Informes sobre Saúde
Informe Semanal

Não é 1º de abril: ANS diz que falta regulamentação
Em reunião realizada na segunda-feira (6), a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado discutiu o atendimento prestado pelos planos de saúde no Brasil.
De acordo com o secretário Executivo da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), João Luiz de Barroca, o sistema avançou, mas ainda não está consolidado. Segundo ele, um dos principais problemas é a falta de regulamentação do setor.
Segundo Barroca, há cerca de 15 anos, não havia lei que direcionasse o atendimento oferecido pelos planos de saúde no País. Para ele, este cenário abria caminho para que algumas operadoras chegassem a oferecer um número máximo de cinco consultas ao ano e apenas três dias de internação em UTIs (Unidades de Terapia Intensiva). “Em 1998, a Legislativo atacou uma das pendências da Constituição”, explica. “Mas é importante que se tenha clareza de que é um sistema em construção. Temos o maior sistema de saúde pública do mundo e o segundo maior mercado de saúde suplementar”, completa.
Atendimento negado
De acordo com a Agência Brasil, durante a audiência pública, também foi lembrada a morte do secretário de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, Duvanier Paiva Ferreira, no dia 19 de janeiro. Segundo a família, ele passou mal e teve o atendimento negado em dois hospitais particulares que não tinham convênio com o plano de saúde do servidor.
Segundo a Agência Senado, representantes de trabalhadores, como Pedro Armengol, da CUT (Central Única dos Trabalhadores), e José Augusto da Silva Filho, do Fórum Sindical dos Trabalhadores, afirmaram que os interesses comerciais, seja dos planos de saúde, seja dos hospitais privados, não podem prevalecer sobre o atendimento às pessoas. “Não somos contra a saúde suplementar. Mas é preciso um nível de regulação, por parte do Estado, em que os valores humanos se sobreponham aos valores do lucro”, explica Armengol.
Já o presidente da Abramge (Associação Brasileira de Medicina de Grupo), Arlindo de Almeida, afirmou que os brasileiros estão satisfeitos com os planos de saúde. Segundo ele, as operadoras atuam com baixa lucratividade e alto risco comercial, além de se submeterem a uma regulamentação por parte da ANS que, “apesar de razoável e adequada, é muito complexa”.
Sistema de saúde brasileiro
Para a presidente da Unidas (União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde), Denise Rodrigues de Brito, a maior preocupação em relação ao tema deve ser a regulamentação do sistema de saúde suplementar. “Temos um marco regulatório provisório, mas não temos ainda uma resposta definitiva do Congresso Nacional em relação a esse marco regulatório”, afirma.
Segundo Denise, apesar das audiências públicas, ainda não houve consenso sobre a regulamentação. “No ano passado, fizemos oito audiências públicas, mas não houve consenso entre os parlamentares e não conseguimos avançar”, completa.
De acordo com a presidente, as pequenas operadoras estão desaparecendo, em razão da tendência de concentração de mercado. Para ela, há um crescimento no número de usuários de planos de saúde acompanhado de um decréscimo na quantidade de operadoras. “Seja na saúde pública ou na saúde privada, temos hoje uma situação que nos pede uma resposta e um olhar muito mais atencioso. Há uma tendência de maior longevidade e menor natalidade, a população está ficando mais idosa. Há uma mudança no perfil demográfico e epidemológico”, comenta.
