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24.06 - Luz no fim do túnel
Depois de ouvir o então presidente da instituição Ricardo Gribel garantir pessoalmente a solidez do banco e os ambiciosos planos de expansão a caminho do varejo, o analista Carlos Eduardo de Araújo não teve dúvidas: resgatou de um fundo do Bradesco os R$ 42 mil que guardava para comprar um apartamento e aplicou no fundo Virtual do Banco Santos. Um mês depois, Araújo viu seus recursos virarem pó com a intervenção do Banco Central (BC) no Santos.
Araújo é um dos 2,8 mil cotistas dos 27 fundos do banco que se reuniram nas três últimas semanas para votar uma série de mudanças nas carteiras. As assembléias de ontem do Credit Master e do Credit Yield, que estão entre os mais problemáticos, encerram essa maratona de reuniões. Nelas, os cotistas votaram a entrada da Mellon DTVM como administradora e da BES Ativos Financeiros - Besaf - como gestora dos fundos; o Banco Itaú como custodiante; e a volta da PriceWaterHouseCoopers como auditora das carteiras.
A mudança nos critérios de resgate do que for recuperado também fez parte da pauta. Na maioria das carteiras, a idéia é de que os saques sejam feitos sob o critério de amortização mensal, segundo o qual os recursos que eventualmente entrarem nas carteiras podem ser resgatados uma vez por mês. O sistema anterior, escolhido durante a intervenção, previa esperar um nível de recebimentos para fazer os resgates. A Besaf se comprometeu ainda a realizar uma reunião por mês com os cotistas, além de oferecer um 0800 para tirar dúvidas (0800-7707779) e um conference call mensal pelos próximos três meses. Os cotistas procurados pelo Valor se mostram satisfeitos com o tratamento do novo gestor.
"Os executivos foram profissionais e atenciosos, nos dando todo tipo de esclarecimento", diz Elizabeth Ambrosi, que representa a sogra, aplicadora do Virtual. Elizabeth lembra que os executivos conheciam todos os trâmites de uma assembléia, diferente do BC. "Na reunião de janeiro, o interventor Vânio Aguiar sequer sabia que uma assembléia tem de ter um presidente." O tom de revolta que marcou as primeiras assembléias em janeiro foi substituído pela esperança de que ao menos parte dos ativos será recuperada.
A perda, porém, traumatizou Araújo, que hoje confia apenas em bancos de grande porte, de preferência estrangeiros. Com relação à investimentos, sua visão não é muito diferente. "Acho que hoje colocaria tudo na poupança."
O prejuízo de Araújo poderia ter sido ainda maior. Junto com o seu dinheiro, ele pensava também en resgatar do Bradesco os R$ 50 mil da mãe que ele administra e aplicar no Credit Yield. "Hoje estaríamos os dois sem um tostão", diz. Araújo conheceu o Santos em março de 2004, quando foi contratado pela eFinancial - uma consultoria de informática do banco -, para trabalhar dentro da própria instituição. Ele presenciou alguns cortes de pessoal, o que levantava a possibilidade do banco estar em dificuldades. "Mas, com tantas obras em andamento, o máximo que pensávamos é que o banco passava por um enxugamento para provavelmente depois ser vendido." A partir de setembro do mesmo ano, segundo Araújo, o banco impôs para todos os funcionários a abertura de conta corrente e incentivava a migração das aplicações para o Santos.
Foi em setembro, dois meses antes da intervenção, que houve o café da manhã com todos os funcionários para mostrar o crescimento do banco e as metas rumo ao varejo. "Sala luxuosa, telão para exibir os comerciais de TV e uma mensagem do próprio dono (Edemar Cid Ferreira)", diz. "A garota propaganda estava presente e o presidente (Ricardo Gribel) mostrou a maquete da nova sede da asset do banco, falou de todos os planos ambiciosos, de que ter agência era coisa do passado e que o rendimento do banco acima da média vinha exatamente pelo fato de não ter agências e fez questão de ressaltar como eram rentáveis e seguros os fundos da casa", lembra Araújo. "Tudo muito sedutor até para o mais desconfiado", conclui ele.
Assim como Araújo, outras pessoas físicas colocaram suas economias nos fundos do Santos. No caso da sogra de Elizabeth, por exemplo, a rentabilidade mensal dos R$ 130 mil aplicados no Virtual era usada para pagar as contas do dia-a-dia. Elizabeth lembra do caso de uma senhora que aplicava no Santos as economias para comprar um aparelho para surdez para o marido. "Há muitas histórias tristes por trás da quebra do banco e que nem assim sensibilizam o BC e a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) que tratam do assunto com total descaso", diz Elizabeth.
Dois meses antes da intervenção, o presidente Ricardo Gribel reuniu os funcionários para falar dos planos de expansão  
Os R$ 130 mil que o arquiteto desempregado Gyorgy Troyko aplicou no Master e no Yield serviriam para montar uma distribuidora de chocolates. O empreendimento foi por água abaixo. Troyko, que se recupera de um infarto recente, colocou a casa à venda para devolver aos amigos o dinheiro que emprestaram e que hoje é usado para pagar contas. Assim como Elizabeth e a maioria dos cotistas ouvidos pelo Valor, ele se revolta com relação à postura do BC e da CVM no caso. "Qualquer país precisa de poupança interna para crescer e por isso ela é sagrada, isso só não acontece no Brasil", diz.
Nos maiores fundos, a recuperação dos ativos causa polêmica. O Credit Yield reúne cerca de 700 cotistas e teve praticamente 100% da carteira de mais de R$ 500 milhões provisionada. O fundo é formado basicamente de Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), Cédulas de Produto Rural (CPRs), operações de box e swaps, além de CDBs do Santos. Outro fundo problemático é o Santos Virtual. Com mais de mil cotistas - boa parte pequenos investidores, funcionários do próprio banco - o FAC tinha 60% da carteira aplicada no Yield e 40% no Plus.
Alguns investidores afirmam que têm recebido propostas de compras de suas cotas. É o caso de Carlos Eduardo de Lima, um consultor em pesquisa de mercado de 38 anos que aplicou suas economias de dez anos - cerca de R$ 300 mil - no Credit Yield. Segundo ele, um advogado de uma empresa devedora do fundo o procurou para comprar suas cotas com deságio - o que seria uma forma de compensar na prática o débito com o fundo. "Fiquei preocupado e não sentei para discutir valores, achei melhor esperar a assembléia para ter mais detalhes sobre quem está devendo ao fundo e quais são os valores", explicou.
Lima conta que, como em grande parte dos casos, a sugestão de investir no fundo foi dada pela mulher de um conhecido que trabalhava no Santos. A aplicação foi em junho, cinco meses antes da intervenção. Como lição, Lima diz que aprendeu que "investimentos devem ser só em imóveis ou dólar", que era o que pensava em fazer antes de aplicar no Santos. Ele, que não tinha esperança de recuperar nem parte do dinheiro, depois da assembléia do Yield, ontem à tarde, acredita que é possível reaver entre 30% e 40% da aplicação.
Apurados os votos que podem ratificar a Mellon DTVM como administradora e a Besaf como gestora da maior parte dos fundos, os esforços agora são de entregar aos cotistas as informações acerca da composição das carteiras, a lista de devedores dos fundos e a posição de cada investidor. A intenção, disse o diretor da Besaf, Marco Aurélio Grillo, é que o mapeamento seja feito, no máximo, até a primeira quinzena de julho. "O Banco Central tem nos ajudado muito neste sentido, os contatos estão em curso", afirmou o executivo, ao deixar, no fim da tarde de ontem, a última e mais aguardada assembléia, a do Credit Yield. Grillo qualificou como satisfatória a maratona de reuniões com cotistas. Dos 27 fundos, 18 aprovaram os novos administradores. Em um fundo, a escolha (anterior à entrada da Mellon e da Besaf) foi pela transferência de administrador, e em mais dois deles a falta de quórum impediu a votação. Assembléias devem ser marcadas em breve.
Ao avaliar a situação das carteiras, Grillo afirmou que os fundos mais problemáticos têm grande parte da carteira formada por títulos já vencidos, alguns até mesmo pagos. Segundo ele, é esperado que algumas empresas devedoras iniciem a negociação para pagamento. "Parte dos devedores devem estar de boa-fé em tudo isso", disse. Segundo o presidente da Mellon DTVM, José Carlos Oliveira, o próximo passo é notificar as empresas devedoras de que os fundos têm novos administradores e, se necessário, entrar com as medidas de execução. Quanto ao pagamento dos cotistas, Oliveira confirmou que ele será feito por meio de amortizações mensais, mas desde que os volumes recuperados em cada fundo justifiquem a distribuição equânime entre os cotistas. "Não dá para distribuir R$ 100 mil entre os cotistas do Yield, os custos não compensam", diz.
Com relação a possíveis irregularidades apuradas na gestão anterior, tudo deve ser encaminhado à CVM. Grillo disse ainda que a recontratação da Price - que assumiu a auditoria das carteiras um pouco antes da intervenção no Santos - é uma forma de identificar os procedimentos anteriormente adotados com maior precisão. A contratação, no entanto, depende de ratificação dos cotistas.    (Flavia Lima e Daniele Camba - Valor Online)

