14.11 - O lado bom da crise
Em épocas de turbulência e tsunâmis financeiros,
tornou-se lugar comum citar a sabedoria dos chineses que usam a composição
de dois ideogramas para exprimir a idéia de crise: um representa
perigo e o outro, oportunidade. A experiência e a história
têm demonstrado a verdade que se encerra na semântica oriental.
Nas crises, enquanto uns perdem, outros criam novas oportunidades de negócios.
Embora boa parte das empresas esteja de fato revendo seus planejamentos
e cancelando investimentos, outras focam o futuro e mantêm seus planos
para aguardar, ainda mais fortalecidas, novos tempos de vacas gordas. No
caso particular da gestão de pessoas, as empresas não querem
se arriscar a abrir mão dos talentos que são, em última
instância, peça fundamental de seu crescimento e sucesso.
É um risco muito grande para a empresa descartar ativos nos quais
investiram muito em treinamento e desenvolvimento, executivos que criaram
relacionamentos sólidos com clientes ou acionistas e acumularam
conhecimentos sobre produtos, mercados e concorrentes.
Abrir mão desses talentos significa gastar mais em recrutamento
e treinamento quando a economia voltar a rodar com força total.
A retenção de talentos, neste momento, é estratégica
para a empresa de visão. Em alguns casos, as corporações
chegam até a ampliar os benefícios para não perder
seus melhores profissionais para a concorrência.
Além disso, em época de crise, com o mercado mais estreito,
as empresas precisam aumentar sua competitividade para sobreviver, crescer
e conquistar market share. E uma das estratégias principais é
investir em melhores profissionais, naqueles que realmente fazem a diferença,
que agregam valor na linguagem corporativa. Empresas ousadas e visionárias
até correm atrás dos talentos que foram descartados pela
concorrência. Além de levarem sua expertise, suas habilidades
e competências, esses profissionais também tendem a melhorar
ainda mais seu desempenho, pois se sentem reconhecidos e até agradecidos.
Alguns setores, atingidos com menos intensidade pela crise e que não
podem interromper seus investimentos, continuarão a recrutar. É
o caso, por exemplo, dos segmentos de agronegócios, energia (principalmente
petróleo e etanol) e infra-estrutura.
Não custa lembrar que, ao contrário do que ocorre na
Europa e nos Estados Unidos, onde a recessão parece ser inevitável,
o Brasil provavelmente continuará crescendo no próximo ano
- menos, é claro, do que se previa há meses, mas mesmo assim
em taxas respeitáveis de 2,5% a 3%, segundo estimativas de especialistas.
Outros fenômenos não podem ser desprezados, como a emergência
das chamadas classes C e D como forças consumidoras, o fortalecimento
do mercado de consumo interno, os programas de renda do governo, o aumento
real do salário e, simultaneamente, a maior competitividade das
exportações brasileiras com o realinhamento do dólar
e as outras moedas relevantes. Tudo isso funcionará como uma espécie
de colchão para amortecer um pouco o impacto da crise. Em resumo:
o país continuará crescendo, embora talvez em menor ritmo
ao que estávamos acostumados nos últimos meses.
Prevê-se, também, o aquecimento da demanda por serviços
de apoio especializado durante fusões, como o "outplacement" que
empresas fornecem aos talentos demitidos durante reestruturações.
Alguns especialistas acreditam que, em função de dificuldades
do momento e da criação de novas oportunidades, muitas empresas
sairão em busca da aquisição de outras mais enfraquecidas
ou complementares.
Na gestão do capital humano, a empresa não pode focar-se
exclusivamente em minimizar custos e evitar perdas. Mais do que isso, ela
deve procurar olhar para o futuro e antecipar tendências. Assim,
ela ganhará musculatura e estará preparada para beneficiar-se,
em melhores condições que a concorrência, de um cenário
mais promissor no futuro. (Marcelo Mariaca - Maxpress)
14.11 - A comunicação em saúde
pode e deve melhorar
Em editorial intocável publicado no British
Medical Journal por Fiona Godlee, editora da revista, temos mais uma oportunidade
de repensar a importância da Alfabetização em Saúde
da população. A Associação Americana de Medicina
define o conceito de Alfabetização em Saúde como a
capacidade de obter, processar e compreender informação básica
em saúde necessária à tomada de decisões apropriadas
e que apóie o correto seguimento de instruções terapêuticas.
O recado de Fiona parte do fato de que há
muito por fazer pela Alfabetização em Saúde e essa
não é uma questão de que "seria bom" investir nisso,
mas que esse investimento é imperativo. Estima-se que nos EUA anualmente
são gastos entre 106 e 236 bilhões de dólares anuais
por conta do baixo nível de Alfabetização em Saúde
e suas conseqüências: a não procura de ajuda médica
quando necessária, a dificuldade em assumir hábitos de vida
saudáveis, erros no uso de medicações, etc.
A melhora da comunicação em saúde
tem de ser pensada já desde o nível da relação
médico-paciente, assumindo que o paciente é capaz sim de
entender questões que os médicos podem julgar ser de difícil
entendimento, e a maioria dos pacientes quer entender melhor seus problemas.
É preciso também melhorar a qualidade do jornalismo em saúde,
pois ele representa uma das principais fontes de informação
em saúde da população.
Jornalistas, médicos e demais profissionais
da saúde, cientistas, agências governamentais, indústrias
farmacêuticas e de equipamentos médicos, cada qual tem sua
parcela de responsabilidade pela qualidade da informação
em saúde que chega até o público leigo. Espera-se
que cada parte faça seu papel de forma ética e que dialoguem
entre si para a construção de um movimento que assegure à
população informação cada vez mais correta
e de qualidade. (Dr. Ricardo Teixeira - Maxpress)
14.11 - ''Executivo usa o tempo de forma errada''
Para Stephen Covey, ações deviam seguir ''lei da relevância''
Os executivos gastam 50% a 60% do tempo resolvendo problemas urgentes,
mas não necessariamente importantes para a empresa. A constatação
é do consultor americano Stephen Covey, especializado em liderança
e autor do best-seller de auto ajuda empresarial Os 7 Hábitos das
Pessoas Altamente Eficazes, que participou ontem do evento ExpoManagement,
em São Paulo. A pesquisa citada por Covey é recente e foi
feita com funcionários de mil empresas americanas e estrangeiras,
incluindo as brasileiras.
Segundo ele, os executivos e funcionários seguem a "lei da urgência",
enquanto deveriam seguir a "lei da relevância". Covey disse que apenas
25% do tempo diário de trabalho é gasto com atividades ao
mesmo tempo urgentes e importantes, e ainda menos (15%) é dedicado
a questões importantes. "Esse é um modelo da era industrial.
Aprendemos que era preciso resolver as urgências do dia-a-dia. Agora,
precisamos de um novo modelo."
A divisão ideal para os executivos da era da informação
seria de 65% de dedicação a atividades importantes e não
urgentes (como planejamento e identificação de oportunidades),
20% às importantes e urgentes (como crises) e 15% às urgentes,
mas não importantes (relatórios desnecessários). "Em
geral, aquelas empresas consideradas muito eficientes reúnem pessoas
que já fazem essa divisão."
Nem sempre, segundo ele, as pessoas erram a divisão de seu tempo
propositalmente. "O trabalho pode ser comparado a uma partida de futebol
de crianças bem pequenas num sábado de manhã. Cada
um correndo para um lado, ou todos atrás da bola, sem saber bem
onde é o gol", disse, fazendo um trocadilho com a palavra inglesa
goal, que significa tanto gol quanto objetivo.
Isso ocorre, no entanto, porque muitas vezes as equipes não
sabem mesmo o que fazer. "Apenas 15% das pessoas sabem dizer quais as metas
de sua área ou sua empresa", afirmou Covey. "Se o líder não
explicar claramente, não as disser ou mudá-las com freqüência,
não pode cobrar resultado, pois a equipe não entende o que
deve fazer com afinco."
A "marcação cerrada" do futebol também não
ajudará os executivos a obterem resultados. "Quanto maior o controle
do líder, mais passividade ele obterá da equipe, e não
engajamento. Ele precisa inspirar as pessoas, não obrigá-las
a obedecer." Apenas 20% das pessoas se considera realmente engajada às
metas de sua atual empresa, afirmou.
Na entrevista ao Estado, Covey aproveitou para dar um recado aos executivos
brasileiros: "Não adianta sentar e chorar pelas dificuldades enfrentadas,
seja durante os momentos de crise ou não." Segundo ele, é
preciso "fazer coisas nunca antes feitas para alcançar metas nunca
antes alcançadas".
Jim Collins, professor da Universidade Stanford e autor de Empresas
Feitas para Vencer, acrescenta um outro item às recomendações
de Covey. "Não adianta planejar e montar uma estratégia e
não escolher as pessoas certas", disse. "O executivo tem de escolher
as pessoas naturalmente motivadas e colocá-las em posições-chave.
Cobrar das pessoas erradas apenas as desmotiva mais."
(Ana Paula Lacerda - O Estado de S.Paulo)
14.11 - Produção da indústria em SP deve ter desaceleração
em outubro, diz FGV
A produção industrial no Estado de São Paulo deve
apresentar em outubro um desempenho 0,4% menor (com ajuste sazonal) que
o verificado em setembro, segundo o SPI (Sinalizador da Produção
Industrial) divulgado na quarta-feira pela FGV (Fundação
Getulio Vargas).
Sem o ajuste sazonal, a produção da indústria
deve apresentar um avanço de 1,7%, mesma variação
que havia sido prevista para setembro --a produção registrada
de fato naquele mês, no entanto, foi de 1,3%.
No acumulado de 12 meses, o indicador também deve registrar
desaceleração em outubro, com avanço de 8%, contra
8,8% em setembro.
O SPI é elaborado pela FGV (Fundação Getulio Vargas)
e pela AES Eletropaulo, e tem como objetivo buscar antecipar o desempenho
da atividade industrial em São Paulo. (Folha Online)
13.11 - Governança em revisão
O ano nem precisou terminar. Antes mesmo do fim
de 2008, a governança, em todos os quadrantes, está sob revisão.
Diretrizes, recomendações, guias, padrões, tudo em
debate.
Não por acaso este é o ano e, especialmente,
o semestre em que entraram em discussão, para serem atualizados,
o Novo Mercado, o Plano Diretor do Mercado de Capitais e o Código
de Melhores Práticas do Instituto Brasileiro de Governança
Corporativa. E para não falar só em auto-regulação,
pode-se acrescentar nessa lista a revisão da instrução
202 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), pilar principal
que dita o mínimo de transparência que as companhias abertas
precisam oferecer, com balanços e relatórios anuais.
Assuntos não faltam para o debate. Não
foi sem perplexidade que todos - de investidores a reguladores - assistiram
a empresas tradicionais como Sadia e Aracruz colocar em risco a saúde
financeira dos negócios com operações superalavancadas
no mercado de câmbio. Ambas têm as estruturas internas recomendadas
pelas melhores práticas - ao menos, instaladas - e ainda atendem
às exigências da legislação americana Sarbanes-Oxley.
Antes disso, houve o choque do mercado com as aquisições
via incorporações, como a de Tenda pela Gafisa, sem prêmio
ou até com deságios, e ainda as suspeitas de fraudes com
a prisão dos três controladores da novata Agrenco.
De alguma forma, em todas essas mesas de discussão
se pensa agora em como tentar prevenir que a governança não
seja algo apenas no papel, que seja aplicada de fato. Nos últimos
anos, o país experimentou uma forte expansão do mercado de
capitais, especialmente calçada na disseminação mundo
afora e país adentro de seus avanços em boas práticas
de governança. Mas, até agora, o saldo de 2008 coloca interrogações
nessa crença e os acontecimentos estão influenciando a revisão
dos pilares da governança brasileira.
Nas reuniões para revisão do Plano
Diretor, lançado em 2002, as discussões sobre governança
foram ganhando cada vez mais espaço, conforme o noticiário.
A previsão inicial era que o plano revisado fosse aprovado pelas
18 entidades que o compõem o grupo de discussão ainda em
setembro. Mas foi justamente no mês em que o cenário internacional
se deteriorou após a quebra do banco americano Lehman Brothers e
que surgiram os escândalos financeiros brasileiros com os derivativos.
Quando os debates sobre a atualização
começaram, em junho, parecia que havia pouco a ser discutido e temas
como reforma da previdência e tributária - presentes no plano
- tinham mais atenção. Então, veio a enxurrada de
acontecimentos. Carlos Rocca, coordenador do Comitê Técnico
do Plano Diretor e dos trabalhos de revisão, explica que as novidades
modificaram o rumo dos debates. Os pontos centrais não foram alterados,
mas as ações específicas foram atualizadas pelos fatos.
