21.06 - Taxa alta reduz ganhos nos fundos
A taxa de administração cobrada pelas instituições
financeiras para administrar os recursos dos investidores pode, num descuido,
se tornar uma das grandes vilãs do aplicador, comprometendo as economias
de toda uma vida. Um estudo feito pelo professor Roberto Zentgraf, coordenador
do MBA em Finanças do Ibmec/RJ faz a conta da diferença de
rentabilidade de uma aplicação financeira com a cobrança
de taxas distintas.
Diferença de 50% em20 anos de aplicação
Um aplicador que investisse R$ 10 mil num fundo com taxa de 0,5% ao
ano e com rentabilidade média de 18,2% ao ano (a variação
do CDI) — entre as mais baixas do mercado — teria, ao longo de cinco anos,
R$ 22.501,05. Em dez anos, os recursos somariam R$ 50.629,73 e, em 20 anos,
R$ 256.336,91.
Se o mesmo dinheiro fosse aplicado num fundo com taxa de 4% ao ano
— considerada bastante alta para fundos mais conservadores, como DI e renda
fixa, os mais procurados pelos investidores — em cinco anos o total aplicado
seria de apenas R$ 18.812,37, ou seja, 16,39% a menos. Em dez anos, os
ganhos fariam o capital chegar a R$ 35.390,53, 30% a menos que no fundo
com taxa mais baixa. Em 20 anos, a diferença entre os fundos chega
a 51,14%: a uma taxa de 4% ao ano, o aplicador teria investido R$ 125.248,98.
De acordo com Zentgraf, muitos investidores cometem o erro de escolher
o fundo de investimento avaliando apenas a rentabilidade bruta ou o nível
de risco:
— Eles muitas vezes esquecem que, dependendo da taxa, parte da rentabilidade
não chega no seu bolso. A escolha da taxa de administração
deveria ser o ponto de partida para se escolher o melhor fundo de investimento,
especialmente em fundos mais conservadores. Nestes casos, a carteira de
títulos públicos tem composição muito parecida,
mesmo em instituições diferentes, ou seja: a diferença
está justamente na taxa de administração. Nesses casos,
quanto maior, menos rentável será o fundo — alerta Zentgraf.
Mesmo banco tem fundos similares com taxas diferentes
O professor explica que o investidor pode encontrar numa mesma instituição
fundos de perfil bastante parecido, mas com taxas bem diferentes: mais
baixas para aplicações de maior valor e mais altas para investimentos
de quantias baixas:
— Por isso, pesquisar é essencial para não comprometer
o dinheiro aplicado. (Patricia Eloy - O Globo)
21.06 - Mercado projeta queda para todos os índices
A expectativa dos analistas consultados pelo Banco Central (BC) para
a inflação medida pelo Índice Geral de Preços
- Disponibilidade Interna (IGP-DI) apresentou recuo, passando de 5,55%
para 5,43%, para este ano. Em junho, as projeções passaram
de 0,33% para 0,13%. A estimativa para a inflação medida
pelo Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M ) também
desacelerou, passando dos 0,20% para queda de 0,09%. Para o ano, o mercado
prevê uma inflação de 5,40%, abaixo dos 6,61% previstos
anteriormente.
A perspectiva para o Índice de Preços ao Consumidor (IPC)
da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe/USP)
em 2005 é de 6%. Para este mês, a aposta é de 0,30%,
contra os 0,35% previstos na pesquisa anterior.
Mercado reduz estimativa de crescimento da economia
O mercado reduziu a estimativa para o crescimento da economia pela
terceira vez consecutiva, segundo o Relatório de Mercado divulgado
nesta segunda-feira pelo Banco Central. A previsão para o crescimento
do Produto Interno Bruto (PIB), passou de 3,12%, previsto há uma
semana, para 3,10% para este ano. Para 2006, a projeção se
mantém em 3,50%, há sete semanas. (KO - InvestNews)
21.06 - IPCA deve ficar em 6,16% em 2005, prevê mercado
Os analistas financeiros consultados pelo Banco Central reduziram pela
quinta semana consecutiva a previsão para o Índice de Preços
ao Consumidor Amplo (IPCA), apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE), deste ano. De acordo com o Relatório
de Mercado, divulgado semanalmente pelo BC, os analistas projetam um IPCA
de 6,16% para 2005, contra os 6,21% da pesquisa anterior.
A previsão do mercado está acima do foco da meta da inflação
estabelecida pelo governo para este ano, que é de 5,1%. As estimativas
para 2006, porém, foram mantidas em 5%, ainda acima dos 4,5% estabelecidos
para a inflação pelo governo. (KO - InvestNews)
21.06 - Um plano alternativo
O deputado Delfim Netto (PP-SP) está convencido de que se o
Governo adotar a meta de déficit nominal zero a taxa de juros cairá
substancialmente e os investimentos produtivos serão retomados.
"A taxa de juros vai descer de elevador", afirma. A proposta de Delfim
é mudar a Constituição para elevar a DRU (Desvinculação
das Receitas da União) dos atuais 20% para 30% ou 40%.
O deputado sugeriu também estabelecer limite constitucional
para as despesas. O plano prevê a redução a zero do
déficit nominal em quatro a cinco anos e das tarifas efetivas de
importações com o objetivo de aumentar a concorrência
do setor privado. Delfim avisa, porém, que não é candidato
a qualquer cargo no governo. (Ribamar Oliveira - Jornal do Commercio)
21.06 - Inflação mantém tendência de queda
em São Paulo
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do município
de São Paulo, calculado pela Fundação Instituto de
Pesquisas Econômicas (Fipe), registrou na segunda quadrissemana de
junho inflação de 0,07%, abaixo dos 0,19% do último
resultado e dos 0,58% da segunda prévia de maio. É a taxa
mais baixa desde a primeira prévia de abril de 2004.
O item que apresentou maior alta de preços foi saúde
(0,52%), seguido por despesas pessoais (0,36%); habitação
(0,25%); vestuário (0,20%) e educação (0,14%). Os
grupos alimentação e transportes apresentaram deflação
de 0,24% e 0,32%, respectivamente. (Agência O Globo)
21.06 - IPC-S apura a menor inflação desde outubro
A inflação medida pelo Índice de Preços
ao Consumidor - Semanal (IPC-S) caiu para 0,24% na apuração
de preços encerrada em 15 de junho, informou nesta segunda-feira
a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Este foi o menor
resultado desde a quarta semana de outubro de 2004, quando o IPC-S registrou
variação de 0,10%. Todas as sete classes de despesa apresentaram
desacelerações, com destaque para alimentação
e habitação.