23.06 - Fundos vão investir R$ 1,5 bi no Brasil 
Perspectiva de crescimento no mercado de renda variável é uma das atrações 
Um volume financeiro superior a R$ 1,5 bilhão deve ser investido no setor produtivo brasileiro nos próximos dois anos, por gestores de fundos de participação em empresas emergentes (private equity). O valor, levantado pela Agência Estado, reflete o apetite do investidor internacional pelas empresas nacionais.
Segundo os gestores, após alguns anos de negócios mornos, os fundos começam a se estruturar para capturar os benefícios do crescimento econômico. O maior indício da retomada dos investimentos aparece na Bolsa, já que as aberturas de capital realizadas recentemente tiveram a participação desses fundos. Entre as operações, destacam-se os lançamentos da Gol, Diagnósticos da América (Dasa) e Submarino.
As perspectivas de crescimento dos negócios no mercado de renda variável é um dos fatores que têm levado à estruturação de novos fundos. "O desinvestimento por meio da venda de ações em Bolsa é um dos nossos objetivos, mas sempre foi algo difícil de ser concretizado pelo gestores que atuam no País", diz Patrice Etlin, diretor da Advent International no Brasil. "Com um ambiente que favorece as emissões, poderemos voltar aos níveis de 1996 e 97, quando os fundos aplicaram cerca de R$ 5 bilhões no Brasil."
Etlin acaba de estruturar um fundo de US$ 350 milhões com o objetivo de investir na América Latina. Do total, metade deve ser destinada ao Brasil. "O interesse dos investidores internacionais está muito vivo. Tínhamos demanda para fechar o fundo com um patrimônio de US$ 500 milhões", diz, ressaltando que deve fazer aportes de US$ 30 milhões a US$ 35 milhões em cada uma das cerca de dez empresas do setor de serviços e em indústrias de produtos de alto valor agregado onde pretende entrar.
O presidente da Associação Brasileira de Venture Capital & Private Equity, Álvaro Gonçalves, avalia que o setor passa por um momento que favorece tanto o investimento quanto a venda das ações. "Nosso setor sempre enfrentou problemas na saída do investimento. Estamos percebendo que a Bolsa não é tão distante."
A empresa de Gonçalves, Stratus Banco de Negócios, tem um fundo de US$ 75 milhões programado para entrar em operação em 2006. Em parceria com o Darby Overseas Investment , a Stratus deve lançar outra carteira, de R$ 350 milhões, para aplicar em projetos de infra-estrutura. E o Darby acaba de fechar um fundo de US$ 175 milhões para a América Latina, dos quais boa parte deve ser investida no País.    (Thiago Velloso - O Estado de S.Paulo)

22.06 - CVM absolve Basa no caso da marcação a mercado de 2002
Como previsto, o colegiado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mudou sua posição em relação aos processos que apuravam a ocorrência de irregularidades na contabilização dos ativos nas carteiras dos fundos de renda fixa, em 2002, no episódio que ficou conhecido como crise da marcação a mercado. Em julgamento ontem, o Banco da Amazônia e o executivo da instituição responsável pelos fundos foram absolvidos pelo colegiado da autarquia. Esta é a segunda vez que o colegiado delibera sobre este tema. Na primeira decisão, no entanto, que ocorreu em abril deste ano, a Nossa Caixa e o executivo responsável tinham sido condenados ao pagamento de multa de R$ 50 mil e R$ 5 mil respectivamente.
Assim como adiantou o Valor, a mudança de visão ocorreu por conta de uma troca de membros do colegiado. O primeiro processo, o da Nossa Caixa, começou a ser julgado em julho do ano passado, quando o atual superintendente da CVM em São Paulo, Eli Lória, fazia parte da diretoria e, portanto, do colegiado. O julgamento foi adiado duas vezes por pedidos de vista, dada a complexidade do caso, mas o voto de Lória, pela punição dos indiciados, ainda foi computado no final. Neste novo caso, no entanto, o colegiado já contava com um novo diretor, Pedro Oliva Marcilio, que ao contrário de Lória, votou pela absolvição. Como o presidente da autarquia, Marcelo Trindade, e o diretor Sergio Weguelin também adotaram esta postura, os diretores Wladimir Castelo Branco e Norma Parente foram vencidos nos seus votos pela condenação.
O novo entendimento deverá prevalecer nos quase 15 processos praticamente idênticos que estão em curso na autarquia. Tanto que só para este mês já há três julgamentos agendados. Os que envolvem os bancos Safra e Banrisul ocorrem na sexta-feira. Já o do Banco do Nordeste está marcado para a próxima segunda-feira, dia 27. Na última quarta-feira, houve o julgamento da Sul America, mas como o presidente Marcelo Trindade deu-se por impedido, a decisão foi adiada para que o diretor substituto, Eduardo Manhães, tenha mais tempo para avaliar.
Na visão dos diretores que votaram pela condenação, as instituições descumpriram as regras vigentes e não foram fiéis ao regulamento dos fundos, que previa a contabilização dos títulos pelo valor de mercado. A não adoção dessa regra teria feito com que cotistas ficassem sujeitos a prejuízos e também teriam beneficiado a própria instituição, que se apropriou de taxa de administração maior. O principal argumento da defesa foi o de que o Banco Central, que era o regulador dos fundos de renda fixa na época, deu às instituições um prazo para que se adequassem às regras de contabilização das Letras Financeiras do Tesouro (LFTs) pelo valor de mercado e não pela curva de juros.   (Catherine Vieira - Valor Online)

