24.06 - Taxa de desemprego em SP fica estável
em maio
O desemprego parou de subir na Região Metropolitana de São
Paulo. Segundo dados da Fundação Seade e do Departamento
Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos
(Dieese), a taxa permaneceu estável no mês de maio, em 17,5%
da População Economicamente Ativa (PEA), interrompendo um
movimento de alta registrado desde fevereiro. Foi a menor taxa para um
mês de maio nos últimos três anos. Depois de registrar
17,5% em maio de 2001, a taxa ficou em 19,7% em 2002, 20,6% em 2003 e 19,7%
em 2004.
— A taxa de desemprego parou de crescer, mas ainda há muita
incerteza em relação ao futuro. O número de trabalhadores
sem carteira chegou a 46 mil e o de autônomos a 24 mil. Isso mostra
que estão sendo criados empregos precários — disse Clemente
Ganz Lúcio, diretor técnico do Dieese.
O número de desempregados foi estimado em 1,761 milhão
de pessoas, oito mil a mais do que em abril. Foram criadas 35 mil vagas,
número insuficiente para absorver as 43 mil pessoas que procuraram
emprego no período. A indústria abriu 40 mil vagas em maio,
o setor de serviços outros 19 mil postos, o comércio fechou
11 mil vagas, e outros setores, que incluem serviços domésticos
e construção civil, diminuíram 13 mil ocupações.
Entre março e abril os rendimentos médios dos trabalhadores
em geral e dos assalariados permaneceram estáveis, com ligeira alta
de 0,1% e 0,2%, respectivamente. Os rendimentos médios passaram
para R$ 1.024 e R$ 1.096. (Wagner Gomes - O Globo)
24.06 - Desemprego fica estável
O desemprego na Grande São Paulo interrompeu o movimento de
três altas consecutivas, iniciado em fevereiro, e permaneceu estável
em maio, ao atingir 17,5% da População Economicamente Ativa
(PEA) dos 39 municípios que compõem a região metropolitana.
O indicador é exatamente igual ao verificado em abril, mas está
bem abaixo dos 19,7% de maio do ano passado, segundo a Fundação
Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e o Departamento Intersindical
de Estatística e Estudos Socio-Econômicos (Dieese), responsáveis
pela elaboração da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED).
O número estimado de desempregados é de 1,76 milhão.
A pesquisa identificou que o número de desempregados teve ligeira
alta, de oito mil pessoas, provocada pelo ingresso de 43 mil pessoas no
mercado de trabalho e um saldo de criação de 35 mil postos.
Esse volume de empregos criados resultou em leve alta de 0,4% no nível
de ocupação na região, resultado de um aumento de
40 mil vagas na indústria e de 19 mil em serviços, além
da eliminação de 11 mil cargos no comércio e de 13
mil em outros setores, segmento que engloba construção civil
e serviços domésticos.
Os rendimentos médios de ocupados e assalariados mantiveram-se
"praticamente estáveis", segundo a pesquisa. (Jornal
de Brasília)
24.06 - Estabilidade não deve ser comemorada, diz Pastore
Para o especialista em relações do trabalho José
Pastore, a estabilidade do desemprego, apontada pelo Dieese, ainda não
é motivo para comemoração. Confira trechos da entrevista:
A estabilidade do desemprego pode ser uma retomada das contratações?
A estabilidade é melhor do que o aumento do desemprego, mas
o nível ainda está muito alto. Com a perspectiva de o País
crescer entre 3% e 3,5% neste ano, não vai conseguir gerar emprego
como em 2004, que já não foi uma coisa extraordinária.
Não é um dado definitivo para nos animarmos, infelizmente.
Qual a situação do mercado de trabalho hoje?
É preocupante. Temos 10% da população desempregada,
60% na informalidade e 2,5 milhões de ações trabalhistas
na Justiça. Isso forma um clima de confrontação, de
desgaste social e esgarçamento do próprio tecido social,
que redundam em problemas como a criminalidade, marginalidade e violência.
Qual a tendência do mercado?
Um encolhimento ainda maior do emprego industrial e uma expansão
do emprego em comércio e serviços. Também uma diminuição
do emprego na agropecuária, por força da inovação
tecnológica.
O que dificulta a contratação do trabalhador informal?
A maioria da informalidade está no setor rural, na construção
civil e nos pequenos serviços. A dificuldade são despesas
altas e burocracia intensa.
Como resolver a informalidade?
É preciso crescimento econômico, educação
de boa qualidade e legislação adequada. A legislação
é, hoje, inadequada, perversa, muito onerosa, burocrática
e afasta o empregador a contratar formalmente.
Há um achatamento salarial?
Não há dúvida. É preciso desenvolver mais,
crescer depressa, melhorar a educação e a legislação.
