30.07 - O PIB foi negativo em julho, diz Fazenda
O Produto Interno Bruto foi negativo em julho 0,1%, segundo os cálculos
que o Ministério da Fazenda faz para medir a temperatura da atividade
econômica do país. Por esse indicador ainda preliminar, a
queda do PIB este mês foi precedida de um magro crescimento em junho,
ao redor de 0,7%. A expansão do produto no segundo trimestre do
ano, portanto, também deve ficar mais próxima de 0,5% do
que de 1%, percentual distante dos 2,7% do primeiro trimestre. No ano,
o crescimento econômico não deve passar de 7% . Está
mais para 6,5%.
Essas são as previsões do secretário de Política
Econômica, Nelson Barbosa. "A dúvida, agora, é o terceiro
trimestre", disse. Ele avalia que a atividade de julho a setembro continuará
fraca, bastante parecida com o segundo trimestre, fruto da forte desaceleração
que ocorreu na economia depois da retirada, em março, dos incentivos
fiscais e monetários concedidos no auge da crise de 2008. E estima
que no último trimestre do ano o crescimento estará no intervalo
de 1% a 1,5%, "uma recuperação estatística, por causa
da base de comparação".
O índice do nível de atividade a que se refere o secretário
vem sendo apurado pelo Ministério da Fazenda desde 2007, para consumo
interno, com base na média móvel trimestral da produção.
É praticamente igual ao que o Banco Central começou a divulgar
recentemente, o IBC-BR. Os cálculos para julho, assinalou Barbosa,
são preliminares e foram feitos com base nos dados já disponíveis
(consumo de energia elétrica, venda de automóveis, vendas
do comércio, entre outros), e a queda do PIB se refere à
média de maio-junho-julho confrontada com a média de fevereiro-março-abril.
O que distingue os prognósticos da Fazenda e do Banco Central
para 2010 - uma expansão do PIB mais próxima de 6,5% do que
de 7%, enquanto o BC continua com a estimativa de 7,3% - é o comportamento
das contas externas. O secretário explicou que as suas projeções
consideram que as contas externas vão subtrair mais do crescimento
este ano do que o BC imagina. Para ele, a demanda doméstica cresce
entre 8,5% e 9%, enquanto que a demanda externa contribuirá negativamente
com 2,1% para o nivel de atividade.
Ao novo presidente da República, Luiz Inácio Lula da
Silva entregaria o país crescendo, a taxas anualizadas, algo em
torno de 4,5% a 5,5%, longe dos indicadores de superaquecimento do primeiro
trimestre e mais compatível com o PIB potencial, que Barbosa estima
em 5%.
As projeções do secretário para a atividade econômica
em julho estão, portanto, condizentes com as do Banco Central, cujo
índice IBC-BR também identificou uma pequena queda do produto.
Mesmo diante do brusco desaquecimento e do aumento de 200 pontos-base
na taxa Selic até agora, ele acredita que a taxa de inflação
medida pelo IPCA só convergirá para o centro da meta, de
4,5%, no fim de 2011. O IPCA este ano ainda ficará acima de 5%.
A ata do Copom divulgada ontem também vislumbra, no cenário
de referência onde os juros ficam estáveis em 10,75%, uma
convergência só no início de 2012.
Quando o IBGE divulgou, no início de junho, o crescimento de
2,7% no primeiro trimestre deste ano, comparado ao último trimestre
de 2009 - performance que, anualizada, significaria uma expansão
de 11,2% -, a economia já estava sob forte desaquecimento. A inflação
ainda não refletia essa reversão por causa dos efeitos do
aumento de preço do minério de ferro, que estariam obscurecendo
os índices de preços, disse Barbosa.
Para ele não houve surpresa nem na derrubada da inflação
em junho e julho nem na freada no ritmo de crescimento. Nesta coluna, no
início de junho, antes mesmo do anúncio, pelo IBGE, dos dados
exuberantes do PIB do primeiro trimestre, o secretário do Ministério
da Fazenda disse: "A desaceleração começou a ocorrer
naturalmente, conforme estava previsto. O temor do superaquecimento da
economia será gradualmente substituído pelo temor de uma
desaceleração muito rápida". E concluiu: "Não
para nós, que já contávamos com isso, mas para os
alarmistas do superaquecimento".
Na ocasião, Barbosa alegava que o superaquecimento no primeiro
trimestre era fruto de uma vigorosa antecipação de consumo
provocada pelo anúncio do fim dos subsídios e que logo seria
revertido.
Sobre o que espera das próximas decisões do Copom, Barbosa
não fala. Mesmo depois da ata da última reunião, quando
o comitê surpreendeu o mercado com um aumento de 0,5 ponto na Selic
em 0,5%, as apostas no governo ainda estão divididas entre quem
acha que o ciclo de alta dos juros já acabou e quem acha possível
mais um último aumento, ainda que suave.
Mesmo com as severas críticas que sofreu nos últimos
dias, por supostamente induzir o mercado a esperar uma coisa e fazer outra,
o Banco Central pode comemorar um fato: não há mais risco
de o presidente da instituição ter que escrever carta ao
ministro da Fazenda para explicar por que a inflação superou
o teto da meta. Com os dados do IPCA de junho e julho, acabou o perigo
de a inflação este ano ultrapassar 6,5%. (Claudia
Safatle - Valor Online)
30.07 - BC indica fim do ciclo de alta do juro em setembro
Economistas criticam "otimismo" e redução da projeção
de inflação
Copom diz que efeito da global foi deflacionário e que projeção
de juros do mercado para 2012 poria inflação sob meta
A ata da última reunião do Comitê de Política
Monetária do Banco Central indica que o BC deve interromper em setembro
o ciclo de alta dos juros iniciado em abril e deixar para o próximo
governo a tarefa de continuar o aperto monetário para conter a inflação,
avaliam economistas.
Na semana passada, o BC anunciou o terceiro aumento consecutivo da
taxa Selic, de 10,25% para 10,75% ao ano. A decisão surpreendeu
parte do mercado financeiro, que esperava uma alta maior.
A ata, divulgada ontem, foi bastante criticada pelo mercado financeiro
e considerada "otimista". No documento, o Copom diz que os riscos para
a inflação diminuíram com a retirada de parte dos
estímulos fiscais ao consumo anunciados durante a crise de 2008
e 2009.
Além disso, o BC avalia que a crise internacional passou a ter
um efeito deflacionário sobre os preços no país.
A instituição também reduziu suas previsões
de inflação. Apesar de não citar os números
na ata, o BC diz que o aumento de juros projetado pelo mercado anteriormente
colocaria a inflação "ao redor" da meta de 4,5% em 2011,
mas deixaria o indicador abaixo desse valor no primeiro semestre de 2012.
Para o economista Flávio Serrano, do BES Investimento, o mais
provável é um aumento de 0,25 ponto percentual na próxima
reunião, em setembro. A taxa pode, no entanto, ficar estável
se o cenário externo piorar ou subir 0,5 ponto, se melhorar.
Ele avalia que ao menos mais um ajuste é necessário para
reduzir a probabilidade de a Selic subir em 2011. "A ata indica que estamos
próximos do final do ciclo de aperto monetário e que o BC
pode parar de subir os juros."
CRÍTICAS
Para os economistas ouvidos, a instituição mudou sua
avaliação sobre os indicadores econômicos em cima da
hora, e não no final de junho, como defende o BC na ata.
Além disso, não soube transmitir ao mercado a avaliação
de que um aumento menor dos juros asseguraria um crescimento equilibrado.
O Banco Fator, por exemplo, diz que o BC assumiu riscos e não
convenceu sobre o momento da redução no ritmo de alta dos
juros. A projeção da instituição agora é
de um último aumento da Selic, para 11% em setembro.
A consultoria Austin Rating avalia ainda que o Copom precisa de "uma
dose de sorte" para não ter de rever sua decisão -o que reduziria
a credibilidade conquistada neste governo e deixar um ônus significativo
para o próximo presidente.
Para o Santander, a taxa deve ficar estável até o fim
deste ano. O banco avalia, no entanto, que a queda da inflação
e a desaceleração da economia são transitórias
e que a Selic voltará a subir em 2011, para 13% ao ano. (EDUARDO
CUCOLO - Folha de S.Paulo)
30.07 - Copom tenta convencer o mercado do ajuste da Selic
Uma das mais esperadas atas do Comitê de Política Monetária
(Copom), a da reunião da semana passada, divulgada ontem, esforça-se
em explicar por que o Banco Central desacelerou o ritmo de ajuste da taxa
básica de juros (Selic), surpreendendo a maior parte dos analistas
de bancos e consultorias.
Desde o início da crise, o mercado não tem sido muito
bem-sucedido em prever os rumos da política monetária. As
providências tomadas pelo Banco Central (BC) para irrigar a economia
entre o fim de 2008 e início de 2009 foram inicialmente criticadas,
mas acabaram sendo replicadas em outras partes do mundo. Também
houve contrariedade quando começaram a ser desmontadas as medidas
fiscais e monetárias que apoiaram a economia doméstica ao
longo da crise.
O Copom foi mais conservador do que a média dos analistas esperava
ao iniciar o ciclo de aperto monetário em abril, quando elevou a
Selic em 0,75 ponto para 9,5% ao ano, interrompendo nove meses de estabilidade.
Na reunião seguinte, em junho, repetiu a dose e levou a taxa para
10,25%. Na semana passada, voltou a surpreender, desta vez por ser menos
conservador, ao ajustar a Selic em 0,5 ponto, para 10,75%, quando muitos
contavam com mais 0,75 ponto.
Uma visão positiva para a inflação e a perspectiva
de que o nível de atividade está perdendo o gás influenciaram
a dosagem da Selic. Na ata divulgada ontem o Copom exibiu todo o arsenal
de ferramentas que possui para avaliar os cenários interno e externo,
que é especialmente importante em um momento de alta volatilidade
na economia, em que as mudanças de cenário são rápidas.
O Brasil é carente de indicadores antecedentes confiáveis
e é o Banco Central que reúne mais informações.
Uma das ferramentas que cumpre melhor esse papel é o Índice
de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que simula a evolução
do Produto Interno Bruto (PIB). Depois de exibir crescimento acentuado
no primeiro trimestre, o IBC-Br desacelerou em abril (0,3% de expansão)
e estabilizou em maio.
Segundo o Copom, "a evolução do IBC-Br, bem como de outros
indicadores de atividade, sugere que a economia pode haver entrado em ritmo
mais condizente com taxas de crescimento avaliadas como sustentáveis
em longo prazo, ao contrário do verificado no primeiro trimestre".
No relatório de inflação, o Banco Central (BC)
reestimou a expansão do PIB neste ano para 7,3%. Isso não
significa que a economia vai explodir o ano inteiro. Dado o "carry-over"
de 2009 e o forte desempenho do primeiro trimestre, basta que o PIB cresça
0,5% a 0,6% por trimestre, de julho a dezembro, para chegar ao projetado.
Anualizada, a taxa de crescimento do segundo semestre pode ficar ao redor
de 2,5%, abaixo portanto do PIB potencial.
Para o Copom, a economia brasileira está, portanto, desacelerando,
reduzindo a pressão sobre a inflação, em função
da reversão dos estímulos introduzidos durante a crise financeira
internacional e da mudança da política monetária.
Também contribuiu para essa perspectiva a maior probabilidade de
"desaceleração do já lento processo de recuperação
em que se encontram as economias do G-3", Estados Unidos, União
Europeia e Japão. Anteriormente, o Copom dava mais atenção
aos outros mercados emergentes.
Também influenciou a decisão do Copom o comportamento
do crédito. Apesar de o saldo ter crescido 2% em junho para R$ 1,529
trilhão, registrando expansão de 8,1% no ano e de 19,7% em
doze meses, é o crédito direcionado (BNDES e financiamento
imobiliário) que determina esse resultado. No caso das pessoas físicas,
as novas concessões de crédito dão um retrato melhor
do que está acontecendo: diminuíram 0,5% em junho e 6,6%
no segundo trimestre.
Embora o tom da mais recente da ata da reunião do Copom seja
menos enigmático do que o habitual, manteve aqui e ali a ambiguidade
tradicional e não serve, portanto, de bússola para os próximos
passos da Selic. A ata diz, por exemplo, que "são decrescentes os
riscos para a consolidação de um cenário inflacionário
benigno", com "efeito desinflacionário" do front externo, mas não
deixa de lembrar que a economia manterá a trajetória de expansão,
com o risco de "esgotamento da margem de ociosidade na utilização
dos fatores de produção".
Também deu pistas contraditórias no trecho da ata que
trouxe para o debate a previsão de que a inflação
deve convergir para o centro da meta no primeiro semestre de 2012, mas
ficará acima em 2010 e 2011, no cenário de referência
do BC. Normalmente, o cenário de 2012 só passaria a ser considerado
em dezembro. (Valor Online)
29.07 - O custo fiscal dos empréstimos ao BNDES
É surpreendente que o Congresso Nacional tenha aprovado um bilionário
empréstimo do Tesouro Nacional ao BNDES e, em seguida, autorizado
o mesmo banco a conceder financiamentos subsidiados sem perguntar quanto
essas operações irão custar para os contribuintes,
que pagarão a conta ao longo das próximas décadas.
Uma explicação para essa falta de curiosidade dos parlamentares
pode ser o fato de a Medida Provisória 453, autorizando o Tesouro
a conceder um empréstimo de R$ 100 bilhões ao BNDES, datar
de janeiro de 2009 - no ápice dos efeitos da crise financeira internacional
sobre o Brasil, quando se temia que a recessão profunda no mundo
pudesse ter dramáticas consequências sobre o nível
de emprego e renda no país. Mas a MP 465, que autorizou a concessão
de empréstimos subsidiados aos empresários que quisessem
investir, é de junho de 2009, quando o Brasil já tinha deixado
a recessão para trás.
A cronologia é importante nesse debate por dois motivos. Ela
mostra, em primeiro lugar, que o governo fez dois movimentos distintos.
No início, apenas garantiu recursos do Tesouro para a expansão
dos empréstimos do BNDES. Somente cinco meses depois, quando a economia
já estava em recuperação, o governo decidiu autorizar
o banco a conceder empréstimos subsidiados a quem desejasse investir,
dentro do Programa de Sustentação do Investimento (PSI).
Em segundo lugar, a cronologia mostra que o Congresso aprovou dois custos
fiscais diferentes.
Quando autorizou o empréstimo de R$ 100 bilhões, a ser
pago em 30 anos, o Congresso aprovou também um subsídio implícito,
mesmo sem saber o seu montante, representado pela diferença entre
o custo dos títulos do Tesouro, que sustentaram o empréstimo,
e o custo a ser pago pelo BNDES, ao longo de 30 anos. A remuneração
dos títulos do Tesouro nunca é inferior à Selic (taxa
básica de juros da economia). O pagamento do BNDES ao Tesouro foi
definido da seguinte maneira: 70% do empréstimo será pago
ao custo de Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) e 30% com base no custo
de captação externa pelo Tesouro. Fica evidente que este
primeiro custo fiscal aumenta quando a Selic sobe.
Não há uma projeção oficial conhecida para
o custo fiscal do empréstimo ao BNDES. Apenas os economistas Thiago
Rabelo Pereira e Adriano Nascimento Simões, ambos do BNDES, o estimaram
em R$ 1 bilhão ao ano em valor presente, o que daria R$ 30 bilhões.
Mas o cálculo dos dois economistas foi feito quando o montante do
empréstimo ainda era de R$ 100 bilhões. Para fazer a estimativa,
eles consideraram a curva de juros de mercado para o período. Em
dezembro de 2009, o governo decidiu conceder mais R$ 80 bilhões
ao BNDES, elevando o total do empréstimo para R$ 180 bilhões.
Se o valor do empréstimo quase dobrou, alguns poderão entender
que o custo fiscal também tenha dobrado.
A verdade é que o contribuinte só saberá quanto
custou o empréstimo do Tesouro ao BNDES no fim dos 30 anos, pois
o cálculo depende da trajetória que se adote para a taxa
de juros ao longo do período do empréstimo. O contribuinte
saberá quanto custou no fim de cada ano, mas não quanto custará
durante os 30 anos. Os assessores do Ministério da Fazenda alegam
que a tendência do juro no Brasil nos últimos anos é
de queda, embora a taxa possa circunstancialmente subir. Se mantida a estabilização
da economia e a Selic convergir para um patamar mais compatível
com o juro internacional, eles alegam que o custo fiscal da operação
será bem menor.
É bom lembrar que o custo de "carregamento" pelo Tesouro dos
títulos que sustentam o empréstimo ao BNDES não entra
nas contas do Orçamento da União, pois não é
uma despesa primária, ou seja, não afeta o superávit
primário do governo central. Mas ele afeta a dívida bruta
e a dívida líquida e, portanto, tem efeito fiscal relevante.
Em junho de 2009, o presidente Lula baixou a MP 465 autorizando o Tesouro
Nacional a conceder subvenção econômica ao BNDES, sob
a modalidade de equalização de taxas de juros nas operações
de empréstimo a serem contratadas até 31 de dezembro de 2009.
A MP estabeleceu que o valor total dos financiamentos a serem subvencionados
não poderia ultrapassar R$ 44 bilhões. Em abril deste ano,
a MP 487, ainda não votada pelo Congresso Nacional, elevou esse
valor para R$ 124 bilhões e estendeu o prazo para a contratação
das operações para 31 de dezembro de 2010.
Por exigência da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o ministro
da Fazenda, Guido Mantega, estimou o custo fiscal dessa subvenção.
Quando o limite de financiamentos estava em R$ 44 bilhões, Mantega
disse, na exposição de motivos que acompanhou a MP 465, que
as despesas do Tesouro com o pagamento da equalização dos
juros seria de R$ 1,365 bilhão em 2010 e de R$ 1,277 bilhão
em 2011, não ocorrendo despesa em 2009. Com a ampliação
do limite de financiamento para R$ 124 bilhões, o ministro alterou
o cálculo. Na exposição de motivos que acompanhou
a MP 487, Mantega diz que "as despesas adicionais" do Tesouro com o pagamento
da equalização dos juros serão de R$ 4,7 bilhões
em 2011 e de R$ 3,1 bilhões em 2012. Em 2010, informou o ministro,
não haverá despesa adicional.
Pelos números apresentados por Mantega ao presidente Lula, o
custo da equalização das taxas de juros será de, no
mínimo, R$ 10,4 bilhões em três anos, pois nessa conta
só foi computada a "despesa adicional" de 2012. A LRF só
obriga o governo a estimar o impacto financeiro de uma nova despesa para
o exercício em que ela foi criada e os dois seguintes.
As operações têm, portanto, um custo fiscal elevado.
O argumento principal do Ministério da Fazenda em defesa das operações
é que elas devem ser analisadas no contexto da crise financeira,
num quadro de escassez de crédito que poderia ter interrompido de
forma dramática os investimentos no Brasil, levado o país
a uma recessão mais profunda e dificultado a recuperação
econômica, com efeitos perversos sobre o emprego e a renda das famílias.
(Ribamar Oliveira - Valor Online)
29.07 - BNDES e a capitalização da Petrobras: um falso
dilema
No ano passado, o BNDES emprestou para inovação no Programa
de Sustentação do Investimento (PSI) apenas R$ 300 milhões,
valor irrisório ante os R$ 137 bilhões liberados pelo banco
O leitor atento ao debate atual deve estar surpreso com tamanha discordância
quanto à atuação do Banco Central, BNDES e Tesouro
Nacional. O debate atual, no entanto, parece tomar a forma de uma falsa
dicotomia entre aqueles que são contra as políticas setoriais
e de investimento e aqueles a favor da mesma. O debate quando colocado
nesses termos, ao invés de esclarecer, prejudica a real avaliação
dos custos dessas políticas. Dois exemplos são suficientes
para corroborar essa tese.
Primeiro, o falso dilema entre "fortalecimento" versus "não
fortalecimento" do BNDES. O Tesouro Nacional aumentou a dívida pública
para emprestar R$ 100 bilhões em 2009 e R$ 80 bilhões em
2010 para o BNDES, a taxa de juros subsidiadas. Essa política tem
um custo, mas também traz benefícios ao permitir um aumento
da capacidade produtiva da economia brasileira. Acontece que parte da expansão
do crédito do BNDES não é direcionado para aumento
da capacidade produtiva, e outra parcela substancial dos empréstimos
direciona-se para empresas que estão entre as mais competitivas
do Brasil e, portanto, não precisariam da ajuda do BNDES.
Os dois maiores empréstimos diretos do banco para área
industrial, em 2009, R$ 3,5 bilhões liberados para a JBS com o objetivo
de ajudar a internacionalização da empresa e a compra de
ações ordinárias da Brasil Foods (antiga Perdigão)
no valor de R$ 750 milhões, não aumentaram a capacidade produtiva
da indústria. Da mesma forma, os recursos do programa PEC-BNDES
para capital de giro (R$ 6 bilhões), as operações
de financiamento ao comércio exterior (R$ 16 bilhões), a
compra do crédito do Tesouro junto à Eletrobrás (R$
3,5 bilhões) e a parcela de 30% dos projetos de investimentos que
vai para capital de giro também não aumentaram a capacidade
produtiva. Apenas 60% ou menos dos recursos liberados pelo BNDES aumentam
a capacidade produtiva.
O debate em relação ao BNDES é simples. A literatura
de política industrial mostra que o governo deve incentivar as atividades
de inovação e mesmo o desenvolvimento de novos setores que
não sabemos ex-ante se seremos ou não competitivos. No ano
passado, por exemplo, o banco emprestou para inovação no
âmbito do Programa de Sustentação do Investimento (PSI)
apenas R$ 300 milhões, um valor irrisório para os R$ 137
bilhões liberados pelo banco. Dado que há necessidade de
priorizar os empréstimos do banco, a pergunta pertinente é
se, de fato, o Tesouro Nacional deveria ter aumentado tanto a dívida
bruta para financiar operações de fusões e aquisições,
internacionalização de empresas, emprestar R$ 25 bilhões
subsidiados para a Petrobras ou mesmo compensar com recursos subsidiados
as restrições impostas ao preço máximo das
tarifas no processo licitatório nos setores de energia e transporte.
Segundo, a recente autorização para capitalização
da Petrobras e o tratamento diferenciado que a empresa recebe do BNDES
(ao contrário da regra para os demais grupos empresariais, o BNDES
passou a considerar cada uma das subsidiárias da Petrobras como
cliente distinto para fins do limite de exposição por cliente
de acordo com a Resolução CMN nº 3.615/2008) nos leva
a outro falso dilema entre aqueles que são a favor da Petrobras
e aqueles que são contra a empresa. O debate não é
esse.
A Petrobras é a única companhia da América do
Sul na lista das 50 empresas mais inovadoras do mundo de acordo com levantamento
feito neste ano pela Boston Consulting Group e também a empresa
brasileira mais bem colocada no ranking das 500 maiores corporações
do mundo da revista "Fortune". Além disso, com as mudanças
recentes na Lei do Petróleo, a petroleira passou a ser operadora
única dos campos do pré-sal a serem licitados. Uma empresa
desse tipo tem acesso a financiamento em qualquer país do mundo.
Por que ela precisou de um empréstimo subsidiado do BNDES de R$
25 bilhões?