"Tanto os problemas lá como aqui estão fortemente ligados
à falta de governança. Por isso, esse assunto foi reforçado
no plano."
Além de buscar esforços para acelerar
a migração das companhias tradicionais ao Novo Mercado, o
plano atualizado, que está prestes a sair do forno, também
falará em adoção de modelos de auto-avaliação
para conselhos de administração, apoio de técnicas
de gestão de risco e seu monitoramento sistemático.
Alexandre Di Miceli, coordenador do Centro de
Estudos em Governança (CEG), da Fipecafi, acredita que atualizar
as diretrizes sobre governança é importante. "É curioso
conversar com o investidor na bolsa que é iniciante no mercado.
O cenário recente deixou uma sensação de que é
aplicação de curto prazo e só para iniciados. Tudo
isso contamina o ambiente brasileiro."
Edison Garcia, superintendente da Associação
dos Investidores no Mercado de Capitais (Amec), defende que a promoção
das boas práticas é mais relevante no atual cenário.
Para ele, o Plano Diretor deve pensar a agenda do que será a nova
governança daqui para frente. Além disso, enfatiza que é
preciso deixar claro que auto-regulação é complementar
e não substitutiva da regulação.
Gilberto Mifano, presidente do conselho de administração
da BM&FBovespa, acredita que as revisões são importantes
porque governança é um processo evolutivo. "Não são
dez mandamentos escritos numa pedra que servem para toda eternidade."
Segundo ele, quando a Bovespa criou o segmento
especial, em 2000, e mesmo nas revisões anteriores, o cenário
empresarial doméstico era predominantemente formado por empresas
com controlador definido. Mas é crescente a presença de companhias
com capital difuso ou pulverizado. Os dilemas mudaram.
Em 2006, na última revisão do regulamento
do Novo Mercado, foi incluída a obrigatoriedade de que 20% do conselho
seja composto por membros independentes. "Na época, pouco se falava
disso. Agora, questionamos se esse percentual é adequado", diz Mifano.
Outro ponto em debate na Câmara Consultiva
do segmento, composta por 20 membros liderados pelo ex-presidente da Comissão
de Valores Mobiliários (CVM) Luiz Leonardo Cantidiano, são
as "aquisições originárias". Trata-se das operações
societárias que tanto debate geraram neste ano: quando há
uma aquisição de controle sem que haja venda. Por não
disparar a obrigatoriedade de oferta aos minoritários de ordinárias
prevista tanto na Lei das Sociedades por Ações desde 2001
como na regra do Novo Mercado, as transações provocaram decepção.
Há muitos defensores de que se adote o
modelo europeu, em que há obrigação de oferta a todos
a partir do momento em que um investidor alcance fatia de 30% no capital
de uma empresa.
Já o novo Código de Melhores Práticas
do IBGC, previsto para ser lançado no primeiro semestre de 2009,
deve tratar de questões como responsabilidade de administradores,
gestão de risco e transparência dessas informações.
Eliane Lustosa, coordenadora do comitê de revisão, destaca
que o instituto sempre defendeu a separação clara entre conselho
e diretoria.
Cada um dos organismos encontrou um nicho de
orientação. Em comum, o dilema é a inserção
efetiva da cultura da boa governança no negócio. Mifano defende
que investidores e e analistas acompanhem e cobrem o assunto das empresas.
"Como todas as regras de comportamento, governança é algo
fácil de dizer que tem, mas não tão fácil cumprir."
Para Di Miceli, ajudaria se a auto-regulação
não fosse encarada como algo completamente voluntário. O
regulador poderia inserir a recomendação do "pratique ou
explique", adotada em alguns países da Europa. Ou seja, a empresa
se justifica para o mercado quando não estiver dentro dos melhores
parâmetros de governança.
Alfred Plöger, vice-presidente da Associação
Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca), defende que não se
criem novas regras. Para ele, é melhor quando é voluntário.
"Regra demais engessa."
Mas, querendo ou não, as exigências
de informações aumentarão com a nova instrução
CVM, cuja audiência pública deve começar ainda neste
ano. "O que é essencial precisar ser feito pela CVM ", disse Maria
Helena Santana, presidente da CVM, ao falar sobre o assunto, recentemente
em São Paulo. (Graziella Valenti - Valor
Online)
13.11 - Novas normas de contabilidade são
aprovadas
O Colegiado da Comissão de Valores Mobiliários
(CVM) aprovou na terça-feira cinco normas que fazem parte do processo
de adaptação da contabilidade brasileira aos padrões
internacionais. A partir de 2010, os balanços das companhias brasileiras
deverão se ajustar às normas estrangeiras. O novo diretor
da autarquia, Eliseu Martins, que tomou posse hoje, informou que os documentos
serão divulgados hoje.
Ele disse que esse processo prevê a adoção
de cerca de 40 documentos para que os balanços das empresas brasileiras
possam se ajustar às normas internacionais de contabilidade. Falta
ainda um conjunto de 18 normas, que serão analisadas ao longo de
2009.
Segundo Martins, o cronograma inicialmente previsto
está sendo cumprido, e o Brasil deverá ficar entre os primeiros
países a ter todos os balanços individuais (de uma empresa)
de acordo com as normas internacionais. Quanto aos balanços consolidados
(de várias empresas de um mesmo grupo econômico, com controle
único), ele disse que a União Européia se adequou
às normas internacionais em 2005.
Por determinação da Superintendência
de Seguros Privados (Susep), CVM e Banco Central, todas as seguradoras,
instituições financeiras e companhias abertas estarão
com os balanços consolidados 100% de acordo com as normas internacionais.
'O esforço que estamos fazendo agora é para que, em 2010,
os balanços individuais também estejam de acordo com as normas
internacionais.'
Para Martins, que retorna à autarquia
depois de 23 anos, o país que está mais próximo de
atingir a meta de ajustamento dos balanços individuais às
normas internacionais é a Inglaterra. Ele disse que a convergência
às normas dará maior transparência aos demonstrativos
financeiros das empresas brasileiras, aumentando a qualidade das informações.
Martins ressaltou que a Lei 11.638/07, que substituiu
a Lei das Sociedades Anônimas, permitirá balanços mais
transparentes. Ele ressaltou que a antiga Lei das S/A impedia que os balanços
reproduzissem os instrumentos financeiros e, em particular, os derivativos,
pelo seu valor de mercado. 'O grande salto de qualidade da informação,
da transparência, vai ser dado no balanço de 31 de dezembro
de 2008', que já será ajustado à nova lei.
A CVM, que é vinculada ao Ministério
da Fazenda, aprovou também norma sobre os ativos intangíveis,
referente à contabilização de marcas, patentes, direitos
de franquia e direitos de exploração. Pela norma, só
os intangíveis que são adquiridos de terceiros pela empresa
serão apresentados nos balanços. Martins apontou outra mudança
significativa na área: os gastos com pesquisa para desenvolvimento
de produto, mercado e projetos serão obrigatoriamente considerados
como despesa nos balanços. Já os gastos com o desenvolvimento
de produtos poderão ser considerados ativos intangíveis só
depois de atendidas algumas regras, que Martins classificou de 'muito duras'.
Outra norma aprovada diz respeito às subvenções
governamentais. Martins explicou que, pela lei anterior, os benefícios
apurados por uma empresa que tinha incentivo fiscal não eram computados
como parte do lucro. Pelas normas internacionais, no entanto, todas as
subvenções passam a fazer parte do resultado.
(Agência Brasil/JB Online)
13.11 - 13º salário deve injetar R$ 78 bi na economia do
País
O pagamento do 13º salário deve injetar, até o final
deste ano, cerca de R$ 78 bilhões na economia do País, segundo
um estudo divulgado na terça-feira pelo Dieese (Departamento Intersindical
de Estatística e Estudos Socioeconômicos). O valor representa
2,7% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro.
Segundo a entidade, aproximadamente 68,2 milhões de pessoas
em todo o Brasil serão beneficiadas com o benefício, um aumento
de 6,9% em relação a 2007. Cerca de 4,4 milhões passaram
a receber o 13º em 2008, por terem solicitado aposentadoria ou pensão
ou se incorporado ao mercado de trabalho.
Apenas no Estado de São Paulo, 18,32 milhões de trabalhadores
ganharão o 13º salário, que irá movimentar cerca
de R$ 24,7 bilhões na economia paulista.
No estudo, o Dieese não leva em consideração o
adiantamento da primeira parcela do benefício, paga durante o ano,
nem os trabalhadores autônomos e assalariados sem carteira assinada.
O levantamento apurou que o valor médio do 13º salário
é de R$ 1.105. O maior valor para o benefício deve ser pago
em Brasília (R$ 2.378) e o menor, no Piauí (R$ 662). (Diário
Online)
12.11 - Desafios da governança corporativa
Muitas companhias abertas continuam de fato fechadas, com 60% ou mais
de ações em poder de holdings ou de famílias
O mercado de capitais está agitado. Depois de seis anos de crescimento
exuberante, estamos presenciando quedas de preços das ações,
principalmente das companhias novatas nas bolsas, que abriram o seu capital
há menos de três anos.
É difícil sensibilizar pessoas para melhorias na governança
corporativa em períodos de prosperidade. Entendo que chegou o momento
de discutir alguns desafios e oportunidades. O ritmo de melhorias vai ser
ditado pelos anseios das pessoas interessadas.
Alternativamente, vamos ter de esperar mais alguns escândalos
como os ocorridos recentemente para que as partes interessadas deixem de
ser tão tolerantes para com os atuais desvios de práticas
nas empresas abertas.
Certamente, quando o calo doer para muitos, as melhorias serão
rápidas.
A CVM, a Bovespa e o IBGC muito fizeram para dar mais credibilidade
ao mercado de capitais, emitindo instruções e orientações
oportunas para melhorar as estruturas de governança nas companhias,
idem a Anefac com a sua cruzada permanente pela transparência com
qualidade de conteúdo na prestação de contas a todas
as partes interessadas.
Com a regulação atual, há fundamentos para que
muitas pessoas continuem questionando a nossa governança corporativa?
Entendo que sim.
Muitas companhias abertas continuam de fato fechadas, através
de controle de 60% ou mais de ações ordinárias em
poder de empresas holding controladas por uma família, ou poucas
famílias unidas por acordos entre as mesmas. Nos Estados Unidos
houve desafios semelhantes há uns 70 anos atrás, resolvidos
parcialmente com tributação maior a investimentos via empresas
holding, a fim de estimular a transferirem suas ações a investimentos
diretos pessoais nas empresas abertas. A pulverização de
controle acionária é importante para promover efetivamente
a democratização econômica das empresas abertas. A
mesma pode ser acelerada mediante estímulos fiscais apropriados.
Em mercados acionários desenvolvidos, a maioria dos conselheiros
é independente. Aqui, as maiorias dos conselheiros são nomeadas
e subordinadas aos desejos do acionista majoritário, muitos deles
acumulando cargos na diretoria executiva. Muitas empresas só têm
conselheiros independentes em decorrência do atendimento às
exigências mínimas da CVM e da Bovespa. Aqui a importância
dos conselheiros independentes é muito maior, pois os poucos precisam
estar sempre bem mais atentos para conduzir e influenciar os destinos da
companhia a fim de bem atender, e de forma equilibrada, os interesses de
todos os acionistas.
Algumas das falhas recorrentes com que as partes interessadas do mercado
de capitais poderiam demonstrar menos tolerância, nas empresas abertas,
incluem:
- Existência de poucos conselheiros independentes qualificados
com tempo razoável de dedicação;
- Comitês de auditoria, remuneração e governança
corporativa entre outros incipientes, e em muitos casos quando constituídos
inoperantes;
- Conselhos e comitês de apoio se reunindo poucas vezes durante
o ano. Neste aspecto, a deficiência parece vir importada dos Estados
Unidos. Lá, os conselhos se reúnem em torno de 6 vezes por
ano, o que é pouco. Todavia, os conselheiros independentes de lá
gastam em torno de 190 horas por ano, incluindo tempo dedicado aos comitês
de apoio. Aqui, segundo se noticia, gastam em torno de 60 horas por ano.
Aqui alguns conselheiros chegam a atuar até em 10 Conselhos de Administração,
atuando como seu presidente em muitos deles. Seria um espanto acreditar
que a atuação desses conselheiros é efetivamente profissional.
Algumas das perguntas por meio das quais os acionistas, investidores
e analistas de mercado poderiam demonstrar maior interesse em obter esclarecimentos
poderiam incluir:
- Como cada um dos conselheiros contribui para criar valor para a companhia?
