior queda
de variação foram Despesas Pessoais com 0,06% e Transportes
com 0,78%.
O sistema de cálculo sempre abrange um período total
de 08 semanas e as variações são obtidas fazendo-se
a divisão dos preços médios das quatro semanas de
referência pelos preços médios das 4 semanas anteriores
(base).
Desta forma, para se obter uma série sequencial de índices
quadrissemanais, considera-se sempre 8 semanas incluindo-se no cálculo
as informações sobre os preços coletados na última
semana automaticamente, eliminando-se da operação os dados
referentes à semana mais antiga. (Executivos Financeiros)
22.04 - Analistas: Crescimento maior da economia: 5,81% este ano
A projeção de crescimento da economia foi revista para
cima pelos analistas do mercado: o Produto Interno Bruto (PIB), a soma
de todos os bens e serviços produzidos no País, foi ajustada
de 5,60% para 5,81% em uma semana, segundo a pesquisa Focus. Para 2011,
a expectativa de crescimento permanece em 4,5% ao ano. Para a expansão
da produção industrial, neste ano, a estimativa avançou
de 9,31% para 9,41%. Em 2011, os analistas esperam crescimento de 5%, a
mesma projeção anterior. (Fenaseg)
20.04 - Brasil sustenta PIB de 7%?
A economia da China cresce praticamente a 12% e, a nossa, 7%. Eles
podem sustentar esse ritmo por algum tempo, nós não. Não
há como comparar uma economia dirigida, num regime autoritário
controlado pelo Partido Comunista (mesmo que só de nome) com a nossa,
democrática, livre e aberta. Mas há algo em comum entre elas
que merece consideração: são complementares, a China
é nosso principal parceiro comercial e, como nós, enfrenta
hoje o mesmo desafio - inflação que caminha para 5%, provocada
pelo aquecimento da demanda interna. Na China, devido à injeção
direta e indireta de mais de US$ 1 trilhão. Aqui, por desoneração
tributária e incentivo monetário.
Outro fator que nos une: a China tem pelo menos US$ 200 bilhões
para investimentos diretos no exterior, e nós precisamos deles para
não depender apenas dos investimentos financeiros que estão
entrando.
Fica a pergunta: podemos sustentar um crescimento de 7% por mais tempo?
Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, acredita que este ano
ainda será possível, mas a longo prazo, não. Estima
que, se houver o necessário equilíbrio fiscal e monetário,
em 2011 a economia deve crescer só 4%. Faltam reformas, falta investimento,
falta muito.
"Não será fácil administrar a política
econômica nos próximos anos. Há muitos desafios e,
de novo, não nos preparamos adequadamente para isso. Na década
de 90, fizemos inúmeras reformas e aproveitamos o bom momento mundial
na década seguinte. Agora, não estamos fazendo mais nenhuma
reforma importante", afirma ele, à coluna.
Efeitos, depois. Mas estamos crescendo mesmo sem as reformas. "Sim,
entramos o ano com crescimento forte, mas não podemos nos esquecer
de que há muito tempo não tínhamos tantos estímulos
fiscais e monetários ao mesmo tempo. Suas retiradas no começo
de ano só começarão a ser sentidas mais para frente,
no fim do ano, provavelmente. Até lá, o crescimento será
forte."
Dependendo dos dados do primeiro trimestre, a MB Associados acredita
que o PIB pode ser maior do que os 6%, que previa, e até 7%, "algo
que já vínhamos falando para os clientes",afirma Sergio Vale.
Mas devemos ficar por aí.
Por quê? Para ele, há três questões fundamentais:
como o BC deveria reagir para termos um crescimento sustentável?
Quanto aos juros, um PIB maior coloca o BC ainda mais atrás da curva.
Por isso, aumentam as chances de uma alta de 0,75. [ ][/ ]
Para Sergio Vale, o segundo motivo para afirmar que um PIB de mais
7% "é claramente insustentável", é do conhecimento
de todos: não temos taxa de poupança nem de investimento.
O terceiro fator é o déficit em conta corrente. Este ano
ele não está tão ruim, diz Vale, pois vamos exportar
mais graças, novamente, às commodities. Mas, pelo padrão
de crescimento que se coloca para os próximos anos, iremos importar
mais. "É inevitável que teremos déficits crescente
em transações correntes. A consequência é certamente
maior volatilidade do câmbio, pois não me parece haver capitais
de longo prazo, a cada ano suficientes para financiar esse déficit."
E volatilidade na taxa de câmbio é o pior cenário
para qualquer empresário. Para ele, uma apreciação
contínua do câmbio está, agora, fora de questão.
Conclusão? Ele deixa para a coluna. Com base nessa análise,
podemos dizer que vai bem, sim, mas pode ser que não dure.
(Alberto Tamer - O Estado de S.Paulo)
20.04 - Controlar inflação acima das eleições
À medida que se aproximam as eleições aumentam
as tentações de adoção de políticas
que afrouxem o controle da inflação. O presidente Lula afirmou
recentemente que o governo manterá os compromissos em relação
à inflação; porém, por parte de seus aliados,
já existe quase uma campanha para que o Banco Central não
eleve as taxas básicas de juros, como parece inevitável Não
há dúvidas que a economia brasileira cresce fortemente. E
o principal reflexo disso é um mercado de trabalho aquecido, com
vários segmentos se ressentindo de escassez de mão de obra,
especialmente a de média e alta qualificação. Há
segmentos com salários subindo a 10% ao ano.
O crescimento econômico traz benefícios para todos se
o ritmo de expansão for gerando ganhos de escala e produtividade
que possam ser incorporados à remuneração do trabalho
e do capital. Se esse ritmo ultrapassa essa capacidade de absorção,
a inflação se encarrega de fazer o ajuste, e os benefícios
começam a ser anulados, tanto para o trabalho como para o capital,
nem sempre de maneira equânime e simultânea.
Por isso, na atual conjuntura, a manutenção da inflação
dentro da meta, ao redor do ponto central (4,5%), é o que pode ser
mais positivo para a sociedade brasileira - e existem projeções
acima de 5%.
Os indicadores sobre o ritmo de expansão da economia têm
confundido os analistas porque a base de comparação com o
ano passado distorce qualquer interpretação. Isso talvez
explique por que, mesmo com as expectativas no mercado financeiro apontando
para uma inflação se afastando do ponto central da meta (e
o IPCA - índice de preços aco consumidor apurado pelo IBGE
- acumulado no primeiro trimestre reforçou essa possibilidade, ao
ficar ligeiramente acima de 2%), o Banco Central, na última reunião
do Comitê de Política Monetária, no mês passado,
optou por esperar, em vez de subir as taxas básicas de juros naquele
momento.
Mas agora em abril esse cenário possivelmente ficará
mais claro, e se poderá precisar se a economia, por um ajuste natural,
reduzirá seu ritmo de crescimento para um patamar compatível
com a oferta disponível e as condições da infraestrutura,
ou se essa desejável desaceleração terá de
ser induzida por instrumentos de política econômica, entre
os quais se destacam as taxas básicas de juros. Até porque
não se pode esperar uma política fiscal anti-inflacionária.
A economia brasileira terá muito espaço para crescer
nos próximos anos, mas é fundamental que caminhe por uma
trajetória sustentável. Para tal, o nível de investimento,
como proporção do Produto Interno Bruto (PIB), terá
de se ampliar significativamente, evitando que o país volte a ser
muito dependente de poupanças externas ou os desequilíbrios
provoquem inflação. O setor privado vem dando uma contribuição
alentadora para expansão dos investimentos, mas esperase que haja
mais colaboração também por parte do setor público,
com redução do déficit nas finanças governamentais
e contenção dos gastos correntes. Mas no curto prazo pode
haver um descompasso entre oferta e demanda, e sobre essa situação
é que as autoridades monetárias terão de agir, sem
serem pressionadas pelo calendário eleitoral. O interesse do país
está acima de qualquer eventual jogo político-partidário.
(O Globo)
20.04 - Sobe retirada de capital de fundo de ação do país
O temor das pressões inflacionárias fez com que a retirada
de capital dos fundos de ação brasileiros atingisse na semana
passada o maior nível em quase quatro anos, de acordo com pesquisa
da consultoria norte-americana Emerging Portfolio Fund Research.
O resultado do país foi na contramão dos demais mercados
emergentes.
Segundo o levantamento, US$ 473 milhões foram retirados dos
fundos brasileiros no período de sete dias que se encerrou na quarta-feira,
o maior montante em 197 semanas.
A explicação, afirma a empresa, é que os investidores
esperam uma "série de aumentos na taxa de juros que pode começar
no final deste mês", com a reunião do Copom (Comitê
de Política Monetária do Banco Central).
Os resultados brasileiros contrastam com os US$ 997 milhões
que ingressaram nos fundos emergentes no mesmo período.
No ano, a Bolsa brasileira -que liderou os ganhos no mundo no ano passado-
acumula uma expansão de 1,21%, a menor alta entre os mercados das
Américas, com exceção do de Bermudas.
O índice Dow Jones, o principal de Nova York, já registrou
alta de 5,66% neste ano, por exemplo.
Analistas esperam que o Banco Central comece a aumentar a taxa Selic,
hoje em 8,75% ao ano, para conter as ameaças inflacionárias.
A expectativa do mercado é que os juros sejam elevados em 0,5 ponto
percentual no encontro da semana que vem.
O mais recente relatório Focus, divulgado semanalmente pelo
Banco Central com a projeção de economistas, aponta que o
IPCA vai terminar o ano com uma alta de 5,29%. No início do ano,
a previsão do mercado era de um aumento de 4,5% nos preços.
(Maria Cristina Frias - Folha de S.Paulo-18.04)
19.04 - Mais que uma sigla
Membros do Bric têm grandes diferenças entre si, mas interesses
comuns podem impulsionar acordos vantajosos
Nada é tão irresistível como a força de
uma ideia cujo tempo chegou, disse Victor Hugo. Assim é com o bloco
designado pela sigla Bric (Brasil, Rússia, Índia e China),
criada em 2001.
Nos anos 1980 já havia o conceito de "países baleia",
que elegia massa territorial e demografia como elementos críticos
para o protagonismo global.
Mas ainda não era o tempo -existia a URSS, a China havia apenas
iniciado sua abertura, o Brasil patinava na hiperinflação
e a Índia padecia nas ineficiências de seu modelo.
Nesta década, a ascensão da China como plataforma manufatureira
barateou os bens industriais e elevou os preços das matérias-primas.
Foi um choque favorável para o mundo em desenvolvimento, que viu
diminuída a histórica escassez de capital para investimento.
Nos últimos anos, os quatro países concentraram mais
de 50% do crescimento mundial, receberam volumes crescentes de investimento
e desempenharam papel relevante nas questões globais.
Daí não resulta, contudo, que formarão um bloco
a atuar em uníssono. Há convergência em alguns temas,
em especial o da reforma financeira global, que deverá evoluir,
ainda que lentamente, em favor dos emergentes.
Mas as diferenças são muitas, e cada um atuará
em consonância com seus projetos nacionais. Brasil e Índia
são democracias, ao passo que Rússia e sobretudo China são
regimes autocráticos. Exceto o Brasil, os outros três são
rivais estratégicos no xadrez geopolítico asiático
e global.
Não há, tampouco, um modelo econômico a uni-los.
A China se consolida como potência industrial, num regime de capitalismo
dirigido pelo Estado. Brasil e Índia são economias de mercado
diversificadas, com forte consumo interno, mas baixa eficiência produtivo-exportadora.
Já a Rússia encontra obstáculos para reduzir a dependência
do setor de energia.
As divergências são claras no âmbito da Organização
Mundial do Comércio. O Brasil é adversário, por exemplo,
do protecionismo agrícola, ao contrário de China e Índia.
Na questão climática, o governo brasileiro mostra-se mais
compromissado em limitar emissões de carbono.
A segunda reunião de cúpula do Bric, realizada na semana
passada, mostrou que nos temas multilaterais é difícil ir
muito além de declarações de intenção.
Mas seria um erro acreditar que o encontro é mera peça
de marketing. No plano bilateral, o documento assinado por Brasil e China,
embora vago, é passo importante para oportunidades equilibradas
de comércio e investimento. A intenção de colaboração
entre bancos nacionais de desenvolvimento também é positiva,
pois permitirá diversificar fontes de financiamento.
Esse tipo de cooperação na agenda do desenvolvimento
é um fator real de aproximação entre os quatro países,
que poderá contribuir gradualmente para maior convergência
nos grandes temas globais. (Folha de S.Paulo)
19.04 - A armadilha mortal da dívida
Contração fiscal pode, ao menos em curto prazo, agravar
mais a recessão
A saga financeira grega é a ponta de um iceberg de problemas
de sustentabilidade de dívidas públicas em muitas das economias
avançadas, e não só entre os chamados Piigs (Portugal,
Irlanda, Itália, Grécia e Espanha). De fato, a OCDE agora
estima que a relação entre dívida pública e
PIB nas economias ricas chegue a uma média de 100% do PIB.
Nos Piigs, os problemas não são apenas os deficit públicos
excessivos e a razão elevada entre dívida e PIB. Há
também problemas de deficit externos, perda de competitividade e,
assim, de crescimento anêmico.