Como se sabe, esse dinheiro não estava parado no BNDES e o Tesouro
Nacional teve que emitir R$ 25 bilhões em títulos públicos
para viabilizar a operação. Da mesma forma, por que a capitalização
autorizada da Petrobras com recursos públicos foi equivalente em
até 5 bilhões barris de petróleo e não menos?
Esse debate é importante porque 1 bilhão de barris (algo
por volta de R$ 10 bilhões) é quase quatro vezes o orçamento
dos Fundos Setoriais (R$ 2,6 bilhões em 2009), que são os
principais instrumentos de financiamento à inovação
no Brasil e que tiveram menos da metade do seu orçamento efetivamente
liberado em 2009.
Ou seja, temos recursos para mais do que duplicar o financiamento à
inovação e ainda assim fortalecer a Petrobras. Por que então
a excessiva ênfase na capitalização da Petrobras em
R$ 50 bilhões com recursos públicos e nos empréstimos
subsidiados para a empresa, que é uma das mais inovadoras do mundo?
Para fazer política industrial? Mas nesse caso o incentivo deveria
ir direto para os fornecedores da empresa e não para ela.
Em resumo, o debate não deveria ser colocado entre aqueles que
são contra e aqueles a favor do fortalecimento do BNDES e da capitalização
da Petrobras. O mesmo raciocínio vale para o debate quanto ao financiamento
da usina hidrelétrica de Belo Monte e também para o trem-
bala, uma obra que não é prioritária como é
a expansão, ampliação e modernização
dos portos, aeroportos e rodovias. No Brasil, é muito mais fácil
expandir a dívida pública em R$ 200 bilhões para financiar
novos programas setoriais do que aumentar os gastos anuais com educação
em R$ 500 milhões, já que neste caso a Lei de Responsabilidade
Fiscal exige a definição de uma fonte permanente de recurso
e, no caso de novas emissões de dívida, não há
essa exigência.
Assim, seria melhor para todos que o debate atual se concentrasse nas
condições (valores e taxas) dos empréstimos do Tesouro
Nacional ao BNDES, no uso que o BNDES faz desses recursos, no acesso privilegiado
da Petrobras a recursos públicos e no uso alternativo desses recursos,
ao invés do falso embate do bem contra o mal.
(Mansueto Almeida - Valor Online)
29.07 - ANSP faz parceria com University of Pittsburgh
Academia Nacional de Seguros e Previdência fomenta MBA executivo
no mercado segurador
O convênio é exclusivo e inédito e foi formatado
especialmente para o mercado segurador brasileiro. Tem como objetivo fortalecer
a indústria de seguros, por meio da formação de profissionais
bem preparados, com instrução acadêmica de alta qualidade,
reconhecida internacionalmente.
A Academia Nacional de Seguros e Previdência é uma entidade
dedicada exclusivamente à disseminação da cultura
do seguro e ao seu desenvolvimento institucional. “Temos orgulho de informar
a parceria da ANSP com a University of Pittsburgh. Essa iniciativa contribui
para que o mercado de seguros tenha profissionais gabaritados e altamente
qualificados”, diz Mauro César Batista, presidente da ANSP.
"Temos satisfação em promover esta ação
pioneira, que reafirma o compromisso da Universidade com a educação
executiva do Brasil" acrescenta Karla Alcides, diretora da Universidade
de Pittsburgh no país.
A University of Pittsburgh é uma conceituada universidade, que
possui 220 anos de excelência educacional, é pioneira em diversos
segmentos como medicina, biotomologia e estudos internacionais e aparece
constantemente no ranking das cinquenta melhores instituições
de ensino do mundo.
Diretores, funcionários de cargos gerenciais e administrativos,
de alto nível a executivos na linha de sucessão da empresa,
são potenciais candidatos ao programa. A adesão das
seguradoras na indicação de profissionais para os cursos
de especialização é imprescindível para o desenvolvimento
do mercado de seguros. “É uma oportunidade para que os profissionais
adquiram conhecimento e coloquem em prática estratégias que
influenciarão o futuro das companhias, do mercado e do País”,
afirma o presidente da Academia.
Na busca pelo aperfeiçoamento institucional do seguro a ANSP
utiliza como estratégia de atuação a formação,
a pesquisa, o arquivo e a informação, para que seja um centro
permanente de estudos. “Queremos reforçar o nível dos profissionais
do mercado segurador e criar novos líderes, aptos a comandar as
empresas no competitivo mercado que vivemos atualmente”, conclui Mauro
Batista.
Principais objetivos da Parceria
1 – Formação de um EMBA Customizado (Executive Master
of Business Administration), com foco no segmento de Seguros, com início
em abril de 2011.
Esse curso, formatado com base no curso tradicional, de reconhecimento
mundial de qualidade será implantado a partir da adesão de
25 alunos. O curso é direcionado para profissionais do setor e ministrado
integralmente no Brasil. Terá duração de 18 meses,
nas dependências da Amcham – American Chamber of Commerce, em São
Paulo.
Cursos Eletivos do EMBA Customizado: Corporate Financial Policy, Risk
Management, Regulation and Value at Risk, Making the Transition to a General
Management Role, Strategic Management of Mergers and Acquisitions and Sales
Motivation Systems.
Sobre a ANSP
A Academia Nacional de Seguros e Previdência é uma associação
sem fins lucrativos, voltada para o aperfeiçoamento institucional
do seguro, da previdência privada e das instituições
afins. Sua estratégia de atuação contempla a pesquisa,
o arquivo e a informação, sendo, portanto, um centro permanente
de estudos e pesquisas.
O atual presidente da Academia é Mauro César Batista,
membro do Conselho de Administração do Grupo Mapfre Seguros
do Brasil, presidente do Sindicato das Seguradoras, Previdência e
Capitalização – Sindseg-SP, presidente do CESVI Brasil e
membro do Conselho de Administração da Seguradora Líder.
Sobre a University of Pittsburgh
Fundada em 1787 nos Estados Unidos, a University of Pittsburgh é
hoje um instituto de ensino e pesquisa reconhecido internacionalmente por
sua tradição e excelência. Seu programa de educação
executiva, segundo mais antigo do mundo, é oferecido no Brasil desde
2000, com mesmo conteúdo e corpo docente do curso americano.
(CQCS)
28.07 - Arrecadação da previdência privada cresce
24,7%
O mercado de previdência privada atingiu, nos cinco primeiros
meses deste ano, quase R$ 17 bilhões em arrecadação,
montante 24,71% maior do que o registrado no mesmo período de 2009
(R$ 13,5 bilhões).
Existem no Brasil 11,4 milhões de contratos de planos de previdência,
o que representa uma alta de 1,06% na comparação com os 11,3
milhões do mesmo período de 2009. Os dados fazem parte de
relatório realizado pela Fenaprevi (Federação Nacional
de Previdência Privada e Vida) e divulgado nesta terça-feira
(27)
Entre janeiro e maio, o VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre)
captou 30,11% mais do que no mesmo período de 2009, totalizando
R$ 13,3 bilhões. O PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre),
por sua vez, registrou avanço de 15,46%, para R$ 2,1 bilhões
no período. A captação dos planos tradicionais teve
queda de 1,98%, para R$ 1,3 bilhão.
Por segmento, os planos individuais lideram, com R$ 14,1 bilhões
em captação, um crescimento de 28,98% em relação
aos cinco primeiros meses do ano passado. Os planos empresariais vêm
a seguir, com a arrecadação de R$ 2,2 bilhões, valor
29,51% maior do que o R$ 1,7 bilhão de 2009. Já os planos
para menores captaram R$ 558,8 milhões nos cinco primeiros meses
deste ano.
Mês
No mês de maio, o mercado de previdência complementar captou
R$ 3,1 bilhões, montante 7,26% superior ao do mesmo período
de 2009.
O VGBL cresceu 5,57% no mês, para R$ 2,5 bilhões em captação,
enquanto o PGBL aumentou 25,19%, para R$ 442,6 milhões. Os planos
tradicionais apresentaram queda de 1,90% no período, com uma captação
de R$ 246,2 milhões.
Na análise por segmento, os planos individuais captaram R$ 2,6
bilhões, ante R$ 380,8 milhões dos planos empresariais e
R$ 114,4 milhões dos para menores.
Mercado
As provisões – recursos acumulados pelos titulares dos planos
do sistema de previdência complementar – apresentaram saldo de R$
188,2 bilhões em maio, alta de 21,92% na comparação
com o mesmo período de 2009.
Em relação à carteira de investimentos, referente
aos ativos que garantem as provisões técnicas, o mercado
cresceu 23,21% em maio, para R$ 195,9 bilhões.
Quanto ao ranking das empresas, a Bradesco Vida e Previdência
ficou na liderança de captação nos cinco primeiros
meses do ano, com 31,91% de participação no mercado, seguida
por BrasilPrev (19,91%), Itaú Vida e Previdência (19,39%)
e Caixa Vida & Previdência (9,44%).
O Santander Seguros (8,16%) e HSBC (4,59%) são, respectivamente,
o quinto e o sexto colocados. Na sequência, estão Safra (1,14%),
Icatu Hartford Seguros (0,92%), Sul América (0,72%) e Porto Seguro
(0,57%). As demais seguradoras responderam, juntas, por 3,24% da captação.
(InfoMoney)
28.07 - Segurobrás pode virar agência de fomento
Após anunciar a criação, por Medida Provisória,
de nova estatal, a Empresa Brasileira de Seguros (EBS), o Governo voltou
atrás. Admitiu enviar ao Congresso um projeto de lei - o que iria
esticar a tramitação, fazendo com que a nova empresa só
pudesse operar já na era Dilma ou Serra. No entanto, fontes empresariais
revelam que a situação poderá ser resolvida de modo
mais simples, atendendo ao governo e sem agredir o setor privado. Seria
criada uma agência de fomento, que bancaria parte do risco, viabilizando
o seguro de grandes obras sem ampliar a estatização.
O setor privado reagiu com raiva ao anúncio da nova empresa,
chamada pejorativamente de Segurobrás. Para A Confederação
Nacional das Empresas de Seguros (CNSeg), a medida é "inoportuna"
e cria conflito de interesses, pondo o governo como segurador de seus próprios
riscos. Mas os empresários envolvidos com grandes obras em estaleiros
ou na construção de usinas como Belo Monte sabem muito bem
como é difícil, ou quase impossível segurar grandes
projetos e obras.
- O setor privado, que lutou décadas contra o monopólio
do resseguro, não quer ver o governo crescer em seguros. Mas há
um vácuo no setor, pois nenhuma seguradora ou resseguradora aceita
o
risco de se construir uma plataforma, por alguns bilhões, em um
estaleiro com situação financeira frágil, decorrente
de décadas de baixo faturamento e muitas obrigações
- disse uma fonte à coluna.
Assim, seja através de uma empresa de seguros, ou via-agência
de fomento, há forte pressão de grandes grupos privados para
criação de um mecanismo que dê rapidez à securitização
de mega projetos. Afinal, estima-se que só a Petrobras precise de
80 plataformas para o pré-sal - cada uma por US$ 1,5 bilhão
ou até mais - e o mercado pede um sistema ágil para realização
dessas obras.
Nesse episódio, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, está
sendo sacrificado. Pela manhã, é cobrado pelas empreiteiras
e estaleiros para viabilizar o seguro de grandes projetos e, à tarde,
é pressionado pelo setor de seguros - que é ligado aos poderosos
bancos - para não afrontar o mercado com novas estatizações.
Lula também não entende muito desse tema e já está
ligado na campanha eleitoral. Com sua sensibilidade política, Lula
não quer uma solução que possa prejudicar Dilma -
e isso pode vir com a idéia da agência de fomento. (Jornal
Monitor Mercantil)
28.07 - Prova financeira
Resultado satisfatório do "teste de estresse" a que foram submetidos
bancos europeus contribui para aliviar cenário internacional
Desde que cresceram os temores acerca da insolvência fiscal de
alguns países do bloco, a União Europeia tem trabalhado para
reparar falhas institucionais que contribuem para enfraquecer a moeda única.
Uma delas é a inexistência de um mecanismo de transferências
fiscais entre países para reduzir os impactos da recessão
e do desemprego nas economias mais fragilizadas.
Como um orçamento federativo não é viável
em termos políticos, a saída emergencial foi criar um fundo
de estabilização de € 500 bilhões, que pode ser
utilizado pelos países-membros sob certas condições.
Foi um primeiro passo para assegurar a credibilidade do euro.
Outro, também importante, foi dado na semana passada, com a
publicação dos resultados do chamado "teste de estresse"
aplicado pela UE em seus bancos.
O objetivo do teste era aumentar a transparência e verificar
se as instituições financeiras teriam capital suficiente
para fazer frente a perdas significativas de crédito, em especial
em países com problemas de excesso de alavancagem financeira, como
a Espanha.
O exercício "estressou" os balanços patrimoniais de 91
bancos, responsáveis por 65% dos ativos bancários da região.
Para fazer o "stress test", a autoridade regulatória europeia simulou
situações recessivas para 2010 e 2011, projetando acentuada
queda de preços de imóveis e de outros ativos financeiros.
Além disso, estimou perdas com empréstimos a governos -embora
neste caso os cenários e a abrangência do teste tenham sido
considerados tímidos por muitos analistas.
O resultado da prova pode ser considerado satisfatório. O principal
foco de preocupação, a Espanha, foi o país para o
qual as autoridades do bloco criaram situações mais extremas.
Foram consideradas quedas de preços de imóveis de até
50%, por exemplo. Mesmo assim, a necessidade de capital do sistema bancário
se revelou reduzida, levando-se em conta os aportes de fundos públicos
já realizados e as fusões de bancos que estão em andamento.
No geral, a carência de recursos identificada foi de 3,5 bilhões
-muito aquém do que alguns economistas esperavam. Exercícios
ainda mais conservadores realizados pelo setor privado acusaram falta de
capital inferior a 100 bilhões, valor modesto em relação
à economia europeia, cujo PIB gira em torno de € 12 trilhões.
Além da boa notícia da UE, outros avanços recentes
se verificaram no plano internacional. Nos EUA, o presidente Barack Obama
sancionou a reforma financeira, pondo fim a um longo período de
indefinição. E, no âmbito multilateral, o Comitê
da Basileia chegou nesta semana a um acordo básico sobre os critérios
de capital e liquidez a serem utilizados pelos bancos globais, depois de
meses de negociação.
Em ambos os casos, chegou-se a uma espécie de meio-termo entre
a difícil tarefa de aumentar a exigência de capital dos bancos
para reduzir o risco de crise e, ao mesmo tempo, evitar que regras agressivas
demais comprometessem a recuperação econômica.
(Folha de S.Paulo)
27.07 - Seguros: Crescimento de 16,7% no primeiro semestre
Dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep) indicam
que o mercado de seguros gerou, no primeiro semestre, um volume de prêmios
da ordem de R$ 40,9 bilhões, o que representou um incremento de
16,7% em relação ao mesmo período do ano passado.
Esses números não englobam o seguro saúde, que está
sob a jurisdição da Agência Nacional de Saúde
Suplementar (ANS).
Segundo o superintendente da Susep, Paulo dos Santos, boa parte desse
crescimento pode ser atribuída ao aumento do poder de compra de
milhões de brasileiros. "Essas pessoas estão adquirindo bens
e procuram o seguro para ter uma garantia de que não vão
perder o patrimônio conquistado com tanto esforço", afirma
Paulo dos Santos.
De fato, mais uma vez, os seguros voltados para as classes de menor
poder aquisitivo foram o destaque. Nesse contexto, o ramo de pessoas apresentou
um crescimento de 19,8%, com receita de R$ 23 bilhões.
O seguro prestamista também voltou a apresentar um excelente
desempenho, com salto de 22% e receita de R$ R$ 1,6 bilhão.
Mais impressionante ainda foi a variação apurada no seguro
viagem, que cresceu 93%, gerando um volume de prêmios de R$ 13 milhões.
No seguro residencial a Susep apurou crescimento de 17%, com receita
acumulada de R$ 601 milhões no primeiro semestre.
Já na carteira de automóveis, a receita somou R$ 9,3
bilhões até junho, com incremento de 16,6%.
No seguro de garantia estendido o percentual de crescimento atingiu
49%, para R$ 806 milhões.
Ainda de acordo com a Susep, a taxa média de sinistralidade
baixou de 53% para 51% entre os dois períodos comparados. Os sinistros
somaram cerca de R$ 11,2 bilhões no primeiro semestre deste ano.
Isso significa que, até junho, o mercado devolveu para a sociedade,
na forma de indenizações, benefícios, resgates e sorteios,
algo em torno de R$ 62 milhões por dia, incluindo finais de semana
e feriados.
Já as despesas comerciais - que englobam, em linhas gerais,
as comissões pagas aos corretores e os valores investidos em campanhas
de vendas - tiveram um crescimento de 22,2% entre os dois períodos
comparados, somando R$ 4,9 bilhões no acumulado de janeiro a junho
deste ano.
Paulo dos Santos acredita que essa tendência de crescimento do
mercado será mantida nos próximos meses. Além dos
seguros populares, ele aponta as coberturas para grandes obras como outro
foco que merece a atenção do mercado. "As perspectivas são
muito positivas", observa o superintendente da Susep. (CQCS)
27.07 - Burocracia é obstáculo ao crescimento
Queiram governantes ou não, há temas que se impõem
às agendas dos países, sob o risco de haver crises abissais.
Por exemplo, se não forem feitos ajustes periódicos nas regras
previdenciárias, para adaptá-las ao novo perfil demográfico
da população, cuja tendência é o envelhecimento,
as contas públicas serão tragadas por aposentadorias e pensões.
A regra vale para o mundo -, não se trata de algum peculiar desvio
de caráter deste ou daquele governo.
Reformas como esta são politicamente difíceis, e por
isso costumam ser feitas em momentos especiais, nas crises ou quando chega
ao poder alguém com visão de prazo mais longo e disposto
a arriscar a popularidade em troca do lançamento de bases mais sólidas
para o país.
Mas há áreas em que é possível avançar
com mudanças modernizantes e tendo apoio amplo da população.
A burocracia é uma dessas áreas em que melhorias podem ter
efeito imediato em termos de geração de mais renda e emprego.
E dada a nossa histórica herança autárquica, trabalho
não falta para aprimorar o ambiente de negócios no Brasil,
por meio de simplificações de incontáveis rotinas
impostas pelo Estado às empresas.
No domingo, reportagem do GLOBO trouxe um caso exemplar: de todo navio
que aporta no país são exigidos, em média, 112 documentos,
com a obrigatoriedade de serem fornecidas 935 informações.
É um calhamaço de formulários com diversas vias a
serem remetidas a órgãos diferentes e em duplicidade. Apenas
no porto de Santos, o maior do país, a burocracia exige, por ano,
o preenchimento de 3.773.800 folhas, 17,4 toneladas de papel, segundo estimativa
do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro).
Por ser de navio que qualquer país faz a maior parte das exportações
e importações, conclui-se que a burocracia é poderoso
entrave ao comércio exterior brasileiro.
As exportações só cresceram devido ao ciclo de
formidável expansão mundial esgotado no final de 2008. Tanto
que a participação brasileira no comércio global,
apesar de todo aquele crescimento, se manteve estável, não
muito acima de 1%.
O grave problema da burocracia coloca o Brasil sempre mal nos rankings
sobre facilidades e dificuldades para o fechamento de negócios.
Estudo recente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) calculou
que, no Brasil, uma empresa gasta 2.600 horas/ano no padesgamento de impostos,
contra 453 na Argentina, 316 no Chile e 177, nos países desenvolvidos,
em média. Com um agravante: os impostos são também
elevados.
Impostos pesados e burocracia paralisante são receita infalível
para uma sociedade não se desenvolver no sentido amplo da palavra
- na produção, no conhecimento, etc. Entendese por que, apesar
de todo o falatório interno sobre crescimento econômico, o
peso brasileiro no PIB mundial está em queda: era de 2,92% em 2002
e cairá ao final deste ano para 2,90%, de acordo com projeções
do Fundo Monetário (FMI).
Faz bem à autoestima incluir o Brasil no bloco dos emergentes,
o que mais cresce no mundo. Mas, quando se olham as estatísticas,
vê-se que o país está longe de repetir o desempenho
chinês e indiano. China e Índia aumentam sua fatia no PIB
mundial; o Brasil, perde participação. A burocracia e os
impostos ajudam a explicar esta história. (O Globo)
27.07 - Transparência 2010: Clareza premiada
Após quatro meses de análise, 20 empresas brasileiras
foram contempladas com o Troféu Transparência 2010, destinado
às companhias que apresentam maior transparência em suas demonstrações
financeiras. A premiação é realizada pela Anefac-Fipecafi-Serasa
Experian e está em sua 14ª edição.
As empresas de capital aberto com faturamento acima de R$ 8 bilhões
contempladas são Souza Cruz, AmBev, Embraer, Usiminas, Vale, Cemig,
CSN, Petrobras, Gerdau e Braskem. Dentre as que faturam abaixo dessa faixa
estão Sabesp, Natura e BM&F Bovespa. A Albras foi premiada na
categoria capital fechado. (Maria Crisitina Frias - Folha de
S.Paulo)
26.07 - Reformando lá, e aqui?
No Brasil, a avaliação da crise econômica foi superficial
e feita em um tom ufanista, proclamando a solidez do sistema financeiro
nacional
Passado o tsunami financeiro, especialistas do mundo inteiro são
unânimes em afirmar que um bom sistema bancário é fundamental
para o desenvolvimento. Todos fizeram a mesma pergunta: "O que poderia
ser melhorado?".
A resposta mais contundente veio dos Estados Unidos: seu projeto de
reforma tem mais de 2.000 páginas, com melhorias no controle do
risco e a criação de uma agência para a proteção
ao consumidor financeiro, a inovação mais comentada do projeto.
O novo órgão terá independência e autoridade.
Fixará regras exigindo mais transparência dos produtos financeiros,
coibirá abusos e evitará os empréstimos predatórios,
responsáveis pela crise na economia norte-americana.
O objetivo da reforma é construir base sólida para um
crescimento sem sustos do crédito e do país.
No Brasil, a avaliação da crise foi superficial e com
um tom ufanista, proclamando a solidez do sistema financeiro nacional.
A bem da verdade, considerando que aqui não havia exposição
aos derivativos que originaram as dificuldades no exterior, não
havia razão para ter problemas. Seria uma surpresa se fosse o contrário.
O ponto principal dos debates, "o que poderia ser melhorado?", foi
ignorado e a criação de agência semelhante à
norte-americana nem sequer foi discutida publicamente. É fato, o
sistema financeiro brasileiro é sólido, sofisticado e tem
abrangência nacional. Entretanto, a sua utilização
é baixa.
Ilustrando o ponto, mais da metade do crédito pessoal é
do consignado de funcionários públicos; uma pesquisa do Sebrae
aponta que apenas 12% das pequenas e médias empresas usam financiamento
de bancos, enquanto 45% usam o cheque pré-datado. São números
que incomodam.
Além de baixa, as estatísticas mostram que a relação
crédito/PIB para esses pequenos tomadores está praticamente
estagnada.
A expansão atual dos financiamentos é dos grandes. É
paradoxal, pois é a base da pirâmide que deveria apresentar
o maior crescimento, e é ela o que dá mais sustentabilidade
à economia.
