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03.07 - ANS: Caderno de Informação da Saúde Suplementar
Já está disponível para consulta e download a edição de junho do Caderno de Informação da Saúde Suplementar, publicação trimestral sobre o setor de planos de saúde editada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A seção Em Pauta, deste mês, traz o artigo "Rede de serviços de saúde segundo dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde", texto sobre a rede de prestadores de serviços de saúde instalada no Brasil e suas respectivas interfaces entre os setores público e privado.
Como novidades, o novo número traz o novo método para o cálculo dos dados relativos à utilização dos serviços de saúde, apresentados na subseção 4 que, a partir de agora, passa a ser denominada Cobertura de Planos Privados. A outra novidade, também na subseção 4, é a apresentação dos indicadores de atenção à saúde, selecionados para o monitoramento da prevenção e do controle de doenças de grande importância epidemiológica.
Consulte o Caderno de Informação da Saúde Suplementar - edição junho de 2009  no link:  http://www.ans.gov.br/portal/upload/informacoesss/caderno_informaca_06_2009.pdf    (ANS)

03.07 - Diagnósticos: Crescimento
O setor laboratorial registrou crescimento acumulado de 10% nos últimos 12 meses, segundo pesquisa da CBDL (Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial), entidade que reúne 40 empresas do setor de diagnóstico "in vitro".  (Guilherme Barros - Folha de S.Paulo)

03.07 - Médicos, pacientes e moderadores de apetite
O jornal do Conselho Federal de Medicina na edição de Jan/Fev 2009 publicou um artigo da psiquiatra Regina Coeli Martins Pinto, com o título acima. No referido artigo a Dra diz ser médica há 29 anos, diz nunca ter prescrito anorexígenos e defende a retirada sumária destes fármacos do mercado. Como médico há 36 anos e professor de Endocrinologia e Metabologia da Universidade Federal do Paraná há 34 anos, gostaria de contrapor esta opinião.
A obesidade é uma doença crônica, universal, de prevalência crescente e que vem adquirindo proporções epidêmicas alarmantes, sendo a doença metabólica mais comum e um dos principais problemas de saúde da atualidade. Estima-se que hajam no mundo mais de 1 bilhão de adultos com sobrepeso e mais de 300 milhões de adultos obesos. A prevalência da obesidade vem aumentando assustadoramente também em crianças.
A obesidade está associada a varias doenças muito prevalentes na sociedade moderna, tais como: diabetes mellitus tipo 2, doença cardiovascular, hipertensão arterial, dislipidemia, calculo biliar, esteatose hepática, gota, alguns tipos de câncer, osteoartrite, problemas respiratórios, alterações endócrinas e distúrbios psicológicos. A Organização Mundial da Saúde prevê que em 10 anos, dois terços das doenças serão atribuíveis a doenças crônicas associadas à obesidade.
Vários estudos com grandes populações , bem como estudos epidemiológicos menores, mostram a relação entre mortalidade e Índice de Massa Corporal (IMC), com uma aceleração no risco de mortalidade para IMC acima de 30. Vários estudos mostram também que uma perda ponderal de 5 a 10% melhora as co-morbidades e diminui a mortalidade.
A obesidade é uma doença complexa e de origem multifatorial, com influencias genéticas, hormonais, psico-sociais e ambientais. Havia um conceito errôneo de que a obesidade era conseqüência apenas da interação de hábitos alimentares errados e de falta de atividade física, ambos resultados de falta de vontade, personalidade e caráter do obeso. Com a descoberta da Leptina em 1994, este panorama mudou, a obesidade passou a ser ciência e hoje inúmeras substâncias (Ghrelina, CRH, POMC, Cart, TRH, NPY, Adiponectina, GLP1, TNF?, citocinas, resistina, visfatina, UCPs, PPARs, CCK) estão relacionadas a esta patologia. E, como na psiquiatria, a intrincada ação cerebral de algumas destas substâncias é que irão determinar maior ou menor fome/saciedade. Eu me atreveria a fazer um comparativo da obesidade com algumas doenças psiquiátricas, por exemplo, o individuo não tem síndrome do pânico porque quer e o obeso não é obeso simplesmente porque quer.
Concordo plenamente com a colega, quando diz que prevenção é o melhor remédio, mas infelizmente o aumento global da prevalência da obesidade mostra que estamos perdendo esta batalha, espero que não a guerra.
Concordo também que reeducação alimentar e atividade física são fundamentais e os vários consensos e diretrizes nacionais e internacionais dizem que drogas no tratamento da obesidade devem ser usadas apenas como parte de um programa que inclua dieta, atividade física e mudança comportamental. Dizem também que estes medicamentos podem ser utilizados como terapia de apoio em pacientes obesos (IMC>30) ou com sobrepeso (IMC>25) desde que hajam fatores de risco ou doenças associadas.
Concordo que o Brasil é um dos países que mais consomem drogas anorexígenas. A colega refere que na comunidade Européia e nos Estados Unidos o uso de anfetaminas é proibido, gostaria de esclarecer que o uso de anfetaminas também é proibido no Brasil. O que se utiliza no Brasil e também na maioria dos países citados, são derivados anfetamínicos que causam bem menos efeitos colaterais. No Brasil utilizamos anfepramona e fenproporex e nos Estados Unidos utiliza-se anfepramona e fentermina. Quando a Dra diz que “não é normal consumir anfetaminas, nosso cérebro produz gratuitamente, neurotransmissores (serotonina, dopamina, noradrenalina etc.) que regulam a nossa vida mental e funções básicas como sono, prazer, controle da fome , por exemplo”, eu perguntaria por que então os psiquiatras utilizam drogas serotoninérgicas, dopaminérgicas, etc.
Os anorexígenos, como todos os medicamentos, devem ser utilizados dentro de uma ética rigorosa. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Associação para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO), vem há muitos anos combatendo o uso indiscriminado destes farmacos e dentro destas sociedades eu tenho sido um ferrenho defensor do uso correto e ético destes medicamentos.
Como a obesidade é uma doença crônica de difícil tratamento e como o número de obesos só faz aumentar, houve um desvirtuamento no tratamento farmacológico desta patologia por parte de pseudo-endocrinologistas, a quase totalidade sem nenhuma formação endocrinológica. Vendo nestes pacientes um filão a ser explorado, estes médicos passaram a utilizar fórmulações magistrais emagrecedoras que chegavam a conter mais de 20 princípios ativos (doses abusivas de anorexígenos, diazepinicos, hormônio tireoidiano, diuréticos, laxantes, etc. etc.) que ocasionavam uma rápida perda de peso mas com sérios efeitos colaterais. Como não se priorizavam as mudanças de hábito de vida, estes pacientes, uma vez suspendendo o uso da fórmula, recuperavam todo o peso perdido e voltavam a aquele profissional em busca de nova formulação, tornando-se assim prisioneiros das mesmas. Acredito que este uso abusivo de formulações magistrais tenha sido o responsável pelos índices Brasileiros de consumo de anorexígenos e pela má fama dos mesmos.
A SBEM e ABESO sempre combateram a prescrição destas formulações magistrais e contavam que a resolução CFM 1477/97 que proibe a associação de moderadores do apetite com outras substancias, com a finalidade de tratar a obesidade, viesse a coibir esta má prática. Infelizmente o resultado desta resolução foi pífio e as formulações magistrais continuaram a ser prescritas.
Prescrevo anorexígenos há mais de 30 anos para os pacientes que realmente deles necessitam, de acordo com as Diretrizes Nacionais e Internacionais. Nosso objetivo com o emagrecimento é diminuir a morbi-mortalidade e acredito ter atingido este objetivo em inúmeros pacientes. Estes fármacos prescritos nas doses corretas, são eficazes, ocasionam poucos efeitos colaterais, tem um potencial de dependência muito pequeno e com certeza esta é a opinião da maioria dos endocrinologistas que tem experiência com o uso destes medicamentos.
Pelas razões expostas, defendo que estes medicamentos devem permanecer no mercado e espero que o controle mais rígido por parte da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a partir da resolução RDC 58 coiba os abusos e que o Brasil deixe de ocupar os primeiros lugares no uso destes fármacos.
“ O REMÉDIO MAIS UTILIZADO EM MEDICINA É O PRÓPRIO MÉDICO, O QUAL, COMO AS DEMAIS MEDICAÇÕES, PRECISA SER CONHECIDO EM SUA POSOLOGIA, EFEITOS COLATERAIS E TOXICIDADE” Michael Ballint – Psicanalista Inglês     (Henrique Suplicy - CFM)
 