Pela primeira vez no ano, o grupo alimentação registrou
taxa de variação negativa, -0,20%. Do total de 21 itens componentes,
15 apresentaram desaceleração em suas taxas de variação.
Nesta edição, a principal contribuição para
a redução da taxa do grupo partiu do item hortaliças
e legumes, cuja variação recuou 6,17 pontos percentuais,
passando de 3,78% para -2,39%.
Contribuíram ainda para o movimento de desaceleração
os seguintes itens: adoçantes (-2,03% para -3,05%), arroz e feijão
(1,17% para 0,03%) e laticínios (1,01% para 0,36%).
De acordo com um comunicado da FGV, a ausência de preços
administrados reajustados neste momento contribuiu para o movimento de
desaceleração da taxa do grupo habitação, que
passou de 0,67% para 0,50%. (Agência O Globo)
20.06 - Primeiro índice de junho aponta deflação
IGP-10 teve queda de 0,41, puxada pelo preço no atacado
Os preços medidos pelo Índice Geral de Preços
-10 (IGP-10) registraram deflação (inflação
negativa) de 0,41% em junho, depois de terem variação zero
no mês anterior. Este foi o primeiro índice de junho a ser
divulgado e confirma a trajetória de queda da inflação.
O resultado ficou abaixo das expectativas do mercado financeiro, que esperava
entre -0,35% a 0,10%.
O IGP-10 acumula altas de 2,18% no ano e de 7,64% em 12 meses até
junho. O IGP-10 de junho é o menor resultado desde julho de 2003,
quando teve queda de 0,73%. Os preços no atacado, segundo a Fundação
Getúlio Vargas (FGV), voltaram a puxar para baixo a taxa de inflação,
como já havia sido verificado em outros índices.
Outro fator decisivo para a despencada foi o câmbio, que puxou
para baixo os preços de insumos industriais no atacado, ligados
direta ou indiretamente ao dólar; e de algumas commodities agrícolas.
Para o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão
Quadros, a deflação está se aprofundando nos IGPs.
"Essa é a terceira deflação consecutiva em um índice
fechado. Tivemos o Índice Geral de Preços (IGP-M) de maio,
que caiu 0,22%, e o Índice Geral de Preços - Disponibilidade
Interna (IGP-DI) de maio, com deflação de 0,25%", disse.
Ele considerou que a taxa negativa do IGP-10 de junho, cujo período
de coleta de preços foi do dia 11 de maio a 10 de junho, foi a mais
intensa das três.
"Provavelmente, poderemos ter deflações de novo, no IGP-M
de junho", disse. Para ele, o processo de deflação está
"espalhado" principalmente no atacado.
O Índice de Preços do Atacado (IPA) recuou de -0,43%
para -1,10%. Além do efeito benéfico da taxa de câmbio
sobre os preços, a desaceleração no atacado foi influenciada
pelo comportamento dos preços de alimentos processados, combustíveis
e legumes e frutas.
No varejo, o Índice de Preços ao Consumidor -10 (IPC-10)
caiu quase à metade, com taxa de 0,51% em junho, ante alta de 0,93%
em maio. (Jornal de Brasília)
20.06 - Domesticando expectativas
Segunda-feira é dia de checar os resultados da pesquisa sobre
as expectativas de inflação e outras variáveis macroeconômicas
divulgados pelo Banco Central. Afinal, tais expectativas quanto à
inflação estão entre os fatores determinantes da inflação
futura e, por conseguinte, da política monetária e do aperto
ou da folga na demanda agregada necessários para pôr a inflação
no patamar almejado.
Metas de inflação, desde que vistas como norte efetivo
da política monetária, servem como âncora na formação
de tais expectativas. Desse modo, em situações de choques
adversos, a existência de metas críveis minimiza o sacrifício
em termos de encolhimento na demanda agregada e no PIB requerido para combater
os efeitos inflacionários de tais choques. Caso vistas como um dispositivo
garantidor do compromisso por parte da política monetária
e como mecanismo de coordenação das expectativas, tais metas
facilitam a acomodação dos processos de formação
de preços à realidade pós-choque.
Tem sido assim no Brasil, desde que se estabeleceu o regime de metas
de inflação, em 1999? Ou seriam as expectativas de inflação,
em nosso caso, rebeldes?
Pelo menos dois fatos têm de ser considerados. Primeiro, nosso
regime de metas foi estabelecido numa situação inicial de
choque inflacionário associada à forte desvalorização
cambial que acompanhou a mudança de regime cambial, das taxas administradas
para o câmbio flexível. Desde então, o regime atravessou
outros choques adversos (racionamento de energia, Argentina, crise de confiança
em 2002, preços de commodities) e, a rigor, ainda nem chegou a operar
num contexto de taxas de inflação - e de taxas reais de juros
- consideráveis como estáveis e adequadas no longo prazo.
Além disso, tanto a instalação de um regime de responsabilidade
fiscal quanto o histórico de êxito no alcance de metas fiscais
vieram depois de já estar em operação o regime de
metas de inflação.
O segundo fato é a convergência nas expectativas de inflação
no Brasil. A dispersão entre as previsões de inflação
vem caindo brutalmente desde 1999 e tem permanecido baixa mesmo durante
os choques. Em 2004, tal processo de convergência se tornou ainda
mais acentuado.
É claro que essa convergência poderia ocorrer de modo
dissociado de metas oficiais de inflação e da política
monetária. A esse respeito, contudo, vale consultar um texto colocado
segunda-feira passada no site do FMI (What drives inflation expectations
in Brazil? An empirical analysis, de Martin Cerisola e Gaston Gelos).
As estimativas dos autores apontam claramente a meta de inflação
e as metas de superávit primário do setor público
consolidado como fatores importantes na determinação das
expectativas de inflação no Brasil. As variações
na taxa real de câmbio e nas taxas de salários reais também
influenciam, quando vistas como desvio em relação a suas
tendências, posto que indicam alterações esperadas
nos custos de produção.