A criação no Brasil de uma agência inspirada na
norte-americana poderia melhorar o quadro acima; complementaria a atividade
dos Procons, do Idec e do Banco Central, fomentando o crédito responsável,
padronizando produtos e corrigindo distorções existentes.
Deveria ter como objetivo uma atuação equilibrada, protegendo
consumidores, criando condições adequadas para oferta segura
de crédito e promovendo melhorias institucionais na intermediação.
A política atual de "deixar como está para ver como é
que fica" é inconsequente, e o que está acontecendo no resto
do mundo deveria servir de alerta. Lembrando que a solidez de um sistema
bancário vem da composição de seus balanços,
bem como da base econômica subjacente, em que o crédito é
um dos pilares. (ROBERTO LUIS TROSTER - Folha de S.Paulo)
26.07 - A formalização da economia
Crescimento econômico, mais exportações, menor
tributação e mais crédito ajudaram na formalização
A partir do final de 2003 iniciou-se uma importante inversão
nos dados relativos à geração de empregos formais
e informais. Naquele ano, a relação se inverteu e o Brasil
passou a gerar mais empregos formais do que informais. No conjunto das
ocupações, os dados do IBGE da Pesquisa Nacional por Amostra
de Domicílios (Pnad) mostram que, em 2008, os empregos formais já
eram maioria, diferentemente do que ocorrera durante toda a década
anterior, quando o trabalho sem carteira atingia em média 57% dos
ocupados. Registre-se que a Pnad inclui os autônomos como informais.
Esse é um sinal sem paralelo da melhora do tecido econômico
brasileiro nos últimos anos. Entender suas causas nos ajuda a valorizar
políticas corretas e ampliá-las, colhendo os melhores frutos
da melhoria do ambiente de negócios.
O crescimento econômico é, sem dúvida, um dos fatores
explicativos.
Mas não é suficiente, como mostra nossa história
recente. A década de 1970, do chamado "milagre brasileiro", cujos
patamares de crescimento per capita são semelhantes aos dos anos
mais recentes, foram também os de expansão das relações
comerciais e de trabalho informais, quando o sem nota, o vale e o trabalho
sem ficha eram a regra.
De fato, vários outros fatores têm contribuído
para o avanço da formalização de empresas e empregos.
A ampliação do esforço exportador, que permitiu
às empresas sobreviverem à crise econômica de 2002,
expondo nossa produção ao mercado mundial, ampliou a formalização
dos negócios. Ninguém exporta na informalidade.
A modernização acelerada do mercado de capitais também
contribuiu de maneira importante. A redução da tributação
sobre a renda variável, as importantes mudanças estruturais
de nossas Bolsas de Valores, além da legislação, que
permitiu a criação de novos títulos no setor bancário,
agrícola e imobiliário, tudo isso incentivou um grande número
de empresas a buscar, no mercado de capitais, novos e volumosos recursos
para seus investimentos.
Aqui é notável a ampla formalização do
setor imobiliário e de frigoríficos, entre tantos outros.
De novo, ninguém vai ao mercado de capitais na informalidade.
O acesso ao crédito de melhor qualidade e de menor custo tem
também a sua parte nessa dinâmica de formalização.
Isso vale para as empresas e para os trabalhadores.
A instituição do crédito consignado gestou, em
2003, um novo mercado de empréstimos de baixo risco e de grande
importância na ampliação da capacidade de consumo dos
assalariados, o que elevou as pressões pela formalização
das relações de trabalho.
A melhoria dos sistemas de fiscalização também
conta de maneira decisiva, tanto no setor trabalhista como no previdenciário
e no tributário. Mais recentemente, a nota fiscal eletrônica
tem sido um fator importante. Sua expansão prevista para os próximos
anos dará um grande salto na formalização da economia.
Vale destacar também iniciativas de redução e
simplificação de recolhimento de tributos como a nova Lei
Geral da Micro e Pequena Empresas, mecanismo para o qual se inscrevem voluntariamente
1,2 milhão de empresas por ano desde 2007.
Também merece destaque para as pequenas atividades a recente
legislação do Microempreendedor Individual, que teve 371
mil adesões desde julho de 2009. A tributação se restringe
praticamente aos custos previdenciários, numa iniciativa que propicia
a inclusão previdenciária para um contingente de milhões
de trabalhadores informais com pequenos negócios familiares.
Finalmente, é preciso reconhecer o grande alcance de mudanças
institucionais localizadas e bem desenhadas sobre o ambiente econômico
e a formalização. Reformas incrementais nos tributos, na
regulação e na supervisão do mercado de capitais,
nos sistemas de garantia para o crédito, entre outras, sugerem-nos
quais os dispositivos a serem permanentemente acionados para o aperfeiçoamento,
tanto das regras como da conduta dos atores econômicos, sejam eles
trabalhadores, empresários ou agentes públicos.
(ANTÔNIO PALOCCI FILHO - Folha de S.Paulo)
23.07 - Macroeconomia da saúde e papel do Estado
O atual contexto da distribuição de saúde no Brasil
requer a presença do Estado atuando incisivamente, seja para a aplicação
de ações públicas preventivas a priori, seja para
a regulamentação da atenção privada através
das operadoras de planos de saúde. Por sua vez, as características
populacionais e geográficas do Brasil requerem políticas
específicas nas regiões.
A Constituição de 1988 e a criação do Sistema
Único de Saúde (SUS), cujas finalidades essenciais foram
a descentralização e a universalização do sistema
de saúde, resultam, em grande medida, em eficiência. A compreensão
deste cenário complexo da saúde no Brasil é auxiliada
por dados estatísticos disponibilizados pelo governo, essenciais
tanto para avaliar resultados de políticas adotadas quanto para
projeções.
Desde a década de 1990, tivemos aumento dos gastos em saúde
de 6% para 8%do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Do total, os gastos
do setor público representam 3,4% e os do setor privado, 4,6%. Quanto
ao acesso ao atendimento, 70% da população recorre ao setor
público e 30% ao privado. Isto revela que a maior arte da população
é alvo da menor parcela de gastos com saúde (ressaltando-se
que na fatia dos gastos do setor público entram as campanhas preventivas,
que devem abranger toda a população indistintamente, sendo
responsabilidade indiscutível do Estado).
Quanto à qualidade dos gastos públicos, evidenciamos
ações essencialmente preventivas como a que erradicou a poliomielite
ou a de combate à aids. Ambas se tornaram modelos de políticas
preventivas bem sucedidas para o mundo. Também se destacam a implantação
de Unidades Básicas de Saúde (UBS), os estudos para desenvolvimento
de tecnologia de alta-complexidade nas universidades públicas e,
mais recentemente, os programas curativos como a farmácia de alto
custo e a farmácia popular.
Quanto às ações curativas, aí sim o setor
público de saúde requer atenção dos gestores,
principalmente em regiões como o Nordeste e o Norte do país.
Cabe, aqui, substancialmente a função distributiva do Estado,
à luz da universalização prevista no SUS, planejando
recursos para as localidades carentes das periferias das grandes cidades,
bem como para a população pobre da zona rural.
Identifica-se no setor privado, por sua vez, uma concentração
das operadoras de saúde, que caíram de 2004 no ano 2000 para
1.269 em 2008. Se a política de saúde no Brasil visa a promover
o mercado das operadoras e desonerar o Estado, são necessárias
medidas de estímulo à entrada de novos participantes.
A tendência de crescimento da economia com novas contratações
a partir deste ano potencializam tal demanda. Eis o que os dados macroeconômicos
do setor de saúde brasileiro apontam: a saúde, enquanto bem
público, é essencialmente de responsabilidade do Estado.
A política de saúde prevê o papel essencialmente preventivo
do setor público, que ao mesmo tempo tema responsabilidade de atender
o segmento curativo da maior parte da população.
Para promoção da oferta do setor privado, a Agência
Nacional de Saúde (ANS) regula as operadoras. Mas quando a oferta
privada, afinal, vai atender à demanda de mais brasileiros? Há
falhas de mercado, que exigem atenção à distribuição
dos recursos da saúde. (Brasil Econômico)
26.07 - Cenário incerto influencia a decisão do Copom
Embalado pelos dados recentes que sugerem a desaceleração
da economia brasileira e internacional, o Comitê de Política
Monetária (Copom) foi menos rigoroso do que se esperava em sua 152ª
reunião, realizada quarta-feira. O Copom aumentou a taxa básica
de juros (Selic) em 0,50 ponto percentual, abaixo do 0,75 ponto que parte
do mercado esperava. Foi o terceiro ajuste consecutivo da taxa desde abril,
quando começou o ciclo de aperto do Banco Central (BC) e a Selic
estava no piso histórico de 8,75%. Após duas elevações
de 0,75 ponto percentual mais a de 0,50 ponto desta semana, o reajuste
acumulado está em dois pontos e a Selic chegou a 10,75%.
O mercado ficou dividido até o final a respeito do resultado
da reunião, mas a decisão dos membros do Copom foi unânime.
Conforme o comunicado divulgado, a expectativa do BC para a inflação
foi determinante para a decisão: "Considerando o processo de redução
de risco para o cenário inflacionário que se configura desde
a última reunião do Copom, e que se deve à evolução
recente de fatores domésticos e externos, o comitê entende
que a decisão irá contribuir para intensificar esse processo".
Exatamente um dia antes do veredicto do Copom, o Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou informações
muito positivas para o comportamento da inflação. O Índice
de Preços ao Consumidor Amplo -15 (IPCA-15), uma espécie
de prévia do IPCA, índice de referência da meta de
inflação perseguida pelo BC, teve deflação
de 0,09% em julho. Em junho, o IPCA já havia apresentado variação
nula, embora os resultados elevados dos meses anteriores levassem o acumulado
do índice a 3,09% no primeiro semestre e 4,84% em doze meses - acima
dos 4,5% do centro da meta do BC.
Outros indicadores divulgados nos dias anteriores sugeriam também
cautela ao BC, como os dados de emprego medidos pelo Ministério
do Trabalho e Emprego (Caged), as vendas de varejo de imóveis e
automóveis. O IBC-Br, índice calculado pelo próprio
BC, que reproduz o PIB, mostrou uma acomodação em maio depois
do desempenho fraco também em abril.
Enfim, vários indicadores mostravam, de fato, uma desaceleração
talvez maior do que a esperada na atividade doméstica após
o fim da redução de impostos de diversos bens e provavelmente
algum efeito da elevação dos juros. As vendas de automóveis,
por exemplo, estão abaixo do patamar do primeiro semestre de 2008,
depois de terem estourado nos últimos meses, estimuladas pelos incentivos
fiscais. A produção industrial caiu 0,7% em abril em relação
a março, ficou estável em maio, e promete um número
fraco em junho.
O cenário externo, citado no comunicado do Copom, também
favorece o recuo da inflação. A economia internacional mais
fraca deprime o preço das principais commodities, o que barateia
os insumos para a indústria. Com o mercado interno perdendo o gás,
a economia brasileira fica mais vulnerável ao cenário externo.
Note-se bem que não se trata de desaceleração,
mas de uma expansão menor do mundo, no próximo ano. Isso
já era previsto. De acordo com as previsões do Fundo Monetário
Internacional (FMI), o crescimento médio da economia mundial vai
desacelerar dos 4,6% deste ano para 4,3% no próximo.
Enquanto o mercado ainda digeria a elevação de 0,50 da
Selic, alguns indicadores positivos eram divulgados. O principal deles
foi a queda da taxa de desemprego medida pelo IBGE. A taxa da população
economicamente ativa desempregada foi de 7% em junho, meio ponto abaixo
dos 7,5% de maio. O rendimento médio real habitual dos trabalhadores
subiu 0,5% no mês e 3,4% no ano. A massa de rendimentos médio
real habitual dos ocupados cresceu 0,5% em relação a maio
e 6,7% em relação a junho de 2009. O Índice de Confiança
do Consumidor (ICC) medido pela Fundação Getúlio Vargas,
subiu; já o Índice de Confiança do Empresário
Industrial (ICEI), avaliado pela Confederação Nacional da
Indústria (CNI), recuou.
No mercado externo, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central
americano), Ben Bernanke, também contribuiu para um cenário
nebuloso ao afirmar que o cenário econômico está "atipicamente
incerto".
Mas os sinais ainda são contraditórios, o que indica
que pode ter influído na decisão desta semana o desejo de
não fornecer combustível ao debate político que começa
a esquentar, à medida que o calendário eleitoral avança.
De concreto há o consenso de que o ciclo de aperto monetário
não foi concluído, mas agora ficaram duas dúvidas:
qual será o ritmo de alta da Selic e para qual patamar a taxa será
levada. (Valor Online)
26.07 - A visão otimista do Copom sobre o futuro da inflação
Na sua reunião de junho, o Comitê de Política Monetária
(Copom) avaliou mal a evolução da conjuntura econômica
brasileira, anunciando uma consolidação da política
monetária restritiva. Na de julho voltou atrás, limitando
em 0,50 ponto porcentual (p.p.) o aumento da taxa Selic, recuo que um significativo
número de economistas tinha previsto da divulgação
de alguns índices de preços.
Essa interpretação quase generalizada da decisão
das autoridades monetárias faz esquecer que, de qualquer maneira,
o Copom realizou um novo aumento da taxa Selic, recorrendo à tática
do "bode na sala", em homenagem às entidades de classe, apavoradas
com um aumento quase certo de 0,75 p.p. da Selic.
Já tivemos oportunidade de dizer que, qualquer que fosse o aumento,
seria preciso respeitar a decisão do Banco Central. Na ata da reunião
de junho podia-se ler que "a demanda doméstica se apresenta robusta
em grande parte devido aos efeitos de fatores de estímulo, como
o crescimento da renda e a expansão de crédito".
No mês de julho não se registrou um forte aumento da renda,
embora no mês anterior, segundo os dados divulgados ontem pelo IBGE,
a população ocupada cresceu e sua massa de rendimento médio
real aumentou 0,5%, o que deveria se traduzir por um aumento da demanda.
O recuo da inflação pode ser atribuído a uma redução
das compras nas lojas em razão das férias e, mais provavelmente,
dos empréstimos imobiliários, que levam a uma redução
da compra de outros bens, uma vez que o preço dos imóveis
está subindo.
O Copom costuma dizer que sua política visa aos acontecimentos
futuros, e não apenas à situação presente.
A questão é saber se o seu otimismo (medido, já que
aumentou menos a Selic) é justificado. Os estímulos à
renda acabaram com o fim das isenções fiscais, mas foram
substituídos por uma elevação da remuneração
do funcionalismo e dos aposentados. O Copom seguramente não se esqueceu
dos enormes gastos que o governo está prometendo e que representam
um forte aumento da distribuição de renda, a menos que esteja
consciente de que tais promessas visam apenas a seduzir os eleitores.
Ontem a Fundação Getúlio Vargas divulgou a sua
sondagem sobre as intenções dos consumidores, nitidamente
otimista, e o Índice Antecedente de Vendas (IAV), apurado pelo Instituto
para Desenvolvimento do Varejo (IDV), mostra um bom desempenho em julho
e considera que as vendas atingirão o pico da alta em setembro.
O Copom poderá ainda atuar... (O Estado de S.Paulo)
22.07 - EBS: Governo promete fazer aperfeiçoamentos
Após reunião do ministro da Fazenda, Guido Mantega, com
representantes da Confederação Nacional das Empresas de Seguros
Gerais, Previdência Privada, Vida e Capitalização (CNSeg),
o governo se comprometeu a realizar aperfeiçoamentos na proposta
de lei que cria a seguradora estatal, a Empresa Brasileira de Seguros (EBS).
Uma proposta elaborada conjuntamente deve ser enviada em 15 dias ao
Congresso Nacional. A informação foi dada hoje pelo secretário
de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson
Barbosa, que participou do encontro.
- O mercado tem condições de garantir o risco nas operações.
A função da seguradora estatal seria gerir o risco por uma
seguradora e não por fundos garantidores - disse Barbosa.
Apesar de concordar com o objetivo colocado pelo governo, o presidente
da CNSeg, Jorge Hilário, deixou a reunião ainda criticando
a criação da uma nova estatal.
- Temos a mesma preocupação do governo com a eficiência
da alocação de recursos dos fundos garantidores. Mas não
queremos que essa entidade seja uma seguradora, que poderia ter restrições
que não seriam adequadas também aos tomadores. Vamos continuar
conversando para tentar encontrar um ponto comum - disse.
O setor de seguradoras é contrário à criação
da EBS e vem pressionando o governo para recuar da decisão de criar
a estatal. Hoje, representantes da CNSeg estiveram reunidos no ministério
da Fazenda com técnicos, mas não foram recebidos por Mantega,
o que ocorreu hoje. A criação da EBS foi incluída
pelo governo no pacote de estímulo às exportações,
anunciado em maio passado. (Jornal Monitor Mercantil)
22.07 - IPCA-15 cai 0,09% em julho
O Índice de Preços ao Consumidor - 15 (IPCA-15) teve
deflação de 0,09% neste mês, em comparação
com a inflação de 0,19% em junho, de acordo com o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado está
aquém do previsto pelos especialistas, que tinham estimativa do
índice de deflação de 0,03% e inflação
de 0,10%, com mediana de 0,02%. Em 2010, o IPCA-15 soma aumento de 3,26%
e de julho de 2009 até agora, sofreu variação de 4,74%.
A queda de 0,09% no IPCA-15 deste mês sofreu pressão dos
alimentos, na análise dos profissionais do IBGE. Alimentos e bebidas
caíram 0,80% em julho, comparado com a diminuição
de 0,42% em junho. Mesmo com queda de destaque em ao menos sete alimentos,
as refeições fora de casa ficaram 0,95% mais caras neste
mês e auxiliaram com 0,04 ponto porcentual para compor este índice
em julho.
Produtos não alimentícios subiram 0,12% no IPCA-15 deste
mês, com relação aos 0,37% do mês passado. A
desaceleração na taxa teve pressão de transportes
(baixa de 0,36%). De acordo com o IBGE, os automóveis caíram
1,16% e os já usados, 2,22%. O litro do álcool teve queda
de 3,15% e o da gasolina diminuiu 0,53%. (Executivos Financeiros)
22.07 - Analistas reduzem previsões para PIB do 2º tri
O resultado decepcionante de indicadores importantes como a produção
industrial e as vendas no varejo evidenciam uma forte desaceleração
da atividade econômica a partir de abril, levando a uma onda de redução
das estimativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo
trimestre. A expectativa hoje é de uma alta entre 0,4% e 0,8% em
relação ao primeiro, feito o ajuste sazonal, um ritmo muito
mais fraco que os 2,7% registrados no primeiro. Há algumas semanas,
vários analistas ainda estimavam uma alta próxima a 1% ou
até mais no segundo trimestre. Por enquanto, porém, ainda
não há um movimento generalizado de diminuição
das projeções para o PIB do ano de 2010.
Os economistas do Itaú Unibanco, que calculam a variação
do PIB mensalmente, avaliam que houve duplo recuo na comparação
com o mês anterior: em abril, de -0,4%, e maio, de -0,2%. Para Aurélio
Bicalho, economista do banco, o resultado veio abaixo das expectativas
na indústria e no comércio, o que fez o Itaú Unibanco
reduzir a estimativa de avanço do PIB entre abril e junho - de 0,8%
para 0,5% sobre o primeiro trimestre. "Mas no ritmo em que se expandem
o crédito e o mercado de trabalho, a economia deve compensar no
segundo semestre esses fatores transitórios, que explicam a desaceleração
do segundo trimestre", diz Bicalho, que mantém a previsão
de 7,5% para o PIB do ano.
Há dez dias, o departamento econômico do Bradesco revisou
a sua projeção de crescimento no segundo trimestre de 1,3%
para 0,8%. "Após quatro trimestres de um crescimento médio
de 3,9%, as vendas do varejo ampliadas devem ter registrado queda de 0,9%
no segundo", escrevem os economistas do banco. Números preliminares
do Bradesco apontam que, depois da queda em abril e da estabilidade em
maio, a produção industrial recuou em junho 0,8% em relação
ao mês anterior. Apesar do resultado fraco, a indústria deverá
avançar 1,5% sobre o primeiro trimestre, porque a média de
abril a junho ficará superior à dos três meses anteriores.
Antes, a expectativa do banco era de uma alta na casa de 2%.
Para os analistas do Bradesco, além da antecipação
do consumo no primeiro trimestre, provocada pela iminência do fim
do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido para bens como
veículos, pode estar em curso também uma "canibalização"
entre os bens duráveis e os imóveis. Quem compra uma casa
muitas vezes faz algum esforço inicial de poupança e reduz
a taxa de consumo para se adaptar ao novo fluxo de caixa, dizem eles. Depois
do forte resultado do primeiro trimestre, o banco chegou a apostar em crescimento
de 1,3% no segundo trimestre e num PIB de 7,7% para o ano, números
que foram rebaixados para, respectivamente, 0,8% e 7,5%.
O economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, é
um dos que apostavam na desaceleração expressiva do PIB no
segundo trimestre. Ele acredita hoje numa expansão de 0,7% sobre
o primeiro, número que chegou a ser de 1%. Para ele, a antecipação
de consumo induzida pelas reduções temporárias de
IPI funcionaram como um freio natural da atividade no segundo trimestre.
"O PIB no primeiro trimestre não podia ser extrapolado para o resto
do ano", afirma Borges, que espera uma alta de 6,6% em 2010. Para a segunda
metade do ano, ele aposta numa alta média de 0,8% por trimestre,
"contido já pelo impacto contracionista da política monetária".
"Do jeito que o mercado está reagindo, parece que ninguém
esperava uma desaceleração depois do primeiro trimestre",
diz Fernando de Paula Rocha, economista da JGP Gestão de Recursos.
Para ele, o ritmo real da economia não ocorreu nem no primeiro trimestre
- inflado pelos incentivos à produção e ao consumo
- tampouco no segundo - quando os incentivos foram retirados e a Copa do
Mundo ainda provocou "semiferiados nacionais". O economista mantém
projeção de 7,5% para o ano. "Antes eu estava mais para 8%,
agora estou mais para 7%".
O economista Juan Jensen, da Tendências Consultoria, mantém
a sua projeção de uma alta de apenas 0,4% no segundo trimestre,
um dos números mais conservadores do mercado. "Acreditávamos
numa desaceleração forte a partir de abril, por causa da
antecipação de consumo no primeiro trimestre, mas ela tem
sido até mais forte do que esperávamos, especialmente na
indústria", afirma ele, que projeta expansão de 6,6% no PIB.
(Sergio Lamucci e João Villaverde - Valor Online)
21.07 - O duplo mergulho
A recente revisão das estimativas do crescimento mundial feita
pelo Fundo Monetário Internacional (que como "previsão" é
sujeita a chuvas e trovoadas) mostra que, até onde é possível
enxergar o futuro, existe um movimento de recuperação que
foi vigoroso no primeiro trimestre de 2010 e provavelmente seguirá
a uma velocidade menor nos trimestres seguintes.
Segundo o FMI, o mundo crescerá em 2010 qualquer coisa como
4,6%, contra um crescimento negativo de 0,6% em 2009. Para 2011 o FMI sugere
um crescimento de 4,3%.
Com exceção de alguns analistas da evolução
do mercado financeiro internacional, ninguém considera seriamente
a probabilidade de uma nova crise (o "double dip").