 
 
 
 

02.07 - Abramge: Dicionário de Saúde Suplementar
A Associação Brasileira de Medicina de Grupo – Abramge desenvolveu o DASS – um glossário de palavras técnicas e específicas do setor.
O Dicionário Abramge de Saúde Suplementar busca facilitar ainda ,mais a informação precisa sobre um setor complexo e, em alguns momentos, com características muito peculiares.  O produto apresenta uma linguagem muito adequada para uso dos profissionais de imprensa.  Nssos cumprimentos pela iniciativa da entidade e seus profissionais.  (AssPreviSite)

02.07 - Rotinas médicas e conhecimento
Burns (Edward McNall Burns - História da Civilização Ocidental), já nós fazia entender que sempre é a “ força da grana que ergue e destrói coisas belas”
(Caetano Veloso, em Sampa).
A Economia da Saúde vive um dilema: ou os gastos se tornam previsíveis e controláveis ou a medicina privada entra em colapso, de modo semelhante ao sistema público.
Enfatizamos, sem estar inovando, que atitudes proativas de busca e seguimento de pacientes crônicos ou de risco para determinadas patologias, eficiência em todos os níveis do atendimento, resolutividade e prevenção dos problemas devem ser parte do Planejamento Estratégico. Questionamos o efeito perverso da portabilidade, que deverá extinguir todos os programas de medicina preventiva das operadoras.
Muitas ferramentas já estão construídas: Gestão Operacional, Inteligência Epidemiológica, Núcleo de Controle de Qualidade em Atendimento, mas quantas Empresas de Gestão de Assistência à Saúde têm adotado esses mecanismos no lugar de criar dificuldades de acesso ao atendimento de maior custo/complexidade, práticas que não são satisfatórias nem resolutivas?
De forma polêmica Clayton M. Christensen (Inovação na Gestão de Saúde) propõe que o atendimento do que seja conhecido e sequenciado, regido por rotinas e que não tenha risco implícito, pode deixar de ser realizado pelos médicos. Ressalto que não sugere que qualquer patologia que tenha Protocolos deva deixar de ser atendida por médicos.
Isto já está acontecendo nos Estados Unidos, onde o custo da hora/médico, e mesmo de hora/enfermagem tem um peso mais significativo que no Brasil.
Como exemplo consideremos uma Unidade de Hemodiálise, onde, no modelo americano, não existe a figura do médico. Sendo um tratamento de caráter crônico o processo da diálise é da enfermeira – com a ressalva que não existe o profissional técnico em enfermagem, ou auxiliar de enfermagem. Os casos agudos ou de risco são encaminhados para atendimento hospitalar. O médico atua em seu consultório, sem relação de contiguidade com a Unidade, atende os pacientes, dentro da rotina para as avaliações periódicas, recebendo pelo ato médico.
No Brasil temos como exemplo dessa tendência, reforçada pelo item custo, a atividade do profissional de Ortóptica incorporando funções antes exclusivas do Oftalmologista. Da mesma forma, a entidade de classe da Enfermagem vem reinvidicando e assumindo rotinas antes de exclusividade médica.
Este postulado pode ser aplicado no Brasil? Deve ser aplicado para outras atividades? Também de acordo com Christensen o médico deve permanecer apenas em três funções insubstituíveis:
1. Como consultor, com recursos em Telemedicina, atuando em Centros de Referência para casos não diagnosticados;
2. Em Hospitais, locais de atendimento que implicam em risco de vida;
3. Em consultórios próprios, de forma independente, retomando a atividade autônoma.
Não coloco isto como proposta, mas intencionalmente como um repensar das formas de utilização racional do recurso conhecimento, inerente a cada profissional, e de seu valor agregado no atendimento à saúde.
O que devemos pagar e quanto devemos pagar, perante as fontes limitadas e as demandas reais - e mais ainda as criadas! -, deve ser balanceado pelas diversas realidades, incluindo a efetividade do cuidado dispendido, isso sem desvalorizar o profissional detentor do saber através de um cruel leilão reverso.   (Anita Espligares Negrão Caldas - Blog de João Carlos Bross - Saúde Business Web)