Quantas horas despende por ano em reuniões formais? E em tempo na
preparação prévia para reuniões e entendimento
dos negócios? Qual é a remuneração dos mesmos?
- Como a composição atual do conselho otimiza a geração
de valor para os acionistas?
- Como e em que periodicidade é feita a avaliação
formal do conselho, conselheiros e participantes dos comitês? Pergunta:
Quis custodiet ipsos custodies (Quem avalia os avaliadores)?
Dito acima, algumas perguntas que conselheiros poderiam fazer mais
freqüentemente, compartilhando formalmente no final de cada reunião
suas avaliações com os outros conselheiros incluem:
- Qual foi o benefício da reunião do conselho como um
todo para a companhia? E para os clientes, considerando atendimento, inovação,
captação e retenção?
- Qual foi a relevância dos temas abordados na reunião?
- Distribuição do tempo considerando a relevância
dos temas apresentados?
- Entrega do material com antecedência necessária para
a sua participação efetiva?
- Qual é a percepção de apoio dos departamentos
envolvidos em relação aos temas discutidos na reunião?
- Como está funcionando o controle de pendências?
- Qual é a sua auto-avaliação de contribuição
e o envolvimento na reunião realizada?
O uso formal de um formulário de avaliação de
reunião de conselho traz muitos benefícios. É essencial
que o exemplo de boas práticas de gestão venha sempre de
cima.
Certamente, o objetivo foi compartilhar alguns desafios e algumas oportunidades
sem pretender, em poucas palavras, esgotar o assunto. Precisamos ser mais
questionadores sobre a atuação dos componentes da governança
corporativa no Brasil. (Charles B. Holland - DCI)
12.11 - Terceirização sem mitos
A terceirização continua gerando polêmica. Se,
de um lado, é crescente a necessidade de as empresas contratarem
serviços de terceiros para serem competitivas, de outro, é
imensa a resistência dos que combatem a terceirização
por verem esse processo como sinônimo de precarização
do trabalho.
Os contratos de terceirização têm sido os mais
variados. Há bons e ruins. Há empresas contratantes que zelam
pela proteção dos empregados das empresas contratadas por
meio de checagem criteriosa da sua reputação e monitoria
constante durante a execução do contrato. Mas há também
as que ignoram tudo isso.
É aí que ocorre a precarização. Em muitos
contratos, a contratada descumpre a legislação e a contratante
fecha os olhos. Em outros casos, esta só vem a saber disso quando
a contratada quebra ou desaparece na hora de pagar as verbas rescisórias,
deixando seus empregados na mão. Eles só receberão
tais verbas se a contratante for compreensível ou se tiverem êxito
nas demoradas ações trabalhistas.
Há, ainda, os contratos que mantêm os empregados da contratada
em condições desumanas. Já vi trabalhadores terceirizados
tomando refeições sob sol a pino e sentados numa sarjeta
de rua, enquanto os empregados da contratante saboreavam um almoço
gostoso em restaurante com ar condicionado.
A terceirização é regida pelo Enunciado nº
331, do Tribunal Superior do Trabalho, que proíbe a contratação
de serviços ligados à atividade-fim da empresa contratante.
Ao Enunciado pouco importa se a refeição é tomada
na sarjeta, se as necessidades fisiológicas são feitas em
latrinas imundas ou se os terceirizados são expostos a riscos de
vida e a doenças profissionais.
O Enunciado deixa de focar o que é essencial - a proteção
dos trabalhadores - para se dedicar ao secundário - a distinção
entre fim e meio, que, aliás, não estão definidos
em nenhum lugar, o que gera grande insegurança jurídica para
as empresas. Muitas são autuadas e processadas porque o auditor
fiscal e o juiz "acharam" que determinada atividade dizia respeito ao fim
e não ao meio.
Esclareça-se, porém, que a definição clara
de fim e meio se tornou dispensável, porque as empresas da atualidade
trabalham em redes de produção e, por isso, precisam contratar
de tudo. O importante é que contratem de forma correta e respeitosa.
Se há desproteção, a terceirização
nada tem a ver com isso. O Brasil se ressente da falta de mecanismos eficientes
para coibir os abusos.
O importante não é impedir a terceirização
ou fazer esgrima para descobrir o que é fim e o que é meio.
É premente estabelecer regras claras para dar segurança a
todos os participantes dessa nova divisão do trabalho, que, aliás,
veio para ficar. O Enunciado nº 331 não tem esse alcance. O
atual vácuo legal precisa ser preenchido urgentemente.
Vários projetos tramitam no Congresso Nacional há mais
de dez anos, mas nenhum contempla os objetivos mencionados. Falta a eles
visão pragmática do processo. Terceirização
implica parceria entre contratantes e contratados. Uma lei inteligente
teria de usar essa parceria para dividir responsabilidades entre as empresas.
As contratadas precisam aprender a respeitar a lei e as contratantes precisam
monitorar a execução dos contratos do começo ao fim.
Muitos empresários acham que esse envolvimento tornaria a terceirização
muito cara. Ledo engano. São inúmeros os casos em que os
passivos trabalhistas decorrentes da insegurança jurídica
comprometeram a própria sobrevivência das empresas. Isso,
sim, é caro.
Para os trabalhadores, a boa terceirização traria uma
vantagem adicional. Estudos recentes têm mostrado que, em regime
de parceria, as exigências técnicas das contratantes levam
os trabalhadores da contratada a adquirirem novos conhecimentos e a se
aperfeiçoarem na profissão, o que lhes traz maiores oportunidades
de trabalho e de renda (Gary Gerrefi, The New Offshoring of Jobs and Global
Development, OIT, Genebra, 2005).
Com criatividade e boa vontade pode-se chegar a uma fórmula
que atenda aos interesses dos dois lados. Está na hora de fazer
uma lei de boa qualidade para acabar com o mito segundo o qual todo contrato
de terceirização deságua, necessariamente, em precarização
dos trabalhadores. (José Pastore - O Estado de
S.Paulo)
12.11 - Supersimples deve ajudar 3,5 milhões de informais em
SP
Um projeto de lei complementar, que pode ser votado hoje pela Comissão
de Assuntos Econômicos (CAE), do Senado, pode beneficiar 3,5 milhões
de empreendedores informais no Estado de São Paulo. Trata-se da
criação do Micro Empreendedor Individual (MEI), dentro da
lei geral de micro e pequenas empresas, mais conhecida como Supersimples.
Se o projeto for aprovado, autônomos que hoje vivem na informalidade
poderão registrar suas atividades, aumentando sua participação
no mercado econômico. No entanto, a medida só vai começar
a valer a partir de julho de 2009, conforme foi acertado com a Receita
Federal.
Segundo o consultor da assessoria de políticas públicas
do Sebrae de São Paulo Julio César Durante, a capital paulista
tem cerca de 2,8 milhões de empreendedores que podem ser beneficiados
pelo projeto. "É um dos melhores instrumentos para a formalização
de vários empreendimentos. Em São Paulo há 3,5 milhões
de pessoas na informalidade, 80% dos quais, na capital", disse.
Os autônomos têm de ter renda bruta anual de até
R$ 36 mil e no máximo um funcionário a salário mínimo.
Em contrapartida, eles pagarão R$ 1 de Imposto sobre Circulação
de Mercadorias e Serviços (ICMS) e R$5 de Imposto sobre Serviços
(ISS), no caso de prestador de serviços. O consultor do Sebrae aponta
outras vantagens. "O empreendedor vai poder vender a grandes estabelecimentos
e simplificar as obrigações do dia-a-dia, como a emissão
de notas fiscais", afirmou.
Segundo Durante, a inclusão do MEI pode contribuir para o crescimento
da economia. "Com a diminuição da carga tributária
e da burocracia, o autônomo vai ter mais condições
de contratar mão-de-obra e gerar empregos."
Previdência
Além da redução de impostos, os profissionais
serão incluídos na Previdência Social, mediante pagamento
mensal de R$ 45,65 ao INSS. Com isso, terão direito a aposentadoria
de 1 salário mínimo.
Será preciso contribuir por no mínimo 15 anos, segundo
a assessoria do ministério.
Mesmo com o valor mínimo de aposentadoria, o consultor aponta
aspectos da contribuição previdenciária que são
considerados positivos. "Com atividade formalizada, o profissional terá
a alternativa de optar pela previdência privada, ou passar de microempreendedor
para microempresário. O importante é a participação
no sistema", opinou Durante.
Hoje os autônomos podem participar da Previdência como
contribuintes individuais, mas, se a pessoa recebe mais que um salário
mínimo, a alíquota cobrada é de 20% sobre a renda.
De acordo com o coordenador de informações da Secretaria
Municipal do Trabalho Juarez Mota, a aprovação da lei pode
elevar em 11% o volume de contribuintes no Estado de São Paulo.
Segundo ele, apesar de o valor não ser muito expressivo, a medida
tem contribuição social. "O impacto na arrecadação
não seria muito grande em qualquer um dos casos, de maneira que
se deve situar esta lei no rol daquelas que se destinam ao resgate da cidadania
das pessoas", explicou.
Segunda-feira, o ministro da Previdência, José Pimentel,
destacou a importância da criação do MEI no Supersimples
como uma medida tomada para que se possa ampliar a cobertura previdenciária.
Segundo ele, a inclusão de dez milhões de autônomos,
em todo o País, representa um aumento de 11% para o INSS, o mesmo
valor apontado por Mota, no caso da capital paulista.
Para o consultor do Sebrae, o pagamento de uma taxa menor não
leva risco à Previdência. "Três milhões a mais
de pessoas estarão contribuindo. Você aumenta o universo e
torna a divisão do bolo mais adequada", afirmou.
Durante, no entanto, aponta de que ainda faltam ações
para ajudar os microempreendedores. "O andamento do crédito e a
inovação ainda são muito incipientes. Acredito que
isso não se resolva com leis, mas com a mudança cultural,
que levará mais tempo", concluiu. (DCI)
11.11 - Projeto inclui estagiário como contribuinte obrigatório
Um projeto de lei da deputada Aline Corrêa (PP) inclui na categoria
de segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social
(RGPS) o estagiário que presta serviços e recebe remuneração.
A autora do projeto lembra que a legislação previdenciária
não prevê a inclusão de estagiários no conjunto
de segurados obrigatórios, o que os impede de usufruir dos benefícios
acessíveis aos demais trabalhadores. Somente são considerados
segurados os bolsistas e os estagiários que prestam serviços
a empresas.
Segundo Aline Corrêa, o projeto pretende modificar essa situação,
fazendo com que todos os bolsistas e estagiários sejam incluídos
como segurados obrigatórios, para terem direito à cobertura
previdenciária. Pela proposta, os empregadores deverão recolher
as contribuições correspondentes.
"Atualmente é significativa a contratação de estagiários,
tanto no "mbito das empresas como do setor público. São,
em geral, mão-de-obra especializada e de baixo custo, pois não
possuem os direitos trabalhistas nem previdenciários assegurados
aos demais trabalhadores", afirma a deputada.
O projeto tramita em caráter conclusivo pelas comissões
de Trabalho, de Administração e Serviço Público;
de Seguridade Social e Família; de Finanças e Tributação;
e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
(Folha Vitória)
11.11 - Crise Corporativa
Problemas nas relações com o consumidor foram responsáveis
por 26% das 312 crises corporativas noticiadas nos primeiros nove meses
deste ano, segundo levantamento da agência Imagem Corporativa. Em
seguida, estão as crises relacionadas a problemas operacionais e
de manutenção. As empresas atingidas se pronunciaram em 72%
dos casos, buscando dar sua versão. (Guilerme Barros - Folha
de S.Paulo)
11.11 - Empresas devem dar mais atenção à formação
do conselho
O avanço dos padrões de governança corporativa
praticados pelas empresas de capital aberto no Brasil foi evidente nos
últimos oito anos. A criação de três níveis
diferenciados de listagem pela Bovespa, por exemplo, contribuiu para que
o mercado de capitais do País se tornasse mais atraente e seguro
para os investidores estrangeiros. Entretanto, o modelo terá de
passar por importantes adaptações para dar conta de novos
desafios, como o da formação dos conselhos e dos direitos
dos acionistas minoritários.
As conclusões são de um estudo da Booz & Company,
consultoria que assessora empresas, instituições governamentais
e organizações internacionais e cujo conteúdo foi
fornecido com exclusividade à Gazeta Mercantil. Outra conclusão
do levantamento, que considera um grupo de 15 empresas, - algumas já
listadas e outras que se preparam para futuramente acessar o mercado acionário
- é a de que não há um modelo ideal de governança
corporativa que possa ser aplicado a todas as empresas. "Nossa percepção
indica que muitas companhias orientam a criação de sua governança
no imediatismo. Isso fica muito claro com aquelas que abriram capital recentemente.
