29.07 - Defasagem nos honorários médicos
causa polêmica
Problema já levou profissionais a se mobilizarem no sentido
de pedir até mesmo o descredenciamento em massa dos planos e seguros
de saúde
Os baixos valores dos honorários médicos pagos pelas
operadoras de planos de saúde vêm causando polêmica
e provocando debates entre os representantes da categoria médica
de todo o país. De acordo com o Conselho Federal de Medicina, nos
últimos 11 anos, as operadoras de saúde elevaram em 136,65%
os valores das mensalidades para os usuários enquanto os médicos
receberam, em média, somente 60% de reajuste nos honorários.
No mesmo período, a inflação acumulada foi de 105%.
O CFM informa ainda que o problema já levou, inclusive, profissionais
a se mobilizarem no sentido de pedir até mesmo o descredenciamento
em massa dos planos e seguros de saúde em estados como São
Paulo, Acre, Alagoas, Rondônia e o Distrito Federal. (Saúde
Business Web)
29.07 - A competência contra a evidência
Infelizmente, em nosso país, os planos de saúde levam
a lógica do lucro às últimas consequências.
Para isso, contam com a medicina baseada em evidências.
Essa modalidade de medicina nasce, na década de 70, sob os auspícios
dos epidemiologistas britânico Archie Cochrane e canadense David
Sackett. Inicia-se, assim, um movimento em busca de evidências orientadoras
de condutas médicas.
Com essa nova orientação, a medicina baseada na experiência
do médico, no seu conhecimento científico e no respeito ao
paciente, é descartada. Em seu lugar, e para o interesse da indústria
farmacêutica e dos planos de saúde, entra a medicina por evidência,
uma anomalia da prática médica.
Esse novo caminho da ciência médica afasta-se da tradição
hipocrática e desemboca no campo dos experimentos clínicos
estatísticos e controlados, em que a análise do risco/benefício
não passa pelo paciente mas pelos possíveis prejuízos
de empresas prestadoras de serviços médicos. Essa criação
substitui a experiência e a capacidade de observação
do médico pelos diagnósticos e tratamentos padronizados com
base em dados estatísticos.
Os brasileiros, esfolados por impostos que não se transformam
em serviços públicos de qualidade, obrigam-se a buscar, fora
da rede pública de saúde, uma assistência médica
supostamente melhor que a oferecida pelo governo, mas tão precária
quanto a outra: a disponibilizada pelos planos de saúde, que fazem
dos usuários prisioneiros e vítimas.
Desgraçadamente, as pessoas imaginam encontrar um atendimento
de qualidade, em hospitais privados de ponta. Para a classe média,
a obtenção deste “atendimento diferenciado”, por conta do
seu alto custo, só pode se dar, via um plano de saúde. No
entanto, se alguém paga, com o sacrifício de outras necessidades,
um valor exorbitante por um plano de saúde, se depara com cláusulas
contratuais desfavoráveis.
Os contratos draconianos impostos por essas operadoras prometem aos
seus consumidores o que não podem cumprir. Honrálos significaria
abrir mão de lucros escorchantes, e empresários inescrupulosos
jamais fariam isso.
Em meio a esse contexto de lucro a qualquer preço, a medicina
baseada em evidências cai como uma luva para os desígnios
inconfessáveis dos planos de saúde. Com essa prática
médica, apoiada em estudos estatísticos, onde se distorce
o significado epistemológico de evidência, categoria fundamental
da ciência, surge o menosprezo à experiência e ao conhecimento
científico do médico. Segundo alguns críticos desta
medicina, a falta de evidência de benefícios e a falta de
benefícios não são a mesma coisa, e, quanto maior
o número de dados, mais difícil se torna comparar os resultados
dos pacientes apresentados pelo estudo com o particular paciente, cujo
problema médico criou a necessidade da pesquisa dos dados. A medicina
baseada em evidências contrapõese à medicina da competência,
porquanto os resultados da primeira não podem generalizar-se indiscriminadamente
a todos os segmentos da sociedade. Valoriza-se, então, a doença
e transformase o doente em um número.