(Paulo Baraldi - O Estado de S.Paulo)
24.06 - Empresas têm dificuldade para contratar deficientes
Conscientes dos benefícios da política de responsabilidade
social, as empresas ainda estão se adaptando à contratação
de deficientes. Mas, apesar do interesse, esbarra-se na dificuldade de
qualificação de mão-de-obra e, principalmente, na
verificação da compatibilidade de cargos e tipos de deficiências.
Dados do censo demográfico de 2000, do Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE), revelam: no Brasil, 24,6 milhões
de pessoas vivem com dificuldades físicas, auditivas, visuais ou
mentais. Desse total, apenas 2,049% possui emprego formal com carteira
assinada. Visando a inserir essas pessoas no mercado de trabalho, a Lei
nº 8.213, de 1991, obriga as empresas com mais de 100 empregados a
preencher um percentual de seus cargos com beneficiários da Previdência
Social reabilitados ou com portadores de necessidades especiais.
A advogada Márcia Regina Pozelli Hernandez afirma que o maior
problema é o fato de que grande parte dos candidatos não
está capacitada nem treinada adequadamente para exercer funções
em fábricas e escritórios. "A expectativa gerada por essa
nova demanda acaba sendo frustrada, já que o mercado não
oferece opções suficientes para tal formação.
A flexibilização da lei deve ser discutida e alguns pontos
precisam ser reavaliados", avalia Márcia.
Legislação estabelece quantidade de vagas
De acordo com a advogada, segundo a lei, as empresas devem preencher
as vagas para deficientes na seguinte proporção: até
200 empregados, 2% das vagas; de 201 a 500 funcionários, 3%; de
501 a 1 mil, 4%; e mais de 1 mil, 5% das vagas.
Antes da contratação, o primeiro passo é fazer
um diagnóstico das necessidades da empresa, depois partir para a
verificação da compatibilidade de cargos e tipos de deficiências.
Para ter mais segurança no processo, o ideal é contratar
a consultoria de entidades como o Instituto Brasileiro de Defesa dos Direitos
da Pessoa Portadora de Deficiência (IBDD).
A análise das características arquitetônicas e
eventuais necessidades de adaptação é muito importante,
sem falar na preparação do ambiente empresarial, com palestras
de sensibilização sobre deficiência, cidadania, trabalho,
integração social, esportes, legislação, entre
outros temas.
Além disso, o IBDD acompanha a integração do funcionário
quanto às suas necessidades diárias e apóia a empresa
e seus empregados nas questões que possam surgir. Não menos
importante é o serviço de recrutamento e seleção.
O IBDD realiza triagem, seleção, dinâmica de grupo,
entrevista e encaminhamento.
A Rio de Janeiro Refrescos, uma das fabricantes de Coca-Cola no Brasil,
tem atualmente 19 portadores de deficiência atuando nas funções
de operador e auxiliar industrial, mecânico, secretário e
auxiliar de remessa. Para cumprir a lei, será preciso admitir mais
100 pessoas, de acordo com a gerente de gestão de pessoas, Renata
Henriques Mendes.
Parceria com senai ajuda na capacitação
- Estamos caminhando para isso, já estamos treinando mais doze
deficientes em parceria com o Senai para as funções de auxiliares
industrial e de pátio - resume Renata. Para a gerente, a principal
dificuldade de cumprir a lei é identificar em que áreas essas
pessoas podem trabalhar e que funções elas devem exercer.
Para isso, é preciso ajuda de instituições especializadas.
O IBDD está sendo o braço direito. A instituição
ajudou a definir que tipos de deficiência se adequam às duas
atividades para as quais a empresa disponibilizou as vagas. Podem trabalhar
deficientes com comprometimento leve da locomoção, que tenham
os membros superiores normais, não usem muletas, não tenham
variação na marcha e possuam simetria dos movimentos em relação
ao eixo central do corpo. Deficientes auditivos parciais e totais, amputados
do joelho para baixo - desde que usem próteses, e não muletas
- e deficientes mentais com comprometimento leve também estariam
aptos para o trabalho na fábrica de refrigerantes.
- É importante treinar os gestores, para que entendam as funções
dos subordinados com algum tipo de limitação. Eles precisam
conhecer as atividades que os deficientes vão realizar. As palestras,
comandadas pelo IBDD, vão começar em julho - avisa a gerente,
afirmando que, mais que respeitar a lei, a contratação dessas
pessoas é uma questão de cidadania. "A empresa passa a ser
vista de forma diferente. As pessoas começam a perceber que nos
preocupamos com a responsabilidade social. O próprio funcionário
se sente orgulhoso e por isso a produtividade tende a aumentar", acredita
Renata.
