24.06 - Luz no fim do túnel
Depois de ouvir o então presidente da instituição
Ricardo Gribel garantir pessoalmente a solidez do banco e os ambiciosos
planos de expansão a caminho do varejo, o analista Carlos Eduardo
de Araújo não teve dúvidas: resgatou de um fundo do
Bradesco os R$ 42 mil que guardava para comprar um apartamento e aplicou
no fundo Virtual do Banco Santos. Um mês depois, Araújo viu
seus recursos virarem pó com a intervenção do Banco
Central (BC) no Santos.
Araújo é um dos 2,8 mil cotistas dos 27 fundos do banco
que se reuniram nas três últimas semanas para votar uma série
de mudanças nas carteiras. As assembléias de ontem do Credit
Master e do Credit Yield, que estão entre os mais problemáticos,
encerram essa maratona de reuniões. Nelas, os cotistas votaram a
entrada da Mellon DTVM como administradora e da BES Ativos Financeiros
- Besaf - como gestora dos fundos; o Banco Itaú como custodiante;
e a volta da PriceWaterHouseCoopers como auditora das carteiras.
A mudança nos critérios de resgate do que for recuperado
também fez parte da pauta. Na maioria das carteiras, a idéia
é de que os saques sejam feitos sob o critério de amortização
mensal, segundo o qual os recursos que eventualmente entrarem nas carteiras
podem ser resgatados uma vez por mês. O sistema anterior, escolhido
durante a intervenção, previa esperar um nível de
recebimentos para fazer os resgates. A Besaf se comprometeu ainda a realizar
uma reunião por mês com os cotistas, além de oferecer
um 0800 para tirar dúvidas (0800-7707779) e um conference call mensal
pelos próximos três meses. Os cotistas procurados pelo Valor
se mostram satisfeitos com o tratamento do novo gestor.
"Os executivos foram profissionais e atenciosos, nos dando todo tipo
de esclarecimento", diz Elizabeth Ambrosi, que representa a sogra, aplicadora
do Virtual. Elizabeth lembra que os executivos conheciam todos os trâmites
de uma assembléia, diferente do BC. "Na reunião de janeiro,
o interventor Vânio Aguiar sequer sabia que uma assembléia
tem de ter um presidente." O tom de revolta que marcou as primeiras assembléias
em janeiro foi substituído pela esperança de que ao menos
parte dos ativos será recuperada.
A perda, porém, traumatizou Araújo, que hoje confia apenas
em bancos de grande porte, de preferência estrangeiros. Com relação
à investimentos, sua visão não é muito diferente.
"Acho que hoje colocaria tudo na poupança."
O prejuízo de Araújo poderia ter sido ainda maior. Junto
com o seu dinheiro, ele pensava também en resgatar do Bradesco os
R$ 50 mil da mãe que ele administra e aplicar no Credit Yield. "Hoje
estaríamos os dois sem um tostão", diz. Araújo conheceu
o Santos em março de 2004, quando foi contratado pela eFinancial
- uma consultoria de informática do banco -, para trabalhar dentro
da própria instituição. Ele presenciou alguns cortes
de pessoal, o que levantava a possibilidade do banco estar em dificuldades.
"Mas, com tantas obras em andamento, o máximo que pensávamos
é que o banco passava por um enxugamento para provavelmente depois
ser vendido." A partir de setembro do mesmo ano, segundo Araújo,
o banco impôs para todos os funcionários a abertura de conta
corrente e incentivava a migração das aplicações
para o Santos.
Foi em setembro, dois meses antes da intervenção, que
houve o café da manhã com todos os funcionários para
mostrar o crescimento do banco e as metas rumo ao varejo. "Sala luxuosa,
telão para exibir os comerciais de TV e uma mensagem do próprio
dono (Edemar Cid Ferreira)", diz. "A garota propaganda estava presente
e o presidente (Ricardo Gribel) mostrou a maquete da nova sede da asset
do banco, falou de todos os planos ambiciosos, de que ter agência
era coisa do passado e que o rendimento do banco acima da média
vinha exatamente pelo fato de não ter agências e fez questão
de ressaltar como eram rentáveis e seguros os fundos da casa", lembra
Araújo. "Tudo muito sedutor até para o mais desconfiado",
conclui ele.
Assim como Araújo, outras pessoas físicas colocaram suas
economias nos fundos do Santos. No caso da sogra de Elizabeth, por exemplo,
a rentabilidade mensal dos R$ 130 mil aplicados no Virtual era usada para
pagar as contas do dia-a-dia. Elizabeth lembra do caso de uma senhora que
aplicava no Santos as economias para comprar um aparelho para surdez para
o marido. "Há muitas histórias tristes por trás da
quebra do banco e que nem assim sensibilizam o BC e a CVM (Comissão
de Valores Mobiliários) que tratam do assunto com total descaso",
diz Elizabeth.
Dois meses antes da intervenção, o presidente Ricardo
Gribel reuniu os funcionários para falar dos planos de expansão
Os R$ 130 mil que o arquiteto desempregado Gyorgy Troyko aplicou no
Master e no Yield serviriam para montar uma distribuidora de chocolates.
O empreendimento foi por água abaixo. Troyko, que se recupera de
um infarto recente, colocou a casa à venda para devolver aos amigos
o dinheiro que emprestaram e que hoje é usado para pagar contas.
Assim como Elizabeth e a maioria dos cotistas ouvidos pelo Valor, ele se
revolta com relação à postura do BC e da CVM no caso.
"Qualquer país precisa de poupança interna para crescer e
por isso ela é sagrada, isso só não acontece no Brasil",
diz.
Nos maiores fundos, a recuperação dos ativos causa polêmica.
O Credit Yield reúne cerca de 700 cotistas e teve praticamente 100%
da carteira de mais de R$ 500 milhões provisionada. O fundo é
formado basicamente de Cédulas de Crédito Bancário
(CCBs), Cédulas de Produto Rural (CPRs), operações
de box e swaps, além de CDBs do Santos. Outro fundo problemático
é o Santos Virtual. Com mais de mil cotistas - boa parte pequenos
investidores, funcionários do próprio banco - o FAC tinha
60% da carteira aplicada no Yield e 40% no Plus.
Alguns investidores afirmam que têm recebido propostas de compras
de suas cotas. É o caso de Carlos Eduardo de Lima, um consultor
em pesquisa de mercado de 38 anos que aplicou suas economias de dez anos
- cerca de R$ 300 mil - no Credit Yield. Segundo ele, um advogado de uma
empresa devedora do fundo o procurou para comprar suas cotas com deságio
- o que seria uma forma de compensar na prática o débito
com o fundo. "Fiquei preocupado e não sentei para discutir valores,
achei melhor esperar a assembléia para ter mais detalhes sobre quem
está devendo ao fundo e quais são os valores", explicou.
Lima conta que, como em grande parte dos casos, a sugestão de
investir no fundo foi dada pela mulher de um conhecido que trabalhava no
Santos. A aplicação foi em junho, cinco meses antes da intervenção.
Como lição, Lima diz que aprendeu que "investimentos devem
ser só em imóveis ou dólar", que era o que pensava
em fazer antes de aplicar no Santos. Ele, que não tinha esperança
de recuperar nem parte do dinheiro, depois da assembléia do Yield,
ontem à tarde, acredita que é possível reaver entre
30% e 40% da aplicação.
Apurados os votos que podem ratificar a Mellon DTVM como administradora
e a Besaf como gestora da maior parte dos fundos, os esforços agora
são de entregar aos cotistas as informações acerca
da composição das carteiras, a lista de devedores dos fundos
e a posição de cada investidor. A intenção,
disse o diretor da Besaf, Marco Aurélio Grillo, é que o mapeamento
seja feito, no máximo, até a primeira quinzena de julho.
