21.06 - Decreto regulariza ministério
Um decreto presidencial publicado no "Diário Oficial" da União
regulariza a situação do Ministério da Previdência
Social. Isso foi necessário porque a medida provisória que
criava a Superintendência Nacional de Previdência Complementar
(Previc), editada no final do ano passado, caiu nesta semana. O decreto
dá uma nova estrutura ao ministério e nomeia para a Secretaria
de Previdência Complementar (SPC) os diretores que atuavam na Previc.
O decreto presidencial 5.469 foi publicado na sexta-feira em uma edição
extra do "Diário Oficial" com a data de quinta-feira. Adacir dos
Reis foi nomeado secretário da SPC. Ele era o diretor-superintendente
da extinta Previc. Na verdade, ele retorna ao cargo que exercia até
o início do ano - a superintendência foi criada para substituir
a SPC.
A SPC deverá "propor as diretrizes básicas para o gabinete
para o regime da previdência complementar operado pelas entidades
fechadas de previdência complementar" e "supervisionar, fiscalizar,
coordenar, orientar e controlar as atividades relacionadas ao regime de
previdência complementar operado pelas entidades fechadas de previdência
complementar", de acordo com o decreto.
Além disso, é papel da secretaria determinar investigações,
apurar e julgar infrações cometidas pelos fundos de pensão.
Mesmo com a nova estrutura no ministério, a queda da MP 233 antecipou
o prazo para que os integrantes dos fundos optem pela tributação
conforme uma tabela do Imposto de Renda progressiva ou regressivo.
(Jornal do Commercio)
21.06 - Previ vai destinar R$ 350 milhões a fundos de participação
em empresas
A Previ, fundação de previdência do Banco do Brasil,
quer colocar em sua carteira setores em que ainda não investiu e
que também são pouco representados em bolsa. Esse será
um dos critérios de escolha para novos investimentos que o fundo
vai fazer em fundos de participação ("private equity"), para
os quais vai destinar R$ 350 milhões. "São setores como biotecnologia,
serviços, medicina e até varejo", disse o diretor de investimentos
do fundo de pensão, Luiz Aguiar. A avaliação é
de que a aplicação via fundos dilui riscos com outros investidores.
De acordo com o diretor, a consultoria McKinsey fez um estudo que apontou
A Previ como o maior investidor do setor de mineração e siderurgia,
no qual o fundo já aplicou mais de R$ 15 bilhões, sendo a
maior parte na Companhia Vale do Rio Doce - a maior participação
da carteira. Ao contrário dos demais fundos de pensão, a
Previ possui uma fatia maior da carteira em renda variável. Dos
cerca de R$ 70 bilhões, 59% estão alocados em ações
e participações.
Segundo Aguiar, até agora, o fundo vem batendo as metas atuariais
no segmento de renda fixa, mas não no de renda variável,
em função das turbulências do mercado de ações.
Ele adiantou, no entanto, que este ano, o resultado do fundo pode ser positivo,
mas possivelmente não mostrará o mesmo fôlego de 2004
- quando obteve superávit de R$ 5,71 bilhões. "De dois em
dois anos as participações em bloco são reavaliadas
e, no ano passado isso ocorreu com a Vale, o que trouxe grande impacto
positivo no rentabilidade", explicou. Este ano, serão reavaliadas
participações no setor de energia, como Neoenergia e CPFL.
Outra carteira que vem apresentando rentabilidade menor que a desejada
é a de imóveis. No ano passado, o segmento foi o único
que não superou a meta atuarial. De acordo com o presidente da Previ,
Sergio Rosa, a estratégia tem sido a de vender imóveis pequenos
da carteira e redirecionar o dinheiro obtido para a renda fixa, que aumentou
de 28% para 31% do total de investimentos. Ainda no segmento de imóveis,
a Previ está estudando a participar de empreendimentos em shoppings,
que têm sido um dos mais rentáveis da carteira de imóveis.
"Ainda estamos estudando os projetos para ver se são atrativos",
afirmou Aguiar.
A Previ está fazendo também estudos para atualizar alguns
parâmetros das premissas atuariais do fundo, mas segundo Rosa, ainda
não há valores nem prazo definido. (Catherine Vieira
- Valor Online)
21.06 - Fundos: Preço gera impasse em negociações
pela Brasil Telecom
As conversas entre a Telecom Italia e o Citigroup continuam, mas a
discussão sobre o preço gerou impasse no processo de venda
da participação que o banco americano tem no controle da
Brasil Telecom (BrT).
Segundo fontes da operadora italiana, o acordo que o Citigroup fez
para vender as ações da BrT junto com os fundos de pensão
alterou o patamar das negociações. O documento, cuja existência
foi revelada no início deste mês, estabelece que as fundações
comprarão a parcela do Citi na BrT por R$ 1 bilhão caso não
consiga se desfazer dela até novembro de 2007.
"O contrato mostrou o valor mínimo pelo qual o Citi está
disposto a vender as ações", observa uma fonte que acompanha
o processo.
Também coloca pressão sobre a Telecom Italia o fato de
que há mais interessados na BrT. As concessionárias Telemar
e Telefônica observam a movimentação à distância,
mas atentamente. Se uma delas entrar na disputa, a outra avança
também, segundo fontes graduadas das duas operadoras.
Um dos entraves à compra da BrT por alguma das concessionárias
é regulatório. Porém, mesmo que haja brecha na legislação
para permitir o negócio, esses interlocutores afirmam que o alto
preço pelo controle é outro obstáculo.