Com um mercado aquecido, a pergunta era qual estrutura básica preciso
montar para fazer meu IPO (oferta pública inicial de ações,
na sigla em inglês)?", afirma o sócio da Booz & Company,
Paolo Pigorini. "A empresa só conseguirá organizar uma boa
governança quando chega à bolsa e vê o mercado como
início de possibilidade de tocar seus planos estratégicos",
afirma.
Para o executivo, a governança como ferramenta de criação
de valores que levarão à perenidade das companhias tem de
ir bem além da montagem de comitês e órgãos
formais. "Um bom ponto de partida para instituir um modelo é estimular
um debate que resulte em uma estrutura personalizada de governança.
Ele deve ser capaz de servir para o setor de atuação e as
necessidades básicas das empresas", detalha Pigorini.
Desempenho dos conselhos
A composição e o desempenho dos diversos conselhos montados
nas empresas com ações na bolsa são temas freqüentes
em um mercado que pretende criar um ambiente adequado à regra básica
da boa governança: pluralidade de opiniões e competências.
O caminho para que isso ocorra, no entanto, é bastante complexo
na avaliação da Booz & Company. "As empresas precisam
decidir o que têm mais peso na composição dos conselhos.
Se preferem ter uma maioria de membros de confiança dos controladores
nessas estruturas ou gente que possa agregar novas discussões e
diferentes pontos de vista", compara Pigorini.
Uma das dificuldades atuais para formar um conselho diversificado está
no número reduzido de profissionais preparados para a função,
o que acaba fazendo com que muitos estejam em diversas empresas. Há
a impressão no Brasil de que o conselheiro tem de conhecer todos
os assuntos em profundidade, coisa que não acontece. "Por pensarmos
dessa maneira, tentar promover treinamentos para esses profissionais soa
quase como uma ofensa. Mas é preciso medir seu desempenho na empresa",
diz Pigorini. (Gazeta Mercantil - Luciano Feltrin)
10.11 - Controle dos processos poupa tempo e dinheiro
Modelo de gestão visa a otimizar o desempenho das atividades
Apesar de a gestão de processos ser uma tática adotada
mais freqüentemente pelas grandes empresas, as pequenas demonstram
também se preocuparem em formalizar e monitorar suas atividades.
"Nesse tipo de gestão, a capacidade de gerar resultados é
proporcional ao porte, mas os resultados são semelhantes", pondera
Marcelo Raducziner, diretor da Compass International, consultoria que mapeou
a prática da gestão de processos nas empresas brasileiras.
O modelo de gestão de processos sugere que empresas organizem
e formalizem os procedimentos que dizem respeito a suas atividades produtivas.
Assim, são eliminadas as tarefas feitas mais de uma vez por
falta de controle, a sobrecarga de funcionários e de departamentos,
os gargalos produtivos e as atividades que voltam diversas vezes ao ponto
inicial antes de serem concluídas, entre outros entraves.
Menos erros
Antonio Lucena, diretor da LB Produtos Eletrônicos, está
implementando a gestão de processos na firma desde agosto. Hoje,
por exemplo, sempre que um produto é identificado como defeituoso,
a falha é imediatamente comunicada ao setor de engenharia por um
sistema automatizado.
Se agora o processo é rápido e depende pouco da participação
de funcionários, antes alguém tinha de deslocar-se, documentar
o defeito e informá-lo ao setor responsável, tarefas que
gastavam um tempo valioso.
A primeira vantagem é o ganho em agilidade. "Em uma empresa
enxuta, qualquer tempo perdido representa muito prejuízo", justifica
Lucena.
Há outros benefícios também, segundo o empresário.
No exemplo do processo de controle de qualidade, o índice de peças
defeituosas no mercado caiu de 4% para 1%.
O total investido -R$ 40 mil, incluindo o apoio de consultores e o
desenvolvimento de um software de gestão- deve ser recuperado em
até um ano, segundo estimativas da firma.
Entre os possíveis frutos da prática de gerir bem as
atividades da empresa, André Macieira, sócio-diretor da consultoria
ELO Group, destaca a possibilidade de sanar sintomas negativos identificados
na firma.
São exemplos as dificuldades em encontrar informações,
a pouca capacidade de alocar recursos humanos, a falta de padronização,
os atrasos e a queda na produtividade.
O primeiro passo para empresários que desejam adotar a gestão
de processos é identificar quais são eles.
"Os processos já existem, só precisam ser melhorados
e gerenciados", afirma Gart Capote, presidente da Association of Business
Process Management Professionals Brasil, que representa os profissionais
de gestão de processos no país. (DIOGO BERCITO - Folha
de S.Paulo)
10.11 - Bom senso e naturalidade
Além do que celebrar o ano que se encerra, as festas de final
de ano nas empresas são também ótima oportunidade
para aumentar a integração entre os departamentos e empregados.
A ocasião cria um ambiente favorável para o profissional
fortalecer a rede de contatos e estreitar o relacionamento com os colegas.
Todo o esforço vai por água baixo, no entanto, em caso de
exageros, seja na bebida, no modo de se comportar ou vestir. Para especialistas
em comportamento corporativo e etiqueta empresarial, um bom marketing social
passa pela simpatia e, principalmente, equilíbrio nas ações.
Tudo com muita naturalidade, é claro.
O publicitário Gustavo Bastos sabe bem disso. Sócio da
agência 11/21, já promoveu e participou de muitas festas de
final de ano em empresas. "O publicitário é um dos profissionais
mais festeiros que existe. Portanto, já passei por muitas situações.
Nessas ocasiões, um bom comportamento abre portas. São momentos
em que não há chefes e funcionários. Todo mundo é
igual, está lá para curtir e relaxar. Não há
hora melhor para aumentar a rede de contatos", afirma. Mas o que é
um comportamento adequado? "Deve-se evitar beber, comer e falar demais,
enfim, abusar de tudo e de todos", aconselha.
A consultora Jacqueline Resch, sócia-diretora da Resch RH, concorda
com o publicitário. Para Jacqueline, os excessos são altamente
prejudiciais. "São momentos de descontração, mas ninguém
pode esquecer que está dentro de um contexto de trabalho. O clima
é informal, mas os exageros podem comprometer as pessoas. O novato
é ainda mais visado. Dele, demanda-se um comportamento perfeito.
Cabe a ele observar bem o ambiente, ver como as pessoas reagem e, a partir
daí, tentar aumentar a rede de contatos", afirma.
Amenidades. Segundo a consultora, um bom caminho é conversar
sobre amenidades. "Procure gostos em comum. Desses bate-papos nascem boas
amizades. Certamente isso pode render um retorno positivo no ambiente de
trabalho. Já para quem está entrando numa empresa, críticas
ao trabalho são muito mal vistas. Como é que alguém
pode falar mal se acabou de entrar?", acredita.
Com boas histórias para contar em seu vasto currículo
de festas, Bastos acredita que os excessos podem marcar a reputação
de uma pessoa. "Nunca vi ninguém ser demitido por algum exagero,
mas, certamente, não pega nada bem. Quem comete perde prestígio
e, em conseqüência, acaba preterido em alguns projetos. Além
disso, a pessoa fica marcada, porque ninguém esquece o porre do
colega nos anos seguintes", afirma Bastos.
Autora do livro "Gestão da educação corporativa",
a professora Eleonora Jorge Ricardo, da Universidade do Estado do Rio de
Janeiro (Uerj), acredita que as festas de final de ano são realmente
ótimas oportunidades para aumentar o a rede de contatos. Segundo
Eleonora, há muitas maneiras de se relacionar sem parecer exagerado
ou chato.
"Grandes negócios surgem numa boa mesa, por isso um sorriso
sempre é eficiente. Procure ser atencioso com todos, mas com cuidado
para não soar falso", afirma. Para ela, as pessoas também
devem ser verdadeiras. "É muito importante ser quem é no
dia-a-dia. Nunca se aproxime de alguém querendo algo em troca, mesmo
em bate-papos informais com pessoas de nível hierárquico
superior. O melhor é agir, sempre, com naturalidade", revela.
Já a consultora Andrea Huggard-Caine Reti, acredita que uma
boa apresentação também conta bastante nessas ocasiões.
"São ocasiões muito boas para a pessoa se vender. Nessas
horas, estar bem vestido é importante, de modo informal, mas sem
ser inadequado. Afinal de contas, embora haja um clima de descontração,
trata-se de um ambiente de trabalho", afirma. (VINICIUS MEDEIROS
- Jornal do Commercio do Brasil)
10.11 - Responsabilidade Social e Ética
Após chegar ao consumo, classe C agora quer educação
Poucos duvidam de que sem educação o futuro é
bem mais difícil. E muitos pensavam que, quando tivessem dinheiro,
os da classe C simplesmente iriam consumir. Pensar em educação?
Jamais. Uma pesquisa com a classe C mostra que de fato, ao terem mais dinheiro,
as pessoas foram de corpo inteiro às compras. Mas não se
acomodaram: agora elas querem investir em educação.
Pelo menos foi isso que a socióloga e publicitária Laura
Chiavone, dona da Limo Inc, empresa de estratégia de planejamento,
apresentou em São Paulo, em 22 de outubro. Denominado "Breakonsumers",
o estudo se compõe de mais de 2 mil entrevistas e uma pesquisa quantitativa
em seis grandes capitais, com 30 entrevistas de profundidade.
Segundo Luiz Alberto Marinho (colunista do site Blue Bus, 31/10/08),
"os resultados indicam "um processo subversivo de consumo, de quebra de
paradigmas"".
Duas surpresas. Mais do que simplesmente fazer a pesquisa, foi produzido
um documentário com depoimentos de pessoas. "Os resultados [?] mostram
que os brasileiros que pertencem à classe C descobriram que podem
ter acesso a bens e serviços que antes julgavam inalcançáveis
carros, casa própria, eletrodomésticos, viagens, TV paga,
cursos universitários, computadores e internet de banda larga, entre
outras coisas".
O estudo revela, de cara, duas surpresas. A primeira é que 80%
dos entrevistados se dizem mais exigentes e não se contentam com
produtos mais simples. "Querem geladeiras "frost free", TVs de tela grande,
carro zero e marcas de primeira linha".
A segunda é que há muita coisa em comum entre as classes
A, B e C. Por exemplo: as marcas próprias dos supermercados "desempenham
papel importante no desafio enfrentado pela classe C de fazer com que as
compras caibam no orçamento familiar. Afinal, estão associadas
à qualidade e ainda por cima carregam o aval de uma empresa conhecida.
Por isso, muitas vezes acabam substituindo marcas líderes no carrinho
de compras dessas pessoas. Curiosamente, também os consumidores
das classes altas estão aderindo às marcas próprias,
na certeza de que elas são tão boas quanto as outras. Aliás,
da mesma maneira como os mais pobres convivem com itens caros, os mais
ricos buscam pechinchas em centros de compras populares, como a região
da Rua 25 de Março, em São Paulo".
Desenvolvimento pessoal. Mas o que mais salta aos olhos no estudo é
a constatação de que "o foco dos consumidores brasileiros
está mudando gradualmente da aquisição de bens materiais
para o investimento em educação e conhecimento, condições
essenciais para a manutenção do padrão alcançado".
Isso é notável porque prova que essas pessoas não
se tornaram "um bando de bestinhas", querendo consumir mais. Mesmo tendo
conquistado o direito de consumir, elas querem algo mais importante. O
que deve impactar diretamente numa grande mudança não apenas
nessas pessoas, mas também em seus filhos.
Todos nós sabemos a importância dos pais na educação
dos filhos: com um grau mais elevado de conhecimento, eles naturalmente
fazem com que os filhos também se interessem por livros, músicas
de qualidade, cinema, teatro, artes etc. E isso melhora nosso nível
de ensino, que atualmente causa mais vergonha do que orgulho.
Para se ter uma idéia dessa fantástica mudança
para melhor, à pergunta "Quais as coisas que mais te surpreenderam
na vida?" 34% responderam "estudar mais do que você imaginaria que
pudesse"; 46%, "saber mais do que você imaginaria que pudesse"; 35%,
"sonhar mais do que você imaginaria que pudesse". E mais: à
pergunta "O que você acha que é ter sucesso?", 11% responderam
"ter muito dinheiro"; 36%, "ser uma pessoa admirada"; e 53%, "ter uma carreira
sólida".
Mudança de paradigma com mais dinheiro é bom. Mas, além
disso, com interesse em educação é ótimo.
(Engel Pachoal, com Lucila Cano - Jornal do Commercio do Brasil)
07.11 - INSS espera documentos de 58.710 segurados
O INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) parou a análise
de 58.710 pedidos de benefícios porque faltou algum documento que
deveria ter sido entregue pelo segurado.
