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21.06 - Taxa alta reduz ganhos nos fundos
A taxa de administração cobrada pelas instituições financeiras para administrar os recursos dos investidores pode, num descuido, se tornar uma das grandes vilãs do aplicador, comprometendo as economias de toda uma vida. Um estudo feito pelo professor Roberto Zentgraf, coordenador do MBA em Finanças do Ibmec/RJ faz a conta da diferença de rentabilidade de uma aplicação financeira com a cobrança de taxas distintas. 
Diferença de 50% em20 anos de aplicação 
Um aplicador que investisse R$ 10 mil num fundo com taxa de 0,5% ao ano e com rentabilidade média de 18,2% ao ano (a variação do CDI) — entre as mais baixas do mercado — teria, ao longo de cinco anos, R$ 22.501,05. Em dez anos, os recursos somariam R$ 50.629,73 e, em 20 anos, R$ 256.336,91. 
Se o mesmo dinheiro fosse aplicado num fundo com taxa de 4% ao ano — considerada bastante alta para fundos mais conservadores, como DI e renda fixa, os mais procurados pelos investidores — em cinco anos o total aplicado seria de apenas R$ 18.812,37, ou seja, 16,39% a menos. Em dez anos, os ganhos fariam o capital chegar a R$ 35.390,53, 30% a menos que no fundo com taxa mais baixa. Em 20 anos, a diferença entre os fundos chega a 51,14%: a uma taxa de 4% ao ano, o aplicador teria investido R$ 125.248,98. 
De acordo com Zentgraf, muitos investidores cometem o erro de escolher o fundo de investimento avaliando apenas a rentabilidade bruta ou o nível de risco: 
— Eles muitas vezes esquecem que, dependendo da taxa, parte da rentabilidade não chega no seu bolso. A escolha da taxa de administração deveria ser o ponto de partida para se escolher o melhor fundo de investimento, especialmente em fundos mais conservadores. Nestes casos, a carteira de títulos públicos tem composição muito parecida, mesmo em instituições diferentes, ou seja: a diferença está justamente na taxa de administração. Nesses casos, quanto maior, menos rentável será o fundo — alerta Zentgraf. 
Mesmo banco tem fundos similares com taxas diferentes 
O professor explica que o investidor pode encontrar numa mesma instituição fundos de perfil bastante parecido, mas com taxas bem diferentes: mais baixas para aplicações de maior valor e mais altas para investimentos de quantias baixas: 
— Por isso, pesquisar é essencial para não comprometer o dinheiro aplicado.     (Patricia Eloy - O Globo)

21.06 - Mercado projeta queda para todos os índices
A expectativa dos analistas consultados pelo Banco Central (BC) para a inflação medida pelo Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) apresentou recuo, passando de 5,55% para 5,43%, para este ano. Em junho, as projeções passaram de 0,33% para 0,13%. A estimativa para a inflação medida pelo Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M ) também desacelerou, passando dos 0,20% para queda de 0,09%. Para o ano, o mercado prevê uma inflação de 5,40%, abaixo dos 6,61% previstos anteriormente. 
A perspectiva para o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe/USP) em 2005 é de 6%. Para este mês, a aposta é de 0,30%, contra os 0,35% previstos na pesquisa anterior. 
Mercado reduz estimativa de crescimento da economia
O mercado reduziu a estimativa para o crescimento da economia pela terceira vez consecutiva, segundo o Relatório de Mercado divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central. A previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), passou de 3,12%, previsto há uma semana, para 3,10% para este ano. Para 2006, a projeção se mantém em 3,50%, há sete semanas. (KO - InvestNews)

21.06 -  IPCA deve ficar em 6,16% em 2005, prevê mercado
Os analistas financeiros consultados pelo Banco Central reduziram pela quinta semana consecutiva a previsão para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), deste ano. De acordo com o Relatório de Mercado, divulgado semanalmente pelo BC, os analistas projetam um IPCA de 6,16% para 2005, contra os 6,21% da pesquisa anterior. 
A previsão do mercado está acima do foco da meta da inflação estabelecida pelo governo para este ano, que é de 5,1%. As estimativas para 2006, porém, foram mantidas em 5%, ainda acima dos 4,5% estabelecidos para a inflação pelo governo. (KO - InvestNews)

21.06 - Um plano alternativo
O deputado Delfim Netto (PP-SP) está convencido de que se o Governo adotar a meta de déficit nominal zero a taxa de juros cairá substancialmente e os investimentos produtivos serão retomados. "A taxa de juros vai descer de elevador", afirma. A proposta de Delfim é mudar a Constituição para elevar a DRU (Desvinculação das Receitas da União) dos atuais 20% para 30% ou 40%. 
O deputado sugeriu também estabelecer limite constitucional para as despesas. O plano prevê a redução a zero do déficit nominal em quatro a cinco anos e das tarifas efetivas de importações com o objetivo de aumentar a concorrência do setor privado. Delfim avisa, porém, que não é candidato a qualquer cargo no governo. (Ribamar Oliveira - Jornal do Commercio)

21.06 - Inflação mantém tendência de queda em São Paulo
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do município de São Paulo, calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), registrou na segunda quadrissemana de junho inflação de 0,07%, abaixo dos 0,19% do último resultado e dos 0,58% da segunda prévia de maio. É a taxa mais baixa desde a primeira prévia de abril de 2004. 
O item que apresentou maior alta de preços foi saúde (0,52%), seguido por despesas pessoais (0,36%); habitação (0,25%); vestuário (0,20%) e educação (0,14%). Os grupos alimentação e transportes apresentaram deflação de 0,24% e 0,32%, respectivamente. (Agência O Globo)