Quando se olha para o setor produtivo, há um otimismo moderado
de que o processo de recuperação vai continuar.
Os EUA, ao lado das medidas monetárias e fiscais de estímulo
ao crescimento, mas relativamente hostis ao setor produtivo, continuam
a dar ênfase à busca da autonomia energética.
Acrescentaram recentemente três vetores mais agradáveis
ao setor produtivo privado para tentar mobilizá-lo:
1) duplicar em cinco anos o valor das exportações com
amplo e sofisticado suporte governamental; 2) acelerar os acordos de livre
comércio parados no Congresso por pressão dos sindicatos
e 3) uma ação psicológica e de persuasão moral
sobre os empresários para que acreditem na recuperação
e aumentem seus investimentos, uma vez que dispõem de US$ 2 trilhões
em caixa. O FMI estima para os EUA um crescimento de 3,3% para 2010 e 2,9%
para 2011.
No caso da Alemanha (crescimento de 1,4% em 2010 e 1,6% em 2011 de
acordo com o FMI), o ministro das Finanças estima que o crescimento
poderá atingir 2% em 2010 graças à credibilidade,
no setor privado, do ajuste fiscal e ao aumento das exportações
promovidas pela desvalorização do euro.
No caso do Japão, a dependência das exportações
é maior e sua rápida expansão no primeiro trimestre
levou o FMI a estimar um crescimento do PIB de 2,4% em 2010 e 1,8% em 2011.
Na China continuam os estímulos de toda sorte à produção
e à criação de um mercado interno cada vez mais robusto.
Ela iniciou agora um novo e importante programa, a "Grande Exploração
do Oeste". O FMI estima um crescimento de 10,5% em 2010 e de 9,6% em 2011.
No nível do setor produtivo, que cria o PIB e dá emprego,
parece que ninguém está falando num "double dip" criador
da volatilidade tão querida dos especuladores financeiros.
(ANTONIO DELFIM NETTO - Folha de S.Paulo)
21.07 - Governo eleva projeção de crescimento do PIB
O ministério do Planejamento informou nesta terça-feira,
20, a revisão de 5,5% para 6,5% na projeção de crescimento
do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano inserida no relatório bimestral
de avaliação de receitas e despesas da União.
O número previsto para o crescimento do País, que é
elaborado pela secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério
da Fazenda, contraria as declarações públicas recentes
do ministro Guido Mantega, que diz trabalhar com um PIB entre 6,5% e 7%,
e do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disse
que o Brasil não cresceria menos que 7% neste ano.
Também está longe dos 7,3% previstos pelo BC. Até
a segunda-feira, segundo apurou a Agência Estado, a projeção
de crescimento enviada pela SPE ao ministério do Planejamento era
de 6,8%.
De acordo com o relatório bimestral, o cenário previsto
para a inflação melhorou. A previsão de inflação
pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), passou
de 5,5% para 5,2%, e para o Índice Geral de Preços - Disponibilidade
Interna (IGP-DI), de 9,14% para 8,68%. A expectativa para a média
da taxa Selic no ano passou de 9,19% para 9,60%. Para a taxa média
de câmbio, de R$ 1,79 para R$ 1,80.
O governo prevê um crescimento ainda maior para a massa salarial
nominal neste ano: 13,95%, ante 12,69% no relatório anterior. Para
o petróleo, a estimativa passou de US$ 80,47 para US$ 76,68. O documento
oficial do governo incorporou o reajuste de 7,72% para os benefícios
previdenciários acima do salário mínimo, que antes
estava previsto em 6,14%.
Orçamento
O governo aumentou em R$ 2,5 bilhões a projeção
de despesas em 2010, informou o Ministério do Planejamento, Orçamento
e Gestão nesta terça-feira em sua terceira avaliação
bimestral do Orçamento. (Fabio Graner - Agência Estado)
20.07 - Crescimento de 20% no mercado de seguros
Estimativas apontam para crescimento de 20% no mercado de seguros
De acordo com a Superintendência de Seguros Privados (Susep),
em 2010, os seguros massificados devem movimentar R$ 4 bilhões em
prêmios, enquanto o mercado de seguros geral movimentará perto
dos R$ 60 bilhões. De 2004 até hoje, o mercado de seguros
no País cresceu, em média, 12% ao ano, e para esse ano, a
estimativa de expansão é de 20%.
As empresas seguradoras brasileiras esperam crescer em ritmo acelerado
nos próximos anos, e sair dos atuais 3,5% do Produto Interno Bruto
(PIB) em movimentação para 5% do PIB até o final de
2013, com destaque para os seguros massificados.
O setor de varejo se firma como excelente ponto de comercialização
desses produtos para as classes C e D, por sua vez. Essas duas parcelas
da população representam mais de 50 milhões de emergentes
que passam a consumir, e leva as redes varejistas investirem na expansão
dos negócios voltados para essas classes.
Usando o recurso da oferta de seguros como proteção financeira,
coberturas em caso de desemprego, proteção residencial, assistência
médica e odontológica, garantia estendida, entre outras coberturas
e serviços de assistência aos consumidores, o lojista se beneficia
com uma receita adicional, tem circulação maior na loja,
e ainda fideliza o cliente por facilitar a aquisição de um
tipo de produto a que ele muitas vezes não tem acesso.
A Classic Corretora de Seguros dá atenção especial
ao varejo por entender que as redes conseguem atingir de número
maior de consumidor. Assim, a Classic faz parceria com redes varejistas
para oferecer produtos de acordo com a real necessidade e perfil do cliente.
No entanto, além do varejo, o mercado de massificados também
vê oportunidades para expansão, principalmente as geradas
a partir das obras do PAC, pré-sal, Olimpíadas e Copa. O
presidente da Classic, Rubens Nogueira, acredita que além da oferta
de produtos e serviços por conta dos riscos de engenharia nas grandes
obras, as redes de produtos esportivos oferecerão seguros relacionados
aos esportes graças aos dois eventos. (Executivos Financeiros)
20.07 - Mercado volta a reduzir projeções de inflação
Dois dias antes da reunião do Comitê de Política
Monetária (Copom), do Banco Central (BC), que termina amanhã,
e influenciado por dados mostrando desaceleração da economia,
o mercado voltou a reduzir as projeções para a inflação
deste ano. Pela segunda semana consecutiva, economistas e analistas que
respondem à pesquisa Focus, do BC, puxaram para baixo a estimativa
para a inflação oficial. A mediana das expectativas para
o IPCA em 2010 passou de 5,45% para 5,42%. Há um mês, o mercado
apostava em 5,61%.
Os demais índices também recuaram. As projeções
para o IGP-DI de 2010 caiu pela quinta semana, de 8,68% para 8,58%. O IGP-M
esperado passou de 8,89% para 8,79%. Já o IPC-Fipe baixou de 5,15%
para 5,12%. As estimativas para o IPCA de julho também foram reduzidas
de 0,21% para 0,1%.
Ontem, na contramão da expectativa dos analistas do mercado
financeiro, o IPC da Fipe relativo à segunda quadrissemana do mês
avançou para 0,12%, ante elevação de 0,10% no levantamento
anterior. Na segunda quadrissemana de junho, a inflação na
capital paulista havia sido de 0,03%.
Os analistas ouvidos pelo Banco Central mantiveram a expectativa para
o ciclo de aperto monetário promovido pela autoridade monetária.
A mediana indica a Selic em 12% ao ano no fim do ano, com duas novas elevações
de 0,75 ponto percentual e mais uma de 0,25 ponto em outubro. Para 2011,
a projeção se manteve em 11,75% ao ano.
Como a coleta de dados para a pesquisa foi feita até sexta-feira,
o Focus não captou um início de mudança nessas projeções.
Começam a crescer no mercado as apostas de uma redução
no passo do aperto, que passaria para 0,5 ponto percentual.
O Bradesco, por exemplo, divulgou ontem relatório apontando
essa desaceleração no ritmo de alta da taxa básica,
que subiria 50 pontos bases e poderia fechar o ano abaixo dos 12% projetados
anteriormente. O estrategista-chefe do WestLB, Roberto Padovani, acredita
em alta de 0,75 ponto no encontro de quarta-feira, mas avalia que esse
seria o último movimento do Copom, deixando a taxa estável
em 11%.
Os novos dados de desaceleração da economia começam
a entrar no cenário dos analistas, como o índice de atividade
econômica do BC, IBC-Br, que indicou estabilidade em maio, além
de números menos vistosos de emprego e vendas de varejo. As prévias
de inflação também têm saído abaixo das
projeções de mercado.
Na semana passada, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles,
ressaltou que o BC não toma decisão de forma antecipada e
que todos os dados disponíveis entre as reuniões são
levadas em conta a cada novo encontro do Copom. (Fernando Travaglini
- Valor Online)
20.07 - Alta de 0,5 ponto na Selic ganha força
O que antes era apenas uma sugestão da curva futura, ganha respaldo,
agora, na opinião de grandes agentes de mercado. A possibilidade
de uma alta de meio ponto percentual na Selic na reunião de amanhã
foi adotada pelo Bradesco, que mudou seu prognóstico ontem. Os economistas
do Bank of America Merrill Lynch também apoiam uma elevação
mais branda da taxa básica, mas ainda acreditam que o colegiado
do Banco Central está comprometido com outra elevação
de 0,75 ponto.
Mas essa desconstrução de consenso é apenas uma
reação exacerbada do mercado aos dados de curto prazo ou
há, de fato, uma mudança significativa de cenário?
Cabe lembrar que no começo do ano o Banco Central foi duramente
criticado por responder de forma "atrasada" ao ritmo de crescimento chinês
que a economia brasileira apresentava.
Em relatório, o diretor do Departamento Econômico do Bradesco,
Octávio de Barros, lembra que não devemos dar peso excessivo
aos dados de curto prazo pela sua natural volatilidade.
No entanto, ponderou o especialista, a sequência de dados mais
fracos alcançou magnitude suficiente para que se faça uma
mudança da leitura sobre a velocidade de expansão da economia.
"A informação mais relevante desde a última reunião
do Copom é que presenciamos uma desaceleração maior
do que aquela que era amplamente esperada na atividade doméstica",
notou.
Outro ponto considerado pelo especialista em seu relatório é
a influencia externa.
Barros nota que não se trata de uma crise, mas sim de uma redução,
possivelmente por alguns trimestres, do ritmo de recuperação
da economia global. "A acomodação do crescimento mundial
é, a nosso ver, benigna para o cenário de inflação
brasileiro, uma vez que implicaria preços de commodities em reais
mais baixos, em alguma perda de dinamismo das exportações
e também em crescimento um pouco abaixo do que se esperava da demanda
doméstica."
Concluindo, Octávio de Barros nota que houve um significativo
aumento da incerteza sobre o cenário prospectivo, tanto para economia
internacional quanto para a demanda doméstica.
"A experiência internacional de bancos centrais, assim como a
teoria econômica, mostra que, quando há aumento da incerteza,
a política monetária caminha mais devagar, ainda que mantenha
a direção", avalia Barros.
O contraponto a essa visão é dada pelo Banco Santander,
que mantém sua previsão de alta de 0,75 ponto na Selic não
só agora em julho, mas também em setembro. A instituição
ainda espera mais dois reajuste de meio ponto nas reuniões de outubro
e dezembro e um aperto final de 0,25 ponto em janeiro de 2011. Com isso,
a Selic encerraria 2010 em 12,75% e chegaria a 13% no começo de
2011.
Segundo Cristiano Souza, economista do Santander, o mercado está
se deixando levar pelas informações de curto prazo, como
inflação próxima de zero e menor crescimento durante
o trimestre.
"Essa leitura pode estar um pouco exagerada. Olhando para os fundamentos
não vemos tamanha desaceleração", pondera.
Souza chama atenção para o comportamento do emprego,
da renda e do crédito, que seguem mostrando firme ritmo de crescimento.
Com isso, diz o economista, não temos como esperar uma retração
muito forte da atividade. (Eduardo Campos - Valor Online)
19.07 - EUA: Senado aprova reforma financeira
Projeto de lei altera desde a dinâmica dos negócios com
cartões de débito até as negociações
com derivativos
O Senado dos EUA aprovou, com 60 votos a favor e 39 contra, o projeto
de reforma regulatória do sistema financeiro do país. A legislação
deve ser sancionada pelo presidente norte-americano, Barack Obama, nesta
semana.
Os democratas precisaram do apoio de alguns republicanos para aprovar
o projeto de lei, que altera desde a dinâmica dos negócios
com cartões de débito até as negociações
com derivativos e deve afetar principalmente grandes bancos, como o JPMorgan
Chase, o Goldman Sachs e o Bank of America.
Fundos de hedge e private equity
O projeto de lei de reforma do sistema financeiro dos EUA exige que
os fundos de hedge e de private equity sejam registrados na Securities
and Exchange Comission (SEC, a CVM dos EUA) como consultores de investimento.
Isso obrigará essas instituições a manter registros
sobre itens como negociações, alavancagem extrapatrimonial
e exposição ao risco de crédito de contraparte que
estarão sujeitos a inspeções por parte da SEC.
A maior parte dos consultores que gerenciam os fundos de hedge maiores
e mais conhecidos já é registrada na agência reguladora.
Agências de rating
A reforma prevê a criação de uma entidade semioficial
que supervisionará a indústria de ratings de crédito
e mediará conflitos de interesse inerentes a esse ramo de negócios
após a Securities and Exchange Comission (SEC) estudar o assunto.
As mudanças na legislação também permitirão
aos investidores processar as agências de rating por um fracasso
"conhecido ou irresponsável" na atribuição de notas
aos créditos avaliados.
Escritório federal de seguros
Os Estados norte-americanos continuarão detendo a autoridade
sobre as regras impostas às seguradoras do país, podendo,
por exemplo, supervisionar os produtos oferecidos por essas empresas, de
acordo com a reforma aprovada hoje no Senado. No entanto, uma nova agência,
chamada Departamento Federal de Seguros, passará a monitorar o setor
e estudará potenciais mudanças na regulação
aplicada às seguradoras.
Derivativos
As novas regras do setor financeiro dos EUA determinam que grande parte
das negociações com derivativos no mercado de balcão
passem a ser realizadas em outra plataforma e também que passem
por câmaras de compensação. Swaps customizados ainda
poderiam ser negociados em balcão, desde que a transação
seja reportada, de forma que os reguladores possam ter uma visão
mais ampla do que ocorre no mercado.
As empresas que negociam derivativos também seriam afetadas
por novos requisitos de margem, de capital e de transparência.
Longo alcance
O presidente do Federal Reserve norte-americano, Ben Bernanke, disse
que a lei de reforma do setor financeiro, aprovada pelo Congresso, é
um passo bem-vindo e de longo alcance. Em comunicado divulgado pelo Fed
logo depois da aprovação da lei pelo Senado, Bernanke afirma
que a nova legislação "representa um passo bem-vindo e de
longo alcance na direção de prevenir uma repetição
da crise financeira recente".
Segundo o presidente do Fed, a nova lei fortalece a supervisão
das instituições financeiras e dá ao governo uma ferramenta
para desmontar de forma segura as empresas financeiras que falirem. A lei
também "aumenta a transparência do Federal Reserve e ao mesmo
tempo preserva a independência política que é crucial
para a formulação da política monetária", diz
o comunicado.
"Mesmo antes da aprovação da legislação
de reforma, o Federal Reserve tem mudado sua supervisão e regulamentação
das organizações bancárias e trabalhado para fortalecer
as infraestruturas e as práticas do mercado financeiro. Estaremos
focados e diligentes ao desempenhar nossas responsabilidades sob a nova
lei", acrescentou Bernanke. (Gustavo Nicoletta e Renato Martins -
Agência Estado)
19.07 - Desaceleração chinesa gera temor em investidores
A China cresceu 10,3% no segundo trimestre, comparado ao mesmo período
do ano passado. Foi uma desaceleração em relação
ao trimestre anterior, à medida que começam a fazer efeito
os esforços do governo para esfriar o mercado imobiliário
e os investimentos em infraestrutura. O ritmo de crescimento e outros dados
divulgados ontem criaram temor entre os investidores de que a China pode
estar desacelerando demais.
O número comparável do primeiro trimestre foi de 11,9%,
quando muitos economistas temiam que a China estivesse perto de um superaquecimento.
No primeiro semestre do ano, a economia cresceu 11,1%.
Embora o desaquecimento fosse esperado, outros indicadores sugeriram,
ontem, que a economia pode estar esfriando mais rápido do que previsto,
com uma queda na expansão da produção industrial de
13,7% em junho, ano a ano, dos 16,5% em maio.
O governo disse estar tranquilo quanto à redução
no ritmo da atividade econômica. "A desaceleração ajudará
a evitar o superaquecimento de nossa economia e ajudará na transformação
do nosso modelo econômico", disse Sheng Laiyun, porta-voz do Birô
Nacional de Estatísticas.
No entanto, o desaquecimento deixou nervosos os investidores, numa
hora em que muitos esperavam que a China pudesse ajudar a sustentar uma
recuperação mundial que mostra sinais perda de sustentação
nos EUA e na Europa.
Isso também poderá colocar Pequim sob pressão
interna para relaxar algumas de suas recentes medidas de contenção,
especialmente no setor habitacional.
"Conseguir uma aterrissagem suave para o mercado imobiliário
será realmente um sério problema", disse Liao Qun, economista-chefe
do Banco Citic International. Uma desaceleração prolongada
no setor imobiliário terá um impacto sobre muitos setores
- do siderúrgico ao da produção de aparelhos elétricos
de uso doméstico -, disse ele, mas as autoridades não querem
relaxar a política antes de estarem convencidas da queda do preços.
A China publica números de crescimento em base anual, mas não
divulga estatísticas sequenciais com ajustes de sazonalidade, que
dariam uma ideia mais precisa do rumo da atividade econômica. As
estimativas do setor privado variam consideravelmente: o Goldman Sachs
estima a taxa de crescimento implícita no quarto trimestre em 8%,
numa base anualizada, ao passo que o Standard Chartered a estima em 10%.
Embora o ritmo de novos empréstimos venha caindo desde o segundo
semestre passado, a principal iniciativa de aperto econômico é
a campanha que começou em meados de abril, como tentativa para limitar
a especulação no mercado imobiliário e frear empréstimos
a empresas de investimento operadas por governos locais.
O esfriamento da atividade parece ter tolhido o aumento da inflação.
O IPC caiu de 3,1% em maio para 2,9% em junho. (Geoff Dyer - Financial
Times/ Valor Online)
19.07 - Decisões sobre juro consideram todos os dados existentes
Afirmação veio um dia após a divulgação
do IBC-Br, que apresentou estabilidade em maio
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, repetiu na quinta-feira
a afirmação de que as decisões do Comitê de
Política Monetária (Copom) sobre o juro básico da
economia (Selic) são tomadas "levando em conta todos os dados existentes"
até o dia da reunião. A afirmação foi feita
um dia depois de o próprio Banco Central divulgar que o Índice
de Atividade Econômica do BC (IBC-Br) apresentou estabilidade em
maio, na comparação com abril, já dessazonalizado.
Meirelles reiterou a avaliação de que é positivo
o calendário das reuniões do Copom, com intervalo de 45 dias,
período que permite à autoridade monetária acumular
dados sobre a economia e assim tomar a decisão mais adequada. Por
isso, segundo ele, o BC não toma decisões previamente.
Questionado sobre a hipótese de que o mercado poderia estar
"atrasado" em relação às suas apostas para a reunião
que acontece na próxima semana, Meirelles preferiu não opinar
e disse apenas que esses prognósticos são de responsabilidade
de cada instituição. Ele também não quis tecer
comentários sobre a forte queda observa nos juros futuros anteontem,
após a divulgação dos dados das vendas do varejo pelo
IBGE. (Fernando Nakagawa - Agência Estado)
16.07 - Desaceleração da economia já começou
Números mais modestos no varejo e na indústria em junho
revelam que "crescimento chinês" já ficou para trás
Analistas culpam fim de incentivos fiscais e alta no preço de
alimentos; aumento nos juros básicos pode ser menor
Indicadores importantes referentes a maio e junho deste ano trazem
números abaixo das expectativas de mercado e revelam sinais de desaceleração
da economia brasileira.
A recente tendência mostra que os dias de crescimento econômico
"chinês" ficaram para trás e contribuiu para uma redução
na expectativa do mercado de aumento dos juros básicos, atualmente
em 10,25%.
Após 16 meses de crescimento, o nível de atividade da
economia ficou estável em maio ante abril, segundo o Índice
de Atividade do BC (leia texto na pág. B3).
"O Brasil deixou de crescer a um ritmo chinês e voltou a se expandir
a um ritmo brasileiro", diz Bráulio Borges, economista-chefe da
LCA Consultores.
Indicador calculado pela LCA que tenta revelar o comportamento mensal
do PIB, levando em conta indicadores diários e semanais, também
aponta leves retrações ou estagnação da atividade
em relação ao mês anterior desde abril após
sete meses consecutivos de expansão.
Dados divulgados anteontem pelo IBGE mostraram, por exemplo, que, depois
de contração de 3,1% em abril em relação a
março, o volume de vendas no comércio avançou 1,4%
(descontados efeitos sazonais) em maio.
Essa recuperação em maio foi considerada relativamente
fraca ante uma expectativa de expansão de 1,8% pela média
do mercado.
Segundo dado divulgado recentemente pela FGV (Fundação
Getulio Vargas), o percentual de empresas do setor de serviços que
esperam uma melhoria na evolução dos negócios nos
próximos seis meses caiu de 53% em maio para 49% em junho.
O fluxo de veículos pesados nas estradas com pedágio
se contraiu em 2,5% em junho com relação a maio (descontados
efeitos sazonais), segundo a ABCR (Associação Brasileira
de Concessionárias de Rodovias).
Esse foi o pior resultado para o indicador na base de comparação
mensal desde março de 2008.
As vendas de papelão ondulado (que, assim como o fluxo de veículos
pesados, é importante indicador antecedente da produção
industrial) também recuaram -2,1% (descontados efeitos sazonais
segundo cálculo da LCA) em junho ante maio.
CAUSAS
Segundo Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, as causas
da desaceleração econômica vão do fim de incentivos
fiscais a uma forte base de comparação dado o crescimento
robusto do primeiro trimestre.
Ele cita ainda a elevação dos preços de alimentos,
que abalou as vendas no setor, e o "efeito Copa do Mundo", que prejudicou
vários setores com as paralisações nos dias de jogos
do Brasil. (ÉRICA FRAGA - Folha de S.Paulo)
16.07 - País fica abaixo de emergentes em 2011
Brasil deve crescer 4,2% no ano que vem, ante média de 6,4%;
mercado aposta em 11,75% como teto de juros
Mercado de crédito e trabalho continuam aquecidos, mas taxas
de investimento e poupança continuam baixas
A recente desaceleração da economia brasileira já
tem fomentado duas discussões: até que patamar o BC (Banco
Central) subirá os juros básicos, atualmente, em 10,25%,
e para que nível deverá convergir a taxa de expansão
da economia brasileira a partir de agora.
Rápido em seus ajustes, o mercado financeiro já aponta
expectativa menor de aumento de juros.
Os juros no mercado futuro chegaram a apontar expectativa de aumento
da Selic do atual patamar para até quase 13%. Agora, sugere alta
para cerca de 12%.
