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24.06 - Juros devem cair logo
Recuo dos índices que medem o custo de vida abre espaço para a queda na taxa Selic. Medida vai dar novo fôlego à produção
Em meio à crise política que sacode o país, o governo poderá receber ajuda de onde menos se esperava: das taxas de juros. Com os índices de inflação despencando, vários analistas começam a levantar a possibilidade de o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central antecipar para o mês que vem, no máximo em agosto, o início do processo de redução da taxa básica de juros (Selic). Se isso acontecer, são fortes as chances de a economia reverter o processo de desaceleração no segundo semestre — o de maior produção da indústria, por causa das festas de fim de ano —, estimulando os empresários a desengavetarem projetos de expansão de fábricas, postos de lado diante da perspectiva de não terem para quem vender no futuro. “A inflação está derretendo”, diz o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas Gomes. 
Pelas mais recentes previsões do mercado, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como referência para o sistema de metas de inflação do governo, ficará entre 0% e 0,2% neste mês. A se confirmarem tais projeções, este mês terá a menor inflação desde julho de 2003, quando a taxa ficou em 0,2%. Segundo Elson Teles, economista-chefe da Fides Asset Management e campeão de acertos na pesquisa semanal que o BC realiza junto a cem instituições financeiras, o IPCA está desabando devido às fortes quedas dos preços dos alimentos e dos combustíveis. No caso do álcool, ele estima retração no preço entre 9% e 10% neste mês. Já a gasolina ficará 1,5% mais barata. 
Sem riscos 
O otimismo entre os especialistas é tamanho, que, mesmo em julho, quando a inflação costuma repicar por causa dos reajustes das tarifas públicas, a previsão máxima para o IPCA é de 0,55%, voltando para a casa do 0,3% a partir de agosto. “Não há nada no horizonte de curto prazo surgindo como risco para a inflação”, garante o economista e consultor Luís Otávio de Souza Leal. Nem mesmo o preço do petróleo. Apesar de o barril do óleo ter se aproximado dos US$ 60, o dólar em baixa e a forte queda do álcool — em São Paulo, o custo do litro caiu 15% — compensam a defasagem de preços dos combustíveis em relação ao mercado internacional. 
Na avaliação de Freitas Gomes, da CNC, as chances de os juros caírem mais cedo que o esperado — há um mês, o consenso era de que a queda só viria no último trimestre do ano — ficam mais fortes diante do fraco desempenho da economia, que inibe repasses de custos para os preços. Para Freitas, essa tal percepção está mais clara no mercado futuro da Bolsa de Mercadorias e de Futuros (BM&F), no qual as taxas de juros vêm caindo sistematicamente. Para os consumidores, isso é um bom sinal, pois bancos e financeiras usam os juros futuros para formar as taxas que cobram nos crediários. 
Segundo Carla Bernardes, economista do Banco Modal, será possível ter uma percepção mais sustentada do comportamento dos juros com a divulgação, hoje, da ata do Copom referente à reunião da semana passada, quando a Selic foi mantida em 19,75% ao ano. Hoje, também, o Conselho Monetário Nacional (CMN) define a meta de inflação para 2007. No BC e no Ministério da Fazenda, todos já dão como certo um índice de 4,5%, podendo oscilar dois pontos para baixo ou para cima, assim como em 2006.    (Vicente Nunes - Correio Braziliense)