02.07 - Congresso esbanja com planos de saúde
Pagamentos do Senado com planos de saúde de parlamentares, servidores e dependentes aumentaram 122%.
Depois da auditoria nos contratos com as empresas terceirizadas, o primeiro-secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), tem outra conta milionária em vista: as despesas médico-odontológicas da Casa. Entre janeiro de 2004 e dezembro de 2008, os gastos da instituição com a saúde de senadores, funcionários e dependentes subiram 122% — de R$ 29,1 milhões para R$ 64,8 milhões. A variação foi quatro vezes maior do que a inflação registrada no mesmo período, de 26%.
Medindo as palavras para não atravessar um assunto de competência da Presidência, comandada por José Sarney (PMDB-AP), Heráclito confirmou a intenção de auditar a área. “Esses valores chamaram mesmo a atenção. Vamos ter que dar uma olhada, sim”, disse ao Correio. Segundo os dados extraídos do Portal da Transparência do Senado, o desembolso total foi de R$ 222 milhões entre 2004 e 2008.
O plano de saúde da Casa tem lugar para todos. Além de parlamentares, funcionários e dependentes, ex-senadores e agregados têm direito a realizar consultas, exames e cirurgias com dinheiro público (leia mais ao lado). O atendimento se expandiu a tal ponto que existem hoje duas secretarias distintas para administrá-lo, SIS (servidores) e SAMS (senadores). O Senado reembolsa despesas médicas e adquire material e equipamentos hospitalares, farmacêuticos e odontológicos.
Questionada sobre a evolução das despesas médicas, a assessoria de Sarney informou que ele determinou um contingenciamento(1) desses gastos, limitando-os a R$ 25 milhões. Será uma tarefa difícil. A meta é inferior ao que foi gasto em 2004 (R$ 29,1 milhões). De lá para cá, a lista de beneficiados só aumentou. “Temos que revisar”, disse Heráclito, sem ter ainda uma ideia de quais ajustes poderiam se realizados no benefício para torná-lo mais econômico.
Os 81 senadores da ativa, 310 ex-senadores e seus pensionistas usufruem do sistema de saúde mantido pela Casa. Seis meses no exercício do mandato é o suficiente para fazer jus ao benefício. Os congressistas não desembolsam sequer um centavo para ter todas as despesas de saúde pagas. No caso dos parlamentares da ativa e familiares, inclusive, não há limite de gastos.
Além dos congressistas, há 18 mil servidores efetivos e comissionados, entre ativos e inativos, beneficiários do plano de saúde. Os funcionários em atividade e os inativos têm descontados, em média, R$ 260 por mês. O custo de cada servidor ao ano é de cerca de R$ 3 mil.
Intrigas
As informações sobre as despesas médico-odontológicas do Senado têm contribuído para acirrar as intrigas entre parlamentares e servidores do alto escalão. À tarde, num discurso inflamado de três horas, o líder tucano Arthur Virgílio (AM) pediu ao primeiro-secretário informações sobre a legalidade dos gastos realizados com o tratamento de sua mãe, que sofre de Alzheimer.
Virgílio acusa o ex-diretor-geral Agaciel Maia e aliados de vazar detalhes sobre essas despesas para atingi-lo politicamente. “Esse homem, até quando me acusa, não consegue fugir de dizer que praticou uma ilegalidade, porque, se liberou tratamento que não deveria ter liberado, ele praticou uma ilegalidade. Ou seja, ele quer me transformar em seu cúmplice”, disse.
Repasses sob investigação
A Procuradoria da República no Distrito Federal (PRDF) investiga a legalidade do pagamento de despesas médico-odontológicas a ex-senadores e seus dependentes nos últimos anos. A apuração foi aberta a partir de reportagem do site Congresso em Foco, que revelou gasto de R$ 1,6 milhões com assistência médica, psicológica e odontológica de 45 ex-parlamentares, além de seus familiares. Os procuradores pediram a Casa esclarecimentos sobre as regras que regem o ressarcimento dos desembolsos.
Editada em novembro de 2003, decisão da Mesa Diretora permitiu que ex-senadores no exercício de cargo público tivessem direito ao benefício. Dois tiveram ressarcimento superior a R$ 100 mil — Almir Gabriel (PA) e Moisés Abraão (TO). O ex-governador do Pará é o ex-senador que teve maior reembolso de despesas de saúde: R$ 144,8 mil, no total. Segundo informações de Gabriel, ele esteve internado duas vezes e usou o dinheiro público para custeou internações no Hospital do Coração, em São Paulo, e no Pró-Cardíaco, no Rio.
A decisão da Mesa também garantiu assistência médica vitalícia para o ex-diretor geral e o ex-secretário-geral da Mesa. Ela equiparou as duas funções à de ex-senador, com direito a atendimento vitalício de saúde na rede conveniada do Senado e a ressarcimento de despesas médicas, odontológicas e psicológicas.
Ainda segundo o Congresso em Foco, a medida beneficiou até agora apenas o ex-secretário-geral da Mesa Raimundo Carreiro, atual ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). De acordo com o Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), o ministro Raimundo Carreiro obteve ressarcimento de R$ 3.043 do Senado para cobrir despesas de saúde em 2008. Outro com direito ao benefício é o ex-diretor geral Agaciel Maia, afastado do cargo depois da denúncia de que omitiu uma mansão da sua declaração de renda. (MR)
Torneira fechada
Em fevereiro, ao assumir a Presidência do Senado, José Sarney (PMDB-AP) anunciou cortes realizados pela Casa para atingir a meta de redução de 10% no orçamento de custeio e investimento. A previsão inicial de gastos da instituição em 2009 era estimada em R$ 2,9 bilhões, dos quais 80% se referiam a despesas de pessoal. Sarney suspendeu obras orçadas em R$ 6 milhões e R$ 4,5 milhões em serviços gráficos.   (O Imparcial)

02.07 - Plano vai atender paciente de gripe
Hospitais privados vão passar a acolher os doentes, por causa da lotação do Emílio Ribas
A superlotação em pelo menos dois hospitais públicos de referência para o atendimento da gripe suína fez a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo convidar ontem unidades privadas da capital a atender pacientes que têm planos de saúde. No entanto, apesar de a pasta ter chegado a anunciar a imediata participação de onze hospitais, até o início da noite as unidades ainda definiam como e quando ocorrerá a participação - e uma desistiu. Procurados pela reportagem, cinco confirmaram o atendimento imediato.
Segundo a assessoria de imprensa do hospital Cema, na zona leste, a unidade não vai participar porque já tem uma alta demanda e poderia contribuir para a disseminação da gripe se implantasse o atendimento.
Questionada, a secretaria informou à noite que apenas os hospitais Albert Einstein, Sírio-Libanês, Samaritano, Oswaldo Cruz, 9 de Julho e São Luiz assinaram termo de compromisso de realizar o atendimento. Mas Sírio-Libanês, Einstein, 9 de Julho, São Luiz, e Samaritano confirmaram à reportagem o imediato atendimento dos casos. Os hospitais Sírio-Libanês e Einstein destacaram que já vinham atendendo pacientes.
“Vamos atender no pronto-socorro e da melhor forma possível”, afirmou Ruy Bevillacqua, diretor médico corporativo do São Luiz. Segundo o diretor clínico do Oswaldo Cruz, Pedro Renato Chocair, ainda é necessário definir áreas para atendimento e o fluxo dos pacientes. “Isso ainda não ocorreu, estamos na fase de montagem da infraestrutura.”
A reportagem não conseguiu ouvir ontem o hospital Beneficência Portuguesa.
A rede privada Diagnósticos das Américas, convocada a auxiliar nos exames de pacientes suspeitos, informou que ainda não tinha confirmação de que vai participar. O laboratório Fleury, também convocado, destacou que não há prazo para isso ocorrer. “O teste terá de ser desenvolvido pelo laboratório e ainda não há kits à venda”, informou Celso Granato, assessor de infectologia.
Segundo o Ministério da Saúde, a participação de unidades privadas não está prevista em seus protocolos que valem para todo o País, mas a definição da rede de referência é de responsabilidade do Estado. Atualmente, 18 hospitais públicos já compõem a rede de referência no Estado, 5 na Grande São Paulo.
O secretário da Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata, destacou ontem que exames poderão ser colhidos nos hospitais privados, que também estão capacitados a fazer internações, caso seja necessário. “Os hospitais vão receber os medicamentos assim como o Emílio Ribas (hospital público estadual) recebe.” O Estado de São Paulo tem 308 casos da doença.  (Emilio Sant’anna e Fabiane Leite - Jornal da Tarde)
 