Tudo indica que a autoridade monetária enfrentará grande
dilema em suas próximas decisões de política monetária.
A atividade econômica doméstica tem se desacelerado. Riscos
ao desempenho da economia global aumentaram. Além disso, dados recentes
de inflação revelam menor aumentos de preços.
Mas, ressalvam economistas, o desempenho passado da inflação
ainda tem peso no comportamento futuro dos reajustes nos preços
de serviços no Brasil. Fator que o BC leva em conta em suas decisões.
Além disso, segundo Armando Castellar, economista da Gávea
Investimentos, o mercado de trabalho brasileiro segue aquecido. O mercado
de crédito também mostra dinamismo.
Esses fatores têm sido importantes sustentáculos do forte
crescimento da demanda doméstica.
INSUSTENTÁVEL
É consenso entre economistas que a economia brasileira não
tinha condições de sustentar taxas de crescimento próximas
do nível registrado no primeiro trimestre de 2010, quando o PIB
(Produto Interno Bruto) cresceu a uma taxa anualizada superior a 11%.
Calcula-se que, dadas as restrições para aumento da capacidade
de oferta no Brasil, o país não tem condições
de crescer acima de algo entre 4% e 5% sem gerar pressões inflacionárias.
E é provavelmente para esse patamar de expansão que agora
caminha a economia brasileira. Segundo economistas, esse desempenho sem
dúvida é favorável, mas poderia ser melhor.
Em suas projeções de PIB atualizadas divulgadas na semana
passada, o FMI (Fundo Monetário Internacional) indica que o Brasil
crescerá acima da média de países emergentes e em
desenvolvimento em 2010 (7,1% ante 6,8%, respectivamente).
Mas, segundo o Fundo, o Brasil retomará seu patamar de expansão
abaixo da média dos emergentes em 2011: 4,2%, ante 6,4%.
O problema é que, para atingir patamares de crescimento mais
altos, o Brasil ainda precisa superar uma série de restrições,
como taxas de poupança doméstica e de investimentos ainda
extremamente baixas. (ÉRICA FRAGA - Folha de S.Paulo)
16.07 - Desaceleração reduz expectativa de aperto de juro
Demanda ainda é forte, mas a produção desacelera
indicando acomodação da atividade após período
de maior crescimento em 15 anos
Depois de crescer no ritmo mais forte em 15 anos no 1.º trimestre,
a economia brasileira dá vários sinais de desaceleração,
que já levam o mercado financeiro a projetar uma alta menor da taxa
básica de juros (Selic). Quarta-feira, por exemplo, o Banco Central
(BC) informou que o Índice de Atividade Econômica, calculado
pela própria instituição, ficou estável em
maio em relação a abril.
No fim de junho, o BC divulgou seu Relatório de Inflação
trimestral. Na avaliação de especialistas, o documento traçou
cenário preocupante para a evolução dos preços,
graças, principalmente, à atividade econômica aquecida.
Ganhou espaço, então, a ideia de que a Selic subiria em todas
as reuniões do Comitê de Política Monetária
(Copom) até o fim do ano - julho, setembro, outubro e dezembro.
No entanto, tal percepção começa a mudar por causa
de vários indicadores divulgados nos últimos dias. A sensação
é de que a demanda continua forte, mas em ritmo mais lento que o
do primeiro trimestre, e a produção desaquece até
mais rapidamente do que se esperava. Em abril, a produção
industrial caiu 0,7% em relação a março. Em maio,
houve estabilidade, o que surpreendeu os especialistas.
As projeções de mercado indicam que junho também
foi fraco (o número oficial ainda não saiu). A economista
Thays Zara, da Rosenberg & Associados, estima uma queda de 0,2% em
relação a maio. Se isso se confirmar, diz ela, será
o primeiro trimestre de baixa desde o estouro da crise global, em setembro
de 2008.
Estoques
A contradição entre demanda forte e produção
em baixa se explica pela "equalização dos estoques", segundo
explica o economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton
Rosa. "A indústria teve muitos incentivos para produzir. Com o fim
desses incentivos (como o IPI menor para vários setores), há
uma acomodação."
Os juros futuros caíram na quarta, em reação ao
índice divulgado pelo BC. Os contratos para outubro negociados na
BM&FBovespa fecharam em 10,93% ao ano, de 10,95% terça-feira.
O contrato para janeiro de 2011 recuou de 11,26% para 11,21%.
Não se trata de uma queda pontual. O contrato para janeiro de
2012 - apesar de distante, é o segundo mais negociado na bolsa -
saiu de 12,06% ao ano no fim de junho para 11,76% na quarta-feira.
Na segunda-feira, o boletim Focus, síntese de uma pesquisa do
BC com instituições do mercado, mostrou que a expectativa
para a Selic no fim deste ano saiu de 12,13% para 12%. Hoje, a taxa está
em 10,25%. A estimativa para o IPCA, o índice oficial de inflação,
de 2010 também caiu: de 5,55% para 5,45%, ainda acima da meta de
4,50%.
Na semana que vem, o Copom reúne-se para decidir se altera a
Selic. No mercado, há quase um consenso de que será elevada
em 0,75 ponto porcentual, para 11%. A mudança de perspectiva tem
se dado para a partir de julho.
O economista-chefe do banco WestLB, Roberto Padovani, acredita que
a taxa vai parar nos 11%. Antes dessa sequência de indicadores mais
fracos, ele apostava em uma alta adicional de 0,75 ponto em setembro. Thays,
da Rosenberg, mantém a avaliação de que a taxa chegará
a 11,75% ao ano em dezembro e Rosa, da Sul América, projeta 12,25%
ao ano. (Leandro Modé - O Estado de S. Paulo)
15.07 - Inflação para a terceira idade diminui no 2º
trimestre
Os idosos gastaram menos com a cesta de compras no segundo trimestre
do ano, na comparação com os três primeiros meses.
O Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i)
subiu 0,92% no período, mas ficou bem abaixo dos 2,72% registrados
no primeiro trimestre de 2010, segundo a Fundação Getulio
Vargas (FGV).
Com o resultado, o índice – que mede a inflação
para as pessoas com 60 anos ou mais – acumula em 12 meses alta de 5,10%,
superior à taxa de 4,93% observada no período anterior.
De acordo com a FGV, o resultado dos grupos alimentação
(de 5,80% para 0,01%), transportes (de 3,87% para –0,62%) e despesas diversas
(de 1,88% para 1,12%) teve forte influência para o recuo do IPC-3i
em abril, maio e junho deste ano. Os itens que mais se destacaram foram
hortaliças e legumes, tarifa de ônibus urbano e mensalidade
para TV por assinatura, respectivamente.
Em alta aparecem os grupos saúde e cuidados pessoais (de 0,96%
para 2,12%), pressionado pelo reajuste dos preços dos remédios;
vestuário (de –0,77% para 3,58%), em função da entrada
da coleção outono-inverno; e habitação (de
1,11% para 1,38%), por conta do reajuste das tarifas de energia elétrica
residencial. (Agência Brasil/Anfip)
15.07 - Banco Santos: Credores começam a ser ressarcidos
Até setembro, todos os quase 2 mil credores quirografários
- sem direitos especiais - do Banco Santos devem receber o equivalente
a 10% dos recursos a que fazem jus, cinco anos depois de decretada a falência
da instituição.
Nesse grupo de credores estão fundos, empresas e pessoas físicas
que possuíam depósitos à vista (como os mantidos em
conta corrente) e a prazo (tal e qual os CDBs), além de bancos estrangeiros
(a quem o Santos ficou devendo, por exemplo, juros de linhas de crédito),
entre outros.
A eles estão sendo pagos, desde o dia 30 de junho, pouco mais
de R$ 250 milhões relativos ao primeiro rateio da massa falida do
banco, administrada por Vânio Aguiar.
"Até o momento, foi pago 50% do valor previsto", diz. O restante
será creditado em, no máximo, mais 60 dias.
O passivo quirografário do banco de Edemar Cid Ferreira, conforme
Aguiar, ultrapassa os R$ 2,5 bilhões - em valores, destaque-se,
não corrigidos desde 2005. Antes dele, foram quitados outros créditos
com prioridade, como os trabalhistas e alguns tributários.
Para os credores quirografários, os recursos pagos agora são
os primeiros do banco em que colocam as mãos desde a falência.
O dinheiro está saindo do caixa da massa falida do Banco Santos,
que somava R$ 664 milhões ao fim de abril.
Esse primeiro rateio já havia sido aprovado no ano passado pela
2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais
de São Paulo e deveria ter saído há meses.
Mas bancos estrangeiros, que pleiteiam a restituição
de recursos relacionados a operações de adiantamento de contratos
de câmbio (ACC) a exportadores, questionaram os valores do caixa
a eles reservados. Foi o que atrasou o processo, segundo Aguiar.
Nova proposta foi apresentada no fim de maio ao juiz Caio de Oliveira
e aprovada.
Mas nem todo o caixa da massa falida entrou no rateio, já que
precisaram ser reservados mais de R$ 400 milhões relativos ao pleito
dos bancos estrangeiros (sob litígio com a massa falida e com recurso
no Superior Tribunal de Justiça), além de acordos com devedores
ainda pendentes de julgamento de recurso do Banco Santos.
Segundo rateio
O segundo rateio - de outra fatia equivalente a 10% do passivo - está
previsto para acontecer ainda neste ano, afirma Aguiar. "O novo rateio
virá de um acordo que o falido [o banco] fez com a Eletropaulo,
liberando R$ 10 milhões, e de recebimentos que devem ingressar até
a data do pagamento", explica.
O maior credor quirografário do Santos, com saldo de R$ 165
milhões a receber, é a Fundação Real Grandeza,
fundo de pensão dos funcionários de Furnas. Nesse rateio,
reaverá R$ 16,5 milhões.
O segundo é o fundo de renda fixa Santos Credit Yield, do próprio
banco, que possui 758 cotistas e tem R$ 115 milhões a receber.
Entre os maiores credores, mas com valores menores, constam ainda o
Banco da Amazônia, o Estaleiro Itajaí, a AES Tietê,
o Instituto de Previdência do Legislativo de Minas Gerais, bancos
americanos e europeus e algumas pessoas físicas. (Mariana
Segala - Brasil Econômico)
15.07 - Fundos recuperam perdas com Banco Santos
Quase seis anos depois, os fundos de investimento que tinham ativos
do falido Banco Santos em suas carteiras começam a recuperar parte
dos prejuízos. Desta vez, foi o Banco do Estado do Espírito
Santo (Banestes) que obteve autorização judicial para o pagamento
de perdas registradas em dois fundos. Na semana passada, a Caixa Econômica
Federal (CEF) comunicou que conseguiu reaver uma parcela dos recursos que
lhe eram devidos.
O administrador judicial da massa falida do banco, Vânio Aguiar,
conseguiu reaver parte das dívidas, que são estimadas em
R$ 2,3 bilhões. Após o pagamento de créditos trabalhistas
e tributários, que são preferenciais em caso de falência,
cada credor recebeu o equivalente a 10% do valor ao qual tem direito.
A intervenção no Banco Santos ocorreu em novembro de
2004, trazendo perdas para vários fundos de investimento que aplicavam
em carteiras do banco ou que mantinham CDBs do Santos em carteira. Houve
prejuízo também em carteiras que tinham Cédulas de
Crédito Bancário (CCBs) ou Cédulas de Produto Rural
(CPRs).
Em novembro de 2004, duas carteiras do Banestes sofreram: o VIP DI
e o Institucional Renda Fixa. No primeiro, o prejuízo só
no dia 17 foi de 5,75%, o que fez o fundo encerrar o ano em queda de 9,37%.
Para se ter ideia, o Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI,
que serve de referencial para as aplicações mais conservadoras)
encerrou 2004 com variação de 16,17%.
Segundo comunicado do Banestes, no último dia 9, o VIP DI registrou
rentabilidade de 0,562%. Isso ocorreu por conta do recebimento de R$ 1,323
milhão referente a 10% dos créditos "relativos ao 1º
rateio da massa falida do Banco Santos".
No Institucional Renda Fixa, as perdas no dia 17 de novembro de 2004
foram de 7,37%. Com a recuperação de parte do que tem a receber,
o retorno adicional do fundo será de 0,284%, o que corresponde a
um valor de R$ 328,855 milhões. O Banestes foi procurado pela reportagem
do Valor e, por meio de sua assessoria de imprensa, o diretor-presidente
do banco, Roberto da Cunha Penedo, informou que a instituição
não se pronunciaria sobre o assunto.
Já a Caixa Econômica Federal (CEF) informou na semana
passada que recuperou parte dos créditos a receber na carteira Seleção
Renda Fixa. O prejuízo desse fundo somou 10,33% apenas no dia 16
de novembro daquele ano, o que fez com que a carteira encerrasse 2004 com
ganhos módicos de 3,91%. O Seleção aplicava em outro
fundo da Caixa, o Master III, e era nessa carteira que estavam os CDBs.
Segundo Aline Arruda, gerente de renda fixa da asset da Caixa, o total
recuperado pela instituição somou cerca R$ 2,6 milhões.
Esse valor foi dividido entre o Seleção e outros fundos exclusivos
que também tiveram perdas com o Banco Santos. Após o prejuízo,
o Seleção foi fechado para aplicações. Observando-se
o desempenho no dia 8 deste mês, vê-se que a carteira obteve
rentabilidade de 9,59%, de acordo com dados da consultoria BDS. O "ganho
extra" elevou o retorno do fundo no ano para 13,86%, até o dia 9,
ante 4,57% do CDI no mesmo período.
Embora a notícia de recuperar parte das perdas seja positiva,
não é possível dizer quando os investidores conseguirão
recuperar todo o prejuízo, ressalta Aline. "Não há
previsão, pois é algo que foge de nossa alçada", diz.
Outras instituições que tiveram fundos de investimento
com prejuízos por conta da falência do Santos foram o Banco
Regional de Brasília (BRB) e o Banco Mercantil do Brasil (BMB).
No BRB, três carteiras abertas foram afetadas. A primeira, a
Líder 30 Dias DI, teve perdas de 9,18% apenas no dia 17 de novembro
de 2004. Já o segundo, o Multicapital (um multimercado) registrou
queda de 13,97% naquele dia. O terceiro, o Renda Fixa Executivo, apresentou
prejuízo de 8,41%. O Valor procurou o BRB e a assessoria de imprensa
da instituição informou que o executivo responsável
pela área não estava disponível.
No BMB, o renda fixa MB Especial perdeu 15,37% em apenas um dia, o
que comprometeu toda a rentabilidade acumulada em 2004, já que a
carteira encerrou em queda de 3,21%. No último dia 9, por conta
de o fundo reaver parte das perdas, o retorno foi de 8,33%.
Outro fundo de renda fixa do banco, o Matic, teve prejuízo de
15,35% apenas em 16 de novembro daquele ano. Isso prejudicou o desempenho
de 2004 da carteira, que terminou em queda de 3,21%. No dia 9, com o ganho
por conta do pagamento de parte das perdas, a carteira teve retorno de
8,34%. A assessoria de imprensa do BMB disse que não consegui contato
com executivo que poderia comentar o assunto, já que ele estava
em viagem de negócios. (Luciana Monteiro - Valor Online)
14.07 - Inflação pressiona gastos dos idosos para cima
A inflação apurada para os idosos ficou, mais uma vez,
acima da média da inflação aos consumidores no segundo
trimestre de 2010. Enquanto o Índice de Preços ao Consumidor
da Terceira Idade (IPC-3i) registrou variação de 0,92% no
período, o Índice de Preços ao Consumidor – Brasil
(IPC-BR) ficou em 0,76%. Há mais de seis anos os mais velhos têm
um custo de vida mais alto, segundo mostram os indicadores da Fundação
Getúlio Vargas (FGV).
O economista da instituição, André Braz, explica
que, desde 2004 a inflação tem sido maior para os idosos
do que para a média da população sendo que, entre
2004 e 2009, enquanto o IPC-BR acumulou uma alta de 31,24%, o IPC-3i somou
uma variação de 33,13%. O índice revela o cenário
de preços para famílias com pelo menos 50% dos indivíduos
de 60 anos ou mais de idade, e renda mensal entre um e 33 salários
mínimos.
Braz explica que alguns itens importantes no cálculo da inflação
ao consumidor, como tarifas e remédios, pesam mais no bolso dos
idosos. Ele exemplifica que os mais velhos ficam mais em casa quando deixam
de trabalhar, aumentando gastos com tarifas como energia elétrica,
gás e água. Além disso, na idade mais avançada
aumentam os gastos com remédios, sobretudo para coração
e antidepressivos, e com o seguro saúde.
No segundo trimestre de 2010 o IPC-3i mostrou uma forte desaceleração,
para 0,92%, em relação à taxa verificada no primeiro
trimestre do ano (2,72%). A redução no ritmo de reajustes
foi puxada pelo grupo alimentação, que passou, de um trimestre
para o outro, de uma variação de 5,80% para 0,01%.
(Jacqueline Farid - Jornal da Tarde)
14.07 - EUA tentam aprovar reforma financeira
Os democratas terão pouca margem de erro esta semana, quando
tentarão aprovar no Congresso dos Estados Unidos a mais abrangente
mudança nas leis de regulamentação financeira desde
a Grande Depressão.
O líder do partido majoritário no Senado, Harry Reid,
espera conseguir a aprovação da regulamentação
quando o Congresso voltar a se reunir depois de uma semana de recesso,
apesar de ainda não ter obtido os 60 votos necessários para
evitar um bloqueio processual na casa, que tem 100 membros.
A Câmara dos Deputados americana já aprovou a versão
final do projeto, que impõe uma série de duras restrições
à indústria financeira, em um esforço para evitar
uma nova crise como a que ocorreu entre 2007 e 2009. Depois de um ano e
meio de trabalho, os democratas estão ansiosos para encaminhar o
projeto à sanção do presidente Barack Obama.
O projeto dá às autoridades reguladoras o poder de intervir
em companhias financeiras com problemas por meio da divisão delas,
venda de ativos e aceitação de perdas por parte de credores
e acionistas a fim de que os contribuintes não paguem essa conta.
Envolve ainda ampliação dos poderes reguladores do Federal
Reserve (Fed) e estabelece um conselho de risco com altos funcionários,
liderado pelo secretário do Tesouro, para detectar potenciais ameaças
ao sistema financeiro como um todo.
Engloba também a criação de uma agência
de proteção financeira ao consumidor e expande o alcance
da Securities and Exchange Commission (SEC).
A aprovação do projeto representaria a segunda grande
conquista legislativa do partido, que já conseguiu a aprovação
da reforma do sistema de saúde, um feito importante já que
eles estão tentando manter o controle do Congresso nas eleições
de Novembro desse ano.
No Senado, Reid já conta com 57 votos dos democratas para a
aprovação do projeto. Os republicanos Susan Collins e Scott
Brown também já indicaram que pretendem apoiar o projeto.
Mas isso ainda deixa Reid a um voto da aprovação. Os republicanos
Olympia Snowe e Charles Grassley já apoiaram o projeto anteriormente,
durante o processo legislativo, mas nenhum dos dois confirmou se pretendem
apoiar a versão final.
Entretanto, os analistas acreditam que Reid terá os votos necessários
para enviar o projeto a Obama, já que os republicanos moderados
serão duramente pressionados a explicar um voto "não" depois
de obter uma série de concessões importantes. (Andy
Sullivan - Reuters/Valor Online)
14.07 - Selic deve fechar 2010 em 12% ao ano
A projeção de analistas do mercado financeiro para a
taxa básica de juros, a Selic, ao final de 2010 caiu de 12,13% para
12% ao ano, segundo o boletim Focus, divulgado segunda-feira pelo Banco
Central (BC).
Para o fim de 2011, foi mantida em 11,75% ao ano a estimativa para
a taxa Selic. Atualmente, a taxa básica está em 10,25% ao
ano e a expectativa dos analistas é que na próxima reunião
do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, marcada
para os dias 20 e 21 deste mês, a Selic seja ajustada para 11% ao
ano.
A Selic é um instrumento usado pelo Banco Central para controlar
a inflação. Quando a instituição considera
que a economia está aquecida e a trajetória de inflação
é de alta, eleva a Selic.
O BC tem que perseguir uma meta de inflação, medida pelo
Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que tem centro
de 4,5%, com margem de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Essa
meta é válida para este ano e 2011.
Para 2010, a projeção dos analistas para o IPCA caiu
de 5,55% para 5,45%. Em 2011, os analistas esperam que a inflação
oficial chegue a 4,80%, a mesma estimativa anterior. Essas previsões
estão, portanto, acima do centro da meta de inflação.
O boletim Focus também traz projeção para o Índice
Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), que caiu de
9,03% para 8,68%, neste ano, e permaneceu em 5%, em 2011.
A expectativa para o Índice Geral de Preços de Mercado
(IGP-M) neste ano também caiu – de 9% para 8,89%. Para o próximo
ano, passou de 5% para 5,01%.
A projeção para o Índice de Preços ao Consumidor
da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe),
neste ano, caiu de 5,24% para 5,15%. Para 2011, a estimativa para esse
índice permaneceu em 4,50%.
A expectativa dos analistas para os preços administrados permaneceu
em 3,60%, em 2010, e caiu de 4,80% para 4,78%, em 2011. Os preços
administrados são aqueles cobrados por serviços monitorados,
como combustíveis, energia elétrica, telefonia, medicamentos,
água, educação, saneamento, transporte urbano coletivo,
entre outros.
As informações são da Agência Brasil.
(Anfip)
13.07 - Governança passa longe da decisão do investidor
Na semana passada, o Valor publicou um estudo das empresas listadas
em bolsa com o maior número de acionistas individuais. Peço
licença para usá-lo como referência para uma reflexão
acerca do peso da governança na decisão do investidor. Tudo
indica que a pessoa física não olha para isso.
Das 20 empresas de maior base acionária, levantamento do diretor
do curso de Relações Internacionais da ESPM-RJ, Alexandre
Espírito Santo, mostra que 12 fazem parte de algum segmento de governança
corporativa. Dessas, duas apenas - Banco do Brasil, com 331 mil investidores
individuais, e BM&FBovespa, com 97 mil - estão no Novo Mercado,
o mais rigoroso dos níveis. No Nível 2, segmento intermediário,
aparecem Eletropaulo, com 56 mil acionistas, e Santander, com 199 mil investidores.
As oito companhias restantes estão no Nível 1. Nesse
grupo, destacam-se bancos como Bradesco, com 344 mil acionistas individuais,
Itaú Unibanco, com 193 mil, e Banrisul, com uma base de 63 mil.
Há ainda a Vale, com 181 mil investidores, a Bradespar (93 mil),
a Cemig (110 mil) e as siderúrgicas Gerdau (99 mil) e Usiminas (46
mil).
"Mais empresas poderiam estar em algum nível de governança,
mas é melhor do que nada", afirma Espírito Santo, também
economista da Way Investimentos. Mas as maiores, destaca, não fazem
parte de nenhum segmento, caso das companhias de telefonia Telebrás,
Telesp (Telefônica), Tele Norte Leste Participações
(Oi), Vivo, Brasil Telecom e Telemar Norte Leste, além de Petrobras
e CSN.