"O Banco Central tem nos ajudado muito neste sentido, os contatos estão
em curso", afirmou o executivo, ao deixar, no fim da tarde de ontem, a
última e mais aguardada assembléia, a do Credit Yield. Grillo
qualificou como satisfatória a maratona de reuniões com cotistas.
Dos 27 fundos, 18 aprovaram os novos administradores. Em um fundo, a escolha
(anterior à entrada da Mellon e da Besaf) foi pela transferência
de administrador, e em mais dois deles a falta de quórum impediu
a votação. Assembléias devem ser marcadas em breve.
Ao avaliar a situação das carteiras, Grillo afirmou que
os fundos mais problemáticos têm grande parte da carteira
formada por títulos já vencidos, alguns até mesmo
pagos. Segundo ele, é esperado que algumas empresas devedoras iniciem
a negociação para pagamento. "Parte dos devedores devem estar
de boa-fé em tudo isso", disse. Segundo o presidente da Mellon DTVM,
José Carlos Oliveira, o próximo passo é notificar
as empresas devedoras de que os fundos têm novos administradores
e, se necessário, entrar com as medidas de execução.
Quanto ao pagamento dos cotistas, Oliveira confirmou que ele será
feito por meio de amortizações mensais, mas desde que os
volumes recuperados em cada fundo justifiquem a distribuição
equânime entre os cotistas. "Não dá para distribuir
R$ 100 mil entre os cotistas do Yield, os custos não compensam",
diz.
Com relação a possíveis irregularidades apuradas
na gestão anterior, tudo deve ser encaminhado à CVM. Grillo
disse ainda que a recontratação da Price - que assumiu a
auditoria das carteiras um pouco antes da intervenção no
Santos - é uma forma de identificar os procedimentos anteriormente
adotados com maior precisão. A contratação, no entanto,
depende de ratificação dos cotistas. (Flavia
Lima e Daniele Camba - Valor Online)
23.06 - Fundos vão investir R$ 1,5 bi no Brasil
Perspectiva de crescimento no mercado de renda variável é
uma das atrações
Um volume financeiro superior a R$ 1,5 bilhão deve ser investido
no setor produtivo brasileiro nos próximos dois anos, por gestores
de fundos de participação em empresas emergentes (private
equity). O valor, levantado pela Agência Estado, reflete o apetite
do investidor internacional pelas empresas nacionais.
Segundo os gestores, após alguns anos de negócios mornos,
os fundos começam a se estruturar para capturar os benefícios
do crescimento econômico. O maior indício da retomada dos
investimentos aparece na Bolsa, já que as aberturas de capital realizadas
recentemente tiveram a participação desses fundos. Entre
as operações, destacam-se os lançamentos da Gol, Diagnósticos
da América (Dasa) e Submarino.
As perspectivas de crescimento dos negócios no mercado de renda
variável é um dos fatores que têm levado à estruturação
de novos fundos. "O desinvestimento por meio da venda de ações
em Bolsa é um dos nossos objetivos, mas sempre foi algo difícil
de ser concretizado pelo gestores que atuam no País", diz Patrice
Etlin, diretor da Advent International no Brasil. "Com um ambiente que
favorece as emissões, poderemos voltar aos níveis de 1996
e 97, quando os fundos aplicaram cerca de R$ 5 bilhões no Brasil."
Etlin acaba de estruturar um fundo de US$ 350 milhões com o
objetivo de investir na América Latina. Do total, metade deve ser
destinada ao Brasil. "O interesse dos investidores internacionais está
muito vivo. Tínhamos demanda para fechar o fundo com um patrimônio
de US$ 500 milhões", diz, ressaltando que deve fazer aportes de
US$ 30 milhões a US$ 35 milhões em cada uma das cerca de
dez empresas do setor de serviços e em indústrias de produtos
de alto valor agregado onde pretende entrar.
O presidente da Associação Brasileira de Venture Capital
& Private Equity, Álvaro Gonçalves, avalia que o setor
passa por um momento que favorece tanto o investimento quanto a venda das
ações. "Nosso setor sempre enfrentou problemas na saída
do investimento. Estamos percebendo que a Bolsa não é tão
distante."
A empresa de Gonçalves, Stratus Banco de Negócios, tem
um fundo de US$ 75 milhões programado para entrar em operação
em 2006. Em parceria com o Darby Overseas Investment , a Stratus deve lançar
outra carteira, de R$ 350 milhões, para aplicar em projetos de infra-estrutura.
E o Darby acaba de fechar um fundo de US$ 175 milhões para a América
Latina, dos quais boa parte deve ser investida no País.
(Thiago Velloso - O Estado de S.Paulo)
22.06 - CVM absolve Basa no caso da marcação a mercado
de 2002
Como previsto, o colegiado da Comissão de Valores Mobiliários
(CVM) mudou sua posição em relação aos processos
que apuravam a ocorrência de irregularidades na contabilização
dos ativos nas carteiras dos fundos de renda fixa, em 2002, no episódio
que ficou conhecido como crise da marcação a mercado. Em
julgamento ontem, o Banco da Amazônia e o executivo da instituição
responsável pelos fundos foram absolvidos pelo colegiado da autarquia.
Esta é a segunda vez que o colegiado delibera sobre este tema. Na
primeira decisão, no entanto, que ocorreu em abril deste ano, a
Nossa Caixa e o executivo responsável tinham sido condenados ao
pagamento de multa de R$ 50 mil e R$ 5 mil respectivamente.
Assim como adiantou o Valor, a mudança de visão ocorreu
por conta de uma troca de membros do colegiado. O primeiro processo, o
da Nossa Caixa, começou a ser julgado em julho do ano passado, quando
o atual superintendente da CVM em São Paulo, Eli Lória, fazia
parte da diretoria e, portanto, do colegiado. O julgamento foi adiado duas
vezes por pedidos de vista, dada a complexidade do caso, mas o voto de
Lória, pela punição dos indiciados, ainda foi computado
no final. Neste novo caso, no entanto, o colegiado já contava com
um novo diretor, Pedro Oliva Marcilio, que ao contrário de Lória,
votou pela absolvição. Como o presidente da autarquia, Marcelo
Trindade, e o diretor Sergio Weguelin também adotaram esta postura,
os diretores Wladimir Castelo Branco e Norma Parente foram vencidos nos
seus votos pela condenação.
O novo entendimento deverá prevalecer nos quase 15 processos
praticamente idênticos que estão em curso na autarquia. Tanto
que só para este mês já há três julgamentos
agendados. Os que envolvem os bancos Safra e Banrisul ocorrem na sexta-feira.
Já o do Banco do Nordeste está marcado para a próxima
segunda-feira, dia 27. Na última quarta-feira, houve o julgamento
da Sul America, mas como o presidente Marcelo Trindade deu-se por impedido,
a decisão foi adiada para que o diretor substituto, Eduardo Manhães,
tenha mais tempo para avaliar.
Na visão dos diretores que votaram pela condenação,
as instituições descumpriram as regras vigentes e não
foram fiéis ao regulamento dos fundos, que previa a contabilização
dos títulos pelo valor de mercado. A não adoção
dessa regra teria feito com que cotistas ficassem sujeitos a prejuízos
e também teriam beneficiado a própria instituição,
que se apropriou de taxa de administração maior. O principal
argumento da defesa foi o de que o Banco Central, que era o regulador dos
fundos de renda fixa na época, deu às instituições
um prazo para que se adequassem às regras de contabilização
das Letras Financeiras do Tesouro (LFTs) pelo valor de mercado e não
pela curva de juros. (Catherine Vieira - Valor Online)
21.06 - O plano da CVM para o mercado
Na semana passada, a Comissão de Valores Mobiliários
(CVM), encarregada de assegurar o funcionamento eficiente e regular do
mercado de ações, aprovou, pela primeira vez desde que foi
criada há 28 anos, um plano a ser posto em prática até
2007, que se revela importante por seu ineditismo e por suas diretrizes.