21.06 - O plano da CVM para o mercado
Na semana passada, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), encarregada de assegurar o funcionamento eficiente e regular do mercado de ações, aprovou, pela primeira vez desde que foi criada há 28 anos, um plano a ser posto em prática até 2007, que se revela importante por seu ineditismo e por suas diretrizes. O plano tem, como metas principais, a melhora da fiscalização, a educação do investidor, a redução dos custos de registro das operações, o aumento da concorrência no mercado de capitais e a modernização da própria CVM.
Um mercado acionário eficiente, que negocie um volume crescente de papéis, atraia mais investidores e ofereça às empresas uma fonte de obtenção de capitais menos onerosa do que os financiamentos bancários, contribuiria para acelerar o crescimento econômico. Mas esse mercado ainda é pequeno quando comparado com as necessidades financeiras das empresas brasileiras e seu desempenho e sua expansão estão condicionados a diferentes fatores, alguns dos quais externos, como a confiança dos investidores internacionais no futuro da economia do País.
É claro que um programa estratégico da CVM não pode alcançar todos esses fatores. Mas pode, por meio de um conjunto de iniciativas eficazes, melhorar as condições de funcionamento do mercado, torná-lo mais transparente para os investidores e mais atraente para as empresas interessadas em emitir ações. É isso, na essência, o que busca o plano.
Segundo o presidente da CVM, Marcelo Trindade, até o fim do ano o investidor disporá de um serviço na Internet, com linguagem e informações acessíveis, no qual poderá fazer simulações entre os diferentes fundos em operação no mercado, para avaliar, por exemplo, quais cobram as menores taxas, quais os mais rentáveis ou quais os que registram menores oscilações.
A fiscalização das empresas que têm papéis negociados no mercado, de sua parte, será automatizada, com o cruzamento de informações dos negócios realizados na Bolsa de Valores de São Paulo e na Bolsa de Mercadorias & Futuros, de modo que se possam identificar eventuais manipulações. Empresas que enfrentem problemas financeiros também serão identificadas com maior rapidez, de modo que a fiscalização poderá ser mais eficaz.
Destinada a fortalecer o mercado, por meio da atração de investidores e do aumento da transparência das operações, a iniciativa da CVM é bem-vinda.    (O Estado de S.Paulo)

20.06 - Para CVM, regulação está bem-feita
O presidente da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), Marcelo Trindade, afirmou sexta-feira que o fato de o mercado de capitais ter se mantido firme após a crise política envolvendo o governo demonstra que os esforços nacionais de regulação foram bem-sucedidos.
Ele participou do encontro de conselheiros da Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, realizado na Costa do Sauípe, Bahia.
"Os investidores estão percebendo o país como [um bom investimento] de longo prazo e as instituições como capazes de protegê-los", disse. "O mercado não é uma redoma, mas há uma percepção de que os fundamentos da economia são fortes."
Para o presidente da CVM, o órgão conta com grande liberdade de atuação.
"Temos autonomia de fato e de direito. Nunca sofri nenhuma pressão ou arranhão [do governo para decidir em favor de alguém", afirmou ele.  (JANAÍNA LEITE - Folha de S.Paulo)

17.06 - Mais 4 empresas vão lançar ações 
Na onda de ofertas iniciada em 2004, emissões devem somar R$ 2,8 bilhões 
Lojas Renner, Energias do Brasil (EDP), Obrascon Huarte Lain Brasil (OHL) e Cyrela Brazil Realty são as próximas companhias a lançar ações no Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), continuando a onda de ofertas iniciada no ano passado,quando as empresas levantaram cerca de R$ 9 bilhões com a venda de papéis.
Só neste primeiro semestre, as emissões de oito companhias já somam R$ 3,5 bilhões. Se os próximos lançamentos forem bem-sucedidos, esse número crescerá em pelo menos mais R$ 2,8 bilhões.
A primeira oferta será a da Renner, já que o prazo de reserva para os investidores de varejo começa segunda-feira. Em uma operação inovadora, a controladora americana JC Penney pretende vender o controle da rede varejista de forma pulverizada, por um preço médio de R$ 800 milhões.
A Energias do Brasil já se reuniu com corretoras na Bovespa para apresentar a operação de US$ 600 milhões. Desse total, metade deverá ser subscrita pelo próprio controlador, a portuguesa EDP, que aproveitará a oferta para converter em ações um crédito de cerca de US$ 250 milhões que tem contra a Escelsa, empresa que era da holding de energia elétrica.
A espanhola OHL, da área de concessão de rodovias, pretende levantar R$ 550 milhões com a oferta no Novo Mercado, que negocia apenas ações com direito a voto. Os recursos captados serão usados para a compra de novas estradas ou aquisições de concessionárias já existentes.
Essa área exige investimentos elevados, daí a necessidade de busca de recursos. As oportunidades de novos projetos ganharam fôlego com as licitações de lotes federais e do Estado de São Paulo, que devem ser realizadas nos próximos meses.
A operação da OHL deve acontecer até meados de julho. O objetivo é colocar 40% do capital da companhia em circulação no mercado. A empresa administra as estradas Intervias, Autovias e a Centrovias, todas no interior de São Paulo.
A construtora e incorporadora Cyrela Brazil Realty é a única das quatro empresas que lançará ações também nos Estados Unidos, por meio de American Depositary Receipts (ADRs).
Tem sido limitado o número de companhias que coloca papéis no mercado americano. A Lei Sarbanes-Oxley, criada para inibir as fraudes contábeis, elevou os custos de negociação nos Estados Unidos.  (Daniela Milanese e Téo Takar - O Estado de S.Paulo)

16.06 - Níveis de companhias saem em até dois meses
A aguardada regulamentação que criará diferentes níveis para as companhias lançarem papéis no mercado deve sair em até dois meses. O presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Marcelo Trindade, no entanto, dá esse prazo como máximo e espera para bem antes a audiência pública da "nova 202" - em referência à instrução em vigor, de 1993, que fala sobre o registro das empresas. A intenção original era publicar a nova norma até o fim de 2004.
No mês passado, a Bovespa anunciou para o segundo semestre o Bovespa Mais, um estágio inicial à abertura de capital, via mercado de balcão, para empresas menores. Na avaliação de Trindade, não há conflito entre as iniciativas. "O Bovespa Mais não fala nada sobre debêntures (títulos de dívida das empresas), por exemplo", diz. Cada nível de registro na CVM determinará, entre vários aspectos, tipos e volumes de papéis que a empresa poderá emitir, além do grau de informações que deverá e poderá oferecer.
O alvo deste último item pode ser justamente as empresas com ações já negociadas na bolsa, mas sem sequer um site de de relações com investidores (RI). Atualmente, estas áreas estão sujeitas à Instrução nº 358, mas muitas empresas acabam ignorando-a sob a alegação dos altos custos de divulgação.
Trindade também pretende colocar em consulta pública em breve as mudanças na recém-publicada Instrução nº 409, dos fundos de investimento. Entre as alterações, estariam limites específicos para papéis privados, como as Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) e Cédulas de Produto Rural (CPRs), que se tornaram mais conhecidas após a intervenção do Banco Central no Banco Santos e nos seus fundos.    (Felipe Frisch - Valor Online)