Unilever tem programa de iversidade há três anos
Na Unilever, o programa Diversidade - criado há três anos
e voltado para a inclusão social - tem como um dos objetivos contratar
pessoas com deficiência para os quadros da empresa. Cada área
tem a sua demanda e fica responsável pela admissão dos deficientes.
Segundo a gerente de Recursos Humanos da área de vendas, Eliana
Gialain, os admitidos no setor atuam na função de promotor
de merchandising, repondo os produtos da Unilever nas gôndolas dos
supermercados.
Em todo o Brasil, há 96 funcionários com esse perfil.
No total, o programa da Unilever - que tem 13 mil colaboradores - é
responsável pela contratação de 300 deficientes. Para
saber qual tipo de deficiência se encaixa melhor em cada atividade,
a empresa conta com a assessoria de uma ONG especializada. Além
da análise sobre a adaptação em postos de trabalho,
a entidade parceira ajuda na seleção.
- A atuação da ONG é fundamental, porque ela pesquisa
que funções aquela pessoa pode exercer e em que condições
deve trabalhar. Sem a ajuda deles, correríamos o risco de o deficiente
não se adaptar na função. Estamos cumprindo a lei,
sim, mas fazemos tudo com muita estrutura - comenta Eliana.
Ela lembra que os demais funcionários são orientados
sobre a maneira mais adequada de lidar com os colegas que apresentam necessidades
especiais. No caso dos repositores de gôndolas, contratam-se pessoas
com deficiência auditiva ou que tenham algum problema de mobilidade
nos membros inferiores ou superiores, desde que não utilizem cadeira
de rodas.
Para a gerente de RH, a principal vantagem de se contratar deficientes
é que a empresa revela à população a preocupação
com a inclusão e com a responsabilidade social. Internamente, diz
Eliana, os benefícios são enormes. "Passamos a viver em um
ambiente de trabalho muito mais tolerante."
Prática é antiga no Pão de Açúcar
A preocupação com a contratação de deficientes
existe muito antes da obrigatoriedade da Lei no Grupo Pão de Açúcar.
Júlia Georgief, gerente de RH da Sendas Distribuidora S/A - que
faz parte do grupo -, afirma que, apenas no Rio de Janeiro, onde a empresa
tem 15,5 mil funcionários, quase 5% das vagas já foram preenchidas
por pessoas que apresentam alguma necessidade especial. "A princípio,
nenhuma deficiência é descartada, a não ser problemas
mentais graves", diz.
Cadeirantes, deficientes auditivos e visuais, anões e pessoas
com defeitos físicos leves são regularmente contratados.
Nos supermercados da rede, os deficientes trabalham nas áreas de
atendimento ao cliente, empacotamento, reposição de produtos
nas gôndolas e caixa. "Mesmo querendo cumprir a lei, esbarramos em
algumas dificuldades", diz Júlia. Para ela, o principal benefício
é que os clientes vêem a empresa como socialmente responsável.
Mas há barreiras a transpor. Entre os empecilhos estão
a necessidade de adaptação das lojas para os usuários
de cadeiras de rodas. Aí entram construção de rampas
e adequação de espaços, o que acarreta em altos custos.
Treinar os demais funcionários para que possam lidar da melhor forma
possível com os deficientes também é uma questão
complicada.
- O recrutamento é difícil porque os próprios
deficientes não gostam de ser vistos como tal. Ficam reclusos, não
gostam de aparecer - comenta a gerente de RH, lembrando que, para amenizar
o problema, o ideal é contratar a assessoria de entidades especializadas.
(GUSTAVO MONTEIRO - Jornal do Commercio)
23.06 - País precisa mudar legislação trabalhista,
diz Pastore
Para o Brasil gerar mais emprego a economia precisa crescer acima das
taxas atuais, melhorar a educação e modernizar a legislação
trabalhista. A opinião é do professor da USP, José
Pastore, especialista em relações do trabalho e desenvolvimento
institucional.
Em sua avaliação, a modernização da legislação
também é uma grande prioridade. Conforme Pastore, existe
no País cerca de 47,5 milhões de pessoas na informalidade
sem nenhuma proteção, além de um universo de 10 milhões
de desempregados. "É uma massa gigantesca", disse ele.
O especialista deu duas sugestões para modernizar a legislação
para diminuir à informalidade e melhorar as condições
das pessoas que trabalham por conta própria. "No que tange aos empregados
foram apresentadas uma medida na espécie de um Simples trabalhista,
que traria menos despesas e menos burocracia", disse ele, que participou
ontem da reunião do Conselho Superior de Responsabilidade Social
(Consocial) da Federação das Indústrias do Estado
de São Paulo Federação das Indústrias do Estado
de São Paulo (Fiesp).