21.06 - IPC-S apura a menor inflação desde outubro
A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) caiu para 0,24% na apuração de preços encerrada em 15 de junho, informou nesta segunda-feira a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Este foi o menor resultado desde a quarta semana de outubro de 2004, quando o IPC-S registrou variação de 0,10%. Todas as sete classes de despesa apresentaram desacelerações, com destaque para alimentação e habitação. 
Pela primeira vez no ano, o grupo alimentação registrou taxa de variação negativa, -0,20%. Do total de 21 itens componentes, 15 apresentaram desaceleração em suas taxas de variação. Nesta edição, a principal contribuição para a redução da taxa do grupo partiu do item hortaliças e legumes, cuja variação recuou 6,17 pontos percentuais, passando de 3,78% para -2,39%. 
Contribuíram ainda para o movimento de desaceleração os seguintes itens: adoçantes (-2,03% para -3,05%), arroz e feijão (1,17% para 0,03%) e laticínios (1,01% para 0,36%). 
De acordo com um comunicado da FGV, a ausência de preços administrados reajustados neste momento contribuiu para o movimento de desaceleração da taxa do grupo habitação, que passou de 0,67% para 0,50%. (Agência O Globo)

20.06 - Primeiro índice de junho aponta deflação
IGP-10 teve queda de 0,41, puxada pelo preço no atacado
Os preços medidos pelo Índice Geral de Preços -10 (IGP-10) registraram deflação (inflação negativa) de 0,41% em junho, depois de terem variação zero no mês anterior. Este foi o primeiro índice de junho a ser divulgado e confirma a trajetória de queda da inflação. O resultado ficou abaixo das expectativas do mercado financeiro, que esperava entre -0,35% a 0,10%.
O IGP-10 acumula altas de 2,18% no ano e de 7,64% em 12 meses até junho. O IGP-10 de junho é o menor resultado desde julho de 2003, quando teve queda de 0,73%. Os preços no atacado, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), voltaram a puxar para baixo a taxa de inflação, como já havia sido verificado em outros índices.
Outro fator decisivo para a despencada foi o câmbio, que puxou para baixo os preços de insumos industriais no atacado, ligados direta ou indiretamente ao dólar; e de algumas commodities agrícolas.
Para o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros, a deflação está se aprofundando nos IGPs. "Essa é a terceira deflação consecutiva em um índice fechado. Tivemos o Índice Geral de Preços (IGP-M) de maio, que caiu 0,22%, e o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) de maio, com deflação de 0,25%", disse. Ele considerou que a taxa negativa do IGP-10 de junho, cujo período de coleta de preços foi do dia 11 de maio a 10 de junho, foi a mais intensa das três.
"Provavelmente, poderemos ter deflações de novo, no IGP-M de junho", disse. Para ele, o processo de deflação está "espalhado" principalmente no atacado.
O Índice de Preços do Atacado (IPA) recuou de -0,43% para -1,10%. Além do efeito benéfico da taxa de câmbio sobre os preços, a desaceleração no atacado foi influenciada pelo comportamento dos preços de alimentos processados, combustíveis e legumes e frutas. 
No varejo, o Índice de Preços ao Consumidor -10 (IPC-10) caiu quase à metade, com taxa de 0,51% em junho, ante alta de 0,93% em maio.  (Jornal de Brasília)

20.06 - Domesticando expectativas 
Segunda-feira é dia de checar os resultados da pesquisa sobre as expectativas de inflação e outras variáveis macroeconômicas divulgados pelo Banco Central. Afinal, tais expectativas quanto à inflação estão entre os fatores determinantes da inflação futura e, por conseguinte, da política monetária e do aperto ou da folga na demanda agregada necessários para pôr a inflação no patamar almejado.
Metas de inflação, desde que vistas como norte efetivo da política monetária, servem como âncora na formação de tais expectativas. Desse modo, em situações de choques adversos, a existência de metas críveis minimiza o sacrifício em termos de encolhimento na demanda agregada e no PIB requerido para combater os efeitos inflacionários de tais choques. Caso vistas como um dispositivo garantidor do compromisso por parte da política monetária e como mecanismo de coordenação das expectativas, tais metas facilitam a acomodação dos processos de formação de preços à realidade pós-choque.
Tem sido assim no Brasil, desde que se estabeleceu o regime de metas de inflação, em 1999? Ou seriam as expectativas de inflação, em nosso caso, rebeldes?
Pelo menos dois fatos têm de ser considerados. Primeiro, nosso regime de metas foi estabelecido numa situação inicial de choque inflacionário associada à forte desvalorização cambial que acompanhou a mudança de regime cambial, das taxas administradas para o câmbio flexível. Desde então, o regime atravessou outros choques adversos (racionamento de energia, Argentina, crise de confiança em 2002, preços de commodities) e, a rigor, ainda nem chegou a operar num contexto de taxas de inflação - e de taxas reais de juros - consideráveis como estáveis e adequadas no longo prazo. Além disso, tanto a instalação de um regime de responsabilidade fiscal quanto o histórico de êxito no alcance de metas fiscais vieram depois de já estar em operação o regime de metas de inflação.
O segundo fato é a convergência nas expectativas de inflação no Brasil. A dispersão entre as previsões de inflação vem caindo brutalmente desde 1999 e tem permanecido baixa mesmo durante os choques. Em 2004, tal processo de convergência se tornou ainda mais acentuado.
É claro que essa convergência poderia ocorrer de modo dissociado de metas oficiais de inflação e da política monetária. A esse respeito, contudo, vale consultar um texto colocado segunda-feira passada no site do FMI (What drives inflation expectations in Brazil? An empirical analysis, de Martin Cerisola e Gaston Gelos).
As estimativas dos autores apontam claramente a meta de inflação e as metas de superávit primário do setor público consolidado como fatores importantes na determinação das expectativas de inflação no Brasil. As variações na taxa real de câmbio e nas taxas de salários reais também influenciam, quando vistas como desvio em relação a suas tendências, posto que indicam alterações esperadas nos custos de produção.
O interessante do trabalho é a comprovação sistemática de que as expectativas de inflação se vêm tornando significativamente menos voltadas para o passado, extrapolando a inflação anterior, e cada vez mais ancoradas na meta de inflação, particularmente desde 2003. Tal peso crescente das metas equivale a uma maior credibilidade destas e implica custos menores em termos de demanda e PIB sacrificados no ajuste para baixo de tais expectativas em situações de choque.
Além disso, a política fiscal tem sido fundamental na ancoragem das expectativas de inflação. Diante dos resultados fiscais seguidamente obtidos desde o início do regime de metas, caiu o receio com a chamada "dominância fiscal" sobre a política monetária, ou seja, com o risco de que a política monetária fosse tolhida por causa de seu impacto fiscal, apesar da autonomia operacional, de fato, do Banco Central. Com a trajetória de queda na dívida pública como proporção do PIB, diminuiu também o medo de que o governo fosse tentado a usar a inflação como forma de financiamento.
Conclusão: políticas fiscal e monetária prudentes têm permitido a domesticação das expectativas de inflação pelas metas estabelecidas, embora ainda estejamos no caminho rumo ao patamar de longo prazo desejado.    (Otaviano Canuto - O Estado de S.Paulo)