15.06 - Poucas ofertas, recorde em volume 
Mercado está concentrado em poucas empresas, mas já contabiliza R$ 18,2 bi 
Apesar do volume financeiro recorde de emissões de debêntures neste ano, o número de ofertas não é tão expressivo. O mercado está concentrado em poucas empresas, que têm operações de fôlego e inflam o montante registrado na Comissão de Valores Mobiliário s (CVM).
A cifra de colocações em 2005 já é o dobro do contabilizado no ano passado. São R$ 18,2 bilhões até maio, ante R$ 9,6 bilhões de janeiro a dezembro de 2004. Mas o número de operações é quase metade do verificado no ano passado: são 20 ofertas em 2005, ante 38 em 2004.
"O que incha o volume são as operações de empresas de leasing", explica o diretor de Mercado de Capitais do Banco do Brasil (BB), Aldo Luiz Mendes. Essas são responsáveis por 70% do total efetivamente lançado este ano. Há emissões com valores muito expressivos, como as da Itauleasing e Bradesco Leasing, de R$ 4 bilhões cada.
O executivo do BB destaca que, entre os programas de distribuição arquivados na CVM, as empresas de leasing também são destaque, respondendo por 77% do volume de R$ 31 bilhões. "As debêntures são mais uma fonte de captação para os conglomerados financeiros."
Para Sandra Utsumi, economista-chefe do Banco Espírito Santo de Investimento, o custo de captação ainda é alto para que empresas de menor porte acessem o mercado. Isso devido aos juros altos e às perspectivas não muito otimistas para a economia. "Por isso, há seletividade." No momento em que prevalecer a expectativa de alívio monetário e continuidade do crescimento econômico, diz ela, os investimentos corporativos aumentarão e o mercado avançará.
Embora o total de ofertas em 2005 não seja tão expressivo como o volume, há uma melhora. Mesmo sem as emissões de companhias de leasing, as operações com debêntures devem superar as de 2004. "De meados de 2003 para cá, o merca do melhorou muito. A moeda usada pelas empresas para as operações deixou de ser o dólar para ser o real", diz Mendes.
As companhias de energia elétrica e as de telecomunicações também aparecem como importantes emissoras. Como a economia iniciou um desaquecimento e os projetos de investimentos recuaram, boa parte dos recursos vão para o pagamento d e dívidas - caso das captações feitas pela Light, Sabesp e Vicunha Siderurgia.
Os prazos das debêntures se alongaram. Vão de três a dez anos. O custo não teve grande mudança em relação a 2004, variando de 103% a 115% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI).   (Silvia Fregoni - O Estado de S.Paulo)

14.06 - Sarbanes-Oxley pode reduzir emissões nos EUA
Os elevados custos trazidos pela lei Sarbanes-Oxley podem levar as companhias brasileiras a deixar de emitir papéis no mercado americano, os chamados ADRs (American Depositary Receipts). Essa é a avaliação de Luiz Leonardo Cantidiano, advogado e ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários. "A partir de agora, as empresas vão analisar mais a relação ente custo e benefício antes de lançar ADRs", afirma ele.
Para Cantidiano, a chegada da Sarbanes só não levou a uma retirada dos ADRs pelas empresas brasileiras porque elas avaliaram que poderiam ser interpretadas como incapazes de cumprir as regras da Comissão de Valores Mobiliários americana (SEC). "Quem falasse de sair do mercado americano agora iria gerar desconfiança."
Os altos gastos com a implantação das regras da Sarbanes têm sido uma constante reclamação das companhias americanas. Estudos realizados nos Estados Unidos mostram que os gastos de empresas com faturamento médio anual de US$ 5 bilhões subiram US$ 4,3 milhões com a implantação da nova regra de governança corporativa. No Brasil, a situação não é muito diferente. Segundo levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças, a nova lei americana está levando as empresas brasileiras com ações listadas nos Estados Unidos a gastar US$ 3 milhões em média.
O problema dos custos levanta, na opinião de especialistas, a dúvida sobre se a SEC manterá o atual nível de exigências para companhias não-americanas. Diante das reclamações, a autoridade americana prorrogou recentemente em um ano o prazo para as empresas estrangeiras se adequarem ao artigo 404 da lei.
"Será que as regras do 404 se manterão mesmo diante das queixas e da mudança de comando na SEC? Acredito que ainda exista espaço para livrar as empresas estrangeiras dessa exigência, mas, por enquanto, não passa de sonho", avalia Ross Kaufman, sócio do escritório de advocacia americano Greenberg Traurig.
Para o advogado, a permanência desse artigo poderia desestimular a listagem de novas ações de empresas estrangeiras nos Estados Unidos, algo que a SEC não gostaria que acontecesse. Além disso, o novo presidente da SEC, o advogado republicano Christopher Cox, levanta dúvida sobre a continuação de uma política rígida de regulamentação do mercado.
Willian Donaldson, antecessor de Cox, que pediu demissão, chegou à agência com a missão de limpar a imagem da SEC, manchada depois de escândalos como WorldCom e Enron. Mas acabou saindo da SEC sob acusações do mercado de seguir um programa regulatório muito agressivo.
Apesar de ainda existir uma dúvida em relação à aplicação da Sarbanes para as companhias não-americanas, Kaufman diz que as brasileiras não estão colocando o pé no freio na implantação dos controles internos. A Gerdau, por exemplo, diz que pretende cumprir toda essa tarefa ainda neste ano. "Não sabemos ainda o que acontecerá. Então, preferimos entregar tudo neste ano como um teste para que em 2006 estejamos com tudo certo", afirma Rodrigo Krause, gerente de relações com investidores da Gerdau.
Nos EUA, onde as empresas já apresentaram seus controles de riscos, 9,1% mostraram deficiências internas. As principais falhas vinham da contabilidade de leasing (22,5% dos casos) e das práticas e políticas contábeis (18,2% ).     (Carolina Mandl - Valor Online) 

13.06 - Semestre decepciona petroquímicas 
Setor espera recuperação do mercado interno e das exportações a partir de julho 
O primeiro semestre deve fechar aquém das expectativas da indústria petroquímica. Ipiranga, Braskem, Polibrasil e Innova indicam queda geral do mercado interno, num movimento sentido desde o começo de 2005.
As empresas comentam também que a redução global das cotações de produtos contribuiu para diminuir o fôlego das exportações. As vendas internacionais eram, até então, a válvula de escape para um mercado doméstico fraco.
A Ipiranga Petroquímica (IPQ) cortou o uso da capacidade instalada de cerca de 98% em abril para 90% em maio. "Poderemos baixar a utilização para até 85% na segunda quinzena deste mês", contou o diretor comercial da IPQ, Eduardo Tergolina. Segundo ele, a rentabilidade no primeiro trimestre foi inferior à do segundo semestre de 2004.
Para o ano todo, o executivo prevê vendas externas de 30% da produção, reduzindo assim o ritmo ante os 35% estimados para os primeiros seis meses. No começo do ano, as vendas internacionais foram motivadas por um fraco mercado interno.
O vice-presidente da Braskem, Luiz Mendonça, disse que a primeira metade do ano fechará com pouco crescimento das vendas em volume e preços externos retraídos, com impacto também nas cotações locais. "Neste trimestre, as cotações recuaram 5% em relação ao anterior." Mas ele acredita em reposicionamento dos preços a partir de julho, com uma expectativa de retomada firme da China.
Luciano Nunes Rolla, da área comercial da Innova, afirma que as vendas em volume de alguns produtos nos primeiros cinco meses do ano foram menores do que o esperado. "Projetávamos um crescimento acumulado entre 6% e 7% no ano, mas já de janeiro a maio as vendas físicas empataram com as de igual período de 2004", disse. A Innova é controlada da subsidiária argentina da Petrobrás.
A empresa, que tem produção integrada no pólo de Triunfo (RS), também espera recuperação no segundo semestre. Segundo ele, a parti r de julho a situação melhora, mas não será nada de extraordinário.
O diretor superintendente da Polibrasil Resinas, José Ricardo Roriz Coelho, avalia que o segundo trimestre do ano vem sendo melhor do que o primeiro. "Mas ainda está abaixo do que imaginávamos. E o cenário político complica ainda mais", admitiu o executivo, que preside o Sindicato das Indústrias de Resinas Sintéticas no Estado de São Paulo (Siresp).    (Viviane Mottin - O Estado de S.Paulo)