Essas são economias que, mesmo uma década atrás,
estavam perdendo mercado para China e Ásia, devido às suas
exportações de baixo valor adicionado e que requerem uso
intensivo de mão de obra. Depois de uma década na qual os
salários cresceram mais rápido que a produtividade, os custos
por unidade de mão de obra subiram acentuadamente. A perda de competitividade
resultante se manifestou em deficit grandes e crescentes em conta corrente
e em desaceleração no crescimento. O toque final para o processo
foi a valorização do euro entre 2002 e 2008.
Assim, mesmo que a Grécia e os demais Piigs tivessem a firmeza
política requerida para reduzir fortemente os seus grandes deficit
fiscais -e isso é bastante improvável-, a contração
fiscal pode, ao menos em curto prazo, agravar ainda mais a atual recessão,
porque impostos mais altos e gastos públicos menores resultariam
em redução da demanda agregada. Se o PIB cair, atingir determinadas
metas de deficit e dívida se tornará impossível. Foi
essa, de fato, a armadilha mortal de dívida em que a Argentina se
viu apanhada entre 1998 e 2001.
Restaurar o crescimento sustentado requer desvalorização
real da moeda. Existem só três maneiras de realizá-la.
A primeira é uma deflação que reduza preços
e salários em 20% a 30%. Mas a deflação está
associada a uma recessão persistente (vide uma vez mais o caso da
Argentina), e sociedade e sistema político de país algum
podem aceitar anos de recessão e austeridade fiscal a fim de obter
depreciação real. Uma moratória e o abandono do euro
poderiam surgir antes disso.
O segundo caminho é seguir o modelo alemão de aceleração
das reformas estruturais e reestruturação empresarial, a
fim de elevar o avanço da produtividade e manter avanço moderado
dos salários. Mas demorou uma década para que a Alemanha
reduzisse o custo de sua unidade de mão de obra, dessa maneira;
se Espanha ou Grécia começassem o processo hoje, os custos
da realocação de recursos em curto prazo seriam altos, enquanto
os benefícios em termos de um crescimento mais alto demorariam anos.
Por fim, o euro poderia cair acentuadamente de valor. Mas o principal
beneficiário disso seria a Alemanha. E, para que o euro caia o bastante,
o risco de moratória da Grécia teria de ser muito grande,
e o contágio em termos dos ágios nos títulos dos Piigs,
severo o bastante para que o processo resultasse em uma recessão
de duplo mergulho na zona do euro, antes que a desvalorização
cambial apresentasse resultados concretos.
Caso não haja um milagre, a Grécia parece próxima
da insolvência. No início de sua crise, deficit orçamentário,
dívida pública e deficit em conta corrente da Argentina (como
proporção do PIB) eram de 3%, 50% e 2%, respectivamente.
Na Grécia, os indicadores são muito piores: 12,9%, 120% e
10%. Assim, serão necessários um esforço hercúleo,
sorte e apoio da União Europeia e do FMI para reduzir a chance de
moratória e saída da zona do euro.
A Grécia no momento tem uma economia interconectada demais com
as dos demais europeus para que se possa permitir seu colapso. Além
disso, o contágio na forma de ágio nos títulos de
dívida soberana dos demais Piigs seria forte, o que arremessaria
várias dessas economias para a mesma situação.
Necessidade de apoio
Assim, a despeito da repulsa da Alemanha e do Banco Central Europeu
quanto à ideia de um "resgate", a Grécia precisa de forte
apoio financeiro oficial neste ano, com juros que não sejam insustentáveis,
a fim de impedir que sua atual falta de liquidez se transforme imediatamente
em insolvência. Mas o apoio oficial só empurrará a
situação para o futuro. A combinação mágica
de razões sustentáveis de dívida e deficit, desvalorização
real e restauração do crescimento dificilmente poderá
ser atingida, mesmo que haja apoio financeiro oficial.
Todos os resgates bem-sucedidos a países que enfrentavam dificuldades
financeiras, como México, Coreia do Sul e Brasil, dependiam de duas
condições: a disposição confiável do
país em impor a austeridade fiscal e as reformas estruturais necessárias;
e grandes montantes em apoio oficial imediato para evitar uma crise de
rolagem de dívida pública e/ou privada com vencimento em
curto prazo.
Reforma sem dinheiro na mesa não funciona, porque investidores
nervosos e precipitados tirarão seu dinheiro do país caso
ele não disponha das reservas cambiais necessárias para impedir
o equivalente a uma corrida bancária contra seus passivos de curto
prazo.
Assim, depois de um plano completamente ineficaz, que ofereceria dinheiro
à Grécia tarde demais -apenas quando o país já
estivesse em risco de uma crise de rolagem de dívida- e a taxas
de mercado que tornariam sua dívida insustentável, a União
Europeia recuperou o juízo e criou um esquema mais parecido com
um pacote de apoio condicional do FMI: apoio desembolsado com base em cumprimento
de metas, com desembolsos iniciais mais elevados e juros generosos.
Só o tempo dirá se esse plano vai funcionar, ou seja,
se a Grécia manterá a solvência apesar da falta de
liquidez, o que dependerá de austeridade fiscal e reformas estruturais
confiáveis, com a ajuda de grandes montantes em apoio financeiro.
Mas, como nos casos de Argentina, Rússia e Equador, a Grécia
também pode cair na insolvência caso o ajuste não restaure
a sustentabilidade de suas dívidas e de seu crescimento. Por enquanto,
a comunidade oficial decidiu que vai tentar o plano A; caso ele fracasse,
o plano B seria uma moratória para reduzir as dívidas insustentáveis,
e o abandono do euro pela Grécia a fim de permitir uma desvalorização
e a restauração da competitividade e do crescimento.
(NOURIEL ROUBINI, tradução de PAULO MIGLIACCI - Folha de
S.Paulo)
16.04 - Estímulo para investir
Carga tributária elevada é um obstáculo para que
a taxa de investimento cresça e sustente a expansão da economia
O dinamismo do consumo foi o principal fator da rápida virada
da economia brasileira após o auge da crise de 2009. Em compensação,
o volume de investimentos tem apresentado recuperação mais
lenta, o que é natural, pois depende das expectativas e do estado
de espírito dos empresários.
O Brasil deve crescer cerca de 6% neste ano -e o aquecimento pressiona
as empresas a ampliar a capacidade produtiva. As projeções
apontam para uma elevação do investimento próxima
a 20% até o fim do ano. Confirmada a estimativa, a taxa em relação
ao PIB voltará ao nível de 18,5%, verificado antes da crise.
Há um consenso de que esse percentual não basta para
sustentar o atual ritmo de expansão e afastar riscos inflacionários.
Para isso, seria desejável uma taxa de investimento próxima
a 25% do PIB. Todos parecem estar de acordo, também, sobre a importância
de aumentar a poupança interna para manter o crescimento sem gerar
deficits externos significativos.
Mas não se deve chegar à conclusão, falaciosa
e frequente, de que é impossível crescer de forma acelerada
sem que antes a sociedade poupe mais. A poupança não é
um dado fixo, mas uma variável diretamente influenciada pelo comportamento
do PIB.
Em outras palavras, é a própria realização
da demanda, sob a forma de consumo e investimento, que eleva os lucros
das empresas e a renda das famílias -e permite a geração
da poupança que financiará a continuidade desse processo.
Um dos principais objetivos da política econômica é
preservar esse delicado equilíbrio com baixa inflação.
É interessante analisar estudos das entidades empresariais para
compreender os obstáculos enfrentados no mundo real. Na última
pesquisa da Fiesp, os aspectos mais mencionados pelos empresários
como limitadores do investimento foram a elevada carga tributária
(apontada por 64% dos entrevistados) e, de forma até surpreendente
para o momento, a baixa taxa de crescimento da economia (na opinião
de 36%). Juros e câmbio aparecem em 4º (31%) e 7º lugares
(16%), respectivamente.
Os empresários estão dizendo que a elevação
contínua do investimento pressupõe um esforço concreto
de redução de impostos por parte do governo -o que, aliás,
não é novidade. Pressupõe também -e esse é
um ponto relevante- um patamar elevado e estável de expansão
econômica, sem acelerações e paradas súbitas
que comprometam o horizonte do planejamento empresarial.
Tais considerações contrastam com a política fiscal
do governo, que não contribui para um ambiente favorável
ao investimento, em especial quando parece certo um novo ciclo de aumento
de juros. (Folha de S.Paulo)
16.04 - Captação de empresas no mercado dobra
Volume de recursos obtidos via emissão de papéis avança
no 1º trimestre, mas BNDES se mantém como principal canal de
empréstimos
Desembolsos do BNDES avançam 37%; presidente da instituição
afirma que operações no mercado devem ter prazos mais longos
O mercado de capitais brasileiro começa a retornar ao radar
das empresas. No primeiro trimestre deste ano, o volume de recursos captado
por meio da emissão de papéis (como ações e
debêntures) teve expansão de quase 90% em relação
ao mesmo período de 2009 e alcançou R$ 18,9 bilhões.
Mas, apesar do crescimento expressivo, o BNDES ainda segue na frente
como porto principal das empresas: entre janeiro e março deste ano,
os desembolsos do BNDES somaram R$ 25,5 bilhões, crescimento de
37%. O setor com maior volume de recursos recebidos foi a infraestrutura,
com R$ 9,9 bilhões em desembolsos.
Ao menos a diferença entre os volumes captados pelas empresas
no mercado e no BNDES encolheu. Nos primeiros três meses de 2009,
o montante levantado no mercado de capitais representou 53,7% do emprestado
via BNDES pelas empresas. Neste ano, essa proporção subiu
para 74,1%.
Para levantar recursos, as companhias dispõem de diferentes
canais. A forma mais tradicional é o pedido de empréstimo
em bancos ou no próprio BNDES. As maiores companhias também
costumam buscar o mercado de capitais, que, nas economias mais desenvolvidas,
representa uma fonte de captação de recursos mais ativa e
abrangente que no Brasil. Até meados de 2008, empresas de menor
porte estavam começando a acessar mais esse mercado. Mas a crise
prejudicou a continuidade do processo.
Nesse segmento, ao lado das ações, as debêntures
e as notas promissórias aparecem como modalidades de destaque. Esses
títulos rendem uma taxa de juros aos investidores que os adquirem
e vencem após determinado prazo.
Recuperação e mudanças
"Há a expectativa de que o mercado brasileiro retome o ritmo
em que vinha trabalhando até meados de 2008, antes da eclosão
da crise. O mercado de capitais representa para as empresas mais canais
para captarem e, em muitos casos, a custo menor que as formas tradicionais.
Mas o setor privado brasileiro ainda depende muito de recursos oferecidos
pelos bancos e pelo BNDES", afirma Alex Agostini, economista-chefe da Austin
Rating.
Segundo o presidente do BNDES, o banco pretende iniciar nas próximas
semanas conversas com instituições financeiras para estimular
a maior participação do setor privado na oferta de crédito
de longo prazo. Durante a crise financeira, o BNDES se converteu no maior
instrumento do governo para evitar que houvesse uma queda acentuada no
investimento. "Não queremos agigantar o banco, então temos
de nos mexer", disse Coutinho.
"Queremos que o mercado de capitais migre para prazos mais longos de
operação, tanto do lado da emissão de dívida
do setor privado como de investidores, fundos de pensão e famílias,
que podem apostar em formas de poupança de prazo mais longo. Em
nenhum país do mundo você obtém no mercado de aplicação
de curtíssimo prazo as taxas de rentabilidade obtidas no Brasil",
disse.
A transição para um cenário de maior participação
do setor privado poderá exigir alterações tributárias
e mudanças na regulação. Coutinho afirmou que o banco
pretende desenvolver fundos de crédito e fundos de debêntures
em parceria com o setor privado. (FABRICIO VIEIRA e JANAINA
LAGE - Folha de S.Paulo)
16.04 - Brasil crescerá 7%, prevê JPMorgan
Crescimento econômico, caso estimativa se confirme, será
o maior desde 1986
Vendas no varejo no país se expandiram em 1,6% em fevereiro
em relação a janeiro, quando alta foi de 3,0%, de acordo
com IBGE
A economia brasileira vai crescer 7% neste ano, segundo previsão
do banco americano JPMorgan, resultado que, se confirmado, será
o maior desde 1986, quando o PIB do país se expandiu em 7,5%. A
estimativa da instituição é mais otimista que a de
organismo internacionais e que a média dos economistas consultados
pelo Banco Central (que, no levantamento da semana passada, apostavam em
alta de 5,6%).
Segundo o banco, o crescimento no consumo e nos investimentos deve
acelerar a expansão da economia brasileira, que se retraiu em 0,2%
no ano passado -ainda assim foi uma das que tiveram menor queda no mundo
em 2009.
Ele, no entanto, afirma que a sua previsão depende das ações
do BC (isto é, do aumento da taxa de juros básica) e do controle
de gastos pelo governo.
A previsão anual do JPMorgan supera a de outras instituições
financeiras. Para a consultoria LCA, o PIB brasileiro vai se expandir em
5,8% neste ano. O banco Schahin estima alta de 5,2%, e o banco Espírito
Santo aponta crescimento de 5,0%.
Já o FMI, que nos próximos dias vai divulgar uma nova
previsão para o Brasil, afirmou no fim de janeiro que a economia
do país deve se expandir em 4,7% neste ano.
Para o primeiro trimestre deste ano, o JPMorgan prevê que a economia
vai crescer 8,7% na taxa anualizada em relação aos três
meses imediatamente anteriores, devido aos bons resultados das vendas no
varejo e da produção industrial. A estimativa anterior da
instituição era de expansão de 6,3%.