20.06 - Consulta pela Internet do Fundo 157 
Diante da enxurrada de telefonemas de investidores interessados em saber se têm recursos aplicados nos antigos Fundos 157, que contabilizam R$ 584 milhões de 3,4 milhões de cotistas “esquecidos" em seu patrimônio e ainda podem ser engolidos pelo Tesouro Nacional, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) colocou à disposição a consulta via Internet. Agora, por meio do “site" www.cvm.gov.br os investidores poderão consultar se têm cotas dos Fundos 157 e em qual instituição os recursos estão aplicados. 
De acordo com a CVM, a cada vez que a imprensa divulga a possibilidade de resgate dos Fundos 157, a central de atendimento telefônico da autarquia, que atende pelo número 0800-241-616, recebe quase 27 mil ligações por dia, o que excede em 27 vezes a capacidade de recebimento de mil chamadas diárias. Normalmente, detalha a CVM, a central recebe uma média de 300 ligações por dia. 
Por conta do congestionamento da central telefônica, muitos investidores não estavam conseguindo informações sobre a existência de cotas dos Fundos 157 em seu nome. O psicólogo Mário Cleber da Silva, 60 anos, por exemplo, reclama que, após várias tentativas, não conseguiu ser atendido por telefone. “Quero saber se tem alguma coisa e quanto é, para evitar que o dinheiro vá para o Governo", disse. “Vou gastar melhor este dinheiro." Com aplicação no antigo banco Comind, que há muito tempo deixou de existir, até ontem Mário Cleber não tinha a menor idéia de para onde foi enviada sua aplicação. 
De acordo com a CVM, o sistema de consultas colocado no site da autarquia na Internet exige apenas o número do CPF para fornecer informações. Mas com esta consulta os investidores só conseguirão saber se existem cotas de Fundos 157 em seu nome e em qual instituição os recursos estão. O sistema também informa para qual banco os recursos foram transferidos, caso a instituição financeira que recebeu a aplicação original já tenha fechado ou sido incorporada por outra. Para resgatar o dinheiro, é necessário que o investidor se dirija ao banco indicado. 
Apesar da bolada acumulada nos Fundos 157, é bom o investidor não ir com muita sede ao pote na hora do resgate. De acordo com a CVM, o valor médio das aplicações gira em torno de R$ 100,00 a R$ 150,00, mas a maioria dos cotistas teria menos de R$ 10,00 a resgatar. Em alguns casos, os cotistas têm descoberto que seu dinheiro virou pó, seja porque o gestor do fundo aplicou mal os recursos, seja porque os seguidos planos econômicos e a inflação galopante corroeram a aplicação. 
Os Fundos 157 surgiram por meio do Decreto-Lei 157, de 10/02/67, com o objetivo de alavancar o mercado de ações. Os contribuintes podiam aplicar parte do Imposto de Renda (IR) a pagar nestes fundos, que investiriam os recursos na bolsa de valores. O resgate só podia ser feito em longo prazo, e por causa disso muita gente esqueceu o dinheiro. Os herdeiros também podem reclamar o resgate com pouca burocracia junto aos bancos. 
De olho no dinheiro esquecido, que só tem rendido taxas de administração para os bancos gestores, o Governo já se movimenta para ficar com os recursos. Projeto de Lei do senador Saturnino Braga (PT) prevê a transferência do dinheiro para o Tesouro Nacional.     (Rafael Sânzio - Hoje em dia)

17.06 -  Investidor vê fim do aperto monetário
A manutenção da taxa Selic em 19,75%, anunciada quarta-feira pelo Comitê de Política Monetária (Copom), reforçou a expectativa do fim do aperto monetário. Também apoiado em números de inflação, mostrando queda e até mesmo deflação, o investidor reduziu as projeções dos contratos de juros futuros no curto prazo nesta quinta-feira. 
Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) as taxas de juros recuaram nos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) de curto prazo e apresentaram alta no longo prazo. O contrato de DI de outubro, o mais líquido, fechou a 19,67%, ante 19,73% do ajuste anterior. Já o DI de janeiro de 2007, subiu de 17,65% para 17,68% ao ano. 
Nesta manhã a Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgou o Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) que registrou em junho variação negativa de 0,41%. O resultado veio abaixo do esperado pelos economistas. Carlos Cintra, gerente de renda fixa do Banco Prosper, avalia que não há mais motivos para o Banco Central continuar com sua política de aperto monetário. "Os efeitos restritivos da política monetária estão cada vez mais visíveis, especialmente, sobre a inflação, que já apresenta trajetória mais favorável", destaca o analista. 
Por outro lado, Cintra lembra que o ciclo de aumentos no juro básico da economia dependerá também do cenário externo, dólar sem pressão e do campo político sem novos rumores que comprometa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Antônio Palocci. (Maria de Lourdes Chagas - InvestNews