O plano tem, como metas principais, a melhora da fiscalização,
a educação do investidor, a redução dos custos
de registro das operações, o aumento da concorrência
no mercado de capitais e a modernização da própria
CVM.
Um mercado acionário eficiente, que negocie um volume crescente
de papéis, atraia mais investidores e ofereça às empresas
uma fonte de obtenção de capitais menos onerosa do que os
financiamentos bancários, contribuiria para acelerar o crescimento
econômico. Mas esse mercado ainda é pequeno quando comparado
com as necessidades financeiras das empresas brasileiras e seu desempenho
e sua expansão estão condicionados a diferentes fatores,
alguns dos quais externos, como a confiança dos investidores internacionais
no futuro da economia do País.
É claro que um programa estratégico da CVM não
pode alcançar todos esses fatores. Mas pode, por meio de um conjunto
de iniciativas eficazes, melhorar as condições de funcionamento
do mercado, torná-lo mais transparente para os investidores e mais
atraente para as empresas interessadas em emitir ações. É
isso, na essência, o que busca o plano.
Segundo o presidente da CVM, Marcelo Trindade, até o fim do
ano o investidor disporá de um serviço na Internet, com linguagem
e informações acessíveis, no qual poderá fazer
simulações entre os diferentes fundos em operação
no mercado, para avaliar, por exemplo, quais cobram as menores taxas, quais
os mais rentáveis ou quais os que registram menores oscilações.
A fiscalização das empresas que têm papéis
negociados no mercado, de sua parte, será automatizada, com o cruzamento
de informações dos negócios realizados na Bolsa de
Valores de São Paulo e na Bolsa de Mercadorias & Futuros, de
modo que se possam identificar eventuais manipulações. Empresas
que enfrentem problemas financeiros também serão identificadas
com maior rapidez, de modo que a fiscalização poderá
ser mais eficaz.
Destinada a fortalecer o mercado, por meio da atração
de investidores e do aumento da transparência das operações,
a iniciativa da CVM é bem-vinda. (O Estado de
S.Paulo)
20.06 - Para CVM, regulação está bem-feita
O presidente da CVM (Comissão de Valores Mobiliários),
Marcelo Trindade, afirmou sexta-feira que o fato de o mercado de capitais
ter se mantido firme após a crise política envolvendo o governo
demonstra que os esforços nacionais de regulação foram
bem-sucedidos.
Ele participou do encontro de conselheiros da Previ, o fundo de pensão
dos funcionários do Banco do Brasil, realizado na Costa do Sauípe,
Bahia.
"Os investidores estão percebendo o país como [um bom
investimento] de longo prazo e as instituições como capazes
de protegê-los", disse. "O mercado não é uma redoma,
mas há uma percepção de que os fundamentos da economia
são fortes."
Para o presidente da CVM, o órgão conta com grande liberdade
de atuação.
"Temos autonomia de fato e de direito. Nunca sofri nenhuma pressão
ou arranhão [do governo para decidir em favor de alguém",
afirmou ele. (JANAÍNA LEITE - Folha de S.Paulo)
17.06 - Mais 4 empresas vão lançar ações
Na onda de ofertas iniciada em 2004, emissões devem somar R$
2,8 bilhões
Lojas Renner, Energias do Brasil (EDP), Obrascon Huarte Lain Brasil
(OHL) e Cyrela Brazil Realty são as próximas companhias a
lançar ações no Novo Mercado da Bolsa de Valores de
São Paulo (Bovespa), continuando a onda de ofertas iniciada no ano
passado,quando as empresas levantaram cerca de R$ 9 bilhões com
a venda de papéis.
Só neste primeiro semestre, as emissões de oito companhias
já somam R$ 3,5 bilhões. Se os próximos lançamentos
forem bem-sucedidos, esse número crescerá em pelo menos mais
R$ 2,8 bilhões.
A primeira oferta será a da Renner, já que o prazo de
reserva para os investidores de varejo começa segunda-feira. Em
uma operação inovadora, a controladora americana JC Penney
pretende vender o controle da rede varejista de forma pulverizada, por
um preço médio de R$ 800 milhões.
A Energias do Brasil já se reuniu com corretoras na Bovespa
para apresentar a operação de US$ 600 milhões. Desse
total, metade deverá ser subscrita pelo próprio controlador,
a portuguesa EDP, que aproveitará a oferta para converter em ações
um crédito de cerca de US$ 250 milhões que tem contra a Escelsa,
empresa que era da holding de energia elétrica.
A espanhola OHL, da área de concessão de rodovias, pretende
levantar R$ 550 milhões com a oferta no Novo Mercado, que negocia
apenas ações com direito a voto. Os recursos captados serão
usados para a compra de novas estradas ou aquisições de concessionárias
já existentes.
Essa área exige investimentos elevados, daí a necessidade
de busca de recursos. As oportunidades de novos projetos ganharam fôlego
com as licitações de lotes federais e do Estado de São
Paulo, que devem ser realizadas nos próximos meses.
A operação da OHL deve acontecer até meados de
julho. O objetivo é colocar 40% do capital da companhia em circulação
no mercado. A empresa administra as estradas Intervias, Autovias e a Centrovias,
todas no interior de São Paulo.
A construtora e incorporadora Cyrela Brazil Realty é a única
das quatro empresas que lançará ações também
nos Estados Unidos, por meio de American Depositary Receipts (ADRs).
Tem sido limitado o número de companhias que coloca papéis
no mercado americano. A Lei Sarbanes-Oxley, criada para inibir as fraudes
contábeis, elevou os custos de negociação nos Estados
Unidos. (Daniela Milanese e Téo Takar - O Estado de S.Paulo)
16.06 - Níveis de companhias saem em até dois meses
A aguardada regulamentação que criará diferentes
níveis para as companhias lançarem papéis no mercado
deve sair em até dois meses. O presidente da Comissão de
Valores Mobiliários (CVM), Marcelo Trindade, no entanto, dá
esse prazo como máximo e espera para bem antes a audiência
pública da "nova 202" - em referência à instrução
em vigor, de 1993, que fala sobre o registro das empresas. A intenção
original era publicar a nova norma até o fim de 2004.
No mês passado, a Bovespa anunciou para o segundo semestre o
Bovespa Mais, um estágio inicial à abertura de capital, via
mercado de balcão, para empresas menores. Na avaliação
de Trindade, não há conflito entre as iniciativas. "O Bovespa
Mais não fala nada sobre debêntures (títulos de dívida
das empresas), por exemplo", diz. Cada nível de registro na CVM
determinará, entre vários aspectos, tipos e volumes de papéis
que a empresa poderá emitir, além do grau de informações
que deverá e poderá oferecer.
O alvo deste último item pode ser justamente as empresas com
ações já negociadas na bolsa, mas sem sequer um site
de de relações com investidores (RI). Atualmente, estas áreas
estão sujeitas à Instrução nº 358, mas
muitas empresas acabam ignorando-a sob a alegação dos altos
custos de divulgação.
Trindade também pretende colocar em consulta pública
em breve as mudanças na recém-publicada Instrução
nº 409, dos fundos de investimento. Entre as alterações,
estariam limites específicos para papéis privados, como as
Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) e Cédulas
de Produto Rural (CPRs), que se tornaram mais conhecidas após a
intervenção do Banco Central no Banco Santos e nos seus fundos.
(Felipe Frisch - Valor Online)
15.06 - Poucas ofertas, recorde em volume
Mercado está concentrado em poucas empresas, mas já contabiliza
R$ 18,2 bi
Apesar do volume financeiro recorde de emissões de debêntures
neste ano, o número de ofertas não é tão expressivo.
O mercado está concentrado em poucas empresas, que têm operações
de fôlego e inflam o montante registrado na Comissão de Valores
Mobiliário s (CVM).
A cifra de colocações em 2005 já é o dobro
do contabilizado no ano passado. São R$ 18,2 bilhões até
maio, ante R$ 9,6 bilhões de janeiro a dezembro de 2004. Mas o número
de operações é quase metade do verificado no ano passado:
são 20 ofertas em 2005, ante 38 em 2004.