Segundo dados de setembro, 27.516 pedidos tinham sido protocolados
há menos de 45 dias. Outros 31.194 esperavam há mais tempo.
Os segurados devem acompanhar o pedido de benefício para saber
se há ou não pendência de documentos.
Para isso, com o número do benefício dado no posto no
momento do pedido em mãos, ele deve acessar o site www.previdencia.gov.br
ou ligar para a central 135.
Se a pendência não for regularizada pelo segurado, o benefício
poderá ser negado.
De maio a setembro, o volume de pendências por culpa do segurado
aumentou 13,7% -de 51.636 (maio) para 58.710 (setembro). No mesmo período,
o volume de requerimentos de benefícios cresceu 7,2% -de 619.542
pedidos para 664.533.
De acordo com o INSS, os principais motivos de pendência são
falta de documentos e erros na comprovação do tempo de contribuição.
Quando o INSS percebe que falta algum documento, normalmente é
enviada uma carta indicando os problemas.
"Normalmente, no dia em que o segurado vai ao posto, é feita
uma checagem e ele já sai da agência com a carta de exigências
[com os pedidos dos documentos adicionais]", disse Rafaela Domingos Lirôa,
advogada previdenciária do escritório Innocenti Advogados
Associados. Entretanto, durante a análise do pedido, o técnico
do INSS pode encontrar outras pendências.
Como escapar
Para não ter problemas e ficar por muito tempo na fila de espera,
o segurado deve conhecer a lista completa de documentos exigidos para providenciá-los
antes de formalizar o pedido. Cada tipo de benefício tem uma lista
de documentos necessários.
Mesmo com toda a documentação em dia, o INSS ainda pode
pedir ao segurado comprovantes para substituir documentos irregulares.
Com a documentação completa, o prazo para o INSS dar
uma resposta é de 45 dias.
Se esse prazo não é cumprido por culpa da Previdência,
o valor das parcelas acumuladas (entre o agendamento do pedido e o primeiro
pagamento do benefício) é corrigido pela inflação.
Esses atrasados são pagos, normalmente, junto com a primeira aposentadoria
ou pensão. Segundo números de setembro, 52.499 segurados
estão esperando pelo benefício há mais de 45 dias
por culpa do INSS.
Se a pendência que fez com que análise ultrapassasse os
45 dias for por culpa do segurado, não haverá correção.
O valor acumulado só começará a contar a partir do
momento em que o trabalhador arrumar a situação. (Juca Guimarães
- Agora S.Paulo)
07.11 - Phishing em nome do Banco Central pede dados para atualização
de sistema
O Banco Central revelou ne quarta-feira que pessoas mal intencionadas
estão enviando phishings em nome da instituição, tentando
induzir os internautas a preencher cadastros, copiar arquivos ou executar
outros procedimentos.
O BC esclareceu que não envia mensagens de correio eletrônico
diretamente a correntistas e usuários do sistema financeiro nacional,
exceto em resposta a consultas específicas pedidas por clientes
do sistema.
Os phishings, segundo a instituição, vêm com o
logo e convida os clientes a atualizar um suposto sistema de segurança
por meio de um link para uma página maliciosa.
Em março deste ano, crackers também criaram um golpe
em nome do Banco Central, requisitando o preenchimento de um cadastro para
tornar as transações mais seguras. (IDG Now)
07.11 - Governo pede pressa na votação da reforma tributária
O governo federal reiterou nesta quarta-feira à base aliada
o pedido de aceleração da votação da reforma
tributária. Segundo o líder do governo na Câmara dos
Deputados, Henrique Fontana (PT-RS), a expectativa é de que o projeto
seja levado a plenário dentro de três ou quatro semanas. Faltam
menos de dois meses para o Congresso entrar em recesso.
A reforma tributária foi tratada em reunião no Palácio
do Planalto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os ministros
da Fazenda, Guido Mantega, e das Relações Institucionais,
José Múcio, líderes da base aliada e o relator e o
presidente da comissão especial que analisa o projeto.
"O presidente ressaltou que quer a votação da reforma,
que o governo quer votar a reforma e que ela é importante do ponto
de vista da economia do país. Nós, como base, saímos
dessa reunião com o compromisso de votar a reforma tributária
ainda neste ano", relatou Fontana."Espero encontrar apoio inclusive da
oposição para votar essa reforma na Câmara Federal
ao longo das próximas semanas."
Fontana reconheceu que a pressa é resultado da crise financeira
internacional. No começo de outubro, em reunião do Conselho
Político, o presidente Lula havia pedido aos parlamentares aliados
para acelerar a votação da reforma tributária e do
Fundo Soberano.
"Na crise, a reforma cresce de importância. A estimativa dos
técnicos da Fazenda, do ministro Mantega, da nossa equipe econômica
é que o ritmo de crescimento pode aumentar 10% só por conta
de uma nova estrutura tributária", afirmou o deputado, frisando
que o projeto simplifica o sistema, reduz a carga tributária de
investimentos e sobre a folha de pagamentos e acaba com a guerra fiscal.
Questionado se a oposição de governadores influenciaria
as bancadas, ele disse que a resistência maior é apenas da
bancada paulista. "O que sinto é que há uma postura mais
crítica de um único governador, que é o de São
Paulo [José Serra]. Vamos ainda tentar negociar, evidente, com a
bancada de São Paulo", disse Fontana.
O parlamentar reafirmou, no entanto, a urgência do governo federal:
"Temos a decisão de votar. Não posso passar dez anos debatendo
um assunto para ter unanimidade de votos num plenário. A democracia,
às vezes, também exige votações e constituição
de maiorias." (Agência Brasil/Diário Online)
06.11 - Companhias restringem o uso de e-mail entre gestores
Em 2003, quando os e-mails já ocupavam boa parte da rotina dos
profissionais, mas ainda não haviam transbordado os limites dos
computadores e chegado aos smartphones, companhias como a inglesa Phones
4U perceberam que o uso desenfreado desse meio poderia atrapalhar a comunicação.
O presidente da companhia na época, John Cauldwell, radicalizou
e proibiu o uso de e-mails por seus 2,5 mil funcionários. A alegação
era de que havia gente demais mandando mensagens eletrônicas em vez
de usar o telefone ou andar distâncias mínimas para conversar
- o que se tornou ainda mais comum em várias organizações.
O Valor procurou a empresa para descobrir se as regras ainda estão
em vigência, mas não obteve retorno. Entretanto, o site da
empresa oferece vários endereços de e-mail para atendimento
ao cliente, o que sugere que houve alguma flexibilização.
Sem o mesmo radicalismo, mas com objetivos idênticos aos de Cauldwell,
empresas brasileiras ou estrangeiras de diferentes setores também
estão trabalhando para criar a cultura de uso consciente do e-mail.
Enquanto isso não acontece, pesquisa da Qualibest com 1441 pessoas
mostra que 63% usam as correspondências eletrônicas como base
de sua comunicação dentro das empresas onde trabalham.
Mas a utilização inadequada do e-mail é mais do
que um problema de comunicação, segundo Belmiro Ribeiro da
Silva Neto, professor de marketing e de comunicação corporativa
da Escola de Administração de Empresas de São Paulo
da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Ele diz que o e-mail
é um excelente meio de contato para fazer follow up, passar dados,
marcar compromissos e dar respostas rápidas. Porém, completa,
é péssimo para outros fins, como dar feedback sobre pessoas
e projetos e emitir julgamentos. "O uso do e-mail reflete burocracia e
omissão da liderança, além do nível profissional
da pessoa, sua maturidade e capacidade para trabalhar e se comunicar em
equipe", afirma o professor.
Para resgatar a prioridade do contato pessoal e também evitar
problemas causados pela falta dele é que empresas brasileiras e
filiais de multinacionais estrangeiras estão criando práticas
para promover o uso consciente e racional do e-mail.
A fabricante de produtos química Lanxess, por exemplo, há
cerca de quatro anos, definiu que seria prioridade interna a interação
ao vivo do pessoal. Assim, além de investir num ambiente com divisórias
de vidro e canal de televisão próprio, os gerentes são
proibidos de trocar e-mails entre si. "A comunicação direta
traz velocidade à tomada de decisão", diz o gerente de recursos
humanos da empresa química, Ludovico Martin.
O executivo afirma que a prática também evita reuniões
e reduz o trabalho, porque o contato pessoal é mais rico. "A comunicação
não é formada só por palavras", diz. A declaração
é uma referência à teoria de Albert Mehrabian, professor
da Universidade da Califórnia, que disse há mais de 25 anos
que as palavras correspondem a apenas 7% da compreensão de um comunicado.
Os elementos que mais contribuem para a entrega da mensagem, segundo ele,
são a entonação de voz (38%) e a linguagem corporal
(55%).
Na 3M também funciona assim, sem regras, mas com recomendações
que servem de exemplo para os funcionários. O diretor de recursos
humanos da empresa no Brasil, José Fernando do Valle, diz que um
acordo firmado entre as diretorias dos setores de finanças, lean
six sigma, supply chain e aquela que dirige, para evitar e-mails e enviar
mensagens de no máximo cinco linhas, serve de modelo aos integrantes
de suas equipes. A intenção é que no longo prazo,
seja criada uma cultura de interação presencial. "São
meios de deixar o processo de comunicação mais enxuto", diz.
O alerta para o uso moderado de e-mails se acentuou em janeiro deste
ano, quando a corporação realizou o "dia sem e-mail". É
uma data escolhida em que o trabalho é conduzido sem a troca de
mensagens eletrônicas, iniciativa que deve ser ampliada no ano que
vem. "O ideal é que façamos um dia por mês 'sem e-mail',
mas não é fácil definir a data, porque temos muito
contato com a matriz e as demais unidades", afirma. Valle, que durante
a maior parte de sua trajetória profissional atuou como diretor
do departamento financeiro, lembra que apesar de o uso gerar uma economia
tangível com o armazenamento das mensagens em servidores de computador,
o principal ganho é de produtividade e a promoção
da cultura da comunicação.
Ainda que sem regras ou acordos, a CAS Tecnologia é outro exemplo
do que pode ser chamado de "não incentivo ao e-mail". A empresa
libera até mesmo o uso de ferramentas de mensagens instantâneas,
mas não concorda com a troca de e-mails por pessoas que sentam perto
umas das outras ou com clientes. "O correio eletrônico é frio
e não é explicativo", reclama o diretor de operações
da companhia, Domingos Iorio. Por isso, os executivos da empresa encorajam
a todos os funcionários a resolverem dúvidas de clientes
pessoalmente, assim como qualquer questão interna de negócios.
Segundo o diretor da CAS, a função do e-mail mudou para
pior quando as pessoas passaram a usá-lo como forma de se isentar
das responsabilidades, dizendo "mas eu te mandei um e-mail" ou para mostrar
serviço para os superiores, copiando-os em recados. Isso significa
usar corretamente os campos de destino da mensagem, a cópia e a
cópia oculta. O assunto é tão delicado que já
existem regras de "etiqueta" para e-mail. David Shipley e Will Schwalbe,
por exemplo, escreveram um livro chamado "Enviar", um guia de como usar
o e-mail com elegância. Na obra recém-lançada no Brasil
pela editora Sextante, os autores usam experiências reais - e equívocos
- para comentar as dificuldades enfrentadas com os e-mails.
Eles dizem que nos e-mails as pessoas podem não parecer elas
próprias. "Ficam mais irritadiças, menos solidárias
e se magoam com mais facilidade, o que as faz mais fofoqueiras e traiçoeiras",
resumem em comunicado.
Além disso, as mensagens eletrônicas muitas vezes "enganam"
o receptor. Os autores citam pesquisa da Associação Internacional
de Profissionais de Administração, que mostra que 43% dos
assistentes escrevem e enviam e-mails sob o nome do chefe e 29% têm
permissão para apagar mensagens antes de serem lidas pelo superior.
Por isso, as próprias empresas - além de não encorajarem
o uso de e-mails - estão criando manuais com regras. A Microsoft
detalhou o código de conduta observando inclusive prazos de resposta
e padronizando formas de se comunicar. Apesar disso, a empresa de tecnologia
da informação Websense destaca que a questão pode
ir além da etiqueta e produtividade. Trata-se também de segurança.
"Hoje 90% dos vazamentos de dados nas companhias são acidentais",
diz Marcos Prado, gerente de desenvolvimento de canais para América
do Sul e Caribe da companhia. Se o usuário quer mandar um e-mail
para alguém cujo endereço é "jpereira", mas com pressa
digita apenas "jp" e em seguida "enter", para resgatar o histórico,
pode enviar para outro destino, com início de endereço "jpaulo",
que pela ordem alfabética aparece primeiro.