17.06 - Selic alta ainda ameaça o 2° semestre, diz Fiesp
Sobre a manutenção da taxa de juros em 19,75% ao ano, informada quarta-feira pelo Comitê de Política Monetária (Copom) o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, salientou a discrepância entre o patamar dos juros e os alarmantes dados relativos ao nível de atividades. "Juro alto já matou o semestre. Agora, é preciso salvar o ano. E isto somente será possível se os juros caírem rapidamente, considerando que o mercado demora a refletir a oscilação das taxas". 
De acordo com o empresário, as estatísticas do próprio governo e dos distintos setores da economia demonstram que o primeiro semestre de 2005 já está perdido, com clara tendência de retração. "Esperamos que o fato de o Copom ter mantido a Selic inalterada seja o marco de um ciclo descendente, interrompendo-se a escalada da taxa iniciada em setembro do ano passado". 
Skaf lembra o quanto os juros altos são inócuos em relação aos preços administrados, como os da energia, telefonia e transportes coletivos, com sensível influência sobre a inflação. Além disso, explica, nem se deve cogitar novo aumento dos juros, pois isto seria uma afronta aos setores produtivos. 
"Ao invés de juros altos, Brasília deve é reduzir suas despesas, estas sim um elemento de pressão inflacionária", ressalta. (Redação - InvestNews)

17.06 - Decisão sobre marcação a mercado pode mudar
O colegiado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) deve mudar a primeira posição sobre os processos que analisam irregularidades na marcação a mercado das cotas dos fundos de investimento na crise de 2002. Ontem, pela primeira vez, o novo diretor da autarquia, Pedro Oliva Marcílio, manifestou seu voto em relação ao tema e posicionou-se a favor da absolvição dos indiciados, no caso específico a Sul América e o diretor de gestão responsável. O processo de ontem foi o segundo de uma série de mais de 15 que ainda serão julgados pela CVM, sendo que todos avaliam a mesma questão: se os gestores cometeram ou não irregularidades por não terem marcado pelo valor de mercado as Letras Financeiras do Tesouro (LFTs) em carteira.
No primeiro processo analisado os indiciados eram a Nossa Caixa e o diretor de gestão, que foram condenados ao pagamento de uma multa de R$ 50 mil e R$ 5 mil, respectivamente. No primeiro julgamento, no entanto, o colegiado ainda contava com o diretor Eli Lória, que antecedeu Marcílio. Naquela composição, a votação final acabou sendo de três votos pela condenação (de Lória, Wladimir Castelo Branco e Norma Parente) e dois pela absolvição (de Sergio Weguellin e do presidente Marcelo Trindade). Ontem, no entanto, o julgamento da Sul América acabou tendo seu resultado final adiado, porque o presidente declarou-se impedido e, desta forma, a votação acabou empatada. A posição final será conhecida posteriormente, uma vez que o superintendente internacional, Eduardo Manhães, convocado para o desempate, pediu tempo para analisar o processo. No entanto, nos demais processos que serão avaliados, quando nenhum integrante do atual colegiado se der por impedido, a votação esperada seria agora de três a dois pela absolvição. Está marcado para segunda-feira o processo que avalia a marcação a mercado no Banco da Amazônia e no dia 24 será a vez do Banrisul.
A avaliação dos casos de marcação a mercado tem sido um desafio para o colegiado da CVM. O primeiro processo, da Nossa Caixa, foi interrompido duas vezes por pedidos de vista e levou mais de oito meses para ser julgado.    (Catherine Vieira - Valor Online)

17.06 - Serenidade
Economia e política não estão desassociadas, mas os mercados, felizmente, ainda não se deixaram contaminar pelo clima que envolve Brasília, com uma profusão de denúncias de corrupção. E a razão para essa reação serena é só uma: a economia brasileira de fato está menos vulnerável a crises de ordem financeira. Essa blindagem, como dizem os analistas de investimento, baseia-se nos excelentes resultados das exportações, que levam o país hoje a dispensar financiamentos em moeda estrangeira para equilibrar as contas do balanço de pagamentos, e na manutenção do superávit primário nas finanças públicas. 
Com isso, as autoridades monetárias não precisam ter suas atenções desviadas do esforço para neutralizar a pressão inflacionária que se verificou nos últimos meses. Esforço bem-sucedido, como demonstram os últimos índices e a decisão do Copom de interromper o ciclo de alta dos juros, estabilizados em 19,75% anuais. 
Mesmo com todo esse ambiente de crise política em Brasília, os analistas de investimento são quase unânimes em projetar uma queda nos índices de preços, em especial o IPCA, calculado pelo IBGE, usado como parâmetro para as metas de inflação definidas pelo governo. 
Desse modo, já se poderia vislumbrar um alívio na política monetária no segundo semestre, permitindo que a economia respire e imprima um ritmo de crescimento ligeiramente mais acelerado. Talvez já não seja possível alcançar a almejada expansão de 4% no Produto Interno Bruto (PIB) de 2005. O primeiro semestre teve de ser sacrificado pela necessidade de se conter a pressão inflacionária. Havia de fato o risco de os índices de custo de vida voltarem ao patamar de dois dígitos, e os brasileiros sabem muito bem que a partir desse ponto a inflação ganha uma dinâmica muito mais difícil de ser controlada. 
Os problemas estruturais da economia brasileira obrigam o Banco Central a adotar uma política de juros elevados para dominar a inflação. O nível atual das taxas de juros é certamente temporário, pois, além de ser suficiente para inverter a trajetória da inflação, como se vê, gera efeitos colaterais nocivos. Dependendo do comportamento dos índices de preços em junho e julho, os juros básicos poderão trilhar a rota de descida, dando ânimo ao mercado interno, atualmente ofuscado pelas exportações.     (O Globo)