10.06 - Mercado teme lucro menor nas celulares 
Concorrência cresce de novo entre as companhias e reduz a rentabilidade 
Os analistas de telecomunicações estão preocupados com a possibilidade de ganhos menores para as empresas celulares neste ano. Em 2004, a concorrência entre as companhias reduziu as margens de rentabilidade, movimento que deve continuar nos próximos meses.
O temor cresceu com o rebaixamento de expectativas para a Claro feito pela controladora América Móvil. A gigante mexicana disse que o ritmo de expansão no Brasil está acima do previsto e, por isso, a margem de geração de caixa (medida pelo Ebitda) deve ser 0% no ano. A projeção anterior era de 10%.
Para o analista da Ágora Sênior Corretora Eduardo Roche, a mensagem é ruim. Segundo ele, já se esperava que o 2.º trimestre seria pior do que o 1.º, mas chama atenção a força da expansão prevista pela Claro.
Os analistas esperavam que 2005 seria de foco em rentabilidade. Era o discurso das empresas: reduzir gasto com novos clientes para buscar retorno da base já conquistada. Porém, em abril, as companhias retomaram as guerras promocionais para obter mais assinantes e frustraram a aposta.
Para Luciana Leocádio, da BES Securities, as práticas das empresas mostram que os subsídios continuam altos. A revisão anunciada pela Claro é um recado de que deve manter a agressividade em sua estratégia.
A subsidiária do grupo mexicano perdeu a vice-liderança no mercado brasileiro para a TIM. Por isso, acelerou os esforços para conquistar usuários. Em abril, conseguiu a maior fatia das adesões do setor. Dos 2,1 milhões obtidos, ficou com 680 mil.
As companhias anteciparam as promoções do Dia das Mães em abril e, por causa do Dia dos Namorados, não reduziram os benefícios. "São mais de 60 dias ininterruptos de ofertas", enfatizou Alexandre Constantini, especialista do Bear Stearns.
Diante do receio do ritmo de expansão considerado, os dados da Agência Nacional de Telecomunicações sobre maio serão acompanhados de perto. Comentários indicam que as adições podem ter superado com folga as estimativas de 2 milhões.
Depois da Claro, já surgiram rumores de que Vivo e TIM reduziriam suas expectativas. Embora as empresas tenham negado, os analistas adotam medidas neste sentido. Constantini prevê que a margem Ebitda Telesp Celular ficará em 31% no 2.º trimestre, ante 41% no 1.º. O Goldman Sachs reduziu a projeção de margem consolidada do grupo Vivo de 33% para 30% neste ano - no piso do intervalo de 30% a 35% previsto pela empresa.   (Graziella Valenti - O Estado de S.Paulo) 

09.06 - Endesa prepara holding e irá à Bovespa
A espanhola Endesa, maior multinacional elétrica privada da América Latina, vai criar uma holding, a Endesa Brasil, para agrupar todos os ativos de geração, distribuição e transmissão de energia controlados pelo grupo no país. O objetivo é abrir o capital da holding no Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), afirmou ontem, em entrevista por vídeo-conferência, desde Madri, o presidente da Endesa Internacional, Luis Rivera.
A Endesa Brasil vai nascer com uma capacidade instalada de geração de mil megawatts (MW), terá dois mil MW de capacidade de transmissão e 4,4 milhões de clientes, dos quais 2,1 milhões servidos pela Ampla (ex-Cerj), no Rio de Janeiro, e 2,3 milhões pela Cia. Energética do Ceará (Coelce), no Ceará.
Com base nos dados de 2004, a holding teria um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Lajida) de US$ 550 milhões, semelhante ao da CPFL, e um lucro líquido anual de US$ 150 milhões, indicou Rivera.
Ele salientou que a estratégia da Endesa é fortalecer sua presença no Brasil, onde o grupo já investiu US$ 4 bilhões, e desenvolver novos projetos. Esse movimento considera a adesão de investidores interessados em participar de negócios do grupo no país, dividindo riscos e oportunidades. "Olhamos com interesse os leilões de energia nova, previstos para o fim deste ano. São projetos que podem ser atrativos para a Endesa, dada a nossa experiência em geração hídrica, mas tudo depende de condições econômicas adequadas", disse Rivera.
De acordo com ele, o processo de criação da Endesa Brasil poderá estar concluído em período de três a seis meses. A intenção da Endesa, ao fim do processo, é ficar com uma participação de cerca de 60% na holding, o que lhe garantiria o controle e a operação. Ele avaliou que ao agrupar seus negócios sob um mesmo guarda-chuva, a Endesa ganhará sinergias financeiras conseguindo manter uma geração de caixa mais estável em relação aos negócios geridos de forma individual, como é hoje. O resultado, estimou, significará uma melhor avaliação financeira do grupo no Brasil pelos credores.
Um primeiro passo na constituição da Endesa Brasil é conseguir autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Constituída a holding, a Endesa pretende oferecer aos acionistas minoritários a oportunidade de incorporar suas ações. Rivera não quis antecipar qual será a relação de troca das ações das empresas controladas pela Endesa por ações da holding. Mas garantiu: "A relação de troca de ações será a mesma já definida para as empresas do grupo controlador, Endesa Internacional, Enersis, Endesa Chile e Chilectra."
A oferta aos minoritários envolve a portuguesa EDP, que detém 7,7% do capital da Ampla, e fundos de pensão e de investimento, que juntos controlam 38% do capital da Coelce. Segundo Rivera, a criação da holding não deve implicar em novo aporte de capital pelos sócios, pois o valor contábil dos ativos da Endesa no Brasil soma US$ 1,8 bilhão, enquanto sua dívida consolidada é de R$ 1,2 bilhão. "É uma empresa que tem capacidade de endividamento adicional sem aporte dos acionistas", disse.
Rivera destacou ainda que o plano de negócios da Endesa para o período 2005-2009 prevê investimentos de US$ 800 milhões no Brasil. "Se a abertura do capital tiver êxito, essa previsão de deve ser modificada", antecipou. O Brasil representa 19% dos ativos consolidados do grupo Endesa na América Latina. No total, as geradoras da Endesa produziram, em 2004, 49,5% a mais do que em 2003. A Endesa controla a hidrelétrica Cachoeira Dourada, em Goiás, e a térmica Fortaleza, no Ceará. O grupo também controla a Cia. de Interconexão Energética (Cien), responsável pelo transporte de energia elétrica entre o Brasil e a Argentina.
Marcelo Llévenes, principal executivo da Endesa no Brasil, previu que até 2008 a Ampla poderá ser fonte de recursos para a holding. A distribuidora fez ampla reestruturação financeira. A Endesa capitalizou a Ampla com mais de US$ 500 milhões desde a sua privatização, em 1996. A medida permitiu alongar o perfil da dívida. Em março, a Ampla captou R$ 400 milhões em uma operação de debêntures, a vencer em três a cinco anos. "Com isso, nossa situação financeira ficou bastante confortável", avaliou.   (Francisco Góes - Valor Online)