"No que tange aos que trabalham por conta própria foi apresentada
a idéia de criar um novo regime previdenciário também
com uma alíquota mais baixa. Além de criar um cartão
único de identificação para que todos os brasileiros
pudessem se vincular à Previdência Social e portanto terem
proteção", disse.
Segundo Pastore, a maior parte da informalidade do País está
no setor rural. Já na área urbana a construção
civil e os pequenos serviços têm a maior participação.
Não há condições de gerar tantas vagas,
diz Pastore
Com as perspectivas da economia brasileira de crescer este ano apenas
entre 3% e 3,5%, dificilmente o Brasil conseguirá gerar tantas vagas
de emprego "como gerou no ano passado". A avaliação é
do professor da USP, José Pastore, especialista em relações
do trabalho e desenvolvimento institucional. "No ano passado, a geração
de emprego também não foi uma coisa tão extraordinária",
disse.
Referindo-se à pesquisa do Dieese/Seade, que revelou hoje que
a taxa de desemprego na região metropolitana de São Paulo
permaneceu estável em 17,5% entre abril e maio, Pastore ressaltou
que a estabilidade ainda é melhor do que um aumento da taxa de desemprego.
"Mas o nível ainda é muito alto", analisou.
Pastore preferiu não fazer previsões sobre a retomada
do emprego este ano. "Não há condições para
se fazer previsão de crescimento de emprego com base nesses dados",
ponderou.
Segundo o especialista, a "MP do Bem", aprovada recentemente pelo presidente
Luiz Inácio Lula da Silva deve beneficiar o mercado de trabalho,
mas apenas no longo prazo. "Em longo prazo ela pode ter um efeito positivo
porque ela está começando a desonerar, aliviar tributos em
várias áreas e isso começa a estimular os investimentos",
disse.
Pastore participou hoje da reunião do Conselho Superior de Responsabilidade
Social (Consocial), coordenado pelo Instituo Roberto Simonsen (IRS) da
Federação das Indústrias do Estado de São Paulo
(Fiesp). O tema do encontro foi "Legislação Trabalhista,
Emprego e Renda: A Reforma Necessária". (Viviane Monteiro - InvestNews)
23.06 - Bancários vêem primeira disputa desde 1997
Pela primeira vez desde 1997, o comando do Sindicato dos Bancários
de São Paulo, Osasco e Região está sendo disputado
por duas chapas. A eleição para a presidência da entidade,
contudo, não está restrita à escolha do novo presidente
e à renovação da atual diretoria. A entrada da chapa
de Dirceu Travesso, da direção Nacional do PSTU, fez com
que o debate da oposição extrapolasse a esfera sindical e
centrasse fogo no governo Lula. A eleição teve início
na segunda-feira, dia 20, e termina hoje, às 18 horas.
A chapa da situação tem como líder o atual presidente
do sindicato, Luiz Cláudio Marcolino, da corrente petista Articulação.
Contam a favor do sindicalista a tradição da corrente à
frente do sindicato (desde 1979) e conquistas sociais e trabalhistas ao
longo dos últimos anos como a criação de uma cooperativa
de crédito e a ampliação do direito ao vale-alimentação
para bancários do setor público.
A campanha salarial do ano passado pode ser um ponto desfavorável
a Marcolino. Em 2004, após greve de 30 dias, os bancários
aceitaram um reajuste de 8,5%, bem abaixo dos 19% propostos pelo sindicato,
e uma participação nos lucros de 80% do salário mais
R$ 750, sendo que o pedido era de uma PLR de um salário mais R$
1,2 mil. A proposta dos empresários colocada na mesa antes da greve
foi praticamente a mesma aceita após dois meses de negociação.
A única mudança ocorreu na cesta-alimentação
extra, que foi de R$ 217 para R$ 700.
O cientista político e ex-bancário Sidney Jard acredita,
no entanto, que o resultado da campanha do ano passado terá pouca
influência na eleição. Ele lembra que 82% dos bancários
de São Paulo trabalham em bancos privados e valorizam quesitos como
eficiência e modernidade na atuação sindical. E a chapa
da situação explora justamente esses pontos, pois exalta
o investimento na qualificação dos bancários e o projeto
de financiamento habitacional, por exemplo. Há também uma
gráfica que junto com a mensalidade paga pelos filiados gera orçamento
anual de R$ 36 milhões.