17.06 - Fundos 157: CVM criará canal online para atender investidores
Na busca por informações sobre os fundos 157 - carteiras de ações criadas em 1967 a partir de recursos devidos ao Fisco -, investidores têm congestionado a linha telefônica oferecida pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). "Já tivemos 32 mil consultas em um só dia e conseguimos atender apenas 1.200 ligações", diz o superintendente de proteção e orientação a investidores, Marcelo de Sampaio Marques. Para tentar resolver o problema, Marques afirma que a autarquia prepara um canal de informações online, que deve ficar pronto nos próximos dias.
Enquanto não fica pronto, Marques pede paciência ao investidor que busca o atendimento telefônico (0800-241616). Como parte das ligações recebidas são de pessoas que nem mesmo sabem se têm ou não aplicações esquecidas nestes fundos, Marques lembra que somente quem declarou Imposto de Renda nos exercícios entre 1967 e 1983, e que tinha imposto devido neste período, pode ter aplicado.
O investidor que sabe onde aplicou deve se dirigir à instituição financeira para resgatar seus recursos. A consulta à CVM só deve ser feita se o banco no qual foi feita a aplicação não existir mais, ou se o investidor não tem certeza se tem mesmo a aplicação. Em ambos os casos, as informações serão fornecidas com base nos dados prestados pelas instituições em abril de 1996, desde que o investidor tenha o número do CPF em mãos. Informações sobre valores só poderão ser obtidas diretamente com os bancos.
Segundo a CVM, o volume esquecido pelos investidores dos fundos 157 ainda é de cerca de R$ 585 milhões, ou um pouco mais de 1% dos R$ 45 bilhões aplicados em fundos de ações. O número de cotistas também é expressivo. São 3,4 milhões de contas, distribuídas em 25 fundos. Embora os números impressionem, Marques lembra que a aplicação média por investidor é muito baixa. "Muitos investidores pensam que vão resolver problemas financeiros e se decepcionam", diz, lembrando de um conhecido que descobriu recentemente ter um saldo de R$ 4,40.
O governo também está de olho nesses recursos. Proposta aprovada pelo Senado prevê um período para resgates, com a conseqüente transferência dos valores esquecidos para os cofres do Tesouro.    (Flavia Lima - Valor Online)

16.06 - Regras de fundos serão revistas
CVM anuncia mudança na instrução que rege a composição das carteiras. As mudanças nas instruções 202 e 409 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) devem ir à audiência pública dentro de, no máximo, dois meses, informou, ontem seu presidente Marcelo Trindade, que participou do 7º Encontro Nacional de Relações com Investidores e Mercado de Capitais, que terminou, ontem, em São Paulo. A instrução 409 prevê, entre outras medidas, a revisão da composição das carteiras dos fundos de investimento. Já a nova 202, cria níveis diferenciados para as companhias abertas. 
Além dessas medidas, Trindade informou que a revisão sobre os certificados de recebíveis imobiliários e a deliberação sobre a criação do Comitê de Termos de Compromisso também estão em vias de entrar em vigor. 
Trindade falou ainda sobre os planos da CVM para atender melhor o investidor. Segundo ele, 80% dos cotistas de fundos de investimentos não sabem o valor da taxa de administração cobrada pelo fundo. Para auxiliá-los, a CVM pretende criar, até o fim deste ano, um site especialmente dirigido ao investidor. "Não podemos deixar de olhar a taxa de administração. Principalmente nos investimentos de longo prazo, onde este valor pode fazer muita diferença", observou. 
Outra mudança prevista ainda para este primeiro semestre é a alteração das normas contábeis. O Projeto de Lei 3741, que está no Congresso, aproxima o padrão contábil brasileiro ao internacional e antecede a lei Sarbanes Oxley (SOX). Além disso, a adaptação as exigências da SOX vale apenas para as empresas que tem papéis no exterior, enquanto as normas do novo padrão brasileiro - que foram elaboradas pela CVM - vão valer para todas as companhias, inclusive de capital fechado, aumentando a transparência dos resultados contábeis no País. 
Mais Companhias 
O diretor de Mercado de Capitais do Banco Pactual, Rodolfo Riechert, acredita que o número de aberturas de capital deve superar a marca registrada no ano passado, quando sete empresas lançaram ações na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). "Se compararmos o primeiro semestre deste ano com o mesmo período do ano passado, veremos que o desempenho já é melhor ", disse.    (Gazeta Mercantil - Murillo Camarotto) 

16.06 - Ainda é tempo 
Temos procurado chamar a atenção para as conseqüências futuras da aparente vitória sobre a inflação produzida pela excessiva valorização do real. Não existe a menor dúvida sobre os seguintes fatos:
1. Uma taxa de inflação mesmo abaixo de um dígito produz ineficiências superiores às que se supunham até algum tempo atrás. A crença é que uma inflação entre 2% e 3% seja capaz de minimizar as ineficiências e de conservar a flexibilidade necessária ao mercado de trabalho;
2. Num sistema de câmbio flutuante, a taxa de câmbio responde às diferenças de produtividade, de taxas de inflação e de juros reais entre os parceiros comerciais;
3. Não existe a troca que alguns supõem entre "mais um pouco de inflação por mais um pouco de crescimento". O que é possível escolher é um caminho de menor sacrifício (mais longo) reduzindo o custo (em termos de PIB) do programa antiinflacionário;
4. A possibilidade de reduzir a taxa de inflação sem nenhum custo, que empolgou os radicais das "expectativas racionais", mostrou ser praticamente inviável;
5. Diante de um excesso de demanda não derivado de um aumento do consumo nem de um aumento de investimento com a cumplicidade do setor financeiro, a forma eficiente de reduzir a taxa de inflação é cortar a despesa pública de custeio;
6. Se o crescimento da demanda for produzido por um aumento do salário real acima do nível de produtividade da mão-de-obra, como conseqüência do poder monopolista das centrais sindicais, o remédio é cortar a demanda do setor privado através da política monetária e aceitar o inevitável desemprego.
Neste momento, estamos com uma inflação anual medida pelo IPCA em torno de 8,1%. A expectativa da taxa de inflação para 2005 (medida pelos levantamentos do Banco Central) é de 6,2% -e vem diminuindo lentamente. A "meta inflacionária" é de 5,1% para dezembro. O Banco Central tem aumentado a Selic nos últimos nove meses, estando ela hoje em 19,75%, o que corresponde a uma taxa de juro real anual de 13%, que se compara com as taxas mundiais reais que estão entre 0% e 1%. Esse diferencial estimula a entrada de capitais que se vêm somar ao superávit em conta corrente e aumentam a enorme pressão valorizadora do câmbio.
O efeito interno da enorme taxa de juros real foi muito reduzido devido às mudanças estruturais (bem-vindas!) no crédito ao setor privado, particularmente para as famílias e os pequenos empresários. O pequeno ganho na batalha contra a inflação vem, assim, da substancial valorização artificial do real frente ao dólar. Essa valorização, se persistir, vai desarticular o agronegócio e o setor industrial-exportador e aumentar a inflação futura quando o câmbio (pela redução dos juros) procurar seu novo equilíbrio. Os primeiros resultados disso serão uma redução da área plantada em 2005/06 e a desaceleração das exportações em 2006.
A persistir o atual "mix" de política econômica, é difícil imaginar o ano de 2006 melhor do que o de 2005. É preciso uma ação enérgica do Executivo (com o suporte do Legislativo) para propor um corte lento, mas importante, nas despesas do governo e um aperfeiçoamento do Orçamento.
É isso o que abrirá o caminho para a rápida redução da taxa de juros e a desvalorização do real.   (Antonio Delfim Netto - Folha de S.Paulo)