 
 
 
 

01.07 - Recusas de planos de saúde causam polêmica
A falta de informações claras nas relações de consumo entre usuários e planos de saúde provoca controvérsias nos momentos mais delicados, justamente aqueles em que o paciente mais precisa da cobertura da operadora. Neste ano, até o dia 20 de junho, o Procon do Paraná registrou quase 900 atendimentos envolvendo planos de saúde. Desentendimentos acerca dos contratos lideram a lista de reclamações, com 27,5% das ocorrências. Em segundo lugar aparecem os problemas de cobrança e logo em seguida recusas de cobertura ou mau atendimento.
O funcionário público Joel Pons Reis, 30 anos, conta que teve dificuldades quando decidiu rescindir o contrato com a operadora logo após o nascimento de seu filho. “Tinha o plano apenas para a criança e pagava R$ 60 por mês, mas minha mulher recebeu um benefício de cobertura empresarial para toda a família, com outra operadora, praticamente pelo mesmo valor”, conta. Quando procurou a empresa Saúde Ideal para cancelar o contrato, Reis foi informado de que deveria pagar o equivalente a um ano de mensalidade a título de multa rescisória. “O contrato iria acabar dentro de três meses, por isso achei a cobrança injusta e abusiva. Fui ao Procon e pedi o cancelamento do plano sem o pagamento da multa”, relata. Em audiência, o órgão homologou um acordo entre as partes.
ANS quer que pessoas “leiam antes de assinar”
 A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), órgão federal que regulamenta e fiscaliza a atuação dos planos de saúde no país, iniciou uma campanha publicitária para estimular os consumidores a lerem atentamente os contratos antes de assiná-los com as operadoras. Com o mote “Ao assinar um contrato sem ler, o maior prejudicado é você”, a campanha ressalta a necessidade do consumidor refletir sobre o tipo de contrato mais adequado ao seu caso. Dessa maneira, acredita o órgão, as pessoas poderão exercer plenamente seus direitos, como o que garante a portabilidade das carências ou a cobertura de procedimentos específicos. O desconhecimento do setor de saúde suplementar entre a sociedade brasileira e a desinformação dos beneficiários de planos sobre as características previstas nos contratos impulsionaram a criação da campanha. “Em ambos os casos, o problema só é percebido na hora em que o beneficiário mais precisa, ou seja, quando depende de atendimento”, justifica a ANS. Toda a campanha direcionará o beneficiário para o site www.ans.gov.br, onde é possível encontrar mais informações sobre o setor de saúde suplementar. No endereço da internet, o consumidor também pode utilizar o Guia ANS de Planos de Saúde, para pesquisas sobre a portabilidade da carência de seu plano.
Justificativas devem estar no contrato
De acordo com o especialista em defesa dos direitos do consumidor nas questões envolvendo planos de saúde, Cristiano Heineck Schmitt, a obrigatoriedade de que certos procedimentos sejam feitos exclusivamente pela rede credenciada das operadoras tem uma fundamentação econômica.
Mas nem sempre é possível chegar a um termo amigável. O administrador de empresas Jorge Gustavo de Almeida Krüeger Neto alega que, desde que solicitou a cobertura dos custos de uma cirurgia de câncer de próstata, recebeu seis diferentes versões para a recusa dos procedimentos pela operadora Unimed. “Primeiro me disseram que meu plano não contemplava internamento ou atendimento em outras cidades. Mas pago R$ 892 por mês justamente para ter esse tipo de cobertura, já que passo a maior parte da semana trabalhando em São Paulo ou Porto Alegre”, diz.
Outro argumento para a recusa, segundo o usuário, foi o de que o médico escolhido para realizar a cirurgia não pertence à rede credenciada da operadora. “Disseram que era para eu mandar uma carta de próprio punho dizendo que eu arcaria com todas as despesas do médico, pagando em separado, e foi o que fiz”, alega. Depois o plano teria informado que o Hospital Osvaldo Cruz, em São Paulo, local escolhido pelo paciente para a realização da cirurgia, não era credenciado à operadora. “Fui atrás e confirmei que o hospital é sim credenciado. Recebi um e-mail da administração confirmando que a cirurgia poderia ser paga através da Unimed”, relata.
Entre uma questão e outra, até a véspera da data da cirurgia, realizada no dia 18 de junho, o paciente ainda não tinha obtido a liberação do procedimento. “Paguei o plano rigorosamente em dia, e quando precisei, a operadora simplesmente negou o pedido de internação com diversas desculpas”, reclama.
A Unimed Curitiba informa, através de sua assessoria de imprensa, que a negativa para o procedimento solicitado pelo paciente teve como base uma cláusula do regulamento do plano contratado, que diz respeito à escolha de um médico não cooperado. O usuário, no entanto, argumenta que no seu contrato não há restrição dessa natureza.
Para o advogado Cristiano Heineck Schmitt, autor do livro “Cláusulas Abusivas nas Relações de Consumo”, a Unimed não estaria incorrendo em irregularidade ao negar a cobertura na operação de Krüger Neto. “A obrigação do plano é garantir os melhores cuidados ao paciente. Garantindo-se o atendimento necessário com a mesma qualidade, o usuário não pode tentar imputar um atendimento por um médico não credenciado, escolhido por um critério pessoal”, avalia.
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) informa que entrou em contato com o beneficiário para confirmar os termos da denúncia e encaminhou o caso ao Núcleo Regional de Atendimento e Fiscalização do Paraná (Nuraf-PR). Segundo a assessoria de imprensa do órgão, a agência fez diligência junto à operadora com a finalidade de garantir a cobertura do beneficiário e instaurou processo administrativo para apurar o caso com a maior urgência possível.   (JL Online)

