30.09 - BC começa a desmontar ações anticrise
Instituição aponta "sinais de paulatina normalização"
e muda regras para o recolhimento de dinheiro pelos bancos ao BC
Vantagem para abatimento no valor recolhido como depósito compulsório
valerá apenas para a compra de ativos de bancos pequenos
O Banco Central deu mais um passo ontem para desmontar o arsenal criado
para combater os efeitos da crise internacional no país. Depois
de interromper, no início do mês, a redução
da taxa de juros -um dos principais estímulos monetários
para tirar a economia da recessão- os diretores mudaram as regras
que determinam quanto do dinheiro captado dos clientes os bancos são
obrigados a recolher ao BC, os chamados depósitos compulsórios.
As alterações, consideradas ainda tímidas e anunciadas
uma semana depois de o presidente Luiz Inácio da Silva defender,
durante encontro do G-20, a manutenção dos estímulos
dados pelos países às economias, prorrogam até março
de 2010 um benefício adotado no ano passado, que terminaria amanhã,
mas o restringe.
O benefício de abater do recolhimento obrigatório o valor
usado na compra de carteiras de créditos e outros ativos foi limitado
a bancos pequenos, que têm patrimônio de até R$ 2,5
bilhões. Antes era permitido deduzir do compulsório aquisições
feitas por instituições com patrimônio de até
R$ 7 bilhões.
Outra medida, que compensaria essa restrição, deverá
liberar em 2 de outubro cerca de R$ 2,5 bilhões para os bancos.
Isso vai ocorrer com a redução da alíquota de 15%
para 13,5% do compulsório incidente sobre os depósitos a
prazo (como as captações via emissão de CDBs). Mas
o BC não deu números que confirmem isso.
O impacto da primeira medida está vinculado ao vencimento das
carteiras compradas no auge da crise, principalmente por grandes bancos,
como BB e Caixa. Isso porque a medida incidirá em novas operações,
que praticamente não estão mais sendo feitas, e nas renovações.
Segundo a Folha apurou, o prazo médio de vencimento das carteiras
compradas até então era de dois a três anos. O que
significa que, na prática, a renovação não
deverá ser tão imediata quanto o efeito da redução
da alíquota.
Ainda assim, o BC, que não deu entrevista para explicar as medidas,
informou, por meio da assessoria de imprensa, que o objetivo das mudanças
era "manter o nível atual dos compulsórios" sobre depósitos
a prazo, que somava, na semana passada, R$ 25,5 bilhões.
Normalização
Em nota distribuída no início da noite os diretores justificam
as alterações: "Passado um ano do agravamento da crise financeira
internacional, o mercado de crédito doméstico dá sinais
de paulatina normalização".
Como a liquidez do sistema financeiro não foi integralmente
retomada, as instituições menores ainda precisam de ajuda
e, por isso, o BC prorrogou por mais seis meses as medidas de socorro a
esses bancos, que venceriam amanhã. Segundo dados do BC, somente
os bancos médios venderam ativos no valor de R$ 7 bilhões
para as grandes instituições.
Desde o agravamento da crise, em setembro de 2008, o BC anunciou várias
medidas para tentar evitar a contaminação do sistema bancário
brasileiro. Somente do volume total de dinheiro retido como compulsório
foram liberados cerca de R$ 100 bilhões. Um terço desse valor
veio da liberação da parcela do compulsório incidente
sobre depósitos a prazo (aplicações financeiras).
Além dessas medidas monetárias foram adotados estímulos
fiscais, como a redução de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados)
para automóveis, que será elevado novamente, de maneira gradual,
a partir de quinta-feira.
A projeção do governo é de que a economia cresça
entre 0,8% e 1% em 2009. No ano que vem, a aposta é que o país
retome a trajetória de crescimento vivida antes da crise e cresça
cerca de 5% ao ano.
Além de reduzir a alíquota dos compulsórios a
prazo, o BC também mudou a forma de recolhimento desses recursos.
A partir de agora, os bancos depositarão 55% da garantia em dinheiro,
em vez de 60%.
Os outros 45% serão recolhidos em títulos. Anteriormente,
eram 40%. A vantagem para os bancos é que aumenta o total dos recursos
que ficam parados no BC, mas são corrigidos. É o que acontece
com os títulos. A parte em espécie não tem remuneração.
Essa mudança deverá estimular as emissões de papéis
de instituições financeiras. (EDUARDO CUCOLO e SHEILA
D'AMORIM - Folha de S.Paulo)
30.09 - ''Inflação vai ficar dentro da meta''
Henrique Meirelles: presidente do Banco Central; apesar do alerta feito
pelo BC na semana passada sobre a pressão dos gastos públicos,
Meirelles diz que inflação está sob controle
A projeção de inflação para 2010 está
na meta, mesmo com as medidas de estímulo fiscal e monetário
adotadas pelo governo para o enfrentamento da crise financeira, afirmou
o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles."Mesmo com a computação
dos estímulos fiscais e monetários recentes, as projeções
de inflação para 2010 situam-se em 4,4%."
Em entrevista à Agência Estado, o presidente do BC também
fala da sua eventual filiação partidária e possível
candidatura. Meirelles afirma que conversou com cerca de 450 investidores
nacionais e estrangeiros e não observou nenhuma preocupação
com a sua filiação, mas foi indagado sobre o cenário
após sua saída do BC. "Minha resposta é que os ganhos
com a estabilidade são valores incorporados pela sociedade brasileira
e não haverá espaço para mudanças significativas."
A seguir, a íntegra da entrevista.
O relatório de inflação, divulgado na sexta-feira,
indica uma aceleração da inflação em 2010,
que passaria de 3,9% para 4,4%. Quais são os fatores considerados
pelo BC para essa nova projeção?
As projeções levam em conta um amplo conjunto de informações,
que inclui todos os estímulos monetários e fiscais injetados
na economia nos últimos meses, além de hipóteses sobre
preços administrados e evolução da taxa de câmbio,
que são explicitadas em nosso relatório. Além disso,
aprimoramos regularmente nossos modelos, de forma a melhorar a nossa capacidade
de previsão. As mudanças mais recentes referem-se ao tratamento
dos efeitos da política fiscal e da inflação ou deflação
em moeda estrangeira. Em resumo, mesmo com a computação dos
estímulos fiscais e monetários recentes, as projeções
de inflação para 2010 situam-se em 4,4%.
As taxas de juros e gastos não vão se alterar no próximo
ano, ou seja, ficarão no patamar atual?
Nossas projeções são feitas com base em dois cenários.
No de referência, trabalhamos com taxas de câmbio e juros constantes
nos patamares atuais. No cenário denominado de mercado, utilizamos
a mediana das expectativas dos analistas independentes sobre a trajetória
da taxa de câmbio e da taxa de juros. As hipóteses de trabalho
sobre a política fiscal pressupõem o cumprimento das metas
para o superávit primário de 2,5% do PIB (Produto Interno
Bruto) em 2009 e de 3,3% do PIB para 2010, com os ajustes anunciados pelo
governo. O BC, como é sabido, não faz projeções
sobre a evolução dos juros.
A questão da variação do dólar e as expectativas
a respeito da firmeza do governo com o controle da inflação
não são fatores de risco para 2010?
A trajetória cambial é sempre um dos fatores de incerteza,
com riscos bilaterais. Por outro lado, não creio que a sociedade
deva ter dúvidas quanto ao compromisso deste BC, apoiado pelo governo,
com a estabilidade monetária. Duvidar do foco do BC nas metas para
a inflação é uma posição de risco, que
em geral dá resultados desfavoráveis.
A mudança na metodologia para que as projeções
de inflação se mantenham alinhadas com a expansão
dos gastos é permanente?
Sim, é um aprimoramento do modelo que será mantido. Aliás,
aprimorar os modelos econométricos faz parte da rotina das áreas
técnicas dos bancos centrais de ponta, como o nosso.
Se a regra é permanente, isso significa que os eventuais novos
impulsos fiscais do governo serão captados nos próximos relatórios?
Sim, não haveria por que não fazê-lo.
Como o Banco Central, que mira a inflação na meta, poderá
reverter as expectativas do mercado e da sociedade de que os preços
vão subir no próximo ano? Afinal, o mercado está,
de forma consistente, trabalhando com uma alta nas taxas de juros futuras.
As expectativas de inflação estão alinhadas com
a trajetória de metas. O modelo do BC leva em conta essas expectativas,
mas nossas ações dependem das nossas próprias projeções
de inflação, que foram apresentadas na semana passada.
A sua eventual filiação e candidatura é fator
de risco?
Conversei com cerca de 450 investidores nacionais e estrangeiros nos
últimos 60 dias e não observei qualquer preocupação
com eventual filiação ou não. Perguntas sobre como
será o cenário depois de minha saída em janeiro de
2011, ou mesmo em abril de 2010 são normais. Minha resposta é
que os ganhos com a estabilidade são valores incorporados pela sociedade
brasileira e não haverá espaço para mudanças
significativas. Além do mais, o compromisso do BC com o sistema
de metas e câmbio flutuante é inquestionável.
É chegado o momento de o sr. reafirmar que, aconteça
o que acontecer, o BC vai continuar zelando pelo cumprimento da meta de
inflação?
Como já falamos em várias ocasiões, quem duvida
do compromisso do Banco Central com as metas para a inflação
o faz por sua própria conta e risco.
É possível garantir, hoje, que o nível de gastos
em 2010 será mantido nos patamares considerados no exercício
feito pelo BC para traçar a nova estimativa para o comportamento
da inflação?
As decisões de política fiscal não cabem ao BC
e, sim, às autoridades fiscais, tanto em nível federal, quanto
estadual.
Considerando-se que o relatório traçou uma elevação
de 0,5 ponto na projeção de inflação, é
correto pressupor que o mercado passe a trabalhar com a possibilidade de
a inflação se deslocar do centro da meta? Há risco
de descumprimento da meta em 2010?
Não. Nossa projeção se elevou pelas razões
mencionadas, mas ainda é inferior ao valor central para a meta.
Olhando hoje, há menos risco de descumprimento da meta do que há
um ano. Posso lhes afiançar que o Banco Central vai continuar trabalhando
para que a inflação siga alinhada com a trajetória
de metas.
As medidas fiscais adotadas para que o País saísse da
crise motivaram a revisão da meta de superávit deste ano.
É consenso no mercado que, em ano eleitoral, governo nenhum faz
economia. É possível descartar a hipótese de uma redução
da meta de superávit fiscal de 3,3% do PIB em 2010?
Não vou tecer comentários nem fazer especulações
sobre a trajetória da política fiscal. (Beatriz
Abreu e Célia Froufe - O Estado de S.Paulo)
29.09 - Bagunça Financeira
A consultoria Corporate Finance, especializada em fusões e aquisições,
encontrou um entrave para fechar compras de empresas brasileiras por fundos
de private equity do exterior. Os estrangeiros resistem em aceitar passivos
trabalhistas e fiscais, segundo o presidente da Corporate, Luis Alberto
de Paiva. "Os fundos se assustam com caixa dois nas contas das empresas
e se confundem para avaliar mecanismos como precatórios e crédito-prêmio
do IPI. Por isso, muitos desistem das compras." A Corporate representa
atualmente oito fundos internacionais, que somam US$ 250 milhões
para investir em 20 aquisições no Brasil. (MAria Cristina
Frias - Folha de S.Paulo)
29.09 - Sistema financeiro: um ativo do Brasil
Não existe país desenvolvido sem um sistema financeiro
sólido, moderno e comprometido com o seu desenvolvimento
No dia 15 de setembro, completou um ano a quebra do banco americano
Lehman Brothers, marco simbólico do início da atual crise
financeira internacional. Embora ainda seja cedo para decretar o fim da
crise, já surgem os primeiros sinais de reação das
economias mais desenvolvidas e a certeza de que o pior ficou para trás.
Aqui no Brasil podemos dizer que nossa economia foi aprovada com louvor
no verdadeiro teste de estresse a que foi submetida após a quebra
do Lehman. Os indicadores mais recentes mostram recuperação
da produção e do emprego e o consenso dos analistas é
que a economia crescerá na faixa de 4% (em termos anualizados) no
quarto trimestre do ano. Esse desempenho admirável pode ser explicado
destacando-se três questões.
Primeiro, mais do que nunca, entramos fortalecidos nessa crise, em
razão da estabilidade macroeconômica e institucional, do crescimento
econômico sustentado dos últimos anos e de uma sólida
posição de reservas cambiais. Segundo, a ação
rápida e competente do governo foi decisiva na contenção
dos impactos sobre os demais setores da economia. No mercado cambial, leilões
de dólares e de linhas de comércio exterior compensaram o
virtual fechamento dos mercados internacionais e a redução
abrupta do fluxo de recursos externos.
No crédito, a agressiva redução dos depósitos
compulsórios e sua canalização para a compra de carteiras
contribuíram para acelerar a normalização dos mercados
locais. Adicionalmente, estímulos fiscais a setores importantes
da cadeia produtiva geraram efeitos positivos em termos de manutenção
dos níveis de atividade e de emprego.
Um terceiro fator que explica o desempenho positivo é a solidez
do sistema financeiro. Aqui, os bancos não receberam dinheiro público.
O setor é fortemente capitalizado, com níveis prudentes de
alavancagem e baixa concentração de risco de crédito.
No Brasil, os bancos são submetidos a uma ampla e rigorosa supervisão
bancária e incluem todas as suas operações nos balanços.
Somos referência internacional por conta disso. Nossos bancos continuaram
emprestando e ampliando o saldo das operações de crédito
ao longo da pior crise financeira desde 1930. Em um primeiro instante,
os bancos médios reduziram suas carteiras, mas os demais bancos,
privados e públicos, nunca pararam de emprestar.
Os números falam por si: em setembro de 2008, o saldo total
das operações era de R$ 1,1 trilhão, ou 38,7% do PIB.
Em julho deste ano, último dado disponível, esse saldo atingiu
R$ 1,3 trilhão, o equivalente ao nível recorde de 45% do
PIB. Mesmo os "spreads" (a diferença entre o custo de captação
dos bancos e a taxa de empréstimo) médios já retornaram
aos níveis de setembro de 2008. E devem cair mais.
Poucos se dão conta da modernidade e dos compromissos dos nossos
bancos com o desenvolvimento do país. Como assinalei neste mesmo
espaço no dia 9 de setembro de 2007, "no estado em que esse sistema
se encontra, sólido e lucrativo, ele contribui para blindar nossa
economia da turbulência dos mercados financeiros internacionais".
Assistimos ao longo dos últimos anos a um amplo processo de
bancarização e de ampliação do acesso da população
aos serviços e ao crédito bancário. Temos hoje cerca
de 83 milhões de contas bancárias ativas (um crescimento
de 55% em relação a 2001) e 92 milhões de contas de
poupança. Criamos na Febraban um sistema pioneiro na internet, o
Star, que permite consultar e comparar as tarifas cobradas pelas diversas
instituições financeiras (em breve, os juros também
poderão ser comparados).
Prevemos lançar em 2010 nosso sistema de autorregulação
(uma evolução do código em vigor), cujo conselho inclui
representantes de outros setores da sociedade e já vem funcionando
de forma experimental. Temos um programa de valorização da
diversidade entre nossos filiados e há pouco iniciamos um projeto
piloto de educação para pessoas com deficiência, em
parceria com a Prefeitura de São Paulo.
Estamos iniciando um projeto de educação financeira que
permitirá aos nossos clientes e à sociedade em geral ter
uma melhor compreensão do funcionamento dos bancos e dos produtos
financeiros, facilitando e otimizando sua utilização.
Tenho insistido em que não existe país desenvolvido sem
um sistema financeiro sólido, moderno e comprometido com o seu desenvolvimento.
Felizmente temos esse ativo aqui no Brasil. E isso certamente será
fundamental para solidificar o cada vez mais importante papel do país
na economia mundial. (FÁBIO C. BARBOSA - Folha de S.Paulo)
29.09 - Mercado vive euforia com novas captações
Analistas têm dúvidas se captações são
movimento sustentável ou só uma "janela de oportunidade"
que pode fechar
Ações da Tivit ficam abaixo do preço indicado;
associação vê investidor mais seletivo, em busca de
operações com maior apelo do mercado
Um ano após a quebra do banco Lehman Brothers, que "congelou"
as grandes operações de financiamento, o Brasil vive novamente
um clima de euforia no mercado de capitais, com estreias de ações
na Bolsa e emissão de títulos de dívida pelas empresas.
O mercado prevê que as captações passem de R$ 40 bilhões
até o fim do ano. Parte desses recursos é de estrangeiros,
o que pressiona o dólar, que já está em R$ 1,80.
Todavia, essa euforia também tem levantado dúvidas: as
empresas estariam apenas aproveitando uma "janela de oportunidade", um
período favorável de trégua na crise, ou se trata
de um movimento sustentável, que veio para ficar?
As principais ofertas de ações em curso incluem Santander,
Gol, a financeira Brazilian Finance & Real State e a Cetip, que faz
registro de títulos privados. Há também emissões
de uma série de construtoras como Cyrela, PDG, Direcional Engenharia
e Rossi. Estas empresas pretendem aproveitar o momento para fortalecer
o caixa e garantir um lugar no possível boom de imóveis para
baixa renda. Analistas têm dúvidas se há demanda para
todos.
Ontem, o mercado foi surpreendido pelo resultado da oferta da empresa
de tecnologia Tivit, cujas ações estreiam na segunda. A empresa
captou R$ 574,5 milhões, mas o preço das ações
ficou abaixo do piso fixado pelos coordenadores.
"Acendeu a luz amarela. O mercado não está tão
receptivo assim. Não vejo problema em ter várias ofertas
em curso. O problema é sair com um valor muito alto, que não
parece ser o caso agora", disse Ricardo Almeida, economista do Insper.
Para Alberto Kiraly, vice-presidente da Anbid (associação
dos bancos de investimento), é fato que o mercado vive um "bom momento"
e que abriu espaço para várias operações que
tinham sido engavetadas. "Mas o investidor continua seletivo. As operações
que estão programadas têm todas uma lógica específica
e são de setores com boas perspectivas. Nada indica que essa janela
vá se fechar daqui a pouco", disse.
Para Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú BBA, essa reabertura
do mercado de capitais faz parte de um movimento maior do ciclo de crédito
da economia, que retoma sua dinâmica anterior à crise. As
empresas grandes voltam a captar no mercado, e o crédito passa a
fluir para os demais segmentos.
"Não acho que seja momentâneo, que neste mês quem
entrou, entrou. Mas não sei se o ritmo inicial pode ser muito forte
[e depois se desacelere]."
Um dos pontos que têm chamado a atenção do mercado
são as operações gigantes que foram -ou caminham para
ser- bem aceitas. A administradora de cartões VisaNet captou R$
8,39 bilhões em junho. A próxima grande oferta está
nas mãos do Santander, que deve captar cerca de R$ 13,5 bilhões.
Na avaliação do Credit Suisse, um dos líderes
entre os bancos de investimento, o mercado de aberturas de capital não
só voltou a funcionar bem como também está aberto
para captações menores do que R$ 1 bilhão, como as
das construtoras.
Neste semestre, já houve nove emissões de ações.
No primeiro semestre, foram quatro. E, no segundo semestre do ano passado,
marcado pelo auge da crise, apenas duas ofertas. Além disso, outras
nove companhias esperam a liberação para lançar ações.
(TONI SCIARRETTA e FABRICIO VIEIRA - Folha de S.Paulo)
28.09 - Companhias abertas: Padrão contábil internacional
CMN aprova demonstrações contábeis anuais de instituições
financeiras de capital aberto
O Conselho Monetário Nacional (CMN), órgão superior
do Sistema Financeiro Nacional, decidiu em reunião ordinária
quinta-feira aprovar resolução determinando que as instituições
financeiras constituídas sob a forma de companhia aberta, ou aquelas
obrigadas a constituir comitê de auditoria nos termos da regulamentação
em vigor, elaborem e divulguem anualmente demonstrações contábeis
consolidadas adotando o padrão contábil internacional, de
acordo com os pronunciamentos emitidos pelo International Accounting Standards
Board (IASB). A medida deve entrar em vigor a partir da data-base de 31
de dezembro de 2010.
Tal ação insere-se no projeto de convergência com
as normas internacionais de contabilidade, divulgadas no Comunicado nº
14.259, de 10 de março de 2006. A resolução, de acordo
com o comunicado emitido pelo órgão, vai proporcionar benefícios
para as instituições financeiras brasileiras. Uma delas refere-se
à utilização das melhores práticas internacionais
nas demonstrações contábeis, permitindo maior compatibilidade
e favorecendo tanto a captação quanto a aplicação
de recursos, e a outra, à redução, a médio
e longo prazo, dos custos de elaboração de demonstrações
contábeis pelas entidades que atualmente já seguem as normas
internacionais.
O Conselho aprovou ainda proposta que reconhece como de interesse do
governo brasileiro a participação da Accion Gateway Fund
LLC, sociedade limitada com sede nos Estados Unidos, juntamente com o Banco
Interamericano de Desenvolvimento, entre outros, por meio do Fundo Multilateral
de Investimentos (BID/Fumin), também sediado nos Estados Unidos.
Formaria-se assim a sociedade de crédito Accion Microfinanças
(Sociedade de Crédito ao Microempreendedor e à Empresa de
Pequeno Porte), com sede em Manaus (AM), e capital social inicial de R$
5,3 millhões. A proposta requer aprovação do presidente
da República, conforme previsto no artigo 52 do Ato das Disposições
Constitucionais Transitórias.
Outra aprovação concedida pelo Conselho para encaminhamento
ao Presidente da República, foi a proposta de decreto presidencial
autorizando a constituição do Standard Chartered Bank (Brasil),
Banco de Investimento de capital aberto, com carteira de câmbio,
e capital inicial de R$ 100 milhões. Após a publicação
do
decreto presidencial, caso acolhida a proposta, será dada continuidade
ao processo para constituição do novo banco de investimento,
cujo controlador é o Standard Chartered Bank. (Executivos
Financeiros)
28.09 - Bancos estão mais conservadores e cautelosos
O mercado financeiro norte-americano foi obrigado a adotar uma postura
mais cautelosa, devido ao impacto que a crise financeira internacional
ocasionou na economia do país. Depois da “quebradeira geral” a preocupação
das instituições financeiras é avaliar o risco dos
negócios.
“Os bancos estão sendo mais conservadores e andando com mais
cautela, especialmente na área relativa à geração
de novos produtos e de financiamentos”, disse Phil Fretwell, diretor geral
da Protivit – empresa global em consultoria de negócios - em entrevista
exclusiva ao Portal Executivos Financeiros.
De acordo com o executivo, antes da crise estourar, uma pesquisa indicou
que o setor financeiro, como um todo, estava mais bem preparado para lidar
com riscos. “A pesquisa falava basicamente que as instituições
financeiras estavam com processos de avaliação de riscos
muito mais maduros, porém não contemplava todos os riscos
de uma forma geral”, avalia Fretwell.
“Acontece que em um momento de prosperidade para os negócios,
em que as empresas estão lucrando, é difícil fazer
com que entendam e se preocupem com um risco que dificilmente pode acontecer”,
analisa o diretor geral da Protivit.
O executivo acredita que os bancos tentarão convencer o mercado
e as empresas de que eles tomaram ações diretas de riscos
e gerenciamentos dos riscos e estão mais seguros neste momento.
Segundo Fretwell, antes nada havia acontecido com os bancos então
as informações que vinham deles era aceitável. “O
que acontece é que tanto agora para o futuro o mercado esta se tornando
cada vez mais sensível as alterações e ficará
atento”, finaliza. (Tatiany Cavalcante - Executivos Financeiros)
28.09 - Itaú Unibanco cria fundo de investimentos para créditos
de carbono
O Itaú Unibanco lança no próximo dia 28 o primeiro
fundo de investimentos brasileiro vinculado a um índice de créditos
de carbono. O rendimento do Fundo Itaú Índice de Carbono
será baseado no Barclays Capital Global Carbon Index Excess Return
Euro (BGCI), índice mundial que monitora a performance dos créditos
de carbono negociados no Emissions Trade Scheme (ETS) da União Européia
e no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL).
Destinado a investidores com portfólio global de investimentos
no Itaú Unibanco de no mínimo R$ 300 mil, o fundo é
um produto de estratégia protegida com prazo de duração
de dois anos e taxa de administração de 2% ao ano, sem cobrança
de taxa de performance.
“O setor financeiro responde por um percentual baixo de emissões
diretas de CO2, quando comparado com outros setores. No entanto, ao incorporar
produtos e critérios socioambientais em suas atividades, o segmento
passa a atuar como um instrumento multiplicador de mudança", afirma
Paulo Corchaki, diretor de Gestão de Recursos do Itaú Unibanco.
De acordo com dados do Banco Mundial, o mercado global de créditos
de carbono atingiu em 2008 o total de US$ 126,3 bilhões - o dobro
do ano anterior. A abertura do Fundo Itaú Índice de Carbono
amplia o portfólio de produtos relacionados à preocupação
do banco com o aquecimento global.
Lançados em 2007, os Fundos Itaú Ecomudança também
contribuem com o meio ambiente ao destinar 30% da taxa de administração
para projetos de redução de emissão de carbono desenvolvidos
por organizações não-governamentais.
As operações estruturadas serão iniciadas em 9
de novembro deste ano, e o período de captação compreenderá
o período de 28 de setembro a 6 de novembro de 2009. (Executivos
Financeiros)
28.09 - Prévia da inflação oficial diminui para
0,19% em setembro
O IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15),
prévia da inflação oficial do País, registrou
ligeira queda em setembro, para 0,19%, contra 0,23% no mês anterior,
segundo dados divulgados na quinta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística).
Com este resultado, o IPCA-E do trimestre, que se constitui no IPCA-15
acumulado nos meses de julho, agosto e setembro, ficou em 0,64%. No mesmo
período de 2008, a variação havia sido de 1,24%.
No ano, o resultado chegou a 3,15%, inferior à variação
do mesmo intervalo de 2008, com 4,96%. Nos últimos 12 meses, o indicador
acumulou alta de 4,34%, também abaixo dos 4,27% relativos ao mesmo
intervalo do ano anterior. Em setembro de 2008, o IPCA-15 havia sido de
0,26%.
Apesar da alta nos preços de Alimentação e Bebidas
(-0,28% para 0,13%), Vestuário (-0,25% para 0,31%) e Comunicação
(-0,08% para 0,05%), os demais grupos apresentaram resultados menores este
mês, o que fez com que o índice de setembro ficasse abaixo
do registrado em agosto.