Travesso tem um discurso que se afasta de propostas trabalhistas e
sociais e centra fogo no que chama de atuação "chapa branca"
por parte da direção atual. "O sindicato perdeu autonomia
e independência em relação ao governo Lula. Ele deixou
de representar a categoria, pois está mais preocupado em proteger
membros de um governo que conta com financiamento de banqueiros do que
defender nossos interesses", diz. (Raquel Salgado
- Valor Online)
23.06 - Empresas planejam aumentar investimentos em recursos humanos
O orçamento destinado para recursos humanos nos próximos
dois anos deve crescer, especialmente, no que engloba treinamento e desenvolvimento
de pessoas. Um sinal de que a área está começando,
de fato, a ser reconhecida como estratégica e digna de investimentos
mais consistentes em prol da expansão dos negócios.
Esta é a opinião do gerente senior da área de
gestão de capital humano da Deloitte, Fábio Mandarano, que
coordenou uma pesquisa sobre tendências em recursos humanos para
a consultoria. Mais da metade (54%) das 127 empresas de médio e
grande portes (com faturamento entre R$ 16 milhões e R$ 70 milhões)
ouvidas em São Paulo, Rio de Janeiro e região Sul, afirmaram
que irão aumentar seus investimentos em RH nos próximos dois
anos.
Para 81% das companhias analisadas, investir no desenvolvimento de
recursos humanos é considerada uma forma de manter ou fazer crescer
seus negócios em 2005. "A empresas que investem nisso estão
pensando em rever processos e acelerar o seu desenvolvimento organizacional",
diz Mandarano.
Segundo o levantamento, os departamentos de recursos humanos pesquisados
parecem estar em sintonia com essas mudanças. Para 54% deles a prioridade
de suas ações este ano tem sido ajudar a promover mudanças
organizacionais, seguido pela tentativa de melhorar a capacitação
da mão-de-obra com treinamento e desenvolvimento (50%) e pela revisão
ou melhora do modelo de gestão de pessoas (41%). "Cabe ao RH verificar
se as pessoas na organização estão preparadas para
essas transformações ou prepara-las para isso", diz o consultor.
Essas mudanças, segundo Mandarano, passam pelo estabelecimento
de planos de carreira, desenvolvimento de competências e na inclusão
da remuneração variável. Nesse quesito, 25% das empresas
pesquisadas consideram a avaliação de habilidades e competências
no momento da definição dessas políticas.
(Stela Campos - Valor Online)
23.06 - Em busca de capital humano
Nestes primeiros anos do novo milênio, passados os solavancos
provocados pelas reestruturações, fusões, aquisições,
trocas de mão-de-obra por tecnologias e com a estrada pavimentada
pelas crescentes exportações de produtos nacionais – alimentos,
bebidas, couros, têxteis, sucos, calçados e vestuário
–, a indústria brasileira de bens de consumo busca avidamente capitais
humanos de alta qualidade para suas necessidades presentes e futuras.
As empresas mais conscientes de que tais carências podem afetar
a sustentação do crescimento acelerado do setor têm
bastante claro que a gestão do capital humano, numa perspectiva
temporal de longo prazo, é tão crítica para o êxito
empresarial quanto dispor de fundos a custos competitivos, tecnologia avançada
e clientes satisfeitos.
Gente bem qualificada e motivada é um ativo cuja importância
é cada vez mais óbvia para os que investem na indústria
de bens de consumo e fator decisivo para se obter níveis de desempenho
diferenciado. O capital humano ao qual nos referimos precisa ter as capacitações
necessárias para competir, liderar e cumprir as expectativas de
um mercado hoje cada vez mais exigente. Naturalmente, as empresas líderes
do setor já perceberam isso, e algumas conhecem suas prioridades
para a gestão de pessoas num mercado em disputa globalizada. Ao
que tudo indica pelo ritmo de investimento, os que tardarem em dar-se conta
disso ficarão irremediavelmente para trás.
A ênfase em capital humano pode ser explicada em parte pela acelerada
geração de novas tecnologias e conhecimentos e pelas transformações
vividas pela indústria de bens de consumo em todo o mundo. A administração
de tais conhecimentos em contínuo desenvolvimento é e continuará
a ser importante diferencial competitivo.
A indústria de bens de consumo, assim como outros setores altamente
competitivos, já superou há muito tempo o foco nos processos
e nas transações. Hoje o setor se caracteriza, sim, por processos
industriais complexos, alto investimento em pesquisa e desenvolvimento,
mas é sobretudo em suas estratégias mercadológicas
e de distribuição que encontramos os avanços mais
notáveis.
Nessas empresas, aos profissionais estão sendo requeridos altos
níveis de qualificação em mercadologia e produtos,
vivência global, criatividade e sofisticação técnica.
O tipo de ambiente e decisões que enfrentam todos os dias exige
segurança e tirocínio para analisar e decidir sobre conjuntos
complexos de informações de natureza variada e mutável.
Tais decisões requerem conhecimentos e também coragem, pois
envolvem, com freqüência, o futuro da própria empresa.