Segundo o IBGE, as vendas no comércio no país em fevereiro
cresceram 1,6%, na comparação com janeiro. Em janeiro, o
varejo havia subido 3%. (Folha de S.Paulo)
15.04 - Brasil é o segundo mais atrativo entre emergentes
Os investidores dão sinais de maior otimismo e estão
mais confiantes num crescimento robusto da economia mundial. É o
revela pesquisa realizada pelo Bank of American Merrill Lynch com 282 gestores
globais entre os dias 1º e 8 de abril.
Com a redução das tensões com a Grécia,
os administradores de recursos puderam se concentrar na análise
do comportamento da inflação, expectativa de expansão
econômica e no resultado das empresas, diz o relatório.
Os mercados emergentes se mantêm como a região mais atrativa
para os gestores. Entre os consultados, 31% têm expectativa de desempenho
acima da média ("overweight") para esses países. As posições
mantidas pelos gestores nos emergentes, no entanto, se mostraram menores
pelo terceiro mês consecutivo.
Na lista de países emergentes preferidos pelos investidores
no mês de abril, o Brasil aparece na vice-liderança, atrás
apenas da Rússia. Na terceira colocação está
a Tailândia. Os números mostram, no entanto, que os investidores
reduziram suas posições em Rússia. Em contrapartida,
elevaram o posicionamento em Brasil e Coreia. As apostas acima da média
no México atingiram 24%, um sinal de confiança na recuperação
da economia americana, ressalta o relatório. As posições
defensivas se mantêm nos mercados de Israel, Malásia e Chile.
O maior otimismo dos gestores se reflete numa queda significativa na
percepção de risco de crédito - apenas 37% dos executivos
acreditam que ele está acima do normal em abril. Na pesquisa realizada
no início de março, esse percentual era de 54%. Os investidores
também reavaliaram a expectativa de alta de juros. A maior parte
dos gestores (39%) acredita que o Federal Reserve (Fed, o banco central
americano) vai elevar os juros no quarto trimestre do ano.
Mais do que o aumento dos lucros, os gestores listaram os dividendos
e os investimentos das empresas como as prioridades a serem observadas
nos balanços. É a primeira vez que isso ocorre desde dezembro
de 2007. Os dividendos foram colocados em primeiro lugar por 27% dos respondentes
e os investimentos, por 43%.
As aplicações dos gestores continuaram se revezando em
títulos de renda fixa e ações. Entre os consultados,
52% estão com expectativa acima da média de mercado em ações.
Mesmo com relação aos bancos, o pessimismo caiu. O total
de investidores que esperam que os papéis das instituições
financeiras tenham desempenho abaixo da média ("underweight") somou
10% em abril ante 24% em março. (Luciana Monteiro - Valor
Online)
15.04 - FMI recomenda restrição a capital externo
Para o Fundo, forte ingresso de dólares em alguns países,
como o Brasil, pode gerar "bolhas" e apreciar moeda local em excesso
Diagnóstico é que dinheiro público direcionado
ao mundo desenvolvido "vaza" com força para emergentes, potencializando
distorções
O FMI (Fundo Monetário Internacional) recomendou aos países
que se tornaram alvo de fortes ingressos de dólares, como o Brasil,
que considerem adotar medidas para restringir essa entrada de capitais.
A defesa aberta do Fundo a esse tipo de medida é inédita,
contraria a opinião de muitos economistas ortodoxos e foi feita
na apresentação de parte do "Relatório sobre a Estabilidade
Financeira Global".
Para o FMI, o ingresso "excessivo" de dólares em alguns países
pode gerar "bolhas" nos preços de alguns ativos (como ações
e imóveis) e apreciar além da conta a moeda local, afetando
os exportadores.
O diagnóstico é que a enxurrada de dinheiro público
e dos BCs direcionada aos mercados do mundo desenvolvido a partir da crise
de 2008 "vaza" com força para os emergentes, potencializando distorções.
Nos países avançados, além de os BCs terem elevado
muito a oferta de dinheiro no mercado, a taxa de juro por eles praticada
é hoje em muitos casos negativa (menor que a inflação).
O investidor que tem acesso a esse dinheiro barato dos BCs procura
alternativas de ganhos fora de seus países. Nos EUA, pode captar
dólares a custo perto de zero e receber remuneração
próxima a 8% ao ano em um país como o Brasil.
"O grande risco é ocorrer uma reversão abrupta desses
fluxos de capital especulativos", diz Effie Psalida, uma das autoras do
relatório do Fundo.
Normalmente, o controle de capital é uma medida que onera a
entrada de dólares em um país com impostos ou que impõe
um prazo mínimo para que o dinheiro fique aplicado, reduzindo o
risco de saídas violentas de capital estrangeiro.
Outra sugestão do FMI para tentar neutralizar o efeito de ingresso
exagerado de dólares é acumular reservas. O expediente vem
sendo adotado pelo BC brasileiro, mas ainda assim o dólar tem se
desvalorizado.
As Bolsas dos mercados emergentes, em especial a do Brasil, têm
subido nos últimos meses impulsionadas por essa entrada de dólares.
A contrapartida é que a cotação da moeda continua
pressionada para baixo por conta dessa oferta de dólares, o que
reduz o ganho dos exportadores.
Com a inflação em alta nas últimas semanas, a
expectativa é que o BC brasileiro comece a aumentar a taxa de juros
para conter a atividade econômica.
Isso deve estimular ainda mais investidores internacionais a investir
em papéis do Tesouro brasileiro (que oferecem remuneração
maior que a dos títulos norte-americanos).
A especialista em economia internacional Alessandra Ribeiro, da Tendências,
discorda da sugestão do Fundo. "A maior parte dos dólares
que entra no Brasil hoje é de investimentos produtivos ou para financiamento
de empresas. São capitais de longo prazo", diz.
Para Sidnei Nehme, diretor-executivo da corretora de câmbio NGO,
a recomendação do FMI pode conter uma "espécie de
armadilha".
"Parece haver um interesse dos países desenvolvidos [que controlam
na prática o FMI] em querer segurar esse capital em seus próprios
mercados." (FERNANDO CANZIAN - Folha de S.Paulo)
15.04 - Analistas veem PIB de 6% como piso
Uma elevação de 6% no Produto Interno Bruto (PIB) deste
ano é "piso". Com a alta esperada de 2% no primeiro trimestre sobre
os últimos três meses do ano passado, será preciso
diminuir sensivelmente o ritmo - para algo próximo a 1% por trimestre,
até o fim do ano - para, ainda assim, registrar crescimento entre
6% e 6,5% no PIB. A avaliação é consensual não
entre economistas do governo, mas entre analistas do mercado financeiro.
Para Ilan Goldfajn, Alexandre Schwartsman, Eduardo Loyo e Luiz Fernando
Figueiredo, todos ex-diretores do Banco Central, hoje quadros proeminentes
de bancos privados e de gestoras de recursos, o país está
crescendo "com força", desencadeando um processo inflacionário
ancorado na ampliação da demanda e, por isso, necessita de
um "ajuste firme". Segundo eles, o Banco Central será o protagonista
do processo de controle, visto que o governo mantém ou até
amplia os estímulos fiscais e o crédito por meio dos bancos
públicos e de fomento.
Reunidos em seminário promovido pela Emerging Markets Traders
Association (EMTA), no Itaú Cultural, em São Paulo, os economistas
foram unânimes em defender elevações nas taxas de juros,
hoje em 8,75% ao ano, como forma de conter um crescimento da atividade
"muito acima do potencial". Segundo cálculos do economista Affonso
Celso Pastore, ex-presidente do Banco Central e também presente
ao evento, mantidos os atuais ritmos de absorção da mão
de obra e aumento dos investimentos, o PIB potencial brasileiro seria próximo
a 4,5%. Isto quer dizer que a economia pode crescer até 4,5% sem
gerar pressões inflacionárias.
"O ritmo atual de crescimento trimestral é de 2%. Ainda que
caia para cerca de 1,1% nos próximos três trimestres, fecharemos
2010 com uma elevação de 6,5% no PIB", avalia Goldfajn, economista-chefe
do Itaú Unibanco. Para ele, no entanto, "não há nenhum
sinal de que haverá desaceleração".
Pelo contrário, acredita Schwartsman, economista-chefe do Santander.
De acordo com o economista, os sinais dados pelos índices de preços,
no primeiro trimestre do ano, são de que "a demanda doméstica
está pressionando a inflação". Nos primeiros três
meses do ano, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)
acumulou 2,06%, quase metade da meta de 4,5% perseguida pelo BC até
o fim do ano. "O peso para conter essa demanda forte recairá sobre
o BC", avalia Schwartsman.
Segundo os economistas, o BC deve começar a elevar a Selic já
neste mês, na reunião que ocorre no dia 27. A avaliação
é de que o processo deveria ter sido iniciado antes disso. Até
o fim de 2010, avaliam, a Selic deve saltar dos 8,75% atuais para algo
entre 11,75% e 12% ao ano.
O economista da Mauá Investimentos, Luiz Fernando Figueiredo,
não vê riscos eleitorais afetando a ação do
Banco Central. Segundo ele, "as válvulas que o governo encontrou
no ano passado para capitalizar bancos públicos, como o BNDES, trazem
mais incertezas que a atuação do BC neste e nos próximos
anos". O economista aposta que a atuação do BC, no ano, será
balizada pelo controle da inflação e, por isso, "não
terá problemas em elevar os juros".
A elevação dos juros deve ampliar a entrada de capitais,
que, ao mesmo tempo em que financiam o crescente déficit das transações
correntes - segundo analistas, deve passar de 1,2% do PIB em 2009 para
cerca de 2,5% do PIB neste ano - também pressionam a valorização
do câmbio. Assim, bancos e consultorias trabalhavam, desde o início
do ano, com uma diminuição do saldo comercial em 2010, frente
aos cerca de US$ 25 bilhões registrados em 2008 e 2009.
O reajuste de preços do minério de ferro, anunciado pela
Vale, BHP Billiton e Rio Tinto, de cerca de 90%, pode alterar essa rota,
segundo economistas. Pastore lembra que somente o aumento promovido pela
Vale deve significar US$ 10 bilhões a mais no saldo comercial. Ele
vê o risco de uma entrada forte de recursos, com apreciação
do real. (João Villaverde e Cristiane Perini Lucchesi
- Valor Online)
14.04 - Mercado aumenta previsão para inflação
de 2010
O mercado aumentou pela 12ª vez consecutiva a perspectiva para
a inflação de 2010, medida pelo IPCA (Índice de Preços
ao Consumidor Amplo), para 5,29%, enquanto a estimativa da semana passada
era de 5,18%, segundo o relatório Focus, divulgado segunda-feira,
pelo Banco Central (BC).
A taxa básica de juros (Selic) se manteve estável em
11,25% nesta semana, enquanto para 2011 a perspectiva passou de 11% na
semana passada, para 11,25%. A previsão para o PIB (Produto Interno
Bruto) de 2010 passou de 5,52% para 5,6%.
O BC manteve estável a previsão para o superávit
da balança comercial neste ano, em US$ 10 bilhões, enquanto
para 2011 caiu de US$ 4,5 bilhões para US$ 3,54 bilhões.
(Executivos Financeiros)
14.04 - Brasil deve crescer 6,4%
A economia brasileira terá expansão de 6,4% neste ano,
bem mais que o dobro que o país cresceu na média dos últimos
15 anos, que foi de 2,9%. Essa é a análise de Octavio de
Barros, diretor de pesquisa e estudos econômicos do banco Bradesco.
No novo cenário macroeconômico realizado pelo banco para
este ano, a inflação no país será de 5,5% no
IPCA, do IBGE, e de 8,0% no IGP-M, da FGV.
"Caso não haja reação tempestiva do Banco Central,
esses números deverão ser revisados para cima. Contudo, consideramos
que a política monetária será acionada imperativamente
com três aumentos sucessivos da taxa Selic a partir de abril, atingindo
11% até julho e continuando o ciclo em 2011 até um pico de
juros de 12,25%", afirma Barros.
A balança comercial brasileira projetada pela equipe de economistas
do banco deverá atingir saldo positivo de US$ 18,4 bilhões
neste ano.
O resultado do superavit se deve, em grande parte, às commodities
e, em particular, ao minério de ferro, cujo preço médio
deverá ser reajustado em cerca de 90%, segundo análise do
Bradesco. (Maria Cristina Frias - Folha de S.Paulo)
14.04 - Economia: Sinais de indigestão
Afora o previsível BC, restante dos economistas de Lula passa
a achar que economia já está crescendo demais
A Economia está quente demais. Não apenas na opinião
dos suspeitos de sempre, como o Banco Central e a finança privada.
O restante do governo Lula que também se ocupa de economia está
preocupado com os aumentos devidos à animação excessiva
da economia.
Não se trata mais só de "evitar que o BC aumente demais
os juros". O governo está algo surpreendido com a velocidade da
recuperação. Pensa agora como pode ajudar a conter a escalada
de alguns preços.
A estimativa oficial para o aumento do PIB deste ano é ainda
de 5,5%. Mas, afora imprevistos fortes, o governo acha que a economia já
vai para 6%. Ainda está menos otimista que dois bancões.
Os economistas do Itaú Unibanco revisaram na sexta-feira passada
sua projeção de crescimento para 2010 de 6% para 6,5%; a
inflação ficaria em torno de 5,3% (o IPCA).