Dentre os itens que ficaram mais caros no grupo alimentação,
os destaques foram: tomate (-10,29% para 29,14%), frutas (2,55% para 4,76%),
açúcar refinado (-0,07% para 4,22%), cebola (2,76% para 8,64%)
e açúcar cristal (-0,39% para 4,68%). Já o leite pasteurizado
teve redução de 9,22%.
Em contrapartida, registraram desaceleração as categorias:
Artigos de Residência (0,53% para -0,22%), Educação
(0,90% para 0,06%), Habitação (0,85% para 0,44%), Saúde
e Cuidados Pessoais (0,34% para 0,26%) e Despesas Pessoais (0,45% para
0,30%). Já o grupo Transportes registrou certa estabilidade (0,16%
para 0,15%).
Na análise regional, a maior variação foi registrada
em Salvador (0,66%), enquanto a menor ficou em Porto Alegre (-0,09%). (Diário
Online)
25.09 - ''Brasil vai crescer 6% no ano que vem''
Luiz Carlos Mendonça de Barros: sócio da Quest Investimentos
e ex-ministro[br][br]Para Mendonça de Barros, economia deve retomar
o dinamismo de antes da crise, mas é preciso cuidado com a inflação
O Brasil deve ter forte recuperação e crescer 6% no ano
que vem, acredita o sócio da Quest Investimentos, Luiz Carlos Mendonça
de Barros, que foi presidente do BNDES e ministro das Comunicações
no governo de Fernando Henrique Cardoso. "Vejo a economia retomando rapidamente
o dinamismo de antes da crise", disse, em entrevista ao AE Broadcast Ao
Vivo, da Agência Estado. A seguir, os principais trechos da entrevista.
Esta semana o Brasil virou grau de investimento pela Moody"s. Qual
a importância desse upgrade?
Houve uma convergência das agências, com uma novidade no
caso da Moody"s, pois ela, além de melhorar nossa nota no nível
de investment grade, colocou também em observação
positiva. Isto é, deu um sinal de um movimento próximo de
melhora ainda na nota. Mas é uma coisa engraçada porque o
mercado já vinha antecipando esse movimento. Acho que essa questão
do investment grade está superada. Vamos olhar para frente.
Ao olhar à frente, o que o sr. vê?
Vejo uma economia retomando rapidamente o dinamismo que tinha antes
da crise, com impacto ainda negativo do comércio exterior - as exportações
brasileiras não se recuperaram. Certamente, o investimento, afetado
na crise, vai voltar naturalmente. Alguns analistas parecem não
entender que uma dinâmica de economia de mercado tem um timing natural.
Muita gente está criticando que o investimento não voltou
ainda. Isso é absurdamente natural. Estamos saindo de uma crise.
Então acho que a cadência da economia brasileira vai ser a
manutenção do estímulo vindo do setor privado, do
consumo - o emprego voltou a crescer, os salários voltaram a ter
ganho positivo, em real. Os bancos também voltaram à normalidade.
Com um estímulo adicional, pois perderam espaço para os bancos
públicos nesses quatro a cinco meses em que se trancaram. Acho que
vão querer recuperar o tempo perdido, o que dá um impulso
maior à retomada do crédito.
O sr. enxerga uma enxurrada de recursos vindo para o Brasil?
Isso já está ocorrendo. Se olharmos a previsão
de abertura de capital de empresas brasileiras nos próximos meses,
estamos perto dos US$ 14 bilhões. E isso vai acontecer porque o
mundo tem hoje um desequilíbrio entre oportunidade e liquidez para
investimentos. Porque tem um pedaço grande do mundo, principalmente
dos desenvolvidos, em que a retomada da atividade vai ser muito lenta.
E esse pedaço tem ainda uma capacidade ociosa para ser ocupada,
que vai fazer com que os investimentos nos próximos dois anos sejam
muito pequenos. Por outro lado, há alguns países - o Brasil
é um deles - onde se retomou mais rapidamente a dinâmica do
consumo e as oportunidades se apresentam de forma mais clara. Além
disso, é importante entender que nessa saída de crise há
um problema com o dólar americano, que tem levado investidores a
buscar ativos em regiões do mundo cuja moeda tenha dinâmica
diferente do dólar. O real é uma dessas moedas.
O dólar chegou ontem (dia 23) a R$ 1,782. Pode cair mais?
Não sei. Há seis meses fiz uma projeção
que naquele momento parecia absurda, de dólar a R$ 1,80. Até
R$ 1,80 eu vou. A partir daí, prefiro observar (risos). Mas é
importante entender que o real não tem movimento autônomo,
isolado. Ele está se valorizando numa cesta de moedas - principalmente
ligadas a economias exportadoras de commodities - e tem de acompanhar um
pouco essa dinâmica. Ele não está sozinho.
O que impede o dólar de voltar ao patamar pré-crise?
Ele volta ao patamar pré-crise se as outras moedas também
voltarem. E tem o Banco Central. Acho que o BC teria de acompanhar a cotação
do real nessa cesta de moedas. Isto é, ele não deve interferir
no processo de valorização dessa cesta. Mas se nessa cesta
de moedas, o real, por alguma condição de movimento de capitais,
tiver uma valorização maior, acho que é dever dele
intervir.
O sr. não vê então nenhum grande problema na economia?
Por incrível que pareça, na metade do ano que vem vamos
começar a nos preocupar com a inflação. E aí
entra a questão fiscal. No período em que a economia privada
deu esse vácuo, ele (governo) entrou, corretamente. Só que
está na hora de sair. Porque, se acumularmos crescimento do consumo
interno - que vai ocorrer -, volta dos investimentos e nível de
gasto do governo tão elevado, vamos começar a criar tensão
inflacionária, que vai desembocar na alta dos juros.
De qualquer modo, a partir do segundo semestre de 2010 pode haver um
problema para o BC?
Acho que sim. Nós podemos começar a ver uma inflação
mais próxima de 5% do que de 4,5% já no ano que vem.
Como o sr. vê o crescimento do Brasil em 2010?
Nós revisamos nossa projeção para crescimento
do PIB em 2010 de 5% para 6%.
Qual sua expectativa para o relatório trimestral de inflação?
Acho que todas as projeções para este ano e para o ano
que vem apontam ainda para um número por volta de 4,5% (IPCA). O
que estou colocando como preocupação é uma projeção
um pouco mais adiante, que não é bem o objetivo do relatório
de inflação do BC. (Luciana Xavier - O Estado de S.Paulo)
25.09 - PIB pode crescer acima de 5% em 2010
O cenário positivo que se desenha para a demanda interna torna
cada vez mais provável um crescimento na casa de 5% em 2010, e já
há até quem aposte em alta de 6%, como o ex-ministro Luiz
Carlos Mendonça de Barros, da Quest Investimentos. O consumo das
famílias e o investimento devem liderar a expansão, com as
despesas do governo como coadjuvante, um resultado da combinação
de juros baixos, mercado de trabalho em recuperação, gastos
públicos elevados e redução das incertezas globais.
Para este ano, boa parte dos bancos e consultorias já aponta para
um Produto Interno Bruto (PIB) ligeiramente positivo.
O economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, diz que uma
alta expressiva do PIB em 2010 está praticamente contratada. "A
política monetária e a política fiscal serão
muito expansionistas. Elas estarão trabalhando como nunca para estimular
o crescimento", afirma Vale, que revisou na semana passada a sua projeção
de 4% para 5%. Para ele, apenas uma piora muito acentuada do cenário
global pode comprometer um PIB forte em 2010, algo como um "novo Lehman
Brothers" - o banco de investimentos que quebrou em setembro de 2008, agravando
a crise. Vale acredita em crescimento de 5% do consumo das famílias,
estimulado pela alta de 5% da massa salarial acima da inflação,
e de 11% dos investimentos na construção civil e em máquinas
e equipamentos (a formação bruta de capital fixo, FBCF) -
em 2009, ele projeta queda de 10,2% da FBCF.
Mendonça de Barros passou a apostar em crescimento de 6% em
2010 depois da divulgação dos números do Cadastro
Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de agosto, que revelou um saldo
positivo de 242,1 mil postos de trabalhos formais. A renda segue firme
e a geração de emprego está melhor do que se esperava,
diz ele, observando que a Quest passou a trabalhar com uma alta do PIB
neste ano de 0,2% - antes do Caged de agosto, estimava queda de 0,3%. O
Morgan Stanley, que chegou a prever queda de 4,5%, hoje estima recuo de
apenas 0,5%.
"O consumo das famílias deve continuar forte, e o investimento
também deve voltar, estimulado pela demanda. Além disso,
o governo está gastando que nem louco", afirma Mendonça de
Barros, ministro das Comunicações no governo Fernando Henrique
Cardoso. Apenas as exportações não devem ter uma reação
das mais expressivas, já que o mundo ainda crescerá pouco
no ano que vem.
Para ele, o ritmo forte de expansão da economia, com um mercado
de trabalho tão pujante, pode exigir aumentos de juros já
no primeiro semestre do ano que vem. Nesse cenário, o governo deveria
mudar a política fiscal, diz Mendonça de Barros. Com a demanda
privada aquecida, manter os gastos públicos em alta expressiva é
uma má ideia. "A inflação não vai dar saltos,
pulando de 4,5% para 8%, mas pode ficar pressionada por conta do mercado
de trabalho muito aquecido, elevando os preços dos serviços."
Vale diz que há de fato o risco de alta dos juros no ano que vem,
mas vê um eventual aumento da taxa Selic, hoje em 8,75% ao ano, apenas
no quarto trimestre. Se ocorrer, será mais por causa das perspectivas
para a inflação em 2011 do que pela pressão no ano
que vem, já que a capacidade ociosa na indústria é
grande.
O diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do
Bradesco, Octavio de Barros, também mudou a sua projeção
de crescimento do PIB para 2010, elevando-a de 4,9% para 5,4%. "A maior
surpresa em nosso cenário certamente tem sido o comportamento muito
favorável do mercado de trabalho e da renda", diz Barros. Segundo
ele, os efeitos da redução dos juros, dos estímulos
fiscais e da rede de proteção social criada nos últimos
anos "foram capazes de preservar o emprego de forma importante, levando
à rápida recuperação da confiança dos
consumidores e, consequentemente, à manutenção do
otimismo empresarial e da produção voltada ao mercado doméstico".
O economista chama a atenção para o desempenho das vendas
no comércio, que podem crescer algo próximo a 5% neste ano,
descontada a inflação. Num quadro de preservação
da demanda interna, com perspectiva de continuidade da expansão
dos estímulos fiscais e da ampliação de alguns benefícios
já contratados - o salário mínimo deve subir quase
10% em 2010, por exemplo -, ele mudou as suas estimativas para o PIB deste
ano e do próximo. Para 2009, o Bradesco, que projetava queda de
0,5% prevê agora uma alta de 0,1%. "Em nosso novo cenário,
a demanda doméstica continua a ser o motor do crescimento, puxada
pelo consumo das famílias e os gastos do governo. Os investimentos
retornarão em breve, mas esperamos uma contribuição
bem menor do que os demais ainda em 2010", afirma Barros, ressalvando,
contudo, que as inversões podem ser mais fortes do que ele projeta,
"por conta das boas perspectivas para a economia e da farta disponibilidade
de financiamento doméstico e externo. "
Para Rodrigo Azevedo, ex-diretor do Banco Central (BC) e sócio-sênior
da JGP Gestão de Recursos, o Brasil deverá alcançar
crescimento de 5% no PIB do próximo ano, impulsionado pela melhora
do setor exportador e do mercado interno, sustentado pelo crescente aumento
da renda. "Há revisão para cima no crescimento mundial, tendo
uma retomada do comércio em primeiro plano. Como já observamos
uma puxada das exportações acima das previsões, é
possível supor que o quadro para 2010 seja melhor", analisa Azevedo,
que trabalha com um quadro mais favorável para as exportações
do que a média dos analistas. Para ele, a "profunda" retração
pela qual passou a indústria entre o fim de 2008 e os primeiros
meses de 2009 ampliou a capacidade ociosa, que foi e está sendo
lentamente retomada. Azevedo destaca ainda que o governo federal não
dá sinais de que vai segurar os gastos públicos.
O economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, diz que,
do ponto de vista da oferta, a indústria é que vai brilhar
em 2010. Ele prevê alta de 9% para a produção industrial,
uma reação forte à queda de 7% esperada para 2009.
Os setores ligados ao mercado interno e que produzem bens de capital devem
ter bom desempenho, avalia ele. Do lado da demanda, ele aposta em forte
expansão do consumo das famílias, de 5,2%, e do investimento,
de 15,8%.
Outro fator que vai ajudar o crescimento é a herança
estatística (o "carry over") que 2009 deixará para 2010,
como destaca Azevedo. Segundo ele, se o PIB deste ano ficar estável,
como ele prevê, o "carry over" será de 2,5%. Com isso, se
a economia não crescer nada em relação ao nível
do fim deste ano, a expansão em 2010 será de 2,5%. Para comparar,
o "carry over" que 2008 deixou para 2009 foi negativo em 1,5%.
Thaís Zara, economista-chefe da Rosenberg & Associados,
tem previsões menos otimistas para o próximo ano, embora
aposte em crescimento de 0,3% em 2009. "O fundo do poço já
passou, mas o crescimento mundial não será tão forte
quanto se imagina", afirma ela, que aposta em crescimento de 3,5% para
o ano que vem. O fim das desonerações tributárias
deve tirar um pouco de força da economia nos próximos trimestres,
acredita ela. Nem a perspectiva de aquecimento da demanda externa por produtos
nacionais empolga a analista, que vê no câmbio valorizado um
entrave para o impulso exportador, embora os bens primários devam
melhorar o saldo comercial do Brasil. (Sergio Lamucci e João
Villaverde - Valor Online)
25.09 - Grau de respeito
Desempenho do Brasil na economia segue em alta no exterior
A conquista pelo Brasil do selo grau de investimento concedido pela
importante agência de classificação de risco Moody’s
elevou a nota do país para Baa3, o que demonstra a boa estrutura
da economia brasileira, que passou por forte pressão causada pela
crise financeira mundial, eclodida há um ano nos Estados Unidos.
Em 30 de abril, o Brasil se tornou grau de investimento pela avaliação
da Standard & Poor’s e, em 29 de maio de 2008, foi a vez de a Fitch
atribuir essa nota ao país. A classificação de risco
é uma ferramenta usada pelos investidores estrangeiros na hora de
decidir em que país vão fazer suas aplicações.
Ela reflete o risco que ele tem de não honrar o pagamento de seus
títulos. Quanto melhor é a avaliação, menor
é o temor e, portanto, maior é a capacidade de ele atrair
investimentos. Com o grau obtido, os investidores veem que o risco de calote
é bem baixo. Muitos fundos de investimento estrangeiros direcionam
recursos apenas para países que têm esta classificação.
A Moody’s Investors Service elevou os ratings de dívida do governo
do Brasil em moeda local e estrangeira do grau especulativo Ba1 para Baa3,
patamar inicial para créditos com grau de investimento. A elevação
reflete o reconhecimento pela Moody's de que a capacidade de absorção
de choques, incluindo a de resposta das autoridades, aponta para uma melhora
significativa do perfil de crédito soberano do Brasil.
Pena que, paralelamente a esse clima favorável no campo econômico,
no político, ainda pululam fatos que dão conta de corrupção,
nepotismo, malversação de recursos do erário e outras
venalidades, muitas delas comunadas com procedimentos de empresários
e servidores públicos pouco preocupados com a ética e o bem-estar
coletivo. Pena, pois evidências de robusta flexibilidade econômica
e financeira, tipicamente associada a créditos com grau de investimento,
podem ser vistas na rápida recuperação do Produto
Interno Bruto (PIB), no enfraquecimento mínimo das posições
de reservas internacionais do país, na moderada deterioração
dos indicadores de dívida do governo e na ausência de estresse
financeiro no sistema bancário. Estas características sugerem
que o Brasil é um “vencedor”, se comparado aos outros países
globalmente integrados classificados pela Moody’s.
Ainda que a economia apresente crescimento negativo do PIB este ano
e as contas fiscais sofram deterioração em relação
aos anos anteriores, o desempenho geral do Brasil provou ser melhor do
que o da maioria dos países classificados como grau de investimento
na categoria Baa. A elevação do rating é parte de
um processo contínuo para identificar países que se tornaram
vitoriosos durante o período de turbulência financeira e econômica
global, que se mostrou agudo no início deste ano. Portanto, se o
Brasil conseguir mostrar ao mundo que o combate à corrupção
e aos desmandos administrativos em alguns setores está em curso
determinado; que o índice de inadimplência interno é
razoável; e que as desigualdades sociais têm combate sistemático,
esse grau de confiança será cada vez mais elevado e capaz
de induzir um desenvolvimento econômico paulatinamente mais robusto
e sustentável. (Estado de Minas)
24.09 - A hora da inovação
A natureza das dificuldades criadas pela crise financeira mundial que
acabou desabando sobre a economia real e o fato de não termos aumentado
(relativamente) nossa participação no mercado mundial de
produtos industrializados sugerem por que a economia brasileira revelou
resistência extraordinária.
Não se discutem as vantagens comparativas da agricultura brasileira
(fortemente prejudicada pelas deficiências da infraestrutura), os
extraordinários avanços de nossa pesquisa tecnológica,
a nossa situação privilegiada na substituição
(com grande vantagem energética) de combustível fóssil
por energia renovável de massa.
E, muito menos, discute-se o fato de que o aumento da demanda de nossos
produtos agrícolas, juntamente com a desvalorização
do dólar, provocaram um aumento dos nossos preços de exportação
que, em menos de seis anos, libertaram a economia brasileira de sua dependência
externa. Esse resultado extraordinário foi produto de pelo menos
cinco causas:
1ª) da continuidade da política monetária e fiscal;
2ª) da garantia (às vezes duvidosa) da propriedade privada
na agricultura e do "espírito" de apropriação dos
ganhos tecnológicos;
3ª) dos benefícios dos investimentos na Embrapa desde o
início dos anos 70;
4ª) de políticas de subsídios que, graças
à concorrência no setor agrícola, foram largamente
devolvidos ao consumidor na forma da redução da relação
de preços agrícolas/preços industriais; e
5ª) da extraordinária ampliação dos preços
externos.
A sustentação do nível de atividade e do emprego
foi, entretanto, consequência da existência de um setor industrial
com maior sofisticação do que a sugerida por seu tamanho.
Foi o forte mercado interno brasileiro, muito mais do que a política
monetária sempre atrasada e tímida e a política fiscal
de duvidoso "anticiclismo", que sustentou o nível de atividade.
É este mercado urbano (que perdeu a exportação industrial)
que está pagando o preço do ajuste produzido pela "supervalorização"
do real.
Estamos num novo momento da história da economia brasileira.
É preciso pensá-la 25 anos à frente. Ela, certamente,
não será nem a continuação da atual, nem apenas
o "pré-sal", apesar de sua visibilidade e importância decisivas.
Ela será o que fizermos para antecipar o ajuste do setor agrícola
(com a mudança do clima), do setor industrial (com as novas "ideias-força"
da energia renovável) e do setor de serviços (com as novas
tecnologias). (ANTONIO DELFIM NETTO - Folha de S.Paulo)
24.09 - Nota chega tarde e terá pouco efeito prático
Nos bastidores do mercado financeiro, uma das explicações
para a demora da Moody"s em conceder o grau de investimento ao Brasil seria
a pressão do governo Lula. A agência não gostaria de
deixar transparecer que estava atendendo a pedidos de autoridades brasileiras.
A justificativa não cola, porque esse tipo de pressão
é comum em vários países e envolve todas as agências.
O fato é que a Moody"s chegou atrasada e ponto.
Em abril e maio do ano passado, respectivamente, a Standard & Poor"s
(S&P) e a Fitch, as duas principais concorrentes da Moody"s, já
enxergavam a melhora das condições de solvência do
Brasil, que justificava a promoção do rating a grau de investimento.
Ambas não precisaram esperar que o País passasse bem
pela grave crise internacional para conceder o selo de qualidade. Agora,
dizem os críticos (com razão), ficou fácil.
É por equívocos de análise como esse da Moody"s
que as agências de classificação de risco vêm,
ano a ano, perdendo credibilidade no mercado global. Elas foram responsabilizadas
por grande parte da crise atual, ao considerar livres de risco ativos que
se mostraram podres - é por isso que serão mais reguladas
daqui para a frente. Na crise da Ásia, não enxergaram a deterioração
das contas fiscais e/ou externas de muitos países. Deu no que deu.
Isso não significa, claro, que elas tenham se tornado irrelevantes.
Investidores ainda olham para um rating antes de tomar decisões,
sobretudo em um mundo globalizado no qual um empresário bem-sucedido
do Leste Europeu pode aplicar suas economias em títulos públicos
brasileiros ou em ações da Petrobrás.
Muitos fundos de investimento e de pensão - os grandes "players"
do mercado global - não podem investir recursos em ativos que não
sejam considerados grau de investimento por ao menos duas das principais
agências. Até nisso, aliás, a Moody"s chegou atrasada.
Quem esperava essa chancela para investir no Brasil, já o fez.
(Leandro Modé - O Estado de S.Paulo)
24.09 - Prefácio a um Belo Monte de rolos
Governo pode ficar com quase metade da segunda maior hidrelétrica
do país, que deve ir a leilão neste ano
O governo pode ficar com metade da segunda maior hidrelétrica
do país, Belo Monte, que, no entanto, deveria ser um negócio
privado. Mas a distorção não pode ser colocada na
conta do governo, ou não apenas. Trata-se mais de uma parceria público-privada
informal: na confusão dos consórcios e no lobby privado de
preços. A usina será leiloada, talvez em outubro ou novembro,
se o Ministério Público Federal no Pará não
interromper o processo. Deve começar a funcionar em 2014. Foi Edison
Lobão, ministro de Minas e Energia, que anunciou ontem, num seminário
em São Paulo, que o governo terá participação
de mais de 40% e até 49% no capital da hidrelétrica a ser
construída no rio Xingu, no Pará, perto de Altamira.
Mas nada está acertado ainda sobre Belo Monte (nas usinas do
rio Madeira, Jirau e Santo Antônio, a indefinição perdurou
até os dias anteriores à licitação, em 2007).
Entenda-se a ressalva: todas as decisões sobre o setor elétrico
são tomadas na Casa Civil, da ministra Dilma Rousseff. Como a ministra
está "meio fora", com muitas tarefas, ministrando o pré-sal,
adoentada e em campanha, a "ministra-chefe" de Belo Monte é Erenice
Guerra, a sub de Dilma.
As subsidiárias da estatal Eletrobrás vão participar
de algum modo no negócio, num consórcio com empresas privadas
que disputarão o leilão, ou se associando, depois, aos vencedores,
mais ou menos como se previa e em parte ocorreu no caso das usinas do Madeira.
Nas internas, o governo acusa empreiteiras e empresas do setor elétrico
de tentarem formar um "cartel", termo técnico erroneamente utilizado
mas expressivo para definir uma associação de empresas privadas
para jogar para o alto o preço da usina.
A disparidade entre as estimativas de custo privadas e da estatal Empresa
de Pesquisa Energética (EPE) desta vez é brutal. Para a EPE,
a usina custaria R$ 16 bilhões, sem o custo financeiro. No setor
privado, se ouve de tudo, de R$ 20 bilhões a R$ 30 bilhões.
No governo, se diz que o custo médio da energia será menor
que os R$ 79 MWh do rio Madeira; no setor privado, diz-se que um preço
"competitivo" (para as empresas donas do negócio), seria pelo menos
50% maior.
Argumentam que, apesar de representar 10% da potência instalada
hoje no país, cerca de 11 mil MW, a "energia assegurada" de Belo
Monte será semelhante à das usinas do Madeira (com 6.000
MW instalados). Mas como não se sabe quanto da energia de Belo Monte
deverá ser destinada aos mercados livre e cativo, sobre financiamento,
dinheiro do BNDES e tamanho da participação das subsidiárias
da Eletrobras (Furnas, Eletrosul, Chesf), toda especulação
sobre custos e preços competitivos é especulativa.
O preço limite para a energia destinada ao mercado cativo era
de R$ 122 por MWh para quem se dispunha a ficar com a usina de Santo Antônio,
no Madeira, leiloada em 2007; empresas privadas diziam que era "loucura"
oferecer menos de R$ 100. Os vencedores ofereceram R$ 78,87 (o mercado
regulado "cativo" somos nós, consumidores residenciais, e empresas
que não negociam seus contratos no mercado livre).
O edital do leilão ainda não saiu. Por ora, as histórias
de preços e sociedades estão bem mal contadas.
(VINICIUS TORRES FREIRE - Folha de S.Paulo)
23.09 - Os riscos dos desdobramentos da crise
Do pico de nível de atividade econômica, no período
pré-crise, atingido em abril de 2008, até o segundo trimestre
de 2009, a atual crise provocou uma contração maior no PIB,
no comércio mundial e nas bolsas de valores do que a grande depressão
dos anos 30. Entretanto, as respostas das políticas monetária
e fiscal foram muito mais rápidas e intensas do que nos anos 30.
Com isso, tivemos uma rápida e sensível melhora nas expectativas
e surpreendente início de recuperação da atividade
econômica desde o segundo trimestre na Alemanha, França e
no Japão, estabilização nos Estados Unidos e recuperação
do crescimento na Ásia.
A rigor a crise financeira iniciou-se nos Estados Unidos e contaminou
diretamente os bancos dos principais países desenvolvidos. Nos países
emergentes ela foi importada pelo pânico psicológico, revelou-se
sem maiores consequências e a desaceleração do crescimento
veio da queda nas exportações. A sustentação
do crescimento e o seu ritmo dependerão do dinamismo de seu mercado
doméstico. Tudo indica que os emergentes estão retomando
o crescimento ainda que em ritmo menor.
Algumas grandes questões colocam em risco a recuperação
recém-ensaiada nos países desenvolvidos. Ela se sustentará
no momento em que os estímulos fiscais forem retirados? O que acontecerá
com o seu sistema financeiro enquanto a nova regulação não
vem, com uma política monetária fortemente expansionista,
que inundou o sistema com abundante liquidez, uma taxa de juros próxima
a zero e o retorno das práticas e da especulação financeira?
Com o socorro monumental dado pelo Federal Reserve (Fed, banco central)
e pelo Tesouro, o mercado financeiro norte-americano já voltou a
operar com as mesmas práticas que desencadearam a crise, as operações
de trading no mercado de capitais, gerando grandes lucros e, com isso,
os bônus bilionários e a sensação de que a crise
financeira já acabou.