Para Armengol, existe uma carência de atendimento na saúde pública, que serve de estímulo para o mercado da saúde. Segundo ele, as operadoras são vistas pela população brasileira como salvadoras do SUS (Sistema Único de Saúde). “O problema hoje é que a demanda está muito grande . Não conheço um dirigente sindical no Brasil que não tenha como uma das bandeiras principais a defesa do SUS. Mas o que a gente vê no dia a dia é a gente negociando com os empregadores para que a base de trabalhadores tenha atendimento pela saúde suplementar”, finaliza.   (Infomoney/Seguros dia-a-dia)

Empresas preveem crescimento em 2012
Diante do cenário externo de crise, empresas continuam investindo. Uma delas é o Fleury, que pretende seguir expandindo organicamente e via aquisições
Na onda das profecias chegou 2012, muito mais alarmado pela zona do euro, do que por previsões apocalípticas de fim do mundo. Considerando o cenário nebuloso no velho continente europeu, ainda é difícil traçar um panorama do que acontecerá na economia brasileira em 2012. Primeiro, porque é difícil prever. A situação está muito atrelada às notícias daquela região. Até o fechamento desta edição, por exemplo, a Standard & Poor’s havia rebaixado a nota do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira, o triplo A da França e as notas das dívidas de um grupo de países incluindo Itália, Áustria e Espanha.
Segundo, porque, como diz o ditado, “alegria de uns é a tristeza de outros”. Se por um lado, a economia parece estar indo de mal a pior, os emergentes se mostram mais atrativos do que nunca. A boa notícia também está presente na recuperação da economia norte-americana que, segundo economistas, colabora para que a situação no continente europeu não esteja ainda pior. Enquanto isso, no Brasil, a crise ao que parece não tem abalado, ao menos de forma significativa, o mercado interno.
Houve alguns ajustes em relação à previsão de crescimento como a redução de 5%, no começo do ano, para algo próximo a 3% de crescimento do PIB 2011, sobretudo, após a estagnação do indicador entre segundo e terceiro trimestre. Mesmo assim, as expectativas para 2012 são boas, e, para o setor de saúde, enquanto não houver grandes abalos nas taxas de emprego e queda no consumo das famílias, o segmento ainda tem muito a conquistar e a desenvolver. Se o câmbio continuar valorizado, as más notícias são para a indústria, que perde sua competitividade, mas, de maneira geral, as fontes ouvidas para esta reportagem continuarão investindo e manterão o orçamento previsto para  2012, e acreditam que o cenário econômico externo requer atenção, mas está longe de enviar sinais para pisar no freio.
Cenário
Para o economista-chefe da Austin Raiting, Alex Agostini, com a projeção de avanço de cerca de 3% do PIB para este ano, o Brasil não tem condições de crescer fortemente por mais de dois anos consecutivos, tendo em vista capacidade instalada pequena. “No início do ano passado, as previsões eram mais otimistas, mas era necessário desacelerar a economia para segurar um pouco a inflação”, explica Agostini.
A estagnação do indicador entre o segundo e o terceiro trimestre rendeu avaliação do Instituto de Pesquisa e Economia Aplicada (IPEA), que justificou a desaceleração econômica com os seguintes fatores, occorridos em 2011: “prosseguimento da apreciação da taxa de câmbio ; aperto monetário; características da política fiscal em relação a 2010; acúmulo de estoques; e a crise econômica na Europa”, aponta o estudo.
Agostini explica que a falta de capacidade instalada também influencia a taxa cambial. “O câmbio médio do ano passado se valorizou na comparação do ano anterior. Não é só em 2011 que a indústria vem sendo prejudicada, em 2010, esse câmbio desvalorizado tirou a competitividade”, avalia.
Analisando o mercado de saúde, mesmo com este cenário desfavorável, o mercado de equipamentos e produtos médico-hospitalares e de diagnósticos fechará 2011 com um crescimento estimado de 19% – atingindo um faturamento R$ 13,5 bilhões – superior à média da economia brasileira, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Equipamentos, Produtos e Suprimentos Médico Hospitalares (Abimed).
Tal crescimento é apontado pela entidade como fruto do pleno emprego e migração nas classes sociais. “A ascensão das classes C e D traz diferentes perfis de usuários, mas os investimentos próprios da saúde seguem – e automaticamente – essas novas tendências também”, explica Reynaldo Goto, diretor da entidade.