São decisões sobre alianças empresariais, parcerias
estratégicas, novas tendências de consumo e preferências
do consumidor, análise de riscos e mercados globais.
O contexto descrito tem deixado os profissionais de recursos humanos
de cabelo em pé. Apesar de todo o esforço e investimento
no desenvolvimento interno do talento e do conhecimento, eles têm
recorrido crescentemente ao mercado em busca de profissionais altamente
qualificados para trazer novos conhecimentos especializados. É exigido
de tais talentos que tragam em seu acervo vivencial a exposição
a processos de transformação empresarial e que possuam alta
capacitação analítica e estratégica e visão
global.
A otimização do uso do talento humano na indústria
brasileira de bens de consumo tem requerido maior parceria entre empresas
e universidades. O desenvolvimento do setor tem sido uma importante mola
propulsora de seu contínuo crescimento e aceleração.
A rapidez da mudança no setor cria oportunidades para os que quiserem
acompanhar o novo ritmo. (Jornal do Brasil
- I. Ropero Ramirez, Vice-presidente executivo e sócio da Fesa Global
Recruiters)
23.06 - Os mais velhos ganharão espaço
A REGIÃO Metropolitana de Belo Horizonte, a exemplo de todo
o Brasil, sofre com a abertura de vagas insuficientes no mercado de trabalho,
ainda sob os efeitos de muitos anos de desempenho econômico abaixo
do esperado e necessário a um país da extensão territorial,
densidade demográfica e importância brasileira no concerto
das nações. O festejado avanço do Produto Interno
Bruto (PIB) registrado no ano passado não passa de uma leve recuperação,
que pode tornar-se significativa à medida que se transforme em indicativo
para um futuro de continuidade no âmbito do desenvolvimento, em vez
de uma ocorrência fortuita.
UMA DAS características principais do mercado de trabalho é
o enorme leque de dificuldades imposto aos trabalhadores jovens que buscam
o primeiro emprego e, também, aos que passaram dos quarenta anos
e, muitas vezes, devido ao preconceito dos recrutadores de mão-de-obra,
são alijados de praticamente todos os processos de seleção.
O EQUÍVOCO da orientação empresarial é
evidente tanto no caso dos jovens que não conseguem acesso ao primeiro
emprego e, assim, jamais adquirirão a experiência exigida
pelas empresas para preenchimento das vagas oferecidas, quanto em relação
à mão-de-obra mais experiente, que é descartada, apesar
de as expectativas sinalizarem para uma iminente mudança demográfica
com o aumento da longevidade, acompanhada por queda de natalidade e a conseqüente
necessidade de aproveitamento dos mais velhos pelo mercado de trabalho,
que hoje, inutilmente, procuram emprego e são barrados no item idade.
A CULTURA discriminatória aos trabalhadores com idade acima
dos quarenta anos está com os dias contados e, por isso, seria aconselhável
que os empresários brasileiros colocassem em prática, desde
já, medidas que abrissem caminho para a nova realidade que está
por se materializar nos horizontes socioeconômicos, caso a economia
brasileira atinja índice de crescimento mais amplo, duradouro e
sustentável.
PESQUISADORES afirmam que, até 2010, quase um entre três
trabalhadores terá pelo menos 50 anos de idade, criando um panorama
em que o estoque de trabalhadores substitutos não será grande
o suficiente para preencher as vagas disponíveis, exigindo então
a absorção de mão-de-obra de mais idade, que na maioria
das vezes não é apenas fonte de competência como também
pode mostrar aos mais jovens como fazer e executar melhor suas incumbências
profissionais. (Diário da Tarde)
23.06 - Responsabilidade social - considerações
O tema da "responsabilidade social" das empresas tem sido bastante
discutido no Brasil nos últimos anos, fazendo parte das preocupações
dos empresários, que o incluem nas suas estratégias de gestão
como elemento importante a ser considerado.
Embora existam muitas definições do que seja a "responsabilidade
social da empresa", é preciso cautela para que se possa ter clareza
da função principal, que compete à atividade empresarial
no contexto da economia de mercado.
Cabe à empresa ser eficiente na produção, comercialização
ou prestação de serviços, oferecendo qualidade e preço
compatíveis, atendendo aos desejos ou às necessidades de
seus clientes, dispensando tratamento adequado aos seus funcionários
e fornecedores, respeitando a legislação e o meio ambiente,
recolhendo os tributos devidos e propiciando remuneração
ao seu proprietário ou aos acionistas. Crescer, oferecendo novos
empregos; inovar, lançando produtos e serviços que melhorem
a vida dos cidadãos; exportar, trazendo divisas para o país;
enfim, promover o desenvolvimento, pois são funções
que somente a empresa pode realizar.