No entanto, não é a percepção dos analistas
econômicos que sabem que as fragilidades do sistema financeiro não
foram removidas e ninguém está prevendo a recuperação
da economia em forma de V. Ao contrário, os analistas mais sérios
agrupam-se em dois grupos. De um lado, aqueles que acham que a recuperação
terá a forma U, mas com base achatada e longa e, de outro, aqueles
que acreditam que a recuperação terá a forma de um
W. Há fortes argumentos para ambos os grupos.
Aqueles que veem a recuperação em forma de U, com base
achatada e longa, apontam que dois choques negativos e persistentes nos
países desenvolvidos: choque de queda no consumo, em função
da enorme destruição de riqueza financeira e necessária
elevação da taxa de poupança das famílias americanas
que estavam super-endividadas. O mesmo ocorre na Europa em menor grau;
assim, a hipótese de recuperação via exportações
está afastada. Com forte e persistente queda no consumo e nas exportações,
a recuperação dos investimentos também é remota.
Mais do que isto alguns analistas como Paul Krugman apontam riscos dos
Estados Unidos entrarem numa espiral deflacionária, pois as respostas
de política econômica tomadas até agora nos Estados
Unidos e os desdobramentos da crise estão distantes daquelas tomadas
pela Suécia e outros países nórdicos no início
da década de 90, que permitiram rápida recuperação
econômica. O desenrolar da crise mais se assemelha com o caso japonês
em que o socorro do banco central e do tesouro se deu sem simultânea
reestruturação do sistema financeiro, como no caso sueco,
e com isso a recuperação foi lenta e prolongada e agravada
pela temível espiral deflacionária.
Aqueles que acreditam que a recuperação será longa
e em forma de W ou www, apontam duas ordens de riscos. Primeiro os riscos
oriundos da estratégia de saída das expansionistas políticas
monetária e fiscal e da retirada das garantias e da liquidez extraordinária
injetada no sistema. Os desafios são gigantescos: em que momento
reverter as políticas, lembrando que os estímulos fiscais
têm data marcada para serem retirados e que a sua permanência
requer aprovação do Congresso provavelmente resistente; como
sequenciar ao longo do tempo as saídas; como coordenar e sincronizar
globalmente as saídas.
Em segundo lugar temos os riscos oriundos da injeção
extraordinária de liquidez e socorro aos bancos sem a simultânea
reestruturação. Com recursos sem limite, as taxas de juros
próximas a zero garantidas pelo Fed e na crença de que o
governo não permitirá novas quebras os bancos, as mesmas
práticas especulativas que geraram as bolhas e seu colapso retornaram.
Pois é assim que geram enormes lucros recordes agora captando recursos
custo praticamente zero e especulando com ativos com preços deprimidos.
Não são as operações tradicionais de empréstimos
bancários ao setor real da economia que estão de volta. Basta
verificar que as reservas bancárias ociosas passam de mais de US$
1,3 trilhão. São as operações alavancadas de
trading no mercado de capitais que voltaram e que, ao canalizarem recursos
da liquidez extraordinária injetada pelos bancos centrais para as
bolsas de valores, principalmente dos emergentes, petróleo, as commodities
e para moedas-commodities, como o real, estão provocando a elevação
de seus preços que já atingiram níveis em plena recessão
global que não se justificam. Assim já podemos falar de mini-bolhas.
De fato, nestas instituições quando o preço de seus
ativos aumentam no seu balanço recompõe-se o seu patrimônio
líquido e a alavancagem se reduz com isto são estimulados
pela expectativa de polpudos lucros e bônus milionários abrem
o apetite ao risco alavancando-se com novas operações e assim
sucessivamente até que geram bolhas que podem eventualmente estourar.
Assim, aqueles que acreditam que a recuperação se dará
sob a forma de W apontam para as grandes dificuldades de implementar uma
saída das políticas e da retirada da liquidez extraordinária
sem turbulências num quadro no qual a própria ação
de socorro dos bancos centrais está gerando mini-bolhas. Certamente
haverá sustos já que o socorro do governo aos bancos foi
feito sem a sua reestruturação que deverá demorar
e quem sabe será implementado só em 2011. (Yoshiaki
Nakano - Valor Online)
23.09 - Concentração bancária cresce; 10 bancos
têm 89% dos ativos
Com crise financeira global, bancos menores recuaram e grandes se fundiram
Antes da crise, há um ano, os dez maiores detinham 84,3% dos
ativos totais; participação dos 5 maiores vai de 66,3% para
77,4%
A crise econômica internacional reforçou o perfil de concentração
do sistema bancário do país. O que se viu nos últimos
trimestres foi a ampliação da fatia controlada pelas maiores
instituições financeiras.
Os dez maiores bancos que operam no país, que em setembro de
2008 concentravam 84,3% dos ativos totais, ampliaram sua participação
para 88,9% no fim do primeiro semestre deste ano. Em setembro de 2007,
o percentual estava em 80,7%. O levantamento, feito pela Folha, se baseou
no ranking do setor realizado pelo BC a partir de balanços apresentados
por cem bancos comerciais e múltiplos.
Segundo os dados do BC, os cinco maiores bancos viram a participação
saltar de 66,3% para 77,4% do total entre setembro de 2008 e junho deste
ano. Neste caso, a expansão reflete mais fortemente o impacto das
operações que levaram à união de Itaú
e Unibanco e BB e Nossa Caixa. É que tanto Unibanco como Nossa Caixa
não estavam entre as cinco maiores instituições do
país e, dessa forma, incharam o topo do ranking dos bancos.
Apesar de a crise não ter levado bancos a quebrar no país,
como ocorreu nos EUA e na Europa, muitas instituições menores
perderam espaço nos últimos meses por encontrarem dificuldades
crescentes para manter o crédito aquecido e atrair novos aplicadores.
"Os bancos de menor porte, com exceção dos que têm
uma carteira de consignado forte, foram mais afetados na crise e perderam
espaço no mercado de crédito. O avanço dos grandes
bancos teria sido ainda mais expressivo se não tivesse havido a
opção de restringir sua carteira de crédito", diz
Luis Miguel Santacreu, analista financeiro da Austin Rating.
O crédito tem sido um dos principais motores da expansão
dos resultados e do crescimento dos bancos. Durante a crise, ocorreram
ao menos dois movimentos relevantes nessa área: de um lado, os bancos
-com exceção dos gigantes públicos- emprestaram menos,
especialmente a pessoas físicas, para minimizar os riscos de sofrer
calote; de outro, as empresas reduziram a demanda por crédito, pois
não sabiam o quanto a crise prejudicaria o crescimento econômico.
Dessa forma, com a esperada retomada futura do crédito, principalmente
a partir do último trimestre de 2009, os bancos de menor porte podem
retomar um pouco do espaço que perderam para os gigantes.
"Presenciamos uma concentração decorrente da conjuntura,
que tende a perder fôlego à medida que os bancos médios
voltem a crescer e a retomar o crédito", afirma Santacreu.
Menos concorrência
Para os consumidores, a concentração de qualquer setor
não costuma ser uma boa notícia. Isso porque maior concentração
significa que menos agentes (nesse caso, os bancos) detêm uma fatia
mais expressiva do mercado. E, quanto menos concorrência houver,
maiores são as chances de preços e custos praticados serem
parecidos, enquanto ofertas e oportunidades diminuem.
A operação de compra da Nossa Caixa pelo BB e a fusão
de Itaú e Unibanco, ambas anunciadas no ano passado, ilustram bem
esse movimento: onde antes o cliente tinha quatro bancos para escolher
qual a melhor taxa praticada, agora há apenas duas opções.
Ao menos no que se refere a fusões e aquisições,
que colaboram para a concentração bancária, poucos
eventos relevantes tendem a ocorrer nos próximos trimestres. Analistas
avaliam que dificilmente haverá tão cedo alguma operação
de grande porte, como as de 2008. As últimas especulações
citavam Citibank e HSBC, que, devido às dificuldades de suas matrizes
no exterior, poderiam ser vendidos por aqui. Os bancos sempre as negaram.
(FABRICIO VIEIRA - Folha de S.Paulo)
23.09 - Mercado descarta PIB negativo em 2009
O mercado finalmente se convenceu que a desaceleração
da atividade econômica no Brasil não foi forte o suficiente
para que o Produto Interno Bruto (PIB) de 2009 seja, em termos reais, inferior
ao de 2008, sinaliza pesquisa de expectativas feita pelo Banco Central.
Colhida na sexta-feira, a nova mediana das projeções para
este indicador ainda não chega a apontar crescimento real do PIB
este ano. Mas, pela primeira vez desde o fim de março, pelo menos
não prevê redução real do produto.
A pesquisa da semana anterior indicava queda de 0,15% do PIB. No fim
de maio, a mediana chegou a apontar queda real de 0,73%. Apesar da crise
financeira mundial e dos seus efeitos sobre o país, o governo nunca
sancionou o excesso de pessimismo do mercado em relação ao
comportamento da atividade econômica este ano. Estimada em 4,5% no
projeto original de Orçamento para 2009, encaminhado em agosto de
2008, a taxa de crescimento real esperada pelos ministérios da Fazenda
e do Planejamento para este ano, atualmente 1%, foi revista, mas manteve-se
sempre positiva. Os relatórios trimestrais de inflação
mostraram que o BC tampouco chegou a trabalhar com hipótese de variação
negativa do PIB em 2009.
Pela nova pesquisa do Banco Central, o mercado espera estabilidade
do valor real do PIB total, apesar da prever queda de 7,25% no PIB do setor
industrial. A redução seria compensada pelo aumento de atividade
em outros setores da economia.
Para 2010, os bancos e empresas participantes da pesquisa preveem crescimento
econômico real de 4,2%, o que também representa melhora de
expectativas. Na pesquisa anterior, a mediana das projeções
para a variação do PIB no próximo ano estava em 4%.
Para a indústria especificamente, permaneceu a mediana de 6%.
As projeções de inflação mudaram pouco,
mas também foram alteradas em comparação à
sondagem da semana anterior. Para o IPCA, a expectativa agora é
de variação de 4,31% em 2009 e de 4,3% em 2010. Para o IGP-DI,
a expectativa é de deflação de 0,2% este ano e de
inflação de 4,5% no ano que vem. O mercado prevê deflação
também em relação aos preços que compõem
o IGP-M, nesse caso, de 0,61% para este ano.
Para 2010, a mediana das projeções de variação
do mesmo índice indica inflação de 4,5%. Para o IPC
da Fipe, a mediana aponta aumento do índice tanto em 2009 (4,2%)
quanto em 2010 (4,45%). Para este e o próximo ano, a meta de inflação
do governo, que refere-se ao IPCA, é de 4,5%. (Mônica
Izaguirre - Valor Online)
23.09 - País sai depressa da crise, diz Meirelles
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou segunda-feira
que o Brasil foi, sim, atingido com força pela crise financeira,
mas que está saindo rápido dela. Segundo ele, a venda de
veículos liderou o processo de retomada da economia brasileira.
"A crise atingiu forte o Brasil, embora no começo nós
não esperássemos isso", disse. "O estrago não foi
tão grande por conta das medidas pontuais tomadas pelo governo,
principalmente na concessão de crédito, intervenção
direta no mercado de futuros e também com a redução
de impostos", completou Meirelles, durante evento em São Paulo.
Ele ressaltou que o crédito no país já retornou
aos níveis pré-crise, e afirmou que, nos primeiros dias de
agosto, a média diária de concessão ficou em torno
dos R$ 7 bilhões. Além disso, Meirelles citou o nível
de reservas internacionais no Brasil. Segundo ele, o país entrou
de "colchão cheio" na crise, com US$ 222,3 bilhões de reservas.
Agora, de acordo com Meirelles, é preciso levar em conta a retomada
do emprego, porque é ele que puxa a volta do crescimento. O presidente
do BC citou como positivos os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados
e Desempregados) de agosto, que mostrou a criação de 242.126
empregos formais no mês passado.
Meirelles afirmou ainda que está aguardando as definições
que sairão da reunião de líderes do G-20, nos Estados
Unidos, nesta semana. Ele ressaltou a necessidade de aumentar a supervisão
de bancos de importância sistêmica para a economia.
Além disso, o presidente do BC afirmou ainda que é preciso
melhorar a qualidade e consistência do capital, e que, para isso,
seria importante aumentar o nível de recursos aplicados em ações.
A respeito da discussão, na reunião do G-20 financeiro,
no início do mês, sobre a retirada gradual dos programas de
estímulo à economia, Meirelles afirmou que, no Brasil, a
discussão é legítima, já que a renda e o emprego
estão crescendo e o crédito está voltando à
normalidade.
No encontro, ministros e presidentes de bancos centrais concordaram
que ainda não é o momento de retirar os pacotes de ajuda
à economia mundial. (Paula Nunes, FolhaNews/Valor Online)
22.09 - Investimento volta com Estado, diz BNDES
País já retomou R$ 43 bi em projetos congelados após
a crise, diz estudo do banco, que vê expansão do PIB de 5%
em 2010
Levantamento aponta retomada em petroquímica, energia e infraestrutura,
três setores regulados ou liderados pelo Estado
O Brasil já retirou da gaveta quase a metade dos R$ 100 bilhões
em projetos de investimentos que haviam sido congelados depois da crise
do banco de investimentos Lehman Brothers, em setembro de 2008.
É o que indica levantamento da área de pesquisa econômica
do BNDES. Com base nesse levantamento, o banco oficial de fomento passou
a estimar que a economia brasileira pode crescer 5% ou até mais
em 2010.
O estudo foi elaborado com base em projetos anunciados, retomados ou
cancelados tanto por empresas privadas como pelo setor público para
o período 2009/2012.
"Do ponto de vista global, um ano após o início da crise,
podemos ver que seu impacto nos investimentos acabou não sendo tão
relevante no longo prazo", disse Ernani Torres Filho, superintendente de
pesquisa e acompanhamento econômico do banco.
No curto prazo, pelo menos, a crise interrompeu o crescimento dos investimentos
visto ao longo de 2008. A taxa de investimentos como proporção
do PIB do país caiu a 15,7% no segundo trimestre deste ano, a menor
desde 2003.
O estudo do BNDES registra o ânimo de investimentos no Brasil
em três momentos: pouco antes da crise, em agosto de 2008; no auge
dela, em dezembro de 2008; e em agosto passado, com a percepção
generalizada de que seus efeitos foram menos intensos no Brasil.
No primeiro momento, os investimentos mapeados estavam em R$ 781 bilhões.
Com a crise, caíram para R$ 688 bilhões (redução
de R$ 93 bilhões, ou 12%). No mês passado, voltaram a subir,
para R$ 731 bilhões (alta de R$ 43 bilhões, ou 6%).
Houve uma recuperação notável do ânimo empresarial
especialmente nos setores de energia, petroquímica e infraestrutura,
três setores regulados pelo Estado ou protagonizados por estatais.
Nessas três áreas, a perspectiva de investimentos medida em
agosto é ainda maior do que visto antes da crise, em agosto de 2008.
Os investimentos em energia ganharam musculatura com as reservas de
petróleo do pré-sal e o avanço da construção
das hidrelétricas do rio Madeira.
Em petroquímica, foram robustecidas com o Complexo Petroquímico
do Rio de Janeiro e a Companhia Petroquímica de Pernambuco.
No setor de infraestrutura, o aumento da disposição em
investir deve-se ao amadurecimento do projeto do trem-bala, orçado
em R$ 35 bilhões, e à aceleração nas concessões
de rodovias, principalmente no Estado de São Paulo.
A mão do Estado
Segundo os economistas Fernando Pimentel Puga e Gilberto Rodrigues
Borca Junior, responsáveis pelo estudo, a solidez dos investimentos
em energia e infraestrutura pode ser explicada pela forma como o governo
tem atuado. "Grande parte dos projetos mapeados está relacionada
a metas fixadas por meio de leilões, concessões e autorizações
ao setor privado para exploração de serviços públicos."
Já nos setores exportadores, os efeitos da crise continuam reduzindo
a disposição de investir. No setor extrativo mineral (dominado
pela Vale), os planos efetivos de investimentos para 2009/2012 mantiveram-se
em queda até agosto passado, segundo o estudo.
Eles partiram de R$ 72 bilhões antes da crise, atingiram R$
52 bilhões em dezembro e caíram ainda mais em agosto passado,
para R$ 46 bilhões -redução de R$ 26 bilhões.
(MARCIO AITH - Folha de S.Paulo)
22.09 - Equívocos sobre a despesa com juros
"Na década de 90 a carga tributária cresceu mais de 8
pontos percentuais. Desse montante 6 pontos foram para sustentar a
política monetária, que pagou juros altíssimos
para o andar de cima. Essa é uma péssima aplicação
do imposto arrecadado" (Lina Vieira, ex-Secretária da Receita Federal,
entrevista à Tribuna do Norte, Natal, 20/7/2009)
Frequentemente, sou cobrado com perguntas que podem ser resumidas assim:
"Por que você nunca fala contra os juros?". Agora que volta a se
falar em um "piso" para a SELIC e isso gera contestações
diversas, é um bom momento para abordar esse ponto.
Nas circunstâncias que o país viveu em 2009, um corte
intenso da Selic foi necessário para evitar quedas adicionais do
nível de atividade. De qualquer forma, a razão da minha resistência
a tratar do assunto é que não considero que, em termos fiscais,
seja adequado tratar os juros da mesma forma que outra rubrica de gasto.
Isso porque a autoridade fiscal pode decidir gastar menos no item A e mais
no B, mas ela não tem o dom de arbitrar "gastar tantos R$ bilhões
a menos em juros e mais em tal outro item".
Achar que, em um país com uma dívida mobiliária
de mais de 45% do PIB, tal alocação se dá como se
o país fosse uma padaria onde o dono decide fabricar menos bisnagas
e produzir mais bisnaguinhas, é ingênuo. Se a autoridade fiscal
gasta 50% a menos com o Ministério A e amplia a verba destinada
ao Ministério B, o máximo que pode acontecer é o Ministro
de A reclamar. Já se ela decidir gastar 50% a menos com juros, em
primeiro lugar cabe lembrar que essa despesa é dada pela política
monetária; e em segundo lugar, em condições normais,
a medida pode gerar inflação. Em 1986, no Plano Cruzado,
o governo decidiu reduzir os juros "na marra" e a crença de que
em economia não existem restrições, custou ao país
um atraso de quase 10 anos, até que em 1994 fosse adotado um plano
de estabilização que desse certo.
Mesmo que se considere que o gasto com juros pode ser decidido pelas
autoridades como se não houvesse restrições, há
dois equívocos que é importante desmontar, para que se entenda
a essência do nosso problema fiscal. O primeiro equívoco,
sintetizado na frase de Lina Vieira que abre o artigo, é: "O país
gasta cada vez mais com juros e por conta disso o Governo acaba tendo que
cortar cada vez mais". A tabela mostra a despesa com juros reais da dívida
pública desde os anos 80. Tal despesa é volátil e
portanto é conveniente usar médias, já que, entre
um ano e outro, oscilações da inflação podem
fazer o valor da rubrica oscilar bastante. Os dados mostram que, na década
atual, o país gastou com juros reais em torno de 4% do PIB, menos
que os 5% do PIB da segunda metade dos anos 80. Pode-se alegar que o país
gastou muito com juros, mas afirmar que vem gastando "cada vez mais" com
o item, é falso. Em contraste, a despesa primária - sem juros
- do Governo Central desde 1991. Em 18 anos, ela aumentou 9% do PIB! Quem
quiser, tem todo o direito de julgar que o problema fiscal está
na despesa que antes era de 5% e na década atual foi de 4% do PIB.
O fato, porém, é que o problema principal está em
que a despesa primária do Governo Central, que ocupava 14% do PIB
no começo dos anos 90, hoje representa 23% do PIB. Os números
falam por si.
O segundo equívoco é: "O Governo paga 8% do PIB aos rentistas".
Aqui há quatro problemas. Primeiro, o número é antigo,
pois a despesa nominal com juros não é mais de 8 % do PIB:
nos últimos 12 meses, foi de 5% do PIB. Segundo, parte importante
da despesa de juros é apenas correção monetária.
Em 2008, para uma Selic média (janeiro/dezembro) de 12,5%, a inflação
foi de 5,9%. Pelos dados oficiais do Banco Central, pelo método
de cálculo usado pela instituição, dos 5,7% do PIB
gastos com juros em 2008, 3,5% do PIB corresponderam ao ajuste pela inflação,
que não acrescenta nada em termos reais ao patrimônio dos
detentores de títulos.
Terceiro, aproximadamente 20% são impostos, que saem por um
guichê do Governo e voltam a entrar pelo guichê vizinho. Em
2009, para uma Selic jan/dez de 10%, uma alíquota média de
20% - ela vai de 22,5% a 15,0%, mas com predomínio da alíquota
maior - implica um pagamento de imposto de renda (IR) na fonte de 2%, que
aparece como parte da "despesa de juros" nas contas do BC. Uma Selic bruta
de 10% gera um rendimento líquido de 8%, que com uma inflação
estimada de 4,3% corresponde a um rendimento real de 3,5%. É razoável,
mas na economia há n setores com perspectivas de rentabilidade superior.
Achar que isso é um rendimento "absurdo" não faz sentido.
E, cabe lembrar que uma parte estimada em 20% da dívida está
em mãos da CEF e do BB, ou seja: o Governo paga com uma mão
o que recolhe com outra.
Mesmo ignorando esse último aspecto, o resumo é que se
dos juros previstos para 2009, de 5% do PIB, tirarmos 20% de imposto e
a parcela da inflação dos juros nominais de 10%, sem os 2%
comidos pelos impostos e sem a inflação ficamos com juros
reais líquidos da ordem de 35% de 5% do PIB, ou, grosso modo, 2%
do PIB- e não 8% do PIB. Esse é o ganho líquido real
dos "rentistas". Os juros no Brasil foram elevados, mas, em uma despesa
total das três esferas de Governo que se aproxima de 40% do PIB,
argumentar que é na rubrica dos juros que se localiza o grande nó
fiscal brasileiro é simplesmente errado. (Fabio Giambiagi
- Valor Online)
22.09 - Bradesco tem o melhor retorno sobre ativos, aponta estudo
O Bradesco é o banco com melhor retorno sobre ativos dentre
as 20 maiores instituições financeiras dos Estados Unidos
e da América Latina, segundo levantamento realizado pela consultoria
Economática.
É a primeira vez, desde o ano 2000, que o Bradesco fica em primeiro
lugar, segundo Einar Rivero, autor do estudo.
O levantamento considera o ROA (Return on Assets, ou Retorno sobre
Ativos, em português), indicador de quão rentável é
uma companhia em relação ao total dos seus ativos.
O estudo considerou os seis primeiros meses de 2009, em comparação
ao mesmo período de outros anos, para evitar o segundo semestre
de 2008, período do auge da crise.
Atrás do Bradesco, está o norte-americano Fifth Third
Bancorp. Além deste, apenas Goldman Sachs, Bank of America e Citigroup
tiveram algum incremento da lucratividade, em relação ao
ano passado, dentre os bancos americanos que possuem mais de US$ 100 bilhões
em ativos.
Sem o impacto da queda abrupta sofrida por bancos estrangeiros, os
brasileiros destacaram-se. Itaú Unibanco e Banco do Brasil ficaram
em terceiro e quarto lugares. O levantamento considerou o banco Itaú
isoladamente, sem o Unibanco, nos anos anteriores a 2009.
O bom resultado dos bancos brasileiros se justifica porque as instituições
financeiras do país têm relativamente poucos ativos mas rendem
bastante, segundo Luiz Miguel Santacreu, da Austin Rating. "Os bancos brasileiros
conseguem, com menos ativos, ter melhor rentabilidade do que muitos grandes
do exterior em razão dos juros altos e de muita gordura no "spread"
[diferença entre a sua taxa de captação e a cobrada
nos empréstimos]", diz.
O lucro do conglomerado de Itaú e Unibanco, anunciado em 4 de
novembro de 2008, porém, não acompanhou o crescimento dos
ativos e nem a rentabilidade que o Itaú tinha.
"Ainda não deu tempo para que o resultado da operação
dos dois bancos juntos crescesse a ponto de justificar o tamanho que eles
têm hoje", observa Santacreu, da Austin Rating.
Bancos americanos têm hoje um total de ativos que não
condiz com a realidade porque muitos não estão contabilizados
a valor de mercado.
"Se fosse contabilizar a valor de mercado, o valor dos ativos americanos
seria bem menor", diz Santacreu. (MARIA CRISTINA FRIAS - Folha de
S.Paulo)
21.09 - A volta da inflação em 2010
Não teremos, como antes, saltos discretos da inflação,
mas sim um movimento suave e continuado
O tema da coluna de hoje certamente vai reforçar a visão
negativa que muitos têm sobre os economistas. Mesmo correndo esse
risco, não posso deixar de alertar o leitor da Folha para uma armadilha
que pode ocorrer ainda na primeira metade de 2010: a aceleração
da inflação como ameaça ao céu de brigadeiro
na economia.
Parece coisa de neurótico falar dos riscos da inflação
em um mundo que vive uma difícil convalescença recessiva.
Na maioria das economias -sejam elas do Primeiro Mundo ou do mundo emergente-
temos ainda uma recuperação muito tímida da atividade
econômica. Nos casos norte-americano e inglês, os riscos de
uma volta a um quadro recessivo -"double dip"- são ainda reais.
Por isso, a maioria dos bancos centrais reafirmou nas últimas
semanas que suas políticas de acomodação monetária
vão continuar por um tempo ainda longo. Em resposta, os mercados
de juros têm operado nos níveis mais baixos dos últimos
meses.
Mas o Brasil é uma exceção à regra. Os
últimos dados de emprego divulgados são a prova mais recente
de uma economia com grande exuberância. Eu e meus colegas da Quest
-certamente um dos grupos do mercado financeiro mais otimistas com o futuro-
fomos surpreendidos pela geração de empregos formais no mês
de agosto passado. Por esse motivo revimos -mais uma vez- nossas projeções
para o crescimento no próximo ano. O número de 6% ao ano
hoje é realista.
Poderemos viver a partir da primeira metade de 2010 uma dinâmica
de crescimento próxima à verificada entre 2007 e outubro
de 2008: um consumo vigoroso, sustentado por uma massa salarial que cresce
pela adição de emprego e pelo crescimento real dos salários,
por uma queda importante nas taxas de juros e pela normalização
do mercado de crédito, com redução do "spread" cobrado
pelos bancos. Esse movimento estará associado a uma tentativa das
instituições privadas de recuperar o espaço perdido
para os bancos públicos nos últimos meses.
Não tenho dúvida sobre a volta dos investimentos em 2010,
pois as empresas brasileiras não vão correr novamente o risco
de perder mercado para as importações. Apenas as exportações
não devem repetir no ano que vem o papel de importante fonte de
crescimento interno. Parte significativa do mundo exterior ainda estará
em período de convalescença e de baixo dinamismo.