01.07 - Pediatras ameaçam boicotar planos no DF
Médicos que cuidam de crianças alegam receber pouco das operadoras pelas consultas. Em protesto hoje, eles cobrarão dos pais pelos atendimentos e prometem deixar de aceitar convênios em definitivo a partir de 15 de julho caso os valores não sejam reajustados Depois do fechamento de emergências e da redução do número de consultórios, os clientes dos planos de saúde podem ficar sem nenhuma opção de atendimento pediátrico. Em um movimento que reúne a maioria dos profissionais dessa especialidade, os médicos vão suspender todas as consultas pagas pelos convênios. O protesto, marcado para amanhã, foi a opção escolhida para negociar com as empresas um reajuste da remuneração pelas consultas. Na quinta-feira, o atendimento volta ao normal. Mas, se não houver um acordo até 15 de julho, os pediatras vão rescindir todos os contratos com as operadoras de convênio e cancelar definitivamente os atendimentos pagos pelos planos de saúde.
A negociação com as empresas começou em meados de abril, depois que o Correio denunciou a crise na pediatria dos hospitais e clínicas particulares (leia memória). Duas grandes unidades de saúde suspenderam o atendimento de emergência a crianças, lotando os hospitais que mantiveram a oferta do serviço. O argumento foi a falta de profissionais no mercado.
O presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria no DF, Dennis Alexander Burns, diz que a baixa remuneração é a principal causa da crise na especialidade. “Dizer que faltam profissionais é uma grande mentira. O número de pediatras em atuação na cidade passou de mil médicos, em 2000, para 1,6 mil neste ano. O problema é que a maioria não aceita mais o valor que os planos de saúde repassam por consulta, que varia de R$ 24 a R$ 40. Isso é menos do que as famílias gastam em uma visita a um pet shop”, critica Dennis.
Os pediatras exigem que os valores por consulta sejam os mesmos pagos pelo SIS, o plano de saúde dos servidores do Senado. Essa foi a única entidade que aceitou rever os honorários dos médicos dessa especialidade e dobrou o preço repassado por atendimento, de R$ 50 para R$ 100. Os médicos ainda apresentaram uma contraproposta, em que aceitavam até R$ 90 por consulta. Mas as empresas de convênios de saúde não deram resposta até agora, o que acirrou os ânimos da categoria e incentivou a paralisação.
Emergências
Amanhã, todas as consultas em hospitais particulares e consultórios serão cobradas. A proposta da Sociedade Brasileira de Pediatria é que o valor seja R$ 90, justamente o preço pleiteado pelos profissionais da área. Mas não há como garantir que quem já cobra acima desse valor reduza o próprio honorário. Os médicos vão atender por meio de convênios apenas os casos de emergência nos quais os pais não tenham condições de pagar pelo atendimento. O plano de saúde do Senado será o único aceito pelos pediatras durante o movimento.
A ameaça de uma suspensão definitiva dos atendimentos pelos convênios preocupa muitos pais. A dona de casa Gláucia Pedroso Guimarães, 33 anos, é mãe de dois meninos, Pedro, de 2 anos, e Samuel, de apenas 3 meses de idade. Ontem à tarde, as duas crianças fizeram uma visita ao pediatra. A mulher não sabia do movimento marcado para amanhã e teme não ter condições de garantir assistência médica aos filhos caso os pediatras rompam com os planos. “Tenho dois filhos, seria muito complicado pagar as consultas, além dos gastos que já temos com plano de saúde. Espero que isso seja resolvido”, afirma a dona de casa. 
Afinal, quem vai ficar com a conta?
Ministério Público orienta: os pais que, mesmo sendo conveniados a um plano, tiverem de pagar pelo atendimento médico de seus filhos devem pedir o reembolso do valor diretamente às empresas. O ressarcimento, porém, não será integral e pode até não ocorrer Quem precisar de atendimento pediátrico amanhã vai ficar no prejuízo. Nem todos os planos de saúde são obrigados a reembolsar os pagamentos feitos diretamente aos médicos. A maioria dos convênios deve devolver aos consumidores apenas os preços previstos em tabela — muito inferior aos R$ 90 que serão cobrados hoje por grande parte dos profissionais. Em alguns casos, não há sequer possibilidade de ressarcimento. Os pacientes podem recorrer à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) ou ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) para cobrar os seus direitos.
O promotor de Defesa do Consumidor Trajano Sousa de Melo acompanha há mais de quatro meses o caos na pediatria do Distrito Federal. Ele recebeu dezenas de reclamações de pais que buscaram atendimento em hospitais particulares, mas encontraram filas e muitas dificuldades. Trajano vê com preocupação a notícia da paralisação dos atendimentos por meio de convênios, prevista para amanhã. “Os médicos têm suas razões, que devem ser analisadas pelas empresas. Mas essa paralisação pode causar muitos prejuízos aos pacientes”, explica o promotor.
Trajano Sousa orienta os clientes de planos de saúde que pagarem por atendimento a pedir o reembolso (1) às empresas. O representante do Ministério Público destaca ainda que os próprios médicos podem ter problemas com o movimento. “Isso vai representar um descumprimento dos contratos com os planos de saúde e as empresas poderão cobrar dos pediatras os prejuízos que porventura tiverem”, finaliza.
“Absurdo”
O militar Roosevelt Torres, 36 anos, está preocupado com o impacto que a eventual suspensão do atendimento pediátrico por meio de convênios pode causar em seu orçamento. Pai de Vinícius, de 6 anos, e Amanda, 2, ele gasta R$ 800 por mês com plano de saúde para ele, os filhos e a mulher. “Não quero ter que pagar consultas pediátricas separadamente, já faço um investimento alto para garantir a saúde da minha família. Seria um absurdo”, diz o militar, que ontem precisou esperar na fila em um hospital da Asa Sul para conseguir atendimento para o filho mais velho, que sofria com mal-estar e vômitos.
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), responsável pela regulação dos serviços prestados pelos planos de saúde, informou que o ressarcimento de despesas depende do tipo de plano de saúde contratado pelo beneficiário. A agência informa ainda que, caso as operadoras não tomem providências, os beneficiários devem entrar em contato com a ANS para registrar a denúncia.
Assim como a pediatria, outras especialidades passam pela mesma dificuldade e podem apresentar falhas no atendimento em breve. Psiquiatria, reumatologia, clínica médica e geriatria são também exemplos de setores em que a consulta se resume, na maioria das vezes, ao encontro entre o médico e o paciente. Na cardiologia, por exemplo, os profissionais sempre solicitam procedimentos como eletrocardiograma ou testes de esforço. E eles representam uma remuneração a mais, o que compensa os baixos valores da consulta. “A consulta com o pediatra é mais longa e envolve toda a família, já que temos que conhecer desde o histórico da gravidez. É preciso que haja uma remuneração específica”, defende o pediatra José Marco Andrade.
1- FIQUE ATENTO
Para solicitar o ressarcimento das despesas com médicos, é importante guardar os recibos e as notas fiscais entregues pelos profissionais. Os clientes devem entrar em contato com o plano de saúde por telefone ou pessoalmente para apresentar a documentação e pedir o dinheiro de volta — somente nos casos em que isso é previsto em contrato. 
Negociações caso a caso
A maioria dos representantes dos planos de saúde não quis se manifestar sobre a paralisação de amanhã nem sobre a possibilidade de uma suspensão definitiva dos atendimentos por meio de convênio. A Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge) informou, por meio da assessoria de imprensa, que as negociações são feitas individualmente por cada empresa e que cabe às operadoras se manifestarem. A Amil e a Golden Cross também foram contatadas, mas ninguém dessas empresas quis comentar o assunto.
O superintendente da União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde (Unidas), Roberto Fontenele, critica a decisão de os hospitais fecharem as emergências por uma questão de redução de lucros. Ele destaca a dificuldade de reajustar a remuneração de apenas uma especialidade, o que poderia gerar descontentamento entre profissionais de outras áreas. “As operadoras não possuem apenas uma especialidade no seu escopo de atendimento. Nosso pensamento é fortalecer o atendimento em consultórios. Além disso, se todos os hospitais se comprometerem a atender a pediatria, o mercado ficará aberto e os profissionais serão devidamente remunerados”, destaca o superintendente da instituição, que reúne 35 entidades no DF, como os planos dos servidores da Caixa, do STF, da Petrobras e da Infraero. 
O problema se arrasta
O Correio denunciou o caos do atendimento pediátrico na capital federal em 14 de abril deste ano (reprodução). Desde novembro de 2008, duas unidades fecharam a emergência pediátrica, o Hospital Brasília, no Lago Sul, e o Prontonorte, na Asa Norte. Manter esses serviços ficou insustentável devido à remuneração repassada pelos planos de saúde. Como a maioria das consultas pediátricas não exige exames extras, os ganhos dos hospitais eram ínfimos.
Na época, as unidades negaram que os valores pagos pelos convênios haviam causado o fechamento. O Hospital Brasília argumentou que a decisão era uma estratégia para investir nos procedimentos de alta complexidade. Já o Prontonorte afirmou que a ideia era concentrar a pediatria no Hospital Santa Helena, que fica ao lado e é do mesmo proprietário.
A medida tumultuou as emergências que mantiveram as portas abertas. Pais e mães com filhos doentes têm que esperar até três horas na fila por uma consulta.    (Correio Braziliense)