24.06 - O perfil do investidor brasileiro em fundos 
O investidor brasileiro em fundos é homem (mas as mulheres estão chegando lá), casado, tem curso superior, freqüenta a classe A (na classificação do marketing) com escorregadelas para a B e a C, tem renda mensal familiar que pode ir de R$ 1.200 a R$ 9.600. Esse é o ''rosto típico'' do investidor segundo pesquisa realizada pelo Ibope para a Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid). 
Traduzindo em números, trata-se de um contingente de certa forma pequeno: 2,4 milhões de pessoas (há 109 milhões de brasileiros com mais de 18 anos e 54 milhões com mais de 18 anos e que transitam pelas classes A/B/C). O valor das aplicações é compatível com nossa pirâmide de renda; 23% aplicam até R$ 5 mil; 25% entre R$ 20 mil e R$ 100 mil (é a classe média dos fundos). 
Com que objetivo aplicam? A resposta é um retrato do grau atual de aspirações dos brasileiros. Pela ordem: apenas 5% pensam na velhice/aposentadoria; 11%, em deixar para os filhos; 20%, em ''realizar projeto/comprar algo''; 30%, em ''manter valor e usar quando precisa''; e - topo da escala - 33% aplicam em fundos ''por segurança para emergências''. 
Só para comparar, quando se isola a categoria dos magnatas: segundo a supercorretora americana Merril Lynch, existem 98 mil brasileiros que possuem mais de US$ 1 milhão em aplicações financeiras, aqui e lá fora e não só via fundos. São os nossos milionários - em dólares.    (Jornal do Brasil)

24.06 - Opportunity Asset perde patrimônio
Na briga entre Daniel Dantas e os sócios Citigroup e fundos de pensão, as balas perdidas fizeram outras vítimas além da Brasil Telecom e do Banco Opportunity. A gestora de recursos do Opportunity também sofre com a exposição do conflito entre os acionistas, apesar do briguento Dantas estar formalmente afastado da empresa, dedicando-se ao banco e a suas participações societárias na telefonia desde 1998. Em 12 meses encerrados dia 20 de junho, período em que a disputa se tornou mais violenta, com direito a denúncias de espionagem, buscas da Polícia Federal e tentativas de prisão do banqueiro, a gestora registrou uma perda líquida de depósitos, descontada a rentabilidade, de 26,57% em seus fundos abertos, conforme dados do site Fortuna a partir das informações divulgadas pela Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid).
O percentual equivale a R$ 661 milhões de um total de R$ 2,449 bilhões. No ano, a perda é de 8,87%, ou R$ 239 milhões. A diretora comercial da Opportunity Asset Management, Valéria Rodrigues, minimiza a perda e lembra que ela corresponde apenas aos fundos que informam dados ao mercado.
Segundo ela, somando os fundos exclusivos de clientes de alta renda (private), de R$ 4,5 bilhões, e os fundos fora do país (offshore), de R$ 1,8 bilhão, que não informam seus dados via Anbid, o patrimônio sob gestão chega a R$ 7 bilhões. "Se formos contar todos os valores, nossa perda de patrimônio está em torno de 4%", afirma Valéria. Ela acrescenta que, após o acordo com a Telecom Itália, no qual Dantas vendeu a participação do Opportunity na Brasil Telecom, as consultas de clientes preocupados diminuíram.
A gestora admite, porém, que a exposição do grupo pelas brigas de Dantas afetou a empresa de gestão. Tanto que um fundo multimercado, o Market, que deveria fechar para captação após ter atingido R$ 500 milhões em agosto de 2004 e ser substituído por uma carteira multigestor, o Allocation, acabou perdendo depósitos e permanece aberto, com R$ 316 milhões. O Allocation, por sua vez, teve crescimento discreto, com patrimônio de R$ 15 milhões hoje. "As maiores saídas foram em multimercados, cuja presença dos bancos como distribuidores é mais forte e o peso dos clientes novos é maior", explica Valéria. Os números do Fortuna confirmam esse dado, com um resgate de R$ 380 milhões em 12 meses, nos multimercados da asset. Os fundos de ações, carro-chefe da casa, têm perda de R$ 112 milhões, pequena em relação ao patrimônio de R$ 1,401 bilhão. As perdas pode também ser atribuídas à má fase da bolsa e à redução do interesse por multimercados em geral.
Mais do que a perda de depósitos, insignificante segundo a avaliação de Valéria, as brigas do banco atrapalharam o crescimento da asset, diz a executiva. Durante o vendaval, a gestora procurou também compensar os resgates com a ampliação do atendimento a clientes de maior renda por meio de representantes autônomos. O serviço, batizado de Guidance, passou de dez módulos de atendimento para 30 em seis meses e conta agora com 250 clientes com patrimônio total de R$ 250 milhões. O objetivo são clientes com recursos a partir de R$ 1 milhão, que entram para o private do Opportunity, afirma Valéria.
"Temos uma boa marca, o Opportunity é reconhecido como um bom gestor de renda variável", diz. "É importante lembrar que quem cuida da gestora é o Dório Ferman, conhecido no mercado e gestor do Lógica II desde 1986." Criado em 1986, o Lógica II é visto como um exemplo de fundo de ações, com um ganho acumulado até abril deste ano em dólares de 41.290%, para 337% do Índice Bovespa, com um retorno médio de 37,2% por ano, segundo dados do Opportunity.    (Angelo Pavini - Valor Online)
 