Vale uma ressalva: as empresas de telefonia lideram em número
de investidores, por conta dos antigos planos de expansão, em que
a compra de linha dava direito a ações das companhias. Não
foi propriamente uma escolha do investidor, ainda assim as empresas não
evoluíram no quesito governança.
A grande restrição é que a listagem num dos segmentos
diferenciados abriria a possibilidade de os atuais controladores terem
de dividir o prêmio pelo controle (o tag along) pago na privatização
das teles. O que é relevante hoje, dado o momento de consolidação
por que passa o setor de telefonia.
Já a Petrobras, companhia de maior peso no Ibovespa, está
no nível tradicional. "O fato de a principal empresa não
fazer parte de nenhum segmento especial é um grande desafio para
o mercado brasileiro, uma vez que limita o avanço maior da governança",
afirma.
Na visão de Espírito Santo, a criação de
regras de governança para a bolsa há cerca de dez anos teve
papel fundamental no crescimento do mercado. O momento agora é de
revisão das normas e de convencer mais empresas dos benefícios
da governança, diz. Entre eles, a redução do custo
de capital. Questionada sobre a possibilidade de participar de algum dos
segmentos, a Petrobras disse que "está estudando" e "irá
avaliar as propostas de mudanças sugeridas pela Bovespa".
Empresas com governança tendem a ter uma melhor relação
risco/retorno. Estudo do economista mostra que, entre junho de 2001 e junho
de 2010, o Índice de Governança Corporativa (IGC) apresentou
retorno esperado médio anualizado de 24,6%, acima dos 20,45% para
o Ibovespa, principal índice da bolsa. Já o risco esperado
médio anualizado ficou em 26,4% para o IGC e em 28,41% para o Ibovespa.
Dividindo o risco pelo retorno, o coeficiente de variação
para o IGC é de 1,07 e para o Ibovespa de 1,39. Quanto menor, melhor
a relação risco/retorno. Além de apresentar um melhor
retorno esperado, o índice de governança embutia menos risco.
"Infelizmente, o ser humano é ganancioso e tende a olhar apenas
para o que dá mais retorno." Mas mesmo levando em conta o retorno,
o IGC ganha, com alta de 567% de 2002 a 2009, ante variação
de 396% do Ibovespa.
O presidente da Rio Bravo, Mario Fleck, concorda que o ideal seria
que o investidor olhasse para a estrutura de governança das empresas
antes de tomar sua decisão, assim como o gestor profissional. Mas
ele destaca que esse deve ser apenas um dos critérios, já
que a governança não determina necessariamente o retorno
do investimento.
Fleck cita como exemplo as empresas que abriram capital recentemente
no Novo Mercado com preços elevadíssimos. "Não tem
governança que faça com que empresas caras tenham retornos
satisfatórios."
Ele acrescenta que há muitas empresas que não estão
em segmentos regulados pela bolsa, mas apresentam bons modelos de governança.
(Alessandra Bellotto - Valor Online)
13.07 - Cresce temor de uma nova recessão no próximo ano
Indicadores recentes reforçam risco de "duplo mergulho" na economia
Países desenvolvidos e mesmo a China emitem sinais de que a
reação no pós-crise é menos vigorosa que a
esperada
Recentes indicadores econômicos negativos de países desenvolvidos
e até da China suscitaram um debate sobre uma possível nova
recessão em 2011. Isso levaria ao chamado "mergulho duplo", ou seja,
a economia global, que se contraiu em 2008, voltaria a se retrair no próximo
ano.
"Os indicadores ainda são mistos, mas dados recentes do mercado
de trabalho e do setor imobiliário foram negativos. O risco de um
"mergulho duplo" é real, e eu o colocaria como sendo de 1 em 3",
diz John Bowler, diretor de risco soberano da consultoria Economist Intelligence
Unit (EIU).
Mesmo que a tese do risco crescente de um "mergulho duplo" -defendida,
entre outros, pelo ganhador do Prêmio Nobel de Economia Paul Krugman-
não se confirme, é consensual a percepção de
que as ameaças ao desempenho global cresceram.
Essa visão foi referendada ontem pelo FMI (Fundo Monetário
Internacional) na sua atualização do Panorama Econômico
Mundial.
Em alusão à sua projeção de crescimento
para a economia global de 4,6% para 2010, que representa alta de 0,4 ponto
percentual em relação ao número divulgado em abril
passado, o Fundo alertou: "Riscos [à recuperação]
aumentaram fortemente em meio à renovada turbulência financeira".
O Fundo ressaltou a recuperação mais forte do que o esperado
nos EUA no primeiro semestre deste ano.
Mas dados recentes revelaram que as economias dos países desenvolvidos,
ainda solapadas por dívidas gigantescas tanto do setor público
como do privado, não adquiriram vigor suficiente para caminhar de
forma mais acelerada sem a ajuda das muletas de políticas fiscais
e monetárias expansionistas.
"À medida que os incentivos estão expirando, a atividade
econômica voltou a patinar", diz Virgílio Castro Cunha, economista-chefe
para o Brasil e estrategista de renda fixa do Bank of America Merrill Lynch
(BAML).
PERSPECTIVAS RUINS
O número de contratos pendentes para compras de casas usadas
nos EUA recuou 15,6% em maio em relação ao mesmo período
do ano anterior. Isso indica perspectivas ruins tanto para novas vendas
como para os preços de imóveis.
Dados recentes do mercado de trabalho norte-americano também
têm preocupado. O saldo entre contratações e demissões
(excluindo o setor agrícola) nos EUA em junho atingiu pela primeira
vez em 2010 uma marca negativa de 125 mil postos de trabalhos eliminados.
Até na China, principal motor do crescimento global, dados que
revelaram um ritmo menor de expansão da produção industrial
nos últimos meses apontam para crescimento ainda forte, mas com
uma clara tendência de desaceleração. (ÉRICA
FRAGA - Folha de S.Paulo)
13.07 - Brasil destoa de Brics com saída de investidor de ações
Ao contrário do que ocorreu com os demais Brics, os fundos que
investiram em ações de empresas brasileiras tiveram saída
de dinheiro no primeiro semestre.
As retiradas no Brasil superaram os depósitos em US$ 1,4 bilhão
nos seis primeiros meses deste ano, segundo levantamento da consultoria
norte-americana EPFR Global.
Os motivos para a saída de dinheiro do país são
o aumento na taxa de juros pelo Banco Central e a proximidade das eleições,
de acordo com a consultoria.
A Bovespa acumula desvalorização de 7,45% neste ano -é
a que mais recuou entre os principais mercados financeiros das Américas.
No ano passado, quando a Bolsa de Valores brasileira teve o maior avanço
global em dólares, o país recebeu mais de US$ 5 bilhões.
Na Rússia, houve entrada de quase US$ 2 bilhões no primeiro
semestre deste ano, e os fundos chineses receberam US$ 1,2 bilhão.
Os depósitos na Índia ficaram bem abaixo dos vistos no ano
passado, mas ainda assim positivos: US$ 246 milhões.
Os fundos de emergentes registraram no total entrada de US$ 17,4 bilhões
neste ano. Já os dedicados aos países ricos tiveram saída
de US$ 15,7 bilhões. (Maria Cristina Frias - Folha de
S.Paulo)
12.07 - FMI eleva previsão de crescimento mundial
O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou até 4,6%
sua previsão de crescimento mundial para 2010. O motor é
a forte evolução da Ásia na primeira metade do ano,
mas o destaque é do Brasil, país cujas expectativas mais
subiram: 1,6%, chegando a 7,1%. A China terá o maior crescimento
entre eles: 10%.
O novo número supera em quatro décimos o cálculo
de abril, enquanto o organismo manteve sua previsão para 2011: 4,3%.
O bom desempenho dos países emergentes, que crescerão este
ano meio ponto percentual a mais que o antecipado, explica o aumento.
O FMI segue acreditando em uma recuperação a duas marchas,
com os países ricos avançando em ritmo "modesto" e os mercados
emergentes acelerados, mas a grande incógnita que pesa sobre a recuperação
mundial é a Europa. A boa notícia é que não
há sinais de que os problemas financeiros na Europa tenham freado
a subida econômica.
O FMI manteve sua previsão de crescimento de 1% na zona do euro
para este ano, embora o reduziu em três décimos para 2011,
até 1,3%. Em seus cálculos, o organismo assume que as condições
nos mercados europeus melhorarão de forma progressiva, e os transtornos
em outras regiões serão menores.
Mas, como admite o próprio Fundo, o grande perigo é de
que a preocupação dos investidores pelo nível de dívida
de alguns países europeus, como Grécia, Portugal, Espanha,
Itália e Irlanda, se transforme em uma crise de confiança
em seu bancos, causando a perda da confiança das empresas e dos
consumidores, fazendo afundar o euro. Esse cenário diminuiria 1,5
pontos percentuais o crescimento do planeta em 2011, o deixando em 2,8%.
Outros riscos são uma redução da demanda devido
a planos de ajuste fiscal "excessivamente profundos ou mal desenhados"
e o agravamento do setor imobiliário dos Estados Unidos, que ainda
não dá sinais claros de levantar a cabeça, explicou
a entidade.
O FMI recomendou aos países ricos que elaborem planos para pôr
suas finanças em ordem em médio e longo prazo, com metas
de redução de déficit durante vários anos,
baixas permanentes da despesa e reformas dos sistemas de previdência
e de saúde que lhes permitam economizar dinheiro público.
Enquanto isso, os países emergentes de alto crescimento foram
aconselhados a acabar imediatamente com as políticas de estímulo
econômico. Os que têm altos superávit comerciais e um
baixo nível de dívida devem, segundo o FMI, subir as taxas
de juros e deixar que suas moedas se apreciem. Nesse grupo estaria a China,
embora o organismo não tenha mencionado países específicos
em seu relatório.
Na recomendação à América Latina, os fundo
indicou que nações que recebem um alto volume de capital
estrangeiro deveriam reduzir o gasto público primeiro, para evitar
que um aumento nos juros faça crescer mais ainda o fluxo de dinheiro
externo que chega a seu território. (EFE/Invertia)
12.07 - Inflação muda de rota e desacelera em junho
Conjuntura: Preços ficam estáveis ao consumidor e apresentam
desaceleração disseminada na indústria
A tendência da inflação mudou em junho. Dois importantes
índices divulgados ontem - o IPCA, que mede preços ao consumidor,
e o IGP-DI, focado no atacado - recuaram fortemente em relação
aos números de maio e indicaram a possibilidade de a inflação
apresentar, no segundo semestre, um comportamento mais benigno. O Índice
de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou 0,0% pela primeira
vez em quatro anos e o IGP-DI ficou em 0,34%, bem abaixo do 1,57% de maio.
Esse duplo recuou colocou um ponto de interrogação sobre
o manejo da política monetária e abriu a possibilidade de
uma trajetória mais branda para a taxa básica de juros definida
pelo Banco Central.
Entre os sinais positivos que apareceram nos dois índices estão
a deflação de 0,9% no grupo alimentação e bebidas
(inflação ao consumidor), uma desaceleração
bastante disseminada nos preços industriais no atacado (cuja alta
recuou de 2,66% em maio para 0,42% em junho) e o índice de difusão
no varejo, que indica quantos itens registraram elevação
de preços no mês - em junho atingiu 57,3%, a menor desde outubro
de 2009 e a primeira abaixo do patamar de 60% no ano.
Os preços agrícolas no atacado, por outro lado, tiveram
variação maior entre maio e junho, passando de 0,19% para
0,46%, mas as matérias primas desaceleraram muito: de 8,1%, em maio,
para 1,5%, em junho.
Além da deflação em alimentos, todos os itens
pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), que calcula o IPCA, registraram queda frente a maio. Enquanto a
alta dos preços administrados caíram pela metade, de 0,33%
para 0,12%, os serviços perderam um pouco menos - dos 0,62%, em
maio, para 0,41%, em junho. O tombo foi maior entre os preços livres,
onde a alta próxima a 0,5% de maio se transformou em deflação
no mês passado. No ano, o IPCA já acumula 3%, acima dos 2,6%
de igual período em 2009, mas inferior aos 3,6% registrados em 2008,
quando a atividade estava aquecida.
Na avaliação dos economistas, a deflação
em alimentos deve permanecer neste mês. A oscilação
destes itens pode ser explicada por fatores extraordinários e sazonais,
diz Fábio Romão, economista da LCA Consultores. "No início
do ano, com o excesso de chuvas no Brasil e em países exportadores,
como a Índia, houve um choque de oferta em itens básicos.
Agora vemos uma devolução, pois a situação
se normalizou", afirma Romão, para quem o movimento é amplificado
por fatores sazonais.
Além disso, aponta o economista, a queda nos preços dos
automóveis novos e usados em junho indica que o consumo não
têm mais o ímpeto do início de 2010. Enquanto preço
do carro novo caiu 0,37%, o automóvel usado despencou 1,41% no mês
passado. "Muita gente tinha no horizonte a compra de um usado, mas adquiriu
um novo graças aos incentivos do governo", avalia. O IPCA zero de
junho fez a LCA rever sua projeção de inflação
no fim de ano - a projeção agora é de 5,1%, acima,
ainda, da meta de 4,5% do BC.
Para Salomão Quadros, coordenador de preços da Fundação
Getulio Vargas (FGV), que calcula o IGP, a inflação registrada
em junho já demonstra desaceleração dos preços,
principalmente durante a cadeia de produção, o que já
indica menor possibilidade de haver repasses de preços ao consumidor.
"Houve uma desaceleração bastante disseminada, bastante difundida,
tanto na fase industrial, como na fase de consumo. Talvez seja cedo para
o BC mudar a concepção do processo inflacionário,
mas é sinal de que atenuou um pouco a pressão inflacionária".
Ele acredita não haver redução de demanda, mas, sim,
maior capacidade de a indústria atender às necessidades de
consumo.
Para Tatiana Pinheiro, do Santander, e Felipe Insunza, da Rosenberg
& Associados, no entanto, os resultados de junho estão mais
para "pontos fora da curva". Segundo Tatiana, o fraco resultado da inflação
no varejo foi muito influenciado pelos alimentos. Descontados do resultado
final, o IPCA teria avançado 0,4% em junho. Além disso, diz
ela, o item de alimentação fora de domicílio teve
alta de 0,66%. "O tomate, a matéria prima, ficou mais barato. Mas
ele está mais caro no restaurante porque há mais pessoas
comendo fora de casa, uma vez que a renda está em alta", diz. Para
Insunza, o aumento no pedágio das rodovias paulistas e da tarifa
dos ônibus interestaduais, a partir de julho, deverão voltar
a pressionar os índices.
A perspectiva de que a inflação possa ter uma trajetória
mais benigna do que o projetado pelos analistas e, assim, influenciar a
política monetária, refletiu ontem no mercado futuro de juros,
negociado na BM&FBovespa, que ontem recuou. (João Villaverde
e Juliana Ennes - Valor Online)
12.07 - "O BC poderá elevar os juros para menos que 12% ao ano"
Para o economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges,
a desaceleração da inflação abre espaço
para alta menor da taxa de básica de juros (Selic).
O que chamou a atenção nos dados do IPCA zerado de junho?
O mais interessante é que não foi devido a um ou outro
produto. A desaceleração da inflação cheia
do IPCA foi acompanhada por uma desaceleração importante
também das medidas de núcleo. A média simples, que
estava em 0,59 ponto porcentual em maio, caiu para 0,35. Ou seja, houve
uma desaceleração relativamente generalizada entre vários
produtos.
Por que isso é importante?
Sinaliza uma tendência de convergência ao centro da meta
de inflação de 4,5% mais rápido que muitos analistas
imaginavam, o que tem implicações do ponto de vista de política
monetária. Alguns analistas que projetavam um IPCA de 6% no ano,
começaram a revisar suas projeções para 5,4%, 5,5%
,
Qual é a implicação na política monetária?
Em seu último relatório de inflação, o
Banco Central mostrava que, com a Selic subindo para 12% ao ano, a inflação
saia de 5,3% este ano para 4,6% no próximo ano. Agora, se a inflação
de 2010 fechar em 5%, por exemplo, será mais fácil chegar
a 4,6% em 2011. Isso indica que o BC poderá elevar os juros para
menos que 12%.
Qual a sua expectativa de alta na Selic?
A gente acha que duas altas de 0,75 ponto porcentual, com a Selic chegando
a 11,75%, já é suficiente para levar a inflação
para o centro da meta no ano que vem. (Marcelo Rehder - O Estado de S.Paulo)
08.07 - Demanda insuficiente e austeridade
Os países avançados continuam carentes de demanda. Nesse
ambiente, cortes rápidos no apoio fiscal fazem sentido se a política
monetária puder ser eficaz
O default fiscal é iminente, insistem as cassandras: arrependei-vos
e cortai gastos antes que seja tarde demais. Mas tenho uma pergunta: será
que acreditamos que os mercados são incapazes de estimar corretamente
o preço das coisas, até mesmo da dívida pública
nos maiores países avançados do mundo, que são os
ativos mais bem compreendidos e mais líquidos no mundo? Sugiro que
não. Os mercados estão dizendo algo importante.
Na segunda-feira, o rendimento dos títulos do governo do Tesouro
com maturação em 10 anos estava em 1,1% no Japão,
2,6% na Alemanha, 3% nos EUA e 3,3% no Reino Unido. Com base nos rendimentos
de títulos vinculados a índices, as taxas de juros reais
sobre empréstimos contraídos por esses governos estão
muito baixas (1,2% ou menos nos EUA, Alemanha e Reino Unido). Os investidores
estão dizendo que veem o risco de depressão e deflação
como maior do que o de inadimplência e inflação.
Por que deveria ser tão fácil financiar déficits
fiscais tão enormes, mesmo depois de os bancos centrais terem cessado
suas compras de títulos governamentais? Em resposta, apresento aqui
um cálculo que pode ser deduzido dos valores das balanças
em conta corrente e fiscal publicados no mais recente Panorama Econômico
da Organização para Cooperação e Desenvolvimento
Econômico (OCDE): prevê-se que o setor privado - famílias
e empresas - nos países avançados, deverão registrar
um excesso de rendas em relação aos gastos, neste ano, de
7% do PIB. Em números redondos, serão US$ 3 trilhões.
Nos EUA e na zona euro, o excedente privado pressuposto será de
aproximadamente US$ 1 trilhão, em cada caso. No Japão, são
aproximadamente US$ 500 bilhões. No Reino Unido, US$ 200 bilhões.
Concentremo-nos nos US$ 3 trilhões: esse é o montante
previsto para o incremento dos créditos líquidos do setor
privado nos países avançados, resultantes de sua exposição
a governos e a estrangeiros em 2010.
Aonde poderia ir esse dinheiro? Uma possibilidade poderia ser: para
os países emergentes. Poderíamos imaginar, por exemplo, que
os países avançados eliminassem seus déficits fiscais,
porém mantivessem esses superávits privados. Isso significaria
um superávit agregado em conta corrente de US$ 3 trilhões
(ou 7% do PIB). A região da OCDE se tornaria um mega-Alemanha. Os
países ricos estariam despejando capital nos mais pobres.
Na prática, porém, isso não acontecerá.
Longe de incorrer num déficit em conta corrente de US$ 3 trilhões,
as previsões são de que os países emergentes incorrerão
em superávits: a estimativa mais recente, do Institute for International
Finance (IIF), em Washington, é de um superávit agregado
de aproximadamente US$ 300 bilhões, dois terços dos quais
serão gerados pela China. Esse montante é menor do que dois
anos antes. Mas isso ainda significa que o mundo emergente será
um provedor líquido de capital para os países avançados,
e não o contrário.
Isso não é tudo. Segundo o IIF, o fluxo líquido
de fundos privados dos países desenvolvidos para os países
emergentes ficará em torno de US$ 700 bilhões neste ano.
Mas isso será quase inteiramente compensado por uma saída
oficial, mobilizando reservas em moeda estrangeira, próximas de
US$ 600 bilhões. Essas enormes intervenções oficiais
impedem o surgimento de de grandes afluxos líquidos de capital para
os países emergentes. Em vez disso, os setores privados dos países
avançados acumularão créditos líquidos junto
ao setor privado de países emergentes, ao passo que os governos
de países emergentes, em compensação, acumularão
créditos junto aos governos dos países avançados.
A conclusão é clara: não existe, atualmente, um
gigantesco fluxo líquido de fundos focado em passivos dos governos
dos países avançados. Naturalmente, alguns países
ainda podem entrar em dificuldades. Mas é completamente errôneo
afirmar que as dificuldades de uma Grécia ou de uma Espanha implicam
dificuldades mais à frente para os EUA ou mesmo para o Reino Unido.
O contrário é mais provável: fugir de riscos implica
fugir para algo menos arriscado. Qual é o ativo menos arriscado
para o investimento de gigantescos superávits financeiros privados?
A única resposta é: a dívida pública dos grandes
países avançados.
Esses fluxos de fundos consistem apenas de identidades. Então,
quais são os fatores causais? Talvez o colapso nos gastos privados
na esteira da crise financeira tenha sido causado pelo terror em face do
déficit fiscal por vir. Ou talvez a lua seja feita de queijo verde.
Também não há praticamente nenhum sinal de que o déficit
público esteja ocupando o espaço dos mercados de capital.
A hipótese plausível, então, é que os déficits
fiscais foram uma reação ao colapso do desejo de gastar do
setor privado impactado pela crise. A política fiscal poderia ter
sido mais apertada. Mas o resultado teria sido uma depressão.
Qual é, então, o futuro? Suponha que não haja
nenhuma mudança significativa de política econômico-financeira
nas economias emergentes. Então, para que uma contração
fiscal nos países avançados não provoque um desaquecimento,
ou até mesmo uma segunda recessão, ela precisa vir acompanhada
de uma escalada nos gastos privados.
O argumento tem de ser o de que maior confiança na sustentabilidade
das finanças públicas no longo prazo resultaria em maior
consumo privado e em gastos com investimentos agora, mesmo se não
houver efeitos significativos sobre os juros ou sobre o câmbio. Sou
extremamente cético em relação a esse argumento .
Mas admitamos que isso seja verdadeiro. Então, a melhor política
é desacelerar o crescimento de longo prazo dos gastos com foco etário.
Essa conclusão fica bem clara como resultado da discussão
das tendências fiscais de longo prazo no excelente novo relatório
anual do Banco para Compensações Internacionais (BIS).
Os argumentos em defesa de uma enorme contração fiscal
em curto prazo, porém, são frágeis. Sim, estamos desfrutando
de uma recuperação. Mas as economias ainda estão muito
abaixo dos níveis de pico de atividade e também abaixo de
quase qualquer estimativa plausível para a tendência de longo
prazo. Isso é particularmente verdadeiro nos EUA, onde as taxas
de desemprego dispararam bem mais do que em outros países avançados.
A menos que os EUA tenham repentinamente se convertido em Europa continental,
por que deveria o desemprego de equilíbrio ter subido tanto assim?
Minha conclusão, portanto, é que os países avançados
continuam extremamente carentes de demanda. Nesse ambiente, cortes rápidos
no apoio fiscal faz sentido se, e somente se, a política monetária
puder, ela mesma, ser eficaz e se expandir as partes da economia elásticas
em relação aos juros for a melhor maneira de sair do buraco.