Analistas calculam em cerca de US$ 700 milhões o gasto que o
comprador da BrT terá para pagar o "tag along". O mecanismo, previsto
na legislação societária, dá aos minoritários
o direito de vender ações ordinárias por 80% do valor
pago pelo bloco de controle.
O debate sobre o pagamento aos minoritários também contribuiu
para travar as conversas entre a Telecom Italia, de um lado, e o Citi e
as fundações, de outro.
No fim de abril, os italianos firmaram acordo (hoje suspenso pela Justiça)
para adquirir por ? 290 milhões a fatia do Opportunity na BrT. Isso
significa mais de R$ 70 por ação com direito a voto. O Citigroup
alega que esse valor representa 80% do que a Telecom Italia teria de pagar
por suas ações, que são de controle, já que
Daniel Dantas é minoritário na operadora.
Não é consenso se a Telecom Italia terá de pagar
o "tag along" se adquirir as participações do Citigroup e
dos fundos de pensão, pois o grupo europeu já é um
dos principais acionistas da BrT. No entanto, o mecanismo vale para qualquer
outro interessado.
Esse fator tem afastado potenciais compradores, como a Portugal Telecom.
Há outros, porém, como a British Telecom. Chegou a circular
o rumor de que a Vodafone também estaria interessada na BrT. Porém,
o ativo que a operadora avalia no Brasil são as licenças
de celular de terceira geração.
A Telecom Italia é a compradora natural da Brasil Telecom. Porém,
caso não se chegue a um acordo quanto ao preço e não
apareça outra proposta, os fundos de pensão vão administrar
a operadora, diz o presidente da Previ, Sérgio Rosa.
Na sexta-feira, ele falou pela primeira vez sobre o imbróglio
desde que os fundos firmaram acordo de acionistas com o Citigroup para
compartilhar a gestão da companhia. "A possibilidades maior, mais
natural, é que se realize a venda envolvendo a Telecom Italia",
diz Rosa, reconhecendo que o custo para outros interessados seria maior.
Segundo ele, a prioridade dos fundos no momento é voltar a exercer
os direitos na BrT. "Paralelamente, existe a negociação com
a Telecom Italia, que pode comprar e assumir como acionista majoritária,
ou não comprar e nós assumirmos como sócios", diz.
"A prioridade é vender nossa participação, mas tem
que haver conforto na oferta de preço. Se não encontrarmos
oferta que seja justa, temos condições de continuar na empresa,
tocar a administração, valorizar e depois vender", acrescenta.
Rosa diz que o acordo com o banco americano, incluindo a opção
de compra dos ativos, foi feito para que os fundos não ficassem
em desvantagem. "Esse contrato foi assinado para avaliar a liquidez dos
fundos brasileiros, que não tinham 'tag along' assegurado. Na estrutura
antiga, a posição dos fundos não tinha liquidez e
o acordo gerou uma tremenda valorização da nossa participação",
diz Rosa. Ele deu entrevista durante encontro anual de conselheiros da
Previ, em Sauípe, na Bahia.
Em reunião paralela entre os conselheiros do fundo que atuam
no setor de telecomunicações, foi traçado um histórico
da disputa societária na BrT.
Segundo os dados apresentados, o Opportunity tentava fechar a compra
da fatia do Citi na BrT antes do acordo entre os fundos e o banco americano.
Esse teria sido outro fator que tornou essencial, para as fundações,
fechar o acordo, sob pena de ficar definitivamente minoritárias.
Para Rosa, o preço da opção de compra feita com
o Citi não é alto. "Acabamos de ver uma transação
entre a Telecom Italia e o Opportunity em que eles pagaram um preço
muito elevado por ações que não são do controle."
(Catherine Vieira, Heloisa Magalhães e Talita Moreira - Valor Online)
21.06 - Iapuc promove evento sobre fundos de pensão
O Instituto de Gestão de Riscos Financeiros e Atuariais da PUC-Rio
(Iapuc) realiza na próxima sexta-feira, 24, o seminário “Uma
reflexão sobre o direito à informação dos participantes
dos fundos de pensão”. Kaizô Beltrão, do IBGE, será
o palestrante. O evento acontecerá no auditório Amex do IAG
– 3º andar, prédio novo do IAG no Campus da PUC-Rio. Haverá
um café-da-manhã, às 8h30, seguido da palestra, às
9h. (Fenaseg)
21.06 - Banco Santos: Falência anima credores
Pedido do BC é bem recebido, pois perdas podem ser reduzidas
com a nova lei
A decisão tomada pelo Banco Central (BC), na sexta-feira, de
requerer na Justiça a falência do Banco Santos foi comemorada
ontem pelos credores. "Estamos felizes porque isso significa que vamos
recuperar alguma coisa", afirmou Eduardo Farhat, diretor de Recuperação
de Empresas da KPMG e representante de um dos comitês de credores
da instituição.
A KPMG, Abrapp, Euroinvest e ABBI representam 75% do universo de credores
que, juntos, têm a receber R$ 1,7 bilhão da instituição
financeira. O Banco Santos está em processo de liquidação
desde o início de maio.
Segundo Farhat, não há outra alternativa para o Banco
Santos. "Não é possível reestruturá-lo." Como
a falência foi requerida na sexta-feira, já dentro dentro
da vigência da nova Lei de Falências, explicou o diretor da
KPMG, as regras são mais favoráveis aos credores.
A lei permite que a venda dos ativos do banco seja feita de forma mais
eficiente, sem a contaminação de passivos trabalhistas, tributários
e cíveis, que englobam outros tipos de processos movidos contra
a instituição. "Isso melhora o valor de recuperação
e reduz as perdas. Se a falência fosse requerida na vigência
da lei antiga, não haveria essa possibilidade. " Farhat disse que
o requerimento da falência do Banco Santos era uma reivindicação
antiga dos credores.