O executivo analisa o momento com dois cenários. Em um deles enxerga uma demanda interna forte e até um “otimismo exagerado”. “As instituições brasileiras estão captando dinheiro e isso mostra que existe demanda e otimismo nacional”, pontua. Do outro lado, um dos impactos ocorreria no câmbio e na disponibilidade de crédito. “Isso afeta diretamente o mercado nacional, 48% da demanda nacional é atendida com equipamentos importados e com a volatilidade do câmbio. Como em 2010, pode se atrasar investimentos ou mudar prioridades. O câmbio do jeito que está desfavorece.”
Para as exportações, o mercado é animador. A previsão da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex- Brasil), que atua em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios (Abimo), é de que as exportações da área de saúde cheguem a US$ 696 milhões em 2011, crescimento de 11% contra 2010.
De acordo a gerente de projetos internacionais da Abimo, Paula Portugal, os negócios da Abimo/Apex não sofrem impactos com a situação internacional. “Na crise, as empresas europeias olham mais para o Brasil. As importações no Brasil têm aumentado e as empresas querem vender para o País como alternativa desse mercado estagnado”, explica.
O cenário contrário, das exportações, não tem enfrentado grandes mudanças, pois a Europa, segundo a executiva, não é um mercado prioritário. “O Brasil, tradicionalmente, não vende para a Europa e a crise entra como uma oportunidade, pois o produto entra com o custo mais baixo”, calcula, e acrescenta que a relação entre Brasil e Europa tem se dado nesse mercado na oportunidade de parcerias, seja de transferência de tecnologia e conhecimento.
Reflexos
Quem também vê oportunidades nos desdobramentos da crise internacional é a Hapvida, operadora que atua no norte e nordeste do Brasil. Presente em 11 estados brasileiros, em 2011, a companhia reforçou sua atuação em Salvador, construindo o primeiro hospital na capital baiana, o Tereza de Lisieux, com 80 leitos e investimento de R$ 60 milhões. Apesar da aposta recente, a companhia já tem planos de aumentar o empreendimento com uma nova torre, totalizando 320 leitos. A empresa que se beneficiou da migração de classes sociais no Brasil e atende, sobretudo, a classe C, não vê a situação externa como ameaçadora.
“Na minha visão, a crise do euro pode ser positiva para o Brasil. São duas questões que considero interessantes: o formato no Brasil hoje, tanto na idade da população quanto na classe de consumo é um losango. Se analisarmos, a maioria dos brasileiros está entre 28 e 55 de idade, uma população mais produtiva. Além disso, temos as classes B e C, considerando o formato losango, que hoje são as que mais consomem e que, cada vez mais, são responsáveis pelo aumento da migração de D e C para B e C. Então, vejo um momento muito positivo”, explica o superintendente comercial da Hapvida, André Rosas.
Se depender de novos usuários, o cenário parece positivo mais para a Hapvida e outras grandes operadoras do segmento do que para o mercado
de saúde privada no geral. Isso ocorre devido à concentração do segmento. De acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), os usuários aumentaram. Ainda sem dados totais do mercado em 2011, atualmente, a saúde suplementar representa aproximadamente 47 milhões de usuários, sem contar com os planos odontológicos, que somam 16 milhões. Em crescimento, isso representa 2,9% comparando setembro de 2011 com dezembro de 2010. De 2009 para 2010, o crescimento foi de 8, 6%.
A má notícia é que as falências, em 2011, somaram 78 empresas até novembro. “A consolidação da saúde suplementar tem ocorrido desde que apareceu a ANS e com algumas empresas maiores e mais bem administradas comprando menores”, comenta a coordenadora do GV Saúde, Ana Maria Malik.
A situação europeia também não parece afetar a Beneficência Portuguesa de São Paulo. O hospital continua executando as obras do plano diretor 2009/2013. O planejamento prevê investimento de R$ 160 milhões só na parte física da instituição. O balanço de 2011 ainda não está fechado, mas o superintende geral do hospital, Luiz Koiti, afirma que o ano de 2011 foi bom e 2012 tende a continuar promissor.