O interessante do trabalho é a comprovação sistemática
de que as expectativas de inflação se vêm tornando
significativamente
menos voltadas para o passado, extrapolando a inflação anterior,
e cada vez mais ancoradas na meta de inflação, particularmente
desde 2003. Tal peso crescente das metas equivale a uma maior credibilidade
destas e implica custos menores em termos de demanda e PIB sacrificados
no ajuste para baixo de tais expectativas em situações de
choque.
Além disso, a política fiscal tem sido fundamental na
ancoragem das expectativas de inflação. Diante dos resultados
fiscais seguidamente obtidos desde o início do regime de metas,
caiu o receio com a chamada "dominância fiscal" sobre a política
monetária, ou seja, com o risco de que a política monetária
fosse tolhida por causa de seu impacto fiscal, apesar da autonomia operacional,
de fato, do Banco Central. Com a trajetória de queda na dívida
pública como proporção do PIB, diminuiu também
o medo de que o governo fosse tentado a usar a inflação como
forma de financiamento.
Conclusão: políticas fiscal e monetária prudentes
têm permitido a domesticação das expectativas de inflação
pelas metas estabelecidas, embora ainda estejamos no caminho rumo ao patamar
de longo prazo desejado. (Otaviano Canuto - O Estado
de S.Paulo)
20.06 - Consulta pela Internet do Fundo 157
Diante da enxurrada de telefonemas de investidores interessados em
saber se têm recursos aplicados nos antigos Fundos 157, que contabilizam
R$ 584 milhões de 3,4 milhões de cotistas “esquecidos" em
seu patrimônio e ainda podem ser engolidos pelo Tesouro Nacional,
a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) colocou à
disposição a consulta via Internet. Agora, por meio do “site"
www.cvm.gov.br os investidores poderão consultar se têm cotas
dos Fundos 157 e em qual instituição os recursos estão
aplicados.
De acordo com a CVM, a cada vez que a imprensa divulga a possibilidade
de resgate dos Fundos 157, a central de atendimento telefônico da
autarquia, que atende pelo número 0800-241-616, recebe quase 27
mil ligações por dia, o que excede em 27 vezes a capacidade
de recebimento de mil chamadas diárias. Normalmente, detalha a CVM,
a central recebe uma média de 300 ligações por dia.
Por conta do congestionamento da central telefônica, muitos investidores
não estavam conseguindo informações sobre a existência
de cotas dos Fundos 157 em seu nome. O psicólogo Mário Cleber
da Silva, 60 anos, por exemplo, reclama que, após várias
tentativas, não conseguiu ser atendido por telefone. “Quero saber
se tem alguma coisa e quanto é, para evitar que o dinheiro vá
para o Governo", disse. “Vou gastar melhor este dinheiro." Com aplicação
no antigo banco Comind, que há muito tempo deixou de existir, até
ontem Mário Cleber não tinha a menor idéia de para
onde foi enviada sua aplicação.
De acordo com a CVM, o sistema de consultas colocado no site da autarquia
na Internet exige apenas o número do CPF para fornecer informações.
Mas com esta consulta os investidores só conseguirão saber
se existem cotas de Fundos 157 em seu nome e em qual instituição
os recursos estão. O sistema também informa para qual banco
os recursos foram transferidos, caso a instituição financeira
que recebeu a aplicação original já tenha fechado
ou sido incorporada por outra. Para resgatar o dinheiro, é necessário
que o investidor se dirija ao banco indicado.
Apesar da bolada acumulada nos Fundos 157, é bom o investidor
não ir com muita sede ao pote na hora do resgate. De acordo com
a CVM, o valor médio das aplicações gira em torno
de R$ 100,00 a R$ 150,00, mas a maioria dos cotistas teria menos de R$
10,00 a resgatar. Em alguns casos, os cotistas têm descoberto que
seu dinheiro virou pó, seja porque o gestor do fundo aplicou mal
os recursos, seja porque os seguidos planos econômicos e a inflação
galopante corroeram a aplicação.
Os Fundos 157 surgiram por meio do Decreto-Lei 157, de 10/02/67, com
o objetivo de alavancar o mercado de ações. Os contribuintes
podiam aplicar parte do Imposto de Renda (IR) a pagar nestes fundos, que
investiriam os recursos na bolsa de valores. O resgate só podia
ser feito em longo prazo, e por causa disso muita gente esqueceu o dinheiro.
Os herdeiros também podem reclamar o resgate com pouca burocracia
junto aos bancos.
De olho no dinheiro esquecido, que só tem rendido taxas de administração
para os bancos gestores, o Governo já se movimenta para ficar com
os recursos. Projeto de Lei do senador Saturnino Braga (PT) prevê
a transferência do dinheiro para o Tesouro Nacional.
(Rafael Sânzio - Hoje em dia)
17.06 - Investidor vê fim do aperto monetário
A manutenção da taxa Selic em 19,75%, anunciada quarta-feira
pelo Comitê de Política Monetária (Copom), reforçou
a expectativa do fim do aperto monetário. Também apoiado
em números de inflação, mostrando queda e até
mesmo deflação, o investidor reduziu as projeções
dos contratos de juros futuros no curto prazo nesta quinta-feira.
Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) as taxas de juros recuaram
nos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) de curto prazo e
apresentaram alta no longo prazo. O contrato de DI de outubro, o mais líquido,
fechou a 19,67%, ante 19,73% do ajuste anterior. Já o DI de janeiro
de 2007, subiu de 17,65% para 17,68% ao ano.
Nesta manhã a Fundação Getúlio Vargas (FGV)
divulgou o Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) que registrou
em junho variação negativa de 0,41%. O resultado veio abaixo
do esperado pelos economistas. Carlos Cintra, gerente de renda fixa do
Banco Prosper, avalia que não há mais motivos para o Banco
Central continuar com sua política de aperto monetário. "Os
efeitos restritivos da política monetária estão cada
vez mais visíveis, especialmente, sobre a inflação,
que já apresenta trajetória mais favorável", destaca
o analista.
Por outro lado, Cintra lembra que o ciclo de aumentos no juro básico
da economia dependerá também do cenário externo, dólar
sem pressão e do campo político sem novos rumores que comprometa
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda,
Antônio Palocci. (Maria de Lourdes Chagas - InvestNews
17.06 - Selic alta ainda ameaça o 2° semestre, diz Fiesp
Sobre a manutenção da taxa de juros em 19,75% ao ano,
informada quarta-feira pelo Comitê de Política Monetária
(Copom) o presidente da Federação das Indústrias do
Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, salientou a discrepância
entre o patamar dos juros e os alarmantes dados relativos ao nível
de atividades. "Juro alto já matou o semestre. Agora, é preciso
salvar o ano. E isto somente será possível se os juros caírem
rapidamente, considerando que o mercado demora a refletir a oscilação
das taxas".