Além de a nova Lei de Falência reduzir a contaminação
dos ativos pelos passivos (dívidas e obrigações),
ela permite mais agilidade no andamento do processo. Na legislação
antiga , há casos em que todo o processo de decretação
da falência chegava a durar um ano. Isso porque havia o risco do
processo cair nas mãos de um juiz comum. Já com a nova lei,
as varas são especializadas em falências.
Do ponto de vista criminal, Farhat, observou que a nova Lei de Falências
piora a situação do dono do Banco Santos, Edemar Cid Ferreira,
porque a possibilidade de que ele seja condenado pelos crimes cometidos
aumenta, diante do maior prazo de prescrição.
Apesar de ter sido comemorada pelo credores, a decisão do Banco
Central deverá reacender a discussão entre especialistas
sobre a aplicabilidade da nova Lei de Falências para instituições
financeiras. Isso porque o Artigo 2.º da nova Lei de Falências
diz que as novas regras não se aplicam às instituições
desse setor. No entanto, o Artigo 197 da mesma lei relata que, enquanto
não for aprovada uma legislação específica,
a nova Lei de Falências é aplicável a bancos e seguradoras.
"Isso significa que enquanto não existir outra regra regendo o sistema
financeiro, vale a que está em vigor", observou Farhart.
(Márcia De Chiara - O Estado de S.Paulo
20.06 - Fundos de pensão pedem a reedição da MP
233
A Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência
Complementar (Abrapp) defende a edição de uma nova medida
provisória para resolver os problemas criados com a não votação
no Senado da MP 233, na última terça-feira. Com isso, ficou
nula a criação da Superintendência de Previdência
Complementar (Previc), e reduziu-se o prazo para a opção
dos participantes pelo regime tributário a ser aplicado aos planos.
Segundo o presidente da Abrapp, Fernando Pimentel, a entidade está
reunindo forças para resolver o imbróglio tributário
que se criou. "Ao nosso lado estão todas as entidades do mercado,
agora é preciso uma resposta rápida do governo. Defendemos
a edição de uma nova medida provisória", disse ele.
A associação avalia que os 6 milhões de participantes
dos fundos de pensão poderão ser os grandes prejudicados
pela não votação da MP. "Foi realmente uma pena essa
contaminação política, porque esse é um assunto
técnico, sem qualquer coloração partidária",
afirmou Pimentel.
Na avaliação da Associação Nacional dos
Participantes de Fundos de Pensão (Anapar), a Receita Federal não
tem sistemas criados para computar as opções dos participantes
de fundos de previdência pelos dois regimes de tributação
(progressivo ou regressivo) em apenas 15 dias. Por isso, algum mecanismo
de adiamento precisará ser criado. "Até onde temos notícia,
a Receita estava se programando para receber os dados em dezembro e por
isso não há um sistema preparado para um prazo tão
curto", disse José Ricardo Sasserron, presidente da Anapar.
"Já tínhamos questionamento sobre a própria solução
que foi criada, com as tabelas regressiva e progressiva, e agora essa questão
do prazo é inviável, é impossível tomar uma
decisão tão complicada em tão pouco tempo", completou
Sasseron.
Segundo ele, os fundos já pagaram uma taxa de fiscalização
para a Previc, de cerca de R$ 9 milhões, que terá de ser
devolvida. Anteontem, o governo recriou a Secretaria de Previdência
Complementar (SPC), que tinha sido substituída pela Previc.
(Valor Online)
20.06 - Regime Tributário: Cenário de não aprovação
da MP 233
No tratamento dos temas atuais da previdência complementar, abordar
os aspectos relacionados às mudanças que estão em
curso e a decisão dos participantes sobre o regime tributário
é um grande desafio para aqueles que têm a responsabilidade
de prestar esclarecimentos sobre os aspectos mais relevantes deste novo
cenário.
Temos certeza que você já deve ter estruturado a forma
de abordagem destes assuntos junto aos seus participantes. Porém,
a sexta-feira da próxima semana será uma excelente oportunidade
para estar com outras entidades conversando sobre as experiências
que estão sendo adotadas, quais estratégias adicionais que
poderão ser praticadas na implantação ou reforço
das informações para os participantes e o que informar dentro
deste cenário de não aprovação da MP 233.
Se você julgar interessante, esteja conosco no dia 24 de junho,
inaugurando o Espaço AssPreviSite no Rio de Janeiro, no horário
das 10 às 13 horas. A reunião será no Salão
Ouro do Hotel Novo Mundo, Praia do Flamengo, 20.
Para apresentar os principais aspectos deste cenário já
estão confirmados: Wagner Pinheiro, Presidente da PETROS e do ICSS,
Edécio Ribeiro Brasil, Diretor de Seguridade da VALIA, Felinto Sernache,
TOWERS PERRIN, e Fábio Augusto Junqueira, MARTINELLI Advogados.