“Estamos bastante otimistas e prevendo crescimento do faturamento. Não haverá modificação no plano diretor de obras, não temos motivos para reduzir o ritmo”, garante. Entre os aportes está o investimento de R$ 7,2 milhões para reforma e ampliação da Unidade de Terapia Intensiva Neurológica, que agora oferece 33 leitos da especialidade.
No segmento de medicina diagnóstica, a história parece se repetir. Mesmo com o capital aberto, o Fleury não percebeu mudanças nos investimentos, ao menos por enquanto. “Não diminuímos nosso ritmo de crescimento em 2011. Mas, de qualquer maneira, o reflexo da instabilidade lá fora, tanto nos Estados Unidos como no mercado europeu, desperta a nossa atenção e isso vale para toda a macroeconomia brasileira. Mas, até agora, não fomos impactados e isso é muito explicado por conta da estabilidade econômica e controle inflacionário mais sólido, além da indicação de empregos formais que é um indicador importante para o nosso setor. O indicador  diminuiu um pouco no segundo semestre, mas, ainda  assim, houve uma geração de empregos formais, o que é relevante”, analisa o presidente da empresa, Omar Hauache.
Previsões
Para 2012, Agostini projeta um PIB de 4,2% e um cenário econômico mais tranquilo. “Esperamos o cenário internacional mais equilibrado ou não tão negativo. Não enxergamos uma deterioração forte, as notícias negativas devem ser mais brandas, atingindo menos os ouvidos dos consumidores”, explica.
A expansão será puxada pelo mercado interno, pelo consumo das famílias e aumento do crédito. “O setor de saúde tende a ser beneficiado com o aumento de clientes de saúde suplementar e com investimentos, como é um setor que importa muitos equipamentos e máquinas, isso contribui para a movimentação de investimentos”, analisa Agostini.
Se depender de más notícias, os ruídos serão menores. Pelo menos é o que aponta o Índice de Expectativas das Famílias de dezembro, do IPEA. O indicador subiu para 67,2 pontos em dezembro de 2011. Em 2010, o número fechou em 64,6 pontos. Tal índice, de acordo com o instituto, reflete os seguintes fatores: melhor expectativa no mercado de trabalho, ampliação da renda associado ao aumento do salário mínimo e previsões de redução das taxas de juros e diminuição do grau de endividamento, ou seja, os entrevistados acreditam que estão com dívidas menores.
Fenômeno ocorrido no início da crise global, em 2008 e 2009, quando os ruídos começaram a impactar o emprego, o usuário passou a utilizar mais os serviços de saúde temendo o desemprego.  Segundo Ana Maria da GV Saúde, tal acontecimento não tem sido percebido no atual cenário econômico. “Esse foi um fenômeno ocorrido na crise anterior, podendo acontecer agora, caso ocorra redução da economia – e isso demora um pouco para surtir efeito -, e mudança cambial, refletindo na incorporação de tecnologia”.
Paula, da Apex, planeja atingir US$ 766 milhões em exportações até o final de 2012. O objetivo é seguir a crescente até alcançar US$ 1 bilhão em 2015. “Vamos fazer um trabalho do setor 2012-2013 com foco nos mercados México, Angola, Arábia Saudita, Peru, Índia, Rússia, Estados Unidos e Chile. Definimos que estes são os mercados alvos, a Europa é para a troca de tecnologia, até porque eles têm fabricantes lá.”
Para o Grupo Fleury será um ano de desafios. Após a total aquisição da Labs D´OR, 2012 será o ano de integração dos 57 centros de atendimento, 21 hospitais , 3 mil colaboradores e 500 médicos no Rio de Janeiro. Somando essa nova rede com os hospitais que já contam com os serviços da marca, o modelo de serviço dentro de instituições passa a ser representativo no faturamento da marca, o equivalente a 11% em 2011 e a expectativa é que o modelo de negócio represente entre 15% a 16% em 2012.