08.06 - CVM vai aumentar fiscalização de empresas
Pela primeira vez desde que foi criada, há 28 anos, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) elaborou um plano estratégico que tem cinco diretrizes principais: o aumento da fiscalização, o investimento na educação dos investidores, a redução dos custos de registro, o aumento da concorrência no mercado e o fortalecimento da própria CVM, responsável pela regulação e fiscalização do mercado de capitais. 
O plano de ação foi apresentado pelo presidente da autarquia, Marcelo Trindade, após a cerimônia de posse do advogado Pedro Marcílio na diretoria da CVM. A intenção é de que os objetivos detalhados no documento sejam postos em prática até julho de 2007, quando termina o mandato de Trindade. 
— O plano define as ações prioritárias da CVM e algumas já estão sendo desenvolvidas — disse o presidente. 
É o caso do site voltado para investidores, que já está sendo criado e deve ser lançado até o fim do ano. A intenção é criar uma página com linguagem e informações acessíveis, além de mecanismos de comparação e busca de dados. 
CVM lançará site para investidores até dezembro 
No site, o investidor poderá comparar fundos de investimento para avaliar quais cobram as menores taxas de administração, quais os mais rentáveis e quais têm menos oscilações, por exemplo. 
— O investidor poderá também checar as reclamações e consultas feitas a cada participante de mercado (administradores de fundos ou empresas com ações em bolsa), quais receberam mais queixas, quais deixaram de pagar dividendos, se houve falta de atendimento pelo 0800, entre outros. Tudo isso de uma maneira bastante amigável e acessível aos investidores — explicou Trindade. 
A CVM também intensificará a fiscalização aos fundos de investimento. Dos cerca de seis mil fundos da indústria, a autarquia monitorará mais de perto os 350 vendidos a pequenos investidores — 90% do total de fundos do país. 
Trindade antecipou que a CVM criará no novo site um programa de educação de investidores. A fiscalização às empresas também será intensificada e mais automatizada nos próximos anos, aumentando a proteção aos investidores. 
— Hoje identificamos eventuais operações irregulares por meio de volumes ou oscilações anormais dos papéis das empresas. Agora, vamos ter um alerta automático de empresas com patrimônio líquido negativo, por exemplo. E tudo automático, o que agilizará e intensificará o processo de fiscalização — explica. 
A maior vigilância será possível por meio de um cruzamento de dados inédito com a Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), que permitirá identificar manipulações (arbitragens) nos dois mercados. Hoje, segundo Trindade, a CVM não consegue visualizar 100% das operações e em alguns casos, o acesso a informações — que chega a demorar 48 horas — passará a ser automático, em tempo real.
Outra bandeira da CVM é a redução dos custos de registros das empresas, o que deve atrair novas companhias para o mercado de capitais. A proposta deve ser encaminhada ao mercado em até um mês e meio, para avaliação dos investidores e empresas.    (Patricia Eloy - O Globo)

07.06 - Empresas reforçam canais com investidor 
Não basta estruturar bem a abertura de capital de uma empresa. É preciso também se preocupar com os caminhos seguidos após o lançamento das ações na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). "É necessário fazer um trabalho de pós-venda", afirma Rodolfo Riechert, sócio do Pactual, banco que tem liderado as operações de emissão.
Algumas companhias que estrearam recentemente aprenderam essa lição na prática. Grendene, Submarino e Porto Seguro são exemplos de empresas que chamaram inicialmente a atenção dos investidores, mas em seguida enfrentaram dificuldades.
Um balanço com resultados abaixo do sinalizado pela fabricante de calçados foi suficiente para instalar a desconfiança entre os investidores da Grendene. A Porto Seguro se deparou com denúncias de fraudes logo após a estréia. E a Submarino sofre com a desconfiança sobre o potencial do varejo online.
Manter um bom time de relações com investidores (RI), um canal de comunicação com o mercado e não criar expectativas exageradas são as recomendações de Riechert para a estratégia de pós-venda das companhias.
As três empresas já reforçaram a equipe de RI. Recentemente, a Grendene contratou Marcus Peixoto para assumir a área. Ex-analista, ele tem bom trânsito entre os profissionais de mercado. Com a mesma missão, Guido Lemos assumiu o cargo de gerente de relações com investidores da Porto Seguro em maio. O Submarino conta com uma equipe de quatro profissionais.
A primeira tarefa é estreitar contatos com corretoras para convencê-las a fazer coberturas das empresas e divulgar recomendações ao mercado. Esse fator é considerado primordial, uma vez que Porto e Submarino introduziram novos setores na bolsa. "Estou em contato diário com vários analistas e alguns até já soltaram relatórios descrevendo a companhia", afirma Martín Escobari, diretor de RI da loja virtual.
Logo após a estréia, as ações do Submarino entraram em queda livre, sem que a companhia pudesse conversar com os investidores e esclarecer as incertezas. Isso porque durante 30 dias após a abertura de capital as empresas têm de cumprir um período de silêncio, o que o executivo não viu com bons olhos. "Foi uma das situações mais frustrantes que já vivi", conta. "Reconheço que fomos péssimos em nos mostrar ao mercado. Agora, nosso desafio é dar tranqüilidade sobre nossas perspectivas."
O novo gerente de relações com investidores da Porto Seguro, Guido Lemos, avalia que a companhia sofre com a falta de conhecimento sobre o setor. "Estamos em constante contato com os analistas para que o mercado entenda melhor a empresa."   (Daniela Milanese e Ana Paula Ragazzi - O Estado de S.Paulo)

06.06 - Bush escolhe deputado para presidir a SEC
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, nomeou quinta-feira o deputado Christopher Cox para a presidência da Securities and Exchange Commission (SEC, o órgão regulador do mercado de capitais americano). Ele vai substitui William Donaldson, que na quarta-feira avisou que deixará o cargo este mês. 
Bush disse que o republicano Cox, da Califórnia, é “um paladino da liberdade empresarial no Congresso” e que ele será um excelente líder da SEC. Cox, de 52 anos, é bem mais novo que seu antecessor, de 74. Ele está no Congresso há 16 anos. Antes disso, trabalhou como advogado de empresas e como conselheiro da Casa Branca durante a era Reagan. 
Elogiando o trabalho de Donaldson à frente da SEC — ele assumiu em meio a uma série de escândalos corporativos — Bush afirmou que Cox é o homem certo para o cargo. Apesar de várias empresas alegarem que Donaldson exagerava no controle do setor, Bush afirmou que Cox dará continuidade a essa política. (O Globo)