"O que incha o volume são as operações de empresas
de leasing", explica o diretor de Mercado de Capitais do Banco do Brasil
(BB), Aldo Luiz Mendes. Essas são responsáveis por 70% do
total efetivamente lançado este ano. Há emissões com
valores muito expressivos, como as da Itauleasing e Bradesco Leasing, de
R$ 4 bilhões cada.
O executivo do BB destaca que, entre os programas de distribuição
arquivados na CVM, as empresas de leasing também são destaque,
respondendo por 77% do volume de R$ 31 bilhões. "As debêntures
são mais uma fonte de captação para os conglomerados
financeiros."
Para Sandra Utsumi, economista-chefe do Banco Espírito Santo
de Investimento, o custo de captação ainda é alto
para que empresas de menor porte acessem o mercado. Isso devido aos juros
altos e às perspectivas não muito otimistas para a economia.
"Por isso, há seletividade." No momento em que prevalecer a expectativa
de alívio monetário e continuidade do crescimento econômico,
diz ela, os investimentos corporativos aumentarão e o mercado avançará.
Embora o total de ofertas em 2005 não seja tão expressivo
como o volume, há uma melhora. Mesmo sem as emissões de companhias
de leasing, as operações com debêntures devem superar
as de 2004. "De meados de 2003 para cá, o merca do melhorou muito.
A moeda usada pelas empresas para as operações deixou de
ser o dólar para ser o real", diz Mendes.
As companhias de energia elétrica e as de telecomunicações
também aparecem como importantes emissoras. Como a economia iniciou
um desaquecimento e os projetos de investimentos recuaram, boa parte dos
recursos vão para o pagamento d e dívidas - caso das captações
feitas pela Light, Sabesp e Vicunha Siderurgia.
Os prazos das debêntures se alongaram. Vão de três
a dez anos. O custo não teve grande mudança em relação
a 2004, variando de 103% a 115% do Certificado de Depósito Interbancário
(CDI). (Silvia Fregoni - O Estado de S.Paulo)
14.06 - Sarbanes-Oxley pode reduzir emissões nos EUA
Os elevados custos trazidos pela lei Sarbanes-Oxley podem levar as
companhias brasileiras a deixar de emitir papéis no mercado americano,
os chamados ADRs (American Depositary Receipts). Essa é a avaliação
de Luiz Leonardo Cantidiano, advogado e ex-presidente da Comissão
de Valores Mobiliários. "A partir de agora, as empresas vão
analisar mais a relação ente custo e benefício antes
de lançar ADRs", afirma ele.
Para Cantidiano, a chegada da Sarbanes só não levou a
uma retirada dos ADRs pelas empresas brasileiras porque elas avaliaram
que poderiam ser interpretadas como incapazes de cumprir as regras da Comissão
de Valores Mobiliários americana (SEC). "Quem falasse de sair do
mercado americano agora iria gerar desconfiança."
Os altos gastos com a implantação das regras da Sarbanes
têm sido uma constante reclamação das companhias americanas.
Estudos realizados nos Estados Unidos mostram que os gastos de empresas
com faturamento médio anual de US$ 5 bilhões subiram US$
4,3 milhões com a implantação da nova regra de governança
corporativa. No Brasil, a situação não é muito
diferente. Segundo levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Executivos
de Finanças, a nova lei americana está levando as empresas
brasileiras com ações listadas nos Estados Unidos a gastar
US$ 3 milhões em média.
O problema dos custos levanta, na opinião de especialistas,
a dúvida sobre se a SEC manterá o atual nível de exigências
para companhias não-americanas. Diante das reclamações,
a autoridade americana prorrogou recentemente em um ano o prazo para as
empresas estrangeiras se adequarem ao artigo 404 da lei.
"Será que as regras do 404 se manterão mesmo diante das
queixas e da mudança de comando na SEC? Acredito que ainda exista
espaço para livrar as empresas estrangeiras dessa exigência,
mas, por enquanto, não passa de sonho", avalia Ross Kaufman, sócio
do escritório de advocacia americano Greenberg Traurig.
Para o advogado, a permanência desse artigo poderia desestimular
a listagem de novas ações de empresas estrangeiras nos Estados
Unidos, algo que a SEC não gostaria que acontecesse. Além
disso, o novo presidente da SEC, o advogado republicano Christopher Cox,
levanta dúvida sobre a continuação de uma política
rígida de regulamentação do mercado.
Willian Donaldson, antecessor de Cox, que pediu demissão, chegou
à agência com a missão de limpar a imagem da SEC, manchada
depois de escândalos como WorldCom e Enron. Mas acabou saindo da
SEC sob acusações do mercado de seguir um programa regulatório
muito agressivo.
Apesar de ainda existir uma dúvida em relação
à aplicação da Sarbanes para as companhias não-americanas,
Kaufman diz que as brasileiras não estão colocando o pé
no freio na implantação dos controles internos. A Gerdau,
por exemplo, diz que pretende cumprir toda essa tarefa ainda neste ano.
"Não sabemos ainda o que acontecerá. Então, preferimos
entregar tudo neste ano como um teste para que em 2006 estejamos com tudo
certo", afirma Rodrigo Krause, gerente de relações com investidores
da Gerdau.
Nos EUA, onde as empresas já apresentaram seus controles de
riscos, 9,1% mostraram deficiências internas. As principais falhas
vinham da contabilidade de leasing (22,5% dos casos) e das práticas
e políticas contábeis (18,2% ). (Carolina
Mandl - Valor Online)
13.06 - Semestre decepciona petroquímicas
Setor espera recuperação do mercado interno e das exportações
a partir de julho
O primeiro semestre deve fechar aquém das expectativas da indústria
petroquímica. Ipiranga, Braskem, Polibrasil e Innova indicam queda
geral do mercado interno, num movimento sentido desde o começo de
2005.
As empresas comentam também que a redução global
das cotações de produtos contribuiu para diminuir o fôlego
das exportações. As vendas internacionais eram, até
então, a válvula de escape para um mercado doméstico
fraco.
A Ipiranga Petroquímica (IPQ) cortou o uso da capacidade instalada
de cerca de 98% em abril para 90% em maio. "Poderemos baixar a utilização
para até 85% na segunda quinzena deste mês", contou o diretor
comercial da IPQ, Eduardo Tergolina. Segundo ele, a rentabilidade no primeiro
trimestre foi inferior à do segundo semestre de 2004.
Para o ano todo, o executivo prevê vendas externas de 30% da
produção, reduzindo assim o ritmo ante os 35% estimados para
os primeiros seis meses. No começo do ano, as vendas internacionais
foram motivadas por um fraco mercado interno.
O vice-presidente da Braskem, Luiz Mendonça, disse que a primeira
metade do ano fechará com pouco crescimento das vendas em volume
e preços externos retraídos, com impacto também nas
cotações locais. "Neste trimestre, as cotações
recuaram 5% em relação ao anterior." Mas ele acredita em
reposicionamento dos preços a partir de julho, com uma expectativa
de retomada firme da China.
Luciano Nunes Rolla, da área comercial da Innova, afirma que
as vendas em volume de alguns produtos nos primeiros cinco meses do ano
foram menores do que o esperado. "Projetávamos um crescimento acumulado
entre 6% e 7% no ano, mas já de janeiro a maio as vendas físicas
empataram com as de igual período de 2004", disse. A Innova é
controlada da subsidiária argentina da Petrobrás.
A empresa, que tem produção integrada no pólo
de Triunfo (RS), também espera recuperação no segundo
semestre. Segundo ele, a parti r de julho a situação melhora,
mas não será nada de extraordinário.
O diretor superintendente da Polibrasil Resinas, José Ricardo
Roriz Coelho, avalia que o segundo trimestre do ano vem sendo melhor do
que o primeiro. "Mas ainda está abaixo do que imaginávamos.