01.07 - Febre alta
O salário de um motorista do Senado que dá expediente como mordomo em ilustres casas particulares é de R$ 12 mil, enquanto um médico pediatra ganha o inicial de R$ 3.600 mensais por semana de 20 horas na rede pública do DF e em torno de R$ 4.200 entre consultas particulares e cobertas por convênios.
Mas não é essa comparação que irrita os pediatras, até porque o sistema de saúde do Senado, o SIS, é o único convênio que paga R$ 100 pela consulta. É mais que o dobro do pago pelos planos de saúde -R$ 24 a R$ 47. Muito pouco para uma responsabilidade bem maior do que cuidar do carro, da copa e da cozinha de Suas Excelências e para cobrir aluguel, secretária, telefone, água, luz e transporte.
Os pediatras do DF fazem protesto amanhã contra os planos de saúde que pode se multiplicar pelo país. Vão atender normalmente na rede pública, mas se recusar a receber guias de convênios na privada. A ideia é cobrar R$ 90 e sugerir que os pais reclamem reembolso.
Quem tem filhos sabe como o pediatra é amigo, confidente, professor, consultor. É para quem você liga três vezes de dia e mais uma de madrugada quando a criança tem 40C de febre ou não para de chorar. Não raro, uma consulta paga se desdobra em várias grátis, a título de "retorno". Todas longas.
Apesar de ser uma área tão nobre, os médicos começam a reagir à pediatria. Só 23 das 47 vagas de residência nessa área no DF foram preenchidas neste ano.
Os hospitais particulares começam a ter problema para manter a escala de pediatras e o pronto-socorro na especialidade. Em Belo Horizonte, consta que 90% dos 50 já não têm. Em São Paulo, metade dos 178 também não. Em Brasília, dois grandes hospitais acabam de anunciar o fim da emergência pediátrica. Socorro!
Que tal gastar menos com motoristas de senadores e mais dinheiro público e dos planos de saúde com os pediatras das crianças do Brasil?   (ELIANE CANTANHÊDE - Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

30.06 - A saúde do sistema
O mercado de plano de saúde está estagnado desde 2002 e várias operadoras já estão falidas
O Brasil tem um sistema híbrido de saúde. Desde 1988, além do Sistema Único de Saúde (SUS), tem um sistema complementar privado, que agrega as operadoras, seguradoras e planos de saúde. De caráter suplementar, foi desenvolvido para suprir deficiências da rede pública e para atender melhor aos diversos públicos existentes, cada um com seus mecanismos. O país tem 50 milhões de usuários de planos de saúde, o que corresponde a 27% da população, atendidos por 1,5 mil operadoras. É do bom funcionamento de ambos os sistemas que depende a saúde do brasileiro, por isso, é responsabilidade dos cidadãos cobrar pelo zelo no trato com os dois sistemas. Não é difícil encontrar defensores do SUS – todos certos. É dever do Estado (art. 196 da Constituição Federal) assegurar tratamento de qualidade, gratuito e universal aos habitantes, mas para isso o sistema deve funcionar e a rede privada ter fundamental importância nesse processo.
Continuamente, nos defrontamos com denúncias de usuários de plano de saúde contra as operadoras, de prestadores de serviços contra as operadoras e, por sua vez, destas contra usuários e prestadores. Na arbitragem dessas questões, está a Agência Nacional de Saúde (ANS). Sem dúvida, o usuário deve sempre ser o foco central de atenção e cuidado, mas, para que ele seja bem atendido, é necessário assegurar, em primeira instância, a sobrevivência financeira dos planos. E algumas das recentes decisões da ANS têm agido em sentido contrário desse objetivo. A mais recente norma da ANS, promulgada em 2008, aumentou sensivelmente o leque de coberturas, desrespeitando contratados, incluindo novos procedimentos e tecnologias e, inclusive, outros profissionais da saúde não médicos, sem, entretanto, permitir reajustes compatíveis para coberturas de todos esses procedimentos. Cem procedimentos foram incluídos e outros 126, considerados obsoletos, deixaram de constar do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS, que passou a listar cerca de 2,9 mil itens.
Esse aumento de custos sem a devida autorização para a cobrança de reajuste significa grande dificuldade financeira para os consórcios, que já enfrentam outros obstáculos, como os com os compradores de serviços, que tentam a todo custo diminuir os seus gastos, retardando o pagamento das contas e realizando outros tipos de ações protelatórias. Algumas dessas ações são a não autorização para prorrogação de internamento de pacientes, a utilização de tabelas próprias de material e medicamentos, a compra direta de órteses, próteses e material especial sem o devido pagamento legal da margem de comercialização aos prestadores, entre outros. Um dos principais problemas que os hospitais têm enfrentado ultimamente é a dificuldade de mobilizar especialistas em diversas áreas para atendimento dos pacientes no ambiente hospitalar. Esses profissionais alegam que os honorários pagos pelos prestadores pela visita hospitalar estão defasados e que, por esse motivo, não estão dispostos a realizar tais serviços. A Federação Brasileira dos Hospitais (FBH) vem lutando para que a tabela do SUS seja reajustada e as instituições privadas também consigam sair de uma crise já instalada há anos.
Podemos prever o impacto danoso que essas decisões podem acarretar no sistema de saúde complementar do brasileiro. Apenas 256 planos dos 1.577 mil detêm 80% dos beneficiários e 12% assistem a 80% do universo de usuários, enquanto que 88% deles são responsáveis por apenas 20% dos beneficiários. Dessas operadoras existentes no Brasil, 70% têm menos de 10 mil usuários, o que inviabiliza sua sobrevivência no mercado atual. Outro dado significativo é quanto ao tipo de plano predominante: 73% dos planos são do tipo coletivo e 21% individuais. Também foi observado nessa pesquisa que 80% das pessoas com renda maior que 5 salários mínimos têm algum plano de saúde e que o limiar está na faixa de renda entre 2 e 3 salários mínimos, em que ficou demonstrado que 57% das pessoas tinham plano de saúde. Quanto aos que ganham menos de 2 salários mínimos, 80% são dependentes exclusivamente do SUS.
O mercado de plano de saúde está estagnado desde 2002 e várias operadoras já estão falidas e trabalhando no vermelho. Em face da nova norma baixada este ano, este quadro tende a se agravar. É de temer as determinações da ANS e a falta de amparo e acesso às reivindicações da rede hospitalar privada e dos planos de saúde nacionais. Com o colapso dos consórcios não há vencedores. Os 50 milhões de usuários de planos precisarão ser absorvidos pelo SUS, que já não comporta com qualidade seus milhões de usuários. É preciso que a ANS mantenha sua defesa dos pacientes, mas viabilize a atuação do sistema complementar e que cada brasileiro entenda que nosso sistema não funciona de forma concorrente, sistema público versus sistema privado. Temos uma parceria para atender de forma complementar a todos os cidadãos em seu direito pela saúde e pela vida. E precisamos de todos os parceiros saudáveis.    (Francisco José Santiago de Brito Pereira - Estado de Minas)