16.06 - Alfaiates do dinheiro
É fácil encontrar uma pessoa disposta a correr mais riscos investindo em um fundo DI ou alguém que quer poupar durante quatro ou cinco anos para comprar um apartamento aplicando em um fundo de longo prazo voltado à aposentadoria. Para não cair nesses tipos de erros comuns, cada vez mais pessoas procuram os serviços de empresas especializadas em indicar o tipo de investimento ideal, de acordo com o perfil de risco e os objetivos de cada um - as consultorias financeiras.
A expansão de gestores independentes, que desenvolvem novos tipos de fundos, geralmente mais sofisticados, é outro fator que aumenta a necessidade do investidor procurar ajuda de alguém que saiba decifrar as tendências e de uma forma simples mostrar o que serve ou não para ele. Soma-se a isso o crescimento da economia que aumenta a quantidade de dinheiro em circulação e, consequentemente, a necessidade de ter informações mais detalhadas sobre qual é o melhor destino para os recursos. Pelas estimativas dos consultores ouvidos pelo Valor, a procura pelos serviços nos últimos meses cresceu entre 50% e 80%. Apesar de a economia ter patinado no primeiro trimestre, eles afirmam que a procura continua aquecida e que a briga com os grandes bancos para conquistar esses clientes no que se refere à orientação deve continuar sendo grande.
A Investmate, consultoria financeira dos mesmos sócios do site Fortuna, vem registrando esse interesse maior por orientação. Sem abrir números, até por uma questão estratégica frentes aos seus concorrentes que também mantêm suas carteiras de clientes guardadas a sete chaves, o sócio Marcelo D'Agosto afirma que a procura neste início de ano foi 80% maior frente ao mesmo período de 2004. A maior parte dessas pessoas recebeu um dinheiro extra - pelo crescimento econômico, pela venda de um imóvel ou empresa e até pela distribuição de dividendos - e não sabe onde aplicá-lo.
"Geralmente são pessoas com nível superior, bem-sucedidas e que exigem respostas mais qualificadas do que aquelas que conseguem conversando com o gerente do banco em que têm conta", diz D'Agosto. Essas pessoas têm um poder aquisitivo maior que a média, mas ainda não o suficiente para serem atendidas de forma personalizada pelo segmento private dos bancos. "As carteiras variam entre R$ 100 mil e R$ 1 milhão", completa D'Agosto.
Além da situação econômica mais favorável, há uma quantidade grande de mudanças no setor de investimentos - como imposto de renda decrescente conforme o prazo da carteira e o tempo de aplicação, conta-investimento, Tesouro Direto e a nova regra de fundos criada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) - que torna muito difícil o investidor analisar tudo sozinho e decidir com segurança onde irá aplicar.
Uma pesquisa feita pelo Ibope a pedido da Associação Nacional dos Bancos de Investimentos (Anbid) comprova a insatisfação dos investidores com o tipo de tratamento que recebem dos grandes bancos. A pesquisa mostra que, apesar de 89% das pessoas entrevistadas aplicarem em fundos de bancos de varejo, apenas 54% procuram os gerentes dessas instituições para obter informações. A explicação mais provável para isso é o fato que apenas 41% dos entrevistados afirmam que no momento da aplicação receberam algum tipo de orientação sobre os objetivos e riscos do investimento escolhido. E 26% dos entrevistados responderam que foi indicado a eles o fundo do banco que mais rendeu, sem maiores questionamentos. Para 6%, foi indicado o fundo de interesse da instituição. "Os bancos ensinam equivocadamente que mais importante que o risco embutido na aplicação, é o retorno que ela proporciona", aponta D'Agosto.
A pesquisa também mostra que apesar de as pessoas não estarem satisfeitas com a orientação dos bancos, elas ainda estão longe do caminho certo. Entre os entrevistados, 10% pegam indicações de investimentos com parentes ou amigos. E apenas 2% utilizam os serviços dos consultores financeiros. "O amigo sempre avisa a melhor hora de comprar, mas esquece de ligar para avisar a hora de vender", diz o sócio da Quadrante Investimentos Marcelo Audi.
Criada há dois anos por três executivos do mercado financeiro - Marcelo Audi, Luiz André Rabello e Edson Inácio da Silva - a Quadrante registra um movimento crescente de pessoas interessadas em orientação. Audi acredita que o aumento de novos tipos de investimentos, aliado a uma complexidade cada vez maior desses produtos, estão impulsionando a procura por ajuda de consultores. "É um serviço de alfaiataria em que montamos uma carteira sob medida para o perfil de risco de cada cliente", diz Audi. Além das pessoas insatisfeitas com a orientação do banco ou dos amigos, há clientes que antes cuidavam eles mesmos do dinheiro e tinham de acompanhar de perto a economia para depois decidir em qual fundo aplicar. "Esse investidor percebeu que precisava de um dia de 48 horas para trabalhar e ainda fazer tudo isso", diz Audi.
As consultorias trabalham com duas formas de remuneração. Algumas cobram um preço fixo do próprio cliente, como a Investmate e a Quadrante Investimentos. Outras não cobram do investidor, mas em compensação recebem uma parte da taxa de administração dos fundos que indicam - o que é conhecido no mercado como "rebate". Há uma discussão sobre qual o nível de imparcialidade no aconselhamento feito pelas empresas que recebem rebate das administradoras de recursos que indicam. "Quando é o cliente que paga, não paira dúvida de que o consultor está indicando o que é melhor para o investidor e não carteiras onde possa receber rebates maiores", diz Marcelo Audi, da Quadrante.
O investidor parece disposto a pagar pelo diferencial. As consultorias têm se expandido, em especial nas cidades distantes de São Paulo, com grande potencial de crescimento econômico, diz o diretor executivo da BI Invest, Reinaldo Zakalski. Lançada em 1999 e hoje com cerca de mil clientes ativos, a BI Invest tem escritórios em São Paulo, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e Brasília, e deve abrir em breve filial em Sorocaba. Em meio ao mercado aquecido, a empresa estuda também abrir escritórios em bairros de São Paulo, como Santana e Tatuapé, e ainda na Grande São Paulo, em municípios como Santo André e São Bernardo do Campo. "São espaços consultivos mais próximos do investidor, facilitando o deslocamento", diz Zakalski.
Aberta ao mercado em 2001, a MCA Economy tem cerca de 200 clientes ativos. Segundo o sócio-estrategista, Carlo Moratelli, a consultoria apresenta crescimento anual de cerca de 50%. Em 2004, a retomada do crescimento econômico fez com que a captação nos últimos meses do ano fosse recorde. "Os bônus recebidos por empresários tiveram uma participação importante no total captado", afirma o executivo, que sustenta em seu currículo passagens pelo Banco Itaú e pelo Lloyds Bank.
Mas o serviço não é procurado apenas em períodos de expansão. Segundo Moratelli, a consultoria não parou de crescer em 2002 (em meio à crise pré-eleitoral), com investidores assustados pela volatilidade até mesmo de produtos mais conservadores como os fundos DI. "Só não somos procurados em momentos de mercados acomodados, que não se movimentam para nenhum lado", lembra ele.
As previsões positivas não significam, porém, que não há obstáculos a superar. A forte fidelidade de clientes de alto poder aquisitivo ao seus bancos de origem é um deles. Outro é o vaivém de investidores. Há cerca de três anos, diz Moratelli, muitas pessoas buscaram as consultorias, dispostas a aplicar em multimercados. "Muitos se desapontaram e voltaram para seus bancos", diz. Além disso, os profissionais do setor avaliam que têm surgido mais concorrentes do que novos clientes no mercado. Para sobreviver, dizem eles, será preciso um leque de serviços que vá muito além do "feijão com arroz" representado pela alocação de recursos.    (Daniele Camba e Flavia Lima - Valor Online)