O ponto central é que por conta de segurança ou produtividade,
todos os usuários de e-mail ficarão mais contentes e menos
sobrecarregados se tiverem de investir menos tempo com tantas mensagens
recebidas e caixas postais lotadas. Você não?
(Valor Online)
06.11 - Receita encaminha estudo sobre mudança de prazo de tributos
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, recebeu na terça-feira
o estudo elaborado pela Receita Federal sobre o aumento no prazo de recolhimento
dos tributos pagos pelas empresas.
De acordo com a assessoria de comunicação do ministério,
o assunto ainda será analisado internamente e não há
data para ser submetido ao presidente da República, Luiz Inácio
Lula da Silva.
O pedido para ampliar o prazo de recolhimento dos impostos federais
foi feito por integrantes da CNI (Confederação Nacional da
Indústria) há cerca de três semanas e reforçado
na semana passada. Mantega disse que o governo "cogitava" a medida.
A proposta da Receita é alterar do dia 20 para o fim do mês
o recolhimento do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), da Cofins,
que financia a seguridade social, e da parcela da contribuição
patronal ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
O problema é que qualquer mudança nas datas de recolhimento
tem impacto no caixa do governo.
O fluxo de recursos que entra passa a ser menor e as despesas precisam
ser pagas nas datas já estabelecidas.
O impacto fiscal é o principal obstáculo à medida,
ainda mais acentuado porque o governo já espera uma queda na arrecadação
no ano que vem por causa da crise internacional.
Para as empresas, o ganho é imediato. Deixam no caixa um dinheiro
que pode ser usado para honrar compromissos do dia-a-dia, em vez de recolher
aos cofres do governo.
Alívio
Isso alivia a necessidade de as companhias buscarem empréstimos
nos bancos, o que reduz seus custos.
A mudança no prazo de recolhimento já foi usada pelo
governo para dar mais fôlego às empresas em 2006.
As contribuições sobre a folha de pagamentos passaram
do dia 2 para o dia 10 de cada mês e o IRRF (Imposto de Renda Retido
na Fonte), que era semanal, agora é recolhido mensalmente.
Entre as medidas de lançamento do PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento), o governo também permitiu que as empresas abatessem
num prazo mais curto os créditos que acumularam com o pagamento
do PIS e da Cofins, por exemplo. (Folha de S.Paulo)
05.11 - Proibição no CDC de publicidade
em SACs é particular demais
Acaba de ser publicada mais uma alteração
ao Código de Defesa do Consumidor (CDC). Trata-se da lei 11.800/2008,
que introduz um parágrafo à redação do atual
artigo 33 do CDC com o intuito de proibir a veiculação de
publicidade de qualquer bem ou serviço durante ligações
que o consumidor fizer a quaisquer fornecedores.
O problema é que regra aplica-se às
chamadas ligações onerosas ao consumidor ou, em outras palavras,
às chamadas feitas pelo consumidor a SACs (serviços de atendimento
ao consumidor) pagos.
Em fim de julho foi publicado um decreto federal
(nº6.523) - e em 16 de outubro uma portaria do Ministério da
Justiça (nº 2.014) - que já proibia a publicidade durante
a espera pelo atendimento, mas a regra se aplica apenas aos SACs dos serviços
regulados pelo governo federal (energia elétrica, telefonia, televisão
por assinatura, planos de saúde, aviação civil, empresas
de ônibus, bancos e cartões de crédito fiscalizados
pelo Banco Central). A definição dos serviços regulados
pelo decreto veio justamente na portaria de outubro. O decreto dizia, entre
outras coisas, que os SACs desses serviços serão gratuitos.
Com esta última alteração
do CDC, a proibição de publicidade em SACs atinge também
os call centers pagos.
Mas mesmo juntando o decreto federal e a mudança
do CDC, uma parte dos SACs ficou livre para divulgar publicidade: os call
centers gratuitos que não pertencem a nenhum dos serviços
regulados pelo decreto federal.
Isso mostra, em primeiro lugar, que regulamentações
deste tipo não devem ser introduzidas no corpo do CDC. Para Maíra
Feltrin, advogada do Idec, "a mudança pode ter sido proposta com
a melhor das intenções e pode até mesmo vir a beneficiar
o consumidor, mas deixa parte dos SACs de fora e particulariza demais uma
lei geral como CDC".
Outra lacuna deixada pelo novo parágrafo
do CDC é que ele não proíbe a publicidade quando a
ligação partir do fornecedor. "Se for realmente imprescindível
uma alteração em uma lei como o CDC, ela deve ser a mais
abrangente possível", finaliza Maíra.
Veja a redação do parágrafo
único, acrescido ao artigo 33:
LEI No- 11.800, DE 29 DE OUTUBRO DE 2008
Art. 1º O art. 33 da Lei no 8.078, de 11
de setembro de 1990 - Código de Defesa do Consumidor, passa a vigorar
acrescido do seguinte parágrafo único:
"Art. 33. ...................................................................................
Parágrafo único. É proibida
a publicidade de bens e serviços por telefone, quando a chamada
for onerosa ao consumidor que a origina." (Idec)
05.11 - Distância vencida
Introduzido há quase uma década no Brasil, o ensino corporativo
a distância ganha força entre as grandes e médias empresas
brasileiras, que enxergam na ferramenta uma boa opção para
não só qualificar seus colaboradores, e com isso reter os
melhores talentos, mas também para baratear custos. Dados da Global
Industry Analysts (GIA) apontam que o mercado global de e-learning deverá
movimentar cerca de US$ 52 bilhões até 2010, com crescimento
médio anual entre 15% e 30%. No Brasil, no entanto, esse desenvolvimento
deverá ser mais acelerado. Especialistas acreditam que o setor cresça
cerca de 50% ao ano.
Num país com as dimensões geográficas do Brasil,
o ensino corporativo a distância vê sua importância aumentar
ainda mais, na medida em que reduz custos em viagens e hospedagem para
colaboradores em treinamentos e cursos. Mas suas vantagens não terminam
por aí: o e-learning agrega valor tanto ao colaborador e quanto
à própria companhia.
"A partir daí, a empresa tem muito mais facilidade para reter
os melhores talentos, bem como atrair outros executivos. Quem não
quer trabalhar num local em que o funcionário é valorizado?",
afirma Claudio Machado, diretor da Intervir, companhia especializada em
soluções tecnológicas de e-learning.
Segundo Machado, o ensino corporativo a distância foi inicialmente
introduzido no Brasil por multinacionais que já utilizavam a ferramenta
em suas matrizes. "Houve um grande impulso no final do governo Fernando
Henrique Cardoso, quando o ensino a distância foi regulamentado pelo
Ministério da Educação (MEC). Não há
fontes precisas, mas estimo que o setor movimente cerca de R$ 525 milhões
ao ano no Brasil", afirma.
A mineradora Vale investe no e-learning desde 2003, quando, em junho,
criou a Universidade Corporativa Valer, que reúne todos os programas
e projetos multidisciplinares voltados para a educação corporativa.
"O Valer, que começou com o conceito de e-learning, cresceu e se
transformou num departamento dentro da empresa. Hoje, está em 21
unidades da empresa no Brasil, além de três no exterior: China,
Suíça e Austrália. Ao todo, 60 mil funcionários
são atendidos", revela a gerente de gestão do conhecimento
da Vale, Ana Claudia Freire.
Segundo Ana Claudia, ao fomentar uma série de capacitações,
o Valer propicia um desenvolvimento constante das competências dos
funcionários da empresa. "É claro que não é
só isso que faz da Vale uma companhia em que as pessoas têm
interesse em trabalhar, mas, com certeza, ajuda a reter bons profissionais,
bem como atrair novos talentos para a empresa", afirma.
Já a operadora de telefonia móvel TIM dispõe de
um programa que atende 50 mil funcionários. "Ao todo, disponibilizamos
270 cursos, atendendo dos mais altos executivos aos estagiários",
explica Jane Teixeira, gerente de treinamento e desenvolvimento de RH.
Segundo Jane, o programa nasceu da necessidade de atender as operações
da ponta do negócio: o departamento comercial e o call center. "Os
primeiros movimentos aconteceram em 2006. No ano passado, o programa ganhou
corpo e, este ano, foi ampliado, numa tendência que devemos intensificar
daqui para frente. Alguns treinamentos são obrigatórios,
mas há outros voltados para desenvolvimento profissional do colaborador",
diz a executiva.
Para Machado, da Intervir, o e-learning também está se
tornando acessível para empresas de médio porte. "As grandes
corporações já destinam há algum tempo um polpudo
orçamento para esse fim, mas, desde o ano passado, observo um movimento
por parte das médias, especialmente nos setores de serviço".
Hierarquia. Os conteúdos programáticos explorados pelas
companhias são voltados para todos os níveis hierárquicos
e vão desde educação básica e cidadania corporativa
a formação e especialização profissional e
desenvolvimento de lideranças. "Nossos clientes lançam programas
para estagiários e executivos", afirma.
O ensino corporativo a distância vai além da internet.
Hoje, várias mídias são utilizadas nos cursos e treinamentos
desenvolvidos pelas empresas. Teleconferências e videoconferências,
por exemplo, ganham cada vez mais espaço. "Hoje, 70% de nossos clientes
optam por programas que utilizam um mix de mídias. As videoconferências
estão em alta porque possibilitam uma interação que
as demais não oferecem. Com ela, por exemplo, o aluno tira todas
suas dúvidas na hora. Ainda assim, é muito difícil
não usarem a internet", revela.
A Vale, por exemplo, utiliza um mix de mídias. "Oferecemos aulas
por computador, videoconferências, material impresso, rádio,
entre outras mídias. A idéia é combinar todas essas
possibilidades, pois é importante criar diferentes formas de aprendizado
para atender os diferentes estilos de cada um dos nossos funcionários.
Mês passado, por exemplo, finalizamos um treinamento de um novo sistema
para 7 mil funcionários", afirma Adriano Goes, gerente de tecnologia
educacional da Vale.
Apesar de todo o esforço por parte dos gestores de recursos
humanos, a evasão é uma realidade nos programas de e-learning.
"Por conta disso, o acompanhamento é fundamental. Em parceria com
os departamentos de RH monitoramos todos os colaboradores, mas isso também
não é tudo. O programa deve ser simples, de fácil
entendimento e, acima de tudo, atrativo. O colaborador tem que se identificar
com o treinamento, para assim criar interação com a metodologia
implantada", afirma Machado.
Para Ana Claudia Freire, a evasão estará presente em
qualquer estilo de aprendizado, seja este qual for. "O bom professor é
aquele que consegue atrair a atenção de seu aluno. Esse é
o foco do Valer. Procuramos criar e usar ferramentas que atendam aos gostos
e estilos dos funcionários, pois de nada vai adiantar eles comparecerem
e participarem de todos os treinamentos e cursos se não estiverem,
de fato, envolvidos com o aprendizado".
Para combater a evasão e obter resultados mais efetivos com
seus programas de ensino corporativo a distância, Vale e TIM utilizam
um sistema de tutoria, com acompanhamento constante do desempenho dos colaboradores.
"O papel da tutoria é muito importante. Fazemos relatórios
gerenciais, mapeando e avaliando o aprendizado oferecido. Ele não
existe para controlar o profissional. Pelo contrário, serve para
motivá-lo e ajudá-lo em qualquer dificuldade", afirma Jane
Teixeira, da TIM. (VINICIUS MEDEIROS - Jornal do Commercio
do Brasil)
05.11 - Receita aperta fiscalização de IR Pessoa Física
A Receita Federal resolveu intensificar a fiscalização
no Imposto de Renda (IR) Pessoa física. No Estado de São
Paulo o órgão emitiu do início do ano até outubro
R$ 671 milhões em notificações do imposto. O valor
supera em mais de 40% as notificações totais do ano passado
e é mais de três vezes maior do que as cobranças emitidas
em 2006. Em 2004, há quatro anos, o total das notificações
não chegou a um décimo do desempenho de 2008, com valor total
de R$ 40,98 milhões.
"O Imposto de Renda das pessoas físicas começou a chamar
mais atenção da fiscalização. Antes as notificações
era raras, mas no ano passado elas começaram a se intensificar",
diz Patrícia Quintas, diretora de impostos pessoais da KPMG . "Neste
ano a Receita está mostrando ter mais informação sobre
assuntos antes raramente notificados."
A percepção da advogada tem razão de ser. Fábio
Kirzner Ejchel, chefe da divisão de fiscalização da
Receita Federal em São Paulo, explica que as notificações
relacionadas ao IR de pessoas físicas está centrada principalmente
na análise das declarações que caem na malha fina.