03.06 - A CVM e o caso Brasil Telecom
Os recentes acontecimentos envolvendo os acionistas que exercem ou exerceram o controle da Brasil Telecom Participações S.A. e de sua controlada Brasil Telecom S.A. desafiam uma reflexão aprofundada sobre o papel da CVM no curso de batalhas corporativas como esta, travadas em sociedades nas quais grupos de acionistas, com participação relativamente pequena no capital, detêm a maioria das ações com voto, exercendo o controle de maneira compartilhada. No caso de Brasil Telecom Participações, os 4 grupos envolvidos na disputa pelo controle detêm menos de 19% do capital da companhia, em ações que, no entanto, representam 51% do capital votante.
A primeira reflexão diz respeito às prioridades que a CVM deve adotar em uma batalha longa e acirrada, com dezenas de ações judiciais e arbitragens, no Brasil e no exterior, liminares diárias, e até mudanças de posição no meio da disputa, travada por quatro grupos extremamente poderosos e habilitados, titulares de investimentos de muitos bilhões de reais, maciçamente assistidos por advogados e consultores, e inteiramente capazes de exercitar seus direitos e defesas.
Em um cenário como este, e sem prejuízo de atuar opinando em processos judiciais e manifestando seu entendimento sobre a legalidade de atos específicos, a CVM deve cumprir seu principal papel institucional, de garantir que uma informação adequada e completa esteja disponível aos investidores no mercado de capitais (que no caso de Brasil Telecom detêm mais de 80% da empresa), até porque é natural que os envolvidos em disputas de tal porte tendam a ocultar o máximo de informações de seus oponentes.
Por isto, neste caso concreto e em outros, tem priorizado as medidas que assegurem aquela informação aos conjuntos dos acionistas, e tem procurado agir imediatamente, sempre que constata uma omissão ou um defeito, inclusive através da emissão de ordens e da imposição de multas por dia de atraso no seu cumprimento.
Uma segunda questão, que atinge não só as companhias com controle compartilhado, mas muitas importantes companhias abertas nacionais (destacando-se aquelas que foram objeto de privatização), é a existência de ações sem direito a voto, que permite que o controle possa ser obtido com menos de 17% do total das ações. Nessas companhias, existe um grande risco de desalinhamento de interesses entre os controladores e os demais acionistas. No entanto, com a evolução dos últimos anos, as novas emissões de ações no Brasil têm sido feitas quase exclusivamente em ações com voto, ou em ações preferenciais com direito a voto em matérias relevantes, sempre observado o novo máximo legal de 50% do capital em ações sem voto ou com voto restrito, introduzido pela reforma de 2001.
Com isto, embora conviva com um estoque significativo de companhias controladas com pouco comprometimento financeiro, o mercado brasileiro está em evidente evolução para um cenário de muito maior alinhamento de interesses entre controladores e minoritários.
Uma última questão sobre a qual se deve refletir é a do tempo adequado de resposta, pela CVM, a denúncias de condutas ilícitas supostamente praticadas por acionistas e administradores de companhias.
A CVM tem adotado, e pretende continuar a adotar, quanto aos processos de investigação e eventual punição por condutas ilegais, o caminho da análise ponderada e profunda que se recomenda a quem tem o poder de impor pesadas sanções aos agentes de mercado. Todas e cada uma das dezenas de denúncias que têm sido apresentadas pelos grupos envolvidos na disputa de Brasil Telecom serão analisadas com o cuidado que merecem, e o seu julgamento final produzirá no mercado, seja pela absolvição, seja pela condenação, o efeito educativo que se busca com tais decisões. É possível que, chegado esse momento, a disputa pelo controle da Brasil Telecom já tenha sido encerrada, provavelmente por um mecanismo normal de mercado, ajustado entre as partes envolvidas. Então, como agora, caberá à CVM, com grande serenidade, completar sua missão e, se for o caso, punir exemplarmente todas as eventuais condutas ilícitas que, no calor da disputa, tenham sido denunciadas. Só assim a CVM estará cumprindo seu dever prioritário, e de longo prazo, de proteção dos acionistas não controladores e de apoio à construção de um mercado de capitais mais desenvolvido no Brasil.    (O Estado de S.Paulo - Marcelo Trindade é presidente da CVM)

03.06 - Petrobras conclui estudos para ingressar no Nível 1
A Petrobras poderá anunciar a curto prazo seu ingresso no Nível 1 de governança corporativa da Bovespa. "Brevemente acredito que vocês terão notícia de que a Petrobras deva estar entrando no Nível 1 da Bovespa", disse ontem, no Rio, o gerente de investidores individual da estatal, Paulo Maurício Campos. Ele salientou que o tema, em estudo na empresa, deve ser submetido à aprovação da diretoria-executiva e do conselho da companhia. Ele não quis falar em datas, mas admitiu que o processo pode ser concluído em 2005.
Campos afirmou que apesar de a empresa não ter migrado para o nível de governança corporativa da Bovespa, a estatal cumpre todos os requisitos de transparência exigidos pelo mercado. A vantagem de aderir ao Nível 1, segundo ele, está no fato de que hoje a governança corporativa é um dos itens considerados por entidades como o Instituto Nacional de Investidores (INI) para se ter uma boa valorização das ações. "Em termos de governança já fazemos tudo o que é possível fazer", ponderou.
De acordo com Campos, inicialmente a Petrobras tinha interesse de aderir ao Nível 2 da Bovespa, mas a Procuradoria Geral da União votou contra a decisão da empresa em 2003. "Agora queremos entrar no Nível 1", disse Campos. Ele acrescentou que a empresa também vem atendendo as exigências feitas pela Securities and Exchange Commission (SEC), órgão regulador do mercado de capitais americano, fazendo adaptações nas suas informações contábeis. Isso é necessário porque, em 2000, o governo brasileiro vendeu na Bolsa de Nova Iorque 28% das ações ordinárias da Petrobras. Hoje o governo detém 55,7% das ações com direito a voto e 40% do capital total da estatal, incluindo as ações na carteira da BNDESPar.
"A lei americana Sarbanes-Oxley prevê a existência de um comitê de auditoria, algo equivalente no Brasil ao conselho fiscal, e estamos trabalhando para fazer as adaptações necessárias até 31 de julho", disse Campos. Ele salientou que outra norma americana exige a revisão de cada processo interno da empresa com a respectiva auditagem, mas informou que neste caso a SEC estendeu até 31 de dezembro de 2006 o prazo para as empresas se adaptarem à regra.
Campos também previu que a empresa deverá continuar a pagar dividendos na faixa de 30% do lucro líquido, que no primeiro trimestre foi de R$ 5 bilhões. Campos informou ainda que a empresa continua a olhar o mercado para aproveitar eventuais oportunidades de captação. "A vantagem é que temos um caixa robusto e forte", observou.   (Francisco Góes - Valor Online)

02.06 - Nova lei européia afeta brasileiros 
Companhias terão outros gastos, além dos causados por leis americanas 
Entrou em vigor ontem, nos 25 países da Comunidade Européia, uma lei que afeta os emissores brasileiros de ações e títulos de dívida naquela região. Depois dos gastos com as regras mais rígidas nos Estados Unidos, as companhias que pretendem entrar na Europa passarão por nova rodada de custos e trabalho.
Consultores aconselham os interessados a se preparar desde já, apesar de a lei adiar o cumprimento por estrangeiros. A nova norma chama-se "prospectus directive". A mudança mais importante que afeta os emissores externos é a obrigatoriedade de publicação de balanços no modelo internacional, conhecido por IFRS, a partir dos números de 2007.
"É possível que as empresas tenham um trabalho tão árduo quanto o de adaptação à rígida lei corporativa Sarbanes-Oxley, nos EUA", disse David Fenwick, sócio do escritório de advocacia Linklaters. Ele contou que, embora a obrigação entre em vigor em apenas 2 anos, os balanços precisam ser comparáveis. "Então as corporações devem mostrar relatórios de 2007, mas também de 2006 e 2005." Uma outra lei, a "transparency directive", também exigirá balanços em IFRS dos estrangeiros com títulos na Europa e entra em vigor no segundo semestre de 2006.
"Se as brasileiras perderem a oportunidade de conversão ficarão cada vez mais isoladas do mercado de capitais global", acredita o diretor da PriceWaterhouseCoopers Brasil Fábio Cajazeira. "Além disso, o balanço em IFRS permite a comparação com concorrent es internacionais."
Para ele, o adiantamento dos trabalhos tende a diminuir os custos extras, mas, lembrou, a adaptação não é fácil. "As normas internacionais são muito divergentes das brasileiras. Há diferenças na contabilização de ativos, passivos e de fluxo de caixa, por exemplo, que vão gerar números diversos." Segundo Cajazeira, as empresas que já tiveram de se adaptar à Sarbanes-Oxley nos EUA podem encurtar o caminho aproveitando a experiência adquirida.
Edward Ruiz, sócio da área de auditoria da Deloitte Touche Tohmatsu, disse que a companhia orienta os clientes de olho no tempo de conversão dos balanços. "O processo pode levar entre seis meses e dois anos." No futuro, lembrou, a Europa poderá aceitar as normas contábeis dos Estados Unidos (USGaap) em seu âmbito e vice-versa. Mas isso não significa que as companhias brasileiras com ações nos EUA - e que já publicam números em USGaap - devam relaxar no cumprimento das leis européias. "Seria perigoso esperar. Oportunidades de captação e investimento podem ser perdidas por isso."  (Aline Cury Zampieri - O Estado de S.Paulo)