16.06 - Oportunidade quase perdida na economia 
A prática desde setembro de 2004 de política macroeconômica destoante da nossa realidade resultou no desperdício de oportunidade excepcional para o Brasil repetir e até aumentar em 2005 o crescimento do ano anterior de 4,9% do Produto Interno Bruto (PIB), acompanhando os ventos favoráveis do comércio e da economia mundial. 
Contrastando com o panorama externo, o Copom do Banco Central semeou aqui os tenebrosos ventos dos juros altos e do câmbio apreciado e já está colhendo as primeiras tempestades. Os dados oficiais do IBGE sobre o 1º trimestre deste ano em comparação ao trimestre anterior são alarmantes: a produção industrial caiu 1% e serviços 0,6%; o nível de investimentos recuou 3% e o consumo privado das famílias 0,6%. A situação só não ficou pior porque a agricultura cresceu 2,6 % e a exportação, 3,5%. 
A economia mostrou que não agüenta ao mesmo tempo duas âncoras de combate à inflação: a monetária (juros elevados) e a cambial (real valorizado). Ou o Banco Central modifica rapidamente sua rota, ou o Brasil vai amargar incremento do PIB em torno de 3% em 2005. 
Ninguém duvida de que maiores juros Selic são inócuos em relação aos preços administrados pelo governo (energia, telefone, transporte coletivo e outros), os quais, contrariando a filosofia do plano Real, prosseguem indexados, alimentando a inflação inercial. Pior, a telefonia tem reajuste pelo IGP-DI e a energia elétrica pelo IGP-M, índices sempre acima do IPCA, que rege a inflação oficial. 
Enquanto quase nada representou para a queda de preços, a taxa Selic provocou quatro efeitos profundamente perversos: 
1- Aumento da dívida pública interna que se aproxima de R$ 1 trilhão, uma vez que o superávit primário do orçamento cobre só parcialmente o pagamento dos juros. 
2- Valorização artificial da cotação do real em relação ao dólar, superior às demais moedas submetidas ao câmbio variável, porquanto atrai aplicações financeiras externas especulativas de curto prazo, que vêm auferir lucro certo e sem risco com a mais alta taxa de juros do universo (renda líquida de 13,75%). 
3- Houve, outrossim, estímulo às importações e a viagens de turismo ao exterior e desestímulo às exportações de produtos menos competitivos como calçados, têxteis, móveis, componentes industriais e outros. 
Segundo Ivan Ramalho, secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, 900 companhias (a maioria pequenas e médias) e 600 itens novos incorporaram-se à nossa pauta de exportação em 2004, composta em valor de 56% de manufaturados. Lamentavelmente, o real valorizado fez com que, em maio/2005 comparado a maio/2004, 259 empresas deixassem de exportar, conforme levantamento da Associação Brasileira de Comércio Exterior (AEB). 
4- Arrefecimento do ânimo empreendedor com o adiamento de projetos de construção, ampliação e modernização de indústrias, principalmente aquelas voltadas à exportação. 
Diferentemente de nós, em 25 de maio último a Argentina dobrou para 365 dias o prazo mínimo de permanência das aplicações financeiras do exterior, com a justificativa de não apreciar o peso, agora em torno de 2,90 por dólar. A Colômbia igualmente perfilhou esta regra em fins de 2004 e o Chile anos atrás; ao revés, o Brasil se mantém escancarado ao chamado “capital motel”, chega e sai à vontade no momento que quiser, com total liberdade de movimentos. 
É bom lembrar que, em 2004 e nos primeiros meses deste ano, a cotação do real e do peso argentino estavam praticamente em linha, a ponto de muitos defenderem a idéia dos dois países adotarem moeda única, valendo-se da paridade. 
O CMN vai fixar neste mês de junho a meta de inflação para 2007, que precisa ser realista e considerar também a necessidade do país crescer para reduzir os assustadores níveis de desemprego, um dos fatores da criminalidade. Impõe-se, ademais, a humildade de rever o percentual de 4,5% em 2006, passando-o no mínimo a 5,1%, tolerada diferença de dois pontos e meio. É preciso recordar e levar em conta que apenas nos anos de 1946 e de 1998 a inflação ficou abaixo de 5,5%, e não se vislumbrou melhoria social ou econômica naqueles períodos. 
Com os bons fluídos da viagem presidencial à Coréia e ao Japão, firmando compromissos de joint-ventures e de prováveis grandes investimentos no Brasil, afora linhas de créditos e perspectivas de intensificar o intercâmbio comercial, havia fundadas expectativas de que o presidente Lula retornasse com iniciativas inovadoras e corretivas do planejamento estratégico. Por exemplo, estabelecer política macroeconômica e fiscal consentânea com nossa conjuntura, que combata a inflação e simultaneamente impulsione o aproveitamento do nosso formidável potencial de trabalho e de riqueza. 
Por sinal, os economistas reunidos no 1º Encontro Nacional da Sociedade Brasileira de Economia Política, dias 26 e 27 de maio último, aprovaram a “Carta de Campinas”, criticando juros altos, a ortodoxia monetária de metas de inflação irreais e a livre movimentação de capitais de curto prazo, que favorecem a apreciação da moeda. 
Todavia, o presidente Lula, convertido por Palocci e Meirelles, persevera na crença dogmática de que haverá o milagre do crescimento sustentável do Brasil por 10 a 15 anos, com a continuidade de juros acima e dólar abaixo. Oxalá o milagre se realize, sob pena de infelicitar o povo e comprometer o futuro da Nação, ou então que se desvaneça a miragem e se vislumbre o rumo certo.    (Léo de Almeida Neves - Jornal do Brasil)