O evento é voltado a todos os envolvidos no desafio de levar
os melhores esclarecimentos sobre este novo cenário para as entidades
de previdência complementar. A participação conta com
uma taxa de adesão de R$ 100,00 e os interessados podem fazer reservas
pelo telefone (11) 5579.1562 ou pelo email encontro@assprevisite.com.br
Dados do evento
Tributação para participantes: Como informar e orientar
24 de junho de 2005 - das 10:00 às 13:00
Salão Ouro – Hotel Novo Mundo – Praia do Flamengo, 20 - Rio
de Janeiro – RJ (AssPreviSite)
20.06 - Opção somente para o longo prazo
Nos fundos de aposentadoria complementar, as vantagens dos incentivos
fiscais se ampliam no decorrer dos anos
Os fundos de previdência complementar devem ser vistos como estratégia
de investimento de longo prazo, avalia o diretor de Marketing da Icatu
Hartford, Bertrand Douet. Daí por que, antes de fazer a opção
por um fundo de previdência, o investidor deve definir o período
em que pretende manter os recursos aplicados. `O ideal é que o prazo
de investimento fique acima de quatro anos.` Quanto mais elástico
for esse prazo, maior proveito o investidor poderá tirar dos incentivos
fiscais concedidos pela legislação, considerados benefícios
adicionais por Douet.
Osvaldo Nascimento, presidente da Associação Nacional
da Previdência Privada (Anapp) e diretor-executivo da Itaú
Vida e Previdência, diz que, para o longo prazo, não existe
melhor investimento que os fundos de previdência complementar. `Não
tenho dúvida disso.`
Nascimento aponta os benefícios fiscais como o principal apelo
da previdência privada em comparação com as demais
aplicações. Ele explica que, no Plano Gerador de Benefícios
Livres (PGBL), o investidor pode abater até o equivalente a 12%
de sua renda bruta na declaração de ajuste anual do Imposto
de Renda. `Essa parcela correspondente a 12% da renda anual do participante
nunca será tributada. O imposto será pago apenas no resgate
ou no recebimento do benefício mensal, após o período
de acumulação de recursos.`
O critério é diferente no plano Vida Gerador de Benefícios
Livres (VGBL), em que a tributação alcança apenas
os rendimentos obtidos com a aplicação dos recursos. Nascimento
lembra também que tanto o PGBL como o VGBL estão livres do
come-cotas, os descontos semestrais de IR que ocorrem nos demais fundos
de investimento. `Ao longo dos anos, a rentabilidade obtida sobre esses
recursos proporciona uma grande diferença em relação
aos fundos tradicionais.`
Édson Franco, diretor da Real Previdência, associada ao
Grupo Tókio Marine, cita como vantagem da previdência privada
a flexibilidade alcançada pelos planos ao longo dos últimos
anos. `Atualmente, os produtos estão bastante diversificados.`
De acordo com Franco, em linhas gerais os fundos de previdência
podem ser classificados em soberano, composto e agressivo. O soberano é
conservador, com a carteira formada apenas por títulos públicos
federais. O composto mantém títulos públicos e privados
e até 20% dos recursos podem ser aplicados em renda variável.
Os agressivos podem aplicar até 49% em renda variável. Franco
ressalta ainda que o fundo de previdência não serve apenas
para garantir a complementação da aposentadoria. `Ele pode
ser usado para garantir a educação do filho, a compra de
um imóvel e até para a realização de uma viagem.`
DECRESCENTES
O Senado derrubou na terça-feira a Medida Provisória
n.º 233, que, entre outros pontos, prorrogava para 30 de dezembro
o prazo para que os participantes de planos de aposentadoria complementar
optassem pelo novo regime de alíquotas decrescentes para o recolhimento
do Imposto de Renda. Agora, o Congresso terá de votar em 60 dias
um decreto legislativo regulamentando os dispositivos legais que estavam
previstos na MP 233.
O diretor da Superintendência de Seguros Privados, João
Marcelo Máximo Ricardo dos Santos, explica que, com a derrubada
da MP, volta a prevalecer o prazo previsto na legislação
anterior. Pela Lei n.º 11.053, que regulamentou os planos privados
e está em vigor desde 1.º de janeiro, o participante tem até
1.º de julho para fazer a opção. Segundo Santos, se
o participante fizer a migração até essa data, o prazo
de acumulação de recursos para a aplicação
das alíquotas decrescentes retroagirá a 1.º de janeiro.
Para quem deixar para fazer a migração depois de 2 de julho,
o prazo de acumulação será contado a partir da data
de opção.
De acordo com a Lei n.º 11.053, desde 1.º de janeiro os planos
de previdência estão sujeitos a novas regras de tributação.
No regime tributário progressivo, os benefícios mensais de
até R$ 1.164 são isentos de IR; para valores até R$
2.326, a alíquota é de 15%; e acima desse valor o porcentual
sobe para 27,5%. Em resgate durante a fase de acumulação,
é cobrado 15% de antecipação de IR. O acerto final
é feito na declaração de ajuste anual. No caso dos
planos com tabela decrescente, a alíquota de IR começa em
35%, até dois anos de contribuição, e cai cinco pontos
porcentuais a cada dois anos, até atingir 10% a partir do décimo
ano.
Convém, portanto, que o participante avalie bem seus objetivos
antes de fazer a opção pelo regime tributário. Se
sua meta for a obtenção de uma renda mensal inferior à
faixa de isenção da tabela de IR, deverá permanecer
no regime de tabela progressiva. Caso a intenção seja o recebimento
de valores superiores à faixa de isenção de IR e permanecer
nos planos por prazos acima de quatro anos, a opção pelo
regime de alíquotas decrescentes será mais vantajosa (ver
tabela). `Quanto maior o prazo e a expectativa de renda, mais vale a pena
fazer a migração para o novo regime de tributação`,
comenta Franco, da Real Vida e Previdência.