Há razão para duvidar de ambas as ideias. Na cúpula
do G-20, no Canadá, os líderes comprometeram-se a "reduzir
à metade o déficit fiscal até 2013 e estabilizar ou
reduzir a dívida pública como percentual do PIB até
2016". Faria muito mais sentido, para os governos, concentrarem seus esforços
em alterar a trajetória dos gastos no longo prazo. Os governos podem
torcer para que os cortes de gastos agora impulsionarão os gastos
privados. Mas qual é o plano deles caso isso não aconteça?
(Martin Wolf - Valor Online)
08.07 - Recuperação econômica nunca é uniforme
O secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, afirmou durante
uma entrevista à rede de televisão PBS estar confiante na
recuperação da economia dos EUA, alertando que as cicatrizes
"profundas" da crise financeira precisarão de tempo para ser curadas
e que os períodos de recuperação econômica nunca
são regulares.
"Ainda vemos os efeitos duradouros da deterioração na
confiança das empresas e no sentimento das pessoas em relação
às próprias vidas. As pessoas ainda se sentem, compreensivelmente,
receosas, um pouco descrentes", disse Geithner. "Vimos uma parte das preocupações
com a Europa passarem pela economia americana", acrescentou.
Questionado sobre se a queda recente nos mercados de ações
o preocupa, o secretário disse que "tivemos um longo período
de melhora nos mercados. O preço dos imóveis ficou mais estável,
o valor da poupança das pessoas está crescendo de novo, e
isso é muito bom. É um sinal de maior confiança."
"E novamente, vocês viram e vocês sabem, as recuperações
nunca são uniformes nem regulares", afirmou Geithner. A autoridade
também disse que a economia dos mercados emergentes - em particular
a da China, a da Índia, a do Brasil e a do México - "está
muito forte agora" e que "a América é muito boa em produzir
as coisas que esses países precisam". (GUSTAVO NICOLETTA
- Agencia Estado)
08.07 - Consumo, crescimento e equilíbrio
O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro terá este ano a mais
expressiva expansão dos últimos 10 anos. O maior índice
de crescimento, 6,1% em 2007, será superado, devendo ficar em torno
de 7%, segundo estimativas de analistas e do governo. Caso o país
conseguisse manter esse nível nos próximos 10 anos, o PIB
dobraria no período. Um dos fatores preponderantes para o crescimento
da economia brasileira tem sido o consumo das famílias. Nos últimos
anos, a demanda vem se mantendo aquecida em parte por causa dos ganhos
reais dos rendimentos de um grande contingente que se beneficia de programas
da seguridade social, como o Bolsa-Família, que, só este
ano, conta com recursos que somam mais de R$ 13 bilhões, e os benefícios
previdenciários, que só no início de 2010 tiveram
um reajuste nominal de 10% frente a uma inflação ao consumidor
de 4% em 2009.
A seguridade tem sido importante para aquecer o mercado interno, mas
nada se compara com o que ocorre no mercado de trabalho e no crédito
à pessoa física. Na questão do emprego os dados do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que
desde março de 2002, quando a nova Pesquisa Mensal de Emprego foi
aplicada, o número de desempregados nas seis regiões metropolitanas
do país caiu de 2,6 milhões para 1,7 milhão em abril.
Os índices de desocupados despencaram, no período, de 12,9%
para 7,3%. Nesses cinco anos, o contingente de ocupados saltou de 17,3
milhões para 21,8 milhões e o rendimento real médio
mensal dos trabalhadores se elevou de R$ 1.359,81 para R$ 1.424,10. A massa
salarial desse grupo passou de R$ 23,5 bilhões por mês para
R$ 31,1 bilhões por mês. São R$ 7,6 bilhões
mensalmente, R$ 91 bilhões no ano, em recursos sendo aplicados no
consumo de alimentos, roupas, perfumaria e outros bens e serviços.
Vale repetir que esses valores estão expressos em termos reais.
No que se refere ao crédito para as pessoas físicas, os números
também são impressionantes. Em janeiro de 2001, o volume
de recursos para os consumidores equivalia a 5,6% do PIB e em abril foi
para 15,2%. O que não falta é dinheiro para financiar automóveis,
eletrodomésticos, imóveis, passagens aéreas etc.
O consumo está aquecido e os investimentos produtivos estão
voltando, depois da retração no ano passado. O resultado
foi o repique da inflação e a rápida deterioração
das contas externas. O nível de preços ao consumidor se descolou
do centro da meta de 4,5% para este ano e as transações correntes
do balanço de pagamentos, que, em 2005, foram superavitárias
em US$ 14 bilhões e, no ano passado, tiveram déficit de US$
24 bilhões, vão crescer e podem fechar 2010 com saldo negativo
de US$ 40 bilhões.
O Banco Central já começou a elevar a Selic e o governo
projetou cortar despesas para amenizar o impacto da demanda sobre a inflação.
Mas a maior preocupação refere-se ao rombo nas contas externas.
O que virá depois das eleições para reduzir o ritmo
de crescimento e diminuir a pressão sobre os preços e o balanço
de pagamentos deveria se pautar pela preservação do nível
de empregos, da renda e dos investimentos. O Brasil, mais uma vez, se vê
incapaz de crescer de modo robusto e sustentado com equilíbrio em
seus fundamentos econômicos. É uma equação difícil,
mas que poderia ter sido resolvida se o país tivesse feito uma reforma
tributária nos moldes do imposto único. (Marcos
Cintra - Estado de Minas)
07.07 - A grande lição
da crise
O mundo vive um grande momento de "mágica besta". A tragédia
financeira iniciada nos EUA foi produzida pela soma da concupiscência
do sistema financeiro e suas "inovações", com o tratamento
descuidado pelos governos que deveriam regulá-las. Antes que ela
tivesse terminado, somos atropelados por uma nova grave crise produzida
pela total irresponsabilidade fiscal dos mesmos governos. Em alguns casos,
em evidente conspiração com o mesmo sistema financeiro! Até
agora elas produziram mais de 30 milhões de desempregados, aumentaram
a pobreza e continuam a manter a economia mundial sob estresse e volatilidade.
Trata-se, obviamente, de obra conjunta dos "mercados financeiros" e
dos "governos". Não deixa de ser patético, portanto, imaginar
que o governo é o "salvador". Ele é tão culpado quanto
os patifes do mercado financeiro. Só pode salvá-los à
custa de recursos do setor privado produtivo graças ao seu poder
de império.
A "mágica besta" é que são a renda e o emprego
dos que ganham (ou ganhavam) a vida honestamente que estão pagando
a conta do governo "salvador". Nunca é demais lembrar um fato físico:
os governos não criam recursos. No máximo podem transferi-los.
Tomam de um setor produtivo e o transferem para outro, apropriando-se no
caminho de um pedaço para seu custeio...
Quando se olha de perto o que aconteceu não podemos deixar de
lembrar a célebre descoberta do velho Hegel na sua introdução
à "Filosofia da História": "O que a experiência e a
história nos ensinam é apenas que os povos e os governos
nunca aprendem nada com a história ou usaram princípios dela
deduzidos."
E, no entanto, é necessário aprender com a história
e tirar dela lições que reduzam a probabilidade de novo erro.
Essa lição não se circunscreve à necessidade
de construção de um sistema monetário e financeiro
hígido, estável e adequadamente regulado para financiar o
sistema produtivo e as inovações que são a base do
crescimento da produtividade do trabalho.
A crise mostrou a velocidade com que controles fiscais aparentemente
bem sucedidos podem deteriorar-se e ameaçar o equilíbrio
dos países. É preciso não esquecer: 1º ) que,
por bem ou por mal, o governo será sempre o instrumento de "salvação
de última instância" para enfrentar choques mais profundos,
tanto do lado da oferta como do lado da procura globais, usando recursos
que extrairá da sociedade; e 2º ) que o sistema de economia
de mercado tem ínsita uma tendência à flutuação
produzida ou por fatores físicos ou pelo comportamento dos seus
agentes. Esses são permanentemente tomados ou pelo entusiasmo e
propensão ao risco, ou pelo pessimismo, pelas incertezas e angústias.
A grande lição da crise é que a percepção
da existência de um sólido equilíbrio fiscal de longo
prazo e de uma apropriada relação dívida pública/PIB
(corretamente medida) são fundamentos do sucesso da boa governança.
São eles que dão ao governo a capacidade de cumprir bem o
seu papel no enfrentamento das crises de oferta ou procura globais.
O Brasil é um exemplo do sucesso dessa lição.
Desde a Constituição de 1988 vimos aperfeiçoando nossas
instituições fiscais (LDO, Orçamento Plurianual, LRF)
e monetárias (Banco Central operacionalmente autônomo, metas
inflacionárias, câmbio flutuante). É certo que elas
carecem ainda de profundos aperfeiçoamentos, principalmente o Orçamento
anual cuja receita deveria ser fixada por uma comissão composta
de representantes do Executivo e do Congresso e não passível
de ajustamento durante sua discussão. É preciso tornar, na
prática, impossível o aumento de despesas permanentes sem
um correspondente aumento também permanente dos recursos para financiá-las.
Não deixa de ser aterradora a verdadeira orgia de despesas recentemente
criadas sob pressão do processo eleitoral que assola o Congresso.
Não há dúvida que o Executivo andou cometendo manhosos
desatinos em matéria de política de pessoal da União.
Isso não deveria, entretanto, justificar o "espírito natalino"
que se apossou da coalizão do Legislativo e Judiciário. Na
base do vale-tudo, confundiu-se a absolutamente necessária independência
dos poderes como um salvo conduto para exageros salariais em harmonioso
desrespeito à realidade orçamentária. Mais do que
isso, o Congresso e o próprio Executivo não se cansam de
cometer fraquezas "ad hoc" de inspiração oportuno-populista
com graves consequências futuras, como restabelecer a trágica,
falaciosa e aparentemente "justa" correção "pelo salário
mínimo" para toda sorte de remuneração. O que se esquece
é que foi exatamente a desvinculação de outras rendas
ao salário mínimo que permitiu o seu importante aumento real,
para a mais rápida redução da pobreza e da desigualdade
obtidas no governo Lula.
Não pode haver dúvida que esses fatos comprometerão
o equilíbrio fiscal dos próximos governos. A busca do "benefício
eleitoral" que comanda o Congresso e o Executivo e leva à insensatez,
às vésperas dos pleitos nacionais, deve ser corrigido por
um dispositivo constitucional que proíba a discussão de qualquer
mudança na estrutura do governo e na sua remuneração
a partir de um ano antes das eleições, quando ainda há
esperanças de que lhes resta alguma lucidez... (Antonio
Delfim Netto - Valor Online)
07.07 - Crise econômica fragiliza principais governos da UE
Os líderes políticos europeus estão perdendo popularidade
e autoridade em casa, enquanto buscam soluções para a crise
da dívida da zona do euro e para as perspectivas de um crescimento
econômico raquítico.
Efeitos adversos da crise, junto com problemas domésticos, têm
atormentado governos em Berlim, Paris e Madri, e até mesmo afetado
a popularidade do premiê "teflon" da Itália, Silvio Berlusconi.
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, perdeu dois ministros
no domingo por causa de escândalos com despesas, justamente num momento
em que o apoio ao seu governo está em queda, acompanhando a desaceleração
econômica e as medidas de austeridade adotadas. A premiê alemã,
Angela Merkel, está lutando com dificuldades para mudar a percepção
de que seu governo, eleito no final do ano passado, está dividido
e sem rumo. E o primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez
Zapatero, está com dificuldades para aprovar cortes impopulares
no orçamento, sem uma maioria estável no Parlamento.
"Todos esses governos estão sendo forçados a fazer cortes
impopulares [de gastos] por uma crise financeira internacional que está
fora do controle das autoridades nacionais, e isso está prejudicando
a imagem dos governos", diz Jan Techau, analista de política internacional
do Colégio de Defesa da Otan, em Roma.
Os governos da zona do euro foram afligidos por uma série de
desafios econômicos, reforçados pela crise da dívida
grega e por suas consequências de um lado a outro da Europa.
Fortalecer as regras fiscais da zona do euro, reparar as combalidas
finanças públicas na região e melhorar a competitividade
econômica de alguns países implica realizar reformas há
muito adiadas nas leis trabalhistas e nos sistemas de benefícios
sociais.
Em toda a zona do euro, cortes de gastos e de subvenções
causam choques e provocam raiva e protestos dos sindicatos trabalhistas.
Escândalos e descuidos políticos enfraqueceram a capacidade
de alguns líderes europeus de convencer os seus cidadãos
de que medidas dolorosas fazem parte de uma estratégia para criar
uma economia mais forte no futuro.
Um alento para os líderes das principais economias da zona do
euro é que nenhum deles enfrentará eleições
nacionais antes de 2012 - e, no caso de Berlusconi, seus rivais políticos
continuam fracos.
No mês passado, o governo Sarkozy informou que vai cortar os
gastos públicos franceses em
Ontem, Alain Joyandet, o secretário de Estado para desenvolvimento
internacional da França, renunciou depois de admitir que contratou
um jato particular por € 116.500 para voar para o Caribe a negócios,
quando poderia ter pego um voo regular.
Christian Blanc, secretário de Estado para a região de
Paris, também pediu demissão depois de admitir que gastou
12 mil em dinheiro dos contribuintes para comprar charutos - e que fumou,
ele mesmo, um terço dos charutos. O governo determinou que ele deve
cobrir a despesa por completo.
Sarkozy está se mexendo para dar ao seu governo uma imagem mais
frugal, na tentativa de vender os cortes orçamentários. Este
ano, ele cancelou caçadas presidenciais e a tradicional festa de
14 de julho no jardim do Palácio do Eliseu. Embora ainda tenha dois
anos antes de tentar a reeleição, analistas dizem que ele
tende a suavizar as propostas quando a oposição popular fica
muito forte, e pode fazer isso de novo.
Na Itália, a taxa de aprovação de Berlusconi caiu
para 41%, ante mais de 50% no ano passado, por causa de escândalos
sobre questões pessoais e legais do premiê.
A coalizão de centro-direita de Berlusconi obteve uma vitória
convincente nas eleições regionais de março, mas,
desde então, cresceu o descontentamento com um pacote de austeridade
que prevê cortes de € 25 bilhões até 2012. Os
cortes propostos enfrentam resistência dos legisladores de centro-direita
e dos governadores regionais, assim como dos sindicatos trabalhistas.
Berlusconi sofreu um golpe na segunda-feira, quando seu ministro para
o federalismo, Aldo Brancher, renunciou apenas duas semanas depois de ter
sido indicado pelo líder italiano, em meio a acusações
de que estaria usando o cargo público para se proteger de um julgamento
por corrupção.
A premiê alemã Angela Merkel, no comando da maior economia
da Europa, também viu as taxas de aprovação caírem
para menos de 40%, ante mais de 50% no começo de maio, quando concordou
com o plano europeu para socorrer a Grécia. Antes disso, ela tinha
garantido aos eleitores alemães que a Grécia não precisava
ser resgatada.
A revolta popular dos alemães por terem de socorrer os países
em dificuldades no sul do continente machucou ainda mais um governo assolado
por disputas internas. Alguns políticos que participam da coalizão
de Merkel estão pedindo que a premiê exerça uma liderança
mais firme, alegando que o estilo discreto dela está permitindo
que surjam divisões e indisciplina.
Na semana passada, a coalizão precisou de três rodadas
de votação num colégio eleitoral para garantir a maioria
dos votos para eleger o seu próprio candidato à Presidência
alemã, Christian Wulff. Isso foi visto com um grande motivo de vergonha
para Merkel e como sintoma de um problema maior.
"Merkel não inspira, não provoca a união. Ela
não tem uma estratégia que não seja permanecer no
poder e fazer as coisas da melhor forma que conseguir", afirma Josef Joffe,
um importante cientista político e editor do jornal alemão
"Die Zeit".
Um dos líderes políticos mais fortes da Europa é
o primeiro-ministro grego, George Papandreou, cujo governo socialista tem
uma maioria indiscutível no Parlamento, ainda que por uma pequena
margem. Apesar de terem conseguido aprovar cortes profundos no orçamento
em meio a grandes protestos de rua, os socialistas gregos ainda são
mais populares que seus rivais, segundo as pesquisas.
Zapatero, o líder socialista espanhol, está parecendo
menos seguro desde que seu governo conseguiu aprovar em maio, no Parlamento,
cortes orçamentários por uma diferença de apenas um
voto. Ele garantiu ao público que novos cortes não seriam
necessários, mas a piora da crise da dívida na zona do euro
e a pressão de líderes da Europa e dos Estados Unidos o forçaram
a voltar atrás. Líderes de oposição acusaram
Zapatero de entregar a soberania econômica espanhola à União
Europeia.
Os sindicatos espanhóis convocaram uma greve geral para 29 de
setembro, para protestar contra as reformas de flexibilização
do mercado de trabalho.
A maioria da população espanhola elegeria o oposicionista
Partido Popular, de centro-direita, se as eleições fossem
hoje, segundo pesquisas de intenção de voto.
O próximo grande teste de Zapatero será o orçamento
da Espanha para 2011, que o Parlamento precisa aprovar até o fim
deste ano. O seu mandato de quatro anos termina no fim de 2012, mas alguns
analistas dizem que ele poderia pedir a antecipação das eleições
caso não consiga aprovar o orçamento. (Marcus Walker,
Sebastian Moffett e Jonathan House - The Wall Street Journal/Valor Online)
07.07 - Alemanha quer ser exemplo de austeridade para a Europa
A Alemanha quer servir, mais uma vez, de modelo para as outras economias
da Europa. E, para isso, reduzirá seu déficit público
nos próximos anos abaixo do que o previsto. Segundo um documento
do governo alemão, os novos números reforçarão
sua posição de defensor do rigor orçamentário
na região.
De acordo com as projeções para as contas públicas
nos próximos cinco anos, o déficit orçamentário
do Estado federal alemão será em 2010 de 65 bilhões
de euros (em torno de 81 bilhões de dólares), no lugar dos
80 bilhões de euros previstos anteriormente. A situação
se repetirá em 2011, ano para o qual se espera agora um déficit
de 57,5 bilhões de euros, contra 76,6 bilhões de euros projetados
anteriormente.
O déficit deverá reduzir-se de forma progressiva até
alcançar 24,1 bilhões de euros em 2014, conforme as metas
de saneamento das finanças públicas inscritos na lei federal.
A redução do déficit explica-se, em primeiro lugar,
pela extraordinária saúde do mercado de trabalho, que permitirá
à Alemanha economizar no ano que vem ao menos 10 bilhões
de euros destinados ao seguro-desemprego. O ministro da Economia, Rainer
Brüderle, fala inclusive de um milagre do emprego.
O índice de desemprego está atualmente em 7,5% na Alemanha,
onde as usinas, orientadas de preferência para a exportação,
trabalham a pleno vapor graças à reativação
da economia internacional.
Sustentado por essas boas cifras, o governo aproveita para, em seu
planejamento orçamentário, dar um pequeno sermão nos
outros países europeus. "Nos próximos meses, os países
da zona do euro - e os demais - deverão tomar definitivamente o
caminho da consolidação dos orçamentos estatais",
afirma o texto. "A Alemanha desempenhará nesse contexto um papel
de modelo na zona do euro", completou.
A questão poderá provocar tensão na Europa, já
que o objetivo adotado pela Alemanha irrita certos sócios europeus,
que prefeririam sustentar um pouco mais a reativação econômica,
ainda frágil. O debate não é apenas europeu: os Estados
Unidos criticam a austeridade alemã.
No entanto, os alemães podem encontrar respaldo em Jean-Claude
Trichet, presidente do Banco Central Europeu (BCE). Ele defende que, tendo
em vista a estabilidade no longo prazo, reduzir déficits e instaurar
políticas fiscais sustentáveis são fundamentais para
restaurar a confiança do mercado, que por sua vez estimulará
o crescimento.
"Estamos em um período em que é preciso administrar os
orçamentos com muita cautela. Você pode chamar isto de austeridade
se quiser, eu chamo de políticas fiscais rigorosas", declarou Trichet.
Parte das chamadas políticas fiscais rigorosas já está
surtindo efeito: o déficit do governo central da Grécia caiu
para 11,4 bilhões de euros (cerca de US$ 9 bilhões) no período
entre janeiro e junho, de 19,6 bilhões de euros no mesmo período
do ano passado, informou o Banco da Grécia ontem. Durante os seis
meses, as receitas orçamentárias ordinárias subiram
para 23,2 bilhões de euros (US$ 18,5 bilhões), de 21,7 bilhões
em euros no mesmo período de 2009. Os gastos orçamentários
ordinários caíram para 30,1 bilhões de euros (US$
24 bilhões), de 35,5 bilhões de euros nos seis primeiros
meses de 2009, acrescentou o banco central.
O ministro das Finanças da Grécia, George Papaconstantinou,
disse que a Grécia está no caminho para atingir sua meta
de déficit para 2010 e sugeriu que a economia poderá surpreender
com um desempenho melhor do que o esperado. Ele citou os números
divulgados pelo banco central, mostrando que o déficit orçamentário
atingiu 4,9% do Produto Interno Bruto (PIB) nos primeiros seis meses do
ano, superando a meta de 5,8% do PIB acertada com o Fundo Monetário
Internacional (FMI) e a União Europeia no memorando de entendimento
para obtenção do empréstimo de 110 bilhões
de euros.
No ano passado, a Grécia informou que o déficit orçamentário
estava em 13,6% do PIB, o qual pretende reduzir para 8,1% do PIB este ano.
"Estamos reduzindo o déficit como prometemos e o PIB pode não
registrar uma contração de até 4% conforme previmos",
diz Papaconstantinou. Mas, acrescentou, a receita orçamentária
cresceu apenas 7,1%, abaixo da meta de 11%.
Já o governo da Itália vai buscar um voto de confiança
para o seu plano de austeridade de 25 bilhões de euros, informou
a assessoria do primeiro-ministro Silvio Berlusconi. Ele vai orientar o
gabinete a pedir um voto de confiança no Parlamento. Berlusconi
e o ministro de Economia, Giulio Tremonti, estão avaliando propostas
para mudar o orçamento. (DCI)
06.07 - Ajuste nos países ricos vai segurar economia global
O ajuste fiscal nos países ricos deve tirar 1,25 ponto percentual
do crescimento econômico mundial em 2011 e atingir também
os emergentes, avalia a entidade que representa os maiores bancos do mundo,
o Instituto Internacional de Finanças (IIF).
Pelas projeções, o crescimento econômico do Brasil
cairá quase pela metade, de 7,5% este ano para 4,4% em 2011, coincidindo
com o primeiro ano do novo governo.
A análise dos bancos reforça a preocupação
de uma recaída na recessão que toma conta dos mercados nos
EUA e na Europa. Ou seja, a expansão econômica recente pode
ser mais temporária do que uma recuperação real das
economias ditas maduras.
Em 2009, os programas de estímulo lançados pelos países
desenvolvidos resultaram em 2 pontos adicionais no Produto Interno Bruto
(PIB). Já neste ano, terão efeito "neutro".
Mas, em 2011, a enorme virada de política fiscal, passando de
estímulos para forte redução de despesas e aumento
de impostos, deve contrair o crescimento econômico dos países
desenvolvidos de 2,5% para 1,8%, ou menos.