E o cenário político complica ainda mais", admitiu o executivo,
que preside o Sindicato das Indústrias de Resinas Sintéticas
no Estado de São Paulo (Siresp). (Viviane Mottin
- O Estado de S.Paulo)
10.06 - Mercado teme lucro menor nas celulares
Concorrência cresce de novo entre as companhias e reduz a rentabilidade
Os analistas de telecomunicações estão preocupados
com a possibilidade de ganhos menores para as empresas celulares neste
ano. Em 2004, a concorrência entre as companhias reduziu as margens
de rentabilidade, movimento que deve continuar nos próximos meses.
O temor cresceu com o rebaixamento de expectativas para a Claro feito
pela controladora América Móvil. A gigante mexicana disse
que o ritmo de expansão no Brasil está acima do previsto
e, por isso, a margem de geração de caixa (medida pelo Ebitda)
deve ser 0% no ano. A projeção anterior era de 10%.
Para o analista da Ágora Sênior Corretora Eduardo Roche,
a mensagem é ruim. Segundo ele, já se esperava que o 2.º
trimestre seria pior do que o 1.º, mas chama atenção
a força da expansão prevista pela Claro.
Os analistas esperavam que 2005 seria de foco em rentabilidade. Era
o discurso das empresas: reduzir gasto com novos clientes para buscar retorno
da base já conquistada. Porém, em abril, as companhias retomaram
as guerras promocionais para obter mais assinantes e frustraram a aposta.
Para Luciana Leocádio, da BES Securities, as práticas
das empresas mostram que os subsídios continuam altos. A revisão
anunciada pela Claro é um recado de que deve manter a agressividade
em sua estratégia.
A subsidiária do grupo mexicano perdeu a vice-liderança
no mercado brasileiro para a TIM. Por isso, acelerou os esforços
para conquistar usuários. Em abril, conseguiu a maior fatia das
adesões do setor. Dos 2,1 milhões obtidos, ficou com 680
mil.
As companhias anteciparam as promoções do Dia das Mães
em abril e, por causa do Dia dos Namorados, não reduziram os benefícios.
"São mais de 60 dias ininterruptos de ofertas", enfatizou Alexandre
Constantini, especialista do Bear Stearns.
Diante do receio do ritmo de expansão considerado, os dados
da Agência Nacional de Telecomunicações sobre maio
serão acompanhados de perto. Comentários indicam que as adições
podem ter superado com folga as estimativas de 2 milhões.
Depois da Claro, já surgiram rumores de que Vivo e TIM reduziriam
suas expectativas. Embora as empresas tenham negado, os analistas adotam
medidas neste sentido. Constantini prevê que a margem Ebitda Telesp
Celular ficará em 31% no 2.º trimestre, ante 41% no 1.º.
O Goldman Sachs reduziu a projeção de margem consolidada
do grupo Vivo de 33% para 30% neste ano - no piso do intervalo de 30% a
35% previsto pela empresa. (Graziella Valenti - O Estado de
S.Paulo)
09.06 - Endesa prepara holding e irá à Bovespa
A espanhola Endesa, maior multinacional elétrica privada da
América Latina, vai criar uma holding, a Endesa Brasil, para agrupar
todos os ativos de geração, distribuição e
transmissão de energia controlados pelo grupo no país. O
objetivo é abrir o capital da holding no Novo Mercado da Bolsa de
Valores de São Paulo (Bovespa), afirmou ontem, em entrevista por
vídeo-conferência, desde Madri, o presidente da Endesa Internacional,
Luis Rivera.
A Endesa Brasil vai nascer com uma capacidade instalada de geração
de mil megawatts (MW), terá dois mil MW de capacidade de transmissão
e 4,4 milhões de clientes, dos quais 2,1 milhões servidos
pela Ampla (ex-Cerj), no Rio de Janeiro, e 2,3 milhões pela Cia.
Energética do Ceará (Coelce), no Ceará.
Com base nos dados de 2004, a holding teria um lucro antes de juros,
impostos, depreciação e amortização (Lajida)
de US$ 550 milhões, semelhante ao da CPFL, e um lucro líquido
anual de US$ 150 milhões, indicou Rivera.
Ele salientou que a estratégia da Endesa é fortalecer
sua presença no Brasil, onde o grupo já investiu US$ 4 bilhões,
e desenvolver novos projetos. Esse movimento considera a adesão
de investidores interessados em participar de negócios do grupo
no país, dividindo riscos e oportunidades. "Olhamos com interesse
os leilões de energia nova, previstos para o fim deste ano. São
projetos que podem ser atrativos para a Endesa, dada a nossa experiência
em geração hídrica, mas tudo depende de condições
econômicas adequadas", disse Rivera.
De acordo com ele, o processo de criação da Endesa Brasil
poderá estar concluído em período de três a
seis meses. A intenção da Endesa, ao fim do processo, é
ficar com uma participação de cerca de 60% na holding, o
que lhe garantiria o controle e a operação. Ele avaliou que
ao agrupar seus negócios sob um mesmo guarda-chuva, a Endesa ganhará
sinergias financeiras conseguindo manter uma geração de caixa
mais estável em relação aos negócios geridos
de forma individual, como é hoje. O resultado, estimou, significará
uma melhor avaliação financeira do grupo no Brasil pelos
credores.
Um primeiro passo na constituição da Endesa Brasil é
conseguir autorização da Agência Nacional de Energia
Elétrica (Aneel). Constituída a holding, a Endesa pretende
oferecer aos acionistas minoritários a oportunidade de incorporar
suas ações. Rivera não quis antecipar qual será
a relação de troca das ações das empresas controladas
pela Endesa por ações da holding. Mas garantiu: "A relação
de troca de ações será a mesma já definida
para as empresas do grupo controlador, Endesa Internacional, Enersis, Endesa
Chile e Chilectra."
A oferta aos minoritários envolve a portuguesa EDP, que detém
7,7% do capital da Ampla, e fundos de pensão e de investimento,
que juntos controlam 38% do capital da Coelce. Segundo Rivera, a criação
da holding não deve implicar em novo aporte de capital pelos sócios,
pois o valor contábil dos ativos da Endesa no Brasil soma US$ 1,8
bilhão, enquanto sua dívida consolidada é de R$ 1,2
bilhão. "É uma empresa que tem capacidade de endividamento
adicional sem aporte dos acionistas", disse.
Rivera destacou ainda que o plano de negócios da Endesa para
o período 2005-2009 prevê investimentos de US$ 800 milhões
no Brasil. "Se a abertura do capital tiver êxito, essa previsão
de deve ser modificada", antecipou. O Brasil representa 19% dos ativos
consolidados do grupo Endesa na América Latina. No total, as geradoras
da Endesa produziram, em 2004, 49,5% a mais do que em 2003. A Endesa controla
a hidrelétrica Cachoeira Dourada, em Goiás, e a térmica
Fortaleza, no Ceará. O grupo também controla a Cia. de Interconexão
Energética (Cien), responsável pelo transporte de energia
elétrica entre o Brasil e a Argentina.
Marcelo Llévenes, principal executivo da Endesa no Brasil, previu
que até 2008 a Ampla poderá ser fonte de recursos para a
holding. A distribuidora fez ampla reestruturação financeira.
A Endesa capitalizou a Ampla com mais de US$ 500 milhões desde a
sua privatização, em 1996. A medida permitiu alongar o perfil
da dívida. Em março, a Ampla captou R$ 400 milhões
em uma operação de debêntures, a vencer em três
a cinco anos. "Com isso, nossa situação financeira ficou
bastante confortável", avaliou. (Francisco Góes
- Valor Online)
08.06 - CVM vai aumentar fiscalização de empresas
Pela primeira vez desde que foi criada, há 28 anos, a Comissão
de Valores Mobiliários (CVM) elaborou um plano estratégico
que tem cinco diretrizes principais: o aumento da fiscalização,
o investimento na educação dos investidores, a redução
dos custos de registro, o aumento da concorrência no mercado e o
fortalecimento da própria CVM, responsável pela regulação
e fiscalização do mercado de capitais.