Mas em seu lugar teremos o estímulo representado pelos gastos
do governo, que estarão em níveis bem superiores aos do período
pré-crise de 2008. Não acredito que -depois de ter provado
as delícias do aumento dos gastos públicos- o governo Lula
voltará à disciplina fiscal anterior. Ainda mais em um ano
de acirrada disputa eleitoral. Sou velho demais para acreditar em Papai
Noel.
Nesse cenário, vamos voltar a viver tensões inflacionárias
a partir, principalmente, do mercado de trabalho. Como esse é no
Brasil do real forte o mais importante canal de transmissão da inflação,
os riscos parecem reais -e não imaginários. Não teremos,
como no passado, saltos discretos nas taxas de inflação -esse
tempo ficou realmente para trás-, mas sim um movimento suave e continuado,
que pode ter início na primeira metade de 2010. Se isso ocorrer,
certamente a reação dos mercados futuros de juros será
mais forte do que a vista até agora, mesmo considerando que os preços
de hoje já contemplem um aumento importante da taxa Selic ao longo
de 2010. (LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS - Folha
de S.Paulo)
21.09 - Mercado revisa PIB e puxa juro futuro
O mercado de juros não "realizou" como os demais segmentos.
Enquanto o dólar fechou em alta de 0,38%, cotado a R$ 1,8070, seguindo
os passos da venda de ativos de risco feita no exterior, as projeções
de CDI mantiveram-se firmes na tendência de alta. O contrato mais
negociado, para janeiro de 2011 - e também o mais importante, porque
forma a curva de juros até o fim do governo Lula - subiu de 9,88%
para 9,91%. Este contrato chegou a ser negociado a 9,96%, em tentativa
dos bancos para forçar a alta da remuneração de títulos
públicos prefixados (as LTNs) oferecidos em leilão primário
pelo Tesouro. Parte da elevação do juro resultou desta intenção
de justificar as propostas ao leilão, mas a motivação
central persiste a mesma: a economia brasileira poderá crescer fortemente
no ano que vem, alterando os planos monetários do BC.
Uma das consultorias mais respeitadas do mercado, a MB Associados -
encabeçada pelo economista José Roberto Mendonça de
Barros -, elevou para 5% a sua expectativa de expansão do PIB em
2010. "Não apenas a política monetária está
bastante expansionista, mas a política fiscal também promete
manter um padrão de gastos elevado ano que vem", diz o economista-chefe
da MB, Sérgio Vale. Nas projeções de superávit
primário de 2,5% feitas por ela para o PIB do ano que vem estão
embutidas hipóteses que farão com que o governo responda
por 50% dos incrementos de renda em 2010. "As políticas monetária
e fiscal estarão trabalhando como nunca para estimular o crescimento,
ainda mais considerando-se ser um ano eleitoral importante", diz Vale.
A consequência: o ritmo de recuperação da atividade
levará inevitavelmente ao aumento da Selic em algum momento. O que
um PIB crescendo mais rapidamente traz é a possibilidade desse aumento
começar mais cedo. E é em torno do momento em que se dará
esse gesto - ou esta antecipação - que o mercado futuro de
juros da BM&F agita-se em suas apostas. Para a MB, ainda não
há razões concretas para a alta da Selic. O hiato do produto
está confortável até o final do ano que vem, a taxa
de câmbio ajudará a conter os preços livres, preços
agrícolas não devem ser altistas e os preços administrados
crescerão bem menos do que em 2009.
Os juros subiram na BM&F a despeito da realização
externa e também da boa notícia inflacionária. Além
da alta do DI para janeiro de 2011, o swap de 360 dias avançou de
9,28% para 9,30%, ignorando o IPC FIPE aquém das previsões.
O índice, referente a segunda quadrissemana do mês, acusou
alta de 0,42%, desacelerando em relação à primeira
(0,47%) e menor que os prognósticos, cuja mediana situava-se em
0,44%.
O dólar e os mercados de fora não se entusiasmaram muito
com os bons indicadores divulgados ontem nos EUA. Mas tudo indica que foi
um fugaz e levíssimo movimento de realização. O Dow
Jones fechou em baixa de somente 0,08%. A atividade e o emprego reagem
nos EUA. Segundo o distrito da Filadélfia do Fed, o índice
de atividade manufatureira da região subiu de 4,2 em agosto para
14,1 em setembro, para um consenso de 8. Os novos pedidos de seguro-desemprego
caíram de 557 mil para 545 mil, quando se esperava alta para 570
mil. E a quantidade de obras residenciais iniciadas em agosto cresceu 1,5%
sobre julho.
A julgar pelo volume expressivo de novas captações externas
prestes a ser concluídas logo o dólar irá testar de
novo o piso de R$ 1,80, após a pausa de ontem. Pelos cálculos
dos operadores, além das captações da Vale e da CSN,
mais US$ 500 milhões em emissão de bônus serão
feitos pelo Bradesco lá fora e US$ 750 milhões em papéis
de 10 anos pelo Votorantim. E a Petrobras revelou ontem que pretende ir
ao mercado para captar cerca de US$ 3 bilhões. Sem contar que os
maiores players do mercado estão vendidos em dólar, ou seja,
fazem apostas ativas em sua queda.
Os bancos estão comprados no mercado futuro de dólar
da BM&F em US$ 687,2 milhões, mas apenas para dar liquidez às
posições vendidas carregadas tanto pelos fundos de fora quanto
pelos domésticos. As gestoras nacionais estão vendidas em
US$ 1,06 bilhão, enquanto a posição vendida no futuro
dos hedge funds alcança US$ 804,95 milhões. Os bancos não
precisam estar vendidos no futuro para se beneficiar da queda da moeda,
já que, à vista, seu caixa está vendido em US$ 3,5
bilhões. (Luiz Sérgio Guimarães - Valor
Online)
21.09 - BC: Juros menores exigem ajustes da economia
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou hoje que
a necessidade de ajustes na economia brasileira é uma decorrência
da queda da taxa de juros reais no Brasil. Ele referia-se ao projeto do
governo de taxar a poupauça a partir de R$ 50 mil, ao participar
de audiência pública na Câmara dos Deputados. Para ele,
os mecanismos de indexação e de remuneração
das aplicações financeiras, como é o caso da poupança,
foram efetivos e necessários na época de juros altos. “A
queda de juros leva a uma necessidade de ajuste nesse processo. Tudo na
vida tem vantagens e desvantagens”, disse, ao destacar que os juros reais
(taxa Selic, descontada a inflação) situam-se em torno de
4,5%.
A proposta prevê que a partir de 2010 as cadernetas com saldo
até R$ 50 mil terão as garantias e isenções
mantidas. O Imposto de Renda sobre os rendimentos das aplicações
de mais R$ 50 mil será de 22,5%.
A iniciativa do governo visa a regular a migração de
grandes investidores para a poupança, atraídos pelas condições
mais rentáveis desta aplicação toda vez que cai a
taxa de juros básicos, hoje em 8,75% ao ano. (Fenaseg)
18.09 - A crise passou?
Agora, o Brasil tem o compromisso de superar o desafio da competitividade
A crise, de fato, acabou? Os mais recentes indicadores de desempenho
da economia brasileira divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE) efetivamente confirmam que o pior já
passou, que o brasileiro continua consumindo e que a economia começa
a se recuperar. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo
trimestre do ano, de 1,9%, encerra o chamado quadro de recessão
técnica, que ocorre quando o PIB cai por dois trimestres consecutivos.
O aumento do consumo das famílias, de 2,1% em relação
ao primeiro trimestre e de 3,2% quando comparado com o mesmo período
de 2008, mostra que os brasileiros continuam a comprar, apesar da crise.
A economia se move positivamente, mas não significa que voltamos
a voar em céu de brigadeiro. As mesmas estatísticas do IBGE
também mostram indicadores preocupantes no médio e longo
prazo. Embora o consumo seja um dos principais componentes do PIB, sabemos
todos que o que efetivamente movimenta e acelera o crescimento econômico
é a taxa de investimentos na economia em relação ao
PIB. São esses investimentos que permitem ao governo e às
empresas a implantação de novos projetos ou expandir os já
existentes, gerando aumento da oferta de produtos, estimulando o consumo,
gerando renda e empregos.
Os indicadores divulgados pelo governo registram queda histórica
nos investimentos, com retração de 17% em relação
ao mesmo período de 2008. No acumulado dos seis primeiros meses
do ano, a queda dos investimentos é de 15,6% em relação
ao primeiro semestre do ano passado – antes da crise. Sem investimentos,
a economia não evolui de forma sustentada no médio e longo
prazo, o que significa que o aumento no consumo registrado pelo IBGE se
baseia em duas fontes: nos estoques acumulados e no aproveitamento da capacidade
já instalada da indústria. Outra sinalização
preocupante é a significativa redução da produção
interna de máquinas e equipamentos – os chamados bens de capital.
Máquinas e equipamentos são os principais insumos utilizados
pelas empresas na implantação de novos projetos e na expansão
dos já existentes. A queda na produção interna, juntamente
com a menor importação desses bens, sinaliza, portanto, que
os investimentos ainda não foram retomados.
A indústria, depois de dois trimestres de queda, cresceu 2,1%
em relação ao primeiro trimestre, mas ainda está abaixo
dos níveis em que vinha trabalhando. Em relação ao
segundo trimestre de 2008, a queda é de 7,9%; na comparação
entre os primeiros semestres de 2008 e 2009, a redução é
de 8,6% e, nos últimos 12 meses, de 3%. Este é o cenário
real, que, de um lado, mostra alentadora recuperação frente
aos momentos mais agudos da crise e, de outro, nos alerta para a necessidade
de ações urgentes visando a criar condições
para que o Brasil retome, de forma sustentada, o crescimento de sua economia.
Podemos ser otimistas, mas é preciso entender a crise e a sua
dinâmica. Para economias desenvolvidas, sair do fundo do poço
e alcançar taxas positivas de crescimento, ainda que baixas, pode
ser suficiente. O Brasil precisa mais que isso. Ainda somos uma economia
emergente e acumulamos grandes carências sociais que nos diferenciam
negativamente dos países desenvolvidos. Crescer a taxas mais elevadas
neste momento adverso da economia mundial somente será possível
com resgate da capacidade de investimentos do país, como ocorreu
nos últimos anos, quando o investimento sempre cresceu a taxas superiores
às do PIB, ampliando a sua participação de 15,3%,
em 2003, para 19% em 2008.
Para voltar a esses níveis e ampliá-los, é preciso
eliminar os gargalos que sabotam a competitividade do Brasil como nação
e de suas empresas como entes produtivos, geradores de renda e de emprego
– enfim, como geradoras de crescimento econômico e desenvolvimento
sustentável. Uma economia competitiva significa conquista de mercados,
maior volume de produção e comércio, mais empregos
e melhores salários. Mas é preciso agir. Criar uma economia
competitiva exige ampliar os investimentos em infraestrutura e eliminar
entraves para a realização de investimentos privados, que
vão desde excessiva burocracia para abrir uma empresa, para pagar
impostos, contratar e demitir funcionários, obter licença
ambiental e se alastram para outras questões estruturais, como a
elevada carga tributária, que penaliza toda a sociedade. É
crucial, igualmente, para elevar a taxa de investimento na economia, a
completa desoneração dos investimentos produtivos do país.
A agenda a ser implementada é ampla. É preciso civilizar
a carga tributária, reduzir juros e spreads bancários, modernizar
a legislação trabalhista, fazer a reforma da previdência
e conter o avanço dos gastos públicos de custeio, permitindo
maiores investimentos públicos. E mais: recuperar e expandir a infraestrutura
de apoio ao setor produtivo e estabelecer uma política ambiental
em harmonia com a necessidade de crescimento do país. Enfim, o Brasil,
que se afirmou como um dos países mais bem preparados para enfrentar
a crise mundial, tem, igualmente, o compromisso de também superar
o desafio da competitividade, hoje comprometida por políticas que
sufocam o setor produtivo nacional. (Robson Braga de
Andrade - Estado de Minas)
18.09 - McKinsey: Executivos esperam recuperação lenta
Um ano depois da crise que quase levou o sistema financeiro mundial
a um colapso, o cenário macroeconômico global mostra diversos
sinais de melhora. Nesse contexto, como os executivos veem o futuro de
suas empresas e a própria recuperação da economia?
É o que revela a pesquisa McKinsey Global Economic Conditions Survey
do mês de setembro, realizada pela consultoria McKinsey.
De maneira geral, a pesquisa mostrou que a maioria das empresas está
se adaptando a um "novo cenário normal", descobrindo maneiras de
lucrar neste novo cenário macroeconômico - e a maioria acredita
na recuperação, mesmo que lenta. Entretanto, quase a mesma
parcela de executivos ainda vê os lucros caírem no curto prazo
- apesar que a maioria das empresas afirma já ter saído da
crise. Muitos executivos também esperam que o governo mantenha (ou
expanda) seu envolvimento com a economia e com as indústrias no
longo prazo, demonstrando ceticismo frente à recuperação
da economia.
As expectativas sobre lucros corporativos e referentes às economias
nacionais têm mostrado uma evolução consistente desde
junho, assim como projeções para o mercado de renda variável.
Nos EUA, os executivos estão mais otimistas, enquanto na Europa
a cautela ainda prevalece. Já nos países desenvolvidos da
Ásia, 28% dos participantes afirmam que a retomada já começou
- no mundo, o percentual é de 19%.
Otimismo predomina
A pesquisa, realizada entre 7 e 11 de setembro, mostrou que diversas
empresas passaram a adotar medidas não somente para suportar a crise,
mas estão fazendo planos para períodos mais longos. "Nos
últimos 12 meses, as pesquisas mostraram que as empresas estavam
fazendo de tudo para sobreviver ao pior choque econômico em décadas
- e agora, pela primeira vez em um ano, mais participantes afirmaram esperar
que os lucros de suas empresas avancem ao invés de recuar, no curto
prazo", afirmou a consultoria.
A McKinsey também destacou que o desenvolvimento de produtos
e planejamento para os próximos anos são as novas prioridades,
substituindo o planejamento mensal e semanal vigente nos últimos
meses - mas o corte de custos permanece em voga em três quartos das
empresas.
Outra prioridade é garantir que as empresas são flexíveis
o suficiente para se adaptar a condições econômicas
diferentes. "A inovação também foi uma resposta constante
nessa pesquisa - mais da metade dos participantes responderam que a inovação
é agora mais importante do que era antes da crise, coincidindo um
o resultado de janeiro, que indicava que um apoio do governo à inovação
seria benéfico", afirma a pesquisa.
Apesar disso, um terço dos participantes ainda afirmou que suas
empresas estão em crise - com variações significativas
entre os setores. Entre as empresas financeiras, 28% fizeram essa afirmação,
enquanto no setor produtivo, o número atingiu 45%. "Essas empresas
também têm maior probabilidade de responder que estão
diminuindo o número de empregados, e esperam menor avanço
dos lucros - o que mostra que as empresas desse segmento podem estar se
recuperando mais lentamente, já que as condições de
financiamento são as mesmas para todos os setores", comenta a consultoria.
Por outro lado, quase 75% deles afirmam que suas empresas estarão
em uma posição melhor em cinco anos do que estavam no período
pré-crise, se tornando mais inovadoras, apesar de anteciparem um
crescimento mais lento. Em cinco anos, os executivos também preveem
uma maior participação do governo nas indústrias e
na economia. Uma minoria também prevê maior consolidação
de suas empresas no período.
Com o mais recente rali das bolsas - mesmo que partindo de uma base
baixa, as expectativas em relação ao crescimento da economia
também avançaram consideravelmente nas últimas seis
semanas - 40% dos participantes acreditam que o PIB (Produto Interno Bruto)
de seus países vai avançar em 2009, na comparação
com 26% do levantamento anterior.
Machucada, mas resistente
A maioria dos executivos, entretanto, não prevê que o
avanço seja rápido - um dos sinais, segundo a McKinsey, de
uma ansiedade econômica, que também pode ser visto na expectativa
de que o governo não interrompa os incentivos. "Essa expectativa
não varia de acordo com o segmento ou região, ou se a empresa
em questão está ou não em crise. Isso indica que a
ansiedade dos executivos vai além da necessidade imediata por ajuda",
afirma a consultoria.
Outro indicador dessa ansiedade é a descrição
da economia nos últimos meses que se mostrou predominante entre
os pesquisados: "machucada, mas resistente". Segundo a McKinsey, isso demonstra
que a maioria dos executivos espera uma recuperação longa
e lenta - apenas 20% dos pesquisados afirmou esperar uma retomada relativamente
rápida.
Segundo a pesquisa, o principal fator que influencia a percepção
dos executivos é a taxa de crescimento do PIB. "Em seguida, dependendo
da expectativa, cada um é influenciado por uma coisa. Os que prevêem
uma recuperação mais rápida, por exemplo, se focam
em consumo", explica a consultoria. Na China, 82% espera que o PIB avance
em 2009 e 30% esperam que o produto retome os níveis pré-crise
em 2010.
Além das melhores expectativas para suas empresas, as perspectivas
para o consumo também estão mais positivas. Pela primeira
vez, o número de empresas esperando um aumento da força de
trabalho atingiu 26%, igualando àquelas que esperam que o número
de funcionários diminua. Aproximadamente metade também espera
que as condições de crédito se tornem mais difíceis
em seus países - mas apenas 10% espera que isso afete o consumo
ou a expansão dos negócios.
Mercado de negócios global
Segundo a McKinsey, mesmo que a crise tenha diminuído o ritmo
de diversos traços da globalização - e levantado dúvidas
sobre o valor de se aumentar a integração econômica
- as economias se mostram mais interligadas, e a maior parte dos executivos
espera que essa relação se expanda, assim como o papel do
governo nas negociações globais.
Temores de que os países restrinjam o comércio internacional
recuaram nos últimos seis meses - agora, 42% espera que o comércio
avance em longo prazo. Há 6 meses, apenas 16% fizeram essa afirmação.
"Os executivos estão muito mais esperançosos quanto à
intensificação da globalização do que estavam
no pico da crise", afirma a consultoria. Segundo os dados da pesquisa,
49% dos participantes espera que em cinco anos a integração
dos mercados financeiros seja maior, frente a 35% em março. Por
outro lado, 44% dos executivos acreditam que o comprometimento com a economia
de mercado livre será menor do que no período pré-crise.
(InfoMoney)
18.09 - O caminho japonês rumo ao declínio
Uma taxa de crescimento mais alta exigiria que os assalariados fizessem
menos pausas para jogar golfe e demandaria imigração substancial
Esqueça o que costumava ouvir sobre a dedicação
dos assalariados japoneses: desde o início da década de 1990,
os japoneses relaxaram drasticamente sua dedicação ao trabalho.
Com efeito, o economista Fumio Hayashi, da Universidade de Tóquio,
comprovou que a principal razão por trás dos 20 anos de estagnação
japonesa foi o decréscimo na quantidade de trabalho executada pelos
japoneses.
O próprio governo foi pioneiro nesse aspecto, a partir de sua
decisão de manter fechados os edifícios da administração
pública aos sábados. Os bancos japoneses seguiram na mesma
trilha. De 1988 até 1993, a semana oficial de trabalho encolheu
10%, de 44 horas para 40. Isso, tanto quanto outros fatores, contribuiu
para colocar de joelhos o longo "milagre" econômico japonês
pós-Segunda Guerra Mundial.
No setor de serviços, o declínio é ainda pior
do que na indústria porque os serviços são fortemente
regulamentados e parcialmente fechados à competição
estrangeira. No setor varejista, que emprega um grande número de
trabalhadores japoneses não especializados - as denominadas lojas
tipo "mamãe e papai" - a produtividade japonesa é hoje 25%
inferior à da Europa Ocidental.
O ex-primeiro-ministro Junichiro Koizumi (no poder entre 2000 e 2004)
e seu principal assessor econômico e ministro das Finanças,
Heizo Takenaka, compreenderam muito bem que o Japão estava perdendo
terreno em termos de produtividade. Eles procuraram enfrentar a tendência
de menos trabalho mediante privatização e desregulamentação.
Os poderosos burocratas japoneses, saudosos do modelo de desenvolvimento
da década de 1960, mediante o qual o governo e seus círculos
de empresários "amigos" cultivaram o milagre japonês, opuseram-se
vigorosamente a essa ousada solução de livre mercado. Mas
seu modelo é obsoleto porque o Japão hoje compete diretamente
com muitos outros países asiáticos e não asiáticos,
onde os hábitos de trabalho são do tipo que costumava predominar
entre os japoneses.
Além disso, a opinião pública nunca apoiou a política
de Koizumi, então acusada, como hoje, de ser uma fonte de desigualdade.
Mas isso é uma falsidade: especulação imobiliária,
e não privatização, foi a real fonte de riqueza imerecida
no Japão. Apesar disso, o recém-vitorioso Partido Democrata
do Japão (PDJ) conseguiu convencer a opinião pública
das acusações contra as políticas de livre-mercado.
O recente triunfo eleitoral do ainda não testado PDJ de Yukio
Hatoyama confirmou, assim, o desejo popular de não seguir o modelo
de livre mercado americano. Não faz sentido econômico as declarações
de Hatoyama de que crescimento é importante, mas felicidade vem
em primeiro lugar. Apesar disso, esse sentimento reflete efetivamente o
ânimo de muitos japoneses.
Assumindo que Hayashi e Takenaka estejam certos sobre as causas da
estagnação no Japão, devemos indagar se os japoneses
atuais estão dispostos a trabalhar mais com o objetivo de alcançar
os EUA e liderar o desenvolvimento asiático. A estagnação
é uma escolha coletiva tácita feita pela maioria em um país.
Será que o povo japonês optou por isso?
Quase metade da população japonesa é de aposentados
ou perto da idade de aposentadoria, e eles trabalharam com muito afinco
para alcançar um alto nível de conforto. Graças a
eles, apesar da decadência econômica da "década perdida",
a renda japonesa permanece mais alta do que na Europa. Além disso,
o desemprego é baixo, em comparação com o mundo ocidental,
porque o improdutivo setor de distribuição absorve jovens
que não conseguem encontrar trabalhos melhores. O Japão estagnado,
por essa razão, continuou sendo uma sociedade pacífica e
algo conservadora.
Em contraste, uma taxa de crescimento mais alta exigiria que os assalariados
fizessem menos pausas para jogar golfe e demandaria imigração
substancial em um país não acostumado a intromissão
estrangeira e hábitos culturais distintos. Estarão os japoneses
efetivamente dispostos a aceitar tal cura?
A maioria dos japoneses, principalmente na geração mais
velha, está satisfeita com o tipo de sociedade que construíram.
Eles percebem americanos e europeus como obcecados com dinheiro e ambições
materiais, e parecem dispostos a aceitar alguma estagnação
como preço para permanecer japoneses verdadeiros. Hatoyama compreende
isso, e é essa a razão pela qual venceu a eleição
recente.
As declarações de Hatoyama referindo-se a uma "nova era",
que soa estranha de uma perspectiva ocidental, está em harmonia
com o modo de ser japonês: esse é um país onde milhares
de líderes de cultos oferecem uma miríade de caminhos para
a Felicidade, especialmente uma superficial mistura de Nova Era e Zen Budismo.
Por quanto tempo poderá o Japão sustentar esse período
de estagnação harmoniosa?
Os setores de alta tecnologia japoneses permanecem competitivos e o
país continua sendo o segundo maior exportador do mundo. O Japão
mantém uma economia extremamente inovadora, que registra mais novas
patentes anualmente do que todos os países europeus reunidos - atrás
apenas dos EUA e muito à frente da China e da Índia. As 150
milhões de pessoas no Japão ainda produzem bem mais do que
os 2,5 bilhões de chineses e indianos.
Em aproximadamente 10 anos, porém, o Japão poderá
perder seu status em relação ao restante da Ásia.
A estagnação já está produzindo um grande impacto
sobre os japoneses jovens, para os quais está ficando difícil
encontrar um emprego, muito menos empregos vitalícios em grande
multinacionais. Os adolescentes sabem que terão menos oportunidades
do que seus pais tiveram. Como cobrirão os custos das aposentadorias
e atendimento de saúde de seus pais é uma incógnita.
O mais preocupante é a ausência de debate franco sobre
essas questões. O Japão é uma "sociedade silenciosa",
que pressupõe que todo mundo intua o que está acontecendo,
e os órgãos de mídia tomam cuidado para não
provocar cisão social. Não se deve fazer perguntas difíceis
- e respostas francas são consideradas demasiado grosseiras. Comentários
de estrangeiros são bem-vindos, mas seus conselhos são geralmente
ignorados.
Pode parecer à maioria dos japoneses que a persistência
de seu poderio econômico lhes autorize o luxo de abandonarem-se a
hábitos tão arraigados. Talvez devessem lembrar como Ernest
Hemingway descreveu o processo de empobrecimento de um homem: "aos poucos,
e, então, de repente". (Guy Sorman - Valor Online)
17.09 - Crise: 101 instituições financeiras faliram
Era um dia comum, 15 de setembro de 2008, até que foi anunciado
a quebra do quarto maior banco dos Estados Unidos o Lehman Brothers, a
falência da instituição com mais de 158 anos marcou
o início da crise financeira mundial. Era a chamada crise das subprimes
que começava a atingir o mundo, surgiu silenciosa com a desvalorização
dos imóveis, depois os bancos começaram a emitir títulos
lastreados (espécie de nota provisória), as taxas de juros
subiram para combater a inflação e o preço dos imóveis
começou a cair e depois disso veio a “quebradeira” dos bancos.
O anúncio da falência do Lehman fez com que os mercados
começassem a sentir os efeitos da crise, no dia 28 de setembro a
Bolsa de Valores de São Paulo seguindo as tendências mundiais
caiu mais de 10% e registrou o primeiro circuit breaker após nove
anos. Um clima de tensão arremeteu os empresários e até
mesmo os economistas, que não sabiam mais o rumo que a economia
mundial iria tomar. O medo da crise fez o Governo adotar diversas medidas,
os EUA soltaram bilhões de dólares para injetar liquidez
na economia e salvar os bancos, enquanto aqui no Brasil era a vez dos compulsórios.
Um ano depois do marco mundial da crise a economia sofreu diversas
mudanças. Ontem (14) o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama
disse que não pretende mais dar nenhum tipo de ajuda financeira
ao sistema bancário do país e que, “o sistema financeiro
mundial precisa de maior regulação para que medidas cuidadosas
sejam regras e tenham como conseqüência a saúde do setor”,
afirmou.