 
 
 
 
 

23.06 - IGP-M registra deflação
A inflação medida pelo Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M) apurou uma taxa negativa de 0,38% na segunda medição de junho. Na segunda prévia do mês anterior, o indicador havia registrado deflação de 0,09%. Os preços no atacado continuaram a puxar a taxa de inflação para baixo. O Índice de Preços do Atacado (IPA) apurou deflação de 0,90% contra deflação de 0,52% na segunda medição de maio. Em junho, os produtos industriais começam a liderar a desaceleração dos preços no atacado. Eles registraram deflação de 0,69%, ante alta de 0,30% na segunda prévia de maio.   (Correio Braziliense)

23.06 - Arrecadação indica crescimento econômico, diz Pinheiro
O secretário adjunto da Receita Federal, Ricardo Pinheiro, afirmou ontem que o aumento da arrecadação sinaliza melhora na economia. Pinheiro cita como exemplo o desempenho da arrecadação de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), que cresceu em termos reais (corrigida a inflação pelo IPCA) 31,09%, e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL), teve aumento de 15,74% em maio desse ano na comparação com o mesmo período do ano passado. O que contribuiu para o resultado, foram os setores como papel, eletricidade e tratamento e distribuição de água. "Se observarmos esses setores, a economia brasileira está sinalizando crescimento". 
A arrecadação também foi expressiva com relação ao Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), com acréscimo de 17,07%, Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio, Seguro ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários (IOF), com alta de 17,53% e IPI de Automóveis, com ganho de 7,12%. O Imposto de Renda Retido na Fonte, referente a rendimentos do trabalhador assalariado, cresceu 12,60%. 
Os tributos que apresentaram redução na arrecadação foram a Cofins (7,99%) e PIS/Pasep (5,52%). Segundo Pinheiro, isso ocorreu porque a partir de maio do ano passado foi iniciada a tributação nas importações. Naquele mês ainda não havia créditos tributários a serem aproveitados pelos empresários. Nesse ano, os empresários estão aproveitando os créditos, o que gera queda na arrecadação. 
No acumulado no ano a arrecadação chegou a R$ 144,145 bilhões, um crescimento real (corrigido pelo IPCA) de 6,06% sobre o mesmo período do ano passado. (Kelly Oliveira - InvestNews)

23.06 - Juros futuros fecham estáveis à espera de ata
As projeções dos juros negociadas na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) fecharam perto da estabilidade nesta quarta-feira, à espera da divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). O documento será divulgado nesta quinta-feira e deverá detalhar os motivos da interrupção dos aumentos de juros do país. 
O Depósito Interfinanceiro (DI) de outubro fechou com taxa de 19,68% ao ano, estável no dia. O DI de janeiro de 2006 teve taxa de 19,24% anuais, contra 19,23% do fechamento anterior. A taxa do DI de janeiro de 2007 cedeu de 17,67% para 17,65% anuais. A taxa Selic está hoje em 19,75% anuais. (Agência O Globo)