30.06 - Reajustes ainda geram reclamações
Levantamento do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) mostra que os reajustes dos planos de saúde são a principal causa de reclamação no órgão. A polêmica é ampla e atinge também os contratados fixados depois da Lei 9.656/1998. Nesse caso, os reajustes ocorrem uma vez ao ano, seguindo o índice estabelecido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que este ano foi de 6,76%, e também na mudança de faixa etária. Já os planos antigos devem seguir os percentuais previstos nos contratos. O aumento por faixa etária, que varia de 0 até 70 anos, também acontece nessas coberturas.
José Geraldo Tardin, presidente do Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (Ibedec), lembra recente decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), que, no mês passado, anulou o reajuste da consumidora Francisca do Carmo, de Brasília. Ela tem um plano de saúde contratado após 1998. Ao completar 60 anos, foi surpreendida com um reajuste de 89,65% nas mensalidades. A prestação, que era de R$ 454,38 em outubro de 2008, saltou para R$ 768,07. Tardin lembra que neste caso o reajuste feriu o Estatuto do Idoso e as regras da ANS, que vetam reajustes da última faixa etária superiores a seis vezes o valor da primeira faixa.
A coordenadora da Pro Teste (entidade de defesa do consumidor), Maria Inês Dolci, reforça que os reajustes não podem impedir a permanência do consumidor no plano de saúde. A dica para os usuários que têm contratos antigos é conhecer as cláusulas. A Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge) defende a adaptação. No entanto, para muitos usuários a medida é inviável devido ao alto custo que os contratos podem atingir. Como o setor de saúde suplementar não era normatizado, existem desde planos com boas coberturas até aqueles que trazem cláusulas reconhecidas pela Justiça como abusivas, por exemplo, a limitação das internações por tempo e valores.
Entidades de defesa do consumidor orientam que o usuário deve fazer uma análise, avaliando quando a adaptação é interessante e viável. Migrar pode ser mais complicado. Como os planos antigos não estão incluídos na portabilidade, é preciso cumprir novas carências.    (UAI)

30.06 - Laqueaduras feitas pelo SUS dobra em 5 anos
O número de laqueaduras feitas pelo SUS (Sistema Único de Saúde) dobrou nos últimos cinco anos, de acordo com dados do Ministério da Saúde.
Em 2003, foram realizadas cerca de 31,2 mil cirurgias -esse número chegou a quase 62 mil no ano passado.
Para a pesquisadora Suzana Cavenaghi, o aumento do número de laqueaduras registradas no SUS se deve à ampliação na rede de hospitais credenciados pelo Ministério da Saúde para fazer o procedimento.
Antes, de acordo com ela, as mulheres ou faziam o serviço na rede privada ou os hospitais não registravam a operação.
A laqueadura só é permitida em mulheres maiores de 25 anos ou, pelo menos, com dois filhos vivos.
É preciso cumprir um prazo de 60 dias entre a manifestação da vontade e a cirurgia, período em que é previsto um aconselhamento por uma equipe multidisciplinar.
A legislação também prevê a possibilidade de laqueadura nos casos em que a gravidez represente risco de vida ou de saúde para a mulher, no caso de pessoas mais jovens.
Trinta anos
Quase a metade das mulheres que opta pela laqueadura está na faixa dos 30 anos, segundo os dados referentes ao ano passado. Como biologicamente as mulheres têm tempo mais curto para ser mães, somente 7% das pacientes que passam pela cirurgia estão na faixa dos 40 anos.
A bancária Maria Rita Ribeiro, 41, resolveu "encerrar" a família aos 37 anos, quando teve o segundo filho.
"Cheguei a pensar em engravidar novamente, mas, como estava perto dos 40 anos, optei por parar. Não queria correr risco maior, por conta da idade", contou.   (Folha de S.Paulo)
 
 
 
 
 