O plano de ação foi apresentado pelo presidente da autarquia,
Marcelo Trindade, após a cerimônia de posse do advogado Pedro
Marcílio na diretoria da CVM. A intenção é
de que os objetivos detalhados no documento sejam postos em prática
até julho de 2007, quando termina o mandato de Trindade.
O plano define as ações prioritárias da CVM
e algumas já estão sendo desenvolvidas disse o presidente.
É o caso do site voltado para investidores, que já está
sendo criado e deve ser lançado até o fim do ano. A intenção
é criar uma página com linguagem e informações
acessíveis, além de mecanismos de comparação
e busca de dados.
CVM lançará site para investidores até dezembro
No site, o investidor poderá comparar fundos de investimento
para avaliar quais cobram as menores taxas de administração,
quais os mais rentáveis e quais têm menos oscilações,
por exemplo.
O investidor poderá também checar as reclamações
e consultas feitas a cada participante de mercado (administradores de fundos
ou empresas com ações em bolsa), quais receberam mais queixas,
quais deixaram de pagar dividendos, se houve falta de atendimento pelo
0800, entre outros. Tudo isso de uma maneira bastante amigável e
acessível aos investidores explicou Trindade.
A CVM também intensificará a fiscalização
aos fundos de investimento. Dos cerca de seis mil fundos da indústria,
a autarquia monitorará mais de perto os 350 vendidos a pequenos
investidores 90% do total de fundos do país.
Trindade antecipou que a CVM criará no novo site um programa
de educação de investidores. A fiscalização
às empresas também será intensificada e mais automatizada
nos próximos anos, aumentando a proteção aos investidores.
Hoje identificamos eventuais operações irregulares
por meio de volumes ou oscilações anormais dos papéis
das empresas. Agora, vamos ter um alerta automático de empresas
com patrimônio líquido negativo, por exemplo. E tudo automático,
o que agilizará e intensificará o processo de fiscalização
explica.
A maior vigilância será possível por meio de um
cruzamento de dados inédito com a Bolsa de Mercadorias & Futuros
(BM&F), que permitirá identificar manipulações
(arbitragens) nos dois mercados. Hoje, segundo Trindade, a CVM não
consegue visualizar 100% das operações e em alguns casos,
o acesso a informações que chega a demorar 48 horas passará
a ser automático, em tempo real.
Outra bandeira da CVM é a redução dos custos de
registros das empresas, o que deve atrair novas companhias para o mercado
de capitais. A proposta deve ser encaminhada ao mercado em até um
mês e meio, para avaliação dos investidores e empresas.
(Patricia Eloy - O Globo)
07.06 - Empresas reforçam canais com investidor
Não basta estruturar bem a abertura de capital de uma empresa.
É preciso também se preocupar com os caminhos seguidos após
o lançamento das ações na Bolsa de Valores de São
Paulo (Bovespa). "É necessário fazer um trabalho de pós-venda",
afirma Rodolfo Riechert, sócio do Pactual, banco que tem liderado
as operações de emissão.
Algumas companhias que estrearam recentemente aprenderam essa lição
na prática. Grendene, Submarino e Porto Seguro são exemplos
de empresas que chamaram inicialmente a atenção dos investidores,
mas em seguida enfrentaram dificuldades.
Um balanço com resultados abaixo do sinalizado pela fabricante
de calçados foi suficiente para instalar a desconfiança entre
os investidores da Grendene. A Porto Seguro se deparou com denúncias
de fraudes logo após a estréia. E a Submarino sofre com a
desconfiança sobre o potencial do varejo online.
Manter um bom time de relações com investidores (RI),
um canal de comunicação com o mercado e não criar
expectativas exageradas são as recomendações de Riechert
para a estratégia de pós-venda das companhias.
As três empresas já reforçaram a equipe de RI.
Recentemente, a Grendene contratou Marcus Peixoto para assumir a área.
Ex-analista, ele tem bom trânsito entre os profissionais de mercado.
Com a mesma missão, Guido Lemos assumiu o cargo de gerente de relações
com investidores da Porto Seguro em maio. O Submarino conta com uma equipe
de quatro profissionais.
A primeira tarefa é estreitar contatos com corretoras para convencê-las
a fazer coberturas das empresas e divulgar recomendações
ao mercado. Esse fator é considerado primordial, uma vez que Porto
e Submarino introduziram novos setores na bolsa. "Estou em contato diário
com vários analistas e alguns até já soltaram relatórios
descrevendo a companhia", afirma Martín Escobari, diretor de RI
da loja virtual.
Logo após a estréia, as ações do Submarino
entraram em queda livre, sem que a companhia pudesse conversar com os investidores
e esclarecer as incertezas. Isso porque durante 30 dias após a abertura
de capital as empresas têm de cumprir um período de silêncio,
o que o executivo não viu com bons olhos. "Foi uma das situações
mais frustrantes que já vivi", conta. "Reconheço que fomos
péssimos em nos mostrar ao mercado. Agora, nosso desafio é
dar tranqüilidade sobre nossas perspectivas."
O novo gerente de relações com investidores da Porto
Seguro, Guido Lemos, avalia que a companhia sofre com a falta de conhecimento
sobre o setor. "Estamos em constante contato com os analistas para que
o mercado entenda melhor a empresa." (Daniela Milanese e Ana
Paula Ragazzi - O Estado de S.Paulo)
06.06 - Bush escolhe deputado para presidir a SEC
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, nomeou quinta-feira
o deputado Christopher Cox para a presidência da Securities and Exchange
Commission (SEC, o órgão regulador do mercado de capitais
americano). Ele vai substitui William Donaldson, que na quarta-feira avisou
que deixará o cargo este mês.
Bush disse que o republicano Cox, da Califórnia, é um
paladino da liberdade empresarial no Congresso e que ele será um
excelente líder da SEC. Cox, de 52 anos, é bem mais novo
que seu antecessor, de 74. Ele está no Congresso há 16 anos.
Antes disso, trabalhou como advogado de empresas e como conselheiro da
Casa Branca durante a era Reagan.
Elogiando o trabalho de Donaldson à frente da SEC ele assumiu
em meio a uma série de escândalos corporativos Bush afirmou
que Cox é o homem certo para o cargo. Apesar de várias empresas
alegarem que Donaldson exagerava no controle do setor, Bush afirmou que
Cox dará continuidade a essa política. (O Globo)
03.06 - A CVM e o caso Brasil Telecom
Os recentes acontecimentos envolvendo os acionistas que exercem ou
exerceram o controle da Brasil Telecom Participações S.A.
e de sua controlada Brasil Telecom S.A. desafiam uma reflexão aprofundada
sobre o papel da CVM no curso de batalhas corporativas como esta, travadas
em sociedades nas quais grupos de acionistas, com participação
relativamente pequena no capital, detêm a maioria das ações
com voto, exercendo o controle de maneira compartilhada. No caso de Brasil
Telecom Participações, os 4 grupos envolvidos na disputa
pelo controle detêm menos de 19% do capital da companhia, em ações
que, no entanto, representam 51% do capital votante.
A primeira reflexão diz respeito às prioridades que a
CVM deve adotar em uma batalha longa e acirrada, com dezenas de ações
judiciais e arbitragens, no Brasil e no exterior, liminares diárias,
e até mudanças de posição no meio da disputa,
travada por quatro grupos extremamente poderosos e habilitados, titulares
de investimentos de muitos bilhões de reais, maciçamente
assistidos por advogados e consultores, e inteiramente capazes de exercitar
seus direitos e defesas.