Um pouco antes, o pessoal do Bradesco revisara sua projeção
de alta do PIB para 6,4%, com inflação em torno de 5,5%.
Na média do mercado ouvida pelo BC, o PIB sobe 5,6%, e o IPCA, 5,3%.
Os economistas do Bradesco esperam três altas de 0,75 ponto percentual
para a taxa de juros, que iria assim de 8,75% para 11%. Os do Itaú
Unibanco acreditam em quatro aumentos de 0,75, com a Selic indo a 11,75%.
Ainda pedem mais altas de juros no primeiro trimestre de 2011.
O preço de matérias-primas industriais (metais) sobe
no mundo inteiro, reajustes que vão desaguar aqui. Para o bem e
para o mal, o preço dos produtos de exportação brasileiros
está subindo, agora até um pouco mais que os dos importados.
O preço dos alimentos continua a subir, mesmo após a
temporada climática ruim. Indústrias famintas com o faturamento
magro de 2009 estão conseguindo reajustes, dados o aumento contínuo
da renda e a melhora do crédito para pessoas físicas.
O governo está preocupado com esses três vetores de inflação.
Pensa até em facilitar a importação de alguns insumos
industriais. Como de costume, a parte dos economistas do governo que não
está no Banco Central gostaria de ver o BC tomar medidas "alternativas"
para reduzir o crescimento do crédito. Ou seja, exigir que os bancos
deixem mais dinheiro parado no BC -aumentar o compulsório.
Em tese, o BC não acha que congelar mais dinheiro dos bancos
seja o modo de conter o crédito. Porém, o BC sabe que algum
efeito o aumento do compulsório tem, efeito muito mal estudado.
No que diz respeito ao corte do gasto público, outro modo de
conter consumo e crescimento excessivos, o governo tem pouco tempo e pouco
raio de ação para este ano. Teria de talhar na carne eleitoral,
como parar obras e medidas ineficientes dessa espécie, pois contratou
muita despesa inadiável. E ainda pode ter de arcar com mais reajustes
do INSS.
Atitudes outras são ainda mais exóticas e com cheiro
de mofo, como limitar prazos de financiamento (encurtar crediários)
e elevar impostos financeiros. De resto, são medidas que vão
na veia do eleitor. Gente do governo ressalta que tais coisas nem estão
em cogitação.
Já não tem muito jeito. Haverá paulada nos juros.
E, mesmo assim, o efeito disso só vai ser sentido na veia depois
da eleição. (VINICIUS TORRES FREIRE - Folha de S.Paulo)
13.04 - Aberturas de capital devem se intensificar
Embora o volume de operações feitas no início
do ano tenha ficado abaixo da previsão, perspectiva é de
aumento, dizem analistas
Com reação das economias e das empresas, lançamentos
de ações já cresceram 400% no 1º trimestre em
todo o mundo, aponta consultoria
O Brasil, que vivia uma febre de abertura de capital de empresas antes
do agravamento da crise internacional em 2009, deve ser um dos países
que mais terão companhias indo à Bolsa nos próximos
dois anos, segundo especialistas.
A trajetória de queda dos juros e a recomposição
da liquidez internacional no mercado de crédito facilitam o financiamento
corporativo pelos meios tradicionais, como emissões de títulos
e empréstimos de bancos. Mas o mercado de ações é
cada vez mais a escolha dos empreendedores que buscam recursos para ampliar
as suas operações e se preparar para a esperada decolagem
do Brasil.
Essa opção tem, para os gestores, a vantagem de reforçar
a marca das companhias, tornando-as mais conhecidas do público em
geral, que está se familiarizando com a Bolsa, e ainda trazer para
dentro do negócio novas e mais modernas normas de administração.
De acordo com informações da CVM (Comissão de
Valores Mobiliários), já existem atualmente em análise
18 pedidos de ofertas de lançamento de ações por companhias
brasileiras. Dessas operações, seis são de IPOs (ofertas
públicas iniciais, na sigla em inglês).
"O único fator que pode atrapalhar é a elevação
dos juros nos EUA, porque, nesse caso, os investidores correriam para alocar
parte dos seus recursos em ativos norte-americanos. Mas não parece
provável que isso vá acontecer tão cedo, pelo comportamento
da economia por lá", ressalva Ricardo Fontes, professor do Insper.
Segundo pesquisa feita pela firma de auditoria e consultoria Ernst
& Young, 267 empresas abriram capital nos três primeiros meses
do ano em todo o mundo, o que significa elevação de 413%
na comparação com o registrado no mesmo período de
2009 (52 IPOs).
Essas operações movimentaram US$ 53,2 bilhões
globalmente, e, desses, 6% se referem a transações ocorridas
no mercado de capitais do Brasil. O país ficou na quarta posição
no ranking de aberturas entre janeiro e março deste ano, com cinco
operações, as quais captaram US$ 3,3 bilhões. Os três
primeiros colocados foram China, Japão e Estados Unidos.
Essa retomada se deve, principalmente, à melhora no cenário
econômico mundial, pois os países dão sinais de recuperação
das suas atividades -nos emergentes, mais do que nos EUA ou na Europa.
Por isso, juntos, os países do chamado grupo dos Bric (Brasil,
Rússia, Índia e China) conseguiram 49% do total das aberturas
de capital, o correspondente a US$ 26,2 bilhões em 135 negociações.
Seis dos dez maiores IPOs e 11 dos 20 maiores vieram do grupo de países
emergentes.
Embora os valores dos IPOs realizados no Brasil no início de
2010 tenham ficado um pouco abaixo do esperado, a sinalização
é positiva, destaca Paulo Sérgio Dortas, sócio da
Ernst & Young Brasil para essa área, em nota. "As perspectivas
são as melhores possíveis. A atividade nos mercados emergentes
continua forte, mas o diferencial do período é que presenciamos
o renascimento da atividade em mercados importantes, como Tóquio,
Londres, Paris e Frankfurt", diz Dortas.
O continente asiático foi o que apresentou maior número
de IPOs no primeiro trimestre de 2010: 166 (US$ 35,1 bilhões).
Na Europa, apesar das incertezas e dos temores que cercam o euro e
a saúde financeira de países como Grécia e Portugal,
o número de IPOs registrado nos três primeiros meses deste
ano foi o maior desde o último trimestre de 2007: 39.
(Folha de S.Paulo)
13.04 - Falta de recursos ameaça obras do governo
Capacidade de financiamento do BNDES a megaprojetos preocupa o Planalto,
que estuda capitalização de R$ 100 bi
Entre os gastos bilionários, estão hidrelétricas,
trem-bala e PAC 2; BNDES nega risco e diz que setor privado também
participará dos investimentos
A capacidade de financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social) em 2010 para os megaprojetos de infraestrutura
do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) preocupa o
Palácio do Planalto.
Só a hidrelétrica de Belo Monte e o trem-bala, que deverão
ser leiloados neste ano irão exigir, juntos, R$ 35 bilhões
do banco nos próximos anos. Isso sem contar as linhas de transmissão
das usinas do rio Madeira, a construção de Angra 3, os complexos
bilionários na área de petroquímica, além de
portos (cujo programa de licitação está na iminência
de sair), estradas, ferrovias e a criação de uma "gigante
nacional" na área de energia.
Além disso, o processo de capitalização da Petrobras
exigirá outros bilhões da instituição. Se o
projeto de lei da capitalização da estatal for aprovado no
Congresso, o BNDES injetará recursos para manter sua fatia de 7,7%
no capital da estatal ou até aumentá-la, conforme já
foi anunciado pelo presidente do banco, Luciano Coutinho. E, se o projeto
não for apreciado no Legislativo em 2010, o BNDES poderá
antecipar R$ 20 bilhões em financiamento para que a Petrobras viabilize
seu plano de investimento.
A equipe econômica trabalha com previsões totalmente abstratas
para os financiamentos públicos a partir de julho, e está
em estudo na Fazenda uma nova capitalização do banco via
Tesouro, cuja soma poderia chegar a R$ 100 bilhões.
A projeção oficial do BNDES é de um desembolso
de R$ 126 bilhões em financiamentos neste ano, valor 8% inferior
aos R$ 137 bilhões liberados no ano passado. E para os próximos
anos existem previsões de grande aumento de demanda na área
de infraestrutura com os megaempreendimentos desenhados especialmente para
o ciclo de exploração do pré-sal, Copa do Mundo e
Olimpíada.
Mais desembolsos
Confirmando a tendência de aquecimento, nos dois primeiros meses
do ano os desembolsos do BNDES mantiveram um crescimento vertiginoso. Em
janeiro, somaram R$ 7,7 bilhões, com alta de 74% na comparação
com o mesmo mês de 2009 e, em fevereiro, os desembolsos foram de
R$ 8,3 bilhões, com aumento de 66%.
O BNDES disse, por meio de sua assessoria, que acredita que o valor
dos desembolsos, um pouco inferior ao do ano passado, é suficiente
porque é esperado que o mercado privado atue de maneira mais ativa
na tarefa de manter os investimentos em alta. Mas o setor financeiro privado
reluta muito em ingressar em projetos como o da usina Belo Monte e o trem-bala,
que exigem um volume muito alto de recursos e são considerados "inseguros".
A assessoria do banco disse que acha prematuro fazer previsões
em relação à demanda gerada pela Copa do Mundo, pela
Olimpíada e pelo PAC 2.
Se o Tesouro decidir fazer um novo aporte para que o BNDES tenha recursos,
a iniciativa poderá comprometer as contas públicas. Isso
porque todo crédito novo é financiado por emissão
de dívida.
E para dar verba ao banco de fomento, o Tesouro arca com subsídio
bilionário: capta por Selic (8,75% ao ano) e empresta por TJLP (6%
ao ano). No ano passado, o Tesouro fez um aporte de R$ 100 bilhões
no BNDES e, neste ano, de mais R$ 80 bilhões. (LEILA COIMBRA
- Folha de S.Paulo)
13.04 - Zona do euro propõe crédito de 30 bi para socorrer
Grécia
Com detalhamento do plano de ajuda a Atenas, países esperam
conter o nervosismo do mercado
Os países europeus definiram, no domingo, os primeiros detalhes
concretos de um pacote para socorrer a endividada Grécia, cujas
dificuldades financeiras vêm provocando nervosismo nos investidores
e ameaçando a estabilidade da moeda comum e da região.
Pelo plano alinhavado durante uma teleconferência entre ministros
de Economia, as 16 nações que fazem parte da zona do euro
propuseram emprestar até 30 bilhões a Atenas, cobrando uma
taxa de juros de cerca de 5% ao ano, inferior à que os gregos têm
pago atualmente, de 7% a 7,5% ao ano. O acordo ainda precisa ser assinado,
o que deve acontecer nos próximos dias.
Desde os primeiros sinais de problemas na Grécia, há
algumas semanas, os europeus sinalizam que podem lhe dar algum suporte,
porém não haviam especificado como e em que montante essa
ajuda viria. "Agora estamos dando o esclarecimento pelo qual os mercados
têm esperado, mostrando que há dinheiro por trás disso
tudo", afirmou Jean-Claude Juncker, primeiro-ministro e ministro da Fazenda
de Luxemburgo, líder do grupo de ministros das Finanças dos
países da região. "Fica nas mãos do governo grego
decidir se quer utilizar esse novo mecanismo ou não."
A Grécia agradeceu a iniciativa, porém frisou que, por
ora, não vai fazer uso desse financiamento especial, pois espera
poder continuar tomando empréstimos normalmente no mercado -embora
o rebaixamento da sua nota de risco pela agência de classificação
Fitch Ratings, na sexta-feira, para um nível acima do patamar classificado
como "podre" possa dificultar (e encarecer) as operações
daqui para a frente.
Amanhã, a estratégia do país será objeto
de um grande teste com uma emissão de títulos soberanos de
curto prazo. O resultado mostrará se a demonstração
de união dos europeus será suficiente para conter a especulação
contra a Grécia.
"Com a decisão de hoje [ontem], a Europa envia uma clara mensagem
de que ninguém pode brincar com a nossa moeda comum, ninguém
pode brincar com o nosso destino conjunto", disse George Papandreou, o
primeiro-ministro grego, em comunicado.
Para o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso,
a resolução "mostra que a zona do euro é séria
em fazer o que é necessário para garantir a estabilidade
financeira da região".
O FMI (Fundo Monetário Internacional) também vai abrir
uma linha de crédito para a Grécia, mas ainda não
definiu de quanto -segundo autoridades europeias, o volume ficaria entre
10 bilhões e 15 bilhões. As negociações com
o Fundo começam hoje.
Como o eventual empréstimo europeu teria cobrança de
juros, não quebraria uma lei da região segundo a qual os
países-membros da zona do euro não podem se socorrer mutuamente,
esclareceu Juncker. A contribuição de cada nação
seria proporcional à sua fatia no capital do BCE (Banco Central
Europeu), que, por sua vez, se baseia no tamanho da sua economia. E até
mesmo Portugal, Espanha e Irlanda, que igualmente enfrentam dificuldades,
concordaram em participar (Folha de S.Paulo)
12.04 - Inflação no trimestre é a maior em 7 anos
Nos três primeiros meses de 2010, IPCA fica em 2,06% sob pressão
de alimentos, que sobem mais do que em todo o ano passado
IPCA se desacelera em março, para 0,52%, e alimentos contribuem
com dois terços do resultado; IBGE vê sinais de inflação
de demanda
Pressionado por uma forte alta dos alimentos, o IPCA ficou em 0,52%
em março, abaixo do 0,78% de fevereiro, graças apenas ao
fim da correção sazonal das escolas. Tal resultado fez o
índice em 12 meses acumular uma variação de 5,17%,
acima do centro da meta do governo (4,5%) e superior a 5% pela primeira
vez desde maio do ano passado.