Só nos EUA chega a US$ 2,6 trilhões o montante disponibilizado
pelo Governo para não deixar o país afundar. O primeiro pacote
de socorro proveniente de ações governamentais foi equivalente
a US$ 700 bilhões, ainda durante a administração do
então presidente, George W. Bush (2001-2009), que foi aprovado em
outubro de 2008 e o segundo equivalia a US$ 787 bilhões, aprovado
em fevereiro deste ano, na administração de Barack Obama.
“Obama diz que esses níveis de controle ainda precisam ser implantados
(pelo Congresso), para um aumento da regulação bancária”,
explica Carlos Daniel Coradi, economista e presidente da Engenheiros Financeiros
e Consultores.
Coradi, que diz concordar com este tipo de postura destaca que “no
Brasil, as regras de Basileia são seguidas à risca”, o que,
segundo o executivo, dá menos margens para situações
de vulnerabilidade, já que todo o setor tem regras mínimas
a serem seguidas.
Os Estados Unidos, entre setembro e dezembro de 2008, registrou 14
bancos que decretaram falência. Neste ano, até a última
segunda-feira (14), já chegava a 87 o número de instituições
financeiras norte-americanas que quebraram. Ou seja, já podemos
desde a quebra do Lehman Brothers, em 15 de setembro de 2008, contabilizar
101 bancos que fecharam suas portas em um ano no país.
“Apesar de parecer um número grande, eles representam muito
pouco do total de bancos existentes nos Estados Unidos”, comenta Coradi
sobre o número de bancos fechados após um ano de crise.
Outras medidas regulatórias no setor financeiro dos Estados
Unidos, apesar de necessárias, não seriam por si só
suficientes para o fim da crise. “Os Estados Unidos são parte importante,
mas não é o todo da crise”, Coradi explica. Ele lembra ainda
que os ativos tóxicos de outros bancos, localizados em outros países,
foram causas importantes para o desencadeamento da crise.
Partindo deste ponto de vista, ele explica que ainda é impossível
falar na volta das atividades do setor aos níveis pré-crise.
“Ninguém sabe se os ativos tóxicos dos bancos estão
apurados. Eu me atrevo a dizer inclusive que há ainda resíduos
disso dentre muitas instituições financeiras”, finaliza Coradi.
(Elena Oliveira e Tatiany Cavalcante - Executivos Financeiros)
17.09 - Investidor assume risco para ampliar rentabilidade
Após um ano da quebra do Lehman Brothers, investidores, de olho
na queda das taxas de juros, buscam investimentos mais rentáveis.
A saída é buscar produtos que embutem mais riscos, com mais
retorno, segundo João Rabello, presidente da BB DTVM, a gestora
de fundos do Banco do Brasil.
O mercado brasileiro mostrou-se mais maduro desta vez do que em outras
crises, afirma Rabello, que administra R$ 294,4 bilhões na BB DTVM,
segundo dados de julho da Anbid (Associação Nacional dos
Bancos de Investimento).
"Não houve a fuga exagerada [da Bolsa] que se esperava", diz
Rabello, empossado há menos de três meses no cargo, depois
de longa carreira na Sadia e no Concórdia, banco do grupo.
De junho de 2008 até o final daquele ano, o patrimônio
dos fundos de ações do Banco do Brasil caiu 17%, enquanto
o índice recuou 42%. Considerando dados de junho do ano passado
a junho de 2009, o patrimônio dos fundos de renda variável
da gestora encolheu 6%.
Na renda fixa, em busca da rentabilidade perdida, investidores têm
aberto mão da liquidez em novos produtos, segundo o presidente da
BB DTVM.
"Nos fundos novos de longo prazo, clientes assumem risco por três
anos, sem liquidez, com um retorno praticamente já garantido", afirma.
O investidor troca a vantagem de resgatar antes do prazo por maior
rentabilidade.
"Ter recursos aplicados com a rentabilidade de grandes taxas e ainda
a possibilidade de sacar a qualquer momento é uma distorção
do processo inflacionário", conclui. (Maria Cristina Frias
- Folha de S.Paulo)
17.09 - Pesquisa Febraban: Melhoria das previsões para o PIB
A Pesquisa Febraban (Federação Brasileira de Bancos)
de Projeções e Expectativas de Mercado divulgada na terça-feira
apresentou uma continuação na melhoria das previsões
para o PIB (Produto Interno Bruto) para 2010 e para este ano, que agora
passou para o campo positivo.
Já as perspectivas em torno da taxa básica de juro continuam
estabilizadas nos atuais 8,75% ao ano, variando apenas nas previsões
para o próximo ano.
A mediana das projeções para a evolução
do PIB de 2009, conforme as instituições consultadas, ficou
em 0,02% em setembro, contra o 0,1% negativo apontado pela última
pesquisa. Paralelamente, as perspectivas para o próximo continuam
otimistas, saindo dos 3,7% vistos em julho para 3,98% nesta divulgação.
Copom
Quando perguntados sobre a última decisão do Copom (Comitê
de Política Monetária), todos os analistas entrevistados
afirmaram não terem sido surpreendidos pela manutenção
da Selic em 8,75% ao ano.
Mais da metade deles também disse acreditar que a taxa de juro
continuará neste patamar até o fim de 2010. Contudo, existem
divergências, com 18,5% dos analistas prevendo um acréscimo
de 50 pontos-base e outros 7,4% afirmando que a taxa deverá estar
em 8,00% ao ano em dezembro do ano que vem.
Crescimento
Em relação às perspectivas para a economia brasileira,
os entrevistados mostraram sua face mais moderada, com um terço
deles afirmando que o País apresentará baixas taxas de crescimento
por enquanto, avançando de forma mais expressiva apenas em um horizonte
de longo prazo.
Outros 25% dos analistas disseram que o crescimento do PIB visto no
segundo trimestre "não é garantia de altas taxas de crescimento
daqui em diante, de maneira que a trajetória de recuperação
poderá tomar a forma de W".
Porém, o otimismo também ganha força entre as
instituições pesquisadas, com 29,2% delas afirmando ver a
economia brasileira entrando em uma trajetória de crescimento rápido.
(InfoMoney)
16.09 - Mercado revê para 0,15% queda do PIB
Economistas consultados pelo Banco Central esperam uma retração
de 0,15% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2009, segundo a pesquisa
Focus, divulgada na segunda-feira pelo Banco Central. A previsão
se manteve praticamente estável em relação à
semana passada, quando era de queda de 0,16%. Para 2010, a previsão
de crescimento se manteve em 4%.
Para a inflação as previsões se mantiveram estáveis
para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), mas melhoraram
em relação ao Índice Geral de Preços - Disponibilidade
Interna (IGP-DI) e Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M).
Para o IPCA, a estimativa se manteve em 4,3%, como na semana anterior,
quando a previsão aumentou depois de cinco semanas em queda. A estimativa
para o índice serve como meta oficial de inflação
- em 2009, ela é de 4,5%, podendo chegar a 6,5%. Para 2010, o mercado
aumentou a previsão de 4,3% para 4,35%.
A previsão para o IGP-DI passou de queda de 0,67% para redução
de 0,26%. Para o IGP-M, a previsão passou de 0,74% para 0,64%. Os
dois indicadores são usados no cálculo dos reajustes de contratos
e preços administrados, entre eles contas de luz e aluguéis.
A previsão para o Índice de Preços ao Consumidor (IPC)
da Fundação Instituto de Pesquisas Econômica (Fipe),
se manteve em 4,21%. Para 2010, a previsão para os IGPs ficou em
4,5% e para o IPC-Fipe em 4,45%.
O mercado prevê o dólar em R$ 1,81 para o fim de 2009,
abaixo dos R$ 1,85 projetados na semana passada. Houve melhora na previsão
para o superávit da balança comercial (de US$ 24,30 bilhões
para US$ 25 bilhões). Para o deficit nas transações
correntes, a expectativa ficou praticamente estável (de US$ 15,05
bilhões para US$ 15 bilhões). A estimativa para os investimentos
estrangeiros diretos ficou em US$ 25 bilhões e a relação
dívida/PIB passou de 42,50% para 42,75%. (Folhapress/Valor
Online)
16.09 - Brasil deve crescer menos no pós-crise
O crescimento econômico do Brasil, a partir da retomada do segundo
trimestre, será menor que o padrão anterior à crise
global, que hoje completa um ano. Com forte capacidade ociosa e um Produto
Interno Bruto (PIB) potencial agora estimado em 5%, segundo o ministro
da Fazenda, Guido Mantega, será um crescimento não inflacionário
e, portanto, não demandará medidas de aperto monetário.
O nível de atividade prosseguirá abaixo do que vinha
demonstrando no pré-crise - O PIB chegou a crescer 6,8% em setembro
de 2008 considerando o resultado do terceiro trimestre (alta de 1,7% sobre
o segundo) anualizado. Isso porque, entre outras razões, o comércio
internacional ainda está deprimido (25% da produção
industrial do país é destinada às exportações)
e a demanda do varejo, que antes da crise crescia mais de 14%, agora cresce
na casa dos 5,8%.
No cronograma da recuperação, os investimentos serão
os últimos a voltar. Mantega informou que prepara um programa para
o fim deste ano "de redução dos custos financeiros, tributários
e de infraestrutura". Sem querer detalhar o que pretende fazer, ele disse
que "será mais do mesmo", aprofundando medidas de desoneração
de impostos para investimentos. Citou como exemplo a possibilidade de ampliar
o regime de depreciações aceleradas de capitais e a desoneração
da folha de salário das empresas. Sobre esta última, deixou
claro que não há, por enquanto, qualquer decisão.
O espaço fiscal para grandes voos na área tributaria
é, hoje, pequeno e o ministro vê 2010 como um ano de restrições
de gastos e renúncias fiscais. Até porque a recuperação
da economia será mais branda e não há a pretensão
de se repetir, a partir do próximo ano, o vigor arrecadatório
que houve em 2008. O ano passado foi atípico, concorda Mantega,
porque foi precedido de uma leva importante de emissões primárias
de ações (IPOs), os lucros das empresas foram exuberantes
e a receita cresceu 20% entre 2007 e 2008. Agora, ele acha que a taxa de
crescimento da arrecadação será bem mais modesta.
Mas nada disso tira o entusiasmo do ministro.
"A equação para 2010 está perfeita", disse ele
ao Valor. "O PIB deve crescer 5% em 2010 e a inflação não
passará do centro da meta (de 4,5%)". O déficit nominal das
contas consolidadas do setor público encerrará 2009 em 2,3%
do PIB. "O menor déficit do grupo de países do G-20", assinalou
Mantega. A partir de 2010, ele reassume trajetória de queda, devendo
chegar a 2011 a um patamar quase residual, de 0,20% do PIB. A dívida
líquida como proporção do produto subirá de
38,8% em 2008 para 42,5% este ano. Já em 2010, o governo estima
que a dívida cairá para 36,5% do PIB, consolidando-se como
um bom indicador de solvência do país.
O custo fiscal da reação brasileira à crise, segundo
cálculos do Fundo Monetário Internacional (FMI), correspondeu
a 1,2% do PIB - cerca de R$ 36 bilhões entre desonerações
de impostos e aumento de gastos públicos. Na conta do Ministério
da Fazenda pode ter sido um pouco maior, cerca de 1,5% ou R$ 45 bilhões.
O certo, comentou o ministro, é que apesar de o mundo ter presenciado
a crise mais poderosa desde 1929, "nossa recuperação foi
mais eficaz e mais rápida". Enquanto no mundo desenvolvido a recuperação
se dará no formato de um U, demorando de 2 a 3 anos para voltar
à normalidade, no Brasil assume a forma de um V".
Numa série de gráficos e tabelas que ele mostrará
hoje na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico,
no balanço de um ano da eclosão da crise financeira mundial,
Mantega tomou as crises que o Brasil passou desde os anos 70 - que não
foram da mesma dimensão desta - para mostrar que nos anos passados
o país demorava cerca de três anos para sair do fundo do poço
e ainda saia com fortes desequilíbrios, sobretudo inflacionários.
Desta vez, por ter adquirido "musculatura" originada por três anos
seguidos de crescimento com aumento dos investimentos e, não menos
importante, ter fortalecido as contas externas com reservas cambiais superiores
a US$ 200 bilhões, "a crise, para nós, termina sem desequilíbrios".
Há problemas e a taxa de câmbio valorizada é um
deles, mas isso ele disse que deve ser enfrentado com a redução
dos custos de produção, como as propostas que ele pretende
deixar prontas no fim do ano para serem implementadas em 2010 - e não
com medidas artificiais. Para a redução do custo financeiro,
Mantega receita aumento da concorrência entre os bancos. Segundo
ele, a política de indução dos bancos públicos
a serem pró-ativos no auge da crise foi bem-sucedida. Entre setembro
e junho, os bancos estatais aumentaram o crédito em 25,2%, os bancos
privados nacionais em 3,9% e os estrangeiros, em 2,6%.
Não fossem as ações do governo, ao invés
do PIB crescer 1% este ano, como ele espera, iria cair 1,5%. Testada, a
política macroeconômica - baseada no tripé cambio flutuante,
superávit fiscal e meta de inflação - se mostrou "vitoriosa"
e, para o ministro, qualquer que seja o sucessor de Lula na Presidência
da República, deverá mantê-la. (Claudia Safatle
e Arnaldo Galvão - Valor Online)
15.09 - Moody´s: Brasil lidera recuperação entre
países
"Entre todos os países que estavam em recessão no mundo,
nenhum apresentou uma recuperação tão forte quanto
o Brasil no segundo trimestre. Neste sentido, o Brasil é o líder
mundial em termos de recuperação", afirmou o diretor para
América Latina da consultoria Moody"s.com, Alfredo Coutiño.
Ele enumera uma lista de países que voltaram ao crescimento entre
abril e junho: Polônia, que apresentou expansão de 0,5%, Japão,
que cresceu 0,6%, França, onde a expansão foi de 0,4%, Israel,
que teve crescimento de 0,3%, e "o líder, Brasil", diz o analista,
onde o Produto Interno Bruto (PIB) subiu 1,9% no segundo trimestre ante
o primeiro trimestre deste ano, embora tenha caído 1,2% na comparação
com o segundo trimestre de 2008.
O analista da Moody"s.com lembra que a Coreia do Sul também
registrou crescimento positivo no segundo trimestre, mas acrescenta que
não estava claro se a economia coreana estava em recessão,
uma vez que não apresentou dois trimestres consecutivos de declínio,
o que é a definição clássica de recessão.
Na comparação com economias locomotivas do mundo, o Brasil
entrou bem depois na recessão. Nos Estados Unidos, dono do maior
PIB global, a recessão teve início oficialmente em dezembro
de 2007 e não se sabe quando será declarada encerrada, apesar
de previsões otimistas de algumas autoridades norte-americanas.
Na sexta-feira, o presidente do Federal Reserve de Chicago, Charles Evans,
afirmou que os EUA parecem estar emergindo da recessão severa. Na
primeira revisão do PIB do segundo trimestre, o Departamento do
Comércio norte-americano estimou que a economia se contraiu à
taxa anualizada e sazonalmente ajustada de 1%.
Em segundo lugar no ranking das economias globais, o Japão voltou
ao crescimento no segundo trimestre depois de cinco trimestres seguidos
de declínio, após o governo injetar o equivalente a 4% do
PIB para estimular a economia. Na Europa, Alemanha, França, Portugal
e Suécia também deixaram a recessão no segundo trimestre,
enquanto Reino Unido e Itália permaneciam com suas economias em
retração.
Dentro dos Brics, no entanto, na comparação ano a ano,
somente a Rússia tem desempenho econômico pior do que o Brasil,
enquanto a China mais uma vez aparece como a economia com ritmo mais pujante,
seguida pela Índia. A tendência da economia brasileira está
em linha com a chinesa e a indiana - que não haviam entrado em recessão
-, com o PIB mostrando melhora das atividades do primeiro para o segundo
trimestre deste ano. Na Rússia, entretanto, a desaceleração
econômica, ao contrário da brasileira, se acentuou.
A economia chinesa mostrou crescimento de 7,9% no segundo trimestre
em comparação ao mesmo intervalo do ano passado, uma aceleração
em relação ao crescimento de 6,1% do primeiro trimestre.
Já a Índia cresceu 6,1% no período entre abril e junho
deste ano, também em relação ao mesmo período
do ano passado, uma melhora em relação ao crescimento de
5,8%, em base anual, do primeiro trimestre. O PIB russo despencou 10,9%
no segundo trimestre em comparação a igual período
do ano passado, acentuando a contração do primeiro trimestre,
que havia sido de 9,8%. (Regina Cardeal e Cynthia Decloedt - Agência
Estado/Jornal do Commercio Brasil)
15.09 - Endividamento e insanidade
Quanto maior foi o nível de endividamento a que chegou um país,
mais grave foi para ele a atual crise global
O Brasil já está saindo da recessão; a China e
a Índia não chegaram a experimentar desempenho negativo,
e sua recuperação mostra-se extraordinária. Enquanto
isso, nos países ricos já existem alguns sinais de recuperação,
mas são débeis, e as previsões são de que o
desemprego continuará aumentando. Por que essa diferença?
Afinal, os países ricos sempre se apresentaram perante nós
como exemplos. Sempre nos disseram o que deveríamos fazer para chegar
a seu nível de desenvolvimento econômico. Por que, agora,
estão sofrendo mais do que nós pela crise?
A principal razão está no fato de que eles acreditaram
mais do que nós nos conselhos equivocados que seus economistas nos
davam e também davam a eles de abrir e desregular os mercados financeiros.
Os conselhos a nós dirigidos se corporificaram no chamado Consenso
de Wa- shington, que provocou crises financeiras no México (1994),
depois em quatro países asiáticos (1997), em seguida na Rússia
e no Brasil (1998), na Turquia (2000) e, finalmente, na Argentina (2001).
Quanto mais um país aceitava as reformas neoliberais e a macroeconomia
da taxa de câmbio sobreapreciada e de alto endividamento das empresas
e das famílias, mais grave era sua crise, como comprovam as crises
causadas pelas políticas de Carlos Menem e de Boris Yeltsin.
Nos Estados Unidos também se tornaram frequentes as crises financeiras
(1987, 1997, 2001), o que demonstra que esses conselhos não eram
apenas para uso externo.
Isso ficou claro em relação à abertura e à
desregulação financeira que foi empreendida pelo governo
Ronald Reagan. Essa desregulamentação permitiu que nos países
ricos o índice de endividamento ou de alavancagem das organizações
do sistema financeiro, das empresas e das famílias fosse substancialmente
maior do que nos países emergentes ou de renda média.
Utilizando uma lógica neoliberal, seus economistas advertiam
com razão os países em desenvolvimento em relação
ao deficit e ao endividamento público, que realmente é desastroso
quando se torna crônico, mas, reproduzindo o pensamento ortodoxo
ou neoclássico, asseguravam que o endividamento privado não
era problema: que os dirigentes das organizações financeiras
e das empresas e os chefes de família eram suficientemente competentes
e os mercados suficientemente eficientes para que os elevados níveis
de endividamento alcançados pelo setor privado fossem por definição
aceitáveis; mais do que isso, fossem sinais de que o sistema financeiro
era "sofisticado" ou "avançado".
Adotaram esse padrão duplo, estritamente ideológico,
e, por incrível que hoje pareça, acreditaram nele! Por isso,
seus índices de endividamento privado explodiram, enquanto que países
como a China e a Índia mantinham os seus sob controle, porque jamais
acreditaram em tal insanidade. No Brasil, seja porque muitos não
acreditaram na teoria ortodoxa, seja porque nossos bancos foram mais cautelosos,
seja porque as famílias não tiveram crédito ou tempo
suficiente para que se endividassem, os índices de alavancagem privada
ficaram sob controle. Embora outros fatores possam ser também determinantes
quanto à gravidade da crise, em geral quanto maior tenha sido o
nível de endividamento tanto público como privado a que chegou
um país, mais grave foi para ele a atual crise global. Fica assim
explicado por que os países asiáticos dinâmicos já
retomaram o crescimento e a América Latina começa a sair
da crise, enquanto os países ricos permanecem imersos nela.
(LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA - Folha de S.Paulo)
15.09 - Um pequeno passo rumo a um sistema financeiro melhor
Há pouco mais de uma semana, David Cho escreveu um artigo de
alerta no The Washington Post sobre a capacidade dos quatro maiores bancos
dos Estados Unidos - Bank of America, Citigroup, J.P. Morgan Chase e Wells
Fargo - de crescer e lucrar com a crise financeira.
Não só essas instituições financeiras engoliram
os concorrentes, como agora oferecem a metade de todas as hipotecas e dois
terços de todos os cartões de crédito, e ainda desfrutam
de um custo menor do dinheiro do que seus rivais de menor porte, graças
à garantia de que o governo federal os salvará quando, e
se, isto for necessário.
Já argumentamos muitas vezes que esta seria a decorrência
inevitável das medidas tomadas pelo governo para salvar os grandes
bancos com condições extremamente favoráveis, e a
solução deste problema é a principal prioridade das
políticas públicas.
Felizmente, o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, parece
concordar. David Cho o cita em seu artigo: "O maior imperativo da política
pública que motiva a reforma é tratar do risco moral criado
pelas medidas que tomamos durante a crise para salvar a economia".
No fim da semana passada, Geithner apresentou um elemento fundamental
da sua estratégia para controlar, de certo modo, os grandes bancos:
o aumento das exigências de capital. Trata-se por enquanto de um
primeiro passo, mas há ainda um longo caminho a percorrer.
Aumentar as exigências de capital é um conceito incontestável.
O capital, para simplificar um pouco, é a diferença entre
os ativos de um banco e as suas obrigações; portanto, é
o estoque regulador que protege o banco contra a desvalorização
dos seus ativos (por exemplo, as obrigações colateralizadas
da dívida tóxica, CDOs). Quanto maior o capital, menor o
risco de insolvência, maior a proteção para os credores
e as contrapartidas e menor o risco de falência numa crise.
Por outro lado, acionistas e administradores (que detêm opções
de ações) gostam de bancos que têm menos capital porque
significa que eles investem uma quantidade menor do seu dinheiro para ganhar
um dólar de lucro.
Os princípios de Geithner fazem sentido - mas talvez sentido
demasiado. Em síntese, são eles:
1 - deveriam ser criadas exigências de capital para proteger
o sistema financeiro como um todo.
2 - as exigências de capital deveriam aumentar, principalmente,
para instituições financeiras sistematicamente importantes.
3 - exigir que os bancos detenham capital de alta qualidade.
4 - medidas visando o capital sujeito a risco deveriam avaliar cuidadosamente
os riscos.
5 - as exigências de capital deveriam ser contracíclicas,
não pró-cíclicas.
6 - deveria existir um limite fixo para a alavancagem.
7 - as autoridades reguladores deveriam fiscalizar a liquidez dos bancos,
não apenas sua solvência.
8 - "Exigências de capital mais rigorosas para o sistema bancário
não deveriam provocar o ressurgimento de um setor financeiro não
bancário mal regulado que representa uma ameaça à
estabilidade financeira".
O problema é que sem os números, que faltam no documento
oficial, estas são meras obviedades, a maior parte das quais teriam
sido aceitas (com exceção da 2) antes mesmo da crise financeira.
Neste nível, não há quase oposição
do lobby bancário às propostas. E se não há
oposição, é um bom indicador de que a reforma reguladora
não é excessiva.
Para apontar o óbvio, as questões básicas do princípio
N. 2 são até que ponto as exigências de capital deveriam
aumentar e qual será a "taxa" de capital incremental para as maiores
instituições.
Somos a favor do desmembramento das grandes instituições
financeiras e da imposição de limites. Embora esta não
seja evidentemente a estratégia do Tesouro, exigência de depósitos
compulsórios maiores para os grandes bancos do que para os pequenos
poderia ter um efeito semelhante. Não é preciso dizer que
os grandes bancos lutarão para manter suas exigências de capital
no mínimo possível.
Considerando seu poder político e a aparente convicção,
em Washington, de que os grandes bancos são fundamentais para o
nosso futuro econômico, infelizmente só podemos imaginar que
eles ganharão esta briga.
O Princípio N. 4 deveria ser uma tautologia: "As exigências
de capital sujeito a risco deveriam ser em função do risco
relativo da exposição de uma instituição bancária".
Vale a pena falar a este respeito porque as atuais medidas destinadas
ao capital sujeito a risco são extremamente fracas para a avaliação
do risco.
Capital sujeito a risco é um conceito segundo o qual o montante
de capital exigido por um determinado ativo deveria ser proporcional ao
risco daquele ativo; se você tem notas de US$ 100 no cofre, não
precisa ter nenhum capital contra elas porque elas não podem perder
seu valor.
Nos últimos 15 anos, os bancos têm se dedicado ao esporte
de jogar com as medidas do capital de risco, juntando os ativos de maneira
a fazer com que seus riscos desapareçam como por mágica;
podemos dizer que esta é a razão principal da existência
da finança estruturada (ou seja, os CDOs). E todos sabiam que estavam
fazendo isto!
Não era segredo que as exigências de capital sujeito a
risco eram falhas. A questão é se elas podem ser corrigidas,
e considerando a criatividade e a habilidade dos banqueiros e advogados
de Wall Street, a questão permanecerá em aberto.
O Princípio N. 6 (limites fixos para a alavancagem) é
o suporte deste problema com o capital sujeito a risco. A ideia, com a
qual concordamos, é criar um limite de alavancagem simples, claro,
com o qual seja relativamente difícil jogar.
Por exemplo, os bancos estariam proibidos de tomar emprestado mais
do que 10 vezes o seu capital, independentemente de quão "seguros"
fossem seus ativos, segundo cálculos do capital sujeito a risco.
Evidentemente, isto cria sua própria oportunidade de arbitragem.
Mas a questão mais importante é qual deveria ser o limite.
Os grandes bancos poupariam o seu poder de fogo para o número real,
e seria preciso começar a agir exatamente ali.
Finalmente, todos podem concordar com o Princípio 8, mas ele
seria difícil de implementar. Por exemplo, a AIG era uma instituição
financeira sistematicamente importante - entretanto, como seguradora, está
fundamentalmente sujeita à regulação estatal.
Será que o Tesouro e o Congresso estarão dispostos a
assumir a jurisdição histórica dos Estados sobre os
seguros? Somos a favor de um exame regulador mais rigoroso dos fundos hedge
e dos instrumentos criados para uma finalidade específica (em inglês
conhecidos como "special-purpose vehicles"), mas esta seria uma batalha
política gigantesca.
Além disso, é preciso lembrar que o capital dos bancos
é apenas uma pequena peça do quebra-cabeça. Mais importante
é regulamentar as atividades dos bancos. Se os bancos tivessem criado
empréstimos tóxicos para os compradores de imóveis
residenciais e tivessem vendido ativos tóxicos a investidores sem
ficar com nenhum destes ativos, teriam se mantido mais saudáveis,
mas mesmo assim teríamos tido o estouro da bolha da habitação,
uma rápida contração do crédito e uma grave
recessão.