29.06 - Gestores de saúde
Todo serviço em saúde é uma unidade organizacional multifacetada onde circulam profissionais de várias áreas e com diversas experiências. É palco de atitudes, sentimentos e comportamentos divergentes, tornando-se espaço para a ocorrência de tensões, sejam nas relações humanas, sejam nas relações com a instituição. As instituições de saúde estão enquadradas no restrito grupo de organizações cuja finalidade contribui para a estabilidade e segurança das comunidades. Para atingir seus objetivos, é necessário conciliar a qualidade da prestação de serviços com a satisfação dos clientes e parceiros. Devido à natureza complexa da sua atividade, a qualidade dos gestores é essencial para levar a bom termo as relações com pacientes, profissionais de saúde, equipe de administração interna, comunidade e as suas fontes de recursos através da gestão dos seus ativos. Nos últimos anos, as instituições hospitalares têm buscado incessantemente a excelência no desempenho, investindo cada vez mais em equipamentos tecnologicamente avançados, melhoria nas técnicas de tratamento e atendimento ao paciente.
Do ponto de vista organizacional, o sistema de saúde e os hospitais precisam implementar novos modelos de gestão para enfrentar os desafios representados pela manutenção de equipes de profissionais de saúde e administração capacitadas, eficientes e motivadas; pelos custos administrativos, de materiais e equipamentos crescentes, dificuldade de acesso a recursos para investimentos em atualização e inovação, atendimento aos marcos regulatórios cada vez mais rigorosos; pela competitividade crescente para se diferenciar no mercado e conseguir a fidelização dos clientes; entre outros desafios sazonais, como os decorrentes dos reflexos da crise financeira internacional em curso. Profissionais capacitados e empreendedores são parte da solução e resposta para enfrentar esses desafios. O mercado, influenciado pelos enormes desafios a vencer, cada vez mais necessitará de pessoas com a melhor formação. É o efeito transformador que as crises trazem dentro de si.
Oportunidade para aqueles que buscam um campo profissional no qual poderão exercer seus talentos e para as organizações e serviços de saúde que precisam aprimorar seus processos de gestão. O curso de gestão hospitalar, como parte do conjunto de estratégias de sustentabilidade empresarial, apresenta currículo voltado especialmente para esse segmento empresarial. As disciplinas cobrem todo o espectro da gestão de processos na área de saúde através de disciplinas como comportamento organizacional, gestão de negócios, custos hospitalares, gestão de planos de saúde, hotelaria hospitalar, administração de serviços assistenciais, planejamento estratégico, gestão de marketing e outras. Alunos, ainda em curso, têm promoção funcional e salarial devido ao aumento da escolaridade, maior solução de problemas administrativos, gerenciamento de custos, evitando desperdícios, e principalmente através da atitude de liderança.  (O Tempo Online)

29.06 - VGBL Saúde
Está em debate a autorização do Vida Gerador de Beneficio Livre (VGBL)  - produto até então predominantemente da previdência privada – para uso de recursos em assistência médica, vinculada a saúde suplementar.
O VGBL, como plano de previdência, acumula recursos por prazo determinado e tem claro dois períodos, sendo o primeiro de investimento  e formação do patrimônio,  e o segundo de benefício, em que há o poder de desfrutar do montante acumulado, seja por resgate total ou retirada mensal.
Assim, o produto caracteriza-se por uma forma de aplicação financeira de caráter individual e com garantias de remuneração do capital, sendo que no modelo tradicional há incidência de Imposto de Renda sobre o ganho de capital.
O estudo que o mercado está repercutindo e que é estimado para entrada no mercado a partir de 2010, seria uma variação do VGBL, com permissão para a utilização do montante acumulado, total ou parcial, para cobertura de despesas médicas e com alguma isenção de Imposto de Renda. Poderia ser contratado pelo consumidor ou por grupo de consumidores, até mesmo na forma de benefício trabalhista, sendo o investimento, parcial ou total, pelo empregador.
Sem dúvida a proposta merece atenção e poderá vir a ser uma nova fonte de custeio da assistência médica.
Esta modalidade de produto, até aqui, é regulamentada e regulada pela SUSEP – Superintendência de Seguros Privados, vinculada ao Ministério da Fazenda. Mas, algumas questões ainda precisam de respostas, tais como se o produto será exclusivo das seguradoras ou se as operadoras de saúde poderão participar. Se haverá intervenção da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e de que forma será.
Como veem, antes de festejar o novo produto é preciso conhecê-lo. O ideal seria que o tema fosse colocado em consulta pública, com a contribuição das empresas, especialistas e sociedade.   (Pedro FAzio - Saúde Busienss Web)

29.06 - IRB-Brasil Re lança produtos do ramo Vida
O IRB-Brasil Re, empresa de resseguros com 70 anos de atividade, lançou no Brasil três produtos voltados para o seguro de Pessoas. Apesar de as novidades interessarem diretamente às seguradoras, que poderão contar com a diluição de seus riscos, pela transferência do excedente para o ressegurador, o maior beneficiado é o próprio segurado, já que os produtos representam soluções para garantir seu futuro. Os produtos foram apresentados ao mercado no dia 25, no Rio, durante o seminário “O resseguro no desenvolvimento do Seguro de Vida no Brasil”, organizado pelo IRB-Brasil Re, Partner Re e Funenseg – Escola Nacional de Resseguros.
Procurado por seguradoras antes mesmo de ser lançado pelo IRB-Brasil Re, o produto “Diárias de internação hospitalar” garante ao segurado o pagamento de diárias hospitalares em caso de internação. Existe possibilidade de contratação de coberturas adicionais, nas quais o segurado receberia uma diária maior em caso de internação em UTI ou internação no exterior, por exemplo. Revista Apólice Apesar de não ter ligação com planos de saúde, o produto pode representar um complemento àqueles que não cobrem internação. O produto “Risco preferencial” oferece um desconto para o segurado que estiver com a saúde perfeita, o que vai na contramão da prática atual, que é cobrar mais do segurado que apresenta doença crônica. A dinâmica é simples: a seguradora faz exames médicos no segurado e o custo desses exames é dividido entre a seguradora e o IRB-Brasil Re, uma vez que um risco “bom” para a seguradora representa um risco “bom” para o ressegurador. Após análise dos exames médicos, o segurado é classificado e pode receber um desconto se estiver em excelentes condições de saúde e não tiver hábitos que coloquem a vida em risco (fumar ou voar de asa delta, por exemplo). Para o Brasil, o produto foi adaptado às especificidades do mercado local.
O produto “Doenças graves”, inédito no Brasil, permite que o segurado receba o valor do capital contratado se o diagnóstico comprovar uma doença grave coberta pelo plano, como câncer ou insuficiência renal. Nos produtos tradicionais o capital segurado só é pago se houver morte ou invalidez permanente. A vantagem é que o segurado poderá, com o dinheiro do seguro, pagar seu tratamento ou adaptar sua casa para o uso de cadeira de rodas, por exemplo. Três seguradoras já contrataram esse produto e outras três estão estudando a proposta do IRB-Brasil Re.
Com a abertura do mercado brasileiro de resseguros, determinada pela Lei Complementar 126, de 15.01.2007, o IRB-Brasil Re, que por 69 anos deteve o monopólio do setor, voltou seus esforços para o aprimoramento de seus serviços. O banco de dados da empresa, com informações completas sobre a operação de resseguros no Brasil, está sendo utilizada para auxiliar as seguradoras no desenvolvimento de novos produtos.   (Revista Apólice)

 
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