No primeiro trimestre, o IPCA subiu 2,06%, maior taxa para o período
desde 2003 (5,13%). No mesmo período de 2009, o índice fora
de 1,23%.
Vilões do mês, os alimentos subiram de 0,96% em fevereiro
para 1,55% e tiveram a maior variação mensal desde junho
de 2008 (2,11%). Sozinho, o grupo alimentação contribuiu
com 0,35 ponto percentual do índice geral, o que correspondeu por
67% do resultado.
No primeiro trimestre, os alimentos subiram 3,69%, mais que os 3,18%
registrados em todo o ano passado.
Em março, as altas de destaque ficaram com tomate (42,95%),
feijão-carioca
(10,46%), batata-inglesa (8,44%), leite pasteurizado (8,03%) e açúcar
refinado (6,32%).
Em parte, foram impulsionadas pelo calor e pelas chuvas em excesso.
Há também, no entanto, pressões típicas do
consumo maior de alguns itens, como o leite.
Inflação de demanda
Segundo Eulina Nunes dos Santos, o movimento de alta dos alimentos
é "generalizado" e há sinais de inflação de
demanda (quando os preços sobem devido à alta procura) em
alguns produtos, embora a tendência não esteja clara ainda.
"A chuva e o calor têm prejudicado as lavouras, o que reduz a
oferta. Com isso, os preços sobem muito. É o caso do tomate,
por exemplo. Mas há a questão da demanda, que pode permear
toda essa situação, mas não é evidente ainda."
Além do leite, mais consumido pela baixa renda neste ano, outro
sinal de "inflação de demanda" vem das recorrentes altas
da alimentação fora de casa, que subiu 0,57% em março.
"As pressões de demanda existem, mas elas não preponderam
desde o início do ano", diz Fábio Romão, da LCA.
Em março, a inflação cedeu não só
na esteira da ausência dos reajustes das mensalidades mas também
por causa dos combustíveis. É que com o início da
safra de cana-de-açúcar caiu o preço do álcool
(-8,87% em março) e, por consequência, o da gasolina (-1,95%).
Para o economista da LCA, o IPCA vai entrar numa fase de "descompressão"
e, aos poucos, convergirá para o centro da meta. A LCA projeta taxa
de 4,7% ao final do ano, pouco acima do objetivo central de 4,5%.
Menos otimista, a Rosenberg & Associados avalia que há sinais
claros de inflação de demanda e não estima desaceleração
nos próximos meses -o que obrigará o Banco Central a subir
os juros. A LCA espera elevação da Selic já neste
mês.
"Com o movimento de preços livres em alta e a demanda cada vez
mais forte, dificilmente a inflação arrefecerá até
o final do ano", afirma a Rosenberg em sua análise.
Romão argumenta, por seu turno, que os preços no atacado
já sinalizam para deflação, o que aliviará,
nos próximos meses, as taxas no varejo.
O IGP-DI (Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna),
divulgado ontem, registrou alta de 0,63% -abaixo do 1,09% de fevereiro.
No atacado, os preços avançaram 0,52%, com deflação
nos itens industriais (-0,05%). Já no varejo, o índice ficou
em 0,86%, também pressionado por alimentos. (PEDRO SOARES
- Folha de S.Paulo)
12.04 - Inflação no ano atinge quase metade da meta
A inflação desacelera, mas ainda assim supera as expectativas
do governo e do mercado para o início de ano. Ao subir 0,52% em
março e acumular 2,06% em apenas três meses, a alta de preços
no varejo já atingiu quase metade da meta de 4,5% para o ano todo,
perseguida pelo Banco Central (BC). As perspectivas de aceleração
da atividade - o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer 6% em 2010 -
e da alta de preços importantes na economia, como o minério
de ferro, deixam os economistas em alerta para uma inflação
mais salgada neste ano.
Puxado pela alta dos alimentos e de serviços, o Índice
de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal indicador de inflação
no varejo, registrou avanço superior à média do mercado,
que trabalhava com taxas inferiores a 0,5%. Ainda que as pressões
sazonais de transportes (que recuaram de 1,45%, em janeiro, para -0,54%,
em março) e material escolar (de 4,53% para 0,54% entre fevereiro
e março) tenham arrefecido, o índice de difusão se
expandiu de 61,4% em fevereiro para 66,4% em março. Isso significa
que aumentou o número de diferentes produtos que tiveram elevação
de preços. Os analistas, no entanto, divergem quanto a capacidade
dessa alta no trimestre se manter ao longo do ano.
"Os alimentos estão pressionando os preços desde o começo
do ano, principalmente no mês passado, mas não são
motivados por demanda excessiva", avalia José Francisco de Lima
Gonçalves, economista-chefe do Fator. Gonçalves ressalta
que apenas alimentos e bebidas responderam por 0,35% da alta do IPCA em
março. "E esses foram pressionados por choques em produtos in natura,
devido a problemas de chuva, ou em alguns grãos, que tiveram problemas
no mercado internacional", diz. Descontada a alta de alimentos, os outros
preços cresceram 0,22% em março. "Isso não pode ser
caracterizado como demanda explosiva."
Em igual período de 2008, os alimentos também pressionavam
a inflação, inflamando o mercado, que levou as expectativas
inflacionárias para aquele ano para níveis superiores à
meta ampliada do BC, de 6,5%. O Banco Central, então, começou
a elevar a taxa Selic em abril daquele ano. "Hoje, no entanto, o movimento
é diferente", diz Felipe Insunza, analista da Rosenberg & Associados.
Segundo ele, a alta nos alimentos verificada em 2008 era mais concentrada
em grãos, como soja e milho, enquanto neste ano é explicada
por problemas da oferta interna em produtos in natura, prejudicados pelas
chuvas em excesso verificadas em São Paulo, no começo do
ano. "Em 2008 estávamos importando inflação, agora
ela ocorre aqui dentro", avalia.
A expectativa de bancos e consultorias, segundo o boletim Focus, divulgado
pelo Banco Central, é de que o IPCA termine o ano próximo
a 5,2%, acima, portanto, da meta do BC. Além da alta mais forte
registrada no primeiro trimestre, o mercado avalia que o aumento de 90%
proposto pelas três mineradoras (Vale, BHP Billiton e Rio Tinto)
para o preço do minério de ferro a partir deste segundo trimestre
terá impacto considerável sobre os preços no varejo.
Assim, os preços de bens industriais devem repassar a alta do
minério, ainda que em menor escala. Divulgado ontem, o Índice
Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI), que apura os preços
no atacado, acusou deflação de 0,05% nos itens industriais,
em queda em relação aos 1,35% registrados no mês anterior.
Para Insunza, os ajustes do minério de ferro e siderurgia devem
contaminar toda a cadeia de bens industriais e preços de frete já
a partir deste mês, alterando a rota deflacionária.
A alta do minério de ferro, por outro lado, deve ser contrabalançada
por reajustes menores em energia e telefonia. Em alguns casos, haverá
inclusive deflação entre os administrados. Ontem começou
a valer a nova tabela de tarifas de energia para mais de 230 municípios
paulistas, que terão redução de 5,04%. Para a indústria,
a deflação chega a 6,64%, segundo os contratos da CPFL Paulista,
concessionária da região. Em comparação, no
ano passado, as tarifas tiveram alta de 20,2% e 24,8%, respectivamente.
O movimento de baixa deve continuar ao longo de 2010. Em julho serão
reajustados os contratos da Eletropaulo; agosto, da Elektro; e em outubro,
da Bandeirante.
A valorização cambial explica boa parte da baixa nos
preços administrados neste ano. No mesmo período de 2009,
devido aos efeitos da crise mundial, o dólar oscilava em níveis
próximos a R$ 2,20. Hoje, a moeda é negociada por menos de
R$ 1,80. Por isso, outros preços como a tarifa de telefonia, também
deverão registrar altas menos expressivas. O Índice de Serviços
de Telecomunicações (IST), usado para o reajuste das contas
de telefone é calculado por uma cesta de itens como câmbio
- mais favorável - e o IGP-M do ano anterior - que registrou deflação
em 2009.
O economista Bernardo Wjuniski, da Tendências Consultoria, avalia
que a combinação entre administrados comportados, arrefecimento
dos alimentos e o efeito da alta dos juros por parte do BC devem trazer
o IPCA para o centro da meta de 4,5% até o fim do ano. "O impacto
do minério de ferro será de apenas 0,2% no índice
total. Além disso, não vemos pressão de demanda até
agora", afirma. Segundo os analistas, o BC deve elevar a Selic no fim deste
mês em 0,5 ponto, alcançando 9,25% ao ano. (João
Villaverde - Valor Online)
09.04 - Fed: Economia ainda não está fora de perigo
O presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben
Bernanke, disse que embora a economia tenha começado a crescer novamente,
ela "está longe de estar fora de perigo". "Hoje, a economia continua
a operar bem abaixo de seu potencial, o que implica que uma acentuada redução
no curto prazo em nosso déficit fiscal provavelmente não
será prático ou aconselhável", afirmou.
Contudo, ele alertou que a fragilidade atual da recuperação
econômica não deve ser um impedimento para os EUA começarem
a elaborar um plano com credibilidade para enfrentar os desafios fiscais
no longo prazo. Um plano crível mostrando um comprometimento para
alcançar a sustentabilidade fiscal no longo prazo pode levar a taxas
de juro mais baixas e a um crescimento mais rápido no curto prazo,
disse Bernanke, acrescentando que os EUA devem tomar decisões difíceis.
"Alguns dos problemas mais difíceis estão no mercado
de mão de obra", afirmou Bernanke, acrescentando que estava particularmente
preocupado com a taxa de desemprego persistentemente alta, que refletia
a fraqueza nas contratações apesar das demissões terem
diminuído nos últimos meses. Segundo dados do Fed, mais de
40% dos desempregados passam de seis meses a mais fora do mercado de trabalho,
quase o dobro do tempo de há ano. "Eu estou particularmente preocupado
sobre essa estatística, porque longo período de desemprego
reduz a habilidade (do trabalhador) e a renda no longo prazo e a perspectiva
de emprego desses trabalhadores", disse.
"Dito isso, meu melhor palpite é que o crescimento econômico,
apoiado pela política monetária de estímulo do Fed,
será suficiente para reduzir lentamente a taxa de desemprego ao
longo do próximo ano", afirmou.
Bernanke observou que ainda persistem desafios críticos para
a economia americana tanto no curto quanto no longo prazo. "Ainda temos
de ver evidências de uma recuperação sustentada no
mercado de moradia. A inadimplência nos empréstimos de primeira
e segunda linha (prime e subprime) continua a crescer, assim como as execuções
de hipotecas. O setor de imóveis comerciais permanece problemático,
o que é uma preocupação para as comunidades e para
os bancos", afirmou.
Em recentes audiências no Congresso, Bernanke alertou os legisladores
de que os déficits dos EUA não são sustentáveis.
Após exortar os legisladores a elaborarem um plano crível
para gradualmente reduzir o déficit em crescimento ao longo do tempo,
o presidente do Fed está agora levando a sua mensagem para um público
maior.
A proposta de orçamento federal da administração
do presidente Barack Obama prevê um déficit recorde de US$
1,6 trilhão, ou 10,6% do PIB - o mais alto desde a Segunda Guerra
Mundial. O governo planeja reduzir o déficit para 3,9% do PIB até
o ano fiscal 2014.
Bernanke disse que os EUA terão de decidir entre aumentar os
impostos, reduzir os benefícios de seguridade social ou Medicare,
ou gastar menos em todas as áreas, da educação à
defesa.
Envelhecimento
Os Estados Unidos precisam começar a se preparar agora para
os desafios colocados pelo envelhecimento da população com
um plano crível para reduzir gradualmente uma crescente dívida
pública, afirmou Bernanke. Os gastos com saúde deverão
aumentar no longo prazo à medida que cresce a população
de idosos nos EUA, colocando desafios sobre as finanças do país,
que já estão sob pressão, alertou o presidente do
Fed em discurso preparado para um evento na Câmara de Comércio
de Dallas. Bernanke disse que "a menos que nós, como uma nação,
demonstremos um forte compromisso com a sustentabilidade fiscal, no longo
prazo não teremos nem estabilidade financeira nem crescimento econômico
saudável." As informações são da Dow Jones.
(Suzi Katzumata - Agência Estado)
09.04 - EUA precisam recuperar sustentabilidade fiscal
Presidente do BC dos EUA alerta para desafios trazidos pelo envelhecimento
da população
Os EUA precisam começar a se preparar agora para os desafios
colocados pelo envelhecimento da população com um plano crível
para reduzir gradualmente uma crescente dívida pública, afirmou
o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke.
Os gastos com saúde deverão aumentar no longo prazo à
medida que cresce a população de idosos nos EUA, colocando
desafios sobre as finanças do país, que já estão
sob pressão, alertou o presidente do Fed em discurso preparado para
um evento na Câmara de Comércio de Dallas.