De acordo com o empresário, as estatísticas do próprio
governo e dos distintos setores da economia demonstram que o primeiro semestre
de 2005 já está perdido, com clara tendência de retração.
"Esperamos que o fato de o Copom ter mantido a Selic inalterada seja o
marco de um ciclo descendente, interrompendo-se a escalada da taxa iniciada
em setembro do ano passado".
Skaf lembra o quanto os juros altos são inócuos em relação
aos preços administrados, como os da energia, telefonia e transportes
coletivos, com sensível influência sobre a inflação.
Além disso, explica, nem se deve cogitar novo aumento dos juros,
pois isto seria uma afronta aos setores produtivos.
"Ao invés de juros altos, Brasília deve é reduzir
suas despesas, estas sim um elemento de pressão inflacionária",
ressalta. (Redação - InvestNews)
17.06 - Decisão sobre marcação a mercado pode mudar
O colegiado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM)
deve mudar a primeira posição sobre os processos que analisam
irregularidades na marcação a mercado das cotas dos fundos
de investimento na crise de 2002. Ontem, pela primeira vez, o novo diretor
da autarquia, Pedro Oliva Marcílio, manifestou seu voto em relação
ao tema e posicionou-se a favor da absolvição dos indiciados,
no caso específico a Sul América e o diretor de gestão
responsável. O processo de ontem foi o segundo de uma série
de mais de 15 que ainda serão julgados pela CVM, sendo que todos
avaliam a mesma questão: se os gestores cometeram ou não
irregularidades por não terem marcado pelo valor de mercado as Letras
Financeiras do Tesouro (LFTs) em carteira.
No primeiro processo analisado os indiciados eram a Nossa Caixa e o
diretor de gestão, que foram condenados ao pagamento de uma multa
de R$ 50 mil e R$ 5 mil, respectivamente. No primeiro julgamento, no entanto,
o colegiado ainda contava com o diretor Eli Lória, que antecedeu
Marcílio. Naquela composição, a votação
final acabou sendo de três votos pela condenação (de
Lória, Wladimir Castelo Branco e Norma Parente) e dois pela absolvição
(de Sergio Weguellin e do presidente Marcelo Trindade). Ontem, no entanto,
o julgamento da Sul América acabou tendo seu resultado final adiado,
porque o presidente declarou-se impedido e, desta forma, a votação
acabou empatada. A posição final será conhecida posteriormente,
uma vez que o superintendente internacional, Eduardo Manhães, convocado
para o desempate, pediu tempo para analisar o processo. No entanto, nos
demais processos que serão avaliados, quando nenhum integrante do
atual colegiado se der por impedido, a votação esperada seria
agora de três a dois pela absolvição. Está marcado
para segunda-feira o processo que avalia a marcação a mercado
no Banco da Amazônia e no dia 24 será a vez do Banrisul.
A avaliação dos casos de marcação a mercado
tem sido um desafio para o colegiado da CVM. O primeiro processo, da Nossa
Caixa, foi interrompido duas vezes por pedidos de vista e levou mais de
oito meses para ser julgado. (Catherine Vieira - Valor
Online)
17.06 - Serenidade
Economia e política não estão desassociadas, mas
os mercados, felizmente, ainda não se deixaram contaminar pelo clima
que envolve Brasília, com uma profusão de denúncias
de corrupção. E a razão para essa reação
serena é só uma: a economia brasileira de fato está
menos vulnerável a crises de ordem financeira. Essa blindagem, como
dizem os analistas de investimento, baseia-se nos excelentes resultados
das exportações, que levam o país hoje a dispensar
financiamentos em moeda estrangeira para equilibrar as contas do balanço
de pagamentos, e na manutenção do superávit primário
nas finanças públicas.
Com isso, as autoridades monetárias não precisam ter
suas atenções desviadas do esforço para neutralizar
a pressão inflacionária que se verificou nos últimos
meses. Esforço bem-sucedido, como demonstram os últimos índices
e a decisão do Copom de interromper o ciclo de alta dos juros, estabilizados
em 19,75% anuais.
Mesmo com todo esse ambiente de crise política em Brasília,
os analistas de investimento são quase unânimes em projetar
uma queda nos índices de preços, em especial o IPCA, calculado
pelo IBGE, usado como parâmetro para as metas de inflação
definidas pelo governo.
Desse modo, já se poderia vislumbrar um alívio na política
monetária no segundo semestre, permitindo que a economia respire
e imprima um ritmo de crescimento ligeiramente mais acelerado. Talvez já
não seja possível alcançar a almejada expansão
de 4% no Produto Interno Bruto (PIB) de 2005. O primeiro semestre teve
de ser sacrificado pela necessidade de se conter a pressão inflacionária.
Havia de fato o risco de os índices de custo de vida voltarem ao
patamar de dois dígitos, e os brasileiros sabem muito bem que a
partir desse ponto a inflação ganha uma dinâmica muito
mais difícil de ser controlada.
Os problemas estruturais da economia brasileira obrigam o Banco Central
a adotar uma política de juros elevados para dominar a inflação.
O nível atual das taxas de juros é certamente temporário,
pois, além de ser suficiente para inverter a trajetória da
inflação, como se vê, gera efeitos colaterais nocivos.
Dependendo do comportamento dos índices de preços em junho
e julho, os juros básicos poderão trilhar a rota de descida,
dando ânimo ao mercado interno, atualmente ofuscado pelas exportações.
(O Globo)
17.06 - Fundos 157: CVM criará canal online para atender investidores
Na busca por informações sobre os fundos 157 - carteiras
de ações criadas em 1967 a partir de recursos devidos ao
Fisco -, investidores têm congestionado a linha telefônica
oferecida pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). "Já
tivemos 32 mil consultas em um só dia e conseguimos atender apenas
1.200 ligações", diz o superintendente de proteção
e orientação a investidores, Marcelo de Sampaio Marques.
Para tentar resolver o problema, Marques afirma que a autarquia prepara
um canal de informações online, que deve ficar pronto nos
próximos dias.