Para o gerente da SulAmérica Seguros, André Lapponi,
se a previsão for de resgate de uma única vez, o prazo de
acumulação sempre prevalecerá. `Nesse caso, a tabela
decrescente será mais favorável a partir do quarto ano, quando
a alíquota de IR será de 25%.` (Paulo Pinheiro
- O Estado de S.Paulo/SK)
20.06 - MP favorece quem aplica em planos de previdência
A "blindagem" das reservas dos planos de previdência privada
aberta - que dá mais proteção aos participantes -
foi o principal ponto para o mercado de seguros e de previdência
privada aberta abordado pela "MP do Bem". "Era uma questão que vinha
sendo discutida e que foi incluída por serem as entidades de previdência
formadoras de poupança de longo prazo", disse Osvaldo do Nascimento,
presidente da Associação Nacional das Empresas de Previdência
Aberta (Anapp).
A MP permite que os participantes dos planos sejam cotistas, tal como
acontece com os fundos de investimento. "As cotas dos fundos que abrigam
os recursos dos planos PGBL e VGBL eram da seguradora. Com a modificação,
o titular do plano ou da empresa, no caso de planos coletivos, passa a
ser o cotista. Assim, fica protegido no caso de insolvência das empresas",
explicou José Rubens Alonso, consultor da KPMG. Ou seja, pode até
transferir suas cotas para outro gestor.
Participante poderá ter direito às contribuições
feitas pela empresa, depois de carência. A MP, que precisa ser aprovada
pelo Congresso e depois regulamentada pela Comissão de Valores Mobiliários
(CVM), Banco Central e Superintendência de Seguros Privados (Susep),
viabilizará as regras de "vesting" nos planos empresariais, onde
o participante passa a ter direito às contribuições
feitas pelas empresas depois de uma carência, pois cria uma nova
estrutura para os fundos, afirmou Nascimento.
Outro ponto que deverá ser tratado na regulamentação
futura é a portabilidade dos recursos dos fundos atuais para os
novos planos. "Não ficou claro como será a operacionalização
do previsto no artigo 56, especialmente se poderá existir incidência
de CPMF", disse Alonso, da KPMG.
Uma novidade importante da "MP do Bem" para o setor de previdência
é a possibilidade de o participante adquirir imóvel entregando
suas cotas do fundo em garantia ao empréstimo. "Isso faz com que
ele não mais precise resgatar seu saldo do plano caso queira adquirir
um imóvel", comentou Alonso. "E consiga obter taxas de financiamento
mais baixas por ter uma garantia financeira", acrescentou Nascimento.
Um ponto que ficou faltando na MP e que também está na
pauta de discussão da Anapp foi a possibilidade de os participantes
de fundos de previdência aberta poderem pedir empréstimos
às seguradoras em caso de dificuldades financeiras temporárias.
"Esse é um outro ponto que pode ajudar a reduzir o volume de saques
nos planos de previdência, beneficiando os contribuintes, pois ao
sacar os recursos há perdas das vantagens tributárias", explicou
Nascimento.
Segundo o presidente da Anapp, a não-aprovação
da MP 233, onde se previa a prorrogação do prazo de escolha
de regime tributário para os planos PGBL e VGBL de julho para dezembro,
não é um problema sem solução. Os clientes
terão de optar até o dia 30 deste mês se querem permanecer
no regime progressivo de tributação de 27,5% de imposto de
renda ou optar pela tabela regressiva, onde o imposto de renda vai de 35%
nos dois primeiros anos até 10% para aplicações com
mais de dez anos.
"Estamos, por meio da Susep, tentando conseguir uma medida em caráter
urgente urgentíssimo para a prorrogação. Mas, se não
der, o participante do plano que não tiver se decidido até
30 de junho poderá resolver no futuro, pois os dois tipos de planos
estarão sendo comercializados.
Os clientes que não se pronunciarem, automaticamente permanecerão
na tabela progressiva de tributação de IR. Os que quiserem
mudar para a tabela regressiva posteriormente não terão o
impacto da 233, onde o prazo de migração passa a contar a
partir de janeiro de 2005 e sim do dia da decisão", disse Nascimento.
(Gazeta Mercantil - Denise Bueno)
17.06 - Jucá recria Secretaria de Previdência Complementar
O ministro da Previdência Social, Romero Jucá, recriou
a Secretaria de Previdência Complementar (SPC) para evitar que os
fundos de pensão fiquem sem um órgão regulador. A
decisão foi devido a expiração do prazo para que o
Senado aprovasse a medida provisória que criava a Superintendência
de Previdência Complementar (Previc), que deveria ter sido votada
até ontem.
“Foi uma derrota do povo brasileiro e não do governo”, disse
Jucá, ressaltando que a manobra da oposição para deixar
que o prazo expirasse teve um cunho exclusivamente político. A Previc
foi criada por meio de medida provisória cujo prazo para apreciação
pelo Senado para ser homologada expirou ontem. Com isso, a Superintendência
deixou de existir. Os partidos de oposição deixaram propositalmente
que o prazo expirasse como forma de pressionar o governo a desistir de
ocupar a presidência e relatoria da Comissão Parlamentar de
Inquérito (CPI) que vai apurar as irregularidades nos Correios.
Jucá afirmou que as razões apresentadas pela oposição
para que a MP da Previc não fosse apreciada não correspondem
à realidade. Jucá explicou que não haveria aumento
da carga tributária com a cobrança da taxa de fiscalização.
Segundo ele, essa taxa é paga atualmente por todos os brasileiros
e o que o governo pretendia era que essa fiscalização fosse
custeada pelos participantes dos fundos.