Essas notificações aumentaram não somente em função
do eficiente processamento de informações disponíveis
da Receita como também pelo fato do tributo ter sido eleito como
uma das prioridades do órgão. A idéia é tornar
mais certeira a peneira da malha fina das declarações de
IR e tornar mais rápida e eficiente a análise das informações
retidas.
Os dados da Receita mostram que uma peneira mais eficiente já
está sendo aplicada. Em 2004 a Receita em São Paulo analisou
21,77 mil declarações de IR. Desse total, cerca de um terço
deu origem a cobranças lançadas contra o contribuinte. Em
2008, além de um volume bem maior de declarações analisadas
- 151,1 mil - , o percentual de documentos que deu origem a notificações
foi bem mais representativo, de 74,25%.
"Há quatro anos um terço das declarações
analisadas resultava em crédito a favor do Fisco. Hoje praticamente
dois terços dos documentos resultam em notificação",
explica Ejchel. Segundo ele, isso mostra que houve um aumento na eficácia
da retenção, embora o percentual de declarações
retidas na malha fina não tenha aumentado em relação
ao total dos documentos entregues pelos contribuintes.
Segundo o chefe da divisão, a Receita em São Paulo ainda
tem em estoque outras 350 mil declarações a ser analisadas.
A prioridade fica por conta dos casos que completam cinco anos e, por isso
ficam sujeitos à prescrição.
Patrícia Quintas, da KPMG, que tem entre seus clientes executivos
expatriados no Brasil, diz que grandes valores estão sendo notificados
ou são alvos de pedidos de informação por parte do
Fisco. O motivo de maior discordância é a compensação
do IR pago no exterior, no país de origem do executivo. Essas notificações
começaram no ano passado e se intensificaram em 2008. "Há
cerca de duas semanas recebi de uma vez cerca de 30 notificações",
conta. Os valores, informa, variavam entre R$ 10 mil e R$ 400 mil. "Há
muitos dados que os próprios clientes acreditam que a fiscalização
não tem condições de checar e os as notificações
que temos recebido mostram que isso não é verdade."
O advogado Júlio de Oliveira, do Machado Associados, conta que
a fiscalização tem se sofisticado tanto que surpreendeu algumas
pessoas com a cobrança do IR que deveria ter sido retido em nome
dos empregados domésticos. Com os dados sobre a contribuição
previdenciária, explica, a Receita tem como enxergar hoje o que
deveria ter sido cumprido para o IR.
Segundo Ejchel, entre os principais motivos que colocam a declaração
na malha fina estão as divergências clássicas. Estão
incluídas as diferenças entre valores declarados pelos contribuintes
e os informados pelas respectivas fontes pagadoras, além de omissão
de rendimentos. Mas além disso a Receita tem confrontado também
dados relacionados a valores descontados a título de pagamentos
de contribuições previdenciárias a empregados domésticos,
a partir da declaração relativa ao exercício de 2007,
contribuições à previdência privada, recolhimentos
efetuados por meio de carnê, principalmente por profissionais liberais.
O imposto declarado como pago no exterior também tem sido alvo de
verificação.
Para Tatiana de Castro, sócia da Ernst & Young, a Receita
tem ganho nos últimos anos vários instrumentos que possibilitam
uma fiscalização mais acirrada sobre as pessoas físicas.
Entre elas a obrigatoriedade das administradoras de cartão de crédito
informarem à Receita operações superiores a R$ 5 mil
no semestre, a tributação de 0,005% de IR em operações
de bolsas de valores e a obrigatoriedade de declarar ao Banco Central a
existência de ativos financeiros no exterior superior a US$ 100 mil.
(Marta Watanabe - Valor Online)
05.11 - Planalto corrige Mantega sobre salário do funcionalismo;
acordo está mantido
Para evitar polêmica, o Governo agiu rápido para reverter
o mal-estar instalado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao pedir
aos senadores que vetem qualquer tentativa de elevação de
gastos públicos com o funcionalismo e Previdência Social.
Deixou claro que está mantida a promessa de aprovar as medidas provisórias
que reajustam o salário de mais de 350 mil funcionários e
criam 2 mil cargos na Polícia Federal.
“O ministro Guido não estava falando das MPs. Ele estava falando
de outros projetos. Vamos cumprir o que está no acordo”, afirma
o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. “É claro que o Governo
cumprirá os acordos com os servidores”, diz o ministro de Relações
Institucionais, José Múcio Monteiro. A intenção
do Governo é que as MPs, que já passaram pela Câmara,
sejam votadas na próxima semana no Senado.
Um interlocutor do Ministério da Fazenda amenizou as declarações
do ministro no Senado e frisou que Mantega está preocupado é
com a aprovação de projetos como o do senador Paulo Paim
(PT/RS), que derruba o fator previdenciário — que possibilita descontos
nos benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)
— e não com as MPs que já foram negociadas e estão
previstas no orçamento.
Apesar de esses reajustes estarem garantidos, os servidores terão
dificuldade para conseguir qualquer outro benefício. A ordem do
Palácio do Planalto é evitar a criação de gastos
extras, seja por meio da inclusão de emendas nas medidas provisórias
em tramitação, seja pela aprovação de projetos
de lei de autoria de deputados e senadores.
Em momento de crise, em que o Executivo ainda não sabe qual
será o impacto sobre a arrecadação de impostos, será
necessário cautela para evitar grandes cortes no Orçamento.
Mas uma coisa é praticamente certa.
A equipe econômica vai revisar os parâmetros econômicos
do Orçamento de 2009 e ajustes serão necessários.
O próprio Governo, que trabalhava com uma expansão econômica
de 4,5% para 2009, já admite que o país deverá crescer
entre 3,8% e 4%. (Correio Web)
04.11 - Responsabilidade Social Empresarial e seus públicos
Como dito noutro escrito, a responsabilidade social empresarial consiste
numa “nova forma de gestão empresarial, que envolve uma atitude
estratégica focada em indicadores intangíveis como a ética
e a qualidade das relações com todos os públicos:
interno (funcionários, acionistas e investidores) e externo (clientes,
comunidade, fornecedores, governo, etc)
Uma empresa age de forma socialmente responsável em relação
aos funcionários quando o faz desde o primeiro contato com eles.
A partir da seleção que tem que ser transparente, na medida
em que se oferece oportunidades a todos em igualdade de condições,
independentemente de raça, cor, religião, sexo ou idade.
E, posteriormente após a contratação, investindo em
treinamento e desenvolvimento profissional, segurança no local de
trabalho, estímulo à qualidade de vida, salários compatíveis
com o mercado, com abertura e transparência para a comunicação
em todos os níveis hierárquicos, preparando, inclusive, os
seus funcionários para a aposentadoria.
Quanto aos investidores, esses - ao efetuarem suas aplicações
financeiras - preocupam-se em fazê-lo em empresas sólidas,
que respeitem o meio ambiente, as condições humanas e sociais
de seus empregados, que sejam éticas e que zelem pela qualidade
de suas relações com a comunidade.
No que pertine aos clientes e consumidores, ela está relacionada
ao desenvolvimento de produtos e serviços confiáveis e de
qualidade e que não provoquem danos à saúde dos indivíduos,
haja vista que a dimensão social do consumo ressalta a questão
da política de marketing e comunicação, devendo ter
o caráter educativo de suas ações, não excedendo
as expectativas do que é oferecido, e não provocando desconforto
ou constrangimento ao consumidor, devendo informar corretamente os riscos
potenciais dos produtos oferecidos.
No concernente à comunidade, esta ocorre quando a empresa respeita
os valores, os costumes, as culturas e as crenças da comunidade
local, envolvendo-se e fazendo investimentos em melhorias sociais na comunidade
em que está inserido, mediante apoio material ou de serviços
a projetos comunitários, disseminando os valores sociais. É
importante que a empresa mantenha bons relacionamentos com as organizações
civis atuantes na comunidade, trazendo benefícios para a comunidade
como forma de justa contrapartida pelo impacto que ela cria.
Os fornecedores, por seu turno, são, de certa forma, uma extensão
da empresa. Por isso, devem compartilhar dos mesmos valores da empresa,
com posturas semelhantes. Nesse sentido, a escolha dos fornecedores deve
basear-se em critérios claros, valorizando a livre concorrência
e com transparência na cotação de preços, além
de avaliar questões como condições de trabalho dos
terceirizados e, principalmente, se não há caso de trabalho
infantil na cadeia produtiva.
A responsabilidade social em relação ao governo implica
não apenas em cumprir com as obrigações legais, como
não sonegar impostos, oferecer condições de trabalho
dignas, seguras e saudáveis, não ter práticas discriminatórias,
respeitar a diversidade, mas, também promover outras ações
que contribuam para boas relações com órgãos
governamentais. Em época de campanhas políticas, as empresas
devem ser transparentes e cuidadosas ao apoiar candidatos, que podem gerar
desconfiança, evitando também pagamentos que visem a influenciar
ou agilizar decisões governamentais.
Uma empresa ambientalmente responsável está sempre atenta
às ações de manutenção e melhoria das
condições
ambientais, minimizando riscos e ações agressivas à
natureza. Para isto, investe em tecnologias antipoluentes, recicla produtos,
e o lixo gerado mantém relacionamento estreito com órgãos
de fiscalização ambiental, limita o uso de recursos naturais
e de descargas nocivas, constrói estações de tratamento
de poluentes e é responsável pelo ciclo de vida de seus produtos.
(Janguiê Diniz - Folha de Pernambuco)
04.11 - Receita prepara alongamento de imposto
A pedido do ministro Mantega, órgão avalia o impacto
no caixa do Tesouro de ampliação de prazos de recolhimento
Empresários pedem mais prazo para reforçar capital de
giro com crise financeira; para a Receita, arrecadação crescerá
menos em 2009
A Receita Federal deve entregar até amanhã ao ministro
da Fazenda, Guido Mantega, estudo que avalia o impacto no caixa do Tesouro
da ampliação de prazos para o recolhimento de impostos das
empresas.
O pedido para fazer o estudo foi feito na última sexta-feira
pelo ministro à secretária da Receita Federal, Lina Vieira,
e tem como objetivo atender reivindicação de empresários
que querem ter mais dinheiro em caixa para enfrentar os efeitos da crise
financeira global.
Lina afirma que vai apresentar ao ministro estudo sobre impostos que
ainda não são recolhidos no final do mês, como o IPI
(Imposto sobre Produtos Industrializados) para alguns produtos, a Cofins
(Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social)
e as contribuições previdenciárias.
A idéia é permitir, por exemplo, que as empresas que
pagam o IPI no dia 20 de cada mês possam fazê-lo no dia 30,
e assim ter mais capital de giro ao longo do mês.
O pedido para ampliar os prazos foi feito no mês passado pela
CNI (Confederação Nacional da Indústria), que estima
que o prazo médio de pagamento de tributos é hoje de 30 dias.
A confederação sugeriu que esse prazo passe para 60 dias,
durante um período de seis meses, a partir do próximo ano.
O secretário do Tesouro, Arno Augustin, também deverá
fazer um levantamento sobre o impacto do alongamento de prazos no seu fluxo
de caixa, segundo afirma a secretária da Receita. "A partir desses
dados, o ministro vai decidir quais medidas serão tomadas", diz
Lina.
O governo tem compromissos a cumprir, entretanto, a partir de um cronograma
já estabelecido de arrecadação. "Quando se altera
o cronograma, isso pode afetar as contas do governo. Por isso é
preciso uma avaliação detalhada da secretaria do Tesouro",
afirma.
Ao estender os prazos para que as empresas paguem seus impostos, o
governo federal quer também evitar a perda de arrecadação
no ano que vem, quando a desaceleração da economia deve se
intensificar.
Com os prejuízos enfrentados pelas empresas em decorrência
da crise, a previsão de a Receita arrecadar 11% a mais no próximo
ano deve ser revista, segundo a secretária. "O êxito da arrecadação
está principalmente baseado em dois tributos, o Imposto de Renda
da Pessoa Jurídica e a Contribuição Social sobre o
Lucro Líquido, que representam a lucratividade das empresas. Se
houver, portanto, redução na lucratividade das empresas,
a arrecadação será reduzida", afirma.
Com expansão mais forte da economia, a Receita arrecadou com
tributos e impostos federais R$ 508,8 bilhões de janeiro a setembro,
10% a mais que no mesmo período de 2007, apesar do fim da CPMF.
Só em setembro, foram recolhidos R$ 55,6 bilhões, novo recorde.