Enquanto não fica pronto, Marques pede paciência ao investidor
que busca o atendimento telefônico (0800-241616). Como parte das
ligações recebidas são de pessoas que nem mesmo sabem
se têm ou não aplicações esquecidas nestes fundos,
Marques lembra que somente quem declarou Imposto de Renda nos exercícios
entre 1967 e 1983, e que tinha imposto devido neste período, pode
ter aplicado.
O investidor que sabe onde aplicou deve se dirigir à instituição
financeira para resgatar seus recursos. A consulta à CVM só
deve ser feita se o banco no qual foi feita a aplicação não
existir mais, ou se o investidor não tem certeza se tem mesmo a
aplicação. Em ambos os casos, as informações
serão fornecidas com base nos dados prestados pelas instituições
em abril de 1996, desde que o investidor tenha o número do CPF em
mãos. Informações sobre valores só poderão
ser obtidas diretamente com os bancos.
Segundo a CVM, o volume esquecido pelos investidores dos fundos 157
ainda é de cerca de R$ 585 milhões, ou um pouco mais de 1%
dos R$ 45 bilhões aplicados em fundos de ações. O
número de cotistas também é expressivo. São
3,4 milhões de contas, distribuídas em 25 fundos. Embora
os números impressionem, Marques lembra que a aplicação
média por investidor é muito baixa. "Muitos investidores
pensam que vão resolver problemas financeiros e se decepcionam",
diz, lembrando de um conhecido que descobriu recentemente ter um saldo
de R$ 4,40.
O governo também está de olho nesses recursos. Proposta
aprovada pelo Senado prevê um período para resgates, com a
conseqüente transferência dos valores esquecidos para os cofres
do Tesouro. (Flavia Lima - Valor Online)
16.06 - Regras de fundos serão revistas
CVM anuncia mudança na instrução que rege a composição
das carteiras. As mudanças nas instruções 202 e 409
da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) devem ir à
audiência pública dentro de, no máximo, dois meses,
informou, ontem seu presidente Marcelo Trindade, que participou do 7º
Encontro Nacional de Relações com Investidores e Mercado
de Capitais, que terminou, ontem, em São Paulo. A instrução
409 prevê, entre outras medidas, a revisão da composição
das carteiras dos fundos de investimento. Já a nova 202, cria níveis
diferenciados para as companhias abertas.
Além dessas medidas, Trindade informou que a revisão
sobre os certificados de recebíveis imobiliários e a deliberação
sobre a criação do Comitê de Termos de Compromisso
também estão em vias de entrar em vigor.
Trindade falou ainda sobre os planos da CVM para atender melhor o investidor.
Segundo ele, 80% dos cotistas de fundos de investimentos não sabem
o valor da taxa de administração cobrada pelo fundo. Para
auxiliá-los, a CVM pretende criar, até o fim deste ano, um
site especialmente dirigido ao investidor. "Não podemos deixar de
olhar a taxa de administração. Principalmente nos investimentos
de longo prazo, onde este valor pode fazer muita diferença", observou.
Outra mudança prevista ainda para este primeiro semestre é
a alteração das normas contábeis. O Projeto de Lei
3741, que está no Congresso, aproxima o padrão contábil
brasileiro ao internacional e antecede a lei Sarbanes Oxley (SOX). Além
disso, a adaptação as exigências da SOX vale apenas
para as empresas que tem papéis no exterior, enquanto as normas
do novo padrão brasileiro - que foram elaboradas pela CVM - vão
valer para todas as companhias, inclusive de capital fechado, aumentando
a transparência dos resultados contábeis no País.
Mais Companhias
O diretor de Mercado de Capitais do Banco Pactual, Rodolfo Riechert,
acredita que o número de aberturas de capital deve superar a marca
registrada no ano passado, quando sete empresas lançaram ações
na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). "Se compararmos o primeiro
semestre deste ano com o mesmo período do ano passado, veremos que
o desempenho já é melhor ", disse. (Gazeta
Mercantil - Murillo Camarotto)
16.06 - Ainda é tempo
Temos procurado chamar a atenção para as conseqüências
futuras da aparente vitória sobre a inflação produzida
pela excessiva valorização do real. Não existe a menor
dúvida sobre os seguintes fatos:
1. Uma taxa de inflação mesmo abaixo de um dígito
produz ineficiências superiores às que se supunham até
algum tempo atrás. A crença é que uma inflação
entre 2% e 3% seja capaz de minimizar as ineficiências e de conservar
a flexibilidade necessária ao mercado de trabalho;
2. Num sistema de câmbio flutuante, a taxa de câmbio responde
às diferenças de produtividade, de taxas de inflação
e de juros reais entre os parceiros comerciais;
3. Não existe a troca que alguns supõem entre "mais um
pouco de inflação por mais um pouco de crescimento". O que
é possível escolher é um caminho de menor sacrifício
(mais longo) reduzindo o custo (em termos de PIB) do programa antiinflacionário;
4. A possibilidade de reduzir a taxa de inflação sem
nenhum custo, que empolgou os radicais das "expectativas racionais", mostrou
ser praticamente inviável;
5. Diante de um excesso de demanda não derivado de um aumento
do consumo nem de um aumento de investimento com a cumplicidade do setor
financeiro, a forma eficiente de reduzir a taxa de inflação
é cortar a despesa pública de custeio;
6. Se o crescimento da demanda for produzido por um aumento do salário
real acima do nível de produtividade da mão-de-obra, como
conseqüência do poder monopolista das centrais sindicais, o
remédio é cortar a demanda do setor privado através
da política monetária e aceitar o inevitável desemprego.
Neste momento, estamos com uma inflação anual medida
pelo IPCA em torno de 8,1%. A expectativa da taxa de inflação
para 2005 (medida pelos levantamentos do Banco Central) é de 6,2%
-e vem diminuindo lentamente. A "meta inflacionária" é de
5,1% para dezembro. O Banco Central tem aumentado a Selic nos últimos
nove meses, estando ela hoje em 19,75%, o que corresponde a uma taxa de
juro real anual de 13%, que se compara com as taxas mundiais reais que
estão entre 0% e 1%. Esse diferencial estimula a entrada de capitais
que se vêm somar ao superávit em conta corrente e aumentam
a enorme pressão valorizadora do câmbio.