Em um cenário como este, e sem prejuízo de atuar opinando
em processos judiciais e manifestando seu entendimento sobre a legalidade
de atos específicos, a CVM deve cumprir seu principal papel institucional,
de garantir que uma informação adequada e completa esteja
disponível aos investidores no mercado de capitais (que no caso
de Brasil Telecom detêm mais de 80% da empresa), até porque
é natural que os envolvidos em disputas de tal porte tendam a ocultar
o máximo de informações de seus oponentes.
Por isto, neste caso concreto e em outros, tem priorizado as medidas
que assegurem aquela informação aos conjuntos dos acionistas,
e tem procurado agir imediatamente, sempre que constata uma omissão
ou um defeito, inclusive através da emissão de ordens e da
imposição de multas por dia de atraso no seu cumprimento.
Uma segunda questão, que atinge não só as companhias
com controle compartilhado, mas muitas importantes companhias abertas nacionais
(destacando-se aquelas que foram objeto de privatização),
é a existência de ações sem direito a voto,
que permite que o controle possa ser obtido com menos de 17% do total das
ações. Nessas companhias, existe um grande risco de desalinhamento
de interesses entre os controladores e os demais acionistas. No entanto,
com a evolução dos últimos anos, as novas emissões
de ações no Brasil têm sido feitas quase exclusivamente
em ações com voto, ou em ações preferenciais
com direito a voto em matérias relevantes, sempre observado o novo
máximo legal de 50% do capital em ações sem voto ou
com voto restrito, introduzido pela reforma de 2001.
Com isto, embora conviva com um estoque significativo de companhias
controladas com pouco comprometimento financeiro, o mercado brasileiro
está em evidente evolução para um cenário de
muito maior alinhamento de interesses entre controladores e minoritários.
Uma última questão sobre a qual se deve refletir é
a do tempo adequado de resposta, pela CVM, a denúncias de condutas
ilícitas supostamente praticadas por acionistas e administradores
de companhias.
A CVM tem adotado, e pretende continuar a adotar, quanto aos processos
de investigação e eventual punição por condutas
ilegais, o caminho da análise ponderada e profunda que se recomenda
a quem tem o poder de impor pesadas sanções aos agentes de
mercado. Todas e cada uma das dezenas de denúncias que têm
sido apresentadas pelos grupos envolvidos na disputa de Brasil Telecom
serão analisadas com o cuidado que merecem, e o seu julgamento final
produzirá no mercado, seja pela absolvição, seja pela
condenação, o efeito educativo que se busca com tais decisões.
É possível que, chegado esse momento, a disputa pelo controle
da Brasil Telecom já tenha sido encerrada, provavelmente por um
mecanismo normal de mercado, ajustado entre as partes envolvidas. Então,
como agora, caberá à CVM, com grande serenidade, completar
sua missão e, se for o caso, punir exemplarmente todas as eventuais
condutas ilícitas que, no calor da disputa, tenham sido denunciadas.
Só assim a CVM estará cumprindo seu dever prioritário,
e de longo prazo, de proteção dos acionistas não controladores
e de apoio à construção de um mercado de capitais
mais desenvolvido no Brasil. (O Estado de S.Paulo - Marcelo
Trindade é presidente da CVM)
03.06 - Petrobras conclui estudos para ingressar no Nível 1
A Petrobras poderá anunciar a curto prazo seu ingresso no Nível
1 de governança corporativa da Bovespa. "Brevemente acredito que
vocês terão notícia de que a Petrobras deva estar entrando
no Nível 1 da Bovespa", disse ontem, no Rio, o gerente de investidores
individual da estatal, Paulo Maurício Campos. Ele salientou que
o tema, em estudo na empresa, deve ser submetido à aprovação
da diretoria-executiva e do conselho da companhia. Ele não quis
falar em datas, mas admitiu que o processo pode ser concluído em
2005.
Campos afirmou que apesar de a empresa não ter migrado para
o nível de governança corporativa da Bovespa, a estatal cumpre
todos os requisitos de transparência exigidos pelo mercado. A vantagem
de aderir ao Nível 1, segundo ele, está no fato de que hoje
a governança corporativa é um dos itens considerados por
entidades como o Instituto Nacional de Investidores (INI) para se ter uma
boa valorização das ações. "Em termos de governança
já fazemos tudo o que é possível fazer", ponderou.
De acordo com Campos, inicialmente a Petrobras tinha interesse de aderir
ao Nível 2 da Bovespa, mas a Procuradoria Geral da União
votou contra a decisão da empresa em 2003. "Agora queremos entrar
no Nível 1", disse Campos. Ele acrescentou que a empresa também
vem atendendo as exigências feitas pela Securities and Exchange Commission
(SEC), órgão regulador do mercado de capitais americano,
fazendo adaptações nas suas informações contábeis.
Isso é necessário porque, em 2000, o governo brasileiro vendeu
na Bolsa de Nova Iorque 28% das ações ordinárias da
Petrobras. Hoje o governo detém 55,7% das ações com
direito a voto e 40% do capital total da estatal, incluindo as ações
na carteira da BNDESPar.
"A lei americana Sarbanes-Oxley prevê a existência de um
comitê de auditoria, algo equivalente no Brasil ao conselho fiscal,
e estamos trabalhando para fazer as adaptações necessárias
até 31 de julho", disse Campos. Ele salientou que outra norma americana
exige a revisão de cada processo interno da empresa com a respectiva
auditagem, mas informou que neste caso a SEC estendeu até 31 de
dezembro de 2006 o prazo para as empresas se adaptarem à regra.
Campos também previu que a empresa deverá continuar a
pagar dividendos na faixa de 30% do lucro líquido, que no primeiro
trimestre foi de R$ 5 bilhões. Campos informou ainda que a empresa
continua a olhar o mercado para aproveitar eventuais oportunidades de captação.
"A vantagem é que temos um caixa robusto e forte", observou.
(Francisco Góes - Valor Online)
02.06 - Nova lei européia afeta brasileiros
Companhias terão outros gastos, além dos causados por
leis americanas
Entrou em vigor ontem, nos 25 países da Comunidade Européia,
uma lei que afeta os emissores brasileiros de ações e títulos
de dívida naquela região. Depois dos gastos com as regras
mais rígidas nos Estados Unidos, as companhias que pretendem entrar
na Europa passarão por nova rodada de custos e trabalho.
Consultores aconselham os interessados a se preparar desde já,
apesar de a lei adiar o cumprimento por estrangeiros. A nova norma chama-se
"prospectus directive". A mudança mais importante que afeta os emissores
externos é a obrigatoriedade de publicação de balanços
no modelo internacional, conhecido por IFRS, a partir dos números
de 2007.
"É possível que as empresas tenham um trabalho tão
árduo quanto o de adaptação à rígida
lei corporativa Sarbanes-Oxley, nos EUA", disse David Fenwick, sócio
do escritório de advocacia Linklaters. Ele contou que, embora a
obrigação entre em vigor em apenas 2 anos, os balanços
precisam ser comparáveis. "Então as corporações
devem mostrar relatórios de 2007, mas também de 2006 e 2005."
Uma outra lei, a "transparency directive", também exigirá
balanços em IFRS dos estrangeiros com títulos na Europa e
entra em vigor no segundo semestre de 2006.
"Se as brasileiras perderem a oportunidade de conversão ficarão
cada vez mais isoladas do mercado de capitais global", acredita o diretor
da PriceWaterhouseCoopers Brasil Fábio Cajazeira. "Além disso,
o balanço em IFRS permite a comparação com concorrent
es internacionais."
Para ele, o adiantamento dos trabalhos tende a diminuir os custos extras,
mas, lembrou, a adaptação não é fácil.
"As normas internacionais são muito divergentes das brasileiras.
Há diferenças na contabilização de ativos,
passivos e de fluxo de caixa, por exemplo, que vão gerar números
diversos." Segundo Cajazeira, as empresas que já tiveram de se adaptar
à Sarbanes-Oxley nos EUA podem encurtar o caminho aproveitando a
experiência adquirida.