Obrigar os bancos a se protegerem não impedirá que eles
provoquem prejuízos aos seus clientes.
É preciso começar de algum lugar, e o documento de Geithner
é um começo. Mas sofrerá ataques devastadores no Congresso.
Ou, então, o Congresso aprovará princípios amplos,
e os detalhes terão de ser elaborados pelos órgãos
reguladores, fora das vistas do público, em grande parte nos bastidores
do setor bancário.
A questão real é saber até que ponto Geithner
e o governo lutarão para garantir limitações concretas
à ação dos grandes bancos. (Simon Johnson
e James Kwak - The Washington Post/O Estado de S.Paulo)
14.09 - A capitalização da Petrobras e os acionistas incautos
Enquanto a capitalização da Petrobras para projetos do
pré-sal é necessária, seu anúncio precoce pelo
governo é um desastre e só causará incertezas e prejuízos
aos minoritários (e, diretamente, ao próprio Tesouro). Explica-se:
desde que o Valor anunciou a intenção do governo de realizar
uma chamada de capital por meio de aporte, que poderia chegar a R$ 100
bilhões - portanto, a União, detentora de 55,7% das ações
ordinárias, passaria a ter quase 70% -, o que se viu foi uma sequência
de desacertos.
A polêmica surgiu com a informação de que o governo
emitirá títulos lastreados no petróleo das "franjas"
dos blocos já licitados e pertencentes à Petrobras na área
do pré-sal, sujeitos ainda a uma definição do preço
do barril. O que primeiro chama a atenção numa companhia
aberta do porte da Petrobras é a edição do fato relevante,
disciplinado pela Instrução 358 da CVM, ter sido tão
precária. Na informação ao mercado, descobre-se que
a referida capitalização se dará em "outra proposta
legislativa". A informação é completamente vaga e
evasiva, deixando a sensação de que não há
um projeto definido, uma estratégia delineada, exceto as linhas
gerais para um novo marco regulatório na área. Não
há qualquer indicação de montante, forma, prazo, mas
apenas e tão somente a eloquente promessa de que "a Petrobras reforça
o seu compromisso com o desenvolvimento" e com "o tratamento equânime
a todos os seus acionistas."
O risco principal ao acionista minoritário atende pela denominação
de diluição injustificada de patrimônio, que alguns
estimam em até 30%. O resultado desta derrapagem, que gerou previsível
desconfiança dos investidores, pode custar caro. O próprio
mecanismo de capitalização onde o controlador paga o aumento
do capital com títulos - e não barris de petróleo,
o que poderia contrariar o artigo 7º da lei das S.A, exigindo aprovação
de avaliação pelos minoritários - é artifício
que pode surpreender o mercado, já que depende das expectativas
sobre o preço do barril do petróleo do pré-sal que
se atribui ao contrato com a União, em troca da concessão.
Tão confuso foi o anúncio que, por diversas vezes, o presidente
da Petrobras, Sérgio Gabrielli, afirmou que nada estava resolvido.
Aliás, declaração no início de julho do
Ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, a quem a Petrobras está
hierarquicamente ligada, mostra o improviso do plano e a incoerência
do governo quanto à estatal. Na ocasião, ele afirmou sobre
os planos de investimento do pré-sal: "Propus uma discussão,
não tem nada acabado. O (José Sérgio) Gabrielli (presidente
da Petrobras) é representante de uma empresa privada, com 60% de
capital privado. Portanto, torce pelos interesses da empresa. Eu defendo
o povo brasileiro." Não é de se surpreender que o valor de
mercado da maior petrolífera brasileira sofra com tais comentários.
O pré-sal ainda é expectativa de direito (a exata extensão
e mesmo os investimentos viáveis ainda se desconhecem). Temos aqui
o curioso caso da capitalização de uma empresa aberta não
com disponível ou efetivo, mas com títulos de dívida
que suportam ativos a serem criados no futuro (e ainda a serem realizados).
Não é a toa que os minoritários já declararam
que o estratagema fere o artigo 115 da Lei Societária, dispositivo
legal que cuida do voto abusivo do controlador.
Fora o elevado risco na atividade exploratória, há ainda
conflito de competência com a Agência Nacional do Petróleo
(ANP), à qual cabe, segundo a Lei do Petróleo (9.478/97),
determinar "com base em laudo arbitral, como serão equitativamente
apropriados os direitos e obrigações sobre os blocos", cabendo
à ANP o direito de licitar essas áreas, o que pode exigir
outra medida legislativa.
O processo de capitalização de qualquer empresa aberta
no mercado de capitais deve-se dar pela simples emissão primária
de valores mobiliários com o direito de preferência para os
minoritários. O dinheiro entra no ativo circulante da empresa e,
com isso, os investimentos são feitos. Aumentar a dívida
pública por meio da emissão de títulos para capitalizar
com petróleo ainda a ser descoberto é pirotecnia e deveria
ser evitado a qualquer custo. Mesmo o endividamento da empresa, numa operação
de financiamento com o BNDES no montante de R$ 25 bilhões, garantidos
em títulos do Tesouro, pode ser uma solução melhor
e mais transparente, sem envolver prejuízo aos minoritários.
(Jairo Saddi - Valor Online)
14.09 - Padrões da recuperação econômica
A recuperação econômica vai depender muito do consumo
de americanos, de alemães, de japoneses e de ingleses
A imprensa tem chamado nossa atenção para a comemoração
de um ano do colapso do banco Lehman Brothers e que jogou a economia mundial
no limiar de um precipício. Esse evento, devido aos seus efeitos
sobre a vida de milhões de seres humanos, será certamente
incorporado à nossa história. A lista de heróis e
vilões de nosso passado vai ganhar os nomes de atores maiores e
menores desses acontecimentos.
Na sua tarefa de informar, a imprensa internacional tem lembrado pequenos
e grandes dramas vividos por pessoas comuns e que foram apanhadas no turbilhão
financeiro iniciado em Wall Street. Mas esse não é o objetivo
deste espaço da Folha. Para mim, o colapso do Lehman Brothers é
um fato superado e hoje me preocupo com as questões voltadas para
o crescimento nos próximos anos.
Vivemos um período de recuperação da atividade
econômica em praticamente todas as regiões do mundo. Em relação
a 2010, assistimos a uma repetição tediosa de revisões
-para maior- das expectativas de crescimento. Existe um clima de quase
otimismo no ar. As cassandras do colapso inevitável das principais
economias de mercado balbuciam -sem o sucesso do passado- advertências
contra a euforia exagerada.
A recuperação das principais economias de mercado segue
três padrões bastante claros. Um primeiro grupo -do qual nosso
Brasil faz parte- retoma o crescimento de forma saudável. As fontes
de dinamismo são internas e pouco dependentes da demanda de países
no centro da crise mundial. A Austrália me parece outro exemplo
claro desse grupo. A economia desses países deve crescer perto de
seu potencial já na virada do ano de 2010. Somente um novo colapso
das economias mais ricas pode comprometer esse cenário no curto
prazo.
Um segundo grupo -do qual a China é o exemplo mais importante-
incorpora países que estão retomando o crescimento com base
no dinamismo interno de seu setor privado, mas que dependem ainda de um
forte estímulo de gastos do setor público. No caso chinês,
são as obras de infraestrutura que, ao substituir as exportações
para os países ricos como polo dinâmico da economia, preservam
o nível de gastos e de demanda interna.
Finalmente, um terceiro grupo, formado pelas economias mais ricas (G7),
apresenta maiores riscos associados à sustentabilidade do crescimento.
Nesses países, o ajuste de gastos dos consumidores tem sido mais
profundo e o corte na disponibilidade de crédito mais acentuado
do que ocorreu nas economias dos grupos anteriores.
Além disso, a situação fiscal do governo e o crescimento
da dívida pública nos próximos anos limita em muito
a manutenção dos estímulos fiscais -hoje, parte importante
da recuperação da economia- por um prazo mais longo. Os riscos
de uma recaída na recuperação em curso -chamada pelo
mercado de Double Dip- são razoáveis em países como
os Estados Unidos, o Japão, a Alemanha e a Inglaterra.
Nos próximos meses, todos os olhos do mundo financeiro estarão
voltados para o nível de gastos dos consumidores nessas economias.
Com a recuperação da produção em curso, se
os consumidores não voltarem a gastar nos próximos meses,
teremos um novo acúmulo de estoques e, em seguida, uma nova queda
no ritmo de atividade. Dada a importância das economias desse grupo,
um novo recuo pode comprometer a retomada do crescimento no resto do mundo.
(LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS - Folha de S.Paulo)
14.09 - BC: Política de juros deve ser cautelosa
Após interromper uma série de cortes na Selic na semana
passada, o Copom (Comitê de Política Monetária) do
Banco Central, por meio de sua ata, divulgada na quinta-feira (10), afirmou
que “uma postura mais cautelosa contribuirá para mitigar o risco
de reversões abruptas da política monetária no futuro
e, assim, para a recuperação consistente da economia ao longo
dos próximos trimestres”.
O Copom afirmou também que manteve a Selic em 8,75% a.a. para
assegurar que a inflação permaneça dentro da meta
estabelecida pelo governo. Foi levado em conta também a flexibilização
da política monetária implementada desde janeiro e a margem
de ociosidade dos fatores produtivos.
Segundo o Comitê “esse patamar de taxa básica de juros
é consistente com um cenário inflacionário benigno,
contribuindo para assegurar a manutenção da inflação
na trajetória de metas ao longo do horizonte relevante e para a
recuperação não inflacionária da atividade
econômica”.
Ainda de acordo com a ata, as projeções de inflação
feitas para 2009 caíram em relação ao valor considerado
em julho e estão abaixo da meta de 4,5% fixada pelo governo. A instituição
não divulgou os números, mas, em julho, a projeção
era "ao redor" da meta. Para 2010, a projeção foi aumentada
e se encontra "em torno da meta".
“O Copom avalia que a probabilidade de que pressões inflacionárias
inicialmente localizadas venham a apresentar riscos para a trajetória
da inflação é limitada. A moderação
das pressões da demanda doméstica sobre o mercado de fatores,
ainda que permaneça sujeita a incertezas, deve conter o risco de
repasse de pressões altistas sobre preços no atacado para
os preços ao consumidor. O Comitê avalia, entretanto, que
a materialização desse repasse, bem como a generalização
de pressões inicialmente localizadas sobre preços ao consumidor,
segue dependendo de forma crítica das expectativas dos agentes econômicos
para a inflação". (Executivos Financeiros)
11.09 - Devagar nos negócios
O Brasil teve certo destaque no Relatório de Competitividade
Global 2009, do Fórum Econômico Mundial, com desempenho considerado
até "impressionante" em meio à crise. Galgou oito posições
no ranking de 133 países, chegando à 56ª colocação.
Teve o melhor desempenho anual entre os chamados Brics e saiu da lanterna
do grupo, ultrapassando a Rússia.
Em que pese a limitação de levantamentos do tipo, são
boas notícias. O país melhorou sua posição
em plena contração mundial, em parte devido a passos dados
desde os anos 1990 rumo a sustentabilidade fiscal e abertura da economia.
Em particular, o Brasil se destacou na área da prontidão
tecnológica e foi beneficiado pela extensão de seu mercado
interno (o 9º maior do mundo), por um dos mais desenvolvidos mercados
financeiros da América Latina e por um setor de negócios
sofisticado.
Conquistas que não ofuscam, porém, o outro lado da moeda.
Dado o ritmo lento dos avanços institucionais, a morosidade burocrática
e as dificuldades da infraestrutura continuam predominantes. O Brasil permanece
atrás, no ranking do fórum, de economias bem menos complexas,
como a do Azerbaijão.
O peso acachapante dos impostos e a confusão das normas tributárias
no Brasil, como era de esperar, são apontados como o fator principal
a dificultar os negócios locais.
Por conta desses entraves, em outro estudo importante do gênero
o Brasil piorou. Ocupa um longínquo 129º lugar no relatório
do Banco Mundial de locais de maior facilidade para negócios -queda
de duas posições desde o ano anterior. O empresário
local trabalha 2.600 horas por ano para acertar as contas com o fisco e
ainda enfrenta 16 procedimentos burocráticos para a abrir um negócio.
A herança de uma economia fechada e de um governo ineficiente,
no Brasil, ainda trabalha contra o empreendedor. Só com reformas
se muda essa equação. (Folha de S.Paulo)
11.09 - Retrato de um país entravado
Se as empresas brasileiras dependessem mais do governo que do próprio
esforço para competir no exterior, teriam imensa dificuldade para
vender uma caixa de pregos ou um saco de soja. Também seriam muito
menos capazes de criar empregos produtivos. O quadro geral do Brasil pode
ter melhorado no último ano, mas o País continua atolado
em velhos problemas. Para os brasileiros, este é o dado essencial
do Relatório de Competitividade Global 2009-2010, lançado
terça-feira pelo Fórum Econômico Mundial.
Houve um ganho de oito posições de um ano para outro,
do 64º para o 56º lugar numa lista de 133 países. Nem
todos os dados são negativos, mas os fatores dependentes da ação
governamental, como os padrões educacionais, a qualidade das instituições,
a tributação e a regulação dos negócios
continuam muito ruins. Mesmo em setores onde ocorreram avanços a
posição brasileira é de enorme desvantagem. Houve
melhora de 14 posições na qualidade do sistema educacional,
mas o avanço foi da 117ª para a 103ª posição,
num conjunto de 133 países. Em relação à qualidade
geral da infraestrutura, o salto foi do 98º lugar para o 81º.
Se as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)
fossem realizadas integralmente, o Brasil só conseguiria eliminar
ou reduzir o atraso, comentou o professor Carlos Arruda, da Fundação
Dom Cabral, coordenador da parte brasileira da pesquisa. Mas o PAC está
emperrado e não há razão, neste momento, para esperar
maior dinamismo em sua execução neste ou no próximo
ano. O governo simplesmente não sabe como executar os investimentos
sob sua responsabilidade e tem sido lento na mobilização
do setor privado.
Os avanços conseguidos em alguns setores são pouco significativos,
quando se considera a permanência dos problemas. Os anos passam e
a lista dos principais entraves ao crescimento econômico e à
competitividade permanecem. As instituições continuam ruins,
de acordo com os empresários consultados na pesquisa. As leis atrapalham
a atividade produtiva e nesse quesito o Brasil aparece no 132º posto.
A carga tributária total é muito pesada e situa o País
na 117ª posição, mas os efeitos da tributação
(por sua baixa qualidade) são piores e deixam o Brasil no 133º
lugar, o último da lista. O peso da burocracia e o desperdício
de dinheiro público são alguns dos outros fatores críticos
- e nenhum deles é novo. Se fosse eliminado o atraso em alguns desses
itens, especialmente em educação e infraestrutura, o Brasil
poderia aparecer em torno do 30º lugar na classificação
geral, segundo o professor Carlos Arruda.
Mas alguns dos progressos detectados na pesquisa podem ser passageiros
e são de certa forma ilusórios. A mudança da posição
do Brasil é explicável, em parte, pelo ganho de 13 pontos
no item "estabilidade macroeconômica" - da 122ª para a 109ª
posição. O superávit primário do ano passado
e a melhora da relação dívida/PIB foram importantes
para o resultado. Mas essa evolução decorreu principalmente
do aumento da receita, e não de uma administração
mais prudente e mais competente do dinheiro público.
Além disso, o governo, como tem ocorrido regularmente, foi incapaz
de aplicar toda a verba prevista para investimentos. A estrutura do gasto
público piorou, com a elevação das despesas com pessoal
e com os benefícios previdenciários. Continua piorando em
2009 e continuará em 2010, porque o inchaço da folha de pessoal
não foi interrompido, mais dinheiro será destinado ao Bolsa-Família
e as pensões superiores a um salário mínimo serão
elevadas.
Não se cortaram gastos de custeio para compensar esses aumentos
e o nível de desperdício provavelmente não será
reduzido. Ao contrário, deverá subir, como ocorre normalmente
em períodos eleitorais. Além disso, novas facilidades concedidas
para devedores do Tesouro pesarão nas contas públicas. Detalhes
como esses não parecem ter sido considerados pelos autores do relatório
na avaliação fiscal de 2008.
Apesar disso, o Brasil ainda aparece bem no retrato. Nenhum outro país,
numa lista de 25, sairá da crise com um balanço tão
bom de efeitos positivos e negativos, segundo a avaliação
de 16 especialistas de várias nacionalidades. Nessa lista, somente
Índia, China, Austrália e Canadá aparecem também
com saldos positivos. Mas, passada a crise, o Brasil continuará
travado pelos fatores críticos de sempre - todos associados à
baixa qualidade das políticas e a deficiências de gestão.
O empenho do governo na recriação da CPMF, seus compromissos
eleitorais e o retorno às políticas dos anos 50, nos planos
para o pré-sal, não são prenúncios animadores.
(Rolf Kuntz - O Estado de S.Paulo)
11.09 - Desigualdade recua a patamar pré-crise
Estudo da Fundação Getulio Vargas aponta que principais
regiões metropolitanas do país dão sinais de recuperação
Pobreza havia aumentado de forma preocupante no começo do ano;
pesquisador questiona se indicador ficará parado no nível
atual
As seis principais regiões metropolitanas brasileiras dão
sinais de que estão se recuperando da crise, segundo estudo divulgado
ontem pelo economista Marcelo Neri, do Centro de Políticas Sociais
da Fundação Getulio Vargas.
Ao analisar a evolução da renda na Pesquisa Mensal de
Emprego do IBGE -a PME- especialmente de julho de 2008 a julho deste ano,
Neri detectou que a desigualdade, que tinha dado sinais preocupantes de
aumento nos primeiros meses deste ano, no pico da crise, praticamente voltou
aos patamares de 12 meses atrás.
De 2003 a 2008, a série histórica mostra que a pobreza
e a desigualdade caíram de forma praticamente constante. Esse movimento
de melhoria foi interrompido em janeiro deste ano, quando os efeitos da
crise começaram a ser percebidos com mais força nas regiões
metropolitanas brasileiras.
A piora verificada nos quatro primeiros meses do ano, no entanto, foi
compensada pela melhoria na PME em maio, junho e julho. Com isso, os indicadores
de desigualdade e pobreza voltaram praticamente aos patamares de 12 meses
antes.
"O que houve foi um empate, o que não é ruim em tempos
de crise. Mas a questão agora é o que vai acontecer no futuro:
voltaremos a melhorar com a pujança de antes ou ficaremos estagnados
nessa situação atual?", indaga o pesquisador.
Em julho de 2003, 47% dos brasileiros estavam nas classes D ou E, definidas
no estudo como aquelas em que a renda domiciliar total é inferior
a R$ 1.115. Em julho de 2008, essa proporção caiu para 33%.
Neste ano, no mesmo mês, o percentual registrado foi de 32%.
No caso da desigualdade, que é medida pelo índice de
Gini, de julho de 2003 para julho de 2008 a redução foi de
5,8%. No período de julho de 2008 a julho deste ano, houve ligeiro
aumento de 0,3%.
A analise mensal, no entanto, mostra que apenas em janeiro houve um
aumento de 2,5% em relação a dezembro do ano passado. Esse
pico foi compensado em parte pela redução verificada a partir
de abril. Isso fez com que o indicador de todo o período de 12 meses
de julho a julho ficasse praticamente estável.
São Paulo
Na comparação das seis regiões metropolitanas
da pesquisa (São Paulo, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio e
Porto Alegre), São Paulo teve o pior desempenho entre julho de 2008
e julho de 2009, com aumento na renda per capita de apenas 0,5%. Nas demais,
o crescimento variou de 3,7% (caso de Recife) a 6,4% (em Belo Horizonte).
Neri analisou também separadamente as capitais e as demais cidades
que compõem as regiões metropolitanas. Na maioria delas,
os municípios ao redor das capitais atravessaram melhor o período
de crise.
Em São Paulo, por exemplo, a capital chegou a registrar de julho
de 2008 a julho de 2009 queda de 3,2% na renda média per capita.
Em compensação, as demais cidades da região metropolitana
tiveram crescimento de 7,7% na renda média.
A hipótese do economista para explicar esse comportamento é
que as capitais, por serem mais industrializadas, sentiram mais os efeitos
da crise econômica internacional.
"Foram os mercados financeiros que transmitiram a crise. Talvez as
periferias sejam menos conectadas aos mercados externos via exportação."
(ANTÔNIO GOIS - Folha de S.Paulo)
10.09 - Riscos da dívida pública e o cenário da
renda fixa
Em qualquer país, os títulos da dívida pública
são a base do mercado de renda fixa. Já o governo é,
invariavelmente, o maior devedor individual no mercado financeiro. Os investidores
adquirem esses títulos diretamente no Brasil por meio do Tesouro
Direto ou, mais frequentemente, de forma indireta: aplica em um fundo que
adquire os títulos ou investe no banco, que aplica os recursos captados
nesses títulos.
Para o investidor em renda fixa, a dinâmica da dívida
pública é um elemento central do cenário dos seus
investimentos. Quanto maior o seu risco, maior será o retorno requerido
para financiar o governo, gerando taxas de juros estruturalmente mais altas.
A dinâmica da dívida depende de dois elementos: as mudanças
no estoque e o déficit, analisados separadamente a seguir. Quanto
ao primeiro elemento, o setor público pode contrair novas obrigações
de grande volume, como os "esqueletos" ou passivos contingentes, assim
como pode abater obrigações com privatização
de ativos.
No Brasil, é constante o risco da incorporação
de novos esqueletos à dívida. Isso exige atenção
constante, por exemplo, às ações que tramitam no Supremo
Tribunal Federal, que chegam a impor passivos contingentes de dezenas de
bilhões. Já as privatizações são hoje
raras. Mudanças em indicadores que corrigem os títulos e
os demais contratos que compõem a dívida também implicam
em perdas ou ganhos patrimoniais para o setor público. Por exemplo,
uma mudança cambial faz reavaliar o estoque de dívida externa
quando convertida em reais, assim como afeta as demais obrigações
e direitos governamentais em moeda estrangeira (swaps, títulos cambiais
como a NTN-D etc).
O Banco Central estima que apenas um terço da dívida
líquida do setor público esteja prefixada, relativamente
imune a flutuações de indicadores, enquanto a maior parte
está exposta à Selic. Por outro lado, o Banco Central estima
que quase 23,4% da dívida líquida esteja exposta ao câmbio,
um indexador volátil. Cada centavo de aumento no câmbio reduz
o estoque em cerca de R$ 1,5 bilhão. Note-se que, até alguns
anos atrás, o governo perdia com a depreciação cambial
e hoje ganha com ela.
O segundo elemento é o déficit público. Este tem
dois componentes, os juros e o saldo primário. Os juros correspondem
à despesa financeira do setor público. A queda conjuntural
da taxa Selic, um instrumento anticrise favoreceu a redução
dessas despesas para cerca de 5% do PIB, um alívio e tanto para
uma conta que já bateu 8% do PIB dez anos atrás. Mudanças
em indexadores dos títulos da dívida, como Selic, câmbio
e inflação, ainda que representem mudanças patrimoniais,
acabam afetando esta conta. Assim, o cenário do investidor quanto
a estes indicadores é relevante para sua projeção
da dívida.
O resultado primário corresponde à diferença entre
as receitas públicas e os gastos não financeiros. Reflete
o esforço do governo na execução orçamentária
de suas despesas e na obtenção das receitas. Esse conceito
isola o esforço fiscal efetivo do pagamento de juros e das mudanças
patrimoniais.
Desde outubro de 1998, com o Programa de Estabilidade Fiscal, a base
do regime fiscal é o controle do saldo primário. Em 1998,
o ajuste fiscal foi essencial na estratégia brasileira contra o
furacão que assolou os países emergentes. Sua continuidade,
nos últimos 11 anos, juntamente com outros instrumentos como a Lei
de Responsabilidade Fiscal, ofereceu um elevado grau de segurança
quanto aos fundamentos da macroeconomia brasileira e, certamente, foi essencial
à conquista do "investment grade".
Há uma incerteza sobre uma eventual reversão da política.
Em 12 meses até junho, o superávit primário chegou
a 2% do PIB, ante 4,1% em agosto do ano passado, ficando próximo
do nível de agosto de 1999. Na crise russa, em 1998, houve déficit
primário de até 1,4% do PIB, um dos detonadores da deterioração
do cenário. Estamos longe disso, mas a atual trajetória preocupa.
Embora não seja possível precisar um nível de
conforto do superávit primário, principalmente com o alívio
na conta de juros, conhecemos bem as consequências de uma eventual
reversão da atual política: um aumento no risco e no retorno
dos investimentos em renda fixa. Este é o principal fator de atenção
do cenário da renda fixa no Brasil. (Frederico A. Turolla
- Valor Online)
10.09 - Brasil avança no ranking da competitividade
Apesar da melhora, País ainda é o que tem o pior sistema
tributário entre 133 países avaliados
A reação do Brasil à crise financeira global e
a estabilidade macroeconômica demonstrada durante o período
de turbulência fizeram o País subir oito posições
no ranking de competitividade do Fórum Econômico Mundial deste
ano. A capacidade de inovação do setor privado também
pesou de forma positiva no avanço que o País vem apresentando
nos últimos anos.
"A melhora na competitividade brasileira é fruto do seu setor
empresarial inovador e sofisticado, do tamanho de seu mercado e da melhora
na área de estabilidade macroeconômica, comparada com o ano
anterior", disse o Fórum em uma nota oficial.
Mas o Brasil ainda tem o pior sistema tributário entre os 133
países avaliados e é o penúltimo colocado no critério
de regulação do governo.
O ranking também aponta que a população não
confia em seus políticos e que o Brasil é considerado um
dos locais onde a corrupção e o desperdício de dinheiro
público têm peso significativo para a competitividade do País.
De acordo com a pesquisa, o Brasil ainda tem uma das piores aduanas
do mundo e sistema educacional que não oferece qualidade.
Mesmo assim, pelo ranking geral, o Brasil passou da 64º lugar
para a 56ª posição. Em 2007, o Brasil ocupava o 72º
lugar. Pela primeira vez, o País é considerado mais competitivo
que o México.
BRICS
O Brasil também deixa a lanterna dos Brics (grupo formado por
Brasil, Rússia, Índia e China). Neste ano, o País
aparece à frente da Rússia, que despencou. Mas permanece
atrás de China e Índia.
O País também está distante de alguns vizinhos,
como o Chile, 28º economia mais competitiva do mundo. Porto Rico,
Barbados e Costa Rica também estão acima do Brasil na região
da América Latina. Indonésia, Azerbaijão, Tailândia,
África do Sul, são outros exemplos de países melhor
classificados.