Bernanke disse que "a menos que nós, como uma nação,
demonstremos um forte compromisso com a responsabilidade fiscal, no longo
prazo não teremos nem estabilidade financeira nem crescimento econômico
saudável.
Para combater a crise financeira, o governo dos EUA reduziu impostos
e elevou os gastos ao longo dos últimos dois anos, levando a um
acentuado desequilíbrio orçamentário. As preocupações
com o déficit orçamentário poderão começar
a trabalhar contra os próprios esforços do Fed para reviver
a economia através da elevação das taxas de juro de
longo prazo.
A atenção do mercado mudou para como a política
fiscal pode retornar para um rumo sustentável depois da crise. Os
yields (taxa de retorno) dos Treasuries subiram recentemente em meio aos
temores sobre déficits orçamentários muito altos.
O problema se estende a outras partes do mundo, como destacado pela crescente
pressão sobre a dívida soberana da Grécia.
A íntegra do discurso de Bernanke está disponível,
em inglês, no site do Fed, para ver o texto, clique aqui. As informações
são da Dow Jones. (Suzi Katzumata - Agência Estado)
09.04 - Será que foi mesmo uma 'Grande Depressão'?
O presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, a chama de "pior crise
financeira da história moderna". Seu antecessor à frente
do banco central americano, Alan Greenspan, diz que foi "a mais virulenta
crise financeira mundial de todos os tempos". A recessão resultante
foi mais longa e profunda do que qualquer outra que os Estados Unidos tenham
vivido desde a Segunda Guerra Mundial.
Mas será que ela merece o pesado epíteto de "Grande Recessão"
que parece estar adquirindo? "Grande" é uma palavra de peso, uma
marca de enorme significado histórico. A Primeira Guerra Mundial
foi a Grande Guerra, até que houve a segunda.
Herbert Hoover foi um dos primeiros a falar da "Grande Depressão",
usando a expressão em 1931 porque a achava menos alarmante que "pânico"
ou "crise". A Grande Depressão certamente merece o nome. A produção
industrial caiu 45% entre 1929 e 1932. O desemprego foi de 3% para 25%.
Economistas americanos muitas vezes se referem à Grande Inflação
da década de 1970, a única vez em que os EUA viram uma inflação
sustentada acima de 5% em tempos de paz no século XX. Durante um
tempo, eles falaram sobre a Grande Moderação, o período
de águas inusitadamente calmas que foi de meados dos anos 80 a meados
dos anos 2000 e que alguns viam como uma mudança permanente. Eventos
recentes sugerem que aquilo poderia ser melhor descrito como a Grande Miragem.
A recente recessão começou em dezembro de 2007 e provavelmente
terminou em junho ou julho de 2009. (O fim da recessão não
é o término vitorioso de um jogo. A data marca apenas o momento
em que as coisas pararam de piorar.) Ela durou 18 meses, mais que qualquer
recessão no pós-guerra. A produção industrial
caiu 16%, muito mais do que em qualquer recessão depois da Depressão.
As folhas de pagamento caíram 6%, algo inigualado em recessão
do último meio século. O desemprego foi de 4,4% para 10,1%,
um aumento superior ao do início dos anos 80 - ainda que aquele
crescimento de 5 pontos percentuais tenha levado a taxa de desemprego a
10,8% em 1982.
"Está bem claro que esta é a mais severa recessão
do pós-guerra", diz Mark Watson, um economista da Universidade Princeton.
Mas "grandeza", acrescenta, implica algo mais que "severo".
Como Catherine Rampell, do "New York Times", observou recentemente,
com um toque de exagero: "Toda recessão das últimas décadas
recebeu, em algum momento ou outro, essa designação especial".
Os arquivos de jornais registram tentativas persistentes de afixar o apelido
às recessões profundas de 1974-75 e do início dos
anos 80.
A agência de notícias Associated Press decidiu em fevereiro
usar Grande Recessão como um nome próprio. "Tornou-se expressão
comum no governo e entre economistas", diz David Minthorn, editor-adjunto
de padronização da AP. "Ela teve tremendo impacto. Parece
ser um marco. É por isso que estamos usando isso." Também
a usam o presidente Barack Obama ("Por todo o país", disse em dezembro,
"americanos que perderam emprego na Grande Recessão estão
à procura de trabalho.") e o economista Lawrence Summers, da Casa
Branca ("Há uma Grande Recessão por toda parte", disse na
TV esta semana. "Há uma depressão silenciosa entre as pequenas
empresas.") A expressão apareceu impressa mais de 10 mil vezes no
último ano, informa uma busca no banco de dados Factiva.
Mas uma rápida enquete entre acadêmicos que integram o
comitê americano que data as recessão não produz nenhum
consenso.
"O declínio no emprego é suficientemente maior que qualquer
registrado, fora a Depressão, para que o 'grande' (isto é,
terrível) seja justificado", diz Bob Hall, da Universidade Stanford.
James Stock, de Harvard, acrescenta: "Esse termo é apropriado mesmo
que pareça servir a uma tendência natural de exagero. Se com
'grande' queremos dizer disseminada, profunda e prolongada, esta recessão
justifica pelo menos duas das três". Outros fenômenos econômicos
chamados de "grandes" duraram mais, diz.
Watson, da Universidade Princeton, argumenta que, como a recessão
provocou medidas inéditas do Fed e do Departamento do Tesouro e
está tendo um impacto maior no pensamento econômico que retrações
anteriores, foi "a mais importante recessão do período pós-guerra"
e portanto pode "ser razoavelmente descrita como grande".
Mas Jeffrey Frankel, da Universidade Harvard, tem suas dúvidas.
"Foi mesmo quantitativamente diferente do início dos anos 80?",
questiona. Robert Gordon, da Universidade Northwestern, usa o mesmo argumento:
"Não me referiria a ela como a Grande Recessão", diz enfaticamente.
"Não está claro em 1980-82 x 2007-09 qual foi a 'grande'
recessão pós anos 30."
Como a recessão é chamada é irrelevante para suas
vítimas. Ela foi tortuosa e destrutiva qualquer que seja o nome.
Mas os epítetos moldam a narrativa nacional e as lições
aprendidas. Eles influenciam a visão do passado de maneiras que
afetam comportamentos e políticas para o futuro. Para mim, o que
fez esta recessão verdadeiramente grande não é apenas
sua profundidade e duração, são as mudanças
que está provocando no papel do governo na economia, nas regras
para as finanças, no negócio bancário - e nas atitudes
dos americanos em relação a gastos e poupança, aposentadoria
e casa própria, instituições financeiras e governo.
(David Wessel - The Wall Street Journal/Valor Online)
08.04 - BC aprova incorporação da Nossa Caixa pelo BB
O Banco do Brasil (BB) informa que o Banco Central do Brasil (Bacen)
aprovou a incorporação do Banco Nossa Caixa. O BB passa a
deter a totalidade do patrimônio da Nossa Caixa, bem como todos os
direitos e obrigações.
Na mesma decisão, o Bacen informa que o Banco Nossa Caixa teve
sua autorização de funcionamento cancelada a partir de 01
de abril de 2010. O BB também informou que as ações
da Nossa Caixa serão convertidas em ações do BB a
partir de 09 de abril de 2010, sendo 08 de abril de 2010 o último
dia para negociação das ações BNCA3 em bolsa.
Uma vez cancelado o registro do Banco Nossa Caixa na Comissão de
Valores Mobiliários (CVM), o mesmo ocorrerá na Bolsa de Valores
de São Paulo (BM&FBovespa).
Para conversão das ações, serão obedecidas
as relações de substituição de uma ação
ordinária de emissão do BNC para 2,28873181 ações
ordinárias de emissão do BB. Ainda de acordo com o Protocolo
de Justificação e Incorporação as ações
convertidas farão jus aos mesmos direitos e vantagens atribuídas
às ações ordinária do BB em circulação.
(Executivos Financeiros)
08.04 - Compromisso com as metas de inflação
A escolha de Henrique Meirelles para a presidência do Banco Central
tranquilizou os mercados financeiros - e os agentes econômicos, em
geral - no início do governo Lula. Embora a política monetária
do BC tivesse sofrido muitas críticas do PT e de aliados do presidente,
o Banco Central não teve a sua autonomia operacional ameaçada
nesses sete anos e três meses.
Tal política se mostrou exitosa, pois certamente contribuiu
para criar as condições que levaram a economia brasileira
a ser promovida a grau de investimento pelas agências de classificação
de risco. As iniciativas do BC durante a recente crise financeira internacional
também evitaram um contágio que possivelmente teria levado
o país a enfrentar processo recessivo ainda mais grave.
Nesse sentido, a decisão de Meirelles de permanecer à
frente do Banco Central nos meses restantes do governo Lula amortecerá
especulações que poderiam agitar os mercados financeiros
no período pré-eleitoral.
A eventual saída de Meirelles já vinha se refletindo
nas projeções de analistas financeiros para a trajetória
das taxas futuras de juros, pois temia-se que uma diretoria com mandato
tampão não conseguisse impor suas diretrizes em um momento
que a inflação é motivo de alguma preocupação.
Os mercados financeiros costumam ficar mais sensíveis nos meses
que antecedem eleições gerais, o que é compreensível,
pois incertezas se multiplicam quanto ao futuro.
A formação de expectativas negativas, se não neutralizada
a tempo, acaba prejudicando a tarefa do Banco Central no controle da inflação.
O último relatório publicado pelo BC indica que um ajuste
nas taxas de juros deverá ocorrer para que a inflação
seja contida em torno do ponto central da meta definida para este ano (4,5%)
- e o mercado já a estima acima de 5%. Na ata da reunião
do Comitê de Política Monetária (Copom) há também
sinais sobre esse ajuste. E a permanência de Meirelles e da maioria
dos diretores no Banco Central reforça a tese que a política
monetária nos próximos meses será a necessária
para o cumprimento das metas.
Tanto melhor para a economia brasileira, pois o atual impulso de crescimento
somente será sustentável com a inflação sob
controle, do mesmo modo que o balanço de pagamentos (finanças
externas).
Antes da crise financeira internacional já havia uma certa resistência
no Brasil contra a independência institucional do BC. Depois da crise
- atribuída, em parte, à pouca eficácia de autoridades
monetárias pelo mundo - esse item não deverá constar
da agenda política. Mas seria um grande retrocesso se o BC perdesse
sua autonomia operacional, ratificada, na prática, pelos bons resultados
que foram colhidos desde o lançamento do real.
Seria muito bom que os candidatos à Presidência da República
se posicionassem sobre essa questão. O governo Lula, que não
parecia inclinado a conviver com um BC autônomo, só se favoreceu
ao assegurá-la. Que sirva de exemplo, para o bem da economia brasileira
e do país (O Globo)
07.04 - EUA: Sinais de retomada
Apesar de incipiente, abertura de vagas nos EUA pode prenunciar uma
recuperação mais vigorosa da economia
Os Estados Unidos talvez tenham sido o país que mais sofreu
com a interrupção do crédito decorrente da crise financeira
internacional. Na recessão mais profunda das últimas décadas,
os norte-americanos perderam cerca de 8,5 milhões de empregos em
2008 e 2009 e observaram drástica queda da produção
industrial -próxima a 15% entre fins de 2007 e junho de 2009.
O padrão foi similar, porém menos intenso, do lado da
demanda, com declínio importante no consumo das famílias
e no investimento das empresas.
A resposta das autoridades, na forma de maciços estímulos
fiscais e monetários, foi suficiente para estancar a crise e reduzir
progressivamente o aperto de crédito. Mesmo assim, o ritmo de reação
da economia revelou-se lento até o fim de 2009 -sustentado pela
recomposição de estoques das empresas, que haviam se preparado
para uma queda da demanda mais profunda do que a verificada.
Os analistas mais pessimistas consideram que, uma vez esgotada essa
recomposição, a economia não terá forças
para manter crescimento superior a 2%. O peso do endividamento das famílias
e do governo seria o grande obstáculo estrutural para uma retomada
mais vigorosa.
Mas os otimistas não deixarão de ver sinais auspiciosos,
que, a persistirem, podem mudar as expectativas para melhor. Ao recompor
estoques, as empresas estão alongando as horas de trabalho e abrindo
novas vagas. A criação de 123 mil postos pelo setor privado
em março, divulgada na última sexta-feira, é um marco
importante nesse processo, pois o emprego é condição
necessária para que a recuperação se torne sustentável.
Embora incipientes, resultados já aparecem. O consumo das famílias
tem apresentado crescimento mais forte nos últimos meses e há
algum avanço do investimento. Outro ponto são as exportações,
cujo desempenho tem sido favorecido pelo dólar desvalorizado e pela
força das economias emergentes.
A retomada dos EUA é muito positiva para a economia mundial.
Deve contribuir para prolongar a elevação das exportações
asiáticas e certamente terá reflexos favoráveis na
recuperação da Europa. Não é por outra razão
que os mercados financeiros parecem estar festejando as boas notícias
recentes.
Para a economia brasileira, o reaquecimento global poderá auxiliar
na expansão das exportações, em especial de produtos
manufaturados. Por outro lado, um cenário de crescimento mais forte,
caso realmente se verifique, trará o risco de pressões sobre
a inflação, em especial nos países em que já
elas já se manifestam com intensidade -como ocorre no Brasil.