Romero Jucá disse ainda que os cargos criados para a Previc,
que a oposição vinha contestando, eram necessários
para que o órgão pudesse desempenhar suas funções,
principalmente a fiscalização dos fundos. O ministro disse
que a remuneração do quadro técnico da Superintendência
estava nos níveis iniciais de remuneração do setor
público e permaneceria nesses valores até que fosse realizado
concurso público para preenchimento das funções.
Jucá disse ainda que, por enquanto, os novos participantes de
fundos de pensão, que ingressaram a partir de 1 de janeiro deste
ano, terão até o próximo dia 30 deste mês para
optar pelas novas faixas de tributação. No texto da medida
provisória havia uma reformulação da Lei 11.053, permitindo
que essa opção fosse feita até dezembro. “Essas pessoas
serão prejudicadas mas vamos discutir também essa questão
e ver o que é possível ser feito”, disse Jucá. (Mauricio
Athayde - AgPrev)
17.06 - Governo ainda estuda saída para o fim do prazo da MP
O governo terá que decidir nos próximos dias o que fazer
após a queda da Medida Provisória 233, cujo projeto de conversão
adiava até dezembro o prazo para que participantes de fundos de
pensão e planos de previdência complementar escolhessem o
regime de tributação sobre benefícios e valores resgatados.
Quarta-feira, Ministério da Previdência e Palácio do
Planalto ainda estudavam a situação.
O Congresso terá que aprovar um decreto legislativo para validar
o período em que a MP 233 vigorou, de 31 de dezembro de 2004 até
14 de junho de 2005. A MP, que perdeu a eficácia por decurso de
prazo, é a mesma que tinha criado a Superintendência Nacional
de Previdência Complementar (Previc), autarquia que passou a fiscalizar
os fundos de pensão no lugar da Secretaria de Previdência
Complementar (SPC). Conforme o ministro, Romero Jucá, se sua proposta
for aceita pelo presidente Lula para facilitar um entendimento com a oposição,
o governo recriará a Previc como agência reguladora, cujos
dirigentes teriam mandato e passariam pelo Senado. Falta definir se será
feito por MP ou por projeto de lei.
Se depender do ministro, mesmo sendo legalmente possível, a
MP da Previc não será reeditada. Em vez disso, o governo
encaminharia ao Congresso um projeto de lei, com pedido de tramitação
em regime de urgência. O problema é que não há
mais tempo hábil para aprovação de um projeto até
1º de julho, quando vence o prazo de opção pelo regime
tributário.
"Isso vai ficar prejudicado", reconheceu Jucá. Ao não
votar o projeto de conversão da MP 233 antes que ela perdesse a
eficácia, na noite de terça, senadores frustraram a expectativa
de prorrogação do prazo até 31 de dezembro. Conforme
o senador Aloizio Mercadante (PT/SP), líder do governo no Senado,
a previdência privada contava com esse tempo para fazer campanhas
de esclarecimento, de forma que cada um pudesse escolher o regime tributário.
Fruto de conversão de outra MP, a Lei 11.053, de dezembro de
2004, permite aos participantes de planos de previdência migrar para
um novo regime. Nele, a alíquota do Imposto de Renda sobre o valor
resgatado ou benefício regride conforme o prazo de acumulação
dos recursos, indo de 35% (até dois anos) a 10% (mais de dez anos).
Em tese, o governo poderia baixar, antes do início de julho,
uma MP só sobre o prazo de escolha do regime tributário,
deixando a recriação da Previc para um projeto de lei. Romero
Jucá não gosta da idéia de outra MP, diante das reclamações
do Congresso sobre o uso excessivo desse instrumento. Ele esclareceu, por
outro lado, que isso ainda não é uma decisão.
Se o governo decidir reeditar a MP, as alterações aprovadas
pela Câmara dos Deputados - a principal é que trata do regime
tributário - serão encampadas. Enquanto a decisão
não sai, a estrutura de fiscalização sobre os fundos
de pensão volta à situação anterior, apenas
com a SPC. (Mônica Izaguirre, colaborou Henrique Gomes Batista -
Valor Online)
17.06 - Fundos: Citi e fundos assumem holding da Brasil Telecom
O Citigroup e os fundos de pensão deram na quarta-feira um passo
decisivo para tirar o Opportunity do comando da Brasil Telecom (BrT). Em
assembléia, os acionistas conseguiram mudar todo o conselho de administração
do Opportunity Zain, holding que está no topo da estrutura societária
da operadora.
Há três meses, o Citigroup destituiu o Opportunity da
gestão do fundo CVC estrangeiro, que participa do bloco de controle
da BrT. O mesmo já havia sido feito em outubro de 2003 pelos fundos
de pensão, cotistas do antigo CVC local.
Em assembléia que durou quatro horas e só pôde
ser realizada depois da suspensão de uma liminar, os principais
acionistas da BrT comemoraram a troca do conselho do Zain, antes dominado
por representantes indicados pelo Opportunity, de Daniel Dantas.
Também foram decididas as mudanças de sede e nome da
holding. Agora, o Opportunity Zain passa a se chamar Zain Participações
S.A. A sede foi alterada de Brasília para o Rio de Janeiro.
O Citi e os fundos tiraram do Zain os três conselheiros anteriores,
dos quais dois eram ligados ao Opportunity. O conselho foi ampliado para
quatro integrantes. Dois foram apontados pelos fundos - Ricardo Knoepfelmacher,
novo presidente do conselho, e Sérgio Brasil. Outros dois são
advogados do Citigroup - Kevin Altit, vice-presidente, e Sérgio
Spinelli.