23.06 - Dívida externa cai com dólar fraco 
Governo e empresas devem 5,5% menos 
O Brasil encerrou 2004 com um passivo líquido de US$ 296 bilhões em sua posição internacional de investimento. A cifra é a maior dos últimos quatro anos e resulta da diferença entre o ingresso de US$ 446 bi de recursos externos e as aplicações nacionais lá fora, que chegaram a US$ 150 bi. O indicador é um dos dados utilizados pelas agências de classificação de risco para avaliar a ''saúde'' da economia frente a eventuais crises externas. Segundo o Banco Central, a expansão é resultado da valorização do real. 
Já a dívida externa, outro indicador de vulnerabilidade, caiu de US$ 235 bi em dezembro de 2003 para US$ 221,6 bi em março de 2005 - queda de 5,5%. O dólar baixo levou muitas empresas a reduzir suas dívidas em moeda estrangeira. O câmbio também infla os investimentos estrangeiros, já que permite uma reconversão por quantidade maior de dólares. 
Para especialistas, o aumento do passivo seria preocupante se o país tivesse registrado déficit em conta corrente - o saldo, no fim de 2004, foi positivo em US$ 2,4 bilhões.    (Luciana Otoni - Jornal do Brasil)
 
 
 
 
 

22.06 - Investidor mantém aposta para os títulos federais
A crise política não diminuiu o apetite dos investidores por títulos do governo federal. De acordo com o Tesouro Nacional, a rolagem da dívida mobiliária federal interna não foi afetada, apesar das denúncias de corrupção. Em maio, o volume de papéis nas mãos do público atingiu R$ 887,9 bilhões – um crescimento de R$ 14,1 bilhões (1,6%) na comparação com abril. 
Um dos motivos para a alta no estoque foi a emissão líquida de R$ 3,8 bilhões em maio. Isso quer dizer que, no período, a oferta de títulos públicos federais superou os resgates de papéis. Também influenciou no crescimento o efeito dos juros pagos aos investidores. 
Embora a dívida tenha crescido no mês, a parcela de papéis prefixados na composição do estoque nunca esteve tão elevada (22,05%), enquanto a exposição cambial nunca alcançou níveis tão baixos (4,27%). Para o governo, quanto maior a participação de títulos prefixados, melhor. Isso torna a administração da dívida mais previsível. 
Mesmo o acirramento da crise política, neste mês, não comprometeu a estratégia de financiamento da dívida, de acordo com o coordenador-geral da Dívida Pública, Paulo Valle. Ele relata que, há duas semanas, o Tesouro adotou uma atitude mais conservadora ao ofertar papéis. 
O entendimento era que o mercado estava mais volátil devido ao noticiário político. O Tesouro decidiu então ajustar o tamanho do lote de títulos. "Fizemos um leilão mais conservador, ao ofertar apenas R$ 1,5 bilhão. Mas não verificamos redução da demanda. Pelo contrário, a demanda continua forte. No leilão seguinte, chegamos a vender com taxas mais baixas'', declarou Valle.   (Jornal de Brasília)

22.06 - Pesquisa mostra alta do custo de vida em SP e Rio
São Paulo e Rio subiram no ranking das cidades com o maior custo de vida no mundo, que continua liderado pelo Japão. De um total de 144 países pesquisados, a capital paulista ficou em 119 lugar, com 66,6 pontos (numa escala que usa Nova York como base 100), nove posições acima de 2004. Já o Rio, com 65,4 pontos, subiu sete posições, para a 124 colocação. 
Tóquio cravou 134,7 pontos. Osaka ficou em segundo, Londres em terceiro e Moscou em quarto. Entre as cidades com o menor custo de vida estão Buenos Aires (142), Manila (nas Filipinas, em 143) e, em último, Assunção (Paraguai). 
A pesquisa, feita anualmente pela consultoria Mercer Human Resource Consulting, serve de referência para as multinacionais determinarem o salário de seus executivos no exterior. O avanço de São Paulo e Rio está ligado à valorização do real frente ao dólar, que reduziu o poder de compra dos salários fixados com base na moeda americana. Para Ivan Marc Faber, consultor da Mercer no Brasil, essas cidades devem subir novamente em 2006. 
Na América Latina, San Juan, capital de Porto Rico, tem o maior custo de vida, ficando em 74 lugar. (Aguinaldo Novo - O Globo)