O efeito interno da enorme taxa de juros real foi muito reduzido devido
às mudanças estruturais (bem-vindas!) no crédito ao
setor privado, particularmente para as famílias e os pequenos empresários.
O pequeno ganho na batalha contra a inflação vem, assim,
da substancial valorização artificial do real frente ao dólar.
Essa valorização, se persistir, vai desarticular o agronegócio
e o setor industrial-exportador e aumentar a inflação futura
quando o câmbio (pela redução dos juros) procurar seu
novo equilíbrio. Os primeiros resultados disso serão uma
redução da área plantada em 2005/06 e a desaceleração
das exportações em 2006.
A persistir o atual "mix" de política econômica, é
difícil imaginar o ano de 2006 melhor do que o de 2005. É
preciso uma ação enérgica do Executivo (com o suporte
do Legislativo) para propor um corte lento, mas importante, nas despesas
do governo e um aperfeiçoamento do Orçamento.
É isso o que abrirá o caminho para a rápida redução
da taxa de juros e a desvalorização do real.
(Antonio Delfim Netto - Folha de S.Paulo)
16.06 - Alfaiates do dinheiro
É fácil encontrar uma pessoa disposta a correr mais riscos
investindo em um fundo DI ou alguém que quer poupar durante quatro
ou cinco anos para comprar um apartamento aplicando em um fundo de longo
prazo voltado à aposentadoria. Para não cair nesses tipos
de erros comuns, cada vez mais pessoas procuram os serviços de empresas
especializadas em indicar o tipo de investimento ideal, de acordo com o
perfil de risco e os objetivos de cada um - as consultorias financeiras.
A expansão de gestores independentes, que desenvolvem novos
tipos de fundos, geralmente mais sofisticados, é outro fator que
aumenta a necessidade do investidor procurar ajuda de alguém que
saiba decifrar as tendências e de uma forma simples mostrar o que
serve ou não para ele. Soma-se a isso o crescimento da economia
que aumenta a quantidade de dinheiro em circulação e, consequentemente,
a necessidade de ter informações mais detalhadas sobre qual
é o melhor destino para os recursos. Pelas estimativas dos consultores
ouvidos pelo Valor, a procura pelos serviços nos últimos
meses cresceu entre 50% e 80%. Apesar de a economia ter patinado no primeiro
trimestre, eles afirmam que a procura continua aquecida e que a briga com
os grandes bancos para conquistar esses clientes no que se refere à
orientação deve continuar sendo grande.
A Investmate, consultoria financeira dos mesmos sócios do site
Fortuna, vem registrando esse interesse maior por orientação.
Sem abrir números, até por uma questão estratégica
frentes aos seus concorrentes que também mantêm suas carteiras
de clientes guardadas a sete chaves, o sócio Marcelo D'Agosto afirma
que a procura neste início de ano foi 80% maior frente ao mesmo
período de 2004. A maior parte dessas pessoas recebeu um dinheiro
extra - pelo crescimento econômico, pela venda de um imóvel
ou empresa e até pela distribuição de dividendos -
e não sabe onde aplicá-lo.
"Geralmente são pessoas com nível superior, bem-sucedidas
e que exigem respostas mais qualificadas do que aquelas que conseguem conversando
com o gerente do banco em que têm conta", diz D'Agosto. Essas pessoas
têm um poder aquisitivo maior que a média, mas ainda não
o suficiente para serem atendidas de forma personalizada pelo segmento
private dos bancos. "As carteiras variam entre R$ 100 mil e R$ 1 milhão",
completa D'Agosto.
Além da situação econômica mais favorável,
há uma quantidade grande de mudanças no setor de investimentos
- como imposto de renda decrescente conforme o prazo da carteira e o tempo
de aplicação, conta-investimento, Tesouro Direto e a nova
regra de fundos criada pela Comissão de Valores Mobiliários
(CVM) - que torna muito difícil o investidor analisar tudo sozinho
e decidir com segurança onde irá aplicar.
Uma pesquisa feita pelo Ibope a pedido da Associação
Nacional dos Bancos de Investimentos (Anbid) comprova a insatisfação
dos investidores com o tipo de tratamento que recebem dos grandes bancos.
A pesquisa mostra que, apesar de 89% das pessoas entrevistadas aplicarem
em fundos de bancos de varejo, apenas 54% procuram os gerentes dessas instituições
para obter informações. A explicação mais provável
para isso é o fato que apenas 41% dos entrevistados afirmam que
no momento da aplicação receberam algum tipo de orientação
sobre os objetivos e riscos do investimento escolhido. E 26% dos entrevistados
responderam que foi indicado a eles o fundo do banco que mais rendeu, sem
maiores questionamentos. Para 6%, foi indicado o fundo de interesse da
instituição. "Os bancos ensinam equivocadamente que mais
importante que o risco embutido na aplicação, é o
retorno que ela proporciona", aponta D'Agosto.
A pesquisa também mostra que apesar de as pessoas não
estarem satisfeitas com a orientação dos bancos, elas ainda
estão longe do caminho certo. Entre os entrevistados, 10% pegam
indicações de investimentos com parentes ou amigos. E apenas
2% utilizam os serviços dos consultores financeiros. "O amigo sempre
avisa a melhor hora de comprar, mas esquece de ligar para avisar a hora
de vender", diz o sócio da Quadrante Investimentos Marcelo Audi.
Criada há dois anos por três executivos do mercado financeiro
- Marcelo Audi, Luiz André Rabello e Edson Inácio da Silva
- a Quadrante registra um movimento crescente de pessoas interessadas em
orientação. Audi acredita que o aumento de novos tipos de
investimentos, aliado a uma complexidade cada vez maior desses produtos,
estão impulsionando a procura por ajuda de consultores. "É
um serviço de alfaiataria em que montamos uma carteira sob medida
para o perfil de risco de cada cliente", diz Audi. Além das pessoas
insatisfeitas com a orientação do banco ou dos amigos, há
clientes que antes cuidavam eles mesmos do dinheiro e tinham de acompanhar
de perto a economia para depois decidir em qual fundo aplicar. "Esse investidor
percebeu que precisava de um dia de 48 horas para trabalhar e ainda fazer
tudo isso", diz Audi.
As consultorias trabalham com duas formas de remuneração.