"É uma vitória significativa", disse o novo presidente
do conselho, à saída da assembléia. "Pela primeira
vez, os donos de fato conseguiram chegar à administração
da empresa que lhes pertence", acrescentou Knoepfelmacher. Ele também
é o principal executivo da Angra Partners, gestora do CVC nacional,
que reúne os fundos de pensão - entre eles, Previ, Funcef,
Petros e Valia.
"Os controladores finalmente tomaram posse do Zain", completou Spinelli.
Ambos ressaltaram que a mudança poderia ter acontecido em março,
caso o Opportunity não tivesse colocado resistência em deixar
a gestão da holding. Para Spinelli, no entanto, "ainda é
muito cedo" para falar em troca da diretoria da Brasil Telecom, incluindo
a presidente Carla Cico. "Vamos tratar do assunto com todo o cuidado que
ele merece", reforçou Knoepfelmacher.
Segundo ele, todo o processo de destituição do Opportunity
da cadeia societária da BrT pode levar cinco meses. Esse prazo,
entretanto, não leva em conta a concessão de liminares judiciais
que atrasam o processo. O Opportunity tem oito dias para atender aos pedidos
dos acionistas que pedem a realização de assembléias
com o objetivo de mudar os conselhos. Se não houver um aval do banco
carioca, os próprios acionistas podem tomar a iniciativa de marcar
assembléias em 14 dias. Ou seja, são no mínimo 22
dias, na hipótese mais otimista, para mudar a gestão de cada
etapa da estrutura societária.
A assembléia de ontem transcorreu em clima mais ameno e tranqüilo
do que a última. "Foi civilizado", afirmou uma fonte que participou
da reunião. Entretanto, foram mais de duas horas apenas para redigir
a ata final. No mês passado, o Citigroup e os fundos já haviam
convocado uma assembléia do Zain, que foi marcada por confusão.
Porém, na ocasião, o Opportunity conseguiu se manter na empresa.
O resultado foi posteriormente derrubado por liminar do Superior Tribunal
de Justiça (STJ).
A assembléia da Invitel, próxima etapa da cadeia societária
da BrT, foi marcada para o dia 23.
O Citi e os fundos de pensão pretendem assumir o controle da
BrT para depois vendê-lo. O candidato mais forte à compra
é a Telecom Italia, que já é acionista empresa.
Anteontem, o Citigroup enviou documento à Anatel avaliando que
os italianos têm 18 meses, contados de abril deste ano, para resolver
a sobreposição de licenças de telefonia móvel
com a BrT. Essa sobreposição impede que o grupo europeu retome
plenamente o direito de voto na companhia.
A posição do Citi contrasta com o entendimento de outras
partes envolvidas - entre elas, o Opportunity - de que o prazo vence em
julho deste ano. Os 18 meses foram estipulados pela Anatel em janeiro de
2004. Porém, no entendimento do Citi, só passaram a valer
quando a Telecom Italia comprou as ações do Opportunity na
BrT. (Daniel Rittner - Valor Online)
16.06 - Crise política causa extinção de órgão
de fiscalização de fundos de pensão
Com a polêmica em torno da CPI dos Correios, o governo sofreu
na terça-feira a noite uma derrota no Senado que derrubou a medida
provisória (MP) criando a Superintendência Nacional de Previdência
Complementar (Previc). Na terça-feira vencia o prazo de 120 dias
para aprovação ou não da MP, sendo impossível
mais um adiamento. O órgão fiscaliza os fundos de pensão
e já estava quase todo montado. Além disso, a MP esticava
para dezembro o prazo para que os atuais 6,5 milhões de participantes
dos fundos decidissem aderir ao novo regime de cobrança de Imposto
de Renda (IR) sobre as aplicações previdenciárias.
Agora, eles terão apenas 15 dias para fazê-lo.
— Sem a MP, teremos 60 dias para editar um decreto legislativo para
definir a validade ou não das medidas que a Previc já tomou
— disse o líder do governo no Senado, Aloísio Mercadante
(PT-SP), acrescentando que o Brasil tem 960 planos de previdência
fechada, com patrimônio de R$ 290 bilhões.
Na MP, o governo estabeleceu dois sistemas para cobrar o IR dos participantes
de fundos de pensão. O objetivo era incentivar as aplicações
de longo prazo das entidades com redução de tributos. Segundo
Mercadante, se não houver um decreto legislativo, as decisões
já tomadas continuam sendo válidas legalmente. Outro ponto
importante era a cobrança de uma taxa de fiscalização
de 0,008% sobre a patrimônio de cada plano de um fundo. Os partidos
de oposição argumentaram que se tratava de aumento da carga
tributária.
— É falso esse argumento porque a taxa seria cobrada dos fundos,
não tendo criação de novo imposto — afirmou Mercadante.
Oposição defende criação de agência
para o setor
A derrota do governo ocorreu devido à negociação
para a indicação do presidente e do relator da CPI dos Correios.
O PFL e o PSDB adotaram uma estratégia de esticar ao máximo
as discussões, que duraram cinco horas e meia, para pressionar o
governo. A votação começou às 21h30. Nos debates,
os oposicionistas apelaram para argumentos como a necessidade de criar
uma agência e não uma superintendência. Os senadores
do PFL e do PSDB se retiraram da votação em plenário,
e o governo só conseguiu a presença de 29 do mínimo
necessário de 41 parlamentares.
— Estas são as conseqüências da turbulência
política. Também é o risco de mandar uma MP de matéria
importante — disse o líder do PFL no Senado, José Agripino
Maia (RN).