22.06 - Remédio eficaz, já a dosagem... 
Tudo indica que o atual período de crescimento tem sustentabilidade. A economia brasileira vive um momento singular. Diferentemente de outros períodos de nossa história recente em que o País crescia de forma monumental durante um ou dois anos no máximo e depois entrava em longos períodos de estagnação ou mesmo de recessão, agora tudo indica que o crescimento tem a sustentabilidade que tanto o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, alardeia. Segundo o ministro, aqueles velhos erros do passado não serão mais cometidos. O maior de todos os erros é permitir que a inflação suba um pouquinho, só um pouquinho. Por isso mesmo, para não cometer esse erro, os juros da economia brasileira são tão altos. Mas será mesmo que precisamos ser os campeões do mundo? A taxa de juros real brasileira (taxa Selic descontada a inflação) é a maior do mundo: são 13% ao ano. O Brasil tem quase o dobro de juros reais da economia do país que ocupa o segundo lugar nesse lamentável ranking. Não estou colocando em xeque a política econômica do governo, que, para mim, acerta bem mais do que erra. No entanto, gostaria de colocar uma pergunta no ar: será que a equipe econômica não está querendo ser mais real do que o rei? No passado, o erro foi tentar planos heterodoxos, como congelamento de preços, ou controlar demasiadamente a taxa de câmbio. Hoje, temos uma senhora taxa de juros que parece não resolver muito o problema da inflação. Resolve até certo ponto. Até o ponto em que pode, é claro. O aumento da taxa Selic não pode fazer nada contra a pressão inflacionária da elevação das tarifas públicas, que são indexadas à inflação do ano imediatamente anterior. O câmbio flutua livremente, ao bel-prazer do mercado. Isso é saudável, mas o governo não deveria combater as extravagâncias e os exageros do senhor mercado? É muito importante ressaltar que o principal responsável pela alavancagem do Produto Interno Bruto (PIB) é o excelente saldo no nosso comércio exterior. Dólar a R$ 2,50 ou menos é bom para quem? Diriam alguns que é bom para baixar a inflação. Mas estranhamente eu noto que quando o dólar sobe a inflação vai atrás em passos largos, como em 2002. Mas quando o dólar cai, como caiu nesses últimos dois anos, a inflação fica quietinha como se não quisesse ver. Pois bem, ao arrochar tanto a economia, o BC, em vez de segurar a inflação e promover a continuidade do crescimento sustentável, não pode estar, nesse exato momento, colocando tudo a perder por um preciosismo além dos limites? O remédio é muito bom, mas na dosagem cavalar que vem sendo administrado não poderá asfixiar a economia? É como se pretendessem combater um vírus receitando-se antibióticos. Nem a forte crise política por que passa o País, com denúncias de corrupção nos Correios e de pagamento de mesada a deputados, seria motivo suficiente para o Copom manter a taxa de juros tão alta, quanto mais elevá-la, como já se especulou. Os números do PIB do primeiro trimestre deste ano já mostram forte desaceleração com relação aos trimestres anteriores e o IPCA veio abaixo do que o mercado projetava, o que reforça a tese de que o arrocho promovido pelo Copom já deu resultados. Sobre a possibilidade de a crise política afetar negativamente a economia e ser um fator desencadeador de aumento da inflação, acho muito pouco provável. O País hoje é muito mais maduro do que em crises anteriores. É evidente que alguma farpa vai sobrar para a economia, mas daí se esperar um repique mais agudo da inflação acho uma projeção pessimista demais. Por isso, o BC realmente encerrou o ciclo de alta dos juros nessa reunião de junho do Copom, mas talvez leve um tempo maior do que o esperado anteriormente para voltar a baixar a taxa.     (Gazeta Mercantil - José Arthur Assunção, Vice-presidente da Federação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e diretor da ASB Financeira.) 

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