“Temos um know-how acumulado de vários anos com atuação em hospitais conhecidos. Esse é um negócio que traz rentabilidade”, acredita Hauache. Mas esse ganho sempre vai depender do modelo de contrato com o hospital. Por exemplo, há hospitais onde o acordo engloba imagem e análises clínicas, em outros, é composto por um determinado mix de exames, podendo ser, ainda, composto por exames que atendam só a alta complexidade.
“É uma situação ganha – ganha , o core business do hospital, no geral, não é a atividade diagnóstica, e o nosso, é. Então, somos grandes provedores de serviços e, para nós, isso é um volume crescente, pois os hospitais têm expandindo muito e pegamos uma carona nesse crescimento. Dependendo do caso é comparável a uma unidade de rua”, analisa Hauache.
Quanto ao crescimento, o executivo garante que a expansão orgânica ainda é responsável por dois terços do negócio. Em 2011, foram 14 mil metros quadrados novos e 30, 8 mil metros quadrados vindos de aquisições, no caso, o Labs D´Or.
As incorporações não ficam de fora dos planos da companhia. “O mercado é pulverizado e temos negociações em curso. Miramos novas aquisições, mas de forma muito seletiva”, diz.
Por enquanto, André Rosas, da Hapvida, não fez revisão dos investimentos para 2012. No momento, a empresa trabalha com diferentes consultorias de mercado, estruturando um processo de governança corporativa e mirando, até o final de 2012, em um possível IPO ou na entrada de um fundo.
“Entendemos que o mercado é de concentração, existem grandes operadoras de saúde e precisamos ser grandes. Crescemos 22% em 2011, se comparado ao ano anterior, e nosso objetivo para 2012 é avançar entre 20% a 25%. Todo o planejamento estratégico e investimentos estão voltados para isso, de maneira orgânica e até por aquisição.” Rosas não revela o nome das empresas que estão na mira da companhia, mas garante que existem seis em avaliação.
Lições
Apesar das boas expectativas, o início da crise mundial em 2008 e todas suas consequências nos anos seguintes, inclusive os abalos na zona do euro, ainda estão frescos na memória dos executivos. Hauache, do Fleury, diz que seria imprudente não dar atenção ao cenário externo. “Lembro de 2008, foi preocupante e chegamos a revisar tanto orçamento quanto investimento. Mas, ao longo de 2009, percebemos o contrário, investimos mais do que o previsto. Isso é muito dinâmico, temos que estar atentos para ter uma reação imediata.”
Para Agostini, da Austin Rating, o início da crise em 2008 e 2009 deixa a experiência de não apostar todas as fichas no mercado externo. “A primeira coisa é a diversificação, com os olhos mais focados no Brasil, que tem uma economia em constante mudança.” Segundo o economista, o Brasil estando bem cria-se oportunidades aos países da América Latina, principalmente, aos mais estáveis em termos políticos como, por exemplo, a Colômbia.  (Saúde Business Web)

A falsa coletivização de contratos nos planos de saúde
Atualmente, é de notório conhecimento o grande número de operadoras de planos de saúde que passaram a anunciar planos coletivos para pequenos grupos de consumidores, a partir de três pessoas. Trata-se de contratos firmados entre as operadoras e outras pessoas jurídicas, tais como pequenas empresas, sindicatos de trabalhadores ou associações civis. Para esse tipo de contratação, basta que a parte contratante possua um CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica).
Além do aumento da oferta dessa modalidade de planos, nota-se, ao mesmo tempo, a diminuição e extinção da oferta de planos individuais, havendo casos de operadoras que sequer disponibilizam este tipo de contratação e somente firmam contratos coletivos, seja para 3 ou para até mais de 100.000 pessoas.