"Sabemos que muitas empresas vão enfrentar prejuízos
porque fizeram negócios atrelados ao dólar. Com certeza,
esses prejuízos vão resultar em um crescimento menor de arrecadação
[em 2009]. Não sabemos quais são os números, mas seremos
afetados", diz Lina. "Pela análise de todos os setores econômicos
até setembro e pela injeção de investimentos do PAC
[Plano de Aceleração de Crescimento] era previsto para o
ano que vem um retorno muito grande [para a arrecadação].
Agora vamos ter de analisar novamente os números."
Em época de dificuldades financeiras, o recolhimento de impostos
e tributos tende a cair, segundo a secretária. "O que as empresas
fazem quando entram em dificuldade é parar de recolher impostos.
Primeiro pagam funcionários e fornecedores. Se sobrar dinheiro,
pagam os impostos", afirma.
As medidas adotadas pelo governo federal e pelo Banco Central para
injetar mais dinheiro na economia e amenizar os efeitos da crise no país
estão corretas, segundo avalia Lina. Tanto que a Receita Federal
mantém a previsão de arrecadar neste ano 7% mais do que no
ano passado. "Não acredito que a crise nos afete neste ano. Esperamos
chegar em dezembro com a nossa meta de arrecadação mantida,
que é a de crescer 7% [sobre 2007]."
Em relação à concessão de novos benefícios
fiscais a determinados setores da economia, a secretária afirma
que não devem ocorrer em momentos de dificuldades como esse. "Na
época de vacas gordas, pode se conceder benefícios porque
a desoneração tem como ser compensada na efetividade da arrecadação.
Mas em momentos de maior dificuldade, não podemos olhar com benesse
a concessão de benefícios."
Mais mudanças
As mudanças na estrutura da Receita Federal vão se intensificar,
segundo a secretária. "A oxigenação vai continuar.
Faço as escolhas, e elas vão continuar com base na análise
dos currículos e do perfil das pessoas, que também são
sabatinadas por mim, pelo ministro [Mantega] e pelo secretário executivo
[Nelson Machado]."
Sobre as críticas de que os sindicalistas chegaram ao poder
na Receita nessa nova gestão, Lina, que assumiu a chefia do órgão
em julho, diz: "Somos todos concursados. Não interessa a que partido
político as pessoas pertencem. E não é novidade [ter
sindicalistas] na casa. Nas gestões anteriores também havia
pessoas que passaram por sindicatos." (CLAUDIA ROLLI e FÁTIMA
FERNANDES - Folha de S.Paulo)
04.11 - Treinamento humanista traz bons resultados
Pode parecer um paradoxo, mas não é. A Escola Técnica
de Eletrônica Francisco Moreira da Costa (ETE), a primeira da América
Latina, mostra que o ensino profissionalizante pode ser humanista. Fundada
em setembro de 1958, incrustada na Serra da Mantiqueira, no Sul de Minas
Gerais, em Santa Rita do Sapucaí, a escola deu início ao
Vale da Eletrônica. "Hoje são 115 indústrias do ramo
na região, que empregam cerca de 7.500 funcionários e faturam,
em média, R$ 530 milhões/ano", conta o diretor geral da ETE,
padre Guy Jorge Ruffier.
Os números mostram que competência profissional e a filosofia
humanista podem, perfeitamente, andar de mãos dadas e as empresas
lucrarem com a união. O padre, no entanto, reconhece que a maioria
das famílias se preocupa mais com a profissionalização
dos filhos, e vêem a humanização como dispensável.
Por suas posições, o padre está entre os dois
extremos que dividem as correntes educacionais. De um lado está
a que defende a autonomia do ensino, com uma educação voltada
mais para os interesses da sociedade como um todo. De outro, estão
os que se alinham com o ensino profissionalizante exclusivamente a serviço
dos interesses do setor produtivo.
Nesse meio de campo, encontra-se também o Centro Paula Souza,
uma autarquia que controla a maior rede de escolas técnicas e profissionalizantes
do Estado de São Paulo."Educar é algo mais amplo que uma
formação restrita a determinados postos de trabalho para
algumas regiões do Brasil", emenda Almério Melquíades
de Araujo, coordenador de Ensino Técnico do Centro Paula Souza.
"A política educacional deve estar em sintonia com as políticas
de desenvolvimento econômico do país. Mas não é
apenas isso, é também a formação do aluno como
cidadão", reforça. Melquíades de Araujo coordena cerca
de 90 mil alunos de 151 escolas técnicas e 25 mil alunos de 48 Faculdades
de Tecnologias (Fatecs) espalhadas pelo Estado de São Paulo, sendo
25 delas apenas na capital.
Por causa da má qualidade do ensino médio, hoje se observa
baixos níveis nas áreas profissionalizantes, diz o professor
da Fundação Getúlio Vargas (FGV) João Baptista
Brandão, do Departamento de Administração Geral e
Recursos Humanos. Segundo dados do Banco Mundial (Bird), a média
de escolaridade da população brasileira com 15 anos ou mais
é de 4,3 anos, inferior aos 8,8 anos da Argentina e aos 7,2 anos
do México.
O professor entende que se o ensino médio fosse de qualidade,
o profissional encurtaria o tempo de preparação para se tornar
um técnico qualificado. "Em seis meses isso seria possível
e atenderia à demanda do mercado, principalmente dos setores sucroalcooleiro
e da tecnologia da informação, onde a escassez é ainda
maior", diz. Para o professor da FGV, o Brasil precisa cuidar dessas questões
para não correr o risco de "se cristalizar como país de mão-de-obra
barata e ineficiente".
O diretor da Confederação Nacional da Indústria
(CNI), Rafael Luchesi, sustenta a tese de que "a educação
é base fundamental para a incorporação de produtividade
e de sustentabilidade no crescimento econômico". Entusiasta do Serviço
Nacional de Aprendizagem Industria (Senai), ele vê nesse modelo a
educação adequada para o crescimento econômico. "O
Senai é o único provedor de força de trabalho", afirma.
O professor da FGV vê de outra forma: "o Senai sempre foi criticado
justamente por preparar profissionais sem se preocupar com o conhecimento",
diz.
A assessora da pró-reitoria de pesquisa da Universidade Estadual
Paulista (Unesp), Tânia Regina de Luca, defende no entanto que se
fique alerta para que a proximidade com o setor produtivo não interfira
na autonomia das universidades. "Não podemos formar cidadão
de segunda categoria, que não exerça a cidadania, mas apenas
a questão técnica", afirma.
O desafio de colocar seus estudantes dentro das escolas e melhorar
seus cursos deve ser enfrentado com urgência. Enquanto isso não
acontecer, o país estará perdendo em qualidade e quantidade
para os seus concorrentes mais diretos, como a China, a Coréia e
o Chile, e até mesmo Irlanda e Espanha.
Estudo feito pelo Banco Mundial (Bird) e divulgado em setembro aponta
que os principais competidores do Brasil no mercado externo como China,
Índia, a própria Coréia do Sul e Cingapura, promoveram
há algum tempo importantes reformas no seu sistema educacional.
A importância da educação para o desenvolvimento
tecnológico pode ser confirmada dentro das empresas brasileiras.
Nas indústrias que têm produtos inovadores, a escolaridade
média dos trabalhadores é de 9,1 anos. Nas demais empresas,
essa média cai para 6,9 anos.
Outro desafio que o país precisa enfrentar, de acordo com o
estudo do Bird, é orientar as atividades públicas de pesquisa
e desenvolvimento para finalidades econômicas. Além de investir
apenas 0,98% do Produto Interno Bruto (PIB) em pesquisa e desenvolvimento,
o Brasil ignora o caminho mais rápido e barato para a inovação,
que é a compra e a adaptação do conhecimento disponível
no mundo. (Valor Online)
03.11 - Aposentados: 13º salário começa
a ser pago no dia 24
No próximo dia 24, o INSS (Instituto Nacional
do Seguro Social) começa a pagar a segunda metade do 13º salário
dos aposentados, pensionistas e beneficiários de auxílios.
A primeira parcela já foi paga entre o final de agosto e o início
de setembro.
O pagamento, dessa vez, começará
nos últimos cinco dias úteis de novembro para a parcela dos
segurados que ganha um salário mínimo. No dia 24, receberá
quem ganha o piso e tem cartão de pagamento com número final
(excluindo o dígito) 1. Quem tem final 2 receberá no dia
25, e os segurados com final 3, no dia 26. Dia 27 será a vez de
quem tem final 4, e, no dia 28, do segurado com final 5.
De 1º de dezembro ao dia 5 do mesmo mês,
receberão os aposentados que ganham um mínimo e têm
cartão com final de a 0 e os segurados que ganham mais que o piso.
De acordo com o INSS, 22,1 milhões de
segurados receberam a primeira parcela do abono neste ano. Quem começou
a receber algum benefício do INSS neste ano também recebe
o 13º, mas de forma proporcional.
IR
Na segunda parcela do 13º, o INSS fará
o desconto do Imposto de Renda para quem tem benefício com valor
maior que R$ 1.372,82. O desconto é sobre o total do 13º (as
duas parcelas somadas). Quem ganha menos está isento.
Para o aposentado do INSS que recebe de R$ 1.372,82
a R$ 2.743,25, a alíquota do Imposto de Renda é de 15%, com
dedução de R$ 205,92. Nos benefícios com valor maior,
a alíquota descontada pelo IR será de 27,5%, com dedução
de R$ 548,82.
Para os segurados com mais de 65 anos de idade,
é considerado para o IR o valor que excede o limite de isenção.
Por exemplo, quem recebe R$ 2.500 de benefício e tem mais de 65
anos é isento de imposto, pois a diferença entre o que ele
recebe e o limite de isenção dá R$ 1.127,19 (R$ 2.500
menos R$ 1.372,81), valor que está dentro da faixa de isenção.
(Juca Guimarães - Agora S.Paulo)
03.11 - Cobrança de boleto bancário
fere o CDC
Diversos fornecedores adotam a prática
de cobrar do consumidor o custo relativo ao processamento, à emissão
ou envio de boleto bancário utilizado para o pagamento do serviço.
Diante de tal prática, o Idec (Instituto
Brasileiro de Defesa do Consumidor) tem manifestado publicamente o seu
posicionamento contrário a essa conduta, de modo a orientar e alertar
os consumidores acerca da ilegalidade da cobrança.
Para o Idec, a exigência do pagamento configura
evidente ilegalidade, visto que esses custos são inerentes à
própria atividade da empresa prestadora de serviço e, por
isso, não devem ser repassados ao consumidor.
Sendo esta uma cobrança estabelecida em
contrato celebrado entre a empresa prestadora de serviço e a instituição
financeira, não podem estes estabelecer qualquer obrigação
ao consumidor. A responsabilidade pelo custo é sempre do fornecedor,
ainda que o fornecedor seja o próprio banco.
Ocorre que, o fato de a empresa repassar o ônus
ao consumidor impõe vantagem manifestamente excessiva, o que caracteriza
prática abusiva, conforme prescreve o artigo 39, V, do CDC (Código
de Defesa do Consumidor).
Ademais, mesmo se o contrato estabelecer expressamente
o referido pagamento, o fato não impede que a mesmo seja contestado,
tendo em vista que o artigo 51, IV, também do CDC, considera abusiva
e nula de pleno direito a cláusula que estabeleça obrigação
iníqua e que coloque o consumidor em desvantagem.
Entretanto, os fornecedores ignoram o teor dos
citados dispositivos legais e continuam a cobrar a "tarifa" para emissão
ou envio do boleto, mesmo após diversas reclamações
em Órgãos de Defesa do Consumidor e da coibição
de tal abusividade em decisões proferidas em diversas ações
movidas nos Juizados Especiais Cíveis.
Nesse cenário, no dia 10 de outubro de
2008, foi publico no Diário Oficial da União o Ato nº
6087 de 09 de outubro de 2008, da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações)
que reconheceu o direito dos consumidores ao estabelecer que as prestadoras
de serviço de TV por assinatura cessem a cobrança da chamada
"tarifa" para emissão de boleto bancário.
Segundo o texto do ato, que entrou em vigor na
data de sua publicação, as prestadoras dos serviços
de TV por Assinatura deverão, em prazo não superior a 30
(trinta) dias, deixar de repassar os custos do boleto aos seus assinantes.
Além disso, as empresas terão de
alterar dispositivo contratual que tratar da cobrança de boleto
bancário, em prazo não superior a 120 (cento e vinte) dias,
contados a partir da data de publicação do ato.
A norma estabelece também que os novos
contratos celebrados não poderão conter cláusula atribuindo
ao assinante esse ônus.
O Idec considera positiva a atitude da Anatel
ao contribuir para a coibição desse tipo de cobrança,
mas ressalta que por interpretaç |