Edward Ruiz, sócio da área de auditoria da Deloitte Touche
Tohmatsu, disse que a companhia orienta os clientes de olho no tempo de
conversão dos balanços. "O processo pode levar entre seis
meses e dois anos." No futuro, lembrou, a Europa poderá aceitar
as normas contábeis dos Estados Unidos (USGaap) em seu âmbito
e vice-versa. Mas isso não significa que as companhias brasileiras
com ações nos EUA - e que já publicam números
em USGaap - devam relaxar no cumprimento das leis européias. "Seria
perigoso esperar. Oportunidades de captação e investimento
podem ser perdidas por isso." (Aline Cury Zampieri - O Estado de
S.Paulo)
02.06 - Mudanças nas regras de fundos devem sair até o
mês de setembro
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) deve divulgar
até setembro mudanças na Instrução 409, que
regulamenta o setor de fundos de investimento. Entre as principais alterações
estará a obrigatoriedade de os gestores que aplicam em papéis
privados que exigem avaliação maior de risco de crédito
colocarem no nome do fundo em que ativos a carteira está mais concentrada.
A informação é do superintendente de Relações
com Investidores Institucionais da autarquia, Carlos Eduardo Sussekind,
que participou ontem do 3º Congresso sobre fundos promovido pela Associação
Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid).
Além dessa mudança, o executivo diz que a CVM estuda
também flexibilizar o percentual que os fundos de renda fixa têm
para aplicar em carteiras de direitos creditórios (FIDCs). Também
chamados fundos de recebíveis, essas carteiras foram regulamentadas
no final de novembro de 2001 e aplicam em títulos lastreados em
créditos que bancos ou empresas têm a receber como, por exemplo,
carteiras de crédito ao consumidor, de financiamento imobiliário,
faturas de vendas a prazo, etc. Atualmente, os fundos de renda fixa só
podem aplicar até 10% do patrimônio em cotas desses fundos.
Sussekind. disse ainda que na quinta-feira, a CVM irá se reunir
com uma comissão da Anbid para discutir outras sugestões
de mudanças na 409. Segundo Alfredo Setubal, presidente da Anbid,
nessa reunião serão discutidas não apenas questões
relativas a fundos, mas também custódia e mercado de capitais.
O Valor apurou que questões operacionais como a cobrança
da taxa de fiscalização dos fundos de investimento estarão
na pauta.
Com relação à fiscalização educativa,
ou seja, sem punições, que a CVM está promovendo para
verificar o ajuste dos fundos de varejo à 409, o executivo disse
que a autarquia já enviou mais de 5 mil questionamentos para administradores
explicarem variações de cotas fora do padrão da aplicação.
Setubal acha que a elevada taxa de juros acaba concentrando recursos
nos fundos de renda fixa - que representam a maior parte do volume no setor
- e inibem a criação de produtos. "Há um certo 'empoçamento'
dos recursos na renda fixa e em títulos públicos, limitando
a capacidade de diversificação de risco."
O Ibope divulgou também a pesquisa com mil entrevistas telefônicas
em todo o país com pessoas acima de 18 anos das classes A, B e C.
O estudo revelou que um terço dos entrevistados está muito
disposto a investir em fundos, enquanto 25% não têm interesse.
Entre os que investem, 38% têm mais de 50 anos, 26% de 40 e 49, 19%
entre 30 e 39 e 16% entre 16 e 29 anos. Os homens representam 56%.
A maioria (53%) dos investidores pertence à classe A e o restante,
à classe B. A renda familiar mensal, em 30% dos casos, vai de R$
4,8 mil a R$ 9,6 mil e 24% de R$ 1,2 mil a R$ 4,8 mil. As capitais concentram
88% dos investidores em fundos, sendo que 72% têm nível superior.
Os bancos de varejo são os locais de investimento de 89% dos
entrevistados. O valor aplicado, segundo 32%, é uma pequena parcela
da renda, enquanto 31% investem uma grande parcela. A maioria (52%) tem
entre dois e quatro fundos e 49% aplicam até R$ 20 mil.
A maioria (54%) dos entrevistados já ouviu falar de fundos DI
e 48% conheciam os renda fixa. Já 30% confundiram CDBs com fundos.
Sem citar os tipos de fundos, os de ações eram conhecidos
por apenas 39%. Mas diante de uma lista, 89% conheciam essas carteiras,
perdendo apenas para os renda fixa, conhecidos por 92%.
Um terço dos entrevistados não sabia o valor mínimo
de aplicação, a rentabilidade mensal e mais de 60% não
faz idéia de qual a taxa de administração do fundo.
Mais de 60% sabiam da nova regra de tributação regressiva.
Mas 69% acreditam que o fundo seria prejudicado pela falência do
gestor.
A principal fonte de informação para 54% dos investidores
são gerentes de bancos e, para 45%, jornais. O tempo médio
de permanência da aplicação em um fundo, para 40% dos
entrevistados, é de mais de 24 meses.
Para 65% dos aplicadores, a rentabilidade só é boa em
fundos com aplicação muito alta ou para quem tem muito dinheiro.
Apesar disso, 67% afirmam estar satisfeitos com seus investimentos em fundos.
(Luciana Monteiro, Angelo Pavini e Flavia Lima - Valor Online)
01.06 - Unibanco eleva participação no IRB para ter assento
no conselho
A Unibanco AIG Seguros acaba de aumentar sua participação
acionária no capital do IRB-Brasil Resseguros, estatal que detém
o monopólio dos resseguros. Segundo José Rudge, presidente
da Unibanco AIG, a seguradora está gastando cerca de R$ 60 milhões
para elevar sua participação dos atuais 5,6% para 10,7%,
com a aquisição das ações (4,1%) que pertenciam
às seguradoras SulAmérica e (1%) de outra companhia que Rudge
preferiu não revelar o nome, já que as negociações
ainda estavam para ser concluídas ontem à noite.
O IRB é alvo de denúncias de desvio de recursos para
partidos políticos. Sem mencionar o caso, Rudge explicou que a compra
das ações tem por objetivo ganhar o direito de assento no
Conselho de Administração da estatal e influir na seleção
das corretoras de resseguros que participam da distribuição
de riscos.
"Somos líderes de mercado em riscos industriais, somos parceiros
importantes do IRB e queremos sentar no Conselho para participar dos comitês,
principalmente das definições de diretrizes, no sentido de
zelar para ter um comitê de 'security' bem organizado", afirmou Rudge,
referindo-se ao comitê que classifica e seleciona as corretoras.
"Queremos ter no IRB resseguradoras internacionais de primeira linha, que
possam dar garantias na eventualidade de um sinistro no mercado local."
O pivô das denúncias envolvendo o IRB é uma corretora
de resseguros chamada Assurê, que pertence ao corretor Henrique Brandão.
O capital do IRB é dividido em 1 milhão de ações,
no valor total de R$ 750 milhões. Do total das ações,
500 mil pertencem ao Tesouro Nacional. A outra metade é dividida
entre as seguradoras sendo a Bradesco Seguros a maior acionista, com cerca
de 18% de participação. A Unibanco AIG é a quarta
maior companhia de seguros brasileira depois da Bradesco, SulAmérica
e Itaú.
Sobre a notícia de que a seguradora americana AIG montou operações
fictícias de resseguro para evitar reconhecer o prejuízo
com suas operações brasileiras (divulgada pelo Valor na edição
de segunda-feira), Rudge frisou que a Unibanco AIG não está
envolvida nas operações. Segundo ele, as perdas sofridas
pela AIG com a desvalorização do real não têm
relação com o desempenho das operações no Brasil,
que são lucrativas. "A Unibanco AIG é uma companhia independente,
gerida de forma independente, e qualquer impacto positivo ou negativo que
vier a ser registrado no balanço da AIG (nos EUA) não tem
qualquer impacto no balanço no Brasil e não tem nada a ver
com a operação local", afirmou o executivo. (Janes
Rocha - Valor Online)
Notícias
Anteriores

|