Margareta Hanouz, uma das autoras do estudo, admite que a reação
do Brasil à crise foi um dos elementos que mais pesaram. Segundo
ela, vários outros países caíram nesse critério,
o que permitiu que o País subisse na tabela.
Segundo ela, a mudança do Brasil na classificação
não se explica apenas por uma melhoria interna do País. Mas
também diante do fato de que outros não resistiram à
crise ou tiveram desempenhos mais fracos diante do caos no sistema financeiro.
No critério que avalia o mercado financeiro, o Brasil passou
da 64ª colocação para 51ª posição.
Nenhum banco quebrou no País nos últimos 12 meses e vários
deles apresentaram capitalização sólida.
Quanto à estabilidade macroeconômica, o salto foi importante,
passando da 122ª posição para 109ª . "Em um difícil
ambiente econômico global, é cada vez mais importante cada
país possuir bons fundamentos para embasar seu crescimento e desenvolvimento
econômico," afirma Klaus Schwab, presidente do Fórum.
O País apresentou resultado positivo no que se refere ao combate
à inflação e dívida pública. Mas registrou
ainda a quinta pior taxa de spread e juros.
"Um ambiente econômico que favorece a competitividade é
capaz de ajudar economias nacionais a enfrentar ciclos empresariais de
retração e garantir a presença de mecanismos que apoiam
um bom desempenho econômico futuro", disse Xavier Sala-i-Martin,
professor de Economia da Universidade Columbia.
O Brasil ainda subiu posições no que se refere à
infraestrutura, avanço tecnológico e concorrência no
mercado doméstico. O Brasil também é o 9º maior
mercado doméstico do mundo e o setor privado foi amplamente elogiado
por sua competência. O setor privado, em termos de sofisticação,
está entre os 38 mais competitivos do mundo.
OS PROBLEMAS
Mas os pontos negativos ainda são vários. Entre os 133
países avaliados, o Brasil ficou na última colocação
no quesito impacto dos impostos. O País tem a 2ª pior regulação
estatal e o 6º pior desempenho em número de dias para abrir
um negócio.
O governo parece de fato ser o freio à competitividade, com
a burocracia ainda afetando o País. No critério de instituições
públicas, o Brasil caiu da 90ª posição para 93ª
colocação. A aduana está entre as 12 piores do mundo.
Só quatro países desperdiçam mais dinheiro público
que o Brasil. No item corrupção, o País está
entre os 13 piores. No critério de confiança sobre políticos,
o Brasil ocupa apenas a 127ª posição.
A qualidade do ensino também vem freando a competitividade.
O Brasil ainda tem o 10º pior resultado em termos de desempenho em
matemática. O sistema de educação passou da 117ª
colocação para a 103ª, mas ainda está distante
dos líderes.
No quesito infraestrutura, os portos nacionais ainda estão entre
os seis piores em competitividade. E no critério custo da violência,
o País fica entre os 15 economias mais caras do mundo.
(Jamil Chade - O Estado de S.Paulo)
09.09 - Ainda é cedo para declarar fim da crise
Recuperação requer "base mais sólida", afirma
grupo de 4 economias emergentes
Comércio internacional patina, desemprego segue elevado e declínio
marca trajetória de alguns países, aponta ministro chinês
"É muito cedo para declarar o fim da crise."
Palavra de países (Brasil, Rússia, Índia e China,
os Bric) que poderiam até cantar vitória porque três
deles estão crescendo neste ano. Dois, aliás, China e Índia,
nunca deixaram de crescer, nem mesmo no auge da crise global, no final
de 2008, começo de 2009.
A frase consta do comunicado final emitido após a reunião
de ministros da Fazenda e presidentes de bancos centrais dos quatro países,
um acrônimo inventado por uma firma financeira (a Goldman Sachs),
mas que está conseguindo cavar um lugar importante na discussão
da economia global.
A cautela do comunicado se explica facilmente: "Uma recuperação
sustentável requer uma base mais sólida", afirmam os quatro.
E emendam imediatamente depois: "A recente recuperação
deriva, em grande medida, da resposta sem precedentes dos governos e de
sua determinação de restaurar a estabilidade e o crescimento".
A frase se aplica perfeitamente ao Brasil: o ministro da Fazenda, Guido
Mantega, diz que a recuperação no Brasil está apoiada
nos pacotes de estímulo concedidos pelo governo e que só
poderão ser retirados quando "a economia se mantiver de pé
sozinha".
É óbvio que o raciocínio tem total respaldo do
único país dos Bric que continua retrocedendo, a Rússia.
Seu ministro Alexey Kudrin diz que a previsão para 2009 é
de um retrocesso colossal, na altura de 8,5%.
"Número ideal"
Já o indiano Pranab Mukherjee, capaz de exibir sólidos
6% a 7% de crescimento neste ano e no próximo, não deixa
de reconhecer que voltar aos 9%, que é o "número ideal, depende
da estabilização dos mercados internacionais".
Os chineses, recordistas de crescimento nos últimos anos e que
voltaram recentemente a girar na faixa dos 9%, listam vários motivos
para a cautela em declarar o fim da crise: o comércio internacional
não se recuperou, o desemprego continua elevado e aumentando em
alguns países, as economias de muitos países estão
ainda declinando e há muitas incertezas, diz seu ministro, Xie Xuien.
Por tudo isso, o documento dos Bric ataca preventivamente a hipótese
de um retorno às práticas anteriores no mundo financeiro.
"Esperamos que todos os países do G20 reforcem seus trabalhos
para reformar o sistema financeiro e não retornem a um padrão
de regulação financeira frouxa e supervisão deficiente."
Fazem também a crítica usual ao protecionismo, estendendo-a
não apenas ao comercial, mas ao financeiro.
Por fim, cobram o aperfeiçoamento da governança interna
do G20, para "estabelecer regras e procedimentos de trabalho mais claros".
Tradução: querem, por iniciativa do Brasil, que o grupo
passe a ter um efetivo programa de trabalho, ao longo do ano, em vez de
ficar apenas em reuniões de cúpula, mesmo que periódicas,
precedidas por encontros de seus ministros de Economia e presidentes de
BCs. (CLÓVIS ROSSI - Folha de S.Paulo)
09.09 - Saída da crise ou não?
As manhãs têm sido agradáveis nesta época.
A cada dia, os jornais anunciam que a crise acabou: presidentes, ministros,
grandes empresários, estão todos de acordo. E como não
gostamos de contradizer pessoas ilustres, como gostamos mais da esperança
que da tristeza, nós também dizemos que a crise acabou.
No entanto, há uma lembrança que nos inquieta: há
um ano, nem um único desses profetas notou a chegada da catástrofe.
Foi só depois que a granada explodiu que eles nos preveniram delicadamente:
"Uma granada explodiu." A rainha da Inglaterra concorda comigo. E como
ela tem mais autoridade que eu, soltou o verbo. No fim de 2008, ela perguntou
à London School of Economics: "Como foi que ninguém a previu?"
Os professores se entreolharam. A pergunta os pegava de surpresa e eles
prometeram refletir.
E refletiram. Seis meses depois, a resposta acaba de chegar no Palácio
de Buckingham: "Foi sobretudo um revés da imaginação
coletiva de numerosas pessoas brilhantes, neste país e no exterior..."
Como não concordar com uma resposta tão fulgurante? Paul
Krugman, prêmio Nobel de Economia de 2008, foi mais explícito:
"A macroeconomia foi na melhor hipótese inútil e na pior
absolutamente nefasta."
Um professor francês de direito, inquirido num programa de TV,
respondeu: "Nenhum de nós, os entendidos, viu o golpe. Com vocês
querem que lhes digam quando vamos sair de uma crise na qual eu nem percebi
que havíamos entrado?" Essas confissões são confortadoras.
Elas mostram que os especialistas, mesmo quando são nulos, reconhecem
gentilmente sua estupidez. Mas o que vai ser de nós, os ignorantes?
Se as bússolas confessam que se enganaram, que confundiram o norte,
o sul, o leste e o oeste, como nós vamos sair do labirinto? Lancemos
um olhar sobre as previsões de saída da crise que se acumulam
em nossos jornais. Quando se lê com um pouco de atenção
todos esses profetas, percebe-se que a crise lhes ensinou ao menos uma
coisa: a modéstia. Eles agora manejam a dúvida, a nuance,
a flexibilidade, a má fé e a habilidade. Sim, nós
estamos saindo da crise, mas em que situação nos encontramos?
Caolhos, pernetas ou paralisados? E como será essa saída
da crise? O jornal The Washington Post confirmou que a crise terminou.
O chato é que esse fim da crise não acarretará em
nenhuma melhoria nos salários e nem um único emprego suplementar.
"Será uma retomada que só os estatísticos perceberão."
O Courrier International confirma: "A crise terminou, mas as populações
não verão sua sorte melhorar." Que pena! Para que tanto trabalho
para sair da crise se as coisas vão continuar tão ruins como
estavam? Existe ao menos uma certeza sobre a qual todos os especialistas
estão de acordo: a saída da crise será, ou bem rápida,
ou bem lenta, ou bem entre as duas coisas, isso é líquido
e certo. Para nos ajudar a ver claro, eles exibem, há alguns dias,
como se tivessem combinado a palavra nos quatro cantos do planeta, um esquema
emprestado do alfabeto. A saída da crise será ou em V, ou
em U, ou em W.
Explicando: se sairmos em V, a retomada será vigorosa. Se for
o itinerário em U, a saída será penosa, mas inelutável.
O modelo em W é bem mais triste. Ele sugere que nós vamos
nos recuperar rapidamente, mas que, assim que chegarmos ao ar livre, cairemos
num segundo buraco de ar e despencaremos de novo no abismo, antes de retomar
nossa lenta escalada um pouco depois, mas em quanto tempo? Alguns economistas
completaram sua pequena coleção de esquemas. Eles acrescentaram
uma outra letra às três precedentes. Imaginaram uma saída
da crise em L. Essa perspectiva não é nada alentadora. Esse
L quer dizer que a queda para, mas não haverá retomada. Entraremos
num período de estabilidade em um nível inferior ao que existia
antes da crise.
Se eu fosse a rainha da Inglaterra, faria outra pergunta aos economistas
da London School of Economics. Mas como não sou, não farei
nada. Não quero passar por impertinente. (Gilles Lapouge
- O Estado de S.Paulo)
09.09 - Avaliando a recuperação global
Os formuladores globais de políticas econômicas têm
se encontrado muito ultimamente. Em meados de agosto, muitos dirigentes
de bancos centrais se reuniram em Jackson Hole, Estado de Wyoming, para
falar de negócios. Ontem e hoje, ministros de Finanças e
dirigentes de bancos centrais do Grupo dos 20 (G-20) países desenvolvidos
e emergentes reúnem-se em Londres para avaliar o estágio
de recuperação da economia global. Esse encontro tem um sentido
preparatório para a cúpula do G-20 marcada para o fim de
setembro em Pittsburgh.
Para Timothy Geithner, secretário do Tesouro dos EUA, Ben Bernanke,
presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e outras
autoridades que foram a Londres, há motivos para otimismo. Uma quantidade
sem precedente de programas monetários e fiscais - variando do corte
de taxas de juros à compra de dívida corporativa - puxou
a economia mundial da beira do abismo. O progresso de indicadores econômicos
importantes, como a confiança de fabricantes e a atividade do mercado
acionário, também sugere que o pior da recessão pode
ter passado.
Agora que os brotos econômicos estão começando
a surgir, a reunião em Londres deve se concentrar no que as autoridades
pretendem fazer em seguida. Sobre a mesa está uma nova rodada de
reformas da regulação financeira, incluindo uma proposta
apoiada pelos franceses de redução das bonificações
concedidas por bancos, que será tratada com destaque na reunião
do G-20 em Pittsburgh. E depois que os países injetaram bilhões
de dólares para sustentar indústrias domésticas em
má situação, os políticos estão começando
a perguntar quando o respaldo financeiro deverá ser contido. Os
economistas receiam, porém, que puxar as rédeas antes de
uma recuperação mundial ter se firmado poderá eliminar
boa parte do trabalho duro dos últimos 12 meses.
"Percorremos um longo caminho, mas acho que precisamos ser realistas",
disse Geithner a jornalistas antes do encontro. "Ainda temos um longo caminho
pela frente." O desejo das autoridades de mudar de uma triagem econômica
para uma estratégia de saída para sua intervenção
financeira é compreensível. Desde seus recordes inferiores
de março de 2009, o índice S&P 500 deu um salto de quase
50%, enquanto os mercados acionários europeus avançaram cerca
de 30% no mesmo período. O declínio do Produto Interno Bruto
(PIB) americano chegou ao fundo, França e Alemanha - as maiores
economias da zona do euro - reportaram um leve avanço trimestral
do PIB entre abril e junho de 2009, e autoridades chinesas confirmaram
que o país está a caminho de uma taxa de crescimento de 8%
este ano.
Mas antes que as autoridades econômicas comecem a estourar o
champanhe, muitos analistas recomendam cautela porque a economia global
atravessa a pior recessão de que se tem memória. Jonathan
Loynes, economista-chefe europeu da da consultoria londrina Capital Economics,
diz que foram os gastos públicos, como os bem-sucedidos esquemas
de usar carros velhos como entrada para novos, que impeliram os avanços
recentes. Por contraste, o setor privado em todo o mundo ocidental continua
às voltas com a dificuldade de obter crédito. Não
se espera uma melhora disso antes de 2010 estar quase no fim. "Demorará
um bom tempo para voltarmos ao ponto em que as coisas estavam antes da
recessão."
Organizar um recuo unificado dos gastos globais com estímulo
também poderá ser algo como arrebanhar gatos: difícil
no melhor dos tempos, quase impossível no clima vigente. A recessão
atingiu países individuais de maneiras diversas. Em resposta, as
autoridades econômicas adotaram medidas diferentes para se adequar
a circunstâncias diferentes. Nos EUA e na Grã-Bretanha, por
exemplo, os problemas do setor de serviços financeiros forçaram
os políticos a nacionalizar, ou ao menos a reforçar com recursos
públicos instituições periclitantes.
França e Alemanha - cujos bancos foram menos afetados - se concentraram
em ajuda estatal a indústrias domésticas debilitadas. E na
China bem provida de caixa, o governo está gastando US$ 586 bilhões
para melhorar a infraestrutura local. "Não é um problema
com uma solução única", diz Gareth Claase, economista
europeu do Royal Bank of Scotland (RBS) em Edimburgo.
Uma área em que as autoridades concordam é a da reforma
do sistema de regulação financeira. Os excessos do período
anterior ao arrocho do crédito - práticas opacas de trading,
incentivos a bônus de curto prazo, e uma dependência de mercados
de crédito - provocaram críticas do presidente dos Estados
Unidos, Barack Obama, a seu congênere francês Nicolas Sarkozy.
Políticos americanos e europeus já começaram a
promover mudanças. Com base em propostas delineadas na cúpula
do G-20 em Londres em abril de 2009, agências de classificação
de crédito, operações com derivativos complexos, e
investimentos alternativos como fundos hedge e private equity ficaram sobre
um guarda-chuva regulatório mais rígido. Esse inclui a presença
de membros independentes em conselhos de administração para
escrutinar a atividade empresarial e permitir que agentes monitorem a atividade
comercial de companhias.
Agora, políticos europeus querem reduções nas
bonificações bancárias.
Em 25 de agosto, o presidente Sarkozy anunciou novas restrições
aos pagamentos de bônus a traders franceses cujos investimentos falirem.
A chanceler (premiê) alemã, Angela Merkel, apoiou prontamente
a medida, que será discutida tanto nesse encontro de Londres como
na reunião maior do G-20 programada para o fim deste mês.
E apesar de bancos baseados em Nova York e em Londres poderem espernear
com os limites propostos aos pacotes de remuneração multimilionários,
Graham Bishop, um especialista britânico em regulação
diz que os ventos sopram a favor de Sarkozy e cia. "Wall Street não
é a queridinha do momento, e há um grande ímpeto político
por lá para (reduções de bônus)", diz ele.
Mas as autoridades econômicas americanas podem não estar
dispostas a ir tão longe quanto as francesas. Em 2 de setembro,
Geithner disse que pretendia "ouvir mais sobre as ideias deles", mas recusou-se
a expressar sua opinião sobre limitar bonificações.
Com tanta coisa para discutir na cúpula de dois dias em Londres,
isso não deve surpreender.
Até a economia global finalmente se recuperar, Geithner e outras
autoridades globais terão muitas outras cúpulas para burilar
os detalhes. (Marc Scott - O Estado de S.Paulo)
08.09 - Fundos internacionais: Regras mais claras de governança
Em compasso de espera. Assim estão os grandes fundos de investimentos
em relação ao Brasil, segundo o analista de Investimento,
Governança e Sustentabilidade do F&C Investment, Pat Tomaino.
Os grandes fundos estão esperando definições mais
claras sobre as regras para os acionistas em casos de fusões e aquisições,
afirma ele, que participou ontem do seminário "Os Desafios do Novo
Mercado", promovido pela BM&FBovespa no Rio de Janeiro.
Tomaino, cujo fundo tem US$ 98 bilhões para investir, explica
que o mercado está reavaliando o Brasil, suas práticas de
governança e sua estabilidade política. No entanto, o que
mais chama a atenção é a governança corporativa
das empresas brasileiras. Para Tomaino, no entanto, ainda faltam regras
que ajudem e deem mais direitos aos investidores externos. Uma delas é
a possibilidade de voto por procuração. "Se eu não
posso participar da assembleia, se não posso votar, não me
interessa investir."
Ele cita como exemplo negativo a polêmica com os minoritários
na compra da Aracruz pela Votorantim e, como positivo, a fusão da
Tenda com a Gafisa. Tomaino ainda critica a Comissão de Valores
Mobiliários (CVM) e a própria BMF&Bovespa por não
evitarem conflitos entre os acionistas e os controladores. Para o analista,
os estrangeiros precisam ver esclarecidos de vez esses pontos de disputa
para entrar com mais força no mercado brasileiro. E, quando eles
entrarem, vão exigir mais respeito. Segundo ele, um dos exemplos
é o "tag along" (pagamento de parte do prêmio de controle
em caso de venda) para as ações preferenciais, em estudo
pela CVM.
O novo modelo aceito pelos estrangeiros deve ser positivo e respeitado
por todas as partes, diz Tomaino. Ao fazer uma consulta ao acionista, aos
controladores ou aos reguladores, a interpretação tem que
ser a mesma, não pode ser unilateral. Esse modelo vai exigir uma
orientação mais abrangente da bolsa, mais intensa e ativa,
avalia o executivo. O regulador terá também que dar uma orientação
constante ao mercado. "Não será simplesmente punir ou estabelecer
receitas específicas", conclui Tomaino. No entanto, apesar de todas
estas considerações, ele afirma que seu fundo tem um projeto
para o Brasil e para as empresas do Novo Mercado.
John Wilcox, presidente da consultoria de investimentos internacional
Sodali, também confirma o interesse internacional no mercado brasileiro.
Mas o executivo é contra uma grande regulamentação
do setor. O maior risco, diz, é o legislador criar uma fórmula
única para todos. "A ideia é que o administrador siga o princípio
de justiça e igualdade."
Wilcox prefere que a administração das companhias seja
forte e tenha em mente os interesses dos acionistas como um todo. "O objetivo
de todos é o mesmo: o sucesso da empresa", afirma. Segundo ele,
uma empresa vai ao mercado pegar o dinheiro de um pai de família
ou de um aposentado e depois tem o dever de respeitá-lo.
Para ele, o mercado internacional vê com ótimos olhos
o Novo Mercado brasileiro porque ele não é uma lei, mas um
sistema voluntário. Wilcox explica que o mercado de capitais brasileiro
está em desenvolvimento e, mesmo que seja bem gerenciado, sempre
haverá algum ceticismo internacional, por conta da preocupação
com a corrupção e com a instabilidade política.
(Valor Online)
08.09 - Uma bolha econômica em plena gestação?
"Não há meios de evitar o colapso final de uma expansão
econômica provocada pela expansão do crédito. A alternativa
é apenas se a crise deve vir mais cedo como o resultado de um abandono
voluntário de mais expansão de crédito, ou depois
como uma catástrofe final e total do sistema monetário envolvido."
(Ludwig von Mises)
A bolha americana que estourou em 2008 teve sua origem na excessiva
expansão de crédito imobiliário, assim como na manutenção
de taxas de juros artificialmente reduzidas pelo Fed. Os principais veículos
para a explosão do crédito imobiliário foram as semiestatais
Fannie Mae e Freddie Mac. Não deixa de ser curiosa, portanto, a
acusação de que foi o livre mercado que causou a crise, sendo
apresentado como solução mais regulação e controle
estatal no setor financeiro. Quando o diagnóstico está errado,
a probabilidade de se repetir o erro é grande.
Dessa vez, o erro pode estar sendo feito no Brasil. Quando o Banco
do Brasil divulgou seu último resultado, o ministro Guido Mantega
chegou a convocar uma entrevista coletiva para celebrar o crescimento da
carteira de crédito do banco, alertando que os bancos privados poderiam
"comer poeira" se não seguissem o mesmo curso. Chega a ser temerário
um ministro da Fazenda estimulando dessa forma o crescimento do crédito,
num momento onde a cautela se faz necessária. Será que não
aprendemos nada com os problemas dos americanos?
Somando-se o total de crédito concedido pelo Banco do Brasil,
BNDES e Caixa Econômica Federal chega-se a um crescimento de cerca
de 30% comparado ao ano anterior. O total do passivo desses três
bancos aumentou 36% nesse período, sendo que o patrimônio
líquido deles permaneceu praticamente estável. Em outras
palavras, o grau de alavancagem cresceu de forma impressionante.
Esses bancos estatais têm apenas R$ 1 de patrimônio para
cada R$ 17 de passivo. São apenas R$ 70 bilhões de patrimônio
sustentando um passivo acima de R$ 1,2 trilhão. Em contrapartida,
os dois maiores bancos privados do país, Itaú Unibanco e
Bradesco, possuem pouco mais de R$ 1 trilhão de passivo, para quase
R$ 90 bilhões de capital, uma alavancagem perto de 12 vezes. Ou
seja, os bancos privados demonstram mais responsabilidade no que diz respeito
ao grau de alavancagem.
Como fica claro, parece muita ingenuidade delegar ao próprio
governo o controle do crédito, achando que ele será capaz
de evitar a formação de bolhas. Os governantes costumam focar
nas próximas eleições, ignorando os riscos de suas
medidas no longo prazo. Com uma quase obsessão pelos dados trimestrais
do PIB, esquece-se do perigo da bolha de crédito. "No longo prazo
estaremos todos mortos", repetem os seguidores de Lord Keynes, ignorando
que um dia o longo prazo chega, cobrando a fatura com juros e correção
monetária.
É verdade que o patamar de crédito em relação
ao PIB não é dos maiores no Brasil, se comparado ao nível
dos países mais desenvolvidos. Segundo o Banco Central, o total
de empréstimos bancários no país representa 37% do
PIB, o maior valor desde o Plano Real, mas ainda bem abaixo da média
dos países ricos. No entanto, o crescimento na margem tem sido espetacular,
levantando dúvidas quanto à sustentabilidade dessa situação.
Além disso, não se pode descartar a significativa redução
na taxa Selic, que chegou ao menor nível desde sua criação
em 1986. Apenas neste ano até agosto, a taxa já foi cortada
em cinco pontos percentuais. Os efeitos disso costumam levar algum tempo
para aparecer, mas é inegável que bastante lenha foi jogada
na fogueira da economia.
Não é meu objetivo aqui alardear uma crise iminente de
grandes proporções. Apenas considero fundamental para a boa
saúde econômica o constante alerta em relação
aos estímulos artificiais do governo para produzir crescimento econômico
no curto prazo. Por negligenciarem este importante alerta, os americanos
sofreram bastante recentemente, com o estouro da bolha de crédito
(e infelizmente parece que ainda não aprenderam a lição
também).
O crescimento sustentável de um país deve ser resultado
de maior poupança de capital, servindo de lastro para investimentos
produtivos que possibilitem ganhos de eficiência no uso dos insumos.
Depender do aumento artificial do crédito, sem uma contrapartida
na poupança, pode ser apenas uma hipoteca do nosso futuro. Até
quando o estímulo do crédito será capaz de sustentar
os bons dados econômicos, que, por sua vez, ajudam a manter o otimismo
nas bolsas? (Rodrigo Constantino - Valor Online)
04.09 - OCDE: Recuperação global surpreende
Projeção de crescimento médio dos 30 países
que compõem a entidade sai de -1,1% para 0,3%; só Reino Unido
vai na contramão
A economia mundial está deixando a recessão em uma velocidade
maior do que o esperado, segundo a avaliação parcial da Organização
para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE)
divulgada ontem, em Paris. Além disso, no segundo semestre, a economia
global viverá crescimento, ainda que dependente dos programas nacionais
de estímulo à retomada da atividade. A organização
também previu o aumento do Produto Interno Bruto (PIB) nos Estados
Unidos e na União Europeia no terceiro trimestre.
A revisão das perspectivas foi anunciada diante da reversão
de expectativas aberta pelo fim da recessão na Alemanha, na França
e no Japão no segundo trimestre. Em sua última parcial, a
OCDE ainda apostava que a retomada da atividade só ocorreria em
2010. Ontem, os economistas da organização anunciaram dados
mais suaves. Em 2009, a recessão na Alemanha deverá significar
recuo do PIB de 4,8%, menor do que os -6,1% previstos em junho. Na França,
a queda do PIB deve ser de 2,1%, em lugar de 3%. No Japão, a retração
deverá chegar a 5,6%, também menor que os 6,8% inicialmente
estimado.
De outro lado, as perspectivas para os Estados Unidos continuam estáveis
para este ano - -2,8% - e pioram para o Reino Unido, que deverá
decrescer 4,7%, em lugar de 4,3%. Itália, Espanha e Irlanda também
puxarão os resultados da União Europeia para baixo. "A retomada
poderá até se mostrar um tanto mais sustentável do
que o antecipado anteriormente", afirmou Jorgen Elmeskov, economista-chefe
interino da OCDE, alertando: "Não podemos excluir um cenário
de crescimento em W, mesmo que os dados recentes reduzam as probabilidades
de tal cenário."
No conjunto dos 30 países da zona OCDE - da qual o Brasil não
faz parte - as previsões melhoraram para o segundo semestre. No
terceiro trimestre, a perspectiva é de crescimento de 0,3%, diante
de um recuo de 1,1% previsto em junho. No quarto trimestre, a aceleração
continua: 2% de incremento na atividade, bem superior aos -0,5% antes imaginado.