A responsabilidade maior de oferecer serviços públicos,
como educação, saúde, segurança, infra-estrutura,
etc., é do Estado, com base nos recursos que arrecada da sociedade
pela tributação. Mas a complexidade da economia num mercado
globalizado exige esforço por parte de todos os atores econômicos,
entre os quais se destacam as empresas, que contribuem para a solução
dos graves problemas sociais do País, especialmente tendo em vista
que as carências que atingem uma expressiva parcela da população
brasileira são muito acentuadas e exigem ações abrangentes
e urgentes que excedem a capacidade dos governos de realizá-las
em curto e médio prazos. É preciso, porém, que não
se transforme a "responsabilidade social da empresa" num modismo, em estratégia
de marketing destituída de conteúdo ou numa atuação
destinada a projetar seus dirigentes na mídia, o que pode comprometer
a sobrevivência da empresa. Da mesma forma, preocupa a tendência
de alguns grupos que pretendem transformar a "responsabilidade social"
das empresas em obrigação legal, por meio de regulamentação
das atividades empresariais nesse campo, o que pode inibir a criatividade
empresarial, aumentar custos administrativos e prejudicar a competitividade
dos produtos nacionais. Qualquer medida compulsória, que implique
novos custos, pode levar ao mais grave dos problemas sociais que é
o desemprego.
Michael Novak, professor do American Enterprise Institute, chama a
atenção para as "responsabilidades morais" das empresas,
afirmando que o capitalismo democrático não é apenas
"um sistema de livre empresa. Ele não sobrevive sem as virtudes
e os valores sobre os quais repousa sua existência". Por isso precisamos
demonstrar que, como empresários, somos responsáveis e que
a livre iniciativa é o melhor caminho para a geração
de empregos e para o desenvolvimento econômico e social.
A "responsabilidade social" deve decorrer da visão da empresa,
refletida em sua missão, considerada em sua estrutura, integrada
em seus valores e princípios e envolvendo todos os colaboradores.
Representa uma conduta natural em que a ética, a transparência
e o compromisso com todos os seus públicos de interesse e com a
comunidade são compatibilizados com a busca do objetivo empresarial
de lucro, eficiência, geração de emprego e de renda.
A experiência demonstra que as ações resultantes
da "responsabilidade social" agregam valor aos ativos e à imagem
das empresas, representando um investimento de alto retorno na medida em
que, cada vez mais, os consumidores levam em conta esse parâmetro
nas suas decisões de compras. No mercado globalizado, no qual a
concorrência é extremamente acirrada, a transparência
e a conduta ética das empresas podem representar o diferencial socialmente
responsável.
Embora as grandes empresas disponham de melhores condições
para praticar políticas mais estruturadas, a responsabilidade social
deve ser exercida também pelas pequenas e microempresas, pois não
depende de tamanho, mas, sim, de determinação.
(Guilherme Afif Domingos - O Estado de S.Paulo)
22.06 - A liderança nas empresas
O mundo necessita de líderes para solucionar problemas e criar
melhores condições de vida futura para as pessoas. Entretanto,
há grande desencantamento com as atitudes de certos líderes,
especialmente na política, onde muitos, depois de eleitos, mudam
de atitude e até de ideologia.
Nas empresas também vemos presidentes em posições
de grande poder, com remunerações elevadas. Suas realizações,
no entanto, são pífias e sequer contemplam parcialmente o
que deles se esperava. Diante desse quadro, concluímos que a maneira
como estamos forjando nossos líderes não está resultando
em pessoas comprometidas com os objetivos e metas.
A complexidade e a volatilidade das novas regras do mercado globalizado
têm demonstrado a carência de líderes. Até o
final do século XX assumia-se que os executivos deveriam ser preparados
para gerenciar as empresas. Warren Bennis (1996), depois de estudar a vida
profissional de 90 executivos de empresas listadas na revista Fortune 500,
faz clara distinção entre gerenciar - que é fazer
a coisa corretamente - e liderar – que é fazer a coisa certa. Ambas
são funções importantíssimas e muito diferentes.
Temos grande quantidade de gerentes excepcionalmente talentosos, porém
poucos estão aptos a exercer a liderança. Na 9ª edição
do livro "O Líder do Futuro", da Peter Drucker Foundation, Editora
Futura (2002), encontramos no texto de James Bolt considerações
baseadas em sua experiência de 16 anos como responsável pela
educação executiva na IBM. Ele propõe os seguintes
métodos para combinar competência e caráter, imprescindíveis
para se exercer a liderança:
1. Educação executiva interna por meio da identificação
das falhas do treinamento, em geral voltado para áreas técnicas
e profissionais. Educar, diferentemente de treinar, é mudar a maneira
de pensar, criar novas formas de refletir, analisar e decidir.