Essa estratégia representa uma “falsa coletivização”, pois consumidores, sob a ilusão de pagarem mais barato em seus planos, são estimulados a ingressarem em determinada associação ou sindicato, ou a utilizarem qualquer CNPJ para conseguir um contrato coletivo. Essa foi a forma encontrada pelas empresas de planos de saúde para fugir da legislação e da fiscalização da ANS (Agência Nacional de Saúde Complementar), uma vez que os planos coletivos não precisam submeter seus reajustes anuais ao órgão e podem ser rescindidos unilateralmente pelas operadoras quando estas bem entenderem.
Os principais motivos para este tipo de comportamento das operadoras residem nos seguintes fatos:
• As operadoras possuem maior liberdade para reajustar os valores dos planos, uma vez que os reajustes em contratos coletivos não são regulados pela ANS e independem de autorização prévia da Agência (ao contrário do que ocorre no caso dos planos individuais/familiares);
• Como a legislação não proíbe expressamente a rescisão unilateral pelas operadoras nos contratos coletivos, toda vez que estes não se apresentem mais vantajosos aos interesses econômico-financeiros daquelas, o consumidor encontra-se impossibilitado de obter acesso à assistência à saúde contratada;
• Os planos coletivos não têm obrigação de cobrir doenças profissionais e acidentes do trabalho.
A situação atual é extremamente prejudicial aos consumidores de planos de saúde coletivos que, segundo dados disponibilizados pela ANS em seu último “Caderno de Informação da Saúde Suplementar”, totalizam 36.152.682 cidadãos brasileiros que contrataram serviços de assistência privada à saúde.
No caso dos falsos planos coletivos, ou seja, planos com pequeno número de consumidores, a questão é ainda mais perigosa, uma vez que trata-se de contratos com características típicas de planos individuais (por conta do pequeno número de consumidores), mas que possuem reajustes com característicos de planos coletivos. Ainda, nos contratos coletivos com até 30 consumidores é permitido às operadoras submeterem os consumidores ao cumprimento de carências para acesso a procedimentos como consultas, exames e realização de parto e cobertura parcial temporária.
Reajustes abusivos
Os reajustes (anuais e por sinistralidade) representam um dos pontos mais críticos no tocante aos direitos dos consumidores que contratam planos de saúde coletivos. No Idec (Instituto de Defesa do Consumidor), os reajustes abusivos correspondem ao segundo maior problema enfrentado por nossos associados (ficando somente atrás da negativa de coberturas).
Isso se dá, principalmente, por conta da falta de transparência na metodologia utilizada na fixação dos critérios de reajustes, juntamente com a ausência de informação prévia e adequada aos consumidores. Tanto nos contratos novos quanto nos contratos antigos (celebrados antes da vigência da Lei de Planos de Saúde – Lei 9656/98), as cláusulas referentes aos reajustes anuais frequentemente apresentam critérios vagos e dispõem sobre “custos médico-hospitalares” como fator de cálculo, o que torna impossível a efetiva ciência do consumidor sobre a forma de aumento da contraprestação pecuniária.
Esta é uma conduta ilegal à luz do CDC (Código de Defesa do Consumidor), uma vez que fere as seguintes disposições deste diploma legal: a obrigação dos fornecedores de informarem aos consumidores de forma clara sobre os preços de produtos e servidos ofertados (artigos 6 e 31 CDC); e a nulidade a abusividade de cláusulas contratuais que permitam “ao fornecedor, direta ou indiretamente, variação de preço de forma unilateral” (artigo 51, X, CDC). Ainda, o artigo 16, XI, da Lei de Planos de Saúde estipula que os contratos deverão discriminar os “critérios de reajuste e revisão das contraprestações pecuniárias”.
Quanto aos reajustes por sinistralidade, estes correspondem ao aumento imposto pela empresa sob a alegação de que o número de procedimentos e atendimentos (ou “sinistros”) cobertos foi maior do que o previsto em determinado período. Esse tipo de reajuste, criação do mercado de planos de saúde, também é ilegal, porque significa uma variação de preço unilateral, que não estava prevista no contrato.