Algumas cobram um preço fixo do próprio cliente, como a Investmate
e a Quadrante Investimentos. Outras não cobram do investidor, mas
em compensação recebem uma parte da taxa de administração
dos fundos que indicam - o que é conhecido no mercado como "rebate".
Há uma discussão sobre qual o nível de imparcialidade
no aconselhamento feito pelas empresas que recebem rebate das administradoras
de recursos que indicam. "Quando é o cliente que paga, não
paira dúvida de que o consultor está indicando o que é
melhor para o investidor e não carteiras onde possa receber rebates
maiores", diz Marcelo Audi, da Quadrante.
O investidor parece disposto a pagar pelo diferencial. As consultorias
têm se expandido, em especial nas cidades distantes de São
Paulo, com grande potencial de crescimento econômico, diz o diretor
executivo da BI Invest, Reinaldo Zakalski. Lançada em 1999 e hoje
com cerca de mil clientes ativos, a BI Invest tem escritórios em
São Paulo, Ribeirão Preto, São José do Rio
Preto e Brasília, e deve abrir em breve filial em Sorocaba. Em meio
ao mercado aquecido, a empresa estuda também abrir escritórios
em bairros de São Paulo, como Santana e Tatuapé, e ainda
na Grande São Paulo, em municípios como Santo André
e São Bernardo do Campo. "São espaços consultivos
mais próximos do investidor, facilitando o deslocamento", diz Zakalski.
Aberta ao mercado em 2001, a MCA Economy tem cerca de 200 clientes
ativos. Segundo o sócio-estrategista, Carlo Moratelli, a consultoria
apresenta crescimento anual de cerca de 50%. Em 2004, a retomada do crescimento
econômico fez com que a captação nos últimos
meses do ano fosse recorde. "Os bônus recebidos por empresários
tiveram uma participação importante no total captado", afirma
o executivo, que sustenta em seu currículo passagens pelo Banco
Itaú e pelo Lloyds Bank.
Mas o serviço não é procurado apenas em períodos
de expansão. Segundo Moratelli, a consultoria não parou de
crescer em 2002 (em meio à crise pré-eleitoral), com investidores
assustados pela volatilidade até mesmo de produtos mais conservadores
como os fundos DI. "Só não somos procurados em momentos de
mercados acomodados, que não se movimentam para nenhum lado", lembra
ele.
As previsões positivas não significam, porém,
que não há obstáculos a superar. A forte fidelidade
de clientes de alto poder aquisitivo ao seus bancos de origem é
um deles. Outro é o vaivém de investidores. Há cerca
de três anos, diz Moratelli, muitas pessoas buscaram as consultorias,
dispostas a aplicar em multimercados. "Muitos se desapontaram e voltaram
para seus bancos", diz. Além disso, os profissionais do setor avaliam
que têm surgido mais concorrentes do que novos clientes no mercado.
Para sobreviver, dizem eles, será preciso um leque de serviços
que vá muito além do "feijão com arroz" representado
pela alocação de recursos. (Daniele Camba
e Flavia Lima - Valor Online)
16.06 - Oportunidade quase perdida na economia
A prática desde setembro de 2004 de política macroeconômica
destoante da nossa realidade resultou no desperdício de oportunidade
excepcional para o Brasil repetir e até aumentar em 2005 o crescimento
do ano anterior de 4,9% do Produto Interno Bruto (PIB), acompanhando os
ventos favoráveis do comércio e da economia mundial.
Contrastando com o panorama externo, o Copom do Banco Central semeou
aqui os tenebrosos ventos dos juros altos e do câmbio apreciado e
já está colhendo as primeiras tempestades. Os dados oficiais
do IBGE sobre o 1º trimestre deste ano em comparação
ao trimestre anterior são alarmantes: a produção industrial
caiu 1% e serviços 0,6%; o nível de investimentos recuou
3% e o consumo privado das famílias 0,6%. A situação
só não ficou pior porque a agricultura cresceu 2,6 % e a
exportação, 3,5%.
A economia mostrou que não agüenta ao mesmo tempo duas
âncoras de combate à inflação: a monetária
(juros elevados) e a cambial (real valorizado). Ou o Banco Central modifica
rapidamente sua rota, ou o Brasil vai amargar incremento do PIB em torno
de 3% em 2005.
Ninguém duvida de que maiores juros Selic são inócuos
em relação aos preços administrados pelo governo (energia,
telefone, transporte coletivo e outros), os quais, contrariando a filosofia
do plano Real, prosseguem indexados, alimentando a inflação
inercial. Pior, a telefonia tem reajuste pelo IGP-DI e a energia elétrica
pelo IGP-M, índices sempre acima do IPCA, que rege a inflação
oficial.
Enquanto quase nada representou para a queda de preços, a taxa
Selic provocou quatro efeitos profundamente perversos:
1- Aumento da dívida pública interna que se aproxima
de R$ 1 trilhão, uma vez que o superávit primário
do orçamento cobre só parcialmente o pagamento dos juros.
2- Valorização artificial da cotação do
real em relação ao dólar, superior às demais
moedas submetidas ao câmbio variável, porquanto atrai aplicações
financeiras externas especulativas de curto prazo, que vêm auferir
lucro certo e sem risco com a mais alta taxa de juros do universo (renda
líquida de 13,75%).
3- Houve, outrossim, estímulo às importações
e a viagens de turismo ao exterior e desestímulo às exportações
de produtos menos competitivos como calçados, têxteis, móveis,
componentes industriais e outros.
Segundo Ivan Ramalho, secretário de Comércio Exterior
do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior, 900 companhias (a maioria pequenas e médias) e 600 itens
novos incorporaram-se à nossa pauta de exportação
em 2004, composta em valor de 56% de manufaturados. Lamentavelmente, o
real valorizado fez com que, em maio/2005 comparado a maio/2004, 259 empresas
deixassem de exportar, conforme levantamento da Associação
Brasileira de Comércio Exterior (AEB).
4- Arrefecimento do ânimo empreendedor com o adiamento de projetos
de construção, ampliação e modernização
de indústrias, principalmente aquelas voltadas à exportação.
Diferentemente de nós, em 25 de maio último a Argentina
dobrou para 365 dias o prazo mínimo de permanência das aplicações
financeiras do exterior, com a justificativa de não apreciar o peso,
agora em torno de 2,90 por dólar. A Colômbia igualmente perfilhou
esta regra em fins de 2004 e o Chile anos atrás; ao revés,
o Brasil se mantém escancarado ao chamado “capital motel”, chega
e sai à vontade no momento que quiser, com total liberdade de movimentos.