02.06 - Mudanças nas regras de fundos devem sair até o mês de setembro
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) deve divulgar até setembro mudanças na Instrução 409, que regulamenta o setor de fundos de investimento. Entre as principais alterações estará a obrigatoriedade de os gestores que aplicam em papéis privados que exigem avaliação maior de risco de crédito colocarem no nome do fundo em que ativos a carteira está mais concentrada. A informação é do superintendente de Relações com Investidores Institucionais da autarquia, Carlos Eduardo Sussekind, que participou ontem do 3º Congresso sobre fundos promovido pela Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid).
Além dessa mudança, o executivo diz que a CVM estuda também flexibilizar o percentual que os fundos de renda fixa têm para aplicar em carteiras de direitos creditórios (FIDCs). Também chamados fundos de recebíveis, essas carteiras foram regulamentadas no final de novembro de 2001 e aplicam em títulos lastreados em créditos que bancos ou empresas têm a receber como, por exemplo, carteiras de crédito ao consumidor, de financiamento imobiliário, faturas de vendas a prazo, etc. Atualmente, os fundos de renda fixa só podem aplicar até 10% do patrimônio em cotas desses fundos.
Sussekind. disse ainda que na quinta-feira, a CVM irá se reunir com uma comissão da Anbid para discutir outras sugestões de mudanças na 409. Segundo Alfredo Setubal, presidente da Anbid, nessa reunião serão discutidas não apenas questões relativas a fundos, mas também custódia e mercado de capitais. O Valor apurou que questões operacionais como a cobrança da taxa de fiscalização dos fundos de investimento estarão na pauta.
Com relação à fiscalização educativa, ou seja, sem punições, que a CVM está promovendo para verificar o ajuste dos fundos de varejo à 409, o executivo disse que a autarquia já enviou mais de 5 mil questionamentos para administradores explicarem variações de cotas fora do padrão da aplicação.
Setubal acha que a elevada taxa de juros acaba concentrando recursos nos fundos de renda fixa - que representam a maior parte do volume no setor - e inibem a criação de produtos. "Há um certo 'empoçamento' dos recursos na renda fixa e em títulos públicos, limitando a capacidade de diversificação de risco."
O Ibope divulgou também a pesquisa com mil entrevistas telefônicas em todo o país com pessoas acima de 18 anos das classes A, B e C. O estudo revelou que um terço dos entrevistados está muito disposto a investir em fundos, enquanto 25% não têm interesse. Entre os que investem, 38% têm mais de 50 anos, 26% de 40 e 49, 19% entre 30 e 39 e 16% entre 16 e 29 anos. Os homens representam 56%.
A maioria (53%) dos investidores pertence à classe A e o restante, à classe B. A renda familiar mensal, em 30% dos casos, vai de R$ 4,8 mil a R$ 9,6 mil e 24% de R$ 1,2 mil a R$ 4,8 mil. As capitais concentram 88% dos investidores em fundos, sendo que 72% têm nível superior.
Os bancos de varejo são os locais de investimento de 89% dos entrevistados. O valor aplicado, segundo 32%, é uma pequena parcela da renda, enquanto 31% investem uma grande parcela. A maioria (52%) tem entre dois e quatro fundos e 49% aplicam até R$ 20 mil.
A maioria (54%) dos entrevistados já ouviu falar de fundos DI e 48% conheciam os renda fixa. Já 30% confundiram CDBs com fundos. Sem citar os tipos de fundos, os de ações eram conhecidos por apenas 39%. Mas diante de uma lista, 89% conheciam essas carteiras, perdendo apenas para os renda fixa, conhecidos por 92%.
Um terço dos entrevistados não sabia o valor mínimo de aplicação, a rentabilidade mensal e mais de 60% não faz idéia de qual a taxa de administração do fundo. Mais de 60% sabiam da nova regra de tributação regressiva. Mas 69% acreditam que o fundo seria prejudicado pela falência do gestor.
A principal fonte de informação para 54% dos investidores são gerentes de bancos e, para 45%, jornais. O tempo médio de permanência da aplicação em um fundo, para 40% dos entrevistados, é de mais de 24 meses.
Para 65% dos aplicadores, a rentabilidade só é boa em fundos com aplicação muito alta ou para quem tem muito dinheiro. Apesar disso, 67% afirmam estar satisfeitos com seus investimentos em fundos.    (Luciana Monteiro, Angelo Pavini e Flavia Lima - Valor Online)

01.06 - Unibanco eleva participação no IRB para ter assento no conselho
A Unibanco AIG Seguros acaba de aumentar sua participação acionária no capital do IRB-Brasil Resseguros, estatal que detém o monopólio dos resseguros. Segundo José Rudge, presidente da Unibanco AIG, a seguradora está gastando cerca de R$ 60 milhões para elevar sua participação dos atuais 5,6% para 10,7%, com a aquisição das ações (4,1%) que pertenciam às seguradoras SulAmérica e (1%) de outra companhia que Rudge preferiu não revelar o nome, já que as negociações ainda estavam para ser concluídas ontem à noite.
O IRB é alvo de denúncias de desvio de recursos para partidos políticos. Sem mencionar o caso, Rudge explicou que a compra das ações tem por objetivo ganhar o direito de assento no Conselho de Administração da estatal e influir na seleção das corretoras de resseguros que participam da distribuição de riscos.
"Somos líderes de mercado em riscos industriais, somos parceiros importantes do IRB e queremos sentar no Conselho para participar dos comitês, principalmente das definições de diretrizes, no sentido de zelar para ter um comitê de 'security' bem organizado", afirmou Rudge, referindo-se ao comitê que classifica e seleciona as corretoras. "Queremos ter no IRB resseguradoras internacionais de primeira linha, que possam dar garantias na eventualidade de um sinistro no mercado local." O pivô das denúncias envolvendo o IRB é uma corretora de resseguros chamada Assurê, que pertence ao corretor Henrique Brandão.
O capital do IRB é dividido em 1 milhão de ações, no valor total de R$ 750 milhões. Do total das ações, 500 mil pertencem ao Tesouro Nacional. A outra metade é dividida entre as seguradoras sendo a Bradesco Seguros a maior acionista, com cerca de 18% de participação. A Unibanco AIG é a quarta maior companhia de seguros brasileira depois da Bradesco, SulAmérica e Itaú.
Sobre a notícia de que a seguradora americana AIG montou operações fictícias de resseguro para evitar reconhecer o prejuízo com suas operações brasileiras (divulgada pelo Valor na edição de segunda-feira), Rudge frisou que a Unibanco AIG não está envolvida nas operações. Segundo ele, as perdas sofridas pela AIG com a desvalorização do real não têm relação com o desempenho das operações no Brasil, que são lucrativas. "A Unibanco AIG é uma companhia independente, gerida de forma independente, e qualquer impacto positivo ou negativo que vier a ser registrado no balanço da AIG (nos EUA) não tem qualquer impacto no balanço no Brasil e não tem nada a ver com a operação local", afirmou o executivo.   (Janes Rocha - Valor Online)

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