2. Programas educacionais externos para desenvolver conceitos que envolvem
a lideranças como: liderar em um mercado globalizado, construir
e conduzir uma organização voltada para o cliente, liderança
pela qualidade total, desenvolver uma organização inovadora
e criativa, voltada ao aprendizado e pensamento estratégico. Estes
programas deverão incluir estudos das teorias clássicas e
contemporâneas sobre liderança, envolver os funcionários
com o empowerment (delegação de poderes) e, finalmente, desenvolver
a visão, objetivos, valores, metas, prioridades pessoais, compreensão
da natureza das ciências, artes e os aspectos humanos.
3.Planejamento da sucessão examinando aspectos como melhorias
contínuas na formação dos executivos a partir do sistema
de recrutamento e seleção e preenchendo lacunas, preparando-os
para futuros cargos de liderança.
Seguindo essas orientações, estaremos colaborando para
geração de líderes do futuro.
(Gazeta Mercantil - João B. Sundfeld, Economista, mestre em educação
e consultor da Sundfeld & Associados - Gestão Empresarial.)
22.06 - Funcionários realizam terceiro dia de paralisação
na Volks
Os funcionários da Volkswagen de São Bernardo, no ABC
paulista, realizaram ontem o terceiro dia de paralisação
na empresa. O objetivo do protesto é forçar a empresa a contratar
450 novos trabalhadores.
Segundo o sindicato, os funcionários da ferramentaria interromperam
suas atividades hoje por quatro horas. Ontem, a paralisação
atingiu os trabalhadores das áreas de logística e montagem
final. Na sexta, pararam os funcionários da logística.
A parada de ontem faz parte da estratégia aprovada em assembléia
na quinta-feira passada, que prevê a realização de
um ato surpresa por dia.
Em nota oficial, a empresa informou que diversas transformações
foram realizadas na fábrica de São Bernardo.
"Em decorrência destas mudanças, a fábrica vem
consolidando a ocupação de sua capacidade produtiva tendo,
entretanto, utilizado o recurso da Semana Volkswagen (34 horas semanais
em vez das 40 regulares) em pelo menos dois dos seis meses deste ano, para
ajuste dos volumes de produção", diz nota da empresa.
Segundo a Volks, "o quadro de empregados tem se revelado adequado ao
atendimento desses volumes de produção, razão pela
qual a Volkswagen não compartilha do entendimento do sindicato e
da representação interna de empregados quanto à necessidade
de novas contratações".
Mesmo assim, a empresa informa que irá se empenhar para "garantir
a normalidade das operações e atividades da fábrica,
a integridade de seu patrimônio e a tranqüilidade de seus empregados".
(Folha Online)
22.06 - Bancário vai às urnas escolher presidente
Começou segunda-feira e termina nesta quinta-feira a eleição
que vai definir a nova diretoria dos bancários de São Paulo
e Osasco. Em todo o estado, são 106 mil trabalhadores, mas segundo
a Comissão Eleitoral, apenas 43.484 deles têm direito a voto,
que não é obrigatório. O sindicato dos bancários
é um dos cinco maiores do país e é filiado à
CUT. Desta vez, duas chapas participam do pleito. Na última eleição,
realizada em 2002, apenas uma participou do processo eleitoral.
A chapa 1 (da situação) é encabeçada pelo
atual presidente da entidade, Luiz Claudio Marcolino, que votou nesta segunda-feira
no começo da tarde.
O sindicalista Dirceu Travesso, o Didi, que é candidato à
presidência pela chapa 2 (da oposição), vota nesta
terça-feira.
A data de apuração ainda não está definida
e o eleito ficará no comando do sindicato até 2008.
A diretoria é formada por 88 sindicalistas divididos em diretoria
executiva, conselho fiscal e conselho de diretores. A diretoria executiva
tem 12 integrantes, sendo um presidente e 11 secretários. São
190 urnas - 57 fixas nas concentrações (maiores locais de
trabalho) dos bancos e 133 volantes - que recolherão os votos em
cerca de 3 mil locais de trabalho.
A eleição dos bancários deveria ter sido realizada
semana passada. Mas uma liminar (decisão provisória) impetrada
na 78ª Vara do Trabalho pelo sindicalista Didi impediu o início
da votação. Ele contestava os diferentes números de
eleitores com direito a voto informados pelo sindicato. A juíza
Erotilde Ribeiro dos Santos Minharro considerou a contestação
justa, mas revogou a liminar no dia seguinte, depois que os advogados do
sindicato apresentaram a listagem com as informações exigidas.
(Flávia Mangini - Diário de S.Paulo)