É bom lembrar que, em 2004 e nos primeiros meses deste ano,
a cotação do real e do peso argentino estavam praticamente
em linha, a ponto de muitos defenderem a idéia dos dois países
adotarem moeda única, valendo-se da paridade.
O CMN vai fixar neste mês de junho a meta de inflação
para 2007, que precisa ser realista e considerar também a necessidade
do país crescer para reduzir os assustadores níveis de desemprego,
um dos fatores da criminalidade. Impõe-se, ademais, a humildade
de rever o percentual de 4,5% em 2006, passando-o no mínimo a 5,1%,
tolerada diferença de dois pontos e meio. É preciso recordar
e levar em conta que apenas nos anos de 1946 e de 1998 a inflação
ficou abaixo de 5,5%, e não se vislumbrou melhoria social ou econômica
naqueles períodos.
Com os bons fluídos da viagem presidencial à Coréia
e ao Japão, firmando compromissos de joint-ventures e de prováveis
grandes investimentos no Brasil, afora linhas de créditos e perspectivas
de intensificar o intercâmbio comercial, havia fundadas expectativas
de que o presidente Lula retornasse com iniciativas inovadoras e corretivas
do planejamento estratégico. Por exemplo, estabelecer política
macroeconômica e fiscal consentânea com nossa conjuntura, que
combata a inflação e simultaneamente impulsione o aproveitamento
do nosso formidável potencial de trabalho e de riqueza.
Por sinal, os economistas reunidos no 1º Encontro Nacional da
Sociedade Brasileira de Economia Política, dias 26 e 27 de maio
último, aprovaram a “Carta de Campinas”, criticando juros altos,
a ortodoxia monetária de metas de inflação irreais
e a livre movimentação de capitais de curto prazo, que favorecem
a apreciação da moeda.
Todavia, o presidente Lula, convertido por Palocci e Meirelles, persevera
na crença dogmática de que haverá o milagre do crescimento
sustentável do Brasil por 10 a 15 anos, com a continuidade de juros
acima e dólar abaixo. Oxalá o milagre se realize, sob pena
de infelicitar o povo e comprometer o futuro da Nação, ou
então que se desvaneça a miragem e se vislumbre o rumo certo.
(Léo de Almeida Neves - Jornal do Brasil)
16.06 - Ortodoxia ganha força, avaliam empresários
Empresários que se reuniram nos últimos dias para avaliar
a crise política aberta pelas denúncias de corrupção
no governo concluíram que ela tende a reforçar a linha ortodoxa
da política econômica em vigor, reduzindo o espaço
crescente que seus críticos vinham encontrando para se manifestar
nos últimos meses.
Na quinta-feira da semana passada, dez empresários ligados ao
Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) se reuniram
em São Paulo para examinar os desdobramentos da crise. Com os juros
nas nuvens e sinais de que a atividade econômica está se desacelerando,
eles temem que suas queixas sejam cada vez menos ouvidas.
"Apesar dos seus problemas, a política econômica ainda
é vista no governo como um porto seguro nesse momento", disse o
economista Júlio Sérgio Gomes de Almeida, diretor-executivo
do Iedi. "Mudanças que poderiam ser feitas agora provavelmente terão
que esperar a crise passar."
As preocupações dos integrantes do Iedi são compartilhadas
por muitas pessoas no meio empresarial. "Mexer na economia agora seria
uma loucura e é improvável que o governo faça algo",
diz o presidente do Centro das Indústrias do Estado de São
Paulo (Ciesp), Claudio Vaz. "Usar a economia para fabricar boas notícias
seria muito arriscado."
O governo promete divulgar hoje um pacote de mudanças tributárias
para reduzir o custo dos investimentos e estimular a economia. Apesar de
discordâncias sobre detalhes, os empresários tendem a aplaudir
a iniciativa. Mas eles acham que as medidas terão pouco efeito no
curto prazo, no ambiente restritivo criado por nove meses de alta dos juros.
Empresários com influência no governo acham possível
aproveitar o momento para obter concessões pontuais de Brasília.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado
de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, começou a discutir a idéia
nos últimos dias e reuniu duas dezenas de líderes industriais
num jantar na segunda-feira para iniciar a conversa.
A pelo menos um interlocutor, Skaf sugeriu a articulação
de uma espécie de pacto em que os empresários ajudariam o
governo a atravessar a turbulência da crise em troca de refrescos
para o setor produtivo. A idéia foi recebida com frieza. Os participantes
do jantar de segunda-feira examinaram vários cenários e concluíram
que a única coisa a fazer é continuar observando a crise.
Num ambiente cheio de incertezas, Skaf se move de forma dúbia.
Ele encontrou Lula logo no início da crise, há um mês,
e deixou em Brasília a impressão de que ajudaria o governo
a deter as investigações das denúncias de corrupção
no Congresso. Uma semana depois, disse durante uma entrevista coletiva
que o problema todo era do Legislativo e não lhe cabia opinar sobre
o assunto. Na semana passada, divulgou uma nota oficial em que defende
a apuração das denúncias "até as últimas
conseqüências".
Empresários com bom relacionamento com os petistas passaram
a demonstrar desconforto. Há poucos dias, o presidente da Companhia
Siderúrgica Nacional (CSN), Benjamin Steinbruch, manifestou preocupação
com o isolamento do governo e comentou com um colega que tem encontrado
dificuldades para falar com alguns ministros. Em maio, o ministro da Fazenda,
Antonio Palocci, prometeu a Skaf que iria à Fiesp em duas semanas
para debater a política econômica. A visita ainda não
tem data marcada.
Em conversas reservadas com outros homens de negócios, o presidente
da Gradiente, Eugenio Staub, tem manifestado há meses seu descontentamento
com o governo. Primeiro empresário de prestígio a declarar
publicamente apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha
eleitoral de 2002, Staub tem evitado discutir o assunto publicamente para
não criar novas complicações para Lula.
O presidente do Grupo Pão-de-Açucar, Abílio Diniz,
esteve com Lula na terça-feira. "O presidente está muito
sereno e tranqüilo e decidido a tomar as medidas que são cabíveis
e pertinentes", disse. (Ricardo Balthazar - Valor
Online)
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