16.06 - Ortodoxia ganha força, avaliam empresários
Empresários que se reuniram nos últimos dias para avaliar a crise política aberta pelas denúncias de corrupção no governo concluíram que ela tende a reforçar a linha ortodoxa da política econômica em vigor, reduzindo o espaço crescente que seus críticos vinham encontrando para se manifestar nos últimos meses.
Na quinta-feira da semana passada, dez empresários ligados ao Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) se reuniram em São Paulo para examinar os desdobramentos da crise. Com os juros nas nuvens e sinais de que a atividade econômica está se desacelerando, eles temem que suas queixas sejam cada vez menos ouvidas.
"Apesar dos seus problemas, a política econômica ainda é vista no governo como um porto seguro nesse momento", disse o economista Júlio Sérgio Gomes de Almeida, diretor-executivo do Iedi. "Mudanças que poderiam ser feitas agora provavelmente terão que esperar a crise passar."
As preocupações dos integrantes do Iedi são compartilhadas por muitas pessoas no meio empresarial. "Mexer na economia agora seria uma loucura e é improvável que o governo faça algo", diz o presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Claudio Vaz. "Usar a economia para fabricar boas notícias seria muito arriscado."
O governo promete divulgar hoje um pacote de mudanças tributárias para reduzir o custo dos investimentos e estimular a economia. Apesar de discordâncias sobre detalhes, os empresários tendem a aplaudir a iniciativa. Mas eles acham que as medidas terão pouco efeito no curto prazo, no ambiente restritivo criado por nove meses de alta dos juros.
Empresários com influência no governo acham possível aproveitar o momento para obter concessões pontuais de Brasília. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, começou a discutir a idéia nos últimos dias e reuniu duas dezenas de líderes industriais num jantar na segunda-feira para iniciar a conversa.
A pelo menos um interlocutor, Skaf sugeriu a articulação de uma espécie de pacto em que os empresários ajudariam o governo a atravessar a turbulência da crise em troca de refrescos para o setor produtivo. A idéia foi recebida com frieza. Os participantes do jantar de segunda-feira examinaram vários cenários e concluíram que a única coisa a fazer é continuar observando a crise.
Num ambiente cheio de incertezas, Skaf se move de forma dúbia. Ele encontrou Lula logo no início da crise, há um mês, e deixou em Brasília a impressão de que ajudaria o governo a deter as investigações das denúncias de corrupção no Congresso. Uma semana depois, disse durante uma entrevista coletiva que o problema todo era do Legislativo e não lhe cabia opinar sobre o assunto. Na semana passada, divulgou uma nota oficial em que defende a apuração das denúncias "até as últimas conseqüências".
Empresários com bom relacionamento com os petistas passaram a demonstrar desconforto. Há poucos dias, o presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Benjamin Steinbruch, manifestou preocupação com o isolamento do governo e comentou com um colega que tem encontrado dificuldades para falar com alguns ministros. Em maio, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, prometeu a Skaf que iria à Fiesp em duas semanas para debater a política econômica. A visita ainda não tem data marcada.
Em conversas reservadas com outros homens de negócios, o presidente da Gradiente, Eugenio Staub, tem manifestado há meses seu descontentamento com o governo. Primeiro empresário de prestígio a declarar publicamente apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha eleitoral de 2002, Staub tem evitado discutir o assunto publicamente para não criar novas complicações para Lula.
O presidente do Grupo Pão-de-Açucar, Abílio Diniz, esteve com Lula na terça-feira. "O presidente está muito sereno e tranqüilo e decidido a tomar as medidas que são cabíveis e pertinentes", disse.     (Ricardo Balthazar - Valor Online) 

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