No entanto, a ANS, ao regular somente os reajustes de contratos individuais/familiares novos, impede a aplicação, no âmbito de sua atuação, dos direitos acima expressos a todos os consumidores de planos de saúde individuais/familiares antigos e coletivos.  Estes últimos, atualmente, representam 77% do total de cidadãos que pagam seus planos de assistência privada à saúde. Isso porque, se os reajustes aplicados independem de autorização prévia da ANS e estão suscetíveis ao disposto nas cláusulas contratuais, que, em sua maioria, são genéricas e imprecisas, estas devem ser afastadas e consideradas nulas, pois contrariam o disposto nos artigos 6, 31 e 51, X, do CDC, bem como o artigo 16, XI, da Lei de Planos de Saúde.
A omissão de controle de reajustes de contratos coletivos pela ANS, no entendimento do Idec, não tem respaldo legal. A Agência pressupõe que nesta modalidade de contrato o poder de negociação é mais equilibrado, o que nem sempre reflete a verdade. Por isso, as operadoras se interessam tanto pelos contratos coletivos. No vácuo da legislação, as empresas de planos de saúde apenas exigem a apresentação de um número de CNPJ) para que o contrato seja coletivo. Famílias e pequenos grupos têm adquirido contratos assim, sem saber dos riscos de reajustes altos.  (Joana Cruz - Última Instância)

Diminui aumento de beneficiários dos planos
No terceiro trimestre de 2011, o número de beneficiários dos planos de saúde alcançou 47 milhões, crescimento de 0,2% em relação ao trimestre anterior, conforme o Caderno de Informação da Saúde Suplementar divulgado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A taxa de crescimento de 5,5%, no acumulado em 12 meses, retornou para números próximos à média verificada entre janeiro de 2005 e setembro de 2011 (5,3%).
“O número de beneficiários em planos coletivos continua crescendo a taxas acima da média do mercado, porém com diminuição de ritmo. Vale destacar que o crescimento do número de beneficiários havia alcançado 9,3% ao ano em março de 2011 - período marcado pelo aquecimento da economia do país”, analisa Luiz Augusto Carneiro, superintendente do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (Iess).
Segundo o Iess, o decréscimo de 0,3% de beneficiários de planos médicos individuais, no terceiro trimestre de 2011, recém-divulgado pela ANS, reflete o momento econômico. No mesmo período, a renda média real da população ocupada teve variação muito próxima de zero, em relação ao segundo trimestre de 2011 (0,02%), reflexo da taxa de inflação, que compromete a renda disponível.
A faixa etária de 19 a 59 entre os beneficiários de planos de saúde é a que mais cresce, 6,6% nos últimos 12 meses, impulsionada pelo crescimento dos planos coletivos empresariais. A faixa de 0 até 18 anos tem perdido representatividade relativa, apesar do crescimento em número absoluto constatado recentemente pela ANS: 3,4% nos últimos 12 meses. E a faixa a partir de 59 anos, com crescimento de 4,1%, tem mantido sua representatividade relativa.
Outro destaque do Caderno é o Rio de Janeiro, único estado brasileiro com crescimento maior de planos de saúde no interior. Conforme os dados, 71,5% dos beneficiários de planos de saúde se concentram nas regiões de maior atividade econômica do país, como capitais e regiões metropolitanas. Dentre os estados compreendidos na pesquisa mensal do emprego do IBGE, o Rio de Janeiro é o único cujo interior ganhou proporcionalmente mais beneficiários de planos de saúde do que a região metropolitana (9,3% contra 4,5%). “Esta interiorização do mercado de saúde suplementar é fruto do desenvolvimento econômico no interior do estado. São destaques de crescimento no número de beneficiários as cidades do sul fluminense, como Barra Mansa (13,5%) e Volta Redonda (8,9%), pólos de indústria siderúrgica, e Macaé (13,1%), na região petrolífera”, afirma Luiz Augusto.  (CQCS)

Saúde suplementar: Mil novos segurados a cada dia
O aumento do poder de compra da população está se refletindo diretamente no segmento de saúde suplementar. É o que sinaliza a pesquisa mais recente divulgada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Segundo os dados apurados, entre junho e setembro do ano passado, cerca de 94 mil pessoas ingressaram nesse sistema. Isso significa mais de 30 mil novos segurados por mês ou aproximadamente mil a cada 24 horas.