Mercadante disse que agora o governo decidirá qual o caminho
para criar o novo órgão de fiscalização dos
fundos de pensão. O mais provável será o envio de
um projeto de lei, com o pedido de urgência urgentíssima,
o que tornaria prioridade a proposta no Congresso. Uma das polêmicas
do debates foi a criação de 545 cargos comissionados para
Previc. Segundo Mercadante, boa parte dos futuros fiscais seria transferida
da Receita Federal. Com isso, não haveria inchaço de máquina
pública como alegaram os partidos de oposição.
(Enio Vieira - O Globo)
16.06 - Jucá recria Secretaria de Previdência Complementar
O ministro da Previdência Social, Romero Jucá, recriou
a Secretaria de Previdência Complementar (SPC) para evitar que os
fundos de pensão fiquem sem um órgão regulador. A
decisão foi devido a expiração do prazo para que o
Senado aprovasse a medida provisória que criava a Superintendência
de Previdência Complementar (Previc), que deveria ter sido votada
até ontem.
“Foi uma derrota do povo brasileiro e não do governo”, disse
Jucá, ressaltando que a manobra da oposição para deixar
que o prazo expirasse teve um cunho exclusivamente político. A Previc
foi criada por meio de medida provisória cujo prazo para apreciação
pelo Senado para ser homologada expirou ontem. Com isso, a Superintendência
deixou de existir. Os partidos de oposição deixaram propositalmente
que o prazo expirasse como forma de pressionar o governo a desistir de
ocupar a presidência e relatoria da Comissão Parlamentar de
Inquérito (CPI) que vai apurar as irregularidades nos Correios.
Jucá afirmou que as razões apresentadas pela oposição
para que a MP da Previc não fosse apreciada não correspondem
à realidade. Jucá explicou que não haveria aumento
da carga tributária com a cobrança da taxa de fiscalização.
Segundo ele, essa taxa é paga atualmente por todos os brasileiros
e o que o governo pretendia era que essa fiscalização fosse
custeada pelos participantes dos fundos.
Romero Jucá disse ainda que os cargos criados para a Previc,
que a oposição vinha contestando, eram necessários
para que o órgão pudesse desempenhar suas funções,
principalmente a fiscalização dos fundos. O ministro disse
que a remuneração do quadro técnico da Superintendência
estava nos níveis iniciais de remuneração do setor
público e permaneceria nesses valores até que fosse realizado
concurso público para preenchimento das funções.
Jucá disse ainda que, por enquanto, os novos participantes de
fundos de pensão, que ingressaram a partir de 1 de janeiro deste
ano, terão até o próximo dia 30 deste mês para
optar pelas novas faixas de tributação. No texto da medida
provisória havia uma reformulação da Lei 11.053, permitindo
que essa opção fosse feita até dezembro. “Essas pessoas
serão prejudicadas mas vamos discutir também essa questão
e ver o que é possível ser feito”, disse Jucá. (Mauricio
Athayde - AgPrev)
16.06 - Fundações querem 'porta de saída' via Bolsa
Os fundos de pensão querem que o Novo Mercado, da Bolsa de Valores
de São Paulo (Bovespa), seja a principal porta de saída para
os investimentos em infra-estrutura e outros feitos por meio de fundos
de participações. Em seminário ontem, no Rio, sobre
o investimento dos fundos nas Parcerias Público Privadas (PPPs),
o diretor de investimentos da Petros (fundo de pensão dos petroleiros),
Ricardo Malavazi, apresentou os vários formatos possíveis
de investimento e defendeu o Novo Mercado como a melhor porta de saída.
"Sou um entusiasta da Bovespa, as regras já estão todas
estabelecidas e acordadas pelos agentes do mercado", disse Malavazi. "A
idéia é colocar nos contratos já esse compromisso
de, em determinado ponto, começar a trabalhar regras de governança
e programar a abertura de capital no Novo Mercado. Com isso, não
seria preciso necessariamente buscar um investidor estratégico para
vender a participação, isso poderia ser feito por meio da
oferta na bolsa", completou ele, acrescentando que a Petros já está
começando a adotar essa postura em alguns de seus investimentos
de longo prazo.
O diretor da Petros participou de painel junto com o presidente da
Previ (fundo de pensão do Banco do Brasil) e dos diretores da Funcef
(da Caixa Econômica Federal) e da Valia (da Vale do Rio Doce). Ele
citou ainda a CCR como um exemplo de viabilidade do modelo que os fundos
poderiam adotar. "É uma companhia de concessões que abriu
capital no Novo Mercado há alguns anos."
Malavazi ressaltou que muitos dos investimentos em infra-estrutura
deverão ser feitos com concessões, mais do que por PPPs,
de acordo com as informações até agora disponíveis.
Ele mostrou que os investimentos poderiam ser feitos via a compra direta
de ações de Sociedades de Propósito Específico
ou por meio debêntures, recebíveis e fundos de "private equity".
Todos os diretores de fundos que estavam palestrando demonstraram apetite
por fundos de participações. Outra visão defendida
por eles é a necessidade de alongamento das carteiras. Segundo Manoel
Cordeiro, da Valia, os fundos são grandes investidores e devem se
preparar com antecedência para a queda da taxa de juro que, segundo
ele, pode começar, quem sabe, esta semana.
"É preciso tomar cuidado com a armadilha do juro de curto prazo,
pois na hora em que as taxas virarem, será difícil se adequar",
disse Cordeiro, acrescentando que é preferível buscar ganhos
sustentáveis. Malavazi, da Petros, concorda com a necessidade de
alongamento, mas não acredita em queda do juro já.
(Catherine Vieira - Valor Online)