Na próxima fase do ajuste fiscal, de um lado estarão
os países forçados a medidas mais agressivas no curto prazo
por causa da capacidade limitada de financiamento, principalmente na zona
euro. E, de outro, os que tem acesso a financiamento, como os sete maiores
economias do mundo, e podem fazer um ajuste fiscal gradual em 2011-2012
e mais tarde.
Uma preocupação forte é com relação
aos EUA. A IIF calcula que o endurecimento fiscal vai tirar um ponto percentual
do PIB da maior economia do mundo. E prevê alta de impostos, corte
nas despesas e retirada de estímulos do American Recovery and Reinvestment
Act.
Além disso, deverá haver menos transferência de
recursos do governo federal para os Estados americano. O IIF cita crescente
temor de analistas quando ao risco maior de calote por governos locais
nos EUA em 2011.
Na zona euro, que reúne os 16 países que utilizam a moeda
comum europeia, analistas consideram que medidas fiscais anunciadas desde
maio podem exacerbar o já forte desemprego. Sem reaceleração
nas contratações de empregados, o ritmo na recuperação
econômica será inaceitavelmente lento. Alem disso, a fragilidade
dos bancos europeus está no centro das preocupações.
Nas economias emergentes, a fase de aceleração do crescimento
após a crise é dada, pelos bancos, como terminada, embora
o tamanho de qualquer desaceleração nos próximos 12
a 18 meses deva ser moderado, sobretudo comparado à situação
das economias desenvolvidas.
Todos os grandes emergentes têm desempenho melhor em 2010 em
comparação com 2009. Mas a China, com peso decisivo, deve
diminuir o ritmo dos investimentos públicos a partir do segundo
semestre, embora mantendo uma robusta demanda doméstica.
A expectativa de aumento mais moderado das exportações
chinesas a partir deste mês deve reforçar a relutância
do governo de Pequim, o que provavelmente limitará o ajuste do yuan
ou pode até fazer retornar a "tendência do pré-crise"
de moeda desvalorizada.
O IIF projeta para 2011 expansão chinesa de 9,5%, comparado
a 10% neste ano, o que implica desaceleração neste segundo
semestre; na Índia, de 8,1%, contra 8,6% neste ano; e no Brasil,
4,4%, depois dos 7,5% esperados para este ano.
Os dois países que mais inquietam investidores seriam Argentina,
com "modelo de crescimento insustentável" que deve se manter até
as eleições de outubro de 2011; e Venezuela, com "má
gestão, intervenções, erosão nos direitos de
propriedade privada e conflitos políticos que deixaram a economia
vulnerável a flutuações do preço do petróleo".
(Assis Moreira - Valor Online)
06.07 - Incerteza em alta
Para a economia mundial voltar a sustentar taxas elevadas de crescimento
será preciso reequilibrar relações entre os países
Depois da rápida recuperação nos últimos
12 meses, acumulam-se sinais de esgotamento e crescem os riscos de recaída
da economia mundial. O crescimento acelerado -com expansão industrial
superior a 10% desde o início do ano- esteve em parte ligado à
recomposição de estoques e, ao que tudo indica, perderá
força.
É um movimento natural que não deveria por si gerar preocupações
extremadas. Mas há outras incertezas no contexto atual: a crise
na Europa antecipou um aperto fiscal que só se esperava para 2011,
os EUA ainda patinam com baixa criação de emprego e a China
adotou medidas agressivas de controle no setor imobiliário.
Não está claro qual será a resultante dessas forças.
Algumas projeções alarmistas têm ganhado evidência:
nova recessão nos EUA, crise bancária na Europa, risco de
ruptura do euro e estouro do que seria uma bolha imobiliária chinesa.
A pronta reação dos mercados financeiros a essas previsões
só tem contribuído para aumentar a insegurança.
É cedo no entanto para acreditar no pior. Permanecem em cena
as indicações de solidez nas economias em desenvolvimento,
a liquidez de bancos e empresas é bem melhor que em 2008 e as autoridades
dos países ricos continuam atuando com vigor -na Europa, por exemplo,
espera-se avanço com os chamados testes de estresse nos bancos.
Cabe, no entanto, o alerta de que ainda não há um encaminhamento
satisfatório do que talvez seja a causa maior dos problemas atuais
na economia mundial: o crescimento global desequilibrado que se viu na
última década.
De um lado, estão os países que cresceram com consumo
excessivo e incorreram em pesados deficits externos, como os EUA, a Inglaterra
e a periferia da Europa. O resultado foi um grande endividamento do setor
privado e, desde o ano passado, dos governos que vieram em seu socorro.
De outro estão os que acumularam superavits externos por meio
de exportações e consumo interno baixo. A China é
o exemplo maior, com US$ 2,5 trilhões em reservas internacionais
e uma posição credora contra os EUA. A Alemanha, por sua
vez, também é credora dos outros países da União
Europeia. Mas, ao contrário da China, seu governo não acumulou
reservas. São seus bancos que detêm créditos contra
o restante da Europa e, agora, se veem ameaçados.
Esse modelo se esgotou, e os países devedores terão que
consumir menos e exportar mais por muitos anos. Em tese o problema poderia
ser resolvido se países credores fizessem o movimento contrário.
Caso não o façam, a chance maior é que o mundo permaneça
preso em uma armadilha de excesso de capacidade de produção,
falta de consumo e deflação.
Não havendo maior descontrole financeiro, como ainda parece
possível, há boa chance de que a desaceleração
econômica em curso seja moderada e que 2011 seja um ano positivo.
Mas a sustentação do crescimento global em nível alto
só será possível a médio prazo se houver um
reequilíbrio entre países e regiões. (Folha
de S.Paulo)
06.07 - Para acelerar o crescimento
Brasil fora da Copa, as eleições presidenciais logo chegarão
ao centro do noticiário. Adiantando, eis alguns pontos que merecem
atenção no que se refere ao modelo macroeconômico:
Metas de inflação ? o regime de metas funciona no Brasil
desde 1999, com bastante sucesso. A inflação, medida pelo
IPCA, roda em torno dos 4,5% ao ano, no centro da meta, e os juros reais
estão na faixa dos 5%, ante os 15% verificados no início
do regime. Já basta?
A resposta é não. A meta de inflação no
Chile, no México, na Coreia do Sul e na China é de 3% ao
ano, considerado um padrão mais adequado para emergentes de renda
média.
Assim, há três possíveis avanços que poderiam
ser implementados no regime de metas. Primeiro, colocar na lei a independência
do Banco Central. Hoje, há uma autonomia operacional concedida pelo
presidente da República, que, portanto, pode cancelá-la a
qualquer momento. Isso é um fator de incerteza ? e toda incerteza
leva a uma inflação mais elevada (e, pois, a juros mais altos).
A segunda mudança seria reduzir a meta e a margem de tolerância,
hoje de dois pontos para cima e para baixo. Assim, a rigor, a inflação
brasileira pode ir a 6,5% num ano, o que é muito elevado. Costuma-se
dizer que o Brasil tem a mais alta taxa de juros entre os países
importantes. Tem também a meta de inflação mais alta.
A terceira mudança seria um programa para eliminar as indexações
que ainda existem na economia brasileira, como as diversas modalidades
de correção automática de preços e contratos.
Dívida pública? A Dívida Líquida do Setor
Público (DLSP) está em torno dos 40% do PIB. Já foi
de 70%, de modo que houve uma notável redução. Mas,
entre os emergentes importantes, o padrão é de 30%. A Dívida
Pública Bruta, aqui, se aproxima dos 70% do PIB ? é também
mais elevada do que na concorrência.
Dívida elevada é uma das causas de juros mais altos.
Portanto, uma boa política seria estabelecer metas de redução
desse endividamento, nos dois conceitos.
O peso do Estado ? Também seria uma boa política a introdução
de metas de redução do peso do Estado na economia. Não
é preciso, dada a dificuldade política e jurídica,
demitir funcionários e fechar órgãos. Há alternativas:
por exemplo, de cada dois que se aposentam, contratar apenas um novo funcionário.
Ou estabelecer como regra que todo o gasto público cresce sempre
abaixo da expansão do PIB.
Paralelamente, é preciso aplicar programas de eficiência
na administração pública. O Brasil gasta com saúde
e educação a mesma coisa que gastam outros países
com melhores resultados.
Reforma tributária ? Políticas de redução
e controle de gastos públicos criam o espaço para a tão
sonhada reforma tributária, com o duplo objetivo de diminuir a carga
e simplificar o sistema. Hoje, é impossível falar em redução
de impostos diante de uma dinâmica de gastos públicos sempre
crescentes.
Investimentos ? É o ponto fraco da economia brasileira. Na média,
os países emergentes investem 28,5% ao ano, com destaque para os
asiáticos, normalmente acima dos 30%. Na América Latina a
média cai para 22,5% ao ano. E o Brasil? Neste século, o
melhor que conseguiu foi 20%, em 2000. A média de 2003/2008, até
a crise global, foi inferior a 17%. Por isso, o crescimento brasileiro
também está abaixo das médias global e latino-americana.
O Brasil tem uma propensão ao consumo, a começar pelo governo.
Estabelecer metas de investimentos públicos e privados é
possível, mas apenas em conjunto com políticas de redução
e controle do gasto público.
Petrobrás. Comentamos aqui, na semana passada, como o governo
Lula está impondo enormes tarefas e programas de investimentos à
Petrobrás, em alguns pontos contra a opinião técnica
da própria estatal. É o caso das três refinarias em
construção, ao mesmo tempo, em Pernambuco, Ceará e
Maranhão ? todas longe tanto dos centros de produção
de petróleo quanto dos principais mercados consumidores de derivados.
Para bancar todos esses investimentos, a Petrobrás terá
de se endividar e comprometer sua lucratividade atual. Além disso,
o governo vai capitalizar a estatal entregando barris de petróleo
"futuros", enquanto os minoritários terão de entrar com dinheiro
vivo.
Vários leitores comentaram. O e-mail abaixo, do leitor Davi
Lamas, resume bem a posição de minoritários descontentes:
"Gostaria de demonstrar meu profundo descontentamento diante dos inúmeros
erros que a Petrobrás vem cometendo. Obviamente, este e-mail pode
ser insignificante, mas acho interessante demonstrar o sentimento do acionista
minoritário, ainda mais diante do aporte do Oceano Atlântico
em troca de ações da empresa. Se não bastassem a questão
política, os gastos excessivos, a falta de planejamento, vejam o
plano de negócios patético da estatal, que comprometerá
a empresa no mínimo pelos seis próximos anos ? jogando no
lixo o lucro por ação, a rentabilidade, etc. Deveriam aprender
com a Vale, uma empresa preocupada com o acionista e que traz valor real
ao mesmo. É o contrário do que faz a Petrobrás, que
se tornou um sinônimo de má administração, ingerência
e falta de controle. (A capitalização a ser promovida pelo
governo tem sido definida como) "manobras de um país sem leis",
segundo sites de economia internacionais."
De outro lado, o próprio presidente Lula tem dito que a Petrobrás,
por ser estatal, deve mesmo agir como instrumento do governo na promoção
de investimentos no País. Essa seria sua função principal,
e não a distribuição de lucros aos acionistas.
O valor das ações da Petrobrás tem estado em queda,
refletindo tanto as preocupações dos minoritários
quanto as decisões do governo para a estatal. (Carlos Alberto
Sardenberg - O Estado de S.Paulo)
05.07 - Semestre: Ouro lidera ranking dos investimentos
Bolsa fica na lanterna
Forte aversão ao risco afastou investidores das ações
Pelo terceiro mês consecutivo, o Índice da Bolsa de Valores
de São Paulo (Ibovespa) ficou na lanterna do ranking dos investimentos.
Em junho, o principal índice da bolsa perdeu 3,35%. O ouro, por
sua vez, ficou no topo da listagem com valorização de 2,92%,
também pela terceira vez seguida. A repetição, segundo
especialistas, é por conta do aumento de aversão ao risco,
sobretudo nos investidores estrangeiros, ocasionada pelas turbulências
econômicas mais recentes. No semestre, o Ibovespa acumula queda de
11,16%. O ouro, soma alta de 19,52%.
"Ouro é investimento seguro e vai bem porque há incerteza
sobre os desdobramentos dos problemas europeus. A bolsa é outro
lado da moeda: há risco e as incertezas afastam os investidores",
explica Marcelo Guterman, professor de finanças do Insper (ex-Ibmex
São Paulo).
O cenário de queda na bolsa reforça, na opinião
de especialistas, que as ações devem ser encaradas como investimento
de longo prazo. "Cinco anos, no mínimo", diz o educador financeiro
Mauro Calil. Para quem se enquadra nesse perfil, a desaceleração
do Ibovespa configura um bom momento para entrar ou ampliar o valor investido
na bolsa. "É hora de começar a fazer compras gradativas,
conforme os preços continuem a se depreciar", sugere Fábio
Colombo, administrador de investimentos.
As duas ações mais líquidas do mercado acionário
brasileiro - Petrobrás PN e Vale PNA - recuaram mais que o Ibovespa.
Petrobrás PN caiu 9,26% e Vale PNA, 11,2%. A queda na cotação
da petrolífera, no entanto, não tem a ver somente com a baixa
do mercado, mas também à postergação da capitalização,
que estava prevista para ocorrer no início do segundo semestre.
Na segunda posição do ranking estão os títulos
indexados ao IGP-M, com rentabilidade de 0,85% em junho e de 5,68% no ano.
Especialistas recomendam a modalidade para diversificação
de portfólio.
Os investimentos de menor risco, como os fundos de renda fixa e os
DI, tiveram rendimentos de 0,71% e 0,63%, respectivamente, em junho. Esse
tipo de aplicação não é impactado pela turbulência
internacional, mas pelo comportamento da taxa básica de juros (Selic),
definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom)
do Banco Central (BC). "Quanto mais alta a taxa, melhor a rentabilidade
dessas modalidades", afirma Rogério Bastos, da consultoria FinPlan.
A alta nos fundos de renda fixa e DI roubam a atratividade da tradicional
caderneta de poupança, que mostrou rentabilidade de 0,56% em junho
e 3,23% no ano. "Quem está na poupança faz bom negócio
se mudar para um fundo DI", completa Bastos.
Os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) de até
R$ 5 mil tiveram o pior rendimento dentro da renda fixa, subindo 0,44%.
Por serem oferecidos a pequenos investidores, estes títulos costumam
ter taxas não tão atrativas. (Roberta Scrivano - O
Estado de S.Paulo)
02.07 - Mercado financeiro contribuiu para o crescimento econômico
O mercado financeiro possui um papel importante no crescimento econômico
do País, haja visto o grande montante movimentado por este segmento
durante os últimos anos, afirmou Marcelo Giufrida, presidente da
Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados
Financeiro e de Capital), durante abertura do seminário realizado
pela entidade ontem.
De acordo com dados fornecidos durante o evento, o mercado de renda
variável movimentou, até maio de 2010, mais de 20 milhões.
Com relação ao volume negociado em renda variável,
este montante é de cerca de R$ 14 milhões. Contudo, este
segmento registrou mudanças em seus valores negociados, como apontou
Alberto Kiarely, vice-presidente e coordenador do Comitê de Finanças
Corporativas da Anbima.
"Até 2007, 56% dos investidores realizavam operações
abaixo de R$ 1 bilhão, mas com a crise, em 2008, 80% das operações
eram superiores a R$ 1 bilhão, e até maio este total já
está em 77%, o que mostra que a liquidez é importante para
estes investidores. Mas nós acreditamos que, com a recuperação
da economia, podemos retornar aos resultados de 2007", afirma.
Outros dados importantes levantados pelo executivo são a predominância
dos investidores estrangeiros no mercado financeiro brasileiro (cerca de
2/3), e o crescimento da participação das pessoas físicas
nestas transações, atualmente em 5%. (Rosangela
Sousa - Executivos Financeiros)
02.07 - BC eleva de 5,8% para 7,3% a previsão de crescimento
O Banco Central elevou a previsão de crescimento da economia
em 2010 de 5,8% para 7,3%. O número está acima das estimativas
do mercado e da previsão oficial do Ministério da Fazenda.
A projeção de inflação para o ano também
subiu, para até 5,4%. Já a expectativa para 2011 aumentou
em relação a março, mas caiu em relação
ao estimado há três semanas, quando a taxa básica de
juros subiu para 10,25% ao ano.
Os dados fazem parte do Relatório Trimestral de Inflação,
divulgado ontem, que reforçou as expectativas do mercado financeiro
de que a instituição manterá a política atual
de aumento dos juros, que devem chegar a 12% no final do ano.
O diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton
Vasconcelos, afirmou que o país não pode crescer "a taxas
muito elevadas" considerando o nível dos investimentos.
Em relação à inflação, o BC fez
críticas indiretas às metas fixadas pelo CMN (Conselho Monetário
Nacional), de 4,5% até 2012. O diretor da instituição
afirmou que a taxa média de 4,7% verificada nos últimos seis
anos está acima dos 3% apontados pela teoria econômica como
um nível desejável para economias emergentes.
"Estamos afastados do conceito de estabilidade de preços", afirmou
Hamilton.
O Banco Central também diz no relatório que a política
de juros ganhou mais "poder" nos últimos anos devido ao aumento
da relação entre crédito e crescimento, entre outros
fatores. Ou seja, os aumentos da taxa básica têm efeitos maiores
sobre a inflação que há dois ou mais anos.
Para o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco Gonçalves,
isso não significa que o BC irá mudar o ritmo de alta dos
juros. Para ele, o crescimento acima de 7% e uma inflação
acima de 5% devem se confirmar. (Folha de S.Paulo)
02.07 - Controle da inflação exige dose menor de juros
A política de juros ficou mais poderosa e eficiente nos últimos
anos, refletindo algumas mudanças no perfil da economia brasileira.
A avaliação consta de um capítulo especial do Relatório
Trimestral de Inflação divulgado ontem pelo Banco Central
(BC), órgão responsável pela condução
da política monetária no Brasil.
O diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton
Araújo, afirmou que o maior poderio significa que, para reduzir
a taxa de inflação, o Comitê de Política Monetária
(Copom) precisa atualmente pesar menos a mão na taxa de juros do
que em 2006 e em 2008. Mas ele não quis se comprometer com movimentos
futuros da Selic.
"A mensagem que queremos passar é de que há uma tendência
de alta do poder da política monetária", afirmou. Questionado
sobre as interpretações de que o estudo sinalizava uma postura
mais gradualista na definição dos juros, Carlos Hamilton
se limitou a reiterar que o objetivo era só mostrar a tendência
dos últimos anos.
Crédito. De acordo com o BC, um dos fatores que amplificou a
potência da política de juros foi o aumento da quantidade
de crédito na economia. Para se ter uma ideia, entre janeiro de
2006 e março de 2010, o estoque de crédito com recursos livres
- que os bancos podem aplicar em qualquer segmento e cujo custo de captação
é referenciado na taxa Selic - passou de 18,8% do Produto Interno
Bruto (PIB) para 30,2% do PIB.
Com maior volume de financiamentos, é natural que os juros ganhem
um peso maior na atividade econômica. Ao elevar a Selic, o BC encarece
o consumo e os investimentos, adia ou cancela essas decisões e,
assim, diminui o ritmo de crescimento e segura a inflação.
E quando baixa a Selic, o processo se inverte.
O aumento no prazo da dívida, que também ocorreu nos
últimos anos, é outro fator que reforça o efeito riqueza
negativo ou positivo da política monetária, amplificando
sua potência.
Além desses três fatores, Hamilton também disse
que a maior eficiência da política monetária reflete
algo que não se pode mensurar: o ganho de credibilidade do BC nos
últimos anos. (Fernando Nakagawa e Fabio Graner - O
Estado de S.Paulo)
01.07 - Fiesp revê projeção do PIB deste ano de
6% para 7,5%
A Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo (Fiesp) revisou ontem sua projeção para o crescimento
do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deste ano, de uma alta de 6%
para um crescimento de 7,5%. "Se a nossa projeção se confirmar,
será a primeira vez desde 1986 que o País terá crescido
7,5% em um ano" disse o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos
Econômicos da Fiesp, Paulo Francini. A nova projeção
da Fiesp considera que a indústria como um todo deverá crescer
11,6% neste ano.
A indústria extrativa mineral, nas projeções da
Fiesp, terá alta de 11,8%. A indústria da transformação
e a construção civil devem crescer, respectivamente, 11,3%
e 12,6%. O PIB da agropecuária deve registrar alta, segundo a Fiesp,
de 5,7% e para o de serviços é calculado aumento de 5,2%.
O consumo das famílias, para a Fiesp, deve crescer 7,4% e o do governo,
2,8%. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) registrará
na avaliação da entidade elevação de 21,2%.
Para 2011, a Fiesp calcula um crescimento de 4,7% do PIB, de 4,3% da indústria
e de 3,8% da indústria da transformação.
Ainda de acordo com a Fiesp, as exportações devem somar
US$ 189 5 bilhões neste ano. As importações devem
totalizar US$ 177,6 bilhões e o saldo da balança comercial
deverá ficar positivo em US$ 11,9 bilhões. Por essas projeção,
as exportações devem ter alta de 23,9%, as importações
crescerão 39,2% e o saldo da balança comercial registrará
queda de 53%. Segundo a Fiesp, a indústria paulista deverá
crescer 13,5% e o emprego na indústria do Estado apresentará
alta de 5,6%. A produção física da indústria,
calculada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
deverá aumentar 15% e o emprego industrial, também calculado
pelo IBGE, deve crescer 5,7%. (Agência Estado)
01.07 - Economista espera nova melhoria no rating do País
"Podemos esperar um novo upgrade do Brasil, pois, quando se olha a
trajetória brasileira em comparação à de outros
países, é inequívoco o sucesso do País", avalia
a sócia da Galanto Consultoria e diretora do instituto Casa das
Garças, Monica Baumgarten de Bolle. O momento da elevação,
no entanto, pode esperar as eleições. "É um anúncio
positivo, mas não sei até que ponto esta mudança de
rating sairia tão tempestivamente. Pode ser, sim, que resolvam esperar
para ver um horizonte político mais bem definido."
A Fitch Ratings elevou, na segunda-feira, a perspectiva do rating do
Brasil de estável para positiva e reafirmou em BBB- a classificação
para moeda local e estrangeira de longo prazo. Para a decisão, a
agência citou a resiliência econômica do País
durante a recessão global.
Baumgarten de Bolle cita que o Brasil ainda tem desequilíbrios
importantes e que estão ficando maiores. "Um deles é o reflexo
da insuficiência de poupança e o impacto sobre nossas contas
externas que naturalmente estão se deteriorando", diz. A economista
também menciona que o ritmo do crescimento do crédito está
bastante elevado, o que pode ser perigoso. "Ainda não é o
caso do Brasil, mas todas as crises que estamos vendo pelo mundo são
resultado de excesso de endividamento, seja do setor público ou
do privado."
Mas, quando se compara a situação brasileira à
de outros países, a economista avalia que é difícil
dizer que o País não esteja tão bem quanto está.
"A comparação internacional mostra que a fragilidade dos
outros é muito evidente comparada à do Brasil."
Quanto à expansão econômica, assim como outros
agentes estimam, a analista concorda que o País já está
em superaquecimento. "Um sintoma evidente disso é a elevação
inflacionária que vimos nos últimos meses." Mas, continua
ela, o Brasil tem instrumentos para adequar o ritmo de crescimento à
realidade da economia. (Agência Estado)
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