O Caderno de Informação da Saúde Suplementar, divulgado pela ANS, indica que, em setembro de 2011, o número de beneficiários dos planos de saúde ultrapassou a marca de 47 milhões de segurados, um crescimento de 0,2% em relação ao trimestre anterior. “O número de beneficiários em planos coletivos continua crescendo a taxas acima da média do mercado, porém com diminuição de ritmo”, analisa o superintendente do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), Luiz Augusto Carneiro.
Segundo o IESS,  o decréscimo de 0,3% de beneficiários de planos médicos individuais, no 3º trimestre de 2011, reflete o momento econômico. No mesmo período, a renda média real da população ocupada teve variação muito próxima de zero, em relação ao 2º trimestre de 2011 (0,02%), reflexo da taxa de inflação, que compromete a renda disponível.
Os beneficiários de planos de saúde na faixa etária de 19 a 59 anos é a que mais cresce, 6,6% nos últimos 12 meses, impulsionada pelo crescimento dos planos coletivos empresariais.
A faixa etária de 0 até 18 anos tem perdido representatividade relativa, apesar do crescimento em número absoluto constatado recentemente pela ANS: 3,4% nos últimos 12 meses.  E a faixa a partir de 59 anos, com crescimento de 4,1%, tem mantido sua representatividade relativa.
Destaque do Caderno de Informação, o Rio de Janeiro é  único estado brasileiro com crescimento maior de planos de saúde no interior. Conforme os dados, 71,5% dos beneficiários de planos de saúde se concentram nas regiões de maior atividade econômica do país, como capitais e regiões metropolitanas.
Dentre os estados compreendidos na pesquisa mensal do emprego do IBGE, o Rio de Janeiro é o único cujo interior ganhou proporcionalmente mais beneficiários de planos de saúde do que a região metropolitana (9,3% contra 4,5%). “Essa interiorização do mercado de saúde suplementar é fruto do desenvolvimento econômico no interior do estado”, afirma Luiz Augusto.  (CQCS)

Reparação de cirurgias por planos
Tramita na Câmara o Projeto de Lei 2981/11, do deputado Francisco Praciano (PT-AM), que obriga as operadoras de planos de saúde a cobrir todos os procedimentos médicos necessários para reparar lesões decorrentes de cirurgias feitas pelo plano. Segundo o projeto, a cobertura será obrigatória mesmo que os procedimentos não estejam previstos no contrato do cliente.
De acordo com o deputado, a inspiração do projeto veio de um caso ocorrido no seu estado, em que uma pessoa ficou com lesões após uma cirurgia e o plano não aceitou custear os procedimentos reparadores, por estarem fora dos serviços contratados.
“A obrigação de reparação do dano causado é regra primária de direito. Entretanto, a ausência de previsão específica na legislação referente aos planos de saúde impede que ela seja feita automaticamente, obrigando o cidadão já prejudicado a procurar o Judiciário para ver atendido o seu direito”, disse Praciano.
A proposta altera a lei dos planos privados de saúde (9.656/98).
Tramitação
O projeto foi apensado ao PL 2934/04 e será analisado, em regime de prioridade, pelas comissões de Seguridade Social e Família; Finanças e Tributação; e Constituição e Justiça e de Cidadania. Depois, será votado no Plenário.  (Janary Júnior - Agência Câmara)

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