Além disso, não se deve descartar a possibilidade de
uma ação mais cautelosa por parte do Federal Reserve, o Banco
Central dos EUA. Embora ainda não se apresente no horizonte próximo,
uma mudança da política de juros zero pode estar menos distante
do que se supõe. (Folha de S.Paulo)
07.04 - Mercado eleva expectativa de inflação para 5,18%
Os economistas do mercado financeiro elevaram na última semana,
pela décima primeira vez consecutiva, sua estimativa para a inflação
de 2010. Segundo dados da pesquisa Focus, divulgada ontem pelo Banco Central,
a expectativa para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor
Amplo) passou de 5,16% para 5,18% na semana passada. Para 2011, a previsão
passou de 4,70% para 4,74%.
A previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) também
se elevou na semana passada, pela terceira vez seguida, e passou de 5,51%
para 5,52%. Para 2011, a expectativa para o PIB permaneceu estável,
em 4,50%.
A estimativa para o crescimento da produção industrial
em 2010 também se elevou pela sexta semana seguida, passando de
8,95% para 9,00%. Para o ano que vem, a perspectiva permaneceu inalterada
em 5,00%.
Na semana passada, a projeção do mercado financeiro para
a taxa de câmbio no fim de 2010 permaneceu em R$ 1,80 por dólar.
Para o fechamento de 2011, a previsão dos analistas para a taxa
de câmbio subiu de R$ 1,85 para R$ 1,90 por dólar.
(Executivos Financeiros)
07.04 - Mercado projeta IPCA mais alto no ano
Depois de o próprio Banco Central, na semana passada, revisar
sua projeção para a inflação deste ano, foi
a vez de os economistas ouvidos pela instituição seguirem
o mesmo caminho.
No relatório Focus divulgado ontem, os profissionais elevaram
de 5,16% para 5,18% a estimativa para o IPCA (Índice de Preços
ao Consumidor Amplo) em 2010. Foi a 11ª vez seguida que o índice
foi revisto para cima.
A meta de inflação fixada para este ano pelo governo
é de 4,5%.
Na última quarta, o BC, no Relatório Trimestral de Inflação,
elevou o patamar esperado para o IPCA em 2010 de 4,6% (cálculo de
dezembro) para 5,2%. (Folha de S.Paulo)
06.04 - Inflação disseminada
Consumidores, que já sofrem com a carestia dos alimentos, terão
de absorver os reajustes dos remédios e de todos os produtos fabricados
com aço, como carros e eletrodomésticos
Os consumidores que andam reclamando da alta dos preços nos
supermercados vão ficar ainda mais assustados. A partir deste mês,
terão de arcar com o aumento superior a 5% nos medicamentos e serão
obrigados a pagar mais caro por todos os produtos fabricados com aço,
devido ao reajuste de mais de 90% no minério de ferro anunciado
pela Vale. Pelas contas da economista Tatiana Pinheiro, do Banco Santander,
sozinho, o minério de ferro impactará em 1,46 ponto percentual
os índices gerais de preços (IGPs), usados como referência
para a correção dos aluguéis e das tarifas públicas.
Quando levada em conta toda a cadeia produtiva que gira em torno do minério,
o efeito chegará a 3,4 pontos.
Não é à toa, na avaliação da economista,
que o Banco Central acendeu a luz vermelha e vai pisar fundo na elevação
da taxa básica de juros (Selic) no fim deste mês. Ela ressaltou
que, a despeito de, no Índice de Preços ao Consumidor Amplo
(IPCA), usado como referência para o sistema de metas do governo,
o peso do reajuste do minério de ferro não ser tão
grande - somente 0,2 ponto percentual -, o indicador continuará
pressionado. Deverá variar entre 0,4% e 0,5% em abril e maio, sobretudo
por causa dos remédios e das contas de luz, que terão aumento
em Minas Gerais, Ceará e Mato Grosso do Sul.
Na próxima quinta-feira, o IBGE divulgará o IPCA de março,
que deve cravar 0,49%. A se confirmar esse número, o índice
acumulado no primeiro trimestre baterá em 2,03%, quase a metade
do centro da meta perseguida pelo BC, de 4,5%. (Correio Braziliense)
06.04 - Permanência de Meirelles: Alta de 0,5 ponto na Selic
A permanência do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles,
à frente do cargo pode reforçar as apostas de uma alta de
0,5 ponto percentual da Selic na próxima reunião do Copom,
nos dias 27 e 28 de abril. Ao longo das últimas semanas, as expectativas
inflacionárias se deterioram de forma mais acentuada e o mercado
já precifica uma alta de 0,75 ponto em abril como mais provável.
A
decisão de Meirelles, no entanto, divulgada na quinta-feira após
o fechamento dos mercados, pode reverter essa tendência.
"O fato de o Meirelles ter decidido pela permanência adiciona
força à visão de que o Copom vai manter o curso originalmente
estabelecido e, como sugerido pelo Relatório de Inflação,
o plano é iniciar um aperto monetário em abril com alta de
50 pontos bases (como já votado por três membros da diretoria
no encontro do Copom de março)", afirma o banco J.P. Morgan, em
relatório para clientes.
Já o Banco of América Merrill Lynch afirma que a permanência
de Meirelles "preserva a credibilidade do banco" e é um fato positivo
para a autoridade monetária. Na visão do banco, o Copom vai
iniciar um ciclo de aperto monetário menor do que o esperado pelo
consenso. "Os preços de mercado sugerem o potencial para uma alta
de 75 pontos base para as reuniões de abril ou junho, mas a nossa
visão é de que o Copom está comprometido com um incremento
de 50 pontos base", diz em relatório.
A discussão sobre o tamanho e a duração do aperto
devem se estender até o dia 28, quando sai a nova meta Selic. Parte
do mercado argumenta que tanto a deterioração das expectativas
como os dados objetivos do aquecimento econômicos podem levar a uma
alta maior já no próximo mês. Outros acreditam que
a inflação decorre de eventos sazonais e que os documentos
oficiais, ata e relatório de inflação, sugerem aumento
de 0,5 ponto.
José Francisco de Lima Gonçalves, economista do Banco
Fator, afirma que as últimas três semanas foram, de fato,
"complicadas". Além da indefinição sobre a presidência
do Banco Central, houve a divulgação da ata do Copom e do
relatório de inflação e também novos dados
econômicos bastante controversos, como o reajuste do minério
de ferro que pode ter impacto de até 0,3 ponto no IPCA e também
uma recuperação mais forte que o esperado da atividade na
Europa e nos EUA. "O clima era adverso e às vezes uma coisa amplifica
outra. O humor não estava bom na quinta-feira", dia do anúncio
da permanência do Meirelles. O próprio economista do Fator
mudou a sua curva de mercado na quarta-feira, apostando agora em uma aperto
mais concentrado, com uma elevação de 0,5 ponto na próxima
reunião, seguido por duas altas de 1 ponto em junho e julho.
Gonçalves lembra ainda que as estimativas que compõem
o boletim Focus desta segunda-feira ainda não incorporam a decisão
de Meirelles de permanecer à frente do BC. "Pode ter ali uma dose
de incerteza que não existe mais. As opiniões mudam muito
rapidamente." Para ele, a permanência depois de um longo período
de indefinição não vai ter influência na decisão
do Copom. "O Meirelles vem dizendo há meses que o BC tem de ignorar
qualquer impacto de uma decisão técnica e fazer o que ele
chamou de "coisas desagradáveis" em ano de eleição."
De fato, durante o anúncio de sua permanência, Meirelles reforçou
diversas vezes que resolveu ficar para "contribuir para a continuidade
dessa racionalidade econômica" e também para "colaborar para
a perenização da estabilidade econômica".
Meirelles também indicou que a preocupação do
Banco Central é com o "horizonte relevante". "A inflação,
pelo cenário de mercado [que leva em conta as previsões do
boletim Focus e incorpora uma alta de juros] está na meta e para
o ano de 2011 está abaixo da meta. O compromisso do Banco Central
é com o horizonte relevante, isto é, com 12 meses e o ano
de 2011." Ele ressaltou, no entanto, que a inflação pode
até convergir para o centro da meta neste ano, mas isso "depende
de uma série de fatores" e que o "Banco Central não vai necessariamente
fazer uma política de desequilíbrio visando corrigir algo
que possa ser pontual".
De fato houve mudança na diretoria do Banco Central. O novo
diretor de Política Econômica, Carlos Hamilton Vasconcelos
Araújo, assumiu o posto de Mário Mesquita, que deixou a instituição
na quarta-feira. O novo diretor reforçou o compromisso do BC com
o centro da meta. (Fernando Travaglini - Valor Online)
05.04 - Dívida sobre PIB deve fechar 2010 em 40%
Segundo chefe do Departamento Econômico (Depec) do BC, Altamir
Lopes, meta de superávit deve ser cumprida
O chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir
Lopes, previu, na última quarta-feira, que a tendência é
de desaceleração da relação entre a dívida
líquida do setor público e o Produto Interno Bruto (PIB).
Segundo ele, a dívida líquida do setor público deve
fechar o ano de 2010 em 40% do PIB. Em fevereiro, a dívida líquida
subiu para 42,1%, mas deve fechar o mês de março em 42% do
PIB, de acordo com a previsão do chefe do Depec.
A previsão de dívida líquida em 40% do PIB no
ano foi feita por Altamir Lopes com base nos seguintes parâmetros:
cumprimento da meta cheia do superávit primário das contas
do setor público (3,3% do PIB); juros médios de 10,08%; câmbio,
ao final do ano, de R$ 1,80; IGP-DI de 6,8%; e crescimento do PIB de 5,80%.
O chefe do Depec destacou que a projeção de 40% leva
em conta um aumento dos juros, uma vez que a taxa dos juros médios,
até fevereiro, estava em 9,28%. "Ao final do ano teremos, de fato,
uma tendência de desaceleração da dívida líquida
do setor público", afirmou Lopes.
Meta do superávit
Lopes avaliou que o superávit primário das contas do
setor público no bimestre - de R$ 17,044 bilhões - é
bastante expressivo e indica cumprimento da meta de 3,3% de superávit
primário das contas do setor público. Segundo ele, apesar
de ainda estar longe da meta o superávit primário de 2,21%
em 12 meses, até fevereiro, a tendência agora é de
aumento do porcentual.
O chefe do Depec previu uma melhoria do superávit primário
com o processo de recuperação das receitas. Segundo ele,
o superávit de R$ 859 milhões nas contas do setor público,
em fevereiro, "é relativamente baixo", considerando-se o processo
de recuperação de receitas que já está acontecendo.
Lopes atribuiu esse resultado menor, de fevereiro, ao desempenho das
contas do Governo Central (Governo Federal, Banco Central e INSS). Segundo
ele, o governo federal teve que pagar royalties e fez elevadas transferências
de recursos para Estados e municípios, o que impactou o resultado.
Essas transferências mais elevadas ajudaram, segundo ele, as
contas dos Estados, que apresentaram um superávit primário
de R$ 3,719 bilhões.
O chefe do Depec observou que se, por um lado, o resultado do Governo
Central foi ruim, por outro, os governos estaduais apresentaram resultado
positivo. Ele classificou de "ruim" o resultado das estatais federais,
que apresentaram um déficit primário de R$ 2,002 bilhões.
Altamir Lopes atribuiu o resultado ruim das empresas estatais federais
ao pagamento de dividendos. (Adriana Fernandes e Renata Veríssimo
- O Estado de S.Paulo)
05.04 - Alerta contra a inflação
A inflação tende a subir e o risco de ultrapassar o limite
superior da meta, em 2010, deixou de ser desprezível, segundo o
Banco Central (BC). A atividade econômica é intensa e a demanda
está mais aquecida do que se imaginava até há pouco
tempo, disse na quarta-feira o novo diretor de Política Econômica
da instituição, Carlos Hamilton Araújo, ao apresentar
o novo Relatório de Inflação. O documento é
publicado a cada três meses pelo BC e contém, sempre, uma
análise ampla da economia brasileira, uma boa descrição
do quadro internacional e projeções para um período
de dois anos. Desta vez as pressões inflacionárias são
o foco principal e o relatório reforça a expectativa de uma
próxima elevação dos juros ? dada como certa pelo
mercado financeiro.
Mesmo sem o relatório, um aumento de pelo menos 0,5 ponto porcentual
da taxa básica de juros, no fim de abril, não causaria surpresa.
Se há alguma novidade, é a maior preocupação
revelada pelos autores do informe. Representantes da indústria negam
as evidências apontadas pelos economistas do BC. Ainda há,
segundo os porta-vozes do setor privado, suficiente capacidade ociosa para
uma expansão segura da atividade. Mas o investimento em meios de
produção continua abaixo do necessário.
O Copom, responsável pela fixação dos juros básicos,
vai continuar, tudo indica, agindo sem levar em conta as pressões
de outras áreas do governo. Mas o presidente da República
poderá capitalizar politicamente essa independência. Terá
um bom argumento: num ano de eleições, o governo não
deixará de dar prioridade à estabilidade dos preços,
essencial ao bem-estar das famílias.
Os autores do texto mostram-se menos preocupados com as contas públicas
do que estavam há pouco tempo. O superávit primário
acumulado nos 12 meses até fevereiro continuou abaixo da meta fixada
para este ano, mas esse fato, assinalado no relatório, não
é novidade. O que chama a atenção, é o relativo
otimismo quanto à evolução de longo prazo da dívida
pública.