Segundo Elmeskov, o crescimento também volta no conjunto do
G7, o grupo de sete países mais ricos do mundo, formado por Estados
Unidos, Canadá, Japão, Alemanha, França, Reino Unido
e Itália. No terceiro trimestre, o PIB dos mais industrializados
deverá crescer 1,2%, enquanto no quarto o incremento deverá
chegar a 1,4%.
Além das cifras do PIB, a OCDE prevê a redução
do ritmo de desemprego e a queda menos acentuada que o previsto para o
comércio mundial no segundo semestre do ano.
JUROS
A autoridade monetária da zona do euro anunciou ontem, em Frankfurt,
na Alemanha, a manutenção da sua taxa básica de juros
em 1%. O nível ainda é o menor da história de 10 anos
do Banco Central Europeu (BCE).
No intervalo de oito meses, o presidente da instituição,
Jean-Claude Trichet, reduziu a taxa de referência, que no auge da
crise chegou a 3,25%, mas não apontou viés. Trichet enfrenta
críticas por suposto "conservadorismo excessivo" na condução
da política monetária. Ontem, ele voltou a avaliar o índice
como "adequado" ao ambiente econômico. "Nossa decisão deverá
favorecer a extensão do crédito à economia da zona
do euro e continuar a apoiar a retomada do crescimento."
Além da taxa básica de juros, o BCE anunciou suas novas
perspectivas de crescimento econômico. Segundo Trichet, em 2009,
a retração na Zona do Euro deverá ser de 4,1%, e não
4,6%, como previsto anteriormente. Em 2010, o grupo de 16 países
que adota a moeda única retoma a atividade, crescendo 0,2%, em lugar
de cair 0,3%, como era estimado. (Andrei Netto - O Estado de
S.Paulo)
04.09 - ''Os problemas no sistema vão continuar''
Otaviano Canuto: Vice-presidente do Banco Mundial; segundo ele, o Brasil
respondeu bem à crise. Mas o País deve manter a vigilância
para se afastar do risco global
O mundo foi exitoso em evitar o colapso financeiro, mas a pobreza cresceu.
O alerta é do vice-presidente do Banco Mundial, o brasileiro Otaviano
Canuto. A tendência é de recuperação, diz Canuto,
responsável pelo combate à pobreza e desenvolvimento econômico
e ex-secretário de Assuntos Internacionais do Ministério
da Fazenda. Sobre o Brasil, ele deixa claro que avaliação
do Banco Mundial é de que o País conseguiu superar com relativa
rapidez a crise. Mas sugere que as autoridades "mantenham a vigilância"
para evitar que os ganhos sejam desfeitos nos próximos meses.
A OCDE indica que há sinais de superação da recessão.
É o fim da crise na avaliação do Banco Mundial?
O mundo evitou o colapso econômico e isso ocorreu graças
a uma coordenação de posições e de ações.
Mas há pelo menos mais uma dimensão que não podemos
esquecer, que é o aumento da pobreza, principalmente nos países
que não contam com os recursos dos países ricos ou mesmo
a capacidade de economias como a do Brasil ou China.
O FMI estima que o mundo gastou, em um ano, US$ 10 trilhões
para salvar bancos e relançar as economias centrais. Já o
número de pobres teria aumentado em 100 milhões. Houve uma
negligência por parte da comunidade internacional?
O mundo evitou o caos financeiro. As economias do G-20, principalmente,
focaram esforços para garantir uma solução. Isso é
compreensível, já que são as principais economias
mundiais e um problema mais profundo representaria um risco sistêmico.
Por isso é que se justificou o volume de recursos para salvar essas
economias. Mas há uma segunda parte da crise. Inúmeros países
mais pobres foram afetados pela crise.
Quanto, então, será necessário para salvar esses
países e possibilitar que a proporção de miseráveis
não se amplie nos próximos meses?
Estamos fazendo uma avaliação de que os países
mais pobres precisarão a partir de agora US$ 11 bilhões por
ano para manter seus serviços de saúde, educação
e outros atendimentos à população.
Como o Brasil sai dessa crise, na avaliação do Banco
Mundial?
O Brasil deu uma resposta adequada à crise. Por isso, está
saindo da situação de forma rápida graças à
situação prévia do País, que era a de uma base
sólida das reservas. A vigilância precisa ser mantida. Os
problemas no sistema internacional vão continuar. (Jamil
Chade - O Estado de S.Paulo)
03.09 - Certificação em finanças
A Associação e Sindicato dos Bancos do Rio de Janeiro
realizará o curso Preparatório para o Exame de Certificação
Anbid CPA-10, que dá aos profissionais de finanças o domínio
dos temas a serem exigidos no exame de certificação obrigatória
da Anbid.
Data: 8 a 16 de setembro
Horário: das 18h às 22h
Local: rua do Ouvidor, 50, Rio
Informações: (21) 2253-1538; cursos@aberj.com.br
(Valor Online)
03.09 - As saídas da crise
Embora o mercado especulativo continue instável, estão
surgindo sinais de que a crise financeira internacional atingiu o fundo
do poço e que a recuperação deve se realizar de modo
suave e lento. O Brasil apresenta algumas vantagens em relação
aos países mais ricos, porém as perspectivas pouco entusiasmantes
para a exportação de commodities farão com que os
caminhos nacionais não sejam muito diferentes dos demais. Mesmo
porque os remédios foram similares, o comprometimento do orçamento
fiscal é semelhante e medidas para tirar proveito da situação
não foram implantadas, tudo devendo voltar ao que vigia no primeiro
semestre de 2008, daqui um a dois anos, permanecendo a dependência
ao capital internacional e a injustiça social.
Discute-se o formato da recuperação, se com o usual formato
de um U; com a rápida recuperação de um V; ou com
a insegurança de um W. Para os especuladores essas considerações
são relevantes, até porque podem ganhar nas altas e nas quedas.
Para a população em geral o que importa é que se restabeleçam
índices de renda e de emprego similares aos de 2007 e do início
de 2008, o mais rapidamente possível, porém de forma sustentável,
para que não se dêem oscilações prejudiciais.
Neste ponto encontram-se as dificuldades pois, embora a crise tenha se
originado nos grandes Bancos e nas empresas pouco eficientes, os remédios
adotados comprometeram as finanças dos Estados, em especial os que
mais consomem no Mundo.
Os Estados Unidos têm situação econômica
pouco promissora em curto prazo, exigindo grandes reformulações
para se recuperar. As demais nações ricas pouco fogem desse
perfil. O capitalismo transformou-se em sistema consumista e a necessidade
de crescer a Economia fez com que produtos mais sofisticados fossem oferecidos
ao mercado e que os salários crescessem para consumi-los. As empresas
dos países mais ricos passaram a ficar menos produtivas, com custos
de mão-de-obra assaz elevados. Buscaram a globalização,
como forma de terceirizar parte da produção, em particular
usando a força de trabalho dos países mais pobres, com menores
salários. Mas a China implodiu essa atitude, como o Japão
o havia realizado no passado.
O Japão inundou o Mundo com seus produtos, mas foi distribuindo
a renda por seus cidadãos, aumentando os custos e reduzindo a competitividade.
Passou a usar a mão-de-obra da Coréia do Sul e outros países
próximos e chegou a liderar o bloco dos Tigres Asiáticos.
Porém em seu território passou a sofrer crises. Os Estados
Unidos e as Nações européias passaram a exercer crescente
protecionismo e induziram os Bancos a financiar o consumo. Muitas de suas
companhias ficaram antieconômicas e, com a entrada da China e da
Índia no mercado mundial, pagando salários irrisórios
e vendendo a preços mais baixos, mantiveram o nível de renda
de sua população, usando produtos importados e obstando a
vida de suas empresas.
A crise veio com Bancos excessivamente expostos a empréstimos
de qualidade duvidosa, empresas sustentadas pelo protecionismo ou pelo
financiamento barato e o pleno emprego e alto consumo mantidos artificialmente.
Países como o Brasil sofreram menos, pois o nível de renda
da população era baixo, as empresas industriais já
estavam em grande parte sucateadas e os Bancos pouco comprometidos. Os
impostos e os custos financeiros eram altos. Usaram-se os remédios
de reduzir juros e tributos e de injetar recursos governamentais para cobrir
os rombos dos Bancos e empresas. Mesmo assim o nível de consumo
desabou, o comércio internacional afundou, em termos dos preços
e do volume, e o desemprego elevou-se muito.
No fundo do poço, as forças naturais da Economia abrem
oportunidades, prevendo-se crescer o consumo, a produção,
o emprego e o comércio internacional. A recuperação
tem de ser gradual, para que os agentes se rearrumem. Duas questões
permanecem. A primeira refere-se à nova posição das
pessoas, empresas e países, alguns melhorando de situação
e outros piorando ou até desabando. A China e a Índia poderão
tirar vantagens relativas; os Estados Unidos certamente perderão;
e o Brasil, por sua imobilidade, ficará como dantes. O segundo ponto
lida com a solução para os rombos dos governos, inflados
pela queda da arrecadação. Se tentada recuperação
muito rápida, esta dificilmente se sustentará, enquanto não
se resolver o problema fiscal. (Luiz Oswaldo Norris Aranha - Jornal
do Commercio Brasil)
03.09 - FGTS para comprar Petrobras
Governo volta a discutir se trabalhador pode usar o fundo na compra
de ações; pressão vem de Congresso e sindicatos
Sob pressão ou "por sugestão" de parlamentares e de sindicalistas,
pode ser que o governo Lula aceite que trabalhadores usem o dinheiro de
suas contas do FGTS para comprar as novas ações que a Petrobras
deve emitir. A informação é de um ministro da área
econômica que não quer se identificar porque "isso pode dar
problema com a CVM" (Comissão de Valores Mobiliários, que
tem o poder de supervisionar, regular e fiscalizar o mercado de ações,
entre outros).
Em setembro do ano passado, esta Folha noticiou que o governo estudava
o assunto. Ao saber do vazamento, Lula ficou furibundo e mandou cancelar
o projeto. Segundo outro ministro de Lula, não havia então
nenhum motivo "técnico" para vetar o uso do FGTS na compra de ações
(isto é, afora a definição de quanto poderia ser sacado
do fundo para tal finalidade, pois o fundo tem compromissos correntes e
não poderia ficar "descoberto"). Mas o vazamento pegou mal no mercado
e na CVM.
Entre outras medidas do pacote do pré-sal, o governo pretende
fazer com que a Petrobras emita novas ações. Nesse aumento
do capital da empresa, o governo pretende ficar com a maior parte do bolo,
comprando ações que seriam quitadas, no final das contas,
com barris de petróleo de campos do pré-sal, ativo sobre
o qual ainda pouco se conhece, mas passemos. Mais importante é que
a oferta de venda de ações também deve ser feita aos
acionistas minoritários de modo que eles, se assim o desejarem,
comprem também mais ações e mantenham a mesma parcela
do capital da empresa que detinham antes do aumento de capital.
Em geral, quanto mais "minoritário", de menos capital dispõe
o acionista. Sem dinheiro para comprar as novas ações, sua
fatia relativa no capital da empresa cai, assim como os rendimentos a que
tem direito ("dividendos"), "tudo o mais constante". Caso o Congresso o
autorize, a poupança parada no FGTS poderia ser utilizada para a
compra de ações. "Parada", literalmente. Em termos reais,
descontada a inflação, o dinheiro do FGTS rende nada ou menos
que nada.
Em 2000, quem tinha dinheiro no FGTS pôde empregar até
50% dessa poupança a fim de comprar ações da Petrobras.
Foi uma decisão que saiu a custo, devido à interferência
do próprio Fernando Henrique Cardoso, então presidente. A
iniciativa quase emperrou devido aos economistas e aos burocratas de FHC,
mais interessados em vender os papéis da empresa em Wall Street.
Foi o melhor investimento da década, no Brasil.
Segundo o ministro ouvido pela Folha, apenas trabalhadores que fizeram
a opção de investir na petroleira em 2000 teriam agora direito
de refazer a aposta. Não faz muito sentido. E quem já sacou
o fundo, como fica? O ministro não sabe: "A proposta ainda é
muito incipiente". E não seria uma injustiça, para não
dizer até um problema jurídico, limitar o direito de investir
o FGTS em ações apenas a quem o fez em 2000? Para complicar
mais: em 2000, havia gente que nem havia começado a trabalhar.
Por que seriam discriminados agora? O ministro diz apenas que "se trata
de boas questões". (VINICIUS TORRES FREIRE - Folha de S.Paulo)
02.09 - O valor da informação no mercado de capitais
O princípio central da regulação e da fiscalização
dos empreendedores que apelam à poupança popular no âmbito
do mercado de capitais é o princípio do full and fair disclosure,
que permeia a lei que dispõe sobre o mercado de valores mobiliários
(Lei 6.385, de 7 de dezembro de 1976) e a lei corporativa brasileira (Lei
6.404, de 15 de dezembro de 1976).
O nosso modelo de regulação e fiscalização
é fortemente inspirado na experiência estadunidense posterior
ao crash da Bolsa de Nova Iorque, o qual decorreu de entusiásticos
e desinformados investimentos no mercado de capitais. Ele coloca o Estado
na posição de responsável pela exigência de
um nível mínimo de informações a serem prestadas
por qualquer empreendedor que pretenda captar a poupança popular.
Os registros de emissor e de distribuições públicas
de valores mobiliários na CVM (Comissão de Valores Mobiliários)
estão inseridos no contexto acima.
Os emissores sob a jurisdição da CVM devem prestar tempestivamente,
na forma da legislação aplicável, informações
completas e precisas sobre os empreendimentos em comum por eles desenvolvidos
e os valores mobiliários colocados publicamente, basicamente para
viabilizarem conscientes tomadas de decisão por parte do público
investidor.
A opção estadunidense pelo princípio do disclosure
foi precedida de experiência doméstica distinta.
Após um período de supervisão do mercado de capitais
somente na esfera estadual e sob uma filosofia focada no mérito
dos empreendimentos para os quais se pretendesse buscar recursos junto
ao público (o que se fazia por meio das denominadas blue sky laws),
debateu-se intensamente e migrou-se para um regime de controle federal
e baseado, essencialmente, na informação. Esse regime foi
inaugurado com o Securities Act, de 1933, e o Securities Exchange Act,
de 1934.
“A idéia central que orientou a elaboração das
famosas leis de 1933 e 1934, nos Estados Unidos, foi exposta, pela primeira
vez, em artigo de 1914 de Louis D. Brandeis (Other People´s Money),
eminente advogado que seria depois juiz da Corte Suprema. Era a profilaxia
do mercado, por meio da mais ampla e completa informação
ao público. Na frase sempre citada, “assim como a luz solar é
tida como o melhor dos desinfetantes, a luz elétrica é o
mais eficiente policial”. (...) Dever-se-ia (...) partir do princípio
de que o público investidor é bastante adulto para, uma vez
adequadamente informado, tomar as decisões econômicas que
julgar melhores, segundo seus próprios interesses, dos quais é
o único juiz competente.”
A filosofia então vencedora e ora também adotada no Brasil
reflete a visão de que a atuação estatal não
exclui o inalienável direito do cidadão de agir como um tolo,
devendo-se apenas tentar prevenir que terceiros o façam de tolo.
A CVM zela pela adequada aplicação do princípio
do disclosure no mercado de capitais e, portanto, não atesta a qualidade
ou garante o sucesso de empreendimentos. Isso já foi reconhecido
inclusive judicialmente (por exemplo, no bojo da respeitável sentença
do MM. (Alexandre Pinheiro dos Santos - Última Instância)
02.09 - Deflação na europa
0,2% foi o recuo dos preços ao consumidor na zona do euro em
agosto na comparação anual.
É o terceiro mês consecutivo de queda, mas em ritmo inferior
ao recorde de julho, quando o índice caiu 0,7%.
O dado é preliminar e os economistas previam recuo de 0,1%
(O Estado de S.Paulo)
01.09 - Juro: parada técnica ou mais uma queda?
Maioria dos analistas aposta em manutenção da taxa Selic
em 8,75%, mas inflação abre espaço para mais um corte
Os últimos índices de inflação, apontando
para baixo, provocaram uma pequena mudança no humor dos especialistas
com relação à reunião do Comitê de Política
Monetária (Copom) que fixa a nova taxa básica de juros esta
semana. A opinião majoritária continua sendo de manutenção
da Selic em 8,75% ao ano, mas já se vê entre analistas quem
acredite que há mais espaço para pelo menos mais uma queda.
Se o Banco Central seguir a maioria dos prognósticos, será
a primeira vez que o juro não cairá este ano. Já recuou
cinco vezes seguidas desde janeiro. A ata do último encontro dos
diretores do BC, em julho, passou o recado de que se faria uma pausa estratégica
para ver a reação das medidas adotadas contra a crise. Desde
então, entretanto, há novos fatos a serem levados em consideração,
sobretudo a inflação abaixo da meta de 4,5%.
A Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgou o Índice
Geral de Preços do Mercado (IGP-M) de agosto na última sexta-feira
e por aí se viu que a inflação está negativa
em 0,71% nos últimos 12 meses e também negativa em 2,02%
no acumulado do ano. Caiu 0,36% em agosto, depois de deflação
de 0,43% em julho. Para o ano, o mercado financeiro projeta 4,32%, segundo
a pesquisa que o BC faz toda semana com analistas financeiros. O índice
é usado no reajuste de preços administrados, como tarifas
e contratos imobiliários. Por isso, espera-se redução
mais forte nos preços futuros do varejo.
Para o professor da Universidade de São Paulo (USP) e economista-chefe
do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, esse é
um dos motivos que permitem uma nova redução da Selic esta
semana. Além disso, ele lembra as condições externas
favoráveis. “Elas não parecem ameaçar o nível
atual da Selic”, afirma, em análise de conjuntura para a Fundação
Instituto de Pesquisa Econômica (Fipe), da USP.
Mas, do outro lado, uma corrente mais numerosa acredita que o BC não
voltará atrás em suas palavras, ainda mais depois de uma
redução significativa de 5 pontos percentuais somente nos
últimos oito meses. Roberto Padovani é um deles. Estrategista-chefe
do Banco WestLB do Brasil, ele acredita na manutenção da
Selic. “Diante da probabilidade de alta em 2010, a condução
da política deve ser mais cautelosa desde já. A manutenção
dos juros parece ser a decisão mais acertada”, avaliou. Ele acredita
que as taxas atuais não “devem ser mantidas por muito tempo”, tendo
em vista a recuperação da economia. “É crescente a
visão de que o país poderá mostrar uma forte recuperação
em 2010”, justifica. O mercado acredita, aliás, que 2009 fechará
com a Selic em 8,75% ao ano, se preparando para um 2010 que leva um ingrediente
adicional, o ano eleitoral.
Para Enio Willian, do Centro de Pesquisa em Finanças do Instituto
Nacional de Estudo e Pesquisa em Administração (Inepad),
não é possível afirmar que a crise realmente passou.
“A recuperação é algo evidente, mas ainda é
cedo para fazer afirmações desse tipo, embora haja sinais
positivos, como a redução dos juros para um dígito,
algo inédito no país”, afirma. Segundo ele, os cortes realizados
até o momento tornaram o crédito mais acessível e
o consumo volta a crescer. “Não é possível determinar
com exatidão o que ainda pode vir do mercado, do governo ou das
empresas como um todo. Porém, os efeitos que ainda podem aparecer
têm menos chances de serem piores do que aqueles já evidenciados
até então, ou seja, se ocorrerem, serão em menor intensidade
e com menos surpresas”, observou. (Paola Carvalho - Estado
de Minas)
01.09 - Economia volta aos níveis pré-crise em 2010
O ano de 2009 configura uma série de bons resultados à
economia brasileira, mas a sua retomada aos níveis pré-crise
deve ocorrer apenas em 2010, de acordo com alguns especialistas. Isto devido
a alguns fatores de destaque neste ano, como a alta de preços de
commodities, empregos crescentes e redução de taxa básica
de juros.
Para Roberto Troster, sócio da Integral Trust, “a curva de juros
no Brasil tende a cair ainda mais, por todos esses movimentos da economia”,
ele acredita. Há espaço também, segundo ele declara,
para que a taxa de juro real também caia. “Isto depende apenas de
vontade política”, afirma o executivo, que acrescenta que até
o final do ano, o crescimento não deve ainda ser expressivo, “ficando
no zero a zero”, conforme ele define. O crescimento virá apenas
em 2010.
Já Pedro Meloni, adivisor do IFC (International Finance Corporation),
braço do Banco Mundial para América Latina, lembra que, com
crescimento estimado e 4,5% da economia brasileira, o país deveria
encontrar estratégias para ultrapassar este número. “Temos
que olhar o exemplo de crescimento de outros países e fazer igual”,
ele acredita. Neste sentido, ele observa que o setor privado, se incentivado,
poderia ajudar. “Não precisamos só de novos investimentos
para crescer, mas de políticas melhores para empresários”,
ele ressalta.
Outro ponto importante nesta discussão é a contribuição
que o crédito, sobretudo a pessoas físicas, o qual demonstra
neste momento estar próximo à situação de níveis
pré-crise, vem fomentando a esta projeção positiva.
Contudo, o superintendente da Associação Comercial de São
Paulo (ACSP) faz uma ressalva sobre este fator. “O consumo ajuda a fomentar
investimento, mas não é o que leva a economia adiante”, afirma
o executivo.
Com uma visão mais negativa, Istvan Karoly Kasznar, conselheiro
da Acrefi (Associação Nacional das Instituições
de Crédito, Financiamento e Investimento), observa que o país
ainda tem alguns pontos negativos, o que pode atrasar esta corrida de desenvolvimento
econômico. “Nossos níveis de desemprego, por exemplo, ainda
são da ordem de 9%, 10%, o que é significativo”, ele ressalta.
“Melhores políticas poderiam levar a um crescimento de 6%, e não
apenas de cerca de 4,5%”, ele afirma.
Regina Nunes, diretora da Standard & Poor’s (S&P) aponta que,
ainda, não se deve considerar que a crise foi finalizada. “Nós
(da S&P) não acreditamos que crise tenha passado. Só
o ponto mais grave dela”, declara a executiva. De acordo com esta visão,
ela revela que “estamos trabalhando com uma desaceleração
de 0,5% no crescimento da economia brasileira”, ela diz. (Elena
Oliveira - Executivos Financeiros)
01.09 - Sustentabilidade no pós-crise
Os modernos sistemas de gestão e de administração
estabelecem claramente em seus preceitos que as ações de
responsabilidade e de sustentabilidade socioambiental são, hoje,
não apenas um diferencial a ser buscado e conquistado pelas corporações,
mas, sim, atividades imprescindíveis a serem adotadas, incorporadas
e desenvolvidas costumeira e sistematicamente por todas as áreas
de atuação das empresas.
É notável como o envolvimento das corporações
brasileiras em questões relacionadas à sustentabilidade vem
progressivamente avançando, especialmente nas últimas duas
décadas. O problema é que, em razão da grave crise
financeira internacional que eclodiu em setembro do ano passado e da escassez
de recursos justamente em razão de seus efeitos sobre o mundo corporativo,
houve uma natural desaceleração nas atividades de responsabilidade
socioambiental corporativa. Assim, o consequente corte de despesas e de
custos nas mais diversas áreas também foi sentido no segmento
da sustentabilidade.
Com a reversão da tendência econômica recessiva
a partir do segundo trimestre deste ano – notadamente no Brasil, mas que
inclui uma onda positiva que movimenta grande parte dos países –,
a expectativa é de retomada dos caminhos que já vinham sendo
traçados antes da crise. No entanto, é evidente que a economia
mundial mudou: os recursos financeiros, anteriormente quase infinitos pela
produção virtual de papéis sem lastro, agora estão
escassos e mais difíceis de serem obtidos; os sistemas de controle
e de gestão financeira estão mais rígidos e passaram
a exigir muito mais atenção às transações
que movimentam a economia global; e as relações comerciais
ficaram mais restritivas, por uma conjugação que envolve
justamente a baixa oferta de crédito, a reduzida procura internacional
por bens e serviços e a profunda aversão a riscos desenvolvida
pelos agentes do mercado.
O que é certo é que o mercado e os consumidores estão
muito mais exigentes hoje do que antes da crise, e este rigor certamente
irá refletir-se sobre as atividades de responsabilidade e de sustentabilidade
das corporações. Desta forma, todas as ações
corporativas precisam estar adequadas a essas exigências, que, apesar
de não serem novas, serão cada vez mais contundentes.
Nunca é demais lembrar que a sustentabilidade veio para ficar
e está intimamente ligada aos resultados da empresa, exigindo cada
vez mais inovação, além da atenção especialmente
dedicada de gestores, funcionários, colaboradores e demais stakeholders
dos empreendimentos. O conceito deve, portanto, permear todos os processos,
produtos e cadeias de negócios das empresas, representando um sistema
concatenado que agregue o valor esperado a partir dos resultados efetivamente
obtidos no campo da ação responsável.
É nesse contexto que está inserida a 27ª edição
do Prêmio ECO, promovido pela Amcham (Câmara Americana de Comércio),
entidade que completa 90 anos. Com o tema “Inovação e Sustentabilidade
nas Empresas”, a premiação busca indicações
sobre qual será o modelo de gestão que, a partir de agora,
permitirá que um negócio seja classificado como sustentável.
O Prêmio ECO pretende, assim, mobilizar as empresas no reconhecimento
dos esforços cada vez mais engajados em direção do
desenvolvimento sustentável dos negócios baseados no triple
botton line: o social; o ambiental; e o financeiro, com a perspectiva da
inovação.
O Prêmio ECO é pioneiro no reconhecimento das práticas
socialmente responsáveis, estimulando e promovendo, desde 1982,
uma reflexão sobre o desenvolvimento empresarial sustentável
no Brasil. Hoje, em um mundo que emerge da maior crise financeira em muitas
décadas, a política socioambiental é colocada à
prova. As iniciativas classificadas comporão um Banco de Projetos
no site da Amcham, e as organizações que forem reconhecidas
pela premiação passarão a ser um exemplo de mudança
e de disseminação da cultura da sustentabilidade na gestão
inovadora em linha com os novos tempos.
Ao longo desses 27 anos, o Prêmio ECO acompanhou as mudanças
no mundo dos negócios. A recente crise internacional levou os líderes
empresariais a novas reflexões endereçadas ao desenvolvimento
empresarial sustentável no Brasil, especialmente com ênfase
na inovação. E, agora em 2009, a premiação
pretende tornar-se uma referência nesse campo, contribuindo para
que a cultura da sustentabilidade esteja intimamente envolvida com os princípios
da inovação, o que, certamente, permitirá a geração
de novas e eficientes soluções, que se tornarão exemplos
em nosso país. (Iêda Novais - Executivos Financeiros)

|