A medicina que valoriza a clínica cede espaço às
condutas médicas com base em protocolos. O doente deixa de ser tratado
por um médico e passa ser tratado por um conjunto de regras e procedimentos,
desconsiderandose aquilo que caracteriza o indivíduo, que o distingue
dos demais, que é a sua individualidade.
Essa medicina da moda apresenta um forte viés de mercado. Por
isso, os planos de saúde, por exemplo, a Amil Assistência
Médica, são grandes defensores do método, porque almejam
a padronização dos atendimentos para a redução
de custos e controle sobre terapias e exames.
Com esse quadro desfavorável, muitos médicos começam
a questionar a medicina baseada em evidências. Ora, se o conhecimento
produzido por uma universidade deve ser submetido a uma análise
crítica, pois envolve conflitos de interesses, imagine o produzido
dentro de uma instituição voltada para o atendimento de convênios
que exigem “protocolos” de conduta médica, além de velocidade
na resolução dos casos.
Se faltam instrumentos eficientes, para criticarmos a ciência
médica nas condições normais, que dizermos das produzidas
nas novas condições exigidas pelo “mercado da saúde”?
O espectro da ganância e do desrespeito aos contratos ronda os usuários
dos planos de saúde. (Thelman Madeira de Souza - Jornal do
Brasil)
29.07 - Vai ficar mais fácil trocar o plano de saúde
No próximo mês a ANS, entra na fase final das mudanças
que têm o objetivo de beneficiar mais de 7 milhões de consumidores
brasileiros
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) facilitará
as regras para a portabilidade das carências em planos de saúde,
que é o direito do consumidor de mudar de convênio médico
sem esperar novamente até dois anos para receber determinadas coberturas.
A discussão sobre as principais mudanças está na reta
final, concentradas sobre a redução de prazos para esse direito
ser exercido e sua extensão para os usuários de planos coletivos
por adesão, como aqueles fechados através de um sindicato,
por exemplo. Isso significa a inclusão de 7,4 milhões de
pessoas no universo da portabilidade.
Nesta fase de debates, é importante que os usuários se
manifestem, o que pode ser feito, atualmente, através de entidades
envolvidas na discussão, como o Instituto Brasileiro de Defesa do
Consumidor (Idec). De acordo com a ANS, porém, no próximo
dia 24 ocorrerá o que o órgão espera ser a última
reunião sobre o assunto, que depois já vai ser posto em consulta
pública, o que normalmente é feito através do endereço
eletrônico da agência, o www.ans.gov.br.
A ANS foi muito pressionada pelo baixo exercício da portabilidade,
que começou a vigorar em abril do ano passado. Até o último
mês, o número de consumidores que solicitaram e de fato fizeram
a mudança de plano de saúde levando consigo a carência
para o novo convênio médico ficou próximo a 1.500.
A questão é que mais de 7,5 milhões de pessoas, potencialmente,
poderiam exercer esse direito.
A ANS informa que só haverá uma outra reunião
antes da consulta pública caso os membros da Câmara Técnica
da Saúde Suplementar – entidades de defesa do consumidor, operadoras
de planos de saúde, prestadores de serviços – insistam em
um novo encontro.
Atualmente, só quem tem plano individual ou familiar novo (a
partir de 1999) pode usar a portabilidade. Entre os pontos mais discutidos
e que devem ir à consulta pública, está a inclusão
dos usuários de planos coletivos por adesão, aqueles de pessoas
com vínculo classista, setorial ou profissional com a pessoa jurídica
responsável pelo plano, a exemplo de sindicatos ou conselhos profissionais,
como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A ideia é que eles possam
migrar para planos individuais.
Além da extensão do direto aos planos coletivos, um dos
assuntos mais discutidos foram os prazos menores para a portabilidade,
que poderia ser exercida durante quatro meses do ano, em lugar dos atuais
dois meses. Além disso, o tempo de permanência obrigatório
no plano de saúde de destino baixaria de 2 anos para 1 ano, após
a segunda portabilidade.
Entre outros pontos, também foi proposto o fim da obrigatoriedade
de migração entre planos de mesma abrangência geográfica,
seja nacional ou regional. (Jornal do Commercio-PE)