Essa tendência será favorecida neste ano, segundo a análise,
pelo aumento de receita propiciado pela expansão econômica
e pelo fim dos incentivos concedidos durante a crise. O relatório
contém ainda um texto e um quadro comparativos da evolução
da dívida pública bruta no Brasil e nos países desenvolvidos,
a partir do agravamento da crise, em 2008. Os números brasileiros
são obviamente bem mais favoráveis, porque não foram
necessárias, no Brasil, grandes intervenções do Tesouro
para frear a quebradeira de bancos e de indústrias.
Dois indicadores de grande importância tendem a piorar, segundo
o relatório. No cenário de referência, com juros básicos
de 8,75% e câmbio de R$ 1,80 por dólar, o BC elevou de 4,6%
para 5,2% a inflação prevista para 2010 e de 4,3% para 4,9%
a estimada para 2011. O outro indicador é a conta corrente do balanço
de pagamentos: o déficit projetado para este ano aumentou de US$
40 bilhões para US$ 49 bilhões. Essa piora será uma
das consequências do crescimento econômico: as importações
crescerão mais que as exportações e, além disso,
crescerão os gastos com viagens e a remessa de lucros. Mas não
se demonstra preocupação com essa tendência.
Segundo o relatório, o buraco da conta corrente será
coberto sem dificuldade pelo ingresso de investimentos diretos, pelas aplicações
em carteira e por novos financiamentos. Só este detalhe já
tira a tranquilidade dos menos otimistas: o investimento direto, estimado
em US$ 45 bilhões, será insuficiente para cobrir o déficit.
O resto será compensado por novas dívidas e investimentos
especulativos.
O descompasso entre o crescimento de importações e o
das exportações deverá reduzir o superávit
comercial para US$ 10 bilhões (US$ 15 bilhões no relatório
anterior). Nenhum desses dados indica uma tragédia, mas apostar
em operações financeiras para equilibrar as contas externas
pode ser um jogo arriscado. Um pouco mais de preocupação
com o assunto seria saudável, mas a responsabilidade, nesse caso,
cabe muito mais aos Ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento
do que ao BC. (O Estado de S.Paulo)
05.04 - Mão pesada na Selic
O Banco Central não terá escapatória e deverá
forçar a mão no aumento da taxa básica de juros (Selic)
na reunião dos dias 27 e 28 deste mês do Comitê de Política
Monetária (Copom). Boa parte dos analistas acredita que o arrocho
poderá começar em 0,75 ponto percentual e não em 0,50
ponto, devido ao recrudescimento da inflação. Para o economista-chefe
do Banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal, o relatório
trimestral de inflação divulgado ontem pelo BC foi contundente
e deixou claro que o centro da meta definida pelo governo, de 4,5%, já
está perdido.
Na avaliação do economista-chefe do Banco Fator, José
Francisco de Lima Gonçalves, não há motivo para desespero.
A seu ver, mesmo com a nova projeção do BC para o Índice
de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano passando de 4,6%
para 5,2%, o aumento dos juros poderá ser moderado, começando
por 0,5 ponto. "Para nós, a inflação ficará
em 5% em 2010 e cairá para 4,5% em 2011. Mas, para isso, o BC terá
que subir os juros já em abril", assinalou. Ele ressaltou ainda
que o BC deve mirar a inflação do ano que vem e não
a de 2010. (Deco Bancillon - Correio Braziliense)
01.04 - FMI: Risco em atraso nas regras do setor financeiro
Mundo pode perder janela de oportunidade para adoção
de medidas, diz nº 1 do Fundo
G20 exorta em carta seus membros a mostrarem seu compromisso com as
reformas acordadas em reunião de 2009 nos EUA
O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, Dominique
Strauss-Kahn, disse terça-feira que a demora na fixação
de regras para os bancos de maior peso no sistema pode jogar por terra
o principal avanço obtido com a crise global: a busca por soluções
conjuntas.
"Uma das lições da crise é que, para enfrentar
desafios globais, precisamos de respostas globais. Essa lição
está prestes a se perder", afirmou em discurso no Parlamento romeno,
em Bucareste, o número um do FMI.
O G20 criou no ano passado um Conselho de Estabilidade Financeira cuja
missão inclui estabelecer regras comuns e parâmetros mínimos
para evitar o surgimento de bolhas, garantir a liquidez das instituições
e, em caso de falência, evitar a contaminação do sistema.
Pelo plano, até o fim deste ano as diretrizes teriam de estar aprovadas,
e até 2012, vigorar.
Mas, como a Folha mostrou no início do mês, o projeto
tratado pelo BIS (Banco para Compensações Internacionais,
o BC dos BCs) em suas reuniões em Basileia (Suíça)
está totalmente empacado.
Algumas medidas, como a criação de lista com as instituições-chave,
já foram descartadas. Outras foram atenuadas e repassadas da autoridade
comum às locais -caso da fixação de valores para o
colchão de capital que os bancos terão de ter preventivamente.
O resultado é um descompasso daninho, como alertou Strauss-Kahn
ontem: "[As medidas tomadas individualmente] fazem sentido. O único
problema é que elas não combinam entre si". E a janela de
oportunidade, lembrou, está se fechando conforme se amenizam os
efeitos da crise.
Strauss-Kahn não é o único a demonstrar desânimo
com o atraso. Uma carta dos membros-chave do G20 aos demais exorta os governos
do grupo a mostrarem seu compromisso com as reformas acordadas na reunião
de 2009 nos EUA.
"Todos nós temos uma responsabilidade mútua", diz o texto
emitido em Londres. "[Tratar do que levou à crise] vai requerer
que mantenhamos nossa vigilância para lidar com as reformas necessárias
e que nos resguardemos da complacência conforme nossas economias
se recuperam."
As medidas definidas até agora param em um patamar mais baixo
do que o inicialmente almejado pelo G20.
Ontem, o BIS divulgou o relatório de sua primeira "peer review"
(revisão pelos pares) dentro da nova pauta de discussão,
na qual abordou os salários e bônus pagos a executivos do
mercado financeiro.
O Brasil é citado como um do países que ainda precisam
avançar nas medidas para regular a remuneração.
(LUCIANA COELHO - Folha de S.Paulo)
01.04 - IGP-M recua para 0,94% em março
De acordo com dados divulgados pela Fundação Getúlio
Vargas (FGV), o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M)
de março recuou e apresentou variação de 0,94%. Em
fevereiro, o índice registrado havia sido de 1,18%.
O Índice de Preços por Atacado (IPA), cuja taxa em fevereiro
foi de 1,42%, agora, em março, a taxa foi de 1,07%. Assim como o
índice relativo aos Bens Finais, que também recuou: de 1,82%
no mês passado para 1,19%, em março. Contribuiu para a desaceleração
o subgrupo alimentos processados, cuja taxa de variação passou
de 3,67% para 0,32%. Fora os subgrupos alimentos in natura e combustíveis,
o índice de Bens Finais registrou variação de 0,21%.
Em fevereiro, a taxa foi de 1,40%.
A taxa de Bens Intermediários variou 0,81% em março contra
1,70% em fevereiro. O subgrupo materiais e componentes para a manufatura
registrou decréscimo em sua taxa de variação, que
passou de 2,26% para 0,98%, sendo o principal responsável pela desaceleração
do grupo. O índice de Bens Intermediários, calculado após
a exclusão do subgrupo combustíveis e lubrificantes para
a produção, variou 0,88%, ante 1,83%, em fevereiro.
O índice de Matérias-Primas Brutas apresentou aceleração
de preços e variou 1,33%, em março. No mês anterior,
a taxa havia sido de 0,37%. Os vilões deste grupo foram os itens
soja em grão, que variou de -12,38% para -5,60%, leite in natura,
que subiu de 1,99% para 6,04% e mandioca, que foi de -1,17% para 5,72%.
Já os itens que recuaram foram o arroz em casca, de 6,36% para -9,77%,
o minério de ferro 4,73% para -2,84% e a laranja, de 43,88% para
24,34%.
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) variou de 0,88%
mês passado para 0,83% em março. Os maiores responsáveis
pelo recuo foram: Transportes, de 2,65% para 0,41%, Educação,
Leitura e Recreação, de 0,87% para 0,20%, Despesas Diversas,
de 0,48% para 0,17% e Saúde e Cuidados Pessoais, de 0,40% para 0,36%.
Os destaques para cada um destes grupos foram: tarifa de ônibus urbano,
de 4,98% para 0,93%, cursos formais, de 2,02% para 0,00%, mensalidade para
TV por assinatura, de 0,87% para 0,10% e artigos de higiene e cuidado pessoal,
de 0,40% para 0,09%.
Por outro lado, os grupos Alimentação (1,23% para 2,24%)
e Vestuário (-0,40% para -0,24%) apresentaram aceleração
nos preços, com destaque para o itens hortaliças e legumes
(3,80% para 10,58%) e calçados (-0,48% para 0,33%).
Já o grupo Habitação manteve a mesma taxa de variação
registrada em fevereiro: 0,29%, com destaque para a aceleração
do item móveis para residência (-0,67% para 0,89%) e para
a desaceleração do item empregada doméstica mensalista
(2,38% para 1,47%).
Em março, a variação do Índice Nacional
de Custo da Construção (INCC)foi de 0,45%, superando o resultado
do mês anterior, que foi de 0,35%, com destaque para os acréscimos
nos preços dos itens Materiais e Equipamentos, de 0,40% para 0,45%,
e Mão de Obra, de 0,22% para 0,40%. Já o grupo Serviços
recuou de 0,76% em fevereiro para 0,66%. A pesquisa foi feita entre os
dias 21 do mês passado e o dia 20 deste mês. (Marcio
Allemand - Jornal do Commercio do Brasil)
01.04 - É hora de mexer na Selic?
Tudo indica que sim. Houve, nos últimos meses, uma aceleração
simultânea e sincronizada da taxa de crescimento econômico
e da taxa de inflação, ambas medidas por diferentes indicadores.
Entretanto, é possível desenhar um cenário alternativo
da economia no curto prazo que indique um outro momento mais adequado para
um eventual início do ciclo de elevação da Selic.
Em princípio, o uso de todo instrumento de política econômica
deve ser analisado dentro de uma rede de precedência, que envolve
o sequenciamento, a cadência e a intensidade das ações
a serem implementadas. Essa rede de precedência define critérios
que possibilitam acionar um plano, um projeto ou um instrumento no tempo
ideal, com os melhores resultados possíveis para os objetivos propostos
dentro dos princípios da precaução e do risco mínimo
para as políticas públicas.
Dentro dessa linha de raciocínio, é possível construir
um conjunto de argumentos para destacar uma possível desaceleração
tanto da taxa de inflação quanto da taxa de crescimento econômico
ao longo dos próximos meses. A percepção, a qual não
é consensual, é a de que deverá se observar uma perda
de eficácia do ímpeto inicial das medidas fiscais e monetárias
antirrecessão, estruturadas de forma inteligente e rápida
pela equipe econômica do governo federal desde o último trimestre
de 2008. Incentivos fiscais estão sendo retirados atualmente de
setores-chave que garantiram a inequívoca retomada do crescimento
econômico. O crescente endividamento público indireto por
meio das instituições financeiras federais está comprometendo
o nível de confiança dos investidores em papéis da
dívida pública. O compromisso com o superávit primário
maior e sem mágicas contábeis tende a restringir a capacidade
de execução dos programas e projetos do Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC). Enfim, do lado fiscal, não há muito
espaço para continuar pressionando direta e indiretamente a demanda
agregada.
Entre outros componentes da demanda agregada, não se percebe
que famílias crescentemente endividadas possam alavancar novos patamares
de consumo em 2010; que investidores empresariais tenham absorvido as incertezas
e os ajustes estruturais que permeiam uma economia global ainda sob o risco
de um segundo mergulho recessivo; que novos atos generosos de desonerações
tributárias possam estimular outros setores de grande dinamismo
econômico.
Quanto ao comportamento da inflação, as incertezas são
mais agudas. De um lado, tem-se o que se denomina inflação
gregoriana, os conhecidos ajustes de preços relativos na virada
do ano para repasse de custos realizados e esperados. Tem-se também
a expectativa (nem sempre comprovada) do aumento do gasto público
em ano de eleições. Da mesma forma, a propalada "perda de
controle do processo inflacionário" por protagonistas do mercado
financeiro pode levar ao contexto de profecias autoconfirmadas por meio
da consolidação das expectativas inflacionárias. Mas
há de se convir que as taxas de inflação neste início
de 2010 estão engravidadas de variações em preços,
sujeitas a eventos cíclicos, fortuitos e ocasionais que podem não
se replicar ou se reproduzir ao longo dos próximos dois ou três
meses.
Assim, seria recomendável deixar o ano de 2010 rodar mais algum
tempo, observar se a taxa de crescimento do PIB não vai se acomodar
no nível mais baixo de 4% a 5%, se a taxa de inflação
não irá gradativamente convergir para a meta de 4,5% e, aí
então, mexer ou não na taxa Selic.
Uma das questões mais delicadas nas políticas econômicas
anticíclicas é a de posicionar o melhor sequenciamento em
ritmo e em intensidade, para ativar ou desativar determinados instrumentos
que têm se mostrado relativamente eficazes para os seus objetivos.
Particularmente, num momento em que a atual crise econômico-financeira
global tem, entre suas raízes, o fracasso intelectual das previsões
dos economistas. (Paulo R. Haddad - O Estado de S.Paulo)
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